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Fundamentos de Sensoriamento Remoto

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CAPÍTULO 1

FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO

Elisabete Caria de Moraes1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE

1

e.mail : bete@ltid.inpe.br 1-1 E.C.MORAES

DSR/INPE

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1-2

E.C.MORAES

ÍNDICE

LISTA DE FIGURAS ...................................................................................... 1-5 1. FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO ............................... 1-7 1.1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA ........................................................ 1-7 1.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ....................................................... 1-9 1.3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA ............................................................ 1-12 1.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS .......... 1-15 1.5 SISTEMA SENSOR ............................................................................... 1-18 1.6 NÍVEIS DE COLETAS DE DADOS ....................................................... 1-21 2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................... 1-22

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LISTA DE FIGURAS
1 – COMPRIMENTOS DE ONDA .................................................................. 1-8 2 – O ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ................................................... 1-10 3 – CURVAS DE DISTRIBUIÇÃO ESPECTRAL DA ENERGIA SOLAR NA ATMOSFERA ......................................................................................... 1-13 4 – TRANSMITÂNCIA ESPECTRAL DA ATMOSFERA ............................. 1-14 5 – INTERAÇÃO DA ENERGIA ELETROMAGNÉTICA COM O OBJETO 1-16 6 – NIVEIS DE COLETAS DE DADOS ........................................................ 1-21

DSR/INPE

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E.C.MORAES

DSR/INPE 1-6 E.MORAES .C.

Portanto. de mapeamento e de monitoramento de recursos naturais.1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA. pois ela permite quantificar a energia espectral refletida e/ou emitida por estes. A energia eletromagnética utilizada na obtenção dos dados por sensoriamento remoto é também denominada de radiação eletromagnética.MORAES . A energia eletromagnética não precisa de um meio material para se propagar. todo corpo com uma temperatura absoluta acima de zero pode ser considerado como uma fonte de energia eletromagnética. A quantidade e qualidade da energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres resulta das interações entre a energia eletromagnética e estes objetos. 1. FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO O Sensoriamento Remoto pode ser entendido como um conjunto de atividades que permite a obtenção de informações dos objetos que compõem a superfície terrestre sem a necessidade de contato direto com os mesmos. Desta maneira. e assim avaliar suas principais características.1. Essas interações são determinadas pelas propriedades físicoquímicas e biológicas desses objetos e podem ser identificadas nas imagens e nos dados de sensores remotos. Logo os sensores remotos são ferramentas indispensáveis para a realização de inventários. aquisição e análise (interpretação e extração de informações) da energia eletromagnética emitida ou refletida pelos objetos terrestres e registradas por sensores remotos. Estas atividades envolvem a detecção. O Sol e a Terra são as duas principais fontes naturais de energia eletromagnética utilizadas no sensoriamento remoto da superfície terrestre. A energia eletromagnética é emitida por qualquer corpo que possua temperatura acima de zero grau absoluto (0 Kelvin).C. a energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres é a base de dados para todo o processo de sua identificação. DSR/INPE 1-7 E.

MORAES . define a freqüência da radiação eletromagnética.). 1 – Comprimento de onda Dado que a velocidade de propagação das ondas eletromagnética é diretamente proporcional à sua freqüência e comprimento de onda. como mostra a Figura 1. Fig.000 Km s . esta pode ser expressa por: c = f ⋅λ onde: c = velocidade da luz (m/s) f = freqüência (ciclo/s ou Hz) (1) λ = comprimento de onda (m) A quantidade de energia (Q) emitida. define o comprimento de onda e.C. o número de ondas que passa por um ponto do espaço num determinado intervalo de tempo.sendo definida como uma energia que se move na forma de ondas eletromagnéticas à velocidade da luz ( c = 300. A distância entre dois pontos semelhantes. onde ”c” é a velocidade da luz. está associada a cada comprimento de onda ou freqüência e é definida por: Q = h⋅ f = h λ (2) DSR/INPE 1-8 E. transferida ou recebida na forma de energia eletromagnética.

Através desta equação verifica-se que quanto maior a quantidade de energia maior será a freqüência ou menor será o comprimento de onda a ela associada e vice-versa. DSR/INPE 1-9 E.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO A energia eletromagnética pode ser ordenada de maneira contínua em função de seu comprimento de onda ou de sua freqüência. A medida que se avança para a direita do espectro eletromagnético as ondas apresentam maiores comprimentos de onda e menores freqüências. 1.3 µm a 15 µm. e da transparência da atmosfera em relação à radiação eletromagnética. nanometro: 1 nm = 10-9 m) para comprimento de onda e múltiplas do Hertz (quilohertz: 1 kHz = 103 Hz. do tipo de interação que ocorre entre a radiação e o objeto sobre o qual esta incide.s)) e a unidade que quantifica esta energia é dada em Joule (J). A faixa espectral mais utilizada em sensoriamento remoto estende-se de 0. megahertz: 1 mHz = 106 Hz) para freqüência.MORAES . sendo esta disposição denominada de espectro eletromagnético. como mostra a Figura 2. Este apresenta subdivisões de acordo com as características de cada região.C.625 10-34 joule segundo (J. O espectro eletromagnético se estende desde comprimentos de onda muito curtos associados aos raios cósmicos. até as ondas de rádio de baixa freqüência e grandes comprimentos de onda. Devido a ordem de grandeza destas variáveis é comum utilizar unidades submúltiplas do metro (micrometro: 1 µm = 10-6 m. embora a faixa de microondas também é utilizada. Cada subdivisão é função do tipo de processo físico que dá origem a energia eletromagnética.onde h é a constante de Planck (6.

tem aplicações em medicina (radioterapia) e em processos industriais (radiografia industrial).O espectro eletromagnético. Ultravioleta (UV): é produzida em grande quantidade pelo Sol. Visível (LUZ): é o conjunto de radiações eletromagnéticas que podem ser detectadas pelo sistema visual humano. porém esta energia eletromagnética é praticamente toda absorvida pela camada de ozônio atmosférico.. DSR/INPE 1-10 E. sendo emitida na faixa de 0.. Podem-se observar na Figura 2 a existência das seguintes regiões: Radiação Gama: é emitida por materiais radioativo e.C.MORAES . Seu médio poder de penetração o torna adequado para uso médico (raio X) e industrial (técnicas de controle industrial). As cores estão associadas aos seguintes intervalos espectrais..38µm.. A sensação de cor que é produzida pela luz está associada a diferentes comprimentos de ondas. Seu poder de penetração a torna nociva aos seres vivos. Raio X: é produzido através do freamento de elétrons de grande energia eletromagnética. Nuvem Fig.003 µm até aproximadamente 0. 2 . por ser muito penetrante (alta energia).

45 µm azul: 0.62 µm vermelho: 0. como por exemplo: DSR/INPE 1-11 E. Os feixes de microondas são emitidos e detectados pelos sistemas de radar (radio detection and ranging).38 a 0.49 µm verde: 0.6 µm laranja: 0.62 a 0.58 a 0.7 a 1.58 µm amarelo: 0.3 µm IV médio: 1. enquanto as energias eletromagnéticas correspondentes ao intervalo espectral do infravermelho médio e distante (também denominadas de radiação termal) são provenientes da emissão eletromagnética de objetos terrestres. Estas ondas são utilizadas principalmente em telecomunicações e radiodifusão. Radio: é o conjunto de energias de freqüência menor que 300MHz (comprimento de onda maior que 1m).3 a 6 µm IV distante: 6 a 1000 µm A energia eletromagnética no intervalo espectral correspondente ao infravermelho próximo é encontrada no fluxo solar ou mesmo em fontes convencionais de iluminação (lâmpadas incandescentes).MORAES .C.violeta: 0. Algumas regiões do espectro eletromagnético têm denominações que indicam alguma propriedade especial.45 a 0.7 a 1000 µm e costuma ser dividida em três sub-regiões: IV próximo: 0.49 a 0. o que corresponde ao intervalo de freqüência de 300GHz a 300MHz. Microondas: são radiações eletromagnéticas produzidas por sistemas eletrônicos (osciladores) e se estendem pela região do espectro de 1mm até cerca de 1m.70 µm Infravermelho (IV): é a região do espectro que se estende de 0.6 a 0.

Espectro solar: refere-se à região espectral que compreende os tipos de energia emitidas pelo Sol. Espectro termal: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas emitidas pelos objetos terrestres e encontra-se nos intervalos espectrais correspondente ao infravermelho médio e distante. Espectro visível: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas percebido pelo sistema visual humano. também denominado de luz. Existem regiões do espectro eletromagnético para os quais DSR/INPE E.28 a 4 µm.MORAES 1-12 . Cerca de 99% da energia solar que atinge a Terra encontra-se concentrada na faixa de 0. portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro termal. portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro solar. 1. Os gases presentes na atmosfera apresentam capacidade de absorção muito variáveis em relação ao comprimento de onda da energia solar incidente no sistema terra-atmosfera e da energia emitida pela superfície terrestre. facilitando a análise da energia radiante.C. visível e infravermelho).Espectro óptico: refere-se à região do espectro eletromagnético que compreende as energias que podem ser coletadas por sistemas ópticos (ultravioleta. refletida e espalhada.3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA A energia eletromagnética ao atravessar atmosfera terrestre pode ser absorvida. Quando a Terra atua como fonte de energia eletromagnética os sensores detectam a energia emitida pelos corpos terrestres. Quando consideramos o Sol como fonte de energia eletromagnética (ou fonte de iluminação) os sensores detectam a energia refletida pelos objetos terrestres. Esta distinção torna possível o tratamento separado desses dois tipos de energia eletromagnética.

DSR/INPE 1-13 E. os quais atenuam a energia eletromagnética diferentemente. CH4.C. As áreas sombreadas representam as absorções devido aos diversos gases presentes numa atmosfera limpa. Esta interação da energia com a atmosfera pode ser comparada com uma cortina que age como um filtro e.Curvas da distribuição espectral da energia solar na atmosfera/superfície terrestre. Neste caso os diferentes tipos de tecidos da cortina poderia ser comparado com os diferentes gases existentes na atmosfera terrestre.a atmosfera absorve muito da energia incidente no topo da atmosfera. atenua ou até mesmo impede a passagem da luz. 3 . NO e N2O ocorrem em pequenas quantidades e também exibem espectros de absorção. dependendo de seu tecido. A Figura 3 mostra a distribuição do espectro de energia eletromagnética do Sol no topo da atmosfera e na superfície terrestre observada ao nível do mar. E n e g i a I n c i d e n t e o Energia solar incidente no topo da atmosfera Energia solar incidente na superfície terrestre A ) Fig. às vezes não deixando chegar quase nada de energia na superfície terrestre. Os gases CO. ozônio (O3) e gás carbônico (CO2).MORAES . oxigênio (O2). Os principais gases absorvedores da radiação eletromagnética são vapor d’água (H2O).

4 – Transmitância espectral da atmosfera A atmosfera quase não absorve a energia eletromagnética emitida pelos objetos que compõem a superfície terrestre. e portanto onde é realizado o sensoriamento remoto dos objetos terrestres. A Figura 4 apresenta as janelas atmosféricas e as regiões afetadas pelos principais gases atmosféricos. grande parte da energia solar atinge a superfície da Terra.MORAES . Estas regiões são conhecidas como janelas atmosféricas.7 µm e como a atmosfera absorve muito pouco nesta região.Cerca de 70% da energia solar está concentrada na faixa espectral compreendida entre 0. o principal gás absorvedor da energia eletromagnética solar é o ozônio (O3). a atmosfera é transparente à energia eletromagnética proveniente do Sol ou da superfície terrestre. Na região do infravermelho os principais gases absorvedores são o vapor d’água (H2O) e o dióxido de carbono (CO2) Existem regiões do espectro eletromagnético onde a atmosfera quase não afeta a energia eletromagnética. Nestas regiões são colocados os detectores de energia eletromagnética. Comprimento de onda ( µm) Fig. o qual protege a terra dos raios ultravioletas que são letais a vida vegetal e animal. com exceção de uma pequena DSR/INPE 1-14 E. isto é. Também existem regiões no espectro eletromagnético para os quais a atmosfera é opaca (absorve toda a energia eletromagnética).C.3 e 0. Na região do ultravioleta e visível.

e emitem radiação eletromagnética proporcionalmente a sua temperatura. refletir e transmitir a radiação eletromagnética é denominada. respectivamente. As interações da energia eletromagnética com os constituintes atmosféricos influenciam a caracterização da energia solar e terrestre disponíveis para o sensoriamento remoto de recursos naturais. As nuvens absorvem toda a energia na região do infravermelho. como pode ser visto na Figura 5. de absortância. centrada em 9. também conhecido como a assinatura espectral do objeto. guardando sempre o princípio de conservação de energia. Essas considerações são válidas para a atmosfera limpa. pois tanto nuvens como poluentes tendem a absorver a energia eletromagnética. vindo a contaminar a energia refletida ou emitida pela superfície e que é detectada pelos sensores orbitais.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS O fluxo de energia eletromagnética ao atingir um objeto (energia incidente) sofre interações com o material que o compõe. reflectância e transmitância. absorvido e transmitido pelo objeto. sendo que os valores variam entre 0 e 1.MORAES . sendo parcialmente refletido.C. A DSR/INPE 1-15 E. reflexão e transmissão da energia incidente poder ser total ou parcial. 1. absorve toda a energia eletromagnética com comprimentos de onda acima deste valor.banda de absorção do ozônio. A absorção. Nesta janela atmosférica o sistema terra-atmosfera perde energia para o espaço mantendo assim o equilíbrio térmico do planeta. A energia eletromagnética ao atingir a atmosfera é por esta espalhada.6 µm. ou seja. e parte desta energia espalhada retorna para o espaço. O comportamento espectral de um objeto pode ser definido como sendo o conjunto dos valores sucessivos da reflectância do objeto ao longo do espectro eletromagnético. Acima de 14 µm a atmosfera é quase que totalmente opaca à energia eletromagnética. A capacidade de um objeto absorver.

C. A Figura 2 apresenta os espectros de reflectância de alguns objetos bastante freqüentes nas imagens de sensoriamento remoto como. a intensidade e a localização de cada banda de absorção é que caracteriza o objeto.assinatura espectral do objeto define as feições deste. pois são reconhecidos devido a variação da porcentagem de energia refletida em cada comprimento de onda.Interação da energia eletromagnética com o objeto. IR R G B B G R IR COMPRIMENTO DE ONDA Fig. pois os objetos apresentam diferentes propriedades físico-químicas e biológicas. água. 5 . solo. Os objetos interagem de maneira diferenciada espectralmente com a energia eletromagnética incidente. vegetação e nuvens. Estas diferentes interações é que possibilitam a distinção e o reconhecimento dos diversos objetos terrestres sensoriados remotamente. sendo que a forma. As características básicas observadas no comportamento espectral destes objetos são: DSR/INPE 1-16 E. areia. O conhecimento do comportamento espectral dos objetos terrestres é muito importante para a escolha da região do espectro sobre a qual pretende-se adquirir dados para determinada aplicação.MORAES .

38 e 0. pois é verificado que a presença de matéria orgânica dissolvida em corpos d’água desloca o máximo de reflectância espectral para o verde-amarelo. Os minerais apresentam características decorrentes de suas bandas de absorção.A vegetação sadia apresenta alta absorção da energia eletromagnética na região do espectro visível.O comportamento espectral de rochas é resultante dos espectros individuais dos minerais que as compõem. O comportamento espectral da água líquida pura apresenta baixa reflectância (menor do que 10%) na faixa compreendida entre 0.. As combinações e arranjos dos materiais constituintes dos solos é que define o seu comportamento espectral. Portanto a absorção é o principal fator que controla o comportamento espectral das rochas. . . A alta reflectância no infravermelho próximo (até 1. a umidade e a granulometria (textura e estrutura) deste.7µm e máxima absorção acima de 0.O comportamento espectral dos solos é também dominado pelas bandas de absorção de seus constituintes. os quais apresentam comportamento espectral totalmente distintos. sendo que os principais fatores são a constituição mineral. que é capturada pela clorofila para a realização da fotossíntese. a matéria orgânica. A água pode-se apresentar na natureza em três estados físicos.C. enquanto que a presença de matéria inorgânica em suspensão resulta num deslocamento em direção ao vermelho. O comportamento espectral de corpos d’água é modulado principalmente pelos processos de absorção e espalhamento produzidos por materiais dissolvidos e em suspensão neles. sendo que a partir deste comprimento de onda é o conteúdo de água na vegetação quem modula as bandas de absorção presentes no comportamento espectral desta.MORAES . DSR/INPE 1-17 E. Dentro do espectro visível a absorção é mais fraca na região que caracteriza a coloração da vegetação.7µm.3µm) é devido a estrutura celular.

Com o intuito de melhor interpretar as imagens de satélites.- O comportamento espectral de nuvens apresenta elevada reflectância (em torno de 70%). 1.5 SISTEMA SENSOR Os sensores remotos são dispositivos capazes de detectar a energia eletromagnética (em determinadas faixas do espectro eletromagnético) proveniente de um objeto. muitos pesquisadores têm se dedicado a pesquisa fundamental. a obtenção e a análise de medidas da reflectância dos objetos terrestres em experimento de campo e de laboratório. como por exemplo os sensores do satélite Landsat 5. ou seja. Os sistemas imageadores fornecem como produto uma imagem da área observada. os quais possibilitam uma melhor compreensão das relações existentes entre o comportamento espectral dos objetos e as suas propriedades. Os sistemas sensores também podem ser classificados como ativos e passivos.3 e 2µm.MORAES . 1. os radiômetros e espectroradiômetros. enquanto que os sistemas não-imageadores. Os sensores passivos não possuem fonte própria de energia eletromagnética.C. As variações de energia eletromagnética da área observada podem ser coletadas por sistemas sensores imageadores ou não-imageadores. como por exemplo temos os “scaners” e as câmaras fotográficas. Os sensores ativos possuem uma fonte DSR/INPE 1-18 E. de tal forma que este possa ser armazenado ou transmitido em tempo real para posteriormente ser convertido em informações que descrevem as feições dos objetos que compõem a superfície terrestre. transformá-las em um sinal elétrico e registrá-las. também denominados radiômetros ou espectroradiômetros. apresentam o resultado em forma de dígitos ou gráficos. em todo o espectro óptico com destacadas bandas de absorção em 1.

A resolução espacial representa a capacidade do sensor distinguir objetos. A qualidade de um sensor geralmente é especificada pela sua capacidade de obter medidas detalhadas da energia eletromagnética. A resolução espacial depende principalmente do detector.C. da altura do DSR/INPE 1-19 E. espectral e radiométrica. produzindo um sinal elétrico. Ela indica o tamanho do menor elemento da superfície individualizado pelo sensor. As características dos sensores estão relacionadas com a resolução espacial.própria de energia eletromagnética. e e) unidade de saída: é um componente capaz de registrar os sinais elétricos captados pelo detector para posterior extração de informações. d) processador: é um componente responsável pela amplificação do fraco sinal gerado pelo detetor e pela digitalização do sinal elétrico produzido pelo detector. Eles emitem energia eletromagnética para os objetos terrestres a serem imageados e detectam parte desta energia que é refletida por estes na direção deste sensores. Os sistemas fotográficos foram os primeiros equipamentos a serem desenvolvidos e utilizados para o sensoriamento remoto de objetos terrestres As principais partes de um sensor são: a) coletor: é um componente óptico capaz de concentrar o fluxo de energia proveniente da amostra no detetor. c) detetor: é um componente de pequenas dimensões feito de um material cujas propriedades elétricas variam ao absorver o fluxo de energia.MORAES . Como exemplo podemos citar o radar e qualquer câmara fotográfica com flash. b) filtro: é o componente responsável pela seleção da faixa espectral da energia a ser medida.

ela define o intervalo espectral no qual são realizadas as medidas. Por exemplo. O sensor TM apresenta algumas bandas espectrais mais estreitas do que o sensor MSS. e consequentemente a composição espectral do fluxo de energia que atinge o detetor. Para um dado nível de posicionamento do sensor. Por exemplo. refere-se à maior ou menor capacidade do sistema sensor em detectar e registrar diferenças na energia refletida e/ou emitida pelos elementos que compõe a cena (rochas. Portanto. Quanto maior for o número de medidas num determinado intervalo de comprimento de onda melhor será a resolução espectral da coleta. ou seja. características do sensor. o sistema sensor TM do Landsat 5 distingue até 256 tons distintos de sinais representando-os em 256 níveis de cinza. Por exemplo. o Landsat 5 possui os sensores TM e Multispectral Scanning System (MSS). águas. efeitos atmosféricos. Para melhor interpretar os sinais coletados faz-se necessário o conhecimento das condições experimentais como: fonte de radiação. solos. A resolução radiométrica define a eficiência do sistema em detectar pequenos sinais. o sistema sensor do Thematic Mapper (TM) do Landsat 5 possui uma resolução espacial de 30 metros. quanto menor for a resolução geométrica deste maior será o grau de distinção entre objetos próximos. tipo de processamento e estado do objeto. que está relacionada com a repetitividade com que o sistema sensor pode adquirir informações referentes ao objeto. portanto nestas bandas o TM apresenta melhor resolução espectral do que o MSS. geometria de aquisição de dados. os sensores do Landsat 5 possuem uma repetitividade de 16 dias.MORAES . Uma outra qualidade importante é a resolução temporal do sensor. vegetações.posicionamento do sensor em relação ao objeto. Por exemplo. DSR/INPE 1-20 E. A resolução espectral refere-se à largura espectral em que opera o sensor. etc).C.

MORAES .C. DSR/INPE 1-21 E. 6 – Níveis de Coleta de Dados Fonte : Moreira (2001) Ao nível de aeronaves os dados de sensoriamento remoto podem ser adquiridos por sistemas sensores de varredura óptico-eletrônico. como pode ser visualizado na Figura 6. e a resolução espacial destes dados dependerá da altura do vôo no momento do aerolevantamento. Ao nível do solo é realizada a aquisição de dados em campo ou em laboratório onde as medidas são obtidas utilizando-se radiômetros ou espectroradiômetros.6 NÍVEIS DE AQUISIÇÃO DE DADOS Os sistemas sensores podem ser mantidos no nível orbital (satélites) ou suborbital (acoplados em aeronaves ou mantidos ao nível do solo).1. sistemas fotográficos ou radar. Níveis de Coleta de dados Satélites Balões Solo Aeronave Bóias Barco Fig.

VII. 1993. Gama. Salvador. A. M. 7p. E. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Moraes. Novo. 308p. 1993. E. 10-14. : Edgard Blücher. 2.C. A. Curitiba. C. Tutorial São José dos Campos. E. 14-19.MORAES . Steffen. F. Maio.... 1989. Steffen. Moraes. 2001. C. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Introdução à radiometria. São Paulo. 43p. 1996. Abr. O sensoriamento remoto neste nível permite a repetitividade das informações. A. Radiometria óptica espectral. Tutorial São José dos Campos. F. L. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologias de aplicação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Moreira. C. INPE. M. Sensoriamento Remoto: princípios e aplicações. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. VIII. DSR/INPE 1-22 E. 1996. M. C. bem como um melhor monitoramento dos recursos naturais para grandes áreas da superfície terrestre. INPE.A obtenção de dados no nível orbital é realizada através de sistemas sensores a bordo de satélites artificiais.. São José dos Campos. 208p. ed.

inpe.CAPÍTULO 2 SATÉLITES DE SENSOR IAMENTO REMOTO José Carlos Neves Epiphanio1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS .N.C.INPE 1 E-mail: epiphani@ltid.br DSR/INPE 2-1 J.EPIPHANIO .

C.DSR/INPE 2-2 J.EPIPHANIO .N.

................................... 4........ 2-35 DSR/INPE 2-3 J.... 2-9 2........................................................................................................... 6............................. 2-7 1..... 2-30 PROGRAMAS DE RADAR ... 2-13 PROGRAMA SPOT .. 2-11 ÓRBITA BAIXA ........................................................................... 2-11 PROGRAMA LANDSAT ................................................1 2............................................................. 2-19 PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO ................ 2-29 PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) ................................................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS .......................... 8.............................EPIPHANIO ............ 2-25 SATÉLITES NOAA ....2 3..................................... 2-32 REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ..........N.............................................. CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES ............................... 2-5 LISTA DE TABELAS ...C........ 5.......... INTRODUÇÃO .................. ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA .................... 7................. 2-10 2.......................................................................................... 9...

N.EPIPHANIO .DSR/INPE 2-4 J.C.

..........LISTA DE FIGURAS 1 – SATÉLITE CBERS E SEUS COMPONENTES.........N............. 2-27 DSR/INPE 2-5 J..EPIPHANIO ...C.... .

EPIPHANIO .N.DSR/INPE 2-6 J.C.

........... L E M ................ 2-16 4 .......................CÂMERA CCD DO CBERS................................C............... 2-21 5 ..SENSORES DO SPOT-4 ..............EPIPHANIO ........................ 2-16 3 ........................................................................................CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K.......BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7....LISTA DE TABELAS 1 – PROGRAMA LANDSAT ..... 2-26 6 ...... 2-30 DSR/INPE 2-7 J........................N.............................................................. 2-15 2 .....PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 .

C.DSR/INPE 2-8 J.N.EPIPHANIO .

de uma forma “bruta”. à distância. agora. um sensor faz uma medida sem escala padronizada. pois são as imagens na forma como as conhecemos. Por exemplo. por um sensor remoto. embora outros sistemas façam parte do sensoriamento remoto.C. Isto é. posteriormente. como os radiômetros de campo e de laboratório. um objeto tortuoso e de baixa reflexão (escuro) numa certa imagem traduz-se a nós como sendo um rio. aquelas propriedades primárias podem sofrer transformações e permitir-nos fazer inferências sobre características secundárias dos alvos. sem padronização. e os sensores fotográficos e outros 1 Comentário: Página: 9 fazer análise de “medida” em relação a uma régua. mensurada. Por exemplo. através de uma imagem de um sensor remoto. das propriedades dos objetos ou alvos. gera-se um novo produto. que haja DSR/INPE 2-9 J. passa a representar uma propriedade do alvo que não foi medida diretamente pelo sensor remoto. portanto.EPIPHANIO . É que. De qualquer modo que se veja um produto de sensoriamento remoto. Porém. No caso do rio. E há uma estreita associação entre sensoriamento remoto e satélites artificiais. Essas propriedades primárias podem ser usadas diretamente. quando uma imagem de um sensor remoto entra num modelo que a relaciona com a fotossíntese da vegetação. As principais propriedades “primárias” dos alvos que são medidas1 pelos sensores remotos são a capacidade de reflexão e de emissão de energia eletromagnética. Os sensores remotos fazem parte do que se denomina “sistemas de sensoriamento remoto”. ou uma nova imagem que. pode-se gerar uma imagem secundária que expressa a quantidade de sedimentos. Essa é a forma mais comum de uso dos produtos de sensoriamento remoto.1.N. Os chamados “sistemas de sensoriamento remoto” são os veículos e instrumentos necessários à coleta de dados para serem analisados pela comunidade científica e de usuários em geral. é preciso. INTRODUÇÃO Para que haja o sensoriamento remoto é necessário que haja uma “medição”. seja ele primário ou secundário. se houver uma equação ou um modelo que permita um relacionamento entre reflectância medida por satélite e quantidade de sedimentos num meio aquático. a princípio. há sempre a necessidade de que a propriedade de reflexão ou emissão do alvo seja medida.

sistemas que operam em aeronaves. NOAA. Estes últimos são os geoestacionários e têm sua maior aplicação no campo da meteorologia. Neste capítulo são abordados os principais satélites em operação e. cujos princípios aplicam-se a todos os sistemas. são descritos os sistemas Landsat. 2. promovem uma cobertura que se repete ao longo do tempo. permitindo o acompanhamento da evolução das propriedades de reflexão ou emissão dos objetos e fenômenos.uma calibração em relação a um padrão para que se tenha uma medida precisa da propriedade do alvo. a cada dia. Terra. Porém. Radarsat e ERS (todos programas internacionais) e o CBERS e o SSR/MECB (do Brasil).N. mais e mais se tornam os instrumentos quotidianos dos profissionais de sensoriamento remoto. particularmente. Os que mais interessam para o sensoriamento remoto enquadram-se em duas grandes categorias: os de órbita baixa e os de órbita alta. como têm que orbitar ao redor da Terra.EPIPHANIO . é necessário que haja um conhecimento dos principais satélites e de suas características. Os satélites são veículos colocados em órbita da Terra e que promovem continuamente a aquisição de dados relacionados às propriedades primárias dos objetos.000 km) têm a capacidade de abranger em seu campo de visada uma grande porção de superfície terrestre. sendo apenas 2-10 marginal sua aplicação em DSR/INPE J. Ao mesmo tempo. Assim. SPOT. aqueles voltados para o sensoriamento remoto da superfície terrestre com ênfase naqueles mais utilizados no Brasil. antes de descrever os sistemas propriamente ditos. são os satélites que. Por estarem a grandes altitudes (tipicamente entre 600 e 1. é feita uma introdução sobre órbitas e outros aspectos dos satélites. Assim. CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES Os satélites podem apresentar uma grande variação quanto ao padrão orbital em relação à Terra.C.

Como a variação de altitude é pequena DSR/INPE 2-11 J. estão imóveis. 2.EPIPHANIO . em relação à Terra. assim. de modo que. tal órbita é também circular. permanecem voltados para o mesmo ponto da superfície e. Em geral.1 ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA Os satélites nesta órbita estão a uma altitude de cerca de 36. e por causa da grande altitude podem ter uma visão sinóptica completa. e são discutidos mais pormenorizadamente.2 ÓRBITA BAIXA Embora nesta categoria enquadrem-se inúmeros sistemas espaciais. o que permite uma escala de imageamento praticamente constante para todas as imagens. Para os satélites de sensoriamento de órbita baixa. Possuem uma velocidade de translação em relação à Terra que equivale ao movimento de rotação da Terra. Como ficam dispostos ao longo do Equador terrestre. podem fazer um imageamento muito rápido daquela porção terrestre sob seu campo de visada. São chamados geoestacionários porque sua órbita acompanha o movimento de rotação da Terra. Sempre que couber. os quais são bastante dinâmicos. Além disso. Os de órbita baixa englobam a maioria dos satélites de sensoriamento remoto.N.000 km de altitude. a discussão a seguir é restrita às situações e características que abrangem os sistemas que mais interessam ao sensoriamento remoto. ou seja. são discutidos os impactos dos desvios em relação à situação usual. pois dessa forma o satélite fica sempre orbitando a uma altitude quase que fixa em relação à Terra.sensoriamento remoto. a órbita dos satélites de sensoriamento remoto enquadra-se no que se denomina órbita baixa. de todo o disco terrestre compreendido pelo seu campo de visada.000 km. É por essa grande abrangência de superfície terrestre coberta em um curto intervalo de tempo que eles são muito úteis para estudos de fenômenos meteorológicos. 2. o que equivale a dizer órbitas com menos de 1. como estão “fixos” em relação à Terra.C.

000 km. ocorrem aproximadamente 14.numa situação de circularidade. ou simplesmente TM). uma vez que sua altitude era menor. da geração anterior.EPIPHANIO . cuja duração é de cerca de 100 minutos. ou MSS). Isso quer dizer que se fosse mantido o mesmo ângulo de imageamento para as duas gerações. a variação de escala também é pequena. No caso da série Landsat. fosse aumentado a fim de manter a mesma faixa de imageamento do sensor Multispectral Scanner System (Sistema de Varredura Multiespectral. o sistema (satélite e sensor) recobre uma faixa longitudinal e constante no terreno equivalente a um certa faixa de terreno. o que facilita os trabalhos de interpretação e análise das imagens. Uma vez definido que a órbita é circular e que ela tem uma certa altitude em relação à Terra. Essa faixa de imageamento varia de acordo com o sensor. descrevendo um círculo com raio praticamente fixo. a mudança de altitude entre a primeira geração (Landsat 1 a 3) e a segunda geração (Landsat 4 a 7) exigiu que o campo de visada do sensor Thematic Mapper (Mapeador Temático. quando a Terra está iluminada (embora pudesse também haver imageamento no sentido ascendente em certos comprimentos de onda). a faixa imageada no terreno seria menor na segunda geração. Toda a órbita circular tem esta característica de manter a escala constante. A cada órbita.C. Nessas condições.5 órbitas diárias e. Ela tem que obedecer às leis da mecânica orbital e depende muito da definição do projeto da missão e características dos sensores destinados ao imageamento. Em geral os satélites de sensoriamento remoto têm órbita quase polar. é preciso definir o ângulo que esse plano da órbita fará com os pólos da Terra. a bordo dos satélites da segunda geração. como o perímetro da Terra no DSR/INPE 2-12 J. Ela tem se situado entre 700 e 1. A órbita quase-polar tem a importante característica de permitir que a Terra toda (exceto os pólos) seja imageada após um certo número de órbitas. O imageamento é descendente.N. por exemplo. Outra característica de órbita para os satélites de sensoriamento remoto é a altitude. com um pequeno e constante desvio do plano orbital em relação ao eixo norte-sul. A altitude do satélite define uma série de outros parâmetros de engenharia do sistema. aproximadamente. em direção ao sul.

sincronizada com o Sol. particularmente da característica orbital. Em geral. exige-se menos tempo para que esse recobrimento seja completo.C. é necessário que o ângulo entre a normal ao plano da órbita do satélite e a linha terra-sol seja mantido constante. Ao contrário. no qual fatores como altitude e velocidade do satélite são considerados. Entre outros fatores. para fins de sensoriamento remoto há uma preferência para que haja uma ciclicidade das passagens ou dos recobrimentos.N. Ou seja. ou seja. Isso é obtido através do estabelecimento de uma relação apropriada entre o raio (ou o período) da órbita circular e o ângulo de inclinação da órbita do satélite. No projeto da missão e. após determinado número de dias.000 km. após um certo número de dias e um certo número de órbitas. Para que isso possa ser conseguido. o satélite volte a recobrir a mesma faixa de terreno. Esta característica de órbita é importante pois assim todas as imagens são sempre obtidas aproximadamente no mesmo horário.equador é de cerca de 36. Isso é conseguido através de um projeto orbital adequado. e não a influências de posicionamento angular do sol. se a faixa de terreno que o sistema (satélite mais sensor) consegue imagear é estreita. DSR/INPE 2-13 J.EPIPHANIO . e faixas mais largas diminuirão o tempo entre uma visita e outra. já que faixas de imageamento mais estreitas determinarão ciclos de revisitas mais longos. Isso quer dizer que a cada órbita o satélite cruza a linha do Equador no mesmo horário. Também a faixa imageada no terreno em cada órbita é um fator importante. haverá necessidade de muitas órbitas para cobrir toda a superfície da Terra. Isso quer dizer que é desejável que. e as variações entre imagens podem ser atribuídas às propriedades intrínsecas dos alvos. se a faixa de imageamento é mais larga. na determinação da configuração de um sistema de imageamento há um que diz respeito ao horário do dia em que deverá ser efetuado o imageamento. a Terra toda será imageada. os satélites de sensoriamento remoto possuem órbita chamada heliossíncrona. Isso significa que a precessão do plano orbital do satélite deve estar numa taxa que seja equivalente à taxa da translação da Terra ao redor do Sol.

Assim. o Landsat-6 foi perdido durante o lançamento. mas também pela notável facilidade de acesso e qualidade dos dados gerados. PROGRAMA LANDSAT O primeiro satélite da série Landsat foi lançado no início dos anos 70. embora muito semelhante aos três anteriores. O Landsat-5. Alguns duraram muito mais do que isso. O de número 7. é comum falar em duas gerações para a série Landsat.EPIPHANIO tem certas características que são tidas como um avanço em relação a seus . Esta série de satélites é a principal no campo do sensoriamento remoto. por exemplo. Quanto à primeira geração da série Landsat.3.N. A partir do final do anos 60 os Estados Unidos decidiram colocar em órbita um satélite de sensoriamento remoto. não é incomum a ocorrência de fracassos. conforme a Tabela 1. apresenta um sensor que. Cada satélite lançado tem uma vida útil esperada. no ano 2001. Os últimos da série já tinham especificações de vida útil maiores. DSR/INPE 2-14 J. Porém. O sensor RBV (Sistema Vidicon de Feixes Retornantes. que compreende os quatro últimos. não só por ser a de período de vida mais longo de fornecimento contínuo de dados. iniciando com o Landsat-4. o último da série. A estrutura do satélite baseou-se em um projeto já em operação naquela época que era a dos satélites Nimbus. Os primeiros satélites da série Landsat tinham vida útil estimada de dois anos. de meteorologia. Posteriormente.C. opera a mais de 15 anos. e uma segunda. os satélites de uma determinada série são lançados um a um. Uma que compreende os três primeiros. Como se observa pela Tabela 1. foi projetada uma plataforma própria para esses satélites e também uma inovação quanto aos sensores a bordo. cabe destacar que o sensor MSS (Sistema de Varredura Mutiespectral) demonstrou ser o principal instrumento a bordo dos Landsats. estão operando o quinto e o sétimo da série. antes de ser posicionado em órbita. depois de um intervalo irregular de tempo. predecessores. Atualmente. e também ultrapassaram em muito as especificações.

C. que operava no Landsat-3. em relação ao MSS. DSR/INPE 2-15 J. SP. acabou sendo descontinuado a partir do Landsat-4 por causa de sua baixa fidelidade radiométrica e de sua pequena cobertura espectral. embora permitisse uma melhor resolução espacial.N. em Cachoeira Paulista.similar a um sistema de televisão). Muitas dessas imagens do RBV estão disponíveis nos arquivos do INPE.EPIPHANIO .

N. Mapeador Temático Avançado). TD = transmissão direta.EPIPHANIO . ETM+ = enhanced thematic mapper plus.C. pan = pancromático. MSS = multispectral scanner system. O mais recente satélite da série é o Landsat-7.TABELA 1 – PROGRAMA LANDSAT* Lançamento (fim das operações) 23/7/1972 (1/6/1978) Instru. As principais características do ETM+ são resumidas nas Tabelas 2 e 3. O ETM+ fornece uma imagem digital DSR/INPE 2-16 J. ms = multiespectral. lançado em 15/04/1999.Resolução Comunicamentos (metros) ção Sistema Altitude (km) Revisita Taxa de dados (Mbps) 15 Landsat-1 RBV MSS 80 80 80 80 30 80 80 30 80 30 15 (pan) 30 (ms) TD com 917 gravadores 18 Landsat-2 22/1/1975 (25/2/1982) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-3 5/3/1978 (31/3/1983) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-4 16/7/1982 (Transmissão TM terminou em 08/1993) 1/3/1984 MSS TM MSS TM TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-5 TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-6 5/10/1993 (5/10/1993) ETM TD com 705 gravadores 16 85 Landsat-7 15/4/1999 ETM+ 15 (pan) 30 (ms) 705 TD com gravadores de estado sólido 16 150 * RBV = return beam vidicon. TM = thematic mapper. e o principal sensor a bordo é o ETM+ (Enhanced Thematic Mapper Plus. Mbps = mega bits por segundo. Este sensor é uma continuação do TM anteriormente a bordo dos Landsats-4 a 6.

p.42-12.69 Dimensão do IFOV (µrad) 18. 2 no Infravermelho Médio Refletido.52-0. com alta resolução espacial da superfície terrestre. repetitiva.52 0. verde) 3 (visível.60 0. 1 Pancromática cobertura global periódica da superfície terrestre Função Faixa imageada no terreno 185 km (±7. p.55-1.6 Dimensão nominal da amostra no terreno (m) 15 30 30 30 30 30 60 30 Pancromática 1 (visível.90 0.N.50 termal) 7 (infravermelho 2.45-0.3 42. 1 no infravermelho Próximo. heliossíncrona (horário de cruzamento do Equador sempre às 10:00 ±15 DSR/INPE 2-17 J.63-0.35 médio refletido) FONTE: King e Greenstone (1999. 1 no Infravermelho Termal.EPIPHANIO .5o) Massa 425 kg Potência 590 W (imageando).6 42.PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 Tipo Bandas radiômetro de varredura mecânica tipo “wiskbroom” 3 Bandas no Visível.6 42.113) TABELA 3 .6 85.50-0.C.6 42. 175 W (repouso) Controle térmico resfriador radiativo de 90 K Dimensões físicas radiômetro 196 x 114 x 66 cm eletrônica auxiliar 90 x 66 x 35 cm FONTE: King e Greenstone (1999.BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7 Banda Espectral Largura da Banda à meia amplitude (µm) 0.com uma visão sinóptica.113) O satélite Landsat-7 tem uma órbita circular (escala praticamente constante).08-2. azul) 2 (visível. multiespectral.2 42. vermelho) 4 (infravermelho 0.6 42.90 próximo) 5 (infravermelho 1.75 médio refletido) 6 (infravermelho 10. TABELA 2 .5 x 21.76-0.

Há. ponto 76”. “recortadas” a cada 185 km na órbita. 32 linhas de 15 metros no pan.minutos na órbita descendente). campo de visada) do ETM+ permite uma cobertura global da terra a cada 16 dias.N. portanto. o Landsat-7 precede o satélite Terra (a ser discutido adiante) de cerca de 30 minutos na mesma faixa de imageamento da superfície terrestre. Nesta configuração orbital. é referenciada como sendo a 219/76. SP. e infravermelho termal) encontram-se num plano focal secundário e refrigerado. altitude de 705 km.2o. Como a Terra desloca-se para leste.400 km entre o centro de uma órbita e a seguinte. que tem 32. oito matrizes. A função de cada uma dessa matrizes é promover o registro da radiância proveniente do terreno em cada uma das oito banda. uma imagem do ETM+/Landsat-7 de São José dos Campos. de modo que há o registro entre todas as bandas. Neste tempo. onde são descritas as órbitas no sentido longitudinal e as imagens propriamente ditas. lida como “órbita 219. formam o que se denomina sistema de referência mundial. Cada órbita dura aproximadamente 100 minutos. no sentido latitudinal. correspondentes às três do visível e à do infravermelho próximo) ficam no plano focal primário. sendo que as quatro primeiras (bandas 1-4. A faixa de 185 km imageada pelo campo de visada (FOV – field of view. correspondentes à órbita (sentido longitudinal) e ao ponto (sentido latitudinal). apesar de fisicamente separados. 8 linhas no infravermelho termal. ou seja. infravermelhos médios. encontram-se opticamente alinhados. Cada matriz de detectores é responsável pela detecção de uma banda. DSR/INPE 2-18 J. com uma inclinação de 98.C. ocorre um deslocamento no terreno de cerca de 2. Esse padrão de recobrimento orbital. e a do infravermelho termal. que tem oito). onde ficam localizadas as matrizes de detectores. Cada matriz é composta de 16 detectores (exceto a banda pancromática. que são 16 linhas de 30 metros nas bandas 1-4. O ETM+ é um sensor que possui dois planos focais. As quatro seguintes (pancromática.EPIPHANIO . Ambos os planos focais. as faixas imageadas vão se deslocando para oeste. Esta matriz de oito bandas por 16 detectores por banda (oito na infravermelha termal e 32 na pan) tem uma largura de 480 metros no terreno. por exemplo. Assim. Esse sistema permite que se localize uma imagem correspondente a qualquer ponto da Terra através de dois números.

um certo detector é responsável pelo imageamento de uma linha completa. Portanto.N.O ETM+ é um sensor que faz um imageamento através de dois movimentos perpendiculares entre si. 30 ou 60 metros.000 metros dividido pelo IFOV de cada detector – 15. nesta posição. Porém.EPIPHANIO . juntamente com o FOV. definem o que se denomina faixa de imageamento.C. Se for fixada uma certa posição inicial do espelho oscilante. cada detector tem um IFOV (instantaneous field of view. são lidos os valores de radiância de cada elemento de terreno projetado em cada detector em particular. A projeção desse movimento. no terreno haverá a projeção de toda a matriz de detectores. Nesta posição. Portanto. A continuação dessa seqüência de minor frames fará com que toda a DSR/INPE 2-19 J. nenhum detector estará cobrindo uma mesma área no terreno. no terreno. ou oeste para leste). A esta seqüência singular de leitura de todos os detectores de todas as oito bandas dá-se o nome de minor frame (seqüência primária de leitura). ou 480 metros de largura e com 185 km de extensão. são imageadas 16 linhas de 30 metros (32 de 15 metros no pan e 8 de 60 metros no infravermelho termal). campo de visada instantâneo) de apenas 30 metros (15 no pan e 60 no infravermelho termal). No caso ETM+ esta faixa de imageamento é de 185 km. O segundo movimento necessário para constituir uma imagem no sistema de varredura mecânico multiespectral é produzido pelo movimento de um espelho oscilante transversalmente à faixa de imageamento. Após esse minor frame o espelho desloca-se para leste ou para oeste (dependendo do sentido do espelho oscilante e o minor frame adjacente é lido. há uma adjacência de elementos de 30 m no terreno (15 m para o pan e 60 m para o infravermelho termal). as matrizes de detectores que estão nos planos focais. Em cada banda particular. para que uma linha de 185 km seja completamente “varrida” é necessário que cada um dos detectores de cada banda seja acionado milhares de vezes (185. Vê-se que entre um minor frame e outro. de acordo com a banda). O primeiro movimento é feito pelo deslocamento do próprio satélite ao longo de sua órbita. O espelho oscilante projeta. A cada movimento lateral do espelho oscilante numa direção (leste para oeste.

PROGRAMA SPOT O programa SPOT (Satellite Pour Observation de la Terre. O primeiro da série foi lançado em 22/2/1986. Nesta seção a discussão é centrada no Spot-4. representa um avanço em vários sentidos. ele sofre processamentos internos e é gravado a bordo ou encaminhado na forma digital para uma estação em terra. No caso do Brasil. Em 22/3/1998 foi lançado. que equivale ao major frame (seqüência completa de leitura).C. Ao terminar um major frame. esta estação fica em Cuiabá. Essa seqüência de minor frames nas linhas e a seqüência de major frames na direção do caminhamento da órbita forma a imagem. e imageado um comprimento no terreno (sentido descendente da órbita) equivalente a 480 m. o principal produto solicitado pelos usuários são as imagens na forma digital e gravados em CDROM. SP. o segundo em 22/1/1990. esse próximo conjunto de linhas (480 m) estará contíguo ao conjunto anterior. Após a detecção do sinal proveniente do terreno. o terceiro foi lançado em 26/9/1993. pelo veículo lançador Ariane. para os processamentos necessários à preparação dos produtos a serem arquivados ou enviados aos usuários. 4. e também o espelho oscilante terá chegado ao fim de um FOV (185 km de largura).000 minor frames.linha seja coberta após um certo tempo. Satélite Para Observação da Terra) é um programa Francês de satélites de sensoriamento remoto. e assim por diante. o espelho oscilante e o sistema de leitura e registro dos sinais terão varrido e lido mais de 6. o SPOT-4 que. Atualmente. mas perdeu-se no lançamento. é enviado para Cachoeira Paulista.EPIPHANIO . MT.N. mas sempre que necessário haverá referência DSR/INPE 2-20 J. embora guarde muitas características dos seus predecessores 1-3. Depois. Quando o espelho oscilante retornar para imagear outros 480 m. O sistema de observação da terra SPOT foi projetado pela Agência Espacial Francesa (CNES – Centre National d’Études Spatiales) e é operado por sua subsidiária Spot Image. assim. o satélite terá avançado em sua órbita o equivalente a 480 m no terreno e.

Como a órbita é em fase. O seu sistema de imageamento é constituído por dois sensores denominados HRVIR (haute resolution visible et infra rouge. Em cada órbita o Spot-4 cruza o plano equatorial duas vezes. particularmente ao Landsat.N.5 minutos. uma no sentido norte-sul. O Spot-4 classifica-se como um satélite de órbita baixa. O ângulo entre o plano orbital do Spot-4 e a direção Terra-Sol é praticamente constante e de 22. para as visadas no nadir (visada vertical). o satélite passa sobre o mesmo ponto após um número inteiro de dias que.C. sendo que o ângulo entre o plano da órbita e o plano equatorial é de 98. o segundo cruzamento ocorre no sentido ascendente sulnorte durante o período noturno. o que garante que todas as cenas sejam adquiridas a uma altitude praticamente constante. ficando a 830 km de altitude. é de 26 dias. garantindo que toda a terra seja recoberta durante um ciclo de revisita (considerando a possibilidade de visada fora do nadir). alta resolução no visível e infravermelho). colocados um ao lado do outro. O Spot-4 foi concebido para ser um satélite com características bastante diferenciadas em relação ao Landsat. o que permite que a cena apresente as mesmas condições de iluminação daquela cena durante todo o ano (as variações passam a ser creditadas à sazonalidade da estações do ano e às variações intrínsecas dos alvos). A largura DSR/INPE 2-21 J. As principais diferenças são a alta resolução espacial de seus sensores. o sistema de imageamento por varredura eletrônica (pushbroom) e a capacidade de visada lateral. Na verdade são dois sensores idênticos. garantindo constância na resolução espacial e na escala. ou órbita descendente.EPIPHANIO . A heliossincronicidade de sua órbita faz com que o Spot-4 passe sobre uma certa área sempre à mesma hora solar. A sua órbita também é quase polar.aos satélites anteriores ou mesmo a outros sistemas. Neste período o Spot-4 terá completado 369 órbitas ao redor da terra. fazendo com que o cruzamento com o equador no sentido descendente norte-sul ocorra à hora solar de 10:30. durante o período iluminado do dia. Cada revolução orbital dura 101.5o.8o. Sua órbita é circular.

250 km . 20 m 1.78 a 0. 20 m 0.1 km 2.EPIPHANIO 60 km 1. A Tabela 4 apresenta algumas características dos HRVIR e do sensor Vegetation (Vegetação.1 km 2.61 a 20 m 60 km 1.espacial imageamen- B1 (verde.75 µm) Alinhamento HRVIR/VGT Calibração absoluta Cobertura global da Terra DSR/INPE 0.SENSORES DO SPOT-4 Bandas (µm) HRVIR Resolução Faixa espacial (m) B0 (azul) to (km) 60 km 60 km Vegetação (VGT) de Resolução Faixa (km) 1.68 µm) B2 (vermelho.da faixa de imageamento de cada um é de 60 km.89 µm) MIR (infravermelho médio. 0.1 km to (km) 2.50 a 0.58 a 1.N. Um outro sensor a bordo do Spot-4 e também de interesse para o sensoriamento remoto é o Vegetation.1 km 2.3 pixel do VGT 9% 26 dias 2-22 5% 1 dia J. perfazendo 117 km de largura. pois há um recobrimento de 3 km no equador.C.250 km de imageamen.59 µm) 20 m Pan (vermelho. 0.250 km 0.68 µm) B3 (infravermelho próximo.250 km 60 km 1. 0. VGT) TABELA 4 .61 a 10 m 0.

conforme a Tabela 4. Os sinais gerados pelos detectores (que são fotodiodos) são lidos seqüencialmente num determinado intervalo de tempo. o satélite terá avançado 20 ou 10 metros (modo X ou P. eles geram pixels correspondentes a uma área no terreno medindo 20 m x 20 m resultando numa DSR/INPE 2-23 J. A banda pancromática possui a mesma faixa espectral da banda B2 (vermelho) no Spot-4. Esse instrumento de imageamento é projetado para cobrir instantaneamente uma linha completa de pixels de uma só vez ao longo do FOV.Cada um dos HRVIR possui 4 bandas espectrais. O telescópio de cada HRVIR tem um campo de visada (FOV) de 4o que. e cada pixel tem uma dimensão de 10 m por 10 m no modo de alta resolução. A radiação proveniente do terreno é separada por dispositivos ópticos especiais em quatro bandas espectrais. enquanto que o imageamento longitudinal (transversal ao sentido da órbita) é promovido pelo arranjo matricial fixo de detectores. o próprio movimento do satélite é que produz a varredura no sentido latitudinal da órbita.000 detectores da matriz linear de detectores.C. ou dispositivo de cargas acopladas). e uma nova linha de detectores será lida. Após a leitura dos valores de radiância em todos os detectores do CCD. Um telescópio de grande abertura angular forma uma imagem instantânea dos elementos adjacentes do terreno na matriz de detectores no plano focal do instrumento. Isso significa que num mesmo instante uma linha inteira (de 60 km de largura por 10 ou 20 m de comprimento. respectivamente) no terreno.N. respectivamente).51 a 0. As matrizes lineares do CCD operam no modo chamado pushbroom. à altitude de 830 km. Assim. Ou seja. para o modo monoespectral (M) ou multiespectral (X). corresponde a um largura de 60 km no terreno. Quando detectores adjacentes são varridos (lidos) eletronicamente aos pares. Esta largura é vista instantaneamente pela linha de 6. Assim. os detectores são varridos eletronicamente para gerar o sinal de saída. mas era uma banda separada (0. Cada detector gera um pixel por vez. Isso é conseguido usando uma matriz linear de detectores do tipo CCD (charge-coupled device.70 µm) nos Spots anteriores.EPIPHANIO . cada HRVIR gera uma imagem de 60 km de largura ao longo da órbita. embora o arranjo linear de detectores não faça a “varredura” da linha para serem sensibilizados pela luz.

O movimento do satélite ao longo de sua órbita resulta em varreduras de linhas sucessivas e isso completa a imagem.C. Na entrada óptica de cada HRVIR do Spot-4 há um espelho com um mecanismo que permite o desvio da visada para uma faixa de terreno adjacente à projeção da órbita no terreno.EPIPHANIO . quatro linhas de detectores geram simultaneamente quatro planos espectrais para uma mesma linha no terreno. fora do nadir. mais a banda do infravermelho médio. pois cada um de seus pixels provêm simultaneamente de um mesmo feixe eletromagnético. O imageamento feito por cada instrumento HRVIR é inteiramente independente entre si. e o modo X + M que combina os modos X e M.imagem com 20 m de resolução espacial. O HRVIR tem dois modos de operação quanto à resolução espacial. portanto. em qualquer posição afastada de até 450 km para ambos os lados da trajetória do satélite no terreno. B2 e B3. isso é conseguido com os ângulos extremos ( +27o ou – DSR/INPE 2-24 J. Esses feixes são posteriormente focalizados nas quatro matrizes de detectores (uma para cada banda). Esse redirecionamento da visada para as laterais pode ser de ±27o em relação ao nadir.3o. de multiespectral). o modo monoespectral (M) correspondendo à banda B2 (vermelho) com uma resolução de 10 metros no terreno. Esse desvio é controlado por um mecanismo que permite uma graduação lateral com incrementos de 0. Os HRVIRs têm três modos de imageamento: o multiespectral (modo X) correspondendo às bandas B1. A luz que entra no sistema óptico é dividida em quatro feixes correspondentes a quatro bandas espectrais por um divisor espectral constituído de prismas e filtros. com uma resolução espacial no terreno equivalente a 20 metros. Tal característica pode ser usada para adquirir uma imagem. de monoespectral) ou em pares (modo X. em resposta a uma solicitação de programação pelo usuário.N. dependendo se os detectores são lidos um a um (modo M. Dessa forma. as imagens geradas por cada banda para uma mesma superfície do terreno são perfeitamente registradas. Isso quer dizer que o Spot-4 tem a possibilidade de ter visadas laterais.

regional e global da biosfera continental e das culturas. Ou seja. ou também de normalização de respostas dos detectores CCD. e os outros 10% restantes DSR/INPE 2-25 J. Também é usada para permitir o posicionamento do instrumento para a direção de uma fonte de calibração.27o). O sensor Vegetation é uma câmera multiespectral também num sistema de imageamento do tipo pushbroom.000 detectores de cada banda quando o instrumento vê uma superfície perfeitamente uniforme. Outra função dessa característica é a de ser usada principalmente para a obtenção de imagens de um mesmo local mas em ângulos diferentes para a geração de pares estereoscópicos com as finalidades de restituição fotogramétrica e mapeamento do relevo. O sistema de calibração é usado a intervalos regulares para verificar e. mas de baixa resolução espacial (1. As funções desse sensor são permitir um monitoramento contínuo.250 km) consegue cobrir 90% da terra num só dia. o que corresponde a uma faixa de imageamento de 2. A segunda calibração é chamada de calibração absoluta e tem a finalidade de medir a responsividade dinâmica do instrumento através do estabelecimento de uma relação precisa entre uma fonte externa perfeitamente estável (o Sol) e o sinal de saída do instrumento. todos os detectores têm que gerar o mesmo sinal quando são sensibilizados por uma mesma fonte. O primeiro modo de calibração é aquele chamado calibração intra-banda. para uma mesma banda.EPIPHANIO .C. Tabela 4).N. O objetivo dessa calibração é balancear a resposta dos 3. variações no ruído gerado pela eletrônica do imageamento ou dos detectores do CCD. A finalidade da calibração é a obtenção de valores radiométricos entre os pixels que guardem uma relação entre si e também que guardem uma relação com as propriedades de reflexão da energia eletromagnética dos alvos. Um aspecto sensível do Spot-4 é a calibração. ajustar a resposta do instrumento. se necessário. que se dá de duas maneiras. Com seu grande campo angular (FOV de 101o. Alguns dos efeitos que podem suscitar de ajustes compensatórios são mudanças na transmissividade dos componentes ópticos como resultado do envelhecimento em órbita. distorções mecânicas causadas por variações de temperatura.1 km.

recobre quase que inteiramente a Terra a intervalos regulares de 26 dias. quase polar (inclinação de 98. Um. Está a uma altitude de 778 km. heliossíncrona com cruzamento do equador no sentido norte-sul às 10:30 da manhã.3 x 2.inpe. com dimensões de 1. Nesta configuração orbital obtem imagens aproximadamente com mesma escala.no dia seguinte. e o outro MECB (Missão Espacial Completa Brasileira.26 minutos).b). o Spot transmite o sinal de imagens para estações localizadas em diversas partes da Terra. Satélite SinoBrasileiro de Sensoriamento Remoto.N. O CBERS é um satélite com massa de 1.6 m.br/programas/cbers/portugues/ também na internet no endereço: index. e a China.5o em relação ao plano equatorial). é denominado CBERS (China Brazil Earth Resources Satellite. pelo veículo lançador Longa Marcha 4B. Além disso. além de ter os painéis solares com 6. Como há coincidência de bandas entre o HRVIR e o VGT. O primeiro foi lançado em 14/10/1999 a partir da base de lançamentos de Tayuan. em órbita circular (período de 100.450 kg. através do INPE. lançamento e gerenciamento operacional de dois satélites de sensoriamento remoto.br/programas/mecb/default.html. e envolve a construção. DSR/INPE 2-26 J. tem um sistema de gravação a bordo. descrição no endereço: ser http://www. os dois sistemas são bastante complementares.8 x 2.htm) (INPE. através da CAST (Agência Chinesa de Ciência e Tecnologia). O programa CBERS é uma missão conjunta entre o Brasil.EPIPHANIO . PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO O Brasil possui basicamente dois programas de sensoriamento remoto.0 x 2. cuja pode encontrada http://www. com descrição mais pormenorizada na internet. Da mesma forma que o Landsat. que permite o armazenamento de até 40 minutos de gravação (uma cena HRVIR de 60 km por 60 km é imageada em menos de 15 segundos). 2000a.C. e os imageamentos de um mesmo ponto sempre ocorrem a uma mesma hora solar. 5.inpe.2 m.

possui uma banda pancromática que cobre todo o visível e. porém com menor resolução espacial.45 .63 .77 . Suas principais características estão na Tabela 5 e uma visão de seus constituintes está na Figura 1.0. Possui três sensores a bordo: a câmera CCD (charge-coupled device. e a câmera WFI (wide field imager.N. e ainda oferece novidades em termos de imageamento. esta banda do CBERS é mais larga. TABELA 5 . o imageador por varredura mecânica IRMSS (infrared multispectral scanner system.52 µm (azul) 0. O fato de cobrir todo o visível permite um aproveitamento da experiência e das técnicas de fotointerpretação feitas sobre fotografias aéreas preto e branco normais.0. dispositivo de cargas acopladas). Com esse conjunto de bandas consegue-se atender uma grande parcela da demanda por dados de sensoriamento remoto. Além disso. pois traz características de diversos outros satélites. até 3 dias com visada lateral 8.A constituição de sua carga útil é muito interessante.0.51 .52 .CÂMERA CCD DO CBERS Bandas espectrais 0.0. DSR/INPE 2-27 J.69 µm (vermelho) 0. A câmera CCD/CBERS apresenta semelhanças com o HRVIR do Spot-4. imageador de grande campo de visada).3o 113 km ±32º 2 x 53 Mbits/segundo Resolução espacial no terreno Resolução temporal FOV Faixa de imageamento Visada lateral Taxa de dados FONTE: INPE (2000) A câmera CCD/CBERS é um sensor que cobre as faixas espectrais do visível e se estende até o infravermelho próximo.C.0. ao contrário do Spot-4. sistema varredor multiespectral de infravermelho).89 µm (infravermelho próximo) 20 m x 20 m 26 dias no nadir.EPIPHANIO .59 µm (verde) 0.73 µm (pancromático) 0.

Essa maior capacidade de visada lateral permite que se possam fazer revisitas com até 3 dias entre passagens. A capacidade de imageamento lateral.1 µm). FONTE: INPE (2000) Outro componente do Cbers é o imageador por varredura mecânica (IRMSS). Isso é uma característica relevante em situações de ocorrência de eventos que precisam ser monitorados em curto espaço de tempo.Antena UHF de Recepção 7 Câmera de Varredura Infravermelho Fig.50 a 1.8o. sendo uma que abrange desde o visível até o infravermelho próximo (0. é uma vantagem comparativa importante em relação aos sistemas existentes. mas menor que a do Landsat. em ângulos bastante amplos (±32º).EPIPHANIO .N. duas no infravermelho DSR/INPE 2-28 J. Esse sensor opera com um FOV de 8. o que equivale a 120 km de largura no terreno. Possui quatro bandas espectrais.C. ou fora do nadir.Módulo de Serviço 2 Sensor de Presença do Sol 3 Conjunto dos Propulsores de 20N 4 Conjunto dos Propulsores de 1N 5 .A sua faixa de imageamento é maior que a do Spot. 1 – Satélite CBERS e seus componentes. 1 .Divisória Central 6 .

apesar da baixa resolução espacial. apresenta-se como um sensor de alto potencial de aplicação. que passou a ser de 260 m. no caso da WFI/CBERS. Possui características intermediárias entre todos os sistemas existentes para o estudo da superfície terrestre.C. Uma quarta banda espectral localiza-se no infravermelho termal (10. que é de 1. Porém. ao contrário do que ocorre para boa parte das aplicações de sensoriamento remoto. É um sensor baseado na tecnologia CCD. a resolução espacial de 1.77 a 0. onde são exigidas resoluções melhores do que essa. e não possui capacidade de visada fora do nadir. é a câmera WFI (imageador de grande campo de visada).EPIPHANIO .75 µm e 2. e de interesse para o sensoriamento remoto. O outro sensor a bordo do CBERS. para ter essa resolução temporal e cobrir uma faixa extensa de terreno a cada passagem. para esta aplicação. Sua resolução temporal é de 26 dias. não possui componentes móveis para o imageamento.08 a 2.5 µm). Além disso. houve um sacrifício da resolução espacial.1 km é muito alta. o qual é feito eletronicamente na direção transversal à órbita.médio (1.69 µm) e outra na do infravermelho próximo (0.N. portanto. e passivamente pelo próprio deslocamento do satélite no sentido da órbita.63 a 0. A WFI/CBERS possui apenas duas bandas espectrais: uma na região do vermelho (0. é que o AVHRR/NOAA é originariamente um sensor meteorológico e. Sua resolução espacial não é tão boa quanto a do ETM+/Landsat-7 (30 m na maioria das bandas) mas também não é mellhor do que a do AVHRR/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer da National Oceanic and Atmospheric Administration.89 µm). também não possui a baixa resolução DSR/INPE 2-29 J.1 km.55 a 1. o que corresponde a uma faixa de 890 km no terreno. A WFI/CBERS. A WFI/Cbers possui um FOV de 60o. O nome deste sensor pode induzir a um equívoco de entendimento quanto à sua resolução espacial. Essas três bandas espectrais possuem resolução espacial de 80 metros no terreno. Radiômetro Avançado com Resolução Muito Alta). embora não possua a alta resolução temporal de um dia do AVHRR/NOAA.35 µm). Como em todo sistema há uma solução de compromisso entre os diversos requisitos da missão. a WFI/CBERS.4 a 12. Isso garante ao sensor um período de revisita de apenas cinco dias.

Esse contraste deverá ser explorado através dos índices de vegetação. circular a aproximadamente 850 km. ou seja.EPIPHANIO . a estação está em Cuiabá. 2000a). Como esclarecido anteriormente.br/index. As suas duas bandas espectrais são dispostas em pontos estratégicos do espectro eletromagnético e são destinadas principalmente ao estudo da vegetação. SATÉLITES NOAA A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Admnistration). 6.N. a banda do vermelho é de alta absorção de energia. no caso Brasil. é provável que se consiga identificar diversas aplicações que demandem tais resoluções intermediárias. Com essas características. SP. Entre os sensores a bordo. O catálogo para verificação de cobertura de imageamento e qualidade de imagens pode ser acessado a partir da internet no seguinte endereço: http://www. Os dados do CBERS são gravados por estações terrenas. esta resolução do AVHRR-3/NOAA é considerada baixa.dgi. L e M (que recebem após o lançamento os números de 15. que é uma agência governamental dos Estados Unidos. 16 e 17. DSR/INPE 2-30 J. mas para muitas aplicações de sensoriamento remoto. 1997). São satélites de órbita heliossíncrona. Nestas duas regiões (vermelho e infravermelho próximo) são os locais em que a vegetação apresenta o maior contraste espectral.C. que é de 26 dias no nadir. O processamento dos dados para que sejam gerados os produtos a serem distribuídos aos usuários é feito em Cachoeira Paulista. é responsável pelos satélites também chamados NOAA (Kidwell.inpe. esta resolução pode ser considerada muito alta para aplicações em meteorologia.html (INPE. que visam exatamente a realçar a vegetação representada numa cena de sensoriamento remoto. e a do infravermelho próximo é de alta reflexão. A série de satélites NOAA tem sido de grande importância no campo da meteorologia. O AVHRR-3 faz parte dos sensores a bordo dos satélites NOAA K. MT. um que será aqui descrito é o AVHRR-3/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer. Radiômetro Avançado de Muito Alta Resolução).temporal do HRVIR/Spot. respectivamente).

após o processamento em terra.550 – 3. Esses dados permitem a observação da vegetação. L E M Canal 1 (visível) 2 (infravermelho próximo) 3A (infravermelho médio) 3B (infravermelho médio) 4 (infravermelho termal) 5 (infravermelho termal) FONTE: NOAA (2000) DSR/INPE Banda espectral ( m) 0. a terra toda é coberta a cada dia.68 0. 2 e 3A são usados para monitorar a energia refletida nas porções do visível e infravermelho próximo do espectro eletromagnético. O campo de visada (FOV) do AVHRR-3/NOAA é de ±55.O AVHRR-3/NOAA é um radiômetro imageador de varredura mecânica que opera em seis bandas espectrais (Tabela 6).C.4o. lagos. Porém.5 Resolução espacial (no nadir.CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K. neve.250 km de largura de faixa imageada no terreno. de nuvens.00 1.1 1. a resolução temporal do AVHRR-3/NOAA é muito maior que a dos outros satélites de sensoriamento remoto vistos até aqui.1 1.1 1.93 10.500 – 12.580 – 1. uso da terra e meteorologia.300 – 11. Os dados dos canais 1. Os dados adquiridos durante cada passagem permitem. aerossóis e gelo. os canais 3A e 3B são comutados para passagens diurnas/noturnas.3 11. e do mar bem como das nuvens sobre eles.N.1 1.1 2-31 J.EPIPHANIO . é de 1. Portanto.725 – 1. conforme necessário. 4 e 5 são usados para determinar a energia radiativa da temperatura da superfície terrestre. Apenas cinco canais podem ser transmitidos simultaneamente. no seu caso.64 3. enquanto que o 3B só opera durante as passagens matutinas do satélite. o que equivale a 2. há o sacrifício da resolução espacial que.580 – 0. da água. Os dados do AVHRR-3/NOAA podem ser recebidos por antenas menores e também a custos reduzidos.1 1.1 km para os pixels no nadir. em km) 1. TABELA 6 . Os dados dos canais 3B. A Tabela 6 apresenta as características dos canais do AVHRR-3/NOAA. a análise de parâmetros de interesse em hidrologia. oceanografia. linhas de costa. Com esta largura de faixa e com a taxa de 14 revoluções orbitais por dia.

Esse satélite possui cinco sensores: MODIS (Moderate-Resolution Imaging Spectroradiometer.EPIPHANIO . Sistema de Observação da Terra) é um programa de longo prazo (pelo menos 15 anos). Radiômetro Espacial Avançado de Emissão Termal e Reflexão). cobrindo desde o limite inferior do visível (0. ASTER (Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer. cuja ganhadora foi uma aluna de 13 anos.C. É um programa que envolve vários países e uma grande gama de satélites e sensores. 1999). O satélite Terra. anteriormente chamado EOS/AM-1. O nome “Terra” surgiu após um concurso nacional (nos Estados Unidos) entre estudantes de nível elementar e médio. CERES (Clouds and the Earth’s Radiant Energy System Network. Sistema de Medição de Energia Radiante da Terra e Nuvens).385 µm). cruzando o equador às 10:30 da manhã na órbita descendente. Espectrorradiômetro de Imageamento de Moderada Resolução). É um sistema de varredura transversal à direção da órbita. está numa órbita circular a 705 km de altitude. MISR (Multi-angle Imaging Spectroradiometer. e à 1:30 da madrugada no sentido ascendente. A seguir é feita uma breve descrição dos três primeiros sensores. e MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere. O Modis é um sensor com 36 bandas espectrais. cujo espelho faz a DSR/INPE 2-32 J.7. O primeiro grande satélite desse programa denomina-se Terra. Espectrorradiômetro Imageador em Múltiplos Ângulos). cuja missão é gerar conhecimento científico em profundidade sobre o funcionamento da Terra como um sistema.N. quase polar.366 µm) até o infravermelho termal (14. PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) O programa EOS (Earth Observing System. Medição da Poluição na Troposfera). heliossíncrona. lançado em 18/12/1999. Tem-se como premissa que esse conhecimento científico forneceria os fundamentos para o entendimento das variações naturais e induzidas pelo homem no sistema climático da Terra e também forneceria uma base lógica para as tomadas de decisão quanto às políticas ambientais (King.

46 µm. sendo de 250 m para as bandas 1 e 2. DSR/INPE 2-33 J. cada câmera possui quatro bandas espectrais entre o visível e o infravermelho próximo. com alta resolução espacial.0o. nuvens e aerossóis. e massa de 250 kg.1o. além disso. vapor d’água na atmosfera.0 m x 1. e 70. Na região do visível/ infravermelho próximo tem três bandas com 15 m de resolução espacial. O sub-sistema responsável pela região do infravermelho médio mede a radiação em seis bandas entre 1.65 µm. pode cobrir até 318 km fora do nadir. de 500 m para as bandas 3-7. o que permite que qualquer ponto na superfície possa ser imageado pelo menos a cada 16 dias. cor oceânica.C. A faixa de imageamento é de 360 km e.125 µm e 11.N. e de 1. biogeoquímica.0 m.000 m para as bandas 8-36.6 m x 1. com 30 m de resolução espacial.6o. Uma câmera aponta para o nadir e outras oito cobrem diferentes ângulos de visada (26. e numa faixa de imageamento de 60 km. O terceiro sub-sistema do sensor Aster é responsável pela medição da radiação em cinco bandas espetrais no infravermelho termal. avaliar propriedades da superfície terrestre (vegetação. um para cada região espectral. 45.5o para frente e para trás na direção da órbita).54o lateralmente. entre 8.3 rpm. Esse sub-sistema é composto de dois telescópios. nuvens do tipo cirrus. fitoplâncton. O sensor Aster tem 405 kg e possui três subsistemas. Suas dimensões são de 1. as resoluções espaciais variam de 250 m no nadir a 275 m para a câmera com ângulo mais extremo. Cada varredura cobre uma faixa de 2. Esses dois últimos sub-sistemas possuem capacidade de apontamento de ±8. Sua resolução espacial é dependente das bandas. O terceiro sensor do Terra aqui descrito é o Misr. principalmente). Este sensor faz imagens da terra em nove direções de apontamentos diferentes. temperatura da superfície e das nuvens.60 µm e 2. permitindo que se gerem imagens estéreo.330 km no sentido transversal à órbita e 10 km no sentido longitudinal à órbita. As principais aplicações são traçar limites terra/nuvens.varredura a uma taxa de 20. com resolução espacial de 90 m e faixa de imageamento de 60 km. sua faixa de imageamento é de 60 km.EPIPHANIO . no nadir. sendo que um deles pode apontar para trás na mesma direção da órbita. e pode fazer visadas laterais de ±24o. 60. medições de ozônio.

eletrônica. Operam entre 40 GHz (banda K-alfa) e 300 MHz (banda P) (ou entre 0. evitando congestionamentos.C. E.8. que são conduzidos a um dispositivo de gravação que pode armazená-los digitalmente para processamento posterior. Cada pulso dura apenas alguns microssegundos (em geral há cerca de 1. Atualmente há dois grandes programas que envolvem o imageamento da superfície terrestre por sensores radar.8 cm e 100 cm). ao serem praticamente imunes às condições atmosféricas. do Canadá. Os radares. os satélites que operam na região ótica têm grande quantidade de imagens inaproveitáveis por causa da cobertura de nuvens. como geram sua própria iluminação. A operação dos radares se dá em comprimentos de onda bem maiores que os do visível e infravermelho. podem funcionar tanto durante o dia como durante a noite e. e processamento de sinais. Em geral um sistema radar é constituído dos seguintes elementos: um gerador que envia pulsos a intervalos regulares a um transmissor. Satélite Europeu de Sensoriamento Remoto) e o Radarsat. praticamente não sofrem interferências atmosféricas (Short. oferecem grande certeza de aquisição de imagens em condições adequadas para uso. a bordo de stélites: o ERS (European Remote Sensing Satellite. DSR/INPE 2-34 J.EPIPHANIO . pois ao poderem imagear a qualquer hora. O conhecimento da teoria radar é um tanto quanto complexa.500 pulsos por segundo). ou detecção de alvos e avaliação de distâncias por ondas de rádio. 1998). Este os envia a um duplexador (ou multiplexador). os pulsos que retornam são captados pela mesma antena e enviados a um receptor que os converte (e amplifica) em sinais de vídeo. podem otimizar seu posicionamento em relação ao Sol para captar energia solar em seus painéis solares e também operar em horários onde as estações de recepção estão com mais tempo livre. entre elas as de física. para alguns comprimentos de onda. PROGRAMAS DE RADAR O termo radar vem de radio detection and ranging. geometria. exigindo conhecimentos de várias áreas. que os envia a uma antena direcional que modula e focaliza cada pulso num feixe transmitido ao alvo. Essas duas características são importantes.N.

com polarização VV (transmissão e recepção verticais).5o). com resolução espacial de 1 km x 1 km (no nadir) e com uma largura de faixa de imageamento de 500 km.O programa ERS é europeu e iniciou-se com o ERS-1.C..N. O ERS-2.7. Um de especial interesse para o sensoriamento remoto é o radar imageador. cujo lançamento deu-se em 17/7/1991 pelo lançador francês Ariane-4. O outro satélite com sistema radar de grande importância para o sensoriamento remoto é o Radarsat. modo onda) e. 3. Experimento de Monitoramento Global do Ozônio).EPIPHANIO . hora local. com antena de 10 m. tem dimensões de 2 m x 2 m de base e 3 m de altura. e num ângulo de visada fixo em 23o no meio da faixa de imageamento. com altitude média de 780 km. Também leva um instrumento denominado GOME (Global Ozone Monitoring Experiment. em banda C (freqüência de 5. então. às 10:30 da manhã. no percurso descendente. 11 e 12 m. um radar altímetro para fazer medições precisas dos sinais de retorno provenientes dos oceanos e das superfícies de gelo. lançado em 4/11/1995. com cruzamento do equador. Esse modo de operação é o mais largamente utilizado para aplicações terrestres do ERS. a partir da base de lançamentos de Kourou. que é muito semelhante ao ERS-1. do Canadá. e tem um painel solar de 12 m x 2. O Radarsat tem órbita circular de 798 km de altitude. O ERS-2 é constituído de vários sensores. O ERS-2 tem ainda um radar para a medição da velocidade e direção do vento sobre os oceanos. com aplicação em oceanografia. circulando a Terra a cada DSR/INPE 2-35 J. pesa cerca de 2. 1995).3 toneladas.3 GHz ou comprimento de onda de 5. a órbita é quase polar (98. na Guiana Francesa.6. numa cena de 100 km x 100 km. adquire imagens de 5 km x 5 km a cada 200 ou 300 km num sistema de amostragem. Mas esse radar também pode operar no modo onda (wave mode.4 m. e tem um intervalo de revisita de 35 dias. o ERS-2 foi lançado em 21/4/1995 (Francis et al. Os dois satélites têm órbita síncrona com o Sol.6 cm). e que pode operar no chamado modo “imagem”. um radiômetro de varredura mecânica que opera nos comprimentos de onda de 1. Fornece imagens com resolução espacial de 30 m x 30 m.

Sua órbita é heliossíncrona. The ERS-2 spacecraft and its payload. Francis. Essa configuração orbital permite que o Radarsat explore ao máximo as condições iluminação de seu painel solar. 9.5 dias para ângulos de incidência diferentes. ESA Bulletin.200 kg. com massa de 3. 83. e as resoluções espaciais podem variar de 10 m a 100 m.fr/spot4_gb/index.nrcan. pode variar o ângulo de incidência (com antena de 15 m x 1. <http://services. e ao mesmo tempo passa sobre as estações de recepção em horários não utilizados por outros sistemas evitando. [online].esrin. possui vários modos de imageamento. A filosofia que norteia o sistema é a de fornecer o mais prontamente possível a imagem adquirida ao usuário.N. em polarização HH (transmissão e recepção da onda eletromagnética polarizada horizontalmente). [online].100. e o período de revisita é de 24 dias para um mesmo modo de operação e ângulo de incidência. 2000). conflitos de gravação no momento da aquisição das imagens (CCRS.htm>.7 minutos. May 2000.htm>. Radarsat program. O Radarsat. hora local. <http://spot4. [online] <http://www.ca>. SPOT program.6o em relação ao equador. O tempo decorrido entre a aquisição e o recebimento pode ser tão rápido quanto um dia.6 cm). May 2000. ERS satellite. com inclinação de 98. Centre National d'Études Spatiales (CNES). DSR/INPE 2-36 J. 14 vezes por dia .5 m direcionada para a esquerda no hemisfério sul) desde 20o até 50o.3 GHz ou comprimento de onda de 5. embora possa ter imageamentos distanciados de apenas 4.R. Aug. 1995. 12-31. assim. European Space Agency (ESA).esa.C. May 2000. n.ccrs. É um sistema versátil. et al. p.EPIPHANIO .cnes.gc. a largura da faixa de imageamento pode variar de 35 km a 500 km. mas com passagem pelo equador às 6:00 (descendente). REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR Canadian Centre for Remote Sensing (CCRS).it/erslist. C. opera na banda C (freqüência de 5.

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R.inpe.CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte A: P A N A M A Z Ô N I A : O DOMÍNIO DA FLORESTA AMAZÔNICA NA AMÉRICA DO SUL PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid.br P. Martini DSR/INPE .

DSR/INPE 3A-2 P.R.Martini .

........... 3A-5 3A-7 3A-9 3A-9 3A-11 3A-13 3A-15 6.......................... 4............................................................... INTRODUÇÃO .................... RECURSOS MINERAIS ............................................................R.................................................... 3A-16 DSR/INPE 3A-3 P..................................................... LISTA DE TABELA ............Martini ..................................... SOLOS E AGRICULTURA .. 2................ 3................ 1............................. FLORESTAS ................................... RIOS ................................................................ÍNDICE LISTA DE FIGURA .......................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................... 5...................................................................

R.DSR/INPE 3A-4 P.Martini .

.............................LISTA DE FIGURA FIGURA 1......R........Martini . 3A-19 DSR/INPE 3A-5 P........LIMITES DA PANAMAZÔNIA ....

DSR/INPE 3A-6 P.R.Martini .

........................Martini ..LISTA DE TABELAS TABELA 1 – ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) . 3A-18 DSR/INPE 3A-7 P.....................................R......................................... 3A-17 TABELA 3 – DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 ...........................................FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 ....... 3A-17 TABELA 2.....

R.Martini .DSR/INPE 3A-8 P.

A Tabela 1 mostra a distribuição do domínio florestal amazônico não brasileiro em relação a área total dos respectivos países.1. Este número foi o primeiro e talvez o principal resultado obtido pelo projeto de cooperação. Somos todos predominantemente amazônicos como mostra a figura 1 onde as fronteiras panamazônicas estão traçadas sobre as bordas dos países e o conjunto de 345 cenas LANDSAT que cobrem todo o extenso domínio. ou seja.Martini . UNCED-92. principalmente aqueles passíveis de serem observados e analisados em imagens do Satélite LANDSAT. Principal porque mostra que pelo menos 58% da área total dos países panamazônicos se encontram dentro do contexto ambiental de florestas tropicais. Este projeto contemplava o uso de Sensoriamento Remoto orbital para monitorar a floresta tropical da megaregião. Verdadeiramente a floresta densa (ombrófila-densa) é uma parte importante dos tipos de coberturas ali instaladas a partir da última glaciação há 12. Outros tipos importantes são as florestas abertas (ombrófila aberta) e as savanas ou cerrados com uma extensa zona de transição entre elas. O nome Panamazônia como ficou denominado o projeto.000 anos antes do presente. Os degraus andinos DSR/INPE 3A-9 P.264 km2. serviu e serve atualmente para designar a grande região compreendida pela floresta no Brasil e no conjunto dos países amazônicos. INTRODUÇÃO Alguns meses antes da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente. o INPE propôs um projeto de cooperação para os países amazônicos da América do Sul. FLORESTAS A Panamazônia é conhecida pela sua cobertura florestal densa.539 km2) é 7. O tamanho final da área panamazônica incluindo aquela do Brasil (5.082.R. o Domínio Panamazônico. Neste texto são serão descritos alguns elementos marcantes da paisagem nativa e antrópica da Panamazônia. Este número define a distribuição ambiental da floresta amazônica na América do Sul.702. 2.

A distribuição dos tipos de florestas da Amazônia Legal brasileira se encontra no anexo Amazônia Desflorestamento 95-97. Informações muito didáticas são apresentadas no anexo da revista Veja número 1527. Os números mais recentes sobre a expansão da ação antrópica no Brasil.069 km2 ou 51. com detalhes. página 10 (INPE.900 hectares. Os números do desflorestamento para os outros países sul americanos foram obtidos pelo Projeto Panamazônia gerenciado pelo INPE. CUMAT-Bolívia (1992). ENGREF-Guiana Francesa (1994) e ENRIC (1994) para os demais países. (5.1997).17% de desflorestamento.Martini . incluindo todo o Maranhão). Os estados que mais contribuíram para este percentual são os estados de Mato Grosso e Pará. o possível prazo de existência das florestas nos respectivos estados. SAGECAN-Venezuela (1993). Este condomínio de feições florestais de expressão planetária vem sendo submetido nos últimos quarenta anos a um severo processo de ocupação. está apresentado também no anexo acima mencionado enquanto que informações gerais sobre os demais países são apresentadas em INRENA-Peru (1996).R. A tabela também mostra a taxa de desflorestamento encontrada durante o período 77-96 e de acordo com esta taxa.706.539 km2. A Tabela 2 mostra a distribuição do desflorestamento no período 95/96 e as áreas dos estados amazônicos brasileiros. No decorrer do projeto a partir de 1992 foram criados e treinados grupos de trabalho nos diversos países. O número do desflorestamento na Amazônia brasileira para agosto de 1996 era de 517. DSR/INPE 3A-10 P. chega-se ao valor de 10. sendo-lhes transferidas imagens gravadas pela Estação de Cuiabá. Ao se relacionar estes números com a área aqui adotada para Amazônia Legal. IGAC-Colômbia (1993). Peru e Guiana Francesa. Resultados finais sobre o desflorestamento foram obtidos para três países: Bolívia.dão berço a florestas também tropicais que são denominadas selvas altas ou selvas de piemonte.082.

o Rio Gurupi no Pará e o Rio Mearim no Maranhão.43% de florestas em sua área costeira haviam sido desmatadas até 1990. o Rio Essequibo na Guiana.974. RIOS Os rios panamazônicos estão quase em sua totalidade na rede tributária do Amazonas.000 km2 de desflorestamento ou 1.10% da cobertura original daquele território francês. Na Guiana Francesa o ENGREF-Kourou apresentou em seu relatório de 1994 que 10. Os demais países reportaram apenas parcialmente seus resultados ao Projeto Panamazônia.482. DSR/INPE 3A-11 P.237 hectares.Martini .37 km2 ou 6. representando um total de 69. o Rio Courantyne na fronteira Guiana-Suriname e o Rio Maroni da fronteira Suriname-Guiana Francesa.20% da cobertura original. No Brasil devem ser mencionadas bacias pequenas que drenam para o Atlântico. 3.cit). Para estes países preferiu-se buscar figuras publicadas por ENRIC (1994). Este índice aponta para um número em torno de 1.R. No caso dos países como Colômbia. 99 km2 ou 4.O Peru através do Instituto Nacional de Recursos Naturais-INRENA reportou que o índice de desflorestamento de suas florestas tropicais até 1990 foi de 9. Separam-se dele as bacias do Alto Orinoco na Venezuela. A Bolívia através do Centro de Investigação do Uso Maior da Terra-CUMAT . isto porque os números obtidos do Projeto Panamazônia eram incompatíveis com aqueles apresentados por ENRIC (op. Venezuela e Equador preferiu-se manter as áreas totais dos países ao invés de usar os valores apenas dos domínios amazônicos da tabela 1. Estas incluem os rios Oiapoque e Araguari no Amapá. avaliou que os bosques tropicais desmatados até 1990 somavam 23. A Tabela 3 sintetiza a distribuição do desflorestamento nos domínios amazônicos da América do Sul até o ano de 1990.22% da área original de florestas.948.

R.000 metros localizado nos Andes Ocidentais. De tons claros são os dois principais formadores do Rio Amazonas no Peru: os rios Ucayali e Marañon. A primeira está no Vale do Rio Teles Pires. Rios negros estão localizados principalmente na calha norte do Amazonas e têm suas cabeceiras nas serras divisoras Amazonas-Orinoco. A segunda entre os DSR/INPE 3A-12 P. Os rios cristalinos principalmente o Tapajós e o Xingu vem sendo seriamente impactados por atividade de garimpo. De águas turvas existem também outros grandes tributários andinos como o Napo. Martini e Garcia. e o conjunto Araguaia-Tocantins. Peru. 1996. O primeiro acomoda a origem do Amazonas junto ao Nevado Queuhisha.Os tributários e o próprio Rio Amazonas apresentam águas de cores diferenciadas bem características nas imagens de satélite. Trombetas. Grande e Mamoré imprimem a ele também a assinatura de águas turvas. Beni. ambas no Estado do Mato Grosso.1988). ao longo das fronteiras do Brasil com as Guianas e a Venezuela. Na Bacia do Rio Tapajós existem duas grandes fontes de turbidez por garimpos. 1996). o Xingu com seus formadores principais Iriri e Coluene. Paru e Jari. um pico de 5. próximo de Arequipa. O rejeito síltico-argiloso destes garimpos tem transformado as águas límpidas destes rios em águas turvas (Martini. Neste local um riacho de nome Apacheta acomoda as primeiras águas perenes do Rio Amazonas. não tributários diretos mas parte da embocadura do Amazonas. o Putumayo e o Caquetá. Rios cristalinos são aqueles com as cabeceiras instaladas no Planalto Central: o Tapajós com seus formadores Juruena e Teles Pires. Os formadores do Rio Madeira como o Madre de Dios. Dentre estes devem ser mencionados o próprio Rio Negro além do Uatumã. (Palkiewicz e Goicochea. Os rios de águas cristalinas ou negras aparecem em cores ou tons escuros. a jusante das cidades de Peixoto de Azevedo e Alta Floresta. Assim os rios de águas turvas como o Amazonas e todos os outros afluentes com nascentes andinas aparecem nas imagens em cores ou tons mais claros.Martini .

pimenta.R. As exceções são as extensas áreas com soja da Chapada dos Parecis no Mato Grosso e as agrovilas instaladas sobre solos muito nobres ao longo da Rodovia Transamazônica próximo a Altamira no Pará. DSR/INPE 3A-13 P. Os rios amazônicos mostram um potencial hidrelétrico invejável e alguns sítios acomodam grandes lagos que produzem uma energia importante porque não poluente e pouco impactante.rios Crepori e Jamanxim no sudoeste do Estado do Pará.Na Bacia do Xingu os garimpos são mais extensos nas cabeceiras do Rio Fresco. A usina de Procopondo no Rio homônimo do Suriname é a única unidade hidrelétrica grande estabelecida fora do Brasil em terrenos amazônicos. latossolos vermelho-escuros) e a falta de condições geomórficas adequadas para a agricultura ostensiva e mecanizada.Martini . A instalação de culturas perenes. Tucuruí no baixo Tocantins e Balbina no baixo Uatumã. As usinas atualmente em operação são: Samuel em Porto Velho (RO). cacau e outras vem se expandindo principalmente nos estados do Amazonas e de Rondônia. Tucuruí é a maior hidrelétrica brasileira enquanto Balbina com um lago de dimensões semelhantes não produz energia suficiente para suprir a cidade de Manaus. tem crescido constantemente mostrando que além de boa produtividade elas ajudam a inibir a erosão acelerada dos solos provocada pelos altos índices pluviométricos.g. 4. adequadas ao ambiente amazônico. Estas últimas representam exemplos opostos de planejamento. Dois fatores são prontamente identificados como inibidores daquele procedimento: a pequena distribuição de solos ricos e produtivos (e. SOLOS E AGRICULTURA Os padrões de agricultura nas imagens de satélite Landsat indicam que o manejo tradicionalmente observado na região sul do Brasil foi aplicado apenas localmente na Amazônia Legal. Culturas de chá. para sul da cidade de Tucumã. Curuauna em Santarém (PA). também no sul do Estado do Pará.

além de mostrar uma produtividade cerca de 4 vezes inferior ã outras regiões produtoras tipo Goiás e Triângulo Mineiro. entretanto. A pouca expansão da coca na Colômbia pode ser compensada pela presença de grandes campos. Famílias de seringueiros por décadas vem explorando a mata nativa sem destruí-la enquanto que pecuaristas em meses movem imensas matas semelhantes para pastagens. Os campos de coca vem crescendo rapidamente nas regiões de Cochabamba e de Santa Cruz na Bolívia bem como no médio Ucayalli. Nos demais países panamazônicos aparecem com destaque as culturas de arroz e cana de açúcar da região costeira da Guiana e do Suriname. DSR/INPE 3A-14 P. do Peru e da Colômbia.R. continua sendo o padrão mais densamente distribuído nas áreas desflorestadas da Amazônia. Alternativas para usos sustentáveis da terra são ainda muito discretas e se resumem a questões acadêmicas junto a instituições de pesquisa que atuam na região. e os imensos campos de coca da Bolívia. Pará e mais recentemente no Acre. Esta degradação aparece pela lateritização intensa e rápida das áreas desmatadas. ao redor da cidade de Pucallpa no Peru. principalmente ao redor das cidades de Georgetown e de Nova Amsterdam. Nesta linha de sustentabilidade deve ser ressaltada a convivência harmônica dos seringueiros com a mata nativa no Estado do Acre. Esta área mostra a entrada rápida e intensa da cultura a partir do final dos anos 80.Martini . A experiência tem demonstrado que a pecuária. As imagens mostram também que os campos colombianos não se expandiram tanto como nos países mencionados.A pecuária. ela provoca pelo pisoteio do gado e pela erosão uma degradação acelerada dos solos. do alto Rio Napo na região dominada pela cidade de Tena no Equador. As áreas de arroz e de cana de açúcar tem crescido intensamente na Guiana. A pecuária continua firmemente se expandindo principalmente em Mato Grosso (região nordeste). sul de Rondônia.

localizada no Estado do Pará.1 gigatoneladas de minério de cobre além de ouro. contem como principal jazimento mineral 17. O farto conjunto de jazimentos minerais conhecidos na Amazônia não se repete nos demais países panamazônicos. formador do Uatumã no Estado do Amazonas acomoda um grande jazimento de cassiterita contendo 270.Martini . Os platôs próximos do baixo Rio Trombetas no município de Oriximiná abrigam uma jazida de 600 megatoneladas de bauxita. DSR/INPE 3A-15 P. Observa-se que os recursos hídricos envolvidos na mineração não carregam rejeitos e quando existem ficam decantando em lagos isolados.R. do Rio Trombetas e do Rio Pitinga. Tratam-se das minas de Carajás. As imagens as grandes minas citadas anteriormente não provocam impactos tão significativos à paisagem e ao meio ambiente físico quanto aqueles descritos anteriormente para os garimpos. Secundariamente contem 1. Este fato deve-se certamente a falta de conhecimento e de trabalhos sistemáticos de mapeamento como aqueles iniciados pelo Projeto RADAMBRASIL em meados da década de 60.5. A chamada Província Mineral de Carajás. Outros jazimentos expressivos em atividade ou em reserva são: Serra do Navio (AP) com manganês. Verdadeiramente. O alto vale do Rio Pitinga. minério de alumínio. prata e molibdênio em quantidades menores porem consideradas também como jazimentos. Morro dos Sete Lagos (AM) com nióbio e terras raras.8 gigatoneladas de minério de ferro (hematita). RECURSOS MINERAIS Nos limites da Amazônia brasileira se encontram 3 das maiores minas para exploração mineral atualmente em operações no planeta. Serra Pelada (PA) com ouro e Paragominas (PA) com alumínio. as bordas das províncias minerais como no Projeto Carajás se transformaram em escudos contra a expansão do desflorestamento.000 toneladas de estanho.

Environmental and Ntural Resources Information Center. Ministério das Minas e Energia. Colombia. ano X n. 6. -DNPM (1995) Economia Mineral do Brasil. Instituto Geográfico Agustin Codazzi. Bolivia. O Rio Amazonas que não está no Mapa. VA. cerca da metade em domínio de floresta tropical. Setembre. O oleoduto mede mais que 1. São Paulo. Centre de Kourou. (1995). Projet Panamazonia Première Phase. por exemplo. O Brasil também contem reservas importantes de gás descobertos no alto Rio Tefé. -Fioravante.R. Departamento Nacional da Produção Mineral. Ecole Nationale de Genie Rural des Eaux et des Forets. Secretaria de Minas e Metalurgia. June. -ENRIC (1994) A Source Book on Tropical Forest Mapping and Monitoring through Satellite Imagery: The Status of Current International Efforts. Desbosque de la Amazonia Boliviana. Guiane Française. Reservas de petróleo também são observadas na Amazônia Venezuelana.86. La Paz. Agosto. -ENGREF (1994). A chamada Amazônia Peruana (Peruvian Amazon). Centro Investigaciones de la Capacidad de Uso Mayor de la Tierra. Brasilia. Os furos de sondagem ali são identificados nas imagens por um desflorestamento tipo pequenas asas deltas. Revista Nova Escola.Petróleo e gás são outros bens minerais intensamente explorados no domínio panamazônico.300 quilômetros. Bogotá.A. Editora Abril S. DSR/INPE 3A-16 P. Arlington. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIA -CUMAT (1992). -IGAC (1993). Estado do Amazonas. contem reservas suficientes a ponto de instalar um imenso oleoduto que sai do Rio Tigre na fronteira com o Equador e do baixo Rio Maroñon para o porto de Bayovar no Pacífico. C.Martini . Relatorio sobre el Estado Actual del Proyecto IGAC-INPE.

N. Ministerio del Ambiente y Recursos Naturales Renovables. P. -Palkiewicz. (1996). Vienna. Monitoreo de la Deforestacion en la Amazonia Peruana.R. -INPE (1997). SELPER-Society of Latin America Remote Sensing Specialists. Dezembro. 11-15 de outubro de 1988. O Declínio de um Grande Rio Brasileiro Detectado por Imagens LANDSAT.-INPE (1994).Martini . ServicioAutonomo de Geografia y de Cartografia Nacional. -INRENA (1996). Proyecto Panamazonia-Caso Venezuela. XXXI. vol. Garcia. Goicochea. Ano 30 n. INR-48-DAGMAR. Technical Cooperation and Training within the Panamazonia Project: a Proposal to UNEP. (1996) Depicting the Headwaters of the Amazon River through the Use of Remote Sensing Data. 24. VI Latin America Remote Sensing Symposium. -Martini. Cartagena de Indias. Peru. Instituto Nacional de Recursos Naturales.1. Peru. Brazilian National Institute of Space Research. MCT-MMA. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. DSR/INPE 3A-17 P. (1993). J.R. São José dos Campos SP.Instituto Brasileiro do Meio Ambiente. part B7. -Martini. Austria.R. Z. vol. Amazônia. Venezuela. Lima. Amazônia: Desflorestamento 1995-1997. P. -VEJA (1997). Anexo do número 1527. Colombia. P. Panamazonia Project to Monitor South America Tropical Forest. J.5.. Resumen de Actividades de la Expedicion Cientifica Internacional para Estabelecer de Manera Geograficamente Valida el Verdadero Origen del Rio Amazonas. Natal RN. Caracas. São Jose dos Campos SP. October.W. -SAGECAN (1993). Julio. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais .R. (1988). -Martini. October. Sociedad Geografica de Lima. International Archives of Photogrammetry and Remote Sensing. Deforestacion em el Bosque Lluvioso Tropical: uma Perspectiva Multitemporal.

023 1.338 19.061 6.432 214 320 18.DESFLORESTAMENTO 95-97 # Área total do Estado DSR/INPE 3A-18 P.303 380.581 1.605 142.954 329.960 1.379 225.35 100.(D) km2 % TAXA (T) MÉDIA km2/ano A-D T 153.960 755.017 277.725 CA (km2) 1.40 2.833 238.698 142.361 5.543 6.800 391.782 27.421 1.434 99.25 1.296 2.322 5.161 323 15.141 176.18 10.12 20.79 100.138 48.246.359 1.800 912.098.648 5.050 5.000 76.619.17 433 9 1.135 2.742 1.000 214.172 SA/CA(%) 51.891 270.21 14.36 28.082.483 517.556 901.619 1.R.567.138.505 217 119 174 78 1.539 3.670 91.220 142.14 13.Tabela 1 ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) PAIS Bolívia Colômbia Equador Guiana Francesa Guiana Peru Suriname Venezuela Total SA (km2) 567.154.285.94 1.00 42.00 100.74 30.069 8.00 50.63 33.82 Tabela 2 FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 ESTADO ACRE AMAPÁ AMAZONAS # MARANHÃO MATO GROSSO PARÁ RONDÔNIA RORAIMA TOCANTINS AMAZÔNIA ÁREA = A 2 km DEFLOR .Martini .761 91.026 787 251 Comentário: GTH Fonte: PROJETO PRODES .00 58.38 9.000 214.

530 909.175.960 91.R.303 5.ENRIC-94 DSR/INPE 3A-19 P. .050 9.38 24.670 214.98 2.16 11.800 #912.41 1.082.200 129.11 9.24 21.605 142.190 1.017 69.000 755.700 67.200 194.482 3.20 2. Fontes: .818 % 4. # Inclui terrenos fora do domínio amazônico.539 # 1.891 #270.Projetos PRODES E PANAMAZÔNIA (INPE).32 9.974 415.138.630 5.91 BOLÍVIA BRASIL *COLOMBIA *EQUADOR GUIANA GUIANA FRANCESA PERU SURINAME *VENEZUELA # Inclui bosques tropicais fora do domínio amazônico.923 Domínio (km2) 567.Tabela 2 DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 Desflorestament o (km2) 23.22 8.Martini .

Figura 1 – Limite da Panamazônia DSR/INPE 3A-20 P.Martini .R.

br .CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte B: IMAGENS PARA MAPEAMENTO GEOLÓGICO E LEVANTAMENTO DE RECURSOS MINERAIS: RESUMO PARA USO DOS CENTROS DE ATENDIMENTO A USUÁRIOS-ATUS DO INPE. PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS COORDENADORIA DE OBSERVAÇÃO DA TERRA DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid.inpe.

ÍNDICE DSR/INPE 3B-2 P.R.Martini .

.... INTRODUÇÃO ....... 3B-12 1.... APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS ............. CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO .................... 3B11 DSR/INPE 3B-3 P...................................1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS ........................................................................ 3B-5 2..................................................................... 3B-6 3...............................................................3 ATRIBUTOS TEMPORAIS . 3B-5 3............................2 ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS ................................................. 3B-10 4.. 3B-6 3....................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........Martini .......... 3B-9 3..............................................LISTA DE TABELA ..R.....

R.Martini .1. INTRODUÇÃO DSR/INPE 3B-4 P.

falhas. Objetivamente pode-se identificar 6 campos principais onde as imagens tem apresentado significativas contribuições. temporais e espaciais.Impactos ambientais: garimpos.000. uma vez que a integração de dados multifontes através do uso de sistemas de informações georeferenciadas (GIS) é um procedimento comum.000 para trabalhos de semidetalhe e 1:50. fraturas.Martini . principalmente aqueles de perfis tecnológicos semelhantes ao LANDSAT. APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS Os produtos usualmente utilizados para estas aplicações levam em conta primeiramente o conteudo de informações da imagem.R. 1. Neste contexto sempre que a fotointerpretação tenha um papel preponderante sobre a integração de dados de diferentes fontes. são ferramentas efetivas para estudos geológicos. Além disto. para levantamentos regionais.Mapeamento de litologias ou de rochas. escorregamentos. os produtos para os campos acima mencionados podem ser apresentados como imagens em papel (analógicos) ou em meio digital. 3.Mapeamento de estruturas geológicas tipo dobras. As escalas variam de 1:250. Nestes campos as imagens são ferramentas cotidianas. 4. a 100.Levantamento hidrogeológico (água subterrânea). 2. existe uma preferência pela imagem em papel preto e branco. ferro) 6.000 para mapas de detalhe. DSR/INPE 3B-5 P.Prospecção de óleo e de gas (petróleo) 5. 2. Este conteúdo temático depende dos atributos espectrais. Para estudos de prospecção para petróleo e bens minerais utilizam-se produtos digitais.Prospecção de bens minerais (ouro. cobre.Imagens de satélites. Para mapeamentos litológicos/estruturais e levantamentos para hidrogeologia utiliza-se preferencialmente imagens em papel preto e branco. ou seja monoespectral. erosão.

Assim se um alvo na superfície da Terra reflete seletivamente a radiação solar.Martini . Nos estudos sobre impactos ambientais de projetos tipo represas ou unidades industriais. O objetivo sempre é o de agregar às imagens o melhor dos atributos espectrais. sol e data. o comportamento das rochas se torna mais típico na banda do infravermelho próximo. usam-se preferencialmente dados apresentados em mídia ótica (CD ROM) ou magnética (dat ou exabyte). como envolvem também dados de outras fontes. 3. Esta banda corresponde a LANDSAT ETM-4. espaciais e temporais. 3.1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS As rochas no Brasil estão constantemente associadas a solos e vegetação. Situações mais típicas para seleção de imagens com maior conteúdo de informaçoes para aplicações geológicas são apresentadas a seguir. Cabe mencionar como opção de muito baixo custo a banda pancromática do DSR/INPE 3B-6 P.R. SPOT HRG-3 e CBERS CCD-4 Diz-se que quanto mais básica for uma rocha (maior conteúdo de elementos tipo Fe e Mg) mais escura ela aparece no infravermelho próximo. chamados RIMAS ou EIA-RIMAS. sensor. uma vez que a vegetação e a água são importantes indicadores . CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO Para que um produto possa conter maior conteúdo de informaçao temática é necessário que se agregue a ele os melhores atributos possíveis para uma cena gravada segundo a organização alvo. precisamos selecionar as bandas que registrem melhor esta refletividade (atributo espectral) bem como o período sazonal onde ele se apresenta mais detectável (atributo temporal) conhecendo se os alvos estudados tem expressão na escala e na resolução da imagem (atributos espaciais). No caso de solos não transportados cobertos por vegetação nativa. O comportamento das rochas nas imagens é portanto uma combinação das respostas dos elementos rocha/solo/vegetação.A avaliação de impactos ambientais sobre o meio ambiente físico pode ser feita por produtos em papel colorido.

sensor IR-MSS do CBERS. Esta banda diferentemente das outras bandas PAN abrange parte do infravermelho próxima. As outras terminam no início do infravermelho. Na faixa visível correspondente a banda do vermelho tanto as rochas ácidas quanto as básicas mostram assinaturas claras sempre que a vegetação não seja alta e densa tipo a mata amazônica. Esta banda é a ETM-3 ou HRG-2 ou CCD-3. A banda pancromática-PA do SPOT-5 poderia também ser recomendada. Na faixa do visível e em domínio amazônico pode-se esperar uma contribuição melhor da banda correspondente ao verde ou seja ETM-2, HRG-1 e CCD-2. Trabalhos geológicos que envolvam, portanto, mapeamentos de rochas (litologias), de estruturas ou com objetivo de estudar água subterrânea, serão bem atendidos por imagens da banda correspondente ao infravermelho próximo, se possível com o apoio de uma banda do visível, preferencialmente a centrada na faixa do verde. Trabalhos geológicos voltados a prospecção de bens minerais como cobre, chumbo, zinco, ouro, óleo ou gás, envolvem procedimentos de processamento digital e integração de dados. Nestas situações torna-se necessário explorar com mais profundidade os atributos espectrais das imagens. Assim o recomendável seria que o usuário utilizasse todo o acervo de bandas dos sensores, tanto na faixa visível quanto no infravermelho: 8 bandas ETM ou 5 bandas HRG ou 5 bandas CCD. A questão é que o usuário normalmente pede para um processamento digital mais simples um conjunto de 3 bandas. No caso de se tornar necessária a seleção de 3 bandas para objetivos de prospecção deve-se buscar ao máximo bandas que cubram todo o espectro ótico, ou seja: visível, infravermelho próximo e o de ondas curtas (short wave infrared). Assim além das bandas do verde e do infravermelho próximo recomenda-se tambem a banda ETM-7 ou HRG-4. A banda ETM-7 na verdade foi definida a pedido da própria comunidade geológica americana uma vez que tem correlação com a presença de hidroxilas em argilas. Argilas hidroxiladas são indicadoras de possíveis

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ocorrências de rochas ricas em cobre, chumbo e zinco. Deve ser entretanto ressaltado que os melhores desempenhos da ETM-7 foram observados em condições de baixa densidade de cobertura vegetal. No ambiente de florestas densas como nos remanescentes de mata atlântica ou na Amazônia, os desempenhos das bandas ETM-5 e ETM-7 para Geologia são semelhantes, trazendo informações sobre o dossel da vegetação e não sobre os solos ou rochas. Uma ultima opção interessante é o produto composto pelas bandas HRG-2 e 3 do SPOT-5 junto com o seu canal pancromático. Nesta combinaçâo se associam bons atributos espectrais com a ótima resolução espacial de 2.5 metros da banda PA . Os produtos recomendados para prospecção em Geologia são os digitais. Se analógicos devem ser sempre coloridos. Estudos sobre áreas onde o meio ambiente físico tenha sido impactado devem ser suportados por uma combinação de bandas que mostrem a situação das águas, da cobertura vegetal e do conjunto rocha/solo. Assim para domínios de floresta densa a composição RGB: ETM-543, HRG-432 e CCD-342 atendem a maior parte dos objetivos. Terrenos de baixa densidade vegetal (não amazônicos) serão melhor atendidos por composições “falsa-cor normais”, ou seja com RGB: ETM-432 ou HRG-321, ou mesmo CCD-432. Estudos recentes mostram que o desempenho do IRMSS-CBERS em bandas pancromática e do infravermelho de ondas curtas (pan+7+8 em GBR) é muito bom para estudos geológicos em terrenos não amazônicos. Estudos sobre impactos ambientais, os RIMAS ou EIA-RIMAS, seguem aquilo que foi descrito para as áreas impactadas apenas que neste caso os produtos devem ser apresentados em mídia digital. O estudo de áreas já impactadas, pelas análises de campo podem recomendar a geração de produtos fotográficos coloridos.

3.2. ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS

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Os principais atributos espaciais ou geométricos das imagens de satélites para a área de Geologia dizem respeito à relação entre o tamanho da cena e o quadro sinótico da área imageada (escala) e a dimensão do elemento de resolução da cena (pixel) no terreno. Um pixel menor permite uma escala maior mas sempre com restriçoes quanto ã dimensão da área coberta pela imagem. Assim para um pixel de 30 metros como aquele do Mapeador Temático pode-se chegar a uma escala de 1:50.000 mas a área coberta pela imagem será a menor, ou seja, 45 quilômetros de lado. Se o interesse do usuário for por uma área grande, equivalente ao de uma cena LANDSAT completa, serão necessárias 16 imagens na escala 1:50.000, ou apenas 1 imagem em escala 1:250.000 ou menor. Se o usuário estiver interessado em levantamentos geológicos regionais a imagem de 1:250.000 terá naturalmente melhor relação custo/benefício do que a de 50.000, embora mostre menos detalhes. O pixel PAN do SPOT tem possibilidade de suportar ampliações fotográficas de escala 1:25.000 sem perder o contexto de cena que define claramente as bordas dos diversos alvos. Ampliações 1:25.000 a partir de um pixel de 30 metros como aquele do TM fazem com que as bordas dos alvos apareçam serrados perdendo-se o entendimento do contexto da cena. O processamento digital sobre dados SPOT ou LANDSAT permite que realces de borda ou de contraste melhorem bastante as escalas máximas de ampliação. Assim imagens TM melhoradas por processamento em computador podem ser ampliadas até 1:25.000 sem perder seu conteúdo de informação geológica. Imagens SPOT-PAN registradas com canais XS podem chegar a escala de 1:15.000 mantendo aínda atributos em boas condições para estudos geológicos.

3.3 ATRIBUTOS TEMPORAIS O contexto temporal das imagens para Geologia não tem naturalmente a importância necessária de uma aplicação em Agricultura. Geralmente busca-se para Geologia a imagem livre de nuvens, com maiores índices de visibilidade e

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de conteúdo/qualidade da informação gravada. Existe entretanto um efeito temporal nas imagens que influencia fortemente o conteúdo de informação geológica: trata-se do sombreamento. O sombreamento é o efeito observado nas imagens no qual as faces das vertentes voltadas para o sol ficam mais claras do que as faces opostas à iluminação da cena que ficam mais escuras. Este efeito provoca um realce para as feições do relevo como cristas, vales, drenagens, alinhamentos de uma forma geral. Este efeito é mais intenso quanto mais baixo for a ângulo de elevação solar na gravação da cena. No caso do hemisfério sul os ângulos mais baixos de elevação do sol ocorrem entre os meses de junho e agosto. O sombreamento em situações extremas pode subverter até resoluções geométricas. Observa-se que imagens com resolução mais grosseira gravadas com baixo ângulo solar mostram com maior detalhe os atributos de relevo do que cenas com resolução mais fina gravadas com o sol mais alto. Exemplos conhecidos mostram que imagens de 80 metros de resolução gravadas com ângulos em torno de 33 graus mostram feições geológicas e geomorfológicas mais nitidamente do que imagens com 30 metros de resolução de mesma latitude coletadas com elevação de sol acima de 50 graus. Para mapeamentos geológicos e mesmo estudos de prospecção mineral onde a estrutura geológica exerça o principal controle, a seleção de cena deve contemplar também a busca por imagens com baixos ângulos de elevação solar. Deve ser mencionado também que em situações extremamente especiais onde os alinhamentos de relevo ou de drenagen se estendem na direção exata do azimute solar não existirão condições de iluminação para gerar os realces acima descritos.

4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Balieiro, M.G.; Martini, P.R. (1986) Exemplos de Análise Geológica

Comparativa entre dados SIR-A, LANDSAT, SLAR e SKYLAB (resumo). IV

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P.R.Martini

Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.1, pg.78. Gramado, RS. Agosto 10-15, 1986. Rodrigues, J.E.; Liu, C.C. (1988) A Geometria de Iluminação Solar e sua Influência na Observação de Estruturas Geológicas em Imagens Orbitais. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.2, pg.294-302. Natal, RN. Outubro 11-15, 1988

5.

TABELA

DOS

SENSORES

E

BANDAS

COM

AS

PRINCIPAIS

APLICAÇÒES EM GEOLOGIA LANDSAT 7 SPOT5 CBERS ETM+ HRG CCD IR-MSS WFI 1 2 3 4 5 6 7 P 1 2 3 4 P 1 2 3 4 P P 7 8 9 10 11 A 5 6 Mapeamento B G R BGR BGR R BG B R NF G Litológico BG R B RG BGR G B R B G F R Geologia G MR B RG B R B G M
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Satélite Sensores BANDAS

principal sensor do LANDSAT 7 F: FLORESTA: COBERTURA FLORESTAL DENSA-AMAZÔNIA G: COR VERDE NA COMPOSIÇÃO COLORIDA HRG: ALTA RESOLUÇÃO GEOMÈTRICA.Martini .R. principal sensor do satélite SPOT-5 IR-MSS: VARREDOR MULTI-ESPECTRAL INFRAVERMELHO DO CBERS M: IMAGEM EM PRETO E BRANCO N: NÃO FLORESTA: ÁREA FORA DO DOMÍNIO AMAZÔNICO P: MODO PANCROMÁTICO DO IR-MSS DO CBERS PAN: MODO PANCROMÁTICO do LANDSAT-7 PA: MODO PANCROMÁTICO DO SPOT-5 P5: MODO PANCROMATICO DO CCD-CBERS R: COR VERMELHA NA COMPOSIÇÃO COLORIDA RIMA: RELATÓRIO DE IMPACTO SOBRE O MEIO AMBIENTE WFI: IMAGEADOR DE GRANDE VISADA DO CBERS DSR/INPE 3B-12 P.Urbana Mapeamento Estrutural Águas Subterrâneas Prospeção B Mineral Oleo e Gás (Petróleo) Ambientes B NF Impactados F Eia-Rima B NF Eia-Rima B F M M G G R GR R GR R M M B M M GRM GRB R GB M M B RG BGR M M G BR M M M RB GB B GB M G R R GB GR GRB R GRB GRB B R GBG GRB B GR GRB B R G G R B B R G R G B ACROGRAMAS USADOS NA TABELA B: COR AZUL NA COMPOSIÇÃO COLORIDA CCD: CAMERA DE ALTA RESOLUÇÃO DO CBERS EIA: ESTUDOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS ETM+: MAPEADOR TEMÁTICO AVANÇADO.

CAPÍTULO 4

TECNOLOGIA ESPACIAL NO ESTUDO DE FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS

J o r g e C o n r a d o C o n f o r t e1
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE

1

conrado@ltid.inpe.br 4 -1 J.C.Conrado

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4 -2

J.C.Conrado

ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................... 4-7 2. APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS .............................................................................. 4-10 2.1 VENTO ................................................................................................ 4-11 2.2 PRECIPITAÇÃO ................................................................................. 4-12 2.3 SONDAGENS ATMOSFÉRICAS ........................................................ 4-14 2.4 RADIAÇÃO .......................................................................................... 4-17 2.5 OZÔNIO ............................................................................................... 4-19 2.6 MEDIDAS DE CO ................................................................................ 4-19 2.7 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR ...................................... 4-21 3. CONCLUSÃO ......................................................................................... 4-21 4. BIBLIOGRAFIA ....................................................................................... 4-22

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LISTA DE FIGURAS 1 - PRIMEIRA IMAGEM OBTIDA PELO SATÉLITE TIROS1 ...................... 4-7 2 - DISPOSIÇÃO DOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS DE ACORDO COM SUAS ÓRBITAS ............................................................................ 4-9 3 - ÓRBITA DO SATÉLITE TRMM ............................................................... 4-9 4 - IMAGENS SATÉLITE GOES-E INFRAVERMELHO, VISÍVEL, INFRAVERMELHOR(VAPOR D'ÁGUA) E MICROONDAS SATÉLITE DMSP (SENSOR SSM/I) ........................................................................ 4.10 5 - VENTO ESTIMADO USANDO DADOS DO SATÉLITE GOES-8 .......... 4-12 6 - PRECIPITAÇÃO ESTIMADA USANDO DADOS DO CANAL INFRAVERMELHO DO SATÉLITE GOES ............................................. 4-13 7 - CAMPO DE PRECIPITAÇÃO OBTIDO ATRAVÉS DO RADAR METEOROLÓGICO DO SATÉLITE TRMM ............................................ 4-13 8 - PERFIL VERTICAL DE TEMPERATURA OBTIDO ATRAVÉS DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................................ 4-15 9 - CAMPO DE TEMPERATURA EM 500 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 .......................................................... 4-16 10 - CAMPO DE UMIDADE RELATIVA 1000 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................ 4-17 11 – RADIAÇÃO DE ONDA CURTA ABSORVIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 12 - RADIAÇÃO DE ONDA LONGA EMITIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 13 - OZÔNIO MEDIDO EM 09/06/2000, A PARTIR DO SATÉLITE ERS-2 4-19 14 - CONCENTRAÇÃO DE CO MEDIDA PELO SENSOR MOPITT DO

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...........21 DSR/INPE 4 -6 J... 4.........................SATÉLITE TERRA .....Conrado ........................EMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR SATÉLITE NOAA ......C..... 4-20 15 .............

na Figura 1 pode-se observar a primeira imagem transmitida por este satélite. O primeiro satélite com finalidade de aplicação exclusivamente meteorológica foi lançado em 1 de abril de 1960. O primeiro satélite que teve sucesso na obtenção de dados meteorológicos foi o Explorer7. devido a problemas com estes satélites as informações obtidas.Conrado . Fig.Primeira imagem obtida pelo satélite TIROS 1 DSR/INPE 4 -7 J. 1 . o TIROS 1. foram lançados em 17 de fevereiro de 1959 (Vanguard 2) e 7 de agosto de 1959 (Explorer 6) mas.1. Com as informações obtidas foram feitos os primeiros mapas aproximados da radiação refletida e emitida (na faixa do infravermelha) pelo sistema terra e a atmosfera. não tiveram grande utilidade. com instrumento meteorológico a bordo. INTRODUÇÃO Os primeiros satélites. lançado em 13 de outubro de 1959 com um radiômetro desenvolvido por Verner Suomi e seus colaboradores da Universidade de Wisconsin.C.

estes satélites cobrem uma faixa bem estreita da Terra por onde estão se deslocando. permitindo desta forma um monitoramento continuo dos fenômenos atmosféricos que se desenvolvem na área de visada do satélite. Em função de estarem colocados sobre a linha do equador as regiões polares não são monitoradas pelos satélite geostacionários. os dados obtidas pelos satélites meteorológicos puderam então ser aplicados aos mais diversos campos de interesse da meteorologia.Conrado . Em função da sua altitude. Têm em geral um período orbital de 98 a 102 minutos o que fornece um total de aproximadamente 14 órbitas por dia. e com o avanço na área de eletrônica e informática. Na Figura 2. Estão localizados a 36. Outro fator importante associado a este tipo de satélites está relacionado com a área de cobertura.000 km acima da superfície da Terra. podemos observar a rede de satélites meteorológicos que são utilizados no monitoramento dos principais fenômenos meteorológicos. Os satélites de órbita polar estão posicionados geralmente entre 700 e 800 km acima da superfície terra. bem superior aos demais tipos de órbita acima mencionados. Os satélites meteorológicos podem ser classificados de acordo com sua órbita em três diferentes classes: GEOESTACIONÁRIOS POLARES TROPICAIS Os satélites de órbita geoestacionária são assim denominados pois aparentemente eles se mantêm fixos sobre um mesmo ponto na superfície da Terra. e com o desenvolvimento de novos sensores e softwares.C. A principal característica deste satélite é que as regiões polares têm um monitoramento mais detalhado.Após o lançamento deste satélite. DSR/INPE 4 -8 J. em razão da altitude em que está posicionado. A principal característica deste satélite e a obtenção de uma nova imagem a cada 30 minutos.

ou seja o satélite TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission). 2 . Fig. com uma inclinação de 35° em relação a linha do equador. DSR/INPE 4 -9 J.Fig. Figura 3. 3 . Nesta figura não esta incluída a órbita do primeiro satélite com objetivo exclusivo de adquirir informações meteorológicas na região tropical.Órbita do satélite TRMM.Disposição dos satélites meteorológicos de acordo com suas órbitas. Este satélite esta localizado numa órbita inferior ao dos tradicionais satélites de órbita polar. ele esta posicionado a 350 km acima da superfície terrestre.Conrado .C. lançado em 27/11/1997.

isto é: na faixa do infravermelho.2. infravermelho (vapor d'água) e microondas satélite DMSP (sensor SSM/I) DSR/INPE 410 J.C. visível. A seguir estão imagens obtidas pelos satélites nestas faixas de observação Figura 4. Fig. 4 .Conrado . APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites meteorológicos atualmente operacionais obtêm informações em três faixas do espectro eletromagnético. visível.Imagens do satélite GOES-E na faixa do infravermelho. infravermelho (vapor d'água) e microondas.

A seguir serão mostradas resumidamente.Conrado . Com o desenvolvimento de softwares. sendo atribuída para cada nível uma cor para representá-los. Na Figura 5. algumas aplicações usando os dados obtidos através dos satélites meteorológicos. Estas informações eram utilizadas para a análise subjetiva das condições meteorológicas predominantes em pequena ou grande escala. pode-se observar a velocidade do vento estimada usando-se esta metodologia.Inicialmente. . médio e baixo. diversas metodologias foram desenvolvidas para a aplicação das informações coletadas por estes satélites. Deve-se salientar a importância que os dados coletados por estes satélites têm para determinadas regiões. oceanos. desertos. 2. a aplicação principal dos dados coletados pelos satélites meteorológicos. alto. seja pela carência de uma rede de observações adequada ou por se encontrarem em regiões remotas (florestas. A velocidade do vento é estimada calculando-se o deslocamento da nuvem nas duas imagens e dividindo-se então pelo intervalo de tempo entre estas imagens. DSR/INPE 411 J. Eles são estimados para três níveis da atmosfera. tinha como objetivo principal a observação dos deslocamentos dos sistemas frontais e o desenvolvimento de sistemas locais.1.C.VENTO A metodologia de extração de ventos usando dados de satélites geoestacionários é realizada usando-se informações de duas imagens sucessivas (intervalo de 30 minutos). etc).

Somente através do radar meteorológico. a bordo de satélite é possível avaliar diretamente a precipitação. DSR/INPE 412 J. e microondas).PRECIPITAÇÃO A precipitação é outra variável que pode ser avaliada usando informações obtidas pelos diversos sensores a bordo dos satélites meteorológicos (que operam nas bandas do visível. 5 . Na Figura 6. pois estes sensores não medem diretamente a precipitação. o satélite TRMM no presente momento é o único que nos permite obter medidas diretas de precipitação. infravermelho. infravermelho e microondas são denominadas de técnicas indiretas de avaliação da precipitação.C. podemos observar o campo de precipitação estimado usando informação do canal infravermelho do satélite GOES.Vento estimado usando dados do satélite GOES –8.2 .Fig. As técnicas que utilizam os dados dos sensores nas bandas do visível.Conrado . 2.

Precipitação estimada usando dados do canal infravermelho do satélite GOES.Taxa de precipitação obtida através do radar a bordo do satélite TRMM DSR/INPE 413 J.Conrado . 7 .C.Fig. 6 . Fig. Na Figura 7 observa-se o campo de precipitação obtido pelo radar meteorológico a bordo do satélite TRMM.

DSR/INPE 414 J.3 .2. temperatura e umidade na vertical. No Brasil. é feita uma única observação por dia.SONDAGENS ATMOSFÉRICAS Um produto de fundamental importância obtido através dos satélites meteorológicos são as sondagens atmosféricas. campos estes que são de fundamental importância no conhecimento da estabilidade da atmosfera.C. e os campos de temperatura e umidade obtidos com informações derivadas dos dados recebidos pelos sensores a bordo do satélite NOAA-14. umidade e vento.Conrado . Esta carência de informações não nos permite o conhecimento preciso da estrutura vertical da atmosfera. 9 e 10 podemos observar o perfil vertical de temperatura e umidade para a cidade de Cuiabá. Com os sensores HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) e AMSU (Advanced Microwave Sounding Unit). em somente algumas estações da rede de observação meteorológica. Nas figuras 8. podemos obter a variação dos campos de vento. A sondagem da estrutura vertical da atmosfera nos fornece a variação dos campos de temperatura. instalados a bordo dos satélites polares da série NOAA.

C. Estes perfis verticais são de fundamental importância em meteorologia. DSR/INPE 415 J.Conrado .Perfil vertical de temperatura obtido através de dados do satélite NOAA 14. 8 . pois eles nos permitem avaliar a estabilidade da atmosférica. se existe a possibilidade do desenvolvimento de sistemas convectivos. ou seja.Fig.

Fig.C.Campo de temperatura em 500 hPa obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 DSR/INPE 416 J. 9 .Conrado .

Nas Figuras 11 e 12 podemos observar a medida da radiação de onda curta e longa realizada a partir das informações coletadas pelos satélite da série NOAA. a medida da radiação atmosférica usando satélites. obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 2.RADIAÇÃO A radiação solar que atinge o topo da atmosfera é da ordem de 1365 Watts/m2 .Fig. é de fundamental importância para uma melhor compreensão do clima.C. deste total em média. 10 .4 . somente a metade atinge a superfície da terra. trinta porcento é refletida para o espaço e 20 porcento é absorvida pelas nuvens. Portanto. poeiras e gases do efeito estufa.Campo de umidade relativa 1000 hPa .Conrado . DSR/INPE 417 J.

obtida a partir de dados do satélite NOAA. 11 .Conrado .Fig. Fig. DSR/INPE 418 J.Radiação de onda curta absorvida. 12 . obtida a partir de dados do satélite NOAA.Radiação de onda longa emitida.C.

2. em 9 de setembro de 2000.C.6 .2. vem sendo realizadas medidas da concentração de ozônio na atmosfera.Conrado . Os dados obtidos por este sensor são de fundamental importância.5 . O cientista inglês J.OZÔNIO O primeiro dado disponível relacionado com a diminuição da camada de ozônio foi observado na estação Antártica japonesa Syowa em 1982. um projeto comum dos Estados Unidos. com o satélite de órbita polar Nimbus 3. Lovelock.MEDIDAS DE CO A medida do CO na atmosfera tornou-se possível com o lançamento do satélite TERRA em 19 de dezembro de 1999. Fig. Na figura 13. Na Figura 14 podemos ver os primeiros resultados obtidos com os dados deste sensor. na qual a camada de ozônio atingiu o seu nível mais baixo.Ozônio medido em 9/6/2000 a partir do satélite ERS-2. podemos observar o resultado da medida feita pelo satélite ERS-2. cuja finalidade principal é a medida da poluição. A partir de 1978. foi quem descobriu a influência do CloroFluorCarbono (CFC) como o principal mecanismo na diminuição do ozônio na região Antártica. DSR/INPE 419 J. 13 . Este satélite tem a bordo o sensor MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere). pois o CO é um dos principais gases associado com o efeito estufa. Canadá e Japão.

O uso de dados de satélites meteorológicos para as mais diversas aplicações. entre estas podemos citar: no alerta de ocorrência de geadas e nevoeiros.C. Os dados obtidos por satélites meteorológicos também podem ser aplicados em diversas áreas. novas metodologias de uso podem ser desenvolvidas. é um campo que ainda não esgotou todas as possibilidades. pois para cada novo sensor lançado a bordo dos satélites. concentração associada pricipalmente com o efeito das queimadas nestas duas regiões. DSR/INPE 420 J. 14 .Nesta figura pode-se observar a grande concentração de CO na América do Sul e África.Conrado .Concentração de CO medida pelo sensor MOPITT do satélite TERRA. Fig.

etc. 15 . monitoramento de aerosóis. monitoramento de nevoeiro. Esta variável tem as mais diversas aplicações. Na Figura 15.Temperatura da superfície do mar satélite NOAA.CONCLUSÃO Foram mostrados acima resumidamente algumas aplicações que podemos obter através de dados obtidos pelos satélites meteorológicos. monitoramento de raios. podemos citar também algumas que não foram mostradas tais como: monitoramento de geadas. podemos observar a variabilidade da temperatura da superfície do mar em escala global com os dados obtidos atraves dos satélites da série NOAA.Conrado . Porém. seja nas atividades de pesca bem como no conhecimento do padrão de circulação dos oceanos. Comparando a primeira imagem transmitida pelo satélite TIROS.2. . nota-se que um grande progresso foi feito a DSR/INPE 421 J. umidade do solo. 3. com as imagens de alta qualidade hoje obtidas pelos atuais satélites.TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR Um produto de fundamental importância que pode ser obtido através de dados de sensores que operam no infravermelho e microonda é a temperatura da superfície do mar.C.7 . bem como os proudtos gerados usando os dados destes satélites. Fig.

Conrado .de/GOME/main. Satellite Meteorology: an introduction.br http://terra.dfd. S. Progresso este que têm sido de grande utilidade para a humanidade.gov http://trmm..gsfc.nasa. Vonder Harr. http://www.gov http://jwocky.gsfc.cptec. T.dlr. Academic Press.H.partir de 1 de abril de 1960.gov http://auc.inpe.html DSR/INPE 422 J.C. 4. 1995.Q. .nasa.BIBLIOGRAFIA Kidder.nasa.

br 5-1 S.S.Ferreira DSR/INPE .H.br e-mail: helio@cptec.inpe.inpe.CAPÍTULO 5 TECNOLOGIA ESPACIAL NA PREVISÃO DO TEMPO S é r g i o H e n r i q u e S o a r e s F e r r e i r a1 H é l i o C a m a r g o J ú n i o r2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS CENTRO DE PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS 1 2 e-mail: henrique@cptec.

S.Ferreira .H.DSR/INPE 5-2 S.

........H.S............5-19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........5-8 3......... 7...................................5-17 8..................Ferreira ................... 1.. CONCLUSÃO ..5-16 ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO .........................................................................5-20 DSR/INPE 5-3 S............................. 9................................................ ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE .................5-11 PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) .. 6............... 5-10 5..............ÍNDICE LISTA DE FIGURAS .... 2.................... ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE .... 5............................ SATÉLITES METEOROLÓGICOS ................................5-10 4..........................................5 INTRODUÇÃO ........5-7 UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA ........................

S.DSR/INPE 5-4 S.Ferreira .H.

Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 ...................... 5-13 3 ................................................Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: ... 5-17 6 ...Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT .Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 ...........LISTA DE FIGURAS 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais ............... 5-19 DSR/INPE 5-5 S. 5-15 4 ................ 5-11 2 ............Analise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT .... 5-16 5 .......................Ferreira ..............Modelo Global CPTEC .............H...................................................S..................

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Embora estes dois conhecimentos estejam intimamente relacionados é importante observar que a previsão do tempo corresponde a uma previsão diária do estado da atmosfera. Partindo do pressuposto que tais prejuízos podem ser minimizados. desde a coleta das informações nos diversos tipos de estações até a elaboração dos boletins DSR/INPE 5-7 S. Para compreender como funciona esta rede de informações. ou até mesmo evitados. abordamos de forma sucinta o processo da previsão do tempo. todas estas informações devem chegar aos centros de previsão. quanto para a climatologia.Ferreira . popularizando uma cultura básica em meteorologia. INTRODUÇÃO Através dos tempos. tanto para a previsão do tempo quanto para a previsão do clima é necessário um grande volume de dados. Tais recursos não restringem-se apenas aos centros de pesquisa e previsão do tempo. Iniciando por um breve histórico do desenvolvimento da meteorologia. No entanto. mas que passa a integrar-se cada vez mais na cultura geral do cidadão. enquanto a caracterização do clima constitui uma generalização ou integração das condições do tempo. para que possam ser analisadas em tempo hábil. Em termos práticos. Os resultados da previsão do tempo são divulgados nas mais variadas formas. o mais rápido possível.S. devido aos prejuízos materiais e de vidas humanas que o desconhecimento destes fenômenos podem ocasionar. que nem sempre é compreendida plenamente pelo público em geral.H. através de informações reportadas por aeronaves. mantida pelos países que integram a OMM (Organização Meteorológica Mundial). para um certo período e uma determinada área. para o caso da previsão do tempo. a compreensão dos fenômenos atmosféricos tem ganhado relevada importância. grandes recursos têm sido aplicados à meteorologia em todos os países do mundo.1. Estes provém de estações meteorológicas distribuídas pelo mundo. é necessário compreender a diferença entre tempo e clima. para fins de previsão de tempo. mas abrangem uma fabulosa rede internacional de informações e coleta de dados. tanto para o desenvolvimento da previsão do tempo. das imagens de satélites e de radar. navios e bóias oceânicas.

Esta pressão varia com a altitude do lugar e também com as condições do tempo. O segundo passo significativo da meteorologia. tais como os anemômetros. as informações obtidas pelas diversas estações meteorológicas.). No Ocidente os primeiros registros foram feitos por Aristóteles (século IV a. termômetros.H. está relacionada ao movimento ascendente do ar. Desta forma. rumo a viabilização da previsão do tempo. isto é.Ferreira . sua relação com as condições do tempo e a fundamentação das leis físicas nos séculos seguintes. que também corresponde à pressão normal atmosférica ao nível médio do mar. permitindo a condensação do vapor d’água e a formação de nuvens.013 x 105 N/m2 . O aumento dos valores de pressão está relacionado ao movimento descendente do ar. outros importantes instrumentos meteorológicos foram inventados na mesma época. Ao contrário.S. Cabe destacar que os conceitos básicos de meteorologia e previsão de tempo podem se relacionar com os conteúdos das disciplinas escolares do ensino fundamental e médio. verificava-se na época que o peso da coluna de mercúrio era equilibrado pela pressão do ar. permanecendo aproximadamente à 760 mm de altura. de forma praticamente instantânea. Desta forma . em 1850 em DSR/INPE 5-8 S. O barômetro de Torricelli constituía-se de um tubo de vidro fechado em uma das extremidades. Um fato importante foi a invenção do Barômetro por Torricelli em 1644. através do estudo da dinâmica da atmosfera. a diminuição da pressão. etc. inibindo a formação de nuvens.C.de previsão do tempo. foi dado após a criação do telégrafo elétrico. Além do barômetro. pluviômetros. A partir da invenção deste instrumento começou a se desenvolver o conceito de pressão atmosférica. Este tubo preenchido com mercúrio era embocado em uma cuba contendo o mesmo líquido metálico. indicando a pressão de 760 mmHg . Era preciso reunir. mas foi somente no século XVII que começaram os primeiros passos significativos para o início da meteorologia como ciência. Tais relações foram depois esclarecidas. UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA O estudo da atmosfera inicio-se em tempos remotos. o que eqüivale aproximadamente à 1013 hPa (hecto Pascal) ou 1. por Samuel Morse em 1843. 2.

Washington, foram mostradas ao público os primeiros mapas meteorológicos (Cartas Sinópticas de previsão do tempo), com informações recebidas através do telégrafo. Outro grande passo foi dado em agosto de 1853, com a Primeira Conferência Meteorológica Internacional, celebrada em Bruchelas. O grande foco desta Conferência foi a necessidade de padronização da forma de coleta e transmissão de informações meteorológicas, e da necessidade de cooperação internacional para disseminação destas informações, que começou a se concretizar de fato após 1873, com a realização do Primeiro Congresso Internacional em Viena. Este foi um acontecimento sem precedentes na história da cooperação internacional em meteorologia, Meteorological Organization) http://www.wmo.ch No entanto, apesar de tudo isto, não se conseguia fazer previsões do tempo confiáveis com mais de 1 dia de antecedência. Era possível avaliar através das cartas sinópticas as condições do tempo, conhecia-se como as massas de ar se comportavam em média, mas a previsão do estado futuro da atmosfera dependia principalmente da experiência do meteorologista, pois os cálculos numéricos necessários para a previsão são extremamente complexos. Tal problema tem sido resolvido recentemente com o desenvolvimento dos supercomputadores, que têm permitido a utilização de modelos numéricos de previsão do tempo, cada vez mais precisos e que integram toda a gama de dados meteorológicos existentes. Esta nova técnica constitui-se no que hoje se chama de previsão objetiva do tempo, em contraposição as técnicas subjetivas, que se vale da experiência do meteorologista. No Brasil, o INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, através do CPTEC - Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos em Cachoeira Paulista -SP foi pioneiro no Brasil no uso de supercomputadores para a previsão objetiva do tempo, quando em 1994 inaugurou o seu primeiro supercomputador NEC - SX3. Desde então, o CPTEC tem produzido previsões confiáveis com até 6 dias, através do Modelo Global e até 3 dias com o Modelo abrindo as portas para a criação da OMM - WMO ( Organização Meteorológica Mundial - Word

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Regional. Estas informações são disponibilizadas diariamente através da Internet desde 1996 (http://www.cptec.inpe.br).

3. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE Estas estações são locais destinados a realização das observações meteorológicas, para a obtenção de dados, que caracterizam o estado presente da atmosfera. Estas estações, conforme a finalidade a que se destinam, podem ser agrupadas em diversas categorias. Dentre estas categorias, estão as chamadas estações sinópticas, que realizam as observações meteorológicas em horários padronizados internacionalmente. Os horários principais correspondem à Meridian Time”. Após a meteorológico, 00, 06, 12, 18 (GMT) das observações, o - “Greenwich observador realização

responsável pela estação , prepara os dados para serem

enviados, através do “Global Telecommunication System (GTS)” em forma de boletins codificados conforme norma da OMM. Basicamente, uma estação meteorológica dispõe de um conjunto de instrumentos para a avaliação das condições do tempo presente. O principal é o barômetro, destinado a medida da pressão atmosférica e a obtenção da pressão reduzida ao nível médio do mar. Além deste instrumento, a estação possui um ajardinado, lugar onde normalmente é instalado um anemômetro, para a medida da direção e velocidade do vento; um pluviômetro ou pluviógrafo, para a medida de precipitação e um abrigo ventilado, onde encontram-se os instrumentos destinados a medida da temperatura do ar e da umidade relativa. Além das medidas destes instrumentos, o observador meteorológico, relata as condições gerais do tempo, tais como, nebulosidade, visibilidade, etc.

4. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE As estações meteorológicas de altitude destinam-se a determinação da estrutura vertical da atmosfera. Nestas estações são normalmente empregadas as radiossondas, que consistem basicamente de dispositivos eletrônicos
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dotados de um transmissor de rádio e dos sensores de temperatura, umidade e pressão. Estes dispositivos são lançados através de balões, que podem atingir altitudes de até 40 quilômetros. Durante seu vôo, as informações obtidas pelo equipamento são transmitidas continuamente para um receptor na estação em terra. Como o balão viaja à deriva, a direção e velocidade dos ventos são calculadas por intermédio do sinal de localização emitido pela própria radiossonda. Tais informações são codificadas e transmitidas, via GTS, para os centros de previsão do tempo, em horários padrões, conforme estabelecido pela OMM. No entanto, devido ao alto custo das radiossondagens , estas são realizadas apenas duas vezes ao dia nos horários de 00 e 12 GMT

5. SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites geoestacionários situam-se a uma distância aproximada de 36000 Km, necessária para que estes se movimentem junto com a Terra. Como estes satélites visualizam sempre a mesma face do nosso planeta, uma imagem completa de toda a Terra só é possível através da concatenação das imagens procedentes de ilustra a Figura 1. diferentes satélites estrategicamente posicionados como

Fig. 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais.

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O sistema global de satélites meteorológicos, coordenado pelo CGMS (Coordination Group for Meteorological Satellites ), corresponde a uma constelação mínima de 5 satélites de orbitas geoestacionárias e dois satélites de orbitas quase polares (http://www.eumesat.de/en/area2/cgms/cover.htm). O mesmo não ocorre com os satélites de orbita polar. Situados em orbitas tipicamente bem mais próximas da Terra (850 Km de distância), os satélites polares cruzam o globo terrestre de Polo a Pólo , realizando uma volta completa em aproximadamente 100 minutos. Uma das características típicas destas orbitas é de normalmente serem heliosíncronas, isto é, fixas em relação ao plano do Sol. Desta forma, a medida que os satélites viajam entre os pólos a Terra gira de Oeste para Leste, exibindo a cada nova passagem do satélite uma região diferente do planeta. Uma imagem completa do planeta pode ser então obtida, através da composição das imagens individuais das várias passagens do mesmo satélite durante um período de 24 horas. A partir dos primeiros satélites meteorológicos , lançados na década de 60, imagens da cobertura de nuvens sobre a superfície da Terra tem sido utilizadas pêlos meteorologistas como um importante recursos na previsão subjetiva do tempo. Através da interpretação destas imagens os meteorologistas podem identificar e acompanhar os diversos sistemas meteorológicos, tais como sistemas frontais e tempestades tropicais. Tais imagens são obtidas através de sensores de radiação em diversas faixas do espectro, tais como a faixa da luz visível , faixa de infravermelho de 11µm e na faixa de absorção do vapor d'água. Por exemplo, a imagem da Figura 2 (a) foi obtida a partir do satélite geoestacionário GOES - 8 no canal 4 ( Imagem Infravermelha de 10,3 a 11,3µm). Nesta imagem verifica-se as nuanças de radiação térmica emitidas pela atmosfera e pela superfície da Terra. As regiões mais claras da imagem eqüivalem as regiões mais frias e normalmente estão associadas ao topo das nuvens mais altas. As partes mais escuras são associadas as nuvens médias e baixas, ou ao solo descoberto. A Figura 2 (b), obtida pelo mesmo satélite da Figura 2 (a) praticamente ao mesmo tempo corresponde ao canal -1 (Imagem Visível). A grosso modo podemos dizer que.

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esta é uma fotografia preto e branco da Terra onde podemos observar claramente as nuvens e as nuanças de luz produzidas pelo Sol.

Fig. 2 - Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: (a) Infravermelho ; (b) Visível Neste caso, ambas as imagens evidenciam a passagem de uma frente fria sobre o Uruguai. Ao norte da América do Sul, uma faixa de nuvens aglomeradas marcam a presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que na época do ano em questão, o Inverno, situa-se em média, um pouco mais ao norte do Equador. Em contraposição, a imagem da Figura 1(a) independe da iluminação do Sol, visto que trata-se de radiação Infravermelha emitida pela Terra; o que não ocorre na imagem da Figura 1(b). Nesta última, percebe-se as sombras nas nuvens devido a inclinação do Sol, assim como as regiões iluminadas e não iluminadas (dia / noite) no horário da imagem. No entanto, as possibilidades dos satélites vão além da simples obtenção de imagens da Terra. Através de programas de computadores específicos, as medidas de radiação podem ser utilizadas na obtenção de uma série de outras informações derivadas e em formato apropriado aos Modelos Numéricos de Previsão do Tempo. Dentre os muitos tipos de dados obtidos, os mais comuns

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SATEM.Television Infra-red Observation Satelite DSR/INPE 5-14 S. 3 TIROS . porém obtido por satélites geoestacionários. mais especificamente o canal 6 do HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) Tal canal caracteriza as temperaturas atmosféricas próximo ao nível de 800 hPa (altitude aproximada de 2000 m acima do nível médio do mar). Os dados de TOVS são obtidos através de satélites de orbita polar.H. realizadas nas poucas estações meteorológicas de altitude. constituem dados isolados e por isto insuficientes para a caracterização tridimensional do estado físico da atmosfera. sendo observados valores desde 201 K ou –72 oC sobre as regiões polares até valores de aproximadamente 269 K ou –4 oC sobre o continente africano. Na realidade. e SATOB. semelhante aos dados convencionais de radiossondagem. porém os satélites obtêm estes dados continuamente sobre toda a superfície da Terra enquanto as radiossondagens.Ferreira . O TOVS (TIROS3 Operational Vertical Sonder ) corresponde a medidas de radiação em diversos regiões do espectro. Através destas medidas obtém-se perfis reconstituídos de temperatura e umidade em diferentes camadas da atmosfera. Na Figura 3 são apresentadas as temperaturas obtidas através de um dos sensores do TOVS do satélite NOAA 14. A cada nova passagem do satélite uma nova faixa de valores de temperatura é obtida.e disponíveis através do GTS são as informações de TOVS. os dados de TOVS não possuem a mesma precisão dos dados de radiossondagens. atualmente NOAA-14. O SATEM é semelhante ao TOVS.S.

3 .S.Fig. os vetores na Figura 4 representam a direção e velocidade dos ventos obtidos no CPTEC com dados provenientes do satélite geoestacionário GOES – 8. Como exemplo. corresponde a dados de direção e velocidade dos ventos em vários níveis na atmosfera. DSR/INPE 5-15 S. obtido exclusivamente por satélites geoestacionários.Ferreira . A técnica de extração dos ventos emprega imagens sucessivas de cobertura de nuvens. Complexos programas de computador identificam o deslocamento e a evolução das nuvens em imagens sucessivas.Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 Fonte : EUMETSAT O SATOB.H. estimando assim os valores de direção e velocidade dos ventos.

4 . por exemplo. DSR/INPE 5-16 S. ou em áreas de difícil acesso como. pelo SCD2 do INPE ). Dotada de painel solar.Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 Fonte: CPTEC É importante salientar que estes são apenas alguns dos muitos tipos de dados obtidos através dos satélites para a previsão do tempo. Sua utilização estende-se nas áreas onde existem poucas estações meteorológicas convencionais. PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) As PCDs são estações meteorológicas capazes de automaticamente obter quase todos os tipos de dados obtidos por uma estação meteorológica de superfície convencional. umidade do solo. 6. a Amazônia.H.Fig.Ferreira . Os dados são transmitidos pelos satélites de coleta de dados ( No Brasil. dispensa o uso de energia elétrica. entre outras derivados dos dados de satélites.S. são igualmente importante para previsão do tempo e clima. Informações relativas a temperatura da superfície do mar.

um sobre o Sul da Argentina com pressões em torno de 1026 hPa. as radiossondagens. junto com dados obtidos por navios. A Figura 5 ilustra um recorte da análise dos campos de pressão do Modelo Global do CPTEC para as 0 horas GMT do dia 28 / 06 / 1999 . 5 . que neste caso. apenas 12 horas antes das imagens de satélite da Figura 2. aviões e bóias integram a massa de dados para as previsões do tempo. DSR/INPE 5-17 S. Estes dados são analisados através de cartas sinópticas. Com a utilização de supercomputadores. A primeira.Ferreira .Modelo Global CPTEC Através desta análise verificam-se dois centros de alta pressão. o CPTEC tem realizado às análises e previsões através de modelos numéricos. no Atlântico. sobre a Argentina. A partir da análise destas cartas são realizadas as previsões do tempo.H. ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO As estações de Superfície. Estes centros de pressão caracterizam grandes massa de ar. as imagens de satélites. onde as temperaturas são maiores.Análise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT . Fig. certamente possui temperaturas baixas e avança em direção à segunda. A região de confronto entre as duas é denominada região de frente.7. isto é .S. outro sobre o Atlântico (1023 hPa). por caracterizar o avanço de massa de ar frio sob a massa de ar quente.

além dos campos de pressão estão sobrepostos os campos de precipitação acumulada no período.corresponde à uma frente fria que atua sobre o Uruguai. Na Figura 6 temos as previsões do modelo Global do CPTEC para as próximas 24 horas. Tal movimento é chamado de circulação anti-cilclônica. que apresenta valores de pressão inferiores à 986 hPa. isto é. a circulação dos ventos ocorre no sentido anti-horário e no Hemisfério Norte. temos baixas pressões e grandes movimentos de ar úmido . que em partes é decorrente do movimento de rotação da Terra. Tal ciclone encontra-se ainda associado à frente fria sobre o Uruguai. Uma característica interessante dos centros de alta pressão é a circulação dos ventos em torno destes centros. horário no Hemisfério Sul e anti-horário no Hemisfério Norte.S. sendo também chamado de circulação ciclônica. Nos centros de baixa pressão o movimento é invertido.Ferreira . No Hemisfério Sul. Nesta figura. É o exemplo do ciclone situado no litoral sul da Argentina (Figura 5 ). no sentido horário. Fig. 6 . Na região da frente.H.Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT DSR/INPE 5-18 S. que produzem grande quantidade de nuvens e chuva. através da disposição das nuvens em espiral. Podemos também perceber este ciclone através das imagens de satélite da Figura 2.

avança sobre o sul da Argentina. A Alta pressão do Atlântico estende-se por grande parte da Região Sudeste e Nordeste do Brasil. o Modelo Global do CPTEC gera previsões até 120 horas ( 6 dias ). Deve-se no entanto observar.Ferreira . para que tais resultados possam ser melhor aproveitados. associados à este sistema. CONCLUSÃO Para a previsão do tempo é necessário o envolvimento de grandes recursos e da cooperação entre os países. Deste modo.Comparando-se o campo de pressão desta figura com a análise da Figura 2 . exceto na região litorânea. compreendida entre o Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. portanto bem mais preciso que o modelo Global. não basta ter acesso às informações. desloca-se para leste enquanto a alta pressão. destacando a DSR/INPE 5-19 S. O Ultimo passo deste processo é a interpretação destas saídas pelos meteorologistas. para serem posteriormente divulgados. que quanto mais longas forem as previsões do tempo. O centro de baixas pressões. até a saída das previsões numéricas do tempo. que se estendem sobre o oceano Atlântico. No entanto. o CPTEC ainda disponibiliza os resultados do Modelo Regional ETA. Os resultados são úteis para diversas áreas de atividade humana e também para a população em geral. Além do Modelo Global. onde o tempo provavelmente permanece estável com poucas nuvens. menos confiáveis elas serão. que confeccionam os boletins escritos de previsão do tempo. que utiliza uma grade de 200 x 200 Km. É necessário noções gerais de meteorologia. Da mesma forma que foi gerada esta previsão. matemática e geografia entre outras. Estes boletins são atualizados diariamente na Internet. 8. da retaguarda deste sistema. exemplificamos como as informações meteorológicas são trabalhadas. tais como a física. que utiliza uma grade de resolução de cálculo de 40 x 40 Km de área para até 3 dias de previsão. sejam estes por especialistas ou pelo público em geral. verificamos que o modelo prevê o sistema frontal sobre o Rio Grande do Sul .S. onde também são previstas chuvas. e ainda conhecimentos das mais diversas áreas.H.

Meteorologia Básica e Aplicações. CGMS Directory of Meteorological Satellite Applications.htm [19 Jun. Geneva.H. 1998 THE EUROPEAN ORGANISATION FOR METEOROLOGICAL SATELLITES: EUMETSAT. Boston 1996. 9. Ed. 1994 CENTRO DE PREVISÃO DO TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS: CPTEC. 2001] Fleming J. E. UFV Imprensa Universitária. WMO No. One Hundred Years of International Co-operation in Meteorology (1873-1973). C. M. Disponível na Internet: http://www3. R.importância do trabalho do professor.inpe.cptec. na divulgação desses conhecimentos.S. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ahrens. 345. Novo. West Publishing Company. D.de/en/area2/cgms/cover. Meio Ambiente e Ciências Atmosféricas: A utilização de Multimídia e da Rede Internet no ensino Público de Nível Médio. Historical Essays on Meteorology 1919-1995. 2a ed . Climate and the Environment.html [19 Jun. Edigard Blücher São Paulo. 2001] Vianello. Disponível na Internet http://www. 5. Viçosa. Meteorology Today: An introduction to Weather. 1973 DSR/INPE 5-20 S.Ferreira .eumetsat. American Meteorological Society.br/~ensinop/index. 1991 WORLD METEOROLOGICAL ORGANIZATION: WMO. Sensoriamento remoto: Princípios e Aplicações.L.

CAPÍTULO 6 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À OCEANOGRAFIA Milton Kampel* INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO *milton@ltid.inpe.br .

ÍNDICE DSR/INPE 6-2 M.Kampel .

............................. 6..... 6......2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA ...............30 DSR/INPE 6-3 M......2...........................................1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA ........2...........11 3 APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA ......20 3.................................................. 6..............................1........18 3.............LISTA DE FIGURAS ..................................................24 3.......Kampel .........19 3.......3 GERENCIAMENTO COSTEIRO .......................... 6...........................................9 2........1.... 6....................................15 3.16 3....1................. 6........ 6............................2 COR D’ÁGUA ..............................................................3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS ... 6..................................................22 3.....................2 RESSURGÊNCIAS .... 6..........25 3........................................ 6............1 O QUE É OCEANOGRAFIA .3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES ..............................7 2 INTRODUÇÃO ................ 6..2.9 2..28 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......... 6.............................15 3................ 6................3 VÓRTICES E FRENTES .............1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS ...............................................................5 1 APRESENTAÇÃO ..............2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA .......................1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR ............. 6.........................9 2.............. 6.. 6....................... 6... 6...........................27 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..........

LISTA DE FIGURAS DSR/INPE 6-4 M.Kampel .

. 26 Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo......Figura 1............ 25 Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7......... composição colorida 3B4G5R...Anomalia de temperatura da superfície do mar.... padrão WOCE...... 1000......... do Baixo do Parnaíba (PI........ Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos............C... sensor ETM+....... Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura).... A escala de temperaturas encontra-se a direita... Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência..... ... de 08/08/2000... A parte submersa encontra-se em tons de azul. rastreado por satélite.. mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio. As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica.... 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem...Kampel ...... entre 18 e 24 de junho de 2002............. 18 Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14......... A escala de temperaturas encontram-se a direita................... MA e CE)................... nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior)... ........................m-2 encontra-se na parte inferior da figura...... A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g..... Tomé................ O continente e as nuvens estão mascarados em branco....... As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos....... 27 DSR/INPE 6-5 M...... produzida a partir de imagens do satélite NOAA-12..... (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE....... As setas menores indicam a posição da frente termal.. ........... A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S... do litoral norte do RJ..... ..... 23 Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS.. As isóbatas de 500......... A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem........................17 Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar........... em cima ...... . às 05:23h...... 20 Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtidas a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira.... Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura)..

1 APRESENTAÇÃO A Terra é um planeta aquático com dois terços de sua superfície coberta por água.Kampel . Mais da metade da radiação solar que chega à superfície terrestre é DSR/INPE 6-6 M.

os recursos pesqueiros abastecem uma fração significativa da proteína consumida mundialmente. uma visão da evolução das crostas oceânica e continental. Além disso. assimilam grande. esgotos domésticos e industriais. A topografia do solo oceânico e suas propriedades magnéticas fornecem. Enquanto que a atmosfera e os continentes suportam grandes variações de temperatura nas altas e médias latitudes. desde derramamentos de óleo. e programas de defesa nacionais são cada vez mais dependentes de operações navais. Os oceanos também. a temperatura do oceano permanece mais constante. Entretanto. Os depósitos oceânicos fornecem um quadro da evolução climática global ao longo de milhões de anos. a física. biologia e geologia dos oceanos são fundamentais para o desenvolvimento e gerenciamento desses recursos vivos. Os dados obtidos tendem a vir de navios (de pesquisa ou de DSR/INPE 6-7 M.primeiro absorvida pelos oceanos. O alto calor específico da água do mar impede que a amplitude da temperatura varie rapidamente ao longo do dia. Além do aspecto climático e meteorológico. Eles podem atrasar ou reduzir o impacto do aquecimento global provocado pelo aumento nas taxas de dióxido de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis.Kampel . Os processos atuantes nos oceanos são também importantes em relação à absorção de gases. os oceanos são importantes por outros motivos: o comércio internacional se utiliza muito dos meios marinhos. essa descrição é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta. até lixo atômico. os oceanógrafos vem elaborando uma descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar. Por mais de um século. No fundo oceânico existem grandes depósitos de minerais valiosos – óleo e fontes potenciais de minerais estratégicos. química. se não a maior parte da poluição antropogênica. similarmente. Da mesma forma. onde é armazenada e redistribuída pelas correntes marinhas antes de ser liberada para a atmosfera.

sua fauna e seus limites físicos com a terra firme e a atmosfera.SP 2. A quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos e monitorados por sensoriamento remoto é bem ampla. Milton Kampel Julho de 2002 São José dos Campos . INTRODUÇÃO 2. além de alguns exemplos de aplicações da tecnologia espacial no estudo oceanográfico. Como DSR/INPE 6-8 M. apresenta novas perspectivas para a descrição e o entendimento dos oceanos. As aplicações dos dados orbitais são tão diversas que podemos considerar este meio de aquisição de informações para a oceanografia como um todo – biológica. que tem por objetivo o estudo do meio marinho. a Oceanografia é o “estudo das características físicas e biológicas dos oceanos e dos mares”. Espero que seja útil. química.Kampel . O sensoriamento remoto a partir de instrumentos orbitais ou aerotransportados. alguns aspectos relacionados à Oceanografia e ao Sensoriamento Remoto dos oceanos.1 O QUE É OCEANOGRAFIA Segundo o dicionário. Além disso. que associada a recursos computacionais cada vez mais sofisticados. geológica e física – tão eficaz como as informações obtidas por meios convencionais. fornece uma visão sinóptica dos oceanos. necessitando de medições freqüentes em locais bem distribuídos ao redor de todo o globo terrestre. a Oceanografia é uma “ciência universal. Grandes áreas oceânicas. Este capítulo “Sensoriamento Remoto Aplicado à Oceanografia” pretende apresentar. Já segundo a UNESCO. os oceanos apresentam uma grande variabilidade espaço-temporal. particularmente no Hemisfério Sul. sua flora. de forma resumida.oportunidade) que muitas vezes são obrigados a alterar suas rotas normais em função de condições meteorológicas adversas ou pela presença de gelo no mar. são pouco visitadas por quaisquer navios.

Daí sua aplicabilidade em medições das profundidades em rios ou oceanos (batimetria).Kampel . inspeções submarinas. caça de minas submersas.. O principal objetivo do estudo oceanográfico é obter uma descrição sistemática dos oceanos. detecção de cardumes e comunicações submarinas. como a bordo de satélites. Engenharia. Administração/Marketing. Na verdade. a oceanografia depende da cooperação internacional”. Paleontologia. através do emprego de balões e foguetes meteorológicos. DSR/INPE 6-9 M. podem se propagar por grandes distâncias submarinas. Oceanografia Física. A Oceanografia pode ser considerada como o estudo científico dos oceanos com ênfase no seu caráter como Ambiente. apesar de serem fortemente atenuadas na atmosfera. suficientemente quantitativa para permitir a previsão de seu comportamento com algum grau de certeza. ela se baseia no método experimental (. temperatura e umidade em diferentes níveis da atmosfera são rotineiramente coletados por serviços meteorológicos. Informações científicas sobre diferentes níveis atmosféricos também são coletadas por métodos de rádio-sondagens operados tanto por estações terrestres. Oceanografia Química e Oceanografia Geológica. dados de pressão. É convenientemente dividida em: Oceanografia Biológica. Devido às grandes dimensões dos fenômenos oceânicos e do fato de que eles raramente são gerados num mesmo lugar.qualquer outra ciência. Cartografia. Ondas ultra-sônicas.2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA O Sensoriamento Remoto não está limitado a geração e interpretação de dados na forma de imagens.. envolvendo diversas áreas como a Meteorologia. 2. a Oceanografia é uma disciplina multi e interdisciplinar. Por exemplo.). Sensoriamento Remoto. entre outras.

cabe lembrar que técnicas de sensoriamento remoto tem sido empregadas. para observação do material em suspensão na água do mar. para quaisquer variações que ocorram em profundidades nos oceanos. DSR/INPE 6-10 M.Como já mencionado anteriormente. Ondas sonoras tem sido utilizadas para estudos do fundo e subfundo marinho. velocidades.Kampel . com a utilização das ondas eletromagnéticas através da atmosfera. não haveria nenhuma objeção fundamental impedindo a extensão das técnicas de sensoriamento remoto nos oceanos. concentrações salinas. alguns oceanógrafos mais conservadores afirmam que as informações obtidas por satélites não podem ser tão precisas ou relevantes como quando coletadas por embarcações de pesquisa. a quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos com o emprego de tecnologia espacial é bem ampla. por vários oceanógrafos utilizando métodos acústicos nos oceanos.temperatura. medições de velocidade pelo efeito Doppler etc.que controlam as interações energia/matéria entre o oceano e a atmosfera. Desta forma. Desta forma. determinações de estruturas termohalinas. ao longo dos anos. praticamente. Se por um lado. a superfície. na medida em que se analisam três aspectos: 1) Inicialmente. A representatividade dos dados de sensoriamento remoto para parâmetros oceanográficos dependentes da profundidade ou que apresentem variações temporais de alta freqüência é válida. Por outro lado. ou seja. de gases dissolvidos etc. para estudos biológicos. são os parâmetros superficiais . apesar da coleta de dados via SR ocorrer em apenas uma única profundidade. . trata-se do nível mais importante. a descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta.

Em um sistema ativo. infravermelho-próximo. transmite esta radiação em direção ao alvo. automaticamente. Os sensores que atuam na região espectral do visível respondem diretamente às condições da parte superior da coluna d’água. por unidade de área. 3) Ainda.3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS É conveniente classificar os sensores e instrumentos de SR de acordo com o comprimento de onda eletromagnética usada. Outra classificação importante. e extrai informações a partir do sinal de retorno. as regiões do visível (ótico). infravermelho-termal. a alta resolução espacial (para determinados sensores) e a possibilidade de se obter séries temporais de dados consistentes por longos períodos. 2. a iluminação do sol. Em águas claras. mesmo para locais oceânicos isolados. o próprio instrumento de SR gera radiação. separa os sensores passivos do sensores ativos. podemos considerar o fato de que os dados obtidos via SR incorporam um valor médio. sendo particularmente relevantes para testar previsões de modelos numéricos. Esta é refletida pelo mar e atinge o satélite. Robinson (1985) classifica os sensores de comprimento de onda visível como passivos em relação à fonte de radiação inicial. o instrumento de SR simplesmente detecta qualquer radiação que esteja no comprimento de onda (ou bandas espectrais) para a qual o instrumento foi projetado.2) Outros aspectos positivos a serem considerados são: a visão sinóptica. Uma vez que o sensor evite a reflexão direta da luz solar. Em um sistema passivo. a radiação ascendente conterá informações conseqüentes dos processos de retroespalhamento do corpo d’água. e sua intensidade depende do tipo de fundo e da DSR/INPE 6-11 M.Kampel . de forma que a informação que se busca por meio do imageamento da cor da água está relacionada com os processos de reflexão e retroespalhamento. microondas e ondas de rádio. a luz refletida pelo fundo pode ser vista do espaço. ou seja.

dividido por sua área denomina-se “exitância radiante”. para investigar a hidrosfera. permitindo um alto grau de resolução em profundidade e uma pesquisa subsuperficial que é inatingível por outras técnicas de SR.Kampel . infravermelha e microondas. lagos e rios é possível por meio das radiações visível. no infravermelho e nas DSR/INPE 6-12 M. de forma mais rápida. voltados diretamente para baixo. Se fossem realizadas medições em vários bandas espectrais. A radiação emitida pela superfície marinha depende da emissividade desta (ou seja. ainda que a absorção da água aumente para comprimentos de onda maiores que 800 nm. a emissividade é a razão entre a exitância radiante de um corpo e a exitância radiante de um corpo negro a uma mesma temperatura). tornando assim a batimetria e a identificação de diferentes tipos de fundo duas aplicações viáveis para estes sensores. sensores operando na faixa do infravermelho-termal podem ser utilizados para estimar a temperatura da superfície do mar. Medem comprimentos de onda até a região de microondas.profundidade. registrarão a radiação emitida pela superfície do mar. tem dado uma nova dimensão às pesquisas hidrográficas e oceanográficas. Sensores operando na faixa entre 3 µm e 4 µm registrarão quantidades apreciáveis de energia solar refletida durante o período diurno. Os laseres operando numa ampla faixa do espectro. cada vez mais eles são instalados em aeronaves e navios. Esta radiação emitida é predominante para comprimentos de onda entre 10 µm e 12 µm. O SR dos oceanos. de forma que. mas no período noturno. e podem ser utilizados na determinação da temperatura da superfície do mar. Os radiômetros passivos são equipamentos que medem o fluxo de energia eletromagnética que chega aos seus sensores direcionalmente. Os sensores do infravermelho-próximo apresentam um caráter de complementaridade em relação aos do visível. Ainda que os laseres tenham sido mais empregados para sondar a atmosfera. o fluxo radiante emitido por uma superfície.

Uma vez que sua posição possa ser definida precisamente. entre outras. A rugosidade medida é causada por pequenas ondas. obter informações da emissividade e dos parâmetros dos quais ela depende. ondas internas. Sensores de microondas ativos são desenvolvidos para aplicações específicas. na vertical do local). Esta informação é útil no estudo de marés e da circulação oceânica. Este processamento permite a produção de uma imagem do retroespalhamento da superfície. marés.SAR) é capaz de processar a medição do tempo e da fase do sinal retroespalhado. estado-do-mar. e de sua amplitude. em princípio. esteiras de navios.Kampel . películas superficiais de óleo. incluindo aí a salinidade. ou seja. Bóias de deriva ou ancoradas medem in situ diferentes parâmetros DSR/INPE 6-13 M. fluxos de calor superficial. de poucos centímetros de comprimento. mesmo na presença de nuvens. A possibilidade de aplicações dos sensores ativos ainda pode ser bastante desenvolvida. Outra tecnologia espacial cada vez mais utilizada no monitoramento oceânico é o emprego de plataformas remotas para a aquisição de dados com telemetria via satélite. espectro direcional de ondas. feições topográficas de fundo. é possível determinar a altitude da superfície marinha em relação ao geóide terrestre. Esta técnica orbital permite detectar ondas de gravidade. seria possível. etc. como o estudo de correntes. a deformação do pulso refletido transporta informações sobre a altura de ondas significativas. da rugosidade desta superfície como é vista pelo radar. etc. derramamentos de óleo. o radar altímetro consegue medir a altitude da superfície marinha. em relação à sua própria posição.microondas. velocidade e direção de ventos superficiais. Além disso. Pelo registro do tempo de retorno de um pulso emitido na direção nadir (isto é. O radar de abertura sintética (Synthetic Aperture Radar . Os sensores de microondas ativos utilizam o retroespalhamento das ondas eletromagnéticas na superfície marinha para obter informações a nível orbital. É possível obter uma resolução espacial na ordem de dezenas de metros. ondas internas.

O SIG oferece também. mecanismos para combinar as várias informações através de algoritmos de manipulação e análise. transporte de calor. dados oceanográficos e meteorológicos históricos. gerenciamento e necessitam de dados monitoramento de recursos naturais atualizados.oceanográficos e meteorológicos em diferentes regiões do oceano mundial. e para consultar. Os SIG’s são normalmente utilizados para a produção de mapas. integrando dados de diversas fontes e criando bancos de dados georreferenciados. O planejamento.Kampel . transmitindo os dados via satélites. entre outras aplicações. visualizar e plotar o conteúdo da base de dados georreferenciados. Atualmente. calibração de imagens orbitais termais. Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) são ferramentas computacionais para Geoprocessamento que permitem realizar análises complexas. que possam ser constantemente interrelacionadas em diferentes conjuntos de informações para auxiliar a tomada de decisão de forma ampla e objetiva. como um banco de dados geográficos com funções de armazenamento e recuperação de informações espaciais. e ainda na modelagem de processos e fenômenos naturais permitindo o diagnóstico ambiental e seus prognósticos. entre outros. os benefícios do SR na Oceanografia brasileira ainda são restritos. como suporte para a análise espacial de fenômenos. recuperar. a noção de mapa deve ser estendida para incluir diferentes tipos de dados como imagens de satélites. informações espaciais provenientes de imagens de satélites. DSR/INPE 6-14 M. modelos numéricos e dados coletados in situ. dados coletados in situ. Estes dados são utilizados em estudos da circulação oceânica. mapas cartográficos. arquivos batimétricos. Num ambiente computacional. Um SIG é capaz de integrar numa única base de dados.

as frentes oceânicas. A obtenção da TSM a partir de radiômetros de infravermelho tem sido empregada em diversas aplicações oceanográficas tais como em estudos de mudanças climáticas globais. ser realçados radiometricamente para a geração de imagens capazes de mostrar pequenas variações de temperatura. etc. vórtices. eventos de ressurgência. meandramentos e frentes. podem ser encontrados diversos trabalhos que demonstram a utilidade das imagens termais em estudos oceanográficos. Da mesma forma. monitoramento dos campos de TSM e/ou correntes oceânicas superficiais. Estas estimativas tornaram-se possíveis tanto com a utilização de medições realizadas em apenas uma banda espectral. A medida em que dados digitais em maior quantidade e melhor qualidade foram sendo disponibilizados. outros sensores. fornecimento de suporte à pesca de peixes pelágicos. coletados por embarcações. obtendo-se desta forma. Na literatura nacional e internacional.Kampel . processos de mistura nas águas costeiras. DSR/INPE 6-15 M. têm sido utilizadas no estudo de diversos fenômenos e processos oceanográficos como as correntes marinhas. Inicialmente. como combinando-se medições de diferentes canais espectrais. Os dados digitais podem ainda.). uma precisa correção geométrica destas imagens permite a realização de análises multitemporais ou então. identificação de ressurgências. entre outros. a partir da observação de variações na temperatura da superfície do mar (TSM).3.5ºC). só se obtinham dados de satélites no infravermelho na forma fotográfica como subproduto de imagens meteorológicas. APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA 3. foi sendo possível efetuar estimativas quantitativas da TSM. de dados provenientes de diferentes fontes (por exemplo.1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR As imagens infravermelhas dos oceanos obtidas. dados mais precisos (cerca de 0. por satélites.

3.1.1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS A Figura 1 mostrada a seguir ilustra os campos médios de anomalia de temperatura da superfície do mar entre 18 e 24 de junho de 2002, para os Oceanos Atlântico e Pacífico, respectivamente. Estes mapas foram produzidos pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE a partir de dados de satélites disponibilizados pelo Centro de Previsão do Tempo dos Estados Unidos – NCEP/NOAA. As anomalias de temperatura da superfície do mar são calculadas pelos desvios dos valores de TSM em relação a médias climatológicas obtidas por séries longas de dados de satélites. Nesta figura, podemos observar que os valores de TSM estão indicando uma evolução gradual do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. No Oceano Atlântico Sul, as águas superficiais entre a América do Sul e a costa oeste e sul da África permanecem quentes em relação a semanas anteriores. Já no Atlântico Norte, notam-se desvios negativos da TSM próximos à costa noroeste da África, sugerindo a presença de uma banda de nebulosidade normalmente associada à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Neste caso, a posição atual da ZCIT estaria ligeiramente ao sul da sua posição média climatológica.

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Figura 1 – Anomalia de temperatura da superfície do mar, entre 18 e 24 de junho de 2002, nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior). A escala de temperaturas encontra-se a direita, em cima. Eventos como o El Niño, que causam enormes prejuízos materiais e até perdas de vidas humanas, e o potencial efeito do aquecimento global devido ao aumento nos níveis de dióxido de carbono na atmosfera proveniente da queima de combustíveis fósseis (efeito estufa), enfatizam a importância do monitoramento oceânico realizado com auxílio de satélites para estudos e previsões climáticas.

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3.1.2 RESSURGÊNCIAS A Figura 2 mostra a ocorrência de um evento de ressurgência costeira na região de Cabo Frio, RJ. A imagem termal foi adquirida pelo sensor AVHRR (Advanced Very High Resolution Radiometer), instalado a bordo do satélite NOAA-12, na madrugada de 15 de dezembro de 2000. Os tons em vermelho ao largo na imagem com valores altos de TSM (>23ºC) estão associados à Corrente do Brasil. Esta corrente quente, salina e pobre em sais nutrientes, banha grande parte da costa brasileira.

Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar, produzidas a partir de imagens do satélite NOAA-12, às 05:23h, mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio. A escala de temperaturas encontra-se a direita. Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência. O continente e as nuvens estão mascarados em branco. A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem. Na região de Cabo Frio, quando sopram ventos intensos e constantes do quadrante NE, ocorre o fenômeno da ressurgência. As águas de subsuperfície, mas frias e ricas em nutrientes, são bombeadas para níveis mais rasos, chegando a aflorar na superfície. A presença destas águas subsuperficiais pode ser facilmente notada na imagem da Figura 2 em tons azuis, com TSM’s abaixo de 19ºC.

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3.1.3 VÓRTICES E FRENTES A Figura 3 apresenta uma imagem termal, processada, do satélite NOAA-14 obtida em 8 de agosto de 2000 sobre o litoral norte do RJ. Os tons vermelhos na imagem, com valores de TSM acima de 23ºC estão associados à Corrente do Brasil, fluindo de nordeste para sudoeste. As águas sobre a plataforma continental, com TSM’s mais baixas (< 22ºC), ficam separadas das águas quentes da Corrente do Brasil por uma frente termal, onde são observados intensos gradientes horizontais de temperatura. Nestas regiões oceânicas ocorrem agregações passivas de organismos com pouca ou nenhuma capacidade natatória que servem de alimento para outros consumidores mais evoluídos. Daí seu interesse para a pesca oceânica de peixes pelágicos e outros recursos marinhos. A posição aproximada da frente está assinalada na Figura 3 por pequenas setas sucessivas. Entre as latitudes 22º-23ºS e as longitudes 40º-41ºW, e em torno da posição 24ºS-42ºW, podemos notar a presença de dois vórtices ciclônicos, com rotação no sentido horário (ver indicação das setas mais largas na Figura 3). Estas estruturas de mesoescala provocam misturas verticais e horizontais de águas com características físicas e químicas diferentes. Desta forma, processos biológicos nestas regiões acabam sendo influenciados por estes forçantes físicos alterando temporariamente a estrutura e o funcionamento do ecossistema.

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Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14, de 08/08/2000, do litoral norte do RJ. Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura). As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos. As setas menores indicam a posição da frente termal. 3.2 COR DA ÁGUA

A cor do oceano é resultante da energia solar retroespalhada pela superfície marinha e pela coluna d’água. O azul escuro do oceano profundo é típico de águas com baixas concentrações de organismos fitoplanctônicos (algas unicelulares marinhas) ou outras substâncias opticamente ativas (materiais

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A medida que se aproxima da costa. O fitoplâncton altera as propriedades ópticas da água do mar (Yentsch.orgânico e inorgânico). é restrito a esta camada.Kampel . visto que. Quanto mais próximo da costa. através do sensoriamento remoto orbital. 1970). resta interpretar a radiância ascendente ressurgente da água em termos das características ópticas das camadas superiores do oceano (ou em termos das variações nas concentrações e tipos de material dissolvido e particulado que contribuem para variações nestas propriedades ópticas). DSR/INPE 6-21 M. da profundidade até onde a irradiância é reduzida a 37% (1/e) do seu valor na superfície (Gordon e McCluney. 1959. ou seja. Assumindo que a contribuição atmosférica ao sinal do satélite pode ser estimada. a entrada de nutrientes no ambiente aquático geralmente aumenta. 1978. As equações utilizadas nestes procedimentos são coletivamente referidas como algoritmos bio-ópticos (Smith e Baker. Clark. 1975). A cor da água muda para amarelo-marron chegando a vermelha em certas circunstâncias.. a determinação da concentração de pigmentos. Estas cores percebidas pelo olho humano podem ser quantificadas por medidas da distribuição espectral da radiância ascendente da água realizadas por sensores instalados em satélites. Por isso. Avaliações quantitativas das propriedades bio-ópticas da água do mar requerem métodos precisos de correção atmosférica. cerca de 90% do sinal detectado pelos sensores orbitais provêm da atmosfera. maior a contribuição de sedimentos e material dissolvido provenientes do continente. com conseqüente desenvolvimento de maiores concentrações de fitoplâncton e mudança de cor do azul para o verde. 90% retorna à atmosfera e é proveniente da primeira profundidade óptica. 1981). Clarke et al. Da irradiância que chega aos oceanos.

1994. é possível observar sinopticamente feições biológicas de sistemas dinâmicos como os grandes giros subtropicais. podemos citar os estudos de processos dinâmicos de correntes de maré. Santamaria-del-Angel et al. através de programas de pesquisa abrangentes.2. 1997. Monger et al.Apesar destas limitações. plumas de efluentes domésticos e/ou industriais também podem ser monitorados com esta tecnologia. A cor da água do mar é. algumas vezes. torna-se possível avaliar o papel dos oceanos no ciclo global do carbono. frentes oceânicas.. alterada pela presença de determinados tipos de poluentes.Kampel . Entre estas.. lançando mão da distribuição de sedimentos em suspensão como traçador. tem se desenvolvido diversas aplicações oceanográficas com a utilização de dados orbitais da cor do oceano. assim como em outros ciclos biogeoquímicos. Estas imagens podem ainda ser utilizadas para monitorar plumas de sedimentos carreados por rios para a região costeira. os mapas de concentrações de clorofila-a obtidos atualmente têm acurácia de ±30% no intervalo entre 0. aliadas à cobertura por nuvens. como a clorofila-a. Laurs e Brucks (1985) demonstraram a utilização dos mapas de concentração de pigmentos no estudo da distribuição de capturas de tunídeos. Segundo Hooker e McClain (2000). Desta forma. ressurgências e vórtices de mesoescala (Peláez e McGowan. 1986. DSR/INPE 6-22 M. 3. 1994. Biggs e Müller-Karger. servindo como indicadores auxiliares no controle da poluição marinha. A obtenção rotineira de dados quantitativos das propriedades bio-ópticas dos oceanos permite ainda o exame dos fatores oceânicos que afetam as mudanças globais.m-3.05-50 mg. Da mesma forma.1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA Rotineiramente. A partir de imagens da concentração superficial de pigmentos. entre outros). os dados da cor do oceano obtidos por satélites são empregados para estimar as concentrações de clorofila na superfície do mar.

e as águas mais ricas sobre a plataforma. As setas pequenas na imagem indicam a presença de uma frente oceânica formada entre as águas pobres e oceânicas da Corrente do Brasil. 1000. Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. Tomé. normalmente localizadas mais próximo à costa. Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtida a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira. As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica.A Figura 4 apresentada a seguir mostra os campos superficiais de concentração de clorofila-a obtidos pelo processamento da imagem SeaWiFS de 09/08/2000. As isóbatas de 500. Os tons de amarelo a vermelho correspondem a águas mais ricas em clorofila.Kampel . típicas das águas oligotróficas da Corrente do Brasil. Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura). 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem. A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S. DSR/INPE 6-23 M.

correspondem aos menores valores de produtividade. Com isso. A Figura 5 mostra um mapa médio da produtividade primária fitoplanctônica integrada na coluna d’água (g. são encontrados em regiões costeiras.2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA A velocidade com que as concentrações de clorofila variam no tempo e/ou quanta fotossíntese está ocorrendo durante o dia é chamada de produtividade primária (primária porque é a fase inicial e crítica da teia alimentar). É interessante notar a mais alta produtividade do Oceano Atlântico Norte em relação ao Atlântico Sul.Kampel . A análise de séries temporais de imagens da cor do oceano permite que se conheça a magnitude e a variabilidade das concentrações de clorofila e da produtividade primária em escala global.2. A irradiância disponível na superfície do mar foi calculada por modelos de transferência radiativa (Gregg e Carder. Feições oceanográficas de mesoescala também podem ser visualizadas em imagens da cor do oceano.A seta mais larga quase em frente a Cabo de São Tomé. Os tons de verde a vermelho. A produção primária é expressa como função da biomassa fitoplanctônica e da irradiância disponível em diferentes níveis de profundidades. A tabela de cores aparece na parte inferior da figura. 1990).m-2) para o mês de agosto de 1998.C. 3.1992). Este mapa foi obtido a partir de um algoritmo semi-analítico baseado nas relação fundamental entre fotossíntese e luz. e a irradiância DSR/INPE 6-24 M. da mesma forma como em imagens termais. de divergência equatorial e em áreas de ressurgência. indica o sentido de rotação de um vórtice ciclônico presente na imagem. nesta época do ano. típicos de águas oceânicas pobres. Os tons azuis. pode-se tentar quantificar as relações entre a física dos oceanos e os padrões de produtividade em grande e mesoescala (McClain et al. correspondentes a valores de produção primária mais altos. A biomassa fitoplanctônica na camada superficial é determinada pela concentração de clorofila-a obtida por imagens da cor do oceano..

pode-se dizer que a sustentabilidade das atividades humanas nas zonas costeiras depende de um meio marinho saudável e vice-versa.C. A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g. Desta forma. O Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) é um dos instrumentos do Gerenciamento Costeiro que baliza o processo de ordenamento territorial DSR/INPE 6-25 M.2. fundamentalmente. a atividade de gerenciamento deste amplo universo de trabalho implica. com interações que lhe conferem um caráter de fragilidade.3 GERENCIAMENTO COSTEIRO A Zona Costeira abriga um mosaico de ecossistemas de alta relevância ambiental. Em síntese.Kampel . e deste com a sociedade. A maior parte da população mundial vive em zonas costeiras. 1988). 3. na construção de um modelo cooperativo entre os diversos níveis e setores do governo.m-2 encontra-se na parte inferior da figura. e há uma tendência permanente ao aumento da concentração demográfica nessas regiões.disponível abaixo da superfície do mar foi estimada por modelos de atenuação na coluna d’água (Sathyendranath e Platt. cuja diversidade é marcada pela transição de ambientes terrestres e marinhos. Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS.

até a isóbata de 20 m. do Baixo do Parnaíba (PI. tem-se uma área total de 16. composição colorida 3B4G5R.Kampel .25 km2.744. Para garantir a sustentabilidade do seu desenvolvimento. à porção terrestre. Incorporando a área marinha. DSR/INPE 6-26 M. MA e CE. entrte os estados do Pi. foi elaborado um ZEE como um passo importante para orientar planos de gestão. sensor ETM+.necessário para a obtenção das condições de sustentabilidade ambiental do desenvolvimento da Zona Costeira. Esta região é alvo de diferentes interesses que visam a alterar suas condições de uso e ocupação. Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7. MA e CE). incluindo o seu delta. O avanço da ocupação sobre a área e a intensificação de alguns usos têm aumentado as ameaças quanto à degradação ambiental e à dilapidação do patrimônio natural. A Figura 6 a seguir mostra a área do Baixo Rio Parnaíba.

existem outros tipos de dados úteis aos estudos oceanográficos.3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES Como mencionado anteriormente.dsr. (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE. O índice de aproveitamento utilizando a telemetria de dados por satélites.inpe. Bóias ancoradas e derivadores rastreados por satélites. Oceano Atlântico Sudoeste. através do Sistema Argos. A parte submersa encontra-se em tons de azul.Kampel .html Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo. que não na forma de imagens. Suas trajetórias. podem ser acessados pela internet em: http://www. padrão WOCE (Figura 7). e Atlântico Tropical. Atualmente temos em atividade 10 derivadores de baixo custo. padrão WOCE. têm sido desenvolvidos e utilizados pelo INPE desde 1985. como por exemplo. rastreado por satélite. o que nos motiva a continuar trabalhando desta forma. têm sido excelente. na costa brasileira. para estudos ambientais e oceanográficos nas regiões da Antártica. bem como os dados de temperatura da água e pressão ao nível do mar coletados por eles. DSR/INPE 6-27 M. mas que podem ser obtidos com auxílio da tecnologia espacial.3.br/pnboia/pnboia.

cptec. calibração de imagens orbitais termais. pretende continuar lançando outros derivadores nos próximos anos. Os dados oceanográficos e meteorológicos adquiridos automaticamente por estas bóias são transmitidos via Sistema ARGOS. transporte de calor. com participação do INPE que pretende estudar as interações entre o oceano e a atmosfera na região do Atlântico Tropical que sejam relevantes para os estudos sobre as mudanças climáticas.Pelo menos outros 50 derivadores do mesmo tipo foram lançados na nossa costa. monitoramento ambiental. nos últimos anos. De um total de 12 bóias fundeadas em atividade atualmente. Esperamos ter demonstrado. Os dados coletados por estes derivadores são utilizados em estudos da circulação oceânica.inpe. cabe mencionar que diversos outros parâmetros e variáveis de interesse oceanográfico também são obtidos com o emprego de tecnologia espacial. previsões meteorológicas marinhas. pesca. podemos citar: a detecção de derrames de óleo no mar através de radares de abertura sintética. segurança nacional. a capacidade dos satélites de pesquisa em medir parâmetros e/ou variáveis oceânicas importantes para o clima. entre outras aplicações. O Programa Nacional de Bóias. intensidade e direção dos ventos superficiais. Depois de processadas.Kampel . conduzido pelo INPE e pela Marinha do Brasil. ainda que de forma sucinta. entre outros. etc. transporte marítimo. Mesmo com a tecnologia espacial DSR/INPE 6-28 M. todas as informações são disponibilizadas pela internet.br/pirata/) é uma iniciativa internacional. 6 estão sob responsabilidade do Brasil. CONSIDERAÇÕES FINAIS Além dos exemplos de aplicações apresentados acima. altura e direção de ondas. 4. O Projeto Pirata (http://www4. através de altímetros e escaterômetros. estando atualmente inativos. Como exemplo.

bem como não podemos deixar de conhecer os sistemas e os sensores em disponibilidade e suas técnicas de utilização. características estas possíveis de serem obtidas com o emprego de satélites. Evidências deste progresso são os novos programas que utilizam a tecnologia espacial para aplicações em oceanografia. Diversos projetos de pesquisa que utilizam dados coletados por satélites têm ampliado o nosso entendimento sobre o sistema oceano. ainda existe uma insuficiência de informações em muitas regiões do nosso planeta. de mais esta conquista do Homem na procura da compreensão do meio em que vive. Atualmente. são incluídos os estudos de processos oceanográficos que requerem uma resolução espacial sinóptica e uma capacidade de amostragem por longo período.atualmente disponível. não devemos esquecer os princípios básicos envolvidos na aquisição de dados por Sensoriamento Remoto. Neste contexto geral. Se desejamos acompanhar esta evolução. DSR/INPE 6-29 M. As áreas mais promissoras são as que utilizam dados coletados convencionalmente . quase todos os ramos da Oceanografia consideram o Sensoriamento Remoto como uma ferramenta de grande utilidade na aquisição de dados de interesse. para nos beneficiarmos da melhor forma possível.por bóias e navios. é o de explorar teorias e conceitos e desenvolver aplicações que não se concretizariam somente com a utilização de métodos convencionais.Kampel . mais especificamente na área de Oceanografia. e por observações orbitais de forma complementar. afim de se revelar uma perspectiva mais ampla para o estudo e entendimento de processos e fenômenos oceanográficos. O desafio àqueles que desenvolvem pesquisas em Sensoriamento Remoto.

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mail : stelio@ltid.br 7-1 S.inpe.S.Tavares Jr DSR/INPE .CAPÍTULO 7 S E N S O R I A M E NT O R E M O T O APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS Stélio Soares Tavares Júnior∗ INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE ∗ e.

DSR/INPE 7-2 S.Tavares Jr .S.

. 7-4 2...........S......... 7-8 DSR/INPE 7-3 S................ INTEGRAÇÃO DE DADOS.... FATORES CONSIDERADOS......Tavares Jr ..................................................... 7-7 4............................ÍNDICE 1.............. QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS ...................... 7-7 3............. FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA ................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................................

TM podem mostrar feições associadas a zonas de alteração hidrotermal. FATORES CONSIDERADOS. algumas razões de bandas como a entre as bandas 5 e 7 do Landsat 5 . Ex: cursos de água de ordens inferiores e formas menores de relevo como aquelas produzidas pelos processos erosivos atuais como voçorocas. que por muitas vezes tornam-se importantes para a fotointerpretação geológica. DSR/INPE 7-4 S. QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS: Características do sistema sensor Litologia (tipos de rochas) Fisiografia da região Influência das variações sazonais refletidas na cobertura vegetal Influência das variações sazonais refletidas nos ângulos solares de elevação e azimute . ravinas e cicatrizes de deslizamentos.S.Características do sistema sensor a) Sistemas Ópticos • Resolução Espacial – imagens com resoluções espaciais adequadas contribuem de forma significativa para detecção de feições menores. largura e quantidade de bandas de um determinado sensor constituem importantes fatores para detecção de características particulares de uma dada região. Por exemplo. as quais. podem estar relacionadas a processos de enriquecimento mineral. • Resolução Espectral – a posição.Tavares Jr .SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS 1. por sua vez.

umidade e orientação estrutural. pois são importantes para o realce topográfico. após contato com o terreno. Desse modo na imagem resultante predominam tons de cinza mais escuros. enquanto os elevados são para áreas de relevo movimentado. e cujo conhecimento é considerado um fator indispensável na interpretação dos dados SAR. Entre essas características dos sensores. por conseguinte interferem na qualidade e confiabilidade da interpretação. Quanto ao comprimento de onda.Tavares Jr . Os principais minerais de rochas ígneas possuem curvas de reflectâncias lisas. geralmente o trend estrutural principal da área. Em termos geológicos as feições de maior destaque. Estes aspectos influenciam diretamente na aparência da imagem. Esta seleção também deve levar em consideração aspectos morfológicos do terreno como: rugosidade (macro e superficial). terrenos planos com vegetação rala podem configurar uma superfície lisa para determinadas faixas de freqüência como a da banda L. b) Sistema Radar A existência de sensores SAR com características distintas de comprimento de onda. produzindo uma imagem com melhor variação tonal.• Resolução Radiométrica – as variações nos níveis de cinza resultado da sensibilidade com que o sistema registra as mudanças de comportamento dos alvos. ocasionando um fraco sinal de retorno da REM à antena. resolução espacial e geometria de iluminação favorece a seleção de imagens mais adequadas às aplicações geológicas. podem auxiliar na interpretação da variabilidade litológica. . possuem comportamentos espectrais próprios. em áreas de vegetação densa e relevo movimentado o sinal de retorno é mais forte. ou seus derivados do intemperismo. Entre as rochas a reflectância decresce dos termos ácidos (pegmatitos e granitos) para os básicos e DSR/INPE 7-5 S. ressalta-se a importância do comprimento de onda e da geometria de iluminação.Influência da Litologia O mapeamento geológico parte do princípio que diferentes tipos de rochas. são mais realçadas quando o azimute de visada é ortogonal às suas direções. polarização. permitindo apenas a diferenciação entre félsicos e máficos.S. a qual é composta pelo ângulo de incidência e azimute de visada. Por outro lado. Ângulos de incidência menores são adequados para terrenos planos.

onde a folhagem apresenta alta reflectância. ela aparece em tons de cinza mais escuros nas bandas espectrais do infravermelho próximo.75 µm). Essa diferença torna-se mais evidente nas imagens obtidas em épocas de estiagem.Influência das condições fisiográficas da área A escolha adequada da banda espectral é fundamental para a obtenção de bons resultados no mapeamento dos tipos de cobertura. outros intervalos espectrais. Entre as rochas parcialmente alteradas nota-se comportamento semelhante. como o da banda 5 do TM (1. Nas imagens de áreas com cobertura vegetal tipo savana.76-0. que por sua vez refletem a organização estrutural.ultrabásicos.S. a vegetação pode servir como parâmetro auxiliar no mapeamento geológico. Nas áreas de savana. favorecem tanto a fotointerpretação dos traços estruturais como a análise da associações geobotânicas sobre imagens de sensoriamento remoto. quando a vegetação encontra-se no seu vigor máximo. apenas com um aumento relativo dos valores de reflectância. rochas totalmente alteradas considera-se o comportamento dos solos derivados. as respostas espectrais podem estar diretamente associadas a variabilidade litológica e ou pedológica. devido ao menor porte e maior espaçamento da distribuição da vegetação.9 µm) e a erosão diferencial contribuem para análise estrutural e a discriminação litológica. podem fornecer uma imagem com melhor variação tonal. quando a vegetação encontra-se sob estresse hídrico. a alta reflectância na banda 4 do TM (0. Épocas de estações chuvosas.Tavares Jr . Dessa forma. DSR/INPE Em 7-6 S. inclusive a vegetal. .551. mesmo na estação chuvosa. Em regiões de floresta densa. Nesse caso. principalmente daquelas na faixa espectral do infravermelho próximo. a qual está diretamente associada às respostas espectrais da litologia e ou do solo.Influência das variações sazonais na cobertura vegetal Este fator influencia na intensidade com que a cobertura vegetal reflete os grandes traços geológicos e contribui para associações geobotânicas. desenvolvida sobre solos de baixa fertilidade. pois a parte superior da floresta tende a acompanhar os traços do relevo regional. em relação as do infravermelho médio. .

além de colaborar na redução de custos despendidos em trabalhos de campo. porém em regiões equatoriais esse ângulo pouco varia com a sazonalidade. como é o caso das imagens geofísicas de gamaespectrometria. Em geral nas aplicações geológicas procura-se integrar dados de alta resolução espacial que realcem aspectos morfológicos do terreno. como é o caso das imagens SAR. Desse modo a utilização dessas técnicas alcançou uma vasta variedade de aplicações dentro do conjunto de disciplinas das Ciências da Terra. Dentro das várias técnicas utilizadas destaca-se o método baseado na transformação para o espaço IHS. a qual de uma forma geral exerce controle nas acumulações minerais. que estejam relacionados com a variação litológica. para as análises quantitativas e qualitativas e para os procedimentos de interpretação visual em geral. com dados que denotem aspectos do comportamento espectral dos materiais constituintes. bem como suas disposições refletem a organização estrutural. FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA O primeiro passo seguido na etapa de interpretação geológica consiste no reconhecimento na imagem dos elementos naturais da paisagem (drenagem e relevo).S. ou seja.Tavares Jr . Esses desempenham papel fundamental no desenho da paisagem natural da superfície terrestre. devem ser considerados. 2. as quais visem a seleção de cenas. Assim justifica-se a necessidade de análises multitemporais.Influência das variações sazonais decorrentes dos ângulos solares de elevação e azimute Menores ângulos de elevação solar produzem maior realce do relevo e permitem com maior facilidade a identificação de lineamentos estruturais. Desse modo outros parâmetros. como o azimute de iluminação solar. INTEGRAÇÃO DE DADOS As técnicas de fundir dados provenientes de fontes diferentes (multifontes) vêm sendo amplamente utilizadas com intuito de gerar um produto final de boa qualidade visual. 3. A DSR/INPE 7-7 S. cuja o azimute solar seja o mais ortogonal possível com as orientações estruturais. a fim de melhor realça-las..

2001.inpe.br/obt/dsr/geologia. 4.. São José dos Campos: INPE/ADIMB. P. 2000b. São José dos Campos: INPE. P. porém o mais comum é a passagem gradual ou difusa das propriedades dos elementos texturais. 1982. Veneziani. Os limites entre essas zonas podem ser bem definidos e corresponderem a contatos litológicos. por ser condicionada à reflectância dos alvos da superfície terrestre. E. A partir desse exame individualiza-se na imagem vários setores com propriedades de textura e estrutura similares. [online]. R. é possível avaliar os significados geológicos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida Filho. (INPE-2227-MD/014). A. os quais constituem as zonas homólogas.Tavares Jr .variação tonal é um outro elemento de imagem que merece destaque. R. O passo seguinte consiste em um exame cuidadoso do padrão de organização desses elementos. Elementos de análise e interpretação de imagens de sensoriamento remoto. no caso de produtos multifontes.. Santos. Veneziani.. Ago. Para os produtos integrados multifontes considera-se a variação de matiz. 54p. & Anjos. Paradella. C. Caracterizadas as diversas formas de arranjo dos elementos texturais de drenagem e relevo juntamente com o exame da variação tonal e ou de matiz. http://www. através da análise das propriedades de suas formas. a qual reflete as características (variação litológica) dos dados utilizados na fusão com o SAR ou com um produto derivado das imagens multiespectrais . 103p. C.S. Metodologia de interpretação de dados de Sensoriamento Remoto e aplicações em Geologia. isto ocorre quando é marcado por uma quebra negativa de relevo. R. Morais. Radar aplicado ao mapeamento geológico e prospecção mineral: aplicações. W. DSR/INPE 7-8 S. bem como definir unidades fotolitológicas e associa-las às litologias descritas em trabalhos anteriores. M.

br .inpe.CAPÍTULO 8 SENSORIAMENTO REMOTO NO E S T U D O D A V E G E T A Ç Ã O: DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA F l á v i o J o r g e P o n z o n i1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 flavio@ltid.

J.DSR/INPE 8-2 F.Ponzoni .

.. INTRODUÇÃO .............................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 8....................................... DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA ...... 8-15 5.................... 8-7 2....5 1........ 8-8 3.................... 8-17 6........... 8-12 4.................................................................................................... INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS ........................................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ....J...... A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO ....... PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS .............................................. 8-27 DSR/INPE 8-3 F.............Ponzoni ...................

Ponzoni .DSR/INPE 8-4 F.J.

.................................Ponzoni .. 8-10 2 – CURVA DE REFLECTÂNCIA TÍPICA DE UMA FOLHA VERDE ............................................................ 8-25 DSR/INPE 8-5 F.....22 5 – CONTORNO DAS CARTA TOPOGRÁFICAS NA ESCALA 1:250............................................................. 8-11 3 – DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA ................................................ 8.................J......... 8-23 6 – COMPOSIÇÕES COLORIDAS UTILIZADAS NOS MAPEAMENTOS DE 1985-90 (A) E 1990-95 (B) ................... 8-19 4 – “OVERLAY” SOBRE A IMAGEM E O MAPA PRELIMINAR RESULTANTE DA INTERPRETAÇÃO...........................................LISTA DE FIGURAS 1 – SEÇÃO TRANSVERSAL DE UMA FOLHA MOSTRANDO OS POSSÍVEIS CAMINHOS DA LUZ INCIDENTE ...........000 SOBRE O DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA ........................

DSR/INPE 8-6 F.Ponzoni .J.

que vem sendo realizado com bastante sucesso. Adicionalmente apresentamos um exemplo de mapeamento da vegetação no domínio da Mata Atlântica. as quais incluem a geração e utilização de imagens pictóricas na elaboração de mapas temáticos e/ou na avaliação espectral da cobertura vegetal de extensas áreas da superfície terrestre. as técnicas de Sensoriamento Remoto se fundamentam em um processo de interação entre a Radiação Eletromagnética e os diferentes objetos que se pretende estudar. os quais são normalmente posicionados a alguns metros acima de um plantio agrícola ou do topo de um dossel florestal com objetivo semelhante àquele mencionado para a análise dos dados coletados em laboratório.1. em campo. Em campo. utilizam-se radiômetros aos quais podem ser acoplados acessórios que permitem a coleta e o registro da radiação refletida de folhas e demais órgãos das plantas. a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto para o estudo da vegetação têm quatro diferentes níveis possíveis de coleta de dados: em laboratório. novamente radiômetros são utilizados. INTRODUÇÃO Como foi apresentado nos capítulos anteriores. bem como de conjuntos de plantas visando identificar possíveis alterações na forma como esses órgãos interagem com a radiação eletromagnética. caracterizada principalmente pelo fenômeno de reflexão da radiação.Ponzoni . DSR/INPE 8-7 F. Neste capítulo abordamos os princípios que fundamentam os estudos da vegetação através da aplicação de técnicas de sensoriamento remoto.J. No nível de aeronave. a coleta de dados e seu registro através de um sensor e a análise desses dados com o objetivo de extrair as informações pretendidas de um dado objeto. no nível de aeronave e no nível orbital. diferentes sensores podem ser utilizados concomitantemente na geração de curvas espectrais ou de imagens. Finalmente no nível orbital é que se concentram as aplicações mais comumente divulgadas na comunidade em geral. Assim como para o estudo da maioria dos recursos naturais. Em laboratório. A aplicação dessas técnicas é viabilizada através do cumprimento de diversas etapas que incluem a interação em si.

que permitem a colocação dos sensores imediatamente acima dos dosséis vegetais segundo as mais diferentes disposições. A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO No nível de coleta de dados em laboratório comumente são consideradas as folhas. etc. estão incluídas as máquinas fotográficas. partes de plantas ou até alguns arranjos de plantas. dos quais são coletados dados radiométricos com o objetivo de caracterizar espectralmente fenômenos e/ou aspectos relacionados ao processo de interação entre a radiação eletromagnética (REM) e a vegetação. mesófilo DSR/INPE 8-8 F. assim como no nível orbital. espaços intercelulares. teleféricos. galhos. pode ser dividido em dois sub-processos: reflexão e transmissão através do elemento. Uma folha típica é constituída de três tecidos básicos que são: epiderme. Há de se considerar que um dossel é constituído por muitos elementos da própria vegetação. O processo de espalhamento. flores. e de sua morfologia interna (distribuição e quantidade de tecidos. A principal motivação dos estudos em vegetação envolvendo a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto. Em campo.2. De todos os elementos constituintes da vegetação. os radiômetros e os sensores eletro-ópticos. Na coleta de dados em aeronave. a qual é fruto de um processo complexo que envolve muitos parâmetros e fatores ambientais. frutos. principalmente tipo e quantidade de pigmentos fotossintetizantes. fundamenta-se na compreensão da “aparência” que uma dada cobertura vegetal assume em um determinado produto de sensoriamento remoto. Um fluxo de radiação incidente sobre qualquer um destes elementos estará sujeito a dois processos: espalhamento e absorção. etc. O destino do fluxo radiante incidente sobre um destes elementos é então dependente das características do fluxo (comprimentos de onda. etc). ângulo de incidência e polarização) e das características físico-químicas destes mesmos elementos. a folha constitui o principal deles quando se considera o processo de interação descrito. como folhas. por sua vez. os dados podem ser coletados diretamente das folhas ou através de dispositivos como plataformas (móveis ou fixas).Ponzoni . Para uma melhor compreensão das características de reflectância da REM incidente sobre uma folha é necessário o conhecimento de sua composição química.J.

por exemplo. o qual por sua vez é freqüentemente subdividido numa camada ou em camadas de células paliçádicas alongadas. os quais se abrem para fora através dos estômatos. sendo estes compostos pela água. Uma terceira característica estrutural da folha é o tecido vascular. Um mesmo feixe de radiação poderia passar. Willstatter e Stoll (1918). a trajetória da REM se daria ao longo de vários meios. O comportamento espectral de uma folha é função de sua composição. existirão portanto diferenças no comportamento espectral entre grupos geneticamente distintos. membranas celulares. As estruturas das células que compõem os três tecidos das folhas são muito variáveis. Segundo eles. que possui um índice de refração de 1. ar. Esparsos através do mesófilo estão os espaços intercelulares cheios de ar. que possui um índice de refração igual a 1.fotossintético e tecido vascular.Ponzoni . etc. Além desta variação nos índices de refração dos DSR/INPE 8-9 F. Levando em consideração o conceito da reflectância interna numa folha e os conhecimentos do espectro de absorção da clorofila. morfologia e estrutura interna. arranjadas perpendicularmente à superfície da folha.J. Esta rede de passagens de ar constitui a via de acesso pela qual o CO2 alcança as células fotossintéticas e o O2 liberado na fotossíntese retorna à atmosfera externa. para as demais partes da planta. As células do parênquima são ocupadas por seiva e protoplasma. A rede de tecidos do sistema vascular não serve somente para suprir a folha com água e nutrientes do solo. Desde que as características da folha são geneticamente controladas. na qual muitas vezes desenvolve-se uma fina e relativamente impermeável superfície externa. Abaixo da epiderme encontra-se o mesófilo fotossintético. dependendo da espécie e das condições ambientais.33. através de uma camada de água. Os autores basearam sua teoria na estrutura interna das folhas e na reflectância potencial das superfícies. desenvolveram uma teoria sobre a trajetória da REM dentro de uma folha. mas também constitui a passagem pela qual fluem os produtos da fotossíntese que são produzidos na folha. e em seguida atravessar um espaço preenchido com ar. A folha é então coberta por uma camada de células protetoras epidérmicas. a qual é válida até hoje. que formam o parênquima.

Ponzoni . A maior parte é transmitida para o mesófilo esponjoso. Fonte: Gates et al . Dado o grande número de paredes celulares dentro da folha. Esta reflexão múltipla é essencialmente um processo aleatório no qual os raios mudam de direção dentro da folha. sendo orientada espacialmente sob diversos ângulos. enquanto outros são transmitidos através da folha. 1-Seção transversal de uma folha mostrando os possíveis caminhos da luz incidente. como mostra a Figura 1. mas o inverso acontece com folhas grossas.J. onde os raios incidem freqüentemente nas paredes celulares. já que geralmente a transmitância é maior do que a reflectância para folhas finas. foi considerado que as células dos tecidos foliares. Fig.diversos meios a serem atravessados. sendo refletidos se os ângulos de incidência forem suficientemente grandes. (1965) DSR/INPE 8-10 F. Willstatter e Stoll (1918) imaginaram as possíveis trajetórias da REM dentro de uma folha. alguns raios são refletidos de volta. possuem uma estrutura irregular. A espessura da folha é fator importante no caminho da REM. principalmente do mesófilo esponjoso. Uma pequena quantidade de luz é refletida das células da camada superficial.

geralmente encontrados nos cloroplastos são: clorofila (65%). região do visível: Nesta região os pigmentos existentes nas folhas dominam a reflectância espectral. b) região do infravermelho próximo (700 nm a 1300 nm). c) região do infravermelho médio (1300 nm a 2600 nm). carotenos (6%). e xantofilas (29%). região do visível (400 nm a 700 nm). Fig. Os principais aspectos relacionados ao comportamento espectral da folha. porque uma grande quantidade dessa energia é absorvida pela atmosfera e a vegetação não faz uso dela.J. A energia radiante interage com a estrutura foliar por absorção e por espalhamento. 2-Curva de reflectância típica de uma folha verde. Os valores percentuais destes pigmentos existentes nas folhas podem variar grandemente de espécie para espécie. Fonte: Novo (1989) A região compreendida entre 400 nm a 2600 nm pode ser dividida em três áreas: 5.A curva de reflectância característica de uma folha verde sadia é mostrada na Figura 2. Estes pigmentos. A energia é absorvida seletivamente pela clorofila e é convertida em calor ou fluorescência. Os comprimentos de onda relativos ao ultravioleta não foram considerados.Ponzoni . em cada uma destas regiões são: 5. e também convertida fotoquimicamente em energia estocada na forma de componentes orgânicos através da fotossíntese. DSR/INPE 8-11 F.

quanto mais lacunosa for a estrutura interna foliar. De maneira geral. (1965) determinam que a reflectância espectral de folhas nessa região do espectro eletromagnético é o resultado da interação da energia incidente com a estrutura do mesófilo. podendo alterar a reflectância de uma folha nesta região.J.b) região do infravermelho próximo: Nesta região existe uma absorção pequena da REM e considerável espalhamento interno na folha. inclui a necessidade de compreender o processo de interação entre a REM e os diversos tipos fisionômicos de dosséis (florestas. 3. Fatores externos à folha. A absorção da água é geralmente baixa nessa região. 2700 nm e 6300 nm. INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS Todas as discussões apresentadas até o momento referiram-se ao estudo das propriedades espectrais de folhas isoladas. 1450 nm. Considerando a água líquida. maior será o espalhamento interno da radiação incidente. Uma vez que a folha é o principal elemento da vegetação sob o ponto de vista do processo de interação com a REM. maior será também a reflectância. c) região do infravermelho médio: A absorção devido à água líquida predomina na reflectância espectral das folhas na região do infravermelho próximo. Em termos mais pontuais. formações de porte herbáceo. como disponibilidade de água por exemplo. a absorção da água se dá em 1100 nm. Gates et al. 1950 nm. A reflectância espectral é quase constante nessa região. e consequentemente. espera-se que muito do que foi exposto referente às características de reflectância das folhas. etc). podem causar alterações na relação águaar no mesófilo. uma reflectância geralmente pequena. esta apresenta na região em torno de 2000 nm. De fato. sendo menor do que 10% para um ângulo de incidência de 65o e menor do que 5% para um ângulo de incidência de 20º A água absorve consideravelmente a REM incidente na região espectral compreendida entre 1300 nm a 2000 nm. também seja válido para os dosséis. culturas agrícolas. quando comparadas as curvas de reflectância de uma folha DSR/INPE 8-12 F.Ponzoni . mas a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto no estudo da vegetação.

bem como a suas densidades e orientações. definem a arquitetura da vegetação. ϕ l). Outro parâmetro que define a arquitetura do dossel é a Distribuição Angular Foliar (DAF). do tipo de vegetação existente e do estágio de desenvolvimento das plantas. o que é caracterizado pelo Índice de Área Foliar (IAF). Os dosséis são normalmente descritos por um dos seguintes seis tipos de distribuições: planófila. espera-se que em imagens referentes à região do visível os dosséis apresentem tonalidade escura devido à baixa reflectância da REM. que representa a razão entre a área do elemento e a área no terreno. É caracterizada por uma função de densidade de distribuição f(θl. A distribuição espacial dos elementos da vegetação. em função da ação dos pigmentos fotossintetizantes. estes mesmos dosséis deverão apresentar-se com tonalidade clara e em imagens do infravermelho médio espera-se tons de cinza intermediários entre o escuro das imagens do visível e o claro daquelas do infravermelho próximo. Para um dossel ou subdossel homogêneo. ϕ l) dθl dϕl é a fração de área foliar sujeita aos ângulos de inclinação θl e θl +dθl. Essa semelhança permite que os padrões de reflectância apresentados pelos dosséis vegetais em imagens multiespectrais possam ser previstos. A DAF varia consideravelmente entre os tipos de vegetação. é ainda relacionado à biomassa. uniforme e esférica. extremófila. segundo uma distribuição específica.Ponzoni . arranjados regularmente no solo (plantios em fileiras. assume-se que a densidade dos elementos da vegetação é uniforme.J. e os ângulos azimutais ϕl e ϕl +dϕl. por exemplo) ou arranjados aleatoriamente. em imagens da região do infravermelho próximo. Assim. respectivamente. estas apresentam formas muito semelhantes. onde θl e ϕl são a inclinação e o azimute da folha. DSR/INPE 8-13 F. A distribuição espacial depende de como foram arranjadas as sementes no plantio (no caso de vegetação cultivada). erectófila. Em vários modelos de reflectância da vegetação um dossel é considerado como sendo composto por vários sub-dosséis.verde sadia com as medições espectrais de dosséis. plagiófila. Por conseguinte f(θl. O IAF é um dos principais parâmetros da vegetação e é requerido em modelos de crescimento vegetal e de evapotranspiração. por exemplo.

a reflectância na região do visível decresce quase que exponencialmente com o aumento do IAF até atingir um valor próximo de 0. isto é. muito da radiação incidente é interceptada e absorvida pelas folhas e um permanente aumento do IAF não influenciará a reflectância da vegetação. que por sua vez. quando o IAF assume valores entre 2 e 3. Assim que o IAF atingir um determinado valor (aproximadamente compreendido entre 2 e 3).J. Supondo que ao invés de estarem uniformemente distribuídas no dossel. este agrupamento apresentaria dois efeitos principais: ele aumentaria a probabilidade de ocorrência de lacunas através de toda a extensão do dossel. A orientação das fileiras de uma cultura agrícola. até que o IAF atinja valores compreendidos entre 6 e 8.Ponzoni . uma vez que as folhas são praticamente transparentes nesta região espectral. Um dos efeitos da DAF sobre a reflectância da vegetação refere-se à sua influência na probabilidade de falhas através do dossel como uma função dos ângulos zenital solar e de visada. aumentaria a influência do espalhamento dos elementos deste mesmo dossel. com o aumento do IAF. Na região do visível. com o aumento do número de folhas. localizados nas camadas mais próximas ao solo. Um outro efeito da arquitetura do dossel sobre sua reflectância ocorre quando os elementos da vegetação não se encontram uniformemente distribuídos. Na região do infravermelho próximo. exerce menos influência na região do infravermelho do que na região do visível devido ao menor efeito das sombras. as folhas estivessem agrupadas. uma vez que muito da energia incidente sobre uma folha é absorvida. uma vez que a absorção é mínima. por exemplo. o aumento do IAF implica no aumento do espalhamento e no conseqüente aumento da reflectância da vegetação. DSR/INPE 8-14 F. Por conseguinte.Estes parâmetros arquitetônicos afetam qualitativamente a reflectância da vegetação. mais e mais energia será absorvida pela vegetação.

Assim. Esse desbalanceamento pode ocasionar diferenças de brilho de um mesmo objeto entre as bandas. ora subestimando-o. Alia-se a este fato a maior interferência da atmosfera nas regiões do DSR/INPE 8-15 F. Isto é evidenciado pela tonalidade escura nas imagens obtidas nesta região. que apesar da queda da reflectância da vegetação verificada na região espectral do infravermelho médio não ser muito acentuada em relação à região do infravermelho próximo.J. Como cada sensor de cada banda espetral. ora superestimando-º Isso pode explicar. no caso da cobertura vegetal. os níveis baixos de reflectância na região do visível. não se devem exclusivamente à absorção dos pigmentos existentes nas folhas. estes fatores influentes não atuam isoladamente. aliado ainda ao espalhamento múltiplo entre as diferentes camadas de folhas. Sobre esses efeitos discorreremos oportunamente.4. Nas imagens da região do infravermelho próximo verifica-se que estes valores apresentam-se elevados devido ao espalhamento interno sofrido pela REM em função da disposição da estrutura morfológica da folha. a tonalidade escura numa imagem do infravermelho médio freqüentemente é mais intensa do que aquela verificada em uma imagem do visível. por exemplo. por exemplo. PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS Um dossel vegetal apresenta valores de reflectância relativamente baixos na região do visível. devido a presença de água no interior da folha.Ponzoni . no infravermelho médio tem-se uma nova queda destes valores. isso implica num “desbalanceamento” entre as radiâncias espectrais medidas. na qual tal sensor é apto a coletar a REM refletida pelos objetos possui sua própria sensibilidade. Vale salientar que o que é efetivamente medido pelo sensor colocado em órbita terrestre é a radiância espectral. De fato. as quais são dependentes da geometria de iluminação. mas também às sombras que se projetam entre as folhas. Em cada uma das regiões espectrais todos os fatores exercem sua influência concomitantemente. Finalmente. da Distribuição Angular das Folhas (DAF) e da rugosidade do dossel em sua camada superior (topo do dossel). esperados para uma cobertura vegetal. devido à ação dos pigmentos fotossintetizantes que absorvem a REM para a realização da fotossíntese.

enquanto que para a região do infravermelho próximo estes apresentam aumento também quase exponencial. o que implicaria na diminuição da irradiância nos estratos inferiores e.visível em relação ao infravermelho que tende a deixar ligeiramente “mais claros” os dosséis vegetais nas imagens do visível. com os indivíduos dominantes projetando suas copas acima de uma cota média do dossel. que não possuiria estratos e portanto o sombreamento entre seus elementos constituintes seria bem menor. essa associação é possível. bem densa. esse efeito pode ou não ser constatado. Por exemplo: é esperado que à medida que uma determinada cobertura vegetal aumenta sua densidade. principalmente). como foi apresentado nos itens anteriores. Dependendo da arquitetura (forma e distribuição espacial dos indivíduos constituintes do dossel) assumida em cada uma das fases de desenvolvimento dessa cobertura vegetal.Ponzoni . galhos e troncos. poderá assumir um brilho mais escuro do que um plantio jovem de Eucalyptus spp. até que sejam atingidos seus respectivos pontos de saturação (IAF=2 ou 3 para a região do visível e IAF=6 ou 8.J. Evidentemente que esse efeito será tanto maior DSR/INPE 8-16 F.. principalmente participação do solo e sombreamento entre os próprios elementos da vegetação (folhas. procurar associar os padrões apresentados por esta diretamente com suas características estruturais (parâmetros biofísicos). podendo ser “mascarado” pelo efeito de outros fatores/parâmetros. que possuiria um IAF bem menos elevado. os valores de reflectância espectral referentes à região do visível apresentem uma diminuição quase exponencial. poderia acarretar o sombreamento daqueles que se posicionariam imediatamente abaixo. De fato. Em tal floresta. a existência de diferentes estratos (camadas) horizontais. uma floresta perenifólia. é comum o intérprete de imagens orbitais interessado em extrair informações sobre a cobertura vegetal. Assim. mas existem algumas particularidades que devem ser consideradas. na diminuição da radiância medida pelo sensor orbital. o que por sua vez implicaria no “escurecimento” do dossel da floresta em relação ao de Eucalyptus spp. com um IAF muito elevado. para a região do infravermelho próximo). Mesmo ciente destas influências. conseqüentemente. em uma imagem do infravermelho próximo.

Para o caso do solo. uma vez que o sombreamento é proporcional a esse ângulo. é esperada uma menor participação do solo. no entanto. nem sempre essa noção é fruto da análise racional conduzida sobre dados concretos. a distribuição espacial. a dimensão. relacionando-as a possíveis padrões em imagens orbitais. sua participação também é dependente do ângulo de iluminação e desta vez de maneira inversa. Contudo. mesmo em se tratando de diferentes coberturas vegetais. ou seja. o que implicará em uma “mesma” aparência nas imagens. a noção de que os recursos naturais vêm se tornando escassos e que a humanidade precisa aprender rapidamente a utilizar com racionalidade esses recursos. iniciou-se no país uma intensa mobilização da sociedade civil pela preservação da Mata Atlântica. concluíram o "Atlas dos DSR/INPE 8-17 F.quanto maior for o ângulo de incidência solar. contava com poucas informações consistentes sobre a área original. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE. em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). a estrutura e a situação dos remanescentes florestais do bioma. DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA Vaga no inconsciente e até no consciente das pessoas. sem o que não seria possível traçar ações efetivas de conservação. Não há como prever todas as possibilidades. Cabe ao intérprete estar preparado para conviver com estas limitações e extrair dos produtos de sensoriamento remoto o máximo de informação confiável. quanto maior for o ângulo de incidência. A partir de meados da década de 80. Cada dossel. Com o objetivo de suprir essas lacunas.J. sob pena de comprometer a sobrevivência das gerações futuras.Ponzoni . em particular. 5. tentar elencá-las. gerados a partir da aplicação de metodologias cientificamente fundamentadas. Assim como acontece com qualquer outro objeto de estudo à luz das técnicas de sensoriamento remoto. O movimento ambientalista. possui suas características próprias e desenvolve-se em diferentes tipos de solos sob diferentes condições ambientais. são inerentes as chamadas ambigüidades nas quais efeitos de diferentes fatores/ parâmetros podem assumir valores iguais de radiância.

Diante dos resultados obtidos. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram uma nova atualização de dados.Período 1985-1990”. graças ao avanço tecnológico verificado. o que permitiu uma melhor visualização das classes mapeadas e deu. A escala adotada neste primeiro trabalho apresentou limitações para estudos mais detalhados. com exceção da Bahia devido a não disponibilidade de imagens livres de nuvens. que apontou o índice de exatidão global do mapeamento dos Estados do Espírito Santo e de Santa Catarina. Foram utilizadas técnicas de interpretação visual de imagens TM/Landsat. com o qual a Fundação SOS Mata Atlântica assinou convênio em 1995.J.Ponzoni . pois algumas unidades de pequena extensão não puderam ser mapeadas e polígonos de remanescentes descontínuos foram agrupados. os ecossistemas associados. da Bahia ao Rio Grande do Sul.000.000. uma maior confiabilidade aos dados gerados. Primeiro mapeamento da Mata Atlântica realizado no País a partir da análise de imagens de satélite.000. e vários aprimoramentos foram incorporados. além das fisionomias florestais. na escala 1:250. digitalizou os limites das fisionomias vegetais que compõem o Domínio da Mata Atlântica (Figura 3).Remanescentes Florestais do Domínio da Mata Atlântica" em 1990. conseqüentemente. o trabalho foi concluído em 1993 e permitiu avaliar a dinâmica dos remanescentes florestais e de ecossistemas associados da Mata Atlântica em 10 Estados. analisando a dinâmica do bioma entre 19901995. determinando sua área original e estabelecendo uma referência inicial para o desenvolvimento de novos estudos. o Instituto Socioambiental. segundo a terminologia e os critérios estabelecidos pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os limites de algumas DSR/INPE 8-18 F. incluiu. Esta etapa abrangeu todos os Estados da fase anterior. levantamentos de campo e análise por especialistas para aferição dos dados. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram um novo mapeamento em 1990 que originou o “Atlas da Evolução dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados no Domínio da Mata Atlântica . Outro aperfeiçoamento importante foi a inclusão de uma avaliação estatística. Além dos aprimoramentos anteriormente citados. Em função dessas limitações e motivados em adquirir informações mais precisas. na escala 1:1. supervisionada pelo INPE.

principalmente savana e estepe. fruto do aprimoramento de máquinas e de aplicativos disponíveis.Ponzoni . a SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a concepção de um novo mapeamento. que os dados sobre as formações florestais da Mata Atlântica fossem separados dos dados de outros biomas. agora referente ao período 1995-2000. Figura 3 – Domínio da Mata Atlântica Em meados de 1999. ainda. no qual foram incluídas várias inovações metodológicas.J. Este aperfeiçoamento permitiu. foi possível avaliar a dinâmica da Mata Atlântica de forma mais precisa e localizada. que na etapa anterior estavam incluídos no cômputo geral. Com base nestes dados. permitindo a definição de políticas de conservação mais objetivas e coerentes com cada situação.Unidades de Conservação federais e estaduais. DSR/INPE 8-19 F.

assumindo a aparência de uma grande fotografia. foram utilizadas imagens do sensor Thematic Mapper do satélite Landsat 5.000. cabendo estes a empresas do setor aeroespacial que foram escolhidas mediante licitações. elaborar os mapeamentos propriamente ditos. a imagem é disponibilizada eletronicamente através de diferentes meios. como acontece. A Fundação SOS Mata Atlântica age como uma espécie de cliente que tem necessidades e para atendê-las. devido às suas diretrizes institucionais. deve ser suficientemente fácil compreender que estes não são elaborados sem a utilização de alguma ferramenta que possibilite a observação instantânea de uma dada porção dessa superfície. Mesmo para aqueles pouco familiarizados com mapeamentos de grandes extensões da superfície terrestre. cujo tamanho é dependente da escala de trabalho. é necessário compreender primeiramente o papel de cada instituição envolvida. Na analógica a imagem é materializada em papel. essas dimensões passariam para aproximadamente 90 x 90 cm. estabelecendo então todos os procedimentos metodológicos a serem conduzidos. procura outra instituição que julga ter alguma competência específica. como esses mapeamentos são feitos? Em que critérios se fundamentam e que tipo de produtos são utilizados? O que se pode afirmar sobre a sua confiabilidade? Antes de aprofundarmos mais sobre as questões metodológicas. a Fundação SOS Mata Atlântica espera obter toda a orientação técnico-científica que garanta aos resultados dos mapeamentos o máximo de confiabilidade possível.Ponzoni . sendo o mais usual atualmente o DSR/INPE 8-20 F. enquanto se a escala fosse de 1:250. Mesmo assim. Para o caso de sua relação com o INPE. essas imagens ficariam materializadas em papel fotográfico de aproximadamente 1. Por exemplo: se a escala de trabalho fosse definida como 1:100.Mas afinal. as quais podem ser disponibilizadas em duas formas básicas: a analógica e a digital. Nesse sentido. por exemplo com fotografias aéreas ou imagens de satélite. o INPE acompanha passo a passo todos os processos envolvidos nos mapeamentos. Nesses mapeamentos específicos que estamos tratando. porém não pode.20m. Na forma digital. interferindo quando necessário.000.J.20 x 1. o INPE assume a coordenação técnica dos trabalhos.

Remanescentes de Restinga. nem com aplicativos que permitissem maior facilidade na manipulação dos dados. todo o trabalho era feito sobre as imagens em formato analógico.000. A alternância de tons claros e escuros da aparência da vegetação nas diferentes imagens torna possível a elaboração das chamadas composições coloridas. quais. procurou-se adequar os mapeamentos para cada Estado. Dessa forma. restava ainda definir quais imagens utilizar. Então.Ponzoni . A legenda desse mapeamento foi assim definida: Remanescentes Florestais.CDROM. Mas os primeiros mapeamentos não contavam com as imagens em formato digital. O mapeamento que se seguiu àquele desenvolvido na escala 1:1. procurando não ferir os critérios regionais existentes. excluindo somente os reflorestamentos (jovens e adultos). Remanescentes de Mangue foram consideradas aquelas formações arbóreo-arbustivas localizadas em canais de drenagem sob influência marítima. Vale salientar que nem todo o Estado da Federação trata o termo Restinga como sendo uma formação florestal.000. ou seja. foi considerado o processo de interação entre a radiação eletromagnética e a vegetação descrito anteriormente (Figura 1). mesmo aquelas que apresentariam baixos índices de degradação e outras em estágios sucessionais avançados (capoeiras). que nada mais são do que superposições de três diferentes imagens (provenientes de regiões espectrais diferentes.000.000 (imagens analógicas).J. a qual é perfeitamente compatível com a escala 1:250. Vamos aqui descrever os procedimentos adotados nos três últimos mapeamentos realizados. uma vez que foram neles que se verificaram os maiores aprimoramentos metodológicos. Para tanto. Remanescentes de Restinga seriam todas as formações florestais acorrentes próximas ao mar e preferencialmente abaixo da cota topográfica de 20m. Remanescentes de Mangue. Uma vez definida essa legenda. mas da mesma porção da superfície terrestre) DSR/INPE 8-21 F. Em Remanescentes Florestais estariam incluídas todas as formações florestais. entre as diversas imagens geradas pelo sensor Thematic Mapper serviriam para identificar os itens da legenda estabelecida. foi realizado no início da década de 90 sobre imagens orbitais datadas do final de década de 80 disponibilizadas na escala 1:250.

verde e vermelho. sendo que cada uma delas recebeu os filtros azul. No mapeamento em questão. foram utilizadas imagens da região do vermelho (visível). Como resultado. Já nessas empresas então.12. Essa distribuição de imagens e filtros permitiu que a vegetação assumisse tonalidades esverdeadas nas composições coloridas. o que facilitou e muito o trabalho dos intérpretes.dpi. Mas quantas composições foram elaboradas? Foram elaboradas pelo INPE 104 composições coloridas de forma a abranger todo o Domínio da Mata Atlântica. as quais eram distribuídas para empresas do setor privado que se incumbiam de elaborar o mapeamento. que naquela época não estavam familiarizados em observar a vegetação em outra cor senão aquela que quotidianamente estavam acostumados a observar (verde). sobre cada uma dessas 104 composições coloridas era colocado o que chamamos de “overlay” que é um papel polyester. verde e azul) para cada imagem.inpe. do infravermelho próximo e do infravermelho médio. relativamente transparente sobre o qual o intérprete procede a interpretação propriamente dita (Figura 4).17.br:1910/col/dpi.sobre as quais são aplicados filtros coloridos com as cores primárias (vermelho.br/banon/2000/09.24/doc/amz1998_1999/pagina6. Figura 4 – “Overlay” sobre a imagem e o mapa preliminar resultante da interpretação.Ponzoni .J. respectivamente. FONTE: http://sputnik. a paisagem analisada assume cores dando uma aparência como de uma fotografia colorida.inpe. htm DSR/INPE 8-22 F.

Nesse “overlay” eram demarcados também os limites das cartas topográficas na escala 1:250. uma vez que a interpretação propriamente dita é uma DSR/INPE 8-23 F.Ponzoni . que eram cruzamentos de estradas ou rios que podiam ser facilmente visualizados nas cartas topográficas e nas imagens e serviriam para posicionar geograficamente o mapa gerado mediante a utilização de algoritmos específicos implementados em computadores.000. 25 ha foi definido como área mínima de mapeamento. Era constituída então uma equipe de três a quatro intérpretes. ou seja. Nessa escala de mapeamento. liderados por outro com maior experiência que se incumbia de efetuar a homogeneização das interpretações. cuidava para que houvesse um mínimo de diferenças entre as interpretações.J.000 sobre o Domínio da Mata Atlântica. que em última análise são consideradas as unidades de mapeamento (Figura 5) que totalizavam 114 cartas topográficas e também eram demarcados os pontos de controle. Figura 5 – Contorno das carta topográficas na escala 1:250.

000 foi mantida. agora contendo somente o conteúdo temático (mapa contendo os polígonos fruto da interpretação) para uma nova averiguação de inconsistências. A partir dessa etapa.J. Todo esse processo descrito para o primeiro mapeamento na escala 1:250. Essas provas eram enviadas a consultores em cada Estado para que estes procedessem a uma análise crítica do mapeamento realizado. cada intérprete tem seus próprios critérios no momento da definição da natureza de uma dado polígono mapeado.atividade puramente intuitiva e de caracter subjetivo. Depois da intervenção dos consultores. Era impressa uma prova de cada uma das 114 cartas topográficas. referente às cercanias da DSR/INPE 8-24 F. A Figura 6 mostra um exemplo de uma mesma cena.000 consumiu em média 2 anos para ser concluído. os “overlays” eram novamente analisados procurando identificar inconsistências de interpretação e em seguida estes eram digitalizados e introduzidos em um Sistema de Informação Geográfica (SIG). assumindo então todas as conseqüências dessa decisão. Uma vez concluída essa etapa de interpretação. procurando corrigir possíveis erros de interpretação e procedia-se a elaboração dos mapas finais. as áreas de cada tema da legenda eram determinadas através de funções específicas do SIG utilizado. bem como de seus limites. um técnico do INPE era chamado para que este tomasse uma decisão específica. a escala de 1:250. segundo uma metodologia muito semelhante àquela descrita.Ponzoni . cada carta era novamente analisada. Como conseqüência. Esses consultores eram basicamente profissionais do mundo acadêmico ou não. respectivamente e na aplicação de contrastes lineares às imagens. com comprovada experiência no estudo da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados. A diferença verificou-se na substituição dos filtros coloridos vermelho e verde que passaram a ser atribuídos às imagens do infravermelho próximo e médio. Nesse mapeamento. A atualização do atlas gerado nesse mapeamento foi elaborada em meados da década de 90. o que implicou em uma melhor discriminação visual de feições da superfície terrestre nas composições geradas. bem como todos os procedimentos e critérios utilizados na interpretação. No caso de dúvidas. diferenciando-se somente na utilização de composições coloridas ligeiramente diferentes.

J. Por exemplo: se encontramos um valor de Exatidão de Mapeamento de 80%. isso significa que temos 80% de chance de que um polígono identificado como Remanescente Florestal no mapa. não dispunha de qualquer informação sobre a qualidade dos mapas gerados. Essa atualização consumiu também aproximadamente 2 anos para ser concluída. Os resultados são organizados de tal forma a permitir o cálculo de um valor percentual que expressa a confiabilidade dos mapas gerados. observada em composições coloridas como aquelas utilizadas em ambos os mapeamentos. Esses pontos recaem sobre o mapa sobre polígonos cujas naturezas e posicionamento espacial foram estabelecidos pelos intérpretes. seja realmente esse tema em campo.Baia da Guanabara. DSR/INPE 8-25 F. são sorteados aleatoriamente um certo número de pontos a serem visitados em campo. Essa iniciativa foi muito bem recebida pela comunidade científica que anteriormente a ela.Ponzoni . Para tanto. que é fundamentada no confronto entre os mapas gerados e informações provenientes do campo. a b Figura 6 – Composições coloridas utilizadas nos mapeamentos de 1985-90 (a) e 1990-95 (b). Outra implementação importante foi a estimativa de Exatidão de Mapeamento Global. Uma equipe responsável pelo trabalho de campo visita cada um dos pontos selecionados e averigua se de fato a decisão do intérprete sobre a natureza do polígono interpretado foi correta.

Esse georreferenciamento possibilitou a eliminação de uma das etapas mais demoradas que era a digitalização dos “overlays”. Santa Catarina e São Paulo (com divulgações agendadas para os próximos meses). A atualização desse “novo” atlas está em andamento e em aproximadamente 1 ano. agora na escala 1:50. liderados por outro de maior experiência.04.000 e sobre imagens analógicas) com aqueles gerados na escala 1:50. Nesse mapeamento foram verificados vários aprimoramentos metodológicos que incluíram o georreferenciamento prévio das imagens que então foram disponibilizadas em formato digital. segundo a nova metodologia estabelecida de forma a permitir a quantificação de possíveis alterações verificadas no polígonos mapeados.sosmatatlantica.000. está sendo viabilizado através da Internet no endereço http://www. os quais foram então eliminados do processo. Além desse aprimoramento.01).000. os quais contém uma descrição detalhada das metodologias empregadas nesses mapeamentos. Esse aprimoramento implicou na impossibilidade de comparar diretamente os dados gerados no mapeamento anterior (na escala 1:250.Ponzoni . os dados passaram a ser disponibilizados por município e para algumas unidades de conservação. com a imagem já georreferenciada. o que possibilitou ainda a ampliação da escala de mapeamento para 1:50. Paraná (divulgado em 27. já foi possível concluir a análise dos dados do Rio de Janeiro (divulgado em 03. Rio Grande do Sul.04. Mais uma vez foi adotada a composição de uma equipe de 3 a 4 intérpretes. O acesso a esses dados e de todos os relatórios gerados. A interpretação visual das imagens passou a ser feita diretamente em tela de computador. de forma a permitir a cada cidadão o conhecimento da situação da cobertura vegetal do seu município de interesse. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a atualização desse segundo atlas.000 e conseqüentemente a redução da área mínima de mapeamento para 10 ha. DSR/INPE 8-26 F.No início do ano 2000. seguindo todas as etapas de verificação e auditoria por parte de consultores identificados em cada Estado.org.br/. todo o mapeamento do período 90-95 foi refeito. Assim. agora para o período 95-2000.01).J.

D.R. 308p. Edgard Blucher. R. Keegan.M. Schleter. Willstatter.. Springer..M. Sensoriamento remoto: principios e aplicações. 4(1): 11-20. Para tanto.C. Applied Optics. Weidner.Ponzoni . J.. 6. entendendo que não basta somente diagnosticar o efeito nocivo do homem. Untersuchungen uber die assimilation der kohlensaure. DSR/INPE 8-27 F. estarão se mobilizando para avaliar os critérios que nortearão tal zoneamento. mas as informações até o momento adquiridas devem contribuir efetivamente para a conservação daquilo que restou desse importante bioma. A idéia para ao mapeamentos futuros é dar um passo ainda maior que transcende o aprimoramento restrito às metodologias de mapeamento e de manipulação dos dados. 1918. Novo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Gates. 1989. de M.J. Spectral properties of plants. H. V. Berlin.. A. vários especialistas do INPE e de diferentes universidades.J. São Paulo. 1965. Stooll. como também valorizar a banco de dados já disponível sobre a Mata Atlântica visando o Zoneamento Econômico Ecológico em nível municipal. Trata-se de mais um desafio a ser vencido por todos os envolvidos. E.A participação do INPE nesse ambicioso projeto de diagnóstico periódico da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados caracterizou-se pela busca de soluções técnico-científicas que garantissem confiabilidade aos dados gerados.

F. T.inpe.T.br DSR/INPE 9-1 M. R u d o r f f2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 2 mauricio@ltid.Rudorff .A.inpe.br bernardo@ltid.CAPÍTULO 9 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À AGRICULTURA M a u r í c i o A l v e s M o r e i r a1 B e r n a r d o F.Moreira e B.

................... 9-3 1......... 9-13 2......................4 2.................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ...................................... 9-18 DSR/INPE 9-2 M........... INTRODUÇÃO ............................Rudorff ............................................................................................................. 9-13 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADAS PARA PLANTIO .......T.......................... 9-12 2.... 9-14 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS .................................................1 CANA-DE-AÇÚCAR ......................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................5 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO .....2 CULTURA DO TRIGO ................ 9-12 2...............A..................................................................3 2.................. 9-5 2..................... 9-15 3........F........Moreira e B.......... PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS ...................

.... 9-11 7.. MOSTRANDO ÁREAS DE CAFÉ....... 9-15 9.......... 9-14 8............ 9-16 DSR/INPE 9-3 M. IMAGEM EM COMPOSIÇÃO COLORIDA ADQUIRIDA PELO SENSOR TM A BORDO DO SATÉLITE LANDSAT DA REGIÃO DE ALFERES – MG.F.............. TM4 (VERDE) E TM5 (VERMELHO) MOSTRANDO DIFERENTES OCUPAÇÕES DO SOLO ..T................. PASTAGEM E REFLORESTAMENTO .......................................... 9-10 6.................Moreira e B................Rudorff ................... IMAGEM NDVI DO ESTADO DE MATO GROSSO MOSTRANDO A EVOLUÇÃO DO DESFLORESTAMENTO OCORRIDA ENTRE OS ANOS DE 1989 A 1993 ............ ÁREAS IRRIGADA PELO SISTEMA DE PIVÔ CENTRAL ..................... 9-9 5....................................... REFLECTÂNCIA DE ÁREAS CAFEEIRAS NOS ANOS DE 1986 E 1987 NOS ANOS DE 1986 E 1987............... RADIAÇÃO REFLETIDA PELA CULTURA DO CAFÉ DURANTE OS ANOS DE 1984 E 1985 .............................................................................................................................. 9-6 2............ ESQUEMA DE CONSTRUÇÃO DO PAINEL DE AMOSTRA DO PROJETO SIAG ................. IMAGEM DO LANDSAT-TM MOSTRANDO ÁREAS DE ARROZ IRRIGADO NO MUNÍCIPIO DE SANTA VITÓRIA DO PALMAR – RS . APÓS OCORRÊNCIA DA GEADA EM 1985............................ VARIAÇÃO DA RADIAÇÃO REFLETIDA PELAS CULTURAS DE SOJA E DE MILHO NAS BANDAS TM3 E TM4 DO LANDSAT-5 ..................A......... 9-8 4..... 9-7 3..................... NO MUNICÍPIO DE TRÊS PONTAS .................... COMPOSIÇÃO COLORIDA DAS BANDAS TM3 (AZUL)...... CITRUS..................................LISTA DE FIGURAS 1.............

.......F..............10..Moreira e B.....A.......T..... IMAGEM LANDSAT – TM DA REGIÃO DE BEBEDOURO – SP. IMAGEM LANDSAT – TM BANDA 5 (INFRAVERMELHO PRÓXIMO) MOSTRANDO A EXPANSÃO DA FRONTEIRA . 9-17 11........... MOSTRANDO ÁREAS DESTINADAS À CITRICULTURA .. 9-17 DSR/INPE 9-4 M..Rudorff .........

ou seja.1. Por exemplo. aqueles satélites que foram construídos para observar e coletar dados da superfície terrestre. Isso. município ou ainda em nível de microbacia hidrográfica ou fazenda. o satélite Landsat leva 16 dias para fazer o recobrimento da Terra e. Os satélites de recursos naturais. Quanto maior a resolução espectral de um sensor maior é o número de imagens obtidas numa dada região espectral. Imagens multiespectrais são obtidas em varias faixas. Este tipo de satélite carrega a bordo um conjunto de sensores (sistema sensor) que operam em diferentes faixas do espectro eletromagnético. Devido a isso temos uma coleta da energia refletida em forma multiespectral3.T. Com esta repetitividade dos satélites.Rudorff . a área ocupada com floresta. para que órgãos governamentais e de iniciativa privada possam tomar medidas de ações rápidas para importar ou exportar o excedente da produção de determinado produto agrícola. por exemplo. durante seu ciclo de crescimento e desenvolvimento. portanto. 4 Um satélite de sensoriamento remoto passa sobre uma mesma área na superfície terrestre segundo um período definido. Esses dispositivos são os sensores. a cada 16 dias volta a passar sobre uma mesma área.A. INTRODUÇÃO Hoje em dia. Além disso. permite criar um banco de dados com informações multitemporais4. TM2 e TM3 do satélite Landsat. carregam a bordo dispositivos que coletam estes dados. eles passam num mesmo ponto da superfície terrestre de tempo em tempo. 3 DSR/INPE 9-5 M. podemos obter dados de uma área agrícola várias vezes. estado. como por exemplo dentro da faixa do visível do espectro é possível registrar a energia refletida das bandas TM1. o consumo de alimento é sempre crescente. vigor vegetativo das culturas. além de fornecer subsídios para o manejo agrícola em nível de país. o interesse em obter informações sobre produção de alimentos passou de “lobby” a uma necessidade uma vez que. é possível obter informações sobre: estimativa de área plantada. produção agrícola. Além disso. A tecnologia de sensoriamento remoto apresenta um grande potencial para ser utilizada na agricultura. regiões ou bandas do espectro eletromagnético.F.Moreira e B. é necessário obter informações precisas e em tempo hábil. Através desta técnica.

podendo. a radiação refletida que é coletada pelos sistemas sensores traz informações que podem estar relacionadas. 3 e 4) em regiões de intensa prática agrícola. para enfatizar o aspecto multiespectral (Figura 1) e multitemporal (Figuras 2. estimar a produção da cultura agrícola.Rudorff . Fig. por exemplo.A. assim. Nas Figuras 1 a 4 são apresentadas imagens do sensor TM a bordo do satélite Landsat. DSR/INPE 9-6 M. com as condições fenológicas ou nutricionais da cultura e.T. 1 – Variação da radiação refletida pelas culturas da soja e do milho nas bandas TM3 e TM4 do Landsat-5. com a produtividade. com o tipo de cultura plantada.F.No caso de culturas agrícolas. consequentemente.Moreira e B.

Nota-se que a soja apresenta-se em tonalidade bem mais clara do que o milho. na banda TM4 (infravermelho próximo) as mesmas áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza claro. Isto se deve principalmente à arquitetura diferenciada destas duas culturas.Rudorff . No entanto. As folhas mais eretas do milho permitem que uma maior quantidade de radiação penetre na cultura e consequentemente uma menor quantidade é refletida. denotando assim. para realizar a fotossíntese. DSR/INPE 9-7 M. nesta região espectral.Moreira e B. Na Figura 1 observa-se que as áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza escuro na imagem obtida na banda TM3. fazendo com que a soja reflita muita radiação solar na região do infravermelho próximo devido a suas folhas planiformes. devido à absorção da energia solar pelas plantas.Fig.T. alta reflectância da energia incidente.F.A. 2 – Radiação refletida pela cultura do café durante os anos de 1984 e 1985. Devido a esta característica é relativamente fácil descriminar estas duas culturas nas imagens de sensoriamento remoto.

apresentando-se novamente em coloração magenta. como a geada. 3.Para explicar o comportamento espectral do café observado na Figura 2. Na imagem de 1985 as áreas de café se apresentam em coloração verde (folhas queimadas e muito solo exposto).Moreira e B. Na Figuras 3 pode-se observar que as áreas atingidas pela geada recuperaram o seu vigor vegetativo somente no ano de 1987. após ocorrência da geada em 1985. Evidentemente.Reflectância de áreas cafeeiras nos anos de 1986 e 1987.T. sobre a produção agrícola. no município de Três Pontas.Rudorff . tal como na imagem de 1984. Na imagem falsa cor de 1984 a cultura do café se apresenta em coloração magenta (intensa vegetação) e bem distinta dos demais alvos de ocupação do solo. Fig. DSR/INPE 9-8 M.F. é necessário esclarecer que no ano de 1985 ocorreu uma forte geada no Sul de Minas Gerais acarretando uma queima fisiológica muito grande nas áreas de café da região. Esta série temporal de imagens mostra como se pode identificar e avaliar o impacto de uma variável ambiental. esta informação se complementa com uma série de outras variáveis que também exercem influência sobre a produção e não estão expressas na variação espectral da cultura.A.

A. TM4(verde) e TM5(vermelho) mostrando diferentes ocupações do solo. isto é. 4. podemos associar. o especialista em sensoriamento remoto utiliza também elementos da fotointerpretação tais como: forma. como é o caso da Figura 4. DSR/INPE 9-9 M.T.Composição colorida das bandas TM3(azul). mostrando que existem diferenças espectrais nessas duas culturas. azul na banda TM3. como é mostrado na Figura 5.Moreira e B. É bom ressaltar que além das características multiespectrais e multitemporais das imagens do satélite. sombreamento e textura. Por exemplo.Rudorff . Nota-se que neste caso as áreas de soja estão apresentadas em amarelo-esverdeado e o milho em verde. para distinguir áreas irrigadas por sistema de pivô central de outros métodos de irrigação o analista baseia-se na forma. ao invés e trabalhar com imagens individuais. ao adicionar cores nas imagens. Fig. através de cores. as informações de três bandas e gerar uma composição colorida. que foi gerada adicionando as cores.Por outro lado.F. o verde na banda TM4 e o vermelho na banda TM5. obtidas nas diferentes bandas.

Isto seria uma realidade se dispuséssemos de um número suficiente de imagens que permitissem identificar a cultura e diagnosticar o seu potencial produtivo. A freqüente cobertura de nuvens impede a obtenção de imagens livres de nuvens e impõe sérias limitações ao uso operacional das técnicas de sensoriamento remoto para estimativa de safras. 5. uma alternativa seria colocar em órbita uma constelação de satélites com características similares que permitiriam obter imagens com freqüência diária. Diante do que foi apresentado até aqui parece ser bastante simples a utilização de imagens para estimar a produção das safras agrícolas.A.F.Áreas irrigadas pelo sistema de pivô central.T.Rudorff . para o Landsat DSR/INPE 9-10 M. o grande impedimento para se obter imagens de satélite. Quanto aos sistemas sensores. Entretanto. A título de exemplo. Para contornar este problema existem alternativas relacionadas tanto com os sistemas sensores quanto com o sistema de coleta das informações.Fig. Elas impedem que a energia refletida e/ou emitida pelos alvos da superfície terrestre chegue até o sensor a bordo do satélite.Moreira e B. durante o período da safra. Isto permitiria inclusive realizar previsões de estimativas de safras. de forma objetiva e confiável. é a presença de nuvens.

estas imagens podem serem utilizadas para um sistema de vigilância sobre efeitos episódicos ou mesmo na avaliação da expansão de áreas agrícolas. uma outra alternativa seria estabelecer um sistema de amostragem para estimar a área das principais culturas.F. ) No caso da figura acima foram utilizadas várias imagens do mês de junho parcialmente cobertas com nuvens.Moreira e B.(1999. A grande limitação destes tipos de imagens.A. Fig. Contudo. Com este tipo de imagem não é possível estimar a área plantada. como por exemplo. p.Rudorff .necessitaríamos de 15 satélites para obter imagens diariamente.T. onde Riv = reflectância na região do infravermelho próximo e Rv = reflectância na região do vermelho do espectro eletromagnético) do Estado do Mato Grosso mostrando a evolução do desflorestamento ocorrida entre os anos de 1989 a 1993. Fonte: Adaptado de Shimabukuro et al. Outra alternativa é a utilização de imagens de um satélite com alta resolução temporal (diária). utilizando como DSR/INPE 9-11 M.1 km).1 x 1. 6 . é a baixa resolução espacial (1. Finalmente. conforme é apresentado na Figura 6.Imagem NDVI ( Índice de Vegetação com Diferença Normalizada / NDVI=Riv-Rv/Riv+Rv. às imagens AVHRR. Estas imagens foram compostas ou mosaicadas para se obter uma imagem livre de nuvens sobre todo o estado do Mato Grosso.

possível de ser identificada nas imagens de satélites. d) estabelecimento dos períodos adequados para aquisição de imagens visando a identificação de culturas agrícolas.referência. Posteriormente. Este procedimento será descrito mais adiante. c) comportamento espectral de culturas agrícolas.Rudorff . para todo Brasil. DSR/INPE 9-12 M. quanto maior for a resolução espacial de uma imagem maior será o tempo que o satélite leva para retornar a uma mesma área em função da estreita órbita de imageamento. destacando-se as seguintes pesquisas: a) seleção das culturas agrícolas passíveis de serem mapeadas através de imagens de satélites.950 ha. Foram utilizadas 44 imagens de 185x185 km obtendo-se uma estimativa de área plantada de 801.Moreira e B..F. imagens de satélites ou fotografias aéreas de arquivo recentes.A. foram realizados estudos que visaram estimar a produtividade agrícola da cana-de-açúcar através de imagens do Landsat e de um modelo agrometeorológicodesta (Rudorff e Batista. 1990). Este projeto foi realizado através de interpretação visual de imagens Landast-MSS (Multispectral Scanner System) na escala 1:250. Há mais de 25 anos o INPE vem realizando pesquisas relacionadas com a identificação e o mapeamento de áreas agrícolas. no terreno. e) métodos de estimativa da precisão e exatidão dos mapas temáticos. b) definição da área mínima. Em geral. nas bandas MSS5 (vermelho) e MSS7 (infravermelho próximo).000. Por limitações tecnológicas é difícil obter imagens com alta resolução temporal e espacial.1 CANA-DE-AÇÚCAR O primeiro grande projeto de mapeamento de área de cana-de-açúcar no estado de São Paulo ocorreu no ano safra 1979/80 (Mendonça et al. 2.T.1981). e f) utilização de algoritmos de classificação para mapear áreas agrícolas. PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS 2.

Estudos pioneiros foram realizados também com a cultura do trigo na região de Assis. Na época foram selecionados quatro municípios como área teste: Santa Vitória do Palmar.T.000.F. Moreira (1983) desenvolveu uma metodologia de estimativa de área de trigo. na escala 1:250.3 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO Os estudos com a cultura do arroz irrigado tiveram seus inícios no ano de 1980. Dom Pedrito e Cachoeira do Sul. conforme é mostrado na Figura 7. que reduziu em mais de 80% o tempo gasto na interpretação visual. do sensor MSS nas bandas 5 e 7. 2.A.Moreira e B. DSR/INPE 9-13 M. em nível de propriedade rural. O trigo é cultivado durante a entre safra e neste período existe uma maior probabilidade de se obter imagens livres de cobertura de nuvens favorecendo o uso de imagens de sensoriamento remoto na estimativa de área plantada. no estado do Rio Grande do Sul. para fins de fiscalização do crédito agrícola.2.2 CULTURA DO TRIGO Diversos estudos para estimar a área plantada com a cultura do trigo foram realizados. principalmente. Através deste estudo foi constatado que a presença da lâmina de água é um fator preponderante para separar áreas irrigadas por inundação de outros tipos de irrigação. SP. O estudo foi realizado com imagens. com base em sistema de amostragem. Por exemplo. utilizando imagens do satélite Landsat-TM. as áreas ocupadas com arroz irrigado apresentam tons de cinza muito escuros na imagem da região do infravermelho próximo (banda TM4) contrastando com outras culturas não irrigadas. quando então foi assinado um convênio entre o INPE e o Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA).Rudorff . Itaqui.

estimar a área destinada para as diferentes culturas. 2.Rudorff . DSR/INPE 9-14 M.F.A. em conjunto com informações de intenção de plantio.T. Este estudo foi inicialmente realizado por Assunção e Duarte (1982) e foi recentemente retomado por Ippoliti-Ramilo (1999).4 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADA PARA PLANTIO A identificação e o mapeamento de áreas de solo exposto e preparado para plantio. visa contornar o problema da indisponibilidade de imagens livres de nuvens durante a estação chuvosa (janeiro a fevereiro). 7 – Imagem do Landsat-TM mostrando áreas de arroz irrigado no município de Santa Vitória do Palmar – RS. Com base na área potencialmente destinada para o plantio das lavouras pode-se.Moreira e B.Fig.

isto é. Inicialmente o projeto foi implementado no estado do Paraná e. Fig. 8 – Esquema de construção do painel de amostra do Projeto SIAG. São Paulo e o Distrito Federal.Rudorff . denominadas UPAs (Unidades Primárias de Amostragem) que contém segmentos amostrais a serem visitados no campo pelos entrevistadores (Moreira et al. DSR/INPE 9-15 M.T.A. A Figura 8. expandido para os estados de Santa Catarina. na estratificação da área de estudo. 1989).Moreira e B.5 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS O INPE e o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desenvolveram um projeto. e também para dividir os estratos em unidades menores. No SIAG as imagens do Landsat-TM foram utilizadas na construção do painel de amostra.2. em função da intensidade de uso agrícola. ilustra a seqüência de construção do painel de amostra.Sistema de Informação Agropecuária que visa obter estatísticas agrícolas com base num painel amostral. denominado SIAG .F. posteriormente.

2) permite estimar a área das culturas agrícolas mesmo não se dispondo de dados de satélites da safra corrente pois neste caso se utiliza o estimador de expansão direta. 4) a metodologia do SIAG pode ser aplicada para áreas grandes (estado) ou pequenas (município). Fig. As Figuras a seguir mostram exemplos de aplicações das imagens de sensoriamento remoto na agricultura. no Paraná são levantadas informações em apenas 450 segmentos com tamanho que varia de 1 a 5 km2. 9 – Imagem em composição colorida adquirida pelo sensor TM a bordo do DSR/INPE 9-16 M. 3) reduz o tempo e custo no levantamento das informações a campo.Rudorff .Moreira e B. por exemplo.A. bastando para isso.As vantagens da abordagem metodológica do SIAG são: 1) permite estimar a área das culturas agrícolas dentro de uma confiabilidade pré-estabelecida.F. adequar o painel de amostra.T.

Moreira e B. Fig. mostrando áreas destinadas à citricultura.satélite Landsat da região de Alfenas .F. DSR/INPE 9-17 M. Fig. mostrando áreas de café. 11 – Imagem Landsat-TM banda 5 (infravermelho próximo) mostrando a expansão da fronteira agrícola na região norte do estado do Mato Grosso.Rudorff . pastagem e reflorestamento.T. 10 – Imagem Landsat-TM da região de Bebedouro – SP. citrus.A.MG.

G.INPE). V. M... Maia. São José dos Campos. (INPE-7234-RPQ/698). 1999. Utilização de dados do Landsat-TM para estimar área de soja (Glycine max.L. Yi.Rudorff . (L) Merrill) através da expansão direta.T.G.A. 1982. Imagens TM/Landsat-5 da época de pré-plantio para a previsão da área de culturas de verão. M. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Assunção. E. G. Duarte. Y.2637-TDL/113).C. V. de.R.A. mar. Levantamento da área canavieira do Estado de São Paulo utilizando dados do Landsat ano safra 1979/80. 19-24 de nov.M..A... D. São José dos Campos:INPE. Duarte. (MestradoInstituto Nacional de Pesquisas Espaciais . A. Moreira. J.. J.V. G. Avaliação de áreas preparadas para plantio (SOLONU) utilizando-se dados do satélite Landsat.C..T.Moreira e B. Chen. Shimabukuro. São José dos Campos:INPE. São José dos Campos. L.C. 1999.A.. V.F.A. (INPE-2021RPE/288).V.Y. Lima.A. A. S. Moreira. Moreira. Lee. Shimabukuro.L.. Assunção. 183p. AG. In: IV Simpósio Latinoamericano de Percepcion Remota. 75 p. Duarte. Tardin. Bariloche...S.M. Lucht. L) através de dados do Landsat.. de 1989. Classificação e monitoramento da cobertura vegetal do Estado do Mato Grosso através de imagens NOAA-AVHRR. DSR/INPE 9-18 M. A. G.S. (INPE. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.. 1983 (INPE-3015TDL/150).. (INPE7116-TDI/688). Sistema de amostragem para estimar a área da cultura do trigo (Triticum aestivum. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Especiais.3. Villalobo. Ipoliti-Ramilo. M.. Mendonça. F.A. Biffi. Silva. J.E. 1981. F.

DSR/INPE 9-19 M. Remote Sensing of Environment.A. B. G.F.Rudorff.Rudorff . Batista (1990).F.T.T.Moreira e B. Yield estimation of sugarcane based on agrometeorological-spectral models. 33:183-192.T..

inpe.C A P Í T U L O 10 ENSINANDO CARTOGRAFIA P a u l o C é s a r G u r g e l d e A l b u q u e r q u e1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 E-mail: gurgel@ltid.br 10 -1 P.Albuquerque DSR/INPE .C.G.

C.Albuquerque .G.DSR/INPE 10 -2 P.

........ 10-6 6........G...................... 10-14 DSR/INPE 10 -3 P................................. INTRODUÇÃO ..........................................................................................................................10-6 7.. ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA ..................................................................................... ESCALA .... DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS ........ CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES ...............................C...................................................... 10-4 3..................... TIPOS DE MAPAS .................. 10-4 2................................................. 10-5 5.................................... PROJEÇÃO ......................Albuquerque ............ÍNDICE 1.............. 10-8 8..... 10-5 4............................................ ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO ....................................

G.Albuquerque .DSR/INPE 10 -4 P.C.

DSR/INPE 10 -5 P.Albuquerque . único instrumento capaz de representar em escala. A Cartografia foi a principal ferramenta usada pela humanidade para ampliar os espaços territoriais e organizar sua ocupação. Seu uso é abrangente. Conceitualmente pode-se dizer que a Cartografia é uma atividade meio. a cartografia constrói seu produto conforme as necessidades apresentadas e o entrega na forma de mapas. por meio de procedimentos e normas técnicas capazes de assegurar que o mapa elaborado satisfaça as exigência de um projeto. Hoje ela está presente no cotidiano da sociedade. elaborado com o objetivo de expressar um conjunto de informações. O produto cartográfico está associado a uma necessidade de apresentação e expressão de resultados. Cartografia foi criado pelo historiador português Visconde de Santarém em carta de 8 de dezembro de 1839. INTRODUÇÃO A cartografia como atividade já aparece nas descobertas Pré-Históricas. deve ser ajustado às necessidades de apresentação impostas por essas informações. As informações cartográficas constituem as bases sobre as quais se tomam decisões e encontram soluções para os problemas sócio-econômicos e técnicos existentes. Este produto. com o grau de exatidão requerido. Como vocábulo. escrita em Paris e dirigida ao historiador brasileiro Adolfo de Varnhagem. saúde pública. antes mesmo da invenção da escrita. informações quantitativas e temáticas necessárias ao planejamento. de segurança.G.C. servindo de suporte à diversas ciências e tecnologias. Antes da consagração deste termo o vocábulo usado era cosmografia. levando soluções para problemas urbanos. turismo e auxiliando as navegações.1.

ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA A Cartografia deve assegurar que o mapa responda às seguintes questões: Espaciais: .Albuquerque .Qual a forma .Onde ocorre o fato . Público alvo Custo Tempo DSR/INPE 10 -6 P. Para tal faz-se necessário que o interessado conheça os elementos de um mapa e dos processos utilizados na elaboração dos mapas de forma a poder encontrar a melhor solução para a necessidade apresentada.G. Escala Projeção Exatidão Representação Tipo de produto Apresentação do produto (mídia) Para que uma região possa ser mapeada questões devem ser respondidas.C.Quando ele ocorre Temático: .Qual o tipo de ocorrência 3.Quais são as dimensões Temporal: . os modelos de projeção que podem ser utilizados.2. É importante indagar sobre os objetivos do mapa. DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS O produto cartográfico atende a uma necessidade quando o documento cartográfico elaborado garantir características que vão ao encontro da necessidade que o originou. processos e meios que a Cartografia utilizará para produzir esses documentos.

geologia.. 5. a relação que indica a escala é transformada em uma régua onde as distâncias são lidas diretamente.Albuquerque . são divididos em 3 tipos de documentos: topográficos. As escalas podem ser representadas numericamente. temáticos e especiais.000. que 1cm. MT=MR+Tema MT=MR+Tema O mapa topográfico é considerado básico pois nele assentam-se informações de temas específicos.C..4. Assim. por exemplo 1:25. TIPOS DE MAPAS Os mapas. como mostrado a seguir: 1000 750 500 250 0 m 1000 2000 3000 Representação gráfica de uma escala DSR/INPE 10 -7 P. Neste caso.. sistemas ferroviários etc.. tais como vegetação. como indicado a seguir: Cartas Topográficas Cartas ou mapas temáticos Cartas ou mapas especiais MR=Mapa Base ou mapa de referência. Ex: 1/1000 Esta notação nos informa que o mapa apresenta uma região que teve suas dimensões reduzidas 1000 vezes.. 1000cm no terreno etc. ou graficamente.G. podemos dizer que 1mm no mapa corresponde a 1000 mm no terreno. ESCALA Número adimensional utilizado para indicar de quanto está reduzida a dimensão de uma região para que ela possa ser representada sobre uma folha de papel.

podem ser: Cilíndricas Normais Transversas Oblíquas Cônicas e ou Policônicas Normais Transversas Planas Polares Equatoriais Oblíquas Quanto aos atributos: Eqüidistantes distância sobre um meridiano medido no mapa = distância medida no terreno distância sobre um paralelo medido no mapa = distância medido no terreno Equivalentes área no mapa=área do terreno Conformes forma no mapa = forma do terreno Azimutais direção azimutal no mapa = direção azimutal no terreno DSR/INPE 10 -8 P.G.6. a superfície. total ou parcial da Terra. PROJEÇÃO Refere-se a modelos geométricos ou analíticos adotados para representar em um plano horizontal.Albuquerque . As projeções cartográficas possuem características que garantem a elaboração de mapas para todos os tipos de uso e aplicação. Quanto ao modelo de desenvolvimento.C.

A Terra em uma primeira aproximação pode ser considerada uma esfera de raio R. Na cartografia a forma da Terra é um fator importante que deve ser considerado. definida como elipsóide.C. conhecida como geóide. A projeção. SC DSR/INPE 10 -9 P.00m Achatamento: 1/298. A forma real da Terra. No Brasil o sistema geodésico adotado está assim especificado: Origem: Datum horizontal SAD69 Elipsóide de referência Elipsóide de Referência Internacional 1967 Semi-eixo maior: 6. Este modelo é definido segundo o sistema geodésico de cada país.160. entretanto quando se deseja representá-la com mais detalhe e exatidão faz-se necessário conhecer sua forma e dimensões. da forma e posição geográfica da área e do alvo a ser mapeado. é importante que se conheça a forma e as dimensões do objeto.Forma da Terra Quando pretende-se representar um objeto segundo uma determinada projeção. . é irregular. da dimensão. face à forma da Terra. uma vez que os modelos de projeção a serem adotados deverão se ajustar perfeitamente a essa superfície.A escolha do modelo de desenvolvimento e dos atributos de uma projeção é função.25 Datum vertical Imbituba. assunto que é estudado pela Geodésia. é também responsável pelas deformações em escala que os mapas apresentam.G.378. As operações cartográficas exigem uma superfície regular.Albuquerque . do uso que será dado ao mapa.

G. ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO Atualmente observa-se que muitos profissionais voltados ao ensino da Cartografia. acesso. outras questões podem ser também levantadas.Albuquerque DSR/INPE . história. meios transporte. segurança pública. dentre outras que podem utilizar essa ferramenta e seus produtos no seu aprendizado.. Afinal por que aprender cartografia? Este despertar para a cartografia pode se iniciar com o aluno ainda na pré infância. projeção ou qualquer técnica cartográfica. etc. procurar a resposta que vá ao encontro da formação do cidadão e não de outros interesses. a respeito de sua vizinhança.. 10-10 P. Entende-se que essas respostas devem convergir para o seguintes objetivos: auxiliar no aprendizado da geografia. conduzindo-o a exercitála sem que isto configure um tópico de uma disciplina ou ela própria. que ocorre com o crescimento do conhecimento adquirido nas diversas disciplinas. sociologia. Trata-se do exercício natural dessa ferramenta. estão desenvolvendo modelos para que alunos do ensino fundamental aprendam o que é uma escala. através de informações elaboradas pela própria escola na forma de mapas. o que é uma projeção cartográfica etc. Outras perguntas podem ser formuladas.C. quando do ensino de outras disciplinas como geografia. independentemente de saber o que é escala.pelos pais e depois o próprio aluno passará a elaborar seus “mapas”. apoiar as atividades cotidianas do aluno e a formação de sua cidadania. Então como ensinar Cartografia? Inicialmente o que deve ser feito é despertar o interesse do aluno para as aplicações cartográficas. como é feita a representação do relevo. por exemplo: Por que o interesse de ensinar cartografia nas escolas? A partir da resposta dada. sem se preocupar com o exercício da própria cartografia no cotidiano da escola. das necessidades e do interesse do próprio aluno. Entretanto. história e de outras disciplinas.7. cabe então ao educador.

utilização de novas tecnologias etc. -Fase-3: Utilização e aplicação freqüente de mapas nas aulas e na elaboração dos exercícios propostos aos alunos pelo professor. acessos.C. pontos de ônibus.disseminação das aplicações cartográficas e de seus produtos no país. tais como: . Fase-5: Curso profissionalizante para formação de técnicos de nível médio em cartografia. dedicada à formação de profissionais para a Cartografia. respeitadas as suas prioridades definem o conjunto de ações que devem ser desenvolvidas pelo professor e aluno no âmbito da escola. Observa-se que não é exigido professores com conhecimentos especializados em Cartografia até a fase-4. etc. -Fase-2: Treinamento de professores em Cartografia. farmácias.por meio de mapas ou croquís. a partir da 6a série.. treinados para conhecer as bases na qual se assenta a Cartografia serão os orientadores e disseminadores do uso e aplicação da cartografia para este momento. A fase-5.. está associado a 5 fases de trabalho que.Albuquerque .G. Os professores das disciplinas de geografia. matemática. bairro e residência do educando. -Fase-4: Treinamento específico em Cartografia para os alunos do ensino fundamental. segundo proposto. Ensinar Cartografia. DSR/INPE 10-11 - P. sítios de interesse tais como: papelarias. será trabalhada por especialistas conforme os curricula aprovados.Respostas que contemplem outras tendências. As fases são as seguintes: -Fase-1: Expressar todas as informações pertinentes à localização da escola. ciências e artes plásticas.. Este treinamento deverá sempre estar associado às disciplinas que estão sendo ministradas nesse período. .

junto com outras disciplinas..Albuquerque .Duração e fases 01 02 Processo inicial 1 ano Processo instalada ---- Indicadores Anual Familiarização com mapas Entendimento do que são mapas. humanos e culturais e ao cotidiano do educando.C. pautase nos recursos humanos e materiais básicos existentes na escola. leitura e uso desses documentos em diversas escalas Compreensão dos problemas sóciais. destacados a seguir. como ferramenta para compreensão dos problemas físicos.. -Requisitos A consecução dos objetivos desta proposta para o ensino da cartografia.. geografia. o trabalho que está sendo apresentado visa despertar e incentivar o uso sistemático da Cartografia. econômicos e Aplicar em toda a escola Professores selecionados escola que pela dando em Manutenção preferência àqueles lecionam todas as séries 03 Aplicar em todas as séries ambientais apresentados na história.G. Recursos básicos DSR/INPE 10-12 - P. 04 ----Para alunos a partir da 6 série 05 Só para formação profissional a Compreensão dos problemas geométricos que existem nos mapas Profissionais formados Devido ao desconhecimento dos objetivos da Cartografia e a falta de cultura na utilização de seus produtos pela sociedade.

ciências.G. DSR/INPE 10-13 - P. é importante que os professores dominem esse conjunto de facilidades e possam disponibilizá-los para todos os alunos. Os materiais suplementares.. compasso e transferidor Lápis preto e branco e coloridos Borrachas Globo Bússola Motivação com a escola Especificações Geral. Interesse Comprometimento Conhecimento básico sobre leitura e manuseio de mapas (documentos cartográficos) Alunos 2-Materiais 2. Político. Físico. Entretanto. Características Interesse Comprometimento história. indicados a seguir. são utilizados para auxiliar neste trabalho e enriquecer o aprendizado do aluno. Físico Urbano Conforme disponibilidade Escolar Observa-se que esses materiais integram o acervo de qualquer escola e dos materiais que os alunos costumam trazer para as aulas. matemática. artes plásticas .C. Geral. esquadro.2-Equipamentos e consumo Régua.. Populacional.1-Documentos Cartográficos Mapas Mundi Mapas das Americas Mapas do Brasil Mapa da Região Mapa do Estado Mapa do Município Cartas-imagens Atlas 2.1-Humanos Diretores Coordenadores pedagógicos Professores de geografia.. Ecológico.Albuquerque . Físico e Político Geral.

c-Conhecer o bairro onde mora..Albuquerque . Cópia papel Cópia digital Materiais disponíveis no mercado Cartas-imagens. e-Enduro ambiental.Recursos suplementares Computador Plotter ou impressora Scanner Aplicativos GPS Cartas imagens ou imagens Fotografias aéreas para cartografia e CoreoDRAW. abrangendo o município e a cidade. para identificação dos locais mais poluídos. apresentamos a seguir uma relação de atividades que podem ajudar na compreensão e conhecimento dos objetivos e técnicas cartográficas. Visando auxiliar os professores que poderão se envolver com este trabalho.. livros didáticos. g-Identificar no mapa do Brasil o local onde foram torpedeados os navios brasileiros durante a 2a guerra mundial. escala maior ou igual a sensoriamento remoto DSR/INPE 10-14 - P. 1/50.G.C. sujos. quebra cabeças. perigosos etc. f-Desenhar no mapa as trajetórias das naus de Cabral e Colombo. d-Corridas de orientação. etc. Outra característica desta proposta é permitir que o professor continue criando atividades em sala de aula e no campo com seus alunos. jogos. De mão para operações estáticas Colorida.000. a-Passeio em trilhas b-Caça ao tesouro. valendo-se do acervo básico e de sua própria imaginação.

C.. O ensino da Cartografia deve-se iniciar da mesma maneira que os mapas apareceram. de observações.” independente do conhecimento matemático do que seja escala.8. Nas séries mais avançadas professores e alunos poderão lançar mão de bibliografias específicas a respeito do tema... projeção etc. e de experiências vividas anteriormente junto as escolas do ensino fundamental. etc. sociais. Finalmente recomenda-se que a cartografia não seja nem disciplina nem tópico de disciplina mas uma nova forma de linguagem para abordar e apresentar temas ambientais.. “partindo de necessidades. projeção forma da Terra.G. iniciando assim junto às disciplinas de desenho e matemática conceitos de escala. reflexões. DSR/INPE 10-15 - P.Albuquerque . CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES A concepção desta proposta foi desenvolvida a partir dos princípios básicos que norteiam as técnicas de ensino. históricos e biológicos que são contemplados nas disciplinas curriculares do ensino fundamental e médio.

br .inpe.C A P Í T U L O 11 Geoprocessamento J o s é C a r l o s M o r e i r a1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 moreira@dpi.

C.Moreira .DSR/INPE 11-2 J.

.............................................. 11-7 3......................................... 11-5 2..... 11-8 4........................... 11-9 DSR/INPE 11-3 J.............. QUAIS PLATAFORMAS E PERIFÉRICOS SÃO SUPORTADOS? ...........................................ÍNDICE 1.C.. INTRODUÇÃO AO SPRING ......... FUNÇÕES DO SPRING.............. QUAIS OS MÓDULOS DISPONÍVEIS? ......Moreira .......................

DSR/INPE 11-4 J.Moreira .C.

operando como um banco de dados geográfico. DSR/INPE 11-5 J. • Administra tanto dados vetoriais como dados matriciais ("raster") e realiza a integração de dados de Sensoriamento Remoto num Sistema de Informações Geográficas. mantendo a identidade dos objetos geográficos ao longo de todo banco. fornecendo ao usuário um ambiente interativo para visualizar. Os dados disponíveis no banco podem ser manipulados por métodos de processamento de imagens e de análise geográfica. Aprimora a integração de dados geográficos. com a introdução explícita do conceito de objetos geográficos (entidades individuais). através da combinação de menus e janelas com uma linguagem espacial facilmente programável pelo usuário (LEGAL . • Provê um ambiente de trabalho amigável e poderoso. para ambientes UNIX e Windows. de mapas cadastrais. geralmente acoplados a gerenciadores de bancos de dados relacionais. Introdução ao SPRING O que é SPRING? • Banco de dados geográfico de 2º geração. manipular e editar imagens e dados geográficos.C.Moreira . Quais são as características principais? • Opera como um banco de dados geográfico sem fronteiras e suporta grande volume de dados sem limitações de escala. projeção e fuso. O que é Banco de Dados Geográfico? • Banco de dados não-convencional onde cada dado tratado possui atributos descritivos e uma representação geométrica no espaço geográfico. Os sistemas desta geração são concebidos para uso em conjunto com ambientes cliente-servidor. mapas de redes e campos.Linguagem Espaço-Geográfica baseada em Álgebra).1.

classificação por regiões e geração de grades triangulares com restrições. Desenvolvido usando técnicas avançadas de programação. isto é. A interface interativa utiliza o "X Window System" e padrão de apresentação OSF/MOTIF em ambientes UNIX e "Windows" em ambientes PC-Windows. Quais são as vantagens do SPRING? • Contém algoritmos inovadores. que requerem uma forte capacidade de integração de dados entre imagens de satélite. ao contrário do SPRING. não havendo necessidade de DSR/INPE 11-6 J. a estrutura de dados é a mesma quando o usuário trabalha em um microcomputador na versão Windows e em uma máquina RISC (Estações de Trabalho UNIX). complementando os métodos tradicionais de processamento de imagens e análise geográfica.• Consegue escalonabilidade completa. como os utilizados para indexação espacial. utilizando modelo de dados orientado-a-objetos. é capaz de operar com toda sua funcionalidade em ambientes variando de microcomputadores a estações de trabalho RISC de alto desempenho. • Base de dados é única. mapas temáticos e cadastrais e modelos numéricos de terreno. Adicionalmente.Moreira . isto é. garantem o desempenho adequado para as mais variadas aplicações. muitos dos sistemas disponíveis no mercado apresentam alta complexidade de uso e demandam tempo de aprendizado muito longo. segmentação de imagens. • Sistema inovador. projetado inicialmente para redes de estações de trabalho baseadas na arquitetura RISC e ambiente operacional UNIX. • Adaptado a complexidade dos problemas ambientais. que melhor reflete a metodologia de trabalho de estudos ambientais e cadastrais. • Preserva o investimento dos usuários dos sistemas SITIM e SGI. uma vez que todos os dados gerados nestes sistemas podem ser totalmente aproveitados (inclusive com topologia) no novo ambiente.C.

C. ou Estações Silicon Graphics.0. Monitor de vídeo colorido SVGA. ou Linux versão 1.44 Mbytes e Unidade de CD-ROM (caso desejar trabalhar com imagens de satélite fornecidas pelo INPE). series HP-700. ou Solaris-X86 versão 2. 2. dp 0. 50 Mbytes de espaço em disco para instalação mínima do SPRING. que é exatamente a mesma. 1.51. com sistema HP-UX 9.2.4 ou posterior. ou Estações IBM RISC/6000. o o o • Hardware mínimo para estações RISC-UNIX o o o 32 Mbytes de memória principal. O mesmo ocorre com a interface.2.13. Quais plataformas e periféricos são suportados? • Plataforma PC o Software: Microsoft Windows-95 ou Windows-NT versão 3. ou Estações Hewlett-Packard. Drive de 31/2". 14" NI.5. com sistema IRIX 4. • Estações RISC-UNIX o Estações SUN de arquitetura SPARC utilizando sistema operacional Solaris 2. o Plataforma mínima de hardware: Processador 486 DX2 100 Mhz. Disco rígido de 1 Gbytes. Memória RAM de 16 Mbytes. de maneira que não existe diferença no modo de operar o SPRING. com sistema operacional AIX 3. DSR/INPE 11-7 J. 100 Mbytes de espaço em disco para os bancos de dados a serem criados pelo usuário.0.4 ou posterior.conversão de dados.28 mm. series IRIS 4D.Moreira .

BIL e 1B para o formato GRIB (Gridded Binary). o As funções da janela principal. Este programa carrega seletivamente os arquivos da fita para o disco. Converte as imagens dos formatos BSQ. • SPRING o É o módulo principal de entrada. Quais os módulos disponíveis? • 3 módulos. através dos dispositivos CD-ROM (Compact Disc . traçadores gráficos compatível com HPGL e impressoras coloridas compatível com PostScript também são suportados e podem ser integrados no sistema.• O SPRING 2. "streamer" (60 ou 150 megabytes) e DAT (Digital Audio Tape .0 conta com um programa automático para instalação do sistema.Moreira . IMPIMA. Imagem. 3. funções de entrada de dados. DSR/INPE 11-8 J. Editar. Exibir. com o objetivo de facilitar seu uso. Temático. na barra de menus.C. Numérico Cadastral. executando as funções relacionadas à criação. Fast Format. em função de parâmetros fornecidos pelo usuário. processamento digital de imagens.Read Only Memory ). manipulação de consulta ao banco de dados. SPRING e SCARTA. CCT (Computer Compatible Tapes). • Periféricos como mesa digitalizadora. modelagem numérica de terreno e análise geográfica de dados. compartimentando as funções de manipulação de dados geocodificados. gravadas pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). • IMPIMA o Executa leitura de imagens digitais de satélite. HRV/SPOT e AVHRR/NOAA. manipulação e transformação de dados geográficos.4 ou 8mm) adquiridas a partir dos sensores TM/LANDSAT-5. estão divididas em: Arquivo.

Para cada opção há um menu (janela de diálogo) associado com as operações específicas. legendas. resultantes dos projetos de pesquisa do INPE e seus parceiros. símbolos. Mosaico de Imagens com equalização dos níveis de cinza.6. As funções indicadas em "negrito" passam a fazer parte do release 3. Wysiwyg). Inglês e Espanhol. Interface com o Usuário o o o o Leitura de Imagens LANDSAT. o 4. linhas. através do recurso "O que você vê é o que você tem" (What You See Is What You Get. quadros e grades em coordenadas planas ou geográficas. • SCARTA o Edita uma carta e gera arquivo para impressão a partir de resultados gerados no módulo principal SPRING. Menus sensíveis ao contexto. SPOT. Linguagem de Álgebra de Mapas LEGAL. Registro e Correção Geométrica. Objetos e Utilitários. o Ambiente unificado para os diferentes tipos de dados geográficos e suas representações. ERS-1 e NOAA/AVHRR.C. no formato varredura ou vector.Moreira . Permite editar textos. permitindo a apresentação na forma de um documento cartográfico. Disponível nos seguintes idiomas: Português. Processamento de Imagens o o DSR/INPE 11-9 J. Permite exibir mapas em várias escalas.Rede. Funções do SPRING O SPRING apresenta um conjunto de novos algoritmos e procedimentos inovadores.

Transformações IHS e componentes principais. Mapas de distância. 11-10 DSR/INPE J. Mosaico.Krigeagem. matriz de/para vetor de mapas o o o o Análise Geográfica Operações Boolaenas. Leitura de valores de pixel. Geoestatísica . o o o o o o o Digitalização. Operadores Zonais. Conversão temáticos. Filtros morfológicos para imagens. Segmentação de Imagens e Classificadores por Regiões (supervisionado e não-supervisionado). Tabulação cruzada. Classificadores estatísticos pixel-a-pixel. Filtragem espacial. Classificação Contínua e Estatística espacial com análise univariada de pontos. Critério de Decisão AHP. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Reclassificação. Modelos de Mistura.o o o o o o o Realce por manipulação de histograma. Operações aritméticas. Ponderação.Moreira . Restauração de imagens LANDSAT e SPOT. o o o o Estimador de Densidade por Kernel.C. Técnicas markovianas para pós-classificação de imagens. Fatiamento. Processamento de Imagens de Radar. edição e geração de topologia.

com a inclusão de restrições. Modelagem da rede .P-Mediana. Geração de grades triangulares (TIN).Com colaboração da CH2MHILL do Brasil.C. 11-11 Modelagem de REDES o o o DSR/INPE J. Cálculo do custo mínimo Alocação de Recursos. Rede de Drenagem. Modelos Hidrológicos. Cruzamento Vetorial de PI's. Análise de Localização .. Visualização 3D. Geração de mapas hipsométricos. Plotagem de contornos.Moreira . Extração de Topos de Morros. Digitalização de amostras e isolinhas. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Operações Matemáticas. Cálculos de volume e perfis. o o Digitalização de linhas e nós de uma rede. o o o o o o o o Modelagem Digital de Terreno o o o o o Suavização de Linhas.Associação com objetos e definição de impedâncias e demandas. Geração de Grades. Produção de imagens sintéticas.o o Análise de Localização pelo método da p-mediana. Mancha de Inundação . Geração de grades regulares. Cálculo de mapas de declividade e exposição de vertentes.

ACCESS e ORACLE nativos. Apresentar o conteúdo de uma tabela relacional com atributos dos geo-objetos. que permite: o Definição e apresentação do conteúdo de tabelas de atributos dos geo-objetos em BD relacionais.Com colaboração do Laboratório Associado de Computação e Matemática Aplicada .LAC-INPE e Universidade Estadual Paulista UNESP/FEG Faculdade de Engenharia. DSR/INPE J. Relacionar o conteúdo da tabela com a localização espacial dos objetos. Gerar gráficos com a distrubuição relativa de dois atributos. símbolos. Suporte aos padrões xBASE. Agrupamento de objetos geográficos por atributos. Apresenta uma nova interface de consulta espacial. o Geocodificação de Endereços. o Consulta a Bancos de Dados Relacionais (Mapas Cadastrais) o o o o o o o Ambiente interativo (WYSIWYG) com controle do posicionamento dos mapas.Moreira 11-12 . Geração de gráficos com distribuição de valores de atributos. Geração de Cartas o Biblioteca de Símbolos em formato DXF-R12 ou BMP. legenda e texto. semelhante aos sistemas de "desktop mapping". Consulta por atributos espaciais e apresentação dos resultados. Departamento de Matemática .C.

Importadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate). DXF-R12. Registro vetorial. ShapeFile e E00 Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. TIFF. ASCIISPRING. A2. A1.o o Configuração de folhas A0. JPEG e GeoTIFF Tabelas : ASCII-SPRING e DBF o Intercâmbio de Dados o Conversores para ASCII-SPRING MID/MIF (Mapinfo). SITIM. ShapeFile Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. Suporte para dispositivos HPGL/2 e Postscript. Edição de toponímia (textos) em todos modelos de dados. Mosaico de Dados Vetoriais e Imagens. ASCIISPRING.Moreira . DXF-R12. ShapFile (ArcView) e E00 (ArcInfo) o Exportadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate). A3 e A4.C. JPEG e GeoTIFF Tabelas : SPACESTAT e ASCII-SPRING Suporte para 14 Projeções Cartográficas. TIFF. 11-13 o o Gerenciamento de Mapas o o o DSR/INPE J. Conversão de Dados entre Projeções.

Ajuda On-line o o DSR/INPE J.C. o Ajuda em formato HTML . e quebra automática de interseção de linhas. Roteiro em 10 aulas para utilização das principais funções.conversão de mapas temáticos (pontos e polígonos) ou cadastrais (pontos e polígonos com atributos) para mapas de pontos temáticos (pontos 2D) ou numéricos (amostras 3D).Moreira 11-14 .necessário o navegador Internet Explorer. Roteiro de "Como Iniciar ?" para iniciantes. polígonos e elementos menores que uma dimensão fornecida pelo usuário.o Limpar Vetores - elimina linhas duplicadas. o Geração de Pontos .

C A P Í T U L O 12 USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO COMO RECURSO DIDÁTICO PEDAGÓGIC O NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE V â n i a M a r i a N u n e s d o s S a n t o s1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE Divisão de Sensoriamento Remoto 1 e-mail: vania@ltid.M.inpe.Santos .N.br DSR/INPE 12-1 V.

N.Santos .M.DSR/INPE 12-2 V.

........................... CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO ............M................................................ÍNDICE 1................... 12-5 2................... 12-14 DSR/INPE 12-3 V................... INTRODUÇÃO ............................................. 12-6 3........................................................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....... 12-8 4.........Santos ..................... O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA ..........................N.................. 12-11 5............ O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES .................

M.N.DSR/INPE 12-4 V.Santos .

Com o processo de mudanças desencadeado a partir da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9394/96). sobretudo os orbitais (a bordo de satélites). A escola. sociais. desenvolver a função social de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas. através da coleta de diferentes dados e da aquisição de imagens da sua superfície. tornou-se possível “(re)conhecer” a Terra. o que justifica o compromisso de divulgar ciência.1. movido pela crença de “ir ao espaço buscar soluções para os problemas da Terra”. deve ser conhecido por toda nossa sociedade. INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento das modernas tecnologias espaciais.N. favorecendo na realização do planejamento sócio econômico ambiental sustentável. é o espaço privilegiado capaz de receber e processar tais informações transformando-as em conhecimento. vem sendo assinalada a necessidade da educação escolar trabalhar com conteúdos e recursos que qualifiquem o DSR/INPE 12-5 V.Santos . políticas e culturais desses projetos com relação a ocupação dos espaços geográficos. por meio de sensores remotos. para a melhoria das condições de vida. no mundo inteiro e em diversas escalas. sobretudo do sensoriamento remoto. e por meio desse processo. Dada a sua importância para o mundo moderno. entendemos que o conhecimento produzido e acumulado sobre o potencial de utilização das tecnologias espaciais. pela qualificação que pode promover no desempenho dos agentes sociais.M. bem como auxiliado no diagnóstico sobre as implicações ambientais. concebida como agência de comunicação social que tem no saber sua matéria prima. tem servido como base para o desenvolvimento e realização de projetos associados às atividades humanas. dentre as quais se incluem os satélites artificiais. Os dados gerados pelos diversos sensores remotos. resultante em parte da evolução e ampliação do conhecimento sistematizado. econômicas.

No ensino da Geografia. planícies. como por exemplo na focalização do tema Meio Ambiente. O uso escolar dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto apresentamse como recurso para o processo de discussão/construção de conceitos pelos alunos. permitindo ultrapassar uma perspectiva de abordagem restrita às ciências da natureza. O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES O trabalho que temos realizado com sensoriamento remoto nas escolas. Matemática. Em consonância com a Lei. DSR/INPE 12-6 V. comum na abordagem desta questão.N. frente as atuais exigências de reformulação da educação escolar impostas pela conjuntura de nossa sociedade de final de milênio. destacam a importância do trabalho com o conhecimento científico e tecnológico no ensino fundamental e médio. Podemos verificar suas possibilidades de uso em diferentes disciplinas tais como: Geografia. principalmente em abordagens interdisciplinares. respectivamente. e avançar na perspectiva das ciências sociais e da pedagogia da comunicação. Educação Artística. enquanto conteúdo e recurso didático inovador no processo de ensino e aprendizagem.M. rios. a utilização de imagens de satélite. por exemplo. dentre outras. os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes para o Ensino Médio. permite identificar e relacionar elementos naturais e sócio econômicos presentes na paisagem tais como serras. 2.Santos . História. tem se constituído numa oportunidade de aproveitar seu vasto potencial de uso e aplicações para a compreensão da dinâmica do processo de intervenção/repercussão das relações sociais no equilíbrio/desequilíbrio do meio ambiente. Este contexto favorece a introdução da tecnologia de sensoriamento remoto na escola.cidadão para a vida na sociedade moderna tecnológica. bacias hidrográficas. e como conteúdo em si mesmas. Ciências.

bem como acompanhar resultados da dinâmica do seu uso.M. com imagens de um mesmo local produzidas em períodos/anos diferentes. cidades. Os produtos de sensoriamento remoto podem ser DSR/INPE 12-7 V. industriais. estradas. serras. ao mesmo tempo em que propiciam compreensão de conceitos físicos a elas associados.N. de tal forma a se constituírem no próprio conteúdo a ser compreendido. enquanto um movimento em suas regularidades e alternâncias. ocupação e desenvolvimento de uma região.Santos . No ensino da História.. é possível apreender a temporalidade dos fatos em sua dinâmica e fazer a reconstituição do processo de uso.matas. estas podem ser analisadas e compreendidas por intermédio do ensino de Ciências. áreas agricultáveis. Outros estudos voltados ao ensino de Ciências ainda podem encontrar nas imagens uma referência para a sua compreensão. rios e cidades. permanências e mudanças. tais como o processo saúde/doença relacionado a vetores naturais como por exemplo a água e as condições em que se apresenta no meio ambiente. enquanto elemento cultural componente das sociedades tecnológicas. servindo portanto como um importante subsídio à compreensão das relações entre os homens e de suas conseqüências no uso e ocupação dos espaços e nas implicações com a natureza. evidenciadas pelo sensoriamento remoto. Como as imagens de satélite estão associadas aos fenômenos físicos de absorção e reflexão da luz. proporção e formas geométricas.. através da análise e compreensão entre os elementos constitutivos de uma paisagem tais como plantações. as imagens de satélite e fotografias aéreas podem ser utilizadas como recurso para a compreensão de conceitos. como os de área. mostrando as transformações no perfil econômico e as possibilidades de construção de planos administrativos e condutas sociais participativas que se abrem a partir desse conhecimento. No ensino de Matemática.

Esses recursos podem auxiliar o aluno a perceber “o tamanho real” do problema e consequentemente a importância de aprender a manipular conceitos matemáticos para compreendê-los. fotografias aéreas e mapas (cartas topográficas). mostrando em diferentes escalas serras. sobretudo com as cores e formas características das imagens de satélite e sua decodificação. como por exemplo calcular a área desmatada de uma floresta e a proporção deste impacto para a população local e circunvizinha. Em Educação Artística. encaminha os alunos aos desdobramentos de leituras objetivas e subjetivas do espaço geográfico. como por exemplo o tema meio ambiente. propícias ao desenvolvimento de experimentos plásticos originais. “construindo” a região na sua tridimensionalidade.Santos . vales. Embora estes exemplos apresentem possibilidades multidisciplinares de utilização escolar do sensoriamento remoto. construindo o próprio conhecimento. O contato.N. é possível elaborar maquetes a partir de imagens de satélite. ferrovias. rios.. Esses são apenas alguns exemplos dos possíveis usos didáticos dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto no tratamento de conteúdos curriculares. O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA As características dos produtos do sensoriamento remoto. etc. tais como repetitividade de cobertura.M.utilizados como recurso à compreensão e resolução de problemas reais/concretos. utilizando diferentes escalas. cidades. onde as contribuições disciplinares se tecem na sua análise. é possível também desenvolver estudos interdisciplinares a partir da definição de um tema específico para estudo. represas. 3. literários e plásticos a partir das percepções propiciadas pela leitura das imagens e pela experiência estética da relação com elas. além de possibilitar a elaboração de outros textos artísticos. justaposição de DSR/INPE 12-8 V. sobretudo das imagens de satélite. estradas.

que possibilitam uma visão de conjunto da paisagem em tempos diferentes. DSR/INPE 12-9 V.N. A possibilidade de associarmos. Lorena. 1 O referido trabalho. atividades de campo voltadas à verificação da verdade terrestre e a contextualização das informações obtidas a partir das imagens de satélite e fotografias aéreas. por exemplo. se constitui em uma das mais sérias exigências educacionais contemporâneas para o exercício/construção da cidadania. ao uso escolar do sensoriamento remoto. intitulada: “Escola. Jacareí. favorecendo na localização de possíveis fontes poluidoras. com referência em questões sócio ambientais. e conseqüente melhoria da qualidade de vida. foi desenvolvidos em escolas públicas e particulares do ensino fundamental e médio nos seguintes municípios: São José dos Campos. em 1999. Cachoeira Paulista. podem auxiliar nos estudos do meio ambiente. enriquecendo estudos históricos e geográficos. bem como subsidiar na análise dos processos de uso e ocupação dos espaços. com a participação das Prefeituras locais. do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Petrobrás. A abrangência espacial e o caráter temporal das imagens de satélite. sobretudo nas escolas. cores e formas. voltado à capacitação de professores e alunos. através do estudo do meio ambiente local. defendida na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. sob a coordenação desta autora1. revelando a dinâmica do processo de construção do espaço geográfico. as relações entre o crescimento desordenado das cidades e a presença de rios/córregos poluídos. seqüenciais e simultâneos.informações. Cidadania e Novas Tecnologias: experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto”. apresentam importante contribuição para os estudos ambientais na escola. Monteiro Lobato e Santo André. tem norteado o desenvolvimento de projetos de educação ambiental em escolas.M. abrangência espacial. Os resultados obtidos fundamentaram a dissertação de mestrado desta autora. cujo desenvolvimento. tais como indústrias ou loteamentos irregulares.Santos . mostrando. Convém lembrar que entendemos a educação ambiental como um importante instrumento para a compreensão e conscientização de questões/problemas da realidade sócio ambiental.

M. favorecendo à análise do meio ambiente e ecossistemas associados. coleta de dados.Dessa forma. mas ao contrário. permite que este “se encontre” nesta paisagem. Deixar que o aluno observe uma imagem durante o tempo que for necessário para localizar sozinho seus principais elementos. sobretudo os constitutivos da sua cidade. recursos que. convém lembrar que fotografias aéreas e imagens de satélites são instrumentos. é possível que escape à vista as implicações degradantes que o mesmo possa estar provocando em outros locais. regiões conhecidas do aluno favorece a descrição dos elementos presentes na paisagem.. segundo uma visão local e posteriormente por uma ótica integrada com toda região atingida direta ou indiretamente por este manancial. ou seja. exige o desenvolvimento de atividades correlacionadas para o estudo do meio ambiente. Contudo. cria a necessidade de acesso a outras fontes de informação. inicialmente. à quilômetros de distância da área estudada. Quando se analisa o córrego poluído em questão utilizando apenas levantamentos restritos. ante ao estudo em questão ou a sua complexidade. etc.N. familiarizando-o com esta forma de representação do espaço. não podemos deixar de investigar o comprometimento de um simples córrego urbano poluído. que deságua no rio principal de uma bacia hidrográfica. a partir do qual iniciaremos o estudo em questão. não dispensa.Santos . explorar com recursos de sensoriamento remoto. A realização de um estudo sobre os problemas sócio ambientais de uma cidade/região e suas implicações com a qualidade de vida da população. constitui-se em exemplo interessante do que consideramos acima. Se selecionarmos o recurso hídrico como vetor. com o meio ambiente regional. A utilização de recursos de sensoriamento remoto possibilita aos alunos uma apreensão sistêmica da área de estudo. considerando não apenas um único DSR/INPE 12-10 V.

em diferentes escalas. políticas e culturais no cotidiano da sociedade. Nos projetos educacionais desenvolvidos. A utilização dos recursos de sensoriamento remoto.aspecto/variável.N. refletir sobre a realidade sócio ambiental em estudo. e suas repercussões regionais/globais. com referência na coleta de amostras d’água nos rios/córregos para posterior análise. visando discussões sobre os problemas sócio ambientais locais (bairro/município). leitura de mapas. voltados ao uso escolar do sensoriamento remoto no estudo do meio ambiente. propor soluções para os problemas identificados. 4. tem propiciado aos alunos condições de compreender o meio ambiente local e regional. bem como suas implicações sociais. consequentemente. estabelecendo relações entre o impacto local e suas repercussões espaciais e revelando. como as citadas acima. professores de diferentes disciplinas orientaram seus alunos na realização de atividades em sala de aula e trabalhos de campo. suas implicações para o declínio da qualidade de vida da população atendida direta ou indiretamente por este manancial. econômicas. incluindo: leitura e interpretação de imagens de satélite e fotografias aéreas. CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO Nossa proposta de trabalho com os recursos de sensoriamento remoto na escola não se limita a uma mera transferência mecânica de informações.Santos . elaboração de mapeamento sócio ambiental do bairro/região de estudo.M. realização de roteiros ambientais. entrevistas na comunidade. com referência nos recursos hídricos. mas sim a multiplicidade de aspectos/variáveis que possam estar contribuindo para a degradação da qualidade das águas. Não DSR/INPE 12-11 V. associados ao desenvolvimento de diferentes atividades. estudo do meio. bem como exercitarem a sua cidadania através de ações/intervenções escolares voltadas para a melhoria da qualidade de vida.

que é preciso aprender a captar e estabelecer. São Paulo : SUMMUS. propiciadoras do exercício de operações mentais implementadoras do desenvolvimento do raciocínio crítico e da produção do conhecimento. mas a ela conectadas por diferentes relações. mas sobretudo de refletir sobre elas e trabalhar suas relações com a prática pedagógica e com o tratamento dos conteúdos curriculares em suas relações com a vida. Tal restruturação requer um trabalho ativo-reflexivo com a informação. enquanto ferramenta para o estabelecimento de relações com realidades distintas da sua. com propriedade de termos.N. p. por parte do aprendiz. e que facilmente passam por desapercebidas a olhares menos desavisados. O uso escolar do sensoriamento remoto recomenda o desenvolvimento da Pedagogia da Comunicação no tratamento dos conteúdos curriculares. já que não são evidentes por si mesmas. possamos falar de aprendizagem ‘autêntica’. F. 1979. 110 DSR/INPE 12-12 V. visando a construção do conhecimento por professores e alunos. enquanto repercussões à distância de fenômenos. Linguagem total : uma pedagogia dos meios de comunicação. Como afirma o educador Gutierrez2 (1979). o que requer do preceptor que ele o transforme em conhecimento seu e reestruture à sua maneira tal informação”.Santos . que o levará a utilizá-la enquanto ferramenta de: decodificação. compreensão da realidade imediata em que está inserido e de outras realidades semelhantes a esta. considerando a análise da realidade concreta e as reflexões possíveis de serem desenvolvidas sobre ela. orientado pelo docente.M. “o mero fato de interpretar ou apropriar-se de um saber não é suficiente para que. 2 Gutierrez. Somente pode chamar-se autêntico o conhecimento que em si mesmo e por si mesmo seja produtivo e transformador.se trata de proceder apenas à divulgação de suas características e potencialidades.

Por em prática a Pedagogia da Comunicação significa por em prática iniciativas pedagógicas transformadoras. e a compreensão que o aluno tem dela. tem uma presença relevante. circundante. DSR/INPE 12-13 V. para a construção do conhecimento mais elaborado e mais crítico do educando. bem como esclarece que professores podem promover ou proceder à socialização da ciência requalificando a relação do ensino com o conhecimento e com a vida. na implementação de planos administrativos que visem a qualificação e preservação do meio ambiente. ao diálogo entre diferentes tipos de saber. • Recorrer como caminho. como recurso didático pedagógico no processo de ensino aprendizagem. • Lidar com o meio ambiente do educando. à utilização do sensoriamento remoto.N. como ponto de partida. como método.M. Isto pressupõe propiciar ao aluno condições de compreender a vida humana numa dimensão de totalidade.Santos . • Alcançar como ponto de chegada do processo de ensino a reelaboração da compreensão inicial que o aluno tem do meio ambiente. pela apreensão das relações recíprocas entre o seu meio imediato e o mais amplo. quando o seu uso está voltado para o estudo de questões importantes da atualidade e significativa para os alunos. O uso escolar do sensoriamento remoto. em especial o sensoriamento remoto. à observação da realidade focalizada. permite desmistificar a idéia que uma tecnologia de ponta é algo distante da escola. Tais iniciativas implicam: • Considerar a realidade social em que o educando existe e na qual a tecnologia espacial. pela apreensão da ressonância das atuações individuais e das organizadas de maneira coletiva e colaborativa. sua realidade imediata.

Vânia M. responsável por comportamentos organizados de intervenção social. implica no desenvolvimento de ações capazes de propiciar: o questionamento sobre o significado de meio ambiente. 1998. Santos. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. civil e administrativa.M. 1999. o desenvolvimento do raciocínio crítico construtivo. DSR/INPE 12-14 V. de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas através dos recursos da ciência presentes na sociedade. e a partir dela a comunidade.N. Escola. voltados à conscientização de problemas sócio ambientais vividos e às possíveis atuações de superação. São Paulo. N. N. de responsabilidade individual e coletiva. Heloísa D. BIBLIOGRAFIA: Santos. oportunizando a escola. o estabelecimento da relação teórico/prática capaz de promover o desenvolvimento de experiências escolares com o sensoriamento remoto. O uso escolar das imagens de satélite: socialização da ciência e tecnologia espacial. a percepção de suas relações. Dissertação de Mestrado. 5. Pedagogia da comunicação. o acesso ao conhecimento da função social desta tecnologia. entendemos que o uso escolar do sensoriamento remoto pode contribuir para o desenvolvimento da função da escola na atualidade.Elaborar projetos escolares com as pretensões didáticas aqui assumidas.Santos . Vânia M. cidadania e novas tecnologias: investigação sobre experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto. a investigação e reflexão sobre a realidade sócio ambiental imediata. e com a sua representação em diferentes escalas. São Paulo: Cortez. 150p. Nesta perspectiva. a compreensão da contribuição da tecnologia de sensoriamento remoto na apreensão de problemas ambientais e na elaboração de sua superação. In: Penteado.

São Paulo. Heloísa D. São Paulo. 1991. Metodologia do ensino de geografia e história.Penteado.Santos . 2000. DSR/INPE 12-15 V.M. Cortez. Penteado. Cortez. Heloísa D. Meio Ambiente e formação de professores.N.

br 13-1 T.SAUSEN DSR/INPE .M.C A P Í T U L O 13 PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula T a n i a M a r i a S a u s e n1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 tania@ltid.inpe.

M.DSR/INPE 13-2 T.SAUSEN .

......... 12-9 1.............. 12-10 2.............................. 12-7 1.. O DOCUMENTO DE CAMBORIÚ ............................. 12-13 SITES ÚTEIS ................. 12-19 DSR/INPE 13-3 T............................................................................ INTRODUÇÃO ........................................ÍNDICE 1............................................................................................... 12-8 1.... 12-7 1....................................1 OS SATÉLITES DE SENSORIAMENTO ......................................4 CARTA-IMAGEM .....M.2 O INPE ......................................................................................SAUSEN ..............3 OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS .......... 12-10 O PROGRAMA EDUCA SERE .............................................................................................................................................. PROJETO EDUCA SERE III-ELABORAÇÃO DE CARTA-IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO ...... 12-12 4.................................................................... 3.....................................................

M.DSR/INPE 13-4 T.SAUSEN .

.............M.....CARTA IMAGEM DE PORTO ALEGRE – RS ..SAUSEN ............................ 13-19 DSR/INPE 13-5 T..LISTA DE FIGURAS 1 ......

DSR/INPE 13-6 T.M.SAUSEN .

inpe. o LANDSAT.1) Os satélites de sensoriamento: Em junho de 1972 foi lançado pelos norte-americanos. importantes. o europeu ERS. centro geográfico da América do Sul. por apresentarem uma visão sinótica da área abrangida por cada uma delas. Estas características proporcionam uma série de informações sobre os recursos naturais e ações antrópicas.PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula Tania Maria Sausen Ministério da Ciência e Tecnologia Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais Atividades de treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espacial tania@ltid. Esta foi a terceira antena a entrar em operação no mundo. tais como o francês SPOT. estas imagens são pictoricamente agradáveis. facilitando assim o ensino e a compreensão da geografia. ORVIEW e o sino-brasileiro CBERS. o que chama atenção do aluno.br http://www.inpe. informações estas.Em junho de 1973 entrou em operação a antena de rastreamento de satélites do Brasil.br/unidades/cep/atividadescep 1-Introdução: 1. o primeiro satélite de sensoriamento remoto. no estudo do espaço geográfico e do meio-ambiente.M. por permitirem a coleta de dados temporais de uma mesma área e por coletarem informações sobre feições na superfície terrestre em várias faixas do espectro eletromagnético. que está localizada em Cuiabá. Desde esta época já foram lançados vários satélites de sensoriamento remoto. Paralelamente.SAUSEN . As imagens geradas pelos satélites de sensoriamento remoto são uma ferramenta poderosa para serem utilizadas como recurso didático em sala de aula. o canadense RADARSAT. os norte-americanos IKONOS. da ciência e da história. DSR/INPE 13-7 T.

tem se preocupado com a disseminação e transferência desta tecnologia para usuários finais. seguramente terá um grande aliado. 1. tem observado e comprovado que é necessário estender-se o processo de disseminação da tecnologia de sensoriamento remoto para alunos dos ensinos fundamental e médio. agências espaciais e educadores. através da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tecnologia Espaciais-ATDCCTE e da sua Divisão de Sensoriamento Remoto-DSR. em 1972.O professor em sala de aula.2) O INPE Desde o lançamento do primeiro satélite de sensoriamento remoto. quase sempre oriundos do programa de mestrado em sensoriamento remoto do INPE.M. É nesta fase também que estes estudantes estão escolhendo a sua futura profissão sendo. esta tecnologia ainda não é amplamente utilizada pelo público em geral e poucos professores fazem uso das imagens de satélite como recurso didático. É bem verdade que este panorama vem mudando nos últimos anos.SAUSEN . o momento adequado para motivá-los a trabalhar com sensoriamento remoto. o INPE. em consonância com uma tendência observada em todo o mundo e incentivada pela Divisão de Espaço Exterior da ONU e pela UNESCO. Apesar de todas as atividades desenvolvidas pelo Instituto. vários organismos internacionais. pois é desta comunidade de estudantes que surgirá o cidadão do futuro. quando são utilizadas em sala de aula. no uso das imagens de sensoriamento remoto. restringe-se a professores universitários. Isto ocorre principalmente pela falta de capacitação de alguns professores. o alto custo das imagens de satélite e a falta de material didático dedicado exclusivamente ao ensino de sensoriamento remoto. que deverá entender o relacionamento entre meio-ambiente e sociedade. para proteger e preservar a terra. Nos últimos cinco anos. DSR/INPE 13-8 T. pois. As imagens de satélites.

útil e interessante no ensino da geografia. história. que permitam que tenham um conhecimento mais detalhado do local onde eles vivem. É um material didático de múltiplas finalidades para os professores do ensino fundamental (1° a 8° séries-7 a 14 anos) e médio (1° a 3° séries-15 a 17anos). com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. com relação ao programa a ser desenvolvido em sala de aula. sendo um material didático rico. da sua cidade. de modo a interpretar. ao longo do período letivo.SAUSEN . para permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição. Eles servem de instrumento no apoio às discussões pedagógicas na escola.3) Os Parâmetros Curriculares Nacionais Os Parâmetros Curriculares Nacionais-PCN foram criados pelo Ministério da Educação do Brasil. Atualmente as escolas brasileiras estão buscando novos recursos didáticos e novas formas de ensinar geografia. em cada uma das séries. bem como ciências. Diante disto.M. do seu estado.1. na reflexão sobre prática educativa e na análise do material didático. temporais e espectrais constituem-se em poderosa ferramenta em sala de aula. na elaboração de projetos educativos. È mencionado nos PCNs que “o ensino da Geografia deve fazer uso de leituras de imagens. no planejamento das aulas. analisar e relacionar informações sobre o espaço geográfico e as diferentes paisagens”. bem como com os fenômenos sociais. formas que aproximem o aluno da realidade. etc. para seus alunos. De acordo com os PCNs o objetivo da Geografia “é explicar e compreender as relações entre a sociedade e a natureza. do seu país e do seu continente. culturais e naturais que são característicos de cada paisagem. artes. Estes Parâmetros atendem a todas as áreas dos ensinos fundamental e médio e dão as linhas de ação de cada uma das disciplinas. as imagens de satélite. de dados e de documentos de diferentes fontes de informação. e como ocorre a apropriação desta por aquela”. DSR/INPE 13-9 T. A Geografia tem que trabalhar com diferentes noções espaciais e temporais. em suas diferentes resoluções espaciais.

países. coordenadas geográficas. O uso de imagens de alta resolução para estudos locais (cidades e bairros). no período de 20 a 23 de maio de 1997. bem como caracterizar a interação do homem com ela e os impactos provocados por ele. cartas rodoviárias e visitas ao campo. 1. A CARTA-IMAGEM é a carta elaborada a partir de uma imagem de satélite. Assim.M. sugerese: • • • • O uso de imagens de satélite com diferentes resoluções espaciais para o estudo dos continentes. direções e a localização geográfica de pontos. A integração de dados obtidos de cartas geográficas. realizada no Balneário Camboriú. para que o aluno possa aprender e caracterizar o local onde vive e como deve interagir com a paisagem ao seu redor.O ensino da geografia visa também tornar o aluno um futuro cidadão consciente sobre o meio-ambiente e os recursos naturais que o cercam.O Documento de Camboriú Durante a I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul. mapas temáticos. estados. ferrovias. Cada carta-imagem apresenta informações sobre áreas urbanas e os principais elementos da paisagem. levando-se em consideração os PCNs e os livros didáticos de geografia. nomes de rios. geodésicas e escala de trabalho. CARTA é a representação dos aspectos naturais ou artificiais da Terra destinada a fins práticos da atividade humana. as áreas agrícolas. fotografias. o uso do solo. um dos temas DSR/INPE 13-10 T.4) Carta-Imagem Do ponto de vista cartográfico. cidades. permitindo a avaliação precisa de distâncias. 2 . áreas e detalhes. Para esta tarefa as imagens de sensoriamento remoto são úteis e possibilitam a identificação de vários aspectos da paisagem.SAUSEN . O uso de dados temporais para caracterizar a ação do homem sobre o meio ambiente. a cobertura vegetal. regiões e municípios. arroios. tais como a rede hidrográfica. córregos. além de informações cartográficas tais como rodovias.

cadernos pedagógicos. atlas geográficos compostos por imagens de satélite. Este é um problema que não ocorre somente no Brasil. em todos os níveis. falta de apoio institucional e financeiro à confecção de material didático Para sanar os problemas referentes a carência de material didático são sugeridas ações. tais como: • promover junto aos organismos financiadores a difusão do sensoriamento remoto de tal forma que motive estes organismos a financiarem a geração de material didático. CD ROM com imagens de satélite. DSR/INPE 13-11 T. 2) Podem ser considerados como material didático em sensoriamento remoto livro texto. • • há total falta de interesse das editoras pela publicação de livros técnicos e material didático em sensoriamento remoto devido a atual relação custo/demanda. carta imagem. tutoriais disponíveis na Internet. mas de modo geral em todos os países do Mercosul. superior e pós-graduação). • • solicitar a cooperação e o apoio dos distribuidores de dados espaciais a baixo custo para atividades de ensino. vídeos e slides com imagens de satélite.M. o material didático existente em geral se constitui de esforços isolados ou mesmo anotações pessoais dos professores que ministram os cursos e disciplinas de sensoriamento remoto.SAUSEN . 3) Com relação a disponibilidade de material didático em sensoriamento remoto observou-se que: • • • há uma carência de material didático com ênfase em exemplos ou estudos realizados na região do Mercosul. médio. há pouco material didático gerado por autores e nos idiomas da região do Mercosul e os mesmos já estão desatualizados. etc.mais discutidos foi à carência de material didático voltado especificamente ao ensino de sensoriamento remoto. No Documento de Camboriú é mencionado que: 1) A informação proveniente de dados de sensoriamento remoto pode ser utilizada nos distintos níveis formais de ensino (fundamental. favorecer ações de vinculação com o setor privado que fomentem a geração e distribuição de material didático.

CD ROM para o Ensino de Sensoriamento Remoto DSR/INPE 13-12 T. a baixo custo. de tal forma que eles sejam amplamente divulgados. 3 . dedicado ao ensino de sensoriamento remoto nos níveis fundamental. em 1998. no meio docente e discente. cada um deles constituindo-se em um projeto. médio e superior. o Programa Educa SeRe. de tal forma que dissemine e torne acessível esta tecnologia a todas as camadas da sociedade. motivar instituições de ensino. a tomarem parte na elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto.SAUSEN . estando todos voltados para a elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto. a saber: • PROJETO EDUCA SeRe I . pela responsável da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espaciais. • difundir. • PROJETO EDUCA SeRe II . tais como universidades. foi criado no INPE. através da disseminação e comercialização de material didático de baixo custo. Este programa tem por objetivo gerar material didático. Os objetivos específicos do programa são: • Promover a criação de uma massa crítica sobre o uso e as aplicações da tecnologia de sensoriamento remoto no país e na região do Mercosul.Cadernos Didáticos no Ensino de Sensoriamento Remoto. diferentes produtos adquiridos por satélites de sensoriamento remoto existentes na atualidade. pois. incentivar as universidades que possuem centros de publicação a gerar material didático e fazerem a sua divulgação através de sociedades científicas.O Programa Educa SeRe Considerando-se. Este programa está dividido em quatro módulos. os tópicos mencionados.• • motivar as autoridades de educação e pesquisadores a elaborar material didático para apoiar o ensino de sensoriamento remoto. motivar empresas privadas a colaborarem na confecção de material didático voltado para o ensino de sensoriamento remoto. • • • socializar os conhecimentos de sensoriamento remoto para fomentar novos projetos de pesquisas e aplicações na área de recursos naturais.M.

para serem utilizadas como material didático. nas disciplinas de ciência e geografia. Os objetivos específicos deste projeto são: • • • Disponibilizar. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais. abordando várias aplicações de sensoriamento remoto na área de recursos naturais.• PROJETO EDUCA SeRe III . realizado em Santos. para a comunidade em geral. Ele é parte do Programa Educa SeRe desenvolvido pelo INPE.Elaboração de Cartas-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto • PROJETO EDUCA SeRe IV. As primeiras cartas-imagem foram apresentadas no IX Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. de tal forma que formem uma coleção. Estas cartas estão sendo produzidas separadamente. Foram feitas 3 mil cópias. de forma ampla e a baixo custo. teve início em 1998. SP. tornar acessível. realizada em CamboriúSC.M. de forma seriada. em parceria com a SELPER e distribuídas durante o Simpósio e posteriormente para todos os interessados em vários estados brasileiros e mesmo para o exterior.Projeto Educa Sere III-Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto O Projeto Educa SeRe III-– Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto. em setembro de 1998. Tem objetivo criar séries de cartas-imagem. um ano após a realização da I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul. a baixo custo. difundir o uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático.Homepages para o Ensino de Sensoriamento Remoto Cada um destes módulos já gerou pelo menos um material didático 4 . dados de sensoriamento remoto dedicado à área de recursos naturais. No contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: DSR/INPE 13-13 T.SAUSEN .

etc. estadual e privada). • Carta-Imagem n° 2 – Santos. sensor SAR. órbita 21. bem como por vários segmentos da sociedade tais como imobiliárias. jornalistas. publicado em parceria com o Jornal Vale Paraibano de São José dos Campos. de 08 de maio de 1996 e 04 de abril de 1996. • Mosaico do Vale do Paraíba. planejadores. advogados. Com o lançamento do satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres-CBERS este projeto passou a dedicar-se a criação de cartas-imagens usando exclusivamente imagens da Câmara CCD deste satélite. Litoral Norte e Serra da Mantiqueira.a) Série Cidades Brasileiras: • Carta-Imagem n° 1–Santos. elaborada em parceria com a Agência Espacial Européia – ESA. na utilização da carta imagem como recurso didático em sala de aula. distribuidoras de leite.000. sendo bem recebidas. utilizando a imagem de satélite ERS-1 e 2. órbita 219 ponto 76. Assim foram treinados 121 professores da rede municipal. DSR/INPE 13-14 T. passagens de 26 de julho e 20 de agosto de 1997. construtores de rodovias. 2000 exemplares impressos foram distribuídos para todas as escolas do ensino fundamental e médio de São José dos Campos.SAUSEN . escala 1:50. escala 1:350.M. passagem de 20 de agosto de 1997. promotores públicos. gerado a partir de duas imagens LANDSAT/TM. 3 e 4. 64 da rede estadual e 23 da rede privada num total de 208. dando início assim ao Projeto Educa Sere III— Elaboração de carta imagem para o ensino de sensoriamento remoto-Utilização de cartas-Imagem-CBERS como Recurso Didático.000. com o apoio da Prefeitura Municipal de São José dos Campos. ONGs. não apenas pelos professores do ensino fundamental e médio. arquitetos. na edição do dia 21 de agosto de 1999. Posteriormente ao lançamento o INPE assumiu o compromisso de treinar os professores da rede de ensino (municipal. em toda a região abrangida pelo Jornal Valeparaibano (41 municípios). respectivamente. canais 2. redes de televisão. pontos 75 e 76. • Carta-Imagem n° 3 – São José dos Campos. escala 1:50. utilizando a imagem de satélite LANDSAT/TM. professores e estudantes universitários.000. Estas cartas-imagem tiveram um grande sucesso. energia elétrica. utilizando a imagem do satélite LANDSAT/TM.

19-21 de abril de 2001. incentivar os docentes dos ensinos fundamental e médio a formarem cidadãos conscientes da importância da preservação dos recursos naturais e como os dados de sensoriamento remoto podem auxiliar nesta tarefa. DSR/INPE 13-15 T. de 17 a 22 de junho de 2002. O primeiro curso e o lançamento da primeira carta-imagem CBERS foi realizado durante o X Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto.M. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais. tornar acessível.Os objetivos específicos deste projeto são: • • • • • disseminar a tecnologia de sensoriamento remoto na educação escolar. em geografia. foram levados em conta os objetivos e metas propostas para o ensino de geografia para cada um dos ciclos dos ensinos fundamental e médio. Os objetivos específicos deste curso são: • Despertar interesse na comunidade docente para a potencialidade e a utilização de dados de sensoriamento remoto como recurso didático. No período de 3 a 5 de abril de 2003. incentivar o desenvolvimento de novas metodologias de ensino. Com a finalidade de capacitar professores dos ensinos fundamental e médio no uso das cartas-imagens como recurso didático foi criado o Curso sobre “O Uso de Sensoriamento Remoto como Recurso Didático nos Ensinos Fundamental e Médio”. levando em consideração as diretrizes e orientações presentes nos PCNs. foi realizado um curso para professores do município de Manaus. em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. com a conseqüente geração da carta-imagem de Manaus. Posteriormente. Assim. foi realizado o terceiro curso. de forma ampla e a baixo custo. em Belo Horizonte. como parte das atividades do XI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. para o ensino de geografia. no uso de imagens de sensoriamento remoto. e proposto como e quais dados de sensoriamento remoto os professores podem estar utilizando em sala de aula.SAUSEN . Para este curso foi gerada a carta-imagem de Belo Horizonte O objetivo deste curso é a capacitação de professores dos ensinos fundamental e médio. Paraná. em parceria com a Universidade de Manaus. disseminar os produtos de sensoriamento remoto gerados pela Satélite SinoBrasileiro de Recursos Terrestres. em sala de aula. em Foz do Iguaçu.

• • Com o auxílio dos docentes participantes do projeto. tendo como objetivo a busca de novos talentos. em sala de aula.• Disseminar para a comunidade docente e discente os benefícios gerados pela tecnologia de sensoriamento remoto no conhecimento do espaço geográfico. cartografia. que passem a utilizá-las em sala de aula e que possam eles próprios criar novos materiais didáticos a partir dos conhecimentos adquiridos no curso. ensino de geografia. dos aspectos sócio-econômicos e na preservação dos recursos naturais do país. • Por meio dos docentes. DSR/INPE 13-16 T. física e artes. ciências. matemática. Por meio das atividades em sala de aula. referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto em geografia. • Difundir junto à comunidade docente e discente as atividades realizadas pelo INPE na área de sensoriamento remoto. • Encorajar os estudantes do ensino fundamental e médio a se interessarem por profissões relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto. capacitar os alunos dos ensinos fundamental e médio a desenvolverem atividades. Espera-se que ao final do curso os docentes estejam familiarizados com os inúmeros recursos didáticos oferecidos pelas imagens de sensoriamento remoto. referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto. educação ambiental. tornar acessível à comunidade em geral os benefícios gerados à comunidade pelas atividades de sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE. a elegerem carreiras relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto.M. envolvidos no projeto. buscar novas formas de utilização de dados de sensoriamento remoto em sala de aula.SAUSEN . Os professores treinados têm utilizado as cartas-imagem para desenvolver projetos sobre meio-ambiente e preservação de recursos naturais em sala de aula. referentes ao projeto. encorajar os estudantes interessados em geografia e ciências. em sala de aula. As metas a serem atingidas são: • Capacitar docentes de geografia dos ensinos fundamental e médio para desenvolverem atividades. • Com o auxílio dos professores e estudantes.

b) Cidades Brasileiras: • • Carta-imagem de Foz do Iguaçu. PR Carta-Imagem de Cachoeira Paulista.M. • Ter uma ampla difusão das atividades de educação e sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE na comunidade docente e estudantil.inpe. Dentro do contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: a) Capitais Brasileiras: • • • • Carta-imagem de Brasília. Formas de utilização de cartas-imagem CBERS em sala de aula: DSR/INPE 13-17 T. SP Estas cartas-imagem estão disponíveis na homepage do projeto: http://www.Elas têm despertado interesse também de docentes na Argentina e Uruguai. • Buscar parcerias entre o INPE e instituições públicas e privadas no sentido de ampliar este projeto bem como na realização de futuros projetos na área de educação espacial. Carta-imagem de Manaus. Carta-imagem de Cuiabá. Estão em fase de elaboração as cartas-imagem de Porto Alegre e Natal.SAUSEN .br/unidades/cep/atividadescep/educasere Resultados esperados neste projeto são: • Criar uma massa critica entre os professores de geografia do ensino fundamental e médio no uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático em sala de aula. Carta-imagem de Belo Horizonte. Este é o único projeto do gênero na América do Sul.

M. Estudo geográfico do espaço imediato ao aluno. bacias de drenagem. áreas de mangue. Reconstituição histórica do espaço geográfico em que o aluno vive. Aspectos morfológicos da paisagem urbana. aspectos de inundações. etc. tanto as que provem do meio natural (rios. DSR/INPE 13-18 T. serras. Correlacionar o tipo de ocupação humana com os aspectos físicos. Formas de crescimento das áreas urbanas e progressiva invasão do espaço agrícola. Identificar áreas de preservação de mananciais e sua forma de ocupação. Explicar aspectos mais complexos como grandes complexos de relevo. tais como áreas alagadas. Visão sinóptica do local onde o aluno vive e sua relação com o contexto ao redor. econômicos e sociais da região onde o aluno vive. Caracterização de áreas de preservação. Impactos ambientais causados pelo a ocupação humana. correntes oceânicas. florestas) como as artificiais (estradas. a forma dos continentes. Distribuição do uso do solo no tempo e no espaço e sua relação com os aspectos econômicos da região onde o aluno vive.Segue abaixo alguns exemplos de situações em que o material didático com sensoriamento remoto pode ser utilizado em sala de aula: Traçado de áreas urbanas e rede viária que comunica a cidade com o entorno imediato. Os limites e as barreiras urbanas. áreas costeiras. as grandes artérias hidrográficas do mundo.SAUSEN . florestas naturais. planícies fluviais. uso do solo e áreas agrícolas de uma região. complexos urbanos) criadas pelo homem. Complementar a cartografia na compreensão de aspectos gerais como a distribuição de mares e terras.

br DSR/INPE 13-19 T. http://www.Sites úteis: Homepage da “Atividades de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tencologia Espaciais” do INPE http://www.M.br Homepage da SATMIDIA-galeria de imagens de satélite http://www.satmídia.cnpm. Clique sobre a imagem com o mouse para obter imagens mais detalhadas da área de interesse.cdbrasil.inpe.br/unidades/cep/atividadescep Homepage da EMBRAPA com imagens de satélite de todos os estados brasileiros.embrapa.SAUSEN .com.

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