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Direitos reais - Rosenvald

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INSTITUTO PRAETORIUM

MÓDULO DE DIREITOS REAIS

NELSON ROSENVALD

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Rio, 05/11/2007. Boa noite à todos. Para quem não me conhece, me chamo Nelson Rosenvald. Sou formado pela UERJ, mestre e doutor pela PUC/SP e atualmente exerço a atividade de Procurador de Justiça do MP/MG. Igualmente, sou autor de alguns livros de direito que os Srs. devem conhecer. Também exerço o cargo professor, coordenador e sócio-proprietário deste curso. Assim caso não gostem do módulo, infelizmente não haverá devolução dos valores pagos. Já gastei tudo. Afinal isto é minha propriedade (sic). Bem, antes de começar achei importante falar sobre meu currículo, não para me gabar, até porque tenho muito a aprender e progredir, mas para afirmar aos Srs. que só o estudo salva, e todos vocês parecem querer a salvação, pois enquanto muitos estão em suas casas vendo suas novelas, entrando em seus perfis de orkut e passando o tempo no messenger, vocês preferiram o caminho mais árduo, porém infinitamente benéfico, que é o conhecimento. Assim, os parabenizo por isso. Há poucos anos atrás também tomei este rumo da mesma forma que os srs. e hoje estou na frente de vocês dando este módulo, mas com o mesmo espírito estudantil dos srs. Somos todos aprendizes desta ciência maravilhosa que é o direito. Cada qual com um nível de aprendizado, afinal o saber é pura e simplesmente a sedimentação decorrente do estudo. Quando resolvi estudar e via os grandes dando aulas achava que nunca iria saber aquilo que me falavam. Gente, sei exatamente como vocês se sentem quando assistem os julgamentos da TV Justiça, principalmente aqueles do STF, onde os ministros parecem alienígenas do planeta direito(sic), falando sua linguagem jurídica extraterrestre (sic). Realmente achamos que representam uma civilização de outro mundo, que vieram destruir o planeta (sic). Dizia caramba, nunca vou saber isso. Mas comecei a estudar, com um passo de cada vez. E um dia após outro de estudo, esse nunca virou talvez e o talvez tornou-se a certeza. Hoje mantenho o hábito de acompanhar este precioso canal. Continuo fã de alguns, como o Marco Aurélio e Carlos Ayres Britto (que simplicidade!) mas já posso dizer que um ministro ou outro disse besteira. O Gilmar Mendes já disse várias (sic). Enfim pra finalizar, digo aos srs. que estudar dá certo. Não tentem saber tudo de uma só vez, procurem saber muito bem uma coisa de cada vez. Volto a repetir, estudo é sedimentação, e isso só se consegue com estudo e regularidade. Dito isso, vamos logo começar para não ficar com cara de palestra de auto-ajuda (sic). Apenas quero ajudar os Srs., porque queria na minha época que alguém me desse essas dicas, que tive que aprender ao longo do estudo.

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Sem mais delongas, começamos hoje com propriedade, mas como essa aula tem duas horas, primeiro eu quero dar uma visão geral para vocês de direitos reais. E com essa visão geral de direitos reais, facilita demais o restante do trabalho. Bem no tocante à bibliografia, recomendo: - Meu livro junto com o Cristiano - Direitos Reais. 3.ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007 Cristiano Chaves de Faria e Nelson Rosenvald. - Direito Civil Brasileiro Vol.V – Direito das Coisas, Carlos Roberto Gonçalves, 1ª Edição, ano 2006, Editora Saraiva. (o mais completo!) - Curso de Direito Civil Vol.3 – Direito das Coisas, Washington de Barros, 37ª Edição, ano 2003, Editora Saraiva.

Gente, quando vocês estudam direito civil, a raiz do direito civil é o direito patrimonial. O direito civil, na sua essência, é um direito que tem dois alicerces. Quais são esses dois alicerces? Contratos e propriedade. O direito civil tradicional sempre se preocupou com a proteção dos contratos e com a tutela da propriedade. Então, ele se bifurcou em dois ramos: direitos reais e direitos obrigacionais. Esses são os dois pilares do direito patrimonial. Direitos reais de um lado e direitos obrigacionais, de outro. Quais são as diferenças sensíveis entre os direitos reais e os direitos obrigacionais? Isso é só para vocês terem sempre essa idéia inicial. Como é o nome do meu amigo do módulo? Resposta do aluno: Flávio. Flávio, você me deve R$ 100 mil. Nelson é credor e Flávio é devedor. Isso é uma relação obrigacional, pois tem um credor e um devedor que estão ligados por uma prestação, que no caso, é uma prestação de dar quantia certa. A outro turno, o Flávio é proprietário de uma cobertura na Delfim Moreira. Se você é proprietário de uma cobertura na Delfim Moreira, você exerce poder sobre uma coisa e esse poder que você tem sobre a coisa é oponível em caráter erga omnes. Isso já é o mundo dos direitos reais. Quais são as diferenças que vocês conseguem perceber entre o mundo dos direitos reais e o dos direitos obrigacionais? Em primeiro lugar, qual é o objeto de uma relação de direito obrigacional? É uma prestação, é o comportamento do devedor. É uma prestação de dar, fazer ou não fazer. Esse é sempre o objeto de uma relação obrigacional.

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Em contrapartida, qual é o objeto da relação de direitos reais? É a coisa, é o bem da vida. É o apartamento, é um carro, é uma casa, é um direito autoral, é um sócio, ou seja, sempre é um bem da vida. Então, a primeira diferença se encontra em relação ao objeto. O objeto do direito obrigacional é a prestação e o do direito real é o bem jurídico. Segunda diferença básica entre os direitos reais e os direitos obrigacionais que, talvez, seja a diferença mais importante: é quanto ao modo de exercer. Querem ver? Flávio, para que eu cobre de você esses R$ 100 mil, para que o credor obtenha essa prestação do devedor, o credor necessita da colaboração do devedor? Sim. Necessariamente as relações obrigacionais são relações de cooperação.porque o credor só obtém a prestação do devedor se o devedor praticar um a conduta de dar, fazer ou de não fazer. Ou seja, a satisfação do credor exige um comportamento do devedor chamado adimplemento. Mas se o Flávio é proprietário de um apartamento na Delfim Moreira, para que ele possa exercer poder sobre aquele apartamento ele precisa da colaboração de alguém? Não, pois as relações de direitos reais não são relações jurídicas baseadas na cooperação entre pessoas. O que nós temos, na verdade, são relações materiais de subordinação de coisas a pessoas, em que bens são submetidos ao poder de pessoas. Qual é a sutileza dessa distinção? Por que que em prova de concurso os direitos reais são chamados de ius in re e os direitos obrigacionais são chamados de ius ad rem? Porque ius in re significa direito sobre a coisa. Quem é titular de direito real exerce poder material evidente sobre o objeto. Ele pode usar da coisa, fruir da coisa, pode dispor da coisa. Ele tem poder imediato, sem a necessidade de colaboração de quem quer que seja. No direito obrigacional, o nome é ius ad rem, pois significa direito à uma coisa. E só terá direito a uma coisa se houver a colaboração, a cooperação do devedor. Então, nunca confundam direitos sobre coisas e direitos à coisa, porque direitos à coisa só são fornecidos se houver uma prestação do devedor, uma colaboração dele em favor do credor. Então, quando alguém perguntar para vocês qual é a diferença de direitos reais para direitos obrigacionais, vocês já sabem: quanto ao objeto e quanto ao modo de exercer. Os direitos reais possuem quatro características básicas. A primeira característica dos direitos reais, que subliminarmente vocês já viram aqui, é que eles são absolutos. Em que sentido? Flávio, quando você é proprietário dessa cobertura no Leblon, o que você pode exigir de todos nós que somos o povão? O dever de abstenção.

à nossa existência. Cada aprendizado em uma matéria serve de início para outra. qual seja: não interferir no exercício da minha propriedade. que não perturbem essa relação obrigacional? Sim. Como vocês já tiveram obrigações com o Bruno. e devo. É direito subjetivo absoluto que ele tem. nós somos os não proprietários. a sociedade não pode lesar os contratantes. Mas ambos são absolutos.e os direitos da personalidade são direitos absolutos extra patrimoniais. os direitos da personalidade também são absolutos e também impõem esse comportamento negativo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 4 Sabe por que você pode exigir o dever de abstenção? Porque nós somos os erga omnes. de jeito nenhum. porque tudo o que vocês aprendem nesse semestre no Praetorium é uma continuação. mesmo que a relação obrigacional ou contratual seja pelas partes. a sociedade. os direitos obrigacionais não seriam absolutos. pois apesar das obrigações serem relativas no que diz respeito a que a prestação só deva ser paga pelas partes. . eu posso pegar bem pesado com você. Nelson. No sentido de que esses direitos reais podem exigir de todos um comportamento negativo. Agora um esclarecimento: se Nelson é credor de R$100 mil de Flávio. Então. as relações obrigacionais também têm eficácia. pode prejudicar as relações de crédito que estão em andamento. no sentido de que toda sociedade tem que respeitar os meus atributos existenciais. E por que elas te oponibilidade erga omnes? Pois pelo princípio da função social do contrato. Seriam relativos pois eu só posso exigir essa obrigação de dar. Em tese. visto que dizem respeito à nossa essência. pois não são aferíveis pecuniariamente. Olha a linha de raciocínio: direitos obrigacionais são absolutos ou relativos? Vocês aprendem que eles são relativos porque essa prestação de R$ 100 mil eu. não pode interferir nas relações de crédito. ele pode exigir que todos que estão na sala não interfiram nessa relação obrigacional. Então. oponibilidade erga omnes. qual é a diferença entre direitos reais e direitos da personalidade se ambos são absolutos? É que os direitos reais são direitos absolutos patrimoniais. No direito civil existe alguma outra categoria de direito subjetivo absoluto sem ser o direito da propriedade ou direitos reais? Tem. fazer ou não fazer relativamente contra a pessoa do devedor. posso exigi-la apenas relativamente contra o devedor Flávio. Isso significa que os direitos reais são direitos absolutos no sentido da sua oponibilidade contra todos. Então. vocês não podem cortar o raciocínio. eu vou mostrar porque os direitos obrigacionais são estudados antes dos direitos reais.

as relações obrigacionais são relativas no sentido de que as prestações são só exigidas à parte. elas têm oponibilidade erga omnes porque as relações obrigacionais são voltadas para o adimplemento. pois o apartamento é dele. A hipoteca vence em 15 de dezembro. Esse negócio jurídico de vender esse imóvel é um negócio jurídico válido? Sim. Só porque ele hipotecou. que é o credor hipotecário. eu posso perseguir a coisa contra todos. A relação obrigacional é um processo que nasce para ser cumprido e se um terceiro interfere nessa relação obrigacional. Só que ele vendeu para a Marcele e não pagou a dívida que vencia no dia 15. pois a segunda característica dos direitos reais é a seqüela. Examinador. O apartamento do Flávio fica na Delfim Moreira. A Bhrama. mas elas também geram uma eficácia erga omnes. interferiu nessa relação de cooperação e levou esse contrato ao inadimplemento. se o direito real é igual para todos. Acontece que o Flávio está precisando de dinheiro e pede R$ 500 mil emprestados ao Nelson que diz que só empresta essa quantia se o Flávio lhe der em hipoteca esse apartamento da Delfim Moreira. O que é a seqüela? Seqüela é a faculdade do titular do direito real de seguir a coisa onde quer que ela se encontre. Se eu tenho a possibilidade de . o que se deve colocar em prova de concurso: Sr. os direitos reais são absolutos. o que acontece? O Flávio dá em hipoteca a cobertura para o Nelson que.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 5 É por isso que vocês viram que lá em São Paulo o juiz condenou a Bhrama a indenizar a Nova Schin porque a Bhrama pegou o Zeca Pagodinho no meio do contrato que ele tinha com a Nova Schin. nos ensina que essa dicotomia entre direitos reais e direitos obrigacionais está perdendo o seu significado porque todas as relações patrimoniais exigem uma oponibilidade em face de terceiro. Então. ao invés de ter respeitado o contrato em andamento do Zeca Pagodinho com a Nova Schin. ou seja. O ordenamento hoje. Ela será conduzida ao inadimplemento. Quinze dias antes de vencer a dívida. o apartamento não deixou de ser dele. em troca. quando o Flávio deverá pagar os R$ 500 mil. Se o direito real é absoluto. Pergunta: Nelson. cada vez mais. ela não será cumprida. dá os R$ 500 mil para Flávio. O Flávio concorda. pode ir atrás da Marcele e tirar o apartamento que ela comprou? Pode. Por que o direito real tem seqüela? Porque o direito real é absoluto. Então. o Flávio pega a cobertura e vende para a Marcele. Então.

pois são direitos relativos. em regra. Pois quando os direito obrigacionais são objeto de inadimplemento. se eu assinei com o Flávio o seguinte contrato: Nelson é credor de Flávio que irá entregar-lhe uma bicicleta em 15/12. se acontece o que está no art. Flávio diz que possui duas más notícias: apesar de não ter vendido o imóvel para ninguém. ele é um terceiro. assim sendo. levar à venda em hasta pública. que é evidente e claro em relação aos direitos reais. eu tenho seqüela contra o bem? Fraude contra credores. são sem seqüela. E. pois esta é uma relação obrigacional. Se ele não é parte. Flávio pegou R$ 500 mil emprestado com o Nelson. Em contrapartida. Isso é uma relação obrigacional. pois o bem está hipotecado. ou seja. Provado esses requisitos. surge a seqüela. poderá o Nelson ir atrás de Beto e tirar a bicicleta dele? Não. Os direitos obrigacionais. só possa buscar perdas e danos decorrentes do descumprimento da prestação. resolvendo-se tudo em perdas e danos. se reduziu à condição de insolvência. Como surge a fraude contra credores? Deve-se provar que o Flávio fez uma liberalidade para o Beto. Então.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 6 exigir de todos a abstenção. Mesmo em relações obrigacionais. No dia 15/12. Nelson só pode exigir a prestação relativamente contra o devedor Flávio. a regra geral é que o credor. Nelson tem uma ação pauliana para anular esse negócio jurídico que foi lesivo aos meus interesses. efetivamente não haverá seqüela no mundo dos direitos obrigacionais. a seqüela é um atributo derivado do absolutismo. Só terá seqüela no mundo dos direitos reais. . eu posso perseguir a coisa aonde quer que ela se encontre. 158 do CC (fraude contra credores). vítima do inadimplemento. fez uma doação e. com isso. vítima da inexecução. Nelson não pode exigir a prestação relativamente contra Beto porque Beto não é parte nessa relação obrigacional. Nelson diz que vai pegar o imóvel. Mas se não houver fraude. não irá pagar os R$ 500 mil. Se no dia 15/12 Nelson cobrar a bicicleta de Flávio e este disser que a vendeu para Beto. Os direitos obrigacionais são sem seqüela. Nelson vai cobrar os R$ 500 mil. ele não pode buscar a bicicleta do Beto. Qual é o único caso que mesmo eu sendo um mero credor obrigacional. dando em troca a hipoteca do apartamento na Delfim Moreira e dia 15/12 é o dia do vencimento dessa obrigação.

Esse imóvel. isso significa que os outros credores são credores quirografários. Nelson recebe primeiro os R$ 500 mil. é um bem que está afetado. pois patrimônio geral do devedor é aquele que serve de garantia para todos os credores. Mas se o apartamento é vendido por R$ 700 mil. no restante eu entro na fila junto com os credores quirografários para apurar o . Em outros termos. correto? Se eu só consigo apurar R$ 300 mil na venda desse bem. Muita atenção: o que quer dizer que um bem foi seqüelado? O bem que está seqüelado é um bem que está reservado. eu perco a preferência porque a minha preferência está ligada apenas ao valor do bem seqüelado. Primeiro recebe Nelson que é credor preferencial. Vale dizer: eles estão no fim da fila. como é que eu faço para obter os outros R$ 200 mil que me faltam? Nesse caso. quando foi reservado. Por que o titular do direto real tem preferência? De onde nasce essa preferência dele? A preferência nasce da seqüela. A terceira característica dos direitos reais é a preferência. possui preferência. qual seja: obter o pagamento da dívida em primeiro lugar. Se eu não conseguir na venda do bem seqüelado apurar o valor. A preferência decorre da seqüela. Tudo que eu falei até agora foi fácil. Enquanto os quirografários são credores gerais do patrimônio. o que se faz com os outros R$ 200 mil? Os outros credores irão disputar essa quantia. A razão da preferência é a seqüela. do privilégio de ser titular de um direito real. ele é um patrimônio em afetação.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 7 Mas Flávio diz que Nelson não é seu único credor. Isso é tanto verdade que: R$ 500 mil é o que você me deve. afetado. Agora eu vou perguntar o que o examinador perguntaria em uma prova aberta e em uma prova oral. não faz mais parte do patrimônio geral do devedor. Flávio possui um enorme número de credores. o credor hipotecário é um credor especializado daqueles bens que foram separados. Mas Nelson já recebeu a sua parte em razão da preferência. que significa que o titular do direito real tem um privilégio. Além dele. Nelson diz que como possui direito real. justamente porque está reservado para satisfazer o seu direito real. Ele está reservado apenas para esse credor Nelson que o separou e isso significa que ele é que terá preferência no produto da sua venda. Mas como esse bem foi reservado e afetado.

Isso é só para vocês entenderem que essa preferência existe. reservados. É por isso que eles vêm em primeiro lugar. Basta ir no art. qual que é a preferência do titular de direitos . E depois desses créditos privilegiados. por exemplo: se uma empresa hoje quebra. trabalhistas até 150 salários mínimos. eles se tornaram privilégios legais. por exigência de norma de ordem pública. acidentário e trabalhista até 150 salários mínimos são créditos reais? Não. que eram créditos quirografários. Então. por que é que no art. CC:”Os títulos legais de preferência são os privilégios e os direitos reais”. por acaso.101/05 eles tomam a frente? Porque não obstante sejam créditos obrigacionais. só que é uma preferência suavizada pela existência dos chamados privilégios legais. Tanto é. Os créditos reais perderam a preferência? Não.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 8 excesso.101/05 fala que recebem em primeiro lugar os créditos acidentários. O art. Qual é a diferença entre a preferência do direito real e os privilégios legais? É a seguinte: se. que hoje o que vem na frente na lei de falências: créditos tributários ou créditos reais? Os créditos reais. Hoje em dia eu posso dizer que a preferência do titular do direito real é a mesma de outrora ou sofreu mitigação? A preferência sofreu grande mitigação. vem se transformando por exigência de norma de ordem pública nos chamados privilégios legais. são aqueles que possuem privilégios legais. mas essa preferência foi mitigada em alguns casos pelos privilégios legais. A preferência do titular do direito real se limita ao valor dos bens afetados. vocês têm 84 apartamentos e só um deles foi dado em hipoteca.101/05. 186 do CTN. quem recebe em primeiro lugar são os credores reais? Não. Eles assumiram uma posição anterior aos créditos tributários. 958. ainda é título de preferência. 186 do CTN que foi recentemente reformado. Hoje o próprio art.101/05 que é a lei de recuperação. mas concorre com os privilégios legais. que é o crédito quirografário. Então. Então. 83 da lei 11. vem sendo transformados. 83 da lei 11. previdenciários. Art. pois nos últimos 70 anos no Brasil vem acontecendo um fenômeno pelo qual determinados créditos obrigacionais. em privilégios legais. Eles ainda têm preferência. Crédito previdenciário. Isso provocou uma reforma no art. diz que os créditos tributários ficam atrás da preferência dos créditos reais em razão da mudança da lei 11. seqüelados. 83 da lei 11. Determinados créditos. vem os créditos reais. em razão de normas de ordem pública.

Os direitos reais são numerus clausus. pois só aquele foi seqüelado e afetado. Então. pois o privilégio legal recai indistintamente sobre todo um patrimônio. Eu quero saber se o Código está atualizado ou não. Eles é que são. 1225. os direitos quirografários que estão no final da fila. o privilégio legal da Fazenda Pública incide sobre qual dos 84 bens? Sobre todos. Eu estou falando isso porque a lei 11. Não é possível criar direito real por relação obrigacional. vai colocar como número 11 concessão de uso especial de moradia e como número 12 vai colocar concessão de direito real de uso.481 de 01 de junho de 2007 acrescentou esses dois direitos reais ao rol do art. Quem aí tem 10? Está desatualizado. Me digam um número de 1 a 12. Quem tem 10. 1225.CC. de quantos direitos reais existem no art. Eu quero que vocês abram o art. basta olhar o art. a sociedade só pode se abster naquilo que alei tenha dado publicidade prévia. Só pode haver segurança jurídica quando as pessoas respeitam direitos que são previamente determinados pelo legislador. Mas se vocês estão devendo dinheiro para a Fazenda Pública Municipal do Rio de Janeiro e vocês têm 84 apartamentos. CC. reservados e afetados. a taxatividade é uma conseqüência do próprio absolutismo dos direitos reais. CC. Qual é a quarta característica evidente dos direitos reais? É a taxatividade. O que quer dizer que os direitos reais são taxativos? Os direitos reais têm como fonte única a lei. Eu não reconheço no ordenamento jurídico direitos reais que não tenham como fonte a lei. Então. Se vocês querem conhecer quantos direitos reais vocês têm. Todos na sociedade têm o dever de respeitar os direitos reais. têm seqüela e têm preferência. enquanto a preferência de direitos reais é específica e recai sobre os bens que foram seqüelados. Já os direitos obrigacionais são sem preferência. É o princípio da segurança jurídica. Por que os direitos reais têm a lei como fonte? Porque eles são oponíveis contra todos. sem dúvida. A fonte dos direitos reais é a lei. exceto sobre o bem de família. Então. 1225 do CC e me digam quantos direitos reais tem na lista de vocês. . Não é possível que Nelson sente num boteco à noite com a Marcele e inventem um direito real. se a sociedade tem o dever de abstenção.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 9 reais recai sobre os 84 apartamentos ou só sobre aquele que foi dado em hipoteca? A preferência recai só sobre o que foi dado em hipoteca. Não é possível inventar direito real por relação contratual. vocês já viram: direitos reais são absolutos. 1225.

pois apesar da locação ter sido registrada e ter eficácia contra terceiros. Apesar de ter sido registrada. Nada impede que Nelson e Fábio sentem no boteco à noite e criem uma relação contratual. Então. também fala da propriedade fiduciária. pois essa compra é ineficaz perante o exeqüente. Inquilino pode registrar o contrato de locação para amanhã ter direito de preferência caso o proprietário queira vender o bem? Sim. E só uma última observação: os direitos obrigacionais são taxativos ou são numerus apertus? São numerus apertus porque os direitos obrigacionais não se submetem à tipologia do Código. quem comprou um apartamento cuja penhora já estava registrada fez uma péssima compra. eu vou fazer uma pergunta: se. pois se ela foi registrada. CC. CPC. na verdade. o que aquela locação quando foi registrada continua tendo? Continua tendo uma relação obrigacional porque está fora da taxatividade. não é um direito real porque só seria direito real se estivesse dentro do rol taxativo de direitos reais do art.eu não tenho 12 direitos reais. Ela não está dentro do rol numerus clausus. 1361. Elas são numerus clausus. por acaso. é oponível erga omnes. Então. 1225. Então. Gente. Sabe o que perguntaram no concurso do MP de Minas Gerais? A penhora registrada é um direito real? Não. Se eu sou o credor que penhoro o seu apartamento. 659. Civil no art. eu coloquei essas 4 características dos direitos reais porque uma se conforma à outra. Podem criar contratos atípicos que não estão previamente acertados no código civil. ela não está no rol taxativo do art. Não tem lei dizendo que aquela locação virou direito real. eu ganho alguma coisa registrando a penhora desse apartamento? É bom para o credor registrar a penhora? O que o credor ganha quando ele registra a penhora? Art. O exeqüente pode tirar o apartamento do cara. eu peço a vocês: quem está com o Cód. Sabe o que eu ganho? Se amanhã você vende o seu apartamento penhorado. Outro exemplo: Paulo. porque a propriedade fiduciária também é um direito real. Então. eu tenho 13 porque a propriedade fiduciária também é um direito real que está explícita no inciso I que quando fala de propriedade. ??? da lei 8245/91 a locação virou direito real? Não.CC. Quando o locatário registra a locação do art. Os direitos obrigacionais podem ser livremente criados pelas partes. onde está escrito propriedade. Está no art. Os direitos reais são aqueles previamente dados pelo legislador. 1225. . nem tudo que se registra é direito real. coloque do lado “e propriedade fiduciária”.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 10 Então. I. 1225. §4o. alguém nessa sala de aula é inquilino. imagina que o seu apartamento é penhorado. CC.

O objeto da obrigação é o seu adimplemento. mas não são típicos. Então. Os direitos reais não precisam para serem classificados como direitos reais estarem alinhavados no art. pelo efêmero.CC. CC: ”É lícitos às partes estipular contratos atípicos. Pergunta de aluno: inaudível. Eles são taxativos. 425. Mas por que mesmo não tendo essa lei eu digo para vocês que é propriedade? Pelo seguinte: qual é a característica do time sharing? X pessoas .INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 11 Quer dizer que nós dois podemos criar qualquer tipo de contrato? Qualquer coisa a gente pode colocar no contrato? Não. Basta que exista uma norma incorporando à categoria de direitos reais para que isso possa ser alcançado. Os direitos reais estão marcados pela permanência porque em matéria de coisas. mas eles não são típicos. Tem uma rede de hotéis onde ele pode. mas com as suas distinções. Mas qual é a regulamentação no Brasil? Tem alguma lei que está trabalhando no Brasil o time sharing como propriedade? Não tem. Art. Então. mas nem tanto. observadas as normas gerais fixadas neste código”. Art. CC. Quais são as normas gerais? Princípio da boa-fé objetiva e função social do contrato. são efêmeros porque a obrigação nasce para ser cumprida. Eu só estou dizendo que os contratos são abertos. O time sharing. Ou seja. ao qual ele se filiou chamado time sharing. as relações de direitos reais são relações duradouras. eles são numerus clausus. uma semana por ano entrar em um desses hotéis pagando uma certa quantia. que quer dizer em português tempo compartilhado. Isso significa o seguinte: o Marcos Paulo tem um sistema. a liberdade de criar relações obrigacionais está submetida à boa-fé objetiva e à função social do contrato. Nós já cumprimos a minha primeira tarefa: mostrar que direitos reais e direitos obrigacionais são duas categorias de direitos patrimoniais.: Perfeita a sua colocação. todo ser humano aspira a dominar um objeto. Qual desses dois grupos de direitos tende a ter uma duração maior? Reais ou obrigacionais? Reais. com as suas peculiaridades. 425. eu vou além para que a gente possa até refletir sobre certas coisas. Podem perguntar em concurso para vocês: qual é a diferença de taxatividade e de tipicidade? Porque os direitos reais são taxativos. Resposta do prof. é um tipo de propriedade? É. 1225. enquanto as relações de direito obrigacional são marcadas pela transitoriedade. pois os direitos obrigacionais pela sua própria consideração são transitórios. mesmo nas relações contratuais.

Aqui no Rio de Janeiro muitos autores começam também a utilizar essa diferença e eu também a utilizo em meu livro de direitos reais. fruir. 1228. na acepção do termo e só. Isso está dentro da taxatividade. Então. Moral da história: é uma espécie de condomínio. Tipicidade quer dizer que os direitos reais só são aqueles do art. Taxatividade é sinônimo de numerus clausus. O que diz o art. 1225. CC. 1225. da disposição e da reivindicação da coisa. Nada impede que alguém nessa sala use a sua autonomia privada.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 12 são donas daquele quarto de hotel. pois é algo realmente muito mais afeto ao ordenamento democrático a idéia da taxatividade do que a idéia restritiva. da fruição. CC? O proprietário poderá usar. Quando eu digo tipicidade eu sou mais restritivo ainda. 1228. 1225. E por que essa espécie de condomínio é direito real? Porque taxatividade é diferente de tipicidade. a sua liberdade para adaptar a propriedade a um modelo diferente de propriedade chamada time sharing. Qual é a sutileza dessa propriedade? É que cada proprietário só pode utilizar uma semana por ano. Gustavo Tepedino é quem defende muito essa distinção entre taxatividade e tipicidade. dispor e reaver a coisa contra quem injustamente a possua ou detenha. Por que falar de propriedade? Porque a propriedade é o mais importante dos direitos reais. CC e conceitua a propriedade através dos atributos do uso. vem o art. CC. presa de tipicidade de direitos reais. . Ninguém entende direitos reais sem passar pela idéia primária da propriedade. Vamos falar sobre propriedade. mas todos são condôminos. em princípio são os do art. eu quero dizer que isso é um erro. A taxatividade é mais ampla pois ela admite que os particulares possam exercer a sua autonomia exatamente para dentro desses tipos criarem novas formas de direitos reais adaptadas a outras situações. esse não é o conceito de propriedade. CC. CC tem propriedade? Tem. Agora pessoal. CC. Taxatividade quer dizer o seguinte: os direitos reais. 1228. use a sua criatividade. Mas taxatividade significa que nada impede que as partes possam usar a sua autonomia privada para conformar os modelos que estão no artigo 1225. Como eu posso conceituar propriedade? Tradicionalmente o conceito de propriedade está no art. Trocando em miúdos: no art. É a chave dos direitos reais.

Não é. Isso que é o direito subjetivo de propriedade. 1228 faz é apenas descrever as 4 faculdades da propriedade. 5o caput como pelo art. Essa relação jurídica eu chamo de direito de propriedade. Nunca digam que a propriedade é a soma desses atributos. Fábio tem o direito subjetivo de exigir da coletividade o dever de abstenção. E da onde eu tiro essa conclusão? O que é direito subjetivo? É o direito de uma pessoa de exigir uma prestação de outra. E qual é o meu direito subjetivo? Exigir de todos o dever de não influir no exercício da minha propriedade. A propriedade é a relação jurídica entre o proprietário e a coletividade. fruir ou reivindicar. A todo direito subjetivo se contrapõe um dever. como a propriedade pela Constituição tanto pelo art. O que é a propriedade? Vocês equivocadamente pensam que a propriedade é a coisa: cobertura na Delfim Moreira. a propriedade é sinônimo de titularidade. A propriedade não é a coisa. 5o. é a alma. um comportamento. a propriedade não é o objeto. Mas não está dizendo efetivamente o que é direito de propriedade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 13 Nunca coloquem em uma prova de concurso que ser proprietário é poder usar. não é o bem da vida. Então eu vou explicar para vocês agora o que é propriedade para valer. Aqui está o erga omnes que é o tal que tem dever de abstenção. que é o direito subjetivo de exigir esse dever genérico de abstenção de toda a coletividade. E essa relação jurídica chamada propriedade vai nascer no momento em que Flávio tenha a titularidade da coisa. O direito subjetivo de propriedade é a relação jurídica entre proprietário e não proprietário. Esta relação jurídica se chama direito de propriedade. No momento em que o imóvel está registrado em seu nome. Quando vocês são credores vocês não podem exigir uma prestação de outrem? Neste caso. A propriedade é uma representação de bem e essa representação de bem surge do registro. Então. a propriedade não é o bem. Então. essa é a base do direito de propriedade. A propriedade é a representação que se dá através dessa relação jurídica. você passa a ser titular de um direito subjetivo. E a coletividade tem um dever. Flávio é proprietário de uma cobertura na Delfim Moreira. não só a propriedade é uma relação jurídica. O que o art. A propriedade é muito mais interessante. ou seja. . a propriedade é um direito fundamental. inciso XXII. e talvez seja a parte mais interessante. a propriedade não é o corpo em si. E ainda digo mais. Ou seja.

Acima de tudo. protegido e privilegiado. II. 5o. de se desenvolver como ser humano. 170. Quando uma pessoa tem acesso à propriedade. Porque é dentro da propriedade que você desenvolve seus direitos da personalidade. Propriedade é uma representação básica do direito fundamental à liberdade. ele quer dizer que a propriedade é uma relação jurídica. a propriedade é um direito fundamental porque o Estado democrático de direito em que nós vivemos considera também o art. O art. Por que a propriedade está no mesmo pé que a vida. 5o. Porque a propriedade é local por excelência em que a sua entidade familiar se desenvolverá. Ou seja. lembrem da propriedade como um direito fundamental e não é apenas um direito fundamental não. desenvolve a sua privacidade. garantido. que a liberdade? Porque propriedade é sinônimo de liberdade. No país em que existam instituições estáveis que . isso quer dizer que é garantido o direito subjetivo de propriedade erga omnes. Faz parte exatamente do princípio da livre iniciativa do desenvolvimento da ordem econômica que o direito de propriedade seja resguardado. CRFB/88 que o exercício do direito de propriedade é uma parte fundamental da nossa ordem econômica. Por que liberdade? Porque a propriedade é o local onde a pessoa se realiza como ser humano. Eu sempre digo aos meus alunos que eles se preocupam demais com a função social da propriedade e se preocupam de menos com a propriedade em si. que é um direito fundamental de 1a geração. 5 o. O art. E o direito à felicidade se dá em qualquer ordenamento jurídico em que as pessoas tenham liberdade de serem proprietárias. XXII quer dizer que é garantido o meu direito subjetivo de exercer a minha propriedade com o respeito de todos. a propriedade e a segurança. caput assegura? A vida.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 14 A propriedade é um direito fundamental pelo seguinte: o que o art. quando o ordenamento jurídico de um país facilita essa pessoa a ter essa propriedade. a propriedade é um direito fundamental do ordenamento jurídico porque significa basicamente a liberdade de toda pessoa de ser feliz. a liberdade. Nas entrelinhas. Então. o que está dando a essa pessoa? Liberdade. XXII diz que é garantido o direito de propriedade. E a grande questão é que todos os países do mundo que se desenvolveram e acumularam riquezas são os países que protegeram os contratos e a propriedade.

respeito e auto-estima ele precisa de um mínimo existencial. Então. ele é um cidadão. Então. se esse cara tiver um conjunto de bens necessários à sua sobrevivência. é direito à propriedade. No estado democrático de direito. Ele tem o compromisso de transformar a sociedade. É uma relação jurídica e é direito fundamental que está na CRFB/88 de maneira clara. É o estado que deixa as relações de direito privado de uma certa forma. ele tem que buscar acesso à propriedade porque o ser humano só pode ser chamado de ser humano se ele tiver o patrimônio dele. Qual é a diferença do estado democrático de direito para o estado liberal? O estado liberal é o estado pouco intervencionista. existe segurança jurídica. E o cara só vai ter patrimônio mínimo. efetivar os direitos fundamentais que estão na Constituição. é claro que o ser humano para ser chamado de digno. O mínimo existencial significa o passaporte para a cidadania. já não é mais direito de propriedade. O sujeito não é mais marginalizado. não. Vocês estudam que direitos da personalidade não devem pensar que direito da personalidade é apenas dentro das relações extra patrimoniais. pois tem que ser preservada ao máximo. correrem soltas.É a possibilidade de qualquer cidadão brasileiro ter acesso à propriedade. é sinônimo de liberdade. 5o. se ele tiver o chamado mínimo existencial. As relações patrimoniais também sofrem o influxo dos direitos da personalidade porque a partir do momento que a dignidade da pessoa humana é o princípio fonte da Constituição Federal. XXII quando fala “é garantido o direito de propriedade”. . O que é o mínimo existencial? É um patrimônio mínimo. implicitamente quer falar outra coisa: não é só garantido o direito de propriedade a quem tem. para ele ter consideração. Isso é muito importante. só vai ter mínimo existencial se ele tiver propriedade. Ou seja. É garantido também o acesso ao direito de propriedade. E quando eu falo que é garantido o acesso ao direito de propriedade e quando eu digo isso. se é esse o objetivo de um estado democrático de direito.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 15 protejam o contrato e a propriedade existe crescimento econômico. Então. a propriedade é direito fundamental. eu expliquei para vocês o que é o direito subjetivo de propriedade. de uma forma radical. Nesse momento muitos de vocês devem estar pensando: se é direito de propriedade por que alguns autores chamam isso de direito à propriedade? Porque o art. Isso é o compromisso de um estado democrático de direito. Ele quer.

e transforma em um capital vivo. porque elas não têm acesso à propriedade. O que existe entre Flávio e a cobertura na Delfim Moreira é uma relação material de dominação. se alguém perguntar no concurso qual é a diferença de propriedade e domínio você vai responder que a diferença entre propriedade e domínio é a seguinte: propriedade é a relação jurídica do titular com o não proprietário. Se você pegar e der para eles a propriedade. onde essa população toda que mora só tem posse e mais nada. é uma relação jurídica. existe relação jurídica de Flávio com o imóvel? Não. ele já faz parte da civilização. Isso não vai cair na prova. a garantia do direito à propriedade está implícita também no art. que é um capital morto. Mas como no Brasil não existe isso. mas é também conhecer economia. regularizar e dar para eles a propriedade. E o defeito do jurista é que ele não conhece nada de Economia e aquilo que eles escrevem no mundo real não bate. Se tudo isso é propriedade. filosofia. . mas é só para vocês terem uma idéia de que o compromisso da CRFB/88 não é só garantir o direito de propriedade a quem já tem. esses terrenos ilegais. é dar acesso à propriedade a quem não tem. mas é uma opinião que eu tenho muito clara. de subordinação. Ninguém vai perguntar isso em concurso. é o acesso à propriedade. não existe nenhuma iniciativa de dar acesso à propriedade. o que significa a relação jurídica de Flávio com o imóvel. Se a relação é s]de subordinação. como é que é o nome da relação material de poder que o titular tem sobre a coisa? Domínio. E estudar direito de forma interdisciplinar não é só conhecer sociologia. Só existe relação jurídica entre pessoas. pois o favelado que agora é dono do barraco pode ir ao banco e pegar um empréstimo e com este empréstimo ele já pode realizar uma atividade econômica. Sabe como no Brasil você pega e materializa esse direito fundamental ao patrimônio mínimo. a migalhas porque elas são dignas de pena. Estudar direito para mim hoje em dia não é apenas estudar o direito. Em primeiro lugar. direito ao acesso à propriedade? É só você pegar esses milhões de favelas que existem por aí. Então eu vou dizer uma coisa com pensamento de economista. Se exige dos não proprietários um de ver de abstenção.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 16 Então. pois não existe relação jurídica de pessoas com coisas. você pega o capital deles. Isso aqui eu vou falar em 1 minuto para vocês. Então.não tem critério. Deve-se estudar o direito de forma interdisciplinar. 5o. os favelados ficam à mercê de políticas clientelistas como o bolsa família e ficam submetidos a esmola. isso é muito legal.

A pretensão reinvidicatória é exercida contra coisa ou contra pessoa? Contra a pessoa. Olha como vai ficar fácil quando eu explicar para vocês através de outra forma. é uma pretensão pessoal. você reinvidica contra Zé Rainha. sabe por quê? Porque você não reinvidica a coisa. Ninguém pode negar que hoje em dia a propriedade realmente não é mais uma propriedade tão imperial quanto outrora porque hoje toda propriedade tem uma função social. que é a pretensão reinvidicatória. o que nasce para você? Nasce para o proprietário uma pretensão. E o domínio se materializa no usar e no fruir da coisa. você reinvidica contra quem violou o dever de abstenção. se é relação jurídica. Usar e fruir são poderes ligados à idéia do domínio. Isso é para mostrar que propriedade é relação jurídica. eu reinvidico contra o Zé Rainha. pois o dono pode dispor da coisa amanhã. Já o domínio diz respeito à situação de submissão da coisa à pessoa. Ele obedeceu o dever de abstenção? Não.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 17 Domínio é a situação matéria de poder do titular sobre a coisa. Flávio. É uma pretensão pessoal contra o Zé Rainha. Percebam o que eu vou falar. é um atributo da propriedade. ação reinvidicatória. Zé Rainha odeia o dever geral de abstenção e invade a sua cobertura na Delfim Moreira. Ele violou o seu direito subjetivo. Essa é que é a idéia. mas eu reinvidico quando o meu direito subjetivo é violado e nasce essa pretensão. ela é direito subjetivo. Como é o nome dessa pretensão que o proprietário tem contra os não proprietários? Pretensão reinvidicatória. Eu vou usar a coisa. ou seja. A coisa está submetida aos poderes do dono. se ela é direito subjetivo. este pode ser violado e vai nascer uma pretensão e a pretensão se chama pretensão reinvidicatória. Vou falar dessa ação nas próximas aulas. A ação reinvidicatória é uma ação real ou é uma ação pessoal? É uma ação pessoal. Você ajuíza contra ele uma ação reinvidicatória. Quando alguém viola o seu direito subjetivo. E eu vou exercer a pretensão reinvidicatória contra os erga omnes que entraram no seu apartamento. é uma ação pessoal porque reinvidicar a coisa não é um atributo do domínio. E dispor também. Qual é o dever do Zé Rainha? É o dever de abstenção. pois ele descumpriu o direito subjetivo de propriedade. fruir a coisa e dispor da coisa. Então. .

INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 18 Em resumo. Quando a sua propriedade não tem função social. a sua propriedade perde a posição de direito fundamental. Por que uma propriedade sem função social passa a ser um ato ilícito? Porque se a propriedade não recebe função social ela vira um ato ilícito por abuso do direito do art. CRFB/88 diz logo em seguida que a propriedade atenderá a sua função social. e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem”. como ela vira um ato ilícito. Mas ele deu função social? Não. ela não tem merecimento. XXIII. que foi exercido ferindo os limites éticos do ordenamento jurídico. de forma contrária ao sistema. Os incisos XXII e XXIII estabelecem uma complementaridade. eu tenho um dilema para resolver com vocês: o art. como é que ele fica? Rico. Então. Quando a sua propriedade não tiver função social. O abuso do direito surge quando alguém exerce o seu direito subjetivo de forma desproporcional. Nota zero ou dez? Nota zero. Eu posso dizer que o inciso XXII e o inciso XXIII são contraditórios? Como o legislador diz no inciso XXII que garante a propriedade. se ela não tem merecimento. CC: “São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade. por acaso. CC. pois ele diz que só haverá abuso do direito quando o proprietário tem o animus de prejudicar alguém. CC. 1228. 187. Por que é uma relação de complementaridade? Porque o padrão de exigência da CRFB/88 é o seguinte: a sua propriedade só será um direito fundamental enquanto ela tiver função social. XXII. se essa propriedade não tem função social. 5o. ela não tem legitimidade. O abuso do direito é um direito subjetivo que foi exercido sem legitimidade. sem merecimento.§2o. alguém tem uma propriedade e a utiliza para plantar maconha. Por que não serve para nada? Porque o §2o está falando do abuso do direito numa visão objetiva ou subjetiva? Subjetiva. mas no inciso XXIII diz que a propriedade tem que ter função social. . Se ela não tem legitimidade. não só ela deixa de ser um direito fundamental. Isso é contraditório? Não. §2o. eu pergunto para vocês: me dêem uma nota de zero a dez para o art. O que eu quero saber é o seguinte: o cara usa a propriedade dele para plantar maconha. 5o. né? Não. o que acontece com esse cara. ela é o abuso do direito. CRFB/88 garante direito de propriedade e o art. Art. Vou ler com vocês. Em tesa a propriedade dele não é garantida? É. Então. 1228. ou utilidade. Se.

dispor e reinvidicar. O resultado da conduta foi contrário ao que o sistema quer? Não. ela é materialmente social. que é quando ele usa. ele não ofende o bem comum. E por que ele não ofende o bem comum? . eu pergunto para quê serve essa propriedade? Para onde ela está orientada? Qual é a sua missão? Sabe quando uma propriedade tem função social? Quando o proprietário satisfaz o seu interesse econômico e pessoal. Sabe como a gente junta o inciso XXII com o inciso XXIII? A propriedade hoje é formalmente individual. Só que apesar dela ser formalmente individual. mas é materialmente social. CC. O que significa função? Função quer dizer finalidade. O que interessa é que objetivamente aquele comportamento é sancionado. dispõe e reinvidica. fruir. São os poderes que o proprietário tem de usar. O que é a propriedade. Quando eu pergunto pela função da propriedade. Não interessa o aspecto subjetivo e psicológico. O art. Qual é a estrutura da propriedade? A estrutura da propriedade está no art. frui. CC não adotou o conceito atrasado e retrógrado. 1228. dispor e reinvidicar. Ela é formalmente individual. A propriedade hoje. que é o conceito subjetivo do abuso de direito. E ao mesmo tempo em que ele satisfaz o seu interesse individual.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 19 Para que a propriedade seja um abuso de direito. Ou seja. 187 para o conceito objetivo do §2o do art. 187. a finalidade dela tem que satisfazer o interesse coletivo. papel social. tem estrutura e função. sua estrutura: usar. A propriedade ainda pertence ao particular. CC adotou o conceito objetivo do abuso de direito. 1228? No conceito objetivo de abuso de direito para que haja o abuso de direito. É por isso que propriedade sem função social é um ato ilícito. 187. não é uma questão subjetiva de pesquisar o animus do agente. Ou seja. fruir. A estrutura da propriedade é a origem da propriedade. Para que ela seja um ato ilícito. É uma questão objetiva de pesquisar o resultado da sua conduta. Por exemplo: plantou maconha. para que ela não tenha função social é necessário para o juiz no caso concreto aferir qual era a intenção do proprietário? Óbvio que não porque o art. 1228. pois a propriedade ainda é um direito privado protegido pela Constituição. como qualquer direito subjetivo. Qual é a função da propriedade perante a sociedade? Quando eu pergunto pela estrutura eu pergunto o que é a propriedade? Art. basta que a conduta de uma pessoa lese as finalidades dadas pelo ordenamento. E qual é a diferença entre o conceito subjetivo do abuso de direito do art.

E qual é o quinto elemento? É a função social. para você atender ao interesse do . Flávio? No momento em que você a registra. Então. mas sim ela conforma a propriedade. ela dirige a propriedade para suas finalidades constitucionais. ou seja. tem uma serie de restrições à propriedade. Sabe o que tem em comum tanto as limitações do direito administrativo quanto as limitações do direito de vizinhança? Porque todas elas são restrições à propriedade. dispor e reinvidicar. é aquela que satisfaz tanto os interesses econômicos que o proprietário quer para ele. você tem a titularidade e aí você já pode usar. mas não lesa a coletividade que está em volta dele. como merecimento. Citem limitações ao direito de propriedade do direito administrativo. Ela atinge os interesses econômicos do proprietário. Tem uma série de limitações administrativas. Qual é o momento em que você se torna proprietário da sua cobertura. A função social da propriedade entra como quinto elemento. concedeu a ela interesses relevantes. mas sim conforma. No momento em que você registra. fruir. é com uma pergunta padrão em concurso público: qual é a diferença entre função social da propriedade e limitações ao direito de propriedade? Aonde vocês aprendem limitações ao direito de propriedade? Na aula de direito administrativo. Mas você também tem que avaliar se além de você se satisfazer como dono. como também dá retorno social. interesses dignos de merecimento. Essa é a propriedade que tem função social. A função social é o quinto elemento do direito de propriedade. servidões administrativas. Ou seja. Eu vou mostrar concretamente como é que a função social da propriedade se aplica. A melhor forma de explicar que a função social não limita. estou querendo dizer que a propriedade é protegida. tombamento. E aonde mais se aprende limitação ao direito de propriedade dentro do direito civil? Nos direitos de vizinhança. ou seja.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 20 Porque a propriedade que tem função social é aquela que dá retorno individual para o proprietário e dá retorno social. Quais são os quatro primeiros elementos? São os elementos estruturais. mas a fincão social se agrega como legitimação. O que ela vai fazer é encaminhar a propriedade para a finalidade eleita pelo sistema. Ela é o quinto elemento porque a função social entra na própria estrutura da propriedade. pois ela não quer limitar a propriedade.

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Estado no direito administrativo ou atender ao interesse do vizinho no direito de vizinhança, o que o legislador faz? O legislador restringe os direitos do proprietário. Por exemplo, Flávio, você tem a cobertura no Leblon e você não pode colocar música alta após as 10 horas da noite. Isso é função social da propriedade ou é limitação ao direito de propriedade? É limitação para prestigiar o seu vizinho, para que haja tolerância nas relações entre vizinhos. As limitações ao direito de propriedade são sempre obrigações negativas, são sempre obrigações de não fazer. São restrições que o proprietário recebe para homenagear o Estado ou o seu vizinho. Mas se existe uma determinada norma que diz que você tem que plantar no seu terreno, isso é norma de limitação do direito de propriedade ou de função social? Função social, porque são normas que não querem restringir a propriedade, são normas que querem conformar a propriedade, ou seja, não são limites negativos, são limites positivos da propriedade. São normas de estímulo à propriedade, são normas de promoção da propriedade. Além de serem limites positivos, nesses exemplos que a gente estuda de direito administrativo e de direito de vizinhança, são limites externos ou internos? Externos; é porque o Estado quer, o vizinho quer. As normas de função social são normas que não apenas geram limites positivos, mas limites internos porque a função social está dentro da própria estrutura da propriedade. A função social é a força motriz da propriedade, é como se fosse o motor da propriedade, que direciona para o bem individual do proprietário, conciliado com o bem comum. Eu posso colocar em uma prova que a propriedade hoje em dia é um poder-dever? Sim. É um poder que o proprietário tem de usar, fruir e dispor, mas ele só pode exercer esse poder desde que ele exerça determinados deveres perante a coletividade. Então, é um poder-dever ou, como alguns gostam de dizer, é um direito função. É um direito e, ao mesmo tempo, função. Essa é a lógica da função social da propriedade. E o mais interessante, o que vai nos guiar hoje até o final da aula. Eu tenho dois tipos de função social no Código civil. Eu tenho a função social da propriedade urbana e eu tenho a função social da propriedade rural. É claro que apesar de existir essa menção no Código civil, qual é o diploma que, de forma mais clara, descreve função social? É a própria Constituição. Quem vai lá no art. 182, CRFB/88 retira que toda cidade que tenha mais de 20 mil habitantes necessariamente tem que ter Plano diretor.

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E esse plano diretor tem propriedade urbana. A função do plano cidade seja um espaço de inclusão, marginalidade. Para isso, foi editado 10.257/2001.

qual finalidade? Dar função social à diretor é exatamente fazer com que a e não um espaço de exclusão, de o Estatuto da Cidade que é a lei

Todo mundo nessa sala tem que estudar bastante o estatuto da cidade, pois essa é uma norma bem interessante porque trabalha direito civil, penal, administrativo, ela é transdisciplinar. Na minha aula de hoje quem está com essa lei na mão pode dar uma colada só nos arts. 5 a 8. O que interessa em matéria de função social da propriedade urbana é vislumbrado nos arts. 5 a 8 do Estatuto da Cidade. Não precisa estar com o código não. Eu vou dar uma explicação por alto só para mostrar para vocês que a função social é uma realidade. Não está apenas no plano das idéias. O que acontece Flávio se você tem um terreno baldio na Penha que você não usa para nada há dez anos, em especulação imobiliária. Vem o plano diretor e diz que aquela área na Penha é uma área preferencial para fins residenciais. O que acontece nesse momento? O que o município pode fazer com esse proprietário que está inadimplente em matéria de função social? Alguém pode me dizer, com base nos arts. 5 a 8 do estatuto da cidade o que o município pode fazer com ele? A primeira sanção é o parcelamento do solo ou a edificação compulsória. Flávio, parcelar o seu solo não precisa, porque parcelar quer dizer lotear e o seu solo já está loteado, já está urbanizado, está na Penha. Mas o município do Rio de Janeiro também pode te obrigar a construir. Alguém já imaginou que um proprietário possa ser obrigado a construir para dar função social? Hoje a propriedade não é apenas um direito, a propriedade obriga também. Vamos dizer que o município te deu três anos para você edificar e nada de você edificar nesses três anos. Qual é a segunda sanção sucessiva que o município do Rio de Janeiro pode promover contra o Flávio? IPTU progressivo. Vale dizer, se o Flávio não construiu nos 3 anos, durante 5 anos o IPTU vai tendo a sua alíquota majorada, até chegar a uma alíquota de 15%. IPTU progressivo é constitucional? Não é confisco não? Não, pois a finalidade do IPTU progressivo não é a arrecadação. A finalidade é extrafiscal, que é conceder função social à propriedade urbana. Então, é claro que ele é constitucional.

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Não só ele é constitucional, como a súmula 668 do STF já diz que desde a Constituição de 1988, os estados já podem editar normas atribuindo IPTU progressivo. Aliás, tem uma séria discussão em concurso público, mas não é quanto ao IPTU progressivo que estamos falando. O IPTU progressivo que estamos falando aqui é quanto ao valor do imóvel ou quanto ao tempo? Isso é uma progressividade no tempo que está no art. 182, §4o, CRFB/88. É progressivo no tempo, pois cada ano que você deixa de dar função social vai aumentando o IPTU progressivo. Cabe IPTU progressivo também, mesmo para os proprietários que dão função social, com relação ao valor? Se o seu imóvel que está na Delfim Moreira e custa R$ 2 milhões terá alíquota maior do que o meu porque o meu vale R$ 200 mil? A partir da EC 29, passou a ser assim. Não pelo art. 182, §4o, mas pelo art. 156, CRFB88. Então hoje também tem IPTU progressivo quanto ao valor venal. EC 29 que alterou o art. 156, CRFB/88. O STF hoje não está discutindo a constitucionalidade do IPTU progressivo no tempo, ela é tranqüila. O que o STF está discutindo é a constitucionalidade do IPTU progressivo quanto ao valor venal. Essa é a grande discussão no STF que, em breve, irá decidir. Alessandra, você que é esposa do Flávio, passaram os 5 anos pagando IPTU progressivo e nada de darem função social ao imóvel. Qual é a terceira e última sanção que o município do Rio de Janeiro pode impor? Desapropriação. Alessandra e Flávio ficam felizes porque foram desapropriados e vão receber uma grana? Não. Isso é uma desapropriação sanção. Vocês não serão indenizados em grana, mas sim em moeda podre, isto é, títulos da dívida pública resgatáveis em 10 anos. A desapropriação sanção tem qual finalidade? Retirar o bem do patrimônio do particular justamente porque ele foi inadimplente na sua função social. Duas boas perguntas para prova de direito civil ou de direito administrativo: o que o município faz quando desapropria o imóvel pertencente ao Flávio? O município vai desapropriar para realizar aquela edificação compulsória que o particular deveria ter realizado. Ele desapropria para dar aquela função social que o estatuto da cidade tinha planejado, ou seja, ele desapropria para depois esse imóvel voltar para o poder dos particulares. É uma desapropriação específica para a concessão de função social. E a segunda pergunta é: o que acontece com o município do Rio de Janeiro se o prefeito César Maia no prazo de 5 anos, a contar da data da desapropriação, deixar o imóvel desapropriado largado e não der a ele a

a partir do momento em que ele desapropria e ele tem que dar a função social. que vocês tenham sido previamente chamados para o contraditório. Essa é a posição de José dos Santos Carvalho Filho. Um exemplo bem simples para iniciar: Pedro.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 24 função social? O prefeito responderá por improbidade administrativa. é também uma obrigação do estado e do município. já que silencia a lei nesse particular. Volta ou não volta? Não volta. Essa desapropriação para reforma agrária é privativa da União. da lei 8429/92. está sendo lesado o direito fundamental de propriedade de vocês. CRFB/88. Não existe hierarquia entre função social e o direito de propriedade. jogar no lixo o direito fundamental de propriedade. Alguém nessa sala de aula duvida que a desapropriação para fins de reforma agrária não é aplicação da função social da propriedade rural? Claro que é. Por mais que o município seja desidioso para a concessão da função social. Tudo isso é função social da propriedade urbana. Não pode pular da primeira para a última. Em segundo lugar. O município só pode fazer isso com o imóvel de vocês se tiver duas coisas: o plano diretor dizendo que a área em que vocês residem é uma área específica para função social. volta o imóvel para o particular ou não volta? A lei silencia. 184. aonde eu tenho um exemplo claro de função social da propriedade rural? No art. mostrando que o imóvel de vocês tem função social. tem retrocessão. Essa três sanções são progressivas. apenas em razão de função social. Se isso for aplicado de forma desproporcional. Se isso é um exemplo claro de função social da propriedade urbana. A Constituição não pode. Eles estão no mesmo nível de complementariedade. não há retrocessão. Se o município não der função social no prazo de 5 anos após a desapropriação. 184 e seguintes da CRFB/88 trabalham com a função social da propriedade rural. pois seria ilegítimo e afrontoso ao ordenamento jurídico esse presente. para que vocês tenham a oportunidade de se defender. Qual seria o presente? A propriedade voltar ao proprietário que nunca deu função social a ela. Os arts. se por acaso você tem um grande latifúndio que é improdutivo. qual é a sanção que o sistema jurídico te dá? Desapropriação para fins de reforma agrária. O prefeito responde por improbidade administrativa porque essa obrigação de dar função social não é só do particular. .

é claro que cabe a desapropriação para fins de reforma agrária. não é apenas necessário ter produtividade econômica. O que é retorno metaindividual? Ela tem que dar satisfação econômica para o Beto e tem que dar satisfação aos interesses difusos e coletivos. A solução é o confisco. Olha só que interessante. O que é função social ambiental e função social trabalhista? São índices que deixam claro que a propriedade do Beto pode ser muito interessante sob o ponto de vista do retorno individual para ele mesmo. Art. também cabe. Pessoal. questão de concurso público: Beto. 185. Então. Não se contraria o art. Essa é a idéia da CRFB/88. a propriedade rural requer a satisfação desses índices simultaneamente. CRFB/88. Os interesses trabalhistas são interesses coletivos e os interesses ambientais são interesses difusos. pois isso é uma interpretação do art. que fala que a função social não se resume ao aspecto econômico. CRFB/88. Se ela for produtiva. ela tem que ter índices de função social ambiental e índices de função social trabalhista. Aí o examinador pergunta: e se nessa fazenda dele. . quando o dono de uma fazenda simplesmente não respeita os direitos sociais de seus trabalhadores. não cabe desapropriação dessa fazenda do Beto. 186. 225. Mas ela tem que ter além de retorno individual. naquele exemplo que eu dei daquele sujeito que planta maconha no terreno rural dele a solução é a desapropriação para reforma agrária? Não. II. CRFB/88. pelo art. CRFB/8 diz que não é possível desapropriar a grande propriedade rural se ela for produtiva. 243. 185. ele não paga salário para os seus mil funcionários ou se ele destrói o meio ambiente e provoca destruição total? Mesmo assim não cabe desapropriação? Para que a palavra “produtiva” seja atendida. 185. II. O art. Quanto maior a função social. Qual é a diferença do confisco para a desapropriação para fins de reforma agrária? O confisco é uma desapropriação sem qualquer indenização. maior é o merecimento do proprietário. CRFB/88. retorno metaindividual. desapropriação para reforma agrária. Além da produtividade econômica. A sua propriedade pode ser desapropriada para fins de função social? Dêem uma olhada no art.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 25 Agora. Se um deles não existir. A função social também tem que atingir proveito de trabalhadores e o resultado ambiental positivo. Quando ele ofende o meio ambiente. que é um bem de uso comum a nós todos. Então. que é produtiva. você é o maior produtor de soja do Brasil. II.

maior será a sanção do ordenamento jurídico. na verdade. antes de continuar a matéria. mas tratar ser humano como coisa e instrumentalizar gente. você é indenizada em dinheiro. plantar maconha dá confisco. Está-se discutindo se esse §2o do art. Se você planta maconha. 1276. deixa de pagar os tributos reais que incidem sobre a coisa. você tem uma propriedade que recebe função social e uma estrada vai passar por ela. CC diz que o imóvel urbano que o proprietário abandonar será arrecadado com bem vago e passará 3 anos depois para a propriedade do município. esse terreno pode ser arrecadado pelo poder público? Sim. Percebam que os valores variam conforme os interesses. CC. você não vai ser indenizada. que é proibido pelo art. Quanto maior é a ofensa à função social. Mas se nesse tempo em que o Flávio abandonou o imóvel. além de você se ausentar fisicamente do bem. O art. maior é a sanção que você recebe pelo ordenamento jurídico pela quebra desse princípio da função social. você vai ser indenizada em quê? Títulos da dívida agrária. não pagou os tributos relativos a ele. fica ainda mais fácil arrecadar? Fica. 1276. 1276. CRFB/88? Foram feitos 2 enunciados pelo CJF. Está dizendo que haverá uma presunção absoluta de abandono quando. você vai ter que indenizar o cara por desapropriação por reforma agrária.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 26 Alessandra. 1276: presumir-se-á de modo absoluto a intenção de abandono quando cessados os atos de posse. 150. propriedade rural tem função social e. Notem que propriedade urbana tem função social. Então. Há 10 anos tramita no Senado uma emenda dizendo que colocar trabalho escravo é caso de confisco. . Mas se você não consegue cumprir a função social. urbano ou rural. não seria um novo caso de confisco? Você criar uma presunção absoluta de abandono pelo simples fato de uma pessoa deixar de pagar tributo não seria caso de tributação com efeito de confisco. que é uma norma de função social é constitucional ou inconstitucional? Ele. Eles não aprovam pois eles são os maiores empregadores dessa gente. qual é a questão de concurso mais importante onde se revela a função social da propriedade no código civil? É a seguinte: se o Flávio tem um terreno. e o abandona. Quanto menos função social você dá. art. Olha o que diz o §2o do art. deixar o proprietário de satisfazer os ônus fiscais.

O enunciado 242 está dizendo que não pode o Estado simplesmente arrecadar a propriedade sem que antes haja o contraditório. Perfeito. Então. Aqui na~tem nada de Marx. O enunciado 243 diz o seguinte: “A presunção de que trata o §2o do art. A idéia de bem é muito mais ampla do que a idéia de coisa. 1276 não pode ser interpretada de modo a contrariar a norma do art. Coisa é todo bem que tem valor econômico. qualquer crédito que eu tenho no patrimônio é chamado de propriedade. Eu. IV é o que proíbe que qualquer tributo seja utilizado com efeito confiscatório. Nelson.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 27 Enunciado do CJF não é súmula. Coisas são bens corpóreos. . Propriedade na constituição é crédito. pois eles exprimem a opinião majoritária da doutrina brasileira sobre determinado assunto. propriedade é bem. para que o proprietário possa provar que não deixou de possuir. sou defensor da função social da propriedade. IV da CRFB/88”. 150. O CC só cuida da propriedade de coisa móvel ou imóvel. Olha o que diz o enunciado 242 do CJF: ”A aplicação do art. Deve ter o contraditório em decorrência também do direito fundamental de propriedade. mas sim propriedade imaterial. ações de uma empresa. direito autoral sobre uma música. pois ela considera qualquer espécie de objeto suscetível de avaliação econômica. é propriedade intangível. Bem é uma idéia de qualquer objeto que é algo de valor para nós. 150. pois propriedade no CC está dentro do direito das coisas. Mas quando a CRFB/88 garante direito de propriedade. O art. que ele não abandonou o terreno. mas é muito importante que vocês conheçam. é uma forma de vocês terem segurança sobre pontos controvertidos do direito civil. bens materiais tangíveis. é bem. mas não é propriedade de coisa. Estou trabalhando com estado democrático de direito. Por isso que o mais correto é falar em função social da propriedade porque cada propriedade tem um regime específico de função social. propriedade na Constituição não é coisa. Aonde a função social da propriedade é mais ampla: no Código civil ou na Constituição? Na Constituição. Bem é gênero e coisa é espécie. mas não defendo a socialização da propriedade. Patente é propriedade? Dinheiro é propriedade? Software é propriedade? Tudo isso é propriedade. 1276 depende de devido processo legal em que seja assegurado ao interessado demonstrar a não afetação de posse”. tias com dinheiro no banco.

Flávio. O laboratório pode ganhar dinheiro com a patente? Pode. O proprietário tem direitos e deveres perante a coletividade. Uma pessoa só pode ser ameaçada de alguma forma no seu direito de propriedade pela quebra da função social quando essa norma de função social for uma norma que estiver em lei e for uma norma proporcional. por pressão do MST. aqui está a sua cobertura na Delfim Moreira e aqui estão os erga omnes. Não sei se vocês estão acompanhando. A sociedade pode exigir que o proprietário dê função social.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 28 Hoje o grande desafio é: patente tem função social? Direitos autorais têm função social? Claro que têm. exigindo o dever de abstenção de toda a sociedade. ficar 6 meses ausente da sua fazenda. mas ao mesmo tempo. De agora até o final da aula eu vou chamar os erga omnes de não proprietários. . não é possível se criar uma norma de função social da propriedade. o que ele fez? Função social da propriedade. é direito de propriedade. A propriedade como um todo sofre os influxos da função social. estará autorizando o Zé Rainha a invadir a fazenda? Não. A propriedade hoje é uma relação jurídica complexa porque hoje a propriedade tem duas vias. o proprietário só pode ser lesado por quebra de função social nas hipóteses específicas que estão na lei e que tenham razoabilidade. XXII que garante um direito subjetivo que é um direito de propriedade. O que existe é que a função social da propriedade só pode ser aplicada nas hipóteses que estão na lei. XXIII. Os não proprietários hoje em dia têm algum direito contra o proprietário? Sim. Mas até que ponto a propriedade pode ser exercida pelo laboratório? Até o momento em que sua ganância seja tão grande que lese toda a sociedade brasileira que tem o direito fundamental à saúde. Quando o ministro quebrou a patente de dois medicamentos. 5o. Está na iminência de. não é anarquia. deverá conceder função social. Possuem o direito metaindividual de exigir função social. o proprietário pode exigir dever de abstenção. Primeiro você já viu que propriedade é uma relação jurídica entre os proprietários e não proprietários e essa relação jurídica nasce do art. pois quando eu digo que existem deveres do proprietário perante a sociedade. Ou seja. 5o. Quer dizer que se o Flávio não der função social à sua propriedade. Por exemplo: por decreto. que está no art. CRFB/88. o governo federal fazer um decreto para mudar os índices de aproveitamento de terrenos rurais no Brasil. Vale dizer.

de uma hora para outra. Isso não existe. Nós temos vários temas a tratar. Então. usucapião e acessão. que é uma coisa que quase nenhum proprietário vai atender.11. que é permitir que a propriedade continue privada. não existe a princípio um que seja mais importante. mas dentro de certos parâmetros de legitimidade e de merecimento. sempre com a possibilidade do STF intervir quando haja excesso nas situações. Amanhã de 10:15h às 12:15h eu começarei os modos de aquisição da propriedade. Rio. A função social tem que ser aplicada dentro dos limites que estão no ordenamento e limites esses ponderados. A segunda conclusão é a seguinte: é mais importante direito de propriedade ou função social? Nenhum dos dois. Isso é uma questão que receberá uma conformação da lei ou do juiz em cada caso concreto. perderão sua garantia fundamental de propriedade por pressão política de determinados grupos. usucapião. 06. Significando que só no caso concreto os magistrados. todos os imóveis. Nosso segundo encontro de direitos reais começa nesse instante às 10:15h da manhã. Um não é mais importante do que o outro. tornar possível que as pessoas sejam livres e iguais e fazer com que elas sejam solidárias. Todos os direitos fundamentais são relativos. acessão e transcrição. O que existe é função social. Falar em socialização do direito de propriedade significa que hoje ninguém mais tem direito de propriedade. O Estado democrático de direito deve conciliar. A propriedade se tornou coletiva. Bom descanso para todos vocês. Estou terminando a aula agora. Então. No Código civil passado os 4 modos de aquisição da propriedade eram sucessão. que o proprietário possa dela retirar a sua liberdade. Ambos são direitos fundamentais e não existe direito fundamental absoluto no ordenamento. A propriedade é emanação do direito fundamental da liberdade e a função social emana do princípio constitucional da solidariedade.2007 Bom dia a todos! Vamos lá amigos. diante da situação que está em lide. .INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 29 Se isso acontecer vai ser uma catástrofe. pois eles vão pedir um índice de aproveitamento de praticamente 100%. Já no código civil atual os modos de aquisição da propriedade são: registro. Hoje nós temos esse tema: modos de aquisição da propriedade imobiliária. dirá o que deve prevalecer: a garantia de propriedade ou a função social da propriedade.

Registro é um modo de aquisição da propriedade interessante. O registro requer a formalidade de ser levado o título ao registro imobiliário. Tem que estar no livro do direito das sucessões. eu faço uma escritura pública de compra e venda. O registro é uma tradição formal. porque agora ninguém mais fala o usucapião. o registro é uma tradição solene. por que a sucessão não é mais modo de aquisição da propriedade? Gente. Acessão). mudou? Mudou de sexo. mas sim a usucapião. Qual é o nome do caminho da aula de hoje? É o caminho da RUA (Registro. Em primeiro lugar. A escritura pública é requisito de validade do negócio jurídico acima de 30 salários mínimos. Então por que saiu do livro do direito das coisas? Porque sucessão é modo de aquisição da propriedade causa mortis e. Agora. Ele é apenas credor de uma relação de direito obrigacional. a única coisa que eu fiz com você foi um contrato de compra e venda que já é uma prestação de dar coisa certa. Eu vou começar pelo registro. Usucapião. Porém. tem que ter a remessa do ato ao registro imobiliário. Então. Então. Acessão continua da mesma forma. ele já é proprietário? Claro que não. CC magistralmente demonstra que Flávio tem apenas em mãos uma relação obrigacional. tenho um imóvel no Catumbi e quero vender para o Flávio. necessariamente a forma contratual tem que se dar pela via da escritura pública (art. A escritura pública é feita em 06/11. Flávio. Nesse momento em que você tem a escritura pública. a sucessão é modo de aquisição da propriedade? É. como eu faço? Tradição. Formal de partilha e carta de arrematação também são títulos. 108. Vejam como o art. para mim em provas vocês podem utilizar o masculino ou o feminino. por esse motivo. Hoje nós utilizamos registro como modo de aquisição da propriedade. Nesse momento. . quando eu tenho esse vidro e eu quero transmitir a propriedade desse vidro que é bem móvel. 481. não deve estar no livro dos direitos reais. Nelson. Ana Paula. Eu. pois o registro não se dá simplesmente com a entrega da coisa. Usucapião. essa escritura pública que está em suas mãos é o quê? É um título. A tradição se contenta com a simples entrega da coisa. fala-se registro. É indiferente. Eu faço escritura pública de compra e venda porque no Brasil todo bem imóvel cujo valor seja superior a trinta salários mínimos. Não basta a tradição da coisa.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 30 Vamos ver essas mudanças. CC). Ninguém mais fala transcrição.

CC. eu amanha. Já a Rafaela. O que diz o artigo? Obriga. só que no dia 07/11. me dirijo à Rafaela e a vendo o mesmo apartamento que te vendi hoje por escritura pública de compra e venda. Art. 1227. Todo contrato é uma relação obrigacional. CC:”Os direitos reais sobre imóveis. Sem você saber. A segunda etapa é a que ele leve o título a registro. que diz: “Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis”. por excelência. Rafaela. de aquisição da propriedade. Tudo o que eu disse para vocês sobre o art. constituídos ou transmitidos por ato entre vivos. Todo contrato é uma relação de dar. não faz o registro de imediato. Contrato no Brasil não transmite propriedade. ela se tornou proprietária? Sim. dia 07/11. O título é sinônimo de causa. pois o modo de aquisição da propriedade no Brasil é o registro. o apartamento no Catumbi. é um ato complexo que se dá de forma progressiva porque primeiro o adquirente tem em mãos um título (escritura pública de compra e venda). Contrato não tem eficácia translativa no Brasil. só se adquire com o registro no cartório de registro de imóveis dos referidos títulos”. O que transmite a propriedade é o registro. 1227 é reiterado no art. Então. causa do negócio jurídico. você passa a ser titular de direito real. Nesse instante em que a Rafaela levou o título ao RGI. no mesmo dia 07/11. Flávio pega a escritura pública dele e deixa em casa. O que é um ato complexo de formação progressiva? Isso ocorre porque o registro no Brasil tem duas etapas: a primeira etapa é aquela em que o adquirente tem em mãos o título. passa a ser titular de propriedade. CC: “Pelo contrato de compra e venda. 481. você leva esse título a registro. Flávio. você agora vai ficar muito triste. Posteriormente. O art. É uma nova relação obrigacional. 1245. fazer ou não fazer. leva o titula ao RGI e faz o registro. No momento em que você registra.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 31 Art. você é apenas credor de uma relação obrigacional e Nelson está se obrigando a transferir coisa certa. você também passa a ser credora de um direito obrigacional. Ele que é o modo. . um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa a outro e esse outro a pagar certo preço em dinheiro”. Mas as pessoas são muito diferentes. Então. Eu estou me obrigando a te transmitir essa propriedade no dia 07/11. CC deixa claro para vocês que no Brasil o registro é um ato complexo de formação progressiva. 1227. ou seja.

Verdadeiro. Na França e na Itália é diferente. E só quem tem seqüela é o titular de direito real. vem a parte que eu julgo mais importante para o entendimento. Só pode reivindicar alguma coisa quem tem seqüela. Não precisa de registro. Vamos às 3 perguntas de concurso público sobre tudo que eu contei até agora. o contrato já transmite propriedade. você ficou chateado. não ficou? Então. 389. Contrato não transmite propriedade. diante disso. Na França. mas não transmite propriedade. já que a Rafaela já é dona. fazer ou não fazer. Contrato só gera a obrigação de dar. vou cancelar a propriedade dela e leva-la para mim. de acordo com o art. 389. Segunda pergunta: Verdadeiro ou falso: No Brasil. Nesses países. se você for titular de direito obrigacional. os contratos têm força translativa. Art. O Flávio vai ter que procurar perdas e danos. O Flávio ganha essa ação? Não. Então. na França. você não pode buscar a coisa na Rafaela. Qual foi a obrigação que eu descumpri? A obrigação de dar coisa certa.CC: “Não cumprida a obrigação. você se torna proprietária com o registro e isso gera publicidade para a sociedade que tem o dever de respeitar o novo titular da propriedade que é a Rafaela. fazem um contrato. Isso se explica pois o Flávio é titular de direito obrigacional. CC. O registro serve só para dar publicidade. Em razão desse inadimplemento.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 32 O registro tem duas funções: constitui a propriedade e a publica. O que o Flávio pode fazer se ele foi lesado por Nelson? Perdas e danos contra o Nelson. é a base da teoria do inadimplemento. perdas e danos. por força do contrato napoleônico. os contratos não têm eficácia translativa. No dia em que eu te entrego a escritura de compra e venda na França você já é dono. Tudo se resolve em perdas e danos. responde o devedor por perdas e danos”. Nelson e Washington. Contrato só gera obrigação. Contrato. não gera direitos reais. Flávio. . O que quer dizer constituir e publicar? Rafaela. Então. e quem é titular de direito obrigacional tem seqüela? Não. sozinho. Quem é titular de direito obrigacional que não tem seqüela pode reivindicar? Não. diz que vai entrar com uma ação reivindicatória contra a Rafaela porque o seu título é anterior ao dela.

Flávio. Agora gente. Esse negócio jurídico entre Nelson e Flávio teve eficácia? Teve. já mora nele há três anos. Tanto é verdade que ele produziu eficácia obrigacional que diante do um descumprimento. Qual é a importância que se deve dar ao registro? Por que se estuda direitos reais depois de direito obrigacional? Porque na maioria dos casos direitos reais não passam de efeito de negócio jurídico válido. . 104. validade e eficácia do negócio jurídico. Depois ele estuda o livro de direitos reais. ele teve direito a perdas e danos. É um negócio jurídico bilateral. Esse negócio jurídico entre Nelson e Flávio teve efeitos reais? Não. o que quer dizer eficácia? A eficácia é a aptidão do negócio jurídico válido para produzir os efeitos desejados. Ou seja. o negócio jurídico entre Nelson e Flávio é válido. pois a eficácia real está condicionada ao registro. Muitas vezes a propriedade que você tem não passa de uma eficácia real de um negócio jurídico válido. Ele teve direito a perdas e danos porque houve efeitos obrigacionais. Depois ele entra no livro das obrigações pois obrigações são efeitos de negócios jurídicos válidos. tem efeitos obrigacionais entre as partes. O Washington diz que a propriedade é dele e que o Nelson passou por representante dele. Rafaela. na verdade. Ele produziu efeitos obrigacionais. Olha só o que o bom civilista faz: primeiro ele estuda a parte geral para conhecer a teoria do negócio jurídico. CC. ou seja. o contrato de compra e venda é um negócio jurídico? É. Teve eficácia obrigacional. E esse é um bom momento para se distinguir o que é validade e o que é eficácia de um negócio jurídico. queridos pela parte. o negócio jurídico só passa a ter eficácia de direito real se houver um segundo ato que é o ato jurídico administrativo do registro. O negócio jurídico atendeu aos requisitos do art. objeto é lícito e a forma está prevista em lei. mas não pode gerar eficácia erga omnes porque faltou o elemento do registro.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 33 Na teoria geral do direito civil aprende-se os planos da existência. Agente capaz. É um negócio jurídico válido? Sim. a proprietária do imóvel. ele que é o dono e quer o imóvel de volta. Qual é o momento em que se afere se o negócio jurídico é válido ou não? No momento do nascimento do negócio jurídico. O que acontece depois de três anos? Aparece Washington e diz para Rafaela que o Nelson vendeu imóvel que não era dele. Ele fez a chamada venda a non domino. Mas. Todo contrato é um negócio jurídico. fez uma procuração falsa e vendeu o imóvel.

perde sua base de sustentação. pois não obstante ter registrado. A propriedade da Rafaela já é presumida porque ela tem titularidade. E se o seu título é falso. o registro será cancelado. Washington diz que ela está enganada e que não tem presunção absoluta de propriedade. Washington vai ter que ajuizar uma ação de invalidade do título c/ c pedido de cancelamento do registro. por meio de ação própria. Primeiramente deve-se anular o título pois primeiro se demonstra nulidade ou anulabilidade. se amanhã aparecer alguém e provar que o título de origem é viciado. não é a Rafaela que precisa demonstrar que é proprietária. consegue cancelar o registro dela. e o respectivo cancelamento. que deverá demonstrar ao juiz que o título dela é viciado. O registro é vinculado ao título de origem. ou seja. O modo é o modo de aquisição. até entende que ele seja dono. O próprio Código civil demonstra que a iniciativa da invalidação cumpre a Washington e que o registro só tem presunção relativa de propriedade. mas se não trouxer prova nenhuma.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 34 Em defesa. o seu registro fica vinculado ao seu título de origem. a Rafaela diz que lendo os papéis do Washington. por que é tão importante a pessoa registrar o imóvel no nome dela se amanha ela pode perder essa propriedade se aparece alguém? O registro te concede uma presunção relativa de propriedade que traz uma inversão do ônus da prova. eu posso derrubar o seu registro. E. ela é a proprietária. . porque ela registrou. §2o. O modo é vinculado ao tipo. o vício desse título contamina o registro. Então. Art. 1245. É o Washington. Mas ela diz que como ela registrou. Quem está com razão? Washington. CC:”Enquanto não se promover. ela permanece com a propriedade porque ela tem uma presunção relativa de propriedade. A propriedade dela já é presumida. Se esse título for derrubado. o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel”. Ele terá que fazer prova de que o título é defeituoso. que é o impugnante. Se o Washington conseguir provar que o título da Rafaela é viciado. viciado. ela tem presunção absoluta de propriedade e que ninguém atira do imóvel. Isso quer dizer o seguinte: por mais que vocês tenham registrado o imóvel no nome de vocês. O que é o modo? É o registro. porque o direito brasileiro agasalha dois princípios básicos com relação a esse tema: o modo é vinculado ao título e registro no Brasil só gera presunção relativa de propriedade. na lide entre Washington e Rafaela. invalidado o título. a decretação de invalidade do registro.

É um processo de jurisdição voluntária. onde o juiz vai dar uma sentença te concedendo o registro Torrens. No Brasil tem que haver o registro para que haja aquisição realmente da propriedade. porque lá se faz abstração da causa. a causa. não é abstraído. o registro é mais forte no Brasil ou na França? No Brasil. Quando se faz o segundo contrato perante o oficial do registro. já que na França o registro só serve para dar publicidade. você vai perder essa propriedade. Quando no Brasil o registro que você faz tem presunção absoluta? Qual é o único caso? Quando é o registro Torrens (art. Em Tocantins. Na Alemanha. Na Alemanha o sistema de registro é melhor que o do Brasil. Por isso que nós falamos que o nosso sistema é o da presunção relativa. já é dono. esquecido. No Brasil. Se você assinou o contrato. É um procedimento de natureza administrativa. o que quer dizer registro Torrens? Torrens era um australiano chamado Sir Richard Robert Torrens e ele criou um sistema de presunção absoluta de propriedade na Austrália.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 35 Pelo o que eu expliquei aqui. Só se pode falar que o registro tem fé pública na Alemanha. Os dois juntos devem fazer um segundo contrato na frente do oficial do registro. O registro Torrens é feito perante o juiz de direito. que ´o título. E como é abstraída a causa. se lá na frente alguém provar que esse título é viciado. tem que ter o levantamento topográfico do terreno. Tudo isso para gerar uma confiabilidade quanto à origem do seu imóvel. 276. lei 6015/73). o registro tem força probandi. No Brasil a presunção absoluta do sistema Torrens é só para imóvel rural. o registro não tem fé pública. Nelson faz um contrato com Rafaela de escritura de compra e venda. o primeiro contrato é abstraído. Esse segundo contrato é que vai ser registrado no ofício imobiliário da Alemanha. Esse segundo contrato se chama Convênio Real. Goiás. o sistema alemão te garante presunção absoluta. No Brasil há o sistema da abstração da causa ou não? Não. Mato Grosso é comum o registro Torrens para dar maior garantia para a propriedade rural. No Brasil. . os confrontantes. Gente. Mas para o juiz te conceder o registro Torrens tem que ter ouvido o MP. E todos os eventuais vícios que ele pudesse ter são sanados pelo segundo contrato. porque só tem fé pública aquilo que tem presunção absoluta. No direito alemão a presunção de propriedade é relativa ou absoluta? É absoluta. pois mesmo que você tenha registrado o imóvel no seu nome.

alega que é terceira de boa-fé e que pelo princípio da aparência. Washington aparece e pergunta como ela é dona desse imóvel. Isso quer dizer que por mais que a propriedade circule de A para B. tutelado o terceiro de boa-fé. em colisão. os vícios continuam. desculpável. CC: ”Cancelado o registro. no parágrafo único do art. porque proteger a propriedade também é proteger a segurança jurídica. E. Três anos depois aparece um filho que Bill Gates tinha e ele ajuíza uma ação de petição de herança e ganha. Mas esse argumento não lhe garante a propriedade. com um ato de confiança. Exemplo em que a propriedade aparente vence: Bill Gates morre e deixa como herdeiro o seu sobrinho Paul. pois ela confiou no registro. Marcele. poderá o proprietário reivindicar o imóvel. 1247. acreditou na seriedade do registro imobiliário e acreditou no princípio da segurança jurídica. de D para E. De um lado eu tenho o direito de propriedade do Washington. esse terceiro de boa-fé se submete à perda da propriedade pois os vícios do título são insanáveis. o título que é viciado na origem contamina toda cadeia causal subseqüente. O filho se torna herdeiro no . Washington diz para ela que Nelson fez uma venda a non domino e diz que o imóvel é dele. Art. De repente. em defesa. 1247. O código civil entende que por mais que estejam envolvidos terceiros de boa-fé. esse parágrafo único não pode ser interpretado de forma literal. A teoria da aparência visa prestigiar a boa-fé de um terceiro que por um erro escusável. Renata compra um imóvel do Paul. parágrafo único. visto que ele é o único herdeiro. de B para C. acaba praticando um negócio jurídico. mas do outro lado eu tenho a teoria da aparência. esses vícios não são purgados pelo tempo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 36 A Rafaela vendeu o seu imóvel para a Alessandra que. vendeu para Marcele. de C para D. A teoria da aparência visa justamente proteger essa pessoa que. independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente”. não pode perder a propriedade. Marcele conta para ela a cadeia causal da venda do imóvel. A ponderação de valores está aonde? Quem eu devo proteger: o proprietário desidioso que deixou o que é seu escapar das suas mãos até cair nas mãos de terceiro ou devo proteger o proprietário aparente? O que eu estou querendo dizer é que em alguns momentos o CC prestigia o proprietário aparente. eu tenho que proteger o Washington. Apesar do CC não ter. Ou seja. ao mesmo tempo. algum tempo depois. pois eu tenho dois princípios que estão em posição de confronto.

Qual é a única chance da Marcele vencer? Se essa soma de posse gerou prazo para a usucapião ordinária. Vejam o art. ela terá que sair do imóvel em decorrência da ação reivindicatória. CC? A evicção é a perda de um direito em razão de uma demanda ajuizada por terceiro. a confiança e a segurança jurídica. Art. Terceiro é o Washington e o direito que a Marcele está perdendo é o direito de propriedade. 1827. a Marcele promove a denunciação da lide do art. A usucapião ordinária pode ser alegada em defesa. Então. Houve uma alteração na lei de registros públicos pela lei 10. Washington é o evictor.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 37 lugar do sobrinho. mas sim o terceiro de boa-fé que já tenha prazo de usucapião. Agora vem a melhor parte. I. pelo herdeiro aparente a terceiro de boa-fé”. Se amanhã vocês perderem a coisa em razão da evicção.931/04. A Marcele não tem prazo para a usucapião. CC: “São eficazes as alienações feitas. O que é evicção do art. vocês têm indenização contra o alienante. Ele ajuíza uma ação reivindicatória. você vai ter que devolver esse imóvel para o verdadeiro herdeiro? O filho do Bill Gates é o verdadeiro proprietário e a Renata é a proprietária aparente. De forma clara. mas o imóvel ainda está com a Marcele que ao quer sair do imóvel. Como . parágrafo único. 447. a título oneroso. Toda vez em que se vende propriedade. prevalece aquilo que diz o CC. ou seja. CPC que diz que a denunciação da lide se dá nas hipóteses de evicção. A Marcele é a evicta porque é ele que vai perder a propriedade. 70. §5o: “A nulidade não será decretada se atingir terceiro de boa-fé que já tiver preenchido as condições de usucapião do imóvel”. é ele que causa a evicção. esse artigo não está protegendo qualquer terceiro de boa-fé. O que a Marcel pode fazer nessa lide já sabendo que ela vai realmente perder a posse da coisa ao final da reivindicatória? Ela promove a denunciação da lide por ser um caso de evicção. Ele nulificou o título. o alienante tem que resguardar o adquirente dos riscos da evicção. se ela não tem prazo. Renata. Em alguns casos o código protege a aparência. cancelou o registro. Qual é a ação que ele deve ajuizar contra ela? Ação Reivindicatória. O Washington ajuizou uma ação de nulidade do título c/c cancelamento do registro. Então. 214.

cancelamento. A evicção se dá pelo valor de mercado do bem à época da evicção. Quanto o bem valia na época em que foi perdido? Art. É uma faculdade processual. CPC é ridículo quando diz que a denunciação da lide é obrigatória. estariam autorizando o enriquecimento sem causa. é claro que ele tem responsabilidade objetiva de indenizar por ter te colocado nesta situação. Então. Pergunta de aluna: inaudível. Mas Washington somente registra essa escritura pública de compra e venda em 2011. Resposta do prof. 50% das perguntas da PGE são ligadas a propriedade. pode ir diretamente na figura do alienante primitivo. CC. promessa de compra e venda. visto que o art. Tudo isso é questão de prova. ainda tem uma ação autônoma de indenização emprazo dado pela lei. CRFB/88. A Marcele pode promover a denunciação da lide diretamente contra o Nelson já que foi ele que ocasionou tudo isso? Pode. Qual é o prazo processual para fazer a denunciação da lide? Qual é o momento processual? Se ela esqueceu de promover a denunciação da lide e houve a preclusão. CPC que a denunciação da lide é obrigatória. É o valor do bem. Primeiro: Nelson vende um terreno para Washington hoje. além de você ter possibilidade de ajuizar uma demanda contra a Alessandra. §6o. I. I. você tem a possibilidade de entrar com ação de responsabilidade civil contra o Estado? E contra o tabelião? Claro que tem. dia 06/11/2007. ela ainda pode numa ação de indenização autônoma buscar a evicção contra a Alessandra? Está escrito no art. pois se você perder. e não é. 450. que significa que a Marcele ao invés de ficar buscando os antigos proprietários um a um. alienação fiduciária. CC inaugurou a denunciação da lide per saltum. Eu ainda tenho mais três aspectos do registro para mostrar para vocês. Então. Pode ou não pode? Claro que pode. A responsabilidade civil é objetiva pois o tabelião é prestador de um serviço público e ele registrou um título que ele jamais deveria ter registrado porque era proveniente a non domino.: Não. Ontem eu estava vendo umas questões da PGE para dar aula em uma turma em que eu vou dar isso. Marcele. . 456. Ela pode escolher diretamente contra quem ela quer litigar. A responsabilidade civil do tabelião é objetiva. 37. evicção. 70. Porque se vocês me falassem que a Marcele não mais pode buscar indenização em ação autônoma contra a Alessandra só porque ela esqueceu o prazo processual. art. registro.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 38 a Marcele promove a denunciação da lide? Tradicionalmente diz-se que a denunciação é uma denunciação sucessiva: Marcele denuncia Alessandra que denuncia Rafaela que denuncia Nelson. esse 70.

2009 e 2010.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 39 Quando ele registra. antes dele registrar o alienante continuou sendo o dono. quem paga condomínio e IPTU desse imóvel enquanto ele não registra? Nelson. Você é dono a partir do registro. São obrigações. Washington também terá que pagar essas dívidas? Sim. Qual é a diferença das obrigações propter rem para os ônus reais? As obrigações propter rem são aquelas que o proprietário assume da . Então. pois são obrigações que seguem a coisa. Na medida em que muda o titular. pois pagar condomínio e pagar IPTU são obrigações de pagar quantia certa e se aproximam dos direitos reais porque são obrigações que não nascem da autonomia da vontade. Por que se chama obrigação mista? Porque as obrigações propter rem estão no meio do caminho entre os direito obrigacionais e os direito reais. Não são direitos reais propriamente nem são direitos obrigacionais. As obrigações propter rem são obrigações que uma pessoa assume pelo fato de ser titular de um direito real. No momento em que Washington registra o imóvel em 2011. CC: “Enquanto não se registrar o título translativo. Ele não tem eficácia declaratória. ele não retroage. muda também a titularidade da obrigação propter rem. não nascem de um contrato. Isso é muito importante não somente para demonstrar que o registro tem eficácia constitutiva. 1245. As obrigações propter rem sempre aderem à pessoa do novo proprietário. o alienante continua a ser havido como dono do imóvel”. São obrigações que nascem da titularidade de um direito real. pois são os ônus reais. pois o registro tem eficácia constitutiva. São obrigações que você tem que enfrentar porque você adquiriu essa unidade imobiliária. a partir desse dia ele terá que pagar condomínio e IPTU pois são as chamadas obrigações propter rem. ele se torna dono a partir de 2011 ou retroativamente a 06/11/2007? Claro que ele só é dono de 2011 em diante. Prestem atenção no que diz o §1o do art. É por isso que o outro nome das obrigações propter rem são obrigações ambulatórias. mas gera uma série de questões. Então. a partir de 2011. O que é condomínio e IPTU enquanto ele não registra? Como eu chamo essa situação? Todo mundo tem que se lembrar disso. as obrigações propter rem são dele. O que são obrigações propter rem? Obrigações propter rem também são chamadas de obrigações mistas. que foi quando o Washington registrou. Se Nelson continua sendo proprietário nesse período antes dele registrar. Acontece que Nelson deixou dívidas de condomínio de 2008.

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data em que se tornou titular em diante. Mas ele também assume as do proprietário anterior, que são os ônus reais. Olha o que diz o art. 1345, CC: “O adquirente de unidade responde pelos débitos do alienante, em relação ao condomínio, inclusive multa e juros moratórios”. Isso quer dizer que perante o condomínio, Washington deve responder. Agora, olha que interessante que vocês aprenderam em direito da obrigações. Washington passa a ser responsável por um débito alheio. Se Washington paga esse condomínio ele tem direito de regresso contra Nelson? Claro que tem, pois o débito é de Nelson, mas o condomínio não quer saber de quem é o débito, ele vai em cima de quem é o proprietário, já que pela lei é ele que assume esses ônus reais. Se alguém nessa sala resolve comprar uma fazenda e o proprietário anterior praticou danos ambientais, você que é o novo proprietário vai ter que indenizar os danos ambientais que ele causou? Vai. São os ônus reais que hoje informam o chamado passivo ambiental. Tem até uma decisão recente nesse aspecto que é uma decisão do STJ dizendo que o entendimento consagrado do STJ é o de que ao adquirir área o novo proprietário assume o ônus de manter a preservação, tornando-se responsável pela reposição, mesmo que não tenha contribuído para o desmatamento. É fundamental que o novo proprietário faça um estudo do passivo ambiental do objeto para se prevenir de eventos futuros. Apesar do Washington só ter registrado esse imóvel em 2011, ele está morando lá desde 2007. Nesse período, quem arca com o condomínio do apartamento? Washington, pois hoje a jurisprudência entende que mesmo que o possuidor do imóvel não seja proprietário, mas ele seja um promitente comprador, já exista uma compra e venda ou uma promessa de compra e venda, mesmo que não tenha sido registrada, mas se a posse dele já é de conhecimento da comunidade, esse promitente comprador já assume as obrigações propter rem. Mesmo efetivamente não tendo registrado. É o art. 1334, CC que consolidou isso. Olha o que diz o art. 1334, I, CC: “I – a quota proporcional e o modo de pagamento das contribuições dos condôminos para atender às despesas ordinárias e extraordinárias do condomínio”. E o §2o do mesmo artigo diz: “São equiparados aos proprietários, para os fins deste artigo, salvo disposição em contrário, os promitentes compradores e os cessionários de direitos relativos às unidades autônomas”.

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Mesmo que efetivamente você não tenha registro, se a sua posse é de ciência dos demais condôminos, você já assume as obrigações propter rem. É uma questão de função social. Não é você que está dando função social? Então é você quem deverá arcar com as obrigações propter rem. Só para lembrar vocês: em termos de IPTU, pelo art. 35 do CTN quem é o responsável pelo pagamento do IPTU não é só o proprietário. Também quem tema posse do imóvel se responsabiliza pelo IPTU. As obrigações propter rem se ampliam. Isso é o principal quanto ao registro hoje no direito brasileiro. Tem umas alterações recentes em lei e eu fico com medo que vocês não tenham. Existe uma coisa muito comum que é a retificação de registro. O cancelamento do registro que vocês estudaram comigo é apenas uma espécie do gênero retificação. Nem toda retificação vai dar em cancelamento. Houve uma mudança significativa da lei de registros públicos com o advento da lei 10.931/2004. Essa lei alterou profundamente os artigos 213 e 214 da lei 6015/73. Só para vocês terem uma idéia muito simples: quem pode retificar registro são três pessoas: o oficial do registro, o juiz corregedor ou o juiz dentro do juízo ordinário. Exemplo: Rafaela, você chega no registro público imobiliário e diz para o oficial que quer mudar o nome do prédio pois fizeram uma convenção resolveram mudar o nome do prédio. Quem muda o nome do prédio é o oficial. Basta fazer uma retificação unilateral. Quem muda é o próprio oficial. Não precisa de juiz. Outro exemplo: Rafaela chega para o oficial que seu terreno tem 100 pelo que está descrito na escritura, mas ela quer que se faça uma medida, pois o terreno tem 150m2. O que o oficial irá fazer? Ele irá convocar o vizinho para ver se não tem nada de errado. Se o vizinho não se manifestar ou se o vizinho concordar, quem faz essa retificação é o oficial, é uma retificação bilateral. m2 É bilateral, pois foram ouvidos os vizinhos e eles não se opuseram. Mas se os vizinhos não concordarem, vai para o juiz corregedor essa discussão. Toda vez que tem impugnação, art. 213, §6o, lei 6015/73, vai para o juiz corregedor. Quando o juiz corregedor perceber que quando a pessoa quer aumentar o terreno de 100 para 150 metros, ela não está querendo apenas retificar, ela está querendo reivindicar uma área, demarcar uma área, ela está querendo a usucapião. Então, sai da retificação e vai para a justiça comum.

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Toda vez que ficar provado que a discussão não é de retificação, mas sim sobre direito de propriedade, vai para a justiça comum. É o art. 213 §6o que diz o seguinte: “Havendo impugnação e se as partes não tiverem formalizado transação amigável para solucioná-la, o oficial remeterá o processo ao juiz competente, que decidirá de plano ou após instrução sumária, salvo se a controvérsia versar sobre direito de propriedade de alguma das partes, hipótese em que remeterá o interessado para as vias ordinárias”. O juiz competente é o juiz corregedor permanente. Vamos para outro modo de aquisição da propriedade que é a acessão. É claro que tem dois tipos de acessão. Uma que não cai em concurso e a outra que cai. A que não cai em concurso é a acessão natural. Pode cair em prova de múltipla escolha. E a que cai em concurso e que é plausível de discussões é a acessão artificial. O que é acessão natural? É o aluvião, avulsão, álveo abandonado, formação de ilhas. Eu não vou estudar isso com vocês. Peço que em casa vocês leiam para em uma prova de múltipla escolha vocês tenham noção para saber a definição de cada um. O que é importante é a acessão artificial, que foi sensivelmente modificada no NCC. Todos os exemplos partem dessa premissa: Nelson tem esse terreno. Se é feita uma construção nesse terreno, como se chama essa construção? Acessão. Acessão artificial é tudo que se incorpora permanentemente ao solo pelo trabalho humano. Se o terreno é meu, a presunção é de que essa construção foi feita por quem? Pelo dono do terreno, por mim. Temos aquela regra milenar do direito romano de que o acessório segue o principal. Se o terreno é meu, a casa é minha e presume-se que foi feita com o meu dinheiro. Art. 1253, CC: “Toda construção ou plantação existente em um terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o contrário”. Essa regra de que o acessório segue o principal é o princípio da gravitação jurídica que está no art. 233, CC. O que é gravitação jurídica? O acessório gravita em torno do principal. Então, se o terreno é meu, tudo o que gravita, que se incorpora a ele, é meu. Primeiro problema que eu trago para vocês. Flávio, você é do MST, é um sem-terra. Você encontra o terreno do Nelson vazio e decide ficar

não construiu uma casa. Ele é possuidor de má-fé porque ele tem a legítima noção de que o terreno não lhe possui. O Flávio entra no terreno e constrói uma casinha modesta. pois o art. ele será indenizado pela acessão que ele fez? Sim. pois aí entra a função social da propriedade que acarreta a chamada acessão inversa. 1255. poderá exigir indenização pelos danos causados no imóvel. pois ele é um possuidor de boa-fé (art. . CC diz que você é um possuidor de má-fé. 1255. Vamos mudar um pouco o exemplo. terá direito a indenização”. 1255. mas a jurisprudência remansosa do STJ é no sentido de que quem faz benfeitoria de boa-fé tem direito de retenção. em proveito do proprietário. Ele foi lá e construiu pensando que o terreno era dele. planta ou edifica em terreno alheio perde. Só que Flávio. Muda alguma coisa se o Flávio construiu no meu terreno. se procedeu de boa-fé. ajuíza uma ação reivindicatória para te tirar do imóvel. O Nelson pode pedir indenização pelos prejuízos causados pela ocupação de Flávio? Pode desde que Nelson prove as perdas e danos. possuidor de boa-fé. Depois de 4 meses. plantas e construções. Ele terá direito à indenização pelo valor que ele gastou com a casa ou pelo valor atual da construção? Pelo valor atual. O código silencia. CC: “Aquele que semeia. Nesse mesmo sentido está o enunciado 81 do CJF que concede direito de retenção em favor de Flávio que fez acessão de boa-fé enquanto não for indenizado. quanto mais quem fez acessão de boa-fé. Isso muda alguma coisa? Muda. Enquanto Nelson não indeniza Flávio. este tem direito de retenção? Ele pode morar lá? Não tem nenhum artigo proibindo. Qual é a sanção que o legislador dá ao possuidor de má-fé? Perde a construção e não terá direito a indenização em razão da má-fé. CC). Tinha um formal de partilha que você recebeu que te dava noção de que você era dono e construiu lá. O Flávio tem direito de ser indenizado pela construção que fez? Não. in fine. Olha o que diz o art. pois ele tinha uma escritura que dava a ele a falsa convicção de que era dono da coisa. Nelson aparece e diz que esse formal de partilha é nulo e que ele é o dono. Fica lá por 4 meses. as sementes. Nelson aparece. mas escrevam ao lada que é pelo valor atual para evitar o enriquecimento sem causa. Aí. Quando eu entro com ação reivindicatória e o tiro do imóvel. mas sim uma escola privada que tem 1000 alunos nesse terreno.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 43 nele.

Na novela Rainha da Sucata a D. Flávio você vai ficar com tudo e vai indenizar Nelson pelo valor do terreno. porque Regina Duarte construiu de boa-fé. pois o direito fundamental da propriedade deve ser preservado em favor do proprietário que é diligente.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 44 Acessão inversa é o novo modelo jurídico do CC derivado da função social da propriedade. Armênia dizendo que aquele terreno em Santos era dela. Ou seja. construíram a casa. Eu tenho mais 4 questões fundamentais sobre acessão. No meio da novela aparece D. . No primeiro capítulo da novela a Regina Duarte recebe da herança do marido um terreno em Santos. Se essa novela fosse reprisada. Nesse terreno ela constrói a fábrica chamada Rainha da Sucata. Eles casaram em comunhão parcial de bens e. aquele que. mediante pagamento da indenização fixada judicialmente. uma demolitória. o acessório vira o principal e o principal vira o acessório. A construção passa a ser o principal e o terreno passa a ser o acessório. Então. é por isso que a acessão inversa tem uma realidade social que impõe dinamismo e demonstra função social da propriedade no plano concreto. Veja uma situação que aconteceu em uma novela. O que eu deveria ter feito imediatamente quando ele começou a construir? Uma nunciação de obra nova. adquirirá a propriedade do solo. a ponderação que o CC fez foi correta e razoável. Essa situação de acessão inversa é uma homenagem a quem deu função social para a propriedade. plantou ou edificou. pensava que o imóvel era dela e o valor da fábrica era significativamente superior do que o valor do solo. O que significa acessão inversa? Significa que diante da importância da acessão. eu sou completamente omisso. Armênia tinha um terreno em Santos. depois. Se eu sou proprietário de um terreno e deixo construírem nele. Flávio e Alessandra casam pois o pai dela tem um terreno no Recreio e deixou que eles construíssem a casa deles nos fundos desse terreno. 1255: “Se a construção ou plantação exceder consideravelmente o valor do terreno. diante do fato da acessão ter um vulto econômico e social superior ao valor do terreno. se não houver acordo”. de boafé. Nesse caso. E que ela iria destruir a fábrica. teria que ter o seu roteiro modificado. É o parágrafo único do art.

E se esse cara entrou no meu terreno sem estar de boa-fé? Quem gosta muito de ocupar parcialmente solo alheio de má-fé é construtora. Vamos supor que Washington é o proprietário do terreno B e ele constrói em seu terreno. feita parcialmente em solo próprio. mais a desvalorização da área remanescente. Após a construção. adquire o construtor de boa-fé a propriedade da parte do solo invadido. Olha o art. . CC: “Se de ambas as partes houver má-fé. na medida evidente da aplicação da função social da propriedade. O NCC criou a mini desapropriação por interesse privado. adquirirá o proprietário as sementes. invade solo alheio em proporção não superior à vigésima parte deste. se o valor da construção exceder o dessa parte. devendo ressarcir o valor das acessões”. o valor da área perdida e a desvalorização da área remanescente”. É a primeira vez que o ordenamento jurídico permite que uma desapropriação seja feita não para satisfazer interesse público ou de ordem social.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 45 Dois anos depois do casamento. também. CC: “Se a construção. mas para satisfazer o interesse econômico de um vizinho. Nelson pode destruir os 5% da casa do Washington porque ocupou o terreno dele? Não. As questões principais de acessão entram agora. se fez em sua presença e sem impugnação sua”. Mas Washington não invadiu porque quis. Nelson aparece dizendo que a construção invadiu 5% do seu terreno. Aqui tem o terreno A e aqui tem o terreno B. plantas e construções. Washington vai indenizar Nelson pelo valor do terreno que ele perdeu. 1256. Olha o art. pois. segundo o CC. é uma mini desapropriação que visa atender interesse privado. e responde por indenização que represente. Ele pensou que fosse dele pelo que constava na escritura. quando o trabalho de construção ou lavoura. Ou seja. proprietário de má-fé é aquele que sabe que estão construindo em seu terreno e nada faz. O pai da Alessandra também agiu de má-fé. 1256: “Presume-se de má-fé o proprietário. Olha o § único do art. 1258. Flávio tem direito a 50% do valor da construção da casa. O que quer dizer má-fé de ambas as partes? Constrói de má-fé quem constrói sabendo que o terreno é de outra pessoa. Isso é uma mini desapropriação por interesse privado pois Nelson está sofrendo uma pequena expropriação no seu imóvel. eles começam a brigar e Alessandra o coloca para fora de casa.

houver necessidade de proteger terceiros de boa-fé”. eles como adquirentes de boa-fé. não basta que ela superior. pois na ponderação entre a função social e a má-fé. Por que houve a predileção pela proteção a quem está de má-fé? Para proteger terceiros de boa-fé. Tem enunciado 318 do CJF nesse sentido: “O direito à aquisição da propriedade em favor do construtor de má-fé somente será viável quando além dos requisitos do § único. Se for uma casinha. É só quando ficar provado que haverá lesão a terceiros adquirentes de boa-fé. por mais que a Encol não tivesse quitado as hipotecas perante o banco. pode ser um valor social. raramente uma casinha consideravelmente superior. Anotem ao lado do § único do art. 1258. 1258. dez vezes mais do que se pagaria se aquela ocupação fosse feita de boa-fé. o construtor de má-fé adquire a propriedade da parte do solo que invadiu. como já tinham pago todo preço do imóvel em vão. não tiveram que pagar o imóvel novamente. tenha valor tenha valor for prédio) terá valor Esse valor consideravelmente superior nem sempre é um valor econômico. Por que eu estou dizendo que esse artigo 1258. Mesmo para proteger terceiros de boa-fé. É exatamente a aplicação do princípio da boa-fé nessa situação. mas tem função social. Às vezes não é um prédio. Quem construiu o hospital terá que realizar o pagamento em décuplo. 1258. Essa é uma das razões pelas quais as pessoas que compraram apartamento da Encol e. § único só se aplica a construção? Porque tem uma palavra que tem no § único que não tem no caput que é “se a construção tiver valor consideravelmente superior”.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 46 Apesar de estar de má-fé. ela terá que ter valor consideravelmente (só quando superior. CC que essa norma não é para proteger qualquer possuidor de boa-fé. quanto é que se vai ter que pagar para que haja a mini desapropriação por interesse privado? O décuplo. A boa-fé deles e a confiança evitaram que a hipoteca pudesse ser imposta a eles. Se a ocupação for feita de má-fé. conforme o § único do art. CC: “Pagando em décuplo as perdas e danos previstos neste artigo. mas a pessoa construiu um hospital que pode não ter valor consideravelmente superior. a função social ainda vai prevalecer. . se em proporção à vigésima parte deste e o valor da construção exceder consideravelmente o dessa parte e não se puder demolir a porção invasora sem grave prejuízo para a construção”. a construtora adquire os 5% do imóvel. Na ocupação de boa-fé basta que essa construção superior. Olha o § único do art.

. Você diz que quer a desapropriação do todo. O CC não fala nada. mas ele também criou a maxi desapropriação por interesse privado. você terá que me pagar 400 mil mais o valor da metade do terreno que eu perdi e mais a desvalorização do remanescente. Eu aplico a acessão tradicional. Ou seja. pois o CC não apenas criou a mini desapropriação por interesse privado. vocês coloquem a possibilidade de se pleitear direito de extensão toda vez que o seu imóvel fique tão reduzido que ele perca completamente a sua função social. São 3 valores distintos que se deve pagar na maxi desapropriação do direito privado. 1259. CC.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 47 Vamos voltar ao primeiro exemplo em que o Washington ocupou o meu terreno de boa-fé. É só para quem está de boa-fé. Então. Quando você ocupa até 5% é a mini desapropriação. Se ele me tomou 100m2. 1259. a desvalorização do remanescente e o valor da construção que se realizou no meu imóvel. CC. A pessoa fica com tudo e me indeniza cabalmente. Mas a diferença é que a mini desapropriação tanto se aceita como ato de má-fé como de boa-fé. E tem uma segunda diferença que ressai da leitura do art. Está na lei de loteamentos. o Washington terá que pagar para o Nelson o terreno que ele perdeu. mas ao lado do art. ele ocupou 50% do meu terreno de boa-fé. mas neste caso. 1259. é melhor receber indenização pela totalidade do terreno e comprar outro do que ficar com um resquício de terreno. quem está de má-fé jamais poderá ter essa desapropriação favorável pelo CC. o que vocês me aconselhariam fazer? Qual é o nome do instituto que se dá quando o Estado te desapropria e você fica só com um resto de terreno que não vale nada? Direito de extensão. Já a maxi é só para quem é possuidor de boa-fé. Qual é o limite mínimo de um imóvel urbano? 125 m2. Se a sua casa vale 800 mil e metade dela está no meu imóvel. Se vocês fossem meus advogados. lei 6766. mas o CC também percebeu que muitas vezes pessoas ocupam terrenos alheios em áreas muito superiores a 5%. mesmo nessa ocupação de 50% é possível ter desapropriação. Se toda construção do Washington é feita no meu terreno. além de ter que ter boafé. eu aplico a figura da maxi desapropriação do direito privado? Não. Se for maxi desapropriação. É possível que você fique com metade do meu imóvel? Sim. Toda vez que a construção for feita totalmente no terreno alheio eu uso a solução normal. o cara não me deixou nada. Pois para eu ficar com nada. Está no art.

tenho que averbar a construção dessa casa. ela é útil. sempre saibam a diferença entre edificações que invadem parcialmente terreno alheio aplicam-se os arts. A benfeitoria sempre se realiza para uma de 3 funções: conservar. Mas por que quando se constrói a casa deve-se averbar no RGI? Porque a casa é acessão e acessão é modo de aquisição da propriedade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 48 Se ele fez de boa-fé. toda vez que eu tenho um terreno e construo uma casa. é o art. Quando é que muda a matrícula do imóvel? Se eu vendo o imóvel para alguém a matrícula muda? Não. se ela é feita para embelezar. Se vocês constroem uma casa e ela é invadida pelo Flávio que faz um muro de arrimo para evitar que a casa caia. . pois é feita para embelezar a coisa já existente. se nessa casa que você invadiu você constrói uma garagem. 1258 e 1259. Mas se ele não fez de boa-fé. 1255. Esse muro de arrimo é feito com a finalidade de conservar a casa que já existe. Então. ele perde a casa e será indenizado. Tenho 3 palavras mágicas: matrícula. benfeitoria é uma obra ou despesa que se incorpora a uma coisa já existente. Matrícula é a certidão de nascimento do imóvel. pois é uma obra feita para melhorar a casa. Quando vocês colocam piso de mármore ou um muro de arrimo na casa de vocês tem que averbar no registro de imóveis? Não. e o imóvel dele tem valor consideravelmente superior. A construção da casa em um terreno vazio que é o principal é ela que dá função social. essa que é a diferença entre acessão e benfeitoria. Então. ocorrerá a acessão inversa. ela é voluptuária. Se ela é feita para conservar. ela é necessária. é uma benfeitoria voluptuária. Qual é a diferença entre acessão e benfeitoria necessária? Sempre lembrem. melhorar ou embelezar uma coisa já existente. Se o invasor coloca piso de granito na casa. Vocês têm que ter sempre em mente que a acessão inova porque ela dá uma destinação econômica para onde nada existia até então. Com isso. A matrícula somente muda quando há desmembramento ou fusão que muda a identidade física do imóvel. A benfeitoria é feita sempre em função de algo já existente. é a identidade física do imóvel. se ela é feita para melhorar. A base da benfeitoria é que ela é sempre uma coisa acessória. Esse muro de arrimo é acessão? Isso é benfeitoria necessária. uma garagem é acessório ou é benfeitoria? É uma benfeitoria útil. Mas quando a acessão é feita completamente no terreno alheio. CC. Mas. registro e averbação.

Amanhã veremos usucapião. mas mantêm a sua autonomia. modo de aquisição de propriedade. no silêncio do contrato. Primeiro: enganam-se os que pensam que usucapião é. Tem que colocar a cláusula “porteira fechada” se quiser incluir as pertenças. Quando vocês vendem uma fazenda. Aquele abraço e muitas felicidades para vocês.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 49 Se o seu imóvel é ao lado é ao lado do meu e eu o compro. Já as pertenças são bens móveis que mantêm a sua autonomia. as benfeitorias são incluídas ou excluídas? São incluídas porque o acessório segue o principal. Lembrem da aula de ontem. Art. melhoram a coisa. Qual é a diferença entre pertença. Muda a matrícula pois vou ter que fundir a sua matrícula com a do meu outro imóvel. acessão é modo de aquisição da propriedade e benfeitoria é simplesmente acessório. . Quando se dá o registro? O ato de registrar sempre se dá quando vocês levam para o registro imobiliário qualquer situação em que haja constituição de direito real sobre imóvel. Usucapião. As pertenças não são partes integrantes da coisa. termino com ele agora. não é isso? Rua! Registro usucapião e a acessão são os modos de aquisição de propriedade e ficou faltando o usucapião. você averba a construção. apenas.11. CC. Coisa que eu gosto muito de fazer é ditar conceito.2007 Hoje vamos discutir sobre usucapião. A usucapião é modo de aquisição de outros direitos reais. São pertenças. Ou seja. Se vocês entram em terreno alheio e colocam uma vaca para arar a área e um trator para fazer a colheita das plantações. ao contrário das benfeitorias que se incorporam. Modo de aquisição da propriedade e de outros direitos reais pela posse prolongada da coisa. Então. Não é. eles são utilizados na coisa. acessório e benfeitoria? Acessão e benfeitoria se incorporam definitivamente à coisa. esse conceito que eu dei é muito importante por dois aspectos. o último. No silêncio do contrato as pertenças são incluídas ou não? São excluídas. Quando se usa a averbação? Quando se leva ao registro qualquer ato que não seja de aquisição de direito real. a sua matrícula irá mudar pois mudou a sua identidade. visto que essas mantêm a sua autonomia. você constrói uma casa. observando os requisitos legais. 93. Vou dar o conceito. vamos lá. Rio. 07. Ou seja. A vaca e o trator são acessórios ou benfeitorias? Nenhum dos dois. Amigos.

por usucapião. A usucapião é modo originário ou modo derivado para aquisição da propriedade? É originário. originário. E. Por quê? Porque a usucapião pega uma situação eminentemente fática que é a posse e converte ela. que separa essa posse dessa propriedade está cheia de pedágio. Agora. Modos originários de aquisição são todos aqueles em que não existe o fenômeno da transição.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 50 Vocês sabiam que vocês. Aqui tem a posse e aqui tem a propriedade. essa ponte Rio Niterói. O que é posse? É o poder de fato de qualquer coisa. por que a aula da usucapião é longa? Porque esse viaduto. no passar do tempo. Por que todo mundo diz que usucapião é modo originário. só quem passar pelos vários pedágios alcança o seu destino. Digam sem pestanejar. Gente. Ou seja. É essa a lógica da usucapião. podem adquirir uma servidão? Por usucapião poderiam adquirir um usufruto? Podem. Qual é o único viaduto que vocês conhecem que faz a ponte entre a posse e a propriedade? Usucapião. A segunda observação que deflui desse conceito é a mais interessante. saibam que usucapião é passível de aquisição de outros direitos reais. eu falo de modos originários. . mas na aula de hoje eu resumo. já. Propriedade é o poder de direito. simplesmente. Eu também entendo. Mas. Toda vez que não há qualquer relação jurídica entre o novo proprietário. o que é o novo proprietário? O usucapiente e o antigo proprietário. é quando não há qualquer relação jurídica entre o usucapiente e o antigo proprietário da coisa. O que é propriedade? É o poder de direito de qualquer coisa. Posse é o poder de fato. Essa é a mágica da usucapião. o antigo proprietário não transmite nada para o novo proprietário. Ah. isso. 99% da doutrina da jurisprudência realmente entendem que a usucapião é modo originário. Existem muitos pedágios nesta ponte chamado usucapião. usucapião é o viaduto que faz a travessia entre a posse e a propriedade. quando acontece modo originário de aquisição de propriedade. Pelo seguinte: por que. em direito de propriedade. Por que pedágio? Porque existem vários requisitos de acesso ao outro lado da ponte. Só Caio Mário que traz uma posição diferenciada. como a usucapião como modo de aquisição da propriedade. Essa é a primeira observação.

Por que não tem que pagar ITBI? Porque ITBI é imposto de transmissão de bens imóveis. e você fica aqui. Agora.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 51 E. de fato. Como a usucapião é modo originário. não fiscalizaram esse terreno. porque o antigo proprietário não transmitiu nada para o novo proprietário. É por isso que a usucapião é modo originário de aquisição de propriedade. E se registro é modo derivado. Então. Ele recebe a propriedade. A pergunta do concurso era: quando Flávio Gomes consegue usucapião desse terreno aqui. Você é proprietário de um terreno. vamos supor 6 anos. não existe modo transmissão nenhuma. E o que acontece? O nosso amigo Flávio Gomes entra no terreno. você tem hipoteca. quando o usucapiente se torna dono. isso é que é importante. não tem que pagar o fato gerador do ITBI. têm que pagar ITBI? Não. O que vocês acham disso? Washington olha aqui. certo? E você deu esse terreno em hipoteca para mim. o usucapiente não recebe a coisa do antigo proprietário. Modo de aquisição originário. eu pergunto: Washington. Você tem dívida comigo. Registro é modo originário ou derivado? É claro que é derivado. porque se registro é modo derivado. Então. A minha pergunta é a seguinte: você vende para o Flávio Gomes. o seu imóvel está hipotecado. a hipoteca que existia contra Washington ela existe contra o usucapiente? Ela subsiste? Não. A despeito do antigo proprietário. É que. E sabe qual é a vantagem de usucapião ser modo originário? Olha que bacana. as duas conseqüências relevantes disso num concurso público? Primeira conseqüência eu vou perguntar para vocês. E você consegue a usucapião. ontem vocês estudaram comigo registro. é o que acontece na usucapião. Então. Flávio. ele é um sem-terra. Ele recebe a coisa contra o antigo proprietário. Quando vocês conseguem êxito numa sentença de usucapião. Claro que não. A hipoteca que existia contra você ainda incidirá para o Flávio? Claro que incidirá. Segunda conseqüência prática. imaculada. Nelson. como se a propriedade não tivesse restrição anterior. Por que claro que ela não subsiste? Porque usucapião é modo originário. olha o que eu vou falar. a grande vantagem da usucapião como modo originário é exatamente essa possibilidade do usucapiente não ter que arcar com os ônus reais que haviam contra o antigo proprietário. em razão de uma dívida. toda aquisição feita através do registro mobiliário transfere . isenta de visto. não existe relação jurídica entre eles. o novo proprietário exclui o antigo. por ser modo originário. vocês ao registrarem a sentença de usucapião. ele recebe a propriedade líquida. então. Quais. Você vende aqui para o Flávio Gomes. Porque na usucapião. Sabe o que aconteceu com esse terreno que está hipotecado? O Washington e Nelson.

é um apartamento que vocês conseguem usucapir. Usucapião não tem nada a ver com prescrição aquisitiva. E eu detesto essa aproximação. requisitos reais e requisitos formais. Então. Não é isso? Usucapião não é modo de extinção de pretensões. por que tem muita gente boa que escreve na prova: usucapião é a mesma coisa que prescrição aquisitiva. lhes dizendo que a usucapião tem requisitos. porque é modo originário. tudo bem que o usucapiente não tem que pagar ITBI. Por que não tem nada a ver? Eu não posso.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 52 para o novo proprietário todos os encargos e restrições que haviam contra o antigo. gente. Então. porque o resto foi comido pela prescrição do crédito tributário. Esse é o primeiro ponto da aula. pessoal. pessoais e formais. Vamos começar pelos pessoais. Por quê? Porque. suspendem ou interrompem a prescrição se aplicam à usucapião. essas são as discussões concretas em concurso público de saber a diferença entre usucapião como modo originário e os outros modos de aquisição de propriedade que seriam modos derivados. por que prescrição é o quê? É o modo de extinção de pretensões. Todas aquelas causas que impedem. os ônus reais anteriores que não foram pagos eles incidem sobre a coisa. Aí é diferente. Sabe qual é a única semelhança entre prescrição e usucapião? A única semelhança entre elas é o artigo 1244 do Código Civil. Por quê? Porque é obrigação propter rem e tem que pagar os ônus reais. Sempre tem aluno falando assim: Nelson. Claro que tem que pagar. porque usucapião é o modo originário. suspendem ou interrompem a prescrição. que são requisitos pessoais. Agora. suspendem . sempre paga. Imposto Rural atrasado. Então. É modo de aquisição de propriedades. É por isso que o usucapiente tem que pagar IPTU atrasado. Porque o 1244 me diz que todas as causas que impedem. Olha aqui. Usucapião tem requisitos reais. vocês têm que pagar. Vocês têm que pagar o IPTU dele? Vocês têm que pagar ou não. elas também impedem. Então. só que nos últimos 5 anos. a pergunta que eu faço para vocês é: e quando vocês conseguem usucapião do imóvel. Nunca confundam ITBI com aquelas tributações reais que são IPTU e aqueles outros. agora com o fim desses esclarecimentos eu vou entrar na aula de usucapião propriamente dita. por exemplo. mesmo sendo modo originário. primeiro cuidado que vocês têm que ter em questão aberta que trate de usucapião.

Marido contra mulher. Por que esta causa suspensiva vai se comunicar aos outros? Olha isso é pergunta de tudo quanto é concurso. Ou seja. só não usucapiu contra ele. não é? Então. são causas personalíssimas. Mas. o proprietário. Luizinho e Pedro. Só que. por conseguinte. Então essa cláusula se comunica aqui.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 53 ou interrompem a usucapião. Todo feliz. Zezinho. Por quê? Porque os outros são maiores. e Pedro tem 14 anos de idade. contra o menor de 16 anos? Não. O usucapiu o resto do terreno? Não. E todos esses herdeiros são maiores. seu Francisco. querem ver um exemplo? Washington. isso aqui é causa suspensiva. Então. Então parou o tempo. Por que isso aqui não é um inventário que está aberto? O inventário é um bem divisível ou indivisível? Indivisível. Todas as causas suspensivas da prescrição e. olha bem Washington. o usucapiu o resto do terreno. esse prazo aqui ficou interrompido ou suspenso? Suspenso. Então. aí. Sabe por que ele não conseguiu ficar aqui? Porque quando deu oito anos um dos herdeiros não era absolutamente incapaz? Cobre a prescrição quando é absolutamente incapaz. morreu quando você tinha 8 anos de posse. gente. é o prazo para que o Washington usucapir desse terreno aqui. 10 anos. Pergunta: ele conseguiu ficar aqui? Não. mas espere aí. Washington ajuíza ação de usucapião. pai contra filho. Porque sempre sai com as diferenças entre as causas interruptivas e as causas suspensivas. Só que Pedro tem 14 anos de idade. da usucapião. vamos supor que você quer o usucapir o terreno. Então se não ocorre a prescrição quando não é absolutamente incapaz. sabe o que eu quero dizer Washington? Que o seu . 10 anos. Só que tem bons alunos concentrados lá atrás que falam: Nelson. ele vai lá e procura o proprietário. 1244 não ocorre também. e o prazo de usucapião é de 10 anos. quem é o litisconsorte mesmo? O proprietário. são causas subjetivas. O que ele descobre? Que o proprietário era o seu Francisco. faceiro e fogoso. A usucapião pelo art. E. Os três são maiores. nos meus dois anos quem ficou? Foram os 4 filhos dele. É a única coisa em comum que existe entre prescrição e usucapião. pergunta-se: e. Quando é que ele ajuíza ação de usucapião? Quem é o réu principal? Existe litisconsórcio passivo necessário. pessoal? Ele consegue completar o prazo. Então. depois. Aí o que acontece. contra absolutamente incapaz. Mas. Ou seja: Huguinho. o que não ocorre também? A usucapião.

numa prova múltipla escolha os bens públicos são inusucapíveis. mesmo assim. Volta a correr de onde? Parou. porque isso é muito importante na hora da constatação do prazo. porque eles são utilizados para uma atividade patrimonial do poder público. sempre fiquem atentos a essas causas suspensivas ou impeditivas ao curso da prescrição. Agora que eu falei disso aqui. Então são requisitos pessoais. gente? Sempre fiquem ligados com isso. Tem um caso suspensivo ou interruptivo da usucapião que vocês têm que analisar exatamente. Ou seja. o prédio do fórum. Para vocês não. Ou seja. são afetados? Não. não há usucapião de pai contra filho. Então. Esse exemplo foi apenas para vocês botarem na cabeça. Quais sejam: bens de uso comum do povo. tanto pelo art. é de qualquer bem público. Os bens de uso especiais são aqueles que são afetados em favor de uma atividade da administração como. Dominicais ou patrimoniais. vamos começar do fácil. Quando ele tiver 16 anos volta a correr. praia e praça. Todo examinador adora colocar uma situação aqui no meio. como rua. nós vamos entrar na parte dos requisitos reais da usucapião. Por que são requisitos pessoais? Porque não há usucapião de marido contra mulher. 183 como pelo art. Requisitos reais é uma parte importante da aula. eles são inusucapíveis porque os artigos 183 e 191 assim o querem. O que eu vou perguntar a vocês é qual o tipo de imóvel é passível de usucapião? Qual o bem móvel pode ser usucapido? Qual não pode? Então. bens de uso especial e bem dominical. Por quê? A prescrição não corre contra o absolutamente incapaz. Só quando ele completar 16 anos que volta a correr. Os dominicais são chamados também de que? Patrimoniais. não tem usucapião de bem de uso especial e não tem usucapião de bem dominical. mas. E os bens dominicais. Só para relembrar os bens de uso comum do povo são aqueles afetados em favor da coletividade. 191 da Constituição Federal que impedem a usucapião de bens públicos E quando eles impedem usucapião de bens públicos.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 54 prazo de oito anos só volta a correr no momento em que esse menino completar 16 anos. Bacana. por exemplo. . Há possibilidade de usucapião de bem público? Não. não tem usucapião bem de uso comum do povo. não há usucapião contra o absolutamente incapaz.

Agora. pois o examinador quer ver se vocês conseguem sair do raciocínio puramente legislativo. vamos para a segunda questão dos direitos reais. não venham me bater amanhã se cair em uma prova de múltipla escolha.” Ou seja. 102 do CC. E sabe por que a Constituição só proíbe a do materialmente público? Porque Celso Antônio Bandeira de Melo fala o seguinte: “o bem particular tem função social. O particular deveria usucapir? Deveria. entra lá dentro e fica por 10 anos nesse bem. tirem esses dogmas do raciocínio de vocês. Mas Constituição não permite? Opa eu estou interpretando a constituição em um sentido integrativo. art. e não vão me decepcionar. Isso só serve para um prova aberta. Alunos. A minha posição e que é a mesma posição de Celso Bastos. abandonado. não é só a Constituição que diz que o bem público é inusucapível. Essa distinção é importante e é o que o examinador quer ouvir isso em uma prova dessas. eu pergunto o seguinte: O que é que você acha da seguinte situação? Tem um imóvel que pertence ao Estado do Rio de Janeiro que está largado. a segunda questão dos direitos reais é a seguinte: Cabe usucapião de um bem que pertence a uma sociedade de economia mista ou uma empresa pública? . mas ele não é materialmente público. que é a mesma posição de alguns outros autores que é a seguinte: claro que haverá usucapião se o bem for formalmente público porque ele não ostenta função social. Então o que eu quero que você bote na cabeça é que existe um mito. mas não é dotado de função social. Já o bem formalmente público pertence a pessoa jurídica. Qual a distinção ente um bem formalmente público e um materialmente público? O bem materialmente público é aquele que pertence a pessoa jurídica de direito público e recebe a função social. Sabe por que deveria? Porque este bem é formalmente público. é de bem materialmente público. e vem um particular. que é o bem público mas está abandonado.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 55 Agora. pois nestas provas não cabem usucapião de nenhum imóvel público. E em um sentido integrativo sabe o que eu penso? Que quando o artigo 183 e 191 proíbem a usucapião de bem público. o artigo 102 do Código Civil. qual mito? O mito da imprescritibilidade do bem público. não recebe destinação relevante. Só que vocês são meus alunos. tá bom? Então. se é exigida função social do bem particular. Tirem esses mitos da cabeça. na mesma linha reitera e diz que bem público não é passível de usucapião. o bem público é função social. quanto mais do bem público. está registrado no nome do estado.

porque que não compensa? Porque imagine vocês a Petrobras. pelo seu destino. Se o bem pertence a uma sociedade de economia mista ou uma empresa pública. Agora. não é? Mas alguém admite a possibilidade de usucapião de uma refinaria? Não. porque uma sociedade de economia mista e empresa pública são pessoas jurídicas de direito privado e se elas são pessoas jurídicas de direito privado e paraestatais e o que diz o artigo 98 do CC? O art. uma vez que tem finalidade pública. são bens usucapíveis. é inusucapível. só que você descobre que esse terreno não está registrado no nome de ninguém. Só que como todos os administrativistas são uns derrotados é obvio que a posição deles caiu porque o STJ adora os civilistas. apesar deste bem pertencer a uma pessoa jurídica de direito privado. em tese cabe? Claro que em tese cabe. é coisa de ninguém. é a finalidade. digo mais. e qual que é a noção? A questão do bem se ele é público ou é privado não é pela origem.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 56 Vou perguntar. é pela sua finalidade. eu vou dizer as duas posições: tem a posição dos administrativistas e eles entendem que quando o Brasil foi descoberto as terras se tornaram públicas e no que elas se tornaram públicas e ninguém registrou ate hoje continua sendo bem público. você acha que isso é raro? A coisa do terreno sem dono no Brasil é algo comum. 98 do CC diz que bens públicos são aqueles que pertencem a pessoa jurídica de direito público. Nós vivemos em uma época hoje no Brasil em que não interessa mais o rótulo e o que interessa é a destinação. Só que lá vou eu de novo e agora com apoio do STF. esse bem recebe uma destinação pública. nosso sistema é muito desorganizado. . portanto. pela sua efetividade. posição do STF. está afetado a uma finalidade pública e. terceira pergunta que eu faço: Gabriel você entrou nesse terreno aqui e ficou 10 anos e você quer o usucapião deste terreno onde você morou 10 anos e você ajuíza a ação contra o proprietário. E o que os civilistas mostraram para o STJ e há cinco o STJ acolhe? Que o terreno que não este em nome de ninguém não é bem publico não. ele se torna inusucapível. é res nullius. não é? É sociedade de economia mista. ninguém admite. é pessoa jurídica de direito privado. acontece toda hora. O STF diz que esse critério puramente formal do CC não compensa. E por que ninguém admite? Porque. Então os bens dessas empresas são particulares e. naturalmente. Pergunta: Cabe o usucapião de imóvel que não esta no nome de ninguém? Então. Eu quero abrir novamente a noção que vocês têm. mas ele recebe uma finalidade pública esse bem se torna inusucapível.

mas o que eles vão dizer? Mas nós ajuizamos uma ação discriminatória. que o poder público venha em defesa. Mas se essa ação não for ajuizada. ela pode. todavia. . alto lá. Impenhorabilidade do imóvel residencial significa o quê? Bem de família legal. Ele tinha cara de um bem de família. mas não tinha destinação. Então. é bem privado. o estado ou o município chegue na contestação e diga seu juiz. antes do Gabriel completar 10 anos nós ajuizamos uma ação discriminatória. Então vai chegar a União vai ver que esse cara está querendo este imóvel. nada impede que a União. Resposta do professor: Não é que ela neste caso se manifestaria. o que acontece. mas ela deve ser chamada. na contestação. então necessariamente as Fazendas sempre vão saber dessa demanda? Em qualquer processo. E a finalidade desta ação discriminatória é mostrar que aquele imóvel pertence ao poder público. sabe o que ele diz: que nada impede. o STJ é bem claro e criterioso. Gabriel. existem dois tipos de bens de família: o bem de família voluntário e o bem de família legal. vou repetir. Eu pergunto: Cabe a usucapião sobre o bem de família? É obvio que cabe. tranqüilo. usucapível. Bem de família é usucapível? Em primeiro lugar. esse imóvel é sem dono. que é sem dono. não é bem público. mas não era materialmente um bem de família. Então para perceber que vocês entenderam: essa presunção de que o imóvel é res nullius é uma presunção absoluta ou relativa? É relativa. vão tentar uma saída para isso. Por mais que o imóvel seja sem dono é litisconsórcio necessário. em paz e ninguém te incomodou. terras sem dono. É por quê? É porque aquele só era formalmente um bem de família. Agora. E se é adéspota. gente. continuando na questão dos requisitos reais. prevalece a tese de que aquele bem era um bem privado e. consiga o poder público na contestação demonstrar que este imóvel já sofreu ação discriminatória. tanto na modalidade voluntária quanto na modalidade legal. O que é uma ação discriminatória? É uma ação ajuizada pelo poder público para discriminar aquilo que é público do que é privado. se você entrou nesse bem de família aqui. Pergunta de aluno: inaudível. há dois tipos de bens de família. legitimação e merecimento de bem de família.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 57 E já caiu no MPF. O bem de família legal que é a impenhorabilidade do imóvel residencial da lei 8009/90. O bem de família voluntário é aquele que está no artigo 1711 do CC que é instituído pela própria entidade familiar. e com base na lei 6383/76. Terras adéspotas. portanto. e se é bem privado e passível de usucapião. ficou 10 anos morando lá. são chamadas terras adéspotas. ou seja. Agora. Sabe por quê? Gabriel.

o que a cláusula de inalienabilidade impede são os modos derivados de aquisição. vou fazer logo um bate-bola com vocês sobre quais são os requisitos para fazer usucapião. você pode botar numa prova que posse mansa e pacífica é a posse daquele possuidor que é amigo dos . Só se torna bem de família se receber a destinação adequada a sua origem. a usucapião faz com o usucapiente receba a coisa límpida. Agora. posse mansa e pacífica. Vamos trabalhar com os requisitos formais do usucapião. são sete modalidades e trabalharemos as sete com vocês. Por que pode usucapir? Lá no início da aula. eu doei este imóvel para você. todas as restrições que existiam contra o antigo proprietário não incidem mais contra o usucapiente. jamais os modos originários de aquisição. esse terreno. Começando pela usucapião extraordinária. beleza? Só que eu sou um cara esperto e doei o bem para ele com uma clausula de inalienabilidade. eu te doei com clausula de inalienabilidade. ou seja. Sabe o que vocês vão ver hoje? Vocês vão ver que eu tenho duas usucapiões extraordinárias. uma rural e uma coletiva. mas também nunca poderá vender. o que aconteceu? O Flávio Gomes começou a possuir o terreno vazio e ficou lá 10 anos. eu atravessarei os requisitos formais delas. de zero a dez? Nós temos sete. Eu quero ouvir de vocês um número de zero a dez. Então. Quantas modalidades de usucapião temos no Brasil. uma urbana. nem nunca vai poder doar. É a ultima dos requisitos reais. vamos fazer um bingo aqui. você é meu amigo. Pessoal quem estiver copiando vai para o artigo 1238 do CC ele versa sobre a usucapião extraordinária. Só que o Washington é um calhorda e não quis receber esse presente com carinho e você se tornou dono. Washington. doei um terreno em Itaboraí para você.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 58 É por isso que um bem de família é perfeitamente usucapível. porque o usucapião é modo originário de aquisição de propriedade. Totalizando sete modalidades de usucapião. O primeiro requisito está estampado na leitura do 1238 é esse aqui: É o PMP. é claro que tem usucapião. vou fazer uma pergunta para quem não pegou. Como o Washington nunca foi lá. Então. Flavio é possível usucapir um terreno com cláusula de inalienabilidade? É? Por quê? Se a cláusula de inalienabilidade não pode nem doar e nem vender. O que a cláusula de inalienabilidade impede. mas nunca foi lá. quando o usucapiente se torna dono. Como o usucapião é modo originário. Mais uma última: Olha. Você nunca vai lá. Não vou ficar lendo artigo não. Rafaela. duas ordinárias.

Agora. Com 12 anos vem uma sentença procedente e com trânsito julgado. A posse de vocês manteve a mansidão e a pacificidade. dez anos é o prazo. que a nossa justiça é lenta você Flávio só ganha essa demanda contra Washington quando ele já estava lá há 12 anos. mas não levou. joga conversa fiada com o vizinho. protocolou. se não houve esse ajuizamento. E qual é o momento do ajuizamento da demanda em uma comarca como o Rio de Janeiro? A distribuição do feito. essa demanda. Vou repetir para quem não ficou atento: por mais que a sentença tenha sido proferida quando o prazo da usucapião já foi ultrapassado. parágrafo primeiro do CPC. 219. distribuição. Você leve Washington? Não. pessoal. convida eles pro almoço. Ai nessa hora o Flávio falou: eu tenho a sentença julgada e sai do meu terreno. 219. Reforçando: é aquela que não sofreu oposição judicial séria. ajuizamento da demanda. porque eu já tenho 12 anos. todo feliz e tranqüilo. E quando houve oposição judicial séria? Quando o devido processo legal foi ajuizado. . Nesse momento interrompeu-se o prazo de usucapião. Posse mansa e pacífica é aquela que não sofreu oposição judicial séria em toda sua trajetória. Por quê? Porque esse momento da sentença vai retroagir para gerar a interrupção do prazo de usucapião a contar de quando? Do ajuizamento da demanda pelo art. Ai o Washington responde: ganhou. O que você faz Flávio quando vê o Washington no terreno? Qual é a ação que o proprietário ajuíza contra o não proprietário mesmo? Ajuíza uma ação reivindicatória. O Washington já estava lá há 8 anos. você pode falar que isso é uma posse mansa e pacífica? É obvio que não. Agora olha como no Brasil é como vocês sabem. Art. vou explicar através de exemplos para vocês sempre lembrarem: O Washington ele queria usucapir um imóvel em 10 anos. já tenho mais que o prazo necessário para a usucapião.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 59 vizinhos. essa sentença terá o efeito de interromper a prescrição retroativamente ao momento do ajuizamento da demanda. O que isso quer dizer? Qual é o momento em que a posse perde a sua mansidão e a sua pacificidade? Quando há uma oposição judicial séria. ótimo. ou seja. Se vocês têm uma trajetória de possuir o bem e durante toda posse ninguém ajuizou contra vocês uma ação possessória ou uma ação reivindicatória. Estava faltando dois anos e o que é que aparece? O malvado Flávio Gomes. parágrafo primeiro do CPC. que é o proprietário do terreno. É isso que vocês têm que saber.

sabe por quê? Porque a oposição judicial não foi séria. ele é mero detentor. primeiro tem que saber se o cara tem posse. é posse com animus domini. Tomem cuidado. Muito bem pessoal. CC traz a lume a hipótese de haver um detentor. o possuidor sabe que não é dono. Então moral da história. ele quer substituir o proprietário. como é que vocês admitem que a usucapião pode ser paralisada por uma medida extrajudicial. posse com animus domini. essa sentença só provoca esse efeito interruptivo retroativo se ao final a demanda for julgada procedente. Detentor não pode ajuizar ação de usucapião. O Vítor não tem posse. e número 2. é posse. Jamais. O Vítor é detentor porque ele não possui a coisa em nome próprio. agora olha aqui: número 1 a posse tem que ser mansa e pacífica. O que é animus domini? É o desejo do possuidor de ser dono da coisa. se por acaso essa sentença foi julgada improcedente? Muda alguma coisa? Claro que muda. Eu tenho um terreno em Montes claros e aí gente como eu confio demais no Vitor. Ele é um mero subordinado. Então. 1198. até conhece o proprietário. Por quê? O que falta à usucapião? Se vocês falarem que o que falta é animus domini na prova é ZERO! O que falta ao Vitor é uma coisa muito pior. ele tem a intenção de ser o novo dono. Deixei o Vitor lá feliz. E eu durante 18 anos paguei um salário mínimo para o Vitor para ele ser capataz da minha fazenda. . até mesmo sabe quem é o proprietário. é só o devido processo legal com o contraditório e com ampla defesa que fazem com que a posse perca sua mansidão e sua pacificidade. claro que não. coloquei o Vitor como capataz no meu terreno. qual que é o segundo requisito para que se consiga uma usucapião extraordinária? PAD. mas uma notificação extrajudicial não interrompe o prazo de usucapião? Não. A usucapião tem uma função social da posse relevante de mais para ser paralisada por notificação extrajudicial. Ai você pergunta assim: Nelson. essa que é a posse com animus domini. leviana e você consegue o usucapião. Muito antes de vocês pensarem em animus domini vocês têm que pensar que é carecedor de ação um cara que nem ao menos tenha posse.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 60 Mas. O art. Então. ou seja. Washington conseguiu a usucapião porque essa ação foi ajuizada de maneira irresponsável. Gente. Pergunta: Depois de 18 anos o Vitor pode usucapir? Não. Gente durante esses 18 anos eu nunca fui à fazenda. um mero cumpridor de ordens. ele a possui em nome alheio. Ou seja. se a sentença foi improcedente. mas qual é o objetivo do possuidor com animus domini? Ele quer dar uma rasteira no proprietário. É a intenção do possuidor em ser proprietário.

Depois desses 15 anos ele vai usucapir o terreno? Não. houve posse mansa e pacífica? Houve. Mesmo ele tendo posse de má-fé e não tendo justo título ele irá usucapir. seja como locatário. todas as vezes que alguém entra no imóvel de vocês em virtude de uma relação jurídica contratual. Então. O Gabriel é arrendatário do Nelson há 15 anos. Resposta do prof. Ele tem posse com animus domini e posse mansa e pacífica. a gente se perde um . Vamos supor que eu tenho um outro terreno lá em Montes Claros e esse outro terreno eu arrendei para o Gabriel. como é que o cara pode ter animus domini se o tempo inteiro ele reconhece que só está na coisa em virtude de uma relação jurídica com o possuidor indireto? Quem não tem animus domini? São as pessoas que estão na coisa investidas de uma relação jurídica contratual porque são possuidores diretos. animus domini. pois todo dia que o arrendatário está no terreno. o possuidor direto não tem animus domini. detentor não pode aju8izar ação de usucapião porque detentor não tem posse. Se ele tem posse porque ele é arrendatário.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 61 Como o detentor é apenas um longa manus do possuidor. arrendatário ou usufrutuário. Zé Rainha entrou na coisa para se tornar o dono. então ele pode tranqüilamente usucapir. tirou vocês de lá e ficou no terreno 10 anos sem ninguém incomodar. Se eu entrar na interversão da posse. Pergunta de aluno: inaudível. Ou seja. Nesse exemplo o Gabriel tem posse. Então. como ele é apenas um simples instrumento do possuidor. nesse caso. pois falta para ele. ele se lembra que enquanto ele exerce a posse direta. Animus domini não é a intenção do possuidor de ser o dono da coisa? Zé Rainha tinha alguma relação jurídica contratual com o proprietário? Não. mas ele tem apenas a posse direta. Então. 1197. eu falo que esse cara que entrou tem posse direta. pois ele possui animus domini. mas eu só vou discutir com vocês daqui a duas semanas. toda vez que há um possuidor direto. Ele está na coisa por um contrato que o investiu na posse. CC. Zé Rainha vai usucapir? Vai. sempre lembrem. Zé Rainha invadiu o terreno de vocês. pois usucapião extraordinária não exige boa-fé e nem justo título. por que ele não tem animus domini? Esse é um exemplo onde ele tem posse. Esses não têm animus domini. Vocês têm que ter muito cuidado com os requisitos da usucapião extraordinária. se ele ficar lá durante 10 anos sem ninguém incomodar.: Essa questão da interversão da posse é muito legal. o proprietário nunca deixou de exercer a posse indireta do art.

parágrafo único é a posse trabalho. se você entrou em um terreno largado. teve posse com animus domini e a única coisa que você fez nesse tempo todo em que possuiu o terreno foi murar o terreno e um vez por semana ia lá para ver se estava tudo bem. além de possuir. teve posse mansa e pacífica. Uma de 15 e outra de 10 anos. vocês não dão moradia. Então. um capataz nunca vai usucapir? Vão. Resposta do prof. A posse para ser posse em si. Filipe. quer dizer que o Felipe vai usucapir sem ter dado função social nenhuma? Numa ponderação de interesses o legislador ainda acha que é mais importante para o ordenamento jurídico prestigiar um possuidor mesmo que ele não tenha dado função social do que um proprietário desidioso. não teve nenhuma função social a sua posse. 1238. Você não morou lá. essa é a idéia. Mas se você. morar no imóvel ou der qualquer forma de função social. No CC/2002 eu tenho 2 usucapiões extraordinárias. não realizou nenhuma atividade econômica. O ordenamento jurídico torna-a merecedora de uma redução de prazo. não edificam e vocês não plantam. vocês vão usucapir em 15 anos. Mas se esse possuidor ainda deu função social. A usucapião ordinária tem residência no art. em 15 anos. 1238. Vamos falar sobre usucapião ordinária. ele vai usucapir? Vai. mas em hipóteses especiais. 1238. essa ponderação tem que ser mais branda. no sentido de que ele deve demorar menos tempo para usucapir. olha que ótima pergunta: Nelson. Mas essa posse trabalho não passa de uma interessante expressão que resume a idéia da função social da posse. mesmo assim. qual é o seu prêmio? O prazo cai para 10 anos. CC. 1242 do CC. É a usucapião extraordinária com função social do § único do art. Art. Pergunta de aluno: inaudível. Quais são os requisitos que a usucapião . mas não ostentam qualquer função social. CC o caput é de 15 anos e o § único é de 10 anos. melhor ainda. Quais são essas 2 modalidades de usucapião extraordinária? É o seguinte: quando vocês são possuidores. que não tinha ninguém. caput é a posse simples e art. 1238. Ele fala que isso aqui é a posse trabalho e a posse trabalho tem mais mérito do que a posse simples.: Gente. mas se ela é posse e ainda tem função social. 1238. Miguel Reale usa uma terminologia legal. Mas o que ele está perguntando é um locatário.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 62 pouquinho. No art. Isso sim é a aplicação da proporcionalidade no art. não requer uma função social.

esse título não transferiu a propriedade porque ele é eivado de nulidade. Sempre que o examinador vai perguntar de justo título ele vai pensar nesse exemplo. Washington. que dá a Washington a falsa suposição de que ele é o dono da coisa.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 63 ordinária exige e que não são exigidos para a extraordinária? Justo título e boa-fé. . Justo título e boa-fé sempre andam juntos. pessoal. durante 11 anos ele não teve posse mansa e pacífica? Teve. O que é um justo título? Ele tem um justo título. você está morando nessa fazenda há 11 anos. por que o justo título não é qualquer documento chulé (sem validade)? O justo título é um documento que extrinsecamente. Segundo. Ou seja. É ele ser proveniente de quem não é proprietário. Apesar do título de aparência de legítimo. pessoal. vão dizer eu vou comprar esse imóvel. Justo título. é qualquer documento que dá ao adquirente. Ele vai. Ele teve uma posse sem sofrer qualquer oposição judicial séria. Você adquiriu a fazenda por escritura pública de compra e venda. é um documento em tese apto a transferir a propriedade. Justo título é uma das questões mais difíceis do direito civil. Eu vou dar um exemplo para vocês que corresponde a toda e qualquer questão de justo título de concurso público. não é? Mas o que eu quero dizer. Terceiro. Washington. tranquilamente que Washington teve a intenção de dono. Então. eu vendo para você uma fazenda. qual é esse vício? É a aquisição a non domino. Flávio ajuíza ação reivindicatória para retirar Washington de lá. O que Washington pode alegar em defesa? Usucapião. na verdade. Simples. o justo título é um documento que em tese é perfeito para a aquisição de propriedade. E por que ele vai alegar usucapião em defesa? Primeiro. Justo título. alegar usucapião em defesa. externamente ele é perfeito. Após 11 anos o Flávio Gomes aparece e diz que Nelson fez uma venda a non domino e que o bem pertencia a ele. pela súmula 237 do STF. Ou seja. ele contém um vício que impede que essa propriedade seja verdadeiramente transmitida. Em 99% dos casos em concurso público. e agora fica fácil para vocês visualizarem. qual é o problema dele? O problema é que apesar dele ter uma aparência perfeita. ele teve justo título? Teve. porque é idôneo para transmitir propriedade. ele teve animus domini? Teve. Qualquer um de vocês na sala de aula se olhar para um justo título.

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Qual é a mágica da usucapião? O tempo nesse meu exemplo foi de 11 anos. O que o tempo fez? O tempo é como se fosse uma vacina que cura o título, é como se fosse uma fórmula milagrosa que elimina o defeito do justo título. O tempo faz a mágica de converter o justo título em um título justo para transmitir propriedade. Então, aqueles vícios são sanados pelo longo prazo. E foi isso que aconteceu com Washington. Ele ficou ali mais de 10 anos e conseguiu sanar o vício. Se Washington não era proprietário porque o título era a non domino, ele se tornou proprietário pela usucapião porque o justo título fea esse milagre. Quem é que deve usucapir em prazo mais curto? O cara que tem usucapião extraordinária ou ordinária? Usucapião ordinária. Quem tem mais merecimento? Aquele que estava na coisa com base no justo título ou sem? É claro que esse que possuía justo título tem mais merecimento. É por isso que os prazos de usucapião ordinária são prazos de 10 e 5 anos. São prazos mais curtos do que o prazo de usucapião extraordinária. Daniele se, por acaso, um cara pega um papel e escreve que está te transmitindo um terreno no Leblon. Esse papel é justo título? É óbvio que não. Justo título é um documento em tese idôneo a enganar pessoas de capacidade de entendimento razoável, ou seja, é um documento que externamente induz alguém a acreditar que está adquirindo propriedade. Eu só posso falar que você tem um justo título na mão quando esse documento exerce idoneidade. Não é qualquer documento que pode ser chamado de justo título. Pergunta de aluno: inaudível. Resposta do prof.: Esse é justo título, mas não é justo título para fins de usucapião. É justo título para fins de posse. A sua pergunta foi ótima porque quando eu for dar aula de posse, eu vou falar que o conceito de justo título para fins de usucapião é muito mais fechado do que o conceito de justo título para fins de posse. Justo título para fins de usucapião não é qualquer título, é só o título idôneo para transmitir propriedade. Esse que você deu o exemplo é justo título apenas para a posse. Eu vou mostrar na aula de posse que ele tem alguns efeitos, mas não gera usucapião. A questão mais importante do justo título é a seguinte: para que um juiz considere que você tenha justo título, esse justo título tem que ser registrado? Antes da vigência do CC/2002 50% dizia que tinha que ser registrado e 50% dizia que não.

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Os que diziam que só poderia ser considerado justo título o título registrado tinham o seguinte argumento: como é que uma pessoa pode ter a falsa convicção de que é dona da coisa se não levou o título ao registro? Mas eu não concordava com essa idéia. Eu ficava com Pontes de Miranda que entendia que era óbvio que o cara que tem justo título não precisa registrá-lo para ele ser considerado justo título. Por uma simples razão: se alguém aqui na sala tem o justo título e chegou a registrá-lo, não precisa ajuizar usucapião porque você já é dono. Então, o cara que tem justo título e já registrou, ele é dono, ele não precisa ajuizar ação de usucapião contra ninguém. É por isso que prevalecia essa tese de que justo título não precisava ser registrado. O NCC/2002 acabou com essa polêmica do justo título. Todo mundo abre o art. 1242, CC. Nós temos 2 usucapiões ordinárias. A do caput que é a usucapião ordinária simples e a do § único que é a de 5 anos que é chamada de usucapião tabular. O art. 1242 fala que se você tem posse, animus domini, mas se você tem justo título e boa-fé o prazo cai para 10 anos. O § único do art. 1242 está dividido em 3 partes. Art. 1242, § único: “Será de 5 anos o prazo previsto neste artigo se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente,....”. Essa é a primeira parte. Eu pergunto: se você tem um formal de partilha, e esse é o seu justo título, você irá usucapir em 10 anos ou em 5 anos? Em 10 anos, pois formal de partilha não é justo título oneroso. É gratuito. Para cair para 5 anos tem que ser um justo título oneroso, como um contrato de compra e venda, uma promessa de compra e venda e por aí vai. Agora, uma escritura de doação um formal de partilha deve-se contar 10 anos. Vou continuar a ler o artigo. Art. 1242, § único: “... se o imóvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartório...”. Aí, vocês podem me perguntar: Nelson, esse usucapião xige que o usucapiente tenha registrado. Você não disse que o cara que registrou não precisa usucapir se ele já é dono? Sublinhem a expressão “com base no registro cancelado posteriormente”. Washington, vamos supor que eu te vendi esse imóvel e você conseguiu registrar essa compra e venda no ofício imobiliário, tornando-se, assim, dono. Ele conseguiu registrar e estava com o imóvel registrado no nome dele há 6 anos.

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Após 6 anos aparece Flávio Gomes, ajuíza uma ação de invalidade do título c/c cancelamento do registro e ajuíza uma ação reivindicatória para te retirar do imóvel. O que ele alega em defesa? Usucapião, pois ele vai dizer em defesa que residiu no imóvel com registro por mais de 5 anos. Esse usucapião do § único se chama usucapião tabular porque ´uma proteção maior para aquele possuidor que não só tinha justo título, mas que também registrou esse justo título e conseguiu ficar com esse justo título registrado pó, no mínimo, 5 anos antes dele ter sido cancelado. Aí ele pode alegar usucapião em defesa. O cara que tem justo título, mas que nunca conseguiu registrar vai conseguir o usucapião em 10 anos. O cara que tem justo título, registrou e nunca foi cancelado o registro dele precisa pedir usucapião? Não. O cara que tem justo título, registrou e após 5 anos foi cancelado o registro, pode alegar usucapião em defesa pela usucapião tabular. Alguns autores chamam isso de convalescença registral. Por que convalescença registral? Porque aquele vício do título convalesce em 5 anos pelo fato daquele título ter sido registrado. Essa é a vantagem dessa redução. Eu pedi para vocês dividirem o § único do art. 1242 em 3 etapas, pois não adianta tudo isso se Washington não tiver dado função social à posse. O § único do art. 1242 exige que você tenha dado moradia ou realizado investimentos produtivos nesse imóvel. Quais são os 3 requisitos simultâneos: aquisição onerosa do justo título, que ele tenha sido cancelado, no mínimo depois de 5 anos do registro e que tenha dado função social à posse. Essa é a usucapião ordinária. Só mais um detalhe: não basta ter justo título, tem que ter boa-fé. Possuidor de boa-fé é aquele que tem a falsa convicção de que é o dono da coisa. Eu só posso chamar de possuidor de boa-fé o cara que ostente justo título. Só tem boa-fé a pessoa que fala que o terreno é dela porque tem justo título. A boa-fé é o elemento subjetivo, mas que é amparado pelo aspecto objetivo que é o justo título. O justo título é o elemento objetivo que presume o elemento subjetivo da boa-fé. Inclusive, isso é a leitura do art. 1201, § único, CC que será analisado nas aulas de posse. O justo título é o elemento objetivo que ampara o elemento subjetivo da posse de boa-fé. Isso acontece porque a boa-fé que eu estou trabalhando nos direitos reais é a boa-fé subjetiva. Não confundam essa boa-fé

Vamos falar de usucapião especial. está tomando conta. Não é por menos que a usucapião demanda apenas um prazo de 5 anos de posse em qualquer uma de suas modalidades. Não houve mudança porque isso é matéria constitucional. E você ficou nesse terreno de 200 m2 por três anos. 183. E eu só posso falar que o possuidor tem boa-fé se ele tiver justo título. Com isso. Elas são modalidades de usucapião especial. mas sabe que não é dono. CRFB/88. Mas quem tem boa-fé tem a falsa convicção de que é o dono da coisa. Pedro pode juntar o seu período de posse com a posse do Flávio para pedir a usucapião urbana já que o prazo dele é de 5 anos? Flávio é o detentor do terreno. totalizando 15 anos e conseguindo a usucapião extraordinária. A usucapião urbana está no art. Qual é a diferença entre animus domini e boa-fé? Quem tem animus domini só tem a intenção de ser dono. Não pode juntar o tempo porque o requisito básico da usucapião. CC. não pode juntar o tempo para pedir a usucapião. A função social da posse aqui ainda é mais exigida do que nas modalidades tradicionais da usucapião. São especiais pois são modalidades de usucapião que exigem uma intensa função social. 1239. Flávio ficou 2 anos no imóvel tomando conta. Elas estão na CRFB/88. Ele não pode possuir através de outras pessoas. seja ela urbana ou rural é a pessoalidade da posse. A urbana no art. CRFB/88 e a usucapião rural está no art. 1240. 191. Isso ocorre porque a índole da usucapião especial é justamente dar tratamento diferenciado a quem realizou uma ocupação pessoal sobre a coisa. Vou fazer 14 perguntas de concursos para vocês sobre usucapião urbana. CC e a rural no art. O CC também trouxe para o seu corpo essas modalidades de usucapião. Jamais o Código civil poderia alterar o sentido dessas usucapiões que estão na CRFB/88. . Quantas modalidades de usucapião faltam? Faltam três.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 67 com a boa-fé objetiva dos direitos das obrigações. que quer dizer que na usucapião urbana e rural o possuidor tem que possuir pessoalmente. você está sem lugar para morar e encontrou no Grajaú um terreno vago. Pedro. Depois de 3 anos você teve que viajar para ver uma tia doente e pediu para o Flávio ficar tomando conta do imóvel enquanto você viaja. Qual é a única chance do Pedro conseguir usucapião? Se o Flávio ficar lá mais 12 anos. A usucapião especial se distingue em usucapião especial urbana e em usucapião especial rural.

Se eu começo a possuir. ele tem que demonstrar efetivamente que Pedro possuiu por sete anos e que ele efetivamente possuiu por 8 anos. Quanto tempo Washington vai ter que ficar lá se ele quiser usucapir? Vai ter que ficar 5 anos. Não se admite a acessão de posse em razão da pessoalidade da posse. visto que não se exige pessoalidade. Pode Washington ficar 8 anos no imóvel e depois juntar? Na usucapião extraordinária tranqüilamente é possível a acessio possessionis. Olha o art. Washington terá que provar ao juiz que ele recebeu a posse do Pedro. Posse não transita pelo registro. pode vender posse? Juridicamente vender posse é um absurdo porque posse é algo informal. 1243. para o fim de contar o tempo exigido pelos artigos antecedentes. Gente. Aí ele conseguiria a acessio. . Esse fenômeno não acontece na usucapião urbana e rural que exige pessoalidade da posse. 1243 está prevendo a acessio possessionis. O art. 1242. 1242. Pedro fez um contrato de cessão de posse para Washington que ficou no terreno mais dois anos. eu posso colocar um arrendatário. CC: “O possuidor pode. 1238 e usucapião ordinária do art. você não precisa possuir em pessoa. pois não se permite em matéria de usucapião especial a chamada acessio possessionis. 1207). Mas esse fenômeno é só na extraordinária e na ordinária. Além de demonstrar que ele sucedeu o Pedro na posse. Tem que haver documento ou tem que haver testemunhas demonstrando que ele é sucessor do Pedro. Mas. O CC permite essa acessão de posse. Se por acaso Pedro quer usucapir um bem em 15 anos (usucapião extraordinária) e fica 7 anos.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 68 Na usucapião extraordinária e na ordinária. Pedro. na prática as pessoas no Brasil fazem contratos de cessão de posse. É possível juntar o tempo de posse do Pedro com o tempo de posse do Washington para a usucapião especial? Também não. 1243 que quando ele permite a acessio possessionis. Anotem ao lado do art. após esse tempo. pacíficas e. contanto que todas sejam contínuas. nos casos do art. é só para usucapião extraordinária do art. acrescentar à sua posse a de seus antecessores (art. com justo título e de boa-fé”. alguém tomando conta. vamos supor que você ficou nesse imóvel 3 anos e. que eu é que vou usucapir depois de completado o prazo. Então. Washington aparece perguntando se você não podia vender a sua posse para ele.

Mas quando você morreu só a sua viúva morava contigo. você estava possuindo um imóvel há 3 anos. Resposta do prof. Quais são as 3 entidades familiares que vocês conhecem? Casamento. Isso se dá com relação ao proprietário e não ao possuidor. ela continua. A usucapião é da pessoa ou e sua entidade familiar. Não basta ser família.183 e 191 da Constituição”. tem que estar no imóvel na época em que ele morreu. desde que ele tenha possuído pessoalmente 5 anos. 226. ela continua. Por que pode transmitir causa mortis e não pode inter vivos? Pode na causa mortis porque está mantida a pessoalidade. Art. ele continua. Mas ele não pode pegar os 2 anos do João e juntar com os 3 anos dele. Mas os 8 filhos de Pedro terão direito à propriedade? Não. A sua viúva pode juntar o tempo de 3 anos que você possuía com o prazo de 2 anos após a sua morte e pedir usucapião? Pode. Então. Pergunta de aluno: inaudível. Olha o que diz o enunciado 317 do CJF: “A acessio possessionis de que trata o art. É a entidade familiar que estava no imóvel ao tempo do óbito e continuou até o final. É por isso que pode juntar com a viúva. que não corre prescrição contra ele.: Mesmo que ele tenha adquirido a posse com instrumento qualquer de cartório de títulos e documentos. pois para fins de sucessio possessionis. Se você morre e seu filho fica. Isso é sucessio possessionis. a entidade familiar não é a família. esse povo só vai usucapir. . Se você morre e sua companheira fica. Você morre e deixa sua viúva e 8 filhos. 1239 e 1240 em face da normatividade da usucapião constitucional dos arts. se o Pedro morre e sua esposa fica. Pedro. Pergunta de aluna: se for um incapaz. só vai começar a contar o prazo da usucapião no momento em que ele completa 16 anos. CRFB/88.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 69 Mas essa acessio jamais poderia ser aplicada na urbana ou na rural porque exige pessoalidade. A sucessão de posses é a sucessão de posse causa mortis. com é que acontece? Resposta do prof. E a sua viúva ainda ficou lá mais dois anos. Mas por que pode se é proibida acessio possessionis? Mas isso não é acessio possessionis. 1243 não encontra aplicação nos arts. união estável e família monoparental.: Sempre quando você pensa que não corre prescrição contra o incapaz você pensa o seguinte: e se o proprietário desse terreno é um menino de 14 anos? Se o proprietário desse terreno é um menino de 14 anos.

ardilosamente vem o possuidor e reduz o seu pedido a uma fraca. Imagine que eu sou proprietário desse lote de 750 m2 e todo dia eu passo lá de carro e vejo que o Pedro está lá. Esse pedido tem que ser julgado improcedente pois ele fere o princípio da segurança jurídica. A finalidade da usucapião especial constitucional não é discriminar rico e pobre. Então. da dignidade da pessoa humana nós não podemos reduzir o conceito de família a um conceito puramente formal. ele pode ficar lá pois só irá usucapir em 10 ou 15 anos. não cabe ao intérprete limitar. você e o Washington têm uma relação homoafetiva. O advogado diz que não pois ele é maior do que 250 m2. O que interessa é que ele está recebendo sua primeira propriedade e ele não tinha nenhuma. O advogado fala para ele limitar o seu pedido de usucapião para 250 m2. CRFB/88 nós temos a possibilidade da sucessio possessionis. pois o rol de entidades familiares no direito brasileiro é exemplificativo pelo princípio do afeto. pois isso seria confisco contra o direito de propriedade. 226. Então. pois ele é cultural. Dentro dessa área do terreno vocês podem construir o que quiserem. A CRFB/88 não fala que há um máximo de 250 m de construção. Você morre. Pedro insiste dizendo que quer usucapir. por enquanto. E penso que. A CRFB/88 fala que deve ter 250 m de área do terreno. se o Pedro não tem imóvel registrado no nome dele e esse é o primeiro. Daqui a pouco eu chego no imóvel rural. O advogado está correto? Não. Depois de 5 anos. Ele pode usucapir? Claro que pode. O Washington pode continuar os dois anos que faltam? Pode. é por isso que ele tranqüilamente pode usucapir. pouco importa para a Constituição se a usucapião é de uma mansão ou de um barracão. Pedro. A finalidade é dar propriedade a quem não tem. Onde a CRFB/88 não limitou. Durante esse período o Pedro construiu uma mansão nesse terreno. Pedro. você conseguiu possuir esse terreno por 5 anos. . Pergunta de aluno: inaudível. você ficou 5 anos possuindo um imóvel e esse imóvel mede 750 m2. Esse terreno tem 250 m2 conforme diz a CRFB/88. a 250 m2. Resposta do prof. mesmo nas outras famílias que não estão abrangidas pelo art.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 70 Pedro. Então. em qualquer situação. da solidariedade. Depois de 5 anos você contrata um advogado e pergunta se pode usucapir esse imóvel em 5 anos. Seria uma forma de confisco contra o meu direito fundamental de propriedade.: Mas a do rural eu vou falar depois.

não tem problema nenhum. O terreno pode ser muito maior. pois essa usucapião é para fins de moradia. o que vocês fariam? Vocês renunciariam a herança. 1/18 de um casebre avaliado em R$ 300. Se ele possuiu 250 m2. Ele consegue o usucapião? Teoricamente pela Constituição e pelo CC ele não consegue porque diz a Constituição e o CC que ele não pode ser proprietário de outro imóvel. Ele deveria ter praticado atos de posse restrito a apenas 250 m2. Pedro é casado com Raimunda.00. Se for utilização mista. Pergunta de aluna: aquela hipótese que você falou da entidade familiar. ela pode ocupar os outros 250 m2. não é que o terreno tenha que ter 250 m2 não. . Haverá uma matrícula nova para o usucapiente e a matrícula do proprietário será reduzida a 500 m2. Você consegue usucapião? Não. Pessoa jurídica pode obter usucapião ordinária ou extraordinária. você ficou 4 anos e 10 meses nesse terreno. ou seja trabalha e mora lá.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 71 O que Pedro deveria ter feito desde o primeiro dia da posse se ele quisesse usucapir em 5 anos? Ele deveria ter cercado terreno e restringido a parte dele a 250 m2. cercou e demonstrou que ele só quer essa área. pois esses 500 m 250 m2 são para a entidade familiar. você possuiu um imóvel de 250 m2 e nesse imóvel por 5 anos você fez o seu consultório odontológico. Mas são 250 m2 de posse. Vocês possuem um imóvel de 2. A usucapião urbana não é apenas o requisito da pessoalidade. Quando a Constituição fala em no máximo 250 m2. O que não pode é ser um imóvel puramente comercial. Se tiver uma prima morando junto. o juiz vai julgar procedente e o restante do terreno continuam com o proprietário. Que terreno é esse? É um terreno muito valioso de 250 m2. Se vocês fossem o Pedro. Faltando 2 meses para usucapir você recebe um telegrama dizendo que a tia dele que mora no Ceará morreu e deixou para você e para cada um dos seus 17 irmãos. O juiz irá desmembrar a matrícula. Pessoa jurídica pode possuir um terreno por 15 anos e usucapir? Pode. pessoa jurídica tem sede. O que seria entidade familiar para a usucapião? Resposta do prof. seja inter vivos ou causa mortis. É pessoalidade mais moradia. Pedro. Pedro. Dá para você pedir 250m e a Raimunda pedir 205m? Não. Pessoa jurídica consegue usucapião urbana ou rural? Não. pois pessoa jurídica não mora.: A entidade familiar é restritamente o núcleo composto por pai e filhos.

Mas ainda não ajuizou a ação de usucapião. também não tem problema. sem problema nenhum. 3 meses após completar o prazo de 5 anos ele compra um imóvel. Quando a Constituição diz que não pode ter outro imóvel. vocês podem conseguir depois uma usucapião ordinária ou extraordinária? Pode. Nesses casos não pode. . uma urbana seguida de uma rural. Isso tudo foi para lhes mostrar a usucapião urbana com todos os seus requisitos. Quando você tem 1/18 de um imóvel. ele pode vender esse imóvel depois da sentença ter transitado em julgado? Claro que pode. depois vou falar sobre a usucapião rural e vou terminar falando das técnicas processuais da usucapião. mesmo assim vocês como juízes dariam a usucapião para ele? Dariam por quê? Pois quando a Constituição fala que não pode ter outro imóvel ela quer dizer outro imóvel que propicie direito fundamental de moradia. Quando ele for ajuizar ação de usucapião mais tarde isso vai prejudicar? Claro que não. Se vocês conseguiram uma usucapião urbana. Pedro.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 72 Se ele não renuncia a herança. Amanhã eu vou começar a aula com a usucapião urbana coletiva. Há também proibição constitucional. que é dar propriedade a quem não tem. Se o Pedro depois de ter completado o lapso aquisitivo compra outro imóvel. não tem problema. O que não pode é usucapião urbana seguida de outra urbana. vamos continuar usucapião. uma rural seguida de uma rural e uma rural seguida de uma urbana. O problema é ele ter outra propriedade nesse espaço de tempo de 5 anos para completar a usucapião. não é dele? E se ele vender amanhã ele pode ajuizar uma nova usucapião urbana? Não.11. Usucapião urbana e rural só pode ser obtida uma única vez. Rio. É claro que só se torna incompatível o fato de você ser proprietário de outro imóvel capaz de lhe conceder moradia. você completou o prazo de 5 anos sem ter imóvel nenhum. Se o Pedro já teve um dia na vida um outro imóvel e vendeu antes de começar a posse. 08. isso não te propicia mínimo existencial nenhum. pois você está vulnerando o desiderato social. Se o Pedro conseguiu essa usucapião de 5 anos por sentença.2007 Bom dia. Se. vou falar sobre a concessão especial de uso para fins de moradia. é do primeiro dia de posse ao último dia do quinto ano de posse.

Mas tem uma outra coisa da usucapião individual que está no estatuto da cidade que eu tenho que falar antes. A usucapião urbana que eu tratei está no art. Quem será citado nessa demanda? O síndico representando o prédio e todos aqueles outros posteriormente: estado. A cada dia que passa fica mais difícil de dar aula sobre usucapião. E tanto é verdade que nós temos o enunciado 314 do CJF que fala: “Para os efeitos do art. Qual é o prazo da usucapião especial? 5 anos. CC. O art. tenham posse com animus domini e consigam a suscapião urbana de um apartamento de até 250 m2. não ter sido proprietário naqueles 5 anos de outro imóvel. 9o do estatuto da cidade. pois sempre surgem questões novas. A grande discussão é se é 250 m2 de área interna do apartamento ou se é a área de 250 m2 somando as áreas comuns do prédio. 9o do estatuto da cidade vai além do CC na usucapião urbana. pois a usucapião urbana no CC e na CRFB/88 fala em terreno de até 250 m2. E eu havia dito 14 coisas sobre a usucapião urbana. Fala em terrenos ou edificações. Santino. O que vocês acham? É só a área útil interna. Efetivamente é uma matéria longa. 9o do estatuto da cidade tem uma outra finalidade. o imóvel é para moradia e pessoalidade da posse Eu vou estudar com vocês agora a usucapião coletiva que está no estatuto da cidade no art. 1240 não se deve computar para fins de limites de metragem máxima a extensão compreendida pela fração ideal correspondente à área comum”. Qual é a diferença entre elas? . Isso quer dizer que o próprio CJF confirma que pode usucapir apartamento. 183 da CRFB/88 e no art. Eu falei que existem 7 formas de usucapião. Então. 1242. Então. Eu já estava na usucapião especial urbana e na usucapião especial rural. Só que a usucapião urbana individual do art. União.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 73 Ontem eu conversei com vocês sobre usucapião. Por que edificações? Apartamento é imóvel urbano. Tem usucapião urbana de apartamento? Claro que tem e está no art. 1240 do CC foi a usucapião urbana individual que possui os seguintes requisitos: imóvel até 250 m. 10. Tem mais alguma outra usucapião com o prazo de 5 anos sem ser essa? A usucapião ordinária tabular do § único do art. município e por aí a gente vai. o que acontece? Nada impede que qualquer um de vocês entre em um apartamento. você fica 5 anos morando em um apartamento que não é seu. essa era a última coisa que eu queria ter dito a respeito da usucapião urbana individual para que nós possamos começar a usucapião urbana coletiva.

942. 1242. Já a usucapião especial não exige justo título e nem boa-fé. 1242 para ser de 5 anos exige justo título e boa-fé.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 74 Qual é a diferença entre a usucapião especial urbana individual ou a rural individual que também é de 5 anos e aquela usucapião do art. A terceira diferença é a seguinte: na usucapião especial exige-se moradia com pessoalidade. Cada família deve ocupar mais ou menos 100 m2. Já no CC. Nessa favela tem mil famílias. Uma favela de 100 mil m2. 10. No resto. § único que também é de 5 anos? A primeira diferença é que para ter aquela usucapião do art. O que existe é essa gleba. Isso é injusto pois há uma prevalência da forma sobre o acesso à propriedade. Primeira pergunta: Beto ficou nessa área de 100 m2 por 5 anos. não tem como trazer a planta do imóvel porque esse lugar em que você vive não existe no registro do Rio de Janeiro. Beto imagina que tem um terreno que é uma favela no Rio de Janeiro. Não se exige que aquele seja o primeiro imóvel dele. Pode ser qualquer metragem.257/2001). Vamos para a usucapião coletiva. A divisão do terreno que os favelados fizeram foi uma situação fática que não está documentada. Então. Na usucapião de 5 anos do CC não se exige moradia com pessoalidade. A única coisa que elas têm em comum são os 5 anos. ele não tem outro imóvel e ele morou lá pessoalmente pelos 5 anos. pois para se ajuizar uma ação de usucapião urbana individual é necessário ter a planta do imóvel (art. Vamos dar um exemplo para vocês entenderem. ele não consegue a usucapião individual. Beto. elas são completamente diferentes. Já na usucapião rural ou urbana individual tem limite de metragem (250 m2). você está ocupando uma área de 100 m2. 1242. Para corrigir essa injustiça foi criada a usucapião coletiva (art. E você. A quarta diferença é que a usucapião do art. Qual é a finalidade da usucapião coletiva? . CPC). A segunda diferença é que nessas modalidades especiais da Constituição o cara não pode ter nenhum outro imóvel. § único não há limite de metragem do imóvel. se alguém quer ter usucapião ordinária de 5 anos pode conseguir a usucapião ordinária mesmo ele já tendo 28 imóveis? Pode. lei 10. Basta animus domini que já é suficiente. Beto. Ele consegue a usucapião urbana individual? Não.

Essa é uma ação coletiva e todos terão a mesma área. a título de propriedade. E cada uma dessas pessoas terá uma fração ideal idêntica a dos outros. Por que vocês acham que pode? Aqui pode porque o art. Juntando os 3 anos de posse anteriores com os dois anos de posse. Essa ação visa defender interesses metaindividuais. você vai ter fração ideal. 10 do estatuto da cidade admite a acessão de posse na usucapião coletiva. Isso não interessa. uma ação ajuizada por um litisconsórcio ativo de mil famílias de possuidores pedindo a coisa toda? Essa afirmação é falsa. Mas você. ao contrário dos outros. A maioria dos moradores faz uma assembléia e autorizam que essa associação de moradores possa ajuizar essa ação de usucapião coletiva. na prática. O juiz vai dar para o Beto uma fração ideal. É interessante que vocês coloquem em uma prova que isso é uma ação que defende interesses metaindividuais. . Ele quer deferir essa usucapião ao todo. Por isso que quem vai ajuizar essa demanda é a associação de moradores. pois essa ação não é um mega litisconsórcio ativo. não tem 5 anos de posse. Quando o juiz dá a sentença. Flávio consegue a usucapião? Se eu falei que não cabia acessio possessionis na usucapião urbana. mesmo que alguém ocupasse parte do terreno maior que os outros. A sentença vai transformar todas essas pessoas em condôminos. A associação de moradores pelo art. não dará a você essa área específica e individualizada. Mas. pois essa não é uma ação que visa satisfazer interesses individuais. É por isso que a usucapião coletiva tem o mérito de defender interesses individuais homogêneos e dar acesso ao patrimônio mínimo para as pessoas. na realidade. todos vão continuar onde estão. A sentença do juiz não será um título para que você possa matricular essa área fisicamente localizada e diferenciada. Existem interesses individuais homogêneos relacionando essas pessoas.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 75 Verdadeiro ou falso? A usucapião coletiva é. Você só tem 2 anos de posse porque você comprou essa posse do Washington que tinha 3 anos de posse. 12 do estatuto da cidade é substituta processual. pois o juiz não está preocupado com a situação peculiar de cada um dos possuidores. Ela tem legitimação extraordinária justamente para ajuizar essa ação em nome próprio na defesa do interesse da coletividade. que é muito melhor do que posse. visto que posse é algo provisório. Flávio. você é um desses possuidores. interesses individuais homogêneos. Vai formar um condomínio necessário. Mas.

Então. Agora. Considera-se que tenha baixa renda a pessoa que receba até 3 salários mínimos. §§ 4o e 5o que trata da desapropriação indireta praticada quando não há função social de determinado bem. O esbulho é dentro da área que eles efetivamente ocupam e cabe ação possessória. o próprio município poderá realizar função social dentro dela podendo fazer a urbanização da favela. mas somente com o voto de 2/3 dos moradores no sentido da dissolução. Posteriormente esse condomínio pode ser dissolvido? Pode. Pergunta de aluna: inaudível. Essa usucapião coletiva é muito boa pois a partir do momento em que essa propriedade é regularizada. Só uma pergunta: Gente. o município não poderia urbanizar. Sabe qual é a pergunta que o juiz vai fazer? Os atos possessórios dessa coletividade começaram a 5 anos atrás? 5 anos não é a posse de cada um. A dificuldade é que um não pode reivindicar contra o outro. mesmo assim ele consegue? Consegue. 1228. pois o juiz não está interessado na trajetória de cada um. não existe usucapião coletiva em favor de ricos que se unem em um condomínio e depois de um tempo descobrem que aquilo que eles compraram foi uma venda a non domino.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 76 A única chance desse bem ser individualizado é na inicial a associação dos moradores faz o pedido quanto a área inteira. que corresponde à gleba que estava registrada no ofício imobiliário. o município pode criar todas as condições necessárias para a habitabilidade digna dessa região porque o morador não vai poder se opor para que obras sejam realizadas para que esse local seja melhor para se viver. Se por acaso algum dos possuidores só tem 3 anos e não tem tempo nenhum para juntar. . essa usucapião é para a população de baixa renda. 5 anos é o início de ocupação dessa favela. Mas a partir do momento em que cada um tem uma fração ideal. Ou seja. se um levar o lugar de outro. Se o juiz desse na sentença para cada um aquela área específica.cabe ação possessória. Resposta do prof. vocês se tornam proprietários. É por isso que o juiz concede essa sentença deferindo essa usucapião e todos eles serão condôminos necessários. Vocês devem estar se perguntando por que eu não trabalhei com vocês o art. Eu vou trabalhar isso com vocês por aproximadamente 1 hora na aula de posse. com a usucapião coletiva nós eliminamos a injustiça de questões formais e damos propriedade a essa coletividade.: Isso. mas reintegração de posse cabe. Condômino não pode reivindicar contra condômino.

Nesse caso. MP 2220/2001 tendo sido republicada como MP 2172-32/2001. A maioria das favelas se consolidou sobre bens públicos. Você tem a posse como um direito real. Ela terá direito à concessão especial e todos os favelados terão a perspectiva de estabilidade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 77 Eu não posso tratar disso com vocês na aula de propriedade porque aquela desapropriação é função social da posse. pois o bem continua sendo público. mas é metade do caminho. É o registro de uma posse. não foi? Mas e se essa favela pertencer ao município do Rio de Janeiro. a associação de moradores não terá direito à usucapião. O que o próprio FHC fez para compensar essa proibição da usucapião coletiva? Criou a chamada concessão especial de uso para fins de moradia. é possível a usucapião coletiva se ela for bem público? Não. O que essa MP te concede? Ela te concede direito especial de moradia. Só que esse bem é público. a não ser possuidora desse imóvel. mas o presidente Fernando Henrique vetou pois a CRFB/88 impede a usucapião de bem público. São os mesmos requisitos da usucapião. Havia previsão de usucapião coletiva de bem público no estatuto da cidade. A única diferença é que ao invés de você ter propriedade. Mas qual é a vantagem? Proprietário você não será. Quais são as situação em que a Patrícia pode perder essa concessão especial? Quando ficar provado que existe desvio de finalidade. pois a Patrícia e a sua entidade familiar terão a garantia de que até a sua morte você continua morando lá transmitindose esse direito de moradia para os seus herdeiros. O que é essa concessão especial de uso para moradia? Ela se divide em duas: individual e coletiva. ou seja. imagina que você ficou 5 anos nesse imóvel. Essa concessão de uso não é usucapião. Fora isso essa garantia não se perde com o passar do tempo. Uma observação: eu falei que usucapião coletiva é coisa de favelado. Então. . cada terreno não pode ter mais de 250 m2. Quando se dá a concessão coletiva? Ela se dá naqueles casos em que a favela é favela que pertença ao poder público. 5 anos. é uma posse que é levada ao registro imobiliário. Não é mais aquela posse precária. ela utilizar aquilo para fins comerciais ou quando você adquiriu um outro imóvel. Como é a individual? Patrícia. Qual é o prazo de posse para conseguir a concessão especial? 5 anos. a maioria das favelas não poderia ser beneficiada por esse novo modelo jurídico porque é bem público. Não é função social da propriedade. Ele tem menos de 250 m2 e você não é proprietária de nada. você terá direito real de moradia.

A usucapião rural começou na CRFB/88 ou já havia antes? A usucapião urbana foi inventada pela CRFB/88.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 78 Está nessa MP que só é possível que o Estado atenda essa concessão especial se esse prazo de 5 anos foi alcançado até a vigência da MP. Vai ter muita gente falando que ele se incorporou. Mas gente. Ela existe desde a Constituição de 1934. A Patrícia começou a possuir esse imóvel em 2007. qual seja. nada se incorpora na legislação até 2001 se tratando de direito social fundamental. Vocês lembram o que eu pedi para vocês incluírem no art. Constituição não revoga lei. Constituição recepciona ou não recepciona e suprime ou mantém a eficácia. de repente. CRFB/88. O que é o Estado democrático de direito? O Estado democrático de direto quer implementar direitos fundamentais sociais. E qual era um deles? Concessão de uso para fins de moradia. mas só até 2001. Mas é claro que se aplica subsidiariamente o art. Você pode pleitear a concessão especial em juízo? Pode. Lá ele começou a possuir um terreno de 40 hectares e ficou . Vou fazer 3 perguntas de concurso sobre a usucapião rural. Qual é um princípio implícito da CRFB/88? Proibição do retrocesso. Vamos falar sobre usucapião rural. E. Art. Ele se aposentou e foi morar no campo. É a lei 6969/81 que rege o aspecto procedimental da usucapião rural. ela não vai te adiantar nada porque ela só veio para regularizar situações anteriores. Em 2012 ela completa esse prazo e descobre que esse bem é público. Se a pessoa começou a possuir em 2007 e fez 5 anos.941 do CPC que é o procedimento da usucapião em geral. Agora eu não preciso mais da vedação ao retrocesso. Isso é retrocesso social que não se admite no estado democrático de direito. essa norma diz que é até só 2001. O aspecto procedimental da usucapião coletiva está no estatuto da cidade. Flávio era funcionário público estadual. 1225 na primeira aula? Os dois novos direitos reais. só serve essa concessão de uso para quem começou a possuir em 1996 e terminou em 2001. Se direito social é direito fundamental e isso é dito por Daniel Sarmento e por Ingo Sarlet. qual é a conclusão? Vem uma medida provisória e concede um direito social fundamental. A usucapião rural não. Vale dizer. ou seja. Direito fundamental de moradia é direito fundamental social. E antes da CRFB/88 ela era regida pela lei 6969/81 que foi recepcionada pela CRFB/88 e continua em vigor. 6o. concessão especial. até 2001.

terra devoluta. Quando você vai pedir usucapião. na piscina tem 7 jacarés. A questão não é de destinação. tendo em vista que morar não basta. por isso é que não basta moradia. Você possuiu até 2007. A intensidade da função social na usucapião rural é maior do que na usucapião urbana. independente da destinação dada a ele. 191 fala em imóvel situado em zona rural. Vocês têm 4 vacas na cozinha. você e seu marido moram em uma cobertura no Grajaú e vocês possuem vários animais nessa cobertura. Pode ser qualquer tipo de produtividade. se não fosse registrado. 8 bodes na sala. 32 do CTN até diz quais são os requisitos para o imóvel deixar de ser rural e passar a integrar a urbi. apesar de ser chamada desta forma. Patrícia começou a possuir um terreno rural em 1983 com todos os requisitos que a lei exigia para a usucapião rural. Como é que eu sei que o imóvel está localizado na zona urbana? No plano diretor vocês conseguem descobrir exatamente qual é o imóvel que se encontra em área urbana ou em área urbanizável. para ser imóvel urbano. A questão é de localização para estabelecer uma coisa ou outra. ele tem que estar localizado em área urbana. Durante esses 5 anos ele viveu à dispensa da sua aposentadoria como funcionário público estadual. A definição de imóvel é pela localização. está registrada em nome do poder público. Alessandra. Tem uma série de requisitos de saneamento e outros para que ele possa se tornar um imóvel urbano. Esse imóvel é urbano ou é rural? É urbano. Res nullius seria se não tivesse sofrido processo discriminatório. . A Constituição no ar. Então. Ou seja. você está há 24 anos possuindo esse imóvel. Mas somente com a moradia não caberá usucapião. É um bem público patrimonial que não recebe qualquer destinação. descobre que esse é um imóvel público. Qual é a diferença entre res nullius e terra devoluta? Terra devoluta. por exclusão será zona rural. pelo trabalho. Tudo aquilo que não estiver um área urbana ou urbanizável no plano diretor. tem que morar e produzir. pois na usucapião rural não basta moradia. Por isso que a usucapião rural é chamada de usucapião pro labore.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 79 morando lá por 5 anos. A usucapião rural é bem de produção. O art. No final desses 5 anos você consegue a usucapião rural? Não. Tem que ter moradia mais trabalho. Essa cobertura está localizada na zona urbana.

Ele está alegando domínio em defesa. Se ela completou o prazo antes da CRFB/88. STF). Patrícia. Então. só pode contar a partir da CRFB/88. pois nessa lei no art. Quando ele ajuíza a ação reivindicatória. E por que você ganhou a usucapião se o seu pedido é de 2007? Porque na época em que você terminou o período aquisitivo. incluindo terras devolutas. Você consegue usucapião? Quando é que ela vai começar a contar o tempo? Só a partir da CRFB/88. esse terreno particular você começou a possuir em 1983 até 2007. não existia ainda a CRFB/88. você começou a possuir um imóvel em 2007. . mas ele não ajuíza a ação de usucapião e continuou morando lá. ajuíza a ação reivindicatória para tirar o Rafael do seu imóvel. A lei 6969/81 está toda em vigor. ou seja. 1o aumentando a área de 25 para 50 hectares. o que dizia o art. 2o da lei 6969/81? Ela permitia usucapião de terra devoluta. Vamos agora falar sobre aspectos relevantes sobre a parte processual da usucapião. já que a propriedade pertence ao Flávio? Qual será o fundamento da alegação da usucapião em defesa? Quando o Rafael completou o prazo ele adquiriu domínio. já que ele não tem justo título e nem boa-fé com moradia e vai conseguir em 10 anos. 1o antes da CRFB/88 a área máxima era de 25 hectares. Ele quer uma usucapião extraordinária. Mas como irá usucapir se não cabe usucapião de bem público? Como ela começou em 1983 e terminou em 1988. pois ela retirou esse caráter do art. fruir e dispor da coisa. E só com a CRFB/88 é que se passou a vedar a usucapião de qualquer bem público. Em 2017 ele consegue a usucapião. Por que ele vai alegar usucapião em defesa se ele não tem propriedade. Domínio são as faculdades que o proprietário tem de usar. Rafael. O Rafael vai alegar exceção de domínio. antes da CRFB/88. Ela vai conseguir usucapir ou não? Vai. exceto os dois primeiros cuja eficácia foi suprimida pela norma constitucional. a usucapião em defesa é uma exceção de domínio. Rafael alega usucapião em defesa (súm. Então. Em 2020 aparece o proprietário Flávio que percebendo que Rafael não ajuizou a ação de usucapião. 237. a área de terreno que ela usucapiu estava acima do máximo permitido.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 80 Ela descobriu que é um imóvel público. Só que a área que você possuiu é uma área de 35 hectares.

mas não tem a propriedade. Proprietário que perdeu o domínio não pode reivindicar. qual é a natureza da sentença de usucapião? Declaratória de domínio e constitutiva de propriedade. Uma sentença pode ter várias cargas eficaciais. pois ele já perdeu o domínio. O usucapiente quando consegue a usucapião. Primeiro. os confinantes. o proprietário. Por isso que o juiz vai julgar improcedente a pretensão do Flávio. É claro que a carga eficacial preponderante é a declaratória. E quando o Rafael registrar ele vai ser constituído como proprietário. mas não registra tem o domínio. mas não têm a propriedade? Existe. Mas ela é constitutiva de propriedade porque aquela sentença vai servir como título para ser levado ao registro. que queira recuperar o domínio. o Estado e eventuais interessados. você ganhou a primeira batalha porque o juiz julgou improcedente. por que ele perdeu a ação reivindicatória? Porque ele só pode reivindicar. CPC.visto que ele nunca ganharia a usucapião se o juiz não observasse que lá atrás ele já adquiriu o domínio. Mas vamos por partes. Ele irá ajuizar uma ação de usucapião porque ele se deu bem contra o proprietário. formais e legais da usucapião. Uma sentença pode ser constitutiva e declaratória. Qual vai ser a segunda batalha? Ele agora vai ajuizar uma ação de usucapião extraordinária desse imóvel. . o que ele quer demonstrar com isso? Qual é a conseqüência se essa reivindicatória é julgada improcedente? Se essa reivindicatória é julgada improcedente ele já pode registrar essa sentença de improcedência da reivindicatória e leva-la como título para a usucapião? Não pode porque vocês aprenderam que a pessoa só pode registrar a sentença se for na ação especial de usucapião do art. desde quando completou os requisitos reais. Se o juiz julga procedente e você ganha a ação de usucapião.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 81 Quando o Rafael alega domínio em defesa. É declaratória de domínio porque ela vai declarar que você já tem aquele domínio há muito tempo. Rafael. Existem pessoas que já têm o domínio. mas agora ele terá que convocar todos em litisconsórcio passivo necessário. Ele terá que convocar o proprietário. 941. Mas ele não pode recuperar.

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E existem pessoas que têm a propriedade, mas não têm o domínio. É o caso do proprietário que após a usucapião que continua sendo formalmente proprietário, mas não tem domínio. O domínio está com o possuidor. Art. 1241, CC: “Poderá o possuidor requerer ao juiz seja declarada adquirida, mediante usucapião, a propriedade imóvel”. O certo seria falar em domínio. Mas o CC não faz a distinção entre propriedade e domínio. Mas o CPC faz. Se vocês forem no art. 941, CPC vocês verão que está escrito que a ação de usucapião tem a finalidade de declarar o domínio. Olha o § 1o do art. 1240: “O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil”. Mas não existe título de domínio. Existe título de propriedade. Titularidade é propriedade. Rafael, quando você completou o prazo de usucapião, você não ajuizou a ação de usucapião. Se ele não ajuizou a ação de usucapião, mas já tem todos os requisitos, pode o Flávio vender a fazenda para Patrícia? Pode. Dois anos depois o Rafael resolve ajuizar ação de usucapião. Ele vai ajuizar contra o Flávio ou contra a Patrícia que é a atual proprietária? Contra a Patrícia. A Patrícia pode alegar em defesa que contra ela não tem usucapião, pois na época em que ele completou a usucapião o proprietário era o Flávio. Ela pode alegar isso? Claro que não, pois esse ato de disposição do proprietário é ineficaz perante o usucapiente. É ineficaz, pois quando o Flávio dispôs do imóvel, já não tinha mais o poder de disposição. O domínio já estava com o Rafael. O Flávio não poderia dispor daquilo que ele já não mais tinha. É um caso de ineficácia relativa. A Patrícia tinha que ter pesquisado o histórico desse imóvel e ver que tinha uma pessoa que já estava lá há muito tempo e que poderia entrar com ação de usucapião. Rafael, você já tinha cumprido o prazo de usucapião e nada do Flávio ajuizar ação reivindicatória. Você já estava no imóvel há mais de 13 anos. De repente, Zé Rainha invade o terreno que Rafael possuía. Qual é a ação que Rafael tem contra Zé Rainha? Reivindicatória ele tem? Não. Reivindicatória é só de quem tem propriedade, pois só quem tem propriedade tem seqüela e poderá reivindicar. Tem reintegração de posse? Claro que tem. Ele não foi esbulhado? Ele não era possuidor?

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Como eu não dei aula de posse, eu não vou ficar discutindo reintegração de posse, mas ele pode. O possuidor que está neste terreno também não tem uma ação possessória contra o Zé Rainha? Teria. Qual é a vantagem do possuidor que tem usucapião contra o Zé Rainha? A ação de que você tem contra ele, além da possessória, é uma ação chamada publiciana. Essa ação publiciana é a mesma coisa que a ação reivindicatória. É igual, só muda o nome. A ação publiciana é uma espécie de ação petitória só que é ajuizada por aquele que tem domínio, mas não tem propriedade. O Rafael tem o mesmo remédio que o Flávio teria, mas não se chama reivindicatória porque o nomen iuris reivindicatória é específico para aquele que já registrou o imóvel no seu nome. A ação publiciana não visa defender uma posse qualquer. A ação publiciana visa defender um domínio. Então, é uma ação muito mais forte contra o Zé Rainha do que uma mera ação possessória. Lembram que no primeiro exemplo o Flávio ajuizou uma ação reivindicatória contra o Rafael e o Rafael alegou em defesa usucapião com exceção de domínio? Vocês me falaram que o juiz julga improcedente a reivindicatória e o Rafael tem que ganhar uma segunda batalha que é ajuizar ação de usucapião. Existe alguma espécie de usucapião que vocês conhecem que se o Rafael consegue derrotar o Flávio na reivindicatória, ele não precisa ajuizar uma ação de usucapião autônoma, ele pode pegar a sentença improcedente da reivindicatória e registrar a propriedade no seu nome imediatamente sem uma segunda demanda? Existe. Na usucapião rural e na usucapião urbana. Na usucapião rural, pelo art. 7o da lei 6969/81 e na usucapião urbana pelo art. 13 da usucapião urbana. Isso acontece porque elas são normas especiais que consagram que quando a usucapião rural ou urbana são alegadas em defesa, elas são consideradas como pedidos contrapostos, ou seja, é quando o réu na contestação além de deduzir sua defesa, deduz uma pretensão contra o autor. Normalmente réu não deduz pretensão. Quem deduz pretensão é o autor. E quando o réu resolve deduzir pretensão de contra ataque, é pela via da reconvenção. Só que a vantagem do pedido contraposto é que ele não necessita das formalidades do art. 315, CPC da reconvenção, pois o contra ataque está nos mesmos autos.

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Flávio ajuíza reivindicatória contra Rafael. Rafael em defesa diz para o juiz que o Flávio não tem direito a ganhar e que ele tem prazo de usucapião e que ele quer que esse prazo seja declarado. Ou seja, ele alega em defesa a usucapião e não precisa de outra ação. Quando você alega um pedido contraposto em defesa, por que esse pedido faz com que não seja preciso ajuizar outra demanda? Porque quando o juiz for dar a sentença, esta será formalmente uma, mas formalmente dúplice. Em uma só sentença o juiz vai decidir dois pedidos. O pedido de Flávio contra Rafael e o pedido contraposto de Rafael contra Flávio. É por isso que como essa matéria entra na parte da motivação e da disposição da sentença, o pedido contraposto fará coisa julgada e é por isso que não será necessário você ajuizar outra ação de usucapião. Isso tudo que eu falei cabe na usucapião ordinária e extraordinária? Não cabe, pois na usucapião ordinária e extraordinária deve-se ajuizar uma outra ação de usucapião. Quando Flávio ajuíza a reivindicatória contra Rafael, já que Rafael está alegando em defesa usucapião extraordinária, Rafael pode reconvir com usucapião? Cabe reconvenção de usucapião? Alexandre Freitas Câmara entende que cabe e eu concordo com ele. Cabe a reconvenção por uma simples questão de efetividade processual que é o que se busca. Por que se vai impor um sacrifício para o Rafael de ter que ajuizar uma outra demanda se ele pode contra atacar utilizando o art. 315, CPC com a reconvenção? A posição de Alexandre Câmara não é majoritária porque a maioria da doutrina diz que não cabe reconvenção na usucapião sob o argumento de que só pode existir reconvenção quando houver coincidência entre as partes da ação principal e da reconvenção. Quem é o autor da reivindicatória? Flávio. Quem é o réu da reivindicatória? Rafael. Quem seria o autor da usucapião? Rafael. Quem seria o réu na usucapião? A coletividade. A doutrina majoritária diz que não pode pela via da usucapião haver ampliação do pólo subjetivo passivo da demanda. Mas eu acho que em prol da efetividade deveria caber reconvenção. Alguém nessa sala de aula admite que o Rafael possa deduzir pedido contraposto em defesa para não precisar de ação autônoma, mesmo essa usucapião sendo ordinária ou extraordinária? Passa a admitir.

Art. participa da usucapião quando alegado em defesa? Não. O NCC veio para dar efetividade. Quais são as três diretrizes do NCC: socialidade. Mas se a usucapião em defesa é deduzida em pedido contraposto aquela sentença servirá como título para registro? Servirá. a propriedade imóvel”. 1241. em princípio muda o registro? Não. Mas por que isso ocorre? Porque o MP só intervém nas causas que alteram o registro imobiliário. Qual deve ser o cuidado do juiz toda vez que o pedido contraposto é deduzido em defesa na usucapião? É convocar para a ação reivindicatória todos esses eventuais interessados e o MP como custus legis. 1241. para torná-los reais. essa decisão é inexistente perante o município. o juiz deverá chamar todos os interessados e o MP e deverá fazer isso porque se depois houve o registro sem ter chamado todos os interessados. Aliás. CC: “Poderá o possuidor requere ao juiz seja declarada adquirida. é claro. Quando a usucapião é alegada em defesa. Quando ele diz que vai requerer. CC. Mas ele está sem dinheiro. em princípio. que essa norma tem que ser interpretada de acordo com essas diretrizes. mediante usucapião. visto que ele não foi chamado. 1361 até 1368. os confinantes não participaram dessa demanda e os eventuais interessados também não participaram. Então ele chega ao Banco Alfa e pega um . Ele participa na ação direta de usucapião. E. nós devemos interpretar tanto em via de ação quanto em via de pedido contraposto. Vamos falar sobre propriedade fiduciária. o seu sonho é ser proprietário de uma Uno Mille. Mas o Estado não participou dessa demanda. E só se altera o registro público na ação de usucapião direta. Está escrito em algum lugar neste artigo que tem que ser pela via de uma ação? Não. Washington.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 85 O art. eticidade e operabilidade. CC admite que a usucapião possa ser obtida de forma direta. veio para dar operabilidade aos direitos. O MP. Art. 1241 permite que o possuidor que figura como réu em ação reivindicatória formule pedido contraposto e postule ao juiz que seja declarada adquirida mediante usucapião a propriedade imóvel. valendo a sentença como instrumento para registro imobiliário”. O enunciado 315 do CJF fala: “O art. Então. o município pode alegar que a decisão foi ineficaz perante não ter trânsito em julgado. já que ele é litisconsorte necessário obrigatório.

sendo obrigado como depositário”. A primeira é o desdobramento da posse. Constituto possessório é uma inversão no título da posse pela qual aquele que possuía a coisa em nome próprio. Washington é o alienante. visto que esse se torna o depositário desse veículo. alienação em confiança. 1361. pode usar a coisa segundo a sua destinação. §2o: “Com a constituição da propriedade fiduciária. O Banco Alfa é o adquirente do carro. Quando isso acontece. Em relação a Roma Veículos. O Banco Alfa transmite para a Roma Veículos o valor correspondente ao carro. também chamado de fiduciante. dá-se o desdobramento da posse. Olha o art. passa a possuir em nome alheio. A Roma Veículos não te nada a ver com a alienação fiduciária. o devedor. a suas expensas e risco. Washington passa a ter posse direta e o Banco passa a ter posse indireta. Vamos descrever quais são as 4 características fundamentais de uma propriedade fiduciária. fruir. o carro era seu e você o alienou para a instituição financeira. Aconteceu o desdobramento da posse porque ele era o proprietário e tinha a posse. também chamado de credor fiduciário. dispor e reivindicar. Olha o art. A segunda característica é o constituto possessório. Alienação em fidúcia. Apesar de ele ter transferido a propriedade do carro para o Banco ele não continua na posse da coisa? Continua com a posse direta da coisa. Ele pode usar e fruir a coisa porque ele é possuidor direto e depositário do bem.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 86 empréstimo para comprar esse carro. Washington irá usar e fruir. Essa relação contratual chamada alienação fiduciária vincula duas pessoas: Washington e Banco Alfa. Já o Banco tem o poder de dispor e de reivindicar. se surgir uma lide é em relação a algum defeito do produto. Ele transferiu a propriedade para o Banco Alfa. Washington. você aliena o seu carro em confiança para o Banco Alfa. . Mas a propriedade é do Banco Alfa e é por isso que o Banco continua com as faculdades de dispor e de reivindicar. Houve o desdobramento da posse onde os poderes de usar e fruir ficaram com o possuidor direto. tornando-se o devedor o possuidor direto da coisa”. Como se faz o desdobramento da posse? Quais são as 4 faculdades do proprietário sobre a coisa? Usar. 1363: “Antes de vencida a dívida.

Mas essa tradição não necessita da entrega da coisa. do alienante se converter em proprietário da coisa. pois o Banco Alfa agora é que é o proprietário. Não houve a tradição simbólica que é a entrega das chaves. que é a entrega da coisa. Mas isso irá acontecer se o . Mas como foi que houve se ele não entregou o carro para o Banco? Não houve a tradição real. nasce submetida a um evento futuro e incerto que. Mas houve a tradição ficta. que se encontra em poder de terceiro. O que é resgate ou remancipação? É o fato do devedor. Teve a tradição do carro? Claro que houve. como proprietário. O constituto possessório é uma ficção. E essa propriedade é marcada pela perpetuidade? Não. Propriedade resolúvel é exceção. O Washington combinou com o Banco Alfa que ele vai pagar essa dívida em 36 prestações de R$ 400. Essa tradição se subentende pela cláusula constituti que é uma cláusula no contrato onde há o constituto possessório.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 87 Washington. Em regra. ou quando o adquirente já está na posse da coisa. Essa propriedade é resolúvel. Olha o art. A terceira característica é a propriedade resolúvel. Washington não possuía a coisa em nome próprio? Ele vai continuar possuindo a coisa. por ocasião do negócio jurídico”. que é o constituto possessório. Enquanto ele paga essas prestações o Banco tem a propriedade? Tem. você se torna proprietário até a hora que você queira dispor da coisa. No dia em que o Washington integraliza o pagamento das 36 prestações a propriedade do Banco se resolve. mas sim como depositário. no caso. Mas a propriedade resolúvel é uma propriedade que já nasce submetida a uma condição resolutiva. é a integralização do pagamento das 36 prestações. Houve a tradição pela via de uma ficção que é o constituto possessório. virou possuidor em nome alheio. quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa. Agora ele virou depositário. ou seja. Houve uma inversão no título da posse pelo qual aquele que era possuidor a título de dono. CC: “Subentende-se a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório.00. acaba e o Washington vai conseguir o chamado resgate ou a remancipação. 1267. não mais como dono. § único. É claro que houve a tradição. você transferiu a propriedade do carro para o Banco Alfa e você continuou na posse.

O constituto é a inversão do título da posse pelo qual aquela coisa que era possuída em nome próprio passa a ser possuída em nome alheio. Tradição brevi manu é o contrário do constituto possessório. Ele é um direito que já foi concebido. Tem a lei 9514/97 que trata da propriedade fiduciária imobiliária. O conceito de brevi manu é o contrário do de constituto possessório. mas é uma tradição ficta chamada tradição brevi manu. . (O professor mandou sublinhar “garantia”). mas ainda não nasceu. em nome próprio. Enquanto ele está pagando ele não tem propriedade. ele já está com as mãos sobre a coisa. mas que será consolidado na medida em que houver um evento futuro. No final do pagamento da última prestação ocorre uma tradição? Ocorre. Cada prestação que ele paga ele está amortizando uma parcela do débito. Quando você paga o último dos 36 meses. Então.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 88 Washington cumprir o evento futuro e incerto que é pagar todas as prestações na medida integral. Existe propriedade fiduciária de bem imóvel? Existe. Mas no CC é só bem móvel. Propriedade fiduciária no CC no Brasil é só de bens móveis. mas em lei especial. Art. Direito eventual é um direito subjetivo que já está incorporado ao seu patrimônio. Quando você pagou a última. Direito eventual é muito mais do que uma expectativa de direito. Quando o Washington está pagando ele apenas tem a posse e não tem a propriedade. Quando o Washington terminar de pagar a última prestação e se tornar dono ele tem que buscar o carro em algum lugar? Não. a propriedade do Banco é uma propriedade resolúvel. 1361: “Considera-se fiduciária a propriedade resolúvel de coisa móvel infungível que o devedor. mas ele tem o quê? Ele tem um direito eventual. O nome é brevi manu porque o Washington não terá que buscar a coisa em lugar nenhum. Tradição brevi manu é uma inversão do título da posse em que o bem que era possuído em nome alheio passa a ser possuído em nome próprio. Até o último pagamento o Washington possuía a coisa em nome alheio. transfere ao credor”. com o escopo da garantia. Toda propriedade fiduciária tem no começo um constituto possessório e no final uma brevi manu. o direito que era eventual se torna um direito adquirido. você passou a possuir como proprietário.

mas nada impede que exista propriedade fiduciária de bem imóvel e que haja também propriedade fiduciária de bens móveis fungíveis. pois ele visa sempre garantir o empréstimo. Ele serve como contrato acessório para garantir. Washington fez um contrato de alienação fiduciária com o Banco Alfa. a coisa tem que ser infungível. que é muito comum em bolsa de valores. pois atende os requisitos do art. direito real requer o registro. Esse artigo foi incluído pela lei 10. O mérito desse artigo é dizer que propriedade fiduciária no CC é de coisa móvel e infungível.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 89 O código de vocês tem o art. 104 (agente capaz. A alienação fiduciária é apenas o contrato. Tem a lei do mercado financeiro (lei 4278/65) que trata de alienação de títulos. Então. deixa de ser apenas uma alienação fiduciária e passa a ter eficácia erga omnes. ele já produz efeitos obrigacionais entre as partes. Alienação fiduciária em si é direito real ou é direito obrigacional? É uma relação obrigacional. Quando é que a alienação fiduciária passa a ser propriedade fiduciária? Quando registra porque passa a ter eficácia de direito real. vira direito real chamado propriedade fiduciária. vira direito real. Esse contrato já tem eficácia? Já.931/2004. É muito interessante para o Banco que haja o registro no cartório de títulos e documentos para que a sociedade saiba que esse veículo está garantido por um contrato anterior de alienação fiduciária. mas em outras leis. . Washington. ele já tem eficácia obrigacional. notem. Quando negócio jurídico é registrado no registro de títulos e documentos. Isso é um contrato. objeto lícito e forma prescrita em lei). Como é que a instituição financeira vai ter garantia que você vai pagar alguma coisa se o bem é fungível e ele pode ser depreciado? Então. Por que no CC propriedade fiduciária além de ser em coisa móvel deverá ser infungível? Porque como é que uma pessoa vai dar em garantia algo que seja fungível? Pois não há possibilidade de conservação da coisa. é o negócio jurídico entre as partes. O contrato de alienação fiduciária é um contrato principal ou acessório? É acessório. quando você assinou esse contrato com o Banco Alfa esse contrato já é um negócio jurídico válido. 1368-A? Ele fala que as demais espécies de propriedade fiduciária submetem-se às disciplinas específicas das leis especiais. Isso ocorre para que haja garantia da instituição financeira.

INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 90 Olha o §1o do art. para conhecimento da sociedade. no Registro de Títulos e documentos do domicílio do devedor. em se tratando de veículos. Onde está escrito “ou” no § 1o. Esse § 1o está dizendo que se o Washington tem carro. A propriedade fiduciária é um direito real de garantia. Vocês concordam com isso? Não. A coisa pertence ao Banco Alfa. Então. O Banco Alfa esqueceu de anotar esse gravame de alienação fiduciária no certificado de registro de veículo. mas não para constituir direito real. É conjunção aditiva. Washington deixou de pagar as prestações para o Banco Alfa. Basta fazer a anotação da alienação fiduciária no certificado de registro de veículo. . viu que o carro não possuía gravame e o comprou. O papel dele é de documentar a organização de veículos de uma forma mais simplificada. Ela é terceiro de boa-fé porque para fins probatórios. na repartição competente para o licenciamento. fazendo-se a anotação no certificado de registro”. Washington vendeu esse carro para a Patrícia. pois ninguém pode dispor de coisa que não lhe pertence. vocês coloquem “e”. que lhe serve de título. celebrado por instrumento público ou particular. Não há possibilidade do Banco Alfa retirar o carro pois ela é terceiro de boa-fé. não precisa levar o título ao cartório de títulos e de documentos. vocês não devem concordar. Este poder de cartório só tem pessoas de direito privado que tenham a permissão para realizar esses serviços públicos por delegação. Banco Alfa ajuíza busca e apreensão contra você. 1361. nunca o Detran poderá fazer papel de cartório. Mas é claro que a conduta do Washington é de estelionato. Alguém pode me dizer outros dois direitos reais de garantia famosos? Penhor e hipoteca. bastaria a Patrícia ir ao Detran. mas sim para fins de organização administrativa de circulação de veículos. Pela interpretação literal este artigo está dizendo que basta você levar no Detran que já existe a propriedade fiduciária. pois no Detran não é para fins registrais. 236 da CRFB/88 o Estado não tem o poder cartorial. Ela foi ao Detran. ou. Além disso. pois está registrado no cartório de títulos e documentos. Mas Detran é cartório? Pelo art. qual é a lógica se for um carro? Primeiro leva no cartório de títulos e documentos e depois também no Detran. Por que ela pode opor embargos de terceiro? Porque ela é terceiro de boa-fé. O papel do Detran é colocar no CRV para fins probatórios. O que você pode fazer? Opor embargos de terceiro pela súmula 92 do STJ. Então. CC: “Constitui-se a propriedade fiduciária com o registro do contrato. O papel do Detran não é ser cartório.

enquanto você está pagando. o bem móvel é empenhado. Mas a hipoteca não é muito boa para os credores. Vamos supor que pudesse ter hipoteca de carro também. Por que a alienação fiduciária é melhor do que o penhor? Porque se isso aqui fosse penhor. O banco tem propriedade. isso é um direito de garantia sobre coisa própria. Existe possibilidade de hipoteca de bem móvel? Navio e aeronave. No concurso público.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 91 Por que a propriedade fiduciária quando registrada como direito de garantia é melhor que o penhor e que a hipoteca para o credor? Bem móvel é objeto de garantia pela via do penhor ou da hipoteca? Penhor. Nota promissória é título executivo e a única coisa que ele tem é o carro. se amanhã o Washington não pagar. espande o crédito. O carro é do banco. Agora a Caixa só trabalha com propriedade fiduciária. O banco é credor da hipoteca. Na medida em que aumenta a segurança jurídica do credor. enquanto ele está pagando. por que é importante saber que é direito real de garantia em coisa própria? Washington. Por que a hipoteca é direito real de garantia em coisa alheia? Enquanto o devedor está pagando a hipoteca. a coisa é dele. Por que alienação fiduciária é muito melhor do que hipoteca? Na hipoteca. o banco não tem que tirar nada de você. Você pode executar o carro dele? Não. enquanto o Washington estivesse pagando a dívida. Então. O carro já é dele. Então. A Caixa Econômica não faz mais hipoteca. . Sempre quando há o penhor. pois o carro não é dele. pois retira do Washington a possibilidade de fruir da coisa enquanto ele está pagando. com quem ficaria a posse da coisa? Com o credor Banco Alfa.00 em nota promissória. que pertence ao devedor. Então. a coisa empenhada sai das mãos do proprietário e vai para as mãos do credor.000. Por que a alienação fiduciária é muito melhor? Porque quando o banco emprestou dinheiro para o Washington. a coisa continua com o devedor. o carro pertence ao banco. mas a hipoteca se dá sob coisa alheia. essa propriedade fiduciária foi registrada. o penhor sob o ponto de vista da situação econômica em sociedades como a nossa é extremamente falho. visto que é direito real de garantia em coisa alheia. Vamos supor que enquanto ele está pagando as 36 prestações ele faz uma dívida enorme com a Rafaela de R$ 30.

mas o bem em si não. como o trabalhista que aparecesse. mas formam um patrimônio separado.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 92 A vantagem da alienação fiduciária é que o credor tem a segurança de que esse bem é impenhorável por outros credores do fiduciante. reservado em favor do Washington. De repente. Vamos supor que cada um que está na sala tenha 3 apartamentos. ele terá a garantia de que aquele bem é intocável. estão no nome do devedor. O melhor cara que escreve sobre patrimônio de afetação no Brasil é o Menin Shaiub (?). Esse assunto é moderno. mas sim ao credor. Por que esse carro está imune aos credores do Banco Alfa? Porque ele está afetado. o Banco perderia a possibilidade de reaver o bem. pois a quarta característica da propriedade fiduciária é que esse patrimônio é um patrimônio em afetação. Qualquer credor privilegiado. . Esse bem está reservado ao dia em que Washington acabar de pagar as 36 prestações e fizer o resgate da coisa para ele. 671. Não dá para o Banco Real pegar o bem pois é patrimônio de afetação. mas dá para o Banco Real pegar alguma coisa? O Banco Real pode penhorar os R$ 400. o Banco Alfa faz uma grande dívida com o Banco Real. imune à ação dos credores. pois ele é patrimônio de afetação. pois esse bem não pertence a ele. Banco Alfa é credor de Washington que está pagando as 36 prestações. A alienação fiduciária tem uma segunda vantagem que é boa para o devedor. por mais que a instituição esteja mal das pernas. O Banco Real que é credor do Banco Alfa pode penhorar esse carro que pertence ao Banco Alfa? Não. Se fosse na hipoteca. pois é patrimônio de afetação. O crédito pode. pois a coisa pertence ao devedor. A doutrina moderna vem criando uma coisa bem diferente que é o patrimônio de afetação que são bens que não estão no patrimônio geral do devedor. Esses 3 apartamentos servem como garantia para os credores de vocês.00 que ele paga ao Banco Alfa? Pode. Washington sabe que enquanto ele paga. CPC. Essa é uma grande vantagem de ser direito de garantia em coisa própria. Eles pertencem ao devedor. o Banco perderia. mas é penhora de créditos do art.

2007 Essa é a última aula dessa parte do módulo. o prédio não será atingido pelo credores trabalhistas e tributários. e essa última aula começa de onde eu parei.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 93 Se a empresa quebra e o carro é levado à falência equivocadamente. Gente. Eu parei em propriedade fiduciária. constituto possessório. só daqui a duas semanas. como se fosse um bem do falido. e . Resposta do prof. o Washington vai fazer o pedido de restituição pois é patrimônio de afetação. Vocês já viram que eu tenho como características: desdobramento da posse. Amanhã eu vou falar sobre o que acontece quando há o inadimplemento do fiduciante. aquele abraço. Eu falo que esse patrimônio de afetação é uma tendência. pois o prédio está afetado em favor dos adquirentes da construção. Quais são as quatro características de propriedade fiduciária? Desdobramento da posse. E aqui está exatamente o Banco Alfa. vocês lembram na aula de ontem qual era o sonho de menino de Washington? Um Uno Mille Fire. ação de busca e apreensão. quais são as conseqüências da mora e do inadimplemento dele. pois o bem pertence ao credor. O Banco Alfa tem que participar do concurso de credores? Qual é o pedido que ele faz? Ingressa com pedido de restituição. essas são as quatro características. muitas construtoras já estão colocando que aquele prédio que está sendo construído é um patrimônio em afetação. Eu estou acabando a parte introdutória dessa matéria. Ou seja. Eu não vou acabar essa matéria hoje. vou comparar a alienação fiduciária com o leasing e vou falar sobre a prisão civil do depositário infiel.101/05. Gente. constituto possessório. lei 10. pois se a construtora quebrar nomeio do caminho. qualquer pessoa nessa sala que resolva comprar um apartamento em construção. 09. propriedade resolúvel e o patrimônio de afetação. Qual é a vantagem para quem compra? É a tranqüilidade. A propriedade fiduciária é um direito real de garantia em coisa própria. onde ele tinha que pagar exatamente 36 prestações de 400 reais. Então. propriedade resolúvel e patrimônio de afetação. 85 da lei 11.11. Rio.: No caso da falência do Banco Alfa.931. Depois. Pergunta de aluno: inaudível. pois pela lei da construção civil. Isso está no art.

justamente para reaver aquele bem. Então. O que é dispor do bem? Ela pode pegar este bem. que a garantia do empréstimo é exatamente o valor da garantia deste bem. pois é o fiduciante que está usando e fruindo da coisa. “Vencida a dívida e não paga. Começando a aula. Ela ajuíza ação de busca e apreensão pelo procedimento do decreto-lei 911/69.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 94 quando você acabasse de pagar. Por que a posse de Washintgon é uma posse injusta? Alguém pode me falar? Pelo seguinte: porque no momento que ele não pagou. a remancipação. e ele não pagou. para sua satisfação. Então ela tem que dispor do valor do bem. o credor fiduciário continua com a faculdade de dispor e reivindicar. se o nome é reivindicatório? Gente. era dia 05. O Washington deu o cano no Banco Alfa. deixa de pagar? Se ele deixa de pagar a instituição financeira pode dispor do bem. Em mora ex re. Se ela vai dispor deste bem. Eu estou falando em reaver o bem contra quem injustamente o possua. Mas. qual é a ação que o fiduciário ajuíza. ela vai dispor deste bem para se pagar. por exemplo. o que o fiduciante tem? A faculdade de usar e fruir. O Washington foi inadimplente. Por que a ação é de busca e apreensão. Vocês lembram que enquanto o fiduciante está pagando. contra quem injustamente possua. e aplicar o preço no pagamento de seu crédito e das despesas de cobrança e a entregar o saldo. E é isso que ocorre. judicial ou extrajudicialmente. ao devedor”. Qual é a ação? Busca e apreensão. ele foi automaticamente constituído em quê? Mora. você teria o resgate. fica o credor obrigado a vender. para pegar o bem. Só que eu estou com uma dúvida. Flávio Gomes. gente. o que acontece quando o fiduciante. oficialmente. Segundo o artigo 1364. você se tornaria proprietário em caráter definitivo. Não pagou a prestação para Alfa. pessoal. Mas ela tem um nomen iuris específico de busca e apreensão. se houver algo. porque o carro está na mão do Washington. porque a busca e apreensão é uma ação reivindicatória. que é a garantia do contrato dele. Mas a busca e apreensão tem a natureza de demanda reivindicatória. Pergunta: o que acontece diante do inadimplemento? Artigo 1364 do Código Civil. É exatamente isto que a instituição financeira faz. se ele continua com as faculdades de dispor e reivindicar. que é o Washington. mas este bem está na posse direta do fiduciante. a coisa a terceiros. .

for notificado pelo cartório de títulos e documentos. Abram o decreto 911 aí. Você. sempre a instituição financeira tem que comprovar a mora. Agora. O que diz essa lei agora no parágrafo segundo do art. Washington. peguem os seus Códigos e abram o decreto-lei 911/69. vamos supor que esse carro. porque ele foi profundamente alterado. Mas.00 reais. Como ele gera incentivo à atividade econômica. o débito em atraso é de 1. a instituição financeira só consegue liminar se você devedor. Washington. ele ficou muito bom agora com as investidas todas provocadas pela lei 10. comprovando o protesto cambiário? Por que ele precisa protestar se já está em mora? Porque essa necessidade do protesto ou da notificação do cartório de títulos e documentos não é para constituir em mora. O saldo devedor em aberto dele é 14 mil. E. É para comprovar a mora. gente. automaticamente ele caiu em mora. olha gente.800. você já tinha pago 6 mil reais e estão faltando 14 mil. Quando ele cai em mora. 3o. Vamos entender o que é pagamento integral? Olha só pessoal. agora olha o regime atual como ele gera segurança jurídica. olha. a instituição financeira consegue a liminar. tem 5 dias para fazer o pagamento integral da dívida. ungida pelo regime autoritário. Washington. Abram ele. quem está acompanhando pelo art.800. por isso que você vai reaver. O que acontece? Primeira coisa.931/2004. É concedida essa liminar. Por que é se você já foi constituído em mora. o que eu peço a todos os meus alunos. o que diz o artigo 3o do decreto-lei. Ele foi profundamente alterado. com a entrada em vigor da lei 10.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 95 O que é mora ex re? É a mora automática. no art. Só para comprovar. E. O cara não pagou. não é Washington? Só que você não pagou 3 prestações que totalizam 1. Washington.931/2004.00 reais. 397 do Código Civil. Então. através do protesto cartorário ou da notificação do cartório de títulos e documentos. porque o decreto-lei 911/69 era uma aberração. que só será concedida liminar. Por quê? Gente.começam as grandes mudanças. 3o. . Então. o regime antigo era péssimo. a posse dele já é considerada injusta. Já foi constituído desde o dia do vencimento. Diz que a única chance de o devedor fiduciante livrar a cara é fazer o pagamento integral do saldo devedor em aberto. O que falta pagar é 14 mil. Olha como é bom conhecer obrigações para depois conhecer direitos reais. Essa é uma de caráter comprobatório.. agora. Comprovada a mora. todo mundo presta atenção que é muito importante isso. na minha opinião ele ficou muito bom. de 20 mil reais. agora.

a lei não diz isso. vai ser cancelada. Sempre isso é possível. Cai a garantia. Pode o Washington chegar na instituição financeira e falar assim: instituição eu não quero pagar o saldo devedor em aberto. toma aqui está o atraso. ou seja. a liminar foi efetivada por quê? Porque o carro foi apreendido. A possibilidade de purgar a mora é um direito potestativo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 96 Quem paga os 14 mil qual a conseqüência? A conseqüência é que ele vai consolidar a propriedade. se a lei não disse isso é porque a lei ela não possibilitou. Não vai voltar mais para ninguém. Ela fica com o bem. O carro é dela sem qualquer restrição. Ele pode? Claro que pode. dizendo que ele estava submetido à alienação fiduciária? Aquela anotação vai cair. notem. ele vai submeter o credor. se você nesses 5 dias não purgar a mora ou não realizar o pagamento integral. Pessoal. Nelson. A possibilidade do devedor purgar a mora é um direito subjetivo do devedor ou um direito potestativo? É um direito potestativo. o que eu quero dizer? Ao lado do parágrafo segundo do art. Quais são essas duas opções? Ele paga integralmente o bem e aí já se torna dono da coisa em definitivo ou então o quê? Ele purga a mora pelo art. na sentença? Não. e a propriedade do Washington se torna plena. Mas a lei foi mané. ela ficou com o bem em que momento. A propriedade que era resolúvel termina e ele se torna proprietário pleno. 401 do Código Civil. 3o vocês digam que o devedor tem duas opções para evitar que essa liminar possa gerar a perda do bem. E o que acontece quando ele paga o atraso? Normaliza a situação e ele volta a pagar as prestações que faltam. Mas. Vou fazer uma pergunta para vocês. se o devedor Washington. se o devedor na contestação quiser purgar a mora. Continua a propriedade fiduciária no estágio anterior. Ela era a proprietária resolúvel. . Agora se tornou a proprietária plena. Vamos ver se alguém entende de parte geral. Então. Eu só quero purgar a mora. 3o. a instituição financeira vai consolidar a propriedade (art. Ou seja. Cinco dias após a efetivação da liminar. parágrafo 1o). e o novo proprietário pleno desse carro passa a ser a Alfa. Sabe o que significa isso pessoal? Significa que a instituição financeira vai pegar aquele carro e naquele carro não tinha uma anotação no CRV – Certificado de Registro de Veículo. E se ela fica com o bem. eu vou só pagar aquilo que está em atraso.

Então. Eu vim aqui para falar o que a lei não falou. Ele não vai perder as prestações. Eu não vim aqui para ler lei. Alguém aqui na sala vê algo de errado? Tem alguma agressão. Nelson. E como é que era antes? As instituições financeiras só tinham chance de vender o veículo antes quando chegava a sentença. vender. com uma legislação tão medíocre? Agora não. quem é que queria financiar carro novo no Brasil. Você vai ter de volta as prestações. de onde você tira isso? Eu tiro do art. Isso é bom para ela. O art. ou seja. já vai lá e consolida. Restituir para o Washington toda a verba anterior.800. É claro que das prestações que você pagou você terá uma multa. repetindo. O que é a cláusula comissória? É uma cláusula inserida no contrato dizendo que. senão haveria enriquecimento sem causa. façam previsão de que haverá. Consolida significa que ela pode ficar com o carro para ela ou transferir para terceiros. algum dispositivo do Código Civil. ela vai e recebe R$ 20 mil. o primeiro aspecto. o que ela tem que fazer? Restituir para ele tudo aquilo que diz respeito ao que ele pagou. Isso é ótimo. o carro não vale R$ 20 mil? O seu saldo devedor em aberto não é R$ 1. qual que é? Não pagou no dia o teu contrato de alienação fiduciária? Cinco dias depois da busca e apreensão efetivada.00? Se ela vender o carro por R$ 20 mil. que é a cláusula comissória. por que essa cláusula comissória normalmente é nula? Tem razão. o segundo aspecto é o mais legal. Estava completamente estragado. nulas todas as cláusulas contratuais encontradas de alienação fiduciária. Nelson. toma Washington aquilo que você já pagou. ela se torna proprietária. 53 do CDC torna nula todas as cláusulas contratuais. 53 do CDC. Primeiro. sabe o que acontecia? O carro já estava um lixo. E quando chegava a sentença. Ou seja.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 97 Efetivou a liminar. gente. Vocês estão concordando comigo que a instituição financeira pode ficar com o carro? Pode. Agora. mas se ele já pagou X. quando tem uma norma e diz que o credor pode ficar com a coisa? Existe uma cláusula que os civilistas sempre consideravam como nula. . não apenas a perda do bem como a perda de todas as prestações. tem que haver restituição. caso o vendedor não pague a dívida. Essa cláusula comissória normalmente é nula por uma questão muito simples. o credor poderia ficar com a coisa. ela vai restituir. se ela fica com o carro Washington. não valia nada. e o CDC é explícito. oito anos depois. mas você terá essas prestações.

Quando ele for contestar. 1365 está proibindo? A cláusula comissória. mas tem que restituir as prestações que você já pagou. O que vocês acham. a cláusula que autoriza o proprietário fiduciário a ficar com a coisa alienada em garantia. . Washington ainda pode contestar essa demanda? Pode. 3o ele aceita a cláusula comissória. Eu pergunto: esse artigo 1365 mantém a eficácia ou perdeu a eficácia? Claro que ele perdeu. Agora eu vou continuar. certo. Existe. o único cuidado. mas em garantia você tem um apartamento de um milhão. ele está hipotecado. Nelson isso não existe. é: pode ficar com o carro. o apartamento vale um milhão. Se você não paga a dívida de duzentos mil e o credor tiver um apartamento de um milhão. Você Washington não pagou. então do art. a finalidade da nota comissória é evitar o enriquecimento sem cláusula do credor.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 98 Se. Diz no caso o § 3o do decreto-lei 911: qual é o prazo que ele tem para contestar? 15 dias. Não pagou nem purgou a mora e o que aconteceu? A liminar foi efetivada. Então eu não vejo ilegalidade nenhuma que a instituição financeira tem que ficar com a coisa à medida que o consumidor receba de volta os valores que forem pagos. por acaso. Olha o que ele diz: “É nula. o que aconteceu com o carro? O seu carro já está no setor financeiro e já foi vendido. Então. e a propriedade foi consolidada. A matéria é nova e exatamente a lei não conseguiu fazer a previsão de todas as situações. O que esse art. 475 do CPC. Só esse cuidado deve ser adotado. Isso é questão de concurso. Vocês não estudam processo civil? É a mesma coisa que acontece agora na nova legislação da execução de quantia certa na fase de cumprimento de sentença do art. o que é isso? Isso é enriquecimento sem causa. o que ele está dizendo? Ele está dizendo que a instituição financeira pode ficar com a coisa. O § 1o do art. Ele aceita por que a lei está dizendo que o credor pode ficar com o carro para si. Washington. se a dívida não for paga no vencimento”. 1365 do Código Civil. Ele tem 15 dias para contestar. mas a sua dívida é de duzentos mil. 3o desse decreto-lei 911. você está pagando um apartamento de um milhão. Agora. nem purgou a mora. Olha que interessante. Eu pergunto. Por que ele perdeu a eficácia? Porque o § 1o do art.

por falta da legitimidade da busca e apreensão – o juiz condenará a instituição financeira a pagar uma multa de 50% do valor do financiamento. alegando que ele não foi inadimplente por que ele quis. É isto que está acontecendo. o que vocês acharam dessa legislação? O que ela tem de bacana? Ela faz o equilíbrio entre o credor e o devedor. Isso é uma tendência do processo civil de efetividade do valor do credor. ou seja. o que o Washington está fazendo toda vez que ele chega na defesa e diz: Senhor Juiz. O Washington pode contestar. Ele. Essa é que é a noção do pedido contraposto. eu é que fui levado ao inadimplemento. Multa é perda e danos? Não. multa é sanção. já dançou. Mas isso é para mostrar o quê? Primeiro eu quero ouvir de vocês. não é. foi conduzido ao inadimplemento por uma série de cláusulas abusivas que estavam inseridas nessa relação de consumo. perdas e danos ele vai ter que provar. Então.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 99 Quando você vai fazer impugnação ao cumprimento de sentença. Sabe o que o Washington consegue se ficar provado que realmente você é que foi levado agora. na verdade. É por isso que a sentença que julga improcedente a busca e apreensão. por essas causas abusivas aqui. Para que eu vou contestar. além das perdas e danos. o contra ataque nos próprios autos. Quando você for exatamente embargar aquela execução extrajudicial. uma sanção. A mesma coisa na nova execução do tipo extrajudicial. se o carro já foi embora? É esse que é o grande barato. em razão dessas cláusulas abusivas? Vocês estão prontos. Agora. ele está usando do dispositivo do § 3o. legal. pessoal? Diz o § 6o: na sentença que decretar a improcedência da busca e apreensão – então a busca e apreensão serão julgadas improcedentes. A multa é automática. mais as perdas e danos dentro desse caso concreto. pelo seu inadimplemento. O que é isso que ele está fazendo? Isso é um pedido contraposto. . além de evitar o erro da instituição financeira. Washington. Se Washington chegou na contestação e falou assim: Senhor Juiz eu fui levado ao inadimplemento. vai te dar essa multa de 50%. o que diz a lei? Se a instituição se precipitar o credor pode depois conseguir a improcedência e obter a multa. o credor já pegou o seu patrimônio. cara. Ao mesmo tempo em que o credor é beneficiado pela efetividade. Então isso não é uma inovação só aqui não. Perdas e danos é o prejuízo que você provar. E por que você vai ter a multa? A propriedade já consolidou e já vendeu. Ele está contra atacando para dizer que ela é que é responsável pela sua mora.

mas ela não apreendeu o carro. Nelson. 902 e seguintes. Qual é a finalidade da ação de depósito? A finalidade da ação de depósito é fazer com que o bem que não foi entregue seja depositado pela instituição financeira ou que a dívida seja paga. Mas. por oito votos a zero. esse é o procedimento novo. 5o. ofendem o direito de liberdade da pessoa humana. quais são os argumentos dizendo que esse art. na verdade. 652 do Código Civil. essas normas têm que ser interpretadas de modo restritivo. Certamente. 5o. por hora. só estão faltando três votos. . 652 que trata da prisão civil tem vício de inconstitucionalidade. onde está a inconstitucionalidade da prisão do depositário infiel no contrato de alienação fiduciária? Eu não quero 500 argumentos. Como é que é a posição hoje do Supremo com relação à prisão civil do depositário infiel nesses contratos? É pela prisão ou é contra? O STF. está em andamento uma ação. Primeiro lugar. onde é qu` e está a inconstitucionalidade dessa prisão? É o seguinte: qual a natureza de um contrato de depósito típico. a prisão civil do depositário infiel está no art. Mas eu só quero que vocês me digam o seguinte: ação de depósito. e elas estão catalogadas no art. O que a instituição financeira faz? Converte a busca e apreensão em ação de depósito. art. não encontrou o carro e nem Washington pagou essa dívida. pessoal. a ação de depósito já não está nessa lei. qual é a sua obrigação no final do contrato? Restituir. que é o artigo que cuida das garantias fundamentais. Está suspenso e daqui a pouco vêm esses três votos e eu vou explicar por que ficou suspenso. O STF vai mudar seu entendimento. todo mundo anota: é o RE 466343. Então. Qual é a natureza de um depósito típico? Quando eu. Afinal. E se ela é interpretada de forma restritiva. Agora. Qual é a conseqüência? Prisão civil de até um ano pelo art. Então. inciso LXVII. Na ação de depósito o bem não é depositado pelo devedor. E se a instituição financeira conseguiu uma liminar. pessoal. por quê? Elas. Eu me contento com dois argumentos. o melhor vem agora. eu pergunto: se a norma constitucional trata dessas hipóteses de prisão. Primeiro lugar. ela já é retida precipuamente pelo CPC.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 100 Então. oito votos a zero contra a prisão. que fala que os dois últimos casos de prisão são de alimentos e do depositário infiel. entrego para a Cíntia este código para você ser depositária por algum tempo. Perfeito. da CRFB/88.

Agora. é mais importante talvez. e ele é chamado de depositário. E ainda dentro dela. enquanto o depositário tem a coisa ele pode usar e fruir da coisa? Ele não pode usar e fruir. o segundo argumento é um argumento ainda mais amplo. e desnaturar é da natureza. o objetivo dele é ficar com a coisa para si. Qual? É aquela posição que vocês já conhecem. clássico. a questão é: no contrato de depósito normal. eu pergunto: por que essa convenção é tão poderosa. A prisão só caberia nas hipóteses de depósito típico. Ele fica com a coisa para si. porque ele não fica com a coisa para restituir. ainda aceita a prisão do depositário quando é depósito típico? Aceita. nós aderimos em 1992 a esse pacto. . se ele é desnaturado não cabe a prisão.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 101 A obrigação dela é guardar. Existem dois tipos de convenções que o Brasil pode realmente realizar: convenções do direito patrimonial e convenções sobre direitos humanos. Se desnatura a natureza dele. Este é o depósito atípico. a ponto de passar por cima do art. Agora. Que o Ministro Carlos Brito ressaltou para provar que este é um depósito atípico. Esse é o primeiro argumento. 5o. este não é o depósito típico. que o Brasil aderiu ao pacto de São José da Costa Rica. Por que quem defende a tese de que não há prisão por que é um depósito atípico. LXVII da CRFB/88? Por uma questão prática. Então eu pergunto Cíntia: quando o Washington compra um carro da instituição financeira Alfa. e ele está pagando 36 prestações de quatrocentos reais. Quando ele está pagando as prestações o objetivo dele como depositário é restituir a coisa ao final do contrato? Não. Então. e por que essa é a questão que eu quero saber exatamente de vocês. e é um depósito atípico de verdade. tem uma segunda posição que não aceita a prisão nem de depósito típico. de nenhuma espécie de depósito. Então. Ele só pode conservar. Só por alimentos. Ao contrário. se o objetivo dele é ficar com a coisa para si. Que depósito é esse em que o possuidor direto não pode usar e fruir? Isso desnatura a natureza do depósito. conservar e restituir ao final do contrato. Esse pacto diz que só caberia nos países signatários prisão civil por alimentos. Por depósito nunca caberia. Agora eu pergunto: Washington. você como depositário pode usar e fruir do carro? Pode. Essa é uma primeira questão. ainda aceita.

Que legislador? Legislador subalterno. efetivamente. Eficácia vertical quer dizer quando vem uma norma de direito fundamental. Por que o STF parou? Porque o Ministro Celso Mello vai dar os 9 a 0. que trouxe o art. O que é o bloco de constitucionalidade? É uma cláusula geral no art. Ou seja. eu pergunto: há necessidade de um decreto do poder executivo para que esse tratado possa ser aplicado no direito brasileiro ou não? Por que não há necessidade de um decreto executivo? Porque o art. em cada Casa do Congresso Nacional. esse é um bloco de constitucionalidade. todo mundo leia comigo neste instante. 5o. o que ele traz de diferente: Art. 5o. 5o. chegar a que conclusão? Há ou não necessidade desse tratado . versa sobre o chamado bloco de constitucionalidade. Mas. além do art. 5o. 1o Como é o nome dessa eficácia imediata? Eficácia vertical. ela se põe de cima para baixo. legislador infraconstitucional. E se é o tratado que versa sobre os direitos fundamentais. serão equivalentes às emendas constitucionais”. Por que se trata de eficácia vertical? Porque aqui estão os direitos fundamentais. Também são aqueles que estão incorporados por tratado ou convenções internacionais. Portanto. 5o. que tem que acatá-la. e o legislador tem que acatá-la. ela entra no nosso sistema interno por força de lei fundamental. Isso é claro porque o art. Esse é o sistema dualista. quando a convenção é relativa aos direitos humanos. aqui está exatamente o Juiz e aqui está o legislador. § 2o que diz que ele é recepcionado por força de norma fundamental. ele está dizendo que só um estudo maior para. parágrafo 3o: “os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. da Constituição.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 102 Quando as convenções do direito patrimonial entram no nosso ordenamento e internalizam por força de lei ordinária. § 3o. parágrafo único que diz: os direitos fundamentais não são apenas aqueles que estão na Constituição. com força constitucional. O que é o legislador infraconstitucional? É o cara que fez o artigo 652. § da Constituição fala que as normas dos direitos fundamentais têm eficácia imediata. isso aqui já nasce com o vício de inconstitucionalidade. Mas isso é tão óbvio. por três quintos dos votos dos respectivos membros. 5o. em dois turnos. § 2o da Constituição. Ele falou que precisa parar por que essa discussão é muito importante à luz da emenda constitucional 45. Então.

INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 103 ter sido aprovado com esse quorum qualificado. na Barra da Tijuca. enquanto o solo continua a pertencer ao proprietário Flávio. com essa construtora. que você recebeu de herança. Primeiro ponto. essa construção será de propriedade do construtor. Então. Duas propriedades superpostas. apesar de você ter recebido esse terreno. vamos fazer um contrato? E aí o Flávio faz um negócio jurídico. Olha. no tocante à prisão civil. eu não aplico o princípio da acessão. Quando esse shopping ficar pronto e esse negócio jurídico for registrado no ofício imobiliário. horizontalmente fracionadas. Qual é o princípio da cessão? Que esta construção teria que pertencer a quem? Ao dono do solo. É um terreno enorme que você tem. 1369 ao 1377. Elas já entram no ordenamento com essa força de norma fundamental. Só que. Essa é a discussão que agita o STF hoje em dia. Tem dois proprietários ao mesmo tempo. E por que juntar a . vamos à propriedade superficiária. Essa possibilidade de fracionamento de uma propriedade em duas. um fica com o terreno e o outro adquire a propriedade das acessões. quem for trabalhar com o Código Civil. O que acontece. Mas esse cara que fez a construção passa a se chamar proprietário superficiário. qual o princípio clássico do artigo 1243 que é o acessório segue o principal. o Flávio que é o proprietário do solo. Notem. Haverá um fracionamento das propriedades. É o famoso juntar a fome com a vontade de comer. um contrato. As anteriores não se submetem a esse quorum qualificado. Isso quebra ou suspende qual o princípio milenar que vocês conhecem e que estudaram comigo? Suspende o princípio da acessão. Então é só vocês entenderem isso. Aí chega um incorporador de uma construtora forte do Rio de Janeiro. Aí o Flávio diz: beleza. continua sendo proprietário. você não tem muito dinheiro. nesta matéria. Ou seja. pode acompanhar comigo pela leitura do arts. Mas isso é bom? É ótimo. Esse princípio é suspenso. E nós queremos edificar no seu terreno. Por que esse princípio é suspenso? Porque na vigência da propriedade superficiária. Flávio. Vamos fazer o seguinte Flávio: nós queremos fazer um shopping. Imagine que esse terreno é do Flávio. você recebeu isso de herança. A tendência de se dizer é: esse quorum qualificado é só para as convenções que tenham sido subscritas após a emenda 45. pelo qual ela vai edificar a acessão que é o shopping.

Notem. meu amigo Washington? Olha como esse instituto dá função social. contra o proprietário é desidioso. ela fez a acessão e ela se tornou proprietária da acessão. É impossível se falar em propriedade superficiária. Se esse terreno ficasse largado. Mas. agora não. É possível na opinião de vocês que o Flávio seja dono de um terreno e ele tem um prédio velho lá. É possível isso? Entenderam gente? No primeiro exemplo o que aconteceu? Não tinha nada construído e veio essa construtora. por isso que eu digo que é juntar a fome com a vontade de comer para os dois.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 104 fome com a vontade de comer. por que está fazendo uso da sua propriedade. muito bacana e fala assim: Flávio nós queremos a propriedade superficiária e nós vamos ficar com esse prédio que você já fez e vamos reformar todo ele. Enquanto não se registra é impossível falar em direito de superfície. e está pessimamente conservado. aqui novamente. abra o Código Civil no artigo 1369: “O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno. abandonado. . gente. O prédio está caindo aos pedaços. antes desse registro. mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis”. O prédio tem 90 anos. o que ia agir sobre o seu imóvel? Aquelas sanções do estatuto da cidade. por que é ótimo para o construtor? É ótimo para o construtor por que ele não vai ter que desembolsar uma grana enorme comprando o terreno. Então. Nós vamos reformar todo ele e ficar com ele. O Flávio é o proprietário. só se pode falar em direito real imobiliário quando o negócio jurídico é objeto de registro. Vai começar o show de perguntas. Aí vem uma empresa dessa de publicidade. Portanto. Perguntas que podem ser respondidas no art. e vamos ficar com a nossa propriedade superficiária. por que esse cara aqui vai ter que te pagar. por tempo determinado. 1369. Agora o cara construiu no seu imóvel e esse imóvel está recebendo função social. Então é ótimo para você? Olha. Esse terreno é dele e ele não tem dinheiro. Aí o Flávio fala: mas o que eu quero com isso? Você ganha.

em virtude do exemplo. Em 2037 o que vai acontecer com a propriedade e as acessões que a construtora fez com ela? Para quem voltam as acessões? Para o proprietário do solo. esse direito de superfície se daria sobre um bem incorpóreo. nada existe ainda. Nelson dá para a gente ir atrás de você? Dá para ir atrás no enunciado 250 do CJF. de onde você tirou isso. 1369: “O proprietário pode conceder a outrem o direito de construir”. Por que incorpóreo? Porque no momento em que foi feito o contrato. a propriedade superficiária. ele passa a ser proprietário de tudo. não aceitaria essa possibilidade. porque a Constituição não quer dar função social? A superfície com cisão não é uma excelente forma de dar função social aos prédios destruídos no Rio de Janeiro. . aí. Por quê? Porque a propriedade se resolveu. o que haverá? Uma cisão. O que é superfície por cisão? A quem pertencia antes essa construção e esse prédio? Ao Flávio. Que cisão? Só o terreno continua com o Flávio. O que existe é o projeto de construir. Olha o que diz o enunciado 250: “admite-se a constituição do direito de superfície por cisão”. Sabe o que vai acontecer com esse contrato? A construtora será proprietária desse shopping. Mas sabe o que eu quero falar com vocês? Pode sim. por que não tem grana. se o Código não fala? Isso é uma interpretação do art. pela leitura bem pessoal do artigo 1369. Nelson. Vou dar um exemplo: o Flávio em 2007 ele registrou o contrato de superfície. Ou seja. Sabe como se chama isso? Superfície por cisão. o Código Civil na letra da lei. Ele quer apenas pegar o que já tem e reformar e ser proprietário disso: isso é possível? Pela leitura literal do código não é. não é? No instante em que houver uma superfície. Ele volta a ser proprietário de tudo. dada as acessões que nós fizemos por 30 anos. o pessoal chama de interpretação bem progressista do art. que aqui é futuro e certo. que o proprietário não faz nada neles. E olha o que diz o art. O prédio já pertence ao proprietário superficiário. Flávio esse direito de superfície que você concedeu ao construtor. essa propriedade que a construtora adquiriu sobre as acessões é uma propriedade perpétua ou resolúvel? Resolúvel.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 105 Nesse segundo o proprietário superficiário não quer construir nada. 1369 do Código Civil. Então. 1369 conforme a Constituição. ou seja. A propriedade superficiária tem natureza resolúvel. não tem vontade? Não é ótimo alguém pegar e falar: a propriedade é minha e eu vou revitalizar a cara da cidade. Qual? O tempo. O termo aconteceu e.

depois de 30 anos ele vai ficar milionário. sem pagar nada? Como é que ele consegue isso? Pelo seguinte: é porque a construtora. 1370: “a concessão da superfície será gratuita ou onerosa”. notem amigos. que é o artigo 1369. esse artigo que eu li. tendo um shopping para ele. diz o seguinte: qual é a regra? É que. Ou seja. explorando economicamente aquela área. independente de indenização se as partes não houverem estipulado o contrário”. gente. Ou seja. Mas eu prefiro o termo da doutrina: proprietário do solo e superficiário. que você recebe por essa situação. o proprietário do solo passa a ter propriedade plena. Concordam? Mas. Por quê? Porque o dono do principal vai se tornar dono do acessório. Gente. ela também pode ser gratuita. quando volta para o proprietário no silêncio do contrato. Se onerosa. Mas. Se por acaso a construção foi criada por esse cara. Ou seja. houve uma suspensão ao princípio da acessão. 1375: “Extinta a concessão.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 106 É por isso que eu pedi que vocês anotassem o que no caderno? Que só no momento em que ocorre o termo é que o proprietário do solo vai adquirir as acessões. ele tem que pagar pelo valor das acessões ou não? Não. A lei fala em concedente e em concessionário. o proprietário do solo vai adquirir a acessão pela primeira vez. Que pagamento? O solarium. se for convencionado nesses 30 anos. é o solarium. estipularão as partes o pagamento. naqueles 30 anos ela ganhou todo o dinheiro que ela precisava. Está dizendo no primeiro artigo que vocês leram na aula. 1375. Se ele será feito de uma só vez ou parceladamente. O que é um solarium? O solarium é uma espécie de aluguel. por que naqueles 30 anos ela que obteve todos os ganhos econômicos relativos à propriedade superficiária. Agora. Veja se não é isso que diz o art. que é o art. Por que uma suspensão? Porque no final do contrato a acessão vai acontecer? Vai. que este contrato feito entre o proprietário e . E olhem se isso não é verdade no art. Ela se beneficiou. A única coisa que o Fábio recebe. É essa que é a situação. alguém nessa sala pode me dizer? Por que é que o Flávio. e se for superfície por cisão? Ele vai adquirir a acessão pela primeira vez? Ele vai resgatar a acessão.

notem. O que vocês acham? Tem que ser com prazo. Ela pode ser alienada gratuita ou onerosamente. Ou seja. 1372: “O direito de superfície pode transferir-se a terceiros e por morte do superficiário. entendem-se também resolvidos os direitos reais concedidos na sua pendência. Nelson. o Código Civil não admite que se faça direito de superfície sem prazo. o art. que adquiri a superfície. Olha o que diz o art. tranqüilamente. Então é possível sim. Ou seja. É da essência dela. a de Joãozinho também é resolúvel. por que eles adquiriram da mesma maneira. 1359: “Resolvida a propriedade pelo implemento da condição ou pelo advento do termo. . Por que ele não admite? Porque seria muito perigoso. normalmente elas são feitas para durar 30 anos.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 107 o superficiário tem que ser um contrato com prazo ou pode ser contrato sem prazo. e o proprietário. A minha pergunta é: quando deu 14 anos de superfície. é sempre transmissível dentro do prazo fixado no negócio jurídico. E mais. Por quantos anos? 16 anos. porque essa propriedade é resolúvel. Por quê? Já não tinham passados 14 anos? Se a propriedade da construtora é resolúvel. As superfícies. em cujo favor se opera a resolução. aqui está a propriedade superficiária. Quantos anos mais Joãozinho poderá ser proprietário? 16 anos. pode reivindicar a coisa do poder de quem a possua ou detenha”. também. É de 30 anos o meu exemplo. 50 anos. O que vocês acham do art. por tempo determinado. vamos supor que fui eu. Acabou. Por quê? Porque isso é uma propriedade como outra qualquer. pode a construtora vender essa propriedade superficiária? Joãozinho pode comprar? Pode. Amigos. o que o Flávio poderia fazer no segundo ano? Interpelar o proprietário superficiário e dizer: eu quero isso de volta. Por que seria muito perigoso? Se houvesse aqui uma relação de superfície sem prazo. Mas. O que aconteceu com essa propriedade superficiária? Vai para os meus herdeiros. gente. Eu quero isso tudo para mim. Aliás. sabe qual é a pergunta que vai cair no concurso? Vamos ver se vocês estão bem em matemática. Agora. 1372 fala claramente que o direito de superfície é plenamente transmissível. 70 anos. Ela não pode se submeter instabilidade a essas situações. tem o prazo sempre. está lá. E quando deu 14 anos eu morri. a seus herdeiros”.

eu quero ver se vocês estão bem na aula de Direito Tributário. É ele que é o contribuinte. aqui vocês vão colocar no art. ou os dois. Amigos. Nem eu. Então. e mais eu quero ver se vocês são corajosos. Agora. o que vai ser levado à venda é a propriedade superficiária. pela Constituição Federal. eu quero saber de vocês: pode ter uma cláusula contratual entre eles. Flávio você continua a ser o dono do terreno e o arrematante passa a ser o novo proprietário superficiário. Ou seja. 1371 quem vai pagar. dizendo qual vai pagar? Pode. Agora. O município vai cobrar IPTU de quem? Do Nelson. Eu posso fazer uma propriedade fiduciária em cima dela. Eu posso fazer ônus reais sobre ela. Se uma pessoa conseguir arrematar isso em hasta pública. lei ordinária não pode criar novo fato gerador para o contribuinte. Olha o que diz o enunciado 249 do CJF: “a propriedade superficiária pode ser autonomamente objeto de direitos reais de gozo e de garantia. Sabe por quê? Quando está escrito no art. Por quantos anos? Pelo prazo que faltar exatamente naquela disposição contratual. porque o art. o terceiro recebe a propriedade com a característica resolúvel anterior. Sabe o que isso quer dizer? Que o município pode ir contra quem? Um ou outro. 146. Pelo art. eu posso constituir ônus reais sobre ela? Tranqüilamente. ela só vai penhorar a propriedade superficiária. em hipoteca? Gente. eu posso hipotecá-la. é uma responsabilidade solidária. 1371 ao lado do superficiário responderá solidariamente. 1371: “o superficiário responderá pelos encargos e tributos que incidirem sobre o imóvel”. Se o município for no Flávio e você tiver repassado esse caso para mim. mas isso não é problema do município.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 108 Então. Eu não te paguei a dívida dos 300 mil. Dêem uma olha no art. que é o superficiário ou do Flávio que é o proprietário do solo? Do Flávio. O que é que você vai penhorar como credora hipotecária? Tudo? Não. nada impede que lei ordinária crie hipótese de responsabilidade solidária. Eu fiz uma hipoteca da propriedade superficiária e você é a credora. Se eu sou o superficiário. o IPTU? O superficiário. Vocês concordam com esse artigo? Vocês não concordam. você tem regresso contra a minha pessoa. O contribuinte obviamente é o proprietário do solo. E mais. desde que o prazo não exceda a duração da concessão da superfície”. eu posso dar essa minha propriedade em garantia. art. É só lei complementar. 128 do CTN permite que a lei ordinária possa criar responsabilidade solidária. 1371 “responderá” não é como contribuinte. então. .

504. Eu tenho que te dar direito de preferência? Tem.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 109 Então. que é para facilitar a vida dessa gente toda. quando vende uma fração do seu condomínio. o rateio de encargos e tributos que incidirão sobre a área objeto de concessão de superfície”. pessoal. Gente. olha o enunciado 94 do CJF: “a parte tem plena liberdade para deliberar no contrato. o superficiário ou o proprietário tem direito de preferência. Quando deu 28 anos. Por que vai se aplicar ao lado do art. Então. é só para a gente complementar uma coisa com a outra. notem tudo vai depender do tempo em que se desenvolve a desapropriação. Quem vai ser indenizado? O proprietário do solo ou o superficiário? Quem está colando no Código Civil vai ler no art. e o art. no valor correspondente ao direito real de cada um”. o que a doutrina mais antenada diz. 504 o que ele diz? Ele diz. em igualdade de condições”. E se você quiser vender o solo. E quando ele deposita o dinheiro o que acontece com aquela venda? Será desconstituída. Olha o que diz o art. Por que vai se aplicar a mesma norma que se aplica ao condomínio. 1373. Ou seja. Vamos supor que eu quero vender a superfície. depois. Então. existe essa economia privada. Quem é que paga realmente o IPTU. que se essa preferência não for dada. A única coisa que o Código não diz é: e se esse direito de preferência não for concedido? Qual é a conseqüência? Eu não dei direito de preferência para você Flávio? E vendi minha superfície para o João. Vamos a outro exemplo: está rolando um prazo de superfície de 30 anos. não tem que dar preferência a outro condômino? Pois é. se o inquilino não pagar o proprietário paga e. Se a . nesse particular aqui pessoal. você pode? Pode. Ele diz: “no caso de extinção do direito de superfície em conseqüência de desapropriação. cobra do locatário. Então. a indenização cabe ao proprietário e ao superficiário. a mesma coisa quando vocês alugam um apartamento. 1373: “Em caso de alienação do imóvel ou do direito de superfície. não é o proprietário? Mas o que eles dispõem no contrato? Que o pagamento tem que ser feito por quem? Pelo locatário. Vocês vão ao lado desse artigo fazer uma remissão ao art. O condômino. Aquela venda será desconstituída porque no prazo decadencial de 180 dias ele foi lá e pagou aquele valor. não é o proprietário? Quem paga o condomínio. aquele outro que não foi notificado tem o prazo de 180 dias para depositar o dinheiro. vem o Estado do Rio de Janeiro e quer desapropriar essa área. 1376 que tem uma saída meio estranha.

à medida que ele notifique o superficiário. gente. . ocorreu a revogação. Ou seja. então tem a lei anterior. Só que. 1374: “antes do termo final resolver-se-á a concessão se o superficiário der ao terreno destinação diversa daquela para que foi concedida”. resolução contratual pelo inadimplemento. Agora. em detrimento do superficiário. sabe o que o aluno é acostumado a fazer? O aluno. Ele me deu a superfície. Abra o art. É que existe direito de superfície fora do código civil? Existe. é claro que a verba maior se dirigirá ao superficiário. Você já deve agir. eu tenho uma coisa a lhes contar. a lei posterior. a colocação que eu faço é: o proprietário não precisa ficar esperando acabar o prazo de 30 anos. porque ele já estava com aquela expectativa de ser proprietário das acessões e o superficiário já tinha fruído de todos os direitos econômicos que eram de seu interesse. é claro que houve o inadimplemento de uma obrigação de fazer por parte do superficiário. no Estatuto da Cidade. pela frustração de todas as expectativas que ele tinha de obter rendimentos daqui. você me deu o direito de superfície para que eu fizesse um shopping nesse seu terreno. se essa desapropriação se der no início da concessão. 475 do Código Civil. O terreno continua vago. E o que tem lá: o Estatuto da Cidade ou o Código Civil? O Estatuto da Cidade já tinha essa previsão antes do Código Civil.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 110 desapropriação ocorre já chegando ao final da superfície. à medida que a função social é negligenciada pelo superficiário. Então qual é a visão doutrinária? Quanto mais próximo do final da superfície. passou o prazo de dois anos. gente. Ele também traz o direito de superfície. que um tarado pelo estudo do Direito Civil clássico vai dizer: Nelson. 475. A outra situação que eu tenho é a seguinte: Flávio. Aí. se o Estatuto da Cidade veio antes e o Código Civil depois. quem é o mais prejudicado? O proprietário do solo. o que eu posso fazer? Art. Onde está “destinação diversa” sabem o que vocês têm que colocar? Não concedeu função social à propriedade. e o superficiário nada de construir. O que o Flávio pode fazer. O inadimplemento de uma obrigação de fazer. 21 do Estatuto da Cidade. Toda vez que não foi concedida a função social ao bem. E esse inadimplemento gera a resolução contratual. Art. e eu nada de construir o shopping. maior é a indenização do proprietário do solo. à luz do art.

Washington. Por que o cara quer o direito de superfície aéreo? Por que ele não quer que amanhã você construa e perca a bela vista que ele tem da praia. apesar de ter função social. Há um diálogo de fontes entre o Código Civil e o Estatuto da Cidade. a interesse particular. Ela não está ligada a nenhum dos planos de urbanização da cidade do Rio de Janeiro. Agora. na superfície ou ele pode ser uma simples construção. não existe antítese entre as normas. . isso é Código Civil. essa acessão de superfície visa a dar de alguma forma função social à cidade? Não. e é feito um grande colégio no direito de superfície pelo município de Vassouras faz lá uma escola rural. isso aí ninguém vai questionar. eu pergunto para vocês: Washington tem um terreno em Ipanema de frente para a praia. É Estatuto da Cidade ou Código Civil? Código Civil. principalmente. Um vai ajudar o outro. Então. Estatuto da Cidade. você tem um terreno em Ipanema e aí chega o Luciano Huck e diz assim: eu quero o direito de superfície do seu terreno. Tem uma fazenda do Washington lá no interior do Rio de Janeiro. chega o César Maia e fala assim: Washington. se por acaso. Agora. Por quê? Porque esse direito de superfície já atende ao plano diretor e à função social da cidade. Ela não visa dar função social à cidade. você está falando em direito de superfície do subsolo. Para que Luciano? Ah. Mas. para a gente fazer a dimensão exata das duas situações. Direito de Superfície aéreo. quando é que é Estatuto da Cidade. Então é Código Civil. Ela serve. Pode chegar o morador do prédio de trás que tem um apartamento e falar: eu quero o direito de superfície aéreo do seu imóvel. ou seja. justamente por um interesse privado do vizinho. Pode? Inclusive já fazem isso aqui na Lagoa Rodrigo de Freitas. Isso não é Estatuto da Cidade. Então ele adquire esta superfície. você tem um terreno em Ipanema. Ou seja. Quando é que é Código Civil. por que eu vou construir. Isso é relação contratual. Ele pode ser embaixo. eu pergunto: quando é que se aplica o Estatuto da Cidade e quando é que se aplica o Código Civil. Por que. nós estamos precisando desse terreno para fazer garagem no subsolo com mil vagas. Por quê? Porque apesar de ser um imóvel urbano. Eu tenho direito de superfície e vou construir uma Academia de Ginástica nova. Código Civil ou Estatuto da Cidade? Código Civil. Há uma relação de complementaridade. Então por isso é que vocês têm que ter o cuidado. zona rural. o Estatuto da Cidade só é aplicado aonde? Zona urbana.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 111 Não tem nada disso. aqui você não pode construir. O direito de superfície não se dá no solo. existe um diálogo de fontes.

. Foi uma superfície a non domino. Eu vou dar o único exemplo em que se pode admitir usucapião de direito de superfície.: Pode. Imagina se o proprietário chega 1 mês depois e fala que como o contrato é sem prazo. Então. Aí você está lá. havendo a possibilidade de fazer na superfície para atender uma função social da propriedade. quando você adquire dois anos depois. uma das partes houver feito investimentos consideráveis para sua execução. Você quer comprar? Você compra e adquire o direito de superfície por um negócio jurídico. eu peço que seja aplicado o § único do art. Olha só o art. § único visa evitar o abuso do direto potestativo do proprietário de tentar denunciar aquele contrato de forma abrupta. certamente o direito do superficiário deve ser resguardado. Quer dizer então que sendo o plano diretor a meta da cidade. o que você está fazendo aí nesse imóvel? Eu adquiri direito de superfície do Nelson. Mas note. Mas se porventura você ficou lá 10 anos. esse art. esse contrato é sem prazo. Isso geraria muita insegurança jurídica. chega o Fábio e pergunta: minha filha. O que a doutrina ensina e eu coloco no meu livro também é que apesar do contrato ser sem prazo. 473 traz uma norma de grande função social. Roberta eu tenho o direito de superfície desse imóvel aqui. pode ser por tempo indeterminado? Pode.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 112 Vou fazer uma última observação: no Estatuto da Cidade o direito de superfície pode ser feito sem prazo? Pode. 473 do Código civil. Pergunta de aluna: Pode ter usucapião de direito de superfície? Resposta do prof. mas isso é muito raro. pois quando uma das partes faz um contrato sem prazo com a outra o que a qualquer tempo um deles pode fazer? Não pode denunciar? Não ode resilir? Mas o § único do art. porém. dada a natureza do contrato. 473. Então. no mínimo. o que você vai alegar em defesa? Que você teve justo título não de proprietária. mas justo título de superficiária. retirando as garantias que o proprietário superficiário poderia ter sobre a coisa. a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos”. que pertence ao Fábio. 21 fala: “por tempo determinado ou por tempo indeterminado”. para evitar essa insegurança jurídica. Esse cara fingiu para você que era superficiário do meu imóvel. Então minha filha você foi enganada. está te notificando para você ir embora. Ele diz: “Se. Ele diz que você foi enganada.

000.00. Pergunta de aluno: E se. Contrato preliminar é o contrato que é realizado entre as partes cuja finalidade é a futura realização de um contrato definitivo. depois de acabado o prazo.: Se acabou o prazo e o proprietário do imóvel deixa eu ficar lá.00. Será uma forma de preparar o raciocínio de vocês para semana que vem. A promessa de compra e venda é o mais importante de todos os contratos preliminares. quando resolve a propriedade o proprietário do solo não aparece? Resposta do prof.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 113 Então. Mas por quanto tempo? Pelo tempo que ele colocou no contrato. Isso é uma relação obrigacional. poderia ficar lá a vida inteira. Ninguém entra em um terreno e fica lá por 20 anos e diz que apenas quer ser o superficiário. A finalidade das partes é a futura realização de um contrato definitivo. Você vai usucapir a propriedade. O solo vai continuar pertencendo a quem? Ao Flávio. Porque senão. Vamos começar Promessa de compra e venda. você nunca vai usucapir a superfície. passou a produzir obrigações. aí eu usucapi tudo. . Isso é uma promessa de compra e venda. Mas vocês viram como esse exemplo é raro? Roberta. o que ele exigirá de Nelson? Ele exigirá a escritura definitiva de compra e venda. Quando Washington acabar de pagar a última das 30 prestações de R$ 1. Nelson e Washington fazem um contrato onde Nelson é o promitente vendedor e o Washington é o promitente comprador. pois a propriedade superficiária é ??? mesmo quando adquirida por usucapião.000. Ela tem um pouco de propriedade e um pouco de posse e nos remete às aulas que eu venho dando há 2 semanas. A promessa de compra e venda faz a passagem entre a propriedade e a posse. Nelson vai vender esse imóvel em 30 prestações de R$ 1. A promessa de compra e venda é um direito obrigacional ou é um direito real? Ela nasce como uma relação obrigacional e pode posteriormente se tornar um direito real. você vai adquirir usucapião da superfície. pois quando eu assinei a promessa de compra e venda e ela se tornou um negócio jurídico válido. Você vai ter usucapião da superfície. Por que quem entra no terreno tem animus domini ou animus superficiaris? Tem animus domini. normalmente se você entra no terreno. que é o contrato definitivo. por exemplo.

Com isso. objeto lícito e forma prevista em lei. Quando Washington termina de pagar o imóvel. Em primeiro lugar. comprou o imóvel que o Washington estava pagando. Rafaela.000. Por que o Washington conseguiu essa outorga de escritura mesmo sem ter registrado perante o RGI? Porque a outorga de escritura não está relacionada ao registro. desta forma. Quando Washington consegue essa outorga de escritura. fica sabendo que Nelson o vendeu para Rafaela. E qual é a obrigação do Nelson? Fazer.Esse negócio jurídico possui agente capaz. Por que ele vai ajuizar essa ação? Ele vai ajuizar essa ação porque o Nelson tinha a obrigação de fazer e ao se recusar em outorgar a escritura. essa promessa de compra e venda não foi registrada. então. Washington está pedindo uma tutela específica. sem estar com a promessa registrada. O juiz vai mandar Nelson assinar a escritura. o juiz irá substituir a sua vontade e irá outorgar aquela escritura que o particular não outorgou. Esse negócio jurídico entre Nelson e Rafaela é válido? Claro que é. proprietário em definitivo. 466-B do CPC. pois . a leva para o RGI tornando-se. pois se o Nelson desaparecer. A outorga da escritura está relacionada ao plano da relação obrigacional. Nelson perguntou a Rafaela se ela queria comprar esse imóvel. O que o advogado do Washington deve fazer? Ele deve ajuizar uma ação de adjudicação compulsória ou também chamada de ação de outorga de escritura do art.00 por mês.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 114 Qual é a obrigação do Washington? Dar quantia certa de R$ 1. mas se este se mantiver inerte. se tornou inadimplente da obrigação de fazer. Quando o Washington terminou de pagar a última prestação e o Nelson se nega a outorgar a escritura definitiva de compra e venda. A obrigação de outorgar a escritura do Nelson é uma obrigação fungível ou infungível? É uma obrigação fungível. Súmula 239 do STJ: o direito à adjudicação compulsória não se condiciona ao registro do compromisso de compra e venda no cartório de imóveis. o juiz o substitui. pois quando ele acabar de pagar a última prestação eu terei que outorgar a escritura definitiva de compra e venda. Enquanto ele estava pagando. O segundo ponto é o seguinte: Washington estava pagando a dívida. Washington pode ajuizar ação de outorga de escritura onde a adjudicação compulsória se dá em face de Rafaela? Não.

A promessa de compra e venda que era um direito obrigacional. o que você fez no dia seguinte da assinatura do contrato antes sequer de ter pago a primeira prestação? Ele registrou a promessa de compra e venda. E como essa é uma relação obrigacional. Nelson diz que vendeu o imóvel para Rafaela. você terá direito a uma futura aquisição da propriedade se pagar integralmente as suas prestações. Vocês podem estar pensando que vocês já estudaram essa matéria não como direito real à aquisição. . dá uma falsa idéia de que quando a pessoa registra. você registrou e pagou tudo. Quando você fala de direito real de aquisição. não se adquire a propriedade. O que nasce para Washington? Nasce o direito real à aquisição.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 115 quem prometeu outorgar escritura a ele foi o Nelson. pois não obstante registrada. A outorga de escritura. Isso é que é direito real à aquisição. Quando ocorre o registro. pois ele é apenas credor de uma relação obrigacional. A única coisa que ele tem é o direito de garantia. Mas a coisa não é dele. Washington. é claro que há oponibilidade erga omnes. Mas não contra terceiros. a propriedade continua sendo do Nelson. Se há seqüela. somente faz efeito entre as partes. mas Rafaela fica com a propriedade para si. E foi ao encontro de Nelson pedindo que ele lhe outorgue a escritura. Qual é o direito de garantia que passa a ter a pessoa que registra? Ela passa a ter o direito real a adquirir a coisa no futuro se pagar a integralidade das suas prestações. Nelson indeniza por perdas e danos Washington. agora também é um direito real à aquisição que nasce do registro. nós podemos falar em seqüela. O terceiro ponto é o seguinte: Washington. Qual é a conseqüência? Se há registro. a coisa já é dele. A Rafaela é terceira e o Washington não tem seqüela. está dizendo que se você registrou. mas sim como direito real de aquisição. Ou seja. O nome é direito real à aquisição porque quem registra passa a ter o direito de garantia. Pode Nelson vender o imóvel para Rafaela se Washington registrou a promessa de compra e venda? Pode. a adjudicação compulsória é uma ação pessoal que só pode ser exigida contra aquele que prometeu ou pelos sucessores.

E como ele efetuou o registro antes. se ele registrou. tornando-se inadimplente. pois ele efetuou o registro. sendo julgada procedente. irá desconstituir a promessa de compra e venda.931/2004 que cuida da incorporação imobiliária. Agora. que é a do 4o Capítulo. Lei 6766/79 promessa de compra e venda de . que é a seguinte: o Código Civil não é o único instrumento legal que trata de promessa de compra e venda. pois isso eu já sei. no decreto-lei 58/37 que trata de lotes rurais. Se. não poderá mais se opor. Por que ele vai tirar a coisa da Rafaela se o negócio jurídico entre Nelson e Rafaela é válido? Não me digam que é porque ele tem seqüela. ele tem a seqüela e ele pode buscar a coisa contra Rafaela.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 116 Washington tem. qual é a conseqüência disso? Nelson irá ajuizar uma ação de resolução da promessa de compra e venda que. por que o negócio jurídico dele foi desconstituído. Na lei 6766/79 com lotes urbanos e. foi resolvido. ele é ineficaz perante o promitente comprador. esse negócio jurídico é ineficaz. o terceiro capítulo da novela. A promessa de compra e venda já existe em outras normas. Tem promessa de compra e venda nessas três leis. É essa que é a noção. Ou seja. Por que se trata de um caso de ineficácia relativa. Washington termina bem para você. O decreto-lei 58/37 trata da aquisição de lotes rurais com promessa de compra e venda. que é quando vocês compram apartamento em construção. Por que a única pessoa que poderia se opor à eficácia relativa ou a inoponibilidade. porque ele registrou ou porque é erga omnes. por acaso Nelson vendeu para Rafaela quando Washington já tinha registrado. também chamada de inoponibilidade? É uma ineficácia relativa porque houve o registro anteriormente. tem uma questão muito maneira. ação de adjudicação compulsória contra Rafaela? Tem. mas Washington no sétimo mês pára de pagar. nesse caso. na medida em que você realize o registro. com a atual 10. Então. não produz efeitos porque ele registrou e pagou integralmente as prestações a posteriori. retirado do mundo jurídico. O que acontece com a venda feita para Rafaela se a promessa de compra e venda feita para Washington foi desconstituída? A venda que já era válida torna-se plenamente eficaz. pessoal. Porque não obstante o negócio jurídico seja válido.

O Código Civil. . o que essas três leis têm em comum? Essas três dizem que. E sabe o que ele está ganhando? Ele ia especular com o bem. 25. Quando vocês compram apartamento em construção quem está vendendo para vocês é um incorporador. À medida que o bem valorizasse. trata da promessa de compra e venda de imóveis não loteados. O que é imóvel loteado? É quando tem um loteador e ele quer te vender um lote urbano ou rural ou quando tem um construtor que quer fazer um prédio e quer te vender um apartamento. 32. está no art. Se nesses contratos houvesse cláusula de retratação ou a chamada cláusula de arrependimento. essas leis chamam a promessa de compra e venda de compromisso de compra e venda. Na lei 6766/79 está no art. Então. toma o dinheiro de volta que vocês me pagaram. Washington. quem vai atender vocês é um profissional loteador. § 6o. Nos lotes rurais a irretratabilidade da promessa de compra e venda é da súmula 166 do STF. ela alterou o art. vamos ver se vocês entenderam. Pois bem. então. Então. quando é feita a promessa de compra e venda de compra de lote ou de compra de apartamento em construção. § 2o da lei 4. Existem normas de ordem pública que fazem com que em todas essas leis haja irretratabilidade. Vocês pagariam duas ou três prestações. Aliás.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 117 lotes urbanos e a lei 10931/2004 que trata. parágrafo 2o da lei 4. Por que existem nessas normas a exigência da irretratabilidade? Por que gente? Tudo aqui é relação de consumo. Apesar de não ser da lei 10. Quando a gente compra um lote. elas são irretratáveis. também. o que o construtor faria? Ele venderia o apartamento para vocês. Ou seja. 32. também.591/64.931/2004. é um fornecedor.931/2004. ele venderia de novo para outra pessoa. que são vulneráveis diz-se que são irretratáveis. vocês são consumidores. chegaria o construtor e falaria assim: olha desculpa eu me arrependi. se você quer me vender um apartamento hoje com promessa de compra e venda é Código Civil. eu vou até dizer quais são os artigos e os fundamentos. para ajudar. da promessa de compra e venda na incorporação imobiliária.591/64 as aquisições de incorporações imobiliárias se tornam irretratáveis. da referida lei e na última. Por que elas são irretratáveis. 10. para proteger os adquirentes desses bens.

Primeira: Washington. há a possibilidade mais ampla do exercício da autonomia privada da fixação de cláusula de arrependimento. tenho. Precisa de alguma motivação? Não precisa de motivação nenhuma. Compromisso não. Eu quero me arrepender. Não nessas leis. Mas tem essa possibilidade porque há essa cláusula aqui. compromisso é irretratável. Agora. não são? O que acontece se eu me arrependo e falo já na oitava prestação. Fazer uma promessa de casamento ou um compromisso de casamento? Compromisso não é muito mais forte? Por quê? Por que a promessa nasce para ser descumprida. Alguém pode me dizer por que não posso mais me arrepender depois que o Washinton pagou a última prestação? Porque quando o Washington pagou a última prestação ele já adquiriu o domínio. É o direito de pedir denúncia. Porque quando ele paga a última prestação. de arrependimento. Pergunta de concurso: Até quando eu posso exercer esse direito potestativo de arrependimento que está na cláusula? Até o último pagamento. por que nas relações com o Código Civil pode haver cláusula de arrependimento? Porque as relações entre o Código Civil são de relativa igualdade entre as partes. Gente. Alessandra. É uma relação privada. O que é resilição unilateral? É o potestativo de uma das partes de desconstituir o negócio jurídico. na promessa de compra e venda do Código Civil.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 118 E por que se chama de promessa de compra e venda? Compromisso. o vendedor já não pode mais se arrepender. quando o Washington me vende um apartamento. É por isso que nessas leis a gente fala que é compromisso de compra e venda. Eu tenho essa cláusula no Código. Normalmente quem aí já viu esse contrato. nada obsta que seja inserida que cláusula? Cláusula de retratação. é uma relação entre dois particulares. sempre o direito de arrependimento está ligado a que? Arras. Arras ou cláusula penal de acordo com o contrato. para quem está noivo nesta sala. Ou seja. . não é relação de consumo. São 35 prestações de mil reais. Sempre tem o valor de arras ligado a uma idéia de direito de arrependimento. Então. O que é esse direito que eu. Nelson. Então o que eu tenho que fazer Washington? Devolver tudo aquilo que você me pagou. Washington eu não quero mais te vender esse imóvel não. Gente. De resilição unilateral. se há uma cláusula de arrependimento. Isso é no Código Civil. A chamada cláusula de arrependimento. o que é mais forte. Duas conclusões importantíssimas.

vocês não têm que ir atrás de mim que sou o vendedor para ter a outorga de escritura? Não. Se ele já pagou tudo. Como é que o Juiz vai substituir a vontade de uma pessoa que quis se arrepender? O juiz só pode substituir a vontade. Isso é fundamental. você tenha integralizado o pagamento e que não haja cláusula de arrependimento. Por que não pode ter esta adjudicação compulsória se tinha cláusula de arrependimento. Mas o direito à outorga de escritura contra a parte. mas não pode ter cláusula de arrependimento. só o meu nome. Então pessoal eu vou fazer duas conclusões e vou ler o código civil. Não precisa de registro. Agora. Ele está assumindo. Moral da história. Se houver cláusula de arrependimento e eu não quiser outorgar a escritura definitiva. Quando vocês acabam de pagar. Por que nos compromissos de compra e venda dessas leis há contrato preliminar impróprio? Se eu faço um contrato com vocês e não há previsão de cláusula de arrependimento. Ele está usando. Só é possível falar em direito real a aquisição no Código Civil. eu sendo um loteador. ele não tem é a propriedade. se não existir essa cláusula de arrependimento. Tomem muito cuidado com esta cláusula de arrependimento. cabe cláusula de retratação? Não. Então olha: o direito a outorga de escritura adjudicação compulsória contra terceiros requer registro. você não pode exigir o direito à adjudicação compulsória só é possível se não houver cláusula de arrependimento. o que sobrou da propriedade? Só a titularidade. vocês precisam ir atrás de mim que sou o loteador para exigir a outorga de escritura? Vocês fizeram a promessa de compra e venda e pagaram tudo. para ele todo poder e domínio estão com ele. Só a titularidade no Registro de Imóveis.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 119 Como ele adquiriu o domínio se ele nem ajuizou a outorga de escritura? Ele tem o domínio. pedir uma outorga de escritura ao vendedor se o vendedor no dia da promessa de compra e venda já disse que não iria se arrepender? . Ele tem disposição. por que o comprador tem que buscar uma escritura definitiva. Por quê? Porque é relação obrigacional. pois isso é o chamado contrato preliminar impróprio. Por que ele já tem domínio? Porque ele pagou todas as prestações. não precisa de registro. O STJ trabalha muito com isso. Primeira conclusão: quando eu faço um contrato com vocês. Ele já tem o domínio e eu tenho a propriedade. No Código Civil quando? Três coisas tiverem acontecido: você tenha registrado.

sabe por quê? Pois atende as três diretrizes do código civil brasileiro. você pega a prova da quitação e leva imediatamente ao registro imobiliário. sabe por quê? Pois evita milhares de ações de adjudicação compulsória. É por isso que todas essas leis dizem que imediatamente quando você acabou de pagar a última prestação. Ou seja. Agora. Primeiro ele atende a diretriz da eticidade. Por isso que é contrato preliminar impróprio. Por que se chama impróprio? Porque não precisa fazer depois escritura definitiva. porque O Brasil é um país pobre e o que acontece? Se alguém compra um lote tem que fazer escritura definitiva de compra e venda isso gera custo. ele trabalha com o contrato preliminar próprio e eu quero ler os artigos 1417 e 1418 com vocês. o CC não. isso é uma demonstração de que o que é melhor na sociedade brasileira: o contrato preliminar próprio ou impróprio? O impróprio. . No código civil o contrato preliminar é próprio ou impróprio? É próprio. pois sempre a promessa de compra e venda deve ser seguida da compra e venda definitiva por escritura pública. porque necessariamente ele faz com que haja maior confiança da sociedade no cumprimento das relações obrigacionais porque o comprador já sabe que não vai ter o risco de amanhã ter que correr atrás do vendedor e o vendedor vai fazer o quê? Desaparecer. Olha o art. isso gera confiança e amplia a boa fé objetiva. as cessões e promessas de cessão valerão como título para o registro da propriedade do lote adquirido. Segundo: atende o princípio da socialidade. Você não precisa fazer a escritura definitiva. Não precisa fazer a compra e venda definitiva. sumir. não há necessidade de lhe pedir uma segunda declaração de vontade. ou seja. 26. § 6o da lei 6766/79: “Os compromissos de compra e venda. O único cara que fica chateado com isso tudo é o dono do cartório que não vai ganhar dinheiro com uma segunda escritura ridícula e repetitiva de um ato que já foi feito. pois não precisa correr atrás do vendedor que sumiu ou que morreu. quando acompanhados da respectiva prova de quitação”. Terceiro: atende ao princípio da operabilidade.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 120 Se o vendedor já disse que não iria se arrepender. A justiça não fica abarrotada porque ninguém precisa ajuizar ação de adjudicação compulsória.

se não houver cláusula de arrependimento não dá para fazer como aqui imediatamente mudar no registro imobiliário. a súmula 239 do STJ perde a sua eficácia. necessariamente. em que não se pactuou arrependimento. Resposta do professor: Não. Onde está o erro? Você só precisa ter direito real para exigir da Rafaela. que é o devedor. conforme o disposto no instrumento preliminar. um se liga ao registro e a inexistência da cláusula de arrependimento. titular de direito real. Ela perguntou: Nelson. é dispensável o registro. que é a Rafaela a outorga da escritura definitiva de compra e venda. 1418. 1418. Isso é um retrocesso do art. Perfeito. Esse artigo tem dois erros. Vamos ver o artigo 1418: “ O promitente comprador. celebrada por instrumento público ou particular e registrada no Cartório de Registro de imóveis. pois ele precisa apenas ter integralizado as prestações. Outro erro foi a parte final do artigo. Olha o que diz o enunciado 95 do CJF: Para o promitente comprador exigir a adjudicação compulsória do vendedor. requerer ao juiz a adjudicação do imóvel”. Aonde está escrito que ele tem que ser titular de um direito real para exigir a adjudicação compulsória do vendedor está errado. nota dez.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 121 Eu quero uma nota de zero a dez para o artigo 1417: ”Mediante promessa de compra e venda. Então. Para exigir do vendedor você não precisa ter registro nenhum. mesmo que ele não seja titular de direito real nenhum. pois o projeto é da década de 70. Pergunta de aluno: inaudível. Nós devemos dizer que o Código civil é que foi redigido de uma forma retrógrada. pode exigir do promitente vendedor. E se há cláusula de arrependimento eu não posso exigir a aquisição de quem quer que se arrependa. e se houver recusa. ou de terceiros. Isso é um retrocesso. Está dizendo o que o direito real a aquisição só surge se não houver cláusula de arrependimento. ou do terceiro. pois se nós interpretarmos literalmente o art. a quem os direitos deste forem cedidos a outorga da escritura definitiva de compra e venda. nesse caso se exige. adquire o promitente comprador direito real à aquisição do imóvel”. . “e se houver recusa requerer ao juiz a adjudicação”. Esse artigo está dizendo que o promitente comprador quando registra pode exigir do Nelson.

aquilo é justo título. Aliás. A única coisa que falta é por sentença você constituir a propriedade. o que acontece com essa promessa de compra e venda? Cai para 5 anos o prazo da usucapião. que é o vendedor. E se o domínio já é dele. é justo título para fins de usucapião. ele pode ajuizar usucapião? Pode. O registro não tem relação com isso. Então. . quando quitada. essa é a posição da doutrina mais moderna que diz que apesar do atraso. vai diretamente no Cartório. você pagou tudo e não registrou. Se ele ficou lá 10 anos pagando. pois esta ainda está no nome do promitente devedor. está morando no imóvel e não registrou. Só que o Nelson. mas ele tinha a ação publiciana. ele já adquiriu a usucapião. aquela promessa de compra e venda quitada é título para usucapir. Eu tirei isso da lição que vocês tiveram na aula de usucapião. por que o NCC manteve exatamente a velha noção da necessidade da outorga de escritura definitiva quando simplesmente bastava o Código civil ter dito que se acabou de pagar. você não tem a outorga de escritura . Se acabou de pagar e não tem cláusula de arrependimento. A promessa de compra e venda é uma interessante via de usucapião. ao invés de ajuizar a outorga de escritura. Se ele chegou a registrar esse justo título. A última pergunta é agora: Washington terminou de pagar. sabe por quê? Porque a promessa de compra e venda mesmo sem ser registrada. A única finalidade do registro é dar proteção contra terceiros em caso de venda. Se você pagou tudo. não tem a adjudicação compulsória. 1418 todos os particulares devem ser incitados a provocar o Judiciário. sumiu e você não consegue me achar. vocês já possuem o domínio.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 122 Se não há cláusula de arrependimento. Quando vocês terminam de pagar. do anacronismo do art. O possuidor que já completou o prazo de usucapião mas ainda não registrou tem reivindicatória? Não. basta pegar o recibo de quitação e levar para o registro imobiliário. Quem tem essa posição é o maior autor do Brasil de promessa de compra e venda que é o José Osório de Azevedo. Quem invade o seu terreno? Zé Rainha. O promitente comprador tem ação reivindicatória? Lembrem da aula de ontem que eu falei na usucapião do possuidor que já completou o prazo de usucapião mas ainda não é dono. A última pergunta da aula de hoje é a seguinte: Washington.

Daqui a duas semanas falaremos sobre posse. Não posso começar uma aula de posse sem fazer uma homenagem às duas pessoas que mostraram o caminho das pedras que são Savigny e Ihering. se ele pagou a última prestação. Qual será o interesse desse proprietário de ajuizar uma ação reivindicatória contra o Zé Rainha se ele já recebeu todo dinheiro e não está morando mais lá. vocês estão vendo que o promitente comprador tem a faculdade de reivindicar mesmo ele não sendo proprietário. 21. Pergunta de aluna: inaudível.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 123 Mas a jurisprudência concede a reivindicatória ao promitente comprador que já integralizou as prestações. Rio. Porém. Um grande abraço para vocês.2007 Nosso assunto é posse. O que você não terá é o direito real a aquisição se houver a inserção de uma cláusula de arrependimento. houve a decadência do direito potestativo e ele vai conseguir. A única coisa que o proprietário tem quando você já acabou de pagar é simplesmente o nome no registro. é por isso que ele tem a reivindicatória por extensão nessa altura do campeonato. Enunciado 253 do CJF: O promitente comprador titular de direito real tem a faculdade de reivindicar de terceiro o imóvel prometido a venda. Resposta do prof. Isso é jurisprudência tranqüila do STJ. Então.11. Então. Enunciado 87 do CJF: Considera-se também justo título para fins de usucapião a promessa de compra e venda devidamente quitada. como é que você faz? Entra com uma reintegração de posse? Mas essa não é tão efetiva quanto à demonstração de cara de que você é o proprietário. . mas eu conserto. Já Washington se não tiver uma reivindicatória.: Eu falei errado. Por quê? Porque lê já tem o domínio. Você não terá o direito real a aquisição se houver essa cláusula de arrependimento porque você não pode forçar a ??? a uma pessoa que não teve vontade de transmitir.

pois inquilino não tem animus domini. que é a intenção do possuidor de ser o dono da coisa. O inquilino pode ajuizar ação possessória contra Zé Rainha na teoria de Savigny? Não. As ações possessórias seriam privativas de quem tem corpus mais animus. Corpus era o poder físico sobre a coisa. eles não eram possuidores. O cara tinha 23 anos de idade quando ele disse que posse era igual a corpus mais animus. Por isso a teoria dele até hoje é conhecida como teoria subjetiva da posse. Então. que tinha atuação física sobre a coisa. segundo Savigny. se eles não tinham animus domini. Inquilino tem corpus. Na concepção de vocês a teoria de Savigny é objetiva ou subjetiva? É uma teoria subjetivista. Então. é aquele que exterioriza a propriedade. Para Ihering o possuidor é quem dá destinação econômica à coisa. o possuidor é aquele que dá visibilidade ao domínio. Vem o Zé Rainha e quer invadir esse apartamento. mas não tinha animus. se por acaso eu te alugo o meu apartamento. . a noção de corpus do Ihering é muito mais ampla do que a noção de corpus do Savigny. Essa intenção de dono era o animus. possuidor era a pessoa que tinha contato material com o bem. você é meu inquilino. Beto. Ihering fez a teoria dele no final do século XIX e dizia que posse era igual a corpus. O segundo elemento fundamental para a posse segundo Savigny era o animus. usufrutuário. A diferença entre posse e propriedade é que a posse é o poder de fato sobre a coisa e propriedade é o poder de direito sobre a coisa. Savigny dizia que para o cara ser possuidor ele tinha que ter corpus mais animus. não tinham vontade de serem proprietários. Sendo a posse o poder de fato sobre a coisa. mas inquilino não tem animus. Como vocês estão vendo. ao elemento intencional da vontade de ser dono. Como Savigny chamava essa galera que tinha corpus. Detentor só tem corpus e não pode exercer ações possessórias. Na teoria do Savigny inquilino. comodatário. segundo Ihering. possuidor tinha corpus e animus. pois ele dá muito valor ao elemento psicológico do animus. a vontade do possuidor de ser o proprietário. Savigny dizia que o detentor era aquela pessoa que tinha corpus. mas não tinha animus? Detentor.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 124 Savigny era um gênio. todos esses possuidores eram pessoas que não tinham animus domini. Então.

mas não tem ninguém lá. A rasteira decisiva de Ihering em Savigny foi com relação ao animus. A noção do Ihering é que o possuidor é justamente aquela pessoa que é o aparente proprietário. pois não havia como entrar na cabeça do possuidor para descobrir se ele tinha ou não a intenção de ser dono. Alguém está concedendo destinação econômica à coisa. Na teoria do Ihering se eu alugo um apartamento para você e Zé Rainha resolve invadir esse apartamento alugado. Alguém está exteriorizando a propriedade. o cara se conduza como dono. Sabe o que vocês pensam? Deve ter alguém aí. Ele dizia isso. é aquele que se conduz como o proprietário se conduziria. deve ter algum dono. comodatários e usufrutuários se convertem em possuidores.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 125 Imagina que vocês chegaram em uma fazenda enorme no interior do Rio de Janeiro. Visto que todos eles têm corpus. Por isso. pois se os detentores na teoria de Savigny se tornam possuidores na de Ihering. É por isso que a teoria de Ihering é chamada de teoria objetiva da posse. amplia-se a proteção possessória. O locatário tem ação possessória contra o Zé Rainha? Tem. O fato deles não terem animus não é considerado na teoria de Ihering. visto que estava perdido. Ihering disse que para o cara ser possuidor tanto faz como tanto fez se ele tem o animus. dão visibilidade ao domínio. . Para Ihering o animus é secundário. É aquela pessoa que se comporta como normalmente o proprietário se comportaria perante a coisa. Vocês começam a caminhar pela fazenda e acham um maço de cigarros perdido no chão e o pega para vocês. mesmo que não esteja lá. a teoria de Ihering sob o ponto de vista econômico é superior à de Savigny. O elemento psicológico é desprezível. aqueles que eram detentores. Na teoria do Ihering. Se vocês não encontraram ninguém naquela hora exercendo poder físico sobre a coisa. todos eles dão destinação econômica à coisa. Ihering despreza o elemento subjetivo da posse. como locatários. Para ele o importante é que querendo ou não ser dono. que dê destinação à coisa como o proprietário daria. exteriorizam a propriedade. Vocês continuam caminhando e encontram materiais de construção. justamente por desprezar o elemento subjetivo de animus. alguém está dando visibilidade ao domínio.

de alguns dos poderes inerentes à propriedade”. Se tem animus. É a lei objetivamente que diz quem é possuidor e quem é detentor. O código começa o estudo do direito das coisas pela posse ou pela propriedade? Pela posse. Esse é o conceito de posse. Nós começamos nossos estudos pela propriedade porque propriedade é mais fácil do que posse. Ihering disse que é possuidor quem exerce de fato poderes de proprietário. CC: “Considera-se possuidor toda aquele que tem de fato o exercício. pleno ou não. O código em algum momento homenageou a teoria do Savigny? Sim. CC. É o ordenamento que separa posse da detenção e não questões psicológicas. 1196. Se não tem animus. É uma diferença objetiva. Tem que ter posse mais animus domini. é detentor. Para o Savigny a distinção entre detentor e possuidor é uma distinção feita sob o aspecto subjetivo. O CC/2002 adotou qual dessas teorias? Adotou a teoria de Ihering. é possuidor. Art. Está objetivamente na lei. Mas fora a usucapião. é quem age como se proprietário fosse. . residualmente na usucapião. Só que para o Ihering a diferença entre detenção e posse não é uma diferença subjetiva. é quem dá destinação econômica à coisa que o dono normalmente concederia. Temos vários temas para estudar nessa aula de posse e o primeiro deles é o desdobramento da posse. Qual é a grande distinção entre a teoria subjetiva de Savigny e a teoria objetiva de Ihering? A grande distinção é na distinção quanto a quem são os detentores. subjetivas. Para Ihering a diferença entre a detenção e a posse não está no aspecto psicológico da pessoa. Já para o Ihering existem detentores também. 1196.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 126 Muitas pessoas que até então não tinham tutela possessória passam a tê-la em virtude da teoria de Ihering ser uma teoria mais abrangente. nós não trabalhamos com Savigny. Nós trabalhamos com a teoria possessória de Ihering. Visto que para usucapir não basta ter a posse de Ihering. Art.

Se Washington não tivesse dado o bem em usufruto para Flávia. quais são as propriedades que Washington tem perante a coisa? Usar. comodatária. surgiu o fenômeno do desdobramento da posse.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 127 Washington. você tem a titularidade. Flávia pede a Washington para que ela seja usufrutuária da sua fazenda e ele aceita. Como se chama a posse quando é o próprio proprietário que a exerce? Posse. Quando o proprietário tem todos esses poderes reunidos com ele. Exemplo de relação jurídica de direito real onde ela teria posse direta: usufruto. o que acontece com esses poderes de usar e fruir que estão com a Flávia? Voltam para Washington que volta a ter a propriedade plena da coisa. se ele é proprietário. A posse direta sempre tem duas características: toda posse direta é temporária. Nesse instante a Flávia adquire a posse direta da fazenda. direito de uso. dispor e reivindicar. ele é proprietário e possuidor. O proprietário Washington através de uma relação jurídica de direito obrigacional ou de direito real outorga à Flávia a posse direta da coisa. o bem está registrado no seu nome. direito de habitação. Quando acaba a relação jurídica. possuirá propriedade plena ou alodial. Um cara que mora no imóvel só pode ser chamado de possuidor direto quando ele está ali em virtude de uma relação jurídica que ele realizou com o proprietário. Como proprietário. E o Washington que deu o bem em usufruto continua com a posse indireta do bem. O desdobramento da posse sempre é emanado de uma relação jurídica do proprietário com um terceiro que se investe na posse direta da coisa. ele próprio estaria morando na coisa e teria a posse da coisa. Se você é proprietário. Exemplo de relação jurídica de direito obrigacional onde Flávia tem posse direta: locatária. fruir. direito de superfície. arrendatária. Com isso. vamos supor que você é proprietário de um sítio. Washington não perde a posse indireta. Ou seja. Mas nesse tempo em que Flávia é usufrutuária. . Washington transfere para Flávia as faculdades de usar e fruir. Gente.

pois quem tem direito real de uso Não pode fruir.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 128 A segunda característica da posse direta é que ela sempre é derivada. somente seria possuidor quem morasse na coisa. Não derivada da pessoa do possuidor. Como Washington tem posse se ele não mora no imóvel. a Flávia teria mais ou menos poderes do que com o usufruto? Menos poderes. O conteúdo dos poderes do possuidor direto. Quem está dando destinação econômica para a coisa? Os dois. O possuidor direto porque está morando lá e o Washington através da pessoa do possuidor direto. Quem estabelece a extensão dos poderes do possuidor direto é o possuidor indireto através do contrato. através de uma relação jurídica colocou um terceiro na coisa para dar visibilidade ao domínio. pois possuidor não é quem mora. E. Nós podemos dar destinação econômica à coisa pessoalmente ou através de outra pessoa. no caso. pois para ter a posse seria necessário ter o corpus mais o animus. ela se tornou usufrutuária. até aonde o possuidor direto terá poderes é derivado da posse indireta. Se nós tivéssemos adotado a teoria do Savigny. nunca poderia haver desdobramento da posse na teoria de Savigny. . É por isso que a posse direta é sempre uma posse derivada da posse indireta. teria a posse o possuidor direto ou o possuidor indireto? Nenhum deles. O desdobramento da posse só é possível na teoria do Ihering. mas derivada da relação jurídica que lhe deu origem. É por isso que a posse indireta é conhecida como posse mediata. Então. só pode usar. se ele o deu em usufruto para Flávia? Isso ocorre pois nós adotamos a teoria de Ihering. ou seja. mas quem dá destinação econômica para a coisa. Se fosse um direito real de uso. É o proprietário no contrato que vai dizer até aonde será maior ou menor a extensão da posse direta. Quando Washington entregou para Flávia os poderes de usar e fruir. visto que o possuidor indireto está possuindo através da pessoa do possuidor direto. a Flávia tem o corpus e o Washington tem o animus. Na teoria do Savigny.

Rafaela tem ação possessória contra o proprietário para evitar que ele a tire de lá? Claro que tem. pois são duas ações possessórias autônomas. Aproveitem o mesmo exemplo. Por isso é que são posses paralelas. Essas posses são chamadas de posses paralelas porque são duas posses que correm ao mesmo tempo paralelamente sem que uma inviabilize a outra. ele está possuindo em espírito. Ihering falava que aqui havia a chamada espiritualização da posse. Se fosse locação. mesmo que eventualmente esse agressor seja o proprietário. . Um está fruindo em pessoa e o outro está recebendo frutos civis. Um não tem nada a ver com a vida do outro. ou seja. pois Washington que é o proprietário não está possuindo em corpo. Nesse imóvel em que você é comodatária você tem posse direta. Por isso é que se chama espiritualização da posse ou posse mediata ou posses paralelas. Precisa de litisconsórcio ativo entre os dois na ação possessória? Não. iria te retirar a força. Quem tem ação possessória contra o Zé Rainha? O proprietário ou o usufrutuário? Os dois. Os dois estão fruindo. o inquilino é possuidor? É. a Flávia é a pessoa que está na coisa.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 129 Quando há o usufruto é interessante porque justamente há esse desdobramento. basta pensar o seguinte: Rafaela. que são frutos civis. Cada um tem proteção possessória completamente diferente da do outro. paralelos. O possuidor direto tem ação possessória contra o indireto? Tem. O possuidor direto e o indireto possuem ao mesmo tempo sem que a posse de um obstrua a do outro. O possuidor indireto também tem ação possessória contra o possuidor direto. Zé Rainha invade esse imóvel em que você é usufrutuária. eu te dou esse imóvel em comodato por 5 anos. ele está morando lá. contra qualquer agressor. mas Washington está possuindo através dela. Mas o inquilino paga todo mês aluguel para o proprietário. O possuidor direto tem ação possessória contra o possuidor indireto porque na constância da relação jurídica o possuidor direto tem proteção possessória contra erga omnes. Flávia. Cada um tem uma ação autônoma contra o Zé Rainha porque são dois possuidores distintos. Um está fruindo a coisa in natura e o outro está fruindo as rendas obtidas da exploração da coisa. Vamos supor que após três anos de contrato eu chegue e fale para você sair do imóvel e se você não saísse.

Nessa tripartição quem tem a posse direta é o sublocatário e a posse indireta pertence à locatária e ao proprietário. quem está no elo final da cadeia. Quando completou 5 anos de contrato eu peço o imóvel de volta e Rafaela se nega de sair do imóvel. São dois possuidores indiretos e um possuidor direto. pode. teremos três possuidores: o proprietário. Rafaela pode sublocar esse imóvel? Se não tiver vedação contratual. eu gosto de desdobramento. a posse da Rafaela que era uma posse justa se tornou uma posse injusta por precariedade. ou real. não anula a indireta. ou seja. Então. O desdobramento da posse se verticaliza. Eu não gosto de bipartição. Nesse caso. . Quem leu entende que a posse direta é temporária. ele pode descer em vários graus e não apenas entre duas pessoas. 1197. pois a posse direta é sempre de uma pessoa. é derivada da indireta e que o possuidor direto tem ação possessória contra o indireto. o que se desdobra é a posse indireta. Olha o que diz o enunciado 76 do CJF: o possuidor indireto tem direito de defender sua posse contra o indireto e este contra aquele. Apesar do desdobramento da posse ter de dado entre três pessoas nesse exemplo. a posse seria bipartida na figura dos possuidores direto e indireto. podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto”. Rafaela. Faltou dizer que o possuidor indireto também tem ação possessória contra o indireto.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 130 Rafaela. Só faltou colocar ao final do artigo “e vice-versa”. você é inquilina e possuidora direta e eu sou proprietário e possuidor indireto. Nessa hora o proprietário tem ação possessória contra o comodatário? Sim. Tem aluno que chega na prova e fala que isso é bipartição da posse. porque como terminou a relação jurídica a obrigação do possuidor direto é restituir a posse para o possuidor indireto. quem está morando na coisa. CC: “A posse direta. temporariamente. em virtude de direito pessoal. Como isso não ocorreu. se eu te alugo um apartamento. Art. de pessoa que tem a coisa em seu poder. o locatário e o sublocatário. o que se desdobra é a posse direta ou a indireta? É a indireta. de quem aquela foi havida. qual seja. você é comodatária por 5 anos.

Eu tenho um apartamento e alugo quartos para estudantes. Alguém nessa sala é capaz de dizer aonde está situada a posse de cada um dos herdeiros? Impossível. Que posse eles têm do banheiro? Composse direta. . pois na composse cada um dos compossuidores vai possuir 1/3 do todo. A composse é uma posse pro indiviso. havendo individualização de posse termina a composse porque a posse se tornou pro diviso. É uma posse comum. A composse cessou porque agora eu tenho três posses independentes. Que posse Rafaela tem do quarto dela e que posse Washington tem do dele? Ambos têm posse direta. Havendo posse pro indiviso eu tenho composse. O quarto 1 eu aluguei para a Rafaela e o quarto 2 para o Washington. Cada um deles pode usar cada uma das partes pelo simples fato de ter 1/3 da propriedade. sobre uma coisa em estado de indivisão. a posse que era pro indiviso virou uma posse pro diviso. Havendo divisão fática.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 131 Se vocês compreenderam bem desdobramento da posse. Cada um tem uma fração ideal. pois na medida em que eles estabelecem as suas áreas fáticas de atuação. eu pergunto para vocês: vamos supor que um cara morre e ele deixou uma fazenda de herança e três herdeiros. uma quota abstrata de 1/3 do todo. que é a mesma coisa que posses paralelas. simultaneamente. Só tem um banheiro nessa casa. pois um não pode excluir o outro da atuação. Composse é uma posse exercida por mais de uma pessoa. Terminou a composse? Terminou. A fração de cada um não se localiza materialmente dentro da propriedade. A posse ou comunhão pro indiviso é sempre essa situação em que há no aspecto prático uma posse comum que é exercida por várias pessoas ao mesmo tempo. Que posse os três herdeiros têm sobre essa fazenda que eles acabaram de herdar? É uma composse. Por isso que um não pode excluir o outro do todo. Vamos supor que o inventário está em andamento e os três herdeiros resolvem dividir a área de cada um dentro do terreno. cada um só pode utilizar sua área específica. localização material de posse.

Mas não necessariamente existe condomínio onde existe composse. Já a composse são duas posses que se dão no mesmo grau sobre a mesma coisa. pois ao mesmo tempo eles têm co-propriedade e composse. Terminou o inventário e saiu o formal de partilha. Se Zé Rainha e Deolinda invadiram o seu terreno eles têm condomínio? Não. poderá cada uma exercer sobre ela atos possessórios. Mas as áreas comuns do prédio são condomínio e composse. CC: “Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 132 Art. Várias pessoas terão acesso à posse da mesma coisa. nós dois temos composse direta. Na composse nunca existirá atuação exclusiva. Muitas vezes a composse anda junto com o condomínio. A composse não é excludente do desdobramento da posse. Detenção é uma posse desqualificada pelo ordenamento jurídico. vocês têm propriedade individual sobre o apartamento de vocês. pois o dinheiro do aluguel pertence aos dois. Cada um passa a ter propriedade autônoma. contanto que não excluam os dos outros compossuidores”. Por isso que a teoria de Ihering foi adotada pelo código civil. O . Eles têm composse. mas no país onde ele nasceu havia um artigo do código civil que dizia que ele nunca poderia ser possuidor. Perguntaram no penúltimo concurso em Goiás qual seria a diferença entre posses paralelas e composse. Iherihg dizia que o detentor era um miserável. pois tinha tudo para ser possuidor. Se esse apartamento é meu e da Flávia. Quando sai o formal de partilha fica definida a área de cada um. 1199. Se vocês moram em um prédio de apartamentos. No meio do inventário eles resolvem dividir a sua área de atuação. Posses paralelas são duas posses autônomas sobre a mesma coisa. Os herdeiros no momento da abertura do inventário têm composse e condomínio. mas que se dá em níveis distintos. O que cessou: o condomínio ou a composse? Só a composse. Efetivamente existem 4 situações em que o cara tinha tudo para ser possuidor. O que acabou? O condomínio. Vamos falar sobre detenção. um não interfere no outro. O condomínio continua. mas não têm condomínio. Mas eles têm composse? Sim. pois eles não são donos de nada.

Ele é um longa manus do verdadeiro possuidor. Ele é um mero subordinado. Ele exerce atos de posse em nome alheio. . O servidor da posse não pode ajuizar a possessória. Ele não exerce o elemento econômico. Flávio. conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas”. mas em nome de outrem. O fâmulo da posse é uma pessoa que apenas pratica atos materiais de conservação da coisa. é um cumpridor de ordens. ele não é possuidor. O juiz só admite a possessória quando você prova na inicial que você é o possuidor.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 133 nosso código civil entende que as hipóteses de detenção são hipóteses normativas. 1198. O primeiro caso vocês já estudaram comigo. que é o caso do servidor da posse. Art. CC: “Considera-se detentor aquele que. Art. basta perguntar se ele está na coisa com autonomia ou se ele está cumprindo ordens. 1198. desde que com moderação. razoabilidade. Para ajuizar ação possessória tem que ser possuidor. O Flávio tem ação possessória contra Zé Rainha? Não. se você é caseiro da minha fazenda e está nela há 28 anos como caseiro tomando conta. Em uma questão de prova para você saber se o cara é detentor ou possuidor. você usucapiu? Não. achando-se em relação de dependência para com outro. ele pode utilizar o desforço imediato. mas ele pode se utilizar da autotutela. ele apenas é um subordinado. Zé Rainha invade essa fazenda que Flávio é o caseiro. Detentor não tem legitimidade ativa para ajuizar ação possessória. Para ser servidor da posse tem que ter contrato de trabalho assinado? Sem ganhar salário? Não. O servidor da posse não é possuidor porque ele não dá destinação econômica à coisa. Se ele está em uma situação de subordinação a alguém. mas sim detentor da posse. CC. pois você teve 28 anos de detenção e não de posse. O fâmulo da posse é aquela pessoa que não exerce atos de posse em nome próprio. Esse artigo fala que o sujeito não é possuidor por uma opção legislativa.

INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 134 Se eu paro de pagar o salário do Flávio. Durante esses dois meses ele será possuidor ou detentor? Ele é detentor. 1204 para o detentor do art. CC: “Aquele que começou a comportar-se de modo como prescreve este artigo. em nome próprio. A permissão pode ser verbal. 1204. A idéia da permissão é justamente uma situação do exercício de um direito potestativo. Esse é um ótimo exemplo de permissão ou tolerância. vocês têm detenção ou . 1198. em relação ao bem e à outra pessoa. até que prove o contrário”. presume-se detentor. Olha o que diz o enunciado 301 do CJF: É possível a conversão da detenção em posse. Como diferenciar na prova uma permissão de um comodato verbal? Se vocês estão no imóvel como comodatários. Na hora que a situação concreta revela que você tem autonomia e já não mais é cumpridor de ordem. paro de ir na minha fazenda e o Flávio vai ficando por lá sem que eu pague salário. Ele pode deixar de ser detentor e passar a ser possuidor? Tranqüilamente. § único. Eu empresto meu apartamento para o Santino ficar lá por dois meses. O Flávio só é detentor enquanto é cumpridor de ordem. Permissão é uma autorização expressa para o uso da coisa. Olha o art. mas sim posse incube àquele que era detentor e quer se mostrar possuidor. O possuidor é quem exerce posse em nome próprio. O direito potestativo se dá quando você unilateralmente pode alterar a situação jurídica do outro sem que este outro possa a isso se opor. 1198. O permissionário é o cara que fica na coisa em caráter transitório e revogável a qualquer tempo. deixou de ser detentor e passou a ser possuidor. Essa é a diferença do possuidor do art. A prova de que não há mais detenção. Vamos ver os outros tipos de detentores. desde que rompida a subordinação na hipótese de exercício em nome próprio do atos possessórios. de qualquer dos poderes inerentes à propriedade”. Basta que na situação concreta se deduza que houve a autorização expressa para o uso transitório da coisa. Art. CC: “Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício.

pois não são 5 anos de posse. primeiro se permite e depois começa-se a fazer uso. Se ele fica 5 anos com o carro todo dia na minha vaga. Só lá na frente que se considera que houve uma tolerância. eu moro no 101 e você no 102. Já a tolerância só se dá a posteriori. Qual é a diferença de uma permissão para uma tolerância? Tolerância é a autorização tácita para o uso de um bem. Se ele sabia que estava sendo vigiado. vamos supor que eu sou seu vizinho. A pessoa que faz uso da coisa na tolerância sabe muito bem que a qualquer hora a situação dela pode ser rompida. vai deixando estacionar o carro na sua vaga. Foram 5 anos que eu tolerei porque foram 5 anos de consentimento tácito para o uso da coisa. Há uma outra diferença: sempre quando há uma permissão. A prova para saber se é um comodato verbal ou uma permissão incumbe a quem está fazendo uso da coisa. é tolerância. E como Nelson não tem carro. Eu tenho um terreno no Recreio e o abandonei. pois comodato é a relação jurídica entre o proprietário e o comodatário. fiscalizado. Mas Leandro tem um carro e pergunta a Nelson se pode utilizar sua vaga de garagem. Ele não pediu autorização. Isso é permissão. são 5 anos de detenção ou tolerância. foram 5 anos em que eu fui condescendente. Só que eu tenho vaga de garagem e você não tem. Leandro. ele vai usucapir a minha vaga de garagem? Não.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 135 posse direta? Posse direta. Mas vamos supor que ele coloque o carro na vaga do Nelson sem pedir. Como distinguir tolerância de posse? Você tem que entrar na cabeça do usuário e perguntar se ele sabia que estava na esfera de vigilância alheia. Washington permaneceu nele por 20 anos e ajuizou usucapião. É muito melhor ser possuidor direto do que ser detentor. Eu alego em defesa que Washington não tem direto a usucapir porque durante esse tempo ele não teve posse eu tolerei que lá ele . Ele teria que trazer testemunha demonstrando de que apesar de ter sido tudo verbal confirmando tudo o que ocorreu. A permissão é sempre prévia. mas ele sabe que a situação dele é transitória e que a qualquer hora ele pode ser retirado.

Terceira situação em que nós não temos posse. abandona o que é seu. Leandro. senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade”. Então. o seu não exercício faz nascer no outro. você não tem posse.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 136 permanecesse. Se tolerou por 5 ou 10 anos. Mas quando o proprietário é inerte. Zé Rainha invade esse terreno e te põe pra fora. Se você não exerce o seu direito por um determinado tempo. Exercício de violência ou clandestinidade. Tolerância em prazos longos hoje em dia já indica justamente a questão da supressio que é abuso do direito. Esse argumento cola? Não. e eu também coloco isso no meu livro de direitos reais. você é possuidor de um terreno. 1208. ou seja. Se não induz posse. Art. Vocês jamais podem confundir o proprietário que tolera com o proprietário que é inerte. Então. dizem que a tolerância vai ter que sumir do mapa em razão da supressio com o abuso de direito. fazendo com que ele se tornasse possuidor da coisa. Quando o proprietário tolera que alguém use o que é seu esse proprietário está fiscalizando. O STJ tem precedente de supressio em matéria de questões possessórias para que vocês saibam que toda tolerância tem que ser por prazos curtos. CC: “Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos. na verdade. ou clandestinos. houve. Porque nos tempos atuais é muito difícil você acreditar em uma história de um proprietário que tolerou que alguém ficasse no que é seu por 5 ou 10 anos. uma legítima expectativa de confiança de que você abandonou a coisa. esses atos induzem detenção. Tem apenas detenção. Não tolerou nada. . mas sim detenção. O que imediatamente você pode fazer contra o Zé Rainha antes de ajuizar a ação possessória? Pode exercer a autotutela. É justamente com base nesses raciocínios que cada vez mais alguns autores. que é o possuidor. essa é a diferença entre a tolerância e a inércia. quem entra lá já é um possuidor que poderá usucapir se tiver todos os requisitos do Código civil. supressio que é a supressão do seu direito subjetivo pelo não exercício por um tempo determinado.

Ele não tem posse desse canto da rua porque a rua é bem público. Leandro. Se o Zé Rainha fosse possuidor pelo simples fato de estar na coisa. Ele virou possuidor porque ele parou de exercer a violência. pediu para o Carlos. o ordenamento jurídico seria obrigado a agir para defender um agressor. CC trata da inalienabilidade. 1208. Ele tem detenção. É por isso que enquanto ele está usando a violência. mas sim detenção. Ele está errado. aqui do Praetorium. ela não adquiriu posse. visto que esses bens são afetados à coletividade ou afetados ao exercício de atividades públicas. O direito não poderia permitir que uma pessoa que use a força seja privilegiada pelo ordenamento jurídico. Ele. Ele disse para os policiais que ele tinha posse do cantinho da rua onde ele estava dormindo. Mas vocês vão aprender daqui a pouco que ele passa a ter uma posse injusta. são bens que estão fora do comércio. Mas já deixou de ser detentor. Vamos ao exemplo. O art. Não existe posse desses bens porque os bens de uso comum do povo e os de uso especial são bens inalienáveis. 100. O Flávio estava me contando que ele não tem onde morar e fica perambulando pela rua.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 137 Quantos dias você tentou voltar a esse imóvel usando a autotutela? 10 dias. ninguém pode possuí-los. Enquanto a pessoa exercita a violência. Por isso. no 11º dia você foi embora. . ou seja. pois ele está fazendo exercício da violência. Hoje chegaram uns policiais e mandaram ele sair de onde estava dormindo. Ou seja. Nesse dia Zé Rainha virou possuidor? Virou. Por 10 dias Leandro não aceitou a invasão e ficou tentando voltar. então. Ele é mero detentor. um esbulhador. CC. Nesses 10 dias em que o Zé Rainha está no imóvel tomando conta de tudo ele tem posse? Não. Quarta e última situação em que nós podemos falar que não existe posse. o que ele poderia fazer quando o Leandro começasse a reagir? Ele poderia ajuizar uma ação possessória contra o Leandro. ele só é detentor. da posição desses bens públicos como bens imunes a qualquer posse de terceiros. Não existe posse de bem público de uso comum do povo e de bem público de uso especial. para morar em uma caixa de papelão na esquina. Essa é a segunda parte do art. já cessou o exercício da violência.

100 do CC. Washington. vai ter direito aos frutos. não como detentor. pois o bem público patrimonial é coisa fora do comércio? Não. . justamente porque é mero detentor. Em razão do contrato de arrendamento ele pode se tornar um concessionário de um bem público. qual foi a vantagem dele ter tido posse se ele não consegue usucapião? Vocês vão aprender a partir de amanhã que a vantagem de ser possuidor ou de ser detentor não é a possibilidade de conseguir a usucapião. mas através de uma relação contratual. é claro que o que existe é detenção.. O possuidor vai ter direito às benfeitorias que ele fez na coisa. Não tem posse de bem público de uso comum do povo e de uso especial à luz do art. Depois de 5 anos. você está ocupando um terreno que estava vago há 5 anos. Hoje se eu pudesse falar para vocês qual é a natureza jurídica da posse. O Teatro municipal do Rio de Janeiro é bem público de uso especial. Ele tem posse direta porque ele se relaciona com o estado. Então. mas não é bem público de uso especial ou de uso comum. Como é posse se é bem público? É bem público. pois não cabe usucapião de qualquer bem público. Como concessionário de um bem público ele é possuidor. ele consegue usucapir? Não. Isso é importante porque se a pessoa está morando na rua a polícia pode usar de meios moderados para retirar essa pessoa de lá. É bem que está dentro do tráfego jurídico. chega uma pessoa e fala que esse terreno pertence ao município do Rio de Janeiro. É bem público dominical ou patrimonial. Isso é posse ou é detenção? Isso é posse.. Se ele fosse possuidor daquele canto da rua. Eu queria fazer um resumo do que a gente já viu até agora. É a vantagem de ser possuidor. O município pode arrendar a lanchonete do Washington? Pode. só poderia ser retirado de lá com ação possessória. Quando o particular está em bem público patrimonial detém posse.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 138 Então. Não obstante ele ter posse desse bem. ele só pode ser posto para fora por ação possessória. É muito melhor ser possuidor do que ser detentor.

ele é o possuidor que não tem qualquer vinculação com a pessoa do proprietário. Ela não passa de uma visualização da propriedade. É o contrário da chamada posse civil. Essa posse não passa exatamente de um direito real. Então. Isso quer dizer que o proprietário é a mesma pessoa que o possuidor. Sabe como eu chamo essa posse dele? Posse natural. Vamos ver a segunda dimensão. Ele é o proprietário? Não. O que é posse natural? A posse natural é uma posse desvinculada de qualquer relação jurídica com o proprietário. que ocorre quando ele é proprietário e possuidor. Essa posse direta é sempre uma relação jurídica entre o proprietário e o não proprietário. . No desdobramento da posse acontece um fenômeno interessante que o proprietário transfere parcela do domínio para outra pessoa. pois ela emana da propriedade. surge a posse quando eu sou proprietário ou surge a posse quando o proprietário através de uma relação jurídica coloca terceiro em posição de exercer poderes dominiais. Ele tem relação jurídica alguma com o proprietário? Não tem. Então. você é proprietário de um apartamento e está morando nele. Ela é uma derivação da propriedade. A posse civil é obtida através de uma relação jurídica. Washington. Quando é que o proprietário coloca uma outra pessoa na posição do possuidor? Quando acontece o desdobramento da posse. vamos supor que você encontre um terreno abandonado e começa a morar nesse terreno abandonado. Quando o proprietário se confunde com a pessoa do possuidor? Quando há propriedade plena. A primeira é a seguinte: PR = PO. Você é possuidor? É.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 139 É um absurdo falar da natureza da posse como uma coisa só. Com relação à natureza da posse eu tenho 3 dimensões. A terceira dimensão é a seguinte situação: Leandro. Qual é a natureza jurídica dessa posse? Eu posso dizer que ela é um direito real? É. E aí esse terceiro passa a se chamar possuidor direto e o proprietário passa a se chamar possuidor indireto.

Então. O proprietário que não está morando no imóvel tem posse indireta? Não tem. pois ele entende que o detentor jamais poderia estar no pólo passivo de uma ação reivindicatória. 1228 está dizendo que o detentor é parte legítima para ser réu nessa demanda reivindicatória. é permissionário ou por tolerância. Sempre verifiquem se o cara é empregado de alguém. Esse proprietário que não é possuidor ajuíza uma ação reivindicatória. Alguns autores como Alexandre Câmara dizem que ele é inconstitucional. Mas vamos supor que no ajuizamento da ação reivindicatória eu não ajuizei contra o Washington. Mas se não tiver nessas hipóteses. então ele é detentor. Art. No primeiro caso ele é possuidor porque tem direito real de propriedade. O detentor é sempre alguém que por exclusão está fora desses casos. Se eu sou proprietário de um apartamento e Washington está lá possuindo. CC: “O proprietário tem a faculdade de usar. a posse natural é um ato-fato. objeto lícito e ato prescrito em lei. Ela não se trata de um negócio jurídico onde se exige agente capaz. Ele apenas tem posse ou posse natural. Ato-fato é qualquer conduta humana que produz efeitos jurídicos independente do elemento volitivo. e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha”. A constitucionalidade da palavra detentor neste artigo é objeto de discussão. Se o sujeito que vocês estão analisando não está nem no caso 1 ou no caso 2 ou no caso 3. o Alexandre Câmara teria . gozar e dispor da coisa. pois ele não tem relação jurídica com ninguém. Ela não é um negócio jurídico realizado com ninguém. se ele está ali em situação de caráter transitório. você já começa a pensar de que forma podemos conciliá-lo a uma hipótese de possuidor. Ele será chamado de proprietário sem posse.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 140 A posse natural é independente de qualquer relação jurídica com o proprietário. eu ajuizei contra Zezinho que é caseiro dele. O art. Eu confundi. Se fosse isso. no segundo caso ele é possuidor porque tem relação jurídica com o proprietário e no terceiro caso ele tem posse porque a posse natural é um ato-fato. 1228 está dizendo que a partir de agora o detentor tem legitimação passiva nas ações reivindicatórias. O art. 1228. O possuidor natural tem posse direta? Não.

Se eu sou proprietário de um bem e o Zé Rainha o invade usando a violência. . Toda posse é classificada pelos seus vícios e toda posse pode padecer de um vício objetivo ou de um vício subjetivo. Eu terminei essa parte e de agora até 12:30h eu vou começar outra questão que é a questão mais importante da aula. Então. 1228 é legítima nos casos de detenção autônoma. Quais são as três situações em que a posse pode ser injusta? Pela violência. Então. Toda vez que alguém falar em vício objetivo da posse. pois viola o devido processo legal. CC. a doutrina chama isso de detenção dependente. Vou começar agora a falar sobre a classificação da posse. mas ele é detentor dependente de alguém? Não. pode ser executada essa decisão contra Washington? Claro que não. clandestinidade ou precariedade. CC. É contra esse detentor autônomo que eu vou ajuizar a minha ação reivindicatória. 1200. O código civil não conceitua o que é uma posse justa. 1228. Mas eu mostro que o código civil agiu certo ao colocar o detentor no art. Detenção dependente porque as pessoas que estão ali são dependentes do possuidor. do proprietário. É aquela que não foi adquirida por violência. A detenção dele é a chamada detenção autônoma. 1200. essa posse é uma posse injusta. essas duas hipóteses do servidor da posse e da permissão. É pelo seguinte. Ele não é possuidor porque ele está fazendo uso da violência. Art. Quando o Zé Rainha entra no terreno de alguém exercendo a violência. ele é detentor. é claro que seria inconstitucional. visto que o possuidor não foi parte na demanda. Posse justa é aquela que não sofre de nenhum dos 3 vícios do art. viola o contraditório. Quem detém a coisa porque está fazendo uso da violência é o detentor autônomo. A posse injusta é uma posse que padece de vícios objetivos.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 141 razão total. Na palavra detentor que está no final do art. pois o detentor não pode ser réu na ação reivindicatória porque se essa ação for julgada procedente contra ele e transitar em julgado contra ele. vocês vão conceituar por exclusão. clandestinidade ou precariedade. contra quem eu vou ajuizar a reivindicatória? Contra o Zé Rainha que é o detentor.

a clandestinidade é contra quem deveria saber. a posse da pessoa que era justa se converte em injusta pela precariedade. Posse violenta é aquela adquirida pela força ou pela ameaça. Em um desse períodos em que ele está no RJ. A posse clandestina não é marcada pela força ou pela ameaça a ninguém. É aquela posse adquirida na calada da noite. 155 e 168 do Código penal. . ela passou a ter posse injusta por precariedade. É aquela adquirida pela vis absoluta ou pela vis compulsiva. A posse de Zé Tainha é justa ou injusta? Injusta. Na precariedade o possuidor que tem a coisa em nome alheio quer se converter em possuidor em nome próprio. pois ele se utilizou da clandestinidade. entra na sua casa sabendo que você está aqui no Rio de Janeiro. Rafaela. O cara que usa a violência está roubando o que é de vocês. Se isso fosse uma aula de penal eu diria que se aplicariam os artigos 157. Mas o Flávio sempre fica no Rio de Janeiro. Zé Tainha fez uma rave na mansão e chamou todos que moram em Búzios. Durante os 5 anos do comodato ela tinha uma posse direta e justa. Imaginem que o Flávio tem uma mansão em Búzios. Precariedade é o abuso do direito de quem retém indevidamente o bem além do prazo normal de devolução. Só o Flávio não ficou sabendo. O que a pessoa usa é a possibilidade de esconder o fato de quem deveria saber. Então. sem ofensividade. 157 é o roubo. O cara que se utiliza da clandestinidade. conforme o direito. O art. E a precariedade é a apropriação indébita. Ainda assim é clandestina a posse? A clandestinidade não é erga omnes. Quando terminou o prazo e ela disse que não iria sair.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 142 A posse justa é aquela que foi adquirida de modo regular. Quando acabou o prazo do comodato você disse que não iria sair do imóvel. um pescador. você é minha comodatária por 5 anos. é justamente aquela pessoa que já faz uso da coisa em nome alheio. Posse clandestina é aquela posse adquirida às ocultas. O possuidor precário é justamente aquele que se recusa a restituir o bem quando termina a relação jurídica que lhe deu origem. pratica um furto na calada da noite. Zé Tainha. mas indevidamente quer converter esse uso da coisa em nome alheio em uso da coisa em nome próprio.

ele deixou de ser detentor e passou a ter posse violenta pelo uso da força ou da violência. Ele pode ter usucapião extraordinária que não exige justo título nem boa-fé. E o mesmo ocorre com a clandestinidade. Tanto é que deixou de ser detenção e virou posse. Se alguém tem posse violenta.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 143 Por que é que no exemplo que eu dei do Zé Rainha. O cara já começou a possuir usando a violência ou a clandestinidade. Toda pessoa que exerce uma posse violente ou clandestina. A precariedade sempre envolve uma situação de uma posse que um dia já foi justa e se torna uma posse injusta. É um desses vícios que macula a posse e esta se torna injusta. mas essa clandestinidade já cessou e agora é uma posse clandestina. Qual é a diferença entre esses três elementos? Tem uma diferença que é captada de forma bem visível. Se fala que a posse é clandestina. ele não tem posse. Naqueles 10 dias em que o proprietário estava tentando entrar no imóvel o Zé Rainha só tinha detenção. Violência e clandestinidade são vícios que se dão a priori. A pessoa adquire a posse com base na violência. qual foi o momento em que se deu a violência ou a clandestinidade? No início da posse. mas que a violência já cessou. O Zé Rainha que começou a posse violenta e fica no terreno por mais dez anos. a posse dele era violenta e no outro exemplo a posse dele usando a violência era detenção? Nunca esqueçam. Por isso é que se chama vício objetivo. Já a precariedade é um vício que se dá a posteriori. Toda vez que vier uma questão de concurso dizendo “Fulano tem posse violenta” ou “Fulano tem posse injusta por violência”. tinha uma posse justa. Esses vícios da posse querem nomear o modo pelo qual se deu a aquisição da posse. é porque um dia o Zé Tainha começou aquilo usando da clandestinidade. . Ele tem detenção. é por que essa violência está ainda sendo executada ou um dia já se executou? É porque um dia já se executou porque se por acaso Zé Rainha ainda está usando da violência. Na precariedade antes de ter uma posse precária. Toda posse que se chama violente é para dizer que um dia aquilo começou com o uso da violência. Mas no 11º dia em que você desistiu de brigar com o Zé Rainha. ele pode usucapir? Se ninguém incomodá-lo pode? Pode. Já na precariedade não é isso que acontece. clandestinidade ou precariedade. E essa posse justa no meio do caminho perdeu o caráter de posse justa e se tornou posse injusta.

Washington parou de pagar o aluguel. 1208. Eles tiram isso de uma interpretação equivocada do art. senão depois de cessar a violência ou a clandestinidade”. Locatário e comodatário não têm animus domini porque eles sabem que eles estão na coisa em decorrência de uma relação jurídica com o proprietário. A maioria dos doutrinadores não admite que a precariedade seja sanada. 1028 só menciona a cessação da clandestinidade e da violência e não menciona a precariedade? É claro que nesse artigo não há que se falar na precariedade porque a violência e a clandestinidade são vícios originários. o vício da precariedade seria um vício insanável. Alguns autores dizem que esse art. CC. 1208 apenas diz que cessa violência e clandestinidade. Acabou o contrato de locação. vamos supor que você foi meu locatário por 30 meses. CC: “Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não autorizam a sua aquisição ao atos violentos. Vamos supor que ele não quer sair e ele fica mais 27 anos no imóvel e eu me desinteressei completamente em pleitear o imóvel. 1208.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 144 Os vícios da violência e da clandestinidade são vícios sanáveis pela usucapião. Ele tem a usucapião? A posse dele nasceu sem animus domini. Olha o art. no caso. lá na frente eles podem desaparecer. mas ele não quer sair do imóvel. Que posse ele passou a ter agora? Injusta por precariedade. . Por que o art. Então. Ela não foi adquirida com o caráter de posse sem animus domini? Então. E se eles são vícios que se dão no início. Nesses 30 meses em que ele foi meu inquilino ele teve posse? Ele teve posse direta. Se há posse mansa e pacífica. mesmo a precariedade pode sanar. A doutrina tradicional diz que a posse dele nunca é sanada pela usucapião. Washington. pois a posse nunca perde o caráter pelo qual ela foi adquirida. ou clandestinos. por mais que ele tenha ficado lá sem pagar aluguel por 30 anos. Apesar da literalidade do art. Ele teve animus domini? Não. É claro que vocês já perceberam que essa leitura literal não pode vingar. 1208. será possível a usucapião. ele nunca vai usucapir porque a posse fica presa a sua causa originária que. não havia animus domini.

1203. isso gera uma alteração no caráter da posse. entende-se manter a posse o mesmo caráter com que foi adquirida”. como tempo nota-se a interversão da posse e o nascimento do animus domini. Então. A interversão da posse não passa da emanação do princípio da função social da posse. Quem é que eu tenho que privilegiar depois de 27 anos sem pagar aluguel: o proprietário desidioso ou o possuidor? O possuidor. O ato inequívoco de oposição que Washington praticou foi parar de pagar aluguel e não devolveu o imóvel. Esse “salvo prova em contrário” tem sido respondido na jurisprudência justamente para se admitir o fenômeno da interversão da posse. Para fins de usucapião o possuidor de boa-fé é aquele que tem a falsa convicção de que é o dono da coisa. 1201. Art. Boa-fé para uma aula de usucapião não é o mesmo conceito para uma aula de posse. A interversão do caráter da posse se dará nos casos em que com o passar do tempo altera-se a conduta do possuidor perante a coisa. Washington a sua posse era direta e justa. E nesse “salvo prova em contrário” não pode entrar a usucapião do Washington? Pode. . se o possuidor ignora o vício. Vamos ver vício subjetivo da posse. mas sim com posse de má-fé. Olha o enunciado 237 do CJF: É cabível a interversão da posse na hipótese em que o então possuidor direto demonstrar ato exterior e inequívoco de oposição ao antigo possuidor indireto tendo por efeito a caracterização do animus domini.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 145 Art. Interversão da posse significa alteração do caráter da posse. Vício subjetivo não se relaciona com posse justa ou injusta. Como passar do tempo a posse dele que era despida de animus domini passou a ter animus domini porque o cenário concreto demonstra que ele parou de pagar aluguel e o proprietário em nenhum momento reivindicou a coisa. Como o proprietário nada fez. CC: “Salvo prova em contrário. ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. Tem até precedente do STJ nesse sentido admitindo a interversão da posse. Posse de má-fé é a posse subjetivamente viciada. CC: “É de boa-fé a posse. Possuidor de boa-fé para fins de posse de forma geral é aquele que ignora não culposamente o vício da posse.

mas eu não me contento com esse conceito. Ele pode ser um ignorante que ignorou tendo sido diligente e cuidadoso. Washington ignora o vício da posse. Então. 1201 em ético? Basta incluir ao lado de “ignora” a expressão “não culposamente”. que não providenciou a documentação. Não basta que o possuidor seja ignorante. Possuidor de boa-fé é o cara que ignora o vício da posse mesmo tendo agido com toda diligência. A boa-fé tem que ser ética. Se esse conceito fosse suficiente. a citação é o momento da conversão da boa-fé em má-fé. Então. O código civil diz que possuidor de boa-fé é aquele que ignora o vício. imagina que você vende para o Washington por R$ 100 mil um terreno ao lado do Pão de Açúcar. A posse que ele tem é de boa ou de má-fé? É de má-fé. O conceito do Código civil é um conceito psicológico. Patrícia. ou seja. Isso não é boa-fé objetiva porque a boa-fé objetiva está no direito das obrigações. . Só que isso iria gerar insegurança jurídica porque esse conceito de boa-fé meramente psicológico protege o cara que é desidioso. Eu alugo um apartamento para Rafaela. Nesses 6 anos a sua posse foi de boa ou de má-fé? Foi de boa-fé. Depois aparece Washington dizendo que ele te alugou um apartamento que não era dele. Eu tenho dois conceitos de boa-fé: um psicológico e outro ético. mas sim como ético. que qualquer pessoa nessa sala poderia ter caído.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 146 Qual é o conceito que está mais determinado? O meu ou o do código? O meu. pois faltou o código dizer que o possuidor ignora não culposamente o vício. Só é possível retirar alguém do estado da boa-fé diante do devido processo legal. pois mesmo ela tendo sido cuidadosa. Qual é o momento em que a Rafaela deixa de ser possuidora de boa-fé e passa a ser possuidora de má-fé? Quando você passa a ter ciência dos vícios da posse. E quando é que o possuidor passa a ter ciência dos vícios da posse? A partir da citação. ela alugou apartamento de quem não era dono. Ele ignora pois praticou um erro escusável. ele seria um conceito de boa-fé psicológico. como eu transformo o conceito do art. Essa é uma boa-fé subjetiva.

Desses 4 eu não vou tratar com detalhes do direito ao usucapião. Eu tenho que aferir a motivação do possuidor sobre a coisa. direito às benfeitorias. 1202 conforme a Constituição. Interpretando o art. Não há necessária correspondência entre vício objetivo e vício subjetivo. A posse injusta está ligada a vício objetivo porque a questão incide na forma como se adquiriu a posse. Gente. pois essa matéria já foi estudada. 22. direito às benfeitorias e direito à usucapião ordinária. Às vezes a posse é justa e é uma posse de má-fé. A boa-fé quando se converte em má-fé é um vício subjetivo porque é uma questão de índole interna. Amanhã às 10:15h. É importante saber se a posse é de boa-fé ou de má-fé para fins de direito aos frutos. Rio. CC: “A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente”. 1202.11. São vícios que se percebe de forma objetiva. Interditos possessórios são as ações possessórias. Qual é a diferença entre a posse ad interdictae e posse ad usucapionem? Posse ad interdictae é aquela que faculta o possuidor manejar os interditos possessórios. valeu. Às vezes a posse pode ser viciada objetivamente e ser uma posse de boa-fé.2007 Em matéria de efeitos da posse nós temos 4 efeitos: direito aos frutos. Só pode ter usucapião ordinária quem tem posse de boa-fé.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 147 Art. . É importante saber se a posse é justa ou injusta porque só pode ser réu em ação possessória uma pessoa que tem posse injusta. direito às ações possessórias e direito ao usucapião. Os vícios objetivos e subjetivos da posse são independentes? É possível que uma posse seja justa e de má-fé ou injusta e de boa-fé? Claro que pode. qual é o momento em que uma pessoa não ignora mais que possui indevidamente? A partir da citação.

de má-fé ou indireta. Frutos são bens imóveis por acessão natural.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 148 Quem tem posse interdictae? Qualquer possuidor. Quais são os 3 tipos de frutos? Naturais. Temos como exemplo o leite da vaca. bens imóveis por acessão natural. Eu estou dizendo quem tem legitimidade para ajuizar o interdito possessório. a pessoa tem apenas posse ad interdictae. Frutos são utilidades da coisa que se reproduzem periodicamente. civis e industriais. Então. Nem todo possuidor tem posse ad usucapionem. Vamos falar sobre o direito aos frutos com relação à posse. Fruto civil é uma remuneração pela cessão da posse a outrem. a maçã que está na árvore é bem imóvel por acessão natural. o mesmo não se diga da posse ad usucapionem. Os industriais decorrem da atuação do homem sobre a natureza. mesmo que aposse seja injusta. além da posse deve-se ter animus domini. Se eu tenho uma fazenda e a arrendo. Frutos são bens acessórios. já o produto produz. Se todo e qualquer possuidor tem posse ad interdictae. mas ele não reproduz. . Mas se tiver animus domini. além de ajuizar ação possessória. Deixa de ser imóvel quando eu tiro o fruto e passa a ser bem móvel. são utilidades que a coisa produz periodicamente e que se dividem em naturais. a posse ad interdictae é para todos e a posse ad usucapionem é apara alguns cuja posse é qualificada pelo animus domini. Eu não estou dizendo quem vai ganhar a lide. Sem animus domini. Se eu sou dono de um terreno. Basta ser possuidor que você pode ajuizar ação possessória. esse aluguel é fruto? É fruto civil. Qual é a diferença entre frutos e produtos? Poço de petróleo é fruto porque os frutos produzem e reproduzem. Os naturais são aqueles obtidos diretamente da natureza. Para ter posse ad usucapionem. O detentor não pode ajuizar ação possessória. você também pode pleitear usucapião. industriais e civis. Essa matéria é própria da parte geral do código civil. Quem não tem posse ad interdictae é o detentor.

Art. por preceito jurídico especial. 1232. Como se chamam os frutos que o possuidor colhe já na constância do processo? Frutos pendentes. ao seu proprietário. nada mais natural que a boa-fé dele seja homenageada. couberem a outrem”. Art. couberem a outrem”? Quando é que os frutos não pertencem ao proprietário? Qual é o motivo jurídico dos frutos não pertencerem ao proprietário? Eventualmente o fruto não pertencerá ao proprietário. Princípio da gravitação jurídica significa que o acessório gravita em torno do principal. 1232. . por preceito jurídico especial. Beto. Frutos percebidos são aqueles colhidos na constância da boa-fé. ele não se renova. você é proprietário de um terreno desde 2000 e você aluga esse imóvel recebendo frutos civis. visto que eles não obstante serem retirados. Washington ajuíza uma ação reivindicatória contra Beto dizendo que ele não é dono. CC: “O possuidor de boa-fé tem direito. pois nesse período a sua posse foi de boa-fé. foi posterior à citação. Se o possuidor estava de boa-fé e deu função social à posse. ou seja. Até hoje. ainda quando separados. Mas ele foi citado em novembro de 2007 e em 2010 a ação reivindicatória do Washington foi julgada procedente. Esses aluguéis que o Beto recebeu de 2007 a 2010 deverão ser restituídos ao Washington? Tem. 1214. na medida em que ele vai sendo retirado. aos frutos percebidos”. eles são renovados periodicamente. Se eu sou proprietário de um terreno e o solo é meu. salvo se. Art. Em 2007 aparece Washington e diz que você não é o dono da coisa. CC. pois nesse período ele já estava de má-fé. há sete anos você vem recebendo aluguéis. 1232. os frutos também me pertencem. ele se exaure.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 149 O produto. Hoje você foi citado para essa ação reivindicatória Caso Beto seja derrotado nessa ação reivindicatória terá que restituir todos os aluguéis que recebeu durante esses sete anos? Não. Ao contrário dos frutos. A quem pertencem os frutos naturais e industriais? Ao proprietário. Por que é que na parte final do art. CC: “Os frutos e mais produtos da coisa pertencem. enquanto ela durar. CC está escrito “salvo se. Pertencerá a quem tem posse de boa-fé.

CC: “O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos. Art. Tudo vai depender do caso concreto utilizando a regra da essencialidade. que é Washington. Benfeitorias são obras ou despesas efetuadas na coisa para fins de conservação. Se s sentença for julgada improcedente.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 150 Frutos pendentes são os frutos fruídos na constância da má-fé. 1214. Quando o Beto foi citado. Santino. São os frutos despiciendos. deixou de perceber. desde o momento em que se constituiu de má-fé. melhoramento ou embelezamento. . útil ou voluptuária. Frutos despiciendos são aqueles frutos que não são colhidos por negligência do possuidor de má-fé. O proprietário faz jus a esses frutos despiciendos porque se ele estivesse no terreno teria produzido sobre ele. por culpa sua. classifique benfeitoria como necessária. Art. Pode Washington exigir do Beto tudo aquilo que ele teria recebido nos 3 anos se ele tivesse ficado ali depois da citação? Pode. Ele não tem direito aos frutos pendentes que são aqueles colhidos após a citação. Qual é a natureza dessa benfeitoria? Depende. devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação”. Os frutos despiciendos. Washington ganhou a ação. o Beto nunca esteve de má-fé. § único: “Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos. Vamos falar sobre benfeitorias. de forma estanque. ele abandonou o imóvel e após três anos. você tem uma casa e nela você faz uma piscina. depois de deduzidas as despesas da produção e custeio. O Beto tem direito aos frutos percebidos em decorrência da boafé. Esses devem ser restituídos ao reivindicante. que são aqueles que o possuidor ao momento em que foi citado deixou de colher por irresponsabilidade e negligência. Nunca. 1216. tem direito às despesas da produção e custeio”. Só que ele nada recebeu. Washington teria direito de receber tudo o que Beto embolsou durante esses três anos. bem como pelos que.

Se não tiver essa cláusula. eles não entram no negócio porque são bens imóveis autônomos. À medida que a essencialidade vai sendo reduzida cai para útil e. Quanto mais essencial para a exploração da coisa principal for a benfeitoria. Essa vaca e o trator são benfeitorias? Não. pois é modo de aquisição da propriedade. essa benfeitoria se torna útil. Então. Se eu tenho um terreno e nesse terreno eu levanto uma casa. com a demarcação do terreno. Qual é a diferença entre benfeitoria e acessão? Acessão é modo de aquisição da propriedade. Elas continuam sendo bens móveis com a sua autonomia perante a coisa. Essa despesa é benfeitoria necessária. Isto é. mais ela será necessária. Quando eu vendo a fazenda. E se nessa casa onde se construiu a piscina for uma escola de natação. Essa é a característica das construções. Apenas entram no negócio se tiver cláusula de porteira fechada. são pertenças. Mariana. deve-se pensar na relação entre a coisa principal e a benfeitoria. . essa piscina é uma benfeitoria necessária. em benfeitoria voluptuária. por fim. Se no terreno a Mariana coloca uma vaca para pastar e um trator para puxar o arado. Já as pertenças não se imobilizam.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 151 Quando nós falamos em piscina. a acessão está inovando onde até então nada existia. Quando eu faço uma acessão. estamos acostumados a pensar em piscina para diversão. com adubo para as plantas e ração para os animais. que tipo de benfeitoria é essa casa? Isso não é benfeitoria. Benfeitoria é qualquer despesa ou obra que se incorpora permanentemente à coisa. Eu estou dando destinação econômica à coisa onde até então nada havia. útil ou voluptuária? É benfeitoria necessária. A marca da acessão é o efeito da inovação. Isso é acessão. Qual é a diferença entre uma benfeitoria e uma pertença? A benfeitoria sempre se incorpora permanentemente à coisa. cai para voluptuária. tudo depende da configuração da essencialidade. a vaca e trator entram no negócio ou não? Não entram. se por acaso você possui um terreno há muito tempo e você gastou dinheiro pagando despesa de IPTU. Mas vamos supor que nessa casa funcione uma escola para crianças. É por isso que quando a casa fica pronta deve-se averbar a sua construção no RGI.

Eu faço a garagem para dar mais comodidade ao uso da casa. Não tem indenização por benfeitoria útil. ele será indenizado pelo valor atual da obra. Flávio. imagina que você é um invasor do MST e você entra em um terreno que tem uma casa. Se fosse possuidor de boa-fé também teria indenização? Teria. mesmo sendo possuidor de má-fé ele é indenizado para evitar enriquecimento sem causa. o retomante vai ter que indenizar o invasor pela benfeitoria que ele fez? Ele é um possuidor de má-fé. A benfeitoria é sempre uma obra feita em função de uma coisa já existente. Quais são as conseqüências da realização de benfeitorias para o possuidor de boa-fé ou para o possuidor de má-fé? Flávio. A benfeitoria é uma coisa acessória e a acessão é o principal. . por que ele vai ser indenizado? Porque trata-se de uma benfeitoria necessária. além de fazer esse muro de arrimo. pois possuidor de má-fé só tem indenização por benfeitoria necessária. É a novidade do art. Se por acaso quem fez a benfeitoria necessária foi o possuidor de boa-fé. Amanhã quando o invasor for posto para fora. E por que a benfeitoria necessária tem que ser indenizada? Porque essa benfeitoria necessariamente teria que ser realizada pelo proprietário se ele lá estivesse. essa garagem é benfeitoria. Isso é para demonstrar que a posse de boa-fé tem mais valor do que a posse de má-fé e o código deve reconhecer isso em nível jurídico.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 152 Mas se eu tenho uma casa e coloco uma garagem nessa casa. o retomante tem o direito potestativo de escolher se vai indenizar pelo valor atual da obra ou se pelo gasto realizado em sua edificação. você colocou um banheiro a mias nessa casa. CC. Então. o Flávio gasta seu dinheiro fazendo um muro de arrimo evitando que a casa caia. visto que as benfeitorias são sempre coisas acessórias. pois ele não ignora os vícios da posse. Qual é a diferença entre entrar em terreno alheio de boa-fé ou de má-fé se vai ser indenizado do mesmo jeito? Tem. Mas se quem realizou a benfeitoria foi o possuidor de má-fé. Ele escolhe o que lhe for economicamente mais interessante. O retomante passa a ter uma opção a mais. 1222. Em razão disso. Como a casa está caindo. Você vai ser indenizado por esse banheiro que você construiu? Não.

Possuidor de boa-fé é indenizado pelas benfeitorias necessárias e úteis. pois para levantar a benfeitoria voluptuária. O possuidor de boa-fé tem direito a mais o quê com relação às benfeitorias necessárias e úteis? Ao direito de retenção. desde que retire a coisa sem que haja dano. E esse capricho não interessa ao retomante. você entra no meu terreno e. Mas Flávio. O possuidor de má-fé recebe indenização apenas pelas benfeitorias necessárias. Direito de retenção é uma faculdade concedida ao possuidor de boa-fé de manter a coisa consigo para depois do prazo de devolução em caso de recusa de indenização por benfeitorias necessárias e úteis realizadas de boa-fé. ao invadir essa casa fez uma piscina olímpica. o possuidor de boa-fé poderá levantá-la? Não. pois mesmo o possuidor de boa-fé não tem indenização pela benfeitoria voluptuária. Você será indenizado por ela? Não. No caso da piscina. Flávio. O que o possuidor de boa-fé pode fazer caso o retomante diga que não vai indenizar a benfeitoria voluptuária? Ele poderá usar o seu direito de levantar a benfeitoria voluptuária. Então.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 153 Benfeitoria útil visa dar mais comodidade à coisa. Flávio. . você faz o muro de arrimo (benfeitoria necessária) e também faz uma garagem (benfeitoria útil). não haverá indenização mesmo se estivesse agindo de boafé. seria indenizado pela piscina? Também não. pelas benfeitorias úteis e poderá levantar as benfeitorias voluptuárias. você que é possuidor de má-fé. E se você tivesse de boa-fé. Por que isso ocorre? Porque as benfeitorias voluptuárias não passam de um capricho do possuidor. de boa-fé. o possuidor não poderá acarretar danos à coisa. Possuidor de boa-fé recebe indenização pelas benfeitorias necessárias. se você estivesse de boa-fé e colocasse esse banheiro você seria indenizado? Seria. não há sequer a chance de levantar a benfeitoria voluptuária. Nas hipóteses em que o levantamento trouxer danos à coisa.

que sou o proprietário. é fundamental que vocês entendam que Flávio como réu na contestação vai dizer que o Nelson não tem direito a nada e pedir que seja julgada improcedente a sua pretensão. até que ele seja indenizado pelas benfeitorias necessárias e úteis. Enquanto Nelson não indenizar Flávio. ele pode continuar na posse da coisa. Independente de qual demanda Nelson irá ajuizar. modificativo ou extintivo ao direito do autor. sob pena de enquanto Nelson não indenizar. você quer adiar o êxito do seu adversário. ele pede indenização pelas benfeitorias necessárias e úteis que fez de boa-fé. O direito de retenção é uma exceção substancial argüida pelo réu em defesa. Quando vocês são réus vocês podem se defender de duas formas: defesa direta de mérito e defesa indireta de mérito. anulabilidade em defesa. o Flávio diz na contestação que se o juiz entender que a pretensão do Nelson seja procedente. No caso da exceção substancial dilatória. Defesa direta de mérito ocorre quando o réu nega todas as afirmações do autor. Além disso.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 154 O que eu. Qual é o fato impeditivo ao direito do autor que o Flávio trouxe como réu? Direito de retenção. pois mesmo que o Flávio seja derrotado na ação reivindicatória ou possessória. é o famoso “ganha mas não leva”. Defesa indireta de mérito ocorre quando você não obstaculiza a fundamentação do autor. ter o direto de retenção sobre as benfeitorias úteis e necessárias. . pois com as últimas reformas processuais acabou qualquer possibilidade de uma sentença condenatória receber um processo de execução autônomo. É um fato impeditivo. diz que tudo que ele falou é mentira. posso fazer? Eu tenho duas opções: ou eu ajuízo uma demanda reivindicatória ou eu ajuízo uma demanda possessória. Essa exceção substancial é dilatória ou peremptória? É dilatória porque ela apenas está adiando o momento pelo qual o réu vai sair do bem. Qual é o prazo preclusivo para alegar retenção? É a contestação. Exceção substancial peremptória ocorre quando você alega prescrição em defesa. Isso parece com a exceção de contrato não cumprido. mas você traz um fato impeditivo.

CC: “O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. Esse é o momento fundamental. se não lhe forem pagas. e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis”. Nesse período em que ele vai ficar como depositário. você é possuidor. Possuidor de má-fé apenas pode pedir indenização com relação às benfeitorias necessárias. mas ele tem que devolver o bem. bem como.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 155 Como não há possibilidade de exigir execução autônoma. . ele poderá ajuizar ação ordinária de indenização. O direito de retenção é algo específico do possuidor de boa-fé. Quando a sentença diz: julgo procedente a pretensão de Nelson. Se o Zé Rainha invadir o imóvel. ele terá retenção. Possuidor de má-fé tem direito de retenção? Não tem. O depósito é uma relação jurídica. visto que o direito de retenção é obtido por sentença. O possuidor direto não é aquele que detém a coisa através de uma relação jurídica? Art. o último momento processual para o réu se manifestar dizendo que fez benfeitorias necessárias e úteis é na contestação. fica na coisa como responsável judicial ou depositário. A diferença é que a posse precária é uma posse injusta e o direito de retenção é uma posse justa. não mais há embargos de retenção. a levantá-las. Se o possuidor de má-fé realizou benfeitoria necessária. mas concedo a Flávio indenização pelas benfeitorias necessárias e úteis e enquanto ele não for pago. Isso quer dizer que o Flávio enquanto não for pago. Qual é a diferença entre o direito de retenção e a posse precária? Eu já disse que quem tem posse precária é quem retém a coisa após o prazo normal para devolução. ele é possuidor ou detentor? Ele é possuidor. CC é o artigo que coloca a situação do possuidor de boa-fé perante o direito de retenção. quanto às voluptuárias. seja em uma lide possessória ou reivindicatória. quando o puder sem detrimento da coisa. A pessoa que recebe o direito de retenção fica na coisa como depositária do bem. pois você não é detentor. 1219. você que é o retentor terá ação possessória contra o Zé Rainha? Tem. 1219. o art. Então.

Pode o inquilino assinar uma cláusula no contrato dizendo que ele não vai ser indenizado nem pela benfeitoria necessária que ele realizar? Pode. É o art. pois impõe-se uma multa à pessoa para que a sua conduta cesse. mas é óbvio que existe contrato de adesão entre particulares. Como não é relação de consumo. Essa cláusula seria válida porque não é uma relação de consuma. . Súmula 335 do STJ: “Nos contratos de locação é válida a cláusula de renúncia à indenização das benfeitorias e ao direito de retenção”. aplica-se o art. O que acontece se o réu esquece de pedir o direito de retenção na contestação? Ele perde o direito de retenção. os contratos de adesão surgem nas relações de consumo. Quando não existe relação contratual entre o retomante o possuidor. mas sem a possibilidade de reter a coisa. 1219 e 1220 são normas dispositivas. mas ele ainda pode em uma ação autônoma ser indenizado pelas benfeitorias necessárias e úteis. É um meio de coerção ofensivo ou defensivo? Defensivo. isso está dentro da autonomia da vontade dos contratantes. Direito de retenção é meio de coerção. esse contrato pode ter regras diferenciadas. 35 da lei 8245/91. A astreinte é meio de coerção ofensivo. Existe contrato de adesão fora da relação de consumo? Em regra. pois se eles tinham um contrato. Essas normas dos arts. E é um meio de coerção porque enquanto o proprietário não pagar as benfeitorias necessárias e úteis. o possuidor não devolve a coisa. Quando a relação é uma relação de locação. 1219 e o art. No contrato de locação o inquilino quando faz benfeitorias tem direito de indenização por quais? O inquilino tem direto de indenização pelas benfeitorias necessárias. Contrato de adesão é aquele em que as cláusulas são redigidas unilateralmente por uma das partes. muda alguma coisa no que se refere às benfeitorias? Muda. Essas regras somente se aplicam quando não existe relação contratual entre o retomante e o possuidor. é um contrato feito entre particulares. Só terá indenização pela benfeitoria útil quando autorizado pelo proprietário para que a realize. 1220 do código civil.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 156 Já o possuidor de boa-fé tem a chance de opor a exceção substancial de retenção.

INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 157 Se eu sou proprietário de um apartamento e chego para o Washington com o contrato já pronto para ele assinar. Esse enunciado diz que tem direito de retenção não somente quem faz benfeitorias necessárias e úteis. Causa de pedir remota é a história. Quando é contrato de adesão eu não aplico a súmula 335 do STJ e aplico o art. a súmula 335 do STJ somente se aplica quando os contratos entre particulares forem contratos negociados. Esqueci de falar que o enunciado 81 do CJF diz que o direito de retenção também se aplica às acessões. Eu sou proprietário de um terreno e o Flávio está há sete anos possuindo este terreno. E o ius possidendi é o juízo petitório. 424 do CC é muito claro: “Nos contratos de adesão. com fundamento exclusivo no direito de propriedade. isso não é um contrato de adesão? É. a história que o Flávio conta é que ele exerceu a posse deste terreno por sete anos. . Flávio é posto para fora do terreno por Nelson. Ius possessionis é o direito de possuir com fundamento exclusivo nos fatos da posse. Peço que vocês dividam o caderno de vocês em ius possessionis e ius possidendi. É válida a cláusula de renúncia à indenização pelas benfeitorias necessárias em contrato de adesão? Não é válida. Ius possessionis é o juízo possessório. A causa de pedir pode ser próxima ou remota. Após sete anos. No caso em tela. a ação possessória. Quem faz acessões de boa-fé também tem direito de retenção. O Flávio tem algum tipo de ação para que possa voltar ao terreno? Sim. visto que nesta ação a causa de pedir é a posse. 1219 do CC. 424. ninguém pode renunciar a direitos decorrentes da relação contratual. O enunciado 81 está ligado ao art. Toda ação possessória é aquela que tem como causa de pedir a posse e o pedido é a posse. Vamos começar a falar de ações possessórias. CC. Então. são nulas as cláusulas que estipulem renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio”. pois o art. Ius possidendi é o direito à posse. Por contrato de adesão.

No caso. Na ação petitória a causa de pedir é a propriedade e o pedido é a posse. Flávio. alguém está discutindo propriedade em algum momento? Não. Um exemplo de ação petitória é a imissão na posse. Qual é a ação que Washington tem contra Zé Rainha? Petitória ou possessória? As duas. Flávio se recusa a sair de lá. Quando Nelson se tornou proprietário. Washington é proprietário e possuidor de um terreno. dispor e reivindicar. Causa de pedir: Nelson é o novo proprietário e. Esses quesitos são suficientes para se exercer a ação possessória. Então. a posse nas ações petitórias não decorre de um exercício de fato da posse. Quando Nelson vai para o imóvel. A imissão na posse é uma ação petitória. A única coisa que o Flávio está dizendo é que ele exercia o fato da posse e ele sofreu uma agressão a essa posse pré-existente que ele tinha. mas sim porque ele é proprietário. Ela decorre do direito de propriedade. A imissão na posse é uma ação petitória. Pedido: Flávio quer sua posse de volta. Se eu sou proprietário eu tenho direito à posse. Então. Quando o Flávio ajuíza a ação possessória. pois usar e fruir são direitos decorrentes da minha propriedade. fruir.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 158 Causa de pedir próxima é a lesão que a pessoa sofreu no seu direito subjetivo. eu comprei o seu apartamento e registrei a escritura de compra e venda no ofício imobiliário. Por que Washington pode ajuizar uma ação petitória chamada reivindicatória? Porque ele está dizendo ao juiz que é o dono do terreno e . eu tenho direito à posse. com isso. a lesão que Flávio sofreu foi que ele foi posto para fora do terreno. Qual é a ação que Nelson tem para investir na posse desse bem pela primeira vez? Imissão na posse. pois nestas ações o fundamento do autor é que ele possa pedir a posse. Zé Rainha invade esse terreno e põe Washington para fora. É só isso que o juiz quer saber em uma ação possessória. não por ele tê-la exercido anteriormente. Causa de pedir remota: Flávio tinha posse há sete anos. Nelson é o novo dono. Causa de pedir próxima: Flávio foi agredido na sua posse. passou a ter os poderes de usar. Ele pode escolher uma ou outra.

quer reaver a posse. alegaria que como ele é dono.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 159 comprovando a sua titularidade. CC: “Não obsta a manutenção ou reintegração da posse a alegação de propriedade”. Se no Brasil a exceção de propriedade fosse permitida. E.´ Além da reivindicatória ele tem a possessória. Aparece Nelson. o que aconteceria quando o Flávio ajuizasse ação possessória? O Flávio conseguiria uma liminar e o juiz determinaria que ele voltasse para o imóvel por uma liminar. julgaria improcedente a demanda possessória pelo fato da propriedade ser mais forte do que a posse. ele pode fazer o que quiser. com isso. o proprietário. quem é proprietário e possuidor pode optar pelo juízo possessório ou pelo juízo petitório. ele vai mostrar que é dono e vai pedir a posse. mas a posse como um fato em si mesmo. Art. Esse artigo é a base da proibição da exceção de propriedade. § 2o. com isso. CC. Na possessória o juiz não se interessa se a pessoa é proprietária. Mas. quer reaver os poderes de usar e fruir com base no art. independente de você ser dono. E quando . Se uma ação possessória está em andamento. Não a posse como decorrência da propriedade. Neste caso. o Flávio tem uma ação possessória. no momento em que Nelson fosse chamado para contestar a possessória. O Poder Judiciário estaria dando força para que o proprietário retirasse à força o terceiro que estivesse ocupando o seu imóvel. No Brasil é proibida a chamada exceção de propriedade. Qual era a grave injustiça que existia por trás da possibilidade da exceção de propriedade? A grave injustiça estaria na situação anterior no fato da sentença do juiz dizendo que julga improcedente a possessória porque Nelson é o proprietário. se a sua posse foi agredida e que você quer a sua posse de volta. O que o juiz quer saber na possessória se você exercia o fato da posse. é completamente proibida a discussão de propriedade na constância das ações possessórias. 1228. Ele tem a possessória não pelo fato dele ser proprietário. Então. 1210. Então. Vamos voltar ao primeiro exemplo. e colocou você para fora. A alegação de propriedade não impede o êxito de uma ação de reintegração ou de manutenção de posse. Flávio você é possuidor de um terreno há sete anos. O juiz.

que é o proprietário. da citação até o trânsito em julgado da possessória. pois na reivindicatória Nelson estará citando Flávio como réu dando a ele a oportunidade de ter o devido processo legal. o outro recado do Judiciário é que nenhum particular tem o monopólio da violência. O que acontece com Nelson se ele não pode alegar em contestação que é dono? Nelson perde a ação possessória. julgo a demanda procedente. eu ajuízo uma reivindicatória contra Flávio. no máximo. pois só se pode ajuizar uma petitória após o trânsito em julgado da possessória. Hoje há uma separação absoluta entre o plano do possessório e o plano do petitório. isto é. pois a partir do momento que vem o novo código civil e diz que o proprietário não pode alegar em defesa que é dono. pois os juízes julgarão improcedente a possessória. o contraditório e ampla defesa. Mas isso mudou. fica proibida a discussão de propriedade. alegue em defesa que você é dono. deveria ser protegida em caráter temporário. mesmo que seja proprietário do bem. não pode usar da força mesmo que seja para reavê-lo. Nenhum particular. Na pendência da demanda possessória. Nelson Nery diz que hoje há uma espécie de condição sucessiva ao exercício da demanda petitória. Além disso. O que o Nelson faz? Ajuíza uma ação reivindicatória. Na pendência da demanda possessória. A admissão da exceção de propriedade não só é um estímulo à violência. A ação possessória do Flávio é julgada procedente. a o e a E nessa ação petitória é que efetivamente o juiz vai querer saber se o Nelson é o proprietário e se ele tem condições de ganhar essa demanda. como conduzia vocês a uma falsa noção de que a propriedade é um direito superior e que a posse é um direito inferior. seja posto para fora.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 160 esse terceiro der entrada na ação possessória. E que a posse. O único argumento que o juiz irá ouvir é que como o possuidor foi agredido na sua posse pré-existente. O proprietário Nelson é posto para fora e transita em julgado possessória. A sentença visa justamente proteger a situação de ingerência sócio-econômica que o possuidor tem sobre a coisa. Isso é mais correto. O que os juízes fazem ao receberem a inicial dessa reivindicatória? Eles julgam extinto o processo sem resolução do mérito . você volta para o imóvel e o juiz determina que o Nelson.

pois na inicial ele não demonstrou que era possuidor. não obstante eventual demonstração de direito de propriedade no meio litigioso. que houvesse o trânsito em julgado da demanda possessória. não há possibilidade de se ajuizar uma demanda petitória. alegando que ele é dono do imóvel e quer retirar Washington de seu imóvel. ela perdeu a eficácia porque diante da proibição da exceção de propriedade no direito civil brasileiro. Enquanto não há o trânsito em julgado da demanda possessória. quando autor e réu usam de uma possessória para discutir propriedade. Essa radical separação do plano do possessório para o petitório não foi esquecida pelo CJF. IV. A questão seguinte apenas irá acertar o aluno que lembra do que eu ensinei há três semanas atrás. . Olha o que diz o enunciado 79 do CJF: a exceção de propriedade como defesa ocorrida nas ações possessórias foi abolida pelo código civil de 2002 que estabeleceu a absoluta separação entre o juízo possessório e o juízo petitório.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 161 (art. CPP). Nelson ajuizou mal a ação possessória. O juiz não vai dar vitória para quem pareça ser proprietário. O que os dois estão fazendo de errado? Os dois estão usando a ação possessória para discutir propriedade. pois está faltando uma condição. O STF em hipóteses como essa dizia na súmula 487 que nesse caso. qual seja. Enunciado 78 do CJF: Tendo em vista a não recepção pelo código civil da exceção de propriedade ou de caso de ausência de prova para embasar decisão liminar ou sentença ancorada exclusivamente no ius possessionis. Na contestação Washington diz que o dono é ele. sabe o que o juiz vai fazer? Vai julgar improcedente essa ação possessória. mas sim quem tenha realizado a função social da posse. A súmula 487 ainda tem eficácia? Não. pois o fundamento da possessória não é a propriedade. caso o juiz vá dar uma sentença em ação possessória e o juiz não veja que o autor provou a sua posse anterior. 267. Quando o código civil diz que não interessa quem seja o proprietário. Nelson ajuíza uma ação possessória contra Washington. O juiz vai julgar improcedente. o juiz tem que dar a vitória para aquele que demonstrar ser o verdadeiro proprietário. isso quer dizer que quem deve ganhar a ação possessória não é quem é proprietário. deverá o pedido ser indeferido e julgado improcedente.

Então. O que eu estou perguntando é se ele pode alegar usucapião em defesa em uma ação possessória. O que o CC/02 proíbe é a alegação em defesa da exceção da propriedade. ele diz que já tem prazo para usucapião. 1241 do CC diz que o possuidor pode pedir ao juiz que seja declarada a usucapião. Diante dessas duas observações vocês mantêm o ponto de vista de que ele pode alegar em defesa a usucapião? Mantenham. ele pode alegar a usucapião em defesa. Washington. As ações petitórias são aquelas em que a causa de pedir é a propriedade que não tinha posse. você não vem com a história de que você é proprietário. Você alega que a pretensão do Nelson é tão mentirosa e que Washington já estava na posse há tanto tempo que já chegou a gerar domínio. Quando ele alega a usucapião em defesa ele está trazendo uma exceção à propriedade. Pode o Washington dizer que é mentira e que ele não invadiu a posse de ninguém e. Vamos supor que o juiz se convença que você tem usucapião e julga improcedente a possessória. É por isso. Mas isso é proibido pelo código civil de 2002. Você pode pegar essa sentença e registrar? Pode. Washington pode alegar usucapião em defesa? Quando eu ensinei usucapião em defesa. que o esbulhou. falei em ações reivindicatórias.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 162 Nelson e Washington tem uma discussão. mas quando se alega usucapião em defesa não é exceção da propriedade. Quando se alega usucapião em defesa não se está embaralhando o petitório com o possessório. que você pode usar a súmula 237 do STF e alegar usucapião em defesa. além disso. ele está alegando em defesa que ele é proprietário. Usucapião não é petitório. Vocês estão apenas mostrando para o juiz como a ação possessória está fundada em argumentos mentirosos porque você já tem até usucapião. Nelson ajuíza uma ação possessória contra Washington dizendo que Washington invadiu o seu terreno. pois mesmo sendo alegada a usucapião em defesa a nova dicção do art. . Quando você alega usucapião em defesa. mas sim exceção de domínio. A causa de pedir da usucapião é a posse.

Se você é possuidor e sofre uma ameaçazinha. Ação possessória é sinônimo de interdito possessório. visto que essas são ações que tanto podem ser utilizadas para defender a propriedade ou a posse. Essas são as três ações possessórias. O possuidor que é esbulhado é aquele possuidor que perde o contato material com o bem. Quanto mais forte é a agressão. Isso é um pedido contraposto. pois o Zé Rainha aparece no esbulho que se dá com violência. você tem a ação de reintegração de posse. Ser esbulhado é ser posto para fora do bem. Hoje até o final da aula trabalharei com a reintegração de posse. Como saber qual das três ações deve-se ajuizar? Tudo depende do nível de hostilidade e aversão que a posse sofreu. Mas se virou um esbulho. Interdito possessório é gênero. Nunciação de obra nova e embargos de terceiros não são ações possessórias. Interdito proibitório é uma das espécies do gênero interdito ou ações possessórias. Então. Essas são as únicas ações possessórias que existem no Brasil. Vamos agora começar a estudar as ações possessórias. Mas nunca confundam interdito possessório com interdito proibitório. É uma usucapião argüida em defesa em pedido contraposto. Esbulho é a privação física da coisa. você tem o interdito proibitório. mais forte é também a reação do sistema a essa agressão. pode ser declarada pela via da defesa. Já essas três ações são para garantir a tutela específica da posse. E isso em uma prova de concurso é nota 3. mas o . você tem a ação de manutenção de posse. 1241 em nenhum momento exige que seja pela via da ação de usucapião. vocês vão subindo um andar. O problema de vocês é que toda vez que vocês pensam em esbulho vocês lembram do Zé Rainha. manutenção de posse e interdito proibitório. A base da reintegração de posse é o esbulho. Na medida em que se intensifica o grau de agressão à posse. Dividam o caderno de vocês em reintegração de posse.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 163 Mas o art. Na medida em que se intensifica a agressão à posse é inversamente proporcional a reação do sistema. Se você sofre uma turbação.

você é minha comodatária por 5 anos. É óbvio que se o Zé Rainha invade a fazenda de vocês a socos e pontapés e põe vocês para correr. Toda vez que a aquisição da posse se deu pela forma injusta. eu não posso entrar. Vamos supor que eu a interpelo e dou um prazo de 30 dias para ela sair do imóvel. que posse que eu tinha na constância do comodato? Posse indireta. Então. Zé Tainha entrou na mansão de Flávio em Búzios. Qual é a ação que eu tenho? Reintegração de posse. Primeiro: se esse comodato fosse um comodato sem prazo. Rafaela. . Eu que sou o proprietário. Esse prazo de 30 dias é fundamental para constituir o comodatário em mora. mas a posse direta dela virou posse precária e ela está me esbulhando porque se ela não quer me devolver. Em questões de concurso. Durante esse período você tem posse direta e justa. Ela tinha posse direta. Nesse momento a posse dela virou uma posse precária. Rafaela estará me esbulhando a partir do 31o dia caso ela não queira sair. eu posso ter o esbulho por clandestinidade e por precariedade. é claro que vocês estão sendo esbulhados e que cabe ação de reintegração de posse. no momento em que Zé Tainha entrou. Ele está esbulhando? Sim.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 164 esbulho não se dá apenas por violência. 1200 do código civil. o cara que entrou na posse é um esbulhador ou pela violência ou pela clandestinidade ou pela precariedade. eu posso ter o esbulho toda vez que a aquisição da posse se deu com a prática de um dos vícios do art. como eu faço para retirar a comodatária? Primeiro eu devo interpelar a comodatária. é esbulho por clandestinidade. Nelson é esbulhado porque perdeu a possibilidade de reaver o poder fático sobre a coisa. o Flávio foi excluído do poder material sobre a coisa. o mais importante é o esbulho por precariedade. Justamente na precariedade para retirar aquele inquilino e aquele comodatário que não quer devolver. Mesmo que Zé Tainha não tenha usado a força. Em concurso público tem dois complicadores. Acabou o prazo do comodato e você não quer sair. Ou seja.

Se a posse dele virou injusta por precariedade. A primeira coisa que se deve fazer é tirar a base contratual do possuidor. Nelson é o promitente vendedor. Nelson faz um contrato com Washington de promessa de compra e venda. Quando o juiz julgar procedente a ação de resolução contratual. ele tem posse direta e Nelson tem posse indireta. É uma posse baseada em um contrato de compra e venda. Durante esses 30 dias a posse dela continua sendo justa. clandestinidade e precariedade são as três formas de posse indireta que podem dar margem ao injusto. Pedido principal: resolução contratual.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 165 Nos contratos sem prazo. Enquanto ele está pagando as prestações. Então. Na vigésima prestação o promitente comprador parou de pagar. a posse já virou uma posse injusta por precariedade e aí existe a possibilidade de se ajuizar uma reintegração de posse. Eu tenho primeiro que ajuizar uma ação de resolução do contrato porque eu tenho que provar para o juiz que houve o inadimplemento. Eu vou cumular o art. A posse do Washington que era justa se transforma em injusta. ele já está morando no imóvel. Pode o Nelson ajuizar uma ação de reintegração de posse contra ele? Não. Nenhuma pessoa pode ser ré em ação possessória enquanto sua posse é justa. eu só posso falar em esbulho quando cessa o prazo dado na interpelação. Nunca ajuízem uma ação possessória conta alguém se a posse dessa pessoa tem uma base contratual. . a posse dele que era justa se transforma em injusta. o pedido sucessivo deve ser de reintegração de posse porque ele virou esbulhador. pois a posse dele é justa. 475 do código civil que fala sobre a resolução contratual provando o inadimplemento e o pedido sucessivo de reintegração de posse. eu entro com o pedido sucessivo de cumulação de reintegração de posse.000. No dia seguinte que cessou o prazo. Tirando a base contratual a posse vira injusta e aí tem o pedido sucessivo de reintegração de posse.00. Violência. Enquanto ele paga as prestações. Só tem legitimidade passiva para ser réu em ação possessória aquele que tem posse injusta. Washington é o promitente comprador e está comprando este imóvel em 36 prestações de R$ 1.

Nesse período em que Washington está quase terminando de pagar. esse bem não pode ser incluído como patrimônio do Nelson. visto que o imóvel continua em nome do Nelson e não havia registro da promessa no RGI. 1043. Através do embargos de terceiro Washington quer excluir o imóvel da penhora porque no instante em que Nelson fez a dívida com Santino esse bem já não estava sob a esfera de responsabilidade patrimonial do devedor. Esbulho não é apenas quando te retiram a posse do todo.000 m2 do seu terreno. Estou devendo R$ 100 mil para o Santino. Vamos voltar ao exemplo do promitente comprador. Isso simplesmente é uma constrição judicial. uma ordem de arresto. Enquanto ele está pagando eu continuo como dono. de penhora ou de seqüestro não é esbulho. Qual é a ação possessória que Washington tem diante dessa agressão que ele está sofrendo? Reintegração de posse ou manutenção de posse? Nenhuma das duas. O oficial de justiça vai concretizar o mandado de penhora e encontra Washington morando no imóvel. Washington vai usar os embargos de terceiro do art. E você continua com os outros 17. agressão Você só pode falar em esbulho quando o esbulho é uma por violência. Atos de constrição judicial não geram esbulho. . Quando vai um oficial na sua casa dizendo que tem uma dívida e que o seu imóvel está sendo penhorado. eu que ainda sou dono do imóvel fiz muitas dívidas com o Santino.000 m2. Washington está sendo agredido em razão de uma dívida que não é dele. Santino conseguiu penhorar o imóvel porque a promessa de compra e venda não foi registrada.000 m2. Então. A sua posse está sendo agredida em razão de uma dívida que não é dele. você tem um terreno de 20. Zé Rainha invadiu 3. Santino me executa e procura no meu patrimônio quais bens podem ser penhorados e penhora o imóvel que eu estava vendendo para Washington. clandestinidade e precariedade. Washington está pagando tudo direitinho. CPC. Esbulho é quando você é privado fisicamente da coisa. Que ação Daniel ajuíza contra Zé Rainha para retirá-lo de seu terreno? Reintegração ou manutenção? Reintegração porque houve o esbulho parcial.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 166 Daniel. Dessa vez. O correto é entrar com embargos de terceiro. Então. no todo ou em parte.

O registro da promessa de compra e venda é importante para evitar que amanhã outra pessoa adquira a propriedade. eu teria uma liminar inaudita autera pars contra o particular. O juiz vai julgar improcedente a ação possessória e vai ocorrer uma desapropriação indireta. Flávio. qual seja. isso pode ser imprescindível para a quebra do êxito de uma ação possessória sobre a coisa. 928. o município do Rio de Janeiro invadiu o seu terreno usando de violência. Washington pode opor embargos de terceiro mesmo sem ter registrado a promessa de compra e venda? Pode. . Muda alguma coisa? Claro que muda. Só que eu não estou discutindo propriedade. tanto faz se essa promessa de compra e venda foi ou não registrada. secundário se indagar se a promessa de compra e venda foi registrada ou não. Se o Estado nesse período em que ocupou a coisa. não pode ser concedida uma liminar possessória contra o Estado sem que antes seja ouvido o representante do Estado à luz do art. julgo improcedente a reintegração de posse e o particular será indenizado. O registro da promessa de compra e venda só é importante para uma futura discussão sobre essa outra venda desse bem. § único do CPC. a realização de uma obra que atende ao interesse social. O juiz vai dizer que diante da questão de ordem pública que se agita. Como a posse não se registra no Brasil. Mas como eu estou discutindo uma questão de posse. A súmula 84 do STJ diz que o promitente comprador pode opor embargos de terceiro mesmo não tendo registrado a penhora. A única diferença é que se o agressor fosse um particular. eu estou discutindo posse. O Estado é uma pessoa como outra qualquer. Cabe ação de reintegração de posse contra o Estado? Claro que cabe. é completamente despiciendo. Nunca confundam um ato emanado pelo Judiciário com uma agressão vinda de uma pessoa. Mas sendo o agressor o Estado. Se o procurador do município alegar que realmente o município invadiu. realizou função social sobre o bem.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 167 É essa a razão pela qual Washington opõe embargos de terceiro excluindo esse bem da penhora. mesmo que com posse injusta. mas que já construiu um posto de saúde no local.

. independente de ser de boa-fé ou de má-fé. contra o terceiro. 1212. Art.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 168 Zé Rainha invadiu o meu terreno e me colocou para fora. Deve-se ajuizar a possessória contra quem está exercendo a posse agora. contra Santino? Contra quem está na coisa. contra quem ele ajuíza reintegração de posse? Contra quem o esbulhou ou contra quem está na coisa. Existe alguma outra ação que eu posso ajuizar onde a boa-fé do Santino não vai lhe ajudar em nada? Ação reivindicatória. Normalmente a questão da boa-fé ou da má-fé é algo irrelevante. Mas tem um caso no código civil em que é fundamental averiguar a natureza da má-fé do ocupante pelo art. eu não teria chance contra o Santino com base no argumento de que ele é terceiro de boafé. Quando Nelson 3 meses depois resolve ajuizar reintegração de posse. Mas no meu exemplo o Santino foi ludibriado. Então. Ele tinha um justo título que dava a ele a falsa noção de que Zé Rainha era o dono. Nelson perde porque Santino alega em defesa ser um terceiro de boa-fé. Normalmente. Eu tenho ação possessória contra o Zé Rainha? Tenho. Pode Santino alegar em defesa que ele é terceiro de boa-fé e que ele não tinha noção do ato violento anterior do Zé Rainha para ele conseguir êxito na sua defesa? Pode. Terceiro de má-fé é aquele que conhecia os vícios da posse. ou seja. 1212. Só há êxito em uma ação possessória ajuizada contra um terceiro se ele for um terceiro de má-fé. Na reivindicatória a posse do Santino não é importante porque eu digo para o juiz que eu sou dono e que o Santino tem posse injusta. Zé Rainha falsifica o título dessa propriedade como se fosse dele e a vende para Santino que comprou pensando que fosse do Zé Rainha. que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era”. CC: “O possuidor pode intentar a ação de esbulho. ou a de indenização. o que é fundamental em uma ação possessória? É estudar se a posse é injusta ou se a posse é de má-fé? Se a posse é injusta. O que interessa é se a posse é justa ou injusta. Se eu não fosse proprietário e só fosse possuidor.

Ou seja. Uma pessoa só tem chance de ir para frente com a ação possessória se ficar provado que independente dela ser ou não proprietária. cabe interdito proibitório. Se por acaso o meu inquilino não quer sair do imóvel que eu aluguei para ele. . ela exercia a posse como uma situação de fato e que essa situação fática existente foi agredida. Ser proprietário isoladamente não significa nada no mundo das ações possessórias. Amanhã a gente começa com manutenção de posse. o grau de hostilidade que a posse sofreu.2007 Vocês lembram que ontem eu falei para vocês das ações possessórias.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 169 É fundamental vocês entenderem que a base da reintegração de posse é a existência de um esbulho. mas por uma peculiaridade recebeu o nome de busca e apreensão. 23. Tanto o despejo como a busca e apreensão passam a idéia de um esbulho. Rio. não basta alguém ser proprietário para ajuizar ação possessória. Qual é o esbulho do cara que comprou o carro e parou de pagar? Precariedade. A divisão que eu fiz entre essas três ações possessórias tem como base o nível de agressão que a posse sofreu. manutenção de posse e o interdito proibitório. Só que por uma peculiaridade tem esse nomen iuris distinto chamado despejo. Se alguém comprou um automóvel e parou de pagar as prestações para o Banco Alfa. cabe manutenção de posse e se você sofre uma ameaça. qual é a ação que eu ajuízo contra ele? Ação de despejo. Se você sofre esbulho. cabe a reintegração de posse. Qual é o esbulho do inquilino? Precariedade. qual é a ação que o Banco Alfa ajuíza para retomar esse automóvel? Busca e apreensão. Só há possibilidade de alguém ajuizar uma ação possessória se ficar comprovado que havia antes uma situação fática de posse sendo exercida sobre a coisa.11. se você sofre turbação. Mas eles têm esses nomes específicos. E eu dividi as ações possessórias em 3: reintegração de posse. Busca e apreensão é a mesma coisa que reintegração de posse. Despejo é a mesmo coisa que reintegração de posse. Essas são as três ações possessórias.

turbação ou ameaça. Mas a posse dele está sofrendo uma restrição.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 170 Só é possível ajuizar ação possessória se ficar provado na inicial que houve um ilícito contra a posse. No terceiro dia eu faço um buraco na entrada da sua fazenda para você não poder entrar de carro nela. na reintegração a pessoa recupera uma posse perdida. Essa é a diferença entre a reintegração e a manutenção. seu novo vizinho. eu sou um turbador. O possuidor turbado é o possuidor perturbado. atos de incômodo. Ou seja. Então. E esse ilícito pode ser esbulho. Qual é a finalidade da manutenção de posse? É o fim da agressão. . O que eu. mas que está sendo incomodada. No segundo dia. chateado. Em nenhum momento o Flávio foi esbulhado. é para isso que se ajuíza uma ação de manutenção de posse. Ou seja. Turbação é perturbação. Eu contei várias histórias sobre a reintegração de posse. pois em 3 dias seguidos eu pratiquei atos de turbação. A palavra chave da manutenção de posse é turbação. Então. eu entro no seu terreno com uma moto-serra e corto 50 árvores. No primeiro eu corto a cerca que divide os dois terrenos e coloco o meu gado para pastar no terreno do Flávio. Aqui você não quer recuperar. molestado. Notem a diferença da reintegração de posse para a manutenção. sou? Juridicamente. Essa agressão reduz os seus poderes sobre a coisa. Aqui você quer apenas que cessem as agressões atuais que a posse vem sofrendo. Mas em algum desses dias o Flávio foi excluído do poder fático sobre o bem? Não. Flávio. eu sou seu vizinho. possuidor turbado é aquele cara que sofre uma agressão. incomodado. pentelhado. eu tenho o prazer de começar a aula oficialmente com a manutenção de posse. Aqui não. atos de moléstia. Aqui há uma posse que ainda é atual. Ontem nós já vimos que a reintegração de posse decorre de um ato ilícito chamado esbulho. pois você ainda não perdeu. mas não exclui a pessoa do poder fático sobre o bem. Qual é a causa de pedir da reintegração? É uma posse que já foi excluída. mas essa agressão à posse não chega ao ponto de excluí-lo do poder fático sobre a coisa.

Isto porque a sentença de reintegração é uma sentença executiva e a sentença de manutenção de posse é uma sentença com carga eficacial mandamental. o que ele está pedindo é um comportamento. Simplesmente o juiz age com ou sem a colaboração do devedor. Então não se trata de uma coerção direta.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 171 Em uma prova de processo civil. mandamentais e executivas lato sensu. É uma sentença mandamental porque ela não tem um caráter e subrogação. diferencie as sentenças mandamentais das sentenças executivas. É uma coerção indireta. não perturba mais o Washington. Todavia. O que o juiz está expedindo é uma ordem. . o juiz nas sentenças executivas não pede que o réu faça alguma coisa. Ela tem um caráter coercitivo. Se a reintegração de posse e a manutenção de posse são ações possessórias que dizem respeito a uma agressão atual. É executiva lato sensu porque o juiz na sentença se subroga na posição do devedor. Ou seja. é uma conduta. Por que dá para ver essa distinção? Na reintegração a carga preponderante na sentença é executiva lato sensu porque quando o juiz na sentença diz: determino que Zé Rainha saia do imóvel em 15 dias. Eu estou dissuadindo você a não mais reiterar aqueles atos turbativos que vinham até então sendo praticados. Para vocês se mostrarem bons na prova sempre lembrem da minha aula. condenatórias. As sentenças executivas lato sensu são aquelas em que o provimento jurisdicional se executa sem a necessidade de cooperação do réu. No interdito proibitório já se consumou o ilícito possessório ou ainda não se consumou? Não se consumou ainda o ilícito possessório. a sentença na manutenção de posse é uma sentença mandamental. Ele se substitui na posição do réu. constitutivas. ele não requer ao devedor alguma conduta. Aqui o que existe é uma coerção direta. O que há é simplesmente uma ameaça. Se um examinador perguntar se na classificação quinária das ações de Pontes de Miranda em declaratórias. é interessante que vocês lembrem a diferença de intensidade entre o esbulho e a turbação. o mesmo não acontece com o interdito proibitório. Ou seja. Por exemplo: Zé Rainha.

você tem uma fazenda em Pontal do Paranapanema e está na piscina curtindo o sol. haverá a imposição de um preceito cominatório. Então. idôneas. o autor do interdito proibitório não pode trazer para o juiz uma elocubração. é uma tutela inibitória. Ele tem que mostrar para o juiz concretamente que essas ameaças são sérias. ou seja. o interdito proibitório não passa de uma tutela inibitória que visa resguardar a sua posse para que você não tenha futuro aborrecimento com turbação e esbulho. Como Zé Rainha não tem medo de veto judicial. O justo receio do possuidor ao ajuizar o interdito proibitório é que as ameaças que ele já está sofrendo possam amanhã se transformar em uma turbação ou em um esbulho. essa liminar é decomposta em dois momentos: no primeiro momento o juiz manda o Zé Rainha cessar a ameaça. uma pessoa só consegue ser feliz em uma ação de interdito proibitório se ela provar que essas ameaças são ameaças sérias. O art. De repente você vê que tem umas nuvens se aproximando. Então. Ele quer inibir o ato ilícito para evitar o dano. pois o autor de uma ação de interdito proibitório quer inibir o ato ilícito porque inibindo o ato ilícito não haverá o dano. reais. 5o. quando você pede uma liminar ao juiz. Depois você olha e percebe que as nuvens se aproximaram com muita rapidez e percebe que a chuva é para agora. Mariana vai ajuizar um interdito proibitório porque isso é uma ameaça evidente e concreta de que Zé Rainha e sua turma em breve vão converter o ato de hostilidade em uma turbação ou esbulho. É um comando judicial. em uma ação de interdito proibitório. vem a segunda parte: caso Zé Rainha desobedeça o veto judicial. . Então. haverá imposição de astreintes. um desvalio.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 172 Há uma ameaça de que num momento muito próximo. reais e graves e induzem a que em um futuro próximo haja turbação ou esbulho. Na verdade. Mariana. Mas quando você olha bem. as ameaças que estão sendo praticadas contra o possuidor serão convertidas ou em uma turbação ou em esbulho. Então. são 84 mil sem terras com foice e martelo que estão se aproximando da sua fazenda capitaneados por Zé Rainha. de que num momento iminente. uma idéia simplesmente. CRFB/88 fala que não será excluída da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito. de comando judicial. aquilo não são nuvens. manda não concretizar a agressão. XXXV.

Mariana. A ação possessória se adapta às novas circunstâncias. Nos mesmos autos é possível converter o pleito que era de interdito proibitório em um pleito de manutenção de posse ou de reintegração de posse. Esse princípio nos ensina que o juiz na hora de dar uma decisão ele não pode ir além ou aquém do que foi pedido pelo autor porque senão a sentença vai ser ultra. você ajuizou um interdito proibitório. a primeira hipótese de fungibilidade se dá quando dentro da mesma lide possessória se dá a alteração do panorama fático com a evolução da agressão. extra ou citra petita. Washington sofreu um esbulho. por exemplo. 920 do CPC. como é que vocês dizem que não vai ter que entrar com outra ação se mudou a causa de pedir e se mudou o pedido? Nesse caso das ações possessórias não prevalece o princípio da adstrição. A fungibilidade será admitida em duas hipóteses: a primeira é essa que eu vos trago. Então. Então. . Washington ajuíza uma ação de manutenção de posse porque foi esbulhado. basta que ela atravesse uma petição dentro do interdito proibitório e informe ao juiz que foi esbulhada e peça um mandado de reintegração de posse. Neste caso. ele converte a ordem de interdito proibitório em ordem de reintegração de posse nos mesmos autos. da correlação ou da congruência porque aplica-se o princípio da fungibilidade das ações possessórias disciplinado no art. A segunda situação em que se aplica a fungibilidade se dá quando. O juiz vai perceber que houve alteração das circunstâncias fáticas e entendendo que o que a Mariana falou é verdade. Mariana terá que ajuizar uma nova ação de reintegração de posse porque o que antes era ameaça virou esbulho? Se vocês falarem para o examinador que ela não vai ter que ajuizar uma nova ação ele vai dizer que conhece um princípio no CPP chamado princípio da adstrição ou da congruência ou da correlação que está nos arts. Mas deixou de ser ameaça e virou esbulho.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 173 Zé rainha não tem medo de astreintes. 128 e 460 do CPC. Sabe o que acontece? Zé Rainha concretiza a agressão e aquilo que até então era ameaça se converte em esbulho. O princípio da fungibilidade nos ensina que uma ação possessória pode ser convertida em outra ação possessória sem a necessidade da propositura de uma nova demanda.

295. O juiz pode indeferir a inicial? Em regra. mas sim como ação de reintegração de posse. mas sim uma reintegração de posse. Haveria incompatibilidade entre o pedido e a causa de pedir. visto que se ele foi esbulhado. manutenção em reintegração. vai ter que ajuizar uma nova ação possessória. mas não pode ser depois do trânsito em julgado do processo. essa possibilidade de intercâmbio entre uma ação possessória pela outra pode se dar em grau recursal. pela égide da fungibilidade. não se aplica esse raciocínio no mundo das ações possessórias. o juiz irá receber não como ação de manutenção de posse. Eu posso converter interdito em manutenção. No mundo das ações possessórias. Pode nos autos daquela mesma ação que transitou em julgado ser realizado novo pedido? Não. Washington eu sou o seu vizinho e te digo que você está colocando a cerca que separa os dois terrenos no lugar errado e que se . o processo pode estar na mão do relator desembargador. ele não deveria ter ajuizado uma manutenção de posse. Então. Em segundo lugar. § único. se por acaso vocês ajuízam uma possessória. Zé Rainha pratica uma nova infração. Se transitou em julgado. no processo civil. O próprio magistrado vai adequar a causa de pedir ao pedido. Primeiro. Gente. Todavia. mas no fundo vocês queriam uma reivindicatória. O âmbito da fungibilidade é restrito às possessórias entre si. Eu tenho duas perguntas para ver se vocês entenderam o interdito proibitório. Só se pode aplicar a fungibilidade entre as possessórias antes do trânsito em julgado. o juiz pode converter uma possessória em uma petitória ou uma petitória em possessória? Não.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 174 Washington mandou muito mal. transitou em julgado e depois do trânsito em julgado da reintegração de posse. mas jamais possessória em petitória. Não é possível o magistrado converter uma possessória em uma petitória ou uma petitória em uma possessória. duas observações finais sobre a fungibilidade das ações possessórias. porque ele julgaria inepta pelo art. Da narração dos fatos não decorreria logicamente a conclusão. IV do CPC. se Mariana ajuizou uma reintegração de posse contra o Zé Rainha. a reintegração foi julgada procedente. ele indeferiria.

Você pode ajuizar uma ação de interdito proibitório diante dessa ameaça à posse dos direitos autorais de Flávio? Essa é uma discussão bizantina do direito civil que só foi eliminada há dois anos atrás com a edição da súmula 228 do STJ. Mas pode haver propriedade de bens intangíveis. Ameaça é ato material. com base no art. você é um grande compositor da música popular brasileira. direitos autorais etc. como é que se pode ter visibilidade sobre bens que são meras abstrações? Como é que pode ter visibilidade sobre coisas que são bens imateriais e que não são suscetíveis de serem apropriadas fisicamente? Então. Washington.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 175 continuar desta forma. você é advogado do Flávio e você descobre que um lote de 10 mil CD’s do Flávio será exposto a venda nas ruas do centro da cidade do Rio. . diante dessa ameaça você pode entrar com o interdito proibitório? Não. E essa tese foi vencedora até que entrou no lugar o mandado de segurança. Pode-se ter propriedade imaterial. Concluiu-se no direito brasileiro que só é possível posse sobre coisas que são bens tangíveis. Essa súmula diz: é inadmissível o exercício dos interdito proibitório para a proteção de direitos autorais. Flávio. Mas antes disso. software. Santino. visto que não se considera ameaça o exercício normal de um direito. Hoje a posse tem como objeto específico coisa. patentes. é a exteriorização da propriedade. materiais e corpóreos. Rui Barbosa defendia a tese de que poderia haver ação possessória para manter cargo público. mas posse só se defere a coisas. Ameaça nunca é ato verbal. Essa discussão é muito antiga porque havia uma dúvida se era ou não possível posse sobre bens intangíveis. Bens intangíveis são marcas. Mas tem gente que está falsificando o seu CD. vou entrar com uma ação no Judiciário contra você. prevaleceu a tese de que não cabe posse de direitos autorais. usava-se a possessória para a defesa de direitos em geral. Então. Hoje não. Sempre entender ameaça como sendo ato material de ofensa à posse. Entendeu-se que não é possível a posse de bens intangíveis porque a posse na teoria do Ihering é uma visibilidade do domínio. 153 do Código civil.

esse prazo de ano e dia é um prazo decadencial porque se passou de ano e dia. Então. Todo interdito proibitório requer uma agressão que seja iminente. É por isso que só a reintegração e a manutenção de posse se adéquam a essa configuração bipartida da força nova e da força velha. Mas você é lento e demora mais que ano e dia para ajuizar a ação possessória. O art. como é que pode existir um interdito proibitório de força velha? Como é que pode existir uma agressão iminente já depois de ano e dia? É incompatível. que são os aspectos procedimentais das ações possessórias.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 176 Art. se a agressão tem que ser iminente. Não existe interdito proibitório de força nova ou de força velha. 926 do CPC faz a divisão apenas no tocante à reintegração e à manutenção de posse. você decai de um procedimento mais abreviado e apenas lhe sobra um procedimento mais vagabundo que é o ordinário. O art. você ainda terá ação possessória. é inadequado. CC: “O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação. com a possibilidade da concessão de liminar. . essa ação possessória terá qual rito? O rito de força nova que é um rito especial. de rito. 1210. 1210. O que determina que uma ação possessória seja de força nova ou de força velha? O prazo decadencial de ano e dia. Se por acaso um de vocês sofre uma agressão na posse e vocês ajuízam uma ação possessória antes de ano e dia contada da data da agressão. Essa divisão é uma divisão de procedimento. Ela só é adequada à reintegração e à manutenção de posse. Mas se o Santino foi agredido na sua posse. cumpre agora entrar em um ponto novo. Em sede dos aspectos procedimentais das ações possessórias existem as ações possessórias de força nova e as ações possessórias de força velha. Na medida em que vocês já tenham visualizado o aspecto material das ações possessórias. restituído no caso de esbulho e segurado de violência iminente se tiver justo receio de ser molestado”. mas será sancionado só podendo utilizar o rito de força velha que é o rito ordinário sem a possibilidade de concessão de liminar. CC faz a separação da causa de pedir das três ações possessórias. Essa dicotomia força nova e força velha é adequada às três ações possessórias? Não.

É por isso que as liminares de natureza satisfativa são chamadas de liminares de natureza material porque o que se quer verdadeiramente é que a tutela seja atendida já no momento inicial da demanda. Isso é o fumus boni iuris. pois o periculum in mora só é necessário ser provado nas liminares de natureza cautelar. qual seja. Qual é exatamente esse juízo de previsibilidade que ele tem que trazer na inicial? O fumus boni iuris é o seguinte. o juiz vai conceder ao autor uma segunda oportunidade. Se o autor da ação possessória não tiver prova documental o juiz vai extinguir essa demanda? Não. Se essa é uma liminar satisfativa. segundo.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 177 Essa liminar que vocês ganham na ação de força nova é uma liminar de natureza satisfativa ou cautelar? Satisfativa. Não nas liminares de natureza satisfastiva. que ele exercia o poder de fato sobre a coisa. é necessário que o possuidor agredido prove fumus boni iuris e periculum in mora? Não. Se o possuidor trouxer prova documental (fotos mostrando que a fazenda dele foi invadida. uma audiência de justificação. O autor na ação possessória tem que provar três coisas para o juiz: primeiro. . ele consegue essa liminar inaudita altera pars. O que nós temos aqui é uma liminar satisfativa. Não é necessário provar periculum in mora. que essa agressão se deu a menos de ano e dia. Isso porque quando você pede uma liminar em ação possessória o que você quer é uma antecipação de tutela. sem a necessidade da oitiva da parte contrária. Ele só precisa provar fumus boni iuris do art. o que você quer é o adiantamento da prestação jurisdicional de mérito. 927. Qual é a diferença entre as liminares cautelares para as liminares satisfativas? As liminares cautelares são aquelas que visam garantir. assegurar a utilidade e a eficácia de um outro processo que está em andamento. Não é o caso. 927. CPC. CPC. recorte de jornal) do art. que ele sofreu uma agressão e terceiro. O que você quer é que o magistrado lhe conceda hoje em caráter provisório e revogável aquela decisão que ele só concederia ao tempo da sentença. que a tutela de mérito seja adiantada já para esse momento inicial.

. mas ele não pode trazer a sua prova nesse momento inicial. CPC. Então. ele é citado para formar a relação processual. se o réu pudesse trazer a prova haveria uma inversão procedimental porque o réu só pode provar depois de ter postulado. O réu já contestou aqui? Não. E mais. como é que ele vai provar? Então. O réu pode trazer as testemunhas dele? Claro que não. já que ele não havia conseguido prova documental suficiente para demonstrar que a posse dele foi agredida. o máximo que o réu. O que acontece é que nessa audiência de justificação eu estou ainda na fase inicial do processo possessório que é uma fase de cognição sumária. Ele não será citado para a defesa nesse momento. 927. segundo o STJ. isso não é violação ao contraditório. ele não é citado para pagar em 24 horas.: o réu é citado. eu vou fazer só mais uma pergunta: Pergunta de aluna: inaudível. qual é o recurso cabível contra essa decisão? Agravo porque isso é uma decisão interlocutória. Resposta do prof. conforme a decisão seja positiva ou seja negativa. O contraditório vai ser diferido em uma fase sucessiva. Agravo de instrumento porque apesar da regra agora ser o agravo retido. Isso não é inconstitucional. É uma fase de cognição superficial e unilateral que é deferida ao autor para que ele prove os requisitos do art. Se o juiz concede a liminar ou não concede a liminar na audiência de justificação. se isso é uma fase unilateral. Então. se ele não contestou. mas vocês lembrem que há o agravo de instrumento com efeito suspensivo ou de efeito ativo. Na verdade. pode fazer é contraditar a testemunha do autor. eu só estou trazendo detalhes óbvios. Não vou entrar nessa parte processual. Ele vai ser citado porque esse vai ser o comparecimento inicial dele na demanda. Ele pode questionar a testemunha do autor.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 178 Haverá uma audiência de justificação e nessa audiência de justificação o autor da ação possessória irá trazer prova testemunha. Como isso aqui não é aula de processo civil. é claro que o réu não pode trazer as provas dele. é de instrumento porque existe a urgência na necessidade de se revogar essa ordem judicial. Apesar de ser uma citação muito singular. É como diz na norma de execução: o réu será citado para pagar em 24 horas. O réu vai ser citado para comparecer na audiência de justificação? Claro que o réu vai ser citado para comparecer.

a obtenção de tutela antecipada. 927 do CPC ou conseguir a antecipação de tutela? . CPC. o processo sai do rito especial e a partir da contestação ele vai para o rito ordinário. 273. buscar tutela antecipada do art. Por que é que concedida ou não a liminar o processo sai do rito especial e vai para o rito ordinário? Por que quando entra na fase de contestação o processo passa para o rito ordinário. Quais são os argumentos dos processualistas? O primeiro argumento é que os requisitos da liminar na ação de força nova não são os mesmos requisitos da tutela antecipada do art.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 179 Como a aula é de direito civil. Essa liminar é uma liminar específica. Santino. mesmo tendo começado pelo rito especial? Porque a necessidade de pressa. 273 é uma antecipação de tutela genérica. você tem uma ação de força velha. é uma liminar específica de tutela. A tutela antecipada é independente da liminar da ação de força nova. mas você foi lento e ajuizou depois de ano e dia. que ajuizou ação de força velha. à luz do art. Pode o Santino. Concedida ou não a liminar. Basta vocês entenderem o seguinte: o que é mais fácil? Conseguir a liminar do art. CPC. de celeridade judicial só havia no sentido de saber se era caso ou não de concessão de liminar para o autor. 273 do CPC para conseguir a liminar que ele não obteve porque não é demanda de força nova? A posição hoje majoritária na doutrina é que na demanda de força velha é possível. O juiz naquele caso se adere aos fundamentos que ele concedeu naquela medida e ele só pode amanhã alterar a sua decisão quando provocado pelo recurso do agravo. São duas situações que não podem ser comparadas. eu só quero perguntar o seguinte para vocês: o juiz pode alterar a decisão dele fora da via da liminar? Sem que a pessoa impetrasse o agravo? A posição do STF hoje é negativa. O segundo argumento dos processualistas é que qualquer demanda que está no rito ordinário Não tem a possibilidade de receber tutela antecipada? Então. por que a possessória também não teria já que ela caiu para o rito ordinário? Mas em prova de concurso eu dificilmente consigo imaginar uma antecipação de tutela em uma demanda de força velha. se você ajuíza uma ação possessória. Concedida ou não concedida acabou a pressa. 273. enquanto o art.

Art. CPC. Flávio pode chegar em defesa e dizer que não agrediu ninguém. além de dizer que foi o Nelson que agrediu a sua posse e ele pedir proteção possessória? Quais são as três formas de defesa que vocês conhecem? Contestação. No art. Art. São ações de natureza dúplice. o réu deduz pretensão? Não. Na prática. pois qualquer um dos proprietários vizinhos pode demarcar. reconvenção e exceção. Qualquer um pode ser autor e qualquer um pode ser réu. A única forma de o réu deduzir pretensão é na reconvenção. 273 eu tenho que ter um juízo de probabilidade. Quando o réu contesta. É muito mais grave do que o juízo de mera possibilidade. 927 não se exige o periculum in mora. Aqui. me parece quase que impossível a antecipação de tutela diante de uma força velha. São aquelas ações em que a legitimidade ativa e a legitimidade passiva são variáveis. Quando surgem as ações de natureza dúplice no processo civil? As ações de natureza dúplice surgem nos casos em que as posições de autor e réu são imprecisas. Se dois condôminos querem dividir um terreno. Já no art. Qualquer um dos condôminos pode ser autor e qualquer um pode ser réu. me colocou para fora. Quais são as ações dúplices mais tradicionais que vocês conhecem? Uma ação demarcatória é uma ação dúplice? É. . 273. 927. de quase certeza. basta ter o fumus boni iuris. CPC. Qual vai ser o periculum in mora da pessoa que demora mais de ano e dia para ajuizar a ação? Se houvesse periculum in mora ele teria ajuizado ação logo depois da agressão. 315. ele não deduz pretensão. 922. Já no art. Quando o réu contesta. a ação de divisão é dúplice? É.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 180 Conseguir a liminar do art. que ele me agrediu. Se eu ajuízo uma ação possessória contra Flávio dizendo que ele me esbulhou. É uma ação possessória. CPC exige-se o periculum in mora. Vocês podem me perguntar: como é que o réu irá deduzir pretensão contra o autor? As ações possessórias não estão na regra.

Flávio consegue evitar o êxito do autor e a sua defesa consegue autoridade de coisa julgada. ou seja. que é o Flávio chegue na contestação e deduza um pedido contraposto. que é o réu. Como a posição de autor e réu são posições muito transitórias. admite-se que o réu. quer indenização e desfazimento das construções que Nelson fez. mas materialmente dúplice. o réu não se limita a defender. É uma natureza dúplice porque quando o juiz der a sentença. . Quem estiver com o art. Mas cuidado. pois elas são ações de natureza dúplice mas têm duplicidade limitada. mas vai julgar duas pretensões. Se ele pede desfazimento das construções. Deduzir pedido contraposto é justamente a possibilidade do réu deduzir uma pretensão contra o autor. É por isso que as ações possessórias (art. As possessórias são ações dúplices porque os conflitos possessórios são estáveis. A defesa dele agora está coberta pelo manto da definitividade. 922 do CPC. Tem que ser pela via da reconvenção porque está fora dos estreitos limites do art. 922. pode ser pela via dúplice? Não. CPC) são ações de natureza dúplice.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 181 E o mesmo se diga das possessórias. ou seja. indeterminadas e voláteis. esta será formalmente uma. 922 do CPC na mão observará que o tipo de pretensão que o réu pode deduzir em reconvenção é o pedido de proteção possessória cumulado com indenização. O que o réu Flávio ganha quando o juiz julga procedente o pedido contraposto dele contra o Nelson? A sua defesa ganha autoridade de coisa julgada. São os dois únicos pedidos que ele pode deduzir pela via dúplice. Ele faz o contra-ataque nos próprios autos sem a necessidade de reconvenção. A situação deles é uma situação marcada pela transitoriedade. Se o Flávio. Primeiro o juiz vai dizer: julgo improcedente a pretensão de Nelson contra Flávio. Em segundo lugar o juiz vai dizer: julgo procedente o pedido contraposto de Flávio contra Nelson. ou seja. ele é que quer pedir a reintegração. o autor ou o réu podem se dizer possuidores da coisa. o juiz vai dar uma sentença. na contestação fala que ele é que quer se proteger do Nelson.

Mas o alienante Nelson continua no imóvel e diz que não irá sair de lá. Quando é que vocês utilizam a ação de imissão de posse e quando é que vocês utilizam a via reivindicatória? Essas são as duas ações petitórias mais relevantes. É a imissão porque essa ação tem duas características: é uma ação ajuizada pelo adquirente para ter a posse pela primeira vez. Se o Washington virou dono. mas não a posse como um fato. mas sim em razão de uma relação jurídica emanada da propriedade. O juízo possessório visa proteger uma posse como um fato. Existem duas diferenças significantes.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 182 Por isso. No caso em tela. Se eu sou proprietário. o que o Nelson transmitiu para ele além da propriedade? A posse. eu somente transferi a propriedade. lembrem-se: é uma ação dúplice. Então. Primeira delas: Nelson vendeu um apartamento para Washington. A causa de pedir era a propriedade e a posse vinha justamente com outra noção. mas foi agredida. Qual é a ação que o novo proprietário tem para se investir na posse pela primeira vez? Imissão da posse. Já que vocês viram essa parte procedimental das ações possessórias eu pergunto a vocês: vocês lembram daquele quadro que eu fiz da divisão entre o juízo possessório (ius possessionis) e o juízo petitório (ius possidendi). era decorrência de um direito de alguém sobre uma propriedade. O sujeito passivo da imissão da posse é o alienante da coisa. A idéia do juízo petitório não era proteger a posse como um fato. . A posse eu quis guardar. mas é uma ação dúplice limitada até um determinado ponto previsto pelo art. Todas essas questões que eu acabei de colocar concerne à distinção entre as ações possessórias de força nova e as ações possessórias de força velha. Washington comprou o apartamento e o registrou no RGI. eu transfiro a propriedade e a posse. Washington é dono e quer entrar pela primeira vez na posse. Quando eu vendo uma coisa. A finalidade da ação possessória é preservar uma situação fática de posse que era exercida. mas proteger a posse como direito. eu tenho direito à posse. 922 do CPC. qual seja.

já que essa ação é contra o alienante e contra ou um detentor a ele vinculado. dispor e haver a coisa contra quem injustamente a possua. Quando o Washington quis entrar pela primeira vez no imóvel que ele acabou de comprar quem estava lá era Flávio que era um comodatário de Nelson. Quando Washington foi entrar pela primeira vez no imóvel. clandestinidade ou precariedade. . O Santino tem que ação para retirar a Alessandra de seu imóvel? Ele tem reintegração de posse? Não. CC: “Subentende-se a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório quando cede ao adquirente o direito à restituição da coisa que se encontra em poder de terceiros”. que não queria sair de lá de jeito nenhum. você é dono deste imóvel. Que ação você tem para retirar o Jarbas de lá? A ação de imissão de posse. pois somente há ação possessória se você sofreu uma agressão a sua posse. Não há ação possessória porque nenhuma posse foi agredida. ele já pode ajuizar a ação de reintegração de posse. e como tal tem direito à posse. Eu te cedi a posse indireta e a possibilidade de você ter a reintegração que é a restituição da coisa. Nelson tinha feito o contrato de comodato com Flávio. mas você foi embora e o abandonou por 2 anos. se alguém te tirou de lá com violência. Santino. CC. mas o erga omnes. Zé Rainha estava lá. Nelson tinha a posse indireta e Flávio a posse direta. como o Washington é o novo proprietário e. você foi ao imóvel que eu te vendi e quem estava lá era o Jarbas. Que ação Washington tem contra Zé Rainha? Ação reivindicatória. gozar. de acordo com o art. o meu caseiro. 1267. você pode usar. 1228. Washington já é proprietário. também é imissão de posse. É a ação reivindicatória porque a reivindicatória é uma ação que tem no pólo passivo não o alienante. Olha o § único do art. Então. O sujeito passivo na reivindicatória é o erga omnes. Nesses 2 anos que você abandonou o imóvel a Alessandra entrou no terreno. Nelson transmitiu a posse indireta para Washington. Então. se é contra o Jarbas. Qual é a ação que o Washington.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 183 Então ele ajuíza a imissão de posse para consolidar os poderes dominiais de usar e fruir da coisa. E se ele é o novo dono e tem a posse indireta. Washington. ou seja. o novo proprietário tem para tirar o Flávio do imóvel? Reintegração de posse. ou seja.

Mas . No final do 6o mês o Felipe se negou a sair do imóvel. qual seja. Nem sempre o autor da ação possessória vai ter que demonstrar que a posse dele era uma posse no plano do fato real. Nesses 6 meses que Felipe tinha a posse direta. ou seja. Para você ser possuidor não precisa estar na coisa. Ele passa a ter aposse direta do imóvel e a construtora passa a ter uma posse indireta por uma relação jurídica. Como o prédio novo ainda não estava pronto. uma cláusula contratual. A Carvalho Hosken já está possuindo esse apartamento há 6 meses. eles acordaram o seguinte: Felipe iria ficar 6 meses morando no seu apartamento e após esses 6 meses você entregaria para eles e iria morar no novo apartamento. O Felipe que possuía como proprietário passa a possuir como comodatário. Paulo. Sr. Às vezes esse fato da posse foi uma ficção. 1228. Isso é uma inversão do título da posse pelo qual aquele que possuía a coisa em nome próprio passa a possuir em nome alheio. ele está esbulhando Carvalho Hosken e se ele está esbulhando. Mas você é carecedor de ação na reintegração de posse porque você não tem o fumus boni iuris. o seu pai. O constituto possessório é uma aquisição de posse por ficção. a sua posse passa a ser injusta por precariedade. CC). Felipe. a sua posse ter sido agredida. a sua posse era justa. Simplesmente essa cláusula contratual – cláusula constituti – te colocou na posição de possuidor. O segundo e último exemplo que eu tenho antes de avançar a aula é o seguinte: Washington.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 184 O Santino pode ajuizar ação reivindicatória porque a palavra mágica da reivindicatória é reaver aposse que um dia você já teve (art. mas tem direito a ela. cabe uma ação de reintegração de posse. Mas se após o sexto mês ele não quer devolver. Felipe quando vendeu o apartamento colocou no contrato a cláusula constituti. você tem um apartamento no Grajaú e a Carvalho Hosken (construtora) compra o seu apartamento porque ele trocou esse apartamento por um novo desta construtora. E se a sua posse é injusta por precariedade. que ele continua como comodatário do imóvel. Não necessariamente o Santino irá ganhar a reivindicatória. Qual é a ação que a construtora tem para tirar o Felipe desse apartamento? Ação de reintegração de posse. é um cara milionário.

que nunca na vida colocou as mãos na fazenda do seu pai. para conhecer as fazendas que o seu pai deixou em Goiás. mas ela não concede a esse imóvel legitimidade e merecimento. quando uma pessoa morre. Em primeiro lugar. que ação ele tem para tirar o Zé Rainha de lá? Ação de reintegração de posse. É isso que as provas da PGE. Esse é outro exemplo de posse adquirida por ficção. E cabe a reivindicatória porque o réu é o erga omnes. Está correto também quem penso em reivindicatória. . Defensoria querem. automaticamente transmite para os herdeiros a propriedade e a posse dos seus bens. Washington. Após um tempo. ela tem o imóvel em seu nome. quem estava lá? Zé Rainha. Isso é uma propriedade sem função social. CRFB/88 diz que é garantido o direito de propriedade e o inciso XXIII do art. pois a pessoa formalmente é proprietária. uma breve lembrança: para eu poder falar de função social da posse eu vou lembrar o que é função social da propriedade para ninguém confundir. Quando você chega lá alguns anos após a morte do seu pai. O art. O que é função social da propriedade? A função social da propriedade se materializa naqueles casos em que a pessoa tem titularidade. Vamos estudar agora a chamada função social da posse. ou seja. Você está há dez anos no Nepal quando recebe a notícia que o seu pai morreu no Brasil. ou seja. 5o diz que a propriedade tem que gerar a sua função social. Ele tem reintegração de posse pelo princípio de Saisine. tem o registro em seu nome. que vocês saibam concatenar a mensagem teórica que eu passei para vocês com o mundo prático. mas ela não concede a este bem a destinação social que o ordenamento jurídico desejava.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 185 Washington não gosta de dinheiro. você resolve voltar para o Brasil para ver o que o seu pai deixou de herança. Washington é um monge budista e foi para o Nepal. mas também a propriedade. visto que por sucessão ele não adquiriu somente a posse. 5o. XXII. PGM. Já estudamos a função social da propriedade nas aulas anteriores. o réu é o Zé Rainha.

Vale dizer. Numa questão de concurso eu quero que vocês digam que existem três aplicações legislativas do princípio da função social da posse. Então. Em . O que prevalece? A situação do proprietário pelo só fato dele ser proprietário ou a certeza da situação jurídica do possuidor que não é proprietário. O legislador trouxe três hipóteses claras de ponderação na função social da posse. é claro que não existem respostas a priori. Eu estou trazendo uma situação de tensão entre duas pessoas: o proprietário que se esqueceu de dar função social ao que é dele e um possuidor que entrou lá e passou a dar a função social que o proprietário deveria ter concedido. ambientais que dizem respeito a toda ação de função social. Essa é a lógica da função social da posse. e sim através de outra pessoa. Ou seja. A função social da posse é um plus porque na função social da posse alguém está dando função social à propriedade. Mas esse alguém não é o proprietário. É um plus porque agora eu já não estou narrando para vocês a trajetória isolada de um proprietário. na função social da propriedade eu estou querendo examinar se o proprietário na sua trajetória isolada concedeu destinação social ao bem. mas não pelas mãos do proprietário. Isso é uma questão de proporcionalidade. Isso é uma situação de balanceamento. A função social da posse é uma propriedade que recebe função social. ele concede utilidade individual ao bem.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 186 A pessoa do proprietário não atende às normas urbanísticas. mas ele frustra as expectativas metaindividuais sobre o exercício da propriedade. Vocês não concordam comigo que na função social da propriedade eu estou avaliando se eu devo ou não sancionar um proprietário inadimplente com a função social. mas que concedeu função social? É claro que não existem respostas prontas. é o possuidor. E a função social da posse? A função social da posse é um plus em relação à função social da propriedade. pois isso é uma tensão entre direitos fundamentais. de colisão.

. o prazo vai caindo para 5 anos. você vai usucapir em 10 anos. O que é que o proprietário poderia fazer antes no novo código civil quando fosse chamado como réu numa ação possessória? O que ele poderia alegar em defesa em uma ação possessória? Ele poderia alegar que ele era dono. mas ele cercou o terreno. o que vai fazer variar o prazo de 15 ou de 10 anos? A função social da posse. 1242.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 187 uma delas eu serei mais rápido e nas outras duas serei mais demorado. A aula de ontem é uma excelente demonstração de função social da posse. §2o. CC. Isso é função social da posse. Ihering entendia que assim como o homem vinha do macaco. A visão de Ihering era a visão de Darwin. que a propriedade sempre triunfava sobre a posse. tomar conta. vigiou o terreno. § único. Quando uma pessoa é possuidora e quer usucapir. mas à medida em que você for dando função social. 1238 e 1242. ele vai reduzir o prazo de 15 para 10 anos se for usucapião extraordinária ou irá reduzir de 10 para 5 anos se for a usucapião tabular (art. Serei mais rápido naquelas que vocês já estudaram comigo. Mas se além desses atos de posse ordinária ele der moradia ou realizar investimentos econômicos no bem. 1210. a posse era um ser primitivo e a propriedade era um ser visualizado sob uma ótica contemporânea. isso era uma demonstração clara de que o legislador entendia que a propriedade era um direito superior à situação do possuidor. Se um possuidor ficou possuindo o imóvel. A segunda situação de função social da posse é o art. A função social da posse está na usucapião ordinária e na usucapião extraordinária. CC). CC que trata da vedação à exceção de propriedade. A lei diz que se você for possuidor. Enquanto o código civil de 1916 admitia a exceção de propriedade. A primeira função social da posse se encontra na chamada usucapião dos arts. Isso é uma aplicação normativa do princípio da proporcionalidade. ele irá usucapir em 10 ou em 15 anos? Em 15 anos. Vocês entenderam porque não é função social da propriedade. por que é da posse? É função social da posse porque eu estou em uma situação de tensão entre o proprietário inerte e o possuidor que concedeu função social.

§4o. pois a posse não é melhor do que a propriedade e a propriedade não é melhor do que a posse. 1228. É o famoso caso da favela Pulman lá de São Paulo. Não é função social da propriedade. Em 1960. . A base constitucional da posse e está sendo da função social é o direito fundamental de moradia do art. Essa é que é a razão que está por trás da vedação à exceção a propriedade. O que interessa é manter a posição de quem estava dando ingerência sócio-econômica à coisa. Art. independente dessa pessoa ser ou não proprietária. Essa alegação não ajuda em nada porque no momento em que o código civil veda a alegação de exceção de propriedade. eu falo no estudo da posse. CC. o novo código civil fala que se vier uma ação possessória e você Washington é o proprietário. Só por uma curiosidade para quem tem o meu livro de direitos reais. pois isso é função social da posse. É um direito social fundamental. é o réu. 6o da CRFB/88. Quem estava dando ingerência sócio-econômica? Quem estava exercendo a posse como um fato? Quem estava dando utilidade à coisa? Quem estava dando destinação ao bem? Quem estava dando ao bem uma finalidade conforme a Constituição? É o possuidor. Para falar sobre desapropriação indireta judicial eu vou falar sobre um caso real que foi decidido pelo STJ e esse caso dá toda base que vocês têm que ter para o entendimento da matéria. hoje em dia a sua alegação em defesa de que você é o dono ajuda? Não. A terceira situação de função social da posse é a chamada desapropriação indireta judicial. Não interessa quem é o proprietário. eu não falo da desapropriação indireta no instituto da propriedade. Então. São direitos fundamentais distintos. Mas isso não é verdade. o recado do novo código civil é que quem vence a ação possessória é quem estava dando função social à posse. Flávio (vou usar um nome fictício) era dono de um grande loteamento na periferia de São Paulo. Em homenagem a esse direito social fundamental de moradia. É o prestígio da função social da posse. mantém-se o possuidor. a propriedade sempre tinha que triunfar sobre a posse. Um não tem nada a ver como o outro.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 188 E se a propriedade era uma evolução sobre a posse.

Quais foram os dois argumentos para o TJ de São Paulo julgar improcedente a demanda reivindicatória? Primeiro argumento: quando vocês estudam direito de propriedade na faculdade. CRFB/88 garantir o direito de propriedade. É por isso que julgou-se improcedente por esse primeiro argumento. 5o. ajuizar uma ação reivindicatória. vocês peguem o Resp no 65659 de São Paulo. E que o Direito só pode ser entendido como tal se ao aspecto normativo for agregado o aspecto valorativo. qual é o único exemplo que o professor dá sobre perecimento? Ivo Pitangy tem uma ilha em Angra. Vem um tsunami e a ilha é tragada pelo mar. Em casa. . visto que ele é proprietário e ele tem direito à posse.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 189 Mas Flávio abandonou esse loteamento e durante 20 anos trinta famílias entraram no loteamento dele e fizeram uma favelinha conhecida como favela Pulman. então. Aquele loteamento é uma realidade no plano jurídico. O que o STJ fez foi confirmar o voto do Desembargador José Osório. Depois de 20 anos Flávio voltou ao seu loteamento e viu que tinha virado uma favela. esse registro é apenas uma relíquia histórica porque este documento jamais poderia ter força maior do que a realidade criou. A realidade jurídica foi possuída pela realidade fática. ele tem que ter legitimidade. mas não ganhou. Ele ajuizou a ação reivindicatória. O segundo argumento foi: hoje para o proprietário ajuizar uma ação reivindicatória não basta ele ter titularidade. visto que perecendo a coisa. XXII. Eles fizeram as suas casas e o município colocou equipamentos urbanos na favela. O STJ vem com um exemplo de perecimento muito melhor: o Flávio não pode reivindicar essa propriedade. pois a propriedade dele pereceu visto que o loteamento dele foi tragado pela favela. Além do fato do art. essa escritura. Ele resolve. Houve o perecimento da propriedade. perece o direito. A fotografia que o cartório tem desse imóvel não corresponde à fotografia que a realidade tratou de criar nos últimos 20 anos. E ele só tem legitimidade se ele ostentar função social. Segundo o STJ. mas não é uma realidade no plano social. esse documento que o Flávio tem.

É o juiz que estará desapropriando dentro do devido processo legal. Esta não pode subsistir em razão da perda do objeto do direito de propriedade”. Loteamentos são realidades urbanísticas. pois o art. Se fosse usucapião. CC.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 190 E esse proprietário não ostentou função social porque ele abandonou esse imóvel por longos anos a ponto de todas essas famílias terem formado o seu meio de vida. isso não é Karl Marx. Os lotes do terreno reivindicado não passam de abstração jurídica. Abram o art. E olha a foiçada que o Tribunal ainda deu nele: “e peça indenização a quem de direito”. Por que isso se chama desapropriação e não usucapião? Isso se chama desapropriação porque por mais que o proprietário perca a propriedade. Vou ler dois extratos da decisão para vocês verem como a coisa é séria. Isso é justamente uma aplicação concreta da desapropriação judicial indireta. § 4o. É judicial porque pela primeira vez no direito brasileiro quem está desapropriando não é o Poder Legislativo e nem o Poder Executivo. Então. por força de uma erosão social deixam de existir como loteamento. mas sim o Poder Judiciário. A favela já tem vida própria. ele será indenizado. Então. É um modo de aquisição originário da propriedade. é uma ficção. é que o proprietário será indenizado. . é uma desapropriação. Por que indireta? Quando se dá a desapropriação indireta no direito associativo? Primeiro o Poder público ocupa o imóvel de vocês e depois ele te indeniza. A realidade concreta prepondera sobre a pseudorealidade jurídico cartorária. que só existem dentro de um contexto urbanístico. 1228. ele vai perder a propriedade. Vamos começar. em um momento posterior. XXIV. Isso não é comunismo. 5o. A desapropriação judicial indireta é constitucional? Claro que é. A mesma coisa acontece aqui. “No caso dos autos a coisa reivindicada não existe. isso é uma desapropriação judicial indireta. Se são tragados por uma favela consolidada. CRFB/88 fala que a desapropriação por interesse social se dará nas hipóteses previstas em lei. ele sequer seria indenizado. É por isso que a demanda foi julgada improcedente. Primeiro esse pessoal ocupa o imóvel e depois da ocupação. A realidade urbana é outra.

CC. essa é uma nova espécie de desapropriação criada por lei. 1228. 1228. Tanto existem casos em que quem vai pagar são os próprios possuidores e em outros casos quem pagará será o Poder público. Ainda mais que eles já realizaram gastos de investimentos nesse bem. seria melhor jogar essa norma do Código civil no lixo. Quem desapropria é quem indeniza. é ele que deve indenizar. Qual é o argumento para que a União indenize em caso de imóvel rural e para que o município indenize em caso de imóvel urbano? O argumento é que isso é uma desapropriação baseada no interesse social e se o que se visa aqui é dar função social. É a regra geral porque se porventura essas famílias pobres fossem obrigadas a indenizar o Flávio pela propriedade. CJF: é constitucional a modalidade aquisitiva de propriedade imóvel prevista nos §§ 4o e 5o do art. Nesse caso de famílias carentes quem vai indenizar será o município. pois essa norma irá perder toda a sua eficácia social porque essa gente não terá condição econômica de indenizar o Flávio pela propriedade desapropriada. Se é o poder público que está desapropriando. . se for imóvel rural. Enunciado 82. Qual é a primeira conduta do juiz em ações como essa? Convoca a União se for imóvel rural ou convoca o município se for imóvel urbano. Hoje eu vou ler 12 enunciados do CJF. Portanto. Seria uma impossibilidade jurídica. Para vocês verem como tem muita coisa no CJF sobre esse particular e o primeiro deles é o enunciado 82 do CJF. claro que ela é constitucional. Vocês podem questionar que o poder público não está na lide. eles não poderiam ser castigados a novamente pagar valores ao proprietário. é claro que a iniciativa da regularização fundiária tem que ser do Poder público. É claro que eu concordo com vocês que a regra geral é que quem vai pagar vai ser o poder público. §4o. se for imóvel urbano e a União. Então. A segunda pergunta é a seguinte: quem é que vai pagar o Flávio? As trinta famílias ou o Poder público? A resposta é depende. Então.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 191 Isso é uma nova espécie de desapropriação cuja finalidade é satisfazer o interesse social dessas pessoas que se estabilizaram nesse imóvel e a desapropriação por interesse social pode ser reservada à discricionariedade do legislador que a instituiu no art.

pois nesse caso a satisfação não é de um interesse social ou urbanístico. O código não fala que essa desapropriação indireta é para fins de moradia. Eles é que vão pagar. Considerável número de pessoas é um conceito jurídico indeterminado. 1228. E se é um interesse privado. Então.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 192 O juiz traz a União e o município justamente para que se faça coisa julgada perante elas para que elas sejam condenadas a indenizar. É um interesse privado deles. nem sempre é só o pobre que vai se beneficiar dessa desapropriação indireta judicial. Esse é o primeiro aspecto. Quando é que quem vai indenizar são os próprios possuidores? Está escrito no art. 1228. §4o. por exemplo. esses conceitos jurídicos indeterminados “extensa área” e “considerável número de pessoas” têm que ser aferidos em cada caso concreto. que é o local por excelência desses conflitos. Esses três podem alegar na defesa da ação reivindicatória a desapropriação indireta judicial? Podem. E se esse terreno onde tem essa oficina é de 1000 m2. §4o: são três famílias que estão nesse terreno há mais de cinco anos e realizaram obras ou serviços de cunho econômico. três famílias tendo sustento aqui já é o suficiente para aplicar essa norma. Depois de sete anos o proprietário aparece e ajuíza uma ação reivindicatória para colocar os três para fora da oficina. Se não está falando de renda. Eles estão nessa oficina há sete anos ganhando muito dinheiro com essa oficina. Olha os requisitos do art. Deixa eu dar um exemplo para vocês entenderem bem quando é que os possuidores vão pagar em pessoa. . As três famílias vão ficar com a oficina e vão indenizar o proprietário pelo valor do terreno. Imagina que tem um terreno em Caxias e três amigos se unem para fazer uma oficina de automóveis. existem vários imóveis onde moram pessoas de classe alta e classe média alta que estão fora de regularização e essas famílias vão utilizar a desapropriação judicial e quem vai pagar amanhã são essas pessoas que têm condições econômicas. Isso já é suficiente para que o juiz julgue improcedente a pretensão reivindicatória. Em Brasília. CC que tem direito a essa desapropriação só quem é pobre? Não. eles que paguem. para um terreno deste tamanho.

Eu sempre achei essa posição injusta. Isso é um pedido contraposto. O enunciado 84 diz que quem deve pagar a indenização são os próprios possuidores que se tornarão proprietários. Enunciado 308. Os réus têm que deduzir o pedido contraposto dizendo que a demanda deve ser julgada improcedente porque nós estamos aqui há mais de cinco anos. . O enunciado 84 fica mantido nos casos em que os possuidores não forem pessoas de baixa renda. nós somos um considerável número de pessoas e realizamos um investimento considerável.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 193 Não tem como sair com uma solução legislativa redigida a princípio fechada. 182 e 184 da CRFB/88. Varia de caso a caso. sendo eles próprios os responsáveis pelo pagamento da indenização. pois às vezes quem deve pagar é o poder público. Flávio ajuizou a reivindicatória. A desapropriação indireta judicial tem que ser alegada em defesa pelos possuidores. Recentemente o CJF manteve parcialmente o enunciado 84 porque ele editou o enunciado 308. Mas se forem pessoas de baixa renda. O CJF entendeu o seguinte no enunciado 84: a defesa fundada no direito de aquisição com base no interesse social deve ser argüida pelos réus da ação reivindicatória. O juiz não pode nesse caso se manifestar porque é uma questão de simples conveniência dos particulares. que há o interesse na desapropriação. O Flávio vai ser indenizado em dinheiro ou em títulos da dívida pública? Em dinheiro. Pode o juiz de ofício falar que é caso de desapropriação indireta judicial? Não pode. quem vai pagar vai ser a União se for imóvel rural ou o município se for imóvel urbano nas políticas sociais de reforma agrária para imóvel rural e no estatuto da cidade para o imóvel urbano. aplica-se o enunciado 84. pois título da dívida pública é só naquelas hipóteses constitucionais restritas de desapropriação sanção dos arts. Não sendo possuidores de baixa renda. Os réus não se manifestaram sobre a desapropriação indireta judicial. é uma extensa área. Eles que aleguem que há o interesse na aquisição do bem. CJF: a justa indenização que será paga ao proprietário em caso de desapropriação judicial somente será suportada pela Administração pública quando estiver no contexto das políticas públicas de reforma agrária ou urbana em se tratando de possuidores de baixa renda e desde que tenha havido a intervenção do Estado nos termos da lei processual.

mas como uma ponderação de interesses. se for bem público dominical. Cabe desapropriação judicial indireta se esse povo está possuindo o imóvel e o proprietário é o poder público? Vamos ver o enunciado 83 do CJF: Nas ações reivindicatórias propostas pelo poder público não é aplicável o §4o do art. o que o Poder Judiciário estaria permitindo? Que bens públicos se convertessem em bens particulares driblando a proibição da usucapião. que não dá destinação ao seu bem e os outros é que investem no seu terreno. Então. como é que ele vai se locupletar ilicitamente recebendo o valor de mercado se a valorização do bem não se debita à conduta dele. Então. 1228 do Código civil. Vocês têm que perceber que o valor de mercado vai ser de alguma forma reduzido em decorrência de gastos que essas pessoas realizaram e que gerou valorização na coisa. a justa indenização tem que ser entendida não como valor de mercado. Essa proibição só cabe se o bem público for de uso comum do povo ou se for bem público de uso especial. Mas se for bem público patrimonial. é possível usucapião de bem público? Não. O §5o do art. Ou seja. Isso aqui é uma desapropriação judicial indireta e ela tem que ser alegada em defesa. O que é justa indenização? Justa indenização é o valor de mercado desse imóvel? Não. pois se ele fosse receber valor de mercado seria enriquecimento sem causa. Eles vão abater com as benfeitorias que eles realizaram na coisa. que . ele tem que ser indenizado em dinheiro. A posição inicial do CJF no enunciado 83 era que se o imóvel é público não cabe ao réu na defesa alegar desapropriação judicial indireta. que é bem público desafetado. Como é que uma pessoa que abandona o que é seu há mais de cinco anos. 1228 fala que ele vai receber justa indenização.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 194 Como neste caso não se trata de desapropriação sanção. Podem os possuidores abater da indenização o valor que eles gastaram com benfeitorias na coisa? Podem. se a valorização se debita à conduta dos que estavam possuindo o terreno? Ele vai ser indenizado. Qual era a razão desse enunciado? Evitar uma usucapião por uma via oblíqua. mas a justa indenização será uma ponderação dos interesses do proprietário com os interesses dos não proprietários. se fosse permitida a desapropriação judicial.

III do CPC o MP deverá intervir obrigatoriamente nas demandas possessórias que envolvam interesses coletivos. mas sim uma reintegração de posse? Claro que pode. Pode-se alegar desapropriação judicial indireta em defesa se a ação ajuizada não foi uma reivindicatória. se o juiz percebe que os réus na contestação deduzem a desapropriação judicial indireta. não é legítimo conceder propriedade a eles se eles estão ofendendo a função social ambiental dos bens. o que o proprietário faria para driblar a proibição da lei? Ele ajuizaria uma reintegração de posse apenas para driblar essa impossibilidade. 1228. . A boa notícia é que veio o enunciado 304 do CJF que diz o seguinte: é aplicável à desapropriação judicial indireta as ações relativas a bens públicos dominicais. Então. pode ajuizar uma reintegração de posse. CC eles vão alegar isso seja em nível de demanda reivindicatória. 1228. §4o. Esse povo entrou no imóvel e permaneceu cinco anos nele. o juiz tem que convocar o MP? O MP deve obrigatoriamente participar dessas demandas. Flávio. Porque se não fosse essa possibilidade plausível. seja em nível de reintegração de posse. Pelo art.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 195 não recebe destinação. é claro que os réus podem alegar que o bem público estava abandonado e requerer a desapropriação judicial indireta. CJF: tendo em vista a desapropriação indireta judicial o MP tem o poder-dever de atuar sempre que envolva relevante interesse público determinado pela natureza dos bens jurídicos envolvidos. Olha o que diz o enunciado 305. Coloquem ao lado do artigo que na reintegração de posse também pode. do mesmo jeito. Mantido parcialmente o enunciado 83. o MP e órgãos ambientais. Quando o proprietário aparece. Quem entra nessa ação é o Estado. CC dá a idéia de que a desapropriação judicial indireta só pode ser alegada em defesa em ações reivindicatórias. Mas se os réus completaram cinco anos de posse com todos os requisitos que estão no art. Órgãos ambientais devem entrar nessa ação porque às vezes quem ocupou o imóvel está destruindo o meio ambiente. O §4o do art. ao invés de ajuizar uma reivindicatória. 82. O enunciado 83 foi mantido parcialmente porque não cabe desapropriação judicial indireta para os bens de uso comum do povo e os de uso especial.

Se vocês são juízes e percebem que todos os requisitos do art. seria confisco. vamos indenizar o proprietário e posteriormente haverá a mudança da titularidade. pode ser para trabalho. Para que haja segurança jurídica. rico ou classe média. A quarta diferença é que a desapropriação judicial indireta não exige um máximo de metragem do terreno. na Magistratura de Minas Gerais e no MP de São Paulo. §4o estão presentes. Já a usucapião coletiva exige o máximo de 250 m2 para cada possuidor. Não tem um favorecimento específico. vocês irão julgar improcedente a reivindicatória. A propriedade só pode passar para a nova titularidade quando o proprietário for indenizado. Olha o enunciado 311 do CJF: caso o proprietário não seja pago e ultrapassado o prazo prescricional para se exigir o crédito. Já a desapropriação judicial indireta pode ser para pobre. 1228. Enquanto o proprietário não for indenizado os possuidores ficam com a situação provisória deles mantida. prescreveu e os possuidores passam a ter a propriedade independente de qualquer indenização. Enquanto o proprietário não for pago a propriedade pode passar para o nome dos possuidores? Não pode. A primeira é a seguinte: a desapropriação gera indenização e a usucapião é gratuita.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 196 Nesse sentido há o enunciado 307 do CJF que diz o seguinte: é obrigatória a intervenção de órgãos públicos competentes para licenciamento ambiental e urbanístico. Caso contrário. . A terceira diferença é que a usucapião coletiva é somente para pessoas de baixa renda. mas a titularidade requer que o proprietário seja indenizado. O enunciado 311 diz que o proprietário tem que ser indenizado. Já na desapropriação indireta não precisa ter moradia. A segunda diferença é que a usucapião coletiva exige moradia de cinco anos da coletividade. Se em dez anos ele não for indenizado. estará autorizada a expedição de mandado para registro de propriedade em favor dos possuidores. mas tem que ser indenizado dentro do prazo prescricional que é o prazo prescricional de 10 anos. Quais são as sete diferenças entre a desapropriação judicial indireta e a usucapião coletiva? Essa pergunta já caiu no MPF.

O conceito de boa-fé do art. boa-fé e desde que tenham dado uma destinação econômica. Basta ter animus domini. ela não pode ter a titularidade de outro imóvel. Já na usucapião coletiva a pessoa precisa ter animus domini. CC. A sexta diferença é que na desapropriação judicial indireta a pessoa não precisa ter animus domini.INSTITUTO PRAETORIUM MÓDULO DE DIREITOS REAIS NELSON ROSENVALD 197 A quinta diferença é que quando a pessoa quer a usucapião coletiva. 1228. Muito obrigado. eles poderão pedir a desapropriação judicial indireta desde que eles te indenizem pelo bem. CC. Esse entendimento foi adotado pelo CJF no enunciado 309: os conceitos de posse e de boa-fé de que trata o art. que é a ignorância do vício. 1228. Isso quer dizer que essa boa-fé significa que esses caras que estão na posse da coisa há cinco anos não entraram lá por violência. São três as situações de função social da posse: na usucapião a redução de prazo. Eu sempre entendi que onde está escrito boa-fé no §4o do art. essas são as situações ponderáveis de função social da posse. pois 99% dos casos de ocupação de imóveis os possuidores sabem que o imóvel não é deles. Se por acaso o Washington tem um terreno abandonado e ele arrendou para 20 famílias. Eles entraram lá porque o bem estava abandonado. não é o conceito de boa-fé do art. 1228. 1201 do CC não se aplicam ao §4o do art. §4o é o de alguém que tenha entrado no bem sem que a posse seja injusta. A sétima diferença é que para ter a usucapião coletiva não precisa ter boa-fé. ela nunca vai existir na verdade. mas podem pedir a desapropriação. É para ser entendida como não sendo posse injusta. mas na desapropriação judicial indireta ele pode ter outros imóveis. . Essas 20 famílias durante oito anos cultivaram arroz neste terreno. Não tinham animus domini. O conceito de boa-fé do art. Então. a vedação da exceção de propriedade e a desapropriação judicial indireta que é uma tensão entre propriedade e posse e irão prevalecer os possuidores. Quando você ajuizar a sua reivindicatória de volta. §4o. essa boa-fé não é para ser entendida como boa-fé. clandestinidade ou precariedade. Se a desapropriação judicial exige boa-fé. Já para ter desapropriação judicial indireta o possuidor tem que ter boa-fé. 1228. 1201. extensa área. desde que eles tenham cinco anos.

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