CAPÍTULO 1

FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO

Elisabete Caria de Moraes1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE

1

e.mail : bete@ltid.inpe.br 1-1 E.C.MORAES

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ÍNDICE

LISTA DE FIGURAS ...................................................................................... 1-5 1. FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO ............................... 1-7 1.1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA ........................................................ 1-7 1.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ....................................................... 1-9 1.3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA ............................................................ 1-12 1.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS .......... 1-15 1.5 SISTEMA SENSOR ............................................................................... 1-18 1.6 NÍVEIS DE COLETAS DE DADOS ....................................................... 1-21 2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................... 1-22

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LISTA DE FIGURAS
1 – COMPRIMENTOS DE ONDA .................................................................. 1-8 2 – O ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ................................................... 1-10 3 – CURVAS DE DISTRIBUIÇÃO ESPECTRAL DA ENERGIA SOLAR NA ATMOSFERA ......................................................................................... 1-13 4 – TRANSMITÂNCIA ESPECTRAL DA ATMOSFERA ............................. 1-14 5 – INTERAÇÃO DA ENERGIA ELETROMAGNÉTICA COM O OBJETO 1-16 6 – NIVEIS DE COLETAS DE DADOS ........................................................ 1-21

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C.DSR/INPE 1-6 E.MORAES .

1. O Sol e a Terra são as duas principais fontes naturais de energia eletromagnética utilizadas no sensoriamento remoto da superfície terrestre.1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA. Essas interações são determinadas pelas propriedades físicoquímicas e biológicas desses objetos e podem ser identificadas nas imagens e nos dados de sensores remotos. A energia eletromagnética é emitida por qualquer corpo que possua temperatura acima de zero grau absoluto (0 Kelvin). aquisição e análise (interpretação e extração de informações) da energia eletromagnética emitida ou refletida pelos objetos terrestres e registradas por sensores remotos. pois ela permite quantificar a energia espectral refletida e/ou emitida por estes. Desta maneira. 1. de mapeamento e de monitoramento de recursos naturais. A energia eletromagnética não precisa de um meio material para se propagar. DSR/INPE 1-7 E. A energia eletromagnética utilizada na obtenção dos dados por sensoriamento remoto é também denominada de radiação eletromagnética. todo corpo com uma temperatura absoluta acima de zero pode ser considerado como uma fonte de energia eletromagnética. Logo os sensores remotos são ferramentas indispensáveis para a realização de inventários. Estas atividades envolvem a detecção.C. FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO O Sensoriamento Remoto pode ser entendido como um conjunto de atividades que permite a obtenção de informações dos objetos que compõem a superfície terrestre sem a necessidade de contato direto com os mesmos. A quantidade e qualidade da energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres resulta das interações entre a energia eletromagnética e estes objetos. Portanto. a energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres é a base de dados para todo o processo de sua identificação. e assim avaliar suas principais características.MORAES .

C. 1 – Comprimento de onda Dado que a velocidade de propagação das ondas eletromagnética é diretamente proporcional à sua freqüência e comprimento de onda. esta pode ser expressa por: c = f ⋅λ onde: c = velocidade da luz (m/s) f = freqüência (ciclo/s ou Hz) (1) λ = comprimento de onda (m) A quantidade de energia (Q) emitida. onde ”c” é a velocidade da luz. como mostra a Figura 1. o número de ondas que passa por um ponto do espaço num determinado intervalo de tempo.sendo definida como uma energia que se move na forma de ondas eletromagnéticas à velocidade da luz ( c = 300.MORAES . transferida ou recebida na forma de energia eletromagnética. A distância entre dois pontos semelhantes. está associada a cada comprimento de onda ou freqüência e é definida por: Q = h⋅ f = h λ (2) DSR/INPE 1-8 E. Fig. define a freqüência da radiação eletromagnética.).000 Km s . define o comprimento de onda e.

3 µm a 15 µm. Este apresenta subdivisões de acordo com as características de cada região. Através desta equação verifica-se que quanto maior a quantidade de energia maior será a freqüência ou menor será o comprimento de onda a ela associada e vice-versa.s)) e a unidade que quantifica esta energia é dada em Joule (J). embora a faixa de microondas também é utilizada. do tipo de interação que ocorre entre a radiação e o objeto sobre o qual esta incide. Cada subdivisão é função do tipo de processo físico que dá origem a energia eletromagnética. 1.MORAES . A faixa espectral mais utilizada em sensoriamento remoto estende-se de 0.onde h é a constante de Planck (6.625 10-34 joule segundo (J.C. nanometro: 1 nm = 10-9 m) para comprimento de onda e múltiplas do Hertz (quilohertz: 1 kHz = 103 Hz. até as ondas de rádio de baixa freqüência e grandes comprimentos de onda.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO A energia eletromagnética pode ser ordenada de maneira contínua em função de seu comprimento de onda ou de sua freqüência. como mostra a Figura 2. sendo esta disposição denominada de espectro eletromagnético. e da transparência da atmosfera em relação à radiação eletromagnética. DSR/INPE 1-9 E. megahertz: 1 mHz = 106 Hz) para freqüência. A medida que se avança para a direita do espectro eletromagnético as ondas apresentam maiores comprimentos de onda e menores freqüências. O espectro eletromagnético se estende desde comprimentos de onda muito curtos associados aos raios cósmicos. Devido a ordem de grandeza destas variáveis é comum utilizar unidades submúltiplas do metro (micrometro: 1 µm = 10-6 m.

DSR/INPE 1-10 E.O espectro eletromagnético. A sensação de cor que é produzida pela luz está associada a diferentes comprimentos de ondas. Raio X: é produzido através do freamento de elétrons de grande energia eletromagnética. Seu poder de penetração a torna nociva aos seres vivos. As cores estão associadas aos seguintes intervalos espectrais.MORAES .. Ultravioleta (UV): é produzida em grande quantidade pelo Sol. porém esta energia eletromagnética é praticamente toda absorvida pela camada de ozônio atmosférico.38µm. Podem-se observar na Figura 2 a existência das seguintes regiões: Radiação Gama: é emitida por materiais radioativo e. Nuvem Fig. por ser muito penetrante (alta energia). Visível (LUZ): é o conjunto de radiações eletromagnéticas que podem ser detectadas pelo sistema visual humano.003 µm até aproximadamente 0. tem aplicações em medicina (radioterapia) e em processos industriais (radiografia industrial).. Seu médio poder de penetração o torna adequado para uso médico (raio X) e industrial (técnicas de controle industrial).. 2 ..C. sendo emitida na faixa de 0.

58 µm amarelo: 0.45 a 0.6 µm laranja: 0. Os feixes de microondas são emitidos e detectados pelos sistemas de radar (radio detection and ranging).6 a 0.MORAES .62 µm vermelho: 0.62 a 0.7 a 1000 µm e costuma ser dividida em três sub-regiões: IV próximo: 0.7 a 1.3 a 6 µm IV distante: 6 a 1000 µm A energia eletromagnética no intervalo espectral correspondente ao infravermelho próximo é encontrada no fluxo solar ou mesmo em fontes convencionais de iluminação (lâmpadas incandescentes).3 µm IV médio: 1. Microondas: são radiações eletromagnéticas produzidas por sistemas eletrônicos (osciladores) e se estendem pela região do espectro de 1mm até cerca de 1m.violeta: 0. enquanto as energias eletromagnéticas correspondentes ao intervalo espectral do infravermelho médio e distante (também denominadas de radiação termal) são provenientes da emissão eletromagnética de objetos terrestres. como por exemplo: DSR/INPE 1-11 E.38 a 0.70 µm Infravermelho (IV): é a região do espectro que se estende de 0. Algumas regiões do espectro eletromagnético têm denominações que indicam alguma propriedade especial.45 µm azul: 0.49 a 0.58 a 0.C. Radio: é o conjunto de energias de freqüência menor que 300MHz (comprimento de onda maior que 1m). o que corresponde ao intervalo de freqüência de 300GHz a 300MHz.49 µm verde: 0. Estas ondas são utilizadas principalmente em telecomunicações e radiodifusão.

Os gases presentes na atmosfera apresentam capacidade de absorção muito variáveis em relação ao comprimento de onda da energia solar incidente no sistema terra-atmosfera e da energia emitida pela superfície terrestre. portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro solar. também denominado de luz. Existem regiões do espectro eletromagnético para os quais DSR/INPE E.C.3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA A energia eletromagnética ao atravessar atmosfera terrestre pode ser absorvida. 1.Espectro óptico: refere-se à região do espectro eletromagnético que compreende as energias que podem ser coletadas por sistemas ópticos (ultravioleta. Quando a Terra atua como fonte de energia eletromagnética os sensores detectam a energia emitida pelos corpos terrestres. Esta distinção torna possível o tratamento separado desses dois tipos de energia eletromagnética. Quando consideramos o Sol como fonte de energia eletromagnética (ou fonte de iluminação) os sensores detectam a energia refletida pelos objetos terrestres. portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro termal. facilitando a análise da energia radiante.28 a 4 µm. refletida e espalhada. Espectro visível: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas percebido pelo sistema visual humano. visível e infravermelho). Espectro termal: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas emitidas pelos objetos terrestres e encontra-se nos intervalos espectrais correspondente ao infravermelho médio e distante.MORAES 1-12 . Cerca de 99% da energia solar que atinge a Terra encontra-se concentrada na faixa de 0. Espectro solar: refere-se à região espectral que compreende os tipos de energia emitidas pelo Sol.

a atmosfera absorve muito da energia incidente no topo da atmosfera. A Figura 3 mostra a distribuição do espectro de energia eletromagnética do Sol no topo da atmosfera e na superfície terrestre observada ao nível do mar.Curvas da distribuição espectral da energia solar na atmosfera/superfície terrestre. Os principais gases absorvedores da radiação eletromagnética são vapor d’água (H2O). CH4. Esta interação da energia com a atmosfera pode ser comparada com uma cortina que age como um filtro e.MORAES . atenua ou até mesmo impede a passagem da luz. DSR/INPE 1-13 E. E n e g i a I n c i d e n t e o Energia solar incidente no topo da atmosfera Energia solar incidente na superfície terrestre A ) Fig. os quais atenuam a energia eletromagnética diferentemente. As áreas sombreadas representam as absorções devido aos diversos gases presentes numa atmosfera limpa. oxigênio (O2). ozônio (O3) e gás carbônico (CO2). 3 . Os gases CO. às vezes não deixando chegar quase nada de energia na superfície terrestre. NO e N2O ocorrem em pequenas quantidades e também exibem espectros de absorção. dependendo de seu tecido.C. Neste caso os diferentes tipos de tecidos da cortina poderia ser comparado com os diferentes gases existentes na atmosfera terrestre.

isto é. Nestas regiões são colocados os detectores de energia eletromagnética. A Figura 4 apresenta as janelas atmosféricas e as regiões afetadas pelos principais gases atmosféricos. o principal gás absorvedor da energia eletromagnética solar é o ozônio (O3).C. o qual protege a terra dos raios ultravioletas que são letais a vida vegetal e animal.3 e 0. grande parte da energia solar atinge a superfície da Terra. 4 – Transmitância espectral da atmosfera A atmosfera quase não absorve a energia eletromagnética emitida pelos objetos que compõem a superfície terrestre. Estas regiões são conhecidas como janelas atmosféricas. Na região do ultravioleta e visível. Também existem regiões no espectro eletromagnético para os quais a atmosfera é opaca (absorve toda a energia eletromagnética).MORAES . Na região do infravermelho os principais gases absorvedores são o vapor d’água (H2O) e o dióxido de carbono (CO2) Existem regiões do espectro eletromagnético onde a atmosfera quase não afeta a energia eletromagnética. e portanto onde é realizado o sensoriamento remoto dos objetos terrestres. com exceção de uma pequena DSR/INPE 1-14 E.7 µm e como a atmosfera absorve muito pouco nesta região.Cerca de 70% da energia solar está concentrada na faixa espectral compreendida entre 0. Comprimento de onda ( µm) Fig. a atmosfera é transparente à energia eletromagnética proveniente do Sol ou da superfície terrestre.

As interações da energia eletromagnética com os constituintes atmosféricos influenciam a caracterização da energia solar e terrestre disponíveis para o sensoriamento remoto de recursos naturais. A energia eletromagnética ao atingir a atmosfera é por esta espalhada. A capacidade de um objeto absorver.MORAES . pois tanto nuvens como poluentes tendem a absorver a energia eletromagnética. refletir e transmitir a radiação eletromagnética é denominada. reflexão e transmissão da energia incidente poder ser total ou parcial. Acima de 14 µm a atmosfera é quase que totalmente opaca à energia eletromagnética. reflectância e transmitância. e emitem radiação eletromagnética proporcionalmente a sua temperatura. O comportamento espectral de um objeto pode ser definido como sendo o conjunto dos valores sucessivos da reflectância do objeto ao longo do espectro eletromagnético. Nesta janela atmosférica o sistema terra-atmosfera perde energia para o espaço mantendo assim o equilíbrio térmico do planeta. guardando sempre o princípio de conservação de energia. de absortância. absorvido e transmitido pelo objeto. ou seja. As nuvens absorvem toda a energia na região do infravermelho. 1. vindo a contaminar a energia refletida ou emitida pela superfície e que é detectada pelos sensores orbitais. e parte desta energia espalhada retorna para o espaço.6 µm. respectivamente. também conhecido como a assinatura espectral do objeto. sendo que os valores variam entre 0 e 1.C.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS O fluxo de energia eletromagnética ao atingir um objeto (energia incidente) sofre interações com o material que o compõe. absorve toda a energia eletromagnética com comprimentos de onda acima deste valor. sendo parcialmente refletido. A DSR/INPE 1-15 E.banda de absorção do ozônio. como pode ser visto na Figura 5. A absorção. Essas considerações são válidas para a atmosfera limpa. centrada em 9.

C. A Figura 2 apresenta os espectros de reflectância de alguns objetos bastante freqüentes nas imagens de sensoriamento remoto como. Estas diferentes interações é que possibilitam a distinção e o reconhecimento dos diversos objetos terrestres sensoriados remotamente. sendo que a forma. As características básicas observadas no comportamento espectral destes objetos são: DSR/INPE 1-16 E. vegetação e nuvens.Interação da energia eletromagnética com o objeto. pois os objetos apresentam diferentes propriedades físico-químicas e biológicas. areia.MORAES . a intensidade e a localização de cada banda de absorção é que caracteriza o objeto.assinatura espectral do objeto define as feições deste. Os objetos interagem de maneira diferenciada espectralmente com a energia eletromagnética incidente. IR R G B B G R IR COMPRIMENTO DE ONDA Fig. água. 5 . pois são reconhecidos devido a variação da porcentagem de energia refletida em cada comprimento de onda. solo. O conhecimento do comportamento espectral dos objetos terrestres é muito importante para a escolha da região do espectro sobre a qual pretende-se adquirir dados para determinada aplicação.

sendo que os principais fatores são a constituição mineral. Os minerais apresentam características decorrentes de suas bandas de absorção.A vegetação sadia apresenta alta absorção da energia eletromagnética na região do espectro visível.. As combinações e arranjos dos materiais constituintes dos solos é que define o seu comportamento espectral. O comportamento espectral de corpos d’água é modulado principalmente pelos processos de absorção e espalhamento produzidos por materiais dissolvidos e em suspensão neles. .38 e 0. que é capturada pela clorofila para a realização da fotossíntese. enquanto que a presença de matéria inorgânica em suspensão resulta num deslocamento em direção ao vermelho.7µm. A água pode-se apresentar na natureza em três estados físicos. DSR/INPE 1-17 E. O comportamento espectral da água líquida pura apresenta baixa reflectância (menor do que 10%) na faixa compreendida entre 0. . os quais apresentam comportamento espectral totalmente distintos. a matéria orgânica. sendo que a partir deste comprimento de onda é o conteúdo de água na vegetação quem modula as bandas de absorção presentes no comportamento espectral desta.C. A alta reflectância no infravermelho próximo (até 1.MORAES . pois é verificado que a presença de matéria orgânica dissolvida em corpos d’água desloca o máximo de reflectância espectral para o verde-amarelo. Dentro do espectro visível a absorção é mais fraca na região que caracteriza a coloração da vegetação.O comportamento espectral dos solos é também dominado pelas bandas de absorção de seus constituintes. a umidade e a granulometria (textura e estrutura) deste.3µm) é devido a estrutura celular.7µm e máxima absorção acima de 0.O comportamento espectral de rochas é resultante dos espectros individuais dos minerais que as compõem. Portanto a absorção é o principal fator que controla o comportamento espectral das rochas.

Os sensores ativos possuem uma fonte DSR/INPE 1-18 E.3 e 2µm. 1.5 SISTEMA SENSOR Os sensores remotos são dispositivos capazes de detectar a energia eletromagnética (em determinadas faixas do espectro eletromagnético) proveniente de um objeto.MORAES .- O comportamento espectral de nuvens apresenta elevada reflectância (em torno de 70%). como por exemplo os sensores do satélite Landsat 5. ou seja. como por exemplo temos os “scaners” e as câmaras fotográficas. a obtenção e a análise de medidas da reflectância dos objetos terrestres em experimento de campo e de laboratório. Os sistemas imageadores fornecem como produto uma imagem da área observada.C. muitos pesquisadores têm se dedicado a pesquisa fundamental. apresentam o resultado em forma de dígitos ou gráficos. os quais possibilitam uma melhor compreensão das relações existentes entre o comportamento espectral dos objetos e as suas propriedades. em todo o espectro óptico com destacadas bandas de absorção em 1. Os sensores passivos não possuem fonte própria de energia eletromagnética. também denominados radiômetros ou espectroradiômetros. os radiômetros e espectroradiômetros. 1. de tal forma que este possa ser armazenado ou transmitido em tempo real para posteriormente ser convertido em informações que descrevem as feições dos objetos que compõem a superfície terrestre. Com o intuito de melhor interpretar as imagens de satélites. Os sistemas sensores também podem ser classificados como ativos e passivos. As variações de energia eletromagnética da área observada podem ser coletadas por sistemas sensores imageadores ou não-imageadores. transformá-las em um sinal elétrico e registrá-las. enquanto que os sistemas não-imageadores.

A resolução espacial depende principalmente do detector. Eles emitem energia eletromagnética para os objetos terrestres a serem imageados e detectam parte desta energia que é refletida por estes na direção deste sensores. b) filtro: é o componente responsável pela seleção da faixa espectral da energia a ser medida. produzindo um sinal elétrico.MORAES . d) processador: é um componente responsável pela amplificação do fraco sinal gerado pelo detetor e pela digitalização do sinal elétrico produzido pelo detector. A resolução espacial representa a capacidade do sensor distinguir objetos.C. A qualidade de um sensor geralmente é especificada pela sua capacidade de obter medidas detalhadas da energia eletromagnética. da altura do DSR/INPE 1-19 E. c) detetor: é um componente de pequenas dimensões feito de um material cujas propriedades elétricas variam ao absorver o fluxo de energia. Os sistemas fotográficos foram os primeiros equipamentos a serem desenvolvidos e utilizados para o sensoriamento remoto de objetos terrestres As principais partes de um sensor são: a) coletor: é um componente óptico capaz de concentrar o fluxo de energia proveniente da amostra no detetor. espectral e radiométrica. e e) unidade de saída: é um componente capaz de registrar os sinais elétricos captados pelo detector para posterior extração de informações. Como exemplo podemos citar o radar e qualquer câmara fotográfica com flash.própria de energia eletromagnética. Ela indica o tamanho do menor elemento da superfície individualizado pelo sensor. As características dos sensores estão relacionadas com a resolução espacial.

ela define o intervalo espectral no qual são realizadas as medidas. Uma outra qualidade importante é a resolução temporal do sensor. refere-se à maior ou menor capacidade do sistema sensor em detectar e registrar diferenças na energia refletida e/ou emitida pelos elementos que compõe a cena (rochas. A resolução espectral refere-se à largura espectral em que opera o sensor. que está relacionada com a repetitividade com que o sistema sensor pode adquirir informações referentes ao objeto. vegetações. efeitos atmosféricos. características do sensor. A resolução radiométrica define a eficiência do sistema em detectar pequenos sinais. Por exemplo. o sistema sensor TM do Landsat 5 distingue até 256 tons distintos de sinais representando-os em 256 níveis de cinza.MORAES . Para um dado nível de posicionamento do sensor. Portanto. e consequentemente a composição espectral do fluxo de energia que atinge o detetor. DSR/INPE 1-20 E. águas. o Landsat 5 possui os sensores TM e Multispectral Scanning System (MSS). solos.posicionamento do sensor em relação ao objeto. geometria de aquisição de dados. Por exemplo. Por exemplo. tipo de processamento e estado do objeto.C. ou seja. Por exemplo. os sensores do Landsat 5 possuem uma repetitividade de 16 dias. Quanto maior for o número de medidas num determinado intervalo de comprimento de onda melhor será a resolução espectral da coleta. portanto nestas bandas o TM apresenta melhor resolução espectral do que o MSS. Para melhor interpretar os sinais coletados faz-se necessário o conhecimento das condições experimentais como: fonte de radiação. O sensor TM apresenta algumas bandas espectrais mais estreitas do que o sensor MSS. etc). o sistema sensor do Thematic Mapper (TM) do Landsat 5 possui uma resolução espacial de 30 metros. quanto menor for a resolução geométrica deste maior será o grau de distinção entre objetos próximos.

1.C. como pode ser visualizado na Figura 6.6 NÍVEIS DE AQUISIÇÃO DE DADOS Os sistemas sensores podem ser mantidos no nível orbital (satélites) ou suborbital (acoplados em aeronaves ou mantidos ao nível do solo).MORAES . Níveis de Coleta de dados Satélites Balões Solo Aeronave Bóias Barco Fig. 6 – Níveis de Coleta de Dados Fonte : Moreira (2001) Ao nível de aeronaves os dados de sensoriamento remoto podem ser adquiridos por sistemas sensores de varredura óptico-eletrônico. sistemas fotográficos ou radar. DSR/INPE 1-21 E. Ao nível do solo é realizada a aquisição de dados em campo ou em laboratório onde as medidas são obtidas utilizando-se radiômetros ou espectroradiômetros. e a resolução espacial destes dados dependerá da altura do vôo no momento do aerolevantamento.

A obtenção de dados no nível orbital é realizada através de sistemas sensores a bordo de satélites artificiais. E. 10-14. Introdução à radiometria. : Edgard Blücher. bem como um melhor monitoramento dos recursos naturais para grandes áreas da superfície terrestre. 208p. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). INPE. E. Steffen. A. O sensoriamento remoto neste nível permite a repetitividade das informações. São José dos Campos. 2001. C. C. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. INPE. M. 1996. Gama. 7p. Abr. F.. E.. 1993. Novo. A. M. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Moreira. Tutorial São José dos Campos. Radiometria óptica espectral. VIII. C. Tutorial São José dos Campos. VII.MORAES . 308p.C. ed. L. Maio. 1996. F. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologias de aplicação. Salvador. Moraes. 1989. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. M. Steffen. C. 14-19.. 2. 43p. 1993. São Paulo.. Sensoriamento Remoto: princípios e aplicações. DSR/INPE 1-22 E. A. Curitiba. Moraes.

br DSR/INPE 2-1 J.inpe.CAPÍTULO 2 SATÉLITES DE SENSOR IAMENTO REMOTO José Carlos Neves Epiphanio1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS .N.C.INPE 1 E-mail: epiphani@ltid.EPIPHANIO .

EPIPHANIO .N.DSR/INPE 2-2 J.C.

........ 2-5 LISTA DE TABELAS .... 6................... 2-32 REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ...........................................................................N.........................................C........................ 2-9 2............. 2-35 DSR/INPE 2-3 J..... 7........ 2-25 SATÉLITES NOAA ..... 2-7 1....................................... 2-29 PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) .............................2 3..... 2-11 PROGRAMA LANDSAT ................................. 2-13 PROGRAMA SPOT ....................................................... 5...........EPIPHANIO .................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ............................................................................... 8.................................. 2-10 2......................... CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES ............................ ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA ........................................ INTRODUÇÃO ..................................................... 2-19 PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO ......................... 4....... 2-30 PROGRAMAS DE RADAR ................................. 2-11 ÓRBITA BAIXA ............................................ 9..........................................1 2....

DSR/INPE 2-4 J.N.C.EPIPHANIO .

....N.... ... 2-27 DSR/INPE 2-5 J....EPIPHANIO ..LISTA DE FIGURAS 1 – SATÉLITE CBERS E SEUS COMPONENTES...........C..............

C.EPIPHANIO .DSR/INPE 2-6 J.N.

. L E M .............SENSORES DO SPOT-4 .......EPIPHANIO ..................................... 2-26 6 ........................LISTA DE TABELAS 1 – PROGRAMA LANDSAT ............C..............................................CÂMERA CCD DO CBERS....................... 2-21 5 ..PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 ............... 2-30 DSR/INPE 2-7 J.....................................CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K.................................... 2-16 4 ................ 2-16 3 .............BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7.............N............................ 2-15 2 ................

C.N.EPIPHANIO .DSR/INPE 2-8 J.

Os chamados “sistemas de sensoriamento remoto” são os veículos e instrumentos necessários à coleta de dados para serem analisados pela comunidade científica e de usuários em geral. Essas propriedades primárias podem ser usadas diretamente.N. a princípio. à distância. através de uma imagem de um sensor remoto. por um sensor remoto. Por exemplo. pode-se gerar uma imagem secundária que expressa a quantidade de sedimentos. mensurada. agora. embora outros sistemas façam parte do sensoriamento remoto. há sempre a necessidade de que a propriedade de reflexão ou emissão do alvo seja medida. das propriedades dos objetos ou alvos. de uma forma “bruta”. aquelas propriedades primárias podem sofrer transformações e permitir-nos fazer inferências sobre características secundárias dos alvos. pois são as imagens na forma como as conhecemos. um objeto tortuoso e de baixa reflexão (escuro) numa certa imagem traduz-se a nós como sendo um rio. As principais propriedades “primárias” dos alvos que são medidas1 pelos sensores remotos são a capacidade de reflexão e de emissão de energia eletromagnética. Por exemplo. se houver uma equação ou um modelo que permita um relacionamento entre reflectância medida por satélite e quantidade de sedimentos num meio aquático. como os radiômetros de campo e de laboratório. Isto é. gera-se um novo produto. passa a representar uma propriedade do alvo que não foi medida diretamente pelo sensor remoto. que haja DSR/INPE 2-9 J.1. De qualquer modo que se veja um produto de sensoriamento remoto. é preciso. portanto.EPIPHANIO . quando uma imagem de um sensor remoto entra num modelo que a relaciona com a fotossíntese da vegetação. É que. INTRODUÇÃO Para que haja o sensoriamento remoto é necessário que haja uma “medição”. E há uma estreita associação entre sensoriamento remoto e satélites artificiais. Os sensores remotos fazem parte do que se denomina “sistemas de sensoriamento remoto”. sem padronização. posteriormente. Essa é a forma mais comum de uso dos produtos de sensoriamento remoto. Porém. ou uma nova imagem que. e os sensores fotográficos e outros 1 Comentário: Página: 9 fazer análise de “medida” em relação a uma régua. seja ele primário ou secundário.C. No caso do rio. um sensor faz uma medida sem escala padronizada.

Ao mesmo tempo. antes de descrever os sistemas propriamente ditos. SPOT. aqueles voltados para o sensoriamento remoto da superfície terrestre com ênfase naqueles mais utilizados no Brasil. Radarsat e ERS (todos programas internacionais) e o CBERS e o SSR/MECB (do Brasil). são descritos os sistemas Landsat. Porém. é feita uma introdução sobre órbitas e outros aspectos dos satélites. Por estarem a grandes altitudes (tipicamente entre 600 e 1. NOAA. como têm que orbitar ao redor da Terra. Os que mais interessam para o sensoriamento remoto enquadram-se em duas grandes categorias: os de órbita baixa e os de órbita alta. particularmente. cujos princípios aplicam-se a todos os sistemas. mais e mais se tornam os instrumentos quotidianos dos profissionais de sensoriamento remoto. a cada dia. Assim. são os satélites que. sistemas que operam em aeronaves. Terra. 2. Os satélites são veículos colocados em órbita da Terra e que promovem continuamente a aquisição de dados relacionados às propriedades primárias dos objetos. é necessário que haja um conhecimento dos principais satélites e de suas características.N. sendo apenas 2-10 marginal sua aplicação em DSR/INPE J. Assim. promovem uma cobertura que se repete ao longo do tempo.000 km) têm a capacidade de abranger em seu campo de visada uma grande porção de superfície terrestre.C. Estes últimos são os geoestacionários e têm sua maior aplicação no campo da meteorologia.EPIPHANIO .uma calibração em relação a um padrão para que se tenha uma medida precisa da propriedade do alvo. Neste capítulo são abordados os principais satélites em operação e. permitindo o acompanhamento da evolução das propriedades de reflexão ou emissão dos objetos e fenômenos. CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES Os satélites podem apresentar uma grande variação quanto ao padrão orbital em relação à Terra.

000 km de altitude.2 ÓRBITA BAIXA Embora nesta categoria enquadrem-se inúmeros sistemas espaciais.sensoriamento remoto. Possuem uma velocidade de translação em relação à Terra que equivale ao movimento de rotação da Terra. e são discutidos mais pormenorizadamente. são discutidos os impactos dos desvios em relação à situação usual. São chamados geoestacionários porque sua órbita acompanha o movimento de rotação da Terra. Sempre que couber. e por causa da grande altitude podem ter uma visão sinóptica completa. Como ficam dispostos ao longo do Equador terrestre.C. Em geral. a discussão a seguir é restrita às situações e características que abrangem os sistemas que mais interessam ao sensoriamento remoto. Para os satélites de sensoriamento de órbita baixa. tal órbita é também circular. a órbita dos satélites de sensoriamento remoto enquadra-se no que se denomina órbita baixa. Como a variação de altitude é pequena DSR/INPE 2-11 J. como estão “fixos” em relação à Terra. os quais são bastante dinâmicos.N. assim.000 km. ou seja. de todo o disco terrestre compreendido pelo seu campo de visada.EPIPHANIO . em relação à Terra. podem fazer um imageamento muito rápido daquela porção terrestre sob seu campo de visada. É por essa grande abrangência de superfície terrestre coberta em um curto intervalo de tempo que eles são muito úteis para estudos de fenômenos meteorológicos. permanecem voltados para o mesmo ponto da superfície e.1 ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA Os satélites nesta órbita estão a uma altitude de cerca de 36. o que permite uma escala de imageamento praticamente constante para todas as imagens. o que equivale a dizer órbitas com menos de 1. pois dessa forma o satélite fica sempre orbitando a uma altitude quase que fixa em relação à Terra. estão imóveis. 2. de modo que. Os de órbita baixa englobam a maioria dos satélites de sensoriamento remoto. Além disso. 2.

Essa faixa de imageamento varia de acordo com o sensor.5 órbitas diárias e. ou simplesmente TM). da geração anterior. o sistema (satélite e sensor) recobre uma faixa longitudinal e constante no terreno equivalente a um certa faixa de terreno. a bordo dos satélites da segunda geração. aproximadamente.N.C. ocorrem aproximadamente 14. a mudança de altitude entre a primeira geração (Landsat 1 a 3) e a segunda geração (Landsat 4 a 7) exigiu que o campo de visada do sensor Thematic Mapper (Mapeador Temático. cuja duração é de cerca de 100 minutos. quando a Terra está iluminada (embora pudesse também haver imageamento no sentido ascendente em certos comprimentos de onda).000 km. Ela tem que obedecer às leis da mecânica orbital e depende muito da definição do projeto da missão e características dos sensores destinados ao imageamento. A altitude do satélite define uma série de outros parâmetros de engenharia do sistema. uma vez que sua altitude era menor. Nessas condições. é preciso definir o ângulo que esse plano da órbita fará com os pólos da Terra. Toda a órbita circular tem esta característica de manter a escala constante. a variação de escala também é pequena. No caso da série Landsat. Isso quer dizer que se fosse mantido o mesmo ângulo de imageamento para as duas gerações. o que facilita os trabalhos de interpretação e análise das imagens. ou MSS). O imageamento é descendente. A cada órbita. descrevendo um círculo com raio praticamente fixo. Outra característica de órbita para os satélites de sensoriamento remoto é a altitude. Ela tem se situado entre 700 e 1. A órbita quase-polar tem a importante característica de permitir que a Terra toda (exceto os pólos) seja imageada após um certo número de órbitas. com um pequeno e constante desvio do plano orbital em relação ao eixo norte-sul. como o perímetro da Terra no DSR/INPE 2-12 J.EPIPHANIO . fosse aumentado a fim de manter a mesma faixa de imageamento do sensor Multispectral Scanner System (Sistema de Varredura Multiespectral. Em geral os satélites de sensoriamento remoto têm órbita quase polar. em direção ao sul. a faixa imageada no terreno seria menor na segunda geração. por exemplo.numa situação de circularidade. Uma vez definido que a órbita é circular e que ela tem uma certa altitude em relação à Terra.

no qual fatores como altitude e velocidade do satélite são considerados. Isso quer dizer que a cada órbita o satélite cruza a linha do Equador no mesmo horário. Em geral. e as variações entre imagens podem ser atribuídas às propriedades intrínsecas dos alvos.equador é de cerca de 36.EPIPHANIO . Isso é conseguido através de um projeto orbital adequado. Ao contrário. após determinado número de dias. exige-se menos tempo para que esse recobrimento seja completo.C. Entre outros fatores. se a faixa de imageamento é mais larga.000 km. Isso quer dizer que é desejável que. o satélite volte a recobrir a mesma faixa de terreno. particularmente da característica orbital. ou seja. Ou seja. já que faixas de imageamento mais estreitas determinarão ciclos de revisitas mais longos. Esta característica de órbita é importante pois assim todas as imagens são sempre obtidas aproximadamente no mesmo horário. haverá necessidade de muitas órbitas para cobrir toda a superfície da Terra. a Terra toda será imageada. Para que isso possa ser conseguido. No projeto da missão e.N. os satélites de sensoriamento remoto possuem órbita chamada heliossíncrona. se a faixa de terreno que o sistema (satélite mais sensor) consegue imagear é estreita. e não a influências de posicionamento angular do sol. sincronizada com o Sol. e faixas mais largas diminuirão o tempo entre uma visita e outra. DSR/INPE 2-13 J. Também a faixa imageada no terreno em cada órbita é um fator importante. Isso significa que a precessão do plano orbital do satélite deve estar numa taxa que seja equivalente à taxa da translação da Terra ao redor do Sol. na determinação da configuração de um sistema de imageamento há um que diz respeito ao horário do dia em que deverá ser efetuado o imageamento. Isso é obtido através do estabelecimento de uma relação apropriada entre o raio (ou o período) da órbita circular e o ângulo de inclinação da órbita do satélite. é necessário que o ângulo entre a normal ao plano da órbita do satélite e a linha terra-sol seja mantido constante. após um certo número de dias e um certo número de órbitas. para fins de sensoriamento remoto há uma preferência para que haja uma ciclicidade das passagens ou dos recobrimentos.

Uma que compreende os três primeiros. cabe destacar que o sensor MSS (Sistema de Varredura Mutiespectral) demonstrou ser o principal instrumento a bordo dos Landsats. PROGRAMA LANDSAT O primeiro satélite da série Landsat foi lançado no início dos anos 70. foi projetada uma plataforma própria para esses satélites e também uma inovação quanto aos sensores a bordo. conforme a Tabela 1. iniciando com o Landsat-4. Assim. Posteriormente. predecessores. O de número 7. apresenta um sensor que. é comum falar em duas gerações para a série Landsat. Os primeiros satélites da série Landsat tinham vida útil estimada de dois anos. Como se observa pela Tabela 1. os satélites de uma determinada série são lançados um a um. Alguns duraram muito mais do que isso. A estrutura do satélite baseou-se em um projeto já em operação naquela época que era a dos satélites Nimbus. e também ultrapassaram em muito as especificações. o Landsat-6 foi perdido durante o lançamento. antes de ser posicionado em órbita. O Landsat-5.C. mas também pela notável facilidade de acesso e qualidade dos dados gerados. DSR/INPE 2-14 J. Esta série de satélites é a principal no campo do sensoriamento remoto. depois de um intervalo irregular de tempo. que compreende os quatro últimos. por exemplo.N. e uma segunda. A partir do final do anos 60 os Estados Unidos decidiram colocar em órbita um satélite de sensoriamento remoto. o último da série. Porém. Atualmente. Os últimos da série já tinham especificações de vida útil maiores. Quanto à primeira geração da série Landsat.3. não só por ser a de período de vida mais longo de fornecimento contínuo de dados. estão operando o quinto e o sétimo da série. não é incomum a ocorrência de fracassos.EPIPHANIO tem certas características que são tidas como um avanço em relação a seus . opera a mais de 15 anos. Cada satélite lançado tem uma vida útil esperada. embora muito semelhante aos três anteriores. de meteorologia. no ano 2001. O sensor RBV (Sistema Vidicon de Feixes Retornantes.

acabou sendo descontinuado a partir do Landsat-4 por causa de sua baixa fidelidade radiométrica e de sua pequena cobertura espectral. embora permitisse uma melhor resolução espacial.EPIPHANIO .C. DSR/INPE 2-15 J.N. SP. que operava no Landsat-3. Muitas dessas imagens do RBV estão disponíveis nos arquivos do INPE. em relação ao MSS.similar a um sistema de televisão). em Cachoeira Paulista.

O ETM+ fornece uma imagem digital DSR/INPE 2-16 J. MSS = multispectral scanner system.EPIPHANIO . Mapeador Temático Avançado). ms = multiespectral. ETM+ = enhanced thematic mapper plus. e o principal sensor a bordo é o ETM+ (Enhanced Thematic Mapper Plus. O mais recente satélite da série é o Landsat-7.TABELA 1 – PROGRAMA LANDSAT* Lançamento (fim das operações) 23/7/1972 (1/6/1978) Instru. lançado em 15/04/1999. As principais características do ETM+ são resumidas nas Tabelas 2 e 3. TD = transmissão direta. TM = thematic mapper. Mbps = mega bits por segundo. Este sensor é uma continuação do TM anteriormente a bordo dos Landsats-4 a 6.Resolução Comunicamentos (metros) ção Sistema Altitude (km) Revisita Taxa de dados (Mbps) 15 Landsat-1 RBV MSS 80 80 80 80 30 80 80 30 80 30 15 (pan) 30 (ms) TD com 917 gravadores 18 Landsat-2 22/1/1975 (25/2/1982) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-3 5/3/1978 (31/3/1983) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-4 16/7/1982 (Transmissão TM terminou em 08/1993) 1/3/1984 MSS TM MSS TM TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-5 TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-6 5/10/1993 (5/10/1993) ETM TD com 705 gravadores 16 85 Landsat-7 15/4/1999 ETM+ 15 (pan) 30 (ms) 705 TD com gravadores de estado sólido 16 150 * RBV = return beam vidicon.N.C. pan = pancromático.

5o) Massa 425 kg Potência 590 W (imageando). p. p.N.2 42. azul) 2 (visível. 1 no infravermelho Próximo. 1 Pancromática cobertura global periódica da superfície terrestre Função Faixa imageada no terreno 185 km (±7. com alta resolução espacial da superfície terrestre.75 médio refletido) 6 (infravermelho 10. verde) 3 (visível.6 85. 2 no Infravermelho Médio Refletido.42-12.6 42.69 Dimensão do IFOV (µrad) 18.C.08-2.EPIPHANIO .76-0. multiespectral. 175 W (repouso) Controle térmico resfriador radiativo de 90 K Dimensões físicas radiômetro 196 x 114 x 66 cm eletrônica auxiliar 90 x 66 x 35 cm FONTE: King e Greenstone (1999.50 termal) 7 (infravermelho 2.3 42.6 42.113) O satélite Landsat-7 tem uma órbita circular (escala praticamente constante).52-0.6 42.35 médio refletido) FONTE: King e Greenstone (1999.PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 Tipo Bandas radiômetro de varredura mecânica tipo “wiskbroom” 3 Bandas no Visível. repetitiva.113) TABELA 3 .50-0.52 0. TABELA 2 . vermelho) 4 (infravermelho 0. 1 no Infravermelho Termal.6 42. heliossíncrona (horário de cruzamento do Equador sempre às 10:00 ±15 DSR/INPE 2-17 J.90 0.45-0.60 0.com uma visão sinóptica.90 próximo) 5 (infravermelho 1.5 x 21.55-1.63-0.6 Dimensão nominal da amostra no terreno (m) 15 30 30 30 30 30 60 30 Pancromática 1 (visível.BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7 Banda Espectral Largura da Banda à meia amplitude (µm) 0.

N. e infravermelho termal) encontram-se num plano focal secundário e refrigerado. de modo que há o registro entre todas as bandas.EPIPHANIO . 8 linhas no infravermelho termal. ocorre um deslocamento no terreno de cerca de 2.400 km entre o centro de uma órbita e a seguinte. que são 16 linhas de 30 metros nas bandas 1-4. uma imagem do ETM+/Landsat-7 de São José dos Campos. que tem oito). “recortadas” a cada 185 km na órbita. e a do infravermelho termal. encontram-se opticamente alinhados. O ETM+ é um sensor que possui dois planos focais. onde são descritas as órbitas no sentido longitudinal e as imagens propriamente ditas. Cada matriz de detectores é responsável pela detecção de uma banda. com uma inclinação de 98. Há. Esta matriz de oito bandas por 16 detectores por banda (oito na infravermelha termal e 32 na pan) tem uma largura de 480 metros no terreno. lida como “órbita 219. onde ficam localizadas as matrizes de detectores. portanto.2o. oito matrizes. por exemplo. Cada matriz é composta de 16 detectores (exceto a banda pancromática. Assim. formam o que se denomina sistema de referência mundial. altitude de 705 km. que tem 32. 32 linhas de 15 metros no pan. A faixa de 185 km imageada pelo campo de visada (FOV – field of view. Nesta configuração orbital. no sentido latitudinal. Cada órbita dura aproximadamente 100 minutos. As quatro seguintes (pancromática. Esse sistema permite que se localize uma imagem correspondente a qualquer ponto da Terra através de dois números. o Landsat-7 precede o satélite Terra (a ser discutido adiante) de cerca de 30 minutos na mesma faixa de imageamento da superfície terrestre. A função de cada uma dessa matrizes é promover o registro da radiância proveniente do terreno em cada uma das oito banda.C. é referenciada como sendo a 219/76. Esse padrão de recobrimento orbital. as faixas imageadas vão se deslocando para oeste. campo de visada) do ETM+ permite uma cobertura global da terra a cada 16 dias. apesar de fisicamente separados. ou seja. SP. ponto 76”. correspondentes à órbita (sentido longitudinal) e ao ponto (sentido latitudinal). Como a Terra desloca-se para leste. Neste tempo. DSR/INPE 2-18 J. infravermelhos médios. correspondentes às três do visível e à do infravermelho próximo) ficam no plano focal primário. sendo que as quatro primeiras (bandas 1-4. Ambos os planos focais.minutos na órbita descendente).

no terreno haverá a projeção de toda a matriz de detectores. A cada movimento lateral do espelho oscilante numa direção (leste para oeste. Em cada banda particular. O segundo movimento necessário para constituir uma imagem no sistema de varredura mecânico multiespectral é produzido pelo movimento de um espelho oscilante transversalmente à faixa de imageamento. A continuação dessa seqüência de minor frames fará com que toda a DSR/INPE 2-19 J. são lidos os valores de radiância de cada elemento de terreno projetado em cada detector em particular. 30 ou 60 metros. A projeção desse movimento. Vê-se que entre um minor frame e outro. Porém. um certo detector é responsável pelo imageamento de uma linha completa. Portanto. O primeiro movimento é feito pelo deslocamento do próprio satélite ao longo de sua órbita. nenhum detector estará cobrindo uma mesma área no terreno. campo de visada instantâneo) de apenas 30 metros (15 no pan e 60 no infravermelho termal). O espelho oscilante projeta. Se for fixada uma certa posição inicial do espelho oscilante.O ETM+ é um sensor que faz um imageamento através de dois movimentos perpendiculares entre si. ou oeste para leste).C. Portanto. ou 480 metros de largura e com 185 km de extensão. as matrizes de detectores que estão nos planos focais.N. são imageadas 16 linhas de 30 metros (32 de 15 metros no pan e 8 de 60 metros no infravermelho termal). para que uma linha de 185 km seja completamente “varrida” é necessário que cada um dos detectores de cada banda seja acionado milhares de vezes (185. cada detector tem um IFOV (instantaneous field of view. Após esse minor frame o espelho desloca-se para leste ou para oeste (dependendo do sentido do espelho oscilante e o minor frame adjacente é lido. Nesta posição. juntamente com o FOV. definem o que se denomina faixa de imageamento.EPIPHANIO . de acordo com a banda). A esta seqüência singular de leitura de todos os detectores de todas as oito bandas dá-se o nome de minor frame (seqüência primária de leitura). no terreno. há uma adjacência de elementos de 30 m no terreno (15 m para o pan e 60 m para o infravermelho termal).000 metros dividido pelo IFOV de cada detector – 15. No caso ETM+ esta faixa de imageamento é de 185 km. nesta posição.

SP. pelo veículo lançador Ariane. Depois.EPIPHANIO . esta estação fica em Cuiabá. esse próximo conjunto de linhas (480 m) estará contíguo ao conjunto anterior. ele sofre processamentos internos e é gravado a bordo ou encaminhado na forma digital para uma estação em terra. O sistema de observação da terra SPOT foi projetado pela Agência Espacial Francesa (CNES – Centre National d’Études Spatiales) e é operado por sua subsidiária Spot Image. o SPOT-4 que. Após a detecção do sinal proveniente do terreno. para os processamentos necessários à preparação dos produtos a serem arquivados ou enviados aos usuários. o satélite terá avançado em sua órbita o equivalente a 480 m no terreno e.linha seja coberta após um certo tempo. Em 22/3/1998 foi lançado. Nesta seção a discussão é centrada no Spot-4. o espelho oscilante e o sistema de leitura e registro dos sinais terão varrido e lido mais de 6. Essa seqüência de minor frames nas linhas e a seqüência de major frames na direção do caminhamento da órbita forma a imagem. Atualmente. e também o espelho oscilante terá chegado ao fim de um FOV (185 km de largura). PROGRAMA SPOT O programa SPOT (Satellite Pour Observation de la Terre.N. O primeiro da série foi lançado em 22/2/1986. é enviado para Cachoeira Paulista. 4. No caso do Brasil. o terceiro foi lançado em 26/9/1993. representa um avanço em vários sentidos. o segundo em 22/1/1990. MT. mas sempre que necessário haverá referência DSR/INPE 2-20 J. mas perdeu-se no lançamento. e imageado um comprimento no terreno (sentido descendente da órbita) equivalente a 480 m.000 minor frames. o principal produto solicitado pelos usuários são as imagens na forma digital e gravados em CDROM. que equivale ao major frame (seqüência completa de leitura). embora guarde muitas características dos seus predecessores 1-3. assim. e assim por diante.C. Satélite Para Observação da Terra) é um programa Francês de satélites de sensoriamento remoto. Ao terminar um major frame. Quando o espelho oscilante retornar para imagear outros 480 m.

particularmente ao Landsat.EPIPHANIO . O Spot-4 foi concebido para ser um satélite com características bastante diferenciadas em relação ao Landsat. Na verdade são dois sensores idênticos. A heliossincronicidade de sua órbita faz com que o Spot-4 passe sobre uma certa área sempre à mesma hora solar. sendo que o ângulo entre o plano da órbita e o plano equatorial é de 98.5o.N. colocados um ao lado do outro. durante o período iluminado do dia. alta resolução no visível e infravermelho). para as visadas no nadir (visada vertical).aos satélites anteriores ou mesmo a outros sistemas.C. O ângulo entre o plano orbital do Spot-4 e a direção Terra-Sol é praticamente constante e de 22. o que garante que todas as cenas sejam adquiridas a uma altitude praticamente constante. o que permite que a cena apresente as mesmas condições de iluminação daquela cena durante todo o ano (as variações passam a ser creditadas à sazonalidade da estações do ano e às variações intrínsecas dos alvos). Cada revolução orbital dura 101. garantindo constância na resolução espacial e na escala. Em cada órbita o Spot-4 cruza o plano equatorial duas vezes. A largura DSR/INPE 2-21 J. é de 26 dias. garantindo que toda a terra seja recoberta durante um ciclo de revisita (considerando a possibilidade de visada fora do nadir). As principais diferenças são a alta resolução espacial de seus sensores. Neste período o Spot-4 terá completado 369 órbitas ao redor da terra. Como a órbita é em fase. O seu sistema de imageamento é constituído por dois sensores denominados HRVIR (haute resolution visible et infra rouge. ou órbita descendente. o sistema de imageamento por varredura eletrônica (pushbroom) e a capacidade de visada lateral. O Spot-4 classifica-se como um satélite de órbita baixa. fazendo com que o cruzamento com o equador no sentido descendente norte-sul ocorra à hora solar de 10:30. uma no sentido norte-sul. A sua órbita também é quase polar.8o. Sua órbita é circular. o satélite passa sobre o mesmo ponto após um número inteiro de dias que. ficando a 830 km de altitude.5 minutos. o segundo cruzamento ocorre no sentido ascendente sulnorte durante o período noturno.

250 km 0.58 a 1. Um outro sensor a bordo do Spot-4 e também de interesse para o sensoriamento remoto é o Vegetation. 20 m 0.espacial imageamen- B1 (verde.1 km to (km) 2. VGT) TABELA 4 .1 km 2.C.50 a 0. 20 m 1.250 km 60 km 1. 0.61 a 10 m 0.59 µm) 20 m Pan (vermelho.EPIPHANIO 60 km 1.89 µm) MIR (infravermelho médio.da faixa de imageamento de cada um é de 60 km.78 a 0.SENSORES DO SPOT-4 Bandas (µm) HRVIR Resolução Faixa espacial (m) B0 (azul) to (km) 60 km 60 km Vegetação (VGT) de Resolução Faixa (km) 1. A Tabela 4 apresenta algumas características dos HRVIR e do sensor Vegetation (Vegetação.1 km 2.N.68 µm) B2 (vermelho. 0.250 km . perfazendo 117 km de largura.61 a 20 m 60 km 1. 0.68 µm) B3 (infravermelho próximo.75 µm) Alinhamento HRVIR/VGT Calibração absoluta Cobertura global da Terra DSR/INPE 0.250 km de imageamen. pois há um recobrimento de 3 km no equador.1 km 2.3 pixel do VGT 9% 26 dias 2-22 5% 1 dia J.

e uma nova linha de detectores será lida. Quando detectores adjacentes são varridos (lidos) eletronicamente aos pares. Esta largura é vista instantaneamente pela linha de 6. Esse instrumento de imageamento é projetado para cobrir instantaneamente uma linha completa de pixels de uma só vez ao longo do FOV.N. corresponde a um largura de 60 km no terreno. Assim.70 µm) nos Spots anteriores. eles geram pixels correspondentes a uma área no terreno medindo 20 m x 20 m resultando numa DSR/INPE 2-23 J. respectivamente). cada HRVIR gera uma imagem de 60 km de largura ao longo da órbita. Após a leitura dos valores de radiância em todos os detectores do CCD. o próprio movimento do satélite é que produz a varredura no sentido latitudinal da órbita. respectivamente) no terreno. Isso significa que num mesmo instante uma linha inteira (de 60 km de largura por 10 ou 20 m de comprimento. Os sinais gerados pelos detectores (que são fotodiodos) são lidos seqüencialmente num determinado intervalo de tempo. o satélite terá avançado 20 ou 10 metros (modo X ou P. A radiação proveniente do terreno é separada por dispositivos ópticos especiais em quatro bandas espectrais.EPIPHANIO . A banda pancromática possui a mesma faixa espectral da banda B2 (vermelho) no Spot-4. As matrizes lineares do CCD operam no modo chamado pushbroom. Cada detector gera um pixel por vez.C. embora o arranjo linear de detectores não faça a “varredura” da linha para serem sensibilizados pela luz. para o modo monoespectral (M) ou multiespectral (X). Assim.51 a 0. Isso é conseguido usando uma matriz linear de detectores do tipo CCD (charge-coupled device. conforme a Tabela 4. e cada pixel tem uma dimensão de 10 m por 10 m no modo de alta resolução. mas era uma banda separada (0. os detectores são varridos eletronicamente para gerar o sinal de saída. enquanto que o imageamento longitudinal (transversal ao sentido da órbita) é promovido pelo arranjo matricial fixo de detectores.Cada um dos HRVIR possui 4 bandas espectrais. Um telescópio de grande abertura angular forma uma imagem instantânea dos elementos adjacentes do terreno na matriz de detectores no plano focal do instrumento. Ou seja. O telescópio de cada HRVIR tem um campo de visada (FOV) de 4o que.000 detectores da matriz linear de detectores. ou dispositivo de cargas acopladas). à altitude de 830 km.

Isso quer dizer que o Spot-4 tem a possibilidade de ter visadas laterais. O HRVIR tem dois modos de operação quanto à resolução espacial. O movimento do satélite ao longo de sua órbita resulta em varreduras de linhas sucessivas e isso completa a imagem. as imagens geradas por cada banda para uma mesma superfície do terreno são perfeitamente registradas.imagem com 20 m de resolução espacial. Esse desvio é controlado por um mecanismo que permite uma graduação lateral com incrementos de 0. com uma resolução espacial no terreno equivalente a 20 metros. Esse redirecionamento da visada para as laterais pode ser de ±27o em relação ao nadir. Tal característica pode ser usada para adquirir uma imagem.3o.N.C.EPIPHANIO . de monoespectral) ou em pares (modo X. dependendo se os detectores são lidos um a um (modo M. o modo monoespectral (M) correspondendo à banda B2 (vermelho) com uma resolução de 10 metros no terreno. e o modo X + M que combina os modos X e M. mais a banda do infravermelho médio. Os HRVIRs têm três modos de imageamento: o multiespectral (modo X) correspondendo às bandas B1. Na entrada óptica de cada HRVIR do Spot-4 há um espelho com um mecanismo que permite o desvio da visada para uma faixa de terreno adjacente à projeção da órbita no terreno. em resposta a uma solicitação de programação pelo usuário. quatro linhas de detectores geram simultaneamente quatro planos espectrais para uma mesma linha no terreno. em qualquer posição afastada de até 450 km para ambos os lados da trajetória do satélite no terreno. pois cada um de seus pixels provêm simultaneamente de um mesmo feixe eletromagnético. O imageamento feito por cada instrumento HRVIR é inteiramente independente entre si. de multiespectral). A luz que entra no sistema óptico é dividida em quatro feixes correspondentes a quatro bandas espectrais por um divisor espectral constituído de prismas e filtros. isso é conseguido com os ângulos extremos ( +27o ou – DSR/INPE 2-24 J. fora do nadir. portanto. B2 e B3. Dessa forma. Esses feixes são posteriormente focalizados nas quatro matrizes de detectores (uma para cada banda).

regional e global da biosfera continental e das culturas. O sensor Vegetation é uma câmera multiespectral também num sistema de imageamento do tipo pushbroom. A segunda calibração é chamada de calibração absoluta e tem a finalidade de medir a responsividade dinâmica do instrumento através do estabelecimento de uma relação precisa entre uma fonte externa perfeitamente estável (o Sol) e o sinal de saída do instrumento. Ou seja. As funções desse sensor são permitir um monitoramento contínuo.27o). variações no ruído gerado pela eletrônica do imageamento ou dos detectores do CCD. O sistema de calibração é usado a intervalos regulares para verificar e. que se dá de duas maneiras. o que corresponde a uma faixa de imageamento de 2.000 detectores de cada banda quando o instrumento vê uma superfície perfeitamente uniforme. distorções mecânicas causadas por variações de temperatura. O primeiro modo de calibração é aquele chamado calibração intra-banda. O objetivo dessa calibração é balancear a resposta dos 3. mas de baixa resolução espacial (1. e os outros 10% restantes DSR/INPE 2-25 J. ou também de normalização de respostas dos detectores CCD. ajustar a resposta do instrumento. para uma mesma banda.EPIPHANIO . todos os detectores têm que gerar o mesmo sinal quando são sensibilizados por uma mesma fonte. Um aspecto sensível do Spot-4 é a calibração. Alguns dos efeitos que podem suscitar de ajustes compensatórios são mudanças na transmissividade dos componentes ópticos como resultado do envelhecimento em órbita. Outra função dessa característica é a de ser usada principalmente para a obtenção de imagens de um mesmo local mas em ângulos diferentes para a geração de pares estereoscópicos com as finalidades de restituição fotogramétrica e mapeamento do relevo. A finalidade da calibração é a obtenção de valores radiométricos entre os pixels que guardem uma relação entre si e também que guardem uma relação com as propriedades de reflexão da energia eletromagnética dos alvos.1 km.N. Com seu grande campo angular (FOV de 101o. Tabela 4). Também é usada para permitir o posicionamento do instrumento para a direção de uma fonte de calibração.C. se necessário.250 km) consegue cobrir 90% da terra num só dia.

6 m. O CBERS é um satélite com massa de 1. Como há coincidência de bandas entre o HRVIR e o VGT. PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO O Brasil possui basicamente dois programas de sensoriamento remoto. pelo veículo lançador Longa Marcha 4B. Além disso. Está a uma altitude de 778 km.br/programas/cbers/portugues/ também na internet no endereço: index.br/programas/mecb/default. com descrição mais pormenorizada na internet.3 x 2. e a China. com dimensões de 1.inpe.htm) (INPE. 2000a. recobre quase que inteiramente a Terra a intervalos regulares de 26 dias. e os imageamentos de um mesmo ponto sempre ocorrem a uma mesma hora solar.26 minutos). que permite o armazenamento de até 40 minutos de gravação (uma cena HRVIR de 60 km por 60 km é imageada em menos de 15 segundos). O primeiro foi lançado em 14/10/1999 a partir da base de lançamentos de Tayuan. 5. Nesta configuração orbital obtem imagens aproximadamente com mesma escala. além de ter os painéis solares com 6. quase polar (inclinação de 98. Satélite SinoBrasileiro de Sensoriamento Remoto.html. cuja pode encontrada http://www. Um. e o outro MECB (Missão Espacial Completa Brasileira.450 kg. tem um sistema de gravação a bordo. O programa CBERS é uma missão conjunta entre o Brasil. é denominado CBERS (China Brazil Earth Resources Satellite. e envolve a construção. em órbita circular (período de 100.N.5o em relação ao plano equatorial). Da mesma forma que o Landsat. os dois sistemas são bastante complementares.0 x 2. lançamento e gerenciamento operacional de dois satélites de sensoriamento remoto. através do INPE.b).2 m.8 x 2.C.no dia seguinte. descrição no endereço: ser http://www.inpe.EPIPHANIO . o Spot transmite o sinal de imagens para estações localizadas em diversas partes da Terra. DSR/INPE 2-26 J. heliossíncrona com cruzamento do equador no sentido norte-sul às 10:30 da manhã. através da CAST (Agência Chinesa de Ciência e Tecnologia).

Possui três sensores a bordo: a câmera CCD (charge-coupled device.N.3o 113 km ±32º 2 x 53 Mbits/segundo Resolução espacial no terreno Resolução temporal FOV Faixa de imageamento Visada lateral Taxa de dados FONTE: INPE (2000) A câmera CCD/CBERS é um sensor que cobre as faixas espectrais do visível e se estende até o infravermelho próximo. A câmera CCD/CBERS apresenta semelhanças com o HRVIR do Spot-4. Suas principais características estão na Tabela 5 e uma visão de seus constituintes está na Figura 1.89 µm (infravermelho próximo) 20 m x 20 m 26 dias no nadir.0.52 µm (azul) 0. DSR/INPE 2-27 J. TABELA 5 .77 .45 .0. dispositivo de cargas acopladas). porém com menor resolução espacial.0.69 µm (vermelho) 0. e a câmera WFI (wide field imager.73 µm (pancromático) 0. o imageador por varredura mecânica IRMSS (infrared multispectral scanner system. até 3 dias com visada lateral 8. esta banda do CBERS é mais larga.CÂMERA CCD DO CBERS Bandas espectrais 0.0.63 . ao contrário do Spot-4. sistema varredor multiespectral de infravermelho). O fato de cobrir todo o visível permite um aproveitamento da experiência e das técnicas de fotointerpretação feitas sobre fotografias aéreas preto e branco normais. e ainda oferece novidades em termos de imageamento. Além disso. Com esse conjunto de bandas consegue-se atender uma grande parcela da demanda por dados de sensoriamento remoto. imageador de grande campo de visada).51 . pois traz características de diversos outros satélites.59 µm (verde) 0.52 .C.EPIPHANIO .0. possui uma banda pancromática que cobre todo o visível e.A constituição de sua carga útil é muito interessante.

Esse sensor opera com um FOV de 8. Isso é uma característica relevante em situações de ocorrência de eventos que precisam ser monitorados em curto espaço de tempo. mas menor que a do Landsat.8o.50 a 1. FONTE: INPE (2000) Outro componente do Cbers é o imageador por varredura mecânica (IRMSS). ou fora do nadir.C. 1 .1 µm). Essa maior capacidade de visada lateral permite que se possam fazer revisitas com até 3 dias entre passagens. sendo uma que abrange desde o visível até o infravermelho próximo (0. o que equivale a 120 km de largura no terreno.Antena UHF de Recepção 7 Câmera de Varredura Infravermelho Fig.Módulo de Serviço 2 Sensor de Presença do Sol 3 Conjunto dos Propulsores de 20N 4 Conjunto dos Propulsores de 1N 5 .N. A capacidade de imageamento lateral. em ângulos bastante amplos (±32º).Divisória Central 6 .EPIPHANIO . duas no infravermelho DSR/INPE 2-28 J.A sua faixa de imageamento é maior que a do Spot. 1 – Satélite CBERS e seus componentes. Possui quatro bandas espectrais. é uma vantagem comparativa importante em relação aos sistemas existentes.

no caso da WFI/CBERS. embora não possua a alta resolução temporal de um dia do AVHRR/NOAA.4 a 12. Além disso.55 a 1. Como em todo sistema há uma solução de compromisso entre os diversos requisitos da missão. o que corresponde a uma faixa de 890 km no terreno.63 a 0. apesar da baixa resolução espacial. Sua resolução espacial não é tão boa quanto a do ETM+/Landsat-7 (30 m na maioria das bandas) mas também não é mellhor do que a do AVHRR/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer da National Oceanic and Atmospheric Administration. que é de 1.69 µm) e outra na do infravermelho próximo (0. e não possui capacidade de visada fora do nadir. a resolução espacial de 1. apresenta-se como um sensor de alto potencial de aplicação. a WFI/CBERS.1 km. É um sensor baseado na tecnologia CCD. também não possui a baixa resolução DSR/INPE 2-29 J.1 km é muito alta. não possui componentes móveis para o imageamento. Sua resolução temporal é de 26 dias. para esta aplicação. O outro sensor a bordo do CBERS. Essas três bandas espectrais possuem resolução espacial de 80 metros no terreno. portanto.EPIPHANIO . houve um sacrifício da resolução espacial. Radiômetro Avançado com Resolução Muito Alta). Possui características intermediárias entre todos os sistemas existentes para o estudo da superfície terrestre. A WFI/Cbers possui um FOV de 60o.5 µm).89 µm). e passivamente pelo próprio deslocamento do satélite no sentido da órbita. é a câmera WFI (imageador de grande campo de visada).08 a 2.C.77 a 0.75 µm e 2. A WFI/CBERS.35 µm). O nome deste sensor pode induzir a um equívoco de entendimento quanto à sua resolução espacial. o qual é feito eletronicamente na direção transversal à órbita. Porém. que passou a ser de 260 m. A WFI/CBERS possui apenas duas bandas espectrais: uma na região do vermelho (0.N. é que o AVHRR/NOAA é originariamente um sensor meteorológico e. onde são exigidas resoluções melhores do que essa.médio (1. e de interesse para o sensoriamento remoto. Isso garante ao sensor um período de revisita de apenas cinco dias. Uma quarta banda espectral localiza-se no infravermelho termal (10. para ter essa resolução temporal e cobrir uma faixa extensa de terreno a cada passagem. ao contrário do que ocorre para boa parte das aplicações de sensoriamento remoto.

é responsável pelos satélites também chamados NOAA (Kidwell. L e M (que recebem após o lançamento os números de 15.temporal do HRVIR/Spot.br/index. Nestas duas regiões (vermelho e infravermelho próximo) são os locais em que a vegetação apresenta o maior contraste espectral. O processamento dos dados para que sejam gerados os produtos a serem distribuídos aos usuários é feito em Cachoeira Paulista. Esse contraste deverá ser explorado através dos índices de vegetação. que visam exatamente a realçar a vegetação representada numa cena de sensoriamento remoto. que é uma agência governamental dos Estados Unidos. As suas duas bandas espectrais são dispostas em pontos estratégicos do espectro eletromagnético e são destinadas principalmente ao estudo da vegetação. é provável que se consiga identificar diversas aplicações que demandem tais resoluções intermediárias.inpe. esta resolução pode ser considerada muito alta para aplicações em meteorologia. 1997).N.dgi. que é de 26 dias no nadir. A série de satélites NOAA tem sido de grande importância no campo da meteorologia. Como esclarecido anteriormente. a estação está em Cuiabá.html (INPE. mas para muitas aplicações de sensoriamento remoto. SATÉLITES NOAA A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Admnistration). SP. a banda do vermelho é de alta absorção de energia. um que será aqui descrito é o AVHRR-3/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer.C. MT. respectivamente). O AVHRR-3 faz parte dos sensores a bordo dos satélites NOAA K.EPIPHANIO . no caso Brasil. 6. 2000a). O catálogo para verificação de cobertura de imageamento e qualidade de imagens pode ser acessado a partir da internet no seguinte endereço: http://www. 16 e 17. ou seja. São satélites de órbita heliossíncrona. esta resolução do AVHRR-3/NOAA é considerada baixa. circular a aproximadamente 850 km. Os dados do CBERS são gravados por estações terrenas. Entre os sensores a bordo. Com essas características. Radiômetro Avançado de Muito Alta Resolução). DSR/INPE 2-30 J. e a do infravermelho próximo é de alta reflexão.

A Tabela 6 apresenta as características dos canais do AVHRR-3/NOAA. 2 e 3A são usados para monitorar a energia refletida nas porções do visível e infravermelho próximo do espectro eletromagnético.500 – 12.580 – 1. uso da terra e meteorologia.1 km para os pixels no nadir.00 1.4o.N. L E M Canal 1 (visível) 2 (infravermelho próximo) 3A (infravermelho médio) 3B (infravermelho médio) 4 (infravermelho termal) 5 (infravermelho termal) FONTE: NOAA (2000) DSR/INPE Banda espectral ( m) 0.93 10.1 1. e do mar bem como das nuvens sobre eles.1 1.C. Os dados dos canais 1. neve.725 – 1. conforme necessário.CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K. Apenas cinco canais podem ser transmitidos simultaneamente. 4 e 5 são usados para determinar a energia radiativa da temperatura da superfície terrestre.O AVHRR-3/NOAA é um radiômetro imageador de varredura mecânica que opera em seis bandas espectrais (Tabela 6). Os dados adquiridos durante cada passagem permitem.550 – 3. Com esta largura de faixa e com a taxa de 14 revoluções orbitais por dia. os canais 3A e 3B são comutados para passagens diurnas/noturnas. lagos. de nuvens. o que equivale a 2.3 11. enquanto que o 3B só opera durante as passagens matutinas do satélite. O campo de visada (FOV) do AVHRR-3/NOAA é de ±55. a análise de parâmetros de interesse em hidrologia. há o sacrifício da resolução espacial que. da água. aerossóis e gelo. Esses dados permitem a observação da vegetação.64 3. no seu caso.68 0. Porém. Os dados do AVHRR-3/NOAA podem ser recebidos por antenas menores e também a custos reduzidos. a resolução temporal do AVHRR-3/NOAA é muito maior que a dos outros satélites de sensoriamento remoto vistos até aqui. é de 1. TABELA 6 .EPIPHANIO .1 1.5 Resolução espacial (no nadir. Portanto.300 – 11. após o processamento em terra. Os dados dos canais 3B. linhas de costa.1 1. oceanografia. a terra toda é coberta a cada dia.1 1.250 km de largura de faixa imageada no terreno.580 – 0. em km) 1.1 2-31 J.

Esse satélite possui cinco sensores: MODIS (Moderate-Resolution Imaging Spectroradiometer. Sistema de Medição de Energia Radiante da Terra e Nuvens).EPIPHANIO . cobrindo desde o limite inferior do visível (0. anteriormente chamado EOS/AM-1. quase polar. MISR (Multi-angle Imaging Spectroradiometer. PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) O programa EOS (Earth Observing System. O primeiro grande satélite desse programa denomina-se Terra. A seguir é feita uma breve descrição dos três primeiros sensores. O Modis é um sensor com 36 bandas espectrais. cruzando o equador às 10:30 da manhã na órbita descendente. Radiômetro Espacial Avançado de Emissão Termal e Reflexão).366 µm) até o infravermelho termal (14. cuja missão é gerar conhecimento científico em profundidade sobre o funcionamento da Terra como um sistema. É um programa que envolve vários países e uma grande gama de satélites e sensores. Medição da Poluição na Troposfera). É um sistema de varredura transversal à direção da órbita. CERES (Clouds and the Earth’s Radiant Energy System Network.385 µm). Espectrorradiômetro Imageador em Múltiplos Ângulos). lançado em 18/12/1999. Tem-se como premissa que esse conhecimento científico forneceria os fundamentos para o entendimento das variações naturais e induzidas pelo homem no sistema climático da Terra e também forneceria uma base lógica para as tomadas de decisão quanto às políticas ambientais (King. heliossíncrona. e MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere. está numa órbita circular a 705 km de altitude.C. Sistema de Observação da Terra) é um programa de longo prazo (pelo menos 15 anos).N. cujo espelho faz a DSR/INPE 2-32 J. cuja ganhadora foi uma aluna de 13 anos. ASTER (Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer. O satélite Terra.7. O nome “Terra” surgiu após um concurso nacional (nos Estados Unidos) entre estudantes de nível elementar e médio. Espectrorradiômetro de Imageamento de Moderada Resolução). 1999). e à 1:30 da madrugada no sentido ascendente.

avaliar propriedades da superfície terrestre (vegetação.N.EPIPHANIO . sendo de 250 m para as bandas 1 e 2. e pode fazer visadas laterais de ±24o. e numa faixa de imageamento de 60 km. de 500 m para as bandas 3-7. as resoluções espaciais variam de 250 m no nadir a 275 m para a câmera com ângulo mais extremo. O terceiro sensor do Terra aqui descrito é o Misr.0 m x 1.6o. nuvens do tipo cirrus. além disso.C. 60.varredura a uma taxa de 20.0o.1o. sendo que um deles pode apontar para trás na mesma direção da órbita. Esse sub-sistema é composto de dois telescópios. e de 1. 45. com resolução espacial de 90 m e faixa de imageamento de 60 km.46 µm. temperatura da superfície e das nuvens. As principais aplicações são traçar limites terra/nuvens. medições de ozônio. principalmente).3 rpm. Na região do visível/ infravermelho próximo tem três bandas com 15 m de resolução espacial.0 m. cor oceânica. Cada varredura cobre uma faixa de 2. Esses dois últimos sub-sistemas possuem capacidade de apontamento de ±8. um para cada região espectral. Este sensor faz imagens da terra em nove direções de apontamentos diferentes. Sua resolução espacial é dependente das bandas.54o lateralmente. permitindo que se gerem imagens estéreo.60 µm e 2. e massa de 250 kg. com alta resolução espacial. com 30 m de resolução espacial. DSR/INPE 2-33 J. entre 8. Suas dimensões são de 1.000 m para as bandas 8-36. biogeoquímica. nuvens e aerossóis.125 µm e 11. cada câmera possui quatro bandas espectrais entre o visível e o infravermelho próximo. no nadir. O sub-sistema responsável pela região do infravermelho médio mede a radiação em seis bandas entre 1. pode cobrir até 318 km fora do nadir.330 km no sentido transversal à órbita e 10 km no sentido longitudinal à órbita.6 m x 1. sua faixa de imageamento é de 60 km. O terceiro sub-sistema do sensor Aster é responsável pela medição da radiação em cinco bandas espetrais no infravermelho termal. vapor d’água na atmosfera. e 70. o que permite que qualquer ponto na superfície possa ser imageado pelo menos a cada 16 dias. fitoplâncton. A faixa de imageamento é de 360 km e. O sensor Aster tem 405 kg e possui três subsistemas.65 µm.5o para frente e para trás na direção da órbita). Uma câmera aponta para o nadir e outras oito cobrem diferentes ângulos de visada (26.

podem funcionar tanto durante o dia como durante a noite e. Em geral um sistema radar é constituído dos seguintes elementos: um gerador que envia pulsos a intervalos regulares a um transmissor. Essas duas características são importantes. praticamente não sofrem interferências atmosféricas (Short. para alguns comprimentos de onda. DSR/INPE 2-34 J. Satélite Europeu de Sensoriamento Remoto) e o Radarsat. Os radares. entre elas as de física. do Canadá. a bordo de stélites: o ERS (European Remote Sensing Satellite. os satélites que operam na região ótica têm grande quantidade de imagens inaproveitáveis por causa da cobertura de nuvens. ou detecção de alvos e avaliação de distâncias por ondas de rádio. pois ao poderem imagear a qualquer hora. geometria. oferecem grande certeza de aquisição de imagens em condições adequadas para uso.8. E. eletrônica.8 cm e 100 cm). 1998). ao serem praticamente imunes às condições atmosféricas. PROGRAMAS DE RADAR O termo radar vem de radio detection and ranging. evitando congestionamentos.C. Este os envia a um duplexador (ou multiplexador).EPIPHANIO .500 pulsos por segundo). que os envia a uma antena direcional que modula e focaliza cada pulso num feixe transmitido ao alvo. como geram sua própria iluminação. O conhecimento da teoria radar é um tanto quanto complexa. exigindo conhecimentos de várias áreas. Cada pulso dura apenas alguns microssegundos (em geral há cerca de 1. A operação dos radares se dá em comprimentos de onda bem maiores que os do visível e infravermelho. os pulsos que retornam são captados pela mesma antena e enviados a um receptor que os converte (e amplifica) em sinais de vídeo. e processamento de sinais.N. que são conduzidos a um dispositivo de gravação que pode armazená-los digitalmente para processamento posterior. Operam entre 40 GHz (banda K-alfa) e 300 MHz (banda P) (ou entre 0. podem otimizar seu posicionamento em relação ao Sol para captar energia solar em seus painéis solares e também operar em horários onde as estações de recepção estão com mais tempo livre. Atualmente há dois grandes programas que envolvem o imageamento da superfície terrestre por sensores radar.

que é muito semelhante ao ERS-1.3 GHz ou comprimento de onda de 5. com aplicação em oceanografia.C. Mas esse radar também pode operar no modo onda (wave mode. o ERS-2 foi lançado em 21/4/1995 (Francis et al.EPIPHANIO . numa cena de 100 km x 100 km. Esse modo de operação é o mais largamente utilizado para aplicações terrestres do ERS. com altitude média de 780 km. a órbita é quase polar (98. circulando a Terra a cada DSR/INPE 2-35 J. na Guiana Francesa. com polarização VV (transmissão e recepção verticais). um radar altímetro para fazer medições precisas dos sinais de retorno provenientes dos oceanos e das superfícies de gelo.O programa ERS é europeu e iniciou-se com o ERS-1.. Fornece imagens com resolução espacial de 30 m x 30 m. com cruzamento do equador. cujo lançamento deu-se em 17/7/1991 pelo lançador francês Ariane-4. O ERS-2. tem dimensões de 2 m x 2 m de base e 3 m de altura.4 m. 11 e 12 m. lançado em 4/11/1995. um radiômetro de varredura mecânica que opera nos comprimentos de onda de 1. a partir da base de lançamentos de Kourou. do Canadá. e tem um intervalo de revisita de 35 dias. com antena de 10 m. e num ângulo de visada fixo em 23o no meio da faixa de imageamento. e que pode operar no chamado modo “imagem”. hora local. Também leva um instrumento denominado GOME (Global Ozone Monitoring Experiment. O outro satélite com sistema radar de grande importância para o sensoriamento remoto é o Radarsat.N. pesa cerca de 2. às 10:30 da manhã. 3. então.3 toneladas. no percurso descendente.5o).7.6 cm). Os dois satélites têm órbita síncrona com o Sol. com resolução espacial de 1 km x 1 km (no nadir) e com uma largura de faixa de imageamento de 500 km. O Radarsat tem órbita circular de 798 km de altitude. Um de especial interesse para o sensoriamento remoto é o radar imageador. Experimento de Monitoramento Global do Ozônio). em banda C (freqüência de 5. O ERS-2 tem ainda um radar para a medição da velocidade e direção do vento sobre os oceanos.6. 1995). e tem um painel solar de 12 m x 2. adquire imagens de 5 km x 5 km a cada 200 ou 300 km num sistema de amostragem. O ERS-2 é constituído de vários sensores. modo onda) e.

p. REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR Canadian Centre for Remote Sensing (CCRS). e o período de revisita é de 24 dias para um mesmo modo de operação e ângulo de incidência.fr/spot4_gb/index. [online].cnes. Sua órbita é heliossíncrona. embora possa ter imageamentos distanciados de apenas 4.100.C. <http://spot4. pode variar o ângulo de incidência (com antena de 15 m x 1.5 dias para ângulos de incidência diferentes.200 kg. possui vários modos de imageamento. e as resoluções espaciais podem variar de 10 m a 100 m. 83.htm>. Aug. em polarização HH (transmissão e recepção da onda eletromagnética polarizada horizontalmente). É um sistema versátil. hora local. e ao mesmo tempo passa sobre as estações de recepção em horários não utilizados por outros sistemas evitando. European Space Agency (ESA). mas com passagem pelo equador às 6:00 (descendente). May 2000. The ERS-2 spacecraft and its payload. assim. Centre National d'Études Spatiales (CNES).6o em relação ao equador. n.6 cm). 14 vezes por dia . [online] <http://www. opera na banda C (freqüência de 5. 2000).5 m direcionada para a esquerda no hemisfério sul) desde 20o até 50o. et al.ccrs. <http://services.7 minutos. Essa configuração orbital permite que o Radarsat explore ao máximo as condições iluminação de seu painel solar. DSR/INPE 2-36 J.gc.ca>. O Radarsat. conflitos de gravação no momento da aquisição das imagens (CCRS. ERS satellite. C. Radarsat program. [online].EPIPHANIO .esa. May 2000.htm>. A filosofia que norteia o sistema é a de fornecer o mais prontamente possível a imagem adquirida ao usuário. 9. Francis. a largura da faixa de imageamento pode variar de 35 km a 500 km. May 2000. SPOT program.esrin. com massa de 3. 12-31.3 GHz ou comprimento de onda de 5. ESA Bulletin.R. 1995. com inclinação de 98. O tempo decorrido entre a aquisição e o recebimento pode ser tão rápido quanto um dia.nrcan.N.it/erslist.

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R.inpe.br P.CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte A: P A N A M A Z Ô N I A : O DOMÍNIO DA FLORESTA AMAZÔNICA NA AMÉRICA DO SUL PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid. Martini DSR/INPE .

Martini .R.DSR/INPE 3A-2 P.

...................................... LISTA DE TABELA ..................................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..Martini .............................................................. RIOS .................................. 3A-16 DSR/INPE 3A-3 P............................................................................. 3............... 3A-5 3A-7 3A-9 3A-9 3A-11 3A-13 3A-15 6.............................................. INTRODUÇÃO .. RECURSOS MINERAIS ......................... SOLOS E AGRICULTURA .................................................................................................R.............. 5........................................................... FLORESTAS ............................ 4....................................... 2................ÍNDICE LISTA DE FIGURA ............... 1....................................

Martini .DSR/INPE 3A-4 P.R.

. 3A-19 DSR/INPE 3A-5 P.................LIMITES DA PANAMAZÔNIA ....................R....Martini ..LISTA DE FIGURA FIGURA 1............

R.Martini .DSR/INPE 3A-6 P.

.......LISTA DE TABELAS TABELA 1 – ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) ...............R.......FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 .. 3A-18 DSR/INPE 3A-7 P............................... 3A-17 TABELA 2..............................Martini ..... 3A-17 TABELA 3 – DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 ...............................................................

Martini .DSR/INPE 3A-8 P.R.

Neste texto são serão descritos alguns elementos marcantes da paisagem nativa e antrópica da Panamazônia. Este número define a distribuição ambiental da floresta amazônica na América do Sul. Verdadeiramente a floresta densa (ombrófila-densa) é uma parte importante dos tipos de coberturas ali instaladas a partir da última glaciação há 12. Somos todos predominantemente amazônicos como mostra a figura 1 onde as fronteiras panamazônicas estão traçadas sobre as bordas dos países e o conjunto de 345 cenas LANDSAT que cobrem todo o extenso domínio. principalmente aqueles passíveis de serem observados e analisados em imagens do Satélite LANDSAT. UNCED-92.Martini . o INPE propôs um projeto de cooperação para os países amazônicos da América do Sul.539 km2) é 7.264 km2.082. Os degraus andinos DSR/INPE 3A-9 P. O nome Panamazônia como ficou denominado o projeto. Este número foi o primeiro e talvez o principal resultado obtido pelo projeto de cooperação. Outros tipos importantes são as florestas abertas (ombrófila aberta) e as savanas ou cerrados com uma extensa zona de transição entre elas. O tamanho final da área panamazônica incluindo aquela do Brasil (5. serviu e serve atualmente para designar a grande região compreendida pela floresta no Brasil e no conjunto dos países amazônicos. INTRODUÇÃO Alguns meses antes da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente. 2. Principal porque mostra que pelo menos 58% da área total dos países panamazônicos se encontram dentro do contexto ambiental de florestas tropicais.000 anos antes do presente.1. ou seja. Este projeto contemplava o uso de Sensoriamento Remoto orbital para monitorar a floresta tropical da megaregião. FLORESTAS A Panamazônia é conhecida pela sua cobertura florestal densa. A Tabela 1 mostra a distribuição do domínio florestal amazônico não brasileiro em relação a área total dos respectivos países.702.R. o Domínio Panamazônico.

Informações muito didáticas são apresentadas no anexo da revista Veja número 1527. DSR/INPE 3A-10 P. Os estados que mais contribuíram para este percentual são os estados de Mato Grosso e Pará. Peru e Guiana Francesa. SAGECAN-Venezuela (1993). Ao se relacionar estes números com a área aqui adotada para Amazônia Legal. A distribuição dos tipos de florestas da Amazônia Legal brasileira se encontra no anexo Amazônia Desflorestamento 95-97.069 km2 ou 51. está apresentado também no anexo acima mencionado enquanto que informações gerais sobre os demais países são apresentadas em INRENA-Peru (1996). chega-se ao valor de 10. IGAC-Colômbia (1993). Os números mais recentes sobre a expansão da ação antrópica no Brasil. A tabela também mostra a taxa de desflorestamento encontrada durante o período 77-96 e de acordo com esta taxa. Este condomínio de feições florestais de expressão planetária vem sendo submetido nos últimos quarenta anos a um severo processo de ocupação.900 hectares.dão berço a florestas também tropicais que são denominadas selvas altas ou selvas de piemonte. Os números do desflorestamento para os outros países sul americanos foram obtidos pelo Projeto Panamazônia gerenciado pelo INPE.1997). com detalhes. (5.706. sendo-lhes transferidas imagens gravadas pela Estação de Cuiabá. ENGREF-Guiana Francesa (1994) e ENRIC (1994) para os demais países.082. No decorrer do projeto a partir de 1992 foram criados e treinados grupos de trabalho nos diversos países. o possível prazo de existência das florestas nos respectivos estados.539 km2.R. CUMAT-Bolívia (1992). A Tabela 2 mostra a distribuição do desflorestamento no período 95/96 e as áreas dos estados amazônicos brasileiros. Resultados finais sobre o desflorestamento foram obtidos para três países: Bolívia.17% de desflorestamento. O número do desflorestamento na Amazônia brasileira para agosto de 1996 era de 517.Martini . incluindo todo o Maranhão). página 10 (INPE.

22% da área original de florestas.948. Na Guiana Francesa o ENGREF-Kourou apresentou em seu relatório de 1994 que 10. 3. Para estes países preferiu-se buscar figuras publicadas por ENRIC (1994). RIOS Os rios panamazônicos estão quase em sua totalidade na rede tributária do Amazonas. o Rio Essequibo na Guiana. No caso dos países como Colômbia. Este índice aponta para um número em torno de 1. o Rio Courantyne na fronteira Guiana-Suriname e o Rio Maroni da fronteira Suriname-Guiana Francesa. isto porque os números obtidos do Projeto Panamazônia eram incompatíveis com aqueles apresentados por ENRIC (op. No Brasil devem ser mencionadas bacias pequenas que drenam para o Atlântico. A Bolívia através do Centro de Investigação do Uso Maior da Terra-CUMAT .43% de florestas em sua área costeira haviam sido desmatadas até 1990. o Rio Gurupi no Pará e o Rio Mearim no Maranhão. avaliou que os bosques tropicais desmatados até 1990 somavam 23.R.000 km2 de desflorestamento ou 1.482.974. Os demais países reportaram apenas parcialmente seus resultados ao Projeto Panamazônia. 99 km2 ou 4. DSR/INPE 3A-11 P. Estas incluem os rios Oiapoque e Araguari no Amapá.O Peru através do Instituto Nacional de Recursos Naturais-INRENA reportou que o índice de desflorestamento de suas florestas tropicais até 1990 foi de 9. Separam-se dele as bacias do Alto Orinoco na Venezuela.37 km2 ou 6.10% da cobertura original daquele território francês. A Tabela 3 sintetiza a distribuição do desflorestamento nos domínios amazônicos da América do Sul até o ano de 1990. representando um total de 69. Venezuela e Equador preferiu-se manter as áreas totais dos países ao invés de usar os valores apenas dos domínios amazônicos da tabela 1.237 hectares.20% da cobertura original.Martini .cit).

Martini . De tons claros são os dois principais formadores do Rio Amazonas no Peru: os rios Ucayali e Marañon. 1996. O primeiro acomoda a origem do Amazonas junto ao Nevado Queuhisha. De águas turvas existem também outros grandes tributários andinos como o Napo. ambas no Estado do Mato Grosso. a jusante das cidades de Peixoto de Azevedo e Alta Floresta.R. A primeira está no Vale do Rio Teles Pires. um pico de 5. ao longo das fronteiras do Brasil com as Guianas e a Venezuela. Martini e Garcia. Dentre estes devem ser mencionados o próprio Rio Negro além do Uatumã.Os tributários e o próprio Rio Amazonas apresentam águas de cores diferenciadas bem características nas imagens de satélite. Trombetas. Os rios cristalinos principalmente o Tapajós e o Xingu vem sendo seriamente impactados por atividade de garimpo. A segunda entre os DSR/INPE 3A-12 P. Na Bacia do Rio Tapajós existem duas grandes fontes de turbidez por garimpos. O rejeito síltico-argiloso destes garimpos tem transformado as águas límpidas destes rios em águas turvas (Martini. Paru e Jari. e o conjunto Araguaia-Tocantins. Os formadores do Rio Madeira como o Madre de Dios. não tributários diretos mas parte da embocadura do Amazonas. o Xingu com seus formadores principais Iriri e Coluene. o Putumayo e o Caquetá. Rios cristalinos são aqueles com as cabeceiras instaladas no Planalto Central: o Tapajós com seus formadores Juruena e Teles Pires. Peru.1988). (Palkiewicz e Goicochea. Beni. Os rios de águas cristalinas ou negras aparecem em cores ou tons escuros. Neste local um riacho de nome Apacheta acomoda as primeiras águas perenes do Rio Amazonas. próximo de Arequipa. Grande e Mamoré imprimem a ele também a assinatura de águas turvas. Assim os rios de águas turvas como o Amazonas e todos os outros afluentes com nascentes andinas aparecem nas imagens em cores ou tons mais claros. 1996). Rios negros estão localizados principalmente na calha norte do Amazonas e têm suas cabeceiras nas serras divisoras Amazonas-Orinoco.000 metros localizado nos Andes Ocidentais.

DSR/INPE 3A-13 P. Tucuruí é a maior hidrelétrica brasileira enquanto Balbina com um lago de dimensões semelhantes não produz energia suficiente para suprir a cidade de Manaus. Estas últimas representam exemplos opostos de planejamento.Martini . Curuauna em Santarém (PA). também no sul do Estado do Pará. Culturas de chá. tem crescido constantemente mostrando que além de boa produtividade elas ajudam a inibir a erosão acelerada dos solos provocada pelos altos índices pluviométricos.g.R. cacau e outras vem se expandindo principalmente nos estados do Amazonas e de Rondônia. latossolos vermelho-escuros) e a falta de condições geomórficas adequadas para a agricultura ostensiva e mecanizada. As exceções são as extensas áreas com soja da Chapada dos Parecis no Mato Grosso e as agrovilas instaladas sobre solos muito nobres ao longo da Rodovia Transamazônica próximo a Altamira no Pará.rios Crepori e Jamanxim no sudoeste do Estado do Pará. Tucuruí no baixo Tocantins e Balbina no baixo Uatumã. 4. A instalação de culturas perenes. Os rios amazônicos mostram um potencial hidrelétrico invejável e alguns sítios acomodam grandes lagos que produzem uma energia importante porque não poluente e pouco impactante. SOLOS E AGRICULTURA Os padrões de agricultura nas imagens de satélite Landsat indicam que o manejo tradicionalmente observado na região sul do Brasil foi aplicado apenas localmente na Amazônia Legal. adequadas ao ambiente amazônico. para sul da cidade de Tucumã. Dois fatores são prontamente identificados como inibidores daquele procedimento: a pequena distribuição de solos ricos e produtivos (e. pimenta. As usinas atualmente em operação são: Samuel em Porto Velho (RO). A usina de Procopondo no Rio homônimo do Suriname é a única unidade hidrelétrica grande estabelecida fora do Brasil em terrenos amazônicos.Na Bacia do Xingu os garimpos são mais extensos nas cabeceiras do Rio Fresco.

Nos demais países panamazônicos aparecem com destaque as culturas de arroz e cana de açúcar da região costeira da Guiana e do Suriname. Famílias de seringueiros por décadas vem explorando a mata nativa sem destruí-la enquanto que pecuaristas em meses movem imensas matas semelhantes para pastagens. Os campos de coca vem crescendo rapidamente nas regiões de Cochabamba e de Santa Cruz na Bolívia bem como no médio Ucayalli. Esta degradação aparece pela lateritização intensa e rápida das áreas desmatadas. do Peru e da Colômbia. Esta área mostra a entrada rápida e intensa da cultura a partir do final dos anos 80. As imagens mostram também que os campos colombianos não se expandiram tanto como nos países mencionados. Nesta linha de sustentabilidade deve ser ressaltada a convivência harmônica dos seringueiros com a mata nativa no Estado do Acre. DSR/INPE 3A-14 P. entretanto. As áreas de arroz e de cana de açúcar tem crescido intensamente na Guiana. A pecuária continua firmemente se expandindo principalmente em Mato Grosso (região nordeste). ao redor da cidade de Pucallpa no Peru. A pouca expansão da coca na Colômbia pode ser compensada pela presença de grandes campos.Martini . ela provoca pelo pisoteio do gado e pela erosão uma degradação acelerada dos solos. Pará e mais recentemente no Acre.R. e os imensos campos de coca da Bolívia. Alternativas para usos sustentáveis da terra são ainda muito discretas e se resumem a questões acadêmicas junto a instituições de pesquisa que atuam na região. continua sendo o padrão mais densamente distribuído nas áreas desflorestadas da Amazônia. A experiência tem demonstrado que a pecuária. principalmente ao redor das cidades de Georgetown e de Nova Amsterdam. sul de Rondônia. do alto Rio Napo na região dominada pela cidade de Tena no Equador. além de mostrar uma produtividade cerca de 4 vezes inferior ã outras regiões produtoras tipo Goiás e Triângulo Mineiro.A pecuária.

As imagens as grandes minas citadas anteriormente não provocam impactos tão significativos à paisagem e ao meio ambiente físico quanto aqueles descritos anteriormente para os garimpos. Este fato deve-se certamente a falta de conhecimento e de trabalhos sistemáticos de mapeamento como aqueles iniciados pelo Projeto RADAMBRASIL em meados da década de 60. Outros jazimentos expressivos em atividade ou em reserva são: Serra do Navio (AP) com manganês. DSR/INPE 3A-15 P.R. Secundariamente contem 1.Martini . contem como principal jazimento mineral 17. do Rio Trombetas e do Rio Pitinga. Os platôs próximos do baixo Rio Trombetas no município de Oriximiná abrigam uma jazida de 600 megatoneladas de bauxita. Serra Pelada (PA) com ouro e Paragominas (PA) com alumínio. Verdadeiramente. localizada no Estado do Pará. prata e molibdênio em quantidades menores porem consideradas também como jazimentos. Tratam-se das minas de Carajás. Morro dos Sete Lagos (AM) com nióbio e terras raras. O farto conjunto de jazimentos minerais conhecidos na Amazônia não se repete nos demais países panamazônicos. as bordas das províncias minerais como no Projeto Carajás se transformaram em escudos contra a expansão do desflorestamento.000 toneladas de estanho. RECURSOS MINERAIS Nos limites da Amazônia brasileira se encontram 3 das maiores minas para exploração mineral atualmente em operações no planeta. minério de alumínio. formador do Uatumã no Estado do Amazonas acomoda um grande jazimento de cassiterita contendo 270. Observa-se que os recursos hídricos envolvidos na mineração não carregam rejeitos e quando existem ficam decantando em lagos isolados.5.8 gigatoneladas de minério de ferro (hematita). A chamada Província Mineral de Carajás. O alto vale do Rio Pitinga.1 gigatoneladas de minério de cobre além de ouro.

cerca da metade em domínio de floresta tropical. O oleoduto mede mais que 1. VA. Bolivia. DSR/INPE 3A-16 P. Ecole Nationale de Genie Rural des Eaux et des Forets. -DNPM (1995) Economia Mineral do Brasil. O Rio Amazonas que não está no Mapa. Relatorio sobre el Estado Actual del Proyecto IGAC-INPE. 6. Guiane Française. -IGAC (1993). Departamento Nacional da Produção Mineral. Arlington.Petróleo e gás são outros bens minerais intensamente explorados no domínio panamazônico.Martini . Centre de Kourou. por exemplo. Agosto.86. Instituto Geográfico Agustin Codazzi. Reservas de petróleo também são observadas na Amazônia Venezuelana. C.300 quilômetros. Colombia. Secretaria de Minas e Metalurgia. Centro Investigaciones de la Capacidad de Uso Mayor de la Tierra. -ENGREF (1994). June. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIA -CUMAT (1992). ano X n. Environmental and Ntural Resources Information Center. La Paz. Desbosque de la Amazonia Boliviana. Ministério das Minas e Energia. Brasilia. O Brasil também contem reservas importantes de gás descobertos no alto Rio Tefé. Bogotá. Estado do Amazonas. -ENRIC (1994) A Source Book on Tropical Forest Mapping and Monitoring through Satellite Imagery: The Status of Current International Efforts. São Paulo.R. Setembre. Projet Panamazonia Première Phase. Revista Nova Escola.A. Editora Abril S. A chamada Amazônia Peruana (Peruvian Amazon). Os furos de sondagem ali são identificados nas imagens por um desflorestamento tipo pequenas asas deltas. -Fioravante. contem reservas suficientes a ponto de instalar um imenso oleoduto que sai do Rio Tigre na fronteira com o Equador e do baixo Rio Maroñon para o porto de Bayovar no Pacífico. (1995).

P.R. Cartagena de Indias.5. Caracas. Austria. 11-15 de outubro de 1988.Instituto Brasileiro do Meio Ambiente. Technical Cooperation and Training within the Panamazonia Project: a Proposal to UNEP. -Palkiewicz. 24. ServicioAutonomo de Geografia y de Cartografia Nacional.-INPE (1994). J. MCT-MMA.W. Proyecto Panamazonia-Caso Venezuela. International Archives of Photogrammetry and Remote Sensing.R. Ministerio del Ambiente y Recursos Naturales Renovables. October.R. -VEJA (1997). Panamazonia Project to Monitor South America Tropical Forest. Lima.R. (1996) Depicting the Headwaters of the Amazon River through the Use of Remote Sensing Data. vol. Resumen de Actividades de la Expedicion Cientifica Internacional para Estabelecer de Manera Geograficamente Valida el Verdadero Origen del Rio Amazonas. Z. (1993). Venezuela. Ano 30 n. -INPE (1997). INR-48-DAGMAR.1. DSR/INPE 3A-17 P. Sociedad Geografica de Lima. São José dos Campos SP.Martini . part B7. VI Latin America Remote Sensing Symposium.. (1988). O Declínio de um Grande Rio Brasileiro Detectado por Imagens LANDSAT. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais . Julio. Garcia. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Peru. Deforestacion em el Bosque Lluvioso Tropical: uma Perspectiva Multitemporal. -SAGECAN (1993). Peru. Monitoreo de la Deforestacion en la Amazonia Peruana. P.N. Instituto Nacional de Recursos Naturales. XXXI. Amazônia: Desflorestamento 1995-1997. P. Goicochea. Amazônia. Dezembro. Brazilian National Institute of Space Research. -INRENA (1996). vol. Natal RN. -Martini. J. -Martini. -Martini. Vienna. São Jose dos Campos SP. SELPER-Society of Latin America Remote Sensing Specialists. Anexo do número 1527. (1996). October. Colombia.

800 912.40 2.R.619.172 SA/CA(%) 51.Tabela 1 ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) PAIS Bolívia Colômbia Equador Guiana Francesa Guiana Peru Suriname Venezuela Total SA (km2) 567.DESFLORESTAMENTO 95-97 # Área total do Estado DSR/INPE 3A-18 P.12 20.25 1.432 214 320 18.246.359 1.94 1.556 901.17 433 9 1.154.725 CA (km2) 1.322 5.361 5.220 142.619 1.14 13.017 277.(D) km2 % TAXA (T) MÉDIA km2/ano A-D T 153.303 380.648 5.138.960 1.670 91.026 787 251 Comentário: GTH Fonte: PROJETO PRODES .483 517.82 Tabela 2 FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 ESTADO ACRE AMAPÁ AMAZONAS # MARANHÃO MATO GROSSO PARÁ RONDÔNIA RORAIMA TOCANTINS AMAZÔNIA ÁREA = A 2 km DEFLOR .082.141 176.18 10.581 1.35 100.135 2.605 142.833 238.000 214.543 6.023 1.36 28.38 9.138 48.21 14.63 33.00 50.421 1.Martini .761 91.742 1.000 214.00 58.434 99.891 270.285.00 42.000 76.74 30.782 27.567.960 755.296 2.161 323 15.069 8.061 6.800 391.698 142.539 3.338 19.954 329.098.379 225.505 217 119 174 78 1.79 100.050 5.00 100.

Fontes: .98 2.539 # 1.000 755.482 3.20 2.800 #912.24 21.R.082.175.190 1.530 909.ENRIC-94 DSR/INPE 3A-19 P.11 9.41 1.38 24.Martini .974 415.200 129.605 142.923 Domínio (km2) 567.700 67. .32 9.303 5. # Inclui terrenos fora do domínio amazônico.818 % 4.91 BOLÍVIA BRASIL *COLOMBIA *EQUADOR GUIANA GUIANA FRANCESA PERU SURINAME *VENEZUELA # Inclui bosques tropicais fora do domínio amazônico.200 194.960 91.050 9.22 8.16 11.Projetos PRODES E PANAMAZÔNIA (INPE).891 #270.017 69.670 214.138.Tabela 2 DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 Desflorestament o (km2) 23.630 5.

Martini .Figura 1 – Limite da Panamazônia DSR/INPE 3A-20 P.R.

CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte B: IMAGENS PARA MAPEAMENTO GEOLÓGICO E LEVANTAMENTO DE RECURSOS MINERAIS: RESUMO PARA USO DOS CENTROS DE ATENDIMENTO A USUÁRIOS-ATUS DO INPE.inpe. PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS COORDENADORIA DE OBSERVAÇÃO DA TERRA DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid.br .

R.Martini .ÍNDICE DSR/INPE 3B-2 P.

.................................................3 ATRIBUTOS TEMPORAIS .......... 3B11 DSR/INPE 3B-3 P................................ 3B-6 3................................................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............ APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS ................................LISTA DE TABELA ........Martini .................................................... 3B-5 3........... 3B-6 3.....................1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS ....................... CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO ... 3B-12 1...................................... 3B-10 4.................................................R........................................... INTRODUÇÃO ...2 ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS ...... 3B-5 2.. 3B-9 3................

INTRODUÇÃO DSR/INPE 3B-4 P.1.R.Martini .

Objetivamente pode-se identificar 6 campos principais onde as imagens tem apresentado significativas contribuições. erosão. existe uma preferência pela imagem em papel preto e branco. APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS Os produtos usualmente utilizados para estas aplicações levam em conta primeiramente o conteudo de informações da imagem.Imagens de satélites. são ferramentas efetivas para estudos geológicos. cobre. a 100. 1. falhas. Para mapeamentos litológicos/estruturais e levantamentos para hidrogeologia utiliza-se preferencialmente imagens em papel preto e branco. uma vez que a integração de dados multifontes através do uso de sistemas de informações georeferenciadas (GIS) é um procedimento comum. para levantamentos regionais. Neste contexto sempre que a fotointerpretação tenha um papel preponderante sobre a integração de dados de diferentes fontes. Este conteúdo temático depende dos atributos espectrais. temporais e espaciais. Para estudos de prospecção para petróleo e bens minerais utilizam-se produtos digitais. DSR/INPE 3B-5 P. ou seja monoespectral. 2.Levantamento hidrogeológico (água subterrânea). principalmente aqueles de perfis tecnológicos semelhantes ao LANDSAT. 3.Mapeamento de estruturas geológicas tipo dobras.Martini . os produtos para os campos acima mencionados podem ser apresentados como imagens em papel (analógicos) ou em meio digital. Além disto.000 para mapas de detalhe. As escalas variam de 1:250. fraturas.R.Prospecção de bens minerais (ouro.Impactos ambientais: garimpos.Mapeamento de litologias ou de rochas.000. ferro) 6. Nestes campos as imagens são ferramentas cotidianas. 2. 4. escorregamentos.Prospecção de óleo e de gas (petróleo) 5.000 para trabalhos de semidetalhe e 1:50.

sol e data. Esta banda corresponde a LANDSAT ETM-4. Situações mais típicas para seleção de imagens com maior conteúdo de informaçoes para aplicações geológicas são apresentadas a seguir. O objetivo sempre é o de agregar às imagens o melhor dos atributos espectrais. o comportamento das rochas se torna mais típico na banda do infravermelho próximo. SPOT HRG-3 e CBERS CCD-4 Diz-se que quanto mais básica for uma rocha (maior conteúdo de elementos tipo Fe e Mg) mais escura ela aparece no infravermelho próximo. Cabe mencionar como opção de muito baixo custo a banda pancromática do DSR/INPE 3B-6 P. Assim se um alvo na superfície da Terra reflete seletivamente a radiação solar. O comportamento das rochas nas imagens é portanto uma combinação das respostas dos elementos rocha/solo/vegetação. 3.Martini . Nos estudos sobre impactos ambientais de projetos tipo represas ou unidades industriais. 3. chamados RIMAS ou EIA-RIMAS.1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS As rochas no Brasil estão constantemente associadas a solos e vegetação. usam-se preferencialmente dados apresentados em mídia ótica (CD ROM) ou magnética (dat ou exabyte).A avaliação de impactos ambientais sobre o meio ambiente físico pode ser feita por produtos em papel colorido. precisamos selecionar as bandas que registrem melhor esta refletividade (atributo espectral) bem como o período sazonal onde ele se apresenta mais detectável (atributo temporal) conhecendo se os alvos estudados tem expressão na escala e na resolução da imagem (atributos espaciais). espaciais e temporais. sensor. uma vez que a vegetação e a água são importantes indicadores . como envolvem também dados de outras fontes. No caso de solos não transportados cobertos por vegetação nativa.R. CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO Para que um produto possa conter maior conteúdo de informaçao temática é necessário que se agregue a ele os melhores atributos possíveis para uma cena gravada segundo a organização alvo.

sensor IR-MSS do CBERS. Esta banda diferentemente das outras bandas PAN abrange parte do infravermelho próxima. As outras terminam no início do infravermelho. Na faixa visível correspondente a banda do vermelho tanto as rochas ácidas quanto as básicas mostram assinaturas claras sempre que a vegetação não seja alta e densa tipo a mata amazônica. Esta banda é a ETM-3 ou HRG-2 ou CCD-3. A banda pancromática-PA do SPOT-5 poderia também ser recomendada. Na faixa do visível e em domínio amazônico pode-se esperar uma contribuição melhor da banda correspondente ao verde ou seja ETM-2, HRG-1 e CCD-2. Trabalhos geológicos que envolvam, portanto, mapeamentos de rochas (litologias), de estruturas ou com objetivo de estudar água subterrânea, serão bem atendidos por imagens da banda correspondente ao infravermelho próximo, se possível com o apoio de uma banda do visível, preferencialmente a centrada na faixa do verde. Trabalhos geológicos voltados a prospecção de bens minerais como cobre, chumbo, zinco, ouro, óleo ou gás, envolvem procedimentos de processamento digital e integração de dados. Nestas situações torna-se necessário explorar com mais profundidade os atributos espectrais das imagens. Assim o recomendável seria que o usuário utilizasse todo o acervo de bandas dos sensores, tanto na faixa visível quanto no infravermelho: 8 bandas ETM ou 5 bandas HRG ou 5 bandas CCD. A questão é que o usuário normalmente pede para um processamento digital mais simples um conjunto de 3 bandas. No caso de se tornar necessária a seleção de 3 bandas para objetivos de prospecção deve-se buscar ao máximo bandas que cubram todo o espectro ótico, ou seja: visível, infravermelho próximo e o de ondas curtas (short wave infrared). Assim além das bandas do verde e do infravermelho próximo recomenda-se tambem a banda ETM-7 ou HRG-4. A banda ETM-7 na verdade foi definida a pedido da própria comunidade geológica americana uma vez que tem correlação com a presença de hidroxilas em argilas. Argilas hidroxiladas são indicadoras de possíveis

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ocorrências de rochas ricas em cobre, chumbo e zinco. Deve ser entretanto ressaltado que os melhores desempenhos da ETM-7 foram observados em condições de baixa densidade de cobertura vegetal. No ambiente de florestas densas como nos remanescentes de mata atlântica ou na Amazônia, os desempenhos das bandas ETM-5 e ETM-7 para Geologia são semelhantes, trazendo informações sobre o dossel da vegetação e não sobre os solos ou rochas. Uma ultima opção interessante é o produto composto pelas bandas HRG-2 e 3 do SPOT-5 junto com o seu canal pancromático. Nesta combinaçâo se associam bons atributos espectrais com a ótima resolução espacial de 2.5 metros da banda PA . Os produtos recomendados para prospecção em Geologia são os digitais. Se analógicos devem ser sempre coloridos. Estudos sobre áreas onde o meio ambiente físico tenha sido impactado devem ser suportados por uma combinação de bandas que mostrem a situação das águas, da cobertura vegetal e do conjunto rocha/solo. Assim para domínios de floresta densa a composição RGB: ETM-543, HRG-432 e CCD-342 atendem a maior parte dos objetivos. Terrenos de baixa densidade vegetal (não amazônicos) serão melhor atendidos por composições “falsa-cor normais”, ou seja com RGB: ETM-432 ou HRG-321, ou mesmo CCD-432. Estudos recentes mostram que o desempenho do IRMSS-CBERS em bandas pancromática e do infravermelho de ondas curtas (pan+7+8 em GBR) é muito bom para estudos geológicos em terrenos não amazônicos. Estudos sobre impactos ambientais, os RIMAS ou EIA-RIMAS, seguem aquilo que foi descrito para as áreas impactadas apenas que neste caso os produtos devem ser apresentados em mídia digital. O estudo de áreas já impactadas, pelas análises de campo podem recomendar a geração de produtos fotográficos coloridos.

3.2. ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS

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Os principais atributos espaciais ou geométricos das imagens de satélites para a área de Geologia dizem respeito à relação entre o tamanho da cena e o quadro sinótico da área imageada (escala) e a dimensão do elemento de resolução da cena (pixel) no terreno. Um pixel menor permite uma escala maior mas sempre com restriçoes quanto ã dimensão da área coberta pela imagem. Assim para um pixel de 30 metros como aquele do Mapeador Temático pode-se chegar a uma escala de 1:50.000 mas a área coberta pela imagem será a menor, ou seja, 45 quilômetros de lado. Se o interesse do usuário for por uma área grande, equivalente ao de uma cena LANDSAT completa, serão necessárias 16 imagens na escala 1:50.000, ou apenas 1 imagem em escala 1:250.000 ou menor. Se o usuário estiver interessado em levantamentos geológicos regionais a imagem de 1:250.000 terá naturalmente melhor relação custo/benefício do que a de 50.000, embora mostre menos detalhes. O pixel PAN do SPOT tem possibilidade de suportar ampliações fotográficas de escala 1:25.000 sem perder o contexto de cena que define claramente as bordas dos diversos alvos. Ampliações 1:25.000 a partir de um pixel de 30 metros como aquele do TM fazem com que as bordas dos alvos apareçam serrados perdendo-se o entendimento do contexto da cena. O processamento digital sobre dados SPOT ou LANDSAT permite que realces de borda ou de contraste melhorem bastante as escalas máximas de ampliação. Assim imagens TM melhoradas por processamento em computador podem ser ampliadas até 1:25.000 sem perder seu conteúdo de informação geológica. Imagens SPOT-PAN registradas com canais XS podem chegar a escala de 1:15.000 mantendo aínda atributos em boas condições para estudos geológicos.

3.3 ATRIBUTOS TEMPORAIS O contexto temporal das imagens para Geologia não tem naturalmente a importância necessária de uma aplicação em Agricultura. Geralmente busca-se para Geologia a imagem livre de nuvens, com maiores índices de visibilidade e

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P.R.Martini

de conteúdo/qualidade da informação gravada. Existe entretanto um efeito temporal nas imagens que influencia fortemente o conteúdo de informação geológica: trata-se do sombreamento. O sombreamento é o efeito observado nas imagens no qual as faces das vertentes voltadas para o sol ficam mais claras do que as faces opostas à iluminação da cena que ficam mais escuras. Este efeito provoca um realce para as feições do relevo como cristas, vales, drenagens, alinhamentos de uma forma geral. Este efeito é mais intenso quanto mais baixo for a ângulo de elevação solar na gravação da cena. No caso do hemisfério sul os ângulos mais baixos de elevação do sol ocorrem entre os meses de junho e agosto. O sombreamento em situações extremas pode subverter até resoluções geométricas. Observa-se que imagens com resolução mais grosseira gravadas com baixo ângulo solar mostram com maior detalhe os atributos de relevo do que cenas com resolução mais fina gravadas com o sol mais alto. Exemplos conhecidos mostram que imagens de 80 metros de resolução gravadas com ângulos em torno de 33 graus mostram feições geológicas e geomorfológicas mais nitidamente do que imagens com 30 metros de resolução de mesma latitude coletadas com elevação de sol acima de 50 graus. Para mapeamentos geológicos e mesmo estudos de prospecção mineral onde a estrutura geológica exerça o principal controle, a seleção de cena deve contemplar também a busca por imagens com baixos ângulos de elevação solar. Deve ser mencionado também que em situações extremamente especiais onde os alinhamentos de relevo ou de drenagen se estendem na direção exata do azimute solar não existirão condições de iluminação para gerar os realces acima descritos.

4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Balieiro, M.G.; Martini, P.R. (1986) Exemplos de Análise Geológica

Comparativa entre dados SIR-A, LANDSAT, SLAR e SKYLAB (resumo). IV

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3B-10

P.R.Martini

Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.1, pg.78. Gramado, RS. Agosto 10-15, 1986. Rodrigues, J.E.; Liu, C.C. (1988) A Geometria de Iluminação Solar e sua Influência na Observação de Estruturas Geológicas em Imagens Orbitais. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.2, pg.294-302. Natal, RN. Outubro 11-15, 1988

5.

TABELA

DOS

SENSORES

E

BANDAS

COM

AS

PRINCIPAIS

APLICAÇÒES EM GEOLOGIA LANDSAT 7 SPOT5 CBERS ETM+ HRG CCD IR-MSS WFI 1 2 3 4 5 6 7 P 1 2 3 4 P 1 2 3 4 P P 7 8 9 10 11 A 5 6 Mapeamento B G R BGR BGR R BG B R NF G Litológico BG R B RG BGR G B R B G F R Geologia G MR B RG B R B G M
DSR/INPE 3B-11 P.R.Martini

Satélite Sensores BANDAS

principal sensor do LANDSAT 7 F: FLORESTA: COBERTURA FLORESTAL DENSA-AMAZÔNIA G: COR VERDE NA COMPOSIÇÃO COLORIDA HRG: ALTA RESOLUÇÃO GEOMÈTRICA.Urbana Mapeamento Estrutural Águas Subterrâneas Prospeção B Mineral Oleo e Gás (Petróleo) Ambientes B NF Impactados F Eia-Rima B NF Eia-Rima B F M M G G R GR R GR R M M B M M GRM GRB R GB M M B RG BGR M M G BR M M M RB GB B GB M G R R GB GR GRB R GRB GRB B R GBG GRB B GR GRB B R G G R B B R G R G B ACROGRAMAS USADOS NA TABELA B: COR AZUL NA COMPOSIÇÃO COLORIDA CCD: CAMERA DE ALTA RESOLUÇÃO DO CBERS EIA: ESTUDOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS ETM+: MAPEADOR TEMÁTICO AVANÇADO.R. principal sensor do satélite SPOT-5 IR-MSS: VARREDOR MULTI-ESPECTRAL INFRAVERMELHO DO CBERS M: IMAGEM EM PRETO E BRANCO N: NÃO FLORESTA: ÁREA FORA DO DOMÍNIO AMAZÔNICO P: MODO PANCROMÁTICO DO IR-MSS DO CBERS PAN: MODO PANCROMÁTICO do LANDSAT-7 PA: MODO PANCROMÁTICO DO SPOT-5 P5: MODO PANCROMATICO DO CCD-CBERS R: COR VERMELHA NA COMPOSIÇÃO COLORIDA RIMA: RELATÓRIO DE IMPACTO SOBRE O MEIO AMBIENTE WFI: IMAGEADOR DE GRANDE VISADA DO CBERS DSR/INPE 3B-12 P.Martini .

CAPÍTULO 4

TECNOLOGIA ESPACIAL NO ESTUDO DE FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS

J o r g e C o n r a d o C o n f o r t e1
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE

1

conrado@ltid.inpe.br 4 -1 J.C.Conrado

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4 -2

J.C.Conrado

ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................... 4-7 2. APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS .............................................................................. 4-10 2.1 VENTO ................................................................................................ 4-11 2.2 PRECIPITAÇÃO ................................................................................. 4-12 2.3 SONDAGENS ATMOSFÉRICAS ........................................................ 4-14 2.4 RADIAÇÃO .......................................................................................... 4-17 2.5 OZÔNIO ............................................................................................... 4-19 2.6 MEDIDAS DE CO ................................................................................ 4-19 2.7 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR ...................................... 4-21 3. CONCLUSÃO ......................................................................................... 4-21 4. BIBLIOGRAFIA ....................................................................................... 4-22

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J.C.Conrado

LISTA DE FIGURAS 1 - PRIMEIRA IMAGEM OBTIDA PELO SATÉLITE TIROS1 ...................... 4-7 2 - DISPOSIÇÃO DOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS DE ACORDO COM SUAS ÓRBITAS ............................................................................ 4-9 3 - ÓRBITA DO SATÉLITE TRMM ............................................................... 4-9 4 - IMAGENS SATÉLITE GOES-E INFRAVERMELHO, VISÍVEL, INFRAVERMELHOR(VAPOR D'ÁGUA) E MICROONDAS SATÉLITE DMSP (SENSOR SSM/I) ........................................................................ 4.10 5 - VENTO ESTIMADO USANDO DADOS DO SATÉLITE GOES-8 .......... 4-12 6 - PRECIPITAÇÃO ESTIMADA USANDO DADOS DO CANAL INFRAVERMELHO DO SATÉLITE GOES ............................................. 4-13 7 - CAMPO DE PRECIPITAÇÃO OBTIDO ATRAVÉS DO RADAR METEOROLÓGICO DO SATÉLITE TRMM ............................................ 4-13 8 - PERFIL VERTICAL DE TEMPERATURA OBTIDO ATRAVÉS DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................................ 4-15 9 - CAMPO DE TEMPERATURA EM 500 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 .......................................................... 4-16 10 - CAMPO DE UMIDADE RELATIVA 1000 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................ 4-17 11 – RADIAÇÃO DE ONDA CURTA ABSORVIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 12 - RADIAÇÃO DE ONDA LONGA EMITIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 13 - OZÔNIO MEDIDO EM 09/06/2000, A PARTIR DO SATÉLITE ERS-2 4-19 14 - CONCENTRAÇÃO DE CO MEDIDA PELO SENSOR MOPITT DO

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J.C.Conrado

...21 DSR/INPE 4 -6 J........ 4-20 15 .............Conrado ................EMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR SATÉLITE NOAA .............. 4......C.............SATÉLITE TERRA ...................

Conrado . com instrumento meteorológico a bordo. INTRODUÇÃO Os primeiros satélites. O primeiro satélite que teve sucesso na obtenção de dados meteorológicos foi o Explorer7.1. O primeiro satélite com finalidade de aplicação exclusivamente meteorológica foi lançado em 1 de abril de 1960. 1 . foram lançados em 17 de fevereiro de 1959 (Vanguard 2) e 7 de agosto de 1959 (Explorer 6) mas. na Figura 1 pode-se observar a primeira imagem transmitida por este satélite. Com as informações obtidas foram feitos os primeiros mapas aproximados da radiação refletida e emitida (na faixa do infravermelha) pelo sistema terra e a atmosfera.C.Primeira imagem obtida pelo satélite TIROS 1 DSR/INPE 4 -7 J. o TIROS 1. não tiveram grande utilidade. lançado em 13 de outubro de 1959 com um radiômetro desenvolvido por Verner Suomi e seus colaboradores da Universidade de Wisconsin. Fig. devido a problemas com estes satélites as informações obtidas.

Conrado . Estão localizados a 36. em razão da altitude em que está posicionado. Os satélites de órbita polar estão posicionados geralmente entre 700 e 800 km acima da superfície terra.C. Outro fator importante associado a este tipo de satélites está relacionado com a área de cobertura. estes satélites cobrem uma faixa bem estreita da Terra por onde estão se deslocando. Os satélites meteorológicos podem ser classificados de acordo com sua órbita em três diferentes classes: GEOESTACIONÁRIOS POLARES TROPICAIS Os satélites de órbita geoestacionária são assim denominados pois aparentemente eles se mantêm fixos sobre um mesmo ponto na superfície da Terra. Em função de estarem colocados sobre a linha do equador as regiões polares não são monitoradas pelos satélite geostacionários. e com o avanço na área de eletrônica e informática. DSR/INPE 4 -8 J. permitindo desta forma um monitoramento continuo dos fenômenos atmosféricos que se desenvolvem na área de visada do satélite. Na Figura 2. A principal característica deste satélite e a obtenção de uma nova imagem a cada 30 minutos. e com o desenvolvimento de novos sensores e softwares. os dados obtidas pelos satélites meteorológicos puderam então ser aplicados aos mais diversos campos de interesse da meteorologia. bem superior aos demais tipos de órbita acima mencionados. Em função da sua altitude.000 km acima da superfície da Terra. A principal característica deste satélite é que as regiões polares têm um monitoramento mais detalhado. podemos observar a rede de satélites meteorológicos que são utilizados no monitoramento dos principais fenômenos meteorológicos.Após o lançamento deste satélite. Têm em geral um período orbital de 98 a 102 minutos o que fornece um total de aproximadamente 14 órbitas por dia.

Este satélite esta localizado numa órbita inferior ao dos tradicionais satélites de órbita polar.Fig. 3 .Disposição dos satélites meteorológicos de acordo com suas órbitas. Nesta figura não esta incluída a órbita do primeiro satélite com objetivo exclusivo de adquirir informações meteorológicas na região tropical. ele esta posicionado a 350 km acima da superfície terrestre.Conrado . ou seja o satélite TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission). com uma inclinação de 35° em relação a linha do equador. Figura 3. Fig.Órbita do satélite TRMM. 2 . lançado em 27/11/1997.C. DSR/INPE 4 -9 J.

visível. isto é: na faixa do infravermelho.C. visível. Fig. infravermelho (vapor d'água) e microondas satélite DMSP (sensor SSM/I) DSR/INPE 410 J. A seguir estão imagens obtidas pelos satélites nestas faixas de observação Figura 4.Conrado . APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites meteorológicos atualmente operacionais obtêm informações em três faixas do espectro eletromagnético. infravermelho (vapor d'água) e microondas. 4 .Imagens do satélite GOES-E na faixa do infravermelho.2.

A velocidade do vento é estimada calculando-se o deslocamento da nuvem nas duas imagens e dividindo-se então pelo intervalo de tempo entre estas imagens.VENTO A metodologia de extração de ventos usando dados de satélites geoestacionários é realizada usando-se informações de duas imagens sucessivas (intervalo de 30 minutos). A seguir serão mostradas resumidamente. . alto.C. Estas informações eram utilizadas para a análise subjetiva das condições meteorológicas predominantes em pequena ou grande escala. algumas aplicações usando os dados obtidos através dos satélites meteorológicos. tinha como objetivo principal a observação dos deslocamentos dos sistemas frontais e o desenvolvimento de sistemas locais. a aplicação principal dos dados coletados pelos satélites meteorológicos. sendo atribuída para cada nível uma cor para representá-los. Na Figura 5. oceanos. Com o desenvolvimento de softwares. seja pela carência de uma rede de observações adequada ou por se encontrarem em regiões remotas (florestas. diversas metodologias foram desenvolvidas para a aplicação das informações coletadas por estes satélites. 2. desertos.Inicialmente. Eles são estimados para três níveis da atmosfera.Conrado . DSR/INPE 411 J. pode-se observar a velocidade do vento estimada usando-se esta metodologia. etc).1. médio e baixo. Deve-se salientar a importância que os dados coletados por estes satélites têm para determinadas regiões.

DSR/INPE 412 J. a bordo de satélite é possível avaliar diretamente a precipitação. e microondas). pois estes sensores não medem diretamente a precipitação. Somente através do radar meteorológico.Conrado .Vento estimado usando dados do satélite GOES –8. o satélite TRMM no presente momento é o único que nos permite obter medidas diretas de precipitação. Na Figura 6. infravermelho e microondas são denominadas de técnicas indiretas de avaliação da precipitação.PRECIPITAÇÃO A precipitação é outra variável que pode ser avaliada usando informações obtidas pelos diversos sensores a bordo dos satélites meteorológicos (que operam nas bandas do visível. 2. 5 .Fig.2 . infravermelho.C. podemos observar o campo de precipitação estimado usando informação do canal infravermelho do satélite GOES. As técnicas que utilizam os dados dos sensores nas bandas do visível.

Fig.Precipitação estimada usando dados do canal infravermelho do satélite GOES. 7 . Na Figura 7 observa-se o campo de precipitação obtido pelo radar meteorológico a bordo do satélite TRMM. 6 . Fig.C.Conrado .Taxa de precipitação obtida através do radar a bordo do satélite TRMM DSR/INPE 413 J.

campos estes que são de fundamental importância no conhecimento da estabilidade da atmosfera. Esta carência de informações não nos permite o conhecimento preciso da estrutura vertical da atmosfera. temperatura e umidade na vertical. e os campos de temperatura e umidade obtidos com informações derivadas dos dados recebidos pelos sensores a bordo do satélite NOAA-14. 9 e 10 podemos observar o perfil vertical de temperatura e umidade para a cidade de Cuiabá. em somente algumas estações da rede de observação meteorológica. Nas figuras 8.3 .2. DSR/INPE 414 J. podemos obter a variação dos campos de vento.Conrado . No Brasil. umidade e vento. A sondagem da estrutura vertical da atmosfera nos fornece a variação dos campos de temperatura. Com os sensores HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) e AMSU (Advanced Microwave Sounding Unit). instalados a bordo dos satélites polares da série NOAA.SONDAGENS ATMOSFÉRICAS Um produto de fundamental importância obtido através dos satélites meteorológicos são as sondagens atmosféricas.C. é feita uma única observação por dia.

Perfil vertical de temperatura obtido através de dados do satélite NOAA 14. ou seja. 8 . se existe a possibilidade do desenvolvimento de sistemas convectivos.Fig.Conrado .C. Estes perfis verticais são de fundamental importância em meteorologia. pois eles nos permitem avaliar a estabilidade da atmosférica. DSR/INPE 415 J.

Fig.Conrado . 9 .Campo de temperatura em 500 hPa obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 DSR/INPE 416 J.C.

Portanto.Campo de umidade relativa 1000 hPa .Conrado . Nas Figuras 11 e 12 podemos observar a medida da radiação de onda curta e longa realizada a partir das informações coletadas pelos satélite da série NOAA.Fig. 10 . deste total em média. obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 2. é de fundamental importância para uma melhor compreensão do clima. somente a metade atinge a superfície da terra.4 . DSR/INPE 417 J. trinta porcento é refletida para o espaço e 20 porcento é absorvida pelas nuvens. a medida da radiação atmosférica usando satélites. poeiras e gases do efeito estufa.C.RADIAÇÃO A radiação solar que atinge o topo da atmosfera é da ordem de 1365 Watts/m2 .

12 .Radiação de onda longa emitida. 11 .Fig. obtida a partir de dados do satélite NOAA. DSR/INPE 418 J.Radiação de onda curta absorvida.Conrado .C. obtida a partir de dados do satélite NOAA. Fig.

O cientista inglês J. Na Figura 14 podemos ver os primeiros resultados obtidos com os dados deste sensor.2. 2.OZÔNIO O primeiro dado disponível relacionado com a diminuição da camada de ozônio foi observado na estação Antártica japonesa Syowa em 1982.MEDIDAS DE CO A medida do CO na atmosfera tornou-se possível com o lançamento do satélite TERRA em 19 de dezembro de 1999. Canadá e Japão. Fig. pois o CO é um dos principais gases associado com o efeito estufa. Este satélite tem a bordo o sensor MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere). A partir de 1978. podemos observar o resultado da medida feita pelo satélite ERS-2. foi quem descobriu a influência do CloroFluorCarbono (CFC) como o principal mecanismo na diminuição do ozônio na região Antártica.C. vem sendo realizadas medidas da concentração de ozônio na atmosfera. DSR/INPE 419 J. Na figura 13. Lovelock. 13 .5 . na qual a camada de ozônio atingiu o seu nível mais baixo. em 9 de setembro de 2000. com o satélite de órbita polar Nimbus 3. Os dados obtidos por este sensor são de fundamental importância. um projeto comum dos Estados Unidos.Ozônio medido em 9/6/2000 a partir do satélite ERS-2.Conrado .6 . cuja finalidade principal é a medida da poluição.

14 .Conrado .Nesta figura pode-se observar a grande concentração de CO na América do Sul e África. novas metodologias de uso podem ser desenvolvidas. pois para cada novo sensor lançado a bordo dos satélites.Concentração de CO medida pelo sensor MOPITT do satélite TERRA. entre estas podemos citar: no alerta de ocorrência de geadas e nevoeiros. DSR/INPE 420 J. Fig. concentração associada pricipalmente com o efeito das queimadas nestas duas regiões. O uso de dados de satélites meteorológicos para as mais diversas aplicações.C. Os dados obtidos por satélites meteorológicos também podem ser aplicados em diversas áreas. é um campo que ainda não esgotou todas as possibilidades.

bem como os proudtos gerados usando os dados destes satélites. . umidade do solo.CONCLUSÃO Foram mostrados acima resumidamente algumas aplicações que podemos obter através de dados obtidos pelos satélites meteorológicos.2.Temperatura da superfície do mar satélite NOAA. monitoramento de nevoeiro. etc. monitoramento de aerosóis.C. Comparando a primeira imagem transmitida pelo satélite TIROS. com as imagens de alta qualidade hoje obtidas pelos atuais satélites.7 . nota-se que um grande progresso foi feito a DSR/INPE 421 J. monitoramento de raios. Na Figura 15. Esta variável tem as mais diversas aplicações. Porém. Fig. 3.TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR Um produto de fundamental importância que pode ser obtido através de dados de sensores que operam no infravermelho e microonda é a temperatura da superfície do mar. 15 . podemos citar também algumas que não foram mostradas tais como: monitoramento de geadas. podemos observar a variabilidade da temperatura da superfície do mar em escala global com os dados obtidos atraves dos satélites da série NOAA.Conrado . seja nas atividades de pesca bem como no conhecimento do padrão de circulação dos oceanos.

.partir de 1 de abril de 1960. Vonder Harr.inpe. S.Q.dfd.html DSR/INPE 422 J.C.gov http://jwocky.dlr.cptec.Conrado .gsfc.de/GOME/main. .BIBLIOGRAFIA Kidder.gsfc.H.nasa. Satellite Meteorology: an introduction. 4. Academic Press.gov http://trmm. 1995. Progresso este que têm sido de grande utilidade para a humanidade. T.nasa.nasa.gov http://auc.br http://terra. http://www.

br e-mail: helio@cptec.H.CAPÍTULO 5 TECNOLOGIA ESPACIAL NA PREVISÃO DO TEMPO S é r g i o H e n r i q u e S o a r e s F e r r e i r a1 H é l i o C a m a r g o J ú n i o r2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS CENTRO DE PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS 1 2 e-mail: henrique@cptec.inpe.Ferreira DSR/INPE .inpe.br 5-1 S.S.

S.H.Ferreira .DSR/INPE 5-2 S.

........5-8 3...................... ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE .S....................................................................................... CONCLUSÃO ................................... SATÉLITES METEOROLÓGICOS ..........5-7 UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA ............................. 7...ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ............................ 1......... 6................................. 5-10 5................ ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE ..............................................5-19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........... 2.Ferreira ..............5-17 8...5-11 PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) ........5-10 4.... 9....5-20 DSR/INPE 5-3 S.....H.........5-16 ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO ....5 INTRODUÇÃO .............................................................................. 5.......

DSR/INPE 5-4 S.S.H.Ferreira .

..............Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: ........................................ 5-13 3 ................ 5-11 2 ..... 5-16 5 ...........Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT ......S..... 5-17 6 ......... 5-19 DSR/INPE 5-5 S.......Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 .................................. 5-15 4 ..Ferreira ....................LISTA DE FIGURAS 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais ...............................H....Analise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT .............................Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 ........Modelo Global CPTEC ..............

Ferreira .H.DSR/INPE 5-6 S.S.

Os resultados da previsão do tempo são divulgados nas mais variadas formas. mas abrangem uma fabulosa rede internacional de informações e coleta de dados.S. No entanto. enquanto a caracterização do clima constitui uma generalização ou integração das condições do tempo. Estes provém de estações meteorológicas distribuídas pelo mundo. INTRODUÇÃO Através dos tempos.1. Para compreender como funciona esta rede de informações.H. para um certo período e uma determinada área.Ferreira . para fins de previsão de tempo. Partindo do pressuposto que tais prejuízos podem ser minimizados. todas estas informações devem chegar aos centros de previsão. é necessário compreender a diferença entre tempo e clima. tanto para o desenvolvimento da previsão do tempo. para que possam ser analisadas em tempo hábil. grandes recursos têm sido aplicados à meteorologia em todos os países do mundo. a compreensão dos fenômenos atmosféricos tem ganhado relevada importância. através de informações reportadas por aeronaves. tanto para a previsão do tempo quanto para a previsão do clima é necessário um grande volume de dados. Embora estes dois conhecimentos estejam intimamente relacionados é importante observar que a previsão do tempo corresponde a uma previsão diária do estado da atmosfera. devido aos prejuízos materiais e de vidas humanas que o desconhecimento destes fenômenos podem ocasionar. Em termos práticos. das imagens de satélites e de radar. ou até mesmo evitados. que nem sempre é compreendida plenamente pelo público em geral. mantida pelos países que integram a OMM (Organização Meteorológica Mundial). desde a coleta das informações nos diversos tipos de estações até a elaboração dos boletins DSR/INPE 5-7 S. Iniciando por um breve histórico do desenvolvimento da meteorologia. para o caso da previsão do tempo. o mais rápido possível. mas que passa a integrar-se cada vez mais na cultura geral do cidadão. abordamos de forma sucinta o processo da previsão do tempo. popularizando uma cultura básica em meteorologia. quanto para a climatologia. Tais recursos não restringem-se apenas aos centros de pesquisa e previsão do tempo. navios e bóias oceânicas.

O barômetro de Torricelli constituía-se de um tubo de vidro fechado em uma das extremidades. Desta forma .C. em 1850 em DSR/INPE 5-8 S.S. Tais relações foram depois esclarecidas. isto é. tais como os anemômetros. permitindo a condensação do vapor d’água e a formação de nuvens. através do estudo da dinâmica da atmosfera. indicando a pressão de 760 mmHg . O segundo passo significativo da meteorologia. está relacionada ao movimento ascendente do ar. inibindo a formação de nuvens. Ao contrário. 2. rumo a viabilização da previsão do tempo. Desta forma. pluviômetros. UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA O estudo da atmosfera inicio-se em tempos remotos. por Samuel Morse em 1843.de previsão do tempo. Além do barômetro. que também corresponde à pressão normal atmosférica ao nível médio do mar. Esta pressão varia com a altitude do lugar e também com as condições do tempo. termômetros. de forma praticamente instantânea. O aumento dos valores de pressão está relacionado ao movimento descendente do ar. sua relação com as condições do tempo e a fundamentação das leis físicas nos séculos seguintes. Cabe destacar que os conceitos básicos de meteorologia e previsão de tempo podem se relacionar com os conteúdos das disciplinas escolares do ensino fundamental e médio. No Ocidente os primeiros registros foram feitos por Aristóteles (século IV a. A partir da invenção deste instrumento começou a se desenvolver o conceito de pressão atmosférica. Este tubo preenchido com mercúrio era embocado em uma cuba contendo o mesmo líquido metálico.Ferreira . as informações obtidas pelas diversas estações meteorológicas. permanecendo aproximadamente à 760 mm de altura. Era preciso reunir. etc. foi dado após a criação do telégrafo elétrico. outros importantes instrumentos meteorológicos foram inventados na mesma época.). verificava-se na época que o peso da coluna de mercúrio era equilibrado pela pressão do ar.H.013 x 105 N/m2 . mas foi somente no século XVII que começaram os primeiros passos significativos para o início da meteorologia como ciência. a diminuição da pressão. Um fato importante foi a invenção do Barômetro por Torricelli em 1644. o que eqüivale aproximadamente à 1013 hPa (hecto Pascal) ou 1.

Washington, foram mostradas ao público os primeiros mapas meteorológicos (Cartas Sinópticas de previsão do tempo), com informações recebidas através do telégrafo. Outro grande passo foi dado em agosto de 1853, com a Primeira Conferência Meteorológica Internacional, celebrada em Bruchelas. O grande foco desta Conferência foi a necessidade de padronização da forma de coleta e transmissão de informações meteorológicas, e da necessidade de cooperação internacional para disseminação destas informações, que começou a se concretizar de fato após 1873, com a realização do Primeiro Congresso Internacional em Viena. Este foi um acontecimento sem precedentes na história da cooperação internacional em meteorologia, Meteorological Organization) http://www.wmo.ch No entanto, apesar de tudo isto, não se conseguia fazer previsões do tempo confiáveis com mais de 1 dia de antecedência. Era possível avaliar através das cartas sinópticas as condições do tempo, conhecia-se como as massas de ar se comportavam em média, mas a previsão do estado futuro da atmosfera dependia principalmente da experiência do meteorologista, pois os cálculos numéricos necessários para a previsão são extremamente complexos. Tal problema tem sido resolvido recentemente com o desenvolvimento dos supercomputadores, que têm permitido a utilização de modelos numéricos de previsão do tempo, cada vez mais precisos e que integram toda a gama de dados meteorológicos existentes. Esta nova técnica constitui-se no que hoje se chama de previsão objetiva do tempo, em contraposição as técnicas subjetivas, que se vale da experiência do meteorologista. No Brasil, o INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, através do CPTEC - Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos em Cachoeira Paulista -SP foi pioneiro no Brasil no uso de supercomputadores para a previsão objetiva do tempo, quando em 1994 inaugurou o seu primeiro supercomputador NEC - SX3. Desde então, o CPTEC tem produzido previsões confiáveis com até 6 dias, através do Modelo Global e até 3 dias com o Modelo abrindo as portas para a criação da OMM - WMO ( Organização Meteorológica Mundial - Word

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5-9

S.H.S.Ferreira

Regional. Estas informações são disponibilizadas diariamente através da Internet desde 1996 (http://www.cptec.inpe.br).

3. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE Estas estações são locais destinados a realização das observações meteorológicas, para a obtenção de dados, que caracterizam o estado presente da atmosfera. Estas estações, conforme a finalidade a que se destinam, podem ser agrupadas em diversas categorias. Dentre estas categorias, estão as chamadas estações sinópticas, que realizam as observações meteorológicas em horários padronizados internacionalmente. Os horários principais correspondem à Meridian Time”. Após a meteorológico, 00, 06, 12, 18 (GMT) das observações, o - “Greenwich observador realização

responsável pela estação , prepara os dados para serem

enviados, através do “Global Telecommunication System (GTS)” em forma de boletins codificados conforme norma da OMM. Basicamente, uma estação meteorológica dispõe de um conjunto de instrumentos para a avaliação das condições do tempo presente. O principal é o barômetro, destinado a medida da pressão atmosférica e a obtenção da pressão reduzida ao nível médio do mar. Além deste instrumento, a estação possui um ajardinado, lugar onde normalmente é instalado um anemômetro, para a medida da direção e velocidade do vento; um pluviômetro ou pluviógrafo, para a medida de precipitação e um abrigo ventilado, onde encontram-se os instrumentos destinados a medida da temperatura do ar e da umidade relativa. Além das medidas destes instrumentos, o observador meteorológico, relata as condições gerais do tempo, tais como, nebulosidade, visibilidade, etc.

4. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE As estações meteorológicas de altitude destinam-se a determinação da estrutura vertical da atmosfera. Nestas estações são normalmente empregadas as radiossondas, que consistem basicamente de dispositivos eletrônicos
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dotados de um transmissor de rádio e dos sensores de temperatura, umidade e pressão. Estes dispositivos são lançados através de balões, que podem atingir altitudes de até 40 quilômetros. Durante seu vôo, as informações obtidas pelo equipamento são transmitidas continuamente para um receptor na estação em terra. Como o balão viaja à deriva, a direção e velocidade dos ventos são calculadas por intermédio do sinal de localização emitido pela própria radiossonda. Tais informações são codificadas e transmitidas, via GTS, para os centros de previsão do tempo, em horários padrões, conforme estabelecido pela OMM. No entanto, devido ao alto custo das radiossondagens , estas são realizadas apenas duas vezes ao dia nos horários de 00 e 12 GMT

5. SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites geoestacionários situam-se a uma distância aproximada de 36000 Km, necessária para que estes se movimentem junto com a Terra. Como estes satélites visualizam sempre a mesma face do nosso planeta, uma imagem completa de toda a Terra só é possível através da concatenação das imagens procedentes de ilustra a Figura 1. diferentes satélites estrategicamente posicionados como

Fig. 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais.

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O sistema global de satélites meteorológicos, coordenado pelo CGMS (Coordination Group for Meteorological Satellites ), corresponde a uma constelação mínima de 5 satélites de orbitas geoestacionárias e dois satélites de orbitas quase polares (http://www.eumesat.de/en/area2/cgms/cover.htm). O mesmo não ocorre com os satélites de orbita polar. Situados em orbitas tipicamente bem mais próximas da Terra (850 Km de distância), os satélites polares cruzam o globo terrestre de Polo a Pólo , realizando uma volta completa em aproximadamente 100 minutos. Uma das características típicas destas orbitas é de normalmente serem heliosíncronas, isto é, fixas em relação ao plano do Sol. Desta forma, a medida que os satélites viajam entre os pólos a Terra gira de Oeste para Leste, exibindo a cada nova passagem do satélite uma região diferente do planeta. Uma imagem completa do planeta pode ser então obtida, através da composição das imagens individuais das várias passagens do mesmo satélite durante um período de 24 horas. A partir dos primeiros satélites meteorológicos , lançados na década de 60, imagens da cobertura de nuvens sobre a superfície da Terra tem sido utilizadas pêlos meteorologistas como um importante recursos na previsão subjetiva do tempo. Através da interpretação destas imagens os meteorologistas podem identificar e acompanhar os diversos sistemas meteorológicos, tais como sistemas frontais e tempestades tropicais. Tais imagens são obtidas através de sensores de radiação em diversas faixas do espectro, tais como a faixa da luz visível , faixa de infravermelho de 11µm e na faixa de absorção do vapor d'água. Por exemplo, a imagem da Figura 2 (a) foi obtida a partir do satélite geoestacionário GOES - 8 no canal 4 ( Imagem Infravermelha de 10,3 a 11,3µm). Nesta imagem verifica-se as nuanças de radiação térmica emitidas pela atmosfera e pela superfície da Terra. As regiões mais claras da imagem eqüivalem as regiões mais frias e normalmente estão associadas ao topo das nuvens mais altas. As partes mais escuras são associadas as nuvens médias e baixas, ou ao solo descoberto. A Figura 2 (b), obtida pelo mesmo satélite da Figura 2 (a) praticamente ao mesmo tempo corresponde ao canal -1 (Imagem Visível). A grosso modo podemos dizer que.

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esta é uma fotografia preto e branco da Terra onde podemos observar claramente as nuvens e as nuanças de luz produzidas pelo Sol.

Fig. 2 - Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: (a) Infravermelho ; (b) Visível Neste caso, ambas as imagens evidenciam a passagem de uma frente fria sobre o Uruguai. Ao norte da América do Sul, uma faixa de nuvens aglomeradas marcam a presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que na época do ano em questão, o Inverno, situa-se em média, um pouco mais ao norte do Equador. Em contraposição, a imagem da Figura 1(a) independe da iluminação do Sol, visto que trata-se de radiação Infravermelha emitida pela Terra; o que não ocorre na imagem da Figura 1(b). Nesta última, percebe-se as sombras nas nuvens devido a inclinação do Sol, assim como as regiões iluminadas e não iluminadas (dia / noite) no horário da imagem. No entanto, as possibilidades dos satélites vão além da simples obtenção de imagens da Terra. Através de programas de computadores específicos, as medidas de radiação podem ser utilizadas na obtenção de uma série de outras informações derivadas e em formato apropriado aos Modelos Numéricos de Previsão do Tempo. Dentre os muitos tipos de dados obtidos, os mais comuns

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realizadas nas poucas estações meteorológicas de altitude.S. Na Figura 3 são apresentadas as temperaturas obtidas através de um dos sensores do TOVS do satélite NOAA 14. O SATEM é semelhante ao TOVS. porém obtido por satélites geoestacionários. mais especificamente o canal 6 do HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) Tal canal caracteriza as temperaturas atmosféricas próximo ao nível de 800 hPa (altitude aproximada de 2000 m acima do nível médio do mar). os dados de TOVS não possuem a mesma precisão dos dados de radiossondagens.Television Infra-red Observation Satelite DSR/INPE 5-14 S. 3 TIROS . sendo observados valores desde 201 K ou –72 oC sobre as regiões polares até valores de aproximadamente 269 K ou –4 oC sobre o continente africano. Através destas medidas obtém-se perfis reconstituídos de temperatura e umidade em diferentes camadas da atmosfera. Na realidade. e SATOB.H. O TOVS (TIROS3 Operational Vertical Sonder ) corresponde a medidas de radiação em diversos regiões do espectro. porém os satélites obtêm estes dados continuamente sobre toda a superfície da Terra enquanto as radiossondagens.e disponíveis através do GTS são as informações de TOVS. A cada nova passagem do satélite uma nova faixa de valores de temperatura é obtida. semelhante aos dados convencionais de radiossondagem. constituem dados isolados e por isto insuficientes para a caracterização tridimensional do estado físico da atmosfera. atualmente NOAA-14. Os dados de TOVS são obtidos através de satélites de orbita polar. SATEM.Ferreira .

H.S.3 .Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 Fonte : EUMETSAT O SATOB. Como exemplo. estimando assim os valores de direção e velocidade dos ventos. obtido exclusivamente por satélites geoestacionários. Complexos programas de computador identificam o deslocamento e a evolução das nuvens em imagens sucessivas. A técnica de extração dos ventos emprega imagens sucessivas de cobertura de nuvens. os vetores na Figura 4 representam a direção e velocidade dos ventos obtidos no CPTEC com dados provenientes do satélite geoestacionário GOES – 8. DSR/INPE 5-15 S.Ferreira .Fig. corresponde a dados de direção e velocidade dos ventos em vários níveis na atmosfera.

S. Sua utilização estende-se nas áreas onde existem poucas estações meteorológicas convencionais. dispensa o uso de energia elétrica. Informações relativas a temperatura da superfície do mar. Dotada de painel solar. DSR/INPE 5-16 S.H. PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) As PCDs são estações meteorológicas capazes de automaticamente obter quase todos os tipos de dados obtidos por uma estação meteorológica de superfície convencional. ou em áreas de difícil acesso como.Ferreira . umidade do solo.Fig. pelo SCD2 do INPE ). 4 . por exemplo. a Amazônia. entre outras derivados dos dados de satélites. são igualmente importante para previsão do tempo e clima. 6.Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 Fonte: CPTEC É importante salientar que estes são apenas alguns dos muitos tipos de dados obtidos através dos satélites para a previsão do tempo. Os dados são transmitidos pelos satélites de coleta de dados ( No Brasil.

outro sobre o Atlântico (1023 hPa). A primeira. as radiossondagens. isto é .H. que neste caso.S. A partir da análise destas cartas são realizadas as previsões do tempo. Fig. por caracterizar o avanço de massa de ar frio sob a massa de ar quente. as imagens de satélites. certamente possui temperaturas baixas e avança em direção à segunda. Com a utilização de supercomputadores. ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO As estações de Superfície. DSR/INPE 5-17 S. aviões e bóias integram a massa de dados para as previsões do tempo. um sobre o Sul da Argentina com pressões em torno de 1026 hPa. apenas 12 horas antes das imagens de satélite da Figura 2. A Figura 5 ilustra um recorte da análise dos campos de pressão do Modelo Global do CPTEC para as 0 horas GMT do dia 28 / 06 / 1999 . onde as temperaturas são maiores. Estes centros de pressão caracterizam grandes massa de ar.Ferreira . A região de confronto entre as duas é denominada região de frente.7. no Atlântico. 5 .Análise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT . junto com dados obtidos por navios. o CPTEC tem realizado às análises e previsões através de modelos numéricos. Estes dados são analisados através de cartas sinópticas. sobre a Argentina.Modelo Global CPTEC Através desta análise verificam-se dois centros de alta pressão.

Nos centros de baixa pressão o movimento é invertido.H.S. que produzem grande quantidade de nuvens e chuva. No Hemisfério Sul. a circulação dos ventos ocorre no sentido anti-horário e no Hemisfério Norte.Ferreira . É o exemplo do ciclone situado no litoral sul da Argentina (Figura 5 ). sendo também chamado de circulação ciclônica. além dos campos de pressão estão sobrepostos os campos de precipitação acumulada no período. que em partes é decorrente do movimento de rotação da Terra.Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT DSR/INPE 5-18 S. através da disposição das nuvens em espiral. Uma característica interessante dos centros de alta pressão é a circulação dos ventos em torno destes centros. no sentido horário. Na Figura 6 temos as previsões do modelo Global do CPTEC para as próximas 24 horas. isto é. que apresenta valores de pressão inferiores à 986 hPa. Podemos também perceber este ciclone através das imagens de satélite da Figura 2. Tal movimento é chamado de circulação anti-cilclônica. Na região da frente. temos baixas pressões e grandes movimentos de ar úmido . 6 . Nesta figura.corresponde à uma frente fria que atua sobre o Uruguai. Tal ciclone encontra-se ainda associado à frente fria sobre o Uruguai. Fig. horário no Hemisfério Sul e anti-horário no Hemisfério Norte.

da retaguarda deste sistema. onde também são previstas chuvas. destacando a DSR/INPE 5-19 S. para que tais resultados possam ser melhor aproveitados. Além do Modelo Global. O Ultimo passo deste processo é a interpretação destas saídas pelos meteorologistas. matemática e geografia entre outras. exceto na região litorânea. menos confiáveis elas serão. 8. associados à este sistema. exemplificamos como as informações meteorológicas são trabalhadas. que se estendem sobre o oceano Atlântico. CONCLUSÃO Para a previsão do tempo é necessário o envolvimento de grandes recursos e da cooperação entre os países. até a saída das previsões numéricas do tempo. onde o tempo provavelmente permanece estável com poucas nuvens. portanto bem mais preciso que o modelo Global. desloca-se para leste enquanto a alta pressão. tais como a física.Comparando-se o campo de pressão desta figura com a análise da Figura 2 . No entanto.Ferreira . Deve-se no entanto observar. É necessário noções gerais de meteorologia. avança sobre o sul da Argentina. e ainda conhecimentos das mais diversas áreas. Estes boletins são atualizados diariamente na Internet. que utiliza uma grade de resolução de cálculo de 40 x 40 Km de área para até 3 dias de previsão. que utiliza uma grade de 200 x 200 Km. Os resultados são úteis para diversas áreas de atividade humana e também para a população em geral. verificamos que o modelo prevê o sistema frontal sobre o Rio Grande do Sul . que quanto mais longas forem as previsões do tempo. compreendida entre o Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. que confeccionam os boletins escritos de previsão do tempo.S. o CPTEC ainda disponibiliza os resultados do Modelo Regional ETA. Deste modo. Da mesma forma que foi gerada esta previsão. O centro de baixas pressões. para serem posteriormente divulgados. sejam estes por especialistas ou pelo público em geral.H. o Modelo Global do CPTEC gera previsões até 120 horas ( 6 dias ). A Alta pressão do Atlântico estende-se por grande parte da Região Sudeste e Nordeste do Brasil. não basta ter acesso às informações.

2a ed . E. Disponível na Internet: http://www3. D. 1994 CENTRO DE PREVISÃO DO TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS: CPTEC. Sensoriamento remoto: Princípios e Aplicações. UFV Imprensa Universitária.Ferreira . West Publishing Company. Meteorologia Básica e Aplicações. WMO No.importância do trabalho do professor. 1973 DSR/INPE 5-20 S. 5.inpe.H. na divulgação desses conhecimentos.br/~ensinop/index. Viçosa. Climate and the Environment. American Meteorological Society. Ed. One Hundred Years of International Co-operation in Meteorology (1873-1973). 345. Disponível na Internet http://www. 2001] Vianello. Meteorology Today: An introduction to Weather. Boston 1996.cptec. 1991 WORLD METEOROLOGICAL ORGANIZATION: WMO. Geneva.eumetsat.htm [19 Jun. R. CGMS Directory of Meteorological Satellite Applications. C. Historical Essays on Meteorology 1919-1995. 1998 THE EUROPEAN ORGANISATION FOR METEOROLOGICAL SATELLITES: EUMETSAT.S. 2001] Fleming J.L. Novo. M.de/en/area2/cgms/cover. Meio Ambiente e Ciências Atmosféricas: A utilização de Multimídia e da Rede Internet no ensino Público de Nível Médio.html [19 Jun. Edigard Blücher São Paulo. 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ahrens.

CAPÍTULO 6 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À OCEANOGRAFIA Milton Kampel* INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO *milton@ltid.inpe.br .

ÍNDICE DSR/INPE 6-2 M.Kampel .

........1... 6................................3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES .......1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA ........7 2 INTRODUÇÃO ..... 6.........................1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR ........1 O QUE É OCEANOGRAFIA ......2 RESSURGÊNCIAS ................... 6...........................28 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......15 3................................3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS .......................................9 2.................................1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS ......................................................................................................................... 6.2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA . 6.2 COR D’ÁGUA . 6.2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA ........19 3........5 1 APRESENTAÇÃO ............2............................................ 6.................2..16 3....22 3............18 3...............................15 3............. 6...............27 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ......... 6..1......... 6....................................25 3...........9 2. 6....... 6.......................................11 3 APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA .................................... 6.......... 6...............................................................................3 GERENCIAMENTO COSTEIRO ...........................1..........................................3 VÓRTICES E FRENTES ............... 6...............9 2...........Kampel .30 DSR/INPE 6-3 M...20 3............... 6........ 6.........................LISTA DE FIGURAS ...... 6........2................................24 3...................................

LISTA DE FIGURAS DSR/INPE 6-4 M.Kampel .

A parte submersa encontra-se em tons de azul..... As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos...Kampel . 1000.... A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem........ composição colorida 3B4G5R..... 26 Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo.......... em cima .Anomalia de temperatura da superfície do mar....C.. A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g................. 20 Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtidas a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira........... do Baixo do Parnaíba (PI.............. 23 Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS.17 Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar.Figura 1... A escala de temperaturas encontra-se a direita........ ........ nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior).. Tomé..... A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S........... rastreado por satélite..... 27 DSR/INPE 6-5 M. As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica.. entre 18 e 24 de junho de 2002.. Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura)... .. 18 Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14.............. sensor ETM+... do litoral norte do RJ....... mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio.. ....... padrão WOCE.. Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência... As isóbatas de 500........ ........... produzida a partir de imagens do satélite NOAA-12......................... O continente e as nuvens estão mascarados em branco......... 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem..... A escala de temperaturas encontram-se a direita................ MA e CE)........................... 25 Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7........... de 08/08/2000............... Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. às 05:23h. (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE...... ....................... Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura).. As setas menores indicam a posição da frente termal.........m-2 encontra-se na parte inferior da figura......

Kampel . Mais da metade da radiação solar que chega à superfície terrestre é DSR/INPE 6-6 M.1 APRESENTAÇÃO A Terra é um planeta aquático com dois terços de sua superfície coberta por água.

Os dados obtidos tendem a vir de navios (de pesquisa ou de DSR/INPE 6-7 M. Enquanto que a atmosfera e os continentes suportam grandes variações de temperatura nas altas e médias latitudes. se não a maior parte da poluição antropogênica. Além disso. e programas de defesa nacionais são cada vez mais dependentes de operações navais. Os depósitos oceânicos fornecem um quadro da evolução climática global ao longo de milhões de anos. Os processos atuantes nos oceanos são também importantes em relação à absorção de gases. a física. essa descrição é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta. os oceanógrafos vem elaborando uma descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar. No fundo oceânico existem grandes depósitos de minerais valiosos – óleo e fontes potenciais de minerais estratégicos. a temperatura do oceano permanece mais constante. uma visão da evolução das crostas oceânica e continental. O alto calor específico da água do mar impede que a amplitude da temperatura varie rapidamente ao longo do dia. desde derramamentos de óleo. até lixo atômico. Os oceanos também. Da mesma forma. Entretanto. assimilam grande. A topografia do solo oceânico e suas propriedades magnéticas fornecem. Por mais de um século. os recursos pesqueiros abastecem uma fração significativa da proteína consumida mundialmente. biologia e geologia dos oceanos são fundamentais para o desenvolvimento e gerenciamento desses recursos vivos.primeiro absorvida pelos oceanos.Kampel . esgotos domésticos e industriais. Eles podem atrasar ou reduzir o impacto do aquecimento global provocado pelo aumento nas taxas de dióxido de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis. onde é armazenada e redistribuída pelas correntes marinhas antes de ser liberada para a atmosfera. química. os oceanos são importantes por outros motivos: o comércio internacional se utiliza muito dos meios marinhos. similarmente. Além do aspecto climático e meteorológico.

Grandes áreas oceânicas. Além disso. particularmente no Hemisfério Sul. os oceanos apresentam uma grande variabilidade espaço-temporal. A quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos e monitorados por sensoriamento remoto é bem ampla. As aplicações dos dados orbitais são tão diversas que podemos considerar este meio de aquisição de informações para a oceanografia como um todo – biológica. necessitando de medições freqüentes em locais bem distribuídos ao redor de todo o globo terrestre. alguns aspectos relacionados à Oceanografia e ao Sensoriamento Remoto dos oceanos. além de alguns exemplos de aplicações da tecnologia espacial no estudo oceanográfico. sua fauna e seus limites físicos com a terra firme e a atmosfera. INTRODUÇÃO 2. Como DSR/INPE 6-8 M. apresenta novas perspectivas para a descrição e o entendimento dos oceanos. O sensoriamento remoto a partir de instrumentos orbitais ou aerotransportados. que associada a recursos computacionais cada vez mais sofisticados. fornece uma visão sinóptica dos oceanos. Já segundo a UNESCO.Kampel . Espero que seja útil. de forma resumida. a Oceanografia é uma “ciência universal. são pouco visitadas por quaisquer navios.oportunidade) que muitas vezes são obrigados a alterar suas rotas normais em função de condições meteorológicas adversas ou pela presença de gelo no mar. que tem por objetivo o estudo do meio marinho. química. Milton Kampel Julho de 2002 São José dos Campos . sua flora.SP 2.1 O QUE É OCEANOGRAFIA Segundo o dicionário. a Oceanografia é o “estudo das características físicas e biológicas dos oceanos e dos mares”. geológica e física – tão eficaz como as informações obtidas por meios convencionais. Este capítulo “Sensoriamento Remoto Aplicado à Oceanografia” pretende apresentar.

2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA O Sensoriamento Remoto não está limitado a geração e interpretação de dados na forma de imagens. entre outras. podem se propagar por grandes distâncias submarinas. Cartografia.Kampel .qualquer outra ciência. temperatura e umidade em diferentes níveis da atmosfera são rotineiramente coletados por serviços meteorológicos. ela se baseia no método experimental (. 2. Paleontologia. Sensoriamento Remoto. DSR/INPE 6-9 M. apesar de serem fortemente atenuadas na atmosfera.. Administração/Marketing. Ondas ultra-sônicas. detecção de cardumes e comunicações submarinas. A Oceanografia pode ser considerada como o estudo científico dos oceanos com ênfase no seu caráter como Ambiente. envolvendo diversas áreas como a Meteorologia. O principal objetivo do estudo oceanográfico é obter uma descrição sistemática dos oceanos.. Informações científicas sobre diferentes níveis atmosféricos também são coletadas por métodos de rádio-sondagens operados tanto por estações terrestres. É convenientemente dividida em: Oceanografia Biológica. Por exemplo. como a bordo de satélites. caça de minas submersas. Na verdade. Engenharia. a Oceanografia é uma disciplina multi e interdisciplinar. através do emprego de balões e foguetes meteorológicos. Oceanografia Física. suficientemente quantitativa para permitir a previsão de seu comportamento com algum grau de certeza. inspeções submarinas. Oceanografia Química e Oceanografia Geológica. dados de pressão. Devido às grandes dimensões dos fenômenos oceânicos e do fato de que eles raramente são gerados num mesmo lugar.). Daí sua aplicabilidade em medições das profundidades em rios ou oceanos (batimetria). a oceanografia depende da cooperação internacional”.

Desta forma. com a utilização das ondas eletromagnéticas através da atmosfera.temperatura. Por outro lado. . concentrações salinas. não haveria nenhuma objeção fundamental impedindo a extensão das técnicas de sensoriamento remoto nos oceanos. cabe lembrar que técnicas de sensoriamento remoto tem sido empregadas. apesar da coleta de dados via SR ocorrer em apenas uma única profundidade. para estudos biológicos. velocidades. medições de velocidade pelo efeito Doppler etc. na medida em que se analisam três aspectos: 1) Inicialmente. DSR/INPE 6-10 M. a descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta. Se por um lado. para quaisquer variações que ocorram em profundidades nos oceanos. ao longo dos anos. são os parâmetros superficiais . ou seja. a quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos com o emprego de tecnologia espacial é bem ampla.Kampel . por vários oceanógrafos utilizando métodos acústicos nos oceanos. trata-se do nível mais importante. Ondas sonoras tem sido utilizadas para estudos do fundo e subfundo marinho. Desta forma. para observação do material em suspensão na água do mar. praticamente.que controlam as interações energia/matéria entre o oceano e a atmosfera. a superfície. determinações de estruturas termohalinas.Como já mencionado anteriormente. A representatividade dos dados de sensoriamento remoto para parâmetros oceanográficos dependentes da profundidade ou que apresentem variações temporais de alta freqüência é válida. alguns oceanógrafos mais conservadores afirmam que as informações obtidas por satélites não podem ser tão precisas ou relevantes como quando coletadas por embarcações de pesquisa. de gases dissolvidos etc.

podemos considerar o fato de que os dados obtidos via SR incorporam um valor médio.3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS É conveniente classificar os sensores e instrumentos de SR de acordo com o comprimento de onda eletromagnética usada.2) Outros aspectos positivos a serem considerados são: a visão sinóptica. a iluminação do sol. Em um sistema ativo. 2. infravermelho-termal. a alta resolução espacial (para determinados sensores) e a possibilidade de se obter séries temporais de dados consistentes por longos períodos. automaticamente. Em águas claras. e extrai informações a partir do sinal de retorno. de forma que a informação que se busca por meio do imageamento da cor da água está relacionada com os processos de reflexão e retroespalhamento. infravermelho-próximo.Kampel . Robinson (1985) classifica os sensores de comprimento de onda visível como passivos em relação à fonte de radiação inicial. as regiões do visível (ótico). a radiação ascendente conterá informações conseqüentes dos processos de retroespalhamento do corpo d’água. Os sensores que atuam na região espectral do visível respondem diretamente às condições da parte superior da coluna d’água. separa os sensores passivos do sensores ativos. Esta é refletida pelo mar e atinge o satélite. microondas e ondas de rádio. Uma vez que o sensor evite a reflexão direta da luz solar. Em um sistema passivo. 3) Ainda. Outra classificação importante. o próprio instrumento de SR gera radiação. transmite esta radiação em direção ao alvo. mesmo para locais oceânicos isolados. e sua intensidade depende do tipo de fundo e da DSR/INPE 6-11 M. por unidade de área. ou seja. a luz refletida pelo fundo pode ser vista do espaço. sendo particularmente relevantes para testar previsões de modelos numéricos. o instrumento de SR simplesmente detecta qualquer radiação que esteja no comprimento de onda (ou bandas espectrais) para a qual o instrumento foi projetado.

Ainda que os laseres tenham sido mais empregados para sondar a atmosfera. no infravermelho e nas DSR/INPE 6-12 M. Os sensores do infravermelho-próximo apresentam um caráter de complementaridade em relação aos do visível. sensores operando na faixa do infravermelho-termal podem ser utilizados para estimar a temperatura da superfície do mar. Se fossem realizadas medições em vários bandas espectrais. A radiação emitida pela superfície marinha depende da emissividade desta (ou seja. Medem comprimentos de onda até a região de microondas. Os laseres operando numa ampla faixa do espectro.Kampel . dividido por sua área denomina-se “exitância radiante”. voltados diretamente para baixo. Esta radiação emitida é predominante para comprimentos de onda entre 10 µm e 12 µm. o fluxo radiante emitido por uma superfície. permitindo um alto grau de resolução em profundidade e uma pesquisa subsuperficial que é inatingível por outras técnicas de SR. para investigar a hidrosfera. registrarão a radiação emitida pela superfície do mar. tem dado uma nova dimensão às pesquisas hidrográficas e oceanográficas. Sensores operando na faixa entre 3 µm e 4 µm registrarão quantidades apreciáveis de energia solar refletida durante o período diurno.profundidade. a emissividade é a razão entre a exitância radiante de um corpo e a exitância radiante de um corpo negro a uma mesma temperatura). mas no período noturno. lagos e rios é possível por meio das radiações visível. Os radiômetros passivos são equipamentos que medem o fluxo de energia eletromagnética que chega aos seus sensores direcionalmente. ainda que a absorção da água aumente para comprimentos de onda maiores que 800 nm. de forma que. e podem ser utilizados na determinação da temperatura da superfície do mar. infravermelha e microondas. cada vez mais eles são instalados em aeronaves e navios. tornando assim a batimetria e a identificação de diferentes tipos de fundo duas aplicações viáveis para estes sensores. de forma mais rápida. O SR dos oceanos.

A rugosidade medida é causada por pequenas ondas. etc. e de sua amplitude. velocidade e direção de ventos superficiais. A possibilidade de aplicações dos sensores ativos ainda pode ser bastante desenvolvida. ondas internas.SAR) é capaz de processar a medição do tempo e da fase do sinal retroespalhado. estado-do-mar. em relação à sua própria posição. derramamentos de óleo. É possível obter uma resolução espacial na ordem de dezenas de metros. Sensores de microondas ativos são desenvolvidos para aplicações específicas.microondas. em princípio. Esta técnica orbital permite detectar ondas de gravidade. obter informações da emissividade e dos parâmetros dos quais ela depende. etc. espectro direcional de ondas. a deformação do pulso refletido transporta informações sobre a altura de ondas significativas. de poucos centímetros de comprimento. é possível determinar a altitude da superfície marinha em relação ao geóide terrestre. seria possível. Os sensores de microondas ativos utilizam o retroespalhamento das ondas eletromagnéticas na superfície marinha para obter informações a nível orbital. Além disso. o radar altímetro consegue medir a altitude da superfície marinha. Uma vez que sua posição possa ser definida precisamente. da rugosidade desta superfície como é vista pelo radar.Kampel . feições topográficas de fundo. esteiras de navios. incluindo aí a salinidade. O radar de abertura sintética (Synthetic Aperture Radar . Pelo registro do tempo de retorno de um pulso emitido na direção nadir (isto é. fluxos de calor superficial. Outra tecnologia espacial cada vez mais utilizada no monitoramento oceânico é o emprego de plataformas remotas para a aquisição de dados com telemetria via satélite. na vertical do local). marés. Este processamento permite a produção de uma imagem do retroespalhamento da superfície. Esta informação é útil no estudo de marés e da circulação oceânica. ou seja. entre outras. ondas internas. Bóias de deriva ou ancoradas medem in situ diferentes parâmetros DSR/INPE 6-13 M. películas superficiais de óleo. mesmo na presença de nuvens. como o estudo de correntes.

mecanismos para combinar as várias informações através de algoritmos de manipulação e análise. Os SIG’s são normalmente utilizados para a produção de mapas. visualizar e plotar o conteúdo da base de dados georreferenciados. Atualmente. Num ambiente computacional. e ainda na modelagem de processos e fenômenos naturais permitindo o diagnóstico ambiental e seus prognósticos. transmitindo os dados via satélites. entre outras aplicações.oceanográficos e meteorológicos em diferentes regiões do oceano mundial. Um SIG é capaz de integrar numa única base de dados. Estes dados são utilizados em estudos da circulação oceânica. Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) são ferramentas computacionais para Geoprocessamento que permitem realizar análises complexas. modelos numéricos e dados coletados in situ. gerenciamento e necessitam de dados monitoramento de recursos naturais atualizados.Kampel . que possam ser constantemente interrelacionadas em diferentes conjuntos de informações para auxiliar a tomada de decisão de forma ampla e objetiva. arquivos batimétricos. e para consultar. calibração de imagens orbitais termais. informações espaciais provenientes de imagens de satélites. recuperar. dados oceanográficos e meteorológicos históricos. dados coletados in situ. como um banco de dados geográficos com funções de armazenamento e recuperação de informações espaciais. integrando dados de diversas fontes e criando bancos de dados georreferenciados. O planejamento. os benefícios do SR na Oceanografia brasileira ainda são restritos. a noção de mapa deve ser estendida para incluir diferentes tipos de dados como imagens de satélites. transporte de calor. mapas cartográficos. O SIG oferece também. como suporte para a análise espacial de fenômenos. entre outros. DSR/INPE 6-14 M.

uma precisa correção geométrica destas imagens permite a realização de análises multitemporais ou então. identificação de ressurgências. de dados provenientes de diferentes fontes (por exemplo.1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR As imagens infravermelhas dos oceanos obtidas. Da mesma forma.3. só se obtinham dados de satélites no infravermelho na forma fotográfica como subproduto de imagens meteorológicas. a partir da observação de variações na temperatura da superfície do mar (TSM). entre outros. Na literatura nacional e internacional. vórtices. ser realçados radiometricamente para a geração de imagens capazes de mostrar pequenas variações de temperatura.). processos de mistura nas águas costeiras. Inicialmente. as frentes oceânicas. fornecimento de suporte à pesca de peixes pelágicos. etc.Kampel . A medida em que dados digitais em maior quantidade e melhor qualidade foram sendo disponibilizados. Estas estimativas tornaram-se possíveis tanto com a utilização de medições realizadas em apenas uma banda espectral. eventos de ressurgência. como combinando-se medições de diferentes canais espectrais. dados mais precisos (cerca de 0. Os dados digitais podem ainda. A obtenção da TSM a partir de radiômetros de infravermelho tem sido empregada em diversas aplicações oceanográficas tais como em estudos de mudanças climáticas globais.5ºC). obtendo-se desta forma. outros sensores. têm sido utilizadas no estudo de diversos fenômenos e processos oceanográficos como as correntes marinhas. foi sendo possível efetuar estimativas quantitativas da TSM. APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA 3. podem ser encontrados diversos trabalhos que demonstram a utilidade das imagens termais em estudos oceanográficos. meandramentos e frentes. por satélites. coletados por embarcações. monitoramento dos campos de TSM e/ou correntes oceânicas superficiais. DSR/INPE 6-15 M.

3.1.1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS A Figura 1 mostrada a seguir ilustra os campos médios de anomalia de temperatura da superfície do mar entre 18 e 24 de junho de 2002, para os Oceanos Atlântico e Pacífico, respectivamente. Estes mapas foram produzidos pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE a partir de dados de satélites disponibilizados pelo Centro de Previsão do Tempo dos Estados Unidos – NCEP/NOAA. As anomalias de temperatura da superfície do mar são calculadas pelos desvios dos valores de TSM em relação a médias climatológicas obtidas por séries longas de dados de satélites. Nesta figura, podemos observar que os valores de TSM estão indicando uma evolução gradual do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. No Oceano Atlântico Sul, as águas superficiais entre a América do Sul e a costa oeste e sul da África permanecem quentes em relação a semanas anteriores. Já no Atlântico Norte, notam-se desvios negativos da TSM próximos à costa noroeste da África, sugerindo a presença de uma banda de nebulosidade normalmente associada à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Neste caso, a posição atual da ZCIT estaria ligeiramente ao sul da sua posição média climatológica.

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Figura 1 – Anomalia de temperatura da superfície do mar, entre 18 e 24 de junho de 2002, nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior). A escala de temperaturas encontra-se a direita, em cima. Eventos como o El Niño, que causam enormes prejuízos materiais e até perdas de vidas humanas, e o potencial efeito do aquecimento global devido ao aumento nos níveis de dióxido de carbono na atmosfera proveniente da queima de combustíveis fósseis (efeito estufa), enfatizam a importância do monitoramento oceânico realizado com auxílio de satélites para estudos e previsões climáticas.

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3.1.2 RESSURGÊNCIAS A Figura 2 mostra a ocorrência de um evento de ressurgência costeira na região de Cabo Frio, RJ. A imagem termal foi adquirida pelo sensor AVHRR (Advanced Very High Resolution Radiometer), instalado a bordo do satélite NOAA-12, na madrugada de 15 de dezembro de 2000. Os tons em vermelho ao largo na imagem com valores altos de TSM (>23ºC) estão associados à Corrente do Brasil. Esta corrente quente, salina e pobre em sais nutrientes, banha grande parte da costa brasileira.

Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar, produzidas a partir de imagens do satélite NOAA-12, às 05:23h, mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio. A escala de temperaturas encontra-se a direita. Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência. O continente e as nuvens estão mascarados em branco. A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem. Na região de Cabo Frio, quando sopram ventos intensos e constantes do quadrante NE, ocorre o fenômeno da ressurgência. As águas de subsuperfície, mas frias e ricas em nutrientes, são bombeadas para níveis mais rasos, chegando a aflorar na superfície. A presença destas águas subsuperficiais pode ser facilmente notada na imagem da Figura 2 em tons azuis, com TSM’s abaixo de 19ºC.

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3.1.3 VÓRTICES E FRENTES A Figura 3 apresenta uma imagem termal, processada, do satélite NOAA-14 obtida em 8 de agosto de 2000 sobre o litoral norte do RJ. Os tons vermelhos na imagem, com valores de TSM acima de 23ºC estão associados à Corrente do Brasil, fluindo de nordeste para sudoeste. As águas sobre a plataforma continental, com TSM’s mais baixas (< 22ºC), ficam separadas das águas quentes da Corrente do Brasil por uma frente termal, onde são observados intensos gradientes horizontais de temperatura. Nestas regiões oceânicas ocorrem agregações passivas de organismos com pouca ou nenhuma capacidade natatória que servem de alimento para outros consumidores mais evoluídos. Daí seu interesse para a pesca oceânica de peixes pelágicos e outros recursos marinhos. A posição aproximada da frente está assinalada na Figura 3 por pequenas setas sucessivas. Entre as latitudes 22º-23ºS e as longitudes 40º-41ºW, e em torno da posição 24ºS-42ºW, podemos notar a presença de dois vórtices ciclônicos, com rotação no sentido horário (ver indicação das setas mais largas na Figura 3). Estas estruturas de mesoescala provocam misturas verticais e horizontais de águas com características físicas e químicas diferentes. Desta forma, processos biológicos nestas regiões acabam sendo influenciados por estes forçantes físicos alterando temporariamente a estrutura e o funcionamento do ecossistema.

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Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14, de 08/08/2000, do litoral norte do RJ. Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura). As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos. As setas menores indicam a posição da frente termal. 3.2 COR DA ÁGUA

A cor do oceano é resultante da energia solar retroespalhada pela superfície marinha e pela coluna d’água. O azul escuro do oceano profundo é típico de águas com baixas concentrações de organismos fitoplanctônicos (algas unicelulares marinhas) ou outras substâncias opticamente ativas (materiais

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1959. visto que. cerca de 90% do sinal detectado pelos sensores orbitais provêm da atmosfera. 1978. Avaliações quantitativas das propriedades bio-ópticas da água do mar requerem métodos precisos de correção atmosférica. é restrito a esta camada. através do sensoriamento remoto orbital. 1970). 90% retorna à atmosfera e é proveniente da primeira profundidade óptica. As equações utilizadas nestes procedimentos são coletivamente referidas como algoritmos bio-ópticos (Smith e Baker.. ou seja.orgânico e inorgânico). O fitoplâncton altera as propriedades ópticas da água do mar (Yentsch. A medida que se aproxima da costa. DSR/INPE 6-21 M. 1975). A cor da água muda para amarelo-marron chegando a vermelha em certas circunstâncias. a entrada de nutrientes no ambiente aquático geralmente aumenta. Clark. maior a contribuição de sedimentos e material dissolvido provenientes do continente. Quanto mais próximo da costa. 1981). Clarke et al. com conseqüente desenvolvimento de maiores concentrações de fitoplâncton e mudança de cor do azul para o verde. Da irradiância que chega aos oceanos.Kampel . Por isso. Assumindo que a contribuição atmosférica ao sinal do satélite pode ser estimada. a determinação da concentração de pigmentos. Estas cores percebidas pelo olho humano podem ser quantificadas por medidas da distribuição espectral da radiância ascendente da água realizadas por sensores instalados em satélites. resta interpretar a radiância ascendente ressurgente da água em termos das características ópticas das camadas superiores do oceano (ou em termos das variações nas concentrações e tipos de material dissolvido e particulado que contribuem para variações nestas propriedades ópticas). da profundidade até onde a irradiância é reduzida a 37% (1/e) do seu valor na superfície (Gordon e McCluney.

1994.Apesar destas limitações. A cor da água do mar é. A partir de imagens da concentração superficial de pigmentos. servindo como indicadores auxiliares no controle da poluição marinha. entre outros). Estas imagens podem ainda ser utilizadas para monitorar plumas de sedimentos carreados por rios para a região costeira. lançando mão da distribuição de sedimentos em suspensão como traçador. Laurs e Brucks (1985) demonstraram a utilização dos mapas de concentração de pigmentos no estudo da distribuição de capturas de tunídeos. A obtenção rotineira de dados quantitativos das propriedades bio-ópticas dos oceanos permite ainda o exame dos fatores oceânicos que afetam as mudanças globais. como a clorofila-a. tem se desenvolvido diversas aplicações oceanográficas com a utilização de dados orbitais da cor do oceano. DSR/INPE 6-22 M. algumas vezes. Santamaria-del-Angel et al. Segundo Hooker e McClain (2000). alterada pela presença de determinados tipos de poluentes.2. os mapas de concentrações de clorofila-a obtidos atualmente têm acurácia de ±30% no intervalo entre 0. 3. plumas de efluentes domésticos e/ou industriais também podem ser monitorados com esta tecnologia.1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA Rotineiramente. os dados da cor do oceano obtidos por satélites são empregados para estimar as concentrações de clorofila na superfície do mar. Desta forma. Da mesma forma. torna-se possível avaliar o papel dos oceanos no ciclo global do carbono. assim como em outros ciclos biogeoquímicos. Entre estas. 1994. é possível observar sinopticamente feições biológicas de sistemas dinâmicos como os grandes giros subtropicais.. Monger et al.Kampel . 1986. ressurgências e vórtices de mesoescala (Peláez e McGowan. aliadas à cobertura por nuvens. através de programas de pesquisa abrangentes.m-3. frentes oceânicas..05-50 mg. 1997. Biggs e Müller-Karger. podemos citar os estudos de processos dinâmicos de correntes de maré.

Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtida a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira. As isóbatas de 500. Os tons de amarelo a vermelho correspondem a águas mais ricas em clorofila. Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. e as águas mais ricas sobre a plataforma. 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem. 1000. As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica. Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. DSR/INPE 6-23 M. As setas pequenas na imagem indicam a presença de uma frente oceânica formada entre as águas pobres e oceânicas da Corrente do Brasil. normalmente localizadas mais próximo à costa. A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S.Kampel . Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura). Tomé. típicas das águas oligotróficas da Corrente do Brasil.A Figura 4 apresentada a seguir mostra os campos superficiais de concentração de clorofila-a obtidos pelo processamento da imagem SeaWiFS de 09/08/2000.

e a irradiância DSR/INPE 6-24 M.. 1990). nesta época do ano.2.m-2) para o mês de agosto de 1998. Os tons de verde a vermelho.1992).A seta mais larga quase em frente a Cabo de São Tomé. Feições oceanográficas de mesoescala também podem ser visualizadas em imagens da cor do oceano. correspondem aos menores valores de produtividade. É interessante notar a mais alta produtividade do Oceano Atlântico Norte em relação ao Atlântico Sul. típicos de águas oceânicas pobres. indica o sentido de rotação de um vórtice ciclônico presente na imagem. de divergência equatorial e em áreas de ressurgência. A Figura 5 mostra um mapa médio da produtividade primária fitoplanctônica integrada na coluna d’água (g. A irradiância disponível na superfície do mar foi calculada por modelos de transferência radiativa (Gregg e Carder. pode-se tentar quantificar as relações entre a física dos oceanos e os padrões de produtividade em grande e mesoescala (McClain et al.Kampel .C. A análise de séries temporais de imagens da cor do oceano permite que se conheça a magnitude e a variabilidade das concentrações de clorofila e da produtividade primária em escala global. Com isso. A tabela de cores aparece na parte inferior da figura. Os tons azuis. 3. correspondentes a valores de produção primária mais altos.2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA A velocidade com que as concentrações de clorofila variam no tempo e/ou quanta fotossíntese está ocorrendo durante o dia é chamada de produtividade primária (primária porque é a fase inicial e crítica da teia alimentar). Este mapa foi obtido a partir de um algoritmo semi-analítico baseado nas relação fundamental entre fotossíntese e luz. da mesma forma como em imagens termais. A biomassa fitoplanctônica na camada superficial é determinada pela concentração de clorofila-a obtida por imagens da cor do oceano. A produção primária é expressa como função da biomassa fitoplanctônica e da irradiância disponível em diferentes níveis de profundidades. são encontrados em regiões costeiras.

Em síntese.m-2 encontra-se na parte inferior da figura.C. e deste com a sociedade. Desta forma. fundamentalmente.Kampel . pode-se dizer que a sustentabilidade das atividades humanas nas zonas costeiras depende de um meio marinho saudável e vice-versa.disponível abaixo da superfície do mar foi estimada por modelos de atenuação na coluna d’água (Sathyendranath e Platt. Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS.3 GERENCIAMENTO COSTEIRO A Zona Costeira abriga um mosaico de ecossistemas de alta relevância ambiental. A maior parte da população mundial vive em zonas costeiras.2. O Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) é um dos instrumentos do Gerenciamento Costeiro que baliza o processo de ordenamento territorial DSR/INPE 6-25 M. A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g. 1988). a atividade de gerenciamento deste amplo universo de trabalho implica. e há uma tendência permanente ao aumento da concentração demográfica nessas regiões. com interações que lhe conferem um caráter de fragilidade. na construção de um modelo cooperativo entre os diversos níveis e setores do governo. 3. cuja diversidade é marcada pela transição de ambientes terrestres e marinhos.

Incorporando a área marinha. até a isóbata de 20 m. MA e CE.necessário para a obtenção das condições de sustentabilidade ambiental do desenvolvimento da Zona Costeira. tem-se uma área total de 16. O avanço da ocupação sobre a área e a intensificação de alguns usos têm aumentado as ameaças quanto à degradação ambiental e à dilapidação do patrimônio natural. Esta região é alvo de diferentes interesses que visam a alterar suas condições de uso e ocupação. entrte os estados do Pi. incluindo o seu delta. do Baixo do Parnaíba (PI. A Figura 6 a seguir mostra a área do Baixo Rio Parnaíba. à porção terrestre. Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7. sensor ETM+. composição colorida 3B4G5R. foi elaborado um ZEE como um passo importante para orientar planos de gestão. MA e CE). Para garantir a sustentabilidade do seu desenvolvimento.Kampel .25 km2. DSR/INPE 6-26 M.744.

Bóias ancoradas e derivadores rastreados por satélites. existem outros tipos de dados úteis aos estudos oceanográficos. (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE. A parte submersa encontra-se em tons de azul.inpe. mas que podem ser obtidos com auxílio da tecnologia espacial. padrão WOCE (Figura 7). através do Sistema Argos.Kampel . Atualmente temos em atividade 10 derivadores de baixo custo. podem ser acessados pela internet em: http://www.dsr. O índice de aproveitamento utilizando a telemetria de dados por satélites. que não na forma de imagens. têm sido desenvolvidos e utilizados pelo INPE desde 1985. bem como os dados de temperatura da água e pressão ao nível do mar coletados por eles. para estudos ambientais e oceanográficos nas regiões da Antártica. rastreado por satélite. DSR/INPE 6-27 M. e Atlântico Tropical. na costa brasileira. Suas trajetórias. o que nos motiva a continuar trabalhando desta forma. padrão WOCE. como por exemplo.3.br/pnboia/pnboia.html Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo. Oceano Atlântico Sudoeste. têm sido excelente.3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES Como mencionado anteriormente.

Mesmo com a tecnologia espacial DSR/INPE 6-28 M. intensidade e direção dos ventos superficiais. conduzido pelo INPE e pela Marinha do Brasil.cptec. 4. O Projeto Pirata (http://www4. com participação do INPE que pretende estudar as interações entre o oceano e a atmosfera na região do Atlântico Tropical que sejam relevantes para os estudos sobre as mudanças climáticas. podemos citar: a detecção de derrames de óleo no mar através de radares de abertura sintética. O Programa Nacional de Bóias. nos últimos anos. calibração de imagens orbitais termais.Kampel . Esperamos ter demonstrado. entre outros. pretende continuar lançando outros derivadores nos próximos anos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Além dos exemplos de aplicações apresentados acima. a capacidade dos satélites de pesquisa em medir parâmetros e/ou variáveis oceânicas importantes para o clima. transporte de calor. transporte marítimo. pesca. Os dados oceanográficos e meteorológicos adquiridos automaticamente por estas bóias são transmitidos via Sistema ARGOS. etc.Pelo menos outros 50 derivadores do mesmo tipo foram lançados na nossa costa. Depois de processadas. através de altímetros e escaterômetros. estando atualmente inativos. ainda que de forma sucinta. todas as informações são disponibilizadas pela internet. Os dados coletados por estes derivadores são utilizados em estudos da circulação oceânica. previsões meteorológicas marinhas. De um total de 12 bóias fundeadas em atividade atualmente. altura e direção de ondas. entre outras aplicações. 6 estão sob responsabilidade do Brasil. Como exemplo. segurança nacional.br/pirata/) é uma iniciativa internacional.inpe. monitoramento ambiental. cabe mencionar que diversos outros parâmetros e variáveis de interesse oceanográfico também são obtidos com o emprego de tecnologia espacial.

quase todos os ramos da Oceanografia consideram o Sensoriamento Remoto como uma ferramenta de grande utilidade na aquisição de dados de interesse. O desafio àqueles que desenvolvem pesquisas em Sensoriamento Remoto.atualmente disponível. bem como não podemos deixar de conhecer os sistemas e os sensores em disponibilidade e suas técnicas de utilização. mais especificamente na área de Oceanografia. Diversos projetos de pesquisa que utilizam dados coletados por satélites têm ampliado o nosso entendimento sobre o sistema oceano. não devemos esquecer os princípios básicos envolvidos na aquisição de dados por Sensoriamento Remoto.Kampel . Neste contexto geral. características estas possíveis de serem obtidas com o emprego de satélites. As áreas mais promissoras são as que utilizam dados coletados convencionalmente . de mais esta conquista do Homem na procura da compreensão do meio em que vive.por bóias e navios. e por observações orbitais de forma complementar. Evidências deste progresso são os novos programas que utilizam a tecnologia espacial para aplicações em oceanografia. para nos beneficiarmos da melhor forma possível. Se desejamos acompanhar esta evolução. ainda existe uma insuficiência de informações em muitas regiões do nosso planeta. afim de se revelar uma perspectiva mais ampla para o estudo e entendimento de processos e fenômenos oceanográficos. DSR/INPE 6-29 M. são incluídos os estudos de processos oceanográficos que requerem uma resolução espacial sinóptica e uma capacidade de amostragem por longo período. é o de explorar teorias e conceitos e desenvolver aplicações que não se concretizariam somente com a utilização de métodos convencionais. Atualmente.

419452pp. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Biggs. S.. Plenum Press. 1975 Gregg.maritime atmospheres. S. SeaWiFS calibration and validation Plan: In: Hooker.. 1981 Clarke.F. V. 43p.. Lorenzen.. Appl. Ewing. Ed. B. A simple spectral solar irradiance model for cloudless .R.B. D.E. New York...W. New York. W.G.K. McCluney. In: Gower. 99:7371-7384.. 227-237.. C. W. G. 167:1119-1121. McClain. 2000 Laurs..C. NASA. C. Academic Press. Limnol. R. 1990 Hooker. D. In: Advances in Geophysics.C. DC. Estimation of the depth of sunlight penetration in the sea for remote sensing. Progress in Oceanography. J. W.R.. Ship and satllite observations of chlorophyll stocks in interacting cyclone-anticyclone eddy pairs in the western Gulf of Mexico. Optics..M. D.. Barnes.B.. Hooker. Ed. F.. W. Phytoplankton pigment algorithm for the NIMBUS-7 CZCS. The calibration and validation of SeaWiFS data. Saltzman. Esaias. S. Endres.J. R. B. G.T. Oceanogr. C. Science.Kampel ..R. eds. Firestone. Oceanography from Space. Washington.27... 35(8):1657-1675.R. 1985 McClain.3 (NASA Technical Memorandum 104566). Spectra of backscattered light from the sea obtained from aircraft as a measure of chlorophyll concentration.. Guenther. 1994 Clark. Mitchell. Living marine resources applications..B. B. Müller-Karger. Barnes.. V.R..L. Carder. SeaWiFS Technical Report Series. Brucks. Journal of Geophysical Research. 140:413-416. E.E. K. DSR/INPE 6-30 M.5. 45:427-465. H.L. J.. 1992. 1970 Gordon.

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br 7-1 S.S.Tavares Jr DSR/INPE .mail : stelio@ltid.inpe.CAPÍTULO 7 S E N S O R I A M E NT O R E M O T O APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS Stélio Soares Tavares Júnior∗ INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE ∗ e.

Tavares Jr .S.DSR/INPE 7-2 S.

......... FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA ........... 7-7 4.........ÍNDICE 1................................................................... INTEGRAÇÃO DE DADOS..S....................Tavares Jr ..... 7-7 3................ 7-4 2........................ 7-8 DSR/INPE 7-3 S...................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................... FATORES CONSIDERADOS..... QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS ......

Características do sistema sensor a) Sistemas Ópticos • Resolução Espacial – imagens com resoluções espaciais adequadas contribuem de forma significativa para detecção de feições menores. podem estar relacionadas a processos de enriquecimento mineral. FATORES CONSIDERADOS. Ex: cursos de água de ordens inferiores e formas menores de relevo como aquelas produzidas pelos processos erosivos atuais como voçorocas. QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS: Características do sistema sensor Litologia (tipos de rochas) Fisiografia da região Influência das variações sazonais refletidas na cobertura vegetal Influência das variações sazonais refletidas nos ângulos solares de elevação e azimute .TM podem mostrar feições associadas a zonas de alteração hidrotermal. • Resolução Espectral – a posição. Por exemplo. largura e quantidade de bandas de um determinado sensor constituem importantes fatores para detecção de características particulares de uma dada região.Tavares Jr . que por muitas vezes tornam-se importantes para a fotointerpretação geológica. DSR/INPE 7-4 S. por sua vez. as quais. algumas razões de bandas como a entre as bandas 5 e 7 do Landsat 5 . ravinas e cicatrizes de deslizamentos.S.SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS 1.

são mais realçadas quando o azimute de visada é ortogonal às suas direções.S. Ângulos de incidência menores são adequados para terrenos planos. Os principais minerais de rochas ígneas possuem curvas de reflectâncias lisas. possuem comportamentos espectrais próprios. b) Sistema Radar A existência de sensores SAR com características distintas de comprimento de onda. . geralmente o trend estrutural principal da área.Influência da Litologia O mapeamento geológico parte do princípio que diferentes tipos de rochas. Entre as rochas a reflectância decresce dos termos ácidos (pegmatitos e granitos) para os básicos e DSR/INPE 7-5 S. permitindo apenas a diferenciação entre félsicos e máficos. a qual é composta pelo ângulo de incidência e azimute de visada. Estes aspectos influenciam diretamente na aparência da imagem. podem auxiliar na interpretação da variabilidade litológica. ou seus derivados do intemperismo. em áreas de vegetação densa e relevo movimentado o sinal de retorno é mais forte. produzindo uma imagem com melhor variação tonal. umidade e orientação estrutural. por conseguinte interferem na qualidade e confiabilidade da interpretação.Tavares Jr . Em termos geológicos as feições de maior destaque. ressalta-se a importância do comprimento de onda e da geometria de iluminação. ocasionando um fraco sinal de retorno da REM à antena. e cujo conhecimento é considerado um fator indispensável na interpretação dos dados SAR. pois são importantes para o realce topográfico. Esta seleção também deve levar em consideração aspectos morfológicos do terreno como: rugosidade (macro e superficial). Entre essas características dos sensores. polarização. Por outro lado. resolução espacial e geometria de iluminação favorece a seleção de imagens mais adequadas às aplicações geológicas. após contato com o terreno.• Resolução Radiométrica – as variações nos níveis de cinza resultado da sensibilidade com que o sistema registra as mudanças de comportamento dos alvos. Desse modo na imagem resultante predominam tons de cinza mais escuros. enquanto os elevados são para áreas de relevo movimentado. Quanto ao comprimento de onda. terrenos planos com vegetação rala podem configurar uma superfície lisa para determinadas faixas de freqüência como a da banda L.

pois a parte superior da floresta tende a acompanhar os traços do relevo regional.S.75 µm). como o da banda 5 do TM (1. quando a vegetação encontra-se no seu vigor máximo. rochas totalmente alteradas considera-se o comportamento dos solos derivados. Nas áreas de savana.9 µm) e a erosão diferencial contribuem para análise estrutural e a discriminação litológica.Tavares Jr . principalmente daquelas na faixa espectral do infravermelho próximo. . apenas com um aumento relativo dos valores de reflectância. a alta reflectância na banda 4 do TM (0. que por sua vez refletem a organização estrutural.Influência das condições fisiográficas da área A escolha adequada da banda espectral é fundamental para a obtenção de bons resultados no mapeamento dos tipos de cobertura.Influência das variações sazonais na cobertura vegetal Este fator influencia na intensidade com que a cobertura vegetal reflete os grandes traços geológicos e contribui para associações geobotânicas. onde a folhagem apresenta alta reflectância. . Nas imagens de áreas com cobertura vegetal tipo savana. inclusive a vegetal.ultrabásicos. Dessa forma. desenvolvida sobre solos de baixa fertilidade. as respostas espectrais podem estar diretamente associadas a variabilidade litológica e ou pedológica. Essa diferença torna-se mais evidente nas imagens obtidas em épocas de estiagem. ela aparece em tons de cinza mais escuros nas bandas espectrais do infravermelho próximo.76-0. quando a vegetação encontra-se sob estresse hídrico. Nesse caso. podem fornecer uma imagem com melhor variação tonal.551. Em regiões de floresta densa. devido ao menor porte e maior espaçamento da distribuição da vegetação. mesmo na estação chuvosa. a vegetação pode servir como parâmetro auxiliar no mapeamento geológico. Épocas de estações chuvosas. em relação as do infravermelho médio. outros intervalos espectrais. favorecem tanto a fotointerpretação dos traços estruturais como a análise da associações geobotânicas sobre imagens de sensoriamento remoto. DSR/INPE Em 7-6 S. Entre as rochas parcialmente alteradas nota-se comportamento semelhante. a qual está diretamente associada às respostas espectrais da litologia e ou do solo.

S. como é o caso das imagens geofísicas de gamaespectrometria. para as análises quantitativas e qualitativas e para os procedimentos de interpretação visual em geral. porém em regiões equatoriais esse ângulo pouco varia com a sazonalidade.. Desse modo outros parâmetros. a fim de melhor realça-las. ou seja.Tavares Jr . 3. que estejam relacionados com a variação litológica. cuja o azimute solar seja o mais ortogonal possível com as orientações estruturais. devem ser considerados. Esses desempenham papel fundamental no desenho da paisagem natural da superfície terrestre. FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA O primeiro passo seguido na etapa de interpretação geológica consiste no reconhecimento na imagem dos elementos naturais da paisagem (drenagem e relevo). INTEGRAÇÃO DE DADOS As técnicas de fundir dados provenientes de fontes diferentes (multifontes) vêm sendo amplamente utilizadas com intuito de gerar um produto final de boa qualidade visual. Desse modo a utilização dessas técnicas alcançou uma vasta variedade de aplicações dentro do conjunto de disciplinas das Ciências da Terra. como o azimute de iluminação solar. Dentro das várias técnicas utilizadas destaca-se o método baseado na transformação para o espaço IHS. Em geral nas aplicações geológicas procura-se integrar dados de alta resolução espacial que realcem aspectos morfológicos do terreno. Assim justifica-se a necessidade de análises multitemporais. as quais visem a seleção de cenas. além de colaborar na redução de custos despendidos em trabalhos de campo. A DSR/INPE 7-7 S. com dados que denotem aspectos do comportamento espectral dos materiais constituintes. bem como suas disposições refletem a organização estrutural.Influência das variações sazonais decorrentes dos ângulos solares de elevação e azimute Menores ângulos de elevação solar produzem maior realce do relevo e permitem com maior facilidade a identificação de lineamentos estruturais. como é o caso das imagens SAR. a qual de uma forma geral exerce controle nas acumulações minerais. 2.

Radar aplicado ao mapeamento geológico e prospecção mineral: aplicações. P. (INPE-2227-MD/014). por ser condicionada à reflectância dos alvos da superfície terrestre. Veneziani. A. M.Tavares Jr . 54p. no caso de produtos multifontes. Veneziani.S. isto ocorre quando é marcado por uma quebra negativa de relevo. W.variação tonal é um outro elemento de imagem que merece destaque.. R. Caracterizadas as diversas formas de arranjo dos elementos texturais de drenagem e relevo juntamente com o exame da variação tonal e ou de matiz. São José dos Campos: INPE. P... [online]. 2001. DSR/INPE 7-8 S. porém o mais comum é a passagem gradual ou difusa das propriedades dos elementos texturais. R. 4. E. a qual reflete as características (variação litológica) dos dados utilizados na fusão com o SAR ou com um produto derivado das imagens multiespectrais . R. é possível avaliar os significados geológicos. Elementos de análise e interpretação de imagens de sensoriamento remoto. 103p. A partir desse exame individualiza-se na imagem vários setores com propriedades de textura e estrutura similares.br/obt/dsr/geologia. 1982. Metodologia de interpretação de dados de Sensoriamento Remoto e aplicações em Geologia. Morais. Para os produtos integrados multifontes considera-se a variação de matiz. & Anjos. 2000b. os quais constituem as zonas homólogas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida Filho. Ago. C. através da análise das propriedades de suas formas. Os limites entre essas zonas podem ser bem definidos e corresponderem a contatos litológicos. C. http://www. bem como definir unidades fotolitológicas e associa-las às litologias descritas em trabalhos anteriores. São José dos Campos: INPE/ADIMB. Santos. O passo seguinte consiste em um exame cuidadoso do padrão de organização desses elementos. Paradella.inpe.

CAPÍTULO 8 SENSORIAMENTO REMOTO NO E S T U D O D A V E G E T A Ç Ã O: DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA F l á v i o J o r g e P o n z o n i1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 flavio@ltid.br .inpe.

J.Ponzoni .DSR/INPE 8-2 F.

.. 8-12 4........5 1............................................ 8-17 6................. 8-7 2.................................. 8............................. DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA ..... INTRODUÇÃO ...........................................J........................................................................ A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO ........................Ponzoni .......................................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS . 8-27 DSR/INPE 8-3 F............ 8-8 3................ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................... PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS .............................. 8-15 5..................... INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS ...........................

DSR/INPE 8-4 F.Ponzoni .J.

................. 8-19 4 – “OVERLAY” SOBRE A IMAGEM E O MAPA PRELIMINAR RESULTANTE DA INTERPRETAÇÃO. 8.......................LISTA DE FIGURAS 1 – SEÇÃO TRANSVERSAL DE UMA FOLHA MOSTRANDO OS POSSÍVEIS CAMINHOS DA LUZ INCIDENTE .....................................000 SOBRE O DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA ..................................................................................Ponzoni ......................... 8-23 6 – COMPOSIÇÕES COLORIDAS UTILIZADAS NOS MAPEAMENTOS DE 1985-90 (A) E 1990-95 (B) ............................ 8-11 3 – DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA .......................... 8-25 DSR/INPE 8-5 F....22 5 – CONTORNO DAS CARTA TOPOGRÁFICAS NA ESCALA 1:250......................................................J............................... 8-10 2 – CURVA DE REFLECTÂNCIA TÍPICA DE UMA FOLHA VERDE ....

DSR/INPE 8-6 F.Ponzoni .J.

Finalmente no nível orbital é que se concentram as aplicações mais comumente divulgadas na comunidade em geral. em campo. novamente radiômetros são utilizados. as quais incluem a geração e utilização de imagens pictóricas na elaboração de mapas temáticos e/ou na avaliação espectral da cobertura vegetal de extensas áreas da superfície terrestre. a coleta de dados e seu registro através de um sensor e a análise desses dados com o objetivo de extrair as informações pretendidas de um dado objeto. no nível de aeronave e no nível orbital. Em laboratório. Adicionalmente apresentamos um exemplo de mapeamento da vegetação no domínio da Mata Atlântica. utilizam-se radiômetros aos quais podem ser acoplados acessórios que permitem a coleta e o registro da radiação refletida de folhas e demais órgãos das plantas. diferentes sensores podem ser utilizados concomitantemente na geração de curvas espectrais ou de imagens. que vem sendo realizado com bastante sucesso. No nível de aeronave. os quais são normalmente posicionados a alguns metros acima de um plantio agrícola ou do topo de um dossel florestal com objetivo semelhante àquele mencionado para a análise dos dados coletados em laboratório. INTRODUÇÃO Como foi apresentado nos capítulos anteriores.J. Neste capítulo abordamos os princípios que fundamentam os estudos da vegetação através da aplicação de técnicas de sensoriamento remoto. bem como de conjuntos de plantas visando identificar possíveis alterações na forma como esses órgãos interagem com a radiação eletromagnética.1. a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto para o estudo da vegetação têm quatro diferentes níveis possíveis de coleta de dados: em laboratório. A aplicação dessas técnicas é viabilizada através do cumprimento de diversas etapas que incluem a interação em si. Em campo. DSR/INPE 8-7 F. as técnicas de Sensoriamento Remoto se fundamentam em um processo de interação entre a Radiação Eletromagnética e os diferentes objetos que se pretende estudar. Assim como para o estudo da maioria dos recursos naturais.Ponzoni . caracterizada principalmente pelo fenômeno de reflexão da radiação.

Há de se considerar que um dossel é constituído por muitos elementos da própria vegetação.J. mesófilo DSR/INPE 8-8 F. pode ser dividido em dois sub-processos: reflexão e transmissão através do elemento. a qual é fruto de um processo complexo que envolve muitos parâmetros e fatores ambientais. O processo de espalhamento. O destino do fluxo radiante incidente sobre um destes elementos é então dependente das características do fluxo (comprimentos de onda. etc. os dados podem ser coletados diretamente das folhas ou através de dispositivos como plataformas (móveis ou fixas). partes de plantas ou até alguns arranjos de plantas. dos quais são coletados dados radiométricos com o objetivo de caracterizar espectralmente fenômenos e/ou aspectos relacionados ao processo de interação entre a radiação eletromagnética (REM) e a vegetação. a folha constitui o principal deles quando se considera o processo de interação descrito. fundamenta-se na compreensão da “aparência” que uma dada cobertura vegetal assume em um determinado produto de sensoriamento remoto. etc. Uma folha típica é constituída de três tecidos básicos que são: epiderme. Na coleta de dados em aeronave.2. ângulo de incidência e polarização) e das características físico-químicas destes mesmos elementos. principalmente tipo e quantidade de pigmentos fotossintetizantes. que permitem a colocação dos sensores imediatamente acima dos dosséis vegetais segundo as mais diferentes disposições. espaços intercelulares. assim como no nível orbital. frutos. A principal motivação dos estudos em vegetação envolvendo a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto. A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO No nível de coleta de dados em laboratório comumente são consideradas as folhas. teleféricos. galhos. e de sua morfologia interna (distribuição e quantidade de tecidos. Em campo. por sua vez. Para uma melhor compreensão das características de reflectância da REM incidente sobre uma folha é necessário o conhecimento de sua composição química. Um fluxo de radiação incidente sobre qualquer um destes elementos estará sujeito a dois processos: espalhamento e absorção.Ponzoni . estão incluídas as máquinas fotográficas. etc). flores. como folhas. os radiômetros e os sensores eletro-ópticos. De todos os elementos constituintes da vegetação.

33. ar. a trajetória da REM se daria ao longo de vários meios. As células do parênquima são ocupadas por seiva e protoplasma. desenvolveram uma teoria sobre a trajetória da REM dentro de uma folha. através de uma camada de água. por exemplo. sendo estes compostos pela água. que formam o parênquima. O comportamento espectral de uma folha é função de sua composição. para as demais partes da planta. que possui um índice de refração igual a 1. Segundo eles. arranjadas perpendicularmente à superfície da folha. os quais se abrem para fora através dos estômatos. dependendo da espécie e das condições ambientais.fotossintético e tecido vascular. e em seguida atravessar um espaço preenchido com ar. As estruturas das células que compõem os três tecidos das folhas são muito variáveis. que possui um índice de refração de 1. na qual muitas vezes desenvolve-se uma fina e relativamente impermeável superfície externa. existirão portanto diferenças no comportamento espectral entre grupos geneticamente distintos.Ponzoni . Abaixo da epiderme encontra-se o mesófilo fotossintético. Levando em consideração o conceito da reflectância interna numa folha e os conhecimentos do espectro de absorção da clorofila. a qual é válida até hoje. Um mesmo feixe de radiação poderia passar. etc. Uma terceira característica estrutural da folha é o tecido vascular. morfologia e estrutura interna. Os autores basearam sua teoria na estrutura interna das folhas e na reflectância potencial das superfícies. mas também constitui a passagem pela qual fluem os produtos da fotossíntese que são produzidos na folha.J. Willstatter e Stoll (1918). membranas celulares. o qual por sua vez é freqüentemente subdividido numa camada ou em camadas de células paliçádicas alongadas. Esta rede de passagens de ar constitui a via de acesso pela qual o CO2 alcança as células fotossintéticas e o O2 liberado na fotossíntese retorna à atmosfera externa. Além desta variação nos índices de refração dos DSR/INPE 8-9 F. Esparsos através do mesófilo estão os espaços intercelulares cheios de ar. A rede de tecidos do sistema vascular não serve somente para suprir a folha com água e nutrientes do solo. A folha é então coberta por uma camada de células protetoras epidérmicas. Desde que as características da folha são geneticamente controladas.

Fig. Fonte: Gates et al . sendo orientada espacialmente sob diversos ângulos. onde os raios incidem freqüentemente nas paredes celulares.diversos meios a serem atravessados. possuem uma estrutura irregular. Esta reflexão múltipla é essencialmente um processo aleatório no qual os raios mudam de direção dentro da folha. A espessura da folha é fator importante no caminho da REM. Dado o grande número de paredes celulares dentro da folha. já que geralmente a transmitância é maior do que a reflectância para folhas finas. mas o inverso acontece com folhas grossas. foi considerado que as células dos tecidos foliares.J. 1-Seção transversal de uma folha mostrando os possíveis caminhos da luz incidente. enquanto outros são transmitidos através da folha. (1965) DSR/INPE 8-10 F. Willstatter e Stoll (1918) imaginaram as possíveis trajetórias da REM dentro de uma folha. alguns raios são refletidos de volta. Uma pequena quantidade de luz é refletida das células da camada superficial. como mostra a Figura 1. A maior parte é transmitida para o mesófilo esponjoso. principalmente do mesófilo esponjoso.Ponzoni . sendo refletidos se os ângulos de incidência forem suficientemente grandes.

b) região do infravermelho próximo (700 nm a 1300 nm). Estes pigmentos. e também convertida fotoquimicamente em energia estocada na forma de componentes orgânicos através da fotossíntese. DSR/INPE 8-11 F.J. região do visível (400 nm a 700 nm). A energia radiante interage com a estrutura foliar por absorção e por espalhamento. Fonte: Novo (1989) A região compreendida entre 400 nm a 2600 nm pode ser dividida em três áreas: 5. Os comprimentos de onda relativos ao ultravioleta não foram considerados.Ponzoni . região do visível: Nesta região os pigmentos existentes nas folhas dominam a reflectância espectral. Os valores percentuais destes pigmentos existentes nas folhas podem variar grandemente de espécie para espécie. porque uma grande quantidade dessa energia é absorvida pela atmosfera e a vegetação não faz uso dela. carotenos (6%). A energia é absorvida seletivamente pela clorofila e é convertida em calor ou fluorescência. c) região do infravermelho médio (1300 nm a 2600 nm). Fig. e xantofilas (29%).A curva de reflectância característica de uma folha verde sadia é mostrada na Figura 2. em cada uma destas regiões são: 5. geralmente encontrados nos cloroplastos são: clorofila (65%). 2-Curva de reflectância típica de uma folha verde. Os principais aspectos relacionados ao comportamento espectral da folha.

mas a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto no estudo da vegetação. De fato. De maneira geral. (1965) determinam que a reflectância espectral de folhas nessa região do espectro eletromagnético é o resultado da interação da energia incidente com a estrutura do mesófilo. 1450 nm. espera-se que muito do que foi exposto referente às características de reflectância das folhas. Considerando a água líquida. A reflectância espectral é quase constante nessa região. quando comparadas as curvas de reflectância de uma folha DSR/INPE 8-12 F. Fatores externos à folha. c) região do infravermelho médio: A absorção devido à água líquida predomina na reflectância espectral das folhas na região do infravermelho próximo.b) região do infravermelho próximo: Nesta região existe uma absorção pequena da REM e considerável espalhamento interno na folha. uma reflectância geralmente pequena. podendo alterar a reflectância de uma folha nesta região. Uma vez que a folha é o principal elemento da vegetação sob o ponto de vista do processo de interação com a REM. Gates et al. sendo menor do que 10% para um ângulo de incidência de 65o e menor do que 5% para um ângulo de incidência de 20º A água absorve consideravelmente a REM incidente na região espectral compreendida entre 1300 nm a 2000 nm. inclui a necessidade de compreender o processo de interação entre a REM e os diversos tipos fisionômicos de dosséis (florestas. também seja válido para os dosséis. 3. podem causar alterações na relação águaar no mesófilo. quanto mais lacunosa for a estrutura interna foliar. como disponibilidade de água por exemplo. e consequentemente. etc). A absorção da água é geralmente baixa nessa região. INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS Todas as discussões apresentadas até o momento referiram-se ao estudo das propriedades espectrais de folhas isoladas.Ponzoni . esta apresenta na região em torno de 2000 nm. 1950 nm. maior será o espalhamento interno da radiação incidente. a absorção da água se dá em 1100 nm. formações de porte herbáceo.J. culturas agrícolas. maior será também a reflectância. Em termos mais pontuais. 2700 nm e 6300 nm.

erectófila. plagiófila. Essa semelhança permite que os padrões de reflectância apresentados pelos dosséis vegetais em imagens multiespectrais possam ser previstos. Os dosséis são normalmente descritos por um dos seguintes seis tipos de distribuições: planófila. assume-se que a densidade dos elementos da vegetação é uniforme. Outro parâmetro que define a arquitetura do dossel é a Distribuição Angular Foliar (DAF). estas apresentam formas muito semelhantes. e os ângulos azimutais ϕl e ϕl +dϕl. O IAF é um dos principais parâmetros da vegetação e é requerido em modelos de crescimento vegetal e de evapotranspiração. por exemplo) ou arranjados aleatoriamente. respectivamente. DSR/INPE 8-13 F. Por conseguinte f(θl.J. Em vários modelos de reflectância da vegetação um dossel é considerado como sendo composto por vários sub-dosséis. bem como a suas densidades e orientações. que representa a razão entre a área do elemento e a área no terreno. definem a arquitetura da vegetação. estes mesmos dosséis deverão apresentar-se com tonalidade clara e em imagens do infravermelho médio espera-se tons de cinza intermediários entre o escuro das imagens do visível e o claro daquelas do infravermelho próximo. em função da ação dos pigmentos fotossintetizantes. segundo uma distribuição específica. espera-se que em imagens referentes à região do visível os dosséis apresentem tonalidade escura devido à baixa reflectância da REM. por exemplo. onde θl e ϕl são a inclinação e o azimute da folha. extremófila. arranjados regularmente no solo (plantios em fileiras. do tipo de vegetação existente e do estágio de desenvolvimento das plantas. em imagens da região do infravermelho próximo.Ponzoni . É caracterizada por uma função de densidade de distribuição f(θl.verde sadia com as medições espectrais de dosséis. A DAF varia consideravelmente entre os tipos de vegetação. ϕ l). Para um dossel ou subdossel homogêneo. o que é caracterizado pelo Índice de Área Foliar (IAF). A distribuição espacial dos elementos da vegetação. uniforme e esférica. é ainda relacionado à biomassa. A distribuição espacial depende de como foram arranjadas as sementes no plantio (no caso de vegetação cultivada). Assim. ϕ l) dθl dϕl é a fração de área foliar sujeita aos ângulos de inclinação θl e θl +dθl.

Ponzoni . Um outro efeito da arquitetura do dossel sobre sua reflectância ocorre quando os elementos da vegetação não se encontram uniformemente distribuídos. A orientação das fileiras de uma cultura agrícola. mais e mais energia será absorvida pela vegetação. Assim que o IAF atingir um determinado valor (aproximadamente compreendido entre 2 e 3). muito da radiação incidente é interceptada e absorvida pelas folhas e um permanente aumento do IAF não influenciará a reflectância da vegetação. exerce menos influência na região do infravermelho do que na região do visível devido ao menor efeito das sombras. a reflectância na região do visível decresce quase que exponencialmente com o aumento do IAF até atingir um valor próximo de 0. aumentaria a influência do espalhamento dos elementos deste mesmo dossel. uma vez que a absorção é mínima. por exemplo. Um dos efeitos da DAF sobre a reflectância da vegetação refere-se à sua influência na probabilidade de falhas através do dossel como uma função dos ângulos zenital solar e de visada. este agrupamento apresentaria dois efeitos principais: ele aumentaria a probabilidade de ocorrência de lacunas através de toda a extensão do dossel. localizados nas camadas mais próximas ao solo. uma vez que as folhas são praticamente transparentes nesta região espectral. com o aumento do IAF.Estes parâmetros arquitetônicos afetam qualitativamente a reflectância da vegetação. as folhas estivessem agrupadas. uma vez que muito da energia incidente sobre uma folha é absorvida.J. com o aumento do número de folhas. isto é. o aumento do IAF implica no aumento do espalhamento e no conseqüente aumento da reflectância da vegetação. até que o IAF atinja valores compreendidos entre 6 e 8. Supondo que ao invés de estarem uniformemente distribuídas no dossel. Por conseguinte. Na região do visível. quando o IAF assume valores entre 2 e 3. que por sua vez. DSR/INPE 8-14 F. Na região do infravermelho próximo.

da Distribuição Angular das Folhas (DAF) e da rugosidade do dossel em sua camada superior (topo do dossel).Ponzoni . no caso da cobertura vegetal. ora superestimando-º Isso pode explicar. devido a presença de água no interior da folha. Assim. Esse desbalanceamento pode ocasionar diferenças de brilho de um mesmo objeto entre as bandas. Vale salientar que o que é efetivamente medido pelo sensor colocado em órbita terrestre é a radiância espectral. Finalmente. na qual tal sensor é apto a coletar a REM refletida pelos objetos possui sua própria sensibilidade. devido à ação dos pigmentos fotossintetizantes que absorvem a REM para a realização da fotossíntese. não se devem exclusivamente à absorção dos pigmentos existentes nas folhas. Nas imagens da região do infravermelho próximo verifica-se que estes valores apresentam-se elevados devido ao espalhamento interno sofrido pela REM em função da disposição da estrutura morfológica da folha. por exemplo. que apesar da queda da reflectância da vegetação verificada na região espectral do infravermelho médio não ser muito acentuada em relação à região do infravermelho próximo. por exemplo. Em cada uma das regiões espectrais todos os fatores exercem sua influência concomitantemente. a tonalidade escura numa imagem do infravermelho médio freqüentemente é mais intensa do que aquela verificada em uma imagem do visível. isso implica num “desbalanceamento” entre as radiâncias espectrais medidas. Alia-se a este fato a maior interferência da atmosfera nas regiões do DSR/INPE 8-15 F. mas também às sombras que se projetam entre as folhas.4.J. PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS Um dossel vegetal apresenta valores de reflectância relativamente baixos na região do visível. ora subestimando-o. De fato. Sobre esses efeitos discorreremos oportunamente. aliado ainda ao espalhamento múltiplo entre as diferentes camadas de folhas. Como cada sensor de cada banda espetral. no infravermelho médio tem-se uma nova queda destes valores. Isto é evidenciado pela tonalidade escura nas imagens obtidas nesta região. as quais são dependentes da geometria de iluminação. estes fatores influentes não atuam isoladamente. os níveis baixos de reflectância na região do visível. esperados para uma cobertura vegetal.

conseqüentemente. poderia acarretar o sombreamento daqueles que se posicionariam imediatamente abaixo. na diminuição da radiância medida pelo sensor orbital. De fato. podendo ser “mascarado” pelo efeito de outros fatores/parâmetros. com um IAF muito elevado. é comum o intérprete de imagens orbitais interessado em extrair informações sobre a cobertura vegetal. galhos e troncos. a existência de diferentes estratos (camadas) horizontais. principalmente). Por exemplo: é esperado que à medida que uma determinada cobertura vegetal aumenta sua densidade. Em tal floresta. com os indivíduos dominantes projetando suas copas acima de uma cota média do dossel. enquanto que para a região do infravermelho próximo estes apresentam aumento também quase exponencial. essa associação é possível. esse efeito pode ou não ser constatado. Dependendo da arquitetura (forma e distribuição espacial dos indivíduos constituintes do dossel) assumida em cada uma das fases de desenvolvimento dessa cobertura vegetal. o que implicaria na diminuição da irradiância nos estratos inferiores e.. bem densa. em uma imagem do infravermelho próximo.Ponzoni . que não possuiria estratos e portanto o sombreamento entre seus elementos constituintes seria bem menor. como foi apresentado nos itens anteriores. para a região do infravermelho próximo). o que por sua vez implicaria no “escurecimento” do dossel da floresta em relação ao de Eucalyptus spp. Mesmo ciente destas influências. mas existem algumas particularidades que devem ser consideradas. os valores de reflectância espectral referentes à região do visível apresentem uma diminuição quase exponencial. principalmente participação do solo e sombreamento entre os próprios elementos da vegetação (folhas. Evidentemente que esse efeito será tanto maior DSR/INPE 8-16 F. que possuiria um IAF bem menos elevado. até que sejam atingidos seus respectivos pontos de saturação (IAF=2 ou 3 para a região do visível e IAF=6 ou 8.J. uma floresta perenifólia. poderá assumir um brilho mais escuro do que um plantio jovem de Eucalyptus spp. procurar associar os padrões apresentados por esta diretamente com suas características estruturais (parâmetros biofísicos).visível em relação ao infravermelho que tende a deixar ligeiramente “mais claros” os dosséis vegetais nas imagens do visível. Assim.

concluíram o "Atlas dos DSR/INPE 8-17 F. mesmo em se tratando de diferentes coberturas vegetais. quanto maior for o ângulo de incidência. Cabe ao intérprete estar preparado para conviver com estas limitações e extrair dos produtos de sensoriamento remoto o máximo de informação confiável. sua participação também é dependente do ângulo de iluminação e desta vez de maneira inversa. a dimensão. Não há como prever todas as possibilidades. Assim como acontece com qualquer outro objeto de estudo à luz das técnicas de sensoriamento remoto. ou seja. relacionando-as a possíveis padrões em imagens orbitais.Ponzoni . em particular. nem sempre essa noção é fruto da análise racional conduzida sobre dados concretos. é esperada uma menor participação do solo. Cada dossel. A partir de meados da década de 80. iniciou-se no país uma intensa mobilização da sociedade civil pela preservação da Mata Atlântica. Com o objetivo de suprir essas lacunas.quanto maior for o ângulo de incidência solar. são inerentes as chamadas ambigüidades nas quais efeitos de diferentes fatores/ parâmetros podem assumir valores iguais de radiância. sob pena de comprometer a sobrevivência das gerações futuras. Contudo. contava com poucas informações consistentes sobre a área original. DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA Vaga no inconsciente e até no consciente das pessoas. uma vez que o sombreamento é proporcional a esse ângulo. Para o caso do solo. tentar elencá-las. a distribuição espacial. possui suas características próprias e desenvolve-se em diferentes tipos de solos sob diferentes condições ambientais. gerados a partir da aplicação de metodologias cientificamente fundamentadas. O movimento ambientalista. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE.J. no entanto. o que implicará em uma “mesma” aparência nas imagens. 5. a noção de que os recursos naturais vêm se tornando escassos e que a humanidade precisa aprender rapidamente a utilizar com racionalidade esses recursos. em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). sem o que não seria possível traçar ações efetivas de conservação. a estrutura e a situação dos remanescentes florestais do bioma.

digitalizou os limites das fisionomias vegetais que compõem o Domínio da Mata Atlântica (Figura 3).Período 1985-1990”. Esta etapa abrangeu todos os Estados da fase anterior. conseqüentemente. incluiu. Primeiro mapeamento da Mata Atlântica realizado no País a partir da análise de imagens de satélite. uma maior confiabilidade aos dados gerados. além das fisionomias florestais. analisando a dinâmica do bioma entre 19901995. determinando sua área original e estabelecendo uma referência inicial para o desenvolvimento de novos estudos. o que permitiu uma melhor visualização das classes mapeadas e deu. segundo a terminologia e os critérios estabelecidos pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os limites de algumas DSR/INPE 8-18 F. e vários aprimoramentos foram incorporados.J. na escala 1:1. Em função dessas limitações e motivados em adquirir informações mais precisas. com exceção da Bahia devido a não disponibilidade de imagens livres de nuvens. o Instituto Socioambiental.Remanescentes Florestais do Domínio da Mata Atlântica" em 1990. supervisionada pelo INPE. levantamentos de campo e análise por especialistas para aferição dos dados. o trabalho foi concluído em 1993 e permitiu avaliar a dinâmica dos remanescentes florestais e de ecossistemas associados da Mata Atlântica em 10 Estados. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram uma nova atualização de dados. Outro aperfeiçoamento importante foi a inclusão de uma avaliação estatística. os ecossistemas associados. Foram utilizadas técnicas de interpretação visual de imagens TM/Landsat.Ponzoni . a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram um novo mapeamento em 1990 que originou o “Atlas da Evolução dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados no Domínio da Mata Atlântica . Além dos aprimoramentos anteriormente citados. que apontou o índice de exatidão global do mapeamento dos Estados do Espírito Santo e de Santa Catarina.000. graças ao avanço tecnológico verificado. da Bahia ao Rio Grande do Sul. Diante dos resultados obtidos.000. pois algumas unidades de pequena extensão não puderam ser mapeadas e polígonos de remanescentes descontínuos foram agrupados.000. com o qual a Fundação SOS Mata Atlântica assinou convênio em 1995. na escala 1:250. A escala adotada neste primeiro trabalho apresentou limitações para estudos mais detalhados.

principalmente savana e estepe. a SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a concepção de um novo mapeamento.Unidades de Conservação federais e estaduais. que na etapa anterior estavam incluídos no cômputo geral. foi possível avaliar a dinâmica da Mata Atlântica de forma mais precisa e localizada. fruto do aprimoramento de máquinas e de aplicativos disponíveis. permitindo a definição de políticas de conservação mais objetivas e coerentes com cada situação. Este aperfeiçoamento permitiu. que os dados sobre as formações florestais da Mata Atlântica fossem separados dos dados de outros biomas. Com base nestes dados. Figura 3 – Domínio da Mata Atlântica Em meados de 1999. no qual foram incluídas várias inovações metodológicas.Ponzoni . ainda. DSR/INPE 8-19 F. agora referente ao período 1995-2000.J.

cabendo estes a empresas do setor aeroespacial que foram escolhidas mediante licitações. Para o caso de sua relação com o INPE. essas dimensões passariam para aproximadamente 90 x 90 cm.Mas afinal.000. o INPE acompanha passo a passo todos os processos envolvidos nos mapeamentos. Por exemplo: se a escala de trabalho fosse definida como 1:100. devido às suas diretrizes institucionais.000. deve ser suficientemente fácil compreender que estes não são elaborados sem a utilização de alguma ferramenta que possibilite a observação instantânea de uma dada porção dessa superfície. porém não pode.J. Mesmo para aqueles pouco familiarizados com mapeamentos de grandes extensões da superfície terrestre. Nesse sentido.20 x 1. sendo o mais usual atualmente o DSR/INPE 8-20 F. enquanto se a escala fosse de 1:250. A Fundação SOS Mata Atlântica age como uma espécie de cliente que tem necessidades e para atendê-las. estabelecendo então todos os procedimentos metodológicos a serem conduzidos. essas imagens ficariam materializadas em papel fotográfico de aproximadamente 1. Na analógica a imagem é materializada em papel. como esses mapeamentos são feitos? Em que critérios se fundamentam e que tipo de produtos são utilizados? O que se pode afirmar sobre a sua confiabilidade? Antes de aprofundarmos mais sobre as questões metodológicas. é necessário compreender primeiramente o papel de cada instituição envolvida. Nesses mapeamentos específicos que estamos tratando. o INPE assume a coordenação técnica dos trabalhos.20m. por exemplo com fotografias aéreas ou imagens de satélite. a Fundação SOS Mata Atlântica espera obter toda a orientação técnico-científica que garanta aos resultados dos mapeamentos o máximo de confiabilidade possível. Na forma digital. cujo tamanho é dependente da escala de trabalho. a imagem é disponibilizada eletronicamente através de diferentes meios. assumindo a aparência de uma grande fotografia. Mesmo assim. procura outra instituição que julga ter alguma competência específica. elaborar os mapeamentos propriamente ditos. as quais podem ser disponibilizadas em duas formas básicas: a analógica e a digital. como acontece. interferindo quando necessário.Ponzoni . foram utilizadas imagens do sensor Thematic Mapper do satélite Landsat 5.

quais. Vamos aqui descrever os procedimentos adotados nos três últimos mapeamentos realizados. Mas os primeiros mapeamentos não contavam com as imagens em formato digital. ou seja. Remanescentes de Mangue foram consideradas aquelas formações arbóreo-arbustivas localizadas em canais de drenagem sob influência marítima. que nada mais são do que superposições de três diferentes imagens (provenientes de regiões espectrais diferentes.000 (imagens analógicas).000. foi considerado o processo de interação entre a radiação eletromagnética e a vegetação descrito anteriormente (Figura 1). nem com aplicativos que permitissem maior facilidade na manipulação dos dados.CDROM. Remanescentes de Restinga seriam todas as formações florestais acorrentes próximas ao mar e preferencialmente abaixo da cota topográfica de 20m. entre as diversas imagens geradas pelo sensor Thematic Mapper serviriam para identificar os itens da legenda estabelecida. A legenda desse mapeamento foi assim definida: Remanescentes Florestais. Para tanto.Ponzoni . procurando não ferir os critérios regionais existentes. Uma vez definida essa legenda.000. a qual é perfeitamente compatível com a escala 1:250. Remanescentes de Restinga. Remanescentes de Mangue. Dessa forma. Vale salientar que nem todo o Estado da Federação trata o termo Restinga como sendo uma formação florestal. excluindo somente os reflorestamentos (jovens e adultos). restava ainda definir quais imagens utilizar. A alternância de tons claros e escuros da aparência da vegetação nas diferentes imagens torna possível a elaboração das chamadas composições coloridas. foi realizado no início da década de 90 sobre imagens orbitais datadas do final de década de 80 disponibilizadas na escala 1:250.000.J. mesmo aquelas que apresentariam baixos índices de degradação e outras em estágios sucessionais avançados (capoeiras). Então. O mapeamento que se seguiu àquele desenvolvido na escala 1:1. mas da mesma porção da superfície terrestre) DSR/INPE 8-21 F. procurou-se adequar os mapeamentos para cada Estado. todo o trabalho era feito sobre as imagens em formato analógico. uma vez que foram neles que se verificaram os maiores aprimoramentos metodológicos. Em Remanescentes Florestais estariam incluídas todas as formações florestais.

que naquela época não estavam familiarizados em observar a vegetação em outra cor senão aquela que quotidianamente estavam acostumados a observar (verde).inpe. verde e azul) para cada imagem. Mas quantas composições foram elaboradas? Foram elaboradas pelo INPE 104 composições coloridas de forma a abranger todo o Domínio da Mata Atlântica. relativamente transparente sobre o qual o intérprete procede a interpretação propriamente dita (Figura 4).12. do infravermelho próximo e do infravermelho médio. No mapeamento em questão.24/doc/amz1998_1999/pagina6. a paisagem analisada assume cores dando uma aparência como de uma fotografia colorida.dpi. respectivamente.17. Já nessas empresas então.br:1910/col/dpi. htm DSR/INPE 8-22 F.sobre as quais são aplicados filtros coloridos com as cores primárias (vermelho. FONTE: http://sputnik. Figura 4 – “Overlay” sobre a imagem e o mapa preliminar resultante da interpretação. Como resultado. foram utilizadas imagens da região do vermelho (visível). Essa distribuição de imagens e filtros permitiu que a vegetação assumisse tonalidades esverdeadas nas composições coloridas. verde e vermelho. sobre cada uma dessas 104 composições coloridas era colocado o que chamamos de “overlay” que é um papel polyester. o que facilitou e muito o trabalho dos intérpretes.inpe.Ponzoni . as quais eram distribuídas para empresas do setor privado que se incumbiam de elaborar o mapeamento.br/banon/2000/09.J. sendo que cada uma delas recebeu os filtros azul.

Figura 5 – Contorno das carta topográficas na escala 1:250. que em última análise são consideradas as unidades de mapeamento (Figura 5) que totalizavam 114 cartas topográficas e também eram demarcados os pontos de controle.J. Era constituída então uma equipe de três a quatro intérpretes. 25 ha foi definido como área mínima de mapeamento. que eram cruzamentos de estradas ou rios que podiam ser facilmente visualizados nas cartas topográficas e nas imagens e serviriam para posicionar geograficamente o mapa gerado mediante a utilização de algoritmos específicos implementados em computadores. liderados por outro com maior experiência que se incumbia de efetuar a homogeneização das interpretações.000. Nessa escala de mapeamento.000 sobre o Domínio da Mata Atlântica. ou seja. uma vez que a interpretação propriamente dita é uma DSR/INPE 8-23 F. cuidava para que houvesse um mínimo de diferenças entre as interpretações.Nesse “overlay” eram demarcados também os limites das cartas topográficas na escala 1:250.Ponzoni .

respectivamente e na aplicação de contrastes lineares às imagens. um técnico do INPE era chamado para que este tomasse uma decisão específica. Como conseqüência. A Figura 6 mostra um exemplo de uma mesma cena. Nesse mapeamento. Todo esse processo descrito para o primeiro mapeamento na escala 1:250. referente às cercanias da DSR/INPE 8-24 F. segundo uma metodologia muito semelhante àquela descrita.J. a escala de 1:250. com comprovada experiência no estudo da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados. cada carta era novamente analisada. Era impressa uma prova de cada uma das 114 cartas topográficas. Esses consultores eram basicamente profissionais do mundo acadêmico ou não. bem como todos os procedimentos e critérios utilizados na interpretação. o que implicou em uma melhor discriminação visual de feições da superfície terrestre nas composições geradas. agora contendo somente o conteúdo temático (mapa contendo os polígonos fruto da interpretação) para uma nova averiguação de inconsistências. os “overlays” eram novamente analisados procurando identificar inconsistências de interpretação e em seguida estes eram digitalizados e introduzidos em um Sistema de Informação Geográfica (SIG). A diferença verificou-se na substituição dos filtros coloridos vermelho e verde que passaram a ser atribuídos às imagens do infravermelho próximo e médio. as áreas de cada tema da legenda eram determinadas através de funções específicas do SIG utilizado. Uma vez concluída essa etapa de interpretação. Depois da intervenção dos consultores.000 consumiu em média 2 anos para ser concluído. A partir dessa etapa. diferenciando-se somente na utilização de composições coloridas ligeiramente diferentes.000 foi mantida. A atualização do atlas gerado nesse mapeamento foi elaborada em meados da década de 90. assumindo então todas as conseqüências dessa decisão.Ponzoni . Essas provas eram enviadas a consultores em cada Estado para que estes procedessem a uma análise crítica do mapeamento realizado. No caso de dúvidas.atividade puramente intuitiva e de caracter subjetivo. cada intérprete tem seus próprios critérios no momento da definição da natureza de uma dado polígono mapeado. bem como de seus limites. procurando corrigir possíveis erros de interpretação e procedia-se a elaboração dos mapas finais.

Outra implementação importante foi a estimativa de Exatidão de Mapeamento Global. Essa iniciativa foi muito bem recebida pela comunidade científica que anteriormente a ela. Essa atualização consumiu também aproximadamente 2 anos para ser concluída. não dispunha de qualquer informação sobre a qualidade dos mapas gerados. Para tanto. Os resultados são organizados de tal forma a permitir o cálculo de um valor percentual que expressa a confiabilidade dos mapas gerados. Esses pontos recaem sobre o mapa sobre polígonos cujas naturezas e posicionamento espacial foram estabelecidos pelos intérpretes. seja realmente esse tema em campo. a b Figura 6 – Composições coloridas utilizadas nos mapeamentos de 1985-90 (a) e 1990-95 (b). que é fundamentada no confronto entre os mapas gerados e informações provenientes do campo. isso significa que temos 80% de chance de que um polígono identificado como Remanescente Florestal no mapa.Baia da Guanabara. são sorteados aleatoriamente um certo número de pontos a serem visitados em campo. Por exemplo: se encontramos um valor de Exatidão de Mapeamento de 80%.Ponzoni .J. Uma equipe responsável pelo trabalho de campo visita cada um dos pontos selecionados e averigua se de fato a decisão do intérprete sobre a natureza do polígono interpretado foi correta. DSR/INPE 8-25 F. observada em composições coloridas como aquelas utilizadas em ambos os mapeamentos.

liderados por outro de maior experiência. está sendo viabilizado através da Internet no endereço http://www. A interpretação visual das imagens passou a ser feita diretamente em tela de computador. Paraná (divulgado em 27. Rio Grande do Sul. agora na escala 1:50. A atualização desse “novo” atlas está em andamento e em aproximadamente 1 ano.org. já foi possível concluir a análise dos dados do Rio de Janeiro (divulgado em 03. O acesso a esses dados e de todos os relatórios gerados.sosmatatlantica. Esse georreferenciamento possibilitou a eliminação de uma das etapas mais demoradas que era a digitalização dos “overlays”. todo o mapeamento do período 90-95 foi refeito. DSR/INPE 8-26 F.J. Mais uma vez foi adotada a composição de uma equipe de 3 a 4 intérpretes.01). os quais foram então eliminados do processo.000. Nesse mapeamento foram verificados vários aprimoramentos metodológicos que incluíram o georreferenciamento prévio das imagens que então foram disponibilizadas em formato digital. Assim.br/. os quais contém uma descrição detalhada das metodologias empregadas nesses mapeamentos.000 e sobre imagens analógicas) com aqueles gerados na escala 1:50.Ponzoni .04. de forma a permitir a cada cidadão o conhecimento da situação da cobertura vegetal do seu município de interesse. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a atualização desse segundo atlas.No início do ano 2000.04. Esse aprimoramento implicou na impossibilidade de comparar diretamente os dados gerados no mapeamento anterior (na escala 1:250. com a imagem já georreferenciada. agora para o período 95-2000. Além desse aprimoramento. Santa Catarina e São Paulo (com divulgações agendadas para os próximos meses). o que possibilitou ainda a ampliação da escala de mapeamento para 1:50.000 e conseqüentemente a redução da área mínima de mapeamento para 10 ha.000.01). os dados passaram a ser disponibilizados por município e para algumas unidades de conservação. segundo a nova metodologia estabelecida de forma a permitir a quantificação de possíveis alterações verificadas no polígonos mapeados. seguindo todas as etapas de verificação e auditoria por parte de consultores identificados em cada Estado.

mas as informações até o momento adquiridas devem contribuir efetivamente para a conservação daquilo que restou desse importante bioma. como também valorizar a banco de dados já disponível sobre a Mata Atlântica visando o Zoneamento Econômico Ecológico em nível municipal. Keegan. São Paulo. Applied Optics. Para tanto. E. Berlin. DSR/INPE 8-27 F. 308p. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Gates. 1965. D. Novo. Stooll. Untersuchungen uber die assimilation der kohlensaure. entendendo que não basta somente diagnosticar o efeito nocivo do homem. A idéia para ao mapeamentos futuros é dar um passo ainda maior que transcende o aprimoramento restrito às metodologias de mapeamento e de manipulação dos dados. V. Schleter. 6. Sensoriamento remoto: principios e aplicações.. Willstatter. Springer. 1918. H. de M.J. estarão se mobilizando para avaliar os critérios que nortearão tal zoneamento. Edgard Blucher.A participação do INPE nesse ambicioso projeto de diagnóstico periódico da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados caracterizou-se pela busca de soluções técnico-científicas que garantissem confiabilidade aos dados gerados. A. Weidner.. Trata-se de mais um desafio a ser vencido por todos os envolvidos. Spectral properties of plants..M.R. 4(1): 11-20.Ponzoni .M. 1989. J.C. R. vários especialistas do INPE e de diferentes universidades..J.

F.inpe. R u d o r f f2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 2 mauricio@ltid.inpe. T.CAPÍTULO 9 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À AGRICULTURA M a u r í c i o A l v e s M o r e i r a1 B e r n a r d o F.Moreira e B.br bernardo@ltid.Rudorff .T.A.br DSR/INPE 9-1 M.

..................................................................3 2...F.................... 9-13 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADAS PARA PLANTIO ...T.................. 9-13 2.................................................................5 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO .. 9-12 2.................................................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................Rudorff ....................... 9-12 2......Moreira e B............................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ........................... 9-3 1... PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS ...................... 9-5 2............................. 9-18 DSR/INPE 9-2 M..........................................2 CULTURA DO TRIGO .......................................................................................1 CANA-DE-AÇÚCAR ..... INTRODUÇÃO ........4 2................. 9-15 3...... 9-14 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS ..A.......................

...................................... 9-11 7....................................LISTA DE FIGURAS 1........ 9-9 5......... 9-15 9................................................. APÓS OCORRÊNCIA DA GEADA EM 1985...................... CITRUS............. PASTAGEM E REFLORESTAMENTO . VARIAÇÃO DA RADIAÇÃO REFLETIDA PELAS CULTURAS DE SOJA E DE MILHO NAS BANDAS TM3 E TM4 DO LANDSAT-5 ....... IMAGEM DO LANDSAT-TM MOSTRANDO ÁREAS DE ARROZ IRRIGADO NO MUNÍCIPIO DE SANTA VITÓRIA DO PALMAR – RS ....... 9-14 8.... 9-7 3.......................A......T........................................... ÁREAS IRRIGADA PELO SISTEMA DE PIVÔ CENTRAL . RADIAÇÃO REFLETIDA PELA CULTURA DO CAFÉ DURANTE OS ANOS DE 1984 E 1985 .. TM4 (VERDE) E TM5 (VERMELHO) MOSTRANDO DIFERENTES OCUPAÇÕES DO SOLO ........... 9-16 DSR/INPE 9-3 M.. MOSTRANDO ÁREAS DE CAFÉ.................................. ESQUEMA DE CONSTRUÇÃO DO PAINEL DE AMOSTRA DO PROJETO SIAG ................... 9-8 4.F.....Rudorff ..................Moreira e B............................ 9-6 2..... NO MUNICÍPIO DE TRÊS PONTAS ................. IMAGEM EM COMPOSIÇÃO COLORIDA ADQUIRIDA PELO SENSOR TM A BORDO DO SATÉLITE LANDSAT DA REGIÃO DE ALFERES – MG................. COMPOSIÇÃO COLORIDA DAS BANDAS TM3 (AZUL)....... IMAGEM NDVI DO ESTADO DE MATO GROSSO MOSTRANDO A EVOLUÇÃO DO DESFLORESTAMENTO OCORRIDA ENTRE OS ANOS DE 1989 A 1993 ................................................... REFLECTÂNCIA DE ÁREAS CAFEEIRAS NOS ANOS DE 1986 E 1987 NOS ANOS DE 1986 E 1987................................. 9-10 6............................................

. IMAGEM LANDSAT – TM DA REGIÃO DE BEBEDOURO – SP..Rudorff .. 9-17 11... MOSTRANDO ÁREAS DESTINADAS À CITRICULTURA ...... 9-17 DSR/INPE 9-4 M.A..............F............10.....Moreira e B.........T... IMAGEM LANDSAT – TM BANDA 5 (INFRAVERMELHO PRÓXIMO) MOSTRANDO A EXPANSÃO DA FRONTEIRA ........

permite criar um banco de dados com informações multitemporais4. Este tipo de satélite carrega a bordo um conjunto de sensores (sistema sensor) que operam em diferentes faixas do espectro eletromagnético. além de fornecer subsídios para o manejo agrícola em nível de país. o interesse em obter informações sobre produção de alimentos passou de “lobby” a uma necessidade uma vez que. Por exemplo. como por exemplo dentro da faixa do visível do espectro é possível registrar a energia refletida das bandas TM1. A tecnologia de sensoriamento remoto apresenta um grande potencial para ser utilizada na agricultura. o satélite Landsat leva 16 dias para fazer o recobrimento da Terra e. é possível obter informações sobre: estimativa de área plantada. Esses dispositivos são os sensores. carregam a bordo dispositivos que coletam estes dados. vigor vegetativo das culturas.A. Com esta repetitividade dos satélites. ou seja. Além disso. o consumo de alimento é sempre crescente.Moreira e B.T. a cada 16 dias volta a passar sobre uma mesma área. Isso. INTRODUÇÃO Hoje em dia. Quanto maior a resolução espectral de um sensor maior é o número de imagens obtidas numa dada região espectral. aqueles satélites que foram construídos para observar e coletar dados da superfície terrestre. regiões ou bandas do espectro eletromagnético. Devido a isso temos uma coleta da energia refletida em forma multiespectral3. eles passam num mesmo ponto da superfície terrestre de tempo em tempo. é necessário obter informações precisas e em tempo hábil. 4 Um satélite de sensoriamento remoto passa sobre uma mesma área na superfície terrestre segundo um período definido. Os satélites de recursos naturais. Imagens multiespectrais são obtidas em varias faixas. para que órgãos governamentais e de iniciativa privada possam tomar medidas de ações rápidas para importar ou exportar o excedente da produção de determinado produto agrícola. município ou ainda em nível de microbacia hidrográfica ou fazenda.Rudorff . por exemplo. a área ocupada com floresta. Além disso.1. podemos obter dados de uma área agrícola várias vezes. portanto. Através desta técnica. TM2 e TM3 do satélite Landsat. 3 DSR/INPE 9-5 M. estado. produção agrícola. durante seu ciclo de crescimento e desenvolvimento.F.

a radiação refletida que é coletada pelos sistemas sensores traz informações que podem estar relacionadas.F.Rudorff .A. com a produtividade. para enfatizar o aspecto multiespectral (Figura 1) e multitemporal (Figuras 2. assim.Moreira e B.T. por exemplo. com as condições fenológicas ou nutricionais da cultura e. 3 e 4) em regiões de intensa prática agrícola. com o tipo de cultura plantada.No caso de culturas agrícolas. Nas Figuras 1 a 4 são apresentadas imagens do sensor TM a bordo do satélite Landsat. consequentemente. 1 – Variação da radiação refletida pelas culturas da soja e do milho nas bandas TM3 e TM4 do Landsat-5. estimar a produção da cultura agrícola. DSR/INPE 9-6 M. Fig. podendo.

fazendo com que a soja reflita muita radiação solar na região do infravermelho próximo devido a suas folhas planiformes.F.A. Nota-se que a soja apresenta-se em tonalidade bem mais clara do que o milho. nesta região espectral. denotando assim. na banda TM4 (infravermelho próximo) as mesmas áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza claro.Moreira e B. para realizar a fotossíntese. As folhas mais eretas do milho permitem que uma maior quantidade de radiação penetre na cultura e consequentemente uma menor quantidade é refletida. alta reflectância da energia incidente. 2 – Radiação refletida pela cultura do café durante os anos de 1984 e 1985. No entanto.Fig. Devido a esta característica é relativamente fácil descriminar estas duas culturas nas imagens de sensoriamento remoto. devido à absorção da energia solar pelas plantas.Rudorff .T. DSR/INPE 9-7 M. Na Figura 1 observa-se que as áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza escuro na imagem obtida na banda TM3. Isto se deve principalmente à arquitetura diferenciada destas duas culturas.

Evidentemente. DSR/INPE 9-8 M. tal como na imagem de 1984.Reflectância de áreas cafeeiras nos anos de 1986 e 1987. no município de Três Pontas.T.Moreira e B. apresentando-se novamente em coloração magenta. esta informação se complementa com uma série de outras variáveis que também exercem influência sobre a produção e não estão expressas na variação espectral da cultura. como a geada. Na imagem falsa cor de 1984 a cultura do café se apresenta em coloração magenta (intensa vegetação) e bem distinta dos demais alvos de ocupação do solo.Para explicar o comportamento espectral do café observado na Figura 2.F. sobre a produção agrícola. é necessário esclarecer que no ano de 1985 ocorreu uma forte geada no Sul de Minas Gerais acarretando uma queima fisiológica muito grande nas áreas de café da região. após ocorrência da geada em 1985. 3. Fig.A.Rudorff . Esta série temporal de imagens mostra como se pode identificar e avaliar o impacto de uma variável ambiental. Na Figuras 3 pode-se observar que as áreas atingidas pela geada recuperaram o seu vigor vegetativo somente no ano de 1987. Na imagem de 1985 as áreas de café se apresentam em coloração verde (folhas queimadas e muito solo exposto).

TM4(verde) e TM5(vermelho) mostrando diferentes ocupações do solo. o verde na banda TM4 e o vermelho na banda TM5. para distinguir áreas irrigadas por sistema de pivô central de outros métodos de irrigação o analista baseia-se na forma. sombreamento e textura. ao adicionar cores nas imagens. 4. Nota-se que neste caso as áreas de soja estão apresentadas em amarelo-esverdeado e o milho em verde.F. ao invés e trabalhar com imagens individuais. que foi gerada adicionando as cores. É bom ressaltar que além das características multiespectrais e multitemporais das imagens do satélite. podemos associar.A. mostrando que existem diferenças espectrais nessas duas culturas.Por outro lado.Rudorff . azul na banda TM3. obtidas nas diferentes bandas.Moreira e B. isto é. como é mostrado na Figura 5. Por exemplo. o especialista em sensoriamento remoto utiliza também elementos da fotointerpretação tais como: forma. Fig. as informações de três bandas e gerar uma composição colorida. como é o caso da Figura 4. através de cores.Composição colorida das bandas TM3(azul). DSR/INPE 9-9 M.T.

Fig. Isto permitiria inclusive realizar previsões de estimativas de safras. Elas impedem que a energia refletida e/ou emitida pelos alvos da superfície terrestre chegue até o sensor a bordo do satélite. 5. Para contornar este problema existem alternativas relacionadas tanto com os sistemas sensores quanto com o sistema de coleta das informações. durante o período da safra. Isto seria uma realidade se dispuséssemos de um número suficiente de imagens que permitissem identificar a cultura e diagnosticar o seu potencial produtivo. é a presença de nuvens.Rudorff .T. A título de exemplo.A. uma alternativa seria colocar em órbita uma constelação de satélites com características similares que permitiriam obter imagens com freqüência diária. Diante do que foi apresentado até aqui parece ser bastante simples a utilização de imagens para estimar a produção das safras agrícolas. de forma objetiva e confiável. o grande impedimento para se obter imagens de satélite. Entretanto.Áreas irrigadas pelo sistema de pivô central.F. Quanto aos sistemas sensores.Moreira e B. A freqüente cobertura de nuvens impede a obtenção de imagens livres de nuvens e impõe sérias limitações ao uso operacional das técnicas de sensoriamento remoto para estimativa de safras. para o Landsat DSR/INPE 9-10 M.

conforme é apresentado na Figura 6. Contudo. às imagens AVHRR. Finalmente. Com este tipo de imagem não é possível estimar a área plantada.1 km).Imagem NDVI ( Índice de Vegetação com Diferença Normalizada / NDVI=Riv-Rv/Riv+Rv. ) No caso da figura acima foram utilizadas várias imagens do mês de junho parcialmente cobertas com nuvens. Fig.A. uma outra alternativa seria estabelecer um sistema de amostragem para estimar a área das principais culturas.necessitaríamos de 15 satélites para obter imagens diariamente.1 x 1.T. Outra alternativa é a utilização de imagens de um satélite com alta resolução temporal (diária). estas imagens podem serem utilizadas para um sistema de vigilância sobre efeitos episódicos ou mesmo na avaliação da expansão de áreas agrícolas.(1999. como por exemplo. Estas imagens foram compostas ou mosaicadas para se obter uma imagem livre de nuvens sobre todo o estado do Mato Grosso. utilizando como DSR/INPE 9-11 M. Fonte: Adaptado de Shimabukuro et al.Moreira e B. p. onde Riv = reflectância na região do infravermelho próximo e Rv = reflectância na região do vermelho do espectro eletromagnético) do Estado do Mato Grosso mostrando a evolução do desflorestamento ocorrida entre os anos de 1989 a 1993.Rudorff .F. A grande limitação destes tipos de imagens. 6 . é a baixa resolução espacial (1.

d) estabelecimento dos períodos adequados para aquisição de imagens visando a identificação de culturas agrícolas. nas bandas MSS5 (vermelho) e MSS7 (infravermelho próximo). 2. b) definição da área mínima..1 CANA-DE-AÇÚCAR O primeiro grande projeto de mapeamento de área de cana-de-açúcar no estado de São Paulo ocorreu no ano safra 1979/80 (Mendonça et al.Moreira e B. Por limitações tecnológicas é difícil obter imagens com alta resolução temporal e espacial. foram realizados estudos que visaram estimar a produtividade agrícola da cana-de-açúcar através de imagens do Landsat e de um modelo agrometeorológicodesta (Rudorff e Batista. para todo Brasil. imagens de satélites ou fotografias aéreas de arquivo recentes. 1990). possível de ser identificada nas imagens de satélites. no terreno. Este projeto foi realizado através de interpretação visual de imagens Landast-MSS (Multispectral Scanner System) na escala 1:250. c) comportamento espectral de culturas agrícolas. e) métodos de estimativa da precisão e exatidão dos mapas temáticos.Rudorff .referência. Há mais de 25 anos o INPE vem realizando pesquisas relacionadas com a identificação e o mapeamento de áreas agrícolas.A. e f) utilização de algoritmos de classificação para mapear áreas agrícolas.F. Foram utilizadas 44 imagens de 185x185 km obtendo-se uma estimativa de área plantada de 801.950 ha.1981). quanto maior for a resolução espacial de uma imagem maior será o tempo que o satélite leva para retornar a uma mesma área em função da estreita órbita de imageamento. destacando-se as seguintes pesquisas: a) seleção das culturas agrícolas passíveis de serem mapeadas através de imagens de satélites. Posteriormente. Este procedimento será descrito mais adiante. PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS 2.T. Em geral.000. DSR/INPE 9-12 M.

T. Itaqui.2 CULTURA DO TRIGO Diversos estudos para estimar a área plantada com a cultura do trigo foram realizados. Dom Pedrito e Cachoeira do Sul. conforme é mostrado na Figura 7.Moreira e B. na escala 1:250. Na época foram selecionados quatro municípios como área teste: Santa Vitória do Palmar. Moreira (1983) desenvolveu uma metodologia de estimativa de área de trigo. Por exemplo. utilizando imagens do satélite Landsat-TM.3 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO Os estudos com a cultura do arroz irrigado tiveram seus inícios no ano de 1980. no estado do Rio Grande do Sul. em nível de propriedade rural. do sensor MSS nas bandas 5 e 7. que reduziu em mais de 80% o tempo gasto na interpretação visual. as áreas ocupadas com arroz irrigado apresentam tons de cinza muito escuros na imagem da região do infravermelho próximo (banda TM4) contrastando com outras culturas não irrigadas. Estudos pioneiros foram realizados também com a cultura do trigo na região de Assis. para fins de fiscalização do crédito agrícola. 2.Rudorff .2.000. Através deste estudo foi constatado que a presença da lâmina de água é um fator preponderante para separar áreas irrigadas por inundação de outros tipos de irrigação. SP. quando então foi assinado um convênio entre o INPE e o Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA). principalmente. O estudo foi realizado com imagens. O trigo é cultivado durante a entre safra e neste período existe uma maior probabilidade de se obter imagens livres de cobertura de nuvens favorecendo o uso de imagens de sensoriamento remoto na estimativa de área plantada. com base em sistema de amostragem.F. DSR/INPE 9-13 M.A.

Moreira e B. 7 – Imagem do Landsat-TM mostrando áreas de arroz irrigado no município de Santa Vitória do Palmar – RS.T. estimar a área destinada para as diferentes culturas.Fig. Este estudo foi inicialmente realizado por Assunção e Duarte (1982) e foi recentemente retomado por Ippoliti-Ramilo (1999). visa contornar o problema da indisponibilidade de imagens livres de nuvens durante a estação chuvosa (janeiro a fevereiro). 2. em conjunto com informações de intenção de plantio.F.Rudorff . DSR/INPE 9-14 M. Com base na área potencialmente destinada para o plantio das lavouras pode-se.A.4 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADA PARA PLANTIO A identificação e o mapeamento de áreas de solo exposto e preparado para plantio.

na estratificação da área de estudo. Fig. isto é. São Paulo e o Distrito Federal.2. expandido para os estados de Santa Catarina.5 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS O INPE e o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desenvolveram um projeto. posteriormente. ilustra a seqüência de construção do painel de amostra.F. 8 – Esquema de construção do painel de amostra do Projeto SIAG. denominadas UPAs (Unidades Primárias de Amostragem) que contém segmentos amostrais a serem visitados no campo pelos entrevistadores (Moreira et al. 1989). No SIAG as imagens do Landsat-TM foram utilizadas na construção do painel de amostra.Moreira e B. e também para dividir os estratos em unidades menores.A. Inicialmente o projeto foi implementado no estado do Paraná e. em função da intensidade de uso agrícola.T.Rudorff . denominado SIAG .Sistema de Informação Agropecuária que visa obter estatísticas agrícolas com base num painel amostral. DSR/INPE 9-15 M. A Figura 8.

4) a metodologia do SIAG pode ser aplicada para áreas grandes (estado) ou pequenas (município).A. As Figuras a seguir mostram exemplos de aplicações das imagens de sensoriamento remoto na agricultura.Rudorff . adequar o painel de amostra. no Paraná são levantadas informações em apenas 450 segmentos com tamanho que varia de 1 a 5 km2.T. por exemplo.As vantagens da abordagem metodológica do SIAG são: 1) permite estimar a área das culturas agrícolas dentro de uma confiabilidade pré-estabelecida. 3) reduz o tempo e custo no levantamento das informações a campo.F. bastando para isso. 2) permite estimar a área das culturas agrícolas mesmo não se dispondo de dados de satélites da safra corrente pois neste caso se utiliza o estimador de expansão direta. 9 – Imagem em composição colorida adquirida pelo sensor TM a bordo do DSR/INPE 9-16 M.Moreira e B. Fig.

pastagem e reflorestamento. Fig. mostrando áreas destinadas à citricultura.satélite Landsat da região de Alfenas .A.T.F. Fig. 11 – Imagem Landsat-TM banda 5 (infravermelho próximo) mostrando a expansão da fronteira agrícola na região norte do estado do Mato Grosso.Rudorff .MG. DSR/INPE 9-17 M. mostrando áreas de café. citrus.Moreira e B. 10 – Imagem Landsat-TM da região de Bebedouro – SP.

Avaliação de áreas preparadas para plantio (SOLONU) utilizando-se dados do satélite Landsat. 1999. Duarte. de 1989. Ipoliti-Ramilo. Biffi.A.T. Tardin. Chen.. AG.M. 1982.. M. (MestradoInstituto Nacional de Pesquisas Espaciais .. DSR/INPE 9-18 M.A. J. V. A. Bariloche. (INPE7116-TDI/688).A. de. Lima. 183p. S.2637-TDL/113).. Assunção.Moreira e B.T. G. 1981. E..C. Duarte..A. G. Duarte. Villalobo.R. mar.C. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Assunção. Moreira. Moreira.G. F..L.A. V.A. (INPE. 1999. Lee. Classificação e monitoramento da cobertura vegetal do Estado do Mato Grosso através de imagens NOAA-AVHRR. Y. L... Lucht.Rudorff . São José dos Campos. Mendonça. L) através de dados do Landsat. São José dos Campos:INPE..E. Shimabukuro.A. Silva. M. (INPE-7234-RPQ/698). F.. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Especiais. 19-24 de nov. J.S. Levantamento da área canavieira do Estado de São Paulo utilizando dados do Landsat ano safra 1979/80. Maia. Yi. 75 p. Sistema de amostragem para estimar a área da cultura do trigo (Triticum aestivum.. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Imagens TM/Landsat-5 da época de pré-plantio para a previsão da área de culturas de verão. A.L.. São José dos Campos:INPE.V.S. (L) Merrill) através da expansão direta.V. G.M.C.3. J. Moreira.INPE)..Y. M. (INPE-2021RPE/288).F. A. In: IV Simpósio Latinoamericano de Percepcion Remota. V. Utilização de dados do Landsat-TM para estimar área de soja (Glycine max.. G. D. Shimabukuro. São José dos Campos. 1983 (INPE-3015TDL/150).

Rudorff .T.F. B.F.T.T.. Batista (1990). 33:183-192.Rudorff. Yield estimation of sugarcane based on agrometeorological-spectral models. DSR/INPE 9-19 M.A.Moreira e B. Remote Sensing of Environment. G.

C.br 10 -1 P.C A P Í T U L O 10 ENSINANDO CARTOGRAFIA P a u l o C é s a r G u r g e l d e A l b u q u e r q u e1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 E-mail: gurgel@ltid.G.Albuquerque DSR/INPE .inpe.

C.DSR/INPE 10 -2 P.Albuquerque .G.

..................................................... PROJEÇÃO .............................. INTRODUÇÃO ...........................................................................................................10-6 7.... 10-4 3................................................................... ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA ................................ 10-8 8.. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES ........ ESCALA ....................................... TIPOS DE MAPAS .... 10-5 5.........................................................................................................ÍNDICE 1........ 10-4 2......................................................................G........ 10-6 6.......................................C.........Albuquerque ........... 10-14 DSR/INPE 10 -3 P...... 10-5 4..................... DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS ........ ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO ...

C.DSR/INPE 10 -4 P.Albuquerque .G.

DSR/INPE 10 -5 P. As informações cartográficas constituem as bases sobre as quais se tomam decisões e encontram soluções para os problemas sócio-econômicos e técnicos existentes. A Cartografia foi a principal ferramenta usada pela humanidade para ampliar os espaços territoriais e organizar sua ocupação.1. Este produto. antes mesmo da invenção da escrita. com o grau de exatidão requerido. Hoje ela está presente no cotidiano da sociedade. saúde pública. Cartografia foi criado pelo historiador português Visconde de Santarém em carta de 8 de dezembro de 1839. elaborado com o objetivo de expressar um conjunto de informações.G. Conceitualmente pode-se dizer que a Cartografia é uma atividade meio. por meio de procedimentos e normas técnicas capazes de assegurar que o mapa elaborado satisfaça as exigência de um projeto. Seu uso é abrangente. Antes da consagração deste termo o vocábulo usado era cosmografia. Como vocábulo. de segurança. informações quantitativas e temáticas necessárias ao planejamento.C. a cartografia constrói seu produto conforme as necessidades apresentadas e o entrega na forma de mapas. único instrumento capaz de representar em escala. servindo de suporte à diversas ciências e tecnologias. escrita em Paris e dirigida ao historiador brasileiro Adolfo de Varnhagem. INTRODUÇÃO A cartografia como atividade já aparece nas descobertas Pré-Históricas.Albuquerque . levando soluções para problemas urbanos. O produto cartográfico está associado a uma necessidade de apresentação e expressão de resultados. deve ser ajustado às necessidades de apresentação impostas por essas informações. turismo e auxiliando as navegações.

Para tal faz-se necessário que o interessado conheça os elementos de um mapa e dos processos utilizados na elaboração dos mapas de forma a poder encontrar a melhor solução para a necessidade apresentada.Onde ocorre o fato .2. Escala Projeção Exatidão Representação Tipo de produto Apresentação do produto (mídia) Para que uma região possa ser mapeada questões devem ser respondidas. os modelos de projeção que podem ser utilizados.Quando ele ocorre Temático: . ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA A Cartografia deve assegurar que o mapa responda às seguintes questões: Espaciais: . Público alvo Custo Tempo DSR/INPE 10 -6 P. É importante indagar sobre os objetivos do mapa.G.C. DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS O produto cartográfico atende a uma necessidade quando o documento cartográfico elaborado garantir características que vão ao encontro da necessidade que o originou.Quais são as dimensões Temporal: .Qual o tipo de ocorrência 3. processos e meios que a Cartografia utilizará para produzir esses documentos.Albuquerque .Qual a forma .

.000. a relação que indica a escala é transformada em uma régua onde as distâncias são lidas diretamente. 5. que 1cm. Neste caso. Ex: 1/1000 Esta notação nos informa que o mapa apresenta uma região que teve suas dimensões reduzidas 1000 vezes. geologia.. ESCALA Número adimensional utilizado para indicar de quanto está reduzida a dimensão de uma região para que ela possa ser representada sobre uma folha de papel. tais como vegetação.C. ou graficamente. por exemplo 1:25. como mostrado a seguir: 1000 750 500 250 0 m 1000 2000 3000 Representação gráfica de uma escala DSR/INPE 10 -7 P. podemos dizer que 1mm no mapa corresponde a 1000 mm no terreno. MT=MR+Tema MT=MR+Tema O mapa topográfico é considerado básico pois nele assentam-se informações de temas específicos.. TIPOS DE MAPAS Os mapas. 1000cm no terreno etc..Albuquerque .G. As escalas podem ser representadas numericamente. Assim.. temáticos e especiais. sistemas ferroviários etc. como indicado a seguir: Cartas Topográficas Cartas ou mapas temáticos Cartas ou mapas especiais MR=Mapa Base ou mapa de referência. são divididos em 3 tipos de documentos: topográficos.4.

G.6. total ou parcial da Terra. podem ser: Cilíndricas Normais Transversas Oblíquas Cônicas e ou Policônicas Normais Transversas Planas Polares Equatoriais Oblíquas Quanto aos atributos: Eqüidistantes distância sobre um meridiano medido no mapa = distância medida no terreno distância sobre um paralelo medido no mapa = distância medido no terreno Equivalentes área no mapa=área do terreno Conformes forma no mapa = forma do terreno Azimutais direção azimutal no mapa = direção azimutal no terreno DSR/INPE 10 -8 P. Quanto ao modelo de desenvolvimento. a superfície. As projeções cartográficas possuem características que garantem a elaboração de mapas para todos os tipos de uso e aplicação.C.Albuquerque . PROJEÇÃO Refere-se a modelos geométricos ou analíticos adotados para representar em um plano horizontal.

é irregular.00m Achatamento: 1/298. Este modelo é definido segundo o sistema geodésico de cada país.Forma da Terra Quando pretende-se representar um objeto segundo uma determinada projeção. conhecida como geóide. da dimensão. SC DSR/INPE 10 -9 P.25 Datum vertical Imbituba. assunto que é estudado pela Geodésia. A Terra em uma primeira aproximação pode ser considerada uma esfera de raio R.160. Na cartografia a forma da Terra é um fator importante que deve ser considerado. do uso que será dado ao mapa. definida como elipsóide. A forma real da Terra.378.A escolha do modelo de desenvolvimento e dos atributos de uma projeção é função. A projeção. é também responsável pelas deformações em escala que os mapas apresentam.C.Albuquerque . . da forma e posição geográfica da área e do alvo a ser mapeado. face à forma da Terra. uma vez que os modelos de projeção a serem adotados deverão se ajustar perfeitamente a essa superfície. entretanto quando se deseja representá-la com mais detalhe e exatidão faz-se necessário conhecer sua forma e dimensões. é importante que se conheça a forma e as dimensões do objeto. As operações cartográficas exigem uma superfície regular.G. No Brasil o sistema geodésico adotado está assim especificado: Origem: Datum horizontal SAD69 Elipsóide de referência Elipsóide de Referência Internacional 1967 Semi-eixo maior: 6.

. Trata-se do exercício natural dessa ferramenta. que ocorre com o crescimento do conhecimento adquirido nas diversas disciplinas. 10-10 P. Entende-se que essas respostas devem convergir para o seguintes objetivos: auxiliar no aprendizado da geografia. ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO Atualmente observa-se que muitos profissionais voltados ao ensino da Cartografia. procurar a resposta que vá ao encontro da formação do cidadão e não de outros interesses. estão desenvolvendo modelos para que alunos do ensino fundamental aprendam o que é uma escala. a respeito de sua vizinhança. das necessidades e do interesse do próprio aluno. por exemplo: Por que o interesse de ensinar cartografia nas escolas? A partir da resposta dada. dentre outras que podem utilizar essa ferramenta e seus produtos no seu aprendizado. história e de outras disciplinas. sem se preocupar com o exercício da própria cartografia no cotidiano da escola. projeção ou qualquer técnica cartográfica. acesso. através de informações elaboradas pela própria escola na forma de mapas. o que é uma projeção cartográfica etc. etc..Albuquerque DSR/INPE . Então como ensinar Cartografia? Inicialmente o que deve ser feito é despertar o interesse do aluno para as aplicações cartográficas. Afinal por que aprender cartografia? Este despertar para a cartografia pode se iniciar com o aluno ainda na pré infância. cabe então ao educador.7.G. história. como é feita a representação do relevo. segurança pública. conduzindo-o a exercitála sem que isto configure um tópico de uma disciplina ou ela própria. Entretanto. outras questões podem ser também levantadas. meios transporte. independentemente de saber o que é escala. apoiar as atividades cotidianas do aluno e a formação de sua cidadania. sociologia. quando do ensino de outras disciplinas como geografia. Outras perguntas podem ser formuladas.C.pelos pais e depois o próprio aluno passará a elaborar seus “mapas”.

por meio de mapas ou croquís..Respostas que contemplem outras tendências. -Fase-3: Utilização e aplicação freqüente de mapas nas aulas e na elaboração dos exercícios propostos aos alunos pelo professor. Ensinar Cartografia. matemática. acessos. Fase-5: Curso profissionalizante para formação de técnicos de nível médio em cartografia. bairro e residência do educando. ciências e artes plásticas.G.disseminação das aplicações cartográficas e de seus produtos no país. será trabalhada por especialistas conforme os curricula aprovados.. Este treinamento deverá sempre estar associado às disciplinas que estão sendo ministradas nesse período. DSR/INPE 10-11 - P.utilização de novas tecnologias etc. está associado a 5 fases de trabalho que.C. dedicada à formação de profissionais para a Cartografia. A fase-5. etc. tais como: . . Os professores das disciplinas de geografia. treinados para conhecer as bases na qual se assenta a Cartografia serão os orientadores e disseminadores do uso e aplicação da cartografia para este momento. segundo proposto. pontos de ônibus. -Fase-2: Treinamento de professores em Cartografia. -Fase-4: Treinamento específico em Cartografia para os alunos do ensino fundamental. As fases são as seguintes: -Fase-1: Expressar todas as informações pertinentes à localização da escola. sítios de interesse tais como: papelarias.. a partir da 6a série. Observa-se que não é exigido professores com conhecimentos especializados em Cartografia até a fase-4. farmácias. respeitadas as suas prioridades definem o conjunto de ações que devem ser desenvolvidas pelo professor e aluno no âmbito da escola.Albuquerque .

humanos e culturais e ao cotidiano do educando.Duração e fases 01 02 Processo inicial 1 ano Processo instalada ---- Indicadores Anual Familiarização com mapas Entendimento do que são mapas.G. 04 ----Para alunos a partir da 6 série 05 Só para formação profissional a Compreensão dos problemas geométricos que existem nos mapas Profissionais formados Devido ao desconhecimento dos objetivos da Cartografia e a falta de cultura na utilização de seus produtos pela sociedade.. destacados a seguir.C. Recursos básicos DSR/INPE 10-12 - P. pautase nos recursos humanos e materiais básicos existentes na escola. -Requisitos A consecução dos objetivos desta proposta para o ensino da cartografia. geografia.. o trabalho que está sendo apresentado visa despertar e incentivar o uso sistemático da Cartografia.Albuquerque . leitura e uso desses documentos em diversas escalas Compreensão dos problemas sóciais. como ferramenta para compreensão dos problemas físicos. econômicos e Aplicar em toda a escola Professores selecionados escola que pela dando em Manutenção preferência àqueles lecionam todas as séries 03 Aplicar em todas as séries ambientais apresentados na história.. junto com outras disciplinas.

Físico.1-Humanos Diretores Coordenadores pedagógicos Professores de geografia.Albuquerque . Ecológico.. Político. Físico Urbano Conforme disponibilidade Escolar Observa-se que esses materiais integram o acervo de qualquer escola e dos materiais que os alunos costumam trazer para as aulas. matemática. Entretanto. são utilizados para auxiliar neste trabalho e enriquecer o aprendizado do aluno. artes plásticas .2-Equipamentos e consumo Régua. Interesse Comprometimento Conhecimento básico sobre leitura e manuseio de mapas (documentos cartográficos) Alunos 2-Materiais 2.. ciências.G. Geral. Características Interesse Comprometimento história. Os materiais suplementares. esquadro. DSR/INPE 10-13 - P. Físico e Político Geral..1-Documentos Cartográficos Mapas Mundi Mapas das Americas Mapas do Brasil Mapa da Região Mapa do Estado Mapa do Município Cartas-imagens Atlas 2. Populacional.C. é importante que os professores dominem esse conjunto de facilidades e possam disponibilizá-los para todos os alunos. indicados a seguir. compasso e transferidor Lápis preto e branco e coloridos Borrachas Globo Bússola Motivação com a escola Especificações Geral.

Cópia papel Cópia digital Materiais disponíveis no mercado Cartas-imagens. Visando auxiliar os professores que poderão se envolver com este trabalho. f-Desenhar no mapa as trajetórias das naus de Cabral e Colombo..Albuquerque . De mão para operações estáticas Colorida. Outra característica desta proposta é permitir que o professor continue criando atividades em sala de aula e no campo com seus alunos. etc. valendo-se do acervo básico e de sua própria imaginação. perigosos etc. apresentamos a seguir uma relação de atividades que podem ajudar na compreensão e conhecimento dos objetivos e técnicas cartográficas. escala maior ou igual a sensoriamento remoto DSR/INPE 10-14 - P. quebra cabeças. c-Conhecer o bairro onde mora. g-Identificar no mapa do Brasil o local onde foram torpedeados os navios brasileiros durante a 2a guerra mundial.Recursos suplementares Computador Plotter ou impressora Scanner Aplicativos GPS Cartas imagens ou imagens Fotografias aéreas para cartografia e CoreoDRAW. e-Enduro ambiental. para identificação dos locais mais poluídos. d-Corridas de orientação. sujos.C. a-Passeio em trilhas b-Caça ao tesouro.G. livros didáticos.000. abrangendo o município e a cidade.. 1/50. jogos.

“partindo de necessidades. DSR/INPE 10-15 - P.C. etc. projeção forma da Terra. e de experiências vividas anteriormente junto as escolas do ensino fundamental.” independente do conhecimento matemático do que seja escala.8. históricos e biológicos que são contemplados nas disciplinas curriculares do ensino fundamental e médio.. de observações.G. sociais. reflexões.Albuquerque .... projeção etc. Nas séries mais avançadas professores e alunos poderão lançar mão de bibliografias específicas a respeito do tema. O ensino da Cartografia deve-se iniciar da mesma maneira que os mapas apareceram. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES A concepção desta proposta foi desenvolvida a partir dos princípios básicos que norteiam as técnicas de ensino. iniciando assim junto às disciplinas de desenho e matemática conceitos de escala. Finalmente recomenda-se que a cartografia não seja nem disciplina nem tópico de disciplina mas uma nova forma de linguagem para abordar e apresentar temas ambientais.

br .inpe.C A P Í T U L O 11 Geoprocessamento J o s é C a r l o s M o r e i r a1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 moreira@dpi.

DSR/INPE 11-2 J.C.Moreira .

............... 11-7 3....................ÍNDICE 1...........................C.............. 11-5 2........................Moreira .................................................. QUAIS OS MÓDULOS DISPONÍVEIS? ............ FUNÇÕES DO SPRING........................ 11-8 4................................ QUAIS PLATAFORMAS E PERIFÉRICOS SÃO SUPORTADOS? .. 11-9 DSR/INPE 11-3 J........ INTRODUÇÃO AO SPRING ...

DSR/INPE 11-4 J.C.Moreira .

Linguagem Espaço-Geográfica baseada em Álgebra). Quais são as características principais? • Opera como um banco de dados geográfico sem fronteiras e suporta grande volume de dados sem limitações de escala. manipular e editar imagens e dados geográficos. mapas de redes e campos. Introdução ao SPRING O que é SPRING? • Banco de dados geográfico de 2º geração. de mapas cadastrais. para ambientes UNIX e Windows. operando como um banco de dados geográfico.Moreira . mantendo a identidade dos objetos geográficos ao longo de todo banco. geralmente acoplados a gerenciadores de bancos de dados relacionais. fornecendo ao usuário um ambiente interativo para visualizar. Os sistemas desta geração são concebidos para uso em conjunto com ambientes cliente-servidor. • Provê um ambiente de trabalho amigável e poderoso. DSR/INPE 11-5 J. • Administra tanto dados vetoriais como dados matriciais ("raster") e realiza a integração de dados de Sensoriamento Remoto num Sistema de Informações Geográficas. Os dados disponíveis no banco podem ser manipulados por métodos de processamento de imagens e de análise geográfica. O que é Banco de Dados Geográfico? • Banco de dados não-convencional onde cada dado tratado possui atributos descritivos e uma representação geométrica no espaço geográfico. Aprimora a integração de dados geográficos. projeção e fuso. com a introdução explícita do conceito de objetos geográficos (entidades individuais).1.C. através da combinação de menus e janelas com uma linguagem espacial facilmente programável pelo usuário (LEGAL .

classificação por regiões e geração de grades triangulares com restrições. que requerem uma forte capacidade de integração de dados entre imagens de satélite. a estrutura de dados é a mesma quando o usuário trabalha em um microcomputador na versão Windows e em uma máquina RISC (Estações de Trabalho UNIX). garantem o desempenho adequado para as mais variadas aplicações. segmentação de imagens. complementando os métodos tradicionais de processamento de imagens e análise geográfica. • Adaptado a complexidade dos problemas ambientais.Moreira .• Consegue escalonabilidade completa. A interface interativa utiliza o "X Window System" e padrão de apresentação OSF/MOTIF em ambientes UNIX e "Windows" em ambientes PC-Windows. • Preserva o investimento dos usuários dos sistemas SITIM e SGI. é capaz de operar com toda sua funcionalidade em ambientes variando de microcomputadores a estações de trabalho RISC de alto desempenho. isto é. Quais são as vantagens do SPRING? • Contém algoritmos inovadores. mapas temáticos e cadastrais e modelos numéricos de terreno. não havendo necessidade de DSR/INPE 11-6 J. ao contrário do SPRING. uma vez que todos os dados gerados nestes sistemas podem ser totalmente aproveitados (inclusive com topologia) no novo ambiente. que melhor reflete a metodologia de trabalho de estudos ambientais e cadastrais. Adicionalmente. Desenvolvido usando técnicas avançadas de programação. • Sistema inovador. • Base de dados é única. projetado inicialmente para redes de estações de trabalho baseadas na arquitetura RISC e ambiente operacional UNIX. utilizando modelo de dados orientado-a-objetos. muitos dos sistemas disponíveis no mercado apresentam alta complexidade de uso e demandam tempo de aprendizado muito longo.C. isto é. como os utilizados para indexação espacial.

28 mm. DSR/INPE 11-7 J. ou Estações Silicon Graphics. que é exatamente a mesma.0.2. Quais plataformas e periféricos são suportados? • Plataforma PC o Software: Microsoft Windows-95 ou Windows-NT versão 3. de maneira que não existe diferença no modo de operar o SPRING. 2. ou Estações IBM RISC/6000.4 ou posterior.conversão de dados.0.Moreira . series HP-700. Memória RAM de 16 Mbytes.4 ou posterior.13.C. ou Estações Hewlett-Packard. dp 0. ou Solaris-X86 versão 2. Monitor de vídeo colorido SVGA.44 Mbytes e Unidade de CD-ROM (caso desejar trabalhar com imagens de satélite fornecidas pelo INPE).2. 50 Mbytes de espaço em disco para instalação mínima do SPRING. 100 Mbytes de espaço em disco para os bancos de dados a serem criados pelo usuário. o Plataforma mínima de hardware: Processador 486 DX2 100 Mhz. 14" NI. com sistema operacional AIX 3. com sistema HP-UX 9. Drive de 31/2". o o o • Hardware mínimo para estações RISC-UNIX o o o 32 Mbytes de memória principal.51. com sistema IRIX 4. 1. series IRIS 4D. ou Linux versão 1. • Estações RISC-UNIX o Estações SUN de arquitetura SPARC utilizando sistema operacional Solaris 2. O mesmo ocorre com a interface. Disco rígido de 1 Gbytes.5.

4 ou 8mm) adquiridas a partir dos sensores TM/LANDSAT-5. na barra de menus. Converte as imagens dos formatos BSQ. em função de parâmetros fornecidos pelo usuário. Numérico Cadastral. o As funções da janela principal.0 conta com um programa automático para instalação do sistema. Editar. HRV/SPOT e AVHRR/NOAA. DSR/INPE 11-8 J. compartimentando as funções de manipulação de dados geocodificados. • Periféricos como mesa digitalizadora. • SPRING o É o módulo principal de entrada. modelagem numérica de terreno e análise geográfica de dados. traçadores gráficos compatível com HPGL e impressoras coloridas compatível com PostScript também são suportados e podem ser integrados no sistema. IMPIMA. BIL e 1B para o formato GRIB (Gridded Binary). • IMPIMA o Executa leitura de imagens digitais de satélite. SPRING e SCARTA. funções de entrada de dados. através dos dispositivos CD-ROM (Compact Disc . Imagem. Exibir. Temático. Fast Format. Este programa carrega seletivamente os arquivos da fita para o disco. Quais os módulos disponíveis? • 3 módulos. 3. manipulação e transformação de dados geográficos.Moreira . processamento digital de imagens. gravadas pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). executando as funções relacionadas à criação. CCT (Computer Compatible Tapes). manipulação de consulta ao banco de dados. estão divididas em: Arquivo. com o objetivo de facilitar seu uso.Read Only Memory ).C. "streamer" (60 ou 150 megabytes) e DAT (Digital Audio Tape .• O SPRING 2.

Permite exibir mapas em várias escalas. permitindo a apresentação na forma de um documento cartográfico. o 4. resultantes dos projetos de pesquisa do INPE e seus parceiros. Mosaico de Imagens com equalização dos níveis de cinza. quadros e grades em coordenadas planas ou geográficas. Interface com o Usuário o o o o Leitura de Imagens LANDSAT. através do recurso "O que você vê é o que você tem" (What You See Is What You Get. Registro e Correção Geométrica. Disponível nos seguintes idiomas: Português. Menus sensíveis ao contexto. ERS-1 e NOAA/AVHRR. As funções indicadas em "negrito" passam a fazer parte do release 3. linhas.Moreira . o Ambiente unificado para os diferentes tipos de dados geográficos e suas representações.Rede. Inglês e Espanhol. Objetos e Utilitários. Permite editar textos. • SCARTA o Edita uma carta e gera arquivo para impressão a partir de resultados gerados no módulo principal SPRING. Linguagem de Álgebra de Mapas LEGAL.C. Para cada opção há um menu (janela de diálogo) associado com as operações específicas. Processamento de Imagens o o DSR/INPE 11-9 J. Funções do SPRING O SPRING apresenta um conjunto de novos algoritmos e procedimentos inovadores.6. legendas. no formato varredura ou vector. Wysiwyg). SPOT. símbolos.

Geoestatísica . Operadores Zonais. Classificadores estatísticos pixel-a-pixel. Operações aritméticas. Filtragem espacial.Krigeagem. edição e geração de topologia. Técnicas markovianas para pós-classificação de imagens. Filtros morfológicos para imagens. Processamento de Imagens de Radar.Moreira . o o o o o o o Digitalização. Fatiamento. Modelos de Mistura. Classificação Contínua e Estatística espacial com análise univariada de pontos. o o o o Estimador de Densidade por Kernel.o o o o o o o Realce por manipulação de histograma. Tabulação cruzada. Ponderação. Mosaico. Mapas de distância.C. Segmentação de Imagens e Classificadores por Regiões (supervisionado e não-supervisionado). Critério de Decisão AHP. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Reclassificação. Restauração de imagens LANDSAT e SPOT. matriz de/para vetor de mapas o o o o Análise Geográfica Operações Boolaenas. Leitura de valores de pixel. Conversão temáticos. 11-10 DSR/INPE J. Transformações IHS e componentes principais.

Geração de grades regulares. Visualização 3D.C. Produção de imagens sintéticas. com a inclusão de restrições. Geração de mapas hipsométricos.Com colaboração da CH2MHILL do Brasil. Plotagem de contornos. Geração de grades triangulares (TIN).Moreira . o o o o o o o o Modelagem Digital de Terreno o o o o o Suavização de Linhas. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Operações Matemáticas. Cálculos de volume e perfis. Geração de Grades. Rede de Drenagem. Cálculo do custo mínimo Alocação de Recursos..P-Mediana. Extração de Topos de Morros. 11-11 Modelagem de REDES o o o DSR/INPE J.o o Análise de Localização pelo método da p-mediana. Cruzamento Vetorial de PI's. Cálculo de mapas de declividade e exposição de vertentes.Associação com objetos e definição de impedâncias e demandas. Modelagem da rede . o o Digitalização de linhas e nós de uma rede. Digitalização de amostras e isolinhas. Análise de Localização . Mancha de Inundação . Modelos Hidrológicos.

semelhante aos sistemas de "desktop mapping". Relacionar o conteúdo da tabela com a localização espacial dos objetos. Apresentar o conteúdo de uma tabela relacional com atributos dos geo-objetos. Gerar gráficos com a distrubuição relativa de dois atributos. Agrupamento de objetos geográficos por atributos. o Consulta a Bancos de Dados Relacionais (Mapas Cadastrais) o o o o o o o Ambiente interativo (WYSIWYG) com controle do posicionamento dos mapas. que permite: o Definição e apresentação do conteúdo de tabelas de atributos dos geo-objetos em BD relacionais. Geração de Cartas o Biblioteca de Símbolos em formato DXF-R12 ou BMP. Consulta por atributos espaciais e apresentação dos resultados.LAC-INPE e Universidade Estadual Paulista UNESP/FEG Faculdade de Engenharia. Apresenta uma nova interface de consulta espacial. Departamento de Matemática . o Geocodificação de Endereços. legenda e texto.Com colaboração do Laboratório Associado de Computação e Matemática Aplicada . Geração de gráficos com distribuição de valores de atributos. ACCESS e ORACLE nativos. símbolos.Moreira 11-12 . DSR/INPE J.C. Suporte aos padrões xBASE.

ASCIISPRING. JPEG e GeoTIFF Tabelas : SPACESTAT e ASCII-SPRING Suporte para 14 Projeções Cartográficas. JPEG e GeoTIFF Tabelas : ASCII-SPRING e DBF o Intercâmbio de Dados o Conversores para ASCII-SPRING MID/MIF (Mapinfo). Importadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate). A1. DXF-R12. Registro vetorial. Edição de toponímia (textos) em todos modelos de dados. ShapeFile e E00 Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. SITIM. ASCIISPRING. TIFF.Moreira . Suporte para dispositivos HPGL/2 e Postscript. A2. ShapeFile Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. ShapFile (ArcView) e E00 (ArcInfo) o Exportadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate). DXF-R12.o o Configuração de folhas A0.C. TIFF. Mosaico de Dados Vetoriais e Imagens. A3 e A4. Conversão de Dados entre Projeções. 11-13 o o Gerenciamento de Mapas o o o DSR/INPE J.

conversão de mapas temáticos (pontos e polígonos) ou cadastrais (pontos e polígonos com atributos) para mapas de pontos temáticos (pontos 2D) ou numéricos (amostras 3D). Ajuda On-line o o DSR/INPE J. Roteiro de "Como Iniciar ?" para iniciantes.necessário o navegador Internet Explorer.o Limpar Vetores - elimina linhas duplicadas.Moreira 11-14 .C. Roteiro em 10 aulas para utilização das principais funções. e quebra automática de interseção de linhas. o Ajuda em formato HTML . o Geração de Pontos . polígonos e elementos menores que uma dimensão fornecida pelo usuário.

inpe.M.br DSR/INPE 12-1 V.C A P Í T U L O 12 USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO COMO RECURSO DIDÁTICO PEDAGÓGIC O NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE V â n i a M a r i a N u n e s d o s S a n t o s1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE Divisão de Sensoriamento Remoto 1 e-mail: vania@ltid.Santos .N.

M.N.DSR/INPE 12-2 V.Santos .

............... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .........................................ÍNDICE 1....................... 12-14 DSR/INPE 12-3 V............................................................ O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA ...............................M.......... 12-6 3............................................ 12-8 4............... O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES .................... CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO ..........Santos .......... INTRODUÇÃO ...... 12-5 2................................N........................................... 12-11 5..............

Santos .M.DSR/INPE 12-4 V.N.

movido pela crença de “ir ao espaço buscar soluções para os problemas da Terra”. bem como auxiliado no diagnóstico sobre as implicações ambientais. desenvolver a função social de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas.Santos . INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento das modernas tecnologias espaciais. Dada a sua importância para o mundo moderno.N. sobretudo do sensoriamento remoto. concebida como agência de comunicação social que tem no saber sua matéria prima. tornou-se possível “(re)conhecer” a Terra. pela qualificação que pode promover no desempenho dos agentes sociais. o que justifica o compromisso de divulgar ciência. deve ser conhecido por toda nossa sociedade. no mundo inteiro e em diversas escalas. sobretudo os orbitais (a bordo de satélites). resultante em parte da evolução e ampliação do conhecimento sistematizado. vem sendo assinalada a necessidade da educação escolar trabalhar com conteúdos e recursos que qualifiquem o DSR/INPE 12-5 V. Com o processo de mudanças desencadeado a partir da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9394/96). sociais. para a melhoria das condições de vida. através da coleta de diferentes dados e da aquisição de imagens da sua superfície. e por meio desse processo. A escola. é o espaço privilegiado capaz de receber e processar tais informações transformando-as em conhecimento. políticas e culturais desses projetos com relação a ocupação dos espaços geográficos. entendemos que o conhecimento produzido e acumulado sobre o potencial de utilização das tecnologias espaciais. Os dados gerados pelos diversos sensores remotos. tem servido como base para o desenvolvimento e realização de projetos associados às atividades humanas.1. econômicas. favorecendo na realização do planejamento sócio econômico ambiental sustentável. dentre as quais se incluem os satélites artificiais.M. por meio de sensores remotos.

Matemática. e avançar na perspectiva das ciências sociais e da pedagogia da comunicação. tem se constituído numa oportunidade de aproveitar seu vasto potencial de uso e aplicações para a compreensão da dinâmica do processo de intervenção/repercussão das relações sociais no equilíbrio/desequilíbrio do meio ambiente. e como conteúdo em si mesmas. História.cidadão para a vida na sociedade moderna tecnológica. Podemos verificar suas possibilidades de uso em diferentes disciplinas tais como: Geografia. os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes para o Ensino Médio.N. planícies. Este contexto favorece a introdução da tecnologia de sensoriamento remoto na escola. frente as atuais exigências de reformulação da educação escolar impostas pela conjuntura de nossa sociedade de final de milênio. No ensino da Geografia. Em consonância com a Lei. O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES O trabalho que temos realizado com sensoriamento remoto nas escolas. por exemplo. destacam a importância do trabalho com o conhecimento científico e tecnológico no ensino fundamental e médio. principalmente em abordagens interdisciplinares. como por exemplo na focalização do tema Meio Ambiente.Santos . respectivamente.M. permite identificar e relacionar elementos naturais e sócio econômicos presentes na paisagem tais como serras. rios. O uso escolar dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto apresentamse como recurso para o processo de discussão/construção de conceitos pelos alunos. permitindo ultrapassar uma perspectiva de abordagem restrita às ciências da natureza. Educação Artística. comum na abordagem desta questão. 2. DSR/INPE 12-6 V. Ciências. enquanto conteúdo e recurso didático inovador no processo de ensino e aprendizagem. bacias hidrográficas. dentre outras. a utilização de imagens de satélite.

através da análise e compreensão entre os elementos constitutivos de uma paisagem tais como plantações. No ensino da História. tais como o processo saúde/doença relacionado a vetores naturais como por exemplo a água e as condições em que se apresenta no meio ambiente. permanências e mudanças. proporção e formas geométricas. servindo portanto como um importante subsídio à compreensão das relações entre os homens e de suas conseqüências no uso e ocupação dos espaços e nas implicações com a natureza. ao mesmo tempo em que propiciam compreensão de conceitos físicos a elas associados. é possível apreender a temporalidade dos fatos em sua dinâmica e fazer a reconstituição do processo de uso.M. evidenciadas pelo sensoriamento remoto. enquanto um movimento em suas regularidades e alternâncias. serras. No ensino de Matemática.. bem como acompanhar resultados da dinâmica do seu uso.N. as imagens de satélite e fotografias aéreas podem ser utilizadas como recurso para a compreensão de conceitos. Como as imagens de satélite estão associadas aos fenômenos físicos de absorção e reflexão da luz. áreas agricultáveis. rios e cidades. de tal forma a se constituírem no próprio conteúdo a ser compreendido. com imagens de um mesmo local produzidas em períodos/anos diferentes. como os de área. ocupação e desenvolvimento de uma região. estradas.. Outros estudos voltados ao ensino de Ciências ainda podem encontrar nas imagens uma referência para a sua compreensão. Os produtos de sensoriamento remoto podem ser DSR/INPE 12-7 V. industriais. enquanto elemento cultural componente das sociedades tecnológicas. cidades.matas. estas podem ser analisadas e compreendidas por intermédio do ensino de Ciências.Santos . mostrando as transformações no perfil econômico e as possibilidades de construção de planos administrativos e condutas sociais participativas que se abrem a partir desse conhecimento.

como por exemplo calcular a área desmatada de uma floresta e a proporção deste impacto para a população local e circunvizinha. Esses são apenas alguns exemplos dos possíveis usos didáticos dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto no tratamento de conteúdos curriculares. ferrovias.N. construindo o próprio conhecimento. represas. literários e plásticos a partir das percepções propiciadas pela leitura das imagens e pela experiência estética da relação com elas. estradas. além de possibilitar a elaboração de outros textos artísticos. utilizando diferentes escalas. tais como repetitividade de cobertura. fotografias aéreas e mapas (cartas topográficas). Em Educação Artística. vales.. O contato. encaminha os alunos aos desdobramentos de leituras objetivas e subjetivas do espaço geográfico. onde as contribuições disciplinares se tecem na sua análise. é possível elaborar maquetes a partir de imagens de satélite. Esses recursos podem auxiliar o aluno a perceber “o tamanho real” do problema e consequentemente a importância de aprender a manipular conceitos matemáticos para compreendê-los. cidades.utilizados como recurso à compreensão e resolução de problemas reais/concretos. como por exemplo o tema meio ambiente. mostrando em diferentes escalas serras. Embora estes exemplos apresentem possibilidades multidisciplinares de utilização escolar do sensoriamento remoto. “construindo” a região na sua tridimensionalidade. sobretudo das imagens de satélite. rios. 3.M.Santos . sobretudo com as cores e formas características das imagens de satélite e sua decodificação. é possível também desenvolver estudos interdisciplinares a partir da definição de um tema específico para estudo. propícias ao desenvolvimento de experimentos plásticos originais. justaposição de DSR/INPE 12-8 V. etc. O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA As características dos produtos do sensoriamento remoto.

através do estudo do meio ambiente local. podem auxiliar nos estudos do meio ambiente.Santos . sobretudo nas escolas. Jacareí. DSR/INPE 12-9 V. Convém lembrar que entendemos a educação ambiental como um importante instrumento para a compreensão e conscientização de questões/problemas da realidade sócio ambiental. bem como subsidiar na análise dos processos de uso e ocupação dos espaços. ao uso escolar do sensoriamento remoto. que possibilitam uma visão de conjunto da paisagem em tempos diferentes. com referência em questões sócio ambientais. tem norteado o desenvolvimento de projetos de educação ambiental em escolas. A possibilidade de associarmos. cujo desenvolvimento. favorecendo na localização de possíveis fontes poluidoras. atividades de campo voltadas à verificação da verdade terrestre e a contextualização das informações obtidas a partir das imagens de satélite e fotografias aéreas. mostrando. defendida na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Petrobrás. e conseqüente melhoria da qualidade de vida. Cidadania e Novas Tecnologias: experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto”. intitulada: “Escola. tais como indústrias ou loteamentos irregulares. A abrangência espacial e o caráter temporal das imagens de satélite. se constitui em uma das mais sérias exigências educacionais contemporâneas para o exercício/construção da cidadania. Cachoeira Paulista. foi desenvolvidos em escolas públicas e particulares do ensino fundamental e médio nos seguintes municípios: São José dos Campos. apresentam importante contribuição para os estudos ambientais na escola.informações. por exemplo.N. 1 O referido trabalho. Os resultados obtidos fundamentaram a dissertação de mestrado desta autora. em 1999. Lorena. revelando a dinâmica do processo de construção do espaço geográfico. abrangência espacial. as relações entre o crescimento desordenado das cidades e a presença de rios/córregos poluídos. com a participação das Prefeituras locais. Monteiro Lobato e Santo André. sob a coordenação desta autora1.M. voltado à capacitação de professores e alunos. cores e formas. seqüenciais e simultâneos. enriquecendo estudos históricos e geográficos.

ante ao estudo em questão ou a sua complexidade. etc. Se selecionarmos o recurso hídrico como vetor. convém lembrar que fotografias aéreas e imagens de satélites são instrumentos. A utilização de recursos de sensoriamento remoto possibilita aos alunos uma apreensão sistêmica da área de estudo. familiarizando-o com esta forma de representação do espaço. considerando não apenas um único DSR/INPE 12-10 V. que deságua no rio principal de uma bacia hidrográfica. ou seja. com o meio ambiente regional. não podemos deixar de investigar o comprometimento de um simples córrego urbano poluído. explorar com recursos de sensoriamento remoto.N. favorecendo à análise do meio ambiente e ecossistemas associados. inicialmente. a partir do qual iniciaremos o estudo em questão. cria a necessidade de acesso a outras fontes de informação.Santos . A realização de um estudo sobre os problemas sócio ambientais de uma cidade/região e suas implicações com a qualidade de vida da população. regiões conhecidas do aluno favorece a descrição dos elementos presentes na paisagem. Quando se analisa o córrego poluído em questão utilizando apenas levantamentos restritos. não dispensa. Contudo. segundo uma visão local e posteriormente por uma ótica integrada com toda região atingida direta ou indiretamente por este manancial.Dessa forma. constitui-se em exemplo interessante do que consideramos acima. recursos que. Deixar que o aluno observe uma imagem durante o tempo que for necessário para localizar sozinho seus principais elementos. à quilômetros de distância da área estudada. coleta de dados. exige o desenvolvimento de atividades correlacionadas para o estudo do meio ambiente. é possível que escape à vista as implicações degradantes que o mesmo possa estar provocando em outros locais. permite que este “se encontre” nesta paisagem. mas ao contrário.M.. sobretudo os constitutivos da sua cidade.

entrevistas na comunidade. com referência nos recursos hídricos. visando discussões sobre os problemas sócio ambientais locais (bairro/município). propor soluções para os problemas identificados. elaboração de mapeamento sócio ambiental do bairro/região de estudo. estabelecendo relações entre o impacto local e suas repercussões espaciais e revelando.aspecto/variável.N. professores de diferentes disciplinas orientaram seus alunos na realização de atividades em sala de aula e trabalhos de campo. em diferentes escalas. A utilização dos recursos de sensoriamento remoto. bem como suas implicações sociais. políticas e culturais no cotidiano da sociedade. tem propiciado aos alunos condições de compreender o meio ambiente local e regional.M. voltados ao uso escolar do sensoriamento remoto no estudo do meio ambiente. e suas repercussões regionais/globais. suas implicações para o declínio da qualidade de vida da população atendida direta ou indiretamente por este manancial. como as citadas acima. refletir sobre a realidade sócio ambiental em estudo. estudo do meio. associados ao desenvolvimento de diferentes atividades. Nos projetos educacionais desenvolvidos. CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO Nossa proposta de trabalho com os recursos de sensoriamento remoto na escola não se limita a uma mera transferência mecânica de informações. com referência na coleta de amostras d’água nos rios/córregos para posterior análise. mas sim a multiplicidade de aspectos/variáveis que possam estar contribuindo para a degradação da qualidade das águas. consequentemente. leitura de mapas.Santos . incluindo: leitura e interpretação de imagens de satélite e fotografias aéreas. realização de roteiros ambientais. 4. econômicas. bem como exercitarem a sua cidadania através de ações/intervenções escolares voltadas para a melhoria da qualidade de vida. Não DSR/INPE 12-11 V.

São Paulo : SUMMUS. propiciadoras do exercício de operações mentais implementadoras do desenvolvimento do raciocínio crítico e da produção do conhecimento. possamos falar de aprendizagem ‘autêntica’. que o levará a utilizá-la enquanto ferramenta de: decodificação. F. já que não são evidentes por si mesmas. 2 Gutierrez.se trata de proceder apenas à divulgação de suas características e potencialidades. Tal restruturação requer um trabalho ativo-reflexivo com a informação. visando a construção do conhecimento por professores e alunos.N. enquanto ferramenta para o estabelecimento de relações com realidades distintas da sua. Como afirma o educador Gutierrez2 (1979). o que requer do preceptor que ele o transforme em conhecimento seu e reestruture à sua maneira tal informação”. “o mero fato de interpretar ou apropriar-se de um saber não é suficiente para que. p. Linguagem total : uma pedagogia dos meios de comunicação. Somente pode chamar-se autêntico o conhecimento que em si mesmo e por si mesmo seja produtivo e transformador. compreensão da realidade imediata em que está inserido e de outras realidades semelhantes a esta. mas sobretudo de refletir sobre elas e trabalhar suas relações com a prática pedagógica e com o tratamento dos conteúdos curriculares em suas relações com a vida. 110 DSR/INPE 12-12 V. orientado pelo docente. 1979. com propriedade de termos. que é preciso aprender a captar e estabelecer. O uso escolar do sensoriamento remoto recomenda o desenvolvimento da Pedagogia da Comunicação no tratamento dos conteúdos curriculares. por parte do aprendiz.M. e que facilmente passam por desapercebidas a olhares menos desavisados. mas a ela conectadas por diferentes relações. considerando a análise da realidade concreta e as reflexões possíveis de serem desenvolvidas sobre ela. enquanto repercussões à distância de fenômenos.Santos .

como ponto de partida. O uso escolar do sensoriamento remoto. permite desmistificar a idéia que uma tecnologia de ponta é algo distante da escola.N. pela apreensão da ressonância das atuações individuais e das organizadas de maneira coletiva e colaborativa. e a compreensão que o aluno tem dela. circundante.Santos . bem como esclarece que professores podem promover ou proceder à socialização da ciência requalificando a relação do ensino com o conhecimento e com a vida. ao diálogo entre diferentes tipos de saber. como recurso didático pedagógico no processo de ensino aprendizagem. à observação da realidade focalizada. Isto pressupõe propiciar ao aluno condições de compreender a vida humana numa dimensão de totalidade. Tais iniciativas implicam: • Considerar a realidade social em que o educando existe e na qual a tecnologia espacial. na implementação de planos administrativos que visem a qualificação e preservação do meio ambiente. • Lidar com o meio ambiente do educando. pela apreensão das relações recíprocas entre o seu meio imediato e o mais amplo. • Recorrer como caminho. como método. sua realidade imediata. tem uma presença relevante. quando o seu uso está voltado para o estudo de questões importantes da atualidade e significativa para os alunos.Por em prática a Pedagogia da Comunicação significa por em prática iniciativas pedagógicas transformadoras. à utilização do sensoriamento remoto. para a construção do conhecimento mais elaborado e mais crítico do educando. DSR/INPE 12-13 V. em especial o sensoriamento remoto. • Alcançar como ponto de chegada do processo de ensino a reelaboração da compreensão inicial que o aluno tem do meio ambiente.M.

Santos . 1999. a percepção de suas relações. 1998. DSR/INPE 12-14 V. e com a sua representação em diferentes escalas. entendemos que o uso escolar do sensoriamento remoto pode contribuir para o desenvolvimento da função da escola na atualidade. responsável por comportamentos organizados de intervenção social. N. implica no desenvolvimento de ações capazes de propiciar: o questionamento sobre o significado de meio ambiente. Heloísa D.Elaborar projetos escolares com as pretensões didáticas aqui assumidas. a compreensão da contribuição da tecnologia de sensoriamento remoto na apreensão de problemas ambientais e na elaboração de sua superação. São Paulo. Nesta perspectiva. o estabelecimento da relação teórico/prática capaz de promover o desenvolvimento de experiências escolares com o sensoriamento remoto. o acesso ao conhecimento da função social desta tecnologia.M. In: Penteado. Pedagogia da comunicação. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. cidadania e novas tecnologias: investigação sobre experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto. de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas através dos recursos da ciência presentes na sociedade. voltados à conscientização de problemas sócio ambientais vividos e às possíveis atuações de superação. de responsabilidade individual e coletiva. Vânia M. a investigação e reflexão sobre a realidade sócio ambiental imediata. 5. São Paulo: Cortez. N. 150p. o desenvolvimento do raciocínio crítico construtivo. civil e administrativa. Escola. O uso escolar das imagens de satélite: socialização da ciência e tecnologia espacial. oportunizando a escola. Vânia M. Santos. e a partir dela a comunidade. BIBLIOGRAFIA: Santos. Dissertação de Mestrado.N.

2000. São Paulo.Santos . Cortez.M. Heloísa D. 1991.Penteado. Metodologia do ensino de geografia e história. São Paulo. Penteado. DSR/INPE 12-15 V. Heloísa D.N. Cortez. Meio Ambiente e formação de professores.

inpe.M.C A P Í T U L O 13 PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula T a n i a M a r i a S a u s e n1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 tania@ltid.SAUSEN DSR/INPE .br 13-1 T.

M.DSR/INPE 13-2 T.SAUSEN .

.......................................... 12-10 O PROGRAMA EDUCA SERE .................3 OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS ........................................................ 12-7 1................................ÍNDICE 1............. O DOCUMENTO DE CAMBORIÚ .................................................... 12-8 1................ 12-7 1.............................. 12-13 SITES ÚTEIS .. 12-9 1....................1 OS SATÉLITES DE SENSORIAMENTO .. 3.. 12-12 4....................................................................................... 12-19 DSR/INPE 13-3 T.............................................................................................................M.............................. INTRODUÇÃO ....................................... PROJETO EDUCA SERE III-ELABORAÇÃO DE CARTA-IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO ................2 O INPE ............4 CARTA-IMAGEM ............... 12-10 2....................................................................................................................................SAUSEN ...................................................

M.DSR/INPE 13-4 T.SAUSEN .

........SAUSEN .LISTA DE FIGURAS 1 ...... 13-19 DSR/INPE 13-5 T........................CARTA IMAGEM DE PORTO ALEGRE – RS ...........M......

SAUSEN .DSR/INPE 13-6 T.M.

o europeu ERS. o primeiro satélite de sensoriamento remoto.SAUSEN .1) Os satélites de sensoriamento: Em junho de 1972 foi lançado pelos norte-americanos. os norte-americanos IKONOS. ORVIEW e o sino-brasileiro CBERS.PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula Tania Maria Sausen Ministério da Ciência e Tecnologia Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais Atividades de treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espacial tania@ltid. Estas características proporcionam uma série de informações sobre os recursos naturais e ações antrópicas.br http://www. por apresentarem uma visão sinótica da área abrangida por cada uma delas. Paralelamente. o que chama atenção do aluno. da ciência e da história.Em junho de 1973 entrou em operação a antena de rastreamento de satélites do Brasil. importantes. o canadense RADARSAT. no estudo do espaço geográfico e do meio-ambiente. tais como o francês SPOT. informações estas. centro geográfico da América do Sul. DSR/INPE 13-7 T. As imagens geradas pelos satélites de sensoriamento remoto são uma ferramenta poderosa para serem utilizadas como recurso didático em sala de aula.inpe. facilitando assim o ensino e a compreensão da geografia. o LANDSAT. que está localizada em Cuiabá.br/unidades/cep/atividadescep 1-Introdução: 1. Esta foi a terceira antena a entrar em operação no mundo.inpe. por permitirem a coleta de dados temporais de uma mesma área e por coletarem informações sobre feições na superfície terrestre em várias faixas do espectro eletromagnético. Desde esta época já foram lançados vários satélites de sensoriamento remoto. estas imagens são pictoricamente agradáveis.M.

Apesar de todas as atividades desenvolvidas pelo Instituto. seguramente terá um grande aliado.SAUSEN . quase sempre oriundos do programa de mestrado em sensoriamento remoto do INPE. agências espaciais e educadores. no uso das imagens de sensoriamento remoto. em 1972. o momento adequado para motivá-los a trabalhar com sensoriamento remoto. É bem verdade que este panorama vem mudando nos últimos anos. tem se preocupado com a disseminação e transferência desta tecnologia para usuários finais. tem observado e comprovado que é necessário estender-se o processo de disseminação da tecnologia de sensoriamento remoto para alunos dos ensinos fundamental e médio. Nos últimos cinco anos. quando são utilizadas em sala de aula. 1. o INPE. vários organismos internacionais. As imagens de satélites. esta tecnologia ainda não é amplamente utilizada pelo público em geral e poucos professores fazem uso das imagens de satélite como recurso didático. o alto custo das imagens de satélite e a falta de material didático dedicado exclusivamente ao ensino de sensoriamento remoto. Isto ocorre principalmente pela falta de capacitação de alguns professores. pois é desta comunidade de estudantes que surgirá o cidadão do futuro. restringe-se a professores universitários. em consonância com uma tendência observada em todo o mundo e incentivada pela Divisão de Espaço Exterior da ONU e pela UNESCO. É nesta fase também que estes estudantes estão escolhendo a sua futura profissão sendo. para proteger e preservar a terra. através da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tecnologia Espaciais-ATDCCTE e da sua Divisão de Sensoriamento Remoto-DSR. que deverá entender o relacionamento entre meio-ambiente e sociedade. DSR/INPE 13-8 T.2) O INPE Desde o lançamento do primeiro satélite de sensoriamento remoto.M.O professor em sala de aula. pois.

na reflexão sobre prática educativa e na análise do material didático. bem como com os fenômenos sociais. Atualmente as escolas brasileiras estão buscando novos recursos didáticos e novas formas de ensinar geografia. A Geografia tem que trabalhar com diferentes noções espaciais e temporais. do seu estado. que permitam que tenham um conhecimento mais detalhado do local onde eles vivem. as imagens de satélite. no planejamento das aulas. sendo um material didático rico. Estes Parâmetros atendem a todas as áreas dos ensinos fundamental e médio e dão as linhas de ação de cada uma das disciplinas. para permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição. De acordo com os PCNs o objetivo da Geografia “é explicar e compreender as relações entre a sociedade e a natureza. É um material didático de múltiplas finalidades para os professores do ensino fundamental (1° a 8° séries-7 a 14 anos) e médio (1° a 3° séries-15 a 17anos). analisar e relacionar informações sobre o espaço geográfico e as diferentes paisagens”. bem como ciências. Diante disto.1. da sua cidade. para seus alunos. de modo a interpretar. È mencionado nos PCNs que “o ensino da Geografia deve fazer uso de leituras de imagens. etc. temporais e espectrais constituem-se em poderosa ferramenta em sala de aula. de dados e de documentos de diferentes fontes de informação. com relação ao programa a ser desenvolvido em sala de aula. do seu país e do seu continente. em suas diferentes resoluções espaciais.M. história. em cada uma das séries. na elaboração de projetos educativos. e como ocorre a apropriação desta por aquela”. com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. artes. ao longo do período letivo. útil e interessante no ensino da geografia.3) Os Parâmetros Curriculares Nacionais Os Parâmetros Curriculares Nacionais-PCN foram criados pelo Ministério da Educação do Brasil. Eles servem de instrumento no apoio às discussões pedagógicas na escola. DSR/INPE 13-9 T.SAUSEN . culturais e naturais que são característicos de cada paisagem. formas que aproximem o aluno da realidade.

cartas rodoviárias e visitas ao campo. O uso de imagens de alta resolução para estudos locais (cidades e bairros). tais como a rede hidrográfica.SAUSEN . córregos. além de informações cartográficas tais como rodovias. 1. coordenadas geográficas. o uso do solo. CARTA é a representação dos aspectos naturais ou artificiais da Terra destinada a fins práticos da atividade humana. regiões e municípios. geodésicas e escala de trabalho. Cada carta-imagem apresenta informações sobre áreas urbanas e os principais elementos da paisagem.O ensino da geografia visa também tornar o aluno um futuro cidadão consciente sobre o meio-ambiente e os recursos naturais que o cercam. no período de 20 a 23 de maio de 1997. para que o aluno possa aprender e caracterizar o local onde vive e como deve interagir com a paisagem ao seu redor.M. mapas temáticos. países. bem como caracterizar a interação do homem com ela e os impactos provocados por ele.4) Carta-Imagem Do ponto de vista cartográfico. Para esta tarefa as imagens de sensoriamento remoto são úteis e possibilitam a identificação de vários aspectos da paisagem. fotografias. as áreas agrícolas. direções e a localização geográfica de pontos. estados. áreas e detalhes. levando-se em consideração os PCNs e os livros didáticos de geografia. um dos temas DSR/INPE 13-10 T. 2 . Assim. A CARTA-IMAGEM é a carta elaborada a partir de uma imagem de satélite. a cobertura vegetal. nomes de rios. arroios. O uso de dados temporais para caracterizar a ação do homem sobre o meio ambiente. cidades. ferrovias. permitindo a avaliação precisa de distâncias. A integração de dados obtidos de cartas geográficas.O Documento de Camboriú Durante a I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul. realizada no Balneário Camboriú. sugerese: • • • • O uso de imagens de satélite com diferentes resoluções espaciais para o estudo dos continentes.

atlas geográficos compostos por imagens de satélite. o material didático existente em geral se constitui de esforços isolados ou mesmo anotações pessoais dos professores que ministram os cursos e disciplinas de sensoriamento remoto. 2) Podem ser considerados como material didático em sensoriamento remoto livro texto.mais discutidos foi à carência de material didático voltado especificamente ao ensino de sensoriamento remoto.SAUSEN . médio. tais como: • promover junto aos organismos financiadores a difusão do sensoriamento remoto de tal forma que motive estes organismos a financiarem a geração de material didático. cadernos pedagógicos. • • solicitar a cooperação e o apoio dos distribuidores de dados espaciais a baixo custo para atividades de ensino. em todos os níveis. DSR/INPE 13-11 T. Este é um problema que não ocorre somente no Brasil. carta imagem. etc. No Documento de Camboriú é mencionado que: 1) A informação proveniente de dados de sensoriamento remoto pode ser utilizada nos distintos níveis formais de ensino (fundamental. mas de modo geral em todos os países do Mercosul.M. falta de apoio institucional e financeiro à confecção de material didático Para sanar os problemas referentes a carência de material didático são sugeridas ações. vídeos e slides com imagens de satélite. há pouco material didático gerado por autores e nos idiomas da região do Mercosul e os mesmos já estão desatualizados. superior e pós-graduação). CD ROM com imagens de satélite. tutoriais disponíveis na Internet. 3) Com relação a disponibilidade de material didático em sensoriamento remoto observou-se que: • • • há uma carência de material didático com ênfase em exemplos ou estudos realizados na região do Mercosul. favorecer ações de vinculação com o setor privado que fomentem a geração e distribuição de material didático. • • há total falta de interesse das editoras pela publicação de livros técnicos e material didático em sensoriamento remoto devido a atual relação custo/demanda.

foi criado no INPE. estando todos voltados para a elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto. 3 . cada um deles constituindo-se em um projeto. médio e superior. Os objetivos específicos do programa são: • Promover a criação de uma massa crítica sobre o uso e as aplicações da tecnologia de sensoriamento remoto no país e na região do Mercosul. dedicado ao ensino de sensoriamento remoto nos níveis fundamental. de tal forma que eles sejam amplamente divulgados. a baixo custo. pela responsável da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espaciais.M.CD ROM para o Ensino de Sensoriamento Remoto DSR/INPE 13-12 T. no meio docente e discente. motivar empresas privadas a colaborarem na confecção de material didático voltado para o ensino de sensoriamento remoto.Cadernos Didáticos no Ensino de Sensoriamento Remoto.SAUSEN . Este programa está dividido em quatro módulos. a tomarem parte na elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto. a saber: • PROJETO EDUCA SeRe I . os tópicos mencionados. • PROJETO EDUCA SeRe II . Este programa tem por objetivo gerar material didático. o Programa Educa SeRe. diferentes produtos adquiridos por satélites de sensoriamento remoto existentes na atualidade.O Programa Educa SeRe Considerando-se. de tal forma que dissemine e torne acessível esta tecnologia a todas as camadas da sociedade. incentivar as universidades que possuem centros de publicação a gerar material didático e fazerem a sua divulgação através de sociedades científicas. em 1998.• • motivar as autoridades de educação e pesquisadores a elaborar material didático para apoiar o ensino de sensoriamento remoto. • difundir. motivar instituições de ensino. através da disseminação e comercialização de material didático de baixo custo. tais como universidades. • • • socializar os conhecimentos de sensoriamento remoto para fomentar novos projetos de pesquisas e aplicações na área de recursos naturais. pois.

Estas cartas estão sendo produzidas separadamente. de forma ampla e a baixo custo.Homepages para o Ensino de Sensoriamento Remoto Cada um destes módulos já gerou pelo menos um material didático 4 . Foram feitas 3 mil cópias. realizada em CamboriúSC. para a comunidade em geral. nas disciplinas de ciência e geografia. em parceria com a SELPER e distribuídas durante o Simpósio e posteriormente para todos os interessados em vários estados brasileiros e mesmo para o exterior. realizado em Santos.Elaboração de Cartas-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto • PROJETO EDUCA SeRe IV.Projeto Educa Sere III-Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto O Projeto Educa SeRe III-– Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto. SP. de forma seriada. As primeiras cartas-imagem foram apresentadas no IX Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Os objetivos específicos deste projeto são: • • • Disponibilizar.• PROJETO EDUCA SeRe III . No contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: DSR/INPE 13-13 T. difundir o uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático.M. Tem objetivo criar séries de cartas-imagem. um ano após a realização da I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul. tornar acessível. de tal forma que formem uma coleção. dados de sensoriamento remoto dedicado à área de recursos naturais. abordando várias aplicações de sensoriamento remoto na área de recursos naturais. a baixo custo. Ele é parte do Programa Educa SeRe desenvolvido pelo INPE. teve início em 1998. para serem utilizadas como material didático. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais.SAUSEN . em setembro de 1998.

de 08 de maio de 1996 e 04 de abril de 1996. bem como por vários segmentos da sociedade tais como imobiliárias. gerado a partir de duas imagens LANDSAT/TM. planejadores. passagens de 26 de julho e 20 de agosto de 1997.000. sensor SAR. promotores públicos. energia elétrica. na edição do dia 21 de agosto de 1999. órbita 219 ponto 76. utilizando a imagem do satélite LANDSAT/TM. redes de televisão.M. escala 1:350. Com o lançamento do satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres-CBERS este projeto passou a dedicar-se a criação de cartas-imagens usando exclusivamente imagens da Câmara CCD deste satélite. passagem de 20 de agosto de 1997. 64 da rede estadual e 23 da rede privada num total de 208. com o apoio da Prefeitura Municipal de São José dos Campos. professores e estudantes universitários. distribuidoras de leite. • Carta-Imagem n° 2 – Santos. DSR/INPE 13-14 T. escala 1:50. Estas cartas-imagem tiveram um grande sucesso. construtores de rodovias. escala 1:50. Assim foram treinados 121 professores da rede municipal. pontos 75 e 76. órbita 21. jornalistas. • Carta-Imagem n° 3 – São José dos Campos. respectivamente. 3 e 4.000. 2000 exemplares impressos foram distribuídos para todas as escolas do ensino fundamental e médio de São José dos Campos. não apenas pelos professores do ensino fundamental e médio. arquitetos. na utilização da carta imagem como recurso didático em sala de aula. ONGs. advogados. • Mosaico do Vale do Paraíba. estadual e privada). etc. elaborada em parceria com a Agência Espacial Européia – ESA. em toda a região abrangida pelo Jornal Valeparaibano (41 municípios). sendo bem recebidas. Litoral Norte e Serra da Mantiqueira. canais 2. publicado em parceria com o Jornal Vale Paraibano de São José dos Campos. Posteriormente ao lançamento o INPE assumiu o compromisso de treinar os professores da rede de ensino (municipal. utilizando a imagem de satélite ERS-1 e 2.SAUSEN . dando início assim ao Projeto Educa Sere III— Elaboração de carta imagem para o ensino de sensoriamento remoto-Utilização de cartas-Imagem-CBERS como Recurso Didático. utilizando a imagem de satélite LANDSAT/TM.000.a) Série Cidades Brasileiras: • Carta-Imagem n° 1–Santos.

foi realizado o terceiro curso. 19-21 de abril de 2001. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais. para o ensino de geografia. e proposto como e quais dados de sensoriamento remoto os professores podem estar utilizando em sala de aula. DSR/INPE 13-15 T. Paraná. Assim.SAUSEN . com a conseqüente geração da carta-imagem de Manaus. Para este curso foi gerada a carta-imagem de Belo Horizonte O objetivo deste curso é a capacitação de professores dos ensinos fundamental e médio. incentivar os docentes dos ensinos fundamental e médio a formarem cidadãos conscientes da importância da preservação dos recursos naturais e como os dados de sensoriamento remoto podem auxiliar nesta tarefa. Com a finalidade de capacitar professores dos ensinos fundamental e médio no uso das cartas-imagens como recurso didático foi criado o Curso sobre “O Uso de Sensoriamento Remoto como Recurso Didático nos Ensinos Fundamental e Médio”. de 17 a 22 de junho de 2002. de forma ampla e a baixo custo. em sala de aula. Os objetivos específicos deste curso são: • Despertar interesse na comunidade docente para a potencialidade e a utilização de dados de sensoriamento remoto como recurso didático.Os objetivos específicos deste projeto são: • • • • • disseminar a tecnologia de sensoriamento remoto na educação escolar. O primeiro curso e o lançamento da primeira carta-imagem CBERS foi realizado durante o X Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. como parte das atividades do XI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. em geografia. incentivar o desenvolvimento de novas metodologias de ensino. foi realizado um curso para professores do município de Manaus. tornar acessível. no uso de imagens de sensoriamento remoto. em Belo Horizonte. em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. No período de 3 a 5 de abril de 2003. em Foz do Iguaçu.M. Posteriormente. em parceria com a Universidade de Manaus. foram levados em conta os objetivos e metas propostas para o ensino de geografia para cada um dos ciclos dos ensinos fundamental e médio. levando em consideração as diretrizes e orientações presentes nos PCNs. disseminar os produtos de sensoriamento remoto gerados pela Satélite SinoBrasileiro de Recursos Terrestres.

tornar acessível à comunidade em geral os benefícios gerados à comunidade pelas atividades de sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE. a elegerem carreiras relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto. referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto em geografia.• Disseminar para a comunidade docente e discente os benefícios gerados pela tecnologia de sensoriamento remoto no conhecimento do espaço geográfico. Os professores treinados têm utilizado as cartas-imagem para desenvolver projetos sobre meio-ambiente e preservação de recursos naturais em sala de aula. cartografia. Espera-se que ao final do curso os docentes estejam familiarizados com os inúmeros recursos didáticos oferecidos pelas imagens de sensoriamento remoto.M. física e artes. em sala de aula. encorajar os estudantes interessados em geografia e ciências. tendo como objetivo a busca de novos talentos. • • Com o auxílio dos docentes participantes do projeto. • Por meio dos docentes. referentes ao projeto. envolvidos no projeto. buscar novas formas de utilização de dados de sensoriamento remoto em sala de aula. DSR/INPE 13-16 T. ciências. matemática. Por meio das atividades em sala de aula. ensino de geografia. que passem a utilizá-las em sala de aula e que possam eles próprios criar novos materiais didáticos a partir dos conhecimentos adquiridos no curso. capacitar os alunos dos ensinos fundamental e médio a desenvolverem atividades. em sala de aula. • Com o auxílio dos professores e estudantes. • Difundir junto à comunidade docente e discente as atividades realizadas pelo INPE na área de sensoriamento remoto. • Encorajar os estudantes do ensino fundamental e médio a se interessarem por profissões relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto. referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto.SAUSEN . educação ambiental. dos aspectos sócio-econômicos e na preservação dos recursos naturais do país. As metas a serem atingidas são: • Capacitar docentes de geografia dos ensinos fundamental e médio para desenvolverem atividades.

SAUSEN . Carta-imagem de Manaus. b) Cidades Brasileiras: • • Carta-imagem de Foz do Iguaçu. Carta-imagem de Cuiabá.br/unidades/cep/atividadescep/educasere Resultados esperados neste projeto são: • Criar uma massa critica entre os professores de geografia do ensino fundamental e médio no uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático em sala de aula. • Ter uma ampla difusão das atividades de educação e sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE na comunidade docente e estudantil. Carta-imagem de Belo Horizonte. PR Carta-Imagem de Cachoeira Paulista. Dentro do contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: a) Capitais Brasileiras: • • • • Carta-imagem de Brasília.Elas têm despertado interesse também de docentes na Argentina e Uruguai.M. Formas de utilização de cartas-imagem CBERS em sala de aula: DSR/INPE 13-17 T. SP Estas cartas-imagem estão disponíveis na homepage do projeto: http://www. Este é o único projeto do gênero na América do Sul.inpe. • Buscar parcerias entre o INPE e instituições públicas e privadas no sentido de ampliar este projeto bem como na realização de futuros projetos na área de educação espacial. Estão em fase de elaboração as cartas-imagem de Porto Alegre e Natal.

planícies fluviais. etc. Os limites e as barreiras urbanas. aspectos de inundações. Estudo geográfico do espaço imediato ao aluno. DSR/INPE 13-18 T. Aspectos morfológicos da paisagem urbana. florestas naturais. áreas costeiras. áreas de mangue.Segue abaixo alguns exemplos de situações em que o material didático com sensoriamento remoto pode ser utilizado em sala de aula: Traçado de áreas urbanas e rede viária que comunica a cidade com o entorno imediato. Distribuição do uso do solo no tempo e no espaço e sua relação com os aspectos econômicos da região onde o aluno vive. correntes oceânicas. Explicar aspectos mais complexos como grandes complexos de relevo. Correlacionar o tipo de ocupação humana com os aspectos físicos. econômicos e sociais da região onde o aluno vive.M. tanto as que provem do meio natural (rios. Formas de crescimento das áreas urbanas e progressiva invasão do espaço agrícola. Identificar áreas de preservação de mananciais e sua forma de ocupação. florestas) como as artificiais (estradas. serras. as grandes artérias hidrográficas do mundo. a forma dos continentes. Reconstituição histórica do espaço geográfico em que o aluno vive. Impactos ambientais causados pelo a ocupação humana.SAUSEN . uso do solo e áreas agrícolas de uma região. Caracterização de áreas de preservação. Visão sinóptica do local onde o aluno vive e sua relação com o contexto ao redor. Complementar a cartografia na compreensão de aspectos gerais como a distribuição de mares e terras. complexos urbanos) criadas pelo homem. tais como áreas alagadas. bacias de drenagem.

M.br Homepage da SATMIDIA-galeria de imagens de satélite http://www.com.SAUSEN .inpe.embrapa.br/unidades/cep/atividadescep Homepage da EMBRAPA com imagens de satélite de todos os estados brasileiros.br DSR/INPE 13-19 T.satmídia.Sites úteis: Homepage da “Atividades de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tencologia Espaciais” do INPE http://www.cnpm. http://www. Clique sobre a imagem com o mouse para obter imagens mais detalhadas da área de interesse.cdbrasil.

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