CAPÍTULO 1

FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO

Elisabete Caria de Moraes1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE

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e.mail : bete@ltid.inpe.br 1-1 E.C.MORAES

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ÍNDICE

LISTA DE FIGURAS ...................................................................................... 1-5 1. FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO ............................... 1-7 1.1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA ........................................................ 1-7 1.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ....................................................... 1-9 1.3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA ............................................................ 1-12 1.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS .......... 1-15 1.5 SISTEMA SENSOR ............................................................................... 1-18 1.6 NÍVEIS DE COLETAS DE DADOS ....................................................... 1-21 2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................... 1-22

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LISTA DE FIGURAS
1 – COMPRIMENTOS DE ONDA .................................................................. 1-8 2 – O ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO ................................................... 1-10 3 – CURVAS DE DISTRIBUIÇÃO ESPECTRAL DA ENERGIA SOLAR NA ATMOSFERA ......................................................................................... 1-13 4 – TRANSMITÂNCIA ESPECTRAL DA ATMOSFERA ............................. 1-14 5 – INTERAÇÃO DA ENERGIA ELETROMAGNÉTICA COM O OBJETO 1-16 6 – NIVEIS DE COLETAS DE DADOS ........................................................ 1-21

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pois ela permite quantificar a energia espectral refletida e/ou emitida por estes.MORAES . DSR/INPE 1-7 E. A quantidade e qualidade da energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres resulta das interações entre a energia eletromagnética e estes objetos. Logo os sensores remotos são ferramentas indispensáveis para a realização de inventários. Portanto. 1. Essas interações são determinadas pelas propriedades físicoquímicas e biológicas desses objetos e podem ser identificadas nas imagens e nos dados de sensores remotos. Desta maneira. de mapeamento e de monitoramento de recursos naturais. aquisição e análise (interpretação e extração de informações) da energia eletromagnética emitida ou refletida pelos objetos terrestres e registradas por sensores remotos. FUNDAMENTOS DE SENSORIAMENTO REMOTO O Sensoriamento Remoto pode ser entendido como um conjunto de atividades que permite a obtenção de informações dos objetos que compõem a superfície terrestre sem a necessidade de contato direto com os mesmos. todo corpo com uma temperatura absoluta acima de zero pode ser considerado como uma fonte de energia eletromagnética. a energia eletromagnética refletida e emitida pelos objetos terrestres é a base de dados para todo o processo de sua identificação.1. A energia eletromagnética utilizada na obtenção dos dados por sensoriamento remoto é também denominada de radiação eletromagnética. O Sol e a Terra são as duas principais fontes naturais de energia eletromagnética utilizadas no sensoriamento remoto da superfície terrestre. e assim avaliar suas principais características.C. Estas atividades envolvem a detecção. A energia eletromagnética não precisa de um meio material para se propagar. A energia eletromagnética é emitida por qualquer corpo que possua temperatura acima de zero grau absoluto (0 Kelvin).1 RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA.

define a freqüência da radiação eletromagnética.C. o número de ondas que passa por um ponto do espaço num determinado intervalo de tempo.MORAES . define o comprimento de onda e. onde ”c” é a velocidade da luz. A distância entre dois pontos semelhantes.000 Km s .).sendo definida como uma energia que se move na forma de ondas eletromagnéticas à velocidade da luz ( c = 300. como mostra a Figura 1. está associada a cada comprimento de onda ou freqüência e é definida por: Q = h⋅ f = h λ (2) DSR/INPE 1-8 E. 1 – Comprimento de onda Dado que a velocidade de propagação das ondas eletromagnética é diretamente proporcional à sua freqüência e comprimento de onda. Fig. transferida ou recebida na forma de energia eletromagnética. esta pode ser expressa por: c = f ⋅λ onde: c = velocidade da luz (m/s) f = freqüência (ciclo/s ou Hz) (1) λ = comprimento de onda (m) A quantidade de energia (Q) emitida.

1. nanometro: 1 nm = 10-9 m) para comprimento de onda e múltiplas do Hertz (quilohertz: 1 kHz = 103 Hz. megahertz: 1 mHz = 106 Hz) para freqüência.2 ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO A energia eletromagnética pode ser ordenada de maneira contínua em função de seu comprimento de onda ou de sua freqüência. DSR/INPE 1-9 E. embora a faixa de microondas também é utilizada. sendo esta disposição denominada de espectro eletromagnético. Cada subdivisão é função do tipo de processo físico que dá origem a energia eletromagnética. A medida que se avança para a direita do espectro eletromagnético as ondas apresentam maiores comprimentos de onda e menores freqüências.onde h é a constante de Planck (6. Devido a ordem de grandeza destas variáveis é comum utilizar unidades submúltiplas do metro (micrometro: 1 µm = 10-6 m. Este apresenta subdivisões de acordo com as características de cada região.3 µm a 15 µm.C. O espectro eletromagnético se estende desde comprimentos de onda muito curtos associados aos raios cósmicos. até as ondas de rádio de baixa freqüência e grandes comprimentos de onda.625 10-34 joule segundo (J. A faixa espectral mais utilizada em sensoriamento remoto estende-se de 0. Através desta equação verifica-se que quanto maior a quantidade de energia maior será a freqüência ou menor será o comprimento de onda a ela associada e vice-versa. como mostra a Figura 2.MORAES . e da transparência da atmosfera em relação à radiação eletromagnética. do tipo de interação que ocorre entre a radiação e o objeto sobre o qual esta incide.s)) e a unidade que quantifica esta energia é dada em Joule (J).

Podem-se observar na Figura 2 a existência das seguintes regiões: Radiação Gama: é emitida por materiais radioativo e. Seu médio poder de penetração o torna adequado para uso médico (raio X) e industrial (técnicas de controle industrial).MORAES . DSR/INPE 1-10 E.. Visível (LUZ): é o conjunto de radiações eletromagnéticas que podem ser detectadas pelo sistema visual humano. por ser muito penetrante (alta energia).. Ultravioleta (UV): é produzida em grande quantidade pelo Sol. Nuvem Fig.38µm. tem aplicações em medicina (radioterapia) e em processos industriais (radiografia industrial).003 µm até aproximadamente 0. sendo emitida na faixa de 0. As cores estão associadas aos seguintes intervalos espectrais.. Raio X: é produzido através do freamento de elétrons de grande energia eletromagnética. A sensação de cor que é produzida pela luz está associada a diferentes comprimentos de ondas.C.O espectro eletromagnético. 2 . porém esta energia eletromagnética é praticamente toda absorvida pela camada de ozônio atmosférico.. Seu poder de penetração a torna nociva aos seres vivos.

Algumas regiões do espectro eletromagnético têm denominações que indicam alguma propriedade especial.62 a 0.49 µm verde: 0.49 a 0.MORAES .6 µm laranja: 0. como por exemplo: DSR/INPE 1-11 E.38 a 0. Radio: é o conjunto de energias de freqüência menor que 300MHz (comprimento de onda maior que 1m). Estas ondas são utilizadas principalmente em telecomunicações e radiodifusão.7 a 1.45 a 0.7 a 1000 µm e costuma ser dividida em três sub-regiões: IV próximo: 0.70 µm Infravermelho (IV): é a região do espectro que se estende de 0.58 a 0.violeta: 0.6 a 0.62 µm vermelho: 0.58 µm amarelo: 0. Os feixes de microondas são emitidos e detectados pelos sistemas de radar (radio detection and ranging). Microondas: são radiações eletromagnéticas produzidas por sistemas eletrônicos (osciladores) e se estendem pela região do espectro de 1mm até cerca de 1m.C.45 µm azul: 0. enquanto as energias eletromagnéticas correspondentes ao intervalo espectral do infravermelho médio e distante (também denominadas de radiação termal) são provenientes da emissão eletromagnética de objetos terrestres. o que corresponde ao intervalo de freqüência de 300GHz a 300MHz.3 a 6 µm IV distante: 6 a 1000 µm A energia eletromagnética no intervalo espectral correspondente ao infravermelho próximo é encontrada no fluxo solar ou mesmo em fontes convencionais de iluminação (lâmpadas incandescentes).3 µm IV médio: 1.

portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro solar. Os gases presentes na atmosfera apresentam capacidade de absorção muito variáveis em relação ao comprimento de onda da energia solar incidente no sistema terra-atmosfera e da energia emitida pela superfície terrestre.C. portanto o sensoriamento remoto é realizado na faixa do espectro termal. refletida e espalhada. 1.28 a 4 µm. Espectro termal: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas emitidas pelos objetos terrestres e encontra-se nos intervalos espectrais correspondente ao infravermelho médio e distante. facilitando a análise da energia radiante. visível e infravermelho). Espectro visível: refere-se ao conjunto das energias eletromagnéticas percebido pelo sistema visual humano. Esta distinção torna possível o tratamento separado desses dois tipos de energia eletromagnética. também denominado de luz. Cerca de 99% da energia solar que atinge a Terra encontra-se concentrada na faixa de 0. Quando a Terra atua como fonte de energia eletromagnética os sensores detectam a energia emitida pelos corpos terrestres. Espectro solar: refere-se à região espectral que compreende os tipos de energia emitidas pelo Sol.Espectro óptico: refere-se à região do espectro eletromagnético que compreende as energias que podem ser coletadas por sistemas ópticos (ultravioleta.3 ATENUAÇÃO ATMOSFÉRICA A energia eletromagnética ao atravessar atmosfera terrestre pode ser absorvida. Quando consideramos o Sol como fonte de energia eletromagnética (ou fonte de iluminação) os sensores detectam a energia refletida pelos objetos terrestres.MORAES 1-12 . Existem regiões do espectro eletromagnético para os quais DSR/INPE E.

MORAES .Curvas da distribuição espectral da energia solar na atmosfera/superfície terrestre. NO e N2O ocorrem em pequenas quantidades e também exibem espectros de absorção. Esta interação da energia com a atmosfera pode ser comparada com uma cortina que age como um filtro e. oxigênio (O2). Os gases CO. os quais atenuam a energia eletromagnética diferentemente.a atmosfera absorve muito da energia incidente no topo da atmosfera.C. E n e g i a I n c i d e n t e o Energia solar incidente no topo da atmosfera Energia solar incidente na superfície terrestre A ) Fig. às vezes não deixando chegar quase nada de energia na superfície terrestre. atenua ou até mesmo impede a passagem da luz. Neste caso os diferentes tipos de tecidos da cortina poderia ser comparado com os diferentes gases existentes na atmosfera terrestre. A Figura 3 mostra a distribuição do espectro de energia eletromagnética do Sol no topo da atmosfera e na superfície terrestre observada ao nível do mar. dependendo de seu tecido. Os principais gases absorvedores da radiação eletromagnética são vapor d’água (H2O). CH4. 3 . DSR/INPE 1-13 E. As áreas sombreadas representam as absorções devido aos diversos gases presentes numa atmosfera limpa. ozônio (O3) e gás carbônico (CO2).

Na região do infravermelho os principais gases absorvedores são o vapor d’água (H2O) e o dióxido de carbono (CO2) Existem regiões do espectro eletromagnético onde a atmosfera quase não afeta a energia eletromagnética. a atmosfera é transparente à energia eletromagnética proveniente do Sol ou da superfície terrestre. o principal gás absorvedor da energia eletromagnética solar é o ozônio (O3). Nestas regiões são colocados os detectores de energia eletromagnética. com exceção de uma pequena DSR/INPE 1-14 E. Na região do ultravioleta e visível. e portanto onde é realizado o sensoriamento remoto dos objetos terrestres. Também existem regiões no espectro eletromagnético para os quais a atmosfera é opaca (absorve toda a energia eletromagnética).C. 4 – Transmitância espectral da atmosfera A atmosfera quase não absorve a energia eletromagnética emitida pelos objetos que compõem a superfície terrestre.3 e 0. isto é. Comprimento de onda ( µm) Fig. grande parte da energia solar atinge a superfície da Terra. o qual protege a terra dos raios ultravioletas que são letais a vida vegetal e animal.Cerca de 70% da energia solar está concentrada na faixa espectral compreendida entre 0.MORAES . Estas regiões são conhecidas como janelas atmosféricas. A Figura 4 apresenta as janelas atmosféricas e as regiões afetadas pelos principais gases atmosféricos.7 µm e como a atmosfera absorve muito pouco nesta região.

também conhecido como a assinatura espectral do objeto. 1. reflexão e transmissão da energia incidente poder ser total ou parcial. reflectância e transmitância. A absorção. vindo a contaminar a energia refletida ou emitida pela superfície e que é detectada pelos sensores orbitais. As interações da energia eletromagnética com os constituintes atmosféricos influenciam a caracterização da energia solar e terrestre disponíveis para o sensoriamento remoto de recursos naturais. sendo parcialmente refletido. O comportamento espectral de um objeto pode ser definido como sendo o conjunto dos valores sucessivos da reflectância do objeto ao longo do espectro eletromagnético. A energia eletromagnética ao atingir a atmosfera é por esta espalhada. absorvido e transmitido pelo objeto. refletir e transmitir a radiação eletromagnética é denominada.MORAES . Acima de 14 µm a atmosfera é quase que totalmente opaca à energia eletromagnética.C. ou seja. A capacidade de um objeto absorver. centrada em 9. e parte desta energia espalhada retorna para o espaço. Nesta janela atmosférica o sistema terra-atmosfera perde energia para o espaço mantendo assim o equilíbrio térmico do planeta. guardando sempre o princípio de conservação de energia. respectivamente. como pode ser visto na Figura 5. e emitem radiação eletromagnética proporcionalmente a sua temperatura.banda de absorção do ozônio. de absortância. absorve toda a energia eletromagnética com comprimentos de onda acima deste valor. A DSR/INPE 1-15 E.6 µm. As nuvens absorvem toda a energia na região do infravermelho.4 COMPORTAMENTO ESPECTRAL DE OBJETOS NATURAIS O fluxo de energia eletromagnética ao atingir um objeto (energia incidente) sofre interações com o material que o compõe. sendo que os valores variam entre 0 e 1. Essas considerações são válidas para a atmosfera limpa. pois tanto nuvens como poluentes tendem a absorver a energia eletromagnética.

A Figura 2 apresenta os espectros de reflectância de alguns objetos bastante freqüentes nas imagens de sensoriamento remoto como. 5 . As características básicas observadas no comportamento espectral destes objetos são: DSR/INPE 1-16 E. Os objetos interagem de maneira diferenciada espectralmente com a energia eletromagnética incidente. solo. vegetação e nuvens. IR R G B B G R IR COMPRIMENTO DE ONDA Fig.MORAES . água. sendo que a forma.assinatura espectral do objeto define as feições deste. pois são reconhecidos devido a variação da porcentagem de energia refletida em cada comprimento de onda. a intensidade e a localização de cada banda de absorção é que caracteriza o objeto. O conhecimento do comportamento espectral dos objetos terrestres é muito importante para a escolha da região do espectro sobre a qual pretende-se adquirir dados para determinada aplicação. Estas diferentes interações é que possibilitam a distinção e o reconhecimento dos diversos objetos terrestres sensoriados remotamente. pois os objetos apresentam diferentes propriedades físico-químicas e biológicas.Interação da energia eletromagnética com o objeto. areia.C.

As combinações e arranjos dos materiais constituintes dos solos é que define o seu comportamento espectral.C.. O comportamento espectral da água líquida pura apresenta baixa reflectância (menor do que 10%) na faixa compreendida entre 0. Os minerais apresentam características decorrentes de suas bandas de absorção. os quais apresentam comportamento espectral totalmente distintos. A alta reflectância no infravermelho próximo (até 1. sendo que a partir deste comprimento de onda é o conteúdo de água na vegetação quem modula as bandas de absorção presentes no comportamento espectral desta. Portanto a absorção é o principal fator que controla o comportamento espectral das rochas.38 e 0.7µm e máxima absorção acima de 0. DSR/INPE 1-17 E. O comportamento espectral de corpos d’água é modulado principalmente pelos processos de absorção e espalhamento produzidos por materiais dissolvidos e em suspensão neles. a matéria orgânica. a umidade e a granulometria (textura e estrutura) deste. . Dentro do espectro visível a absorção é mais fraca na região que caracteriza a coloração da vegetação. que é capturada pela clorofila para a realização da fotossíntese. . enquanto que a presença de matéria inorgânica em suspensão resulta num deslocamento em direção ao vermelho. pois é verificado que a presença de matéria orgânica dissolvida em corpos d’água desloca o máximo de reflectância espectral para o verde-amarelo.O comportamento espectral de rochas é resultante dos espectros individuais dos minerais que as compõem.A vegetação sadia apresenta alta absorção da energia eletromagnética na região do espectro visível.7µm.O comportamento espectral dos solos é também dominado pelas bandas de absorção de seus constituintes.MORAES . sendo que os principais fatores são a constituição mineral.3µm) é devido a estrutura celular. A água pode-se apresentar na natureza em três estados físicos.

MORAES . enquanto que os sistemas não-imageadores. também denominados radiômetros ou espectroradiômetros. ou seja. em todo o espectro óptico com destacadas bandas de absorção em 1. apresentam o resultado em forma de dígitos ou gráficos. os radiômetros e espectroradiômetros. como por exemplo os sensores do satélite Landsat 5.3 e 2µm. Com o intuito de melhor interpretar as imagens de satélites. de tal forma que este possa ser armazenado ou transmitido em tempo real para posteriormente ser convertido em informações que descrevem as feições dos objetos que compõem a superfície terrestre. 1.C. a obtenção e a análise de medidas da reflectância dos objetos terrestres em experimento de campo e de laboratório.- O comportamento espectral de nuvens apresenta elevada reflectância (em torno de 70%). como por exemplo temos os “scaners” e as câmaras fotográficas. Os sistemas imageadores fornecem como produto uma imagem da área observada. Os sensores ativos possuem uma fonte DSR/INPE 1-18 E. muitos pesquisadores têm se dedicado a pesquisa fundamental.5 SISTEMA SENSOR Os sensores remotos são dispositivos capazes de detectar a energia eletromagnética (em determinadas faixas do espectro eletromagnético) proveniente de um objeto. Os sensores passivos não possuem fonte própria de energia eletromagnética. Os sistemas sensores também podem ser classificados como ativos e passivos. As variações de energia eletromagnética da área observada podem ser coletadas por sistemas sensores imageadores ou não-imageadores. 1. os quais possibilitam uma melhor compreensão das relações existentes entre o comportamento espectral dos objetos e as suas propriedades. transformá-las em um sinal elétrico e registrá-las.

A resolução espacial representa a capacidade do sensor distinguir objetos. e e) unidade de saída: é um componente capaz de registrar os sinais elétricos captados pelo detector para posterior extração de informações. As características dos sensores estão relacionadas com a resolução espacial.MORAES . b) filtro: é o componente responsável pela seleção da faixa espectral da energia a ser medida. Eles emitem energia eletromagnética para os objetos terrestres a serem imageados e detectam parte desta energia que é refletida por estes na direção deste sensores. c) detetor: é um componente de pequenas dimensões feito de um material cujas propriedades elétricas variam ao absorver o fluxo de energia. d) processador: é um componente responsável pela amplificação do fraco sinal gerado pelo detetor e pela digitalização do sinal elétrico produzido pelo detector. espectral e radiométrica. A qualidade de um sensor geralmente é especificada pela sua capacidade de obter medidas detalhadas da energia eletromagnética.C. Como exemplo podemos citar o radar e qualquer câmara fotográfica com flash. Os sistemas fotográficos foram os primeiros equipamentos a serem desenvolvidos e utilizados para o sensoriamento remoto de objetos terrestres As principais partes de um sensor são: a) coletor: é um componente óptico capaz de concentrar o fluxo de energia proveniente da amostra no detetor. Ela indica o tamanho do menor elemento da superfície individualizado pelo sensor.própria de energia eletromagnética. A resolução espacial depende principalmente do detector. produzindo um sinal elétrico. da altura do DSR/INPE 1-19 E.

ela define o intervalo espectral no qual são realizadas as medidas. Uma outra qualidade importante é a resolução temporal do sensor. características do sensor. DSR/INPE 1-20 E. Por exemplo. Por exemplo. A resolução espectral refere-se à largura espectral em que opera o sensor. etc). vegetações. refere-se à maior ou menor capacidade do sistema sensor em detectar e registrar diferenças na energia refletida e/ou emitida pelos elementos que compõe a cena (rochas. o Landsat 5 possui os sensores TM e Multispectral Scanning System (MSS). efeitos atmosféricos.C. Portanto. solos. geometria de aquisição de dados. e consequentemente a composição espectral do fluxo de energia que atinge o detetor. Por exemplo. Quanto maior for o número de medidas num determinado intervalo de comprimento de onda melhor será a resolução espectral da coleta.posicionamento do sensor em relação ao objeto. quanto menor for a resolução geométrica deste maior será o grau de distinção entre objetos próximos. ou seja. Por exemplo. A resolução radiométrica define a eficiência do sistema em detectar pequenos sinais. Para melhor interpretar os sinais coletados faz-se necessário o conhecimento das condições experimentais como: fonte de radiação. o sistema sensor do Thematic Mapper (TM) do Landsat 5 possui uma resolução espacial de 30 metros. O sensor TM apresenta algumas bandas espectrais mais estreitas do que o sensor MSS. os sensores do Landsat 5 possuem uma repetitividade de 16 dias. portanto nestas bandas o TM apresenta melhor resolução espectral do que o MSS. águas. Para um dado nível de posicionamento do sensor. o sistema sensor TM do Landsat 5 distingue até 256 tons distintos de sinais representando-os em 256 níveis de cinza. que está relacionada com a repetitividade com que o sistema sensor pode adquirir informações referentes ao objeto. tipo de processamento e estado do objeto.MORAES .

1.6 NÍVEIS DE AQUISIÇÃO DE DADOS Os sistemas sensores podem ser mantidos no nível orbital (satélites) ou suborbital (acoplados em aeronaves ou mantidos ao nível do solo). como pode ser visualizado na Figura 6. sistemas fotográficos ou radar. e a resolução espacial destes dados dependerá da altura do vôo no momento do aerolevantamento. 6 – Níveis de Coleta de Dados Fonte : Moreira (2001) Ao nível de aeronaves os dados de sensoriamento remoto podem ser adquiridos por sistemas sensores de varredura óptico-eletrônico. Níveis de Coleta de dados Satélites Balões Solo Aeronave Bóias Barco Fig.MORAES . Ao nível do solo é realizada a aquisição de dados em campo ou em laboratório onde as medidas são obtidas utilizando-se radiômetros ou espectroradiômetros.C. DSR/INPE 1-21 E.

308p. 208p. VIII. DSR/INPE 1-22 E. 43p.C.. Abr. 1996. INPE. bem como um melhor monitoramento dos recursos naturais para grandes áreas da superfície terrestre. Steffen. Steffen. Salvador. C. L. Moraes. O sensoriamento remoto neste nível permite a repetitividade das informações. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Moreira. 1996. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. 2001. M. C. M.. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Radiometria óptica espectral. Introdução à radiometria. 7p. 1993. 2. Fundamentos do sensoriamento remoto e metodologias de aplicação. A. E. Curitiba. São Paulo. Moraes. F. Novo. E. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto.MORAES . F. 10-14. VII. 14-19.A obtenção de dados no nível orbital é realizada através de sistemas sensores a bordo de satélites artificiais.. : Edgard Blücher. INPE. Tutorial São José dos Campos.. ed. A. C. Gama. A. 1989. E. Maio. Sensoriamento Remoto: princípios e aplicações. 1993. São José dos Campos. C. M. Tutorial São José dos Campos.

CAPÍTULO 2 SATÉLITES DE SENSOR IAMENTO REMOTO José Carlos Neves Epiphanio1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS .EPIPHANIO .C.INPE 1 E-mail: epiphani@ltid.N.inpe.br DSR/INPE 2-1 J.

C.EPIPHANIO .DSR/INPE 2-2 J.N.

.1 2..................... CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES ............................. 2-13 PROGRAMA SPOT ................................................ 2-10 2.............................................N...................... 2-29 PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) .......... 2-19 PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO ................. 2-25 SATÉLITES NOAA ................................ 4.................... 2-30 PROGRAMAS DE RADAR ...................................... 9.........C.......... ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA ......................... 6....................................... 5..................... 2-11 ÓRBITA BAIXA ............. 2-32 REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ................................ 2-7 1..... 2-11 PROGRAMA LANDSAT ....................................2 3...................... INTRODUÇÃO ......................................................................................................ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ................................EPIPHANIO . 2-5 LISTA DE TABELAS ................................................................................. 7.......... 2-9 2..................................................... 2-35 DSR/INPE 2-3 J..... 8..........................

C.EPIPHANIO .N.DSR/INPE 2-4 J.

..EPIPHANIO ......C...........N.......... ....... 2-27 DSR/INPE 2-5 J..LISTA DE FIGURAS 1 – SATÉLITE CBERS E SEUS COMPONENTES....

C.DSR/INPE 2-6 J.N.EPIPHANIO .

...........PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 ...........C........LISTA DE TABELAS 1 – PROGRAMA LANDSAT ......................................................................... 2-16 3 ..................... 2-26 6 .............. 2-16 4 .........CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K............................................. 2-30 DSR/INPE 2-7 J...EPIPHANIO ..................SENSORES DO SPOT-4 .........................BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7......................... 2-15 2 .......................................N.....CÂMERA CCD DO CBERS................. L E M ...... 2-21 5 .........

C.EPIPHANIO .DSR/INPE 2-8 J.N.

Porém. através de uma imagem de um sensor remoto. Essas propriedades primárias podem ser usadas diretamente. De qualquer modo que se veja um produto de sensoriamento remoto. das propriedades dos objetos ou alvos. um sensor faz uma medida sem escala padronizada.1. As principais propriedades “primárias” dos alvos que são medidas1 pelos sensores remotos são a capacidade de reflexão e de emissão de energia eletromagnética. agora. a princípio. ou uma nova imagem que. Isto é.EPIPHANIO . passa a representar uma propriedade do alvo que não foi medida diretamente pelo sensor remoto. gera-se um novo produto. por um sensor remoto. há sempre a necessidade de que a propriedade de reflexão ou emissão do alvo seja medida. Os chamados “sistemas de sensoriamento remoto” são os veículos e instrumentos necessários à coleta de dados para serem analisados pela comunidade científica e de usuários em geral. pois são as imagens na forma como as conhecemos. quando uma imagem de um sensor remoto entra num modelo que a relaciona com a fotossíntese da vegetação. sem padronização. INTRODUÇÃO Para que haja o sensoriamento remoto é necessário que haja uma “medição”. pode-se gerar uma imagem secundária que expressa a quantidade de sedimentos. seja ele primário ou secundário. É que. um objeto tortuoso e de baixa reflexão (escuro) numa certa imagem traduz-se a nós como sendo um rio. Essa é a forma mais comum de uso dos produtos de sensoriamento remoto. mensurada. aquelas propriedades primárias podem sofrer transformações e permitir-nos fazer inferências sobre características secundárias dos alvos. e os sensores fotográficos e outros 1 Comentário: Página: 9 fazer análise de “medida” em relação a uma régua. Por exemplo.N. embora outros sistemas façam parte do sensoriamento remoto. como os radiômetros de campo e de laboratório. de uma forma “bruta”. Por exemplo. à distância. Os sensores remotos fazem parte do que se denomina “sistemas de sensoriamento remoto”. portanto. que haja DSR/INPE 2-9 J. se houver uma equação ou um modelo que permita um relacionamento entre reflectância medida por satélite e quantidade de sedimentos num meio aquático. E há uma estreita associação entre sensoriamento remoto e satélites artificiais.C. é preciso. posteriormente. No caso do rio.

Os que mais interessam para o sensoriamento remoto enquadram-se em duas grandes categorias: os de órbita baixa e os de órbita alta. sendo apenas 2-10 marginal sua aplicação em DSR/INPE J.EPIPHANIO . é necessário que haja um conhecimento dos principais satélites e de suas características. mais e mais se tornam os instrumentos quotidianos dos profissionais de sensoriamento remoto. sistemas que operam em aeronaves.000 km) têm a capacidade de abranger em seu campo de visada uma grande porção de superfície terrestre. Os satélites são veículos colocados em órbita da Terra e que promovem continuamente a aquisição de dados relacionados às propriedades primárias dos objetos. Por estarem a grandes altitudes (tipicamente entre 600 e 1. Assim. a cada dia. são os satélites que. são descritos os sistemas Landsat.N. Neste capítulo são abordados os principais satélites em operação e. como têm que orbitar ao redor da Terra. aqueles voltados para o sensoriamento remoto da superfície terrestre com ênfase naqueles mais utilizados no Brasil. Terra. permitindo o acompanhamento da evolução das propriedades de reflexão ou emissão dos objetos e fenômenos. é feita uma introdução sobre órbitas e outros aspectos dos satélites. Assim. Estes últimos são os geoestacionários e têm sua maior aplicação no campo da meteorologia. NOAA. Porém. particularmente.uma calibração em relação a um padrão para que se tenha uma medida precisa da propriedade do alvo. Radarsat e ERS (todos programas internacionais) e o CBERS e o SSR/MECB (do Brasil). CARACTERÍSTICAS ORBITAIS DOS SATÉLITES Os satélites podem apresentar uma grande variação quanto ao padrão orbital em relação à Terra. Ao mesmo tempo. cujos princípios aplicam-se a todos os sistemas. promovem uma cobertura que se repete ao longo do tempo. SPOT. 2.C. antes de descrever os sistemas propriamente ditos.

podem fazer um imageamento muito rápido daquela porção terrestre sob seu campo de visada.N. o que permite uma escala de imageamento praticamente constante para todas as imagens. e são discutidos mais pormenorizadamente. Para os satélites de sensoriamento de órbita baixa. ou seja.sensoriamento remoto. estão imóveis. É por essa grande abrangência de superfície terrestre coberta em um curto intervalo de tempo que eles são muito úteis para estudos de fenômenos meteorológicos.1 ÓRBITA GEOESTACIONÁRIA Os satélites nesta órbita estão a uma altitude de cerca de 36. em relação à Terra. pois dessa forma o satélite fica sempre orbitando a uma altitude quase que fixa em relação à Terra. e por causa da grande altitude podem ter uma visão sinóptica completa. 2. Como ficam dispostos ao longo do Equador terrestre. Possuem uma velocidade de translação em relação à Terra que equivale ao movimento de rotação da Terra. 2. assim. permanecem voltados para o mesmo ponto da superfície e. de modo que. os quais são bastante dinâmicos. tal órbita é também circular. Em geral. Além disso. o que equivale a dizer órbitas com menos de 1.000 km.000 km de altitude.EPIPHANIO . a discussão a seguir é restrita às situações e características que abrangem os sistemas que mais interessam ao sensoriamento remoto. Os de órbita baixa englobam a maioria dos satélites de sensoriamento remoto. são discutidos os impactos dos desvios em relação à situação usual. como estão “fixos” em relação à Terra. São chamados geoestacionários porque sua órbita acompanha o movimento de rotação da Terra. Sempre que couber.2 ÓRBITA BAIXA Embora nesta categoria enquadrem-se inúmeros sistemas espaciais. de todo o disco terrestre compreendido pelo seu campo de visada.C. Como a variação de altitude é pequena DSR/INPE 2-11 J. a órbita dos satélites de sensoriamento remoto enquadra-se no que se denomina órbita baixa.

da geração anterior. como o perímetro da Terra no DSR/INPE 2-12 J. Ela tem que obedecer às leis da mecânica orbital e depende muito da definição do projeto da missão e características dos sensores destinados ao imageamento. a faixa imageada no terreno seria menor na segunda geração. Essa faixa de imageamento varia de acordo com o sensor. a mudança de altitude entre a primeira geração (Landsat 1 a 3) e a segunda geração (Landsat 4 a 7) exigiu que o campo de visada do sensor Thematic Mapper (Mapeador Temático. Toda a órbita circular tem esta característica de manter a escala constante. Ela tem se situado entre 700 e 1. quando a Terra está iluminada (embora pudesse também haver imageamento no sentido ascendente em certos comprimentos de onda).numa situação de circularidade. uma vez que sua altitude era menor. No caso da série Landsat.000 km. em direção ao sul. ou MSS). o sistema (satélite e sensor) recobre uma faixa longitudinal e constante no terreno equivalente a um certa faixa de terreno. é preciso definir o ângulo que esse plano da órbita fará com os pólos da Terra. o que facilita os trabalhos de interpretação e análise das imagens. A cada órbita. com um pequeno e constante desvio do plano orbital em relação ao eixo norte-sul.C. A órbita quase-polar tem a importante característica de permitir que a Terra toda (exceto os pólos) seja imageada após um certo número de órbitas. fosse aumentado a fim de manter a mesma faixa de imageamento do sensor Multispectral Scanner System (Sistema de Varredura Multiespectral.EPIPHANIO .5 órbitas diárias e. ocorrem aproximadamente 14. Isso quer dizer que se fosse mantido o mesmo ângulo de imageamento para as duas gerações.N. Uma vez definido que a órbita é circular e que ela tem uma certa altitude em relação à Terra. ou simplesmente TM). cuja duração é de cerca de 100 minutos. O imageamento é descendente. por exemplo. a variação de escala também é pequena. Nessas condições. descrevendo um círculo com raio praticamente fixo. aproximadamente. A altitude do satélite define uma série de outros parâmetros de engenharia do sistema. a bordo dos satélites da segunda geração. Em geral os satélites de sensoriamento remoto têm órbita quase polar. Outra característica de órbita para os satélites de sensoriamento remoto é a altitude.

DSR/INPE 2-13 J. Entre outros fatores.equador é de cerca de 36. e não a influências de posicionamento angular do sol. na determinação da configuração de um sistema de imageamento há um que diz respeito ao horário do dia em que deverá ser efetuado o imageamento. e faixas mais largas diminuirão o tempo entre uma visita e outra. os satélites de sensoriamento remoto possuem órbita chamada heliossíncrona.EPIPHANIO . Também a faixa imageada no terreno em cada órbita é um fator importante. Isso é obtido através do estabelecimento de uma relação apropriada entre o raio (ou o período) da órbita circular e o ângulo de inclinação da órbita do satélite. é necessário que o ângulo entre a normal ao plano da órbita do satélite e a linha terra-sol seja mantido constante. e as variações entre imagens podem ser atribuídas às propriedades intrínsecas dos alvos. Para que isso possa ser conseguido. exige-se menos tempo para que esse recobrimento seja completo. particularmente da característica orbital. Isso quer dizer que a cada órbita o satélite cruza a linha do Equador no mesmo horário. após um certo número de dias e um certo número de órbitas. Isso significa que a precessão do plano orbital do satélite deve estar numa taxa que seja equivalente à taxa da translação da Terra ao redor do Sol. Ou seja. Isso quer dizer que é desejável que.000 km. Isso é conseguido através de um projeto orbital adequado. ou seja. no qual fatores como altitude e velocidade do satélite são considerados. o satélite volte a recobrir a mesma faixa de terreno. Ao contrário. Em geral. se a faixa de imageamento é mais larga. para fins de sensoriamento remoto há uma preferência para que haja uma ciclicidade das passagens ou dos recobrimentos. Esta característica de órbita é importante pois assim todas as imagens são sempre obtidas aproximadamente no mesmo horário. após determinado número de dias. No projeto da missão e.N. já que faixas de imageamento mais estreitas determinarão ciclos de revisitas mais longos. se a faixa de terreno que o sistema (satélite mais sensor) consegue imagear é estreita. haverá necessidade de muitas órbitas para cobrir toda a superfície da Terra. sincronizada com o Sol.C. a Terra toda será imageada.

Cada satélite lançado tem uma vida útil esperada. Porém. o Landsat-6 foi perdido durante o lançamento. Uma que compreende os três primeiros. Posteriormente. O de número 7.N. Assim. que compreende os quatro últimos. opera a mais de 15 anos. Como se observa pela Tabela 1. PROGRAMA LANDSAT O primeiro satélite da série Landsat foi lançado no início dos anos 70. cabe destacar que o sensor MSS (Sistema de Varredura Mutiespectral) demonstrou ser o principal instrumento a bordo dos Landsats. não só por ser a de período de vida mais longo de fornecimento contínuo de dados.EPIPHANIO tem certas características que são tidas como um avanço em relação a seus . e uma segunda. antes de ser posicionado em órbita. estão operando o quinto e o sétimo da série. apresenta um sensor que. A estrutura do satélite baseou-se em um projeto já em operação naquela época que era a dos satélites Nimbus. é comum falar em duas gerações para a série Landsat. e também ultrapassaram em muito as especificações. Alguns duraram muito mais do que isso.C. foi projetada uma plataforma própria para esses satélites e também uma inovação quanto aos sensores a bordo. Esta série de satélites é a principal no campo do sensoriamento remoto. de meteorologia. conforme a Tabela 1. O Landsat-5. Atualmente. os satélites de uma determinada série são lançados um a um. Os últimos da série já tinham especificações de vida útil maiores. predecessores. não é incomum a ocorrência de fracassos.3. no ano 2001. o último da série. por exemplo. O sensor RBV (Sistema Vidicon de Feixes Retornantes. Os primeiros satélites da série Landsat tinham vida útil estimada de dois anos. embora muito semelhante aos três anteriores. depois de um intervalo irregular de tempo. iniciando com o Landsat-4. DSR/INPE 2-14 J. mas também pela notável facilidade de acesso e qualidade dos dados gerados. A partir do final do anos 60 os Estados Unidos decidiram colocar em órbita um satélite de sensoriamento remoto. Quanto à primeira geração da série Landsat.

em relação ao MSS. que operava no Landsat-3.similar a um sistema de televisão). Muitas dessas imagens do RBV estão disponíveis nos arquivos do INPE.EPIPHANIO . SP. acabou sendo descontinuado a partir do Landsat-4 por causa de sua baixa fidelidade radiométrica e de sua pequena cobertura espectral. em Cachoeira Paulista.N. DSR/INPE 2-15 J.C. embora permitisse uma melhor resolução espacial.

C. As principais características do ETM+ são resumidas nas Tabelas 2 e 3. TD = transmissão direta. ETM+ = enhanced thematic mapper plus. O mais recente satélite da série é o Landsat-7. Mbps = mega bits por segundo. Este sensor é uma continuação do TM anteriormente a bordo dos Landsats-4 a 6.TABELA 1 – PROGRAMA LANDSAT* Lançamento (fim das operações) 23/7/1972 (1/6/1978) Instru. O ETM+ fornece uma imagem digital DSR/INPE 2-16 J.EPIPHANIO . lançado em 15/04/1999. TM = thematic mapper. pan = pancromático. Mapeador Temático Avançado). MSS = multispectral scanner system.N. e o principal sensor a bordo é o ETM+ (Enhanced Thematic Mapper Plus. ms = multiespectral.Resolução Comunicamentos (metros) ção Sistema Altitude (km) Revisita Taxa de dados (Mbps) 15 Landsat-1 RBV MSS 80 80 80 80 30 80 80 30 80 30 15 (pan) 30 (ms) TD com 917 gravadores 18 Landsat-2 22/1/1975 (25/2/1982) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-3 5/3/1978 (31/3/1983) RBV MSS TD com 917 gravadores 18 15 Landsat-4 16/7/1982 (Transmissão TM terminou em 08/1993) 1/3/1984 MSS TM MSS TM TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-5 TD com TDRSS 705 16 85 Landsat-6 5/10/1993 (5/10/1993) ETM TD com 705 gravadores 16 85 Landsat-7 15/4/1999 ETM+ 15 (pan) 30 (ms) 705 TD com gravadores de estado sólido 16 150 * RBV = return beam vidicon.

50 termal) 7 (infravermelho 2.C. com alta resolução espacial da superfície terrestre.75 médio refletido) 6 (infravermelho 10.2 42.5 x 21. vermelho) 4 (infravermelho 0.6 42.52 0. 1 Pancromática cobertura global periódica da superfície terrestre Função Faixa imageada no terreno 185 km (±7. p.55-1.6 42.6 Dimensão nominal da amostra no terreno (m) 15 30 30 30 30 30 60 30 Pancromática 1 (visível.5o) Massa 425 kg Potência 590 W (imageando).6 42. p.com uma visão sinóptica.90 0.6 85. verde) 3 (visível. azul) 2 (visível. 1 no infravermelho Próximo.EPIPHANIO . 2 no Infravermelho Médio Refletido.52-0.113) O satélite Landsat-7 tem uma órbita circular (escala praticamente constante).90 próximo) 5 (infravermelho 1.N.3 42.6 42.08-2.63-0. heliossíncrona (horário de cruzamento do Equador sempre às 10:00 ±15 DSR/INPE 2-17 J.45-0.113) TABELA 3 .35 médio refletido) FONTE: King e Greenstone (1999. TABELA 2 .BANDAS ESPECTRAIS DO ETM+/LANDSAT-7 Banda Espectral Largura da Banda à meia amplitude (µm) 0. 175 W (repouso) Controle térmico resfriador radiativo de 90 K Dimensões físicas radiômetro 196 x 114 x 66 cm eletrônica auxiliar 90 x 66 x 35 cm FONTE: King e Greenstone (1999.50-0. repetitiva.69 Dimensão do IFOV (µrad) 18.PARÂMETROS DO ETM+/LANDSAT-7 Tipo Bandas radiômetro de varredura mecânica tipo “wiskbroom” 3 Bandas no Visível. multiespectral.60 0.42-12.76-0. 1 no Infravermelho Termal.

é referenciada como sendo a 219/76. DSR/INPE 2-18 J. Cada matriz de detectores é responsável pela detecção de uma banda. portanto. oito matrizes. “recortadas” a cada 185 km na órbita. Esse padrão de recobrimento orbital.2o. que tem 32.minutos na órbita descendente). As quatro seguintes (pancromática. formam o que se denomina sistema de referência mundial. de modo que há o registro entre todas as bandas. correspondentes às três do visível e à do infravermelho próximo) ficam no plano focal primário. com uma inclinação de 98. correspondentes à órbita (sentido longitudinal) e ao ponto (sentido latitudinal). por exemplo.C. Como a Terra desloca-se para leste. infravermelhos médios. 8 linhas no infravermelho termal. apesar de fisicamente separados. que são 16 linhas de 30 metros nas bandas 1-4. 32 linhas de 15 metros no pan. Nesta configuração orbital. o Landsat-7 precede o satélite Terra (a ser discutido adiante) de cerca de 30 minutos na mesma faixa de imageamento da superfície terrestre. Há. SP. Esta matriz de oito bandas por 16 detectores por banda (oito na infravermelha termal e 32 na pan) tem uma largura de 480 metros no terreno. campo de visada) do ETM+ permite uma cobertura global da terra a cada 16 dias. altitude de 705 km. ocorre um deslocamento no terreno de cerca de 2. A faixa de 185 km imageada pelo campo de visada (FOV – field of view.EPIPHANIO . no sentido latitudinal. que tem oito). Ambos os planos focais.N. A função de cada uma dessa matrizes é promover o registro da radiância proveniente do terreno em cada uma das oito banda. uma imagem do ETM+/Landsat-7 de São José dos Campos. Cada órbita dura aproximadamente 100 minutos. O ETM+ é um sensor que possui dois planos focais. encontram-se opticamente alinhados. onde são descritas as órbitas no sentido longitudinal e as imagens propriamente ditas. onde ficam localizadas as matrizes de detectores. e a do infravermelho termal. lida como “órbita 219. Neste tempo. e infravermelho termal) encontram-se num plano focal secundário e refrigerado. Cada matriz é composta de 16 detectores (exceto a banda pancromática. Assim. ou seja. ponto 76”. sendo que as quatro primeiras (bandas 1-4.400 km entre o centro de uma órbita e a seguinte. as faixas imageadas vão se deslocando para oeste. Esse sistema permite que se localize uma imagem correspondente a qualquer ponto da Terra através de dois números.

Se for fixada uma certa posição inicial do espelho oscilante. definem o que se denomina faixa de imageamento. ou 480 metros de largura e com 185 km de extensão. Portanto. campo de visada instantâneo) de apenas 30 metros (15 no pan e 60 no infravermelho termal).O ETM+ é um sensor que faz um imageamento através de dois movimentos perpendiculares entre si. ou oeste para leste). A continuação dessa seqüência de minor frames fará com que toda a DSR/INPE 2-19 J. 30 ou 60 metros. as matrizes de detectores que estão nos planos focais. nesta posição. Nesta posição.000 metros dividido pelo IFOV de cada detector – 15. Em cada banda particular. O segundo movimento necessário para constituir uma imagem no sistema de varredura mecânico multiespectral é produzido pelo movimento de um espelho oscilante transversalmente à faixa de imageamento. nenhum detector estará cobrindo uma mesma área no terreno.EPIPHANIO .N.C. No caso ETM+ esta faixa de imageamento é de 185 km. Após esse minor frame o espelho desloca-se para leste ou para oeste (dependendo do sentido do espelho oscilante e o minor frame adjacente é lido. O espelho oscilante projeta. cada detector tem um IFOV (instantaneous field of view. Portanto. de acordo com a banda). são lidos os valores de radiância de cada elemento de terreno projetado em cada detector em particular. juntamente com o FOV. no terreno. O primeiro movimento é feito pelo deslocamento do próprio satélite ao longo de sua órbita. para que uma linha de 185 km seja completamente “varrida” é necessário que cada um dos detectores de cada banda seja acionado milhares de vezes (185. Porém. um certo detector é responsável pelo imageamento de uma linha completa. A esta seqüência singular de leitura de todos os detectores de todas as oito bandas dá-se o nome de minor frame (seqüência primária de leitura). são imageadas 16 linhas de 30 metros (32 de 15 metros no pan e 8 de 60 metros no infravermelho termal). no terreno haverá a projeção de toda a matriz de detectores. A projeção desse movimento. há uma adjacência de elementos de 30 m no terreno (15 m para o pan e 60 m para o infravermelho termal). A cada movimento lateral do espelho oscilante numa direção (leste para oeste. Vê-se que entre um minor frame e outro.

é enviado para Cachoeira Paulista. esse próximo conjunto de linhas (480 m) estará contíguo ao conjunto anterior. Nesta seção a discussão é centrada no Spot-4. O primeiro da série foi lançado em 22/2/1986.N. o segundo em 22/1/1990. o SPOT-4 que. e também o espelho oscilante terá chegado ao fim de um FOV (185 km de largura).000 minor frames. 4. o satélite terá avançado em sua órbita o equivalente a 480 m no terreno e.C. o principal produto solicitado pelos usuários são as imagens na forma digital e gravados em CDROM. assim. PROGRAMA SPOT O programa SPOT (Satellite Pour Observation de la Terre. o terceiro foi lançado em 26/9/1993. pelo veículo lançador Ariane. e assim por diante. ele sofre processamentos internos e é gravado a bordo ou encaminhado na forma digital para uma estação em terra. Essa seqüência de minor frames nas linhas e a seqüência de major frames na direção do caminhamento da órbita forma a imagem. SP. esta estação fica em Cuiabá.EPIPHANIO . Satélite Para Observação da Terra) é um programa Francês de satélites de sensoriamento remoto. e imageado um comprimento no terreno (sentido descendente da órbita) equivalente a 480 m. O sistema de observação da terra SPOT foi projetado pela Agência Espacial Francesa (CNES – Centre National d’Études Spatiales) e é operado por sua subsidiária Spot Image. MT. Atualmente. representa um avanço em vários sentidos. Depois. Após a detecção do sinal proveniente do terreno.linha seja coberta após um certo tempo. para os processamentos necessários à preparação dos produtos a serem arquivados ou enviados aos usuários. o espelho oscilante e o sistema de leitura e registro dos sinais terão varrido e lido mais de 6. embora guarde muitas características dos seus predecessores 1-3. Em 22/3/1998 foi lançado. No caso do Brasil. Ao terminar um major frame. mas sempre que necessário haverá referência DSR/INPE 2-20 J. Quando o espelho oscilante retornar para imagear outros 480 m. que equivale ao major frame (seqüência completa de leitura). mas perdeu-se no lançamento.

Na verdade são dois sensores idênticos. Em cada órbita o Spot-4 cruza o plano equatorial duas vezes. A heliossincronicidade de sua órbita faz com que o Spot-4 passe sobre uma certa área sempre à mesma hora solar. particularmente ao Landsat. uma no sentido norte-sul. sendo que o ângulo entre o plano da órbita e o plano equatorial é de 98.aos satélites anteriores ou mesmo a outros sistemas. o sistema de imageamento por varredura eletrônica (pushbroom) e a capacidade de visada lateral. A largura DSR/INPE 2-21 J. O seu sistema de imageamento é constituído por dois sensores denominados HRVIR (haute resolution visible et infra rouge. para as visadas no nadir (visada vertical). ou órbita descendente.5o. Como a órbita é em fase.EPIPHANIO . O Spot-4 classifica-se como um satélite de órbita baixa. o satélite passa sobre o mesmo ponto após um número inteiro de dias que.N.8o. o que permite que a cena apresente as mesmas condições de iluminação daquela cena durante todo o ano (as variações passam a ser creditadas à sazonalidade da estações do ano e às variações intrínsecas dos alvos). garantindo constância na resolução espacial e na escala. As principais diferenças são a alta resolução espacial de seus sensores.5 minutos. fazendo com que o cruzamento com o equador no sentido descendente norte-sul ocorra à hora solar de 10:30. durante o período iluminado do dia. o que garante que todas as cenas sejam adquiridas a uma altitude praticamente constante. é de 26 dias. Neste período o Spot-4 terá completado 369 órbitas ao redor da terra.C. Cada revolução orbital dura 101. ficando a 830 km de altitude. O ângulo entre o plano orbital do Spot-4 e a direção Terra-Sol é praticamente constante e de 22. A sua órbita também é quase polar. O Spot-4 foi concebido para ser um satélite com características bastante diferenciadas em relação ao Landsat. colocados um ao lado do outro. garantindo que toda a terra seja recoberta durante um ciclo de revisita (considerando a possibilidade de visada fora do nadir). o segundo cruzamento ocorre no sentido ascendente sulnorte durante o período noturno. alta resolução no visível e infravermelho). Sua órbita é circular.

50 a 0.1 km 2.61 a 10 m 0.68 µm) B2 (vermelho. 0.250 km 0. Um outro sensor a bordo do Spot-4 e também de interesse para o sensoriamento remoto é o Vegetation.da faixa de imageamento de cada um é de 60 km. VGT) TABELA 4 . 20 m 0.1 km 2.C.89 µm) MIR (infravermelho médio.59 µm) 20 m Pan (vermelho.58 a 1.EPIPHANIO 60 km 1.SENSORES DO SPOT-4 Bandas (µm) HRVIR Resolução Faixa espacial (m) B0 (azul) to (km) 60 km 60 km Vegetação (VGT) de Resolução Faixa (km) 1.3 pixel do VGT 9% 26 dias 2-22 5% 1 dia J.68 µm) B3 (infravermelho próximo. 20 m 1.61 a 20 m 60 km 1.1 km 2.1 km to (km) 2.75 µm) Alinhamento HRVIR/VGT Calibração absoluta Cobertura global da Terra DSR/INPE 0.250 km .250 km 60 km 1.250 km de imageamen. 0. 0.78 a 0. pois há um recobrimento de 3 km no equador.espacial imageamen- B1 (verde.N. A Tabela 4 apresenta algumas características dos HRVIR e do sensor Vegetation (Vegetação. perfazendo 117 km de largura.

Um telescópio de grande abertura angular forma uma imagem instantânea dos elementos adjacentes do terreno na matriz de detectores no plano focal do instrumento.EPIPHANIO .N. Isso é conseguido usando uma matriz linear de detectores do tipo CCD (charge-coupled device. respectivamente).51 a 0. eles geram pixels correspondentes a uma área no terreno medindo 20 m x 20 m resultando numa DSR/INPE 2-23 J. e uma nova linha de detectores será lida. à altitude de 830 km. Cada detector gera um pixel por vez. enquanto que o imageamento longitudinal (transversal ao sentido da órbita) é promovido pelo arranjo matricial fixo de detectores. Esta largura é vista instantaneamente pela linha de 6. embora o arranjo linear de detectores não faça a “varredura” da linha para serem sensibilizados pela luz. para o modo monoespectral (M) ou multiespectral (X).C. o satélite terá avançado 20 ou 10 metros (modo X ou P. mas era uma banda separada (0. A banda pancromática possui a mesma faixa espectral da banda B2 (vermelho) no Spot-4. Assim. Quando detectores adjacentes são varridos (lidos) eletronicamente aos pares. O telescópio de cada HRVIR tem um campo de visada (FOV) de 4o que. Após a leitura dos valores de radiância em todos os detectores do CCD. Os sinais gerados pelos detectores (que são fotodiodos) são lidos seqüencialmente num determinado intervalo de tempo.Cada um dos HRVIR possui 4 bandas espectrais. corresponde a um largura de 60 km no terreno.000 detectores da matriz linear de detectores.70 µm) nos Spots anteriores. cada HRVIR gera uma imagem de 60 km de largura ao longo da órbita. As matrizes lineares do CCD operam no modo chamado pushbroom. Ou seja. conforme a Tabela 4. o próprio movimento do satélite é que produz a varredura no sentido latitudinal da órbita. Esse instrumento de imageamento é projetado para cobrir instantaneamente uma linha completa de pixels de uma só vez ao longo do FOV. e cada pixel tem uma dimensão de 10 m por 10 m no modo de alta resolução. respectivamente) no terreno. A radiação proveniente do terreno é separada por dispositivos ópticos especiais em quatro bandas espectrais. os detectores são varridos eletronicamente para gerar o sinal de saída. Assim. Isso significa que num mesmo instante uma linha inteira (de 60 km de largura por 10 ou 20 m de comprimento. ou dispositivo de cargas acopladas).

Tal característica pode ser usada para adquirir uma imagem. O movimento do satélite ao longo de sua órbita resulta em varreduras de linhas sucessivas e isso completa a imagem. quatro linhas de detectores geram simultaneamente quatro planos espectrais para uma mesma linha no terreno. pois cada um de seus pixels provêm simultaneamente de um mesmo feixe eletromagnético. Isso quer dizer que o Spot-4 tem a possibilidade de ter visadas laterais. de monoespectral) ou em pares (modo X.N. dependendo se os detectores são lidos um a um (modo M. em resposta a uma solicitação de programação pelo usuário. em qualquer posição afastada de até 450 km para ambos os lados da trajetória do satélite no terreno. A luz que entra no sistema óptico é dividida em quatro feixes correspondentes a quatro bandas espectrais por um divisor espectral constituído de prismas e filtros.EPIPHANIO . Esse desvio é controlado por um mecanismo que permite uma graduação lateral com incrementos de 0. as imagens geradas por cada banda para uma mesma superfície do terreno são perfeitamente registradas. o modo monoespectral (M) correspondendo à banda B2 (vermelho) com uma resolução de 10 metros no terreno. B2 e B3. portanto. mais a banda do infravermelho médio.imagem com 20 m de resolução espacial. O imageamento feito por cada instrumento HRVIR é inteiramente independente entre si. Esses feixes são posteriormente focalizados nas quatro matrizes de detectores (uma para cada banda). Na entrada óptica de cada HRVIR do Spot-4 há um espelho com um mecanismo que permite o desvio da visada para uma faixa de terreno adjacente à projeção da órbita no terreno. e o modo X + M que combina os modos X e M.3o. fora do nadir. isso é conseguido com os ângulos extremos ( +27o ou – DSR/INPE 2-24 J. Esse redirecionamento da visada para as laterais pode ser de ±27o em relação ao nadir. de multiespectral). com uma resolução espacial no terreno equivalente a 20 metros. Dessa forma. Os HRVIRs têm três modos de imageamento: o multiespectral (modo X) correspondendo às bandas B1. O HRVIR tem dois modos de operação quanto à resolução espacial.C.

A finalidade da calibração é a obtenção de valores radiométricos entre os pixels que guardem uma relação entre si e também que guardem uma relação com as propriedades de reflexão da energia eletromagnética dos alvos. ajustar a resposta do instrumento. Ou seja.EPIPHANIO . o que corresponde a uma faixa de imageamento de 2. O sensor Vegetation é uma câmera multiespectral também num sistema de imageamento do tipo pushbroom. variações no ruído gerado pela eletrônica do imageamento ou dos detectores do CCD.27o). todos os detectores têm que gerar o mesmo sinal quando são sensibilizados por uma mesma fonte. As funções desse sensor são permitir um monitoramento contínuo. se necessário. distorções mecânicas causadas por variações de temperatura. O primeiro modo de calibração é aquele chamado calibração intra-banda. Também é usada para permitir o posicionamento do instrumento para a direção de uma fonte de calibração.000 detectores de cada banda quando o instrumento vê uma superfície perfeitamente uniforme.N. para uma mesma banda. regional e global da biosfera continental e das culturas. Outra função dessa característica é a de ser usada principalmente para a obtenção de imagens de um mesmo local mas em ângulos diferentes para a geração de pares estereoscópicos com as finalidades de restituição fotogramétrica e mapeamento do relevo. A segunda calibração é chamada de calibração absoluta e tem a finalidade de medir a responsividade dinâmica do instrumento através do estabelecimento de uma relação precisa entre uma fonte externa perfeitamente estável (o Sol) e o sinal de saída do instrumento. que se dá de duas maneiras. Com seu grande campo angular (FOV de 101o. Um aspecto sensível do Spot-4 é a calibração. ou também de normalização de respostas dos detectores CCD. Tabela 4). e os outros 10% restantes DSR/INPE 2-25 J.1 km. Alguns dos efeitos que podem suscitar de ajustes compensatórios são mudanças na transmissividade dos componentes ópticos como resultado do envelhecimento em órbita. O sistema de calibração é usado a intervalos regulares para verificar e.250 km) consegue cobrir 90% da terra num só dia. O objetivo dessa calibração é balancear a resposta dos 3.C. mas de baixa resolução espacial (1.

e a China. que permite o armazenamento de até 40 minutos de gravação (uma cena HRVIR de 60 km por 60 km é imageada em menos de 15 segundos). O primeiro foi lançado em 14/10/1999 a partir da base de lançamentos de Tayuan. e envolve a construção.26 minutos). em órbita circular (período de 100. Como há coincidência de bandas entre o HRVIR e o VGT. tem um sistema de gravação a bordo. através da CAST (Agência Chinesa de Ciência e Tecnologia). Satélite SinoBrasileiro de Sensoriamento Remoto. e os imageamentos de um mesmo ponto sempre ocorrem a uma mesma hora solar. os dois sistemas são bastante complementares. Além disso. O programa CBERS é uma missão conjunta entre o Brasil.b). Está a uma altitude de 778 km.no dia seguinte.0 x 2.6 m. com dimensões de 1.C.html. cuja pode encontrada http://www. 2000a.5o em relação ao plano equatorial). e o outro MECB (Missão Espacial Completa Brasileira. Da mesma forma que o Landsat. é denominado CBERS (China Brazil Earth Resources Satellite. heliossíncrona com cruzamento do equador no sentido norte-sul às 10:30 da manhã. quase polar (inclinação de 98.br/programas/mecb/default.2 m. descrição no endereço: ser http://www. DSR/INPE 2-26 J. recobre quase que inteiramente a Terra a intervalos regulares de 26 dias. o Spot transmite o sinal de imagens para estações localizadas em diversas partes da Terra. Nesta configuração orbital obtem imagens aproximadamente com mesma escala.inpe.450 kg.N. através do INPE.inpe. 5. pelo veículo lançador Longa Marcha 4B. além de ter os painéis solares com 6. com descrição mais pormenorizada na internet.br/programas/cbers/portugues/ também na internet no endereço: index.8 x 2. PROGRAMA BRASILEIRO DE SENSORIAMENTO REMOTO O Brasil possui basicamente dois programas de sensoriamento remoto.EPIPHANIO . lançamento e gerenciamento operacional de dois satélites de sensoriamento remoto.3 x 2.htm) (INPE. O CBERS é um satélite com massa de 1. Um.

o imageador por varredura mecânica IRMSS (infrared multispectral scanner system.52 . até 3 dias com visada lateral 8. A câmera CCD/CBERS apresenta semelhanças com o HRVIR do Spot-4.A constituição de sua carga útil é muito interessante.0. TABELA 5 .N. Suas principais características estão na Tabela 5 e uma visão de seus constituintes está na Figura 1. ao contrário do Spot-4. e a câmera WFI (wide field imager.45 .63 .77 . DSR/INPE 2-27 J.0. e ainda oferece novidades em termos de imageamento.EPIPHANIO .0.59 µm (verde) 0.0. Com esse conjunto de bandas consegue-se atender uma grande parcela da demanda por dados de sensoriamento remoto.51 . pois traz características de diversos outros satélites. O fato de cobrir todo o visível permite um aproveitamento da experiência e das técnicas de fotointerpretação feitas sobre fotografias aéreas preto e branco normais.3o 113 km ±32º 2 x 53 Mbits/segundo Resolução espacial no terreno Resolução temporal FOV Faixa de imageamento Visada lateral Taxa de dados FONTE: INPE (2000) A câmera CCD/CBERS é um sensor que cobre as faixas espectrais do visível e se estende até o infravermelho próximo. imageador de grande campo de visada).C. dispositivo de cargas acopladas). Possui três sensores a bordo: a câmera CCD (charge-coupled device. porém com menor resolução espacial.89 µm (infravermelho próximo) 20 m x 20 m 26 dias no nadir. sistema varredor multiespectral de infravermelho). Além disso. esta banda do CBERS é mais larga.52 µm (azul) 0.69 µm (vermelho) 0.73 µm (pancromático) 0.CÂMERA CCD DO CBERS Bandas espectrais 0. possui uma banda pancromática que cobre todo o visível e.0.

duas no infravermelho DSR/INPE 2-28 J.1 µm). o que equivale a 120 km de largura no terreno.Divisória Central 6 .N.Módulo de Serviço 2 Sensor de Presença do Sol 3 Conjunto dos Propulsores de 20N 4 Conjunto dos Propulsores de 1N 5 .50 a 1. Esse sensor opera com um FOV de 8.EPIPHANIO . Possui quatro bandas espectrais. sendo uma que abrange desde o visível até o infravermelho próximo (0. em ângulos bastante amplos (±32º). 1 . A capacidade de imageamento lateral.A sua faixa de imageamento é maior que a do Spot.C.Antena UHF de Recepção 7 Câmera de Varredura Infravermelho Fig.8o. FONTE: INPE (2000) Outro componente do Cbers é o imageador por varredura mecânica (IRMSS). mas menor que a do Landsat. Isso é uma característica relevante em situações de ocorrência de eventos que precisam ser monitorados em curto espaço de tempo. é uma vantagem comparativa importante em relação aos sistemas existentes. Essa maior capacidade de visada lateral permite que se possam fazer revisitas com até 3 dias entre passagens. ou fora do nadir. 1 – Satélite CBERS e seus componentes.

Possui características intermediárias entre todos os sistemas existentes para o estudo da superfície terrestre. É um sensor baseado na tecnologia CCD. Porém.1 km. Como em todo sistema há uma solução de compromisso entre os diversos requisitos da missão. e passivamente pelo próprio deslocamento do satélite no sentido da órbita. Sua resolução espacial não é tão boa quanto a do ETM+/Landsat-7 (30 m na maioria das bandas) mas também não é mellhor do que a do AVHRR/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer da National Oceanic and Atmospheric Administration. para esta aplicação. houve um sacrifício da resolução espacial. A WFI/CBERS possui apenas duas bandas espectrais: uma na região do vermelho (0. a WFI/CBERS. Isso garante ao sensor um período de revisita de apenas cinco dias. embora não possua a alta resolução temporal de um dia do AVHRR/NOAA. é que o AVHRR/NOAA é originariamente um sensor meteorológico e.C. não possui componentes móveis para o imageamento.N. A WFI/Cbers possui um FOV de 60o. é a câmera WFI (imageador de grande campo de visada). ao contrário do que ocorre para boa parte das aplicações de sensoriamento remoto. também não possui a baixa resolução DSR/INPE 2-29 J.08 a 2. e de interesse para o sensoriamento remoto. portanto.35 µm).75 µm e 2. no caso da WFI/CBERS. apesar da baixa resolução espacial.EPIPHANIO .89 µm). O outro sensor a bordo do CBERS. Sua resolução temporal é de 26 dias.4 a 12.63 a 0.55 a 1.77 a 0. Uma quarta banda espectral localiza-se no infravermelho termal (10. que passou a ser de 260 m. o que corresponde a uma faixa de 890 km no terreno. O nome deste sensor pode induzir a um equívoco de entendimento quanto à sua resolução espacial. apresenta-se como um sensor de alto potencial de aplicação.69 µm) e outra na do infravermelho próximo (0. e não possui capacidade de visada fora do nadir. a resolução espacial de 1.1 km é muito alta.5 µm). onde são exigidas resoluções melhores do que essa. o qual é feito eletronicamente na direção transversal à órbita. para ter essa resolução temporal e cobrir uma faixa extensa de terreno a cada passagem. Essas três bandas espectrais possuem resolução espacial de 80 metros no terreno.médio (1. Radiômetro Avançado com Resolução Muito Alta). que é de 1. Além disso. A WFI/CBERS.

html (INPE. a banda do vermelho é de alta absorção de energia.C. mas para muitas aplicações de sensoriamento remoto. respectivamente). é provável que se consiga identificar diversas aplicações que demandem tais resoluções intermediárias. a estação está em Cuiabá. SATÉLITES NOAA A NOAA (National Oceanic and Atmospheric Admnistration). 2000a). no caso Brasil. que é uma agência governamental dos Estados Unidos.EPIPHANIO . circular a aproximadamente 850 km. é responsável pelos satélites também chamados NOAA (Kidwell.br/index. ou seja. Radiômetro Avançado de Muito Alta Resolução). O processamento dos dados para que sejam gerados os produtos a serem distribuídos aos usuários é feito em Cachoeira Paulista. 6. L e M (que recebem após o lançamento os números de 15. 16 e 17. São satélites de órbita heliossíncrona. A série de satélites NOAA tem sido de grande importância no campo da meteorologia. Com essas características. Como esclarecido anteriormente. esta resolução do AVHRR-3/NOAA é considerada baixa. O AVHRR-3 faz parte dos sensores a bordo dos satélites NOAA K. 1997). SP. esta resolução pode ser considerada muito alta para aplicações em meteorologia.temporal do HRVIR/Spot. O catálogo para verificação de cobertura de imageamento e qualidade de imagens pode ser acessado a partir da internet no seguinte endereço: http://www.N. um que será aqui descrito é o AVHRR-3/NOAA (Advanced Very High Resolution Radiometer. Entre os sensores a bordo. Esse contraste deverá ser explorado através dos índices de vegetação. As suas duas bandas espectrais são dispostas em pontos estratégicos do espectro eletromagnético e são destinadas principalmente ao estudo da vegetação. Os dados do CBERS são gravados por estações terrenas.dgi. DSR/INPE 2-30 J. Nestas duas regiões (vermelho e infravermelho próximo) são os locais em que a vegetação apresenta o maior contraste espectral. e a do infravermelho próximo é de alta reflexão.inpe. que visam exatamente a realçar a vegetação representada numa cena de sensoriamento remoto. MT. que é de 26 dias no nadir.

A Tabela 6 apresenta as características dos canais do AVHRR-3/NOAA.5 Resolução espacial (no nadir. 4 e 5 são usados para determinar a energia radiativa da temperatura da superfície terrestre. Esses dados permitem a observação da vegetação. em km) 1. TABELA 6 .1 1. 2 e 3A são usados para monitorar a energia refletida nas porções do visível e infravermelho próximo do espectro eletromagnético.64 3.93 10. neve.300 – 11.500 – 12. os canais 3A e 3B são comutados para passagens diurnas/noturnas. o que equivale a 2. lagos.1 1.4o. uso da terra e meteorologia.580 – 1. conforme necessário. Com esta largura de faixa e com a taxa de 14 revoluções orbitais por dia. linhas de costa.1 1.C. Os dados dos canais 3B.1 1. aerossóis e gelo. Os dados dos canais 1. enquanto que o 3B só opera durante as passagens matutinas do satélite.1 2-31 J.00 1.3 11. após o processamento em terra. é de 1. há o sacrifício da resolução espacial que. a terra toda é coberta a cada dia. de nuvens. da água.1 1. Os dados do AVHRR-3/NOAA podem ser recebidos por antenas menores e também a custos reduzidos. Apenas cinco canais podem ser transmitidos simultaneamente. Porém. a resolução temporal do AVHRR-3/NOAA é muito maior que a dos outros satélites de sensoriamento remoto vistos até aqui.CARACTERÍSTICAS DO AVHRR-3/NOAA-K. Os dados adquiridos durante cada passagem permitem. no seu caso. Portanto. a análise de parâmetros de interesse em hidrologia.580 – 0.O AVHRR-3/NOAA é um radiômetro imageador de varredura mecânica que opera em seis bandas espectrais (Tabela 6).550 – 3. L E M Canal 1 (visível) 2 (infravermelho próximo) 3A (infravermelho médio) 3B (infravermelho médio) 4 (infravermelho termal) 5 (infravermelho termal) FONTE: NOAA (2000) DSR/INPE Banda espectral ( m) 0. O campo de visada (FOV) do AVHRR-3/NOAA é de ±55.725 – 1.N.1 km para os pixels no nadir.250 km de largura de faixa imageada no terreno.EPIPHANIO . e do mar bem como das nuvens sobre eles.68 0. oceanografia.

É um programa que envolve vários países e uma grande gama de satélites e sensores. e à 1:30 da madrugada no sentido ascendente. É um sistema de varredura transversal à direção da órbita. quase polar. Medição da Poluição na Troposfera).366 µm) até o infravermelho termal (14. Espectrorradiômetro de Imageamento de Moderada Resolução). O nome “Terra” surgiu após um concurso nacional (nos Estados Unidos) entre estudantes de nível elementar e médio. cruzando o equador às 10:30 da manhã na órbita descendente. Sistema de Medição de Energia Radiante da Terra e Nuvens). cuja ganhadora foi uma aluna de 13 anos. lançado em 18/12/1999. O Modis é um sensor com 36 bandas espectrais. está numa órbita circular a 705 km de altitude. MISR (Multi-angle Imaging Spectroradiometer. cuja missão é gerar conhecimento científico em profundidade sobre o funcionamento da Terra como um sistema.7. cujo espelho faz a DSR/INPE 2-32 J.385 µm). Radiômetro Espacial Avançado de Emissão Termal e Reflexão). Sistema de Observação da Terra) é um programa de longo prazo (pelo menos 15 anos). Esse satélite possui cinco sensores: MODIS (Moderate-Resolution Imaging Spectroradiometer. Tem-se como premissa que esse conhecimento científico forneceria os fundamentos para o entendimento das variações naturais e induzidas pelo homem no sistema climático da Terra e também forneceria uma base lógica para as tomadas de decisão quanto às políticas ambientais (King. heliossíncrona. ASTER (Advanced Spaceborne Thermal Emission and Reflection Radiometer. O satélite Terra.N. cobrindo desde o limite inferior do visível (0. Espectrorradiômetro Imageador em Múltiplos Ângulos). 1999). anteriormente chamado EOS/AM-1.C. CERES (Clouds and the Earth’s Radiant Energy System Network. e MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere. PROGRAMA EOS (EARTH OBSERVING SYSTEM) O programa EOS (Earth Observing System. O primeiro grande satélite desse programa denomina-se Terra. A seguir é feita uma breve descrição dos três primeiros sensores.EPIPHANIO .

As principais aplicações são traçar limites terra/nuvens.54o lateralmente.65 µm. sendo que um deles pode apontar para trás na mesma direção da órbita.0o. Cada varredura cobre uma faixa de 2. Esse sub-sistema é composto de dois telescópios. sua faixa de imageamento é de 60 km. Sua resolução espacial é dependente das bandas. O terceiro sub-sistema do sensor Aster é responsável pela medição da radiação em cinco bandas espetrais no infravermelho termal. Esses dois últimos sub-sistemas possuem capacidade de apontamento de ±8. permitindo que se gerem imagens estéreo. 60.60 µm e 2. O terceiro sensor do Terra aqui descrito é o Misr.000 m para as bandas 8-36.5o para frente e para trás na direção da órbita). avaliar propriedades da superfície terrestre (vegetação.6 m x 1. biogeoquímica.3 rpm.1o. Na região do visível/ infravermelho próximo tem três bandas com 15 m de resolução espacial. O sensor Aster tem 405 kg e possui três subsistemas.EPIPHANIO . nuvens do tipo cirrus. com alta resolução espacial. e massa de 250 kg. Uma câmera aponta para o nadir e outras oito cobrem diferentes ângulos de visada (26. O sub-sistema responsável pela região do infravermelho médio mede a radiação em seis bandas entre 1. e numa faixa de imageamento de 60 km. 45. cor oceânica. DSR/INPE 2-33 J.125 µm e 11. com resolução espacial de 90 m e faixa de imageamento de 60 km. entre 8. e de 1.330 km no sentido transversal à órbita e 10 km no sentido longitudinal à órbita. um para cada região espectral. sendo de 250 m para as bandas 1 e 2.46 µm.C. o que permite que qualquer ponto na superfície possa ser imageado pelo menos a cada 16 dias.6o. e 70. principalmente). cada câmera possui quatro bandas espectrais entre o visível e o infravermelho próximo. no nadir. nuvens e aerossóis. com 30 m de resolução espacial.varredura a uma taxa de 20. vapor d’água na atmosfera.0 m. as resoluções espaciais variam de 250 m no nadir a 275 m para a câmera com ângulo mais extremo. Este sensor faz imagens da terra em nove direções de apontamentos diferentes. de 500 m para as bandas 3-7. fitoplâncton. e pode fazer visadas laterais de ±24o.0 m x 1. Suas dimensões são de 1. temperatura da superfície e das nuvens. medições de ozônio. além disso. pode cobrir até 318 km fora do nadir. A faixa de imageamento é de 360 km e.N.

Atualmente há dois grandes programas que envolvem o imageamento da superfície terrestre por sensores radar. PROGRAMAS DE RADAR O termo radar vem de radio detection and ranging. Os radares. Em geral um sistema radar é constituído dos seguintes elementos: um gerador que envia pulsos a intervalos regulares a um transmissor. A operação dos radares se dá em comprimentos de onda bem maiores que os do visível e infravermelho. como geram sua própria iluminação.C.8. Operam entre 40 GHz (banda K-alfa) e 300 MHz (banda P) (ou entre 0.8 cm e 100 cm). do Canadá. e processamento de sinais. oferecem grande certeza de aquisição de imagens em condições adequadas para uso. ao serem praticamente imunes às condições atmosféricas. 1998). Cada pulso dura apenas alguns microssegundos (em geral há cerca de 1.EPIPHANIO . geometria. que são conduzidos a um dispositivo de gravação que pode armazená-los digitalmente para processamento posterior. Essas duas características são importantes. os pulsos que retornam são captados pela mesma antena e enviados a um receptor que os converte (e amplifica) em sinais de vídeo.500 pulsos por segundo). os satélites que operam na região ótica têm grande quantidade de imagens inaproveitáveis por causa da cobertura de nuvens. O conhecimento da teoria radar é um tanto quanto complexa.N. Este os envia a um duplexador (ou multiplexador). ou detecção de alvos e avaliação de distâncias por ondas de rádio. exigindo conhecimentos de várias áreas. podem otimizar seu posicionamento em relação ao Sol para captar energia solar em seus painéis solares e também operar em horários onde as estações de recepção estão com mais tempo livre. E. pois ao poderem imagear a qualquer hora. a bordo de stélites: o ERS (European Remote Sensing Satellite. entre elas as de física. podem funcionar tanto durante o dia como durante a noite e. evitando congestionamentos. praticamente não sofrem interferências atmosféricas (Short. para alguns comprimentos de onda. que os envia a uma antena direcional que modula e focaliza cada pulso num feixe transmitido ao alvo. Satélite Europeu de Sensoriamento Remoto) e o Radarsat. DSR/INPE 2-34 J. eletrônica.

cujo lançamento deu-se em 17/7/1991 pelo lançador francês Ariane-4.4 m. O outro satélite com sistema radar de grande importância para o sensoriamento remoto é o Radarsat.6. com altitude média de 780 km. pesa cerca de 2. 11 e 12 m. 1995). O ERS-2 tem ainda um radar para a medição da velocidade e direção do vento sobre os oceanos. na Guiana Francesa. e num ângulo de visada fixo em 23o no meio da faixa de imageamento. do Canadá.5o). com resolução espacial de 1 km x 1 km (no nadir) e com uma largura de faixa de imageamento de 500 km.3 toneladas. o ERS-2 foi lançado em 21/4/1995 (Francis et al. em banda C (freqüência de 5. numa cena de 100 km x 100 km. Esse modo de operação é o mais largamente utilizado para aplicações terrestres do ERS. Fornece imagens com resolução espacial de 30 m x 30 m. Experimento de Monitoramento Global do Ozônio). a órbita é quase polar (98. a partir da base de lançamentos de Kourou. um radiômetro de varredura mecânica que opera nos comprimentos de onda de 1. com aplicação em oceanografia. com cruzamento do equador. lançado em 4/11/1995. Um de especial interesse para o sensoriamento remoto é o radar imageador. tem dimensões de 2 m x 2 m de base e 3 m de altura.. então.O programa ERS é europeu e iniciou-se com o ERS-1. 3. um radar altímetro para fazer medições precisas dos sinais de retorno provenientes dos oceanos e das superfícies de gelo. e tem um intervalo de revisita de 35 dias.EPIPHANIO .7. com polarização VV (transmissão e recepção verticais).6 cm). modo onda) e. circulando a Terra a cada DSR/INPE 2-35 J. e que pode operar no chamado modo “imagem”.3 GHz ou comprimento de onda de 5. que é muito semelhante ao ERS-1. adquire imagens de 5 km x 5 km a cada 200 ou 300 km num sistema de amostragem. O ERS-2 é constituído de vários sensores. Também leva um instrumento denominado GOME (Global Ozone Monitoring Experiment. com antena de 10 m. hora local. O Radarsat tem órbita circular de 798 km de altitude. O ERS-2. às 10:30 da manhã. Os dois satélites têm órbita síncrona com o Sol.N.C. no percurso descendente. Mas esse radar também pode operar no modo onda (wave mode. e tem um painel solar de 12 m x 2.

mas com passagem pelo equador às 6:00 (descendente). SPOT program. Centre National d'Études Spatiales (CNES).C. É um sistema versátil. O Radarsat. 83. <http://services.esa. [online]. The ERS-2 spacecraft and its payload. [online].cnes. em polarização HH (transmissão e recepção da onda eletromagnética polarizada horizontalmente).5 dias para ângulos de incidência diferentes.gc. 12-31.htm>. May 2000.100.ca>. Aug.fr/spot4_gb/index. O tempo decorrido entre a aquisição e o recebimento pode ser tão rápido quanto um dia. a largura da faixa de imageamento pode variar de 35 km a 500 km. n. ESA Bulletin.6 cm). Radarsat program. 9.it/erslist.200 kg. 1995. May 2000. embora possa ter imageamentos distanciados de apenas 4.ccrs. ERS satellite. hora local.7 minutos. A filosofia que norteia o sistema é a de fornecer o mais prontamente possível a imagem adquirida ao usuário. p. e ao mesmo tempo passa sobre as estações de recepção em horários não utilizados por outros sistemas evitando. <http://spot4.htm>. e as resoluções espaciais podem variar de 10 m a 100 m. opera na banda C (freqüência de 5.EPIPHANIO .N. et al. Sua órbita é heliossíncrona. DSR/INPE 2-36 J. possui vários modos de imageamento. [online] <http://www. e o período de revisita é de 24 dias para um mesmo modo de operação e ângulo de incidência. assim. REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR Canadian Centre for Remote Sensing (CCRS). Essa configuração orbital permite que o Radarsat explore ao máximo as condições iluminação de seu painel solar. Francis. 14 vezes por dia . European Space Agency (ESA). com inclinação de 98. May 2000. com massa de 3.esrin. pode variar o ângulo de incidência (com antena de 15 m x 1.nrcan.R. 2000).3 GHz ou comprimento de onda de 5.6o em relação ao equador. C.5 m direcionada para a esquerda no hemisfério sul) desde 20o até 50o. conflitos de gravação no momento da aquisição das imagens (CCRS.

63..M. King. Short. E. 831-838. M.T.htm>. <http://www. CDROM. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Sensoriamento remoto: princípios e aplicações./ Novo. May 2000b. M. <http://eos. July 1997. K. p.M. S. Kidwell. King.Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).gov:80/docs/klm/>. Programa CBERS. [online].nasa. n. 120p.br/programas/cbers/portugues/index.M. Suitland. NASA. Washington. Photogrammetric Engineering and Remote Sensing. <landsat. [online].EPIPHANIO . NASA. <http://www. Greenbelt. Introduction to the NOAA KLM system. R.L.br>. N. 1998.inpe. May 2000. 1997.html>.D.dgi. May 2000c. and impacts. May 2000.noaa. evolution. São Paulo: Edgard Blücher.A. 361p. Morain.gov>. May 2000a.N.ncdc. [online]. NOAA polar orbiter data users guide.gov/eos_homepage/misc_html/refbook. NASA. <http://www. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)..D. Aquisição de imagens. NOAA. [online].br/programas/mecb/default. Solomonson.C.B.inpe.gsfc. V. DSR/INPE 2-37 J.. Greenstone.html>. <http://www2. v. Greenbelt. Landsat program. The Landsat program: its origins. EOS science plan. The remote sensing tutorial. 1999. [online]. 1989. 7. 1999. May 2000. EOS reference handbook. 397p. Lauer. National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA). D.nasa. National Aeronautics and Space Administration (NASA). Programa MECB.V. 308p.inpe.

CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte A: P A N A M A Z Ô N I A : O DOMÍNIO DA FLORESTA AMAZÔNICA NA AMÉRICA DO SUL PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid.R.inpe.br P. Martini DSR/INPE .

R.DSR/INPE 3A-2 P.Martini .

................................... 3........................................................ FLORESTAS .................................................................................................................................. 5.....................................R................................. LISTA DE TABELA ........................................................................................... 2......... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...Martini ................................................ 1...ÍNDICE LISTA DE FIGURA . 4.................. 3A-16 DSR/INPE 3A-3 P................................... RECURSOS MINERAIS ........ INTRODUÇÃO ...................... 3A-5 3A-7 3A-9 3A-9 3A-11 3A-13 3A-15 6............................................................................................................................. RIOS ... SOLOS E AGRICULTURA .

R.Martini .DSR/INPE 3A-4 P.

LISTA DE FIGURA FIGURA 1.............LIMITES DA PANAMAZÔNIA ...R...................................Martini .. 3A-19 DSR/INPE 3A-5 P...

R.DSR/INPE 3A-6 P.Martini .

..... 3A-18 DSR/INPE 3A-7 P...........................Martini ................................................ 3A-17 TABELA 3 – DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 ...FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 ..... 3A-17 TABELA 2...............................R.....................................LISTA DE TABELAS TABELA 1 – ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) ....

R.Martini .DSR/INPE 3A-8 P.

Os degraus andinos DSR/INPE 3A-9 P. o INPE propôs um projeto de cooperação para os países amazônicos da América do Sul. Verdadeiramente a floresta densa (ombrófila-densa) é uma parte importante dos tipos de coberturas ali instaladas a partir da última glaciação há 12. A Tabela 1 mostra a distribuição do domínio florestal amazônico não brasileiro em relação a área total dos respectivos países. o Domínio Panamazônico. UNCED-92. ou seja. 2. serviu e serve atualmente para designar a grande região compreendida pela floresta no Brasil e no conjunto dos países amazônicos. Este número foi o primeiro e talvez o principal resultado obtido pelo projeto de cooperação.R.1. INTRODUÇÃO Alguns meses antes da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Meio Ambiente. Somos todos predominantemente amazônicos como mostra a figura 1 onde as fronteiras panamazônicas estão traçadas sobre as bordas dos países e o conjunto de 345 cenas LANDSAT que cobrem todo o extenso domínio. Neste texto são serão descritos alguns elementos marcantes da paisagem nativa e antrópica da Panamazônia. FLORESTAS A Panamazônia é conhecida pela sua cobertura florestal densa.264 km2. Outros tipos importantes são as florestas abertas (ombrófila aberta) e as savanas ou cerrados com uma extensa zona de transição entre elas. Este número define a distribuição ambiental da floresta amazônica na América do Sul. O nome Panamazônia como ficou denominado o projeto.082. Principal porque mostra que pelo menos 58% da área total dos países panamazônicos se encontram dentro do contexto ambiental de florestas tropicais.000 anos antes do presente. principalmente aqueles passíveis de serem observados e analisados em imagens do Satélite LANDSAT.Martini .702. O tamanho final da área panamazônica incluindo aquela do Brasil (5. Este projeto contemplava o uso de Sensoriamento Remoto orbital para monitorar a floresta tropical da megaregião.539 km2) é 7.

página 10 (INPE. o possível prazo de existência das florestas nos respectivos estados. (5. Os números do desflorestamento para os outros países sul americanos foram obtidos pelo Projeto Panamazônia gerenciado pelo INPE. DSR/INPE 3A-10 P. incluindo todo o Maranhão). ENGREF-Guiana Francesa (1994) e ENRIC (1994) para os demais países. CUMAT-Bolívia (1992).17% de desflorestamento. sendo-lhes transferidas imagens gravadas pela Estação de Cuiabá. Ao se relacionar estes números com a área aqui adotada para Amazônia Legal. Peru e Guiana Francesa.R. Informações muito didáticas são apresentadas no anexo da revista Veja número 1527.706. No decorrer do projeto a partir de 1992 foram criados e treinados grupos de trabalho nos diversos países. Resultados finais sobre o desflorestamento foram obtidos para três países: Bolívia. está apresentado também no anexo acima mencionado enquanto que informações gerais sobre os demais países são apresentadas em INRENA-Peru (1996).Martini .dão berço a florestas também tropicais que são denominadas selvas altas ou selvas de piemonte.900 hectares. IGAC-Colômbia (1993). SAGECAN-Venezuela (1993). O número do desflorestamento na Amazônia brasileira para agosto de 1996 era de 517. Os estados que mais contribuíram para este percentual são os estados de Mato Grosso e Pará.082.1997).069 km2 ou 51.539 km2. A distribuição dos tipos de florestas da Amazônia Legal brasileira se encontra no anexo Amazônia Desflorestamento 95-97. Este condomínio de feições florestais de expressão planetária vem sendo submetido nos últimos quarenta anos a um severo processo de ocupação. chega-se ao valor de 10. Os números mais recentes sobre a expansão da ação antrópica no Brasil. A tabela também mostra a taxa de desflorestamento encontrada durante o período 77-96 e de acordo com esta taxa. A Tabela 2 mostra a distribuição do desflorestamento no período 95/96 e as áreas dos estados amazônicos brasileiros. com detalhes.

237 hectares. No Brasil devem ser mencionadas bacias pequenas que drenam para o Atlântico. Este índice aponta para um número em torno de 1. DSR/INPE 3A-11 P. Estas incluem os rios Oiapoque e Araguari no Amapá. RIOS Os rios panamazônicos estão quase em sua totalidade na rede tributária do Amazonas. Os demais países reportaram apenas parcialmente seus resultados ao Projeto Panamazônia. o Rio Courantyne na fronteira Guiana-Suriname e o Rio Maroni da fronteira Suriname-Guiana Francesa. o Rio Essequibo na Guiana.000 km2 de desflorestamento ou 1.22% da área original de florestas.948.20% da cobertura original. Para estes países preferiu-se buscar figuras publicadas por ENRIC (1994). Separam-se dele as bacias do Alto Orinoco na Venezuela.R.cit). A Bolívia através do Centro de Investigação do Uso Maior da Terra-CUMAT . 99 km2 ou 4. 3.Martini . representando um total de 69.974.43% de florestas em sua área costeira haviam sido desmatadas até 1990. Venezuela e Equador preferiu-se manter as áreas totais dos países ao invés de usar os valores apenas dos domínios amazônicos da tabela 1. Na Guiana Francesa o ENGREF-Kourou apresentou em seu relatório de 1994 que 10. avaliou que os bosques tropicais desmatados até 1990 somavam 23. isto porque os números obtidos do Projeto Panamazônia eram incompatíveis com aqueles apresentados por ENRIC (op.10% da cobertura original daquele território francês. No caso dos países como Colômbia.37 km2 ou 6.482. o Rio Gurupi no Pará e o Rio Mearim no Maranhão.O Peru através do Instituto Nacional de Recursos Naturais-INRENA reportou que o índice de desflorestamento de suas florestas tropicais até 1990 foi de 9. A Tabela 3 sintetiza a distribuição do desflorestamento nos domínios amazônicos da América do Sul até o ano de 1990.

Beni. a jusante das cidades de Peixoto de Azevedo e Alta Floresta. De águas turvas existem também outros grandes tributários andinos como o Napo. (Palkiewicz e Goicochea. Martini e Garcia. ao longo das fronteiras do Brasil com as Guianas e a Venezuela.R. o Xingu com seus formadores principais Iriri e Coluene. O rejeito síltico-argiloso destes garimpos tem transformado as águas límpidas destes rios em águas turvas (Martini. Trombetas. Peru. A primeira está no Vale do Rio Teles Pires.000 metros localizado nos Andes Ocidentais. Paru e Jari.1988). 1996. Dentre estes devem ser mencionados o próprio Rio Negro além do Uatumã. Os rios cristalinos principalmente o Tapajós e o Xingu vem sendo seriamente impactados por atividade de garimpo. O primeiro acomoda a origem do Amazonas junto ao Nevado Queuhisha.Os tributários e o próprio Rio Amazonas apresentam águas de cores diferenciadas bem características nas imagens de satélite.Martini . De tons claros são os dois principais formadores do Rio Amazonas no Peru: os rios Ucayali e Marañon. o Putumayo e o Caquetá. Os rios de águas cristalinas ou negras aparecem em cores ou tons escuros. A segunda entre os DSR/INPE 3A-12 P. ambas no Estado do Mato Grosso. Na Bacia do Rio Tapajós existem duas grandes fontes de turbidez por garimpos. Rios negros estão localizados principalmente na calha norte do Amazonas e têm suas cabeceiras nas serras divisoras Amazonas-Orinoco. Grande e Mamoré imprimem a ele também a assinatura de águas turvas. um pico de 5. 1996). e o conjunto Araguaia-Tocantins. próximo de Arequipa. Os formadores do Rio Madeira como o Madre de Dios. Rios cristalinos são aqueles com as cabeceiras instaladas no Planalto Central: o Tapajós com seus formadores Juruena e Teles Pires. Assim os rios de águas turvas como o Amazonas e todos os outros afluentes com nascentes andinas aparecem nas imagens em cores ou tons mais claros. não tributários diretos mas parte da embocadura do Amazonas. Neste local um riacho de nome Apacheta acomoda as primeiras águas perenes do Rio Amazonas.

Os rios amazônicos mostram um potencial hidrelétrico invejável e alguns sítios acomodam grandes lagos que produzem uma energia importante porque não poluente e pouco impactante. Curuauna em Santarém (PA). Dois fatores são prontamente identificados como inibidores daquele procedimento: a pequena distribuição de solos ricos e produtivos (e.rios Crepori e Jamanxim no sudoeste do Estado do Pará. tem crescido constantemente mostrando que além de boa produtividade elas ajudam a inibir a erosão acelerada dos solos provocada pelos altos índices pluviométricos. Culturas de chá. adequadas ao ambiente amazônico. pimenta. Tucuruí no baixo Tocantins e Balbina no baixo Uatumã.g. As usinas atualmente em operação são: Samuel em Porto Velho (RO). para sul da cidade de Tucumã. cacau e outras vem se expandindo principalmente nos estados do Amazonas e de Rondônia. latossolos vermelho-escuros) e a falta de condições geomórficas adequadas para a agricultura ostensiva e mecanizada. As exceções são as extensas áreas com soja da Chapada dos Parecis no Mato Grosso e as agrovilas instaladas sobre solos muito nobres ao longo da Rodovia Transamazônica próximo a Altamira no Pará. A usina de Procopondo no Rio homônimo do Suriname é a única unidade hidrelétrica grande estabelecida fora do Brasil em terrenos amazônicos.R. Estas últimas representam exemplos opostos de planejamento. 4. também no sul do Estado do Pará. A instalação de culturas perenes. SOLOS E AGRICULTURA Os padrões de agricultura nas imagens de satélite Landsat indicam que o manejo tradicionalmente observado na região sul do Brasil foi aplicado apenas localmente na Amazônia Legal.Martini . DSR/INPE 3A-13 P.Na Bacia do Xingu os garimpos são mais extensos nas cabeceiras do Rio Fresco. Tucuruí é a maior hidrelétrica brasileira enquanto Balbina com um lago de dimensões semelhantes não produz energia suficiente para suprir a cidade de Manaus.

As imagens mostram também que os campos colombianos não se expandiram tanto como nos países mencionados. e os imensos campos de coca da Bolívia. Esta degradação aparece pela lateritização intensa e rápida das áreas desmatadas. Esta área mostra a entrada rápida e intensa da cultura a partir do final dos anos 80. Os campos de coca vem crescendo rapidamente nas regiões de Cochabamba e de Santa Cruz na Bolívia bem como no médio Ucayalli. A pecuária continua firmemente se expandindo principalmente em Mato Grosso (região nordeste). do alto Rio Napo na região dominada pela cidade de Tena no Equador. Nos demais países panamazônicos aparecem com destaque as culturas de arroz e cana de açúcar da região costeira da Guiana e do Suriname. A experiência tem demonstrado que a pecuária.R. Alternativas para usos sustentáveis da terra são ainda muito discretas e se resumem a questões acadêmicas junto a instituições de pesquisa que atuam na região.A pecuária. A pouca expansão da coca na Colômbia pode ser compensada pela presença de grandes campos.Martini . Famílias de seringueiros por décadas vem explorando a mata nativa sem destruí-la enquanto que pecuaristas em meses movem imensas matas semelhantes para pastagens. sul de Rondônia. além de mostrar uma produtividade cerca de 4 vezes inferior ã outras regiões produtoras tipo Goiás e Triângulo Mineiro. As áreas de arroz e de cana de açúcar tem crescido intensamente na Guiana. entretanto. DSR/INPE 3A-14 P. do Peru e da Colômbia. ao redor da cidade de Pucallpa no Peru. continua sendo o padrão mais densamente distribuído nas áreas desflorestadas da Amazônia. ela provoca pelo pisoteio do gado e pela erosão uma degradação acelerada dos solos. Nesta linha de sustentabilidade deve ser ressaltada a convivência harmônica dos seringueiros com a mata nativa no Estado do Acre. principalmente ao redor das cidades de Georgetown e de Nova Amsterdam. Pará e mais recentemente no Acre.

minério de alumínio. Tratam-se das minas de Carajás. O farto conjunto de jazimentos minerais conhecidos na Amazônia não se repete nos demais países panamazônicos. prata e molibdênio em quantidades menores porem consideradas também como jazimentos. Serra Pelada (PA) com ouro e Paragominas (PA) com alumínio. O alto vale do Rio Pitinga. Verdadeiramente.8 gigatoneladas de minério de ferro (hematita). Os platôs próximos do baixo Rio Trombetas no município de Oriximiná abrigam uma jazida de 600 megatoneladas de bauxita. As imagens as grandes minas citadas anteriormente não provocam impactos tão significativos à paisagem e ao meio ambiente físico quanto aqueles descritos anteriormente para os garimpos. do Rio Trombetas e do Rio Pitinga. Secundariamente contem 1. localizada no Estado do Pará.000 toneladas de estanho. RECURSOS MINERAIS Nos limites da Amazônia brasileira se encontram 3 das maiores minas para exploração mineral atualmente em operações no planeta. as bordas das províncias minerais como no Projeto Carajás se transformaram em escudos contra a expansão do desflorestamento. Este fato deve-se certamente a falta de conhecimento e de trabalhos sistemáticos de mapeamento como aqueles iniciados pelo Projeto RADAMBRASIL em meados da década de 60.Martini . Outros jazimentos expressivos em atividade ou em reserva são: Serra do Navio (AP) com manganês.5. Observa-se que os recursos hídricos envolvidos na mineração não carregam rejeitos e quando existem ficam decantando em lagos isolados. formador do Uatumã no Estado do Amazonas acomoda um grande jazimento de cassiterita contendo 270. A chamada Província Mineral de Carajás.1 gigatoneladas de minério de cobre além de ouro.R. DSR/INPE 3A-15 P. Morro dos Sete Lagos (AM) com nióbio e terras raras. contem como principal jazimento mineral 17.

Reservas de petróleo também são observadas na Amazônia Venezuelana. Revista Nova Escola. 6. Editora Abril S. por exemplo. -ENGREF (1994).R. São Paulo. June. VA.Martini . La Paz. C. Ministério das Minas e Energia. Os furos de sondagem ali são identificados nas imagens por um desflorestamento tipo pequenas asas deltas. Projet Panamazonia Première Phase. Environmental and Ntural Resources Information Center. -Fioravante. Guiane Française. Instituto Geográfico Agustin Codazzi.300 quilômetros. -DNPM (1995) Economia Mineral do Brasil. Brasilia. Arlington. Departamento Nacional da Produção Mineral. A chamada Amazônia Peruana (Peruvian Amazon). Secretaria de Minas e Metalurgia. Bogotá. cerca da metade em domínio de floresta tropical. Bolivia.A.Petróleo e gás são outros bens minerais intensamente explorados no domínio panamazônico.86. Desbosque de la Amazonia Boliviana. Colombia. -IGAC (1993). DSR/INPE 3A-16 P. Ecole Nationale de Genie Rural des Eaux et des Forets. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIA -CUMAT (1992). Setembre. O Rio Amazonas que não está no Mapa. ano X n. Estado do Amazonas. (1995). Centro Investigaciones de la Capacidad de Uso Mayor de la Tierra. contem reservas suficientes a ponto de instalar um imenso oleoduto que sai do Rio Tigre na fronteira com o Equador e do baixo Rio Maroñon para o porto de Bayovar no Pacífico. -ENRIC (1994) A Source Book on Tropical Forest Mapping and Monitoring through Satellite Imagery: The Status of Current International Efforts. Agosto. O oleoduto mede mais que 1. Centre de Kourou. Relatorio sobre el Estado Actual del Proyecto IGAC-INPE. O Brasil também contem reservas importantes de gás descobertos no alto Rio Tefé.

Natal RN. 24. -Martini. XXXI. INR-48-DAGMAR. Goicochea. Ano 30 n. Sociedad Geografica de Lima. Instituto Nacional de Recursos Naturales. J.R. Monitoreo de la Deforestacion en la Amazonia Peruana.N. October.Martini . Brazilian National Institute of Space Research. -Palkiewicz.. Garcia. São José dos Campos SP. Deforestacion em el Bosque Lluvioso Tropical: uma Perspectiva Multitemporal. part B7. São Jose dos Campos SP. DSR/INPE 3A-17 P. MCT-MMA. Venezuela. J. P. vol.1. vol. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. SELPER-Society of Latin America Remote Sensing Specialists.5. (1993).R. Technical Cooperation and Training within the Panamazonia Project: a Proposal to UNEP. -INRENA (1996). Amazônia. ServicioAutonomo de Geografia y de Cartografia Nacional. International Archives of Photogrammetry and Remote Sensing.Instituto Brasileiro do Meio Ambiente. VI Latin America Remote Sensing Symposium. P. -Martini. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais . -SAGECAN (1993). Resumen de Actividades de la Expedicion Cientifica Internacional para Estabelecer de Manera Geograficamente Valida el Verdadero Origen del Rio Amazonas. Cartagena de Indias. (1988). -INPE (1997). Julio. Anexo do número 1527. Caracas. Peru. O Declínio de um Grande Rio Brasileiro Detectado por Imagens LANDSAT. -VEJA (1997). (1996). Amazônia: Desflorestamento 1995-1997.R. -Martini. Panamazonia Project to Monitor South America Tropical Forest. 11-15 de outubro de 1988. (1996) Depicting the Headwaters of the Amazon River through the Use of Remote Sensing Data. Vienna.R. Z. October. Dezembro. Ministerio del Ambiente y Recursos Naturales Renovables. Proyecto Panamazonia-Caso Venezuela. Colombia. Peru.W. Lima. Austria. P.-INPE (1994).

082.432 214 320 18.138 48.63 33.069 8.698 142.000 76.800 912.00 58.00 42.725 CA (km2) 1.000 214.303 380.DESFLORESTAMENTO 95-97 # Área total do Estado DSR/INPE 3A-18 P.670 91.246.Tabela 1 ÁREA DE ESTUDO (SA) X ÁREA DE PAÍS (CA) PAIS Bolívia Colômbia Equador Guiana Francesa Guiana Peru Suriname Venezuela Total SA (km2) 567.000 214.338 19.40 2.285.543 6.556 901.154.21 14.648 5.605 142.00 100.505 217 119 174 78 1.434 99.17 433 9 1.172 SA/CA(%) 51.421 1.026 787 251 Comentário: GTH Fonte: PROJETO PRODES .138.782 27.74 30.960 1.379 225.098.061 6.35 100.483 517.960 755.Martini .(D) km2 % TAXA (T) MÉDIA km2/ano A-D T 153.94 1.742 1.359 1.017 277.050 5.619.00 50.954 329.891 270.361 5.82 Tabela 2 FIGURAS DO DESFLORESTAMENTO NA AMAZÔNIA LEGAL EM AGOSTO/1996 ESTADO ACRE AMAPÁ AMAZONAS # MARANHÃO MATO GROSSO PARÁ RONDÔNIA RORAIMA TOCANTINS AMAZÔNIA ÁREA = A 2 km DEFLOR .833 238.619 1.25 1.296 2.161 323 15.220 142.36 28.023 1.581 1.38 9.12 20.567.322 5.141 176.761 91.14 13.800 391.539 3.18 10.79 100.R.135 2.

200 194. .20 2.138.ENRIC-94 DSR/INPE 3A-19 P.32 9.082.98 2.818 % 4.200 129. Fontes: .630 5.38 24.Tabela 2 DESFLORESTAMENTO NOS DOMÍNIOS PANAMAZÔNICOS EM 1990 Desflorestament o (km2) 23.530 909.974 415.017 69. # Inclui terrenos fora do domínio amazônico.605 142.891 #270.41 1.960 91.050 9.539 # 1.Projetos PRODES E PANAMAZÔNIA (INPE).800 #912.Martini .670 214.190 1.482 3.R.91 BOLÍVIA BRASIL *COLOMBIA *EQUADOR GUIANA GUIANA FRANCESA PERU SURINAME *VENEZUELA # Inclui bosques tropicais fora do domínio amazônico.175.16 11.700 67.11 9.000 755.303 5.24 21.923 Domínio (km2) 567.22 8.

Figura 1 – Limite da Panamazônia DSR/INPE 3A-20 P.R.Martini .

br .CAPÍTULO 3 SENSORIAMENTO REMOTO NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE Parte B: IMAGENS PARA MAPEAMENTO GEOLÓGICO E LEVANTAMENTO DE RECURSOS MINERAIS: RESUMO PARA USO DOS CENTROS DE ATENDIMENTO A USUÁRIOS-ATUS DO INPE.inpe. PAULO ROBERTO MARTINI1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS COORDENADORIA DE OBSERVAÇÃO DA TERRA DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO 1 martini@ltid.

ÍNDICE DSR/INPE 3B-2 P.Martini .R.

.........................................................1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS .. INTRODUÇÃO .............................................. 3B-5 2........ 3B-10 4..............................2 ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS ............... APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS .......R............................ 3B-9 3................................ 3B11 DSR/INPE 3B-3 P.............................. 3B-5 3........ 3B-6 3........ CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO ..LISTA DE TABELA .......................................................Martini ........................................ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .. 3B-6 3.................................................... 3B-12 1....................3 ATRIBUTOS TEMPORAIS ...................................

INTRODUÇÃO DSR/INPE 3B-4 P.Martini .R.1.

Mapeamento de litologias ou de rochas. são ferramentas efetivas para estudos geológicos. 4.Martini . temporais e espaciais. Neste contexto sempre que a fotointerpretação tenha um papel preponderante sobre a integração de dados de diferentes fontes. Este conteúdo temático depende dos atributos espectrais. para levantamentos regionais. Para estudos de prospecção para petróleo e bens minerais utilizam-se produtos digitais. fraturas. Nestes campos as imagens são ferramentas cotidianas. Além disto. APRESENTAÇÃO DE PRODUTOS Os produtos usualmente utilizados para estas aplicações levam em conta primeiramente o conteudo de informações da imagem. erosão. existe uma preferência pela imagem em papel preto e branco. cobre. ou seja monoespectral. a 100. falhas. Para mapeamentos litológicos/estruturais e levantamentos para hidrogeologia utiliza-se preferencialmente imagens em papel preto e branco. Objetivamente pode-se identificar 6 campos principais onde as imagens tem apresentado significativas contribuições.Prospecção de bens minerais (ouro. 3. principalmente aqueles de perfis tecnológicos semelhantes ao LANDSAT.Levantamento hidrogeológico (água subterrânea). 2. 2.Imagens de satélites. uma vez que a integração de dados multifontes através do uso de sistemas de informações georeferenciadas (GIS) é um procedimento comum.Prospecção de óleo e de gas (petróleo) 5.R. 1. os produtos para os campos acima mencionados podem ser apresentados como imagens em papel (analógicos) ou em meio digital. DSR/INPE 3B-5 P. As escalas variam de 1:250.000 para mapas de detalhe. escorregamentos.Mapeamento de estruturas geológicas tipo dobras.000. ferro) 6.Impactos ambientais: garimpos.000 para trabalhos de semidetalhe e 1:50.

1 BANDAS: ATRIBUTOS ESPECTRAIS As rochas no Brasil estão constantemente associadas a solos e vegetação. sol e data. O comportamento das rochas nas imagens é portanto uma combinação das respostas dos elementos rocha/solo/vegetação. espaciais e temporais. o comportamento das rochas se torna mais típico na banda do infravermelho próximo. sensor.R. uma vez que a vegetação e a água são importantes indicadores . SPOT HRG-3 e CBERS CCD-4 Diz-se que quanto mais básica for uma rocha (maior conteúdo de elementos tipo Fe e Mg) mais escura ela aparece no infravermelho próximo. como envolvem também dados de outras fontes. Nos estudos sobre impactos ambientais de projetos tipo represas ou unidades industriais. chamados RIMAS ou EIA-RIMAS.A avaliação de impactos ambientais sobre o meio ambiente físico pode ser feita por produtos em papel colorido. 3. Situações mais típicas para seleção de imagens com maior conteúdo de informaçoes para aplicações geológicas são apresentadas a seguir. Assim se um alvo na superfície da Terra reflete seletivamente a radiação solar. usam-se preferencialmente dados apresentados em mídia ótica (CD ROM) ou magnética (dat ou exabyte). O objetivo sempre é o de agregar às imagens o melhor dos atributos espectrais. CONTEÚDO DE INFORMAÇÃO Para que um produto possa conter maior conteúdo de informaçao temática é necessário que se agregue a ele os melhores atributos possíveis para uma cena gravada segundo a organização alvo. Esta banda corresponde a LANDSAT ETM-4. No caso de solos não transportados cobertos por vegetação nativa.Martini . 3. Cabe mencionar como opção de muito baixo custo a banda pancromática do DSR/INPE 3B-6 P. precisamos selecionar as bandas que registrem melhor esta refletividade (atributo espectral) bem como o período sazonal onde ele se apresenta mais detectável (atributo temporal) conhecendo se os alvos estudados tem expressão na escala e na resolução da imagem (atributos espaciais).

sensor IR-MSS do CBERS. Esta banda diferentemente das outras bandas PAN abrange parte do infravermelho próxima. As outras terminam no início do infravermelho. Na faixa visível correspondente a banda do vermelho tanto as rochas ácidas quanto as básicas mostram assinaturas claras sempre que a vegetação não seja alta e densa tipo a mata amazônica. Esta banda é a ETM-3 ou HRG-2 ou CCD-3. A banda pancromática-PA do SPOT-5 poderia também ser recomendada. Na faixa do visível e em domínio amazônico pode-se esperar uma contribuição melhor da banda correspondente ao verde ou seja ETM-2, HRG-1 e CCD-2. Trabalhos geológicos que envolvam, portanto, mapeamentos de rochas (litologias), de estruturas ou com objetivo de estudar água subterrânea, serão bem atendidos por imagens da banda correspondente ao infravermelho próximo, se possível com o apoio de uma banda do visível, preferencialmente a centrada na faixa do verde. Trabalhos geológicos voltados a prospecção de bens minerais como cobre, chumbo, zinco, ouro, óleo ou gás, envolvem procedimentos de processamento digital e integração de dados. Nestas situações torna-se necessário explorar com mais profundidade os atributos espectrais das imagens. Assim o recomendável seria que o usuário utilizasse todo o acervo de bandas dos sensores, tanto na faixa visível quanto no infravermelho: 8 bandas ETM ou 5 bandas HRG ou 5 bandas CCD. A questão é que o usuário normalmente pede para um processamento digital mais simples um conjunto de 3 bandas. No caso de se tornar necessária a seleção de 3 bandas para objetivos de prospecção deve-se buscar ao máximo bandas que cubram todo o espectro ótico, ou seja: visível, infravermelho próximo e o de ondas curtas (short wave infrared). Assim além das bandas do verde e do infravermelho próximo recomenda-se tambem a banda ETM-7 ou HRG-4. A banda ETM-7 na verdade foi definida a pedido da própria comunidade geológica americana uma vez que tem correlação com a presença de hidroxilas em argilas. Argilas hidroxiladas são indicadoras de possíveis

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ocorrências de rochas ricas em cobre, chumbo e zinco. Deve ser entretanto ressaltado que os melhores desempenhos da ETM-7 foram observados em condições de baixa densidade de cobertura vegetal. No ambiente de florestas densas como nos remanescentes de mata atlântica ou na Amazônia, os desempenhos das bandas ETM-5 e ETM-7 para Geologia são semelhantes, trazendo informações sobre o dossel da vegetação e não sobre os solos ou rochas. Uma ultima opção interessante é o produto composto pelas bandas HRG-2 e 3 do SPOT-5 junto com o seu canal pancromático. Nesta combinaçâo se associam bons atributos espectrais com a ótima resolução espacial de 2.5 metros da banda PA . Os produtos recomendados para prospecção em Geologia são os digitais. Se analógicos devem ser sempre coloridos. Estudos sobre áreas onde o meio ambiente físico tenha sido impactado devem ser suportados por uma combinação de bandas que mostrem a situação das águas, da cobertura vegetal e do conjunto rocha/solo. Assim para domínios de floresta densa a composição RGB: ETM-543, HRG-432 e CCD-342 atendem a maior parte dos objetivos. Terrenos de baixa densidade vegetal (não amazônicos) serão melhor atendidos por composições “falsa-cor normais”, ou seja com RGB: ETM-432 ou HRG-321, ou mesmo CCD-432. Estudos recentes mostram que o desempenho do IRMSS-CBERS em bandas pancromática e do infravermelho de ondas curtas (pan+7+8 em GBR) é muito bom para estudos geológicos em terrenos não amazônicos. Estudos sobre impactos ambientais, os RIMAS ou EIA-RIMAS, seguem aquilo que foi descrito para as áreas impactadas apenas que neste caso os produtos devem ser apresentados em mídia digital. O estudo de áreas já impactadas, pelas análises de campo podem recomendar a geração de produtos fotográficos coloridos.

3.2. ESCALAS E RESOLUÇÃO: ATRIBUTOS ESPACIAIS

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Os principais atributos espaciais ou geométricos das imagens de satélites para a área de Geologia dizem respeito à relação entre o tamanho da cena e o quadro sinótico da área imageada (escala) e a dimensão do elemento de resolução da cena (pixel) no terreno. Um pixel menor permite uma escala maior mas sempre com restriçoes quanto ã dimensão da área coberta pela imagem. Assim para um pixel de 30 metros como aquele do Mapeador Temático pode-se chegar a uma escala de 1:50.000 mas a área coberta pela imagem será a menor, ou seja, 45 quilômetros de lado. Se o interesse do usuário for por uma área grande, equivalente ao de uma cena LANDSAT completa, serão necessárias 16 imagens na escala 1:50.000, ou apenas 1 imagem em escala 1:250.000 ou menor. Se o usuário estiver interessado em levantamentos geológicos regionais a imagem de 1:250.000 terá naturalmente melhor relação custo/benefício do que a de 50.000, embora mostre menos detalhes. O pixel PAN do SPOT tem possibilidade de suportar ampliações fotográficas de escala 1:25.000 sem perder o contexto de cena que define claramente as bordas dos diversos alvos. Ampliações 1:25.000 a partir de um pixel de 30 metros como aquele do TM fazem com que as bordas dos alvos apareçam serrados perdendo-se o entendimento do contexto da cena. O processamento digital sobre dados SPOT ou LANDSAT permite que realces de borda ou de contraste melhorem bastante as escalas máximas de ampliação. Assim imagens TM melhoradas por processamento em computador podem ser ampliadas até 1:25.000 sem perder seu conteúdo de informação geológica. Imagens SPOT-PAN registradas com canais XS podem chegar a escala de 1:15.000 mantendo aínda atributos em boas condições para estudos geológicos.

3.3 ATRIBUTOS TEMPORAIS O contexto temporal das imagens para Geologia não tem naturalmente a importância necessária de uma aplicação em Agricultura. Geralmente busca-se para Geologia a imagem livre de nuvens, com maiores índices de visibilidade e

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P.R.Martini

de conteúdo/qualidade da informação gravada. Existe entretanto um efeito temporal nas imagens que influencia fortemente o conteúdo de informação geológica: trata-se do sombreamento. O sombreamento é o efeito observado nas imagens no qual as faces das vertentes voltadas para o sol ficam mais claras do que as faces opostas à iluminação da cena que ficam mais escuras. Este efeito provoca um realce para as feições do relevo como cristas, vales, drenagens, alinhamentos de uma forma geral. Este efeito é mais intenso quanto mais baixo for a ângulo de elevação solar na gravação da cena. No caso do hemisfério sul os ângulos mais baixos de elevação do sol ocorrem entre os meses de junho e agosto. O sombreamento em situações extremas pode subverter até resoluções geométricas. Observa-se que imagens com resolução mais grosseira gravadas com baixo ângulo solar mostram com maior detalhe os atributos de relevo do que cenas com resolução mais fina gravadas com o sol mais alto. Exemplos conhecidos mostram que imagens de 80 metros de resolução gravadas com ângulos em torno de 33 graus mostram feições geológicas e geomorfológicas mais nitidamente do que imagens com 30 metros de resolução de mesma latitude coletadas com elevação de sol acima de 50 graus. Para mapeamentos geológicos e mesmo estudos de prospecção mineral onde a estrutura geológica exerça o principal controle, a seleção de cena deve contemplar também a busca por imagens com baixos ângulos de elevação solar. Deve ser mencionado também que em situações extremamente especiais onde os alinhamentos de relevo ou de drenagen se estendem na direção exata do azimute solar não existirão condições de iluminação para gerar os realces acima descritos.

4.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Balieiro, M.G.; Martini, P.R. (1986) Exemplos de Análise Geológica

Comparativa entre dados SIR-A, LANDSAT, SLAR e SKYLAB (resumo). IV

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3B-10

P.R.Martini

Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.1, pg.78. Gramado, RS. Agosto 10-15, 1986. Rodrigues, J.E.; Liu, C.C. (1988) A Geometria de Iluminação Solar e sua Influência na Observação de Estruturas Geológicas em Imagens Orbitais. V Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, vol.2, pg.294-302. Natal, RN. Outubro 11-15, 1988

5.

TABELA

DOS

SENSORES

E

BANDAS

COM

AS

PRINCIPAIS

APLICAÇÒES EM GEOLOGIA LANDSAT 7 SPOT5 CBERS ETM+ HRG CCD IR-MSS WFI 1 2 3 4 5 6 7 P 1 2 3 4 P 1 2 3 4 P P 7 8 9 10 11 A 5 6 Mapeamento B G R BGR BGR R BG B R NF G Litológico BG R B RG BGR G B R B G F R Geologia G MR B RG B R B G M
DSR/INPE 3B-11 P.R.Martini

Satélite Sensores BANDAS

principal sensor do LANDSAT 7 F: FLORESTA: COBERTURA FLORESTAL DENSA-AMAZÔNIA G: COR VERDE NA COMPOSIÇÃO COLORIDA HRG: ALTA RESOLUÇÃO GEOMÈTRICA.R. principal sensor do satélite SPOT-5 IR-MSS: VARREDOR MULTI-ESPECTRAL INFRAVERMELHO DO CBERS M: IMAGEM EM PRETO E BRANCO N: NÃO FLORESTA: ÁREA FORA DO DOMÍNIO AMAZÔNICO P: MODO PANCROMÁTICO DO IR-MSS DO CBERS PAN: MODO PANCROMÁTICO do LANDSAT-7 PA: MODO PANCROMÁTICO DO SPOT-5 P5: MODO PANCROMATICO DO CCD-CBERS R: COR VERMELHA NA COMPOSIÇÃO COLORIDA RIMA: RELATÓRIO DE IMPACTO SOBRE O MEIO AMBIENTE WFI: IMAGEADOR DE GRANDE VISADA DO CBERS DSR/INPE 3B-12 P.Martini .Urbana Mapeamento Estrutural Águas Subterrâneas Prospeção B Mineral Oleo e Gás (Petróleo) Ambientes B NF Impactados F Eia-Rima B NF Eia-Rima B F M M G G R GR R GR R M M B M M GRM GRB R GB M M B RG BGR M M G BR M M M RB GB B GB M G R R GB GR GRB R GRB GRB B R GBG GRB B GR GRB B R G G R B B R G R G B ACROGRAMAS USADOS NA TABELA B: COR AZUL NA COMPOSIÇÃO COLORIDA CCD: CAMERA DE ALTA RESOLUÇÃO DO CBERS EIA: ESTUDOS DE IMPACTOS AMBIENTAIS ETM+: MAPEADOR TEMÁTICO AVANÇADO.

CAPÍTULO 4

TECNOLOGIA ESPACIAL NO ESTUDO DE FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS

J o r g e C o n r a d o C o n f o r t e1
INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE

1

conrado@ltid.inpe.br 4 -1 J.C.Conrado

DSR/INPE

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4 -2

J.C.Conrado

ÍNDICE 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................... 4-7 2. APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS .............................................................................. 4-10 2.1 VENTO ................................................................................................ 4-11 2.2 PRECIPITAÇÃO ................................................................................. 4-12 2.3 SONDAGENS ATMOSFÉRICAS ........................................................ 4-14 2.4 RADIAÇÃO .......................................................................................... 4-17 2.5 OZÔNIO ............................................................................................... 4-19 2.6 MEDIDAS DE CO ................................................................................ 4-19 2.7 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR ...................................... 4-21 3. CONCLUSÃO ......................................................................................... 4-21 4. BIBLIOGRAFIA ....................................................................................... 4-22

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J.C.Conrado

LISTA DE FIGURAS 1 - PRIMEIRA IMAGEM OBTIDA PELO SATÉLITE TIROS1 ...................... 4-7 2 - DISPOSIÇÃO DOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS DE ACORDO COM SUAS ÓRBITAS ............................................................................ 4-9 3 - ÓRBITA DO SATÉLITE TRMM ............................................................... 4-9 4 - IMAGENS SATÉLITE GOES-E INFRAVERMELHO, VISÍVEL, INFRAVERMELHOR(VAPOR D'ÁGUA) E MICROONDAS SATÉLITE DMSP (SENSOR SSM/I) ........................................................................ 4.10 5 - VENTO ESTIMADO USANDO DADOS DO SATÉLITE GOES-8 .......... 4-12 6 - PRECIPITAÇÃO ESTIMADA USANDO DADOS DO CANAL INFRAVERMELHO DO SATÉLITE GOES ............................................. 4-13 7 - CAMPO DE PRECIPITAÇÃO OBTIDO ATRAVÉS DO RADAR METEOROLÓGICO DO SATÉLITE TRMM ............................................ 4-13 8 - PERFIL VERTICAL DE TEMPERATURA OBTIDO ATRAVÉS DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................................ 4-15 9 - CAMPO DE TEMPERATURA EM 500 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 .......................................................... 4-16 10 - CAMPO DE UMIDADE RELATIVA 1000 HPA OBTIDO A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA 14 ........................................................ 4-17 11 – RADIAÇÃO DE ONDA CURTA ABSORVIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 12 - RADIAÇÃO DE ONDA LONGA EMITIDA, OBTIDA A PARTIR DE DADOS DO SATÉLITE NOAA ............................................................ 4-18 13 - OZÔNIO MEDIDO EM 09/06/2000, A PARTIR DO SATÉLITE ERS-2 4-19 14 - CONCENTRAÇÃO DE CO MEDIDA PELO SENSOR MOPITT DO

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4 -5

J.C.Conrado

.... 4-20 15 .............................Conrado .....SATÉLITE TERRA ......21 DSR/INPE 4 -6 J................................. 4..EMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR SATÉLITE NOAA ..C...........

o TIROS 1. devido a problemas com estes satélites as informações obtidas. INTRODUÇÃO Os primeiros satélites. Fig. O primeiro satélite que teve sucesso na obtenção de dados meteorológicos foi o Explorer7.Conrado . na Figura 1 pode-se observar a primeira imagem transmitida por este satélite. Com as informações obtidas foram feitos os primeiros mapas aproximados da radiação refletida e emitida (na faixa do infravermelha) pelo sistema terra e a atmosfera. foram lançados em 17 de fevereiro de 1959 (Vanguard 2) e 7 de agosto de 1959 (Explorer 6) mas.1. com instrumento meteorológico a bordo. 1 . O primeiro satélite com finalidade de aplicação exclusivamente meteorológica foi lançado em 1 de abril de 1960. não tiveram grande utilidade. lançado em 13 de outubro de 1959 com um radiômetro desenvolvido por Verner Suomi e seus colaboradores da Universidade de Wisconsin.Primeira imagem obtida pelo satélite TIROS 1 DSR/INPE 4 -7 J.C.

bem superior aos demais tipos de órbita acima mencionados. Na Figura 2. Em função da sua altitude. Estão localizados a 36. em razão da altitude em que está posicionado. Os satélites meteorológicos podem ser classificados de acordo com sua órbita em três diferentes classes: GEOESTACIONÁRIOS POLARES TROPICAIS Os satélites de órbita geoestacionária são assim denominados pois aparentemente eles se mantêm fixos sobre um mesmo ponto na superfície da Terra. permitindo desta forma um monitoramento continuo dos fenômenos atmosféricos que se desenvolvem na área de visada do satélite. podemos observar a rede de satélites meteorológicos que são utilizados no monitoramento dos principais fenômenos meteorológicos. A principal característica deste satélite é que as regiões polares têm um monitoramento mais detalhado. Têm em geral um período orbital de 98 a 102 minutos o que fornece um total de aproximadamente 14 órbitas por dia. DSR/INPE 4 -8 J.Conrado . Em função de estarem colocados sobre a linha do equador as regiões polares não são monitoradas pelos satélite geostacionários. e com o desenvolvimento de novos sensores e softwares.Após o lançamento deste satélite.C. A principal característica deste satélite e a obtenção de uma nova imagem a cada 30 minutos. estes satélites cobrem uma faixa bem estreita da Terra por onde estão se deslocando. Outro fator importante associado a este tipo de satélites está relacionado com a área de cobertura.000 km acima da superfície da Terra. os dados obtidas pelos satélites meteorológicos puderam então ser aplicados aos mais diversos campos de interesse da meteorologia. e com o avanço na área de eletrônica e informática. Os satélites de órbita polar estão posicionados geralmente entre 700 e 800 km acima da superfície terra.

Órbita do satélite TRMM.Fig. Figura 3. Nesta figura não esta incluída a órbita do primeiro satélite com objetivo exclusivo de adquirir informações meteorológicas na região tropical. Fig. 3 . 2 . DSR/INPE 4 -9 J.Disposição dos satélites meteorológicos de acordo com suas órbitas. com uma inclinação de 35° em relação a linha do equador. lançado em 27/11/1997.Conrado .C. ou seja o satélite TRMM (Tropical Rainfall Measuring Mission). Este satélite esta localizado numa órbita inferior ao dos tradicionais satélites de órbita polar. ele esta posicionado a 350 km acima da superfície terrestre.

A seguir estão imagens obtidas pelos satélites nestas faixas de observação Figura 4. visível. 4 .Conrado . APLICAÇÕES DOS DADOS COLETADOS PELOS SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites meteorológicos atualmente operacionais obtêm informações em três faixas do espectro eletromagnético. infravermelho (vapor d'água) e microondas. infravermelho (vapor d'água) e microondas satélite DMSP (sensor SSM/I) DSR/INPE 410 J. visível.2. isto é: na faixa do infravermelho.Imagens do satélite GOES-E na faixa do infravermelho.C. Fig.

Com o desenvolvimento de softwares.1. algumas aplicações usando os dados obtidos através dos satélites meteorológicos.Conrado . a aplicação principal dos dados coletados pelos satélites meteorológicos. oceanos. . Na Figura 5. A seguir serão mostradas resumidamente. médio e baixo. diversas metodologias foram desenvolvidas para a aplicação das informações coletadas por estes satélites. sendo atribuída para cada nível uma cor para representá-los. tinha como objetivo principal a observação dos deslocamentos dos sistemas frontais e o desenvolvimento de sistemas locais. etc).VENTO A metodologia de extração de ventos usando dados de satélites geoestacionários é realizada usando-se informações de duas imagens sucessivas (intervalo de 30 minutos).Inicialmente. Deve-se salientar a importância que os dados coletados por estes satélites têm para determinadas regiões. Eles são estimados para três níveis da atmosfera. desertos. A velocidade do vento é estimada calculando-se o deslocamento da nuvem nas duas imagens e dividindo-se então pelo intervalo de tempo entre estas imagens. alto.C. Estas informações eram utilizadas para a análise subjetiva das condições meteorológicas predominantes em pequena ou grande escala. pode-se observar a velocidade do vento estimada usando-se esta metodologia. seja pela carência de uma rede de observações adequada ou por se encontrarem em regiões remotas (florestas. DSR/INPE 411 J. 2.

podemos observar o campo de precipitação estimado usando informação do canal infravermelho do satélite GOES. o satélite TRMM no presente momento é o único que nos permite obter medidas diretas de precipitação. Somente através do radar meteorológico. infravermelho.C.Fig.Conrado . DSR/INPE 412 J. As técnicas que utilizam os dados dos sensores nas bandas do visível. e microondas).PRECIPITAÇÃO A precipitação é outra variável que pode ser avaliada usando informações obtidas pelos diversos sensores a bordo dos satélites meteorológicos (que operam nas bandas do visível. Na Figura 6. pois estes sensores não medem diretamente a precipitação. a bordo de satélite é possível avaliar diretamente a precipitação. infravermelho e microondas são denominadas de técnicas indiretas de avaliação da precipitação.2 . 5 .Vento estimado usando dados do satélite GOES –8. 2.

7 . Fig. 6 .Precipitação estimada usando dados do canal infravermelho do satélite GOES.Taxa de precipitação obtida através do radar a bordo do satélite TRMM DSR/INPE 413 J.Fig. Na Figura 7 observa-se o campo de precipitação obtido pelo radar meteorológico a bordo do satélite TRMM.C.Conrado .

Com os sensores HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) e AMSU (Advanced Microwave Sounding Unit). No Brasil. é feita uma única observação por dia.C. podemos obter a variação dos campos de vento. 9 e 10 podemos observar o perfil vertical de temperatura e umidade para a cidade de Cuiabá. em somente algumas estações da rede de observação meteorológica. A sondagem da estrutura vertical da atmosfera nos fornece a variação dos campos de temperatura.SONDAGENS ATMOSFÉRICAS Um produto de fundamental importância obtido através dos satélites meteorológicos são as sondagens atmosféricas. e os campos de temperatura e umidade obtidos com informações derivadas dos dados recebidos pelos sensores a bordo do satélite NOAA-14. Nas figuras 8. umidade e vento.2. campos estes que são de fundamental importância no conhecimento da estabilidade da atmosfera. Esta carência de informações não nos permite o conhecimento preciso da estrutura vertical da atmosfera. temperatura e umidade na vertical.3 .Conrado . instalados a bordo dos satélites polares da série NOAA. DSR/INPE 414 J.

Fig. Estes perfis verticais são de fundamental importância em meteorologia. DSR/INPE 415 J. pois eles nos permitem avaliar a estabilidade da atmosférica. ou seja. se existe a possibilidade do desenvolvimento de sistemas convectivos.Conrado . 8 .Perfil vertical de temperatura obtido através de dados do satélite NOAA 14.C.

9 .Conrado .Fig.Campo de temperatura em 500 hPa obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 DSR/INPE 416 J.C.

10 . poeiras e gases do efeito estufa. é de fundamental importância para uma melhor compreensão do clima. DSR/INPE 417 J. trinta porcento é refletida para o espaço e 20 porcento é absorvida pelas nuvens.Campo de umidade relativa 1000 hPa . somente a metade atinge a superfície da terra.RADIAÇÃO A radiação solar que atinge o topo da atmosfera é da ordem de 1365 Watts/m2 . Portanto.4 . a medida da radiação atmosférica usando satélites. Nas Figuras 11 e 12 podemos observar a medida da radiação de onda curta e longa realizada a partir das informações coletadas pelos satélite da série NOAA. deste total em média. obtido a partir de dados do satélite NOAA-14 2.Fig.Conrado .C.

12 .C. DSR/INPE 418 J. obtida a partir de dados do satélite NOAA. obtida a partir de dados do satélite NOAA.Radiação de onda longa emitida. 11 . Fig.Fig.Conrado .Radiação de onda curta absorvida.

em 9 de setembro de 2000. foi quem descobriu a influência do CloroFluorCarbono (CFC) como o principal mecanismo na diminuição do ozônio na região Antártica. Na Figura 14 podemos ver os primeiros resultados obtidos com os dados deste sensor. O cientista inglês J. 13 . vem sendo realizadas medidas da concentração de ozônio na atmosfera.5 .6 . A partir de 1978. 2. pois o CO é um dos principais gases associado com o efeito estufa.C.2.OZÔNIO O primeiro dado disponível relacionado com a diminuição da camada de ozônio foi observado na estação Antártica japonesa Syowa em 1982. Lovelock. na qual a camada de ozônio atingiu o seu nível mais baixo.MEDIDAS DE CO A medida do CO na atmosfera tornou-se possível com o lançamento do satélite TERRA em 19 de dezembro de 1999. com o satélite de órbita polar Nimbus 3. podemos observar o resultado da medida feita pelo satélite ERS-2. Fig.Conrado . Este satélite tem a bordo o sensor MOPITT (Measurements of Pollution in the Troposphere). DSR/INPE 419 J. Canadá e Japão.Ozônio medido em 9/6/2000 a partir do satélite ERS-2. cuja finalidade principal é a medida da poluição. Na figura 13. Os dados obtidos por este sensor são de fundamental importância. um projeto comum dos Estados Unidos.

Concentração de CO medida pelo sensor MOPITT do satélite TERRA. entre estas podemos citar: no alerta de ocorrência de geadas e nevoeiros.Nesta figura pode-se observar a grande concentração de CO na América do Sul e África. Os dados obtidos por satélites meteorológicos também podem ser aplicados em diversas áreas.Conrado . pois para cada novo sensor lançado a bordo dos satélites. DSR/INPE 420 J. O uso de dados de satélites meteorológicos para as mais diversas aplicações. concentração associada pricipalmente com o efeito das queimadas nestas duas regiões.C. é um campo que ainda não esgotou todas as possibilidades. novas metodologias de uso podem ser desenvolvidas. Fig. 14 .

Esta variável tem as mais diversas aplicações.CONCLUSÃO Foram mostrados acima resumidamente algumas aplicações que podemos obter através de dados obtidos pelos satélites meteorológicos. Fig. monitoramento de nevoeiro. seja nas atividades de pesca bem como no conhecimento do padrão de circulação dos oceanos. bem como os proudtos gerados usando os dados destes satélites. podemos citar também algumas que não foram mostradas tais como: monitoramento de geadas. umidade do solo.Conrado .7 . podemos observar a variabilidade da temperatura da superfície do mar em escala global com os dados obtidos atraves dos satélites da série NOAA. Comparando a primeira imagem transmitida pelo satélite TIROS. . com as imagens de alta qualidade hoje obtidas pelos atuais satélites.2.TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR Um produto de fundamental importância que pode ser obtido através de dados de sensores que operam no infravermelho e microonda é a temperatura da superfície do mar. monitoramento de raios. monitoramento de aerosóis. 3. nota-se que um grande progresso foi feito a DSR/INPE 421 J. etc. 15 . Porém.Temperatura da superfície do mar satélite NOAA.C. Na Figura 15.

cptec. Academic Press.br http://terra.html DSR/INPE 422 J.nasa.gov http://auc.C.partir de 1 de abril de 1960.dfd.gov http://jwocky. http://www. Satellite Meteorology: an introduction.gov http://trmm.gsfc. . 4. Vonder Harr.H. S..inpe.BIBLIOGRAFIA Kidder.dlr.de/GOME/main.Q.nasa.gsfc. 1995.nasa. Progresso este que têm sido de grande utilidade para a humanidade. T.Conrado .

br e-mail: helio@cptec.inpe.CAPÍTULO 5 TECNOLOGIA ESPACIAL NA PREVISÃO DO TEMPO S é r g i o H e n r i q u e S o a r e s F e r r e i r a1 H é l i o C a m a r g o J ú n i o r2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS CENTRO DE PREVISÃO DE TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS 1 2 e-mail: henrique@cptec.Ferreira DSR/INPE .H.br 5-1 S.inpe.S.

DSR/INPE 5-2 S.H.Ferreira .S.

ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE ............................. 7....ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ............................................. 5-10 5................ 2. SATÉLITES METEOROLÓGICOS .......... 5....Ferreira ....................... 1.........................................5-16 ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO ...........5-8 3........................... ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE ........5-19 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................... 6.... CONCLUSÃO ..................................................H............5-20 DSR/INPE 5-3 S..5-11 PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) .................................................... 9..............5-17 8..............................S...5 INTRODUÇÃO ................5-7 UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA .........................5-10 4.................

Ferreira .DSR/INPE 5-4 S.H.S.

...............Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 ..................... 5-17 6 .......... 5-11 2 ... 5-13 3 .........LISTA DE FIGURAS 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais ...............Ferreira ... 5-16 5 ...................Modelo Global CPTEC ...................H....................Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 .Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: ..............................................................Analise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT ... 5-15 4 ..................S....................... 5-19 DSR/INPE 5-5 S....Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT ..........

S.H.DSR/INPE 5-6 S.Ferreira .

Iniciando por um breve histórico do desenvolvimento da meteorologia. para fins de previsão de tempo. INTRODUÇÃO Através dos tempos. ou até mesmo evitados. desde a coleta das informações nos diversos tipos de estações até a elaboração dos boletins DSR/INPE 5-7 S. a compreensão dos fenômenos atmosféricos tem ganhado relevada importância. Em termos práticos. grandes recursos têm sido aplicados à meteorologia em todos os países do mundo. devido aos prejuízos materiais e de vidas humanas que o desconhecimento destes fenômenos podem ocasionar. Os resultados da previsão do tempo são divulgados nas mais variadas formas. quanto para a climatologia. No entanto. Tais recursos não restringem-se apenas aos centros de pesquisa e previsão do tempo. para que possam ser analisadas em tempo hábil. popularizando uma cultura básica em meteorologia. tanto para a previsão do tempo quanto para a previsão do clima é necessário um grande volume de dados. que nem sempre é compreendida plenamente pelo público em geral. Embora estes dois conhecimentos estejam intimamente relacionados é importante observar que a previsão do tempo corresponde a uma previsão diária do estado da atmosfera. mantida pelos países que integram a OMM (Organização Meteorológica Mundial). mas abrangem uma fabulosa rede internacional de informações e coleta de dados. para um certo período e uma determinada área.1. Para compreender como funciona esta rede de informações. enquanto a caracterização do clima constitui uma generalização ou integração das condições do tempo.S. navios e bóias oceânicas. o mais rápido possível. das imagens de satélites e de radar.H. para o caso da previsão do tempo. abordamos de forma sucinta o processo da previsão do tempo. é necessário compreender a diferença entre tempo e clima. tanto para o desenvolvimento da previsão do tempo.Ferreira . Partindo do pressuposto que tais prejuízos podem ser minimizados. todas estas informações devem chegar aos centros de previsão. mas que passa a integrar-se cada vez mais na cultura geral do cidadão. Estes provém de estações meteorológicas distribuídas pelo mundo. através de informações reportadas por aeronaves.

Ferreira . Um fato importante foi a invenção do Barômetro por Torricelli em 1644.C. sua relação com as condições do tempo e a fundamentação das leis físicas nos séculos seguintes. de forma praticamente instantânea.H. através do estudo da dinâmica da atmosfera. por Samuel Morse em 1843. inibindo a formação de nuvens. que também corresponde à pressão normal atmosférica ao nível médio do mar. termômetros. as informações obtidas pelas diversas estações meteorológicas. Desta forma . Era preciso reunir. permitindo a condensação do vapor d’água e a formação de nuvens.013 x 105 N/m2 . Cabe destacar que os conceitos básicos de meteorologia e previsão de tempo podem se relacionar com os conteúdos das disciplinas escolares do ensino fundamental e médio.S. Desta forma. 2. O aumento dos valores de pressão está relacionado ao movimento descendente do ar.de previsão do tempo. a diminuição da pressão. Tais relações foram depois esclarecidas. A partir da invenção deste instrumento começou a se desenvolver o conceito de pressão atmosférica. verificava-se na época que o peso da coluna de mercúrio era equilibrado pela pressão do ar. Este tubo preenchido com mercúrio era embocado em uma cuba contendo o mesmo líquido metálico. Ao contrário. O segundo passo significativo da meteorologia. outros importantes instrumentos meteorológicos foram inventados na mesma época. o que eqüivale aproximadamente à 1013 hPa (hecto Pascal) ou 1. O barômetro de Torricelli constituía-se de um tubo de vidro fechado em uma das extremidades. foi dado após a criação do telégrafo elétrico. Esta pressão varia com a altitude do lugar e também com as condições do tempo. etc. pluviômetros. Além do barômetro. isto é. rumo a viabilização da previsão do tempo. indicando a pressão de 760 mmHg . mas foi somente no século XVII que começaram os primeiros passos significativos para o início da meteorologia como ciência. está relacionada ao movimento ascendente do ar. em 1850 em DSR/INPE 5-8 S.). No Ocidente os primeiros registros foram feitos por Aristóteles (século IV a. UM BREVE HISTÓRICO DA METEOROLOGIA O estudo da atmosfera inicio-se em tempos remotos. permanecendo aproximadamente à 760 mm de altura. tais como os anemômetros.

Washington, foram mostradas ao público os primeiros mapas meteorológicos (Cartas Sinópticas de previsão do tempo), com informações recebidas através do telégrafo. Outro grande passo foi dado em agosto de 1853, com a Primeira Conferência Meteorológica Internacional, celebrada em Bruchelas. O grande foco desta Conferência foi a necessidade de padronização da forma de coleta e transmissão de informações meteorológicas, e da necessidade de cooperação internacional para disseminação destas informações, que começou a se concretizar de fato após 1873, com a realização do Primeiro Congresso Internacional em Viena. Este foi um acontecimento sem precedentes na história da cooperação internacional em meteorologia, Meteorological Organization) http://www.wmo.ch No entanto, apesar de tudo isto, não se conseguia fazer previsões do tempo confiáveis com mais de 1 dia de antecedência. Era possível avaliar através das cartas sinópticas as condições do tempo, conhecia-se como as massas de ar se comportavam em média, mas a previsão do estado futuro da atmosfera dependia principalmente da experiência do meteorologista, pois os cálculos numéricos necessários para a previsão são extremamente complexos. Tal problema tem sido resolvido recentemente com o desenvolvimento dos supercomputadores, que têm permitido a utilização de modelos numéricos de previsão do tempo, cada vez mais precisos e que integram toda a gama de dados meteorológicos existentes. Esta nova técnica constitui-se no que hoje se chama de previsão objetiva do tempo, em contraposição as técnicas subjetivas, que se vale da experiência do meteorologista. No Brasil, o INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, através do CPTEC - Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos em Cachoeira Paulista -SP foi pioneiro no Brasil no uso de supercomputadores para a previsão objetiva do tempo, quando em 1994 inaugurou o seu primeiro supercomputador NEC - SX3. Desde então, o CPTEC tem produzido previsões confiáveis com até 6 dias, através do Modelo Global e até 3 dias com o Modelo abrindo as portas para a criação da OMM - WMO ( Organização Meteorológica Mundial - Word

DSR/INPE

5-9

S.H.S.Ferreira

Regional. Estas informações são disponibilizadas diariamente através da Internet desde 1996 (http://www.cptec.inpe.br).

3. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE SUPERFÍCIE Estas estações são locais destinados a realização das observações meteorológicas, para a obtenção de dados, que caracterizam o estado presente da atmosfera. Estas estações, conforme a finalidade a que se destinam, podem ser agrupadas em diversas categorias. Dentre estas categorias, estão as chamadas estações sinópticas, que realizam as observações meteorológicas em horários padronizados internacionalmente. Os horários principais correspondem à Meridian Time”. Após a meteorológico, 00, 06, 12, 18 (GMT) das observações, o - “Greenwich observador realização

responsável pela estação , prepara os dados para serem

enviados, através do “Global Telecommunication System (GTS)” em forma de boletins codificados conforme norma da OMM. Basicamente, uma estação meteorológica dispõe de um conjunto de instrumentos para a avaliação das condições do tempo presente. O principal é o barômetro, destinado a medida da pressão atmosférica e a obtenção da pressão reduzida ao nível médio do mar. Além deste instrumento, a estação possui um ajardinado, lugar onde normalmente é instalado um anemômetro, para a medida da direção e velocidade do vento; um pluviômetro ou pluviógrafo, para a medida de precipitação e um abrigo ventilado, onde encontram-se os instrumentos destinados a medida da temperatura do ar e da umidade relativa. Além das medidas destes instrumentos, o observador meteorológico, relata as condições gerais do tempo, tais como, nebulosidade, visibilidade, etc.

4. ESTAÇÕES METEOROLÓGICAS DE ALTITUDE As estações meteorológicas de altitude destinam-se a determinação da estrutura vertical da atmosfera. Nestas estações são normalmente empregadas as radiossondas, que consistem basicamente de dispositivos eletrônicos
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dotados de um transmissor de rádio e dos sensores de temperatura, umidade e pressão. Estes dispositivos são lançados através de balões, que podem atingir altitudes de até 40 quilômetros. Durante seu vôo, as informações obtidas pelo equipamento são transmitidas continuamente para um receptor na estação em terra. Como o balão viaja à deriva, a direção e velocidade dos ventos são calculadas por intermédio do sinal de localização emitido pela própria radiossonda. Tais informações são codificadas e transmitidas, via GTS, para os centros de previsão do tempo, em horários padrões, conforme estabelecido pela OMM. No entanto, devido ao alto custo das radiossondagens , estas são realizadas apenas duas vezes ao dia nos horários de 00 e 12 GMT

5. SATÉLITES METEOROLÓGICOS Os satélites geoestacionários situam-se a uma distância aproximada de 36000 Km, necessária para que estes se movimentem junto com a Terra. Como estes satélites visualizam sempre a mesma face do nosso planeta, uma imagem completa de toda a Terra só é possível através da concatenação das imagens procedentes de ilustra a Figura 1. diferentes satélites estrategicamente posicionados como

Fig. 1 – Visão esquemática das orbitas dos satélites meteorológicos operacionais.

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O sistema global de satélites meteorológicos, coordenado pelo CGMS (Coordination Group for Meteorological Satellites ), corresponde a uma constelação mínima de 5 satélites de orbitas geoestacionárias e dois satélites de orbitas quase polares (http://www.eumesat.de/en/area2/cgms/cover.htm). O mesmo não ocorre com os satélites de orbita polar. Situados em orbitas tipicamente bem mais próximas da Terra (850 Km de distância), os satélites polares cruzam o globo terrestre de Polo a Pólo , realizando uma volta completa em aproximadamente 100 minutos. Uma das características típicas destas orbitas é de normalmente serem heliosíncronas, isto é, fixas em relação ao plano do Sol. Desta forma, a medida que os satélites viajam entre os pólos a Terra gira de Oeste para Leste, exibindo a cada nova passagem do satélite uma região diferente do planeta. Uma imagem completa do planeta pode ser então obtida, através da composição das imagens individuais das várias passagens do mesmo satélite durante um período de 24 horas. A partir dos primeiros satélites meteorológicos , lançados na década de 60, imagens da cobertura de nuvens sobre a superfície da Terra tem sido utilizadas pêlos meteorologistas como um importante recursos na previsão subjetiva do tempo. Através da interpretação destas imagens os meteorologistas podem identificar e acompanhar os diversos sistemas meteorológicos, tais como sistemas frontais e tempestades tropicais. Tais imagens são obtidas através de sensores de radiação em diversas faixas do espectro, tais como a faixa da luz visível , faixa de infravermelho de 11µm e na faixa de absorção do vapor d'água. Por exemplo, a imagem da Figura 2 (a) foi obtida a partir do satélite geoestacionário GOES - 8 no canal 4 ( Imagem Infravermelha de 10,3 a 11,3µm). Nesta imagem verifica-se as nuanças de radiação térmica emitidas pela atmosfera e pela superfície da Terra. As regiões mais claras da imagem eqüivalem as regiões mais frias e normalmente estão associadas ao topo das nuvens mais altas. As partes mais escuras são associadas as nuvens médias e baixas, ou ao solo descoberto. A Figura 2 (b), obtida pelo mesmo satélite da Figura 2 (a) praticamente ao mesmo tempo corresponde ao canal -1 (Imagem Visível). A grosso modo podemos dizer que.

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esta é uma fotografia preto e branco da Terra onde podemos observar claramente as nuvens e as nuanças de luz produzidas pelo Sol.

Fig. 2 - Imagem GOES 8 de 28/06/99 12:00 UTC nos canais: (a) Infravermelho ; (b) Visível Neste caso, ambas as imagens evidenciam a passagem de uma frente fria sobre o Uruguai. Ao norte da América do Sul, uma faixa de nuvens aglomeradas marcam a presença da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que na época do ano em questão, o Inverno, situa-se em média, um pouco mais ao norte do Equador. Em contraposição, a imagem da Figura 1(a) independe da iluminação do Sol, visto que trata-se de radiação Infravermelha emitida pela Terra; o que não ocorre na imagem da Figura 1(b). Nesta última, percebe-se as sombras nas nuvens devido a inclinação do Sol, assim como as regiões iluminadas e não iluminadas (dia / noite) no horário da imagem. No entanto, as possibilidades dos satélites vão além da simples obtenção de imagens da Terra. Através de programas de computadores específicos, as medidas de radiação podem ser utilizadas na obtenção de uma série de outras informações derivadas e em formato apropriado aos Modelos Numéricos de Previsão do Tempo. Dentre os muitos tipos de dados obtidos, os mais comuns

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Na Figura 3 são apresentadas as temperaturas obtidas através de um dos sensores do TOVS do satélite NOAA 14. realizadas nas poucas estações meteorológicas de altitude.Television Infra-red Observation Satelite DSR/INPE 5-14 S. Através destas medidas obtém-se perfis reconstituídos de temperatura e umidade em diferentes camadas da atmosfera. Os dados de TOVS são obtidos através de satélites de orbita polar. O SATEM é semelhante ao TOVS.e disponíveis através do GTS são as informações de TOVS. os dados de TOVS não possuem a mesma precisão dos dados de radiossondagens. atualmente NOAA-14. semelhante aos dados convencionais de radiossondagem. SATEM. A cada nova passagem do satélite uma nova faixa de valores de temperatura é obtida. porém obtido por satélites geoestacionários. porém os satélites obtêm estes dados continuamente sobre toda a superfície da Terra enquanto as radiossondagens.Ferreira . mais especificamente o canal 6 do HIRS (High Resolution Infrared Radiation Sounder) Tal canal caracteriza as temperaturas atmosféricas próximo ao nível de 800 hPa (altitude aproximada de 2000 m acima do nível médio do mar).S. constituem dados isolados e por isto insuficientes para a caracterização tridimensional do estado físico da atmosfera. sendo observados valores desde 201 K ou –72 oC sobre as regiões polares até valores de aproximadamente 269 K ou –4 oC sobre o continente africano. O TOVS (TIROS3 Operational Vertical Sonder ) corresponde a medidas de radiação em diversos regiões do espectro. 3 TIROS . e SATOB. Na realidade.H.

os vetores na Figura 4 representam a direção e velocidade dos ventos obtidos no CPTEC com dados provenientes do satélite geoestacionário GOES – 8. corresponde a dados de direção e velocidade dos ventos em vários níveis na atmosfera.H. Como exemplo.S. A técnica de extração dos ventos emprega imagens sucessivas de cobertura de nuvens.3 . estimando assim os valores de direção e velocidade dos ventos.Temperatura atmosférica global procedente do canal 6 do HIRS do satélite NOAA 14 Fonte : EUMETSAT O SATOB.Fig. DSR/INPE 5-15 S.Ferreira . obtido exclusivamente por satélites geoestacionários. Complexos programas de computador identificam o deslocamento e a evolução das nuvens em imagens sucessivas.

H. 6. DSR/INPE 5-16 S. 4 . PLATAFORMA DE COLETA DE DADOS (PCD) As PCDs são estações meteorológicas capazes de automaticamente obter quase todos os tipos de dados obtidos por uma estação meteorológica de superfície convencional. umidade do solo.Campo de ventos obtidos a partir de imagens do GOES 8 Fonte: CPTEC É importante salientar que estes são apenas alguns dos muitos tipos de dados obtidos através dos satélites para a previsão do tempo.S. a Amazônia. entre outras derivados dos dados de satélites. são igualmente importante para previsão do tempo e clima. pelo SCD2 do INPE ). ou em áreas de difícil acesso como.Fig. Os dados são transmitidos pelos satélites de coleta de dados ( No Brasil. por exemplo. dispensa o uso de energia elétrica.Ferreira . Informações relativas a temperatura da superfície do mar. Sua utilização estende-se nas áreas onde existem poucas estações meteorológicas convencionais. Dotada de painel solar.

que neste caso.Ferreira . sobre a Argentina. certamente possui temperaturas baixas e avança em direção à segunda. DSR/INPE 5-17 S. apenas 12 horas antes das imagens de satélite da Figura 2. as imagens de satélites. aviões e bóias integram a massa de dados para as previsões do tempo. o CPTEC tem realizado às análises e previsões através de modelos numéricos. Com a utilização de supercomputadores. onde as temperaturas são maiores.H.Modelo Global CPTEC Através desta análise verificam-se dois centros de alta pressão. ANÁLISE DOS DADOS METEOROLÓGICOS E PREVISÃO DO TEMPO As estações de Superfície.Análise do dia 28 / 06 /1999 00 GMT . A partir da análise destas cartas são realizadas as previsões do tempo. Estes dados são analisados através de cartas sinópticas. junto com dados obtidos por navios. A região de confronto entre as duas é denominada região de frente. um sobre o Sul da Argentina com pressões em torno de 1026 hPa.S. no Atlântico. 5 . isto é . por caracterizar o avanço de massa de ar frio sob a massa de ar quente. outro sobre o Atlântico (1023 hPa). A Figura 5 ilustra um recorte da análise dos campos de pressão do Modelo Global do CPTEC para as 0 horas GMT do dia 28 / 06 / 1999 . Fig.7. A primeira. Estes centros de pressão caracterizam grandes massa de ar. as radiossondagens.

É o exemplo do ciclone situado no litoral sul da Argentina (Figura 5 ).H. Podemos também perceber este ciclone através das imagens de satélite da Figura 2. 6 . no sentido horário.Previsão de 24 horas Válida para 29/ 06/ 1999 00 GMT DSR/INPE 5-18 S. Uma característica interessante dos centros de alta pressão é a circulação dos ventos em torno destes centros. sendo também chamado de circulação ciclônica. temos baixas pressões e grandes movimentos de ar úmido . além dos campos de pressão estão sobrepostos os campos de precipitação acumulada no período. horário no Hemisfério Sul e anti-horário no Hemisfério Norte.Ferreira . Tal movimento é chamado de circulação anti-cilclônica. Na Figura 6 temos as previsões do modelo Global do CPTEC para as próximas 24 horas.S. Na região da frente.corresponde à uma frente fria que atua sobre o Uruguai. Tal ciclone encontra-se ainda associado à frente fria sobre o Uruguai. que produzem grande quantidade de nuvens e chuva. isto é. Fig. que em partes é decorrente do movimento de rotação da Terra. No Hemisfério Sul. a circulação dos ventos ocorre no sentido anti-horário e no Hemisfério Norte. através da disposição das nuvens em espiral. que apresenta valores de pressão inferiores à 986 hPa. Nesta figura. Nos centros de baixa pressão o movimento é invertido.

É necessário noções gerais de meteorologia. Os resultados são úteis para diversas áreas de atividade humana e também para a população em geral. para serem posteriormente divulgados. tais como a física.H. portanto bem mais preciso que o modelo Global. desloca-se para leste enquanto a alta pressão. A Alta pressão do Atlântico estende-se por grande parte da Região Sudeste e Nordeste do Brasil. não basta ter acesso às informações. que se estendem sobre o oceano Atlântico. Deste modo. exceto na região litorânea. Deve-se no entanto observar. matemática e geografia entre outras.Comparando-se o campo de pressão desta figura com a análise da Figura 2 . 8.Ferreira . exemplificamos como as informações meteorológicas são trabalhadas. onde também são previstas chuvas. que quanto mais longas forem as previsões do tempo. sejam estes por especialistas ou pelo público em geral. que utiliza uma grade de 200 x 200 Km. menos confiáveis elas serão. verificamos que o modelo prevê o sistema frontal sobre o Rio Grande do Sul . onde o tempo provavelmente permanece estável com poucas nuvens. o Modelo Global do CPTEC gera previsões até 120 horas ( 6 dias ). O Ultimo passo deste processo é a interpretação destas saídas pelos meteorologistas. CONCLUSÃO Para a previsão do tempo é necessário o envolvimento de grandes recursos e da cooperação entre os países. Da mesma forma que foi gerada esta previsão. No entanto.S. para que tais resultados possam ser melhor aproveitados. destacando a DSR/INPE 5-19 S. O centro de baixas pressões. até a saída das previsões numéricas do tempo. associados à este sistema. e ainda conhecimentos das mais diversas áreas. o CPTEC ainda disponibiliza os resultados do Modelo Regional ETA. da retaguarda deste sistema. Além do Modelo Global. compreendida entre o Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte. Estes boletins são atualizados diariamente na Internet. que utiliza uma grade de resolução de cálculo de 40 x 40 Km de área para até 3 dias de previsão. avança sobre o sul da Argentina. que confeccionam os boletins escritos de previsão do tempo.

D. Boston 1996. Novo. Disponível na Internet: http://www3.html [19 Jun. 1998 THE EUROPEAN ORGANISATION FOR METEOROLOGICAL SATELLITES: EUMETSAT. E.importância do trabalho do professor. 2a ed . 1991 WORLD METEOROLOGICAL ORGANIZATION: WMO. C. 5. Meteorologia Básica e Aplicações.inpe.Ferreira .br/~ensinop/index. M. Sensoriamento remoto: Princípios e Aplicações. R. 2001] Vianello. na divulgação desses conhecimentos. 1973 DSR/INPE 5-20 S.htm [19 Jun.S. Meio Ambiente e Ciências Atmosféricas: A utilização de Multimídia e da Rede Internet no ensino Público de Nível Médio.eumetsat. Edigard Blücher São Paulo. 2001] Fleming J. Climate and the Environment. CGMS Directory of Meteorological Satellite Applications. 9. WMO No.H.L. American Meteorological Society. 1994 CENTRO DE PREVISÃO DO TEMPO E ESTUDOS CLIMÁTICOS: CPTEC. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ahrens. One Hundred Years of International Co-operation in Meteorology (1873-1973). 345. UFV Imprensa Universitária.de/en/area2/cgms/cover. Viçosa. Geneva. Ed. Meteorology Today: An introduction to Weather.cptec. West Publishing Company. Disponível na Internet http://www. Historical Essays on Meteorology 1919-1995.

CAPÍTULO 6 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À OCEANOGRAFIA Milton Kampel* INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS DIVISÃO DE SENSORIAMENTO REMOTO *milton@ltid.inpe.br .

Kampel .ÍNDICE DSR/INPE 6-2 M.

........................................11 3 APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA . 6..............................................................2.......2.... 6......3 GERENCIAMENTO COSTEIRO ..........................................2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA .............................1....... 6.....27 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................19 3......................5 1 APRESENTAÇÃO ...............................25 3.................15 3.... 6...............3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS . 6......30 DSR/INPE 6-3 M....................1......3 VÓRTICES E FRENTES ......1....15 3.............................16 3..................................................9 2................................20 3..........2 RESSURGÊNCIAS ....Kampel .................. 6....... 6..........28 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..............................2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA .........1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS . 6...........................1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA ..3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES ........... 6.............. 6.............................. 6................................................................................22 3.........1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR ....... 6...... 6............18 3........................2 COR D’ÁGUA ............ 6........................ 6........2. 6..............7 2 INTRODUÇÃO ...........9 2......LISTA DE FIGURAS ..24 3....................... 6......................9 2..............................1 O QUE É OCEANOGRAFIA ..... 6..........................................................................................

Kampel .LISTA DE FIGURAS DSR/INPE 6-4 M.

.... de 08/08/2000..... rastreado por satélite.............. ...... às 05:23h. composição colorida 3B4G5R... sensor ETM+. em cima ............... .... 1000.... A parte submersa encontra-se em tons de azul. Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência.... entre 18 e 24 de junho de 2002.. A escala de temperaturas encontra-se a direita..........m-2 encontra-se na parte inferior da figura... do Baixo do Parnaíba (PI................ As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica.... A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g.. Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura)....17 Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar................. Tomé.... A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem........C. A escala de temperaturas encontram-se a direita.. 26 Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo.........Figura 1.... As setas menores indicam a posição da frente termal........ 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem... As isóbatas de 500....................... padrão WOCE......... .................... 23 Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS.... ..................... 25 Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7.......... O continente e as nuvens estão mascarados em branco... A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S.... MA e CE)............Anomalia de temperatura da superfície do mar.....Kampel ..................... 27 DSR/INPE 6-5 M........... 20 Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtidas a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira....... Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos..... do litoral norte do RJ. nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior)... Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura)...... ... mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio... As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos. (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE..... produzida a partir de imagens do satélite NOAA-12.......... 18 Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14......

Kampel .1 APRESENTAÇÃO A Terra é um planeta aquático com dois terços de sua superfície coberta por água. Mais da metade da radiação solar que chega à superfície terrestre é DSR/INPE 6-6 M.

Kampel . Os dados obtidos tendem a vir de navios (de pesquisa ou de DSR/INPE 6-7 M. Da mesma forma. Os oceanos também. os oceanógrafos vem elaborando uma descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar. biologia e geologia dos oceanos são fundamentais para o desenvolvimento e gerenciamento desses recursos vivos. Além disso. essa descrição é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta. Eles podem atrasar ou reduzir o impacto do aquecimento global provocado pelo aumento nas taxas de dióxido de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis. os oceanos são importantes por outros motivos: o comércio internacional se utiliza muito dos meios marinhos. os recursos pesqueiros abastecem uma fração significativa da proteína consumida mundialmente. a temperatura do oceano permanece mais constante. No fundo oceânico existem grandes depósitos de minerais valiosos – óleo e fontes potenciais de minerais estratégicos. assimilam grande.primeiro absorvida pelos oceanos. onde é armazenada e redistribuída pelas correntes marinhas antes de ser liberada para a atmosfera. se não a maior parte da poluição antropogênica. Por mais de um século. Entretanto. esgotos domésticos e industriais. Além do aspecto climático e meteorológico. uma visão da evolução das crostas oceânica e continental. A topografia do solo oceânico e suas propriedades magnéticas fornecem. desde derramamentos de óleo. até lixo atômico. química. Os depósitos oceânicos fornecem um quadro da evolução climática global ao longo de milhões de anos. O alto calor específico da água do mar impede que a amplitude da temperatura varie rapidamente ao longo do dia. e programas de defesa nacionais são cada vez mais dependentes de operações navais. Os processos atuantes nos oceanos são também importantes em relação à absorção de gases. Enquanto que a atmosfera e os continentes suportam grandes variações de temperatura nas altas e médias latitudes. similarmente. a física.

Este capítulo “Sensoriamento Remoto Aplicado à Oceanografia” pretende apresentar. Grandes áreas oceânicas. Milton Kampel Julho de 2002 São José dos Campos . são pouco visitadas por quaisquer navios.Kampel . Já segundo a UNESCO. As aplicações dos dados orbitais são tão diversas que podemos considerar este meio de aquisição de informações para a oceanografia como um todo – biológica.SP 2.oportunidade) que muitas vezes são obrigados a alterar suas rotas normais em função de condições meteorológicas adversas ou pela presença de gelo no mar. particularmente no Hemisfério Sul. que tem por objetivo o estudo do meio marinho. INTRODUÇÃO 2. alguns aspectos relacionados à Oceanografia e ao Sensoriamento Remoto dos oceanos.1 O QUE É OCEANOGRAFIA Segundo o dicionário. apresenta novas perspectivas para a descrição e o entendimento dos oceanos. sua flora. geológica e física – tão eficaz como as informações obtidas por meios convencionais. O sensoriamento remoto a partir de instrumentos orbitais ou aerotransportados. Além disso. de forma resumida. A quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos e monitorados por sensoriamento remoto é bem ampla. necessitando de medições freqüentes em locais bem distribuídos ao redor de todo o globo terrestre. Como DSR/INPE 6-8 M. fornece uma visão sinóptica dos oceanos. os oceanos apresentam uma grande variabilidade espaço-temporal. Espero que seja útil. química. sua fauna e seus limites físicos com a terra firme e a atmosfera. além de alguns exemplos de aplicações da tecnologia espacial no estudo oceanográfico. que associada a recursos computacionais cada vez mais sofisticados. a Oceanografia é o “estudo das características físicas e biológicas dos oceanos e dos mares”. a Oceanografia é uma “ciência universal.

envolvendo diversas áreas como a Meteorologia. entre outras. Sensoriamento Remoto. através do emprego de balões e foguetes meteorológicos. 2. apesar de serem fortemente atenuadas na atmosfera. podem se propagar por grandes distâncias submarinas. a oceanografia depende da cooperação internacional”. DSR/INPE 6-9 M. Ondas ultra-sônicas.2 SENSORIAMENTO REMOTO E OCEANOGRAFIA O Sensoriamento Remoto não está limitado a geração e interpretação de dados na forma de imagens. Oceanografia Química e Oceanografia Geológica.. inspeções submarinas..qualquer outra ciência. a Oceanografia é uma disciplina multi e interdisciplinar. Informações científicas sobre diferentes níveis atmosféricos também são coletadas por métodos de rádio-sondagens operados tanto por estações terrestres. dados de pressão. caça de minas submersas. Devido às grandes dimensões dos fenômenos oceânicos e do fato de que eles raramente são gerados num mesmo lugar.Kampel . suficientemente quantitativa para permitir a previsão de seu comportamento com algum grau de certeza. O principal objetivo do estudo oceanográfico é obter uma descrição sistemática dos oceanos. temperatura e umidade em diferentes níveis da atmosfera são rotineiramente coletados por serviços meteorológicos. A Oceanografia pode ser considerada como o estudo científico dos oceanos com ênfase no seu caráter como Ambiente. Na verdade. Daí sua aplicabilidade em medições das profundidades em rios ou oceanos (batimetria). Por exemplo. Cartografia. ela se baseia no método experimental (. detecção de cardumes e comunicações submarinas. É convenientemente dividida em: Oceanografia Biológica. Paleontologia. Engenharia. como a bordo de satélites. Administração/Marketing.). Oceanografia Física.

concentrações salinas. DSR/INPE 6-10 M.que controlam as interações energia/matéria entre o oceano e a atmosfera. a superfície. a descrição científica dos oceanos a partir de medições realizadas no mar é limitada pela cobertura esparsa de dados na maioria dos oceanos do planeta. na medida em que se analisam três aspectos: 1) Inicialmente. ao longo dos anos. Por outro lado. cabe lembrar que técnicas de sensoriamento remoto tem sido empregadas. de gases dissolvidos etc. trata-se do nível mais importante. determinações de estruturas termohalinas.temperatura. para quaisquer variações que ocorram em profundidades nos oceanos. por vários oceanógrafos utilizando métodos acústicos nos oceanos. . Se por um lado. Desta forma. não haveria nenhuma objeção fundamental impedindo a extensão das técnicas de sensoriamento remoto nos oceanos. a quantidade de parâmetros oceanográficos que podem ser medidos com o emprego de tecnologia espacial é bem ampla. velocidades. apesar da coleta de dados via SR ocorrer em apenas uma única profundidade.Como já mencionado anteriormente. para estudos biológicos. ou seja. para observação do material em suspensão na água do mar. A representatividade dos dados de sensoriamento remoto para parâmetros oceanográficos dependentes da profundidade ou que apresentem variações temporais de alta freqüência é válida. Desta forma. com a utilização das ondas eletromagnéticas através da atmosfera. praticamente. alguns oceanógrafos mais conservadores afirmam que as informações obtidas por satélites não podem ser tão precisas ou relevantes como quando coletadas por embarcações de pesquisa.Kampel . são os parâmetros superficiais . medições de velocidade pelo efeito Doppler etc. Ondas sonoras tem sido utilizadas para estudos do fundo e subfundo marinho.

a iluminação do sol. e sua intensidade depende do tipo de fundo e da DSR/INPE 6-11 M. Em um sistema passivo. transmite esta radiação em direção ao alvo.2) Outros aspectos positivos a serem considerados são: a visão sinóptica. automaticamente. de forma que a informação que se busca por meio do imageamento da cor da água está relacionada com os processos de reflexão e retroespalhamento. podemos considerar o fato de que os dados obtidos via SR incorporam um valor médio. Outra classificação importante. Em águas claras. microondas e ondas de rádio.Kampel . por unidade de área. Em um sistema ativo. sendo particularmente relevantes para testar previsões de modelos numéricos. separa os sensores passivos do sensores ativos. ou seja.3 POTENCIALIDADES DA TECNOLOGIA ESPACIAL NA OBSERVAÇÃO DOS OCEANOS É conveniente classificar os sensores e instrumentos de SR de acordo com o comprimento de onda eletromagnética usada. Os sensores que atuam na região espectral do visível respondem diretamente às condições da parte superior da coluna d’água. mesmo para locais oceânicos isolados. o próprio instrumento de SR gera radiação. as regiões do visível (ótico). 2. 3) Ainda. e extrai informações a partir do sinal de retorno. Esta é refletida pelo mar e atinge o satélite. Robinson (1985) classifica os sensores de comprimento de onda visível como passivos em relação à fonte de radiação inicial. Uma vez que o sensor evite a reflexão direta da luz solar. a luz refletida pelo fundo pode ser vista do espaço. infravermelho-próximo. a alta resolução espacial (para determinados sensores) e a possibilidade de se obter séries temporais de dados consistentes por longos períodos. o instrumento de SR simplesmente detecta qualquer radiação que esteja no comprimento de onda (ou bandas espectrais) para a qual o instrumento foi projetado. infravermelho-termal. a radiação ascendente conterá informações conseqüentes dos processos de retroespalhamento do corpo d’água.

Se fossem realizadas medições em vários bandas espectrais. Os laseres operando numa ampla faixa do espectro. sensores operando na faixa do infravermelho-termal podem ser utilizados para estimar a temperatura da superfície do mar. de forma mais rápida. dividido por sua área denomina-se “exitância radiante”. o fluxo radiante emitido por uma superfície.Kampel . registrarão a radiação emitida pela superfície do mar. e podem ser utilizados na determinação da temperatura da superfície do mar. Os sensores do infravermelho-próximo apresentam um caráter de complementaridade em relação aos do visível. Esta radiação emitida é predominante para comprimentos de onda entre 10 µm e 12 µm. O SR dos oceanos.profundidade. infravermelha e microondas. voltados diretamente para baixo. a emissividade é a razão entre a exitância radiante de um corpo e a exitância radiante de um corpo negro a uma mesma temperatura). Medem comprimentos de onda até a região de microondas. Os radiômetros passivos são equipamentos que medem o fluxo de energia eletromagnética que chega aos seus sensores direcionalmente. A radiação emitida pela superfície marinha depende da emissividade desta (ou seja. lagos e rios é possível por meio das radiações visível. Ainda que os laseres tenham sido mais empregados para sondar a atmosfera. Sensores operando na faixa entre 3 µm e 4 µm registrarão quantidades apreciáveis de energia solar refletida durante o período diurno. tornando assim a batimetria e a identificação de diferentes tipos de fundo duas aplicações viáveis para estes sensores. no infravermelho e nas DSR/INPE 6-12 M. ainda que a absorção da água aumente para comprimentos de onda maiores que 800 nm. cada vez mais eles são instalados em aeronaves e navios. tem dado uma nova dimensão às pesquisas hidrográficas e oceanográficas. mas no período noturno. de forma que. para investigar a hidrosfera. permitindo um alto grau de resolução em profundidade e uma pesquisa subsuperficial que é inatingível por outras técnicas de SR.

de poucos centímetros de comprimento. derramamentos de óleo. A rugosidade medida é causada por pequenas ondas.SAR) é capaz de processar a medição do tempo e da fase do sinal retroespalhado. feições topográficas de fundo. O radar de abertura sintética (Synthetic Aperture Radar . etc. espectro direcional de ondas. Bóias de deriva ou ancoradas medem in situ diferentes parâmetros DSR/INPE 6-13 M. em relação à sua própria posição. como o estudo de correntes. e de sua amplitude. em princípio. ou seja.Kampel . etc. velocidade e direção de ventos superficiais. ondas internas. fluxos de calor superficial. A possibilidade de aplicações dos sensores ativos ainda pode ser bastante desenvolvida. estado-do-mar. Outra tecnologia espacial cada vez mais utilizada no monitoramento oceânico é o emprego de plataformas remotas para a aquisição de dados com telemetria via satélite. Esta informação é útil no estudo de marés e da circulação oceânica. obter informações da emissividade e dos parâmetros dos quais ela depende. Uma vez que sua posição possa ser definida precisamente. É possível obter uma resolução espacial na ordem de dezenas de metros. Este processamento permite a produção de uma imagem do retroespalhamento da superfície. Esta técnica orbital permite detectar ondas de gravidade. ondas internas. mesmo na presença de nuvens. Os sensores de microondas ativos utilizam o retroespalhamento das ondas eletromagnéticas na superfície marinha para obter informações a nível orbital. marés. películas superficiais de óleo. o radar altímetro consegue medir a altitude da superfície marinha. entre outras. esteiras de navios. Além disso. na vertical do local). Pelo registro do tempo de retorno de um pulso emitido na direção nadir (isto é. incluindo aí a salinidade. Sensores de microondas ativos são desenvolvidos para aplicações específicas.microondas. seria possível. da rugosidade desta superfície como é vista pelo radar. a deformação do pulso refletido transporta informações sobre a altura de ondas significativas. é possível determinar a altitude da superfície marinha em relação ao geóide terrestre.

calibração de imagens orbitais termais. entre outras aplicações. arquivos batimétricos. DSR/INPE 6-14 M. e ainda na modelagem de processos e fenômenos naturais permitindo o diagnóstico ambiental e seus prognósticos. dados oceanográficos e meteorológicos históricos. informações espaciais provenientes de imagens de satélites. Os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) são ferramentas computacionais para Geoprocessamento que permitem realizar análises complexas. mecanismos para combinar as várias informações através de algoritmos de manipulação e análise. dados coletados in situ. que possam ser constantemente interrelacionadas em diferentes conjuntos de informações para auxiliar a tomada de decisão de forma ampla e objetiva. Num ambiente computacional. entre outros. Atualmente. Os SIG’s são normalmente utilizados para a produção de mapas. transmitindo os dados via satélites. a noção de mapa deve ser estendida para incluir diferentes tipos de dados como imagens de satélites. Estes dados são utilizados em estudos da circulação oceânica. O SIG oferece também. os benefícios do SR na Oceanografia brasileira ainda são restritos. modelos numéricos e dados coletados in situ.oceanográficos e meteorológicos em diferentes regiões do oceano mundial. mapas cartográficos. e para consultar. gerenciamento e necessitam de dados monitoramento de recursos naturais atualizados. O planejamento. integrando dados de diversas fontes e criando bancos de dados georreferenciados. como suporte para a análise espacial de fenômenos. como um banco de dados geográficos com funções de armazenamento e recuperação de informações espaciais.Kampel . transporte de calor. visualizar e plotar o conteúdo da base de dados georreferenciados. Um SIG é capaz de integrar numa única base de dados. recuperar.

5ºC). Estas estimativas tornaram-se possíveis tanto com a utilização de medições realizadas em apenas uma banda espectral. DSR/INPE 6-15 M. eventos de ressurgência. uma precisa correção geométrica destas imagens permite a realização de análises multitemporais ou então. por satélites. como combinando-se medições de diferentes canais espectrais. Da mesma forma. etc. Os dados digitais podem ainda. podem ser encontrados diversos trabalhos que demonstram a utilidade das imagens termais em estudos oceanográficos. A obtenção da TSM a partir de radiômetros de infravermelho tem sido empregada em diversas aplicações oceanográficas tais como em estudos de mudanças climáticas globais. processos de mistura nas águas costeiras. ser realçados radiometricamente para a geração de imagens capazes de mostrar pequenas variações de temperatura. as frentes oceânicas. APLICAÇÕES DO SENSORIAMENTO REMOTO EM OCEANOGRAFIA 3. monitoramento dos campos de TSM e/ou correntes oceânicas superficiais. vórtices.3. Inicialmente.1 TEMPERATURA DA SUPERFÍCIE DO MAR As imagens infravermelhas dos oceanos obtidas. a partir da observação de variações na temperatura da superfície do mar (TSM). meandramentos e frentes. fornecimento de suporte à pesca de peixes pelágicos. Na literatura nacional e internacional. obtendo-se desta forma. só se obtinham dados de satélites no infravermelho na forma fotográfica como subproduto de imagens meteorológicas.). entre outros. dados mais precisos (cerca de 0. foi sendo possível efetuar estimativas quantitativas da TSM.Kampel . A medida em que dados digitais em maior quantidade e melhor qualidade foram sendo disponibilizados. têm sido utilizadas no estudo de diversos fenômenos e processos oceanográficos como as correntes marinhas. outros sensores. identificação de ressurgências. coletados por embarcações. de dados provenientes de diferentes fontes (por exemplo.

3.1.1 MUDANÇAS CLIMÁTICAS A Figura 1 mostrada a seguir ilustra os campos médios de anomalia de temperatura da superfície do mar entre 18 e 24 de junho de 2002, para os Oceanos Atlântico e Pacífico, respectivamente. Estes mapas foram produzidos pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE a partir de dados de satélites disponibilizados pelo Centro de Previsão do Tempo dos Estados Unidos – NCEP/NOAA. As anomalias de temperatura da superfície do mar são calculadas pelos desvios dos valores de TSM em relação a médias climatológicas obtidas por séries longas de dados de satélites. Nesta figura, podemos observar que os valores de TSM estão indicando uma evolução gradual do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico. No Oceano Atlântico Sul, as águas superficiais entre a América do Sul e a costa oeste e sul da África permanecem quentes em relação a semanas anteriores. Já no Atlântico Norte, notam-se desvios negativos da TSM próximos à costa noroeste da África, sugerindo a presença de uma banda de nebulosidade normalmente associada à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Neste caso, a posição atual da ZCIT estaria ligeiramente ao sul da sua posição média climatológica.

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Figura 1 – Anomalia de temperatura da superfície do mar, entre 18 e 24 de junho de 2002, nos Oceanos Atlântico (parte superior) e Pacífico (parte inferior). A escala de temperaturas encontra-se a direita, em cima. Eventos como o El Niño, que causam enormes prejuízos materiais e até perdas de vidas humanas, e o potencial efeito do aquecimento global devido ao aumento nos níveis de dióxido de carbono na atmosfera proveniente da queima de combustíveis fósseis (efeito estufa), enfatizam a importância do monitoramento oceânico realizado com auxílio de satélites para estudos e previsões climáticas.

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3.1.2 RESSURGÊNCIAS A Figura 2 mostra a ocorrência de um evento de ressurgência costeira na região de Cabo Frio, RJ. A imagem termal foi adquirida pelo sensor AVHRR (Advanced Very High Resolution Radiometer), instalado a bordo do satélite NOAA-12, na madrugada de 15 de dezembro de 2000. Os tons em vermelho ao largo na imagem com valores altos de TSM (>23ºC) estão associados à Corrente do Brasil. Esta corrente quente, salina e pobre em sais nutrientes, banha grande parte da costa brasileira.

Figura 2 – Carta-imagem da temperatura da superfície do mar, produzidas a partir de imagens do satélite NOAA-12, às 05:23h, mostrando o litoral do Rio de Janeiro próximo a Cabo Frio. A escala de temperaturas encontra-se a direita. Os valores em tons azuis correspondem às baixas temperaturas (< 19ºC) típicas da ressurgência. O continente e as nuvens estão mascarados em branco. A isóbata de 200 m de profundidade foi sobreposta á imagem. Na região de Cabo Frio, quando sopram ventos intensos e constantes do quadrante NE, ocorre o fenômeno da ressurgência. As águas de subsuperfície, mas frias e ricas em nutrientes, são bombeadas para níveis mais rasos, chegando a aflorar na superfície. A presença destas águas subsuperficiais pode ser facilmente notada na imagem da Figura 2 em tons azuis, com TSM’s abaixo de 19ºC.

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3.1.3 VÓRTICES E FRENTES A Figura 3 apresenta uma imagem termal, processada, do satélite NOAA-14 obtida em 8 de agosto de 2000 sobre o litoral norte do RJ. Os tons vermelhos na imagem, com valores de TSM acima de 23ºC estão associados à Corrente do Brasil, fluindo de nordeste para sudoeste. As águas sobre a plataforma continental, com TSM’s mais baixas (< 22ºC), ficam separadas das águas quentes da Corrente do Brasil por uma frente termal, onde são observados intensos gradientes horizontais de temperatura. Nestas regiões oceânicas ocorrem agregações passivas de organismos com pouca ou nenhuma capacidade natatória que servem de alimento para outros consumidores mais evoluídos. Daí seu interesse para a pesca oceânica de peixes pelágicos e outros recursos marinhos. A posição aproximada da frente está assinalada na Figura 3 por pequenas setas sucessivas. Entre as latitudes 22º-23ºS e as longitudes 40º-41ºW, e em torno da posição 24ºS-42ºW, podemos notar a presença de dois vórtices ciclônicos, com rotação no sentido horário (ver indicação das setas mais largas na Figura 3). Estas estruturas de mesoescala provocam misturas verticais e horizontais de águas com características físicas e químicas diferentes. Desta forma, processos biológicos nestas regiões acabam sendo influenciados por estes forçantes físicos alterando temporariamente a estrutura e o funcionamento do ecossistema.

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Figura 3 – Imagem termal processada do AVHRR/NOAA-14, de 08/08/2000, do litoral norte do RJ. Os tons azuis representam temperaturas mais frias enquanto que os tons amarelos e vermelhos têm valores de TSM mais altos (ver tabela de cores na figura). As setas mais largas indicam o sentido horário de rotação dos vórtices ciclônicos. As setas menores indicam a posição da frente termal. 3.2 COR DA ÁGUA

A cor do oceano é resultante da energia solar retroespalhada pela superfície marinha e pela coluna d’água. O azul escuro do oceano profundo é típico de águas com baixas concentrações de organismos fitoplanctônicos (algas unicelulares marinhas) ou outras substâncias opticamente ativas (materiais

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1959. a entrada de nutrientes no ambiente aquático geralmente aumenta. com conseqüente desenvolvimento de maiores concentrações de fitoplâncton e mudança de cor do azul para o verde. da profundidade até onde a irradiância é reduzida a 37% (1/e) do seu valor na superfície (Gordon e McCluney. Por isso.Kampel . ou seja.orgânico e inorgânico). através do sensoriamento remoto orbital. Avaliações quantitativas das propriedades bio-ópticas da água do mar requerem métodos precisos de correção atmosférica. Da irradiância que chega aos oceanos. Clark. 90% retorna à atmosfera e é proveniente da primeira profundidade óptica. DSR/INPE 6-21 M. visto que. 1978. é restrito a esta camada. Assumindo que a contribuição atmosférica ao sinal do satélite pode ser estimada. A cor da água muda para amarelo-marron chegando a vermelha em certas circunstâncias. Estas cores percebidas pelo olho humano podem ser quantificadas por medidas da distribuição espectral da radiância ascendente da água realizadas por sensores instalados em satélites.. Quanto mais próximo da costa. 1975). a determinação da concentração de pigmentos. resta interpretar a radiância ascendente ressurgente da água em termos das características ópticas das camadas superiores do oceano (ou em termos das variações nas concentrações e tipos de material dissolvido e particulado que contribuem para variações nestas propriedades ópticas). As equações utilizadas nestes procedimentos são coletivamente referidas como algoritmos bio-ópticos (Smith e Baker. maior a contribuição de sedimentos e material dissolvido provenientes do continente. O fitoplâncton altera as propriedades ópticas da água do mar (Yentsch. 1981). cerca de 90% do sinal detectado pelos sensores orbitais provêm da atmosfera. 1970). Clarke et al. A medida que se aproxima da costa.

A obtenção rotineira de dados quantitativos das propriedades bio-ópticas dos oceanos permite ainda o exame dos fatores oceânicos que afetam as mudanças globais. A partir de imagens da concentração superficial de pigmentos. 3. Desta forma. Monger et al. A cor da água do mar é.1 CONCENTRAÇÕES SUPERFICIAIS DE CLOROFILA Rotineiramente.05-50 mg. alterada pela presença de determinados tipos de poluentes. entre outros). podemos citar os estudos de processos dinâmicos de correntes de maré.m-3. ressurgências e vórtices de mesoescala (Peláez e McGowan. 1994. frentes oceânicas.2. Estas imagens podem ainda ser utilizadas para monitorar plumas de sedimentos carreados por rios para a região costeira. torna-se possível avaliar o papel dos oceanos no ciclo global do carbono. aliadas à cobertura por nuvens. 1986. Segundo Hooker e McClain (2000). Biggs e Müller-Karger. os mapas de concentrações de clorofila-a obtidos atualmente têm acurácia de ±30% no intervalo entre 0. 1997. 1994.Kampel . Santamaria-del-Angel et al. Da mesma forma.. tem se desenvolvido diversas aplicações oceanográficas com a utilização de dados orbitais da cor do oceano. como a clorofila-a.. lançando mão da distribuição de sedimentos em suspensão como traçador.Apesar destas limitações. Laurs e Brucks (1985) demonstraram a utilização dos mapas de concentração de pigmentos no estudo da distribuição de capturas de tunídeos. é possível observar sinopticamente feições biológicas de sistemas dinâmicos como os grandes giros subtropicais. servindo como indicadores auxiliares no controle da poluição marinha. Entre estas. algumas vezes. plumas de efluentes domésticos e/ou industriais também podem ser monitorados com esta tecnologia. assim como em outros ciclos biogeoquímicos. DSR/INPE 6-22 M. através de programas de pesquisa abrangentes. os dados da cor do oceano obtidos por satélites são empregados para estimar as concentrações de clorofila na superfície do mar.

Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. Figura 4 – Imagem da concentração de clorofila-a superficial obtida a partir do sensor SeaWiFS em 09/08/2000 sobre a costa sudeste brasileira. Tomé. normalmente localizadas mais próximo à costa.A Figura 4 apresentada a seguir mostra os campos superficiais de concentração de clorofila-a obtidos pelo processamento da imagem SeaWiFS de 09/08/2000. DSR/INPE 6-23 M. e as águas mais ricas sobre a plataforma. As setas pequenas na imagem indicam a presença de uma frente oceânica formada entre as águas pobres e oceânicas da Corrente do Brasil. 1000. Os tons de amarelo a vermelho correspondem a águas mais ricas em clorofila. A seta mais larga indica o sentido de rotação do vórtice ciclônico ao largo de S. Os tons amarelo a vermelhos indicam concentrações mais altas de clorofila (notar a tabela logarítmica de cores na parte inferior da figura). As isóbatas de 500. Os tons azuis correspondem a baixas concentrações de pigmentos. 2000 e 3000 m de profundidade foram sobrepostas à imagem. típicas das águas oligotróficas da Corrente do Brasil. As setas pequenas indicam a presença de uma frente oceânica.Kampel .

típicos de águas oceânicas pobres. são encontrados em regiões costeiras. A produção primária é expressa como função da biomassa fitoplanctônica e da irradiância disponível em diferentes níveis de profundidades.C. pode-se tentar quantificar as relações entre a física dos oceanos e os padrões de produtividade em grande e mesoescala (McClain et al.1992).A seta mais larga quase em frente a Cabo de São Tomé.m-2) para o mês de agosto de 1998..Kampel . A Figura 5 mostra um mapa médio da produtividade primária fitoplanctônica integrada na coluna d’água (g. 3. A biomassa fitoplanctônica na camada superficial é determinada pela concentração de clorofila-a obtida por imagens da cor do oceano. A tabela de cores aparece na parte inferior da figura. Os tons de verde a vermelho. A análise de séries temporais de imagens da cor do oceano permite que se conheça a magnitude e a variabilidade das concentrações de clorofila e da produtividade primária em escala global. Com isso. Feições oceanográficas de mesoescala também podem ser visualizadas em imagens da cor do oceano. correspondentes a valores de produção primária mais altos. e a irradiância DSR/INPE 6-24 M. É interessante notar a mais alta produtividade do Oceano Atlântico Norte em relação ao Atlântico Sul. Este mapa foi obtido a partir de um algoritmo semi-analítico baseado nas relação fundamental entre fotossíntese e luz. 1990).2 PRODUTIVIDADE PRIMÁRIA A velocidade com que as concentrações de clorofila variam no tempo e/ou quanta fotossíntese está ocorrendo durante o dia é chamada de produtividade primária (primária porque é a fase inicial e crítica da teia alimentar).2. Os tons azuis. nesta época do ano. indica o sentido de rotação de um vórtice ciclônico presente na imagem. de divergência equatorial e em áreas de ressurgência. A irradiância disponível na superfície do mar foi calculada por modelos de transferência radiativa (Gregg e Carder. da mesma forma como em imagens termais. correspondem aos menores valores de produtividade.

A tabela de cores correspondentes aos valores de produtividade em g. 3. Figura 5 – Produtividade primária fitoplanctônica integrada média para o mês de agosto de 1998 estimada a partir de imagens SeaWiFS. e há uma tendência permanente ao aumento da concentração demográfica nessas regiões. 1988). cuja diversidade é marcada pela transição de ambientes terrestres e marinhos. Desta forma.disponível abaixo da superfície do mar foi estimada por modelos de atenuação na coluna d’água (Sathyendranath e Platt. O Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) é um dos instrumentos do Gerenciamento Costeiro que baliza o processo de ordenamento territorial DSR/INPE 6-25 M.C. pode-se dizer que a sustentabilidade das atividades humanas nas zonas costeiras depende de um meio marinho saudável e vice-versa. A maior parte da população mundial vive em zonas costeiras.3 GERENCIAMENTO COSTEIRO A Zona Costeira abriga um mosaico de ecossistemas de alta relevância ambiental. com interações que lhe conferem um caráter de fragilidade.Kampel . fundamentalmente. e deste com a sociedade. na construção de um modelo cooperativo entre os diversos níveis e setores do governo.2. Em síntese. a atividade de gerenciamento deste amplo universo de trabalho implica.m-2 encontra-se na parte inferior da figura.

MA e CE. tem-se uma área total de 16. composição colorida 3B4G5R. incluindo o seu delta. MA e CE). A Figura 6 a seguir mostra a área do Baixo Rio Parnaíba. Incorporando a área marinha. Esta região é alvo de diferentes interesses que visam a alterar suas condições de uso e ocupação.Kampel .25 km2. O avanço da ocupação sobre a área e a intensificação de alguns usos têm aumentado as ameaças quanto à degradação ambiental e à dilapidação do patrimônio natural. DSR/INPE 6-26 M.744. até a isóbata de 20 m. sensor ETM+. Para garantir a sustentabilidade do seu desenvolvimento. entrte os estados do Pi. à porção terrestre. foi elaborado um ZEE como um passo importante para orientar planos de gestão.necessário para a obtenção das condições de sustentabilidade ambiental do desenvolvimento da Zona Costeira. Figura 6 – Mosaico de imagens Landsat 7. do Baixo do Parnaíba (PI.

O índice de aproveitamento utilizando a telemetria de dados por satélites. Atualmente temos em atividade 10 derivadores de baixo custo. mas que podem ser obtidos com auxílio da tecnologia espacial. Oceano Atlântico Sudoeste.3 BÓIAS RASTREADAS POR SATÉLITES Como mencionado anteriormente. A parte submersa encontra-se em tons de azul. têm sido desenvolvidos e utilizados pelo INPE desde 1985.br/pnboia/pnboia. bem como os dados de temperatura da água e pressão ao nível do mar coletados por eles.dsr.Kampel . Suas trajetórias. Bóias ancoradas e derivadores rastreados por satélites. o que nos motiva a continuar trabalhando desta forma. DSR/INPE 6-27 M. têm sido excelente. existem outros tipos de dados úteis aos estudos oceanográficos. para estudos ambientais e oceanográficos nas regiões da Antártica. padrão WOCE.html Figura 7 – (a) Esquema de um derivador de baixo custo. padrão WOCE (Figura 7). através do Sistema Argos. (b) Fotografia de um derivador padrão WOCE construído pelo INPE. e Atlântico Tropical. na costa brasileira. como por exemplo. rastreado por satélite.inpe.3. podem ser acessados pela internet em: http://www. que não na forma de imagens.

conduzido pelo INPE e pela Marinha do Brasil. O Programa Nacional de Bóias. Os dados coletados por estes derivadores são utilizados em estudos da circulação oceânica.Kampel . pretende continuar lançando outros derivadores nos próximos anos. etc. segurança nacional. Depois de processadas. Esperamos ter demonstrado. entre outras aplicações. através de altímetros e escaterômetros. 6 estão sob responsabilidade do Brasil. ainda que de forma sucinta. 4. intensidade e direção dos ventos superficiais. com participação do INPE que pretende estudar as interações entre o oceano e a atmosfera na região do Atlântico Tropical que sejam relevantes para os estudos sobre as mudanças climáticas.br/pirata/) é uma iniciativa internacional. Como exemplo. a capacidade dos satélites de pesquisa em medir parâmetros e/ou variáveis oceânicas importantes para o clima. transporte marítimo. O Projeto Pirata (http://www4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Além dos exemplos de aplicações apresentados acima. monitoramento ambiental. transporte de calor. Os dados oceanográficos e meteorológicos adquiridos automaticamente por estas bóias são transmitidos via Sistema ARGOS. entre outros. estando atualmente inativos. calibração de imagens orbitais termais. cabe mencionar que diversos outros parâmetros e variáveis de interesse oceanográfico também são obtidos com o emprego de tecnologia espacial. Mesmo com a tecnologia espacial DSR/INPE 6-28 M. De um total de 12 bóias fundeadas em atividade atualmente. todas as informações são disponibilizadas pela internet.cptec. altura e direção de ondas. podemos citar: a detecção de derrames de óleo no mar através de radares de abertura sintética. previsões meteorológicas marinhas.Pelo menos outros 50 derivadores do mesmo tipo foram lançados na nossa costa.inpe. pesca. nos últimos anos.

bem como não podemos deixar de conhecer os sistemas e os sensores em disponibilidade e suas técnicas de utilização. As áreas mais promissoras são as que utilizam dados coletados convencionalmente .Kampel . e por observações orbitais de forma complementar. quase todos os ramos da Oceanografia consideram o Sensoriamento Remoto como uma ferramenta de grande utilidade na aquisição de dados de interesse. para nos beneficiarmos da melhor forma possível. ainda existe uma insuficiência de informações em muitas regiões do nosso planeta. Se desejamos acompanhar esta evolução. de mais esta conquista do Homem na procura da compreensão do meio em que vive. Evidências deste progresso são os novos programas que utilizam a tecnologia espacial para aplicações em oceanografia.por bóias e navios. são incluídos os estudos de processos oceanográficos que requerem uma resolução espacial sinóptica e uma capacidade de amostragem por longo período. mais especificamente na área de Oceanografia. é o de explorar teorias e conceitos e desenvolver aplicações que não se concretizariam somente com a utilização de métodos convencionais. características estas possíveis de serem obtidas com o emprego de satélites. DSR/INPE 6-29 M. Diversos projetos de pesquisa que utilizam dados coletados por satélites têm ampliado o nosso entendimento sobre o sistema oceano.atualmente disponível. Atualmente. não devemos esquecer os princípios básicos envolvidos na aquisição de dados por Sensoriamento Remoto. Neste contexto geral. O desafio àqueles que desenvolvem pesquisas em Sensoriamento Remoto. afim de se revelar uma perspectiva mais ampla para o estudo e entendimento de processos e fenômenos oceanográficos.

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mail : stelio@ltid.inpe.br 7-1 S.Tavares Jr DSR/INPE .S.CAPÍTULO 7 S E N S O R I A M E NT O R E M O T O APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS Stélio Soares Tavares Júnior∗ INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE ∗ e.

S.Tavares Jr .DSR/INPE 7-2 S.

FATORES CONSIDERADOS....................... QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS ............. FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA ............... 7-7 4... 7-8 DSR/INPE 7-3 S.................................S....Tavares Jr ................................................................ 7-7 3...................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................... 7-4 2........ INTEGRAÇÃO DE DADOS..............ÍNDICE 1.........

algumas razões de bandas como a entre as bandas 5 e 7 do Landsat 5 .S. Ex: cursos de água de ordens inferiores e formas menores de relevo como aquelas produzidas pelos processos erosivos atuais como voçorocas. DSR/INPE 7-4 S.TM podem mostrar feições associadas a zonas de alteração hidrotermal. largura e quantidade de bandas de um determinado sensor constituem importantes fatores para detecção de características particulares de uma dada região.Tavares Jr .SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO AOS ESTUDOS GEOLÓGICOS 1. as quais.Características do sistema sensor a) Sistemas Ópticos • Resolução Espacial – imagens com resoluções espaciais adequadas contribuem de forma significativa para detecção de feições menores. QUANDO IMAGENS DE SENSORIAMENTO REMOTO SÃO UTILIZADAS EM APLICAÇÕES GEOLÓGICAS: Características do sistema sensor Litologia (tipos de rochas) Fisiografia da região Influência das variações sazonais refletidas na cobertura vegetal Influência das variações sazonais refletidas nos ângulos solares de elevação e azimute . que por muitas vezes tornam-se importantes para a fotointerpretação geológica. FATORES CONSIDERADOS. por sua vez. podem estar relacionadas a processos de enriquecimento mineral. • Resolução Espectral – a posição. ravinas e cicatrizes de deslizamentos. Por exemplo.

ocasionando um fraco sinal de retorno da REM à antena. enquanto os elevados são para áreas de relevo movimentado. Desse modo na imagem resultante predominam tons de cinza mais escuros. geralmente o trend estrutural principal da área. podem auxiliar na interpretação da variabilidade litológica. ressalta-se a importância do comprimento de onda e da geometria de iluminação. após contato com o terreno. Por outro lado.Influência da Litologia O mapeamento geológico parte do princípio que diferentes tipos de rochas. Os principais minerais de rochas ígneas possuem curvas de reflectâncias lisas. por conseguinte interferem na qualidade e confiabilidade da interpretação. Ângulos de incidência menores são adequados para terrenos planos. Entre essas características dos sensores. e cujo conhecimento é considerado um fator indispensável na interpretação dos dados SAR. umidade e orientação estrutural. resolução espacial e geometria de iluminação favorece a seleção de imagens mais adequadas às aplicações geológicas. permitindo apenas a diferenciação entre félsicos e máficos. a qual é composta pelo ângulo de incidência e azimute de visada. polarização. são mais realçadas quando o azimute de visada é ortogonal às suas direções. produzindo uma imagem com melhor variação tonal.• Resolução Radiométrica – as variações nos níveis de cinza resultado da sensibilidade com que o sistema registra as mudanças de comportamento dos alvos. Entre as rochas a reflectância decresce dos termos ácidos (pegmatitos e granitos) para os básicos e DSR/INPE 7-5 S. .S. ou seus derivados do intemperismo. possuem comportamentos espectrais próprios. Em termos geológicos as feições de maior destaque. em áreas de vegetação densa e relevo movimentado o sinal de retorno é mais forte.Tavares Jr . Estes aspectos influenciam diretamente na aparência da imagem. terrenos planos com vegetação rala podem configurar uma superfície lisa para determinadas faixas de freqüência como a da banda L. Esta seleção também deve levar em consideração aspectos morfológicos do terreno como: rugosidade (macro e superficial). b) Sistema Radar A existência de sensores SAR com características distintas de comprimento de onda. Quanto ao comprimento de onda. pois são importantes para o realce topográfico.

Nas áreas de savana. Épocas de estações chuvosas. inclusive a vegetal. onde a folhagem apresenta alta reflectância. .75 µm). Essa diferença torna-se mais evidente nas imagens obtidas em épocas de estiagem. desenvolvida sobre solos de baixa fertilidade. DSR/INPE Em 7-6 S. Nesse caso. . rochas totalmente alteradas considera-se o comportamento dos solos derivados.9 µm) e a erosão diferencial contribuem para análise estrutural e a discriminação litológica. mesmo na estação chuvosa. podem fornecer uma imagem com melhor variação tonal. a alta reflectância na banda 4 do TM (0.S. outros intervalos espectrais. a vegetação pode servir como parâmetro auxiliar no mapeamento geológico. Nas imagens de áreas com cobertura vegetal tipo savana.Tavares Jr .Influência das variações sazonais na cobertura vegetal Este fator influencia na intensidade com que a cobertura vegetal reflete os grandes traços geológicos e contribui para associações geobotânicas.76-0. principalmente daquelas na faixa espectral do infravermelho próximo. em relação as do infravermelho médio. Dessa forma. favorecem tanto a fotointerpretação dos traços estruturais como a análise da associações geobotânicas sobre imagens de sensoriamento remoto. quando a vegetação encontra-se sob estresse hídrico.551.ultrabásicos. quando a vegetação encontra-se no seu vigor máximo. que por sua vez refletem a organização estrutural. as respostas espectrais podem estar diretamente associadas a variabilidade litológica e ou pedológica. Entre as rochas parcialmente alteradas nota-se comportamento semelhante. a qual está diretamente associada às respostas espectrais da litologia e ou do solo. pois a parte superior da floresta tende a acompanhar os traços do relevo regional. ela aparece em tons de cinza mais escuros nas bandas espectrais do infravermelho próximo. Em regiões de floresta densa.Influência das condições fisiográficas da área A escolha adequada da banda espectral é fundamental para a obtenção de bons resultados no mapeamento dos tipos de cobertura. apenas com um aumento relativo dos valores de reflectância. devido ao menor porte e maior espaçamento da distribuição da vegetação. como o da banda 5 do TM (1.

. além de colaborar na redução de custos despendidos em trabalhos de campo. Esses desempenham papel fundamental no desenho da paisagem natural da superfície terrestre. 3. 2. FOTOINTERPRETAÇÃO GEOLÓGICA O primeiro passo seguido na etapa de interpretação geológica consiste no reconhecimento na imagem dos elementos naturais da paisagem (drenagem e relevo). Desse modo a utilização dessas técnicas alcançou uma vasta variedade de aplicações dentro do conjunto de disciplinas das Ciências da Terra. A DSR/INPE 7-7 S. a qual de uma forma geral exerce controle nas acumulações minerais. bem como suas disposições refletem a organização estrutural. como é o caso das imagens geofísicas de gamaespectrometria. as quais visem a seleção de cenas. Em geral nas aplicações geológicas procura-se integrar dados de alta resolução espacial que realcem aspectos morfológicos do terreno. para as análises quantitativas e qualitativas e para os procedimentos de interpretação visual em geral. a fim de melhor realça-las.S.Tavares Jr . devem ser considerados.Influência das variações sazonais decorrentes dos ângulos solares de elevação e azimute Menores ângulos de elevação solar produzem maior realce do relevo e permitem com maior facilidade a identificação de lineamentos estruturais. INTEGRAÇÃO DE DADOS As técnicas de fundir dados provenientes de fontes diferentes (multifontes) vêm sendo amplamente utilizadas com intuito de gerar um produto final de boa qualidade visual. porém em regiões equatoriais esse ângulo pouco varia com a sazonalidade. como é o caso das imagens SAR. com dados que denotem aspectos do comportamento espectral dos materiais constituintes. cuja o azimute solar seja o mais ortogonal possível com as orientações estruturais. Dentro das várias técnicas utilizadas destaca-se o método baseado na transformação para o espaço IHS. Desse modo outros parâmetros. ou seja. que estejam relacionados com a variação litológica. como o azimute de iluminação solar. Assim justifica-se a necessidade de análises multitemporais.

através da análise das propriedades de suas formas. C. A.br/obt/dsr/geologia. Caracterizadas as diversas formas de arranjo dos elementos texturais de drenagem e relevo juntamente com o exame da variação tonal e ou de matiz. São José dos Campos: INPE/ADIMB.Tavares Jr . Santos. porém o mais comum é a passagem gradual ou difusa das propriedades dos elementos texturais.inpe.. Elementos de análise e interpretação de imagens de sensoriamento remoto. A partir desse exame individualiza-se na imagem vários setores com propriedades de textura e estrutura similares. http://www. 103p. R. C. Os limites entre essas zonas podem ser bem definidos e corresponderem a contatos litológicos. 2001. Veneziani. Para os produtos integrados multifontes considera-se a variação de matiz. (INPE-2227-MD/014). 2000b. P. R. 1982. é possível avaliar os significados geológicos. 54p.S. no caso de produtos multifontes. [online]. DSR/INPE 7-8 S. São José dos Campos: INPE.. os quais constituem as zonas homólogas. Ago.variação tonal é um outro elemento de imagem que merece destaque. isto ocorre quando é marcado por uma quebra negativa de relevo. Radar aplicado ao mapeamento geológico e prospecção mineral: aplicações. & Anjos. Metodologia de interpretação de dados de Sensoriamento Remoto e aplicações em Geologia. W. Paradella. 4. O passo seguinte consiste em um exame cuidadoso do padrão de organização desses elementos. bem como definir unidades fotolitológicas e associa-las às litologias descritas em trabalhos anteriores. Morais. E. por ser condicionada à reflectância dos alvos da superfície terrestre. R. Veneziani. P.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida Filho. M. a qual reflete as características (variação litológica) dos dados utilizados na fusão com o SAR ou com um produto derivado das imagens multiespectrais .

CAPÍTULO 8 SENSORIAMENTO REMOTO NO E S T U D O D A V E G E T A Ç Ã O: DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA F l á v i o J o r g e P o n z o n i1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 flavio@ltid.inpe.br .

DSR/INPE 8-2 F.Ponzoni .J.

............................................. INTRODUÇÃO .................Ponzoni ............... 8-7 2.....5 1................................ 8.....ÍNDICE LISTA DE FIGURAS .......................................... A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO ... 8-27 DSR/INPE 8-3 F........................................J.............. INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS ........ 8-12 4.................................. 8-17 6.................................... 8-8 3................... PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS ...................... DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA ........................ 8-15 5...................................................................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..............

Ponzoni .DSR/INPE 8-4 F.J.

.............000 SOBRE O DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA ...............................LISTA DE FIGURAS 1 – SEÇÃO TRANSVERSAL DE UMA FOLHA MOSTRANDO OS POSSÍVEIS CAMINHOS DA LUZ INCIDENTE ......... 8-25 DSR/INPE 8-5 F.J........... 8-10 2 – CURVA DE REFLECTÂNCIA TÍPICA DE UMA FOLHA VERDE ................. 8........................ 8-11 3 – DOMÍNIO DA MATA ATLÂNTICA ....22 5 – CONTORNO DAS CARTA TOPOGRÁFICAS NA ESCALA 1:250..................................................... 8-19 4 – “OVERLAY” SOBRE A IMAGEM E O MAPA PRELIMINAR RESULTANTE DA INTERPRETAÇÃO......... 8-23 6 – COMPOSIÇÕES COLORIDAS UTILIZADAS NOS MAPEAMENTOS DE 1985-90 (A) E 1990-95 (B) ..........................................................................................Ponzoni ......................................................................

J.DSR/INPE 8-6 F.Ponzoni .

a coleta de dados e seu registro através de um sensor e a análise desses dados com o objetivo de extrair as informações pretendidas de um dado objeto. Adicionalmente apresentamos um exemplo de mapeamento da vegetação no domínio da Mata Atlântica. os quais são normalmente posicionados a alguns metros acima de um plantio agrícola ou do topo de um dossel florestal com objetivo semelhante àquele mencionado para a análise dos dados coletados em laboratório. a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto para o estudo da vegetação têm quatro diferentes níveis possíveis de coleta de dados: em laboratório.1. bem como de conjuntos de plantas visando identificar possíveis alterações na forma como esses órgãos interagem com a radiação eletromagnética. no nível de aeronave e no nível orbital.J. DSR/INPE 8-7 F. em campo. as quais incluem a geração e utilização de imagens pictóricas na elaboração de mapas temáticos e/ou na avaliação espectral da cobertura vegetal de extensas áreas da superfície terrestre. utilizam-se radiômetros aos quais podem ser acoplados acessórios que permitem a coleta e o registro da radiação refletida de folhas e demais órgãos das plantas. diferentes sensores podem ser utilizados concomitantemente na geração de curvas espectrais ou de imagens. Finalmente no nível orbital é que se concentram as aplicações mais comumente divulgadas na comunidade em geral. No nível de aeronave. Em campo. INTRODUÇÃO Como foi apresentado nos capítulos anteriores. Assim como para o estudo da maioria dos recursos naturais. caracterizada principalmente pelo fenômeno de reflexão da radiação. A aplicação dessas técnicas é viabilizada através do cumprimento de diversas etapas que incluem a interação em si. Em laboratório. as técnicas de Sensoriamento Remoto se fundamentam em um processo de interação entre a Radiação Eletromagnética e os diferentes objetos que se pretende estudar.Ponzoni . Neste capítulo abordamos os princípios que fundamentam os estudos da vegetação através da aplicação de técnicas de sensoriamento remoto. novamente radiômetros são utilizados. que vem sendo realizado com bastante sucesso.

O processo de espalhamento. flores. os radiômetros e os sensores eletro-ópticos. assim como no nível orbital. dos quais são coletados dados radiométricos com o objetivo de caracterizar espectralmente fenômenos e/ou aspectos relacionados ao processo de interação entre a radiação eletromagnética (REM) e a vegetação. mesófilo DSR/INPE 8-8 F. Para uma melhor compreensão das características de reflectância da REM incidente sobre uma folha é necessário o conhecimento de sua composição química. a folha constitui o principal deles quando se considera o processo de interação descrito. Há de se considerar que um dossel é constituído por muitos elementos da própria vegetação. A principal motivação dos estudos em vegetação envolvendo a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto. teleféricos. pode ser dividido em dois sub-processos: reflexão e transmissão através do elemento. De todos os elementos constituintes da vegetação. que permitem a colocação dos sensores imediatamente acima dos dosséis vegetais segundo as mais diferentes disposições. e de sua morfologia interna (distribuição e quantidade de tecidos. Na coleta de dados em aeronave. principalmente tipo e quantidade de pigmentos fotossintetizantes.2. etc. por sua vez. ângulo de incidência e polarização) e das características físico-químicas destes mesmos elementos. como folhas. estão incluídas as máquinas fotográficas. partes de plantas ou até alguns arranjos de plantas. a qual é fruto de um processo complexo que envolve muitos parâmetros e fatores ambientais. fundamenta-se na compreensão da “aparência” que uma dada cobertura vegetal assume em um determinado produto de sensoriamento remoto. etc. Um fluxo de radiação incidente sobre qualquer um destes elementos estará sujeito a dois processos: espalhamento e absorção. os dados podem ser coletados diretamente das folhas ou através de dispositivos como plataformas (móveis ou fixas). espaços intercelulares. A RADIAÇÃO ELETROMAGNÉTICA E A VEGETAÇÃO No nível de coleta de dados em laboratório comumente são consideradas as folhas. etc). frutos. galhos.J. O destino do fluxo radiante incidente sobre um destes elementos é então dependente das características do fluxo (comprimentos de onda. Em campo. Uma folha típica é constituída de três tecidos básicos que são: epiderme.Ponzoni .

a trajetória da REM se daria ao longo de vários meios. o qual por sua vez é freqüentemente subdividido numa camada ou em camadas de células paliçádicas alongadas. morfologia e estrutura interna. Desde que as características da folha são geneticamente controladas.J. arranjadas perpendicularmente à superfície da folha.Ponzoni . que formam o parênquima. A folha é então coberta por uma camada de células protetoras epidérmicas. O comportamento espectral de uma folha é função de sua composição. ar. existirão portanto diferenças no comportamento espectral entre grupos geneticamente distintos. Levando em consideração o conceito da reflectância interna numa folha e os conhecimentos do espectro de absorção da clorofila. Uma terceira característica estrutural da folha é o tecido vascular. As estruturas das células que compõem os três tecidos das folhas são muito variáveis.fotossintético e tecido vascular. para as demais partes da planta. mas também constitui a passagem pela qual fluem os produtos da fotossíntese que são produzidos na folha. por exemplo. a qual é válida até hoje. A rede de tecidos do sistema vascular não serve somente para suprir a folha com água e nutrientes do solo. Além desta variação nos índices de refração dos DSR/INPE 8-9 F. etc. As células do parênquima são ocupadas por seiva e protoplasma. Esparsos através do mesófilo estão os espaços intercelulares cheios de ar. Willstatter e Stoll (1918). os quais se abrem para fora através dos estômatos. Segundo eles. através de uma camada de água. na qual muitas vezes desenvolve-se uma fina e relativamente impermeável superfície externa. Um mesmo feixe de radiação poderia passar.33. Abaixo da epiderme encontra-se o mesófilo fotossintético. desenvolveram uma teoria sobre a trajetória da REM dentro de uma folha. Os autores basearam sua teoria na estrutura interna das folhas e na reflectância potencial das superfícies. que possui um índice de refração de 1. e em seguida atravessar um espaço preenchido com ar. Esta rede de passagens de ar constitui a via de acesso pela qual o CO2 alcança as células fotossintéticas e o O2 liberado na fotossíntese retorna à atmosfera externa. sendo estes compostos pela água. dependendo da espécie e das condições ambientais. membranas celulares. que possui um índice de refração igual a 1.

foi considerado que as células dos tecidos foliares. onde os raios incidem freqüentemente nas paredes celulares. Esta reflexão múltipla é essencialmente um processo aleatório no qual os raios mudam de direção dentro da folha. já que geralmente a transmitância é maior do que a reflectância para folhas finas. Fig. Dado o grande número de paredes celulares dentro da folha. principalmente do mesófilo esponjoso. 1-Seção transversal de uma folha mostrando os possíveis caminhos da luz incidente. como mostra a Figura 1. Fonte: Gates et al . sendo orientada espacialmente sob diversos ângulos.Ponzoni . (1965) DSR/INPE 8-10 F. possuem uma estrutura irregular. sendo refletidos se os ângulos de incidência forem suficientemente grandes. A maior parte é transmitida para o mesófilo esponjoso. Willstatter e Stoll (1918) imaginaram as possíveis trajetórias da REM dentro de uma folha. mas o inverso acontece com folhas grossas.J. A espessura da folha é fator importante no caminho da REM. alguns raios são refletidos de volta. Uma pequena quantidade de luz é refletida das células da camada superficial. enquanto outros são transmitidos através da folha.diversos meios a serem atravessados.

Ponzoni . carotenos (6%). em cada uma destas regiões são: 5. Fonte: Novo (1989) A região compreendida entre 400 nm a 2600 nm pode ser dividida em três áreas: 5. b) região do infravermelho próximo (700 nm a 1300 nm). Fig. geralmente encontrados nos cloroplastos são: clorofila (65%). e também convertida fotoquimicamente em energia estocada na forma de componentes orgânicos através da fotossíntese. região do visível: Nesta região os pigmentos existentes nas folhas dominam a reflectância espectral. c) região do infravermelho médio (1300 nm a 2600 nm). 2-Curva de reflectância típica de uma folha verde.J. e xantofilas (29%). Estes pigmentos.A curva de reflectância característica de uma folha verde sadia é mostrada na Figura 2. DSR/INPE 8-11 F. porque uma grande quantidade dessa energia é absorvida pela atmosfera e a vegetação não faz uso dela. Os principais aspectos relacionados ao comportamento espectral da folha. A energia é absorvida seletivamente pela clorofila e é convertida em calor ou fluorescência. região do visível (400 nm a 700 nm). Os valores percentuais destes pigmentos existentes nas folhas podem variar grandemente de espécie para espécie. Os comprimentos de onda relativos ao ultravioleta não foram considerados. A energia radiante interage com a estrutura foliar por absorção e por espalhamento.

(1965) determinam que a reflectância espectral de folhas nessa região do espectro eletromagnético é o resultado da interação da energia incidente com a estrutura do mesófilo. Gates et al. Uma vez que a folha é o principal elemento da vegetação sob o ponto de vista do processo de interação com a REM. esta apresenta na região em torno de 2000 nm.Ponzoni . Em termos mais pontuais. também seja válido para os dosséis. INTERAÇÃO DA REM COM OS DOSSÉIS VEGETAIS Todas as discussões apresentadas até o momento referiram-se ao estudo das propriedades espectrais de folhas isoladas. Fatores externos à folha. c) região do infravermelho médio: A absorção devido à água líquida predomina na reflectância espectral das folhas na região do infravermelho próximo. 1950 nm. maior será o espalhamento interno da radiação incidente. culturas agrícolas. 2700 nm e 6300 nm. espera-se que muito do que foi exposto referente às características de reflectância das folhas. 1450 nm. A reflectância espectral é quase constante nessa região.J. Considerando a água líquida. 3. quando comparadas as curvas de reflectância de uma folha DSR/INPE 8-12 F. maior será também a reflectância. podendo alterar a reflectância de uma folha nesta região. formações de porte herbáceo. mas a aplicação das técnicas de sensoriamento remoto no estudo da vegetação. a absorção da água se dá em 1100 nm. inclui a necessidade de compreender o processo de interação entre a REM e os diversos tipos fisionômicos de dosséis (florestas. sendo menor do que 10% para um ângulo de incidência de 65o e menor do que 5% para um ângulo de incidência de 20º A água absorve consideravelmente a REM incidente na região espectral compreendida entre 1300 nm a 2000 nm. etc). De fato. De maneira geral. e consequentemente. quanto mais lacunosa for a estrutura interna foliar.b) região do infravermelho próximo: Nesta região existe uma absorção pequena da REM e considerável espalhamento interno na folha. A absorção da água é geralmente baixa nessa região. como disponibilidade de água por exemplo. uma reflectância geralmente pequena. podem causar alterações na relação águaar no mesófilo.

A DAF varia consideravelmente entre os tipos de vegetação. arranjados regularmente no solo (plantios em fileiras. e os ângulos azimutais ϕl e ϕl +dϕl. O IAF é um dos principais parâmetros da vegetação e é requerido em modelos de crescimento vegetal e de evapotranspiração. do tipo de vegetação existente e do estágio de desenvolvimento das plantas. extremófila. ϕ l). A distribuição espacial depende de como foram arranjadas as sementes no plantio (no caso de vegetação cultivada). ϕ l) dθl dϕl é a fração de área foliar sujeita aos ângulos de inclinação θl e θl +dθl. A distribuição espacial dos elementos da vegetação. assume-se que a densidade dos elementos da vegetação é uniforme. que representa a razão entre a área do elemento e a área no terreno. estes mesmos dosséis deverão apresentar-se com tonalidade clara e em imagens do infravermelho médio espera-se tons de cinza intermediários entre o escuro das imagens do visível e o claro daquelas do infravermelho próximo. em função da ação dos pigmentos fotossintetizantes. Por conseguinte f(θl. por exemplo) ou arranjados aleatoriamente. Outro parâmetro que define a arquitetura do dossel é a Distribuição Angular Foliar (DAF). bem como a suas densidades e orientações.verde sadia com as medições espectrais de dosséis. Em vários modelos de reflectância da vegetação um dossel é considerado como sendo composto por vários sub-dosséis. Essa semelhança permite que os padrões de reflectância apresentados pelos dosséis vegetais em imagens multiespectrais possam ser previstos. é ainda relacionado à biomassa. onde θl e ϕl são a inclinação e o azimute da folha. uniforme e esférica.Ponzoni . definem a arquitetura da vegetação. estas apresentam formas muito semelhantes. plagiófila. Assim. segundo uma distribuição específica. É caracterizada por uma função de densidade de distribuição f(θl. em imagens da região do infravermelho próximo. DSR/INPE 8-13 F. Os dosséis são normalmente descritos por um dos seguintes seis tipos de distribuições: planófila. Para um dossel ou subdossel homogêneo. respectivamente. por exemplo. espera-se que em imagens referentes à região do visível os dosséis apresentem tonalidade escura devido à baixa reflectância da REM. o que é caracterizado pelo Índice de Área Foliar (IAF). erectófila.J.

até que o IAF atinja valores compreendidos entre 6 e 8. por exemplo. o aumento do IAF implica no aumento do espalhamento e no conseqüente aumento da reflectância da vegetação. aumentaria a influência do espalhamento dos elementos deste mesmo dossel. Na região do visível. muito da radiação incidente é interceptada e absorvida pelas folhas e um permanente aumento do IAF não influenciará a reflectância da vegetação. DSR/INPE 8-14 F.Ponzoni . mais e mais energia será absorvida pela vegetação. uma vez que muito da energia incidente sobre uma folha é absorvida. uma vez que as folhas são praticamente transparentes nesta região espectral. exerce menos influência na região do infravermelho do que na região do visível devido ao menor efeito das sombras. com o aumento do número de folhas. a reflectância na região do visível decresce quase que exponencialmente com o aumento do IAF até atingir um valor próximo de 0. Um outro efeito da arquitetura do dossel sobre sua reflectância ocorre quando os elementos da vegetação não se encontram uniformemente distribuídos. este agrupamento apresentaria dois efeitos principais: ele aumentaria a probabilidade de ocorrência de lacunas através de toda a extensão do dossel. isto é. com o aumento do IAF. Um dos efeitos da DAF sobre a reflectância da vegetação refere-se à sua influência na probabilidade de falhas através do dossel como uma função dos ângulos zenital solar e de visada. Por conseguinte. localizados nas camadas mais próximas ao solo. Assim que o IAF atingir um determinado valor (aproximadamente compreendido entre 2 e 3). as folhas estivessem agrupadas. uma vez que a absorção é mínima. A orientação das fileiras de uma cultura agrícola. Supondo que ao invés de estarem uniformemente distribuídas no dossel. Na região do infravermelho próximo.J. quando o IAF assume valores entre 2 e 3. que por sua vez.Estes parâmetros arquitetônicos afetam qualitativamente a reflectância da vegetação.

estes fatores influentes não atuam isoladamente. isso implica num “desbalanceamento” entre as radiâncias espectrais medidas. Sobre esses efeitos discorreremos oportunamente. Vale salientar que o que é efetivamente medido pelo sensor colocado em órbita terrestre é a radiância espectral. no infravermelho médio tem-se uma nova queda destes valores. por exemplo. Isto é evidenciado pela tonalidade escura nas imagens obtidas nesta região. ora subestimando-o.J. De fato. aliado ainda ao espalhamento múltiplo entre as diferentes camadas de folhas. Como cada sensor de cada banda espetral. ora superestimando-º Isso pode explicar.Ponzoni . Finalmente. Em cada uma das regiões espectrais todos os fatores exercem sua influência concomitantemente.4. a tonalidade escura numa imagem do infravermelho médio freqüentemente é mais intensa do que aquela verificada em uma imagem do visível. mas também às sombras que se projetam entre as folhas. PARTICULARIDADES SOBRE A APARÊNCIA DA VEGETAÇÃO EM IMAGENS ORBITAIS Um dossel vegetal apresenta valores de reflectância relativamente baixos na região do visível. Alia-se a este fato a maior interferência da atmosfera nas regiões do DSR/INPE 8-15 F. Assim. as quais são dependentes da geometria de iluminação. não se devem exclusivamente à absorção dos pigmentos existentes nas folhas. Nas imagens da região do infravermelho próximo verifica-se que estes valores apresentam-se elevados devido ao espalhamento interno sofrido pela REM em função da disposição da estrutura morfológica da folha. que apesar da queda da reflectância da vegetação verificada na região espectral do infravermelho médio não ser muito acentuada em relação à região do infravermelho próximo. na qual tal sensor é apto a coletar a REM refletida pelos objetos possui sua própria sensibilidade. devido a presença de água no interior da folha. Esse desbalanceamento pode ocasionar diferenças de brilho de um mesmo objeto entre as bandas. por exemplo. devido à ação dos pigmentos fotossintetizantes que absorvem a REM para a realização da fotossíntese. no caso da cobertura vegetal. da Distribuição Angular das Folhas (DAF) e da rugosidade do dossel em sua camada superior (topo do dossel). os níveis baixos de reflectância na região do visível. esperados para uma cobertura vegetal.

que não possuiria estratos e portanto o sombreamento entre seus elementos constituintes seria bem menor. Por exemplo: é esperado que à medida que uma determinada cobertura vegetal aumenta sua densidade. Assim. até que sejam atingidos seus respectivos pontos de saturação (IAF=2 ou 3 para a região do visível e IAF=6 ou 8. poderia acarretar o sombreamento daqueles que se posicionariam imediatamente abaixo.J.Ponzoni . principalmente participação do solo e sombreamento entre os próprios elementos da vegetação (folhas. com os indivíduos dominantes projetando suas copas acima de uma cota média do dossel. essa associação é possível. o que por sua vez implicaria no “escurecimento” do dossel da floresta em relação ao de Eucalyptus spp. Dependendo da arquitetura (forma e distribuição espacial dos indivíduos constituintes do dossel) assumida em cada uma das fases de desenvolvimento dessa cobertura vegetal. em uma imagem do infravermelho próximo. enquanto que para a região do infravermelho próximo estes apresentam aumento também quase exponencial. os valores de reflectância espectral referentes à região do visível apresentem uma diminuição quase exponencial. que possuiria um IAF bem menos elevado. conseqüentemente. Em tal floresta. na diminuição da radiância medida pelo sensor orbital. galhos e troncos. o que implicaria na diminuição da irradiância nos estratos inferiores e. principalmente). Mesmo ciente destas influências. Evidentemente que esse efeito será tanto maior DSR/INPE 8-16 F. como foi apresentado nos itens anteriores. bem densa. a existência de diferentes estratos (camadas) horizontais. com um IAF muito elevado. poderá assumir um brilho mais escuro do que um plantio jovem de Eucalyptus spp. podendo ser “mascarado” pelo efeito de outros fatores/parâmetros. mas existem algumas particularidades que devem ser consideradas.. esse efeito pode ou não ser constatado. uma floresta perenifólia.visível em relação ao infravermelho que tende a deixar ligeiramente “mais claros” os dosséis vegetais nas imagens do visível. De fato. é comum o intérprete de imagens orbitais interessado em extrair informações sobre a cobertura vegetal. procurar associar os padrões apresentados por esta diretamente com suas características estruturais (parâmetros biofísicos). para a região do infravermelho próximo).

concluíram o "Atlas dos DSR/INPE 8-17 F. a distribuição espacial. em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). no entanto. são inerentes as chamadas ambigüidades nas quais efeitos de diferentes fatores/ parâmetros podem assumir valores iguais de radiância. a dimensão. mesmo em se tratando de diferentes coberturas vegetais. Assim como acontece com qualquer outro objeto de estudo à luz das técnicas de sensoriamento remoto. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE. quanto maior for o ângulo de incidência. nem sempre essa noção é fruto da análise racional conduzida sobre dados concretos. Cabe ao intérprete estar preparado para conviver com estas limitações e extrair dos produtos de sensoriamento remoto o máximo de informação confiável.Ponzoni . O movimento ambientalista. sob pena de comprometer a sobrevivência das gerações futuras. o que implicará em uma “mesma” aparência nas imagens. sem o que não seria possível traçar ações efetivas de conservação. iniciou-se no país uma intensa mobilização da sociedade civil pela preservação da Mata Atlântica. Para o caso do solo. contava com poucas informações consistentes sobre a área original. A partir de meados da década de 80. Cada dossel. relacionando-as a possíveis padrões em imagens orbitais. a estrutura e a situação dos remanescentes florestais do bioma. é esperada uma menor participação do solo. Não há como prever todas as possibilidades. DIAGNOSTICANDO A MATA ATLÂNTICA Vaga no inconsciente e até no consciente das pessoas. possui suas características próprias e desenvolve-se em diferentes tipos de solos sob diferentes condições ambientais. ou seja. Contudo.J. Com o objetivo de suprir essas lacunas. sua participação também é dependente do ângulo de iluminação e desta vez de maneira inversa. 5. uma vez que o sombreamento é proporcional a esse ângulo. a noção de que os recursos naturais vêm se tornando escassos e que a humanidade precisa aprender rapidamente a utilizar com racionalidade esses recursos. em particular. tentar elencá-las.quanto maior for o ângulo de incidência solar. gerados a partir da aplicação de metodologias cientificamente fundamentadas.

000. segundo a terminologia e os critérios estabelecidos pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e os limites de algumas DSR/INPE 8-18 F. o Instituto Socioambiental. que apontou o índice de exatidão global do mapeamento dos Estados do Espírito Santo e de Santa Catarina. na escala 1:250.J. supervisionada pelo INPE. da Bahia ao Rio Grande do Sul. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram um novo mapeamento em 1990 que originou o “Atlas da Evolução dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados no Domínio da Mata Atlântica . Foram utilizadas técnicas de interpretação visual de imagens TM/Landsat. analisando a dinâmica do bioma entre 19901995. A escala adotada neste primeiro trabalho apresentou limitações para estudos mais detalhados. conseqüentemente.Remanescentes Florestais do Domínio da Mata Atlântica" em 1990. o que permitiu uma melhor visualização das classes mapeadas e deu. Em função dessas limitações e motivados em adquirir informações mais precisas. com exceção da Bahia devido a não disponibilidade de imagens livres de nuvens. determinando sua área original e estabelecendo uma referência inicial para o desenvolvimento de novos estudos. Diante dos resultados obtidos. na escala 1:1. digitalizou os limites das fisionomias vegetais que compõem o Domínio da Mata Atlântica (Figura 3). incluiu. Primeiro mapeamento da Mata Atlântica realizado no País a partir da análise de imagens de satélite. graças ao avanço tecnológico verificado. e vários aprimoramentos foram incorporados.000. Outro aperfeiçoamento importante foi a inclusão de uma avaliação estatística. Esta etapa abrangeu todos os Estados da fase anterior. com o qual a Fundação SOS Mata Atlântica assinou convênio em 1995.Período 1985-1990”.000. pois algumas unidades de pequena extensão não puderam ser mapeadas e polígonos de remanescentes descontínuos foram agrupados. os ecossistemas associados. uma maior confiabilidade aos dados gerados. o trabalho foi concluído em 1993 e permitiu avaliar a dinâmica dos remanescentes florestais e de ecossistemas associados da Mata Atlântica em 10 Estados. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram uma nova atualização de dados. além das fisionomias florestais.Ponzoni . Além dos aprimoramentos anteriormente citados. levantamentos de campo e análise por especialistas para aferição dos dados.

que os dados sobre as formações florestais da Mata Atlântica fossem separados dos dados de outros biomas. Este aperfeiçoamento permitiu. agora referente ao período 1995-2000. Com base nestes dados. que na etapa anterior estavam incluídos no cômputo geral.Ponzoni .J. fruto do aprimoramento de máquinas e de aplicativos disponíveis. foi possível avaliar a dinâmica da Mata Atlântica de forma mais precisa e localizada. Figura 3 – Domínio da Mata Atlântica Em meados de 1999. a SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a concepção de um novo mapeamento.Unidades de Conservação federais e estaduais. no qual foram incluídas várias inovações metodológicas. principalmente savana e estepe. permitindo a definição de políticas de conservação mais objetivas e coerentes com cada situação. DSR/INPE 8-19 F. ainda.

como acontece. sendo o mais usual atualmente o DSR/INPE 8-20 F. Mesmo assim. Mesmo para aqueles pouco familiarizados com mapeamentos de grandes extensões da superfície terrestre. A Fundação SOS Mata Atlântica age como uma espécie de cliente que tem necessidades e para atendê-las. como esses mapeamentos são feitos? Em que critérios se fundamentam e que tipo de produtos são utilizados? O que se pode afirmar sobre a sua confiabilidade? Antes de aprofundarmos mais sobre as questões metodológicas.Ponzoni . Na analógica a imagem é materializada em papel. procura outra instituição que julga ter alguma competência específica. interferindo quando necessário. elaborar os mapeamentos propriamente ditos. Nesse sentido. a imagem é disponibilizada eletronicamente através de diferentes meios. o INPE assume a coordenação técnica dos trabalhos. assumindo a aparência de uma grande fotografia.20 x 1. cujo tamanho é dependente da escala de trabalho. deve ser suficientemente fácil compreender que estes não são elaborados sem a utilização de alguma ferramenta que possibilite a observação instantânea de uma dada porção dessa superfície. estabelecendo então todos os procedimentos metodológicos a serem conduzidos. por exemplo com fotografias aéreas ou imagens de satélite. as quais podem ser disponibilizadas em duas formas básicas: a analógica e a digital. Por exemplo: se a escala de trabalho fosse definida como 1:100. o INPE acompanha passo a passo todos os processos envolvidos nos mapeamentos.000.20m. essas dimensões passariam para aproximadamente 90 x 90 cm. é necessário compreender primeiramente o papel de cada instituição envolvida. enquanto se a escala fosse de 1:250. devido às suas diretrizes institucionais.Mas afinal. Para o caso de sua relação com o INPE. Nesses mapeamentos específicos que estamos tratando. cabendo estes a empresas do setor aeroespacial que foram escolhidas mediante licitações. a Fundação SOS Mata Atlântica espera obter toda a orientação técnico-científica que garanta aos resultados dos mapeamentos o máximo de confiabilidade possível. foram utilizadas imagens do sensor Thematic Mapper do satélite Landsat 5.J.000. porém não pode. essas imagens ficariam materializadas em papel fotográfico de aproximadamente 1. Na forma digital.

restava ainda definir quais imagens utilizar. foi considerado o processo de interação entre a radiação eletromagnética e a vegetação descrito anteriormente (Figura 1). que nada mais são do que superposições de três diferentes imagens (provenientes de regiões espectrais diferentes. mesmo aquelas que apresentariam baixos índices de degradação e outras em estágios sucessionais avançados (capoeiras). quais.000. Em Remanescentes Florestais estariam incluídas todas as formações florestais. ou seja. Remanescentes de Mangue foram consideradas aquelas formações arbóreo-arbustivas localizadas em canais de drenagem sob influência marítima.Ponzoni . Então.J. mas da mesma porção da superfície terrestre) DSR/INPE 8-21 F.CDROM. Remanescentes de Restinga. uma vez que foram neles que se verificaram os maiores aprimoramentos metodológicos. Vale salientar que nem todo o Estado da Federação trata o termo Restinga como sendo uma formação florestal. Remanescentes de Restinga seriam todas as formações florestais acorrentes próximas ao mar e preferencialmente abaixo da cota topográfica de 20m. a qual é perfeitamente compatível com a escala 1:250.000 (imagens analógicas). excluindo somente os reflorestamentos (jovens e adultos). A legenda desse mapeamento foi assim definida: Remanescentes Florestais. foi realizado no início da década de 90 sobre imagens orbitais datadas do final de década de 80 disponibilizadas na escala 1:250.000. O mapeamento que se seguiu àquele desenvolvido na escala 1:1. Dessa forma. A alternância de tons claros e escuros da aparência da vegetação nas diferentes imagens torna possível a elaboração das chamadas composições coloridas. Para tanto. todo o trabalho era feito sobre as imagens em formato analógico. Uma vez definida essa legenda. Mas os primeiros mapeamentos não contavam com as imagens em formato digital. entre as diversas imagens geradas pelo sensor Thematic Mapper serviriam para identificar os itens da legenda estabelecida. procurando não ferir os critérios regionais existentes. Remanescentes de Mangue.000. procurou-se adequar os mapeamentos para cada Estado. nem com aplicativos que permitissem maior facilidade na manipulação dos dados. Vamos aqui descrever os procedimentos adotados nos três últimos mapeamentos realizados.

No mapeamento em questão. Figura 4 – “Overlay” sobre a imagem e o mapa preliminar resultante da interpretação.br:1910/col/dpi. que naquela época não estavam familiarizados em observar a vegetação em outra cor senão aquela que quotidianamente estavam acostumados a observar (verde).br/banon/2000/09. o que facilitou e muito o trabalho dos intérpretes. FONTE: http://sputnik. verde e azul) para cada imagem.Ponzoni .inpe. relativamente transparente sobre o qual o intérprete procede a interpretação propriamente dita (Figura 4). sobre cada uma dessas 104 composições coloridas era colocado o que chamamos de “overlay” que é um papel polyester.inpe.17. do infravermelho próximo e do infravermelho médio.24/doc/amz1998_1999/pagina6.J. Essa distribuição de imagens e filtros permitiu que a vegetação assumisse tonalidades esverdeadas nas composições coloridas.sobre as quais são aplicados filtros coloridos com as cores primárias (vermelho.dpi. verde e vermelho. foram utilizadas imagens da região do vermelho (visível). respectivamente. a paisagem analisada assume cores dando uma aparência como de uma fotografia colorida. as quais eram distribuídas para empresas do setor privado que se incumbiam de elaborar o mapeamento. htm DSR/INPE 8-22 F.12. Mas quantas composições foram elaboradas? Foram elaboradas pelo INPE 104 composições coloridas de forma a abranger todo o Domínio da Mata Atlântica. Já nessas empresas então. sendo que cada uma delas recebeu os filtros azul. Como resultado.

Era constituída então uma equipe de três a quatro intérpretes. cuidava para que houvesse um mínimo de diferenças entre as interpretações. Nessa escala de mapeamento. Figura 5 – Contorno das carta topográficas na escala 1:250. que eram cruzamentos de estradas ou rios que podiam ser facilmente visualizados nas cartas topográficas e nas imagens e serviriam para posicionar geograficamente o mapa gerado mediante a utilização de algoritmos específicos implementados em computadores.Nesse “overlay” eram demarcados também os limites das cartas topográficas na escala 1:250. liderados por outro com maior experiência que se incumbia de efetuar a homogeneização das interpretações.000 sobre o Domínio da Mata Atlântica. que em última análise são consideradas as unidades de mapeamento (Figura 5) que totalizavam 114 cartas topográficas e também eram demarcados os pontos de controle.Ponzoni .000. ou seja. uma vez que a interpretação propriamente dita é uma DSR/INPE 8-23 F.J. 25 ha foi definido como área mínima de mapeamento.

respectivamente e na aplicação de contrastes lineares às imagens. cada intérprete tem seus próprios critérios no momento da definição da natureza de uma dado polígono mapeado.000 consumiu em média 2 anos para ser concluído. bem como de seus limites. bem como todos os procedimentos e critérios utilizados na interpretação. procurando corrigir possíveis erros de interpretação e procedia-se a elaboração dos mapas finais. com comprovada experiência no estudo da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados. assumindo então todas as conseqüências dessa decisão. segundo uma metodologia muito semelhante àquela descrita. diferenciando-se somente na utilização de composições coloridas ligeiramente diferentes. A Figura 6 mostra um exemplo de uma mesma cena. Essas provas eram enviadas a consultores em cada Estado para que estes procedessem a uma análise crítica do mapeamento realizado. Depois da intervenção dos consultores. A atualização do atlas gerado nesse mapeamento foi elaborada em meados da década de 90.000 foi mantida. Uma vez concluída essa etapa de interpretação. Todo esse processo descrito para o primeiro mapeamento na escala 1:250. as áreas de cada tema da legenda eram determinadas através de funções específicas do SIG utilizado. Esses consultores eram basicamente profissionais do mundo acadêmico ou não. Era impressa uma prova de cada uma das 114 cartas topográficas. No caso de dúvidas. referente às cercanias da DSR/INPE 8-24 F. A partir dessa etapa.atividade puramente intuitiva e de caracter subjetivo. um técnico do INPE era chamado para que este tomasse uma decisão específica. agora contendo somente o conteúdo temático (mapa contendo os polígonos fruto da interpretação) para uma nova averiguação de inconsistências. Como conseqüência. cada carta era novamente analisada. o que implicou em uma melhor discriminação visual de feições da superfície terrestre nas composições geradas.J.Ponzoni . Nesse mapeamento. a escala de 1:250. A diferença verificou-se na substituição dos filtros coloridos vermelho e verde que passaram a ser atribuídos às imagens do infravermelho próximo e médio. os “overlays” eram novamente analisados procurando identificar inconsistências de interpretação e em seguida estes eram digitalizados e introduzidos em um Sistema de Informação Geográfica (SIG).

Essa iniciativa foi muito bem recebida pela comunidade científica que anteriormente a ela. são sorteados aleatoriamente um certo número de pontos a serem visitados em campo.Ponzoni . isso significa que temos 80% de chance de que um polígono identificado como Remanescente Florestal no mapa. que é fundamentada no confronto entre os mapas gerados e informações provenientes do campo. Essa atualização consumiu também aproximadamente 2 anos para ser concluída. observada em composições coloridas como aquelas utilizadas em ambos os mapeamentos. não dispunha de qualquer informação sobre a qualidade dos mapas gerados. Para tanto.Baia da Guanabara. Esses pontos recaem sobre o mapa sobre polígonos cujas naturezas e posicionamento espacial foram estabelecidos pelos intérpretes. DSR/INPE 8-25 F.J. Os resultados são organizados de tal forma a permitir o cálculo de um valor percentual que expressa a confiabilidade dos mapas gerados. Outra implementação importante foi a estimativa de Exatidão de Mapeamento Global. Por exemplo: se encontramos um valor de Exatidão de Mapeamento de 80%. seja realmente esse tema em campo. Uma equipe responsável pelo trabalho de campo visita cada um dos pontos selecionados e averigua se de fato a decisão do intérprete sobre a natureza do polígono interpretado foi correta. a b Figura 6 – Composições coloridas utilizadas nos mapeamentos de 1985-90 (a) e 1990-95 (b).

04.04.000. Nesse mapeamento foram verificados vários aprimoramentos metodológicos que incluíram o georreferenciamento prévio das imagens que então foram disponibilizadas em formato digital. Rio Grande do Sul. seguindo todas as etapas de verificação e auditoria por parte de consultores identificados em cada Estado. os quais contém uma descrição detalhada das metodologias empregadas nesses mapeamentos.org.000.000 e sobre imagens analógicas) com aqueles gerados na escala 1:50.No início do ano 2000. a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE iniciaram a atualização desse segundo atlas.01).br/. Santa Catarina e São Paulo (com divulgações agendadas para os próximos meses). agora na escala 1:50. o que possibilitou ainda a ampliação da escala de mapeamento para 1:50. Paraná (divulgado em 27.Ponzoni . de forma a permitir a cada cidadão o conhecimento da situação da cobertura vegetal do seu município de interesse. agora para o período 95-2000.000 e conseqüentemente a redução da área mínima de mapeamento para 10 ha. Assim. os dados passaram a ser disponibilizados por município e para algumas unidades de conservação. O acesso a esses dados e de todos os relatórios gerados. segundo a nova metodologia estabelecida de forma a permitir a quantificação de possíveis alterações verificadas no polígonos mapeados. os quais foram então eliminados do processo. DSR/INPE 8-26 F.sosmatatlantica. já foi possível concluir a análise dos dados do Rio de Janeiro (divulgado em 03. A atualização desse “novo” atlas está em andamento e em aproximadamente 1 ano. Além desse aprimoramento. liderados por outro de maior experiência.01). com a imagem já georreferenciada. todo o mapeamento do período 90-95 foi refeito. está sendo viabilizado através da Internet no endereço http://www. A interpretação visual das imagens passou a ser feita diretamente em tela de computador. Mais uma vez foi adotada a composição de uma equipe de 3 a 4 intérpretes.J. Esse aprimoramento implicou na impossibilidade de comparar diretamente os dados gerados no mapeamento anterior (na escala 1:250. Esse georreferenciamento possibilitou a eliminação de uma das etapas mais demoradas que era a digitalização dos “overlays”.

Trata-se de mais um desafio a ser vencido por todos os envolvidos. Springer. Willstatter... V. A idéia para ao mapeamentos futuros é dar um passo ainda maior que transcende o aprimoramento restrito às metodologias de mapeamento e de manipulação dos dados. E.M.M. DSR/INPE 8-27 F.. H.A participação do INPE nesse ambicioso projeto de diagnóstico periódico da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados caracterizou-se pela busca de soluções técnico-científicas que garantissem confiabilidade aos dados gerados. Applied Optics. Stooll.Ponzoni .R. Edgard Blucher. Weidner. Spectral properties of plants. 1989. 6.. Untersuchungen uber die assimilation der kohlensaure.J. vários especialistas do INPE e de diferentes universidades. A. 1918. de M. Sensoriamento remoto: principios e aplicações. 1965. D. Schleter. 4(1): 11-20. Keegan.J.C. estarão se mobilizando para avaliar os critérios que nortearão tal zoneamento. Para tanto. R. como também valorizar a banco de dados já disponível sobre a Mata Atlântica visando o Zoneamento Econômico Ecológico em nível municipal. entendendo que não basta somente diagnosticar o efeito nocivo do homem. São Paulo. 308p. J. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Gates. mas as informações até o momento adquiridas devem contribuir efetivamente para a conservação daquilo que restou desse importante bioma. Novo. Berlin.

inpe.T.CAPÍTULO 9 SENSORIAMENTO REMOTO APLICADO À AGRICULTURA M a u r í c i o A l v e s M o r e i r a1 B e r n a r d o F. R u d o r f f2 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 2 mauricio@ltid.br bernardo@ltid.inpe. T.br DSR/INPE 9-1 M.A.F.Rudorff .Moreira e B.

....4 2................. 9-13 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADAS PARA PLANTIO .......... 9-3 1.ÍNDICE LISTA DE FIGURAS ..............................................5 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO ......... INTRODUÇÃO ......... 9-13 2........... 9-15 3................ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................ 9-12 2...2 CULTURA DO TRIGO ............................................................................F...............T...............A........................... 9-5 2.... 9-14 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS .................................. 9-12 2................................Rudorff ..........................1 CANA-DE-AÇÚCAR ............Moreira e B...............................................................................3 2............. PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS ............ 9-18 DSR/INPE 9-2 M........................................................

.......... COMPOSIÇÃO COLORIDA DAS BANDAS TM3 (AZUL).......... 9-15 9..A.......... MOSTRANDO ÁREAS DE CAFÉ... 9-8 4.....T... TM4 (VERDE) E TM5 (VERMELHO) MOSTRANDO DIFERENTES OCUPAÇÕES DO SOLO .............................. APÓS OCORRÊNCIA DA GEADA EM 1985.. VARIAÇÃO DA RADIAÇÃO REFLETIDA PELAS CULTURAS DE SOJA E DE MILHO NAS BANDAS TM3 E TM4 DO LANDSAT-5 ...............Rudorff .................................... RADIAÇÃO REFLETIDA PELA CULTURA DO CAFÉ DURANTE OS ANOS DE 1984 E 1985 ............Moreira e B......... IMAGEM NDVI DO ESTADO DE MATO GROSSO MOSTRANDO A EVOLUÇÃO DO DESFLORESTAMENTO OCORRIDA ENTRE OS ANOS DE 1989 A 1993 ................................................................ 9-16 DSR/INPE 9-3 M........ REFLECTÂNCIA DE ÁREAS CAFEEIRAS NOS ANOS DE 1986 E 1987 NOS ANOS DE 1986 E 1987................................. 9-6 2.............. ÁREAS IRRIGADA PELO SISTEMA DE PIVÔ CENTRAL ...... 9-9 5............................LISTA DE FIGURAS 1.......F...................................................... IMAGEM DO LANDSAT-TM MOSTRANDO ÁREAS DE ARROZ IRRIGADO NO MUNÍCIPIO DE SANTA VITÓRIA DO PALMAR – RS ....... PASTAGEM E REFLORESTAMENTO ............... CITRUS.............................. 9-7 3.................................................. 9-14 8.......... 9-11 7........... IMAGEM EM COMPOSIÇÃO COLORIDA ADQUIRIDA PELO SENSOR TM A BORDO DO SATÉLITE LANDSAT DA REGIÃO DE ALFERES – MG.................................................... 9-10 6. ESQUEMA DE CONSTRUÇÃO DO PAINEL DE AMOSTRA DO PROJETO SIAG .......... NO MUNICÍPIO DE TRÊS PONTAS ..............

..T........ IMAGEM LANDSAT – TM BANDA 5 (INFRAVERMELHO PRÓXIMO) MOSTRANDO A EXPANSÃO DA FRONTEIRA ..... IMAGEM LANDSAT – TM DA REGIÃO DE BEBEDOURO – SP.... 9-17 11........ 9-17 DSR/INPE 9-4 M..........A.......Rudorff .10.F..... MOSTRANDO ÁREAS DESTINADAS À CITRICULTURA ..............Moreira e B.

A tecnologia de sensoriamento remoto apresenta um grande potencial para ser utilizada na agricultura.Moreira e B. é possível obter informações sobre: estimativa de área plantada. Os satélites de recursos naturais.1. Por exemplo. além de fornecer subsídios para o manejo agrícola em nível de país. estado. Além disso. Através desta técnica. Com esta repetitividade dos satélites. Imagens multiespectrais são obtidas em varias faixas. Além disso. produção agrícola. carregam a bordo dispositivos que coletam estes dados. podemos obter dados de uma área agrícola várias vezes. portanto.F. TM2 e TM3 do satélite Landsat. durante seu ciclo de crescimento e desenvolvimento. aqueles satélites que foram construídos para observar e coletar dados da superfície terrestre. Isso. 4 Um satélite de sensoriamento remoto passa sobre uma mesma área na superfície terrestre segundo um período definido. Devido a isso temos uma coleta da energia refletida em forma multiespectral3. o consumo de alimento é sempre crescente. o satélite Landsat leva 16 dias para fazer o recobrimento da Terra e.A. INTRODUÇÃO Hoje em dia. por exemplo.T. regiões ou bandas do espectro eletromagnético. ou seja.Rudorff . vigor vegetativo das culturas. Quanto maior a resolução espectral de um sensor maior é o número de imagens obtidas numa dada região espectral. como por exemplo dentro da faixa do visível do espectro é possível registrar a energia refletida das bandas TM1. o interesse em obter informações sobre produção de alimentos passou de “lobby” a uma necessidade uma vez que. eles passam num mesmo ponto da superfície terrestre de tempo em tempo. a área ocupada com floresta. Esses dispositivos são os sensores. Este tipo de satélite carrega a bordo um conjunto de sensores (sistema sensor) que operam em diferentes faixas do espectro eletromagnético. para que órgãos governamentais e de iniciativa privada possam tomar medidas de ações rápidas para importar ou exportar o excedente da produção de determinado produto agrícola. permite criar um banco de dados com informações multitemporais4. 3 DSR/INPE 9-5 M. município ou ainda em nível de microbacia hidrográfica ou fazenda. a cada 16 dias volta a passar sobre uma mesma área. é necessário obter informações precisas e em tempo hábil.

a radiação refletida que é coletada pelos sistemas sensores traz informações que podem estar relacionadas. DSR/INPE 9-6 M. 1 – Variação da radiação refletida pelas culturas da soja e do milho nas bandas TM3 e TM4 do Landsat-5. 3 e 4) em regiões de intensa prática agrícola. Nas Figuras 1 a 4 são apresentadas imagens do sensor TM a bordo do satélite Landsat.T.No caso de culturas agrícolas. podendo.Moreira e B.F.A. com o tipo de cultura plantada. assim. com as condições fenológicas ou nutricionais da cultura e. para enfatizar o aspecto multiespectral (Figura 1) e multitemporal (Figuras 2. consequentemente. estimar a produção da cultura agrícola.Rudorff . por exemplo. Fig. com a produtividade.

denotando assim.Moreira e B.F. 2 – Radiação refletida pela cultura do café durante os anos de 1984 e 1985. DSR/INPE 9-7 M.Rudorff . nesta região espectral. na banda TM4 (infravermelho próximo) as mesmas áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza claro. devido à absorção da energia solar pelas plantas. No entanto.A. As folhas mais eretas do milho permitem que uma maior quantidade de radiação penetre na cultura e consequentemente uma menor quantidade é refletida. fazendo com que a soja reflita muita radiação solar na região do infravermelho próximo devido a suas folhas planiformes. alta reflectância da energia incidente. Na Figura 1 observa-se que as áreas de soja e milho apresentam tonalidade cinza escuro na imagem obtida na banda TM3.Fig. para realizar a fotossíntese.T. Devido a esta característica é relativamente fácil descriminar estas duas culturas nas imagens de sensoriamento remoto. Isto se deve principalmente à arquitetura diferenciada destas duas culturas. Nota-se que a soja apresenta-se em tonalidade bem mais clara do que o milho.

Moreira e B.Para explicar o comportamento espectral do café observado na Figura 2. Fig.Rudorff . esta informação se complementa com uma série de outras variáveis que também exercem influência sobre a produção e não estão expressas na variação espectral da cultura. Esta série temporal de imagens mostra como se pode identificar e avaliar o impacto de uma variável ambiental. DSR/INPE 9-8 M. Na imagem falsa cor de 1984 a cultura do café se apresenta em coloração magenta (intensa vegetação) e bem distinta dos demais alvos de ocupação do solo. no município de Três Pontas. é necessário esclarecer que no ano de 1985 ocorreu uma forte geada no Sul de Minas Gerais acarretando uma queima fisiológica muito grande nas áreas de café da região.F. 3. Na imagem de 1985 as áreas de café se apresentam em coloração verde (folhas queimadas e muito solo exposto). Evidentemente. tal como na imagem de 1984.Reflectância de áreas cafeeiras nos anos de 1986 e 1987. apresentando-se novamente em coloração magenta. como a geada.T. após ocorrência da geada em 1985.A. sobre a produção agrícola. Na Figuras 3 pode-se observar que as áreas atingidas pela geada recuperaram o seu vigor vegetativo somente no ano de 1987.

como é o caso da Figura 4.T. o especialista em sensoriamento remoto utiliza também elementos da fotointerpretação tais como: forma. o verde na banda TM4 e o vermelho na banda TM5. DSR/INPE 9-9 M.Por outro lado.Moreira e B. para distinguir áreas irrigadas por sistema de pivô central de outros métodos de irrigação o analista baseia-se na forma. TM4(verde) e TM5(vermelho) mostrando diferentes ocupações do solo. Fig. obtidas nas diferentes bandas. as informações de três bandas e gerar uma composição colorida. Nota-se que neste caso as áreas de soja estão apresentadas em amarelo-esverdeado e o milho em verde. azul na banda TM3. sombreamento e textura. podemos associar. É bom ressaltar que além das características multiespectrais e multitemporais das imagens do satélite. que foi gerada adicionando as cores.Composição colorida das bandas TM3(azul).Rudorff . ao adicionar cores nas imagens. isto é. através de cores. ao invés e trabalhar com imagens individuais. mostrando que existem diferenças espectrais nessas duas culturas. como é mostrado na Figura 5. Por exemplo.F. 4.A.

Isto seria uma realidade se dispuséssemos de um número suficiente de imagens que permitissem identificar a cultura e diagnosticar o seu potencial produtivo. Entretanto.F. o grande impedimento para se obter imagens de satélite. Para contornar este problema existem alternativas relacionadas tanto com os sistemas sensores quanto com o sistema de coleta das informações. 5. durante o período da safra. A freqüente cobertura de nuvens impede a obtenção de imagens livres de nuvens e impõe sérias limitações ao uso operacional das técnicas de sensoriamento remoto para estimativa de safras. Elas impedem que a energia refletida e/ou emitida pelos alvos da superfície terrestre chegue até o sensor a bordo do satélite.Áreas irrigadas pelo sistema de pivô central. A título de exemplo. de forma objetiva e confiável.Fig.A. Isto permitiria inclusive realizar previsões de estimativas de safras. uma alternativa seria colocar em órbita uma constelação de satélites com características similares que permitiriam obter imagens com freqüência diária. Quanto aos sistemas sensores. para o Landsat DSR/INPE 9-10 M.Moreira e B.Rudorff . Diante do que foi apresentado até aqui parece ser bastante simples a utilização de imagens para estimar a produção das safras agrícolas.T. é a presença de nuvens.

como por exemplo.1 x 1.T. onde Riv = reflectância na região do infravermelho próximo e Rv = reflectância na região do vermelho do espectro eletromagnético) do Estado do Mato Grosso mostrando a evolução do desflorestamento ocorrida entre os anos de 1989 a 1993. Finalmente. uma outra alternativa seria estabelecer um sistema de amostragem para estimar a área das principais culturas. Estas imagens foram compostas ou mosaicadas para se obter uma imagem livre de nuvens sobre todo o estado do Mato Grosso.A. estas imagens podem serem utilizadas para um sistema de vigilância sobre efeitos episódicos ou mesmo na avaliação da expansão de áreas agrícolas.(1999.Moreira e B. 6 . A grande limitação destes tipos de imagens.Rudorff . ) No caso da figura acima foram utilizadas várias imagens do mês de junho parcialmente cobertas com nuvens. Com este tipo de imagem não é possível estimar a área plantada.F. às imagens AVHRR. é a baixa resolução espacial (1. conforme é apresentado na Figura 6.1 km).Imagem NDVI ( Índice de Vegetação com Diferença Normalizada / NDVI=Riv-Rv/Riv+Rv.necessitaríamos de 15 satélites para obter imagens diariamente. Fig. Fonte: Adaptado de Shimabukuro et al. Outra alternativa é a utilização de imagens de um satélite com alta resolução temporal (diária). utilizando como DSR/INPE 9-11 M. p. Contudo.

referência.1981). Foram utilizadas 44 imagens de 185x185 km obtendo-se uma estimativa de área plantada de 801.F. quanto maior for a resolução espacial de uma imagem maior será o tempo que o satélite leva para retornar a uma mesma área em função da estreita órbita de imageamento.T. 1990). imagens de satélites ou fotografias aéreas de arquivo recentes. no terreno.Rudorff .. para todo Brasil. 2. e) métodos de estimativa da precisão e exatidão dos mapas temáticos. Este procedimento será descrito mais adiante. DSR/INPE 9-12 M. foram realizados estudos que visaram estimar a produtividade agrícola da cana-de-açúcar através de imagens do Landsat e de um modelo agrometeorológicodesta (Rudorff e Batista. Há mais de 25 anos o INPE vem realizando pesquisas relacionadas com a identificação e o mapeamento de áreas agrícolas. Em geral. nas bandas MSS5 (vermelho) e MSS7 (infravermelho próximo). PRINCIPAIS CULTURAS ESTUDADAS 2.1 CANA-DE-AÇÚCAR O primeiro grande projeto de mapeamento de área de cana-de-açúcar no estado de São Paulo ocorreu no ano safra 1979/80 (Mendonça et al.950 ha. e f) utilização de algoritmos de classificação para mapear áreas agrícolas. d) estabelecimento dos períodos adequados para aquisição de imagens visando a identificação de culturas agrícolas. destacando-se as seguintes pesquisas: a) seleção das culturas agrícolas passíveis de serem mapeadas através de imagens de satélites.Moreira e B. b) definição da área mínima. Por limitações tecnológicas é difícil obter imagens com alta resolução temporal e espacial.A. Posteriormente. Este projeto foi realizado através de interpretação visual de imagens Landast-MSS (Multispectral Scanner System) na escala 1:250. possível de ser identificada nas imagens de satélites.000. c) comportamento espectral de culturas agrícolas.

as áreas ocupadas com arroz irrigado apresentam tons de cinza muito escuros na imagem da região do infravermelho próximo (banda TM4) contrastando com outras culturas não irrigadas. utilizando imagens do satélite Landsat-TM. Moreira (1983) desenvolveu uma metodologia de estimativa de área de trigo.F. na escala 1:250. para fins de fiscalização do crédito agrícola. conforme é mostrado na Figura 7. quando então foi assinado um convênio entre o INPE e o Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA). no estado do Rio Grande do Sul. Itaqui.000.Rudorff . SP. O estudo foi realizado com imagens.Moreira e B. que reduziu em mais de 80% o tempo gasto na interpretação visual.2.A. Estudos pioneiros foram realizados também com a cultura do trigo na região de Assis. Na época foram selecionados quatro municípios como área teste: Santa Vitória do Palmar.2 CULTURA DO TRIGO Diversos estudos para estimar a área plantada com a cultura do trigo foram realizados.3 CULTURA DO ARROZ IRRIGADO Os estudos com a cultura do arroz irrigado tiveram seus inícios no ano de 1980. do sensor MSS nas bandas 5 e 7. Dom Pedrito e Cachoeira do Sul. principalmente. O trigo é cultivado durante a entre safra e neste período existe uma maior probabilidade de se obter imagens livres de cobertura de nuvens favorecendo o uso de imagens de sensoriamento remoto na estimativa de área plantada. com base em sistema de amostragem. 2. Por exemplo.T. DSR/INPE 9-13 M. Através deste estudo foi constatado que a presença da lâmina de água é um fator preponderante para separar áreas irrigadas por inundação de outros tipos de irrigação. em nível de propriedade rural.

A.Moreira e B.T.Rudorff .4 ESTIMATIVA DE ÁREAS PREPARADA PARA PLANTIO A identificação e o mapeamento de áreas de solo exposto e preparado para plantio. Com base na área potencialmente destinada para o plantio das lavouras pode-se.F. visa contornar o problema da indisponibilidade de imagens livres de nuvens durante a estação chuvosa (janeiro a fevereiro). 7 – Imagem do Landsat-TM mostrando áreas de arroz irrigado no município de Santa Vitória do Palmar – RS.Fig. em conjunto com informações de intenção de plantio. 2. DSR/INPE 9-14 M. Este estudo foi inicialmente realizado por Assunção e Duarte (1982) e foi recentemente retomado por Ippoliti-Ramilo (1999). estimar a área destinada para as diferentes culturas.

No SIAG as imagens do Landsat-TM foram utilizadas na construção do painel de amostra.Sistema de Informação Agropecuária que visa obter estatísticas agrícolas com base num painel amostral.Rudorff . ilustra a seqüência de construção do painel de amostra. na estratificação da área de estudo.F. denominadas UPAs (Unidades Primárias de Amostragem) que contém segmentos amostrais a serem visitados no campo pelos entrevistadores (Moreira et al.2.A.T.Moreira e B. denominado SIAG .5 SISTEMA DE AMOSTRAGEM PARA ESTIMATIVA DE ÁREAS AGRÍCOLAS O INPE e o IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desenvolveram um projeto. Fig. 1989). isto é. posteriormente. Inicialmente o projeto foi implementado no estado do Paraná e. em função da intensidade de uso agrícola. 8 – Esquema de construção do painel de amostra do Projeto SIAG. expandido para os estados de Santa Catarina. e também para dividir os estratos em unidades menores. A Figura 8. DSR/INPE 9-15 M. São Paulo e o Distrito Federal.

bastando para isso. As Figuras a seguir mostram exemplos de aplicações das imagens de sensoriamento remoto na agricultura.Moreira e B.As vantagens da abordagem metodológica do SIAG são: 1) permite estimar a área das culturas agrícolas dentro de uma confiabilidade pré-estabelecida.A. 3) reduz o tempo e custo no levantamento das informações a campo. no Paraná são levantadas informações em apenas 450 segmentos com tamanho que varia de 1 a 5 km2. 9 – Imagem em composição colorida adquirida pelo sensor TM a bordo do DSR/INPE 9-16 M.F.T.Rudorff . adequar o painel de amostra. 2) permite estimar a área das culturas agrícolas mesmo não se dispondo de dados de satélites da safra corrente pois neste caso se utiliza o estimador de expansão direta. por exemplo. 4) a metodologia do SIAG pode ser aplicada para áreas grandes (estado) ou pequenas (município). Fig.

F. Fig. pastagem e reflorestamento.A. mostrando áreas destinadas à citricultura.T. 11 – Imagem Landsat-TM banda 5 (infravermelho próximo) mostrando a expansão da fronteira agrícola na região norte do estado do Mato Grosso.satélite Landsat da região de Alfenas .Moreira e B. 10 – Imagem Landsat-TM da região de Bebedouro – SP. citrus. mostrando áreas de café. Fig.MG. DSR/INPE 9-17 M.Rudorff .

183p.Rudorff . L. A. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Especiais. Bariloche. (INPE7116-TDI/688)..E. 1999.A.Moreira e B.A. (L) Merrill) através da expansão direta. F. 1999. 1982. Shimabukuro. 1981. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Assunção.L..2637-TDL/113). São José dos Campos.. Moreira. Ipoliti-Ramilo. Tardin. Assunção.. G.V.F.T. D. Avaliação de áreas preparadas para plantio (SOLONU) utilizando-se dados do satélite Landsat. Mendonça.. Biffi. J. J. AG..A. Lima.INPE). 1983 (INPE-3015TDL/150)... (INPE. Utilização de dados do Landsat-TM para estimar área de soja (Glycine max.. Lucht.S. Moreira. Duarte.M. (INPE-7234-RPQ/698).. M. Levantamento da área canavieira do Estado de São Paulo utilizando dados do Landsat ano safra 1979/80. Yi. G. São José dos Campos.3. J. A. V.A. Villalobo. (INPE-2021RPE/288).S.A. Dissertação (Mestrado em Sensoriamento Remoto) – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.A. L) através de dados do Landsat. 19-24 de nov.. E.R. DSR/INPE 9-18 M. 75 p. M. Y. São José dos Campos:INPE. Lee. de 1989.. Moreira. Chen. In: IV Simpósio Latinoamericano de Percepcion Remota. Shimabukuro. Duarte. F. mar. Sistema de amostragem para estimar a área da cultura do trigo (Triticum aestivum...Y. Duarte. S. G.C.L. G. Maia.A. de.. M.G.T. V.V.M. Silva.C. Imagens TM/Landsat-5 da época de pré-plantio para a previsão da área de culturas de verão. Classificação e monitoramento da cobertura vegetal do Estado do Mato Grosso através de imagens NOAA-AVHRR. V.C. (MestradoInstituto Nacional de Pesquisas Espaciais . São José dos Campos:INPE. A.

Batista (1990).A.F. Yield estimation of sugarcane based on agrometeorological-spectral models. Remote Sensing of Environment.Moreira e B.T.Rudorff .. DSR/INPE 9-19 M. G. B.F. 33:183-192.T.Rudorff.T.

C A P Í T U L O 10 ENSINANDO CARTOGRAFIA P a u l o C é s a r G u r g e l d e A l b u q u e r q u e1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE 1 E-mail: gurgel@ltid.inpe.br 10 -1 P.C.G.Albuquerque DSR/INPE .

Albuquerque .DSR/INPE 10 -2 P.C.G.

................................................ 10-5 5...........................10-6 7.......... 10-14 DSR/INPE 10 -3 P................................. 10-8 8..... ESCALA ...........................................................................................C............................................ PROJEÇÃO ................... 10-5 4........ ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO .............G............. INTRODUÇÃO ........ ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA ........ÍNDICE 1................................... 10-4 2............................................................................. TIPOS DE MAPAS ...................................................................... 10-4 3.............................. DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS ................................Albuquerque ... 10-6 6...... CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES ......................................................

Albuquerque .C.G.DSR/INPE 10 -4 P.

único instrumento capaz de representar em escala.C. O produto cartográfico está associado a uma necessidade de apresentação e expressão de resultados. por meio de procedimentos e normas técnicas capazes de assegurar que o mapa elaborado satisfaça as exigência de um projeto. Conceitualmente pode-se dizer que a Cartografia é uma atividade meio. Antes da consagração deste termo o vocábulo usado era cosmografia.1. escrita em Paris e dirigida ao historiador brasileiro Adolfo de Varnhagem. levando soluções para problemas urbanos.Albuquerque . com o grau de exatidão requerido. de segurança. saúde pública. Seu uso é abrangente. INTRODUÇÃO A cartografia como atividade já aparece nas descobertas Pré-Históricas. Como vocábulo. Cartografia foi criado pelo historiador português Visconde de Santarém em carta de 8 de dezembro de 1839. DSR/INPE 10 -5 P. A Cartografia foi a principal ferramenta usada pela humanidade para ampliar os espaços territoriais e organizar sua ocupação. As informações cartográficas constituem as bases sobre as quais se tomam decisões e encontram soluções para os problemas sócio-econômicos e técnicos existentes. antes mesmo da invenção da escrita.G. elaborado com o objetivo de expressar um conjunto de informações. servindo de suporte à diversas ciências e tecnologias. Este produto. informações quantitativas e temáticas necessárias ao planejamento. a cartografia constrói seu produto conforme as necessidades apresentadas e o entrega na forma de mapas. turismo e auxiliando as navegações. Hoje ela está presente no cotidiano da sociedade. deve ser ajustado às necessidades de apresentação impostas por essas informações.

Onde ocorre o fato .2.G.C. ATRIBUTOS DA CARTOGRAFIA A Cartografia deve assegurar que o mapa responda às seguintes questões: Espaciais: . DOCUMENTOS CARTOGRÁFICOS O produto cartográfico atende a uma necessidade quando o documento cartográfico elaborado garantir características que vão ao encontro da necessidade que o originou. Para tal faz-se necessário que o interessado conheça os elementos de um mapa e dos processos utilizados na elaboração dos mapas de forma a poder encontrar a melhor solução para a necessidade apresentada.Albuquerque . Público alvo Custo Tempo DSR/INPE 10 -6 P. É importante indagar sobre os objetivos do mapa. os modelos de projeção que podem ser utilizados. Escala Projeção Exatidão Representação Tipo de produto Apresentação do produto (mídia) Para que uma região possa ser mapeada questões devem ser respondidas.Quais são as dimensões Temporal: . processos e meios que a Cartografia utilizará para produzir esses documentos.Qual a forma .Quando ele ocorre Temático: .Qual o tipo de ocorrência 3.

. a relação que indica a escala é transformada em uma régua onde as distâncias são lidas diretamente. geologia. como mostrado a seguir: 1000 750 500 250 0 m 1000 2000 3000 Representação gráfica de uma escala DSR/INPE 10 -7 P. Assim. Ex: 1/1000 Esta notação nos informa que o mapa apresenta uma região que teve suas dimensões reduzidas 1000 vezes... As escalas podem ser representadas numericamente.C. tais como vegetação.000. como indicado a seguir: Cartas Topográficas Cartas ou mapas temáticos Cartas ou mapas especiais MR=Mapa Base ou mapa de referência. por exemplo 1:25. TIPOS DE MAPAS Os mapas. 1000cm no terreno etc.4. MT=MR+Tema MT=MR+Tema O mapa topográfico é considerado básico pois nele assentam-se informações de temas específicos. são divididos em 3 tipos de documentos: topográficos. que 1cm..G.Albuquerque . ou graficamente. temáticos e especiais.. sistemas ferroviários etc. Neste caso. podemos dizer que 1mm no mapa corresponde a 1000 mm no terreno. 5. ESCALA Número adimensional utilizado para indicar de quanto está reduzida a dimensão de uma região para que ela possa ser representada sobre uma folha de papel.

total ou parcial da Terra.C. As projeções cartográficas possuem características que garantem a elaboração de mapas para todos os tipos de uso e aplicação.Albuquerque . podem ser: Cilíndricas Normais Transversas Oblíquas Cônicas e ou Policônicas Normais Transversas Planas Polares Equatoriais Oblíquas Quanto aos atributos: Eqüidistantes distância sobre um meridiano medido no mapa = distância medida no terreno distância sobre um paralelo medido no mapa = distância medido no terreno Equivalentes área no mapa=área do terreno Conformes forma no mapa = forma do terreno Azimutais direção azimutal no mapa = direção azimutal no terreno DSR/INPE 10 -8 P. Quanto ao modelo de desenvolvimento.6. PROJEÇÃO Refere-se a modelos geométricos ou analíticos adotados para representar em um plano horizontal.G. a superfície.

entretanto quando se deseja representá-la com mais detalhe e exatidão faz-se necessário conhecer sua forma e dimensões. conhecida como geóide. é irregular.Forma da Terra Quando pretende-se representar um objeto segundo uma determinada projeção. . As operações cartográficas exigem uma superfície regular. No Brasil o sistema geodésico adotado está assim especificado: Origem: Datum horizontal SAD69 Elipsóide de referência Elipsóide de Referência Internacional 1967 Semi-eixo maior: 6.378.25 Datum vertical Imbituba. Este modelo é definido segundo o sistema geodésico de cada país. Na cartografia a forma da Terra é um fator importante que deve ser considerado.Albuquerque . face à forma da Terra. A Terra em uma primeira aproximação pode ser considerada uma esfera de raio R. definida como elipsóide. SC DSR/INPE 10 -9 P. da dimensão.160. A forma real da Terra. da forma e posição geográfica da área e do alvo a ser mapeado. uma vez que os modelos de projeção a serem adotados deverão se ajustar perfeitamente a essa superfície. é também responsável pelas deformações em escala que os mapas apresentam. assunto que é estudado pela Geodésia.A escolha do modelo de desenvolvimento e dos atributos de uma projeção é função.00m Achatamento: 1/298. A projeção.C. é importante que se conheça a forma e as dimensões do objeto.G. do uso que será dado ao mapa.

estão desenvolvendo modelos para que alunos do ensino fundamental aprendam o que é uma escala.. procurar a resposta que vá ao encontro da formação do cidadão e não de outros interesses. história e de outras disciplinas. Afinal por que aprender cartografia? Este despertar para a cartografia pode se iniciar com o aluno ainda na pré infância. quando do ensino de outras disciplinas como geografia. por exemplo: Por que o interesse de ensinar cartografia nas escolas? A partir da resposta dada. que ocorre com o crescimento do conhecimento adquirido nas diversas disciplinas. segurança pública. 10-10 P. Entende-se que essas respostas devem convergir para o seguintes objetivos: auxiliar no aprendizado da geografia.. através de informações elaboradas pela própria escola na forma de mapas.7. Entretanto. sociologia. independentemente de saber o que é escala. etc. sem se preocupar com o exercício da própria cartografia no cotidiano da escola. Então como ensinar Cartografia? Inicialmente o que deve ser feito é despertar o interesse do aluno para as aplicações cartográficas. o que é uma projeção cartográfica etc. outras questões podem ser também levantadas. a respeito de sua vizinhança. apoiar as atividades cotidianas do aluno e a formação de sua cidadania. acesso. como é feita a representação do relevo. projeção ou qualquer técnica cartográfica. ENSINANDO CARTOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO Atualmente observa-se que muitos profissionais voltados ao ensino da Cartografia. dentre outras que podem utilizar essa ferramenta e seus produtos no seu aprendizado. das necessidades e do interesse do próprio aluno. história. Trata-se do exercício natural dessa ferramenta.C.G.pelos pais e depois o próprio aluno passará a elaborar seus “mapas”. Outras perguntas podem ser formuladas. conduzindo-o a exercitála sem que isto configure um tópico de uma disciplina ou ela própria.Albuquerque DSR/INPE . cabe então ao educador. meios transporte.

-Fase-2: Treinamento de professores em Cartografia.. matemática.por meio de mapas ou croquís.G. -Fase-3: Utilização e aplicação freqüente de mapas nas aulas e na elaboração dos exercícios propostos aos alunos pelo professor. sítios de interesse tais como: papelarias. treinados para conhecer as bases na qual se assenta a Cartografia serão os orientadores e disseminadores do uso e aplicação da cartografia para este momento. bairro e residência do educando. DSR/INPE 10-11 - P. Observa-se que não é exigido professores com conhecimentos especializados em Cartografia até a fase-4. As fases são as seguintes: -Fase-1: Expressar todas as informações pertinentes à localização da escola. a partir da 6a série.disseminação das aplicações cartográficas e de seus produtos no país.C. etc. segundo proposto. farmácias. Ensinar Cartografia. Fase-5: Curso profissionalizante para formação de técnicos de nível médio em cartografia. Os professores das disciplinas de geografia.. dedicada à formação de profissionais para a Cartografia. -Fase-4: Treinamento específico em Cartografia para os alunos do ensino fundamental. tais como: .. será trabalhada por especialistas conforme os curricula aprovados. .Respostas que contemplem outras tendências.Albuquerque . ciências e artes plásticas. pontos de ônibus.utilização de novas tecnologias etc. acessos. está associado a 5 fases de trabalho que. respeitadas as suas prioridades definem o conjunto de ações que devem ser desenvolvidas pelo professor e aluno no âmbito da escola. A fase-5. Este treinamento deverá sempre estar associado às disciplinas que estão sendo ministradas nesse período.

Duração e fases 01 02 Processo inicial 1 ano Processo instalada ---- Indicadores Anual Familiarização com mapas Entendimento do que são mapas. destacados a seguir. Recursos básicos DSR/INPE 10-12 - P.G.. junto com outras disciplinas. econômicos e Aplicar em toda a escola Professores selecionados escola que pela dando em Manutenção preferência àqueles lecionam todas as séries 03 Aplicar em todas as séries ambientais apresentados na história. humanos e culturais e ao cotidiano do educando. leitura e uso desses documentos em diversas escalas Compreensão dos problemas sóciais. como ferramenta para compreensão dos problemas físicos.. 04 ----Para alunos a partir da 6 série 05 Só para formação profissional a Compreensão dos problemas geométricos que existem nos mapas Profissionais formados Devido ao desconhecimento dos objetivos da Cartografia e a falta de cultura na utilização de seus produtos pela sociedade.C. geografia.. pautase nos recursos humanos e materiais básicos existentes na escola. -Requisitos A consecução dos objetivos desta proposta para o ensino da cartografia. o trabalho que está sendo apresentado visa despertar e incentivar o uso sistemático da Cartografia.Albuquerque .

. Físico e Político Geral.G.2-Equipamentos e consumo Régua. Geral. Entretanto. é importante que os professores dominem esse conjunto de facilidades e possam disponibilizá-los para todos os alunos. esquadro..C. matemática.. são utilizados para auxiliar neste trabalho e enriquecer o aprendizado do aluno. Físico Urbano Conforme disponibilidade Escolar Observa-se que esses materiais integram o acervo de qualquer escola e dos materiais que os alunos costumam trazer para as aulas. indicados a seguir.1-Humanos Diretores Coordenadores pedagógicos Professores de geografia. DSR/INPE 10-13 - P. Os materiais suplementares. ciências. artes plásticas .1-Documentos Cartográficos Mapas Mundi Mapas das Americas Mapas do Brasil Mapa da Região Mapa do Estado Mapa do Município Cartas-imagens Atlas 2. Populacional. Ecológico. Físico. compasso e transferidor Lápis preto e branco e coloridos Borrachas Globo Bússola Motivação com a escola Especificações Geral. Político. Interesse Comprometimento Conhecimento básico sobre leitura e manuseio de mapas (documentos cartográficos) Alunos 2-Materiais 2.Albuquerque . Características Interesse Comprometimento história.

jogos. livros didáticos. Outra característica desta proposta é permitir que o professor continue criando atividades em sala de aula e no campo com seus alunos. 1/50. valendo-se do acervo básico e de sua própria imaginação. a-Passeio em trilhas b-Caça ao tesouro.. etc. De mão para operações estáticas Colorida.Recursos suplementares Computador Plotter ou impressora Scanner Aplicativos GPS Cartas imagens ou imagens Fotografias aéreas para cartografia e CoreoDRAW. perigosos etc. c-Conhecer o bairro onde mora. g-Identificar no mapa do Brasil o local onde foram torpedeados os navios brasileiros durante a 2a guerra mundial.Albuquerque . quebra cabeças. f-Desenhar no mapa as trajetórias das naus de Cabral e Colombo.G. escala maior ou igual a sensoriamento remoto DSR/INPE 10-14 - P.C. Cópia papel Cópia digital Materiais disponíveis no mercado Cartas-imagens. Visando auxiliar os professores que poderão se envolver com este trabalho. apresentamos a seguir uma relação de atividades que podem ajudar na compreensão e conhecimento dos objetivos e técnicas cartográficas.000. sujos. abrangendo o município e a cidade. para identificação dos locais mais poluídos. d-Corridas de orientação. e-Enduro ambiental..

projeção etc. O ensino da Cartografia deve-se iniciar da mesma maneira que os mapas apareceram. reflexões.G. de observações.. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES A concepção desta proposta foi desenvolvida a partir dos princípios básicos que norteiam as técnicas de ensino.. históricos e biológicos que são contemplados nas disciplinas curriculares do ensino fundamental e médio. e de experiências vividas anteriormente junto as escolas do ensino fundamental. Finalmente recomenda-se que a cartografia não seja nem disciplina nem tópico de disciplina mas uma nova forma de linguagem para abordar e apresentar temas ambientais. projeção forma da Terra.Albuquerque ..C. “partindo de necessidades. etc. sociais. iniciando assim junto às disciplinas de desenho e matemática conceitos de escala.8.. DSR/INPE 10-15 - P.” independente do conhecimento matemático do que seja escala. Nas séries mais avançadas professores e alunos poderão lançar mão de bibliografias específicas a respeito do tema.

br .inpe.C A P Í T U L O 11 Geoprocessamento J o s é C a r l o s M o r e i r a1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 moreira@dpi.

C.Moreira .DSR/INPE 11-2 J.

............................................ QUAIS PLATAFORMAS E PERIFÉRICOS SÃO SUPORTADOS? ................................ FUNÇÕES DO SPRING.....................Moreira ..........................ÍNDICE 1...........C................................ 11-9 DSR/INPE 11-3 J................. INTRODUÇÃO AO SPRING .. 11-7 3............. 11-8 4........ 11-5 2............ QUAIS OS MÓDULOS DISPONÍVEIS? .............

C.Moreira .DSR/INPE 11-4 J.

com a introdução explícita do conceito de objetos geográficos (entidades individuais). fornecendo ao usuário um ambiente interativo para visualizar. mapas de redes e campos. Os dados disponíveis no banco podem ser manipulados por métodos de processamento de imagens e de análise geográfica. manipular e editar imagens e dados geográficos. de mapas cadastrais. Quais são as características principais? • Opera como um banco de dados geográfico sem fronteiras e suporta grande volume de dados sem limitações de escala. Aprimora a integração de dados geográficos. projeção e fuso. DSR/INPE 11-5 J. operando como um banco de dados geográfico. • Administra tanto dados vetoriais como dados matriciais ("raster") e realiza a integração de dados de Sensoriamento Remoto num Sistema de Informações Geográficas.C.Moreira .Linguagem Espaço-Geográfica baseada em Álgebra). Os sistemas desta geração são concebidos para uso em conjunto com ambientes cliente-servidor. através da combinação de menus e janelas com uma linguagem espacial facilmente programável pelo usuário (LEGAL . mantendo a identidade dos objetos geográficos ao longo de todo banco. Introdução ao SPRING O que é SPRING? • Banco de dados geográfico de 2º geração. para ambientes UNIX e Windows. • Provê um ambiente de trabalho amigável e poderoso.1. geralmente acoplados a gerenciadores de bancos de dados relacionais. O que é Banco de Dados Geográfico? • Banco de dados não-convencional onde cada dado tratado possui atributos descritivos e uma representação geométrica no espaço geográfico.

complementando os métodos tradicionais de processamento de imagens e análise geográfica. segmentação de imagens. mapas temáticos e cadastrais e modelos numéricos de terreno. • Sistema inovador.C. projetado inicialmente para redes de estações de trabalho baseadas na arquitetura RISC e ambiente operacional UNIX.Moreira . muitos dos sistemas disponíveis no mercado apresentam alta complexidade de uso e demandam tempo de aprendizado muito longo. uma vez que todos os dados gerados nestes sistemas podem ser totalmente aproveitados (inclusive com topologia) no novo ambiente. isto é. não havendo necessidade de DSR/INPE 11-6 J. A interface interativa utiliza o "X Window System" e padrão de apresentação OSF/MOTIF em ambientes UNIX e "Windows" em ambientes PC-Windows. a estrutura de dados é a mesma quando o usuário trabalha em um microcomputador na versão Windows e em uma máquina RISC (Estações de Trabalho UNIX). Desenvolvido usando técnicas avançadas de programação. que requerem uma forte capacidade de integração de dados entre imagens de satélite. é capaz de operar com toda sua funcionalidade em ambientes variando de microcomputadores a estações de trabalho RISC de alto desempenho. garantem o desempenho adequado para as mais variadas aplicações. • Adaptado a complexidade dos problemas ambientais. ao contrário do SPRING. • Preserva o investimento dos usuários dos sistemas SITIM e SGI. • Base de dados é única. utilizando modelo de dados orientado-a-objetos. isto é. classificação por regiões e geração de grades triangulares com restrições. como os utilizados para indexação espacial.• Consegue escalonabilidade completa. que melhor reflete a metodologia de trabalho de estudos ambientais e cadastrais. Adicionalmente. Quais são as vantagens do SPRING? • Contém algoritmos inovadores.

ou Solaris-X86 versão 2. DSR/INPE 11-7 J. • Estações RISC-UNIX o Estações SUN de arquitetura SPARC utilizando sistema operacional Solaris 2. O mesmo ocorre com a interface.0. o o o • Hardware mínimo para estações RISC-UNIX o o o 32 Mbytes de memória principal. 14" NI.2. Memória RAM de 16 Mbytes.conversão de dados.44 Mbytes e Unidade de CD-ROM (caso desejar trabalhar com imagens de satélite fornecidas pelo INPE).28 mm. Drive de 31/2". com sistema HP-UX 9. ou Estações Silicon Graphics. ou Estações IBM RISC/6000. de maneira que não existe diferença no modo de operar o SPRING. Disco rígido de 1 Gbytes. com sistema operacional AIX 3.5. 50 Mbytes de espaço em disco para instalação mínima do SPRING. dp 0.13. ou Estações Hewlett-Packard. que é exatamente a mesma.4 ou posterior.C.0. com sistema IRIX 4. 100 Mbytes de espaço em disco para os bancos de dados a serem criados pelo usuário.51. 1. ou Linux versão 1.4 ou posterior. series HP-700. o Plataforma mínima de hardware: Processador 486 DX2 100 Mhz. series IRIS 4D.2. Quais plataformas e periféricos são suportados? • Plataforma PC o Software: Microsoft Windows-95 ou Windows-NT versão 3. Monitor de vídeo colorido SVGA. 2.Moreira .

com o objetivo de facilitar seu uso. funções de entrada de dados.Read Only Memory ). • Periféricos como mesa digitalizadora. o As funções da janela principal. estão divididas em: Arquivo. gravadas pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).C. executando as funções relacionadas à criação. através dos dispositivos CD-ROM (Compact Disc . IMPIMA. em função de parâmetros fornecidos pelo usuário. HRV/SPOT e AVHRR/NOAA. traçadores gráficos compatível com HPGL e impressoras coloridas compatível com PostScript também são suportados e podem ser integrados no sistema.0 conta com um programa automático para instalação do sistema. Este programa carrega seletivamente os arquivos da fita para o disco.• O SPRING 2. 3. Quais os módulos disponíveis? • 3 módulos. • SPRING o É o módulo principal de entrada. manipulação de consulta ao banco de dados. Editar. Fast Format. BIL e 1B para o formato GRIB (Gridded Binary). processamento digital de imagens. modelagem numérica de terreno e análise geográfica de dados. Temático. "streamer" (60 ou 150 megabytes) e DAT (Digital Audio Tape . compartimentando as funções de manipulação de dados geocodificados. manipulação e transformação de dados geográficos. Exibir. na barra de menus. SPRING e SCARTA.Moreira .4 ou 8mm) adquiridas a partir dos sensores TM/LANDSAT-5. • IMPIMA o Executa leitura de imagens digitais de satélite. DSR/INPE 11-8 J. Converte as imagens dos formatos BSQ. CCT (Computer Compatible Tapes). Numérico Cadastral. Imagem.

quadros e grades em coordenadas planas ou geográficas.6. Inglês e Espanhol. Linguagem de Álgebra de Mapas LEGAL. Processamento de Imagens o o DSR/INPE 11-9 J. o 4. SPOT. permitindo a apresentação na forma de um documento cartográfico. linhas. Funções do SPRING O SPRING apresenta um conjunto de novos algoritmos e procedimentos inovadores. Permite editar textos. Mosaico de Imagens com equalização dos níveis de cinza. ERS-1 e NOAA/AVHRR. Interface com o Usuário o o o o Leitura de Imagens LANDSAT. no formato varredura ou vector. • SCARTA o Edita uma carta e gera arquivo para impressão a partir de resultados gerados no módulo principal SPRING.Moreira . Objetos e Utilitários. o Ambiente unificado para os diferentes tipos de dados geográficos e suas representações. Disponível nos seguintes idiomas: Português. símbolos.Rede.C. Menus sensíveis ao contexto. Registro e Correção Geométrica. legendas. através do recurso "O que você vê é o que você tem" (What You See Is What You Get. As funções indicadas em "negrito" passam a fazer parte do release 3. Permite exibir mapas em várias escalas. resultantes dos projetos de pesquisa do INPE e seus parceiros. Para cada opção há um menu (janela de diálogo) associado com as operações específicas. Wysiwyg).

C. Critério de Decisão AHP. Tabulação cruzada. Segmentação de Imagens e Classificadores por Regiões (supervisionado e não-supervisionado). Operadores Zonais. Ponderação. Técnicas markovianas para pós-classificação de imagens. o o o o Estimador de Densidade por Kernel. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Reclassificação. matriz de/para vetor de mapas o o o o Análise Geográfica Operações Boolaenas. Mapas de distância. Operações aritméticas. Mosaico. Transformações IHS e componentes principais. Conversão temáticos. Filtragem espacial. Classificação Contínua e Estatística espacial com análise univariada de pontos.Krigeagem. edição e geração de topologia.o o o o o o o Realce por manipulação de histograma. Restauração de imagens LANDSAT e SPOT. Leitura de valores de pixel. Fatiamento. o o o o o o o Digitalização. Classificadores estatísticos pixel-a-pixel. Filtros morfológicos para imagens. 11-10 DSR/INPE J. Processamento de Imagens de Radar.Moreira . Modelos de Mistura. Geoestatísica .

o o Digitalização de linhas e nós de uma rede. Visualização 3D. Rede de Drenagem..Associação com objetos e definição de impedâncias e demandas.Moreira . Modelagem da rede . com a inclusão de restrições. 11-11 Modelagem de REDES o o o DSR/INPE J. Cálculos de volume e perfis. Geração de grades regulares. Geração de mapas hipsométricos. Geração de Grades.Com colaboração da CH2MHILL do Brasil.P-Mediana. Linguagem de Análise Geográfica LEGAL: Operações Matemáticas.C. o o o o o o o o Modelagem Digital de Terreno o o o o o Suavização de Linhas.o o Análise de Localização pelo método da p-mediana. Cruzamento Vetorial de PI's. Geração de grades triangulares (TIN). Análise de Localização . Plotagem de contornos. Cálculo de mapas de declividade e exposição de vertentes. Mancha de Inundação . Produção de imagens sintéticas. Extração de Topos de Morros. Cálculo do custo mínimo Alocação de Recursos. Modelos Hidrológicos. Digitalização de amostras e isolinhas.

símbolos. DSR/INPE J. o Geocodificação de Endereços.C. Gerar gráficos com a distrubuição relativa de dois atributos. Suporte aos padrões xBASE. Geração de gráficos com distribuição de valores de atributos. Agrupamento de objetos geográficos por atributos.Moreira 11-12 . Consulta por atributos espaciais e apresentação dos resultados.LAC-INPE e Universidade Estadual Paulista UNESP/FEG Faculdade de Engenharia. legenda e texto. Departamento de Matemática . que permite: o Definição e apresentação do conteúdo de tabelas de atributos dos geo-objetos em BD relacionais. Relacionar o conteúdo da tabela com a localização espacial dos objetos. Geração de Cartas o Biblioteca de Símbolos em formato DXF-R12 ou BMP. semelhante aos sistemas de "desktop mapping". Apresenta uma nova interface de consulta espacial. Apresentar o conteúdo de uma tabela relacional com atributos dos geo-objetos. ACCESS e ORACLE nativos.Com colaboração do Laboratório Associado de Computação e Matemática Aplicada . o Consulta a Bancos de Dados Relacionais (Mapas Cadastrais) o o o o o o o Ambiente interativo (WYSIWYG) com controle do posicionamento dos mapas.

SITIM. Edição de toponímia (textos) em todos modelos de dados. A3 e A4. JPEG e GeoTIFF Tabelas : ASCII-SPRING e DBF o Intercâmbio de Dados o Conversores para ASCII-SPRING MID/MIF (Mapinfo).Moreira . DXF-R12. Conversão de Dados entre Projeções.o o Configuração de folhas A0. ASCIISPRING. Importadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate). DXF-R12. Registro vetorial. Mosaico de Dados Vetoriais e Imagens. JPEG e GeoTIFF Tabelas : SPACESTAT e ASCII-SPRING Suporte para 14 Projeções Cartográficas. Suporte para dispositivos HPGL/2 e Postscript. 11-13 o o Gerenciamento de Mapas o o o DSR/INPE J. ShapeFile Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. A1. A2. ShapFile (ArcView) e E00 (ArcInfo) o Exportadores Vetores : ARC/INFO (ungenerate).C. TIFF. ShapeFile e E00 Grades Numéricas : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Matriz Temática : ARC/INFO (ungenerate) e ASCII-SPRING Imagens : RAW. TIFF. ASCIISPRING.

polígonos e elementos menores que uma dimensão fornecida pelo usuário.o Limpar Vetores - elimina linhas duplicadas. Roteiro de "Como Iniciar ?" para iniciantes.Moreira 11-14 . o Ajuda em formato HTML . Roteiro em 10 aulas para utilização das principais funções.conversão de mapas temáticos (pontos e polígonos) ou cadastrais (pontos e polígonos com atributos) para mapas de pontos temáticos (pontos 2D) ou numéricos (amostras 3D).necessário o navegador Internet Explorer. o Geração de Pontos . Ajuda On-line o o DSR/INPE J.C. e quebra automática de interseção de linhas.

M.N.C A P Í T U L O 12 USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO COMO RECURSO DIDÁTICO PEDAGÓGIC O NO ESTUDO DO MEIO AMBIENTE V â n i a M a r i a N u n e s d o s S a n t o s1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS – INPE Divisão de Sensoriamento Remoto 1 e-mail: vania@ltid.br DSR/INPE 12-1 V.Santos .inpe.

N.M.DSR/INPE 12-2 V.Santos .

.............................................. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...........................................................................................ÍNDICE 1... 12-14 DSR/INPE 12-3 V........................ 12-11 5........................... INTRODUÇÃO ....Santos ............ O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA ....N........... O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES ............................................................................................... CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO ...............M. 12-8 4............... 12-5 2......... 12-6 3.................

Santos .N.M.DSR/INPE 12-4 V.

sociais. no mundo inteiro e em diversas escalas. resultante em parte da evolução e ampliação do conhecimento sistematizado. tem servido como base para o desenvolvimento e realização de projetos associados às atividades humanas. concebida como agência de comunicação social que tem no saber sua matéria prima. entendemos que o conhecimento produzido e acumulado sobre o potencial de utilização das tecnologias espaciais. sobretudo os orbitais (a bordo de satélites). para a melhoria das condições de vida. favorecendo na realização do planejamento sócio econômico ambiental sustentável. é o espaço privilegiado capaz de receber e processar tais informações transformando-as em conhecimento. através da coleta de diferentes dados e da aquisição de imagens da sua superfície. A escola. Com o processo de mudanças desencadeado a partir da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9394/96).Santos . econômicas. por meio de sensores remotos. e por meio desse processo. movido pela crença de “ir ao espaço buscar soluções para os problemas da Terra”. pela qualificação que pode promover no desempenho dos agentes sociais. deve ser conhecido por toda nossa sociedade. sobretudo do sensoriamento remoto. Os dados gerados pelos diversos sensores remotos. vem sendo assinalada a necessidade da educação escolar trabalhar com conteúdos e recursos que qualifiquem o DSR/INPE 12-5 V. desenvolver a função social de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas.1. tornou-se possível “(re)conhecer” a Terra. dentre as quais se incluem os satélites artificiais. o que justifica o compromisso de divulgar ciência.M. Dada a sua importância para o mundo moderno. INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento das modernas tecnologias espaciais.N. políticas e culturais desses projetos com relação a ocupação dos espaços geográficos. bem como auxiliado no diagnóstico sobre as implicações ambientais.

M. comum na abordagem desta questão. dentre outras.N. O SENSORIAMENTO REMOTO E SUAS POSSIBILIDADES NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS ESCOLARES O trabalho que temos realizado com sensoriamento remoto nas escolas. e avançar na perspectiva das ciências sociais e da pedagogia da comunicação. respectivamente. Matemática. e como conteúdo em si mesmas. Este contexto favorece a introdução da tecnologia de sensoriamento remoto na escola. No ensino da Geografia. a utilização de imagens de satélite. como por exemplo na focalização do tema Meio Ambiente. destacam a importância do trabalho com o conhecimento científico e tecnológico no ensino fundamental e médio. História. Ciências. por exemplo. Podemos verificar suas possibilidades de uso em diferentes disciplinas tais como: Geografia. 2. principalmente em abordagens interdisciplinares.Santos . rios. tem se constituído numa oportunidade de aproveitar seu vasto potencial de uso e aplicações para a compreensão da dinâmica do processo de intervenção/repercussão das relações sociais no equilíbrio/desequilíbrio do meio ambiente. permite identificar e relacionar elementos naturais e sócio econômicos presentes na paisagem tais como serras. enquanto conteúdo e recurso didático inovador no processo de ensino e aprendizagem. permitindo ultrapassar uma perspectiva de abordagem restrita às ciências da natureza. planícies. bacias hidrográficas. Em consonância com a Lei. Educação Artística. O uso escolar dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto apresentamse como recurso para o processo de discussão/construção de conceitos pelos alunos. frente as atuais exigências de reformulação da educação escolar impostas pela conjuntura de nossa sociedade de final de milênio.cidadão para a vida na sociedade moderna tecnológica. os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes para o Ensino Médio. DSR/INPE 12-6 V.

permanências e mudanças. industriais. ocupação e desenvolvimento de uma região.Santos .matas. de tal forma a se constituírem no próprio conteúdo a ser compreendido. No ensino de Matemática. estas podem ser analisadas e compreendidas por intermédio do ensino de Ciências. bem como acompanhar resultados da dinâmica do seu uso.N. cidades. mostrando as transformações no perfil econômico e as possibilidades de construção de planos administrativos e condutas sociais participativas que se abrem a partir desse conhecimento. áreas agricultáveis. como os de área. serras. as imagens de satélite e fotografias aéreas podem ser utilizadas como recurso para a compreensão de conceitos. rios e cidades... enquanto um movimento em suas regularidades e alternâncias. Outros estudos voltados ao ensino de Ciências ainda podem encontrar nas imagens uma referência para a sua compreensão.M. ao mesmo tempo em que propiciam compreensão de conceitos físicos a elas associados. através da análise e compreensão entre os elementos constitutivos de uma paisagem tais como plantações. tais como o processo saúde/doença relacionado a vetores naturais como por exemplo a água e as condições em que se apresenta no meio ambiente. estradas. enquanto elemento cultural componente das sociedades tecnológicas. Como as imagens de satélite estão associadas aos fenômenos físicos de absorção e reflexão da luz. servindo portanto como um importante subsídio à compreensão das relações entre os homens e de suas conseqüências no uso e ocupação dos espaços e nas implicações com a natureza. Os produtos de sensoriamento remoto podem ser DSR/INPE 12-7 V. evidenciadas pelo sensoriamento remoto. é possível apreender a temporalidade dos fatos em sua dinâmica e fazer a reconstituição do processo de uso. com imagens de um mesmo local produzidas em períodos/anos diferentes. No ensino da História. proporção e formas geométricas.

além de possibilitar a elaboração de outros textos artísticos. onde as contribuições disciplinares se tecem na sua análise. mostrando em diferentes escalas serras.. construindo o próprio conhecimento. Em Educação Artística. “construindo” a região na sua tridimensionalidade. cidades. vales. Esses são apenas alguns exemplos dos possíveis usos didáticos dos produtos e técnicas de sensoriamento remoto no tratamento de conteúdos curriculares. é possível elaborar maquetes a partir de imagens de satélite. sobretudo das imagens de satélite. propícias ao desenvolvimento de experimentos plásticos originais. O SENSORIAMENTO REMOTO E O ESTUDO DO MEIO AMBIENTE NA ESCOLA As características dos produtos do sensoriamento remoto. represas. 3. justaposição de DSR/INPE 12-8 V. como por exemplo calcular a área desmatada de uma floresta e a proporção deste impacto para a população local e circunvizinha.N. Esses recursos podem auxiliar o aluno a perceber “o tamanho real” do problema e consequentemente a importância de aprender a manipular conceitos matemáticos para compreendê-los.utilizados como recurso à compreensão e resolução de problemas reais/concretos. sobretudo com as cores e formas características das imagens de satélite e sua decodificação. ferrovias. literários e plásticos a partir das percepções propiciadas pela leitura das imagens e pela experiência estética da relação com elas. como por exemplo o tema meio ambiente. etc. é possível também desenvolver estudos interdisciplinares a partir da definição de um tema específico para estudo. encaminha os alunos aos desdobramentos de leituras objetivas e subjetivas do espaço geográfico. fotografias aéreas e mapas (cartas topográficas). estradas. rios.M. O contato.Santos . Embora estes exemplos apresentem possibilidades multidisciplinares de utilização escolar do sensoriamento remoto. tais como repetitividade de cobertura. utilizando diferentes escalas.

seqüenciais e simultâneos.N.Santos . cores e formas. que possibilitam uma visão de conjunto da paisagem em tempos diferentes. favorecendo na localização de possíveis fontes poluidoras. Cachoeira Paulista. do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e da Petrobrás. Monteiro Lobato e Santo André. voltado à capacitação de professores e alunos. tais como indústrias ou loteamentos irregulares. cujo desenvolvimento. Convém lembrar que entendemos a educação ambiental como um importante instrumento para a compreensão e conscientização de questões/problemas da realidade sócio ambiental. com referência em questões sócio ambientais. através do estudo do meio ambiente local. por exemplo. mostrando.M. abrangência espacial. A abrangência espacial e o caráter temporal das imagens de satélite. foi desenvolvidos em escolas públicas e particulares do ensino fundamental e médio nos seguintes municípios: São José dos Campos. se constitui em uma das mais sérias exigências educacionais contemporâneas para o exercício/construção da cidadania. atividades de campo voltadas à verificação da verdade terrestre e a contextualização das informações obtidas a partir das imagens de satélite e fotografias aéreas. bem como subsidiar na análise dos processos de uso e ocupação dos espaços. enriquecendo estudos históricos e geográficos. Jacareí. revelando a dinâmica do processo de construção do espaço geográfico. defendida na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. podem auxiliar nos estudos do meio ambiente. as relações entre o crescimento desordenado das cidades e a presença de rios/córregos poluídos. sob a coordenação desta autora1. intitulada: “Escola. Cidadania e Novas Tecnologias: experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto”. ao uso escolar do sensoriamento remoto. Os resultados obtidos fundamentaram a dissertação de mestrado desta autora. 1 O referido trabalho. Lorena. apresentam importante contribuição para os estudos ambientais na escola. DSR/INPE 12-9 V. sobretudo nas escolas.informações. com a participação das Prefeituras locais. e conseqüente melhoria da qualidade de vida. A possibilidade de associarmos. tem norteado o desenvolvimento de projetos de educação ambiental em escolas. em 1999.

com o meio ambiente regional. cria a necessidade de acesso a outras fontes de informação. à quilômetros de distância da área estudada. ou seja. é possível que escape à vista as implicações degradantes que o mesmo possa estar provocando em outros locais.N. exige o desenvolvimento de atividades correlacionadas para o estudo do meio ambiente.M. familiarizando-o com esta forma de representação do espaço. Quando se analisa o córrego poluído em questão utilizando apenas levantamentos restritos. convém lembrar que fotografias aéreas e imagens de satélites são instrumentos. Deixar que o aluno observe uma imagem durante o tempo que for necessário para localizar sozinho seus principais elementos. inicialmente. segundo uma visão local e posteriormente por uma ótica integrada com toda região atingida direta ou indiretamente por este manancial. coleta de dados. favorecendo à análise do meio ambiente e ecossistemas associados. a partir do qual iniciaremos o estudo em questão.Dessa forma. mas ao contrário. etc. não podemos deixar de investigar o comprometimento de um simples córrego urbano poluído. explorar com recursos de sensoriamento remoto. não dispensa. recursos que. constitui-se em exemplo interessante do que consideramos acima. considerando não apenas um único DSR/INPE 12-10 V. ante ao estudo em questão ou a sua complexidade.Santos . A utilização de recursos de sensoriamento remoto possibilita aos alunos uma apreensão sistêmica da área de estudo. sobretudo os constitutivos da sua cidade. permite que este “se encontre” nesta paisagem. regiões conhecidas do aluno favorece a descrição dos elementos presentes na paisagem.. Contudo. Se selecionarmos o recurso hídrico como vetor. A realização de um estudo sobre os problemas sócio ambientais de uma cidade/região e suas implicações com a qualidade de vida da população. que deságua no rio principal de uma bacia hidrográfica.

realização de roteiros ambientais. incluindo: leitura e interpretação de imagens de satélite e fotografias aéreas. com referência nos recursos hídricos. propor soluções para os problemas identificados. voltados ao uso escolar do sensoriamento remoto no estudo do meio ambiente. estabelecendo relações entre o impacto local e suas repercussões espaciais e revelando. visando discussões sobre os problemas sócio ambientais locais (bairro/município). leitura de mapas. professores de diferentes disciplinas orientaram seus alunos na realização de atividades em sala de aula e trabalhos de campo. CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO ESCOLAR DO SENSORIAMENTO REMOTO Nossa proposta de trabalho com os recursos de sensoriamento remoto na escola não se limita a uma mera transferência mecânica de informações. Não DSR/INPE 12-11 V. políticas e culturais no cotidiano da sociedade. 4. em diferentes escalas. associados ao desenvolvimento de diferentes atividades. e suas repercussões regionais/globais.Santos . bem como exercitarem a sua cidadania através de ações/intervenções escolares voltadas para a melhoria da qualidade de vida.M. bem como suas implicações sociais. econômicas. com referência na coleta de amostras d’água nos rios/córregos para posterior análise. estudo do meio. consequentemente. como as citadas acima. tem propiciado aos alunos condições de compreender o meio ambiente local e regional. suas implicações para o declínio da qualidade de vida da população atendida direta ou indiretamente por este manancial. elaboração de mapeamento sócio ambiental do bairro/região de estudo. A utilização dos recursos de sensoriamento remoto. refletir sobre a realidade sócio ambiental em estudo. entrevistas na comunidade. Nos projetos educacionais desenvolvidos.N.aspecto/variável. mas sim a multiplicidade de aspectos/variáveis que possam estar contribuindo para a degradação da qualidade das águas.

Tal restruturação requer um trabalho ativo-reflexivo com a informação. Linguagem total : uma pedagogia dos meios de comunicação. propiciadoras do exercício de operações mentais implementadoras do desenvolvimento do raciocínio crítico e da produção do conhecimento. Somente pode chamar-se autêntico o conhecimento que em si mesmo e por si mesmo seja produtivo e transformador. 110 DSR/INPE 12-12 V. que o levará a utilizá-la enquanto ferramenta de: decodificação.N.M. mas sobretudo de refletir sobre elas e trabalhar suas relações com a prática pedagógica e com o tratamento dos conteúdos curriculares em suas relações com a vida. 2 Gutierrez.Santos . Como afirma o educador Gutierrez2 (1979). por parte do aprendiz. considerando a análise da realidade concreta e as reflexões possíveis de serem desenvolvidas sobre ela. o que requer do preceptor que ele o transforme em conhecimento seu e reestruture à sua maneira tal informação”. visando a construção do conhecimento por professores e alunos. já que não são evidentes por si mesmas. possamos falar de aprendizagem ‘autêntica’. São Paulo : SUMMUS. p. mas a ela conectadas por diferentes relações. enquanto repercussões à distância de fenômenos.se trata de proceder apenas à divulgação de suas características e potencialidades. que é preciso aprender a captar e estabelecer. “o mero fato de interpretar ou apropriar-se de um saber não é suficiente para que. F. enquanto ferramenta para o estabelecimento de relações com realidades distintas da sua. compreensão da realidade imediata em que está inserido e de outras realidades semelhantes a esta. e que facilmente passam por desapercebidas a olhares menos desavisados. orientado pelo docente. O uso escolar do sensoriamento remoto recomenda o desenvolvimento da Pedagogia da Comunicação no tratamento dos conteúdos curriculares. 1979. com propriedade de termos.

N. pela apreensão da ressonância das atuações individuais e das organizadas de maneira coletiva e colaborativa. e a compreensão que o aluno tem dela. para a construção do conhecimento mais elaborado e mais crítico do educando. O uso escolar do sensoriamento remoto.Por em prática a Pedagogia da Comunicação significa por em prática iniciativas pedagógicas transformadoras. circundante.Santos . ao diálogo entre diferentes tipos de saber. à observação da realidade focalizada. DSR/INPE 12-13 V. bem como esclarece que professores podem promover ou proceder à socialização da ciência requalificando a relação do ensino com o conhecimento e com a vida. • Recorrer como caminho. tem uma presença relevante. • Alcançar como ponto de chegada do processo de ensino a reelaboração da compreensão inicial que o aluno tem do meio ambiente. pela apreensão das relações recíprocas entre o seu meio imediato e o mais amplo. Tais iniciativas implicam: • Considerar a realidade social em que o educando existe e na qual a tecnologia espacial. • Lidar com o meio ambiente do educando.M. como ponto de partida. na implementação de planos administrativos que visem a qualificação e preservação do meio ambiente. como método. em especial o sensoriamento remoto. quando o seu uso está voltado para o estudo de questões importantes da atualidade e significativa para os alunos. à utilização do sensoriamento remoto. como recurso didático pedagógico no processo de ensino aprendizagem. permite desmistificar a idéia que uma tecnologia de ponta é algo distante da escola. Isto pressupõe propiciar ao aluno condições de compreender a vida humana numa dimensão de totalidade. sua realidade imediata.

a investigação e reflexão sobre a realidade sócio ambiental imediata. O uso escolar das imagens de satélite: socialização da ciência e tecnologia espacial. voltados à conscientização de problemas sócio ambientais vividos e às possíveis atuações de superação. In: Penteado. N. Vânia M. 5. responsável por comportamentos organizados de intervenção social. a percepção de suas relações.Elaborar projetos escolares com as pretensões didáticas aqui assumidas. BIBLIOGRAFIA: Santos. de responsabilidade individual e coletiva.M. DSR/INPE 12-14 V. e a partir dela a comunidade. Nesta perspectiva. de formar cidadãos preparados para participações sociais consistentes e construtivas através dos recursos da ciência presentes na sociedade. oportunizando a escola. Dissertação de Mestrado. o acesso ao conhecimento da função social desta tecnologia. São Paulo: Cortez. cidadania e novas tecnologias: investigação sobre experiências de ensino com o uso de sensoriamento remoto. Pedagogia da comunicação. implica no desenvolvimento de ações capazes de propiciar: o questionamento sobre o significado de meio ambiente. Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. entendemos que o uso escolar do sensoriamento remoto pode contribuir para o desenvolvimento da função da escola na atualidade. civil e administrativa. a compreensão da contribuição da tecnologia de sensoriamento remoto na apreensão de problemas ambientais e na elaboração de sua superação. 1998. Vânia M. Santos. o desenvolvimento do raciocínio crítico construtivo. 150p. São Paulo.N.Santos . o estabelecimento da relação teórico/prática capaz de promover o desenvolvimento de experiências escolares com o sensoriamento remoto. Escola. N. Heloísa D. e com a sua representação em diferentes escalas. 1999.

Cortez. Meio Ambiente e formação de professores.Penteado. Penteado. Heloísa D. 1991. São Paulo.Santos .M. DSR/INPE 12-15 V. Cortez.N. 2000. Heloísa D. Metodologia do ensino de geografia e história. São Paulo.

inpe.br 13-1 T.M.C A P Í T U L O 13 PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula T a n i a M a r i a S a u s e n1 INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS-INPE 1 tania@ltid.SAUSEN DSR/INPE .

SAUSEN .M.DSR/INPE 13-2 T.

...............1 OS SATÉLITES DE SENSORIAMENTO ..........................SAUSEN ....................................2 O INPE .... 12-8 1........................................M.............. PROJETO EDUCA SERE III-ELABORAÇÃO DE CARTA-IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO ..... 12-7 1...........................................3 OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS ................... INTRODUÇÃO ............................................... 12-7 1.................................................4 CARTA-IMAGEM ................................. 12-19 DSR/INPE 13-3 T..................................................... 12-13 SITES ÚTEIS ............................................................................ 12-12 4........................................... 12-10 2..........................................ÍNDICE 1............ 3..................................... 12-9 1................................................................................................ 12-10 O PROGRAMA EDUCA SERE .................................................................................. O DOCUMENTO DE CAMBORIÚ ...

DSR/INPE 13-4 T.M.SAUSEN .

M.......SAUSEN .............. 13-19 DSR/INPE 13-5 T........LISTA DE FIGURAS 1 .................CARTA IMAGEM DE PORTO ALEGRE – RS ..........

DSR/INPE 13-6 T.M.SAUSEN .

informações estas. o europeu ERS. por apresentarem uma visão sinótica da área abrangida por cada uma delas.inpe. o LANDSAT. os norte-americanos IKONOS. DSR/INPE 13-7 T. o primeiro satélite de sensoriamento remoto. ORVIEW e o sino-brasileiro CBERS. Esta foi a terceira antena a entrar em operação no mundo. o canadense RADARSAT.M. tais como o francês SPOT. por permitirem a coleta de dados temporais de uma mesma área e por coletarem informações sobre feições na superfície terrestre em várias faixas do espectro eletromagnético.br http://www.1) Os satélites de sensoriamento: Em junho de 1972 foi lançado pelos norte-americanos. centro geográfico da América do Sul. o que chama atenção do aluno. estas imagens são pictoricamente agradáveis. da ciência e da história. Estas características proporcionam uma série de informações sobre os recursos naturais e ações antrópicas.Em junho de 1973 entrou em operação a antena de rastreamento de satélites do Brasil.br/unidades/cep/atividadescep 1-Introdução: 1. Paralelamente.SAUSEN . no estudo do espaço geográfico e do meio-ambiente. facilitando assim o ensino e a compreensão da geografia. importantes.inpe. que está localizada em Cuiabá.PROJETO EDUCA Educa SeReIII ELABORAÇÃO DE CARTA IMAGEM PARA O ENSINO DE SENSORIAMENTO REMOTO Utilização de Cartas Imagens-CBERS como recurso didático em sala de aula Tania Maria Sausen Ministério da Ciência e Tecnologia Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais Atividades de treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espacial tania@ltid. As imagens geradas pelos satélites de sensoriamento remoto são uma ferramenta poderosa para serem utilizadas como recurso didático em sala de aula. Desde esta época já foram lançados vários satélites de sensoriamento remoto.

para proteger e preservar a terra. o INPE. 1. quase sempre oriundos do programa de mestrado em sensoriamento remoto do INPE.2) O INPE Desde o lançamento do primeiro satélite de sensoriamento remoto. É nesta fase também que estes estudantes estão escolhendo a sua futura profissão sendo. pois. As imagens de satélites. através da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tecnologia Espaciais-ATDCCTE e da sua Divisão de Sensoriamento Remoto-DSR.O professor em sala de aula. tem observado e comprovado que é necessário estender-se o processo de disseminação da tecnologia de sensoriamento remoto para alunos dos ensinos fundamental e médio. no uso das imagens de sensoriamento remoto. quando são utilizadas em sala de aula. seguramente terá um grande aliado. DSR/INPE 13-8 T. o momento adequado para motivá-los a trabalhar com sensoriamento remoto. esta tecnologia ainda não é amplamente utilizada pelo público em geral e poucos professores fazem uso das imagens de satélite como recurso didático. Apesar de todas as atividades desenvolvidas pelo Instituto. Isto ocorre principalmente pela falta de capacitação de alguns professores.M. vários organismos internacionais. agências espaciais e educadores. tem se preocupado com a disseminação e transferência desta tecnologia para usuários finais. o alto custo das imagens de satélite e a falta de material didático dedicado exclusivamente ao ensino de sensoriamento remoto. pois é desta comunidade de estudantes que surgirá o cidadão do futuro. Nos últimos cinco anos.SAUSEN . em 1972. em consonância com uma tendência observada em todo o mundo e incentivada pela Divisão de Espaço Exterior da ONU e pela UNESCO. É bem verdade que este panorama vem mudando nos últimos anos. que deverá entender o relacionamento entre meio-ambiente e sociedade. restringe-se a professores universitários.

do seu estado. útil e interessante no ensino da geografia. que permitam que tenham um conhecimento mais detalhado do local onde eles vivem. temporais e espectrais constituem-se em poderosa ferramenta em sala de aula. É um material didático de múltiplas finalidades para os professores do ensino fundamental (1° a 8° séries-7 a 14 anos) e médio (1° a 3° séries-15 a 17anos). da sua cidade. para seus alunos. DSR/INPE 13-9 T. Atualmente as escolas brasileiras estão buscando novos recursos didáticos e novas formas de ensinar geografia. com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. em suas diferentes resoluções espaciais. na elaboração de projetos educativos. È mencionado nos PCNs que “o ensino da Geografia deve fazer uso de leituras de imagens.1.3) Os Parâmetros Curriculares Nacionais Os Parâmetros Curriculares Nacionais-PCN foram criados pelo Ministério da Educação do Brasil. etc. bem como com os fenômenos sociais. as imagens de satélite. e como ocorre a apropriação desta por aquela”.SAUSEN . história. para permitir uma compreensão processual e dinâmica de sua constituição. com relação ao programa a ser desenvolvido em sala de aula. formas que aproximem o aluno da realidade. A Geografia tem que trabalhar com diferentes noções espaciais e temporais. de modo a interpretar. ao longo do período letivo. Estes Parâmetros atendem a todas as áreas dos ensinos fundamental e médio e dão as linhas de ação de cada uma das disciplinas. artes. De acordo com os PCNs o objetivo da Geografia “é explicar e compreender as relações entre a sociedade e a natureza. do seu país e do seu continente. Diante disto. Eles servem de instrumento no apoio às discussões pedagógicas na escola. na reflexão sobre prática educativa e na análise do material didático.M. em cada uma das séries. sendo um material didático rico. culturais e naturais que são característicos de cada paisagem. no planejamento das aulas. analisar e relacionar informações sobre o espaço geográfico e as diferentes paisagens”. de dados e de documentos de diferentes fontes de informação. bem como ciências.

tais como a rede hidrográfica. países.O ensino da geografia visa também tornar o aluno um futuro cidadão consciente sobre o meio-ambiente e os recursos naturais que o cercam. O uso de dados temporais para caracterizar a ação do homem sobre o meio ambiente. Assim. O uso de imagens de alta resolução para estudos locais (cidades e bairros).O Documento de Camboriú Durante a I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul. além de informações cartográficas tais como rodovias. sugerese: • • • • O uso de imagens de satélite com diferentes resoluções espaciais para o estudo dos continentes. as áreas agrícolas. nomes de rios. 1. áreas e detalhes.M. regiões e municípios. ferrovias. bem como caracterizar a interação do homem com ela e os impactos provocados por ele.4) Carta-Imagem Do ponto de vista cartográfico. Cada carta-imagem apresenta informações sobre áreas urbanas e os principais elementos da paisagem. CARTA é a representação dos aspectos naturais ou artificiais da Terra destinada a fins práticos da atividade humana. mapas temáticos. 2 . o uso do solo. realizada no Balneário Camboriú. A integração de dados obtidos de cartas geográficas. A CARTA-IMAGEM é a carta elaborada a partir de uma imagem de satélite. estados.SAUSEN . a cobertura vegetal. permitindo a avaliação precisa de distâncias. no período de 20 a 23 de maio de 1997. para que o aluno possa aprender e caracterizar o local onde vive e como deve interagir com a paisagem ao seu redor. arroios. fotografias. Para esta tarefa as imagens de sensoriamento remoto são úteis e possibilitam a identificação de vários aspectos da paisagem. levando-se em consideração os PCNs e os livros didáticos de geografia. cidades. um dos temas DSR/INPE 13-10 T. cartas rodoviárias e visitas ao campo. córregos. coordenadas geográficas. direções e a localização geográfica de pontos. geodésicas e escala de trabalho.

3) Com relação a disponibilidade de material didático em sensoriamento remoto observou-se que: • • • há uma carência de material didático com ênfase em exemplos ou estudos realizados na região do Mercosul. mas de modo geral em todos os países do Mercosul. cadernos pedagógicos.SAUSEN . • • solicitar a cooperação e o apoio dos distribuidores de dados espaciais a baixo custo para atividades de ensino. favorecer ações de vinculação com o setor privado que fomentem a geração e distribuição de material didático. etc. • • há total falta de interesse das editoras pela publicação de livros técnicos e material didático em sensoriamento remoto devido a atual relação custo/demanda. 2) Podem ser considerados como material didático em sensoriamento remoto livro texto. tais como: • promover junto aos organismos financiadores a difusão do sensoriamento remoto de tal forma que motive estes organismos a financiarem a geração de material didático. superior e pós-graduação). falta de apoio institucional e financeiro à confecção de material didático Para sanar os problemas referentes a carência de material didático são sugeridas ações. vídeos e slides com imagens de satélite.M.mais discutidos foi à carência de material didático voltado especificamente ao ensino de sensoriamento remoto. médio. No Documento de Camboriú é mencionado que: 1) A informação proveniente de dados de sensoriamento remoto pode ser utilizada nos distintos níveis formais de ensino (fundamental. CD ROM com imagens de satélite. Este é um problema que não ocorre somente no Brasil. há pouco material didático gerado por autores e nos idiomas da região do Mercosul e os mesmos já estão desatualizados. carta imagem. o material didático existente em geral se constitui de esforços isolados ou mesmo anotações pessoais dos professores que ministram os cursos e disciplinas de sensoriamento remoto. em todos os níveis. DSR/INPE 13-11 T. atlas geográficos compostos por imagens de satélite. tutoriais disponíveis na Internet.

motivar empresas privadas a colaborarem na confecção de material didático voltado para o ensino de sensoriamento remoto. médio e superior. os tópicos mencionados. através da disseminação e comercialização de material didático de baixo custo. Os objetivos específicos do programa são: • Promover a criação de uma massa crítica sobre o uso e as aplicações da tecnologia de sensoriamento remoto no país e na região do Mercosul. pela responsável da Atividade de Treinamento e Difusão de Conhecimento em Ciência e Tecnologia Espaciais. pois. em 1998. dedicado ao ensino de sensoriamento remoto nos níveis fundamental.SAUSEN . tais como universidades. a tomarem parte na elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto. • difundir. diferentes produtos adquiridos por satélites de sensoriamento remoto existentes na atualidade. no meio docente e discente.• • motivar as autoridades de educação e pesquisadores a elaborar material didático para apoiar o ensino de sensoriamento remoto. estando todos voltados para a elaboração de material didático para o ensino de sensoriamento remoto. foi criado no INPE. • PROJETO EDUCA SeRe II . o Programa Educa SeRe.CD ROM para o Ensino de Sensoriamento Remoto DSR/INPE 13-12 T.M. • • • socializar os conhecimentos de sensoriamento remoto para fomentar novos projetos de pesquisas e aplicações na área de recursos naturais. incentivar as universidades que possuem centros de publicação a gerar material didático e fazerem a sua divulgação através de sociedades científicas. Este programa tem por objetivo gerar material didático. a saber: • PROJETO EDUCA SeRe I . a baixo custo. motivar instituições de ensino. 3 .Cadernos Didáticos no Ensino de Sensoriamento Remoto. de tal forma que eles sejam amplamente divulgados. cada um deles constituindo-se em um projeto.O Programa Educa SeRe Considerando-se. Este programa está dividido em quatro módulos. de tal forma que dissemine e torne acessível esta tecnologia a todas as camadas da sociedade.

• PROJETO EDUCA SeRe III .M.SAUSEN . nas disciplinas de ciência e geografia. abordando várias aplicações de sensoriamento remoto na área de recursos naturais. realizada em CamboriúSC. a baixo custo. de tal forma que formem uma coleção. em setembro de 1998. tornar acessível. para a comunidade em geral. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais. Estas cartas estão sendo produzidas separadamente. em parceria com a SELPER e distribuídas durante o Simpósio e posteriormente para todos os interessados em vários estados brasileiros e mesmo para o exterior.Projeto Educa Sere III-Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto O Projeto Educa SeRe III-– Elaboração de Carta-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto. SP. teve início em 1998. Ele é parte do Programa Educa SeRe desenvolvido pelo INPE. Tem objetivo criar séries de cartas-imagem. As primeiras cartas-imagem foram apresentadas no IX Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. realizado em Santos. Os objetivos específicos deste projeto são: • • • Disponibilizar. de forma ampla e a baixo custo. No contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: DSR/INPE 13-13 T. um ano após a realização da I Jornada de Educação em Sensoriamento Remoto no Âmbito do Mercosul. dados de sensoriamento remoto dedicado à área de recursos naturais. de forma seriada. Foram feitas 3 mil cópias. difundir o uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático.Homepages para o Ensino de Sensoriamento Remoto Cada um destes módulos já gerou pelo menos um material didático 4 .Elaboração de Cartas-Imagem para o Ensino de Sensoriamento Remoto • PROJETO EDUCA SeRe IV. para serem utilizadas como material didático.

professores e estudantes universitários. de 08 de maio de 1996 e 04 de abril de 1996. Litoral Norte e Serra da Mantiqueira. sensor SAR. DSR/INPE 13-14 T. promotores públicos. respectivamente. passagens de 26 de julho e 20 de agosto de 1997. utilizando a imagem de satélite LANDSAT/TM. redes de televisão.000. • Carta-Imagem n° 2 – Santos. • Mosaico do Vale do Paraíba. sendo bem recebidas. • Carta-Imagem n° 3 – São José dos Campos. com o apoio da Prefeitura Municipal de São José dos Campos. órbita 219 ponto 76.SAUSEN . dando início assim ao Projeto Educa Sere III— Elaboração de carta imagem para o ensino de sensoriamento remoto-Utilização de cartas-Imagem-CBERS como Recurso Didático. 2000 exemplares impressos foram distribuídos para todas as escolas do ensino fundamental e médio de São José dos Campos. escala 1:50. distribuidoras de leite. construtores de rodovias. Posteriormente ao lançamento o INPE assumiu o compromisso de treinar os professores da rede de ensino (municipal. bem como por vários segmentos da sociedade tais como imobiliárias. planejadores. etc. escala 1:350. Com o lançamento do satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres-CBERS este projeto passou a dedicar-se a criação de cartas-imagens usando exclusivamente imagens da Câmara CCD deste satélite. arquitetos.000. não apenas pelos professores do ensino fundamental e médio. em toda a região abrangida pelo Jornal Valeparaibano (41 municípios). estadual e privada). jornalistas. publicado em parceria com o Jornal Vale Paraibano de São José dos Campos. órbita 21. gerado a partir de duas imagens LANDSAT/TM. utilizando a imagem de satélite ERS-1 e 2. utilizando a imagem do satélite LANDSAT/TM. canais 2.a) Série Cidades Brasileiras: • Carta-Imagem n° 1–Santos. ONGs. 3 e 4. elaborada em parceria com a Agência Espacial Européia – ESA. energia elétrica. pontos 75 e 76. escala 1:50. na edição do dia 21 de agosto de 1999. na utilização da carta imagem como recurso didático em sala de aula. passagem de 20 de agosto de 1997.000. Assim foram treinados 121 professores da rede municipal. advogados. 64 da rede estadual e 23 da rede privada num total de 208.M. Estas cartas-imagem tiveram um grande sucesso.

DSR/INPE 13-15 T. O primeiro curso e o lançamento da primeira carta-imagem CBERS foi realizado durante o X Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. incentivar os docentes dos ensinos fundamental e médio a formarem cidadãos conscientes da importância da preservação dos recursos naturais e como os dados de sensoriamento remoto podem auxiliar nesta tarefa. Assim. e proposto como e quais dados de sensoriamento remoto os professores podem estar utilizando em sala de aula. tornar acessível. 19-21 de abril de 2001. em Foz do Iguaçu. em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. com a conseqüente geração da carta-imagem de Manaus. em parceria com a Universidade de Manaus. foi realizado um curso para professores do município de Manaus. como parte das atividades do XI Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto. incentivar o desenvolvimento de novas metodologias de ensino. em sala de aula. em geografia. de 17 a 22 de junho de 2002. Os objetivos específicos deste curso são: • Despertar interesse na comunidade docente para a potencialidade e a utilização de dados de sensoriamento remoto como recurso didático. disseminar os produtos de sensoriamento remoto gerados pela Satélite SinoBrasileiro de Recursos Terrestres. Posteriormente. foram levados em conta os objetivos e metas propostas para o ensino de geografia para cada um dos ciclos dos ensinos fundamental e médio. levando em consideração as diretrizes e orientações presentes nos PCNs. Paraná. Para este curso foi gerada a carta-imagem de Belo Horizonte O objetivo deste curso é a capacitação de professores dos ensinos fundamental e médio. material didático para o ensino de sensoriamento remoto e de recursos naturais. de forma ampla e a baixo custo. No período de 3 a 5 de abril de 2003. para o ensino de geografia. em Belo Horizonte.SAUSEN .Os objetivos específicos deste projeto são: • • • • • disseminar a tecnologia de sensoriamento remoto na educação escolar. foi realizado o terceiro curso. Com a finalidade de capacitar professores dos ensinos fundamental e médio no uso das cartas-imagens como recurso didático foi criado o Curso sobre “O Uso de Sensoriamento Remoto como Recurso Didático nos Ensinos Fundamental e Médio”.M. no uso de imagens de sensoriamento remoto.

referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto em geografia. ensino de geografia. tornar acessível à comunidade em geral os benefícios gerados à comunidade pelas atividades de sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE. Espera-se que ao final do curso os docentes estejam familiarizados com os inúmeros recursos didáticos oferecidos pelas imagens de sensoriamento remoto. ciências. referentes ao uso de dados de sensoriamento remoto. DSR/INPE 13-16 T. física e artes. em sala de aula. matemática. • Encorajar os estudantes do ensino fundamental e médio a se interessarem por profissões relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto. • • Com o auxílio dos docentes participantes do projeto. educação ambiental. • Difundir junto à comunidade docente e discente as atividades realizadas pelo INPE na área de sensoriamento remoto. envolvidos no projeto. Por meio das atividades em sala de aula.SAUSEN . a elegerem carreiras relacionadas à tecnologia de sensoriamento remoto. As metas a serem atingidas são: • Capacitar docentes de geografia dos ensinos fundamental e médio para desenvolverem atividades. encorajar os estudantes interessados em geografia e ciências.• Disseminar para a comunidade docente e discente os benefícios gerados pela tecnologia de sensoriamento remoto no conhecimento do espaço geográfico. tendo como objetivo a busca de novos talentos. dos aspectos sócio-econômicos e na preservação dos recursos naturais do país. cartografia. • Por meio dos docentes. buscar novas formas de utilização de dados de sensoriamento remoto em sala de aula. • Com o auxílio dos professores e estudantes. que passem a utilizá-las em sala de aula e que possam eles próprios criar novos materiais didáticos a partir dos conhecimentos adquiridos no curso. em sala de aula. Os professores treinados têm utilizado as cartas-imagem para desenvolver projetos sobre meio-ambiente e preservação de recursos naturais em sala de aula.M. capacitar os alunos dos ensinos fundamental e médio a desenvolverem atividades. referentes ao projeto.

Elas têm despertado interesse também de docentes na Argentina e Uruguai. • Ter uma ampla difusão das atividades de educação e sensoriamento remoto desenvolvidas pelo INPE na comunidade docente e estudantil.M. Dentro do contexto deste projeto já foram desenvolvidas as seguintes cartas-imagem: a) Capitais Brasileiras: • • • • Carta-imagem de Brasília. PR Carta-Imagem de Cachoeira Paulista.inpe. Carta-imagem de Cuiabá. Este é o único projeto do gênero na América do Sul.br/unidades/cep/atividadescep/educasere Resultados esperados neste projeto são: • Criar uma massa critica entre os professores de geografia do ensino fundamental e médio no uso de dados de sensoriamento remoto como recurso didático em sala de aula. Carta-imagem de Belo Horizonte. b) Cidades Brasileiras: • • Carta-imagem de Foz do Iguaçu. Estão em fase de elaboração as cartas-imagem de Porto Alegre e Natal. SP Estas cartas-imagem estão disponíveis na homepage do projeto: http://www. Carta-imagem de Manaus. • Buscar parcerias entre o INPE e instituições públicas e privadas no sentido de ampliar este projeto bem como na realização de futuros projetos na área de educação espacial. Formas de utilização de cartas-imagem CBERS em sala de aula: DSR/INPE 13-17 T.SAUSEN .

Impactos ambientais causados pelo a ocupação humana. serras. Estudo geográfico do espaço imediato ao aluno. tais como áreas alagadas. Explicar aspectos mais complexos como grandes complexos de relevo. as grandes artérias hidrográficas do mundo. complexos urbanos) criadas pelo homem. florestas) como as artificiais (estradas. correntes oceânicas. etc. Distribuição do uso do solo no tempo e no espaço e sua relação com os aspectos econômicos da região onde o aluno vive. áreas de mangue.Segue abaixo alguns exemplos de situações em que o material didático com sensoriamento remoto pode ser utilizado em sala de aula: Traçado de áreas urbanas e rede viária que comunica a cidade com o entorno imediato. Os limites e as barreiras urbanas. Identificar áreas de preservação de mananciais e sua forma de ocupação. Formas de crescimento das áreas urbanas e progressiva invasão do espaço agrícola. bacias de drenagem.M. florestas naturais. Visão sinóptica do local onde o aluno vive e sua relação com o contexto ao redor. Correlacionar o tipo de ocupação humana com os aspectos físicos. a forma dos continentes. econômicos e sociais da região onde o aluno vive. uso do solo e áreas agrícolas de uma região. Caracterização de áreas de preservação. planícies fluviais. DSR/INPE 13-18 T. Reconstituição histórica do espaço geográfico em que o aluno vive. tanto as que provem do meio natural (rios. áreas costeiras. aspectos de inundações. Complementar a cartografia na compreensão de aspectos gerais como a distribuição de mares e terras. Aspectos morfológicos da paisagem urbana.SAUSEN .

cnpm.com.inpe.satmídia.embrapa.cdbrasil.Sites úteis: Homepage da “Atividades de Treinamento e Difusão de Conhecimentos em Ciência e Tencologia Espaciais” do INPE http://www.SAUSEN . Clique sobre a imagem com o mouse para obter imagens mais detalhadas da área de interesse. http://www.br DSR/INPE 13-19 T.br Homepage da SATMIDIA-galeria de imagens de satélite http://www.br/unidades/cep/atividadescep Homepage da EMBRAPA com imagens de satélite de todos os estados brasileiros.M.

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