CAPÍTULO 1

FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO

Elisabete Caria de Moraes1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE

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e.mail : bete@ltid.inpe.br 1-1 E.C.MORAES

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ÍNDICE

LISTA DE FIGURAS ...................................................................................... 1-5 1. FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO ............................... 1-7 1.1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA ........................................................ 1-7 1.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ....................................................... 1-9 1.3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA ............................................................ 1-12 1.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS .......... 1-15 1.5 SISTEMA SENSOR ............................................................................... 1-18 1.6 NÍVEIS DE COLETAS DE DADOS ....................................................... 1-21 2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................... 1-22

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LISTA DE FIGURAS
1 – COMPRIMENTOS DE ONDA .................................................................. 1-8 2 – O ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ................................................... 1-10 3 – CURVAS DE DISTRIBUIÇÃO ESPECTRAL DA ENERGIA SOLAR NA ATMOSFERA ......................................................................................... 1-13 4 – TRANSMITÂNCIA ESPECTRAL DA ATMOSFERA ............................. 1-14 5 – INTERAÇÃO DA ENERGIA ELETROMAGNÉTICA COM O OBJETO 1-16 6 – NIVEIS DE COLETAS DE DADOS ........................................................ 1-21

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C.MORAES .DSR/INPE 1-6 E.

O Sol e a Terra são as duas principais fontes naturais de energia eletromagnética utilizadas no sensoriamento remoto da superfície terrestre. Desta maneira. A quantidade e qualidade da energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres resulta das interações entre a energia eletromagnética e estes objetos.C. Estas atividades envolvem a detecção. a energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres é a base de dados para todo o processo de sua identificação. pois ela permite quantificar a energia espectral refletida e/ou emitida por estes. e assim avaliar suas principais características. A energia eletromagnética utilizada na obtenção dos dados por sensoriamento remoto é também denominada de radiação eletromagnética.1. A energia eletromagnética é emitida por qualquer corpo que possua temperatura acima de zero grau absoluto (0 Kelvin). de mapeamento e de monitoramento de recursos naturais. aquisição e análise (interpretação e extração de informações) da energia eletromagnética emitida ou refletida pelos objetos terrestres e registradas por sensores remotos. todo corpo com uma temperatura absoluta acima de zero pode ser considerado como uma fonte de energia eletromagnética. Portanto.MORAES . FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO O Sensoriamento Remoto pode ser entendido como um conjunto de atividades que permite a obtenção de informações dos objetos que compõem a superfície terrestre sem a necessidade de contato direto com os mesmos. A energia eletromagnética não precisa de um meio material para se propagar. Logo os sensores remotos são ferramentas indispensáveis para a realização de inventários.1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA. DSR/INPE 1-7 E. 1. Essas interações são determinadas pelas propriedades físicoquímicas e biológicas desses objetos e podem ser identificadas nas imagens e nos dados de sensores remotos.

sendo definida como uma energia que se move na forma de ondas eletromagnéticas à velocidade da luz ( c = 300.000 Km s . como mostra a Figura 1. está associada a cada comprimento de onda ou freqüência e é definida por: Q = h⋅ f = h λ (2) DSR/INPE 1-8 E. Fig. transferida ou recebida na forma de energia eletromagnética. A distância entre dois pontos semelhantes.MORAES . onde ”c” é a velocidade da luz.). 1 – Comprimento de onda Dado que a velocidade de propagação das ondas eletromagnética é diretamente proporcional à sua freqüência e comprimento de onda. esta pode ser expressa por: c = f ⋅λ onde: c = velocidade da luz (m/s) f = freqüência (ciclo/s ou Hz) (1) λ = comprimento de onda (m) A quantidade de energia (Q) emitida. o número de ondas que passa por um ponto do espaço num determinado intervalo de tempo. define o comprimento de onda e.C. define a freqüência da radiação eletromagnética.

625 10-34 joule segundo (J. do tipo de interação que ocorre entre a radiação e o objeto sobre o qual esta incide. DSR/INPE 1-9 E.MORAES . como mostra a Figura 2. Devido a ordem de grandeza destas variáveis é comum utilizar unidades submúltiplas do metro (micrometro: 1 µm = 10-6 m.onde h é a constante de Planck (6. O espectro eletromagnético se estende desde comprimentos de onda muito curtos associados aos raios cósmicos. A faixa espectral mais utilizada em sensoriamento remoto estende-se de 0. 1. Cada subdivisão é função do tipo de processo físico que dá origem a energia eletromagnética.s)) e a unidade que quantifica esta energia é dada em Joule (J). Através desta equação verifica-se que quanto maior a quantidade de energia maior será a freqüência ou menor será o comprimento de onda a ela associada e vice-versa.C. até as ondas de rádio de baixa freqüência e grandes comprimentos de onda. sendo esta disposição denominada de espectro eletromagnético. Este apresenta subdivisões de acordo com as características de cada região. e da transparência da atmosfera em relação à radiação eletromagnética.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO A energia eletromagnética pode ser ordenada de maneira contínua em função de seu comprimento de onda ou de sua freqüência. megahertz: 1 mHz = 106 Hz) para freqüência. A medida que se avança para a direita do espectro eletromagnético as ondas apresentam maiores comprimentos de onda e menores freqüências. nanometro: 1 nm = 10-9 m) para comprimento de onda e múltiplas do Hertz (quilohertz: 1 kHz = 103 Hz.3 µm a 15 µm. embora a faixa de microondas também é utilizada.

. Visível (LUZ): é o conjunto de radiações eletromagnéticas que podem ser detectadas pelo sistema visual humano. por ser muito penetrante (alta energia).MORAES . DSR/INPE 1-10 E. A sensação de cor que é produzida pela luz está associada a diferentes comprimentos de ondas. Seu médio poder de penetração o torna adequado para uso médico (raio X) e industrial (técnicas de controle industrial).C. Ultravioleta (UV): é produzida em grande quantidade pelo Sol. As cores estão associadas aos seguintes intervalos espectrais. Raio X: é produzido através do freamento de elétrons de grande energia eletromagnética. Podem-se observar na Figura 2 a existência das seguintes regiões: Radiação Gama: é emitida por materiais radioativo e. 2 . Nuvem Fig.O espectro eletromagnético. porém esta energia eletromagnética é praticamente toda absorvida pela camada de ozônio atmosférico.. sendo emitida na faixa de 0. tem aplicações em medicina (radioterapia) e em processos industriais (radiografia industrial). Seu poder de penetração a torna nociva aos seres vivos.38µm.003 µm até aproximadamente 0...

7 a 1.6 µm laranja: 0.38 a 0.3 µm IV médio: 1. Algumas regiões do espectro eletromagnético têm denominações que indicam alguma propriedade especial. o que corresponde ao intervalo de freqüência de 300GHz a 300MHz. Estas ondas são utilizadas principalmente em telecomunicações e radiodifusão. Os feixes de microondas são emitidos e detectados pelos sistemas de radar (radio detection and ranging).C.45 a 0.violeta: 0.3 a 6 µm IV distante: 6 a 1000 µm A energia eletromagnética no intervalo espectral correspondente ao infravermelho próximo é encontrada no fluxo solar ou mesmo em fontes convencionais de iluminação (lâmpadas incandescentes). como por exemplo: DSR/INPE 1-11 E. enquanto as energias eletromagnéticas correspondentes ao intervalo espectral do infravermelho médio e distante (também denominadas de radiação termal) são provenientes da emissão eletromagnética de objetos terrestres.45 µm azul: 0. Radio: é o conjunto de energias de freqüência menor que 300MHz (comprimento de onda maior que 1m).62 µm vermelho: 0.70 µm Infravermelho (IV): é a região do espectro que se estende de 0.49 a 0.MORAES .58 µm amarelo: 0.7 a 1000 µm e costuma ser dividida em três sub-regiões: IV próximo: 0.58 a 0.6 a 0.49 µm verde: 0.62 a 0. Microondas: são radiações eletromagnéticas produzidas por sistemas eletrônicos (osciladores) e se estendem pela região do espectro de 1mm até cerca de 1m.

Quando a Terra atua como fonte de energia eletromagnética os sensores detectam a energia emitida pelos corpos terrestres. portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro termal.Espectro óptico: refere-se à região do espectro eletromagnético que compreende as energias que podem ser coletadas por sistemas ópticos (ultravioleta. Espectro solar: refere-se à região espectral que compreende os tipos de energia emitidas pelo Sol. também denominado de luz. Existem regiões do espectro eletromagnético para os quais DSR/INPE E.C. facilitando a análise da energia radiante. Esta distinção torna possível o tratamento separado desses dois tipos de energia eletromagnética. Os gases presentes na atmosfera apresentam capacidade de absorção muito variáveis em relação ao comprimento de onda da energia solar incidente no sistema terra-atmosfera e da energia emitida pela superfície terrestre. Espectro termal: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas emitidas pelos objetos terrestres e encontra-se nos intervalos espectrais correspondente ao infravermelho médio e distante.MORAES 1-12 . refletida e espalhada.28 a 4 µm. portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro solar. visível e infravermelho). Quando consideramos o Sol como fonte de energia eletromagnética (ou fonte de iluminação) os sensores detectam a energia refletida pelos objetos terrestres. Espectro visível: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas percebido pelo sistema visual humano. 1.3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA A energia eletromagnética ao atravessar atmosfera terrestre pode ser absorvida. Cerca de 99% da energia solar que atinge a Terra encontra-se concentrada na faixa de 0.

3 . Neste caso os diferentes tipos de tecidos da cortina poderia ser comparado com os diferentes gases existentes na atmosfera terrestre. ozônio (O3) e gás carbônico (CO2). os quais atenuam a energia eletromagnética diferentemente. atenua ou até mesmo impede a passagem da luz.MORAES . A Figura 3 mostra a distribuição do espectro de energia eletromagnética do Sol no topo da atmosfera e na superfície terrestre observada ao nível do mar. Esta interação da energia com a atmosfera pode ser comparada com uma cortina que age como um filtro e. às vezes não deixando chegar quase nada de energia na superfície terrestre. dependendo de seu tecido. Os gases CO.C. oxigênio (O2).Curvas da distribuição espectral da energia solar na atmosfera/superfície terrestre. NO e N2O ocorrem em pequenas quantidades e também exibem espectros de absorção. As áreas sombreadas representam as absorções devido aos diversos gases presentes numa atmosfera limpa. CH4. Os principais gases absorvedores da radiação eletromagnética são vapor d’água (H2O).a atmosfera absorve muito da energia incidente no topo da atmosfera. DSR/INPE 1-13 E. E n e g i a I n c i d e n t e o Energia solar incidente no topo da atmosfera Energia solar incidente na superfície terrestre A ) Fig.

com exceção de uma pequena DSR/INPE 1-14 E.7 µm e como a atmosfera absorve muito pouco nesta região. Também existem regiões no espectro eletromagnético para os quais a atmosfera é opaca (absorve toda a energia eletromagnética). isto é. grande parte da energia solar atinge a superfície da Terra. 4 – Transmitância espectral da atmosfera A atmosfera quase não absorve a energia eletromagnética emitida pelos objetos que compõem a superfície terrestre.3 e 0.C. o qual protege a terra dos raios ultravioletas que são letais a vida vegetal e animal. Estas regiões são conhecidas como janelas atmosféricas. Comprimento de onda ( µm) Fig. a atmosfera é transparente à energia eletromagnética proveniente do Sol ou da superfície terrestre. e portanto onde é realizado o sensoriamento remoto dos objetos terrestres. o principal gás absorvedor da energia eletromagnética solar é o ozônio (O3). Na região do infravermelho os principais gases absorvedores são o vapor d’água (H2O) e o dióxido de carbono (CO2) Existem regiões do espectro eletromagnético onde a atmosfera quase não afeta a energia eletromagnética.MORAES .Cerca de 70% da energia solar está concentrada na faixa espectral compreendida entre 0. Nestas regiões são colocados os detectores de energia eletromagnética. A Figura 4 apresenta as janelas atmosféricas e as regiões afetadas pelos principais gases atmosféricos. Na região do ultravioleta e visível.

A capacidade de um objeto absorver. centrada em 9.6 µm. absorvido e transmitido pelo objeto. como pode ser visto na Figura 5. ou seja. pois tanto nuvens como poluentes tendem a absorver a energia eletromagnética. também conhecido como a assinatura espectral do objeto.C. As nuvens absorvem toda a energia na região do infravermelho. e emitem radiação eletromagnética proporcionalmente a sua temperatura. Essas considerações são válidas para a atmosfera limpa. Nesta janela atmosférica o sistema terra-atmosfera perde energia para o espaço mantendo assim o equilíbrio térmico do planeta. reflectância e transmitância. sendo que os valores variam entre 0 e 1. guardando sempre o princípio de conservação de energia. reflexão e transmissão da energia incidente poder ser total ou parcial. refletir e transmitir a radiação eletromagnética é denominada. absorve toda a energia eletromagnética com comprimentos de onda acima deste valor.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS O fluxo de energia eletromagnética ao atingir um objeto (energia incidente) sofre interações com o material que o compõe. A DSR/INPE 1-15 E. de absortância. respectivamente. As interações da energia eletromagnética com os constituintes atmosféricos influenciam a caracterização da energia solar e terrestre disponíveis para o sensoriamento remoto de recursos naturais. A energia eletromagnética ao atingir a atmosfera é por esta espalhada. 1.MORAES . Acima de 14 µm a atmosfera é quase que totalmente opaca à energia eletromagnética. sendo parcialmente refletido. e parte desta energia espalhada retorna para o espaço. A absorção.banda de absorção do ozônio. O comportamento espectral de um objeto pode ser definido como sendo o conjunto dos valores sucessivos da reflectância do objeto ao longo do espectro eletromagnético. vindo a contaminar a energia refletida ou emitida pela superfície e que é detectada pelos sensores orbitais.

solo. a intensidade e a localização de cada banda de absorção é que caracteriza o objeto. Estas diferentes interações é que possibilitam a distinção e o reconhecimento dos diversos objetos terrestres sensoriados remotamente. O conhecimento do comportamento espectral dos objetos terrestres é muito importante para a escolha da região do espectro sobre a qual pretende-se adquirir dados para determinada aplicação.C. As características básicas observadas no comportamento espectral destes objetos são: DSR/INPE 1-16 E. IR R G B B G R IR COMPRIMENTO DE ONDA Fig. A Figura 2 apresenta os espectros de reflectância de alguns objetos bastante freqüentes nas imagens de sensoriamento remoto como. sendo que a forma.Interação da energia eletromagnética com o objeto. 5 . água. pois são reconhecidos devido a variação da porcentagem de energia refletida em cada comprimento de onda. areia.assinatura espectral do objeto define as feições deste. pois os objetos apresentam diferentes propriedades físico-químicas e biológicas. vegetação e nuvens. Os objetos interagem de maneira diferenciada espectralmente com a energia eletromagnética incidente.MORAES .

. a umidade e a granulometria (textura e estrutura) deste.O comportamento espectral de rochas é resultante dos espectros individuais dos minerais que as compõem. O comportamento espectral da água líquida pura apresenta baixa reflectância (menor do que 10%) na faixa compreendida entre 0. . os quais apresentam comportamento espectral totalmente distintos. Os minerais apresentam características decorrentes de suas bandas de absorção.38 e 0.3µm) é devido a estrutura celular. sendo que os principais fatores são a constituição mineral. A água pode-se apresentar na natureza em três estados físicos. que é capturada pela clorofila para a realização da fotossíntese. Portanto a absorção é o principal fator que controla o comportamento espectral das rochas.7µm.O comportamento espectral dos solos é também dominado pelas bandas de absorção de seus constituintes.7µm e máxima absorção acima de 0. DSR/INPE 1-17 E. pois é verificado que a presença de matéria orgânica dissolvida em corpos d’água desloca o máximo de reflectância espectral para o verde-amarelo. As combinações e arranjos dos materiais constituintes dos solos é que define o seu comportamento espectral.MORAES .. a matéria orgânica.A vegetação sadia apresenta alta absorção da energia eletromagnética na região do espectro visível. sendo que a partir deste comprimento de onda é o conteúdo de água na vegetação quem modula as bandas de absorção presentes no comportamento espectral desta. Dentro do espectro visível a absorção é mais fraca na região que caracteriza a coloração da vegetação. O comportamento espectral de corpos d’água é modulado principalmente pelos processos de absorção e espalhamento produzidos por materiais dissolvidos e em suspensão neles.C. enquanto que a presença de matéria inorgânica em suspensão resulta num deslocamento em direção ao vermelho. A alta reflectância no infravermelho próximo (até 1.

As variações de energia eletromagnética da área observada podem ser coletadas por sistemas sensores imageadores ou não-imageadores. 1. como por exemplo temos os “scaners” e as câmaras fotográficas.MORAES . de tal forma que este possa ser armazenado ou transmitido em tempo real para posteriormente ser convertido em informações que descrevem as feições dos objetos que compõem a superfície terrestre. os quais possibilitam uma melhor compreensão das relações existentes entre o comportamento espectral dos objetos e as suas propriedades.5 SISTEMA SENSOR Os sensores remotos são dispositivos capazes de detectar a energia eletromagnética (em determinadas faixas do espectro eletromagnético) proveniente de um objeto. Os sensores ativos possuem uma fonte DSR/INPE 1-18 E.3 e 2µm. enquanto que os sistemas não-imageadores. 1. também denominados radiômetros ou espectroradiômetros. Os sensores passivos não possuem fonte própria de energia eletromagnética. os radiômetros e espectroradiômetros. a obtenção e a análise de medidas da reflectância dos objetos terrestres em experimento de campo e de laboratório.- O comportamento espectral de nuvens apresenta elevada reflectância (em torno de 70%). muitos pesquisadores têm se dedicado a pesquisa fundamental. Os sistemas sensores também podem ser classificados como ativos e passivos.C. transformá-las em um sinal elétrico e registrá-las. Os sistemas imageadores fornecem como produto uma imagem da área observada. em todo o espectro óptico com destacadas bandas de absorção em 1. como por exemplo os sensores do satélite Landsat 5. ou seja. Com o intuito de melhor interpretar as imagens de satélites. apresentam o resultado em forma de dígitos ou gráficos.

da altura do DSR/INPE 1-19 E.MORAES . A qualidade de um sensor geralmente é especificada pela sua capacidade de obter medidas detalhadas da energia eletromagnética. Ela indica o tamanho do menor elemento da superfície individualizado pelo sensor. b) filtro: é o componente responsável pela seleção da faixa espectral da energia a ser medida. A resolução espacial depende principalmente do detector. As características dos sensores estão relacionadas com a resolução espacial. c) detetor: é um componente de pequenas dimensões feito de um material cujas propriedades elétricas variam ao absorver o fluxo de energia. e e) unidade de saída: é um componente capaz de registrar os sinais elétricos captados pelo detector para posterior extração de informações. d) processador: é um componente responsável pela amplificação do fraco sinal gerado pelo detetor e pela digitalização do sinal elétrico produzido pelo detector. espectral e radiométrica. Os sistemas fotográficos foram os primeiros equipamentos a serem desenvolvidos e utilizados para o sensoriamento remoto de objetos terrestres As principais partes de um sensor são: a) coletor: é um componente óptico capaz de concentrar o fluxo de energia proveniente da amostra no detetor. Eles emitem energia eletromagnética para os objetos terrestres a serem imageados e detectam parte desta energia que é refletida por estes na direção deste sensores. produzindo um sinal elétrico. Como exemplo podemos citar o radar e qualquer câmara fotográfica com flash. A resolução espacial representa a capacidade do sensor distinguir objetos.C.própria de energia eletromagnética.

tipo de processamento e estado do objeto. efeitos atmosféricos. águas. vegetações. Por exemplo. DSR/INPE 1-20 E. ela define o intervalo espectral no qual são realizadas as medidas. ou seja. Quanto maior for o número de medidas num determinado intervalo de comprimento de onda melhor será a resolução espectral da coleta. os sensores do Landsat 5 possuem uma repetitividade de 16 dias. A resolução radiométrica define a eficiência do sistema em detectar pequenos sinais. A resolução espectral refere-se à largura espectral em que opera o sensor. Uma outra qualidade importante é a resolução temporal do sensor.MORAES . o Landsat 5 possui os sensores TM e Multispectral Scanning System (MSS).posicionamento do sensor em relação ao objeto. Para melhor interpretar os sinais coletados faz-se necessário o conhecimento das condições experimentais como: fonte de radiação. Por exemplo. o sistema sensor do Thematic Mapper (TM) do Landsat 5 possui uma resolução espacial de 30 metros. refere-se à maior ou menor capacidade do sistema sensor em detectar e registrar diferenças na energia refletida e/ou emitida pelos elementos que compõe a cena (rochas. o sistema sensor TM do Landsat 5 distingue até 256 tons distintos de sinais representando-os em 256 níveis de cinza. portanto nestas bandas o TM apresenta melhor resolução espectral do que o MSS. solos. etc). O sensor TM apresenta algumas bandas espectrais mais estreitas do que o sensor MSS. características do sensor. Por exemplo. Para um dado nível de posicionamento do sensor. geometria de aquisição de dados.C. e consequentemente a composição espectral do fluxo de energia que atinge o detetor. que está relacionada com a repetitividade com que o sistema sensor pode adquirir informações referentes ao objeto. Por exemplo. quanto menor for a resolução geométrica deste maior será o grau de distinção entre objetos próximos. Portanto.

6 – Níveis de Coleta de Dados Fonte : Moreira (2001) Ao nível de aeronaves os dados de sensoriamento remoto podem ser adquiridos por sistemas sensores de varredura óptico-eletrônico. sistemas fotográficos ou radar.1.C. como pode ser visualizado na Figura 6.MORAES .6 NÍVEIS DE AQUISIÇÃO DE DADOS Os sistemas sensores podem ser mantidos no nível orbital (satélites) ou suborbital (acoplados em aeronaves ou mantidos ao nível do solo). Níveis de Coleta de dados Satélites Balões Solo Aeronave Bóias Barco Fig. DSR/INPE 1-21 E. Ao nível do solo é realizada a aquisição de dados em campo ou em laboratório onde as medidas são obtidas utilizando-se radiômetros ou espectroradiômetros. e a resolução espacial destes dados dependerá da altura do vôo no momento do aerolevantamento.

10-14. Novo. Gama. 308p.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Moreira. Salvador. Sensoriamento Remoto: princípios e aplicações. E. VIII. Curitiba. M. Introdução à radiometria.C. 1993. F. 2001. 1993. bem como um melhor monitoramento dos recursos naturais para grandes áreas da superfície terrestre. Abr. VII. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). 43p. Maio. São Paulo. A. 1996. E. L.. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. C. M. 1989. ed.A obtenção de dados no nível orbital é realizada através de sistemas sensores a bordo de satélites artificiais. 7p. Moraes. A. 208p. Tutorial São José dos Campos. 1996.MORAES . INPE. O sensoriamento remoto neste nível permite a repetitividade das informações. INPE. C. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologias de aplicação. 14-19. Moraes. : Edgard Blücher. F. DSR/INPE 1-22 E. Tutorial São José dos Campos. Steffen. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto.. E. Steffen. A.. C. 2. Radiometria óptica espectral. M. São José dos Campos. C.

C.N.CAPÍTULO 2 SATÉLITES DE SENSOR IAMENTO REMOTO José Carlos Neves Epiphanio1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS .EPIPHANIO .inpe.br DSR/INPE 2-1 J.INPE 1 E-mail: epiphani@ltid.

C.DSR/INPE 2-2 J.N.EPIPHANIO .

............................................................... 7.. 2-7 1.................................. 2-9 2.ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ...................................................... 2-19 PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO ....................................C...................................... 9.................N......................................................................1 2.................................................. 2-32 REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ... 2-35 DSR/INPE 2-3 J.............................. 6........................... INTRODUÇÃO .......2 3... CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES ................... ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA ..................................... 5..... 2-13 PROGRAMA SPOT .................... 2-29 PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) ............................. 8.. 2-11 ÓRBITA BAIXA ..................... 2-25 SATÉLITES NOAA ..........................................................................................................EPIPHANIO ........................ 2-10 2.................... 2-30 PROGRAMAS DE RADAR .............................................. 2-5 LISTA DE TABELAS .................. 4.................. 2-11 PROGRAMA LANDSAT .....

DSR/INPE 2-4 J.N.EPIPHANIO .C.

...LISTA DE FIGURAS 1 – SATÉLITE CBERS E SEUS COMPONENTES.......EPIPHANIO .........N........... . 2-27 DSR/INPE 2-5 J.....C......

DSR/INPE 2-6 J.N.EPIPHANIO .C.

.......C.... 2-15 2 ... 2-16 4 ......... 2-26 6 ...................................................... L E M ................................ 2-30 DSR/INPE 2-7 J.N......................... 2-21 5 .....CÂMERA CCD DO CBERS........PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 .............................CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K............................EPIPHANIO ......BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7..LISTA DE TABELAS 1 – PROGRAMA LANDSAT .....SENSORES DO SPOT-4 ............................................................................................... 2-16 3 ..........................

EPIPHANIO .DSR/INPE 2-8 J.N.C.

se houver uma equação ou um modelo que permita um relacionamento entre reflectância medida por satélite e quantidade de sedimentos num meio aquático. As principais propriedades “primárias” dos alvos que são medidas1 pelos sensores remotos são a capacidade de reflexão e de emissão de energia eletromagnética. é preciso. através de uma imagem de um sensor remoto. pois são as imagens na forma como as conhecemos. passa a representar uma propriedade do alvo que não foi medida diretamente pelo sensor remoto. Porém. Essa é a forma mais comum de uso dos produtos de sensoriamento remoto.C. de uma forma “bruta”. INTRODUÇÃO Para que haja o sensoriamento remoto é necessário que haja uma “medição”. Por exemplo. à distância. aquelas propriedades primárias podem sofrer transformações e permitir-nos fazer inferências sobre características secundárias dos alvos. e os sensores fotográficos e outros 1 Comentário: Página: 9 fazer análise de “medida” em relação a uma régua. um sensor faz uma medida sem escala padronizada. E há uma estreita associação entre sensoriamento remoto e satélites artificiais. pode-se gerar uma imagem secundária que expressa a quantidade de sedimentos. embora outros sistemas façam parte do sensoriamento remoto. No caso do rio. sem padronização. agora. que haja DSR/INPE 2-9 J. Por exemplo. De qualquer modo que se veja um produto de sensoriamento remoto. Os chamados “sistemas de sensoriamento remoto” são os veículos e instrumentos necessários à coleta de dados para serem analisados pela comunidade científica e de usuários em geral. Essas propriedades primárias podem ser usadas diretamente.EPIPHANIO . portanto. mensurada.1. quando uma imagem de um sensor remoto entra num modelo que a relaciona com a fotossíntese da vegetação. um objeto tortuoso e de baixa reflexão (escuro) numa certa imagem traduz-se a nós como sendo um rio. por um sensor remoto. Os sensores remotos fazem parte do que se denomina “sistemas de sensoriamento remoto”.N. Isto é. seja ele primário ou secundário. gera-se um novo produto. há sempre a necessidade de que a propriedade de reflexão ou emissão do alvo seja medida. como os radiômetros de campo e de laboratório. posteriormente. das propriedades dos objetos ou alvos. a princípio. É que. ou uma nova imagem que.

são os satélites que. Radarsat e ERS (todos programas internacionais) e o CBERS e o SSR/MECB (do Brasil). é feita uma introdução sobre órbitas e outros aspectos dos satélites. é necessário que haja um conhecimento dos principais satélites e de suas características. Estes últimos são os geoestacionários e têm sua maior aplicação no campo da meteorologia. Terra. Porém.000 km) têm a capacidade de abranger em seu campo de visada uma grande porção de superfície terrestre.uma calibração em relação a um padrão para que se tenha uma medida precisa da propriedade do alvo. SPOT. a cada dia. particularmente. antes de descrever os sistemas propriamente ditos. NOAA. promovem uma cobertura que se repete ao longo do tempo.EPIPHANIO . como têm que orbitar ao redor da Terra.N. sistemas que operam em aeronaves. Assim. Os que mais interessam para o sensoriamento remoto enquadram-se em duas grandes categorias: os de órbita baixa e os de órbita alta. sendo apenas 2-10 marginal sua aplicação em DSR/INPE J. são descritos os sistemas Landsat. Ao mesmo tempo.C. Os satélites são veículos colocados em órbita da Terra e que promovem continuamente a aquisição de dados relacionados às propriedades primárias dos objetos. cujos princípios aplicam-se a todos os sistemas. mais e mais se tornam os instrumentos quotidianos dos profissionais de sensoriamento remoto. permitindo o acompanhamento da evolução das propriedades de reflexão ou emissão dos objetos e fenômenos. Assim. 2. CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES Os satélites podem apresentar uma grande variação quanto ao padrão orbital em relação à Terra. Neste capítulo são abordados os principais satélites em operação e. aqueles voltados para o sensoriamento remoto da superfície terrestre com ênfase naqueles mais utilizados no Brasil. Por estarem a grandes altitudes (tipicamente entre 600 e 1.

em relação à Terra. permanecem voltados para o mesmo ponto da superfície e. Possuem uma velocidade de translação em relação à Terra que equivale ao movimento de rotação da Terra. 2. Como ficam dispostos ao longo do Equador terrestre. assim. de modo que. o que permite uma escala de imageamento praticamente constante para todas as imagens. São chamados geoestacionários porque sua órbita acompanha o movimento de rotação da Terra.sensoriamento remoto.000 km de altitude. os quais são bastante dinâmicos. Os de órbita baixa englobam a maioria dos satélites de sensoriamento remoto. podem fazer um imageamento muito rápido daquela porção terrestre sob seu campo de visada.2 ÓRBITA BAIXA Embora nesta categoria enquadrem-se inúmeros sistemas espaciais. Sempre que couber.N. É por essa grande abrangência de superfície terrestre coberta em um curto intervalo de tempo que eles são muito úteis para estudos de fenômenos meteorológicos. o que equivale a dizer órbitas com menos de 1.EPIPHANIO . Além disso. de todo o disco terrestre compreendido pelo seu campo de visada. como estão “fixos” em relação à Terra. Em geral.C. estão imóveis.000 km. pois dessa forma o satélite fica sempre orbitando a uma altitude quase que fixa em relação à Terra. e por causa da grande altitude podem ter uma visão sinóptica completa. a órbita dos satélites de sensoriamento remoto enquadra-se no que se denomina órbita baixa. Para os satélites de sensoriamento de órbita baixa.1 ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA Os satélites nesta órbita estão a uma altitude de cerca de 36. a discussão a seguir é restrita às situações e características que abrangem os sistemas que mais interessam ao sensoriamento remoto. Como a variação de altitude é pequena DSR/INPE 2-11 J. 2. e são discutidos mais pormenorizadamente. tal órbita é também circular. são discutidos os impactos dos desvios em relação à situação usual. ou seja.

ou MSS). A altitude do satélite define uma série de outros parâmetros de engenharia do sistema. Toda a órbita circular tem esta característica de manter a escala constante. uma vez que sua altitude era menor. Uma vez definido que a órbita é circular e que ela tem uma certa altitude em relação à Terra. ocorrem aproximadamente 14. a faixa imageada no terreno seria menor na segunda geração. Em geral os satélites de sensoriamento remoto têm órbita quase polar. ou simplesmente TM). No caso da série Landsat. quando a Terra está iluminada (embora pudesse também haver imageamento no sentido ascendente em certos comprimentos de onda). o sistema (satélite e sensor) recobre uma faixa longitudinal e constante no terreno equivalente a um certa faixa de terreno. por exemplo. Nessas condições.EPIPHANIO .5 órbitas diárias e. a variação de escala também é pequena. a bordo dos satélites da segunda geração. Ela tem que obedecer às leis da mecânica orbital e depende muito da definição do projeto da missão e características dos sensores destinados ao imageamento. da geração anterior. Isso quer dizer que se fosse mantido o mesmo ângulo de imageamento para as duas gerações. descrevendo um círculo com raio praticamente fixo. é preciso definir o ângulo que esse plano da órbita fará com os pólos da Terra. o que facilita os trabalhos de interpretação e análise das imagens. com um pequeno e constante desvio do plano orbital em relação ao eixo norte-sul. A cada órbita. A órbita quase-polar tem a importante característica de permitir que a Terra toda (exceto os pólos) seja imageada após um certo número de órbitas. a mudança de altitude entre a primeira geração (Landsat 1 a 3) e a segunda geração (Landsat 4 a 7) exigiu que o campo de visada do sensor Thematic Mapper (Mapeador Temático. em direção ao sul. O imageamento é descendente.000 km.numa situação de circularidade. aproximadamente. Outra característica de órbita para os satélites de sensoriamento remoto é a altitude. Ela tem se situado entre 700 e 1. fosse aumentado a fim de manter a mesma faixa de imageamento do sensor Multispectral Scanner System (Sistema de Varredura Multiespectral. Essa faixa de imageamento varia de acordo com o sensor.C. cuja duração é de cerca de 100 minutos.N. como o perímetro da Terra no DSR/INPE 2-12 J.

Isso quer dizer que a cada órbita o satélite cruza a linha do Equador no mesmo horário. particularmente da característica orbital.N.000 km. após um certo número de dias e um certo número de órbitas. se a faixa de terreno que o sistema (satélite mais sensor) consegue imagear é estreita. Isso é conseguido através de um projeto orbital adequado. Isso significa que a precessão do plano orbital do satélite deve estar numa taxa que seja equivalente à taxa da translação da Terra ao redor do Sol. a Terra toda será imageada. já que faixas de imageamento mais estreitas determinarão ciclos de revisitas mais longos. sincronizada com o Sol. exige-se menos tempo para que esse recobrimento seja completo.C. Também a faixa imageada no terreno em cada órbita é um fator importante. o satélite volte a recobrir a mesma faixa de terreno.equador é de cerca de 36. se a faixa de imageamento é mais larga. haverá necessidade de muitas órbitas para cobrir toda a superfície da Terra. para fins de sensoriamento remoto há uma preferência para que haja uma ciclicidade das passagens ou dos recobrimentos. Entre outros fatores. Ou seja. Em geral.EPIPHANIO . e as variações entre imagens podem ser atribuídas às propriedades intrínsecas dos alvos. Para que isso possa ser conseguido. e não a influências de posicionamento angular do sol. Ao contrário. Esta característica de órbita é importante pois assim todas as imagens são sempre obtidas aproximadamente no mesmo horário. DSR/INPE 2-13 J. é necessário que o ângulo entre a normal ao plano da órbita do satélite e a linha terra-sol seja mantido constante. após determinado número de dias. Isso quer dizer que é desejável que. Isso é obtido através do estabelecimento de uma relação apropriada entre o raio (ou o período) da órbita circular e o ângulo de inclinação da órbita do satélite. na determinação da configuração de um sistema de imageamento há um que diz respeito ao horário do dia em que deverá ser efetuado o imageamento. os satélites de sensoriamento remoto possuem órbita chamada heliossíncrona. e faixas mais largas diminuirão o tempo entre uma visita e outra. No projeto da missão e. ou seja. no qual fatores como altitude e velocidade do satélite são considerados.

Uma que compreende os três primeiros.C. Os últimos da série já tinham especificações de vida útil maiores. é comum falar em duas gerações para a série Landsat. Porém. de meteorologia. e uma segunda. não é incomum a ocorrência de fracassos. o Landsat-6 foi perdido durante o lançamento. Os primeiros satélites da série Landsat tinham vida útil estimada de dois anos. Assim. conforme a Tabela 1. os satélites de uma determinada série são lançados um a um. foi projetada uma plataforma própria para esses satélites e também uma inovação quanto aos sensores a bordo. O de número 7. antes de ser posicionado em órbita. o último da série. no ano 2001. por exemplo. O Landsat-5. PROGRAMA LANDSAT O primeiro satélite da série Landsat foi lançado no início dos anos 70. apresenta um sensor que. e também ultrapassaram em muito as especificações. mas também pela notável facilidade de acesso e qualidade dos dados gerados.3. A estrutura do satélite baseou-se em um projeto já em operação naquela época que era a dos satélites Nimbus. Quanto à primeira geração da série Landsat. Alguns duraram muito mais do que isso. embora muito semelhante aos três anteriores. depois de um intervalo irregular de tempo. que compreende os quatro últimos. estão operando o quinto e o sétimo da série.EPIPHANIO tem certas características que são tidas como um avanço em relação a seus . opera a mais de 15 anos. Atualmente. iniciando com o Landsat-4. A partir do final do anos 60 os Estados Unidos decidiram colocar em órbita um satélite de sensoriamento remoto. não só por ser a de período de vida mais longo de fornecimento contínuo de dados. Como se observa pela Tabela 1. Esta série de satélites é a principal no campo do sensoriamento remoto.N. predecessores. Posteriormente. DSR/INPE 2-14 J. cabe destacar que o sensor MSS (Sistema de Varredura Mutiespectral) demonstrou ser o principal instrumento a bordo dos Landsats. O sensor RBV (Sistema Vidicon de Feixes Retornantes. Cada satélite lançado tem uma vida útil esperada.

DSR/INPE 2-15 J.EPIPHANIO . SP.N. em Cachoeira Paulista. Muitas dessas imagens do RBV estão disponíveis nos arquivos do INPE. que operava no Landsat-3. embora permitisse uma melhor resolução espacial.C.similar a um sistema de televisão). em relação ao MSS. acabou sendo descontinuado a partir do Landsat-4 por causa de sua baixa fidelidade radiométrica e de sua pequena cobertura espectral.

ms = multiespectral. O ETM+ fornece uma imagem digital DSR/INPE 2-16 J. pan = pancromático. O mais recente satélite da série é o Landsat-7.TABELA 1 – PROGRAMA LANDSAT* Lançamento (fim das operações) 23/7/1972 (1/6/1978) Instru. ETM+ = enhanced thematic mapper plus. As principais características do ETM+ são resumidas nas Tabelas 2 e 3. Este sensor é uma continuação do TM anteriormente a bordo dos Landsats-4 a 6. MSS = multispectral scanner system. TM = thematic mapper. e o principal sensor a bordo é o ETM+ (Enhanced Thematic Mapper Plus. Mbps = mega bits por segundo.N. TD = transmissão direta.EPIPHANIO . Mapeador Temático Avançado).Resolução Comunicamentos (metros) ção Sistema Altitude (km) Revisita Taxa de dados (Mbps) 15 Landsat-1 RBV MSS 80 80 80 80 30 80 80 30 80 30 15 (pan) 30 (ms) TD com 917 gravadores 18 Landsat-2 22/1/1975 (25/2/1982) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-3 5/3/1978 (31/3/1983) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-4 16/7/1982 (Transmissão TM terminou em 08/1993) 1/3/1984 MSS TM MSS TM TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-5 TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-6 5/10/1993 (5/10/1993) ETM TD com 705 gravadores 16 85 Landsat-7 15/4/1999 ETM+ 15 (pan) 30 (ms) 705 TD com gravadores de estado sólido 16 150 * RBV = return beam vidicon. lançado em 15/04/1999.C.

6 42. vermelho) 4 (infravermelho 0.08-2.50 termal) 7 (infravermelho 2. p. 2 no Infravermelho Médio Refletido.75 médio refletido) 6 (infravermelho 10.6 42.60 0. heliossíncrona (horário de cruzamento do Equador sempre às 10:00 ±15 DSR/INPE 2-17 J. 175 W (repouso) Controle térmico resfriador radiativo de 90 K Dimensões físicas radiômetro 196 x 114 x 66 cm eletrônica auxiliar 90 x 66 x 35 cm FONTE: King e Greenstone (1999.EPIPHANIO .com uma visão sinóptica.69 Dimensão do IFOV (µrad) 18.6 85.55-1.6 42.45-0.BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7 Banda Espectral Largura da Banda à meia amplitude (µm) 0.52 0. verde) 3 (visível.C. 1 no Infravermelho Termal.90 0.90 próximo) 5 (infravermelho 1. 1 no infravermelho Próximo.N.63-0.113) O satélite Landsat-7 tem uma órbita circular (escala praticamente constante).2 42.3 42. multiespectral. p.113) TABELA 3 .52-0. repetitiva.PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 Tipo Bandas radiômetro de varredura mecânica tipo “wiskbroom” 3 Bandas no Visível. azul) 2 (visível.5 x 21.5o) Massa 425 kg Potência 590 W (imageando). TABELA 2 .6 42.35 médio refletido) FONTE: King e Greenstone (1999.76-0.6 Dimensão nominal da amostra no terreno (m) 15 30 30 30 30 30 60 30 Pancromática 1 (visível.50-0. 1 Pancromática cobertura global periódica da superfície terrestre Função Faixa imageada no terreno 185 km (±7. com alta resolução espacial da superfície terrestre.42-12.

altitude de 705 km.minutos na órbita descendente). no sentido latitudinal. Há. Cada matriz é composta de 16 detectores (exceto a banda pancromática. que tem oito). “recortadas” a cada 185 km na órbita. portanto. onde são descritas as órbitas no sentido longitudinal e as imagens propriamente ditas. lida como “órbita 219. apesar de fisicamente separados. sendo que as quatro primeiras (bandas 1-4. Neste tempo. Ambos os planos focais. ponto 76”. ou seja. é referenciada como sendo a 219/76. Assim.N. ocorre um deslocamento no terreno de cerca de 2. SP. que são 16 linhas de 30 metros nas bandas 1-4. Esta matriz de oito bandas por 16 detectores por banda (oito na infravermelha termal e 32 na pan) tem uma largura de 480 metros no terreno. A faixa de 185 km imageada pelo campo de visada (FOV – field of view. com uma inclinação de 98. formam o que se denomina sistema de referência mundial. campo de visada) do ETM+ permite uma cobertura global da terra a cada 16 dias. as faixas imageadas vão se deslocando para oeste. uma imagem do ETM+/Landsat-7 de São José dos Campos.C. As quatro seguintes (pancromática. Cada órbita dura aproximadamente 100 minutos. correspondentes às três do visível e à do infravermelho próximo) ficam no plano focal primário. e a do infravermelho termal. Como a Terra desloca-se para leste. correspondentes à órbita (sentido longitudinal) e ao ponto (sentido latitudinal). encontram-se opticamente alinhados. por exemplo. 8 linhas no infravermelho termal. O ETM+ é um sensor que possui dois planos focais. e infravermelho termal) encontram-se num plano focal secundário e refrigerado.2o. Cada matriz de detectores é responsável pela detecção de uma banda. Esse sistema permite que se localize uma imagem correspondente a qualquer ponto da Terra através de dois números. o Landsat-7 precede o satélite Terra (a ser discutido adiante) de cerca de 30 minutos na mesma faixa de imageamento da superfície terrestre. Esse padrão de recobrimento orbital.400 km entre o centro de uma órbita e a seguinte. de modo que há o registro entre todas as bandas. infravermelhos médios. 32 linhas de 15 metros no pan. onde ficam localizadas as matrizes de detectores. que tem 32. oito matrizes. A função de cada uma dessa matrizes é promover o registro da radiância proveniente do terreno em cada uma das oito banda. Nesta configuração orbital. DSR/INPE 2-18 J.EPIPHANIO .

ou 480 metros de largura e com 185 km de extensão. A cada movimento lateral do espelho oscilante numa direção (leste para oeste. são lidos os valores de radiância de cada elemento de terreno projetado em cada detector em particular. as matrizes de detectores que estão nos planos focais. Em cada banda particular.N. há uma adjacência de elementos de 30 m no terreno (15 m para o pan e 60 m para o infravermelho termal). no terreno. de acordo com a banda).O ETM+ é um sensor que faz um imageamento através de dois movimentos perpendiculares entre si. Vê-se que entre um minor frame e outro. juntamente com o FOV. No caso ETM+ esta faixa de imageamento é de 185 km. um certo detector é responsável pelo imageamento de uma linha completa. O segundo movimento necessário para constituir uma imagem no sistema de varredura mecânico multiespectral é produzido pelo movimento de um espelho oscilante transversalmente à faixa de imageamento. Portanto. A projeção desse movimento. são imageadas 16 linhas de 30 metros (32 de 15 metros no pan e 8 de 60 metros no infravermelho termal). definem o que se denomina faixa de imageamento. campo de visada instantâneo) de apenas 30 metros (15 no pan e 60 no infravermelho termal). para que uma linha de 185 km seja completamente “varrida” é necessário que cada um dos detectores de cada banda seja acionado milhares de vezes (185. nenhum detector estará cobrindo uma mesma área no terreno. Nesta posição. Porém.EPIPHANIO . Portanto. 30 ou 60 metros.000 metros dividido pelo IFOV de cada detector – 15. A continuação dessa seqüência de minor frames fará com que toda a DSR/INPE 2-19 J. Se for fixada uma certa posição inicial do espelho oscilante. no terreno haverá a projeção de toda a matriz de detectores. O espelho oscilante projeta.C. A esta seqüência singular de leitura de todos os detectores de todas as oito bandas dá-se o nome de minor frame (seqüência primária de leitura). Após esse minor frame o espelho desloca-se para leste ou para oeste (dependendo do sentido do espelho oscilante e o minor frame adjacente é lido. nesta posição. O primeiro movimento é feito pelo deslocamento do próprio satélite ao longo de sua órbita. ou oeste para leste). cada detector tem um IFOV (instantaneous field of view.

SP.000 minor frames. Ao terminar um major frame. O primeiro da série foi lançado em 22/2/1986. PROGRAMA SPOT O programa SPOT (Satellite Pour Observation de la Terre. e assim por diante. ele sofre processamentos internos e é gravado a bordo ou encaminhado na forma digital para uma estação em terra. o segundo em 22/1/1990. o principal produto solicitado pelos usuários são as imagens na forma digital e gravados em CDROM.C.N. para os processamentos necessários à preparação dos produtos a serem arquivados ou enviados aos usuários. Em 22/3/1998 foi lançado. é enviado para Cachoeira Paulista. que equivale ao major frame (seqüência completa de leitura). o terceiro foi lançado em 26/9/1993. o satélite terá avançado em sua órbita o equivalente a 480 m no terreno e. pelo veículo lançador Ariane. Satélite Para Observação da Terra) é um programa Francês de satélites de sensoriamento remoto. Após a detecção do sinal proveniente do terreno. No caso do Brasil. Nesta seção a discussão é centrada no Spot-4.EPIPHANIO . e também o espelho oscilante terá chegado ao fim de um FOV (185 km de largura).linha seja coberta após um certo tempo. 4. Essa seqüência de minor frames nas linhas e a seqüência de major frames na direção do caminhamento da órbita forma a imagem. O sistema de observação da terra SPOT foi projetado pela Agência Espacial Francesa (CNES – Centre National d’Études Spatiales) e é operado por sua subsidiária Spot Image. esta estação fica em Cuiabá. e imageado um comprimento no terreno (sentido descendente da órbita) equivalente a 480 m. Atualmente. mas sempre que necessário haverá referência DSR/INPE 2-20 J. esse próximo conjunto de linhas (480 m) estará contíguo ao conjunto anterior. embora guarde muitas características dos seus predecessores 1-3. assim. mas perdeu-se no lançamento. Quando o espelho oscilante retornar para imagear outros 480 m. Depois. o espelho oscilante e o sistema de leitura e registro dos sinais terão varrido e lido mais de 6. o SPOT-4 que. MT. representa um avanço em vários sentidos.

O seu sistema de imageamento é constituído por dois sensores denominados HRVIR (haute resolution visible et infra rouge. para as visadas no nadir (visada vertical).8o. Na verdade são dois sensores idênticos. alta resolução no visível e infravermelho).EPIPHANIO . A largura DSR/INPE 2-21 J. A sua órbita também é quase polar. o que garante que todas as cenas sejam adquiridas a uma altitude praticamente constante.aos satélites anteriores ou mesmo a outros sistemas. O Spot-4 classifica-se como um satélite de órbita baixa. Cada revolução orbital dura 101.N. uma no sentido norte-sul. o que permite que a cena apresente as mesmas condições de iluminação daquela cena durante todo o ano (as variações passam a ser creditadas à sazonalidade da estações do ano e às variações intrínsecas dos alvos). o sistema de imageamento por varredura eletrônica (pushbroom) e a capacidade de visada lateral. o satélite passa sobre o mesmo ponto após um número inteiro de dias que. colocados um ao lado do outro. é de 26 dias. A heliossincronicidade de sua órbita faz com que o Spot-4 passe sobre uma certa área sempre à mesma hora solar. garantindo que toda a terra seja recoberta durante um ciclo de revisita (considerando a possibilidade de visada fora do nadir). ou órbita descendente. durante o período iluminado do dia. O ângulo entre o plano orbital do Spot-4 e a direção Terra-Sol é praticamente constante e de 22. fazendo com que o cruzamento com o equador no sentido descendente norte-sul ocorra à hora solar de 10:30. O Spot-4 foi concebido para ser um satélite com características bastante diferenciadas em relação ao Landsat. ficando a 830 km de altitude. garantindo constância na resolução espacial e na escala.5o. o segundo cruzamento ocorre no sentido ascendente sulnorte durante o período noturno. particularmente ao Landsat.C. Sua órbita é circular. Neste período o Spot-4 terá completado 369 órbitas ao redor da terra. sendo que o ângulo entre o plano da órbita e o plano equatorial é de 98. Em cada órbita o Spot-4 cruza o plano equatorial duas vezes. Como a órbita é em fase.5 minutos. As principais diferenças são a alta resolução espacial de seus sensores.

Um outro sensor a bordo do Spot-4 e também de interesse para o sensoriamento remoto é o Vegetation.78 a 0.C. 0.68 µm) B2 (vermelho.250 km 0.1 km to (km) 2.61 a 20 m 60 km 1.250 km 60 km 1.3 pixel do VGT 9% 26 dias 2-22 5% 1 dia J. 20 m 0.SENSORES DO SPOT-4 Bandas (µm) HRVIR Resolução Faixa espacial (m) B0 (azul) to (km) 60 km 60 km Vegetação (VGT) de Resolução Faixa (km) 1.59 µm) 20 m Pan (vermelho.250 km de imageamen.1 km 2. pois há um recobrimento de 3 km no equador.61 a 10 m 0. VGT) TABELA 4 . 0. perfazendo 117 km de largura.espacial imageamen- B1 (verde. 20 m 1.58 a 1.1 km 2.EPIPHANIO 60 km 1.68 µm) B3 (infravermelho próximo.da faixa de imageamento de cada um é de 60 km. A Tabela 4 apresenta algumas características dos HRVIR e do sensor Vegetation (Vegetação.1 km 2. 0.75 µm) Alinhamento HRVIR/VGT Calibração absoluta Cobertura global da Terra DSR/INPE 0.89 µm) MIR (infravermelho médio.N.250 km .50 a 0.

Isso significa que num mesmo instante uma linha inteira (de 60 km de largura por 10 ou 20 m de comprimento. respectivamente). O telescópio de cada HRVIR tem um campo de visada (FOV) de 4o que. ou dispositivo de cargas acopladas). os detectores são varridos eletronicamente para gerar o sinal de saída. A banda pancromática possui a mesma faixa espectral da banda B2 (vermelho) no Spot-4. eles geram pixels correspondentes a uma área no terreno medindo 20 m x 20 m resultando numa DSR/INPE 2-23 J.70 µm) nos Spots anteriores.EPIPHANIO .N. respectivamente) no terreno. corresponde a um largura de 60 km no terreno. e uma nova linha de detectores será lida.000 detectores da matriz linear de detectores. enquanto que o imageamento longitudinal (transversal ao sentido da órbita) é promovido pelo arranjo matricial fixo de detectores. Ou seja. Assim. o próprio movimento do satélite é que produz a varredura no sentido latitudinal da órbita. Esse instrumento de imageamento é projetado para cobrir instantaneamente uma linha completa de pixels de uma só vez ao longo do FOV.Cada um dos HRVIR possui 4 bandas espectrais. Cada detector gera um pixel por vez. Esta largura é vista instantaneamente pela linha de 6. o satélite terá avançado 20 ou 10 metros (modo X ou P. para o modo monoespectral (M) ou multiespectral (X). cada HRVIR gera uma imagem de 60 km de largura ao longo da órbita. mas era uma banda separada (0. Após a leitura dos valores de radiância em todos os detectores do CCD. As matrizes lineares do CCD operam no modo chamado pushbroom. Um telescópio de grande abertura angular forma uma imagem instantânea dos elementos adjacentes do terreno na matriz de detectores no plano focal do instrumento. embora o arranjo linear de detectores não faça a “varredura” da linha para serem sensibilizados pela luz. A radiação proveniente do terreno é separada por dispositivos ópticos especiais em quatro bandas espectrais. Assim. conforme a Tabela 4. à altitude de 830 km. Os sinais gerados pelos detectores (que são fotodiodos) são lidos seqüencialmente num determinado intervalo de tempo.51 a 0. Quando detectores adjacentes são varridos (lidos) eletronicamente aos pares.C. e cada pixel tem uma dimensão de 10 m por 10 m no modo de alta resolução. Isso é conseguido usando uma matriz linear de detectores do tipo CCD (charge-coupled device.

e o modo X + M que combina os modos X e M. Tal característica pode ser usada para adquirir uma imagem. Isso quer dizer que o Spot-4 tem a possibilidade de ter visadas laterais. Esse redirecionamento da visada para as laterais pode ser de ±27o em relação ao nadir. isso é conseguido com os ângulos extremos ( +27o ou – DSR/INPE 2-24 J. O HRVIR tem dois modos de operação quanto à resolução espacial. com uma resolução espacial no terreno equivalente a 20 metros. A luz que entra no sistema óptico é dividida em quatro feixes correspondentes a quatro bandas espectrais por um divisor espectral constituído de prismas e filtros. de monoespectral) ou em pares (modo X. dependendo se os detectores são lidos um a um (modo M. Dessa forma.N. de multiespectral). B2 e B3. fora do nadir. em qualquer posição afastada de até 450 km para ambos os lados da trajetória do satélite no terreno. as imagens geradas por cada banda para uma mesma superfície do terreno são perfeitamente registradas. O imageamento feito por cada instrumento HRVIR é inteiramente independente entre si. em resposta a uma solicitação de programação pelo usuário. o modo monoespectral (M) correspondendo à banda B2 (vermelho) com uma resolução de 10 metros no terreno. pois cada um de seus pixels provêm simultaneamente de um mesmo feixe eletromagnético. Esse desvio é controlado por um mecanismo que permite uma graduação lateral com incrementos de 0.imagem com 20 m de resolução espacial. mais a banda do infravermelho médio. portanto. Os HRVIRs têm três modos de imageamento: o multiespectral (modo X) correspondendo às bandas B1. Esses feixes são posteriormente focalizados nas quatro matrizes de detectores (uma para cada banda).3o.C.EPIPHANIO . Na entrada óptica de cada HRVIR do Spot-4 há um espelho com um mecanismo que permite o desvio da visada para uma faixa de terreno adjacente à projeção da órbita no terreno. O movimento do satélite ao longo de sua órbita resulta em varreduras de linhas sucessivas e isso completa a imagem. quatro linhas de detectores geram simultaneamente quatro planos espectrais para uma mesma linha no terreno.

1 km. se necessário. e os outros 10% restantes DSR/INPE 2-25 J. variações no ruído gerado pela eletrônica do imageamento ou dos detectores do CCD. A finalidade da calibração é a obtenção de valores radiométricos entre os pixels que guardem uma relação entre si e também que guardem uma relação com as propriedades de reflexão da energia eletromagnética dos alvos. ajustar a resposta do instrumento.27o).EPIPHANIO . todos os detectores têm que gerar o mesmo sinal quando são sensibilizados por uma mesma fonte.250 km) consegue cobrir 90% da terra num só dia. Um aspecto sensível do Spot-4 é a calibração. para uma mesma banda. O objetivo dessa calibração é balancear a resposta dos 3. Tabela 4). O primeiro modo de calibração é aquele chamado calibração intra-banda. Outra função dessa característica é a de ser usada principalmente para a obtenção de imagens de um mesmo local mas em ângulos diferentes para a geração de pares estereoscópicos com as finalidades de restituição fotogramétrica e mapeamento do relevo. A segunda calibração é chamada de calibração absoluta e tem a finalidade de medir a responsividade dinâmica do instrumento através do estabelecimento de uma relação precisa entre uma fonte externa perfeitamente estável (o Sol) e o sinal de saída do instrumento.C. que se dá de duas maneiras. Com seu grande campo angular (FOV de 101o. mas de baixa resolução espacial (1. Também é usada para permitir o posicionamento do instrumento para a direção de uma fonte de calibração. distorções mecânicas causadas por variações de temperatura. As funções desse sensor são permitir um monitoramento contínuo. Alguns dos efeitos que podem suscitar de ajustes compensatórios são mudanças na transmissividade dos componentes ópticos como resultado do envelhecimento em órbita. O sistema de calibração é usado a intervalos regulares para verificar e. ou também de normalização de respostas dos detectores CCD.N. Ou seja.000 detectores de cada banda quando o instrumento vê uma superfície perfeitamente uniforme. O sensor Vegetation é uma câmera multiespectral também num sistema de imageamento do tipo pushbroom. regional e global da biosfera continental e das culturas. o que corresponde a uma faixa de imageamento de 2.

através da CAST (Agência Chinesa de Ciência e Tecnologia).2 m. O CBERS é um satélite com massa de 1.no dia seguinte.br/programas/cbers/portugues/ também na internet no endereço: index.inpe. Como há coincidência de bandas entre o HRVIR e o VGT.htm) (INPE.br/programas/mecb/default. 5.5o em relação ao plano equatorial). heliossíncrona com cruzamento do equador no sentido norte-sul às 10:30 da manhã. 2000a.inpe. é denominado CBERS (China Brazil Earth Resources Satellite.EPIPHANIO . os dois sistemas são bastante complementares.b). pelo veículo lançador Longa Marcha 4B. cuja pode encontrada http://www. recobre quase que inteiramente a Terra a intervalos regulares de 26 dias.450 kg. e envolve a construção. PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO O Brasil possui basicamente dois programas de sensoriamento remoto.6 m. e os imageamentos de um mesmo ponto sempre ocorrem a uma mesma hora solar.html. e o outro MECB (Missão Espacial Completa Brasileira.8 x 2. em órbita circular (período de 100. Um. o Spot transmite o sinal de imagens para estações localizadas em diversas partes da Terra. O programa CBERS é uma missão conjunta entre o Brasil. além de ter os painéis solares com 6. Nesta configuração orbital obtem imagens aproximadamente com mesma escala. Da mesma forma que o Landsat.3 x 2. tem um sistema de gravação a bordo. que permite o armazenamento de até 40 minutos de gravação (uma cena HRVIR de 60 km por 60 km é imageada em menos de 15 segundos).26 minutos). e a China.N. descrição no endereço: ser http://www. quase polar (inclinação de 98.C. Além disso. com dimensões de 1. O primeiro foi lançado em 14/10/1999 a partir da base de lançamentos de Tayuan. lançamento e gerenciamento operacional de dois satélites de sensoriamento remoto. Satélite SinoBrasileiro de Sensoriamento Remoto. DSR/INPE 2-26 J. através do INPE. com descrição mais pormenorizada na internet.0 x 2. Está a uma altitude de 778 km.

ao contrário do Spot-4. Possui três sensores a bordo: a câmera CCD (charge-coupled device.3o 113 km ±32º 2 x 53 Mbits/segundo Resolução espacial no terreno Resolução temporal FOV Faixa de imageamento Visada lateral Taxa de dados FONTE: INPE (2000) A câmera CCD/CBERS é um sensor que cobre as faixas espectrais do visível e se estende até o infravermelho próximo. Além disso. Suas principais características estão na Tabela 5 e uma visão de seus constituintes está na Figura 1. sistema varredor multiespectral de infravermelho).52 .A constituição de sua carga útil é muito interessante.63 . esta banda do CBERS é mais larga.CÂMERA CCD DO CBERS Bandas espectrais 0.73 µm (pancromático) 0.0.N.0. imageador de grande campo de visada).0. até 3 dias com visada lateral 8.51 .0. possui uma banda pancromática que cobre todo o visível e.59 µm (verde) 0.45 . dispositivo de cargas acopladas).69 µm (vermelho) 0. porém com menor resolução espacial.77 .0. o imageador por varredura mecânica IRMSS (infrared multispectral scanner system. Com esse conjunto de bandas consegue-se atender uma grande parcela da demanda por dados de sensoriamento remoto.52 µm (azul) 0. TABELA 5 . O fato de cobrir todo o visível permite um aproveitamento da experiência e das técnicas de fotointerpretação feitas sobre fotografias aéreas preto e branco normais. A câmera CCD/CBERS apresenta semelhanças com o HRVIR do Spot-4. pois traz características de diversos outros satélites. DSR/INPE 2-27 J. e ainda oferece novidades em termos de imageamento. e a câmera WFI (wide field imager.89 µm (infravermelho próximo) 20 m x 20 m 26 dias no nadir.C.EPIPHANIO .

duas no infravermelho DSR/INPE 2-28 J. em ângulos bastante amplos (±32º). FONTE: INPE (2000) Outro componente do Cbers é o imageador por varredura mecânica (IRMSS).50 a 1.A sua faixa de imageamento é maior que a do Spot. sendo uma que abrange desde o visível até o infravermelho próximo (0.C.Módulo de Serviço 2 Sensor de Presença do Sol 3 Conjunto dos Propulsores de 20N 4 Conjunto dos Propulsores de 1N 5 . Essa maior capacidade de visada lateral permite que se possam fazer revisitas com até 3 dias entre passagens.1 µm). A capacidade de imageamento lateral.N. o que equivale a 120 km de largura no terreno.Divisória Central 6 . Possui quatro bandas espectrais. 1 .8o. 1 – Satélite CBERS e seus componentes.Antena UHF de Recepção 7 Câmera de Varredura Infravermelho Fig.EPIPHANIO . mas menor que a do Landsat. Isso é uma característica relevante em situações de ocorrência de eventos que precisam ser monitorados em curto espaço de tempo. é uma vantagem comparativa importante em relação aos sistemas existentes. Esse sensor opera com um FOV de 8. ou fora do nadir.

35 µm). Uma quarta banda espectral localiza-se no infravermelho termal (10. no caso da WFI/CBERS. também não possui a baixa resolução DSR/INPE 2-29 J. onde são exigidas resoluções melhores do que essa. É um sensor baseado na tecnologia CCD. Sua resolução espacial não é tão boa quanto a do ETM+/Landsat-7 (30 m na maioria das bandas) mas também não é mellhor do que a do AVHRR/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer da National Oceanic and Atmospheric Administration.N.63 a 0. Essas três bandas espectrais possuem resolução espacial de 80 metros no terreno. apesar da baixa resolução espacial. houve um sacrifício da resolução espacial.55 a 1. o que corresponde a uma faixa de 890 km no terreno. e passivamente pelo próprio deslocamento do satélite no sentido da órbita. é a câmera WFI (imageador de grande campo de visada).69 µm) e outra na do infravermelho próximo (0.1 km é muito alta. a resolução espacial de 1. que passou a ser de 260 m.75 µm e 2. A WFI/CBERS possui apenas duas bandas espectrais: uma na região do vermelho (0. que é de 1. para ter essa resolução temporal e cobrir uma faixa extensa de terreno a cada passagem. A WFI/CBERS. embora não possua a alta resolução temporal de um dia do AVHRR/NOAA. o qual é feito eletronicamente na direção transversal à órbita. e de interesse para o sensoriamento remoto. O outro sensor a bordo do CBERS.77 a 0. e não possui capacidade de visada fora do nadir. a WFI/CBERS.EPIPHANIO . é que o AVHRR/NOAA é originariamente um sensor meteorológico e. Como em todo sistema há uma solução de compromisso entre os diversos requisitos da missão. O nome deste sensor pode induzir a um equívoco de entendimento quanto à sua resolução espacial.médio (1. Além disso. portanto.89 µm). Radiômetro Avançado com Resolução Muito Alta). Possui características intermediárias entre todos os sistemas existentes para o estudo da superfície terrestre.C. Sua resolução temporal é de 26 dias. para esta aplicação. ao contrário do que ocorre para boa parte das aplicações de sensoriamento remoto. Isso garante ao sensor um período de revisita de apenas cinco dias.5 µm).4 a 12.08 a 2. Porém. não possui componentes móveis para o imageamento.1 km. A WFI/Cbers possui um FOV de 60o. apresenta-se como um sensor de alto potencial de aplicação.

São satélites de órbita heliossíncrona. a estação está em Cuiabá. no caso Brasil. que é uma agência governamental dos Estados Unidos. Radiômetro Avançado de Muito Alta Resolução).EPIPHANIO . 1997). e a do infravermelho próximo é de alta reflexão. As suas duas bandas espectrais são dispostas em pontos estratégicos do espectro eletromagnético e são destinadas principalmente ao estudo da vegetação. circular a aproximadamente 850 km. respectivamente). mas para muitas aplicações de sensoriamento remoto. Com essas características. A série de satélites NOAA tem sido de grande importância no campo da meteorologia.N. MT. O processamento dos dados para que sejam gerados os produtos a serem distribuídos aos usuários é feito em Cachoeira Paulista. 16 e 17. esta resolução do AVHRR-3/NOAA é considerada baixa.br/index. O catálogo para verificação de cobertura de imageamento e qualidade de imagens pode ser acessado a partir da internet no seguinte endereço: http://www. esta resolução pode ser considerada muito alta para aplicações em meteorologia.temporal do HRVIR/Spot. a banda do vermelho é de alta absorção de energia. Como esclarecido anteriormente. é responsável pelos satélites também chamados NOAA (Kidwell. que visam exatamente a realçar a vegetação representada numa cena de sensoriamento remoto. SATÉLITES NOAA A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Admnistration). Esse contraste deverá ser explorado através dos índices de vegetação. ou seja.C. 2000a).inpe. Nestas duas regiões (vermelho e infravermelho próximo) são os locais em que a vegetação apresenta o maior contraste espectral. Entre os sensores a bordo. Os dados do CBERS são gravados por estações terrenas. 6. DSR/INPE 2-30 J. O AVHRR-3 faz parte dos sensores a bordo dos satélites NOAA K.dgi. um que será aqui descrito é o AVHRR-3/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer. L e M (que recebem após o lançamento os números de 15. SP.html (INPE. que é de 26 dias no nadir. é provável que se consiga identificar diversas aplicações que demandem tais resoluções intermediárias.

725 – 1.3 11. oceanografia.N. 2 e 3A são usados para monitorar a energia refletida nas porções do visível e infravermelho próximo do espectro eletromagnético. L E M Canal 1 (visível) 2 (infravermelho próximo) 3A (infravermelho médio) 3B (infravermelho médio) 4 (infravermelho termal) 5 (infravermelho termal) FONTE: NOAA (2000) DSR/INPE Banda espectral ( m) 0. é de 1.O AVHRR-3/NOAA é um radiômetro imageador de varredura mecânica que opera em seis bandas espectrais (Tabela 6).1 1. TABELA 6 . e do mar bem como das nuvens sobre eles. a resolução temporal do AVHRR-3/NOAA é muito maior que a dos outros satélites de sensoriamento remoto vistos até aqui.250 km de largura de faixa imageada no terreno. Os dados do AVHRR-3/NOAA podem ser recebidos por antenas menores e também a custos reduzidos.1 1. Os dados dos canais 1. neve. Portanto. em km) 1.93 10. Apenas cinco canais podem ser transmitidos simultaneamente. O campo de visada (FOV) do AVHRR-3/NOAA é de ±55.68 0.550 – 3.00 1. Com esta largura de faixa e com a taxa de 14 revoluções orbitais por dia.580 – 1. Os dados adquiridos durante cada passagem permitem. de nuvens.580 – 0.EPIPHANIO . Esses dados permitem a observação da vegetação. enquanto que o 3B só opera durante as passagens matutinas do satélite. 4 e 5 são usados para determinar a energia radiativa da temperatura da superfície terrestre. aerossóis e gelo.1 2-31 J. no seu caso. os canais 3A e 3B são comutados para passagens diurnas/noturnas. há o sacrifício da resolução espacial que. a terra toda é coberta a cada dia.1 km para os pixels no nadir. conforme necessário.5 Resolução espacial (no nadir. Porém. a análise de parâmetros de interesse em hidrologia.1 1. após o processamento em terra.1 1.300 – 11. o que equivale a 2.64 3.500 – 12.4o.CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K.1 1. linhas de costa.C. Os dados dos canais 3B. lagos. da água. A Tabela 6 apresenta as características dos canais do AVHRR-3/NOAA. uso da terra e meteorologia.

O nome “Terra” surgiu após um concurso nacional (nos Estados Unidos) entre estudantes de nível elementar e médio.7. cuja missão é gerar conhecimento científico em profundidade sobre o funcionamento da Terra como um sistema. PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) O programa EOS (Earth Observing System. O satélite Terra. está numa órbita circular a 705 km de altitude. quase polar.EPIPHANIO . A seguir é feita uma breve descrição dos três primeiros sensores. O primeiro grande satélite desse programa denomina-se Terra.385 µm). cobrindo desde o limite inferior do visível (0. Esse satélite possui cinco sensores: MODIS (Moderate-Resolution Imaging Spectroradiometer. Radiômetro Espacial Avançado de Emissão Termal e Reflexão). cruzando o equador às 10:30 da manhã na órbita descendente. lançado em 18/12/1999. CERES (Clouds and the Earth’s Radiant Energy System Network. ASTER (Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer. É um programa que envolve vários países e uma grande gama de satélites e sensores.366 µm) até o infravermelho termal (14. cujo espelho faz a DSR/INPE 2-32 J. MISR (Multi-angle Imaging Spectroradiometer. Sistema de Medição de Energia Radiante da Terra e Nuvens). anteriormente chamado EOS/AM-1. Espectrorradiômetro Imageador em Múltiplos Ângulos). O Modis é um sensor com 36 bandas espectrais. Espectrorradiômetro de Imageamento de Moderada Resolução).C. heliossíncrona. Medição da Poluição na Troposfera). e MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere. 1999). cuja ganhadora foi uma aluna de 13 anos.N. e à 1:30 da madrugada no sentido ascendente. Tem-se como premissa que esse conhecimento científico forneceria os fundamentos para o entendimento das variações naturais e induzidas pelo homem no sistema climático da Terra e também forneceria uma base lógica para as tomadas de decisão quanto às políticas ambientais (King. É um sistema de varredura transversal à direção da órbita. Sistema de Observação da Terra) é um programa de longo prazo (pelo menos 15 anos).

60 µm e 2. de 500 m para as bandas 3-7. 45.125 µm e 11.C. Esses dois últimos sub-sistemas possuem capacidade de apontamento de ±8.6o. fitoplâncton.54o lateralmente. Suas dimensões são de 1.0 m. e massa de 250 kg.330 km no sentido transversal à órbita e 10 km no sentido longitudinal à órbita. A faixa de imageamento é de 360 km e. Na região do visível/ infravermelho próximo tem três bandas com 15 m de resolução espacial. principalmente).000 m para as bandas 8-36. cada câmera possui quatro bandas espectrais entre o visível e o infravermelho próximo.6 m x 1. além disso. DSR/INPE 2-33 J. As principais aplicações são traçar limites terra/nuvens. O terceiro sensor do Terra aqui descrito é o Misr. O sensor Aster tem 405 kg e possui três subsistemas. com alta resolução espacial. com 30 m de resolução espacial.N. Este sensor faz imagens da terra em nove direções de apontamentos diferentes. as resoluções espaciais variam de 250 m no nadir a 275 m para a câmera com ângulo mais extremo.65 µm. avaliar propriedades da superfície terrestre (vegetação. Esse sub-sistema é composto de dois telescópios.46 µm.3 rpm. um para cada região espectral.5o para frente e para trás na direção da órbita). sendo de 250 m para as bandas 1 e 2.varredura a uma taxa de 20. Uma câmera aponta para o nadir e outras oito cobrem diferentes ângulos de visada (26. sua faixa de imageamento é de 60 km. biogeoquímica. O terceiro sub-sistema do sensor Aster é responsável pela medição da radiação em cinco bandas espetrais no infravermelho termal. entre 8. e 70. temperatura da superfície e das nuvens.0 m x 1. permitindo que se gerem imagens estéreo. O sub-sistema responsável pela região do infravermelho médio mede a radiação em seis bandas entre 1. vapor d’água na atmosfera.EPIPHANIO . cor oceânica. e de 1. com resolução espacial de 90 m e faixa de imageamento de 60 km.1o. e numa faixa de imageamento de 60 km.0o. Cada varredura cobre uma faixa de 2. nuvens do tipo cirrus. e pode fazer visadas laterais de ±24o. pode cobrir até 318 km fora do nadir. o que permite que qualquer ponto na superfície possa ser imageado pelo menos a cada 16 dias. 60. medições de ozônio. no nadir. nuvens e aerossóis. Sua resolução espacial é dependente das bandas. sendo que um deles pode apontar para trás na mesma direção da órbita.

praticamente não sofrem interferências atmosféricas (Short. eletrônica. como geram sua própria iluminação. A operação dos radares se dá em comprimentos de onda bem maiores que os do visível e infravermelho. podem otimizar seu posicionamento em relação ao Sol para captar energia solar em seus painéis solares e também operar em horários onde as estações de recepção estão com mais tempo livre. que os envia a uma antena direcional que modula e focaliza cada pulso num feixe transmitido ao alvo. PROGRAMAS DE RADAR O termo radar vem de radio detection and ranging. Cada pulso dura apenas alguns microssegundos (em geral há cerca de 1.500 pulsos por segundo). Este os envia a um duplexador (ou multiplexador). do Canadá. geometria. ao serem praticamente imunes às condições atmosféricas.C. os satélites que operam na região ótica têm grande quantidade de imagens inaproveitáveis por causa da cobertura de nuvens. que são conduzidos a um dispositivo de gravação que pode armazená-los digitalmente para processamento posterior.N. pois ao poderem imagear a qualquer hora.EPIPHANIO . a bordo de stélites: o ERS (European Remote Sensing Satellite. Essas duas características são importantes. exigindo conhecimentos de várias áreas. para alguns comprimentos de onda. Satélite Europeu de Sensoriamento Remoto) e o Radarsat. Atualmente há dois grandes programas que envolvem o imageamento da superfície terrestre por sensores radar. DSR/INPE 2-34 J. podem funcionar tanto durante o dia como durante a noite e. O conhecimento da teoria radar é um tanto quanto complexa. E. Operam entre 40 GHz (banda K-alfa) e 300 MHz (banda P) (ou entre 0. Em geral um sistema radar é constituído dos seguintes elementos: um gerador que envia pulsos a intervalos regulares a um transmissor. evitando congestionamentos. entre elas as de física. e processamento de sinais.8. ou detecção de alvos e avaliação de distâncias por ondas de rádio. os pulsos que retornam são captados pela mesma antena e enviados a um receptor que os converte (e amplifica) em sinais de vídeo. 1998). Os radares. oferecem grande certeza de aquisição de imagens em condições adequadas para uso.8 cm e 100 cm).

a partir da base de lançamentos de Kourou. 11 e 12 m. circulando a Terra a cada DSR/INPE 2-35 J. Experimento de Monitoramento Global do Ozônio). 3.4 m. 1995). o ERS-2 foi lançado em 21/4/1995 (Francis et al. e tem um intervalo de revisita de 35 dias.O programa ERS é europeu e iniciou-se com o ERS-1. com cruzamento do equador. no percurso descendente. na Guiana Francesa. que é muito semelhante ao ERS-1. lançado em 4/11/1995. e que pode operar no chamado modo “imagem”. modo onda) e.5o). adquire imagens de 5 km x 5 km a cada 200 ou 300 km num sistema de amostragem. O ERS-2. Também leva um instrumento denominado GOME (Global Ozone Monitoring Experiment. e num ângulo de visada fixo em 23o no meio da faixa de imageamento. Mas esse radar também pode operar no modo onda (wave mode. Fornece imagens com resolução espacial de 30 m x 30 m.N. com polarização VV (transmissão e recepção verticais). O outro satélite com sistema radar de grande importância para o sensoriamento remoto é o Radarsat. do Canadá. com antena de 10 m. Esse modo de operação é o mais largamente utilizado para aplicações terrestres do ERS. O ERS-2 tem ainda um radar para a medição da velocidade e direção do vento sobre os oceanos. um radiômetro de varredura mecânica que opera nos comprimentos de onda de 1. um radar altímetro para fazer medições precisas dos sinais de retorno provenientes dos oceanos e das superfícies de gelo. tem dimensões de 2 m x 2 m de base e 3 m de altura. Um de especial interesse para o sensoriamento remoto é o radar imageador. com altitude média de 780 km.3 toneladas. numa cena de 100 km x 100 km. então.. às 10:30 da manhã. cujo lançamento deu-se em 17/7/1991 pelo lançador francês Ariane-4. em banda C (freqüência de 5.EPIPHANIO . com resolução espacial de 1 km x 1 km (no nadir) e com uma largura de faixa de imageamento de 500 km. Os dois satélites têm órbita síncrona com o Sol. hora local. a órbita é quase polar (98. pesa cerca de 2. O ERS-2 é constituído de vários sensores.7. O Radarsat tem órbita circular de 798 km de altitude.6 cm).3 GHz ou comprimento de onda de 5. e tem um painel solar de 12 m x 2.C. com aplicação em oceanografia.6.

6 cm). ESA Bulletin.cnes. ERS satellite. conflitos de gravação no momento da aquisição das imagens (CCRS. 1995. e o período de revisita é de 24 dias para um mesmo modo de operação e ângulo de incidência.ccrs. Aug. n. com inclinação de 98.esrin. [online]. Radarsat program. 83. et al. assim.it/erslist. Sua órbita é heliossíncrona. May 2000.fr/spot4_gb/index. É um sistema versátil. p. A filosofia que norteia o sistema é a de fornecer o mais prontamente possível a imagem adquirida ao usuário. embora possa ter imageamentos distanciados de apenas 4. Francis. 14 vezes por dia .3 GHz ou comprimento de onda de 5. a largura da faixa de imageamento pode variar de 35 km a 500 km.200 kg.100.R. O Radarsat. The ERS-2 spacecraft and its payload. <http://spot4. DSR/INPE 2-36 J. mas com passagem pelo equador às 6:00 (descendente). e as resoluções espaciais podem variar de 10 m a 100 m. May 2000.5 m direcionada para a esquerda no hemisfério sul) desde 20o até 50o. opera na banda C (freqüência de 5. European Space Agency (ESA). O tempo decorrido entre a aquisição e o recebimento pode ser tão rápido quanto um dia. possui vários modos de imageamento.htm>. May 2000. <http://services.nrcan.htm>. C. [online]. 9. [online] <http://www.ca>. pode variar o ângulo de incidência (com antena de 15 m x 1.N.gc. e ao mesmo tempo passa sobre as estações de recepção em horários não utilizados por outros sistemas evitando. 12-31. 2000). SPOT program.EPIPHANIO .C. Centre National d'Études Spatiales (CNES). em polarização HH (transmissão e recepção da onda eletromagnética polarizada horizontalmente).6o em relação ao equador. REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR Canadian Centre for Remote Sensing (CCRS). hora local.esa.5 dias para ângulos de incidência diferentes. Essa configuração orbital permite que o Radarsat explore ao máximo as condições iluminação de seu painel solar.7 minutos. com massa de 3.

gov:80/docs/klm/>. Programa CBERS. S.nasa. Aquisição de imagens. EOS reference handbook. The remote sensing tutorial. Introduction to the NOAA KLM system. May 2000c. Suitland. M. Short. <http://www.D.inpe. V.html>. 1997. <http://www.T.br/programas/mecb/default. [online]. Photogrammetric Engineering and Remote Sensing.EPIPHANIO . 7. <landsat. NOAA.dgi. 1999. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Greenbelt. 308p. p. Solomonson. May 2000.htm>. King. 63.gov/eos_homepage/misc_html/refbook.Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Lauer. E. Washington.gov>. Morain. [online].nasa.L. D. Programa MECB.D.N.M. São Paulo: Edgard Blücher. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). evolution. Greenbelt.br>. K. M. 397p.inpe. <http://www.ncdc. NASA. 1999. National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). CDROM. <http://eos.br/programas/cbers/portugues/index. May 2000.html>. May 2000a. 361p. DSR/INPE 2-37 J.M. EOS science plan. Greenstone. Landsat program. July 1997.B. 831-838. N. and impacts. May 2000.A. [online].noaa. NOAA polar orbiter data users guide.. King. The Landsat program: its origins. 1998.. Sensoriamento remoto: princípios e aplicações. R.C. n.inpe. v. May 2000b.gsfc. 1989.. [online]. <http://www2.V. [online]. 120p. NASA./ Novo. NASA.M. National Aeronautics and Space Administration (NASA). Kidwell.

CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte A: P A N A M A Z Ô N I A : O DOMÍNIO DA FLORESTA AMAZÔNICA NA AMÉRICA DO SUL PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid.br P. Martini DSR/INPE .inpe.R.

R.DSR/INPE 3A-2 P.Martini .

.................................................... 3A-5 3A-7 3A-9 3A-9 3A-11 3A-13 3A-15 6...... 3................................................................................. 2.................................................................... SOLOS E AGRICULTURA ............... 4.................................................... INTRODUÇÃO ..................................... LISTA DE TABELA ........................................................Martini ....................................... 3A-16 DSR/INPE 3A-3 P..................................... RIOS ........ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................... FLORESTAS ............. 5.................................................................................................. RECURSOS MINERAIS .......R.....................ÍNDICE LISTA DE FIGURA . 1..............................

Martini .R.DSR/INPE 3A-4 P.

.......LISTA DE FIGURA FIGURA 1...........Martini ...............R........ 3A-19 DSR/INPE 3A-5 P......LIMITES DA PANAMAZÔNIA .........

Martini .DSR/INPE 3A-6 P.R.

3A-18 DSR/INPE 3A-7 P.............Martini ................LISTA DE TABELAS TABELA 1 – ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) ..........R............. 3A-17 TABELA 3 – DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 .......................................... 3A-17 TABELA 2........................................FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 ..........................

DSR/INPE 3A-8 P.R.Martini .

serviu e serve atualmente para designar a grande região compreendida pela floresta no Brasil e no conjunto dos países amazônicos. INTRODUÇÃO Alguns meses antes da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente.R. Verdadeiramente a floresta densa (ombrófila-densa) é uma parte importante dos tipos de coberturas ali instaladas a partir da última glaciação há 12. principalmente aqueles passíveis de serem observados e analisados em imagens do Satélite LANDSAT. Este número define a distribuição ambiental da floresta amazônica na América do Sul. Este número foi o primeiro e talvez o principal resultado obtido pelo projeto de cooperação.000 anos antes do presente.082.1. Neste texto são serão descritos alguns elementos marcantes da paisagem nativa e antrópica da Panamazônia.Martini . 2.264 km2. UNCED-92. Somos todos predominantemente amazônicos como mostra a figura 1 onde as fronteiras panamazônicas estão traçadas sobre as bordas dos países e o conjunto de 345 cenas LANDSAT que cobrem todo o extenso domínio. Os degraus andinos DSR/INPE 3A-9 P. Outros tipos importantes são as florestas abertas (ombrófila aberta) e as savanas ou cerrados com uma extensa zona de transição entre elas. Principal porque mostra que pelo menos 58% da área total dos países panamazônicos se encontram dentro do contexto ambiental de florestas tropicais. ou seja. o Domínio Panamazônico. O nome Panamazônia como ficou denominado o projeto. Este projeto contemplava o uso de Sensoriamento Remoto orbital para monitorar a floresta tropical da megaregião. A Tabela 1 mostra a distribuição do domínio florestal amazônico não brasileiro em relação a área total dos respectivos países.539 km2) é 7. FLORESTAS A Panamazônia é conhecida pela sua cobertura florestal densa.702. o INPE propôs um projeto de cooperação para os países amazônicos da América do Sul. O tamanho final da área panamazônica incluindo aquela do Brasil (5.

082. DSR/INPE 3A-10 P. CUMAT-Bolívia (1992). Os estados que mais contribuíram para este percentual são os estados de Mato Grosso e Pará. Este condomínio de feições florestais de expressão planetária vem sendo submetido nos últimos quarenta anos a um severo processo de ocupação. sendo-lhes transferidas imagens gravadas pela Estação de Cuiabá. com detalhes. Resultados finais sobre o desflorestamento foram obtidos para três países: Bolívia. A tabela também mostra a taxa de desflorestamento encontrada durante o período 77-96 e de acordo com esta taxa. incluindo todo o Maranhão). IGAC-Colômbia (1993).R.17% de desflorestamento. chega-se ao valor de 10. SAGECAN-Venezuela (1993).069 km2 ou 51. A distribuição dos tipos de florestas da Amazônia Legal brasileira se encontra no anexo Amazônia Desflorestamento 95-97. No decorrer do projeto a partir de 1992 foram criados e treinados grupos de trabalho nos diversos países. ENGREF-Guiana Francesa (1994) e ENRIC (1994) para os demais países. O número do desflorestamento na Amazônia brasileira para agosto de 1996 era de 517. Peru e Guiana Francesa.Martini .706. Os números mais recentes sobre a expansão da ação antrópica no Brasil.dão berço a florestas também tropicais que são denominadas selvas altas ou selvas de piemonte. Informações muito didáticas são apresentadas no anexo da revista Veja número 1527. o possível prazo de existência das florestas nos respectivos estados.539 km2. (5. Ao se relacionar estes números com a área aqui adotada para Amazônia Legal. A Tabela 2 mostra a distribuição do desflorestamento no período 95/96 e as áreas dos estados amazônicos brasileiros.1997). Os números do desflorestamento para os outros países sul americanos foram obtidos pelo Projeto Panamazônia gerenciado pelo INPE. está apresentado também no anexo acima mencionado enquanto que informações gerais sobre os demais países são apresentadas em INRENA-Peru (1996). página 10 (INPE.900 hectares.

37 km2 ou 6.237 hectares.22% da área original de florestas. Para estes países preferiu-se buscar figuras publicadas por ENRIC (1994). Na Guiana Francesa o ENGREF-Kourou apresentou em seu relatório de 1994 que 10. isto porque os números obtidos do Projeto Panamazônia eram incompatíveis com aqueles apresentados por ENRIC (op. 99 km2 ou 4. DSR/INPE 3A-11 P. avaliou que os bosques tropicais desmatados até 1990 somavam 23.000 km2 de desflorestamento ou 1.20% da cobertura original.O Peru através do Instituto Nacional de Recursos Naturais-INRENA reportou que o índice de desflorestamento de suas florestas tropicais até 1990 foi de 9. Este índice aponta para um número em torno de 1. 3. Os demais países reportaram apenas parcialmente seus resultados ao Projeto Panamazônia. o Rio Courantyne na fronteira Guiana-Suriname e o Rio Maroni da fronteira Suriname-Guiana Francesa. No Brasil devem ser mencionadas bacias pequenas que drenam para o Atlântico. o Rio Gurupi no Pará e o Rio Mearim no Maranhão. o Rio Essequibo na Guiana.R.948.Martini . A Bolívia através do Centro de Investigação do Uso Maior da Terra-CUMAT .482.cit). Separam-se dele as bacias do Alto Orinoco na Venezuela.43% de florestas em sua área costeira haviam sido desmatadas até 1990. Venezuela e Equador preferiu-se manter as áreas totais dos países ao invés de usar os valores apenas dos domínios amazônicos da tabela 1. A Tabela 3 sintetiza a distribuição do desflorestamento nos domínios amazônicos da América do Sul até o ano de 1990. Estas incluem os rios Oiapoque e Araguari no Amapá. No caso dos países como Colômbia.10% da cobertura original daquele território francês.974. representando um total de 69. RIOS Os rios panamazônicos estão quase em sua totalidade na rede tributária do Amazonas.

ao longo das fronteiras do Brasil com as Guianas e a Venezuela. Rios cristalinos são aqueles com as cabeceiras instaladas no Planalto Central: o Tapajós com seus formadores Juruena e Teles Pires. o Putumayo e o Caquetá. Dentre estes devem ser mencionados o próprio Rio Negro além do Uatumã. próximo de Arequipa. Os rios de águas cristalinas ou negras aparecem em cores ou tons escuros. Os formadores do Rio Madeira como o Madre de Dios. Peru. 1996. Assim os rios de águas turvas como o Amazonas e todos os outros afluentes com nascentes andinas aparecem nas imagens em cores ou tons mais claros. Martini e Garcia. ambas no Estado do Mato Grosso. a jusante das cidades de Peixoto de Azevedo e Alta Floresta.1988). Paru e Jari. 1996). De águas turvas existem também outros grandes tributários andinos como o Napo. A primeira está no Vale do Rio Teles Pires. Os rios cristalinos principalmente o Tapajós e o Xingu vem sendo seriamente impactados por atividade de garimpo. o Xingu com seus formadores principais Iriri e Coluene. Na Bacia do Rio Tapajós existem duas grandes fontes de turbidez por garimpos. Rios negros estão localizados principalmente na calha norte do Amazonas e têm suas cabeceiras nas serras divisoras Amazonas-Orinoco. O primeiro acomoda a origem do Amazonas junto ao Nevado Queuhisha. Trombetas. A segunda entre os DSR/INPE 3A-12 P. Neste local um riacho de nome Apacheta acomoda as primeiras águas perenes do Rio Amazonas. O rejeito síltico-argiloso destes garimpos tem transformado as águas límpidas destes rios em águas turvas (Martini. e o conjunto Araguaia-Tocantins.Os tributários e o próprio Rio Amazonas apresentam águas de cores diferenciadas bem características nas imagens de satélite. De tons claros são os dois principais formadores do Rio Amazonas no Peru: os rios Ucayali e Marañon. Grande e Mamoré imprimem a ele também a assinatura de águas turvas.Martini .000 metros localizado nos Andes Ocidentais. um pico de 5. Beni.R. não tributários diretos mas parte da embocadura do Amazonas. (Palkiewicz e Goicochea.

Os rios amazônicos mostram um potencial hidrelétrico invejável e alguns sítios acomodam grandes lagos que produzem uma energia importante porque não poluente e pouco impactante. Tucuruí no baixo Tocantins e Balbina no baixo Uatumã. Dois fatores são prontamente identificados como inibidores daquele procedimento: a pequena distribuição de solos ricos e produtivos (e.g. Curuauna em Santarém (PA). também no sul do Estado do Pará. para sul da cidade de Tucumã. Tucuruí é a maior hidrelétrica brasileira enquanto Balbina com um lago de dimensões semelhantes não produz energia suficiente para suprir a cidade de Manaus.Martini .rios Crepori e Jamanxim no sudoeste do Estado do Pará. As exceções são as extensas áreas com soja da Chapada dos Parecis no Mato Grosso e as agrovilas instaladas sobre solos muito nobres ao longo da Rodovia Transamazônica próximo a Altamira no Pará. A usina de Procopondo no Rio homônimo do Suriname é a única unidade hidrelétrica grande estabelecida fora do Brasil em terrenos amazônicos. DSR/INPE 3A-13 P. Culturas de chá. adequadas ao ambiente amazônico. cacau e outras vem se expandindo principalmente nos estados do Amazonas e de Rondônia. latossolos vermelho-escuros) e a falta de condições geomórficas adequadas para a agricultura ostensiva e mecanizada. pimenta. SOLOS E AGRICULTURA Os padrões de agricultura nas imagens de satélite Landsat indicam que o manejo tradicionalmente observado na região sul do Brasil foi aplicado apenas localmente na Amazônia Legal. tem crescido constantemente mostrando que além de boa produtividade elas ajudam a inibir a erosão acelerada dos solos provocada pelos altos índices pluviométricos. 4. A instalação de culturas perenes. Estas últimas representam exemplos opostos de planejamento.Na Bacia do Xingu os garimpos são mais extensos nas cabeceiras do Rio Fresco.R. As usinas atualmente em operação são: Samuel em Porto Velho (RO).

A experiência tem demonstrado que a pecuária. ao redor da cidade de Pucallpa no Peru. A pecuária continua firmemente se expandindo principalmente em Mato Grosso (região nordeste). do Peru e da Colômbia. Os campos de coca vem crescendo rapidamente nas regiões de Cochabamba e de Santa Cruz na Bolívia bem como no médio Ucayalli. e os imensos campos de coca da Bolívia. As imagens mostram também que os campos colombianos não se expandiram tanto como nos países mencionados. Alternativas para usos sustentáveis da terra são ainda muito discretas e se resumem a questões acadêmicas junto a instituições de pesquisa que atuam na região.A pecuária. além de mostrar uma produtividade cerca de 4 vezes inferior ã outras regiões produtoras tipo Goiás e Triângulo Mineiro. entretanto. Pará e mais recentemente no Acre. Esta degradação aparece pela lateritização intensa e rápida das áreas desmatadas. Esta área mostra a entrada rápida e intensa da cultura a partir do final dos anos 80. As áreas de arroz e de cana de açúcar tem crescido intensamente na Guiana. DSR/INPE 3A-14 P. Nesta linha de sustentabilidade deve ser ressaltada a convivência harmônica dos seringueiros com a mata nativa no Estado do Acre.R. sul de Rondônia. principalmente ao redor das cidades de Georgetown e de Nova Amsterdam. continua sendo o padrão mais densamente distribuído nas áreas desflorestadas da Amazônia. ela provoca pelo pisoteio do gado e pela erosão uma degradação acelerada dos solos.Martini . A pouca expansão da coca na Colômbia pode ser compensada pela presença de grandes campos. Famílias de seringueiros por décadas vem explorando a mata nativa sem destruí-la enquanto que pecuaristas em meses movem imensas matas semelhantes para pastagens. do alto Rio Napo na região dominada pela cidade de Tena no Equador. Nos demais países panamazônicos aparecem com destaque as culturas de arroz e cana de açúcar da região costeira da Guiana e do Suriname.

contem como principal jazimento mineral 17. Tratam-se das minas de Carajás. Este fato deve-se certamente a falta de conhecimento e de trabalhos sistemáticos de mapeamento como aqueles iniciados pelo Projeto RADAMBRASIL em meados da década de 60. Morro dos Sete Lagos (AM) com nióbio e terras raras.5. as bordas das províncias minerais como no Projeto Carajás se transformaram em escudos contra a expansão do desflorestamento. Verdadeiramente. prata e molibdênio em quantidades menores porem consideradas também como jazimentos.R. DSR/INPE 3A-15 P. Outros jazimentos expressivos em atividade ou em reserva são: Serra do Navio (AP) com manganês. formador do Uatumã no Estado do Amazonas acomoda um grande jazimento de cassiterita contendo 270.Martini .1 gigatoneladas de minério de cobre além de ouro. Serra Pelada (PA) com ouro e Paragominas (PA) com alumínio. localizada no Estado do Pará. RECURSOS MINERAIS Nos limites da Amazônia brasileira se encontram 3 das maiores minas para exploração mineral atualmente em operações no planeta. Observa-se que os recursos hídricos envolvidos na mineração não carregam rejeitos e quando existem ficam decantando em lagos isolados. A chamada Província Mineral de Carajás. minério de alumínio. do Rio Trombetas e do Rio Pitinga. O alto vale do Rio Pitinga. Secundariamente contem 1. O farto conjunto de jazimentos minerais conhecidos na Amazônia não se repete nos demais países panamazônicos.8 gigatoneladas de minério de ferro (hematita). Os platôs próximos do baixo Rio Trombetas no município de Oriximiná abrigam uma jazida de 600 megatoneladas de bauxita. As imagens as grandes minas citadas anteriormente não provocam impactos tão significativos à paisagem e ao meio ambiente físico quanto aqueles descritos anteriormente para os garimpos.000 toneladas de estanho.

-Fioravante. Projet Panamazonia Première Phase.A. São Paulo. June. Instituto Geográfico Agustin Codazzi. Arlington. Ministério das Minas e Energia. O oleoduto mede mais que 1.R. Secretaria de Minas e Metalurgia. Guiane Française. cerca da metade em domínio de floresta tropical. DSR/INPE 3A-16 P. Estado do Amazonas. 6. Revista Nova Escola. Os furos de sondagem ali são identificados nas imagens por um desflorestamento tipo pequenas asas deltas. Desbosque de la Amazonia Boliviana.86. por exemplo.Petróleo e gás são outros bens minerais intensamente explorados no domínio panamazônico. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIA -CUMAT (1992). (1995). Bolivia. Relatorio sobre el Estado Actual del Proyecto IGAC-INPE. O Brasil também contem reservas importantes de gás descobertos no alto Rio Tefé. Ecole Nationale de Genie Rural des Eaux et des Forets. -IGAC (1993). La Paz. Bogotá. Colombia. ano X n. -ENRIC (1994) A Source Book on Tropical Forest Mapping and Monitoring through Satellite Imagery: The Status of Current International Efforts. Setembre.300 quilômetros. Reservas de petróleo também são observadas na Amazônia Venezuelana. Environmental and Ntural Resources Information Center. O Rio Amazonas que não está no Mapa. Editora Abril S. VA. Departamento Nacional da Produção Mineral. contem reservas suficientes a ponto de instalar um imenso oleoduto que sai do Rio Tigre na fronteira com o Equador e do baixo Rio Maroñon para o porto de Bayovar no Pacífico. Agosto. -DNPM (1995) Economia Mineral do Brasil. -ENGREF (1994). C.Martini . Brasilia. Centro Investigaciones de la Capacidad de Uso Mayor de la Tierra. Centre de Kourou. A chamada Amazônia Peruana (Peruvian Amazon).

MCT-MMA. Deforestacion em el Bosque Lluvioso Tropical: uma Perspectiva Multitemporal. Proyecto Panamazonia-Caso Venezuela. São Jose dos Campos SP. -Martini. São José dos Campos SP. -INRENA (1996). Ministerio del Ambiente y Recursos Naturales Renovables.Martini . vol. -SAGECAN (1993). -Palkiewicz. 24. Dezembro.. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais . Julio. Panamazonia Project to Monitor South America Tropical Forest. J.R.1. P. (1993). (1996). Garcia. Monitoreo de la Deforestacion en la Amazonia Peruana. XXXI. -VEJA (1997). INR-48-DAGMAR.-INPE (1994). Caracas. part B7. Sociedad Geografica de Lima.W. Venezuela. DSR/INPE 3A-17 P. Peru.N. -INPE (1997).R. (1996) Depicting the Headwaters of the Amazon River through the Use of Remote Sensing Data.5. Z. P. October. ServicioAutonomo de Geografia y de Cartografia Nacional. Instituto Nacional de Recursos Naturales.R.R. vol. Brazilian National Institute of Space Research. Austria. Anexo do número 1527. Resumen de Actividades de la Expedicion Cientifica Internacional para Estabelecer de Manera Geograficamente Valida el Verdadero Origen del Rio Amazonas. Amazônia: Desflorestamento 1995-1997. -Martini. Natal RN. Amazônia. VI Latin America Remote Sensing Symposium. 11-15 de outubro de 1988. International Archives of Photogrammetry and Remote Sensing. Technical Cooperation and Training within the Panamazonia Project: a Proposal to UNEP. Colombia. (1988). J. Peru. Cartagena de Indias. Lima. Ano 30 n.Instituto Brasileiro do Meio Ambiente. -Martini. Goicochea. Vienna. October. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. P. O Declínio de um Grande Rio Brasileiro Detectado por Imagens LANDSAT. SELPER-Society of Latin America Remote Sensing Specialists.

18 10.79 100.82 Tabela 2 FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 ESTADO ACRE AMAPÁ AMAZONAS # MARANHÃO MATO GROSSO PARÁ RONDÔNIA RORAIMA TOCANTINS AMAZÔNIA ÁREA = A 2 km DEFLOR .246.556 901.296 2.63 33.36 28.000 214.Tabela 1 ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) PAIS Bolívia Colômbia Equador Guiana Francesa Guiana Peru Suriname Venezuela Total SA (km2) 567.000 214.800 391.285.379 225.761 91.Martini .21 14.082.00 58.619.38 9.138 48.00 50.800 912.432 214 320 18.505 217 119 174 78 1.303 380.539 3.619 1.605 142.648 5.94 1.25 1.023 1.00 100.172 SA/CA(%) 51.141 176.698 142.050 5.581 1.161 323 15.359 1.338 19.954 329.(D) km2 % TAXA (T) MÉDIA km2/ano A-D T 153.138.220 142.DESFLORESTAMENTO 95-97 # Área total do Estado DSR/INPE 3A-18 P.670 91.891 270.40 2.567.R.322 5.483 517.742 1.026 787 251 Comentário: GTH Fonte: PROJETO PRODES .725 CA (km2) 1.543 6.361 5.782 27.12 20.434 99.00 42.35 100.421 1.154.069 8.960 755.14 13.135 2.74 30.061 6.017 277.000 76.17 433 9 1.960 1.098.833 238.

91 BOLÍVIA BRASIL *COLOMBIA *EQUADOR GUIANA GUIANA FRANCESA PERU SURINAME *VENEZUELA # Inclui bosques tropicais fora do domínio amazônico.974 415.200 194.017 69.190 1.Martini .32 9.41 1. Fontes: .98 2.050 9.Projetos PRODES E PANAMAZÔNIA (INPE).16 11.R.38 24.303 5.175.960 91.ENRIC-94 DSR/INPE 3A-19 P.530 909. # Inclui terrenos fora do domínio amazônico.800 #912.20 2.24 21.891 #270.670 214.000 755.605 142.Tabela 2 DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 Desflorestament o (km2) 23.22 8.200 129.923 Domínio (km2) 567. .482 3.138.082.11 9.630 5.539 # 1.700 67.818 % 4.

R.Figura 1 – Limite da Panamazônia DSR/INPE 3A-20 P.Martini .

br .CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte B: IMAGENS PARA MAPEAMENTO GEOLÓGICO E LEVANTAMENTO DE RECURSOS MINERAIS: RESUMO PARA USO DOS CENTROS DE ATENDIMENTO A USUÁRIOS-ATUS DO INPE.inpe. PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS COORDENADORIA DE OBSERVAÇÃO DA TERRA DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid.

R.Martini .ÍNDICE DSR/INPE 3B-2 P.

.............................................................. 3B-6 3......... 3B-6 3......................LISTA DE TABELA ....... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .. 3B-5 3............ CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO ... 3B-5 2.............................................................................. APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS .. 3B11 DSR/INPE 3B-3 P..................................Martini ........... INTRODUÇÃO ............................... 3B-12 1.....................R........................3 ATRIBUTOS TEMPORAIS ..............................2 ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS ........ 3B-10 4.......................... 3B-9 3..1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS .............................................................................................

INTRODUÇÃO DSR/INPE 3B-4 P.Martini .1.R.

existe uma preferência pela imagem em papel preto e branco. para levantamentos regionais.Prospecção de óleo e de gas (petróleo) 5.Levantamento hidrogeológico (água subterrânea). temporais e espaciais. DSR/INPE 3B-5 P. são ferramentas efetivas para estudos geológicos.R. 3. a 100. Nestes campos as imagens são ferramentas cotidianas.000. 2. falhas. APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS Os produtos usualmente utilizados para estas aplicações levam em conta primeiramente o conteudo de informações da imagem. Para estudos de prospecção para petróleo e bens minerais utilizam-se produtos digitais. cobre. ferro) 6. 2. Objetivamente pode-se identificar 6 campos principais onde as imagens tem apresentado significativas contribuições. erosão. Neste contexto sempre que a fotointerpretação tenha um papel preponderante sobre a integração de dados de diferentes fontes. fraturas.Mapeamento de estruturas geológicas tipo dobras.Martini . principalmente aqueles de perfis tecnológicos semelhantes ao LANDSAT. ou seja monoespectral. uma vez que a integração de dados multifontes através do uso de sistemas de informações georeferenciadas (GIS) é um procedimento comum. Este conteúdo temático depende dos atributos espectrais.Mapeamento de litologias ou de rochas. Além disto. escorregamentos.Imagens de satélites. 4. os produtos para os campos acima mencionados podem ser apresentados como imagens em papel (analógicos) ou em meio digital.000 para trabalhos de semidetalhe e 1:50. As escalas variam de 1:250.000 para mapas de detalhe.Impactos ambientais: garimpos. Para mapeamentos litológicos/estruturais e levantamentos para hidrogeologia utiliza-se preferencialmente imagens em papel preto e branco.Prospecção de bens minerais (ouro. 1.

1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS As rochas no Brasil estão constantemente associadas a solos e vegetação. CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO Para que um produto possa conter maior conteúdo de informaçao temática é necessário que se agregue a ele os melhores atributos possíveis para uma cena gravada segundo a organização alvo.A avaliação de impactos ambientais sobre o meio ambiente físico pode ser feita por produtos em papel colorido. como envolvem também dados de outras fontes. Cabe mencionar como opção de muito baixo custo a banda pancromática do DSR/INPE 3B-6 P. uma vez que a vegetação e a água são importantes indicadores . No caso de solos não transportados cobertos por vegetação nativa. chamados RIMAS ou EIA-RIMAS. SPOT HRG-3 e CBERS CCD-4 Diz-se que quanto mais básica for uma rocha (maior conteúdo de elementos tipo Fe e Mg) mais escura ela aparece no infravermelho próximo. 3. Assim se um alvo na superfície da Terra reflete seletivamente a radiação solar. O objetivo sempre é o de agregar às imagens o melhor dos atributos espectrais. Esta banda corresponde a LANDSAT ETM-4. o comportamento das rochas se torna mais típico na banda do infravermelho próximo. O comportamento das rochas nas imagens é portanto uma combinação das respostas dos elementos rocha/solo/vegetação. sensor.Martini . Nos estudos sobre impactos ambientais de projetos tipo represas ou unidades industriais.R. precisamos selecionar as bandas que registrem melhor esta refletividade (atributo espectral) bem como o período sazonal onde ele se apresenta mais detectável (atributo temporal) conhecendo se os alvos estudados tem expressão na escala e na resolução da imagem (atributos espaciais). sol e data. Situações mais típicas para seleção de imagens com maior conteúdo de informaçoes para aplicações geológicas são apresentadas a seguir. espaciais e temporais. usam-se preferencialmente dados apresentados em mídia ótica (CD ROM) ou magnética (dat ou exabyte). 3.

sensor IR-MSS do CBERS. Esta banda diferentemente das outras bandas PAN abrange parte do infravermelho próxima. As outras terminam no início do infravermelho. Na faixa visível correspondente a banda do vermelho tanto as rochas ácidas quanto as básicas mostram assinaturas claras sempre que a vegetação não seja alta e densa tipo a mata amazônica. Esta banda é a ETM-3 ou HRG-2 ou CCD-3. A banda pancromática-PA do SPOT-5 poderia também ser recomendada. Na faixa do visível e em domínio amazônico pode-se esperar uma contribuição melhor da banda correspondente ao verde ou seja ETM-2, HRG-1 e CCD-2. Trabalhos geológicos que envolvam, portanto, mapeamentos de rochas (litologias), de estruturas ou com objetivo de estudar água subterrânea, serão bem atendidos por imagens da banda correspondente ao infravermelho próximo, se possível com o apoio de uma banda do visível, preferencialmente a centrada na faixa do verde. Trabalhos geológicos voltados a prospecção de bens minerais como cobre, chumbo, zinco, ouro, óleo ou gás, envolvem procedimentos de processamento digital e integração de dados. Nestas situações torna-se necessário explorar com mais profundidade os atributos espectrais das imagens. Assim o recomendável seria que o usuário utilizasse todo o acervo de bandas dos sensores, tanto na faixa visível quanto no infravermelho: 8 bandas ETM ou 5 bandas HRG ou 5 bandas CCD. A questão é que o usuário normalmente pede para um processamento digital mais simples um conjunto de 3 bandas. No caso de se tornar necessária a seleção de 3 bandas para objetivos de prospecção deve-se buscar ao máximo bandas que cubram todo o espectro ótico, ou seja: visível, infravermelho próximo e o de ondas curtas (short wave infrared). Assim além das bandas do verde e do infravermelho próximo recomenda-se tambem a banda ETM-7 ou HRG-4. A banda ETM-7 na verdade foi definida a pedido da própria comunidade geológica americana uma vez que tem correlação com a presença de hidroxilas em argilas. Argilas hidroxiladas são indicadoras de possíveis

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ocorrências de rochas ricas em cobre, chumbo e zinco. Deve ser entretanto ressaltado que os melhores desempenhos da ETM-7 foram observados em condições de baixa densidade de cobertura vegetal. No ambiente de florestas densas como nos remanescentes de mata atlântica ou na Amazônia, os desempenhos das bandas ETM-5 e ETM-7 para Geologia são semelhantes, trazendo informações sobre o dossel da vegetação e não sobre os solos ou rochas. Uma ultima opção interessante é o produto composto pelas bandas HRG-2 e 3 do SPOT-5 junto com o seu canal pancromático. Nesta combinaçâo se associam bons atributos espectrais com a ótima resolução espacial de 2.5 metros da banda PA . Os produtos recomendados para prospecção em Geologia são os digitais. Se analógicos devem ser sempre coloridos. Estudos sobre áreas onde o meio ambiente físico tenha sido impactado devem ser suportados por uma combinação de bandas que mostrem a situação das águas, da cobertura vegetal e do conjunto rocha/solo. Assim para domínios de floresta densa a composição RGB: ETM-543, HRG-432 e CCD-342 atendem a maior parte dos objetivos. Terrenos de baixa densidade vegetal (não amazônicos) serão melhor atendidos por composições “falsa-cor normais”, ou seja com RGB: ETM-432 ou HRG-321, ou mesmo CCD-432. Estudos recentes mostram que o desempenho do IRMSS-CBERS em bandas pancromática e do infravermelho de ondas curtas (pan+7+8 em GBR) é muito bom para estudos geológicos em terrenos não amazônicos. Estudos sobre impactos ambientais, os RIMAS ou EIA-RIMAS, seguem aquilo que foi descrito para as áreas impactadas apenas que neste caso os produtos devem ser apresentados em mídia digital. O estudo de áreas já impactadas, pelas análises de campo podem recomendar a geração de produtos fotográficos coloridos.

3.2. ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS

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Os principais atributos espaciais ou geométricos das imagens de satélites para a área de Geologia dizem respeito à relação entre o tamanho da cena e o quadro sinótico da área imageada (escala) e a dimensão do elemento de resolução da cena (pixel) no terreno. Um pixel menor permite uma escala maior mas sempre com restriçoes quanto ã dimensão da área coberta pela imagem. Assim para um pixel de 30 metros como aquele do Mapeador Temático pode-se chegar a uma escala de 1:50.000 mas a área coberta pela imagem será a menor, ou seja, 45 quilômetros de lado. Se o interesse do usuário for por uma área grande, equivalente ao de uma cena LANDSAT completa, serão necessárias 16 imagens na escala 1:50.000, ou apenas 1 imagem em escala 1:250.000 ou menor. Se o usuário estiver interessado em levantamentos geológicos regionais a imagem de 1:250.000 terá naturalmente melhor relação custo/benefício do que a de 50.000, embora mostre menos detalhes. O pixel PAN do SPOT tem possibilidade de suportar ampliações fotográficas de escala 1:25.000 sem perder o contexto de cena que define claramente as bordas dos diversos alvos. Ampliações 1:25.000 a partir de um pixel de 30 metros como aquele do TM fazem com que as bordas dos alvos apareçam serrados perdendo-se o entendimento do contexto da cena. O processamento digital sobre dados SPOT ou LANDSAT permite que realces de borda ou de contraste melhorem bastante as escalas máximas de ampliação. Assim imagens TM melhoradas por processamento em computador podem ser ampliadas até 1:25.000 sem perder seu conteúdo de informação geológica. Imagens SPOT-PAN registradas com canais XS podem chegar a escala de 1:15.000 mantendo aínda atributos em boas condições para estudos geológicos.

3.3 ATRIBUTOS TEMPORAIS O contexto temporal das imagens para Geologia não tem naturalmente a importância necessária de uma aplicação em Agricultura. Geralmente busca-se para Geologia a imagem livre de nuvens, com maiores índices de visibilidade e

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P.R.Martini

de conteúdo/qualidade da informação gravada. Existe entretanto um efeito temporal nas imagens que influencia fortemente o conteúdo de informação geológica: trata-se do sombreamento. O sombreamento é o efeito observado nas imagens no qual as faces das vertentes voltadas para o sol ficam mais claras do que as faces opostas à iluminação da cena que ficam mais escuras. Este efeito provoca um realce para as feições do relevo como cristas, vales, drenagens, alinhamentos de uma forma geral. Este efeito é mais intenso quanto mais baixo for a ângulo de elevação solar na gravação da cena. No caso do hemisfério sul os ângulos mais baixos de elevação do sol ocorrem entre os meses de junho e agosto. O sombreamento em situações extremas pode subverter até resoluções geométricas. Observa-se que imagens com resolução mais grosseira gravadas com baixo ângulo solar mostram com maior detalhe os atributos de relevo do que cenas com resolução mais fina gravadas com o sol mais alto. Exemplos conhecidos mostram que imagens de 80 metros de resolução gravadas com ângulos em torno de 33 graus mostram feições geológicas e geomorfológicas mais nitidamente do que imagens com 30 metros de resolução de mesma latitude coletadas com elevação de sol acima de 50 graus. Para mapeamentos geológicos e mesmo estudos de prospecção mineral onde a estrutura geológica exerça o principal controle, a seleção de cena deve contemplar também a busca por imagens com baixos ângulos de elevação solar. Deve ser mencionado também que em situações extremamente especiais onde os alinhamentos de relevo ou de drenagen se estendem na direção exata do azimute solar não existirão condições de iluminação para gerar os realces acima descritos.

4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Balieiro, M.G.; Martini, P.R. (1986) Exemplos de Análise Geológica

Comparativa entre dados SIR-A, LANDSAT, SLAR e SKYLAB (resumo). IV

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3B-10

P.R.Martini

Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.1, pg.78. Gramado, RS. Agosto 10-15, 1986. Rodrigues, J.E.; Liu, C.C. (1988) A Geometria de Iluminação Solar e sua Influência na Observação de Estruturas Geológicas em Imagens Orbitais. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.2, pg.294-302. Natal, RN. Outubro 11-15, 1988

5.

TABELA

DOS

SENSORES

E

BANDAS

COM

AS

PRINCIPAIS

APLICAÇÒES EM GEOLOGIA LANDSAT 7 SPOT5 CBERS ETM+ HRG CCD IR-MSS WFI 1 2 3 4 5 6 7 P 1 2 3 4 P 1 2 3 4 P P 7 8 9 10 11 A 5 6 Mapeamento B G R BGR BGR R BG B R NF G Litológico BG R B RG BGR G B R B G F R Geologia G MR B RG B R B G M
DSR/INPE 3B-11 P.R.Martini

Satélite Sensores BANDAS

Urbana Mapeamento Estrutural Águas Subterrâneas Prospeção B Mineral Oleo e Gás (Petróleo) Ambientes B NF Impactados F Eia-Rima B NF Eia-Rima B F M M G G R GR R GR R M M B M M GRM GRB R GB M M B RG BGR M M G BR M M M RB GB B GB M G R R GB GR GRB R GRB GRB B R GBG GRB B GR GRB B R G G R B B R G R G B ACROGRAMAS USADOS NA TABELA B: COR AZUL NA COMPOSIÇÃO COLORIDA CCD: CAMERA DE ALTA RESOLUÇÃO DO CBERS EIA: ESTUDOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS ETM+: MAPEADOR TEMÁTICO AVANÇADO.Martini .R. principal sensor do LANDSAT 7 F: FLORESTA: COBERTURA FLORESTAL DENSA-AMAZÔNIA G: COR VERDE NA COMPOSIÇÃO COLORIDA HRG: ALTA RESOLUÇÃO GEOMÈTRICA. principal sensor do satélite SPOT-5 IR-MSS: VARREDOR MULTI-ESPECTRAL INFRAVERMELHO DO CBERS M: IMAGEM EM PRETO E BRANCO N: NÃO FLORESTA: ÁREA FORA DO DOMÍNIO AMAZÔNICO P: MODO PANCROMÁTICO DO IR-MSS DO CBERS PAN: MODO PANCROMÁTICO do LANDSAT-7 PA: MODO PANCROMÁTICO DO SPOT-5 P5: MODO PANCROMATICO DO CCD-CBERS R: COR VERMELHA NA COMPOSIÇÃO COLORIDA RIMA: RELATÓRIO DE IMPACTO SOBRE O MEIO AMBIENTE WFI: IMAGEADOR DE GRANDE VISADA DO CBERS DSR/INPE 3B-12 P.

CAPÍTULO 4

TECNOLOGIA ESPACIAL NO ESTUDO DE FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS

J o r g e C o n r a d o C o n f o r t e1
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE

1

conrado@ltid.inpe.br 4 -1 J.C.Conrado

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4 -2

J.C.Conrado

ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................... 4-7 2. APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS .............................................................................. 4-10 2.1 VENTO ................................................................................................ 4-11 2.2 PRECIPITAÇÃO ................................................................................. 4-12 2.3 SONDAGENS ATMOSFÉRICAS ........................................................ 4-14 2.4 RADIAÇÃO .......................................................................................... 4-17 2.5 OZÔNIO ............................................................................................... 4-19 2.6 MEDIDAS DE CO ................................................................................ 4-19 2.7 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR ...................................... 4-21 3. CONCLUSÃO ......................................................................................... 4-21 4. BIBLIOGRAFIA ....................................................................................... 4-22

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LISTA DE FIGURAS 1 - PRIMEIRA IMAGEM OBTIDA PELO SATÉLITE TIROS1 ...................... 4-7 2 - DISPOSIÇÃO DOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS DE ACORDO COM SUAS ÓRBITAS ............................................................................ 4-9 3 - ÓRBITA DO SATÉLITE TRMM ............................................................... 4-9 4 - IMAGENS SATÉLITE GOES-E INFRAVERMELHO, VISÍVEL, INFRAVERMELHOR(VAPOR D'ÁGUA) E MICROONDAS SATÉLITE DMSP (SENSOR SSM/I) ........................................................................ 4.10 5 - VENTO ESTIMADO USANDO DADOS DO SATÉLITE GOES-8 .......... 4-12 6 - PRECIPITAÇÃO ESTIMADA USANDO DADOS DO CANAL INFRAVERMELHO DO SATÉLITE GOES ............................................. 4-13 7 - CAMPO DE PRECIPITAÇÃO OBTIDO ATRAVÉS DO RADAR METEOROLÓGICO DO SATÉLITE TRMM ............................................ 4-13 8 - PERFIL VERTICAL DE TEMPERATURA OBTIDO ATRAVÉS DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................................ 4-15 9 - CAMPO DE TEMPERATURA EM 500 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 .......................................................... 4-16 10 - CAMPO DE UMIDADE RELATIVA 1000 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................ 4-17 11 – RADIAÇÃO DE ONDA CURTA ABSORVIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 12 - RADIAÇÃO DE ONDA LONGA EMITIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 13 - OZÔNIO MEDIDO EM 09/06/2000, A PARTIR DO SATÉLITE ERS-2 4-19 14 - CONCENTRAÇÃO DE CO MEDIDA PELO SENSOR MOPITT DO

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J.C.Conrado

..SATÉLITE TERRA .... 4......................................................... 4-20 15 .21 DSR/INPE 4 -6 J.................Conrado ..EMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR SATÉLITE NOAA ......C...

o TIROS 1. INTRODUÇÃO Os primeiros satélites. 1 .C. O primeiro satélite com finalidade de aplicação exclusivamente meteorológica foi lançado em 1 de abril de 1960. foram lançados em 17 de fevereiro de 1959 (Vanguard 2) e 7 de agosto de 1959 (Explorer 6) mas.1. Com as informações obtidas foram feitos os primeiros mapas aproximados da radiação refletida e emitida (na faixa do infravermelha) pelo sistema terra e a atmosfera. não tiveram grande utilidade. devido a problemas com estes satélites as informações obtidas. lançado em 13 de outubro de 1959 com um radiômetro desenvolvido por Verner Suomi e seus colaboradores da Universidade de Wisconsin. O primeiro satélite que teve sucesso na obtenção de dados meteorológicos foi o Explorer7.Primeira imagem obtida pelo satélite TIROS 1 DSR/INPE 4 -7 J. na Figura 1 pode-se observar a primeira imagem transmitida por este satélite.Conrado . Fig. com instrumento meteorológico a bordo.

e com o avanço na área de eletrônica e informática. Os satélites meteorológicos podem ser classificados de acordo com sua órbita em três diferentes classes: GEOESTACIONÁRIOS POLARES TROPICAIS Os satélites de órbita geoestacionária são assim denominados pois aparentemente eles se mantêm fixos sobre um mesmo ponto na superfície da Terra. os dados obtidas pelos satélites meteorológicos puderam então ser aplicados aos mais diversos campos de interesse da meteorologia.C. DSR/INPE 4 -8 J. Têm em geral um período orbital de 98 a 102 minutos o que fornece um total de aproximadamente 14 órbitas por dia. estes satélites cobrem uma faixa bem estreita da Terra por onde estão se deslocando. Estão localizados a 36. permitindo desta forma um monitoramento continuo dos fenômenos atmosféricos que se desenvolvem na área de visada do satélite. e com o desenvolvimento de novos sensores e softwares.000 km acima da superfície da Terra. podemos observar a rede de satélites meteorológicos que são utilizados no monitoramento dos principais fenômenos meteorológicos. Na Figura 2. Em função de estarem colocados sobre a linha do equador as regiões polares não são monitoradas pelos satélite geostacionários. Em função da sua altitude. Outro fator importante associado a este tipo de satélites está relacionado com a área de cobertura. A principal característica deste satélite e a obtenção de uma nova imagem a cada 30 minutos. em razão da altitude em que está posicionado.Após o lançamento deste satélite.Conrado . A principal característica deste satélite é que as regiões polares têm um monitoramento mais detalhado. Os satélites de órbita polar estão posicionados geralmente entre 700 e 800 km acima da superfície terra. bem superior aos demais tipos de órbita acima mencionados.

Fig.C. 3 . ou seja o satélite TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission).Órbita do satélite TRMM. Este satélite esta localizado numa órbita inferior ao dos tradicionais satélites de órbita polar. ele esta posicionado a 350 km acima da superfície terrestre.Disposição dos satélites meteorológicos de acordo com suas órbitas. lançado em 27/11/1997. Figura 3. Nesta figura não esta incluída a órbita do primeiro satélite com objetivo exclusivo de adquirir informações meteorológicas na região tropical.Conrado . com uma inclinação de 35° em relação a linha do equador.Fig. 2 . DSR/INPE 4 -9 J.

infravermelho (vapor d'água) e microondas satélite DMSP (sensor SSM/I) DSR/INPE 410 J. infravermelho (vapor d'água) e microondas.2. isto é: na faixa do infravermelho. 4 . Fig. visível.Imagens do satélite GOES-E na faixa do infravermelho. visível. A seguir estão imagens obtidas pelos satélites nestas faixas de observação Figura 4.Conrado .C. APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites meteorológicos atualmente operacionais obtêm informações em três faixas do espectro eletromagnético.

etc). DSR/INPE 411 J.Inicialmente. alto. Na Figura 5. desertos. Eles são estimados para três níveis da atmosfera. A seguir serão mostradas resumidamente. médio e baixo. Deve-se salientar a importância que os dados coletados por estes satélites têm para determinadas regiões. pode-se observar a velocidade do vento estimada usando-se esta metodologia. 2. Estas informações eram utilizadas para a análise subjetiva das condições meteorológicas predominantes em pequena ou grande escala. Com o desenvolvimento de softwares.C.1. algumas aplicações usando os dados obtidos através dos satélites meteorológicos. seja pela carência de uma rede de observações adequada ou por se encontrarem em regiões remotas (florestas.Conrado . A velocidade do vento é estimada calculando-se o deslocamento da nuvem nas duas imagens e dividindo-se então pelo intervalo de tempo entre estas imagens.VENTO A metodologia de extração de ventos usando dados de satélites geoestacionários é realizada usando-se informações de duas imagens sucessivas (intervalo de 30 minutos). diversas metodologias foram desenvolvidas para a aplicação das informações coletadas por estes satélites. a aplicação principal dos dados coletados pelos satélites meteorológicos. oceanos. tinha como objetivo principal a observação dos deslocamentos dos sistemas frontais e o desenvolvimento de sistemas locais. . sendo atribuída para cada nível uma cor para representá-los.

As técnicas que utilizam os dados dos sensores nas bandas do visível.2 . Somente através do radar meteorológico.C. 5 .Fig.PRECIPITAÇÃO A precipitação é outra variável que pode ser avaliada usando informações obtidas pelos diversos sensores a bordo dos satélites meteorológicos (que operam nas bandas do visível. infravermelho e microondas são denominadas de técnicas indiretas de avaliação da precipitação. DSR/INPE 412 J. pois estes sensores não medem diretamente a precipitação.Conrado . o satélite TRMM no presente momento é o único que nos permite obter medidas diretas de precipitação. e microondas).Vento estimado usando dados do satélite GOES –8. a bordo de satélite é possível avaliar diretamente a precipitação. 2. infravermelho. Na Figura 6. podemos observar o campo de precipitação estimado usando informação do canal infravermelho do satélite GOES.

Conrado .Taxa de precipitação obtida através do radar a bordo do satélite TRMM DSR/INPE 413 J. Fig. Na Figura 7 observa-se o campo de precipitação obtido pelo radar meteorológico a bordo do satélite TRMM. 7 .Fig. 6 .Precipitação estimada usando dados do canal infravermelho do satélite GOES.C.

Com os sensores HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) e AMSU (Advanced Microwave Sounding Unit). instalados a bordo dos satélites polares da série NOAA.C. em somente algumas estações da rede de observação meteorológica. campos estes que são de fundamental importância no conhecimento da estabilidade da atmosfera. e os campos de temperatura e umidade obtidos com informações derivadas dos dados recebidos pelos sensores a bordo do satélite NOAA-14. umidade e vento. temperatura e umidade na vertical. é feita uma única observação por dia.Conrado .SONDAGENS ATMOSFÉRICAS Um produto de fundamental importância obtido através dos satélites meteorológicos são as sondagens atmosféricas. A sondagem da estrutura vertical da atmosfera nos fornece a variação dos campos de temperatura.2. No Brasil. podemos obter a variação dos campos de vento. Esta carência de informações não nos permite o conhecimento preciso da estrutura vertical da atmosfera.3 . 9 e 10 podemos observar o perfil vertical de temperatura e umidade para a cidade de Cuiabá. DSR/INPE 414 J. Nas figuras 8.

pois eles nos permitem avaliar a estabilidade da atmosférica. 8 . ou seja.C.Fig. DSR/INPE 415 J.Conrado .Perfil vertical de temperatura obtido através de dados do satélite NOAA 14. Estes perfis verticais são de fundamental importância em meteorologia. se existe a possibilidade do desenvolvimento de sistemas convectivos.

Conrado . 9 .Fig.Campo de temperatura em 500 hPa obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 DSR/INPE 416 J.C.

somente a metade atinge a superfície da terra. a medida da radiação atmosférica usando satélites. Portanto. Nas Figuras 11 e 12 podemos observar a medida da radiação de onda curta e longa realizada a partir das informações coletadas pelos satélite da série NOAA.RADIAÇÃO A radiação solar que atinge o topo da atmosfera é da ordem de 1365 Watts/m2 . poeiras e gases do efeito estufa. é de fundamental importância para uma melhor compreensão do clima. deste total em média.Fig. obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 2.C.4 .Campo de umidade relativa 1000 hPa .Conrado . 10 . DSR/INPE 417 J. trinta porcento é refletida para o espaço e 20 porcento é absorvida pelas nuvens.

obtida a partir de dados do satélite NOAA.Conrado . DSR/INPE 418 J.Radiação de onda longa emitida. 11 . Fig. obtida a partir de dados do satélite NOAA.Radiação de onda curta absorvida.C. 12 .Fig.

foi quem descobriu a influência do CloroFluorCarbono (CFC) como o principal mecanismo na diminuição do ozônio na região Antártica.6 . na qual a camada de ozônio atingiu o seu nível mais baixo. Fig. Os dados obtidos por este sensor são de fundamental importância. A partir de 1978. Canadá e Japão. um projeto comum dos Estados Unidos.5 . Na figura 13. pois o CO é um dos principais gases associado com o efeito estufa. Lovelock. O cientista inglês J. Na Figura 14 podemos ver os primeiros resultados obtidos com os dados deste sensor. Este satélite tem a bordo o sensor MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere). em 9 de setembro de 2000. 13 . cuja finalidade principal é a medida da poluição.2. DSR/INPE 419 J. podemos observar o resultado da medida feita pelo satélite ERS-2. vem sendo realizadas medidas da concentração de ozônio na atmosfera.OZÔNIO O primeiro dado disponível relacionado com a diminuição da camada de ozônio foi observado na estação Antártica japonesa Syowa em 1982. 2.Conrado .MEDIDAS DE CO A medida do CO na atmosfera tornou-se possível com o lançamento do satélite TERRA em 19 de dezembro de 1999.Ozônio medido em 9/6/2000 a partir do satélite ERS-2.C. com o satélite de órbita polar Nimbus 3.

pois para cada novo sensor lançado a bordo dos satélites. 14 .C. O uso de dados de satélites meteorológicos para as mais diversas aplicações.Nesta figura pode-se observar a grande concentração de CO na América do Sul e África. é um campo que ainda não esgotou todas as possibilidades. novas metodologias de uso podem ser desenvolvidas. Os dados obtidos por satélites meteorológicos também podem ser aplicados em diversas áreas. entre estas podemos citar: no alerta de ocorrência de geadas e nevoeiros. concentração associada pricipalmente com o efeito das queimadas nestas duas regiões. DSR/INPE 420 J.Concentração de CO medida pelo sensor MOPITT do satélite TERRA. Fig.Conrado .

2.TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR Um produto de fundamental importância que pode ser obtido através de dados de sensores que operam no infravermelho e microonda é a temperatura da superfície do mar. bem como os proudtos gerados usando os dados destes satélites. Na Figura 15. Porém. etc. podemos observar a variabilidade da temperatura da superfície do mar em escala global com os dados obtidos atraves dos satélites da série NOAA.CONCLUSÃO Foram mostrados acima resumidamente algumas aplicações que podemos obter através de dados obtidos pelos satélites meteorológicos. podemos citar também algumas que não foram mostradas tais como: monitoramento de geadas. monitoramento de aerosóis. 15 . . Comparando a primeira imagem transmitida pelo satélite TIROS.Conrado . Esta variável tem as mais diversas aplicações. nota-se que um grande progresso foi feito a DSR/INPE 421 J.Temperatura da superfície do mar satélite NOAA. Fig.7 . monitoramento de nevoeiro.C. seja nas atividades de pesca bem como no conhecimento do padrão de circulação dos oceanos. monitoramento de raios. 3. com as imagens de alta qualidade hoje obtidas pelos atuais satélites. umidade do solo.

nasa.Q.C. http://www.dfd.gov http://jwocky. 4. 1995.BIBLIOGRAFIA Kidder..Conrado .gov http://trmm.partir de 1 de abril de 1960. Academic Press. S.cptec. Satellite Meteorology: an introduction.gsfc. . Vonder Harr.gov http://auc.inpe.nasa.nasa.html DSR/INPE 422 J.H. Progresso este que têm sido de grande utilidade para a humanidade.gsfc.dlr.de/GOME/main. T.br http://terra.

br 5-1 S.CAPÍTULO 5 TECNOLOGIA ESPACIAL NA PREVISÃO DO TEMPO S é r g i o H e n r i q u e S o a r e s F e r r e i r a1 H é l i o C a m a r g o J ú n i o r2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS CENTRO DE PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS 1 2 e-mail: henrique@cptec.S.H.inpe.Ferreira DSR/INPE .inpe.br e-mail: helio@cptec.

H.Ferreira .DSR/INPE 5-2 S.S.

.................. 9................... 6...H..............5-17 8............. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE ................ 2..................................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ............................................5-7 UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA ............................... 5-10 5............................. 7.5-20 DSR/INPE 5-3 S......Ferreira ......5-19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................5 INTRODUÇÃO ........................................ 5....... ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE .................... CONCLUSÃO ..............5-11 PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) ........5-10 4..................................5-16 ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO .................S..5-8 3................ 1...................... SATÉLITES METEOROLÓGICOS .....................................

S.H.DSR/INPE 5-4 S.Ferreira .

...S..Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: ......... 5-17 6 ........Modelo Global CPTEC ...... 5-13 3 .....H.........Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 ................Analise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT ......................LISTA DE FIGURAS 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais .................................. 5-16 5 ..................................Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT .................... 5-15 4 ........ 5-19 DSR/INPE 5-5 S.......................... 5-11 2 ..............Ferreira ........Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 ...............................

H.S.DSR/INPE 5-6 S.Ferreira .

Os resultados da previsão do tempo são divulgados nas mais variadas formas. todas estas informações devem chegar aos centros de previsão. tanto para o desenvolvimento da previsão do tempo. abordamos de forma sucinta o processo da previsão do tempo.S. Estes provém de estações meteorológicas distribuídas pelo mundo. Em termos práticos. enquanto a caracterização do clima constitui uma generalização ou integração das condições do tempo. para um certo período e uma determinada área. No entanto.1. é necessário compreender a diferença entre tempo e clima. desde a coleta das informações nos diversos tipos de estações até a elaboração dos boletins DSR/INPE 5-7 S.Ferreira . INTRODUÇÃO Através dos tempos. que nem sempre é compreendida plenamente pelo público em geral. Iniciando por um breve histórico do desenvolvimento da meteorologia. para o caso da previsão do tempo. grandes recursos têm sido aplicados à meteorologia em todos os países do mundo.H. navios e bóias oceânicas. Para compreender como funciona esta rede de informações. Embora estes dois conhecimentos estejam intimamente relacionados é importante observar que a previsão do tempo corresponde a uma previsão diária do estado da atmosfera. das imagens de satélites e de radar. para que possam ser analisadas em tempo hábil. devido aos prejuízos materiais e de vidas humanas que o desconhecimento destes fenômenos podem ocasionar. mas abrangem uma fabulosa rede internacional de informações e coleta de dados. ou até mesmo evitados. quanto para a climatologia. tanto para a previsão do tempo quanto para a previsão do clima é necessário um grande volume de dados. para fins de previsão de tempo. através de informações reportadas por aeronaves. mas que passa a integrar-se cada vez mais na cultura geral do cidadão. a compreensão dos fenômenos atmosféricos tem ganhado relevada importância. Partindo do pressuposto que tais prejuízos podem ser minimizados. mantida pelos países que integram a OMM (Organização Meteorológica Mundial). popularizando uma cultura básica em meteorologia. o mais rápido possível. Tais recursos não restringem-se apenas aos centros de pesquisa e previsão do tempo.

a diminuição da pressão. mas foi somente no século XVII que começaram os primeiros passos significativos para o início da meteorologia como ciência. Tais relações foram depois esclarecidas. Ao contrário. em 1850 em DSR/INPE 5-8 S. Além do barômetro. Desta forma . Cabe destacar que os conceitos básicos de meteorologia e previsão de tempo podem se relacionar com os conteúdos das disciplinas escolares do ensino fundamental e médio. de forma praticamente instantânea. Um fato importante foi a invenção do Barômetro por Torricelli em 1644. Esta pressão varia com a altitude do lugar e também com as condições do tempo. o que eqüivale aproximadamente à 1013 hPa (hecto Pascal) ou 1.Ferreira .de previsão do tempo. pluviômetros. permanecendo aproximadamente à 760 mm de altura. Este tubo preenchido com mercúrio era embocado em uma cuba contendo o mesmo líquido metálico. rumo a viabilização da previsão do tempo. Desta forma.H. indicando a pressão de 760 mmHg . Era preciso reunir. 2. por Samuel Morse em 1843. O segundo passo significativo da meteorologia. No Ocidente os primeiros registros foram feitos por Aristóteles (século IV a. verificava-se na época que o peso da coluna de mercúrio era equilibrado pela pressão do ar. outros importantes instrumentos meteorológicos foram inventados na mesma época. UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA O estudo da atmosfera inicio-se em tempos remotos. O aumento dos valores de pressão está relacionado ao movimento descendente do ar. O barômetro de Torricelli constituía-se de um tubo de vidro fechado em uma das extremidades. termômetros. sua relação com as condições do tempo e a fundamentação das leis físicas nos séculos seguintes. está relacionada ao movimento ascendente do ar. que também corresponde à pressão normal atmosférica ao nível médio do mar.S. permitindo a condensação do vapor d’água e a formação de nuvens.013 x 105 N/m2 .C. A partir da invenção deste instrumento começou a se desenvolver o conceito de pressão atmosférica.). etc. as informações obtidas pelas diversas estações meteorológicas. inibindo a formação de nuvens. tais como os anemômetros. foi dado após a criação do telégrafo elétrico. isto é. através do estudo da dinâmica da atmosfera.

Washington, foram mostradas ao público os primeiros mapas meteorológicos (Cartas Sinópticas de previsão do tempo), com informações recebidas através do telégrafo. Outro grande passo foi dado em agosto de 1853, com a Primeira Conferência Meteorológica Internacional, celebrada em Bruchelas. O grande foco desta Conferência foi a necessidade de padronização da forma de coleta e transmissão de informações meteorológicas, e da necessidade de cooperação internacional para disseminação destas informações, que começou a se concretizar de fato após 1873, com a realização do Primeiro Congresso Internacional em Viena. Este foi um acontecimento sem precedentes na história da cooperação internacional em meteorologia, Meteorological Organization) http://www.wmo.ch No entanto, apesar de tudo isto, não se conseguia fazer previsões do tempo confiáveis com mais de 1 dia de antecedência. Era possível avaliar através das cartas sinópticas as condições do tempo, conhecia-se como as massas de ar se comportavam em média, mas a previsão do estado futuro da atmosfera dependia principalmente da experiência do meteorologista, pois os cálculos numéricos necessários para a previsão são extremamente complexos. Tal problema tem sido resolvido recentemente com o desenvolvimento dos supercomputadores, que têm permitido a utilização de modelos numéricos de previsão do tempo, cada vez mais precisos e que integram toda a gama de dados meteorológicos existentes. Esta nova técnica constitui-se no que hoje se chama de previsão objetiva do tempo, em contraposição as técnicas subjetivas, que se vale da experiência do meteorologista. No Brasil, o INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, através do CPTEC - Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos em Cachoeira Paulista -SP foi pioneiro no Brasil no uso de supercomputadores para a previsão objetiva do tempo, quando em 1994 inaugurou o seu primeiro supercomputador NEC - SX3. Desde então, o CPTEC tem produzido previsões confiáveis com até 6 dias, através do Modelo Global e até 3 dias com o Modelo abrindo as portas para a criação da OMM - WMO ( Organização Meteorológica Mundial - Word

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5-9

S.H.S.Ferreira

Regional. Estas informações são disponibilizadas diariamente através da Internet desde 1996 (http://www.cptec.inpe.br).

3. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE Estas estações são locais destinados a realização das observações meteorológicas, para a obtenção de dados, que caracterizam o estado presente da atmosfera. Estas estações, conforme a finalidade a que se destinam, podem ser agrupadas em diversas categorias. Dentre estas categorias, estão as chamadas estações sinópticas, que realizam as observações meteorológicas em horários padronizados internacionalmente. Os horários principais correspondem à Meridian Time”. Após a meteorológico, 00, 06, 12, 18 (GMT) das observações, o - “Greenwich observador realização

responsável pela estação , prepara os dados para serem

enviados, através do “Global Telecommunication System (GTS)” em forma de boletins codificados conforme norma da OMM. Basicamente, uma estação meteorológica dispõe de um conjunto de instrumentos para a avaliação das condições do tempo presente. O principal é o barômetro, destinado a medida da pressão atmosférica e a obtenção da pressão reduzida ao nível médio do mar. Além deste instrumento, a estação possui um ajardinado, lugar onde normalmente é instalado um anemômetro, para a medida da direção e velocidade do vento; um pluviômetro ou pluviógrafo, para a medida de precipitação e um abrigo ventilado, onde encontram-se os instrumentos destinados a medida da temperatura do ar e da umidade relativa. Além das medidas destes instrumentos, o observador meteorológico, relata as condições gerais do tempo, tais como, nebulosidade, visibilidade, etc.

4. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE As estações meteorológicas de altitude destinam-se a determinação da estrutura vertical da atmosfera. Nestas estações são normalmente empregadas as radiossondas, que consistem basicamente de dispositivos eletrônicos
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dotados de um transmissor de rádio e dos sensores de temperatura, umidade e pressão. Estes dispositivos são lançados através de balões, que podem atingir altitudes de até 40 quilômetros. Durante seu vôo, as informações obtidas pelo equipamento são transmitidas continuamente para um receptor na estação em terra. Como o balão viaja à deriva, a direção e velocidade dos ventos são calculadas por intermédio do sinal de localização emitido pela própria radiossonda. Tais informações são codificadas e transmitidas, via GTS, para os centros de previsão do tempo, em horários padrões, conforme estabelecido pela OMM. No entanto, devido ao alto custo das radiossondagens , estas são realizadas apenas duas vezes ao dia nos horários de 00 e 12 GMT

5. SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites geoestacionários situam-se a uma distância aproximada de 36000 Km, necessária para que estes se movimentem junto com a Terra. Como estes satélites visualizam sempre a mesma face do nosso planeta, uma imagem completa de toda a Terra só é possível através da concatenação das imagens procedentes de ilustra a Figura 1. diferentes satélites estrategicamente posicionados como

Fig. 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais.

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O sistema global de satélites meteorológicos, coordenado pelo CGMS (Coordination Group for Meteorological Satellites ), corresponde a uma constelação mínima de 5 satélites de orbitas geoestacionárias e dois satélites de orbitas quase polares (http://www.eumesat.de/en/area2/cgms/cover.htm). O mesmo não ocorre com os satélites de orbita polar. Situados em orbitas tipicamente bem mais próximas da Terra (850 Km de distância), os satélites polares cruzam o globo terrestre de Polo a Pólo , realizando uma volta completa em aproximadamente 100 minutos. Uma das características típicas destas orbitas é de normalmente serem heliosíncronas, isto é, fixas em relação ao plano do Sol. Desta forma, a medida que os satélites viajam entre os pólos a Terra gira de Oeste para Leste, exibindo a cada nova passagem do satélite uma região diferente do planeta. Uma imagem completa do planeta pode ser então obtida, através da composição das imagens individuais das várias passagens do mesmo satélite durante um período de 24 horas. A partir dos primeiros satélites meteorológicos , lançados na década de 60, imagens da cobertura de nuvens sobre a superfície da Terra tem sido utilizadas pêlos meteorologistas como um importante recursos na previsão subjetiva do tempo. Através da interpretação destas imagens os meteorologistas podem identificar e acompanhar os diversos sistemas meteorológicos, tais como sistemas frontais e tempestades tropicais. Tais imagens são obtidas através de sensores de radiação em diversas faixas do espectro, tais como a faixa da luz visível , faixa de infravermelho de 11µm e na faixa de absorção do vapor d'água. Por exemplo, a imagem da Figura 2 (a) foi obtida a partir do satélite geoestacionário GOES - 8 no canal 4 ( Imagem Infravermelha de 10,3 a 11,3µm). Nesta imagem verifica-se as nuanças de radiação térmica emitidas pela atmosfera e pela superfície da Terra. As regiões mais claras da imagem eqüivalem as regiões mais frias e normalmente estão associadas ao topo das nuvens mais altas. As partes mais escuras são associadas as nuvens médias e baixas, ou ao solo descoberto. A Figura 2 (b), obtida pelo mesmo satélite da Figura 2 (a) praticamente ao mesmo tempo corresponde ao canal -1 (Imagem Visível). A grosso modo podemos dizer que.

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esta é uma fotografia preto e branco da Terra onde podemos observar claramente as nuvens e as nuanças de luz produzidas pelo Sol.

Fig. 2 - Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: (a) Infravermelho ; (b) Visível Neste caso, ambas as imagens evidenciam a passagem de uma frente fria sobre o Uruguai. Ao norte da América do Sul, uma faixa de nuvens aglomeradas marcam a presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que na época do ano em questão, o Inverno, situa-se em média, um pouco mais ao norte do Equador. Em contraposição, a imagem da Figura 1(a) independe da iluminação do Sol, visto que trata-se de radiação Infravermelha emitida pela Terra; o que não ocorre na imagem da Figura 1(b). Nesta última, percebe-se as sombras nas nuvens devido a inclinação do Sol, assim como as regiões iluminadas e não iluminadas (dia / noite) no horário da imagem. No entanto, as possibilidades dos satélites vão além da simples obtenção de imagens da Terra. Através de programas de computadores específicos, as medidas de radiação podem ser utilizadas na obtenção de uma série de outras informações derivadas e em formato apropriado aos Modelos Numéricos de Previsão do Tempo. Dentre os muitos tipos de dados obtidos, os mais comuns

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A cada nova passagem do satélite uma nova faixa de valores de temperatura é obtida. O TOVS (TIROS3 Operational Vertical Sonder ) corresponde a medidas de radiação em diversos regiões do espectro. Na Figura 3 são apresentadas as temperaturas obtidas através de um dos sensores do TOVS do satélite NOAA 14. SATEM. realizadas nas poucas estações meteorológicas de altitude. Através destas medidas obtém-se perfis reconstituídos de temperatura e umidade em diferentes camadas da atmosfera. sendo observados valores desde 201 K ou –72 oC sobre as regiões polares até valores de aproximadamente 269 K ou –4 oC sobre o continente africano. Os dados de TOVS são obtidos através de satélites de orbita polar.e disponíveis através do GTS são as informações de TOVS. Na realidade. e SATOB. 3 TIROS .Television Infra-red Observation Satelite DSR/INPE 5-14 S. porém obtido por satélites geoestacionários. mais especificamente o canal 6 do HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) Tal canal caracteriza as temperaturas atmosféricas próximo ao nível de 800 hPa (altitude aproximada de 2000 m acima do nível médio do mar).H. constituem dados isolados e por isto insuficientes para a caracterização tridimensional do estado físico da atmosfera. atualmente NOAA-14. semelhante aos dados convencionais de radiossondagem.S. O SATEM é semelhante ao TOVS. os dados de TOVS não possuem a mesma precisão dos dados de radiossondagens. porém os satélites obtêm estes dados continuamente sobre toda a superfície da Terra enquanto as radiossondagens.Ferreira .

A técnica de extração dos ventos emprega imagens sucessivas de cobertura de nuvens. estimando assim os valores de direção e velocidade dos ventos.Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 Fonte : EUMETSAT O SATOB. DSR/INPE 5-15 S. os vetores na Figura 4 representam a direção e velocidade dos ventos obtidos no CPTEC com dados provenientes do satélite geoestacionário GOES – 8. corresponde a dados de direção e velocidade dos ventos em vários níveis na atmosfera.H. Complexos programas de computador identificam o deslocamento e a evolução das nuvens em imagens sucessivas.Fig. Como exemplo.S.3 .Ferreira . obtido exclusivamente por satélites geoestacionários.

Ferreira . entre outras derivados dos dados de satélites. Dotada de painel solar. pelo SCD2 do INPE ). umidade do solo. dispensa o uso de energia elétrica. são igualmente importante para previsão do tempo e clima. Os dados são transmitidos pelos satélites de coleta de dados ( No Brasil.Fig. a Amazônia. PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) As PCDs são estações meteorológicas capazes de automaticamente obter quase todos os tipos de dados obtidos por uma estação meteorológica de superfície convencional. Sua utilização estende-se nas áreas onde existem poucas estações meteorológicas convencionais. Informações relativas a temperatura da superfície do mar. ou em áreas de difícil acesso como.H.S. DSR/INPE 5-16 S.Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 Fonte: CPTEC É importante salientar que estes são apenas alguns dos muitos tipos de dados obtidos através dos satélites para a previsão do tempo. 4 . 6. por exemplo.

as radiossondagens. A primeira.H. que neste caso. aviões e bóias integram a massa de dados para as previsões do tempo. as imagens de satélites. um sobre o Sul da Argentina com pressões em torno de 1026 hPa. DSR/INPE 5-17 S. o CPTEC tem realizado às análises e previsões através de modelos numéricos. Estes centros de pressão caracterizam grandes massa de ar.Modelo Global CPTEC Através desta análise verificam-se dois centros de alta pressão. no Atlântico. outro sobre o Atlântico (1023 hPa). certamente possui temperaturas baixas e avança em direção à segunda. A partir da análise destas cartas são realizadas as previsões do tempo. onde as temperaturas são maiores. ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO As estações de Superfície.S.Análise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT . Fig. por caracterizar o avanço de massa de ar frio sob a massa de ar quente. 5 . Estes dados são analisados através de cartas sinópticas. isto é . Com a utilização de supercomputadores. A Figura 5 ilustra um recorte da análise dos campos de pressão do Modelo Global do CPTEC para as 0 horas GMT do dia 28 / 06 / 1999 . junto com dados obtidos por navios. sobre a Argentina.7. A região de confronto entre as duas é denominada região de frente.Ferreira . apenas 12 horas antes das imagens de satélite da Figura 2.

que produzem grande quantidade de nuvens e chuva. Nesta figura. que apresenta valores de pressão inferiores à 986 hPa. Fig. Uma característica interessante dos centros de alta pressão é a circulação dos ventos em torno destes centros. Nos centros de baixa pressão o movimento é invertido. horário no Hemisfério Sul e anti-horário no Hemisfério Norte. além dos campos de pressão estão sobrepostos os campos de precipitação acumulada no período. No Hemisfério Sul. isto é.Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT DSR/INPE 5-18 S.corresponde à uma frente fria que atua sobre o Uruguai.S. através da disposição das nuvens em espiral. Podemos também perceber este ciclone através das imagens de satélite da Figura 2. temos baixas pressões e grandes movimentos de ar úmido .Ferreira . que em partes é decorrente do movimento de rotação da Terra. Tal ciclone encontra-se ainda associado à frente fria sobre o Uruguai. no sentido horário.H. Na região da frente. sendo também chamado de circulação ciclônica. a circulação dos ventos ocorre no sentido anti-horário e no Hemisfério Norte. Na Figura 6 temos as previsões do modelo Global do CPTEC para as próximas 24 horas. 6 . Tal movimento é chamado de circulação anti-cilclônica. É o exemplo do ciclone situado no litoral sul da Argentina (Figura 5 ).

sejam estes por especialistas ou pelo público em geral. até a saída das previsões numéricas do tempo.Ferreira . e ainda conhecimentos das mais diversas áreas. A Alta pressão do Atlântico estende-se por grande parte da Região Sudeste e Nordeste do Brasil.S. da retaguarda deste sistema. Estes boletins são atualizados diariamente na Internet.Comparando-se o campo de pressão desta figura com a análise da Figura 2 . Deste modo. Da mesma forma que foi gerada esta previsão. para serem posteriormente divulgados. 8. No entanto. O centro de baixas pressões. menos confiáveis elas serão. matemática e geografia entre outras. o CPTEC ainda disponibiliza os resultados do Modelo Regional ETA. que utiliza uma grade de resolução de cálculo de 40 x 40 Km de área para até 3 dias de previsão. avança sobre o sul da Argentina. onde o tempo provavelmente permanece estável com poucas nuvens. portanto bem mais preciso que o modelo Global. Deve-se no entanto observar. Os resultados são úteis para diversas áreas de atividade humana e também para a população em geral. o Modelo Global do CPTEC gera previsões até 120 horas ( 6 dias ). destacando a DSR/INPE 5-19 S. tais como a física. para que tais resultados possam ser melhor aproveitados. exceto na região litorânea. CONCLUSÃO Para a previsão do tempo é necessário o envolvimento de grandes recursos e da cooperação entre os países. não basta ter acesso às informações. É necessário noções gerais de meteorologia. O Ultimo passo deste processo é a interpretação destas saídas pelos meteorologistas. que utiliza uma grade de 200 x 200 Km. onde também são previstas chuvas. que se estendem sobre o oceano Atlântico. Além do Modelo Global. desloca-se para leste enquanto a alta pressão. compreendida entre o Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. exemplificamos como as informações meteorológicas são trabalhadas. que quanto mais longas forem as previsões do tempo.H. associados à este sistema. verificamos que o modelo prevê o sistema frontal sobre o Rio Grande do Sul . que confeccionam os boletins escritos de previsão do tempo.

2a ed . WMO No. West Publishing Company. 1991 WORLD METEOROLOGICAL ORGANIZATION: WMO. Boston 1996.L. Disponível na Internet: http://www3. 5. 1973 DSR/INPE 5-20 S. 9. 2001] Fleming J. American Meteorological Society. Disponível na Internet http://www. M. D.inpe.eumetsat. R. Meteorology Today: An introduction to Weather.importância do trabalho do professor.html [19 Jun. Ed. E. C. 1998 THE EUROPEAN ORGANISATION FOR METEOROLOGICAL SATELLITES: EUMETSAT. CGMS Directory of Meteorological Satellite Applications. Historical Essays on Meteorology 1919-1995.H. Climate and the Environment. Viçosa.cptec. Meteorologia Básica e Aplicações. na divulgação desses conhecimentos. UFV Imprensa Universitária.de/en/area2/cgms/cover.htm [19 Jun. Edigard Blücher São Paulo.br/~ensinop/index. Sensoriamento remoto: Princípios e Aplicações. One Hundred Years of International Co-operation in Meteorology (1873-1973).Ferreira . Geneva. Meio Ambiente e Ciências Atmosféricas: A utilização de Multimídia e da Rede Internet no ensino Público de Nível Médio. 1994 CENTRO DE PREVISÃO DO TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS: CPTEC. Novo. 345.S. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ahrens. 2001] Vianello.

br .inpe.CAPÍTULO 6 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À OCEANOGRAFIA Milton Kampel* INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO *milton@ltid.

ÍNDICE DSR/INPE 6-2 M.Kampel .

5 1 APRESENTAÇÃO ..... 6.............................................................. 6...............2 RESSURGÊNCIAS ...........................................9 2....... 6...........Kampel .........11 3 APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA ..........3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS ................15 3.. 6..............................2 COR D’ÁGUA ........... 6......27 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA ................9 2. 6............................ 6......................24 3..... 6...........................1.....1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR .........................3 VÓRTICES E FRENTES ......2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA ....... 6..............2......................16 3..1 O QUE É OCEANOGRAFIA .... 6.1.....................................2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA .................28 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............... 6.....................22 3..1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS .....2....15 3.........2....1............................................................. 6...................18 3. 6.......7 2 INTRODUÇÃO .............LISTA DE FIGURAS ....... 6........................3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES .......... 6..........................3 GERENCIAMENTO COSTEIRO .....................................19 3..................................................................................................... 6............................20 3............................25 3... 6.............................. 6........................................................30 DSR/INPE 6-3 M............9 2.......

Kampel .LISTA DE FIGURAS DSR/INPE 6-4 M.

....... sensor ETM+. As isóbatas de 500........... . composição colorida 3B4G5R...... ..... entre 18 e 24 de junho de 2002...... às 05:23h................. mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio... 25 Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7.. MA e CE).... 1000............ A escala de temperaturas encontram-se a direita......C......... A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g.. As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos.... Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura)..... Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência........ A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem. 18 Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14.......... A escala de temperaturas encontra-se a direita. Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. O continente e as nuvens estão mascarados em branco................. A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S............. 20 Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtidas a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira. 23 Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS..... em cima .......... A parte submersa encontra-se em tons de azul...... 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem......... padrão WOCE....... nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior).Kampel .... (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE.... As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica.....m-2 encontra-se na parte inferior da figura..... rastreado por satélite.Anomalia de temperatura da superfície do mar.............Figura 1................................... Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura)... produzida a partir de imagens do satélite NOAA-12. .... 26 Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo..... ..................17 Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar. As setas menores indicam a posição da frente termal.. de 08/08/2000..... . Tomé................... 27 DSR/INPE 6-5 M.................. do Baixo do Parnaíba (PI....... do litoral norte do RJ..........

Kampel . Mais da metade da radiação solar que chega à superfície terrestre é DSR/INPE 6-6 M.1 APRESENTAÇÃO A Terra é um planeta aquático com dois terços de sua superfície coberta por água.

onde é armazenada e redistribuída pelas correntes marinhas antes de ser liberada para a atmosfera. se não a maior parte da poluição antropogênica. No fundo oceânico existem grandes depósitos de minerais valiosos – óleo e fontes potenciais de minerais estratégicos. Os processos atuantes nos oceanos são também importantes em relação à absorção de gases. Eles podem atrasar ou reduzir o impacto do aquecimento global provocado pelo aumento nas taxas de dióxido de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis. e programas de defesa nacionais são cada vez mais dependentes de operações navais. Enquanto que a atmosfera e os continentes suportam grandes variações de temperatura nas altas e médias latitudes. Os dados obtidos tendem a vir de navios (de pesquisa ou de DSR/INPE 6-7 M. química. assimilam grande. esgotos domésticos e industriais. até lixo atômico. os recursos pesqueiros abastecem uma fração significativa da proteína consumida mundialmente. Além do aspecto climático e meteorológico. Além disso. desde derramamentos de óleo. os oceanógrafos vem elaborando uma descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar.Kampel . biologia e geologia dos oceanos são fundamentais para o desenvolvimento e gerenciamento desses recursos vivos. a física.primeiro absorvida pelos oceanos. Por mais de um século. similarmente. Entretanto. a temperatura do oceano permanece mais constante. O alto calor específico da água do mar impede que a amplitude da temperatura varie rapidamente ao longo do dia. Os depósitos oceânicos fornecem um quadro da evolução climática global ao longo de milhões de anos. Os oceanos também. essa descrição é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta. uma visão da evolução das crostas oceânica e continental. os oceanos são importantes por outros motivos: o comércio internacional se utiliza muito dos meios marinhos. A topografia do solo oceânico e suas propriedades magnéticas fornecem. Da mesma forma.

Grandes áreas oceânicas. Espero que seja útil. particularmente no Hemisfério Sul. química. apresenta novas perspectivas para a descrição e o entendimento dos oceanos. os oceanos apresentam uma grande variabilidade espaço-temporal. de forma resumida. fornece uma visão sinóptica dos oceanos. que associada a recursos computacionais cada vez mais sofisticados. O sensoriamento remoto a partir de instrumentos orbitais ou aerotransportados. A quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos e monitorados por sensoriamento remoto é bem ampla.SP 2. Já segundo a UNESCO. Como DSR/INPE 6-8 M. necessitando de medições freqüentes em locais bem distribuídos ao redor de todo o globo terrestre. sua fauna e seus limites físicos com a terra firme e a atmosfera. a Oceanografia é o “estudo das características físicas e biológicas dos oceanos e dos mares”.oportunidade) que muitas vezes são obrigados a alterar suas rotas normais em função de condições meteorológicas adversas ou pela presença de gelo no mar.Kampel . Milton Kampel Julho de 2002 São José dos Campos . INTRODUÇÃO 2.1 O QUE É OCEANOGRAFIA Segundo o dicionário. são pouco visitadas por quaisquer navios. As aplicações dos dados orbitais são tão diversas que podemos considerar este meio de aquisição de informações para a oceanografia como um todo – biológica. além de alguns exemplos de aplicações da tecnologia espacial no estudo oceanográfico. Este capítulo “Sensoriamento Remoto Aplicado à Oceanografia” pretende apresentar. alguns aspectos relacionados à Oceanografia e ao Sensoriamento Remoto dos oceanos. a Oceanografia é uma “ciência universal. que tem por objetivo o estudo do meio marinho. sua flora. geológica e física – tão eficaz como as informações obtidas por meios convencionais. Além disso.

Oceanografia Física. inspeções submarinas. DSR/INPE 6-9 M. Devido às grandes dimensões dos fenômenos oceânicos e do fato de que eles raramente são gerados num mesmo lugar. suficientemente quantitativa para permitir a previsão de seu comportamento com algum grau de certeza. ela se baseia no método experimental (. através do emprego de balões e foguetes meteorológicos.Kampel . Paleontologia. Por exemplo. É convenientemente dividida em: Oceanografia Biológica.). 2. Cartografia. dados de pressão. Sensoriamento Remoto. Oceanografia Química e Oceanografia Geológica. envolvendo diversas áreas como a Meteorologia. a oceanografia depende da cooperação internacional”. A Oceanografia pode ser considerada como o estudo científico dos oceanos com ênfase no seu caráter como Ambiente. como a bordo de satélites. Ondas ultra-sônicas. detecção de cardumes e comunicações submarinas. a Oceanografia é uma disciplina multi e interdisciplinar.qualquer outra ciência. Daí sua aplicabilidade em medições das profundidades em rios ou oceanos (batimetria). O principal objetivo do estudo oceanográfico é obter uma descrição sistemática dos oceanos. apesar de serem fortemente atenuadas na atmosfera. Engenharia. entre outras..2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA O Sensoriamento Remoto não está limitado a geração e interpretação de dados na forma de imagens. Na verdade.. Administração/Marketing. Informações científicas sobre diferentes níveis atmosféricos também são coletadas por métodos de rádio-sondagens operados tanto por estações terrestres. temperatura e umidade em diferentes níveis da atmosfera são rotineiramente coletados por serviços meteorológicos. caça de minas submersas. podem se propagar por grandes distâncias submarinas.

medições de velocidade pelo efeito Doppler etc.Kampel . não haveria nenhuma objeção fundamental impedindo a extensão das técnicas de sensoriamento remoto nos oceanos. Desta forma. ao longo dos anos. cabe lembrar que técnicas de sensoriamento remoto tem sido empregadas. para observação do material em suspensão na água do mar. por vários oceanógrafos utilizando métodos acústicos nos oceanos. Por outro lado. são os parâmetros superficiais . com a utilização das ondas eletromagnéticas através da atmosfera. a quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos com o emprego de tecnologia espacial é bem ampla. alguns oceanógrafos mais conservadores afirmam que as informações obtidas por satélites não podem ser tão precisas ou relevantes como quando coletadas por embarcações de pesquisa.temperatura. Se por um lado. velocidades. Desta forma. para quaisquer variações que ocorram em profundidades nos oceanos. a descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta. . a superfície. A representatividade dos dados de sensoriamento remoto para parâmetros oceanográficos dependentes da profundidade ou que apresentem variações temporais de alta freqüência é válida. praticamente. ou seja. concentrações salinas.que controlam as interações energia/matéria entre o oceano e a atmosfera. trata-se do nível mais importante. DSR/INPE 6-10 M.Como já mencionado anteriormente. determinações de estruturas termohalinas. Ondas sonoras tem sido utilizadas para estudos do fundo e subfundo marinho. de gases dissolvidos etc. na medida em que se analisam três aspectos: 1) Inicialmente. para estudos biológicos. apesar da coleta de dados via SR ocorrer em apenas uma única profundidade.

podemos considerar o fato de que os dados obtidos via SR incorporam um valor médio. a alta resolução espacial (para determinados sensores) e a possibilidade de se obter séries temporais de dados consistentes por longos períodos. o próprio instrumento de SR gera radiação. ou seja. Outra classificação importante. o instrumento de SR simplesmente detecta qualquer radiação que esteja no comprimento de onda (ou bandas espectrais) para a qual o instrumento foi projetado. 2. sendo particularmente relevantes para testar previsões de modelos numéricos. transmite esta radiação em direção ao alvo. Em um sistema ativo. Uma vez que o sensor evite a reflexão direta da luz solar. e sua intensidade depende do tipo de fundo e da DSR/INPE 6-11 M. Os sensores que atuam na região espectral do visível respondem diretamente às condições da parte superior da coluna d’água. Robinson (1985) classifica os sensores de comprimento de onda visível como passivos em relação à fonte de radiação inicial. a radiação ascendente conterá informações conseqüentes dos processos de retroespalhamento do corpo d’água.Kampel . as regiões do visível (ótico).2) Outros aspectos positivos a serem considerados são: a visão sinóptica.3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS É conveniente classificar os sensores e instrumentos de SR de acordo com o comprimento de onda eletromagnética usada. e extrai informações a partir do sinal de retorno. Esta é refletida pelo mar e atinge o satélite. infravermelho-termal. mesmo para locais oceânicos isolados. infravermelho-próximo. Em um sistema passivo. por unidade de área. microondas e ondas de rádio. 3) Ainda. separa os sensores passivos do sensores ativos. a luz refletida pelo fundo pode ser vista do espaço. a iluminação do sol. automaticamente. de forma que a informação que se busca por meio do imageamento da cor da água está relacionada com os processos de reflexão e retroespalhamento. Em águas claras.

tem dado uma nova dimensão às pesquisas hidrográficas e oceanográficas. voltados diretamente para baixo. registrarão a radiação emitida pela superfície do mar.Kampel . A radiação emitida pela superfície marinha depende da emissividade desta (ou seja. Medem comprimentos de onda até a região de microondas. a emissividade é a razão entre a exitância radiante de um corpo e a exitância radiante de um corpo negro a uma mesma temperatura). de forma mais rápida. cada vez mais eles são instalados em aeronaves e navios. mas no período noturno. e podem ser utilizados na determinação da temperatura da superfície do mar. dividido por sua área denomina-se “exitância radiante”. Os radiômetros passivos são equipamentos que medem o fluxo de energia eletromagnética que chega aos seus sensores direcionalmente. Se fossem realizadas medições em vários bandas espectrais. infravermelha e microondas. Esta radiação emitida é predominante para comprimentos de onda entre 10 µm e 12 µm. o fluxo radiante emitido por uma superfície. ainda que a absorção da água aumente para comprimentos de onda maiores que 800 nm. lagos e rios é possível por meio das radiações visível. tornando assim a batimetria e a identificação de diferentes tipos de fundo duas aplicações viáveis para estes sensores. Sensores operando na faixa entre 3 µm e 4 µm registrarão quantidades apreciáveis de energia solar refletida durante o período diurno. sensores operando na faixa do infravermelho-termal podem ser utilizados para estimar a temperatura da superfície do mar. Os laseres operando numa ampla faixa do espectro. O SR dos oceanos. Os sensores do infravermelho-próximo apresentam um caráter de complementaridade em relação aos do visível.profundidade. para investigar a hidrosfera. no infravermelho e nas DSR/INPE 6-12 M. permitindo um alto grau de resolução em profundidade e uma pesquisa subsuperficial que é inatingível por outras técnicas de SR. Ainda que os laseres tenham sido mais empregados para sondar a atmosfera. de forma que.

em relação à sua própria posição.SAR) é capaz de processar a medição do tempo e da fase do sinal retroespalhado. Além disso. O radar de abertura sintética (Synthetic Aperture Radar . A possibilidade de aplicações dos sensores ativos ainda pode ser bastante desenvolvida. entre outras. da rugosidade desta superfície como é vista pelo radar. Outra tecnologia espacial cada vez mais utilizada no monitoramento oceânico é o emprego de plataformas remotas para a aquisição de dados com telemetria via satélite. Esta informação é útil no estudo de marés e da circulação oceânica. é possível determinar a altitude da superfície marinha em relação ao geóide terrestre. velocidade e direção de ventos superficiais. estado-do-mar. a deformação do pulso refletido transporta informações sobre a altura de ondas significativas. fluxos de calor superficial. etc. como o estudo de correntes. mesmo na presença de nuvens. derramamentos de óleo. incluindo aí a salinidade. de poucos centímetros de comprimento. Este processamento permite a produção de uma imagem do retroespalhamento da superfície. É possível obter uma resolução espacial na ordem de dezenas de metros. esteiras de navios. Sensores de microondas ativos são desenvolvidos para aplicações específicas. Os sensores de microondas ativos utilizam o retroespalhamento das ondas eletromagnéticas na superfície marinha para obter informações a nível orbital.microondas. e de sua amplitude. em princípio. Pelo registro do tempo de retorno de um pulso emitido na direção nadir (isto é. marés. etc. na vertical do local). espectro direcional de ondas. obter informações da emissividade e dos parâmetros dos quais ela depende. ondas internas. seria possível.Kampel . A rugosidade medida é causada por pequenas ondas. Bóias de deriva ou ancoradas medem in situ diferentes parâmetros DSR/INPE 6-13 M. ou seja. Uma vez que sua posição possa ser definida precisamente. o radar altímetro consegue medir a altitude da superfície marinha. ondas internas. feições topográficas de fundo. películas superficiais de óleo. Esta técnica orbital permite detectar ondas de gravidade.

informações espaciais provenientes de imagens de satélites. gerenciamento e necessitam de dados monitoramento de recursos naturais atualizados. Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) são ferramentas computacionais para Geoprocessamento que permitem realizar análises complexas.Kampel . recuperar. transporte de calor. Os SIG’s são normalmente utilizados para a produção de mapas. O planejamento. Estes dados são utilizados em estudos da circulação oceânica. Atualmente. os benefícios do SR na Oceanografia brasileira ainda são restritos. como suporte para a análise espacial de fenômenos. dados coletados in situ. como um banco de dados geográficos com funções de armazenamento e recuperação de informações espaciais. e ainda na modelagem de processos e fenômenos naturais permitindo o diagnóstico ambiental e seus prognósticos. mapas cartográficos. O SIG oferece também. entre outras aplicações.oceanográficos e meteorológicos em diferentes regiões do oceano mundial. calibração de imagens orbitais termais. a noção de mapa deve ser estendida para incluir diferentes tipos de dados como imagens de satélites. dados oceanográficos e meteorológicos históricos. Num ambiente computacional. que possam ser constantemente interrelacionadas em diferentes conjuntos de informações para auxiliar a tomada de decisão de forma ampla e objetiva. mecanismos para combinar as várias informações através de algoritmos de manipulação e análise. modelos numéricos e dados coletados in situ. e para consultar. Um SIG é capaz de integrar numa única base de dados. entre outros. integrando dados de diversas fontes e criando bancos de dados georreferenciados. DSR/INPE 6-14 M. arquivos batimétricos. visualizar e plotar o conteúdo da base de dados georreferenciados. transmitindo os dados via satélites.

a partir da observação de variações na temperatura da superfície do mar (TSM). Na literatura nacional e internacional. Estas estimativas tornaram-se possíveis tanto com a utilização de medições realizadas em apenas uma banda espectral. as frentes oceânicas. A medida em que dados digitais em maior quantidade e melhor qualidade foram sendo disponibilizados. monitoramento dos campos de TSM e/ou correntes oceânicas superficiais. etc.). Da mesma forma. DSR/INPE 6-15 M. como combinando-se medições de diferentes canais espectrais. dados mais precisos (cerca de 0. têm sido utilizadas no estudo de diversos fenômenos e processos oceanográficos como as correntes marinhas.5ºC).Kampel . eventos de ressurgência. uma precisa correção geométrica destas imagens permite a realização de análises multitemporais ou então. obtendo-se desta forma. outros sensores. coletados por embarcações. por satélites. Os dados digitais podem ainda.3. identificação de ressurgências. APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA 3. de dados provenientes de diferentes fontes (por exemplo. entre outros. foi sendo possível efetuar estimativas quantitativas da TSM. meandramentos e frentes. A obtenção da TSM a partir de radiômetros de infravermelho tem sido empregada em diversas aplicações oceanográficas tais como em estudos de mudanças climáticas globais. Inicialmente. ser realçados radiometricamente para a geração de imagens capazes de mostrar pequenas variações de temperatura. vórtices. fornecimento de suporte à pesca de peixes pelágicos.1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR As imagens infravermelhas dos oceanos obtidas. podem ser encontrados diversos trabalhos que demonstram a utilidade das imagens termais em estudos oceanográficos. só se obtinham dados de satélites no infravermelho na forma fotográfica como subproduto de imagens meteorológicas. processos de mistura nas águas costeiras.

3.1.1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS A Figura 1 mostrada a seguir ilustra os campos médios de anomalia de temperatura da superfície do mar entre 18 e 24 de junho de 2002, para os Oceanos Atlântico e Pacífico, respectivamente. Estes mapas foram produzidos pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE a partir de dados de satélites disponibilizados pelo Centro de Previsão do Tempo dos Estados Unidos – NCEP/NOAA. As anomalias de temperatura da superfície do mar são calculadas pelos desvios dos valores de TSM em relação a médias climatológicas obtidas por séries longas de dados de satélites. Nesta figura, podemos observar que os valores de TSM estão indicando uma evolução gradual do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. No Oceano Atlântico Sul, as águas superficiais entre a América do Sul e a costa oeste e sul da África permanecem quentes em relação a semanas anteriores. Já no Atlântico Norte, notam-se desvios negativos da TSM próximos à costa noroeste da África, sugerindo a presença de uma banda de nebulosidade normalmente associada à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Neste caso, a posição atual da ZCIT estaria ligeiramente ao sul da sua posição média climatológica.

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Figura 1 – Anomalia de temperatura da superfície do mar, entre 18 e 24 de junho de 2002, nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior). A escala de temperaturas encontra-se a direita, em cima. Eventos como o El Niño, que causam enormes prejuízos materiais e até perdas de vidas humanas, e o potencial efeito do aquecimento global devido ao aumento nos níveis de dióxido de carbono na atmosfera proveniente da queima de combustíveis fósseis (efeito estufa), enfatizam a importância do monitoramento oceânico realizado com auxílio de satélites para estudos e previsões climáticas.

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3.1.2 RESSURGÊNCIAS A Figura 2 mostra a ocorrência de um evento de ressurgência costeira na região de Cabo Frio, RJ. A imagem termal foi adquirida pelo sensor AVHRR (Advanced Very High Resolution Radiometer), instalado a bordo do satélite NOAA-12, na madrugada de 15 de dezembro de 2000. Os tons em vermelho ao largo na imagem com valores altos de TSM (>23ºC) estão associados à Corrente do Brasil. Esta corrente quente, salina e pobre em sais nutrientes, banha grande parte da costa brasileira.

Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar, produzidas a partir de imagens do satélite NOAA-12, às 05:23h, mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio. A escala de temperaturas encontra-se a direita. Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência. O continente e as nuvens estão mascarados em branco. A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem. Na região de Cabo Frio, quando sopram ventos intensos e constantes do quadrante NE, ocorre o fenômeno da ressurgência. As águas de subsuperfície, mas frias e ricas em nutrientes, são bombeadas para níveis mais rasos, chegando a aflorar na superfície. A presença destas águas subsuperficiais pode ser facilmente notada na imagem da Figura 2 em tons azuis, com TSM’s abaixo de 19ºC.

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3.1.3 VÓRTICES E FRENTES A Figura 3 apresenta uma imagem termal, processada, do satélite NOAA-14 obtida em 8 de agosto de 2000 sobre o litoral norte do RJ. Os tons vermelhos na imagem, com valores de TSM acima de 23ºC estão associados à Corrente do Brasil, fluindo de nordeste para sudoeste. As águas sobre a plataforma continental, com TSM’s mais baixas (< 22ºC), ficam separadas das águas quentes da Corrente do Brasil por uma frente termal, onde são observados intensos gradientes horizontais de temperatura. Nestas regiões oceânicas ocorrem agregações passivas de organismos com pouca ou nenhuma capacidade natatória que servem de alimento para outros consumidores mais evoluídos. Daí seu interesse para a pesca oceânica de peixes pelágicos e outros recursos marinhos. A posição aproximada da frente está assinalada na Figura 3 por pequenas setas sucessivas. Entre as latitudes 22º-23ºS e as longitudes 40º-41ºW, e em torno da posição 24ºS-42ºW, podemos notar a presença de dois vórtices ciclônicos, com rotação no sentido horário (ver indicação das setas mais largas na Figura 3). Estas estruturas de mesoescala provocam misturas verticais e horizontais de águas com características físicas e químicas diferentes. Desta forma, processos biológicos nestas regiões acabam sendo influenciados por estes forçantes físicos alterando temporariamente a estrutura e o funcionamento do ecossistema.

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Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14, de 08/08/2000, do litoral norte do RJ. Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura). As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos. As setas menores indicam a posição da frente termal. 3.2 COR DA ÁGUA

A cor do oceano é resultante da energia solar retroespalhada pela superfície marinha e pela coluna d’água. O azul escuro do oceano profundo é típico de águas com baixas concentrações de organismos fitoplanctônicos (algas unicelulares marinhas) ou outras substâncias opticamente ativas (materiais

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Clarke et al. da profundidade até onde a irradiância é reduzida a 37% (1/e) do seu valor na superfície (Gordon e McCluney. maior a contribuição de sedimentos e material dissolvido provenientes do continente. O fitoplâncton altera as propriedades ópticas da água do mar (Yentsch. 1981). Estas cores percebidas pelo olho humano podem ser quantificadas por medidas da distribuição espectral da radiância ascendente da água realizadas por sensores instalados em satélites. A medida que se aproxima da costa. 1978. a determinação da concentração de pigmentos. 1975). Avaliações quantitativas das propriedades bio-ópticas da água do mar requerem métodos precisos de correção atmosférica. 1970). 1959. resta interpretar a radiância ascendente ressurgente da água em termos das características ópticas das camadas superiores do oceano (ou em termos das variações nas concentrações e tipos de material dissolvido e particulado que contribuem para variações nestas propriedades ópticas).. é restrito a esta camada. através do sensoriamento remoto orbital. a entrada de nutrientes no ambiente aquático geralmente aumenta. As equações utilizadas nestes procedimentos são coletivamente referidas como algoritmos bio-ópticos (Smith e Baker. cerca de 90% do sinal detectado pelos sensores orbitais provêm da atmosfera. ou seja.orgânico e inorgânico). 90% retorna à atmosfera e é proveniente da primeira profundidade óptica.Kampel . com conseqüente desenvolvimento de maiores concentrações de fitoplâncton e mudança de cor do azul para o verde. visto que. Por isso. Da irradiância que chega aos oceanos. Quanto mais próximo da costa. Assumindo que a contribuição atmosférica ao sinal do satélite pode ser estimada. DSR/INPE 6-21 M. A cor da água muda para amarelo-marron chegando a vermelha em certas circunstâncias. Clark.

através de programas de pesquisa abrangentes. Segundo Hooker e McClain (2000).. tem se desenvolvido diversas aplicações oceanográficas com a utilização de dados orbitais da cor do oceano. A cor da água do mar é. 1986. frentes oceânicas. 3. DSR/INPE 6-22 M.m-3. torna-se possível avaliar o papel dos oceanos no ciclo global do carbono. plumas de efluentes domésticos e/ou industriais também podem ser monitorados com esta tecnologia. 1997. Estas imagens podem ainda ser utilizadas para monitorar plumas de sedimentos carreados por rios para a região costeira. Da mesma forma. servindo como indicadores auxiliares no controle da poluição marinha.05-50 mg. os dados da cor do oceano obtidos por satélites são empregados para estimar as concentrações de clorofila na superfície do mar. Santamaria-del-Angel et al.2. assim como em outros ciclos biogeoquímicos. A obtenção rotineira de dados quantitativos das propriedades bio-ópticas dos oceanos permite ainda o exame dos fatores oceânicos que afetam as mudanças globais. 1994. Monger et al.Kampel .Apesar destas limitações. Biggs e Müller-Karger.. Desta forma. Entre estas.1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA Rotineiramente. 1994. os mapas de concentrações de clorofila-a obtidos atualmente têm acurácia de ±30% no intervalo entre 0. algumas vezes. podemos citar os estudos de processos dinâmicos de correntes de maré. é possível observar sinopticamente feições biológicas de sistemas dinâmicos como os grandes giros subtropicais. como a clorofila-a. entre outros). lançando mão da distribuição de sedimentos em suspensão como traçador. alterada pela presença de determinados tipos de poluentes. A partir de imagens da concentração superficial de pigmentos. Laurs e Brucks (1985) demonstraram a utilização dos mapas de concentração de pigmentos no estudo da distribuição de capturas de tunídeos. ressurgências e vórtices de mesoescala (Peláez e McGowan. aliadas à cobertura por nuvens.

As isóbatas de 500. 1000. As setas pequenas na imagem indicam a presença de uma frente oceânica formada entre as águas pobres e oceânicas da Corrente do Brasil. Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos.Kampel . Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtida a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira.A Figura 4 apresentada a seguir mostra os campos superficiais de concentração de clorofila-a obtidos pelo processamento da imagem SeaWiFS de 09/08/2000. Os tons de amarelo a vermelho correspondem a águas mais ricas em clorofila. 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem. e as águas mais ricas sobre a plataforma. típicas das águas oligotróficas da Corrente do Brasil. Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S. normalmente localizadas mais próximo à costa. As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica. Tomé. Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura). DSR/INPE 6-23 M.

da mesma forma como em imagens termais. e a irradiância DSR/INPE 6-24 M. correspondem aos menores valores de produtividade. indica o sentido de rotação de um vórtice ciclônico presente na imagem. A Figura 5 mostra um mapa médio da produtividade primária fitoplanctônica integrada na coluna d’água (g. A irradiância disponível na superfície do mar foi calculada por modelos de transferência radiativa (Gregg e Carder. 3. nesta época do ano. Os tons de verde a vermelho.. A produção primária é expressa como função da biomassa fitoplanctônica e da irradiância disponível em diferentes níveis de profundidades.A seta mais larga quase em frente a Cabo de São Tomé.2. A análise de séries temporais de imagens da cor do oceano permite que se conheça a magnitude e a variabilidade das concentrações de clorofila e da produtividade primária em escala global. A tabela de cores aparece na parte inferior da figura.1992).2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA A velocidade com que as concentrações de clorofila variam no tempo e/ou quanta fotossíntese está ocorrendo durante o dia é chamada de produtividade primária (primária porque é a fase inicial e crítica da teia alimentar). 1990). típicos de águas oceânicas pobres. É interessante notar a mais alta produtividade do Oceano Atlântico Norte em relação ao Atlântico Sul.C.m-2) para o mês de agosto de 1998. correspondentes a valores de produção primária mais altos. pode-se tentar quantificar as relações entre a física dos oceanos e os padrões de produtividade em grande e mesoescala (McClain et al. A biomassa fitoplanctônica na camada superficial é determinada pela concentração de clorofila-a obtida por imagens da cor do oceano. Com isso. Feições oceanográficas de mesoescala também podem ser visualizadas em imagens da cor do oceano. Este mapa foi obtido a partir de um algoritmo semi-analítico baseado nas relação fundamental entre fotossíntese e luz. são encontrados em regiões costeiras. Os tons azuis.Kampel . de divergência equatorial e em áreas de ressurgência.

1988).disponível abaixo da superfície do mar foi estimada por modelos de atenuação na coluna d’água (Sathyendranath e Platt.m-2 encontra-se na parte inferior da figura. com interações que lhe conferem um caráter de fragilidade. Em síntese. pode-se dizer que a sustentabilidade das atividades humanas nas zonas costeiras depende de um meio marinho saudável e vice-versa.Kampel . Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS. fundamentalmente.3 GERENCIAMENTO COSTEIRO A Zona Costeira abriga um mosaico de ecossistemas de alta relevância ambiental. a atividade de gerenciamento deste amplo universo de trabalho implica. e deste com a sociedade. 3. O Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) é um dos instrumentos do Gerenciamento Costeiro que baliza o processo de ordenamento territorial DSR/INPE 6-25 M. e há uma tendência permanente ao aumento da concentração demográfica nessas regiões. A maior parte da população mundial vive em zonas costeiras. Desta forma. na construção de um modelo cooperativo entre os diversos níveis e setores do governo.2. A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g.C. cuja diversidade é marcada pela transição de ambientes terrestres e marinhos.

A Figura 6 a seguir mostra a área do Baixo Rio Parnaíba. composição colorida 3B4G5R. incluindo o seu delta. tem-se uma área total de 16. DSR/INPE 6-26 M. O avanço da ocupação sobre a área e a intensificação de alguns usos têm aumentado as ameaças quanto à degradação ambiental e à dilapidação do patrimônio natural. Esta região é alvo de diferentes interesses que visam a alterar suas condições de uso e ocupação. MA e CE). do Baixo do Parnaíba (PI. sensor ETM+.744. MA e CE. Incorporando a área marinha. entrte os estados do Pi. Para garantir a sustentabilidade do seu desenvolvimento.25 km2. até a isóbata de 20 m. à porção terrestre.Kampel . Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7. foi elaborado um ZEE como um passo importante para orientar planos de gestão.necessário para a obtenção das condições de sustentabilidade ambiental do desenvolvimento da Zona Costeira.

Bóias ancoradas e derivadores rastreados por satélites. rastreado por satélite. podem ser acessados pela internet em: http://www. na costa brasileira. Suas trajetórias. e Atlântico Tropical. como por exemplo. (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE.3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES Como mencionado anteriormente.inpe. têm sido excelente. bem como os dados de temperatura da água e pressão ao nível do mar coletados por eles. para estudos ambientais e oceanográficos nas regiões da Antártica. têm sido desenvolvidos e utilizados pelo INPE desde 1985. padrão WOCE. Atualmente temos em atividade 10 derivadores de baixo custo. mas que podem ser obtidos com auxílio da tecnologia espacial. padrão WOCE (Figura 7).dsr.html Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo. que não na forma de imagens. A parte submersa encontra-se em tons de azul. Oceano Atlântico Sudoeste.br/pnboia/pnboia.3. através do Sistema Argos. existem outros tipos de dados úteis aos estudos oceanográficos. o que nos motiva a continuar trabalhando desta forma.Kampel . O índice de aproveitamento utilizando a telemetria de dados por satélites. DSR/INPE 6-27 M.

cptec. Esperamos ter demonstrado. O Projeto Pirata (http://www4. a capacidade dos satélites de pesquisa em medir parâmetros e/ou variáveis oceânicas importantes para o clima. pesca. estando atualmente inativos. 6 estão sob responsabilidade do Brasil. altura e direção de ondas. De um total de 12 bóias fundeadas em atividade atualmente. pretende continuar lançando outros derivadores nos próximos anos. transporte de calor. conduzido pelo INPE e pela Marinha do Brasil.Pelo menos outros 50 derivadores do mesmo tipo foram lançados na nossa costa. calibração de imagens orbitais termais. através de altímetros e escaterômetros. O Programa Nacional de Bóias. transporte marítimo. com participação do INPE que pretende estudar as interações entre o oceano e a atmosfera na região do Atlântico Tropical que sejam relevantes para os estudos sobre as mudanças climáticas. 4. Mesmo com a tecnologia espacial DSR/INPE 6-28 M.Kampel . CONSIDERAÇÕES FINAIS Além dos exemplos de aplicações apresentados acima. ainda que de forma sucinta.inpe. Como exemplo. previsões meteorológicas marinhas. cabe mencionar que diversos outros parâmetros e variáveis de interesse oceanográfico também são obtidos com o emprego de tecnologia espacial. Depois de processadas. intensidade e direção dos ventos superficiais. monitoramento ambiental. Os dados coletados por estes derivadores são utilizados em estudos da circulação oceânica. nos últimos anos. entre outras aplicações.br/pirata/) é uma iniciativa internacional. todas as informações são disponibilizadas pela internet. etc. entre outros. podemos citar: a detecção de derrames de óleo no mar através de radares de abertura sintética. segurança nacional. Os dados oceanográficos e meteorológicos adquiridos automaticamente por estas bóias são transmitidos via Sistema ARGOS.

afim de se revelar uma perspectiva mais ampla para o estudo e entendimento de processos e fenômenos oceanográficos. O desafio àqueles que desenvolvem pesquisas em Sensoriamento Remoto. mais especificamente na área de Oceanografia. quase todos os ramos da Oceanografia consideram o Sensoriamento Remoto como uma ferramenta de grande utilidade na aquisição de dados de interesse. e por observações orbitais de forma complementar. As áreas mais promissoras são as que utilizam dados coletados convencionalmente . de mais esta conquista do Homem na procura da compreensão do meio em que vive. Diversos projetos de pesquisa que utilizam dados coletados por satélites têm ampliado o nosso entendimento sobre o sistema oceano. características estas possíveis de serem obtidas com o emprego de satélites. Neste contexto geral.por bóias e navios.atualmente disponível. DSR/INPE 6-29 M. ainda existe uma insuficiência de informações em muitas regiões do nosso planeta. para nos beneficiarmos da melhor forma possível. bem como não podemos deixar de conhecer os sistemas e os sensores em disponibilidade e suas técnicas de utilização. são incluídos os estudos de processos oceanográficos que requerem uma resolução espacial sinóptica e uma capacidade de amostragem por longo período. não devemos esquecer os princípios básicos envolvidos na aquisição de dados por Sensoriamento Remoto.Kampel . Evidências deste progresso são os novos programas que utilizam a tecnologia espacial para aplicações em oceanografia. Atualmente. Se desejamos acompanhar esta evolução. é o de explorar teorias e conceitos e desenvolver aplicações que não se concretizariam somente com a utilização de métodos convencionais.

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inpe.Tavares Jr DSR/INPE .S.mail : stelio@ltid.CAPÍTULO 7 S E N S O R I A M E NT O R E M O T O APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS Stélio Soares Tavares Júnior∗ INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE ∗ e.br 7-1 S.

Tavares Jr .S.DSR/INPE 7-2 S.

...............ÍNDICE 1................................Tavares Jr . REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..... 7-7 4..... FATORES CONSIDERADOS............ FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA ........ 7-4 2..............S.................. 7-7 3.............................................. INTEGRAÇÃO DE DADOS..... 7-8 DSR/INPE 7-3 S......................................................... QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS .............

as quais.S. • Resolução Espectral – a posição.TM podem mostrar feições associadas a zonas de alteração hidrotermal. largura e quantidade de bandas de um determinado sensor constituem importantes fatores para detecção de características particulares de uma dada região.SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS 1. FATORES CONSIDERADOS.Tavares Jr . QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS: Características do sistema sensor Litologia (tipos de rochas) Fisiografia da região Influência das variações sazonais refletidas na cobertura vegetal Influência das variações sazonais refletidas nos ângulos solares de elevação e azimute . ravinas e cicatrizes de deslizamentos. podem estar relacionadas a processos de enriquecimento mineral. Ex: cursos de água de ordens inferiores e formas menores de relevo como aquelas produzidas pelos processos erosivos atuais como voçorocas. que por muitas vezes tornam-se importantes para a fotointerpretação geológica. Por exemplo. algumas razões de bandas como a entre as bandas 5 e 7 do Landsat 5 .Características do sistema sensor a) Sistemas Ópticos • Resolução Espacial – imagens com resoluções espaciais adequadas contribuem de forma significativa para detecção de feições menores. por sua vez. DSR/INPE 7-4 S.

Quanto ao comprimento de onda. . terrenos planos com vegetação rala podem configurar uma superfície lisa para determinadas faixas de freqüência como a da banda L. Estes aspectos influenciam diretamente na aparência da imagem. Por outro lado. podem auxiliar na interpretação da variabilidade litológica. Entre as rochas a reflectância decresce dos termos ácidos (pegmatitos e granitos) para os básicos e DSR/INPE 7-5 S. possuem comportamentos espectrais próprios. Esta seleção também deve levar em consideração aspectos morfológicos do terreno como: rugosidade (macro e superficial). Ângulos de incidência menores são adequados para terrenos planos. enquanto os elevados são para áreas de relevo movimentado. Entre essas características dos sensores. permitindo apenas a diferenciação entre félsicos e máficos. b) Sistema Radar A existência de sensores SAR com características distintas de comprimento de onda. por conseguinte interferem na qualidade e confiabilidade da interpretação. são mais realçadas quando o azimute de visada é ortogonal às suas direções. ressalta-se a importância do comprimento de onda e da geometria de iluminação. ou seus derivados do intemperismo. após contato com o terreno. Em termos geológicos as feições de maior destaque.• Resolução Radiométrica – as variações nos níveis de cinza resultado da sensibilidade com que o sistema registra as mudanças de comportamento dos alvos. polarização. a qual é composta pelo ângulo de incidência e azimute de visada. em áreas de vegetação densa e relevo movimentado o sinal de retorno é mais forte.Influência da Litologia O mapeamento geológico parte do princípio que diferentes tipos de rochas. resolução espacial e geometria de iluminação favorece a seleção de imagens mais adequadas às aplicações geológicas.S. umidade e orientação estrutural. ocasionando um fraco sinal de retorno da REM à antena. e cujo conhecimento é considerado um fator indispensável na interpretação dos dados SAR.Tavares Jr . pois são importantes para o realce topográfico. Os principais minerais de rochas ígneas possuem curvas de reflectâncias lisas. geralmente o trend estrutural principal da área. produzindo uma imagem com melhor variação tonal. Desse modo na imagem resultante predominam tons de cinza mais escuros.

76-0. pois a parte superior da floresta tende a acompanhar os traços do relevo regional. quando a vegetação encontra-se sob estresse hídrico.Influência das condições fisiográficas da área A escolha adequada da banda espectral é fundamental para a obtenção de bons resultados no mapeamento dos tipos de cobertura. rochas totalmente alteradas considera-se o comportamento dos solos derivados. que por sua vez refletem a organização estrutural. a vegetação pode servir como parâmetro auxiliar no mapeamento geológico.ultrabásicos. devido ao menor porte e maior espaçamento da distribuição da vegetação.Tavares Jr . Nas áreas de savana. . desenvolvida sobre solos de baixa fertilidade. apenas com um aumento relativo dos valores de reflectância. Entre as rochas parcialmente alteradas nota-se comportamento semelhante. em relação as do infravermelho médio.S. como o da banda 5 do TM (1.75 µm). outros intervalos espectrais. onde a folhagem apresenta alta reflectância. Essa diferença torna-se mais evidente nas imagens obtidas em épocas de estiagem.551. Dessa forma. mesmo na estação chuvosa. as respostas espectrais podem estar diretamente associadas a variabilidade litológica e ou pedológica. a qual está diretamente associada às respostas espectrais da litologia e ou do solo. Nas imagens de áreas com cobertura vegetal tipo savana. . Épocas de estações chuvosas. Em regiões de floresta densa. favorecem tanto a fotointerpretação dos traços estruturais como a análise da associações geobotânicas sobre imagens de sensoriamento remoto. quando a vegetação encontra-se no seu vigor máximo.Influência das variações sazonais na cobertura vegetal Este fator influencia na intensidade com que a cobertura vegetal reflete os grandes traços geológicos e contribui para associações geobotânicas. DSR/INPE Em 7-6 S. Nesse caso.9 µm) e a erosão diferencial contribuem para análise estrutural e a discriminação litológica. inclusive a vegetal. ela aparece em tons de cinza mais escuros nas bandas espectrais do infravermelho próximo. principalmente daquelas na faixa espectral do infravermelho próximo. podem fornecer uma imagem com melhor variação tonal. a alta reflectância na banda 4 do TM (0.

Desse modo outros parâmetros. porém em regiões equatoriais esse ângulo pouco varia com a sazonalidade. Esses desempenham papel fundamental no desenho da paisagem natural da superfície terrestre. que estejam relacionados com a variação litológica. como é o caso das imagens SAR. bem como suas disposições refletem a organização estrutural. com dados que denotem aspectos do comportamento espectral dos materiais constituintes. Dentro das várias técnicas utilizadas destaca-se o método baseado na transformação para o espaço IHS. ou seja.Tavares Jr . Desse modo a utilização dessas técnicas alcançou uma vasta variedade de aplicações dentro do conjunto de disciplinas das Ciências da Terra. além de colaborar na redução de custos despendidos em trabalhos de campo. devem ser considerados. cuja o azimute solar seja o mais ortogonal possível com as orientações estruturais. INTEGRAÇÃO DE DADOS As técnicas de fundir dados provenientes de fontes diferentes (multifontes) vêm sendo amplamente utilizadas com intuito de gerar um produto final de boa qualidade visual. Em geral nas aplicações geológicas procura-se integrar dados de alta resolução espacial que realcem aspectos morfológicos do terreno. para as análises quantitativas e qualitativas e para os procedimentos de interpretação visual em geral. as quais visem a seleção de cenas. como o azimute de iluminação solar.S. A DSR/INPE 7-7 S. Assim justifica-se a necessidade de análises multitemporais.. como é o caso das imagens geofísicas de gamaespectrometria. FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA O primeiro passo seguido na etapa de interpretação geológica consiste no reconhecimento na imagem dos elementos naturais da paisagem (drenagem e relevo). 3.Influência das variações sazonais decorrentes dos ângulos solares de elevação e azimute Menores ângulos de elevação solar produzem maior realce do relevo e permitem com maior facilidade a identificação de lineamentos estruturais. a fim de melhor realça-las. a qual de uma forma geral exerce controle nas acumulações minerais. 2.

C. por ser condicionada à reflectância dos alvos da superfície terrestre. Veneziani. é possível avaliar os significados geológicos. os quais constituem as zonas homólogas.inpe. 54p... Santos. E. M.Tavares Jr . Elementos de análise e interpretação de imagens de sensoriamento remoto. DSR/INPE 7-8 S. P. Caracterizadas as diversas formas de arranjo dos elementos texturais de drenagem e relevo juntamente com o exame da variação tonal e ou de matiz. O passo seguinte consiste em um exame cuidadoso do padrão de organização desses elementos. Veneziani. P. Paradella. Morais. Ago. R. [online]. 103p.S.. Para os produtos integrados multifontes considera-se a variação de matiz. (INPE-2227-MD/014). 1982. A. http://www. Os limites entre essas zonas podem ser bem definidos e corresponderem a contatos litológicos. porém o mais comum é a passagem gradual ou difusa das propriedades dos elementos texturais. A partir desse exame individualiza-se na imagem vários setores com propriedades de textura e estrutura similares. C. R.br/obt/dsr/geologia. Metodologia de interpretação de dados de Sensoriamento Remoto e aplicações em Geologia. isto ocorre quando é marcado por uma quebra negativa de relevo. 2000b. Radar aplicado ao mapeamento geológico e prospecção mineral: aplicações. W. R. 4. & Anjos. a qual reflete as características (variação litológica) dos dados utilizados na fusão com o SAR ou com um produto derivado das imagens multiespectrais . no caso de produtos multifontes.variação tonal é um outro elemento de imagem que merece destaque. São José dos Campos: INPE/ADIMB. 2001. através da análise das propriedades de suas formas. São José dos Campos: INPE. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida Filho. bem como definir unidades fotolitológicas e associa-las às litologias descritas em trabalhos anteriores.

CAPÍTULO 8 SENSORIAMENTO REMOTO NO E S T U D O D A V E G E T A Ç Ã O: DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA F l á v i o J o r g e P o n z o n i1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 flavio@ltid.br .inpe.

DSR/INPE 8-2 F.J.Ponzoni .

................... PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS ........... 8-17 6...... 8...... 8-8 3.Ponzoni ............................................................ 8-15 5.......................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................. INTRODUÇÃO .................. DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA ............................................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ......................................................... 8-7 2...........................5 1... 8-12 4............J............................................ 8-27 DSR/INPE 8-3 F........................................................... A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO .................................. INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS .

J.DSR/INPE 8-4 F.Ponzoni .

.................................. 8-11 3 – DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA ...................... 8................J.................................................000 SOBRE O DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA ......................................................................22 5 – CONTORNO DAS CARTA TOPOGRÁFICAS NA ESCALA 1:250................................ 8-19 4 – “OVERLAY” SOBRE A IMAGEM E O MAPA PRELIMINAR RESULTANTE DA INTERPRETAÇÃO... 8-23 6 – COMPOSIÇÕES COLORIDAS UTILIZADAS NOS MAPEAMENTOS DE 1985-90 (A) E 1990-95 (B) ...............................Ponzoni ............................LISTA DE FIGURAS 1 – SEÇÃO TRANSVERSAL DE UMA FOLHA MOSTRANDO OS POSSÍVEIS CAMINHOS DA LUZ INCIDENTE ................ 8-10 2 – CURVA DE REFLECTÂNCIA TÍPICA DE UMA FOLHA VERDE ........... 8-25 DSR/INPE 8-5 F....................

J.Ponzoni .DSR/INPE 8-6 F.

Assim como para o estudo da maioria dos recursos naturais.1. no nível de aeronave e no nível orbital. Em laboratório. INTRODUÇÃO Como foi apresentado nos capítulos anteriores. utilizam-se radiômetros aos quais podem ser acoplados acessórios que permitem a coleta e o registro da radiação refletida de folhas e demais órgãos das plantas. Adicionalmente apresentamos um exemplo de mapeamento da vegetação no domínio da Mata Atlântica. a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto para o estudo da vegetação têm quatro diferentes níveis possíveis de coleta de dados: em laboratório. as técnicas de Sensoriamento Remoto se fundamentam em um processo de interação entre a Radiação Eletromagnética e os diferentes objetos que se pretende estudar. bem como de conjuntos de plantas visando identificar possíveis alterações na forma como esses órgãos interagem com a radiação eletromagnética. novamente radiômetros são utilizados. diferentes sensores podem ser utilizados concomitantemente na geração de curvas espectrais ou de imagens. No nível de aeronave. a coleta de dados e seu registro através de um sensor e a análise desses dados com o objetivo de extrair as informações pretendidas de um dado objeto.J. caracterizada principalmente pelo fenômeno de reflexão da radiação. em campo. os quais são normalmente posicionados a alguns metros acima de um plantio agrícola ou do topo de um dossel florestal com objetivo semelhante àquele mencionado para a análise dos dados coletados em laboratório. Em campo. Neste capítulo abordamos os princípios que fundamentam os estudos da vegetação através da aplicação de técnicas de sensoriamento remoto. A aplicação dessas técnicas é viabilizada através do cumprimento de diversas etapas que incluem a interação em si. as quais incluem a geração e utilização de imagens pictóricas na elaboração de mapas temáticos e/ou na avaliação espectral da cobertura vegetal de extensas áreas da superfície terrestre. Finalmente no nível orbital é que se concentram as aplicações mais comumente divulgadas na comunidade em geral.Ponzoni . que vem sendo realizado com bastante sucesso. DSR/INPE 8-7 F.

estão incluídas as máquinas fotográficas. espaços intercelulares. que permitem a colocação dos sensores imediatamente acima dos dosséis vegetais segundo as mais diferentes disposições. como folhas. principalmente tipo e quantidade de pigmentos fotossintetizantes. a folha constitui o principal deles quando se considera o processo de interação descrito. a qual é fruto de um processo complexo que envolve muitos parâmetros e fatores ambientais. Um fluxo de radiação incidente sobre qualquer um destes elementos estará sujeito a dois processos: espalhamento e absorção. ângulo de incidência e polarização) e das características físico-químicas destes mesmos elementos. mesófilo DSR/INPE 8-8 F. etc). teleféricos. fundamenta-se na compreensão da “aparência” que uma dada cobertura vegetal assume em um determinado produto de sensoriamento remoto. partes de plantas ou até alguns arranjos de plantas. Para uma melhor compreensão das características de reflectância da REM incidente sobre uma folha é necessário o conhecimento de sua composição química. por sua vez. A principal motivação dos estudos em vegetação envolvendo a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto. flores. Na coleta de dados em aeronave. A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO No nível de coleta de dados em laboratório comumente são consideradas as folhas. galhos. os radiômetros e os sensores eletro-ópticos. os dados podem ser coletados diretamente das folhas ou através de dispositivos como plataformas (móveis ou fixas). frutos. etc. Em campo.J. assim como no nível orbital.2. dos quais são coletados dados radiométricos com o objetivo de caracterizar espectralmente fenômenos e/ou aspectos relacionados ao processo de interação entre a radiação eletromagnética (REM) e a vegetação.Ponzoni . De todos os elementos constituintes da vegetação. Há de se considerar que um dossel é constituído por muitos elementos da própria vegetação. e de sua morfologia interna (distribuição e quantidade de tecidos. etc. O destino do fluxo radiante incidente sobre um destes elementos é então dependente das características do fluxo (comprimentos de onda. O processo de espalhamento. Uma folha típica é constituída de três tecidos básicos que são: epiderme. pode ser dividido em dois sub-processos: reflexão e transmissão através do elemento.

mas também constitui a passagem pela qual fluem os produtos da fotossíntese que são produzidos na folha. Os autores basearam sua teoria na estrutura interna das folhas e na reflectância potencial das superfícies. dependendo da espécie e das condições ambientais. para as demais partes da planta. Desde que as características da folha são geneticamente controladas. Uma terceira característica estrutural da folha é o tecido vascular. morfologia e estrutura interna. Segundo eles. A folha é então coberta por uma camada de células protetoras epidérmicas. Além desta variação nos índices de refração dos DSR/INPE 8-9 F. existirão portanto diferenças no comportamento espectral entre grupos geneticamente distintos.33. Levando em consideração o conceito da reflectância interna numa folha e os conhecimentos do espectro de absorção da clorofila. a qual é válida até hoje. etc. desenvolveram uma teoria sobre a trajetória da REM dentro de uma folha. que formam o parênquima. As estruturas das células que compõem os três tecidos das folhas são muito variáveis.Ponzoni . por exemplo. ar.fotossintético e tecido vascular. As células do parênquima são ocupadas por seiva e protoplasma. Willstatter e Stoll (1918). A rede de tecidos do sistema vascular não serve somente para suprir a folha com água e nutrientes do solo. Esparsos através do mesófilo estão os espaços intercelulares cheios de ar. Esta rede de passagens de ar constitui a via de acesso pela qual o CO2 alcança as células fotossintéticas e o O2 liberado na fotossíntese retorna à atmosfera externa. o qual por sua vez é freqüentemente subdividido numa camada ou em camadas de células paliçádicas alongadas. através de uma camada de água. Um mesmo feixe de radiação poderia passar. que possui um índice de refração de 1. a trajetória da REM se daria ao longo de vários meios. membranas celulares. os quais se abrem para fora através dos estômatos. sendo estes compostos pela água. O comportamento espectral de uma folha é função de sua composição. arranjadas perpendicularmente à superfície da folha. Abaixo da epiderme encontra-se o mesófilo fotossintético. na qual muitas vezes desenvolve-se uma fina e relativamente impermeável superfície externa. que possui um índice de refração igual a 1. e em seguida atravessar um espaço preenchido com ar.J.

Ponzoni . A espessura da folha é fator importante no caminho da REM. Esta reflexão múltipla é essencialmente um processo aleatório no qual os raios mudam de direção dentro da folha. Willstatter e Stoll (1918) imaginaram as possíveis trajetórias da REM dentro de uma folha. enquanto outros são transmitidos através da folha. alguns raios são refletidos de volta.J. já que geralmente a transmitância é maior do que a reflectância para folhas finas. 1-Seção transversal de uma folha mostrando os possíveis caminhos da luz incidente. Fig. (1965) DSR/INPE 8-10 F. onde os raios incidem freqüentemente nas paredes celulares. como mostra a Figura 1. foi considerado que as células dos tecidos foliares.diversos meios a serem atravessados. mas o inverso acontece com folhas grossas. principalmente do mesófilo esponjoso. Uma pequena quantidade de luz é refletida das células da camada superficial. sendo refletidos se os ângulos de incidência forem suficientemente grandes. sendo orientada espacialmente sob diversos ângulos. possuem uma estrutura irregular. Dado o grande número de paredes celulares dentro da folha. A maior parte é transmitida para o mesófilo esponjoso. Fonte: Gates et al .

Os comprimentos de onda relativos ao ultravioleta não foram considerados. região do visível (400 nm a 700 nm). 2-Curva de reflectância típica de uma folha verde. DSR/INPE 8-11 F. A energia radiante interage com a estrutura foliar por absorção e por espalhamento. e xantofilas (29%). em cada uma destas regiões são: 5.Ponzoni . b) região do infravermelho próximo (700 nm a 1300 nm). A energia é absorvida seletivamente pela clorofila e é convertida em calor ou fluorescência. Os valores percentuais destes pigmentos existentes nas folhas podem variar grandemente de espécie para espécie.J. porque uma grande quantidade dessa energia é absorvida pela atmosfera e a vegetação não faz uso dela. e também convertida fotoquimicamente em energia estocada na forma de componentes orgânicos através da fotossíntese. Os principais aspectos relacionados ao comportamento espectral da folha. Estes pigmentos.A curva de reflectância característica de uma folha verde sadia é mostrada na Figura 2. Fonte: Novo (1989) A região compreendida entre 400 nm a 2600 nm pode ser dividida em três áreas: 5. geralmente encontrados nos cloroplastos são: clorofila (65%). região do visível: Nesta região os pigmentos existentes nas folhas dominam a reflectância espectral. Fig. c) região do infravermelho médio (1300 nm a 2600 nm). carotenos (6%).

2700 nm e 6300 nm. etc). A absorção da água é geralmente baixa nessa região. Considerando a água líquida. podem causar alterações na relação águaar no mesófilo.Ponzoni . maior será também a reflectância. A reflectância espectral é quase constante nessa região.b) região do infravermelho próximo: Nesta região existe uma absorção pequena da REM e considerável espalhamento interno na folha. Em termos mais pontuais. mas a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto no estudo da vegetação. a absorção da água se dá em 1100 nm. sendo menor do que 10% para um ângulo de incidência de 65o e menor do que 5% para um ângulo de incidência de 20º A água absorve consideravelmente a REM incidente na região espectral compreendida entre 1300 nm a 2000 nm. espera-se que muito do que foi exposto referente às características de reflectância das folhas.J. (1965) determinam que a reflectância espectral de folhas nessa região do espectro eletromagnético é o resultado da interação da energia incidente com a estrutura do mesófilo. c) região do infravermelho médio: A absorção devido à água líquida predomina na reflectância espectral das folhas na região do infravermelho próximo. maior será o espalhamento interno da radiação incidente. uma reflectância geralmente pequena. inclui a necessidade de compreender o processo de interação entre a REM e os diversos tipos fisionômicos de dosséis (florestas. quanto mais lacunosa for a estrutura interna foliar. De fato. Uma vez que a folha é o principal elemento da vegetação sob o ponto de vista do processo de interação com a REM. quando comparadas as curvas de reflectância de uma folha DSR/INPE 8-12 F. De maneira geral. e consequentemente. como disponibilidade de água por exemplo. 3. 1950 nm. INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS Todas as discussões apresentadas até o momento referiram-se ao estudo das propriedades espectrais de folhas isoladas. 1450 nm. esta apresenta na região em torno de 2000 nm. Gates et al. culturas agrícolas. podendo alterar a reflectância de uma folha nesta região. formações de porte herbáceo. Fatores externos à folha. também seja válido para os dosséis.

A DAF varia consideravelmente entre os tipos de vegetação. é ainda relacionado à biomassa. respectivamente.J. em função da ação dos pigmentos fotossintetizantes. segundo uma distribuição específica. Outro parâmetro que define a arquitetura do dossel é a Distribuição Angular Foliar (DAF). assume-se que a densidade dos elementos da vegetação é uniforme. bem como a suas densidades e orientações.Ponzoni . erectófila.verde sadia com as medições espectrais de dosséis. o que é caracterizado pelo Índice de Área Foliar (IAF). É caracterizada por uma função de densidade de distribuição f(θl. Em vários modelos de reflectância da vegetação um dossel é considerado como sendo composto por vários sub-dosséis. Para um dossel ou subdossel homogêneo. por exemplo. espera-se que em imagens referentes à região do visível os dosséis apresentem tonalidade escura devido à baixa reflectância da REM. ϕ l). em imagens da região do infravermelho próximo. Assim. arranjados regularmente no solo (plantios em fileiras. e os ângulos azimutais ϕl e ϕl +dϕl. por exemplo) ou arranjados aleatoriamente. extremófila. onde θl e ϕl são a inclinação e o azimute da folha. Os dosséis são normalmente descritos por um dos seguintes seis tipos de distribuições: planófila. A distribuição espacial dos elementos da vegetação. do tipo de vegetação existente e do estágio de desenvolvimento das plantas. uniforme e esférica. estas apresentam formas muito semelhantes. O IAF é um dos principais parâmetros da vegetação e é requerido em modelos de crescimento vegetal e de evapotranspiração. Por conseguinte f(θl. A distribuição espacial depende de como foram arranjadas as sementes no plantio (no caso de vegetação cultivada). DSR/INPE 8-13 F. definem a arquitetura da vegetação. que representa a razão entre a área do elemento e a área no terreno. ϕ l) dθl dϕl é a fração de área foliar sujeita aos ângulos de inclinação θl e θl +dθl. plagiófila. estes mesmos dosséis deverão apresentar-se com tonalidade clara e em imagens do infravermelho médio espera-se tons de cinza intermediários entre o escuro das imagens do visível e o claro daquelas do infravermelho próximo. Essa semelhança permite que os padrões de reflectância apresentados pelos dosséis vegetais em imagens multiespectrais possam ser previstos.

J. Na região do visível. A orientação das fileiras de uma cultura agrícola. que por sua vez. este agrupamento apresentaria dois efeitos principais: ele aumentaria a probabilidade de ocorrência de lacunas através de toda a extensão do dossel. isto é. com o aumento do IAF. exerce menos influência na região do infravermelho do que na região do visível devido ao menor efeito das sombras. quando o IAF assume valores entre 2 e 3. Por conseguinte. Um dos efeitos da DAF sobre a reflectância da vegetação refere-se à sua influência na probabilidade de falhas através do dossel como uma função dos ângulos zenital solar e de visada. até que o IAF atinja valores compreendidos entre 6 e 8.Ponzoni . o aumento do IAF implica no aumento do espalhamento e no conseqüente aumento da reflectância da vegetação.Estes parâmetros arquitetônicos afetam qualitativamente a reflectância da vegetação. aumentaria a influência do espalhamento dos elementos deste mesmo dossel. uma vez que a absorção é mínima. uma vez que as folhas são praticamente transparentes nesta região espectral. com o aumento do número de folhas. Um outro efeito da arquitetura do dossel sobre sua reflectância ocorre quando os elementos da vegetação não se encontram uniformemente distribuídos. DSR/INPE 8-14 F. Na região do infravermelho próximo. as folhas estivessem agrupadas. Assim que o IAF atingir um determinado valor (aproximadamente compreendido entre 2 e 3). Supondo que ao invés de estarem uniformemente distribuídas no dossel. uma vez que muito da energia incidente sobre uma folha é absorvida. mais e mais energia será absorvida pela vegetação. a reflectância na região do visível decresce quase que exponencialmente com o aumento do IAF até atingir um valor próximo de 0. por exemplo. localizados nas camadas mais próximas ao solo. muito da radiação incidente é interceptada e absorvida pelas folhas e um permanente aumento do IAF não influenciará a reflectância da vegetação.

Isto é evidenciado pela tonalidade escura nas imagens obtidas nesta região. ora subestimando-o. no caso da cobertura vegetal. a tonalidade escura numa imagem do infravermelho médio freqüentemente é mais intensa do que aquela verificada em uma imagem do visível. De fato. aliado ainda ao espalhamento múltiplo entre as diferentes camadas de folhas.J.Ponzoni . Alia-se a este fato a maior interferência da atmosfera nas regiões do DSR/INPE 8-15 F. não se devem exclusivamente à absorção dos pigmentos existentes nas folhas. PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS Um dossel vegetal apresenta valores de reflectância relativamente baixos na região do visível. Vale salientar que o que é efetivamente medido pelo sensor colocado em órbita terrestre é a radiância espectral. por exemplo. Nas imagens da região do infravermelho próximo verifica-se que estes valores apresentam-se elevados devido ao espalhamento interno sofrido pela REM em função da disposição da estrutura morfológica da folha. devido a presença de água no interior da folha. as quais são dependentes da geometria de iluminação. na qual tal sensor é apto a coletar a REM refletida pelos objetos possui sua própria sensibilidade. Como cada sensor de cada banda espetral. Esse desbalanceamento pode ocasionar diferenças de brilho de um mesmo objeto entre as bandas. Finalmente. que apesar da queda da reflectância da vegetação verificada na região espectral do infravermelho médio não ser muito acentuada em relação à região do infravermelho próximo. os níveis baixos de reflectância na região do visível. no infravermelho médio tem-se uma nova queda destes valores. Em cada uma das regiões espectrais todos os fatores exercem sua influência concomitantemente. devido à ação dos pigmentos fotossintetizantes que absorvem a REM para a realização da fotossíntese. ora superestimando-º Isso pode explicar. Assim. Sobre esses efeitos discorreremos oportunamente. isso implica num “desbalanceamento” entre as radiâncias espectrais medidas. por exemplo. estes fatores influentes não atuam isoladamente. mas também às sombras que se projetam entre as folhas.4. esperados para uma cobertura vegetal. da Distribuição Angular das Folhas (DAF) e da rugosidade do dossel em sua camada superior (topo do dossel).

que possuiria um IAF bem menos elevado. enquanto que para a região do infravermelho próximo estes apresentam aumento também quase exponencial. até que sejam atingidos seus respectivos pontos de saturação (IAF=2 ou 3 para a região do visível e IAF=6 ou 8. poderia acarretar o sombreamento daqueles que se posicionariam imediatamente abaixo. é comum o intérprete de imagens orbitais interessado em extrair informações sobre a cobertura vegetal. podendo ser “mascarado” pelo efeito de outros fatores/parâmetros.J. com os indivíduos dominantes projetando suas copas acima de uma cota média do dossel. principalmente participação do solo e sombreamento entre os próprios elementos da vegetação (folhas. principalmente). na diminuição da radiância medida pelo sensor orbital. procurar associar os padrões apresentados por esta diretamente com suas características estruturais (parâmetros biofísicos). bem densa. o que por sua vez implicaria no “escurecimento” do dossel da floresta em relação ao de Eucalyptus spp. os valores de reflectância espectral referentes à região do visível apresentem uma diminuição quase exponencial. Em tal floresta. uma floresta perenifólia. o que implicaria na diminuição da irradiância nos estratos inferiores e. como foi apresentado nos itens anteriores. em uma imagem do infravermelho próximo.visível em relação ao infravermelho que tende a deixar ligeiramente “mais claros” os dosséis vegetais nas imagens do visível. a existência de diferentes estratos (camadas) horizontais. que não possuiria estratos e portanto o sombreamento entre seus elementos constituintes seria bem menor. De fato. conseqüentemente. mas existem algumas particularidades que devem ser consideradas. Por exemplo: é esperado que à medida que uma determinada cobertura vegetal aumenta sua densidade. esse efeito pode ou não ser constatado. Evidentemente que esse efeito será tanto maior DSR/INPE 8-16 F. para a região do infravermelho próximo). galhos e troncos. Mesmo ciente destas influências. poderá assumir um brilho mais escuro do que um plantio jovem de Eucalyptus spp.Ponzoni . com um IAF muito elevado.. Dependendo da arquitetura (forma e distribuição espacial dos indivíduos constituintes do dossel) assumida em cada uma das fases de desenvolvimento dessa cobertura vegetal. essa associação é possível. Assim.

O movimento ambientalista. Cabe ao intérprete estar preparado para conviver com estas limitações e extrair dos produtos de sensoriamento remoto o máximo de informação confiável. uma vez que o sombreamento é proporcional a esse ângulo. contava com poucas informações consistentes sobre a área original. Contudo. sua participação também é dependente do ângulo de iluminação e desta vez de maneira inversa. sob pena de comprometer a sobrevivência das gerações futuras. no entanto. 5. Com o objetivo de suprir essas lacunas. sem o que não seria possível traçar ações efetivas de conservação. a noção de que os recursos naturais vêm se tornando escassos e que a humanidade precisa aprender rapidamente a utilizar com racionalidade esses recursos. tentar elencá-las. ou seja. Cada dossel. o que implicará em uma “mesma” aparência nas imagens. gerados a partir da aplicação de metodologias cientificamente fundamentadas. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE. nem sempre essa noção é fruto da análise racional conduzida sobre dados concretos. mesmo em se tratando de diferentes coberturas vegetais. quanto maior for o ângulo de incidência. a estrutura e a situação dos remanescentes florestais do bioma. a dimensão. em particular. Não há como prever todas as possibilidades. possui suas características próprias e desenvolve-se em diferentes tipos de solos sob diferentes condições ambientais. A partir de meados da década de 80. são inerentes as chamadas ambigüidades nas quais efeitos de diferentes fatores/ parâmetros podem assumir valores iguais de radiância. DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA Vaga no inconsciente e até no consciente das pessoas. Assim como acontece com qualquer outro objeto de estudo à luz das técnicas de sensoriamento remoto.J. iniciou-se no país uma intensa mobilização da sociedade civil pela preservação da Mata Atlântica. a distribuição espacial.quanto maior for o ângulo de incidência solar. em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).Ponzoni . Para o caso do solo. relacionando-as a possíveis padrões em imagens orbitais. concluíram o "Atlas dos DSR/INPE 8-17 F. é esperada uma menor participação do solo.

e vários aprimoramentos foram incorporados. Primeiro mapeamento da Mata Atlântica realizado no País a partir da análise de imagens de satélite. o Instituto Socioambiental. digitalizou os limites das fisionomias vegetais que compõem o Domínio da Mata Atlântica (Figura 3). incluiu. A escala adotada neste primeiro trabalho apresentou limitações para estudos mais detalhados. com exceção da Bahia devido a não disponibilidade de imagens livres de nuvens. determinando sua área original e estabelecendo uma referência inicial para o desenvolvimento de novos estudos. os ecossistemas associados.J. que apontou o índice de exatidão global do mapeamento dos Estados do Espírito Santo e de Santa Catarina. Em função dessas limitações e motivados em adquirir informações mais precisas. graças ao avanço tecnológico verificado. uma maior confiabilidade aos dados gerados. além das fisionomias florestais. Esta etapa abrangeu todos os Estados da fase anterior.000.Remanescentes Florestais do Domínio da Mata Atlântica" em 1990. da Bahia ao Rio Grande do Sul. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram um novo mapeamento em 1990 que originou o “Atlas da Evolução dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados no Domínio da Mata Atlântica . pois algumas unidades de pequena extensão não puderam ser mapeadas e polígonos de remanescentes descontínuos foram agrupados. Além dos aprimoramentos anteriormente citados. Diante dos resultados obtidos.Período 1985-1990”. o que permitiu uma melhor visualização das classes mapeadas e deu.000. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram uma nova atualização de dados. analisando a dinâmica do bioma entre 19901995. conseqüentemente. segundo a terminologia e os critérios estabelecidos pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os limites de algumas DSR/INPE 8-18 F.000. supervisionada pelo INPE. na escala 1:250. Outro aperfeiçoamento importante foi a inclusão de uma avaliação estatística. Foram utilizadas técnicas de interpretação visual de imagens TM/Landsat. na escala 1:1.Ponzoni . com o qual a Fundação SOS Mata Atlântica assinou convênio em 1995. o trabalho foi concluído em 1993 e permitiu avaliar a dinâmica dos remanescentes florestais e de ecossistemas associados da Mata Atlântica em 10 Estados. levantamentos de campo e análise por especialistas para aferição dos dados.

Com base nestes dados. foi possível avaliar a dinâmica da Mata Atlântica de forma mais precisa e localizada. permitindo a definição de políticas de conservação mais objetivas e coerentes com cada situação. ainda. que na etapa anterior estavam incluídos no cômputo geral. agora referente ao período 1995-2000. Figura 3 – Domínio da Mata Atlântica Em meados de 1999.Ponzoni .J. fruto do aprimoramento de máquinas e de aplicativos disponíveis. DSR/INPE 8-19 F. Este aperfeiçoamento permitiu.Unidades de Conservação federais e estaduais. a SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a concepção de um novo mapeamento. no qual foram incluídas várias inovações metodológicas. que os dados sobre as formações florestais da Mata Atlântica fossem separados dos dados de outros biomas. principalmente savana e estepe.

Mesmo assim. Nesses mapeamentos específicos que estamos tratando. elaborar os mapeamentos propriamente ditos.Ponzoni . procura outra instituição que julga ter alguma competência específica.J. foram utilizadas imagens do sensor Thematic Mapper do satélite Landsat 5. estabelecendo então todos os procedimentos metodológicos a serem conduzidos.20 x 1. devido às suas diretrizes institucionais. Mesmo para aqueles pouco familiarizados com mapeamentos de grandes extensões da superfície terrestre. as quais podem ser disponibilizadas em duas formas básicas: a analógica e a digital. Na forma digital. é necessário compreender primeiramente o papel de cada instituição envolvida. enquanto se a escala fosse de 1:250. o INPE assume a coordenação técnica dos trabalhos. Para o caso de sua relação com o INPE. A Fundação SOS Mata Atlântica age como uma espécie de cliente que tem necessidades e para atendê-las. cujo tamanho é dependente da escala de trabalho. interferindo quando necessário. a imagem é disponibilizada eletronicamente através de diferentes meios. Na analógica a imagem é materializada em papel. a Fundação SOS Mata Atlântica espera obter toda a orientação técnico-científica que garanta aos resultados dos mapeamentos o máximo de confiabilidade possível. como acontece. porém não pode.000. essas dimensões passariam para aproximadamente 90 x 90 cm.20m. como esses mapeamentos são feitos? Em que critérios se fundamentam e que tipo de produtos são utilizados? O que se pode afirmar sobre a sua confiabilidade? Antes de aprofundarmos mais sobre as questões metodológicas. assumindo a aparência de uma grande fotografia. o INPE acompanha passo a passo todos os processos envolvidos nos mapeamentos.000. cabendo estes a empresas do setor aeroespacial que foram escolhidas mediante licitações. sendo o mais usual atualmente o DSR/INPE 8-20 F. essas imagens ficariam materializadas em papel fotográfico de aproximadamente 1. Por exemplo: se a escala de trabalho fosse definida como 1:100. por exemplo com fotografias aéreas ou imagens de satélite. deve ser suficientemente fácil compreender que estes não são elaborados sem a utilização de alguma ferramenta que possibilite a observação instantânea de uma dada porção dessa superfície. Nesse sentido.Mas afinal.

Dessa forma. excluindo somente os reflorestamentos (jovens e adultos). Remanescentes de Restinga seriam todas as formações florestais acorrentes próximas ao mar e preferencialmente abaixo da cota topográfica de 20m. Então. mesmo aquelas que apresentariam baixos índices de degradação e outras em estágios sucessionais avançados (capoeiras). O mapeamento que se seguiu àquele desenvolvido na escala 1:1. quais. ou seja.000.000. entre as diversas imagens geradas pelo sensor Thematic Mapper serviriam para identificar os itens da legenda estabelecida. Uma vez definida essa legenda. foi considerado o processo de interação entre a radiação eletromagnética e a vegetação descrito anteriormente (Figura 1). procurou-se adequar os mapeamentos para cada Estado. Para tanto.Ponzoni .000 (imagens analógicas). uma vez que foram neles que se verificaram os maiores aprimoramentos metodológicos. Em Remanescentes Florestais estariam incluídas todas as formações florestais. restava ainda definir quais imagens utilizar.J. nem com aplicativos que permitissem maior facilidade na manipulação dos dados. foi realizado no início da década de 90 sobre imagens orbitais datadas do final de década de 80 disponibilizadas na escala 1:250. Mas os primeiros mapeamentos não contavam com as imagens em formato digital. Vamos aqui descrever os procedimentos adotados nos três últimos mapeamentos realizados. Remanescentes de Restinga.CDROM. Remanescentes de Mangue foram consideradas aquelas formações arbóreo-arbustivas localizadas em canais de drenagem sob influência marítima. mas da mesma porção da superfície terrestre) DSR/INPE 8-21 F. todo o trabalho era feito sobre as imagens em formato analógico. A legenda desse mapeamento foi assim definida: Remanescentes Florestais. Remanescentes de Mangue.000. Vale salientar que nem todo o Estado da Federação trata o termo Restinga como sendo uma formação florestal. procurando não ferir os critérios regionais existentes. a qual é perfeitamente compatível com a escala 1:250. A alternância de tons claros e escuros da aparência da vegetação nas diferentes imagens torna possível a elaboração das chamadas composições coloridas. que nada mais são do que superposições de três diferentes imagens (provenientes de regiões espectrais diferentes.

br/banon/2000/09.sobre as quais são aplicados filtros coloridos com as cores primárias (vermelho. verde e azul) para cada imagem. que naquela época não estavam familiarizados em observar a vegetação em outra cor senão aquela que quotidianamente estavam acostumados a observar (verde). htm DSR/INPE 8-22 F.Ponzoni .dpi. Mas quantas composições foram elaboradas? Foram elaboradas pelo INPE 104 composições coloridas de forma a abranger todo o Domínio da Mata Atlântica. foram utilizadas imagens da região do vermelho (visível).J. No mapeamento em questão. o que facilitou e muito o trabalho dos intérpretes.12. Essa distribuição de imagens e filtros permitiu que a vegetação assumisse tonalidades esverdeadas nas composições coloridas. sobre cada uma dessas 104 composições coloridas era colocado o que chamamos de “overlay” que é um papel polyester. sendo que cada uma delas recebeu os filtros azul.inpe. as quais eram distribuídas para empresas do setor privado que se incumbiam de elaborar o mapeamento. do infravermelho próximo e do infravermelho médio. Já nessas empresas então.24/doc/amz1998_1999/pagina6. verde e vermelho. Figura 4 – “Overlay” sobre a imagem e o mapa preliminar resultante da interpretação.17.br:1910/col/dpi. respectivamente. FONTE: http://sputnik. Como resultado. relativamente transparente sobre o qual o intérprete procede a interpretação propriamente dita (Figura 4). a paisagem analisada assume cores dando uma aparência como de uma fotografia colorida.inpe.

Era constituída então uma equipe de três a quatro intérpretes. que eram cruzamentos de estradas ou rios que podiam ser facilmente visualizados nas cartas topográficas e nas imagens e serviriam para posicionar geograficamente o mapa gerado mediante a utilização de algoritmos específicos implementados em computadores.J. Nessa escala de mapeamento.000. Figura 5 – Contorno das carta topográficas na escala 1:250. que em última análise são consideradas as unidades de mapeamento (Figura 5) que totalizavam 114 cartas topográficas e também eram demarcados os pontos de controle. 25 ha foi definido como área mínima de mapeamento. cuidava para que houvesse um mínimo de diferenças entre as interpretações.Nesse “overlay” eram demarcados também os limites das cartas topográficas na escala 1:250.000 sobre o Domínio da Mata Atlântica. liderados por outro com maior experiência que se incumbia de efetuar a homogeneização das interpretações.Ponzoni . uma vez que a interpretação propriamente dita é uma DSR/INPE 8-23 F. ou seja.

Ponzoni . No caso de dúvidas.000 consumiu em média 2 anos para ser concluído. o que implicou em uma melhor discriminação visual de feições da superfície terrestre nas composições geradas. A partir dessa etapa.J. segundo uma metodologia muito semelhante àquela descrita. Depois da intervenção dos consultores. a escala de 1:250. bem como de seus limites. agora contendo somente o conteúdo temático (mapa contendo os polígonos fruto da interpretação) para uma nova averiguação de inconsistências.atividade puramente intuitiva e de caracter subjetivo. Essas provas eram enviadas a consultores em cada Estado para que estes procedessem a uma análise crítica do mapeamento realizado. Como conseqüência. A Figura 6 mostra um exemplo de uma mesma cena. os “overlays” eram novamente analisados procurando identificar inconsistências de interpretação e em seguida estes eram digitalizados e introduzidos em um Sistema de Informação Geográfica (SIG). Todo esse processo descrito para o primeiro mapeamento na escala 1:250. Era impressa uma prova de cada uma das 114 cartas topográficas. A diferença verificou-se na substituição dos filtros coloridos vermelho e verde que passaram a ser atribuídos às imagens do infravermelho próximo e médio. com comprovada experiência no estudo da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados. um técnico do INPE era chamado para que este tomasse uma decisão específica. cada intérprete tem seus próprios critérios no momento da definição da natureza de uma dado polígono mapeado. assumindo então todas as conseqüências dessa decisão. A atualização do atlas gerado nesse mapeamento foi elaborada em meados da década de 90. procurando corrigir possíveis erros de interpretação e procedia-se a elaboração dos mapas finais. diferenciando-se somente na utilização de composições coloridas ligeiramente diferentes. cada carta era novamente analisada. Esses consultores eram basicamente profissionais do mundo acadêmico ou não. as áreas de cada tema da legenda eram determinadas através de funções específicas do SIG utilizado. bem como todos os procedimentos e critérios utilizados na interpretação. Nesse mapeamento.000 foi mantida. Uma vez concluída essa etapa de interpretação. respectivamente e na aplicação de contrastes lineares às imagens. referente às cercanias da DSR/INPE 8-24 F.

não dispunha de qualquer informação sobre a qualidade dos mapas gerados. são sorteados aleatoriamente um certo número de pontos a serem visitados em campo. Por exemplo: se encontramos um valor de Exatidão de Mapeamento de 80%. Essa atualização consumiu também aproximadamente 2 anos para ser concluída. isso significa que temos 80% de chance de que um polígono identificado como Remanescente Florestal no mapa. Esses pontos recaem sobre o mapa sobre polígonos cujas naturezas e posicionamento espacial foram estabelecidos pelos intérpretes. Essa iniciativa foi muito bem recebida pela comunidade científica que anteriormente a ela. a b Figura 6 – Composições coloridas utilizadas nos mapeamentos de 1985-90 (a) e 1990-95 (b). Os resultados são organizados de tal forma a permitir o cálculo de um valor percentual que expressa a confiabilidade dos mapas gerados. Para tanto. Outra implementação importante foi a estimativa de Exatidão de Mapeamento Global.Ponzoni . DSR/INPE 8-25 F.Baia da Guanabara.J. observada em composições coloridas como aquelas utilizadas em ambos os mapeamentos. Uma equipe responsável pelo trabalho de campo visita cada um dos pontos selecionados e averigua se de fato a decisão do intérprete sobre a natureza do polígono interpretado foi correta. seja realmente esse tema em campo. que é fundamentada no confronto entre os mapas gerados e informações provenientes do campo.

agora na escala 1:50.sosmatatlantica. Paraná (divulgado em 27. todo o mapeamento do período 90-95 foi refeito.000.000 e conseqüentemente a redução da área mínima de mapeamento para 10 ha. o que possibilitou ainda a ampliação da escala de mapeamento para 1:50. Esse georreferenciamento possibilitou a eliminação de uma das etapas mais demoradas que era a digitalização dos “overlays”.01).No início do ano 2000. os quais foram então eliminados do processo.org. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a atualização desse segundo atlas.000. Esse aprimoramento implicou na impossibilidade de comparar diretamente os dados gerados no mapeamento anterior (na escala 1:250. segundo a nova metodologia estabelecida de forma a permitir a quantificação de possíveis alterações verificadas no polígonos mapeados.J. A atualização desse “novo” atlas está em andamento e em aproximadamente 1 ano. os quais contém uma descrição detalhada das metodologias empregadas nesses mapeamentos. liderados por outro de maior experiência. está sendo viabilizado através da Internet no endereço http://www. Assim. Santa Catarina e São Paulo (com divulgações agendadas para os próximos meses).Ponzoni .01). A interpretação visual das imagens passou a ser feita diretamente em tela de computador.04. os dados passaram a ser disponibilizados por município e para algumas unidades de conservação. O acesso a esses dados e de todos os relatórios gerados. Mais uma vez foi adotada a composição de uma equipe de 3 a 4 intérpretes.br/. Além desse aprimoramento. Nesse mapeamento foram verificados vários aprimoramentos metodológicos que incluíram o georreferenciamento prévio das imagens que então foram disponibilizadas em formato digital. de forma a permitir a cada cidadão o conhecimento da situação da cobertura vegetal do seu município de interesse. já foi possível concluir a análise dos dados do Rio de Janeiro (divulgado em 03.04. seguindo todas as etapas de verificação e auditoria por parte de consultores identificados em cada Estado. com a imagem já georreferenciada. DSR/INPE 8-26 F.000 e sobre imagens analógicas) com aqueles gerados na escala 1:50. agora para o período 95-2000. Rio Grande do Sul.

A idéia para ao mapeamentos futuros é dar um passo ainda maior que transcende o aprimoramento restrito às metodologias de mapeamento e de manipulação dos dados. E. Berlin. como também valorizar a banco de dados já disponível sobre a Mata Atlântica visando o Zoneamento Econômico Ecológico em nível municipal. H.. 1965. Schleter. Trata-se de mais um desafio a ser vencido por todos os envolvidos. Sensoriamento remoto: principios e aplicações. V. Spectral properties of plants. Untersuchungen uber die assimilation der kohlensaure.. Weidner. de M. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Gates.Ponzoni .M. J. Applied Optics. R. Willstatter.M. DSR/INPE 8-27 F..J. 4(1): 11-20. São Paulo. vários especialistas do INPE e de diferentes universidades. Keegan. entendendo que não basta somente diagnosticar o efeito nocivo do homem. D.J.A participação do INPE nesse ambicioso projeto de diagnóstico periódico da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados caracterizou-se pela busca de soluções técnico-científicas que garantissem confiabilidade aos dados gerados. Novo. estarão se mobilizando para avaliar os critérios que nortearão tal zoneamento.R.. Springer. A. 1918. mas as informações até o momento adquiridas devem contribuir efetivamente para a conservação daquilo que restou desse importante bioma.C. 1989. Stooll. 6. Edgard Blucher. 308p. Para tanto.

br DSR/INPE 9-1 M.Rudorff . T.inpe.br bernardo@ltid. R u d o r f f2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 2 mauricio@ltid.inpe.A.CAPÍTULO 9 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À AGRICULTURA M a u r í c i o A l v e s M o r e i r a1 B e r n a r d o F.F.Moreira e B.T.

..2 CULTURA DO TRIGO .............................................. PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS ....................................................... 9-13 2.........F................................. 9-18 DSR/INPE 9-2 M................................ 9-13 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADAS PARA PLANTIO ....... 9-14 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS .....3 2.................................................................................................................................................................1 CANA-DE-AÇÚCAR .......................T................................ 9-12 2.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....... 9-3 1............. 9-12 2................................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ........................................5 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO .... INTRODUÇÃO .........................4 2.......... 9-15 3... 9-5 2...Moreira e B....A.........Rudorff ..............

..... 9-11 7............................................................. 9-16 DSR/INPE 9-3 M..................F..................... 9-6 2...A.... 9-9 5.................... NO MUNICÍPIO DE TRÊS PONTAS ........ RADIAÇÃO REFLETIDA PELA CULTURA DO CAFÉ DURANTE OS ANOS DE 1984 E 1985 ................ 9-15 9..LISTA DE FIGURAS 1........... TM4 (VERDE) E TM5 (VERMELHO) MOSTRANDO DIFERENTES OCUPAÇÕES DO SOLO ..Moreira e B.......................Rudorff ...... CITRUS.................................................................................... COMPOSIÇÃO COLORIDA DAS BANDAS TM3 (AZUL).... VARIAÇÃO DA RADIAÇÃO REFLETIDA PELAS CULTURAS DE SOJA E DE MILHO NAS BANDAS TM3 E TM4 DO LANDSAT-5 ... 9-7 3............................... IMAGEM NDVI DO ESTADO DE MATO GROSSO MOSTRANDO A EVOLUÇÃO DO DESFLORESTAMENTO OCORRIDA ENTRE OS ANOS DE 1989 A 1993 ........................ IMAGEM EM COMPOSIÇÃO COLORIDA ADQUIRIDA PELO SENSOR TM A BORDO DO SATÉLITE LANDSAT DA REGIÃO DE ALFERES – MG.............. APÓS OCORRÊNCIA DA GEADA EM 1985............. IMAGEM DO LANDSAT-TM MOSTRANDO ÁREAS DE ARROZ IRRIGADO NO MUNÍCIPIO DE SANTA VITÓRIA DO PALMAR – RS .... 9-8 4.......... ESQUEMA DE CONSTRUÇÃO DO PAINEL DE AMOSTRA DO PROJETO SIAG ................................... MOSTRANDO ÁREAS DE CAFÉ............ 9-10 6.... REFLECTÂNCIA DE ÁREAS CAFEEIRAS NOS ANOS DE 1986 E 1987 NOS ANOS DE 1986 E 1987.........................T.................................. PASTAGEM E REFLORESTAMENTO ............................. ÁREAS IRRIGADA PELO SISTEMA DE PIVÔ CENTRAL ........ 9-14 8...........................

A..10....... 9-17 DSR/INPE 9-4 M... IMAGEM LANDSAT – TM DA REGIÃO DE BEBEDOURO – SP..... 9-17 11.Rudorff .....T....F........ IMAGEM LANDSAT – TM BANDA 5 (INFRAVERMELHO PRÓXIMO) MOSTRANDO A EXPANSÃO DA FRONTEIRA ..........................Moreira e B.... MOSTRANDO ÁREAS DESTINADAS À CITRICULTURA .

Este tipo de satélite carrega a bordo um conjunto de sensores (sistema sensor) que operam em diferentes faixas do espectro eletromagnético. Através desta técnica. Imagens multiespectrais são obtidas em varias faixas. Por exemplo. Além disso. Isso. permite criar um banco de dados com informações multitemporais4. ou seja. Além disso. produção agrícola.Moreira e B. podemos obter dados de uma área agrícola várias vezes. carregam a bordo dispositivos que coletam estes dados. o consumo de alimento é sempre crescente. aqueles satélites que foram construídos para observar e coletar dados da superfície terrestre. eles passam num mesmo ponto da superfície terrestre de tempo em tempo. é possível obter informações sobre: estimativa de área plantada. INTRODUÇÃO Hoje em dia. TM2 e TM3 do satélite Landsat. Esses dispositivos são os sensores.Rudorff . 3 DSR/INPE 9-5 M. além de fornecer subsídios para o manejo agrícola em nível de país. para que órgãos governamentais e de iniciativa privada possam tomar medidas de ações rápidas para importar ou exportar o excedente da produção de determinado produto agrícola. a área ocupada com floresta. Com esta repetitividade dos satélites. a cada 16 dias volta a passar sobre uma mesma área. como por exemplo dentro da faixa do visível do espectro é possível registrar a energia refletida das bandas TM1. é necessário obter informações precisas e em tempo hábil. 4 Um satélite de sensoriamento remoto passa sobre uma mesma área na superfície terrestre segundo um período definido.F. vigor vegetativo das culturas. durante seu ciclo de crescimento e desenvolvimento. portanto.T. regiões ou bandas do espectro eletromagnético. Quanto maior a resolução espectral de um sensor maior é o número de imagens obtidas numa dada região espectral. por exemplo. Os satélites de recursos naturais. o interesse em obter informações sobre produção de alimentos passou de “lobby” a uma necessidade uma vez que.1. Devido a isso temos uma coleta da energia refletida em forma multiespectral3. estado. A tecnologia de sensoriamento remoto apresenta um grande potencial para ser utilizada na agricultura. município ou ainda em nível de microbacia hidrográfica ou fazenda.A. o satélite Landsat leva 16 dias para fazer o recobrimento da Terra e.

Nas Figuras 1 a 4 são apresentadas imagens do sensor TM a bordo do satélite Landsat.A. para enfatizar o aspecto multiespectral (Figura 1) e multitemporal (Figuras 2. consequentemente. com as condições fenológicas ou nutricionais da cultura e.T. com o tipo de cultura plantada. 1 – Variação da radiação refletida pelas culturas da soja e do milho nas bandas TM3 e TM4 do Landsat-5. 3 e 4) em regiões de intensa prática agrícola.No caso de culturas agrícolas. podendo. assim.Moreira e B. com a produtividade. por exemplo. DSR/INPE 9-6 M.F. a radiação refletida que é coletada pelos sistemas sensores traz informações que podem estar relacionadas.Rudorff . Fig. estimar a produção da cultura agrícola.

para realizar a fotossíntese.F. Isto se deve principalmente à arquitetura diferenciada destas duas culturas. nesta região espectral. 2 – Radiação refletida pela cultura do café durante os anos de 1984 e 1985.Rudorff . No entanto. fazendo com que a soja reflita muita radiação solar na região do infravermelho próximo devido a suas folhas planiformes. As folhas mais eretas do milho permitem que uma maior quantidade de radiação penetre na cultura e consequentemente uma menor quantidade é refletida.A.Moreira e B. alta reflectância da energia incidente. Devido a esta característica é relativamente fácil descriminar estas duas culturas nas imagens de sensoriamento remoto. Nota-se que a soja apresenta-se em tonalidade bem mais clara do que o milho. denotando assim.Fig.T. Na Figura 1 observa-se que as áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza escuro na imagem obtida na banda TM3. na banda TM4 (infravermelho próximo) as mesmas áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza claro. DSR/INPE 9-7 M. devido à absorção da energia solar pelas plantas.

F.A. Evidentemente. sobre a produção agrícola. após ocorrência da geada em 1985. tal como na imagem de 1984. Esta série temporal de imagens mostra como se pode identificar e avaliar o impacto de uma variável ambiental. esta informação se complementa com uma série de outras variáveis que também exercem influência sobre a produção e não estão expressas na variação espectral da cultura.Moreira e B. Fig. Na Figuras 3 pode-se observar que as áreas atingidas pela geada recuperaram o seu vigor vegetativo somente no ano de 1987. 3.Reflectância de áreas cafeeiras nos anos de 1986 e 1987.Para explicar o comportamento espectral do café observado na Figura 2. Na imagem de 1985 as áreas de café se apresentam em coloração verde (folhas queimadas e muito solo exposto). apresentando-se novamente em coloração magenta. como a geada. Na imagem falsa cor de 1984 a cultura do café se apresenta em coloração magenta (intensa vegetação) e bem distinta dos demais alvos de ocupação do solo. DSR/INPE 9-8 M. é necessário esclarecer que no ano de 1985 ocorreu uma forte geada no Sul de Minas Gerais acarretando uma queima fisiológica muito grande nas áreas de café da região.T.Rudorff . no município de Três Pontas.

F. que foi gerada adicionando as cores.Composição colorida das bandas TM3(azul).Rudorff . mostrando que existem diferenças espectrais nessas duas culturas. ao adicionar cores nas imagens. Nota-se que neste caso as áreas de soja estão apresentadas em amarelo-esverdeado e o milho em verde. TM4(verde) e TM5(vermelho) mostrando diferentes ocupações do solo. É bom ressaltar que além das características multiespectrais e multitemporais das imagens do satélite. as informações de três bandas e gerar uma composição colorida. isto é. Por exemplo.Por outro lado. sombreamento e textura.A. obtidas nas diferentes bandas. como é mostrado na Figura 5.T. o especialista em sensoriamento remoto utiliza também elementos da fotointerpretação tais como: forma. através de cores. podemos associar. o verde na banda TM4 e o vermelho na banda TM5.Moreira e B. azul na banda TM3. DSR/INPE 9-9 M. para distinguir áreas irrigadas por sistema de pivô central de outros métodos de irrigação o analista baseia-se na forma. Fig. 4. como é o caso da Figura 4. ao invés e trabalhar com imagens individuais.

Entretanto. o grande impedimento para se obter imagens de satélite. Isto seria uma realidade se dispuséssemos de um número suficiente de imagens que permitissem identificar a cultura e diagnosticar o seu potencial produtivo. de forma objetiva e confiável.Fig. Para contornar este problema existem alternativas relacionadas tanto com os sistemas sensores quanto com o sistema de coleta das informações. Isto permitiria inclusive realizar previsões de estimativas de safras.F.A.Áreas irrigadas pelo sistema de pivô central.T. é a presença de nuvens. A título de exemplo. uma alternativa seria colocar em órbita uma constelação de satélites com características similares que permitiriam obter imagens com freqüência diária. durante o período da safra. 5. Diante do que foi apresentado até aqui parece ser bastante simples a utilização de imagens para estimar a produção das safras agrícolas. Quanto aos sistemas sensores.Rudorff . A freqüente cobertura de nuvens impede a obtenção de imagens livres de nuvens e impõe sérias limitações ao uso operacional das técnicas de sensoriamento remoto para estimativa de safras. Elas impedem que a energia refletida e/ou emitida pelos alvos da superfície terrestre chegue até o sensor a bordo do satélite.Moreira e B. para o Landsat DSR/INPE 9-10 M.

Moreira e B. estas imagens podem serem utilizadas para um sistema de vigilância sobre efeitos episódicos ou mesmo na avaliação da expansão de áreas agrícolas.F.(1999. Fig. Com este tipo de imagem não é possível estimar a área plantada.1 x 1. como por exemplo.1 km). onde Riv = reflectância na região do infravermelho próximo e Rv = reflectância na região do vermelho do espectro eletromagnético) do Estado do Mato Grosso mostrando a evolução do desflorestamento ocorrida entre os anos de 1989 a 1993. utilizando como DSR/INPE 9-11 M. às imagens AVHRR. Contudo. Estas imagens foram compostas ou mosaicadas para se obter uma imagem livre de nuvens sobre todo o estado do Mato Grosso.Imagem NDVI ( Índice de Vegetação com Diferença Normalizada / NDVI=Riv-Rv/Riv+Rv. Fonte: Adaptado de Shimabukuro et al.Rudorff .A. é a baixa resolução espacial (1. uma outra alternativa seria estabelecer um sistema de amostragem para estimar a área das principais culturas. Finalmente. Outra alternativa é a utilização de imagens de um satélite com alta resolução temporal (diária).T. 6 .necessitaríamos de 15 satélites para obter imagens diariamente. ) No caso da figura acima foram utilizadas várias imagens do mês de junho parcialmente cobertas com nuvens. p. conforme é apresentado na Figura 6. A grande limitação destes tipos de imagens.

Foram utilizadas 44 imagens de 185x185 km obtendo-se uma estimativa de área plantada de 801. imagens de satélites ou fotografias aéreas de arquivo recentes. nas bandas MSS5 (vermelho) e MSS7 (infravermelho próximo).000. possível de ser identificada nas imagens de satélites. 1990). e f) utilização de algoritmos de classificação para mapear áreas agrícolas. c) comportamento espectral de culturas agrícolas.1 CANA-DE-AÇÚCAR O primeiro grande projeto de mapeamento de área de cana-de-açúcar no estado de São Paulo ocorreu no ano safra 1979/80 (Mendonça et al. Este procedimento será descrito mais adiante. PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS 2. 2. Posteriormente. Este projeto foi realizado através de interpretação visual de imagens Landast-MSS (Multispectral Scanner System) na escala 1:250. destacando-se as seguintes pesquisas: a) seleção das culturas agrícolas passíveis de serem mapeadas através de imagens de satélites. b) definição da área mínima. Em geral. DSR/INPE 9-12 M. Por limitações tecnológicas é difícil obter imagens com alta resolução temporal e espacial.F. para todo Brasil.T. e) métodos de estimativa da precisão e exatidão dos mapas temáticos.. foram realizados estudos que visaram estimar a produtividade agrícola da cana-de-açúcar através de imagens do Landsat e de um modelo agrometeorológicodesta (Rudorff e Batista. quanto maior for a resolução espacial de uma imagem maior será o tempo que o satélite leva para retornar a uma mesma área em função da estreita órbita de imageamento. no terreno.1981).A.950 ha. d) estabelecimento dos períodos adequados para aquisição de imagens visando a identificação de culturas agrícolas.Moreira e B.Rudorff . Há mais de 25 anos o INPE vem realizando pesquisas relacionadas com a identificação e o mapeamento de áreas agrícolas.referência.

para fins de fiscalização do crédito agrícola. 2. SP. as áreas ocupadas com arroz irrigado apresentam tons de cinza muito escuros na imagem da região do infravermelho próximo (banda TM4) contrastando com outras culturas não irrigadas. na escala 1:250.F.A. Por exemplo. Estudos pioneiros foram realizados também com a cultura do trigo na região de Assis.000.T. Itaqui. principalmente.Moreira e B.Rudorff .2 CULTURA DO TRIGO Diversos estudos para estimar a área plantada com a cultura do trigo foram realizados. O trigo é cultivado durante a entre safra e neste período existe uma maior probabilidade de se obter imagens livres de cobertura de nuvens favorecendo o uso de imagens de sensoriamento remoto na estimativa de área plantada. quando então foi assinado um convênio entre o INPE e o Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA). em nível de propriedade rural. que reduziu em mais de 80% o tempo gasto na interpretação visual. Na época foram selecionados quatro municípios como área teste: Santa Vitória do Palmar. conforme é mostrado na Figura 7. com base em sistema de amostragem. utilizando imagens do satélite Landsat-TM. DSR/INPE 9-13 M. O estudo foi realizado com imagens.3 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO Os estudos com a cultura do arroz irrigado tiveram seus inícios no ano de 1980. do sensor MSS nas bandas 5 e 7.2. Através deste estudo foi constatado que a presença da lâmina de água é um fator preponderante para separar áreas irrigadas por inundação de outros tipos de irrigação. no estado do Rio Grande do Sul. Dom Pedrito e Cachoeira do Sul. Moreira (1983) desenvolveu uma metodologia de estimativa de área de trigo.

Rudorff . Com base na área potencialmente destinada para o plantio das lavouras pode-se.Moreira e B.F. em conjunto com informações de intenção de plantio. 2.A.T. visa contornar o problema da indisponibilidade de imagens livres de nuvens durante a estação chuvosa (janeiro a fevereiro).4 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADA PARA PLANTIO A identificação e o mapeamento de áreas de solo exposto e preparado para plantio. DSR/INPE 9-14 M. Este estudo foi inicialmente realizado por Assunção e Duarte (1982) e foi recentemente retomado por Ippoliti-Ramilo (1999). estimar a área destinada para as diferentes culturas.Fig. 7 – Imagem do Landsat-TM mostrando áreas de arroz irrigado no município de Santa Vitória do Palmar – RS.

No SIAG as imagens do Landsat-TM foram utilizadas na construção do painel de amostra.F. denominadas UPAs (Unidades Primárias de Amostragem) que contém segmentos amostrais a serem visitados no campo pelos entrevistadores (Moreira et al.Moreira e B. 1989). posteriormente.2. ilustra a seqüência de construção do painel de amostra.Rudorff . Inicialmente o projeto foi implementado no estado do Paraná e. 8 – Esquema de construção do painel de amostra do Projeto SIAG. São Paulo e o Distrito Federal.5 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS O INPE e o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desenvolveram um projeto. denominado SIAG . Fig.T. A Figura 8. e também para dividir os estratos em unidades menores.A. em função da intensidade de uso agrícola. expandido para os estados de Santa Catarina.Sistema de Informação Agropecuária que visa obter estatísticas agrícolas com base num painel amostral. isto é. na estratificação da área de estudo. DSR/INPE 9-15 M.

Rudorff . adequar o painel de amostra. no Paraná são levantadas informações em apenas 450 segmentos com tamanho que varia de 1 a 5 km2. As Figuras a seguir mostram exemplos de aplicações das imagens de sensoriamento remoto na agricultura. 4) a metodologia do SIAG pode ser aplicada para áreas grandes (estado) ou pequenas (município). 9 – Imagem em composição colorida adquirida pelo sensor TM a bordo do DSR/INPE 9-16 M. bastando para isso. Fig. por exemplo. 3) reduz o tempo e custo no levantamento das informações a campo.T.As vantagens da abordagem metodológica do SIAG são: 1) permite estimar a área das culturas agrícolas dentro de uma confiabilidade pré-estabelecida.F.Moreira e B. 2) permite estimar a área das culturas agrícolas mesmo não se dispondo de dados de satélites da safra corrente pois neste caso se utiliza o estimador de expansão direta.A.

Fig. mostrando áreas destinadas à citricultura. 10 – Imagem Landsat-TM da região de Bebedouro – SP.MG.F. pastagem e reflorestamento. mostrando áreas de café.A.satélite Landsat da região de Alfenas . 11 – Imagem Landsat-TM banda 5 (infravermelho próximo) mostrando a expansão da fronteira agrícola na região norte do estado do Mato Grosso.Rudorff . citrus.T. DSR/INPE 9-17 M.Moreira e B. Fig.

DSR/INPE 9-18 M. (INPE7116-TDI/688). São José dos Campos:INPE.A. V. M.. Moreira. Yi. L) através de dados do Landsat.C. Villalobo. Levantamento da área canavieira do Estado de São Paulo utilizando dados do Landsat ano safra 1979/80. Imagens TM/Landsat-5 da época de pré-plantio para a previsão da área de culturas de verão.A. Duarte.3. A. Sistema de amostragem para estimar a área da cultura do trigo (Triticum aestivum. Duarte. G. Lima. A. 1982. 75 p.C.. Classificação e monitoramento da cobertura vegetal do Estado do Mato Grosso através de imagens NOAA-AVHRR. Shimabukuro. Biffi. F. (L) Merrill) através da expansão direta. Chen.S.Moreira e B. D.L.A.A.Rudorff . Avaliação de áreas preparadas para plantio (SOLONU) utilizando-se dados do satélite Landsat. M.R..E. M. Assunção. (INPE.. A. (INPE-7234-RPQ/698).. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Assunção. V. (INPE-2021RPE/288).. 1983 (INPE-3015TDL/150).INPE).M.T.L. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. G. J.F. Mendonça. Shimabukuro. Moreira. J.A. Silva.. 19-24 de nov. Ipoliti-Ramilo. (MestradoInstituto Nacional de Pesquisas Espaciais . Tardin. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Especiais.M.A.A.. São José dos Campos. mar. de. Lucht. L.. 1999. Bariloche. Maia. In: IV Simpósio Latinoamericano de Percepcion Remota.. Duarte. Y. G. F..V. E... V. J. Lee.2637-TDL/113). Moreira. AG.V. S. 1981.. G. de 1989. São José dos Campos:INPE. Utilização de dados do Landsat-TM para estimar área de soja (Glycine max.G.C.S.T. 1999.. 183p. São José dos Campos.Y.

Yield estimation of sugarcane based on agrometeorological-spectral models.Moreira e B..T.T.Rudorff .T.F. Remote Sensing of Environment. G. B.F. DSR/INPE 9-19 M.A. Batista (1990). 33:183-192.Rudorff.

C.C A P Í T U L O 10 ENSINANDO CARTOGRAFIA P a u l o C é s a r G u r g e l d e A l b u q u e r q u e1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 E-mail: gurgel@ltid.br 10 -1 P.Albuquerque DSR/INPE .G.inpe.

G.DSR/INPE 10 -2 P.Albuquerque .C.

............................................................ 10-4 3...........................ÍNDICE 1................................... DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS ............. 10-14 DSR/INPE 10 -3 P...........G. 10-4 2............... ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA .......................... TIPOS DE MAPAS .......................................... CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES .................................................................................C..10-6 7....................... INTRODUÇÃO .............. 10-5 4.......................... ESCALA ..... 10-8 8.................................................................................... ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO ..................................Albuquerque ............ 10-5 5.......................... 10-6 6... PROJEÇÃO ..............................................................................................

DSR/INPE 10 -4 P.C.Albuquerque .G.

DSR/INPE 10 -5 P. Hoje ela está presente no cotidiano da sociedade. A Cartografia foi a principal ferramenta usada pela humanidade para ampliar os espaços territoriais e organizar sua ocupação.G. Antes da consagração deste termo o vocábulo usado era cosmografia. único instrumento capaz de representar em escala. antes mesmo da invenção da escrita. servindo de suporte à diversas ciências e tecnologias. turismo e auxiliando as navegações. escrita em Paris e dirigida ao historiador brasileiro Adolfo de Varnhagem. INTRODUÇÃO A cartografia como atividade já aparece nas descobertas Pré-Históricas. levando soluções para problemas urbanos. de segurança. Cartografia foi criado pelo historiador português Visconde de Santarém em carta de 8 de dezembro de 1839. com o grau de exatidão requerido. Como vocábulo. As informações cartográficas constituem as bases sobre as quais se tomam decisões e encontram soluções para os problemas sócio-econômicos e técnicos existentes. informações quantitativas e temáticas necessárias ao planejamento. Conceitualmente pode-se dizer que a Cartografia é uma atividade meio.1. Este produto. O produto cartográfico está associado a uma necessidade de apresentação e expressão de resultados. deve ser ajustado às necessidades de apresentação impostas por essas informações.C. a cartografia constrói seu produto conforme as necessidades apresentadas e o entrega na forma de mapas. saúde pública. por meio de procedimentos e normas técnicas capazes de assegurar que o mapa elaborado satisfaça as exigência de um projeto. Seu uso é abrangente.Albuquerque . elaborado com o objetivo de expressar um conjunto de informações.

2. processos e meios que a Cartografia utilizará para produzir esses documentos.Qual a forma .C.Quando ele ocorre Temático: . Escala Projeção Exatidão Representação Tipo de produto Apresentação do produto (mídia) Para que uma região possa ser mapeada questões devem ser respondidas.Onde ocorre o fato . Público alvo Custo Tempo DSR/INPE 10 -6 P. DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS O produto cartográfico atende a uma necessidade quando o documento cartográfico elaborado garantir características que vão ao encontro da necessidade que o originou.Qual o tipo de ocorrência 3.G. os modelos de projeção que podem ser utilizados.Albuquerque .Quais são as dimensões Temporal: . É importante indagar sobre os objetivos do mapa. ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA A Cartografia deve assegurar que o mapa responda às seguintes questões: Espaciais: . Para tal faz-se necessário que o interessado conheça os elementos de um mapa e dos processos utilizados na elaboração dos mapas de forma a poder encontrar a melhor solução para a necessidade apresentada.

000. como mostrado a seguir: 1000 750 500 250 0 m 1000 2000 3000 Representação gráfica de uma escala DSR/INPE 10 -7 P. ESCALA Número adimensional utilizado para indicar de quanto está reduzida a dimensão de uma região para que ela possa ser representada sobre uma folha de papel.C. ou graficamente.Albuquerque .G. MT=MR+Tema MT=MR+Tema O mapa topográfico é considerado básico pois nele assentam-se informações de temas específicos.. são divididos em 3 tipos de documentos: topográficos. tais como vegetação. As escalas podem ser representadas numericamente. podemos dizer que 1mm no mapa corresponde a 1000 mm no terreno. geologia. temáticos e especiais. sistemas ferroviários etc. como indicado a seguir: Cartas Topográficas Cartas ou mapas temáticos Cartas ou mapas especiais MR=Mapa Base ou mapa de referência.. que 1cm.. Ex: 1/1000 Esta notação nos informa que o mapa apresenta uma região que teve suas dimensões reduzidas 1000 vezes. 1000cm no terreno etc.4. a relação que indica a escala é transformada em uma régua onde as distâncias são lidas diretamente. Assim.. por exemplo 1:25. 5. Neste caso. TIPOS DE MAPAS Os mapas..

a superfície. Quanto ao modelo de desenvolvimento.G.C. total ou parcial da Terra. podem ser: Cilíndricas Normais Transversas Oblíquas Cônicas e ou Policônicas Normais Transversas Planas Polares Equatoriais Oblíquas Quanto aos atributos: Eqüidistantes distância sobre um meridiano medido no mapa = distância medida no terreno distância sobre um paralelo medido no mapa = distância medido no terreno Equivalentes área no mapa=área do terreno Conformes forma no mapa = forma do terreno Azimutais direção azimutal no mapa = direção azimutal no terreno DSR/INPE 10 -8 P.Albuquerque . As projeções cartográficas possuem características que garantem a elaboração de mapas para todos os tipos de uso e aplicação. PROJEÇÃO Refere-se a modelos geométricos ou analíticos adotados para representar em um plano horizontal.6.

conhecida como geóide. A projeção. é importante que se conheça a forma e as dimensões do objeto.A escolha do modelo de desenvolvimento e dos atributos de uma projeção é função. . da forma e posição geográfica da área e do alvo a ser mapeado. é irregular. A Terra em uma primeira aproximação pode ser considerada uma esfera de raio R.160. face à forma da Terra. assunto que é estudado pela Geodésia.Forma da Terra Quando pretende-se representar um objeto segundo uma determinada projeção.25 Datum vertical Imbituba. definida como elipsóide. No Brasil o sistema geodésico adotado está assim especificado: Origem: Datum horizontal SAD69 Elipsóide de referência Elipsóide de Referência Internacional 1967 Semi-eixo maior: 6. Na cartografia a forma da Terra é um fator importante que deve ser considerado. uma vez que os modelos de projeção a serem adotados deverão se ajustar perfeitamente a essa superfície. Este modelo é definido segundo o sistema geodésico de cada país. A forma real da Terra. do uso que será dado ao mapa.C.378. entretanto quando se deseja representá-la com mais detalhe e exatidão faz-se necessário conhecer sua forma e dimensões. é também responsável pelas deformações em escala que os mapas apresentam. SC DSR/INPE 10 -9 P. da dimensão.G. As operações cartográficas exigem uma superfície regular.00m Achatamento: 1/298.Albuquerque .

apoiar as atividades cotidianas do aluno e a formação de sua cidadania. meios transporte. acesso. que ocorre com o crescimento do conhecimento adquirido nas diversas disciplinas. independentemente de saber o que é escala.C. dentre outras que podem utilizar essa ferramenta e seus produtos no seu aprendizado. cabe então ao educador.Albuquerque DSR/INPE . procurar a resposta que vá ao encontro da formação do cidadão e não de outros interesses.pelos pais e depois o próprio aluno passará a elaborar seus “mapas”. ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO Atualmente observa-se que muitos profissionais voltados ao ensino da Cartografia. Trata-se do exercício natural dessa ferramenta. a respeito de sua vizinhança. das necessidades e do interesse do próprio aluno. o que é uma projeção cartográfica etc. Entretanto. sociologia. sem se preocupar com o exercício da própria cartografia no cotidiano da escola.. história. Entende-se que essas respostas devem convergir para o seguintes objetivos: auxiliar no aprendizado da geografia. quando do ensino de outras disciplinas como geografia.. projeção ou qualquer técnica cartográfica.G. Afinal por que aprender cartografia? Este despertar para a cartografia pode se iniciar com o aluno ainda na pré infância. outras questões podem ser também levantadas. etc. por exemplo: Por que o interesse de ensinar cartografia nas escolas? A partir da resposta dada. como é feita a representação do relevo. conduzindo-o a exercitála sem que isto configure um tópico de uma disciplina ou ela própria. estão desenvolvendo modelos para que alunos do ensino fundamental aprendam o que é uma escala.7. segurança pública. história e de outras disciplinas. através de informações elaboradas pela própria escola na forma de mapas. Outras perguntas podem ser formuladas. Então como ensinar Cartografia? Inicialmente o que deve ser feito é despertar o interesse do aluno para as aplicações cartográficas. 10-10 P.

sítios de interesse tais como: papelarias. pontos de ônibus.Respostas que contemplem outras tendências. -Fase-3: Utilização e aplicação freqüente de mapas nas aulas e na elaboração dos exercícios propostos aos alunos pelo professor. Ensinar Cartografia. farmácias. A fase-5. a partir da 6a série. dedicada à formação de profissionais para a Cartografia.disseminação das aplicações cartográficas e de seus produtos no país.. será trabalhada por especialistas conforme os curricula aprovados. -Fase-2: Treinamento de professores em Cartografia. tais como: .. segundo proposto.C.Albuquerque . DSR/INPE 10-11 - P. Observa-se que não é exigido professores com conhecimentos especializados em Cartografia até a fase-4. matemática. bairro e residência do educando. Fase-5: Curso profissionalizante para formação de técnicos de nível médio em cartografia. acessos. -Fase-4: Treinamento específico em Cartografia para os alunos do ensino fundamental. Os professores das disciplinas de geografia.utilização de novas tecnologias etc. está associado a 5 fases de trabalho que. Este treinamento deverá sempre estar associado às disciplinas que estão sendo ministradas nesse período.. ciências e artes plásticas. etc. As fases são as seguintes: -Fase-1: Expressar todas as informações pertinentes à localização da escola. .por meio de mapas ou croquís. treinados para conhecer as bases na qual se assenta a Cartografia serão os orientadores e disseminadores do uso e aplicação da cartografia para este momento.G. respeitadas as suas prioridades definem o conjunto de ações que devem ser desenvolvidas pelo professor e aluno no âmbito da escola.

junto com outras disciplinas. leitura e uso desses documentos em diversas escalas Compreensão dos problemas sóciais.G. -Requisitos A consecução dos objetivos desta proposta para o ensino da cartografia. Recursos básicos DSR/INPE 10-12 - P.. o trabalho que está sendo apresentado visa despertar e incentivar o uso sistemático da Cartografia.. humanos e culturais e ao cotidiano do educando.C. econômicos e Aplicar em toda a escola Professores selecionados escola que pela dando em Manutenção preferência àqueles lecionam todas as séries 03 Aplicar em todas as séries ambientais apresentados na história. geografia.Duração e fases 01 02 Processo inicial 1 ano Processo instalada ---- Indicadores Anual Familiarização com mapas Entendimento do que são mapas. destacados a seguir. como ferramenta para compreensão dos problemas físicos. pautase nos recursos humanos e materiais básicos existentes na escola.Albuquerque .. 04 ----Para alunos a partir da 6 série 05 Só para formação profissional a Compreensão dos problemas geométricos que existem nos mapas Profissionais formados Devido ao desconhecimento dos objetivos da Cartografia e a falta de cultura na utilização de seus produtos pela sociedade.

compasso e transferidor Lápis preto e branco e coloridos Borrachas Globo Bússola Motivação com a escola Especificações Geral... Os materiais suplementares. Físico Urbano Conforme disponibilidade Escolar Observa-se que esses materiais integram o acervo de qualquer escola e dos materiais que os alunos costumam trazer para as aulas. Características Interesse Comprometimento história. é importante que os professores dominem esse conjunto de facilidades e possam disponibilizá-los para todos os alunos.G. Físico. esquadro. Físico e Político Geral. DSR/INPE 10-13 - P. ciências. Interesse Comprometimento Conhecimento básico sobre leitura e manuseio de mapas (documentos cartográficos) Alunos 2-Materiais 2.. matemática. Populacional.Albuquerque .2-Equipamentos e consumo Régua. Político. Ecológico. Entretanto. indicados a seguir.1-Documentos Cartográficos Mapas Mundi Mapas das Americas Mapas do Brasil Mapa da Região Mapa do Estado Mapa do Município Cartas-imagens Atlas 2.C. são utilizados para auxiliar neste trabalho e enriquecer o aprendizado do aluno. Geral.1-Humanos Diretores Coordenadores pedagógicos Professores de geografia. artes plásticas .

C. g-Identificar no mapa do Brasil o local onde foram torpedeados os navios brasileiros durante a 2a guerra mundial. escala maior ou igual a sensoriamento remoto DSR/INPE 10-14 - P. para identificação dos locais mais poluídos. Cópia papel Cópia digital Materiais disponíveis no mercado Cartas-imagens. f-Desenhar no mapa as trajetórias das naus de Cabral e Colombo.000. abrangendo o município e a cidade. valendo-se do acervo básico e de sua própria imaginação. jogos. etc. apresentamos a seguir uma relação de atividades que podem ajudar na compreensão e conhecimento dos objetivos e técnicas cartográficas. quebra cabeças. De mão para operações estáticas Colorida.Albuquerque . c-Conhecer o bairro onde mora. sujos. perigosos etc. livros didáticos.. e-Enduro ambiental. Visando auxiliar os professores que poderão se envolver com este trabalho.G. a-Passeio em trilhas b-Caça ao tesouro. 1/50. d-Corridas de orientação. Outra característica desta proposta é permitir que o professor continue criando atividades em sala de aula e no campo com seus alunos.Recursos suplementares Computador Plotter ou impressora Scanner Aplicativos GPS Cartas imagens ou imagens Fotografias aéreas para cartografia e CoreoDRAW..

8.. Finalmente recomenda-se que a cartografia não seja nem disciplina nem tópico de disciplina mas uma nova forma de linguagem para abordar e apresentar temas ambientais. projeção etc. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES A concepção desta proposta foi desenvolvida a partir dos princípios básicos que norteiam as técnicas de ensino.. iniciando assim junto às disciplinas de desenho e matemática conceitos de escala. projeção forma da Terra. O ensino da Cartografia deve-se iniciar da mesma maneira que os mapas apareceram.Albuquerque . e de experiências vividas anteriormente junto as escolas do ensino fundamental.. etc. “partindo de necessidades. sociais.G.” independente do conhecimento matemático do que seja escala. Nas séries mais avançadas professores e alunos poderão lançar mão de bibliografias específicas a respeito do tema. de observações. históricos e biológicos que são contemplados nas disciplinas curriculares do ensino fundamental e médio..C. reflexões. DSR/INPE 10-15 - P.

br .inpe.C A P Í T U L O 11 Geoprocessamento J o s é C a r l o s M o r e i r a1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 moreira@dpi.

C.Moreira .DSR/INPE 11-2 J.

.......... 11-7 3...................ÍNDICE 1......................... FUNÇÕES DO SPRING...................................................Moreira ........................ 11-9 DSR/INPE 11-3 J... 11-8 4....................... QUAIS OS MÓDULOS DISPONÍVEIS? ..... 11-5 2....................C......... QUAIS PLATAFORMAS E PERIFÉRICOS SÃO SUPORTADOS? ................................ INTRODUÇÃO AO SPRING ..........

C.Moreira .DSR/INPE 11-4 J.

manipular e editar imagens e dados geográficos. projeção e fuso. com a introdução explícita do conceito de objetos geográficos (entidades individuais).1. operando como um banco de dados geográfico. geralmente acoplados a gerenciadores de bancos de dados relacionais. mantendo a identidade dos objetos geográficos ao longo de todo banco. • Administra tanto dados vetoriais como dados matriciais ("raster") e realiza a integração de dados de Sensoriamento Remoto num Sistema de Informações Geográficas.Moreira . • Provê um ambiente de trabalho amigável e poderoso. Quais são as características principais? • Opera como um banco de dados geográfico sem fronteiras e suporta grande volume de dados sem limitações de escala. Os sistemas desta geração são concebidos para uso em conjunto com ambientes cliente-servidor. de mapas cadastrais.Linguagem Espaço-Geográfica baseada em Álgebra). Aprimora a integração de dados geográficos. O que é Banco de Dados Geográfico? • Banco de dados não-convencional onde cada dado tratado possui atributos descritivos e uma representação geométrica no espaço geográfico. fornecendo ao usuário um ambiente interativo para visualizar. mapas de redes e campos. para ambientes UNIX e Windows. através da combinação de menus e janelas com uma linguagem espacial facilmente programável pelo usuário (LEGAL . DSR/INPE 11-5 J. Introdução ao SPRING O que é SPRING? • Banco de dados geográfico de 2º geração.C. Os dados disponíveis no banco podem ser manipulados por métodos de processamento de imagens e de análise geográfica.

que melhor reflete a metodologia de trabalho de estudos ambientais e cadastrais. complementando os métodos tradicionais de processamento de imagens e análise geográfica.• Consegue escalonabilidade completa. • Adaptado a complexidade dos problemas ambientais. ao contrário do SPRING. isto é. muitos dos sistemas disponíveis no mercado apresentam alta complexidade de uso e demandam tempo de aprendizado muito longo. como os utilizados para indexação espacial. • Base de dados é única. isto é. segmentação de imagens. mapas temáticos e cadastrais e modelos numéricos de terreno. que requerem uma forte capacidade de integração de dados entre imagens de satélite. • Preserva o investimento dos usuários dos sistemas SITIM e SGI. Quais são as vantagens do SPRING? • Contém algoritmos inovadores. utilizando modelo de dados orientado-a-objetos. • Sistema inovador. Adicionalmente. A interface interativa utiliza o "X Window System" e padrão de apresentação OSF/MOTIF em ambientes UNIX e "Windows" em ambientes PC-Windows.Moreira . projetado inicialmente para redes de estações de trabalho baseadas na arquitetura RISC e ambiente operacional UNIX. garantem o desempenho adequado para as mais variadas aplicações. não havendo necessidade de DSR/INPE 11-6 J. é capaz de operar com toda sua funcionalidade em ambientes variando de microcomputadores a estações de trabalho RISC de alto desempenho. uma vez que todos os dados gerados nestes sistemas podem ser totalmente aproveitados (inclusive com topologia) no novo ambiente. classificação por regiões e geração de grades triangulares com restrições.C. a estrutura de dados é a mesma quando o usuário trabalha em um microcomputador na versão Windows e em uma máquina RISC (Estações de Trabalho UNIX). Desenvolvido usando técnicas avançadas de programação.

com sistema operacional AIX 3. O mesmo ocorre com a interface. DSR/INPE 11-7 J.0.28 mm.2.13. ou Estações Silicon Graphics.44 Mbytes e Unidade de CD-ROM (caso desejar trabalhar com imagens de satélite fornecidas pelo INPE). • Estações RISC-UNIX o Estações SUN de arquitetura SPARC utilizando sistema operacional Solaris 2.51.2. Memória RAM de 16 Mbytes. 2. com sistema IRIX 4. Quais plataformas e periféricos são suportados? • Plataforma PC o Software: Microsoft Windows-95 ou Windows-NT versão 3. ou Estações IBM RISC/6000. series HP-700. 50 Mbytes de espaço em disco para instalação mínima do SPRING. ou Estações Hewlett-Packard. 1. que é exatamente a mesma. ou Linux versão 1. series IRIS 4D.conversão de dados.4 ou posterior. ou Solaris-X86 versão 2.4 ou posterior. 14" NI. Disco rígido de 1 Gbytes. 100 Mbytes de espaço em disco para os bancos de dados a serem criados pelo usuário. Drive de 31/2". o Plataforma mínima de hardware: Processador 486 DX2 100 Mhz.C.Moreira . Monitor de vídeo colorido SVGA.5. dp 0.0. de maneira que não existe diferença no modo de operar o SPRING. o o o • Hardware mínimo para estações RISC-UNIX o o o 32 Mbytes de memória principal. com sistema HP-UX 9.

C. gravadas pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). com o objetivo de facilitar seu uso.4 ou 8mm) adquiridas a partir dos sensores TM/LANDSAT-5. Quais os módulos disponíveis? • 3 módulos. processamento digital de imagens. Este programa carrega seletivamente os arquivos da fita para o disco. • Periféricos como mesa digitalizadora. compartimentando as funções de manipulação de dados geocodificados. através dos dispositivos CD-ROM (Compact Disc . • IMPIMA o Executa leitura de imagens digitais de satélite. Exibir. executando as funções relacionadas à criação. IMPIMA. Imagem. Temático. traçadores gráficos compatível com HPGL e impressoras coloridas compatível com PostScript também são suportados e podem ser integrados no sistema. "streamer" (60 ou 150 megabytes) e DAT (Digital Audio Tape . estão divididas em: Arquivo. BIL e 1B para o formato GRIB (Gridded Binary). Fast Format. funções de entrada de dados. CCT (Computer Compatible Tapes). DSR/INPE 11-8 J.Moreira . • SPRING o É o módulo principal de entrada. Editar. Numérico Cadastral. 3.Read Only Memory ). SPRING e SCARTA. HRV/SPOT e AVHRR/NOAA. Converte as imagens dos formatos BSQ. modelagem numérica de terreno e análise geográfica de dados. manipulação de consulta ao banco de dados. o As funções da janela principal. na barra de menus. manipulação e transformação de dados geográficos.0 conta com um programa automático para instalação do sistema.• O SPRING 2. em função de parâmetros fornecidos pelo usuário.

Inglês e Espanhol. Interface com o Usuário o o o o Leitura de Imagens LANDSAT. quadros e grades em coordenadas planas ou geográficas. resultantes dos projetos de pesquisa do INPE e seus parceiros. Objetos e Utilitários. Permite editar textos. o Ambiente unificado para os diferentes tipos de dados geográficos e suas representações. Para cada opção há um menu (janela de diálogo) associado com as operações específicas. Wysiwyg). no formato varredura ou vector.Moreira . linhas.6. Processamento de Imagens o o DSR/INPE 11-9 J. SPOT. Permite exibir mapas em várias escalas. Linguagem de Álgebra de Mapas LEGAL. permitindo a apresentação na forma de um documento cartográfico. Menus sensíveis ao contexto. através do recurso "O que você vê é o que você tem" (What You See Is What You Get. Disponível nos seguintes idiomas: Português. Registro e Correção Geométrica.Rede. o 4. As funções indicadas em "negrito" passam a fazer parte do release 3. Funções do SPRING O SPRING apresenta um conjunto de novos algoritmos e procedimentos inovadores. ERS-1 e NOAA/AVHRR. símbolos. • SCARTA o Edita uma carta e gera arquivo para impressão a partir de resultados gerados no módulo principal SPRING. Mosaico de Imagens com equalização dos níveis de cinza. legendas.C.

Mosaico. matriz de/para vetor de mapas o o o o Análise Geográfica Operações Boolaenas. Fatiamento. Filtros morfológicos para imagens. Geoestatísica . 11-10 DSR/INPE J. Leitura de valores de pixel. Técnicas markovianas para pós-classificação de imagens. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Reclassificação.Moreira . edição e geração de topologia.C. Critério de Decisão AHP. Transformações IHS e componentes principais. Ponderação. o o o o Estimador de Densidade por Kernel. Operadores Zonais. Tabulação cruzada. Segmentação de Imagens e Classificadores por Regiões (supervisionado e não-supervisionado). Operações aritméticas. Classificação Contínua e Estatística espacial com análise univariada de pontos. Conversão temáticos. Classificadores estatísticos pixel-a-pixel.Krigeagem. o o o o o o o Digitalização. Filtragem espacial. Processamento de Imagens de Radar. Mapas de distância. Modelos de Mistura. Restauração de imagens LANDSAT e SPOT.o o o o o o o Realce por manipulação de histograma.

Moreira . Análise de Localização . Extração de Topos de Morros.P-Mediana. Geração de grades triangulares (TIN). Produção de imagens sintéticas. Modelagem da rede . o o o o o o o o Modelagem Digital de Terreno o o o o o Suavização de Linhas. 11-11 Modelagem de REDES o o o DSR/INPE J. Cálculo do custo mínimo Alocação de Recursos. Visualização 3D. Cruzamento Vetorial de PI's. Rede de Drenagem.. Cálculo de mapas de declividade e exposição de vertentes. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Operações Matemáticas. com a inclusão de restrições.Com colaboração da CH2MHILL do Brasil. Geração de Grades.o o Análise de Localização pelo método da p-mediana.C.Associação com objetos e definição de impedâncias e demandas. Mancha de Inundação . Cálculos de volume e perfis. Modelos Hidrológicos. Digitalização de amostras e isolinhas. Geração de mapas hipsométricos. Plotagem de contornos. o o Digitalização de linhas e nós de uma rede. Geração de grades regulares.

o Consulta a Bancos de Dados Relacionais (Mapas Cadastrais) o o o o o o o Ambiente interativo (WYSIWYG) com controle do posicionamento dos mapas. semelhante aos sistemas de "desktop mapping".Com colaboração do Laboratório Associado de Computação e Matemática Aplicada . Suporte aos padrões xBASE. Gerar gráficos com a distrubuição relativa de dois atributos. que permite: o Definição e apresentação do conteúdo de tabelas de atributos dos geo-objetos em BD relacionais. legenda e texto. Departamento de Matemática .LAC-INPE e Universidade Estadual Paulista UNESP/FEG Faculdade de Engenharia. Geração de Cartas o Biblioteca de Símbolos em formato DXF-R12 ou BMP. Relacionar o conteúdo da tabela com a localização espacial dos objetos. DSR/INPE J. símbolos. Agrupamento de objetos geográficos por atributos. Consulta por atributos espaciais e apresentação dos resultados. o Geocodificação de Endereços. ACCESS e ORACLE nativos. Apresenta uma nova interface de consulta espacial.Moreira 11-12 . Apresentar o conteúdo de uma tabela relacional com atributos dos geo-objetos. Geração de gráficos com distribuição de valores de atributos.C.

DXF-R12. ShapeFile Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. Edição de toponímia (textos) em todos modelos de dados. TIFF. Registro vetorial. DXF-R12. 11-13 o o Gerenciamento de Mapas o o o DSR/INPE J.C. ASCIISPRING. ASCIISPRING. ShapFile (ArcView) e E00 (ArcInfo) o Exportadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate).Moreira . ShapeFile e E00 Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. TIFF. A1. A3 e A4. A2. Suporte para dispositivos HPGL/2 e Postscript. SITIM. Importadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate). Conversão de Dados entre Projeções.o o Configuração de folhas A0. Mosaico de Dados Vetoriais e Imagens. JPEG e GeoTIFF Tabelas : ASCII-SPRING e DBF o Intercâmbio de Dados o Conversores para ASCII-SPRING MID/MIF (Mapinfo). JPEG e GeoTIFF Tabelas : SPACESTAT e ASCII-SPRING Suporte para 14 Projeções Cartográficas.

o Ajuda em formato HTML .o Limpar Vetores - elimina linhas duplicadas.C.necessário o navegador Internet Explorer.conversão de mapas temáticos (pontos e polígonos) ou cadastrais (pontos e polígonos com atributos) para mapas de pontos temáticos (pontos 2D) ou numéricos (amostras 3D). Roteiro em 10 aulas para utilização das principais funções. Roteiro de "Como Iniciar ?" para iniciantes. Ajuda On-line o o DSR/INPE J.Moreira 11-14 . e quebra automática de interseção de linhas. o Geração de Pontos . polígonos e elementos menores que uma dimensão fornecida pelo usuário.

N.C A P Í T U L O 12 USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO COMO RECURSO DIDÁTICO PEDAGÓGIC O NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE V â n i a M a r i a N u n e s d o s S a n t o s1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE Divisão de Sensoriamento Remoto 1 e-mail: vania@ltid.M.Santos .inpe.br DSR/INPE 12-1 V.

N.M.DSR/INPE 12-2 V.Santos .

.......................................... CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO ...........................................................................M............ O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES ....................... INTRODUÇÃO ..... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................ O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA ...... 12-14 DSR/INPE 12-3 V........... 12-5 2...................................ÍNDICE 1.... 12-11 5..............................Santos ............... 12-8 4....................................... 12-6 3...................N..........................

N.M.Santos .DSR/INPE 12-4 V.

bem como auxiliado no diagnóstico sobre as implicações ambientais. políticas e culturais desses projetos com relação a ocupação dos espaços geográficos. econômicas. entendemos que o conhecimento produzido e acumulado sobre o potencial de utilização das tecnologias espaciais. INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento das modernas tecnologias espaciais.Santos . Com o processo de mudanças desencadeado a partir da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9394/96). deve ser conhecido por toda nossa sociedade. A escola. desenvolver a função social de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas. concebida como agência de comunicação social que tem no saber sua matéria prima. favorecendo na realização do planejamento sócio econômico ambiental sustentável. sobretudo do sensoriamento remoto. no mundo inteiro e em diversas escalas. o que justifica o compromisso de divulgar ciência.M. é o espaço privilegiado capaz de receber e processar tais informações transformando-as em conhecimento.N. vem sendo assinalada a necessidade da educação escolar trabalhar com conteúdos e recursos que qualifiquem o DSR/INPE 12-5 V.1. através da coleta de diferentes dados e da aquisição de imagens da sua superfície. por meio de sensores remotos. sobretudo os orbitais (a bordo de satélites). pela qualificação que pode promover no desempenho dos agentes sociais. para a melhoria das condições de vida. dentre as quais se incluem os satélites artificiais. tem servido como base para o desenvolvimento e realização de projetos associados às atividades humanas. Dada a sua importância para o mundo moderno. e por meio desse processo. resultante em parte da evolução e ampliação do conhecimento sistematizado. movido pela crença de “ir ao espaço buscar soluções para os problemas da Terra”. sociais. tornou-se possível “(re)conhecer” a Terra. Os dados gerados pelos diversos sensores remotos.

respectivamente. a utilização de imagens de satélite.M. Este contexto favorece a introdução da tecnologia de sensoriamento remoto na escola. e como conteúdo em si mesmas. Ciências.N. como por exemplo na focalização do tema Meio Ambiente. e avançar na perspectiva das ciências sociais e da pedagogia da comunicação. frente as atuais exigências de reformulação da educação escolar impostas pela conjuntura de nossa sociedade de final de milênio. 2. permitindo ultrapassar uma perspectiva de abordagem restrita às ciências da natureza. O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES O trabalho que temos realizado com sensoriamento remoto nas escolas. permite identificar e relacionar elementos naturais e sócio econômicos presentes na paisagem tais como serras. O uso escolar dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto apresentamse como recurso para o processo de discussão/construção de conceitos pelos alunos. rios. dentre outras. Matemática. Educação Artística. Podemos verificar suas possibilidades de uso em diferentes disciplinas tais como: Geografia. História. os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes para o Ensino Médio. DSR/INPE 12-6 V. por exemplo. planícies. Em consonância com a Lei. enquanto conteúdo e recurso didático inovador no processo de ensino e aprendizagem.Santos . bacias hidrográficas. No ensino da Geografia. destacam a importância do trabalho com o conhecimento científico e tecnológico no ensino fundamental e médio. tem se constituído numa oportunidade de aproveitar seu vasto potencial de uso e aplicações para a compreensão da dinâmica do processo de intervenção/repercussão das relações sociais no equilíbrio/desequilíbrio do meio ambiente. principalmente em abordagens interdisciplinares. comum na abordagem desta questão.cidadão para a vida na sociedade moderna tecnológica.

Como as imagens de satélite estão associadas aos fenômenos físicos de absorção e reflexão da luz. estas podem ser analisadas e compreendidas por intermédio do ensino de Ciências. ao mesmo tempo em que propiciam compreensão de conceitos físicos a elas associados. ocupação e desenvolvimento de uma região. de tal forma a se constituírem no próprio conteúdo a ser compreendido. é possível apreender a temporalidade dos fatos em sua dinâmica e fazer a reconstituição do processo de uso.. Os produtos de sensoriamento remoto podem ser DSR/INPE 12-7 V. No ensino da História. mostrando as transformações no perfil econômico e as possibilidades de construção de planos administrativos e condutas sociais participativas que se abrem a partir desse conhecimento. rios e cidades. proporção e formas geométricas. serras.matas. áreas agricultáveis. No ensino de Matemática.N.. tais como o processo saúde/doença relacionado a vetores naturais como por exemplo a água e as condições em que se apresenta no meio ambiente. evidenciadas pelo sensoriamento remoto. como os de área. cidades.Santos . com imagens de um mesmo local produzidas em períodos/anos diferentes. servindo portanto como um importante subsídio à compreensão das relações entre os homens e de suas conseqüências no uso e ocupação dos espaços e nas implicações com a natureza. enquanto elemento cultural componente das sociedades tecnológicas. bem como acompanhar resultados da dinâmica do seu uso. enquanto um movimento em suas regularidades e alternâncias. estradas. Outros estudos voltados ao ensino de Ciências ainda podem encontrar nas imagens uma referência para a sua compreensão. permanências e mudanças. industriais. através da análise e compreensão entre os elementos constitutivos de uma paisagem tais como plantações.M. as imagens de satélite e fotografias aéreas podem ser utilizadas como recurso para a compreensão de conceitos.

ferrovias. etc. estradas. como por exemplo o tema meio ambiente. construindo o próprio conhecimento. mostrando em diferentes escalas serras. é possível também desenvolver estudos interdisciplinares a partir da definição de um tema específico para estudo. literários e plásticos a partir das percepções propiciadas pela leitura das imagens e pela experiência estética da relação com elas.Santos . 3.utilizados como recurso à compreensão e resolução de problemas reais/concretos. como por exemplo calcular a área desmatada de uma floresta e a proporção deste impacto para a população local e circunvizinha. O contato. além de possibilitar a elaboração de outros textos artísticos.. Esses recursos podem auxiliar o aluno a perceber “o tamanho real” do problema e consequentemente a importância de aprender a manipular conceitos matemáticos para compreendê-los.M. utilizando diferentes escalas. onde as contribuições disciplinares se tecem na sua análise. rios. justaposição de DSR/INPE 12-8 V. vales. tais como repetitividade de cobertura. Em Educação Artística.N. é possível elaborar maquetes a partir de imagens de satélite. Embora estes exemplos apresentem possibilidades multidisciplinares de utilização escolar do sensoriamento remoto. fotografias aéreas e mapas (cartas topográficas). sobretudo com as cores e formas características das imagens de satélite e sua decodificação. cidades. encaminha os alunos aos desdobramentos de leituras objetivas e subjetivas do espaço geográfico. propícias ao desenvolvimento de experimentos plásticos originais. Esses são apenas alguns exemplos dos possíveis usos didáticos dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto no tratamento de conteúdos curriculares. sobretudo das imagens de satélite. represas. “construindo” a região na sua tridimensionalidade. O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA As características dos produtos do sensoriamento remoto.

Santos . A possibilidade de associarmos. através do estudo do meio ambiente local. revelando a dinâmica do processo de construção do espaço geográfico. enriquecendo estudos históricos e geográficos. abrangência espacial. seqüenciais e simultâneos. em 1999. favorecendo na localização de possíveis fontes poluidoras. Convém lembrar que entendemos a educação ambiental como um importante instrumento para a compreensão e conscientização de questões/problemas da realidade sócio ambiental. se constitui em uma das mais sérias exigências educacionais contemporâneas para o exercício/construção da cidadania. tais como indústrias ou loteamentos irregulares.N. Cachoeira Paulista. intitulada: “Escola. Cidadania e Novas Tecnologias: experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto”. com a participação das Prefeituras locais. apresentam importante contribuição para os estudos ambientais na escola. sobretudo nas escolas. voltado à capacitação de professores e alunos. Monteiro Lobato e Santo André. podem auxiliar nos estudos do meio ambiente. com referência em questões sócio ambientais. por exemplo. cores e formas. 1 O referido trabalho. defendida na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. DSR/INPE 12-9 V. que possibilitam uma visão de conjunto da paisagem em tempos diferentes. Os resultados obtidos fundamentaram a dissertação de mestrado desta autora. as relações entre o crescimento desordenado das cidades e a presença de rios/córregos poluídos. sob a coordenação desta autora1. ao uso escolar do sensoriamento remoto.informações. Jacareí. atividades de campo voltadas à verificação da verdade terrestre e a contextualização das informações obtidas a partir das imagens de satélite e fotografias aéreas. do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Petrobrás. e conseqüente melhoria da qualidade de vida.M. cujo desenvolvimento. tem norteado o desenvolvimento de projetos de educação ambiental em escolas. mostrando. bem como subsidiar na análise dos processos de uso e ocupação dos espaços. Lorena. foi desenvolvidos em escolas públicas e particulares do ensino fundamental e médio nos seguintes municípios: São José dos Campos. A abrangência espacial e o caráter temporal das imagens de satélite.

M.N. etc. segundo uma visão local e posteriormente por uma ótica integrada com toda região atingida direta ou indiretamente por este manancial. mas ao contrário. A utilização de recursos de sensoriamento remoto possibilita aos alunos uma apreensão sistêmica da área de estudo. regiões conhecidas do aluno favorece a descrição dos elementos presentes na paisagem. permite que este “se encontre” nesta paisagem. A realização de um estudo sobre os problemas sócio ambientais de uma cidade/região e suas implicações com a qualidade de vida da população. não dispensa. ante ao estudo em questão ou a sua complexidade. familiarizando-o com esta forma de representação do espaço. recursos que. exige o desenvolvimento de atividades correlacionadas para o estudo do meio ambiente. convém lembrar que fotografias aéreas e imagens de satélites são instrumentos. Quando se analisa o córrego poluído em questão utilizando apenas levantamentos restritos.. Deixar que o aluno observe uma imagem durante o tempo que for necessário para localizar sozinho seus principais elementos. constitui-se em exemplo interessante do que consideramos acima. Se selecionarmos o recurso hídrico como vetor. considerando não apenas um único DSR/INPE 12-10 V.Santos . à quilômetros de distância da área estudada. que deságua no rio principal de uma bacia hidrográfica. cria a necessidade de acesso a outras fontes de informação. é possível que escape à vista as implicações degradantes que o mesmo possa estar provocando em outros locais. explorar com recursos de sensoriamento remoto. com o meio ambiente regional.Dessa forma. sobretudo os constitutivos da sua cidade. não podemos deixar de investigar o comprometimento de um simples córrego urbano poluído. favorecendo à análise do meio ambiente e ecossistemas associados. a partir do qual iniciaremos o estudo em questão. coleta de dados. ou seja. inicialmente. Contudo.

propor soluções para os problemas identificados. com referência nos recursos hídricos. e suas repercussões regionais/globais. voltados ao uso escolar do sensoriamento remoto no estudo do meio ambiente. Nos projetos educacionais desenvolvidos. estudo do meio.Santos . mas sim a multiplicidade de aspectos/variáveis que possam estar contribuindo para a degradação da qualidade das águas. 4. elaboração de mapeamento sócio ambiental do bairro/região de estudo. leitura de mapas. tem propiciado aos alunos condições de compreender o meio ambiente local e regional. incluindo: leitura e interpretação de imagens de satélite e fotografias aéreas.N. CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO Nossa proposta de trabalho com os recursos de sensoriamento remoto na escola não se limita a uma mera transferência mecânica de informações. professores de diferentes disciplinas orientaram seus alunos na realização de atividades em sala de aula e trabalhos de campo. com referência na coleta de amostras d’água nos rios/córregos para posterior análise. visando discussões sobre os problemas sócio ambientais locais (bairro/município). suas implicações para o declínio da qualidade de vida da população atendida direta ou indiretamente por este manancial. Não DSR/INPE 12-11 V. refletir sobre a realidade sócio ambiental em estudo.M. em diferentes escalas. associados ao desenvolvimento de diferentes atividades. bem como suas implicações sociais. políticas e culturais no cotidiano da sociedade. como as citadas acima. entrevistas na comunidade. estabelecendo relações entre o impacto local e suas repercussões espaciais e revelando. realização de roteiros ambientais.aspecto/variável. A utilização dos recursos de sensoriamento remoto. econômicas. bem como exercitarem a sua cidadania através de ações/intervenções escolares voltadas para a melhoria da qualidade de vida. consequentemente.

propiciadoras do exercício de operações mentais implementadoras do desenvolvimento do raciocínio crítico e da produção do conhecimento. p. compreensão da realidade imediata em que está inserido e de outras realidades semelhantes a esta.N. e que facilmente passam por desapercebidas a olhares menos desavisados. Somente pode chamar-se autêntico o conhecimento que em si mesmo e por si mesmo seja produtivo e transformador. enquanto ferramenta para o estabelecimento de relações com realidades distintas da sua. que é preciso aprender a captar e estabelecer. 1979.Santos . possamos falar de aprendizagem ‘autêntica’. com propriedade de termos. 2 Gutierrez. por parte do aprendiz. O uso escolar do sensoriamento remoto recomenda o desenvolvimento da Pedagogia da Comunicação no tratamento dos conteúdos curriculares. Linguagem total : uma pedagogia dos meios de comunicação. São Paulo : SUMMUS. o que requer do preceptor que ele o transforme em conhecimento seu e reestruture à sua maneira tal informação”. F. mas a ela conectadas por diferentes relações.se trata de proceder apenas à divulgação de suas características e potencialidades.M. já que não são evidentes por si mesmas. orientado pelo docente. que o levará a utilizá-la enquanto ferramenta de: decodificação. Como afirma o educador Gutierrez2 (1979). 110 DSR/INPE 12-12 V. mas sobretudo de refletir sobre elas e trabalhar suas relações com a prática pedagógica e com o tratamento dos conteúdos curriculares em suas relações com a vida. considerando a análise da realidade concreta e as reflexões possíveis de serem desenvolvidas sobre ela. visando a construção do conhecimento por professores e alunos. Tal restruturação requer um trabalho ativo-reflexivo com a informação. “o mero fato de interpretar ou apropriar-se de um saber não é suficiente para que. enquanto repercussões à distância de fenômenos.

como método.M. Tais iniciativas implicam: • Considerar a realidade social em que o educando existe e na qual a tecnologia espacial. • Lidar com o meio ambiente do educando. pela apreensão das relações recíprocas entre o seu meio imediato e o mais amplo. O uso escolar do sensoriamento remoto. ao diálogo entre diferentes tipos de saber. pela apreensão da ressonância das atuações individuais e das organizadas de maneira coletiva e colaborativa. • Recorrer como caminho. e a compreensão que o aluno tem dela. tem uma presença relevante. bem como esclarece que professores podem promover ou proceder à socialização da ciência requalificando a relação do ensino com o conhecimento e com a vida. permite desmistificar a idéia que uma tecnologia de ponta é algo distante da escola.N. como recurso didático pedagógico no processo de ensino aprendizagem. como ponto de partida. Isto pressupõe propiciar ao aluno condições de compreender a vida humana numa dimensão de totalidade. • Alcançar como ponto de chegada do processo de ensino a reelaboração da compreensão inicial que o aluno tem do meio ambiente. à observação da realidade focalizada. em especial o sensoriamento remoto. na implementação de planos administrativos que visem a qualificação e preservação do meio ambiente. DSR/INPE 12-13 V.Por em prática a Pedagogia da Comunicação significa por em prática iniciativas pedagógicas transformadoras. quando o seu uso está voltado para o estudo de questões importantes da atualidade e significativa para os alunos. sua realidade imediata. à utilização do sensoriamento remoto.Santos . para a construção do conhecimento mais elaborado e mais crítico do educando. circundante.

Santos. de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas através dos recursos da ciência presentes na sociedade. entendemos que o uso escolar do sensoriamento remoto pode contribuir para o desenvolvimento da função da escola na atualidade. 1999. Vânia M. N.N. o acesso ao conhecimento da função social desta tecnologia. O uso escolar das imagens de satélite: socialização da ciência e tecnologia espacial.Elaborar projetos escolares com as pretensões didáticas aqui assumidas. N. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. oportunizando a escola. São Paulo: Cortez. civil e administrativa. Pedagogia da comunicação. Heloísa D. de responsabilidade individual e coletiva. Escola. 1998. a compreensão da contribuição da tecnologia de sensoriamento remoto na apreensão de problemas ambientais e na elaboração de sua superação. e a partir dela a comunidade. voltados à conscientização de problemas sócio ambientais vividos e às possíveis atuações de superação.M.Santos . BIBLIOGRAFIA: Santos. implica no desenvolvimento de ações capazes de propiciar: o questionamento sobre o significado de meio ambiente. cidadania e novas tecnologias: investigação sobre experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto. e com a sua representação em diferentes escalas. a investigação e reflexão sobre a realidade sócio ambiental imediata. 150p. responsável por comportamentos organizados de intervenção social. o estabelecimento da relação teórico/prática capaz de promover o desenvolvimento de experiências escolares com o sensoriamento remoto. DSR/INPE 12-14 V. In: Penteado. a percepção de suas relações. o desenvolvimento do raciocínio crítico construtivo. Vânia M. 5. Dissertação de Mestrado. São Paulo. Nesta perspectiva.

Cortez. Penteado. 2000.Penteado. Metodologia do ensino de geografia e história. DSR/INPE 12-15 V. São Paulo. São Paulo. Heloísa D.N. Meio Ambiente e formação de professores.Santos .M. 1991. Cortez. Heloísa D.

br 13-1 T.inpe.C A P Í T U L O 13 PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula T a n i a M a r i a S a u s e n1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 tania@ltid.M.SAUSEN DSR/INPE .

DSR/INPE 13-2 T.M.SAUSEN .

. 12-19 DSR/INPE 13-3 T......................M.................... 12-8 1.........................................SAUSEN .....................................................................................ÍNDICE 1................................. 12-7 1................................... INTRODUÇÃO ................................. 12-10 O PROGRAMA EDUCA SERE ...... 3...... 12-12 4... 12-7 1.......................... 12-9 1.................................................. O DOCUMENTO DE CAMBORIÚ ............................................2 O INPE ......................3 OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS ........................................................................................................................................................ PROJETO EDUCA SERE III-ELABORAÇÃO DE CARTA-IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO .....1 OS SATÉLITES DE SENSORIAMENTO ................................. 12-13 SITES ÚTEIS ..............................................................4 CARTA-IMAGEM ............................................................................ 12-10 2....................

M.SAUSEN .DSR/INPE 13-4 T.

...M...CARTA IMAGEM DE PORTO ALEGRE – RS .......SAUSEN ..........LISTA DE FIGURAS 1 ........................ 13-19 DSR/INPE 13-5 T.........

SAUSEN .DSR/INPE 13-6 T.M.

da ciência e da história. por permitirem a coleta de dados temporais de uma mesma área e por coletarem informações sobre feições na superfície terrestre em várias faixas do espectro eletromagnético. no estudo do espaço geográfico e do meio-ambiente. As imagens geradas pelos satélites de sensoriamento remoto são uma ferramenta poderosa para serem utilizadas como recurso didático em sala de aula. estas imagens são pictoricamente agradáveis.M. tais como o francês SPOT.br http://www. por apresentarem uma visão sinótica da área abrangida por cada uma delas. DSR/INPE 13-7 T.inpe.SAUSEN . o primeiro satélite de sensoriamento remoto. o LANDSAT. Esta foi a terceira antena a entrar em operação no mundo.inpe. Paralelamente. importantes. facilitando assim o ensino e a compreensão da geografia. ORVIEW e o sino-brasileiro CBERS.1) Os satélites de sensoriamento: Em junho de 1972 foi lançado pelos norte-americanos. informações estas.PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula Tania Maria Sausen Ministério da Ciência e Tecnologia Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais Atividades de treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espacial tania@ltid. Estas características proporcionam uma série de informações sobre os recursos naturais e ações antrópicas. centro geográfico da América do Sul. os norte-americanos IKONOS. o canadense RADARSAT. que está localizada em Cuiabá. Desde esta época já foram lançados vários satélites de sensoriamento remoto.Em junho de 1973 entrou em operação a antena de rastreamento de satélites do Brasil. o que chama atenção do aluno. o europeu ERS.br/unidades/cep/atividadescep 1-Introdução: 1.

Apesar de todas as atividades desenvolvidas pelo Instituto. Isto ocorre principalmente pela falta de capacitação de alguns professores. É nesta fase também que estes estudantes estão escolhendo a sua futura profissão sendo. através da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tecnologia Espaciais-ATDCCTE e da sua Divisão de Sensoriamento Remoto-DSR. quase sempre oriundos do programa de mestrado em sensoriamento remoto do INPE. vários organismos internacionais. tem se preocupado com a disseminação e transferência desta tecnologia para usuários finais. esta tecnologia ainda não é amplamente utilizada pelo público em geral e poucos professores fazem uso das imagens de satélite como recurso didático.2) O INPE Desde o lançamento do primeiro satélite de sensoriamento remoto. As imagens de satélites.O professor em sala de aula. 1. o alto custo das imagens de satélite e a falta de material didático dedicado exclusivamente ao ensino de sensoriamento remoto.M. restringe-se a professores universitários. seguramente terá um grande aliado. que deverá entender o relacionamento entre meio-ambiente e sociedade. no uso das imagens de sensoriamento remoto. DSR/INPE 13-8 T. tem observado e comprovado que é necessário estender-se o processo de disseminação da tecnologia de sensoriamento remoto para alunos dos ensinos fundamental e médio. o INPE. Nos últimos cinco anos. pois. em consonância com uma tendência observada em todo o mundo e incentivada pela Divisão de Espaço Exterior da ONU e pela UNESCO.SAUSEN . o momento adequado para motivá-los a trabalhar com sensoriamento remoto. para proteger e preservar a terra. É bem verdade que este panorama vem mudando nos últimos anos. em 1972. pois é desta comunidade de estudantes que surgirá o cidadão do futuro. quando são utilizadas em sala de aula. agências espaciais e educadores.

em cada uma das séries. e como ocorre a apropriação desta por aquela”.1. Atualmente as escolas brasileiras estão buscando novos recursos didáticos e novas formas de ensinar geografia. na reflexão sobre prática educativa e na análise do material didático. DSR/INPE 13-9 T. De acordo com os PCNs o objetivo da Geografia “é explicar e compreender as relações entre a sociedade e a natureza. com relação ao programa a ser desenvolvido em sala de aula. Estes Parâmetros atendem a todas as áreas dos ensinos fundamental e médio e dão as linhas de ação de cada uma das disciplinas. da sua cidade. artes. de dados e de documentos de diferentes fontes de informação. sendo um material didático rico. bem como ciências. com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. culturais e naturais que são característicos de cada paisagem. Eles servem de instrumento no apoio às discussões pedagógicas na escola.3) Os Parâmetros Curriculares Nacionais Os Parâmetros Curriculares Nacionais-PCN foram criados pelo Ministério da Educação do Brasil. analisar e relacionar informações sobre o espaço geográfico e as diferentes paisagens”. as imagens de satélite. formas que aproximem o aluno da realidade. É um material didático de múltiplas finalidades para os professores do ensino fundamental (1° a 8° séries-7 a 14 anos) e médio (1° a 3° séries-15 a 17anos). para permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição. na elaboração de projetos educativos. bem como com os fenômenos sociais.M. história. A Geografia tem que trabalhar com diferentes noções espaciais e temporais. È mencionado nos PCNs que “o ensino da Geografia deve fazer uso de leituras de imagens. etc. de modo a interpretar. temporais e espectrais constituem-se em poderosa ferramenta em sala de aula. útil e interessante no ensino da geografia. no planejamento das aulas. do seu país e do seu continente.SAUSEN . para seus alunos. que permitam que tenham um conhecimento mais detalhado do local onde eles vivem. ao longo do período letivo. em suas diferentes resoluções espaciais. do seu estado. Diante disto.

Para esta tarefa as imagens de sensoriamento remoto são úteis e possibilitam a identificação de vários aspectos da paisagem. geodésicas e escala de trabalho. O uso de imagens de alta resolução para estudos locais (cidades e bairros). ferrovias. O uso de dados temporais para caracterizar a ação do homem sobre o meio ambiente. além de informações cartográficas tais como rodovias. as áreas agrícolas. cartas rodoviárias e visitas ao campo. levando-se em consideração os PCNs e os livros didáticos de geografia. A integração de dados obtidos de cartas geográficas. o uso do solo. fotografias. a cobertura vegetal. um dos temas DSR/INPE 13-10 T. Cada carta-imagem apresenta informações sobre áreas urbanas e os principais elementos da paisagem. tais como a rede hidrográfica. Assim. realizada no Balneário Camboriú. áreas e detalhes. coordenadas geográficas. para que o aluno possa aprender e caracterizar o local onde vive e como deve interagir com a paisagem ao seu redor. no período de 20 a 23 de maio de 1997. cidades.M. mapas temáticos. países. CARTA é a representação dos aspectos naturais ou artificiais da Terra destinada a fins práticos da atividade humana. regiões e municípios. 1. córregos. A CARTA-IMAGEM é a carta elaborada a partir de uma imagem de satélite. sugerese: • • • • O uso de imagens de satélite com diferentes resoluções espaciais para o estudo dos continentes.4) Carta-Imagem Do ponto de vista cartográfico.O ensino da geografia visa também tornar o aluno um futuro cidadão consciente sobre o meio-ambiente e os recursos naturais que o cercam.SAUSEN . direções e a localização geográfica de pontos. nomes de rios.O Documento de Camboriú Durante a I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul. 2 . bem como caracterizar a interação do homem com ela e os impactos provocados por ele. permitindo a avaliação precisa de distâncias. arroios. estados.

mais discutidos foi à carência de material didático voltado especificamente ao ensino de sensoriamento remoto. superior e pós-graduação). • • solicitar a cooperação e o apoio dos distribuidores de dados espaciais a baixo custo para atividades de ensino. vídeos e slides com imagens de satélite. tutoriais disponíveis na Internet. em todos os níveis. Este é um problema que não ocorre somente no Brasil. etc. favorecer ações de vinculação com o setor privado que fomentem a geração e distribuição de material didático. 3) Com relação a disponibilidade de material didático em sensoriamento remoto observou-se que: • • • há uma carência de material didático com ênfase em exemplos ou estudos realizados na região do Mercosul.SAUSEN . tais como: • promover junto aos organismos financiadores a difusão do sensoriamento remoto de tal forma que motive estes organismos a financiarem a geração de material didático. • • há total falta de interesse das editoras pela publicação de livros técnicos e material didático em sensoriamento remoto devido a atual relação custo/demanda. o material didático existente em geral se constitui de esforços isolados ou mesmo anotações pessoais dos professores que ministram os cursos e disciplinas de sensoriamento remoto. atlas geográficos compostos por imagens de satélite. há pouco material didático gerado por autores e nos idiomas da região do Mercosul e os mesmos já estão desatualizados. DSR/INPE 13-11 T. CD ROM com imagens de satélite. 2) Podem ser considerados como material didático em sensoriamento remoto livro texto. médio. falta de apoio institucional e financeiro à confecção de material didático Para sanar os problemas referentes a carência de material didático são sugeridas ações. cadernos pedagógicos. mas de modo geral em todos os países do Mercosul.M. No Documento de Camboriú é mencionado que: 1) A informação proveniente de dados de sensoriamento remoto pode ser utilizada nos distintos níveis formais de ensino (fundamental. carta imagem.

em 1998. • PROJETO EDUCA SeRe II . tais como universidades. Este programa tem por objetivo gerar material didático. 3 .O Programa Educa SeRe Considerando-se. médio e superior. diferentes produtos adquiridos por satélites de sensoriamento remoto existentes na atualidade. de tal forma que dissemine e torne acessível esta tecnologia a todas as camadas da sociedade.SAUSEN .Cadernos Didáticos no Ensino de Sensoriamento Remoto. foi criado no INPE.CD ROM para o Ensino de Sensoriamento Remoto DSR/INPE 13-12 T. cada um deles constituindo-se em um projeto.• • motivar as autoridades de educação e pesquisadores a elaborar material didático para apoiar o ensino de sensoriamento remoto. os tópicos mencionados. • difundir. pois. dedicado ao ensino de sensoriamento remoto nos níveis fundamental. a tomarem parte na elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto. motivar instituições de ensino. a baixo custo. • • • socializar os conhecimentos de sensoriamento remoto para fomentar novos projetos de pesquisas e aplicações na área de recursos naturais. motivar empresas privadas a colaborarem na confecção de material didático voltado para o ensino de sensoriamento remoto. no meio docente e discente. Os objetivos específicos do programa são: • Promover a criação de uma massa crítica sobre o uso e as aplicações da tecnologia de sensoriamento remoto no país e na região do Mercosul. Este programa está dividido em quatro módulos.M. de tal forma que eles sejam amplamente divulgados. a saber: • PROJETO EDUCA SeRe I . o Programa Educa SeRe. incentivar as universidades que possuem centros de publicação a gerar material didático e fazerem a sua divulgação através de sociedades científicas. pela responsável da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espaciais. estando todos voltados para a elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto. através da disseminação e comercialização de material didático de baixo custo.

SAUSEN . As primeiras cartas-imagem foram apresentadas no IX Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. um ano após a realização da I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul. Estas cartas estão sendo produzidas separadamente. em parceria com a SELPER e distribuídas durante o Simpósio e posteriormente para todos os interessados em vários estados brasileiros e mesmo para o exterior. abordando várias aplicações de sensoriamento remoto na área de recursos naturais. de tal forma que formem uma coleção. em setembro de 1998.• PROJETO EDUCA SeRe III .Elaboração de Cartas-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto • PROJETO EDUCA SeRe IV. de forma seriada. No contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: DSR/INPE 13-13 T. Os objetivos específicos deste projeto são: • • • Disponibilizar. difundir o uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático. Tem objetivo criar séries de cartas-imagem. tornar acessível. a baixo custo. nas disciplinas de ciência e geografia. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais.Homepages para o Ensino de Sensoriamento Remoto Cada um destes módulos já gerou pelo menos um material didático 4 . realizado em Santos. Ele é parte do Programa Educa SeRe desenvolvido pelo INPE.M. teve início em 1998. Foram feitas 3 mil cópias.Projeto Educa Sere III-Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto O Projeto Educa SeRe III-– Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto. SP. de forma ampla e a baixo custo. para a comunidade em geral. para serem utilizadas como material didático. dados de sensoriamento remoto dedicado à área de recursos naturais. realizada em CamboriúSC.

3 e 4. escala 1:50. • Carta-Imagem n° 3 – São José dos Campos. órbita 219 ponto 76. escala 1:350. bem como por vários segmentos da sociedade tais como imobiliárias. professores e estudantes universitários.a) Série Cidades Brasileiras: • Carta-Imagem n° 1–Santos. respectivamente.000.000. pontos 75 e 76. sensor SAR. elaborada em parceria com a Agência Espacial Européia – ESA. Assim foram treinados 121 professores da rede municipal. em toda a região abrangida pelo Jornal Valeparaibano (41 municípios). 2000 exemplares impressos foram distribuídos para todas as escolas do ensino fundamental e médio de São José dos Campos. energia elétrica. dando início assim ao Projeto Educa Sere III— Elaboração de carta imagem para o ensino de sensoriamento remoto-Utilização de cartas-Imagem-CBERS como Recurso Didático. construtores de rodovias. com o apoio da Prefeitura Municipal de São José dos Campos. canais 2. distribuidoras de leite. planejadores. na edição do dia 21 de agosto de 1999. na utilização da carta imagem como recurso didático em sala de aula. etc. jornalistas. estadual e privada). sendo bem recebidas. Com o lançamento do satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres-CBERS este projeto passou a dedicar-se a criação de cartas-imagens usando exclusivamente imagens da Câmara CCD deste satélite.SAUSEN . órbita 21. Estas cartas-imagem tiveram um grande sucesso. utilizando a imagem de satélite ERS-1 e 2. escala 1:50. arquitetos. advogados. DSR/INPE 13-14 T. • Mosaico do Vale do Paraíba. utilizando a imagem do satélite LANDSAT/TM. ONGs. redes de televisão. promotores públicos. publicado em parceria com o Jornal Vale Paraibano de São José dos Campos. • Carta-Imagem n° 2 – Santos. utilizando a imagem de satélite LANDSAT/TM.000. de 08 de maio de 1996 e 04 de abril de 1996. não apenas pelos professores do ensino fundamental e médio. 64 da rede estadual e 23 da rede privada num total de 208. passagens de 26 de julho e 20 de agosto de 1997. gerado a partir de duas imagens LANDSAT/TM. passagem de 20 de agosto de 1997. Litoral Norte e Serra da Mantiqueira.M. Posteriormente ao lançamento o INPE assumiu o compromisso de treinar os professores da rede de ensino (municipal.

Os objetivos específicos deste projeto são: • • • • • disseminar a tecnologia de sensoriamento remoto na educação escolar. Para este curso foi gerada a carta-imagem de Belo Horizonte O objetivo deste curso é a capacitação de professores dos ensinos fundamental e médio. disseminar os produtos de sensoriamento remoto gerados pela Satélite SinoBrasileiro de Recursos Terrestres. 19-21 de abril de 2001. em Foz do Iguaçu. em parceria com a Universidade de Manaus. e proposto como e quais dados de sensoriamento remoto os professores podem estar utilizando em sala de aula. de forma ampla e a baixo custo. em Belo Horizonte. em geografia. em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais. Assim. Posteriormente. O primeiro curso e o lançamento da primeira carta-imagem CBERS foi realizado durante o X Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. para o ensino de geografia. foi realizado o terceiro curso. tornar acessível. DSR/INPE 13-15 T. Paraná.M. foram levados em conta os objetivos e metas propostas para o ensino de geografia para cada um dos ciclos dos ensinos fundamental e médio. de 17 a 22 de junho de 2002. como parte das atividades do XI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. incentivar os docentes dos ensinos fundamental e médio a formarem cidadãos conscientes da importância da preservação dos recursos naturais e como os dados de sensoriamento remoto podem auxiliar nesta tarefa. incentivar o desenvolvimento de novas metodologias de ensino.SAUSEN . Com a finalidade de capacitar professores dos ensinos fundamental e médio no uso das cartas-imagens como recurso didático foi criado o Curso sobre “O Uso de Sensoriamento Remoto como Recurso Didático nos Ensinos Fundamental e Médio”. com a conseqüente geração da carta-imagem de Manaus. Os objetivos específicos deste curso são: • Despertar interesse na comunidade docente para a potencialidade e a utilização de dados de sensoriamento remoto como recurso didático. No período de 3 a 5 de abril de 2003. em sala de aula. no uso de imagens de sensoriamento remoto. foi realizado um curso para professores do município de Manaus. levando em consideração as diretrizes e orientações presentes nos PCNs.

• Por meio dos docentes. As metas a serem atingidas são: • Capacitar docentes de geografia dos ensinos fundamental e médio para desenvolverem atividades. em sala de aula. matemática. Por meio das atividades em sala de aula.M. que passem a utilizá-las em sala de aula e que possam eles próprios criar novos materiais didáticos a partir dos conhecimentos adquiridos no curso. ciências. referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto em geografia. referentes ao projeto. tornar acessível à comunidade em geral os benefícios gerados à comunidade pelas atividades de sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE. em sala de aula. referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto. • Com o auxílio dos professores e estudantes. Espera-se que ao final do curso os docentes estejam familiarizados com os inúmeros recursos didáticos oferecidos pelas imagens de sensoriamento remoto. • Encorajar os estudantes do ensino fundamental e médio a se interessarem por profissões relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto. capacitar os alunos dos ensinos fundamental e médio a desenvolverem atividades. dos aspectos sócio-econômicos e na preservação dos recursos naturais do país. encorajar os estudantes interessados em geografia e ciências. DSR/INPE 13-16 T. ensino de geografia. cartografia. buscar novas formas de utilização de dados de sensoriamento remoto em sala de aula.SAUSEN .• Disseminar para a comunidade docente e discente os benefícios gerados pela tecnologia de sensoriamento remoto no conhecimento do espaço geográfico. envolvidos no projeto. • • Com o auxílio dos docentes participantes do projeto. física e artes. tendo como objetivo a busca de novos talentos. a elegerem carreiras relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto. • Difundir junto à comunidade docente e discente as atividades realizadas pelo INPE na área de sensoriamento remoto. Os professores treinados têm utilizado as cartas-imagem para desenvolver projetos sobre meio-ambiente e preservação de recursos naturais em sala de aula. educação ambiental.

b) Cidades Brasileiras: • • Carta-imagem de Foz do Iguaçu. Formas de utilização de cartas-imagem CBERS em sala de aula: DSR/INPE 13-17 T.SAUSEN . Estão em fase de elaboração as cartas-imagem de Porto Alegre e Natal. • Ter uma ampla difusão das atividades de educação e sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE na comunidade docente e estudantil.Elas têm despertado interesse também de docentes na Argentina e Uruguai. Dentro do contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: a) Capitais Brasileiras: • • • • Carta-imagem de Brasília. Carta-imagem de Belo Horizonte. Carta-imagem de Cuiabá.M. SP Estas cartas-imagem estão disponíveis na homepage do projeto: http://www. • Buscar parcerias entre o INPE e instituições públicas e privadas no sentido de ampliar este projeto bem como na realização de futuros projetos na área de educação espacial.br/unidades/cep/atividadescep/educasere Resultados esperados neste projeto são: • Criar uma massa critica entre os professores de geografia do ensino fundamental e médio no uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático em sala de aula. Este é o único projeto do gênero na América do Sul.inpe. Carta-imagem de Manaus. PR Carta-Imagem de Cachoeira Paulista.

florestas) como as artificiais (estradas. serras. florestas naturais. Formas de crescimento das áreas urbanas e progressiva invasão do espaço agrícola. Identificar áreas de preservação de mananciais e sua forma de ocupação. aspectos de inundações. uso do solo e áreas agrícolas de uma região. Complementar a cartografia na compreensão de aspectos gerais como a distribuição de mares e terras. complexos urbanos) criadas pelo homem. Estudo geográfico do espaço imediato ao aluno. áreas costeiras. áreas de mangue. Explicar aspectos mais complexos como grandes complexos de relevo. Correlacionar o tipo de ocupação humana com os aspectos físicos. DSR/INPE 13-18 T.M.SAUSEN . a forma dos continentes. etc. as grandes artérias hidrográficas do mundo. Visão sinóptica do local onde o aluno vive e sua relação com o contexto ao redor. Caracterização de áreas de preservação. tais como áreas alagadas. Distribuição do uso do solo no tempo e no espaço e sua relação com os aspectos econômicos da região onde o aluno vive. correntes oceânicas.Segue abaixo alguns exemplos de situações em que o material didático com sensoriamento remoto pode ser utilizado em sala de aula: Traçado de áreas urbanas e rede viária que comunica a cidade com o entorno imediato. Reconstituição histórica do espaço geográfico em que o aluno vive. planícies fluviais. Os limites e as barreiras urbanas. Aspectos morfológicos da paisagem urbana. bacias de drenagem. Impactos ambientais causados pelo a ocupação humana. econômicos e sociais da região onde o aluno vive. tanto as que provem do meio natural (rios.

M.br Homepage da SATMIDIA-galeria de imagens de satélite http://www.satmídia.cdbrasil.com.embrapa.br DSR/INPE 13-19 T.cnpm.inpe. http://www.Sites úteis: Homepage da “Atividades de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tencologia Espaciais” do INPE http://www.br/unidades/cep/atividadescep Homepage da EMBRAPA com imagens de satélite de todos os estados brasileiros. Clique sobre a imagem com o mouse para obter imagens mais detalhadas da área de interesse.SAUSEN .

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