Universidade Federal da Paraíba Centro de Ciências Jurídicas História e Antropologia Jurídica Maria Ligia Malta de Farias Rafael Oliveira

Venancio de Macedo 11013673

Resumo do livro Geografia da Fome de Josué de Castro, capítulos III e IV

Neste livro, o autor faz uma profunda análise sobre a fome no Brasil , sob as mais diversas facetas. E, nos capítulos terceiro e quarto, ele se atém à nossa região Nordeste, dividida entre a área açucareira e o sertão. Quanto à primeira parte, uma faixa de terra litorânea com média de 80 km de largura, ele credita a fome endêmica notada na região ao plantio da monocultura da cana-de-açúcar. Apesar de a localidade ser bastante favorável, tanto com relação ao solo como ao clima, ao desenvolvimento de uma infinidade de produtos alimentares. Durante a colonização, tendo o português notado ser o solo da região bastante propício ao lucrável plantio da cana, ele não hesitou em dedicar -se de corpo e alma a tal empreitada, como já havia feito anteriormente nas ilhas de Madeira e Cabo Verde. Acontece que essa é uma prática altamente deletéria, que compromete e corrompe os recursos naturais, como a fauna e a flora, o solo e as bacias hidrográficas da localidade. Em um processo de autofagia, a cultura açucareira demanda mais e mais terras, que de outra forma seriam destinadas ao cultivo de alimentos. No sentido nutricional o Índio , o Negro e até o Holandês contribuíram, cada qual ao seu modo, com costumes e práticas alimentares que serviram como amenizantes contra as restrições alimentares, tanto calóricas quanto vitamínicas, impostas pela ingestão reiterada de feijão, carne e farinha dos habitantes da região. Algumas dessas restrições também tinham cunho cultural, visto que os donos das usinas, a fim de evitarem que os seus escassos pomares fossem aproveitados por terceiros, implantaram no imaginário popular ideias como a de que comer manga e beber leite faz mal à saúde. No decorrer do capítulo, o autor faz cair por terra muitos conceitos do sensocomum que são erroneamente aceitos pela quase totalidade da população, como os cabras das bagaceiras dos engenhos, que tem aparência e tendências violentas, mas isso se deve ao fato de terem uma dieta pobre em vitamina B. Senso-comum esse utilizado até por estudiosos, quando afirmam sem o devido cuidado e conhecimento de causa, que a culinária baiana é um atentado ao bom funcionamento do estômago,

o sertanejo consegue subsistir de forma satisfatória. que é aproveitado como o grosso energético. Quanto à fauna. variando apenas em duração e extensão. mesmo com as deficiências protéicas e vitamínicas causadas por uma dieta baseada no milho. o autor diz que o leite fornecido por esses animais é parte fundamental da alimentação. só . quando não na época das secas. sobre as plantas. Ainda sobre a fauna. Diante disso. leite e carne. Josué fala ainda sobre a monocultura do cacau. os mais racionais e equilibrados do país. em contraste com outras localidades que apresentam uma dieta predominantemente maídica. mas uma que se dá sob a forma de surtos de episódios epidêmicos. Essa fome não distingue ricos de pobres. relevante para a alimentação há as aves de arribação e o gado. os animais ou emigram ou vão definhando lentamente. se adaptou excepcionalmente bem à região. A calamidade tem início quando chegam as secas. vimos que. água essa que o sertanejo se aproveita dela. por que. apesar de a base alimentar ser o milho. durante as estiagens mais severas. O autor se estende discorrendo acerca da flora e faunas locais. ressalta a capacidade que elas apresentam de resistirem à seca. inescapáveis. somos apresentados a um novo tipo de fome. que é verificada na área do sertão nordestino conhecida como polígono das secas . para quando esta findar. talvez. mas se assemelha em alguns pontos à Árabe. que se estende do sul da Bahia ao Espírito Santo. que fornece couro. Já na segunda parte. fazendo com que esses hábitos alimentares sejam. desta vez não mais permanente. mas de uma forma que chega a ser mais nefasta ainda. Nesse cenário. algumas investindo em sementes que germinam ao primeiro sinal de chuvas. é o flagelo das secas. recorrer às chamadas comidas brabas . É interessante que nessa região. não fossem as secas. sendo adequada para suprir as demandas energéticas da população. o gado caprino.quando na verdade a sua profusão e condimentos como a pimenta e o óleo de dendê são fontes vitamínicas importantíssimas à saúde do indivíduo . sucumbindo à falta d água e ao calor extremos e o sertanejo se vê obrigado a restringir sua dieta. essa região não sofreria com o problema da fome. que não sofreu muita influência do Negro e do Índio. que apresen tam grandes focos de pelagra. já que esse povo adaptou-se à vida no deserto. outros componentes da dieta compensam essas faltas. que são alguns espécimes vegetais que conseguem arduamente resistir à desolação da seca. É nesse ponto que começam as jornadas dos retirantes. complementando a pobreza nutricional do milho. quando todas as alternativas estão esgotadas. mais resistente à falta de água. impondo a fome de maneira similar à causada pelos engenhos açucareiros. outras armazenando água. a população é geralmente bem nutrida. aproveitando os recursos de que dispõe. Castro infere que. em tempos normais. Discorre também da cozinha do sertão.

toda sorte de problemas decorrentes da carência de nutrientes ocorrem. Com o exposto por Josué de Castro. Nessas condições. procurando um lugar em que possa se alimentar. nos municiamos de informações e uma perspectiva mais profunda de suas causas e efeitos. somos apresentados a uma visão ampla sobre a região nordeste do Brasil e os problemas que ela enfrenta.lhe resta fugir da seca. . que destroem a mente dos famintos. o mais terrível é a fome. Conclusão A partir da leitura desta parte do livro. desde edemas na pele até nefastas consequências psicológicas. Entre eles.

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