P. 1
4 O Begriffsschrift de Frege

4 O Begriffsschrift de Frege

|Views: 250|Likes:
Publicado pordaniel1k

More info:

Published by: daniel1k on Sep 11, 2010
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

07/06/2014

pdf

text

original

O Begriffsschrift de Frege

Fernando Raul Neto

A Lógica sofreu uma mudança radical em sua estrutura ao longo do século XIX. Mudou em quantidade - o que ela abarca ao final do século é salientemente maior que o encerrado pela chamada Lógica clássica, aquela sistematizada e legada por Aristóteles - e mudou em qualidade - suas técnicas e sua simbolização são essencialmente diferentes. Uma primeira idéia da radicalidade dessas alterações no corpo da disciplina no século XIX pode ser obtida por duas avaliações da Lógica aristotélica, uma feita por Kant ao final do século XVIII, a outra por Russel no início do século XX. Para Kant a Lógica clássica era um exemplo de disciplina que havia seguido, usando sua própria expressão, "o percurso certo da ciência"; esta conclusão depreende-se do fato de a Lógica, escreve ele no prefácio da edição de 1787 da sua Crítica da razão pura, "não ter podido desde Aristóteles dar nenhum passo atrás", uma vez que, ainda segundo Kant, não se deve considerar melhorias a supressão de algumas sutilezas dispensáveis ou a determinação mais clara do exposto, "coisas pertencentes mais à elegância do que à segurança da ciência". Kant observou ainda que a Lógica não precisou até então "dar um passo adiante, parecendo, portanto, ao que tudo indica, completa e acabada." 1 Russel, por seu turno, tendo a vantagem sobre Kant de todo o século XIX atrás de si, valoriza a lógica Aristotélica de forma bem antagônica. Reconhecendo que a "influência de Aristóteles, que foi muito grande em campos diversos, foi maior ainda no campo da lógica", Russel estranha e lamenta que em sua época muitos professores de filosofia ainda rejeitem, obstinadamente, os descobrimentos da lógica moderna, "aderindo com estranha tenacidade, a um sistema que é positivamente tão antiquado quanto a astronomia de Ptolomeu." 2 Russel parece estar certo, porque a Lógica, diferentemente do que Kant achava, resolveu dar um passo adiante e cuidar de si própria. Gottlob Frege (18481925) não foi o único a contribuir para o avanço da Lógica no século XIX, os ingleses de Morgan, Hamilton e, principalmente, Boole contribuíram para a mudança da feição da disciplina. Porém, é unânime entre os estudiosos a constatação de que foi Frege o responsável pelas alterações seminais no corpo da Lógica clássica, das quais emergiram o que hoje se chama, quase indistintamente, de Lógica moderna, Lógica simbólica, Lógica formal ou Lógica matemática. O texto seminal, o primeiro livro de Frege, é o Begriffsschrift, eine der arithmetischen nachgebildete Formelsprache des reinen Denkens, publicada em 1879 em Halle, na Alemanha 3 . É deste texto que nos ocuparemos neste artigo e do qual intencionamos dar uma visão geral ao leitor de sua introdução e da parte I. O que propõe Frege no seu livro? Comecemos pelo título: não há, até agora, uma tradução brasileira para o livro Begriffsschrift, mas uma possível tradução para o título seria Ideografia, uma linguagem por fórmulas do pensamento puro modelada sobre a da Aritmética. 4 Não podemos dizer, no entanto, que Ideografia seja o termo

1 2 3 4

Cf. Kant 1983, p. 9. Cf. Russel 1969, Cap. XXII, "A Lógica de Aristóteles", p. 227. Republicada em Frege (1998). Proposta por Paulo Alcoforado em sua Introdução a Frege 1978.

porque para Frege a "prova mais firme é obviamente a estritamente lógica. alude a esse seu projeto. Fundamentar a Aritmética. "Aritmética". de qual maneira ela poderia. . A segunda é mais definitiva. ao criá-la. "foi o ponto de partida dos pensamentos que me conduziram a minha Begriffsschrift" (p. Jena.Frege 1980. III). porque "possivelmente necessita ser respondida diferentemente pelas diferentes pessoas" (p. as que podem ser provadas por meios puramente lógicos e as que necessitam ser fundamentadas em fatos empíricos. ao longo de sua vida. A primeira questão Frege descarta de sua análise. tomada ao pé da letra. a Begriffsschrift refere-se à notação conceitual. nas suas conferências publicadas como artigos em jornais e revistas que Frege. não determinado (pelo menos potencialmente) de uma estrutura e de uma descrição rigorosa". escreve Frege. ou outros termos designativos do masculino e feminino. E fundamentar em bases lógicas. a qual. a notação conceitual que Frege introduz.da criação de uma Begriffsschrift 7 . imitar a linguagem utilizada na aritmética? Notemos. que Frege. ser finalmente estabelecida. temos como alternativa Conceitografia 5 . Métodos de cálculo que se baseiam em uma ampliação do conceito de grandeza. Já no prefácio do Begriffsschrift ele explicita o leitmotiv deste seu primeiro livro e de todas as suas demais obras. elementar. Para tal ele separa o processo epistemológico pelo qual as verdades científicas são obtidas do processo pela qual elas podem depois ser justificadas. Paulo Alcoforado in Frege 1978. saber por qual trajetória uma determinada proposição é gradualmente conseguida. Mas por que e para que criar uma tal linguagem? Por que. Frege utiliza o termo Begriffsschrift tanto para referir-se a "um sistema simbólico e artificial. 1874. Peirce .é o objetivo específico de Frege nesta obra . é concebida exatamente para dar conta de seu projeto logicista. a segunda. Frege divide assim todas as verdades que necessitam de justificação em dois tipos. 1873. nas dezenas de recensões de livros ou artigos. que seria uma linguagem por fórmulas construída ou modelada por imitação da linguagem utilizada na Aritmética. Jena. VIII). anuncia. Isto porque Frege acredita que o reconhecimento de uma "verdade científica passa geralmente através de vários estágios de certeza" (p. baseia-se exclusivamente nas leis que suportam todo o conhecimento" (p. A expressão Begriffsschrift. de início. 15. o qual ele anuncia no título: o livro trata . do ponto de partida de Frege. da maneira mais firme. possuiu um único e grande projeto: fundamentar a aritmética.que as verdades da Aritmética são do primeiro tipo.a sua famosa tese logicista . Manteremos (acompanhando Beaney 1997) o termo alemão sem tradução. São na sua Dissertation 8 e no seu Habilitationsschrift 9 . p. prescindindo de todas as particularidades das coisas. etc. III). Rechnungsmethoden. De fato. Cf. e também para referir-se ao livro ou ao seu conteúdo 6 . Toda a sua produção escrita. III). mas com a convenção de distinguir o texto da notação conceitual pelos artigos "o" e "a". Sobre uma representação geométrica das formas imaginárias no plano. diríamos. direta ou indiretamente. Assim o Begriffsschrift refere-se ao texto. significaria algo como escrita conceitual ou notação conceitual. Frege inicia seu texto procurando caracterizar o tipo de verdade que é veiculada pelos juízos aritméticos. "sua". A Begriffsschrift. Ueber eine geometrische Darstellung der imaginären Gebilde in der Ebene. Daí ele formular duas perguntas: a primeira. como "seu".estabelecido no Brasil para Begriffsschrift. Frege acredita . enquanto matemático. explica ou defende o seu projeto fundacionista. precisando mais. porque ao tentar conduzi-lo da 5 6 7 8 9 Utilizada por Luiz Henrique Lopes dos Santos em sua tradução brasileira do artigo de Frege Über die wissenschaftliche Berechtigung einer Begriffsschrift como Sobre a justificação científica de uma conceitografia. Cf. die sich auf eine Erweiterung des Größenbegriffes gründen.

refinar as suas idéias. para usar a expressão de Lakatos. Explanação dos símbolos.. (p. na Parte II utiliza-a na construção de uma axiomatização para o hoje chamado cálculo de predicados através de nove axiomas. de modo que a sua origem possa ser investigada". com o objetivo de definir logicamente a seqüência dos números naturais. sua Begriffsschrift. adverte Frege. estava delineado. mostrando como várias proposições podem ser formuladas e deduzidas dentro do cálculo. da maneira a mais confiável. que faça com que uma cadeia de inferência seja livre de lacunas. O Grundlagen. Alguns elementos de uma teoria geral das séries. cinco anos depois. 3.. digamos. anuncia as suas investigações subsequentes acerca do conceito de número e grandeza. No prefácio Frege expõe os objetivos gerais de seu programa e de sua obra. Explicar as suas novidades conceituais. na parte final Frege examina o princípio da indução matemática. o mais importante. desenvolver e concluir tecnicamente o projeto. mas o que de fato sucedeu é que o Begriffsschrift passou ao largo da comunidade científica e os poucos que a leram foram bem críticos. Isto conduziu Frege a uma atitude defensiva e. vejamos como ele mesmo vê a sua Begriffsschrift. Da necessidade de transpor este obstáculo "surgiu a idéia da presente Begriffsschrift. eine der arithmetischen nachgebildete Formelsprache des reinen Denkens (1879).forma a mais rígida possível. Vol. levadas a cabo em 1884 nos Grundlagen der Arithmetik. ele próprio. Representação e dedução de alguns juízos do pensamento puro e III. (. a defesa para um grande público e a sua efetiva execução será conduzida em sua trilogia: 1. mostrar a superioridade de sua lógica em relação a de Boole (veja mais abaixo) e. Vejamos o que Frege apresenta no Begriffsschrift observando de início a sua estrutura. Um programa de pesquisa. nos dois volumes do Grundgesetze. encontramos nele in nuce todo o projeto logicista intencionado por Frege. ele encontra o obstáculo da "inadequação da linguagem" (p. não contém apenas a notação conceitual exigida por Frege. "refere-se mais às idéias básicas do que aos detalhes. IV). II. IV) O Begriffsschrift. O essencial para um projeto de fundamentação lógica da aritmética estava apresentado. O próprio Frege. a validade de uma cadeia de inferência e para revelar todos os pressupostos que possam passar despercebidos. A história poderia ter sido outra (logicamente a história sempre pode ser outra).) A minha linguagem por fórmulas aproxima-se diretamente da linguagem da Aritmética na forma de utilização de letras. II 1903) Relevando uma série de detalhes a trilogia de Frege pode ser assim apreciada: no Begriffsschrift criar uma linguagem precisa que não permita em uma dedução a intromissão de nada intuitivo." (p. é a resposta acabada para esse viés didático de seu projeto. IV) A utilização da Aritmética como modelo. Begriffsschrift. A linguagem necessária e a concepção. didática. Acompanhemos mais de perto agora o texto de Frege. Ele dividiu seu livro em um Prefácio e três partes: I. Já vimos como Frege pensa a sua modelação pela linguagem da aritmética. 2. na Parte I explica seu simbolismo. retomar. no Grundlagen. I 1893. defender filosoficamente o projeto e esboçar a fundamentação lógica do conceito de número. embora sua execução ainda vá exigir de Frege muitos anos de sua vida. mas qual seria a relação dela com a linguagem natural? Frege responde oferecendo uma analogia com a relação entre o microscópio e o . Grundlagen der Arithmetik (1884). ao final do prefácio do Begriffsschrift. Ela é assim pensado para servir primordialmente para testar. Grundgesetze der Arithmetik (Vol. na realidade.

que passam despercebidas devido à sua íntima conexão com a vida mental.olho. A sua Begriffsschrift seria mais uma contribuição particular. Com efeito. Da mesma forma Frege entende a sua Begriffsschrift como uma ajuda para determinados objetivos científicos e que "não deveria ser condenada porque não seria adequada para outros fins. mas exatamente porque é inútil para os outros. não repudiarão as inovações para as quais fui compelido por uma necessidade inerente à própria matéria. "não se deve desesperar por conta de uma aproximação vagarosa. do campo de suas aplicações e da sua flexibilidade. para tal realização. 142. o aspecto lógico abstrato ocupasse demasiadamente o primeiro plano. mas exprimir um conteúdo mediante sinais escritos de maneira mais precisa e mais clara do que seria possível através de palavras. geométricos e químicos podem ser considerados como realizações do projeto leibniziano em campos particulares. VI) Frege parece assim entender a sua Begriffsschrift como anterior às demais disciplinas. VII) 10 Frege 1978. V). V-VI). quase sempre inevitavelmente surgem quando se relaciona os conceitos. então a falta de novas verdades em seu texto. reunindo todas. Em seguida (p." 10 Que Frege não entende sua Begriffsschrift apenas como calculus raciocinator. se eles não são afastados pelas primeiras impressões de não familiaridade. talvez se deva ao fato de eu ter permitido que. "Mas mesmo que esse grande objetivo não possa ser atingido em uma primeira tentativa". pode tornar-se uma ferramenta útil para os filósofos. mas da criação de uma linguagem simbólica. Mas "eu me consolo com isto ao saber que um desenvolvimento no método também avança a ciência. na direção de Boole. p. como um simples cálculo lógico. mas uma 'lingua characteristica' no sentido leibniziano. onde se exige precisão." (p." (p. Frege entende a característica universal de Leibniz como um calculus philosophicus ou ratiocinator. podem ser relevadas." (p. e acredita que a grandiosidade dessa concepção não a fez avançar além das preparações iniciais. A sua defesa é que a sua idéia básica não é a construção de mais um cálculo lógico. se revela também quando ele afirma que a própria invenção da Begriffsschrift contribui para o avanço da lógica. reconheço porém que um cálculo dedutivo é uma parte necessária de uma ideografia." (p. VI) Frege também utiliza a referência a Leibniz para defender-se da identificação de seu trabalho com o de Boole. através do uso da linguagem. e daí entendê-la também como ferramenta para os filósofos: "Se a tarefa da filosofia é quebrar o poder das palavras sobre a mente humana. e refere-se a Bacon para corroborar seu ponto de vista da importância metodológica de seu trabalho. passo a passo. Frege compara a sua Begriffsschrift com as idéias leibnizianas de criação de uma espécie de característica universal. VI) Frege acredita que os símbolos aritméticos. Essa referência a Leibniz é essencial para se compreender o modo como Frege pensa a sua Begriffsschrift. o olho torna-se inadequado. Para os objetivos científicos. "Espero que os lógicos. desejava produzir. escreve Frege. no desenvolvimento de meu projeto. O olho tem uma grande superioridade sobre o microscópio por conta. com a qual o olho é capaz de se adaptar às mais diversas circunstâncias." (p. V) Se a Begriffsschrift atende esses objetivos." (p. "de fato colocada no meio delas. ampliada para estes objetivos. Se isto foi mal compreendido. Mas como instrumento óptico o olho revela claramente muitas imperfeições. não um mero 'calculus raciocinator'. desvelando as ilusões que. desculpa-se Frege. De fato. então minha Begriffsschrift. segundo Frege. . O microscópio é perfeito para tais fins. na direção de Leibniz: "Não era meu desejo apresentar uma lógica abstrata através de fórmulas.

"A significação lingüística da . "Desde que me restringi. só importa a Frege o que possui significação para a inferência lógica. 2) Isto porque.. do qual o autor não afirma se ele reconhece sua verdade ou não." (p.] distinguir duas espécies de símbolos. Mas Frege não trata aqui apenas de representação simbólica. Nos parágrafos seguintes ele aborda os temas Juízo (§§ 2-4). 1) Frege refere-se aqui as variáveis de sua notação e aos conectivos lógicos que ele introduz.A Parte I do Begriffsschrift. Erklärung der Bezeichnung (Explanação dos símbolos)." (p. Frege chama de conteúdo conceitual (begrifflicher Inhalt) tudo o que em um juízo deve ser levado em conta para a inferência lógica..] a fim de torná-los em geral aplicáveis ao domínio mais amplo do pensamento puro. Os dois juízos 'Em Plataea os gregos venceram os persas' e 'Em Plataea os persas foram vencidos pelos gregos' diferem da primeira maneira. explica Frege no § 2..] noto que os conteúdos de dois juízos podem diferir de duas maneiras: ou as conclusões que podem ser obtidas de um deles quando combinados com outros também sempre seguem do segundo quando combinados com os mesmos juízos. mas deve meramente despertar no leitor a idéia de atração mútua dos pólos magnéticos opostos." (p. e daí a escolha do título de seu livro como Begriffsschrift. Frege divide em 12 parágrafos: no primeiro ele apresenta o que chama de idéia fundamental de qualquer simbolização: "[. Um juízo. "então o juízo é transformado em um mero complexo de idéias.. Para Frege se a sua linguagem por fórmulas é para ser entendida corretamente este ponto deve ser sempre lembrado. 3) O ponto para Frege é que nenhuma distinção é necessária entre juízos que tem o mesmo conteúdo conceitual. [. em primeiro lugar." (p. então A não expressará este juízo. A função (§§ 9-10) e Generalidade (§§ 11-12). Negação (§ 7). Se a pequena barra vertical à esquerda da horizontal é omitida. à expressão das relações que são independentes da particularidade das coisas.. fui assim também capaz de usar a expressão 'linguagem por fórmulas do pensamento puro'. Condicionalidade (§§ 5-6). Mesmo se uma leve diferença de sentido pode ser discernida. e qualquer coisa que seja irrelevante para a inferência lógica (Schlussfolge) deve ser descartada. a concordância predomina. Seu interesse é caracterizar o que é importante em uma cadeia dedutiva. como vimos. ou seja. será expresso pelo símbolo que colocado à esquerda de um símbolo ou complexo de símbolos fornece o conteúdo do juízo." (p. Por isso eu divido todos os símbolos que uso entre aqueles pelos quais pode-se representar diferentes coisas e aqueles que tem um sentido bem determinado. ou isto não ocorre. IV) Mas o que é este conteúdo conceitual de um juízo? Para explicá-lo Frege providencia um primeiro grande distanciamento da lógica aristotélica: "A distinção entre sujeito e predicado não encontra lugar em minha representação de um juízo. 2) Frege exemplifica: se A significa o julgamento "Pólos magnéticos opostos atraem-se mutuamente". e daí ser irrelevante logicamente a distinção produzida pelo par sujeito x predicado. Identidade de conteúdo (§ 8). o conteúdo conceitual do juízo. Com um exemplo Frege mostra porque o par sujeito x predicado não capta o essencial para a inferência lógica: "[..

em notação moderna. 'um juízo com conteúdo particular. Vimos a importância que Frege empresta à sua noção de conteúdo conceitual. por ~(B → ~A). hipotéticos e disjuntivos parece-me ter apenas significação gramatical. o símbolo ——A. no § 8. teríamos A ∨ B definido como ~B → A. dá uma primeira resposta através de uma notação: (A ≡ B) significa "o símbolo A e o símbolo B possuem o mesmo conteúdo conceitual. Chamo esta pequena barra vertical de barra de negação. com sua própria notação." (§ 3) Nos parágrafos seguintes. digamos A e B. isto é.O restante do parágrafo Frege utiliza para exemplos e para introduzir as demais funções proposicionais em função da condicional e da negação. e vice-versa. chamando a atenção do leitor que a distinção aplica-se aos conteúdos dos juízos: "Dever-se-ia dizer: 'um juízo com conteúdo universal'." (§ 7). como ele alertou. A significa 'A não se obtém'. como é apresentado a implicação B → A. Frege distingue agora entre juízos universal e particular. possuem o mesmo conteúdo conceitual? Frege. (2) A é afirmado e B é negado. deve expressar esta noção. Assim. oferecendo vários exemplos elucidativos. isto é. (4) A é negado e B é negado. poder-se-ia argumentar. se a . 3) Pela explicação de Frege poderíamos inferir que P e Q tem o mesmo conteúdo conceitual se P e Q são logicamente equivalentes. por exemplo. A Begriffsschrift de Frege utiliza apenas dois conectivos." (p. mas sim uma das outras três. 5 e 6. Frege introduz o conectivo → da implicação material e a regra de inferência modus ponens. apenas o que é relevante na inferência lógica. A ∨ B (no sentido exclusivo) por ~ [(~B → A) → ~ (B → ~A)] e A ∧ B.' (§ 3) Em seguida descarta a distinção kantiana dos juízos: "A distinção entre juízos categóricos. Assim. "Se uma pequena barra vertical é colocada no lado inferior da barra de conteúdo. Vejamos. 15) Mas Frege sabe das dificuldades aqui envolvidas porque. de modo que A pode ser sempre substituído por B. se P → Q e Q → P." (p. Mas como dizer que duas expressões simbólicas." (§ 5) Esta definição estabelece simplesmente. o da condicional e o da negação. então existe as quatro seguintes possibilidades: (1) A é afirmado e B é afirmado.posição do sujeito na ordem das palavras repousa na marcação do lugar onde se deseja particularmente chamar a atenção do ouvinte. Este último ele introduz no início do (§ 7). A B significa agora o juízo de que a terceira dessas possibilidades não ocorre. então pretende expressar a circunstância de que o conteúdo não é obtido. (3) A é negado e B é afirmado. "Se A e B são conteúdos afirmáveis (§ 2). em linguagem moderna. a equivalência lógica entre B → A e ~ (~ A ∧ B).

então "a introdução de um sinal para a igualdade de conteúdo provoca uma bifurcação no significado de qualquer símbolo. 14) A idéia de Frege é que se os símbolos A e B surgem assim isolados em proposições eles representam conteúdos. imputou aos termos. Frege então pergunta: "Que ponto é produzido quando a reta torna-se perpendicular ao diâmetro?" A resposta é o ponto A. A distinção fregeana entre Sinn e Bedeutung é assim pensada para fornecer um tratamento adequado da igualdade. já havia comentado sobre a importância. na análise de uma expressão. Chame de B o ponto variável da circunferência obtido pela intercessão da linha reta móvel com a circunferência. mas não será aqui no Begriffsschrift que Frege apresentará um tratamento exaustivo do problema. no prefácio. como vimos. Nos parágrafos 9 e 10 ele explica como se deve proceder com a troca. com a figura abaixo 11 . entraram para o rol daqueles conceitos filosóficos que produzem consensos entre os estudiosos na mesma proporção que produzem dissensões. Frege apresenta uma primeira reflexão sobre o tema. a função. como ele mesmo afirma nas primeiras linhas do artigo referido. não haveria necessidade de usar diferentes símbolos para o mesmo conteúdo e consequentemente de um símbolo para a igualdade (p. realmente. ora representando a si próprio. ele precisa de dois novos conceitos para tratá-lo.) + 6. da necessidade da distinção. Tomamos a figura de Beaney 1997. B B B B A Em uma circunferência marca-se um ponto A em torno do qual fazemos girar linhas retas no sentido horário. Mas já aqui. de título Igualdade de conteúdo (Die Inhaltsgleichheit). falar de igualdade? Acompanhemos. por exemplo. que representa a totalidade das 11 Frege não traz figura alguma em seu texto. 14) Este diagnóstico do problema está correto. 14) Frege. embora sem muita clareza ainda. o exemplo que Frege apresenta para justificar tal necessidade. mas quando surge A ≡ B.. uma vez que a justificação para tal somente surge por esta resposta. mas que por conta das diferenças lógico . 72 + 5 x 7 + 6. fica justificada a necessidade de dois nomes: "O nome B tem assim neste caso o mesmo conteúdo que o nome A. A idéia é que em uma expressão matemática." (p. de forma que ela pode ser entendida como constituída de uma parte constante (. da troca do par sujeito x predicado por função x argumento.)2 + 5 (. ou qualquer outro. posso.igualdade diz respeito apenas à expressão e não ao pensamento. no § 8 do Begriffsschrift. segundo Frege. Frege inicia o parágrafo afirmando que a igualdade de conteúdo "difere da condicionalidade e negação por relacionar nomes e não conteúdos.. e foi por ele exaustivamente tratada no artigo citado. mais tarde em 1892. Mas é necessário." (p. p. eles representam a si próprios. em seu famoso artigo Über Sinn und Bedeutung (Sobre o sentido e o significado). 13) Mais ainda. .." (p. imaginar o número 8.filosóficas que Frege. e um único nome não poderia ter sido utilizado desde o início. Os novos termos ele tomou emprestado da matemática. no lugar do 7. como se precisa também dizer que os conteúdos são iguais. De fato. ora ele representando seu conteúdo. Agora.. 64. Sinn e Bedeutung são duas palavras do cotidiano de qualquer alemão (da mesma forma que sentido e significado são para o de um brasileiro).

onde. que não são determinados. se para todo número ε positivo.relações que podem ser imaginadas. De Frege pode ser lido: Anwendungen der Begriffsschrift (1879).A) são diferentes. Aplicações da ideografia e Sobre a finalidade da ideografia por Paulo Alcoforado em Frege 1978. Frege necessitou explicar sua Begriffsschrift e mostrar sua diferença essencial da lógica de classes de Boole." (p. pelo mesmo argumento nas duas ocorrências). cujas ambigüidades podem ser discernidas na simbologia de Frege. isto não estava claro. como o já clássico Todo filósofo admira um lógico 13 . A superioridade do tratamento fregeano é ponto estabelecido na literatura. o argumento. 12 A versatilidade de sua lógica Frege procura demonstrar em seu texto abordando exemplos que fogem a um tratamento simbólico pela lógica clássica. em sua época. em geral. compara seu trabalho com o de Boole. que pode ser substituído por outros e que denota o objeto que entra na relação. Φ(A) Da mesma forma Ψ(A. É o caso das chamadas proposições de múltipla generalidade. existe um número δ. Ψ(A. no qual ele comenta as diversas possibilidades de se encarar uma expressão funcionalmente: "considere 'a circunstância de que o centro de massa do sistema solar não possui aceleração. dependendo se consideramos 'sistema solar' como substituível na primeira ocorrência. se apenas forças internas atuam no sistema solar'. na segunda ou em ambas (mas. Estas três funções são todas diferentes. 18) Esta idéia de usar funções amplia de forma considerável o universo de expressões passíveis de análise lógica. que tem atormentado bastante os estudantes da disciplina: dizemos que o limite da função f(x) é L. onde ele oferece aplicações de sua Begriffsschrift. o exemplo famoso de múltipla generalidade é a definição de limite. e o símbolo 7. A nova lógica de Frege além de prover um tratamento unificado das duas teorias. surge com esta idéia funcional e com a notação quantificacional que Frege introduz no § 11. Aqui as ocorrências de A e B nos parênteses representam as ocorrências de A e B na função. O cálculo de predicados. respondendo às críticas de Schröder. como. quando x tende para xo. 16) No início do § 10 Frege apresenta a sua notação funcional: "Para exprimir uma função indeterminada do argumento A. . do próprio Frege.B) e Ψ(B. oferece uma axiomatização para o cálculo proposicional. Podemos assim tomar a expressão como uma função do argumento 'sistema solar' de diferentes maneiras." (p.xo ⏐ < δ implica ⏐f(x) . ambos admitindo uma simbolização como interpretações distintas da álgebra de Boole. freqüentes na matemática e na linguagem corrente. O exemplo não é de Frege. independente se elas ocorrem uma vez ou várias. Por isto. Vejamos um exemplo. tal que ⏐x . Über den Zweck der Begriffschrift (1883). tópico obrigatório nos cursos de lógica oferecidos nas universidades.B) significa uma função dos dois argumentos A e B. A ambigüidade é clara: trata-se do mesmo lógico que todos os filósofos admiram ou cada filósofo tem o seu lógico preferido? No primeiro caso: (∃y) (Ly ∧ (∀x) (Px → Axy)) No segundo caso: (∀x) (Fx → (∃y) (Ly ∧ Axy)) 12 13 A comparação entre as lógicas de Boole e Frege é essencial para entender o avanço de Frege. mas. no último caso. Aqui 'sistema solar' ocorre duas vezes. Traduções brasileiras. e é hoje uma ferramenta inalienável da lógica. também positivo. incluímos A entre parênteses seguindo uma letra. Na matemática.L⏐ < ε. Até então a lógica dividia-se em uma teoria silogística (o legado aristotélico) e em um cálculo proposicional.

exprimindo-o em função do quantificador universal. vejamos agora o que Frege apresenta no restante do texto. 31 e 41.. 5. duas. (1) (2) (8) (28) (31) a → (b → a) (c → (b → a)) → ((c → b) → (c →a)) (c → (b → a)) → ((b → (c → a)) (b → a) → (~ a → ~b) ~~a→a . O leitor moderno resume em poucas palavras esta segunda parte: trata-se da exposição axiomática da lógica de predicados através de 9 axiomas incluindo algumas deduções como exercícios. as fórmulas. A S u a l t e r n a ç ã o a ∪ C o n t r á r i a s E a ∪ P(a) X(a) P(a) S X(a) u a l t e r n a ç ã o Contradição a ∪ P(a) X(a) a ∪ P(a) X(a) O I S u b c o n t r á r i a s De forma bem mais resumida. o da igualdade de conteúdos. as fórmulas 52 e 54. 2. Frege explica a divisão de seus axiomas: "[.] três exigem. e ele não utiliza simbolização nenhuma para o quantificador existencial. como estabelece a sua definição. apenas o símbolo da condicional. Como vimos Frege apresentou o seu sistema notacional e cumpre agora mostrar o seu funcionamento. 4. 25 a 58). 28. fórmula 58. as fórmulas 1. 3.. É a parte mais extensa do livro. três. Escapa a Frege a observação de que as conhecidas relações entre as proposições não são válidas no seu sistema. Por exemplo. e em uma. as proposições A e E podem ser ambas verdadeiras. 2 e 8.O símbolo para o quantificador universal de Frege é diferente." (p. É o que ele faz na parte II de título Representação e dedução de alguns juízos do pensamento puro (Darstellung und Ableitung einiger Urtheile des reinen Denkens). para a sua expressão. A expressão moderna ∀x F(x) Frege escreveria como: x ∪ F(x) Frege conclui a primeira parte do Begriffsschrift com o clássico quadrado de oposições lógicas. excetuando as letras. emprega-se o de concavidade da barra de conteúdo. expressos em notação moderna e preservando a sua numeração: 1. contém ainda o símbolo da negação. são 10 parágrafos (§§ 13 a 22) distribuídos em 34 páginas (pp. não sendo assim proposições contrárias. 26) São os seguintes os axiomas de Frege.

etc. obra destinada mais a um grande público. e isto de fato sucedeu. Os seis primeiros axiomas são necessários para desenvolver o chamado cálculo proposicional. (Alguns elementos de uma teoria geral das séries) é a mais técnica do livro. o Grundlagen der Arithmetik (1884). p. a proposição 8 é uma axioma. De modo a que nada intuitivo possa ser aqui introduzido indesejadamente.a sua famosa tese logicista que as verdades da Aritmética tem todas um caráter lógico. Ele escreve: "O caminho que segui foi primeiro procurar reduzir o conceito de ordenação em uma série ao de conseqüência lógica. É natural então pensar a aritmética como solução para a questão fundacional da matemática. e com eles Frege deduz as proposições 3 a 7. Frege ainda não completa tecnicamente seu projeto de fundamentação. A parte III do Begriffsschrift. 9. A história nos conta desses esforços no cálculo. de erigir o seu edifício dedutivo em bases sólidas. O esquema é o seguinte: as proposições 1 e 2 são axiomas. reduzir dedutivamente as diversas disciplinas matemáticas à aritmética. 14 Cf. Em seu próximo livro. p. então basta mostrar que estes últimos tem um caráter lógico. na qual aparecem 68 proposições. na realidade. Diferente do que se faz hoje nos manuais de lógica. 494. No século XIX havia na matemática um esforço de torná-la rigorosa. 8. e sabendo que é possível deduzir todas as proposições da Aritmética da série dos números naturais. IV) Olhemos mais de perto o que significa fundamentar a aritmética. Frege. faz uma única grande dedução. . incluindo os 9 axiomas." (p. (41) (52) (54) (58) a → ~ ~a (a = b) → (f(a) → f(b)) a=a (∀ x) f (x) → f (a) Uma observação atenta desses 9 axiomas de Frege mostra de forma clara o quanto ele avançou em relação aos seus antecessores. a fim então de progredir para o conceito de número. com o nono axioma desenvolve-se o cálculo de predicados. A expressão aritmetização da matemática engloba assim todos os programas que procuravam. Frege não apresenta de início todos os seus axiomas (daí que os seus axiomas não estão numerados de 1 a 9). Como vimos o grande projeto de Frege é o de fundamentação da aritmética e é aqui ao final de seu Begriffsschrift que ele apresenta o primeiro esboço de sua solução. continua ainda no espírito de apontar as linhas gerais da solução. Está clara a idéia de Frege: desejando mostrar . numerando as linhas. 179-180. tudo tem de depender da cadeia de inferência livre de lacunas. na geometria.começava a mostrar os seus limites com a descoberta das geometrias não-euclidianas. e com os três axiomas até então apresentados Frege deduz as proposições 9 a 27. Não vamos aqui acompanhar os detalhes técnicos desta terceira parte. 7. 14 Observemos que o axioma 52 é uma versão do princípio da indiscernibilidade dos idênticos de Leibniz. Somente nos dois volumes do Grundgesetze der Arithmetik (1892/1903) é que Frege de fato desenvolve tecnicamente o seu programa.6. na análise matemática em geral. Kneale & Kneale. O modelo euclidiano de organização axiomático-dedutiva montado na prescrição aristotélica de que os axiomas seriam verdades intuitivas e evidentes . e assim por diante. explícita ou implicitamente. que colocava em cheque o caráter apodítico dos axiomas. mas tentar reproduzir as idéias básicas que moveram Frege em sua solução. e com o sétimo e o oitavo axiomas o cálculo de predicados com identidade.

É preciso dizê-lo logicamente! Isto porque. 12 = 11 + 1. 3. mostrando. por exemplo. Frege iria dedicar então os seus esforços científicos na execução técnica desse programa. etc. 2. mesmo que saibamos dizer o que é o 0 e o 1 e como dizer cada número particular por recorrência aos anteriores (por exemplo. o e assim por diante o . O segundo volume do Grundgetze estava pronto na editora para ser publicado quando Frege recebe em 1902 a hoje famosa carta de Russel apontando uma contradição lógica no Axioma V 15 16 17 Kronecker.) Frege não foi o único. a que lhe segue também caia. como vimos. Tomar os naturais como dados 15 e avançar para os números reais e daí para o restante da matemática. depois. que a fórmula 1 + 2 + 3 + . Para mostrar. Cantor. alles andere ist Menschenwerk. etc. Cf. poder-se-ia alcançar o objetivo reducionista almejado. 2 = 1 + 1. por exemplo. e assim por diante ou 0. como evidentes. Não vamos acompanhar. É isto que os matemáticos fazem em seu cotidiano. não servem. O outro caminho é não aceitar os naturais como dados. através de conceitos lógicos? Dois problemas devem ser distinguidos: o primeiro é definir cada número. O segundo problema é que para fazer matemática.. definir logicamente o primeiro deles e a idéia de somar 1." Os esforços de Frege se concentram exatamente em trabalhar logicamente essa passagem de n para n + 1. 1.Relevando todos os detalhes o consenso é que com a seqüência dos naturais 0.. o resto é obra humana. entre outros. 3. 1. sem abdicar dos importantes resultados até então conseguidos. etc. como não-problemáticos e tentar trazê-los para uma base mais segura. . 2. 11 = 10 + 1. afirmava em 1886 "O bom Deus criou os números. Um exemplo e um contra-exemplo do próprio Frege nos dão uma primeira idéia da direção de seu enfoque. A propriedade do primeiro grão deixar uma pilha de feijões atrás de si após ser retirado não é hereditária. Como definir a série 0. Quais condições devem ser preenchidas para que se tenha certeza que ao derrubar a primeira pedra da fileira de dominós todas as infinitas pedras caiam? São duas: i) que a primeira pedra caia e derrube a segunda. Estes são os problemas técnicos de Frege... primeiro. 2.. que cada descendente vá gerar filhos) a propriedade ser um ser humano é hereditária. 16 A base sólida por ele escolhida foi a lógica. que ele tenta resolver ao longo de sua trilogia.. 2. 3 = 2 + 1.. 2 . .. a implicação "se a fórmula valer para n então ela vale para n +1. Na seqüência dos descendentes de um certo pai (supondo.. Como contra-exemplo considere um pilha de feijões e a seqüência tirar feijão da pilha de um em um. precisa-se do conceito de conjunto infinito. Peano e Dedekind devem ser contados. é claro. digamos. O Begriffsschrift foi publicado em 1879 e. neste artigo. este é o ponto. Tecnicamente essas coisas são equivalentes ao princípio da indução matemática (PIM). os conceitos de propriedade hereditária e de ancestral próprio. p. e aí havia consenso que pode ser feito por recorrência 17 . Uma direção e dois sentidos opostos (mas não excludentes) foram perseguidos. Kneale & Kneale. Este foi o caminho escolhido por Frege.+ n = n (n + 1) / 2 é verdadeira para qualquer n natural ele usa o PIM. Basta então apresentar este último de forma lógica. 1. ii) que uma qualquer caindo. 0. . A analogia com um dominó de infinitas pedras alinhadas uma atrás da outra dá uma boa idéia do PIM. As soluções 0. os detalhes. 1.. Entre outros. para tentar captar logicamente a essência do que se afigura na indução matemática.2 = 1 + 1). 1." (Die ganzen Zahlen hat die liebe Gott gemacht. 4. é preciso saber dizer todos eles. porque a questão precisa é dizer o que significa o etc.. que ela é verdadeira para n = 1 e. Frege introduz. 461. Mas é preciso. um programa para a fundamentação lógica da aritmética havia sido delineado.

London: Blackwell. 1967. Husserl e H. Begriff. 12. Karel. Russel. na filosofia da linguagem e na filosofia analítica. W. 9. Agradecemos aos professores John Fossa e Leonardo Cysneiros pela leitura do texto e pelas sugestões oferecidas. Beaney. Fundação Calouste Gulbenkian. 1966. 1879-1931. (ed. I. Cambridge University Press. Kreiser. 5a reimpressão da 2a edição (1964). Reimpressão 2000 Kant. Hilbert.): From Frege to Gödel. Abril Cultural. Ele sabia o que havia feito. ToExcel. M. Cambridge.de seu sistema. Berka. 3. Jean van (Ed. trad. 18 19 Citado de Beaney 1997. London: Duckworth. Bibliografia Beaney. Hildesheim. Gottlob: Funktion. Editado por Ignacio Angelelli. Georg Olms Verlag. 2.. Akademie-Verlag. Gottlob: Lógica e Filosofia da Linguagem. 1994. Cambridge. Wittgenstein. 1978.): Frege's Philosophy of Mathematics. Reimpressào 1995. Mass. 11. Kneale. 1983. A morte matemática do programa estava provada! Mas o grande mérito de Frege não estava aí localizado. M. Fünf logische Studien. Göttingen. W. com uma introdução de Luiz Henrique Lopes dos Santos in Peirce-Frege: Coleção Os Pensadores. 1981. Heijenoort. Frege. 1991." 18 19 1. p. 9. Bedeutung. Gottlob: Begriffsschrift und andere Aufsätze. Abril. com uma introdução de Luiz Henrique Lopes dos Santos in Peirce-Frege: Coleção Os Pensadores. M. 13. na matemática. Além da renovação e ampliação da lógica. Göttingen. 1986. São Paulo. 1997. Com as observações de E. Lisboa.): The Frege: Reader. 1981. Patzig. 1995. Editado e introduzido por Günther Patzig. Valério Rohden e Udo Baldur Moosburger. 6. 14. Göttingen. Frege. Gottlob: Logische Untersuchungen. 15. Vandenhoeck & Ruprecht. MA: Harvard University Press. 10. São Paulo. São Paulo. 1980. Günther: Sprache und Logik. 1996. 7. Lothar: Logik-Texte. 1998.. Frege. incontestáveis.: Frege: Making Sense. Harvard. Kripke. com uma introdução de Paulo Alcoforado Cultrix/Edusp.: A Crítica da Razão Pura. Berlin. Vandenhoeck & Ruprecht. 16. Scholz. Frege. 8. Dummett. . A Source Book in Mathematical Logic. Editado e introduzido por Günther Patzig. 1971.: O desenvolvimento da lógica. Wolfgang: Frege's Theory of Sense and Reference. discussão presente na própria disciplina. Escreveu para o filho e herdeiro testamentário (traduzindo livremente): "Não jogue fora o que escrevi. Frege. (Ed. Vandenhoeck & Ruprecht. Demopoulos. 4. Coleção Os Pensadores. 3a edição. Gottlob: Sobre a justificação científica de uma conceitografia. Quine. existe ouro nele. Kommentierte Auswahl zur Geschichte der modernen Logik. Acredito que existam coisas aqui que serão um dia bem mais apreciadas do que são hoje. Its Origin and Scope. Abril Cultural. Tome conta de que nada se perca. ele pautou a discussão lógica subsequente.: The Interpretation of Frege's Philosophy. Carl. entre outros vão partir de Frege. 1980. 5. M. Gottlob: Os fundamentos da aritmética. Mesmo que tudo não seja ouro. Kneale. Frege.

Livro primeiro. Companhia Editora Nacional/CODIL. 1999. Cap. 3a ed.17. XXII.. Bertrand: A Lógica de Aristóteles in História da filosofia ocidental. Weiner. 1969. . São Paulo. 18. Joan: Frege. Breno Silveira. Oxford University Press. Russel. trad.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->