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PLANO DE AULA - LAÇOS DE FAMILIA - CLARICE LISPECTOR

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Literatura na escola - 8º ano: conto de Clarice Lispector

Bloco de Conteúdo Língua escrita Conteúdo Leitura Mais sobre Literatura Literatura na escola - 6º ano • • • • • • • • • Critérios para a escolha dos livros 1 - Contos de Drummond 2 - Narrativas de Graciliano Ramos 3 - Contos de José J. Veiga 4 - Poemas de Paulo Leminski 1 - Crônicas de Luís Fernando Veríssimo 2 - Contos de Edgar Allan Poe 3 - Poemas de Manuel Bandeira 4 - Romance de José J. Veiga

Literatura na escola - 7º ano

Literatura na escola - 8º ano • 1 - Conto de Clarice Lispector Especial • TUDO SOBRE LEITURA Introdução Esta é a nona de uma série de 16 sequências didáticas que formam um programa de leitura literária para o Ensino Fundamental II. As sequências são publicadas semanalmente. Veja, ao lado, o conteúdo disponível para 6º, 7º e 8ºano. Confira, no final desta página, quais serão as demais aulas e quando serão publicadas. Objetivos Estimular o gosto pela leitura; Desenvolver a competência leitora; Desenvolver a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico; Estabelecer relações entre o lido, o vivido ou o conhecido (conhecimento de mundo); Explorar a diferença entre o ponto de vista de um narrador em 3ª pessoa e o ponto de vista das personagens da trama narrativa; Perceber a importância da Forma literária. Conteúdos Sentido literal e sentido figurado; Paráfrase, hipótese, análise e interpretação; Ponto de vista (ou foco) narrativo; Forma literária.

Em 1939. Clarice Lispector ingressou na faculdade de Direito. Sua carreira literária prosseguiu com os contos infantis de "A Mulher que matou os Peixes". publicando contos. "Laços de Família". Em 1960 publicou seu primeiro livro de contos. seguido de "A Legião Estrangeira" e de "A Paixão Segundo G. Nos anos 1970 Clarice Lispector ainda publicou "Água Viva". como imigrantes vindos da Ucrânia. a escritora ganhou o Prêmio Graça Aranha. este último afilhado do escritor Érico Veríssimo. perdeu a mãe. provocado por um cigarro. considerado um marco na literatura brasileira. Clarice Lispector. seu ultimo romance.". Seu primeiro romance foi publicado em 1944. Pedro e Paulo. No ano seguinte. em 1985. e Clarice passou a frequentar o grupo escolar João Barbalho.com.uol. Clarice Lispector escreveu o romance "A Maçã no Escuro" e começou a colaborar com a Revista Senhor. 1990. "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres" e "Felicidade Clandestina". Em 1924 a família mudou-se para Recife. Rio de Janeiro. Aos oito anos. Clarice Lispector nasceu a bordo de um navio. Conte a eles sua interessante biografia. em 1976 recebeu o prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal. Clarice Lispector .Tempo estimado Cinco aulas Ano 8º ano Material necessário Livro Laços de família. pelo conjunto de sua obra. Reconhecida pelo público e pela crítica. Desenvolvimento 1ª aula: sondagem oral Pergunte aos alunos se eles já ouviram falar da escritora Clarice Lispector e se conhecem alguma obra por ela publicada. Clarice Lispector morreu de câncer.jhtm 2ª aula: leitura compartilhada do conto “Uma galinha” . Se possível. Em 1967 Clarice Lispector feriu-se gravemente num incêndio em sua casa. No ano seguinte publicou "A Hora da Estrela". que foi adaptado para o cinema. Francisco Alves. "Perto do Coração Selvagem". Em 1954 saiu a primeira edição francesa de "Perto do Coração Selvagem". "Via Crucis do Corpo" e "Onde Estivestes de Noite?". Fonte: http://educacao. com seus pais e duas irmãs. um computador conectado à internet. Chegou a Maceió com dois meses de idade. com capa ilustrada por Henri Matisse. Três anos depois. "A Imitação da Rosa". da Academia Brasileira de Letras. Dois anos depois. Em 1956. Separada de seu marido. H. Trabalhou como redatora para a Agência Nacional e como jornalista no jornal "A Noite".br/biografias/ult1789u592. publicou "O Lustre".Biografia Quando seus pais viajavam para o Brasil. formando-se em 1943. Casou-se em 1943 com o diplomata Maury Gurgel Valente. radicou-se no Rio de Janeiro. na véspera de seu aniversário de 57 anos. com quem viveria muitos anos fora do Brasil. O casal teve dois filhos. transferiu-se com seu pai e suas irmãs para o Rio de Janeiro.

3) Análise Agora chegamos ao corpo do trabalho. Análise do conto “Uma galinha” 1) Paráfrase A paráfrase é a primeira parte da análise. ATENÇÃO: Ainda que você. por isso deve ser curta e objetiva. 2) Questão norteadora / Hipótese interpretativa Quando começamos a analisar um texto de ficção. Ao mesmo tempo. a família desistiu de comer a galinha? E por que. As hipóteses.Leia com a turma o conto “Uma galinha” e em seguida recolha as impressões gerais. É como se. tempos depois. afinal. perceba que as hipóteses escolhidas pela turma são frágeis. Depois de capturada. a galinha foge e tem de ser perseguida pelos telhados da vizinhança. Inesperadamente. Quer dizer. Ela corresponde à questão “o que fala o texto?”. Sua análise é o caminho para convencê-lo. analise o conto “Uma galinha” seguindo os procedimentos descritos abaixo. É importante formular questões para a obra literária. temos em mente uma idéia do que o conto significa. eles decidem comê-la? Exemplo de hipóteses interpretativas: A família desistiu de comer a galinha porque percebeu que ela era agora necessária para dar vida ao ovo que ela chocava. Passado um tempo. que não leu. um “contar história com as suas próprias palavras”. o leitor dissesse “também não entendi” ou “não acho esta questão pertinente”. desde o início. perguntar por que o pai colocou um calção de banho para subir no telhado de pouco serviria para entendermos o conto. servem como ponto de partida para uma análise minuciosa. e devolvidas em forma de hipóteses interpretativas. tempos depois. não tente direcionar a discussão. professor. a galinha acaba por virar almoço. 3ª e 4ª aulas: análise literária Em aula expositiva dialogada. deve resumir-se apenas ao essencial. lhes tivesse pedido um resumo. lendo a sua questão. . eles decidem comê-la? Em discussão coletiva. escolha com a turma as duas hipóteses que lhes parecerem mais pertinentes. Peça aos alunos que formulem hipóteses: Por que. Deixe que o próprio texto confirme ou desminta as hipóteses de seus alunos. Ela conduz o leitor por meio de seu raciocínio. Não sabe nem por onde começar? Então vamos por partes: Em primeiro lugar. uma hipótese interpretativa ou um elemento que nos deixou intrigados. estamos buscando elementos para interpretá-lo. É um resumo do enredo. Exemplo O conto “Uma galinha” conta a história de uma família que escolhe uma galinha para o almoço de domingo. afinal. investigue elementos do conto que sirvam para responder à sua questão norteadora. Depois eles decidem comê-la porque ela não está mais chocando ovo nenhum. bota um ovo e a família desiste de comê-la. como veremos a seguir. Exemplos de questões norteadoras Por que. equivocadas ou não. Você vai analisar o conto. As questões norteadoras fundamentais para a compreensão da narrativa de Clarice Lispector foram lançadas na aula anterior. Peça aos seus alunos que contem a história do conto como se um colega. mas só são pertinentes as perguntas que nos ajudem a entender a obra em sua totalidade. A análise constrói argumentos que sustentem a interpretação. a família desistiu de comer a galinha? E por que.

“Foi então que aconteceu. ora tímida e livre.Em uma análise assim. esta não era nem suave nem arisca. para podermos responder às questões norteadoras e chegar a uma interpretação. Quanto mais a análise der voz ao texto. Parecia calma. às vezes tem seus anseios. Nunca se adivinharia nela um anseio. Isso não só é possível como geralmente traz um bom resultado. Surpreendida. Mesmo quando a escolheram.” Como animal irracional que era. Exemplo resumido de análise O conto começa apresentando a galinha já como almoço: “Era uma galinha de domingo. que a narrativa oscila entre a humanização e a animalização da galinha. Não olhava para ninguém. mas é também um ser. Releia com a turma os seguintes trechos para que fique clara tal ambivalência: Era uma galinha de domingo. Esquentando seu filho. Mas logo depois. Com alguma dificuldade. parecia uma velha mãe habituada. apalpando sua intimidade com indiferença. o rapaz a alcança e a despeja no chão da cozinha. Por isso. Sozinha no mundo. não mate mais a galinha. é um nada. Nem ela própria contava consigo. o espaço e o tipo de discurso são alguns dos elementos formais que podem ser fundamentais ao desvendar o mistério. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou respirando. Se conseguirmos ter uma boa questão (que se refere mais ao conteúdo do conto) e ainda um olhar atento no que se refere à forma. mas também é uma jovem parturiente. concentrada. O tipo de narrador. ninguém olhava para ela. não é difícil perceber o que. no domingo. Talvez fosse prematuro. melhor. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. na fuga. E então parecia tão livre. nascida que fora para a maternidade. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se poderia contar com ela para nada. lhe chama mais atenção. tão próxima da paráfrase. é mais uma galinha entre todas as galinhas. Se você observar bem o conto escolhido. o tempo. pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. exausta. O que são “aspectos formais”? São elementos que se referem menos diretamente ao que está sendo dito e mais ao como está sendo dito. não souberam dizer se era gorda ou magra. De pura afobação a galinha pôs um ovo. nem alegre. como o galo crê na sua crista. Estúpida. O dono da casa começa então a persegui-la como quem persegue o próprio almoço. a menina pede à mãe: “ – Mamãe. Por exemplo. Mas. em sua forma. Existem inúmeros elementos passíveis de análise em um bom conto. em arte. nem triste. tímida e livre. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã. sem pai nem mãe. É preciso reunir forma e conteúdo. ora ela é estúpida. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma. . ela pôs um ovo! Ela quer o nosso bem!” Note o uso de citações de trechos do conto. Às vezes ela é uma galinha de domingo. forma é conteúdo. a galinha passava despercebida pelos habitantes da casa desde sábado. ela corria. a caracterização de algum personagem. arfava.Mas não podemos nos esquecer também de que. que na verdade foram separados artificialmente. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. muda. fazendo com que o narrador da história reconheça nela um anseio pela vida. abotoando e desabotoando os olhos. não era nada. era uma galinha. pouco ainda se pode interpretar. Às vezes.” Diante de tal fato. mamãe. então já é possível traçar um caminho seguro pelo qual nossa análise pode seguir. surpreendentemente ela foge para o telhado. Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. é preciso ressaltar a contribuição que alguns aspectos formais possam vir a ter na economia do conto.

Para a família. No entanto. como lição de casa. que cada aluno escolha o conto de sua preferência e formule. “mataram-na. prestes a anunciar. Se na análise desmontamos o texto em partes. e longe de qualquer reflexão igualitária sobre a condição feminina. Ela é a exposição do sentido profundo do conto. Na fuga. enchia-se de uma pequena coragem. os membros da família. Quando a galinha bota um ovo. o narrador sonda a intimidade da galinha tentando descobrir se há algo nela que lhe confira o estatuto de ser.” Na projeção do narrador (narradora?). ela volta a ser vazia de sentido. É a maternidade que confere à galinha o estatuto de ser. embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil. A galinha. Não quer (ou não ousa) cantar como o galo (ou cantar de galo). um todo que reúne forma e conteúdo. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e.4) Interpretação A interpretação corresponde à questão “do que fala o texto”. sempre mais raramente. assista com a turma a animação de Rafael Aflalo: http://www. Enquanto o narrador percebe nela “um anseio”. o narrador projeta nela os dilemas da condição feminina.” Se observarmos bem o conto. Se possível. até então vista pelos personagens apenas como um almoço. nas entrelinhas. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. a mesma que fora desenhada no começo dos séculos.com/watch?v=OFguEGJ5bww Avaliação Depois de lidos os outros contos do livro. se fosse dado às fêmeas cantar. vendo nela “uma velha mãe habituada”. no descanso. que ser é esse? Fora da função reprodutiva. resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho. ela é coisa: almoço. desde o início. há uma diferença entre o olhar do narrador e o olhar da família sobre a galinha. com o velho susto de sua espécie já mecanizado. queremos saber o que está dito pelos silêncios. . Enquanto isso. lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado. a galinha é menos que um bicho. E é ele que estamos buscando desde o início. comeram-na e passaram-se anos. a galinha/mãe/mulher gostaria muito de não ter o sentido de sua vida reduzido à maternidade. Já o narrador procura saber se ela pode ser mais do que bicho ou coisa.” 5ª aula: releituras Há no site YouTube inúmeras releituras deste conto. Finalmente. alheios à personificação da galinha promovida pelo narrador. peça. o corpo avançando atrás da cabeça. mas ficaria feliz em saber que pode.youtube. o que se origina da relação íntima entre forma e conteúdo. o pai vê “o almoço” subir no telhado. uma questão norteadora e uma hipótese interpretativa. se ela deseja a vida ou a liberdade. Quando analisamos. passa a ser personificada. a ter sentimentos humanos a ela atribuídos. na interpretação temos de reorganizá-lo como um todo. “Até que um dia mataram-na. “Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido. Enquanto a última vê o animal apenas como almoço. Todos os da casa desistem de comê-la e a galinha passa a morar junto com a família. Uma vez ou outra. estúpida. para ele. quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha. ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. pausado como num campo. o olhar do narrador e o da família confluem: todos personificam o animal. comeram-na e passaram-se anos. podemos notar que. volta a se confundir com os objetos da casa.

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