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A DESTRUICAO DA PENHORA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL |MaGeM DE CuNHO UsTRaTIVO /woMao PLBLICO Recentemente, o Supremo Tribunal Federal, nos RE n? 349703-RS e n® 466343-SP, concluiu pela impossibilidade de priso civil do infiel depositério de bem penhorado, j4 que esta sangio deve ser aplicada apenas em face de inadimplemento inescusdvel (¢ voluntério) de obrigacao alimenticia, O RE n® 349703-R5 veda a equiparacdo, pelo Decreto- Lei n? 911/69, do devedor-fiduciante, no contrato da alienagio fiduciéria de bens méveis, a0 infiel depositario (art. 52, LXVII, da CF/88), obstando, portanto, asta prisio civil, com escopo no art. 78, item 7, do Pacto de San José da Costa Rica de 1992 Na ementa do RE n® 466343-SP, fica exposto o posicionamento do STF: “€ ilicita a prisdo civil de depositario infiel, qualquer que seja a modalidade do depésito” Tal decisio € catastréfica, pois quebra o alicerce da prestagdo jurisdicional: 0 j4 combalido processo de execucao. A execucdo baseia-se na possibilidade de o Estado-lui pelos poderes (por exemplo, 0 art. 660 CPC) que Ihe so conferidos - em caso de recusa, ou inércia, do devedor em satisfazer espontaneamente a sua obrigacao (art. 580 CPC)-, invadir 0 patriménio do sujeito passivo (art. 591 CPC, responsabilizacdo patrimonial), para assegurar a satisfacio da pretensdo postulada em juizo. Esta invaso patrimonial, regra geral, se faz pela penhora (art, 652 CPC), pela qual parte do patrim6nio do devedor (art. 659 CPC) ¢ utilizada, por meio de procedimento legal, como garantia para futura satisfago do crédito objeto da execucdo. ‘Como afirmado, a penhora obedece a uma forma (art. 664 CPC), eela sé esté aperfeicoada coma “a apreensio € 0 depésito dos bens” constritos, ou seja, no auto de penhora deverd constar a designacao do depositario (art. 665,1V, CPC). ‘Aidéia é simples: quando se realiza uma penhora, sobre © bem constrito recai um gravame criado por ato judicial, raz0 pela qual deverd ser indicado um depositério responsavel pela sua guarda emanutengo. © depositario, na pratica, ser 0 préprio devedor, apesar de assim nao estabelecer a lei (art. 666, II, CPC), tendo em vista as dificuldades operacionais para remocdo e entrega dos bens méveis a0 depositario pubblico, Em caso de descumprimento, pelo depositério, do dever de guarda do bem, 0 Juiz, poderé decretar a sua priséo civil (art. 666, §32, CPC). Tal dispositivo se encontrava em perfeita consonéncia com oart. 52, LXVII dacr/s8. Na prética, a dinamica se efetuava da seguinte forma: ‘concomitantemente a penhora (e avaliacdo, art. 681, CPC), 0 Oficial de ustica lavrava um auto de depésito do bem constrito, nomeando geralmente 0 proprio ‘executado (que, em regra, assumia este encargo, sob pena de remocéo do seu bem). Antes da realizac3o de hasta publica (art. 686 CPC), em que se tentaria a alienacao judicial deste bem, por ordem do juz, deveria © oficial de justica realizar uma nova avaliacdo e, quando, tal bem se encontrasse perdido, destruido, alienado etc., deveria se lavrar uma certido. Apés requerimento do executado, 0 fiel depositario era intimado para, em determinado prazo, apresentar 0 bem penhorado, no estado de conservacéo descrito no auto de penhora, ou 0 seu respectivo valor. No observado este comando judicial, era decretada 2 prisio civil do entéo infie! depositario, que, geralmente, cessava com o depdsito da coisa ou do valor constante no auto de penhora (valor da avaliagSo).. Ou seja, a prisdo civil também servia como meio issuatorio de tentativa de pratica de atos fraudulentos ‘execusio (art. 600, |c/cart. 593, lel, CPC). newt | 2A | A¥O 20 | DUS RIO OA PMORA PL SUPEMO TABUNAL DEAL