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Como organizar uma

Caminhada

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ÍNDICE

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Autor: Manuel de Almeida Coutinho Bebiano Carreira
Título: COMO ORGANIZAR UMA CAMINHADA

OBJECTIVOS

Pretende-se que no final deste manual os Formandos sejam capazes de:

• Identificar as diversas fases na preparação de uma Caminhada


• Saber interpretar as sinaléticas e marcas utilizadas no Pedestrianismo
• Reconhecer as características dos materiais Gore-Tex e Polartec
• Identificar as diferentes peças de vestuário aconselhadas para esta actividade
• Identificar os diversos acessórios que se deve utilizar numa caminhada
• Saber que tipo de alimentação e bebidas se devem utilizar numa caminhada
• Conhecer as regras de conduta de um caminheiro.

1. INTRODUÇÃO

As actividades de ar livre estão hoje em dia cada vez mais a atrair inúmeros participantes, desde
actividades chamadas radicais como a Asa Delta, o Parapente, o Pára-Quedismo, BTT e o
Paintball, até actividades de ar livre e de montanha ligadas ao ecoturismo como as Caminhadas.
Estas últimas têm já uma longa tradição em países com Espanha, França e Itália, com percursos
(PR - Pequena Rota até 30 Km e GR - Grande Rota com mais de 30 Km) já marcados em zonas
como os Picos da Europa, Pirenéus ou os Alpes, só para dar exemplos de zonas tipicamente de
montanha, que assim complementam as actividades de inverno aí praticadas, como o Snow-
Board e o Ski, com actividades de ar livre mais indicadas para as temporadas de Primavera e
Verão conseguindo assim, com algum sucesso, atrair visitantes ao longo de todo o ano.
Antes de nos aventurarmos numa Caminhada, devemos ter em conta uma série de aspectos
como o conhecimento das Marcas no terreno, o calçado e vestuário, a alimentação e uma série

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de acessórios úteis para a prática desta actividade nas diferentes alturas do ano e para as mais
diversas condições climatéricas e terrenos.
Além disso, e como esta actividade por vezes envolve grupos de algumas dezenas de pessoas,
há que ter em conta toda a preparação e organização prévia com vista a que tudo corra bem,
como seja a contratação do transporte, prospecção do terreno e do percurso, alojamento,
contactos com entidades das regiões onde vai decorrer a actividade, etc.

2. ESCOLHA DO LOCAL

O local para se fazer uma caminhada pode ter qualquer característica conforme o grau de
dificuldade pretendido e/ou as características do grupo participante. Pode ser uma caminhada de
Montanha com subidas e descidas acentuadas; ao longo da costa marítima, predominantemente
plana; em floresta, mais fresca e mais indicada para épocas quentes, etc.

Geralmente os caminheiros formam-se em grupos de amigos e amigos de amigos e de um modo


geral já todos se conhecem uns aos outros. Uma das formas de escolher o local da caminhada é
através de propostas várias, dos diversos elementos do grupo, que sendo provenientes de várias
zonas do país, conhecem melhor aquelas onde nasceram ou onde costumam passar períodos de
férias. Desta forma, quanto mais bem organizado estiver um grupo de caminheiros, mais fácil se
torna planear as actividades para um período de tempo alargado, bastando para isso recolher
propostas dos vários elementos, analisá-las em função das suas características (montanha,
planície, costa marítima) e distância do local de origem do grupo, não esquecendo as
condicionantes climatéricas para cada altura do ano, e calendarizá-las ao longo do ano.

Qual o método mais comum para se escolher o local para organizar uma caminhada?

Em Resumo:
A escolha do local onde se vão realizar as caminhadas resulta, tipicamente, da análise de
diversas propostas dos elementos do grupo que são calendarizadas para um período alargado
(um ano, por exemplo) segundo critérios dependentes da época do ano, condições climatéricas,
grau de dificuldade e características do terreno.

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3. PROSPECÇÃO DA CAMINHADA

3.1 Reconhecimento do percurso

Assim, na preparação de uma caminhada, forma-se um grupo de 4 ou 5 pessoas, sendo que duas
delas já devem ter alguma experiência, e deslocam-se ao local onde vai decorrer a actividade,
munidos de cartas militares de escala 1/25.000 e prévia consulta de imagens de satélite, por
exemplo através do Google Earth, com o objectivo de fazer a prospecção de todo o percurso,
tomando nota de pormenores como rios com locais onde seja possível tomar banho e assim
avisar o grupo dessa possibilidade. Linhas de água, declives muito acentuados, densidade e
altura da vegetação, existência de gado solto e outros que possam constituir pequenos
obstáculos, devem ser anotados para prevenir o grupo. Deve ainda ter-se o cuidado de, quando
for necessário atravessar terrenos privados, pedir autorização aos proprietários para atravessar
esses terrenos. Durante a prospecção deve também tomar-se atenção á possibilidade de fazer
reabastecimento de água ou travessia de vilas ou aldeias com cafés ou restaurantes onde
comprar alimentos, evitando assim sobrecarregar a mochila com toda a alimentação e bebida
necessária para a caminhada.

Carta Militar 1/25.000 Imagem Satélite do Google Earth

3.2 Contactos com entidades locais

Depois do reconhecimento da totalidade do percurso, há que fazer diversos contactos com


entidades da região onde se vai realizar a actividade, tais como o Turismo Local e
estabelecimentos de restauração no sentido de, se for caso disso, promover visitas na região de
carácter cultural, etnográfico, gastronómico e outras.

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É também importante, no caso de caminhadas que duram mais do que um dia, garantir o
alojamento do grupo, que por vezes é de dezenas de pessoas, em parques de campismo ou hotéis
ou pedir ás autoridades municipais autorização para acampar em sítios onde por norma não é
permitido, mas que pela sua beleza merecem que aí se faça a pernoita, com garantias de civismo
por parte do grupo (é uma prática comum e as Câmaras Municipais geralmente só exigem o tal
civismo e a garantia de deixar tudo como estava).

3.3 Elaborar Brochuras

As brochuras são ferramentas úteis para dar diversas informações ao grupo, tais como as
características do percurso com recurso a um gráfico topográfico e um mapa, horários das
actividades, locais de pernoita, algumas fotografias de locais onde se irá passar e pequenas
histórias do local para onde se vai. Geralmente esta brochura é entregue aos elementos do grupo
durante a viagem para o local da actividade aproveitando-se o momento para dar informações
de última hora aos participantes.

Gráfico Topográfico

Que pormenores se devem registar quando se faz a prospecção e o reconhecimento do

terreno para uma caminhada?

4. CONTRATAR SERVIÇOS

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4.1 Contratar o serviço de transporte

Por óbvias razões logísticas, uma caminhada que envolva dezenas de pessoas não é praticável se
cada elemento se deslocar para o local da actividade pelos seus próprios meios, como se verá de
seguida.

O transporte colectivo dos participantes é de especial importância, uma vez que uma das
funções do motorista contratado será o transporte e largada do grupo no local de início da
actividade e posterior recolha do mesmo no local de chegada e término da caminhada, locais
esses que distam muitas vezes muitos mais quilómetros por estrada do que aqueles que se irão
percorrer a pé.

Assim, deve contactar-se diversas empresas de camionagem, explicar-lhes aquilo que se


pretende e pedir o orçamento para a prestação do serviço. Em grupos mais antigos e experientes,
já é a mesma empresa e até o mesmo motorista que presta o serviço, só sendo necessário
contactar a empresa com a antecedência suficiente.

4.2 Seguro de Acidentes Pessoais

Em actividades com as características das caminhadas os imprevistos podem sempre acontecer,


desde pequenos entorses, quedas, arranhões mais profundos, cortes e outros pequenos acidentes,
até situações mais graves como fracturas, ataques de animais como cães ou gado solto. Assim,
deve sempre prevenir-se o custo de evacuação, transporte e tratamento de alguém que sofra
qualquer lesão ou acidente, através de um seguro colectivo para acidentes pessoais. Nos grupos
mais bem organizados, este seguro pode ser contratualizado para um ano inteiro, sendo que o
grupo terá que ter Personalidade Jurídica. Torna os seguros mais simples e mais económicos.

Qual a importância do Seguro Colectivo de Acidentes Pessoais para um grupo de


caminheiros?

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Em Resumo:
Escolhido o local da actividade, há que proceder á prospecção da caminhada e á contratação de
serviços fundamentais:
• Fazer o reconhecimento do percurso e tentar prever alteração de algumas
condições, como caudais de água e densidade da vegetação
• Contactar entidades locais no sentido de garantir, caso necessário, o alojamento
do grupo ou promover visitas de carácter cultural ou gastronómico
• Elaborar brochuras com informações diversas acerca da caminhada, como a sua
extensão, características do terreno e tudo o que vai preencher o dia ou dias de
caminhada
• Contratar o serviço de transporte do grupo para o local de início da actividade e
posterior recolha do mesmo no local de término.
• Fazer um Seguro Colectivo de Acidentes Pessoais para precaver o custo de
tratamento de lesões em algum dos participantes resultantes de quedas ou outros
acidentes.

5. AS MARCAS

Sendo as Caminhadas uma actividade acessível a qualquer criança ou adulto com um mínimo de
condições físicas para a praticar, estes, na maior parte das circunstancias não conhecem a
generalidade dos terrenos onde se vão aventurar. Alguém que viva em Lisboa e vá em férias
para a Serra do Gerês, provavelmente só conhecerá as rotas destinadas ao chamado turismo de
massas e que geralmente se caracterizam por percursos feitos de automóvel com diversos pontos
de interesse onde se aconselha a paragem para apreciar a paisagem. No entanto, uma Serra não é
só estradas agradáveis e miradouros com vistas para se tirarem fotografias. Para quem se quer
aventurar por outros terrenos, diversas entidades, como Câmaras Municipais, Clubes de
Montanhismo e Pedestrianismo entre outros, facilitam o acesso a esses terrenos colocando
diversas marcas ao longo dos percursos. Essas marcas pretendem orientar o caminheiro no
terreno para que não se perca e consistem em:

5.1 Marcas de Grande Rota (GR) – Percursos com mais de 30 Km

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São sinaléticas de cores brancas e encarnadas que orientam os
caminheiros para a esquerda, para a direita e ainda vão informando,
ao longo do percurso, que os participantes estão no caminho certo.
A indicação de caminho errada, tipicamente, aparece nos
cruzamentos de trilhos ou caminhos, complementado por uma ou
duas das outras indicações. São marcas que geralmente se
encontram pintadas nas rochas, no tronco de uma árvore ou em
placas de madeira colocadas para esse efeito.

5.2 Marcas de Pequena Rota (PR) – Percursos com menos de 30 Km

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As Marcas de Pequena Rota são sinaléticas em tudo
semelhantes àquelas destinadas a percursos de Grande
Rota, apenas diferindo na cor, utilizando a cor amarela e a
encarnada.
Dado que numa determinada zona ou região pode haver
mais do que um percurso marcado, uns serem PR e outros
GR, quando estes percursos coincidem numa parte do seu
troço, utiliza-se a cor branca (GR) e amarela (PR) em conjunto com a encarnada para dar as
indicações necessárias.

Qual a diferença mais visível entre as marcas de Grande Rota e as de Pequena Rota?

Em Resumo:
As Marcas no terreno podem, basicamente, dividir-se em dois tipos, Marcas para percursos de
Grande Rota (GR) de cor branca e vermelha e que se destinam a percursos com mais de 30Km
de extensão, e marcas para percursos de Pequena Rota (PR) de cor branca e vermelha destinadas
a percursos com menos de 30km de extensão. Destinam-se essencialmente a orientar o
caminheiro nos trilhos para que este não se perca siga pelo caminho correcto

6. EQUIPAMENTO

Seja em que altura do ano se pratique esta actividade e quaisquer que sejam as condições
climatéricas, o equipamento a utilizar pelos caminheiros é fundamental para a sua segurança e
conforto. Actualmente existem dois materiais muito utilizados no vestuário e no calçado que são
o Polartec e o Gore-Tex. Caracterizam-se essencialmente pela sua capacidade de
impermeabilização e libertação da transpiração, retenção do calor e resistência ao vento.

6.1 Polartec

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O Polartec é um material fabricado á base de Poliéster que permite manter o calor do corpo,
impedindo a entrada de água. É o material ideal para o tempo ventoso e frio além de ser quase
impermeável.

O Polartec é essencialmente utilizado em camisolas, casacos, barretes, luvas e corta-vento para


pescoço, boca e nariz.

6.2 Gore-Tex

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O Gore-tex é uma membrana de teflon expandido, uma espécie de plástico branco muito fino e
com muitos micro poros milhares de vezes menores que as gotas de água, porém centenas de
vezes maiores que o vapor de água. Isto faz com que a água não possa entrar, sendo
impermeável, e que a transpiração possa sair, resultando num material transpirável.

É o material ideal para dias de chuva e frio e é usado essencialmente em casacos impermeáveis
e em botas.

Quais as características mais importantes do Polarte e do Gore-Tex, usados em algumas


peças de vestuário?

Em Resumo:
O Polartec e o Gore-Tex são dois materiais que se caracterizam essencialmente pela sua
impermeabilidade, retenção do calor corporal e respirabilidade, tornando as peças de roupa e
acessórios que os utilizam, mais leves e maleáveis.

7. VESTUÁRIO

O vestuário a utilizar na caminhada deve ser alvo de especial atenção, já que sendo aquela uma
actividade de esforço físico feito nas mais diversas condições climatéricas e de terreno, deve
proporcionar-nos um grau de conforto e segurança não desprezíveis. Desta forma, entre as
diversas peças que devemos utilizar, há que destacar o calçado em primeiro lugar e as peças a
cobrir o tronco do corpo.

7.1 Meias

A protecção dos pés e o bem-estar do corpo passam também pelo uso de


um bom par de meias. É inútil ter um bom par de botas nos pés se se
calçar umas meias inapropriadas. As meias devem manter os pés nem
demasiado quentes nem frios e sem humidade. Não devem comprimir os
pés para não dificultarem a circulação, nem serem demasiado folgadas
para não fazerem dobras e assim magoarem os pés. Não devem ter
costuras pois também podem magoar. Devem possuir uma estrutura de malha com funções
diferenciadas, tendo a zona dos dedos, do calcanhar e dos tornozelos, ligeiramente

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almofadadas Actualmente conseguem-se bons compromissos de desempenho em composições
mistas de algodão/fibras sintéticas.

7.2 Calçado

A peça mais importante para fazer caminhadas. Sem um bom calçado,


provavelmente não se conseguirá caminhar confortavelmente e em
segurança durante muito tempo. Como já se disse atrás, os caminhos
podem ter uma grande diversidade de características, podendo ser um
simples e fácil terreno de terra batida, até terrenos rochosos e molhados ou
até com neve, que exigem do calçado uma boa aderência e capacidade de absorção de
irregularidades. As botas devem também ser impermeáveis, idealmente em Gore-tex, para que
se chegue ao fim da caminhada com os pés completamente secos. As botas em Gore-tex
permitem inclusivamente a travessia de pequenos riachos sem que fiquemos com os pés
molhados. O uso de botas é preferível ao uso de qualquer outro calçado, como os ténis, uma vez
que a bota protege os tornozelos de entorses e outras lesões (a pior lesão que se pode ter numa
caminhada é precisamente nos pés e tornozelos). Finalmente, as botas que se usam numa
caminhada não devem ser novas a estrear, devendo ser gradualmente usadas antes de uma
utilização mais intensa como é uma caminhada.

7.3 Calças, calções e fato de banho


As calças ou calções devem ser de material leve e fino para permitirem
uma secagem mais rápida em caso de chuva, e relativamente largas nas
pernas para que a transpiração não atrapalhe os movimentos. Fica ao
critério de cada um o uso de calças ou calções, no entanto, quando há
longos troços de mato alto é aconselhável o uso de calças para evitar
arranhões e outros pequenos ferimentos. Idealmente devem usar-se calças facilmente
convertíveis em calções através da remoção da parte inferior das pernas, como ilustra a
imagem acima. Em dias de muito calor, os calções são preferíveis. Nas caminhadas de verão, e
quando o percurso o prever, é também aconselhável levar um fato de banho para uns
mergulhos em rios que o permitam fazer.

7.4 T-shirt e camisola Polar


Sendo o Polartec um material altamente respirável e de retenção do calor
corporal, o uso de uma camisola feita com este tecido é ideal para dias
com temperaturas frescas e frias. Uma t-shirt e uma camisa de algodão e
uma camisola Polar são o suficiente para usar em dias bons de inverno e

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para os dias mais frescos da primavera. Assim é escusado usar grandes quantidades de peças
de roupa como camisolas de lã (material desaconselhável nas caminhadas) e blusões muito
grossos que só iriam atrapalhar os movimentos e provocar uma sensação de desconforto
provocado pela transpiração excessiva.

7.5 Impermeável Gore-Tex


Com tempo chuvoso é, depois do calçado, uma das peças mais
importantes de todo o equipamento para se conseguir um bom conforto.
Proteger o corpo do frio e da chuva é fundamental quando se passam
várias horas ao ar livre e por vezes as mesmas horas ao frio á chuva e ao
vento. Como se disse atrás, o Gore-Tex, devido ás suas características,
retém o calor corporal, permite a saída da transpiração e é praticamente impermeável. Este tipo
de material tem ainda a vantagem de tornar o vestuário que o usa, extremamente leve e de
secagem muito rápida. Tal como o Polartec, permite um vestuário mais leve e maleável,
tornando a caminhada muito mais confortável.

7.6 Passa Montanha


Útil para dias de muito vento e frio ou neve. Ajudam a manter a respiração
quente e previnem a secura dos lábios e o cieiro além de protegerem toda a
zona do pescoço e garganta. Por vezes provocam aquecimento excessivo da
face, bastando afastar um pouco o tecido do nariz e da boca para que se
possa respirar um pouco de ar mais fresco,

7.7 Luvas
As luvas só são aconselháveis em casos de dias muito frios. Normalmente é
preferível manter as mãos livres para tornar o manuseio de objectos mais
fácil, como utilizar uma máquina fotográfica ou para reagir com mais
precisão a tropeções ou quedas, ou como ajuda em situações de
desequilíbrio. Por norma, durante a caminhada, a sensibilidade ao tacto deve ser apurada, uma
vez que as mãos são, muitas vezes, a nossa primeira “ferramenta” na reacção a pequenos
imprevistos.

7.8 Chapéu ou Gorro

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Dependendo da altura do ano, o uso de um chapéu de algodão ou um gorro em Polartec é
sempre aconselhável. Tanto o calor extremo, como o
frio acentuado, podem ser prejudiciais para o conforto
do caminheiro. Proteger a cabeça contra estes elementos
é fundamental para evitar insolações perante o calor, ou
fortes dores de cabeça e ouvidos devido ao frio.

7.9 Muda de roupa

É aconselhável levar uma muda de roupa, principalmente em dias de chuva, nomeadamente uma
camisola polar, uma t-shirt e um par de meias são peças de que poderemos não nos arrepender
de levar em duplicado, tornando o regresso a casa muito mais confortável.

Qual a peça mais importante no vestuário de um caminheiro?

Em Resumo:
Quanto ao vestuário, pode dizer-se que as peças mais importantes são as botas, as meias e a
camisola Polartec, o impermeável em Gore-Tex (em dias de chuva), uma vez que são estas
peças que dão ao caminheiro as melhores garantias de conforto e segurança durante uma
caminhada.
De referir também que a roupa a usar não deve ser muito justa ao corpo para não prender os
movimentos e para evitar que a transpiração fique muito tempo em contacto com o corpo.
Finalmente, a importância do chapéu ou do gorro, conforme as condições climatéricas, devem
ser usados em prol do conforto e até da saúde do caminheiro.

8. ACESSÓRIOS
Além da roupa, também os acessórios são importante em termos de segurança e conforto,
destacando-se os óculos de sol, a mochila e o estojo de primeiros socorros. Falaremos também
de outras peças que poderão ser úteis para tornar a actividade mais confortável e divertida.

8.1 Óculos de sol

Os óculos de sol são fundamentais em dias de forte luminosidade em


qualquer altura do ano, além de protegerem os olhos face ao vento e frio

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ou vegetação alta que se pode encontrar nos percursos. É aconselhável a utilização de uma fita
para pendurar os óculos no pescoço

8.2 Mochila

A mochila deve ser do tamanho suficiente para transportar tudo o que é


necessário durante o dia da actividade: alimentação, água, carteira de
documentos etc. Não deve ser de tamanho exageradamente grande para
não atrapalhar os movimentos e quando utilizada deve estar bem ajustada
ás costas.

8.3 Corda

Nunca se sabe que tipo de obstáculos se pode encontrar durante uma caminhada,
apesar da prévia prospecção do percurso: Linhas de água com um maior caudal
do que o previsto, árvores entretanto caídas, desabamento de terras e rochas, etc.
Uma corda bem esticada pode servir de “corrimão” em passagens estreitas, junto
a precipícios ou na travessia de caudais com águas baixas mas fortes correntes,
ou de açudes.

8.4 Frontal

Um frontal ou uma lanterna são aconselháveis na medida em que, por


algum imprevisto, o grupo pode ter que chegar ao destino já á noite e
tipicamente as caminhadas decorrem em zonas onde não existe iluminação
pública. O frontal tem a vantagem de se poder montar na cabeça e assim
não ocupar as mãos.

8.5 Estojo de primeiros socorros

Entorses, quedas, arranhões mais profundos, cortes e outros acidentes


podem acontecer durante uma caminhada. E no meio de uma serra ou de
uma montanha, não há muitos hospitais e o Seguro não resolve nada no
momento.

8.6 Mosquetões

São úteis para segurar objectos á mochila para os tornar mais acessíveis tais
como o cantil da água, os binóculos, a corda ou uma pequena máquina
fotográfica.

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8.7 Binóculos e/ou Máquina fotográfica

Uma caminhada não é só … caminhar. O percurso feito


pode e deve ser rico em coisas para ver e para fotografar,
tais como aves e outros animais, flora diversa, edifícios,
pormenores da paisagem difíceis de distinguir a olho nu,
ou até para fotografar os companheiros da caminhada.

8.8 Walkie Talkies

São de grande utilidade principalmente em caminhadas em que participem


muitas pessoas. São utilizados por 2 ou mais organizadores que se colocam,
um no início e outro no fim do grupo, afim de coordenar a localização e se
necessário fazer curtas paragens para reagrupar os participantes, evitando
assim que o grupo se disperse ou até que alguém se desvie do trilho e se
perca.

Qual a utilidade de uma Corda como acessório de um caminheiro?

Em Resumo:
Os óculos de sol, a mochila e o estojo de primeiros socorros, são os acessórios mais importantes
de que nos devemos fazer acompanhar, mais uma vez para que a actividade decorra em
segurança e confortavelmente. Todos os outros, embora importantes e úteis, poderão ficar ao
critério de cada um levá-los ou não.

9. ALIMENTAÇÃO E BEBIDAS

Durante a actividade física o corpo humano, inevitavelmente, perde água e energia, devendo o
caminheiro, regularmente, ir repondo estes dois elementos. Acima de tudo, deve ter-se em
atenção que não é preciso levar grandes especialidades gastronómicas uma vez que se deve
evitar grandes pesos tanto dentro da mochila como dentro do estômago a bem do nosso

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conforto. Hoje em dia já existem muitas opções de alimentos compactos e altamente energéticos
com todos os ingredientes necessários a uma caminhada como por exemplo as barras
energéticas ou de cereais, ricas em hidratos de carbono, vitaminas e proteínas.

9. 1 Água

Bem essencial. Tratando-se de uma actividade de esforço físico, a água é


fundamental para hidratar o corpo, principalmente em dias de grande
calor. Não é aconselhável a ingestão de bebidas alcoólicas, refrigerantes
muito açucarados e bebidas lácteas.

9.2 Barras de cereais

As barras energéticas são uma forma fácil de reduzir o peso que se


transporta na mochila. Tipicamente são barras de cereais ricas em
proteínas, hidratos de carbono e glicose de rápida absorção para a
reposição pronta das energias perdidas durante a actividade física. Entre
alguns exemplos de cereais utilizados nestas barras estão o arroz, a aveia,
o centeio, a cevada, o milho e o trigo. Além dos cereais, as frutas desidratadas são também um
ingrediente utilizado nestas barras. É de referir que que as barras de cereais não são a principal
alimentação ao longo do dia, servem principalmente para repor os níveis de glicose e energia.
Nem é aconselhável andar um dia inteiro a comer barras de cereais

9.3 Refeições em conserva

As refeições em conserva são outra alternativa para a alimentação de um dia de caminhada.


Saladas á base de milho ou feijão acompanhadas com outros ingredientes são uma boa solução
para a principal refeição durante a actividade, ou seja, o almoço. De referir que não se deve
fazer refeições muito pesadas, uma vez que provocam sonolência, que associado ao natural
cansaço tornam o restante da caminhada uma tarefa mais penosa. Deve-se antes, comer várias
vezes ao longo do dia, em pequenas quantidades. As refeições em conserva têm como principal
vantagem a facilidade de transporte das embalagens e em qualquer ponto de recolha de lixos se
pode deitar fora as conservas já consumidas.

9.4 Fruta

A Fruta é uma forma fácil e rápida de repor água e glicose (energia) no


corpo humano. Não se deve utilizar nas caminhadas frutas muito sensíveis

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ao calor e de textura frágil e mole uma vez que se podem esmagar durante o transporte.
Tipicamente levam-se maçãs e laranjas.

Um caminheiro deve alimentar-se abundantemente antes de uma actividade para


aguentar o desgaste físico de uma caminhada! Verdadeiro ou falso?

1. Verdadeiro

2. Falso

10. REGRAS A RESPEITAR DURANTE UMA CAMINHADA

• Seguir somente os trilhos sinalizados respeitando as Marcas

• Cuidado com o gado. Embora pacífico, não gosta da aproximação de estranho


ás suas crias
• Evitar barulhos e atitudes que perturbem a paz local
• Observar a fauna á distância, preferencialmente com binóculos
• Não danificar a flora
• Não abandonar o lixo, levando-o até um sítio onde haja serviço de recolha
• Fechar as cancelas e portões por onde se passa
• Respeitar a propriedade privada
• Não fazer lume

Em Resumo:
No campo da alimentação e bebidas, deve destacar-se:

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• A importância da água para a hidratação;
• O uso de barras de cereais para repor energias;
• A utilização de conservas pela facilidade de transporte e valor nutritivo;
• A fruta, pelo seu valor hidratante e de reposição de glicose (energia);
• A importância de se comer várias vezes ao longo do dia e em poucas quantidades.

Quanto ás regras de conduta durante uma caminhada, o respeito pelas Marcas no terreno, não
danificar a flora, não abandonar lixo e não fazer lume são de especial importância e de respeito
obrigatório.

11. SINTESE CONCLUSIVA

Neste manual procurámos abordar todas as fases que envolvem a preparação prévia de uma
caminhada constatando que há muito para fazer antes de levar um grupo, que pode ser de
dezenas de pessoas, para uma actividade com as características de uma caminhada de um ou
mais dias. Aspectos como a escolha do local, passando pela prospecção com o reconhecimento
do percurso, contactos com diversas entidades locais da região onde se vai desenvolver a
actividade no sentido de garantir condições de alojamento para o grupo e a contratação de
serviços fundamentais como o transporte e o Seguro colectivo de acidentes pessoais devem ser
tidos em conta.

Abordámos também as sinaléticas ou marcas, colocadas no terreno para orientarem os


caminheiros e não os deixar desviar-se do trilho correcto, distinguindo as diferenças em termos
de sinaléticas e distâncias entre percurso de Grande Rota (GR) com mais de 30 Km de extensão
e os percursos de Pequena Rota (PR) com uma extensão até 30 Km e a forma de interpretar cada
uma das sinaléticas.

Falámos ainda de dois materiais utilizados na fabricação de algumas peças de vestuário e


acessórios fundamentais para a prática desta actividade, o Polartec e o Gore-Tex, cujas
características fundamentais são a sua impermeabilidade e retenção do calor corporal, e a sua
importância no conforto daquelas peças.

Tratámos de seguida da importância da escolha certa do vestuário e acessórios para cada altura
do ano, condições climatéricas e de terreno, e das várias opções disponíveis, havendo a reter:

• Calçado em Gore-tex

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• Meias

• Camisola Polartec

• Impermeável Gore-Tex

• Chapéu ou gorro

• Óculos de Sol

• Mochila

• Estojo de primeiros Socorros

• Walkie Talkies

No que respeita á alimentação e bebidas, destacámos a importância da água e a facilidade de

transporte e pouco peso dos alimentos facilitando o seu manuseio, sem no entanto descurar a

qualidade dos seus nutrientes. Demos destaque á água, barras de cereais, refeições em conserva

e fruta como sendo o suficiente para levar para uma caminhada, referindo a importância de

comer pouco de cada vez e várias vezes durante o dia.

Já no final fizemos referência ás regras de conduta a ter em conta durante a actividade,

destacando-se entre outras

• Seguir somente os trilhos sinalizados


• Evitar barulhos e atitudes que perturbem a paz local
• Não abandonar o lixo, levando-o até um sítio onde haja serviço de recolha
• Respeitar a propriedade privada
• Não fazer lume

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12. BIBLIOGRAFIA

• Polartec http://altamontanha.com/news/14/news/news_item.asp?NewsID=113

• Polartec http://www.tog24.com/polartec.php

• Gore-Tex http://www.ecco.com/pt/pt/pordentro/materiais/goretex.jsp

• Google Earth http://earth.google.com/

• http://passeiosdacaramulinha.blogspot.com/2008_05_01_archive.html

• Fotografias Particulares.

• Conhecimentos por 15 anos de experiência em caminhadas, em Portugal, Espanha e

França.

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