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Revista Betel N°02

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Associação Betel Evangelismo e Missões. - A Pregação do Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo.

O Mistério do Evangelho - Eliseo Apablazza

A Minha História na Cruz - Glenio Fonseca Paranaguá

O Escândalo da Cruz - Tomaz Germanovix

Cristo, Plenitude de Deus - Humberto X. Rodrigues

A Igreja - O Corpo de Cristo - Jader Charles Malafaia

A Cruz é uma Coisa Radical - A. W. Tozer

Cristo, Nossa Vida - T. Austin-Sparks

A Ofensa da Cruz - F. J. Huegel

No Coração de Deus - Parte I - Watchman Nee

Cristo no Antigo Testamento - Maurício G. G. Cid

Hudson Taylor: Uma Vida na Mão de Deus - William E. Allen




http://www.assbetel.com.br/

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O Mistério do Evangelho - Eliseo Apablazza

A Minha História na Cruz - Glenio Fonseca Paranaguá

O Escândalo da Cruz - Tomaz Germanovix

Cristo, Plenitude de Deus - Humberto X. Rodrigues

A Igreja - O Corpo de Cristo - Jader Charles Malafaia

A Cruz é uma Coisa Radical - A. W. Tozer

Cristo, Nossa Vida - T. Austin-Sparks

A Ofensa da Cruz - F. J. Huegel

No Coração de Deus - Parte I - Watchman Nee

Cristo no Antigo Testamento - Maurício G. G. Cid

Hudson Taylor: Uma Vida na Mão de Deus - William E. Allen




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Revista Betel

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Apresentação
propósito de Deus é reunir sob a poderosa mão do nosso Senhor Jesus Cristo toda a Sua criação. ... De fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra. Efésios 1:10. E quanto à nossa relação com Deus, estamos unidos a Cristo em verdadeira paz. A nossa oração é para que Deus continue nos usando na divulgação destas mensagens para que, juntos, sejamos edificados no pleno conhecimento do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus. Conhecê-Lo e fazê-Lo conhecido é o nosso alvo. Somos os amados filhos de Deus e o seu propósito é ver-nos semelhantes ao seu Filho. Por isso, o nosso desejo é que Cristo seja mais e mais revelado na vida de todos os Seus filhos. Meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós. Gálatas 4:919. Esta revista é mais uma ferramenta que consagramos ao Senhor para que Ele seja glorificado. Humberto Xavier Rodrigues

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Revista Betel

Sumário
Apresentação, 1
ESTUDO BÍBLICO

O Mistério do Evangelho, 3
Eliseo Apablazza

A Minha História na Cruz, 8
Glenio Fonseca Paranaguá

O Escândalo da Cruz, 14
Tomaz Germanovix

Cristo, Plenitude de Deus, 17
Humberto X. Rodrigues

A Igreja - O Corpo de Cristo, 22
Jader Charles Malafaia

LEGADO

A Cruz é uma Coisa Radical, 31
A. W. Tozer

Cristo, Nossa Vida, 34
T. Austin-Sparks

A Ofensa da Cruz, 36
F. J. Huegel

RIQUEZA DA GRAÇA

No Coração de Deus - Parte I, 39
Watchman Nee

Cristo no Antigo Testamento, 42
Maurício G. G. Cid

TESTEMUNHO

Hudson Taylor - Uma Vida na Mão de Deus, 45
William E. Allen

Sobre a Associação Betel, 47
Foto da capa: Studio Solution

Revista Betel

ESTUDO BÍBLICO

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O Mistério do Evangelho

Eliseo Apablaza

Este conhecimento é a revelação de um mistério, um mistério que estava escondido pelos séculos e eras, e que nesse momento foi dado a conhecer.

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egundo o apóstolo Paulo na epístola aos Efésios, o evangelho é um mistério (Efésios 6:19) que esconde em si mesmo, por sua vez, outro duplo mistério: o mistério de Deus (Pai) e o mistério de Cristo. Esta é a grande “boa nova” para todos os homens, incrédulos ou crentes. Ambos mistérios foram preliminarmente revelados no episódio de Cesaréia de Filipos (Mateus 16:1318), quando o Senhor pergunta aos seus discípulos quem dizem ser ele. Nesse momento, o Pai revelou a verdadeira natureza e ministério de Je-

sus ao coração de Pedro, e em seguida Jesus revelou o mistério da Igreja aos doze que estavam com ele. O Pai disse a Pedro que Jesus era “o Cristo, o Filho de Deus vivo”, e o Senhor Jesus disse aos discípulos que a Igreja seria uma realidade edificada sobre uma Rocha (Cristo), e que seria uma edificação de tal natureza que o inferno nada poderia contra ela. Este conhecimento é a revelação de um mistério, um mistério que estava escondido pelos séculos e eras, e que nesse momento foi dado a conhecer. Não foi dado a conhecer a todos os que habitualmente seguiam

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Jesus, senão aos doze; tampouco foi declarado nos primeiros dias do seu ministério, mas no final, provavelmente uns seis meses antes da cruz. Esta revelação dupla é a pedra angular da nossa preciosa fé. É um mistério duplo que o Pai e o Filho tem revelado através da história da Igreja, sobretudo neste tempo. O evangelho de Deus é, pois, um mistério que esconde outros dois. Este evangelho não é só assunto de proclamação, mas de revelação. Não basta que alguns homens o preguem, e que outros homens o ouçam, mas que o Pai e o Filho o revelem. Não se alcança mediante o estudo bíblico (mesmo que o estudo bíblico nos ajude a entendê-lo logo que tenha sido revelado), nem mediante estudos teológicos. É um presente de Deus concedido às crianças (Mateus 11:25-27), aos que buscam a Deus com simplicidade de coração, porque assim agradou ao Pai. O Mistério do Pai: Cristo Esta revelação dada a Pedro em Cesaréia de Filipos é quase tudo o que o Pai disse aos discípulos acerca de Jesus, e o que o Senhor disse aos doze nessa ocasião é quase tudo o que disse sobre a Igreja. Os discípulos não estavam preparados para receber mais luz, pois o Espírito Santo

não tinha vindo. Quando ele viesse, então, revelaria todas as coisas. Graças a Deus, o Espírito Santo já veio, e trouxe a revelação completa. E Deus chamou a um apóstolo – ao mais pequeno, quase um inexpressivo, como ele mesmo o disse – para que lhe desse a conhecer. O apóstolo Paulo, na epistola aos Efésios, dá uma visão mais ampla sobre o duplo mistério que envolve o mistério do evangelho. O mistério do Pai é Cristo, e Paulo nos disse, pelo Espírito, que Cristo será constituído como Cabeça de todas as coisas, tanto as que estão no céu como as que estão na Terra (Efésios 1:10). Aquele mesmo que o Pai revelou a Pedro como o Cristo, o Filho de Deus, aqui é destacado como o centro de atração e de reunião de todas as coisas do Universo. Isto é, evidentemente, uma revelação maravilhosa. Paulo nos leva muito mais longe, a uma dimensão cósmica que, antes dele, não se conhecia. Para conseguir este grande objetivo que Cristo seja o Cabeça de tudoDeus colocou Cristo primeiramente como cabeça da Igreja (Efésios 1:22). Cristo como a Cabeça de todas as coisas é um fato ainda futuro para nós; mas Cristo como a Cabeça da Igreja é um fato presente para nós. A carta de Paulo aos crentes em Éfeso apresenta primeiro a meta final (Efé-

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sios 1:10), e a continuação da realidade presente que fará possível num prazo próximo a realização da meta final (Efésios 1:22). Quando a Igreja se submete em tudo à sua Cabeça, então todos os demais se lhe submeterão. A obediência de uns poucos possibilitará que todos os demais venham à obediência (2 Coríntios 10:6). O Mistério de Cristo: A Igreja A segunda revelação que Paulo apresenta é a do mistério de Cristo, a Igreja. O capítulo 3 de Efésios, versículos de 4 a 6, nos diz que este mistério foi dado a conhecer agora aos apóstolos e profetas, pelo Espírito. O Senhor Jesus havia dito em Cesaréia que a Igreja seria edificada sobre a Rocha, e aqui Paulo nos diz quem a constitui: A Igreja está formada tanto por judeus como por gentios; ambos foram feitos membros do mesmo corpo. Paulo nos fala aqui da Igreja como corpo. A comparação do corpo usada para representar a Igreja é a mais perfeita e completa de todas as comparações que há nas Escrituras para referir-se à Igreja, tanto no Novo como no Antigo Testamento. Há outras e muito belas, mas esta é a maior. Paulo recebeu luz acerca dessa preciosa comparação muito cedo,

quando foi detido pelo Senhor no caminho para Damasco. Ele ouviu o que o Senhor lhe disse, segundo pareceu-lhe, umas estranhas palavras: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Saulo não se considerava perseguidor direto do Senhor, pois, para ele, Jesus havia morrido fazia muitos anos. Mas aqui se lhe mostra uma realidade nova e maravilhosa: o Cristo, que lhe fala dos céus, é o mesmo que os homens e mulheres aos quais ele persegue. Ele perseguia homens e mulheres, mas aqui era Jesus o perseguido. De modo que a comparação da Cabeça e do corpo é logo mostrada a Paulo. O que ocorre com ele nos anos posteriores de seu ministério foi, de certo modo, um desenvolvimento daquela revelação primeira. E aqui, em Efésios, Paulo leva ao ápice esta preciosa revelação, pois nos mostra este Homem Celestial em toda sua beleza. Este Homem Celestial é “um único e novo homem” (Efésios 2:15), que está assentado nos lugares celestiais (Efésios 2:6), que cresce até a medida de um varão perfeito (Efésios 4:13), que luta as batalhas de Deus com uma armadura completa (Efésios 6:14-17). Como podemos ver, a dupla revelação de Cesaréia de Filipos é desenvolvida por Paulo e, neste desenvolvimento, nos mostra uma única realidade; ambas revelações conver-

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gem em uma única: Cristo e a Igreja, a seu Filho Unigênito, que desejou o Novo Homem, o Homem Celestial. ter muitos filhos como ele. Então, se propôs a reproduzir esses feitos, esse caráter, essa formosura, nos muitos Outras Comparações da Igreja filhos que viriam. (Romanos 8:29). Portanto, a Igreja em Efésios é O atual trabalho do Pai e do mostrada também através de outras Espírito Santo é conseguir que os comparações: a da cidade, a da famí- muitos filhos de Deus sejam feitos lia e a do edifício (Efésios 2:19-22). à essa imagem. Para isso, o Pai nos Por meio de cada uma delas a revela- disciplina com amor, e o Espírito ção da Igreja se completa ainda mais. Santo nos destrói e nos reorganiza. A comparação da cidade nos faz Chegará um dia em que, pela graça recordar daquela preciosa profecia de Deus, todos nós nos pareceremos de Isaías 29:1,2: A Igreja é uma cida- tanto com Cristo, que o Pai enconde forte que tem muros e muralhas. trará contentamento em todos nós, Ela tem uma salvação dupla para os tal como encontrou antes em nosso que vem ao seu abrigo: a salvação Senhor (Mateus 3:17). dos pecados (mediante o sangue de Por último, a comparação do ediCristo) e a salvação deles mesmos fício nos leva à revelação inicial de (mediante a cruz de Cristo). As por- Cesaréia. A Igreja é um edifício editas dessa cidade forte se abriram para ficado sobre uma Rocha, de modo deixar entrar as pessoas justificadas que ainda que se levante contra ela pela fé em Jesus Cristo e que seguem o inferno, como chuva, como rio ou Sua palavra e não negam Seu nome como vento (Mateus 7:25), não a (Apocalipse 2:8,10). derrubará. A pedra é Cristo revelado A comparação da família nos fala ao coração e confessado com a boca, de um Pai (Deus), de um Filho Pri- tal como ocorreu com Pedro aquemogênito ( Jesus Cristo) e de outros la vez. Os que são edificados sobre muitos filhos e irmãos. A Igreja é a esta Rocha são pedras vivas (1 Pedro família de Deus, é a maior família 2:4-5), quebrantados ao serem colode toda a terra. Cada filho de Deus cados sobre ela (Mateus 21:44), isto e membro desta família tem irmãos é, quebrantados em suas fortalezas de muitas cores, raças e línguas, to- naturais, para que neles fique apenas dos eles unidos pela mesma gloriosa o que está de acordo com a Pedra anVida, pelos mesmos preciosos víncu- gular, escolhida e preciosa. los. Na eternidade, o Pai amou tanto

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cem estas gloriosas realidades. Deste modo, a Igreja será restaurada. E a restauração da Igreja começa Assim, vemos como aquela pripor receber revelação do mistério meira revelação dupla de Cesaréia do Pai e do mistério de Cristo; por de Filipos é ampliada pelo apóstolo reconhecer unanimemente a Cristo Paulo. Os apóstolos não estavam como Cabeça e por conhecer a reapreparados, naquele momento, para lidade da Igreja como Corpo. Assim receber este conhecimento espiritual, que a Igreja for restaurada, assim que mas, depois, ficaram preparados e o esse precioso Novo Homem, o Horeceberam. mem Celestial que é Cristo e a IgreHoje, o Espírito Santo está traja, alcançar sua maturidade, poderá zendo para a Igreja, em todo o tomar o controle de todas as coisas, mundo, nova luz sobre essas antigas para que Ele seja o tudo em todos verdades, para que ela conheça seu (Colossenses 3:11). chamamento e natureza, e para que Então chegará a consumação de viva conforme sua fé. O Espírito Santodas as coisas e se terá cumprido to está soprando outra vez em todo plenamente o mistério do Evangelho, o mundo; a sabedoria e a revelação o mesmo do qual Paulo dizia ser “emde Deus estão inundando o coração baixador em cadeias” (Efésios 6:20). dos amados de Deus, para que alcan-

O Espírito Santo está soprando em todo o mundo

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Lance Lambert Eu quero deixar com vocês uma simples e singela verdade. Não há caminho para a vida exceto pela morte. Não há caminho para o poder exceto por meio da fraqueza e quebrantamento. Não há caminho para a plenitude exceto por meio do esvaziar. Não há caminho para o pleno frutificar exceto por meio do podar. Não há caminho para exaltação exceto por meio da humilhação. Não há caminho para o trono exceto se sua vida for lançada por terra. Não há caminho para conhecer a glória de Deus em plenitude exceto por meio da comunhão de seus sofrimentos.(...) A chave verdadeira para a vida transbordante, para a vida mais abundante, a vida de ressurreição, não é quanto eu a vivo, mas quanto eu morro.(...) O problema não é como viver a vida cristã; o problema é como morrer. Se você tiver o segredo de morrer com Cristo, você não terá de aborrecer a mente como viver a vida cristã. -- Lance Lambert, in Life and Service, capítulo 4, Hong Kong, 1988. Livro: O Poder Latente da Alma, W.Nee, Editora dos Clássicos.

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A Minha História na Cruz

Glenio Fonseca Paranaguá
Londrina, PR

Eu estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Gálatas 2:19b-20

história da cruz é a história da restituição da glória de Deus na vida do homem, que foi perdida com a queda por causa do pecado. Quando Adão pecou como cabeça da raça, a glória de Deus se separou dele e de toda a sua descendência. Somos uma raça estigmatizada pelo pecado e separada da glória de Deus. Jesus Cristo se encarnou neste mundo como representante da humanidade, para reconciliar com Deus o ser humano, através de sua morte na cruz.

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A cruz é o fórum da restauração de nossa história com a glória de Deus. Por isso, a história da cruz tem relação direta e profunda com a minha própria história. Ela é o tratamento de Deus para a minha natureza pecadora. Jesus não veio apenas me substituir naquela cruz. A sua morte não era unicamente em meu favor. Ele veio, também, para me incluir no seu corpo e, deste modo, me fazer morrer juntamente com ele. De fato, Jesus não precisava morrer. Ele não tinha pecado. A morte é um castigo por

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causa do pecado. E, neste caso, quem deveria morrer era o pecador. O profeta hebreu deixou claro: A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai, a iniqüidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este. Ezequiel 18:20. Sendo assim, a morte de Jesus na cruz teria dois lados: um substitutivo, que aponta para o lado vicário e, o outro, inclusivo, que fala do aspecto legal. O réu precisava pagar a pena, entretanto, Jesus não era réu de pecado. Ele nunca pecou. Ele não deveria morrer. Jesus nos substituiu a fim de nos incluir. Ele não poderia nos fazer morrer juntamente com ele se antes não tivesse assumido o nosso lugar. Assim, a sua morte tem dois aspectos marcantes. Ele morreu em nosso benefício, para nos fazer morrer incluídos na sua morte. A morte de Jesus é, ao mesmo tempo, a sua morte por mim e a minha morte juntamente com ele. Precisamos penetrar profundamente nesta verdade, antes de podermos experimentar as riquezas da vida de Cristo ressurreto. Ninguém pode gozar da vida abundante de Cristo sem passar primeiro pela sua inclusão na morte de Cristo Jesus. A história exata da cruz salienta essencialmente o lado inclusivo do pecador. A grande verdade do evan-

gelho se consubstancia na revelação de que o pecador precisava morrer e que por isso deveria ser crucificado concomitantemente com Cristo. A lei exige o cumprimento da pena. Não é razoável manter o descumprimento da justiça a fim de estabelecer o equilíbrio moral. A mesma Bíblia que afirma que Jesus morreu em nosso favor, afirma que nós morremos juntamente com ele. Não podemos enaltecer um aspecto sem focalizar o outro. Fica capenga a mensagem que ressalta somente um dos lados. Temos observado que há uma tendência estrábica de se acentuar exclusivamente a face objetiva da morte, que trata do plano substitutivo. Porém, esta pregação é descompensada e deformante. Muito prejuízo tem causado a pregação que tão somente sublinha a morte substitutiva. Se for verdade que Cristo morreu por mim, é verdade igualmente importante que eu morri com Cristo. A omissão desta ênfase na proclamação do evangelho é desastrosa e demoníaca. A Igreja, de um modo geral, tem sofrido conseqüências terríveis com esta mensagem distorcida e capenga que aponta escassamente um só lado da moeda. Pregar a substituição é uma verdade parcial. É verdade que Jesus morreu em nosso lugar, mas esta não é a verdade completa. E uma verdade parcial pode ser um grande

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prejuízo. Muita confusão tem surgido nos arraiais do cristianismo em razão desta posição perneta. Enquanto não afinarmos a orquestra no diapasão de Deus vamos enfrentar muita desarmonia. As contendas e divergências belicosas no seio da igreja são frutos da falta de experiência espiritual de nossa morte juntamente com Cristo. Não basta saber a mensagem, é preciso crer realmente na verdade de Deus. A história da cruz tem um apelo especial para a minha história. Sou eu que devo morrer para o pecado. E fui eu quem morreu juntamente com Cristo. Esta é a verdade que preciso crer. Sem a conformação com esta morte não há confirmação da legitimidade cristã. A Bíblia parte de uma proclamação. A mensagem do evangelho anuncia que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo. Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos. Romanos 6:6. O saber precede o crer. Precisamos tomar conhecimento do fato, para podermos crer no fato. A fé cristã não é estúpida. Sem o conhecimento não há verdadeira experiência. Mas a experiência espiritual não fica apenas no conhecimento. É necessário um passo a mais na consi-

deração. A fé apropria-se da verdade bíblica como realidade substancial. Quando a palavra de Deus anuncia a verdade, a fé a recebe como realidade. Se Deus diz uma palavra, esta palavra é a verdade que eu considero como minha experiência. É impossível Deus mentir. E é impossível Deus dizer uma coisa que não se torne realidade experimental na vida daquele que crer nesta palavra como palavra de Deus. Se a palavra de Deus afirma que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, então este é um fato que eu considero conclusivo. Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Romanos 6:11. Ninguém pode considerar aquilo que não é. Só os pirados podem supor que são o que não são. Se a Bíblia apóia a constatação de nossa morte é porque, de fato, nós morremos juntamente com Cristo. Saber e considerar se completam. O conhecimento e a apropriação fazem parte da experiência legítima de fé. Não basta saber. É preciso considerar como experiência pessoal a verdade das Escrituras. Como dizia C. H. Mackintosh, “quanto mais claramente penetramos pela fé na verdade objetiva, mais profundamente, mais experimentalmente e mais praticamente o subjetivo operará em nós, e na nossa vida e caráter”.

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Eu só posso considerar que estou morto para o pecado porque Deus anuncia isto em sua palavra. Aqui estamos no terreno seguro da fé. Eu sou o que Deus diz que eu sou. Não se trata de uma criação da mente. Não é uma ilusão fantasiosa. Não são sentimentos ou emoções. A minha história de fé se baseia na suficiência da palavra de Deus. Por definição, fé é crer no que Deus diz. Não estou buscando provas nas evidências sensórias, nem explicação na razoabilidade do entendimento. A fé descansa na sólida afirmação da autoridade de um Deus soberano e absoluto. Deus, sendo Deus, não pode brincar com o coração das pessoas. Se sua palavra sustenta que nós fomos crucificados com Cristo, então, estamos diante de uma verdade indiscutível. Porque nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade. 2 Coríntios 13:8. Se a verdade de Deus diz que eu fui crucificado com Cristo, então, não há outra alternativa para o meu coração. A história da cruz é a minha história de crucificação. Jesus não precisava ser crucificado. Ele foi crucificado porque a lei exigia a minha crucificação. Eu era o réu digno de morte. Eu precisava morrer para o pecado. A morte de Jesus tinha como finalidade cobrir a minha participação na morte.

Os cordeiros do Antigo Testamento morriam pelos pecados, mas não levavam os pecadores a morrerem juntamente com eles. O ser humano não poderia ser incluído num carneiro. Jesus se tornou homem para nos fazer participantes de sua pessoa. Ele não morreu apenas em nosso lugar, mas levou-nos a morrer juntamente com ele. Fomos identificados na cruz com Cristo e, deste modo, morremos para o eu e para o mundo. Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo. Gálatas 6:14. Não há cristianismo genuíno sem a morte do pecador na cruz com Cristo. É falsa toda e qualquer experiência que deixa os crentes com direitos e reivindicações. Quem morreu não tem mais regalias. O crente crucificado não apela para imunidade, nem fala sobre suas reais prerrogativas. A minha história na cruz é uma história de morte. Quem está morto não tem predileções, privilégios, promoções ou quaisquer outros direitos. A salvação mediante a cruz visa restituir a glória de Deus, perdida pelo homem na queda. Esta restauração nada tem a ver com a glória humana. Não há, na mensagem da cruz, a menor ênfase nos valores humanísticos ou nos programas de entretenimento da alma. Se estivermos

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crucificados com Cristo, nada mais nos resta senão viver completamente para a glória de Deus. Sendo assim, nas fileiras do cristianismo não há vanglória nem melindre. Não há premiados nem alijados. Há apenas mortos. Mortos na cruz. A história

da cruz é a história da nossa morte. Você se considera morto juntamente com Cristo? O poeta Gióia Junior foi muito claro quando atendeu uma sugestão de Dr. Stanley Jones com o poema:

Nada era Dele Disse um poeta um dia, fazendo referência ao Mestre Amado: “O berço que Ele usou na estrebaria, por acaso era dEle? — Era emprestado! “E o manso jumentinho, em que, em Jerusalém, chegou montado e palmas recebeu pelo caminho, por acaso era dEle? — Era emprestado! “E o pão – o suave pão que foi, por seu amor, multiplicado, alimentando toda a multidão – por acaso era dEle? — Era emprestado! “E os peixes que comeu junto ao lago e ficou alimentado, esse prato era seu? — Era emprestado! “E o famoso barquinho? Aquele barco em que ficou sentado, mostrando à multidão qual o caminho, por acaso era dEle? — Era emprestado!

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“E o quarto em que ceou ao lado dos discípulos, ao lado de Judas, que o traiu, de Pedro que o negou, por acaso era dEle? — Era emprestado! “E o berço tumular que, depois do Calvário, foi usado e de onde havia de ressuscitar, o túmulo era dEle? — Era emprestado! “Enfim, NADA era dELE! Mas a coroa que Ele usou na cruz e a cruz que carregou e onde morreu, essas eram, de fato de Jesus!” Isso disse um poeta, certo dia, numa hora de busca da verdade; mas não aceito essa filosofia que contraria a própria realidade... O berço, o jumentinho e o suave pão, os peixes, o barquinho, o quarto e a sepultura eram dEle a partir da criação, ‘Ele os criou’ – assim diz a Escritura... Mas a cruz que Ele usou – a rude cruz, a cruz negra e mesquinha, onde meus crimes todos expiou – essa não era sua, ESSA CRUZ ERA MINHA! Extraído do Livro Cruz-credo, o credo da cruz!, de autoria de Glenio Fonseca Paranaguá, publicado pela Editora IDE contato@editoraide.com.br Poema citado: Nada era Dele de Gióia Junior

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O Escândalo da Cruz

Tomaz Germanovix

Logo, está desfeito o escândalo da cruz. Gálatas 5:11

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escândalo da cruz nunca cessou e jamais poderá cessar. Paulo está declarando aqui que seria loucura supor tal idéia. A mensagem do nosso Senhor Jesus Cristo é cheia de graça, amor e misericórdia. Entretanto, temos visto no decorrer da história que ela tem sido rejeitada, atacada e diminuída por aqueles que a Bíblia intitula como os inimigos da cruz de Cristo. O apóstolo Paulo fala a respeito deles e do seu fim na carta aos Filipenses. Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu

vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as cousas terrenas. Filipenses 3:18-19. A mensagem da cruz ofende a mente não regenerada. Ela é uma violenta agressão para os orgulhosos e aqueles que são cheios de sua própria justiça. Ela é implacável para com o pecador. Continuam vivas as palavras de A. W. Tozer quando tratou a respeito da mensagem da “velha cruz”; ele diz: “A velha cruz é um símbolo de

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morte. Ela representa o fim repentino e violento de um ser humano. O homem na época romana, que tomou sua cruz e seguiu pela estrada já se despedira de seus amigos. Ele não mais voltaria. Estava indo para o seu fim. A cruz não fazia acordos, não modificava e nem poupava nada; ela acabava completamente com o homem, de uma vez por todas. Não tentava manter bons termos com a sua vítima. Golpeava-a cruelmente e duramente, e quando terminava seu trabalho o homem já não existia.” O valor e a exigência da cruz continuam os mesmos. Seríamos traidores desta mensagem se diminuíssemos o escândalo que ela provoca. A cruz não é um remédio que traz exaltação ao homem, mas humilhação. Não é um remédio que traz auto-afirmação, mas ruína. A cruz destrói toda a possibilidade do homem de querer salvar-se a si próprio. Deus reservou um único caminho para que o homem pudesse ser salvo. Em 1 Coríntios 1:18 está escrito Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. A mensagem da cruz é confrontadora, e põe abaixo toda altivez e sabedoria humanas. A mensagem da cruz é a única que pode verdadeiramente livrar o homem da escravidão do seu pecado. Charles Spurgeon disse: “A moralidade pode manter o homem afastado da cadeia, mas somente a

cruz e o precioso sangue de Cristo podem livrá-lo do inferno.” Somente a mensagem da cruz pode gerar esperança no coração do perdido. Só ela pode trazer alegria às almas que vivem na escuridão. A cruz, por ser uma mensagem simples, escandaliza a orgulhosa sabedoria humana. Esta verdade não pode ser vista apenas como o centro da teologia cristã, mas sim como a única mensagem que o mundo precisa ouvir. Alexandre Mac Laren disse: “A cruz é o centro da história do mundo; a encarnação de Cristo e crucificação de nosso Senhor constituem o fulcro em torno da qual giram os eventos dos séculos.” A cruz não pode ser vista apenas como “uma” mensagem, mas sim como “a” mensagem que a humanidade precisa ouvir. Paulo sabia deste fato e escreveu em 1 Coríntios 2:2 Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado. Porém, para muitos, esta mensagem da cruz tornou-se antiquada e antipática. Ela tem afastado muitos por causa de sua rudeza e inflexibilidade. Há daqueles que preferem uma cruz mais “soft”, uma mensagem que não interfira em suas vidas particulares, uma cruz que não toque em suas paixões lascivas, em seus negócios escuros e nos seus pecados secretos. Infelizmente há esse tipo de mensagem. Ela vem diretamente do profundo abismo, e tem como avalizador o próprio diabo. Tozer, que

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foi citado anteriormente fala desse tipo de mensagem “pirata”: “A nova cruz não se opõe à raça humana; pelo contrário, é sua amiga íntima e, se não compreendemos bem, consideramos uma fonte de divertimento e gozo inocente. Ela deixa Adão viver sem qualquer interferência. Sua motivação na vida não se modifica; ela continua vivendo para seu próprio prazer. ... Não exige renúncia da velha vida antes que a nova possa ser recebida. ... A nova cruz não faz exigências desagradáveis. A nova cruz não mata o pecador, mas dá-lhe nova direção. ... A mensagem de Cristo é manipulada na direção da moda corrente, a fim de torná-la aceitável ao público.” Infelizmente, esse tipo de pregação é uma realidade em nossos dias, e uma grande multidão de incautos vive de mãos dadas com este “sopro” vindo do inferno. A “velha cruz” é ofensiva porque ela exige a morte do pecador. Não há possibilidade de haver qualquer tipo de negociação. O homem que deseja ser salvo deve se render ao golpe da cruz. Ele precisa abrir mão de sua própria vida antes de obter a nova. E a grande revelação desta mensagem está no fato de que Jesus Cristo não morreu isoladamente naquela cruz. O seu objetivo era o de atrair para si toda a humanidade. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. João 12:32. O verso seguinte

mostra com clareza o momento em que se deu esta atração: Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer. João 12:33. Fomos atraídos para morrermos em Cristo. Paulo fala a respeito da fidelidade desta verdade quando escreve em 2 Timóteo 2:11 Fiel é esta palavra: se já morremos com ele, também viveremos com ele. Quando o homem se assentar e calcular o custo de sua salvação irá verificar que a Bíblia exige apenas uma coisa: a morte do pecador. E a Boa Nova é que Deus já providenciou esta morte para o homem através do sacrifício de Cristo. Cabe a ele crer e se render a esta verdade. Quando o homem crê neste fato, isto significa que ele pode dizer com segurança Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Gálatas 2:19-20. O velho homem já foi crucificado com Cristo e agora podemos gozar de uma nova vida juntamente com ele, conforme está escrito em Efésios 2:6 E, juntamente com ele, nos ressuscitou. A mensagem da cruz é a expressão do poder e da sabedoria de Deus. J.C. Ryle disse: “Esta é a única alavanca que até aqui tem revirado o mundo de cabeça para baixo, e tem feito os homens abandonarem os seus pecados. E, se isto não o fizer, nada o fará.” O escândalo da cruz nunca cessou e nunca cessará.

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Cristo, Plenitude de Deus

Humberto X. Rodrigues

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo. Efésios 1:3.

epístola aos Efésios revela a posição daquele que está em Cristo: assentados nos lugares celestiais em Cristo. O céu não é apenas uma futura habitação para os filhos de Deus, mas, desde agora, eles já possuem a sua morada em Cristo. Cristo está no céu e nós estamos Nele. Estes dois fatos asseguram o nosso direito de acesso aos lugares celestiais e às preciosas bênçãos que temos por estarmos em Cristo. Tudo o que diz respeito ao Amado, igualmente, diz respeito aos que são aceitos Nele: Para louvor da glória de sua graça, que ele nos fez aceitáveis

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gratuitamente no Amado. Efésios 1:6. Por isso, o apóstolo desenvolve aqui a plenitude do propósito de Deus em Cristo - Fonte de toda a bênção. Tudo está ligado, unido à Pessoa de Cristo. A plenitude de nossa bênção vem do fato de estarmos abençoados em Cristo. Antes estávamos associados ao primeiro homem, Adão, mas agora estamos unidos em glória ao segundo Homem, Cristo. Por isso, Paulo não ora para que Deus possa fazer um pouco mais por nós, nem para que Ele torne Sua graça para conosco um pouco mais rica, ou tampouco para que Ele manifeste um pouco mais do Seu poder em

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nós. A oração de Paulo é para que Deus nos conceda o espírito de sabedoria e de revelação. Não cesso de dar graças por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele. Efésios 1:16-17. Identificados ou unidos a Cristo, somos participantes de tudo aquilo que está Nele. O apóstolo Paulo não pede para que os santos busquem as riquezas contidas em Cristo - pois elas já lhes pertencem - mas antes, que gozem delas. Notemos que são os olhos de nosso coração que devem estar abertos para ver essas gloriosas realidades. Sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos. Efésios 1:18. O que há de especial nessa oração? É o desejo do apóstolo Paulo de mostrar aos salvos que Deus já consumou todas as coisas e que, deste modo, nada falta para ser feito. Ele fez isso na eternidade. Ele fez isso na cruz e na ressurreição, de tal maneira que hoje só há um assunto em questão, o qual é: vimos ou não vimos. O problema que temos hoje não é: “Será que Deus fará?” Mas, “Nós vimos o que Deus já fez”? Como “filhos da ira,” andávamos

segundo o mundo, segundo o seu príncipe e de acordo com os nossos culpáveis desejos. Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Efésios 2:1-3. Seu “grande amor”, o amor de Deus, superou tal cena de miséria. Ele nos vivificou, Ele nos deu vida, Ele nos ressuscitou e nos fez assentar em Seu próprio céu, o mesmo lugar onde Cristo está sentado. Estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus, para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus. Efésios 2:5-6-7. Para nós, não há posição intermediária: ou estamos mortos em nossos delitos e pecados ou assentados nos lugares celestiais. Qual é a sua posição? A revelação de Deus não está em Lhe pedirmos que faça algo mais por nós; Ele quer abrir os nossos olhos

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para que vejamos o que Ele já consumou! Não resta mais nada para fazer, pois o que Deus fez por nós em Cristo é suficiente. Ali na cruz o Seu amor tudo consumou. E se alguém ainda pensa em fazer algo para assegurar a sua salvação, que escute e creia nas últimas palavras do Salvador ao morrer: “Está consumado”. Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. João 19:31 A revelação tem como objetivo mostrar o que o Senhor já fez, não o que Ele fará. Ao que já está consumado, nada pode ser acrescentado. Muitos aguardam serem libertos em algum dia no futuro. Ao despertar as nossas afeições, o Espírito nos faz contemplar a Cristo ressurreto e revestido de poder e majestade. Ele é a “Cabeça” glorificada no céu; Seu corpo é a plenitude. E qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a

plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas. Efésios 1:19-22. O verdadeiro cristianismo não é uma religião nem um conjunto de verdades professadas. É o conhecimento experimental de Alguém. Cristianismo é Cristo. Somos colocados em um relacionamento com uma Pessoa incomparável e plena: o amado Filho de Deus, que nos tornou aptos a participar da suprema riqueza da Sua graça. Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo. 2 Pedro 1:3-4. Que maravilhosa revelação! Nele, em Cristo, reside toda a plenitude de Deus. Que maravilhoso pensamento! Aquele que é pleno habita agora no coração dos seus. Poderíamos encontrar alguma coisa mais fora Dele? Cristo habitando no coração dos homens, de homens outrora rejeitados e estranhos às promessas, enchendo seus corações de alegria e glória - mistério preparado por Deus para os seus filhos. Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da

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divindade, e tendes a vossa plenitude nele, que é a cabeça de todo principado e potestade. Colossenses 2:9-10. Assim como o sol se levanta para fazer desaparecer gradualmente todas as estrelas, um único Nome, o de Cristo glorificado, faz desaparecer todas as pretensões do coração humano. Que o Senhor nos ensine a nos despojarmos alegremente de tudo o que consideramos para nossa própria reputação e justiça, assim como o fez o cego Bartimeu, “lançando de si sua capa” para ir ao encontro de Jesus. Que o Espírito Santo venha revelar em cada um de nós a riqueza da Pessoa de Cristo! Que os nossos olhos sejam abertos para vermos o Bendito Senhor, que tudo consumou! Que encontremos Nele a total suficiência para uma vida triunfante! Somos os amados filhos de Deus e o nosso Pai deseja ver Sua semelhança em nós. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, traremos também a imagem do celestial. 1 Coríntios 15:49. A salvação é um milagre que ocorre em nosso espírito. É verdadeira a obra de Deus, que opera mudanças na vida daqueles cujos olhos foram abertos. Tais pessoas contemplarão o Senhor como Ele é: Soberano Senhor de todos. E, essa revelação, feita a quem antes nem podia ver, inevitavelmente irá produzir adoração e um

coração desejoso de fazer a vontade de Deus. Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei. Salmos 40:8. No novo testamento, encontramos duas posições nas quais o cristão é colocado. Primeira, em Cristo. Nela, nenhum progresso há para se fazer, nada está em questão, pois fomos aceitos por Deus em Cristo de maneira plena, completa. Nenhum acréscimo, nenhum retoque. Tudo está perfeito. “Estamos aperfeiçoados Nele”. Não temos necessidade de nada que esteja fora de Cristo. Nós somos realizados, tornados completos, plenos Nele, que é o Chefe de todo o principado e de toda potestade. A segunda posição é a de peregrinos sobre a terra - embora, no poder da ressurreição - tendo um alvo para atingir. Isto dá ocasião a toda a espécie de exortações e advertências: O nosso Deus reunirá todas as coisas para nos “quebrar”, nos “moer”. A cruz estará operando de forma contínua e sem cessar até que cheguemos a estatura da perfeição em Cristo. Para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar

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aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos. Filipenses 3:10-16. O progresso do salvo consiste em ter diante de seus olhos a Pessoa do

Senhor Jesus Cristo, Cristo como seu único objetivo, sua única razão de viver. Cristo todo suficiente, quer na morte ou na vida. Fomos feitos participantes da eficácia do Seu sofrimento, morte e ressureição. O salvo recebeu a vida de Cristo, ou a vida que nele está é o próprio Cristo. E tudo o que Cristo fez por ele nesta vida lhe pertence. Assim, ele está morto, porque Cristo morreu por ele. Ele está vivo porque Cristo vive. Ainda por um pouco, e o mundo não me verá mais; vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis. João 14:19.

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A Fidelidade de Deus J. Hudson Taylor A falta de confiança está na raiz de quase todos os nossos pecados e todas as nossas fraquezas; e como poderemos escapar a isto, a não ser olhando para Ele e observando a sua fidelidade? O homem que se apoia na fidelidade de Deus não será temerário ou imprudente, mas estará pronto para cada emergência. O homem que se apoia na fidelidade de Deus ousará obedecer-lhe, por ilógica que lhe pareça a situação. Abraão contou com a fidelidade de Deus e ofereceu a Isaque, e considerou que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar. Hebreus 11:19 Moisés apoiou-se na fidelidade de Deus e conduziu os milhões de Israel para o deserto inculto e medonho. Josué conhecia bem a Israel, e não ignorava as fortificações dos cananeus nem seu valor guerreiro, mas contou com a fidelidade de Deus, e conduziu a Israel através do Jordão. Os apóstolos apoiaram-se na fidelidade de Deus, e não foram intimidados pelo ódio dos judeus nem pela hostilidade dos pagãos. “E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando.” Daqueles que, apoiando-se na fidelidade de Deus, tiveram fé, e por ela “venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas... da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos” Hebreus 11:32-34.
... continua na página 30

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A Igreja O Corpo de Cristo

Jader Charles Malafaia

O CONCEITO FUNDAMENTAL DE IGREJA Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrependete, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. Apocalipse 2:5 O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas. Apocalipse 1:20 Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. Mateus 18:20

mbora a Igreja tenha sido instituída pelo Senhor Jesus, e citada antes da Sua morte na cruz do calvário, como lemos em Mateus: E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. Mateus 18:17, não é ela uma instituição, e sim uma manifestação da multiforme sabedoria de Deus. Dois ou três reunidos em nome do Senhor Jesus têm a ga-

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rantia da sua presença. A Igreja do Senhor Jesus se manifesta na congregação dos Santos, enquanto se pratica as primeiras obras para as quais ela foi chamada, senão ela deixa de operar como Igreja de Cristo, conforme Apocalipse: Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. Apocalipse 2:5.

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Nessas primeiras obras estão todos os propósitos do Senhor Jesus em relação a Sua Igreja, que é o Seu Corpo, onde os filhos de Deus são chamados em um único Corpo Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. 1 Coríntios 12:12, com ministérios específicos para aperfeiçoá-los edificando esse Corpo, E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo, Efésios 4:11-12, e dessa forma, manifestar a multiforme sabedoria de Deus para que, agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, Efésios 3:10. A Igreja é espiritual e não terrena. 1. Discernindo o Corpo de Cristo

também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros... Romanos 12:3-5. Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. 1 Coríntios 11:29. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. 1 Coríntios 12:26. 1.1 O Amor entre Irmãos Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; quem não ama a seu irmão permanece na morte. 1 João 3:14. Todos os que nasceram de novo, e, assim, tornaram-se membros do mesmo Corpo espiritual, amam-se espontaneamente como fruto da vida de Cristo. Se alguém diz: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? 1 João 4:20. O amor de um irmão para com outro flui de seu interior de modo natural pela consciência da vida de Cristo em si, quer esse irmão seja de um outro lugar, de hábitos diferentes, de grande cultura ou mesmo inculto, independente de raça ou profissão.

Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim

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Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor. Gálatas 5:13. 1.2 União em Lugar de Divisão Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer. 1 Coríntios 1:10. Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Filipenses 2:2. Quando alguém discerne o Corpo de Cristo tem, conseqüentemente, o poder unificador, devido ao amor de Cristo derramado em seu coração E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. Romanos 5:5.. O fato de uma pessoa trocar de “igreja” ou de denominação, indo congregar em outro grupo onde a Igreja de Cristo verdadeiramente se manifesta, não significa necessariamente que ela discerne o Corpo de Cristo. Pode estar nesse meio sem, na realidade, se congregar, por não ter a

visão do Corpo, e, com um espírito sectarista e atitude divisora, toda a sua ação exterior ou pensamento interior visa separar os filhos de Deus, dando sinais evidentes de não conhecer o Corpo de Cristo. O discernimento do Corpo de Cristo nos liberta de todo espírito religioso, do egocentrismo e, principalmente, do individualismo. Exemplo: Estar em uma reunião de oração sem de fato se reunir. O individualismo cresce a partir de uma só pessoa individualista, ou mesmo, da ação individual de várias pessoas que, embora juntas, não estão congregadas. Em uma igreja pode haver determinado número de pessoas que se fecham entre si e formam um grupo (panelinha) dentro da congregação, que não se une aos demais, por ter propósitos individualistas. Sob a influência de um “líder” ou lideres ineficazes, sem conhecimento do Corpo de Cristo e firmados em experiências meramente religiosas, tais pessoas tem a ilusão de estarem na igreja e se sentem superiores e mais sábias que os demais membros do corpo, sem que, no entanto, jamais tenham experimentado a manifestação da verdadeira Igreja de Cristo. Quem discerne o Corpo de Cristo jamais avaliza o individualismo, qualquer espírito de divisão, forman-

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do grupo dentro do Corpo. Para que não haja divisão no corpo, mas, antes, tenham os membros igual cuidado uns dos outros. 1 Coríntios 12:25. 1.3 A Interdependência no Corpo de Cristo Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo. Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: Porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde, o olfato? Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo? O certo é que há muitos membros, mas um só corpo. Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários; e os que nos parecem menos dignos no corpo, a estes

damos muito maior honra; também os que em nós não são decorosos revestimos de especial honra. Mas os nossos membros nobres não têm necessidade disso. Contudo, Deus coordenou o corpo, concedendo muito mais honra àquilo que menos tinha, para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. 1 Coríntios 12:12-25. Sendo um só Corpo não há lugar para o trabalho independente. Quando os filhos de Deus percebem a unidade do Corpo de Cristo, compreendem a unidade da obra e, nessa percepção, são resgatados de seus esforços individuais, pois sabem que a obra é do Corpo. Com essa compreensão acabam as considerações de que a obra e seus resultados são coisas pessoais, dando conta de que tanto o trabalho de um como de outro, ou outros, são para proveito do Corpo de Cristo, e que as glórias são do Senhor Jesus, a Cabeça do Corpo, e as bênçãos são da Igreja. A obra é distribuída a todos, e cada um tem a sua tarefa a realizar, sempre visando a edificação do Corpo de Cristo, Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” Efésios 2:10. Neste tocante, é necessário que cada um considere-se parte e não todo, e que cada um não pense de si mesmo mais

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incompleto, visto que cada membro tem uma função, que não pode ser substituída por outro. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima. Hebreus 10:25. Numa reunião da Igreja, a ausência de um membro pode não parecer importante, entretanto, esse Corpo não estará completo; a sua função e a tarefa a ser desempenhada por ele, no Corpo, deixará de acontecer. Quando um membro não sabe sua função no Corpo e não a desempenha, desconhecendo o seu ministério, é porque, de fato, ainda não discerniu o Corpo de Cristo, não teve visão desse Corpo. Ao discernir o Corpo, considera-se de pronto como membro do Corpo sabendo que tem um dever 1.4 Reconhecendo-se a cumprir, coloca-se em sua função Membro do Corpo para desempenhar as suas tarefas O discernimento do Corpo leva o fazendo tudo que Deus quer que ele filho de Deus a reconhecer o seu lu- faça, e entende que a sua ausência gar como um dos membros do Cor- causará perda nas ações do Corpo po e a sua utilidade e a dos demais. em gerar vida, proteção e manifestaNo corpo humano a falta de uma ção da sabedoria de Deus. célula não é de muita importância, Não há membros inertes no Cormas a falta de um membro prejudica po de Cristo, ninguém pode ser pasem muito a sua ação. sivo na congregação dos Santos, e No Corpo de Cristo, os filhos de muito menos espectador. Quando o Deus são membros e não células. A povo de Deus se congrega como Igrefalta de um membro deixa o Corpo ja de Cristo, os membros são inter-

do que convém, trazendo em mente que é preciso realizar a parte da obra concedida a si com fidelidade, olhando para o Corpo, e observando e cooperando com a parte da obra distribuída aos outros. Entendendo a Igreja, o Corpo de Cristo imediatamente reconhece a função de todos os membros, a sua importância, como no verso 20 O certo é que há muitos membros, mas um só corpo, e a visão passa a ser de um entre muitos membros, não se colocando ninguém em posição de destaque, ou mesmo permitindo que haja qualquer inveja ou orgulho, visto que a obra é do Corpo. Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Filipenses 2:3.

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cessores uns pelos outros, são aqueles que combatem em orações contra as trevas e pela manifestação da luz, são supridores de vida, e são usados nas manifestações dos dons espirituais, distribuídos gratuitamente pelo Espírito Santo, o espírito da Igreja, para aquilo que for útil, como vemos na Primeira carta aos Coríntios 7, 1112. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil... Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer. Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também, sendo esse o seu motivador. A “igreja”, instituição religiosa, procura dar cargos dentro de sua estrutura funcional aos seus membros, com a finalidade de valorizá-los e motivá-los a ficarem naquela instituição, pois não tendo conhecido e visto o Corpo de Cristo, precisa que suas almas recebam esse continuo ânimo (alma). 1.5 A Comunhão dos Santos Um ao outro ajudou e ao seu companheiro disse: Esforça-te! Isaías 41:6. Quem discerniu o Corpo de Cristo entende que não há espaço para qualquer trabalho independente, e que a comunhão é de suma impor-

tância para a vida do Corpo. A comunhão não é um meio de relacionamento social entre membros do corpo, mas sim o fluir da vida de Cristo em cada um, fazendo com que aquilo que têm em comum, essa vida, os leve à interdependência entre membros de um mesmo Corpo. A comunhão leva a percepção de que todos os trabalhos devem ter a participação dos outros membros, para que haja o funcionamento do Corpo, e não apenas de um membro isolado exercitando algo que o faça ficar em destaque como estertores em um Corpo inerte. A comunhão significa a comunicação, a transmissão, entre os membros do Corpo dos nutrientes espirituais que fazem com que o Corpo esteja em pleno funcionamento e harmonia, como registrado em Filemon 1:6 para que a comunhão da tua fé se torne eficiente no pleno conhecimento de todo bem que há em nós, para com Cristo. No caso da oração, há necessidade de que a comunhão entre os membros do Corpo os leve a um ter um mesmo sentimento, de modo a sofrerem juntos as dificuldades de cada membro e assim, compartilhar e interceder uns pelos outros, e concordarem na operação de Deus sobre aquele membro e assim todo Corpo ser beneficiado “Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra

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acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Mateus 18:19. Pois quando um membro sofre, todo o Corpo sofre, De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. 1 Coríntios 12:26. Deve haver comunhão no estudo da Palavra de Deus, onde os irmãos falam entre si segundo a revelação que receberam na ministração dessa Palavra no Corpo e nela perseveram E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. Atos 2:42, e são edificados, santificados pela Palavra e cheios do Espírito Santo nessa comunhão, E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração, Efésios 5:18-19. A comunhão é resultado de andar na luz, de viver a vida de Cristo e do discernimento de Corpo de Cristo, Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado. 1 João 1:7 Deus chamou os Seus filhos para a comunhão, Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de

seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor. 1 Coríntios 1:9, não havendo lugar para individualidades ou desavenças, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. Romanos 12:5. Agora, pois, há muitos membros, mas um corpo. 1 Coríntios 12:20. E, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. Efésios 2:16. Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo; porque todos participamos do mesmo pão. 1 Coríntios 10:17. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos. João 11:52 1.6 Submetendo-se à Autoridade Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo, Efésios 5:23. E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja, Efésios 1:22. O discernimento do Corpo de Cristo, além de levar os membros ao pleno conhecimento de sua posição, de suas funções e tarefas, os leva também à submissão à autoridade desse Corpo. Jesus Cristo é a cabeça da Igreja,

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é a cabeça que comanda o Corpo, onde todos os membros são por Ele comandados e obedecem as Suas ordens. Os membros do Corpo estão submissos à autoridade direta da Cabeça, que é Cristo, mas também tem que se submeter à autoridade indireta da Cabeça que são os Pastores, que foram colocados à frente do Corpo pelo Senhor. Atendei por vós e por todo o rebanho qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. Atos 20:28. Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil. Hebreus 13:17. Quando o Senhor Jesus falou às sete Igrejas da Ásia, Ele mandou que João escrevesse ao Anjo da Igreja, aos pastores, que foram constituídos pelo Senhor para cuidar do rebanho: Ao anjo da igreja em Éfeso escreve; Apocalipse 2:8. Ao anjo da igreja em Esmirna escreve; Apocalipse 2:12. Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve; Apocalipse 2:18. Ao anjo da igreja em Tiatira escreve; Apocalipse 3:1 Ao anjo da igreja em Sardes escreve; Apocalipse 3:7. Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve; Ao anjo da igreja

em Laodicéia escreve. Os pastores cuidam da ministração da Palavra de Deus, alimento para as ovelhas, velando assim pelas suas almas... porque velam por vossa alma. Obedecei a vossos pastores e sujeitaivos a eles... A submissão à autoridade pastoral é característica daquele que discerniu o Corpo de Cristo. Ouve a voz do Pastor e se submete. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro. 1 João 4:6. Entre os membros também se caracteriza a autoridade oriunda da função que cada um está exercendo no Corpo. Como exemplo em um corpo humano, pode-se citar o caso em que a mão está sujeita a ordem direta da cabeça, mas também está sujeita ao movimento imposto pelo braço, ficando dessa forma submissa a essa ação. A interdependência no Corpo de Cristo faz com que uns sejam membros dos outros: assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. Romanos 12:5. Assim, reconhecemos, além da autoridade principal da Cabeça, que é Cristo, o Supremo Pastor, a autoridade Pastoral, o Anjo da Igreja, ...por

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ESTUDO BÍBLICO

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todo o rebanho qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, bem como da autoridade funcional do Corpo de Cristo através de seus membros: E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente, apóstolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, doutores, depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. 1 Coríntios 12:28. Tendo a visão do Corpo de Cristo, discernindo-o, fica reconhecido de pronto a autoridade, que determina uma ordem de funcionamento do corpo de maneira a intensificar a vida nesse Corpo.

No corpo humano, o câncer é um exemplo de células que não obedecem a uma ordem de vida, e se proliferando de maneira desordenada, sem autoridade da cabeça, levam o corpo à morte. No Corpo de Cristo, quando há o individualismo e falta de submissão à autoridade do Corpo, acontece a enfermidade do Corpo. O Corpo sadio é resultado da submissão de todos os membros à autoridade que Deus pôs no Corpo de Cristo. Continua no próximo número

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... continuação da página 21

Satanás também tem o seu credo: Duvida da fidelidade de Deus. “Disse Deus? Não estarás enganado quanto aos Seus mandamentos? Ele não poderia querer dizer exatamente o que está aí. Tu tens um ponto de vista muito extremado, dá um sentido bem liberal a Escritura.” Quão constantemente, sim, e com quanto sucesso tais argumentos são usados para impedir uma confiança total em Deus! Quantos há que ponderam as dificuldades à luz de seus próprios recursos, e assim intentam pouco e, muitas vezes falham no pouco que intentam! Todos os gigantes de Deus tem sido homens fracos, que fizeram grandes coisas por Deus porque confiaram em que Deus estava com eles. Ó, amigos, se há um Deus de amor, fiel e verdadeiro, apoiemo-nos na Sua fidelidade. Contando com sua fidelidade, podemos encarar com calma e sóbria, mas confiante segurança de vitória, cada dificuldade e perigo; podemos contar com graça para a obra, com auxílio financeiro, com a provisão das facilidades necessárias. E com o sucesso final. Não depositemos nele uma confiança parcial, mas sirvamo-lo a cada dia e a cada hora, contando com sua fidelidade! -- Revista Reavivamento, outubro 1955, número 2.

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A marca de um santo não é a perfeição, mas a consagração. Um santo não é um homem sem faltas, mas um homem que se deu sem reservas à Deus. -- Bishop Westcott

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A Cruz é uma Coisa Radical

A. W. Tozer

“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome sua cruz e siga-me.” Mateus 16:24

cruz de Cristo é a coisa mais revolucionária que já apareceu entre os homens. Depois que Cristo ressurgiu dos mortos, os apóstolos saíram a pregar a sua mensagem, e o que pregaram foi a cruz. E por onde quer que fossem pelo mundo levavam a cruz, e o mesmo poder revolucionário ia com eles. A mensagem radical da cruz transformou Saulo de Tarso e o mudou de perseguidor dos cristãos em um terno crente e um apóstolo da fé. Seu poder mudou homens maus em bons. Sacudiu a longa escravidão do paganismo e alterou completamente

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toda a perspectiva moral e mental do mundo ocidental. Fez tudo isso, e continuou a fazêlo enquanto se lhe permitiu permanecer como fora originalmente, uma cruz. Seu poder se foi quando foi mudado de uma coisa de morte para uma coisa de beleza. Quando os homens fizeram dela um símbolo, penduraram-na nos seus pescoços como ornamento ou fizeram o seu contorno diante dos seus rostos como um sinal mágico para protegê-los do mal, então ela veio a ser, na melhor expressão, um fraco emblema, e na pior, um inegável feitiço. Como tal é hoje reverenciada por milhões que não sabem

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absolutamente nada do seu poder. A cruz atinge os seus fins destruindo o modelo estabelecido, o da vítima, e criando outro modelo, o seu próprio. Assim, ela tem sempre o seu método. Vence derrotando o seu oponente e lhe impondo a sua vontade. Domina sempre. Nunca se compromete, nunca faz barganhas, nunca faz concessão, nunca cede um ponto por amor da paz. Não se preocupa com a paz; preocupa-se em dar fim à sua oposição tão depressa quanto possível. Com perfeito conhecimento disso tudo, Cristo disse: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome sua cruz e siga-me. Assim a cruz não só põe fim à vida de Cristo, como termina também a primeira vida, a velha vida, de cada um dos Seus seguidores verdadeiros. Ela destrói o velho modelo, o modelo de Adão, na vida do crente, e lhe dá fim. Então o Deus que levantou a Cristo dos mortos levanta o crente, e uma nova vida começa. Isso, e nada menos que isso, é o cristianismo verdadeiro, embora não possamos senão reconhecer a aguda divergência que há entre esta concepção e a sustentada pelo tipo comum de cristãos conservadores hoje. Mas não ousamos qualificar a nossa posição. A cruz ergue-se muito acima das opiniões dos homens e a essa cruz terão que vir afinal para julgamento.

Uma liderança superficial e mundana gostaria de modificar a cruz para agradar os religiosos maníacos por entretenimento que querem divertirse até mesmo dentro do santuário; fazê-lo, porém, é cortejar a tragédia espiritual e arriscar-se à ira do Cordeiro feito Leão. Temos que fazer alguma coisa quanto à cruz, e só podemos fazer uma destas duas: fugir ou morrer nela. E se formos tão temerários que fujamos, com este ato estaremos pondo fora a fé vivida por nossos pais e faremos do cristianismo uma coisa diferente do que é. Neste caso, teremos deixado somente o vazio linguajar da salvação; o poder se irá juntamente com a nossa partida para longe da verdadeira cruz. Se somos sábios, faremos o que Jesus fez: suportaremos a cruz e desprezaremos a sua vergonha pela alegria que está posta diante de nós. Fazer isso é submeter todo o esquema da nossa vida para ser destruído e reconstruído no poder de uma vida que não se acabará mais. E veremos que é mais que poesia, mais que doce hinologia e elevado sentimento. A cruz cortará fundo as nossas vidas onde fere mais, não nos poupando nem a nós mesmos nem as nossas reputações cultivadas. Ela nos derrotará e porá fim as nossas vidas egoístas. Só então poderemos elevar-nos em

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plenitude de vida para estabelecer um padrão de vida totalmente novo, livre e cheio de boas obras. A modificada atitude para com a cruz que vemos na ortodoxia moderna prova, não que Deus mudou, nem que Cristo afrouxou a Sua exigência de que levemos a cruz; em vez disto, significa que o cristianismo corren-

te desviou-se dos padrões do Novo Testamento. Para tão longe nos desviamos que nada menos que uma nova reforma restabelecerá a cruz em seu lugar certo na teologia e na vida da igreja. O Melhor de A W. Tozer, Editora Mundo Cristão, 1997.

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Como Ler a Bíblia 1. Ler a Bíblia toda regularmente. Lê , alternadamente, porções do Velho e do Novo Testamento. Começa no princípio de cada. Marca onde paraste a leitura, e recomeça por ali. Quando tiveres terminado cada um dos Testamentos, começa outra vez. 2. Ler em oração Tu não podes entender a Palavra de Deus pela tua própria sabedoria. Em toda a tua leitura das Escrituras, busca cuidadosamente o auxílio do Espírito Santo. Pede por amor de Jesus que ele te ilumine. 3. Ler em Meditação Pondera sobre o que leres. A verdade é assim aplicada ao teu coração. Descobrirás novos e mais profundos significados. É melhor ler um pequeno trecho com meditação, do que ler, meramente, uma porção longa. 4. Ler com Referência a Ti Mesmo Nunca leias apenas com vistas a instruir a outros, mas lê para a tua própria instrução. Recebe benção tu mesmo, primeiro, e comunicá-la-ás a outros. Faze-te sempre esta pergunta: Que encerra isto para mim? 5. Ler com Fé Não como se estivesse lendo declarações em que podes crer ou não, mas como lendo que estás a Palavra revelada de Deus. Recebe cada palavra como verdadeira, com a fé simples de uma criança. Descansa sobre as promessas. Lê essas promessas como feitas a ti. 6. Ler com o Fito de Praticar Nós precisamos aceitar a Palavra de Deus como sendo a revelação da sua vontade. Nela, ele nos diz como devemos ser e o que devemos fazer. Ele espera que sejamos “filhos obedientes”. -- George Müller

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Cristo, Nossa Vida

T. Austin-Sparks

“Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar...” Colossenses 3:4

m dos objetivos principais do Espírito Santo é conseguir que os crentes realmente sejam identificados com Cristo como o Senhor ressurreto e exaltado, tornar a Sua vida algo real na experiência deles. À medida em que esta era caminha para sua consumação – a manifestação de Cristo – dois fatores se tornam cada vez mais evidentes. De um lado coisas, homens, movimen-

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tos, instituições, organizações, etc., predominarão e atrairão multidões após si e as prenderão. De outro lado, com crescente desapontamento e desilusão nessas coisas, uma minoria se voltará para o próprio Senhor, para descobri-lO como Sua vida toda suficiente. Há três características inerentes a tudo isso. Uma é o desenvolvimento inconfundível do princípio do Anticristo; aquilo que definitivamente

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tomará o lugar de Cristo, ou tentará fazê-lo. A segunda opção por Cristo em um cristianismo feito por homens, uma vida de imitação gerada e conduzida pelo seu próprio impulso. A terceira, uma procura profunda e genuína de realidade, verdade, e conhecimento interior do próprio Senhor. No primeiro caso será a adoração declarada do homem ao poder humano: um excesso tremendo de humanismo; o prodígio e a glória do homem. O terceiro será completamente Cristo como vida. Se o cristão estiver preso a alguma tradição, uma instituição, um movimento ou uma pessoa, o final certamente será de limitação da vida e terminará em confusão, desapontamento ou talvez pior. O Novo Testamento deixa inconfundivelmente claro e enfático que o destino de tudo será “Cristo tudo em todos”. Precisamos aprender que a verdadeira obra do Espírito de Deus é unir todas as coisas ao próprio Cristo. Ele, Cristo, tem que ser a vida de nosso espírito, o “homem interior”, para que sejamos fortes no Senhor; não em nós mesmos, nem em outros, nem em coisas. Teremos que sobreviver à adversidade por Sua força em nosso interior somente.

Cristo tem que ser a vida de nossas mentes. A perplexidade achar-nos-á sem o poder para explicar e entender, mas o Espírito no ensinará e guiará. Cristo precisa ser vida para nossos corpos. Existe algo como vida divina para nosso corpo físico. Nem sempre o Senhor decide curar o corpo, mas Ele sempre deseja ser a vida do corpo, mesmo no sofrimento, para cumprir Seu propósito. É o próprio Senhor, e, para que seja, é necessário estar sempre contra a história da nossa natural incapacidade. Do início ao fim, o poder da Sua ressurreição é a lei da união com Cristo. Dias de terrível pressão estão sobre o povo do Senhor. O Seu inimigo tira bem pouca folga. A única suficiência está no próprio Senhor como nossa vida. Barnabé exortou aos crentes, no princípio, para que com firmeza de coração, permanecessem no Senhor (Atos 11:23). Existe aí uma declaração que produzirá forte impressão sobre nós até o tempo “quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar”. Extraído da revista, À Maturidade, número 28 – Outono de 1996

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A Ofensa da Cruz

F. J. Huegel

“Pregamos a Cristo crucificado... pedra de tropeço” 1 Coríntios 1:23

m grande clamor subiu dos judeus zombeteiros, insultuosos, o qual passou sobre o Redentor Crucificado: Se ele é o Rei de Israel, desça agora da cruz e creremos nele. Nós lemos que os mesmos impropérios lhe dirigiam também os ladrões que haviam sido crucificados com Ele. Nos últimos anos um grande clamor, um eco dessa antiga súplica, tem subido da Igreja. Se Cristo tão somente descesse da Cruz! Nós queremos o Cristo do Monte, cre-

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mos no Cristo do ministério de cura, amamos o Cristo do exemplo sublime, pregamos o Cristo do evangelho social – mas o Cristo da cruz é uma ofensa. Desça Ele agora da cruz e creremos nEle. Mas o Rei não desceu. Seu direito à realeza nunca esteve mais divino do que naquela terrível hora. Seria do madeiro amaldiçoado que Ele reinaria. Foi ali que Ele lavrou a redenção. Foi quando dali Ele clamou Está consumado, que fenderam-se as rochas e abriram-se os sepulcros. Foi quando Ele provou a morte ali por todos os

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homens que o véu do templo foi partido, como símbolo da abertura do caminho de acesso imediato à presença de Deus para todos os filhos dos homens. Foi nessa ocasião que soou a hora de Deus – o alvorecer da era cristã. Foi nessa ocasião que os grilhões de uma humanidade escravizada foram quebrados. É desse vergonhoso madeiro, por mais mortificante que seja a ofensa da Cruz, que o Rei ainda reina. De nenhum outro trono Ele estabelecerá o Seu Reino. Um vulcão em convulsão pode representar bem a inquietação do mundo de hoje. Será que não há um caminho de saída? Não há esperança? Não há algum fundamento seguro para a alegria humana? Não existe algum remédio para os males da ordem social? É melhor que sejamos honestos quanto a essas questões e admitamos que, humanamente falando, não há um caminho de saída. Um otimismo tolo que se recusa a encarar os fatos somente aprofunda a vergonha e a dor. É como tocar violino sobre a Roma em chamas. Não há caminho algum de saída a não ser o caminho de Jesus. E o caminho de Jesus é o caminho da cruz. Mais cedo ou mais tarde, a experiência leva a pessoa a reconhecer este fato. Ou é a cruz ou o orgulho com todos os seus males conseqüentes.

Que são as guerras, as antipatias raciais, o insano acúmulo de riqueza diante da miséria de milhões, os conflitos em todas as formas, as injustiças sociais que levam a terra a gemer e lamentar-se, senão os frutos inevitáveis dessa amaldiçoada árvore que chamamos de orgulho do homem? Não há mal que não tenha o orgulho, em alguma forma, como sua raiz. Não há mal que não tenha brotado do fato do homem depender de si próprio, em vez de depender de Deus. Qualquer tentativa de curar as feridas da nossa ordem social leprosa que não atinja as raízes do orgulho, conduz a um beco sem saída. O golpe desferido pelo Filho de Deus ao morrer na cruz do Calvário, atingindo a “vida do eu” do homem – o machado de Deus colocado à raiz da árvore do orgulho – foi universal. Foi suficiente para demolir o universo de pecado. Foi suficiente para engolir dez mil oceanos de leviandade. Nada mais pode matar o monstro do orgulho humano. Nós, porém, não temos desejado nos submeter ao veredicto do Gólgota. Não temos desejado expor o câncer do pecado e do orgulho à radioterapia da cruz. Temos evitado o desfecho supremo que o nosso Senhor crucificado deu ao mundo. Entretanto, a Igreja ainda tem a chave de ouro para tal situação. É a cruz de Cristo.

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Quando Jesus falou aos Seus discípulos da necessidade dos Seus sofrimentos e morte sobre a cruz, Pedro procurou dissuadí-lo. Jesus se voltou para ele com ardente reprovação: Arreda! Satanás, porque não cogitas as cousas de Deus, e, sim, das dos homens. Em nossos dias, quanto do serviço cristão, ministério e mensagem vêem sob esta ardente condenação! É uma ofensa. Cogitam das coi-

sas da “carne”. Não são de Deus. Está faltando a cruz. Não brotam de uma unidade com o Cristo crucificado e ressurreto. O Calvário não está no seu âmago. Deus não pode possuir tal serviço, ele não redime. Extraído da revista, À Maturidade, número 28, Outono de 1996

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O poder da ressurreição Catherine de Bogart de Woodstock, New York, nos Estados Unidos, morreu como resultado de espancamento e foi sepultada tendo ainda nas mãos a varinha com que fora açoitada, a qual inesperadamente brotou, forçando caminho entre as pedras do sepulcro e transformando-se em enorme árvore. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte (Filipenses 3:8-10). -- Revista À maturidade, numero 6 outono de 1979

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A palavra de Deus Campbell Morgan, considerado “O Homem da Palavra”, aos sessenta anos de idade confessou que, durante os primeiros sete anos após a sua conversão, ele leu todos os livros da Bíblia mais de cinqüenta vezes. E que nunca usou a caneta para fazer qualquer anotação sobre alguns dos livros da Bíblia, antes de ler pelo menos cinqüenta vezes. Austin Sparks também disse: “Eu me recuso a dar alguma apreciação sobre qualquer livro da bíblia antes de lê-lo pelo menos quarenta vezes”. Há mistérios de graça e de amor em cada página da Bíblia, e próspera é a alma que vê no Livro de Deus uma preciosidade cada vez maior. -- Robert Chapmam

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No Coração de Deus
Parte I
Watchman Nee

“Jesus respondeu: —Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim”. João 14:6

caminho que Deus provê é Cristo, a verdade que Deus revela também é Cristo, e a vida que Deus concede é, do mesmo modo, Cristo. Cristo é o nosso caminho, a nossa verdade e a nossa vida. É através de Cristo que vamos ao Pai. No coração de Deus, aquilo que está relacionado a Ele é Cristo, o qual também é Seu Filho. Ele não nos deu muitas coisas fora de Cristo, pelo contrário, o que Ele nos dá é o próprio Cristo. Precisamos, então, pedir a Deus que abra nossos olhos de modo que possamos conhecer Seu Filho. A ca-

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racterística do Cristianismo reside no fato de sua fonte, profundidade e riqueza estarem vinculados ao conhecimento do filho de Deus. Não importa o quanto conhecemos sobre métodos, doutrinas ou poder; o que realmente importa é conhecer o Filho de Deus. Cristo é o caminho Disse Jesus: “Eu sou o caminho”. A palavra caminho também significa o método. O que Ele nos mostra aqui é que Ele é o caminho pelo qual chegamos a Deus, bem como o método pelo qual alcançamos a Deus. Tendo

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a Ele, temos o caminho; possuindoO, possuímos o método. Esse caminho nada mais é do que o próprio Cristo. Não é um método qualquer fora dEle. Precisamos ver que o Senhor Jesus, e nenhum outro método, é o único caminho pelo qual chegamos a Deus, tanto no momento de nossa salvação quanto depois. Alguns cristãos estão à procura de novos métodos espirituais. Certa vez, depois de ouvir uma mensagem a respeito da vitória através de Cristo e não por esforço próprio, um irmão disse àquele que havia proferido a mensagem: “Por muitos anos tenho sido constantemente derrotado, mas hoje está tudo resolvido”. Ao que o pregador perguntou: “E como você sabe disso?”. O irmão respondeu: “Porque agora creio ter achado um caminho para a vitória. Louvado seja Deus porque hoje encontrei um método! A vitória é através do Senhor, não através de mim mesmo”. O irmão que havia proferido a mensagem respondeu: “Se tudo o que achou foi um caminho para a vitória, então você vai ser derrotado novamente”. Por que disse isso? Porque o Senhor Jesus nos diz: “Eu sou o caminho”. Em outras palavras, somente Ele é o caminho, o método. O caminho não está fora dEle, uma vez que Ele próprio é o caminho. Se tudo aquilo que conseguimos se resume a um método, descobriremos rapidamente sua ine-

ficácia. Deus não nos dá um método: Ele nos dá Seu próprio Filho. Precisamos entender que crer no próprio Senhor e acreditar em uma fórmula são, na realidade, duas coisas diferentes. Um método não possui poder nem eficácia alguma; pelo fato de não ser Cristo, esse método é algo simplesmente morto. Alguns irmãos e irmãs se perguntam: Como é estranho que algumas pessoas que crêem em Deus tenham suas orações respondidas enquanto eu, que também creio, não tenho. Por que Deus é gracioso para com elas e não o é para comigo?”. Parecem acusar a Deus de parcialidade, não percebendo que aquilo em que eles crêem nada mais é do que uma ”coisa” e, portanto, é morta. Nem fórmulas, nem métodos funcionam; só Cristo é vivo. Não é porque alguém tenha aprendido uma serie de métodos, que tal pessoa é um cristão, uma vez que as pessoas se tornam filhos de Deus através do novo nascimento, e não pelo aprendizado. “Eu sou o caminho”, afirma o Senhor Jesus. Cristo é o caminho, Cristo é o método. Meus amigos, será que Cristo é o seu caminho e o seu método? Ou, será que você está buscando um caminho ou um método diferente dEle mesmo? Louvado seja Deus se Cristo for o nosso método, tudo será bem sucedido. Mas se o que temos for simplesmente uma

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fórmula dentre várias, por melhor e mais precisa que seja, ainda assim, é algo morto e não possui valor espiritual algum. A razão de muitas orações não respondidas e testemunhos ineficazes reside no fato do Senhor não ter sido tocado. Meramente copiamos os métodos de outros; mas não tocamos o Senhor de fato. Um servo do Senhor certa vez pregou uma mensagem em Romanos 6 a 8. Certo irmão, ao ouvir a mensagem disse: “Hoje consigo entender o caminho da vitória. Vejo claramente. De agora em diante não serei mais derrotado como costumava ser”. Um outro irmão aproximou-se do pregador e quando questionado de como ele se sentia disse: “Não sei como descrever. O Senhor porém abriu meus olhos e hoje eu O vi”. Aquilo que este último irmão obteve foi o próprio Senhor. Ele conseqüentemente manteve-se firme enquanto que o primeiro foi novamente derrotado, isto porque recebeu somente um método sem valor e não o próprio Senhor. Mesmo nossa motivação ao ouvirmos uma mensagem é muitas vezes incorreta. Ao invés de pedirmos revelação ao Senhor para que possamos vê-lO, tentamos memorizar um método que possamos levar conosco. E mesmo que apliquemos tal método, não chegaremos a lugar nenhum. Algumas vezes, todavia, chegamos a

vislumbrar algo, talvez sem termos certeza para ousarmos dizer que vimos o Senhor. Não obstante, se O vimos, tal visão trará mudança real. Graças a Deus este é o caminho. Não se trata de aprender um método, mas de conhecer o Senhor. Claramente nos é mostrado que o próprio Senhor é o método. Devemos, portanto, ao ouvir uma mensagem ou um testemunho, examinar a nós mesmos e verificar se encontramos o Senhor ou se simplesmente compreendemos um método. Não há libertação em conhecermos um método; somente seremos libertos ao conhecermos o Senhor. Ouvir como Ele tem ajudado a outros não irá nos salvar; só acharemos salvação se confiarmos no Senhor e nEle somente. As palavras proferidas por eles podem parecer as mesmas, mas em realidade espiritual há uma distância enorme. O Senhor é o Senhor da vida e quem O toca, toca a vida. Somente tocar o Senhor confere vida. Pela graça de Deus continuaremos na próxima edição... Livro: Cristo a Essência de Tudo o que é Espiritual Autor: Watchman Nee Editora Tesouro Aberto www.tesouroaberto.com.br

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Cristo no Antigo Testamento

Maurício G. G. Cid

“Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.” João 5:39

aro leitor, o mistério de Deus já nos foi revelado: Cristo (Colossenses 2:2). Graças ao Pai, nossos olhos estão abertos para Sua Palavra que nos testifica seu Filho Amado, desde o livro de Gênesis. Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. João 5:39 A Revista Betel vem compartilhar as profundas riquezas contidas no Antigo Testamento sobre Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Iniciaremos com a passagem do primeiro

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capítulo de Gênesis, versículos quatorze a dezenove. Nossa pretensão é que, ao saborearmos estas preciosidades, não possamos mais ver muitas coisas na Palavra de Deus, mas apenas uma só, a boa parte: Cristo, o filho do Deus vivo. O Sol, o Centro de Luz, É Cristo, nosso Senhor! O ponto sobre o qual desejo agora falar é a criação das luzes. E disse Deus: haja luminares na expansão

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dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para alumiar a terra. E assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. O sol é o grande centro de luz, o centro do nosso sistema. Em redor dele giram os astros menores. Dele recebem, também, a sua luz. Por isso, o sol pode, legitimamente, como um símbolo próprio d’Aquele que em breve há de se levantar, trazendo cura nas Suas asas, alegrar o coração daqueles que temem o Senhor. A aptidão e beleza do símbolo é inteiramente clara para quem, tendo passado a noite em vigília, presencia o nascer do sol dourando com os seus raios o céu oriental. As neblinas e as sombras da noite são dispersas, e toda a criação parece aclamar o regresso do astro de luz. Assim será, em breve, quando aparecer o Sol da Justiça. As sombras da noite fugirão, e toda a criação regozijar-se-á com o raiar de uma “manhã sem nuvens” – o alvorecer de um dia brilhante e interminável de glória.

A Lua A lua, sendo por si mesma opaca, recebe toda a sua luz do sol. A lua reflete sempre a luz do sol, salvo quando a terra e as suas influências intervém1. Tão depressa o sol se põe no nosso horizonte, a lua apresentase para receber os seus raios de luz e refleti-los outra vez sobre o mundo na escuridão; ou no caso de ser visível, durante o dia exibe sempre uma luz pálida, como resultado inevitável de aparecer na presença de maior claridade. É verdade, como tem sido observado, que o mundo às vezes interpõe-se: nuvens escuras, neblinas cerradas, e vapores gelados, também, levantam-se da superfície da terra e ocultam da nossa vista a luz prateada da lua. Contudo, assim como o sol é o símbolo lindo e próprio de Cristo, do mesmo modo a lua nos lembra admiravelmente a Igreja. A origem da sua luz está oculta para a vista. O mundo não O vê, mas ela O vê; e é responsável por refletir os seus raios de luz sobre o mundo de trevas. O mundo não tem meio de conhecer coisa alguma de Cristo senão por meio da Igreja. “Vós”, diz o apóstolo Paulo, “sois nossa carta,... conhecida e lida por

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É um fato interessante que a lua, quando vista através de um poderoso telescópio, apresenta o aspecto de uma vasta ruína da natureza.

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todos os homens”. E acrescenta: “Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo” (2 Coríntios 3:2). Que lugar de responsabilidade! Quão sinceramente deve ela vigiar contra tudo que impede o reflexo da luz celestial de Cristo em todos os seus caminhos! Porém, como deve a Igreja refletir esta luz? Permitindo que a luz brilhe sobre ela em todo o seu brilho límpido. Se a Igreja tãosomente andar na luz de Cristo, há de, certamente, refletir a Sua luz; e isto mantê-la-á sempre na sua própria posição. A luz da lua não é sua. Do mesmo modo acontece com a Igreja. Ela não é chamada para se mostrar a si mesma ao mundo. Deve, simplesmente, refletir a luz que recebe. É obrigada a estudar, com santa devoção, o caminho que o Senhor trilhou aqui no mundo; e mediante a energia do Espírito Santo, que habita nela, seguir nesse caminho. Mas, ah! O mundo com as suas neblinas, nuvens, e os seus vapores, intervém e oculta a luz e mancha a epístola. O mundo não pode ver muito dos traços do caráter de Cristo naqueles que se chamam pelo Seu nome; na verdade, em muitos casos, eles apresentam um con-

traste humilhante, em vez de uma semelhança. Possamos nós estudar Cristo devotadamente, de modo a podermos imitá-Lo mais fielmente. As Estrelas As estrelas são luminares distantes. Brilham noutras esferas e têm pouca ligação com este sistema, que é pela sua instilação. “Uma estrela difere em gloria de outra estrela”. Assim será no reino futuro do Filho de Deus. Ele resplandecerá com brilho vivo e eterno. O seu Corpo, a Igreja, refletirá fielmente o Seu brilho, sobretudo à sua volta; enquanto que os santos, individualmente, brilharão nessas esferas que o Justo Juiz lhes distribuir, como galardão do serviço fiel prestado durante a noite da Sua ausência. Este pensamento deve animarnos a uma mais ardente e vigorosa diligência por conformidade com o nosso Senhor ausente (veja-se Lucas 19:12-19).

Livro: Estudos sobre o livro de Gênesis - Depósito de Literatura Cristã Autor: C. H. Mackintosh

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Hudson Taylor Uma Vida na Mão de Deus

William E. Allen

A grande crise na sua vida ocorreu em 1865, quando sentiu em seu coração o peso dos milhões de almas perdidas no interior da China

vida de Hudson Taylor é um registro de como Deus operou através de um homem fraco, até vir a formar-se uma junta missionária com mais de 5.000 obreiros. A grande crise na sua vida ocorreu em 1865, quando sentiu em seu coração o peso dos milhões de almas perdidas no interior da China, e começou a perceber que Deus o estava chamando a iniciar uma obra em prol da evangelização daquele povo. Taylor estre-

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meceu diante de tal responsabilidade, mas não podia fugir à visão dos milhares de almas que se dirigiam para uma eternidade sem Cristo. Escreveu ele: “Um milhão de almas estava morrendo mensalmente naquela terra, morrendo sem Deus. Isto queimava o âmago da minha alma.” Desgastado e muito doente, dirigiu-se ele certa vez para B. e, num domingo, enquanto passeava à beira mar, Deus, por seu Espírito, faloulhe ao coração que se obedecesse

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TESTEMUNHO

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ao Seu chamado para começar uma obra no interior da China, Ele tomaria para si toda a responsabilidade. “Tu Senhor”, exclamou ele com um alívio inexprimível, “Tu levarás todo o fardo!” A Missão do Interior da China (China Inland Mission) teve início imediatamente, e Hudson Taylor tornou-se, física e espiritualmente, um novo homem. A respeito dos missionários que haveriam de ser enviados para aquele campo, disse ele: “o necessário era que homens e mulheres cheios do Espírito Santo se entregassem à obra.” O ideal de que cada missionário e cada obreiro nacional fosse cheio do Espírito Santo estava sempre diante de seus olhos. Em 1892, escreveu: “A suprema necessidade de toda a obra missionária na hora presente é da manifesta presença do Espírito Santo. Tem havido entre nós uma certa medida de bênçãos, e almas tem sido salvas, mas onde estão aqueles que sozinhos perseguem mil, e que de

dois em dois põem dez mil em fuga? Onde estão aqueles, uma vez sedentos e agora cheios, de quem manam Rios de Água Viva?” “Oh, eu sinto que é de poder divino que necessitamos, e não de organizações! Se as dezenas ou centenas que agora alcançamos diariamente não estão sendo ganhas para Cristo, qual seria o ganho de uma organização tal que nos capacite a alcançar o dobro? Não seria antes, mais sábio, que suspendêssemos nossas atividades do momento e nos humilhássemos diante de Deus, orando por nada menos que sermos cheios do Espírito Santo, tornando-nos canais através dos quais ele possa operar com irresistível poder? Deus está já agora abençoando alguns que dele estão buscando essa benção pela fé.” “How 25 great soulwiness werw endued with power, de William E. Allen” Revista Reavivamento, maio de 1956

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“Precisamos de homens que amem a cruz, para O conhecer, e o poder da Sua ressureição e a comunhão dos seus sofrimentos.” -- Hudson Taylor

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Ninguém conhece o que é fruto, até que tenha aprendido a morrer para tudo o que é meramente humano. -- Andrew Murray

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Associação Betel

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Associação Betel é uma entidade juridicamente organizada, sem quaisquer vínculos denominacionais ou fins lucrativos, mantida por recursos advindos de colaboração espontânea de pessoas que apóiam seus objetivos, cujo fim é viabilizar a pregação do Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo.

Os objetivos da Associação Betel: a) Apoiar missionários e pregadores (uma vez confirmados em seus compromissos com a verdade do Novo Nascimento pela nossa morte e ressurreição com Cristo) para a pregação do Evangelho de Cristo, suprindo as despesas de caminho em suas viagens, dando um apoio financeiro para seu sustento e de sua família e um auxílio à saúde. b) Produzir e adquirir literatura e material evangelístico para uso dos missionários e dos grupos por eles atendidos, como: folhetos, livretos, estudos dirigidos, livros evangelísticos, Bíblias, fitas de áudio e afins. c) Assistência Social, sempre vinculada ao Evangelismo, pois “a fé sem obras é morta sem si mesma”. A Associação Betel é mantida por colaborações espontâneas de pessoas físicas ou jurídicas, que apóiam seus objetivos. São basicamente pessoas regeneradas, contribuintes muitas vezes anônimos, mas que se fazem participantes da pregação, para que também outras pessoas, até mesmo por eles desconhecidas, possam gozar da mesma graça e esperança. São aqueles que compreendem com amor e dedicação as Palavras do Senhor Jesus Cristo: “Indo por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura”.

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