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Maria Da Penha Comentada

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PENAL V MARIA DA PENHA - LEI 11340/06 COMENTÁRIOS- PROFESSORA MARÍLIA

1- VIOLÊNCIA DE GÊNERO?
Violência de gênero é o conceito mais amplo, abrangendo vítimas como mulheres, crianças e adolescentes de ambos os sexos. No exercício da função patriarcal, os homens detêm o poder de determinar a conduta das categorias sociais nomeadas, recebendo autorização ou, pelo menos, tolerância da sociedade para punir o que se lhes apresenta como desvio. Ainda que não haja nenhuma tentativa, por parte das vítimas potenciais, de trilhar caminhos diversos do prescrito pelas normas sociais, a execução do projeto de dominaçãoexploração da categoria social homens exige que sua capacidade de mando seja auxiliada pela violência. Com efeito, a ideologia de gênero é insuficiente para garantir a obediência das vítimas potenciais aos ditames do patriarca, tendo este necessidade de fazer uso da violência

2- POR QUE LEI “MARIA DA PENHA”?
Maria da Penha Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A farmacêutica Maria da Penha, que dá nome à lei contra a violência doméstica. Maria da Penha Maia Fernandes é uma biofarmacêutica brasileira que lutou para que seu agressor viesse a ser condenado. Com 60 anos e três filhas, hoje ela é líder de movimentos de defesa dos direitos das mulheres, vítima emblemática da violência doméstica. Em 7 de agosto de 2006, foi sancionada pelo presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva a Lei Maria da Penha, na qual há aumento no rigor das punições às agressões contra a mulher, quando ocorridas no ambiente doméstico ou familiar.

História Em 1983, seu ex-marido, o professor universitário colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, tentou matá-la duas vezes. Na primeira vez atirou contra ela, simulando um assalto, e na segunda tentou eletrocutá-la. Por conta das agressões sofridas, Penha ficou paraplégica. Nove anos depois, seu agressor foi condenado a oito anos de prisão. Por meio de recursos jurídicos, ficou preso por dois anos. Solto em 2002, hoje está livre. O episódio chegou à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) e foi considerado, pela primeira vez na história, um crime de violência doméstica. Hoje, Penha é coordenadora de estudos da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV), no Ceará. Estava presente à cerimônia da sanção da lei brasileira, que leva seu nome, junto aos demais ministros e representantes de movimentos feministas. A nova Lei reconhece a gravidade dos casos de violência doméstica, e retira dos juizados especiais criminais (que julgam crimes de menor potencial ofensivo) a competência para julgálos. Em artigo publicado em 2003, a advogada Carmem Campos apontava os vários déficits desta prática jurídica, que, na maioria dos casos, gerava arquivamento massivo dos processos, insatisfação das vítimas e banalização da violência doméstica.

3- APLICABILIDADE DA LEI
Art. 5o Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas; II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.

Lei Maria da Penha para homem ameaçado Por Jefferson Maglio 30 de October de 2008 O juiz titular do Juizado Especial Criminal Unificado de Cuiabá, Mário Roberto Kono de Oliveira, determinou de maneira inovadora a aplicação de medidas protetivas de urgência em favor de um homem que vem sofrendo constantes ameaças da ex-companheira depois do fim do relacionamento. Para o magistrado, há elementos probantes mais do que suficientes para demonstrar a necessidade de se deferir as medidas protetivas de urgência requeridas, aplicando assim, por analogia, o que estabelece a Lei 11.340/2006,

com.mais conhecida como Lei Maria da Penha. prevista no Código Penal em seu artigo 1º: “Não há crime sem lei anterior que o defina. No pedido. que chegaram a tentar contra a vida de seu ex-consorte. por analogia. Reconhecendo a necessidade premente e incontestável da Lei Maria da Penha. como registro de ocorrência... citando vários doutrinadores. diga-se: física. se podemos aplicar a analogia para favorecer o réu. é óbvio que tal aplicação é perfeitamente válida quando o favorecido é a própria vítima de um crime”. o magistrado enfatizou que o homem não deve se envergonhar em buscar socorro junto ao Poder Judiciário para fazer cessar as agressões da qual vem sendo vítima. Segundo magistrado. A decisão judicial determinou que a ré deve se abster de se aproximar do autor a uma distância inferior a 500 metros. seja por telefonema. segundo o magistrado. quando se trata de norma incriminadora. e-mail ou qualquer outro meio direto ou indireto. ou seja.php?option=com_content&task=view&id=462&Itemid=9 4. já que não procura o homem/vítima se utilizar de atos também violentos como demonstração de força ou de vingança. Ele instruiu o pedido com vários documentos. que se não se pode aplicar a analogia in malam partem (contra o réu). conhecida como Lei Maria da Penha. incluindo sua moradia e local de trabalho. o juiz Mário Kono de Oliveira admitiu que. pedido de exame de corpo de delito. “por sentimentos de posse e de fúria que levam a todos os tipos de violência.FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CAPÍTULO II DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR . “Ora. psicológicas e financeiras por parte da ré. não quer dizer que não poderia aplicála in bonam partem. o autor afirmou que vem sofrendo agressões físicas. formulado nos autos da Ação nº 1074/2008. e que se abstenha de manter qualquer contato com ele. embora em número consideravelmente menor. O autor requereu a aplicação da Lei nº 11. “Por algumas vezes me deparei com casos em que o homem era vítima do descontrole emocional de uma mulher que não media esforços em praticar todo o tipo de agressão possível (. ressaltou. Por outro lado. psicológica. http://protocolojuridico. existem casos em que o homem é quem vem a ser vítima. Já fui obrigado a decretar a custódia preventiva de mulheres ‘à beira de um ataque de nervos’. moral e financeira”. ato de sensatez. a lei penal não pode ser aplicada por analogia porque fere o princípio da reserva legal. no caso do descumprimento.340/2006. que consistiu em trazer segurança à mulher vítima de violência doméstica e familiar. por pura e simplesmente não concordar com o fim de um relacionamento amoroso”. E compete à Justiça fazer o seu papel de envidar todos os esforços em busca de uma solução de conflitos. já que inexiste lei similar a ser aplicada quando o homem é vítima de violência doméstica. em busca de uma paz social”. nota fiscal de conserto de veículo avariado pela ex-companheira e diversos e-mails difamatórios e intimidatórios enviados por ela.br/index. o juiz advertiu que.). Não há pena sem prévia cominação legal”. em favor do réu quando não se trata de norma incriminadora. Na decisão. o juiz Mário Kono assinalou. Na mesma decisão. a ré pode ser enquadrada pelo crime de desobediência e até mesmo ser presa. “É sim.

crenças e decisões. poderão ser criados pela União.CONTRA A MULHER Art. entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal.a violência sexual. chantagem. e pelos Estados. o Juizado: I .a violência psicológica. suborno ou manipulação. para o processo. II . entendida como qualquer conduta que configure calúnia. difamação ou injúria.COMPETÊNCIA PARA PROCESAR E JULGAR CRIMES PRATICADOS EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHER Art. Art. entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar. III . incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. II .do lugar do fato em que se baseou a demanda. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. instrumentos de trabalho. IV . valores e direitos ou recursos econômicos. insulto. chantagem. entre outras: I . que a induza a comercializar ou a utilizar. a sua sexualidade. É competente. vigilância constante. manipulação.a violência moral. 14. Os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno. comportamentos. humilhação. documentos pessoais. para os processos cíveis regidos por esta Lei. V . coação ou uso da força. constrangimento. conforme dispuserem as normas de organização judiciária. 15. órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e criminal. ridicularização. destruição parcial ou total de seus objetos.a violência patrimonial. que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio. * CRIME DOLOSO CONTRA VIDA. ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. no Distrito Federal e nos Territórios. exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.a violência física. III . mediante ameaça. entendida como qualquer conduta que configure retenção. à gravidez. mediante intimidação. ameaça.do domicílio do agressor. isolamento. ao aborto ou à prostituição. o julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. a manter ou a participar de relação sexual não desejada. Parágrafo único. bens. 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher.COMPETÊNCIA DO JÚRI? . por opção da ofendida. entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações. subtração. mediante coação. perseguição contumaz. 5. de qualquer modo.do seu domicílio ou de sua residência.

MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA CAPÍTULO II DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA Seção I Disposições Gerais Art. independentemente de audiência das partes e de manifestação do Ministério Público.que corre perante o Juizado Especial Criminal.conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de urgência. Recebido o expediente com o pedido da ofendida. § 3o Poderá o juiz. DJe 08/06/2009) 6. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA. 18. SEXTA TURMA. JUIZADO ESPECIAL. HABEAS CORPUS. § 1o As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato.214/DF. se entender necessário à proteção da ofendida.comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis. julgado em 19/05/2009. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz. sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados. foro competente para processar e julgar o feito.PROCESSO PENAL.determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária. CONSTRANGIMENTO. quando for o caso. 2. 1. II . encaminhando-se os autos para o 1º Tribunal do Júri de Ceilândia/DF. por crime doloso contra a vida . a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida. Estabelecendo a Lei de Organização Judiciária local que cabe ao Juiz-Presidente do Tribunal do Júri processar os feitos de sua competência. III . e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia. devendo este ser prontamente comunicado. . de seus familiares e de seu patrimônio. ouvido o Ministério Público. Art. § 2o As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente. mesmo antes do ajuizamento da ação penal. HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. Ordem concedida para anular o processo a partir do recebimento da denúncia. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas: I . Rel. 19. é nulo o processo.RECONHECIMENTO. caberá ao juiz. (HC 121. conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas. COMPETÊNCIA.mesmo que em contexto de violência doméstica . a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida.

verificar a falta de motivo para que subsista. bem como de novo decretá-la. domicílio ou local de convivência com a ofendida. sempre que a segurança da ofendida ou as circunstâncias o exigirem. V .826. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. Art. 20. especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão. Seção II Das Medidas Protetivas de Urgência que Obrigam o Agressor Art. 21. devendo a providência ser comunicada ao Ministério Público. de seus familiares e das testemunhas.prestação de alimentos provisionais ou provisórios. nos termos desta Lei. Parágrafo único. de imediato. as seguintes medidas protetivas de urgência. sem prejuízo da intimação do advogado constituído ou do defensor público. II . seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação. 6o da Lei no 10. § 3o Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência. nos termos da Lei no 10. o juiz poderá aplicar. Parágrafo único. ficando o superior imediato do agressor responsável pelo cumprimento da determinação judicial.afastamento do lar. no curso do processo. fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor. decretada pelo juiz. de 22 de dezembro de 2003. A ofendida não poderá entregar intimação ou notificação ao agressor. . de 22 de dezembro de 2003. 22.suspensão da posse ou restrição do porte de armas. ao agressor. poderá o juiz requisitar. A ofendida deverá ser notificada dos atos processuais relativos ao agressor. IV . § 2o Na hipótese de aplicação do inciso I. § 1o As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras previstas na legislação em vigor. III . c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida. corporação ou instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a restrição do porte de armas. a qualquer momento. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal. ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar.restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores. com comunicação ao órgão competente. se sobrevierem razões que a justifiquem.826. a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial. encontrando-se o agressor nas condições mencionadas no caput e incisos do art. conforme o caso. sob pena de incorrer nos crimes de prevaricação ou de desobediência. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se. o juiz comunicará ao respectivo órgão. entre as quais: a) aproximação da ofendida. caberá a prisão preventiva do agressor. entre outras: I .proibição de determinadas condutas. b) contato com a ofendida.Art. auxílio da força policial. em conjunto ou separadamente. de ofício.

MARIA DA PENHA . 88 da Lei 9099/95 Art. 461 da Lei no 5.AÇÃO PENAL E REPRESENTAÇÃO Determinação no art. dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas. 8. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade particular da mulher.869.encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento.restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida.099. não se aplica a Lei no 9. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial. III . venda e locação de propriedade em comum. Seção III Das Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida Art.determinar o afastamento da ofendida do lar. Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para os fins previstos nos incisos II e III deste artigo. quando necessário. Art. salvo expressa autorização judicial. de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil). IV . o juiz poderá determinar. após afastamento do agressor. sem prejuízo dos direitos relativos a bens. II . guarda dos filhos e alimentos. Poderá o juiz. o disposto no caput e nos §§ 5o e 6º do art. de 26 de setembro de 1995. II .suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor. mediante depósito judicial. por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida. 23.IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 9099/95 Art. 88.proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra. 7.prestação de caução provisória. Parágrafo único. IV . Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher. III . independentemente da pena prevista.determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio. as seguintes medidas. entre outras: I . sem prejuízo de outras medidas: I . 41.determinar a separação de corpos. no que couber.§ 4o Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo. 24. liminarmente.

bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa. OFERECIMENTO DE NOTITIA CRIMINIS PERANTE A AUTORIDADE POLICIAL. Para esse delito.340/06. prescinde de rigores formais. LEI MARIA DA PENHA. Esta Corte. PRECEDENTES.000/SP. Se está na Lei 9. que regula os Juizados Especiais.050. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE REPRESENTAÇÃO. 17. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei. INEXIGIBILIDADE DE RIGORES FORMAIS. 41 da Lei n.º 11. AUSÊNCIA DE NULIDADE NA NÃO-DESIGNAÇÃO DA AUDIÊNCIA PREVISTA NO ART.099/95 E. antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. bastando a inequívoca manifestação de vontade da vítima ou de seu representante legal no sentido de que se promova a responsabilidade penal do agente. Rel. DE SEU ART. Ordem denegada.11. NÃO OCORRÊNCIA. 1. em audiência especialmente designada com tal finalidade. já resolveu que a averiguação da lesão corporal de natureza leve praticada com violência doméstica e familiar contra a mulher independe de representação. ORDEM DENEGADA. LESÃO CORPORAL LEVE PRATICADA COM VIOLÊNCIA FAMILIAR CONTRA A MULHER. 41 da Lei 11. em toda sua extensão.Art. DJe 08/09/2009) PROCESSO PENAL. Por força do disposto no art. a previsão de que dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de . NÃO-INCIDÊNCIA DA LEI N. QUINTA TURMA.099/95. PÚBLICA INCONDICIONADA. JANE SILVA. 2. materializada no boletim de ocorrência. PARECER MINISTERIAL PELA CONCESSÃO DO WRIT.099/90. 2. COM ISSO. Rel. resta inaplicável. interpretando o art. 16. 1. A representação. in casu. nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. 16 DA LEI MARIA DA PENHA. como evidenciado.º 9. de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária. Min. condição de procedibilidade exigida nos crimes de ação penal pública condicionada. IMPOSSIBILIDADE.08). CRIME DE LESÃO CORPORAL LEVE. a Lei n. VALIDADE COMO EXERCÍCIO DO DIREITO DE REPRESENTAÇÃO. (HC 130. 1.AFASTA A LEI 9099/95 INTEGRALMENTE HABEAS CORPUS. TESE DE FALTA DE CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE. 3. É vedada a aplicação. só será admitida a renúncia à representação perante o juiz.340/06. com a notitia criminis levada à autoridade policial. HABEAS CORPUS.276/DF. QUE DISPÕE SER CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO O REFERIDO CRIME. 88. julgado em 13/08/2009. DJU 24.099/95. INEQUÍVOCA MANIFESTAÇÃO DE VONTADE DA VÍTIMA.º 9. Art. a Ação Penal é incondicionada (REsp. INAPLICABILIDADE DA LEI 9. que dispõe não serem aplicáveis aos crimes nela previstos a Lei dos Juizados Especiais. CUJO ÚNICO PROPÓSITO É A RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO. PLEITO DE CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DO SURSIS PROCESSUAL. Ministra LAURITA VAZ.

313.340/06. CPP Art. 20. 16 do Lei nº 11. 1. 88) e a Lei Maria da Penha afasta a incidência desse diploma despenalizante. Em qualquer das circunstâncias.POSSIBILIDADE DE PRISÃO PREVENTIVA MARIA DA PENHA Art. SEXTA TURMA. p/ Acórdão Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP). julgado em 05/03/2009.. será admitida a decretação da prisão preventiva nos crimes dolosos: (Redação dada pela Lei nº 6. inviável a pretensão de aplicação daquela regra aos crimes cometidos sob a égide desta Lei.5. verificar a falta de motivo para que subsista. no curso do processo. em que pese o parecer ministerial em contrário. Ação penal dependente de representação. nos termos da lei específica.608/MG. Delito de lesões corporais de natureza leve (art. se sobrevierem razões que a justifiquem. Ordem denegada. de 24. Extinção da punibilidade pela decadência. com o objetivo de humanizar a pena e buscar harmonizar os sujeitos ativo e passivo do crime. decretada pelo juiz. para garantir a execução das medidas protetivas de urgência.) IV . Rel. § 9º do CP).lesões corporais e lesões culposas (art. é dependente de retratação. (HC 91. de ofício. de 2006) . Isto significa que a ação penal. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal. Parágrafo único. previstas no artigo anterior. DJe 03/08/2009) 9. bem como de novo decretá-la.. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se. não há como cogitar qualquer nulidade decorrente da não realização da audiência prevista no art. Ante a inexistência da representação como condição de procedibilidade da ação penal em que se apura lesão corporal de natureza leve. QUINTA TURMA. julgado em 19/02/2009. (HC 113. 2. 16 da Lei 11.416.se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher. a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial.340. Outro entendimento contraria a nova filosofia que inspira o Direito Penal. Rel.340/06 é claro ao autorizar a retração. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO. 3. mas somente perante o juiz. 4. cujo único propósito é a retratação. Ministro OG FERNANDES.540/MS. caberá a prisão preventiva do agressor. DJe 13/04/2009) PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO Lei Maria da Penha. baseado em princípios de conciliação e transação. O art. Rel. (Incluído pela Lei nº 11. Possibilidade de retratação da representação. na espécie.1977) (. 129.

cultura. à cultura. DE 7 DE AGOSTO DE 2006. independentemente de classe. etnia. nos termos do § 8o do art. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. à dignidade. à educação. ao acesso à justiça. crueldade e opressão. à segurança. 1o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher. e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. à moradia. preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral.10-A LEI NA ÍNTEGRA Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 11. à alimentação. . dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. 2o Toda mulher. à saúde. sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência. nível educacional. da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir.340. da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher. Art. ao lazer. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: TÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. o Código Penal e a Lei de Execução Penal. intelectual e social. altera o Código de Processo Penal. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil. renda. goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. à cidadania. § 1o O poder público desenvolverá políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência. Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. raça. orientação sexual. ao respeito e à convivência familiar e comunitária. e dá outras providências. ao trabalho. dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Art. 226 da Constituição Federal. da Convenção Interamericana para Prevenir. nos termos do § 8o do art. discriminação. violência. 226 da Constituição Federal. à liberdade. exploração. ao esporte. idade e religião. 3o Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida.

por afinidade ou por vontade expressa. insulto. unidos por laços naturais. entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal. entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações.a violência psicológica. independentemente de coabitação. 6o A violência doméstica e familiar contra a mulher constitui uma das formas de violação dos direitos humanos. compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas. constrangimento. isolamento. lesão. ridicularização.no âmbito da unidade doméstica. configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte. com ou sem vínculo familiar. Art. sofrimento físico. CAPÍTULO II DAS FORMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER Art. Parágrafo único. comportamentos.a violência física. vigilância constante.no âmbito da família. . 5o Para os efeitos desta Lei. sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial: I . 7o São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. inclusive as esporadicamente agregadas. crenças e decisões. especialmente. mediante ameaça. TÍTULO II DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. humilhação. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.em qualquer relação íntima de afeto. à sociedade e ao poder público criar as condições necessárias para o efetivo exercício dos direitos enunciados no caput. chantagem. compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados. 4o Na interpretação desta Lei. entre outras: I . exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.§ 2o Cabe à família. Art. perseguição contumaz. manipulação. II . na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida. II . as condições peculiares das mulheres em situação de violência doméstica e familiar. serão considerados os fins sociais a que ela se destina e. III .

III . e a avaliação periódica dos resultados das medidas adotadas. difamação ou injúria. VI . incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. protocolos. suborno ou manipulação. de forma a coibir os papéis estereotipados que legitimem ou exacerbem a violência doméstica e familiar. do Distrito Federal e dos Municípios e de ações não-governamentais. termos ou outros instrumentos de promoção de parceria entre órgãos governamentais ou entre estes e entidades nãogovernamentais. IV .a promoção e a realização de campanhas educativas de prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher. nos meios de comunicação social. no inciso IV do art. às conseqüências e à freqüência da violência doméstica e familiar contra a mulher. da Guarda Municipal. mediante coação. a manter ou a participar de relação sexual não desejada. 8o A política pública que visa coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher far-se-á por meio de um conjunto articulado de ações da União. tendo por diretrizes: I . a sua sexualidade. de qualquer modo. entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar. .a integração operacional do Poder Judiciário.a promoção de estudos e pesquisas.III . documentos pessoais. entendida como qualquer conduta que configure retenção. 3o e no inciso IV do art.a violência sexual. do Ministério Público e da Defensoria Pública com as áreas de segurança pública. que a induza a comercializar ou a utilizar.o respeito. 1o. ameaça. que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio. coação ou uso da força. ajustes. ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. VII . educação.a celebração de convênios. para a sistematização de dados. ao aborto ou à prostituição. assistência social. a serem unificados nacionalmente. IV . e a difusão desta Lei e dos instrumentos de proteção aos direitos humanos das mulheres. dos Estados. do Corpo de Bombeiros e dos profissionais pertencentes aos órgãos e às áreas enunciados no inciso I quanto às questões de gênero e de raça ou etnia. 221 da Constituição Federal. trabalho e habitação. estatísticas e outras informações relevantes. mediante intimidação. valores e direitos ou recursos econômicos.a capacitação permanente das Polícias Civil e Militar. dos valores éticos e sociais da pessoa e da família. voltadas ao público escolar e à sociedade em geral.a implementação de atendimento policial especializado para as mulheres. em particular nas Delegacias de Atendimento à Mulher. chantagem. V .a violência moral. II . à gravidez. subtração. V . TÍTULO III DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CAPÍTULO I DAS MEDIDAS INTEGRADAS DE PREVENÇÃO Art.a violência patrimonial. com a perspectiva de gênero e de raça ou etnia. destruição parcial ou total de seus objetos. tendo por objetivo a implementação de programas de erradicação da violência doméstica e familiar contra a mulher. instrumentos de trabalho. entendida como qualquer conduta que configure calúnia. de acordo com o estabelecido no inciso III do art. saúde. bens. concernentes às causas.

incluindo os serviços de contracepção de emergência. II . nos currículos escolares de todos os níveis de ensino. entre outras providências: I . estadual e municipal. § 2o O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e familiar. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao descumprimento de medida protetiva de urgência deferida. e emergencialmente quando for o caso. a profilaxia das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) e outros procedimentos médicos necessários e cabíveis nos casos de violência sexual.o destaque. 10. para os conteúdos relativos aos direitos humanos. No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar. à eqüidade de gênero e de raça ou etnia e ao problema da violência doméstica e familiar contra a mulher. 11. as providências legais cabíveis.a promoção de programas educacionais que disseminem valores éticos de irrestrito respeito à dignidade da pessoa humana com a perspectiva de gênero e de raça ou etnia. quando necessário. por até seis meses. a autoridade policial deverá.manutenção do vínculo trabalhista. Na hipótese da iminência ou da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. integrante da administração direta ou indireta. a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência adotará.garantir proteção policial. quando necessário o afastamento do local de trabalho.VIII . II . entre outras normas e políticas públicas de proteção.encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal. CAPÍTULO III DO ATENDIMENTO PELA AUTORIDADE POLICIAL Art. no Sistema Único de Segurança Pública. comunicando de imediato ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. no Sistema Único de Saúde. CAPÍTULO II DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR Art. de imediato. IX . . 9o A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar será prestada de forma articulada e conforme os princípios e as diretrizes previstos na Lei Orgânica da Assistência Social. Art. a inclusão da mulher em situação de violência doméstica e familiar no cadastro de programas assistenciais do governo federal. § 3o A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar compreenderá o acesso aos benefícios decorrentes do desenvolvimento científico e tecnológico.acesso prioritário à remoção quando servidora pública. por prazo certo. para preservar sua integridade física e psicológica: I .fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro. III . quando houver risco de vida. Parágrafo único. § 1o O juiz determinará.

ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes criminais. expediente apartado ao juiz com o pedido da ofendida.IV .descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas pela ofendida. de imediato. . § 3o Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde. ao julgamento e à execução das causas cíveis e criminais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher aplicar-se-ão as normas dos Códigos de Processo Penal e Processo Civil e da legislação específica relativa à criança. 12. Art. V . para a concessão de medidas protetivas de urgência. acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus pertences do local da ocorrência ou do domicílio familiar.ouvir o agressor e as testemunhas. ao adolescente e ao idoso que não conflitarem com o estabelecido nesta Lei.qualificação da ofendida e do agressor. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas.se necessário. § 1o O pedido da ofendida será tomado a termo pela autoridade policial e deverá conter: I . indicando a existência de mandado de prisão ou registro de outras ocorrências policiais contra ele. os autos do inquérito policial ao juiz e ao Ministério Público.remeter. feito o registro da ocorrência. sem prejuízo daqueles previstos no Código de Processo Penal: I . os seguintes procedimentos. 13. II . IV .informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis. VI . lavrar o boletim de ocorrência e tomar a representação a termo. se apresentada. deverá a autoridade policial adotar. Ao processo. III . no prazo legal.nome e idade dos dependentes. V . III .colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e de suas circunstâncias.ouvir a ofendida. VII . § 2o A autoridade policial deverá anexar ao documento referido no § 1o o boletim de ocorrência e cópia de todos os documentos disponíveis em posse da ofendida. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher.determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da ofendida e requisitar outros exames periciais necessários. TÍTULO IV DOS PROCEDIMENTOS CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. II .remeter.

e pelos Estados. o Juizado: I . II . Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. só será admitida a renúncia à representação perante o juiz. Art.do lugar do fato em que se baseou a demanda. a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida.conhecer do expediente e do pedido e decidir sobre as medidas protetivas de urgência. . § 1o As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas de imediato. para os processos cíveis regidos por esta Lei. CAPÍTULO II DAS MEDIDAS PROTETIVAS DE URGÊNCIA Seção I Disposições Gerais Art. É competente. órgãos da Justiça Ordinária com competência cível e criminal. sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados. por opção da ofendida. É vedada a aplicação. no prazo de 48 (quarenta e oito) horas: I .determinar o encaminhamento da ofendida ao órgão de assistência judiciária. Art. Parágrafo único. § 2o As medidas protetivas de urgência serão aplicadas isolada ou cumulativamente. III . Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei. Recebido o expediente com o pedido da ofendida. III . em audiência especialmente designada com tal finalidade. devendo este ser prontamente comunicado. o julgamento e a execução das causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher. 15.comunicar ao Ministério Público para que adote as providências cabíveis. Art.do seu domicílio ou de sua residência. independentemente de audiência das partes e de manifestação do Ministério Público. 14. quando for o caso. As medidas protetivas de urgência poderão ser concedidas pelo juiz. 18. conforme dispuserem as normas de organização judiciária. para o processo.do domicílio do agressor. II . e poderão ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia. Os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno. Art. no Distrito Federal e nos Territórios.Art. de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária. nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. 16. antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. bem como a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa. poderão ser criados pela União. caberá ao juiz. 19. 17.

6o da Lei no 10. se entender necessário à proteção da ofendida. II .prestação de alimentos provisionais ou provisórios. nos termos desta Lei. V . Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal. 22. corporação ou instituição as medidas protetivas de urgência concedidas e determinará a restrição do porte de armas. especialmente dos pertinentes ao ingresso e à saída da prisão. de seus familiares e das testemunhas. 20. § 1o As medidas referidas neste artigo não impedem a aplicação de outras previstas na legislação em vigor. devendo a providência ser comunicada ao Ministério Público. conceder novas medidas protetivas de urgência ou rever aquelas já concedidas. b) contato com a ofendida. Art.826. domicílio ou local de convivência com a ofendida.§ 3o Poderá o juiz. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se. 21. ficando o superior imediato do . Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher.suspensão da posse ou restrição do porte de armas. § 2o Na hipótese de aplicação do inciso I. decretada pelo juiz. a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial. de ofício. com comunicação ao órgão competente. A ofendida não poderá entregar intimação ou notificação ao agressor. ao agressor. nos termos da Lei no 10. fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor. se sobrevierem razões que a justifiquem. sempre que a segurança da ofendida ou as circunstâncias o exigirem. bem como de novo decretá-la. IV . caberá a prisão preventiva do agressor. no curso do processo. c) freqüentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida. em conjunto ou separadamente. as seguintes medidas protetivas de urgência. encontrando-se o agressor nas condições mencionadas no caput e incisos do art. de seus familiares e de seu patrimônio. verificar a falta de motivo para que subsista. de 22 de dezembro de 2003. Art. ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar. Parágrafo único. a requerimento do Ministério Público ou a pedido da ofendida.restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores. seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação.proibição de determinadas condutas. sem prejuízo da intimação do advogado constituído ou do defensor público. o juiz comunicará ao respectivo órgão. III .826. A ofendida deverá ser notificada dos atos processuais relativos ao agressor. de 22 de dezembro de 2003. entre as quais: a) aproximação da ofendida. o juiz poderá aplicar. Parágrafo único. ouvido o Ministério Público. entre outras: I .afastamento do lar. de imediato. Seção II Das Medidas Protetivas de Urgência que Obrigam o Agressor Art.

determinar o afastamento da ofendida do lar.encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento. II . Parágrafo único. quando necessário: I . conforme o caso. poderá o juiz requisitar.proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra. Art. entre outros. . § 4o Aplica-se às hipóteses previstas neste artigo.restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida. por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida. de educação.requisitar força policial e serviços públicos de saúde. II . liminarmente. guarda dos filhos e alimentos. mediante depósito judicial. quando necessário. § 3o Para garantir a efetividade das medidas protetivas de urgência. entre outras: I .agressor responsável pelo cumprimento da determinação judicial. nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. 24. 25.prestação de caução provisória. 461 da Lei no 5. quando não for parte. Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para os fins previstos nos incisos II e III deste artigo. sem prejuízo de outras atribuições. IV . O Ministério Público intervirá. a qualquer momento. as seguintes medidas. Seção III Das Medidas Protetivas de Urgência à Ofendida Art. III . auxílio da força policial. Art. no que couber. Poderá o juiz. Caberá ao Ministério Público. sem prejuízo dos direitos relativos a bens. nas causas cíveis e criminais decorrentes da violência doméstica e familiar contra a mulher. o juiz poderá determinar. o disposto no caput e nos §§ 5o e 6º do art. CAPÍTULO III DA ATUAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO Art. após afastamento do agressor. 23.869. venda e locação de propriedade em comum. sob pena de incorrer nos crimes de prevaricação ou de desobediência. de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil). III . Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade particular da mulher.determinar a separação de corpos. salvo expressa autorização judicial. sem prejuízo de outras medidas: I . de assistência social e de segurança.suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor. 26. IV .determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio.

32. ressalvado o previsto no art. nos termos da Lei de Diretrizes Orçamentárias. e desenvolver trabalhos de orientação. TÍTULO V DA EQUIPE DE ATENDIMENTO MULTIDISCIPLINAR Art. Art. 27. com especial atenção às crianças e aos adolescentes. voltados para a ofendida. mediante a indicação da equipe de atendimento multidisciplinar. na elaboração de sua proposta orçamentária. 31. 33. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher que vierem a ser criados poderão contar com uma equipe de atendimento multidisciplinar. Art. em sede policial e judicial. a mulher em situação de violência doméstica e familiar deverá estar acompanhada de advogado. fornecer subsídios por escrito ao juiz. nos termos da lei. mediante atendimento específico e humanizado. Doméstica e Familiar contra e criminal para conhecer e e familiar contra a mulher. a ser integrada por profissionais especializados nas áreas psicossocial. cíveis e criminais. poderá prever recursos para a criação e manutenção da equipe de atendimento multidisciplinar. entre outras atribuições que lhe forem reservadas pela legislação local. o juiz poderá determinar a manifestação de profissional especializado. Art. Compete à equipe de atendimento multidisciplinar. 28. TÍTULO VI DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS Art. subsidiada pertinente. jurídica e de saúde. 19 desta Lei. nas varas criminais. encaminhamento. as varas criminais acumularão as competências cível julgar as causas decorrentes da prática de violência doméstica observadas as previsões do Título IV desta Lei. de imediato. Art. mediante laudos ou verbalmente em audiência. e adotar.II . para o processo e o julgamento das causas referidas no caput. Em todos os atos processuais. pela legislação processual Parágrafo único. Enquanto não estruturados os Juizados de Violência a Mulher. 30.fiscalizar os estabelecimentos públicos e particulares de atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar. prevenção e outras medidas. o agressor e os familiares. CAPÍTULO IV DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA Art. TÍTULO VII DISPOSIÇÕES FINAIS . ao Ministério Público e à Defensoria Pública.cadastrar os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. O Poder Judiciário. 29. as medidas administrativas ou judiciais cabíveis no tocante a quaisquer irregularidades constatadas. É garantido a toda mulher em situação de violência doméstica e familiar o acesso aos serviços de Defensoria Pública ou de Assistência Judiciária Gratuita. III . Será garantido o direito de preferência. Quando a complexidade do caso exigir avaliação mais aprofundada.

38. pelo Ministério Público e por associação de atuação na área..... O requisito da pré-constituição poderá ser dispensado pelo juiz quando entender que não há outra entidade com representatividade adequada para o ajuizamento da demanda coletiva. As Secretarias de Segurança Pública dos Estados e do Distrito Federal poderão remeter suas informações criminais para a base de dados do Ministério da Justiça. no limite de suas competências e nos termos das respectivas leis de diretrizes orçamentárias.. A União.... concorrentemente. 313. o Distrito Federal..... Art... 40. passa a vigorar acrescido do seguinte inciso IV: “Art..... 313 do Decreto-Lei no 3. regularmente constituída há pelo menos um ano... A instituição dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher poderá ser acompanhada pela implantação das curadorias necessárias e do serviço de assistência judiciária.. o Distrito Federal e os Municípios. o Distrito Federal e os Municípios promoverão a adaptação de seus órgãos e de seus programas às diretrizes e aos princípios desta Lei...programas e campanhas de enfrentamento da violência doméstica e familiar.centros de educação e de reabilitação para os agressores.. 36. poderão estabelecer dotações orçamentárias específicas.... os Estados.........099. 42. para a implementação das medidas estabelecidas nesta Lei.. II . A União.. .... Art.. .... A União...casas-abrigos para mulheres e respectivos dependentes menores em situação de violência doméstica e familiar. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher... III .delegacias.... de 26 de setembro de 1995......... 39.. As obrigações previstas nesta Lei não excluem outras decorrentes dos princípios por ela adotados..Art. serviços de saúde e centros de perícia médico-legal especializados no atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar. As estatísticas sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher serão incluídas nas bases de dados dos órgãos oficiais do Sistema de Justiça e Segurança a fim de subsidiar o sistema nacional de dados e informações relativo às mulheres.. independentemente da pena prevista. Art.. no limite das respectivas competências: I . Art...... Parágrafo único..... núcleos de defensoria pública..... Art... . Art.. 37.. 34. Art. Parágrafo único. os Estados e os Municípios poderão criar e promover.. V ... de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal)..centros de atendimento integral e multidisciplinar para mulheres e respectivos dependentes em situação de violência doméstica e familiar.. IV .. não se aplica a Lei no 9.. A defesa dos interesses e direitos transindividuais previstos nesta Lei poderá ser exercida. O art..... os Estados..... Art...689.. 41. nos termos da legislação civil.... 35.... em cada exercício financeiro........

. descendente......................... ” (NR) Art...... 7 de agosto de 2006.detenção...... 152 da Lei no 7..... 152........................848. de coabitação ou de hospitalidade....” (NR) Art.. nos termos da lei específica...2006 ...... .... Esta Lei entra em vigor 45 (quarenta e cinco) dias após sua publicação........................ cônjuge ou companheiro.........848............ 61 do Decreto-Lei n o 2........................... de coabitação ou de hospitalidade: Pena ............... Na hipótese do § 9o deste artigo... § 9o Se a lesão for praticada contra ascendente... ..... LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Dilma Rousseff Este texto não substitui o publicado no D. irmão...... ou com quem conviva ou tenha convivido..................... de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal).... . 61. 45.... A alínea f do inciso II do art..................... prevalecendo-se o agente das relações domésticas....se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher..........................8.............. ou..... 129........ 44. § 11.......... de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal)..IV ........” (NR) Art........ 43... .. passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art........... o juiz poderá determinar o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação... ainda......... de 3 (três) meses a 3 (três) anos......... passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.. f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas.. Nos casos de violência doméstica contra a mulher................. II ............U............... ou com violência contra a mulher na forma da lei específica. 185o da Independência e 118o da República....................... 129 do Decreto-Lei nº 2.......................... de 8. O art.....” (NR) Art................210.. a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência......... .... para garantir a execução das medidas protetivas de urgência... passa a vigorar com a seguinte redação: “Art................... de 11 de julho de 1984 (Lei de Execução Penal)................ ..... Brasília.. 46.. Parágrafo único..................O....... O art...... ....... .....

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