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convencao 132 oit

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PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA DO TRABALHO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 24ª REGIÃO

ESCOLA SUPERIOR DA MAGISTRATURA

A convenção 132 da OIT
Flávio da Costa Higa

Idéias Legais - Ano 1 - nº 1 Campo Grande - MS 2005 Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região

Presidente - Juiz Nicanor de Araújo Lima

Conselho Executivo da Escola Superior da Magistratura
Juiz Amaury Rodrigues Pinto Júnior - Diretor Juiz Marco Antonio de Freitas - Vice-Diretor Juiz Marcio Vasques Thibau de Almeida - Membro Representante dos Juízes de 2ª instância Juiz João Marcelo Balsanelli - Membro Representante dos Juízes Titulares de Vara do Trabalho Juiz Christian Gonçalves Mendonça Estadulho - Membro Representante dos Juízes Substitutos - Juiz Luiz Divino Ferreira - Suplente

Apoio

Secretaria da Escola Judicial (diagramação) Serviço de Informática (capa e impressão)

Endereço: Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região
R. Jornalista Belizário de Lima, 418 Campo Grande-MS - CEP 79.004-270 Fone: (67) 316-1750 Fax: (67) 316-1751

Brasil. Tribunal Regional do Trabalho. Região, 24ª. Escola Superior da Magistratura. Idéias Legais. Campo Grande-MS: Escola Superior da Magistratura da 24ª Região, 2005 Bimestral n. 1, 2005 1. Direito do trabalho - Periódico. I Mato Grosso do Sul. Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região. CDDir 341.605

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ............................................................................................... 05 HINO DE MATO GROSSO DO SUL ................................................................ 07 COMPOSIÇÃO DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO ................... 09 JUÍZES TITULARES DAS VARAS DO TRABALHO .................................. 11/12 JUÍZES SUBSTITUTOS .................................................................................... 13 ARTIGO

A Convenção 132 da OIT .......................................................................................... 17 Flávio da Costa Higa
ACÓRDÃOS .....................................................................................................31,35 SENTENÇA......................................................................................................... 47

APRESENTAÇÃO
Honra-nos oferecer à comunidade jurídica trabalhista, em especial à sulmato-grossense, o mais recente projeto da Escola Superior da Magistratura do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, intitulado Idéias Legais, cujo objetivo é fomentar e motivar o desenvolvimento da criação intelectual dos juízes, gerando discussões acerca de temas atuais e palpitantes. O momento é muito propício, já que as novas alterações provenientes da reforma do Poder Judiciário suscitam e suscitarão incontáveis e aguçados questionamentos, estudos e debates. Nessa edição, trazemos, em destaque, brilhante trabalho do jovem e estudioso Juiz Flávio da Costa Higa que, como lhe é peculiar, analisa o tema com profundidade e lucidez, imprimindo estilo elegante no manejo de seu castiço linguajar. Além disso, a edição traz dois acórdãos do Juiz Marcio Vasques Thibau de Almeida e uma sentença do Juiz Flávio da Costa Higa. Cumprimos, desta feita, não apenas nossa missão regimental de edição e publicação de estudos jurídicos, mas nosso mais nobre anseio de oportunizar, aos que servem à justiça e aos que dela se servem, o aprimoramento no domínio das ciências jurídicas, a fim de melhor contribuírem para a prestação jurisdicional e consolidarem o prestígio do Poder Judiciário Trabalhista.

JUIz AMAURY RODRIGUES PINTO JÚNIOR Diretor da Escola Superior da Magistratura

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Reforjaram em Mato Grosso do Sul Uma gente audaz.HINO DE MATO GROSSO DO SUL Música: Radamés Gnattali Letra: Jorge Antonio Siufi e Otávio Gonçalves Gomes Os celeiros de farturas. tanta galhardia! Vespasiano. Heróis. Campos grandes: Vacaria. Rememoram desbravadores. Tuas matas e teus campos. Sob um céu de puro azul. Camisão E o tenente Antônio João. Guaicurus. Moldurados pelas serras. . Ricardo Franco. Glória e tradição! A pujança e a grandeza De fertilidades mil São o orgulho e a certeza Do futuro do Brasil. E teus rios são tão ricos Que não há igual. O esplendor do Pantanal. A pujança e a grandeza de fertilidades mil São o orgulho e a certeza Do futuro do Brasil.

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COMPOSIÇÃO DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 24ª REGIÃO Presidente JUIz NICANOR DE ARAÚJO LIMA Vice-Presidente JUIz AMAURY RODRIGUES PINTO JÚNIOR Juízes do Tribunal JUIz ABDALLA JALLAD JUIz MÁRCIO EURICO VITRAL AMARO JUIz ANDRé LUíS MORAES DE OLIVEIRA JUIz JOÃO DE DEUS GOMES DE SOUzA JUIz RICARDO GERALDO MONTEIRO zANDONA JUIz MARCIO VASQUES THIBAU DE ALMEIDA .

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JUÍZES TITULARES DAS VARAS DO TRABALHO (por ordem de antigüidade) JUIz FRANCISCO DAS CHAGAS LIMA FILHO 2ª Vara do Trabalho de Dourados JUIz OSCAR zANDAVALLI JÚNIOR 5ª Vara do Trabalho de Campo Grande JUIz TOMÁS BAwDEN DE CASTRO SILVA Vara do Trabalho de Três Lagoas JUIz RODNEI DORETO RODRIGUES 1ª Vara do Trabalho de Campo Grande JUIz ORLANDI GUEDES DE OLIVEIRA 4ª Vara do Trabalho de Campo Grande JUIz ADEMAR DE SOUzA FREITAS 3ª Vara do Trabalho de Campo Grande JUIz JÚLIO CéSAR BEBBER 2ª Vara do Trabalho de Campo Grande JUízA DALMA DIAMANTE GOUVEIA Vara do Trabalho de Aquidauana JUIz JOÃO MARCELO BALSANELLI Vara do Trabalho de Jardim JUIz wELLINGTON SEBASTIÃO GONÇALVES Vara do Trabalho de Nova Andradina JUIz RIVAN DUARTE Vara do Trabalho de Coxim JUIz APARECIDO TRAVAIN FERREIRA Vara do Trabalho de Corumbá JUIz NOEDI FRANCISCO AROSI Vara do Trabalho de Mundo Novo JUízA MARINA BRUN BUCkER Vara do Trabalho de Paranaíba .

JUIz RENATO LUIz MIYASATO DE FARIA 1ª Vara do Trabalho de Dourados JUízA IVETE BUENO FERRAz DE MOURA Vara do Trabalho de Ponta Porã .

JUÍZES SUBSTITUTOS (por ordem de antigüidade) JUízA FÁTIMA REGINA DE SABOYA SALGADO JUIz MARCO ANTôNIO MIRANDA MENDES JUízA IzABELLA DE CASTRO RAMOS JUIz MARCO ANTONIO DE FREITAS JUIz ALEx FABIANO DE SOUzA JUízA kELLY CRISTINA MONTEIRO DIAS ESTADULHO JUIz FLÁVIO DA COSTA HIGA JUIz MARCELINO GONÇALVES JUIz CHRISTIAN GONÇALVES MENDONÇA ESTADULHO JUIz LUIz DIVINO FERREIRA JUízA ANNA PAULA DA SILVA SANTOS JUízA NEIVA MÁRCIA CHAGAS JUIz LEONARDO ELY JUIz MARCELO BARUFFI JUIz ANTôNIO ARRAES BRANCO AVELINO JUIz CARLOS ROBERTO CUNHA JUízA BEATRIz MAkI SHINzATO CAPUCHO JUIz MÁRCIO ALExANDRE DA SILVA JUIz EzEQUIEL ANDERSON JUIz DENILSON LIMA DE SOUzA .

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ARTIGO .

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de 05 de outubro de 1999. Rel. 954. A incorporação dos tratados internacionais à ordem jurídica interna decorrem. p. que. os tratados ou convenções internacionais estão hierarquicamente subordinados à autoridade normativa da Constituição da República. I) e a do Presidente da República. definitivamente. Min. em face da adoção. Rel. resultante da conjugação de duas vontades homogêneas: a do Congresso Nacional. formal ou materialmente. Celso de Mello. p. Suplemento Trabalhista. VIII). TP. na. o texto da Carta Política (STF-ADIMC-1480. Alterações na legislação de férias. Em conseqüência. 49. p. art. p. afrontarem a Carta Magna2. Brasília. 9. 3 4 SÜSSEkIND. no 800. incorporados ao sistema de direito positivo interno. 1 No sistema jurídico brasileiro. por meio do Decreto no 3. Celso de Mello. situa-se. “de um ato subjetivamente complexo. Arnaldo. 177. . nenhum valor jurídico terão os tratados internacionais. além de celebrar esses atos de direito internacional (CF. 429). TP. no mesmo patamar de validade. não produzindo quaisquer efeitos os diplomais internacionais que. 2 BARROS. Alterações no capítulo IV da CLT – convenção no 132 – OIT. sobre tratados. 36. DJU 18-5-2001. por corolário lógico. que. Tal ilação permite lobrigar a existência de uma relação de paridade normativa entre as leis ordinárias e os tratados internacionais. Min. também dispõe. da teoria dualista1. Consulex. ao defenderem que os tratados e convenções internacionais que dispõem sobre direitos e garantias fundamentais têm força constitucional3. 429). entretanto. desde quando regularmente incorporada ao direito interno. mediante decreto legislativo. formal ou materialmente.197. v. acordos ou atos internacionais (CF. eficácia e autoridade em que se posicionam as leis ordinárias. 84. Cumpre trazer à baila. Glauce de Oliveira. a exemplo dos demais tratados e convenções internacionais. abalizado posicionamento divergente de Arnaldo Süssekind e Glauce de Oliveira Barros. também subordinam-se ao primado da Constituição Federal. da competência para promulgá-los perante decreto (STF-ADIMC-1480. art. transgredirem. os quais. de tal sorte que encontram-se hierarquicamente vinculados às matizes da Norma Ápice. DJU 18-5-2001. pelo Brasil. São Paulo. no ordenamento jurídico pátrio. situando-se num nível hierarquicamente superior às leis ordinárias4. enquanto chefe de Estado que é.CONVENÇÃO 132 DA OIT – INCOMPATIBILIDADE COM OS ENUNCIADOS 171 E 261 DO TST VIGÊNCIA – EFICÁCIA – CRITÉRIOS PARA APLICAÇÃO A Convenção 132 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). LTr. que resolve. portanto.

e não. consta dispositivo que equipara tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos às emendas constitucionais (CF. à precipitada conclusão de que o método clássico para aquilatar qual a lei aplicável seria simplesmente compará-las. em breve5. analisarse-iam os textos legais em seu todo. com redação dada pela EC 45. ainda vacilante. 24)7. por três quintos dos votos dos respectivos membros. Ao revés. porque tal garantia foi reconhecida na “Declaração Universal dos Direitos do Homem” (art. possui essa jaez. Toda pessoa tem direito ao descanso e à recreação. pois. maior razão. segundo a linha desenvolvida neste modesto estudo. art. é que tais convenções cumpram o requisito formal do art. emitindo-se o juízo axiológico acerca da norma mais benéfica considerando-as em seu conjunto. ou seja. de proêmio. pois para que tal razão se concretize. Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. em cada casa do Congresso Nacional. 5 CF. de norma hierarquicamente idêntica à CLT. submergindo a que maiores benefícios contiver aos trabalhadores. Raciocínio perfunctório remete-nos imediatamente ao “princípio da norma mais favorável”. 5o. em dois turnos. 5o. e encontrando os “melhores” dispositivos em cada um dos artigos. em abstrato. qual seja a aprovação em dois turnos. art.Malgrado não comungue de tal raciocínio. de 31. sustentando que quando se extrai de cada lei Digo em breve. a referida Convenção. grosso modo. em cada casa do Congresso Nacional. valioso ressaltar que o tempo poder-lhes-á dar. especificamente. Tratando-se. de fato. segundo o qual as normas devem ser analisadas topicamente. § 3o. 24. é que se pacifique o entendimento. sob tal prisma. duas condições devem ser implementadas: a primeira. 7 .12.04. por três quintos dos votos dos respectivos membros. Tanto a doutrina quanto a jurisprudência criticam veementemente esse último método de aferição. torna-se imperioso dirimir. sob a égide de duas vertentes. pelo motivo alhures mencionado. convenções sobre direitos humanos. que trata da “Reforma do Judiciário”. 6 art. haja vista que na Emenda Constitucional no 45.12. serão equivalentes às emendas constitucionais. quais sejam a “teoria do conglobamento” e a “teoria da acumulação”. § 3o)6. isolando-os do contexto normativo. de 31. parágrafos ou incisos sob análise. sendo inexorável a conclusão de que a Convenção sobre as férias. § 3o da CF. a segunda. desde logo. de que as convenções internacionais sobre direitos trabalhistas são. cabendo ao intérprete secionar os textos legislativos. qual dos textos legais passa a reger os contratos individuais de trabalho.04. 5o. Impende salientar. que aludido contraste de normas pode ser levado a cabo. a “teoria da acumulação” sugere critério diametralmente oposto. Pela primeira. especialmente a uma limitação racional de horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.

tendo como pressuposto LICC. o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. resta indene de dúvidas que a utilização de uma terceira norma. ao estabelecer no art. 5o . Sobreleva que o legislador já adotou expressamente tal critério. porém. só é possível conceber a escolha de uma legislação mais benéfica. em relação de verdadeira “simbiose normativa”. a toda evidência. II – a aplicação da legislação brasileira de proteção ao trabalho. art. Direito Internacional do Trabalho. naquilo que não for incompatível com o disposto nesta lei. . Arnaldo. São Paulo: LTr. Lei 7. parece.064/82. A empresa responsável pelo contrato de trabalho do empregado transferido assegurar-lhe-á. uns em função dos outros. cria-se. em verdade. entretanto. o que. que o princípio da “norma mais favorável ao trabalhador”. no conjunto de normas e em relação a cada matéria. a vigência simultânea de duas ou mais normas. à luz de quaisquer dos mecanismos interpretativos apresentados. quiçá. a aplicação da legislação brasileira. em relação a cada matéria. por blocos afins. exsurge uma terceira via exegética. os quais. maculando o princípio de que “lex non est textus. inaplicável ao caso em testilha.064. “no conjunto das normas e em relação a cada matéria”. 59. Na aplicação da lei. “a priori”. ofende o art. cabe ao juiz atender às exigências do bem comum e aos fins sociais a que ela se dirige. 2000. art. 3o. Ocorre. ou seja. 3a edição. quando mais favorável do que a legislação territorial. de 6 de dezembro de 198210 (que dispõe sobre trabalhadores contratados ou transferidos para prestar serviços no exterior). p. não atende à vontade do primeira lei e tampouco da segunda. obtida a partir da soma dos melhores aspectos de duas anteriores. a qual submete normas à comparação também topicamente. uma terceira norma.apenas os pontos mais benéficos. que é a doutrina do “conglobamento por instituto ou orgânico”9. Diante disso. 5o da LICC8. sed contextus”. Ora. porquanto não se pode olvidar que na construção normativa foram imaginadas leis aplicáveis em sua totalidade. Isso porque tal princípio tem como antecedente lógico necessário à sua utilização. aglutinando-os. II da Lei 7. objetivando equilíbrio harmônico entre pontos mais e menos favoráveis. 3o. independentemente da observância da legislação do local de execução dos serviços: 10 I – omissis. quando mais favorável do que a legislação alienígena. partindo da premissa hermenêutica de que na aplicação da lei. 8 9 SÜSSEkIND. só existem.

br/upload/doutrinas/férias. não revoga nem modifica a lei anterior. a revogação da CLT pela Convenção 132 da OIT. 2o. ou a ratificação de uma convenção por qualquer membro torne sem efeito qualquer lei. ou. ano 65. 2o.” Ora. em face das regras atinentes à sucessão das normas no tempo.a pluralidade de normas jurídicas válidas e vigentes. em face do disposto no art. § 2o. parte-se. quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. As férias depois da Convenção 132 da OIT.. que não teriam o condão de revogar o texto celetista. art. que o caso “sub oculis” não se amolda a nenhuma das hipóteses de revogação prevista na norma legal supramencionada. não há como olvidar do disposto no art. não há como sustentar a coexistência de dois diplomas normativos. www. 2002. ou seja. Seria plausível objetar. § 1o. sem pretensão de exaurir a discussão. § 2o da LICC 13. A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare.14 Entretanto. Revista Gênesis. dando LICC. ainda. Aldacy Rachid. com argumentos sedutores. bem como sua ratificação pelo ordenamento interno. 11 No mesmo sentido. costume ou acordo que garanta aos trabalhadores condições mais favoráveis que as que figuram na convenção ou na recomendação. ao reger que “Em nenhum caso se poderá admitir que a adoção de uma convenção ou de uma recomendação pela Conferência. internet-lex. . volume 9. 19. Júlio César. que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes. do raciocínio pela incompatibilidade dos textos legais em confronto. Férias anuais remuneradas e a Convenção 132 da OIT. art. São Paulo. A lei nova. 2o. 2o. com. que a parêmia aplicável seria o “lex posterior generalis non derogat legi priori speciali”. 12 LICC. que consagra o princípio do “lex posterior derogat anteriori”. é no sentido de empreender o avanço das relações entre capital e trabalho. Não obstante ambas as teses sejam deveras substanciais. em tudo aquilo que os diplomas não se compatibilizarem. Revista LTr. tendo em vista a regra do art. alínea 8a da Constituição da OIT (Organização Internacional do Trabalho). considerando que toda principologia que inspira a edição de tratados internacionais. sentença. p. 13 No mesmo sentido. 1051. § 1o da LICC11. como bem adverte Bebber15. Nesse espeque. VALéRIO. na medida que o critério cronológico conspira em desfavor da lei antiga12 (CLT). COUTINHO. João Norberto Vargas. operando-se. a Convenção 132 da OIT traria normas de caráter geral. 14 15 BEBBER.

A República Federativa do Brasil. 7o. A “ratio juris” de tais verbetes era irretocável. “pedia demissão”. há bastante tempo. ainda que incompleto o período aquisitivo de doze meses. IV)16 agregando valores que visem a melhoria da condição social dos trabalhadores (CF. de adequação da norma internacional ao seu fim teleológico.REVISÃO DOS ENUNCIADOS DO TST O Colendo Tribunal Superior do Trabalho possuía. Dessarte. CF. a qual se consubstanciava nos Enunciados 17118 e 26119. alem de outros que visem à melhoria de sua condição social: 17 Férias proporcionais. art. 1o. a extinção do contrato de trabalho. art. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. 146. sendo que o primeiro assegurava o direito às férias proporcionais em caso de extinção do contrato de trabalho com mais de um ano. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: 16 IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. Pedido de demissão. o resultado prático seja idêntico ao da “teoria da acumulação”). antes de completar doze meses de serviço. não tem direito a férias proporcionais. não se tratando. antes de completar doze meses de serviço. Salvo na hipótese de dispensa do empregado por justa causa. pede demissão. de fomentar os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa (CF. a recepção da Convenção 132 da OIT pelo ordenamento pátrio é apenas parcial. parágrafo único20 e 14721 da CLT. “caput”)17. salvo na hipótese de dispensa por justa causa. ou seja. sujeita o empregador ao pagamento da remuneração das férias proporcionais.azo ao desiderato do legislador constituinte. de aplicação pura do princípio da norma mais favorável (embora. 1o. ao passo que o segundo retirava o direito às férias proporcionais do empregado que. 7o São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. 19 . art. “espontaneamente”. sim. FÉRIAS PROPORCIONAIS – CLT – CONVENÇÃO 132 DA OIT. O empregado que. nenhum efeito deve ser dado às disposições “in pejus” da referida Convenção. jurisprudência consolidada acerca do direito às férias proporcionais na extinção do contrato de trabalho. art. espontaneamente. 18 Férias proporcionais. porquanto expressavam a melhor exegese dos arts. de concluir pela incompatibilidade apenas naquilo que o ordenamento pátrio já contiver maiores benefícios. mas. na medida que ab-roga ou derroga a CLT tão-somente naquilo que for mais benéfica aos trabalhadores. assim. CF. com mais de um ano.

art. a leitura dos novos verbetes conduz a inexorável conclusão CLT. Contudo. DJ 19. qualquer alteração legislativa que pudesse ensejar a mudança no texto do Enunciados “sub oculis”. art. 20 CLT.Todavia. a extinção do contrato de trabalho sujeita o empregador ao pagamento de da remuneração de férias proporcionais. ainda que incompleto o período aquisitivo de 12 (doze) meses. TST referência a ela apenas no Enunciado 261. com exceção da Convenção 132 da OIT. ou cujo contrato de trabalho se extinguir em prazo predeterminado. aludidas Súmulas de Jurisprudência ganharam nova redação. Pois bem. que implicasse na confecção de Súmulas de diferente teor. pelo menos disponível ao público. De se supor. que a reformulação tenha se dado por força da referida Convenção. há que se dizer que não houve. cujo teor foi o seguinte: 171. portanto. de conformidade com o disposto no artigo anterior. § único c/c 132 da CLT. Férias proporcionais. passando a ter como fundamento o art.03. a exposição dos motivos que levaram a mais alta Corte Jurisdicional Laborista a efetuar tais modificações. parágrafo único. após 12 (doze) meses de serviço. terá direito à remuneração relativa ao período incompleto de férias. dado o acerto das redações anteriores. antes de completar 12 (doze) meses de serviço. Férias proporcionais. Por outro bordo. 142.11. 261. na proporção de 1/12 (um doze avos) por mês de serviço ou fração superior a 14 (quatorze) dias. “ab initio”. Na cessação do contrato de trabalho. 21 . o que nos obriga a redobrar a cautela nas análises. Antes de adentrar aos comentários dos indigitados Enunciados. foi republicado por erro na referência legislativa. o empregado. que promoveu a revisão dos Enunciados. que fazia remissão aos arts. desde que não haja sido demitido por justa causa. salientase. que praticamente escreviam o texto consolidado com outras palavras. de acordo com o art. O empregado que se demite antes de completar 12 (doze) meses de serviço tem direito a férias proporcionais. por ocasião da Resolução TST 121/03. à míngua de dados em contrário. 130. em que pese constar da documentação de taquigrafia do C. que não há. Pedido de demissão. também não se vislumbra razões jurídicas para uma releitura da CLT. 146. terá direito à remuneração relativa ao período incompleto de férias. 147 da CLT. Salvo na hipótese de dispensa do empregado por justa causa. 147. enquanto que o Enunciado 171. O empregado que for despedido sem justa causa.

que o rigorismo técnico não tem sido característico na cunha de Enunciados. sob qualquer ângulo. pois no Enunciado 171 adotou-se a expressão “dispensa”.de que o Enunciado 261 tornou-se absolutamente inócuo. arts. poderia lançar mão das expressões “demissão sem justa causa” e “demissão com justa causa”. sendo prescindível a existência do Enunciado 261. tendo como única exceção a hipótese de dispensa por justa causa (En. Nessa esteira de entendimento. bastando para tanto verificar o próprio título do Enunciado 261 do TST. se a cessação do contrato de trabalho antes de completo o período aquisitivo de 12 (doze) meses dá direito às férias proporcionais. pressupondo ajuste de vontades. fazer a distinção entre o “pedido de demissão” e a “rescisão indireta”. Ressalva-se. sendo manifesta a inutilidade de outro Enunciado para assim dize-lo. o empregado que se demite exerce direito potestativo. art. mesmo quando o primeiro já abarcaria o conteúdo do segundo. Poder-se-ia argumentar. com o termo “espontaneamente”. que tem a conotação de ato praticado pelo empregado. mas unilateral. porém. como se fosse possível conceber no mundo jurídico um pedido de demissão válido “não espontaneamente”. é evidente que também tem direito as férias proporcionais quem se demite antes de completar os 12 (doze) meses. que contém a expressão “pedido de demissão”. sendo a razão de sua obsolescência a novel redação do Enunciado 171. que eqüivale à ruptura contratual por iniciativa do empregador. que quisesse o Enunciado. até porque a relação entre as partes é de natureza contratual (CLT. 171). Por derradeiro. forçoso inferir que tais Enunciados não se coadunam com o disposto na Convenção 132 da OIT. “data maxima venia”. Ora. todo conteúdo interpretativo que se pretendia emprestar ao novo entendimento jurisprudencial encontra-se estampado no Enunciado 171. o vetusto Enunciado 261 do TST falava em pedir demissão “espontaneamente”. 442). Ora. também são sempre espontâneas. ou seja. de flagrante impropriedade técnica (embora também utilizado pelo legislador – CLT. o ato de demissão é receptício. haja vista que a grande novidade . por prolepse. Assim sendo. Ademais. “contrario sensu”. § 1o e 500). Porém. foi o rigorismo na acepção técnica dos vocábulos empregados. apenas comunicando sua intenção de distratar. não estando sujeito à aquiescência do empregador. que a idéia de manutenção dos dois Enunciados. o que torna a palavra. o empregado que se demite não está “pedindo” nada. as quais. 477. vale trazer a lume. e no Enunciado 261 utilizou-se a palavra “demissão”. atécnica e ociosa.

que assim determinam: Artigo 5 Defere-se cláusula que assegura férias proporcionais ao empregado que se demite com menos de um ano de tempo de serviço.trazida por tal diploma no tocante à proporcionalidade de férias foi o comando do artigo 11. João Oreste Dalazen – TST. que assim estabeleceu: Artigo 11. Daí porque torna-se inexplicável o Enunciado 171 ao extirpar das hipóteses de direito às férias proporcionais o empregado dispensado por justa causa. sonegou tal direito aos dispensados por justa causa. paradoxalmente. Curioso notar que o Enunciado 261 tratou de garantir férias proporcionais àqueles que se demitem antes de um ano. pois se trata de direito introduzido no ordenamento jurídico brasileiro pela Convenção n. o direito à remuneração proporcional de férias não gozadas não mais se vincula à causa do rompimento do liame empregatício. 22 . e “ubi eadem ratio. mas. é que embora o direito às férias proporcionais não mais esteja adstrito à causa de cessação do contrato de trabalho. ou a um crédito de férias equivalente. nos termos do artigo 5.” Entretanto. ou a um período de férias remuneradas proporcional à duração do período de serviço pelo qual ela não gozou ainda tais férias. esse não é o único ponto em que os Enunciados destoam do texto da Convenção 132 da OIT. vigente no Brasil desde setembro de 1999 (RODC 747917/01). os mesmos motivos respaldariam a concessão de férias proporcionais em ambos os casos. conforme iterativa jurisprudência daquela Conspícua Corte22. ibi eadem jus. não nos cabendo excepcionar. 132 da Organização Internacional do Trabalho. quando. em verdade. Conforme se dessume da leitura do artigo em foco. aparentemente o fazendo com base na Convenção 132 da OIT. itens 1 e 2. Toda pessoa empregada que tenha completado o período mínimo de serviço que pode ser exigido de acordo com o § 1o do artigo 5o da presente Convenção deverá ter direito em caso de cessação da relação empregatícia. ou a uma indenização compensatória. atrelase doravante ao cumprimento do período mínimo de serviço que pode ser exigido pela autoridade competente de cada país signatário da Convenção. haja vista que garantido a “toda pessoa”. quando a lei não autoriza tal exclusão.

Cláudia Sales Vilela. após seis meses de serviço prestado. assegurada a proporcionalidade das férias desde que o empregado tenha prestado serviços pelo prazo mínimo de seis meses. Não bastasse isso. AC.1 da Convenção 132 da OIT reforçam que o período mínimo de serviço “poderá” ser exigido para aquisição do direito à remuneração proporcional de férias.01. 36. Luiz Eduardo. zORNIG. Luiz Eduardo Gunther23 e Cristina Maria Navarro zornig24. contudo. v. 2001. atendido o regramento do artigo 11 da Convenção 132-OIT. que não deverá em caso algum ultrapassar 6 (seis) meses. fixando. o período de quinze dias” (TRT-PR-RO-6136/2001. Edilton. para os quais a nova regra convencional garante a todos os empregados o direito às férias proporcionais. o prazo de seis meses representa apenas o período “FéRIAS PROPORCIONAIS. Acolho a insurgência e acresço à condenação férias proporcionais. 23 GUNTHER. São Paulo. Cláudia Sales Vilela Viana e José Affonso Dallegrave Neto26 e Glauce de Oliveira Barros27. impressionadas com a dicção dos artigos 5 e 11 da Convenção 132 da OIT. 24 25 26 MEIRELES. 66). Cabe à autoridade competente e ao órgão apropriado do país interessado fixar a duração mínima de tal período de serviço. estando. com o devido respeito ao entendimento esposado em primeiro grau (item 2. 956. do abalizado posicionamento acima esposado. Nesse sentido. CONVENÇÃO 132 DA OIT. 2. Rescisão do Contrato de Trabalho: doutrina e prática. 27 . José Affonso e VIANNA.197. Cristina Maria Navarro. LTr. passou a entender que o período para aquisição do direito às férias passou de 12 (doze) para 6 (seis) meses.. Ouso divergir. encerrando. portanto.Quanto às férias proporcionais. sem sombra de dúvidas. na. à época do despedimento já estava internalizada a Convenção 132 da OIT. TRT 25. DALLEGRAVE NETO.1.02). com a publicação no DOU do Decreto no 3. para efeito e indenização compensatória. Ocorre que tanto o artigo 11 quanto o artigo 5. Glauce de Oliveira. São Paulo: LTr.10. Alterações no capítulo IV da CLT – convenção no 132 – OIT. p. Edilton Meireles25. Suplemento Trabalhista. Férias e Convenção no 132 da OIT. BARROS.00187/2002 – Relator Juiz LUIz EDUARDO GUNTHER – DJPR. 177.3 de fl. As férias proporcionais e a Convenção 132 da OIT. uma faculdade a ser ou não exercida pela autoridade competente e o órgão apropriado do país interessado. não obstante o período contratual reconhecido ser inferior a doze meses.. Um período mínimo de serviço poderá ser exigido para a obtenção de direito a um período de férias remuneradas anuais.99. o que ocorreu em 06. independente da causa de cessação do contrato. Considerável parte da doutrina e da jurisprudência.

a exigência de um período mínimo para a percepção de férias proporcionais.g. não faz jus à proporção de férias. que são pagas à razão duodecimal. Finalmente. art. por força de adequação da norma internacional ao seu fim teleológico. Assim sendo. desvinculado da causa de rompimento do pacto laboral e do interstício de prestação de serviços. 3 – O ordenamento jurídico nacional contém a exigência de um período . outro equívoco nos Enunciados do TST. Portanto. 146. não há razão de ordem lógica ou jurídica que sustente o posicionamento segundo o qual o período de seis meses funcionaria como uma espécie de regulamentação provisória. CONCLUSÕES 1 – A Convenção 132 da OIT foi parcialmente recepcionada pelo ordenamento pátrio. ou vem a falecer em tal período. de 1/12 (um doze avos) por mês de serviço ou fração superior a 14 (quatorze) dias (CLT.”. ab-rogando ou derrogando a CLT tão-somente naquilo que for mais benéfico aos trabalhadores. parágrafo único). “v. os signatários da Convenção podem simplesmente não fixar tal período. que não poderá ser ultrapassado em caso algum. eis que o empregado que. Em tais casos. o qual não poderá ultrapassar seis meses. imperioso lembrar que já consta em discreta vigência no ordenamento pátrio. 2 – A Convenção 132 da OIT não estabelece qualquer prazo para aquisição do direito à remuneração proporcional de férias não gozadas.máximo. até que cada ordenamento jurídico venha a delimitar um período mínimo. até porque. sem cumprir aviso prévio. pois. que é a fração superior a 14 dias trabalhados. há em nossa legislação a exigência de um período mínimo para o recebimento de férias proporcionais. consistente na edição de lei apenas para dizer que nenhum período mínimo seria exigido. mas dependesse de ato comissivo. apenas autoriza cada país signatário a fixar um período mínimo de serviço. desejando conceder férias proporcionais a todo e qualquer empregado. “pede demissão” até o 14o dia trabalhado. Verifica-se. seria desarrazoado que a vontade do legislador não fosse concretizada pela simples omissão no exercício do direito de estabelecer um prazo mínimo.

qualquer que seja a causa.A extinção do contrato de trabalho. 5. 5 – Os Enunciados do TST sobre férias proporcionais poderiam ser resumidos em um só. correspondente à fração superior a 14 (quatorze) dias (CLT. . 5. desde que cumprido o período mínimo de serviço exigido. 5. parágrafo único e art. parágrafo único da CLT. consubstanciado no art. o qual. art. 146. parágrafo único e 147 da CLT. sujeita o empregador ao pagamento da remuneração proporcional de férias não gozadas. 146.1. 4 – Os Enunciados 171 e 261 do TST são incompatíveis com as disposições dos arts.2 e 11 da Convenção 132 da OIT. qual seja a fração superior a 14(quatorze) dias trabalhados.mínimo de trabalho para a percepção de férias proporcionais. assim como não guarda perfeita correspondência com o comando materializado nos arts.197/99.1. 146. poderia ter a seguinte redação: “FéRIAS PROPORCIONAIS . para se adequar aos termos da legislação vigente.2 e 11)”. 5. 147 c/c Decreto 3. arts.

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ACÓRDÃOS .

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MS CONFLITO DE COMPETÊNCIA. II. o Juízo da 2ª Vara do Trabalho. sob o fundamento de que ao caso não se aplica o art.1) em que são partes as acima indicadas. suscitado. de lavra do Procurador-Chefe Jonas Ratier Moreno. a estabilização da competência recairá sobre aquele que despachou em primeiro lugar. consignou sua incompetência para apreciar o feito em virtude de prevenção do juízo suscitante. CRITéRIO DE FIxAÇÃO: PREVENÇÃO. Os autos foram encaminhados ao Ministério Público do Trabalho que. relatados e discutidos estes autos (PROCESSO Nº00689/2004005-24-00-5-CC. é o relatório. através de decisão prolatada pelo Juiz Oscar zandavalli Júnior. Trata-se de conflito de competência suscitado pelo Juízo da 5ª Vara do Trabalho de Campo Grande. do CPC. VOTO . mesmo em caso de repropositura da ação extinta. Vistos.1 ACÓRDÃO Relator : Juiz MARCIO VASQUES THIBAU DE ALMEIDA Suscitante : 5ª Vara do Trabalho de Campo Grande . pela declaração da competência do Juízo da 2ª Vara do Trabalho de Campo Grande para o julgamento do feito. INTELIGÊNCIA DOS ARTIGOS 87 c/c 106. Em síntese. no mérito. Havendo pluralidade de juízos competentes para decidir causas conexas. 84-87. em parecer de f. De outro lado. opinou pelo conhecimento e.MS Suscitado : 2ª Vara do Trabalho de Campo Grande . Conflito de competência conhecido e declarada a competência do juízo suscitante para o julgamento da causa trabalhista. principalmente porque a instrução ocorreu perante a 2ª Vara do Trabalho de Campo Grande.PROCESSO Nº 0689/2004-005-24-00-5-CC. 253. DO CPC.

considera-se prevento aquele que despachou em primeiro . nesse caso. Art. Com razão o Juízo suscitado (da 2ª Vara do Trabalho de Campo Grande) ao atribuir competência ao Juízo suscitante (da 5ª Vara do Trabalho de Campo Grande).CONHECIMENTO Conheço do conflito de competência de jurisdição negativo.1 . nos termos do art. a determinação do Juízo competente dar-se-á conforme o critério expresso nos arts. que tramitou e foi extinta sem julgamento do mérito perante a 5ª Vara do Trabalho de Campo Grande e a segunda. 769/CLT) e. porque a CLT é omissa quanto à fixação de competência para o julgamento de reclamatória trabalhista. férias + 1/3. reclamante e reclamada. constato identidade entre as causas de pedir nas ações supracitadas. distribuída para a 2ª Vara do Trabalho de Campo Grande sob o número 00304/2004. ambas têm por objeto a relação jurídica (contrato de trabalho) no período de 1º/05/01 até 15/05/02 e pedidos de horas extras e reflexos.1 . multa do art.CRITÉRIO DE FIXAÇÃO: PREVENÇÃO. 2 . ora transcritos: Art. mas autoriza a aplicação de legislação subsidiária (art. Em detalhado exame. do CPC. do Código de Processo Civil. verifico que existem duas reclamatórias trabalhistas envolvendo LUCINEIDE DE PAULA FERREIRA e RODRIGUES & CIA LTDA. Determina-se a competência no momento em que a ação é proposta. 115. 106. São irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente. 87 c/c 106. 87. Compulsando os autos. 13º salário. respectivamente: a primeira sob o número 01732/2003. salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia. 477 da CLT e adicional noturno. ou seja. II. FGTS e multa de 40%. objeto do presente conflito negativo. Correndo em separado ações conexas perante juízos que têm a mesma competência territorial.MÉRITO 2.

alterar a competência. reportando-se ao art. 87/CPC. Código de processo civil comentado.MS) e a causa estaria madura para o julgamento. A norma ora comentada regula competência de juízo. no caso. no sentido de evitar a mudança do lugar do processo toda vez que houver modificações supervenientes. pelo juízo da 5ª Vara do Trabalho de Campo Grande .MS “face a ausência injustificada do(a) recte” (decisão terminativa do feito . complementa: 3. porque a hipótese dos autos é de estabilização de competência pela prevenção do Juízo em que se deu a extinção do processo. que pudessem. Cit. 106/CPC. isto é. A norma institui a regra da perpetuação da competência (perpetuatio jurisdictionis). em caso análogo. determinado pela prevenção do Juízo que primeiro despachou a reclamatória. Além de conter causa de pedir e pedidos conexos. que é fixada quando da propositura da ação.lugar. notas explicativas ao art. Havendo pluralidade de Juízos material e territorialmente competentes para julgar a reclamatória trabalhista. A ação deveria ter sido distribuída ao Juízo suscitante em face do princípio do Juiz Natural. sem julgamento do mérito.f. rev. . dentro da mesma comarca. 1 2 Op. é argumento inconsistente. 2 (grifos no original). A alegação do suscitante. de fato ou de direito. Estas modificações são irrelevantes para a determinação da competência. 6ª ed. página 415. E. norma de ordem pública.. Nélson Nery esclarece: 1. Estabilização da competência.1 (grifos no original). com a finalidade de proteger a parte (autor ou réu). anotando que o feito foi instruído pelo Juízo suscitado (2ª Vara do Trabalho de Campo Grande . editora revista dos tribunais. 87 do CPC. São Paulo: 2002. este Regional. A prevenção. no caso inderrogável. reproposta perante a 2ª Vara Trabalho de Campo Grande. Nélson. no conflito ora examinado constato que a RT nº 1732/2003 foi extinta. posteriormente. 64) e. página 455. decidiu: Nery. Competência de juízo. fixa-se no juízo que despachou em primeiro lugar. Abordando o art. em tese.

nos termos do voto do Juiz Marcio Vasques Thibau de Almeida (relator). CC n.º 6013. da CLT. aprovar o relatório. (TRT 24ª Reg. admitir o conflito e. Relator Juiz Nicanor de Araújo Lima. esteve ausente o Juiz Abdalla Jallad. PEDIDO IDÊNTICO. declaro competente o juízo suscitante para o julgamento da lide. Pelos motivos acima encartados. subsidiariamente do disposto no art.CONFLITO DE COMPETÊNCIA NEGATIVO. REPROPOSITURA DE AÇÃO. do CPC. 769. no mérito. por unanimidade. página 40). Conheço do conflito de competência e. por autorização do art. Em se tratando de repropositura de ação.0. MARCIO VASQUES THIBAU DE ALMEIDA Juiz Relator Procuradoria Regional do Trabalho da 24ª Região . II. POSTO ISSO ACORDAM os Juízes do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Vigésima Quarta Região. no mérito. 253. Por motivo justificado. veiculado em 06/06/03.º 00041/2003-000-24-00-6-CC. 02 de setembro de 2004. há que se realizar a distribuição por dependência socorrendo-se. publicado no DO n. Campo Grande.. atribuir a competência à Quinta Vara do Trabalho de Campo Grande. declaro a competência do Juízo suscitante para o julgamento da lide.

NULIDADE DA CITAÇÃO INICIAL NA RECLAMATÓRIA. quando os bens ainda eram conservados sob o domínio da CDHU. 100/CF a decisão que mantém subsistente a penhora. 100/CF. promulgada no interesse da reforma administrativa ou outros interesses estatais. A CDHU/MS. ainda que voluntária. NULIDADE DA PENHORA. CF). VIOLAÇÃO DO ART. Não viola o art. Em tal condição. . negando o prosseguimento da execução via precatório. observadas as mesmas regras previstas em lei para a liquidação das empresas privadas em geral. 173. II. pois a sucessão só se perfez em data muito posterior a de ingresso da ação em Juízo. 646 do CPC. Vistos.0) em que são partes as acima indicadas.art. Realizada segundo a lei vigente ao tempo de sua prática. § 1º. relatados e discutidos estes autos (PROCESSO Nº00207/2002000-24-00-3-AR. Não há como se entender devesse a notificação inicial se concretizar na pessoa do representante legal da AGESUL. Não perdendo a CDHU. SBDI-I/TST. sua personalidade jurídica. A penhora corresponde a ato de império estatal. de pronto. Ação rescisória julgada improcedente. portanto se sujeitava ao regime jurídico próprio das empresas privadas (art.PROCESSO Nº 0207/2002-000-24-00-3-AR.AGESUL Procuradores: Agripina Moreira e outros Réu: HERMES LUIz DE RESENDE Advogados: Fernando Isa Geabra e outro AÇÃO RESCISÓRIA. EMPRESA SUBMETIDA A PROCESSO DE LIQUIDAÇÃO.0 ACÓRDÃO Relator : Juiz MARCIO VASQUES THIBAU DE ALMEIDA Revisora: Juíza DALMA DIAMANTE GOUVEIA A u t o r a : A G Ê N C I A E S T A D UA L D E G E S T Ã O D E EMPREENDIMENTOS . já na fase de execução e após a penhora. tipificou ato jurídico perfeito. válida a notificação inicial feita diretamente na pessoa do seu representante ou liquidante. Aplicação da OJ 343 da C. era sociedade de economia mista que explorava atividade econômica. adotado com o fim precípuo de garantir a materialização da prestação jurisdicional . então reclamada. sua personalidade jurídica só poderia se extinguir após findo o regular processo de liquidação. ato de soberania do Poder Judiciário não afetado por disposições de lei nova.

da CF. inciso V. 1ª Vara do Trabalho de Campo Grande. 119-124.097/00. todos da CF. de 26/10/2000. contendo pedido voltado à desconstituição da decisão proferida nos autos da reclamatória trabalhista nº 0037/2001-001-24-00-0. vez que ao incorporar as funções da CDHU. a qual. portanto sendo inexigível o procedimento de requisição de créditos via precatório. os arts. . de 26/10/2000).CDHU. automaticamente. nos termos do art. Aponta a autora que a reclamatória trabalhista supra mencionada foi ajuizada em face da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de Mato Grosso do Sul . à época do ajuizamento da ação. a autora passou a explorar atividade econômica. da Eg. havendo que ser procedida mediante o previsto no art. da Lei Estadual 2. incabível a execução direta sobre o seu patrimônio. sustentando sua improcedência. se encontrava em processo de liquidação (art. parágrafo único. não sendo a ora autora citada para responder à lide/execução. 93.152/00. 173. 83. do CPC. incisos II. 67 do CCB e 46 da LOMAN. 730 do Código de Processo Civil. inciso Ix.. 5º. Indica que as funções da empresa liquidada já haviam sido transferidas para a requerente que. art. 100 da Constituição Federal e no art.152/00. O réu contestou a ação (f. 5º. realçando que a autora não demonstrou o esgotamento das etapas do processo de liquidação.Trata-se de ação rescisória intentada por AGÊNCIA ESTADUAL DE GESTÃO DE EMPREENDIMENTOS . ou do Decreto Estadual 10. Aponta violados os dispositivos dos arts. 37. Também sustenta que a determinação de liquidação da CDHU e incorporação de seu patrimônio à Empresa de Gestão de Recursos Humanos e Patrimônio de Mato Grosso do Sul em nada altera a execução promovida via reclamatória trabalhista ante os termos do art. Tréplica às f. da Lei Estadual nº 2.152. sendo autarquia estadual. A inicial vem acompanhada de prova documental. além de dispositivos da Lei Estadual nº 2.AGESUL em face de HERMES LUIz DE RESENDE. xxxV. 84. alínea c. e 100. 110-116). § 1º. 692 e 730 e segs. realçando que o ajuizamento da ação se deu em data posterior à vigência da Lei Estadual nº 2.152. Indica ser vil o preço da adjudicação. sujeitando-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas. portanto pessoa jurídica de direito público interno. LV.

arts. O d. pela sua procedência. do CPC.Razões-finais da autora às f. inciso Ix e 100. 67 do CCB. 692 e 730 do CPC.1/2001. Tenho por cabível a rescisória no tocante à argüição de vício da citação inicial. 23). posto que nos termos das Orientações Jurisprudenciais nºs 44 e 45. indicando a autora os textos legais violados . entretanto. incisos II. é o relatório. em conformidade com o Enunciado 299/TST. Preenchidas as condições da rescisória.NULIDADE DA CITAÇÃO INICIAL Aponta a autora que a reclamatória trabalhista nº 37. xxxV e LV. 131-133. em parecer de f. Cícero Rufino Pereira. a presente ação é admitida. inclusive preço vil. ainda que só levantada via embargos à arrematação.MÉRITO 2. incabível a ação rescisória em face de decisão homologatória de arrematação ou de adjudicação. evidenciando que a ação foi interposta dentro do biênio decadencial. inciso V. De outra parte. Afasto a incidência do Enunciado 298/TST. 93. 1 – ADMISSIBILIDADE Presentes as condições da ação (legitimidade da parte.1 . 485. apenas parcialmente. 2 . SBDI-II/TST. a ação não se mostra cabível no ponto em que põe em discussão tema ligado à homologação da arrematação ou adjudicação propriamente ditas. da C. Ministério Público do Trabalho opina. Entretanto. bem como os pressupostos processuais específicos da ação. da lavra do Procurador-Chefe Dr. a ação encontra sustentação no art. 46 da LOMAM e da própria Lei Estadual 2. todos da CF. possibilidade jurídica do pedido e o interesse processual). proposta pelo réu contra a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de . pelo cabimento da ação. 5º. 137-141. dentre os quais a apresentação de certidão de trânsito em julgado (f. no mérito. posto que a questão é de índole pública.152/00.

num primeiro momento. inciso V. alterações de denominação e a extinção de empresas públicas e sociedades de economia mista. de sorte que o representante legal da AGESUL não tomou conhecimento da lide. Conforme o art. foi ajuizada em data posterior à de publicação e vigência da Lei Estadual nº 2. em face da própria CDHU. Através da Lei Estadual nº 2. propiciando reorganização da sua estrutura básica de poder. a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de Mato Grosso do Sul . A qualidade de pessoa jurídica de direito público. entretanto. com utilização dos meios e recursos a ela inerentes. entidade sucedida pela ora ré. não teve garantida oportunidade de firmar contraditório e expor ampla defesa.CDHU. operando-se na espécie a violação do art. incisos II.152/2000. foi implantada ampla reforma administrativa no Executivo do Estado de Mato Grosso do Sul. Tanto determinou a lei a criação de novas Secretarias de Estado. A ação não merece prosperar.152 (f. da Lei Estadual nº 2. 5º.EGRHP. alínea a. Sustenta que a CDHU não existe desde a edição da Lei Estadual nº 2. de 26/10/2000. A reclamatória foi proposta na data de 15/01/2001 (f. assim consumando-se a exclusão de apreciação do Judiciário de lesão ou ameaça a direito. Para a AGESUL. como expressamente . de 26/10/00. é fruto da própria reforma administrativa. como a suspensão de atividades de empresas públicas. é a contida a f. uma vez que. tudo dando azo à criação de obrigação de fazer algo que não consta da lei.152. não se citando a sucessora.152. Argumenta a autora que a coisa julgada se erigiu sobre pilar viciado. 71-84). xxxV e LV. tendo seu pessoal e patrimônio incorporados à Empresa de Gestão de Recursos Humanos e Patrimônio de Mato Grosso do Sul . apenas restou prevista a incorporação das funções da CDHU. por força da liquidação ordenada na nova lei. de 26/10/2000. 42). devido à falta de citação inicial de seu representante legal. 24-25. A AGESUL. A decisão rescindenda. da Constituição Federal.Mato Grosso do Sul .CDHU foi objeto de liquidação. a transformação de entidades. para a autora. 83.

patrimônio e pessoal da empresa liquidada na data de 11/01/2002. A autora não trouxe aos autos cópias da citação inicial. observo que na manifestação de f. Não se tem notícia nos autos sobre a data de conclusão do processo de liquidação. f. mas a AGESUL só assumiu por inteiro as funções. 54-59). pôde exercer o contraditório amplo. 64-67. ainda que em fase de liquidação por conveniência administrativa. já na fase executória. a circunstância da reclamada ser empresa em liquidação. de 23/02/2001. 64-67 a autora fez questão . resta expresso que As atividades das empresas em liquidação pela Empresa de Gestão de Recursos Humanos e Patrimônio serão conduzidos. não apresentando a autora qualquer argumentação em sentido contrário. art. 70. para só então (em 26/07/01). Ainda mais. 5º. 037. a produção de provas e o acesso recursal. 1ª Vara do Trabalho de Campo Grande. na manifestação de f. 89 da Constituição do Estado de Mato Grosso do Sul e do art. exatamente por força do disposto no art. até se completar o processo de extinção. porém. a AGESUL só passou a ter existência no mundo jurídico em data posterior a de ajuizamento do proc. da contestação apresentada pela CDHU. nem da sentença proferida na fase de conhecimento da ação. 58. conforme possível extrair-se do Termo de Transferência de Patrimônio de f. no regulamento da Lei Estadual referenciada (f. 49-50 consta expressa menção de que foi informado nos autos.15/01/2001 -. ou seja. Do até agora exposto é possível concluir que a autora só poderia ser considerada sucessora da extinta CDHU após concluído o regular processo de liquidação (a cargo da Empresa de Gestão de Recursos Humanos e Patrimônio de Mato Grosso do Sul) e quando aprovado por Decreto seu estatuto. pelas Secretarias de Estado ou entidade da administração indireta que as sucederem. Embora não apresentadas todas as peças necessárias à perfeita demonstração da regularidade do processamento da reclamatória trabalhista nº 037.152/00. nem alegado qualquer prejuízo processual da empresa sucedida.referenciado na manifestação de f.1/2001 . da E. é certo que nela se defendeu a CDHU e. 80 da Lei Estadual nº 2. 85-88).267 (f. já na defesa.1/2001. requerer-se a intervenção da AGESUL. nos termos da legislação que as criou e aprovou seus estatutos. só lhe foi conferida por força do Decreto Estadual nº 10. Ainda. restando previsto no seu parágrafo único que a desativação da empresa sucedida só se completará quando a sucessora tiver aprovada por Decreto a nova estrutura e ou estatuto.

empresa pública ou sociedade de economia mista. A CDHU. conforme documento de f. 93. 51. inciso Ix. inciso II. 42).1/2001 se fizesse diretamente ao representante da CDHU ou seu liquidante. não infringindo o dispositivo do art. Sem pertinência a invocação de infringência do art.1/2001. xxxV e LV. da CF. não caracterizado vício de citação inicial promovida nos autos do proc. Não há como se entender devesse a notificação inicial se concretizar na pessoa do representante legal da AGESUL. c/c art. com transferência patrimonial a seu favor. etc.2 . 037. e a qualquer dispositivo da Lei Estadual nº 2. comerciais. 037. 100/CF. Considerando que a empresa agora liquidada não perdeu de pronto sua personalidade jurídica.152/00. parágrafo único.art. 41. posto que foram penhorados e adjudicados. perfeitamente válido que a notificação inicial do proc. A decisão atacada mostra-se claramente fundamentada. Em tal condição. 692 E 730/CPC E 67/CCB- 16 Sustenta a autora a nulidade do procedimento executório. comerciais.de deixar claro ao Juízo executório que a sucessão. financeiras. ausente qualquer evidência de violação legal. inclusive quanto aos direitos e obrigações civis. por força da liquidação e extinção da reclamada CDHU. observadas as mesmas regras previstas em lei para a liquidação das empresas privadas em geral. 70. da CF). da CF. trabalhistas e tributários (art. portanto se sujeitava ao regime jurídico próprio das empresas privadas. O novo CCB sintetiza o regramento . sua personalidade jurídica só poderia se extinguir após findo o regular processo de liquidação. § 1º. 2. o que se mostra impossível. improcedente a súplica pertinente ao presente tópico. ainda que voluntária. A efetiva sucessão só se perfez na data de 11/01/2002. incisos II. é que constituía o que denominou de fatos supervenientes que modificam o procedimento da Execução.VIOLAÇÃO DOS ARTS. na execução promovida na reclamatória . explorava atividades econômicas. Pelo exposto. 173. 5º. Não resta demonstrada a violação dos preceitos do art. pois tal entidade só teve existência legal após a audiência inaugural ocorrida em 06/02/2001 (f. 46 da LOMAM (LC 35/79).

criado por lei. de 22/02/2001. que requeiram. sob o enfoque supra.152/00 -. sujeitando-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas. a autora não perdeu. havendo adjudicação . A ação rescisória. 173. Com razão o réu. nem pode perder sua natureza jurídica de autarquia por ter sucedido a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de Mato Grosso do Sul. apenas incorporou as funções da CDHU. Em 09/10/2001. da Lei Estadual 2. alínea a. A AGESUL. inciso V. entretanto. de 26/10/2000. bens integrantes do seu patrimônio. portanto não sujeito a penhora ou alienação. portanto sendo inexigível o procedimento de requisição de créditos via precatório. portanto antes da transferência patrimonial dos bens da CDHU para a AGESUL foram penhorados os veículos descritos no auto de f. parágrafo único. por força da liquidação. 37. 84. ao incorporar as funções da CDHU. já que a definição clássica de autarquia corresponde a serviço autônomo.267. que encerrada ou concluída a liquidação.152. Ao contrário do asseverado pelo réu. o que se consumou com o Termo de Transferência de Patrimônio de f. o patrimônio da entidade liquidada deveria ser incorporado aos órgãos ou entidades que absorvessem suas funções . com personalidade jurídica. conforme também previsto no Decreto Estadual 10. para executar atividades típicas da Administração Pública. 83. da CF. para seu melhor funcionamento. da Lei Estadual nº 2. § 1º. nos termos do art. automaticamente passou a explorar atividade econômica.trabalhista movida pelo réu. concretizou-se a deliberação de que a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de Mato Grosso do Sul . num primeiro momento. incorporados seu pessoal e patrimônio à Empresa de Gestão de Recursos Humanos e Patrimônio de Mato Grosso do Sul.auto de f. gestão administrativa e financeira descentralizada.art. Previsto.CDHU fosse objeto de liquidação. que é público. 70. datado de 11/01/2002. quando sustenta que a autora sequer demonstrou o . recebendo a AGESUL também o legado patrimonial da empresa liquidada. o que efetivamente ocorreu. Sabe-se que por força do art. os quais foram levados à praça. 36. patrimônio e receita próprios. datado de 04/07/2002. também não merece prosperar. O réu sustenta que a autora.

Embargos não conhecidos. Se . inciso III. ao contrário de violar qualquer direito da autora. Tribunal Superior do Trabalho.EXECUÇÃO . 467/468). com fixação do seguinte azimute: EMBARGOS . ato de soberania do Poder Judiciário não afetado por disposições de lei nova.esgotamento das etapas do processo de liquidação. É incontroverso nos autos que a penhora foi realizada anteriormente à extinção da LBA e sua conseqüente sucessão pela União (acórdão regional às fls. a LBA ainda não tinha sido sucedida pela União. (Proc. conforme corretamente concluíram as decisões recorridas. 5º. constitui direito adquirido do réu. 037. no que resulta inadmissível a alegação de afronta ao artigo 100 da Constituição Federal. a qual individualizou os bens da devedora (art.DJU. 100 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 .UNIÃO FEDERAL VALIDADE . dispondo o art. realizada segundo a lei vigente ao tempo de sua prática. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.art.SUCESSÃO .1/01.relatora ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi . por outro lado. A penhora. tipificou ato jurídico perfeito.PENHORA DE BEM DA EXTINTA LBA . (. válida a penhora de f. inciso xxxVI. Sem o acertamento dos débitos e créditos. da Constituição Federal no sentido de que a lei não prejudicará o direito adquirido. revela-se legítima a penhora de seus bens. 665.) BNCC . com sucessão ou incorporação plena de seu patrimônio à autora. Se à época em que foi realizada a penhora.DIREITO ADQUIRIDO DO RECLAMANTE. promulgada no interesse da reforma administrativa ou outros interesses estatais. do CPC).PENHORA . Assim.ARTIGO 100 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. 03/10/02).EXECUÇÃO . correspondendo a típico ato de império estatal adotado com o fim precípuo de garantir a materialização da prestação jurisdicional .. Preserva-se o direito adquirido de a Reclamante executar os bens penhorados à época em que sobre eles não incidia qualquer obstáculo à constrição.ART. O tema em discussão na presente ação já foi objeto de reiteradas decisões por parte do Col.SDI-I . O prosseguimento da execução nos moldes promovidos no proc.. não se poderia falar em extinção da entidade. quando os bens ainda eram conservados sob o domínio da CDHU. 646 do CPC. 36. ERR 505072/98 .

07/12/00. I. Admito parcialmente a ação.00.34. com o seguinte enunciado: PENHORA. admitir parcialmente a ação e. Embargos conhecidos e providos. POSTO ISSO ACORDAM os Juízes do Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Vigésima Quarta Região. julgá-la improcedente. nos termos do voto do Juiz Marcio Vasques Thibau de Almeida (relator). SUCESSÃO. 583). editou a C. o BNCC ainda estava em processo de dissolução por ato de seus acionistas e. calculadas sobre R$ 19. esteve ausente o Juiz João de Deus Gomes de Souza (Presidente). aprovar o relatório. da CLT. no importe de R$ 386. no mérito. acrescentado pela Lei 10. SBDI-I/TST a Orientação Jurisprudencial nº 343.relator ministro Carlos Alberto Reis de Paula DJU. revela-se legítima a penhora de seus bens. Campo Grande. não havendo guarida às teses de que a execução deve ser promovida via precatório ou de que os bens constritos e judicialmente alienados integravam patrimônio público. da Lei 9. de 4/7/96. no mérito. e art. realizada anteriormente à sucessão pela União ou por Estado-membro. 790-A. portanto. não podendo a execução prosseguir mediante precatório. No caso presente não resta configurada violação aos dispositivos constitucionais e infraconstitucionais invocados pela autora. dada a profusão de processos envolvendo o tema ora analisado. Não participou do julgamento o Juiz Márcio Eurico Vitral Amaro. p. inciso I. por unanimidade. ART.537/2002. 100 DA CF/88. em virtude da convocação da Juíza Dalma Diamante Gouveia. A decisão que a mantém não viola o art.300. Custas pela autora. (Proc. ainda não sucedido pela União. isenta do pagamento por força do disposto no art.SDI-I . julgando-a improcedente. . ERR 467613/98 . 100 da CF/88. art. 4º.à época em que foi realizada a penhora.289. 29 de setembro de 2004. no que resulta inadmissível a alegação de afronta ao artigo 100 da Constituição Federal. Impõe-se realçar que. por isso impassíveis de impenhorabilidade ou de alienação. É válida a penhora em bens de pessoa jurídica de direito privado. EXECUÇÃO. Por motivo justificado.

MARCIO VASQUES THIBAU DE ALMEIDA Juiz Relator Procuradoria Regional do Trabalho da 24ª Região .

SENTENÇA .

.

36/52).ME. nº 1222/04 ATA DE AUDIÊNCIA Aos quinze dias do mês de outubro do ano de dois mil e quatro. Manifestação da autora à f. qualificada à f. reiterando o inteiro teor da prefacial . realizou-se a audiência de julgamento do processo nº 1222/04. ajuizou ação em face de FíGARO CABELEIREIROS LTDA. após fracassada a tentativa conciliatória.ME. em síntese. . alegando. os benefícios da justiça gratuita e atribuindo à causa o valor de R$ 55. 61/62.RELATÓRIO TEREZA CRISTINA FERREIRA ARCE. autor e réu. apregoados os litigantes: ausentes. outrossim.2ª VARA FEDERAL DO TRABALHO DE CAMPO GRANDE /MS – Proc. ainda. Juntou instrumento de mandato. respectivamente.300. . 04/05. Asseverou. 25). ofereceu contestação escrita. A defesa veio acompanhada de contrato social. diversas violações contratuais. entre partes: TEREzA CRISTINA FERREIRA ARCE e FíGARO CABELEIREIROS LTDA. maquiadora. pedicure e depiladora. também qualificado. razão pela qual postulou os títulos elencados à f. requerendo. 26/35 e 53/60). procuração e documentos (f. substabelecimento. Submetido o processo a julgamento foi proferida a seguinte: SENTENÇA I . de ordem do MM. para exercer as funções de cabeleireira. aberta a audiência. sem que fossem feitas as anotações em sua CTPS. foram. rechaçando as assertivas obreiras e pugnando pela improcedência dos pedidos formulados (f. onde. além de dispensa sem justa causa em 31/01/04. 11/23). Às 17h46min. 02..00 mensais.00. Regularmente citado. sob a titularidade do Excelentíssimo Juiz Substituto Flávio da Costa Higa. perante a Egrégia 2ª Vara Federal do Trabalho de Campo Grande/MS. declaração para fins de gratuidade judiciária e documentos (f. o réu compareceu em audiência (f. Juiz. esteticista.000. auferindo em média R$ 1. ter sido admitida aos préstimos do réu em 31/09/01.

Em audiência de prosseguimento (f.e arrolando testemunha. infiro que o réu logrou êxito em desvencilhar-se de seu ônus. e. II do CPC. já que. “ex vi” das regras insertas nos artigos 818 da CLT e 333. previstos nos artigos 2º e 3º. 79/80).200. fica fácil balizar os contornos probatórios. a não eventualidade da prestação de serviços. quais sejam o estado de subordinação. Razões finais orais remissivas. goza esta de presunção de tê-la sido executada mediante subordinação. tendo ela afirmado em depoimento pessoal que “ganhava. Tecidas tais considerações. por corolário. item 1).300. foi tomado o depoimento pessoal da autora. mensais.00 a R$ 1. encerrada a instrução processual. Frustrada a derradeira tentativa conciliatória. presume-se a subordinação. sob protestos do ilustre patrono da reclamante.00. é o relatório. é que exsurge o contrato de emprego juridicamente tutelado. Do conjunto probatório. de modo que somente da conjugação de tais pressupostos em uma relação. já que o trabalho é imanente e indissociável da pessoa do seu prestador. a bilateralidade. composto de comissões. porquanto normalmente o tomador detém o poder de direção dos serviços e. estando demonstrada a prestação de serviços de forma remunerada. II – FUNDAMENTAÇÃO VÍNCULO EMPREGATÍCIO A relação de emprego constitui-se num universo de direitos e obrigações recíprocas. R$ 1. de 60% sobre o cabelo. Ressalto também que a jurisprudência há muito é pacífica no sentido que. senão vejamos: de proêmio. a onerosidade e a pessoalidade. que entrelaçam empregado e empregador. 769). art. 79. unha e 70% sobre a parte estética” (f. da CLT. para cuja caracterização é necessária a presença de vários requisitos. em média. . cumprindo-lhe elidir tal presunção. assinalo que a questão concernente ao patamar remuneratório da autora restou absolutamente incontroversa. tendo o reclamado admitido a prestação de serviços. do prestador de serviços. ora subsidiário (CLT.

sendo a autora empregada. Explico melhor! é que nenhum empregador em sã consciência pode admitir um empregado para auferir tal percentagem (60% ou 70%).83 ou 75. o que. o elemento volitivo de estabelecer um pacto laboral nos moldes celetistas. 335). para melhor ilustração daquilo que pretendo expor: a cada R$ 100. subministradas pela observação do que ordinariamente acontece (CPC. 7o). pois toda a parcela restante não seria suficiente nem mesmo para o pagamento de salários.090/62). 3o da CLT. de acordo com o que informam as regras da experiência comum.não fosse suficiente.00 + 1/6 = R$ 75. levando-o à bancarrota. que o reconhecimento do liame empregatício nos moldes em que fora pactuado. requisito não inserto no art. à razão de 1/6 sobre os ganhos (Lei 605/49. deveria o réu pagar o repouso semanal remunerado.00 ou R$ 30.83% sobre os valores recebidos (R$ 65.83). implicaria em inviabilizar o empreendimento econômico do réu.83 + 1/12 (R$ 6. mas sim de um autêntico sócio ou parceiro. sob a malha de proteção da CLT.14 (R$ 75.00 ou 35% do réu.00 ou R$ 70. . em princípio. . seus estipêndios não se resumiriam aos 65% inicialmente ajustados. R$ 60. pois é cedido que o percentual avençado com a autora não se coaduna com a alíquota paga a um empregado.00 pertencem à empregada e os R$ 40.31) = R$ 82. encargos sociais e outras despesas (!!!!). numa conclusão teratológica. falecia aos contratantes ao avençar a relação de trabalho “lato sensu”. se fizermos as contas com a devida cautela. R$ 65.Pois bem. melhor dizendo. mas reconhecido tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência como essencial à formação do vínculo.00 ou 65% eram da autora e R$ 35. aludido rateio de ganhos conspira em desfavor da propalada idéia de um contrato de trabalho “stricto sensu”.entretanto. elevaria a parte da autora a R$ 75. Dessarte. art. .14). por oportuno. por si só. o que subiria a parte da reclamante para R$ 82.00 restantes ficam com a empregadora.00. firmo que a cada R$ 100. incumbiria também ao réu pagar mais 1/12 avos mensais sobre os R$ 75.estabeleço como “pedra de toque” uma premissa deveras comezinha. Saliento. a fim de prover a remuneração da gratificação natalina (Lei 4. senão vejamos: . art.83 da autora.00 recebidos pelo salão. “Ab initio”. faltava às partes o “animus contrahendi”. por média aritmética e padronização didática.

art. na alíquota de 1% sobre a remuneração paga. o que aumentaria os gastos para R$ 116. o que elevaria o percentual da autora para 99..70 restantes.14% do total recebido (exceto se a empresa se enquadrasse na opção pelo SIMPLES). .833/03.6% sobre os R$ 100.30% do faturamento.00 arrecadados.97 de cada R$ 100.quanto ao pagamento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social . por oportuno. deve-se acrescer ao cálculo 1/3 incidente sobre R$ 75. ou seja. o que importaria em R$ 84. o que significa que a reclamante ficaria com R$ 90.96. na alíquota de 20% sobre todas as rubricas recebidas (R$ 84. dividindo pelo número de meses do ano e somando o valor obtido aos R$ 82. porque teria de utilizá-los para pagar a previdência social. o que implica em dizer que em um mês não haveria os R$ 100. vale dizer que o réu só poderia contar com a mão-de-obra da autora por onze meses (um mês seria de férias). o trabalhador celetista tem direito a férias anuais. art.56% do valor recebido ou R$ 124. sem computar eventuais horas extras. apenas o réu deveria desembolsar os R$ 65. 3o da mencionada lei. .83 (salário + RSR). 22..212. subsídio ao vale-transporte etc. seriam 7.COFINS. grosso modo. ou seja. art. seria no percentual de 7. acrescido de todos os encargos supracitados.e não é tudo.00 para serem rateados. sem os descontos de créditos previstos no art. 7o. 2o).56 com a empregada. .voltando às férias. XXVIII). quais sejam a COFINS. I).também não se pode olvidar que sobre tal valor.ademais. 22.212/91. xVII).mas o réu não poderia se animar com esses R$ 0.00 para pagar à autora. apenas para que o réu pudesse arcar com as rubricas mais estruturais de um contrato de trabalho. art. art.00 recebidos. .arcaria também o empregador com as contribuições sobre a receita.24) com exceção do FGTS (Lei 8. deve incidir o percentual de 8% a título de FGTS. “b” e “c”).00 ganhos. que aliás devem ser remuneradas com 1/3 a mais do que o salário normal (CF/88. importando em um gasto de 124. considerando que na atividade preponderante da empresa o risco de acidentes deve ser considerado leve (Lei 8.14. para cada R$ 100. art. . II). 195. caberia também ao réu arcar com o pagamento do seguro por acidente de trabalho (CF/88. . 7o.24. o que imporia o gasto de 116. o PIS-PASEP e a CSLL.6% sobre o faturamento (Lei 10. o faturamento e o lucro (CF/88. .

não inclui as contribuições previdenciárias devidas pelo réu)??? Por isso é que fere de morte meu senso íntimo de justiça qualificar de .. quando incidente sobre a folha de salários (Decreto 4. 37 da Lei 10. tenho por lógico que os 35% restantes ficavam com o empregador.00 (R$ 1. valho-me dela para melhor ilustrar o absurdo jurídico no qual redundaria o reconhecimento do vínculo empregatício e seus consectários. sendo a autora empregada.845. . o IPTU. suportar uma conta de R$ 55. o que significa que o benefício do réu com a prestação de serviços foi de R$ 18. e. caso seja considerada empregada. . . sua convenção coletiva de trabalho obsta que ela arque com qualquer ônus decorrentes de produtos e materiais utilizados no estabelecimento (cláusula 3a.também oportuno mencionar. ao final de vinte e oito meses de contrato. o alvará de funcionamento e as demais despesas. que a autora entende que ainda lhe são devidos R$ 55.000.00 X 28). 60). 15). item 20). como pode alguém que teve um benefício de R$ 18. de 9% (Lei 7. o telefone. bancando o mobiliário. ou seja. a água.já operando no prejuízo. ser-lhe-ia imposto o pagamento da Contribuição Sobre o Lucro Líquido .00 (f. a autora percebeu R$ 35.689/88 c/c art. f. aumentando o valor para R$ 125.250. entretanto.56%..00.friso também.96. a luz.000. art. aliás. Resumindo tudo quanto foi dito.CSLL.250.pagaria também o empregador o Programa de Integração Social . 79..Ora.PIS/ PASEP. que é de 1% sobre o faturamento. o aluguel do imóvel. tudo aquilo que for consumido para feitura dos serviços é ônus do empregador. além de suportar sozinho os riscos (ou suicídio) da atividade econômica. Ocorre. Nessa esteira de entendimento. que caso houvesse sobrado alguma coisa ainda para o empregador.00 mensais (f. na certeza de que tal memória de cálculo foi confeccionada de forma minudente e escrupulosa. quero crer na boa-fé e probidade da autora ao elaborar a conta de suas pretensões.845. 10. item 1). conforme bem ilustrou o patrono da autora.000. presumo verídica a informação de que a autora percebia em média R$ 1.637/02). o reclamado seria ainda obrigado a manter toda a infra-estrutura do salão. que não bastasse tudo isso.96. tenha em haver R$ 55.000. e. Isso importa em reconhecer que ao longo dos vinte e oito meses que perdurou a relação de trabalho. Como percebia 65% sobre a produção.00 (que.524/03.

não pode o Poder Judiciário compactuar com uma visão estreita da questão macroeconômica. Por outro bordo. pois se assim fosse o réu não tiraria qualquer proveito dos serviços da reclamante. avaliza situações de iniquidade. portanto independente de prova (CPC. se todas as circunstâncias transcorrerem na mais absoluta normalidade. 1o . em que pese a avença remuneratória tenha tido imensa relevância no “decisum”. onde a pretexto de aumentar o número de empregos formais. Por isso. pois ninguém é tolo a ponto de supor que o empregador sustentará na estrita legalidade a situação acima descrita. a curto prazo. 334. Cumpre trazer à baila que o lucro no setor de serviços. irá gerar inexoravelmente um enorme contingente de desempregados ou um grande estímulo à fraude e à sonegação já quase institucionalizadas. a exemplo de todos os demais segmentos da economia (indústria. que analisei de forma absolutamente criteriosa. Não me comove o fato público e notório. IV da CF/88. movimenta a cadeia produtiva e distribui renda. em verdadeiro menoscabo aos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. na medida que se torna fonte de renda para inúmeros trabalhadores. se o empreendimento total tiver êxito. pois tal diligência não tem o condão de vincular o Juízo em seu livre convencimento motivado. “data maxima venia”. em atitude de protecionismo perverso. o empregador acabará indo à falência!!! Não consigo ver. fomenta a geração de divisas. enfim. o que. . qual o benefício que está sendo outorgado ao trabalhador na imposição compulsória da natureza da relação jurídica de trabalho. deve existir como algo salutar e plenamente aceito em nossa sociedade. suportaria incomensuráveis prejuízos. art. não me descurei da análise dos demais requisitos legais. tendo ficado plenamente convencido. do Ministério do Trabalho ter fiscalizado diversos salões de beleza e constatado irregularidades. através dos elementos subjetivos que a identidade física na colheita da prova me pode proporcionar. E foge completamente ao princípio da razoabilidade dar azo a um pacto em que.). previstos no art. nesse caso. se tudo der certo.empregado uma pessoa que na própria contratação já pactuou percentual remuneratório maior que o de seu contratante. e. comércio etc. pela absoluta inexistência de subordinação jurídica. não vislumbrei sequer a sombra dos caracteres do contrato de emprego. ao contrário. I). sobrecarregando o empresariado e forçando uma realidade inexistente.

lixas” (f. quando estava com problema de saúde. tanto assim que “no dia que saiu do salão. bem como seus consectários. Outro fato revelador da intenção das partes em alinhavar um pacto autônomo foi a declaração da autora no sentido que “quando o reclamado foi fazer a regularização do salão. e parece ínsita à uma relação de coordenação e não de subordinação. item 4). pentes. cesta de materiais. mas avisava o horário que estaria no salão” (f. rejeito o pedido de reconhecimento do vínculo empregatício. colocando-os à disposição do trabalhador para a conseqüente exploração da mão-de-obra. 79. 79. pediu para que todos tirassem a documentação de autônomos” (f. 79. item 2). assim como a reclamante o fazia. item 13). 79. tesouras. No que concerne à subordinação. Isso porque a autora possuía autonomia para conceder descontos sobre os preços (f. por serem obrigações acessórias. como cabeleireiro” (f. ligava e dizia que não poderia ir. já que a simples determinação para não deixar os materiais esparramados (f. a própria reclamante informou que “o dono do salão trabalha no salão. que utilizou-a como sócia a fim de dar-lhe uma oportunidade e também expandir seus ganhos. vi claramente sua inexistência na relação jurídica havida entre os litigantes. já que confessou em depoimento pessoal que também “atende clientes em sua casa” (f. 79. secador. restou patente que o réu também é um trabalhador. Não bastasse isso a reclamante “às vezes. não havia a figura do empregador como ente que detém os meios de produção. Ademais. inexistindo “animus contrahendi” e laborando de forma autônoma e sem subordinação jurídica. 79. item 6). item 11).Com efeito. está muito mais ligada à boa imagem do salão. auferindo a autora percentual de sócio/parceiro. Por tais fundamentos. item 10). Ora. 79. 79. que seguem a sorte do principal. levou seu armário. item 5). . tal qual a reclamante. que constitui a diferença sibilina entre o contrato de emprego “stricto sensu” e as demais relações de trabalho em sentido lato. ou seja. a autora foi vaga em sua resposta. restou patente que “o material de trabalho de uso pertencia inteiramente à reclamante” (f. item 7). 79. item 3) e recebia ligações de clientes diretamente em seu telefone celular (f. quanto às supostas “ordens”. Por derradeiro.

Intimem-se.CONCLUSÃO Pelo exposto. absolvendo o réu. art. defiro.00).000. no importe de R$ 1. FLÁVIO DA COSTA HIGA Juiz do Trabalho ANGELA SAARA MARTINS Diretora de Secretaria .ME. Nada mais. calculadas sobre o valor atribuído à causa (R$ 55.100. .JUSTIÇA GRATUITA O benefício da Justiça gratuita é direito de todo trabalhador que perceba salário igual ou interior ao dobro do mínimo legal ou declare não ter condições de suportar as despesas do processo (CLT. julgo IMPROCEDENTE o pedido formulado por TEREzA CRISTINA FERREIRA ARCE em face de FíGARO CABELEIREIROS LTDA. 789-B. Custas pela autora.00. nos termos da fundamentação. dispensadas. Preenchidos os requisitos legais. § 3º). III .

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