UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE BIOQUÍMICA MÉDICA

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Roberto Eizemberg dos Santos

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa. Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Roberto Eizemberg dos Santos

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Química Biológica (Educação, Gestão e Difusão em Biociências), Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica.

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Santos, Roberto Eizemberg dos.S.
Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por professores das Unidades do Colégio Pedro II/ Roberto Eizemberg dos.Santos.

Rio de Janeiro, 2005. xi, f.: il; 31 cm Dissertação (Mestrado em Química Biológica) –Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Bioquímica Médica, 2005. Orientador: Hatisaburo Masuda Co-Orientadora. Andrea Molfetta 1. Ensino de Ciências. 2. Audiovisual Científico 3.Tecnologia Educacional – Teses. I.Masuda, Hatisaburo (Orient.). II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Bioquímica Médica. III. O Tempo do Audiovisual Científico no Ensino de Biologia e Ciências.

Dra. ____________________________ Henrique Gomes de Paiva Lins de Barros. como suplente externa. Dr. Varella Barca de Andrade.Roberto Eizemberg dos Santos Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Rio de Janeiro. Dr. como revisora e suplente. ________________________ Denise Rocha Correa Lannes. 19 de setembro de 2005 Aprovado por: ____________________________ Hatisaburo Masuda. Professora adjunta do IBqM – CCS – UFRJ. Professor Titular do CBPF. Professor titular do IBqM – CCS – UFRJ. como orientador. Dra. ___________________________ Lacy independente ________________________ Pedro Lagerblad de Oliveira. Dr. Professor adjunto do IBqM – CCS – UFRJ. Dra. Professora adjunta do NUTES– CCS – UFRJ. . Pesquisadora ________________________ Miriam Struchiner.

.Dedico esta dissertação aos que não vêem no tempo um inimigo implacável que os impeça de começar uma nova jornada.

que soube compreender e aceitar as privações do meu ato quase insano de abandonar um ofício em troca de um ideal. da Vídeo Ciência. pode observar em mim essa tendência pela ciência e me disse “Roberto não abandone a ciência. em especial. educado e apoiado. que substituíram as canções de ninar. por ter me gerado. que reconheceu a qualidade do material audiovisual que produzi. A Sergio Brandão. implantando no fundo da minha alma o gosto pela ciência. A toda a equipe do grupo de Biofísica do CBPF e. do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). A minha amada companheira. é difícil agradecer de uma forma satisfatória a tantos e com a real profundidade necessária. impalpável e incerto. Shirley. e a sua gentileza no empréstimo dos catálogos do Ver Ciência e do Image et Science e . Ao meu pai. P. que me ensinou a disciplina necessária para a pesquisa e mostrou-me a necessidade do investimento em uma formação de boa qualidade. Ao meu orientador de iniciação científica. como o local para as minhas idéias e ideais. S. o Instituto de Bioquímica Médica (IBqM). Lins de Barros. Em primeiro lugar agradeço a minha mãe. não posso conceber você como um dentista. você não tem esse perfil” e que na minha volta. mesmo agora num momento em que caberia a mim a função de retorno desse apoio. Celso. amado. apontou-me essa casa da excelência. Darci M. Esquivel. Henrique G. que nas suas leituras de revistas de divulgação científica. à minha orientadora de desenvolvimento tecnológico e industrial.Agradecimentos Em tão poucas linhas. Sarah. que vinte anos atrás.

do Programa de Gestão. que apontou alguns problemas em meu caminho. que me acolheu. que com seus sólidos conhecimentos das imagens em movimento. e aos Profs. A Profa. Ao meu orientador de mestrado Hatisaburo Masuda do Laboratório de Bioquímica de Insetos. A Profa. orientou e me deixou à vontade na minha busca pelo conhecimento. por mostrar o . junto a TV Cultura SP. A Teresa Otonto da TV Cultura SP pelo envio do catálogo de 1995 do Festival Image et Science e do catálogo 2004 do Festival Vedere la Scienza. pela complementação dos catálogos. A minha co-orientadora de mestrado. Aos meus companheiros de estudo. A minha revisora Denise Lannes. Monteiro e Margarete Macedo Monteiro e seus alunos do Laboratório de Ecologia de Insetos do IB. em especial ao Luis Dourado. contribuíram para a minha formação. porém soberba. do Departamento de Cinema Rádio e Televisão da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). sem o risco da perda de interesse. deu mais vida. A José Renato Monteiro. do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF). Jacqueline Leta.que apontou também esta casa para alavancar a minha formação. Suzete Bressan e seus alunos do Laboratório de Entomologia Médica. por viabilizarem meus novos audiovisuais de divulgação/educação. brilho e consistência ao meu trabalho. que se dedicou em encontrar e me mostrar os cadafalsos escondidos no trajeto. que mesmo tendo seus castelos a construir. fazendo assim uma orientação efetiva. soube identificar e intervir nas horas propícias. também do PEGeD. Educação e Difusão em Biociências (PEGeD) . e que com a sua visão bem humorada. Ricardo F. Andrea Molfeta.

E a CAPES. . sem a qual nossa vida acadêmica certamente seria mais difícil. A Denise Mano. A todos os autores citados. por me ceder sua bibliografia e apontar soluções. e a Elisandra Galvão. que me assessorou junto aos professores do Colégio Pedro II. sem os quais esta dissertação não teria fundamentos ou credibilidade. A toda a equipe do Laboratório de Bioquímica de Insetos. em especial a Heloísa e Lílian. A Tereza Lima. viabilizou a minha dedicação exclusiva nesse estudo. que graças à bolsa concedida ao programa de demanda social.quão é ímpar a linguagem do cinema. permitindo assim o êxito desta parte da pesquisa. aos entrevistados e aos professores das unidades do colégio Pedro II.

Foi encontrado. Esta mesma questão. analisouse também a forma como os audiovisuais são utilizados em sua prática de ensino. de um modo geral.Resumo Santos. nas tevês por assinatura e nas tevês abertas. Roberto Eizemberg dos. Como resultado. que existe uma predileção dos professores por produtos internacionais. do tempo de duração de audiovisuais. Rio de Janeiro. majoritariamente. os quais são utilizados de uma forma fragmentada. Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II. Nesta dissertação. Além disso. encontramos que esse material é composto. 2005. foi analisada segundo a ótica de alguns produtores de vídeo que. na prática de ensino. Gestão e Difusão de Biociências do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-Graduação de Educação. Vídeo Escola e Vale Vídeo). quando produzidos por empresas internacionais. por programas de curta duração (menos de 30 minutos) nos projetos pedagógicos (TV Escola. como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica. também. . que podem ser vistos nas redes de televisão abertas e por curta e média duração. em um colégio federal no Rio de Janeiro. o tempo de duração de audiovisuais (filmes e vídeos científicos) que são disponibilizados ao professor de ensino médio e fundamental foram analisados. são conduzidos pelas necessidades das grandes redes de televisão. assim como nos audiovisuais disponíveis pela produção de divulgação científica nacional.

the way these videos are utilized inside the classroom. 2005. Roberto Eizemberg dos. in Biology and Sciences Education.UFRJ. are of short duration (less than 30 minutes). in a Federal School from Rio de Janeiro. TV Escola. which in general. The duration of videos. were also analyzed according to the point of view from the producers. were analyzed. The videos analyzed were from the collections from. Dissertation submitted to the Graduate Program in Education. as part of the requirements necessary to the attainment of Master of Science Degree in Biological Chemistry In this dissertation. As a result. It was also found that the teachers prefer international products. . by the teachers from the Units of Colégio Pedro II. the one’s from pedagogic projects. Besides that. Management and Diffusion of Biosciences from the Instituto de Bioquímica Médica of the Universidade Federal do Rio de Janeiro . Short and long duration videos are obtainable from cable TVs and also from broadcast TV. usually produced by international companies. the duration of scientific audiovisual (films and videos). Profile of Time of Scientific Audiovisuals and a Case Study of Their Utilization. are conducted by the requirements imposed by the main TVs network. Video Escola. Rio de Janeiro. Vale Video.Abstract Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Santos. we found that among these videos. was also analyzed. as well as from the collections of videos produced in Brazil for scientific diffusion. that are utilized in a fragmented mode. available for teachers from basic and high school. inside classroom. that can bee seen in the broadcast TV network.

46 . 40 Figura 05.LISTA DE FIGURAS Figura 01. Freqüência percentual por classe de tempo. do projeto Vale Vídeo. Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo 41 do conjunto de vídeos de todas as áreas. Freqüência percentual por classe de tempo. Figura 06. 42 Figura 07. 38 Figura 04. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. dos audiovisuais nacionais e dos audiovisuais de outros paises. dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo. Figura 08. Freqüência percentual por classe de tempo. do projeto Vídeo Escola. do projeto Vídeo Escola. dos audiovisuais produzidos no INCE. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas. Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais e audiovisuais internacionais. 14 Figura 02. do projeto Vale Vídeo. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. Freqüência percentual por classe de tempo. 37 Figura 03. 45 Figura 09. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de 44 audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola.

dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola. 57 Figura 17. Gráfico inserido. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 e 2000-2004 Gráfico inserido. no período 1996 – 2002. dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola. para trabalhar os conceitos selecionados. no período 1996 – 2002. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais da TV Escola. 51 Figura 13. no período 2000 – 2001 54 Figura 15. preíodo1994-2004 Figura 20. Figura 21. nos qüinqüênios 1994-1998 e 1999-2003. no período 1996 – 2002. 60 Figura 18. período1999-2004.Freqüência percentual por classe de tempo.Figura 10. no ano de 2004 56 Figura 16. que usam o audiovisual no Colégio Pedro II. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo. 52 Figura 14. No gráfico inserido. Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II. no período 1996 – 2002. E representação dos segmentos propostos pela equipe da Discovery. freqüência percentual de todos os audiovisuais. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo. apresentados na programação da TV Escola. 64 67 68 69 . Outra opção de gênero dos 25 professores que usavam o documentário. dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science. Freqüência do gênero de audiovisual utilizado pelos 27 professores entrevistados. no período 1994 – 2003. Figura 22. 63 Figura 19. dos audiovisuais nacionais de ciências e dos audiovisuais internacionais de ciências apresentados na programação da TV Escola. dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 e 2000-2004. 48 Figura 11. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente. Freqüência percentual por classe de tempo. 49 Figura 12. Linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos.

Figura 23. Práxis relativa a fragmentação dos audiovisuais. Fonte do material usado pelos professores. pelos 27 professores que usavam o audiovisual. Figura 24. 70 70 71 . Acervo dos 27 professores que usavam o audiovisual. Figura 25.

. Total de Audiovisuais.LISTA DE TABELA Tabela 01. 42 efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U). Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências. Tabela 03. segundo sua Origem e Finalidade. segundo sua Origem e Finalidade. do projeto Vale Vídeo. descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE). Categorização dos Acervos de Audiovisuais. segundo a Finalidade. Audiovisuais. 33 Tabela 02. 35 Tabela 05. Audiovisuais dos Acervos segundo sua Origem. 34 35 Tabela 04.

Imagem 02. Vôo do pelicano.LISTA DE IMAGENS Imagem 01. Seqüência de 4 fotos tiradas por Janssen de Vênus frente ao Sol. 02 03 . com seu Revólver.

LISTA DE SIGLAS AIVC BBC CAPES CBPF CD CNPq CNRS CVRD DVD ECA ftp HD DVD http IBqM INCE MEC PDF SEED Semtec UFPA UFRJ UNESCO USP VHS WWW Associação Internacional Ver Ciência Britsh Broadcasting Corporation Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas Compact Disc Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Centre National de la Recherche Scientifique Companhia Vale do Rio Doce Digital Versatile Disc Escola de Comunicação e Artes File Transfer Protocol High Density DVD Hiper Text Transfer Protocol Instituto de Bioquímica Médica Instituto Nacional de Cinema Educativo Ministério da Educação e Cultura Portable Document Format Secretaria de Educação a Distância Secretaria de Educação Média e Tecnológica Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Rio de Janeiro United Nations Educational Scientific and Cultural Organization Universidade de São Paulo Video Home System World Wide Web .

Soma dos postos da amostra menor. Soma dos postos da amostra maior. Desvio padrão. . a grandeza da esquerda do símbolo é maior que a grandeza da direita. Sem data. ou seja. Percentagem. Erro padrão. Tamanho da amostra maior. Amostra 2. Distrito Federal Tamanho da amostra. a grandeza da esquerda do símbolo é menor que a grandeza da direita. Amostra 1. Tamanho da amostra menor. População.LISTA DE ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS < > = % A1 A2 α DF n n1 n2 P1 P2 π s/d Sd Se U Menor que. Estatística U de Mann-Whitney. Maior que. ou seja. Igualdade de grandezas. Nível de significância estatístico.

2.2. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo I. Análise de Dados III.3.2.4.2.2.2.2.2. A Linguagem do Audiovisual I.1.2. Finalidade III.2.1.1. Metodologia III.1.3. Áreas do Conhecimento III.SUMÁRIO I. Nacionalidade III. Recomendação dos Especialistas III.4. Perfil de Tempo III.2. Publicações digitais como fonte de dados: III.2.1.5.2. Coleta e Análise dos Dados III.4.1.1.1 Seção 1 . O Tempo no cinema I.Audiovisuais Científicos III. Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados 17 17 17 21 21 21 21 22 25 27 27 27 28 30 30 30 . Objetivos 16 III.4.1.6. O Tempo no Ensino 1 1 2 4 6 8 14 II. Amostra III.2.2 Seção 2 – Professores e Especialistas III. Amostra e Coleta de Dados III.1.2.5. Entrevistas com Produtores. A Mãe do Cinema I.4. O Sonho no Ensino I.3.1. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III.2. Introdução I. Análise Estatística III.1.1.

Resultados IV. Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II 76 76 81 VI. Perfil de Duração IV.10. 32 32 32 36 36 37 39 43 46 50 52 55 58 62 64 65 65 72 V. Entrevistas com Produtores.Sessões Internacionais IV.1.1.1.1 Seção 1 – Audiovisuais Científicos IV. Conclusões 91 VII.6.7. Mostra Ver Ciência .2.1. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II IV. Referências Bibliográficas VIII. Discovery na Escola IV.2. Festival Image et Science IV.9.1.IV. Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) IV.Programa Vendo e Aprendendo IV.3.1. Apêndices 94 101 102 . TV Escola Programação de Ciências IV.5.8.1.1. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal IV.1. TV Escola .1. Finalidade e origem IV.1.1.1. Palestra IX.4. Discussão V.2.1. TV Escola Programação de Meio Ambiente IV. O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências V.11. Divulgadores e Consultores. Vale Vídeo IV.1.1.2 Seção 2 Professores e Especialistas IV.Sessão Brasil IV..1.2. Vídeo Escola IV. Mostra Ver Ciência .2.2.

TV Cultura 108 108 109 . Anexos Anexo A: Premiações do programa Globo Ciência: TV Globo Anexo B: Premiações do Programa Minuto Científico. classificados como de biociências Apêndice D: Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 . classificados como de biociências Apêndice C: Audiovisuais do projeto pedagógico Vídeo Escola.Apêndice A: Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação Apêndice B: Audiovisuais do projeto pedagógico Vale Vídeo.2003 Apêndice E: As mídias do audiovisual 105 106 104 103 102 X.

Gênesis Cap 1.E Deus disse: "Faça-se a luz!" Então se fez a luz. Ver 3 .

a ciência e até o saber 1. 1994. Martinet. ora aliados. Mistura de cientistas. novamente. unidos aos artistas do fazer. que com seus incansáveis sonhadores. mas seus conjuntos. guardados e retocados. a onipresente velocidade da luz. no decorrer do último século e do que estamos. pois a sua grandeza esperou ainda o início do século XX para sair do discurso metafísico e ser relativizada. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo A luz. 1987. Busselle. E assim compreendida por uma ciência. Congelar sua presença significa captar um momento no implacável relógio do tempo. estes gênios do fazer materializaram a luz em substratos que agora podiam ser vistos. não só uma idéia. INTRODUÇÃO I. Nascia então no final deste mesmo século. um tempo visto e sentido. tendo como um dos parâmetros. a nossa máquina do tempo: o cinema. Resnick. que em suas várias linguagens próprias levam a alegria. transportaram o tempo na velocidade da luz. Então o tempo agora foi dominado? Pelo menos o tempo relativo. não só uma cabeça. o registro documental do tempo. 1 . conseguiram essa proeza maior. difundindo aos poucos. a tristeza. 1971 e Tosi. Não demorou muito e a genialidade humana começou a cobiçar a possibilidade de guardar não só um momento. alquimistas e artistas. s/d.I. a fábrica dos sonhos. imagens e sons. mas o tempo integral e. Mannoni.1. sonho indizível de muitos e que foi concretizado por alguns intrépidos na primeira metade do século XIX. 1978. mas implacavelmente. 1 Texto baseado em. ora antagônicos.

que atribuem esta paternidade ao astrônomo francês Jules Janssen (1824-1907). 1978. 2 Segundo Busselle. é apontado como o pai da fotografia. como Tosi (1987) e Martinet (1994).inter. Louis-Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). 5). “esse é o primeiro aparelho que fotografa as diferentes fases de um movimento não simulado” (tradução nossa) e segundo Tosi (1987. como diz Mannoni (s/d. 3 Imagens obtidas em: http://web. Seqüência de quatro fotos de Vênus frente ao Sol. com a sua projeção pública de 1895. Aperfeiçoado pelo fisiologista francês Etienne-Jules Marey (1830-1904). o Revólver Fotográfico de Janssen tornou-se portátil e passou de. com isso “O cinema científico nasceu anos antes que o cinema de entretenimento” (tradução nossa). p. por ter desenvolvido e padronizado. Assim.2. Os irmãos Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948).htm Acesso em 25/12/2004 2 . aproximadamente. 18).nl. tem sua paternidade contestada por alguns autores. A Mãe do Cinema Determinar a paternidade e a data de nascimento do cinema não é tarefa fácil. e desta forma fica clara a maternidade científica deste meio audiovisual. p. com seu Revólver Fotográfico 3. apesar de apontados como pais do cinema. tiradas por Janssen. com o seu Revólver Fotográfico. um processo realmente fotográfico e independente do acaso. conseguiu registrar em uma placa circular de Daguerre 2 as imagens sucessivas da passagem do planeta Vênus frente ao disco solar.I. que em 1874. na década de 30 do século 19. Imagem 01.net/users/anima/chronoph/janssen/index. Assim Janssen é apontado como o pai do cinema.

4 Imagem obtida em: http://www. que em 1876 disse: Uma série de fotografias que cubra um ciclo completo de movimento de uma função específica nos outorgaria dados valiosos para explicar seu mecanismo. Com esse desenvolvimento Marey pode concretizar. ganhando assim a nova denominação de fuzil fotográfico. tradução nossa).com Acesso em 22/12/2004 3 . que usava um conjunto de câmeras para obter as imagens.expo-marey. Segundo Sá (1967). mediante a obtenção de uma série de fotografias que representem os diversos momentos da asa em movimento.uma imagem a cada um segundo e meio para 12 imagens por segundo. vieram a popularizar o cinema. 1987. Imagem 02. Assim é fácil imaginar. a partir de 1882. o grande interesse que teria para um problema tão obscuro como o do vôo das aves. foram bem aproveitados pelos irmãos Lumière que. (TOSI. Os estudos de Marrey sobre a locomoção dos animais foram contemporâneos aos estudos do fotógrafo inglês Eadweard James Muybridge (18301904). as previsões de Janssen. por exemplo. Vôo do pelicano 4. com o uso de substratos flexíveis (películas) e novas técnicas de projeção. com a invenção do cinematógrafo. Os aperfeiçoamentos subseqüentes.

com ou sem som. Nesta ação ousada de um homem de ciência fica caracterizada. p 93. a coroação do Czar Nicolau II. p. após uma apresentação cinematográfica dos filmes dos irmãos Lumière. “É para o meu ensino pessoal e para o de meus discípulos” (COISSAC. Elas descrevem mais do que uma mera constatação.3. Estas são palavras de Lev (Leão) Nikolaievitch Tolstoi (1828–1910). 1930. mas também uma necessidade da sociedade que se modernizava. procedimentos técnicos e/ou científicos. aspectos corriqueiros ou mesmo raros.Louis Lumière fez a primeira grande reportagem ao registrar. 24). Tem um imenso valor como instrumento didático” (TOSI. O filme científico strictu sensu é produzido no âmbito da pesquisa cientifica e cumpre papéis específicos. I. Não tardou muito até que outro visionário desse mais um passo na direção do inevitável. defendeu-se o Dr Eugène-Louis Doyen (1859-1916). 4 . que certamente foi percebida por muitos. O Sonho no Ensino A possibilidade de registrar em filme processos naturais. por deixar reproduzir pelo cinematógrafo uma de suas operações. Adequá-las às condições do ensino parece ter sido uma busca constante dos educadores. As imagens em movimento. 1925 apud SERRANO e VENANCIO FILHO. 1987. em 1898. desde muito cedo instigou os educadores para o seu uso como meio auxiliar no processo educativo. Suas projeções de reportagens e de filmes de viagem popularizaram o gênero documentário. no que seriam os seus primórdios. em 1898. tais como: documentar o trabalho ou objeto da pesquisa. “Considero que a cinematografia é um espetáculo inteligente e instrutivo. tradução nossa). sempre foram um fator relevante no contexto educacional. a vocação do cinema científico para o ensino. em 1896.

174) Sem o uso da dramatização. O desenvolvimento das técnicas de filmagem e a grande produção de filmes científicos alavancaram uma indústria crescente de produção de filmes especificamente para o uso no ensino.para arquivamento ou para o uso na divulgação. 23) Mas. implementaram os seus próprios órgãos responsáveis pela produção de filmes educativos (SCHVARZMAN. quando se utilizam técnicas especiais. no ensino. Ao explanar sobre a importância do cinema no 5 . Entretanto. A finalidade dos seus filmes é ensinar e os seus objetivos devem ser a clareza. 1993. também. irrelevante. A razão para isso pode estar na forma como eram (e em muitos casos ainda são) produzidos. p. 1978. querer “limpar” a linguagem audiovisual dessa sua vocação de liberdade ante a lógica do tempo e do espaço. Alguns paises. mormente. A força que arrastava multidões às salas de exibição foi suprida pela obrigatoriedade do estudante em permanecer durante a exibição na aula. existe muita dúvida se a linguagem usada nesses filmes era capaz de motivar o público alvo. Muitas vezes é uma das ferramentas investigativas. Além disso. p. O erro cometido na tentativa de criar o cinema educativo foi. uma boa parte da linguagem desenvolvida pelo cinema se perde. 120). Para o montador de filmes educativos esta consideração é. em grande parte. exatamente. também se podia usar filmes comerciais no ensino. (FRANCO. inclusive o Brasil. nem tudo era de qualidade questionável. E pode ser usado. O objetivo do montador de documentários ou filmes de ficção é criar uma atmosfera – dramatizar acontecimentos. como a microfilmagem ou a filmagem em alta velocidade. (REISZ e MILLAR. a exposição lógica e a avaliação correta da receptividade da platéia. 2001. Vocação que responde perfeitamente aos parâmetros de construção das narrativas míticas que alimentaram as pedagogias de perpetuação cultural da Humanidade. p.

foram criadas verdadeiras jóias.. Apesar das muitas restrições de ordem econômica. p. nem sempre foi assim. Este ponto de vista é um pouco reducionista e simplifica o cinema à visão baseada na cronofotografia 5 de Marey e Muybridge. p. principalmente. a veterana escritora e professora de cinema Irene Tavares de Sá. além de contar com rica bibliografia. em meio a uma proliferação de filmes educativos. tenha uma probabilidade maior de seduzir seu público alvo. Segundo Almeida (1931). diz: As idéias abstratas podem ser traduzidas em símbolos e a escala dos valores focados pelo cinema vai de Deus ao mais insignificante objeto [.] Um verdadeiro artista. que reforçava assim. pode tornar perceptível. através da imagem em movimento e da montagem. de modo analógico ou simbólico. Mas. 5 É o processo de análise de movimento através de fotografias sucessivas. do desenvolvimento de uma linguagem própria. A Linguagem do Audiovisual Segundo Ramos (2003). 1967. (SÁ. feito com esmero e que tenha uma linguagem atraente. E a razão para isso é que se trata de uma arte bem consolidada e estruturada em bases sólidas.. “baseado num conjunto de códigos cinematográficos particulares e gerais” (METZ. “O cinema é a matriz imagético-sonora do campo midiático da sociedade contemporânea”. técnica. 80). 1980. o cinema foi sendo construído através. “Cinema é a projecção luminosa da synthese mecanica da figura analytica do movimento”. a própria divindade. A competência e criatividade de produtores de “vivência” supriam os educadores das primeiras décadas do século XX com a sua “matéria” prima para o trabalho. 6 .ensino e a força desta linguagem. 14) É esperado que um produto. I. Na realidade. se ele próprio possuir a vivência do espiritual ou puder captar-lhe a presença nos seres mais humildes.4.. política etc.

que deve ser ciente desses códigos moldados pelo contexto. em primeiro lugar. A primeira não passa de uma parte determinada da segunda: ”ela é. Desta forma. a analogia perceptiva. Franco (1993.como num feedback. é um ato individual de vontade e de inteligência”. a linguagem é uniforme e heteróclita. Em seu curso de lingüística geral. a língua. o ambiente escuro das cavernas onde os mitos eram narrados ao redor da fogueira”. 1995. ao contrário. 184. p. finalmente. que constituem a linguagem cinematográfica no sentido estrito). para entendermos a linguagem do audiovisual. (. Esta linguagem própria. ao mesmo tempo. ao contrário. (AUMONT e outros. iluminada pela luz intermitente do projetor. Considerada em seu todo. devemos começar por entender a linguagem do cinema. a língua da linguagem. 20) afirma que: “ninguém o contestou como linguagem especialíssima. Aspas e parênteses do autor) 7 . (AUMONT e outros. Aspas do autor) Sobre a linguagem do cinema. A “inteligibilidade” do filme passa por três instâncias principais: . os “códigos de nominação icônica”. é um todo em si e um princípio de classificação. p. as figuras significantes propriamente cinematográficas (ou “códigos especializados”. constituída de várias línguas. Para isso precisamos entender a linguagem como um todo e saber sua diferença com relação à língua. . a colocação do cinema como arte. um produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias. ..) A palavra. 1995.. essas figuras estruturam os dois grupos de códigos precedentes funcionando “acima” da analogia fotográfica e fonográfica. que servem para dar nome aos objetos e aos sons. tem a função de comunicar uma mensagem codificada e canalizada a um destinatário. p. Saussure distingue. que recriou na sala escura. 177.

Estes fundamentos da linguagem do cinema permeiam as outras manifestações imagético-sonoras que o sucederam, sendo que cada uma guarda suas características diferenciais que as individualizam como artes distintas que são. Podemos, a partir do conhecimento destas diferenças, chamá-las de “manifestações audiovisuais do movimento” e que, nesta dissertação, chamamos por simplificação de audiovisual.

I.5. O Tempo no Cinema A grande mudança conceitual da fotografia, como uma seqüência de fotografias, foi que: “Pela primeira vez, a imagem das coisas é também a imagem da duração delas” (BAZIN, 1991, p. 22 apud GRUZMAN, 2003, p. 65). Assim, o cinema introduziu uma temporalidade na imagem. Para abordar o tempo no cinema, devemos necessariamente entender como são feitos os filmes. De uma forma sucinta, todo o filme nasce de uma idéia inicial. Essa idéia é melhorada e ampliada até se chegar a um argumento que contenha os elementos básicos do filme: do que se trata a história, aonde serão feitas as filmagens, o tempo de duração do filme, como será contada a história e para quem. Com essas e outras variáveis devidamente equacionadas, passa-se para a fase onde esses elementos serão tratados do ponto de vista técnico e de linguagem. A esses procedimentos chamamos de roteiro. Segundo Field (2001, p. xv), “um roteiro, logo percebi, é uma história contada com imagens”. Assim, não devemos descuidar na perfeita utilização destas imagens, quando formulamos um roteiro. O próximo passo é o de obtenção das imagens e dos sons, que deve seguir da melhor forma possível o roteiro. Pronto! Temos um roteiro, temos as imagens e

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sons. “Então temos um filme?” Ainda não, pois ele tem que passar, quase 6 invariavelmente, por uma fase que é chamada de montagem. “A montagem é o princípio que rege a organização de elementos fílmicos visuais e sonoros ou de agrupamentos de tais elementos, justapondo-os, encadeando-os e/ou organizando sua duração”. (AUMONT e outros, 1995, p. 62). Com essa definição “ampliada” de montagem, esse autor deixa claro o quão importante é a montagem na confecção de um filme. Fica claro também a sua influência na linguagem, pois ela introduz códigos que irão facilitar ou, em alguns casos, viabilizar o entendimento do filme. Seguindo ou não um roteiro, é através da montagem que se vai criando a narrativa. Com ela podemos direcionar a percepção e influenciar os elementos psicológicos que nos dão a sensação de temporalidade.
Assim a montagem alternada constituiu-se, progressivamente, de Porter a Griffith: tratava-se de produzir a noção de simultaneidade de duas ações pela retomada alternada de duas séries de imagens. O projeto narrativo gerou um esquema de inteligibilidade da denotação, pois os espectadores sabiam, a partir de então, que uma alternância de imagens sobre a tela era capaz de significar que, na temporalidade literal da ficção, os acontecimentos apresentados eram simultâneos, o que não era o caso dos primeiros espectadores de Méliès. (AUMONT e outros, 1995, p. 192)

De fato, Edwin Stratton Porter (1869-1941), em 1902, desenvolve a narrativa da seqüência temporal de acontecimentos em seu filme, A Vida de um Bombeiro Americano. Os fatos simultâneos são apresentados em planos distintos. Ou como sintetizam Gaudreault e Jost (1995, p. 124), “[...] que mostram sucessivamente dois aspectos concomitantes [...] de uma única ação [...]; no plano estritamente cronológico. A mesma ação se apresenta em duas ocasiões e podemos falar de montagem repetitiva” (tradução nossa e itálico do autor). Segundo Reisz e Millar
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Existe ainda a opção de filmar diretamente, seguindo ou não um roteiro, e obtermos um filme.

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(1978, p. 4-7), este foi um caminho novo. Fugindo da linguagem contemporânea, Georges Méliès 7 (1861-1938) iria “[...] dividir a ação em três seções independentes, ligadas por letreiros”. Essa narrativa pode ser um pouco confusa para um espectador contemporâneo devido à grande duração da seqüência dos planos, antes da alternância. Entretanto, foi desta forma que Porter deu os primeiros passos no sentido de desenvolver essa linguagem, que organiza os códigos. Segundo Mourão (2002), “é na montagem que encontramos a imagem do tempo uma vez que o tempo cinematográfico, sendo uma representação indireta, depende da organização das imagens e sons para que ele se constitua”. Com isso temos o que no meio cinematográfico é comumente chamado de tempo fílmico, que se difere do tempo físico ou real por ter sua “duração” moldada pela percepção psicológica dos signos e códigos audiovisuais do cinema (AUMONT e outros, 1995, GAUDREAULT e JOST, 1995, METZ, 1977 e 1980, REISZ e MILLAR, 1978). Temos assim três formas de relações entre o tempo fílmico e o tempo físico: Tempo fílmico = tempo físico - é o caso do material apresentado sem cortes, como por exemplo, uma partida de futebol na íntegra (inclusive o tempo dos intervalos). Tempo fílmico < tempo físico - é quando se colocam acontecimentos demorados, de forma sucinta. Como exemplo temos o crescimento do broto de uma planta até o desabrochar de sua flor, que pode ser mostrado em uma tela, em poucos segundos, usando a técnica de lapso de tempo, ou o jogo supracitado, com a remoção dos intervalos.

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Georges Méliès, ilusionista e cineasta francês, é um dos pioneiros do cinema.

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Na montagem podemos seguir uma ordem lógica ou. que é mais natural. sem uma seqüência lógica. a ordem cronológica dos acontecimentos. com a narrativa sendo feita dos últimos acontecimentos até um tempo passado (em flash-back). assistindo ao desabrochar de uma flor. sem uma locução explicando detalhadamente o fato.Tempo fílmico > tempo físico . Com todas essas possibilidades podemos transformar um filme (quase) em um sonho. de mesma duração. Podemos também transgredir o fluxo natural do tempo. Teremos assim uma narrativa linear. ou introduzir flash-backs em um filme que seguia a cronologia natural. Podemos ainda. temos uma explosão. Assim temos um acontecimento muito rápido sendo mostrado de uma forma mais lenta. Isto pode ser uma experiência enigmática para ela e facilmente ela pode pensar que aquela espécie de flor desabrocha naquela velocidade. cada uma delas com o tempo fílmico igual ao tempo físico. O resultado final é uma mera conta matemática. o tempo fílmico é duas vezes maior que o tempo físico. 11 . que pode ser filmada com técnicas de filmagem em alta velocidade e depois ter seu tempo expandido durante a apresentação do filme. introduzir um futuro no presente (flash-forward). Suponha uma pessoa que nunca assistiu a um filme em lapso de tempo.é o caso inverso ao supracitado. O caso do filme de Porter pode nos elucidar melhor quando o tempo fílmico é maior que o tempo físico. Vejamos um exemplo sobre a necessidade de aprender os códigos. Consideremos a alternância de imagens ocorridas simultaneamente. Como exemplo. melhor ainda. ou seja. Fica claro ser uma questão de se estar familiarizado com a linguagem ou de ser devidamente apresentado ao novo conceito. Mas toda essa notação do cinema ainda não dá conta do que podemos fazer com o tempo.

tendendo à supressão da temporalidade. De certa forma a grande maioria dos filmes, ainda guardam os pontos básicos de uma narrativa que segue alguma ordem.
Um início, um final: quer dizer que a narração é uma seqüência temporal. Seqüência duas vezes temporal, devemos acrescentar logo: há o tempo do narrado e o tempo da narração (tempo do significado e tempo do significante). Esta dualidade não é apenas o que torna possíveis todas as distorções temporais verificadas freqüentemente nas narrações (três anos da vida do protagonista em duas fases de um romance, ou em alguns planos de uma montagem “freqüentativa” no cinema etc.); mais essencialmente, ela nos leva a constatar que uma das funções da narração é transpor um tempo para um outro tempo e é isso que diferencia a narração da descrição (que transpõe um espaço para um tempo), bem como da imagem (que transpõe um espaço para outro espaço) (METZ, 1977, p. 31-32. Parênteses, aspas e itálico do autor).

A compreensão da temporalidade da linguagem do cinema, que também está presente nas outras linguagens audiovisuais, nos leva à discussão sobre a percepção do tempo. Após suas exposições, metafísica e transcendental, do conceito do tempo, Kant (1996, p. 79), tem como uma das suas conclusões que: “O tempo nada mais é senão a forma do sentido interno, isto é, do intuir a nós mesmos e a nosso estado interno”. As reflexões de Immanuel Kant (1724-1804) são muito ousadas para a sua época e, de certa forma, trouxeram mais luz ao conceito de tempo e de sua percepção.
A Percepção de Tempo. Não só é a seqüência temporal da natureza e a realidade mais enigmática no mundo externo; é também a coisa mais espantosa do homem como ele mesmo. Como o problema de percepção espacial, o problema da percepção do tempo é um velho, e sempre-novo, enigma da psicologia. (REISER, 1926, p. 240, tradução nossa)

A afirmação acima poderia ser feita hoje e uma das razões para isso é, como explica Ades (2002), “O paradoxo do senso do tempo é que, constituindo uma característica geral e permanente do comportamento, ele não decorra, diretamente, de dados sensoriais. Não existe um órgão dos sentidos especializado em perceber o

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tempo”. Desta forma, assim como na montagem de um filme, o tempo que percebemos é oriundo de uma construção, uma montagem psicológica que fazemos das imagens, sons, sensações táteis e outros sinais que recebemos através dos órgãos do sentido, e como tal, é sujeita a variações decorrentes do nosso estado psicológico.
O tempo psicológico ou tempo vivido (duração interior), por sua vez, não coincide com as medidas temporais objetivas. Variando de indivíduo para indivíduo, sendo subjetivo e qualitativo, sujeita-se apenas ao registro de momentos imprecisos, que se aproximam ou tendem a fundir-se, numa organização determinada por sentimentos e lembranças [...] (RIBEIRO, 2002, p 24)

Então, a “duração” de um audiovisual pode ser alterada pelo nosso estado emocional, que também é afetado pelo próprio audiovisual. Com relação a isso, podemos colocar ainda dois fatos importantes para a compreensão da percepção do tempo. Um deles é que as coisas que nos agradam ou desagradam podem alterar consideravelmente a nossa percepção do tempo. Segundo Ades (2002), “Thayer e Schiff (1975) criaram uma situação em que pessoas deveriam ficar, frente a estranhos, sorridentes ou carrancudos. O sorriso do outro fez correr o tempo, sua carranca o brecou”. O outro é que os resultados de Flaherty (1991) endossam os estudos de Hogan (1978), que encontrou uma relação entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo, resultando em um gráfico em forma de U (Figura 01). O gráfico mostra que quando o estímulo é moderado (abscissa - eixo E), a percepção do tempo tende a uma sincronicidade com o tempo real (ordenada – eixo T). Entretanto, quando o estimulo é baixo ou alto a percepção do tempo tende a ser expandida (duração prolongada).

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T

E

Figura 01. Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. Redesenhado de Flaherty (1991, p. 80).

Com isso, fica claro que uma seqüência de imagem leva em si um tempo físico, ou seja, o tempo real, e um tempo fílmico. O tempo real pode ser aferido por um instrumento de medida, que não deve variar quando submetido a outras aferições, pelo menos em condições normais. O tempo fílmico é construído na “mensagem” do(s) sujeito(s) que produz(em) o audiovisual e é “diferida no tempo e no espaço” (BRAGA e CALAZANS, 2001, p. 27) ao sujeito que o assiste. E tudo pode variar quando medido por outro sujeito, ou pelo próprio, quando de uma próxima audiência.

I.6. O Tempo no Ensino A questão do tempo vista na óptica do professor que utiliza o audiovisual na prática de ensino já é debatida desde o início do uso de audiovisuais nas escolas. A primeira regra de higiene útil nas projeções animadas de Sluys (1922, apud Serrano e Venâncio Filho,1930, p. 68) é direcionada à relação tempo do filme e idade do espectador - “Duração máxima das projeções: 20 minutos para crianças de menos

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não foi encontrada nenhuma referência sobre o uso desta tecnologia educacional em aulas mais longas. deixando uma lacuna que o educador acaba preenchendo com o uso da sua vivência e criatividade. O filme escolar deve ser curto. para os commentarios adequados a cada trecho do filme e. possa preencher bem a sua finalidade em aula. Cumpre não fatigar a attenção da classe e deixar margem para a explicação preliminar. como também ao rendimento do processo como um todo. 32). isto é dez minutos a um quarto de hora de projecção. 15 . menos tempo conseguem manter a atenção. p. este comportamento “está relacionado com o fato do núcleo da formação reticular.de 12 anos e 30 minutos para idade maior”. para o interrogatório verificador das observações de cada um dos alumnos. só se tornar inteiramente mielinizado na puberdade ou depois dela”. Entretanto. O que o educador acaba por perceber logo no início de sua carreira. Além de estipular um tempo de duração. (SERRANO e VENÂNCIO FILHO. Segundo Carter (2003. é de relevancia toda especial. de grande metragem. 94-95) Esses e outros autores mais recentes levam em consideração que o uso do audiovisual se dá em tempos normais de duração de uma aula (45 a 50 minutos). que tem papel na manutenção da atenção. não só no que diz respeito à atenção. Duzentos a trezentos metros representam a medida razoavel. Muitas vezes as soluções por eles encontradas são alicerçadas na observação da reação de seus alunos. ainda. Serrano e Venâncio Filho alertam para o fato. p. Erro dos mais graves é pensar que um filme longo. Essa questão da duração do audiovisual leva em seu bojo a experiência individual de cada um dos educadores que cogitaram a respeito do tema e. 1930. A questão da metragem. deixa claro que quanto menores as crianças. que os leigos no assumpto suppõem secundaria. já no início da década de trinta.

Para isto. obtidas através de entrevistas ou através de publicações associadas aos audiovisuais. de um colégio federal tradicional do Rio de Janeiro (Colégio Pedro II). (b) a composição relativa ao tempo de duração do material audiovisual nas diferentes categorias identificadas. (d) confrontar os resultados dos depoimentos dos professores sobre a utilização dos audiovisuais com as recomendações de especialistas no assunto. OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivo principal identificar o perfil do tempo de duração dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e. buscamos identificar: (a) a finalidade (didáticos ou de divulgação) e a origem (nacionais ou internacionais) das produções de audiovisuais científicos disponíveis para utilização em circuito educacional. caracterizar sua utilização como prática didática do ensino formal. 16 . (c) o tempo e a forma de utilização de audiovisuais por professores de ciências (ensino fundamental) e biologia (ensino médio). O termo biociências será utilizado para classificar os audiovisuais utilizados tanto pelos professores de Ciências e de Biologia. a partir de um estudo de caso.II.

III. uma tese e um livro (listagem a seguir e Quadro 01). A amostra foi obtida de 10 diferentes acervos.1.1.725 audiovisuais científicos potencialmente utilizáveis no contexto educacional. 69 – 75) são listados os audiovisuais da Filmoteca do 17 .Audiovisuais Científicos Esta seção categoriza e analisa os audiovisuais científicos que foram disponibilizados apara o educador brasileiro através de projetos de cunho didáticos e de divulgação. a área e a origem desses audiovisuais.III. busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica. • Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal: No livro de Venâncio Filho (1941. acessados em catálogos. produzidos nas últimas seis décadas. sendo uma filmoteca. a partir de um estudo de caso. veiculados em mídias distintas e com linguagens também distintas. sete projetos didáticos. A segunda seção. Amostra e Coleta de Dados Foram analisados 3. METODOLOGIA Este trabalho foi dividido em duas seções: A primeira seção trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo. uma mostra e um festival. III. levando-se em consideração o contexto da amostra em que foram obtidos. publicações digitais. p. Seção 1 .1.

br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/06_ciencias. de sua dissertação. Disponível em: http://www. • Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE): Galvão (2004. p 64 – 79). Vassimon (1998. • TV Escola Programas de Ciências: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002.pdf acesso em 25/12/2004.br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/17_meio%20ambiente. p. 2001c e 2002). em Disponível em: http://www. Em 396 destes audiovisuais constam a bitola e a metragem • Vídeo Escola: esta amostra foi baseada no caderno do professor do projeto Vídeo Escola. 2001b. obtido na página da TV Escola 9.gov.mec. 25 – 77. p.Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro). Nesta listagem está disponibilizada a metragem de 164 dos 179 audiovisuais. 2001a. • TV Escola Programas de Meio Ambiente: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002. 2000b. os 401 audiovisuais produzidos no Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). que foi obtido na página da TV Escola 8. material em arquivo PDF.mec. • Discovery na Escola: Para esta parte da pesquisa foram consultadas as publicações eletrônicas do projeto Discovery na Escola. 9 8 18 . p. Este material.pdf acesso em 25/12/2004. organizado por Aratangy (2000a. no período 19361966. 209 – 225. • Vendo e Aprendendo (TV Escola): amostra baseada no material em arquivos PDF. material em arquivo PDF. obtido na página da TV Escola. cujos endereços estão disponíveis nas referências desta dissertação. que foram por ela identificados.gov.243 – 263) agrupa em tabelas do apêndice VI.

11 10 19 . Demeule (1996. Demeule (2000. Monteiro e Brandão (2003. p 38 – 81). p 42 – 51). p 36 – 45). Monteiro e Brandão (1994. denominada Guias de Apoio 10. A escolha do período defasado em 1 ano com o Festival Image et Science.arquivos PDF. Monteiro e Brandão (2002b. Assim com essa divisão entre audiovisuais nacionais e internacionais. Monteiro e Brandão (1999. p 53 – 95). Disponível em: http://discoverynaescola. 1994-2003). p 36 – 45). Demeule (2001. p 42 – 82). Monteiro e Brandão (1997. Demeule (1998. p 64 – 103). sessão BBC. Monteiro e Brandão (2004. • Festival Image et Science: Baseado nos catálogos do Festival International de L’émission Scientifique de Télévision (Image et Science. p 10 – 23). p 39 – 82). p 32 – 40). Monteiro e Brandão (1998. pode-se fazer uma subdivisão em Ver Ciência Sessão Brasil e Ver Ciência Sessões internacionais. foi obtido na página de apoio aos professores. Monteiro e Brandão. Demeule (1999. Demeule (1997. Demeule (2003. Demeule (1995. se deve ao fato. • Mostra Ver Ciência: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 11. Monteiro e Brandão (2001. de que muitos audiovisuais internacionais desta mostra. p 38 – 45). Demeule (2002. Demeule (1994. p 36 – 41). p 40 – 47). p 32 – 39). como é mostrado na seqüência: • Mostra Ver Ciência Sessão Brasil: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004. p 42 – 85). p 54 – 100).com/port/docentes_guia_01.shtml acesso em 19/12/2004 Não ocorreu a mostra no ano de 1995. p 70 – 113). p 112 – 157). p 56 – 100). Monteiro e Brandão (1996. Monteiro e Brandão (2000. p 40 – 47). serem os mesmos que foram apresentados no festival do ano anterior. dividem a mostra em sessão Brasil e em várias outras sessões essencialmente internacionais: sessão Especial. sessão Image et Science e sessão Televisão para a Juventude.

22 . 26 – 30. p 12 – 17. Monteiro e Brandão (1996. 30 – 33). 20 – 23. 30 – 33). p 12 – 19.2002) Internet Catalogo Demeule (1994-2003) Catalogo Monteiro (1994-2004) 12 No livro de Venâncio Filho de 1941 não se encontra o ano de produção dos audiovisuais.25. p 14 – 39. que compõem a amostra analisada. Monteiro e Brandão (1998. Monteiro e Brandão (2002. 28 – 33). 28 – 29. p 10 – 27. 32 – 37). 54 – 59). (1995. Monteiro e Brandão (1997. p 10 – 27. Amostra Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola . 34 – 36). 26 – 29).Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Ano 1941 12 1936-1966 1994 1998 1996-2002 1996-2002 2000-2001 2004 1994-2003 1994-2004 1936-2004 Fonte dos dados Livro Venâncio Filho (1941) Tese Galvão (2004) Publicação Guimarães (1994) Publicação Vassimon (1998) Internet Internet Internet Aratangy (2000a . 32 – 35). p 14 – 22.programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Mostra . Monteiro e Brandão (2003. Quadro 01. Monteiro e Brandão (2001. p 12 – 23.• Mostra Ver Ciência Sessões internacionais: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 de Monteiro e Brandão. 26 – 29). p 14 – 25. p 24 – 41). Resumo dos acervos de audiovisuais utilizados no contexto educacional. p 12 – 19. 20 . Monteiro e Brandão (2000. Monteiro e Brandão (1999. Monteiro e Brandão (2004. 22 – 29. com a informação do número de audiovisuais.

para se identificar os possíveis fatores que diferenciam esses audiovisuais quanto ao tempo de duração. III.III.1.2. que se ajustassem com as palavras 21 . Para classificá-los como biociências utilizou-se palavras da sinopse.2.1. Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total.1. III.1.2.1. III.2. em Nacionais e Internacionais. Alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais.Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos a amostra foi dividida em duas grandes categorias de audiovisuais . segundo o país de origem. Esta divisão teve como intuito analisar se havia diferenças entre a produção nacional e a internacional.3. das áreas do conhecimento e assunto destas publicações. as amostras foram categorizadas e separadas. Foi verificada a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total. sinopse etc) contidas nos acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola. pôdese fazer para cada um dos acervos. Finalidade . Análise de Dados A partir das informações das finalidades do acervo.Com informações adicionais (tipo de audiovisual.Didáticos e de Divulgação. um agrupamento só de vídeos de biociências. o objetivo foi de aferir se sua constituição temporal é equivalente aos de outras áreas. Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total. Nacionalidade .Os audiovisuais da amostra foram classificados.2. do país em que foi produzido e da área de conhecimento. Áreas do Conhecimento . outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais.

Ciências da Saúde e 5. Por exemplo. foi composto por audiovisuais de outras áreas. Devido ao fato de alguns audiovisuais serem os mesmos nos dois projetos. foi necessário trabalhar os dados originais de fontes de tipos diferentes de audiovisuais.cnpq. páginas 103 e 104. III. o tempo foi convertido para todas as fontes originais utilizadas não expressas em minutos (Quadro 02). em uma única forma. Todos os resultados das distribuições de freqüências foram expressos como percentagem do total.4. já foram encontrados divididos em Meio Ambiente e Ciências.br/areas/tabconhecimento/index.Com a finalidade de organizar um banco de dados que pudesse fornecer informações.das sub áreas do conhecimento da tabela de áreas do conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 13. 13 Disponível em: http://www. Ciências Biológicas. Perfil de Tempo . para cada um dos acervos. Assim. Ciências Agrárias. na composição final do banco de dados.1. filmes forneciam informações sobre o tempo em metragem. Considerou-se como biociências as áreas do CNPq: 2.htm acesso em 27/01/2004 22 .2. 4. O segundo agrupamento. O banco de dados foi organizado utilizandose o minuto como sendo a unidade de tempo a ser referida. os quais não foram classificados. eles eram confrontados para dirimir eventuais dúvidas. os resultados dessa divisão podem ser encontrados nos Apêndices B e C. enquanto outros tipos de audiovisuais forneciam as informações em minutos e/ou em minutos e segundos. facilmente utilizáveis para esse estudo. Os audiovisuais da TV Escola.

essenciais de serem exaustivas e mutuamente exclusivas. Os dados resultantes desta 23 . 155). Não foram observados audiovisuais com menos de 30 segundos. os valores iniciais e finais de cada classe são includentes (no caso da classe A. Na realidade. Desta forma a distribuição de freqüências se enquadra nos critérios. iniciando na Classe A. Este agrupamento em classes de cinco minutos foi definido após observação detalhada das distribuições de freqüências do banco de dados montado durante este estudo e visa uma homogeneização de resultados para facilitar a análise. a classe A abrange audiovisuais de 0’30” até 5’29”. Portanto. que vai de um até cinco minutos. Fonte Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Ciências TV Escola – Meio Ambiente TV Escola – programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Tempo na fonte Metragem Metragem Minuto Minuto Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto Minuto Minuto Tempo no banco de dados Minuto Os resultados convertidos foram agrupados em 13 classes de cinco minutos de duração. e encerrando na Classe M. recomendados por Marconi e Lakatos (2002. Informação do Tempo dos Audiovisuais utilizados neste estudo. com valores fracionados inferiores a 30 segundos exclusive. Os valores de tempo de duração encontrados foram arredondados para cima. um minuto inclusive e cinco minutos inclusive). com frações maiores do que 30 segundos inclusive. e para baixo. p. com duração de mais de 60 minutos.Quadro 02. a classe B de 5’30” até 10’29” e assim por diante.

As análises iniciais dos dados dos catálogos sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período de três acervos. • Mostra Ver Ciência Sessão Brasil – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999. com 204 audiovisuais e (2) 2000 a 2004. A fim de estabelecer um padrão de análise. página 102. em algumas amostras não há referência a todos os intervalos de classe de tempo. Média-baixa duração: > 15 minutos e ≤ 40 minutos (Classes D a H). 24 . Curta duração: > cinco minutos e ≤ 15 minutos (Classes B e C). Para fins de suprir a necessidade de diferentes análises dos audiovisuais neste trabalho. com 215 audiovisuais. as classes de tempo de duração supracitadas foram agrupadas nas seguintes categorias: • • • • • Curtíssima duração: ≤ cinco minutos (Classe A).análise são mostrados segundo a freqüência percentual de audiovisuais por classe. Longa duração: > 60 minutos (Classe M) Uma discussão mais detalhada dessa nomenclatura pode ser encontrada no Apêndice A. com 135 audiovisuais. com 210 audiovisuais e (2) 1999 a 2003. o conjunto de audiovisuais desses acervos foi dividido em dois períodos: • Festival Image et Science – os 10 anos do acervo foram divididos em qüinqüênios: (1) 1994 a 1998. Devido ao fato do acervo ser heterogêneo. Média-alta duração: > 40 minutos e ≤ 60 minutos (Classes I a L).

Análise Estatística . Onde: U = estatística U de Mann-Whitney n1 = tamanho da amostra menor. decidir se A1 ∈ π e A2 ∈ π. Segundo Kelvin (1987. A1 e A2.5. respectivamente. optou-se pelo uso da estatística nãoparamétrica de Mann-Whitney (teste U). 25 . se ambas podem ser consideradas provenientes da mesma população”. A2 = amostra 2. com 268 audiovisuais. mediante a prova de Mann-Whitney. III. p. já que estes e os outros dados brutos foram agrupados em seqüência ordinal e porque alguns dos conjuntos de dados não tinham uma distribuição normal e/ou em algumas das classes desses conjuntos de dados havia freqüências menores que cinco audiovisuais. 233). “dadas duas amostras. π = população. é possível. com 324 audiovisuais e (2) 2000 a 2004. n2 = tamanho da amostra maior. de tamanhos n1 e n2. ou mesmo nulas. Onde: A1 = amostra 1. isto é.2. O cálculo de U foi obtido pelas fórmulas: U1 = n1n2 + n1(n1 + 1)/2 – P1 U2 = n1n2 + n2(n2 + 1)/2 – P2.1.Após observação detalhada dos dados obtidos e tendo como referência Kelvin (1987).• Mostra Ver Ciência Sessões Internacionais – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999.

foi atribuído o valor de erro padrão (Se) e desvio padrão (Sd). que está disponível no endereço: em http://geocities.05 no caso de distribuição normal. como rigor estatístico. com α = 0. os 54 programas que compunham o projeto em 2004 foram agrupados por classe de tempo de 15.br/insecta_tv/Mann-Whitney. conforme a metodologia supracitada e os números de fragmentos foram arredondados para valores inteiros. graças à implementação de uma planilha no programa Excel 2000. com o auxílio do programa GraphPad Prism 4 na distribuição de freqüência de cada classe. P2 = soma dos postos da amostra maior.yahoo.com. Foram estabelecidas as médias de tempo destes fragmentos em cada uma das classes. Os cálculos foram possíveis. Os valores dos tempos de duração foram aproximados para minutos inteiros. α = 0. todos os resultados das análises realizadas neste trabalho foram verificados através do teste de Qui-Quadrado para independência.xls 26/07/2005. No projeto Discovery na Escola havia a proposta de fragmentação dos audiovisuais assim.P1 = soma dos postos da amostra menor. foi feito o teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov (KS). 30 e 50 minutos (esta última composta por audiovisuais de 50 até 60 minutos) e contados os números de fragmentos propostos pela equipe da Discovery em cada um destes audiovisuais. acessado Assumida fortemente a hipótese de distribuição não-paramétrica da amostra.05 (5%). Este teste usou o nível de significância como sendo. Contou-se também o número de audiovisuais de 26 . Todos os resultados foram confirmados independentemente do tipo de variável. Este teste foi usado para verificar se duas variáveis que apresentam os resultados em classes ou categorias estão relacionadas (variáveis categóricas).

III. A amostra de entrevistados corresponde a 61% (33) do total de 54 14 professores de biologia e ciências contabilizados pela secretaria geral da instituição como concursados e efetivos.1. assim como o número de professores contratados. sem levar em consideração o gênero (ei: Professor 12).2. devido a dinâmica do processo de contratação e dispensa. Amostra Esta parte da pesquisa se constitui num estudo de caso a partir do discurso dos professores de ciências do Ensino Fundamental e de biologia do Ensino Médio do Colégio Pedro II. localizado na cidade do Rio de Janeiro. Por problemas de ordem pessoal dos professores ou de estrutura da grade horária não foi possível entrevistar os 54 professores. genericamente indicado nos guias de apoio como “primeira e/ou segunda parte”. Seção 2 – Professores e Especialistas III. Para preservar a autoria das entrevistas. Os professores entrevistados estavam lotados nas seguintes unidades do Colégio Pedro II: • • • 14 Unidade Escolar Centro Unidade Escolar São Cristóvão II Unidade Escolar São Cristóvão III A instituição não foi capaz de informar o número exato de professores concursados licenciados. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III.1.2. os professores e professoras foram numerados de 01 até 33 e desta forma aparecerão citados nesta dissertação.1.2. 27 . três não prestaram a entrevista. Entre os 36 contatados. considerando cada uma das partes como fragmentos maiores que 20 minutos.50 minutos apresentados em duas partes.

Segundo Marconi e Lakatos (2002. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão”.1. foram realizadas entrevistas nãoestruturadas.2.2. característica das entrevistas do tipo não-estruturadas. Apesar da liberdade para perguntas.• • • • Unidade Escolar Engenho Novo II Unidade Escolar Humaitá II Unidade Escolar Tijuca II Unidade Escolar Realengo III. do tipo focalizada. Coleta e Análise dos Dados: A fim de investigar o discurso dos professores acerca da utilização dos audiovisuais científicos como recurso didático. p 94). na entrevista não-estruturada “O entrevistado tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. Roteiro: Você utiliza o audiovisual (vídeo) nas aulas? Em caso afirmativo: • • • • • • Com que freqüência? Qual o tipo de audiovisual utiliza (gênero)? De onde obtém o audiovisual (acervo)? Qual a fonte do audiovisual (origem)? Como utiliza o audiovisual? Quais as características favoráveis de um audiovisual para facilitar o seu uso no ensino? 28 . como balizar para condução das mesmas. foi utilizado um roteiro de perguntas (tipo focalizado).

para a entrevista. 29 . ambiente que eles ocupam nos horários vagos ou de reunião. Apesar de realizadas em ambiente coletivo. sempre se tomou o cuidado para que as entrevistas fossem individuais. após o cadastramento do entrevistador e liberação junto a chefe do setor de pesquisa. Seguia-se a apresentação do entrevistador. Nas unidades supracitadas.Em caso negativo: • • • Quais os fatores que impedem o uso do audiovisual? Quais os fatores pessoais que poderiam facilitar o uso do audiovisual? Quais os fatores relacionados ao equipamento que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados às instalações que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados diretamente aos audiovisuais que poderiam facilitar o seu uso? As entrevistas foram agendadas. uma vez que salas de professores são ambientes muito movimentados. foi procedimento aceito por todos os entrevistados. assegurando o anonimato. individualmente. professora Denise Mano. os professores foram entrevistados na “sala dos professores”. Esta determinação se mostrou perfeitamente viável. extensão e cultura do colégio. A necessidade de gravação das entrevistas. O agendamento das mesmas contou com o auxílio da chefe do Departamento de Biologia e Ciências. e era explanado o propósito da entrevista (para estudar aspectos do uso do audiovisual no ensino). no caso o autor da tese. Eles eram convidados. professora Eliane Jorge.

desta forma o entrevistador pode explorar melhor os vários aspectos da produção.2. Publicações digitais como fonte de dados: Na série de publicações “Como usar os vídeos da TV Escola” do número 01 (um) ao 06 (seis). Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados: Esta parte da pesquisa contou com entrevistas não-estruturadas. podem ser encontradas as recomendações de uso feitas por 45 especialistas.2. III. III. 2001b. III.2. Entrevistas com Produtores. 2001c e 2002). difusão e organização de acervos dos audiovisuais científicos. foram analisadas as formas de uso dos 54 audiovisuais dos Guias de Apoio. Foram entrevistados três difusores.2.1. sendo dois da Mostra Ver Ciência e um do Festival Image et Science. No Discovery na Escola. Algumas das questões são abordadas quantitativamente nos resultados enquanto outras são analisadas qualitativamente na discussão.sendo literalmente impossível prestar atenção a uma conversa que ocorra a alguma distância. 2000b. Aratangy (2000a. quatro produtores e três organizadores de acervos: 30 .2. 2001a.2. Recomendação dos Especialistas As recomendações dos especialistas da área acerca do uso dos audiovisuais foram obtidas através de entrevistas com profissionais da área ou em publicações especializadas.2.

• BENCHIMOL. Entrevista concedida em: 2004. Organizadora de acervo de audiovisuais científicos. Henrique G. P. Marlene. Matthew. Organizador dos acervos dos projetos Vale Vídeo e Vídeo Escola. 31 . Rio de Janeiro. Sergio. • DEMEULE. além de curador da mostra Ver Ciência sessões internacionais e membro do júri do Festival Image et Science. Entrevista concedida em 2004. Entrevista concedida em: 2004. Produtor e gerente geral da empresa Vídeo Ciência. Paula. • BRANDÃO. Diretora do Festival Image et Science. Rio de Janeiro. Ildeu de Castro. Curador da Sessão Brasil da Mostra Ver Ciência e Organizador do acervo do projeto Vídeo Escola. Produtor da série Horizon da BBC. José Renato. que é veiculada na Rede Brasil de emissoras educativas. Rio de Janeiro. 2004. Entrevista concedida em: 2005.• BARRETT. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em 02 set. 2004. Entrevista concedida em: 2005. • MONTEIRO. • BARROS. Entrevista concedida em 01 set. Lins e. Produtora da série Expedições. Rio de Janeiro. Produtor independente. Rio de Janeiro. • MOREIRA. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em: 2005. Teresópolis. • SALDANHA. Annick.

IV.1. RESULTADOS A primeira seção deste trabalho trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo. IV. a partir das informações disponibilizadas em catálogos próprios ou em publicações especializadas. A segunda seção. a partir de um estudo de caso. 32 . Finalidade e Origem Os audiovisuais dos 10 acervos que compõem a amostra foram a princípio caracterizados quantos à sua finalidade e origem.1.1. busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica. Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos foi possível dividir a amostra em duas grandes categorias quanto à finalidade dos audiovisuais . Seção 1 – Os Audiovisuais Científicos VI.Didáticos e de Divulgação – e verificar a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total (Tabela 01).

66 36.00** * Os percentuais foram calculados com relação ao total de cada categoria: Didático (n = 2. gerando os seguintes sub- 33 .369 audiovisuais) e Divulgação (n = 1. Os programas de ciências da TV Escola foram divididos em dois agrupamentos: o primeiro continha 1081 audiovisuais sobre ciências. também foram separados assim.356 3.programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola TOTAL 08 164 396 78 83 1. foram divididos os acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola. e o segundo continha 105 audiovisuais produzidos no Brasil.50 50.369 6.29 3.07 2.15 2. A análise da origem dos audiovisuais mostrou que alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais. Da mesma forma.40** 100. ** Percentuais calculados com relação ao total geral (n = 3.28 Acervos Audiovisuais (n) (%)* 63.34 68.356 audiovisuais).186 357 51 54 2.725 audiovisuais).06 15.725 31.92 16. produzidos em outros paises. gerando dois subconjuntos de respectivamente 281 audiovisuais sobre meio ambiente internacionais e 76 audiovisuais nacionais. outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais (Tabela 02).Ver Ciência TOTAL TOTAL GERAL 02 10 425 931 1. Categoria por Finalidade Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola . Categorização dos Acervos de Audiovisuais.Tabela 01. Os programas de meio ambiente da TV Escola. segundo a Finalidade.72 3.60** Divulgação Festival Image et Science Mostra .

83 2.17 1.00 39.74 48.81 91. Acervos (n) Categoria por Origem Nacionais (%) Internacionais (n) (%) Total* Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola .88 100. por falta de informações nas fontes consultadas.29 47 43 1. Tabela 02.00 0. 34 .Programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola 396 31 40 105 76 100.71 100. Audiovisuais dos Acervos Didáticos e de Divulgação segundo sua Origem. ** A soma dos totais de audiovisuais nacionais e internacionais não corresponde ao total geral devido a não caracterização da origem dos acervos da TV Escola .013 400 591 94. A Tabela 03 a seguir mostra os números e freqüências totais dos conjuntos de audiovisuais analisados nesse estudo.programa Vendo e Aprendendo e da Filmoteca do Departamento de Educação do DF.conjuntos: 31 audiovisuais nacionais e 47 internacionais no acervo da Vale Vídeo e 40 audiovisuais nacionais e 43 internacionais no Vídeo Escola. segundo sua origem (nacional e internacional) e a finalidade do acervo (didático ou de divulgação).19 8.26 51.725** * Na Tabela 100% correspondem ao total de cada acervo.12 99.081 281 54 60.00 164 396 78 83 1186 357 51 54 Divulgação Festival Image et Science Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil Mostra Ver Ciência – Sessão Internacional Total** 25 339 1 5.85 21.15 78.497 425 339 592 3.

16) 1.77) 0 (0. Esses resultados mostram a visão cumulativa do perfil dos acervos que os professores brasileiros tiveram ao seu dispor nas últimas seis décadas.61) 0 (0.40) 365 (9.369 (63. Entretanto.31) Indeterminada (%) 51 (1. Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 252 (7.40) 3. Para possibilitar a discussão desses resultados mais adequada à realidade foi necessário retirar os acervos de difícil acesso.497 (67.356 (36.61) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra de acervos audiovisuais de fácil acesso pelos professores (n = 3.96) 365 (11.725 audiovisuais).84) 3. segundo sua Finalidade e Origem.725 Total 1.497 (78.79) Internacional (%) 1. segundo sua Origem e Finalidade.356 (42.60) Indeterminada (%) 215 (5.19) 2.53) Internacional (%) 1506 (47.506 (40. Total de Audiovisuais. A análise do conjunto de resultados mostra que a maior parte (n = 1. A Tabela 04 mostra os resultados gerais apenas dos acervos atualmente de fácil obtenção pelo professor interessado.60) 1.58) 991 (31. descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE).77) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra (n = 3. Tabela 04.00) Total n (%) 1.89) 51 (1. Audiovisuais.03) 215 (5.165 audiovisuais). o que poderia facilitar o uso em sala de aula (Tabela 4).013 (27. Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 648 (17.809 ou 57. dos quais os professores não podem dispor.809 (57.165 Total 617 (19.16%) dos audiovisuais de acervos acessíveis aos professores é de cunho didático.49) 2. a 35 .00) Total n (%) 2.Tabela 03.43) 991 (26.

1. o que sugere boas chances do professor ter ao seu dispor um material descontextualizado. A Pesca do Bacalhau. por sua generalidade. Os títulos: Pingüins e Focas da Costa da Patagônia. Arganás. distante da realidade dos alunos. IV. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal A Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro) foi escolhida por conter o primeiro registro histórico encontrado (anterior à década de 40) de audiovisuais usados na educação no Brasil.2. Assim. Energia Solar e Répteis. como por exemplo a De Vry School Films Incorporated.89%) desses mesmos acervos é de origem internacional.1. Esta entidade organizou um sistema de cooperativa para servir às escolas públicas e particulares com audiovisuais para o propósito educativo. Desta forma temos o perfil de distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais da Filmoteca a seguir (Figura 02). não podemos afirmar ser um representativo de material internacional à disposição do educador brasileiro do início do século XX. em didáticos ou divulgação. os acervos assim classificados foram analisados quanto ao tempo de duração. IV. 36 . Entretanto. Perfil de Duração A partir da caracterização dos audiovisuais da amostra. entre outros.497 ou 78.1.grande maioria (n=2. 2. nacionais e/ou internacionais. não nos dão indícios de suas nacionalidades. muitos outros títulos tais como: Força a Vapor. sugerem que esses audiovisuais foram obtidos de produtoras internacionais especializadas em audiovisuais educativos.

37 . De fato a Figura 02 mostra que ocorre uma concentração em tempos muito curtos. Freqüência percentual por classe de tempo.35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 >20 Classe de tempo em minutos B C D A E Figura 02. pág.2. nos seus 31 anos de atividades. pág 14). produziu 401 audiovisuais. IV.2. em sua maioria de curta duração. de cunho didático (ver Introdução – Tempo no Ensino. Os dados apresentados correspondem a informações anteriores à década de 40. sendo que a maioria dos 15 Classe modal é a classe com a maior freqüência.12% da freqüência (audiovisuais de curta duração veja Apêndice A. ou seja. este acervo caracteriza-se fortemente como sendo composto de audiovisuais de curta duração. Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) O Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). com a classe modal 15 sendo a C.1. e teve como primeiro diretor Edgar Roquette-Pinto (1884-1954). dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (n = 164). 102). Até esta classe existe uma concentração de 95. Portanto.

38 .audiovisuais foi produzida por Humberto Mauro (1897-1983).56%) até a classe C. caracteriza um acervo didático. o INCE já havia projetado audiovisuais em mais de 1000 escolas e instituições culturais” (SIMIS. 40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 >35 A Classe de tempo em minutos B C D E F G H Figura 03. p. um acervo com fins didáticos. o que. segundo a bibliografia especializada. assim como supracitado. 120) diz que é uma “instituição oficial criada em 1936. e dessa forma o INCE é o representativo do material audiovisual com finalidade didática da produção nacional. este perfil de tempo caracteriza. Sobre o INCE. Freqüência percentual por classe de tempo. na França e na União Soviética”. dos audiovisuais produzidos no INCE. Como referido para o acervo anterior. no período 1936 – 1966 (n = 396). Os audiovisuais produzidos pelo INCE possuem uma concentração (81. que procurou fazer do cinema um veículo de educação. como acontecia no mesmo momento na Alemanha. tempo de duração igual ou inferior a 15 minutos (Figura 03). A classe modal é a B (06 – 10 minutos). “Até 1942. 108). p. Schvarzman (2001. na Itália. 2002. disponibilizado para as instituições de ensino.

distribuídos em 14 fitas. entrevista) “Um material fundamentalmente de estimulação. o projeto Vale Vídeo abrangeu 196 municípios e 300 escolas. 39 . os audiovisuais concentram-se (85. para serem utilizados no ensino (da 1ª a 8ª série) e uma para a capacitação dos professores. O que mais uma vez caracteriza um acervo de audiovisuais didáticos.1. Vale Vídeo Coordenado por Marcelo Garcia e José Renato Monteiro e desenvolvido a partir de 1989 pela Fundação Roberto Marinho. Segundo Vídeo Escola (1996. 96-97). com o apoio da Fundação Banco do Brasil.89%) nas classes até 15 minutos (de A a C). atendendo a 150 mil alunos e cinco mil professores da região de influência da CVRD. em uma parceria da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e da Fundação Roberto Marinho. Neste acervo. do Vídeo Escola e apresenta uma seleção de 78 audiovisuais. O projeto Vale Vídeo é uma versão. de predisposição e de incitamento à aprendizagem. segundo Monteiro (2005.2. e envolvia nove milhões de alunos em todo o Brasil. O compromisso do Vídeo Escola era o de querer aprender. com 470 vídeos. o Projeto Vídeo Escola tem. em 1994 o projeto já dispunha de uma seleção de 101 fitas.3. p. Então era um material de extrema atratividade”. sendo a classe modal em B (Figura 04). Desenvolvido em 1994. mais nova e localizada.IV.

Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo (n = 78).40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 04. pág. 40 . 103) e demais áreas (Figura 05). A disponibilidade de informações relativas à área de atuação de cada audiovisual permitiu agrupar os audiovisuais em duas subcategorias: biociências (Apêndice B.

n = 41) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo. Freqüência percentual por classe de tempo. e os de biociências foi observado uma moda na classe B de biociências e uma menor concentração nas classes A e D. quando comparado com os de outras áreas. do projeto Vale Vídeo. 41 .50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas % Audiovisuais Classe de tempo em minutos B C D 06-10 11-15 16-20 21-25 E Figura 05. como não são diferenças drásticas foi aplicado o teste de Mann-Whitney (Tabela 05) para testar a hipótese de constituírem perfis semelhantes. Com relação às diferenças encontradas entre os audiovisuais de ciências. dos audiovisuais de biociências (em quadriculado. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de vídeos de todas as áreas. (n = 78). Entretanto. como um todo. n = 37).

Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências.5 Posto Médio 38. n = 31) e audiovisuais internacionais (cinza escuro. As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram este acervo como misto. ou seja.5 708. 40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 Classe de tempo em minutos A B C D E Figura 06.5 1669.5 Soma dos Postos 1411.15 40. n = 47). 42 .72 U 808. efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U).5 0.Tabela 05.6191 Hipótese Nula mantida Os resultados da comparação entre os audiovisuais de biociências e os das demais áreas do conhecimento confirmam a hipótese de não haver diferenças significativas entre os dois (Tabela 5). contendo produções nacionais e internacionais (Figura 06). ao nível ordinal. do projeto Vale Vídeo. Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais (incolor. Hipótese Alternativa : Outras áreas ≠ Biociências. do projeto Vale Vídeo. n Outras áreas Biociências Mann-Whitney U p bicaudal 37 41 808.

voltada para a educação.0852. Vídeo Escola O projeto Vídeo Escola de 1998. uma maior concentração (85.54%) de audiovisuais até a Classe C (Figura 07). Por ser um projeto “irmão” ao Vale Vídeo e que teve em seu quadro os mesmos consultores.4. nesse projeto. a produção nacional de audiovisuais de ciências.0607. para esta comparação. A análise do perfil de tempo mostra.2. é igual a internacional (Figura 06). O teste estatístico. podemos fazer as mesmas análises. resultou em p bicaudal igual a 0. mantendo assim a hipótese de semelhança (hipótese nula).A análise do perfil de tempo mostra que. também para este acervo.1. IV. com 83 vídeos e uma para capacitação dos professores. 43 . assim como o Vale Vídeo. é uma compactação do projeto original em 15 fitas. E quando comparado com o seu projeto irmão resulta em um p bicaudal igual a 0. aceitando a hipótese nula. sendo 14 fitas para exibição.

Este acervo também foi dividido em subcategorias de acordo com a área do conhecimento. Entretanto. 44 .40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 07. Já as classes A. A comparação entre os audiovisuais de biociências (Apêndice C.7077 mantendo a hipótese nula. O teste de Mann-Whitney (teste U) resultou em p bicaudal igual a 0. não foram transformações consideráveis. 104) e das outras áreas de ciências mostra uma prevalência da primeira subcategoria na classe C. B. pág. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola (n = 83). D e E (Figura 08) apresentam uma menor representatividade percentual dos audiovisuais de biociências. uma vez que não há diferenças significativas entre os dois conjuntos de dados.

n = 41). (n = 83). Freqüência percentual por classe de tempo. do projeto Vídeo Escola. As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram também este acervo. n = 42) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo.50 45 40 % Audiovisuais 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 08. de origem mista. 45 . contendo audiovisuais nacionais e internacionais (Figura 09). dos audiovisuais de biociências (em quadriculado. O gráfico inserido representa a distribuição percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas.

novamente semelhante ao Projeto Vale Vídeo (Figura 06). IV. do projeto Vídeo Escola. aceitando a hipótese nula. para esta comparação. dos audiovisuais nacionais (incolor. TV Escola Programação de Ciências Levado ao ar de forma definitiva em quatro de março de 1996. Sua finalidade é contribuir para a melhoria da educação e seus objetivos principais 46 .2. Freqüência percentual por classe de tempo. resultou em p bicaudal igual a 0. n = 43).5.1. a TV Escola é um canal de televisão dedicado aos educadores e alunos do ensino fundamental e médio. a produção nacional tem o mesmo perfil de tempo que a internacional. O teste estatístico. sob atribuição da Secretaria de Especial de Educação a Distância (SEED).40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 09. n = 40) e dos audiovisuais de outros paises (cinza escuro.9598. A Figura 09 mostra que.

Veiculada por satélite. A abrangência. com a entrada da Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec) em parceira da SEED. A análise do perfil de tempo mostra que. Diferentemente dos acervos anteriormente analisados. entre o ensino médio e o fundamental. a programação é composta por audiovisuais distribuídos majoritariamente entre as classes A e F (96. Enquanto audiovisuais de curtíssima (< 5 minutos) ou curta duração (≥ 5 e < 15 minutos) caracterizam o fim didático. Entretanto. existe uma concentração até 15 minutos (68.mec.zip acesso em 10/5/2004 16 47 .são auxiliar no desenvolvimento profissional dos professores e gestores.96%). disponível em: http://www.80%). no país e no exterior. Além do material que é produzido com os recursos próprios. Até 2002 a TV Escola já havia sido instalada em 57.45 milhão de professores.gov. nesse acervo.395 escolas públicas de ensino fundamental. A expectativa do projeto é que. o que representa 91. a diversidade de audiovisuais e a especificidade da área apontaram para a necessidade de inclusão deste recorte do projeto didático nas análises. com mais de 100 alunos.br/seed/tvescola/RelatoriosAtividades/Relatório%20da%20TV%20Escola%201996%20200 2. direitos de exibição de programas educativos de produtoras de reconhecida competência e qualidade nesta área 16. em sinal digital. enriquecer o processo de ensino-aprendizagem e incentivar a aproximação escola-comunidade. a SEED adquire. em pouco tempo se alcance mais de 35 milhões de alunos e mais de 1. estas características sugerem uma composição mista de tempo neste acervo. com a classe modal em B (Figura 10). os audiovisuais de média-baixa duração Texto baseado no relatório da TV Escola 1996-2002. os kits tecnológicos necessários para a captação do sinal e gravação dos programas da TV Escola são adquiridos com recursos do Ministério da Educação e Cultura (MEC).9% desse segmento da rede pública brasileira.

neste acervo são encontrados audiovisuais com características de divulgação científica. dos audiovisuais da TV Escola. apesar de ter por finalidade o uso didático. no período 1996 – 2002. Com as informações do catálogo. foi possível verificar que apenas duas produtoras.81%) do Grade é o nome usado no meio televisivo para identificar os intervalos de tempo que cobrem cada um dos programas no período de programação da emissora. Freqüência percentual por classe de tempo. 17 48 . foram responsáveis pela produção da maioria (69. (n = 1186). 30 25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 10. TV Escola/MEC e Secretaria Extraordinária de Programas Especiais do Estado do Rio de Janeiro.(>15 e ≤40 minutos) caracterizam produtos usados para suprirem as grades 17 horárias das redes de televisão. Portanto.

49 . n = 105) e dos audiovisuais internacionais de ciências (cinza escuro. é significativamente diferente da produção internacional (Figura 11). no período 1996 – 2002. Por outro lado. n = 1081) apresentados na programação da TV Escola. nesse projeto. rejeitando a hipótese nula.material nacional. Freqüência percentual por classe de tempo. a produção nacional de audiovisuais de ciências. O teste estatístico para esta comparação resultou em p bicaudal igual a 0. quanto ao perfil de tempo. A comparação entre o material nacional e internacional. dos audiovisuais nacionais de ciências (incolor. o material internacional foi produzido por 39 entidades. 30 Nacionais Internacionais 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 11. algumas delas especializadas em audiovisuais didáticos. voltada para a educação. mostra que.0051.

6. neste segmento. 50 . A produção internacional também é expressiva nas classes E e F e. por conter um número muito maior de audiovisuais. sendo que na produção nacional existe uma variedade maior de produtoras. TV Escola Programação de Meio Ambiente A análise da programação de meio ambiente guarda similaridades com a de ciências. A Figura 12 mostra este perfil com duas concentrações distintas.2.35%) até 15 minutos (Classe C). se concentra nas classes C e D (classe modal).A Figura 11 mostra que a produção nacional.1. Este acervo também se caracteriza por uma distribuição de audiovisuais entre as classes A e F (93.28). enquanto a internacional se concentra nas classes A e B (classe modal). O perfil de tempo deste acervo é semelhante ao encontrado para o acervo “TV Escola Programação de Ciências”. IV. é a responsável pelo perfil misto de tempo do acervo como um todo (Figura 10). existindo uma concentração (68.

os dois acervos têm uma concentração de audiovisuais em tempos de até 30 minutos e duas concentrações de tempos de duração (curta e média-baixa).30 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46--50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 12. (Figura 13) mostrou que os conjuntos Nacional e Internacional dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola contêm diferenças significativas. no período 1996 – 2002. dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola. Apesar das diferenças. (n = 357). p bicaudal igual a 0.0002. o que descarta a hipótese nula. Comparando os audiovisuais da TV Escola de Ciências e TV Escola de Meio Ambiente (Figuras 10 e 12) obtemos o p bicaudal igual a 0. 51 . Freqüência percentual por classe de tempo. A comparação estatística.0322.

7.Programa Vendo e Aprendendo São programas produzidos pela TV Escola para capacitação de professores do ensino fundamental. o conjunto Internacional tende a ser o responsável pelo perfil geral (Figura 12) por conter um número de audiovisuais cerca de quatro vezes maior que o conjunto Nacional.1. n = 281). enquanto a mundial se concentra na A (classe modal). após a exibição de um ou de mais audiovisuais 52 . n = 76) e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente (cinza escuro. IV. Novamente. nos quais. B e C. no período 1996 – 2002.35 30 25 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 13. Freqüência percentual por classe de tempo. A Figura 13 mostra ainda que a produção nacional. se concentra nas classes B (classe modal) e C. dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente (incolor. apresentados na programação da TV Escola. TV Escola . para esse projeto.2.

desenvolvem as recomendações dos professores e especialistas. Em três (4. 53 .87%) das 71 propostas fragmentaram de alguma forma os audiovisuais. 37 (82. foram exibidos em uma única aula e assim a consultora indicou o corte do segundo. Baseado nesses programas. que foram distribuídas nas escolas de alcance do projeto. essas paradas eram indicadas.23%) propostas.61%) propostas fragmentavam o audiovisual com o uso de paradas. descontando as sobreposições. o audiovisual foi dividido em partes a serem exibidas em dias distintos. Os 45 professores e especialistas convidados fizeram 71 propostas (alguns participaram mais de uma vez. No total.sobre um determinado tema. 56 (78. dirigidas aos alunos da pré-escola até a 8ª série. 48 (67. onde nos seis primeiros volumes. em edições distintas e sobre audiovisuais distintos). Entre os 45 consultores. Em cinco (7. sendo que destas. “pare o vídeo” etc. com tiragem de 110 mil exemplares cada. a TV Escola lançou uma série de publicações com o mesmo nome dos programas. É interessante ressaltar. Nestas propostas pôde-se identificar o uso fracionado do audiovisual em recomendações como: “use a pausa”. Também são apresentados alguns trabalhos que esses professores já haviam realizado com seus alunos.22%) fragmentavam os audiovisuais. No único caso em que se diminuiu a duração de um audiovisual médio-baixo foi quando dois audiovisuais. A Figura 14 apresenta a distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados.04%) propostas. para o uso dos vídeos em sala de aula. os audiovisuais eram cortados (editados). professores e especialistas convidados discutem seu conteúdo sugerindo formas para explorá-los em sala de aula. respectivamente de 22 e 23 minutos. que mesmo em vídeos curtos.

possuindo um conjunto de audiovisuais de característica didática e outro de audiovisuais mais longos.25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 14. Os dados disponibilizados não continham referência ao país da produção impossibilitando a classificação dos audiovisuais em nacionais ou internacionais. no período 2000 – 2001. que são características de produtos de divulgação usados pelas emissoras de televisão. n = 51. na classe média-baixa (de D a H) e na classe média-alta (de I a L). Freqüência percentual por classe de tempo. O acervo do Programa Vendo e Aprendendo possui representatividade de audiovisuais na classe curta (de A a C). 54 . dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola. Este perfil (Figura 14) sugere um acervo misto.

México. Panamá. Os professores são treinados pessoalmente através de um acordo entre as operadoras de TV por assinatura. na América Latina. Argentina. Os programas são especialmente editados para o uso didático.5 mil escolas.1. O projeto já está funcionando no Brasil.shtml acesso em 19/12/2004 18 55 . da programação Discovery na Escola até um ano depois da data da última exibição do programa.7 mil professores e mais de 500 mil estudantes. passou a ser veiculado.8. mesmo as institucionais. Discovery na Escola Lançado em 1997.com/port/preguntas_frecuentes. cujas escolas façam parte do projeto. E o projeto Discovery na Escola utiliza uma seleção dos programas veiculados por essa emissora. Apesar dos números divulgados pelo projeto. das 07:00h às 08:00h. em propaganda institucional.IV. apresentando inserções de comentários e não apresentam inserções de propagandas. Há dez anos nas operadoras de TV por assinatura no Brasil. as instituições educativas e o Discovery 18. estarem ligados ao projeto. em 2005. Há ainda os que utilizam outros programas da emissora que nem ao menos fazem parte do Texto baseado em informações disponíveis em: http://www.2. é de se relevar os incontáveis educadores que acabam utilizando esse material sem. O projeto outorga aos professores os direitos de gravação e utilização em salas de aula. a Discovery afirma. Curaçao. ter a melhor programação do mundo para o segmento de divulgação científica. e logo se estenderá à Colômbia. em pelo menos 1. o projeto Discovery na Escola. necessariamente. tanto públicas como particulares. já alcançou mais de 1. Equador. de segunda à sexta feira.discoveryenlaescuela. Venezuela. Originalmente veiculado de segunda à sexta feira. Costa Rica. Chile. das 11:00h às 12:00h. produção exclusivamente internacional. Espanha e Portugal.

K e L (média-alta duração). uma nítida diferença em relação aos outros projetos didáticos. Freqüência percentual por classe de tempo. Os programas do projeto Discovery na Escola são editados apenas para a inserção dos comentários.48% na classe F (Figura 15). 56 . no ano de 2004. pois apresenta apenas dois audiovisuais com fins de utilização no contexto educacional. dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola. Observa-se. n = 54. ou seja. fica evidente a necessidade de incorporar esse material na análise. portanto. designadas nessa análise como de 50 minutos e 31. até a classe C.82% dos programas nas classes J. 40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 0 6 -1 0 1 1 -1 5 1 6 -2 0 21-25 2 6 -3 0 3 1 -3 5 3 6 -4 0 41-45 4 6 -5 0 5 1 -5 5 5 6 -6 0 >60 C la s s e d e te m p o e m m in u to s A B C D E F G H I J K L M Figura 15. mostra uma concentração de 64. Desta forma.projeto. no ano de 2004. A distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados no projeto.

A barra mais grossa representa a linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos. Dezessete audiovisuais de 30 minutos foram apresentados de forma fragmentada e aos pares. com uma duração média de 7. Três deles foram apresentados inteiros.14) segmentos (n total de segmentos = 110). 57 . Possuíam a média de quatro segmentos cada.44%) restantes foram de alguma forma segmentados. As linhas em baixo da linha de tempo. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15min Figura 16.14 – Ver Metodologia. A Figura 16 mostra o exemplo de segmentação proposta para o uso de um desses audiovisuais.75 e Se 1. dos 54 programas analisados. apenas três eram propostos que fossem assistidos inteiros e eram audiovisuais de 30 minutos.50 minutos. representam os segmentos propostos pela equipe da Discovery. sendo que 18 deles foram fragmentados em duas partes. para completar um período de 60 minutos. Cada segmento tinha uma duração média de 20 (20. o programa “Tudo sobre Límulos”.43) minutos. pág 26). portanto com sobreposição. dois audiovisuais de 15 minutos foram apresentados de forma fragmentada. para trabalhar os conceitos selecionados.64 minutos (Sd 8. Os 51 (94.Apesar do tempo dos audiovisuais serem mais longos. Todos os 17 audiovisuais tinham em torno de três a quatro segmentos (n total = 59). cada um com uma duração média de 9. Os 35 audiovisuais de 50 minutos tinham uma média de três (3. Como um exemplo da forma proposta para o uso.

diretor da criação artística e literária da Unesco. Festival Image et Science Organizado pelo Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) em 1976. tradução nossa). Desde 1989 retornou definitivamente à França. Este fórum contou. entre outros.1. também conhecido como Image et Science. de confrontação e de projetos” (DEMEULE. Um modelo de inspiração. Fórum de debate de questões essenciais relacionadas à difusão da ciência. de Jean Rouch. ele agora esta sob a égide do CNRS e do Conselho Internacional do Cinema da Televisão e da Comunicação Audiovisual da UNESCO. de Enrico Fulchignoni. de diálogos. o Rencontres internationales de l’audiovisuel scientifique. em seu primeiro colóquio sobre “Audiovisuel et connaissance de la science”. do cineasta Roberto Rossellini. também conheceu o exílio por meia dúzia de anos na Itália e mais um par de anos nos Estados Unidos. 58 . presidente fundador da Associação Internacional do Cinema Científico. já em seu ano inicial.9. e desde 1990 tem como local físico das suas projeções nada menos que a Torre Eiffel. 2003. não se tem o valor de desvio e do erro padrão.Uma vez verificada a distribuição não normal. e tem como meta principal “oferecer aos pesquisadores e aos profissionais de mídias. IV. agora o Image et Science serve como referência às seguintes manifestações associadas: • International Scientific Film Festival (Beijing Festival) – China. presidente do Comitê Internacional do Filme Etnográfico e Sociológico. Tendo como pátria mãe a França. acomodou o primeiro Festival Internacional de Emissão Científica de Televisão. espaços privilegiados de descobertas. com a presença de Jean Painlevé.2. p.

ficando muitas vezes com 25 ou 26 minutos. em 425 audiovisuais 19. tendo os espaços supridos com propaganda de patrocinadores e/ou institucionais perfazendo a hora inteira da grade. ZDF. Discovery Channel. France 2. Chile. 19 59 . BBC. computado como individual.Bolívia. France 5. As classes E e F. Téléscience – Canadá. que abrangem os tempos entre 21 e 30 minutos.• • • • • Ver Ciência – Brasil. TV Globo. Este é um dos padrões de tempo utilizados nas grades de programação das emissoras comerciais e de muitas públicas. De um modo geral. Ver Ciencia . São estes os programas de meia hora. Colômbia e Equador. Verdere la Scienza – Itália. WGBH. Channel Four. os programas. gráfico inserido) mostra que ocorrem duas concentrações: uma nas classes E e F e outra maior nas classes a partir da I. NHK. France 3.. A análise do conjunto de audiovisuais desse acervo (Figura 17. Deutsche Welle.12% da produção. Hoje é cobiçado como uma vitrine de excelência por produtoras de peso em audiovisuais científicos. Nos últimos dez anos o festival exibiu a melhor seleção da produção de 59 países.. são editados para que se caiba a propaganda. National Geografhic. TV Cultura. com tempos de duração próximos a 30 min. sendo desta forma um bom representativo da composição temporal deste segmento da produção audiovisual mundial. Os audiovisuais independentes apresentados em bloco foram separados e seu tempo de duração. TV Ontário. representam 30. os quais são normalmente apresentados na grade de programação com outro programa de meia hora. tais como: Télé-Québec. Voir la Science – Iran.

25 25 20 1994-1998 1999-2003 20 15 10 5 % Audiovisuais 15 0 AB C D E F GH I J K LM 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 17. No gráfico inserido. a classe K é a maior. de 41 até 60 minutos. já que estes programas podem ser facilmente editados para aproximadamente 40 minutos e.47% da produção (Figura 17. nos qüinqüênios 1994-1998 (quadriculado cinza. suprir o tempo de hora inteira da grade de programação. Freqüência percentual por classe de tempo. Uma segunda concentração encontrada abrange as classes J-K. freqüência percentual de todos os audiovisuais.94% da produção. ou seja. n = 425. no período 1994 – 2003. perfazendo 48. com tempos entre 46 e 55 minutos. n = 210) e 1999-2003 (tracejado.12% do total de 60 . n = 215). Nestas “classes de hora inteira”. Podemos estender esta abrangência para englobar as classes de I até L. gráfico inserido). dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science. que representam 32. junto com as propagandas. com 22.

a metodologia contou como um só documentário “O Minuto Científico”. nove eram da TV Cultura de SP. ele ocupa a 7ª posição no ranking dos 59 países participantes. com uma primeira classe modal em F e uma segunda classe modal em K. cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho e dois da Futura/Fundação Roberto Marinho. Dos dois da Futura//Fundação Roberto Marinho. um era da série Globo Ciência. e um aumento das classes E. As redes de televisão estão presas a uma grade de programação que dita o tempo de duração dos programas por elas veiculados e. 105). Assim. em última instância. Uma análise sobre a constituição dos países participantes do Festival mostra que o Brasil 20 faz parte do seleto grupo dos dez países que participaram com mais de dez audiovisuais nestes dez anos. Com 16 audiovisuais apresentados de uma forma bem distribuída pelo período. A produção de qualidade brasileira vem mostrando uma perenidade. I e J. sendo que muitas já não existem mais. de 1997. Indícios de modificação deste perfil. C e G. nos levaram a separar o decênio analisado em dois qüinqüênios. F. pág. ao longo do período de veiculação desse acervo.audiovisuais apresentados. pertencentes a várias séries. acaba por pressionar a produção para se adequar a esse modelo. A distribuição de freqüências é do tipo bimodal. Dos cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho. com pelo menos um produto de excelência por ano (ver Apêndice D. Todos os programas brasileiros veiculados no festival no último qüinqüênio foram das classes comerciais E e F. ficam presas a esse padrão. 61 . 20 Para este cálculo. que em muitos dos casos são as próprias emissoras. quatro eram da série Globo Ciência e um da Globo Ciência Saúde. que passou a ser veiculada também por essa emissora. as produtoras. Dos 16 audiovisuais. A Figura 17 mostra que ocorreu uma diminuição de audiovisuais das classes A.

O curador da mostra nacional é José Renato Monteiro. numa realização da Associação Internacional Ver Ciência (AIVC) com o Centro Cultural Banco do Brasil/Rio. Porto Alegre. que vem contando. e é associado ao Rencontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique – "Image et Science". junto com a rede educativa.Sessão Brasil Coordenado por Sergio Brandão e José Renato Monteiro. Florianópolis. desde 1996. Assim.10. tanto da Sessão Brasil. dentre as quais estão Vitória. O primeiro é que existe duas 62 . que também é membro do júri do Image et Science. vem exibindo semanalmente os melhores programas das mostras Ver Ciência dos anos anteriores.1. A TV Cultura.2. o Ver Ciência reúne produções de divulgação científica nacional e de diferentes partes do mundo. foram divididos em dois períodos de cinco anos. Mostra Ver Ciência .IV. O Projeto está sendo desenvolvido com este formato há dez anos. quanto da Internacional. por questões operacionais. Campo Grande e Curitiba. Também as análises iniciais dos dados dos catálogos da Mostra Ver Ciência sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período. foi dividida em Sessão Brasil e Sessões Internacionais. Estes audiovisuais também são veiculados na TV Escola e são bons representantes da produção nacional neste segmento. nessa dissertação. e o curador internacional é Sergio Brandão. os acervos. passando por 16 cidades brasileiras. com o patrocínio nacional da Petrobrás e com o apoio do Ministério da Cultura. São Paulo. A mostra conta com a exibição integral dos documentários em 11 instituições parceiras do projeto no Rio de Janeiro e em mais cinco instituições em outros estados. O Ver Ciência. O perfil de tempo dos dois períodos analisados na Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil apresenta dois eventos marcantes.

uma queda de 56.58%. As classes E e F aumentaram em. Freqüência percentual por classe de tempo. n = 204) e 2000-2004 (tracejado. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza. 63 . a representatividade dos audiovisuais da classe A passou de 39.concentrações de audiovisuais. O segundo fato é que a classe A sofreu uma diminuição no último qüinqüênio.65%. respectivamente. uma na classe A (classe modal) e a outra nas classes E e F.22%. 40 35 30 1994-1999 2000-2004 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 35 30 25 20 15 10 5 0 AB C D E F GH I J K LM 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 Classe de tempo em minutos C D E F G H I A B J K L Figura 18. enquanto as classes E e F tiveram um aumento (Figura 18).112. Gráfico inserido 1999-2004 (n = 339) Apesar da facilidade de produção e diversidade de uso.61% e 60. o que sugere um esforço no sentido de satisfazer as exigências das grades horárias das redes de televisão. ou seja.22% do total para 22. n = 135).

25 20 15 1994-1999 2000-2004 20 10 5 % Audiovisuais 0 A B C D E F GH I J K LM 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 19.2. a maior. n = 324) e 2000-2004 (tracejado.11.84% dos audiovisuais desse acervo. n = 268). Gráfico inserido. outra na classe F e. as sessões internacionais do Ver Ciência são um bom representativo da produção internacional. Freqüência percentual por classe de tempo. no segmento de audiovisuais voltados para a divulgação da ciência. O perfil das Sessões Internacionais apresenta três concentrações quanto ao tempo de duração (Figura 19). Uma concentração de audiovisuais pode ser observada na classe B. 1994-2004 (n = 592) 64 .1. Mostra Ver Ciência . dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza. com uma representatividade de 50. na categoria de média-alta duração (a partir da classe I).IV.Sessões Internacionais Com um total de 592 audiovisuais representando 49 paises.

Sessões Internacionais. Mas. de acordo com o teste estatístico (p bicaudal igual a 0. IV. em 20 de dezembro do mesmo ano. já que neste último. ocorrendo o oposto no Image et Science. esta prática foi analisada a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação.2.O perfil do Festival Image et Science não é significativamente diferente do encontrado na Mostra Ver Ciência . Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II O Colégio Pedro II foi fundado em 2 de dezembro de 1837 e oficializado. buscamos verificar o discurso do professor do Colégio Pedro II acerca da utilização do audiovisual científico como recurso didático. Mesmo após mais de 1.Sessões Internacionais possui mais audiovisuais na classe B e menos na classe K. 65 . só são veiculados audiovisuais que tenham sido previamente veiculados em redes de televisão. Este conjunto de resultados sugere a existência de diferenças entre os padrões de tempo dos audiovisuais de divulgação e aqueles voltados ao ensino. por Decreto Imperial. Posteriormente. Seção 2 – Professores e Especialistas Uma vez caracterizado o perfil de tempo dos audiovisuais (audiovisuais de projetos didáticos e de divulgação científica) que poderiam ser utilizados pelos professores. Isso se deve ao fato do Ver Ciência conter alguns programas que não se enquadraram nas exigências do Image et Science.1. Consagrado até a década de 50 como “Colégio Padrão do Brasil”.5 século de existência.2. se compararmos as Figuras 17 e 19 podemos observar que o Ver Ciência . IV.4348).

Visconde de Taunay. em alguns casos. Antonio Houaiss. as aulas de ciências e biologia possuem tempo duplo (uma hora e 40 minutos). tornando-os capazes de responder às transformações técnicas. em 1998. culturais. Como característica no Colégio Pedro II. Prudente de Moraes. É uma autarquia federal e funciona em três turnos em seis bairros da cidade do Rio de Janeiro. por ser uma unidade em implantação. Hermes da Fonseca. Euclides da Cunha.religiaodedeus.htm Acesso em 27/12/2004 Texto baseado em informações obtidas em: http://www.org. oferecendo ensino fundamental e ensino médio.br/index1.g12. Manuel Bandeira e Aurélio Buarque de Holanda.cp2. Dentre os notáveis alunos. Segundo a instituição. os professores utilizam a sala de audiovisual de outra instituição. Evanildo Bechara. Alziro Zarur.htm acesso em 29/08/2004 22 21 66 . além de cursos técnicos na área de Informática.br/historico/historico. José de Paiva Netto. como: Barão do Rio Branco.recebeu.php?cs=C_CDG_SECAO_ULTIMAS_NOTICIAS&sp=8663 acesso em 26/06/2005 23 Texto baseado em informações obtidas em: http://www. Domingos Meirelles entre outros 22. Afonso Arinos de Melo Francos. Manoel Bandeira.br/interna/interno. pode-se citar: Àlvares de Azevedo. Pedro Bloch.cp2. Informações disponíveis em: http://www. Seu corpo docente é de qualificação inquestionável. Seis das sete unidades pesquisadas possuíam suporte técnico para audiovisual composto por sala de audiovisual. Adolpho Bloch.g12. e alguns nomes que ocuparam esse quadro são até hoje lembrados. o prêmio Qualidade do Governo Federal por seu projeto de qualidade total na área de educação. videocassete e TV de 29 polegadas e. emocionais e sociais do mundo de hoje 23". Nilo Peçanha. Mário Lago. sua missão é: "educar crianças e adolescentes. Na unidade de Realengo. De seus bancos escolares saíram gerações de homens ilustres que engrandeceram e dignificaram o país 21. Washington Luís. acervo de fitas diversificadas.

Entre os professores que faziam uso de audiovisuais em suas aulas.82% Número de professores 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 SIM NÃO 18. normalmente cientistas. cujos autores. Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II (n = 33). Apenas um professor citou o gênero “didático-científico”. do Laboratório de Ultraestrutura Celular. Em entrevista concedida em 2004. a maioria declarou preferir o gênero documentário (Figura 21).diz possuir um grande acervo de audiovisuais científicos. 24 67 . Marlene Benchimol.Os professores das unidades do colégio Pedro II foram entrevistados tendo como base um roteiro de perguntas. A maioria expressiva dos professores declarou usar o audiovisual como ferramenta didática (Figura 20) e os que não usavam geralmente relatavam impossibilidades circunstanciais. referindo-se aos audiovisuais do acervo de Marlene Benchimol 24. como descrito na metodologia (pág 28). da Universidade Santa Úrsula.18% Uso do audiovisual Figura 20. a Profa. 28 26 24 22 81. Dra. lhe autorizaram o uso para fins educacionais.

59% N ero de professores úm 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 3.26 24 22 92. didáticos e reportagem (Figura 22).70% Documentário Didático-Científico 3. 25 68 . Um dos professores relatou outros dois gêneros. Freqüência de gêneros de audiovisuais utilizados pelos professores Colégio Pedro II (n=27). O percentual é calculado sobre os 25 que usam o documentário.70% Não respondeu Gênero Figura 21. 13 25 declararam fazer uso. também. Entre os 25 professores que utilizavam o gênero documentário em suas aulas. de outros gêneros de audiovisuais. como: filmes. animação.

00% 16.66%) da amostra não fazem uso de audiovisuais didáticos (Figuras 21 e 22).96%) declarou ser de acervo próprio (Figura 23). os resultados sugerem que. Muitos professores relataram possuir um acervo pessoal bem composto para usos específicos.6 Número de professores 5 4 3 2 24. 69 .00% 12. Mesmo assim. mas em outras o acervo era bem diversificado. pelo menos. Entretanto. 18 professores (66. a maioria (62. Algumas unidades do colégio possuíam um acervo sucinto. considerando que os documentários.00% 4. quando questionados sobre a procedência dos acervos utilizados.00% 1 0 F ilm e A n im a ç ã o D id á t ic o R e p o rta g e m G ê n e ro Figura 22. filmes e reportagens citados têm o caráter de divulgação. não foi possível identificar os audiovisuais de animação como didáticos ou de divulgação. A partir dos depoimentos dos professores. Outras opções de gêneros de audiovisuais utilizados em sala de aula pelos professores que declaram fazer uso de documentários (n=25).

apenas oito professores afirmaram exibi-los integralmente. 26 Os percentuais são aditivos.63% F ra g m e n ta o a u d io v is u a l Figura 24.52% 11. pois os professores em alguns casos usavam mais de uma fonte.96% 48.15% Número de professores 12 10 8 6 4 2 0 A c e r v o p r ó p r io A c e r v o c o lé g io L o c a d o ra O u tra s fo n te s 18.37% Número de professores 14 12 10 8 6 4 2 0 S im Não 29.11% F o n te Figura 23. Práxis didática relativa à fragmentação dos audiovisuais (n=27). 20 18 16 70. A maioria (19) preferia trabalhar os audiovisuais de forma fragmentada (Figura 24). Procedência dos acervos 26 utilizados pelos professores (n=27). 70 .18 16 14 62. Ao responderem sobre a forma de utilização dos audiovisuais na sua prática de ensino.

seja pausando ou cortando trechos.A análise dessas respostas deixa claro que a prática de fragmentar os audiovisuais. compatível. entre os professores entrevistados. Esta preferência justifica o uso de documentários. os professores relataram uma preferência por produtos desenvolvidos originalmente para televisão (Figura 25). 71 . Partindo do princípio que estes materiais são confeccionados para atender um público seleto.37%) utilizam material de bom nível técnico. e normalmente produzido pelas grandes redes internacionais de televisão. é muito usada entre os professores do Colégio Pedro II. podemos supor que. Fontes do material audiovisual produzido para televisão utilizado pelos professores (n=27).15% 12 Número de professores 10 8 6 22. 14 48. Questionados sobre a fonte do audiovisual.22% 4 2 0 1 National Geographic Discovery Channel F o n te s BBC Editora Globo Etc. 2 Figura 25. 18 (70. filmes e/ou reportagens pela maioria desses professores (Figuras 21 e 22).

claro. Foi um dos três consultores que selecionou o acervo 72 . embora não tivesse. em vez de aborrecer. Divulgadores e Consultores.2. para entender as possíveis razões da preferência dos professores por audiovisuais de divulgação na prática didática. Entrevistas com Produtores. 18 apud GRUZMAN. movimentado. Já em relação ao Vale Vídeo. 1980. O INCE. lógico no encadeamento de suas seqüências. o que talvez tenha levado à concentração observada na Figura 03. Para isto. sem dubiedades para a interpretação dos alunos. procuramos obter mais informações junto às fontes produtoras. Assim. professor universitário e atualmente diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do MCT. físico. minucioso. e por serem temas com poucos conceitos.2. uma diretriz explícita para limitar o tempo. p 76). entrevistamos Ildeu de Castro Moreira. porque no dinamismo existe a primeira justificativa do cinema. produziu audiovisuais de curta duração. 2003. realizamos entrevistas com produtores de audiovisuais nacionais e/ou internacionais e consultores de projetos didáticos. em 2004. detalhado. Com essas diretrizes. p. Uma das razões desta limitação pode ser encontrada nos “postulados de Roquette-Pinto” para a produção desses audiovisuais. para atrair. que também concentra vídeos na faixa de curta duração.IV. é evidente que a narrativa deveria ser rápida. (CÉSAR. pelo menos durante a gestão de RoquettePinto. A análise dos audiovisuais disponíveis para uso no contexto escolar mostrou a tendência de agrupamento de audiovisuais curtos nos acervos didáticos e a prevalência dos mais longos nas mostras de divulgação científica. Nítido. interessante no seu conjunto estético e nas suas minúcias de execução.

pelo menos no início do projeto. “Foi absolutamente intencional. Em sua maioria. De fato. o tempo de duração acabou sendo restringido. havia essa predileção. era uma diretriz. além. particularmente. os programas de Ciências veiculados na TV Escola 73 . Em primeiro lugar. mesmo não sendo uma diretriz por parte destes três consultores. aspectos mais fáceis de serem encontrados em audiovisuais mais curtos. ele é apenas um suporte da aula e o tempo da aula é de 45-50 minutos. leva a uma linguagem mais dinâmica. e que tivesse um caráter mais interessante”. atualmente curador da mostra nacional do Ver Ciência e um dos criadores do projeto inicial do Vídeo Escola. que ao ser evitado. é claro. pois se era o vídeo no ensino. e é nesse tempo que o vídeo tem que acontecer e ser explorado pedagogicamente. entrevista) também diz que a TV Escola herdou muito do Vídeo Escola. mais interessante. como consta no catálogo. Moreira complementa: “Eu.. Segundo entrevista concedida. 24 dos 78 audiovisuais do Vale Vídeo e 18 dos 83 audiovisuais do catálogo Vídeo Escola foram editados. Alguns audiovisuais também foram divididos em dois episódios. havia a possibilidade de editar também. segundo Moreira. de pegar trechos. em 2005. buscava valorizar um pouco mais vídeos que tivessem menos informação condensada. os profissionais que migraram para o novo projeto didático. Vídeos muito grandes. quando eu via um vídeo mais curto. e não passar inteiramente”. É importante registrar que todos os audiovisuais editados foram produzidos para TV. Uma das causas dessa restrição é o excesso de informação. da seleção de audiovisuais que acabou sendo utilizada pela programação. desfecha uma afirmação contundente. Assim. a concentração de vídeos de curta duração. por José Renato Monteiro.. Então um vídeo de 15 minutos é maravilhoso!” Monteiro (2005.de audiovisuais do projeto: “Certamente. Quando questionado da curta duração.

que é o vídeo”. A idéia eram blocos muito curtos que pudessem ser lidos independentemente ou que compusessem um todo. com 113 programas. Então. Barros (2004. como a francesa Centre National de Documentation Pédagogique (CNDP). o movimento de rotação. diz na entrevista que seus audiovisuais têm basicamente entre 10 e 15 min. Relata a experiência do audiovisual de 15 minutos Movimentos da Terra. o professor poderia destacar um desses pequenos blocos. “A idéia é que. diretora do Festival image et Science: “Os canais de televisão privilegiam o tempo de 52 minutos. que com a publicidade completa uma hora”. não comprometendo o tempo de aula Poderia explorar com as imagens e com o texto. o professor passaria somente 3 min de audiovisual. entrevista). Sergio Brandão (2005. com 72 programas. por exemplo. normalmente. entrevista). produtor de audiovisuais e curador da mostra internacional do Ver Ciência.são oriundos de produtoras internacionais de grande expressividade e experiência na produção de material didático e. pegando um dos movimentos da Terra. entrevista). o conteúdo da aula que estaria sendo dada. 74 . numa sala de aula. que é composto por blocos que são autônomos. ou a americana Coronet. também confirma esta preferência: “A televisão européia procura produzir programas de 50 a 60 minutos”. Já os audiovisuais produzidos para a divulgação em televisão se caracterizam por ter um tempo de duração mais longo e as entrevistas a seguir sugerem algumas razões para esta característica: Segundo Annick Demeule (2004. fazem parte de grandes séries de pequenos programas. de aproximadamente 3 min. físico e professor titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e produtor independente.

Porque 15 minutos é muito pouco para se falar de um assunto mais profundo”. 75 . pedagoga e produtora do programa Expedições. é muito bom. enquanto os audiovisuais produzidos para divulgar ciência se ajustam ao gradeamento das grandes redes de televisão. A princípio as entrevistas mostram que a tendência observada em concentrar audiovisuais de baixa duração nos projetos didáticos parece estar relacionada ao seu uso específico em sala de aula. explica: “O nosso formato. de 25 minutos. porque ele não deixa no telespectador aquela vontade de ver mais.Paula Saldanha (2005. entrevista). veiculado na Rede Brasil de emissoras educativas.

(SERRANO. Como exemplo. que podem e devem ser utilizados no auxílio do processo educativo. [. feitos especificamente para o ensino e acompanhados de material de suporte. Cinco minutos bastam para a explicação preliminar. temos os audiovisuais da De Vry. este trabalho teve início buscando identificar o perfil de tempo dos audiovisuais disponíveis aos professores do ensino médio e fundamental. p. 106). O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências Dentro do universo de audiovisuais analisados. INCE.1. pág. DISCUSSÃO A utilização de audiovisuais para fins educativos é anterior à década de 30. com a necessaria discussão de cada ponto.. Vídeo Escola. e parte dos da TV Escola) mostrou uma tendência clara para produtos de curta duração (tempo de duração até 15 minutos). As tecnologias utilizando imagens evoluíram muito ao longo do tempo e hoje temos à nossa disposição o audiovisual em várias mídias (Apêndice E. as características de audiovisuais necessárias para a boa utilização em processos educativos não foram ainda sistematicamente analisadas. V. Depois o professor exhibe o filme durante uns dez a quinze minutos. A maioria dos audiovisuais produzidos ou selecionados com finalidade didática (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal. já havendo a preocupação com o tempo de duração. foram observadas nítidas diferenças de acordo com a finalidade. Neste sentido. Por outro lado. 26). os audiovisuais 76 .. 1930. Por fim são feitas perguntas methodicas sobre o que os alumnos viram.V. que compunham a nossa amostra. Vale Vídeo.] para uma aula comum de três quartos de hora. No entanto.

Mostra Ver Ciência Sessões internacionais. Embora se observe uma tendência internacional em produzir audiovisuais de divulgação científica de duração média-baixa e média-alta. Esta tendência podem ser explicada em parte por questões de ordem técnica. os produtores nacionais concentram sua produção em audiovisuais de duração média-baixa. Esse perfil pode estar relacionado à dificuldade no dinamismo narrativo apontado anteriormente por Saldanha. Mostra Ver Ciência Sessão Brasil. 77 . puderam ser explicadas através das entrevistas com produtores nacionais e internacionais e divulgadores de ciência. os depoimentos dos produtores e consultores de projetos didáticos deixam claro que o tempo dos audiovisuais é ajustado para as necessidades de um professor em sala de aula. Assim. Discovery na Escola) apresentavam média duração (média-baixa 16-40 e média-alta 41-60 minutos). Estas diferenças.produzidos para a divulgação da ciência (Festival Image et Science. que tem em torno de 40 a 50 minutos para trabalhar com seus alunos. Tanto os produtores nacionais como os internacionais envolvidos com a divulgação da ciência. porque no programa de uma hora nós temos que fazer um esforço muito grande para manter o espectador atento diante da televisão”. De fato. conforme declaração de Paula Saldanha (2005. a produção de um audiovisual de média-alta duração com uma qualidade aceitável e que agrade a audiência obviamente esbarra no fato do aumento dos custos de produção. entrevista): “Uma hora é demais.85%). entre os produtos destinados ao ensino e à divulgação científica. Por outro lado. podemos observar que os programas de hora inteira são raros na produção nacional voltada à ciência (8. ajustam os seus audiovisuais ao gradeamento das emissoras de televisão.

a pressão maior estaria relacionada aos custos de produção. Thierry Berrod 27 (2002). No Festival Image et Science. Para os produtores nacionais. “o custo habitual para produzir um documentário com valores de produção do estilo da Discovery varia de US$100. o grande quinhão é formado por audiovisuais de média-alta duração. mas lembra que esta instituição arrecada cerca de 5 bilhões de dólares por ano. Este fator pode explicar a maior freqüência na produção de vídeos de média-baixa duração e de vídeos de curtíssima duração nos acervos nacionais.. a julgar pela concentração de vídeos em tempos de média-baixa e média-alta duração. sobre isso. os valores são em dólares americanos). 27 78 . estão também sujeitos à grade das grandes redes de televisão. foi evasivo.000” (Tradução nossa. p 11). Entretanto. A receita para este ‘milagre’ passa provavelmente pela linguagem e. os profissionais da Série Horizon da BBC indicam um dos caminhos. apenas investimentos em equipamentos e em viagens para locações remotas não conseguem segurar o telespectador diante da TV assistindo a um programa de ciências de até uma hora de duração. em função da falta de recursos. segundo Chris (2002. entrevista) também relata a dificuldade para obter esta informação junto aos produtores da BBC. Monteiro (2005. durante a produção do episódio “Carnivorous Ants”. Saldanha (2005. diretor da série Squatters.. da série Squatters. que é produzida e veiculada pela Discovery. apesar do alto investimento na produção. principalmente o ‘leigo’ ou o estudante. que necessitam de maiores investimentos de produção.Quando questionado sobre o custo da produção. Comunicação pessoal ao autor desta dissertação.000 até US$500. entrevista) afirma que um documentário da National Geographic custa aproximadamente 300 mil dólares e. Os produtores internacionais.

impressionar. e sim contando com criatividade e inovação. Apesar disso. 28 79 . p. “o Globo Ciência não conseguiu se firmar como um programa televisivo de divulgação científica de qualidade. Os documentários de Ciências têm que ser construídos como dramas. entrevista) complementa Barrett. Matthew.[.] a televisão é ótima para criar climas. De fato. este tipo de esforço não tem garantido uma perenidade e tem causado flutuações de qualidade.. A Série Horizon. já transpôs quatro décadas de grande audiência nos lares britânicos.. p. mas nem sempre às custas de pesados investimentos. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil. Sessão Brasil. obviamente com a manutenção da integridade da informação científica. que em 2004 completou 20 anos. confirma a manutenção dessa diretriz da dramatização. na 10ª mostra Ver Ciência. 1997 apud Monteiro e Brandão. Matthew Barrett 28. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. Segundo Moreira e Massarani (2002. O atual diretor da série. criar motivações. 97). a fim de comportarem os cortes de inserção de propaganda. como um aliado poderoso na tarefa de manter atenta a audiência. da BBC. 60). (LYNCH. Isto tem sido observado mesmo em séries de longo histórico na nossa televisão. Seus programas são normalmente editados para duração de 46 minutos. A história (que é contada) é tudo. Rio de Janeiro: 2 set. 2004. Os programas exibidos no Ver Ciência. Moreira (2004. como o Globo Ciência. atestam que a televisão brasileira está se esforçando para melhorar a qualidade de suas produções. observa-se que redes comerciais como a Discovery trabalham em uma grade de padrão horário inteiro. definir personagens. Tem alternado fases de maior e menor audiência e mudado periodicamente de formatos e objetivos”. 2002. Em outras palavras: construir drama.

parece ter sido constante o investimento na atualização da linguagem. para a rede Globo de televisão. 109). 29 Alguns destes programas são exibidos em blocos dentro de um contexto maior na grade de programação e outros são exibidos individualmente. passando a usar humor e ficção para conquistar a audiência. no período entre 1987 e 1991. foi o período mais premiado do Globo Ciência (Anexo A.7). o programa mudou novamente o formato. existe ainda espaço para vídeos de curtíssima duração 29 (até cinco minutos de duração). caso do Minuto Científico agraciado com várias premiações (Anexo B. e Insetos & Cia da Verde Vídeo e Vídeo Ciência. cuja empresa produzia esta série. Prêmios internacionais e nacionais atestam sua qualidade como veículo de difusão dos conhecimentos científicos. fechando grades de curta e média duração. são conhecidos como interprogramas. 80 . desde cedo. Algumas destas séries são de alto nível. pág. 108). p. mesmo às sete e meia da manhã de sábado". Soluções Científicas do Departamento de Tecnologia Educacional da TVE Rede Brasil. Apesar da janela de apenas cinco semanas. Em 1999. pecado mortal numa emissora comercial. pág. Entretanto. o que nas emissoras comerciais se materializam nas pesquisas de audiência. Estas mudanças de formato indicam para uma tentativa de melhora. não poderia afirmar o mesmo. "O programa perdia público. O Globo Ciência. Segundo Barca (1998.dizendo que parte deste problema explica-se pela apertada janela de produção de apenas oito semanas. Atualmente. Embora haja esta programação preponderante das emissoras. Brandão (2005. no intuito de manter a audiência junto ao seu público. teve reconhecimento. No segundo caso. utiliza o formato caracterizado por um locutor que viaja a procura das informações científicas. São exemplos destas produções: Academia Amazônia da Universidade Federal do Pará (UFPA). entrevista). Minuto Científico e X Tudo da TV Cultura SP. de forma independente.

Apesar da diversidade de uso. tal como ambientes de educação à distância. por força da intensa influência da grade de programação das emissoras. Assim. Os poucos professores que não utilizam. que são os grandes consumidores destes produtos. e considera que as atividades de laboratório são mais importantes que o uso do audiovisual. fisiologia e genética.2. Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II Nas unidades do Colégio Pedro II existe um uso relativamente freqüente do recurso audiovisual. e sempre trabalhou em laboratório. Este professor tem como 81 . Apenas um professor relatou que não gosta de usar. Esta tendência enfatiza a forte influência das grades de programação das emissoras de TV. histologia. nossos resultados indicam uma tendência de crescimento da produção de audiovisuais nas faixas comerciais e de diminuição nas faixas de duração curtíssima. montou um laboratório de microscopia bem equipado no colégio. Como é um professor que começou lecionando há mais de trinta anos em universidades na área de zoologia. uma boa parte dos audiovisuais disponíveis aos professores é produzida para divulgação e com tempo de duração incompatível com o tempo de aula. Mas consideramos ser oportuno registrar o ponto de vista desse professor que “não usa nem quer usar” o audiovisual antes de abordar a prática de ensino dos professores que utilizam o audiovisual. V. onde ministra aulas de citologia. normalmente são por questões circunstanciais. são capazes de manter uma boa “taxa de informação” podendo ser usados em ambientes e meios diversos. quando bem produzidos.Os audiovisuais de curtíssima duração.

eu tenho um microscópio para cada aluno. Apesar da existência de filmotecas nas unidades do Colégio Pedro II os professores que utilizavam audiovisuais davam preferência aos de divulgação científica em detrimento aos didáticos. Portanto. No vídeo ele é um assistente [.. tanto nos canais fechados como nos canais abertos. então ele não traz para o aluno a curiosidade do inédito [. Você vê em um Globo Repórter que fala da fecundação. ele desenha. De modo geral. já está explorando muito isso. fora dos 82 . Esta constatação foi inesperada. Questionado sobre a possibilidade de produção de audiovisuais na sua área.. pois os vídeos internacionais são de duração média-baixa e média-alta. A televisão. os outros professores acabaram por aderir ao uso do audiovisual. Eu vejo os olhinhos dos alunos brilharem mais numa aula de microscopia do que numa aula de vídeo” (Professor 08).. A maioria declarou ter como material básico o gênero documentário. ele mexe. que é um gênero mais encontrado nas produções internacionais voltadas para a televisão. Ele vê. o Fantástico mostra uma exceção de um fato que ocorre com um bicho” (PROFESSOR 08). ele comenta. ele é um participante do processo.. no domingo.]. E complementou falando que existem poucos vídeos nessa área.] eu acho que há 10 anos o vídeo tinha uma utilidade muito mais importante do que hoje. Para nós professores a segunda feira é muito difícil quando.].conceito de audiovisual de boa qualidade “um vídeo que não cometa erros ou que mostre exceções. quando uma aula de microscopia chega muito mais ao interesse do menino [. “Esse tipo de atividade já está se esgotando... vídeos lindos que se popularizam.

Entretanto. Na realidade. os professores do Colégio Pedro II estavam transformando. à semelhança do método utilizado pelos professores do Colégio Pedro II. o filme acontecia e eu. Alguns depoimentos dos professores são esclarecedores sobre a forma como era feita a fragmentação do material. adaptou seus produtos. atestando uma prática empírica. que são resgatadas durante a apresentação. por exemplo. não deixava o filme correr na íntegra. não sei se estava certo ou errado.padrões preconizados pelos produtores e consultores didáticos por serem de difícil exibição dentro dos limites impostos pelo tempo da aula. Quando eram filmes mais longos. 83 . (Professor 02). discutia com os alunos as questões. o projeto Discovery na Escola. Exatamente. fragmentando-os em tempos mais curtos. os vídeos de divulgação científica em vídeos educativos ao mudar sua linguagem através de interrupções controladas. Na prática. No final. intuitivamente. com o controle remoto na mão. pausando umas 10 vezes. Esta prática observada entre os professores do Colégio Pedro II se aproxima do modelo preconizado pelos produtores e consultores de projetos didáticos. O professor 04 apresenta audiovisuais de 30-35 min. Às vezes ele tinha 10 min. a mesma técnica utilizada atualmente por produtoras internacionais que recentemente passaram a produzir audiovisuais para a educação. discutindo e usando anotações feitas em sala. quando questionados quanto à sua forma de utilização em seus objetivos educacionais verificou-se que a grande maioria fragmentava a apresentação para questionar seus alunos ou inserir comentários (Figura 24). “Eu procurava calcular o tempo do vídeo. O professor 21 relatou que apresenta um audiovisual de 50 min. quando dão preferência a audiovisuais de curta duração. mas sempre deu certo”. Então era o meu método.

vai parando para detalhar. Então eu paro em pontos pré-selecionados e. e que conhece bem a linguagem audiovisual e suas potencialidades. mas não só por esse motivo como também para manter a atenção do público. no final. Outro professor relata: “na medida em que o filme vai passando e a gente tem o recurso do pause. O professor 12 relatou a forma diferenciada que utiliza audiovisuais de duração diferente: “Se é curto. mais experiente.pausando e discutindo. vou interrompendo”. passo integralmente e debato depois. Se for longo. 76). (Professor 06). quando tem conteúdo denso e sutil.. muitas vezes a gente não tem um público que está ali porque está interessado [. descreve sua prática de ensino: “Inicialmente dá-se uma explicação do que vai ocorrer e eles vêem o vídeo. de 10 a 15 min.] 84 . Apesar de responder afirmativamente. Essa prática condiz com o tutorial da De Vry da década de 20 (ver pág. A dinâmica da entrevista permitiu aprofundar essa abordagem quando questionamos se as paradas. eu costumo dar umas paradas em alguns trechos e na imagem congelada. com uns 15min (não passo vídeo de muito mais) e depois a gente discute”. porém. em pontos considerados estratégicos. que eu selecionei. porque tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio. isto para audiovisuais de 35-40 minutos. que geralmente é curto. costumo fazer um debate”. e para isso faz quatro ou cinco pausas durante a apresentação. O professor 27.. inseriu em sua declaração um outro aspecto relevante: “Correto. eram necessárias para evitar que a grande quantidade de informações que está sendo colocada seja perdida. e que também produz audiovisuais com seus alunos. faço o comentário para reforçar aquela relação com o assunto que ele viu ou está vendo em sala de aula. O professor 17 relata que passa direto e trabalha depois.

para manter a atenção deles. Eu vou parando e dando explicações rápidas. e depois passo outro bloco” (Professor 18). faço comentários. porque eu descobri que se a gente passar um vídeo direto. eles não ficam tão atentos quanto se eu for parando e explicando. Apenas um dos professores (Professor 18) tinha a possibilidade de editar os seus audiovisuais e o fazia seguindo critérios relatados: “Uso documentários e faço uma seleção das cenas de acordo com o conteúdo. sem que seus alunos dispersem. paro. O professor 31 deixa bem clara a inquietude dos adolescentes e fala da sua “descoberta”: “O aluno de ensino médio é muito inquieto. para fazer algum comentário.Eu estimo de seis a oito paradas. (Professor 06). em vídeos de 50 min”. faço perguntas. Eu coloco em um vídeo de 35min. Todos esses relatos e outras declarações menos explícitas deixam clara a preocupação destes educadores em manter uma aula dinâmica. temos: √ Use e abuse dos recursos do vídeo. Se a turma é bem receptiva ao vídeo. faço comentários rápidos durante a apresentação. apresentados nas edições impressas do Vendo e Aprendendo da TV Escola. mesmo que rapidamente”. (grifo nosso). aí eu dou um bloco. reveja o mesmo trecho com a classe quantas vezes for preciso. congele a imagem. Entre os 10 conselhos de como utilizar o vídeo em sala de aula. mas se o pessoal está mais disperso. durante a exibição: avance a fita. enquanto a fita passa. Nesses depoimentos podemos ver a flexibilidade da prática de ensino. que se ajusta à receptividade da turma. 85 . eu deixo ele correr.

Quando perguntados sobre “qual a fonte do audiovisual utilizado?” (Figura 25). mantenha-os curiosos. (ARATANGY. 70. Dentro dessa macroestrutura de colagens. Apresente-o em ’capítulos’. Estes acervos foram geralmente produzidos para atender às necessidades das redes de televisão. p. tal como nas narrativas literárias contemporâneas (Vide O Jogo da Amarelinha. um pouco cada dia. Se os intervalos que fragmentam um programa de tevê fossem suprimidos e os vários capítulos diários fossem colocados em continuidade numa mesma seqüência. enquanto outro oferece pouco interesse. 6). cada fragmento tem relativa autonomia. e levam. √ É possível que um pequeno trecho renda uma boa discussão e traga novas informações. crie suspense. acaba cedendo à sua fragmentação por força da inquietude que emana do aluno. peça para os alunos tentarem antecipar o que irão ver. Ninguém suportaria uma novela de tevê que fosse apresentada de uma só vez (mesmo que de forma compacta). p.37% dos professores entrevistados têm seu “arsenal” composto de audiovisuais de bom nível técnico. não hesite em ‘pulá-lo’. 1988. de Cortazar). o professor. Assim. o interesse do programa cairia imediatamente. 109-110). na sua essência.√ Se o vídeo for longo. 2001a. permitindo que. mesmo que alheio a este detalhe da linguagem da imagem. o ato de fruição possa começar em qualquer ponto a se interromper a qualquer momento. a linguagem fragmentada deste meio audiovisual. sem interrupções e sem os nós de tensão que viabilizam o corte. nesse caso. pois ele foi concebido para ser decodificado em partes e simultaneamente com outros programas. não se preocupe em exibi-lo de uma vez. sem que isso afete fundamentalmente a percepção do todo (MACHADO. Este comportamento em sala de aula talvez ocorra pelo não cumprimento dos rituais que foram aprendidos em longas horas de treinamento frente a um aparelho 86 . segundo os seus próprios discursos.

quem sabe sem perceberse disso.. presença ou ausência de “treinamento”. “A criança que começa a ver programas de TV vai. 67). Além dos limites impostos pela quantidade. (Aspas da autora).] o tempo é por si próprio o determinante central da atenção”. (Tradução nossa). Sobre o último item esses autores afirmam: “Os problemas em manter a atenção são comumente associados com a exigência atencional das tarefas que persistem por longa duração. “Essa divisão do tempo nos leva a concentrar a atenção durante os sete ou dez minutos de programa e a desconcentrá-la durante as pausas para a publicidade”. A autora também lembra que isso se torna um hábito e complementa: “Professores observam que seus alunos perdem a atenção a cada dez minutos e só voltam a se concentrar após uma pausa que dão a si mesmos. 332) também enfatiza esta dispersão e atribui suas causas a divisão da programação em blocos que duram de sete a dez minutos intercalados com comerciais. p.. Segundo Cohen e Salloway (1997. Dessa forma. Limites que podem comprometer a expectativa de aula de um 87 . 1997. a atenção depende de quatro fatores: 1) capacidade atencional. duração e forma das informações. como se dividissem a aula em “programa” e “comercial””. e 4) manutenção da atenção. porque manter o desempenho é acompanhado por uma considerável demanda de processamento [. 2) atenção seletiva. p. Chauí (1997. 3) seleção da resposta e controle da sua execução. podemos concluir que manter a atenção do aluno é uma tarefa difícil para o professor. 414). p. iniciando sua aprendizagem para ser telespectador” (OROZCO. o aluno tem limites neurológicos.de TV.

para ele. conceitos corretos. sugere que. as mensagens em som. aberto e mais compacto possível. Esse professor. a qualidade das imagens era muito importante e usaram expressões como: “boa fotografia. ele pode trabalhar. pois numa edição doméstica dificilmente pode-se ter uma locução aceitável. ele é o locutor. Aliás. “os vídeos que apresentam conceitos problemáticos podem ser usados para descobri-los. Podemos discutir a utilização dos audiovisuais também sob o ponto de vista do conteúdo. a seu critério. que editava seus audiovisuais. Assim. as características favoráveis num audiovisual são: “movimento. em conformidade com a matéria. Dos 26 professores entrevistados que usavam o audiovisual. com uma boa entonação? Ou uma locução ilibada nos aspectos de exatidão dos conteúdos? Segundo Moran (1995). relataram que o conteúdo é importante e usaram expressões como: “correto. imagem. em linguagem coloquial”. Assim. o que é compreensível. Nesse sentido a tarefa primordial para o professor é buscar o interesse dos alunos. e questioná-los”. junto com os alunos. ao desconsiderar o som (locução). pois agora ele é a autoridade que direciona e valida o conteúdo desejado. O professor 18. além de respeitar os limites individuais. a qualidade plástica e apelo visual”. a estética. O professor 25 diz: “sem erros. coloca o audiovisual constituído apenas da mensagem visual. 11 relataram que. o som não é tão importante” (Professor 18). dentre as características favoráveis de um audiovisual. o que vem a ser uma locução aceitável? Uma locução de boa qualidade técnica. mas se houver erro serve como exemplo para mostrar a dificuldade na transposição didática”. com uma abordagem clara e didática. Também em 11 depoimentos. fator básico para criar seletividade na atenção. relatou que desconsidera o som (locução) original. 88 .professor mais ambicioso.

os professores pesquisados. Produto este impregnado com padrão característico de duração e de linguagem e para o qual o educador necessita ajustar a sua práxis de ensino a fim de atingir os melhores resultados possíveis. via forma de apresentação. Historicamente este material sempre foi disponibilizado no formato de curta e curtíssima duração. pela própria programação que é gravada. permeou o segmento de audiovisuais educativos. através de projetos didáticos e vídeos colocados à venda. Este material parece seduzir o educador.Não podemos negar o grande esforço governamental/institucional ao disponibilizar ao longo das últimas décadas materiais essencialmente didáticos. tais como os projetos Vídeo Escola 30 e TV Escola. no seu ponto de vista. o desenvolvimento da televisão. 89 . por outro lado. Mas. a indústria da televisão. mormente a internacional. com sua linguagem característica e fragmentada e com seu padrão de gradeamento. ou diretamente. que acaba declinando o uso de um material de formato “mais propício” em favor de um material que. porém muitas videotecas de colégios possuem este material em acervo. Este fato pode ser observado no projeto TV Escola. O problema do tempo de duração dos audiovisuais utilizados para o ensino sempre foi uma preocupação dos educadores e produtores de audiovisuais para essa finalidade. indústria voltada para o entretenimento e a informação. só necessita ser trabalhado no quesito da duração. Assim. em que normalmente as preocupações eram centradas na exatidão das informações contidas. E uma das maneiras encontrada pela maioria destes professores para conseguir esses resultados parece estar baseada na utilização do 30 O projeto já está extinto. acabam usando um produto voltado para a divulgação. vem se aprimorando e lançando produtos de grande qualidade. seja indiretamente. Nas últimas décadas. principalmente no Vendo e Aprendendo.

a atenção dos alunos. focalizar as atenções no aluno. pode-se verificar que os professores do Colégio Pedro II. 31 Disponível em: http://discoverynaescola. em um próximo passo. Uma das formas de avaliar esta questão é. que são eleitos por eles. para reforçar a narrativa. pode durar entre 10 a 15 minutos de uma aula”. juntamente com as atividades de apresentação do mesmo. tem suporte na atitude de 82. além dos momentos para as reflexões construtivas. o sujeito do processo de aprendizagem. A proposta da equipe Discovery na Escola 31:é bem clara: “O vídeo. de fato. sem as quais muito se perderia nesse processo. Esta fragmentação do tempo dos audiovisuais.audiovisual de uma forma fragmentada. elegida por 70. no qual 94. assim.44% dos audiovisuais são fragmentados. Desta forma. passo essencial para a aprendizagem. Resta saber se a utilização de vídeos curtos ou de vídeos longos fragmentados é.pdf Acesso em 19/12/2004 90 . aproveitando pontos de corte moldados pelo contexto.com/port/download/pdf/act_video.37% dos professores do Colégio Pedro II. em sua prática de ensino. útil para o processo de aprendizagem dos alunos. utilizar os vídeos da maneira indicada pelos consultores e produtores. souberam. reconquistando.22% dos consultores didáticos do Vendo e Aprendendo da TV Escola e da equipe do Discovery na Escola.

têm um tempo de duração médio-baixo. ou curtíssimo. 5) Apesar dos limites de recursos impostos à produção nacional. de até cinco minutos. produzidos no Brasil. incorpora audiovisuais de divulgação em sua programação. 6) A opção dos professores pelos audiovisuais científicos de divulgação. têm linguagem própria para televisão. Etapas compreendidas 91 . 3) Os audiovisuais para divulgação científica. com linguagem própria para televisão. produzidos para televisão com padrão de qualidade internacional. A tendência verificada aponta para a consolidação dos dois padrões. entre 21 e 30 minutos. O projeto didático TV Escola. 4) Os Professores do colégio Pedro II parecem privilegiar o uso de audiovisuais de divulgação. na expectativa de motivar e prender a atenção dos alunos. com um tempo médio-alto. Existe uma tendência para a consolidação do padrão médio-baixo. normalmente entre 41 e 60 minutos. CONCLUSÕES Os resultados obtidos na busca de caracterizar o perfil dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e a sua utilização no contexto educacional. normalmente entre 21 e 30 minutos. já em 1996. os responsáveis pelos projetos didáticos brasileiros parecem estar atentos às necessidades e preferências dos professores. a nível mundial. 2) Os audiovisuais para divulgação científica. ou médio-baixo.VI. indica a busca de qualidade de imagem e de linguagem mais dramatizada. permitem concluir que: 1) Os audiovisuais produzidos para fins didáticos têm um tempo curto.

como necessárias para efetivar. 10) Mais interessante é esse procedimento padrão. construído a partir de vivências didáticas e pedagógicas diferenciadas. esses professores são capazes de lançar 92 . diante da grande disponibilidade de audiovisuais didáticos. Ao serem produzidos para atender às grades de programação da mídia televisiva. segundo declarações dos professores entrevistados. 11) A análise do conjunto dos resultados indica a propriedade do procedimento didático e pedagógico do professores apesar da aparente contradição expressa quando. praticamente. 9) É relevante o fato da práxis da fragmentação da exibição dos audiovisuais. a fim de viabilizar o audiovisual científico de divulgação como material didático a ser trabalhado dentro dos limites da hora/aula. estar plenamente de acordo com as indicações dos consultores dos projetos didáticos. mas principalmente. como prática adequada aos limites da capacidade de concentração dos alunos da educação básica. apesar de construída a partir de experiências individuais e empíricas no dia a dia da sala de aula. declaram a preferência pela utilização de audiovisuais científicos de divulgação. se tornam demasiados longos dentro do contexto escolar. Como verdadeiros autores da sua prática. 7) Essa expectativa. os audiovisuais de divulgação. se apresentar. parece esbarrar no tempo de duração desse gênero de audiovisual. dentro de um contexto educacional formal. os professores exibem o material de forma fragmentada. 8) Desta forma. o processo de aprendizado. como um padrão didático entre os professores de ciências e biologia do Colégio Pedro II. entretanto. como o programa Vendo e Aprendendo e o Discovery na Escola.

93 .mão do que há de melhor nas produções para divulgação científica e. transformá-las em instrumentos didáticos perfeitamente adequados ao contexto da educação formal. trabalhando características a principio adversas.

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VIII. Palestra BARRETT, Matthew. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil, na 10ª mostra Ver Ciência. Rio de Janeiro: 2 set. 2004.

101

IX. APÊNDICES

Apêndice A Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação: Existe grande discordância na designação do audiovisual, quanto ao seu tempo de duração. Para suprir as necessidades desta dissertação, utilizaremos como ponto de partida a Medida Provisória No 2.228-1 (BRASIL 2001), que determina no seu capítulo 1, artigo 1º: VII - obra cinematográfica ou videofonográfica de curta metragem: aquela cuja duração é igual ou inferior a quinze minutos; VIII - obra cinematográfica ou videofonográfica de média metragem: aquela cuja duração é superior a quinze minutos e igual ou inferior a setenta minutos; IX - obra cinematográfica ou videofonográfica de longa metragem: aquela cuja duração é superior a setenta minutos; Assim, devido à necessidade de um maior espectro de tempo e às características da amostra, as classes serão subdivididas da seguinte forma: • Curtíssima duração: aquela cuja duração é igual ou inferior a cinco minutos, que será usada para algumas discussões; • Curta duração: aquela cuja duração é superior a cinco minutos e inferior ou igual a 15 minutos. Nos casos não especificados, englobará a classe curtíssima; • Média-baixa duração: aquela cuja duração é superior a 15 e igual ou inferior a 40 minutos; • Média-alta duração: aquela cuja duração é superior a 40 minutos e igual ou inferior a 60 minutos; • Longa duração: aquela cuja duração é superior a 60 minutos. 102

O Semiárido Brasileiro. Aids: A Melhor Defesa é a Informação. A Maravilhosa História da Batata I. Tá Limpo. Dinossauros I. Cuidado Nervos. Alimentos para a Saúde. A Pré-história do Brasil. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores.Apêndice B Audiovisuais do projeto didático Vale Vídeo. O Começo da Vida. Floresta Inundada. A Química da Cozinha. Frutos do Cerrado. Homenzinhos. Instituto Butantã. Solos. Minha Primeira Experiência com O Som e a Música. O Povo das Gerais. Como Cresce o Feijão. Zoom Cósmico. Os Senhores da Mata Atlântica. 103 . A Velha a Fiar. A Toca do Coelho. Biodiversidade. O Deserto do Maranhão. Dinossauros II. classificados como de biociências: Chapada Diamantina. Aves II. O Meio Ambiente do Espírito Santo. Insetos Sociais. Evolução. Minha Primeira Experiência com A Acidez dos Alimentos. Carlinhos Precisa de uma Capa. O Jequitibá. Homens e Mar. A Maravilhosa História da Batata II. Esquistossomose. Corpo Humano. Aves I. Como Cresce a Margarida. Como Nasce e Cresce o Sapo.

Século XX: Primeiros Tempos.Apêndice C Audiovisuais do projeto didático Vídeo Escola. Aves I. A Maravilhosa História da Batata II. Dinossauros. Sons de Minas Gerais. A Toca do Coelho. A Conquista do Espaço.Parte 1. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores. O Começo da Vida.Parte 2. Sons do Maranhão. A Maravilhosa História da Batata I. Formas do Espírito Santo. Cores do Pará. Os Homens e a Lua. A Velha a Fiar. Formas do Maranhão. Corpo Humano: Um Ecossistema Parte 1. Cores do Espírito Santo. Chapada dos Guimarães. Lar de Homens e Animais . Sons do Pará. Como Classificar Animais?. Carvalho . Como Nasce e Cresce o Sapo. Lar de Homens e Animais .Uma Árvore e seu Ecossistema. Aves II. Formas do Pará. Floresta Inundada.Parte 2. As Baleias em Abrolhos. Sons do Espírito Santo. O Semi-árido Brasileiro. Higiene Corporal. Insetos. O Rio São Francisco. A Borboleta. 104 . classificados como de biociências: Os Índios Bakairi e o Jatobá. A Vida Nasce no Mar. Cuidado Nervos. Como Cresce o Feijão. Derivados da Cana-de-açúcar. Formas de Minas Gerais. Corpo Humano: Um Ecossistema .

Série Globo Ciência. TV Globo. episódio: Somos Pequenos no Universo? 1996. episódio: A Caminho do Mar. episódio: Rondon.Apêndice D Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 – 2003. TV Cultura. TV Cultura. Série A Mão Livre. TV Cultura. episódio: Insetos & Cia. episódio: Chuá Chuágua. Série Ver Ciência. Minuto Científico. Série Repórter Eco. 1998. episódio: Dr. TV Cultura. Série Olhando para o Céu. Série Globo Ciência Saúde. Série Arte e Matemática. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. 1999. TV Cultura. Série Mar à Vista. Série Globo Ecologia. episódio: Tributo a Paulo Freire. episódio: Ordem no Caos. 1995. o Explorador do 20° Século. Canal Futura. Série Globo Ciência. Série Globo Ciência. 1994. TV Cultura. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. Nise da Silveira. Genoma: Em Busca do Sonho da Ciência. 1997. 2001. Canal Futura/Fundação Roberto Marinho. episódio: Surfboard. 2000. episódio: Malaria. TV Cultura. 1998. 1998. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. TV Cultura. 2002. 1997. 1994. 10 episódios. TV Cultura. 2003. 1999. 105 . Série Globo Ciência. Pré Histórias da Pedra Furada. 2002. Teca na TV. episódio: Futebol.

é que não apresentam o problema da perda de qualidade com o passar do tempo e são mais estáveis fisicamente. pois nas novas mídias. mais ‘atualizado’. Outra grande vantagem é na hora de pausar a imagem. os índios do Xingu. pois dizem que são mais resistentes. facilitando em muito o educador. que não é muito usado no Brasil para esta finalidade. em especial do DVD. com a possibilidade de armazenar várias horas de vídeo com qualidade inferior ou igual ao VHS. e o Digital Versatile Disc (DVD) que apesar de ter literalmente acabado com o mercado da fita Video Home System (VHS). como o Compact Disc (CD). além disso os equipamentos utilizados para “tocar” essas mídias (os players). não ocorre o problema do desgaste físico da mesma. A grande diferença destas e outras mídias como a Blu-ray. já nos cobram as cópias dos documentários em DVD. pois as fitas melam em pouco tempo devido a grande umidade”. o que é um forte limitante do uso deste recurso nas antigas mídias em fita magnética. podem ser programados para o acesso aos pontos predefinidos. e que elas têm na essência as mesmas vantagens do velho disco de vinil. a High Density DVD (HD DVD) etc. como no caso do VHS. Outro motivo da agressiva dominação das novas mídias. ou de armazenar vídeos de alta definição em um 106 . Mas o choque definitivo está se impondo.Apêndice E As mídias do audiovisual Existem muitas mídias de suporte para o audiovisual. ou seja a possibilidade de um acesso aleatório em qualquer ponto das trilhas de dados. quando comparadas com as fitas VHS. utilizando os algoritmos de compactação. só agora começa a ser usado no ensino (o Colégio Pedro II só agora começou a adquirir os primeiros equipamentos). na hora de exibir o vídeo. Saldanha (2005) em entrevista diz: “Nossos parceiros.

107 . além é claro da evolução dos padrões de compactação.único DVD ou em outras mídias de maior capacidade física.

br/main.&UIPartUID={0B11DCF7-D35E-476B-AB4E-FEA3B7A87A62} Acessada em 02/01/2005 32 108 .para o programa “Mais Verde com Ciência”.Prêmio José Reis de Divulgação Científica.Prêmio Master de Ciência e Tecnologia 2000.Primeiro lugar no Primeiro Concurso Latino. veiculado em 9/3/2002.Menção Especial do Júri do “6ème Festival International de L’Émission Scientifique de Télévision” . Inglaterra . ANEXOS Anexo A Premiações do programa Globo Ciência 32: TV Globo. Disponível em: http://www. 1987 .frm. 1989 .Americano de Jornalismo. França . oferecido pelo Instituto da Qualidade e organizado pela Camplux Editora e Publicações.asp?ViewID={25199997-AC07-45EE-A1C101D8204DE822}&params=itemID={8BB7B665-66C6-4C99-BFDDB65FD5609096}. 2002 .X.Bristol. com o apoio de várias instituições. Científico . 1990 .Vega Awards pelo episódio “pão”.Destaque na categoria Jornalismo do Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito. 1989 .org.para o programa “Será que é isso mesmo?”. para o programa “Boas Festas com Segurança”.para o programa “Será que é isso mesmo?”.Menção Honrosa no SCI-TECH Festival .Paris. 1989 . Colômbia . 2000 .Bogotá.

Anexo B Premiações do Programa Minuto Científico 33.Melhor Programa infanto-juvenil .Gramado .Minuto Científico 1998 PRÊMIO CIDADE DE MONTREAL DO FESTIVAL TELESCIENCE .tvcultura. Itália 1998 1º Encontro Latino Americano de Televisão da RAL . 1997 VII PRIX LEONARDO da Fundazione Medikinale International Special Award – Melhor Programa Estrangeiro "Minuto Científico" Parma.Categoria Programas para a Juventude.htm Acesso em 20/12/2004 109 .com. 33 Disponível em: http://www.Minuto Científico 2000 PRÊMIO DRAGÃO DE PRATA 1º Festival Internacional do Filme Científico de Beijing – China.br/tvcultura/sobretv/premios.CANADÁ Categoria Produção Infantil . Série "Minuto Científico" . TV Cultura.