CAPÍTULO 1

FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO

Elisabete Caria de Moraes1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE

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e.mail : bete@ltid.inpe.br 1-1 E.C.MORAES

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ÍNDICE

LISTA DE FIGURAS ...................................................................................... 1-5 1. FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO ............................... 1-7 1.1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA ........................................................ 1-7 1.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ....................................................... 1-9 1.3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA ............................................................ 1-12 1.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS .......... 1-15 1.5 SISTEMA SENSOR ............................................................................... 1-18 1.6 NÍVEIS DE COLETAS DE DADOS ....................................................... 1-21 2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................... 1-22

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LISTA DE FIGURAS
1 – COMPRIMENTOS DE ONDA .................................................................. 1-8 2 – O ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ................................................... 1-10 3 – CURVAS DE DISTRIBUIÇÃO ESPECTRAL DA ENERGIA SOLAR NA ATMOSFERA ......................................................................................... 1-13 4 – TRANSMITÂNCIA ESPECTRAL DA ATMOSFERA ............................. 1-14 5 – INTERAÇÃO DA ENERGIA ELETROMAGNÉTICA COM O OBJETO 1-16 6 – NIVEIS DE COLETAS DE DADOS ........................................................ 1-21

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C.DSR/INPE 1-6 E.MORAES .

A energia eletromagnética é emitida por qualquer corpo que possua temperatura acima de zero grau absoluto (0 Kelvin). Estas atividades envolvem a detecção. e assim avaliar suas principais características. FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO O Sensoriamento Remoto pode ser entendido como um conjunto de atividades que permite a obtenção de informações dos objetos que compõem a superfície terrestre sem a necessidade de contato direto com os mesmos. pois ela permite quantificar a energia espectral refletida e/ou emitida por estes. DSR/INPE 1-7 E.1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA.MORAES . Portanto. 1. a energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres é a base de dados para todo o processo de sua identificação. A quantidade e qualidade da energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres resulta das interações entre a energia eletromagnética e estes objetos. aquisição e análise (interpretação e extração de informações) da energia eletromagnética emitida ou refletida pelos objetos terrestres e registradas por sensores remotos.C. Essas interações são determinadas pelas propriedades físicoquímicas e biológicas desses objetos e podem ser identificadas nas imagens e nos dados de sensores remotos. A energia eletromagnética não precisa de um meio material para se propagar.1. A energia eletromagnética utilizada na obtenção dos dados por sensoriamento remoto é também denominada de radiação eletromagnética. Desta maneira. Logo os sensores remotos são ferramentas indispensáveis para a realização de inventários. O Sol e a Terra são as duas principais fontes naturais de energia eletromagnética utilizadas no sensoriamento remoto da superfície terrestre. de mapeamento e de monitoramento de recursos naturais. todo corpo com uma temperatura absoluta acima de zero pode ser considerado como uma fonte de energia eletromagnética.

C. A distância entre dois pontos semelhantes.sendo definida como uma energia que se move na forma de ondas eletromagnéticas à velocidade da luz ( c = 300. transferida ou recebida na forma de energia eletromagnética. está associada a cada comprimento de onda ou freqüência e é definida por: Q = h⋅ f = h λ (2) DSR/INPE 1-8 E. o número de ondas que passa por um ponto do espaço num determinado intervalo de tempo. como mostra a Figura 1. esta pode ser expressa por: c = f ⋅λ onde: c = velocidade da luz (m/s) f = freqüência (ciclo/s ou Hz) (1) λ = comprimento de onda (m) A quantidade de energia (Q) emitida.000 Km s . 1 – Comprimento de onda Dado que a velocidade de propagação das ondas eletromagnética é diretamente proporcional à sua freqüência e comprimento de onda. onde ”c” é a velocidade da luz. Fig.). define o comprimento de onda e. define a freqüência da radiação eletromagnética.MORAES .

625 10-34 joule segundo (J. Este apresenta subdivisões de acordo com as características de cada região. até as ondas de rádio de baixa freqüência e grandes comprimentos de onda. sendo esta disposição denominada de espectro eletromagnético. Devido a ordem de grandeza destas variáveis é comum utilizar unidades submúltiplas do metro (micrometro: 1 µm = 10-6 m. megahertz: 1 mHz = 106 Hz) para freqüência. 1. como mostra a Figura 2. O espectro eletromagnético se estende desde comprimentos de onda muito curtos associados aos raios cósmicos. embora a faixa de microondas também é utilizada.onde h é a constante de Planck (6. e da transparência da atmosfera em relação à radiação eletromagnética.s)) e a unidade que quantifica esta energia é dada em Joule (J). A medida que se avança para a direita do espectro eletromagnético as ondas apresentam maiores comprimentos de onda e menores freqüências. A faixa espectral mais utilizada em sensoriamento remoto estende-se de 0.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO A energia eletromagnética pode ser ordenada de maneira contínua em função de seu comprimento de onda ou de sua freqüência. Através desta equação verifica-se que quanto maior a quantidade de energia maior será a freqüência ou menor será o comprimento de onda a ela associada e vice-versa. nanometro: 1 nm = 10-9 m) para comprimento de onda e múltiplas do Hertz (quilohertz: 1 kHz = 103 Hz.3 µm a 15 µm.MORAES . Cada subdivisão é função do tipo de processo físico que dá origem a energia eletromagnética. do tipo de interação que ocorre entre a radiação e o objeto sobre o qual esta incide.C. DSR/INPE 1-9 E.

A sensação de cor que é produzida pela luz está associada a diferentes comprimentos de ondas.003 µm até aproximadamente 0. DSR/INPE 1-10 E.C. Raio X: é produzido através do freamento de elétrons de grande energia eletromagnética.MORAES .O espectro eletromagnético. sendo emitida na faixa de 0. Nuvem Fig. 2 . Ultravioleta (UV): é produzida em grande quantidade pelo Sol. por ser muito penetrante (alta energia).38µm... Visível (LUZ): é o conjunto de radiações eletromagnéticas que podem ser detectadas pelo sistema visual humano. Seu poder de penetração a torna nociva aos seres vivos. tem aplicações em medicina (radioterapia) e em processos industriais (radiografia industrial).. porém esta energia eletromagnética é praticamente toda absorvida pela camada de ozônio atmosférico. Podem-se observar na Figura 2 a existência das seguintes regiões: Radiação Gama: é emitida por materiais radioativo e.. As cores estão associadas aos seguintes intervalos espectrais. Seu médio poder de penetração o torna adequado para uso médico (raio X) e industrial (técnicas de controle industrial).

violeta: 0.3 a 6 µm IV distante: 6 a 1000 µm A energia eletromagnética no intervalo espectral correspondente ao infravermelho próximo é encontrada no fluxo solar ou mesmo em fontes convencionais de iluminação (lâmpadas incandescentes).45 µm azul: 0.6 µm laranja: 0.45 a 0.58 µm amarelo: 0. Microondas: são radiações eletromagnéticas produzidas por sistemas eletrônicos (osciladores) e se estendem pela região do espectro de 1mm até cerca de 1m.62 a 0. Os feixes de microondas são emitidos e detectados pelos sistemas de radar (radio detection and ranging).7 a 1000 µm e costuma ser dividida em três sub-regiões: IV próximo: 0. enquanto as energias eletromagnéticas correspondentes ao intervalo espectral do infravermelho médio e distante (também denominadas de radiação termal) são provenientes da emissão eletromagnética de objetos terrestres.C.58 a 0. Algumas regiões do espectro eletromagnético têm denominações que indicam alguma propriedade especial.49 µm verde: 0. Radio: é o conjunto de energias de freqüência menor que 300MHz (comprimento de onda maior que 1m).MORAES .62 µm vermelho: 0. Estas ondas são utilizadas principalmente em telecomunicações e radiodifusão. o que corresponde ao intervalo de freqüência de 300GHz a 300MHz.3 µm IV médio: 1.49 a 0.6 a 0.38 a 0.7 a 1. como por exemplo: DSR/INPE 1-11 E.70 µm Infravermelho (IV): é a região do espectro que se estende de 0.

Espectro visível: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas percebido pelo sistema visual humano.MORAES 1-12 . portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro termal. Esta distinção torna possível o tratamento separado desses dois tipos de energia eletromagnética. refletida e espalhada. 1. Quando consideramos o Sol como fonte de energia eletromagnética (ou fonte de iluminação) os sensores detectam a energia refletida pelos objetos terrestres. Espectro termal: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas emitidas pelos objetos terrestres e encontra-se nos intervalos espectrais correspondente ao infravermelho médio e distante. Cerca de 99% da energia solar que atinge a Terra encontra-se concentrada na faixa de 0. facilitando a análise da energia radiante.Espectro óptico: refere-se à região do espectro eletromagnético que compreende as energias que podem ser coletadas por sistemas ópticos (ultravioleta. Quando a Terra atua como fonte de energia eletromagnética os sensores detectam a energia emitida pelos corpos terrestres.28 a 4 µm. Os gases presentes na atmosfera apresentam capacidade de absorção muito variáveis em relação ao comprimento de onda da energia solar incidente no sistema terra-atmosfera e da energia emitida pela superfície terrestre. Espectro solar: refere-se à região espectral que compreende os tipos de energia emitidas pelo Sol. visível e infravermelho). também denominado de luz.3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA A energia eletromagnética ao atravessar atmosfera terrestre pode ser absorvida. portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro solar. Existem regiões do espectro eletromagnético para os quais DSR/INPE E.C.

E n e g i a I n c i d e n t e o Energia solar incidente no topo da atmosfera Energia solar incidente na superfície terrestre A ) Fig. NO e N2O ocorrem em pequenas quantidades e também exibem espectros de absorção. às vezes não deixando chegar quase nada de energia na superfície terrestre.MORAES . Esta interação da energia com a atmosfera pode ser comparada com uma cortina que age como um filtro e. os quais atenuam a energia eletromagnética diferentemente. oxigênio (O2). dependendo de seu tecido.C. As áreas sombreadas representam as absorções devido aos diversos gases presentes numa atmosfera limpa. Os principais gases absorvedores da radiação eletromagnética são vapor d’água (H2O). Os gases CO. ozônio (O3) e gás carbônico (CO2). Neste caso os diferentes tipos de tecidos da cortina poderia ser comparado com os diferentes gases existentes na atmosfera terrestre. DSR/INPE 1-13 E. 3 . A Figura 3 mostra a distribuição do espectro de energia eletromagnética do Sol no topo da atmosfera e na superfície terrestre observada ao nível do mar. atenua ou até mesmo impede a passagem da luz. CH4.a atmosfera absorve muito da energia incidente no topo da atmosfera.Curvas da distribuição espectral da energia solar na atmosfera/superfície terrestre.

o principal gás absorvedor da energia eletromagnética solar é o ozônio (O3). com exceção de uma pequena DSR/INPE 1-14 E. Na região do ultravioleta e visível. a atmosfera é transparente à energia eletromagnética proveniente do Sol ou da superfície terrestre.C. Comprimento de onda ( µm) Fig.Cerca de 70% da energia solar está concentrada na faixa espectral compreendida entre 0. 4 – Transmitância espectral da atmosfera A atmosfera quase não absorve a energia eletromagnética emitida pelos objetos que compõem a superfície terrestre. A Figura 4 apresenta as janelas atmosféricas e as regiões afetadas pelos principais gases atmosféricos. Na região do infravermelho os principais gases absorvedores são o vapor d’água (H2O) e o dióxido de carbono (CO2) Existem regiões do espectro eletromagnético onde a atmosfera quase não afeta a energia eletromagnética. e portanto onde é realizado o sensoriamento remoto dos objetos terrestres. Estas regiões são conhecidas como janelas atmosféricas.3 e 0. o qual protege a terra dos raios ultravioletas que são letais a vida vegetal e animal.7 µm e como a atmosfera absorve muito pouco nesta região. Também existem regiões no espectro eletromagnético para os quais a atmosfera é opaca (absorve toda a energia eletromagnética). grande parte da energia solar atinge a superfície da Terra.MORAES . isto é. Nestas regiões são colocados os detectores de energia eletromagnética.

reflectância e transmitância. 1. A capacidade de um objeto absorver. ou seja. sendo que os valores variam entre 0 e 1. centrada em 9. refletir e transmitir a radiação eletromagnética é denominada. A DSR/INPE 1-15 E. sendo parcialmente refletido.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS O fluxo de energia eletromagnética ao atingir um objeto (energia incidente) sofre interações com o material que o compõe. reflexão e transmissão da energia incidente poder ser total ou parcial. de absortância. pois tanto nuvens como poluentes tendem a absorver a energia eletromagnética. Essas considerações são válidas para a atmosfera limpa. As nuvens absorvem toda a energia na região do infravermelho. A absorção.MORAES . como pode ser visto na Figura 5. vindo a contaminar a energia refletida ou emitida pela superfície e que é detectada pelos sensores orbitais. O comportamento espectral de um objeto pode ser definido como sendo o conjunto dos valores sucessivos da reflectância do objeto ao longo do espectro eletromagnético. também conhecido como a assinatura espectral do objeto. guardando sempre o princípio de conservação de energia. Acima de 14 µm a atmosfera é quase que totalmente opaca à energia eletromagnética. absorve toda a energia eletromagnética com comprimentos de onda acima deste valor.banda de absorção do ozônio. e parte desta energia espalhada retorna para o espaço. As interações da energia eletromagnética com os constituintes atmosféricos influenciam a caracterização da energia solar e terrestre disponíveis para o sensoriamento remoto de recursos naturais. respectivamente. Nesta janela atmosférica o sistema terra-atmosfera perde energia para o espaço mantendo assim o equilíbrio térmico do planeta.C. e emitem radiação eletromagnética proporcionalmente a sua temperatura.6 µm. A energia eletromagnética ao atingir a atmosfera é por esta espalhada. absorvido e transmitido pelo objeto.

solo. pois são reconhecidos devido a variação da porcentagem de energia refletida em cada comprimento de onda. sendo que a forma. a intensidade e a localização de cada banda de absorção é que caracteriza o objeto. areia. IR R G B B G R IR COMPRIMENTO DE ONDA Fig. O conhecimento do comportamento espectral dos objetos terrestres é muito importante para a escolha da região do espectro sobre a qual pretende-se adquirir dados para determinada aplicação.C. vegetação e nuvens.MORAES . As características básicas observadas no comportamento espectral destes objetos são: DSR/INPE 1-16 E. pois os objetos apresentam diferentes propriedades físico-químicas e biológicas.Interação da energia eletromagnética com o objeto. água. 5 . A Figura 2 apresenta os espectros de reflectância de alguns objetos bastante freqüentes nas imagens de sensoriamento remoto como. Estas diferentes interações é que possibilitam a distinção e o reconhecimento dos diversos objetos terrestres sensoriados remotamente. Os objetos interagem de maneira diferenciada espectralmente com a energia eletromagnética incidente.assinatura espectral do objeto define as feições deste.

enquanto que a presença de matéria inorgânica em suspensão resulta num deslocamento em direção ao vermelho.O comportamento espectral de rochas é resultante dos espectros individuais dos minerais que as compõem. sendo que os principais fatores são a constituição mineral. os quais apresentam comportamento espectral totalmente distintos.C. O comportamento espectral de corpos d’água é modulado principalmente pelos processos de absorção e espalhamento produzidos por materiais dissolvidos e em suspensão neles. Portanto a absorção é o principal fator que controla o comportamento espectral das rochas.. que é capturada pela clorofila para a realização da fotossíntese.7µm e máxima absorção acima de 0. . As combinações e arranjos dos materiais constituintes dos solos é que define o seu comportamento espectral. a umidade e a granulometria (textura e estrutura) deste. DSR/INPE 1-17 E.O comportamento espectral dos solos é também dominado pelas bandas de absorção de seus constituintes. Dentro do espectro visível a absorção é mais fraca na região que caracteriza a coloração da vegetação. A água pode-se apresentar na natureza em três estados físicos. pois é verificado que a presença de matéria orgânica dissolvida em corpos d’água desloca o máximo de reflectância espectral para o verde-amarelo. A alta reflectância no infravermelho próximo (até 1. O comportamento espectral da água líquida pura apresenta baixa reflectância (menor do que 10%) na faixa compreendida entre 0.38 e 0. Os minerais apresentam características decorrentes de suas bandas de absorção.3µm) é devido a estrutura celular.7µm. . a matéria orgânica. sendo que a partir deste comprimento de onda é o conteúdo de água na vegetação quem modula as bandas de absorção presentes no comportamento espectral desta.A vegetação sadia apresenta alta absorção da energia eletromagnética na região do espectro visível.MORAES .

1. Os sistemas imageadores fornecem como produto uma imagem da área observada. Os sistemas sensores também podem ser classificados como ativos e passivos. transformá-las em um sinal elétrico e registrá-las. enquanto que os sistemas não-imageadores. 1. a obtenção e a análise de medidas da reflectância dos objetos terrestres em experimento de campo e de laboratório.MORAES . os quais possibilitam uma melhor compreensão das relações existentes entre o comportamento espectral dos objetos e as suas propriedades. apresentam o resultado em forma de dígitos ou gráficos. ou seja.3 e 2µm.- O comportamento espectral de nuvens apresenta elevada reflectância (em torno de 70%).5 SISTEMA SENSOR Os sensores remotos são dispositivos capazes de detectar a energia eletromagnética (em determinadas faixas do espectro eletromagnético) proveniente de um objeto. como por exemplo os sensores do satélite Landsat 5. também denominados radiômetros ou espectroradiômetros. em todo o espectro óptico com destacadas bandas de absorção em 1. de tal forma que este possa ser armazenado ou transmitido em tempo real para posteriormente ser convertido em informações que descrevem as feições dos objetos que compõem a superfície terrestre.C. os radiômetros e espectroradiômetros. As variações de energia eletromagnética da área observada podem ser coletadas por sistemas sensores imageadores ou não-imageadores. Com o intuito de melhor interpretar as imagens de satélites. Os sensores passivos não possuem fonte própria de energia eletromagnética. como por exemplo temos os “scaners” e as câmaras fotográficas. Os sensores ativos possuem uma fonte DSR/INPE 1-18 E. muitos pesquisadores têm se dedicado a pesquisa fundamental.

A resolução espacial representa a capacidade do sensor distinguir objetos. A qualidade de um sensor geralmente é especificada pela sua capacidade de obter medidas detalhadas da energia eletromagnética. Eles emitem energia eletromagnética para os objetos terrestres a serem imageados e detectam parte desta energia que é refletida por estes na direção deste sensores. Ela indica o tamanho do menor elemento da superfície individualizado pelo sensor. e e) unidade de saída: é um componente capaz de registrar os sinais elétricos captados pelo detector para posterior extração de informações. espectral e radiométrica.própria de energia eletromagnética. Os sistemas fotográficos foram os primeiros equipamentos a serem desenvolvidos e utilizados para o sensoriamento remoto de objetos terrestres As principais partes de um sensor são: a) coletor: é um componente óptico capaz de concentrar o fluxo de energia proveniente da amostra no detetor. c) detetor: é um componente de pequenas dimensões feito de um material cujas propriedades elétricas variam ao absorver o fluxo de energia. A resolução espacial depende principalmente do detector. da altura do DSR/INPE 1-19 E.MORAES . Como exemplo podemos citar o radar e qualquer câmara fotográfica com flash. b) filtro: é o componente responsável pela seleção da faixa espectral da energia a ser medida. produzindo um sinal elétrico. As características dos sensores estão relacionadas com a resolução espacial.C. d) processador: é um componente responsável pela amplificação do fraco sinal gerado pelo detetor e pela digitalização do sinal elétrico produzido pelo detector.

geometria de aquisição de dados. o sistema sensor do Thematic Mapper (TM) do Landsat 5 possui uma resolução espacial de 30 metros. e consequentemente a composição espectral do fluxo de energia que atinge o detetor. Quanto maior for o número de medidas num determinado intervalo de comprimento de onda melhor será a resolução espectral da coleta. refere-se à maior ou menor capacidade do sistema sensor em detectar e registrar diferenças na energia refletida e/ou emitida pelos elementos que compõe a cena (rochas. etc). ela define o intervalo espectral no qual são realizadas as medidas. A resolução radiométrica define a eficiência do sistema em detectar pequenos sinais. Por exemplo. que está relacionada com a repetitividade com que o sistema sensor pode adquirir informações referentes ao objeto. Portanto. os sensores do Landsat 5 possuem uma repetitividade de 16 dias.C. o Landsat 5 possui os sensores TM e Multispectral Scanning System (MSS). características do sensor. águas. Uma outra qualidade importante é a resolução temporal do sensor. DSR/INPE 1-20 E. Por exemplo. vegetações. tipo de processamento e estado do objeto. quanto menor for a resolução geométrica deste maior será o grau de distinção entre objetos próximos.posicionamento do sensor em relação ao objeto. A resolução espectral refere-se à largura espectral em que opera o sensor. Por exemplo. ou seja. solos. Para um dado nível de posicionamento do sensor. O sensor TM apresenta algumas bandas espectrais mais estreitas do que o sensor MSS. Por exemplo.MORAES . portanto nestas bandas o TM apresenta melhor resolução espectral do que o MSS. efeitos atmosféricos. Para melhor interpretar os sinais coletados faz-se necessário o conhecimento das condições experimentais como: fonte de radiação. o sistema sensor TM do Landsat 5 distingue até 256 tons distintos de sinais representando-os em 256 níveis de cinza.

MORAES .6 NÍVEIS DE AQUISIÇÃO DE DADOS Os sistemas sensores podem ser mantidos no nível orbital (satélites) ou suborbital (acoplados em aeronaves ou mantidos ao nível do solo).1. sistemas fotográficos ou radar. e a resolução espacial destes dados dependerá da altura do vôo no momento do aerolevantamento. como pode ser visualizado na Figura 6. Níveis de Coleta de dados Satélites Balões Solo Aeronave Bóias Barco Fig. Ao nível do solo é realizada a aquisição de dados em campo ou em laboratório onde as medidas são obtidas utilizando-se radiômetros ou espectroradiômetros.C. DSR/INPE 1-21 E. 6 – Níveis de Coleta de Dados Fonte : Moreira (2001) Ao nível de aeronaves os dados de sensoriamento remoto podem ser adquiridos por sistemas sensores de varredura óptico-eletrônico.

Novo. Introdução à radiometria. 1993. Tutorial São José dos Campos. 1989. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologias de aplicação. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. M. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. 1993. L. E. Sensoriamento Remoto: princípios e aplicações. O sensoriamento remoto neste nível permite a repetitividade das informações. F. bem como um melhor monitoramento dos recursos naturais para grandes áreas da superfície terrestre. C. Radiometria óptica espectral. 208p. VIII. C. INPE. Tutorial São José dos Campos. : Edgard Blücher.C. Moraes. M. Curitiba. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Steffen. Maio. A. 1996.A obtenção de dados no nível orbital é realizada através de sistemas sensores a bordo de satélites artificiais. INPE. 2. 308p.. M. Moraes.. Abr. E. C. São José dos Campos. ed. 7p. São Paulo. A. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Moreira. 1996. DSR/INPE 1-22 E. F.. Gama. 2001.MORAES . 10-14. VII. 14-19. C. E. A. Salvador. Steffen. 43p..

INPE 1 E-mail: epiphani@ltid.CAPÍTULO 2 SATÉLITES DE SENSOR IAMENTO REMOTO José Carlos Neves Epiphanio1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS .EPIPHANIO .br DSR/INPE 2-1 J.N.inpe.C.

EPIPHANIO .C.N.DSR/INPE 2-2 J.

............. 5................................2 3.......................................... 6......................................N........ 2-32 REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR .................... CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES ........................................................ 2-9 2.......... 2-29 PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) ......................................... 8............................................................................................................................. 2-35 DSR/INPE 2-3 J......................................... 2-11 PROGRAMA LANDSAT ........................ 2-19 PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO ..... 9.......... 2-11 ÓRBITA BAIXA ..........C.......... 2-7 1...... 7......... 2-13 PROGRAMA SPOT ................................................................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ............................................. 2-5 LISTA DE TABELAS ........ INTRODUÇÃO .EPIPHANIO ........................................... 2-30 PROGRAMAS DE RADAR ......... 4......................... ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA ......... 2-10 2...... 2-25 SATÉLITES NOAA ..........................................................................1 2.....................

EPIPHANIO .C.DSR/INPE 2-4 J.N.

N.......... 2-27 DSR/INPE 2-5 J....................C..EPIPHANIO .... ...LISTA DE FIGURAS 1 – SATÉLITE CBERS E SEUS COMPONENTES...

N.DSR/INPE 2-6 J.EPIPHANIO .C.

........................................................SENSORES DO SPOT-4 .............CÂMERA CCD DO CBERS..........BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7..........EPIPHANIO ....... 2-16 3 ................................. 2-26 6 ..................CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K........................................... L E M ..........N...............PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 ....................C............... 2-21 5 .......LISTA DE TABELAS 1 – PROGRAMA LANDSAT .... 2-15 2 . 2-30 DSR/INPE 2-7 J................................... 2-16 4 ..........................................

C.EPIPHANIO .DSR/INPE 2-8 J.N.

como os radiômetros de campo e de laboratório. posteriormente. das propriedades dos objetos ou alvos. de uma forma “bruta”. Os chamados “sistemas de sensoriamento remoto” são os veículos e instrumentos necessários à coleta de dados para serem analisados pela comunidade científica e de usuários em geral. É que. INTRODUÇÃO Para que haja o sensoriamento remoto é necessário que haja uma “medição”.EPIPHANIO . No caso do rio. De qualquer modo que se veja um produto de sensoriamento remoto. que haja DSR/INPE 2-9 J. seja ele primário ou secundário. Por exemplo. pode-se gerar uma imagem secundária que expressa a quantidade de sedimentos. mensurada. um objeto tortuoso e de baixa reflexão (escuro) numa certa imagem traduz-se a nós como sendo um rio. a princípio. há sempre a necessidade de que a propriedade de reflexão ou emissão do alvo seja medida. à distância. pois são as imagens na forma como as conhecemos. Essa é a forma mais comum de uso dos produtos de sensoriamento remoto.N. portanto. por um sensor remoto. Os sensores remotos fazem parte do que se denomina “sistemas de sensoriamento remoto”. gera-se um novo produto.1. Essas propriedades primárias podem ser usadas diretamente. é preciso.C. através de uma imagem de um sensor remoto. embora outros sistemas façam parte do sensoriamento remoto. um sensor faz uma medida sem escala padronizada. sem padronização. Porém. quando uma imagem de um sensor remoto entra num modelo que a relaciona com a fotossíntese da vegetação. e os sensores fotográficos e outros 1 Comentário: Página: 9 fazer análise de “medida” em relação a uma régua. se houver uma equação ou um modelo que permita um relacionamento entre reflectância medida por satélite e quantidade de sedimentos num meio aquático. ou uma nova imagem que. agora. E há uma estreita associação entre sensoriamento remoto e satélites artificiais. As principais propriedades “primárias” dos alvos que são medidas1 pelos sensores remotos são a capacidade de reflexão e de emissão de energia eletromagnética. passa a representar uma propriedade do alvo que não foi medida diretamente pelo sensor remoto. Isto é. Por exemplo. aquelas propriedades primárias podem sofrer transformações e permitir-nos fazer inferências sobre características secundárias dos alvos.

Porém. sistemas que operam em aeronaves. 2. promovem uma cobertura que se repete ao longo do tempo. cujos princípios aplicam-se a todos os sistemas. Radarsat e ERS (todos programas internacionais) e o CBERS e o SSR/MECB (do Brasil).uma calibração em relação a um padrão para que se tenha uma medida precisa da propriedade do alvo. Assim. são os satélites que. Assim. Neste capítulo são abordados os principais satélites em operação e. como têm que orbitar ao redor da Terra. particularmente.EPIPHANIO . Ao mesmo tempo. Os satélites são veículos colocados em órbita da Terra e que promovem continuamente a aquisição de dados relacionados às propriedades primárias dos objetos. a cada dia. Terra. Por estarem a grandes altitudes (tipicamente entre 600 e 1.000 km) têm a capacidade de abranger em seu campo de visada uma grande porção de superfície terrestre.C. Os que mais interessam para o sensoriamento remoto enquadram-se em duas grandes categorias: os de órbita baixa e os de órbita alta. antes de descrever os sistemas propriamente ditos. é feita uma introdução sobre órbitas e outros aspectos dos satélites. são descritos os sistemas Landsat. mais e mais se tornam os instrumentos quotidianos dos profissionais de sensoriamento remoto. NOAA. SPOT. aqueles voltados para o sensoriamento remoto da superfície terrestre com ênfase naqueles mais utilizados no Brasil. CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES Os satélites podem apresentar uma grande variação quanto ao padrão orbital em relação à Terra. Estes últimos são os geoestacionários e têm sua maior aplicação no campo da meteorologia. é necessário que haja um conhecimento dos principais satélites e de suas características. permitindo o acompanhamento da evolução das propriedades de reflexão ou emissão dos objetos e fenômenos. sendo apenas 2-10 marginal sua aplicação em DSR/INPE J.N.

1 ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA Os satélites nesta órbita estão a uma altitude de cerca de 36. 2. Como ficam dispostos ao longo do Equador terrestre. Como a variação de altitude é pequena DSR/INPE 2-11 J.000 km. e por causa da grande altitude podem ter uma visão sinóptica completa. o que permite uma escala de imageamento praticamente constante para todas as imagens. de todo o disco terrestre compreendido pelo seu campo de visada. Possuem uma velocidade de translação em relação à Terra que equivale ao movimento de rotação da Terra. tal órbita é também circular.sensoriamento remoto. como estão “fixos” em relação à Terra. a órbita dos satélites de sensoriamento remoto enquadra-se no que se denomina órbita baixa. de modo que. e são discutidos mais pormenorizadamente. assim. em relação à Terra. são discutidos os impactos dos desvios em relação à situação usual.N. podem fazer um imageamento muito rápido daquela porção terrestre sob seu campo de visada. os quais são bastante dinâmicos. É por essa grande abrangência de superfície terrestre coberta em um curto intervalo de tempo que eles são muito úteis para estudos de fenômenos meteorológicos. o que equivale a dizer órbitas com menos de 1. Além disso. permanecem voltados para o mesmo ponto da superfície e. a discussão a seguir é restrita às situações e características que abrangem os sistemas que mais interessam ao sensoriamento remoto. ou seja. Para os satélites de sensoriamento de órbita baixa.000 km de altitude. São chamados geoestacionários porque sua órbita acompanha o movimento de rotação da Terra.C. pois dessa forma o satélite fica sempre orbitando a uma altitude quase que fixa em relação à Terra. estão imóveis.2 ÓRBITA BAIXA Embora nesta categoria enquadrem-se inúmeros sistemas espaciais. 2. Sempre que couber. Em geral.EPIPHANIO . Os de órbita baixa englobam a maioria dos satélites de sensoriamento remoto.

descrevendo um círculo com raio praticamente fixo. o sistema (satélite e sensor) recobre uma faixa longitudinal e constante no terreno equivalente a um certa faixa de terreno. a mudança de altitude entre a primeira geração (Landsat 1 a 3) e a segunda geração (Landsat 4 a 7) exigiu que o campo de visada do sensor Thematic Mapper (Mapeador Temático. cuja duração é de cerca de 100 minutos. ou MSS). A altitude do satélite define uma série de outros parâmetros de engenharia do sistema. ou simplesmente TM). a faixa imageada no terreno seria menor na segunda geração. é preciso definir o ângulo que esse plano da órbita fará com os pólos da Terra. quando a Terra está iluminada (embora pudesse também haver imageamento no sentido ascendente em certos comprimentos de onda). ocorrem aproximadamente 14. Uma vez definido que a órbita é circular e que ela tem uma certa altitude em relação à Terra. Isso quer dizer que se fosse mantido o mesmo ângulo de imageamento para as duas gerações. Essa faixa de imageamento varia de acordo com o sensor. Outra característica de órbita para os satélites de sensoriamento remoto é a altitude. No caso da série Landsat. por exemplo.C. da geração anterior. A cada órbita. Toda a órbita circular tem esta característica de manter a escala constante. como o perímetro da Terra no DSR/INPE 2-12 J.5 órbitas diárias e.000 km. a bordo dos satélites da segunda geração. o que facilita os trabalhos de interpretação e análise das imagens. aproximadamente.EPIPHANIO . Ela tem que obedecer às leis da mecânica orbital e depende muito da definição do projeto da missão e características dos sensores destinados ao imageamento.N. Ela tem se situado entre 700 e 1. O imageamento é descendente. A órbita quase-polar tem a importante característica de permitir que a Terra toda (exceto os pólos) seja imageada após um certo número de órbitas. em direção ao sul. com um pequeno e constante desvio do plano orbital em relação ao eixo norte-sul.numa situação de circularidade. a variação de escala também é pequena. fosse aumentado a fim de manter a mesma faixa de imageamento do sensor Multispectral Scanner System (Sistema de Varredura Multiespectral. uma vez que sua altitude era menor. Em geral os satélites de sensoriamento remoto têm órbita quase polar. Nessas condições.

a Terra toda será imageada. Esta característica de órbita é importante pois assim todas as imagens são sempre obtidas aproximadamente no mesmo horário. DSR/INPE 2-13 J. após um certo número de dias e um certo número de órbitas. após determinado número de dias. para fins de sensoriamento remoto há uma preferência para que haja uma ciclicidade das passagens ou dos recobrimentos. Isso é conseguido através de um projeto orbital adequado.equador é de cerca de 36. Também a faixa imageada no terreno em cada órbita é um fator importante. o satélite volte a recobrir a mesma faixa de terreno. Para que isso possa ser conseguido. ou seja. é necessário que o ângulo entre a normal ao plano da órbita do satélite e a linha terra-sol seja mantido constante. se a faixa de imageamento é mais larga. Isso quer dizer que a cada órbita o satélite cruza a linha do Equador no mesmo horário. sincronizada com o Sol. Isso significa que a precessão do plano orbital do satélite deve estar numa taxa que seja equivalente à taxa da translação da Terra ao redor do Sol. haverá necessidade de muitas órbitas para cobrir toda a superfície da Terra.EPIPHANIO . Ao contrário. e não a influências de posicionamento angular do sol. particularmente da característica orbital. Isso é obtido através do estabelecimento de uma relação apropriada entre o raio (ou o período) da órbita circular e o ângulo de inclinação da órbita do satélite.N. e faixas mais largas diminuirão o tempo entre uma visita e outra. Isso quer dizer que é desejável que. Em geral. Entre outros fatores. no qual fatores como altitude e velocidade do satélite são considerados. já que faixas de imageamento mais estreitas determinarão ciclos de revisitas mais longos. na determinação da configuração de um sistema de imageamento há um que diz respeito ao horário do dia em que deverá ser efetuado o imageamento. exige-se menos tempo para que esse recobrimento seja completo.C. os satélites de sensoriamento remoto possuem órbita chamada heliossíncrona. No projeto da missão e.000 km. e as variações entre imagens podem ser atribuídas às propriedades intrínsecas dos alvos. Ou seja. se a faixa de terreno que o sistema (satélite mais sensor) consegue imagear é estreita.

PROGRAMA LANDSAT O primeiro satélite da série Landsat foi lançado no início dos anos 70. DSR/INPE 2-14 J. mas também pela notável facilidade de acesso e qualidade dos dados gerados. Quanto à primeira geração da série Landsat. é comum falar em duas gerações para a série Landsat. predecessores. Uma que compreende os três primeiros. foi projetada uma plataforma própria para esses satélites e também uma inovação quanto aos sensores a bordo. conforme a Tabela 1. estão operando o quinto e o sétimo da série. no ano 2001. que compreende os quatro últimos. Assim. antes de ser posicionado em órbita. de meteorologia. opera a mais de 15 anos.N. A partir do final do anos 60 os Estados Unidos decidiram colocar em órbita um satélite de sensoriamento remoto. Posteriormente.3. Alguns duraram muito mais do que isso. por exemplo. O Landsat-5. embora muito semelhante aos três anteriores. Atualmente. o último da série. Cada satélite lançado tem uma vida útil esperada. depois de um intervalo irregular de tempo. Os primeiros satélites da série Landsat tinham vida útil estimada de dois anos.C. e também ultrapassaram em muito as especificações. e uma segunda. Porém. apresenta um sensor que. iniciando com o Landsat-4. o Landsat-6 foi perdido durante o lançamento. cabe destacar que o sensor MSS (Sistema de Varredura Mutiespectral) demonstrou ser o principal instrumento a bordo dos Landsats. Como se observa pela Tabela 1. A estrutura do satélite baseou-se em um projeto já em operação naquela época que era a dos satélites Nimbus. os satélites de uma determinada série são lançados um a um. Esta série de satélites é a principal no campo do sensoriamento remoto. não é incomum a ocorrência de fracassos.EPIPHANIO tem certas características que são tidas como um avanço em relação a seus . O sensor RBV (Sistema Vidicon de Feixes Retornantes. não só por ser a de período de vida mais longo de fornecimento contínuo de dados. O de número 7. Os últimos da série já tinham especificações de vida útil maiores.

EPIPHANIO .similar a um sistema de televisão). DSR/INPE 2-15 J. em relação ao MSS.C. em Cachoeira Paulista. SP. acabou sendo descontinuado a partir do Landsat-4 por causa de sua baixa fidelidade radiométrica e de sua pequena cobertura espectral. que operava no Landsat-3. Muitas dessas imagens do RBV estão disponíveis nos arquivos do INPE.N. embora permitisse uma melhor resolução espacial.

C. Mbps = mega bits por segundo. O ETM+ fornece uma imagem digital DSR/INPE 2-16 J. TM = thematic mapper. e o principal sensor a bordo é o ETM+ (Enhanced Thematic Mapper Plus. Este sensor é uma continuação do TM anteriormente a bordo dos Landsats-4 a 6. O mais recente satélite da série é o Landsat-7. Mapeador Temático Avançado). MSS = multispectral scanner system. pan = pancromático.TABELA 1 – PROGRAMA LANDSAT* Lançamento (fim das operações) 23/7/1972 (1/6/1978) Instru. lançado em 15/04/1999. As principais características do ETM+ são resumidas nas Tabelas 2 e 3. ETM+ = enhanced thematic mapper plus. ms = multiespectral.Resolução Comunicamentos (metros) ção Sistema Altitude (km) Revisita Taxa de dados (Mbps) 15 Landsat-1 RBV MSS 80 80 80 80 30 80 80 30 80 30 15 (pan) 30 (ms) TD com 917 gravadores 18 Landsat-2 22/1/1975 (25/2/1982) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-3 5/3/1978 (31/3/1983) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-4 16/7/1982 (Transmissão TM terminou em 08/1993) 1/3/1984 MSS TM MSS TM TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-5 TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-6 5/10/1993 (5/10/1993) ETM TD com 705 gravadores 16 85 Landsat-7 15/4/1999 ETM+ 15 (pan) 30 (ms) 705 TD com gravadores de estado sólido 16 150 * RBV = return beam vidicon. TD = transmissão direta.N.EPIPHANIO .

5 x 21.C. p.63-0. vermelho) 4 (infravermelho 0.3 42.EPIPHANIO .55-1. azul) 2 (visível.76-0. repetitiva.42-12.6 85.69 Dimensão do IFOV (µrad) 18.45-0.6 42.35 médio refletido) FONTE: King e Greenstone (1999.50-0. 175 W (repouso) Controle térmico resfriador radiativo de 90 K Dimensões físicas radiômetro 196 x 114 x 66 cm eletrônica auxiliar 90 x 66 x 35 cm FONTE: King e Greenstone (1999.6 42.52 0.6 42. com alta resolução espacial da superfície terrestre.50 termal) 7 (infravermelho 2.5o) Massa 425 kg Potência 590 W (imageando). TABELA 2 .90 próximo) 5 (infravermelho 1.75 médio refletido) 6 (infravermelho 10.BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7 Banda Espectral Largura da Banda à meia amplitude (µm) 0. 1 Pancromática cobertura global periódica da superfície terrestre Função Faixa imageada no terreno 185 km (±7. multiespectral. 1 no Infravermelho Termal.113) TABELA 3 .PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 Tipo Bandas radiômetro de varredura mecânica tipo “wiskbroom” 3 Bandas no Visível. 1 no infravermelho Próximo.com uma visão sinóptica.08-2.6 Dimensão nominal da amostra no terreno (m) 15 30 30 30 30 30 60 30 Pancromática 1 (visível. 2 no Infravermelho Médio Refletido.90 0. verde) 3 (visível. p.2 42.6 42.60 0.113) O satélite Landsat-7 tem uma órbita circular (escala praticamente constante).N. heliossíncrona (horário de cruzamento do Equador sempre às 10:00 ±15 DSR/INPE 2-17 J.52-0.

C. Esse padrão de recobrimento orbital. altitude de 705 km. as faixas imageadas vão se deslocando para oeste. o Landsat-7 precede o satélite Terra (a ser discutido adiante) de cerca de 30 minutos na mesma faixa de imageamento da superfície terrestre.2o. apesar de fisicamente separados. lida como “órbita 219. As quatro seguintes (pancromática. SP. com uma inclinação de 98. Cada matriz é composta de 16 detectores (exceto a banda pancromática. oito matrizes. ou seja. ocorre um deslocamento no terreno de cerca de 2. Nesta configuração orbital. campo de visada) do ETM+ permite uma cobertura global da terra a cada 16 dias. correspondentes às três do visível e à do infravermelho próximo) ficam no plano focal primário. Há. onde são descritas as órbitas no sentido longitudinal e as imagens propriamente ditas. 8 linhas no infravermelho termal. que tem 32. que tem oito). de modo que há o registro entre todas as bandas. encontram-se opticamente alinhados.N. A função de cada uma dessa matrizes é promover o registro da radiância proveniente do terreno em cada uma das oito banda. 32 linhas de 15 metros no pan. por exemplo. e infravermelho termal) encontram-se num plano focal secundário e refrigerado. DSR/INPE 2-18 J. Cada órbita dura aproximadamente 100 minutos. sendo que as quatro primeiras (bandas 1-4.EPIPHANIO . ponto 76”. que são 16 linhas de 30 metros nas bandas 1-4. Neste tempo. Assim. Como a Terra desloca-se para leste. A faixa de 185 km imageada pelo campo de visada (FOV – field of view. O ETM+ é um sensor que possui dois planos focais. “recortadas” a cada 185 km na órbita. Ambos os planos focais.400 km entre o centro de uma órbita e a seguinte. no sentido latitudinal. Cada matriz de detectores é responsável pela detecção de uma banda. uma imagem do ETM+/Landsat-7 de São José dos Campos. correspondentes à órbita (sentido longitudinal) e ao ponto (sentido latitudinal). onde ficam localizadas as matrizes de detectores. Esta matriz de oito bandas por 16 detectores por banda (oito na infravermelha termal e 32 na pan) tem uma largura de 480 metros no terreno. portanto.minutos na órbita descendente). formam o que se denomina sistema de referência mundial. é referenciada como sendo a 219/76. Esse sistema permite que se localize uma imagem correspondente a qualquer ponto da Terra através de dois números. e a do infravermelho termal. infravermelhos médios.

N. há uma adjacência de elementos de 30 m no terreno (15 m para o pan e 60 m para o infravermelho termal). 30 ou 60 metros. O segundo movimento necessário para constituir uma imagem no sistema de varredura mecânico multiespectral é produzido pelo movimento de um espelho oscilante transversalmente à faixa de imageamento. são imageadas 16 linhas de 30 metros (32 de 15 metros no pan e 8 de 60 metros no infravermelho termal). nesta posição. juntamente com o FOV. no terreno. as matrizes de detectores que estão nos planos focais.C. ou oeste para leste). A continuação dessa seqüência de minor frames fará com que toda a DSR/INPE 2-19 J. Após esse minor frame o espelho desloca-se para leste ou para oeste (dependendo do sentido do espelho oscilante e o minor frame adjacente é lido. definem o que se denomina faixa de imageamento. Em cada banda particular. Portanto. Nesta posição. Se for fixada uma certa posição inicial do espelho oscilante. de acordo com a banda). Portanto. A projeção desse movimento. para que uma linha de 185 km seja completamente “varrida” é necessário que cada um dos detectores de cada banda seja acionado milhares de vezes (185. A esta seqüência singular de leitura de todos os detectores de todas as oito bandas dá-se o nome de minor frame (seqüência primária de leitura). Porém. são lidos os valores de radiância de cada elemento de terreno projetado em cada detector em particular. O primeiro movimento é feito pelo deslocamento do próprio satélite ao longo de sua órbita. No caso ETM+ esta faixa de imageamento é de 185 km. um certo detector é responsável pelo imageamento de uma linha completa.EPIPHANIO . nenhum detector estará cobrindo uma mesma área no terreno.000 metros dividido pelo IFOV de cada detector – 15. A cada movimento lateral do espelho oscilante numa direção (leste para oeste. campo de visada instantâneo) de apenas 30 metros (15 no pan e 60 no infravermelho termal).O ETM+ é um sensor que faz um imageamento através de dois movimentos perpendiculares entre si. ou 480 metros de largura e com 185 km de extensão. O espelho oscilante projeta. no terreno haverá a projeção de toda a matriz de detectores. cada detector tem um IFOV (instantaneous field of view. Vê-se que entre um minor frame e outro.

N. Depois. mas sempre que necessário haverá referência DSR/INPE 2-20 J. mas perdeu-se no lançamento. é enviado para Cachoeira Paulista. Quando o espelho oscilante retornar para imagear outros 480 m. Após a detecção do sinal proveniente do terreno. embora guarde muitas características dos seus predecessores 1-3. que equivale ao major frame (seqüência completa de leitura). e também o espelho oscilante terá chegado ao fim de um FOV (185 km de largura).000 minor frames. MT. o terceiro foi lançado em 26/9/1993. Essa seqüência de minor frames nas linhas e a seqüência de major frames na direção do caminhamento da órbita forma a imagem. SP. o principal produto solicitado pelos usuários são as imagens na forma digital e gravados em CDROM. O sistema de observação da terra SPOT foi projetado pela Agência Espacial Francesa (CNES – Centre National d’Études Spatiales) e é operado por sua subsidiária Spot Image. Satélite Para Observação da Terra) é um programa Francês de satélites de sensoriamento remoto.EPIPHANIO . o segundo em 22/1/1990. e assim por diante. pelo veículo lançador Ariane. assim. Em 22/3/1998 foi lançado. esta estação fica em Cuiabá. 4. O primeiro da série foi lançado em 22/2/1986. No caso do Brasil. Ao terminar um major frame. o satélite terá avançado em sua órbita o equivalente a 480 m no terreno e. o SPOT-4 que. representa um avanço em vários sentidos. esse próximo conjunto de linhas (480 m) estará contíguo ao conjunto anterior. ele sofre processamentos internos e é gravado a bordo ou encaminhado na forma digital para uma estação em terra. e imageado um comprimento no terreno (sentido descendente da órbita) equivalente a 480 m.linha seja coberta após um certo tempo. para os processamentos necessários à preparação dos produtos a serem arquivados ou enviados aos usuários. PROGRAMA SPOT O programa SPOT (Satellite Pour Observation de la Terre. o espelho oscilante e o sistema de leitura e registro dos sinais terão varrido e lido mais de 6.C. Atualmente. Nesta seção a discussão é centrada no Spot-4.

para as visadas no nadir (visada vertical). O seu sistema de imageamento é constituído por dois sensores denominados HRVIR (haute resolution visible et infra rouge. garantindo constância na resolução espacial e na escala. o que garante que todas as cenas sejam adquiridas a uma altitude praticamente constante. O Spot-4 foi concebido para ser um satélite com características bastante diferenciadas em relação ao Landsat. é de 26 dias. Como a órbita é em fase. durante o período iluminado do dia. O ângulo entre o plano orbital do Spot-4 e a direção Terra-Sol é praticamente constante e de 22. Em cada órbita o Spot-4 cruza o plano equatorial duas vezes. alta resolução no visível e infravermelho).N. colocados um ao lado do outro. garantindo que toda a terra seja recoberta durante um ciclo de revisita (considerando a possibilidade de visada fora do nadir). As principais diferenças são a alta resolução espacial de seus sensores. A sua órbita também é quase polar. o que permite que a cena apresente as mesmas condições de iluminação daquela cena durante todo o ano (as variações passam a ser creditadas à sazonalidade da estações do ano e às variações intrínsecas dos alvos). o satélite passa sobre o mesmo ponto após um número inteiro de dias que. o sistema de imageamento por varredura eletrônica (pushbroom) e a capacidade de visada lateral.8o.EPIPHANIO . Sua órbita é circular. sendo que o ângulo entre o plano da órbita e o plano equatorial é de 98.aos satélites anteriores ou mesmo a outros sistemas. uma no sentido norte-sul. O Spot-4 classifica-se como um satélite de órbita baixa. Neste período o Spot-4 terá completado 369 órbitas ao redor da terra. A largura DSR/INPE 2-21 J. Na verdade são dois sensores idênticos. fazendo com que o cruzamento com o equador no sentido descendente norte-sul ocorra à hora solar de 10:30.5 minutos. particularmente ao Landsat. ou órbita descendente. A heliossincronicidade de sua órbita faz com que o Spot-4 passe sobre uma certa área sempre à mesma hora solar. ficando a 830 km de altitude.5o. o segundo cruzamento ocorre no sentido ascendente sulnorte durante o período noturno. Cada revolução orbital dura 101.C.

espacial imageamen- B1 (verde.1 km 2. VGT) TABELA 4 .1 km 2.1 km 2. 0.250 km 0.59 µm) 20 m Pan (vermelho.61 a 20 m 60 km 1. 0.SENSORES DO SPOT-4 Bandas (µm) HRVIR Resolução Faixa espacial (m) B0 (azul) to (km) 60 km 60 km Vegetação (VGT) de Resolução Faixa (km) 1.89 µm) MIR (infravermelho médio.61 a 10 m 0.1 km to (km) 2.da faixa de imageamento de cada um é de 60 km. 20 m 0.N.250 km .C.78 a 0. 0. 20 m 1.75 µm) Alinhamento HRVIR/VGT Calibração absoluta Cobertura global da Terra DSR/INPE 0.68 µm) B2 (vermelho. Um outro sensor a bordo do Spot-4 e também de interesse para o sensoriamento remoto é o Vegetation. pois há um recobrimento de 3 km no equador. perfazendo 117 km de largura.50 a 0.58 a 1.250 km 60 km 1.3 pixel do VGT 9% 26 dias 2-22 5% 1 dia J.EPIPHANIO 60 km 1.68 µm) B3 (infravermelho próximo.250 km de imageamen. A Tabela 4 apresenta algumas características dos HRVIR e do sensor Vegetation (Vegetação.

embora o arranjo linear de detectores não faça a “varredura” da linha para serem sensibilizados pela luz. para o modo monoespectral (M) ou multiespectral (X). o próprio movimento do satélite é que produz a varredura no sentido latitudinal da órbita.000 detectores da matriz linear de detectores. Os sinais gerados pelos detectores (que são fotodiodos) são lidos seqüencialmente num determinado intervalo de tempo. mas era uma banda separada (0. os detectores são varridos eletronicamente para gerar o sinal de saída.70 µm) nos Spots anteriores. respectivamente) no terreno. Esse instrumento de imageamento é projetado para cobrir instantaneamente uma linha completa de pixels de uma só vez ao longo do FOV. Quando detectores adjacentes são varridos (lidos) eletronicamente aos pares. Um telescópio de grande abertura angular forma uma imagem instantânea dos elementos adjacentes do terreno na matriz de detectores no plano focal do instrumento. enquanto que o imageamento longitudinal (transversal ao sentido da órbita) é promovido pelo arranjo matricial fixo de detectores. Isso é conseguido usando uma matriz linear de detectores do tipo CCD (charge-coupled device. A banda pancromática possui a mesma faixa espectral da banda B2 (vermelho) no Spot-4. conforme a Tabela 4. A radiação proveniente do terreno é separada por dispositivos ópticos especiais em quatro bandas espectrais. e cada pixel tem uma dimensão de 10 m por 10 m no modo de alta resolução. corresponde a um largura de 60 km no terreno.51 a 0. As matrizes lineares do CCD operam no modo chamado pushbroom. Esta largura é vista instantaneamente pela linha de 6. e uma nova linha de detectores será lida. eles geram pixels correspondentes a uma área no terreno medindo 20 m x 20 m resultando numa DSR/INPE 2-23 J.C.EPIPHANIO . Assim. à altitude de 830 km. cada HRVIR gera uma imagem de 60 km de largura ao longo da órbita.N.Cada um dos HRVIR possui 4 bandas espectrais. Ou seja. O telescópio de cada HRVIR tem um campo de visada (FOV) de 4o que. ou dispositivo de cargas acopladas). Após a leitura dos valores de radiância em todos os detectores do CCD. respectivamente). Cada detector gera um pixel por vez. Isso significa que num mesmo instante uma linha inteira (de 60 km de largura por 10 ou 20 m de comprimento. o satélite terá avançado 20 ou 10 metros (modo X ou P. Assim.

O HRVIR tem dois modos de operação quanto à resolução espacial. Esse redirecionamento da visada para as laterais pode ser de ±27o em relação ao nadir. O imageamento feito por cada instrumento HRVIR é inteiramente independente entre si. com uma resolução espacial no terreno equivalente a 20 metros. em qualquer posição afastada de até 450 km para ambos os lados da trajetória do satélite no terreno. pois cada um de seus pixels provêm simultaneamente de um mesmo feixe eletromagnético. Os HRVIRs têm três modos de imageamento: o multiespectral (modo X) correspondendo às bandas B1. o modo monoespectral (M) correspondendo à banda B2 (vermelho) com uma resolução de 10 metros no terreno. B2 e B3. de multiespectral). A luz que entra no sistema óptico é dividida em quatro feixes correspondentes a quatro bandas espectrais por um divisor espectral constituído de prismas e filtros. fora do nadir.C.N. Tal característica pode ser usada para adquirir uma imagem. quatro linhas de detectores geram simultaneamente quatro planos espectrais para uma mesma linha no terreno. Esse desvio é controlado por um mecanismo que permite uma graduação lateral com incrementos de 0. isso é conseguido com os ângulos extremos ( +27o ou – DSR/INPE 2-24 J. Esses feixes são posteriormente focalizados nas quatro matrizes de detectores (uma para cada banda). de monoespectral) ou em pares (modo X. em resposta a uma solicitação de programação pelo usuário. Na entrada óptica de cada HRVIR do Spot-4 há um espelho com um mecanismo que permite o desvio da visada para uma faixa de terreno adjacente à projeção da órbita no terreno. portanto.3o.EPIPHANIO .imagem com 20 m de resolução espacial. mais a banda do infravermelho médio. Dessa forma. O movimento do satélite ao longo de sua órbita resulta em varreduras de linhas sucessivas e isso completa a imagem. as imagens geradas por cada banda para uma mesma superfície do terreno são perfeitamente registradas. Isso quer dizer que o Spot-4 tem a possibilidade de ter visadas laterais. e o modo X + M que combina os modos X e M. dependendo se os detectores são lidos um a um (modo M.

N. Tabela 4). Com seu grande campo angular (FOV de 101o. Um aspecto sensível do Spot-4 é a calibração. ajustar a resposta do instrumento. regional e global da biosfera continental e das culturas. mas de baixa resolução espacial (1. distorções mecânicas causadas por variações de temperatura. O sistema de calibração é usado a intervalos regulares para verificar e. As funções desse sensor são permitir um monitoramento contínuo. A finalidade da calibração é a obtenção de valores radiométricos entre os pixels que guardem uma relação entre si e também que guardem uma relação com as propriedades de reflexão da energia eletromagnética dos alvos.1 km. O objetivo dessa calibração é balancear a resposta dos 3. A segunda calibração é chamada de calibração absoluta e tem a finalidade de medir a responsividade dinâmica do instrumento através do estabelecimento de uma relação precisa entre uma fonte externa perfeitamente estável (o Sol) e o sinal de saída do instrumento. Também é usada para permitir o posicionamento do instrumento para a direção de uma fonte de calibração. se necessário. e os outros 10% restantes DSR/INPE 2-25 J. O sensor Vegetation é uma câmera multiespectral também num sistema de imageamento do tipo pushbroom.27o).EPIPHANIO .C. O primeiro modo de calibração é aquele chamado calibração intra-banda. o que corresponde a uma faixa de imageamento de 2. Ou seja. Alguns dos efeitos que podem suscitar de ajustes compensatórios são mudanças na transmissividade dos componentes ópticos como resultado do envelhecimento em órbita.250 km) consegue cobrir 90% da terra num só dia. Outra função dessa característica é a de ser usada principalmente para a obtenção de imagens de um mesmo local mas em ângulos diferentes para a geração de pares estereoscópicos com as finalidades de restituição fotogramétrica e mapeamento do relevo. para uma mesma banda. variações no ruído gerado pela eletrônica do imageamento ou dos detectores do CCD. ou também de normalização de respostas dos detectores CCD. que se dá de duas maneiras. todos os detectores têm que gerar o mesmo sinal quando são sensibilizados por uma mesma fonte.000 detectores de cada banda quando o instrumento vê uma superfície perfeitamente uniforme.

br/programas/mecb/default. lançamento e gerenciamento operacional de dois satélites de sensoriamento remoto. e os imageamentos de um mesmo ponto sempre ocorrem a uma mesma hora solar. através da CAST (Agência Chinesa de Ciência e Tecnologia). é denominado CBERS (China Brazil Earth Resources Satellite.6 m. com descrição mais pormenorizada na internet. através do INPE. pelo veículo lançador Longa Marcha 4B. Um. 2000a. que permite o armazenamento de até 40 minutos de gravação (uma cena HRVIR de 60 km por 60 km é imageada em menos de 15 segundos). e envolve a construção. tem um sistema de gravação a bordo.inpe.450 kg. além de ter os painéis solares com 6.3 x 2. O programa CBERS é uma missão conjunta entre o Brasil. O CBERS é um satélite com massa de 1. 5.br/programas/cbers/portugues/ também na internet no endereço: index.inpe. cuja pode encontrada http://www.no dia seguinte. heliossíncrona com cruzamento do equador no sentido norte-sul às 10:30 da manhã. Está a uma altitude de 778 km. Satélite SinoBrasileiro de Sensoriamento Remoto. recobre quase que inteiramente a Terra a intervalos regulares de 26 dias.b).2 m.8 x 2. DSR/INPE 2-26 J.EPIPHANIO . com dimensões de 1.N. Da mesma forma que o Landsat. Além disso.html.5o em relação ao plano equatorial).C. PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO O Brasil possui basicamente dois programas de sensoriamento remoto. Nesta configuração orbital obtem imagens aproximadamente com mesma escala. descrição no endereço: ser http://www. O primeiro foi lançado em 14/10/1999 a partir da base de lançamentos de Tayuan.htm) (INPE. em órbita circular (período de 100. o Spot transmite o sinal de imagens para estações localizadas em diversas partes da Terra. e a China. e o outro MECB (Missão Espacial Completa Brasileira. quase polar (inclinação de 98.26 minutos). Como há coincidência de bandas entre o HRVIR e o VGT.0 x 2. os dois sistemas são bastante complementares.

EPIPHANIO . Suas principais características estão na Tabela 5 e uma visão de seus constituintes está na Figura 1.69 µm (vermelho) 0.3o 113 km ±32º 2 x 53 Mbits/segundo Resolução espacial no terreno Resolução temporal FOV Faixa de imageamento Visada lateral Taxa de dados FONTE: INPE (2000) A câmera CCD/CBERS é um sensor que cobre as faixas espectrais do visível e se estende até o infravermelho próximo. sistema varredor multiespectral de infravermelho).52 µm (azul) 0.73 µm (pancromático) 0.77 .N.59 µm (verde) 0.52 . ao contrário do Spot-4.0. O fato de cobrir todo o visível permite um aproveitamento da experiência e das técnicas de fotointerpretação feitas sobre fotografias aéreas preto e branco normais. dispositivo de cargas acopladas). esta banda do CBERS é mais larga.0.0. e a câmera WFI (wide field imager.A constituição de sua carga útil é muito interessante. porém com menor resolução espacial.CÂMERA CCD DO CBERS Bandas espectrais 0.0.45 . DSR/INPE 2-27 J.63 .89 µm (infravermelho próximo) 20 m x 20 m 26 dias no nadir. Possui três sensores a bordo: a câmera CCD (charge-coupled device. até 3 dias com visada lateral 8. pois traz características de diversos outros satélites. TABELA 5 . possui uma banda pancromática que cobre todo o visível e. e ainda oferece novidades em termos de imageamento. Com esse conjunto de bandas consegue-se atender uma grande parcela da demanda por dados de sensoriamento remoto. o imageador por varredura mecânica IRMSS (infrared multispectral scanner system.51 . imageador de grande campo de visada).C.0. Além disso. A câmera CCD/CBERS apresenta semelhanças com o HRVIR do Spot-4.

sendo uma que abrange desde o visível até o infravermelho próximo (0.Módulo de Serviço 2 Sensor de Presença do Sol 3 Conjunto dos Propulsores de 20N 4 Conjunto dos Propulsores de 1N 5 . 1 – Satélite CBERS e seus componentes. mas menor que a do Landsat.C. o que equivale a 120 km de largura no terreno.EPIPHANIO . é uma vantagem comparativa importante em relação aos sistemas existentes.8o.Antena UHF de Recepção 7 Câmera de Varredura Infravermelho Fig. duas no infravermelho DSR/INPE 2-28 J. ou fora do nadir.N. em ângulos bastante amplos (±32º). 1 .50 a 1.Divisória Central 6 . Possui quatro bandas espectrais.A sua faixa de imageamento é maior que a do Spot. Isso é uma característica relevante em situações de ocorrência de eventos que precisam ser monitorados em curto espaço de tempo. Essa maior capacidade de visada lateral permite que se possam fazer revisitas com até 3 dias entre passagens. A capacidade de imageamento lateral.1 µm). Esse sensor opera com um FOV de 8. FONTE: INPE (2000) Outro componente do Cbers é o imageador por varredura mecânica (IRMSS).

Radiômetro Avançado com Resolução Muito Alta). para ter essa resolução temporal e cobrir uma faixa extensa de terreno a cada passagem.89 µm). é que o AVHRR/NOAA é originariamente um sensor meteorológico e. o que corresponde a uma faixa de 890 km no terreno. Isso garante ao sensor um período de revisita de apenas cinco dias. Além disso.C. houve um sacrifício da resolução espacial.5 µm). Porém. O nome deste sensor pode induzir a um equívoco de entendimento quanto à sua resolução espacial. Como em todo sistema há uma solução de compromisso entre os diversos requisitos da missão. o qual é feito eletronicamente na direção transversal à órbita.69 µm) e outra na do infravermelho próximo (0. apresenta-se como um sensor de alto potencial de aplicação. para esta aplicação. e não possui capacidade de visada fora do nadir. e de interesse para o sensoriamento remoto. a WFI/CBERS. apesar da baixa resolução espacial. Sua resolução temporal é de 26 dias. e passivamente pelo próprio deslocamento do satélite no sentido da órbita. A WFI/CBERS possui apenas duas bandas espectrais: uma na região do vermelho (0.75 µm e 2.1 km.77 a 0.4 a 12. é a câmera WFI (imageador de grande campo de visada).EPIPHANIO .médio (1. no caso da WFI/CBERS. portanto. É um sensor baseado na tecnologia CCD.1 km é muito alta. O outro sensor a bordo do CBERS.08 a 2.63 a 0. onde são exigidas resoluções melhores do que essa. não possui componentes móveis para o imageamento. também não possui a baixa resolução DSR/INPE 2-29 J. Essas três bandas espectrais possuem resolução espacial de 80 metros no terreno. ao contrário do que ocorre para boa parte das aplicações de sensoriamento remoto. A WFI/CBERS. Uma quarta banda espectral localiza-se no infravermelho termal (10.55 a 1. embora não possua a alta resolução temporal de um dia do AVHRR/NOAA. A WFI/Cbers possui um FOV de 60o. Possui características intermediárias entre todos os sistemas existentes para o estudo da superfície terrestre.35 µm). que passou a ser de 260 m.N. Sua resolução espacial não é tão boa quanto a do ETM+/Landsat-7 (30 m na maioria das bandas) mas também não é mellhor do que a do AVHRR/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer da National Oceanic and Atmospheric Administration. a resolução espacial de 1. que é de 1.

dgi. Esse contraste deverá ser explorado através dos índices de vegetação. no caso Brasil. Entre os sensores a bordo. DSR/INPE 2-30 J. é responsável pelos satélites também chamados NOAA (Kidwell.N. que é de 26 dias no nadir. O catálogo para verificação de cobertura de imageamento e qualidade de imagens pode ser acessado a partir da internet no seguinte endereço: http://www. mas para muitas aplicações de sensoriamento remoto. um que será aqui descrito é o AVHRR-3/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer. O AVHRR-3 faz parte dos sensores a bordo dos satélites NOAA K. Nestas duas regiões (vermelho e infravermelho próximo) são os locais em que a vegetação apresenta o maior contraste espectral. que é uma agência governamental dos Estados Unidos. Radiômetro Avançado de Muito Alta Resolução). MT. 2000a). circular a aproximadamente 850 km. 1997). Como esclarecido anteriormente.temporal do HRVIR/Spot. e a do infravermelho próximo é de alta reflexão.EPIPHANIO . ou seja.inpe. L e M (que recebem após o lançamento os números de 15. São satélites de órbita heliossíncrona. é provável que se consiga identificar diversas aplicações que demandem tais resoluções intermediárias. As suas duas bandas espectrais são dispostas em pontos estratégicos do espectro eletromagnético e são destinadas principalmente ao estudo da vegetação.C. a estação está em Cuiabá. SP. A série de satélites NOAA tem sido de grande importância no campo da meteorologia.html (INPE. O processamento dos dados para que sejam gerados os produtos a serem distribuídos aos usuários é feito em Cachoeira Paulista. esta resolução pode ser considerada muito alta para aplicações em meteorologia.br/index. que visam exatamente a realçar a vegetação representada numa cena de sensoriamento remoto. 16 e 17. esta resolução do AVHRR-3/NOAA é considerada baixa. Os dados do CBERS são gravados por estações terrenas. 6. Com essas características. SATÉLITES NOAA A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Admnistration). a banda do vermelho é de alta absorção de energia. respectivamente).

00 1. a terra toda é coberta a cada dia. A Tabela 6 apresenta as características dos canais do AVHRR-3/NOAA. TABELA 6 .5 Resolução espacial (no nadir. o que equivale a 2. Os dados adquiridos durante cada passagem permitem. Porém.N.1 1.68 0.580 – 1.O AVHRR-3/NOAA é um radiômetro imageador de varredura mecânica que opera em seis bandas espectrais (Tabela 6). Portanto.CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K.93 10. a análise de parâmetros de interesse em hidrologia. enquanto que o 3B só opera durante as passagens matutinas do satélite.3 11. há o sacrifício da resolução espacial que.1 1. após o processamento em terra. Apenas cinco canais podem ser transmitidos simultaneamente. neve.64 3. 4 e 5 são usados para determinar a energia radiativa da temperatura da superfície terrestre.580 – 0. em km) 1.1 1. da água. lagos. de nuvens. Os dados dos canais 3B. aerossóis e gelo. no seu caso. uso da terra e meteorologia.550 – 3. Esses dados permitem a observação da vegetação. conforme necessário. Com esta largura de faixa e com a taxa de 14 revoluções orbitais por dia. 2 e 3A são usados para monitorar a energia refletida nas porções do visível e infravermelho próximo do espectro eletromagnético.300 – 11.500 – 12.4o.1 1.1 2-31 J.1 km para os pixels no nadir. Os dados do AVHRR-3/NOAA podem ser recebidos por antenas menores e também a custos reduzidos.725 – 1.1 1. é de 1. Os dados dos canais 1. e do mar bem como das nuvens sobre eles.EPIPHANIO .C. oceanografia. a resolução temporal do AVHRR-3/NOAA é muito maior que a dos outros satélites de sensoriamento remoto vistos até aqui. linhas de costa. L E M Canal 1 (visível) 2 (infravermelho próximo) 3A (infravermelho médio) 3B (infravermelho médio) 4 (infravermelho termal) 5 (infravermelho termal) FONTE: NOAA (2000) DSR/INPE Banda espectral ( m) 0.250 km de largura de faixa imageada no terreno. os canais 3A e 3B são comutados para passagens diurnas/noturnas. O campo de visada (FOV) do AVHRR-3/NOAA é de ±55.

É um sistema de varredura transversal à direção da órbita.366 µm) até o infravermelho termal (14. É um programa que envolve vários países e uma grande gama de satélites e sensores.EPIPHANIO . quase polar. e MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere. Sistema de Medição de Energia Radiante da Terra e Nuvens).N.C. Medição da Poluição na Troposfera). cruzando o equador às 10:30 da manhã na órbita descendente. cobrindo desde o limite inferior do visível (0. O primeiro grande satélite desse programa denomina-se Terra. heliossíncrona.7. Sistema de Observação da Terra) é um programa de longo prazo (pelo menos 15 anos). Esse satélite possui cinco sensores: MODIS (Moderate-Resolution Imaging Spectroradiometer. O Modis é um sensor com 36 bandas espectrais. O satélite Terra. Radiômetro Espacial Avançado de Emissão Termal e Reflexão).385 µm). está numa órbita circular a 705 km de altitude. cujo espelho faz a DSR/INPE 2-32 J. PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) O programa EOS (Earth Observing System. ASTER (Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer. Espectrorradiômetro Imageador em Múltiplos Ângulos). Espectrorradiômetro de Imageamento de Moderada Resolução). A seguir é feita uma breve descrição dos três primeiros sensores. cuja missão é gerar conhecimento científico em profundidade sobre o funcionamento da Terra como um sistema. e à 1:30 da madrugada no sentido ascendente. Tem-se como premissa que esse conhecimento científico forneceria os fundamentos para o entendimento das variações naturais e induzidas pelo homem no sistema climático da Terra e também forneceria uma base lógica para as tomadas de decisão quanto às políticas ambientais (King. anteriormente chamado EOS/AM-1. O nome “Terra” surgiu após um concurso nacional (nos Estados Unidos) entre estudantes de nível elementar e médio. cuja ganhadora foi uma aluna de 13 anos. 1999). CERES (Clouds and the Earth’s Radiant Energy System Network. MISR (Multi-angle Imaging Spectroradiometer. lançado em 18/12/1999.

Uma câmera aponta para o nadir e outras oito cobrem diferentes ângulos de visada (26.46 µm. DSR/INPE 2-33 J.5o para frente e para trás na direção da órbita). e numa faixa de imageamento de 60 km. O sub-sistema responsável pela região do infravermelho médio mede a radiação em seis bandas entre 1.6o. Na região do visível/ infravermelho próximo tem três bandas com 15 m de resolução espacial. um para cada região espectral.000 m para as bandas 8-36. fitoplâncton. permitindo que se gerem imagens estéreo.varredura a uma taxa de 20.C. e 70. vapor d’água na atmosfera. temperatura da superfície e das nuvens. sua faixa de imageamento é de 60 km. Esses dois últimos sub-sistemas possuem capacidade de apontamento de ±8. A faixa de imageamento é de 360 km e. e pode fazer visadas laterais de ±24o. Cada varredura cobre uma faixa de 2. principalmente). medições de ozônio. Suas dimensões são de 1.0 m. além disso. Este sensor faz imagens da terra em nove direções de apontamentos diferentes. pode cobrir até 318 km fora do nadir. com resolução espacial de 90 m e faixa de imageamento de 60 km. cada câmera possui quatro bandas espectrais entre o visível e o infravermelho próximo. no nadir. de 500 m para as bandas 3-7.3 rpm. Esse sub-sistema é composto de dois telescópios.6 m x 1. e de 1. 60. com 30 m de resolução espacial. O terceiro sensor do Terra aqui descrito é o Misr. com alta resolução espacial.125 µm e 11. Sua resolução espacial é dependente das bandas. O sensor Aster tem 405 kg e possui três subsistemas. O terceiro sub-sistema do sensor Aster é responsável pela medição da radiação em cinco bandas espetrais no infravermelho termal. o que permite que qualquer ponto na superfície possa ser imageado pelo menos a cada 16 dias. 45. biogeoquímica. sendo que um deles pode apontar para trás na mesma direção da órbita. as resoluções espaciais variam de 250 m no nadir a 275 m para a câmera com ângulo mais extremo.0o. cor oceânica. e massa de 250 kg.N.1o.65 µm. nuvens do tipo cirrus. entre 8.54o lateralmente. sendo de 250 m para as bandas 1 e 2. avaliar propriedades da superfície terrestre (vegetação.EPIPHANIO .330 km no sentido transversal à órbita e 10 km no sentido longitudinal à órbita.60 µm e 2. nuvens e aerossóis.0 m x 1. As principais aplicações são traçar limites terra/nuvens.

que são conduzidos a um dispositivo de gravação que pode armazená-los digitalmente para processamento posterior. os satélites que operam na região ótica têm grande quantidade de imagens inaproveitáveis por causa da cobertura de nuvens.N. como geram sua própria iluminação. Cada pulso dura apenas alguns microssegundos (em geral há cerca de 1. 1998). evitando congestionamentos. para alguns comprimentos de onda. exigindo conhecimentos de várias áreas. ao serem praticamente imunes às condições atmosféricas.EPIPHANIO . Este os envia a um duplexador (ou multiplexador). praticamente não sofrem interferências atmosféricas (Short. Os radares. entre elas as de física.8 cm e 100 cm).500 pulsos por segundo). PROGRAMAS DE RADAR O termo radar vem de radio detection and ranging. O conhecimento da teoria radar é um tanto quanto complexa. eletrônica. Atualmente há dois grandes programas que envolvem o imageamento da superfície terrestre por sensores radar. do Canadá. e processamento de sinais. Em geral um sistema radar é constituído dos seguintes elementos: um gerador que envia pulsos a intervalos regulares a um transmissor. a bordo de stélites: o ERS (European Remote Sensing Satellite.8. pois ao poderem imagear a qualquer hora.C. Operam entre 40 GHz (banda K-alfa) e 300 MHz (banda P) (ou entre 0. os pulsos que retornam são captados pela mesma antena e enviados a um receptor que os converte (e amplifica) em sinais de vídeo. que os envia a uma antena direcional que modula e focaliza cada pulso num feixe transmitido ao alvo. podem otimizar seu posicionamento em relação ao Sol para captar energia solar em seus painéis solares e também operar em horários onde as estações de recepção estão com mais tempo livre. Satélite Europeu de Sensoriamento Remoto) e o Radarsat. DSR/INPE 2-34 J. A operação dos radares se dá em comprimentos de onda bem maiores que os do visível e infravermelho. geometria. oferecem grande certeza de aquisição de imagens em condições adequadas para uso. podem funcionar tanto durante o dia como durante a noite e. ou detecção de alvos e avaliação de distâncias por ondas de rádio. Essas duas características são importantes. E.

com cruzamento do equador. às 10:30 da manhã. Fornece imagens com resolução espacial de 30 m x 30 m.3 GHz ou comprimento de onda de 5.6. na Guiana Francesa.N. Mas esse radar também pode operar no modo onda (wave mode. O Radarsat tem órbita circular de 798 km de altitude. O outro satélite com sistema radar de grande importância para o sensoriamento remoto é o Radarsat. e tem um painel solar de 12 m x 2. numa cena de 100 km x 100 km. O ERS-2. do Canadá.4 m. a órbita é quase polar (98.6 cm).7. com antena de 10 m. o ERS-2 foi lançado em 21/4/1995 (Francis et al.C. Também leva um instrumento denominado GOME (Global Ozone Monitoring Experiment. que é muito semelhante ao ERS-1. adquire imagens de 5 km x 5 km a cada 200 ou 300 km num sistema de amostragem. tem dimensões de 2 m x 2 m de base e 3 m de altura. 1995). um radar altímetro para fazer medições precisas dos sinais de retorno provenientes dos oceanos e das superfícies de gelo. com polarização VV (transmissão e recepção verticais). modo onda) e. um radiômetro de varredura mecânica que opera nos comprimentos de onda de 1. 3. Um de especial interesse para o sensoriamento remoto é o radar imageador. Esse modo de operação é o mais largamente utilizado para aplicações terrestres do ERS. 11 e 12 m.O programa ERS é europeu e iniciou-se com o ERS-1. e tem um intervalo de revisita de 35 dias. O ERS-2 tem ainda um radar para a medição da velocidade e direção do vento sobre os oceanos.. com resolução espacial de 1 km x 1 km (no nadir) e com uma largura de faixa de imageamento de 500 km. Os dois satélites têm órbita síncrona com o Sol. e num ângulo de visada fixo em 23o no meio da faixa de imageamento.3 toneladas. e que pode operar no chamado modo “imagem”. no percurso descendente. circulando a Terra a cada DSR/INPE 2-35 J. pesa cerca de 2. então. com altitude média de 780 km. a partir da base de lançamentos de Kourou.5o). com aplicação em oceanografia. O ERS-2 é constituído de vários sensores. em banda C (freqüência de 5. cujo lançamento deu-se em 17/7/1991 pelo lançador francês Ariane-4. hora local. Experimento de Monitoramento Global do Ozônio).EPIPHANIO . lançado em 4/11/1995.

e as resoluções espaciais podem variar de 10 m a 100 m. hora local. [online] <http://www. 1995. May 2000.100. Sua órbita é heliossíncrona.N.gc. Radarsat program.htm>. embora possa ter imageamentos distanciados de apenas 4. e ao mesmo tempo passa sobre as estações de recepção em horários não utilizados por outros sistemas evitando. A filosofia que norteia o sistema é a de fornecer o mais prontamente possível a imagem adquirida ao usuário.6o em relação ao equador. et al. ESA Bulletin. ERS satellite.it/erslist.200 kg.ca>. em polarização HH (transmissão e recepção da onda eletromagnética polarizada horizontalmente). DSR/INPE 2-36 J. 83. conflitos de gravação no momento da aquisição das imagens (CCRS.htm>. Centre National d'Études Spatiales (CNES).esrin.fr/spot4_gb/index.5 dias para ângulos de incidência diferentes. O Radarsat. assim. pode variar o ângulo de incidência (com antena de 15 m x 1.3 GHz ou comprimento de onda de 5. É um sistema versátil.5 m direcionada para a esquerda no hemisfério sul) desde 20o até 50o.R. [online]. Aug. 2000).6 cm). a largura da faixa de imageamento pode variar de 35 km a 500 km.EPIPHANIO . SPOT program. O tempo decorrido entre a aquisição e o recebimento pode ser tão rápido quanto um dia. p. <http://services. Francis. C. e o período de revisita é de 24 dias para um mesmo modo de operação e ângulo de incidência. [online]. May 2000. com inclinação de 98.C.7 minutos. The ERS-2 spacecraft and its payload. com massa de 3.cnes. possui vários modos de imageamento. 9. European Space Agency (ESA). mas com passagem pelo equador às 6:00 (descendente).nrcan. 12-31.esa. opera na banda C (freqüência de 5. REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR Canadian Centre for Remote Sensing (CCRS). 14 vezes por dia .ccrs. <http://spot4. May 2000. n. Essa configuração orbital permite que o Radarsat explore ao máximo as condições iluminação de seu painel solar.

National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). <http://www2.L.N. D.htm>. <http://eos.A. Washington. 1989. [online]. R. 831-838. [online].M. 361p.D. NASA. Greenbelt. [online].html>. Lauer.. The Landsat program: its origins. V.nasa. <http://www. E. v.C. July 1997. May 2000b.inpe.EPIPHANIO . EOS reference handbook. King.gov/eos_homepage/misc_html/refbook.M. Sensoriamento remoto: princípios e aplicações. [online].D. May 2000.. NASA. Kidwell. Suitland. NASA. Morain. 308p. M. May 2000. Landsat program.inpe. <landsat. May 2000.Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Solomonson. 1998. NOAA.br/programas/mecb/default.gov:80/docs/klm/>. 63. Programa CBERS. Greenbelt.gsfc. [online]. Aquisição de imagens. 397p.. Introduction to the NOAA KLM system.br>.inpe.B. and impacts. <http://www.ncdc. DSR/INPE 2-37 J. National Aeronautics and Space Administration (NASA). K.noaa. May 2000a. evolution. 1999. <http://www. EOS science plan. 7. CDROM. M. 1999.nasa. Photogrammetric Engineering and Remote Sensing.br/programas/cbers/portugues/index.M. N. n./ Novo.V. São Paulo: Edgard Blücher.T. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). 120p. May 2000c.html>. NOAA polar orbiter data users guide. Greenstone.gov>. p. 1997. Short. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). The remote sensing tutorial. Programa MECB. King.dgi. S.

Martini DSR/INPE .inpe.CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte A: P A N A M A Z Ô N I A : O DOMÍNIO DA FLORESTA AMAZÔNICA NA AMÉRICA DO SUL PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid.R.br P.

DSR/INPE 3A-2 P.Martini .R.

....... 2.........................Martini ...............................ÍNDICE LISTA DE FIGURA ......................................................................................................... 3A-16 DSR/INPE 3A-3 P.. 3................................................................................................................................ FLORESTAS ...............................R....... SOLOS E AGRICULTURA ... 4.............................. 1............................................................................ 3A-5 3A-7 3A-9 3A-9 3A-11 3A-13 3A-15 6...... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............ RECURSOS MINERAIS ............. INTRODUÇÃO ...................................................................... 5.................................................................. LISTA DE TABELA ......... RIOS .....................................

Martini .R.DSR/INPE 3A-4 P.

............Martini ..LIMITES DA PANAMAZÔNIA ....R.............LISTA DE FIGURA FIGURA 1..................... 3A-19 DSR/INPE 3A-5 P....

R.Martini .DSR/INPE 3A-6 P.

...................... 3A-18 DSR/INPE 3A-7 P................................. 3A-17 TABELA 3 – DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 .................R................................ 3A-17 TABELA 2..........................FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 .......LISTA DE TABELAS TABELA 1 – ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) .Martini ......................

DSR/INPE 3A-8 P.Martini .R.

Este número define a distribuição ambiental da floresta amazônica na América do Sul. Principal porque mostra que pelo menos 58% da área total dos países panamazônicos se encontram dentro do contexto ambiental de florestas tropicais.Martini . 2. Neste texto são serão descritos alguns elementos marcantes da paisagem nativa e antrópica da Panamazônia.264 km2. Somos todos predominantemente amazônicos como mostra a figura 1 onde as fronteiras panamazônicas estão traçadas sobre as bordas dos países e o conjunto de 345 cenas LANDSAT que cobrem todo o extenso domínio. Outros tipos importantes são as florestas abertas (ombrófila aberta) e as savanas ou cerrados com uma extensa zona de transição entre elas. Os degraus andinos DSR/INPE 3A-9 P. Este número foi o primeiro e talvez o principal resultado obtido pelo projeto de cooperação.1. A Tabela 1 mostra a distribuição do domínio florestal amazônico não brasileiro em relação a área total dos respectivos países.R. O nome Panamazônia como ficou denominado o projeto. O tamanho final da área panamazônica incluindo aquela do Brasil (5. principalmente aqueles passíveis de serem observados e analisados em imagens do Satélite LANDSAT. Este projeto contemplava o uso de Sensoriamento Remoto orbital para monitorar a floresta tropical da megaregião. serviu e serve atualmente para designar a grande região compreendida pela floresta no Brasil e no conjunto dos países amazônicos.082.539 km2) é 7. INTRODUÇÃO Alguns meses antes da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente. ou seja. FLORESTAS A Panamazônia é conhecida pela sua cobertura florestal densa.702. o INPE propôs um projeto de cooperação para os países amazônicos da América do Sul.000 anos antes do presente. Verdadeiramente a floresta densa (ombrófila-densa) é uma parte importante dos tipos de coberturas ali instaladas a partir da última glaciação há 12. o Domínio Panamazônico. UNCED-92.

Os números mais recentes sobre a expansão da ação antrópica no Brasil.539 km2. página 10 (INPE. chega-se ao valor de 10. CUMAT-Bolívia (1992). A tabela também mostra a taxa de desflorestamento encontrada durante o período 77-96 e de acordo com esta taxa.1997). (5.069 km2 ou 51.706. Ao se relacionar estes números com a área aqui adotada para Amazônia Legal. Os estados que mais contribuíram para este percentual são os estados de Mato Grosso e Pará. o possível prazo de existência das florestas nos respectivos estados.900 hectares. incluindo todo o Maranhão).082. SAGECAN-Venezuela (1993). A Tabela 2 mostra a distribuição do desflorestamento no período 95/96 e as áreas dos estados amazônicos brasileiros. está apresentado também no anexo acima mencionado enquanto que informações gerais sobre os demais países são apresentadas em INRENA-Peru (1996).R.17% de desflorestamento. IGAC-Colômbia (1993). Este condomínio de feições florestais de expressão planetária vem sendo submetido nos últimos quarenta anos a um severo processo de ocupação. O número do desflorestamento na Amazônia brasileira para agosto de 1996 era de 517. Peru e Guiana Francesa.dão berço a florestas também tropicais que são denominadas selvas altas ou selvas de piemonte. Informações muito didáticas são apresentadas no anexo da revista Veja número 1527. ENGREF-Guiana Francesa (1994) e ENRIC (1994) para os demais países. com detalhes. A distribuição dos tipos de florestas da Amazônia Legal brasileira se encontra no anexo Amazônia Desflorestamento 95-97. sendo-lhes transferidas imagens gravadas pela Estação de Cuiabá. Os números do desflorestamento para os outros países sul americanos foram obtidos pelo Projeto Panamazônia gerenciado pelo INPE. No decorrer do projeto a partir de 1992 foram criados e treinados grupos de trabalho nos diversos países. Resultados finais sobre o desflorestamento foram obtidos para três países: Bolívia. DSR/INPE 3A-10 P.Martini .

3. A Tabela 3 sintetiza a distribuição do desflorestamento nos domínios amazônicos da América do Sul até o ano de 1990. 99 km2 ou 4. A Bolívia através do Centro de Investigação do Uso Maior da Terra-CUMAT . representando um total de 69. Estas incluem os rios Oiapoque e Araguari no Amapá. Este índice aponta para um número em torno de 1.20% da cobertura original. o Rio Gurupi no Pará e o Rio Mearim no Maranhão.948. Na Guiana Francesa o ENGREF-Kourou apresentou em seu relatório de 1994 que 10.37 km2 ou 6.974.482. o Rio Courantyne na fronteira Guiana-Suriname e o Rio Maroni da fronteira Suriname-Guiana Francesa. No Brasil devem ser mencionadas bacias pequenas que drenam para o Atlântico.000 km2 de desflorestamento ou 1. Venezuela e Equador preferiu-se manter as áreas totais dos países ao invés de usar os valores apenas dos domínios amazônicos da tabela 1.43% de florestas em sua área costeira haviam sido desmatadas até 1990. Para estes países preferiu-se buscar figuras publicadas por ENRIC (1994).237 hectares.10% da cobertura original daquele território francês.R.Martini . Separam-se dele as bacias do Alto Orinoco na Venezuela.cit). RIOS Os rios panamazônicos estão quase em sua totalidade na rede tributária do Amazonas.22% da área original de florestas.O Peru através do Instituto Nacional de Recursos Naturais-INRENA reportou que o índice de desflorestamento de suas florestas tropicais até 1990 foi de 9. DSR/INPE 3A-11 P. isto porque os números obtidos do Projeto Panamazônia eram incompatíveis com aqueles apresentados por ENRIC (op. o Rio Essequibo na Guiana. No caso dos países como Colômbia. avaliou que os bosques tropicais desmatados até 1990 somavam 23. Os demais países reportaram apenas parcialmente seus resultados ao Projeto Panamazônia.

000 metros localizado nos Andes Ocidentais. o Putumayo e o Caquetá. Grande e Mamoré imprimem a ele também a assinatura de águas turvas. o Xingu com seus formadores principais Iriri e Coluene. Rios cristalinos são aqueles com as cabeceiras instaladas no Planalto Central: o Tapajós com seus formadores Juruena e Teles Pires. Os formadores do Rio Madeira como o Madre de Dios. ambas no Estado do Mato Grosso. O primeiro acomoda a origem do Amazonas junto ao Nevado Queuhisha.R. (Palkiewicz e Goicochea. O rejeito síltico-argiloso destes garimpos tem transformado as águas límpidas destes rios em águas turvas (Martini. e o conjunto Araguaia-Tocantins. Rios negros estão localizados principalmente na calha norte do Amazonas e têm suas cabeceiras nas serras divisoras Amazonas-Orinoco.Os tributários e o próprio Rio Amazonas apresentam águas de cores diferenciadas bem características nas imagens de satélite. Na Bacia do Rio Tapajós existem duas grandes fontes de turbidez por garimpos. De tons claros são os dois principais formadores do Rio Amazonas no Peru: os rios Ucayali e Marañon. Neste local um riacho de nome Apacheta acomoda as primeiras águas perenes do Rio Amazonas. Os rios cristalinos principalmente o Tapajós e o Xingu vem sendo seriamente impactados por atividade de garimpo. 1996. A segunda entre os DSR/INPE 3A-12 P. não tributários diretos mas parte da embocadura do Amazonas. próximo de Arequipa. Os rios de águas cristalinas ou negras aparecem em cores ou tons escuros.Martini . De águas turvas existem também outros grandes tributários andinos como o Napo. a jusante das cidades de Peixoto de Azevedo e Alta Floresta. 1996). A primeira está no Vale do Rio Teles Pires. um pico de 5. Dentre estes devem ser mencionados o próprio Rio Negro além do Uatumã. Trombetas. ao longo das fronteiras do Brasil com as Guianas e a Venezuela. Beni. Paru e Jari. Peru. Assim os rios de águas turvas como o Amazonas e todos os outros afluentes com nascentes andinas aparecem nas imagens em cores ou tons mais claros.1988). Martini e Garcia.

pimenta.Na Bacia do Xingu os garimpos são mais extensos nas cabeceiras do Rio Fresco. 4. latossolos vermelho-escuros) e a falta de condições geomórficas adequadas para a agricultura ostensiva e mecanizada.R. adequadas ao ambiente amazônico. Tucuruí no baixo Tocantins e Balbina no baixo Uatumã. tem crescido constantemente mostrando que além de boa produtividade elas ajudam a inibir a erosão acelerada dos solos provocada pelos altos índices pluviométricos. A usina de Procopondo no Rio homônimo do Suriname é a única unidade hidrelétrica grande estabelecida fora do Brasil em terrenos amazônicos.rios Crepori e Jamanxim no sudoeste do Estado do Pará. para sul da cidade de Tucumã. Os rios amazônicos mostram um potencial hidrelétrico invejável e alguns sítios acomodam grandes lagos que produzem uma energia importante porque não poluente e pouco impactante. A instalação de culturas perenes. DSR/INPE 3A-13 P. Dois fatores são prontamente identificados como inibidores daquele procedimento: a pequena distribuição de solos ricos e produtivos (e. Tucuruí é a maior hidrelétrica brasileira enquanto Balbina com um lago de dimensões semelhantes não produz energia suficiente para suprir a cidade de Manaus.Martini . Estas últimas representam exemplos opostos de planejamento. SOLOS E AGRICULTURA Os padrões de agricultura nas imagens de satélite Landsat indicam que o manejo tradicionalmente observado na região sul do Brasil foi aplicado apenas localmente na Amazônia Legal. As exceções são as extensas áreas com soja da Chapada dos Parecis no Mato Grosso e as agrovilas instaladas sobre solos muito nobres ao longo da Rodovia Transamazônica próximo a Altamira no Pará. também no sul do Estado do Pará. Curuauna em Santarém (PA).g. As usinas atualmente em operação são: Samuel em Porto Velho (RO). Culturas de chá. cacau e outras vem se expandindo principalmente nos estados do Amazonas e de Rondônia.

entretanto. DSR/INPE 3A-14 P.Martini .A pecuária. e os imensos campos de coca da Bolívia. além de mostrar uma produtividade cerca de 4 vezes inferior ã outras regiões produtoras tipo Goiás e Triângulo Mineiro. continua sendo o padrão mais densamente distribuído nas áreas desflorestadas da Amazônia. A experiência tem demonstrado que a pecuária.R. Pará e mais recentemente no Acre. Esta área mostra a entrada rápida e intensa da cultura a partir do final dos anos 80. Os campos de coca vem crescendo rapidamente nas regiões de Cochabamba e de Santa Cruz na Bolívia bem como no médio Ucayalli. do Peru e da Colômbia. principalmente ao redor das cidades de Georgetown e de Nova Amsterdam. Esta degradação aparece pela lateritização intensa e rápida das áreas desmatadas. sul de Rondônia. Nesta linha de sustentabilidade deve ser ressaltada a convivência harmônica dos seringueiros com a mata nativa no Estado do Acre. Alternativas para usos sustentáveis da terra são ainda muito discretas e se resumem a questões acadêmicas junto a instituições de pesquisa que atuam na região. ao redor da cidade de Pucallpa no Peru. Nos demais países panamazônicos aparecem com destaque as culturas de arroz e cana de açúcar da região costeira da Guiana e do Suriname. As imagens mostram também que os campos colombianos não se expandiram tanto como nos países mencionados. Famílias de seringueiros por décadas vem explorando a mata nativa sem destruí-la enquanto que pecuaristas em meses movem imensas matas semelhantes para pastagens. A pecuária continua firmemente se expandindo principalmente em Mato Grosso (região nordeste). ela provoca pelo pisoteio do gado e pela erosão uma degradação acelerada dos solos. do alto Rio Napo na região dominada pela cidade de Tena no Equador. A pouca expansão da coca na Colômbia pode ser compensada pela presença de grandes campos. As áreas de arroz e de cana de açúcar tem crescido intensamente na Guiana.

prata e molibdênio em quantidades menores porem consideradas também como jazimentos. Outros jazimentos expressivos em atividade ou em reserva são: Serra do Navio (AP) com manganês. Tratam-se das minas de Carajás. Este fato deve-se certamente a falta de conhecimento e de trabalhos sistemáticos de mapeamento como aqueles iniciados pelo Projeto RADAMBRASIL em meados da década de 60. as bordas das províncias minerais como no Projeto Carajás se transformaram em escudos contra a expansão do desflorestamento. contem como principal jazimento mineral 17. minério de alumínio. Os platôs próximos do baixo Rio Trombetas no município de Oriximiná abrigam uma jazida de 600 megatoneladas de bauxita. O farto conjunto de jazimentos minerais conhecidos na Amazônia não se repete nos demais países panamazônicos. As imagens as grandes minas citadas anteriormente não provocam impactos tão significativos à paisagem e ao meio ambiente físico quanto aqueles descritos anteriormente para os garimpos.Martini . do Rio Trombetas e do Rio Pitinga.R.1 gigatoneladas de minério de cobre além de ouro. localizada no Estado do Pará. Observa-se que os recursos hídricos envolvidos na mineração não carregam rejeitos e quando existem ficam decantando em lagos isolados. Verdadeiramente.8 gigatoneladas de minério de ferro (hematita).5. O alto vale do Rio Pitinga. Secundariamente contem 1. Morro dos Sete Lagos (AM) com nióbio e terras raras. A chamada Província Mineral de Carajás. Serra Pelada (PA) com ouro e Paragominas (PA) com alumínio. DSR/INPE 3A-15 P.000 toneladas de estanho. formador do Uatumã no Estado do Amazonas acomoda um grande jazimento de cassiterita contendo 270. RECURSOS MINERAIS Nos limites da Amazônia brasileira se encontram 3 das maiores minas para exploração mineral atualmente em operações no planeta.

Arlington. Colombia. La Paz. -Fioravante. -DNPM (1995) Economia Mineral do Brasil.R. Relatorio sobre el Estado Actual del Proyecto IGAC-INPE.86.A. por exemplo. Editora Abril S. -ENRIC (1994) A Source Book on Tropical Forest Mapping and Monitoring through Satellite Imagery: The Status of Current International Efforts.Petróleo e gás são outros bens minerais intensamente explorados no domínio panamazônico. Instituto Geográfico Agustin Codazzi. C.300 quilômetros. Agosto. Bogotá. (1995). Departamento Nacional da Produção Mineral. Ecole Nationale de Genie Rural des Eaux et des Forets. contem reservas suficientes a ponto de instalar um imenso oleoduto que sai do Rio Tigre na fronteira com o Equador e do baixo Rio Maroñon para o porto de Bayovar no Pacífico. VA. O Brasil também contem reservas importantes de gás descobertos no alto Rio Tefé. DSR/INPE 3A-16 P. Estado do Amazonas. São Paulo. -IGAC (1993). -ENGREF (1994). Revista Nova Escola. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIA -CUMAT (1992). Ministério das Minas e Energia. 6. ano X n. O Rio Amazonas que não está no Mapa. Reservas de petróleo também são observadas na Amazônia Venezuelana. O oleoduto mede mais que 1.Martini . Environmental and Ntural Resources Information Center. Desbosque de la Amazonia Boliviana. Centre de Kourou. Centro Investigaciones de la Capacidad de Uso Mayor de la Tierra. cerca da metade em domínio de floresta tropical. Os furos de sondagem ali são identificados nas imagens por um desflorestamento tipo pequenas asas deltas. A chamada Amazônia Peruana (Peruvian Amazon). Brasilia. Guiane Française. Bolivia. Secretaria de Minas e Metalurgia. Setembre. Projet Panamazonia Première Phase. June.

Cartagena de Indias. Resumen de Actividades de la Expedicion Cientifica Internacional para Estabelecer de Manera Geograficamente Valida el Verdadero Origen del Rio Amazonas. Natal RN. INR-48-DAGMAR. VI Latin America Remote Sensing Symposium. (1996) Depicting the Headwaters of the Amazon River through the Use of Remote Sensing Data.Instituto Brasileiro do Meio Ambiente. DSR/INPE 3A-17 P. Goicochea.W. vol. part B7. São Jose dos Campos SP. Z. J. Ano 30 n. Ministerio del Ambiente y Recursos Naturales Renovables. October. -Martini. -Palkiewicz. Peru. International Archives of Photogrammetry and Remote Sensing.N. Vienna. Austria. P. Monitoreo de la Deforestacion en la Amazonia Peruana. Garcia.. Julio. (1988). Dezembro.R. Panamazonia Project to Monitor South America Tropical Forest. Brazilian National Institute of Space Research. -Martini. Peru.R. Anexo do número 1527. Proyecto Panamazonia-Caso Venezuela. Caracas. (1996). O Declínio de um Grande Rio Brasileiro Detectado por Imagens LANDSAT. P. 11-15 de outubro de 1988. XXXI. Lima. São José dos Campos SP. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. P. -INPE (1997). vol. -VEJA (1997).-INPE (1994). J. -INRENA (1996). 24. October. SELPER-Society of Latin America Remote Sensing Specialists. Venezuela. Amazônia: Desflorestamento 1995-1997. Technical Cooperation and Training within the Panamazonia Project: a Proposal to UNEP. Sociedad Geografica de Lima.1.R.R. Colombia. Deforestacion em el Bosque Lluvioso Tropical: uma Perspectiva Multitemporal. Instituto Nacional de Recursos Naturales. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais . (1993).5. -SAGECAN (1993). Amazônia. ServicioAutonomo de Geografia y de Cartografia Nacional. -Martini. MCT-MMA.Martini .

79 100.698 142.00 100.000 76.82 Tabela 2 FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 ESTADO ACRE AMAPÁ AMAZONAS # MARANHÃO MATO GROSSO PARÁ RONDÔNIA RORAIMA TOCANTINS AMAZÔNIA ÁREA = A 2 km DEFLOR .833 238.026 787 251 Comentário: GTH Fonte: PROJETO PRODES .17 433 9 1.556 901.891 270.172 SA/CA(%) 51.138.74 30.36 28.954 329.135 2.619 1.Martini .161 323 15.322 5.DESFLORESTAMENTO 95-97 # Área total do Estado DSR/INPE 3A-18 P.960 1.220 142.017 277.000 214.246.505 217 119 174 78 1.800 391.567.432 214 320 18.421 1.94 1.960 755.(D) km2 % TAXA (T) MÉDIA km2/ano A-D T 153.050 5.023 1.670 91.35 100.434 99.648 5.296 2.082.379 225.Tabela 1 ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) PAIS Bolívia Colômbia Equador Guiana Francesa Guiana Peru Suriname Venezuela Total SA (km2) 567.338 19.605 142.619.742 1.725 CA (km2) 1.63 33.761 91.25 1.543 6.361 5.539 3.483 517.14 13.359 1.000 214.581 1.00 58.40 2.069 8.285.R.138 48.141 176.154.12 20.00 50.782 27.38 9.00 42.21 14.303 380.098.18 10.800 912.061 6.

Tabela 2 DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 Desflorestament o (km2) 23.190 1.24 21.630 5.20 2.200 129.000 755.017 69.605 142.670 214.98 2.32 9. Fontes: .11 9.41 1.R.539 # 1. # Inclui terrenos fora do domínio amazônico.200 194.Projetos PRODES E PANAMAZÔNIA (INPE).138.818 % 4.Martini .530 909. .082.974 415.91 BOLÍVIA BRASIL *COLOMBIA *EQUADOR GUIANA GUIANA FRANCESA PERU SURINAME *VENEZUELA # Inclui bosques tropicais fora do domínio amazônico.303 5.ENRIC-94 DSR/INPE 3A-19 P.38 24.960 91.800 #912.050 9.700 67.891 #270.22 8.16 11.482 3.175.923 Domínio (km2) 567.

Figura 1 – Limite da Panamazônia DSR/INPE 3A-20 P.Martini .R.

PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS COORDENADORIA DE OBSERVAÇÃO DA TERRA DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid.CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte B: IMAGENS PARA MAPEAMENTO GEOLÓGICO E LEVANTAMENTO DE RECURSOS MINERAIS: RESUMO PARA USO DOS CENTROS DE ATENDIMENTO A USUÁRIOS-ATUS DO INPE.br .inpe.

R.ÍNDICE DSR/INPE 3B-2 P.Martini .

.. 3B-6 3......1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS ............... INTRODUÇÃO ... CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO .......................Martini .................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..... 3B-10 4.................LISTA DE TABELA ................. APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS ................................................. 3B-9 3............................................................................................................................................................................R.............. 3B-6 3.................... 3B-5 3...................................2 ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS .............. 3B-5 2.......... 3B-12 1.................. 3B11 DSR/INPE 3B-3 P............................3 ATRIBUTOS TEMPORAIS ...........

INTRODUÇÃO DSR/INPE 3B-4 P.Martini .R.1.

000 para trabalhos de semidetalhe e 1:50. Este conteúdo temático depende dos atributos espectrais. cobre. os produtos para os campos acima mencionados podem ser apresentados como imagens em papel (analógicos) ou em meio digital.Mapeamento de litologias ou de rochas. Neste contexto sempre que a fotointerpretação tenha um papel preponderante sobre a integração de dados de diferentes fontes. fraturas.R. uma vez que a integração de dados multifontes através do uso de sistemas de informações georeferenciadas (GIS) é um procedimento comum.Mapeamento de estruturas geológicas tipo dobras.Impactos ambientais: garimpos. falhas. 2.Imagens de satélites. ferro) 6. principalmente aqueles de perfis tecnológicos semelhantes ao LANDSAT. Objetivamente pode-se identificar 6 campos principais onde as imagens tem apresentado significativas contribuições. erosão.000 para mapas de detalhe.Martini . ou seja monoespectral. Para mapeamentos litológicos/estruturais e levantamentos para hidrogeologia utiliza-se preferencialmente imagens em papel preto e branco. 3. DSR/INPE 3B-5 P. escorregamentos. temporais e espaciais. APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS Os produtos usualmente utilizados para estas aplicações levam em conta primeiramente o conteudo de informações da imagem. As escalas variam de 1:250. Nestes campos as imagens são ferramentas cotidianas. são ferramentas efetivas para estudos geológicos.Prospecção de bens minerais (ouro. a 100. Para estudos de prospecção para petróleo e bens minerais utilizam-se produtos digitais. 2.000. existe uma preferência pela imagem em papel preto e branco. para levantamentos regionais.Levantamento hidrogeológico (água subterrânea).Prospecção de óleo e de gas (petróleo) 5. Além disto. 4. 1.

Assim se um alvo na superfície da Terra reflete seletivamente a radiação solar. usam-se preferencialmente dados apresentados em mídia ótica (CD ROM) ou magnética (dat ou exabyte). SPOT HRG-3 e CBERS CCD-4 Diz-se que quanto mais básica for uma rocha (maior conteúdo de elementos tipo Fe e Mg) mais escura ela aparece no infravermelho próximo. CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO Para que um produto possa conter maior conteúdo de informaçao temática é necessário que se agregue a ele os melhores atributos possíveis para uma cena gravada segundo a organização alvo.A avaliação de impactos ambientais sobre o meio ambiente físico pode ser feita por produtos em papel colorido. No caso de solos não transportados cobertos por vegetação nativa. 3. sol e data. precisamos selecionar as bandas que registrem melhor esta refletividade (atributo espectral) bem como o período sazonal onde ele se apresenta mais detectável (atributo temporal) conhecendo se os alvos estudados tem expressão na escala e na resolução da imagem (atributos espaciais). Nos estudos sobre impactos ambientais de projetos tipo represas ou unidades industriais.1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS As rochas no Brasil estão constantemente associadas a solos e vegetação. Situações mais típicas para seleção de imagens com maior conteúdo de informaçoes para aplicações geológicas são apresentadas a seguir. Cabe mencionar como opção de muito baixo custo a banda pancromática do DSR/INPE 3B-6 P. chamados RIMAS ou EIA-RIMAS. 3.R. como envolvem também dados de outras fontes. o comportamento das rochas se torna mais típico na banda do infravermelho próximo. O comportamento das rochas nas imagens é portanto uma combinação das respostas dos elementos rocha/solo/vegetação. sensor.Martini . Esta banda corresponde a LANDSAT ETM-4. O objetivo sempre é o de agregar às imagens o melhor dos atributos espectrais. espaciais e temporais. uma vez que a vegetação e a água são importantes indicadores .

sensor IR-MSS do CBERS. Esta banda diferentemente das outras bandas PAN abrange parte do infravermelho próxima. As outras terminam no início do infravermelho. Na faixa visível correspondente a banda do vermelho tanto as rochas ácidas quanto as básicas mostram assinaturas claras sempre que a vegetação não seja alta e densa tipo a mata amazônica. Esta banda é a ETM-3 ou HRG-2 ou CCD-3. A banda pancromática-PA do SPOT-5 poderia também ser recomendada. Na faixa do visível e em domínio amazônico pode-se esperar uma contribuição melhor da banda correspondente ao verde ou seja ETM-2, HRG-1 e CCD-2. Trabalhos geológicos que envolvam, portanto, mapeamentos de rochas (litologias), de estruturas ou com objetivo de estudar água subterrânea, serão bem atendidos por imagens da banda correspondente ao infravermelho próximo, se possível com o apoio de uma banda do visível, preferencialmente a centrada na faixa do verde. Trabalhos geológicos voltados a prospecção de bens minerais como cobre, chumbo, zinco, ouro, óleo ou gás, envolvem procedimentos de processamento digital e integração de dados. Nestas situações torna-se necessário explorar com mais profundidade os atributos espectrais das imagens. Assim o recomendável seria que o usuário utilizasse todo o acervo de bandas dos sensores, tanto na faixa visível quanto no infravermelho: 8 bandas ETM ou 5 bandas HRG ou 5 bandas CCD. A questão é que o usuário normalmente pede para um processamento digital mais simples um conjunto de 3 bandas. No caso de se tornar necessária a seleção de 3 bandas para objetivos de prospecção deve-se buscar ao máximo bandas que cubram todo o espectro ótico, ou seja: visível, infravermelho próximo e o de ondas curtas (short wave infrared). Assim além das bandas do verde e do infravermelho próximo recomenda-se tambem a banda ETM-7 ou HRG-4. A banda ETM-7 na verdade foi definida a pedido da própria comunidade geológica americana uma vez que tem correlação com a presença de hidroxilas em argilas. Argilas hidroxiladas são indicadoras de possíveis

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ocorrências de rochas ricas em cobre, chumbo e zinco. Deve ser entretanto ressaltado que os melhores desempenhos da ETM-7 foram observados em condições de baixa densidade de cobertura vegetal. No ambiente de florestas densas como nos remanescentes de mata atlântica ou na Amazônia, os desempenhos das bandas ETM-5 e ETM-7 para Geologia são semelhantes, trazendo informações sobre o dossel da vegetação e não sobre os solos ou rochas. Uma ultima opção interessante é o produto composto pelas bandas HRG-2 e 3 do SPOT-5 junto com o seu canal pancromático. Nesta combinaçâo se associam bons atributos espectrais com a ótima resolução espacial de 2.5 metros da banda PA . Os produtos recomendados para prospecção em Geologia são os digitais. Se analógicos devem ser sempre coloridos. Estudos sobre áreas onde o meio ambiente físico tenha sido impactado devem ser suportados por uma combinação de bandas que mostrem a situação das águas, da cobertura vegetal e do conjunto rocha/solo. Assim para domínios de floresta densa a composição RGB: ETM-543, HRG-432 e CCD-342 atendem a maior parte dos objetivos. Terrenos de baixa densidade vegetal (não amazônicos) serão melhor atendidos por composições “falsa-cor normais”, ou seja com RGB: ETM-432 ou HRG-321, ou mesmo CCD-432. Estudos recentes mostram que o desempenho do IRMSS-CBERS em bandas pancromática e do infravermelho de ondas curtas (pan+7+8 em GBR) é muito bom para estudos geológicos em terrenos não amazônicos. Estudos sobre impactos ambientais, os RIMAS ou EIA-RIMAS, seguem aquilo que foi descrito para as áreas impactadas apenas que neste caso os produtos devem ser apresentados em mídia digital. O estudo de áreas já impactadas, pelas análises de campo podem recomendar a geração de produtos fotográficos coloridos.

3.2. ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS

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Os principais atributos espaciais ou geométricos das imagens de satélites para a área de Geologia dizem respeito à relação entre o tamanho da cena e o quadro sinótico da área imageada (escala) e a dimensão do elemento de resolução da cena (pixel) no terreno. Um pixel menor permite uma escala maior mas sempre com restriçoes quanto ã dimensão da área coberta pela imagem. Assim para um pixel de 30 metros como aquele do Mapeador Temático pode-se chegar a uma escala de 1:50.000 mas a área coberta pela imagem será a menor, ou seja, 45 quilômetros de lado. Se o interesse do usuário for por uma área grande, equivalente ao de uma cena LANDSAT completa, serão necessárias 16 imagens na escala 1:50.000, ou apenas 1 imagem em escala 1:250.000 ou menor. Se o usuário estiver interessado em levantamentos geológicos regionais a imagem de 1:250.000 terá naturalmente melhor relação custo/benefício do que a de 50.000, embora mostre menos detalhes. O pixel PAN do SPOT tem possibilidade de suportar ampliações fotográficas de escala 1:25.000 sem perder o contexto de cena que define claramente as bordas dos diversos alvos. Ampliações 1:25.000 a partir de um pixel de 30 metros como aquele do TM fazem com que as bordas dos alvos apareçam serrados perdendo-se o entendimento do contexto da cena. O processamento digital sobre dados SPOT ou LANDSAT permite que realces de borda ou de contraste melhorem bastante as escalas máximas de ampliação. Assim imagens TM melhoradas por processamento em computador podem ser ampliadas até 1:25.000 sem perder seu conteúdo de informação geológica. Imagens SPOT-PAN registradas com canais XS podem chegar a escala de 1:15.000 mantendo aínda atributos em boas condições para estudos geológicos.

3.3 ATRIBUTOS TEMPORAIS O contexto temporal das imagens para Geologia não tem naturalmente a importância necessária de uma aplicação em Agricultura. Geralmente busca-se para Geologia a imagem livre de nuvens, com maiores índices de visibilidade e

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de conteúdo/qualidade da informação gravada. Existe entretanto um efeito temporal nas imagens que influencia fortemente o conteúdo de informação geológica: trata-se do sombreamento. O sombreamento é o efeito observado nas imagens no qual as faces das vertentes voltadas para o sol ficam mais claras do que as faces opostas à iluminação da cena que ficam mais escuras. Este efeito provoca um realce para as feições do relevo como cristas, vales, drenagens, alinhamentos de uma forma geral. Este efeito é mais intenso quanto mais baixo for a ângulo de elevação solar na gravação da cena. No caso do hemisfério sul os ângulos mais baixos de elevação do sol ocorrem entre os meses de junho e agosto. O sombreamento em situações extremas pode subverter até resoluções geométricas. Observa-se que imagens com resolução mais grosseira gravadas com baixo ângulo solar mostram com maior detalhe os atributos de relevo do que cenas com resolução mais fina gravadas com o sol mais alto. Exemplos conhecidos mostram que imagens de 80 metros de resolução gravadas com ângulos em torno de 33 graus mostram feições geológicas e geomorfológicas mais nitidamente do que imagens com 30 metros de resolução de mesma latitude coletadas com elevação de sol acima de 50 graus. Para mapeamentos geológicos e mesmo estudos de prospecção mineral onde a estrutura geológica exerça o principal controle, a seleção de cena deve contemplar também a busca por imagens com baixos ângulos de elevação solar. Deve ser mencionado também que em situações extremamente especiais onde os alinhamentos de relevo ou de drenagen se estendem na direção exata do azimute solar não existirão condições de iluminação para gerar os realces acima descritos.

4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Balieiro, M.G.; Martini, P.R. (1986) Exemplos de Análise Geológica

Comparativa entre dados SIR-A, LANDSAT, SLAR e SKYLAB (resumo). IV

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3B-10

P.R.Martini

Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.1, pg.78. Gramado, RS. Agosto 10-15, 1986. Rodrigues, J.E.; Liu, C.C. (1988) A Geometria de Iluminação Solar e sua Influência na Observação de Estruturas Geológicas em Imagens Orbitais. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.2, pg.294-302. Natal, RN. Outubro 11-15, 1988

5.

TABELA

DOS

SENSORES

E

BANDAS

COM

AS

PRINCIPAIS

APLICAÇÒES EM GEOLOGIA LANDSAT 7 SPOT5 CBERS ETM+ HRG CCD IR-MSS WFI 1 2 3 4 5 6 7 P 1 2 3 4 P 1 2 3 4 P P 7 8 9 10 11 A 5 6 Mapeamento B G R BGR BGR R BG B R NF G Litológico BG R B RG BGR G B R B G F R Geologia G MR B RG B R B G M
DSR/INPE 3B-11 P.R.Martini

Satélite Sensores BANDAS

principal sensor do satélite SPOT-5 IR-MSS: VARREDOR MULTI-ESPECTRAL INFRAVERMELHO DO CBERS M: IMAGEM EM PRETO E BRANCO N: NÃO FLORESTA: ÁREA FORA DO DOMÍNIO AMAZÔNICO P: MODO PANCROMÁTICO DO IR-MSS DO CBERS PAN: MODO PANCROMÁTICO do LANDSAT-7 PA: MODO PANCROMÁTICO DO SPOT-5 P5: MODO PANCROMATICO DO CCD-CBERS R: COR VERMELHA NA COMPOSIÇÃO COLORIDA RIMA: RELATÓRIO DE IMPACTO SOBRE O MEIO AMBIENTE WFI: IMAGEADOR DE GRANDE VISADA DO CBERS DSR/INPE 3B-12 P.Martini . principal sensor do LANDSAT 7 F: FLORESTA: COBERTURA FLORESTAL DENSA-AMAZÔNIA G: COR VERDE NA COMPOSIÇÃO COLORIDA HRG: ALTA RESOLUÇÃO GEOMÈTRICA.R.Urbana Mapeamento Estrutural Águas Subterrâneas Prospeção B Mineral Oleo e Gás (Petróleo) Ambientes B NF Impactados F Eia-Rima B NF Eia-Rima B F M M G G R GR R GR R M M B M M GRM GRB R GB M M B RG BGR M M G BR M M M RB GB B GB M G R R GB GR GRB R GRB GRB B R GBG GRB B GR GRB B R G G R B B R G R G B ACROGRAMAS USADOS NA TABELA B: COR AZUL NA COMPOSIÇÃO COLORIDA CCD: CAMERA DE ALTA RESOLUÇÃO DO CBERS EIA: ESTUDOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS ETM+: MAPEADOR TEMÁTICO AVANÇADO.

CAPÍTULO 4

TECNOLOGIA ESPACIAL NO ESTUDO DE FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS

J o r g e C o n r a d o C o n f o r t e1
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE

1

conrado@ltid.inpe.br 4 -1 J.C.Conrado

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4 -2

J.C.Conrado

ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................... 4-7 2. APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS .............................................................................. 4-10 2.1 VENTO ................................................................................................ 4-11 2.2 PRECIPITAÇÃO ................................................................................. 4-12 2.3 SONDAGENS ATMOSFÉRICAS ........................................................ 4-14 2.4 RADIAÇÃO .......................................................................................... 4-17 2.5 OZÔNIO ............................................................................................... 4-19 2.6 MEDIDAS DE CO ................................................................................ 4-19 2.7 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR ...................................... 4-21 3. CONCLUSÃO ......................................................................................... 4-21 4. BIBLIOGRAFIA ....................................................................................... 4-22

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J.C.Conrado

LISTA DE FIGURAS 1 - PRIMEIRA IMAGEM OBTIDA PELO SATÉLITE TIROS1 ...................... 4-7 2 - DISPOSIÇÃO DOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS DE ACORDO COM SUAS ÓRBITAS ............................................................................ 4-9 3 - ÓRBITA DO SATÉLITE TRMM ............................................................... 4-9 4 - IMAGENS SATÉLITE GOES-E INFRAVERMELHO, VISÍVEL, INFRAVERMELHOR(VAPOR D'ÁGUA) E MICROONDAS SATÉLITE DMSP (SENSOR SSM/I) ........................................................................ 4.10 5 - VENTO ESTIMADO USANDO DADOS DO SATÉLITE GOES-8 .......... 4-12 6 - PRECIPITAÇÃO ESTIMADA USANDO DADOS DO CANAL INFRAVERMELHO DO SATÉLITE GOES ............................................. 4-13 7 - CAMPO DE PRECIPITAÇÃO OBTIDO ATRAVÉS DO RADAR METEOROLÓGICO DO SATÉLITE TRMM ............................................ 4-13 8 - PERFIL VERTICAL DE TEMPERATURA OBTIDO ATRAVÉS DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................................ 4-15 9 - CAMPO DE TEMPERATURA EM 500 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 .......................................................... 4-16 10 - CAMPO DE UMIDADE RELATIVA 1000 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................ 4-17 11 – RADIAÇÃO DE ONDA CURTA ABSORVIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 12 - RADIAÇÃO DE ONDA LONGA EMITIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 13 - OZÔNIO MEDIDO EM 09/06/2000, A PARTIR DO SATÉLITE ERS-2 4-19 14 - CONCENTRAÇÃO DE CO MEDIDA PELO SENSOR MOPITT DO

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4 -5

J.C.Conrado

......... 4.........EMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR SATÉLITE NOAA ........21 DSR/INPE 4 -6 J..............SATÉLITE TERRA .................Conrado ........... 4-20 15 .....................C...

Conrado . O primeiro satélite com finalidade de aplicação exclusivamente meteorológica foi lançado em 1 de abril de 1960.1.Primeira imagem obtida pelo satélite TIROS 1 DSR/INPE 4 -7 J. O primeiro satélite que teve sucesso na obtenção de dados meteorológicos foi o Explorer7. 1 .C. o TIROS 1. devido a problemas com estes satélites as informações obtidas. Fig. INTRODUÇÃO Os primeiros satélites. não tiveram grande utilidade. foram lançados em 17 de fevereiro de 1959 (Vanguard 2) e 7 de agosto de 1959 (Explorer 6) mas. na Figura 1 pode-se observar a primeira imagem transmitida por este satélite. com instrumento meteorológico a bordo. Com as informações obtidas foram feitos os primeiros mapas aproximados da radiação refletida e emitida (na faixa do infravermelha) pelo sistema terra e a atmosfera. lançado em 13 de outubro de 1959 com um radiômetro desenvolvido por Verner Suomi e seus colaboradores da Universidade de Wisconsin.

Estão localizados a 36. Em função da sua altitude. estes satélites cobrem uma faixa bem estreita da Terra por onde estão se deslocando.000 km acima da superfície da Terra.Após o lançamento deste satélite. permitindo desta forma um monitoramento continuo dos fenômenos atmosféricos que se desenvolvem na área de visada do satélite. DSR/INPE 4 -8 J. Outro fator importante associado a este tipo de satélites está relacionado com a área de cobertura. podemos observar a rede de satélites meteorológicos que são utilizados no monitoramento dos principais fenômenos meteorológicos. Têm em geral um período orbital de 98 a 102 minutos o que fornece um total de aproximadamente 14 órbitas por dia. bem superior aos demais tipos de órbita acima mencionados. Os satélites meteorológicos podem ser classificados de acordo com sua órbita em três diferentes classes: GEOESTACIONÁRIOS POLARES TROPICAIS Os satélites de órbita geoestacionária são assim denominados pois aparentemente eles se mantêm fixos sobre um mesmo ponto na superfície da Terra.C. e com o desenvolvimento de novos sensores e softwares. Na Figura 2. Em função de estarem colocados sobre a linha do equador as regiões polares não são monitoradas pelos satélite geostacionários.Conrado . os dados obtidas pelos satélites meteorológicos puderam então ser aplicados aos mais diversos campos de interesse da meteorologia. e com o avanço na área de eletrônica e informática. A principal característica deste satélite é que as regiões polares têm um monitoramento mais detalhado. A principal característica deste satélite e a obtenção de uma nova imagem a cada 30 minutos. Os satélites de órbita polar estão posicionados geralmente entre 700 e 800 km acima da superfície terra. em razão da altitude em que está posicionado.

DSR/INPE 4 -9 J. ele esta posicionado a 350 km acima da superfície terrestre. ou seja o satélite TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission). com uma inclinação de 35° em relação a linha do equador.C.Fig.Órbita do satélite TRMM.Disposição dos satélites meteorológicos de acordo com suas órbitas. lançado em 27/11/1997. Fig.Conrado . 2 . 3 . Este satélite esta localizado numa órbita inferior ao dos tradicionais satélites de órbita polar. Nesta figura não esta incluída a órbita do primeiro satélite com objetivo exclusivo de adquirir informações meteorológicas na região tropical. Figura 3.

visível.Imagens do satélite GOES-E na faixa do infravermelho.C.2. infravermelho (vapor d'água) e microondas satélite DMSP (sensor SSM/I) DSR/INPE 410 J. Fig. visível.Conrado . infravermelho (vapor d'água) e microondas. APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites meteorológicos atualmente operacionais obtêm informações em três faixas do espectro eletromagnético. isto é: na faixa do infravermelho. 4 . A seguir estão imagens obtidas pelos satélites nestas faixas de observação Figura 4.

. Estas informações eram utilizadas para a análise subjetiva das condições meteorológicas predominantes em pequena ou grande escala. algumas aplicações usando os dados obtidos através dos satélites meteorológicos. desertos. diversas metodologias foram desenvolvidas para a aplicação das informações coletadas por estes satélites. etc). tinha como objetivo principal a observação dos deslocamentos dos sistemas frontais e o desenvolvimento de sistemas locais.1.C. pode-se observar a velocidade do vento estimada usando-se esta metodologia. oceanos. seja pela carência de uma rede de observações adequada ou por se encontrarem em regiões remotas (florestas. Com o desenvolvimento de softwares.VENTO A metodologia de extração de ventos usando dados de satélites geoestacionários é realizada usando-se informações de duas imagens sucessivas (intervalo de 30 minutos). médio e baixo. Na Figura 5. A seguir serão mostradas resumidamente. Deve-se salientar a importância que os dados coletados por estes satélites têm para determinadas regiões. 2.Conrado . a aplicação principal dos dados coletados pelos satélites meteorológicos. Eles são estimados para três níveis da atmosfera. DSR/INPE 411 J. A velocidade do vento é estimada calculando-se o deslocamento da nuvem nas duas imagens e dividindo-se então pelo intervalo de tempo entre estas imagens. sendo atribuída para cada nível uma cor para representá-los.Inicialmente. alto.

C.2 . 5 . As técnicas que utilizam os dados dos sensores nas bandas do visível. o satélite TRMM no presente momento é o único que nos permite obter medidas diretas de precipitação. DSR/INPE 412 J. e microondas). Somente através do radar meteorológico.Conrado .Fig.PRECIPITAÇÃO A precipitação é outra variável que pode ser avaliada usando informações obtidas pelos diversos sensores a bordo dos satélites meteorológicos (que operam nas bandas do visível. 2. infravermelho e microondas são denominadas de técnicas indiretas de avaliação da precipitação. infravermelho. podemos observar o campo de precipitação estimado usando informação do canal infravermelho do satélite GOES.Vento estimado usando dados do satélite GOES –8. pois estes sensores não medem diretamente a precipitação. Na Figura 6. a bordo de satélite é possível avaliar diretamente a precipitação.

Precipitação estimada usando dados do canal infravermelho do satélite GOES. 6 . 7 .Conrado .C.Taxa de precipitação obtida através do radar a bordo do satélite TRMM DSR/INPE 413 J. Fig. Na Figura 7 observa-se o campo de precipitação obtido pelo radar meteorológico a bordo do satélite TRMM.Fig.

No Brasil. campos estes que são de fundamental importância no conhecimento da estabilidade da atmosfera. umidade e vento.SONDAGENS ATMOSFÉRICAS Um produto de fundamental importância obtido através dos satélites meteorológicos são as sondagens atmosféricas. em somente algumas estações da rede de observação meteorológica. Nas figuras 8.3 .Conrado . 9 e 10 podemos observar o perfil vertical de temperatura e umidade para a cidade de Cuiabá. é feita uma única observação por dia. Esta carência de informações não nos permite o conhecimento preciso da estrutura vertical da atmosfera.2. instalados a bordo dos satélites polares da série NOAA.C. temperatura e umidade na vertical. Com os sensores HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) e AMSU (Advanced Microwave Sounding Unit). podemos obter a variação dos campos de vento. A sondagem da estrutura vertical da atmosfera nos fornece a variação dos campos de temperatura. e os campos de temperatura e umidade obtidos com informações derivadas dos dados recebidos pelos sensores a bordo do satélite NOAA-14. DSR/INPE 414 J.

C. 8 . Estes perfis verticais são de fundamental importância em meteorologia. ou seja.Fig.Perfil vertical de temperatura obtido através de dados do satélite NOAA 14. pois eles nos permitem avaliar a estabilidade da atmosférica. DSR/INPE 415 J. se existe a possibilidade do desenvolvimento de sistemas convectivos.Conrado .

Conrado .Fig. 9 .Campo de temperatura em 500 hPa obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 DSR/INPE 416 J.C.

Campo de umidade relativa 1000 hPa .RADIAÇÃO A radiação solar que atinge o topo da atmosfera é da ordem de 1365 Watts/m2 . somente a metade atinge a superfície da terra. Nas Figuras 11 e 12 podemos observar a medida da radiação de onda curta e longa realizada a partir das informações coletadas pelos satélite da série NOAA.C. deste total em média.4 . poeiras e gases do efeito estufa.Fig. trinta porcento é refletida para o espaço e 20 porcento é absorvida pelas nuvens. Portanto. DSR/INPE 417 J. a medida da radiação atmosférica usando satélites. 10 . é de fundamental importância para uma melhor compreensão do clima.Conrado . obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 2.

obtida a partir de dados do satélite NOAA.Conrado . Fig. DSR/INPE 418 J. 12 .Fig. obtida a partir de dados do satélite NOAA.C. 11 .Radiação de onda longa emitida.Radiação de onda curta absorvida.

podemos observar o resultado da medida feita pelo satélite ERS-2. DSR/INPE 419 J. cuja finalidade principal é a medida da poluição.OZÔNIO O primeiro dado disponível relacionado com a diminuição da camada de ozônio foi observado na estação Antártica japonesa Syowa em 1982. com o satélite de órbita polar Nimbus 3.Conrado . Fig. Na Figura 14 podemos ver os primeiros resultados obtidos com os dados deste sensor. um projeto comum dos Estados Unidos. pois o CO é um dos principais gases associado com o efeito estufa. O cientista inglês J. foi quem descobriu a influência do CloroFluorCarbono (CFC) como o principal mecanismo na diminuição do ozônio na região Antártica. em 9 de setembro de 2000. Canadá e Japão. A partir de 1978.5 . 13 . Este satélite tem a bordo o sensor MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere). vem sendo realizadas medidas da concentração de ozônio na atmosfera. Lovelock.C. Os dados obtidos por este sensor são de fundamental importância.6 . 2. Na figura 13.Ozônio medido em 9/6/2000 a partir do satélite ERS-2.MEDIDAS DE CO A medida do CO na atmosfera tornou-se possível com o lançamento do satélite TERRA em 19 de dezembro de 1999. na qual a camada de ozônio atingiu o seu nível mais baixo.2.

DSR/INPE 420 J. O uso de dados de satélites meteorológicos para as mais diversas aplicações. pois para cada novo sensor lançado a bordo dos satélites.Conrado . entre estas podemos citar: no alerta de ocorrência de geadas e nevoeiros. Os dados obtidos por satélites meteorológicos também podem ser aplicados em diversas áreas.C. 14 . novas metodologias de uso podem ser desenvolvidas.Nesta figura pode-se observar a grande concentração de CO na América do Sul e África. é um campo que ainda não esgotou todas as possibilidades. concentração associada pricipalmente com o efeito das queimadas nestas duas regiões. Fig.Concentração de CO medida pelo sensor MOPITT do satélite TERRA.

podemos citar também algumas que não foram mostradas tais como: monitoramento de geadas. Esta variável tem as mais diversas aplicações. bem como os proudtos gerados usando os dados destes satélites. Na Figura 15.TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR Um produto de fundamental importância que pode ser obtido através de dados de sensores que operam no infravermelho e microonda é a temperatura da superfície do mar.C.CONCLUSÃO Foram mostrados acima resumidamente algumas aplicações que podemos obter através de dados obtidos pelos satélites meteorológicos. seja nas atividades de pesca bem como no conhecimento do padrão de circulação dos oceanos. Fig. monitoramento de raios.Temperatura da superfície do mar satélite NOAA. umidade do solo.2. monitoramento de aerosóis. com as imagens de alta qualidade hoje obtidas pelos atuais satélites. 15 .7 . Porém. nota-se que um grande progresso foi feito a DSR/INPE 421 J. Comparando a primeira imagem transmitida pelo satélite TIROS. etc. 3. podemos observar a variabilidade da temperatura da superfície do mar em escala global com os dados obtidos atraves dos satélites da série NOAA. .Conrado . monitoramento de nevoeiro.

dlr. Progresso este que têm sido de grande utilidade para a humanidade.Q.gov http://trmm. Academic Press.C.gov http://jwocky.partir de 1 de abril de 1960. S.inpe. 1995. 4.br http://terra. http://www.gov http://auc.Conrado .dfd.nasa.nasa.H.de/GOME/main.cptec. .gsfc.gsfc. T. Vonder Harr..nasa. Satellite Meteorology: an introduction.BIBLIOGRAFIA Kidder.html DSR/INPE 422 J.

br e-mail: helio@cptec.CAPÍTULO 5 TECNOLOGIA ESPACIAL NA PREVISÃO DO TEMPO S é r g i o H e n r i q u e S o a r e s F e r r e i r a1 H é l i o C a m a r g o J ú n i o r2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS CENTRO DE PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS 1 2 e-mail: henrique@cptec.H.S.br 5-1 S.Ferreira DSR/INPE .inpe.inpe.

H.S.DSR/INPE 5-2 S.Ferreira .

......... ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE ..... SATÉLITES METEOROLÓGICOS ....... 5-10 5......................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ..........5-7 UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA .....................H........................................5-19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................5-20 DSR/INPE 5-3 S............ 2.................. 9.... 1.. 5.................................5-8 3..............5-16 ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO ..................... CONCLUSÃO .....................................................................5-17 8..............................Ferreira .........5-10 4......5-11 PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) ......................S.............. 7.......... 6..................... ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE .................................5 INTRODUÇÃO ..........................

S.H.Ferreira .DSR/INPE 5-4 S.

.... 5-17 6 .......Analise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT ......... 5-19 DSR/INPE 5-5 S........................... 5-13 3 ..................... 5-16 5 ........Modelo Global CPTEC ............Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 .LISTA DE FIGURAS 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais ................Ferreira ................................. 5-15 4 ..........................S......... 5-11 2 ..........Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 ...Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: ............................H.........................Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT ................

S.Ferreira .H.DSR/INPE 5-6 S.

Tais recursos não restringem-se apenas aos centros de pesquisa e previsão do tempo. enquanto a caracterização do clima constitui uma generalização ou integração das condições do tempo. é necessário compreender a diferença entre tempo e clima. tanto para a previsão do tempo quanto para a previsão do clima é necessário um grande volume de dados. Para compreender como funciona esta rede de informações. mas que passa a integrar-se cada vez mais na cultura geral do cidadão. para fins de previsão de tempo. ou até mesmo evitados. para que possam ser analisadas em tempo hábil. quanto para a climatologia.1. para um certo período e uma determinada área. Iniciando por um breve histórico do desenvolvimento da meteorologia.H. abordamos de forma sucinta o processo da previsão do tempo. Estes provém de estações meteorológicas distribuídas pelo mundo. Partindo do pressuposto que tais prejuízos podem ser minimizados. popularizando uma cultura básica em meteorologia. No entanto.Ferreira . desde a coleta das informações nos diversos tipos de estações até a elaboração dos boletins DSR/INPE 5-7 S. tanto para o desenvolvimento da previsão do tempo. a compreensão dos fenômenos atmosféricos tem ganhado relevada importância. mantida pelos países que integram a OMM (Organização Meteorológica Mundial). Os resultados da previsão do tempo são divulgados nas mais variadas formas. para o caso da previsão do tempo. que nem sempre é compreendida plenamente pelo público em geral. todas estas informações devem chegar aos centros de previsão. Embora estes dois conhecimentos estejam intimamente relacionados é importante observar que a previsão do tempo corresponde a uma previsão diária do estado da atmosfera. Em termos práticos. o mais rápido possível. através de informações reportadas por aeronaves. mas abrangem uma fabulosa rede internacional de informações e coleta de dados.S. INTRODUÇÃO Através dos tempos. das imagens de satélites e de radar. devido aos prejuízos materiais e de vidas humanas que o desconhecimento destes fenômenos podem ocasionar. grandes recursos têm sido aplicados à meteorologia em todos os países do mundo. navios e bóias oceânicas.

pluviômetros. Ao contrário.S. Além do barômetro.C. O aumento dos valores de pressão está relacionado ao movimento descendente do ar. o que eqüivale aproximadamente à 1013 hPa (hecto Pascal) ou 1. por Samuel Morse em 1843. etc. permanecendo aproximadamente à 760 mm de altura. em 1850 em DSR/INPE 5-8 S. O segundo passo significativo da meteorologia. mas foi somente no século XVII que começaram os primeiros passos significativos para o início da meteorologia como ciência. Desta forma . outros importantes instrumentos meteorológicos foram inventados na mesma época. A partir da invenção deste instrumento começou a se desenvolver o conceito de pressão atmosférica. indicando a pressão de 760 mmHg . O barômetro de Torricelli constituía-se de um tubo de vidro fechado em uma das extremidades. sua relação com as condições do tempo e a fundamentação das leis físicas nos séculos seguintes. Este tubo preenchido com mercúrio era embocado em uma cuba contendo o mesmo líquido metálico. de forma praticamente instantânea. Esta pressão varia com a altitude do lugar e também com as condições do tempo. tais como os anemômetros. foi dado após a criação do telégrafo elétrico.Ferreira . rumo a viabilização da previsão do tempo. permitindo a condensação do vapor d’água e a formação de nuvens. através do estudo da dinâmica da atmosfera. Cabe destacar que os conceitos básicos de meteorologia e previsão de tempo podem se relacionar com os conteúdos das disciplinas escolares do ensino fundamental e médio. No Ocidente os primeiros registros foram feitos por Aristóteles (século IV a. as informações obtidas pelas diversas estações meteorológicas.de previsão do tempo.H. termômetros. inibindo a formação de nuvens. está relacionada ao movimento ascendente do ar. 2. a diminuição da pressão. isto é. Desta forma. que também corresponde à pressão normal atmosférica ao nível médio do mar.013 x 105 N/m2 . Tais relações foram depois esclarecidas. Era preciso reunir.). UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA O estudo da atmosfera inicio-se em tempos remotos. Um fato importante foi a invenção do Barômetro por Torricelli em 1644. verificava-se na época que o peso da coluna de mercúrio era equilibrado pela pressão do ar.

Washington, foram mostradas ao público os primeiros mapas meteorológicos (Cartas Sinópticas de previsão do tempo), com informações recebidas através do telégrafo. Outro grande passo foi dado em agosto de 1853, com a Primeira Conferência Meteorológica Internacional, celebrada em Bruchelas. O grande foco desta Conferência foi a necessidade de padronização da forma de coleta e transmissão de informações meteorológicas, e da necessidade de cooperação internacional para disseminação destas informações, que começou a se concretizar de fato após 1873, com a realização do Primeiro Congresso Internacional em Viena. Este foi um acontecimento sem precedentes na história da cooperação internacional em meteorologia, Meteorological Organization) http://www.wmo.ch No entanto, apesar de tudo isto, não se conseguia fazer previsões do tempo confiáveis com mais de 1 dia de antecedência. Era possível avaliar através das cartas sinópticas as condições do tempo, conhecia-se como as massas de ar se comportavam em média, mas a previsão do estado futuro da atmosfera dependia principalmente da experiência do meteorologista, pois os cálculos numéricos necessários para a previsão são extremamente complexos. Tal problema tem sido resolvido recentemente com o desenvolvimento dos supercomputadores, que têm permitido a utilização de modelos numéricos de previsão do tempo, cada vez mais precisos e que integram toda a gama de dados meteorológicos existentes. Esta nova técnica constitui-se no que hoje se chama de previsão objetiva do tempo, em contraposição as técnicas subjetivas, que se vale da experiência do meteorologista. No Brasil, o INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, através do CPTEC - Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos em Cachoeira Paulista -SP foi pioneiro no Brasil no uso de supercomputadores para a previsão objetiva do tempo, quando em 1994 inaugurou o seu primeiro supercomputador NEC - SX3. Desde então, o CPTEC tem produzido previsões confiáveis com até 6 dias, através do Modelo Global e até 3 dias com o Modelo abrindo as portas para a criação da OMM - WMO ( Organização Meteorológica Mundial - Word

DSR/INPE

5-9

S.H.S.Ferreira

Regional. Estas informações são disponibilizadas diariamente através da Internet desde 1996 (http://www.cptec.inpe.br).

3. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE Estas estações são locais destinados a realização das observações meteorológicas, para a obtenção de dados, que caracterizam o estado presente da atmosfera. Estas estações, conforme a finalidade a que se destinam, podem ser agrupadas em diversas categorias. Dentre estas categorias, estão as chamadas estações sinópticas, que realizam as observações meteorológicas em horários padronizados internacionalmente. Os horários principais correspondem à Meridian Time”. Após a meteorológico, 00, 06, 12, 18 (GMT) das observações, o - “Greenwich observador realização

responsável pela estação , prepara os dados para serem

enviados, através do “Global Telecommunication System (GTS)” em forma de boletins codificados conforme norma da OMM. Basicamente, uma estação meteorológica dispõe de um conjunto de instrumentos para a avaliação das condições do tempo presente. O principal é o barômetro, destinado a medida da pressão atmosférica e a obtenção da pressão reduzida ao nível médio do mar. Além deste instrumento, a estação possui um ajardinado, lugar onde normalmente é instalado um anemômetro, para a medida da direção e velocidade do vento; um pluviômetro ou pluviógrafo, para a medida de precipitação e um abrigo ventilado, onde encontram-se os instrumentos destinados a medida da temperatura do ar e da umidade relativa. Além das medidas destes instrumentos, o observador meteorológico, relata as condições gerais do tempo, tais como, nebulosidade, visibilidade, etc.

4. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE As estações meteorológicas de altitude destinam-se a determinação da estrutura vertical da atmosfera. Nestas estações são normalmente empregadas as radiossondas, que consistem basicamente de dispositivos eletrônicos
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dotados de um transmissor de rádio e dos sensores de temperatura, umidade e pressão. Estes dispositivos são lançados através de balões, que podem atingir altitudes de até 40 quilômetros. Durante seu vôo, as informações obtidas pelo equipamento são transmitidas continuamente para um receptor na estação em terra. Como o balão viaja à deriva, a direção e velocidade dos ventos são calculadas por intermédio do sinal de localização emitido pela própria radiossonda. Tais informações são codificadas e transmitidas, via GTS, para os centros de previsão do tempo, em horários padrões, conforme estabelecido pela OMM. No entanto, devido ao alto custo das radiossondagens , estas são realizadas apenas duas vezes ao dia nos horários de 00 e 12 GMT

5. SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites geoestacionários situam-se a uma distância aproximada de 36000 Km, necessária para que estes se movimentem junto com a Terra. Como estes satélites visualizam sempre a mesma face do nosso planeta, uma imagem completa de toda a Terra só é possível através da concatenação das imagens procedentes de ilustra a Figura 1. diferentes satélites estrategicamente posicionados como

Fig. 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais.

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O sistema global de satélites meteorológicos, coordenado pelo CGMS (Coordination Group for Meteorological Satellites ), corresponde a uma constelação mínima de 5 satélites de orbitas geoestacionárias e dois satélites de orbitas quase polares (http://www.eumesat.de/en/area2/cgms/cover.htm). O mesmo não ocorre com os satélites de orbita polar. Situados em orbitas tipicamente bem mais próximas da Terra (850 Km de distância), os satélites polares cruzam o globo terrestre de Polo a Pólo , realizando uma volta completa em aproximadamente 100 minutos. Uma das características típicas destas orbitas é de normalmente serem heliosíncronas, isto é, fixas em relação ao plano do Sol. Desta forma, a medida que os satélites viajam entre os pólos a Terra gira de Oeste para Leste, exibindo a cada nova passagem do satélite uma região diferente do planeta. Uma imagem completa do planeta pode ser então obtida, através da composição das imagens individuais das várias passagens do mesmo satélite durante um período de 24 horas. A partir dos primeiros satélites meteorológicos , lançados na década de 60, imagens da cobertura de nuvens sobre a superfície da Terra tem sido utilizadas pêlos meteorologistas como um importante recursos na previsão subjetiva do tempo. Através da interpretação destas imagens os meteorologistas podem identificar e acompanhar os diversos sistemas meteorológicos, tais como sistemas frontais e tempestades tropicais. Tais imagens são obtidas através de sensores de radiação em diversas faixas do espectro, tais como a faixa da luz visível , faixa de infravermelho de 11µm e na faixa de absorção do vapor d'água. Por exemplo, a imagem da Figura 2 (a) foi obtida a partir do satélite geoestacionário GOES - 8 no canal 4 ( Imagem Infravermelha de 10,3 a 11,3µm). Nesta imagem verifica-se as nuanças de radiação térmica emitidas pela atmosfera e pela superfície da Terra. As regiões mais claras da imagem eqüivalem as regiões mais frias e normalmente estão associadas ao topo das nuvens mais altas. As partes mais escuras são associadas as nuvens médias e baixas, ou ao solo descoberto. A Figura 2 (b), obtida pelo mesmo satélite da Figura 2 (a) praticamente ao mesmo tempo corresponde ao canal -1 (Imagem Visível). A grosso modo podemos dizer que.

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esta é uma fotografia preto e branco da Terra onde podemos observar claramente as nuvens e as nuanças de luz produzidas pelo Sol.

Fig. 2 - Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: (a) Infravermelho ; (b) Visível Neste caso, ambas as imagens evidenciam a passagem de uma frente fria sobre o Uruguai. Ao norte da América do Sul, uma faixa de nuvens aglomeradas marcam a presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que na época do ano em questão, o Inverno, situa-se em média, um pouco mais ao norte do Equador. Em contraposição, a imagem da Figura 1(a) independe da iluminação do Sol, visto que trata-se de radiação Infravermelha emitida pela Terra; o que não ocorre na imagem da Figura 1(b). Nesta última, percebe-se as sombras nas nuvens devido a inclinação do Sol, assim como as regiões iluminadas e não iluminadas (dia / noite) no horário da imagem. No entanto, as possibilidades dos satélites vão além da simples obtenção de imagens da Terra. Através de programas de computadores específicos, as medidas de radiação podem ser utilizadas na obtenção de uma série de outras informações derivadas e em formato apropriado aos Modelos Numéricos de Previsão do Tempo. Dentre os muitos tipos de dados obtidos, os mais comuns

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Através destas medidas obtém-se perfis reconstituídos de temperatura e umidade em diferentes camadas da atmosfera. atualmente NOAA-14. 3 TIROS . os dados de TOVS não possuem a mesma precisão dos dados de radiossondagens. mais especificamente o canal 6 do HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) Tal canal caracteriza as temperaturas atmosféricas próximo ao nível de 800 hPa (altitude aproximada de 2000 m acima do nível médio do mar).e disponíveis através do GTS são as informações de TOVS. semelhante aos dados convencionais de radiossondagem.S. A cada nova passagem do satélite uma nova faixa de valores de temperatura é obtida. O SATEM é semelhante ao TOVS. SATEM. O TOVS (TIROS3 Operational Vertical Sonder ) corresponde a medidas de radiação em diversos regiões do espectro.Ferreira .H. porém obtido por satélites geoestacionários. realizadas nas poucas estações meteorológicas de altitude. e SATOB.Television Infra-red Observation Satelite DSR/INPE 5-14 S. Na Figura 3 são apresentadas as temperaturas obtidas através de um dos sensores do TOVS do satélite NOAA 14. Os dados de TOVS são obtidos através de satélites de orbita polar. porém os satélites obtêm estes dados continuamente sobre toda a superfície da Terra enquanto as radiossondagens. Na realidade. sendo observados valores desde 201 K ou –72 oC sobre as regiões polares até valores de aproximadamente 269 K ou –4 oC sobre o continente africano. constituem dados isolados e por isto insuficientes para a caracterização tridimensional do estado físico da atmosfera.

Como exemplo.S. DSR/INPE 5-15 S. Complexos programas de computador identificam o deslocamento e a evolução das nuvens em imagens sucessivas. A técnica de extração dos ventos emprega imagens sucessivas de cobertura de nuvens. corresponde a dados de direção e velocidade dos ventos em vários níveis na atmosfera.Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 Fonte : EUMETSAT O SATOB.H.Ferreira . os vetores na Figura 4 representam a direção e velocidade dos ventos obtidos no CPTEC com dados provenientes do satélite geoestacionário GOES – 8.Fig. obtido exclusivamente por satélites geoestacionários. estimando assim os valores de direção e velocidade dos ventos.3 .

entre outras derivados dos dados de satélites. dispensa o uso de energia elétrica. Dotada de painel solar. pelo SCD2 do INPE ). são igualmente importante para previsão do tempo e clima.Fig. PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) As PCDs são estações meteorológicas capazes de automaticamente obter quase todos os tipos de dados obtidos por uma estação meteorológica de superfície convencional.H. a Amazônia.Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 Fonte: CPTEC É importante salientar que estes são apenas alguns dos muitos tipos de dados obtidos através dos satélites para a previsão do tempo. 4 . umidade do solo.S.Ferreira . Sua utilização estende-se nas áreas onde existem poucas estações meteorológicas convencionais. Os dados são transmitidos pelos satélites de coleta de dados ( No Brasil. Informações relativas a temperatura da superfície do mar. por exemplo. ou em áreas de difícil acesso como. 6. DSR/INPE 5-16 S.

as radiossondagens. Estes dados são analisados através de cartas sinópticas.Modelo Global CPTEC Através desta análise verificam-se dois centros de alta pressão. ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO As estações de Superfície.S. 5 .7. aviões e bóias integram a massa de dados para as previsões do tempo. A Figura 5 ilustra um recorte da análise dos campos de pressão do Modelo Global do CPTEC para as 0 horas GMT do dia 28 / 06 / 1999 . certamente possui temperaturas baixas e avança em direção à segunda. A região de confronto entre as duas é denominada região de frente. que neste caso.Análise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT . sobre a Argentina. A primeira. um sobre o Sul da Argentina com pressões em torno de 1026 hPa. por caracterizar o avanço de massa de ar frio sob a massa de ar quente. no Atlântico. apenas 12 horas antes das imagens de satélite da Figura 2. Estes centros de pressão caracterizam grandes massa de ar. Fig. isto é .Ferreira . outro sobre o Atlântico (1023 hPa).H. Com a utilização de supercomputadores. A partir da análise destas cartas são realizadas as previsões do tempo. o CPTEC tem realizado às análises e previsões através de modelos numéricos. as imagens de satélites. onde as temperaturas são maiores. DSR/INPE 5-17 S. junto com dados obtidos por navios.

6 . a circulação dos ventos ocorre no sentido anti-horário e no Hemisfério Norte.S. no sentido horário. que em partes é decorrente do movimento de rotação da Terra. temos baixas pressões e grandes movimentos de ar úmido . isto é. sendo também chamado de circulação ciclônica. Na região da frente.Ferreira . além dos campos de pressão estão sobrepostos os campos de precipitação acumulada no período. Na Figura 6 temos as previsões do modelo Global do CPTEC para as próximas 24 horas.Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT DSR/INPE 5-18 S. Tal movimento é chamado de circulação anti-cilclônica.corresponde à uma frente fria que atua sobre o Uruguai. horário no Hemisfério Sul e anti-horário no Hemisfério Norte. É o exemplo do ciclone situado no litoral sul da Argentina (Figura 5 ). Nos centros de baixa pressão o movimento é invertido. No Hemisfério Sul. que produzem grande quantidade de nuvens e chuva. através da disposição das nuvens em espiral. Tal ciclone encontra-se ainda associado à frente fria sobre o Uruguai. Uma característica interessante dos centros de alta pressão é a circulação dos ventos em torno destes centros. que apresenta valores de pressão inferiores à 986 hPa. Podemos também perceber este ciclone através das imagens de satélite da Figura 2. Fig.H. Nesta figura.

onde o tempo provavelmente permanece estável com poucas nuvens. O centro de baixas pressões. exceto na região litorânea. onde também são previstas chuvas. Deste modo. verificamos que o modelo prevê o sistema frontal sobre o Rio Grande do Sul .S. Da mesma forma que foi gerada esta previsão. 8. desloca-se para leste enquanto a alta pressão. o CPTEC ainda disponibiliza os resultados do Modelo Regional ETA. exemplificamos como as informações meteorológicas são trabalhadas. menos confiáveis elas serão. da retaguarda deste sistema. não basta ter acesso às informações. para serem posteriormente divulgados. matemática e geografia entre outras. Deve-se no entanto observar.H.Ferreira . que utiliza uma grade de 200 x 200 Km. que confeccionam os boletins escritos de previsão do tempo. tais como a física. A Alta pressão do Atlântico estende-se por grande parte da Região Sudeste e Nordeste do Brasil. até a saída das previsões numéricas do tempo. sejam estes por especialistas ou pelo público em geral. que utiliza uma grade de resolução de cálculo de 40 x 40 Km de área para até 3 dias de previsão. Além do Modelo Global. avança sobre o sul da Argentina. Estes boletins são atualizados diariamente na Internet. portanto bem mais preciso que o modelo Global. O Ultimo passo deste processo é a interpretação destas saídas pelos meteorologistas. destacando a DSR/INPE 5-19 S. que se estendem sobre o oceano Atlântico.Comparando-se o campo de pressão desta figura com a análise da Figura 2 . que quanto mais longas forem as previsões do tempo. compreendida entre o Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. para que tais resultados possam ser melhor aproveitados. o Modelo Global do CPTEC gera previsões até 120 horas ( 6 dias ). No entanto. Os resultados são úteis para diversas áreas de atividade humana e também para a população em geral. associados à este sistema. e ainda conhecimentos das mais diversas áreas. CONCLUSÃO Para a previsão do tempo é necessário o envolvimento de grandes recursos e da cooperação entre os países. É necessário noções gerais de meteorologia.

importância do trabalho do professor.br/~ensinop/index.L. West Publishing Company. Disponível na Internet http://www. na divulgação desses conhecimentos. E. 5. Novo. CGMS Directory of Meteorological Satellite Applications. 2a ed . 2001] Fleming J. Meteorologia Básica e Aplicações.html [19 Jun. One Hundred Years of International Co-operation in Meteorology (1873-1973). Meio Ambiente e Ciências Atmosféricas: A utilização de Multimídia e da Rede Internet no ensino Público de Nível Médio. Historical Essays on Meteorology 1919-1995.H.de/en/area2/cgms/cover. Boston 1996. 1998 THE EUROPEAN ORGANISATION FOR METEOROLOGICAL SATELLITES: EUMETSAT. Viçosa. 2001] Vianello. C. 1973 DSR/INPE 5-20 S. American Meteorological Society. Geneva. WMO No. M. 1994 CENTRO DE PREVISÃO DO TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS: CPTEC.S. R. Sensoriamento remoto: Princípios e Aplicações. Meteorology Today: An introduction to Weather. Climate and the Environment. 345.inpe. 9. Disponível na Internet: http://www3. UFV Imprensa Universitária.eumetsat.cptec.Ferreira . D. 1991 WORLD METEOROLOGICAL ORGANIZATION: WMO. Ed.htm [19 Jun. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ahrens. Edigard Blücher São Paulo.

inpe.br .CAPÍTULO 6 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À OCEANOGRAFIA Milton Kampel* INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO *milton@ltid.

ÍNDICE DSR/INPE 6-2 M.Kampel .

.......................................... 6..................................3 VÓRTICES E FRENTES ...20 3..................5 1 APRESENTAÇÃO ....................9 2........15 3...... 6...............3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS ........................................... 6........................7 2 INTRODUÇÃO ...... 6.............1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA ............2 COR D’ÁGUA ...... 6.3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES ....................................................Kampel .............................9 2........................16 3.......... 6.................2.............1................... 6.................1 O QUE É OCEANOGRAFIA ..........28 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................2............................. 6...........27 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...........1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR ..........................................1........22 3.. 6.........................3 GERENCIAMENTO COSTEIRO ....................18 3..........30 DSR/INPE 6-3 M..... 6.............19 3...LISTA DE FIGURAS ......................... 6..... 6.............2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA ...................... 6................................24 3....9 2..............11 3 APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA .....................1...............................2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA ..... 6.....2 RESSURGÊNCIAS .............................. 6............... 6...15 3...................................................2.25 3.......... 6................................1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS .................................................... 6.................

Kampel .LISTA DE FIGURAS DSR/INPE 6-4 M.

............... 23 Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS... sensor ETM+.......... produzida a partir de imagens do satélite NOAA-12. 25 Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7...........Figura 1.. As isóbatas de 500. composição colorida 3B4G5R.....Anomalia de temperatura da superfície do mar. em cima ................. .... nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior).. 26 Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo. 18 Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14...C................................ padrão WOCE. .................... Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura).......... A escala de temperaturas encontra-se a direita. Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência.. As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos.......... às 05:23h..............17 Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar.. O continente e as nuvens estão mascarados em branco.......... A escala de temperaturas encontram-se a direita......... 1000... Tomé.. ... 27 DSR/INPE 6-5 M.... ...... rastreado por satélite...m-2 encontra-se na parte inferior da figura... .....Kampel . As setas menores indicam a posição da frente termal.. A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g...... Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura)..................... do Baixo do Parnaíba (PI.......... 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem.......................... A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem... A parte submersa encontra-se em tons de azul........... mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio. A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S...... Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. entre 18 e 24 de junho de 2002.......... MA e CE)......... de 08/08/2000. (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE. As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica... 20 Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtidas a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira.................... do litoral norte do RJ....

1 APRESENTAÇÃO A Terra é um planeta aquático com dois terços de sua superfície coberta por água. Mais da metade da radiação solar que chega à superfície terrestre é DSR/INPE 6-6 M.Kampel .

se não a maior parte da poluição antropogênica. e programas de defesa nacionais são cada vez mais dependentes de operações navais. A topografia do solo oceânico e suas propriedades magnéticas fornecem. a temperatura do oceano permanece mais constante. Os processos atuantes nos oceanos são também importantes em relação à absorção de gases. os oceanos são importantes por outros motivos: o comércio internacional se utiliza muito dos meios marinhos. Por mais de um século. Além disso. uma visão da evolução das crostas oceânica e continental. Da mesma forma. O alto calor específico da água do mar impede que a amplitude da temperatura varie rapidamente ao longo do dia. Eles podem atrasar ou reduzir o impacto do aquecimento global provocado pelo aumento nas taxas de dióxido de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis. a física. Os dados obtidos tendem a vir de navios (de pesquisa ou de DSR/INPE 6-7 M.primeiro absorvida pelos oceanos. Os depósitos oceânicos fornecem um quadro da evolução climática global ao longo de milhões de anos. assimilam grande. Entretanto.Kampel . até lixo atômico. biologia e geologia dos oceanos são fundamentais para o desenvolvimento e gerenciamento desses recursos vivos. Enquanto que a atmosfera e os continentes suportam grandes variações de temperatura nas altas e médias latitudes. esgotos domésticos e industriais. similarmente. onde é armazenada e redistribuída pelas correntes marinhas antes de ser liberada para a atmosfera. desde derramamentos de óleo. Os oceanos também. No fundo oceânico existem grandes depósitos de minerais valiosos – óleo e fontes potenciais de minerais estratégicos. essa descrição é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta. os oceanógrafos vem elaborando uma descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar. os recursos pesqueiros abastecem uma fração significativa da proteína consumida mundialmente. química. Além do aspecto climático e meteorológico.

que tem por objetivo o estudo do meio marinho. sua fauna e seus limites físicos com a terra firme e a atmosfera. de forma resumida. O sensoriamento remoto a partir de instrumentos orbitais ou aerotransportados. além de alguns exemplos de aplicações da tecnologia espacial no estudo oceanográfico. Espero que seja útil.1 O QUE É OCEANOGRAFIA Segundo o dicionário. apresenta novas perspectivas para a descrição e o entendimento dos oceanos. que associada a recursos computacionais cada vez mais sofisticados. A quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos e monitorados por sensoriamento remoto é bem ampla. Já segundo a UNESCO. INTRODUÇÃO 2. geológica e física – tão eficaz como as informações obtidas por meios convencionais. química. a Oceanografia é o “estudo das características físicas e biológicas dos oceanos e dos mares”.SP 2. fornece uma visão sinóptica dos oceanos. As aplicações dos dados orbitais são tão diversas que podemos considerar este meio de aquisição de informações para a oceanografia como um todo – biológica. particularmente no Hemisfério Sul. Este capítulo “Sensoriamento Remoto Aplicado à Oceanografia” pretende apresentar. sua flora. Como DSR/INPE 6-8 M. necessitando de medições freqüentes em locais bem distribuídos ao redor de todo o globo terrestre. a Oceanografia é uma “ciência universal. Grandes áreas oceânicas. Além disso.Kampel . são pouco visitadas por quaisquer navios. Milton Kampel Julho de 2002 São José dos Campos .oportunidade) que muitas vezes são obrigados a alterar suas rotas normais em função de condições meteorológicas adversas ou pela presença de gelo no mar. alguns aspectos relacionados à Oceanografia e ao Sensoriamento Remoto dos oceanos. os oceanos apresentam uma grande variabilidade espaço-temporal.

ela se baseia no método experimental (. dados de pressão. Daí sua aplicabilidade em medições das profundidades em rios ou oceanos (batimetria). Informações científicas sobre diferentes níveis atmosféricos também são coletadas por métodos de rádio-sondagens operados tanto por estações terrestres. apesar de serem fortemente atenuadas na atmosfera.2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA O Sensoriamento Remoto não está limitado a geração e interpretação de dados na forma de imagens. entre outras. a oceanografia depende da cooperação internacional”. Sensoriamento Remoto. Administração/Marketing.. suficientemente quantitativa para permitir a previsão de seu comportamento com algum grau de certeza. DSR/INPE 6-9 M. É convenientemente dividida em: Oceanografia Biológica. podem se propagar por grandes distâncias submarinas. como a bordo de satélites.Kampel .. detecção de cardumes e comunicações submarinas. caça de minas submersas. Por exemplo.qualquer outra ciência. 2. Oceanografia Física. Paleontologia. O principal objetivo do estudo oceanográfico é obter uma descrição sistemática dos oceanos. temperatura e umidade em diferentes níveis da atmosfera são rotineiramente coletados por serviços meteorológicos. a Oceanografia é uma disciplina multi e interdisciplinar. inspeções submarinas. Devido às grandes dimensões dos fenômenos oceânicos e do fato de que eles raramente são gerados num mesmo lugar. Engenharia. através do emprego de balões e foguetes meteorológicos. Oceanografia Química e Oceanografia Geológica. Na verdade. Cartografia. A Oceanografia pode ser considerada como o estudo científico dos oceanos com ênfase no seu caráter como Ambiente. Ondas ultra-sônicas.). envolvendo diversas áreas como a Meteorologia.

Como já mencionado anteriormente. Se por um lado. com a utilização das ondas eletromagnéticas através da atmosfera. de gases dissolvidos etc. Desta forma. são os parâmetros superficiais . ou seja.Kampel . alguns oceanógrafos mais conservadores afirmam que as informações obtidas por satélites não podem ser tão precisas ou relevantes como quando coletadas por embarcações de pesquisa. trata-se do nível mais importante. concentrações salinas. medições de velocidade pelo efeito Doppler etc. ao longo dos anos. determinações de estruturas termohalinas. Por outro lado. A representatividade dos dados de sensoriamento remoto para parâmetros oceanográficos dependentes da profundidade ou que apresentem variações temporais de alta freqüência é válida. praticamente. a superfície.temperatura.que controlam as interações energia/matéria entre o oceano e a atmosfera. . DSR/INPE 6-10 M. por vários oceanógrafos utilizando métodos acústicos nos oceanos. Ondas sonoras tem sido utilizadas para estudos do fundo e subfundo marinho. para estudos biológicos. velocidades. Desta forma. a descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta. a quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos com o emprego de tecnologia espacial é bem ampla. para observação do material em suspensão na água do mar. não haveria nenhuma objeção fundamental impedindo a extensão das técnicas de sensoriamento remoto nos oceanos. cabe lembrar que técnicas de sensoriamento remoto tem sido empregadas. para quaisquer variações que ocorram em profundidades nos oceanos. na medida em que se analisam três aspectos: 1) Inicialmente. apesar da coleta de dados via SR ocorrer em apenas uma única profundidade.

e extrai informações a partir do sinal de retorno. infravermelho-próximo. a alta resolução espacial (para determinados sensores) e a possibilidade de se obter séries temporais de dados consistentes por longos períodos. transmite esta radiação em direção ao alvo. Robinson (1985) classifica os sensores de comprimento de onda visível como passivos em relação à fonte de radiação inicial. sendo particularmente relevantes para testar previsões de modelos numéricos. a iluminação do sol. Em águas claras. podemos considerar o fato de que os dados obtidos via SR incorporam um valor médio. o próprio instrumento de SR gera radiação. Esta é refletida pelo mar e atinge o satélite. 3) Ainda. infravermelho-termal.3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS É conveniente classificar os sensores e instrumentos de SR de acordo com o comprimento de onda eletromagnética usada. Uma vez que o sensor evite a reflexão direta da luz solar. por unidade de área. 2. Em um sistema ativo.Kampel . separa os sensores passivos do sensores ativos. microondas e ondas de rádio. as regiões do visível (ótico). e sua intensidade depende do tipo de fundo e da DSR/INPE 6-11 M.2) Outros aspectos positivos a serem considerados são: a visão sinóptica. ou seja. o instrumento de SR simplesmente detecta qualquer radiação que esteja no comprimento de onda (ou bandas espectrais) para a qual o instrumento foi projetado. mesmo para locais oceânicos isolados. de forma que a informação que se busca por meio do imageamento da cor da água está relacionada com os processos de reflexão e retroespalhamento. automaticamente. a luz refletida pelo fundo pode ser vista do espaço. Outra classificação importante. a radiação ascendente conterá informações conseqüentes dos processos de retroespalhamento do corpo d’água. Em um sistema passivo. Os sensores que atuam na região espectral do visível respondem diretamente às condições da parte superior da coluna d’água.

para investigar a hidrosfera. mas no período noturno. de forma mais rápida. tem dado uma nova dimensão às pesquisas hidrográficas e oceanográficas. A radiação emitida pela superfície marinha depende da emissividade desta (ou seja. tornando assim a batimetria e a identificação de diferentes tipos de fundo duas aplicações viáveis para estes sensores. o fluxo radiante emitido por uma superfície. no infravermelho e nas DSR/INPE 6-12 M. O SR dos oceanos. registrarão a radiação emitida pela superfície do mar.profundidade. e podem ser utilizados na determinação da temperatura da superfície do mar. ainda que a absorção da água aumente para comprimentos de onda maiores que 800 nm. Os laseres operando numa ampla faixa do espectro. Sensores operando na faixa entre 3 µm e 4 µm registrarão quantidades apreciáveis de energia solar refletida durante o período diurno. Medem comprimentos de onda até a região de microondas. permitindo um alto grau de resolução em profundidade e uma pesquisa subsuperficial que é inatingível por outras técnicas de SR. infravermelha e microondas. Os radiômetros passivos são equipamentos que medem o fluxo de energia eletromagnética que chega aos seus sensores direcionalmente. de forma que. Ainda que os laseres tenham sido mais empregados para sondar a atmosfera. lagos e rios é possível por meio das radiações visível. Os sensores do infravermelho-próximo apresentam um caráter de complementaridade em relação aos do visível. sensores operando na faixa do infravermelho-termal podem ser utilizados para estimar a temperatura da superfície do mar. voltados diretamente para baixo. cada vez mais eles são instalados em aeronaves e navios. a emissividade é a razão entre a exitância radiante de um corpo e a exitância radiante de um corpo negro a uma mesma temperatura). dividido por sua área denomina-se “exitância radiante”. Se fossem realizadas medições em vários bandas espectrais. Esta radiação emitida é predominante para comprimentos de onda entre 10 µm e 12 µm.Kampel .

Bóias de deriva ou ancoradas medem in situ diferentes parâmetros DSR/INPE 6-13 M. O radar de abertura sintética (Synthetic Aperture Radar . de poucos centímetros de comprimento. ondas internas. marés. velocidade e direção de ventos superficiais. como o estudo de correntes. etc. Esta informação é útil no estudo de marés e da circulação oceânica. entre outras. Pelo registro do tempo de retorno de um pulso emitido na direção nadir (isto é. espectro direcional de ondas. seria possível. a deformação do pulso refletido transporta informações sobre a altura de ondas significativas. é possível determinar a altitude da superfície marinha em relação ao geóide terrestre.Kampel . fluxos de calor superficial. na vertical do local). A possibilidade de aplicações dos sensores ativos ainda pode ser bastante desenvolvida. ondas internas. É possível obter uma resolução espacial na ordem de dezenas de metros. o radar altímetro consegue medir a altitude da superfície marinha. e de sua amplitude. Esta técnica orbital permite detectar ondas de gravidade. Os sensores de microondas ativos utilizam o retroespalhamento das ondas eletromagnéticas na superfície marinha para obter informações a nível orbital. em princípio. esteiras de navios. Além disso. feições topográficas de fundo. Este processamento permite a produção de uma imagem do retroespalhamento da superfície. A rugosidade medida é causada por pequenas ondas. mesmo na presença de nuvens. estado-do-mar. películas superficiais de óleo. da rugosidade desta superfície como é vista pelo radar. Outra tecnologia espacial cada vez mais utilizada no monitoramento oceânico é o emprego de plataformas remotas para a aquisição de dados com telemetria via satélite. Uma vez que sua posição possa ser definida precisamente. ou seja. em relação à sua própria posição.SAR) é capaz de processar a medição do tempo e da fase do sinal retroespalhado. Sensores de microondas ativos são desenvolvidos para aplicações específicas. incluindo aí a salinidade. derramamentos de óleo. etc. obter informações da emissividade e dos parâmetros dos quais ela depende.microondas.

Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) são ferramentas computacionais para Geoprocessamento que permitem realizar análises complexas. gerenciamento e necessitam de dados monitoramento de recursos naturais atualizados. como um banco de dados geográficos com funções de armazenamento e recuperação de informações espaciais. Estes dados são utilizados em estudos da circulação oceânica. visualizar e plotar o conteúdo da base de dados georreferenciados. dados coletados in situ. entre outras aplicações. O SIG oferece também. Um SIG é capaz de integrar numa única base de dados. Os SIG’s são normalmente utilizados para a produção de mapas. a noção de mapa deve ser estendida para incluir diferentes tipos de dados como imagens de satélites. e para consultar. mapas cartográficos. Num ambiente computacional. os benefícios do SR na Oceanografia brasileira ainda são restritos. DSR/INPE 6-14 M.oceanográficos e meteorológicos em diferentes regiões do oceano mundial. recuperar. O planejamento. mecanismos para combinar as várias informações através de algoritmos de manipulação e análise. informações espaciais provenientes de imagens de satélites. dados oceanográficos e meteorológicos históricos.Kampel . calibração de imagens orbitais termais. que possam ser constantemente interrelacionadas em diferentes conjuntos de informações para auxiliar a tomada de decisão de forma ampla e objetiva. arquivos batimétricos. integrando dados de diversas fontes e criando bancos de dados georreferenciados. Atualmente. e ainda na modelagem de processos e fenômenos naturais permitindo o diagnóstico ambiental e seus prognósticos. como suporte para a análise espacial de fenômenos. transmitindo os dados via satélites. modelos numéricos e dados coletados in situ. transporte de calor. entre outros.

etc. identificação de ressurgências. entre outros. monitoramento dos campos de TSM e/ou correntes oceânicas superficiais. Na literatura nacional e internacional. APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA 3. de dados provenientes de diferentes fontes (por exemplo.). como combinando-se medições de diferentes canais espectrais. processos de mistura nas águas costeiras. Inicialmente. as frentes oceânicas. Estas estimativas tornaram-se possíveis tanto com a utilização de medições realizadas em apenas uma banda espectral. podem ser encontrados diversos trabalhos que demonstram a utilidade das imagens termais em estudos oceanográficos. vórtices. DSR/INPE 6-15 M. A medida em que dados digitais em maior quantidade e melhor qualidade foram sendo disponibilizados. por satélites. coletados por embarcações. uma precisa correção geométrica destas imagens permite a realização de análises multitemporais ou então.1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR As imagens infravermelhas dos oceanos obtidas. outros sensores. A obtenção da TSM a partir de radiômetros de infravermelho tem sido empregada em diversas aplicações oceanográficas tais como em estudos de mudanças climáticas globais. só se obtinham dados de satélites no infravermelho na forma fotográfica como subproduto de imagens meteorológicas. dados mais precisos (cerca de 0. Os dados digitais podem ainda. eventos de ressurgência.3. foi sendo possível efetuar estimativas quantitativas da TSM. fornecimento de suporte à pesca de peixes pelágicos. ser realçados radiometricamente para a geração de imagens capazes de mostrar pequenas variações de temperatura. têm sido utilizadas no estudo de diversos fenômenos e processos oceanográficos como as correntes marinhas. meandramentos e frentes. Da mesma forma. obtendo-se desta forma.5ºC). a partir da observação de variações na temperatura da superfície do mar (TSM).Kampel .

3.1.1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS A Figura 1 mostrada a seguir ilustra os campos médios de anomalia de temperatura da superfície do mar entre 18 e 24 de junho de 2002, para os Oceanos Atlântico e Pacífico, respectivamente. Estes mapas foram produzidos pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE a partir de dados de satélites disponibilizados pelo Centro de Previsão do Tempo dos Estados Unidos – NCEP/NOAA. As anomalias de temperatura da superfície do mar são calculadas pelos desvios dos valores de TSM em relação a médias climatológicas obtidas por séries longas de dados de satélites. Nesta figura, podemos observar que os valores de TSM estão indicando uma evolução gradual do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. No Oceano Atlântico Sul, as águas superficiais entre a América do Sul e a costa oeste e sul da África permanecem quentes em relação a semanas anteriores. Já no Atlântico Norte, notam-se desvios negativos da TSM próximos à costa noroeste da África, sugerindo a presença de uma banda de nebulosidade normalmente associada à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Neste caso, a posição atual da ZCIT estaria ligeiramente ao sul da sua posição média climatológica.

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Figura 1 – Anomalia de temperatura da superfície do mar, entre 18 e 24 de junho de 2002, nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior). A escala de temperaturas encontra-se a direita, em cima. Eventos como o El Niño, que causam enormes prejuízos materiais e até perdas de vidas humanas, e o potencial efeito do aquecimento global devido ao aumento nos níveis de dióxido de carbono na atmosfera proveniente da queima de combustíveis fósseis (efeito estufa), enfatizam a importância do monitoramento oceânico realizado com auxílio de satélites para estudos e previsões climáticas.

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3.1.2 RESSURGÊNCIAS A Figura 2 mostra a ocorrência de um evento de ressurgência costeira na região de Cabo Frio, RJ. A imagem termal foi adquirida pelo sensor AVHRR (Advanced Very High Resolution Radiometer), instalado a bordo do satélite NOAA-12, na madrugada de 15 de dezembro de 2000. Os tons em vermelho ao largo na imagem com valores altos de TSM (>23ºC) estão associados à Corrente do Brasil. Esta corrente quente, salina e pobre em sais nutrientes, banha grande parte da costa brasileira.

Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar, produzidas a partir de imagens do satélite NOAA-12, às 05:23h, mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio. A escala de temperaturas encontra-se a direita. Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência. O continente e as nuvens estão mascarados em branco. A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem. Na região de Cabo Frio, quando sopram ventos intensos e constantes do quadrante NE, ocorre o fenômeno da ressurgência. As águas de subsuperfície, mas frias e ricas em nutrientes, são bombeadas para níveis mais rasos, chegando a aflorar na superfície. A presença destas águas subsuperficiais pode ser facilmente notada na imagem da Figura 2 em tons azuis, com TSM’s abaixo de 19ºC.

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3.1.3 VÓRTICES E FRENTES A Figura 3 apresenta uma imagem termal, processada, do satélite NOAA-14 obtida em 8 de agosto de 2000 sobre o litoral norte do RJ. Os tons vermelhos na imagem, com valores de TSM acima de 23ºC estão associados à Corrente do Brasil, fluindo de nordeste para sudoeste. As águas sobre a plataforma continental, com TSM’s mais baixas (< 22ºC), ficam separadas das águas quentes da Corrente do Brasil por uma frente termal, onde são observados intensos gradientes horizontais de temperatura. Nestas regiões oceânicas ocorrem agregações passivas de organismos com pouca ou nenhuma capacidade natatória que servem de alimento para outros consumidores mais evoluídos. Daí seu interesse para a pesca oceânica de peixes pelágicos e outros recursos marinhos. A posição aproximada da frente está assinalada na Figura 3 por pequenas setas sucessivas. Entre as latitudes 22º-23ºS e as longitudes 40º-41ºW, e em torno da posição 24ºS-42ºW, podemos notar a presença de dois vórtices ciclônicos, com rotação no sentido horário (ver indicação das setas mais largas na Figura 3). Estas estruturas de mesoescala provocam misturas verticais e horizontais de águas com características físicas e químicas diferentes. Desta forma, processos biológicos nestas regiões acabam sendo influenciados por estes forçantes físicos alterando temporariamente a estrutura e o funcionamento do ecossistema.

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Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14, de 08/08/2000, do litoral norte do RJ. Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura). As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos. As setas menores indicam a posição da frente termal. 3.2 COR DA ÁGUA

A cor do oceano é resultante da energia solar retroespalhada pela superfície marinha e pela coluna d’água. O azul escuro do oceano profundo é típico de águas com baixas concentrações de organismos fitoplanctônicos (algas unicelulares marinhas) ou outras substâncias opticamente ativas (materiais

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1959. através do sensoriamento remoto orbital. 1978. a entrada de nutrientes no ambiente aquático geralmente aumenta. maior a contribuição de sedimentos e material dissolvido provenientes do continente. Estas cores percebidas pelo olho humano podem ser quantificadas por medidas da distribuição espectral da radiância ascendente da água realizadas por sensores instalados em satélites. Clarke et al. Assumindo que a contribuição atmosférica ao sinal do satélite pode ser estimada. 90% retorna à atmosfera e é proveniente da primeira profundidade óptica. ou seja. Clark.Kampel . cerca de 90% do sinal detectado pelos sensores orbitais provêm da atmosfera. A cor da água muda para amarelo-marron chegando a vermelha em certas circunstâncias. a determinação da concentração de pigmentos. As equações utilizadas nestes procedimentos são coletivamente referidas como algoritmos bio-ópticos (Smith e Baker. da profundidade até onde a irradiância é reduzida a 37% (1/e) do seu valor na superfície (Gordon e McCluney. visto que.orgânico e inorgânico). 1981). Da irradiância que chega aos oceanos. com conseqüente desenvolvimento de maiores concentrações de fitoplâncton e mudança de cor do azul para o verde. Por isso. resta interpretar a radiância ascendente ressurgente da água em termos das características ópticas das camadas superiores do oceano (ou em termos das variações nas concentrações e tipos de material dissolvido e particulado que contribuem para variações nestas propriedades ópticas).. 1975). O fitoplâncton altera as propriedades ópticas da água do mar (Yentsch. A medida que se aproxima da costa. DSR/INPE 6-21 M. 1970). é restrito a esta camada. Quanto mais próximo da costa. Avaliações quantitativas das propriedades bio-ópticas da água do mar requerem métodos precisos de correção atmosférica.

servindo como indicadores auxiliares no controle da poluição marinha. Segundo Hooker e McClain (2000). aliadas à cobertura por nuvens. 3.1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA Rotineiramente. Da mesma forma.Kampel . Entre estas. através de programas de pesquisa abrangentes. os mapas de concentrações de clorofila-a obtidos atualmente têm acurácia de ±30% no intervalo entre 0. A partir de imagens da concentração superficial de pigmentos. é possível observar sinopticamente feições biológicas de sistemas dinâmicos como os grandes giros subtropicais. podemos citar os estudos de processos dinâmicos de correntes de maré. 1994. frentes oceânicas. assim como em outros ciclos biogeoquímicos. entre outros). Monger et al.. os dados da cor do oceano obtidos por satélites são empregados para estimar as concentrações de clorofila na superfície do mar. alterada pela presença de determinados tipos de poluentes. 1997. Biggs e Müller-Karger. Santamaria-del-Angel et al. 1994. plumas de efluentes domésticos e/ou industriais também podem ser monitorados com esta tecnologia. tem se desenvolvido diversas aplicações oceanográficas com a utilização de dados orbitais da cor do oceano.. Laurs e Brucks (1985) demonstraram a utilização dos mapas de concentração de pigmentos no estudo da distribuição de capturas de tunídeos. Desta forma. Estas imagens podem ainda ser utilizadas para monitorar plumas de sedimentos carreados por rios para a região costeira.m-3. como a clorofila-a. 1986. A cor da água do mar é.2. torna-se possível avaliar o papel dos oceanos no ciclo global do carbono. A obtenção rotineira de dados quantitativos das propriedades bio-ópticas dos oceanos permite ainda o exame dos fatores oceânicos que afetam as mudanças globais. ressurgências e vórtices de mesoescala (Peláez e McGowan. lançando mão da distribuição de sedimentos em suspensão como traçador. algumas vezes. DSR/INPE 6-22 M.Apesar destas limitações.05-50 mg.

Os tons de amarelo a vermelho correspondem a águas mais ricas em clorofila. normalmente localizadas mais próximo à costa. As isóbatas de 500. 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem. Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. As setas pequenas na imagem indicam a presença de uma frente oceânica formada entre as águas pobres e oceânicas da Corrente do Brasil. DSR/INPE 6-23 M. típicas das águas oligotróficas da Corrente do Brasil. As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica. Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura). e as águas mais ricas sobre a plataforma. A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S. 1000. Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos.A Figura 4 apresentada a seguir mostra os campos superficiais de concentração de clorofila-a obtidos pelo processamento da imagem SeaWiFS de 09/08/2000. Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtida a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira. Tomé.Kampel .

2. A Figura 5 mostra um mapa médio da produtividade primária fitoplanctônica integrada na coluna d’água (g. correspondem aos menores valores de produtividade. A irradiância disponível na superfície do mar foi calculada por modelos de transferência radiativa (Gregg e Carder. Este mapa foi obtido a partir de um algoritmo semi-analítico baseado nas relação fundamental entre fotossíntese e luz.A seta mais larga quase em frente a Cabo de São Tomé. e a irradiância DSR/INPE 6-24 M. são encontrados em regiões costeiras. Com isso.. A produção primária é expressa como função da biomassa fitoplanctônica e da irradiância disponível em diferentes níveis de profundidades. 1990). A tabela de cores aparece na parte inferior da figura. 3. A biomassa fitoplanctônica na camada superficial é determinada pela concentração de clorofila-a obtida por imagens da cor do oceano.Kampel . Feições oceanográficas de mesoescala também podem ser visualizadas em imagens da cor do oceano. de divergência equatorial e em áreas de ressurgência.2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA A velocidade com que as concentrações de clorofila variam no tempo e/ou quanta fotossíntese está ocorrendo durante o dia é chamada de produtividade primária (primária porque é a fase inicial e crítica da teia alimentar). Os tons de verde a vermelho. indica o sentido de rotação de um vórtice ciclônico presente na imagem. É interessante notar a mais alta produtividade do Oceano Atlântico Norte em relação ao Atlântico Sul. típicos de águas oceânicas pobres.m-2) para o mês de agosto de 1998.C.1992). da mesma forma como em imagens termais. nesta época do ano. A análise de séries temporais de imagens da cor do oceano permite que se conheça a magnitude e a variabilidade das concentrações de clorofila e da produtividade primária em escala global. correspondentes a valores de produção primária mais altos. Os tons azuis. pode-se tentar quantificar as relações entre a física dos oceanos e os padrões de produtividade em grande e mesoescala (McClain et al.

3 GERENCIAMENTO COSTEIRO A Zona Costeira abriga um mosaico de ecossistemas de alta relevância ambiental. cuja diversidade é marcada pela transição de ambientes terrestres e marinhos. e há uma tendência permanente ao aumento da concentração demográfica nessas regiões. e deste com a sociedade.C. A maior parte da população mundial vive em zonas costeiras. com interações que lhe conferem um caráter de fragilidade. 1988).Kampel . fundamentalmente. na construção de um modelo cooperativo entre os diversos níveis e setores do governo. O Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) é um dos instrumentos do Gerenciamento Costeiro que baliza o processo de ordenamento territorial DSR/INPE 6-25 M. a atividade de gerenciamento deste amplo universo de trabalho implica. Desta forma. 3.m-2 encontra-se na parte inferior da figura. pode-se dizer que a sustentabilidade das atividades humanas nas zonas costeiras depende de um meio marinho saudável e vice-versa. A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g. Em síntese. Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS.disponível abaixo da superfície do mar foi estimada por modelos de atenuação na coluna d’água (Sathyendranath e Platt.2.

necessário para a obtenção das condições de sustentabilidade ambiental do desenvolvimento da Zona Costeira. Para garantir a sustentabilidade do seu desenvolvimento. Incorporando a área marinha. O avanço da ocupação sobre a área e a intensificação de alguns usos têm aumentado as ameaças quanto à degradação ambiental e à dilapidação do patrimônio natural. tem-se uma área total de 16. sensor ETM+. MA e CE. Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7. Esta região é alvo de diferentes interesses que visam a alterar suas condições de uso e ocupação. MA e CE). DSR/INPE 6-26 M. até a isóbata de 20 m. do Baixo do Parnaíba (PI.25 km2.Kampel . A Figura 6 a seguir mostra a área do Baixo Rio Parnaíba. incluindo o seu delta. foi elaborado um ZEE como um passo importante para orientar planos de gestão. composição colorida 3B4G5R.744. à porção terrestre. entrte os estados do Pi.

Kampel . Suas trajetórias. A parte submersa encontra-se em tons de azul. que não na forma de imagens. rastreado por satélite.3. Bóias ancoradas e derivadores rastreados por satélites. têm sido excelente. têm sido desenvolvidos e utilizados pelo INPE desde 1985. bem como os dados de temperatura da água e pressão ao nível do mar coletados por eles.3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES Como mencionado anteriormente. e Atlântico Tropical. Oceano Atlântico Sudoeste. padrão WOCE.html Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo. Atualmente temos em atividade 10 derivadores de baixo custo. através do Sistema Argos.br/pnboia/pnboia. podem ser acessados pela internet em: http://www. DSR/INPE 6-27 M. (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE. existem outros tipos de dados úteis aos estudos oceanográficos. para estudos ambientais e oceanográficos nas regiões da Antártica.dsr. padrão WOCE (Figura 7).inpe. mas que podem ser obtidos com auxílio da tecnologia espacial. o que nos motiva a continuar trabalhando desta forma. como por exemplo. O índice de aproveitamento utilizando a telemetria de dados por satélites. na costa brasileira.

intensidade e direção dos ventos superficiais. cabe mencionar que diversos outros parâmetros e variáveis de interesse oceanográfico também são obtidos com o emprego de tecnologia espacial. Os dados oceanográficos e meteorológicos adquiridos automaticamente por estas bóias são transmitidos via Sistema ARGOS.Kampel . entre outras aplicações. O Programa Nacional de Bóias. Depois de processadas. transporte marítimo. altura e direção de ondas. O Projeto Pirata (http://www4. pesca. a capacidade dos satélites de pesquisa em medir parâmetros e/ou variáveis oceânicas importantes para o clima. podemos citar: a detecção de derrames de óleo no mar através de radares de abertura sintética.br/pirata/) é uma iniciativa internacional. Esperamos ter demonstrado. previsões meteorológicas marinhas. segurança nacional. 6 estão sob responsabilidade do Brasil. transporte de calor. 4. conduzido pelo INPE e pela Marinha do Brasil. Os dados coletados por estes derivadores são utilizados em estudos da circulação oceânica. monitoramento ambiental. estando atualmente inativos. Mesmo com a tecnologia espacial DSR/INPE 6-28 M. CONSIDERAÇÕES FINAIS Além dos exemplos de aplicações apresentados acima.inpe. através de altímetros e escaterômetros.cptec. pretende continuar lançando outros derivadores nos próximos anos. Como exemplo. etc.Pelo menos outros 50 derivadores do mesmo tipo foram lançados na nossa costa. com participação do INPE que pretende estudar as interações entre o oceano e a atmosfera na região do Atlântico Tropical que sejam relevantes para os estudos sobre as mudanças climáticas. todas as informações são disponibilizadas pela internet. De um total de 12 bóias fundeadas em atividade atualmente. entre outros. nos últimos anos. ainda que de forma sucinta. calibração de imagens orbitais termais.

Atualmente. As áreas mais promissoras são as que utilizam dados coletados convencionalmente . é o de explorar teorias e conceitos e desenvolver aplicações que não se concretizariam somente com a utilização de métodos convencionais. Evidências deste progresso são os novos programas que utilizam a tecnologia espacial para aplicações em oceanografia. DSR/INPE 6-29 M. de mais esta conquista do Homem na procura da compreensão do meio em que vive. características estas possíveis de serem obtidas com o emprego de satélites. e por observações orbitais de forma complementar. quase todos os ramos da Oceanografia consideram o Sensoriamento Remoto como uma ferramenta de grande utilidade na aquisição de dados de interesse. para nos beneficiarmos da melhor forma possível. mais especificamente na área de Oceanografia. Diversos projetos de pesquisa que utilizam dados coletados por satélites têm ampliado o nosso entendimento sobre o sistema oceano.por bóias e navios.Kampel . não devemos esquecer os princípios básicos envolvidos na aquisição de dados por Sensoriamento Remoto. Neste contexto geral. ainda existe uma insuficiência de informações em muitas regiões do nosso planeta. Se desejamos acompanhar esta evolução. bem como não podemos deixar de conhecer os sistemas e os sensores em disponibilidade e suas técnicas de utilização. são incluídos os estudos de processos oceanográficos que requerem uma resolução espacial sinóptica e uma capacidade de amostragem por longo período. afim de se revelar uma perspectiva mais ampla para o estudo e entendimento de processos e fenômenos oceanográficos. O desafio àqueles que desenvolvem pesquisas em Sensoriamento Remoto.atualmente disponível.

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CAPÍTULO 7 S E N S O R I A M E NT O R E M O T O APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS Stélio Soares Tavares Júnior∗ INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE ∗ e.S.inpe.mail : stelio@ltid.Tavares Jr DSR/INPE .br 7-1 S.

S.DSR/INPE 7-2 S.Tavares Jr .

.Tavares Jr ......................................... 7-7 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..ÍNDICE 1.......... 7-7 3................... QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS ....................S.... FATORES CONSIDERADOS................... 7-8 DSR/INPE 7-3 S.......... INTEGRAÇÃO DE DADOS........................................................ 7-4 2............................................ FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA ....

DSR/INPE 7-4 S. Por exemplo. podem estar relacionadas a processos de enriquecimento mineral.Características do sistema sensor a) Sistemas Ópticos • Resolução Espacial – imagens com resoluções espaciais adequadas contribuem de forma significativa para detecção de feições menores. largura e quantidade de bandas de um determinado sensor constituem importantes fatores para detecção de características particulares de uma dada região. que por muitas vezes tornam-se importantes para a fotointerpretação geológica. QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS: Características do sistema sensor Litologia (tipos de rochas) Fisiografia da região Influência das variações sazonais refletidas na cobertura vegetal Influência das variações sazonais refletidas nos ângulos solares de elevação e azimute .SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS 1. Ex: cursos de água de ordens inferiores e formas menores de relevo como aquelas produzidas pelos processos erosivos atuais como voçorocas. por sua vez.Tavares Jr . FATORES CONSIDERADOS.S. ravinas e cicatrizes de deslizamentos. • Resolução Espectral – a posição.TM podem mostrar feições associadas a zonas de alteração hidrotermal. algumas razões de bandas como a entre as bandas 5 e 7 do Landsat 5 . as quais.

Estes aspectos influenciam diretamente na aparência da imagem.Influência da Litologia O mapeamento geológico parte do princípio que diferentes tipos de rochas. podem auxiliar na interpretação da variabilidade litológica. . Por outro lado. ou seus derivados do intemperismo. geralmente o trend estrutural principal da área. resolução espacial e geometria de iluminação favorece a seleção de imagens mais adequadas às aplicações geológicas. são mais realçadas quando o azimute de visada é ortogonal às suas direções. polarização.Tavares Jr . Entre essas características dos sensores. possuem comportamentos espectrais próprios. Em termos geológicos as feições de maior destaque. e cujo conhecimento é considerado um fator indispensável na interpretação dos dados SAR. a qual é composta pelo ângulo de incidência e azimute de visada. pois são importantes para o realce topográfico. b) Sistema Radar A existência de sensores SAR com características distintas de comprimento de onda. umidade e orientação estrutural. enquanto os elevados são para áreas de relevo movimentado. ocasionando um fraco sinal de retorno da REM à antena. produzindo uma imagem com melhor variação tonal. por conseguinte interferem na qualidade e confiabilidade da interpretação. Entre as rochas a reflectância decresce dos termos ácidos (pegmatitos e granitos) para os básicos e DSR/INPE 7-5 S. em áreas de vegetação densa e relevo movimentado o sinal de retorno é mais forte. após contato com o terreno. terrenos planos com vegetação rala podem configurar uma superfície lisa para determinadas faixas de freqüência como a da banda L. ressalta-se a importância do comprimento de onda e da geometria de iluminação. permitindo apenas a diferenciação entre félsicos e máficos. Desse modo na imagem resultante predominam tons de cinza mais escuros.• Resolução Radiométrica – as variações nos níveis de cinza resultado da sensibilidade com que o sistema registra as mudanças de comportamento dos alvos. Os principais minerais de rochas ígneas possuem curvas de reflectâncias lisas. Ângulos de incidência menores são adequados para terrenos planos. Esta seleção também deve levar em consideração aspectos morfológicos do terreno como: rugosidade (macro e superficial). Quanto ao comprimento de onda.S.

pois a parte superior da floresta tende a acompanhar os traços do relevo regional. que por sua vez refletem a organização estrutural.Influência das condições fisiográficas da área A escolha adequada da banda espectral é fundamental para a obtenção de bons resultados no mapeamento dos tipos de cobertura.Influência das variações sazonais na cobertura vegetal Este fator influencia na intensidade com que a cobertura vegetal reflete os grandes traços geológicos e contribui para associações geobotânicas. a vegetação pode servir como parâmetro auxiliar no mapeamento geológico.Tavares Jr . quando a vegetação encontra-se sob estresse hídrico. Nas áreas de savana.ultrabásicos.76-0. ela aparece em tons de cinza mais escuros nas bandas espectrais do infravermelho próximo. Nas imagens de áreas com cobertura vegetal tipo savana. Dessa forma. outros intervalos espectrais. quando a vegetação encontra-se no seu vigor máximo. a alta reflectância na banda 4 do TM (0. as respostas espectrais podem estar diretamente associadas a variabilidade litológica e ou pedológica. desenvolvida sobre solos de baixa fertilidade.75 µm). Nesse caso. Entre as rochas parcialmente alteradas nota-se comportamento semelhante. apenas com um aumento relativo dos valores de reflectância. Épocas de estações chuvosas. favorecem tanto a fotointerpretação dos traços estruturais como a análise da associações geobotânicas sobre imagens de sensoriamento remoto. devido ao menor porte e maior espaçamento da distribuição da vegetação. . a qual está diretamente associada às respostas espectrais da litologia e ou do solo.9 µm) e a erosão diferencial contribuem para análise estrutural e a discriminação litológica. podem fornecer uma imagem com melhor variação tonal. em relação as do infravermelho médio. como o da banda 5 do TM (1. DSR/INPE Em 7-6 S. . Em regiões de floresta densa.551. Essa diferença torna-se mais evidente nas imagens obtidas em épocas de estiagem. principalmente daquelas na faixa espectral do infravermelho próximo. onde a folhagem apresenta alta reflectância. inclusive a vegetal.S. rochas totalmente alteradas considera-se o comportamento dos solos derivados. mesmo na estação chuvosa.

a fim de melhor realça-las. cuja o azimute solar seja o mais ortogonal possível com as orientações estruturais. ou seja. para as análises quantitativas e qualitativas e para os procedimentos de interpretação visual em geral. com dados que denotem aspectos do comportamento espectral dos materiais constituintes. a qual de uma forma geral exerce controle nas acumulações minerais. que estejam relacionados com a variação litológica. Desse modo outros parâmetros. além de colaborar na redução de custos despendidos em trabalhos de campo. Em geral nas aplicações geológicas procura-se integrar dados de alta resolução espacial que realcem aspectos morfológicos do terreno. 3.Influência das variações sazonais decorrentes dos ângulos solares de elevação e azimute Menores ângulos de elevação solar produzem maior realce do relevo e permitem com maior facilidade a identificação de lineamentos estruturais. como é o caso das imagens SAR. as quais visem a seleção de cenas.. A DSR/INPE 7-7 S. porém em regiões equatoriais esse ângulo pouco varia com a sazonalidade. Esses desempenham papel fundamental no desenho da paisagem natural da superfície terrestre. bem como suas disposições refletem a organização estrutural. FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA O primeiro passo seguido na etapa de interpretação geológica consiste no reconhecimento na imagem dos elementos naturais da paisagem (drenagem e relevo). Desse modo a utilização dessas técnicas alcançou uma vasta variedade de aplicações dentro do conjunto de disciplinas das Ciências da Terra. 2. Assim justifica-se a necessidade de análises multitemporais.S.Tavares Jr . INTEGRAÇÃO DE DADOS As técnicas de fundir dados provenientes de fontes diferentes (multifontes) vêm sendo amplamente utilizadas com intuito de gerar um produto final de boa qualidade visual. devem ser considerados. como é o caso das imagens geofísicas de gamaespectrometria. Dentro das várias técnicas utilizadas destaca-se o método baseado na transformação para o espaço IHS. como o azimute de iluminação solar.

através da análise das propriedades de suas formas. no caso de produtos multifontes.. O passo seguinte consiste em um exame cuidadoso do padrão de organização desses elementos. C. Veneziani. E. por ser condicionada à reflectância dos alvos da superfície terrestre. Santos.Tavares Jr . & Anjos. Para os produtos integrados multifontes considera-se a variação de matiz. os quais constituem as zonas homólogas. Os limites entre essas zonas podem ser bem definidos e corresponderem a contatos litológicos. é possível avaliar os significados geológicos. A partir desse exame individualiza-se na imagem vários setores com propriedades de textura e estrutura similares. Radar aplicado ao mapeamento geológico e prospecção mineral: aplicações. 4. [online]. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida Filho. http://www. P. 2001. isto ocorre quando é marcado por uma quebra negativa de relevo. Caracterizadas as diversas formas de arranjo dos elementos texturais de drenagem e relevo juntamente com o exame da variação tonal e ou de matiz. bem como definir unidades fotolitológicas e associa-las às litologias descritas em trabalhos anteriores.inpe. (INPE-2227-MD/014).S. São José dos Campos: INPE. M.variação tonal é um outro elemento de imagem que merece destaque. R. Ago. 2000b.br/obt/dsr/geologia. W. C. DSR/INPE 7-8 S. R. A. 1982. Morais. porém o mais comum é a passagem gradual ou difusa das propriedades dos elementos texturais. R... a qual reflete as características (variação litológica) dos dados utilizados na fusão com o SAR ou com um produto derivado das imagens multiespectrais . Veneziani. Elementos de análise e interpretação de imagens de sensoriamento remoto. São José dos Campos: INPE/ADIMB. Paradella. Metodologia de interpretação de dados de Sensoriamento Remoto e aplicações em Geologia. 54p. P. 103p.

inpe.CAPÍTULO 8 SENSORIAMENTO REMOTO NO E S T U D O D A V E G E T A Ç Ã O: DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA F l á v i o J o r g e P o n z o n i1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 flavio@ltid.br .

J.DSR/INPE 8-2 F.Ponzoni .

................ A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO .................Ponzoni ............ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................. 8-12 4........ÍNDICE LISTA DE FIGURAS .........................J............................................................................. 8-7 2. 8-17 6......................... 8-27 DSR/INPE 8-3 F.............. INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS ...................................................................................5 1. INTRODUÇÃO ................. 8-15 5...................... 8.............................................................. PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS ......... 8-8 3.. DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA ........................

Ponzoni .DSR/INPE 8-4 F.J.

......... 8-19 4 – “OVERLAY” SOBRE A IMAGEM E O MAPA PRELIMINAR RESULTANTE DA INTERPRETAÇÃO...........................................................................22 5 – CONTORNO DAS CARTA TOPOGRÁFICAS NA ESCALA 1:250............................................J....... 8-11 3 – DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA .. 8-10 2 – CURVA DE REFLECTÂNCIA TÍPICA DE UMA FOLHA VERDE ................................... 8-23 6 – COMPOSIÇÕES COLORIDAS UTILIZADAS NOS MAPEAMENTOS DE 1985-90 (A) E 1990-95 (B) ......................................................LISTA DE FIGURAS 1 – SEÇÃO TRANSVERSAL DE UMA FOLHA MOSTRANDO OS POSSÍVEIS CAMINHOS DA LUZ INCIDENTE ..... 8-25 DSR/INPE 8-5 F................................Ponzoni ...........................000 SOBRE O DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA ........ 8..................................

J.Ponzoni .DSR/INPE 8-6 F.

Em campo. os quais são normalmente posicionados a alguns metros acima de um plantio agrícola ou do topo de um dossel florestal com objetivo semelhante àquele mencionado para a análise dos dados coletados em laboratório. em campo. novamente radiômetros são utilizados.Ponzoni . a coleta de dados e seu registro através de um sensor e a análise desses dados com o objetivo de extrair as informações pretendidas de um dado objeto. a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto para o estudo da vegetação têm quatro diferentes níveis possíveis de coleta de dados: em laboratório. Assim como para o estudo da maioria dos recursos naturais. DSR/INPE 8-7 F. Adicionalmente apresentamos um exemplo de mapeamento da vegetação no domínio da Mata Atlântica. que vem sendo realizado com bastante sucesso. INTRODUÇÃO Como foi apresentado nos capítulos anteriores. as quais incluem a geração e utilização de imagens pictóricas na elaboração de mapas temáticos e/ou na avaliação espectral da cobertura vegetal de extensas áreas da superfície terrestre. Finalmente no nível orbital é que se concentram as aplicações mais comumente divulgadas na comunidade em geral.J. No nível de aeronave. A aplicação dessas técnicas é viabilizada através do cumprimento de diversas etapas que incluem a interação em si. caracterizada principalmente pelo fenômeno de reflexão da radiação.1. Em laboratório. bem como de conjuntos de plantas visando identificar possíveis alterações na forma como esses órgãos interagem com a radiação eletromagnética. no nível de aeronave e no nível orbital. utilizam-se radiômetros aos quais podem ser acoplados acessórios que permitem a coleta e o registro da radiação refletida de folhas e demais órgãos das plantas. Neste capítulo abordamos os princípios que fundamentam os estudos da vegetação através da aplicação de técnicas de sensoriamento remoto. as técnicas de Sensoriamento Remoto se fundamentam em um processo de interação entre a Radiação Eletromagnética e os diferentes objetos que se pretende estudar. diferentes sensores podem ser utilizados concomitantemente na geração de curvas espectrais ou de imagens.

a qual é fruto de um processo complexo que envolve muitos parâmetros e fatores ambientais. A principal motivação dos estudos em vegetação envolvendo a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto. flores. Para uma melhor compreensão das características de reflectância da REM incidente sobre uma folha é necessário o conhecimento de sua composição química. estão incluídas as máquinas fotográficas. etc. a folha constitui o principal deles quando se considera o processo de interação descrito. como folhas. Na coleta de dados em aeronave. espaços intercelulares. galhos. mesófilo DSR/INPE 8-8 F.Ponzoni . etc. partes de plantas ou até alguns arranjos de plantas.J. frutos. Uma folha típica é constituída de três tecidos básicos que são: epiderme. assim como no nível orbital. O destino do fluxo radiante incidente sobre um destes elementos é então dependente das características do fluxo (comprimentos de onda. A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO No nível de coleta de dados em laboratório comumente são consideradas as folhas. os radiômetros e os sensores eletro-ópticos. que permitem a colocação dos sensores imediatamente acima dos dosséis vegetais segundo as mais diferentes disposições. dos quais são coletados dados radiométricos com o objetivo de caracterizar espectralmente fenômenos e/ou aspectos relacionados ao processo de interação entre a radiação eletromagnética (REM) e a vegetação. os dados podem ser coletados diretamente das folhas ou através de dispositivos como plataformas (móveis ou fixas).2. fundamenta-se na compreensão da “aparência” que uma dada cobertura vegetal assume em um determinado produto de sensoriamento remoto. etc). De todos os elementos constituintes da vegetação. principalmente tipo e quantidade de pigmentos fotossintetizantes. Em campo. O processo de espalhamento. Há de se considerar que um dossel é constituído por muitos elementos da própria vegetação. Um fluxo de radiação incidente sobre qualquer um destes elementos estará sujeito a dois processos: espalhamento e absorção. e de sua morfologia interna (distribuição e quantidade de tecidos. ângulo de incidência e polarização) e das características físico-químicas destes mesmos elementos. teleféricos. por sua vez. pode ser dividido em dois sub-processos: reflexão e transmissão através do elemento.

A folha é então coberta por uma camada de células protetoras epidérmicas. As células do parênquima são ocupadas por seiva e protoplasma. Esta rede de passagens de ar constitui a via de acesso pela qual o CO2 alcança as células fotossintéticas e o O2 liberado na fotossíntese retorna à atmosfera externa. Levando em consideração o conceito da reflectância interna numa folha e os conhecimentos do espectro de absorção da clorofila. membranas celulares. Os autores basearam sua teoria na estrutura interna das folhas e na reflectância potencial das superfícies.33. Uma terceira característica estrutural da folha é o tecido vascular. A rede de tecidos do sistema vascular não serve somente para suprir a folha com água e nutrientes do solo. As estruturas das células que compõem os três tecidos das folhas são muito variáveis.Ponzoni . Segundo eles. morfologia e estrutura interna. arranjadas perpendicularmente à superfície da folha. e em seguida atravessar um espaço preenchido com ar. desenvolveram uma teoria sobre a trajetória da REM dentro de uma folha. etc. que possui um índice de refração de 1. sendo estes compostos pela água. dependendo da espécie e das condições ambientais. Além desta variação nos índices de refração dos DSR/INPE 8-9 F. a trajetória da REM se daria ao longo de vários meios. Abaixo da epiderme encontra-se o mesófilo fotossintético. através de uma camada de água.fotossintético e tecido vascular. Esparsos através do mesófilo estão os espaços intercelulares cheios de ar. ar. a qual é válida até hoje. mas também constitui a passagem pela qual fluem os produtos da fotossíntese que são produzidos na folha. os quais se abrem para fora através dos estômatos. Willstatter e Stoll (1918).J. o qual por sua vez é freqüentemente subdividido numa camada ou em camadas de células paliçádicas alongadas. que formam o parênquima. por exemplo. existirão portanto diferenças no comportamento espectral entre grupos geneticamente distintos. Desde que as características da folha são geneticamente controladas. O comportamento espectral de uma folha é função de sua composição. para as demais partes da planta. na qual muitas vezes desenvolve-se uma fina e relativamente impermeável superfície externa. que possui um índice de refração igual a 1. Um mesmo feixe de radiação poderia passar.

1-Seção transversal de uma folha mostrando os possíveis caminhos da luz incidente. sendo refletidos se os ângulos de incidência forem suficientemente grandes. alguns raios são refletidos de volta. (1965) DSR/INPE 8-10 F. possuem uma estrutura irregular. Esta reflexão múltipla é essencialmente um processo aleatório no qual os raios mudam de direção dentro da folha. como mostra a Figura 1. Fonte: Gates et al . já que geralmente a transmitância é maior do que a reflectância para folhas finas.diversos meios a serem atravessados. foi considerado que as células dos tecidos foliares.J. Dado o grande número de paredes celulares dentro da folha. onde os raios incidem freqüentemente nas paredes celulares.Ponzoni . Willstatter e Stoll (1918) imaginaram as possíveis trajetórias da REM dentro de uma folha. A maior parte é transmitida para o mesófilo esponjoso. enquanto outros são transmitidos através da folha. Uma pequena quantidade de luz é refletida das células da camada superficial. Fig. sendo orientada espacialmente sob diversos ângulos. principalmente do mesófilo esponjoso. A espessura da folha é fator importante no caminho da REM. mas o inverso acontece com folhas grossas.

c) região do infravermelho médio (1300 nm a 2600 nm).J. Os comprimentos de onda relativos ao ultravioleta não foram considerados.Ponzoni . b) região do infravermelho próximo (700 nm a 1300 nm). A energia radiante interage com a estrutura foliar por absorção e por espalhamento. geralmente encontrados nos cloroplastos são: clorofila (65%). Fonte: Novo (1989) A região compreendida entre 400 nm a 2600 nm pode ser dividida em três áreas: 5. carotenos (6%). e também convertida fotoquimicamente em energia estocada na forma de componentes orgânicos através da fotossíntese. Os valores percentuais destes pigmentos existentes nas folhas podem variar grandemente de espécie para espécie. Os principais aspectos relacionados ao comportamento espectral da folha. Fig. A energia é absorvida seletivamente pela clorofila e é convertida em calor ou fluorescência. 2-Curva de reflectância típica de uma folha verde. e xantofilas (29%). porque uma grande quantidade dessa energia é absorvida pela atmosfera e a vegetação não faz uso dela. em cada uma destas regiões são: 5. região do visível (400 nm a 700 nm).A curva de reflectância característica de uma folha verde sadia é mostrada na Figura 2. Estes pigmentos. região do visível: Nesta região os pigmentos existentes nas folhas dominam a reflectância espectral. DSR/INPE 8-11 F.

mas a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto no estudo da vegetação. esta apresenta na região em torno de 2000 nm. e consequentemente. INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS Todas as discussões apresentadas até o momento referiram-se ao estudo das propriedades espectrais de folhas isoladas. culturas agrícolas. quando comparadas as curvas de reflectância de uma folha DSR/INPE 8-12 F. podendo alterar a reflectância de uma folha nesta região. A reflectância espectral é quase constante nessa região. De maneira geral. maior será o espalhamento interno da radiação incidente. sendo menor do que 10% para um ângulo de incidência de 65o e menor do que 5% para um ângulo de incidência de 20º A água absorve consideravelmente a REM incidente na região espectral compreendida entre 1300 nm a 2000 nm. como disponibilidade de água por exemplo. podem causar alterações na relação águaar no mesófilo. a absorção da água se dá em 1100 nm. 1450 nm. quanto mais lacunosa for a estrutura interna foliar. Gates et al. maior será também a reflectância. 3. também seja válido para os dosséis. De fato. Considerando a água líquida. uma reflectância geralmente pequena. 2700 nm e 6300 nm. inclui a necessidade de compreender o processo de interação entre a REM e os diversos tipos fisionômicos de dosséis (florestas. etc). c) região do infravermelho médio: A absorção devido à água líquida predomina na reflectância espectral das folhas na região do infravermelho próximo. (1965) determinam que a reflectância espectral de folhas nessa região do espectro eletromagnético é o resultado da interação da energia incidente com a estrutura do mesófilo. formações de porte herbáceo. espera-se que muito do que foi exposto referente às características de reflectância das folhas.J. A absorção da água é geralmente baixa nessa região. 1950 nm. Fatores externos à folha.b) região do infravermelho próximo: Nesta região existe uma absorção pequena da REM e considerável espalhamento interno na folha. Uma vez que a folha é o principal elemento da vegetação sob o ponto de vista do processo de interação com a REM. Em termos mais pontuais.Ponzoni .

Para um dossel ou subdossel homogêneo. ϕ l). Os dosséis são normalmente descritos por um dos seguintes seis tipos de distribuições: planófila. bem como a suas densidades e orientações. do tipo de vegetação existente e do estágio de desenvolvimento das plantas. é ainda relacionado à biomassa. Outro parâmetro que define a arquitetura do dossel é a Distribuição Angular Foliar (DAF). A distribuição espacial dos elementos da vegetação. por exemplo. extremófila. uniforme e esférica. Assim. arranjados regularmente no solo (plantios em fileiras. onde θl e ϕl são a inclinação e o azimute da folha. O IAF é um dos principais parâmetros da vegetação e é requerido em modelos de crescimento vegetal e de evapotranspiração. plagiófila. que representa a razão entre a área do elemento e a área no terreno. em função da ação dos pigmentos fotossintetizantes. segundo uma distribuição específica. A distribuição espacial depende de como foram arranjadas as sementes no plantio (no caso de vegetação cultivada). o que é caracterizado pelo Índice de Área Foliar (IAF). Essa semelhança permite que os padrões de reflectância apresentados pelos dosséis vegetais em imagens multiespectrais possam ser previstos.Ponzoni .J. estes mesmos dosséis deverão apresentar-se com tonalidade clara e em imagens do infravermelho médio espera-se tons de cinza intermediários entre o escuro das imagens do visível e o claro daquelas do infravermelho próximo. Por conseguinte f(θl. e os ângulos azimutais ϕl e ϕl +dϕl. por exemplo) ou arranjados aleatoriamente. definem a arquitetura da vegetação. espera-se que em imagens referentes à região do visível os dosséis apresentem tonalidade escura devido à baixa reflectância da REM. estas apresentam formas muito semelhantes. DSR/INPE 8-13 F. Em vários modelos de reflectância da vegetação um dossel é considerado como sendo composto por vários sub-dosséis. em imagens da região do infravermelho próximo. ϕ l) dθl dϕl é a fração de área foliar sujeita aos ângulos de inclinação θl e θl +dθl. respectivamente. É caracterizada por uma função de densidade de distribuição f(θl. assume-se que a densidade dos elementos da vegetação é uniforme. A DAF varia consideravelmente entre os tipos de vegetação.verde sadia com as medições espectrais de dosséis. erectófila.

por exemplo. uma vez que as folhas são praticamente transparentes nesta região espectral. com o aumento do número de folhas. que por sua vez. com o aumento do IAF.Estes parâmetros arquitetônicos afetam qualitativamente a reflectância da vegetação. aumentaria a influência do espalhamento dos elementos deste mesmo dossel. mais e mais energia será absorvida pela vegetação. Um dos efeitos da DAF sobre a reflectância da vegetação refere-se à sua influência na probabilidade de falhas através do dossel como uma função dos ângulos zenital solar e de visada. A orientação das fileiras de uma cultura agrícola. o aumento do IAF implica no aumento do espalhamento e no conseqüente aumento da reflectância da vegetação. Na região do visível. Por conseguinte. Supondo que ao invés de estarem uniformemente distribuídas no dossel. localizados nas camadas mais próximas ao solo. até que o IAF atinja valores compreendidos entre 6 e 8. uma vez que muito da energia incidente sobre uma folha é absorvida. muito da radiação incidente é interceptada e absorvida pelas folhas e um permanente aumento do IAF não influenciará a reflectância da vegetação.J.Ponzoni . Na região do infravermelho próximo. as folhas estivessem agrupadas. isto é. DSR/INPE 8-14 F. Um outro efeito da arquitetura do dossel sobre sua reflectância ocorre quando os elementos da vegetação não se encontram uniformemente distribuídos. este agrupamento apresentaria dois efeitos principais: ele aumentaria a probabilidade de ocorrência de lacunas através de toda a extensão do dossel. uma vez que a absorção é mínima. quando o IAF assume valores entre 2 e 3. exerce menos influência na região do infravermelho do que na região do visível devido ao menor efeito das sombras. a reflectância na região do visível decresce quase que exponencialmente com o aumento do IAF até atingir um valor próximo de 0. Assim que o IAF atingir um determinado valor (aproximadamente compreendido entre 2 e 3).

ora superestimando-º Isso pode explicar.Ponzoni . esperados para uma cobertura vegetal. que apesar da queda da reflectância da vegetação verificada na região espectral do infravermelho médio não ser muito acentuada em relação à região do infravermelho próximo.J. aliado ainda ao espalhamento múltiplo entre as diferentes camadas de folhas. por exemplo. ora subestimando-o. Vale salientar que o que é efetivamente medido pelo sensor colocado em órbita terrestre é a radiância espectral. estes fatores influentes não atuam isoladamente. PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS Um dossel vegetal apresenta valores de reflectância relativamente baixos na região do visível. no caso da cobertura vegetal. os níveis baixos de reflectância na região do visível. De fato. Isto é evidenciado pela tonalidade escura nas imagens obtidas nesta região. Assim. por exemplo. Alia-se a este fato a maior interferência da atmosfera nas regiões do DSR/INPE 8-15 F. devido a presença de água no interior da folha. Esse desbalanceamento pode ocasionar diferenças de brilho de um mesmo objeto entre as bandas. Nas imagens da região do infravermelho próximo verifica-se que estes valores apresentam-se elevados devido ao espalhamento interno sofrido pela REM em função da disposição da estrutura morfológica da folha. a tonalidade escura numa imagem do infravermelho médio freqüentemente é mais intensa do que aquela verificada em uma imagem do visível. Em cada uma das regiões espectrais todos os fatores exercem sua influência concomitantemente. as quais são dependentes da geometria de iluminação. mas também às sombras que se projetam entre as folhas. no infravermelho médio tem-se uma nova queda destes valores.4. não se devem exclusivamente à absorção dos pigmentos existentes nas folhas. isso implica num “desbalanceamento” entre as radiâncias espectrais medidas. Finalmente. devido à ação dos pigmentos fotossintetizantes que absorvem a REM para a realização da fotossíntese. da Distribuição Angular das Folhas (DAF) e da rugosidade do dossel em sua camada superior (topo do dossel). Sobre esses efeitos discorreremos oportunamente. Como cada sensor de cada banda espetral. na qual tal sensor é apto a coletar a REM refletida pelos objetos possui sua própria sensibilidade.

visível em relação ao infravermelho que tende a deixar ligeiramente “mais claros” os dosséis vegetais nas imagens do visível. procurar associar os padrões apresentados por esta diretamente com suas características estruturais (parâmetros biofísicos). Dependendo da arquitetura (forma e distribuição espacial dos indivíduos constituintes do dossel) assumida em cada uma das fases de desenvolvimento dessa cobertura vegetal. enquanto que para a região do infravermelho próximo estes apresentam aumento também quase exponencial. Mesmo ciente destas influências. até que sejam atingidos seus respectivos pontos de saturação (IAF=2 ou 3 para a região do visível e IAF=6 ou 8. os valores de reflectância espectral referentes à região do visível apresentem uma diminuição quase exponencial. poderá assumir um brilho mais escuro do que um plantio jovem de Eucalyptus spp.J. na diminuição da radiância medida pelo sensor orbital. Evidentemente que esse efeito será tanto maior DSR/INPE 8-16 F. Por exemplo: é esperado que à medida que uma determinada cobertura vegetal aumenta sua densidade. galhos e troncos. como foi apresentado nos itens anteriores. podendo ser “mascarado” pelo efeito de outros fatores/parâmetros. com os indivíduos dominantes projetando suas copas acima de uma cota média do dossel. bem densa. principalmente participação do solo e sombreamento entre os próprios elementos da vegetação (folhas. para a região do infravermelho próximo). essa associação é possível.. uma floresta perenifólia. Em tal floresta. principalmente). mas existem algumas particularidades que devem ser consideradas. o que por sua vez implicaria no “escurecimento” do dossel da floresta em relação ao de Eucalyptus spp. que não possuiria estratos e portanto o sombreamento entre seus elementos constituintes seria bem menor. poderia acarretar o sombreamento daqueles que se posicionariam imediatamente abaixo. De fato.Ponzoni . o que implicaria na diminuição da irradiância nos estratos inferiores e. com um IAF muito elevado. esse efeito pode ou não ser constatado. a existência de diferentes estratos (camadas) horizontais. em uma imagem do infravermelho próximo. que possuiria um IAF bem menos elevado. é comum o intérprete de imagens orbitais interessado em extrair informações sobre a cobertura vegetal. Assim. conseqüentemente.

uma vez que o sombreamento é proporcional a esse ângulo. sem o que não seria possível traçar ações efetivas de conservação. no entanto. é esperada uma menor participação do solo. a estrutura e a situação dos remanescentes florestais do bioma. em particular. 5. Cabe ao intérprete estar preparado para conviver com estas limitações e extrair dos produtos de sensoriamento remoto o máximo de informação confiável. Contudo. o que implicará em uma “mesma” aparência nas imagens. DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA Vaga no inconsciente e até no consciente das pessoas. Cada dossel. em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Para o caso do solo.quanto maior for o ângulo de incidência solar.J.Ponzoni . a noção de que os recursos naturais vêm se tornando escassos e que a humanidade precisa aprender rapidamente a utilizar com racionalidade esses recursos. A partir de meados da década de 80. Com o objetivo de suprir essas lacunas. contava com poucas informações consistentes sobre a área original. gerados a partir da aplicação de metodologias cientificamente fundamentadas. possui suas características próprias e desenvolve-se em diferentes tipos de solos sob diferentes condições ambientais. são inerentes as chamadas ambigüidades nas quais efeitos de diferentes fatores/ parâmetros podem assumir valores iguais de radiância. sua participação também é dependente do ângulo de iluminação e desta vez de maneira inversa. Não há como prever todas as possibilidades. ou seja. Assim como acontece com qualquer outro objeto de estudo à luz das técnicas de sensoriamento remoto. quanto maior for o ângulo de incidência. a dimensão. relacionando-as a possíveis padrões em imagens orbitais. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE. iniciou-se no país uma intensa mobilização da sociedade civil pela preservação da Mata Atlântica. a distribuição espacial. tentar elencá-las. nem sempre essa noção é fruto da análise racional conduzida sobre dados concretos. mesmo em se tratando de diferentes coberturas vegetais. O movimento ambientalista. concluíram o "Atlas dos DSR/INPE 8-17 F. sob pena de comprometer a sobrevivência das gerações futuras.

o Instituto Socioambiental. Além dos aprimoramentos anteriormente citados. na escala 1:1. com exceção da Bahia devido a não disponibilidade de imagens livres de nuvens. analisando a dinâmica do bioma entre 19901995. o trabalho foi concluído em 1993 e permitiu avaliar a dinâmica dos remanescentes florestais e de ecossistemas associados da Mata Atlântica em 10 Estados. que apontou o índice de exatidão global do mapeamento dos Estados do Espírito Santo e de Santa Catarina. além das fisionomias florestais.J.Remanescentes Florestais do Domínio da Mata Atlântica" em 1990.Ponzoni . digitalizou os limites das fisionomias vegetais que compõem o Domínio da Mata Atlântica (Figura 3). Foram utilizadas técnicas de interpretação visual de imagens TM/Landsat. Esta etapa abrangeu todos os Estados da fase anterior. segundo a terminologia e os critérios estabelecidos pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os limites de algumas DSR/INPE 8-18 F. na escala 1:250. conseqüentemente.000. levantamentos de campo e análise por especialistas para aferição dos dados. Diante dos resultados obtidos. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram uma nova atualização de dados. da Bahia ao Rio Grande do Sul. Primeiro mapeamento da Mata Atlântica realizado no País a partir da análise de imagens de satélite. graças ao avanço tecnológico verificado. os ecossistemas associados. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram um novo mapeamento em 1990 que originou o “Atlas da Evolução dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados no Domínio da Mata Atlântica .Período 1985-1990”. pois algumas unidades de pequena extensão não puderam ser mapeadas e polígonos de remanescentes descontínuos foram agrupados.000. A escala adotada neste primeiro trabalho apresentou limitações para estudos mais detalhados. e vários aprimoramentos foram incorporados. supervisionada pelo INPE. Em função dessas limitações e motivados em adquirir informações mais precisas. o que permitiu uma melhor visualização das classes mapeadas e deu. com o qual a Fundação SOS Mata Atlântica assinou convênio em 1995. uma maior confiabilidade aos dados gerados. Outro aperfeiçoamento importante foi a inclusão de uma avaliação estatística.000. determinando sua área original e estabelecendo uma referência inicial para o desenvolvimento de novos estudos. incluiu.

Unidades de Conservação federais e estaduais. fruto do aprimoramento de máquinas e de aplicativos disponíveis. principalmente savana e estepe. no qual foram incluídas várias inovações metodológicas. DSR/INPE 8-19 F. que os dados sobre as formações florestais da Mata Atlântica fossem separados dos dados de outros biomas. permitindo a definição de políticas de conservação mais objetivas e coerentes com cada situação. Figura 3 – Domínio da Mata Atlântica Em meados de 1999. agora referente ao período 1995-2000. Com base nestes dados. Este aperfeiçoamento permitiu. a SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a concepção de um novo mapeamento.J. foi possível avaliar a dinâmica da Mata Atlântica de forma mais precisa e localizada. que na etapa anterior estavam incluídos no cômputo geral.Ponzoni . ainda.

por exemplo com fotografias aéreas ou imagens de satélite. cabendo estes a empresas do setor aeroespacial que foram escolhidas mediante licitações. Mesmo assim. Nesse sentido. assumindo a aparência de uma grande fotografia.20 x 1.20m.Ponzoni . interferindo quando necessário. as quais podem ser disponibilizadas em duas formas básicas: a analógica e a digital.000. deve ser suficientemente fácil compreender que estes não são elaborados sem a utilização de alguma ferramenta que possibilite a observação instantânea de uma dada porção dessa superfície. Na forma digital. a Fundação SOS Mata Atlântica espera obter toda a orientação técnico-científica que garanta aos resultados dos mapeamentos o máximo de confiabilidade possível.J. Por exemplo: se a escala de trabalho fosse definida como 1:100. Mesmo para aqueles pouco familiarizados com mapeamentos de grandes extensões da superfície terrestre. o INPE assume a coordenação técnica dos trabalhos. A Fundação SOS Mata Atlântica age como uma espécie de cliente que tem necessidades e para atendê-las. porém não pode. essas imagens ficariam materializadas em papel fotográfico de aproximadamente 1. Para o caso de sua relação com o INPE. estabelecendo então todos os procedimentos metodológicos a serem conduzidos. o INPE acompanha passo a passo todos os processos envolvidos nos mapeamentos. é necessário compreender primeiramente o papel de cada instituição envolvida. Na analógica a imagem é materializada em papel. procura outra instituição que julga ter alguma competência específica. como acontece. elaborar os mapeamentos propriamente ditos. essas dimensões passariam para aproximadamente 90 x 90 cm. sendo o mais usual atualmente o DSR/INPE 8-20 F.000. enquanto se a escala fosse de 1:250. cujo tamanho é dependente da escala de trabalho.Mas afinal. devido às suas diretrizes institucionais. a imagem é disponibilizada eletronicamente através de diferentes meios. como esses mapeamentos são feitos? Em que critérios se fundamentam e que tipo de produtos são utilizados? O que se pode afirmar sobre a sua confiabilidade? Antes de aprofundarmos mais sobre as questões metodológicas. Nesses mapeamentos específicos que estamos tratando. foram utilizadas imagens do sensor Thematic Mapper do satélite Landsat 5.

CDROM. A alternância de tons claros e escuros da aparência da vegetação nas diferentes imagens torna possível a elaboração das chamadas composições coloridas. procurou-se adequar os mapeamentos para cada Estado.Ponzoni . Em Remanescentes Florestais estariam incluídas todas as formações florestais. Uma vez definida essa legenda. entre as diversas imagens geradas pelo sensor Thematic Mapper serviriam para identificar os itens da legenda estabelecida. Remanescentes de Restinga. A legenda desse mapeamento foi assim definida: Remanescentes Florestais. foi realizado no início da década de 90 sobre imagens orbitais datadas do final de década de 80 disponibilizadas na escala 1:250.000. a qual é perfeitamente compatível com a escala 1:250.J. nem com aplicativos que permitissem maior facilidade na manipulação dos dados. mas da mesma porção da superfície terrestre) DSR/INPE 8-21 F. Remanescentes de Mangue foram consideradas aquelas formações arbóreo-arbustivas localizadas em canais de drenagem sob influência marítima. Então. Dessa forma. mesmo aquelas que apresentariam baixos índices de degradação e outras em estágios sucessionais avançados (capoeiras). restava ainda definir quais imagens utilizar. procurando não ferir os critérios regionais existentes.000.000. foi considerado o processo de interação entre a radiação eletromagnética e a vegetação descrito anteriormente (Figura 1). O mapeamento que se seguiu àquele desenvolvido na escala 1:1. uma vez que foram neles que se verificaram os maiores aprimoramentos metodológicos. Vale salientar que nem todo o Estado da Federação trata o termo Restinga como sendo uma formação florestal. ou seja. quais. Mas os primeiros mapeamentos não contavam com as imagens em formato digital. todo o trabalho era feito sobre as imagens em formato analógico. Remanescentes de Mangue. Vamos aqui descrever os procedimentos adotados nos três últimos mapeamentos realizados. Para tanto. excluindo somente os reflorestamentos (jovens e adultos).000 (imagens analógicas). que nada mais são do que superposições de três diferentes imagens (provenientes de regiões espectrais diferentes. Remanescentes de Restinga seriam todas as formações florestais acorrentes próximas ao mar e preferencialmente abaixo da cota topográfica de 20m.

que naquela época não estavam familiarizados em observar a vegetação em outra cor senão aquela que quotidianamente estavam acostumados a observar (verde).inpe. No mapeamento em questão. verde e vermelho. Mas quantas composições foram elaboradas? Foram elaboradas pelo INPE 104 composições coloridas de forma a abranger todo o Domínio da Mata Atlântica. sendo que cada uma delas recebeu os filtros azul. foram utilizadas imagens da região do vermelho (visível). do infravermelho próximo e do infravermelho médio. a paisagem analisada assume cores dando uma aparência como de uma fotografia colorida. respectivamente. verde e azul) para cada imagem.br:1910/col/dpi.Ponzoni . as quais eram distribuídas para empresas do setor privado que se incumbiam de elaborar o mapeamento. Essa distribuição de imagens e filtros permitiu que a vegetação assumisse tonalidades esverdeadas nas composições coloridas.24/doc/amz1998_1999/pagina6. Figura 4 – “Overlay” sobre a imagem e o mapa preliminar resultante da interpretação.br/banon/2000/09. relativamente transparente sobre o qual o intérprete procede a interpretação propriamente dita (Figura 4). FONTE: http://sputnik. sobre cada uma dessas 104 composições coloridas era colocado o que chamamos de “overlay” que é um papel polyester. o que facilitou e muito o trabalho dos intérpretes. htm DSR/INPE 8-22 F. Já nessas empresas então.inpe.12.dpi.17.sobre as quais são aplicados filtros coloridos com as cores primárias (vermelho. Como resultado.J.

que em última análise são consideradas as unidades de mapeamento (Figura 5) que totalizavam 114 cartas topográficas e também eram demarcados os pontos de controle. liderados por outro com maior experiência que se incumbia de efetuar a homogeneização das interpretações. Nessa escala de mapeamento.000 sobre o Domínio da Mata Atlântica. uma vez que a interpretação propriamente dita é uma DSR/INPE 8-23 F.J. Era constituída então uma equipe de três a quatro intérpretes.000. cuidava para que houvesse um mínimo de diferenças entre as interpretações.Nesse “overlay” eram demarcados também os limites das cartas topográficas na escala 1:250. que eram cruzamentos de estradas ou rios que podiam ser facilmente visualizados nas cartas topográficas e nas imagens e serviriam para posicionar geograficamente o mapa gerado mediante a utilização de algoritmos específicos implementados em computadores.Ponzoni . 25 ha foi definido como área mínima de mapeamento. Figura 5 – Contorno das carta topográficas na escala 1:250. ou seja.

cada intérprete tem seus próprios critérios no momento da definição da natureza de uma dado polígono mapeado. procurando corrigir possíveis erros de interpretação e procedia-se a elaboração dos mapas finais. A diferença verificou-se na substituição dos filtros coloridos vermelho e verde que passaram a ser atribuídos às imagens do infravermelho próximo e médio. a escala de 1:250. as áreas de cada tema da legenda eram determinadas através de funções específicas do SIG utilizado. assumindo então todas as conseqüências dessa decisão. um técnico do INPE era chamado para que este tomasse uma decisão específica. agora contendo somente o conteúdo temático (mapa contendo os polígonos fruto da interpretação) para uma nova averiguação de inconsistências.000 foi mantida. cada carta era novamente analisada. Nesse mapeamento. referente às cercanias da DSR/INPE 8-24 F. Depois da intervenção dos consultores.Ponzoni . Como conseqüência. respectivamente e na aplicação de contrastes lineares às imagens. A partir dessa etapa. Uma vez concluída essa etapa de interpretação. Esses consultores eram basicamente profissionais do mundo acadêmico ou não. A atualização do atlas gerado nesse mapeamento foi elaborada em meados da década de 90. Essas provas eram enviadas a consultores em cada Estado para que estes procedessem a uma análise crítica do mapeamento realizado. com comprovada experiência no estudo da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados.atividade puramente intuitiva e de caracter subjetivo. bem como todos os procedimentos e critérios utilizados na interpretação. os “overlays” eram novamente analisados procurando identificar inconsistências de interpretação e em seguida estes eram digitalizados e introduzidos em um Sistema de Informação Geográfica (SIG). segundo uma metodologia muito semelhante àquela descrita. No caso de dúvidas. bem como de seus limites.J.000 consumiu em média 2 anos para ser concluído. o que implicou em uma melhor discriminação visual de feições da superfície terrestre nas composições geradas. Todo esse processo descrito para o primeiro mapeamento na escala 1:250. Era impressa uma prova de cada uma das 114 cartas topográficas. A Figura 6 mostra um exemplo de uma mesma cena. diferenciando-se somente na utilização de composições coloridas ligeiramente diferentes.

a b Figura 6 – Composições coloridas utilizadas nos mapeamentos de 1985-90 (a) e 1990-95 (b). Outra implementação importante foi a estimativa de Exatidão de Mapeamento Global.Ponzoni .Baia da Guanabara. DSR/INPE 8-25 F. observada em composições coloridas como aquelas utilizadas em ambos os mapeamentos. são sorteados aleatoriamente um certo número de pontos a serem visitados em campo. Para tanto. Esses pontos recaem sobre o mapa sobre polígonos cujas naturezas e posicionamento espacial foram estabelecidos pelos intérpretes.J. não dispunha de qualquer informação sobre a qualidade dos mapas gerados. Por exemplo: se encontramos um valor de Exatidão de Mapeamento de 80%. isso significa que temos 80% de chance de que um polígono identificado como Remanescente Florestal no mapa. seja realmente esse tema em campo. que é fundamentada no confronto entre os mapas gerados e informações provenientes do campo. Os resultados são organizados de tal forma a permitir o cálculo de um valor percentual que expressa a confiabilidade dos mapas gerados. Uma equipe responsável pelo trabalho de campo visita cada um dos pontos selecionados e averigua se de fato a decisão do intérprete sobre a natureza do polígono interpretado foi correta. Essa atualização consumiu também aproximadamente 2 anos para ser concluída. Essa iniciativa foi muito bem recebida pela comunidade científica que anteriormente a ela.

o que possibilitou ainda a ampliação da escala de mapeamento para 1:50.01). os quais foram então eliminados do processo. A interpretação visual das imagens passou a ser feita diretamente em tela de computador. está sendo viabilizado através da Internet no endereço http://www. agora na escala 1:50. todo o mapeamento do período 90-95 foi refeito.Ponzoni . DSR/INPE 8-26 F. agora para o período 95-2000.br/.04.sosmatatlantica. com a imagem já georreferenciada. Mais uma vez foi adotada a composição de uma equipe de 3 a 4 intérpretes.No início do ano 2000. seguindo todas as etapas de verificação e auditoria por parte de consultores identificados em cada Estado.000. segundo a nova metodologia estabelecida de forma a permitir a quantificação de possíveis alterações verificadas no polígonos mapeados. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a atualização desse segundo atlas. Santa Catarina e São Paulo (com divulgações agendadas para os próximos meses).000 e conseqüentemente a redução da área mínima de mapeamento para 10 ha. de forma a permitir a cada cidadão o conhecimento da situação da cobertura vegetal do seu município de interesse. liderados por outro de maior experiência.000 e sobre imagens analógicas) com aqueles gerados na escala 1:50.04. Rio Grande do Sul. Esse georreferenciamento possibilitou a eliminação de uma das etapas mais demoradas que era a digitalização dos “overlays”.org.J. os quais contém uma descrição detalhada das metodologias empregadas nesses mapeamentos.01). Esse aprimoramento implicou na impossibilidade de comparar diretamente os dados gerados no mapeamento anterior (na escala 1:250. os dados passaram a ser disponibilizados por município e para algumas unidades de conservação. Assim. O acesso a esses dados e de todos os relatórios gerados. Paraná (divulgado em 27. Além desse aprimoramento. já foi possível concluir a análise dos dados do Rio de Janeiro (divulgado em 03. Nesse mapeamento foram verificados vários aprimoramentos metodológicos que incluíram o georreferenciamento prévio das imagens que então foram disponibilizadas em formato digital. A atualização desse “novo” atlas está em andamento e em aproximadamente 1 ano.000.

Berlin. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Gates.. Schleter. 1965.J. A.Ponzoni . Springer. de M. 308p. Keegan. como também valorizar a banco de dados já disponível sobre a Mata Atlântica visando o Zoneamento Econômico Ecológico em nível municipal. Para tanto. Novo. 4(1): 11-20.. Untersuchungen uber die assimilation der kohlensaure. 1989. São Paulo. DSR/INPE 8-27 F. entendendo que não basta somente diagnosticar o efeito nocivo do homem. E. R. Sensoriamento remoto: principios e aplicações. D. vários especialistas do INPE e de diferentes universidades. Edgard Blucher. Weidner. V. Stooll.M.. mas as informações até o momento adquiridas devem contribuir efetivamente para a conservação daquilo que restou desse importante bioma.A participação do INPE nesse ambicioso projeto de diagnóstico periódico da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados caracterizou-se pela busca de soluções técnico-científicas que garantissem confiabilidade aos dados gerados.C. A idéia para ao mapeamentos futuros é dar um passo ainda maior que transcende o aprimoramento restrito às metodologias de mapeamento e de manipulação dos dados. H. Applied Optics. Willstatter.M. Spectral properties of plants.J. 1918.R. J.. estarão se mobilizando para avaliar os critérios que nortearão tal zoneamento. Trata-se de mais um desafio a ser vencido por todos os envolvidos.

T.A.CAPÍTULO 9 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À AGRICULTURA M a u r í c i o A l v e s M o r e i r a1 B e r n a r d o F.br bernardo@ltid.br DSR/INPE 9-1 M.Rudorff .inpe.Moreira e B.inpe. T. R u d o r f f2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 2 mauricio@ltid.F.

............... 9-18 DSR/INPE 9-2 M......... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..............5 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO ............. INTRODUÇÃO ...... 9-12 2........................................2 CULTURA DO TRIGO ....... 9-12 2...........Moreira e B... 9-13 2...................................1 CANA-DE-AÇÚCAR .............................................................................Rudorff ..ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ...... 9-13 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADAS PARA PLANTIO .......A.........................T................F..... PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS ....................................................3 2....................................................................... 9-15 3.......... 9-14 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS ........ 9-3 1...................................... 9-5 2................................4 2.....................................................................

...... 9-10 6...................................... 9-15 9.... 9-11 7....................... MOSTRANDO ÁREAS DE CAFÉ.......Rudorff .. ÁREAS IRRIGADA PELO SISTEMA DE PIVÔ CENTRAL .......................................F..... 9-9 5............ IMAGEM DO LANDSAT-TM MOSTRANDO ÁREAS DE ARROZ IRRIGADO NO MUNÍCIPIO DE SANTA VITÓRIA DO PALMAR – RS ......................... CITRUS.....T................. IMAGEM EM COMPOSIÇÃO COLORIDA ADQUIRIDA PELO SENSOR TM A BORDO DO SATÉLITE LANDSAT DA REGIÃO DE ALFERES – MG. APÓS OCORRÊNCIA DA GEADA EM 1985................Moreira e B......A........... NO MUNICÍPIO DE TRÊS PONTAS .. 9-6 2...............LISTA DE FIGURAS 1................................................................................................. 9-7 3............... RADIAÇÃO REFLETIDA PELA CULTURA DO CAFÉ DURANTE OS ANOS DE 1984 E 1985 .... VARIAÇÃO DA RADIAÇÃO REFLETIDA PELAS CULTURAS DE SOJA E DE MILHO NAS BANDAS TM3 E TM4 DO LANDSAT-5 ..................... PASTAGEM E REFLORESTAMENTO ...................... IMAGEM NDVI DO ESTADO DE MATO GROSSO MOSTRANDO A EVOLUÇÃO DO DESFLORESTAMENTO OCORRIDA ENTRE OS ANOS DE 1989 A 1993 .......... 9-14 8............. 9-16 DSR/INPE 9-3 M................. 9-8 4......... REFLECTÂNCIA DE ÁREAS CAFEEIRAS NOS ANOS DE 1986 E 1987 NOS ANOS DE 1986 E 1987....................................... ESQUEMA DE CONSTRUÇÃO DO PAINEL DE AMOSTRA DO PROJETO SIAG ............................................ TM4 (VERDE) E TM5 (VERMELHO) MOSTRANDO DIFERENTES OCUPAÇÕES DO SOLO ................................... COMPOSIÇÃO COLORIDA DAS BANDAS TM3 (AZUL).

.................. MOSTRANDO ÁREAS DESTINADAS À CITRICULTURA .F............T... 9-17 11..... 9-17 DSR/INPE 9-4 M.A...Moreira e B..............10.. IMAGEM LANDSAT – TM BANDA 5 (INFRAVERMELHO PRÓXIMO) MOSTRANDO A EXPANSÃO DA FRONTEIRA ...Rudorff ... IMAGEM LANDSAT – TM DA REGIÃO DE BEBEDOURO – SP.

durante seu ciclo de crescimento e desenvolvimento. é necessário obter informações precisas e em tempo hábil. o satélite Landsat leva 16 dias para fazer o recobrimento da Terra e. produção agrícola. estado. a cada 16 dias volta a passar sobre uma mesma área.A. podemos obter dados de uma área agrícola várias vezes. o interesse em obter informações sobre produção de alimentos passou de “lobby” a uma necessidade uma vez que. portanto. 3 DSR/INPE 9-5 M. Com esta repetitividade dos satélites. para que órgãos governamentais e de iniciativa privada possam tomar medidas de ações rápidas para importar ou exportar o excedente da produção de determinado produto agrícola. município ou ainda em nível de microbacia hidrográfica ou fazenda. permite criar um banco de dados com informações multitemporais4. Além disso. A tecnologia de sensoriamento remoto apresenta um grande potencial para ser utilizada na agricultura. 4 Um satélite de sensoriamento remoto passa sobre uma mesma área na superfície terrestre segundo um período definido. Isso. como por exemplo dentro da faixa do visível do espectro é possível registrar a energia refletida das bandas TM1.Moreira e B. vigor vegetativo das culturas. Os satélites de recursos naturais.T. carregam a bordo dispositivos que coletam estes dados. a área ocupada com floresta. Por exemplo. Através desta técnica. Devido a isso temos uma coleta da energia refletida em forma multiespectral3. INTRODUÇÃO Hoje em dia. Imagens multiespectrais são obtidas em varias faixas. Este tipo de satélite carrega a bordo um conjunto de sensores (sistema sensor) que operam em diferentes faixas do espectro eletromagnético. Quanto maior a resolução espectral de um sensor maior é o número de imagens obtidas numa dada região espectral.1. o consumo de alimento é sempre crescente.F. eles passam num mesmo ponto da superfície terrestre de tempo em tempo. aqueles satélites que foram construídos para observar e coletar dados da superfície terrestre. ou seja. regiões ou bandas do espectro eletromagnético. é possível obter informações sobre: estimativa de área plantada. Além disso.Rudorff . TM2 e TM3 do satélite Landsat. além de fornecer subsídios para o manejo agrícola em nível de país. Esses dispositivos são os sensores. por exemplo.

Nas Figuras 1 a 4 são apresentadas imagens do sensor TM a bordo do satélite Landsat. 1 – Variação da radiação refletida pelas culturas da soja e do milho nas bandas TM3 e TM4 do Landsat-5.Moreira e B.F. estimar a produção da cultura agrícola.Rudorff .A. com o tipo de cultura plantada. podendo. com as condições fenológicas ou nutricionais da cultura e. 3 e 4) em regiões de intensa prática agrícola. DSR/INPE 9-6 M. consequentemente. por exemplo. a radiação refletida que é coletada pelos sistemas sensores traz informações que podem estar relacionadas.T.No caso de culturas agrícolas. Fig. assim. para enfatizar o aspecto multiespectral (Figura 1) e multitemporal (Figuras 2. com a produtividade.

alta reflectância da energia incidente. devido à absorção da energia solar pelas plantas.T. nesta região espectral. denotando assim.Moreira e B. para realizar a fotossíntese. 2 – Radiação refletida pela cultura do café durante os anos de 1984 e 1985. fazendo com que a soja reflita muita radiação solar na região do infravermelho próximo devido a suas folhas planiformes. Na Figura 1 observa-se que as áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza escuro na imagem obtida na banda TM3. DSR/INPE 9-7 M. As folhas mais eretas do milho permitem que uma maior quantidade de radiação penetre na cultura e consequentemente uma menor quantidade é refletida. No entanto. Devido a esta característica é relativamente fácil descriminar estas duas culturas nas imagens de sensoriamento remoto.F. na banda TM4 (infravermelho próximo) as mesmas áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza claro. Nota-se que a soja apresenta-se em tonalidade bem mais clara do que o milho.A. Isto se deve principalmente à arquitetura diferenciada destas duas culturas.Rudorff .Fig.

Esta série temporal de imagens mostra como se pode identificar e avaliar o impacto de uma variável ambiental.Rudorff . Na Figuras 3 pode-se observar que as áreas atingidas pela geada recuperaram o seu vigor vegetativo somente no ano de 1987. 3. sobre a produção agrícola. como a geada. Na imagem de 1985 as áreas de café se apresentam em coloração verde (folhas queimadas e muito solo exposto). apresentando-se novamente em coloração magenta.A. DSR/INPE 9-8 M. após ocorrência da geada em 1985.Moreira e B. tal como na imagem de 1984. Fig. no município de Três Pontas.T.Reflectância de áreas cafeeiras nos anos de 1986 e 1987. Evidentemente. Na imagem falsa cor de 1984 a cultura do café se apresenta em coloração magenta (intensa vegetação) e bem distinta dos demais alvos de ocupação do solo. é necessário esclarecer que no ano de 1985 ocorreu uma forte geada no Sul de Minas Gerais acarretando uma queima fisiológica muito grande nas áreas de café da região. esta informação se complementa com uma série de outras variáveis que também exercem influência sobre a produção e não estão expressas na variação espectral da cultura.F.Para explicar o comportamento espectral do café observado na Figura 2.

Fig. obtidas nas diferentes bandas. o especialista em sensoriamento remoto utiliza também elementos da fotointerpretação tais como: forma.A. É bom ressaltar que além das características multiespectrais e multitemporais das imagens do satélite.Moreira e B.Por outro lado. 4. TM4(verde) e TM5(vermelho) mostrando diferentes ocupações do solo. ao invés e trabalhar com imagens individuais. as informações de três bandas e gerar uma composição colorida. isto é. podemos associar. o verde na banda TM4 e o vermelho na banda TM5. através de cores. sombreamento e textura. ao adicionar cores nas imagens. Por exemplo. para distinguir áreas irrigadas por sistema de pivô central de outros métodos de irrigação o analista baseia-se na forma. como é o caso da Figura 4.Composição colorida das bandas TM3(azul). como é mostrado na Figura 5.Rudorff . mostrando que existem diferenças espectrais nessas duas culturas. que foi gerada adicionando as cores.F.T. azul na banda TM3. DSR/INPE 9-9 M. Nota-se que neste caso as áreas de soja estão apresentadas em amarelo-esverdeado e o milho em verde.

A freqüente cobertura de nuvens impede a obtenção de imagens livres de nuvens e impõe sérias limitações ao uso operacional das técnicas de sensoriamento remoto para estimativa de safras. Para contornar este problema existem alternativas relacionadas tanto com os sistemas sensores quanto com o sistema de coleta das informações.Moreira e B.F. uma alternativa seria colocar em órbita uma constelação de satélites com características similares que permitiriam obter imagens com freqüência diária. Quanto aos sistemas sensores. Diante do que foi apresentado até aqui parece ser bastante simples a utilização de imagens para estimar a produção das safras agrícolas. para o Landsat DSR/INPE 9-10 M. de forma objetiva e confiável. 5.Rudorff . Entretanto.Fig. durante o período da safra. Isto seria uma realidade se dispuséssemos de um número suficiente de imagens que permitissem identificar a cultura e diagnosticar o seu potencial produtivo.T.A. é a presença de nuvens. Isto permitiria inclusive realizar previsões de estimativas de safras.Áreas irrigadas pelo sistema de pivô central. A título de exemplo. o grande impedimento para se obter imagens de satélite. Elas impedem que a energia refletida e/ou emitida pelos alvos da superfície terrestre chegue até o sensor a bordo do satélite.

(1999. Outra alternativa é a utilização de imagens de um satélite com alta resolução temporal (diária). conforme é apresentado na Figura 6. ) No caso da figura acima foram utilizadas várias imagens do mês de junho parcialmente cobertas com nuvens. 6 . utilizando como DSR/INPE 9-11 M. onde Riv = reflectância na região do infravermelho próximo e Rv = reflectância na região do vermelho do espectro eletromagnético) do Estado do Mato Grosso mostrando a evolução do desflorestamento ocorrida entre os anos de 1989 a 1993.Rudorff . como por exemplo. Fig.T.Moreira e B. Fonte: Adaptado de Shimabukuro et al.Imagem NDVI ( Índice de Vegetação com Diferença Normalizada / NDVI=Riv-Rv/Riv+Rv. Contudo.1 x 1. Finalmente. às imagens AVHRR. Estas imagens foram compostas ou mosaicadas para se obter uma imagem livre de nuvens sobre todo o estado do Mato Grosso.F. é a baixa resolução espacial (1. estas imagens podem serem utilizadas para um sistema de vigilância sobre efeitos episódicos ou mesmo na avaliação da expansão de áreas agrícolas.necessitaríamos de 15 satélites para obter imagens diariamente. Com este tipo de imagem não é possível estimar a área plantada. A grande limitação destes tipos de imagens.A.1 km). uma outra alternativa seria estabelecer um sistema de amostragem para estimar a área das principais culturas. p.

Foram utilizadas 44 imagens de 185x185 km obtendo-se uma estimativa de área plantada de 801.referência.. Este procedimento será descrito mais adiante. para todo Brasil.F. e) métodos de estimativa da precisão e exatidão dos mapas temáticos. Há mais de 25 anos o INPE vem realizando pesquisas relacionadas com a identificação e o mapeamento de áreas agrícolas. Por limitações tecnológicas é difícil obter imagens com alta resolução temporal e espacial. b) definição da área mínima. 2.000.Rudorff . Posteriormente. no terreno.950 ha. Em geral. Este projeto foi realizado através de interpretação visual de imagens Landast-MSS (Multispectral Scanner System) na escala 1:250. 1990). foram realizados estudos que visaram estimar a produtividade agrícola da cana-de-açúcar através de imagens do Landsat e de um modelo agrometeorológicodesta (Rudorff e Batista. possível de ser identificada nas imagens de satélites.1 CANA-DE-AÇÚCAR O primeiro grande projeto de mapeamento de área de cana-de-açúcar no estado de São Paulo ocorreu no ano safra 1979/80 (Mendonça et al. imagens de satélites ou fotografias aéreas de arquivo recentes. PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS 2. c) comportamento espectral de culturas agrícolas. nas bandas MSS5 (vermelho) e MSS7 (infravermelho próximo).A. destacando-se as seguintes pesquisas: a) seleção das culturas agrícolas passíveis de serem mapeadas através de imagens de satélites. quanto maior for a resolução espacial de uma imagem maior será o tempo que o satélite leva para retornar a uma mesma área em função da estreita órbita de imageamento. d) estabelecimento dos períodos adequados para aquisição de imagens visando a identificação de culturas agrícolas. DSR/INPE 9-12 M.Moreira e B.1981).T. e f) utilização de algoritmos de classificação para mapear áreas agrícolas.

Moreira e B. Estudos pioneiros foram realizados também com a cultura do trigo na região de Assis. que reduziu em mais de 80% o tempo gasto na interpretação visual. O trigo é cultivado durante a entre safra e neste período existe uma maior probabilidade de se obter imagens livres de cobertura de nuvens favorecendo o uso de imagens de sensoriamento remoto na estimativa de área plantada. para fins de fiscalização do crédito agrícola.2. principalmente.Rudorff .F. com base em sistema de amostragem. O estudo foi realizado com imagens. Por exemplo. Através deste estudo foi constatado que a presença da lâmina de água é um fator preponderante para separar áreas irrigadas por inundação de outros tipos de irrigação. quando então foi assinado um convênio entre o INPE e o Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA). Moreira (1983) desenvolveu uma metodologia de estimativa de área de trigo. conforme é mostrado na Figura 7. Dom Pedrito e Cachoeira do Sul.3 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO Os estudos com a cultura do arroz irrigado tiveram seus inícios no ano de 1980.000. do sensor MSS nas bandas 5 e 7.A. DSR/INPE 9-13 M. SP. Na época foram selecionados quatro municípios como área teste: Santa Vitória do Palmar. as áreas ocupadas com arroz irrigado apresentam tons de cinza muito escuros na imagem da região do infravermelho próximo (banda TM4) contrastando com outras culturas não irrigadas. na escala 1:250. utilizando imagens do satélite Landsat-TM.2 CULTURA DO TRIGO Diversos estudos para estimar a área plantada com a cultura do trigo foram realizados. 2. Itaqui. em nível de propriedade rural.T. no estado do Rio Grande do Sul.

4 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADA PARA PLANTIO A identificação e o mapeamento de áreas de solo exposto e preparado para plantio. em conjunto com informações de intenção de plantio.Fig.Rudorff .T. Este estudo foi inicialmente realizado por Assunção e Duarte (1982) e foi recentemente retomado por Ippoliti-Ramilo (1999).F.A. estimar a área destinada para as diferentes culturas. visa contornar o problema da indisponibilidade de imagens livres de nuvens durante a estação chuvosa (janeiro a fevereiro). 7 – Imagem do Landsat-TM mostrando áreas de arroz irrigado no município de Santa Vitória do Palmar – RS. Com base na área potencialmente destinada para o plantio das lavouras pode-se. DSR/INPE 9-14 M. 2.Moreira e B.

No SIAG as imagens do Landsat-TM foram utilizadas na construção do painel de amostra. denominadas UPAs (Unidades Primárias de Amostragem) que contém segmentos amostrais a serem visitados no campo pelos entrevistadores (Moreira et al. denominado SIAG . A Figura 8.Moreira e B. Fig. São Paulo e o Distrito Federal. isto é. Inicialmente o projeto foi implementado no estado do Paraná e. na estratificação da área de estudo. ilustra a seqüência de construção do painel de amostra. em função da intensidade de uso agrícola.Sistema de Informação Agropecuária que visa obter estatísticas agrícolas com base num painel amostral. e também para dividir os estratos em unidades menores. 8 – Esquema de construção do painel de amostra do Projeto SIAG.F. expandido para os estados de Santa Catarina.T. 1989).5 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS O INPE e o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desenvolveram um projeto. posteriormente.A.Rudorff .2. DSR/INPE 9-15 M.

3) reduz o tempo e custo no levantamento das informações a campo. 2) permite estimar a área das culturas agrícolas mesmo não se dispondo de dados de satélites da safra corrente pois neste caso se utiliza o estimador de expansão direta. Fig. adequar o painel de amostra. bastando para isso.As vantagens da abordagem metodológica do SIAG são: 1) permite estimar a área das culturas agrícolas dentro de uma confiabilidade pré-estabelecida. 9 – Imagem em composição colorida adquirida pelo sensor TM a bordo do DSR/INPE 9-16 M.F.Rudorff . por exemplo.A. no Paraná são levantadas informações em apenas 450 segmentos com tamanho que varia de 1 a 5 km2. As Figuras a seguir mostram exemplos de aplicações das imagens de sensoriamento remoto na agricultura.T.Moreira e B. 4) a metodologia do SIAG pode ser aplicada para áreas grandes (estado) ou pequenas (município).

mostrando áreas destinadas à citricultura. pastagem e reflorestamento.A. 11 – Imagem Landsat-TM banda 5 (infravermelho próximo) mostrando a expansão da fronteira agrícola na região norte do estado do Mato Grosso.MG.Moreira e B.F. DSR/INPE 9-17 M.T. mostrando áreas de café.Rudorff . 10 – Imagem Landsat-TM da região de Bebedouro – SP. citrus.satélite Landsat da região de Alfenas . Fig. Fig.

75 p.. F.Rudorff ...G. D. mar.M. Duarte. Shimabukuro. (INPE-7234-RPQ/698)..C. Bariloche. G. Classificação e monitoramento da cobertura vegetal do Estado do Mato Grosso através de imagens NOAA-AVHRR. G. M.. Tardin. A. Avaliação de áreas preparadas para plantio (SOLONU) utilizando-se dados do satélite Landsat. Sistema de amostragem para estimar a área da cultura do trigo (Triticum aestivum.L. São José dos Campos:INPE.. Ipoliti-Ramilo. (MestradoInstituto Nacional de Pesquisas Espaciais . L) através de dados do Landsat.S..E. Mendonça. São José dos Campos:INPE.L. (L) Merrill) através da expansão direta.. (INPE-2021RPE/288)... Levantamento da área canavieira do Estado de São Paulo utilizando dados do Landsat ano safra 1979/80. Yi. Maia.F. G. 1983 (INPE-3015TDL/150).A.. São José dos Campos..A.2637-TDL/113).V. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. J. Lee. Chen. J.S. AG.Moreira e B.M. L. J.A.C.Y. Shimabukuro.3.T.C.R. 1982. 1999. V. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Especiais.A. DSR/INPE 9-18 M. Y.A. (INPE. Moreira. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Assunção.. V. Imagens TM/Landsat-5 da época de pré-plantio para a previsão da área de culturas de verão. E. São José dos Campos.A. Moreira. M. A.T. F. Utilização de dados do Landsat-TM para estimar área de soja (Glycine max. 183p.INPE). 1999.V. Lucht. Assunção. (INPE7116-TDI/688). V. S. Villalobo. 19-24 de nov... Lima.A. Biffi. de 1989. G. 1981. Moreira. Duarte. Duarte. Silva. A. M. In: IV Simpósio Latinoamericano de Percepcion Remota. de.

T. B. Remote Sensing of Environment. G.T.Rudorff. DSR/INPE 9-19 M. 33:183-192. Yield estimation of sugarcane based on agrometeorological-spectral models.Moreira e B.Rudorff .F..T.F. Batista (1990).A.

br 10 -1 P.inpe.C A P Í T U L O 10 ENSINANDO CARTOGRAFIA P a u l o C é s a r G u r g e l d e A l b u q u e r q u e1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 E-mail: gurgel@ltid.G.C.Albuquerque DSR/INPE .

C.G.Albuquerque .DSR/INPE 10 -2 P.

............................. 10-14 DSR/INPE 10 -3 P..................................... PROJEÇÃO ........................................................................................................................................................ CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES ...................................... ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA .......... DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS ........ 10-5 4...................... INTRODUÇÃO ............... 10-8 8.....ÍNDICE 1................................................ 10-4 3............................ 10-4 2.......... TIPOS DE MAPAS ........................................ 10-5 5...................G.........10-6 7...................... ESCALA ....C....................... ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO ................................................Albuquerque ................................... 10-6 6................................

Albuquerque .G.C.DSR/INPE 10 -4 P.

por meio de procedimentos e normas técnicas capazes de assegurar que o mapa elaborado satisfaça as exigência de um projeto. antes mesmo da invenção da escrita. As informações cartográficas constituem as bases sobre as quais se tomam decisões e encontram soluções para os problemas sócio-econômicos e técnicos existentes. DSR/INPE 10 -5 P. Conceitualmente pode-se dizer que a Cartografia é uma atividade meio. O produto cartográfico está associado a uma necessidade de apresentação e expressão de resultados. turismo e auxiliando as navegações. informações quantitativas e temáticas necessárias ao planejamento. Hoje ela está presente no cotidiano da sociedade. Este produto.C. Como vocábulo. de segurança. Seu uso é abrangente. INTRODUÇÃO A cartografia como atividade já aparece nas descobertas Pré-Históricas. escrita em Paris e dirigida ao historiador brasileiro Adolfo de Varnhagem. Antes da consagração deste termo o vocábulo usado era cosmografia.Albuquerque . A Cartografia foi a principal ferramenta usada pela humanidade para ampliar os espaços territoriais e organizar sua ocupação. levando soluções para problemas urbanos. deve ser ajustado às necessidades de apresentação impostas por essas informações. Cartografia foi criado pelo historiador português Visconde de Santarém em carta de 8 de dezembro de 1839.G. servindo de suporte à diversas ciências e tecnologias.1. único instrumento capaz de representar em escala. com o grau de exatidão requerido. a cartografia constrói seu produto conforme as necessidades apresentadas e o entrega na forma de mapas. elaborado com o objetivo de expressar um conjunto de informações. saúde pública.

2. os modelos de projeção que podem ser utilizados. Público alvo Custo Tempo DSR/INPE 10 -6 P.Onde ocorre o fato . processos e meios que a Cartografia utilizará para produzir esses documentos. Escala Projeção Exatidão Representação Tipo de produto Apresentação do produto (mídia) Para que uma região possa ser mapeada questões devem ser respondidas. ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA A Cartografia deve assegurar que o mapa responda às seguintes questões: Espaciais: .G. DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS O produto cartográfico atende a uma necessidade quando o documento cartográfico elaborado garantir características que vão ao encontro da necessidade que o originou. É importante indagar sobre os objetivos do mapa.Albuquerque .Quando ele ocorre Temático: . Para tal faz-se necessário que o interessado conheça os elementos de um mapa e dos processos utilizados na elaboração dos mapas de forma a poder encontrar a melhor solução para a necessidade apresentada.Quais são as dimensões Temporal: .Qual a forma .Qual o tipo de ocorrência 3.C.

5. Ex: 1/1000 Esta notação nos informa que o mapa apresenta uma região que teve suas dimensões reduzidas 1000 vezes. sistemas ferroviários etc. MT=MR+Tema MT=MR+Tema O mapa topográfico é considerado básico pois nele assentam-se informações de temas específicos.C. TIPOS DE MAPAS Os mapas. que 1cm. geologia.. tais como vegetação...000.Albuquerque . Assim.. a relação que indica a escala é transformada em uma régua onde as distâncias são lidas diretamente. temáticos e especiais. 1000cm no terreno etc. As escalas podem ser representadas numericamente. Neste caso.. como mostrado a seguir: 1000 750 500 250 0 m 1000 2000 3000 Representação gráfica de uma escala DSR/INPE 10 -7 P. ou graficamente. são divididos em 3 tipos de documentos: topográficos. por exemplo 1:25. ESCALA Número adimensional utilizado para indicar de quanto está reduzida a dimensão de uma região para que ela possa ser representada sobre uma folha de papel.4. podemos dizer que 1mm no mapa corresponde a 1000 mm no terreno.G. como indicado a seguir: Cartas Topográficas Cartas ou mapas temáticos Cartas ou mapas especiais MR=Mapa Base ou mapa de referência.

Albuquerque . podem ser: Cilíndricas Normais Transversas Oblíquas Cônicas e ou Policônicas Normais Transversas Planas Polares Equatoriais Oblíquas Quanto aos atributos: Eqüidistantes distância sobre um meridiano medido no mapa = distância medida no terreno distância sobre um paralelo medido no mapa = distância medido no terreno Equivalentes área no mapa=área do terreno Conformes forma no mapa = forma do terreno Azimutais direção azimutal no mapa = direção azimutal no terreno DSR/INPE 10 -8 P.G. Quanto ao modelo de desenvolvimento.6. As projeções cartográficas possuem características que garantem a elaboração de mapas para todos os tipos de uso e aplicação.C. a superfície. total ou parcial da Terra. PROJEÇÃO Refere-se a modelos geométricos ou analíticos adotados para representar em um plano horizontal.

378.25 Datum vertical Imbituba. é também responsável pelas deformações em escala que os mapas apresentam.G.00m Achatamento: 1/298. da dimensão. A projeção.Albuquerque . conhecida como geóide. SC DSR/INPE 10 -9 P.C. As operações cartográficas exigem uma superfície regular.A escolha do modelo de desenvolvimento e dos atributos de uma projeção é função. é importante que se conheça a forma e as dimensões do objeto.160. Este modelo é definido segundo o sistema geodésico de cada país. definida como elipsóide. A forma real da Terra. A Terra em uma primeira aproximação pode ser considerada uma esfera de raio R. No Brasil o sistema geodésico adotado está assim especificado: Origem: Datum horizontal SAD69 Elipsóide de referência Elipsóide de Referência Internacional 1967 Semi-eixo maior: 6.Forma da Terra Quando pretende-se representar um objeto segundo uma determinada projeção. face à forma da Terra. do uso que será dado ao mapa. . uma vez que os modelos de projeção a serem adotados deverão se ajustar perfeitamente a essa superfície. entretanto quando se deseja representá-la com mais detalhe e exatidão faz-se necessário conhecer sua forma e dimensões. é irregular. Na cartografia a forma da Terra é um fator importante que deve ser considerado. assunto que é estudado pela Geodésia. da forma e posição geográfica da área e do alvo a ser mapeado.

das necessidades e do interesse do próprio aluno. meios transporte. acesso. Trata-se do exercício natural dessa ferramenta. Outras perguntas podem ser formuladas. independentemente de saber o que é escala.C. ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO Atualmente observa-se que muitos profissionais voltados ao ensino da Cartografia.pelos pais e depois o próprio aluno passará a elaborar seus “mapas”. procurar a resposta que vá ao encontro da formação do cidadão e não de outros interesses. dentre outras que podem utilizar essa ferramenta e seus produtos no seu aprendizado.7. projeção ou qualquer técnica cartográfica. a respeito de sua vizinhança. Então como ensinar Cartografia? Inicialmente o que deve ser feito é despertar o interesse do aluno para as aplicações cartográficas. história e de outras disciplinas. outras questões podem ser também levantadas. história. sem se preocupar com o exercício da própria cartografia no cotidiano da escola. estão desenvolvendo modelos para que alunos do ensino fundamental aprendam o que é uma escala.. conduzindo-o a exercitála sem que isto configure um tópico de uma disciplina ou ela própria. Afinal por que aprender cartografia? Este despertar para a cartografia pode se iniciar com o aluno ainda na pré infância. etc. sociologia. por exemplo: Por que o interesse de ensinar cartografia nas escolas? A partir da resposta dada. o que é uma projeção cartográfica etc. quando do ensino de outras disciplinas como geografia. 10-10 P. Entretanto. que ocorre com o crescimento do conhecimento adquirido nas diversas disciplinas. Entende-se que essas respostas devem convergir para o seguintes objetivos: auxiliar no aprendizado da geografia. segurança pública. apoiar as atividades cotidianas do aluno e a formação de sua cidadania. através de informações elaboradas pela própria escola na forma de mapas. cabe então ao educador.G.. como é feita a representação do relevo.Albuquerque DSR/INPE .

C. bairro e residência do educando. ciências e artes plásticas. tais como: .G. segundo proposto. farmácias.Albuquerque . matemática. -Fase-4: Treinamento específico em Cartografia para os alunos do ensino fundamental. A fase-5. . acessos. Os professores das disciplinas de geografia. pontos de ônibus.utilização de novas tecnologias etc. dedicada à formação de profissionais para a Cartografia. As fases são as seguintes: -Fase-1: Expressar todas as informações pertinentes à localização da escola. será trabalhada por especialistas conforme os curricula aprovados. Observa-se que não é exigido professores com conhecimentos especializados em Cartografia até a fase-4. DSR/INPE 10-11 - P. Fase-5: Curso profissionalizante para formação de técnicos de nível médio em cartografia. -Fase-3: Utilização e aplicação freqüente de mapas nas aulas e na elaboração dos exercícios propostos aos alunos pelo professor.. treinados para conhecer as bases na qual se assenta a Cartografia serão os orientadores e disseminadores do uso e aplicação da cartografia para este momento. Este treinamento deverá sempre estar associado às disciplinas que estão sendo ministradas nesse período.por meio de mapas ou croquís.disseminação das aplicações cartográficas e de seus produtos no país. está associado a 5 fases de trabalho que. etc. respeitadas as suas prioridades definem o conjunto de ações que devem ser desenvolvidas pelo professor e aluno no âmbito da escola. sítios de interesse tais como: papelarias.. -Fase-2: Treinamento de professores em Cartografia. Ensinar Cartografia.Respostas que contemplem outras tendências. a partir da 6a série..

pautase nos recursos humanos e materiais básicos existentes na escola. geografia. humanos e culturais e ao cotidiano do educando. leitura e uso desses documentos em diversas escalas Compreensão dos problemas sóciais. 04 ----Para alunos a partir da 6 série 05 Só para formação profissional a Compreensão dos problemas geométricos que existem nos mapas Profissionais formados Devido ao desconhecimento dos objetivos da Cartografia e a falta de cultura na utilização de seus produtos pela sociedade.. Recursos básicos DSR/INPE 10-12 - P. econômicos e Aplicar em toda a escola Professores selecionados escola que pela dando em Manutenção preferência àqueles lecionam todas as séries 03 Aplicar em todas as séries ambientais apresentados na história..Duração e fases 01 02 Processo inicial 1 ano Processo instalada ---- Indicadores Anual Familiarização com mapas Entendimento do que são mapas. -Requisitos A consecução dos objetivos desta proposta para o ensino da cartografia.G. junto com outras disciplinas. o trabalho que está sendo apresentado visa despertar e incentivar o uso sistemático da Cartografia. como ferramenta para compreensão dos problemas físicos.Albuquerque .. destacados a seguir.C.

matemática. Físico e Político Geral.C..2-Equipamentos e consumo Régua.. Entretanto. Características Interesse Comprometimento história.. Físico Urbano Conforme disponibilidade Escolar Observa-se que esses materiais integram o acervo de qualquer escola e dos materiais que os alunos costumam trazer para as aulas. Populacional. esquadro.Albuquerque . Político. ciências. artes plásticas . é importante que os professores dominem esse conjunto de facilidades e possam disponibilizá-los para todos os alunos.1-Humanos Diretores Coordenadores pedagógicos Professores de geografia. compasso e transferidor Lápis preto e branco e coloridos Borrachas Globo Bússola Motivação com a escola Especificações Geral. indicados a seguir. DSR/INPE 10-13 - P. Os materiais suplementares. Interesse Comprometimento Conhecimento básico sobre leitura e manuseio de mapas (documentos cartográficos) Alunos 2-Materiais 2.G.1-Documentos Cartográficos Mapas Mundi Mapas das Americas Mapas do Brasil Mapa da Região Mapa do Estado Mapa do Município Cartas-imagens Atlas 2. Ecológico. são utilizados para auxiliar neste trabalho e enriquecer o aprendizado do aluno. Físico. Geral.

perigosos etc. e-Enduro ambiental. Outra característica desta proposta é permitir que o professor continue criando atividades em sala de aula e no campo com seus alunos. g-Identificar no mapa do Brasil o local onde foram torpedeados os navios brasileiros durante a 2a guerra mundial. De mão para operações estáticas Colorida. f-Desenhar no mapa as trajetórias das naus de Cabral e Colombo. etc. apresentamos a seguir uma relação de atividades que podem ajudar na compreensão e conhecimento dos objetivos e técnicas cartográficas.000. Visando auxiliar os professores que poderão se envolver com este trabalho. a-Passeio em trilhas b-Caça ao tesouro..G. Cópia papel Cópia digital Materiais disponíveis no mercado Cartas-imagens.Recursos suplementares Computador Plotter ou impressora Scanner Aplicativos GPS Cartas imagens ou imagens Fotografias aéreas para cartografia e CoreoDRAW.C. escala maior ou igual a sensoriamento remoto DSR/INPE 10-14 - P.. c-Conhecer o bairro onde mora. d-Corridas de orientação. jogos. valendo-se do acervo básico e de sua própria imaginação. livros didáticos. quebra cabeças. para identificação dos locais mais poluídos.Albuquerque . 1/50. abrangendo o município e a cidade. sujos.

e de experiências vividas anteriormente junto as escolas do ensino fundamental. projeção forma da Terra.. Nas séries mais avançadas professores e alunos poderão lançar mão de bibliografias específicas a respeito do tema. reflexões. iniciando assim junto às disciplinas de desenho e matemática conceitos de escala. “partindo de necessidades. O ensino da Cartografia deve-se iniciar da mesma maneira que os mapas apareceram. históricos e biológicos que são contemplados nas disciplinas curriculares do ensino fundamental e médio.” independente do conhecimento matemático do que seja escala.. DSR/INPE 10-15 - P. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES A concepção desta proposta foi desenvolvida a partir dos princípios básicos que norteiam as técnicas de ensino. projeção etc.8. etc.. Finalmente recomenda-se que a cartografia não seja nem disciplina nem tópico de disciplina mas uma nova forma de linguagem para abordar e apresentar temas ambientais. de observações..C.G. sociais.Albuquerque .

br .inpe.C A P Í T U L O 11 Geoprocessamento J o s é C a r l o s M o r e i r a1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 moreira@dpi.

DSR/INPE 11-2 J.C.Moreira .

........................................ INTRODUÇÃO AO SPRING .. FUNÇÕES DO SPRING. 11-7 3...........Moreira .......................... QUAIS PLATAFORMAS E PERIFÉRICOS SÃO SUPORTADOS? ........................................................C.... 11-9 DSR/INPE 11-3 J................ÍNDICE 1... 11-8 4....... QUAIS OS MÓDULOS DISPONÍVEIS? ............................................... 11-5 2..................

DSR/INPE 11-4 J.Moreira .C.

geralmente acoplados a gerenciadores de bancos de dados relacionais. mantendo a identidade dos objetos geográficos ao longo de todo banco. Os dados disponíveis no banco podem ser manipulados por métodos de processamento de imagens e de análise geográfica. operando como um banco de dados geográfico. projeção e fuso. Os sistemas desta geração são concebidos para uso em conjunto com ambientes cliente-servidor. de mapas cadastrais. fornecendo ao usuário um ambiente interativo para visualizar.1. • Administra tanto dados vetoriais como dados matriciais ("raster") e realiza a integração de dados de Sensoriamento Remoto num Sistema de Informações Geográficas. Introdução ao SPRING O que é SPRING? • Banco de dados geográfico de 2º geração. através da combinação de menus e janelas com uma linguagem espacial facilmente programável pelo usuário (LEGAL . • Provê um ambiente de trabalho amigável e poderoso.C. para ambientes UNIX e Windows.Linguagem Espaço-Geográfica baseada em Álgebra). com a introdução explícita do conceito de objetos geográficos (entidades individuais). manipular e editar imagens e dados geográficos. Aprimora a integração de dados geográficos. DSR/INPE 11-5 J. O que é Banco de Dados Geográfico? • Banco de dados não-convencional onde cada dado tratado possui atributos descritivos e uma representação geométrica no espaço geográfico. Quais são as características principais? • Opera como um banco de dados geográfico sem fronteiras e suporta grande volume de dados sem limitações de escala. mapas de redes e campos.Moreira .

projetado inicialmente para redes de estações de trabalho baseadas na arquitetura RISC e ambiente operacional UNIX. muitos dos sistemas disponíveis no mercado apresentam alta complexidade de uso e demandam tempo de aprendizado muito longo. • Base de dados é única. isto é. como os utilizados para indexação espacial. Desenvolvido usando técnicas avançadas de programação. Adicionalmente. não havendo necessidade de DSR/INPE 11-6 J. • Adaptado a complexidade dos problemas ambientais. a estrutura de dados é a mesma quando o usuário trabalha em um microcomputador na versão Windows e em uma máquina RISC (Estações de Trabalho UNIX). mapas temáticos e cadastrais e modelos numéricos de terreno. A interface interativa utiliza o "X Window System" e padrão de apresentação OSF/MOTIF em ambientes UNIX e "Windows" em ambientes PC-Windows. garantem o desempenho adequado para as mais variadas aplicações. segmentação de imagens.Moreira .C. é capaz de operar com toda sua funcionalidade em ambientes variando de microcomputadores a estações de trabalho RISC de alto desempenho. isto é. que requerem uma forte capacidade de integração de dados entre imagens de satélite. ao contrário do SPRING. que melhor reflete a metodologia de trabalho de estudos ambientais e cadastrais. uma vez que todos os dados gerados nestes sistemas podem ser totalmente aproveitados (inclusive com topologia) no novo ambiente. Quais são as vantagens do SPRING? • Contém algoritmos inovadores. • Preserva o investimento dos usuários dos sistemas SITIM e SGI. classificação por regiões e geração de grades triangulares com restrições. complementando os métodos tradicionais de processamento de imagens e análise geográfica. • Sistema inovador. utilizando modelo de dados orientado-a-objetos.• Consegue escalonabilidade completa.

ou Solaris-X86 versão 2. Monitor de vídeo colorido SVGA.2. Disco rígido de 1 Gbytes.2. ou Estações IBM RISC/6000. de maneira que não existe diferença no modo de operar o SPRING. series IRIS 4D.5.13. dp 0. ou Estações Hewlett-Packard.C.conversão de dados.28 mm. o Plataforma mínima de hardware: Processador 486 DX2 100 Mhz.51. 50 Mbytes de espaço em disco para instalação mínima do SPRING. ou Estações Silicon Graphics.0. com sistema HP-UX 9.0.Moreira . com sistema operacional AIX 3. Memória RAM de 16 Mbytes.4 ou posterior. 100 Mbytes de espaço em disco para os bancos de dados a serem criados pelo usuário.4 ou posterior. que é exatamente a mesma.44 Mbytes e Unidade de CD-ROM (caso desejar trabalhar com imagens de satélite fornecidas pelo INPE). 2. ou Linux versão 1. 14" NI. • Estações RISC-UNIX o Estações SUN de arquitetura SPARC utilizando sistema operacional Solaris 2. O mesmo ocorre com a interface. series HP-700. Drive de 31/2". o o o • Hardware mínimo para estações RISC-UNIX o o o 32 Mbytes de memória principal. 1. DSR/INPE 11-7 J. com sistema IRIX 4. Quais plataformas e periféricos são suportados? • Plataforma PC o Software: Microsoft Windows-95 ou Windows-NT versão 3.

• IMPIMA o Executa leitura de imagens digitais de satélite. Temático. com o objetivo de facilitar seu uso. o As funções da janela principal.0 conta com um programa automático para instalação do sistema. • SPRING o É o módulo principal de entrada.• O SPRING 2. DSR/INPE 11-8 J. SPRING e SCARTA. Fast Format. Editar. estão divididas em: Arquivo. Imagem. modelagem numérica de terreno e análise geográfica de dados. CCT (Computer Compatible Tapes).Moreira . processamento digital de imagens.C. • Periféricos como mesa digitalizadora. manipulação e transformação de dados geográficos. em função de parâmetros fornecidos pelo usuário. executando as funções relacionadas à criação. HRV/SPOT e AVHRR/NOAA. gravadas pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). funções de entrada de dados. Exibir.Read Only Memory ). 3. manipulação de consulta ao banco de dados. na barra de menus. IMPIMA. Quais os módulos disponíveis? • 3 módulos. "streamer" (60 ou 150 megabytes) e DAT (Digital Audio Tape . compartimentando as funções de manipulação de dados geocodificados. traçadores gráficos compatível com HPGL e impressoras coloridas compatível com PostScript também são suportados e podem ser integrados no sistema. através dos dispositivos CD-ROM (Compact Disc . Numérico Cadastral.4 ou 8mm) adquiridas a partir dos sensores TM/LANDSAT-5. Este programa carrega seletivamente os arquivos da fita para o disco. Converte as imagens dos formatos BSQ. BIL e 1B para o formato GRIB (Gridded Binary).

através do recurso "O que você vê é o que você tem" (What You See Is What You Get. o Ambiente unificado para os diferentes tipos de dados geográficos e suas representações. símbolos. As funções indicadas em "negrito" passam a fazer parte do release 3. Inglês e Espanhol. resultantes dos projetos de pesquisa do INPE e seus parceiros. SPOT. Wysiwyg). • SCARTA o Edita uma carta e gera arquivo para impressão a partir de resultados gerados no módulo principal SPRING. Menus sensíveis ao contexto. Linguagem de Álgebra de Mapas LEGAL. Mosaico de Imagens com equalização dos níveis de cinza. Processamento de Imagens o o DSR/INPE 11-9 J.Rede. Para cada opção há um menu (janela de diálogo) associado com as operações específicas. Permite editar textos.6. Objetos e Utilitários. o 4. Interface com o Usuário o o o o Leitura de Imagens LANDSAT. Funções do SPRING O SPRING apresenta um conjunto de novos algoritmos e procedimentos inovadores. no formato varredura ou vector.C. quadros e grades em coordenadas planas ou geográficas. Disponível nos seguintes idiomas: Português. Permite exibir mapas em várias escalas. legendas. Registro e Correção Geométrica. ERS-1 e NOAA/AVHRR.Moreira . linhas. permitindo a apresentação na forma de um documento cartográfico.

Filtragem espacial. Operações aritméticas.Krigeagem. Filtros morfológicos para imagens. Fatiamento. Modelos de Mistura. Transformações IHS e componentes principais. Tabulação cruzada. edição e geração de topologia. Operadores Zonais. Ponderação. Geoestatísica . 11-10 DSR/INPE J. Processamento de Imagens de Radar.C. o o o o Estimador de Densidade por Kernel.Moreira . Conversão temáticos. Mapas de distância. o o o o o o o Digitalização. Mosaico. Classificadores estatísticos pixel-a-pixel. Restauração de imagens LANDSAT e SPOT. matriz de/para vetor de mapas o o o o Análise Geográfica Operações Boolaenas. Leitura de valores de pixel. Critério de Decisão AHP. Segmentação de Imagens e Classificadores por Regiões (supervisionado e não-supervisionado).o o o o o o o Realce por manipulação de histograma. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Reclassificação. Classificação Contínua e Estatística espacial com análise univariada de pontos. Técnicas markovianas para pós-classificação de imagens.

Geração de Grades. Cálculos de volume e perfis. Rede de Drenagem.. Cálculo de mapas de declividade e exposição de vertentes.Associação com objetos e definição de impedâncias e demandas. Digitalização de amostras e isolinhas. Geração de mapas hipsométricos. Extração de Topos de Morros. com a inclusão de restrições. Modelagem da rede . o o Digitalização de linhas e nós de uma rede.Com colaboração da CH2MHILL do Brasil. 11-11 Modelagem de REDES o o o DSR/INPE J. o o o o o o o o Modelagem Digital de Terreno o o o o o Suavização de Linhas. Mancha de Inundação .P-Mediana. Geração de grades triangulares (TIN). Produção de imagens sintéticas.C.o o Análise de Localização pelo método da p-mediana. Cruzamento Vetorial de PI's. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Operações Matemáticas. Geração de grades regulares. Cálculo do custo mínimo Alocação de Recursos.Moreira . Visualização 3D. Modelos Hidrológicos. Plotagem de contornos. Análise de Localização .

o Consulta a Bancos de Dados Relacionais (Mapas Cadastrais) o o o o o o o Ambiente interativo (WYSIWYG) com controle do posicionamento dos mapas. o Geocodificação de Endereços. DSR/INPE J. semelhante aos sistemas de "desktop mapping".LAC-INPE e Universidade Estadual Paulista UNESP/FEG Faculdade de Engenharia.Moreira 11-12 . ACCESS e ORACLE nativos. Apresentar o conteúdo de uma tabela relacional com atributos dos geo-objetos. Suporte aos padrões xBASE. legenda e texto. Gerar gráficos com a distrubuição relativa de dois atributos. símbolos. Geração de gráficos com distribuição de valores de atributos. Departamento de Matemática . Geração de Cartas o Biblioteca de Símbolos em formato DXF-R12 ou BMP. Consulta por atributos espaciais e apresentação dos resultados. Apresenta uma nova interface de consulta espacial.C. que permite: o Definição e apresentação do conteúdo de tabelas de atributos dos geo-objetos em BD relacionais.Com colaboração do Laboratório Associado de Computação e Matemática Aplicada . Agrupamento de objetos geográficos por atributos. Relacionar o conteúdo da tabela com a localização espacial dos objetos.

Mosaico de Dados Vetoriais e Imagens. SITIM. Registro vetorial. JPEG e GeoTIFF Tabelas : ASCII-SPRING e DBF o Intercâmbio de Dados o Conversores para ASCII-SPRING MID/MIF (Mapinfo).Moreira . TIFF. ASCIISPRING. ShapFile (ArcView) e E00 (ArcInfo) o Exportadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate).o o Configuração de folhas A0. A2. A1. ASCIISPRING. DXF-R12. 11-13 o o Gerenciamento de Mapas o o o DSR/INPE J. JPEG e GeoTIFF Tabelas : SPACESTAT e ASCII-SPRING Suporte para 14 Projeções Cartográficas. Edição de toponímia (textos) em todos modelos de dados. Suporte para dispositivos HPGL/2 e Postscript. A3 e A4. ShapeFile e E00 Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. DXF-R12. ShapeFile Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. Importadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate). TIFF. Conversão de Dados entre Projeções.C.

C.o Limpar Vetores - elimina linhas duplicadas. Roteiro de "Como Iniciar ?" para iniciantes. o Geração de Pontos .Moreira 11-14 . o Ajuda em formato HTML . e quebra automática de interseção de linhas. Ajuda On-line o o DSR/INPE J. Roteiro em 10 aulas para utilização das principais funções.conversão de mapas temáticos (pontos e polígonos) ou cadastrais (pontos e polígonos com atributos) para mapas de pontos temáticos (pontos 2D) ou numéricos (amostras 3D).necessário o navegador Internet Explorer. polígonos e elementos menores que uma dimensão fornecida pelo usuário.

C A P Í T U L O 12 USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO COMO RECURSO DIDÁTICO PEDAGÓGIC O NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE V â n i a M a r i a N u n e s d o s S a n t o s1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE Divisão de Sensoriamento Remoto 1 e-mail: vania@ltid.Santos .N.inpe.M.br DSR/INPE 12-1 V.

DSR/INPE 12-2 V.N.M.Santos .

.......................................................... 12-8 4.....................N.......... O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA .............. 12-6 3.................................. 12-5 2................................ÍNDICE 1............................................. CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO ... O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES .............. 12-14 DSR/INPE 12-3 V................................................................. INTRODUÇÃO ... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..... 12-11 5...............................M...........Santos ............................

Santos .N.M.DSR/INPE 12-4 V.

é o espaço privilegiado capaz de receber e processar tais informações transformando-as em conhecimento.1. sobretudo os orbitais (a bordo de satélites). desenvolver a função social de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas. bem como auxiliado no diagnóstico sobre as implicações ambientais. pela qualificação que pode promover no desempenho dos agentes sociais. Dada a sua importância para o mundo moderno. entendemos que o conhecimento produzido e acumulado sobre o potencial de utilização das tecnologias espaciais.N. Os dados gerados pelos diversos sensores remotos.M. políticas e culturais desses projetos com relação a ocupação dos espaços geográficos. favorecendo na realização do planejamento sócio econômico ambiental sustentável. Com o processo de mudanças desencadeado a partir da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9394/96). deve ser conhecido por toda nossa sociedade. resultante em parte da evolução e ampliação do conhecimento sistematizado. e por meio desse processo. através da coleta de diferentes dados e da aquisição de imagens da sua superfície. o que justifica o compromisso de divulgar ciência. no mundo inteiro e em diversas escalas. A escola. tem servido como base para o desenvolvimento e realização de projetos associados às atividades humanas. sociais. para a melhoria das condições de vida. econômicas. vem sendo assinalada a necessidade da educação escolar trabalhar com conteúdos e recursos que qualifiquem o DSR/INPE 12-5 V. por meio de sensores remotos.Santos . sobretudo do sensoriamento remoto. tornou-se possível “(re)conhecer” a Terra. concebida como agência de comunicação social que tem no saber sua matéria prima. INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento das modernas tecnologias espaciais. dentre as quais se incluem os satélites artificiais. movido pela crença de “ir ao espaço buscar soluções para os problemas da Terra”.

Santos . O uso escolar dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto apresentamse como recurso para o processo de discussão/construção de conceitos pelos alunos. planícies. História.cidadão para a vida na sociedade moderna tecnológica. DSR/INPE 12-6 V. Educação Artística. permitindo ultrapassar uma perspectiva de abordagem restrita às ciências da natureza. bacias hidrográficas. principalmente em abordagens interdisciplinares. enquanto conteúdo e recurso didático inovador no processo de ensino e aprendizagem. a utilização de imagens de satélite. por exemplo. os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes para o Ensino Médio. No ensino da Geografia. Matemática. tem se constituído numa oportunidade de aproveitar seu vasto potencial de uso e aplicações para a compreensão da dinâmica do processo de intervenção/repercussão das relações sociais no equilíbrio/desequilíbrio do meio ambiente. e avançar na perspectiva das ciências sociais e da pedagogia da comunicação. permite identificar e relacionar elementos naturais e sócio econômicos presentes na paisagem tais como serras. frente as atuais exigências de reformulação da educação escolar impostas pela conjuntura de nossa sociedade de final de milênio.N. e como conteúdo em si mesmas. Em consonância com a Lei. como por exemplo na focalização do tema Meio Ambiente. Este contexto favorece a introdução da tecnologia de sensoriamento remoto na escola. comum na abordagem desta questão. O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES O trabalho que temos realizado com sensoriamento remoto nas escolas. respectivamente. Ciências. destacam a importância do trabalho com o conhecimento científico e tecnológico no ensino fundamental e médio. Podemos verificar suas possibilidades de uso em diferentes disciplinas tais como: Geografia.M. rios. 2. dentre outras.

de tal forma a se constituírem no próprio conteúdo a ser compreendido. estas podem ser analisadas e compreendidas por intermédio do ensino de Ciências. Como as imagens de satélite estão associadas aos fenômenos físicos de absorção e reflexão da luz.M. com imagens de um mesmo local produzidas em períodos/anos diferentes. as imagens de satélite e fotografias aéreas podem ser utilizadas como recurso para a compreensão de conceitos. cidades. estradas. enquanto um movimento em suas regularidades e alternâncias. tais como o processo saúde/doença relacionado a vetores naturais como por exemplo a água e as condições em que se apresenta no meio ambiente. industriais. áreas agricultáveis. como os de área. proporção e formas geométricas.. No ensino de Matemática. ocupação e desenvolvimento de uma região. Os produtos de sensoriamento remoto podem ser DSR/INPE 12-7 V. serras. servindo portanto como um importante subsídio à compreensão das relações entre os homens e de suas conseqüências no uso e ocupação dos espaços e nas implicações com a natureza. No ensino da História. permanências e mudanças..Santos . rios e cidades. através da análise e compreensão entre os elementos constitutivos de uma paisagem tais como plantações. enquanto elemento cultural componente das sociedades tecnológicas. evidenciadas pelo sensoriamento remoto. é possível apreender a temporalidade dos fatos em sua dinâmica e fazer a reconstituição do processo de uso. bem como acompanhar resultados da dinâmica do seu uso.N.matas. Outros estudos voltados ao ensino de Ciências ainda podem encontrar nas imagens uma referência para a sua compreensão. ao mesmo tempo em que propiciam compreensão de conceitos físicos a elas associados. mostrando as transformações no perfil econômico e as possibilidades de construção de planos administrativos e condutas sociais participativas que se abrem a partir desse conhecimento.

M. Em Educação Artística. vales. utilizando diferentes escalas. rios. O contato. represas.. é possível também desenvolver estudos interdisciplinares a partir da definição de um tema específico para estudo. mostrando em diferentes escalas serras. sobretudo com as cores e formas características das imagens de satélite e sua decodificação. Esses recursos podem auxiliar o aluno a perceber “o tamanho real” do problema e consequentemente a importância de aprender a manipular conceitos matemáticos para compreendê-los.N. como por exemplo o tema meio ambiente. O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA As características dos produtos do sensoriamento remoto. tais como repetitividade de cobertura. propícias ao desenvolvimento de experimentos plásticos originais.utilizados como recurso à compreensão e resolução de problemas reais/concretos. sobretudo das imagens de satélite. justaposição de DSR/INPE 12-8 V. etc. ferrovias. onde as contribuições disciplinares se tecem na sua análise. como por exemplo calcular a área desmatada de uma floresta e a proporção deste impacto para a população local e circunvizinha. Embora estes exemplos apresentem possibilidades multidisciplinares de utilização escolar do sensoriamento remoto. além de possibilitar a elaboração de outros textos artísticos. cidades. “construindo” a região na sua tridimensionalidade. encaminha os alunos aos desdobramentos de leituras objetivas e subjetivas do espaço geográfico. 3.Santos . estradas. Esses são apenas alguns exemplos dos possíveis usos didáticos dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto no tratamento de conteúdos curriculares. construindo o próprio conhecimento. literários e plásticos a partir das percepções propiciadas pela leitura das imagens e pela experiência estética da relação com elas. é possível elaborar maquetes a partir de imagens de satélite. fotografias aéreas e mapas (cartas topográficas).

podem auxiliar nos estudos do meio ambiente. voltado à capacitação de professores e alunos. do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Petrobrás. enriquecendo estudos históricos e geográficos. A possibilidade de associarmos. Lorena.M. com referência em questões sócio ambientais. tais como indústrias ou loteamentos irregulares. Convém lembrar que entendemos a educação ambiental como um importante instrumento para a compreensão e conscientização de questões/problemas da realidade sócio ambiental. ao uso escolar do sensoriamento remoto. cujo desenvolvimento. apresentam importante contribuição para os estudos ambientais na escola.informações. mostrando. DSR/INPE 12-9 V. Monteiro Lobato e Santo André. sob a coordenação desta autora1. com a participação das Prefeituras locais. atividades de campo voltadas à verificação da verdade terrestre e a contextualização das informações obtidas a partir das imagens de satélite e fotografias aéreas. em 1999. Jacareí.Santos . seqüenciais e simultâneos. Cidadania e Novas Tecnologias: experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto”. foi desenvolvidos em escolas públicas e particulares do ensino fundamental e médio nos seguintes municípios: São José dos Campos. defendida na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. se constitui em uma das mais sérias exigências educacionais contemporâneas para o exercício/construção da cidadania. Cachoeira Paulista. cores e formas. abrangência espacial. as relações entre o crescimento desordenado das cidades e a presença de rios/córregos poluídos. e conseqüente melhoria da qualidade de vida. bem como subsidiar na análise dos processos de uso e ocupação dos espaços. sobretudo nas escolas. tem norteado o desenvolvimento de projetos de educação ambiental em escolas. intitulada: “Escola. que possibilitam uma visão de conjunto da paisagem em tempos diferentes. A abrangência espacial e o caráter temporal das imagens de satélite. através do estudo do meio ambiente local. 1 O referido trabalho.N. revelando a dinâmica do processo de construção do espaço geográfico. Os resultados obtidos fundamentaram a dissertação de mestrado desta autora. favorecendo na localização de possíveis fontes poluidoras. por exemplo.

etc. Deixar que o aluno observe uma imagem durante o tempo que for necessário para localizar sozinho seus principais elementos. sobretudo os constitutivos da sua cidade. segundo uma visão local e posteriormente por uma ótica integrada com toda região atingida direta ou indiretamente por este manancial. ou seja.Santos . mas ao contrário. favorecendo à análise do meio ambiente e ecossistemas associados. com o meio ambiente regional. Quando se analisa o córrego poluído em questão utilizando apenas levantamentos restritos. exige o desenvolvimento de atividades correlacionadas para o estudo do meio ambiente. não podemos deixar de investigar o comprometimento de um simples córrego urbano poluído. coleta de dados. recursos que. A realização de um estudo sobre os problemas sócio ambientais de uma cidade/região e suas implicações com a qualidade de vida da população. A utilização de recursos de sensoriamento remoto possibilita aos alunos uma apreensão sistêmica da área de estudo. convém lembrar que fotografias aéreas e imagens de satélites são instrumentos. não dispensa. que deságua no rio principal de uma bacia hidrográfica. à quilômetros de distância da área estudada..N. ante ao estudo em questão ou a sua complexidade. familiarizando-o com esta forma de representação do espaço. é possível que escape à vista as implicações degradantes que o mesmo possa estar provocando em outros locais. permite que este “se encontre” nesta paisagem. considerando não apenas um único DSR/INPE 12-10 V. constitui-se em exemplo interessante do que consideramos acima. regiões conhecidas do aluno favorece a descrição dos elementos presentes na paisagem. inicialmente.M. Se selecionarmos o recurso hídrico como vetor. a partir do qual iniciaremos o estudo em questão. explorar com recursos de sensoriamento remoto. cria a necessidade de acesso a outras fontes de informação. Contudo.Dessa forma.

CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO Nossa proposta de trabalho com os recursos de sensoriamento remoto na escola não se limita a uma mera transferência mecânica de informações. suas implicações para o declínio da qualidade de vida da população atendida direta ou indiretamente por este manancial. consequentemente. voltados ao uso escolar do sensoriamento remoto no estudo do meio ambiente. estabelecendo relações entre o impacto local e suas repercussões espaciais e revelando. como as citadas acima.aspecto/variável.Santos .N. bem como suas implicações sociais. econômicas. leitura de mapas. e suas repercussões regionais/globais. propor soluções para os problemas identificados. em diferentes escalas. A utilização dos recursos de sensoriamento remoto. bem como exercitarem a sua cidadania através de ações/intervenções escolares voltadas para a melhoria da qualidade de vida. realização de roteiros ambientais. mas sim a multiplicidade de aspectos/variáveis que possam estar contribuindo para a degradação da qualidade das águas. Não DSR/INPE 12-11 V. incluindo: leitura e interpretação de imagens de satélite e fotografias aéreas. refletir sobre a realidade sócio ambiental em estudo. Nos projetos educacionais desenvolvidos. com referência nos recursos hídricos. visando discussões sobre os problemas sócio ambientais locais (bairro/município). 4. professores de diferentes disciplinas orientaram seus alunos na realização de atividades em sala de aula e trabalhos de campo. tem propiciado aos alunos condições de compreender o meio ambiente local e regional. associados ao desenvolvimento de diferentes atividades. estudo do meio. elaboração de mapeamento sócio ambiental do bairro/região de estudo.M. políticas e culturais no cotidiano da sociedade. com referência na coleta de amostras d’água nos rios/córregos para posterior análise. entrevistas na comunidade.

mas a ela conectadas por diferentes relações. Linguagem total : uma pedagogia dos meios de comunicação. considerando a análise da realidade concreta e as reflexões possíveis de serem desenvolvidas sobre ela. visando a construção do conhecimento por professores e alunos. São Paulo : SUMMUS. que é preciso aprender a captar e estabelecer. 1979. F. possamos falar de aprendizagem ‘autêntica’. que o levará a utilizá-la enquanto ferramenta de: decodificação. mas sobretudo de refletir sobre elas e trabalhar suas relações com a prática pedagógica e com o tratamento dos conteúdos curriculares em suas relações com a vida. e que facilmente passam por desapercebidas a olhares menos desavisados.N. enquanto ferramenta para o estabelecimento de relações com realidades distintas da sua. 2 Gutierrez. compreensão da realidade imediata em que está inserido e de outras realidades semelhantes a esta. Somente pode chamar-se autêntico o conhecimento que em si mesmo e por si mesmo seja produtivo e transformador. propiciadoras do exercício de operações mentais implementadoras do desenvolvimento do raciocínio crítico e da produção do conhecimento. enquanto repercussões à distância de fenômenos. O uso escolar do sensoriamento remoto recomenda o desenvolvimento da Pedagogia da Comunicação no tratamento dos conteúdos curriculares.se trata de proceder apenas à divulgação de suas características e potencialidades. p. orientado pelo docente. Como afirma o educador Gutierrez2 (1979). Tal restruturação requer um trabalho ativo-reflexivo com a informação. o que requer do preceptor que ele o transforme em conhecimento seu e reestruture à sua maneira tal informação”.M. já que não são evidentes por si mesmas. por parte do aprendiz. 110 DSR/INPE 12-12 V. com propriedade de termos.Santos . “o mero fato de interpretar ou apropriar-se de um saber não é suficiente para que.

e a compreensão que o aluno tem dela. tem uma presença relevante. à observação da realidade focalizada. O uso escolar do sensoriamento remoto. em especial o sensoriamento remoto. Tais iniciativas implicam: • Considerar a realidade social em que o educando existe e na qual a tecnologia espacial.Santos . na implementação de planos administrativos que visem a qualificação e preservação do meio ambiente. • Lidar com o meio ambiente do educando. ao diálogo entre diferentes tipos de saber. pela apreensão das relações recíprocas entre o seu meio imediato e o mais amplo. Isto pressupõe propiciar ao aluno condições de compreender a vida humana numa dimensão de totalidade. bem como esclarece que professores podem promover ou proceder à socialização da ciência requalificando a relação do ensino com o conhecimento e com a vida. pela apreensão da ressonância das atuações individuais e das organizadas de maneira coletiva e colaborativa. circundante. • Alcançar como ponto de chegada do processo de ensino a reelaboração da compreensão inicial que o aluno tem do meio ambiente. como ponto de partida. • Recorrer como caminho. sua realidade imediata. DSR/INPE 12-13 V.M. permite desmistificar a idéia que uma tecnologia de ponta é algo distante da escola. para a construção do conhecimento mais elaborado e mais crítico do educando. como recurso didático pedagógico no processo de ensino aprendizagem. quando o seu uso está voltado para o estudo de questões importantes da atualidade e significativa para os alunos.Por em prática a Pedagogia da Comunicação significa por em prática iniciativas pedagógicas transformadoras. à utilização do sensoriamento remoto. como método.N.

Vânia M. Dissertação de Mestrado. N. o desenvolvimento do raciocínio crítico construtivo. oportunizando a escola.Santos . de responsabilidade individual e coletiva. N. 5. 1999.Elaborar projetos escolares com as pretensões didáticas aqui assumidas. o estabelecimento da relação teórico/prática capaz de promover o desenvolvimento de experiências escolares com o sensoriamento remoto. Santos. O uso escolar das imagens de satélite: socialização da ciência e tecnologia espacial. 1998. de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas através dos recursos da ciência presentes na sociedade.M. implica no desenvolvimento de ações capazes de propiciar: o questionamento sobre o significado de meio ambiente. e a partir dela a comunidade. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. a compreensão da contribuição da tecnologia de sensoriamento remoto na apreensão de problemas ambientais e na elaboração de sua superação. Nesta perspectiva. a percepção de suas relações. Heloísa D. cidadania e novas tecnologias: investigação sobre experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto. entendemos que o uso escolar do sensoriamento remoto pode contribuir para o desenvolvimento da função da escola na atualidade. e com a sua representação em diferentes escalas. Vânia M. voltados à conscientização de problemas sócio ambientais vividos e às possíveis atuações de superação. responsável por comportamentos organizados de intervenção social.N. BIBLIOGRAFIA: Santos. São Paulo: Cortez. a investigação e reflexão sobre a realidade sócio ambiental imediata. civil e administrativa. o acesso ao conhecimento da função social desta tecnologia. São Paulo. Pedagogia da comunicação. In: Penteado. Escola. DSR/INPE 12-14 V. 150p.

Penteado. 1991. Meio Ambiente e formação de professores. Cortez. Cortez. 2000. São Paulo. Heloísa D. São Paulo. Metodologia do ensino de geografia e história.Santos . Heloísa D.Penteado.M.N. DSR/INPE 12-15 V.

SAUSEN DSR/INPE .inpe.M.C A P Í T U L O 13 PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula T a n i a M a r i a S a u s e n1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 tania@ltid.br 13-1 T.

DSR/INPE 13-2 T.M.SAUSEN .

...... 12-9 1.......... 3.. 12-13 SITES ÚTEIS ...... PROJETO EDUCA SERE III-ELABORAÇÃO DE CARTA-IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO .......................................M.......................................................SAUSEN ................. O DOCUMENTO DE CAMBORIÚ .... INTRODUÇÃO .........................................................................................................2 O INPE ................................. 12-12 4.........................ÍNDICE 1............................................................................ 12-8 1...........................................4 CARTA-IMAGEM ..................................................................................................................... 12-19 DSR/INPE 13-3 T............................................................. 12-7 1............................3 OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS .............1 OS SATÉLITES DE SENSORIAMENTO ........................ 12-10 O PROGRAMA EDUCA SERE .. 12-10 2....................................................................... 12-7 1......................................

M.SAUSEN .DSR/INPE 13-4 T.

.......M..........CARTA IMAGEM DE PORTO ALEGRE – RS ........SAUSEN .... 13-19 DSR/INPE 13-5 T....................LISTA DE FIGURAS 1 .......

DSR/INPE 13-6 T.M.SAUSEN .

o LANDSAT. que está localizada em Cuiabá. centro geográfico da América do Sul. As imagens geradas pelos satélites de sensoriamento remoto são uma ferramenta poderosa para serem utilizadas como recurso didático em sala de aula. o canadense RADARSAT. Paralelamente. o que chama atenção do aluno. ORVIEW e o sino-brasileiro CBERS. estas imagens são pictoricamente agradáveis. facilitando assim o ensino e a compreensão da geografia. Estas características proporcionam uma série de informações sobre os recursos naturais e ações antrópicas.br http://www.br/unidades/cep/atividadescep 1-Introdução: 1. Desde esta época já foram lançados vários satélites de sensoriamento remoto.inpe. tais como o francês SPOT. DSR/INPE 13-7 T. o primeiro satélite de sensoriamento remoto.inpe.PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula Tania Maria Sausen Ministério da Ciência e Tecnologia Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais Atividades de treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espacial tania@ltid. importantes.SAUSEN .1) Os satélites de sensoriamento: Em junho de 1972 foi lançado pelos norte-americanos. os norte-americanos IKONOS.Em junho de 1973 entrou em operação a antena de rastreamento de satélites do Brasil. o europeu ERS.M. por permitirem a coleta de dados temporais de uma mesma área e por coletarem informações sobre feições na superfície terrestre em várias faixas do espectro eletromagnético. no estudo do espaço geográfico e do meio-ambiente. Esta foi a terceira antena a entrar em operação no mundo. da ciência e da história. por apresentarem uma visão sinótica da área abrangida por cada uma delas. informações estas.

através da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tecnologia Espaciais-ATDCCTE e da sua Divisão de Sensoriamento Remoto-DSR. esta tecnologia ainda não é amplamente utilizada pelo público em geral e poucos professores fazem uso das imagens de satélite como recurso didático. o alto custo das imagens de satélite e a falta de material didático dedicado exclusivamente ao ensino de sensoriamento remoto. DSR/INPE 13-8 T. tem se preocupado com a disseminação e transferência desta tecnologia para usuários finais. para proteger e preservar a terra. que deverá entender o relacionamento entre meio-ambiente e sociedade. Apesar de todas as atividades desenvolvidas pelo Instituto. Nos últimos cinco anos.2) O INPE Desde o lançamento do primeiro satélite de sensoriamento remoto.O professor em sala de aula.M. É nesta fase também que estes estudantes estão escolhendo a sua futura profissão sendo. vários organismos internacionais. seguramente terá um grande aliado. em 1972. É bem verdade que este panorama vem mudando nos últimos anos. pois. tem observado e comprovado que é necessário estender-se o processo de disseminação da tecnologia de sensoriamento remoto para alunos dos ensinos fundamental e médio. As imagens de satélites. o momento adequado para motivá-los a trabalhar com sensoriamento remoto. restringe-se a professores universitários. Isto ocorre principalmente pela falta de capacitação de alguns professores. no uso das imagens de sensoriamento remoto. quando são utilizadas em sala de aula. quase sempre oriundos do programa de mestrado em sensoriamento remoto do INPE. em consonância com uma tendência observada em todo o mundo e incentivada pela Divisão de Espaço Exterior da ONU e pela UNESCO.SAUSEN . o INPE. agências espaciais e educadores. pois é desta comunidade de estudantes que surgirá o cidadão do futuro. 1.

É um material didático de múltiplas finalidades para os professores do ensino fundamental (1° a 8° séries-7 a 14 anos) e médio (1° a 3° séries-15 a 17anos). em suas diferentes resoluções espaciais. formas que aproximem o aluno da realidade. DSR/INPE 13-9 T.SAUSEN . de modo a interpretar. Eles servem de instrumento no apoio às discussões pedagógicas na escola. na reflexão sobre prática educativa e na análise do material didático. para seus alunos. no planejamento das aulas. em cada uma das séries. artes. do seu estado.3) Os Parâmetros Curriculares Nacionais Os Parâmetros Curriculares Nacionais-PCN foram criados pelo Ministério da Educação do Brasil. analisar e relacionar informações sobre o espaço geográfico e as diferentes paisagens”. na elaboração de projetos educativos. e como ocorre a apropriação desta por aquela”. para permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição. È mencionado nos PCNs que “o ensino da Geografia deve fazer uso de leituras de imagens. de dados e de documentos de diferentes fontes de informação. bem como com os fenômenos sociais.1. temporais e espectrais constituem-se em poderosa ferramenta em sala de aula. do seu país e do seu continente. as imagens de satélite. da sua cidade. história. útil e interessante no ensino da geografia. A Geografia tem que trabalhar com diferentes noções espaciais e temporais. com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. bem como ciências. sendo um material didático rico. que permitam que tenham um conhecimento mais detalhado do local onde eles vivem. Diante disto. ao longo do período letivo. De acordo com os PCNs o objetivo da Geografia “é explicar e compreender as relações entre a sociedade e a natureza. culturais e naturais que são característicos de cada paisagem.M. Estes Parâmetros atendem a todas as áreas dos ensinos fundamental e médio e dão as linhas de ação de cada uma das disciplinas. etc. Atualmente as escolas brasileiras estão buscando novos recursos didáticos e novas formas de ensinar geografia. com relação ao programa a ser desenvolvido em sala de aula.

Para esta tarefa as imagens de sensoriamento remoto são úteis e possibilitam a identificação de vários aspectos da paisagem. áreas e detalhes. permitindo a avaliação precisa de distâncias. tais como a rede hidrográfica. Assim. levando-se em consideração os PCNs e os livros didáticos de geografia. estados.O Documento de Camboriú Durante a I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul. córregos. O uso de dados temporais para caracterizar a ação do homem sobre o meio ambiente. sugerese: • • • • O uso de imagens de satélite com diferentes resoluções espaciais para o estudo dos continentes. cartas rodoviárias e visitas ao campo.4) Carta-Imagem Do ponto de vista cartográfico. O uso de imagens de alta resolução para estudos locais (cidades e bairros). o uso do solo. ferrovias. A CARTA-IMAGEM é a carta elaborada a partir de uma imagem de satélite. coordenadas geográficas.O ensino da geografia visa também tornar o aluno um futuro cidadão consciente sobre o meio-ambiente e os recursos naturais que o cercam. para que o aluno possa aprender e caracterizar o local onde vive e como deve interagir com a paisagem ao seu redor. Cada carta-imagem apresenta informações sobre áreas urbanas e os principais elementos da paisagem. fotografias. CARTA é a representação dos aspectos naturais ou artificiais da Terra destinada a fins práticos da atividade humana. regiões e municípios. direções e a localização geográfica de pontos. bem como caracterizar a interação do homem com ela e os impactos provocados por ele.SAUSEN . 2 . arroios. mapas temáticos.M. no período de 20 a 23 de maio de 1997. as áreas agrícolas. além de informações cartográficas tais como rodovias. nomes de rios. a cobertura vegetal. realizada no Balneário Camboriú. um dos temas DSR/INPE 13-10 T. A integração de dados obtidos de cartas geográficas. geodésicas e escala de trabalho. países. 1. cidades.

mais discutidos foi à carência de material didático voltado especificamente ao ensino de sensoriamento remoto. cadernos pedagógicos. em todos os níveis. o material didático existente em geral se constitui de esforços isolados ou mesmo anotações pessoais dos professores que ministram os cursos e disciplinas de sensoriamento remoto. falta de apoio institucional e financeiro à confecção de material didático Para sanar os problemas referentes a carência de material didático são sugeridas ações. há pouco material didático gerado por autores e nos idiomas da região do Mercosul e os mesmos já estão desatualizados. tutoriais disponíveis na Internet. favorecer ações de vinculação com o setor privado que fomentem a geração e distribuição de material didático. médio. 3) Com relação a disponibilidade de material didático em sensoriamento remoto observou-se que: • • • há uma carência de material didático com ênfase em exemplos ou estudos realizados na região do Mercosul. DSR/INPE 13-11 T.M. tais como: • promover junto aos organismos financiadores a difusão do sensoriamento remoto de tal forma que motive estes organismos a financiarem a geração de material didático. vídeos e slides com imagens de satélite. CD ROM com imagens de satélite. atlas geográficos compostos por imagens de satélite. • • solicitar a cooperação e o apoio dos distribuidores de dados espaciais a baixo custo para atividades de ensino.SAUSEN . 2) Podem ser considerados como material didático em sensoriamento remoto livro texto. mas de modo geral em todos os países do Mercosul. carta imagem. Este é um problema que não ocorre somente no Brasil. etc. • • há total falta de interesse das editoras pela publicação de livros técnicos e material didático em sensoriamento remoto devido a atual relação custo/demanda. No Documento de Camboriú é mencionado que: 1) A informação proveniente de dados de sensoriamento remoto pode ser utilizada nos distintos níveis formais de ensino (fundamental. superior e pós-graduação).

motivar instituições de ensino. estando todos voltados para a elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto. em 1998. 3 . no meio docente e discente. de tal forma que eles sejam amplamente divulgados. o Programa Educa SeRe.SAUSEN . através da disseminação e comercialização de material didático de baixo custo. • • • socializar os conhecimentos de sensoriamento remoto para fomentar novos projetos de pesquisas e aplicações na área de recursos naturais. Este programa está dividido em quatro módulos. os tópicos mencionados. incentivar as universidades que possuem centros de publicação a gerar material didático e fazerem a sua divulgação através de sociedades científicas. de tal forma que dissemine e torne acessível esta tecnologia a todas as camadas da sociedade.O Programa Educa SeRe Considerando-se. pela responsável da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espaciais.CD ROM para o Ensino de Sensoriamento Remoto DSR/INPE 13-12 T. tais como universidades. Este programa tem por objetivo gerar material didático.• • motivar as autoridades de educação e pesquisadores a elaborar material didático para apoiar o ensino de sensoriamento remoto.Cadernos Didáticos no Ensino de Sensoriamento Remoto. pois. cada um deles constituindo-se em um projeto. foi criado no INPE. Os objetivos específicos do programa são: • Promover a criação de uma massa crítica sobre o uso e as aplicações da tecnologia de sensoriamento remoto no país e na região do Mercosul. a tomarem parte na elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto. motivar empresas privadas a colaborarem na confecção de material didático voltado para o ensino de sensoriamento remoto. • PROJETO EDUCA SeRe II . • difundir. a baixo custo. dedicado ao ensino de sensoriamento remoto nos níveis fundamental. médio e superior.M. diferentes produtos adquiridos por satélites de sensoriamento remoto existentes na atualidade. a saber: • PROJETO EDUCA SeRe I .

para a comunidade em geral. nas disciplinas de ciência e geografia.Projeto Educa Sere III-Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto O Projeto Educa SeRe III-– Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto. a baixo custo. Foram feitas 3 mil cópias. para serem utilizadas como material didático.Homepages para o Ensino de Sensoriamento Remoto Cada um destes módulos já gerou pelo menos um material didático 4 . Ele é parte do Programa Educa SeRe desenvolvido pelo INPE. realizado em Santos. tornar acessível. No contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: DSR/INPE 13-13 T.M. de forma ampla e a baixo custo. SP.SAUSEN . um ano após a realização da I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul.Elaboração de Cartas-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto • PROJETO EDUCA SeRe IV. As primeiras cartas-imagem foram apresentadas no IX Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais. de tal forma que formem uma coleção. de forma seriada. teve início em 1998.• PROJETO EDUCA SeRe III . em parceria com a SELPER e distribuídas durante o Simpósio e posteriormente para todos os interessados em vários estados brasileiros e mesmo para o exterior. Tem objetivo criar séries de cartas-imagem. Estas cartas estão sendo produzidas separadamente. em setembro de 1998. Os objetivos específicos deste projeto são: • • • Disponibilizar. abordando várias aplicações de sensoriamento remoto na área de recursos naturais. dados de sensoriamento remoto dedicado à área de recursos naturais. realizada em CamboriúSC. difundir o uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático.

ONGs. na edição do dia 21 de agosto de 1999. • Mosaico do Vale do Paraíba. 3 e 4.000. Estas cartas-imagem tiveram um grande sucesso. com o apoio da Prefeitura Municipal de São José dos Campos.000. pontos 75 e 76. Posteriormente ao lançamento o INPE assumiu o compromisso de treinar os professores da rede de ensino (municipal. bem como por vários segmentos da sociedade tais como imobiliárias. sensor SAR. Assim foram treinados 121 professores da rede municipal. órbita 21. redes de televisão. promotores públicos. na utilização da carta imagem como recurso didático em sala de aula. de 08 de maio de 1996 e 04 de abril de 1996. respectivamente. DSR/INPE 13-14 T. gerado a partir de duas imagens LANDSAT/TM. escala 1:50. dando início assim ao Projeto Educa Sere III— Elaboração de carta imagem para o ensino de sensoriamento remoto-Utilização de cartas-Imagem-CBERS como Recurso Didático. elaborada em parceria com a Agência Espacial Européia – ESA. passagens de 26 de julho e 20 de agosto de 1997. escala 1:350. 2000 exemplares impressos foram distribuídos para todas as escolas do ensino fundamental e médio de São José dos Campos. advogados. 64 da rede estadual e 23 da rede privada num total de 208.a) Série Cidades Brasileiras: • Carta-Imagem n° 1–Santos. distribuidoras de leite. construtores de rodovias. órbita 219 ponto 76. professores e estudantes universitários.000. estadual e privada). utilizando a imagem de satélite LANDSAT/TM. arquitetos. utilizando a imagem de satélite ERS-1 e 2. Litoral Norte e Serra da Mantiqueira. sendo bem recebidas. • Carta-Imagem n° 3 – São José dos Campos. etc. energia elétrica. em toda a região abrangida pelo Jornal Valeparaibano (41 municípios).M. passagem de 20 de agosto de 1997. escala 1:50. canais 2.SAUSEN . publicado em parceria com o Jornal Vale Paraibano de São José dos Campos. planejadores. utilizando a imagem do satélite LANDSAT/TM. • Carta-Imagem n° 2 – Santos. Com o lançamento do satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres-CBERS este projeto passou a dedicar-se a criação de cartas-imagens usando exclusivamente imagens da Câmara CCD deste satélite. não apenas pelos professores do ensino fundamental e médio. jornalistas.

Os objetivos específicos deste curso são: • Despertar interesse na comunidade docente para a potencialidade e a utilização de dados de sensoriamento remoto como recurso didático. como parte das atividades do XI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. DSR/INPE 13-15 T. foi realizado o terceiro curso. No período de 3 a 5 de abril de 2003. Com a finalidade de capacitar professores dos ensinos fundamental e médio no uso das cartas-imagens como recurso didático foi criado o Curso sobre “O Uso de Sensoriamento Remoto como Recurso Didático nos Ensinos Fundamental e Médio”. foram levados em conta os objetivos e metas propostas para o ensino de geografia para cada um dos ciclos dos ensinos fundamental e médio. tornar acessível. em Foz do Iguaçu. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais. e proposto como e quais dados de sensoriamento remoto os professores podem estar utilizando em sala de aula. 19-21 de abril de 2001. em geografia. em parceria com a Universidade de Manaus. Posteriormente. com a conseqüente geração da carta-imagem de Manaus. O primeiro curso e o lançamento da primeira carta-imagem CBERS foi realizado durante o X Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. incentivar o desenvolvimento de novas metodologias de ensino. em sala de aula. no uso de imagens de sensoriamento remoto.M. Paraná.SAUSEN . em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. disseminar os produtos de sensoriamento remoto gerados pela Satélite SinoBrasileiro de Recursos Terrestres. foi realizado um curso para professores do município de Manaus.Os objetivos específicos deste projeto são: • • • • • disseminar a tecnologia de sensoriamento remoto na educação escolar. Para este curso foi gerada a carta-imagem de Belo Horizonte O objetivo deste curso é a capacitação de professores dos ensinos fundamental e médio. em Belo Horizonte. de 17 a 22 de junho de 2002. incentivar os docentes dos ensinos fundamental e médio a formarem cidadãos conscientes da importância da preservação dos recursos naturais e como os dados de sensoriamento remoto podem auxiliar nesta tarefa. de forma ampla e a baixo custo. Assim. levando em consideração as diretrizes e orientações presentes nos PCNs. para o ensino de geografia.

matemática. Os professores treinados têm utilizado as cartas-imagem para desenvolver projetos sobre meio-ambiente e preservação de recursos naturais em sala de aula. buscar novas formas de utilização de dados de sensoriamento remoto em sala de aula. ensino de geografia. referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto. cartografia. DSR/INPE 13-16 T. As metas a serem atingidas são: • Capacitar docentes de geografia dos ensinos fundamental e médio para desenvolverem atividades. ciências.• Disseminar para a comunidade docente e discente os benefícios gerados pela tecnologia de sensoriamento remoto no conhecimento do espaço geográfico. referentes ao projeto. • Por meio dos docentes. em sala de aula. em sala de aula. envolvidos no projeto. referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto em geografia.M. encorajar os estudantes interessados em geografia e ciências. • Difundir junto à comunidade docente e discente as atividades realizadas pelo INPE na área de sensoriamento remoto. Espera-se que ao final do curso os docentes estejam familiarizados com os inúmeros recursos didáticos oferecidos pelas imagens de sensoriamento remoto. que passem a utilizá-las em sala de aula e que possam eles próprios criar novos materiais didáticos a partir dos conhecimentos adquiridos no curso. • Encorajar os estudantes do ensino fundamental e médio a se interessarem por profissões relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto. • • Com o auxílio dos docentes participantes do projeto. educação ambiental. Por meio das atividades em sala de aula. • Com o auxílio dos professores e estudantes. capacitar os alunos dos ensinos fundamental e médio a desenvolverem atividades. física e artes. a elegerem carreiras relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto. dos aspectos sócio-econômicos e na preservação dos recursos naturais do país. tornar acessível à comunidade em geral os benefícios gerados à comunidade pelas atividades de sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE. tendo como objetivo a busca de novos talentos.SAUSEN .

SP Estas cartas-imagem estão disponíveis na homepage do projeto: http://www. Carta-imagem de Cuiabá. Dentro do contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: a) Capitais Brasileiras: • • • • Carta-imagem de Brasília. Carta-imagem de Belo Horizonte. Este é o único projeto do gênero na América do Sul. • Buscar parcerias entre o INPE e instituições públicas e privadas no sentido de ampliar este projeto bem como na realização de futuros projetos na área de educação espacial.inpe. Formas de utilização de cartas-imagem CBERS em sala de aula: DSR/INPE 13-17 T. Carta-imagem de Manaus.SAUSEN . PR Carta-Imagem de Cachoeira Paulista.br/unidades/cep/atividadescep/educasere Resultados esperados neste projeto são: • Criar uma massa critica entre os professores de geografia do ensino fundamental e médio no uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático em sala de aula. • Ter uma ampla difusão das atividades de educação e sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE na comunidade docente e estudantil. Estão em fase de elaboração as cartas-imagem de Porto Alegre e Natal.Elas têm despertado interesse também de docentes na Argentina e Uruguai.M. b) Cidades Brasileiras: • • Carta-imagem de Foz do Iguaçu.

DSR/INPE 13-18 T. tais como áreas alagadas. aspectos de inundações. as grandes artérias hidrográficas do mundo. florestas naturais.M. Explicar aspectos mais complexos como grandes complexos de relevo. a forma dos continentes. bacias de drenagem.SAUSEN . Aspectos morfológicos da paisagem urbana. Complementar a cartografia na compreensão de aspectos gerais como a distribuição de mares e terras. planícies fluviais.Segue abaixo alguns exemplos de situações em que o material didático com sensoriamento remoto pode ser utilizado em sala de aula: Traçado de áreas urbanas e rede viária que comunica a cidade com o entorno imediato. etc. florestas) como as artificiais (estradas. uso do solo e áreas agrícolas de uma região. Reconstituição histórica do espaço geográfico em que o aluno vive. serras. Identificar áreas de preservação de mananciais e sua forma de ocupação. Estudo geográfico do espaço imediato ao aluno. Correlacionar o tipo de ocupação humana com os aspectos físicos. econômicos e sociais da região onde o aluno vive. correntes oceânicas. Os limites e as barreiras urbanas. Formas de crescimento das áreas urbanas e progressiva invasão do espaço agrícola. tanto as que provem do meio natural (rios. Visão sinóptica do local onde o aluno vive e sua relação com o contexto ao redor. Distribuição do uso do solo no tempo e no espaço e sua relação com os aspectos econômicos da região onde o aluno vive. Impactos ambientais causados pelo a ocupação humana. áreas costeiras. Caracterização de áreas de preservação. complexos urbanos) criadas pelo homem. áreas de mangue.

cnpm.br DSR/INPE 13-19 T.M.br Homepage da SATMIDIA-galeria de imagens de satélite http://www. Clique sobre a imagem com o mouse para obter imagens mais detalhadas da área de interesse.satmídia.SAUSEN .Sites úteis: Homepage da “Atividades de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tencologia Espaciais” do INPE http://www.com.br/unidades/cep/atividadescep Homepage da EMBRAPA com imagens de satélite de todos os estados brasileiros.inpe.cdbrasil. http://www.embrapa.

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