CAPÍTULO 1

FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO

Elisabete Caria de Moraes1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE

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e.mail : bete@ltid.inpe.br 1-1 E.C.MORAES

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ÍNDICE

LISTA DE FIGURAS ...................................................................................... 1-5 1. FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO ............................... 1-7 1.1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA ........................................................ 1-7 1.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ....................................................... 1-9 1.3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA ............................................................ 1-12 1.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS .......... 1-15 1.5 SISTEMA SENSOR ............................................................................... 1-18 1.6 NÍVEIS DE COLETAS DE DADOS ....................................................... 1-21 2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................... 1-22

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LISTA DE FIGURAS
1 – COMPRIMENTOS DE ONDA .................................................................. 1-8 2 – O ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ................................................... 1-10 3 – CURVAS DE DISTRIBUIÇÃO ESPECTRAL DA ENERGIA SOLAR NA ATMOSFERA ......................................................................................... 1-13 4 – TRANSMITÂNCIA ESPECTRAL DA ATMOSFERA ............................. 1-14 5 – INTERAÇÃO DA ENERGIA ELETROMAGNÉTICA COM O OBJETO 1-16 6 – NIVEIS DE COLETAS DE DADOS ........................................................ 1-21

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MORAES .DSR/INPE 1-6 E.C.

1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA. Estas atividades envolvem a detecção. A energia eletromagnética utilizada na obtenção dos dados por sensoriamento remoto é também denominada de radiação eletromagnética. FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO O Sensoriamento Remoto pode ser entendido como um conjunto de atividades que permite a obtenção de informações dos objetos que compõem a superfície terrestre sem a necessidade de contato direto com os mesmos. de mapeamento e de monitoramento de recursos naturais. A energia eletromagnética não precisa de um meio material para se propagar.1.C. Logo os sensores remotos são ferramentas indispensáveis para a realização de inventários. Desta maneira. Portanto. e assim avaliar suas principais características. 1. pois ela permite quantificar a energia espectral refletida e/ou emitida por estes. O Sol e a Terra são as duas principais fontes naturais de energia eletromagnética utilizadas no sensoriamento remoto da superfície terrestre. aquisição e análise (interpretação e extração de informações) da energia eletromagnética emitida ou refletida pelos objetos terrestres e registradas por sensores remotos. todo corpo com uma temperatura absoluta acima de zero pode ser considerado como uma fonte de energia eletromagnética. DSR/INPE 1-7 E. A energia eletromagnética é emitida por qualquer corpo que possua temperatura acima de zero grau absoluto (0 Kelvin). a energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres é a base de dados para todo o processo de sua identificação.MORAES . Essas interações são determinadas pelas propriedades físicoquímicas e biológicas desses objetos e podem ser identificadas nas imagens e nos dados de sensores remotos. A quantidade e qualidade da energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres resulta das interações entre a energia eletromagnética e estes objetos.

transferida ou recebida na forma de energia eletromagnética.). define a freqüência da radiação eletromagnética.C. como mostra a Figura 1. A distância entre dois pontos semelhantes. 1 – Comprimento de onda Dado que a velocidade de propagação das ondas eletromagnética é diretamente proporcional à sua freqüência e comprimento de onda.MORAES . define o comprimento de onda e. onde ”c” é a velocidade da luz. esta pode ser expressa por: c = f ⋅λ onde: c = velocidade da luz (m/s) f = freqüência (ciclo/s ou Hz) (1) λ = comprimento de onda (m) A quantidade de energia (Q) emitida. Fig.sendo definida como uma energia que se move na forma de ondas eletromagnéticas à velocidade da luz ( c = 300. o número de ondas que passa por um ponto do espaço num determinado intervalo de tempo.000 Km s . está associada a cada comprimento de onda ou freqüência e é definida por: Q = h⋅ f = h λ (2) DSR/INPE 1-8 E.

Através desta equação verifica-se que quanto maior a quantidade de energia maior será a freqüência ou menor será o comprimento de onda a ela associada e vice-versa.3 µm a 15 µm. até as ondas de rádio de baixa freqüência e grandes comprimentos de onda. DSR/INPE 1-9 E. O espectro eletromagnético se estende desde comprimentos de onda muito curtos associados aos raios cósmicos. e da transparência da atmosfera em relação à radiação eletromagnética.C. A faixa espectral mais utilizada em sensoriamento remoto estende-se de 0. Devido a ordem de grandeza destas variáveis é comum utilizar unidades submúltiplas do metro (micrometro: 1 µm = 10-6 m.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO A energia eletromagnética pode ser ordenada de maneira contínua em função de seu comprimento de onda ou de sua freqüência. 1. Cada subdivisão é função do tipo de processo físico que dá origem a energia eletromagnética. A medida que se avança para a direita do espectro eletromagnético as ondas apresentam maiores comprimentos de onda e menores freqüências. nanometro: 1 nm = 10-9 m) para comprimento de onda e múltiplas do Hertz (quilohertz: 1 kHz = 103 Hz.625 10-34 joule segundo (J. do tipo de interação que ocorre entre a radiação e o objeto sobre o qual esta incide. embora a faixa de microondas também é utilizada. Este apresenta subdivisões de acordo com as características de cada região.s)) e a unidade que quantifica esta energia é dada em Joule (J). megahertz: 1 mHz = 106 Hz) para freqüência.MORAES . como mostra a Figura 2.onde h é a constante de Planck (6. sendo esta disposição denominada de espectro eletromagnético.

. Ultravioleta (UV): é produzida em grande quantidade pelo Sol.O espectro eletromagnético. 2 .38µm. Raio X: é produzido através do freamento de elétrons de grande energia eletromagnética. DSR/INPE 1-10 E. A sensação de cor que é produzida pela luz está associada a diferentes comprimentos de ondas. Podem-se observar na Figura 2 a existência das seguintes regiões: Radiação Gama: é emitida por materiais radioativo e. Seu médio poder de penetração o torna adequado para uso médico (raio X) e industrial (técnicas de controle industrial). por ser muito penetrante (alta energia).MORAES . Nuvem Fig... As cores estão associadas aos seguintes intervalos espectrais. tem aplicações em medicina (radioterapia) e em processos industriais (radiografia industrial).. Visível (LUZ): é o conjunto de radiações eletromagnéticas que podem ser detectadas pelo sistema visual humano. sendo emitida na faixa de 0.003 µm até aproximadamente 0. porém esta energia eletromagnética é praticamente toda absorvida pela camada de ozônio atmosférico.C. Seu poder de penetração a torna nociva aos seres vivos.

3 µm IV médio: 1. Os feixes de microondas são emitidos e detectados pelos sistemas de radar (radio detection and ranging). o que corresponde ao intervalo de freqüência de 300GHz a 300MHz.7 a 1000 µm e costuma ser dividida em três sub-regiões: IV próximo: 0.7 a 1. Radio: é o conjunto de energias de freqüência menor que 300MHz (comprimento de onda maior que 1m).58 a 0. Microondas: são radiações eletromagnéticas produzidas por sistemas eletrônicos (osciladores) e se estendem pela região do espectro de 1mm até cerca de 1m. Estas ondas são utilizadas principalmente em telecomunicações e radiodifusão.MORAES .70 µm Infravermelho (IV): é a região do espectro que se estende de 0.62 a 0.62 µm vermelho: 0.violeta: 0. Algumas regiões do espectro eletromagnético têm denominações que indicam alguma propriedade especial.49 a 0.49 µm verde: 0.6 a 0.58 µm amarelo: 0. como por exemplo: DSR/INPE 1-11 E. enquanto as energias eletromagnéticas correspondentes ao intervalo espectral do infravermelho médio e distante (também denominadas de radiação termal) são provenientes da emissão eletromagnética de objetos terrestres.38 a 0.45 µm azul: 0.3 a 6 µm IV distante: 6 a 1000 µm A energia eletromagnética no intervalo espectral correspondente ao infravermelho próximo é encontrada no fluxo solar ou mesmo em fontes convencionais de iluminação (lâmpadas incandescentes).6 µm laranja: 0.C.45 a 0.

Existem regiões do espectro eletromagnético para os quais DSR/INPE E. refletida e espalhada. Esta distinção torna possível o tratamento separado desses dois tipos de energia eletromagnética. também denominado de luz. portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro solar.MORAES 1-12 .3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA A energia eletromagnética ao atravessar atmosfera terrestre pode ser absorvida. Espectro solar: refere-se à região espectral que compreende os tipos de energia emitidas pelo Sol. Espectro termal: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas emitidas pelos objetos terrestres e encontra-se nos intervalos espectrais correspondente ao infravermelho médio e distante. visível e infravermelho). Os gases presentes na atmosfera apresentam capacidade de absorção muito variáveis em relação ao comprimento de onda da energia solar incidente no sistema terra-atmosfera e da energia emitida pela superfície terrestre. 1. portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro termal. facilitando a análise da energia radiante.Espectro óptico: refere-se à região do espectro eletromagnético que compreende as energias que podem ser coletadas por sistemas ópticos (ultravioleta. Cerca de 99% da energia solar que atinge a Terra encontra-se concentrada na faixa de 0. Quando a Terra atua como fonte de energia eletromagnética os sensores detectam a energia emitida pelos corpos terrestres.C. Quando consideramos o Sol como fonte de energia eletromagnética (ou fonte de iluminação) os sensores detectam a energia refletida pelos objetos terrestres.28 a 4 µm. Espectro visível: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas percebido pelo sistema visual humano.

dependendo de seu tecido. Os principais gases absorvedores da radiação eletromagnética são vapor d’água (H2O). As áreas sombreadas representam as absorções devido aos diversos gases presentes numa atmosfera limpa. ozônio (O3) e gás carbônico (CO2). oxigênio (O2). DSR/INPE 1-13 E. A Figura 3 mostra a distribuição do espectro de energia eletromagnética do Sol no topo da atmosfera e na superfície terrestre observada ao nível do mar. às vezes não deixando chegar quase nada de energia na superfície terrestre. E n e g i a I n c i d e n t e o Energia solar incidente no topo da atmosfera Energia solar incidente na superfície terrestre A ) Fig. atenua ou até mesmo impede a passagem da luz. 3 .a atmosfera absorve muito da energia incidente no topo da atmosfera.MORAES . Esta interação da energia com a atmosfera pode ser comparada com uma cortina que age como um filtro e.Curvas da distribuição espectral da energia solar na atmosfera/superfície terrestre. Neste caso os diferentes tipos de tecidos da cortina poderia ser comparado com os diferentes gases existentes na atmosfera terrestre. CH4. os quais atenuam a energia eletromagnética diferentemente. Os gases CO.C. NO e N2O ocorrem em pequenas quantidades e também exibem espectros de absorção.

a atmosfera é transparente à energia eletromagnética proveniente do Sol ou da superfície terrestre. Nestas regiões são colocados os detectores de energia eletromagnética. Na região do ultravioleta e visível. Também existem regiões no espectro eletromagnético para os quais a atmosfera é opaca (absorve toda a energia eletromagnética). Na região do infravermelho os principais gases absorvedores são o vapor d’água (H2O) e o dióxido de carbono (CO2) Existem regiões do espectro eletromagnético onde a atmosfera quase não afeta a energia eletromagnética. A Figura 4 apresenta as janelas atmosféricas e as regiões afetadas pelos principais gases atmosféricos. grande parte da energia solar atinge a superfície da Terra. Estas regiões são conhecidas como janelas atmosféricas. Comprimento de onda ( µm) Fig.7 µm e como a atmosfera absorve muito pouco nesta região.C.MORAES . isto é. com exceção de uma pequena DSR/INPE 1-14 E. o qual protege a terra dos raios ultravioletas que são letais a vida vegetal e animal. e portanto onde é realizado o sensoriamento remoto dos objetos terrestres.Cerca de 70% da energia solar está concentrada na faixa espectral compreendida entre 0. o principal gás absorvedor da energia eletromagnética solar é o ozônio (O3). 4 – Transmitância espectral da atmosfera A atmosfera quase não absorve a energia eletromagnética emitida pelos objetos que compõem a superfície terrestre.3 e 0.

O comportamento espectral de um objeto pode ser definido como sendo o conjunto dos valores sucessivos da reflectância do objeto ao longo do espectro eletromagnético. As interações da energia eletromagnética com os constituintes atmosféricos influenciam a caracterização da energia solar e terrestre disponíveis para o sensoriamento remoto de recursos naturais. de absortância. reflexão e transmissão da energia incidente poder ser total ou parcial. guardando sempre o princípio de conservação de energia.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS O fluxo de energia eletromagnética ao atingir um objeto (energia incidente) sofre interações com o material que o compõe. absorvido e transmitido pelo objeto.MORAES . vindo a contaminar a energia refletida ou emitida pela superfície e que é detectada pelos sensores orbitais. também conhecido como a assinatura espectral do objeto. absorve toda a energia eletromagnética com comprimentos de onda acima deste valor. e emitem radiação eletromagnética proporcionalmente a sua temperatura. pois tanto nuvens como poluentes tendem a absorver a energia eletromagnética. As nuvens absorvem toda a energia na região do infravermelho. 1. Essas considerações são válidas para a atmosfera limpa. A absorção. refletir e transmitir a radiação eletromagnética é denominada.banda de absorção do ozônio.C. reflectância e transmitância.6 µm. Nesta janela atmosférica o sistema terra-atmosfera perde energia para o espaço mantendo assim o equilíbrio térmico do planeta. A capacidade de um objeto absorver. como pode ser visto na Figura 5. Acima de 14 µm a atmosfera é quase que totalmente opaca à energia eletromagnética. respectivamente. sendo parcialmente refletido. A energia eletromagnética ao atingir a atmosfera é por esta espalhada. A DSR/INPE 1-15 E. ou seja. sendo que os valores variam entre 0 e 1. centrada em 9. e parte desta energia espalhada retorna para o espaço.

Os objetos interagem de maneira diferenciada espectralmente com a energia eletromagnética incidente. O conhecimento do comportamento espectral dos objetos terrestres é muito importante para a escolha da região do espectro sobre a qual pretende-se adquirir dados para determinada aplicação. a intensidade e a localização de cada banda de absorção é que caracteriza o objeto. As características básicas observadas no comportamento espectral destes objetos são: DSR/INPE 1-16 E. sendo que a forma.C. IR R G B B G R IR COMPRIMENTO DE ONDA Fig. solo. pois os objetos apresentam diferentes propriedades físico-químicas e biológicas. pois são reconhecidos devido a variação da porcentagem de energia refletida em cada comprimento de onda.MORAES . vegetação e nuvens. água. Estas diferentes interações é que possibilitam a distinção e o reconhecimento dos diversos objetos terrestres sensoriados remotamente.Interação da energia eletromagnética com o objeto.assinatura espectral do objeto define as feições deste. areia. 5 . A Figura 2 apresenta os espectros de reflectância de alguns objetos bastante freqüentes nas imagens de sensoriamento remoto como.

. Dentro do espectro visível a absorção é mais fraca na região que caracteriza a coloração da vegetação. os quais apresentam comportamento espectral totalmente distintos. Os minerais apresentam características decorrentes de suas bandas de absorção.C.O comportamento espectral dos solos é também dominado pelas bandas de absorção de seus constituintes. a matéria orgânica. enquanto que a presença de matéria inorgânica em suspensão resulta num deslocamento em direção ao vermelho.3µm) é devido a estrutura celular. O comportamento espectral da água líquida pura apresenta baixa reflectância (menor do que 10%) na faixa compreendida entre 0. que é capturada pela clorofila para a realização da fotossíntese. . O comportamento espectral de corpos d’água é modulado principalmente pelos processos de absorção e espalhamento produzidos por materiais dissolvidos e em suspensão neles.A vegetação sadia apresenta alta absorção da energia eletromagnética na região do espectro visível.O comportamento espectral de rochas é resultante dos espectros individuais dos minerais que as compõem. a umidade e a granulometria (textura e estrutura) deste. DSR/INPE 1-17 E. Portanto a absorção é o principal fator que controla o comportamento espectral das rochas.. A água pode-se apresentar na natureza em três estados físicos.38 e 0. As combinações e arranjos dos materiais constituintes dos solos é que define o seu comportamento espectral.7µm. pois é verificado que a presença de matéria orgânica dissolvida em corpos d’água desloca o máximo de reflectância espectral para o verde-amarelo. sendo que os principais fatores são a constituição mineral. sendo que a partir deste comprimento de onda é o conteúdo de água na vegetação quem modula as bandas de absorção presentes no comportamento espectral desta.MORAES . A alta reflectância no infravermelho próximo (até 1.7µm e máxima absorção acima de 0.

transformá-las em um sinal elétrico e registrá-las. Os sensores passivos não possuem fonte própria de energia eletromagnética. de tal forma que este possa ser armazenado ou transmitido em tempo real para posteriormente ser convertido em informações que descrevem as feições dos objetos que compõem a superfície terrestre. os radiômetros e espectroradiômetros. em todo o espectro óptico com destacadas bandas de absorção em 1.5 SISTEMA SENSOR Os sensores remotos são dispositivos capazes de detectar a energia eletromagnética (em determinadas faixas do espectro eletromagnético) proveniente de um objeto. As variações de energia eletromagnética da área observada podem ser coletadas por sistemas sensores imageadores ou não-imageadores.MORAES . como por exemplo os sensores do satélite Landsat 5.3 e 2µm. como por exemplo temos os “scaners” e as câmaras fotográficas. Os sensores ativos possuem uma fonte DSR/INPE 1-18 E. ou seja.- O comportamento espectral de nuvens apresenta elevada reflectância (em torno de 70%). 1. enquanto que os sistemas não-imageadores. a obtenção e a análise de medidas da reflectância dos objetos terrestres em experimento de campo e de laboratório. também denominados radiômetros ou espectroradiômetros. Com o intuito de melhor interpretar as imagens de satélites. Os sistemas sensores também podem ser classificados como ativos e passivos. 1. muitos pesquisadores têm se dedicado a pesquisa fundamental. Os sistemas imageadores fornecem como produto uma imagem da área observada. os quais possibilitam uma melhor compreensão das relações existentes entre o comportamento espectral dos objetos e as suas propriedades.C. apresentam o resultado em forma de dígitos ou gráficos.

A resolução espacial representa a capacidade do sensor distinguir objetos. b) filtro: é o componente responsável pela seleção da faixa espectral da energia a ser medida. da altura do DSR/INPE 1-19 E. Eles emitem energia eletromagnética para os objetos terrestres a serem imageados e detectam parte desta energia que é refletida por estes na direção deste sensores. Ela indica o tamanho do menor elemento da superfície individualizado pelo sensor. Como exemplo podemos citar o radar e qualquer câmara fotográfica com flash. c) detetor: é um componente de pequenas dimensões feito de um material cujas propriedades elétricas variam ao absorver o fluxo de energia. As características dos sensores estão relacionadas com a resolução espacial. e e) unidade de saída: é um componente capaz de registrar os sinais elétricos captados pelo detector para posterior extração de informações. espectral e radiométrica. produzindo um sinal elétrico. A qualidade de um sensor geralmente é especificada pela sua capacidade de obter medidas detalhadas da energia eletromagnética.própria de energia eletromagnética. d) processador: é um componente responsável pela amplificação do fraco sinal gerado pelo detetor e pela digitalização do sinal elétrico produzido pelo detector. Os sistemas fotográficos foram os primeiros equipamentos a serem desenvolvidos e utilizados para o sensoriamento remoto de objetos terrestres As principais partes de um sensor são: a) coletor: é um componente óptico capaz de concentrar o fluxo de energia proveniente da amostra no detetor. A resolução espacial depende principalmente do detector.C.MORAES .

quanto menor for a resolução geométrica deste maior será o grau de distinção entre objetos próximos. solos. Uma outra qualidade importante é a resolução temporal do sensor. Para melhor interpretar os sinais coletados faz-se necessário o conhecimento das condições experimentais como: fonte de radiação. os sensores do Landsat 5 possuem uma repetitividade de 16 dias. o sistema sensor TM do Landsat 5 distingue até 256 tons distintos de sinais representando-os em 256 níveis de cinza. e consequentemente a composição espectral do fluxo de energia que atinge o detetor. A resolução radiométrica define a eficiência do sistema em detectar pequenos sinais. O sensor TM apresenta algumas bandas espectrais mais estreitas do que o sensor MSS. vegetações. águas. características do sensor.C. Quanto maior for o número de medidas num determinado intervalo de comprimento de onda melhor será a resolução espectral da coleta. que está relacionada com a repetitividade com que o sistema sensor pode adquirir informações referentes ao objeto. Portanto. etc). ou seja. portanto nestas bandas o TM apresenta melhor resolução espectral do que o MSS. Para um dado nível de posicionamento do sensor.MORAES . Por exemplo. o sistema sensor do Thematic Mapper (TM) do Landsat 5 possui uma resolução espacial de 30 metros. Por exemplo. geometria de aquisição de dados. Por exemplo.posicionamento do sensor em relação ao objeto. ela define o intervalo espectral no qual são realizadas as medidas. refere-se à maior ou menor capacidade do sistema sensor em detectar e registrar diferenças na energia refletida e/ou emitida pelos elementos que compõe a cena (rochas. o Landsat 5 possui os sensores TM e Multispectral Scanning System (MSS). DSR/INPE 1-20 E. Por exemplo. efeitos atmosféricos. A resolução espectral refere-se à largura espectral em que opera o sensor. tipo de processamento e estado do objeto.

6 – Níveis de Coleta de Dados Fonte : Moreira (2001) Ao nível de aeronaves os dados de sensoriamento remoto podem ser adquiridos por sistemas sensores de varredura óptico-eletrônico. Níveis de Coleta de dados Satélites Balões Solo Aeronave Bóias Barco Fig. e a resolução espacial destes dados dependerá da altura do vôo no momento do aerolevantamento. Ao nível do solo é realizada a aquisição de dados em campo ou em laboratório onde as medidas são obtidas utilizando-se radiômetros ou espectroradiômetros.C.6 NÍVEIS DE AQUISIÇÃO DE DADOS Os sistemas sensores podem ser mantidos no nível orbital (satélites) ou suborbital (acoplados em aeronaves ou mantidos ao nível do solo).1. como pode ser visualizado na Figura 6. DSR/INPE 1-21 E. sistemas fotográficos ou radar.MORAES .

1996. C. Salvador. C. 2.. Radiometria óptica espectral. 1993. A. A. 10-14. C. São Paulo. O sensoriamento remoto neste nível permite a repetitividade das informações. ed. Abr. M. INPE.A obtenção de dados no nível orbital é realizada através de sistemas sensores a bordo de satélites artificiais. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Steffen. VII. São José dos Campos.. 1989. Tutorial São José dos Campos. Novo. E. 2001. M. Tutorial São José dos Campos. E. DSR/INPE 1-22 E. F. 43p. VIII. Moraes.. : Edgard Blücher.MORAES . Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologias de aplicação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Moreira. Steffen. C. INPE. 208p. Introdução à radiometria. 308p. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). bem como um melhor monitoramento dos recursos naturais para grandes áreas da superfície terrestre. L. 1993.C. Curitiba. Sensoriamento Remoto: princípios e aplicações.. Maio. 14-19. F. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Gama. 1996. E. 7p. Moraes. A. M.

EPIPHANIO .N.CAPÍTULO 2 SATÉLITES DE SENSOR IAMENTO REMOTO José Carlos Neves Epiphanio1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS .C.INPE 1 E-mail: epiphani@ltid.inpe.br DSR/INPE 2-1 J.

EPIPHANIO .N.C.DSR/INPE 2-2 J.

.............................................................. 7........................................................... 2-11 ÓRBITA BAIXA .. 2-32 REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ............................................................. 2-19 PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO .. 4................................... 2-35 DSR/INPE 2-3 J..................... 2-25 SATÉLITES NOAA ......... 9..........................2 3............................................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ............................................ INTRODUÇÃO ...................N... 2-5 LISTA DE TABELAS ............. ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA ................................. 2-13 PROGRAMA SPOT .. 2-7 1............. CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES ................ 2-30 PROGRAMAS DE RADAR .......... 2-29 PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) ....... 5................................... 2-11 PROGRAMA LANDSAT ...............................................EPIPHANIO . 8.......... 2-10 2................................................................................................... 6......................................................................................................1 2......... 2-9 2.............C........

EPIPHANIO .C.N.DSR/INPE 2-4 J.

............N..... ......LISTA DE FIGURAS 1 – SATÉLITE CBERS E SEUS COMPONENTES..... 2-27 DSR/INPE 2-5 J....C.EPIPHANIO .........

N.DSR/INPE 2-6 J.EPIPHANIO .C.

....N.................................................................................... 2-15 2 ......BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7.......EPIPHANIO ........................ 2-30 DSR/INPE 2-7 J........... 2-26 6 ............LISTA DE TABELAS 1 – PROGRAMA LANDSAT ................................. 2-21 5 ....................... 2-16 4 ................ L E M ..............CÂMERA CCD DO CBERS.C.............CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K............... 2-16 3 .............................................SENSORES DO SPOT-4 .................PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 ..............

DSR/INPE 2-8 J.EPIPHANIO .N.C.

pois são as imagens na forma como as conhecemos. há sempre a necessidade de que a propriedade de reflexão ou emissão do alvo seja medida. se houver uma equação ou um modelo que permita um relacionamento entre reflectância medida por satélite e quantidade de sedimentos num meio aquático.EPIPHANIO . Os sensores remotos fazem parte do que se denomina “sistemas de sensoriamento remoto”. No caso do rio. ou uma nova imagem que. Essa é a forma mais comum de uso dos produtos de sensoriamento remoto. passa a representar uma propriedade do alvo que não foi medida diretamente pelo sensor remoto. Essas propriedades primárias podem ser usadas diretamente. por um sensor remoto. agora. e os sensores fotográficos e outros 1 Comentário: Página: 9 fazer análise de “medida” em relação a uma régua. Isto é. um objeto tortuoso e de baixa reflexão (escuro) numa certa imagem traduz-se a nós como sendo um rio. E há uma estreita associação entre sensoriamento remoto e satélites artificiais. das propriedades dos objetos ou alvos. Porém. é preciso. à distância. As principais propriedades “primárias” dos alvos que são medidas1 pelos sensores remotos são a capacidade de reflexão e de emissão de energia eletromagnética. Os chamados “sistemas de sensoriamento remoto” são os veículos e instrumentos necessários à coleta de dados para serem analisados pela comunidade científica e de usuários em geral. seja ele primário ou secundário. que haja DSR/INPE 2-9 J. Por exemplo. um sensor faz uma medida sem escala padronizada.C. É que. através de uma imagem de um sensor remoto. embora outros sistemas façam parte do sensoriamento remoto. a princípio. mensurada. aquelas propriedades primárias podem sofrer transformações e permitir-nos fazer inferências sobre características secundárias dos alvos. portanto.1. de uma forma “bruta”. posteriormente.N. INTRODUÇÃO Para que haja o sensoriamento remoto é necessário que haja uma “medição”. Por exemplo. quando uma imagem de um sensor remoto entra num modelo que a relaciona com a fotossíntese da vegetação. sem padronização. gera-se um novo produto. como os radiômetros de campo e de laboratório. pode-se gerar uma imagem secundária que expressa a quantidade de sedimentos. De qualquer modo que se veja um produto de sensoriamento remoto.

Os que mais interessam para o sensoriamento remoto enquadram-se em duas grandes categorias: os de órbita baixa e os de órbita alta. Ao mesmo tempo. particularmente.EPIPHANIO . Terra. mais e mais se tornam os instrumentos quotidianos dos profissionais de sensoriamento remoto. Por estarem a grandes altitudes (tipicamente entre 600 e 1. antes de descrever os sistemas propriamente ditos. permitindo o acompanhamento da evolução das propriedades de reflexão ou emissão dos objetos e fenômenos. CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES Os satélites podem apresentar uma grande variação quanto ao padrão orbital em relação à Terra. NOAA. aqueles voltados para o sensoriamento remoto da superfície terrestre com ênfase naqueles mais utilizados no Brasil. Porém.000 km) têm a capacidade de abranger em seu campo de visada uma grande porção de superfície terrestre. sistemas que operam em aeronaves. Estes últimos são os geoestacionários e têm sua maior aplicação no campo da meteorologia.uma calibração em relação a um padrão para que se tenha uma medida precisa da propriedade do alvo. Neste capítulo são abordados os principais satélites em operação e. como têm que orbitar ao redor da Terra. 2. a cada dia. são descritos os sistemas Landsat. SPOT. promovem uma cobertura que se repete ao longo do tempo.C. são os satélites que. Assim. Radarsat e ERS (todos programas internacionais) e o CBERS e o SSR/MECB (do Brasil). Os satélites são veículos colocados em órbita da Terra e que promovem continuamente a aquisição de dados relacionados às propriedades primárias dos objetos. Assim.N. sendo apenas 2-10 marginal sua aplicação em DSR/INPE J. é necessário que haja um conhecimento dos principais satélites e de suas características. é feita uma introdução sobre órbitas e outros aspectos dos satélites. cujos princípios aplicam-se a todos os sistemas.

000 km de altitude. e são discutidos mais pormenorizadamente. Como a variação de altitude é pequena DSR/INPE 2-11 J. de modo que. o que equivale a dizer órbitas com menos de 1.1 ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA Os satélites nesta órbita estão a uma altitude de cerca de 36.EPIPHANIO . estão imóveis. a órbita dos satélites de sensoriamento remoto enquadra-se no que se denomina órbita baixa. são discutidos os impactos dos desvios em relação à situação usual. Como ficam dispostos ao longo do Equador terrestre. como estão “fixos” em relação à Terra. em relação à Terra.N. a discussão a seguir é restrita às situações e características que abrangem os sistemas que mais interessam ao sensoriamento remoto. Além disso. 2. podem fazer um imageamento muito rápido daquela porção terrestre sob seu campo de visada. de todo o disco terrestre compreendido pelo seu campo de visada. 2. assim. permanecem voltados para o mesmo ponto da superfície e. Para os satélites de sensoriamento de órbita baixa.sensoriamento remoto.2 ÓRBITA BAIXA Embora nesta categoria enquadrem-se inúmeros sistemas espaciais. ou seja. os quais são bastante dinâmicos. tal órbita é também circular. Possuem uma velocidade de translação em relação à Terra que equivale ao movimento de rotação da Terra. São chamados geoestacionários porque sua órbita acompanha o movimento de rotação da Terra. É por essa grande abrangência de superfície terrestre coberta em um curto intervalo de tempo que eles são muito úteis para estudos de fenômenos meteorológicos.000 km. o que permite uma escala de imageamento praticamente constante para todas as imagens. Sempre que couber. pois dessa forma o satélite fica sempre orbitando a uma altitude quase que fixa em relação à Terra.C. e por causa da grande altitude podem ter uma visão sinóptica completa. Os de órbita baixa englobam a maioria dos satélites de sensoriamento remoto. Em geral.

a variação de escala também é pequena. Essa faixa de imageamento varia de acordo com o sensor. é preciso definir o ângulo que esse plano da órbita fará com os pólos da Terra. o que facilita os trabalhos de interpretação e análise das imagens.EPIPHANIO . por exemplo. como o perímetro da Terra no DSR/INPE 2-12 J. fosse aumentado a fim de manter a mesma faixa de imageamento do sensor Multispectral Scanner System (Sistema de Varredura Multiespectral. a bordo dos satélites da segunda geração. A órbita quase-polar tem a importante característica de permitir que a Terra toda (exceto os pólos) seja imageada após um certo número de órbitas. descrevendo um círculo com raio praticamente fixo. Ela tem que obedecer às leis da mecânica orbital e depende muito da definição do projeto da missão e características dos sensores destinados ao imageamento. aproximadamente. uma vez que sua altitude era menor. O imageamento é descendente. com um pequeno e constante desvio do plano orbital em relação ao eixo norte-sul. a mudança de altitude entre a primeira geração (Landsat 1 a 3) e a segunda geração (Landsat 4 a 7) exigiu que o campo de visada do sensor Thematic Mapper (Mapeador Temático. Uma vez definido que a órbita é circular e que ela tem uma certa altitude em relação à Terra. ocorrem aproximadamente 14. cuja duração é de cerca de 100 minutos. A cada órbita. Isso quer dizer que se fosse mantido o mesmo ângulo de imageamento para as duas gerações. Ela tem se situado entre 700 e 1. da geração anterior.000 km. Em geral os satélites de sensoriamento remoto têm órbita quase polar.numa situação de circularidade. Outra característica de órbita para os satélites de sensoriamento remoto é a altitude.C. ou MSS). Toda a órbita circular tem esta característica de manter a escala constante. a faixa imageada no terreno seria menor na segunda geração. ou simplesmente TM). Nessas condições. A altitude do satélite define uma série de outros parâmetros de engenharia do sistema. o sistema (satélite e sensor) recobre uma faixa longitudinal e constante no terreno equivalente a um certa faixa de terreno.N.5 órbitas diárias e. em direção ao sul. quando a Terra está iluminada (embora pudesse também haver imageamento no sentido ascendente em certos comprimentos de onda). No caso da série Landsat.

EPIPHANIO .N. na determinação da configuração de um sistema de imageamento há um que diz respeito ao horário do dia em que deverá ser efetuado o imageamento. e não a influências de posicionamento angular do sol. o satélite volte a recobrir a mesma faixa de terreno.000 km. e faixas mais largas diminuirão o tempo entre uma visita e outra. Isso quer dizer que a cada órbita o satélite cruza a linha do Equador no mesmo horário. particularmente da característica orbital. Isso é conseguido através de um projeto orbital adequado. após determinado número de dias.equador é de cerca de 36. já que faixas de imageamento mais estreitas determinarão ciclos de revisitas mais longos. Isso é obtido através do estabelecimento de uma relação apropriada entre o raio (ou o período) da órbita circular e o ângulo de inclinação da órbita do satélite. é necessário que o ângulo entre a normal ao plano da órbita do satélite e a linha terra-sol seja mantido constante. se a faixa de terreno que o sistema (satélite mais sensor) consegue imagear é estreita. Entre outros fatores.C. se a faixa de imageamento é mais larga. os satélites de sensoriamento remoto possuem órbita chamada heliossíncrona. Ou seja. Isso quer dizer que é desejável que. Isso significa que a precessão do plano orbital do satélite deve estar numa taxa que seja equivalente à taxa da translação da Terra ao redor do Sol. no qual fatores como altitude e velocidade do satélite são considerados. sincronizada com o Sol. e as variações entre imagens podem ser atribuídas às propriedades intrínsecas dos alvos. Para que isso possa ser conseguido. haverá necessidade de muitas órbitas para cobrir toda a superfície da Terra. Em geral. a Terra toda será imageada. Esta característica de órbita é importante pois assim todas as imagens são sempre obtidas aproximadamente no mesmo horário. ou seja. No projeto da missão e. DSR/INPE 2-13 J. após um certo número de dias e um certo número de órbitas. Também a faixa imageada no terreno em cada órbita é um fator importante. exige-se menos tempo para que esse recobrimento seja completo. para fins de sensoriamento remoto há uma preferência para que haja uma ciclicidade das passagens ou dos recobrimentos. Ao contrário.

o Landsat-6 foi perdido durante o lançamento.N. antes de ser posicionado em órbita. embora muito semelhante aos três anteriores. Esta série de satélites é a principal no campo do sensoriamento remoto. Uma que compreende os três primeiros. não é incomum a ocorrência de fracassos. cabe destacar que o sensor MSS (Sistema de Varredura Mutiespectral) demonstrou ser o principal instrumento a bordo dos Landsats. e também ultrapassaram em muito as especificações. o último da série. iniciando com o Landsat-4. por exemplo. é comum falar em duas gerações para a série Landsat. Os primeiros satélites da série Landsat tinham vida útil estimada de dois anos. predecessores. conforme a Tabela 1. apresenta um sensor que. Cada satélite lançado tem uma vida útil esperada. O sensor RBV (Sistema Vidicon de Feixes Retornantes.C. PROGRAMA LANDSAT O primeiro satélite da série Landsat foi lançado no início dos anos 70. O de número 7. Alguns duraram muito mais do que isso. A partir do final do anos 60 os Estados Unidos decidiram colocar em órbita um satélite de sensoriamento remoto. de meteorologia. Quanto à primeira geração da série Landsat. opera a mais de 15 anos. Porém. não só por ser a de período de vida mais longo de fornecimento contínuo de dados. Posteriormente. os satélites de uma determinada série são lançados um a um. foi projetada uma plataforma própria para esses satélites e também uma inovação quanto aos sensores a bordo. Atualmente.3. Como se observa pela Tabela 1. O Landsat-5.EPIPHANIO tem certas características que são tidas como um avanço em relação a seus . DSR/INPE 2-14 J. mas também pela notável facilidade de acesso e qualidade dos dados gerados. Assim. no ano 2001. A estrutura do satélite baseou-se em um projeto já em operação naquela época que era a dos satélites Nimbus. depois de um intervalo irregular de tempo. e uma segunda. Os últimos da série já tinham especificações de vida útil maiores. que compreende os quatro últimos. estão operando o quinto e o sétimo da série.

que operava no Landsat-3.EPIPHANIO . em relação ao MSS. SP. acabou sendo descontinuado a partir do Landsat-4 por causa de sua baixa fidelidade radiométrica e de sua pequena cobertura espectral.N. em Cachoeira Paulista. Muitas dessas imagens do RBV estão disponíveis nos arquivos do INPE. DSR/INPE 2-15 J. embora permitisse uma melhor resolução espacial.C.similar a um sistema de televisão).

Resolução Comunicamentos (metros) ção Sistema Altitude (km) Revisita Taxa de dados (Mbps) 15 Landsat-1 RBV MSS 80 80 80 80 30 80 80 30 80 30 15 (pan) 30 (ms) TD com 917 gravadores 18 Landsat-2 22/1/1975 (25/2/1982) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-3 5/3/1978 (31/3/1983) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-4 16/7/1982 (Transmissão TM terminou em 08/1993) 1/3/1984 MSS TM MSS TM TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-5 TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-6 5/10/1993 (5/10/1993) ETM TD com 705 gravadores 16 85 Landsat-7 15/4/1999 ETM+ 15 (pan) 30 (ms) 705 TD com gravadores de estado sólido 16 150 * RBV = return beam vidicon. Mbps = mega bits por segundo.C. Mapeador Temático Avançado).TABELA 1 – PROGRAMA LANDSAT* Lançamento (fim das operações) 23/7/1972 (1/6/1978) Instru.N. ms = multiespectral. O ETM+ fornece uma imagem digital DSR/INPE 2-16 J. lançado em 15/04/1999. ETM+ = enhanced thematic mapper plus. pan = pancromático. TD = transmissão direta. MSS = multispectral scanner system. Este sensor é uma continuação do TM anteriormente a bordo dos Landsats-4 a 6. TM = thematic mapper.EPIPHANIO . e o principal sensor a bordo é o ETM+ (Enhanced Thematic Mapper Plus. O mais recente satélite da série é o Landsat-7. As principais características do ETM+ são resumidas nas Tabelas 2 e 3.

6 85.6 42.08-2.113) O satélite Landsat-7 tem uma órbita circular (escala praticamente constante).69 Dimensão do IFOV (µrad) 18.63-0.50-0.C.6 42.113) TABELA 3 .com uma visão sinóptica.3 42.90 próximo) 5 (infravermelho 1. 2 no Infravermelho Médio Refletido.EPIPHANIO .PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 Tipo Bandas radiômetro de varredura mecânica tipo “wiskbroom” 3 Bandas no Visível.42-12. verde) 3 (visível.6 42.75 médio refletido) 6 (infravermelho 10.2 42. multiespectral. repetitiva. com alta resolução espacial da superfície terrestre.90 0.6 Dimensão nominal da amostra no terreno (m) 15 30 30 30 30 30 60 30 Pancromática 1 (visível. 1 Pancromática cobertura global periódica da superfície terrestre Função Faixa imageada no terreno 185 km (±7.5o) Massa 425 kg Potência 590 W (imageando). p. heliossíncrona (horário de cruzamento do Equador sempre às 10:00 ±15 DSR/INPE 2-17 J. 175 W (repouso) Controle térmico resfriador radiativo de 90 K Dimensões físicas radiômetro 196 x 114 x 66 cm eletrônica auxiliar 90 x 66 x 35 cm FONTE: King e Greenstone (1999. p.N.76-0.60 0.BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7 Banda Espectral Largura da Banda à meia amplitude (µm) 0. 1 no infravermelho Próximo. TABELA 2 .52-0.52 0.6 42. 1 no Infravermelho Termal.5 x 21.55-1. azul) 2 (visível.35 médio refletido) FONTE: King e Greenstone (1999.50 termal) 7 (infravermelho 2. vermelho) 4 (infravermelho 0.45-0.

é referenciada como sendo a 219/76. encontram-se opticamente alinhados. DSR/INPE 2-18 J. portanto.minutos na órbita descendente). com uma inclinação de 98. ocorre um deslocamento no terreno de cerca de 2. no sentido latitudinal. Cada matriz é composta de 16 detectores (exceto a banda pancromática. Assim. Nesta configuração orbital. Cada órbita dura aproximadamente 100 minutos. Como a Terra desloca-se para leste.EPIPHANIO . onde ficam localizadas as matrizes de detectores. sendo que as quatro primeiras (bandas 1-4. que tem 32. Ambos os planos focais. 32 linhas de 15 metros no pan. e infravermelho termal) encontram-se num plano focal secundário e refrigerado.N. correspondentes à órbita (sentido longitudinal) e ao ponto (sentido latitudinal). formam o que se denomina sistema de referência mundial. SP. “recortadas” a cada 185 km na órbita. de modo que há o registro entre todas as bandas. oito matrizes. Esta matriz de oito bandas por 16 detectores por banda (oito na infravermelha termal e 32 na pan) tem uma largura de 480 metros no terreno. campo de visada) do ETM+ permite uma cobertura global da terra a cada 16 dias.C. As quatro seguintes (pancromática.400 km entre o centro de uma órbita e a seguinte. A faixa de 185 km imageada pelo campo de visada (FOV – field of view. as faixas imageadas vão se deslocando para oeste. correspondentes às três do visível e à do infravermelho próximo) ficam no plano focal primário. lida como “órbita 219. Cada matriz de detectores é responsável pela detecção de uma banda. onde são descritas as órbitas no sentido longitudinal e as imagens propriamente ditas. infravermelhos médios. O ETM+ é um sensor que possui dois planos focais. ponto 76”. por exemplo. apesar de fisicamente separados.2o. que tem oito). Esse sistema permite que se localize uma imagem correspondente a qualquer ponto da Terra através de dois números. uma imagem do ETM+/Landsat-7 de São José dos Campos. que são 16 linhas de 30 metros nas bandas 1-4. A função de cada uma dessa matrizes é promover o registro da radiância proveniente do terreno em cada uma das oito banda. 8 linhas no infravermelho termal. Neste tempo. Há. Esse padrão de recobrimento orbital. e a do infravermelho termal. altitude de 705 km. o Landsat-7 precede o satélite Terra (a ser discutido adiante) de cerca de 30 minutos na mesma faixa de imageamento da superfície terrestre. ou seja.

A cada movimento lateral do espelho oscilante numa direção (leste para oeste. Vê-se que entre um minor frame e outro. Portanto. as matrizes de detectores que estão nos planos focais. Portanto. campo de visada instantâneo) de apenas 30 metros (15 no pan e 60 no infravermelho termal). O espelho oscilante projeta. Após esse minor frame o espelho desloca-se para leste ou para oeste (dependendo do sentido do espelho oscilante e o minor frame adjacente é lido. cada detector tem um IFOV (instantaneous field of view. são lidos os valores de radiância de cada elemento de terreno projetado em cada detector em particular.EPIPHANIO . O primeiro movimento é feito pelo deslocamento do próprio satélite ao longo de sua órbita. juntamente com o FOV. ou oeste para leste). A continuação dessa seqüência de minor frames fará com que toda a DSR/INPE 2-19 J. A esta seqüência singular de leitura de todos os detectores de todas as oito bandas dá-se o nome de minor frame (seqüência primária de leitura).O ETM+ é um sensor que faz um imageamento através de dois movimentos perpendiculares entre si. 30 ou 60 metros.N. ou 480 metros de largura e com 185 km de extensão. Porém. no terreno. Se for fixada uma certa posição inicial do espelho oscilante. são imageadas 16 linhas de 30 metros (32 de 15 metros no pan e 8 de 60 metros no infravermelho termal). de acordo com a banda).C. O segundo movimento necessário para constituir uma imagem no sistema de varredura mecânico multiespectral é produzido pelo movimento de um espelho oscilante transversalmente à faixa de imageamento. nenhum detector estará cobrindo uma mesma área no terreno. No caso ETM+ esta faixa de imageamento é de 185 km. Nesta posição. definem o que se denomina faixa de imageamento. A projeção desse movimento. nesta posição.000 metros dividido pelo IFOV de cada detector – 15. um certo detector é responsável pelo imageamento de uma linha completa. Em cada banda particular. no terreno haverá a projeção de toda a matriz de detectores. para que uma linha de 185 km seja completamente “varrida” é necessário que cada um dos detectores de cada banda seja acionado milhares de vezes (185. há uma adjacência de elementos de 30 m no terreno (15 m para o pan e 60 m para o infravermelho termal).

No caso do Brasil. o terceiro foi lançado em 26/9/1993. é enviado para Cachoeira Paulista. Depois. representa um avanço em vários sentidos. Após a detecção do sinal proveniente do terreno. O sistema de observação da terra SPOT foi projetado pela Agência Espacial Francesa (CNES – Centre National d’Études Spatiales) e é operado por sua subsidiária Spot Image. e também o espelho oscilante terá chegado ao fim de um FOV (185 km de largura). SP. o segundo em 22/1/1990. o SPOT-4 que. ele sofre processamentos internos e é gravado a bordo ou encaminhado na forma digital para uma estação em terra. 4. Essa seqüência de minor frames nas linhas e a seqüência de major frames na direção do caminhamento da órbita forma a imagem.linha seja coberta após um certo tempo. Satélite Para Observação da Terra) é um programa Francês de satélites de sensoriamento remoto. Quando o espelho oscilante retornar para imagear outros 480 m. esse próximo conjunto de linhas (480 m) estará contíguo ao conjunto anterior.C.000 minor frames. O primeiro da série foi lançado em 22/2/1986. embora guarde muitas características dos seus predecessores 1-3. MT. o satélite terá avançado em sua órbita o equivalente a 480 m no terreno e.N. e imageado um comprimento no terreno (sentido descendente da órbita) equivalente a 480 m.EPIPHANIO . Ao terminar um major frame. o principal produto solicitado pelos usuários são as imagens na forma digital e gravados em CDROM. mas sempre que necessário haverá referência DSR/INPE 2-20 J. e assim por diante. o espelho oscilante e o sistema de leitura e registro dos sinais terão varrido e lido mais de 6. esta estação fica em Cuiabá. mas perdeu-se no lançamento. para os processamentos necessários à preparação dos produtos a serem arquivados ou enviados aos usuários. Nesta seção a discussão é centrada no Spot-4. Em 22/3/1998 foi lançado. assim. que equivale ao major frame (seqüência completa de leitura). pelo veículo lançador Ariane. Atualmente. PROGRAMA SPOT O programa SPOT (Satellite Pour Observation de la Terre.

Sua órbita é circular. garantindo que toda a terra seja recoberta durante um ciclo de revisita (considerando a possibilidade de visada fora do nadir). o segundo cruzamento ocorre no sentido ascendente sulnorte durante o período noturno. A heliossincronicidade de sua órbita faz com que o Spot-4 passe sobre uma certa área sempre à mesma hora solar. garantindo constância na resolução espacial e na escala. Como a órbita é em fase.N.C. Em cada órbita o Spot-4 cruza o plano equatorial duas vezes. O seu sistema de imageamento é constituído por dois sensores denominados HRVIR (haute resolution visible et infra rouge.aos satélites anteriores ou mesmo a outros sistemas. o satélite passa sobre o mesmo ponto após um número inteiro de dias que. particularmente ao Landsat. Neste período o Spot-4 terá completado 369 órbitas ao redor da terra. Cada revolução orbital dura 101. Na verdade são dois sensores idênticos. o que garante que todas as cenas sejam adquiridas a uma altitude praticamente constante. o sistema de imageamento por varredura eletrônica (pushbroom) e a capacidade de visada lateral. sendo que o ângulo entre o plano da órbita e o plano equatorial é de 98. As principais diferenças são a alta resolução espacial de seus sensores. alta resolução no visível e infravermelho). uma no sentido norte-sul. A largura DSR/INPE 2-21 J.5 minutos. O ângulo entre o plano orbital do Spot-4 e a direção Terra-Sol é praticamente constante e de 22. ou órbita descendente. para as visadas no nadir (visada vertical). o que permite que a cena apresente as mesmas condições de iluminação daquela cena durante todo o ano (as variações passam a ser creditadas à sazonalidade da estações do ano e às variações intrínsecas dos alvos). ficando a 830 km de altitude. colocados um ao lado do outro. O Spot-4 classifica-se como um satélite de órbita baixa.8o. A sua órbita também é quase polar.5o. durante o período iluminado do dia. fazendo com que o cruzamento com o equador no sentido descendente norte-sul ocorra à hora solar de 10:30. O Spot-4 foi concebido para ser um satélite com características bastante diferenciadas em relação ao Landsat.EPIPHANIO . é de 26 dias.

perfazendo 117 km de largura. 20 m 0.68 µm) B2 (vermelho.61 a 20 m 60 km 1.61 a 10 m 0.SENSORES DO SPOT-4 Bandas (µm) HRVIR Resolução Faixa espacial (m) B0 (azul) to (km) 60 km 60 km Vegetação (VGT) de Resolução Faixa (km) 1.250 km .68 µm) B3 (infravermelho próximo.75 µm) Alinhamento HRVIR/VGT Calibração absoluta Cobertura global da Terra DSR/INPE 0.espacial imageamen- B1 (verde.59 µm) 20 m Pan (vermelho.3 pixel do VGT 9% 26 dias 2-22 5% 1 dia J.250 km 60 km 1.EPIPHANIO 60 km 1. 0. pois há um recobrimento de 3 km no equador.50 a 0.58 a 1.1 km 2. 0.1 km to (km) 2. Um outro sensor a bordo do Spot-4 e também de interesse para o sensoriamento remoto é o Vegetation.da faixa de imageamento de cada um é de 60 km.1 km 2. VGT) TABELA 4 . 0.78 a 0.N. A Tabela 4 apresenta algumas características dos HRVIR e do sensor Vegetation (Vegetação.C.89 µm) MIR (infravermelho médio.250 km de imageamen. 20 m 1.1 km 2.250 km 0.

N. eles geram pixels correspondentes a uma área no terreno medindo 20 m x 20 m resultando numa DSR/INPE 2-23 J. respectivamente). corresponde a um largura de 60 km no terreno.000 detectores da matriz linear de detectores. A banda pancromática possui a mesma faixa espectral da banda B2 (vermelho) no Spot-4. A radiação proveniente do terreno é separada por dispositivos ópticos especiais em quatro bandas espectrais. ou dispositivo de cargas acopladas). cada HRVIR gera uma imagem de 60 km de largura ao longo da órbita. à altitude de 830 km. para o modo monoespectral (M) ou multiespectral (X). mas era uma banda separada (0. embora o arranjo linear de detectores não faça a “varredura” da linha para serem sensibilizados pela luz.Cada um dos HRVIR possui 4 bandas espectrais. respectivamente) no terreno.C. Assim. enquanto que o imageamento longitudinal (transversal ao sentido da órbita) é promovido pelo arranjo matricial fixo de detectores. Um telescópio de grande abertura angular forma uma imagem instantânea dos elementos adjacentes do terreno na matriz de detectores no plano focal do instrumento. conforme a Tabela 4. Isso é conseguido usando uma matriz linear de detectores do tipo CCD (charge-coupled device. Ou seja. Assim.EPIPHANIO . Esse instrumento de imageamento é projetado para cobrir instantaneamente uma linha completa de pixels de uma só vez ao longo do FOV.70 µm) nos Spots anteriores. Quando detectores adjacentes são varridos (lidos) eletronicamente aos pares. Esta largura é vista instantaneamente pela linha de 6. e cada pixel tem uma dimensão de 10 m por 10 m no modo de alta resolução. o satélite terá avançado 20 ou 10 metros (modo X ou P. os detectores são varridos eletronicamente para gerar o sinal de saída. As matrizes lineares do CCD operam no modo chamado pushbroom. e uma nova linha de detectores será lida. O telescópio de cada HRVIR tem um campo de visada (FOV) de 4o que. Isso significa que num mesmo instante uma linha inteira (de 60 km de largura por 10 ou 20 m de comprimento. o próprio movimento do satélite é que produz a varredura no sentido latitudinal da órbita.51 a 0. Os sinais gerados pelos detectores (que são fotodiodos) são lidos seqüencialmente num determinado intervalo de tempo. Após a leitura dos valores de radiância em todos os detectores do CCD. Cada detector gera um pixel por vez.

O imageamento feito por cada instrumento HRVIR é inteiramente independente entre si. o modo monoespectral (M) correspondendo à banda B2 (vermelho) com uma resolução de 10 metros no terreno. Esse desvio é controlado por um mecanismo que permite uma graduação lateral com incrementos de 0.3o.N. O HRVIR tem dois modos de operação quanto à resolução espacial. Isso quer dizer que o Spot-4 tem a possibilidade de ter visadas laterais. Dessa forma. em qualquer posição afastada de até 450 km para ambos os lados da trajetória do satélite no terreno. fora do nadir. Na entrada óptica de cada HRVIR do Spot-4 há um espelho com um mecanismo que permite o desvio da visada para uma faixa de terreno adjacente à projeção da órbita no terreno. as imagens geradas por cada banda para uma mesma superfície do terreno são perfeitamente registradas. mais a banda do infravermelho médio. B2 e B3. e o modo X + M que combina os modos X e M. isso é conseguido com os ângulos extremos ( +27o ou – DSR/INPE 2-24 J.C.EPIPHANIO . Tal característica pode ser usada para adquirir uma imagem.imagem com 20 m de resolução espacial. Os HRVIRs têm três modos de imageamento: o multiespectral (modo X) correspondendo às bandas B1. de monoespectral) ou em pares (modo X. A luz que entra no sistema óptico é dividida em quatro feixes correspondentes a quatro bandas espectrais por um divisor espectral constituído de prismas e filtros. em resposta a uma solicitação de programação pelo usuário. O movimento do satélite ao longo de sua órbita resulta em varreduras de linhas sucessivas e isso completa a imagem. pois cada um de seus pixels provêm simultaneamente de um mesmo feixe eletromagnético. Esse redirecionamento da visada para as laterais pode ser de ±27o em relação ao nadir. dependendo se os detectores são lidos um a um (modo M. quatro linhas de detectores geram simultaneamente quatro planos espectrais para uma mesma linha no terreno. com uma resolução espacial no terreno equivalente a 20 metros. Esses feixes são posteriormente focalizados nas quatro matrizes de detectores (uma para cada banda). de multiespectral). portanto.

distorções mecânicas causadas por variações de temperatura.C. Alguns dos efeitos que podem suscitar de ajustes compensatórios são mudanças na transmissividade dos componentes ópticos como resultado do envelhecimento em órbita. O objetivo dessa calibração é balancear a resposta dos 3. mas de baixa resolução espacial (1. o que corresponde a uma faixa de imageamento de 2. regional e global da biosfera continental e das culturas. Tabela 4). A segunda calibração é chamada de calibração absoluta e tem a finalidade de medir a responsividade dinâmica do instrumento através do estabelecimento de uma relação precisa entre uma fonte externa perfeitamente estável (o Sol) e o sinal de saída do instrumento. Com seu grande campo angular (FOV de 101o. ajustar a resposta do instrumento. que se dá de duas maneiras. todos os detectores têm que gerar o mesmo sinal quando são sensibilizados por uma mesma fonte. Ou seja.1 km. Também é usada para permitir o posicionamento do instrumento para a direção de uma fonte de calibração. Outra função dessa característica é a de ser usada principalmente para a obtenção de imagens de um mesmo local mas em ângulos diferentes para a geração de pares estereoscópicos com as finalidades de restituição fotogramétrica e mapeamento do relevo. O primeiro modo de calibração é aquele chamado calibração intra-banda.N. As funções desse sensor são permitir um monitoramento contínuo.27o). A finalidade da calibração é a obtenção de valores radiométricos entre os pixels que guardem uma relação entre si e também que guardem uma relação com as propriedades de reflexão da energia eletromagnética dos alvos.000 detectores de cada banda quando o instrumento vê uma superfície perfeitamente uniforme. O sensor Vegetation é uma câmera multiespectral também num sistema de imageamento do tipo pushbroom. se necessário. Um aspecto sensível do Spot-4 é a calibração. variações no ruído gerado pela eletrônica do imageamento ou dos detectores do CCD. para uma mesma banda. O sistema de calibração é usado a intervalos regulares para verificar e.250 km) consegue cobrir 90% da terra num só dia.EPIPHANIO . ou também de normalização de respostas dos detectores CCD. e os outros 10% restantes DSR/INPE 2-25 J.

Além disso. PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO O Brasil possui basicamente dois programas de sensoriamento remoto.br/programas/mecb/default.no dia seguinte.inpe. cuja pode encontrada http://www. e os imageamentos de um mesmo ponto sempre ocorrem a uma mesma hora solar. além de ter os painéis solares com 6.450 kg. recobre quase que inteiramente a Terra a intervalos regulares de 26 dias. e envolve a construção.N. é denominado CBERS (China Brazil Earth Resources Satellite.htm) (INPE. com descrição mais pormenorizada na internet. com dimensões de 1. Da mesma forma que o Landsat. descrição no endereço: ser http://www.C. através do INPE. Um. quase polar (inclinação de 98.inpe.EPIPHANIO .8 x 2. O programa CBERS é uma missão conjunta entre o Brasil. Como há coincidência de bandas entre o HRVIR e o VGT. lançamento e gerenciamento operacional de dois satélites de sensoriamento remoto. pelo veículo lançador Longa Marcha 4B.26 minutos).0 x 2. Está a uma altitude de 778 km. tem um sistema de gravação a bordo. que permite o armazenamento de até 40 minutos de gravação (uma cena HRVIR de 60 km por 60 km é imageada em menos de 15 segundos). através da CAST (Agência Chinesa de Ciência e Tecnologia).b). Satélite SinoBrasileiro de Sensoriamento Remoto. Nesta configuração orbital obtem imagens aproximadamente com mesma escala. e a China. os dois sistemas são bastante complementares. O primeiro foi lançado em 14/10/1999 a partir da base de lançamentos de Tayuan.5o em relação ao plano equatorial). 2000a. heliossíncrona com cruzamento do equador no sentido norte-sul às 10:30 da manhã. 5.html.2 m.3 x 2.6 m. em órbita circular (período de 100. o Spot transmite o sinal de imagens para estações localizadas em diversas partes da Terra. O CBERS é um satélite com massa de 1. e o outro MECB (Missão Espacial Completa Brasileira. DSR/INPE 2-26 J.br/programas/cbers/portugues/ também na internet no endereço: index.

Com esse conjunto de bandas consegue-se atender uma grande parcela da demanda por dados de sensoriamento remoto. Além disso. ao contrário do Spot-4. e ainda oferece novidades em termos de imageamento.0.3o 113 km ±32º 2 x 53 Mbits/segundo Resolução espacial no terreno Resolução temporal FOV Faixa de imageamento Visada lateral Taxa de dados FONTE: INPE (2000) A câmera CCD/CBERS é um sensor que cobre as faixas espectrais do visível e se estende até o infravermelho próximo.52 µm (azul) 0. DSR/INPE 2-27 J. O fato de cobrir todo o visível permite um aproveitamento da experiência e das técnicas de fotointerpretação feitas sobre fotografias aéreas preto e branco normais. Suas principais características estão na Tabela 5 e uma visão de seus constituintes está na Figura 1.73 µm (pancromático) 0.59 µm (verde) 0.0. pois traz características de diversos outros satélites. Possui três sensores a bordo: a câmera CCD (charge-coupled device.0.89 µm (infravermelho próximo) 20 m x 20 m 26 dias no nadir.51 . imageador de grande campo de visada).45 .0. até 3 dias com visada lateral 8.EPIPHANIO . esta banda do CBERS é mais larga. sistema varredor multiespectral de infravermelho). possui uma banda pancromática que cobre todo o visível e. porém com menor resolução espacial.C. TABELA 5 .52 .0. e a câmera WFI (wide field imager. dispositivo de cargas acopladas).63 .69 µm (vermelho) 0.N.77 .CÂMERA CCD DO CBERS Bandas espectrais 0. o imageador por varredura mecânica IRMSS (infrared multispectral scanner system.A constituição de sua carga útil é muito interessante. A câmera CCD/CBERS apresenta semelhanças com o HRVIR do Spot-4.

A sua faixa de imageamento é maior que a do Spot.8o. A capacidade de imageamento lateral. 1 . é uma vantagem comparativa importante em relação aos sistemas existentes. sendo uma que abrange desde o visível até o infravermelho próximo (0. FONTE: INPE (2000) Outro componente do Cbers é o imageador por varredura mecânica (IRMSS).N. ou fora do nadir. em ângulos bastante amplos (±32º).1 µm). Isso é uma característica relevante em situações de ocorrência de eventos que precisam ser monitorados em curto espaço de tempo.Divisória Central 6 . duas no infravermelho DSR/INPE 2-28 J. 1 – Satélite CBERS e seus componentes. Esse sensor opera com um FOV de 8.EPIPHANIO . Essa maior capacidade de visada lateral permite que se possam fazer revisitas com até 3 dias entre passagens.C. mas menor que a do Landsat.Módulo de Serviço 2 Sensor de Presença do Sol 3 Conjunto dos Propulsores de 20N 4 Conjunto dos Propulsores de 1N 5 . o que equivale a 120 km de largura no terreno.50 a 1.Antena UHF de Recepção 7 Câmera de Varredura Infravermelho Fig. Possui quatro bandas espectrais.

portanto. Sua resolução espacial não é tão boa quanto a do ETM+/Landsat-7 (30 m na maioria das bandas) mas também não é mellhor do que a do AVHRR/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer da National Oceanic and Atmospheric Administration. Como em todo sistema há uma solução de compromisso entre os diversos requisitos da missão. para esta aplicação. a resolução espacial de 1. A WFI/CBERS possui apenas duas bandas espectrais: uma na região do vermelho (0. Essas três bandas espectrais possuem resolução espacial de 80 metros no terreno. ao contrário do que ocorre para boa parte das aplicações de sensoriamento remoto. Uma quarta banda espectral localiza-se no infravermelho termal (10. A WFI/Cbers possui um FOV de 60o.08 a 2.55 a 1. O outro sensor a bordo do CBERS.63 a 0. a WFI/CBERS.médio (1. também não possui a baixa resolução DSR/INPE 2-29 J. e de interesse para o sensoriamento remoto. que passou a ser de 260 m.89 µm). é a câmera WFI (imageador de grande campo de visada).1 km é muito alta.75 µm e 2. Além disso. É um sensor baseado na tecnologia CCD.C. Radiômetro Avançado com Resolução Muito Alta). para ter essa resolução temporal e cobrir uma faixa extensa de terreno a cada passagem.N. apresenta-se como um sensor de alto potencial de aplicação. que é de 1. o qual é feito eletronicamente na direção transversal à órbita. Porém. não possui componentes móveis para o imageamento. e passivamente pelo próprio deslocamento do satélite no sentido da órbita.4 a 12. Isso garante ao sensor um período de revisita de apenas cinco dias. Possui características intermediárias entre todos os sistemas existentes para o estudo da superfície terrestre.1 km. Sua resolução temporal é de 26 dias. é que o AVHRR/NOAA é originariamente um sensor meteorológico e.5 µm).35 µm).69 µm) e outra na do infravermelho próximo (0. embora não possua a alta resolução temporal de um dia do AVHRR/NOAA. O nome deste sensor pode induzir a um equívoco de entendimento quanto à sua resolução espacial.77 a 0. o que corresponde a uma faixa de 890 km no terreno. onde são exigidas resoluções melhores do que essa. A WFI/CBERS. no caso da WFI/CBERS. e não possui capacidade de visada fora do nadir. houve um sacrifício da resolução espacial.EPIPHANIO . apesar da baixa resolução espacial.

6. ou seja. é responsável pelos satélites também chamados NOAA (Kidwell. Os dados do CBERS são gravados por estações terrenas.dgi. a estação está em Cuiabá. que visam exatamente a realçar a vegetação representada numa cena de sensoriamento remoto. 1997). circular a aproximadamente 850 km. O processamento dos dados para que sejam gerados os produtos a serem distribuídos aos usuários é feito em Cachoeira Paulista.N. Como esclarecido anteriormente. A série de satélites NOAA tem sido de grande importância no campo da meteorologia.html (INPE. O AVHRR-3 faz parte dos sensores a bordo dos satélites NOAA K.inpe. que é de 26 dias no nadir.C. Esse contraste deverá ser explorado através dos índices de vegetação. MT. Com essas características. Radiômetro Avançado de Muito Alta Resolução). As suas duas bandas espectrais são dispostas em pontos estratégicos do espectro eletromagnético e são destinadas principalmente ao estudo da vegetação. no caso Brasil. SP. 2000a).temporal do HRVIR/Spot.br/index. DSR/INPE 2-30 J. mas para muitas aplicações de sensoriamento remoto. esta resolução do AVHRR-3/NOAA é considerada baixa.EPIPHANIO . que é uma agência governamental dos Estados Unidos. SATÉLITES NOAA A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Admnistration). O catálogo para verificação de cobertura de imageamento e qualidade de imagens pode ser acessado a partir da internet no seguinte endereço: http://www. um que será aqui descrito é o AVHRR-3/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer. esta resolução pode ser considerada muito alta para aplicações em meteorologia. 16 e 17. Entre os sensores a bordo. respectivamente). Nestas duas regiões (vermelho e infravermelho próximo) são os locais em que a vegetação apresenta o maior contraste espectral. e a do infravermelho próximo é de alta reflexão. São satélites de órbita heliossíncrona. é provável que se consiga identificar diversas aplicações que demandem tais resoluções intermediárias. L e M (que recebem após o lançamento os números de 15. a banda do vermelho é de alta absorção de energia.

Esses dados permitem a observação da vegetação. Apenas cinco canais podem ser transmitidos simultaneamente.500 – 12.68 0. e do mar bem como das nuvens sobre eles. a terra toda é coberta a cada dia. da água. uso da terra e meteorologia.C. há o sacrifício da resolução espacial que. O campo de visada (FOV) do AVHRR-3/NOAA é de ±55. 2 e 3A são usados para monitorar a energia refletida nas porções do visível e infravermelho próximo do espectro eletromagnético.580 – 1.550 – 3.1 1. Os dados adquiridos durante cada passagem permitem. após o processamento em terra. linhas de costa. A Tabela 6 apresenta as características dos canais do AVHRR-3/NOAA. aerossóis e gelo.300 – 11.1 1. conforme necessário.N.580 – 0.CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K. em km) 1. de nuvens.1 2-31 J. a resolução temporal do AVHRR-3/NOAA é muito maior que a dos outros satélites de sensoriamento remoto vistos até aqui. Porém. enquanto que o 3B só opera durante as passagens matutinas do satélite.00 1. Portanto. 4 e 5 são usados para determinar a energia radiativa da temperatura da superfície terrestre. o que equivale a 2. Os dados dos canais 3B. a análise de parâmetros de interesse em hidrologia.64 3. L E M Canal 1 (visível) 2 (infravermelho próximo) 3A (infravermelho médio) 3B (infravermelho médio) 4 (infravermelho termal) 5 (infravermelho termal) FONTE: NOAA (2000) DSR/INPE Banda espectral ( m) 0.93 10.1 1. oceanografia. Os dados dos canais 1.5 Resolução espacial (no nadir. TABELA 6 .3 11.725 – 1. no seu caso. neve.EPIPHANIO .1 1. lagos. Os dados do AVHRR-3/NOAA podem ser recebidos por antenas menores e também a custos reduzidos. é de 1.250 km de largura de faixa imageada no terreno. os canais 3A e 3B são comutados para passagens diurnas/noturnas.O AVHRR-3/NOAA é um radiômetro imageador de varredura mecânica que opera em seis bandas espectrais (Tabela 6).4o. Com esta largura de faixa e com a taxa de 14 revoluções orbitais por dia.1 km para os pixels no nadir.1 1.

cuja ganhadora foi uma aluna de 13 anos. quase polar.7.N. Radiômetro Espacial Avançado de Emissão Termal e Reflexão). está numa órbita circular a 705 km de altitude. heliossíncrona. O primeiro grande satélite desse programa denomina-se Terra. O Modis é um sensor com 36 bandas espectrais. Esse satélite possui cinco sensores: MODIS (Moderate-Resolution Imaging Spectroradiometer.EPIPHANIO . MISR (Multi-angle Imaging Spectroradiometer. Sistema de Observação da Terra) é um programa de longo prazo (pelo menos 15 anos). Tem-se como premissa que esse conhecimento científico forneceria os fundamentos para o entendimento das variações naturais e induzidas pelo homem no sistema climático da Terra e também forneceria uma base lógica para as tomadas de decisão quanto às políticas ambientais (King. Espectrorradiômetro Imageador em Múltiplos Ângulos). lançado em 18/12/1999. O satélite Terra. Espectrorradiômetro de Imageamento de Moderada Resolução).C. e à 1:30 da madrugada no sentido ascendente. Sistema de Medição de Energia Radiante da Terra e Nuvens).366 µm) até o infravermelho termal (14. CERES (Clouds and the Earth’s Radiant Energy System Network. 1999). cujo espelho faz a DSR/INPE 2-32 J. cuja missão é gerar conhecimento científico em profundidade sobre o funcionamento da Terra como um sistema. ASTER (Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer. A seguir é feita uma breve descrição dos três primeiros sensores. É um sistema de varredura transversal à direção da órbita. cobrindo desde o limite inferior do visível (0. Medição da Poluição na Troposfera).385 µm). É um programa que envolve vários países e uma grande gama de satélites e sensores. anteriormente chamado EOS/AM-1. O nome “Terra” surgiu após um concurso nacional (nos Estados Unidos) entre estudantes de nível elementar e médio. e MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere. cruzando o equador às 10:30 da manhã na órbita descendente. PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) O programa EOS (Earth Observing System.

principalmente).46 µm.6 m x 1. sua faixa de imageamento é de 60 km.330 km no sentido transversal à órbita e 10 km no sentido longitudinal à órbita. O terceiro sub-sistema do sensor Aster é responsável pela medição da radiação em cinco bandas espetrais no infravermelho termal. sendo que um deles pode apontar para trás na mesma direção da órbita. Sua resolução espacial é dependente das bandas. além disso. nuvens e aerossóis. cor oceânica.C. pode cobrir até 318 km fora do nadir. vapor d’água na atmosfera.varredura a uma taxa de 20.5o para frente e para trás na direção da órbita). nuvens do tipo cirrus. as resoluções espaciais variam de 250 m no nadir a 275 m para a câmera com ângulo mais extremo. e numa faixa de imageamento de 60 km. permitindo que se gerem imagens estéreo. Suas dimensões são de 1. e massa de 250 kg. no nadir. e pode fazer visadas laterais de ±24o.3 rpm.60 µm e 2. biogeoquímica.000 m para as bandas 8-36. Esses dois últimos sub-sistemas possuem capacidade de apontamento de ±8. As principais aplicações são traçar limites terra/nuvens. com 30 m de resolução espacial. Na região do visível/ infravermelho próximo tem três bandas com 15 m de resolução espacial. com alta resolução espacial. um para cada região espectral. de 500 m para as bandas 3-7.6o. Este sensor faz imagens da terra em nove direções de apontamentos diferentes. o que permite que qualquer ponto na superfície possa ser imageado pelo menos a cada 16 dias. e de 1. fitoplâncton.0 m x 1. 60. Esse sub-sistema é composto de dois telescópios. cada câmera possui quatro bandas espectrais entre o visível e o infravermelho próximo.125 µm e 11. e 70. entre 8.1o.0o. Uma câmera aponta para o nadir e outras oito cobrem diferentes ângulos de visada (26. A faixa de imageamento é de 360 km e. sendo de 250 m para as bandas 1 e 2.N. com resolução espacial de 90 m e faixa de imageamento de 60 km. temperatura da superfície e das nuvens.65 µm. O sensor Aster tem 405 kg e possui três subsistemas. 45. avaliar propriedades da superfície terrestre (vegetação. Cada varredura cobre uma faixa de 2.EPIPHANIO . medições de ozônio. O sub-sistema responsável pela região do infravermelho médio mede a radiação em seis bandas entre 1. DSR/INPE 2-33 J. O terceiro sensor do Terra aqui descrito é o Misr.0 m.54o lateralmente.

E.N. Este os envia a um duplexador (ou multiplexador). que são conduzidos a um dispositivo de gravação que pode armazená-los digitalmente para processamento posterior. podem funcionar tanto durante o dia como durante a noite e.EPIPHANIO . Operam entre 40 GHz (banda K-alfa) e 300 MHz (banda P) (ou entre 0. eletrônica. e processamento de sinais. Os radares.8 cm e 100 cm). PROGRAMAS DE RADAR O termo radar vem de radio detection and ranging. praticamente não sofrem interferências atmosféricas (Short.C.500 pulsos por segundo). como geram sua própria iluminação. do Canadá. para alguns comprimentos de onda. Satélite Europeu de Sensoriamento Remoto) e o Radarsat. 1998). oferecem grande certeza de aquisição de imagens em condições adequadas para uso. Essas duas características são importantes. a bordo de stélites: o ERS (European Remote Sensing Satellite. podem otimizar seu posicionamento em relação ao Sol para captar energia solar em seus painéis solares e também operar em horários onde as estações de recepção estão com mais tempo livre. os pulsos que retornam são captados pela mesma antena e enviados a um receptor que os converte (e amplifica) em sinais de vídeo. A operação dos radares se dá em comprimentos de onda bem maiores que os do visível e infravermelho. geometria. evitando congestionamentos. ou detecção de alvos e avaliação de distâncias por ondas de rádio. DSR/INPE 2-34 J. ao serem praticamente imunes às condições atmosféricas. exigindo conhecimentos de várias áreas.8. os satélites que operam na região ótica têm grande quantidade de imagens inaproveitáveis por causa da cobertura de nuvens. pois ao poderem imagear a qualquer hora. O conhecimento da teoria radar é um tanto quanto complexa. que os envia a uma antena direcional que modula e focaliza cada pulso num feixe transmitido ao alvo. Atualmente há dois grandes programas que envolvem o imageamento da superfície terrestre por sensores radar. Em geral um sistema radar é constituído dos seguintes elementos: um gerador que envia pulsos a intervalos regulares a um transmissor. Cada pulso dura apenas alguns microssegundos (em geral há cerca de 1. entre elas as de física.

O programa ERS é europeu e iniciou-se com o ERS-1. em banda C (freqüência de 5. e tem um intervalo de revisita de 35 dias. com resolução espacial de 1 km x 1 km (no nadir) e com uma largura de faixa de imageamento de 500 km. Esse modo de operação é o mais largamente utilizado para aplicações terrestres do ERS. Também leva um instrumento denominado GOME (Global Ozone Monitoring Experiment. 1995). e que pode operar no chamado modo “imagem”.4 m.5o). com aplicação em oceanografia.3 toneladas. um radar altímetro para fazer medições precisas dos sinais de retorno provenientes dos oceanos e das superfícies de gelo. numa cena de 100 km x 100 km. que é muito semelhante ao ERS-1. Os dois satélites têm órbita síncrona com o Sol. O outro satélite com sistema radar de grande importância para o sensoriamento remoto é o Radarsat. Um de especial interesse para o sensoriamento remoto é o radar imageador.EPIPHANIO . pesa cerca de 2. na Guiana Francesa. circulando a Terra a cada DSR/INPE 2-35 J. Experimento de Monitoramento Global do Ozônio).6. tem dimensões de 2 m x 2 m de base e 3 m de altura. às 10:30 da manhã. e tem um painel solar de 12 m x 2. 3. cujo lançamento deu-se em 17/7/1991 pelo lançador francês Ariane-4. e num ângulo de visada fixo em 23o no meio da faixa de imageamento.N.7. o ERS-2 foi lançado em 21/4/1995 (Francis et al. a órbita é quase polar (98. O ERS-2 tem ainda um radar para a medição da velocidade e direção do vento sobre os oceanos. modo onda) e.. um radiômetro de varredura mecânica que opera nos comprimentos de onda de 1. com cruzamento do equador. 11 e 12 m. Mas esse radar também pode operar no modo onda (wave mode. lançado em 4/11/1995. Fornece imagens com resolução espacial de 30 m x 30 m.C. a partir da base de lançamentos de Kourou. do Canadá. O ERS-2 é constituído de vários sensores. com altitude média de 780 km. hora local. O ERS-2.6 cm). com polarização VV (transmissão e recepção verticais).3 GHz ou comprimento de onda de 5. adquire imagens de 5 km x 5 km a cada 200 ou 300 km num sistema de amostragem. no percurso descendente. com antena de 10 m. O Radarsat tem órbita circular de 798 km de altitude. então.

e as resoluções espaciais podem variar de 10 m a 100 m.200 kg. 83.ccrs. The ERS-2 spacecraft and its payload.EPIPHANIO . pode variar o ângulo de incidência (com antena de 15 m x 1. a largura da faixa de imageamento pode variar de 35 km a 500 km. DSR/INPE 2-36 J.7 minutos.100. [online]. Essa configuração orbital permite que o Radarsat explore ao máximo as condições iluminação de seu painel solar. O tempo decorrido entre a aquisição e o recebimento pode ser tão rápido quanto um dia.htm>. A filosofia que norteia o sistema é a de fornecer o mais prontamente possível a imagem adquirida ao usuário.it/erslist. assim. May 2000. C.C. opera na banda C (freqüência de 5.R. com massa de 3.3 GHz ou comprimento de onda de 5. É um sistema versátil. em polarização HH (transmissão e recepção da onda eletromagnética polarizada horizontalmente). May 2000. hora local. p. <http://services. O Radarsat. REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR Canadian Centre for Remote Sensing (CCRS).fr/spot4_gb/index. May 2000. conflitos de gravação no momento da aquisição das imagens (CCRS.nrcan. <http://spot4.htm>.ca>.gc. Francis. Radarsat program. 14 vezes por dia . e o período de revisita é de 24 dias para um mesmo modo de operação e ângulo de incidência.5 dias para ângulos de incidência diferentes.N. Sua órbita é heliossíncrona. 9. Aug. European Space Agency (ESA).6 cm). 2000). e ao mesmo tempo passa sobre as estações de recepção em horários não utilizados por outros sistemas evitando.6o em relação ao equador. embora possa ter imageamentos distanciados de apenas 4. com inclinação de 98.esa. possui vários modos de imageamento. ERS satellite. et al. mas com passagem pelo equador às 6:00 (descendente). ESA Bulletin.5 m direcionada para a esquerda no hemisfério sul) desde 20o até 50o. [online]. 12-31. [online] <http://www. SPOT program.esrin. Centre National d'Études Spatiales (CNES). 1995.cnes. n.

São Paulo: Edgard Blücher. p. S. Greenbelt.dgi. Solomonson. <landsat. 1997. CDROM. <http://www. King. May 2000. The remote sensing tutorial. King. 397p.Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Short. [online]. n.gov>.inpe. May 2000b. M.T. DSR/INPE 2-37 J. 1998.M.br/programas/cbers/portugues/index. 1999. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). [online]. Sensoriamento remoto: princípios e aplicações. NASA.EPIPHANIO . [online]. N. [online]. v. Washington.noaa.D./ Novo. The Landsat program: its origins.L. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).A.htm>. 63. 361p. <http://www. [online]. 831-838. V. and impacts.html>.. Greenstone.nasa. E. EOS science plan. Morain. Introduction to the NOAA KLM system. May 2000a. Landsat program. <http://eos.inpe. 120p. K. Greenbelt. Programa CBERS. 308p.D.M. NOAA polar orbiter data users guide. May 2000. 1989. May 2000.inpe. <http://www. National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). M. National Aeronautics and Space Administration (NASA).br/programas/mecb/default. Suitland. R.N. Photogrammetric Engineering and Remote Sensing.html>. D. evolution.V. Aquisição de imagens..gsfc.B.nasa.br>. EOS reference handbook. Kidwell. May 2000c. Programa MECB. 1999.gov/eos_homepage/misc_html/refbook. <http://www2.M. Lauer. NASA. July 1997.C..ncdc. NOAA. 7.gov:80/docs/klm/>. NASA.

br P.inpe.CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte A: P A N A M A Z Ô N I A : O DOMÍNIO DA FLORESTA AMAZÔNICA NA AMÉRICA DO SUL PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid. Martini DSR/INPE .R.

DSR/INPE 3A-2 P.R.Martini .

............................................................. FLORESTAS .......................................... 5.............................................................. 2........ 3A-5 3A-7 3A-9 3A-9 3A-11 3A-13 3A-15 6............... SOLOS E AGRICULTURA ....................... 4........... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......R............................. LISTA DE TABELA .......... INTRODUÇÃO .....................................................ÍNDICE LISTA DE FIGURA ................................................................................................................................. 3.. 1.............. RECURSOS MINERAIS ...................................................................................................................................................... 3A-16 DSR/INPE 3A-3 P....................Martini ... RIOS ...................

DSR/INPE 3A-4 P.Martini .R.

...........LISTA DE FIGURA FIGURA 1.LIMITES DA PANAMAZÔNIA ....... 3A-19 DSR/INPE 3A-5 P............R............Martini .............

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.............. 3A-17 TABELA 2..............Martini ...... 3A-17 TABELA 3 – DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 ..................................FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 ......R........................ 3A-18 DSR/INPE 3A-7 P...............................................LISTA DE TABELAS TABELA 1 – ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) ...............

DSR/INPE 3A-8 P.R.Martini .

FLORESTAS A Panamazônia é conhecida pela sua cobertura florestal densa.000 anos antes do presente. O tamanho final da área panamazônica incluindo aquela do Brasil (5. Os degraus andinos DSR/INPE 3A-9 P. ou seja. Este número define a distribuição ambiental da floresta amazônica na América do Sul. Neste texto são serão descritos alguns elementos marcantes da paisagem nativa e antrópica da Panamazônia.702. principalmente aqueles passíveis de serem observados e analisados em imagens do Satélite LANDSAT. UNCED-92. 2. Este projeto contemplava o uso de Sensoriamento Remoto orbital para monitorar a floresta tropical da megaregião. Outros tipos importantes são as florestas abertas (ombrófila aberta) e as savanas ou cerrados com uma extensa zona de transição entre elas.264 km2. o INPE propôs um projeto de cooperação para os países amazônicos da América do Sul. INTRODUÇÃO Alguns meses antes da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente. O nome Panamazônia como ficou denominado o projeto.539 km2) é 7. Este número foi o primeiro e talvez o principal resultado obtido pelo projeto de cooperação. Somos todos predominantemente amazônicos como mostra a figura 1 onde as fronteiras panamazônicas estão traçadas sobre as bordas dos países e o conjunto de 345 cenas LANDSAT que cobrem todo o extenso domínio. Verdadeiramente a floresta densa (ombrófila-densa) é uma parte importante dos tipos de coberturas ali instaladas a partir da última glaciação há 12.082. serviu e serve atualmente para designar a grande região compreendida pela floresta no Brasil e no conjunto dos países amazônicos. o Domínio Panamazônico. Principal porque mostra que pelo menos 58% da área total dos países panamazônicos se encontram dentro do contexto ambiental de florestas tropicais. A Tabela 1 mostra a distribuição do domínio florestal amazônico não brasileiro em relação a área total dos respectivos países.R.Martini .1.

No decorrer do projeto a partir de 1992 foram criados e treinados grupos de trabalho nos diversos países. sendo-lhes transferidas imagens gravadas pela Estação de Cuiabá. Informações muito didáticas são apresentadas no anexo da revista Veja número 1527. CUMAT-Bolívia (1992). Ao se relacionar estes números com a área aqui adotada para Amazônia Legal.1997).539 km2. A distribuição dos tipos de florestas da Amazônia Legal brasileira se encontra no anexo Amazônia Desflorestamento 95-97. IGAC-Colômbia (1993). ENGREF-Guiana Francesa (1994) e ENRIC (1994) para os demais países. A tabela também mostra a taxa de desflorestamento encontrada durante o período 77-96 e de acordo com esta taxa. o possível prazo de existência das florestas nos respectivos estados. está apresentado também no anexo acima mencionado enquanto que informações gerais sobre os demais países são apresentadas em INRENA-Peru (1996). chega-se ao valor de 10. Este condomínio de feições florestais de expressão planetária vem sendo submetido nos últimos quarenta anos a um severo processo de ocupação.dão berço a florestas também tropicais que são denominadas selvas altas ou selvas de piemonte. incluindo todo o Maranhão). com detalhes. O número do desflorestamento na Amazônia brasileira para agosto de 1996 era de 517. Os números mais recentes sobre a expansão da ação antrópica no Brasil. página 10 (INPE. A Tabela 2 mostra a distribuição do desflorestamento no período 95/96 e as áreas dos estados amazônicos brasileiros.17% de desflorestamento.R.900 hectares. SAGECAN-Venezuela (1993). (5. Resultados finais sobre o desflorestamento foram obtidos para três países: Bolívia.082. Os números do desflorestamento para os outros países sul americanos foram obtidos pelo Projeto Panamazônia gerenciado pelo INPE. Os estados que mais contribuíram para este percentual são os estados de Mato Grosso e Pará. DSR/INPE 3A-10 P. Peru e Guiana Francesa.706.Martini .069 km2 ou 51.

Martini .O Peru através do Instituto Nacional de Recursos Naturais-INRENA reportou que o índice de desflorestamento de suas florestas tropicais até 1990 foi de 9. Venezuela e Equador preferiu-se manter as áreas totais dos países ao invés de usar os valores apenas dos domínios amazônicos da tabela 1. Na Guiana Francesa o ENGREF-Kourou apresentou em seu relatório de 1994 que 10. o Rio Essequibo na Guiana. 99 km2 ou 4.948.cit). Este índice aponta para um número em torno de 1.482. Estas incluem os rios Oiapoque e Araguari no Amapá. No Brasil devem ser mencionadas bacias pequenas que drenam para o Atlântico.000 km2 de desflorestamento ou 1.20% da cobertura original.237 hectares.10% da cobertura original daquele território francês. Os demais países reportaram apenas parcialmente seus resultados ao Projeto Panamazônia. A Tabela 3 sintetiza a distribuição do desflorestamento nos domínios amazônicos da América do Sul até o ano de 1990. A Bolívia através do Centro de Investigação do Uso Maior da Terra-CUMAT . o Rio Gurupi no Pará e o Rio Mearim no Maranhão.22% da área original de florestas. 3. No caso dos países como Colômbia. isto porque os números obtidos do Projeto Panamazônia eram incompatíveis com aqueles apresentados por ENRIC (op. representando um total de 69. Para estes países preferiu-se buscar figuras publicadas por ENRIC (1994). RIOS Os rios panamazônicos estão quase em sua totalidade na rede tributária do Amazonas.43% de florestas em sua área costeira haviam sido desmatadas até 1990. DSR/INPE 3A-11 P. avaliou que os bosques tropicais desmatados até 1990 somavam 23. o Rio Courantyne na fronteira Guiana-Suriname e o Rio Maroni da fronteira Suriname-Guiana Francesa.37 km2 ou 6.974. Separam-se dele as bacias do Alto Orinoco na Venezuela.R.

1996). o Putumayo e o Caquetá.1988). a jusante das cidades de Peixoto de Azevedo e Alta Floresta. próximo de Arequipa. Assim os rios de águas turvas como o Amazonas e todos os outros afluentes com nascentes andinas aparecem nas imagens em cores ou tons mais claros. Paru e Jari. Dentre estes devem ser mencionados o próprio Rio Negro além do Uatumã. De águas turvas existem também outros grandes tributários andinos como o Napo. não tributários diretos mas parte da embocadura do Amazonas.Os tributários e o próprio Rio Amazonas apresentam águas de cores diferenciadas bem características nas imagens de satélite. O rejeito síltico-argiloso destes garimpos tem transformado as águas límpidas destes rios em águas turvas (Martini. 1996. Na Bacia do Rio Tapajós existem duas grandes fontes de turbidez por garimpos. ao longo das fronteiras do Brasil com as Guianas e a Venezuela. Rios cristalinos são aqueles com as cabeceiras instaladas no Planalto Central: o Tapajós com seus formadores Juruena e Teles Pires. Trombetas. o Xingu com seus formadores principais Iriri e Coluene. Beni. Os rios de águas cristalinas ou negras aparecem em cores ou tons escuros.Martini . (Palkiewicz e Goicochea. Neste local um riacho de nome Apacheta acomoda as primeiras águas perenes do Rio Amazonas. Os formadores do Rio Madeira como o Madre de Dios. um pico de 5.R. A primeira está no Vale do Rio Teles Pires. Grande e Mamoré imprimem a ele também a assinatura de águas turvas. Peru. Martini e Garcia. e o conjunto Araguaia-Tocantins. O primeiro acomoda a origem do Amazonas junto ao Nevado Queuhisha. De tons claros são os dois principais formadores do Rio Amazonas no Peru: os rios Ucayali e Marañon. ambas no Estado do Mato Grosso.000 metros localizado nos Andes Ocidentais. Rios negros estão localizados principalmente na calha norte do Amazonas e têm suas cabeceiras nas serras divisoras Amazonas-Orinoco. Os rios cristalinos principalmente o Tapajós e o Xingu vem sendo seriamente impactados por atividade de garimpo. A segunda entre os DSR/INPE 3A-12 P.

Na Bacia do Xingu os garimpos são mais extensos nas cabeceiras do Rio Fresco. Tucuruí é a maior hidrelétrica brasileira enquanto Balbina com um lago de dimensões semelhantes não produz energia suficiente para suprir a cidade de Manaus. tem crescido constantemente mostrando que além de boa produtividade elas ajudam a inibir a erosão acelerada dos solos provocada pelos altos índices pluviométricos. latossolos vermelho-escuros) e a falta de condições geomórficas adequadas para a agricultura ostensiva e mecanizada. Tucuruí no baixo Tocantins e Balbina no baixo Uatumã. adequadas ao ambiente amazônico.rios Crepori e Jamanxim no sudoeste do Estado do Pará. Curuauna em Santarém (PA). Culturas de chá. Dois fatores são prontamente identificados como inibidores daquele procedimento: a pequena distribuição de solos ricos e produtivos (e. para sul da cidade de Tucumã.Martini .g. pimenta. A instalação de culturas perenes. Os rios amazônicos mostram um potencial hidrelétrico invejável e alguns sítios acomodam grandes lagos que produzem uma energia importante porque não poluente e pouco impactante. cacau e outras vem se expandindo principalmente nos estados do Amazonas e de Rondônia. também no sul do Estado do Pará. Estas últimas representam exemplos opostos de planejamento. DSR/INPE 3A-13 P. As exceções são as extensas áreas com soja da Chapada dos Parecis no Mato Grosso e as agrovilas instaladas sobre solos muito nobres ao longo da Rodovia Transamazônica próximo a Altamira no Pará. As usinas atualmente em operação são: Samuel em Porto Velho (RO).R. SOLOS E AGRICULTURA Os padrões de agricultura nas imagens de satélite Landsat indicam que o manejo tradicionalmente observado na região sul do Brasil foi aplicado apenas localmente na Amazônia Legal. A usina de Procopondo no Rio homônimo do Suriname é a única unidade hidrelétrica grande estabelecida fora do Brasil em terrenos amazônicos. 4.

R. entretanto. As áreas de arroz e de cana de açúcar tem crescido intensamente na Guiana. A pouca expansão da coca na Colômbia pode ser compensada pela presença de grandes campos. Nesta linha de sustentabilidade deve ser ressaltada a convivência harmônica dos seringueiros com a mata nativa no Estado do Acre. A pecuária continua firmemente se expandindo principalmente em Mato Grosso (região nordeste).A pecuária. do alto Rio Napo na região dominada pela cidade de Tena no Equador. sul de Rondônia. ao redor da cidade de Pucallpa no Peru. além de mostrar uma produtividade cerca de 4 vezes inferior ã outras regiões produtoras tipo Goiás e Triângulo Mineiro. Nos demais países panamazônicos aparecem com destaque as culturas de arroz e cana de açúcar da região costeira da Guiana e do Suriname. Pará e mais recentemente no Acre. Alternativas para usos sustentáveis da terra são ainda muito discretas e se resumem a questões acadêmicas junto a instituições de pesquisa que atuam na região. DSR/INPE 3A-14 P.Martini . Famílias de seringueiros por décadas vem explorando a mata nativa sem destruí-la enquanto que pecuaristas em meses movem imensas matas semelhantes para pastagens. Esta área mostra a entrada rápida e intensa da cultura a partir do final dos anos 80. Os campos de coca vem crescendo rapidamente nas regiões de Cochabamba e de Santa Cruz na Bolívia bem como no médio Ucayalli. e os imensos campos de coca da Bolívia. principalmente ao redor das cidades de Georgetown e de Nova Amsterdam. As imagens mostram também que os campos colombianos não se expandiram tanto como nos países mencionados. continua sendo o padrão mais densamente distribuído nas áreas desflorestadas da Amazônia. Esta degradação aparece pela lateritização intensa e rápida das áreas desmatadas. ela provoca pelo pisoteio do gado e pela erosão uma degradação acelerada dos solos. do Peru e da Colômbia. A experiência tem demonstrado que a pecuária.

As imagens as grandes minas citadas anteriormente não provocam impactos tão significativos à paisagem e ao meio ambiente físico quanto aqueles descritos anteriormente para os garimpos. prata e molibdênio em quantidades menores porem consideradas também como jazimentos. O farto conjunto de jazimentos minerais conhecidos na Amazônia não se repete nos demais países panamazônicos. Serra Pelada (PA) com ouro e Paragominas (PA) com alumínio.1 gigatoneladas de minério de cobre além de ouro. do Rio Trombetas e do Rio Pitinga. O alto vale do Rio Pitinga. DSR/INPE 3A-15 P. RECURSOS MINERAIS Nos limites da Amazônia brasileira se encontram 3 das maiores minas para exploração mineral atualmente em operações no planeta. formador do Uatumã no Estado do Amazonas acomoda um grande jazimento de cassiterita contendo 270. localizada no Estado do Pará. Tratam-se das minas de Carajás.R. Outros jazimentos expressivos em atividade ou em reserva são: Serra do Navio (AP) com manganês. Os platôs próximos do baixo Rio Trombetas no município de Oriximiná abrigam uma jazida de 600 megatoneladas de bauxita. Verdadeiramente. Este fato deve-se certamente a falta de conhecimento e de trabalhos sistemáticos de mapeamento como aqueles iniciados pelo Projeto RADAMBRASIL em meados da década de 60.5. A chamada Província Mineral de Carajás. Morro dos Sete Lagos (AM) com nióbio e terras raras. Secundariamente contem 1.Martini .000 toneladas de estanho.8 gigatoneladas de minério de ferro (hematita). minério de alumínio. Observa-se que os recursos hídricos envolvidos na mineração não carregam rejeitos e quando existem ficam decantando em lagos isolados. as bordas das províncias minerais como no Projeto Carajás se transformaram em escudos contra a expansão do desflorestamento. contem como principal jazimento mineral 17.

Centro Investigaciones de la Capacidad de Uso Mayor de la Tierra. Reservas de petróleo também são observadas na Amazônia Venezuelana. -DNPM (1995) Economia Mineral do Brasil. O oleoduto mede mais que 1. São Paulo. C. Instituto Geográfico Agustin Codazzi. June. Centre de Kourou. Bogotá.Petróleo e gás são outros bens minerais intensamente explorados no domínio panamazônico. Desbosque de la Amazonia Boliviana. Colombia. Editora Abril S. A chamada Amazônia Peruana (Peruvian Amazon). La Paz. Brasilia. contem reservas suficientes a ponto de instalar um imenso oleoduto que sai do Rio Tigre na fronteira com o Equador e do baixo Rio Maroñon para o porto de Bayovar no Pacífico. cerca da metade em domínio de floresta tropical.86. Arlington. -Fioravante. Guiane Française. VA. O Brasil também contem reservas importantes de gás descobertos no alto Rio Tefé. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIA -CUMAT (1992). -ENGREF (1994). Secretaria de Minas e Metalurgia. Relatorio sobre el Estado Actual del Proyecto IGAC-INPE. Ecole Nationale de Genie Rural des Eaux et des Forets. O Rio Amazonas que não está no Mapa. ano X n. Ministério das Minas e Energia. Departamento Nacional da Produção Mineral. Setembre. por exemplo. Os furos de sondagem ali são identificados nas imagens por um desflorestamento tipo pequenas asas deltas. -IGAC (1993).Martini . DSR/INPE 3A-16 P. Revista Nova Escola.A. Bolivia. Environmental and Ntural Resources Information Center. Agosto.R. Projet Panamazonia Première Phase. (1995). Estado do Amazonas. 6.300 quilômetros. -ENRIC (1994) A Source Book on Tropical Forest Mapping and Monitoring through Satellite Imagery: The Status of Current International Efforts.

MCT-MMA.R.. October. vol. (1996). P. P. 24. Proyecto Panamazonia-Caso Venezuela. Garcia. Anexo do número 1527. Venezuela. part B7. -Martini. São José dos Campos SP. P. Sociedad Geografica de Lima. -SAGECAN (1993). -Palkiewicz. October. INR-48-DAGMAR. Amazônia: Desflorestamento 1995-1997. VI Latin America Remote Sensing Symposium. Natal RN. J. Goicochea. -Martini.5. Cartagena de Indias.R. Vienna.W.-INPE (1994). Lima. Instituto Nacional de Recursos Naturales. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. Peru.Martini .1. -Martini. -INPE (1997). Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais . vol. DSR/INPE 3A-17 P. São Jose dos Campos SP. Deforestacion em el Bosque Lluvioso Tropical: uma Perspectiva Multitemporal.R. ServicioAutonomo de Geografia y de Cartografia Nacional.Instituto Brasileiro do Meio Ambiente. -VEJA (1997). Technical Cooperation and Training within the Panamazonia Project: a Proposal to UNEP. J. Peru.N. -INRENA (1996). Austria. Resumen de Actividades de la Expedicion Cientifica Internacional para Estabelecer de Manera Geograficamente Valida el Verdadero Origen del Rio Amazonas. SELPER-Society of Latin America Remote Sensing Specialists. (1996) Depicting the Headwaters of the Amazon River through the Use of Remote Sensing Data. Amazônia. Brazilian National Institute of Space Research. XXXI. Ministerio del Ambiente y Recursos Naturales Renovables. O Declínio de um Grande Rio Brasileiro Detectado por Imagens LANDSAT. (1993). 11-15 de outubro de 1988. Z. Caracas. Monitoreo de la Deforestacion en la Amazonia Peruana. Julio. Colombia. Dezembro. (1988). Ano 30 n. Panamazonia Project to Monitor South America Tropical Forest.R. International Archives of Photogrammetry and Remote Sensing.

12 20.648 5.285.505 217 119 174 78 1.619 1.026 787 251 Comentário: GTH Fonte: PROJETO PRODES .670 91.36 28.79 100.833 238.050 5.605 142.698 142.74 30.000 214.742 1.359 1.220 142.Tabela 1 ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) PAIS Bolívia Colômbia Equador Guiana Francesa Guiana Peru Suriname Venezuela Total SA (km2) 567.138.14 13.725 CA (km2) 1.154.782 27.960 1.35 100.Martini .R.539 3.361 5.18 10.017 277.21 14.40 2.761 91.082.161 323 15.567.434 99.00 100.17 433 9 1.069 8.891 270.00 42.338 19.581 1.296 2.619.138 48.800 391.000 214.38 9.800 912.135 2.098.82 Tabela 2 FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 ESTADO ACRE AMAPÁ AMAZONAS # MARANHÃO MATO GROSSO PARÁ RONDÔNIA RORAIMA TOCANTINS AMAZÔNIA ÁREA = A 2 km DEFLOR .141 176.00 50.000 76.DESFLORESTAMENTO 95-97 # Área total do Estado DSR/INPE 3A-18 P.960 755.556 901.023 1.(D) km2 % TAXA (T) MÉDIA km2/ano A-D T 153.432 214 320 18.94 1.061 6.303 380.543 6.63 33.421 1.954 329.246.172 SA/CA(%) 51.483 517.25 1.322 5.379 225.00 58.

482 3.630 5.R.923 Domínio (km2) 567.303 5.082.91 BOLÍVIA BRASIL *COLOMBIA *EQUADOR GUIANA GUIANA FRANCESA PERU SURINAME *VENEZUELA # Inclui bosques tropicais fora do domínio amazônico.017 69.Tabela 2 DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 Desflorestament o (km2) 23.22 8.ENRIC-94 DSR/INPE 3A-19 P.Projetos PRODES E PANAMAZÔNIA (INPE).32 9.974 415.818 % 4.24 21.050 9.16 11.670 214.11 9.800 #912.138. # Inclui terrenos fora do domínio amazônico.960 91.891 #270.98 2.605 142. Fontes: .200 129.20 2.700 67.175.000 755.38 24.190 1.530 909. .Martini .200 194.539 # 1.41 1.

R.Figura 1 – Limite da Panamazônia DSR/INPE 3A-20 P.Martini .

CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte B: IMAGENS PARA MAPEAMENTO GEOLÓGICO E LEVANTAMENTO DE RECURSOS MINERAIS: RESUMO PARA USO DOS CENTROS DE ATENDIMENTO A USUÁRIOS-ATUS DO INPE.br . PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS COORDENADORIA DE OBSERVAÇÃO DA TERRA DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid.inpe.

R.Martini .ÍNDICE DSR/INPE 3B-2 P.

................................... 3B-10 4............................ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................2 ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS .. 3B-6 3...........3 ATRIBUTOS TEMPORAIS ......................................... 3B-12 1........................... 3B-6 3......LISTA DE TABELA ..........................R..........Martini ... CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO ........................................ APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS . 3B-5 3............1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS .................................................................................. 3B-9 3.. 3B-5 2.................................................. 3B11 DSR/INPE 3B-3 P......................... INTRODUÇÃO ...............

R.1.Martini . INTRODUÇÃO DSR/INPE 3B-4 P.

existe uma preferência pela imagem em papel preto e branco.Martini . Este conteúdo temático depende dos atributos espectrais. principalmente aqueles de perfis tecnológicos semelhantes ao LANDSAT.Prospecção de óleo e de gas (petróleo) 5. APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS Os produtos usualmente utilizados para estas aplicações levam em conta primeiramente o conteudo de informações da imagem. cobre. 4. ferro) 6. a 100.000 para mapas de detalhe. Neste contexto sempre que a fotointerpretação tenha um papel preponderante sobre a integração de dados de diferentes fontes. Nestes campos as imagens são ferramentas cotidianas. 2. 1. 3. Além disto. 2.000. escorregamentos.Mapeamento de estruturas geológicas tipo dobras. fraturas. Objetivamente pode-se identificar 6 campos principais onde as imagens tem apresentado significativas contribuições. DSR/INPE 3B-5 P.Levantamento hidrogeológico (água subterrânea). Para mapeamentos litológicos/estruturais e levantamentos para hidrogeologia utiliza-se preferencialmente imagens em papel preto e branco. erosão.Prospecção de bens minerais (ouro. ou seja monoespectral. falhas.000 para trabalhos de semidetalhe e 1:50.Impactos ambientais: garimpos. temporais e espaciais. Para estudos de prospecção para petróleo e bens minerais utilizam-se produtos digitais.Imagens de satélites.Mapeamento de litologias ou de rochas. os produtos para os campos acima mencionados podem ser apresentados como imagens em papel (analógicos) ou em meio digital. são ferramentas efetivas para estudos geológicos. uma vez que a integração de dados multifontes através do uso de sistemas de informações georeferenciadas (GIS) é um procedimento comum. As escalas variam de 1:250. para levantamentos regionais.R.

Nos estudos sobre impactos ambientais de projetos tipo represas ou unidades industriais.Martini . Situações mais típicas para seleção de imagens com maior conteúdo de informaçoes para aplicações geológicas são apresentadas a seguir. SPOT HRG-3 e CBERS CCD-4 Diz-se que quanto mais básica for uma rocha (maior conteúdo de elementos tipo Fe e Mg) mais escura ela aparece no infravermelho próximo. 3. precisamos selecionar as bandas que registrem melhor esta refletividade (atributo espectral) bem como o período sazonal onde ele se apresenta mais detectável (atributo temporal) conhecendo se os alvos estudados tem expressão na escala e na resolução da imagem (atributos espaciais). No caso de solos não transportados cobertos por vegetação nativa. como envolvem também dados de outras fontes. Assim se um alvo na superfície da Terra reflete seletivamente a radiação solar.R. Cabe mencionar como opção de muito baixo custo a banda pancromática do DSR/INPE 3B-6 P. O comportamento das rochas nas imagens é portanto uma combinação das respostas dos elementos rocha/solo/vegetação. 3. espaciais e temporais. chamados RIMAS ou EIA-RIMAS. uma vez que a vegetação e a água são importantes indicadores . O objetivo sempre é o de agregar às imagens o melhor dos atributos espectrais. sol e data. o comportamento das rochas se torna mais típico na banda do infravermelho próximo. CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO Para que um produto possa conter maior conteúdo de informaçao temática é necessário que se agregue a ele os melhores atributos possíveis para uma cena gravada segundo a organização alvo. sensor.A avaliação de impactos ambientais sobre o meio ambiente físico pode ser feita por produtos em papel colorido.1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS As rochas no Brasil estão constantemente associadas a solos e vegetação. Esta banda corresponde a LANDSAT ETM-4. usam-se preferencialmente dados apresentados em mídia ótica (CD ROM) ou magnética (dat ou exabyte).

sensor IR-MSS do CBERS. Esta banda diferentemente das outras bandas PAN abrange parte do infravermelho próxima. As outras terminam no início do infravermelho. Na faixa visível correspondente a banda do vermelho tanto as rochas ácidas quanto as básicas mostram assinaturas claras sempre que a vegetação não seja alta e densa tipo a mata amazônica. Esta banda é a ETM-3 ou HRG-2 ou CCD-3. A banda pancromática-PA do SPOT-5 poderia também ser recomendada. Na faixa do visível e em domínio amazônico pode-se esperar uma contribuição melhor da banda correspondente ao verde ou seja ETM-2, HRG-1 e CCD-2. Trabalhos geológicos que envolvam, portanto, mapeamentos de rochas (litologias), de estruturas ou com objetivo de estudar água subterrânea, serão bem atendidos por imagens da banda correspondente ao infravermelho próximo, se possível com o apoio de uma banda do visível, preferencialmente a centrada na faixa do verde. Trabalhos geológicos voltados a prospecção de bens minerais como cobre, chumbo, zinco, ouro, óleo ou gás, envolvem procedimentos de processamento digital e integração de dados. Nestas situações torna-se necessário explorar com mais profundidade os atributos espectrais das imagens. Assim o recomendável seria que o usuário utilizasse todo o acervo de bandas dos sensores, tanto na faixa visível quanto no infravermelho: 8 bandas ETM ou 5 bandas HRG ou 5 bandas CCD. A questão é que o usuário normalmente pede para um processamento digital mais simples um conjunto de 3 bandas. No caso de se tornar necessária a seleção de 3 bandas para objetivos de prospecção deve-se buscar ao máximo bandas que cubram todo o espectro ótico, ou seja: visível, infravermelho próximo e o de ondas curtas (short wave infrared). Assim além das bandas do verde e do infravermelho próximo recomenda-se tambem a banda ETM-7 ou HRG-4. A banda ETM-7 na verdade foi definida a pedido da própria comunidade geológica americana uma vez que tem correlação com a presença de hidroxilas em argilas. Argilas hidroxiladas são indicadoras de possíveis

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ocorrências de rochas ricas em cobre, chumbo e zinco. Deve ser entretanto ressaltado que os melhores desempenhos da ETM-7 foram observados em condições de baixa densidade de cobertura vegetal. No ambiente de florestas densas como nos remanescentes de mata atlântica ou na Amazônia, os desempenhos das bandas ETM-5 e ETM-7 para Geologia são semelhantes, trazendo informações sobre o dossel da vegetação e não sobre os solos ou rochas. Uma ultima opção interessante é o produto composto pelas bandas HRG-2 e 3 do SPOT-5 junto com o seu canal pancromático. Nesta combinaçâo se associam bons atributos espectrais com a ótima resolução espacial de 2.5 metros da banda PA . Os produtos recomendados para prospecção em Geologia são os digitais. Se analógicos devem ser sempre coloridos. Estudos sobre áreas onde o meio ambiente físico tenha sido impactado devem ser suportados por uma combinação de bandas que mostrem a situação das águas, da cobertura vegetal e do conjunto rocha/solo. Assim para domínios de floresta densa a composição RGB: ETM-543, HRG-432 e CCD-342 atendem a maior parte dos objetivos. Terrenos de baixa densidade vegetal (não amazônicos) serão melhor atendidos por composições “falsa-cor normais”, ou seja com RGB: ETM-432 ou HRG-321, ou mesmo CCD-432. Estudos recentes mostram que o desempenho do IRMSS-CBERS em bandas pancromática e do infravermelho de ondas curtas (pan+7+8 em GBR) é muito bom para estudos geológicos em terrenos não amazônicos. Estudos sobre impactos ambientais, os RIMAS ou EIA-RIMAS, seguem aquilo que foi descrito para as áreas impactadas apenas que neste caso os produtos devem ser apresentados em mídia digital. O estudo de áreas já impactadas, pelas análises de campo podem recomendar a geração de produtos fotográficos coloridos.

3.2. ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS

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Os principais atributos espaciais ou geométricos das imagens de satélites para a área de Geologia dizem respeito à relação entre o tamanho da cena e o quadro sinótico da área imageada (escala) e a dimensão do elemento de resolução da cena (pixel) no terreno. Um pixel menor permite uma escala maior mas sempre com restriçoes quanto ã dimensão da área coberta pela imagem. Assim para um pixel de 30 metros como aquele do Mapeador Temático pode-se chegar a uma escala de 1:50.000 mas a área coberta pela imagem será a menor, ou seja, 45 quilômetros de lado. Se o interesse do usuário for por uma área grande, equivalente ao de uma cena LANDSAT completa, serão necessárias 16 imagens na escala 1:50.000, ou apenas 1 imagem em escala 1:250.000 ou menor. Se o usuário estiver interessado em levantamentos geológicos regionais a imagem de 1:250.000 terá naturalmente melhor relação custo/benefício do que a de 50.000, embora mostre menos detalhes. O pixel PAN do SPOT tem possibilidade de suportar ampliações fotográficas de escala 1:25.000 sem perder o contexto de cena que define claramente as bordas dos diversos alvos. Ampliações 1:25.000 a partir de um pixel de 30 metros como aquele do TM fazem com que as bordas dos alvos apareçam serrados perdendo-se o entendimento do contexto da cena. O processamento digital sobre dados SPOT ou LANDSAT permite que realces de borda ou de contraste melhorem bastante as escalas máximas de ampliação. Assim imagens TM melhoradas por processamento em computador podem ser ampliadas até 1:25.000 sem perder seu conteúdo de informação geológica. Imagens SPOT-PAN registradas com canais XS podem chegar a escala de 1:15.000 mantendo aínda atributos em boas condições para estudos geológicos.

3.3 ATRIBUTOS TEMPORAIS O contexto temporal das imagens para Geologia não tem naturalmente a importância necessária de uma aplicação em Agricultura. Geralmente busca-se para Geologia a imagem livre de nuvens, com maiores índices de visibilidade e

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3B-9

P.R.Martini

de conteúdo/qualidade da informação gravada. Existe entretanto um efeito temporal nas imagens que influencia fortemente o conteúdo de informação geológica: trata-se do sombreamento. O sombreamento é o efeito observado nas imagens no qual as faces das vertentes voltadas para o sol ficam mais claras do que as faces opostas à iluminação da cena que ficam mais escuras. Este efeito provoca um realce para as feições do relevo como cristas, vales, drenagens, alinhamentos de uma forma geral. Este efeito é mais intenso quanto mais baixo for a ângulo de elevação solar na gravação da cena. No caso do hemisfério sul os ângulos mais baixos de elevação do sol ocorrem entre os meses de junho e agosto. O sombreamento em situações extremas pode subverter até resoluções geométricas. Observa-se que imagens com resolução mais grosseira gravadas com baixo ângulo solar mostram com maior detalhe os atributos de relevo do que cenas com resolução mais fina gravadas com o sol mais alto. Exemplos conhecidos mostram que imagens de 80 metros de resolução gravadas com ângulos em torno de 33 graus mostram feições geológicas e geomorfológicas mais nitidamente do que imagens com 30 metros de resolução de mesma latitude coletadas com elevação de sol acima de 50 graus. Para mapeamentos geológicos e mesmo estudos de prospecção mineral onde a estrutura geológica exerça o principal controle, a seleção de cena deve contemplar também a busca por imagens com baixos ângulos de elevação solar. Deve ser mencionado também que em situações extremamente especiais onde os alinhamentos de relevo ou de drenagen se estendem na direção exata do azimute solar não existirão condições de iluminação para gerar os realces acima descritos.

4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Balieiro, M.G.; Martini, P.R. (1986) Exemplos de Análise Geológica

Comparativa entre dados SIR-A, LANDSAT, SLAR e SKYLAB (resumo). IV

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3B-10

P.R.Martini

Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.1, pg.78. Gramado, RS. Agosto 10-15, 1986. Rodrigues, J.E.; Liu, C.C. (1988) A Geometria de Iluminação Solar e sua Influência na Observação de Estruturas Geológicas em Imagens Orbitais. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.2, pg.294-302. Natal, RN. Outubro 11-15, 1988

5.

TABELA

DOS

SENSORES

E

BANDAS

COM

AS

PRINCIPAIS

APLICAÇÒES EM GEOLOGIA LANDSAT 7 SPOT5 CBERS ETM+ HRG CCD IR-MSS WFI 1 2 3 4 5 6 7 P 1 2 3 4 P 1 2 3 4 P P 7 8 9 10 11 A 5 6 Mapeamento B G R BGR BGR R BG B R NF G Litológico BG R B RG BGR G B R B G F R Geologia G MR B RG B R B G M
DSR/INPE 3B-11 P.R.Martini

Satélite Sensores BANDAS

principal sensor do satélite SPOT-5 IR-MSS: VARREDOR MULTI-ESPECTRAL INFRAVERMELHO DO CBERS M: IMAGEM EM PRETO E BRANCO N: NÃO FLORESTA: ÁREA FORA DO DOMÍNIO AMAZÔNICO P: MODO PANCROMÁTICO DO IR-MSS DO CBERS PAN: MODO PANCROMÁTICO do LANDSAT-7 PA: MODO PANCROMÁTICO DO SPOT-5 P5: MODO PANCROMATICO DO CCD-CBERS R: COR VERMELHA NA COMPOSIÇÃO COLORIDA RIMA: RELATÓRIO DE IMPACTO SOBRE O MEIO AMBIENTE WFI: IMAGEADOR DE GRANDE VISADA DO CBERS DSR/INPE 3B-12 P.R.Martini .Urbana Mapeamento Estrutural Águas Subterrâneas Prospeção B Mineral Oleo e Gás (Petróleo) Ambientes B NF Impactados F Eia-Rima B NF Eia-Rima B F M M G G R GR R GR R M M B M M GRM GRB R GB M M B RG BGR M M G BR M M M RB GB B GB M G R R GB GR GRB R GRB GRB B R GBG GRB B GR GRB B R G G R B B R G R G B ACROGRAMAS USADOS NA TABELA B: COR AZUL NA COMPOSIÇÃO COLORIDA CCD: CAMERA DE ALTA RESOLUÇÃO DO CBERS EIA: ESTUDOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS ETM+: MAPEADOR TEMÁTICO AVANÇADO. principal sensor do LANDSAT 7 F: FLORESTA: COBERTURA FLORESTAL DENSA-AMAZÔNIA G: COR VERDE NA COMPOSIÇÃO COLORIDA HRG: ALTA RESOLUÇÃO GEOMÈTRICA.

CAPÍTULO 4

TECNOLOGIA ESPACIAL NO ESTUDO DE FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS

J o r g e C o n r a d o C o n f o r t e1
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE

1

conrado@ltid.inpe.br 4 -1 J.C.Conrado

DSR/INPE

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4 -2

J.C.Conrado

ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................... 4-7 2. APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS .............................................................................. 4-10 2.1 VENTO ................................................................................................ 4-11 2.2 PRECIPITAÇÃO ................................................................................. 4-12 2.3 SONDAGENS ATMOSFÉRICAS ........................................................ 4-14 2.4 RADIAÇÃO .......................................................................................... 4-17 2.5 OZÔNIO ............................................................................................... 4-19 2.6 MEDIDAS DE CO ................................................................................ 4-19 2.7 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR ...................................... 4-21 3. CONCLUSÃO ......................................................................................... 4-21 4. BIBLIOGRAFIA ....................................................................................... 4-22

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4 -3

J.C.Conrado

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J.C.Conrado

LISTA DE FIGURAS 1 - PRIMEIRA IMAGEM OBTIDA PELO SATÉLITE TIROS1 ...................... 4-7 2 - DISPOSIÇÃO DOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS DE ACORDO COM SUAS ÓRBITAS ............................................................................ 4-9 3 - ÓRBITA DO SATÉLITE TRMM ............................................................... 4-9 4 - IMAGENS SATÉLITE GOES-E INFRAVERMELHO, VISÍVEL, INFRAVERMELHOR(VAPOR D'ÁGUA) E MICROONDAS SATÉLITE DMSP (SENSOR SSM/I) ........................................................................ 4.10 5 - VENTO ESTIMADO USANDO DADOS DO SATÉLITE GOES-8 .......... 4-12 6 - PRECIPITAÇÃO ESTIMADA USANDO DADOS DO CANAL INFRAVERMELHO DO SATÉLITE GOES ............................................. 4-13 7 - CAMPO DE PRECIPITAÇÃO OBTIDO ATRAVÉS DO RADAR METEOROLÓGICO DO SATÉLITE TRMM ............................................ 4-13 8 - PERFIL VERTICAL DE TEMPERATURA OBTIDO ATRAVÉS DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................................ 4-15 9 - CAMPO DE TEMPERATURA EM 500 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 .......................................................... 4-16 10 - CAMPO DE UMIDADE RELATIVA 1000 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................ 4-17 11 – RADIAÇÃO DE ONDA CURTA ABSORVIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 12 - RADIAÇÃO DE ONDA LONGA EMITIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 13 - OZÔNIO MEDIDO EM 09/06/2000, A PARTIR DO SATÉLITE ERS-2 4-19 14 - CONCENTRAÇÃO DE CO MEDIDA PELO SENSOR MOPITT DO

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4 -5

J.C.Conrado

4................Conrado ..EMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR SATÉLITE NOAA ....................21 DSR/INPE 4 -6 J...C..............................SATÉLITE TERRA ............... 4-20 15 ......

o TIROS 1.1. O primeiro satélite que teve sucesso na obtenção de dados meteorológicos foi o Explorer7. 1 . na Figura 1 pode-se observar a primeira imagem transmitida por este satélite. com instrumento meteorológico a bordo. lançado em 13 de outubro de 1959 com um radiômetro desenvolvido por Verner Suomi e seus colaboradores da Universidade de Wisconsin.Conrado .C. devido a problemas com estes satélites as informações obtidas. Com as informações obtidas foram feitos os primeiros mapas aproximados da radiação refletida e emitida (na faixa do infravermelha) pelo sistema terra e a atmosfera. Fig. O primeiro satélite com finalidade de aplicação exclusivamente meteorológica foi lançado em 1 de abril de 1960. INTRODUÇÃO Os primeiros satélites. foram lançados em 17 de fevereiro de 1959 (Vanguard 2) e 7 de agosto de 1959 (Explorer 6) mas.Primeira imagem obtida pelo satélite TIROS 1 DSR/INPE 4 -7 J. não tiveram grande utilidade.

os dados obtidas pelos satélites meteorológicos puderam então ser aplicados aos mais diversos campos de interesse da meteorologia. Os satélites de órbita polar estão posicionados geralmente entre 700 e 800 km acima da superfície terra. em razão da altitude em que está posicionado. estes satélites cobrem uma faixa bem estreita da Terra por onde estão se deslocando.Após o lançamento deste satélite. podemos observar a rede de satélites meteorológicos que são utilizados no monitoramento dos principais fenômenos meteorológicos.Conrado . Na Figura 2. A principal característica deste satélite é que as regiões polares têm um monitoramento mais detalhado. Em função de estarem colocados sobre a linha do equador as regiões polares não são monitoradas pelos satélite geostacionários. e com o avanço na área de eletrônica e informática. A principal característica deste satélite e a obtenção de uma nova imagem a cada 30 minutos.C. DSR/INPE 4 -8 J. bem superior aos demais tipos de órbita acima mencionados. permitindo desta forma um monitoramento continuo dos fenômenos atmosféricos que se desenvolvem na área de visada do satélite. Têm em geral um período orbital de 98 a 102 minutos o que fornece um total de aproximadamente 14 órbitas por dia. Os satélites meteorológicos podem ser classificados de acordo com sua órbita em três diferentes classes: GEOESTACIONÁRIOS POLARES TROPICAIS Os satélites de órbita geoestacionária são assim denominados pois aparentemente eles se mantêm fixos sobre um mesmo ponto na superfície da Terra. Estão localizados a 36.000 km acima da superfície da Terra. Outro fator importante associado a este tipo de satélites está relacionado com a área de cobertura. e com o desenvolvimento de novos sensores e softwares. Em função da sua altitude.

DSR/INPE 4 -9 J. Este satélite esta localizado numa órbita inferior ao dos tradicionais satélites de órbita polar.Fig.Órbita do satélite TRMM. Nesta figura não esta incluída a órbita do primeiro satélite com objetivo exclusivo de adquirir informações meteorológicas na região tropical.Conrado .Disposição dos satélites meteorológicos de acordo com suas órbitas.C. com uma inclinação de 35° em relação a linha do equador. ele esta posicionado a 350 km acima da superfície terrestre. Fig. 2 . 3 . lançado em 27/11/1997. Figura 3. ou seja o satélite TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission).

A seguir estão imagens obtidas pelos satélites nestas faixas de observação Figura 4. infravermelho (vapor d'água) e microondas satélite DMSP (sensor SSM/I) DSR/INPE 410 J. APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites meteorológicos atualmente operacionais obtêm informações em três faixas do espectro eletromagnético. Fig. 4 .Conrado .Imagens do satélite GOES-E na faixa do infravermelho. visível.2. infravermelho (vapor d'água) e microondas.C. visível. isto é: na faixa do infravermelho.

oceanos. Na Figura 5. 2. A velocidade do vento é estimada calculando-se o deslocamento da nuvem nas duas imagens e dividindo-se então pelo intervalo de tempo entre estas imagens. diversas metodologias foram desenvolvidas para a aplicação das informações coletadas por estes satélites.Conrado . Com o desenvolvimento de softwares.1.C. algumas aplicações usando os dados obtidos através dos satélites meteorológicos. DSR/INPE 411 J. Estas informações eram utilizadas para a análise subjetiva das condições meteorológicas predominantes em pequena ou grande escala.VENTO A metodologia de extração de ventos usando dados de satélites geoestacionários é realizada usando-se informações de duas imagens sucessivas (intervalo de 30 minutos). . Eles são estimados para três níveis da atmosfera. sendo atribuída para cada nível uma cor para representá-los. etc). a aplicação principal dos dados coletados pelos satélites meteorológicos.Inicialmente. alto. desertos. Deve-se salientar a importância que os dados coletados por estes satélites têm para determinadas regiões. pode-se observar a velocidade do vento estimada usando-se esta metodologia. tinha como objetivo principal a observação dos deslocamentos dos sistemas frontais e o desenvolvimento de sistemas locais. seja pela carência de uma rede de observações adequada ou por se encontrarem em regiões remotas (florestas. médio e baixo. A seguir serão mostradas resumidamente.

infravermelho.Fig. infravermelho e microondas são denominadas de técnicas indiretas de avaliação da precipitação. As técnicas que utilizam os dados dos sensores nas bandas do visível. o satélite TRMM no presente momento é o único que nos permite obter medidas diretas de precipitação.Vento estimado usando dados do satélite GOES –8. a bordo de satélite é possível avaliar diretamente a precipitação. Na Figura 6.C. Somente através do radar meteorológico. DSR/INPE 412 J.Conrado . podemos observar o campo de precipitação estimado usando informação do canal infravermelho do satélite GOES. 5 . e microondas). 2.2 .PRECIPITAÇÃO A precipitação é outra variável que pode ser avaliada usando informações obtidas pelos diversos sensores a bordo dos satélites meteorológicos (que operam nas bandas do visível. pois estes sensores não medem diretamente a precipitação.

Fig.Conrado .Precipitação estimada usando dados do canal infravermelho do satélite GOES.Taxa de precipitação obtida através do radar a bordo do satélite TRMM DSR/INPE 413 J. 7 .C. Fig. 6 . Na Figura 7 observa-se o campo de precipitação obtido pelo radar meteorológico a bordo do satélite TRMM.

2. em somente algumas estações da rede de observação meteorológica. podemos obter a variação dos campos de vento. A sondagem da estrutura vertical da atmosfera nos fornece a variação dos campos de temperatura. DSR/INPE 414 J. e os campos de temperatura e umidade obtidos com informações derivadas dos dados recebidos pelos sensores a bordo do satélite NOAA-14.3 . umidade e vento.SONDAGENS ATMOSFÉRICAS Um produto de fundamental importância obtido através dos satélites meteorológicos são as sondagens atmosféricas. Com os sensores HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) e AMSU (Advanced Microwave Sounding Unit). 9 e 10 podemos observar o perfil vertical de temperatura e umidade para a cidade de Cuiabá.Conrado . instalados a bordo dos satélites polares da série NOAA. temperatura e umidade na vertical. Esta carência de informações não nos permite o conhecimento preciso da estrutura vertical da atmosfera. No Brasil. campos estes que são de fundamental importância no conhecimento da estabilidade da atmosfera.C. Nas figuras 8. é feita uma única observação por dia.

8 . se existe a possibilidade do desenvolvimento de sistemas convectivos.C. DSR/INPE 415 J.Perfil vertical de temperatura obtido através de dados do satélite NOAA 14. ou seja. Estes perfis verticais são de fundamental importância em meteorologia. pois eles nos permitem avaliar a estabilidade da atmosférica.Fig.Conrado .

C. 9 .Conrado .Campo de temperatura em 500 hPa obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 DSR/INPE 416 J.Fig.

a medida da radiação atmosférica usando satélites. trinta porcento é refletida para o espaço e 20 porcento é absorvida pelas nuvens. 10 .Conrado .4 . obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 2. somente a metade atinge a superfície da terra. Portanto.Campo de umidade relativa 1000 hPa . é de fundamental importância para uma melhor compreensão do clima. DSR/INPE 417 J. Nas Figuras 11 e 12 podemos observar a medida da radiação de onda curta e longa realizada a partir das informações coletadas pelos satélite da série NOAA.Fig. poeiras e gases do efeito estufa.RADIAÇÃO A radiação solar que atinge o topo da atmosfera é da ordem de 1365 Watts/m2 . deste total em média.C.

Conrado . obtida a partir de dados do satélite NOAA.Radiação de onda curta absorvida.Fig. obtida a partir de dados do satélite NOAA.C. 12 . 11 . DSR/INPE 418 J. Fig.Radiação de onda longa emitida.

MEDIDAS DE CO A medida do CO na atmosfera tornou-se possível com o lançamento do satélite TERRA em 19 de dezembro de 1999. com o satélite de órbita polar Nimbus 3. Na Figura 14 podemos ver os primeiros resultados obtidos com os dados deste sensor. DSR/INPE 419 J.6 . na qual a camada de ozônio atingiu o seu nível mais baixo.2. Na figura 13.Conrado . foi quem descobriu a influência do CloroFluorCarbono (CFC) como o principal mecanismo na diminuição do ozônio na região Antártica.Ozônio medido em 9/6/2000 a partir do satélite ERS-2.C. em 9 de setembro de 2000. O cientista inglês J. Lovelock.5 . cuja finalidade principal é a medida da poluição. 13 . 2. Os dados obtidos por este sensor são de fundamental importância. Canadá e Japão. vem sendo realizadas medidas da concentração de ozônio na atmosfera.OZÔNIO O primeiro dado disponível relacionado com a diminuição da camada de ozônio foi observado na estação Antártica japonesa Syowa em 1982. Fig. pois o CO é um dos principais gases associado com o efeito estufa. Este satélite tem a bordo o sensor MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere). podemos observar o resultado da medida feita pelo satélite ERS-2. um projeto comum dos Estados Unidos. A partir de 1978.

entre estas podemos citar: no alerta de ocorrência de geadas e nevoeiros. Os dados obtidos por satélites meteorológicos também podem ser aplicados em diversas áreas.Nesta figura pode-se observar a grande concentração de CO na América do Sul e África. O uso de dados de satélites meteorológicos para as mais diversas aplicações. Fig. concentração associada pricipalmente com o efeito das queimadas nestas duas regiões.Conrado . DSR/INPE 420 J.C. pois para cada novo sensor lançado a bordo dos satélites.Concentração de CO medida pelo sensor MOPITT do satélite TERRA. novas metodologias de uso podem ser desenvolvidas. é um campo que ainda não esgotou todas as possibilidades. 14 .

etc. 15 .Temperatura da superfície do mar satélite NOAA. . monitoramento de raios. nota-se que um grande progresso foi feito a DSR/INPE 421 J.Conrado . umidade do solo. podemos citar também algumas que não foram mostradas tais como: monitoramento de geadas.C. Esta variável tem as mais diversas aplicações. bem como os proudtos gerados usando os dados destes satélites. monitoramento de aerosóis.2.TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR Um produto de fundamental importância que pode ser obtido através de dados de sensores que operam no infravermelho e microonda é a temperatura da superfície do mar. Na Figura 15.7 . Fig. monitoramento de nevoeiro. seja nas atividades de pesca bem como no conhecimento do padrão de circulação dos oceanos. Porém. 3. Comparando a primeira imagem transmitida pelo satélite TIROS. podemos observar a variabilidade da temperatura da superfície do mar em escala global com os dados obtidos atraves dos satélites da série NOAA.CONCLUSÃO Foram mostrados acima resumidamente algumas aplicações que podemos obter através de dados obtidos pelos satélites meteorológicos. com as imagens de alta qualidade hoje obtidas pelos atuais satélites.

. T.partir de 1 de abril de 1960.Conrado .gsfc. 4.cptec.dlr. Progresso este que têm sido de grande utilidade para a humanidade.H. Academic Press.nasa.dfd. S..Q.gov http://jwocky.de/GOME/main.BIBLIOGRAFIA Kidder.nasa.C.nasa.br http://terra.html DSR/INPE 422 J.inpe. Vonder Harr.gov http://auc. Satellite Meteorology: an introduction.gsfc. http://www. 1995.gov http://trmm.

inpe.H.S.CAPÍTULO 5 TECNOLOGIA ESPACIAL NA PREVISÃO DO TEMPO S é r g i o H e n r i q u e S o a r e s F e r r e i r a1 H é l i o C a m a r g o J ú n i o r2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS CENTRO DE PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS 1 2 e-mail: henrique@cptec.inpe.Ferreira DSR/INPE .br e-mail: helio@cptec.br 5-1 S.

S.H.DSR/INPE 5-2 S.Ferreira .

.......................5-7 UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA ..H.................. 2...5-17 8................ 1.. 6...5 INTRODUÇÃO ............................... ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE ......................5-16 ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO ........................ ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE ..................................... 5-10 5............5-20 DSR/INPE 5-3 S..Ferreira .....ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ... 7....................................5-11 PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) ..............................5-8 3....................5-19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......... SATÉLITES METEOROLÓGICOS ................................. 9................................ CONCLUSÃO .......................................................................................S... 5.............5-10 4........

S.Ferreira .H.DSR/INPE 5-4 S.

........... 5-19 DSR/INPE 5-5 S..................................Ferreira ............... 5-16 5 .................Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT ......................S.......Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: .............Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 .....................................Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 ............ 5-13 3 ........... 5-17 6 .......H. 5-11 2 ....... 5-15 4 ..............Modelo Global CPTEC ..............Analise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT ..........LISTA DE FIGURAS 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais .......................

S.Ferreira .DSR/INPE 5-6 S.H.

abordamos de forma sucinta o processo da previsão do tempo.1. tanto para o desenvolvimento da previsão do tempo. Os resultados da previsão do tempo são divulgados nas mais variadas formas. mas abrangem uma fabulosa rede internacional de informações e coleta de dados. popularizando uma cultura básica em meteorologia. o mais rápido possível.Ferreira . quanto para a climatologia. devido aos prejuízos materiais e de vidas humanas que o desconhecimento destes fenômenos podem ocasionar. para fins de previsão de tempo. Tais recursos não restringem-se apenas aos centros de pesquisa e previsão do tempo. através de informações reportadas por aeronaves. tanto para a previsão do tempo quanto para a previsão do clima é necessário um grande volume de dados. das imagens de satélites e de radar. mantida pelos países que integram a OMM (Organização Meteorológica Mundial). Para compreender como funciona esta rede de informações. Partindo do pressuposto que tais prejuízos podem ser minimizados. a compreensão dos fenômenos atmosféricos tem ganhado relevada importância. grandes recursos têm sido aplicados à meteorologia em todos os países do mundo. INTRODUÇÃO Através dos tempos. Em termos práticos. desde a coleta das informações nos diversos tipos de estações até a elaboração dos boletins DSR/INPE 5-7 S.S. para que possam ser analisadas em tempo hábil. para um certo período e uma determinada área. Estes provém de estações meteorológicas distribuídas pelo mundo. mas que passa a integrar-se cada vez mais na cultura geral do cidadão. todas estas informações devem chegar aos centros de previsão. ou até mesmo evitados. que nem sempre é compreendida plenamente pelo público em geral. é necessário compreender a diferença entre tempo e clima. para o caso da previsão do tempo. Iniciando por um breve histórico do desenvolvimento da meteorologia. No entanto. enquanto a caracterização do clima constitui uma generalização ou integração das condições do tempo. Embora estes dois conhecimentos estejam intimamente relacionados é importante observar que a previsão do tempo corresponde a uma previsão diária do estado da atmosfera. navios e bóias oceânicas.H.

Este tubo preenchido com mercúrio era embocado em uma cuba contendo o mesmo líquido metálico. através do estudo da dinâmica da atmosfera. O barômetro de Torricelli constituía-se de um tubo de vidro fechado em uma das extremidades.). de forma praticamente instantânea.H. Era preciso reunir. Cabe destacar que os conceitos básicos de meteorologia e previsão de tempo podem se relacionar com os conteúdos das disciplinas escolares do ensino fundamental e médio. No Ocidente os primeiros registros foram feitos por Aristóteles (século IV a. O segundo passo significativo da meteorologia.de previsão do tempo.S. termômetros. em 1850 em DSR/INPE 5-8 S. a diminuição da pressão. Tais relações foram depois esclarecidas. isto é. outros importantes instrumentos meteorológicos foram inventados na mesma época. as informações obtidas pelas diversas estações meteorológicas. Ao contrário. etc. foi dado após a criação do telégrafo elétrico. permitindo a condensação do vapor d’água e a formação de nuvens. Desta forma. A partir da invenção deste instrumento começou a se desenvolver o conceito de pressão atmosférica. por Samuel Morse em 1843. 2. verificava-se na época que o peso da coluna de mercúrio era equilibrado pela pressão do ar. Desta forma . o que eqüivale aproximadamente à 1013 hPa (hecto Pascal) ou 1. sua relação com as condições do tempo e a fundamentação das leis físicas nos séculos seguintes. tais como os anemômetros.013 x 105 N/m2 . rumo a viabilização da previsão do tempo. Um fato importante foi a invenção do Barômetro por Torricelli em 1644. que também corresponde à pressão normal atmosférica ao nível médio do mar. UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA O estudo da atmosfera inicio-se em tempos remotos. indicando a pressão de 760 mmHg . inibindo a formação de nuvens. O aumento dos valores de pressão está relacionado ao movimento descendente do ar. Além do barômetro.C. permanecendo aproximadamente à 760 mm de altura.Ferreira . pluviômetros. está relacionada ao movimento ascendente do ar. mas foi somente no século XVII que começaram os primeiros passos significativos para o início da meteorologia como ciência. Esta pressão varia com a altitude do lugar e também com as condições do tempo.

Washington, foram mostradas ao público os primeiros mapas meteorológicos (Cartas Sinópticas de previsão do tempo), com informações recebidas através do telégrafo. Outro grande passo foi dado em agosto de 1853, com a Primeira Conferência Meteorológica Internacional, celebrada em Bruchelas. O grande foco desta Conferência foi a necessidade de padronização da forma de coleta e transmissão de informações meteorológicas, e da necessidade de cooperação internacional para disseminação destas informações, que começou a se concretizar de fato após 1873, com a realização do Primeiro Congresso Internacional em Viena. Este foi um acontecimento sem precedentes na história da cooperação internacional em meteorologia, Meteorological Organization) http://www.wmo.ch No entanto, apesar de tudo isto, não se conseguia fazer previsões do tempo confiáveis com mais de 1 dia de antecedência. Era possível avaliar através das cartas sinópticas as condições do tempo, conhecia-se como as massas de ar se comportavam em média, mas a previsão do estado futuro da atmosfera dependia principalmente da experiência do meteorologista, pois os cálculos numéricos necessários para a previsão são extremamente complexos. Tal problema tem sido resolvido recentemente com o desenvolvimento dos supercomputadores, que têm permitido a utilização de modelos numéricos de previsão do tempo, cada vez mais precisos e que integram toda a gama de dados meteorológicos existentes. Esta nova técnica constitui-se no que hoje se chama de previsão objetiva do tempo, em contraposição as técnicas subjetivas, que se vale da experiência do meteorologista. No Brasil, o INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, através do CPTEC - Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos em Cachoeira Paulista -SP foi pioneiro no Brasil no uso de supercomputadores para a previsão objetiva do tempo, quando em 1994 inaugurou o seu primeiro supercomputador NEC - SX3. Desde então, o CPTEC tem produzido previsões confiáveis com até 6 dias, através do Modelo Global e até 3 dias com o Modelo abrindo as portas para a criação da OMM - WMO ( Organização Meteorológica Mundial - Word

DSR/INPE

5-9

S.H.S.Ferreira

Regional. Estas informações são disponibilizadas diariamente através da Internet desde 1996 (http://www.cptec.inpe.br).

3. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE Estas estações são locais destinados a realização das observações meteorológicas, para a obtenção de dados, que caracterizam o estado presente da atmosfera. Estas estações, conforme a finalidade a que se destinam, podem ser agrupadas em diversas categorias. Dentre estas categorias, estão as chamadas estações sinópticas, que realizam as observações meteorológicas em horários padronizados internacionalmente. Os horários principais correspondem à Meridian Time”. Após a meteorológico, 00, 06, 12, 18 (GMT) das observações, o - “Greenwich observador realização

responsável pela estação , prepara os dados para serem

enviados, através do “Global Telecommunication System (GTS)” em forma de boletins codificados conforme norma da OMM. Basicamente, uma estação meteorológica dispõe de um conjunto de instrumentos para a avaliação das condições do tempo presente. O principal é o barômetro, destinado a medida da pressão atmosférica e a obtenção da pressão reduzida ao nível médio do mar. Além deste instrumento, a estação possui um ajardinado, lugar onde normalmente é instalado um anemômetro, para a medida da direção e velocidade do vento; um pluviômetro ou pluviógrafo, para a medida de precipitação e um abrigo ventilado, onde encontram-se os instrumentos destinados a medida da temperatura do ar e da umidade relativa. Além das medidas destes instrumentos, o observador meteorológico, relata as condições gerais do tempo, tais como, nebulosidade, visibilidade, etc.

4. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE As estações meteorológicas de altitude destinam-se a determinação da estrutura vertical da atmosfera. Nestas estações são normalmente empregadas as radiossondas, que consistem basicamente de dispositivos eletrônicos
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dotados de um transmissor de rádio e dos sensores de temperatura, umidade e pressão. Estes dispositivos são lançados através de balões, que podem atingir altitudes de até 40 quilômetros. Durante seu vôo, as informações obtidas pelo equipamento são transmitidas continuamente para um receptor na estação em terra. Como o balão viaja à deriva, a direção e velocidade dos ventos são calculadas por intermédio do sinal de localização emitido pela própria radiossonda. Tais informações são codificadas e transmitidas, via GTS, para os centros de previsão do tempo, em horários padrões, conforme estabelecido pela OMM. No entanto, devido ao alto custo das radiossondagens , estas são realizadas apenas duas vezes ao dia nos horários de 00 e 12 GMT

5. SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites geoestacionários situam-se a uma distância aproximada de 36000 Km, necessária para que estes se movimentem junto com a Terra. Como estes satélites visualizam sempre a mesma face do nosso planeta, uma imagem completa de toda a Terra só é possível através da concatenação das imagens procedentes de ilustra a Figura 1. diferentes satélites estrategicamente posicionados como

Fig. 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais.

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O sistema global de satélites meteorológicos, coordenado pelo CGMS (Coordination Group for Meteorological Satellites ), corresponde a uma constelação mínima de 5 satélites de orbitas geoestacionárias e dois satélites de orbitas quase polares (http://www.eumesat.de/en/area2/cgms/cover.htm). O mesmo não ocorre com os satélites de orbita polar. Situados em orbitas tipicamente bem mais próximas da Terra (850 Km de distância), os satélites polares cruzam o globo terrestre de Polo a Pólo , realizando uma volta completa em aproximadamente 100 minutos. Uma das características típicas destas orbitas é de normalmente serem heliosíncronas, isto é, fixas em relação ao plano do Sol. Desta forma, a medida que os satélites viajam entre os pólos a Terra gira de Oeste para Leste, exibindo a cada nova passagem do satélite uma região diferente do planeta. Uma imagem completa do planeta pode ser então obtida, através da composição das imagens individuais das várias passagens do mesmo satélite durante um período de 24 horas. A partir dos primeiros satélites meteorológicos , lançados na década de 60, imagens da cobertura de nuvens sobre a superfície da Terra tem sido utilizadas pêlos meteorologistas como um importante recursos na previsão subjetiva do tempo. Através da interpretação destas imagens os meteorologistas podem identificar e acompanhar os diversos sistemas meteorológicos, tais como sistemas frontais e tempestades tropicais. Tais imagens são obtidas através de sensores de radiação em diversas faixas do espectro, tais como a faixa da luz visível , faixa de infravermelho de 11µm e na faixa de absorção do vapor d'água. Por exemplo, a imagem da Figura 2 (a) foi obtida a partir do satélite geoestacionário GOES - 8 no canal 4 ( Imagem Infravermelha de 10,3 a 11,3µm). Nesta imagem verifica-se as nuanças de radiação térmica emitidas pela atmosfera e pela superfície da Terra. As regiões mais claras da imagem eqüivalem as regiões mais frias e normalmente estão associadas ao topo das nuvens mais altas. As partes mais escuras são associadas as nuvens médias e baixas, ou ao solo descoberto. A Figura 2 (b), obtida pelo mesmo satélite da Figura 2 (a) praticamente ao mesmo tempo corresponde ao canal -1 (Imagem Visível). A grosso modo podemos dizer que.

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esta é uma fotografia preto e branco da Terra onde podemos observar claramente as nuvens e as nuanças de luz produzidas pelo Sol.

Fig. 2 - Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: (a) Infravermelho ; (b) Visível Neste caso, ambas as imagens evidenciam a passagem de uma frente fria sobre o Uruguai. Ao norte da América do Sul, uma faixa de nuvens aglomeradas marcam a presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que na época do ano em questão, o Inverno, situa-se em média, um pouco mais ao norte do Equador. Em contraposição, a imagem da Figura 1(a) independe da iluminação do Sol, visto que trata-se de radiação Infravermelha emitida pela Terra; o que não ocorre na imagem da Figura 1(b). Nesta última, percebe-se as sombras nas nuvens devido a inclinação do Sol, assim como as regiões iluminadas e não iluminadas (dia / noite) no horário da imagem. No entanto, as possibilidades dos satélites vão além da simples obtenção de imagens da Terra. Através de programas de computadores específicos, as medidas de radiação podem ser utilizadas na obtenção de uma série de outras informações derivadas e em formato apropriado aos Modelos Numéricos de Previsão do Tempo. Dentre os muitos tipos de dados obtidos, os mais comuns

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semelhante aos dados convencionais de radiossondagem. SATEM.S. Os dados de TOVS são obtidos através de satélites de orbita polar. constituem dados isolados e por isto insuficientes para a caracterização tridimensional do estado físico da atmosfera.H. realizadas nas poucas estações meteorológicas de altitude.e disponíveis através do GTS são as informações de TOVS. Através destas medidas obtém-se perfis reconstituídos de temperatura e umidade em diferentes camadas da atmosfera. porém obtido por satélites geoestacionários. atualmente NOAA-14. O TOVS (TIROS3 Operational Vertical Sonder ) corresponde a medidas de radiação em diversos regiões do espectro. e SATOB. Na Figura 3 são apresentadas as temperaturas obtidas através de um dos sensores do TOVS do satélite NOAA 14. porém os satélites obtêm estes dados continuamente sobre toda a superfície da Terra enquanto as radiossondagens. 3 TIROS . sendo observados valores desde 201 K ou –72 oC sobre as regiões polares até valores de aproximadamente 269 K ou –4 oC sobre o continente africano.Television Infra-red Observation Satelite DSR/INPE 5-14 S.Ferreira . Na realidade. O SATEM é semelhante ao TOVS. os dados de TOVS não possuem a mesma precisão dos dados de radiossondagens. mais especificamente o canal 6 do HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) Tal canal caracteriza as temperaturas atmosféricas próximo ao nível de 800 hPa (altitude aproximada de 2000 m acima do nível médio do mar). A cada nova passagem do satélite uma nova faixa de valores de temperatura é obtida.

DSR/INPE 5-15 S.3 . obtido exclusivamente por satélites geoestacionários.Fig.Ferreira . estimando assim os valores de direção e velocidade dos ventos. Complexos programas de computador identificam o deslocamento e a evolução das nuvens em imagens sucessivas.H.Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 Fonte : EUMETSAT O SATOB. os vetores na Figura 4 representam a direção e velocidade dos ventos obtidos no CPTEC com dados provenientes do satélite geoestacionário GOES – 8. corresponde a dados de direção e velocidade dos ventos em vários níveis na atmosfera. A técnica de extração dos ventos emprega imagens sucessivas de cobertura de nuvens. Como exemplo.S.

dispensa o uso de energia elétrica. são igualmente importante para previsão do tempo e clima. umidade do solo.Ferreira . Dotada de painel solar. a Amazônia.H.Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 Fonte: CPTEC É importante salientar que estes são apenas alguns dos muitos tipos de dados obtidos através dos satélites para a previsão do tempo.S.Fig. 6. Os dados são transmitidos pelos satélites de coleta de dados ( No Brasil. Informações relativas a temperatura da superfície do mar. pelo SCD2 do INPE ). por exemplo. entre outras derivados dos dados de satélites. ou em áreas de difícil acesso como. Sua utilização estende-se nas áreas onde existem poucas estações meteorológicas convencionais. PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) As PCDs são estações meteorológicas capazes de automaticamente obter quase todos os tipos de dados obtidos por uma estação meteorológica de superfície convencional. DSR/INPE 5-16 S. 4 .

S. Fig. isto é . onde as temperaturas são maiores. apenas 12 horas antes das imagens de satélite da Figura 2.Análise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT .7. 5 . A Figura 5 ilustra um recorte da análise dos campos de pressão do Modelo Global do CPTEC para as 0 horas GMT do dia 28 / 06 / 1999 . o CPTEC tem realizado às análises e previsões através de modelos numéricos. aviões e bóias integram a massa de dados para as previsões do tempo. Estes dados são analisados através de cartas sinópticas. junto com dados obtidos por navios. por caracterizar o avanço de massa de ar frio sob a massa de ar quente. A primeira.Ferreira . sobre a Argentina. as radiossondagens. certamente possui temperaturas baixas e avança em direção à segunda. Com a utilização de supercomputadores. as imagens de satélites. A região de confronto entre as duas é denominada região de frente. no Atlântico. outro sobre o Atlântico (1023 hPa).Modelo Global CPTEC Através desta análise verificam-se dois centros de alta pressão. A partir da análise destas cartas são realizadas as previsões do tempo. que neste caso. um sobre o Sul da Argentina com pressões em torno de 1026 hPa. Estes centros de pressão caracterizam grandes massa de ar. ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO As estações de Superfície.H. DSR/INPE 5-17 S.

S. isto é.H. no sentido horário. Tal movimento é chamado de circulação anti-cilclônica. a circulação dos ventos ocorre no sentido anti-horário e no Hemisfério Norte. sendo também chamado de circulação ciclônica. Nos centros de baixa pressão o movimento é invertido. além dos campos de pressão estão sobrepostos os campos de precipitação acumulada no período. No Hemisfério Sul. horário no Hemisfério Sul e anti-horário no Hemisfério Norte. Na Figura 6 temos as previsões do modelo Global do CPTEC para as próximas 24 horas. Nesta figura.corresponde à uma frente fria que atua sobre o Uruguai. Uma característica interessante dos centros de alta pressão é a circulação dos ventos em torno destes centros.Ferreira . Podemos também perceber este ciclone através das imagens de satélite da Figura 2. É o exemplo do ciclone situado no litoral sul da Argentina (Figura 5 ). 6 . através da disposição das nuvens em espiral. temos baixas pressões e grandes movimentos de ar úmido . que apresenta valores de pressão inferiores à 986 hPa.Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT DSR/INPE 5-18 S. Fig. Tal ciclone encontra-se ainda associado à frente fria sobre o Uruguai. que produzem grande quantidade de nuvens e chuva. Na região da frente. que em partes é decorrente do movimento de rotação da Terra.

desloca-se para leste enquanto a alta pressão. O centro de baixas pressões. da retaguarda deste sistema. verificamos que o modelo prevê o sistema frontal sobre o Rio Grande do Sul . sejam estes por especialistas ou pelo público em geral. CONCLUSÃO Para a previsão do tempo é necessário o envolvimento de grandes recursos e da cooperação entre os países. que confeccionam os boletins escritos de previsão do tempo. onde também são previstas chuvas. até a saída das previsões numéricas do tempo. para que tais resultados possam ser melhor aproveitados.Comparando-se o campo de pressão desta figura com a análise da Figura 2 . No entanto. portanto bem mais preciso que o modelo Global. 8. exemplificamos como as informações meteorológicas são trabalhadas. O Ultimo passo deste processo é a interpretação destas saídas pelos meteorologistas. destacando a DSR/INPE 5-19 S. Deve-se no entanto observar. É necessário noções gerais de meteorologia.H. onde o tempo provavelmente permanece estável com poucas nuvens.Ferreira . o CPTEC ainda disponibiliza os resultados do Modelo Regional ETA. menos confiáveis elas serão. para serem posteriormente divulgados. Estes boletins são atualizados diariamente na Internet. que utiliza uma grade de 200 x 200 Km. matemática e geografia entre outras. não basta ter acesso às informações. exceto na região litorânea. tais como a física.S. que utiliza uma grade de resolução de cálculo de 40 x 40 Km de área para até 3 dias de previsão. Da mesma forma que foi gerada esta previsão. Deste modo. o Modelo Global do CPTEC gera previsões até 120 horas ( 6 dias ). avança sobre o sul da Argentina. A Alta pressão do Atlântico estende-se por grande parte da Região Sudeste e Nordeste do Brasil. Os resultados são úteis para diversas áreas de atividade humana e também para a população em geral. Além do Modelo Global. e ainda conhecimentos das mais diversas áreas. associados à este sistema. que se estendem sobre o oceano Atlântico. compreendida entre o Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. que quanto mais longas forem as previsões do tempo.

UFV Imprensa Universitária. 5.html [19 Jun.inpe. One Hundred Years of International Co-operation in Meteorology (1873-1973). CGMS Directory of Meteorological Satellite Applications. Meio Ambiente e Ciências Atmosféricas: A utilização de Multimídia e da Rede Internet no ensino Público de Nível Médio.cptec. R. 2001] Vianello. Geneva. 1973 DSR/INPE 5-20 S.S. 1994 CENTRO DE PREVISÃO DO TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS: CPTEC. Meteorologia Básica e Aplicações. 2a ed . M. Boston 1996. 1991 WORLD METEOROLOGICAL ORGANIZATION: WMO. 1998 THE EUROPEAN ORGANISATION FOR METEOROLOGICAL SATELLITES: EUMETSAT. Novo. D.H.br/~ensinop/index. Disponível na Internet http://www. Historical Essays on Meteorology 1919-1995. na divulgação desses conhecimentos. E.importância do trabalho do professor.de/en/area2/cgms/cover.L. 9. Ed. 345. WMO No. West Publishing Company. Climate and the Environment. 2001] Fleming J. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ahrens.htm [19 Jun. Sensoriamento remoto: Princípios e Aplicações. C. Edigard Blücher São Paulo.eumetsat. Viçosa.Ferreira . American Meteorological Society. Disponível na Internet: http://www3. Meteorology Today: An introduction to Weather.

br .inpe.CAPÍTULO 6 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À OCEANOGRAFIA Milton Kampel* INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO *milton@ltid.

Kampel .ÍNDICE DSR/INPE 6-2 M.

.....................................................3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES .........2 COR D’ÁGUA ..2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA .............................LISTA DE FIGURAS ..........16 3... 6........................................... 6.......................9 2.3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS ............. 6............... 6. 6..................18 3.................1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR .....25 3.3 GERENCIAMENTO COSTEIRO ........................... 6.................... 6.....22 3.3 VÓRTICES E FRENTES ......... 6...........9 2....1.....2.............................15 3............................................................. 6...............Kampel ..2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA .................................... 6......................................24 3....2 RESSURGÊNCIAS ..... 6.19 3............................. 6.27 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS .... 6..........................7 2 INTRODUÇÃO ..........................................20 3....... 6......................................................................................... 6.......... 6........1............................... 6..............30 DSR/INPE 6-3 M...5 1 APRESENTAÇÃO ...... 6......................................2............11 3 APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA ...........................................1.......1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS .2....................................................28 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .1 O QUE É OCEANOGRAFIA ........1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA ........................................15 3.........9 2....................................

Kampel .LISTA DE FIGURAS DSR/INPE 6-4 M.

.......... rastreado por satélite. do litoral norte do RJ................. Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência. (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE..... 26 Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo..................... 20 Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtidas a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira....... 27 DSR/INPE 6-5 M........ do Baixo do Parnaíba (PI... O continente e as nuvens estão mascarados em branco.......Anomalia de temperatura da superfície do mar.. ...... ........... As setas menores indicam a posição da frente termal............ ..Figura 1... A escala de temperaturas encontra-se a direita... A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem. 25 Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7.... 23 Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS............................ padrão WOCE... As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos.... A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g....m-2 encontra-se na parte inferior da figura.......... Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura).....17 Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar............. ........ mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio.. A escala de temperaturas encontram-se a direita..... Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura).. sensor ETM+...... em cima . MA e CE)............. A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S........... 18 Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14....... composição colorida 3B4G5R........ 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem..... às 05:23h.. de 08/08/2000...................... Tomé.. nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior)....... Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos............... As isóbatas de 500. .......... produzida a partir de imagens do satélite NOAA-12....C...... 1000.........Kampel .. As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica.. A parte submersa encontra-se em tons de azul......... entre 18 e 24 de junho de 2002..

1 APRESENTAÇÃO A Terra é um planeta aquático com dois terços de sua superfície coberta por água.Kampel . Mais da metade da radiação solar que chega à superfície terrestre é DSR/INPE 6-6 M.

similarmente. os oceanos são importantes por outros motivos: o comércio internacional se utiliza muito dos meios marinhos. desde derramamentos de óleo. Além do aspecto climático e meteorológico. O alto calor específico da água do mar impede que a amplitude da temperatura varie rapidamente ao longo do dia. e programas de defesa nacionais são cada vez mais dependentes de operações navais. os oceanógrafos vem elaborando uma descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar. essa descrição é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta. Da mesma forma. a física. No fundo oceânico existem grandes depósitos de minerais valiosos – óleo e fontes potenciais de minerais estratégicos. Os depósitos oceânicos fornecem um quadro da evolução climática global ao longo de milhões de anos. A topografia do solo oceânico e suas propriedades magnéticas fornecem. uma visão da evolução das crostas oceânica e continental. biologia e geologia dos oceanos são fundamentais para o desenvolvimento e gerenciamento desses recursos vivos. a temperatura do oceano permanece mais constante. esgotos domésticos e industriais. Os dados obtidos tendem a vir de navios (de pesquisa ou de DSR/INPE 6-7 M. Enquanto que a atmosfera e os continentes suportam grandes variações de temperatura nas altas e médias latitudes. assimilam grande. onde é armazenada e redistribuída pelas correntes marinhas antes de ser liberada para a atmosfera. Os processos atuantes nos oceanos são também importantes em relação à absorção de gases.Kampel . Eles podem atrasar ou reduzir o impacto do aquecimento global provocado pelo aumento nas taxas de dióxido de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis.primeiro absorvida pelos oceanos. Entretanto. se não a maior parte da poluição antropogênica. Por mais de um século. Além disso. até lixo atômico. química. Os oceanos também. os recursos pesqueiros abastecem uma fração significativa da proteína consumida mundialmente.

oportunidade) que muitas vezes são obrigados a alterar suas rotas normais em função de condições meteorológicas adversas ou pela presença de gelo no mar. Como DSR/INPE 6-8 M. além de alguns exemplos de aplicações da tecnologia espacial no estudo oceanográfico. fornece uma visão sinóptica dos oceanos. As aplicações dos dados orbitais são tão diversas que podemos considerar este meio de aquisição de informações para a oceanografia como um todo – biológica. particularmente no Hemisfério Sul. Espero que seja útil. são pouco visitadas por quaisquer navios.SP 2.Kampel . O sensoriamento remoto a partir de instrumentos orbitais ou aerotransportados. de forma resumida. Grandes áreas oceânicas. a Oceanografia é o “estudo das características físicas e biológicas dos oceanos e dos mares”. os oceanos apresentam uma grande variabilidade espaço-temporal. alguns aspectos relacionados à Oceanografia e ao Sensoriamento Remoto dos oceanos. Este capítulo “Sensoriamento Remoto Aplicado à Oceanografia” pretende apresentar. necessitando de medições freqüentes em locais bem distribuídos ao redor de todo o globo terrestre. sua flora. Milton Kampel Julho de 2002 São José dos Campos . a Oceanografia é uma “ciência universal. geológica e física – tão eficaz como as informações obtidas por meios convencionais. A quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos e monitorados por sensoriamento remoto é bem ampla. INTRODUÇÃO 2. sua fauna e seus limites físicos com a terra firme e a atmosfera. que tem por objetivo o estudo do meio marinho. Além disso. Já segundo a UNESCO. apresenta novas perspectivas para a descrição e o entendimento dos oceanos. que associada a recursos computacionais cada vez mais sofisticados.1 O QUE É OCEANOGRAFIA Segundo o dicionário. química.

através do emprego de balões e foguetes meteorológicos.. Engenharia. podem se propagar por grandes distâncias submarinas.. Por exemplo. temperatura e umidade em diferentes níveis da atmosfera são rotineiramente coletados por serviços meteorológicos. Daí sua aplicabilidade em medições das profundidades em rios ou oceanos (batimetria).Kampel . ela se baseia no método experimental (. detecção de cardumes e comunicações submarinas. Na verdade.qualquer outra ciência. apesar de serem fortemente atenuadas na atmosfera. Devido às grandes dimensões dos fenômenos oceânicos e do fato de que eles raramente são gerados num mesmo lugar. caça de minas submersas. É convenientemente dividida em: Oceanografia Biológica. como a bordo de satélites. entre outras. O principal objetivo do estudo oceanográfico é obter uma descrição sistemática dos oceanos. a oceanografia depende da cooperação internacional”. dados de pressão. Administração/Marketing. Informações científicas sobre diferentes níveis atmosféricos também são coletadas por métodos de rádio-sondagens operados tanto por estações terrestres.2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA O Sensoriamento Remoto não está limitado a geração e interpretação de dados na forma de imagens. A Oceanografia pode ser considerada como o estudo científico dos oceanos com ênfase no seu caráter como Ambiente. suficientemente quantitativa para permitir a previsão de seu comportamento com algum grau de certeza. DSR/INPE 6-9 M. Cartografia. Paleontologia. Oceanografia Física. Oceanografia Química e Oceanografia Geológica. 2.). a Oceanografia é uma disciplina multi e interdisciplinar. inspeções submarinas. envolvendo diversas áreas como a Meteorologia. Sensoriamento Remoto. Ondas ultra-sônicas.

praticamente. Ondas sonoras tem sido utilizadas para estudos do fundo e subfundo marinho. de gases dissolvidos etc. não haveria nenhuma objeção fundamental impedindo a extensão das técnicas de sensoriamento remoto nos oceanos. DSR/INPE 6-10 M. a descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta. Desta forma. apesar da coleta de dados via SR ocorrer em apenas uma única profundidade.Como já mencionado anteriormente. são os parâmetros superficiais .Kampel . a superfície. velocidades. para quaisquer variações que ocorram em profundidades nos oceanos. Se por um lado. ou seja. para observação do material em suspensão na água do mar. . Por outro lado. Desta forma. trata-se do nível mais importante. por vários oceanógrafos utilizando métodos acústicos nos oceanos. concentrações salinas. na medida em que se analisam três aspectos: 1) Inicialmente. ao longo dos anos. para estudos biológicos. alguns oceanógrafos mais conservadores afirmam que as informações obtidas por satélites não podem ser tão precisas ou relevantes como quando coletadas por embarcações de pesquisa. medições de velocidade pelo efeito Doppler etc. A representatividade dos dados de sensoriamento remoto para parâmetros oceanográficos dependentes da profundidade ou que apresentem variações temporais de alta freqüência é válida.temperatura.que controlam as interações energia/matéria entre o oceano e a atmosfera. com a utilização das ondas eletromagnéticas através da atmosfera. a quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos com o emprego de tecnologia espacial é bem ampla. determinações de estruturas termohalinas. cabe lembrar que técnicas de sensoriamento remoto tem sido empregadas.

podemos considerar o fato de que os dados obtidos via SR incorporam um valor médio. sendo particularmente relevantes para testar previsões de modelos numéricos. Em um sistema ativo. Esta é refletida pelo mar e atinge o satélite. e sua intensidade depende do tipo de fundo e da DSR/INPE 6-11 M. 3) Ainda. infravermelho-próximo. transmite esta radiação em direção ao alvo.2) Outros aspectos positivos a serem considerados são: a visão sinóptica. Os sensores que atuam na região espectral do visível respondem diretamente às condições da parte superior da coluna d’água. Robinson (1985) classifica os sensores de comprimento de onda visível como passivos em relação à fonte de radiação inicial. separa os sensores passivos do sensores ativos. o instrumento de SR simplesmente detecta qualquer radiação que esteja no comprimento de onda (ou bandas espectrais) para a qual o instrumento foi projetado. e extrai informações a partir do sinal de retorno. o próprio instrumento de SR gera radiação. 2. por unidade de área. de forma que a informação que se busca por meio do imageamento da cor da água está relacionada com os processos de reflexão e retroespalhamento.Kampel . mesmo para locais oceânicos isolados. as regiões do visível (ótico). ou seja. microondas e ondas de rádio. a iluminação do sol. a radiação ascendente conterá informações conseqüentes dos processos de retroespalhamento do corpo d’água. automaticamente. infravermelho-termal. Uma vez que o sensor evite a reflexão direta da luz solar.3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS É conveniente classificar os sensores e instrumentos de SR de acordo com o comprimento de onda eletromagnética usada. Outra classificação importante. Em águas claras. Em um sistema passivo. a luz refletida pelo fundo pode ser vista do espaço. a alta resolução espacial (para determinados sensores) e a possibilidade de se obter séries temporais de dados consistentes por longos períodos.

infravermelha e microondas. registrarão a radiação emitida pela superfície do mar. de forma que. dividido por sua área denomina-se “exitância radiante”. sensores operando na faixa do infravermelho-termal podem ser utilizados para estimar a temperatura da superfície do mar. Os laseres operando numa ampla faixa do espectro. para investigar a hidrosfera. Os radiômetros passivos são equipamentos que medem o fluxo de energia eletromagnética que chega aos seus sensores direcionalmente. tornando assim a batimetria e a identificação de diferentes tipos de fundo duas aplicações viáveis para estes sensores. o fluxo radiante emitido por uma superfície. Esta radiação emitida é predominante para comprimentos de onda entre 10 µm e 12 µm. Os sensores do infravermelho-próximo apresentam um caráter de complementaridade em relação aos do visível. lagos e rios é possível por meio das radiações visível. O SR dos oceanos. cada vez mais eles são instalados em aeronaves e navios.profundidade. a emissividade é a razão entre a exitância radiante de um corpo e a exitância radiante de um corpo negro a uma mesma temperatura). Se fossem realizadas medições em vários bandas espectrais. Medem comprimentos de onda até a região de microondas.Kampel . Sensores operando na faixa entre 3 µm e 4 µm registrarão quantidades apreciáveis de energia solar refletida durante o período diurno. mas no período noturno. Ainda que os laseres tenham sido mais empregados para sondar a atmosfera. A radiação emitida pela superfície marinha depende da emissividade desta (ou seja. de forma mais rápida. e podem ser utilizados na determinação da temperatura da superfície do mar. voltados diretamente para baixo. tem dado uma nova dimensão às pesquisas hidrográficas e oceanográficas. no infravermelho e nas DSR/INPE 6-12 M. ainda que a absorção da água aumente para comprimentos de onda maiores que 800 nm. permitindo um alto grau de resolução em profundidade e uma pesquisa subsuperficial que é inatingível por outras técnicas de SR.

Uma vez que sua posição possa ser definida precisamente. velocidade e direção de ventos superficiais. seria possível. Os sensores de microondas ativos utilizam o retroespalhamento das ondas eletromagnéticas na superfície marinha para obter informações a nível orbital. A possibilidade de aplicações dos sensores ativos ainda pode ser bastante desenvolvida. a deformação do pulso refletido transporta informações sobre a altura de ondas significativas. esteiras de navios. Bóias de deriva ou ancoradas medem in situ diferentes parâmetros DSR/INPE 6-13 M.microondas. marés. espectro direcional de ondas. na vertical do local). derramamentos de óleo. ondas internas. Outra tecnologia espacial cada vez mais utilizada no monitoramento oceânico é o emprego de plataformas remotas para a aquisição de dados com telemetria via satélite. etc. O radar de abertura sintética (Synthetic Aperture Radar . A rugosidade medida é causada por pequenas ondas. em princípio. incluindo aí a salinidade. etc. o radar altímetro consegue medir a altitude da superfície marinha. fluxos de calor superficial. da rugosidade desta superfície como é vista pelo radar. Este processamento permite a produção de uma imagem do retroespalhamento da superfície. ondas internas. mesmo na presença de nuvens. feições topográficas de fundo. estado-do-mar.SAR) é capaz de processar a medição do tempo e da fase do sinal retroespalhado. em relação à sua própria posição. Esta técnica orbital permite detectar ondas de gravidade. obter informações da emissividade e dos parâmetros dos quais ela depende. Sensores de microondas ativos são desenvolvidos para aplicações específicas. entre outras. e de sua amplitude. como o estudo de correntes. Esta informação é útil no estudo de marés e da circulação oceânica. Pelo registro do tempo de retorno de um pulso emitido na direção nadir (isto é. películas superficiais de óleo. ou seja. é possível determinar a altitude da superfície marinha em relação ao geóide terrestre. É possível obter uma resolução espacial na ordem de dezenas de metros. Além disso.Kampel . de poucos centímetros de comprimento.

modelos numéricos e dados coletados in situ. Atualmente. Estes dados são utilizados em estudos da circulação oceânica. Os SIG’s são normalmente utilizados para a produção de mapas. mapas cartográficos. os benefícios do SR na Oceanografia brasileira ainda são restritos. e ainda na modelagem de processos e fenômenos naturais permitindo o diagnóstico ambiental e seus prognósticos. integrando dados de diversas fontes e criando bancos de dados georreferenciados. que possam ser constantemente interrelacionadas em diferentes conjuntos de informações para auxiliar a tomada de decisão de forma ampla e objetiva. visualizar e plotar o conteúdo da base de dados georreferenciados. entre outros. Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) são ferramentas computacionais para Geoprocessamento que permitem realizar análises complexas. como suporte para a análise espacial de fenômenos. entre outras aplicações. arquivos batimétricos. a noção de mapa deve ser estendida para incluir diferentes tipos de dados como imagens de satélites. transmitindo os dados via satélites. como um banco de dados geográficos com funções de armazenamento e recuperação de informações espaciais. calibração de imagens orbitais termais. e para consultar.Kampel . dados oceanográficos e meteorológicos históricos. O planejamento.oceanográficos e meteorológicos em diferentes regiões do oceano mundial. transporte de calor. DSR/INPE 6-14 M. recuperar. gerenciamento e necessitam de dados monitoramento de recursos naturais atualizados. O SIG oferece também. Um SIG é capaz de integrar numa única base de dados. Num ambiente computacional. dados coletados in situ. informações espaciais provenientes de imagens de satélites. mecanismos para combinar as várias informações através de algoritmos de manipulação e análise.

). fornecimento de suporte à pesca de peixes pelágicos. A medida em que dados digitais em maior quantidade e melhor qualidade foram sendo disponibilizados. podem ser encontrados diversos trabalhos que demonstram a utilidade das imagens termais em estudos oceanográficos. uma precisa correção geométrica destas imagens permite a realização de análises multitemporais ou então. vórtices.5ºC). identificação de ressurgências. eventos de ressurgência. meandramentos e frentes. ser realçados radiometricamente para a geração de imagens capazes de mostrar pequenas variações de temperatura. foi sendo possível efetuar estimativas quantitativas da TSM. Inicialmente. obtendo-se desta forma. entre outros. Da mesma forma.1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR As imagens infravermelhas dos oceanos obtidas. as frentes oceânicas.Kampel . Estas estimativas tornaram-se possíveis tanto com a utilização de medições realizadas em apenas uma banda espectral. Os dados digitais podem ainda. Na literatura nacional e internacional. A obtenção da TSM a partir de radiômetros de infravermelho tem sido empregada em diversas aplicações oceanográficas tais como em estudos de mudanças climáticas globais. DSR/INPE 6-15 M. dados mais precisos (cerca de 0. etc. de dados provenientes de diferentes fontes (por exemplo. como combinando-se medições de diferentes canais espectrais. só se obtinham dados de satélites no infravermelho na forma fotográfica como subproduto de imagens meteorológicas. APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA 3. outros sensores. coletados por embarcações. têm sido utilizadas no estudo de diversos fenômenos e processos oceanográficos como as correntes marinhas. processos de mistura nas águas costeiras. a partir da observação de variações na temperatura da superfície do mar (TSM). por satélites.3. monitoramento dos campos de TSM e/ou correntes oceânicas superficiais.

3.1.1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS A Figura 1 mostrada a seguir ilustra os campos médios de anomalia de temperatura da superfície do mar entre 18 e 24 de junho de 2002, para os Oceanos Atlântico e Pacífico, respectivamente. Estes mapas foram produzidos pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE a partir de dados de satélites disponibilizados pelo Centro de Previsão do Tempo dos Estados Unidos – NCEP/NOAA. As anomalias de temperatura da superfície do mar são calculadas pelos desvios dos valores de TSM em relação a médias climatológicas obtidas por séries longas de dados de satélites. Nesta figura, podemos observar que os valores de TSM estão indicando uma evolução gradual do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. No Oceano Atlântico Sul, as águas superficiais entre a América do Sul e a costa oeste e sul da África permanecem quentes em relação a semanas anteriores. Já no Atlântico Norte, notam-se desvios negativos da TSM próximos à costa noroeste da África, sugerindo a presença de uma banda de nebulosidade normalmente associada à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Neste caso, a posição atual da ZCIT estaria ligeiramente ao sul da sua posição média climatológica.

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Figura 1 – Anomalia de temperatura da superfície do mar, entre 18 e 24 de junho de 2002, nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior). A escala de temperaturas encontra-se a direita, em cima. Eventos como o El Niño, que causam enormes prejuízos materiais e até perdas de vidas humanas, e o potencial efeito do aquecimento global devido ao aumento nos níveis de dióxido de carbono na atmosfera proveniente da queima de combustíveis fósseis (efeito estufa), enfatizam a importância do monitoramento oceânico realizado com auxílio de satélites para estudos e previsões climáticas.

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3.1.2 RESSURGÊNCIAS A Figura 2 mostra a ocorrência de um evento de ressurgência costeira na região de Cabo Frio, RJ. A imagem termal foi adquirida pelo sensor AVHRR (Advanced Very High Resolution Radiometer), instalado a bordo do satélite NOAA-12, na madrugada de 15 de dezembro de 2000. Os tons em vermelho ao largo na imagem com valores altos de TSM (>23ºC) estão associados à Corrente do Brasil. Esta corrente quente, salina e pobre em sais nutrientes, banha grande parte da costa brasileira.

Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar, produzidas a partir de imagens do satélite NOAA-12, às 05:23h, mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio. A escala de temperaturas encontra-se a direita. Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência. O continente e as nuvens estão mascarados em branco. A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem. Na região de Cabo Frio, quando sopram ventos intensos e constantes do quadrante NE, ocorre o fenômeno da ressurgência. As águas de subsuperfície, mas frias e ricas em nutrientes, são bombeadas para níveis mais rasos, chegando a aflorar na superfície. A presença destas águas subsuperficiais pode ser facilmente notada na imagem da Figura 2 em tons azuis, com TSM’s abaixo de 19ºC.

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3.1.3 VÓRTICES E FRENTES A Figura 3 apresenta uma imagem termal, processada, do satélite NOAA-14 obtida em 8 de agosto de 2000 sobre o litoral norte do RJ. Os tons vermelhos na imagem, com valores de TSM acima de 23ºC estão associados à Corrente do Brasil, fluindo de nordeste para sudoeste. As águas sobre a plataforma continental, com TSM’s mais baixas (< 22ºC), ficam separadas das águas quentes da Corrente do Brasil por uma frente termal, onde são observados intensos gradientes horizontais de temperatura. Nestas regiões oceânicas ocorrem agregações passivas de organismos com pouca ou nenhuma capacidade natatória que servem de alimento para outros consumidores mais evoluídos. Daí seu interesse para a pesca oceânica de peixes pelágicos e outros recursos marinhos. A posição aproximada da frente está assinalada na Figura 3 por pequenas setas sucessivas. Entre as latitudes 22º-23ºS e as longitudes 40º-41ºW, e em torno da posição 24ºS-42ºW, podemos notar a presença de dois vórtices ciclônicos, com rotação no sentido horário (ver indicação das setas mais largas na Figura 3). Estas estruturas de mesoescala provocam misturas verticais e horizontais de águas com características físicas e químicas diferentes. Desta forma, processos biológicos nestas regiões acabam sendo influenciados por estes forçantes físicos alterando temporariamente a estrutura e o funcionamento do ecossistema.

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Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14, de 08/08/2000, do litoral norte do RJ. Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura). As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos. As setas menores indicam a posição da frente termal. 3.2 COR DA ÁGUA

A cor do oceano é resultante da energia solar retroespalhada pela superfície marinha e pela coluna d’água. O azul escuro do oceano profundo é típico de águas com baixas concentrações de organismos fitoplanctônicos (algas unicelulares marinhas) ou outras substâncias opticamente ativas (materiais

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1959. visto que. 1970). Da irradiância que chega aos oceanos.. Clarke et al. Por isso. resta interpretar a radiância ascendente ressurgente da água em termos das características ópticas das camadas superiores do oceano (ou em termos das variações nas concentrações e tipos de material dissolvido e particulado que contribuem para variações nestas propriedades ópticas).orgânico e inorgânico). 1978. a entrada de nutrientes no ambiente aquático geralmente aumenta. com conseqüente desenvolvimento de maiores concentrações de fitoplâncton e mudança de cor do azul para o verde. Estas cores percebidas pelo olho humano podem ser quantificadas por medidas da distribuição espectral da radiância ascendente da água realizadas por sensores instalados em satélites. Quanto mais próximo da costa. da profundidade até onde a irradiância é reduzida a 37% (1/e) do seu valor na superfície (Gordon e McCluney. As equações utilizadas nestes procedimentos são coletivamente referidas como algoritmos bio-ópticos (Smith e Baker. A medida que se aproxima da costa. Avaliações quantitativas das propriedades bio-ópticas da água do mar requerem métodos precisos de correção atmosférica. maior a contribuição de sedimentos e material dissolvido provenientes do continente. Clark. é restrito a esta camada. a determinação da concentração de pigmentos. O fitoplâncton altera as propriedades ópticas da água do mar (Yentsch. 1975).Kampel . Assumindo que a contribuição atmosférica ao sinal do satélite pode ser estimada. 1981). A cor da água muda para amarelo-marron chegando a vermelha em certas circunstâncias. ou seja. 90% retorna à atmosfera e é proveniente da primeira profundidade óptica. cerca de 90% do sinal detectado pelos sensores orbitais provêm da atmosfera. DSR/INPE 6-21 M. através do sensoriamento remoto orbital.

. Monger et al.. como a clorofila-a. os mapas de concentrações de clorofila-a obtidos atualmente têm acurácia de ±30% no intervalo entre 0.1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA Rotineiramente. Santamaria-del-Angel et al. 1994. torna-se possível avaliar o papel dos oceanos no ciclo global do carbono. Da mesma forma. DSR/INPE 6-22 M. Desta forma. Entre estas. A partir de imagens da concentração superficial de pigmentos. 1986. entre outros). 1994.2. Segundo Hooker e McClain (2000).Apesar destas limitações.m-3. A cor da água do mar é. 3. plumas de efluentes domésticos e/ou industriais também podem ser monitorados com esta tecnologia.Kampel . Laurs e Brucks (1985) demonstraram a utilização dos mapas de concentração de pigmentos no estudo da distribuição de capturas de tunídeos.05-50 mg. servindo como indicadores auxiliares no controle da poluição marinha. lançando mão da distribuição de sedimentos em suspensão como traçador. aliadas à cobertura por nuvens. é possível observar sinopticamente feições biológicas de sistemas dinâmicos como os grandes giros subtropicais. frentes oceânicas. Biggs e Müller-Karger. assim como em outros ciclos biogeoquímicos. 1997. podemos citar os estudos de processos dinâmicos de correntes de maré. ressurgências e vórtices de mesoescala (Peláez e McGowan. algumas vezes. alterada pela presença de determinados tipos de poluentes. os dados da cor do oceano obtidos por satélites são empregados para estimar as concentrações de clorofila na superfície do mar. A obtenção rotineira de dados quantitativos das propriedades bio-ópticas dos oceanos permite ainda o exame dos fatores oceânicos que afetam as mudanças globais. tem se desenvolvido diversas aplicações oceanográficas com a utilização de dados orbitais da cor do oceano. Estas imagens podem ainda ser utilizadas para monitorar plumas de sedimentos carreados por rios para a região costeira. através de programas de pesquisa abrangentes.

A Figura 4 apresentada a seguir mostra os campos superficiais de concentração de clorofila-a obtidos pelo processamento da imagem SeaWiFS de 09/08/2000. 1000. Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura). Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S. DSR/INPE 6-23 M. e as águas mais ricas sobre a plataforma.Kampel . 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem. Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. As setas pequenas na imagem indicam a presença de uma frente oceânica formada entre as águas pobres e oceânicas da Corrente do Brasil. típicas das águas oligotróficas da Corrente do Brasil. normalmente localizadas mais próximo à costa. Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtida a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira. As isóbatas de 500. As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica. Os tons de amarelo a vermelho correspondem a águas mais ricas em clorofila. Tomé.

A produção primária é expressa como função da biomassa fitoplanctônica e da irradiância disponível em diferentes níveis de profundidades.Kampel . indica o sentido de rotação de um vórtice ciclônico presente na imagem. A biomassa fitoplanctônica na camada superficial é determinada pela concentração de clorofila-a obtida por imagens da cor do oceano. Com isso.1992). É interessante notar a mais alta produtividade do Oceano Atlântico Norte em relação ao Atlântico Sul. A análise de séries temporais de imagens da cor do oceano permite que se conheça a magnitude e a variabilidade das concentrações de clorofila e da produtividade primária em escala global. nesta época do ano. e a irradiância DSR/INPE 6-24 M.C. Feições oceanográficas de mesoescala também podem ser visualizadas em imagens da cor do oceano.2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA A velocidade com que as concentrações de clorofila variam no tempo e/ou quanta fotossíntese está ocorrendo durante o dia é chamada de produtividade primária (primária porque é a fase inicial e crítica da teia alimentar). A irradiância disponível na superfície do mar foi calculada por modelos de transferência radiativa (Gregg e Carder.A seta mais larga quase em frente a Cabo de São Tomé. correspondentes a valores de produção primária mais altos. Os tons de verde a vermelho.m-2) para o mês de agosto de 1998. A tabela de cores aparece na parte inferior da figura. 3. A Figura 5 mostra um mapa médio da produtividade primária fitoplanctônica integrada na coluna d’água (g. pode-se tentar quantificar as relações entre a física dos oceanos e os padrões de produtividade em grande e mesoescala (McClain et al. 1990). são encontrados em regiões costeiras. Este mapa foi obtido a partir de um algoritmo semi-analítico baseado nas relação fundamental entre fotossíntese e luz. Os tons azuis. típicos de águas oceânicas pobres. de divergência equatorial e em áreas de ressurgência. correspondem aos menores valores de produtividade.. da mesma forma como em imagens termais.2.

3 GERENCIAMENTO COSTEIRO A Zona Costeira abriga um mosaico de ecossistemas de alta relevância ambiental. O Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) é um dos instrumentos do Gerenciamento Costeiro que baliza o processo de ordenamento territorial DSR/INPE 6-25 M. 3.disponível abaixo da superfície do mar foi estimada por modelos de atenuação na coluna d’água (Sathyendranath e Platt. fundamentalmente. e há uma tendência permanente ao aumento da concentração demográfica nessas regiões.C. A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g. Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS. Desta forma. A maior parte da população mundial vive em zonas costeiras.m-2 encontra-se na parte inferior da figura. com interações que lhe conferem um caráter de fragilidade. 1988). cuja diversidade é marcada pela transição de ambientes terrestres e marinhos.Kampel .2. pode-se dizer que a sustentabilidade das atividades humanas nas zonas costeiras depende de um meio marinho saudável e vice-versa. e deste com a sociedade. a atividade de gerenciamento deste amplo universo de trabalho implica. na construção de um modelo cooperativo entre os diversos níveis e setores do governo. Em síntese.

à porção terrestre. composição colorida 3B4G5R. A Figura 6 a seguir mostra a área do Baixo Rio Parnaíba.744. Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7.25 km2. incluindo o seu delta. foi elaborado um ZEE como um passo importante para orientar planos de gestão. Para garantir a sustentabilidade do seu desenvolvimento. DSR/INPE 6-26 M. até a isóbata de 20 m. entrte os estados do Pi.Kampel . Incorporando a área marinha. Esta região é alvo de diferentes interesses que visam a alterar suas condições de uso e ocupação.necessário para a obtenção das condições de sustentabilidade ambiental do desenvolvimento da Zona Costeira. tem-se uma área total de 16. O avanço da ocupação sobre a área e a intensificação de alguns usos têm aumentado as ameaças quanto à degradação ambiental e à dilapidação do patrimônio natural. do Baixo do Parnaíba (PI. MA e CE. MA e CE). sensor ETM+.

3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES Como mencionado anteriormente. O índice de aproveitamento utilizando a telemetria de dados por satélites. podem ser acessados pela internet em: http://www. existem outros tipos de dados úteis aos estudos oceanográficos. DSR/INPE 6-27 M. Oceano Atlântico Sudoeste. têm sido desenvolvidos e utilizados pelo INPE desde 1985.br/pnboia/pnboia. bem como os dados de temperatura da água e pressão ao nível do mar coletados por eles. padrão WOCE (Figura 7). Suas trajetórias. e Atlântico Tropical.Kampel .inpe. mas que podem ser obtidos com auxílio da tecnologia espacial. Atualmente temos em atividade 10 derivadores de baixo custo. que não na forma de imagens. têm sido excelente. na costa brasileira. através do Sistema Argos.3. padrão WOCE. Bóias ancoradas e derivadores rastreados por satélites.dsr. o que nos motiva a continuar trabalhando desta forma. para estudos ambientais e oceanográficos nas regiões da Antártica.html Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo. A parte submersa encontra-se em tons de azul. como por exemplo. rastreado por satélite. (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE.

podemos citar: a detecção de derrames de óleo no mar através de radares de abertura sintética.inpe. previsões meteorológicas marinhas. todas as informações são disponibilizadas pela internet. através de altímetros e escaterômetros. De um total de 12 bóias fundeadas em atividade atualmente. pretende continuar lançando outros derivadores nos próximos anos. 4. etc. Mesmo com a tecnologia espacial DSR/INPE 6-28 M. 6 estão sob responsabilidade do Brasil. Depois de processadas. nos últimos anos. O Programa Nacional de Bóias. com participação do INPE que pretende estudar as interações entre o oceano e a atmosfera na região do Atlântico Tropical que sejam relevantes para os estudos sobre as mudanças climáticas. Como exemplo. conduzido pelo INPE e pela Marinha do Brasil. Os dados coletados por estes derivadores são utilizados em estudos da circulação oceânica. Esperamos ter demonstrado. transporte de calor. calibração de imagens orbitais termais.Pelo menos outros 50 derivadores do mesmo tipo foram lançados na nossa costa.cptec. entre outras aplicações. transporte marítimo. entre outros. estando atualmente inativos. altura e direção de ondas. segurança nacional.br/pirata/) é uma iniciativa internacional. cabe mencionar que diversos outros parâmetros e variáveis de interesse oceanográfico também são obtidos com o emprego de tecnologia espacial. ainda que de forma sucinta. CONSIDERAÇÕES FINAIS Além dos exemplos de aplicações apresentados acima. intensidade e direção dos ventos superficiais.Kampel . O Projeto Pirata (http://www4. Os dados oceanográficos e meteorológicos adquiridos automaticamente por estas bóias são transmitidos via Sistema ARGOS. a capacidade dos satélites de pesquisa em medir parâmetros e/ou variáveis oceânicas importantes para o clima. pesca. monitoramento ambiental.

Neste contexto geral. bem como não podemos deixar de conhecer os sistemas e os sensores em disponibilidade e suas técnicas de utilização. e por observações orbitais de forma complementar. quase todos os ramos da Oceanografia consideram o Sensoriamento Remoto como uma ferramenta de grande utilidade na aquisição de dados de interesse. é o de explorar teorias e conceitos e desenvolver aplicações que não se concretizariam somente com a utilização de métodos convencionais. Diversos projetos de pesquisa que utilizam dados coletados por satélites têm ampliado o nosso entendimento sobre o sistema oceano. não devemos esquecer os princípios básicos envolvidos na aquisição de dados por Sensoriamento Remoto.Kampel . DSR/INPE 6-29 M. Atualmente. O desafio àqueles que desenvolvem pesquisas em Sensoriamento Remoto. características estas possíveis de serem obtidas com o emprego de satélites. de mais esta conquista do Homem na procura da compreensão do meio em que vive. são incluídos os estudos de processos oceanográficos que requerem uma resolução espacial sinóptica e uma capacidade de amostragem por longo período. para nos beneficiarmos da melhor forma possível. Evidências deste progresso são os novos programas que utilizam a tecnologia espacial para aplicações em oceanografia.atualmente disponível. ainda existe uma insuficiência de informações em muitas regiões do nosso planeta.por bóias e navios. As áreas mais promissoras são as que utilizam dados coletados convencionalmente . mais especificamente na área de Oceanografia. Se desejamos acompanhar esta evolução. afim de se revelar uma perspectiva mais ampla para o estudo e entendimento de processos e fenômenos oceanográficos.

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inpe.Tavares Jr DSR/INPE .CAPÍTULO 7 S E N S O R I A M E NT O R E M O T O APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS Stélio Soares Tavares Júnior∗ INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE ∗ e.br 7-1 S.mail : stelio@ltid.S.

S.DSR/INPE 7-2 S.Tavares Jr .

...........................ÍNDICE 1............................ 7-8 DSR/INPE 7-3 S... INTEGRAÇÃO DE DADOS..................S..................................... 7-4 2...... FATORES CONSIDERADOS.............. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................Tavares Jr .... 7-7 3........................... FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA ...... QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS ...... 7-7 4..........

QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS: Características do sistema sensor Litologia (tipos de rochas) Fisiografia da região Influência das variações sazonais refletidas na cobertura vegetal Influência das variações sazonais refletidas nos ângulos solares de elevação e azimute . algumas razões de bandas como a entre as bandas 5 e 7 do Landsat 5 . as quais. Ex: cursos de água de ordens inferiores e formas menores de relevo como aquelas produzidas pelos processos erosivos atuais como voçorocas. podem estar relacionadas a processos de enriquecimento mineral. DSR/INPE 7-4 S.Tavares Jr .Características do sistema sensor a) Sistemas Ópticos • Resolução Espacial – imagens com resoluções espaciais adequadas contribuem de forma significativa para detecção de feições menores.SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS 1.TM podem mostrar feições associadas a zonas de alteração hidrotermal. que por muitas vezes tornam-se importantes para a fotointerpretação geológica. • Resolução Espectral – a posição. ravinas e cicatrizes de deslizamentos. FATORES CONSIDERADOS.S. por sua vez. Por exemplo. largura e quantidade de bandas de um determinado sensor constituem importantes fatores para detecção de características particulares de uma dada região.

Influência da Litologia O mapeamento geológico parte do princípio que diferentes tipos de rochas. Em termos geológicos as feições de maior destaque. ou seus derivados do intemperismo. produzindo uma imagem com melhor variação tonal. Os principais minerais de rochas ígneas possuem curvas de reflectâncias lisas. . ocasionando um fraco sinal de retorno da REM à antena. b) Sistema Radar A existência de sensores SAR com características distintas de comprimento de onda.S. podem auxiliar na interpretação da variabilidade litológica. pois são importantes para o realce topográfico. permitindo apenas a diferenciação entre félsicos e máficos. Por outro lado. Entre as rochas a reflectância decresce dos termos ácidos (pegmatitos e granitos) para os básicos e DSR/INPE 7-5 S. a qual é composta pelo ângulo de incidência e azimute de visada. Estes aspectos influenciam diretamente na aparência da imagem. Quanto ao comprimento de onda.Tavares Jr . polarização. Ângulos de incidência menores são adequados para terrenos planos. enquanto os elevados são para áreas de relevo movimentado. possuem comportamentos espectrais próprios. são mais realçadas quando o azimute de visada é ortogonal às suas direções. Entre essas características dos sensores. após contato com o terreno. geralmente o trend estrutural principal da área. resolução espacial e geometria de iluminação favorece a seleção de imagens mais adequadas às aplicações geológicas. em áreas de vegetação densa e relevo movimentado o sinal de retorno é mais forte. por conseguinte interferem na qualidade e confiabilidade da interpretação. Desse modo na imagem resultante predominam tons de cinza mais escuros. Esta seleção também deve levar em consideração aspectos morfológicos do terreno como: rugosidade (macro e superficial). terrenos planos com vegetação rala podem configurar uma superfície lisa para determinadas faixas de freqüência como a da banda L. ressalta-se a importância do comprimento de onda e da geometria de iluminação. umidade e orientação estrutural. e cujo conhecimento é considerado um fator indispensável na interpretação dos dados SAR.• Resolução Radiométrica – as variações nos níveis de cinza resultado da sensibilidade com que o sistema registra as mudanças de comportamento dos alvos.

Essa diferença torna-se mais evidente nas imagens obtidas em épocas de estiagem. . podem fornecer uma imagem com melhor variação tonal.75 µm). favorecem tanto a fotointerpretação dos traços estruturais como a análise da associações geobotânicas sobre imagens de sensoriamento remoto. as respostas espectrais podem estar diretamente associadas a variabilidade litológica e ou pedológica.76-0. Nas áreas de savana. Épocas de estações chuvosas.S. principalmente daquelas na faixa espectral do infravermelho próximo.Influência das condições fisiográficas da área A escolha adequada da banda espectral é fundamental para a obtenção de bons resultados no mapeamento dos tipos de cobertura. ela aparece em tons de cinza mais escuros nas bandas espectrais do infravermelho próximo. Em regiões de floresta densa. desenvolvida sobre solos de baixa fertilidade. a alta reflectância na banda 4 do TM (0. rochas totalmente alteradas considera-se o comportamento dos solos derivados. Nas imagens de áreas com cobertura vegetal tipo savana. que por sua vez refletem a organização estrutural. como o da banda 5 do TM (1. outros intervalos espectrais.551. apenas com um aumento relativo dos valores de reflectância. quando a vegetação encontra-se no seu vigor máximo.ultrabásicos. onde a folhagem apresenta alta reflectância. Dessa forma. DSR/INPE Em 7-6 S. . mesmo na estação chuvosa. Entre as rochas parcialmente alteradas nota-se comportamento semelhante. a vegetação pode servir como parâmetro auxiliar no mapeamento geológico. devido ao menor porte e maior espaçamento da distribuição da vegetação.Influência das variações sazonais na cobertura vegetal Este fator influencia na intensidade com que a cobertura vegetal reflete os grandes traços geológicos e contribui para associações geobotânicas. inclusive a vegetal.Tavares Jr . em relação as do infravermelho médio.9 µm) e a erosão diferencial contribuem para análise estrutural e a discriminação litológica. pois a parte superior da floresta tende a acompanhar os traços do relevo regional. quando a vegetação encontra-se sob estresse hídrico. a qual está diretamente associada às respostas espectrais da litologia e ou do solo. Nesse caso.

porém em regiões equatoriais esse ângulo pouco varia com a sazonalidade. Dentro das várias técnicas utilizadas destaca-se o método baseado na transformação para o espaço IHS. bem como suas disposições refletem a organização estrutural. 2. como o azimute de iluminação solar. Desse modo a utilização dessas técnicas alcançou uma vasta variedade de aplicações dentro do conjunto de disciplinas das Ciências da Terra. 3. como é o caso das imagens geofísicas de gamaespectrometria. Esses desempenham papel fundamental no desenho da paisagem natural da superfície terrestre. como é o caso das imagens SAR.S. devem ser considerados.Tavares Jr . para as análises quantitativas e qualitativas e para os procedimentos de interpretação visual em geral.Influência das variações sazonais decorrentes dos ângulos solares de elevação e azimute Menores ângulos de elevação solar produzem maior realce do relevo e permitem com maior facilidade a identificação de lineamentos estruturais. a fim de melhor realça-las. FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA O primeiro passo seguido na etapa de interpretação geológica consiste no reconhecimento na imagem dos elementos naturais da paisagem (drenagem e relevo). cuja o azimute solar seja o mais ortogonal possível com as orientações estruturais. Desse modo outros parâmetros. INTEGRAÇÃO DE DADOS As técnicas de fundir dados provenientes de fontes diferentes (multifontes) vêm sendo amplamente utilizadas com intuito de gerar um produto final de boa qualidade visual. além de colaborar na redução de custos despendidos em trabalhos de campo. Assim justifica-se a necessidade de análises multitemporais.. a qual de uma forma geral exerce controle nas acumulações minerais. com dados que denotem aspectos do comportamento espectral dos materiais constituintes. as quais visem a seleção de cenas. A DSR/INPE 7-7 S. ou seja. que estejam relacionados com a variação litológica. Em geral nas aplicações geológicas procura-se integrar dados de alta resolução espacial que realcem aspectos morfológicos do terreno.

. Para os produtos integrados multifontes considera-se a variação de matiz. São José dos Campos: INPE. Santos. http://www. os quais constituem as zonas homólogas. & Anjos. W. Metodologia de interpretação de dados de Sensoriamento Remoto e aplicações em Geologia. Radar aplicado ao mapeamento geológico e prospecção mineral: aplicações. R.. P. A. R.Tavares Jr . O passo seguinte consiste em um exame cuidadoso do padrão de organização desses elementos. 103p. São José dos Campos: INPE/ADIMB. por ser condicionada à reflectância dos alvos da superfície terrestre. Morais. C.br/obt/dsr/geologia. P. A partir desse exame individualiza-se na imagem vários setores com propriedades de textura e estrutura similares. Veneziani. 2000b. Caracterizadas as diversas formas de arranjo dos elementos texturais de drenagem e relevo juntamente com o exame da variação tonal e ou de matiz. Ago.. porém o mais comum é a passagem gradual ou difusa das propriedades dos elementos texturais. 2001. [online]. no caso de produtos multifontes. M. E. isto ocorre quando é marcado por uma quebra negativa de relevo. 54p. Paradella. 4. R. bem como definir unidades fotolitológicas e associa-las às litologias descritas em trabalhos anteriores. C.S. (INPE-2227-MD/014). através da análise das propriedades de suas formas. é possível avaliar os significados geológicos. Elementos de análise e interpretação de imagens de sensoriamento remoto. a qual reflete as características (variação litológica) dos dados utilizados na fusão com o SAR ou com um produto derivado das imagens multiespectrais .variação tonal é um outro elemento de imagem que merece destaque.inpe. DSR/INPE 7-8 S. Veneziani. Os limites entre essas zonas podem ser bem definidos e corresponderem a contatos litológicos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida Filho. 1982.

br .inpe.CAPÍTULO 8 SENSORIAMENTO REMOTO NO E S T U D O D A V E G E T A Ç Ã O: DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA F l á v i o J o r g e P o n z o n i1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 flavio@ltid.

J.DSR/INPE 8-2 F.Ponzoni .

... INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS .J.................... 8-27 DSR/INPE 8-3 F........................................................................... 8-17 6............................................................................................. INTRODUÇÃO ..... 8-15 5.........................5 1.Ponzoni ............................... 8-7 2.................. 8-12 4.................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS .......................... 8.. A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO ....................................... PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS ............... DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA ................................. 8-8 3.......................

J.DSR/INPE 8-4 F.Ponzoni .

.......................000 SOBRE O DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA ........... 8-25 DSR/INPE 8-5 F.............LISTA DE FIGURAS 1 – SEÇÃO TRANSVERSAL DE UMA FOLHA MOSTRANDO OS POSSÍVEIS CAMINHOS DA LUZ INCIDENTE .......................Ponzoni .... 8-11 3 – DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA ...............................................J..... 8-23 6 – COMPOSIÇÕES COLORIDAS UTILIZADAS NOS MAPEAMENTOS DE 1985-90 (A) E 1990-95 (B) ................................... 8-19 4 – “OVERLAY” SOBRE A IMAGEM E O MAPA PRELIMINAR RESULTANTE DA INTERPRETAÇÃO............................................22 5 – CONTORNO DAS CARTA TOPOGRÁFICAS NA ESCALA 1:250........................ 8-10 2 – CURVA DE REFLECTÂNCIA TÍPICA DE UMA FOLHA VERDE ....................................................................... 8................................

Ponzoni .J.DSR/INPE 8-6 F.

A aplicação dessas técnicas é viabilizada através do cumprimento de diversas etapas que incluem a interação em si. Assim como para o estudo da maioria dos recursos naturais. No nível de aeronave. os quais são normalmente posicionados a alguns metros acima de um plantio agrícola ou do topo de um dossel florestal com objetivo semelhante àquele mencionado para a análise dos dados coletados em laboratório. a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto para o estudo da vegetação têm quatro diferentes níveis possíveis de coleta de dados: em laboratório. INTRODUÇÃO Como foi apresentado nos capítulos anteriores. utilizam-se radiômetros aos quais podem ser acoplados acessórios que permitem a coleta e o registro da radiação refletida de folhas e demais órgãos das plantas. as técnicas de Sensoriamento Remoto se fundamentam em um processo de interação entre a Radiação Eletromagnética e os diferentes objetos que se pretende estudar. as quais incluem a geração e utilização de imagens pictóricas na elaboração de mapas temáticos e/ou na avaliação espectral da cobertura vegetal de extensas áreas da superfície terrestre. em campo. diferentes sensores podem ser utilizados concomitantemente na geração de curvas espectrais ou de imagens. que vem sendo realizado com bastante sucesso. Adicionalmente apresentamos um exemplo de mapeamento da vegetação no domínio da Mata Atlântica. caracterizada principalmente pelo fenômeno de reflexão da radiação. a coleta de dados e seu registro através de um sensor e a análise desses dados com o objetivo de extrair as informações pretendidas de um dado objeto.1. Neste capítulo abordamos os princípios que fundamentam os estudos da vegetação através da aplicação de técnicas de sensoriamento remoto. novamente radiômetros são utilizados. Finalmente no nível orbital é que se concentram as aplicações mais comumente divulgadas na comunidade em geral. Em campo. bem como de conjuntos de plantas visando identificar possíveis alterações na forma como esses órgãos interagem com a radiação eletromagnética. no nível de aeronave e no nível orbital. Em laboratório. DSR/INPE 8-7 F.Ponzoni .J.

a qual é fruto de um processo complexo que envolve muitos parâmetros e fatores ambientais.Ponzoni . galhos. Uma folha típica é constituída de três tecidos básicos que são: epiderme.2. estão incluídas as máquinas fotográficas. como folhas. O processo de espalhamento. por sua vez. assim como no nível orbital. Para uma melhor compreensão das características de reflectância da REM incidente sobre uma folha é necessário o conhecimento de sua composição química. ângulo de incidência e polarização) e das características físico-químicas destes mesmos elementos. A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO No nível de coleta de dados em laboratório comumente são consideradas as folhas. Em campo. os dados podem ser coletados diretamente das folhas ou através de dispositivos como plataformas (móveis ou fixas). De todos os elementos constituintes da vegetação. a folha constitui o principal deles quando se considera o processo de interação descrito. mesófilo DSR/INPE 8-8 F. que permitem a colocação dos sensores imediatamente acima dos dosséis vegetais segundo as mais diferentes disposições. fundamenta-se na compreensão da “aparência” que uma dada cobertura vegetal assume em um determinado produto de sensoriamento remoto. dos quais são coletados dados radiométricos com o objetivo de caracterizar espectralmente fenômenos e/ou aspectos relacionados ao processo de interação entre a radiação eletromagnética (REM) e a vegetação. flores. os radiômetros e os sensores eletro-ópticos. etc. Na coleta de dados em aeronave. etc). partes de plantas ou até alguns arranjos de plantas. Um fluxo de radiação incidente sobre qualquer um destes elementos estará sujeito a dois processos: espalhamento e absorção. principalmente tipo e quantidade de pigmentos fotossintetizantes. e de sua morfologia interna (distribuição e quantidade de tecidos. frutos. etc.J. teleféricos. O destino do fluxo radiante incidente sobre um destes elementos é então dependente das características do fluxo (comprimentos de onda. A principal motivação dos estudos em vegetação envolvendo a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto. Há de se considerar que um dossel é constituído por muitos elementos da própria vegetação. pode ser dividido em dois sub-processos: reflexão e transmissão através do elemento. espaços intercelulares.

na qual muitas vezes desenvolve-se uma fina e relativamente impermeável superfície externa.J. sendo estes compostos pela água. As células do parênquima são ocupadas por seiva e protoplasma. O comportamento espectral de uma folha é função de sua composição. membranas celulares. etc. a qual é válida até hoje. por exemplo. a trajetória da REM se daria ao longo de vários meios. que formam o parênquima. Levando em consideração o conceito da reflectância interna numa folha e os conhecimentos do espectro de absorção da clorofila. A folha é então coberta por uma camada de células protetoras epidérmicas. Um mesmo feixe de radiação poderia passar. A rede de tecidos do sistema vascular não serve somente para suprir a folha com água e nutrientes do solo. arranjadas perpendicularmente à superfície da folha. para as demais partes da planta. que possui um índice de refração de 1. Segundo eles. Desde que as características da folha são geneticamente controladas. Esparsos através do mesófilo estão os espaços intercelulares cheios de ar. morfologia e estrutura interna. Esta rede de passagens de ar constitui a via de acesso pela qual o CO2 alcança as células fotossintéticas e o O2 liberado na fotossíntese retorna à atmosfera externa. As estruturas das células que compõem os três tecidos das folhas são muito variáveis. ar. Willstatter e Stoll (1918). Abaixo da epiderme encontra-se o mesófilo fotossintético. e em seguida atravessar um espaço preenchido com ar. Além desta variação nos índices de refração dos DSR/INPE 8-9 F. dependendo da espécie e das condições ambientais. os quais se abrem para fora através dos estômatos.33. desenvolveram uma teoria sobre a trajetória da REM dentro de uma folha. Os autores basearam sua teoria na estrutura interna das folhas e na reflectância potencial das superfícies.fotossintético e tecido vascular. através de uma camada de água. existirão portanto diferenças no comportamento espectral entre grupos geneticamente distintos. Uma terceira característica estrutural da folha é o tecido vascular. mas também constitui a passagem pela qual fluem os produtos da fotossíntese que são produzidos na folha. que possui um índice de refração igual a 1.Ponzoni . o qual por sua vez é freqüentemente subdividido numa camada ou em camadas de células paliçádicas alongadas.

A maior parte é transmitida para o mesófilo esponjoso. sendo orientada espacialmente sob diversos ângulos.J. (1965) DSR/INPE 8-10 F. principalmente do mesófilo esponjoso. alguns raios são refletidos de volta. Fig. 1-Seção transversal de uma folha mostrando os possíveis caminhos da luz incidente. Dado o grande número de paredes celulares dentro da folha. Willstatter e Stoll (1918) imaginaram as possíveis trajetórias da REM dentro de uma folha. Fonte: Gates et al . Uma pequena quantidade de luz é refletida das células da camada superficial. como mostra a Figura 1. onde os raios incidem freqüentemente nas paredes celulares. enquanto outros são transmitidos através da folha. possuem uma estrutura irregular. sendo refletidos se os ângulos de incidência forem suficientemente grandes.Ponzoni . Esta reflexão múltipla é essencialmente um processo aleatório no qual os raios mudam de direção dentro da folha. A espessura da folha é fator importante no caminho da REM.diversos meios a serem atravessados. já que geralmente a transmitância é maior do que a reflectância para folhas finas. mas o inverso acontece com folhas grossas. foi considerado que as células dos tecidos foliares.

J.Ponzoni . Estes pigmentos. Fig. região do visível: Nesta região os pigmentos existentes nas folhas dominam a reflectância espectral. Os principais aspectos relacionados ao comportamento espectral da folha. DSR/INPE 8-11 F. em cada uma destas regiões são: 5. A energia é absorvida seletivamente pela clorofila e é convertida em calor ou fluorescência. carotenos (6%). região do visível (400 nm a 700 nm). 2-Curva de reflectância típica de uma folha verde. e também convertida fotoquimicamente em energia estocada na forma de componentes orgânicos através da fotossíntese. b) região do infravermelho próximo (700 nm a 1300 nm).A curva de reflectância característica de uma folha verde sadia é mostrada na Figura 2. Fonte: Novo (1989) A região compreendida entre 400 nm a 2600 nm pode ser dividida em três áreas: 5. A energia radiante interage com a estrutura foliar por absorção e por espalhamento. c) região do infravermelho médio (1300 nm a 2600 nm). geralmente encontrados nos cloroplastos são: clorofila (65%). e xantofilas (29%). porque uma grande quantidade dessa energia é absorvida pela atmosfera e a vegetação não faz uso dela. Os valores percentuais destes pigmentos existentes nas folhas podem variar grandemente de espécie para espécie. Os comprimentos de onda relativos ao ultravioleta não foram considerados.

podendo alterar a reflectância de uma folha nesta região. podem causar alterações na relação águaar no mesófilo. Em termos mais pontuais. Uma vez que a folha é o principal elemento da vegetação sob o ponto de vista do processo de interação com a REM. c) região do infravermelho médio: A absorção devido à água líquida predomina na reflectância espectral das folhas na região do infravermelho próximo. 1950 nm. uma reflectância geralmente pequena. 3.Ponzoni . como disponibilidade de água por exemplo. sendo menor do que 10% para um ângulo de incidência de 65o e menor do que 5% para um ângulo de incidência de 20º A água absorve consideravelmente a REM incidente na região espectral compreendida entre 1300 nm a 2000 nm. formações de porte herbáceo. quanto mais lacunosa for a estrutura interna foliar. Considerando a água líquida. A reflectância espectral é quase constante nessa região.b) região do infravermelho próximo: Nesta região existe uma absorção pequena da REM e considerável espalhamento interno na folha. inclui a necessidade de compreender o processo de interação entre a REM e os diversos tipos fisionômicos de dosséis (florestas. 1450 nm. e consequentemente. mas a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto no estudo da vegetação. INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS Todas as discussões apresentadas até o momento referiram-se ao estudo das propriedades espectrais de folhas isoladas. etc). 2700 nm e 6300 nm.J. espera-se que muito do que foi exposto referente às características de reflectância das folhas. Fatores externos à folha. maior será o espalhamento interno da radiação incidente. esta apresenta na região em torno de 2000 nm. culturas agrícolas. De fato. a absorção da água se dá em 1100 nm. também seja válido para os dosséis. maior será também a reflectância. Gates et al. De maneira geral. (1965) determinam que a reflectância espectral de folhas nessa região do espectro eletromagnético é o resultado da interação da energia incidente com a estrutura do mesófilo. quando comparadas as curvas de reflectância de uma folha DSR/INPE 8-12 F. A absorção da água é geralmente baixa nessa região.

Em vários modelos de reflectância da vegetação um dossel é considerado como sendo composto por vários sub-dosséis. arranjados regularmente no solo (plantios em fileiras. que representa a razão entre a área do elemento e a área no terreno. A distribuição espacial depende de como foram arranjadas as sementes no plantio (no caso de vegetação cultivada). segundo uma distribuição específica. Os dosséis são normalmente descritos por um dos seguintes seis tipos de distribuições: planófila. em imagens da região do infravermelho próximo. O IAF é um dos principais parâmetros da vegetação e é requerido em modelos de crescimento vegetal e de evapotranspiração. extremófila. DSR/INPE 8-13 F. ϕ l) dθl dϕl é a fração de área foliar sujeita aos ângulos de inclinação θl e θl +dθl. é ainda relacionado à biomassa. estes mesmos dosséis deverão apresentar-se com tonalidade clara e em imagens do infravermelho médio espera-se tons de cinza intermediários entre o escuro das imagens do visível e o claro daquelas do infravermelho próximo. A DAF varia consideravelmente entre os tipos de vegetação. uniforme e esférica. e os ângulos azimutais ϕl e ϕl +dϕl.verde sadia com as medições espectrais de dosséis. em função da ação dos pigmentos fotossintetizantes. Para um dossel ou subdossel homogêneo.J. respectivamente.Ponzoni . assume-se que a densidade dos elementos da vegetação é uniforme. estas apresentam formas muito semelhantes. definem a arquitetura da vegetação. bem como a suas densidades e orientações. Outro parâmetro que define a arquitetura do dossel é a Distribuição Angular Foliar (DAF). erectófila. onde θl e ϕl são a inclinação e o azimute da folha. Essa semelhança permite que os padrões de reflectância apresentados pelos dosséis vegetais em imagens multiespectrais possam ser previstos. por exemplo. Por conseguinte f(θl. plagiófila. por exemplo) ou arranjados aleatoriamente. ϕ l). A distribuição espacial dos elementos da vegetação. espera-se que em imagens referentes à região do visível os dosséis apresentem tonalidade escura devido à baixa reflectância da REM. do tipo de vegetação existente e do estágio de desenvolvimento das plantas. Assim. É caracterizada por uma função de densidade de distribuição f(θl. o que é caracterizado pelo Índice de Área Foliar (IAF).

muito da radiação incidente é interceptada e absorvida pelas folhas e um permanente aumento do IAF não influenciará a reflectância da vegetação. isto é. Assim que o IAF atingir um determinado valor (aproximadamente compreendido entre 2 e 3). Na região do visível. localizados nas camadas mais próximas ao solo. Por conseguinte. A orientação das fileiras de uma cultura agrícola. mais e mais energia será absorvida pela vegetação. DSR/INPE 8-14 F.Estes parâmetros arquitetônicos afetam qualitativamente a reflectância da vegetação. quando o IAF assume valores entre 2 e 3. que por sua vez. até que o IAF atinja valores compreendidos entre 6 e 8. por exemplo. aumentaria a influência do espalhamento dos elementos deste mesmo dossel. as folhas estivessem agrupadas. com o aumento do número de folhas. com o aumento do IAF. Um dos efeitos da DAF sobre a reflectância da vegetação refere-se à sua influência na probabilidade de falhas através do dossel como uma função dos ângulos zenital solar e de visada.Ponzoni . Supondo que ao invés de estarem uniformemente distribuídas no dossel. uma vez que muito da energia incidente sobre uma folha é absorvida. uma vez que as folhas são praticamente transparentes nesta região espectral. Na região do infravermelho próximo. uma vez que a absorção é mínima.J. a reflectância na região do visível decresce quase que exponencialmente com o aumento do IAF até atingir um valor próximo de 0. o aumento do IAF implica no aumento do espalhamento e no conseqüente aumento da reflectância da vegetação. exerce menos influência na região do infravermelho do que na região do visível devido ao menor efeito das sombras. este agrupamento apresentaria dois efeitos principais: ele aumentaria a probabilidade de ocorrência de lacunas através de toda a extensão do dossel. Um outro efeito da arquitetura do dossel sobre sua reflectância ocorre quando os elementos da vegetação não se encontram uniformemente distribuídos.

Vale salientar que o que é efetivamente medido pelo sensor colocado em órbita terrestre é a radiância espectral. aliado ainda ao espalhamento múltiplo entre as diferentes camadas de folhas.Ponzoni . Isto é evidenciado pela tonalidade escura nas imagens obtidas nesta região. no caso da cobertura vegetal. devido a presença de água no interior da folha. da Distribuição Angular das Folhas (DAF) e da rugosidade do dossel em sua camada superior (topo do dossel). devido à ação dos pigmentos fotossintetizantes que absorvem a REM para a realização da fotossíntese. Sobre esses efeitos discorreremos oportunamente. Esse desbalanceamento pode ocasionar diferenças de brilho de um mesmo objeto entre as bandas. não se devem exclusivamente à absorção dos pigmentos existentes nas folhas. Finalmente. ora subestimando-o. por exemplo. Em cada uma das regiões espectrais todos os fatores exercem sua influência concomitantemente.J. a tonalidade escura numa imagem do infravermelho médio freqüentemente é mais intensa do que aquela verificada em uma imagem do visível. Como cada sensor de cada banda espetral. os níveis baixos de reflectância na região do visível. mas também às sombras que se projetam entre as folhas. Alia-se a este fato a maior interferência da atmosfera nas regiões do DSR/INPE 8-15 F. Nas imagens da região do infravermelho próximo verifica-se que estes valores apresentam-se elevados devido ao espalhamento interno sofrido pela REM em função da disposição da estrutura morfológica da folha. esperados para uma cobertura vegetal. PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS Um dossel vegetal apresenta valores de reflectância relativamente baixos na região do visível. no infravermelho médio tem-se uma nova queda destes valores. por exemplo. estes fatores influentes não atuam isoladamente. que apesar da queda da reflectância da vegetação verificada na região espectral do infravermelho médio não ser muito acentuada em relação à região do infravermelho próximo. isso implica num “desbalanceamento” entre as radiâncias espectrais medidas.4. Assim. ora superestimando-º Isso pode explicar. De fato. na qual tal sensor é apto a coletar a REM refletida pelos objetos possui sua própria sensibilidade. as quais são dependentes da geometria de iluminação.

Dependendo da arquitetura (forma e distribuição espacial dos indivíduos constituintes do dossel) assumida em cada uma das fases de desenvolvimento dessa cobertura vegetal. Mesmo ciente destas influências. com os indivíduos dominantes projetando suas copas acima de uma cota média do dossel. poderia acarretar o sombreamento daqueles que se posicionariam imediatamente abaixo. que não possuiria estratos e portanto o sombreamento entre seus elementos constituintes seria bem menor. o que por sua vez implicaria no “escurecimento” do dossel da floresta em relação ao de Eucalyptus spp.Ponzoni . o que implicaria na diminuição da irradiância nos estratos inferiores e. mas existem algumas particularidades que devem ser consideradas. para a região do infravermelho próximo). procurar associar os padrões apresentados por esta diretamente com suas características estruturais (parâmetros biofísicos). Em tal floresta. os valores de reflectância espectral referentes à região do visível apresentem uma diminuição quase exponencial. galhos e troncos. De fato. uma floresta perenifólia.. podendo ser “mascarado” pelo efeito de outros fatores/parâmetros. conseqüentemente. enquanto que para a região do infravermelho próximo estes apresentam aumento também quase exponencial. principalmente). com um IAF muito elevado. a existência de diferentes estratos (camadas) horizontais. Por exemplo: é esperado que à medida que uma determinada cobertura vegetal aumenta sua densidade. poderá assumir um brilho mais escuro do que um plantio jovem de Eucalyptus spp. Evidentemente que esse efeito será tanto maior DSR/INPE 8-16 F. essa associação é possível. Assim. como foi apresentado nos itens anteriores. que possuiria um IAF bem menos elevado. até que sejam atingidos seus respectivos pontos de saturação (IAF=2 ou 3 para a região do visível e IAF=6 ou 8. em uma imagem do infravermelho próximo. esse efeito pode ou não ser constatado. bem densa.J. principalmente participação do solo e sombreamento entre os próprios elementos da vegetação (folhas. é comum o intérprete de imagens orbitais interessado em extrair informações sobre a cobertura vegetal.visível em relação ao infravermelho que tende a deixar ligeiramente “mais claros” os dosséis vegetais nas imagens do visível. na diminuição da radiância medida pelo sensor orbital.

Não há como prever todas as possibilidades. a noção de que os recursos naturais vêm se tornando escassos e que a humanidade precisa aprender rapidamente a utilizar com racionalidade esses recursos. sem o que não seria possível traçar ações efetivas de conservação.J. a estrutura e a situação dos remanescentes florestais do bioma. Contudo. concluíram o "Atlas dos DSR/INPE 8-17 F. a distribuição espacial. a dimensão. Assim como acontece com qualquer outro objeto de estudo à luz das técnicas de sensoriamento remoto. nem sempre essa noção é fruto da análise racional conduzida sobre dados concretos. sob pena de comprometer a sobrevivência das gerações futuras. relacionando-as a possíveis padrões em imagens orbitais. o que implicará em uma “mesma” aparência nas imagens. Com o objetivo de suprir essas lacunas. contava com poucas informações consistentes sobre a área original. ou seja. possui suas características próprias e desenvolve-se em diferentes tipos de solos sob diferentes condições ambientais. é esperada uma menor participação do solo. Cabe ao intérprete estar preparado para conviver com estas limitações e extrair dos produtos de sensoriamento remoto o máximo de informação confiável. iniciou-se no país uma intensa mobilização da sociedade civil pela preservação da Mata Atlântica. quanto maior for o ângulo de incidência. 5. mesmo em se tratando de diferentes coberturas vegetais. Cada dossel. são inerentes as chamadas ambigüidades nas quais efeitos de diferentes fatores/ parâmetros podem assumir valores iguais de radiância. DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA Vaga no inconsciente e até no consciente das pessoas. em particular. A partir de meados da década de 80. O movimento ambientalista. em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).Ponzoni . sua participação também é dependente do ângulo de iluminação e desta vez de maneira inversa. tentar elencá-las. no entanto.quanto maior for o ângulo de incidência solar. Para o caso do solo. uma vez que o sombreamento é proporcional a esse ângulo. gerados a partir da aplicação de metodologias cientificamente fundamentadas. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE.

além das fisionomias florestais. conseqüentemente. e vários aprimoramentos foram incorporados. digitalizou os limites das fisionomias vegetais que compõem o Domínio da Mata Atlântica (Figura 3). Foram utilizadas técnicas de interpretação visual de imagens TM/Landsat. da Bahia ao Rio Grande do Sul.Remanescentes Florestais do Domínio da Mata Atlântica" em 1990. os ecossistemas associados. Além dos aprimoramentos anteriormente citados. o que permitiu uma melhor visualização das classes mapeadas e deu. Primeiro mapeamento da Mata Atlântica realizado no País a partir da análise de imagens de satélite. levantamentos de campo e análise por especialistas para aferição dos dados. uma maior confiabilidade aos dados gerados. na escala 1:1.Ponzoni . segundo a terminologia e os critérios estabelecidos pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os limites de algumas DSR/INPE 8-18 F.Período 1985-1990”. na escala 1:250. graças ao avanço tecnológico verificado. supervisionada pelo INPE. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram uma nova atualização de dados. pois algumas unidades de pequena extensão não puderam ser mapeadas e polígonos de remanescentes descontínuos foram agrupados.000. Diante dos resultados obtidos. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram um novo mapeamento em 1990 que originou o “Atlas da Evolução dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados no Domínio da Mata Atlântica . o Instituto Socioambiental. determinando sua área original e estabelecendo uma referência inicial para o desenvolvimento de novos estudos. Outro aperfeiçoamento importante foi a inclusão de uma avaliação estatística. que apontou o índice de exatidão global do mapeamento dos Estados do Espírito Santo e de Santa Catarina. Em função dessas limitações e motivados em adquirir informações mais precisas.000. incluiu. analisando a dinâmica do bioma entre 19901995.000.J. o trabalho foi concluído em 1993 e permitiu avaliar a dinâmica dos remanescentes florestais e de ecossistemas associados da Mata Atlântica em 10 Estados. com o qual a Fundação SOS Mata Atlântica assinou convênio em 1995. com exceção da Bahia devido a não disponibilidade de imagens livres de nuvens. A escala adotada neste primeiro trabalho apresentou limitações para estudos mais detalhados. Esta etapa abrangeu todos os Estados da fase anterior.

Ponzoni . no qual foram incluídas várias inovações metodológicas. Este aperfeiçoamento permitiu. principalmente savana e estepe. ainda. foi possível avaliar a dinâmica da Mata Atlântica de forma mais precisa e localizada. fruto do aprimoramento de máquinas e de aplicativos disponíveis. que os dados sobre as formações florestais da Mata Atlântica fossem separados dos dados de outros biomas.Unidades de Conservação federais e estaduais. a SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a concepção de um novo mapeamento. Com base nestes dados. Figura 3 – Domínio da Mata Atlântica Em meados de 1999.J. permitindo a definição de políticas de conservação mais objetivas e coerentes com cada situação. que na etapa anterior estavam incluídos no cômputo geral. DSR/INPE 8-19 F. agora referente ao período 1995-2000.

Mesmo para aqueles pouco familiarizados com mapeamentos de grandes extensões da superfície terrestre.Mas afinal. deve ser suficientemente fácil compreender que estes não são elaborados sem a utilização de alguma ferramenta que possibilite a observação instantânea de uma dada porção dessa superfície.20 x 1. essas imagens ficariam materializadas em papel fotográfico de aproximadamente 1. porém não pode. sendo o mais usual atualmente o DSR/INPE 8-20 F. estabelecendo então todos os procedimentos metodológicos a serem conduzidos. Na forma digital.20m. Para o caso de sua relação com o INPE. cujo tamanho é dependente da escala de trabalho. interferindo quando necessário. como esses mapeamentos são feitos? Em que critérios se fundamentam e que tipo de produtos são utilizados? O que se pode afirmar sobre a sua confiabilidade? Antes de aprofundarmos mais sobre as questões metodológicas.Ponzoni . Na analógica a imagem é materializada em papel. Nesse sentido. essas dimensões passariam para aproximadamente 90 x 90 cm. devido às suas diretrizes institucionais. como acontece. cabendo estes a empresas do setor aeroespacial que foram escolhidas mediante licitações.000. assumindo a aparência de uma grande fotografia. a imagem é disponibilizada eletronicamente através de diferentes meios. enquanto se a escala fosse de 1:250. procura outra instituição que julga ter alguma competência específica. Nesses mapeamentos específicos que estamos tratando. a Fundação SOS Mata Atlântica espera obter toda a orientação técnico-científica que garanta aos resultados dos mapeamentos o máximo de confiabilidade possível. Por exemplo: se a escala de trabalho fosse definida como 1:100. o INPE assume a coordenação técnica dos trabalhos. elaborar os mapeamentos propriamente ditos.000. Mesmo assim. é necessário compreender primeiramente o papel de cada instituição envolvida.J. A Fundação SOS Mata Atlântica age como uma espécie de cliente que tem necessidades e para atendê-las. por exemplo com fotografias aéreas ou imagens de satélite. o INPE acompanha passo a passo todos os processos envolvidos nos mapeamentos. foram utilizadas imagens do sensor Thematic Mapper do satélite Landsat 5. as quais podem ser disponibilizadas em duas formas básicas: a analógica e a digital.

procurando não ferir os critérios regionais existentes. restava ainda definir quais imagens utilizar.000 (imagens analógicas).000. Remanescentes de Restinga seriam todas as formações florestais acorrentes próximas ao mar e preferencialmente abaixo da cota topográfica de 20m. todo o trabalho era feito sobre as imagens em formato analógico. Remanescentes de Mangue foram consideradas aquelas formações arbóreo-arbustivas localizadas em canais de drenagem sob influência marítima. nem com aplicativos que permitissem maior facilidade na manipulação dos dados. que nada mais são do que superposições de três diferentes imagens (provenientes de regiões espectrais diferentes.CDROM. a qual é perfeitamente compatível com a escala 1:250. foi realizado no início da década de 90 sobre imagens orbitais datadas do final de década de 80 disponibilizadas na escala 1:250.000. Mas os primeiros mapeamentos não contavam com as imagens em formato digital. entre as diversas imagens geradas pelo sensor Thematic Mapper serviriam para identificar os itens da legenda estabelecida. Uma vez definida essa legenda. uma vez que foram neles que se verificaram os maiores aprimoramentos metodológicos. Para tanto. Dessa forma. mesmo aquelas que apresentariam baixos índices de degradação e outras em estágios sucessionais avançados (capoeiras). quais.Ponzoni . excluindo somente os reflorestamentos (jovens e adultos). A alternância de tons claros e escuros da aparência da vegetação nas diferentes imagens torna possível a elaboração das chamadas composições coloridas. procurou-se adequar os mapeamentos para cada Estado. ou seja. mas da mesma porção da superfície terrestre) DSR/INPE 8-21 F. foi considerado o processo de interação entre a radiação eletromagnética e a vegetação descrito anteriormente (Figura 1). Então. A legenda desse mapeamento foi assim definida: Remanescentes Florestais. Remanescentes de Restinga. Vale salientar que nem todo o Estado da Federação trata o termo Restinga como sendo uma formação florestal.000. Em Remanescentes Florestais estariam incluídas todas as formações florestais. Vamos aqui descrever os procedimentos adotados nos três últimos mapeamentos realizados. Remanescentes de Mangue.J. O mapeamento que se seguiu àquele desenvolvido na escala 1:1.

12. Essa distribuição de imagens e filtros permitiu que a vegetação assumisse tonalidades esverdeadas nas composições coloridas. sendo que cada uma delas recebeu os filtros azul.J. Figura 4 – “Overlay” sobre a imagem e o mapa preliminar resultante da interpretação.24/doc/amz1998_1999/pagina6. htm DSR/INPE 8-22 F.dpi. as quais eram distribuídas para empresas do setor privado que se incumbiam de elaborar o mapeamento.Ponzoni . sobre cada uma dessas 104 composições coloridas era colocado o que chamamos de “overlay” que é um papel polyester. Já nessas empresas então. verde e azul) para cada imagem.17. FONTE: http://sputnik.inpe. o que facilitou e muito o trabalho dos intérpretes. respectivamente. No mapeamento em questão.sobre as quais são aplicados filtros coloridos com as cores primárias (vermelho.br:1910/col/dpi.inpe. foram utilizadas imagens da região do vermelho (visível). relativamente transparente sobre o qual o intérprete procede a interpretação propriamente dita (Figura 4). Mas quantas composições foram elaboradas? Foram elaboradas pelo INPE 104 composições coloridas de forma a abranger todo o Domínio da Mata Atlântica. a paisagem analisada assume cores dando uma aparência como de uma fotografia colorida. verde e vermelho. do infravermelho próximo e do infravermelho médio.br/banon/2000/09. Como resultado. que naquela época não estavam familiarizados em observar a vegetação em outra cor senão aquela que quotidianamente estavam acostumados a observar (verde).

25 ha foi definido como área mínima de mapeamento. que em última análise são consideradas as unidades de mapeamento (Figura 5) que totalizavam 114 cartas topográficas e também eram demarcados os pontos de controle. Era constituída então uma equipe de três a quatro intérpretes. uma vez que a interpretação propriamente dita é uma DSR/INPE 8-23 F. que eram cruzamentos de estradas ou rios que podiam ser facilmente visualizados nas cartas topográficas e nas imagens e serviriam para posicionar geograficamente o mapa gerado mediante a utilização de algoritmos específicos implementados em computadores.Ponzoni . ou seja. cuidava para que houvesse um mínimo de diferenças entre as interpretações.J. Nessa escala de mapeamento. liderados por outro com maior experiência que se incumbia de efetuar a homogeneização das interpretações.Nesse “overlay” eram demarcados também os limites das cartas topográficas na escala 1:250.000.000 sobre o Domínio da Mata Atlântica. Figura 5 – Contorno das carta topográficas na escala 1:250.

Todo esse processo descrito para o primeiro mapeamento na escala 1:250. a escala de 1:250.000 consumiu em média 2 anos para ser concluído. agora contendo somente o conteúdo temático (mapa contendo os polígonos fruto da interpretação) para uma nova averiguação de inconsistências. Nesse mapeamento. Era impressa uma prova de cada uma das 114 cartas topográficas. um técnico do INPE era chamado para que este tomasse uma decisão específica. A partir dessa etapa. procurando corrigir possíveis erros de interpretação e procedia-se a elaboração dos mapas finais.J. bem como de seus limites. respectivamente e na aplicação de contrastes lineares às imagens. No caso de dúvidas. A diferença verificou-se na substituição dos filtros coloridos vermelho e verde que passaram a ser atribuídos às imagens do infravermelho próximo e médio. segundo uma metodologia muito semelhante àquela descrita. com comprovada experiência no estudo da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados. cada carta era novamente analisada.Ponzoni . o que implicou em uma melhor discriminação visual de feições da superfície terrestre nas composições geradas.000 foi mantida. bem como todos os procedimentos e critérios utilizados na interpretação. A Figura 6 mostra um exemplo de uma mesma cena. assumindo então todas as conseqüências dessa decisão. referente às cercanias da DSR/INPE 8-24 F. Como conseqüência. Uma vez concluída essa etapa de interpretação. Essas provas eram enviadas a consultores em cada Estado para que estes procedessem a uma análise crítica do mapeamento realizado. Esses consultores eram basicamente profissionais do mundo acadêmico ou não. as áreas de cada tema da legenda eram determinadas através de funções específicas do SIG utilizado. Depois da intervenção dos consultores. cada intérprete tem seus próprios critérios no momento da definição da natureza de uma dado polígono mapeado. A atualização do atlas gerado nesse mapeamento foi elaborada em meados da década de 90. diferenciando-se somente na utilização de composições coloridas ligeiramente diferentes. os “overlays” eram novamente analisados procurando identificar inconsistências de interpretação e em seguida estes eram digitalizados e introduzidos em um Sistema de Informação Geográfica (SIG).atividade puramente intuitiva e de caracter subjetivo.

Essa iniciativa foi muito bem recebida pela comunidade científica que anteriormente a ela. Para tanto.Ponzoni . Os resultados são organizados de tal forma a permitir o cálculo de um valor percentual que expressa a confiabilidade dos mapas gerados. DSR/INPE 8-25 F. Outra implementação importante foi a estimativa de Exatidão de Mapeamento Global. são sorteados aleatoriamente um certo número de pontos a serem visitados em campo.Baia da Guanabara. Por exemplo: se encontramos um valor de Exatidão de Mapeamento de 80%. Uma equipe responsável pelo trabalho de campo visita cada um dos pontos selecionados e averigua se de fato a decisão do intérprete sobre a natureza do polígono interpretado foi correta. a b Figura 6 – Composições coloridas utilizadas nos mapeamentos de 1985-90 (a) e 1990-95 (b). observada em composições coloridas como aquelas utilizadas em ambos os mapeamentos. isso significa que temos 80% de chance de que um polígono identificado como Remanescente Florestal no mapa. Esses pontos recaem sobre o mapa sobre polígonos cujas naturezas e posicionamento espacial foram estabelecidos pelos intérpretes.J. que é fundamentada no confronto entre os mapas gerados e informações provenientes do campo. Essa atualização consumiu também aproximadamente 2 anos para ser concluída. não dispunha de qualquer informação sobre a qualidade dos mapas gerados. seja realmente esse tema em campo.

de forma a permitir a cada cidadão o conhecimento da situação da cobertura vegetal do seu município de interesse.04.01). está sendo viabilizado através da Internet no endereço http://www. os dados passaram a ser disponibilizados por município e para algumas unidades de conservação.J. o que possibilitou ainda a ampliação da escala de mapeamento para 1:50.000 e sobre imagens analógicas) com aqueles gerados na escala 1:50. agora para o período 95-2000. com a imagem já georreferenciada. Rio Grande do Sul. segundo a nova metodologia estabelecida de forma a permitir a quantificação de possíveis alterações verificadas no polígonos mapeados.04. Santa Catarina e São Paulo (com divulgações agendadas para os próximos meses). Além desse aprimoramento. os quais foram então eliminados do processo. Paraná (divulgado em 27.org. A interpretação visual das imagens passou a ser feita diretamente em tela de computador. agora na escala 1:50. seguindo todas as etapas de verificação e auditoria por parte de consultores identificados em cada Estado.000. Assim. liderados por outro de maior experiência.01).br/. A atualização desse “novo” atlas está em andamento e em aproximadamente 1 ano.000. DSR/INPE 8-26 F. todo o mapeamento do período 90-95 foi refeito. Esse georreferenciamento possibilitou a eliminação de uma das etapas mais demoradas que era a digitalização dos “overlays”. os quais contém uma descrição detalhada das metodologias empregadas nesses mapeamentos. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a atualização desse segundo atlas.sosmatatlantica.Ponzoni . O acesso a esses dados e de todos os relatórios gerados. Nesse mapeamento foram verificados vários aprimoramentos metodológicos que incluíram o georreferenciamento prévio das imagens que então foram disponibilizadas em formato digital.000 e conseqüentemente a redução da área mínima de mapeamento para 10 ha. já foi possível concluir a análise dos dados do Rio de Janeiro (divulgado em 03.No início do ano 2000. Esse aprimoramento implicou na impossibilidade de comparar diretamente os dados gerados no mapeamento anterior (na escala 1:250. Mais uma vez foi adotada a composição de uma equipe de 3 a 4 intérpretes.

1965.J. 6. Springer. Novo. entendendo que não basta somente diagnosticar o efeito nocivo do homem. V. Keegan. Para tanto.J. A idéia para ao mapeamentos futuros é dar um passo ainda maior que transcende o aprimoramento restrito às metodologias de mapeamento e de manipulação dos dados. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Gates. Stooll. A. Berlin. Sensoriamento remoto: principios e aplicações. Edgard Blucher..C. Weidner. DSR/INPE 8-27 F..R. Schleter.M. 1989..Ponzoni . Willstatter. Applied Optics. 308p.A participação do INPE nesse ambicioso projeto de diagnóstico periódico da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados caracterizou-se pela busca de soluções técnico-científicas que garantissem confiabilidade aos dados gerados. 1918.. de M. Untersuchungen uber die assimilation der kohlensaure. D. mas as informações até o momento adquiridas devem contribuir efetivamente para a conservação daquilo que restou desse importante bioma.M. E. H. 4(1): 11-20. Trata-se de mais um desafio a ser vencido por todos os envolvidos. Spectral properties of plants. como também valorizar a banco de dados já disponível sobre a Mata Atlântica visando o Zoneamento Econômico Ecológico em nível municipal. estarão se mobilizando para avaliar os critérios que nortearão tal zoneamento. São Paulo. R. J. vários especialistas do INPE e de diferentes universidades.

T. R u d o r f f2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 2 mauricio@ltid.br bernardo@ltid.Rudorff .inpe.br DSR/INPE 9-1 M.T.A.Moreira e B.F.inpe.CAPÍTULO 9 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À AGRICULTURA M a u r í c i o A l v e s M o r e i r a1 B e r n a r d o F.

......... 9-3 1................ 9-12 2................................. INTRODUÇÃO ...................................Rudorff .................................. 9-12 2..............................2 CULTURA DO TRIGO .......A..................Moreira e B................ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................... 9-13 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADAS PARA PLANTIO ...............1 CANA-DE-AÇÚCAR .................4 2.................... 9-18 DSR/INPE 9-2 M........... 9-15 3........ 9-5 2............ 9-13 2..........................................................F............ PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS ..................................5 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO .........................T...................................................................3 2.................. 9-14 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS ............................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS .......................

APÓS OCORRÊNCIA DA GEADA EM 1985..Rudorff .....F.......................... 9-8 4.................................... RADIAÇÃO REFLETIDA PELA CULTURA DO CAFÉ DURANTE OS ANOS DE 1984 E 1985 ........ 9-15 9... ESQUEMA DE CONSTRUÇÃO DO PAINEL DE AMOSTRA DO PROJETO SIAG ............................ TM4 (VERDE) E TM5 (VERMELHO) MOSTRANDO DIFERENTES OCUPAÇÕES DO SOLO ................................... 9-9 5................................. IMAGEM DO LANDSAT-TM MOSTRANDO ÁREAS DE ARROZ IRRIGADO NO MUNÍCIPIO DE SANTA VITÓRIA DO PALMAR – RS ........ COMPOSIÇÃO COLORIDA DAS BANDAS TM3 (AZUL).A..................Moreira e B.............. PASTAGEM E REFLORESTAMENTO ........................................... 9-6 2.............................. 9-16 DSR/INPE 9-3 M.................................. IMAGEM NDVI DO ESTADO DE MATO GROSSO MOSTRANDO A EVOLUÇÃO DO DESFLORESTAMENTO OCORRIDA ENTRE OS ANOS DE 1989 A 1993 . IMAGEM EM COMPOSIÇÃO COLORIDA ADQUIRIDA PELO SENSOR TM A BORDO DO SATÉLITE LANDSAT DA REGIÃO DE ALFERES – MG........................ CITRUS...........LISTA DE FIGURAS 1...... REFLECTÂNCIA DE ÁREAS CAFEEIRAS NOS ANOS DE 1986 E 1987 NOS ANOS DE 1986 E 1987.........T............................................... MOSTRANDO ÁREAS DE CAFÉ.... ÁREAS IRRIGADA PELO SISTEMA DE PIVÔ CENTRAL ........................... 9-7 3................ NO MUNICÍPIO DE TRÊS PONTAS ....................... 9-10 6. VARIAÇÃO DA RADIAÇÃO REFLETIDA PELAS CULTURAS DE SOJA E DE MILHO NAS BANDAS TM3 E TM4 DO LANDSAT-5 .......... 9-11 7......................................................... 9-14 8.

Moreira e B............A........... IMAGEM LANDSAT – TM DA REGIÃO DE BEBEDOURO – SP..10........ IMAGEM LANDSAT – TM BANDA 5 (INFRAVERMELHO PRÓXIMO) MOSTRANDO A EXPANSÃO DA FRONTEIRA ....F... 9-17 DSR/INPE 9-4 M. MOSTRANDO ÁREAS DESTINADAS À CITRICULTURA ..........T...Rudorff ........... 9-17 11.

Imagens multiespectrais são obtidas em varias faixas. Além disso. o satélite Landsat leva 16 dias para fazer o recobrimento da Terra e.Moreira e B. podemos obter dados de uma área agrícola várias vezes. é possível obter informações sobre: estimativa de área plantada. produção agrícola. além de fornecer subsídios para o manejo agrícola em nível de país. aqueles satélites que foram construídos para observar e coletar dados da superfície terrestre.A. como por exemplo dentro da faixa do visível do espectro é possível registrar a energia refletida das bandas TM1. a área ocupada com floresta. TM2 e TM3 do satélite Landsat. portanto. Devido a isso temos uma coleta da energia refletida em forma multiespectral3. Além disso. Este tipo de satélite carrega a bordo um conjunto de sensores (sistema sensor) que operam em diferentes faixas do espectro eletromagnético.Rudorff . 3 DSR/INPE 9-5 M. Quanto maior a resolução espectral de um sensor maior é o número de imagens obtidas numa dada região espectral. Com esta repetitividade dos satélites.F. Esses dispositivos são os sensores. a cada 16 dias volta a passar sobre uma mesma área. estado. regiões ou bandas do espectro eletromagnético. 4 Um satélite de sensoriamento remoto passa sobre uma mesma área na superfície terrestre segundo um período definido. município ou ainda em nível de microbacia hidrográfica ou fazenda. INTRODUÇÃO Hoje em dia. carregam a bordo dispositivos que coletam estes dados. Através desta técnica. para que órgãos governamentais e de iniciativa privada possam tomar medidas de ações rápidas para importar ou exportar o excedente da produção de determinado produto agrícola. A tecnologia de sensoriamento remoto apresenta um grande potencial para ser utilizada na agricultura. é necessário obter informações precisas e em tempo hábil. ou seja. vigor vegetativo das culturas. permite criar um banco de dados com informações multitemporais4. o consumo de alimento é sempre crescente. o interesse em obter informações sobre produção de alimentos passou de “lobby” a uma necessidade uma vez que.T. Por exemplo. por exemplo. durante seu ciclo de crescimento e desenvolvimento.1. Os satélites de recursos naturais. Isso. eles passam num mesmo ponto da superfície terrestre de tempo em tempo.

Rudorff . DSR/INPE 9-6 M. a radiação refletida que é coletada pelos sistemas sensores traz informações que podem estar relacionadas. por exemplo. 3 e 4) em regiões de intensa prática agrícola.F.No caso de culturas agrícolas.Moreira e B.T. podendo. assim. Fig. estimar a produção da cultura agrícola. com o tipo de cultura plantada. com as condições fenológicas ou nutricionais da cultura e. com a produtividade. para enfatizar o aspecto multiespectral (Figura 1) e multitemporal (Figuras 2.A. Nas Figuras 1 a 4 são apresentadas imagens do sensor TM a bordo do satélite Landsat. 1 – Variação da radiação refletida pelas culturas da soja e do milho nas bandas TM3 e TM4 do Landsat-5. consequentemente.

2 – Radiação refletida pela cultura do café durante os anos de 1984 e 1985. Isto se deve principalmente à arquitetura diferenciada destas duas culturas. Nota-se que a soja apresenta-se em tonalidade bem mais clara do que o milho. fazendo com que a soja reflita muita radiação solar na região do infravermelho próximo devido a suas folhas planiformes.T. No entanto. nesta região espectral. devido à absorção da energia solar pelas plantas.A.Moreira e B. Na Figura 1 observa-se que as áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza escuro na imagem obtida na banda TM3. As folhas mais eretas do milho permitem que uma maior quantidade de radiação penetre na cultura e consequentemente uma menor quantidade é refletida. para realizar a fotossíntese. denotando assim. alta reflectância da energia incidente.F.Rudorff . DSR/INPE 9-7 M. na banda TM4 (infravermelho próximo) as mesmas áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza claro. Devido a esta característica é relativamente fácil descriminar estas duas culturas nas imagens de sensoriamento remoto.Fig.

Reflectância de áreas cafeeiras nos anos de 1986 e 1987. 3.Moreira e B. Fig. como a geada. Na Figuras 3 pode-se observar que as áreas atingidas pela geada recuperaram o seu vigor vegetativo somente no ano de 1987. Esta série temporal de imagens mostra como se pode identificar e avaliar o impacto de uma variável ambiental. tal como na imagem de 1984. no município de Três Pontas. apresentando-se novamente em coloração magenta. é necessário esclarecer que no ano de 1985 ocorreu uma forte geada no Sul de Minas Gerais acarretando uma queima fisiológica muito grande nas áreas de café da região. Evidentemente.Para explicar o comportamento espectral do café observado na Figura 2.Rudorff . Na imagem de 1985 as áreas de café se apresentam em coloração verde (folhas queimadas e muito solo exposto). esta informação se complementa com uma série de outras variáveis que também exercem influência sobre a produção e não estão expressas na variação espectral da cultura.F. DSR/INPE 9-8 M. sobre a produção agrícola. após ocorrência da geada em 1985.A. Na imagem falsa cor de 1984 a cultura do café se apresenta em coloração magenta (intensa vegetação) e bem distinta dos demais alvos de ocupação do solo.T.

Fig. as informações de três bandas e gerar uma composição colorida. TM4(verde) e TM5(vermelho) mostrando diferentes ocupações do solo. ao adicionar cores nas imagens.T. como é mostrado na Figura 5. Nota-se que neste caso as áreas de soja estão apresentadas em amarelo-esverdeado e o milho em verde. sombreamento e textura. mostrando que existem diferenças espectrais nessas duas culturas. o verde na banda TM4 e o vermelho na banda TM5.Composição colorida das bandas TM3(azul). Por exemplo.F. para distinguir áreas irrigadas por sistema de pivô central de outros métodos de irrigação o analista baseia-se na forma. azul na banda TM3.Moreira e B. ao invés e trabalhar com imagens individuais. isto é. como é o caso da Figura 4. 4. DSR/INPE 9-9 M.Rudorff . que foi gerada adicionando as cores. o especialista em sensoriamento remoto utiliza também elementos da fotointerpretação tais como: forma.A. podemos associar. obtidas nas diferentes bandas. É bom ressaltar que além das características multiespectrais e multitemporais das imagens do satélite. através de cores.Por outro lado.

5. A freqüente cobertura de nuvens impede a obtenção de imagens livres de nuvens e impõe sérias limitações ao uso operacional das técnicas de sensoriamento remoto para estimativa de safras.F. de forma objetiva e confiável. Isto permitiria inclusive realizar previsões de estimativas de safras. é a presença de nuvens. Para contornar este problema existem alternativas relacionadas tanto com os sistemas sensores quanto com o sistema de coleta das informações.Fig. o grande impedimento para se obter imagens de satélite. para o Landsat DSR/INPE 9-10 M.Rudorff . Isto seria uma realidade se dispuséssemos de um número suficiente de imagens que permitissem identificar a cultura e diagnosticar o seu potencial produtivo. Quanto aos sistemas sensores.Moreira e B. A título de exemplo. durante o período da safra.Áreas irrigadas pelo sistema de pivô central.T. Elas impedem que a energia refletida e/ou emitida pelos alvos da superfície terrestre chegue até o sensor a bordo do satélite. uma alternativa seria colocar em órbita uma constelação de satélites com características similares que permitiriam obter imagens com freqüência diária. Entretanto.A. Diante do que foi apresentado até aqui parece ser bastante simples a utilização de imagens para estimar a produção das safras agrícolas.

T. Finalmente. utilizando como DSR/INPE 9-11 M. A grande limitação destes tipos de imagens.A. Com este tipo de imagem não é possível estimar a área plantada. Estas imagens foram compostas ou mosaicadas para se obter uma imagem livre de nuvens sobre todo o estado do Mato Grosso.Rudorff . às imagens AVHRR.necessitaríamos de 15 satélites para obter imagens diariamente.Imagem NDVI ( Índice de Vegetação com Diferença Normalizada / NDVI=Riv-Rv/Riv+Rv. ) No caso da figura acima foram utilizadas várias imagens do mês de junho parcialmente cobertas com nuvens.F. onde Riv = reflectância na região do infravermelho próximo e Rv = reflectância na região do vermelho do espectro eletromagnético) do Estado do Mato Grosso mostrando a evolução do desflorestamento ocorrida entre os anos de 1989 a 1993. como por exemplo. estas imagens podem serem utilizadas para um sistema de vigilância sobre efeitos episódicos ou mesmo na avaliação da expansão de áreas agrícolas.Moreira e B. é a baixa resolução espacial (1. Fig.1 km).1 x 1. uma outra alternativa seria estabelecer um sistema de amostragem para estimar a área das principais culturas. Contudo. Outra alternativa é a utilização de imagens de um satélite com alta resolução temporal (diária). 6 . Fonte: Adaptado de Shimabukuro et al. p.(1999. conforme é apresentado na Figura 6.

possível de ser identificada nas imagens de satélites.A. foram realizados estudos que visaram estimar a produtividade agrícola da cana-de-açúcar através de imagens do Landsat e de um modelo agrometeorológicodesta (Rudorff e Batista. DSR/INPE 9-12 M.T.. imagens de satélites ou fotografias aéreas de arquivo recentes. e) métodos de estimativa da precisão e exatidão dos mapas temáticos. b) definição da área mínima. Este projeto foi realizado através de interpretação visual de imagens Landast-MSS (Multispectral Scanner System) na escala 1:250.Rudorff . Este procedimento será descrito mais adiante. Foram utilizadas 44 imagens de 185x185 km obtendo-se uma estimativa de área plantada de 801. quanto maior for a resolução espacial de uma imagem maior será o tempo que o satélite leva para retornar a uma mesma área em função da estreita órbita de imageamento. c) comportamento espectral de culturas agrícolas. Em geral. Há mais de 25 anos o INPE vem realizando pesquisas relacionadas com a identificação e o mapeamento de áreas agrícolas. no terreno. nas bandas MSS5 (vermelho) e MSS7 (infravermelho próximo). e f) utilização de algoritmos de classificação para mapear áreas agrícolas.000. 2.Moreira e B.950 ha. PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS 2.1981).1 CANA-DE-AÇÚCAR O primeiro grande projeto de mapeamento de área de cana-de-açúcar no estado de São Paulo ocorreu no ano safra 1979/80 (Mendonça et al.referência. d) estabelecimento dos períodos adequados para aquisição de imagens visando a identificação de culturas agrícolas.F. destacando-se as seguintes pesquisas: a) seleção das culturas agrícolas passíveis de serem mapeadas através de imagens de satélites. 1990). para todo Brasil. Por limitações tecnológicas é difícil obter imagens com alta resolução temporal e espacial. Posteriormente.

F. na escala 1:250. com base em sistema de amostragem. DSR/INPE 9-13 M.Rudorff . Dom Pedrito e Cachoeira do Sul. as áreas ocupadas com arroz irrigado apresentam tons de cinza muito escuros na imagem da região do infravermelho próximo (banda TM4) contrastando com outras culturas não irrigadas. que reduziu em mais de 80% o tempo gasto na interpretação visual. quando então foi assinado um convênio entre o INPE e o Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA).T. principalmente. O estudo foi realizado com imagens. Estudos pioneiros foram realizados também com a cultura do trigo na região de Assis. para fins de fiscalização do crédito agrícola. Moreira (1983) desenvolveu uma metodologia de estimativa de área de trigo. Através deste estudo foi constatado que a presença da lâmina de água é um fator preponderante para separar áreas irrigadas por inundação de outros tipos de irrigação. em nível de propriedade rural. do sensor MSS nas bandas 5 e 7. utilizando imagens do satélite Landsat-TM.3 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO Os estudos com a cultura do arroz irrigado tiveram seus inícios no ano de 1980. O trigo é cultivado durante a entre safra e neste período existe uma maior probabilidade de se obter imagens livres de cobertura de nuvens favorecendo o uso de imagens de sensoriamento remoto na estimativa de área plantada. conforme é mostrado na Figura 7. no estado do Rio Grande do Sul. SP. Na época foram selecionados quatro municípios como área teste: Santa Vitória do Palmar. Por exemplo.Moreira e B.2 CULTURA DO TRIGO Diversos estudos para estimar a área plantada com a cultura do trigo foram realizados. Itaqui.A. 2.2.000.

4 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADA PARA PLANTIO A identificação e o mapeamento de áreas de solo exposto e preparado para plantio.Moreira e B. Com base na área potencialmente destinada para o plantio das lavouras pode-se. estimar a área destinada para as diferentes culturas. em conjunto com informações de intenção de plantio.T.Rudorff . 2.A. visa contornar o problema da indisponibilidade de imagens livres de nuvens durante a estação chuvosa (janeiro a fevereiro). 7 – Imagem do Landsat-TM mostrando áreas de arroz irrigado no município de Santa Vitória do Palmar – RS.F. Este estudo foi inicialmente realizado por Assunção e Duarte (1982) e foi recentemente retomado por Ippoliti-Ramilo (1999). DSR/INPE 9-14 M.Fig.

denominadas UPAs (Unidades Primárias de Amostragem) que contém segmentos amostrais a serem visitados no campo pelos entrevistadores (Moreira et al. A Figura 8. posteriormente.5 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS O INPE e o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desenvolveram um projeto. 8 – Esquema de construção do painel de amostra do Projeto SIAG.F. Fig. em função da intensidade de uso agrícola. denominado SIAG . 1989). expandido para os estados de Santa Catarina.Rudorff . isto é.2.A. e também para dividir os estratos em unidades menores. na estratificação da área de estudo. Inicialmente o projeto foi implementado no estado do Paraná e. DSR/INPE 9-15 M.Sistema de Informação Agropecuária que visa obter estatísticas agrícolas com base num painel amostral. No SIAG as imagens do Landsat-TM foram utilizadas na construção do painel de amostra.T. São Paulo e o Distrito Federal.Moreira e B. ilustra a seqüência de construção do painel de amostra.

As Figuras a seguir mostram exemplos de aplicações das imagens de sensoriamento remoto na agricultura. bastando para isso. 9 – Imagem em composição colorida adquirida pelo sensor TM a bordo do DSR/INPE 9-16 M. por exemplo.Rudorff . 2) permite estimar a área das culturas agrícolas mesmo não se dispondo de dados de satélites da safra corrente pois neste caso se utiliza o estimador de expansão direta.Moreira e B.T. Fig.A. no Paraná são levantadas informações em apenas 450 segmentos com tamanho que varia de 1 a 5 km2.As vantagens da abordagem metodológica do SIAG são: 1) permite estimar a área das culturas agrícolas dentro de uma confiabilidade pré-estabelecida. adequar o painel de amostra. 3) reduz o tempo e custo no levantamento das informações a campo.F. 4) a metodologia do SIAG pode ser aplicada para áreas grandes (estado) ou pequenas (município).

11 – Imagem Landsat-TM banda 5 (infravermelho próximo) mostrando a expansão da fronteira agrícola na região norte do estado do Mato Grosso. mostrando áreas destinadas à citricultura. mostrando áreas de café.Moreira e B.MG.A. pastagem e reflorestamento. 10 – Imagem Landsat-TM da região de Bebedouro – SP.satélite Landsat da região de Alfenas .Rudorff . citrus. Fig.T. DSR/INPE 9-17 M.F. Fig.

Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.. Duarte. AG. 19-24 de nov.A. M. A.T... Assunção. J. 75 p. 183p. Y. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Assunção. Lucht. E. G. A.R. Shimabukuro.. São José dos Campos:INPE. G. L.L. M.. Duarte.Rudorff . (INPE7116-TDI/688). Biffi. (INPE-2021RPE/288). Utilização de dados do Landsat-TM para estimar área de soja (Glycine max.A. M. (L) Merrill) através da expansão direta. D. Chen.L.A. G.E.S. V.A.C. Sistema de amostragem para estimar a área da cultura do trigo (Triticum aestivum..Moreira e B.. São José dos Campos. Levantamento da área canavieira do Estado de São Paulo utilizando dados do Landsat ano safra 1979/80. 1999..C. J. Classificação e monitoramento da cobertura vegetal do Estado do Mato Grosso através de imagens NOAA-AVHRR. Maia.. In: IV Simpósio Latinoamericano de Percepcion Remota. Silva.V.2637-TDL/113).INPE). Lima. (MestradoInstituto Nacional de Pesquisas Espaciais . Moreira. Shimabukuro.A. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Especiais.Y. F. Mendonça. A. 1981.A..A. Moreira. DSR/INPE 9-18 M. V. Avaliação de áreas preparadas para plantio (SOLONU) utilizando-se dados do satélite Landsat. Duarte. Ipoliti-Ramilo.. de. Tardin.G.S. de 1989. 1983 (INPE-3015TDL/150). São José dos Campos:INPE. Moreira... 1982.T. J..M. Bariloche.M. Villalobo. G. São José dos Campos. mar. Yi.F.C. (INPE-7234-RPQ/698).3. Lee. L) através de dados do Landsat. S. V. 1999.. Imagens TM/Landsat-5 da época de pré-plantio para a previsão da área de culturas de verão.V. (INPE. F.

T. DSR/INPE 9-19 M. B..Rudorff. Batista (1990).T.Rudorff .F.F. 33:183-192.Moreira e B.T. Remote Sensing of Environment.A. Yield estimation of sugarcane based on agrometeorological-spectral models. G.

G.C.br 10 -1 P.Albuquerque DSR/INPE .C A P Í T U L O 10 ENSINANDO CARTOGRAFIA P a u l o C é s a r G u r g e l d e A l b u q u e r q u e1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 E-mail: gurgel@ltid.inpe.

G.Albuquerque .C.DSR/INPE 10 -2 P.

.................. 10-4 2...................ÍNDICE 1..................... 10-8 8................................................Albuquerque ..................... 10-6 6......... CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES ................................. 10-5 5... INTRODUÇÃO .......... ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO .......................................................................G..................................................................................... TIPOS DE MAPAS ................................................................10-6 7................................... ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA ....................................... 10-5 4. ESCALA ......... PROJEÇÃO ............... 10-4 3......C.......................................... DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS ........................................................... 10-14 DSR/INPE 10 -3 P..........................

DSR/INPE 10 -4 P.Albuquerque .G.C.

DSR/INPE 10 -5 P. O produto cartográfico está associado a uma necessidade de apresentação e expressão de resultados. Conceitualmente pode-se dizer que a Cartografia é uma atividade meio. com o grau de exatidão requerido. saúde pública. Seu uso é abrangente. de segurança. Antes da consagração deste termo o vocábulo usado era cosmografia.1. único instrumento capaz de representar em escala. Como vocábulo. INTRODUÇÃO A cartografia como atividade já aparece nas descobertas Pré-Históricas.G. A Cartografia foi a principal ferramenta usada pela humanidade para ampliar os espaços territoriais e organizar sua ocupação. escrita em Paris e dirigida ao historiador brasileiro Adolfo de Varnhagem.C. elaborado com o objetivo de expressar um conjunto de informações. informações quantitativas e temáticas necessárias ao planejamento. Cartografia foi criado pelo historiador português Visconde de Santarém em carta de 8 de dezembro de 1839. antes mesmo da invenção da escrita.Albuquerque . servindo de suporte à diversas ciências e tecnologias. As informações cartográficas constituem as bases sobre as quais se tomam decisões e encontram soluções para os problemas sócio-econômicos e técnicos existentes. Hoje ela está presente no cotidiano da sociedade. turismo e auxiliando as navegações. por meio de procedimentos e normas técnicas capazes de assegurar que o mapa elaborado satisfaça as exigência de um projeto. levando soluções para problemas urbanos. a cartografia constrói seu produto conforme as necessidades apresentadas e o entrega na forma de mapas. Este produto. deve ser ajustado às necessidades de apresentação impostas por essas informações.

Público alvo Custo Tempo DSR/INPE 10 -6 P.G.C.Onde ocorre o fato . DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS O produto cartográfico atende a uma necessidade quando o documento cartográfico elaborado garantir características que vão ao encontro da necessidade que o originou.2. É importante indagar sobre os objetivos do mapa. os modelos de projeção que podem ser utilizados.Quando ele ocorre Temático: . Para tal faz-se necessário que o interessado conheça os elementos de um mapa e dos processos utilizados na elaboração dos mapas de forma a poder encontrar a melhor solução para a necessidade apresentada.Quais são as dimensões Temporal: .Albuquerque . processos e meios que a Cartografia utilizará para produzir esses documentos. ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA A Cartografia deve assegurar que o mapa responda às seguintes questões: Espaciais: .Qual a forma . Escala Projeção Exatidão Representação Tipo de produto Apresentação do produto (mídia) Para que uma região possa ser mapeada questões devem ser respondidas.Qual o tipo de ocorrência 3.

G. como indicado a seguir: Cartas Topográficas Cartas ou mapas temáticos Cartas ou mapas especiais MR=Mapa Base ou mapa de referência. Ex: 1/1000 Esta notação nos informa que o mapa apresenta uma região que teve suas dimensões reduzidas 1000 vezes.4. As escalas podem ser representadas numericamente. 1000cm no terreno etc. geologia. são divididos em 3 tipos de documentos: topográficos. MT=MR+Tema MT=MR+Tema O mapa topográfico é considerado básico pois nele assentam-se informações de temas específicos. ou graficamente. ESCALA Número adimensional utilizado para indicar de quanto está reduzida a dimensão de uma região para que ela possa ser representada sobre uma folha de papel. sistemas ferroviários etc. Assim.Albuquerque . como mostrado a seguir: 1000 750 500 250 0 m 1000 2000 3000 Representação gráfica de uma escala DSR/INPE 10 -7 P. 5. temáticos e especiais.. Neste caso.000.. a relação que indica a escala é transformada em uma régua onde as distâncias são lidas diretamente.. por exemplo 1:25...C. que 1cm. tais como vegetação. TIPOS DE MAPAS Os mapas. podemos dizer que 1mm no mapa corresponde a 1000 mm no terreno.

a superfície. podem ser: Cilíndricas Normais Transversas Oblíquas Cônicas e ou Policônicas Normais Transversas Planas Polares Equatoriais Oblíquas Quanto aos atributos: Eqüidistantes distância sobre um meridiano medido no mapa = distância medida no terreno distância sobre um paralelo medido no mapa = distância medido no terreno Equivalentes área no mapa=área do terreno Conformes forma no mapa = forma do terreno Azimutais direção azimutal no mapa = direção azimutal no terreno DSR/INPE 10 -8 P.6. Quanto ao modelo de desenvolvimento.Albuquerque . total ou parcial da Terra.C. As projeções cartográficas possuem características que garantem a elaboração de mapas para todos os tipos de uso e aplicação. PROJEÇÃO Refere-se a modelos geométricos ou analíticos adotados para representar em um plano horizontal.G.

Albuquerque . uma vez que os modelos de projeção a serem adotados deverão se ajustar perfeitamente a essa superfície. é importante que se conheça a forma e as dimensões do objeto. A forma real da Terra. SC DSR/INPE 10 -9 P. .Forma da Terra Quando pretende-se representar um objeto segundo uma determinada projeção. A Terra em uma primeira aproximação pode ser considerada uma esfera de raio R. do uso que será dado ao mapa.00m Achatamento: 1/298. é irregular. da dimensão. conhecida como geóide.378.C.A escolha do modelo de desenvolvimento e dos atributos de uma projeção é função. definida como elipsóide.160.25 Datum vertical Imbituba. entretanto quando se deseja representá-la com mais detalhe e exatidão faz-se necessário conhecer sua forma e dimensões. Este modelo é definido segundo o sistema geodésico de cada país. Na cartografia a forma da Terra é um fator importante que deve ser considerado. No Brasil o sistema geodésico adotado está assim especificado: Origem: Datum horizontal SAD69 Elipsóide de referência Elipsóide de Referência Internacional 1967 Semi-eixo maior: 6. é também responsável pelas deformações em escala que os mapas apresentam.G. assunto que é estudado pela Geodésia. A projeção. da forma e posição geográfica da área e do alvo a ser mapeado. face à forma da Terra. As operações cartográficas exigem uma superfície regular.

Outras perguntas podem ser formuladas. apoiar as atividades cotidianas do aluno e a formação de sua cidadania. independentemente de saber o que é escala.G. sociologia. a respeito de sua vizinhança. conduzindo-o a exercitála sem que isto configure um tópico de uma disciplina ou ela própria. acesso. projeção ou qualquer técnica cartográfica.pelos pais e depois o próprio aluno passará a elaborar seus “mapas”. Trata-se do exercício natural dessa ferramenta. etc. Então como ensinar Cartografia? Inicialmente o que deve ser feito é despertar o interesse do aluno para as aplicações cartográficas. por exemplo: Por que o interesse de ensinar cartografia nas escolas? A partir da resposta dada. estão desenvolvendo modelos para que alunos do ensino fundamental aprendam o que é uma escala. quando do ensino de outras disciplinas como geografia. sem se preocupar com o exercício da própria cartografia no cotidiano da escola. cabe então ao educador. procurar a resposta que vá ao encontro da formação do cidadão e não de outros interesses..C. história e de outras disciplinas.7..Albuquerque DSR/INPE . o que é uma projeção cartográfica etc. meios transporte. através de informações elaboradas pela própria escola na forma de mapas. história. Entretanto. ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO Atualmente observa-se que muitos profissionais voltados ao ensino da Cartografia. Afinal por que aprender cartografia? Este despertar para a cartografia pode se iniciar com o aluno ainda na pré infância. segurança pública. dentre outras que podem utilizar essa ferramenta e seus produtos no seu aprendizado. que ocorre com o crescimento do conhecimento adquirido nas diversas disciplinas. como é feita a representação do relevo. outras questões podem ser também levantadas. das necessidades e do interesse do próprio aluno. Entende-se que essas respostas devem convergir para o seguintes objetivos: auxiliar no aprendizado da geografia. 10-10 P.

respeitadas as suas prioridades definem o conjunto de ações que devem ser desenvolvidas pelo professor e aluno no âmbito da escola.Albuquerque . segundo proposto.disseminação das aplicações cartográficas e de seus produtos no país. -Fase-2: Treinamento de professores em Cartografia.utilização de novas tecnologias etc. tais como: . As fases são as seguintes: -Fase-1: Expressar todas as informações pertinentes à localização da escola. -Fase-4: Treinamento específico em Cartografia para os alunos do ensino fundamental. DSR/INPE 10-11 - P. -Fase-3: Utilização e aplicação freqüente de mapas nas aulas e na elaboração dos exercícios propostos aos alunos pelo professor.por meio de mapas ou croquís. sítios de interesse tais como: papelarias.C. a partir da 6a série. será trabalhada por especialistas conforme os curricula aprovados. acessos. treinados para conhecer as bases na qual se assenta a Cartografia serão os orientadores e disseminadores do uso e aplicação da cartografia para este momento.Respostas que contemplem outras tendências.G. está associado a 5 fases de trabalho que.. farmácias. pontos de ônibus. . bairro e residência do educando. Ensinar Cartografia. matemática. etc. Os professores das disciplinas de geografia. Este treinamento deverá sempre estar associado às disciplinas que estão sendo ministradas nesse período. Observa-se que não é exigido professores com conhecimentos especializados em Cartografia até a fase-4. A fase-5.. dedicada à formação de profissionais para a Cartografia. ciências e artes plásticas. Fase-5: Curso profissionalizante para formação de técnicos de nível médio em cartografia..

geografia. 04 ----Para alunos a partir da 6 série 05 Só para formação profissional a Compreensão dos problemas geométricos que existem nos mapas Profissionais formados Devido ao desconhecimento dos objetivos da Cartografia e a falta de cultura na utilização de seus produtos pela sociedade.G. Recursos básicos DSR/INPE 10-12 - P..C. destacados a seguir.. -Requisitos A consecução dos objetivos desta proposta para o ensino da cartografia. leitura e uso desses documentos em diversas escalas Compreensão dos problemas sóciais. junto com outras disciplinas. o trabalho que está sendo apresentado visa despertar e incentivar o uso sistemático da Cartografia. como ferramenta para compreensão dos problemas físicos.Duração e fases 01 02 Processo inicial 1 ano Processo instalada ---- Indicadores Anual Familiarização com mapas Entendimento do que são mapas. pautase nos recursos humanos e materiais básicos existentes na escola..Albuquerque . econômicos e Aplicar em toda a escola Professores selecionados escola que pela dando em Manutenção preferência àqueles lecionam todas as séries 03 Aplicar em todas as séries ambientais apresentados na história. humanos e culturais e ao cotidiano do educando.

C. Populacional. Interesse Comprometimento Conhecimento básico sobre leitura e manuseio de mapas (documentos cartográficos) Alunos 2-Materiais 2..2-Equipamentos e consumo Régua. matemática.G. Os materiais suplementares. esquadro. Geral. DSR/INPE 10-13 - P. Características Interesse Comprometimento história.. indicados a seguir. Político. ciências. Físico e Político Geral. Ecológico. Físico. Físico Urbano Conforme disponibilidade Escolar Observa-se que esses materiais integram o acervo de qualquer escola e dos materiais que os alunos costumam trazer para as aulas.Albuquerque .. artes plásticas . Entretanto. é importante que os professores dominem esse conjunto de facilidades e possam disponibilizá-los para todos os alunos.1-Documentos Cartográficos Mapas Mundi Mapas das Americas Mapas do Brasil Mapa da Região Mapa do Estado Mapa do Município Cartas-imagens Atlas 2. são utilizados para auxiliar neste trabalho e enriquecer o aprendizado do aluno. compasso e transferidor Lápis preto e branco e coloridos Borrachas Globo Bússola Motivação com a escola Especificações Geral.1-Humanos Diretores Coordenadores pedagógicos Professores de geografia.

a-Passeio em trilhas b-Caça ao tesouro. etc..000. quebra cabeças. escala maior ou igual a sensoriamento remoto DSR/INPE 10-14 - P. Outra característica desta proposta é permitir que o professor continue criando atividades em sala de aula e no campo com seus alunos. apresentamos a seguir uma relação de atividades que podem ajudar na compreensão e conhecimento dos objetivos e técnicas cartográficas.Recursos suplementares Computador Plotter ou impressora Scanner Aplicativos GPS Cartas imagens ou imagens Fotografias aéreas para cartografia e CoreoDRAW. livros didáticos. perigosos etc. valendo-se do acervo básico e de sua própria imaginação. abrangendo o município e a cidade. e-Enduro ambiental. Cópia papel Cópia digital Materiais disponíveis no mercado Cartas-imagens. sujos. Visando auxiliar os professores que poderão se envolver com este trabalho. De mão para operações estáticas Colorida.Albuquerque . g-Identificar no mapa do Brasil o local onde foram torpedeados os navios brasileiros durante a 2a guerra mundial.C.G. d-Corridas de orientação. jogos. c-Conhecer o bairro onde mora.. para identificação dos locais mais poluídos. 1/50. f-Desenhar no mapa as trajetórias das naus de Cabral e Colombo.

“partindo de necessidades. reflexões. DSR/INPE 10-15 - P.. históricos e biológicos que são contemplados nas disciplinas curriculares do ensino fundamental e médio..8. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES A concepção desta proposta foi desenvolvida a partir dos princípios básicos que norteiam as técnicas de ensino.G.. projeção etc.C. Nas séries mais avançadas professores e alunos poderão lançar mão de bibliografias específicas a respeito do tema. e de experiências vividas anteriormente junto as escolas do ensino fundamental. etc.” independente do conhecimento matemático do que seja escala. sociais. iniciando assim junto às disciplinas de desenho e matemática conceitos de escala. de observações. O ensino da Cartografia deve-se iniciar da mesma maneira que os mapas apareceram.Albuquerque . Finalmente recomenda-se que a cartografia não seja nem disciplina nem tópico de disciplina mas uma nova forma de linguagem para abordar e apresentar temas ambientais. projeção forma da Terra..

inpe.br .C A P Í T U L O 11 Geoprocessamento J o s é C a r l o s M o r e i r a1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 moreira@dpi.

C.Moreira .DSR/INPE 11-2 J.

......................................... 11-7 3........ QUAIS PLATAFORMAS E PERIFÉRICOS SÃO SUPORTADOS? ..............Moreira ... FUNÇÕES DO SPRING............................................ 11-8 4... QUAIS OS MÓDULOS DISPONÍVEIS? ..C.................................. 11-9 DSR/INPE 11-3 J. INTRODUÇÃO AO SPRING ..............................................ÍNDICE 1.... 11-5 2...............................

C.DSR/INPE 11-4 J.Moreira .

mapas de redes e campos.Linguagem Espaço-Geográfica baseada em Álgebra). para ambientes UNIX e Windows. DSR/INPE 11-5 J. Os sistemas desta geração são concebidos para uso em conjunto com ambientes cliente-servidor.C. fornecendo ao usuário um ambiente interativo para visualizar. projeção e fuso. O que é Banco de Dados Geográfico? • Banco de dados não-convencional onde cada dado tratado possui atributos descritivos e uma representação geométrica no espaço geográfico. • Administra tanto dados vetoriais como dados matriciais ("raster") e realiza a integração de dados de Sensoriamento Remoto num Sistema de Informações Geográficas. Os dados disponíveis no banco podem ser manipulados por métodos de processamento de imagens e de análise geográfica. com a introdução explícita do conceito de objetos geográficos (entidades individuais). • Provê um ambiente de trabalho amigável e poderoso. manipular e editar imagens e dados geográficos. geralmente acoplados a gerenciadores de bancos de dados relacionais. mantendo a identidade dos objetos geográficos ao longo de todo banco.Moreira . através da combinação de menus e janelas com uma linguagem espacial facilmente programável pelo usuário (LEGAL . operando como um banco de dados geográfico. Quais são as características principais? • Opera como um banco de dados geográfico sem fronteiras e suporta grande volume de dados sem limitações de escala. de mapas cadastrais. Aprimora a integração de dados geográficos. Introdução ao SPRING O que é SPRING? • Banco de dados geográfico de 2º geração.1.

muitos dos sistemas disponíveis no mercado apresentam alta complexidade de uso e demandam tempo de aprendizado muito longo. projetado inicialmente para redes de estações de trabalho baseadas na arquitetura RISC e ambiente operacional UNIX. classificação por regiões e geração de grades triangulares com restrições. é capaz de operar com toda sua funcionalidade em ambientes variando de microcomputadores a estações de trabalho RISC de alto desempenho. mapas temáticos e cadastrais e modelos numéricos de terreno. que melhor reflete a metodologia de trabalho de estudos ambientais e cadastrais. isto é. não havendo necessidade de DSR/INPE 11-6 J. ao contrário do SPRING.• Consegue escalonabilidade completa. Desenvolvido usando técnicas avançadas de programação. que requerem uma forte capacidade de integração de dados entre imagens de satélite. • Adaptado a complexidade dos problemas ambientais. a estrutura de dados é a mesma quando o usuário trabalha em um microcomputador na versão Windows e em uma máquina RISC (Estações de Trabalho UNIX). garantem o desempenho adequado para as mais variadas aplicações. isto é. complementando os métodos tradicionais de processamento de imagens e análise geográfica.C. como os utilizados para indexação espacial.Moreira . • Base de dados é única. • Preserva o investimento dos usuários dos sistemas SITIM e SGI. segmentação de imagens. A interface interativa utiliza o "X Window System" e padrão de apresentação OSF/MOTIF em ambientes UNIX e "Windows" em ambientes PC-Windows. • Sistema inovador. Quais são as vantagens do SPRING? • Contém algoritmos inovadores. Adicionalmente. uma vez que todos os dados gerados nestes sistemas podem ser totalmente aproveitados (inclusive com topologia) no novo ambiente. utilizando modelo de dados orientado-a-objetos.

4 ou posterior. Monitor de vídeo colorido SVGA. com sistema HP-UX 9. ou Estações Hewlett-Packard. com sistema IRIX 4. Memória RAM de 16 Mbytes.0. Disco rígido de 1 Gbytes.44 Mbytes e Unidade de CD-ROM (caso desejar trabalhar com imagens de satélite fornecidas pelo INPE). Drive de 31/2".4 ou posterior. de maneira que não existe diferença no modo de operar o SPRING. Quais plataformas e periféricos são suportados? • Plataforma PC o Software: Microsoft Windows-95 ou Windows-NT versão 3.0. 50 Mbytes de espaço em disco para instalação mínima do SPRING. DSR/INPE 11-7 J.Moreira . o o o • Hardware mínimo para estações RISC-UNIX o o o 32 Mbytes de memória principal. ou Linux versão 1.2. dp 0.2. 14" NI. ou Solaris-X86 versão 2.conversão de dados.13. que é exatamente a mesma.5. com sistema operacional AIX 3. 2. series IRIS 4D. • Estações RISC-UNIX o Estações SUN de arquitetura SPARC utilizando sistema operacional Solaris 2. ou Estações IBM RISC/6000. series HP-700. O mesmo ocorre com a interface.51.28 mm. 1. ou Estações Silicon Graphics. o Plataforma mínima de hardware: Processador 486 DX2 100 Mhz.C. 100 Mbytes de espaço em disco para os bancos de dados a serem criados pelo usuário.

• Periféricos como mesa digitalizadora. funções de entrada de dados. Numérico Cadastral. • IMPIMA o Executa leitura de imagens digitais de satélite.0 conta com um programa automático para instalação do sistema.4 ou 8mm) adquiridas a partir dos sensores TM/LANDSAT-5. Quais os módulos disponíveis? • 3 módulos. estão divididas em: Arquivo. BIL e 1B para o formato GRIB (Gridded Binary). IMPIMA. 3. manipulação de consulta ao banco de dados. traçadores gráficos compatível com HPGL e impressoras coloridas compatível com PostScript também são suportados e podem ser integrados no sistema. Editar. "streamer" (60 ou 150 megabytes) e DAT (Digital Audio Tape .Moreira . compartimentando as funções de manipulação de dados geocodificados. Este programa carrega seletivamente os arquivos da fita para o disco. através dos dispositivos CD-ROM (Compact Disc . • SPRING o É o módulo principal de entrada.C. HRV/SPOT e AVHRR/NOAA. Exibir. processamento digital de imagens.Read Only Memory ). em função de parâmetros fornecidos pelo usuário. CCT (Computer Compatible Tapes). o As funções da janela principal.• O SPRING 2. Temático. executando as funções relacionadas à criação. DSR/INPE 11-8 J. Imagem. manipulação e transformação de dados geográficos. modelagem numérica de terreno e análise geográfica de dados. SPRING e SCARTA. gravadas pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). com o objetivo de facilitar seu uso. Converte as imagens dos formatos BSQ. Fast Format. na barra de menus.

Permite exibir mapas em várias escalas. • SCARTA o Edita uma carta e gera arquivo para impressão a partir de resultados gerados no módulo principal SPRING. Disponível nos seguintes idiomas: Português. As funções indicadas em "negrito" passam a fazer parte do release 3. símbolos. Wysiwyg). SPOT. o 4. permitindo a apresentação na forma de um documento cartográfico. Permite editar textos. Mosaico de Imagens com equalização dos níveis de cinza. Interface com o Usuário o o o o Leitura de Imagens LANDSAT. Funções do SPRING O SPRING apresenta um conjunto de novos algoritmos e procedimentos inovadores. Para cada opção há um menu (janela de diálogo) associado com as operações específicas. quadros e grades em coordenadas planas ou geográficas.Rede. Processamento de Imagens o o DSR/INPE 11-9 J. resultantes dos projetos de pesquisa do INPE e seus parceiros. Linguagem de Álgebra de Mapas LEGAL. através do recurso "O que você vê é o que você tem" (What You See Is What You Get.6. no formato varredura ou vector. Registro e Correção Geométrica. Objetos e Utilitários. Inglês e Espanhol. legendas.C.Moreira . ERS-1 e NOAA/AVHRR. linhas. o Ambiente unificado para os diferentes tipos de dados geográficos e suas representações. Menus sensíveis ao contexto.

Filtragem espacial. Fatiamento. Conversão temáticos. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Reclassificação. Critério de Decisão AHP. o o o o Estimador de Densidade por Kernel. 11-10 DSR/INPE J. Operações aritméticas. o o o o o o o Digitalização. matriz de/para vetor de mapas o o o o Análise Geográfica Operações Boolaenas. Classificação Contínua e Estatística espacial com análise univariada de pontos. Transformações IHS e componentes principais. Segmentação de Imagens e Classificadores por Regiões (supervisionado e não-supervisionado). Ponderação. edição e geração de topologia. Processamento de Imagens de Radar. Tabulação cruzada. Geoestatísica . Operadores Zonais. Técnicas markovianas para pós-classificação de imagens.o o o o o o o Realce por manipulação de histograma.Moreira .C. Modelos de Mistura. Leitura de valores de pixel. Filtros morfológicos para imagens. Mosaico.Krigeagem. Classificadores estatísticos pixel-a-pixel. Mapas de distância. Restauração de imagens LANDSAT e SPOT.

Geração de grades regulares. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Operações Matemáticas. Cruzamento Vetorial de PI's. Geração de Grades.Associação com objetos e definição de impedâncias e demandas. com a inclusão de restrições. Digitalização de amostras e isolinhas. Análise de Localização . o o Digitalização de linhas e nós de uma rede.o o Análise de Localização pelo método da p-mediana. Cálculo do custo mínimo Alocação de Recursos. Geração de mapas hipsométricos. Cálculos de volume e perfis. Rede de Drenagem.C. Produção de imagens sintéticas. Modelagem da rede . Mancha de Inundação . Modelos Hidrológicos.P-Mediana. Visualização 3D.Com colaboração da CH2MHILL do Brasil. Geração de grades triangulares (TIN).. Cálculo de mapas de declividade e exposição de vertentes. 11-11 Modelagem de REDES o o o DSR/INPE J. o o o o o o o o Modelagem Digital de Terreno o o o o o Suavização de Linhas.Moreira . Extração de Topos de Morros. Plotagem de contornos.

Geração de gráficos com distribuição de valores de atributos.Moreira 11-12 .C. símbolos. ACCESS e ORACLE nativos. Suporte aos padrões xBASE. Departamento de Matemática . semelhante aos sistemas de "desktop mapping". que permite: o Definição e apresentação do conteúdo de tabelas de atributos dos geo-objetos em BD relacionais. Geração de Cartas o Biblioteca de Símbolos em formato DXF-R12 ou BMP. Consulta por atributos espaciais e apresentação dos resultados. legenda e texto.Com colaboração do Laboratório Associado de Computação e Matemática Aplicada . Gerar gráficos com a distrubuição relativa de dois atributos. Apresentar o conteúdo de uma tabela relacional com atributos dos geo-objetos.LAC-INPE e Universidade Estadual Paulista UNESP/FEG Faculdade de Engenharia. Relacionar o conteúdo da tabela com a localização espacial dos objetos. Apresenta uma nova interface de consulta espacial. o Consulta a Bancos de Dados Relacionais (Mapas Cadastrais) o o o o o o o Ambiente interativo (WYSIWYG) com controle do posicionamento dos mapas. o Geocodificação de Endereços. Agrupamento de objetos geográficos por atributos. DSR/INPE J.

TIFF.C. Edição de toponímia (textos) em todos modelos de dados.Moreira . A2. TIFF. DXF-R12. DXF-R12. SITIM. Registro vetorial. ASCIISPRING. ShapeFile Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. Conversão de Dados entre Projeções. ShapeFile e E00 Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. Mosaico de Dados Vetoriais e Imagens. Importadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate). JPEG e GeoTIFF Tabelas : SPACESTAT e ASCII-SPRING Suporte para 14 Projeções Cartográficas. A3 e A4. 11-13 o o Gerenciamento de Mapas o o o DSR/INPE J. JPEG e GeoTIFF Tabelas : ASCII-SPRING e DBF o Intercâmbio de Dados o Conversores para ASCII-SPRING MID/MIF (Mapinfo). Suporte para dispositivos HPGL/2 e Postscript. ShapFile (ArcView) e E00 (ArcInfo) o Exportadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate).o o Configuração de folhas A0. A1. ASCIISPRING.

C. Roteiro de "Como Iniciar ?" para iniciantes. e quebra automática de interseção de linhas. o Ajuda em formato HTML . Ajuda On-line o o DSR/INPE J. Roteiro em 10 aulas para utilização das principais funções.necessário o navegador Internet Explorer.conversão de mapas temáticos (pontos e polígonos) ou cadastrais (pontos e polígonos com atributos) para mapas de pontos temáticos (pontos 2D) ou numéricos (amostras 3D). polígonos e elementos menores que uma dimensão fornecida pelo usuário.o Limpar Vetores - elimina linhas duplicadas. o Geração de Pontos .Moreira 11-14 .

Santos .br DSR/INPE 12-1 V.M.N.C A P Í T U L O 12 USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO COMO RECURSO DIDÁTICO PEDAGÓGIC O NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE V â n i a M a r i a N u n e s d o s S a n t o s1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE Divisão de Sensoriamento Remoto 1 e-mail: vania@ltid.inpe.

N.DSR/INPE 12-2 V.M.Santos .

...N.........................................................ÍNDICE 1............... O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES ....... 12-8 4... CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO ..............................................Santos .............................M.............................. 12-11 5.............................. 12-14 DSR/INPE 12-3 V........................ O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA ................ 12-6 3..................... 12-5 2......................................... INTRODUÇÃO .............................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................

DSR/INPE 12-4 V.Santos .M.N.

concebida como agência de comunicação social que tem no saber sua matéria prima. pela qualificação que pode promover no desempenho dos agentes sociais. o que justifica o compromisso de divulgar ciência. desenvolver a função social de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas. resultante em parte da evolução e ampliação do conhecimento sistematizado.Santos . políticas e culturais desses projetos com relação a ocupação dos espaços geográficos. Os dados gerados pelos diversos sensores remotos. tornou-se possível “(re)conhecer” a Terra. dentre as quais se incluem os satélites artificiais. sobretudo os orbitais (a bordo de satélites). entendemos que o conhecimento produzido e acumulado sobre o potencial de utilização das tecnologias espaciais. movido pela crença de “ir ao espaço buscar soluções para os problemas da Terra”. através da coleta de diferentes dados e da aquisição de imagens da sua superfície. INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento das modernas tecnologias espaciais. e por meio desse processo. tem servido como base para o desenvolvimento e realização de projetos associados às atividades humanas. no mundo inteiro e em diversas escalas. Dada a sua importância para o mundo moderno. econômicas.M. para a melhoria das condições de vida. Com o processo de mudanças desencadeado a partir da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9394/96). A escola. vem sendo assinalada a necessidade da educação escolar trabalhar com conteúdos e recursos que qualifiquem o DSR/INPE 12-5 V. é o espaço privilegiado capaz de receber e processar tais informações transformando-as em conhecimento. por meio de sensores remotos. sobretudo do sensoriamento remoto. sociais.1. favorecendo na realização do planejamento sócio econômico ambiental sustentável.N. bem como auxiliado no diagnóstico sobre as implicações ambientais. deve ser conhecido por toda nossa sociedade.

principalmente em abordagens interdisciplinares.Santos . Ciências. 2. e avançar na perspectiva das ciências sociais e da pedagogia da comunicação. Este contexto favorece a introdução da tecnologia de sensoriamento remoto na escola. Educação Artística. bacias hidrográficas. os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes para o Ensino Médio. como por exemplo na focalização do tema Meio Ambiente. respectivamente. Matemática. destacam a importância do trabalho com o conhecimento científico e tecnológico no ensino fundamental e médio. frente as atuais exigências de reformulação da educação escolar impostas pela conjuntura de nossa sociedade de final de milênio. planícies. tem se constituído numa oportunidade de aproveitar seu vasto potencial de uso e aplicações para a compreensão da dinâmica do processo de intervenção/repercussão das relações sociais no equilíbrio/desequilíbrio do meio ambiente. História. e como conteúdo em si mesmas. O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES O trabalho que temos realizado com sensoriamento remoto nas escolas. dentre outras.cidadão para a vida na sociedade moderna tecnológica. permite identificar e relacionar elementos naturais e sócio econômicos presentes na paisagem tais como serras. Podemos verificar suas possibilidades de uso em diferentes disciplinas tais como: Geografia. Em consonância com a Lei. rios. O uso escolar dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto apresentamse como recurso para o processo de discussão/construção de conceitos pelos alunos. enquanto conteúdo e recurso didático inovador no processo de ensino e aprendizagem. permitindo ultrapassar uma perspectiva de abordagem restrita às ciências da natureza. comum na abordagem desta questão. DSR/INPE 12-6 V.N.M. No ensino da Geografia. a utilização de imagens de satélite. por exemplo.

Como as imagens de satélite estão associadas aos fenômenos físicos de absorção e reflexão da luz. as imagens de satélite e fotografias aéreas podem ser utilizadas como recurso para a compreensão de conceitos.N. é possível apreender a temporalidade dos fatos em sua dinâmica e fazer a reconstituição do processo de uso. bem como acompanhar resultados da dinâmica do seu uso. servindo portanto como um importante subsídio à compreensão das relações entre os homens e de suas conseqüências no uso e ocupação dos espaços e nas implicações com a natureza. com imagens de um mesmo local produzidas em períodos/anos diferentes. áreas agricultáveis. Outros estudos voltados ao ensino de Ciências ainda podem encontrar nas imagens uma referência para a sua compreensão. através da análise e compreensão entre os elementos constitutivos de uma paisagem tais como plantações. proporção e formas geométricas.Santos .matas. Os produtos de sensoriamento remoto podem ser DSR/INPE 12-7 V. cidades. como os de área. industriais. estradas. enquanto elemento cultural componente das sociedades tecnológicas. mostrando as transformações no perfil econômico e as possibilidades de construção de planos administrativos e condutas sociais participativas que se abrem a partir desse conhecimento. tais como o processo saúde/doença relacionado a vetores naturais como por exemplo a água e as condições em que se apresenta no meio ambiente. No ensino de Matemática. ao mesmo tempo em que propiciam compreensão de conceitos físicos a elas associados.. permanências e mudanças.M. estas podem ser analisadas e compreendidas por intermédio do ensino de Ciências. serras. ocupação e desenvolvimento de uma região. No ensino da História. rios e cidades. de tal forma a se constituírem no próprio conteúdo a ser compreendido. enquanto um movimento em suas regularidades e alternâncias. evidenciadas pelo sensoriamento remoto..

Esses são apenas alguns exemplos dos possíveis usos didáticos dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto no tratamento de conteúdos curriculares. Esses recursos podem auxiliar o aluno a perceber “o tamanho real” do problema e consequentemente a importância de aprender a manipular conceitos matemáticos para compreendê-los. propícias ao desenvolvimento de experimentos plásticos originais. é possível elaborar maquetes a partir de imagens de satélite. mostrando em diferentes escalas serras.. construindo o próprio conhecimento. 3. sobretudo com as cores e formas características das imagens de satélite e sua decodificação. como por exemplo calcular a área desmatada de uma floresta e a proporção deste impacto para a população local e circunvizinha. encaminha os alunos aos desdobramentos de leituras objetivas e subjetivas do espaço geográfico. sobretudo das imagens de satélite. além de possibilitar a elaboração de outros textos artísticos. “construindo” a região na sua tridimensionalidade. tais como repetitividade de cobertura. represas. vales. O contato. ferrovias.Santos .N.utilizados como recurso à compreensão e resolução de problemas reais/concretos. Embora estes exemplos apresentem possibilidades multidisciplinares de utilização escolar do sensoriamento remoto. cidades.M. estradas. justaposição de DSR/INPE 12-8 V. O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA As características dos produtos do sensoriamento remoto. utilizando diferentes escalas. onde as contribuições disciplinares se tecem na sua análise. Em Educação Artística. literários e plásticos a partir das percepções propiciadas pela leitura das imagens e pela experiência estética da relação com elas. como por exemplo o tema meio ambiente. etc. rios. fotografias aéreas e mapas (cartas topográficas). é possível também desenvolver estudos interdisciplinares a partir da definição de um tema específico para estudo.

Jacareí. sob a coordenação desta autora1. atividades de campo voltadas à verificação da verdade terrestre e a contextualização das informações obtidas a partir das imagens de satélite e fotografias aéreas.Santos . do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Petrobrás. Os resultados obtidos fundamentaram a dissertação de mestrado desta autora. em 1999. revelando a dinâmica do processo de construção do espaço geográfico. A abrangência espacial e o caráter temporal das imagens de satélite. Convém lembrar que entendemos a educação ambiental como um importante instrumento para a compreensão e conscientização de questões/problemas da realidade sócio ambiental. cujo desenvolvimento. defendida na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. cores e formas. Cidadania e Novas Tecnologias: experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto”.M. ao uso escolar do sensoriamento remoto. A possibilidade de associarmos.N. foi desenvolvidos em escolas públicas e particulares do ensino fundamental e médio nos seguintes municípios: São José dos Campos. sobretudo nas escolas. seqüenciais e simultâneos. mostrando. podem auxiliar nos estudos do meio ambiente. voltado à capacitação de professores e alunos. Lorena. e conseqüente melhoria da qualidade de vida. Monteiro Lobato e Santo André. favorecendo na localização de possíveis fontes poluidoras. enriquecendo estudos históricos e geográficos. as relações entre o crescimento desordenado das cidades e a presença de rios/córregos poluídos.informações. 1 O referido trabalho. apresentam importante contribuição para os estudos ambientais na escola. tem norteado o desenvolvimento de projetos de educação ambiental em escolas. se constitui em uma das mais sérias exigências educacionais contemporâneas para o exercício/construção da cidadania. DSR/INPE 12-9 V. com a participação das Prefeituras locais. bem como subsidiar na análise dos processos de uso e ocupação dos espaços. tais como indústrias ou loteamentos irregulares. por exemplo. Cachoeira Paulista. que possibilitam uma visão de conjunto da paisagem em tempos diferentes. com referência em questões sócio ambientais. através do estudo do meio ambiente local. abrangência espacial. intitulada: “Escola.

N. Contudo. Deixar que o aluno observe uma imagem durante o tempo que for necessário para localizar sozinho seus principais elementos. regiões conhecidas do aluno favorece a descrição dos elementos presentes na paisagem. não dispensa. cria a necessidade de acesso a outras fontes de informação. é possível que escape à vista as implicações degradantes que o mesmo possa estar provocando em outros locais. sobretudo os constitutivos da sua cidade. considerando não apenas um único DSR/INPE 12-10 V. A realização de um estudo sobre os problemas sócio ambientais de uma cidade/região e suas implicações com a qualidade de vida da população. familiarizando-o com esta forma de representação do espaço. mas ao contrário. com o meio ambiente regional. A utilização de recursos de sensoriamento remoto possibilita aos alunos uma apreensão sistêmica da área de estudo. ante ao estudo em questão ou a sua complexidade. a partir do qual iniciaremos o estudo em questão. segundo uma visão local e posteriormente por uma ótica integrada com toda região atingida direta ou indiretamente por este manancial.Dessa forma. ou seja.Santos . coleta de dados. recursos que.M. Quando se analisa o córrego poluído em questão utilizando apenas levantamentos restritos. não podemos deixar de investigar o comprometimento de um simples córrego urbano poluído. inicialmente. à quilômetros de distância da área estudada. constitui-se em exemplo interessante do que consideramos acima. favorecendo à análise do meio ambiente e ecossistemas associados. exige o desenvolvimento de atividades correlacionadas para o estudo do meio ambiente. permite que este “se encontre” nesta paisagem. etc. Se selecionarmos o recurso hídrico como vetor.. explorar com recursos de sensoriamento remoto. que deságua no rio principal de uma bacia hidrográfica. convém lembrar que fotografias aéreas e imagens de satélites são instrumentos.

suas implicações para o declínio da qualidade de vida da população atendida direta ou indiretamente por este manancial. bem como suas implicações sociais.N. CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO Nossa proposta de trabalho com os recursos de sensoriamento remoto na escola não se limita a uma mera transferência mecânica de informações. e suas repercussões regionais/globais. refletir sobre a realidade sócio ambiental em estudo. professores de diferentes disciplinas orientaram seus alunos na realização de atividades em sala de aula e trabalhos de campo. visando discussões sobre os problemas sócio ambientais locais (bairro/município). consequentemente. estabelecendo relações entre o impacto local e suas repercussões espaciais e revelando. entrevistas na comunidade. 4. elaboração de mapeamento sócio ambiental do bairro/região de estudo. leitura de mapas. com referência na coleta de amostras d’água nos rios/córregos para posterior análise.aspecto/variável. bem como exercitarem a sua cidadania através de ações/intervenções escolares voltadas para a melhoria da qualidade de vida. Não DSR/INPE 12-11 V. incluindo: leitura e interpretação de imagens de satélite e fotografias aéreas. econômicas. voltados ao uso escolar do sensoriamento remoto no estudo do meio ambiente.M. em diferentes escalas. mas sim a multiplicidade de aspectos/variáveis que possam estar contribuindo para a degradação da qualidade das águas. propor soluções para os problemas identificados. realização de roteiros ambientais. estudo do meio. A utilização dos recursos de sensoriamento remoto. tem propiciado aos alunos condições de compreender o meio ambiente local e regional. com referência nos recursos hídricos. associados ao desenvolvimento de diferentes atividades. políticas e culturais no cotidiano da sociedade. como as citadas acima.Santos . Nos projetos educacionais desenvolvidos.

110 DSR/INPE 12-12 V. 1979. possamos falar de aprendizagem ‘autêntica’. Como afirma o educador Gutierrez2 (1979). Linguagem total : uma pedagogia dos meios de comunicação. já que não são evidentes por si mesmas. São Paulo : SUMMUS.N. compreensão da realidade imediata em que está inserido e de outras realidades semelhantes a esta. 2 Gutierrez. por parte do aprendiz. que o levará a utilizá-la enquanto ferramenta de: decodificação. p. Somente pode chamar-se autêntico o conhecimento que em si mesmo e por si mesmo seja produtivo e transformador. que é preciso aprender a captar e estabelecer.Santos . mas a ela conectadas por diferentes relações. considerando a análise da realidade concreta e as reflexões possíveis de serem desenvolvidas sobre ela.se trata de proceder apenas à divulgação de suas características e potencialidades. propiciadoras do exercício de operações mentais implementadoras do desenvolvimento do raciocínio crítico e da produção do conhecimento. o que requer do preceptor que ele o transforme em conhecimento seu e reestruture à sua maneira tal informação”. O uso escolar do sensoriamento remoto recomenda o desenvolvimento da Pedagogia da Comunicação no tratamento dos conteúdos curriculares. visando a construção do conhecimento por professores e alunos. enquanto ferramenta para o estabelecimento de relações com realidades distintas da sua. F. com propriedade de termos.M. e que facilmente passam por desapercebidas a olhares menos desavisados. mas sobretudo de refletir sobre elas e trabalhar suas relações com a prática pedagógica e com o tratamento dos conteúdos curriculares em suas relações com a vida. orientado pelo docente. Tal restruturação requer um trabalho ativo-reflexivo com a informação. enquanto repercussões à distância de fenômenos. “o mero fato de interpretar ou apropriar-se de um saber não é suficiente para que.

Tais iniciativas implicam: • Considerar a realidade social em que o educando existe e na qual a tecnologia espacial. • Recorrer como caminho. na implementação de planos administrativos que visem a qualificação e preservação do meio ambiente. permite desmistificar a idéia que uma tecnologia de ponta é algo distante da escola. • Alcançar como ponto de chegada do processo de ensino a reelaboração da compreensão inicial que o aluno tem do meio ambiente. • Lidar com o meio ambiente do educando. ao diálogo entre diferentes tipos de saber. pela apreensão das relações recíprocas entre o seu meio imediato e o mais amplo. bem como esclarece que professores podem promover ou proceder à socialização da ciência requalificando a relação do ensino com o conhecimento e com a vida.M. como método. como recurso didático pedagógico no processo de ensino aprendizagem. e a compreensão que o aluno tem dela. DSR/INPE 12-13 V. quando o seu uso está voltado para o estudo de questões importantes da atualidade e significativa para os alunos.N. circundante. à utilização do sensoriamento remoto. em especial o sensoriamento remoto. sua realidade imediata.Santos . à observação da realidade focalizada.Por em prática a Pedagogia da Comunicação significa por em prática iniciativas pedagógicas transformadoras. Isto pressupõe propiciar ao aluno condições de compreender a vida humana numa dimensão de totalidade. para a construção do conhecimento mais elaborado e mais crítico do educando. pela apreensão da ressonância das atuações individuais e das organizadas de maneira coletiva e colaborativa. tem uma presença relevante. como ponto de partida. O uso escolar do sensoriamento remoto.

entendemos que o uso escolar do sensoriamento remoto pode contribuir para o desenvolvimento da função da escola na atualidade. a compreensão da contribuição da tecnologia de sensoriamento remoto na apreensão de problemas ambientais e na elaboração de sua superação. Vânia M.Santos . Heloísa D. o acesso ao conhecimento da função social desta tecnologia. cidadania e novas tecnologias: investigação sobre experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto. e com a sua representação em diferentes escalas. e a partir dela a comunidade.Elaborar projetos escolares com as pretensões didáticas aqui assumidas. implica no desenvolvimento de ações capazes de propiciar: o questionamento sobre o significado de meio ambiente. a percepção de suas relações. voltados à conscientização de problemas sócio ambientais vividos e às possíveis atuações de superação. de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas através dos recursos da ciência presentes na sociedade. DSR/INPE 12-14 V. O uso escolar das imagens de satélite: socialização da ciência e tecnologia espacial. 5. de responsabilidade individual e coletiva. BIBLIOGRAFIA: Santos. São Paulo.M. 1999. Dissertação de Mestrado. Santos. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. a investigação e reflexão sobre a realidade sócio ambiental imediata. o desenvolvimento do raciocínio crítico construtivo. Escola. Nesta perspectiva. responsável por comportamentos organizados de intervenção social. N. 1998. São Paulo: Cortez. In: Penteado. o estabelecimento da relação teórico/prática capaz de promover o desenvolvimento de experiências escolares com o sensoriamento remoto. 150p. Vânia M.N. civil e administrativa. N. Pedagogia da comunicação. oportunizando a escola.

São Paulo. 2000.M. Heloísa D. Cortez.N.Penteado. Metodologia do ensino de geografia e história. Heloísa D. Cortez. 1991. Penteado. Meio Ambiente e formação de professores. São Paulo. DSR/INPE 12-15 V.Santos .

br 13-1 T.SAUSEN DSR/INPE .M.inpe.C A P Í T U L O 13 PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula T a n i a M a r i a S a u s e n1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 tania@ltid.

SAUSEN .DSR/INPE 13-2 T.M.

..................... PROJETO EDUCA SERE III-ELABORAÇÃO DE CARTA-IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO ...............1 OS SATÉLITES DE SENSORIAMENTO ........................4 CARTA-IMAGEM .......................................M........................................ 12-10 O PROGRAMA EDUCA SERE ................................. 12-13 SITES ÚTEIS ...................... 12-7 1........................................ 12-19 DSR/INPE 13-3 T................................................................SAUSEN ............ 12-8 1................................ 3. O DOCUMENTO DE CAMBORIÚ .............................................................................. 12-9 1..........................................................................................................................................3 OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS ......................................................................................................... 12-12 4............2 O INPE .... INTRODUÇÃO ........ÍNDICE 1..... 12-7 1............................................ 12-10 2......................................

DSR/INPE 13-4 T.M.SAUSEN .

...........SAUSEN ........ 13-19 DSR/INPE 13-5 T........LISTA DE FIGURAS 1 .......................CARTA IMAGEM DE PORTO ALEGRE – RS .M.....

SAUSEN .M.DSR/INPE 13-6 T.

o LANDSAT. o que chama atenção do aluno.br http://www. ORVIEW e o sino-brasileiro CBERS. por permitirem a coleta de dados temporais de uma mesma área e por coletarem informações sobre feições na superfície terrestre em várias faixas do espectro eletromagnético. informações estas. por apresentarem uma visão sinótica da área abrangida por cada uma delas. DSR/INPE 13-7 T. Esta foi a terceira antena a entrar em operação no mundo. o europeu ERS. os norte-americanos IKONOS. centro geográfico da América do Sul.SAUSEN .1) Os satélites de sensoriamento: Em junho de 1972 foi lançado pelos norte-americanos. o primeiro satélite de sensoriamento remoto. As imagens geradas pelos satélites de sensoriamento remoto são uma ferramenta poderosa para serem utilizadas como recurso didático em sala de aula. no estudo do espaço geográfico e do meio-ambiente.Em junho de 1973 entrou em operação a antena de rastreamento de satélites do Brasil. importantes. estas imagens são pictoricamente agradáveis. que está localizada em Cuiabá. Estas características proporcionam uma série de informações sobre os recursos naturais e ações antrópicas.inpe. tais como o francês SPOT.M.br/unidades/cep/atividadescep 1-Introdução: 1. da ciência e da história. o canadense RADARSAT. Paralelamente. Desde esta época já foram lançados vários satélites de sensoriamento remoto.inpe.PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula Tania Maria Sausen Ministério da Ciência e Tecnologia Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais Atividades de treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espacial tania@ltid. facilitando assim o ensino e a compreensão da geografia.

O professor em sala de aula. tem se preocupado com a disseminação e transferência desta tecnologia para usuários finais. em consonância com uma tendência observada em todo o mundo e incentivada pela Divisão de Espaço Exterior da ONU e pela UNESCO. que deverá entender o relacionamento entre meio-ambiente e sociedade. DSR/INPE 13-8 T. para proteger e preservar a terra. 1. o momento adequado para motivá-los a trabalhar com sensoriamento remoto. tem observado e comprovado que é necessário estender-se o processo de disseminação da tecnologia de sensoriamento remoto para alunos dos ensinos fundamental e médio.M. Isto ocorre principalmente pela falta de capacitação de alguns professores. pois é desta comunidade de estudantes que surgirá o cidadão do futuro. pois. As imagens de satélites. quando são utilizadas em sala de aula. esta tecnologia ainda não é amplamente utilizada pelo público em geral e poucos professores fazem uso das imagens de satélite como recurso didático. o alto custo das imagens de satélite e a falta de material didático dedicado exclusivamente ao ensino de sensoriamento remoto. o INPE. no uso das imagens de sensoriamento remoto. É nesta fase também que estes estudantes estão escolhendo a sua futura profissão sendo. Apesar de todas as atividades desenvolvidas pelo Instituto. quase sempre oriundos do programa de mestrado em sensoriamento remoto do INPE. em 1972.SAUSEN .2) O INPE Desde o lançamento do primeiro satélite de sensoriamento remoto. seguramente terá um grande aliado. Nos últimos cinco anos. restringe-se a professores universitários. vários organismos internacionais. agências espaciais e educadores. através da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tecnologia Espaciais-ATDCCTE e da sua Divisão de Sensoriamento Remoto-DSR. É bem verdade que este panorama vem mudando nos últimos anos.

no planejamento das aulas. De acordo com os PCNs o objetivo da Geografia “é explicar e compreender as relações entre a sociedade e a natureza. com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. bem como com os fenômenos sociais. sendo um material didático rico. útil e interessante no ensino da geografia. Eles servem de instrumento no apoio às discussões pedagógicas na escola. É um material didático de múltiplas finalidades para os professores do ensino fundamental (1° a 8° séries-7 a 14 anos) e médio (1° a 3° séries-15 a 17anos). em suas diferentes resoluções espaciais. artes. na elaboração de projetos educativos. para seus alunos. do seu país e do seu continente. em cada uma das séries. de dados e de documentos de diferentes fontes de informação. as imagens de satélite. história. que permitam que tenham um conhecimento mais detalhado do local onde eles vivem. Diante disto. do seu estado. etc.M. da sua cidade.1. Estes Parâmetros atendem a todas as áreas dos ensinos fundamental e médio e dão as linhas de ação de cada uma das disciplinas. com relação ao programa a ser desenvolvido em sala de aula. bem como ciências.3) Os Parâmetros Curriculares Nacionais Os Parâmetros Curriculares Nacionais-PCN foram criados pelo Ministério da Educação do Brasil. formas que aproximem o aluno da realidade. È mencionado nos PCNs que “o ensino da Geografia deve fazer uso de leituras de imagens. para permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição. na reflexão sobre prática educativa e na análise do material didático. A Geografia tem que trabalhar com diferentes noções espaciais e temporais. de modo a interpretar. temporais e espectrais constituem-se em poderosa ferramenta em sala de aula. analisar e relacionar informações sobre o espaço geográfico e as diferentes paisagens”. Atualmente as escolas brasileiras estão buscando novos recursos didáticos e novas formas de ensinar geografia.SAUSEN . culturais e naturais que são característicos de cada paisagem. ao longo do período letivo. e como ocorre a apropriação desta por aquela”. DSR/INPE 13-9 T.

sugerese: • • • • O uso de imagens de satélite com diferentes resoluções espaciais para o estudo dos continentes. cartas rodoviárias e visitas ao campo. bem como caracterizar a interação do homem com ela e os impactos provocados por ele. estados. direções e a localização geográfica de pontos. cidades. áreas e detalhes. O uso de dados temporais para caracterizar a ação do homem sobre o meio ambiente. fotografias. levando-se em consideração os PCNs e os livros didáticos de geografia. para que o aluno possa aprender e caracterizar o local onde vive e como deve interagir com a paisagem ao seu redor. 1. além de informações cartográficas tais como rodovias.M. Cada carta-imagem apresenta informações sobre áreas urbanas e os principais elementos da paisagem. Para esta tarefa as imagens de sensoriamento remoto são úteis e possibilitam a identificação de vários aspectos da paisagem.4) Carta-Imagem Do ponto de vista cartográfico. A integração de dados obtidos de cartas geográficas. ferrovias.O Documento de Camboriú Durante a I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul. países. nomes de rios. a cobertura vegetal. um dos temas DSR/INPE 13-10 T. no período de 20 a 23 de maio de 1997. tais como a rede hidrográfica. as áreas agrícolas. A CARTA-IMAGEM é a carta elaborada a partir de uma imagem de satélite. O uso de imagens de alta resolução para estudos locais (cidades e bairros). geodésicas e escala de trabalho. arroios.SAUSEN . 2 . córregos. mapas temáticos.O ensino da geografia visa também tornar o aluno um futuro cidadão consciente sobre o meio-ambiente e os recursos naturais que o cercam. regiões e municípios. CARTA é a representação dos aspectos naturais ou artificiais da Terra destinada a fins práticos da atividade humana. permitindo a avaliação precisa de distâncias. realizada no Balneário Camboriú. Assim. o uso do solo. coordenadas geográficas.

superior e pós-graduação). cadernos pedagógicos. há pouco material didático gerado por autores e nos idiomas da região do Mercosul e os mesmos já estão desatualizados. 3) Com relação a disponibilidade de material didático em sensoriamento remoto observou-se que: • • • há uma carência de material didático com ênfase em exemplos ou estudos realizados na região do Mercosul. carta imagem. DSR/INPE 13-11 T. CD ROM com imagens de satélite.M. tutoriais disponíveis na Internet. • • há total falta de interesse das editoras pela publicação de livros técnicos e material didático em sensoriamento remoto devido a atual relação custo/demanda. mas de modo geral em todos os países do Mercosul. falta de apoio institucional e financeiro à confecção de material didático Para sanar os problemas referentes a carência de material didático são sugeridas ações. o material didático existente em geral se constitui de esforços isolados ou mesmo anotações pessoais dos professores que ministram os cursos e disciplinas de sensoriamento remoto. atlas geográficos compostos por imagens de satélite. 2) Podem ser considerados como material didático em sensoriamento remoto livro texto.SAUSEN . • • solicitar a cooperação e o apoio dos distribuidores de dados espaciais a baixo custo para atividades de ensino. vídeos e slides com imagens de satélite.mais discutidos foi à carência de material didático voltado especificamente ao ensino de sensoriamento remoto. em todos os níveis. No Documento de Camboriú é mencionado que: 1) A informação proveniente de dados de sensoriamento remoto pode ser utilizada nos distintos níveis formais de ensino (fundamental. médio. Este é um problema que não ocorre somente no Brasil. tais como: • promover junto aos organismos financiadores a difusão do sensoriamento remoto de tal forma que motive estes organismos a financiarem a geração de material didático. etc. favorecer ações de vinculação com o setor privado que fomentem a geração e distribuição de material didático.

diferentes produtos adquiridos por satélites de sensoriamento remoto existentes na atualidade. cada um deles constituindo-se em um projeto. de tal forma que dissemine e torne acessível esta tecnologia a todas as camadas da sociedade. • difundir. Este programa está dividido em quatro módulos.Cadernos Didáticos no Ensino de Sensoriamento Remoto. • PROJETO EDUCA SeRe II . pois. motivar empresas privadas a colaborarem na confecção de material didático voltado para o ensino de sensoriamento remoto. Este programa tem por objetivo gerar material didático. a tomarem parte na elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto. a baixo custo. de tal forma que eles sejam amplamente divulgados.SAUSEN .CD ROM para o Ensino de Sensoriamento Remoto DSR/INPE 13-12 T. tais como universidades.• • motivar as autoridades de educação e pesquisadores a elaborar material didático para apoiar o ensino de sensoriamento remoto. a saber: • PROJETO EDUCA SeRe I . incentivar as universidades que possuem centros de publicação a gerar material didático e fazerem a sua divulgação através de sociedades científicas. em 1998. 3 . foi criado no INPE. Os objetivos específicos do programa são: • Promover a criação de uma massa crítica sobre o uso e as aplicações da tecnologia de sensoriamento remoto no país e na região do Mercosul. motivar instituições de ensino.M. pela responsável da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espaciais.O Programa Educa SeRe Considerando-se. estando todos voltados para a elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto. médio e superior. através da disseminação e comercialização de material didático de baixo custo. no meio docente e discente. o Programa Educa SeRe. • • • socializar os conhecimentos de sensoriamento remoto para fomentar novos projetos de pesquisas e aplicações na área de recursos naturais. os tópicos mencionados. dedicado ao ensino de sensoriamento remoto nos níveis fundamental.

um ano após a realização da I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais. SP. Estas cartas estão sendo produzidas separadamente. difundir o uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático.Elaboração de Cartas-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto • PROJETO EDUCA SeRe IV. tornar acessível. de tal forma que formem uma coleção. para a comunidade em geral. No contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: DSR/INPE 13-13 T. em parceria com a SELPER e distribuídas durante o Simpósio e posteriormente para todos os interessados em vários estados brasileiros e mesmo para o exterior.M.Projeto Educa Sere III-Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto O Projeto Educa SeRe III-– Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto. teve início em 1998. a baixo custo. Os objetivos específicos deste projeto são: • • • Disponibilizar. abordando várias aplicações de sensoriamento remoto na área de recursos naturais. realizado em Santos. As primeiras cartas-imagem foram apresentadas no IX Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. de forma ampla e a baixo custo. dados de sensoriamento remoto dedicado à área de recursos naturais. para serem utilizadas como material didático. em setembro de 1998. Foram feitas 3 mil cópias. de forma seriada.• PROJETO EDUCA SeRe III .SAUSEN . Ele é parte do Programa Educa SeRe desenvolvido pelo INPE. Tem objetivo criar séries de cartas-imagem. realizada em CamboriúSC.Homepages para o Ensino de Sensoriamento Remoto Cada um destes módulos já gerou pelo menos um material didático 4 . nas disciplinas de ciência e geografia.

000. publicado em parceria com o Jornal Vale Paraibano de São José dos Campos. • Carta-Imagem n° 3 – São José dos Campos. professores e estudantes universitários. arquitetos. escala 1:50. utilizando a imagem do satélite LANDSAT/TM. bem como por vários segmentos da sociedade tais como imobiliárias. 2000 exemplares impressos foram distribuídos para todas as escolas do ensino fundamental e médio de São José dos Campos. escala 1:350. Estas cartas-imagem tiveram um grande sucesso. jornalistas.000. de 08 de maio de 1996 e 04 de abril de 1996.a) Série Cidades Brasileiras: • Carta-Imagem n° 1–Santos. Posteriormente ao lançamento o INPE assumiu o compromisso de treinar os professores da rede de ensino (municipal. sensor SAR. Assim foram treinados 121 professores da rede municipal. utilizando a imagem de satélite LANDSAT/TM. 3 e 4. promotores públicos. elaborada em parceria com a Agência Espacial Européia – ESA. etc. gerado a partir de duas imagens LANDSAT/TM. advogados. órbita 219 ponto 76. respectivamente. em toda a região abrangida pelo Jornal Valeparaibano (41 municípios). na edição do dia 21 de agosto de 1999.000. estadual e privada). passagens de 26 de julho e 20 de agosto de 1997. energia elétrica. redes de televisão. não apenas pelos professores do ensino fundamental e médio. Litoral Norte e Serra da Mantiqueira. na utilização da carta imagem como recurso didático em sala de aula. construtores de rodovias. pontos 75 e 76. canais 2.M. Com o lançamento do satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres-CBERS este projeto passou a dedicar-se a criação de cartas-imagens usando exclusivamente imagens da Câmara CCD deste satélite. sendo bem recebidas. • Mosaico do Vale do Paraíba. órbita 21. DSR/INPE 13-14 T. dando início assim ao Projeto Educa Sere III— Elaboração de carta imagem para o ensino de sensoriamento remoto-Utilização de cartas-Imagem-CBERS como Recurso Didático. 64 da rede estadual e 23 da rede privada num total de 208. ONGs. • Carta-Imagem n° 2 – Santos. utilizando a imagem de satélite ERS-1 e 2. passagem de 20 de agosto de 1997. distribuidoras de leite. planejadores.SAUSEN . escala 1:50. com o apoio da Prefeitura Municipal de São José dos Campos.

foi realizado o terceiro curso. e proposto como e quais dados de sensoriamento remoto os professores podem estar utilizando em sala de aula. No período de 3 a 5 de abril de 2003. Com a finalidade de capacitar professores dos ensinos fundamental e médio no uso das cartas-imagens como recurso didático foi criado o Curso sobre “O Uso de Sensoriamento Remoto como Recurso Didático nos Ensinos Fundamental e Médio”. foram levados em conta os objetivos e metas propostas para o ensino de geografia para cada um dos ciclos dos ensinos fundamental e médio. incentivar o desenvolvimento de novas metodologias de ensino. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais. Paraná. Posteriormente. incentivar os docentes dos ensinos fundamental e médio a formarem cidadãos conscientes da importância da preservação dos recursos naturais e como os dados de sensoriamento remoto podem auxiliar nesta tarefa. 19-21 de abril de 2001.SAUSEN . foi realizado um curso para professores do município de Manaus. em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. de 17 a 22 de junho de 2002.M. levando em consideração as diretrizes e orientações presentes nos PCNs. Para este curso foi gerada a carta-imagem de Belo Horizonte O objetivo deste curso é a capacitação de professores dos ensinos fundamental e médio. disseminar os produtos de sensoriamento remoto gerados pela Satélite SinoBrasileiro de Recursos Terrestres. em Foz do Iguaçu. em sala de aula. DSR/INPE 13-15 T.Os objetivos específicos deste projeto são: • • • • • disseminar a tecnologia de sensoriamento remoto na educação escolar. para o ensino de geografia. Assim. de forma ampla e a baixo custo. como parte das atividades do XI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. com a conseqüente geração da carta-imagem de Manaus. tornar acessível. em parceria com a Universidade de Manaus. em Belo Horizonte. em geografia. Os objetivos específicos deste curso são: • Despertar interesse na comunidade docente para a potencialidade e a utilização de dados de sensoriamento remoto como recurso didático. no uso de imagens de sensoriamento remoto. O primeiro curso e o lançamento da primeira carta-imagem CBERS foi realizado durante o X Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto.

referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto.• Disseminar para a comunidade docente e discente os benefícios gerados pela tecnologia de sensoriamento remoto no conhecimento do espaço geográfico.M. capacitar os alunos dos ensinos fundamental e médio a desenvolverem atividades. • Difundir junto à comunidade docente e discente as atividades realizadas pelo INPE na área de sensoriamento remoto. dos aspectos sócio-econômicos e na preservação dos recursos naturais do país. referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto em geografia. envolvidos no projeto. matemática. cartografia. buscar novas formas de utilização de dados de sensoriamento remoto em sala de aula. educação ambiental. a elegerem carreiras relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto. que passem a utilizá-las em sala de aula e que possam eles próprios criar novos materiais didáticos a partir dos conhecimentos adquiridos no curso. Por meio das atividades em sala de aula. encorajar os estudantes interessados em geografia e ciências. em sala de aula. • Encorajar os estudantes do ensino fundamental e médio a se interessarem por profissões relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto. • Por meio dos docentes. ensino de geografia. As metas a serem atingidas são: • Capacitar docentes de geografia dos ensinos fundamental e médio para desenvolverem atividades.SAUSEN . • • Com o auxílio dos docentes participantes do projeto. • Com o auxílio dos professores e estudantes. tornar acessível à comunidade em geral os benefícios gerados à comunidade pelas atividades de sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE. referentes ao projeto. tendo como objetivo a busca de novos talentos. DSR/INPE 13-16 T. em sala de aula. ciências. Os professores treinados têm utilizado as cartas-imagem para desenvolver projetos sobre meio-ambiente e preservação de recursos naturais em sala de aula. Espera-se que ao final do curso os docentes estejam familiarizados com os inúmeros recursos didáticos oferecidos pelas imagens de sensoriamento remoto. física e artes.

b) Cidades Brasileiras: • • Carta-imagem de Foz do Iguaçu.br/unidades/cep/atividadescep/educasere Resultados esperados neste projeto são: • Criar uma massa critica entre os professores de geografia do ensino fundamental e médio no uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático em sala de aula. Formas de utilização de cartas-imagem CBERS em sala de aula: DSR/INPE 13-17 T. • Ter uma ampla difusão das atividades de educação e sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE na comunidade docente e estudantil. Dentro do contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: a) Capitais Brasileiras: • • • • Carta-imagem de Brasília. Estão em fase de elaboração as cartas-imagem de Porto Alegre e Natal. SP Estas cartas-imagem estão disponíveis na homepage do projeto: http://www.M. Carta-imagem de Manaus. PR Carta-Imagem de Cachoeira Paulista.Elas têm despertado interesse também de docentes na Argentina e Uruguai.SAUSEN . Este é o único projeto do gênero na América do Sul. • Buscar parcerias entre o INPE e instituições públicas e privadas no sentido de ampliar este projeto bem como na realização de futuros projetos na área de educação espacial. Carta-imagem de Cuiabá.inpe. Carta-imagem de Belo Horizonte.

Complementar a cartografia na compreensão de aspectos gerais como a distribuição de mares e terras. Estudo geográfico do espaço imediato ao aluno. Os limites e as barreiras urbanas. Impactos ambientais causados pelo a ocupação humana. econômicos e sociais da região onde o aluno vive. Caracterização de áreas de preservação. áreas de mangue.Segue abaixo alguns exemplos de situações em que o material didático com sensoriamento remoto pode ser utilizado em sala de aula: Traçado de áreas urbanas e rede viária que comunica a cidade com o entorno imediato. tais como áreas alagadas. Reconstituição histórica do espaço geográfico em que o aluno vive.M.SAUSEN . Explicar aspectos mais complexos como grandes complexos de relevo. florestas naturais. Aspectos morfológicos da paisagem urbana. as grandes artérias hidrográficas do mundo. bacias de drenagem. a forma dos continentes. Correlacionar o tipo de ocupação humana com os aspectos físicos. Formas de crescimento das áreas urbanas e progressiva invasão do espaço agrícola. aspectos de inundações. etc. florestas) como as artificiais (estradas. áreas costeiras. planícies fluviais. serras. Identificar áreas de preservação de mananciais e sua forma de ocupação. tanto as que provem do meio natural (rios. uso do solo e áreas agrícolas de uma região. correntes oceânicas. DSR/INPE 13-18 T. complexos urbanos) criadas pelo homem. Distribuição do uso do solo no tempo e no espaço e sua relação com os aspectos econômicos da região onde o aluno vive. Visão sinóptica do local onde o aluno vive e sua relação com o contexto ao redor.

embrapa. http://www.br/unidades/cep/atividadescep Homepage da EMBRAPA com imagens de satélite de todos os estados brasileiros.Sites úteis: Homepage da “Atividades de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tencologia Espaciais” do INPE http://www.cnpm.satmídia.SAUSEN .br DSR/INPE 13-19 T.cdbrasil. Clique sobre a imagem com o mouse para obter imagens mais detalhadas da área de interesse.M.com.inpe.br Homepage da SATMIDIA-galeria de imagens de satélite http://www.