UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE BIOQUÍMICA MÉDICA

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Roberto Eizemberg dos Santos

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa. Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Roberto Eizemberg dos Santos

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Química Biológica (Educação, Gestão e Difusão em Biociências), Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica.

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Santos, Roberto Eizemberg dos.S.
Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por professores das Unidades do Colégio Pedro II/ Roberto Eizemberg dos.Santos.

Rio de Janeiro, 2005. xi, f.: il; 31 cm Dissertação (Mestrado em Química Biológica) –Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Bioquímica Médica, 2005. Orientador: Hatisaburo Masuda Co-Orientadora. Andrea Molfetta 1. Ensino de Ciências. 2. Audiovisual Científico 3.Tecnologia Educacional – Teses. I.Masuda, Hatisaburo (Orient.). II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Bioquímica Médica. III. O Tempo do Audiovisual Científico no Ensino de Biologia e Ciências.

como revisora e suplente. Dra. Dr. Professor Titular do CBPF. ________________________ Denise Rocha Correa Lannes. Pesquisadora ________________________ Miriam Struchiner. Professora adjunta do IBqM – CCS – UFRJ. Dr. como orientador.Roberto Eizemberg dos Santos Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Rio de Janeiro. Dra. Varella Barca de Andrade. 19 de setembro de 2005 Aprovado por: ____________________________ Hatisaburo Masuda. Professora adjunta do NUTES– CCS – UFRJ. ____________________________ Henrique Gomes de Paiva Lins de Barros. . ___________________________ Lacy independente ________________________ Pedro Lagerblad de Oliveira. Professor adjunto do IBqM – CCS – UFRJ. Dra. como suplente externa. Professor titular do IBqM – CCS – UFRJ. Dr.

.Dedico esta dissertação aos que não vêem no tempo um inimigo implacável que os impeça de começar uma nova jornada.

Lins de Barros. e a sua gentileza no empréstimo dos catálogos do Ver Ciência e do Image et Science e . educado e apoiado. Esquivel.Agradecimentos Em tão poucas linhas. não posso conceber você como um dentista. Henrique G. que vinte anos atrás. impalpável e incerto. que substituíram as canções de ninar. A toda a equipe do grupo de Biofísica do CBPF e. você não tem esse perfil” e que na minha volta. do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). Sarah. S. à minha orientadora de desenvolvimento tecnológico e industrial. amado. que soube compreender e aceitar as privações do meu ato quase insano de abandonar um ofício em troca de um ideal. Ao meu orientador de iniciação científica. que me ensinou a disciplina necessária para a pesquisa e mostrou-me a necessidade do investimento em uma formação de boa qualidade. o Instituto de Bioquímica Médica (IBqM). da Vídeo Ciência. Celso. como o local para as minhas idéias e ideais. Ao meu pai. mesmo agora num momento em que caberia a mim a função de retorno desse apoio. é difícil agradecer de uma forma satisfatória a tantos e com a real profundidade necessária. que reconheceu a qualidade do material audiovisual que produzi. pode observar em mim essa tendência pela ciência e me disse “Roberto não abandone a ciência. Shirley. A minha amada companheira. P. Darci M. Em primeiro lugar agradeço a minha mãe. em especial. A Sergio Brandão. que nas suas leituras de revistas de divulgação científica. por ter me gerado. apontou-me essa casa da excelência. implantando no fundo da minha alma o gosto pela ciência.

junto a TV Cultura SP. Ricardo F. fazendo assim uma orientação efetiva. A José Renato Monteiro. por viabilizarem meus novos audiovisuais de divulgação/educação. Andrea Molfeta. também do PEGeD. que mesmo tendo seus castelos a construir. Monteiro e Margarete Macedo Monteiro e seus alunos do Laboratório de Ecologia de Insetos do IB. orientou e me deixou à vontade na minha busca pelo conhecimento. brilho e consistência ao meu trabalho. em especial ao Luis Dourado. A Profa. do Programa de Gestão. A minha co-orientadora de mestrado. contribuíram para a minha formação. A minha revisora Denise Lannes. por mostrar o . A Profa. Jacqueline Leta. deu mais vida. soube identificar e intervir nas horas propícias. porém soberba. sem o risco da perda de interesse. pela complementação dos catálogos. Educação e Difusão em Biociências (PEGeD) . que com seus sólidos conhecimentos das imagens em movimento. Aos meus companheiros de estudo. do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF). do Departamento de Cinema Rádio e Televisão da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). que me acolheu. Ao meu orientador de mestrado Hatisaburo Masuda do Laboratório de Bioquímica de Insetos. que apontou alguns problemas em meu caminho. e que com a sua visão bem humorada. e aos Profs.que apontou também esta casa para alavancar a minha formação. Suzete Bressan e seus alunos do Laboratório de Entomologia Médica. A Teresa Otonto da TV Cultura SP pelo envio do catálogo de 1995 do Festival Image et Science e do catálogo 2004 do Festival Vedere la Scienza. que se dedicou em encontrar e me mostrar os cadafalsos escondidos no trajeto.

E a CAPES. viabilizou a minha dedicação exclusiva nesse estudo. permitindo assim o êxito desta parte da pesquisa. sem a qual nossa vida acadêmica certamente seria mais difícil. sem os quais esta dissertação não teria fundamentos ou credibilidade. A Denise Mano. . e a Elisandra Galvão. em especial a Heloísa e Lílian.quão é ímpar a linguagem do cinema. que graças à bolsa concedida ao programa de demanda social. A todos os autores citados. por me ceder sua bibliografia e apontar soluções. que me assessorou junto aos professores do Colégio Pedro II. aos entrevistados e aos professores das unidades do colégio Pedro II. A Tereza Lima. A toda a equipe do Laboratório de Bioquímica de Insetos.

Rio de Janeiro. os quais são utilizados de uma forma fragmentada. Gestão e Difusão de Biociências do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. nas tevês por assinatura e nas tevês abertas. analisouse também a forma como os audiovisuais são utilizados em sua prática de ensino. quando produzidos por empresas internacionais. Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-Graduação de Educação. Nesta dissertação. foi analisada segundo a ótica de alguns produtores de vídeo que. encontramos que esse material é composto. do tempo de duração de audiovisuais. que existe uma predileção dos professores por produtos internacionais. Roberto Eizemberg dos. como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica. 2005. Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II. Esta mesma questão. majoritariamente. são conduzidos pelas necessidades das grandes redes de televisão. Como resultado. Foi encontrado. Além disso. na prática de ensino. por programas de curta duração (menos de 30 minutos) nos projetos pedagógicos (TV Escola.Resumo Santos. em um colégio federal no Rio de Janeiro. . o tempo de duração de audiovisuais (filmes e vídeos científicos) que são disponibilizados ao professor de ensino médio e fundamental foram analisados. Vídeo Escola e Vale Vídeo). de um modo geral. também. assim como nos audiovisuais disponíveis pela produção de divulgação científica nacional. que podem ser vistos nas redes de televisão abertas e por curta e média duração.

The videos analyzed were from the collections from. were analyzed.UFRJ. which in general. Dissertation submitted to the Graduate Program in Education. in a Federal School from Rio de Janeiro. are of short duration (less than 30 minutes). as part of the requirements necessary to the attainment of Master of Science Degree in Biological Chemistry In this dissertation. As a result. that are utilized in a fragmented mode. the duration of scientific audiovisual (films and videos). the way these videos are utilized inside the classroom. by the teachers from the Units of Colégio Pedro II. available for teachers from basic and high school.Abstract Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Santos. Rio de Janeiro. TV Escola. It was also found that the teachers prefer international products. was also analyzed. 2005. usually produced by international companies. the one’s from pedagogic projects. were also analyzed according to the point of view from the producers. Vale Video. . Short and long duration videos are obtainable from cable TVs and also from broadcast TV. in Biology and Sciences Education. Management and Diffusion of Biosciences from the Instituto de Bioquímica Médica of the Universidade Federal do Rio de Janeiro . that can bee seen in the broadcast TV network. Video Escola. The duration of videos. as well as from the collections of videos produced in Brazil for scientific diffusion. inside classroom. Besides that. are conducted by the requirements imposed by the main TVs network. Profile of Time of Scientific Audiovisuals and a Case Study of Their Utilization. we found that among these videos. Roberto Eizemberg dos.

Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais e audiovisuais internacionais. 14 Figura 02. do projeto Vídeo Escola. Freqüência percentual por classe de tempo. 38 Figura 04. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo 41 do conjunto de vídeos de todas as áreas. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. 42 Figura 07. Freqüência percentual por classe de tempo. 46 . dos audiovisuais produzidos no INCE. do projeto Vídeo Escola. Figura 06. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo. Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de 44 audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola. dos audiovisuais nacionais e dos audiovisuais de outros paises. dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal. Freqüência percentual por classe de tempo.LISTA DE FIGURAS Figura 01. Figura 08. 45 Figura 09. 40 Figura 05. do projeto Vale Vídeo. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas. Freqüência percentual por classe de tempo. do projeto Vale Vídeo. 37 Figura 03.

período1999-2004. 60 Figura 18. dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola. Freqüência do gênero de audiovisual utilizado pelos 27 professores entrevistados. No gráfico inserido. Freqüência percentual por classe de tempo. nos qüinqüênios 1994-1998 e 1999-2003. 57 Figura 17.Figura 10. Gráfico inserido. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo. Linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos. no período 2000 – 2001 54 Figura 15. freqüência percentual de todos os audiovisuais. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 e 2000-2004 Gráfico inserido. E representação dos segmentos propostos pela equipe da Discovery. 51 Figura 13. no período 1996 – 2002. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 e 2000-2004. que usam o audiovisual no Colégio Pedro II. para trabalhar os conceitos selecionados. dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola. no período 1996 – 2002. preíodo1994-2004 Figura 20. dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science. no período 1994 – 2003. dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente. no período 1996 – 2002.Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola. 52 Figura 14. Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II. Freqüência percentual por classe de tempo. Figura 21. Figura 22. apresentados na programação da TV Escola. Outra opção de gênero dos 25 professores que usavam o documentário. Freqüência percentual por classe de tempo. 48 Figura 11. dos audiovisuais nacionais de ciências e dos audiovisuais internacionais de ciências apresentados na programação da TV Escola. no período 1996 – 2002. 63 Figura 19. Freqüência percentual por classe de tempo. 64 67 68 69 . Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais da TV Escola. 49 Figura 12. no ano de 2004 56 Figura 16.

pelos 27 professores que usavam o audiovisual. Figura 24. 70 70 71 . Acervo dos 27 professores que usavam o audiovisual. Fonte do material usado pelos professores. Práxis relativa a fragmentação dos audiovisuais.Figura 23. Figura 25.

Audiovisuais dos Acervos segundo sua Origem. 42 efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U). Categorização dos Acervos de Audiovisuais. segundo sua Origem e Finalidade. Tabela 03. . 33 Tabela 02. segundo sua Origem e Finalidade. Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências.LISTA DE TABELA Tabela 01. do projeto Vale Vídeo. Total de Audiovisuais. Audiovisuais. descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE). segundo a Finalidade. 35 Tabela 05. 34 35 Tabela 04.

Seqüência de 4 fotos tiradas por Janssen de Vênus frente ao Sol. Vôo do pelicano. com seu Revólver. Imagem 02.LISTA DE IMAGENS Imagem 01. 02 03 .

LISTA DE SIGLAS AIVC BBC CAPES CBPF CD CNPq CNRS CVRD DVD ECA ftp HD DVD http IBqM INCE MEC PDF SEED Semtec UFPA UFRJ UNESCO USP VHS WWW Associação Internacional Ver Ciência Britsh Broadcasting Corporation Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas Compact Disc Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Centre National de la Recherche Scientifique Companhia Vale do Rio Doce Digital Versatile Disc Escola de Comunicação e Artes File Transfer Protocol High Density DVD Hiper Text Transfer Protocol Instituto de Bioquímica Médica Instituto Nacional de Cinema Educativo Ministério da Educação e Cultura Portable Document Format Secretaria de Educação a Distância Secretaria de Educação Média e Tecnológica Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Rio de Janeiro United Nations Educational Scientific and Cultural Organization Universidade de São Paulo Video Home System World Wide Web .

Desvio padrão. Soma dos postos da amostra maior. Estatística U de Mann-Whitney. Tamanho da amostra menor. Amostra 1. ou seja. População. Nível de significância estatístico. Distrito Federal Tamanho da amostra. Tamanho da amostra maior. Igualdade de grandezas. a grandeza da esquerda do símbolo é menor que a grandeza da direita. Erro padrão. Sem data. ou seja. . Soma dos postos da amostra menor. a grandeza da esquerda do símbolo é maior que a grandeza da direita. Amostra 2.LISTA DE ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS < > = % A1 A2 α DF n n1 n2 P1 P2 π s/d Sd Se U Menor que. Maior que. Percentagem.

1.2.2.5.1. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III. Finalidade III. A Mãe do Cinema I. Publicações digitais como fonte de dados: III. Objetivos 16 III. O Tempo no Ensino 1 1 2 4 6 8 14 II.1. Metodologia III.4. Amostra III.2.2.1.1.2.3.4.2.4.3.1.2.2. Coleta e Análise dos Dados III. Análise de Dados III. Nacionalidade III. Amostra e Coleta de Dados III.2.1.6. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo I. Perfil de Tempo III.Audiovisuais Científicos III. Análise Estatística III. A Linguagem do Audiovisual I. Introdução I.4.3. Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados 17 17 17 21 21 21 21 22 25 27 27 27 28 30 30 30 . Recomendação dos Especialistas III.2.2.2.2 Seção 2 – Professores e Especialistas III.2.1.5.1.1 Seção 1 . O Tempo no cinema I. Áreas do Conhecimento III.1.SUMÁRIO I.1.4. Entrevistas com Produtores.1. O Sonho no Ensino I.2.2.2.

1.11.1. Mostra Ver Ciência .1.1. Discovery na Escola IV. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II IV. Festival Image et Science IV.1. Discussão V.1. O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências V.8.1. Resultados IV. TV Escola . Vale Vídeo IV. Entrevistas com Produtores. 32 32 32 36 36 37 39 43 46 50 52 55 58 62 64 65 65 72 V.1.1.2. TV Escola Programação de Ciências IV. Mostra Ver Ciência .1.2.1.1.2.1.5.2. Vídeo Escola IV.Sessão Brasil IV. Palestra IX.9.6. Apêndices 94 101 102 . Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II 76 76 81 VI. Referências Bibliográficas VIII.1.1.4. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal IV. Conclusões 91 VII.. Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) IV. Perfil de Duração IV.2.2.IV.1 Seção 1 – Audiovisuais Científicos IV. Finalidade e origem IV. Divulgadores e Consultores.7.2 Seção 2 Professores e Especialistas IV.Programa Vendo e Aprendendo IV.3. TV Escola Programação de Meio Ambiente IV.10.Sessões Internacionais IV.1.1.

classificados como de biociências Apêndice C: Audiovisuais do projeto pedagógico Vídeo Escola. classificados como de biociências Apêndice D: Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 .Apêndice A: Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação Apêndice B: Audiovisuais do projeto pedagógico Vale Vídeo. Anexos Anexo A: Premiações do programa Globo Ciência: TV Globo Anexo B: Premiações do Programa Minuto Científico. TV Cultura 108 108 109 .2003 Apêndice E: As mídias do audiovisual 105 106 104 103 102 X.

E Deus disse: "Faça-se a luz!" Então se fez a luz. Gênesis Cap 1. Ver 3 .

Mistura de cientistas. INTRODUÇÃO I. 1 . 1994. guardados e retocados. Busselle. no decorrer do último século e do que estamos. a tristeza. novamente. a fábrica dos sonhos. mas implacavelmente. Congelar sua presença significa captar um momento no implacável relógio do tempo. pois a sua grandeza esperou ainda o início do século XX para sair do discurso metafísico e ser relativizada. conseguiram essa proeza maior. que em suas várias linguagens próprias levam a alegria. ora aliados. difundindo aos poucos. ora antagônicos. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo A luz. imagens e sons. 1 Texto baseado em. 1987. o registro documental do tempo. Mannoni. estes gênios do fazer materializaram a luz em substratos que agora podiam ser vistos.I. um tempo visto e sentido. E assim compreendida por uma ciência. alquimistas e artistas.1. tendo como um dos parâmetros. que com seus incansáveis sonhadores. transportaram o tempo na velocidade da luz. 1978. s/d. sonho indizível de muitos e que foi concretizado por alguns intrépidos na primeira metade do século XIX. Nascia então no final deste mesmo século. mas o tempo integral e. Então o tempo agora foi dominado? Pelo menos o tempo relativo. mas seus conjuntos. não só uma idéia. a onipresente velocidade da luz. Martinet. a ciência e até o saber 1. unidos aos artistas do fazer. Resnick. 1971 e Tosi. a nossa máquina do tempo: o cinema. Não demorou muito e a genialidade humana começou a cobiçar a possibilidade de guardar não só um momento. não só uma cabeça.

como Tosi (1987) e Martinet (1994). apesar de apontados como pais do cinema. 2 Segundo Busselle. p. que atribuem esta paternidade ao astrônomo francês Jules Janssen (1824-1907). como diz Mannoni (s/d. Seqüência de quatro fotos de Vênus frente ao Sol. Os irmãos Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948).2. e desta forma fica clara a maternidade científica deste meio audiovisual. com o seu Revólver Fotográfico.nl. Assim Janssen é apontado como o pai do cinema. um processo realmente fotográfico e independente do acaso. A Mãe do Cinema Determinar a paternidade e a data de nascimento do cinema não é tarefa fácil. na década de 30 do século 19. aproximadamente. o Revólver Fotográfico de Janssen tornou-se portátil e passou de.I. 18). “esse é o primeiro aparelho que fotografa as diferentes fases de um movimento não simulado” (tradução nossa) e segundo Tosi (1987. p. com isso “O cinema científico nasceu anos antes que o cinema de entretenimento” (tradução nossa). que em 1874. tem sua paternidade contestada por alguns autores. é apontado como o pai da fotografia. com seu Revólver Fotográfico 3. conseguiu registrar em uma placa circular de Daguerre 2 as imagens sucessivas da passagem do planeta Vênus frente ao disco solar. 3 Imagens obtidas em: http://web. Louis-Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). com a sua projeção pública de 1895.htm Acesso em 25/12/2004 2 . Assim. tiradas por Janssen. Imagem 01. 1978.net/users/anima/chronoph/janssen/index. por ter desenvolvido e padronizado.inter. Aperfeiçoado pelo fisiologista francês Etienne-Jules Marey (1830-1904). 5).

Vôo do pelicano 4. o grande interesse que teria para um problema tão obscuro como o do vôo das aves. que em 1876 disse: Uma série de fotografias que cubra um ciclo completo de movimento de uma função específica nos outorgaria dados valiosos para explicar seu mecanismo. tradução nossa). (TOSI. com o uso de substratos flexíveis (películas) e novas técnicas de projeção. Segundo Sá (1967). Os aperfeiçoamentos subseqüentes. 4 Imagem obtida em: http://www. por exemplo. ganhando assim a nova denominação de fuzil fotográfico.uma imagem a cada um segundo e meio para 12 imagens por segundo.com Acesso em 22/12/2004 3 . 1987. com a invenção do cinematógrafo. foram bem aproveitados pelos irmãos Lumière que. Os estudos de Marrey sobre a locomoção dos animais foram contemporâneos aos estudos do fotógrafo inglês Eadweard James Muybridge (18301904).expo-marey. vieram a popularizar o cinema. que usava um conjunto de câmeras para obter as imagens. Imagem 02. Com esse desenvolvimento Marey pode concretizar. mediante a obtenção de uma série de fotografias que representem os diversos momentos da asa em movimento. Assim é fácil imaginar. a partir de 1882. as previsões de Janssen.

I. Elas descrevem mais do que uma mera constatação. Adequá-las às condições do ensino parece ter sido uma busca constante dos educadores. desde muito cedo instigou os educadores para o seu uso como meio auxiliar no processo educativo. aspectos corriqueiros ou mesmo raros. O Sonho no Ensino A possibilidade de registrar em filme processos naturais. em 1898. O filme científico strictu sensu é produzido no âmbito da pesquisa cientifica e cumpre papéis específicos. no que seriam os seus primórdios. tais como: documentar o trabalho ou objeto da pesquisa. após uma apresentação cinematográfica dos filmes dos irmãos Lumière.3. Tem um imenso valor como instrumento didático” (TOSI. As imagens em movimento. Suas projeções de reportagens e de filmes de viagem popularizaram o gênero documentário. a coroação do Czar Nicolau II. p 93. procedimentos técnicos e/ou científicos. a vocação do cinema científico para o ensino. “Considero que a cinematografia é um espetáculo inteligente e instrutivo.Louis Lumière fez a primeira grande reportagem ao registrar. 1987. em 1898. Não tardou muito até que outro visionário desse mais um passo na direção do inevitável. 24). 1930. com ou sem som. em 1896. que certamente foi percebida por muitos. 1925 apud SERRANO e VENANCIO FILHO. por deixar reproduzir pelo cinematógrafo uma de suas operações. defendeu-se o Dr Eugène-Louis Doyen (1859-1916). Estas são palavras de Lev (Leão) Nikolaievitch Tolstoi (1828–1910). Nesta ação ousada de um homem de ciência fica caracterizada. “É para o meu ensino pessoal e para o de meus discípulos” (COISSAC. tradução nossa). sempre foram um fator relevante no contexto educacional. mas também uma necessidade da sociedade que se modernizava. p. 4 .

(REISZ e MILLAR. E pode ser usado. também se podia usar filmes comerciais no ensino. O objetivo do montador de documentários ou filmes de ficção é criar uma atmosfera – dramatizar acontecimentos.para arquivamento ou para o uso na divulgação. também. 1993. A força que arrastava multidões às salas de exibição foi suprida pela obrigatoriedade do estudante em permanecer durante a exibição na aula. querer “limpar” a linguagem audiovisual dessa sua vocação de liberdade ante a lógica do tempo e do espaço. Ao explanar sobre a importância do cinema no 5 . exatamente. quando se utilizam técnicas especiais. Além disso. no ensino. 120). Entretanto. implementaram os seus próprios órgãos responsáveis pela produção de filmes educativos (SCHVARZMAN. p. 2001. irrelevante. Vocação que responde perfeitamente aos parâmetros de construção das narrativas míticas que alimentaram as pedagogias de perpetuação cultural da Humanidade. A finalidade dos seus filmes é ensinar e os seus objetivos devem ser a clareza. existe muita dúvida se a linguagem usada nesses filmes era capaz de motivar o público alvo. Muitas vezes é uma das ferramentas investigativas. O desenvolvimento das técnicas de filmagem e a grande produção de filmes científicos alavancaram uma indústria crescente de produção de filmes especificamente para o uso no ensino. como a microfilmagem ou a filmagem em alta velocidade. O erro cometido na tentativa de criar o cinema educativo foi. uma boa parte da linguagem desenvolvida pelo cinema se perde. nem tudo era de qualidade questionável. A razão para isso pode estar na forma como eram (e em muitos casos ainda são) produzidos. a exposição lógica e a avaliação correta da receptividade da platéia. 174) Sem o uso da dramatização. Para o montador de filmes educativos esta consideração é. (FRANCO. p. mormente. 1978. Alguns paises. em grande parte. inclusive o Brasil. p. 23) Mas.

principalmente. Apesar das muitas restrições de ordem econômica. além de contar com rica bibliografia. I. 14) É esperado que um produto. de modo analógico ou simbólico. política etc. “Cinema é a projecção luminosa da synthese mecanica da figura analytica do movimento”. que reforçava assim.. nem sempre foi assim. “baseado num conjunto de códigos cinematográficos particulares e gerais” (METZ. em meio a uma proliferação de filmes educativos. foram criadas verdadeiras jóias. através da imagem em movimento e da montagem. “O cinema é a matriz imagético-sonora do campo midiático da sociedade contemporânea”. do desenvolvimento de uma linguagem própria. tenha uma probabilidade maior de seduzir seu público alvo. A competência e criatividade de produtores de “vivência” supriam os educadores das primeiras décadas do século XX com a sua “matéria” prima para o trabalho. 5 É o processo de análise de movimento através de fotografias sucessivas. se ele próprio possuir a vivência do espiritual ou puder captar-lhe a presença nos seres mais humildes. p. feito com esmero e que tenha uma linguagem atraente. E a razão para isso é que se trata de uma arte bem consolidada e estruturada em bases sólidas. Mas.4. Este ponto de vista é um pouco reducionista e simplifica o cinema à visão baseada na cronofotografia 5 de Marey e Muybridge. A Linguagem do Audiovisual Segundo Ramos (2003). técnica. 80). pode tornar perceptível. 6 . diz: As idéias abstratas podem ser traduzidas em símbolos e a escala dos valores focados pelo cinema vai de Deus ao mais insignificante objeto [. (SÁ.. Segundo Almeida (1931). Na realidade. a veterana escritora e professora de cinema Irene Tavares de Sá.ensino e a força desta linguagem.] Um verdadeiro artista. a própria divindade. 1980.. 1967. o cinema foi sendo construído através. p.

as figuras significantes propriamente cinematográficas (ou “códigos especializados”. A primeira não passa de uma parte determinada da segunda: ”ela é. essas figuras estruturam os dois grupos de códigos precedentes funcionando “acima” da analogia fotográfica e fonográfica. a língua. Para isso precisamos entender a linguagem como um todo e saber sua diferença com relação à língua. Considerada em seu todo. um produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias. (AUMONT e outros. iluminada pela luz intermitente do projetor. os “códigos de nominação icônica”. (AUMONT e outros. Franco (1993. 184. que servem para dar nome aos objetos e aos sons. tem a função de comunicar uma mensagem codificada e canalizada a um destinatário..como num feedback. A “inteligibilidade” do filme passa por três instâncias principais: . que constituem a linguagem cinematográfica no sentido estrito).. (. p. em primeiro lugar. p. 177. o ambiente escuro das cavernas onde os mitos eram narrados ao redor da fogueira”. p. para entendermos a linguagem do audiovisual. ao contrário. que deve ser ciente desses códigos moldados pelo contexto. Desta forma. ao mesmo tempo.) A palavra. 1995. . é um todo em si e um princípio de classificação. ao contrário. a colocação do cinema como arte. finalmente. 20) afirma que: “ninguém o contestou como linguagem especialíssima. a língua da linguagem. é um ato individual de vontade e de inteligência”. Esta linguagem própria. 1995. devemos começar por entender a linguagem do cinema. a analogia perceptiva. Aspas do autor) Sobre a linguagem do cinema. a linguagem é uniforme e heteróclita. Saussure distingue. constituída de várias línguas. Aspas e parênteses do autor) 7 . Em seu curso de lingüística geral. que recriou na sala escura. .

Estes fundamentos da linguagem do cinema permeiam as outras manifestações imagético-sonoras que o sucederam, sendo que cada uma guarda suas características diferenciais que as individualizam como artes distintas que são. Podemos, a partir do conhecimento destas diferenças, chamá-las de “manifestações audiovisuais do movimento” e que, nesta dissertação, chamamos por simplificação de audiovisual.

I.5. O Tempo no Cinema A grande mudança conceitual da fotografia, como uma seqüência de fotografias, foi que: “Pela primeira vez, a imagem das coisas é também a imagem da duração delas” (BAZIN, 1991, p. 22 apud GRUZMAN, 2003, p. 65). Assim, o cinema introduziu uma temporalidade na imagem. Para abordar o tempo no cinema, devemos necessariamente entender como são feitos os filmes. De uma forma sucinta, todo o filme nasce de uma idéia inicial. Essa idéia é melhorada e ampliada até se chegar a um argumento que contenha os elementos básicos do filme: do que se trata a história, aonde serão feitas as filmagens, o tempo de duração do filme, como será contada a história e para quem. Com essas e outras variáveis devidamente equacionadas, passa-se para a fase onde esses elementos serão tratados do ponto de vista técnico e de linguagem. A esses procedimentos chamamos de roteiro. Segundo Field (2001, p. xv), “um roteiro, logo percebi, é uma história contada com imagens”. Assim, não devemos descuidar na perfeita utilização destas imagens, quando formulamos um roteiro. O próximo passo é o de obtenção das imagens e dos sons, que deve seguir da melhor forma possível o roteiro. Pronto! Temos um roteiro, temos as imagens e

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sons. “Então temos um filme?” Ainda não, pois ele tem que passar, quase 6 invariavelmente, por uma fase que é chamada de montagem. “A montagem é o princípio que rege a organização de elementos fílmicos visuais e sonoros ou de agrupamentos de tais elementos, justapondo-os, encadeando-os e/ou organizando sua duração”. (AUMONT e outros, 1995, p. 62). Com essa definição “ampliada” de montagem, esse autor deixa claro o quão importante é a montagem na confecção de um filme. Fica claro também a sua influência na linguagem, pois ela introduz códigos que irão facilitar ou, em alguns casos, viabilizar o entendimento do filme. Seguindo ou não um roteiro, é através da montagem que se vai criando a narrativa. Com ela podemos direcionar a percepção e influenciar os elementos psicológicos que nos dão a sensação de temporalidade.
Assim a montagem alternada constituiu-se, progressivamente, de Porter a Griffith: tratava-se de produzir a noção de simultaneidade de duas ações pela retomada alternada de duas séries de imagens. O projeto narrativo gerou um esquema de inteligibilidade da denotação, pois os espectadores sabiam, a partir de então, que uma alternância de imagens sobre a tela era capaz de significar que, na temporalidade literal da ficção, os acontecimentos apresentados eram simultâneos, o que não era o caso dos primeiros espectadores de Méliès. (AUMONT e outros, 1995, p. 192)

De fato, Edwin Stratton Porter (1869-1941), em 1902, desenvolve a narrativa da seqüência temporal de acontecimentos em seu filme, A Vida de um Bombeiro Americano. Os fatos simultâneos são apresentados em planos distintos. Ou como sintetizam Gaudreault e Jost (1995, p. 124), “[...] que mostram sucessivamente dois aspectos concomitantes [...] de uma única ação [...]; no plano estritamente cronológico. A mesma ação se apresenta em duas ocasiões e podemos falar de montagem repetitiva” (tradução nossa e itálico do autor). Segundo Reisz e Millar
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Existe ainda a opção de filmar diretamente, seguindo ou não um roteiro, e obtermos um filme.

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(1978, p. 4-7), este foi um caminho novo. Fugindo da linguagem contemporânea, Georges Méliès 7 (1861-1938) iria “[...] dividir a ação em três seções independentes, ligadas por letreiros”. Essa narrativa pode ser um pouco confusa para um espectador contemporâneo devido à grande duração da seqüência dos planos, antes da alternância. Entretanto, foi desta forma que Porter deu os primeiros passos no sentido de desenvolver essa linguagem, que organiza os códigos. Segundo Mourão (2002), “é na montagem que encontramos a imagem do tempo uma vez que o tempo cinematográfico, sendo uma representação indireta, depende da organização das imagens e sons para que ele se constitua”. Com isso temos o que no meio cinematográfico é comumente chamado de tempo fílmico, que se difere do tempo físico ou real por ter sua “duração” moldada pela percepção psicológica dos signos e códigos audiovisuais do cinema (AUMONT e outros, 1995, GAUDREAULT e JOST, 1995, METZ, 1977 e 1980, REISZ e MILLAR, 1978). Temos assim três formas de relações entre o tempo fílmico e o tempo físico: Tempo fílmico = tempo físico - é o caso do material apresentado sem cortes, como por exemplo, uma partida de futebol na íntegra (inclusive o tempo dos intervalos). Tempo fílmico < tempo físico - é quando se colocam acontecimentos demorados, de forma sucinta. Como exemplo temos o crescimento do broto de uma planta até o desabrochar de sua flor, que pode ser mostrado em uma tela, em poucos segundos, usando a técnica de lapso de tempo, ou o jogo supracitado, com a remoção dos intervalos.

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Georges Méliès, ilusionista e cineasta francês, é um dos pioneiros do cinema.

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a ordem cronológica dos acontecimentos. ou introduzir flash-backs em um filme que seguia a cronologia natural. introduzir um futuro no presente (flash-forward). Isto pode ser uma experiência enigmática para ela e facilmente ela pode pensar que aquela espécie de flor desabrocha naquela velocidade. melhor ainda. Consideremos a alternância de imagens ocorridas simultaneamente. que pode ser filmada com técnicas de filmagem em alta velocidade e depois ter seu tempo expandido durante a apresentação do filme. de mesma duração. temos uma explosão. Fica claro ser uma questão de se estar familiarizado com a linguagem ou de ser devidamente apresentado ao novo conceito. O resultado final é uma mera conta matemática. Suponha uma pessoa que nunca assistiu a um filme em lapso de tempo. que é mais natural. ou seja. Podemos também transgredir o fluxo natural do tempo. Como exemplo. com a narrativa sendo feita dos últimos acontecimentos até um tempo passado (em flash-back). Vejamos um exemplo sobre a necessidade de aprender os códigos. sem uma locução explicando detalhadamente o fato. Com todas essas possibilidades podemos transformar um filme (quase) em um sonho. 11 . O caso do filme de Porter pode nos elucidar melhor quando o tempo fílmico é maior que o tempo físico. Na montagem podemos seguir uma ordem lógica ou. Assim temos um acontecimento muito rápido sendo mostrado de uma forma mais lenta. sem uma seqüência lógica. o tempo fílmico é duas vezes maior que o tempo físico. Teremos assim uma narrativa linear. assistindo ao desabrochar de uma flor. Mas toda essa notação do cinema ainda não dá conta do que podemos fazer com o tempo. cada uma delas com o tempo fílmico igual ao tempo físico.Tempo fílmico > tempo físico .é o caso inverso ao supracitado. Podemos ainda.

tendendo à supressão da temporalidade. De certa forma a grande maioria dos filmes, ainda guardam os pontos básicos de uma narrativa que segue alguma ordem.
Um início, um final: quer dizer que a narração é uma seqüência temporal. Seqüência duas vezes temporal, devemos acrescentar logo: há o tempo do narrado e o tempo da narração (tempo do significado e tempo do significante). Esta dualidade não é apenas o que torna possíveis todas as distorções temporais verificadas freqüentemente nas narrações (três anos da vida do protagonista em duas fases de um romance, ou em alguns planos de uma montagem “freqüentativa” no cinema etc.); mais essencialmente, ela nos leva a constatar que uma das funções da narração é transpor um tempo para um outro tempo e é isso que diferencia a narração da descrição (que transpõe um espaço para um tempo), bem como da imagem (que transpõe um espaço para outro espaço) (METZ, 1977, p. 31-32. Parênteses, aspas e itálico do autor).

A compreensão da temporalidade da linguagem do cinema, que também está presente nas outras linguagens audiovisuais, nos leva à discussão sobre a percepção do tempo. Após suas exposições, metafísica e transcendental, do conceito do tempo, Kant (1996, p. 79), tem como uma das suas conclusões que: “O tempo nada mais é senão a forma do sentido interno, isto é, do intuir a nós mesmos e a nosso estado interno”. As reflexões de Immanuel Kant (1724-1804) são muito ousadas para a sua época e, de certa forma, trouxeram mais luz ao conceito de tempo e de sua percepção.
A Percepção de Tempo. Não só é a seqüência temporal da natureza e a realidade mais enigmática no mundo externo; é também a coisa mais espantosa do homem como ele mesmo. Como o problema de percepção espacial, o problema da percepção do tempo é um velho, e sempre-novo, enigma da psicologia. (REISER, 1926, p. 240, tradução nossa)

A afirmação acima poderia ser feita hoje e uma das razões para isso é, como explica Ades (2002), “O paradoxo do senso do tempo é que, constituindo uma característica geral e permanente do comportamento, ele não decorra, diretamente, de dados sensoriais. Não existe um órgão dos sentidos especializado em perceber o

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tempo”. Desta forma, assim como na montagem de um filme, o tempo que percebemos é oriundo de uma construção, uma montagem psicológica que fazemos das imagens, sons, sensações táteis e outros sinais que recebemos através dos órgãos do sentido, e como tal, é sujeita a variações decorrentes do nosso estado psicológico.
O tempo psicológico ou tempo vivido (duração interior), por sua vez, não coincide com as medidas temporais objetivas. Variando de indivíduo para indivíduo, sendo subjetivo e qualitativo, sujeita-se apenas ao registro de momentos imprecisos, que se aproximam ou tendem a fundir-se, numa organização determinada por sentimentos e lembranças [...] (RIBEIRO, 2002, p 24)

Então, a “duração” de um audiovisual pode ser alterada pelo nosso estado emocional, que também é afetado pelo próprio audiovisual. Com relação a isso, podemos colocar ainda dois fatos importantes para a compreensão da percepção do tempo. Um deles é que as coisas que nos agradam ou desagradam podem alterar consideravelmente a nossa percepção do tempo. Segundo Ades (2002), “Thayer e Schiff (1975) criaram uma situação em que pessoas deveriam ficar, frente a estranhos, sorridentes ou carrancudos. O sorriso do outro fez correr o tempo, sua carranca o brecou”. O outro é que os resultados de Flaherty (1991) endossam os estudos de Hogan (1978), que encontrou uma relação entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo, resultando em um gráfico em forma de U (Figura 01). O gráfico mostra que quando o estímulo é moderado (abscissa - eixo E), a percepção do tempo tende a uma sincronicidade com o tempo real (ordenada – eixo T). Entretanto, quando o estimulo é baixo ou alto a percepção do tempo tende a ser expandida (duração prolongada).

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T

E

Figura 01. Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. Redesenhado de Flaherty (1991, p. 80).

Com isso, fica claro que uma seqüência de imagem leva em si um tempo físico, ou seja, o tempo real, e um tempo fílmico. O tempo real pode ser aferido por um instrumento de medida, que não deve variar quando submetido a outras aferições, pelo menos em condições normais. O tempo fílmico é construído na “mensagem” do(s) sujeito(s) que produz(em) o audiovisual e é “diferida no tempo e no espaço” (BRAGA e CALAZANS, 2001, p. 27) ao sujeito que o assiste. E tudo pode variar quando medido por outro sujeito, ou pelo próprio, quando de uma próxima audiência.

I.6. O Tempo no Ensino A questão do tempo vista na óptica do professor que utiliza o audiovisual na prática de ensino já é debatida desde o início do uso de audiovisuais nas escolas. A primeira regra de higiene útil nas projeções animadas de Sluys (1922, apud Serrano e Venâncio Filho,1930, p. 68) é direcionada à relação tempo do filme e idade do espectador - “Duração máxima das projeções: 20 minutos para crianças de menos

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(SERRANO e VENÂNCIO FILHO. Segundo Carter (2003.de 12 anos e 30 minutos para idade maior”. menos tempo conseguem manter a atenção. como também ao rendimento do processo como um todo. Entretanto. O que o educador acaba por perceber logo no início de sua carreira. só se tornar inteiramente mielinizado na puberdade ou depois dela”. deixando uma lacuna que o educador acaba preenchendo com o uso da sua vivência e criatividade. já no início da década de trinta. de grande metragem. Essa questão da duração do audiovisual leva em seu bojo a experiência individual de cada um dos educadores que cogitaram a respeito do tema e. que os leigos no assumpto suppõem secundaria. que tem papel na manutenção da atenção. p. p. Muitas vezes as soluções por eles encontradas são alicerçadas na observação da reação de seus alunos. para os commentarios adequados a cada trecho do filme e. Serrano e Venâncio Filho alertam para o fato. este comportamento “está relacionado com o fato do núcleo da formação reticular. ainda. 1930. 94-95) Esses e outros autores mais recentes levam em consideração que o uso do audiovisual se dá em tempos normais de duração de uma aula (45 a 50 minutos). deixa claro que quanto menores as crianças. 15 . 32). Duzentos a trezentos metros representam a medida razoavel. Cumpre não fatigar a attenção da classe e deixar margem para a explicação preliminar. O filme escolar deve ser curto. isto é dez minutos a um quarto de hora de projecção. possa preencher bem a sua finalidade em aula. para o interrogatório verificador das observações de cada um dos alumnos. não foi encontrada nenhuma referência sobre o uso desta tecnologia educacional em aulas mais longas. Além de estipular um tempo de duração. Erro dos mais graves é pensar que um filme longo. A questão da metragem. não só no que diz respeito à atenção. é de relevancia toda especial.

16 . buscamos identificar: (a) a finalidade (didáticos ou de divulgação) e a origem (nacionais ou internacionais) das produções de audiovisuais científicos disponíveis para utilização em circuito educacional. (c) o tempo e a forma de utilização de audiovisuais por professores de ciências (ensino fundamental) e biologia (ensino médio). a partir de um estudo de caso. O termo biociências será utilizado para classificar os audiovisuais utilizados tanto pelos professores de Ciências e de Biologia. (b) a composição relativa ao tempo de duração do material audiovisual nas diferentes categorias identificadas.II. obtidas através de entrevistas ou através de publicações associadas aos audiovisuais. caracterizar sua utilização como prática didática do ensino formal. (d) confrontar os resultados dos depoimentos dos professores sobre a utilização dos audiovisuais com as recomendações de especialistas no assunto. Para isto. OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivo principal identificar o perfil do tempo de duração dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e. de um colégio federal tradicional do Rio de Janeiro (Colégio Pedro II).

acessados em catálogos.III. publicações digitais.1. METODOLOGIA Este trabalho foi dividido em duas seções: A primeira seção trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo.1. sendo uma filmoteca. III. sete projetos didáticos. produzidos nas últimas seis décadas. levando-se em consideração o contexto da amostra em que foram obtidos. a partir de um estudo de caso. a área e a origem desses audiovisuais.1. A amostra foi obtida de 10 diferentes acervos. Amostra e Coleta de Dados Foram analisados 3. busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica.Audiovisuais Científicos Esta seção categoriza e analisa os audiovisuais científicos que foram disponibilizados apara o educador brasileiro através de projetos de cunho didáticos e de divulgação. veiculados em mídias distintas e com linguagens também distintas. uma tese e um livro (listagem a seguir e Quadro 01). III. uma mostra e um festival. p.725 audiovisuais científicos potencialmente utilizáveis no contexto educacional. Seção 1 . • Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal: No livro de Venâncio Filho (1941. A segunda seção. 69 – 75) são listados os audiovisuais da Filmoteca do 17 .

obtido na página da TV Escola 9. os 401 audiovisuais produzidos no Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). no período 19361966. Disponível em: http://www. que foram por ela identificados. Vassimon (1998. • Discovery na Escola: Para esta parte da pesquisa foram consultadas as publicações eletrônicas do projeto Discovery na Escola. 2001b.br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/17_meio%20ambiente. Em 396 destes audiovisuais constam a bitola e a metragem • Vídeo Escola: esta amostra foi baseada no caderno do professor do projeto Vídeo Escola. 2000b. material em arquivo PDF. • Vendo e Aprendendo (TV Escola): amostra baseada no material em arquivos PDF. obtido na página da TV Escola. organizado por Aratangy (2000a.mec.mec. material em arquivo PDF.Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro).gov. de sua dissertação. 209 – 225.br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/06_ciencias.243 – 263) agrupa em tabelas do apêndice VI.pdf acesso em 25/12/2004. que foi obtido na página da TV Escola 8. 2001c e 2002). p. 2001a. p 64 – 79). • TV Escola Programas de Meio Ambiente: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002.pdf acesso em 25/12/2004. p. cujos endereços estão disponíveis nas referências desta dissertação. • Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE): Galvão (2004. • TV Escola Programas de Ciências: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002. Este material. 9 8 18 . Nesta listagem está disponibilizada a metragem de 164 dos 179 audiovisuais. 25 – 77. em Disponível em: http://www. p.gov.

Demeule (1996. pode-se fazer uma subdivisão em Ver Ciência Sessão Brasil e Ver Ciência Sessões internacionais. 1994-2003). p 10 – 23). p 32 – 39). Demeule (2003. p 54 – 100). Demeule (1997. p 39 – 82). p 40 – 47). Monteiro e Brandão (1998.com/port/docentes_guia_01. Monteiro e Brandão (1997. p 42 – 51). Demeule (1999. Demeule (1998. p 32 – 40). Monteiro e Brandão. Monteiro e Brandão (2001. p 42 – 85). Demeule (2002. Monteiro e Brandão (2003. se deve ao fato.shtml acesso em 19/12/2004 Não ocorreu a mostra no ano de 1995.arquivos PDF. p 42 – 82). p 40 – 47). • Festival Image et Science: Baseado nos catálogos do Festival International de L’émission Scientifique de Télévision (Image et Science. sessão BBC. A escolha do período defasado em 1 ano com o Festival Image et Science. foi obtido na página de apoio aos professores. Demeule (1994. Demeule (2000. de que muitos audiovisuais internacionais desta mostra. denominada Guias de Apoio 10. p 38 – 45). Monteiro e Brandão (2002b. • Mostra Ver Ciência: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 11. Monteiro e Brandão (1994. p 36 – 41). dividem a mostra em sessão Brasil e em várias outras sessões essencialmente internacionais: sessão Especial. p 36 – 45). p 112 – 157). Monteiro e Brandão (2000. Monteiro e Brandão (2004. p 56 – 100). Demeule (2001. p 38 – 81). Demeule (1995. Monteiro e Brandão (1999. Disponível em: http://discoverynaescola. Monteiro e Brandão (1996. serem os mesmos que foram apresentados no festival do ano anterior. sessão Image et Science e sessão Televisão para a Juventude. p 36 – 45). p 53 – 95). como é mostrado na seqüência: • Mostra Ver Ciência Sessão Brasil: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004. p 70 – 113). p 64 – 103). 11 10 19 . Assim com essa divisão entre audiovisuais nacionais e internacionais.

com a informação do número de audiovisuais. 22 – 29.2002) Internet Catalogo Demeule (1994-2003) Catalogo Monteiro (1994-2004) 12 No livro de Venâncio Filho de 1941 não se encontra o ano de produção dos audiovisuais. 22 . Monteiro e Brandão (1997. Monteiro e Brandão (1998. p 10 – 27. p 12 – 17. 32 – 37). p 14 – 39. Resumo dos acervos de audiovisuais utilizados no contexto educacional. 32 – 35). p 12 – 19. p 12 – 19. Monteiro e Brandão (1999.programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Mostra . 30 – 33). 26 – 30.• Mostra Ver Ciência Sessões internacionais: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 de Monteiro e Brandão. 20 . Amostra Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola . Monteiro e Brandão (2003. 20 – 23. Monteiro e Brandão (2002. 28 – 29. p 12 – 23. p 24 – 41). p 10 – 27. Monteiro e Brandão (2000.25. 34 – 36). 26 – 29). 54 – 59). 28 – 33). p 14 – 25. p 14 – 22. que compõem a amostra analisada. Monteiro e Brandão (1996.Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Ano 1941 12 1936-1966 1994 1998 1996-2002 1996-2002 2000-2001 2004 1994-2003 1994-2004 1936-2004 Fonte dos dados Livro Venâncio Filho (1941) Tese Galvão (2004) Publicação Guimarães (1994) Publicação Vassimon (1998) Internet Internet Internet Aratangy (2000a . Monteiro e Brandão (2004. Monteiro e Brandão (2001. 30 – 33). (1995. Quadro 01. 26 – 29).

Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos a amostra foi dividida em duas grandes categorias de audiovisuais . III. Para classificá-los como biociências utilizou-se palavras da sinopse.2. pôdese fazer para cada um dos acervos. Esta divisão teve como intuito analisar se havia diferenças entre a produção nacional e a internacional. Foi verificada a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total. do país em que foi produzido e da área de conhecimento. Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total.3. Análise de Dados A partir das informações das finalidades do acervo. Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total. Alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais. um agrupamento só de vídeos de biociências. III.Didáticos e de Divulgação.1.III.2. Áreas do Conhecimento .2. Nacionalidade . que se ajustassem com as palavras 21 .1.Os audiovisuais da amostra foram classificados.1.2. as amostras foram categorizadas e separadas. sinopse etc) contidas nos acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola. o objetivo foi de aferir se sua constituição temporal é equivalente aos de outras áreas.1. III. segundo o país de origem. em Nacionais e Internacionais.Com informações adicionais (tipo de audiovisual. outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais. para se identificar os possíveis fatores que diferenciam esses audiovisuais quanto ao tempo de duração.2.1. das áreas do conhecimento e assunto destas publicações. Finalidade .

filmes forneciam informações sobre o tempo em metragem. enquanto outros tipos de audiovisuais forneciam as informações em minutos e/ou em minutos e segundos.Com a finalidade de organizar um banco de dados que pudesse fornecer informações. Por exemplo.cnpq. o tempo foi convertido para todas as fontes originais utilizadas não expressas em minutos (Quadro 02).2. O banco de dados foi organizado utilizandose o minuto como sendo a unidade de tempo a ser referida. em uma única forma. foi necessário trabalhar os dados originais de fontes de tipos diferentes de audiovisuais. para cada um dos acervos. 4.das sub áreas do conhecimento da tabela de áreas do conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 13. O segundo agrupamento. Devido ao fato de alguns audiovisuais serem os mesmos nos dois projetos. os resultados dessa divisão podem ser encontrados nos Apêndices B e C. Ciências Biológicas.4. na composição final do banco de dados. III. os quais não foram classificados.br/areas/tabconhecimento/index. páginas 103 e 104. já foram encontrados divididos em Meio Ambiente e Ciências. 13 Disponível em: http://www. Assim. Ciências Agrárias. foi composto por audiovisuais de outras áreas.htm acesso em 27/01/2004 22 .1. Todos os resultados das distribuições de freqüências foram expressos como percentagem do total. Os audiovisuais da TV Escola. eles eram confrontados para dirimir eventuais dúvidas. Considerou-se como biociências as áreas do CNPq: 2. Perfil de Tempo . Ciências da Saúde e 5. facilmente utilizáveis para esse estudo.

Quadro 02. com duração de mais de 60 minutos. e para baixo. Os valores de tempo de duração encontrados foram arredondados para cima. 155). Os dados resultantes desta 23 . um minuto inclusive e cinco minutos inclusive). com frações maiores do que 30 segundos inclusive. iniciando na Classe A. com valores fracionados inferiores a 30 segundos exclusive. essenciais de serem exaustivas e mutuamente exclusivas. recomendados por Marconi e Lakatos (2002. Não foram observados audiovisuais com menos de 30 segundos. a classe B de 5’30” até 10’29” e assim por diante. Portanto. os valores iniciais e finais de cada classe são includentes (no caso da classe A. que vai de um até cinco minutos. e encerrando na Classe M. Fonte Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Ciências TV Escola – Meio Ambiente TV Escola – programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Tempo na fonte Metragem Metragem Minuto Minuto Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto Minuto Minuto Tempo no banco de dados Minuto Os resultados convertidos foram agrupados em 13 classes de cinco minutos de duração. a classe A abrange audiovisuais de 0’30” até 5’29”. Informação do Tempo dos Audiovisuais utilizados neste estudo. Este agrupamento em classes de cinco minutos foi definido após observação detalhada das distribuições de freqüências do banco de dados montado durante este estudo e visa uma homogeneização de resultados para facilitar a análise. Na realidade. Desta forma a distribuição de freqüências se enquadra nos critérios. p.

• Mostra Ver Ciência Sessão Brasil – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999. com 135 audiovisuais. Curta duração: > cinco minutos e ≤ 15 minutos (Classes B e C). Longa duração: > 60 minutos (Classe M) Uma discussão mais detalhada dessa nomenclatura pode ser encontrada no Apêndice A. página 102. o conjunto de audiovisuais desses acervos foi dividido em dois períodos: • Festival Image et Science – os 10 anos do acervo foram divididos em qüinqüênios: (1) 1994 a 1998. com 210 audiovisuais e (2) 1999 a 2003. Média-alta duração: > 40 minutos e ≤ 60 minutos (Classes I a L). com 204 audiovisuais e (2) 2000 a 2004. em algumas amostras não há referência a todos os intervalos de classe de tempo. Média-baixa duração: > 15 minutos e ≤ 40 minutos (Classes D a H). Para fins de suprir a necessidade de diferentes análises dos audiovisuais neste trabalho. com 215 audiovisuais.análise são mostrados segundo a freqüência percentual de audiovisuais por classe. 24 . Devido ao fato do acervo ser heterogêneo. As análises iniciais dos dados dos catálogos sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período de três acervos. A fim de estabelecer um padrão de análise. as classes de tempo de duração supracitadas foram agrupadas nas seguintes categorias: • • • • • Curtíssima duração: ≤ cinco minutos (Classe A).

2. Onde: A1 = amostra 1. π = população. respectivamente. de tamanhos n1 e n2. III. decidir se A1 ∈ π e A2 ∈ π.Após observação detalhada dos dados obtidos e tendo como referência Kelvin (1987). Segundo Kelvin (1987.1. com 324 audiovisuais e (2) 2000 a 2004. A1 e A2.5. é possível. A2 = amostra 2. já que estes e os outros dados brutos foram agrupados em seqüência ordinal e porque alguns dos conjuntos de dados não tinham uma distribuição normal e/ou em algumas das classes desses conjuntos de dados havia freqüências menores que cinco audiovisuais. O cálculo de U foi obtido pelas fórmulas: U1 = n1n2 + n1(n1 + 1)/2 – P1 U2 = n1n2 + n2(n2 + 1)/2 – P2. se ambas podem ser consideradas provenientes da mesma população”. 233). “dadas duas amostras.• Mostra Ver Ciência Sessões Internacionais – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999. Onde: U = estatística U de Mann-Whitney n1 = tamanho da amostra menor. p. isto é. ou mesmo nulas. n2 = tamanho da amostra maior. optou-se pelo uso da estatística nãoparamétrica de Mann-Whitney (teste U). 25 . mediante a prova de Mann-Whitney. Análise Estatística . com 268 audiovisuais.

Este teste usou o nível de significância como sendo. Este teste foi usado para verificar se duas variáveis que apresentam os resultados em classes ou categorias estão relacionadas (variáveis categóricas).com.yahoo. com α = 0. foi atribuído o valor de erro padrão (Se) e desvio padrão (Sd). os 54 programas que compunham o projeto em 2004 foram agrupados por classe de tempo de 15. 30 e 50 minutos (esta última composta por audiovisuais de 50 até 60 minutos) e contados os números de fragmentos propostos pela equipe da Discovery em cada um destes audiovisuais. acessado Assumida fortemente a hipótese de distribuição não-paramétrica da amostra.P1 = soma dos postos da amostra menor. α = 0. foi feito o teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov (KS).xls 26/07/2005. P2 = soma dos postos da amostra maior.br/insecta_tv/Mann-Whitney. Todos os resultados foram confirmados independentemente do tipo de variável. todos os resultados das análises realizadas neste trabalho foram verificados através do teste de Qui-Quadrado para independência. Contou-se também o número de audiovisuais de 26 .05 no caso de distribuição normal. Os valores dos tempos de duração foram aproximados para minutos inteiros. que está disponível no endereço: em http://geocities. graças à implementação de uma planilha no programa Excel 2000. Os cálculos foram possíveis. como rigor estatístico. conforme a metodologia supracitada e os números de fragmentos foram arredondados para valores inteiros. Foram estabelecidas as médias de tempo destes fragmentos em cada uma das classes.05 (5%). com o auxílio do programa GraphPad Prism 4 na distribuição de freqüência de cada classe. No projeto Discovery na Escola havia a proposta de fragmentação dos audiovisuais assim.

Seção 2 – Professores e Especialistas III.1.2.2. Os professores entrevistados estavam lotados nas seguintes unidades do Colégio Pedro II: • • • 14 Unidade Escolar Centro Unidade Escolar São Cristóvão II Unidade Escolar São Cristóvão III A instituição não foi capaz de informar o número exato de professores concursados licenciados. Por problemas de ordem pessoal dos professores ou de estrutura da grade horária não foi possível entrevistar os 54 professores. três não prestaram a entrevista.1. III. Para preservar a autoria das entrevistas. assim como o número de professores contratados.2. genericamente indicado nos guias de apoio como “primeira e/ou segunda parte”. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III. localizado na cidade do Rio de Janeiro.1. A amostra de entrevistados corresponde a 61% (33) do total de 54 14 professores de biologia e ciências contabilizados pela secretaria geral da instituição como concursados e efetivos. os professores e professoras foram numerados de 01 até 33 e desta forma aparecerão citados nesta dissertação. 27 . devido a dinâmica do processo de contratação e dispensa. Entre os 36 contatados. considerando cada uma das partes como fragmentos maiores que 20 minutos.50 minutos apresentados em duas partes. Amostra Esta parte da pesquisa se constitui num estudo de caso a partir do discurso dos professores de ciências do Ensino Fundamental e de biologia do Ensino Médio do Colégio Pedro II. sem levar em consideração o gênero (ei: Professor 12).

Segundo Marconi e Lakatos (2002. do tipo focalizada. na entrevista não-estruturada “O entrevistado tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. Apesar da liberdade para perguntas. p 94).2.• • • • Unidade Escolar Engenho Novo II Unidade Escolar Humaitá II Unidade Escolar Tijuca II Unidade Escolar Realengo III. característica das entrevistas do tipo não-estruturadas. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão”. Coleta e Análise dos Dados: A fim de investigar o discurso dos professores acerca da utilização dos audiovisuais científicos como recurso didático.1.2. como balizar para condução das mesmas. Roteiro: Você utiliza o audiovisual (vídeo) nas aulas? Em caso afirmativo: • • • • • • Com que freqüência? Qual o tipo de audiovisual utiliza (gênero)? De onde obtém o audiovisual (acervo)? Qual a fonte do audiovisual (origem)? Como utiliza o audiovisual? Quais as características favoráveis de um audiovisual para facilitar o seu uso no ensino? 28 . foram realizadas entrevistas nãoestruturadas. foi utilizado um roteiro de perguntas (tipo focalizado).

assegurando o anonimato. após o cadastramento do entrevistador e liberação junto a chefe do setor de pesquisa. no caso o autor da tese. uma vez que salas de professores são ambientes muito movimentados. os professores foram entrevistados na “sala dos professores”. Seguia-se a apresentação do entrevistador.Em caso negativo: • • • Quais os fatores que impedem o uso do audiovisual? Quais os fatores pessoais que poderiam facilitar o uso do audiovisual? Quais os fatores relacionados ao equipamento que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados às instalações que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados diretamente aos audiovisuais que poderiam facilitar o seu uso? As entrevistas foram agendadas. Apesar de realizadas em ambiente coletivo. 29 . para a entrevista. professora Denise Mano. professora Eliane Jorge. Eles eram convidados. individualmente. ambiente que eles ocupam nos horários vagos ou de reunião. extensão e cultura do colégio. Nas unidades supracitadas. sempre se tomou o cuidado para que as entrevistas fossem individuais. O agendamento das mesmas contou com o auxílio da chefe do Departamento de Biologia e Ciências. Esta determinação se mostrou perfeitamente viável. A necessidade de gravação das entrevistas. e era explanado o propósito da entrevista (para estudar aspectos do uso do audiovisual no ensino). foi procedimento aceito por todos os entrevistados.

foram analisadas as formas de uso dos 54 audiovisuais dos Guias de Apoio. III.2. podem ser encontradas as recomendações de uso feitas por 45 especialistas. desta forma o entrevistador pode explorar melhor os vários aspectos da produção.2. III. Algumas das questões são abordadas quantitativamente nos resultados enquanto outras são analisadas qualitativamente na discussão. No Discovery na Escola. difusão e organização de acervos dos audiovisuais científicos. 2001a.2. Publicações digitais como fonte de dados: Na série de publicações “Como usar os vídeos da TV Escola” do número 01 (um) ao 06 (seis). 2000b. 2001b. Foram entrevistados três difusores. III. 2001c e 2002).2.sendo literalmente impossível prestar atenção a uma conversa que ocorra a alguma distância. quatro produtores e três organizadores de acervos: 30 . Aratangy (2000a.2. Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados: Esta parte da pesquisa contou com entrevistas não-estruturadas. Entrevistas com Produtores.1.2. Recomendação dos Especialistas As recomendações dos especialistas da área acerca do uso dos audiovisuais foram obtidas através de entrevistas com profissionais da área ou em publicações especializadas.2. sendo dois da Mostra Ver Ciência e um do Festival Image et Science.

Matthew. Lins e. 2004. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em 01 set. Entrevista concedida em: 2005. Organizador dos acervos dos projetos Vale Vídeo e Vídeo Escola. 2004. Produtor da série Horizon da BBC. Entrevista concedida em 02 set. • BARROS. Produtor e gerente geral da empresa Vídeo Ciência. Henrique G. • MOREIRA. Rio de Janeiro. Diretora do Festival Image et Science. Paula. • MONTEIRO. • DEMEULE. além de curador da mostra Ver Ciência sessões internacionais e membro do júri do Festival Image et Science. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em: 2005. Produtor independente. Rio de Janeiro. • BRANDÃO. Teresópolis. Entrevista concedida em 2004. José Renato. 31 . Entrevista concedida em: 2004. Rio de Janeiro. • SALDANHA. Produtora da série Expedições. Entrevista concedida em: 2004. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Ildeu de Castro. • BENCHIMOL. P. Marlene. Organizadora de acervo de audiovisuais científicos. Curador da Sessão Brasil da Mostra Ver Ciência e Organizador do acervo do projeto Vídeo Escola. que é veiculada na Rede Brasil de emissoras educativas. Annick.• BARRETT. Entrevista concedida em: 2005. Sergio.

a partir de um estudo de caso. RESULTADOS A primeira seção deste trabalho trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo. Finalidade e Origem Os audiovisuais dos 10 acervos que compõem a amostra foram a princípio caracterizados quantos à sua finalidade e origem. A segunda seção. IV. busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica. Seção 1 – Os Audiovisuais Científicos VI.Didáticos e de Divulgação – e verificar a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total (Tabela 01). a partir das informações disponibilizadas em catálogos próprios ou em publicações especializadas.1. 32 . Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos foi possível dividir a amostra em duas grandes categorias quanto à finalidade dos audiovisuais .IV.1.1.

72 3. gerando dois subconjuntos de respectivamente 281 audiovisuais sobre meio ambiente internacionais e 76 audiovisuais nacionais. produzidos em outros paises. Os programas de ciências da TV Escola foram divididos em dois agrupamentos: o primeiro continha 1081 audiovisuais sobre ciências. gerando os seguintes sub- 33 .356 3. Os programas de meio ambiente da TV Escola.Tabela 01. Categoria por Finalidade Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola .186 357 51 54 2. segundo a Finalidade.92 16.725 31. também foram separados assim.29 3.60** Divulgação Festival Image et Science Mostra .725 audiovisuais).28 Acervos Audiovisuais (n) (%)* 63. foram divididos os acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola.07 2.40** 100.programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola TOTAL 08 164 396 78 83 1.15 2.50 50. ** Percentuais calculados com relação ao total geral (n = 3.66 36.356 audiovisuais). outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais (Tabela 02).34 68.Ver Ciência TOTAL TOTAL GERAL 02 10 425 931 1.369 6. Categorização dos Acervos de Audiovisuais.00** * Os percentuais foram calculados com relação ao total de cada categoria: Didático (n = 2.369 audiovisuais) e Divulgação (n = 1. A análise da origem dos audiovisuais mostrou que alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais. e o segundo continha 105 audiovisuais produzidos no Brasil.06 15. Da mesma forma.

88 100. 34 .conjuntos: 31 audiovisuais nacionais e 47 internacionais no acervo da Vale Vídeo e 40 audiovisuais nacionais e 43 internacionais no Vídeo Escola.725** * Na Tabela 100% correspondem ao total de cada acervo.12 99.Programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola 396 31 40 105 76 100.15 78.85 21.081 281 54 60.83 2. Tabela 02.74 48.497 425 339 592 3. A Tabela 03 a seguir mostra os números e freqüências totais dos conjuntos de audiovisuais analisados nesse estudo. Acervos (n) Categoria por Origem Nacionais (%) Internacionais (n) (%) Total* Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola . ** A soma dos totais de audiovisuais nacionais e internacionais não corresponde ao total geral devido a não caracterização da origem dos acervos da TV Escola . Audiovisuais dos Acervos Didáticos e de Divulgação segundo sua Origem.17 1. segundo sua origem (nacional e internacional) e a finalidade do acervo (didático ou de divulgação).00 0.programa Vendo e Aprendendo e da Filmoteca do Departamento de Educação do DF.71 100.29 47 43 1.013 400 591 94.81 91.26 51.00 39.19 8.00 164 396 78 83 1186 357 51 54 Divulgação Festival Image et Science Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil Mostra Ver Ciência – Sessão Internacional Total** 25 339 1 5. por falta de informações nas fontes consultadas.

60) 1.16) 1.013 (27.53) Internacional (%) 1506 (47.Tabela 03. a 35 .506 (40.79) Internacional (%) 1.77) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra (n = 3. descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE). A análise do conjunto de resultados mostra que a maior parte (n = 1.61) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra de acervos audiovisuais de fácil acesso pelos professores (n = 3. Esses resultados mostram a visão cumulativa do perfil dos acervos que os professores brasileiros tiveram ao seu dispor nas últimas seis décadas.58) 991 (31.725 audiovisuais).369 (63.43) 991 (26. Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 252 (7.725 Total 1. Total de Audiovisuais. Audiovisuais.809 ou 57.497 (78.00) Total n (%) 1.49) 2.40) 365 (9.40) 3.77) 0 (0.31) Indeterminada (%) 51 (1.16%) dos audiovisuais de acervos acessíveis aos professores é de cunho didático. segundo sua Origem e Finalidade.89) 51 (1.165 audiovisuais).356 (42.19) 2.497 (67. segundo sua Finalidade e Origem.356 (36.84) 3. Para possibilitar a discussão desses resultados mais adequada à realidade foi necessário retirar os acervos de difícil acesso. Tabela 04.809 (57.61) 0 (0. A Tabela 04 mostra os resultados gerais apenas dos acervos atualmente de fácil obtenção pelo professor interessado.03) 215 (5. Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 648 (17.00) Total n (%) 2.60) Indeterminada (%) 215 (5. o que poderia facilitar o uso em sala de aula (Tabela 4).96) 365 (11. Entretanto.165 Total 617 (19. dos quais os professores não podem dispor.

grande maioria (n=2. Os títulos: Pingüins e Focas da Costa da Patagônia. em didáticos ou divulgação. não podemos afirmar ser um representativo de material internacional à disposição do educador brasileiro do início do século XX.89%) desses mesmos acervos é de origem internacional. 2. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal A Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro) foi escolhida por conter o primeiro registro histórico encontrado (anterior à década de 40) de audiovisuais usados na educação no Brasil. Desta forma temos o perfil de distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais da Filmoteca a seguir (Figura 02). como por exemplo a De Vry School Films Incorporated. sugerem que esses audiovisuais foram obtidos de produtoras internacionais especializadas em audiovisuais educativos. Esta entidade organizou um sistema de cooperativa para servir às escolas públicas e particulares com audiovisuais para o propósito educativo. os acervos assim classificados foram analisados quanto ao tempo de duração. Assim. Energia Solar e Répteis. distante da realidade dos alunos.497 ou 78. IV. não nos dão indícios de suas nacionalidades. o que sugere boas chances do professor ter ao seu dispor um material descontextualizado. nacionais e/ou internacionais. IV. entre outros.1. 36 . Entretanto.2. muitos outros títulos tais como: Força a Vapor. por sua generalidade.1. Perfil de Duração A partir da caracterização dos audiovisuais da amostra. Arganás. A Pesca do Bacalhau.1.

dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (n = 164). pág 14). Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) O Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE).2. 37 . este acervo caracteriza-se fortemente como sendo composto de audiovisuais de curta duração. 102).35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 >20 Classe de tempo em minutos B C D A E Figura 02. De fato a Figura 02 mostra que ocorre uma concentração em tempos muito curtos. de cunho didático (ver Introdução – Tempo no Ensino. Os dados apresentados correspondem a informações anteriores à década de 40. com a classe modal 15 sendo a C.2.12% da freqüência (audiovisuais de curta duração veja Apêndice A. nos seus 31 anos de atividades. em sua maioria de curta duração. Portanto. IV. e teve como primeiro diretor Edgar Roquette-Pinto (1884-1954). sendo que a maioria dos 15 Classe modal é a classe com a maior freqüência. produziu 401 audiovisuais. pág. Freqüência percentual por classe de tempo.1. Até esta classe existe uma concentração de 95. ou seja.

Sobre o INCE. como acontecia no mesmo momento na Alemanha. 108). no período 1936 – 1966 (n = 396). dos audiovisuais produzidos no INCE. 120) diz que é uma “instituição oficial criada em 1936. tempo de duração igual ou inferior a 15 minutos (Figura 03). Os audiovisuais produzidos pelo INCE possuem uma concentração (81. Schvarzman (2001. 38 . assim como supracitado. segundo a bibliografia especializada. e dessa forma o INCE é o representativo do material audiovisual com finalidade didática da produção nacional. p. o INCE já havia projetado audiovisuais em mais de 1000 escolas e instituições culturais” (SIMIS. A classe modal é a B (06 – 10 minutos). Freqüência percentual por classe de tempo.audiovisuais foi produzida por Humberto Mauro (1897-1983). 40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 >35 A Classe de tempo em minutos B C D E F G H Figura 03. disponibilizado para as instituições de ensino. p.56%) até a classe C. Como referido para o acervo anterior. o que. este perfil de tempo caracteriza. 2002. “Até 1942. na França e na União Soviética”. um acervo com fins didáticos. que procurou fazer do cinema um veículo de educação. na Itália. caracteriza um acervo didático.

atendendo a 150 mil alunos e cinco mil professores da região de influência da CVRD. e envolvia nove milhões de alunos em todo o Brasil. segundo Monteiro (2005. o projeto Vale Vídeo abrangeu 196 municípios e 300 escolas. O compromisso do Vídeo Escola era o de querer aprender. do Vídeo Escola e apresenta uma seleção de 78 audiovisuais. com 470 vídeos.2. em uma parceria da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e da Fundação Roberto Marinho. Neste acervo.IV. distribuídos em 14 fitas. Vale Vídeo Coordenado por Marcelo Garcia e José Renato Monteiro e desenvolvido a partir de 1989 pela Fundação Roberto Marinho. p. 96-97).3. sendo a classe modal em B (Figura 04). mais nova e localizada. os audiovisuais concentram-se (85.1. entrevista) “Um material fundamentalmente de estimulação. para serem utilizados no ensino (da 1ª a 8ª série) e uma para a capacitação dos professores. em 1994 o projeto já dispunha de uma seleção de 101 fitas. Desenvolvido em 1994. O projeto Vale Vídeo é uma versão. O que mais uma vez caracteriza um acervo de audiovisuais didáticos. 39 . com o apoio da Fundação Banco do Brasil.89%) nas classes até 15 minutos (de A a C). o Projeto Vídeo Escola tem. de predisposição e de incitamento à aprendizagem. Segundo Vídeo Escola (1996. Então era um material de extrema atratividade”.

A disponibilidade de informações relativas à área de atuação de cada audiovisual permitiu agrupar os audiovisuais em duas subcategorias: biociências (Apêndice B. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo (n = 78). pág.40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 04. 103) e demais áreas (Figura 05). 40 .

dos audiovisuais de biociências (em quadriculado. Com relação às diferenças encontradas entre os audiovisuais de ciências. n = 41) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo. Entretanto. e os de biociências foi observado uma moda na classe B de biociências e uma menor concentração nas classes A e D. n = 37). quando comparado com os de outras áreas.50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas % Audiovisuais Classe de tempo em minutos B C D 06-10 11-15 16-20 21-25 E Figura 05. 41 . O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de vídeos de todas as áreas. do projeto Vale Vídeo. como um todo. como não são diferenças drásticas foi aplicado o teste de Mann-Whitney (Tabela 05) para testar a hipótese de constituírem perfis semelhantes. Freqüência percentual por classe de tempo. (n = 78).

Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais (incolor. n = 47). efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U).6191 Hipótese Nula mantida Os resultados da comparação entre os audiovisuais de biociências e os das demais áreas do conhecimento confirmam a hipótese de não haver diferenças significativas entre os dois (Tabela 5). n = 31) e audiovisuais internacionais (cinza escuro.5 1669. ou seja. contendo produções nacionais e internacionais (Figura 06). Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências. Hipótese Alternativa : Outras áreas ≠ Biociências.5 Soma dos Postos 1411. 40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 Classe de tempo em minutos A B C D E Figura 06.5 Posto Médio 38.72 U 808.5 0. 42 . do projeto Vale Vídeo.15 40.Tabela 05. As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram este acervo como misto.5 708. ao nível ordinal. n Outras áreas Biociências Mann-Whitney U p bicaudal 37 41 808. do projeto Vale Vídeo.

0852. Por ser um projeto “irmão” ao Vale Vídeo e que teve em seu quadro os mesmos consultores. também para este acervo. resultou em p bicaudal igual a 0. podemos fazer as mesmas análises. E quando comparado com o seu projeto irmão resulta em um p bicaudal igual a 0. 43 . aceitando a hipótese nula. mantendo assim a hipótese de semelhança (hipótese nula).A análise do perfil de tempo mostra que. Vídeo Escola O projeto Vídeo Escola de 1998. sendo 14 fitas para exibição. para esta comparação. é uma compactação do projeto original em 15 fitas.54%) de audiovisuais até a Classe C (Figura 07). nesse projeto. IV.2. A análise do perfil de tempo mostra. é igual a internacional (Figura 06). voltada para a educação.1.0607. uma maior concentração (85. O teste estatístico. a produção nacional de audiovisuais de ciências. com 83 vídeos e uma para capacitação dos professores. assim como o Vale Vídeo.4.

7077 mantendo a hipótese nula. Entretanto. Já as classes A. não foram transformações consideráveis. A comparação entre os audiovisuais de biociências (Apêndice C. B. O teste de Mann-Whitney (teste U) resultou em p bicaudal igual a 0. 104) e das outras áreas de ciências mostra uma prevalência da primeira subcategoria na classe C. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola (n = 83). D e E (Figura 08) apresentam uma menor representatividade percentual dos audiovisuais de biociências. 44 . pág. uma vez que não há diferenças significativas entre os dois conjuntos de dados. Este acervo também foi dividido em subcategorias de acordo com a área do conhecimento.40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 07.

50 45 40 % Audiovisuais 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 08. do projeto Vídeo Escola. As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram também este acervo. de origem mista. n = 42) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo. contendo audiovisuais nacionais e internacionais (Figura 09). dos audiovisuais de biociências (em quadriculado. O gráfico inserido representa a distribuição percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas. Freqüência percentual por classe de tempo. 45 . (n = 83). n = 41).

do projeto Vídeo Escola. sob atribuição da Secretaria de Especial de Educação a Distância (SEED). Freqüência percentual por classe de tempo. resultou em p bicaudal igual a 0. dos audiovisuais nacionais (incolor. a TV Escola é um canal de televisão dedicado aos educadores e alunos do ensino fundamental e médio. O teste estatístico.9598. Sua finalidade é contribuir para a melhoria da educação e seus objetivos principais 46 . n = 43).2. aceitando a hipótese nula.40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 09. TV Escola Programação de Ciências Levado ao ar de forma definitiva em quatro de março de 1996. n = 40) e dos audiovisuais de outros paises (cinza escuro.5.1. IV. para esta comparação. A Figura 09 mostra que. a produção nacional tem o mesmo perfil de tempo que a internacional. novamente semelhante ao Projeto Vale Vídeo (Figura 06).

o que representa 91. existe uma concentração até 15 minutos (68.80%). A expectativa do projeto é que. Além do material que é produzido com os recursos próprios.45 milhão de professores. a diversidade de audiovisuais e a especificidade da área apontaram para a necessidade de inclusão deste recorte do projeto didático nas análises. enriquecer o processo de ensino-aprendizagem e incentivar a aproximação escola-comunidade.gov. entre o ensino médio e o fundamental.zip acesso em 10/5/2004 16 47 . Veiculada por satélite. os kits tecnológicos necessários para a captação do sinal e gravação dos programas da TV Escola são adquiridos com recursos do Ministério da Educação e Cultura (MEC).395 escolas públicas de ensino fundamental. Entretanto. Enquanto audiovisuais de curtíssima (< 5 minutos) ou curta duração (≥ 5 e < 15 minutos) caracterizam o fim didático.são auxiliar no desenvolvimento profissional dos professores e gestores. nesse acervo. com mais de 100 alunos. A análise do perfil de tempo mostra que. com a entrada da Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec) em parceira da SEED. disponível em: http://www. com a classe modal em B (Figura 10). Até 2002 a TV Escola já havia sido instalada em 57.96%). em sinal digital. A abrangência. a programação é composta por audiovisuais distribuídos majoritariamente entre as classes A e F (96. Diferentemente dos acervos anteriormente analisados.9% desse segmento da rede pública brasileira. no país e no exterior. em pouco tempo se alcance mais de 35 milhões de alunos e mais de 1. a SEED adquire. estas características sugerem uma composição mista de tempo neste acervo. os audiovisuais de média-baixa duração Texto baseado no relatório da TV Escola 1996-2002.mec.br/seed/tvescola/RelatoriosAtividades/Relatório%20da%20TV%20Escola%201996%20200 2. direitos de exibição de programas educativos de produtoras de reconhecida competência e qualidade nesta área 16.

30 25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 10. Portanto. (n = 1186). Com as informações do catálogo. foi possível verificar que apenas duas produtoras.81%) do Grade é o nome usado no meio televisivo para identificar os intervalos de tempo que cobrem cada um dos programas no período de programação da emissora. 17 48 . Freqüência percentual por classe de tempo. foram responsáveis pela produção da maioria (69. TV Escola/MEC e Secretaria Extraordinária de Programas Especiais do Estado do Rio de Janeiro. neste acervo são encontrados audiovisuais com características de divulgação científica.(>15 e ≤40 minutos) caracterizam produtos usados para suprirem as grades 17 horárias das redes de televisão. dos audiovisuais da TV Escola. apesar de ter por finalidade o uso didático. no período 1996 – 2002.

49 . voltada para a educação. algumas delas especializadas em audiovisuais didáticos. mostra que. O teste estatístico para esta comparação resultou em p bicaudal igual a 0. A comparação entre o material nacional e internacional. n = 105) e dos audiovisuais internacionais de ciências (cinza escuro. o material internacional foi produzido por 39 entidades. é significativamente diferente da produção internacional (Figura 11). Por outro lado. n = 1081) apresentados na programação da TV Escola. quanto ao perfil de tempo. no período 1996 – 2002. rejeitando a hipótese nula.0051. dos audiovisuais nacionais de ciências (incolor. nesse projeto.material nacional. a produção nacional de audiovisuais de ciências. Freqüência percentual por classe de tempo. 30 Nacionais Internacionais 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 11.

35%) até 15 minutos (Classe C). TV Escola Programação de Meio Ambiente A análise da programação de meio ambiente guarda similaridades com a de ciências.28). enquanto a internacional se concentra nas classes A e B (classe modal). é a responsável pelo perfil misto de tempo do acervo como um todo (Figura 10). O perfil de tempo deste acervo é semelhante ao encontrado para o acervo “TV Escola Programação de Ciências”. 50 . existindo uma concentração (68. A Figura 12 mostra este perfil com duas concentrações distintas.6.A Figura 11 mostra que a produção nacional. por conter um número muito maior de audiovisuais. neste segmento.2. A produção internacional também é expressiva nas classes E e F e. se concentra nas classes C e D (classe modal). Este acervo também se caracteriza por uma distribuição de audiovisuais entre as classes A e F (93. IV. sendo que na produção nacional existe uma variedade maior de produtoras.1.

Apesar das diferenças. Freqüência percentual por classe de tempo. (Figura 13) mostrou que os conjuntos Nacional e Internacional dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola contêm diferenças significativas. p bicaudal igual a 0. dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola. (n = 357). no período 1996 – 2002. Comparando os audiovisuais da TV Escola de Ciências e TV Escola de Meio Ambiente (Figuras 10 e 12) obtemos o p bicaudal igual a 0.0322.0002.30 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46--50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 12. A comparação estatística. 51 . o que descarta a hipótese nula. os dois acervos têm uma concentração de audiovisuais em tempos de até 30 minutos e duas concentrações de tempos de duração (curta e média-baixa).

n = 281).1.Programa Vendo e Aprendendo São programas produzidos pela TV Escola para capacitação de professores do ensino fundamental. n = 76) e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente (cinza escuro. apresentados na programação da TV Escola.2. B e C. após a exibição de um ou de mais audiovisuais 52 . enquanto a mundial se concentra na A (classe modal). o conjunto Internacional tende a ser o responsável pelo perfil geral (Figura 12) por conter um número de audiovisuais cerca de quatro vezes maior que o conjunto Nacional. se concentra nas classes B (classe modal) e C. Novamente. A Figura 13 mostra ainda que a produção nacional. Freqüência percentual por classe de tempo. nos quais. para esse projeto.35 30 25 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 13. TV Escola . dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente (incolor.7. no período 1996 – 2002. IV.

48 (67. os audiovisuais eram cortados (editados). sendo que destas. Também são apresentados alguns trabalhos que esses professores já haviam realizado com seus alunos. A Figura 14 apresenta a distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados. que mesmo em vídeos curtos. É interessante ressaltar. Nestas propostas pôde-se identificar o uso fracionado do audiovisual em recomendações como: “use a pausa”. Os 45 professores e especialistas convidados fizeram 71 propostas (alguns participaram mais de uma vez. para o uso dos vídeos em sala de aula. 53 . Em três (4. 37 (82. No total.22%) fragmentavam os audiovisuais. Em cinco (7. onde nos seis primeiros volumes.23%) propostas. dirigidas aos alunos da pré-escola até a 8ª série.04%) propostas. que foram distribuídas nas escolas de alcance do projeto. Baseado nesses programas.61%) propostas fragmentavam o audiovisual com o uso de paradas. foram exibidos em uma única aula e assim a consultora indicou o corte do segundo. descontando as sobreposições.sobre um determinado tema. desenvolvem as recomendações dos professores e especialistas. respectivamente de 22 e 23 minutos. professores e especialistas convidados discutem seu conteúdo sugerindo formas para explorá-los em sala de aula. 56 (78. Entre os 45 consultores. No único caso em que se diminuiu a duração de um audiovisual médio-baixo foi quando dois audiovisuais.87%) das 71 propostas fragmentaram de alguma forma os audiovisuais. a TV Escola lançou uma série de publicações com o mesmo nome dos programas. essas paradas eram indicadas. com tiragem de 110 mil exemplares cada. em edições distintas e sobre audiovisuais distintos). o audiovisual foi dividido em partes a serem exibidas em dias distintos. “pare o vídeo” etc.

Este perfil (Figura 14) sugere um acervo misto. 54 . Os dados disponibilizados não continham referência ao país da produção impossibilitando a classificação dos audiovisuais em nacionais ou internacionais. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola.25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 14. que são características de produtos de divulgação usados pelas emissoras de televisão. na classe média-baixa (de D a H) e na classe média-alta (de I a L). n = 51. no período 2000 – 2001. O acervo do Programa Vendo e Aprendendo possui representatividade de audiovisuais na classe curta (de A a C). possuindo um conjunto de audiovisuais de característica didática e outro de audiovisuais mais longos.

Originalmente veiculado de segunda à sexta feira. Costa Rica. Discovery na Escola Lançado em 1997. em 2005. na América Latina. O projeto já está funcionando no Brasil. Há ainda os que utilizam outros programas da emissora que nem ao menos fazem parte do Texto baseado em informações disponíveis em: http://www.IV.7 mil professores e mais de 500 mil estudantes. Chile.5 mil escolas. Espanha e Portugal. E o projeto Discovery na Escola utiliza uma seleção dos programas veiculados por essa emissora. em pelo menos 1. das 07:00h às 08:00h. mesmo as institucionais.2. cujas escolas façam parte do projeto. Equador. produção exclusivamente internacional. Argentina. Apesar dos números divulgados pelo projeto.discoveryenlaescuela. Curaçao. das 11:00h às 12:00h. O projeto outorga aos professores os direitos de gravação e utilização em salas de aula. as instituições educativas e o Discovery 18. estarem ligados ao projeto. México. Os professores são treinados pessoalmente através de um acordo entre as operadoras de TV por assinatura.8. Panamá. em propaganda institucional. apresentando inserções de comentários e não apresentam inserções de propagandas.1. tanto públicas como particulares. já alcançou mais de 1. ter a melhor programação do mundo para o segmento de divulgação científica. Os programas são especialmente editados para o uso didático.shtml acesso em 19/12/2004 18 55 . Há dez anos nas operadoras de TV por assinatura no Brasil. o projeto Discovery na Escola. de segunda à sexta feira.com/port/preguntas_frecuentes. a Discovery afirma. Venezuela. da programação Discovery na Escola até um ano depois da data da última exibição do programa. passou a ser veiculado. é de se relevar os incontáveis educadores que acabam utilizando esse material sem. necessariamente. e logo se estenderá à Colômbia.

n = 54. no ano de 2004. ou seja. portanto. Desta forma.48% na classe F (Figura 15). 40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 0 6 -1 0 1 1 -1 5 1 6 -2 0 21-25 2 6 -3 0 3 1 -3 5 3 6 -4 0 41-45 4 6 -5 0 5 1 -5 5 5 6 -6 0 >60 C la s s e d e te m p o e m m in u to s A B C D E F G H I J K L M Figura 15. fica evidente a necessidade de incorporar esse material na análise. A distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados no projeto. dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola. uma nítida diferença em relação aos outros projetos didáticos. Freqüência percentual por classe de tempo. Observa-se. Os programas do projeto Discovery na Escola são editados apenas para a inserção dos comentários.82% dos programas nas classes J. 56 . K e L (média-alta duração). designadas nessa análise como de 50 minutos e 31. mostra uma concentração de 64.projeto. pois apresenta apenas dois audiovisuais com fins de utilização no contexto educacional. até a classe C. no ano de 2004.

A Figura 16 mostra o exemplo de segmentação proposta para o uso de um desses audiovisuais. As linhas em baixo da linha de tempo. Os 51 (94. Três deles foram apresentados inteiros. dos 54 programas analisados. Todos os 17 audiovisuais tinham em torno de três a quatro segmentos (n total = 59). 57 . 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15min Figura 16.44%) restantes foram de alguma forma segmentados. pág 26).64 minutos (Sd 8. para completar um período de 60 minutos. cada um com uma duração média de 9. A barra mais grossa representa a linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos.14 – Ver Metodologia. dois audiovisuais de 15 minutos foram apresentados de forma fragmentada. para trabalhar os conceitos selecionados. com uma duração média de 7. sendo que 18 deles foram fragmentados em duas partes. Os 35 audiovisuais de 50 minutos tinham uma média de três (3.43) minutos.75 e Se 1. representam os segmentos propostos pela equipe da Discovery. Cada segmento tinha uma duração média de 20 (20. Como um exemplo da forma proposta para o uso.Apesar do tempo dos audiovisuais serem mais longos.14) segmentos (n total de segmentos = 110). Dezessete audiovisuais de 30 minutos foram apresentados de forma fragmentada e aos pares.50 minutos. Possuíam a média de quatro segmentos cada. apenas três eram propostos que fossem assistidos inteiros e eram audiovisuais de 30 minutos. portanto com sobreposição. o programa “Tudo sobre Límulos”.

e tem como meta principal “oferecer aos pesquisadores e aos profissionais de mídias. agora o Image et Science serve como referência às seguintes manifestações associadas: • International Scientific Film Festival (Beijing Festival) – China. já em seu ano inicial. 58 . 2003. também conhecido como Image et Science. de confrontação e de projetos” (DEMEULE.2. presidente fundador da Associação Internacional do Cinema Científico.9. diretor da criação artística e literária da Unesco. do cineasta Roberto Rossellini. Um modelo de inspiração. Festival Image et Science Organizado pelo Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) em 1976. o Rencontres internationales de l’audiovisuel scientifique. não se tem o valor de desvio e do erro padrão. Fórum de debate de questões essenciais relacionadas à difusão da ciência. IV. com a presença de Jean Painlevé.1. ele agora esta sob a égide do CNRS e do Conselho Internacional do Cinema da Televisão e da Comunicação Audiovisual da UNESCO. e desde 1990 tem como local físico das suas projeções nada menos que a Torre Eiffel. Tendo como pátria mãe a França. acomodou o primeiro Festival Internacional de Emissão Científica de Televisão. também conheceu o exílio por meia dúzia de anos na Itália e mais um par de anos nos Estados Unidos. p. em seu primeiro colóquio sobre “Audiovisuel et connaissance de la science”. entre outros. espaços privilegiados de descobertas. presidente do Comitê Internacional do Filme Etnográfico e Sociológico. de Enrico Fulchignoni. tradução nossa). de diálogos. Desde 1989 retornou definitivamente à França.Uma vez verificada a distribuição não normal. Este fórum contou. de Jean Rouch.

France 5. os programas. 19 59 . De um modo geral. Channel Four. sendo desta forma um bom representativo da composição temporal deste segmento da produção audiovisual mundial. Voir la Science – Iran. Discovery Channel. tais como: Télé-Québec. NHK. Este é um dos padrões de tempo utilizados nas grades de programação das emissoras comerciais e de muitas públicas. com tempos de duração próximos a 30 min. National Geografhic. Hoje é cobiçado como uma vitrine de excelência por produtoras de peso em audiovisuais científicos. gráfico inserido) mostra que ocorrem duas concentrações: uma nas classes E e F e outra maior nas classes a partir da I.. representam 30.• • • • • Ver Ciência – Brasil. Téléscience – Canadá. TV Ontário. A análise do conjunto de audiovisuais desse acervo (Figura 17. Deutsche Welle. ficando muitas vezes com 25 ou 26 minutos. France 3. As classes E e F. BBC. Colômbia e Equador. ZDF. TV Globo. Nos últimos dez anos o festival exibiu a melhor seleção da produção de 59 países. TV Cultura. Ver Ciencia .Bolívia. que abrangem os tempos entre 21 e 30 minutos. Os audiovisuais independentes apresentados em bloco foram separados e seu tempo de duração. em 425 audiovisuais 19. São estes os programas de meia hora. France 2. são editados para que se caiba a propaganda. computado como individual. os quais são normalmente apresentados na grade de programação com outro programa de meia hora. Chile.. tendo os espaços supridos com propaganda de patrocinadores e/ou institucionais perfazendo a hora inteira da grade. Verdere la Scienza – Itália. WGBH.12% da produção.

n = 425. ou seja.47% da produção (Figura 17. No gráfico inserido. com tempos entre 46 e 55 minutos. gráfico inserido). Freqüência percentual por classe de tempo. Uma segunda concentração encontrada abrange as classes J-K. a classe K é a maior. freqüência percentual de todos os audiovisuais. de 41 até 60 minutos. Podemos estender esta abrangência para englobar as classes de I até L. dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science.25 25 20 1994-1998 1999-2003 20 15 10 5 % Audiovisuais 15 0 AB C D E F GH I J K LM 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 17. Nestas “classes de hora inteira”. no período 1994 – 2003. n = 210) e 1999-2003 (tracejado.12% do total de 60 . com 22. já que estes programas podem ser facilmente editados para aproximadamente 40 minutos e. nos qüinqüênios 1994-1998 (quadriculado cinza. que representam 32. perfazendo 48.94% da produção. suprir o tempo de hora inteira da grade de programação. n = 215). junto com as propagandas.

as produtoras. C e G.audiovisuais apresentados. ele ocupa a 7ª posição no ranking dos 59 países participantes. de 1997. Uma análise sobre a constituição dos países participantes do Festival mostra que o Brasil 20 faz parte do seleto grupo dos dez países que participaram com mais de dez audiovisuais nestes dez anos. pág. A produção de qualidade brasileira vem mostrando uma perenidade. que em muitos dos casos são as próprias emissoras. 105). As redes de televisão estão presas a uma grade de programação que dita o tempo de duração dos programas por elas veiculados e. F. que passou a ser veiculada também por essa emissora. I e J. cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho e dois da Futura/Fundação Roberto Marinho. nos levaram a separar o decênio analisado em dois qüinqüênios. com pelo menos um produto de excelência por ano (ver Apêndice D. a metodologia contou como um só documentário “O Minuto Científico”. acaba por pressionar a produção para se adequar a esse modelo. A distribuição de freqüências é do tipo bimodal. Indícios de modificação deste perfil. com uma primeira classe modal em F e uma segunda classe modal em K. Dos dois da Futura//Fundação Roberto Marinho. pertencentes a várias séries. Assim. A Figura 17 mostra que ocorreu uma diminuição de audiovisuais das classes A. nove eram da TV Cultura de SP. sendo que muitas já não existem mais. e um aumento das classes E. 20 Para este cálculo. ficam presas a esse padrão. Dos 16 audiovisuais. Com 16 audiovisuais apresentados de uma forma bem distribuída pelo período. ao longo do período de veiculação desse acervo. quatro eram da série Globo Ciência e um da Globo Ciência Saúde. 61 . Dos cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho. Todos os programas brasileiros veiculados no festival no último qüinqüênio foram das classes comerciais E e F. em última instância. um era da série Globo Ciência.

O curador da mostra nacional é José Renato Monteiro. junto com a rede educativa.1.IV. Também as análises iniciais dos dados dos catálogos da Mostra Ver Ciência sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período. O Ver Ciência. por questões operacionais. que vem contando. dentre as quais estão Vitória. A mostra conta com a exibição integral dos documentários em 11 instituições parceiras do projeto no Rio de Janeiro e em mais cinco instituições em outros estados. Mostra Ver Ciência . os acervos. O primeiro é que existe duas 62 . numa realização da Associação Internacional Ver Ciência (AIVC) com o Centro Cultural Banco do Brasil/Rio. e é associado ao Rencontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique – "Image et Science".Sessão Brasil Coordenado por Sergio Brandão e José Renato Monteiro. Estes audiovisuais também são veiculados na TV Escola e são bons representantes da produção nacional neste segmento. tanto da Sessão Brasil. O Projeto está sendo desenvolvido com este formato há dez anos. com o patrocínio nacional da Petrobrás e com o apoio do Ministério da Cultura. quanto da Internacional. foram divididos em dois períodos de cinco anos. O perfil de tempo dos dois períodos analisados na Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil apresenta dois eventos marcantes. São Paulo. o Ver Ciência reúne produções de divulgação científica nacional e de diferentes partes do mundo. foi dividida em Sessão Brasil e Sessões Internacionais. vem exibindo semanalmente os melhores programas das mostras Ver Ciência dos anos anteriores. e o curador internacional é Sergio Brandão. que também é membro do júri do Image et Science. Porto Alegre. A TV Cultura. passando por 16 cidades brasileiras.10. desde 1996.2. Campo Grande e Curitiba. nessa dissertação. Florianópolis. Assim.

a representatividade dos audiovisuais da classe A passou de 39. n = 135). Gráfico inserido 1999-2004 (n = 339) Apesar da facilidade de produção e diversidade de uso. uma queda de 56. respectivamente. O segundo fato é que a classe A sofreu uma diminuição no último qüinqüênio. ou seja. o que sugere um esforço no sentido de satisfazer as exigências das grades horárias das redes de televisão.61% e 60.22% do total para 22.22%. As classes E e F aumentaram em.112. n = 204) e 2000-2004 (tracejado. 40 35 30 1994-1999 2000-2004 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 35 30 25 20 15 10 5 0 AB C D E F GH I J K LM 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 Classe de tempo em minutos C D E F G H I A B J K L Figura 18.concentrações de audiovisuais. enquanto as classes E e F tiveram um aumento (Figura 18). uma na classe A (classe modal) e a outra nas classes E e F. Freqüência percentual por classe de tempo.65%. 63 . dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza.58%.

25 20 15 1994-1999 2000-2004 20 10 5 % Audiovisuais 0 A B C D E F GH I J K LM 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 19.1. 1994-2004 (n = 592) 64 . dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza. na categoria de média-alta duração (a partir da classe I). O perfil das Sessões Internacionais apresenta três concentrações quanto ao tempo de duração (Figura 19). Freqüência percentual por classe de tempo. Gráfico inserido.11. n = 268).2. as sessões internacionais do Ver Ciência são um bom representativo da produção internacional. Mostra Ver Ciência . no segmento de audiovisuais voltados para a divulgação da ciência.IV.Sessões Internacionais Com um total de 592 audiovisuais representando 49 paises. n = 324) e 2000-2004 (tracejado. com uma representatividade de 50. Uma concentração de audiovisuais pode ser observada na classe B. a maior.84% dos audiovisuais desse acervo. outra na classe F e.

Sessões Internacionais possui mais audiovisuais na classe B e menos na classe K. por Decreto Imperial. Consagrado até a década de 50 como “Colégio Padrão do Brasil”. em 20 de dezembro do mesmo ano.O perfil do Festival Image et Science não é significativamente diferente do encontrado na Mostra Ver Ciência . esta prática foi analisada a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação. Isso se deve ao fato do Ver Ciência conter alguns programas que não se enquadraram nas exigências do Image et Science.2. Seção 2 – Professores e Especialistas Uma vez caracterizado o perfil de tempo dos audiovisuais (audiovisuais de projetos didáticos e de divulgação científica) que poderiam ser utilizados pelos professores. já que neste último. IV. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II O Colégio Pedro II foi fundado em 2 de dezembro de 1837 e oficializado. ocorrendo o oposto no Image et Science. de acordo com o teste estatístico (p bicaudal igual a 0. se compararmos as Figuras 17 e 19 podemos observar que o Ver Ciência .1. IV. buscamos verificar o discurso do professor do Colégio Pedro II acerca da utilização do audiovisual científico como recurso didático.4348). Este conjunto de resultados sugere a existência de diferenças entre os padrões de tempo dos audiovisuais de divulgação e aqueles voltados ao ensino.Sessões Internacionais. só são veiculados audiovisuais que tenham sido previamente veiculados em redes de televisão. Posteriormente.2.5 século de existência. Mesmo após mais de 1. 65 . Mas.

Visconde de Taunay. além de cursos técnicos na área de Informática. emocionais e sociais do mundo de hoje 23". Washington Luís. Evanildo Bechara. oferecendo ensino fundamental e ensino médio. culturais.br/historico/historico. Na unidade de Realengo. Manuel Bandeira e Aurélio Buarque de Holanda. Dentre os notáveis alunos. Hermes da Fonseca.htm acesso em 29/08/2004 22 21 66 . pode-se citar: Àlvares de Azevedo. Euclides da Cunha. Mário Lago. Como característica no Colégio Pedro II. por ser uma unidade em implantação. as aulas de ciências e biologia possuem tempo duplo (uma hora e 40 minutos). os professores utilizam a sala de audiovisual de outra instituição. Manoel Bandeira. Seu corpo docente é de qualificação inquestionável.g12.religiaodedeus. Nilo Peçanha.recebeu. o prêmio Qualidade do Governo Federal por seu projeto de qualidade total na área de educação. videocassete e TV de 29 polegadas e. Pedro Bloch. em 1998. acervo de fitas diversificadas. José de Paiva Netto. Domingos Meirelles entre outros 22.br/index1. e alguns nomes que ocuparam esse quadro são até hoje lembrados. Segundo a instituição. em alguns casos.g12. tornando-os capazes de responder às transformações técnicas.cp2. De seus bancos escolares saíram gerações de homens ilustres que engrandeceram e dignificaram o país 21.htm Acesso em 27/12/2004 Texto baseado em informações obtidas em: http://www. Prudente de Moraes. Afonso Arinos de Melo Francos. Informações disponíveis em: http://www.org. Adolpho Bloch. sua missão é: "educar crianças e adolescentes. Seis das sete unidades pesquisadas possuíam suporte técnico para audiovisual composto por sala de audiovisual.php?cs=C_CDG_SECAO_ULTIMAS_NOTICIAS&sp=8663 acesso em 26/06/2005 23 Texto baseado em informações obtidas em: http://www.cp2. É uma autarquia federal e funciona em três turnos em seis bairros da cidade do Rio de Janeiro.br/interna/interno. como: Barão do Rio Branco. Antonio Houaiss. Alziro Zarur.

a maioria declarou preferir o gênero documentário (Figura 21). da Universidade Santa Úrsula. 24 67 . a Profa. referindo-se aos audiovisuais do acervo de Marlene Benchimol 24. Marlene Benchimol. 28 26 24 22 81. A maioria expressiva dos professores declarou usar o audiovisual como ferramenta didática (Figura 20) e os que não usavam geralmente relatavam impossibilidades circunstanciais.diz possuir um grande acervo de audiovisuais científicos. Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II (n = 33).18% Uso do audiovisual Figura 20. lhe autorizaram o uso para fins educacionais. Dra. como descrito na metodologia (pág 28).82% Número de professores 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 SIM NÃO 18. Entre os professores que faziam uso de audiovisuais em suas aulas.Os professores das unidades do colégio Pedro II foram entrevistados tendo como base um roteiro de perguntas. Em entrevista concedida em 2004. cujos autores. Apenas um professor citou o gênero “didático-científico”. do Laboratório de Ultraestrutura Celular. normalmente cientistas.

70% Não respondeu Gênero Figura 21. também. 25 68 . Um dos professores relatou outros dois gêneros. O percentual é calculado sobre os 25 que usam o documentário. animação. Entre os 25 professores que utilizavam o gênero documentário em suas aulas. como: filmes.26 24 22 92. Freqüência de gêneros de audiovisuais utilizados pelos professores Colégio Pedro II (n=27). 13 25 declararam fazer uso. de outros gêneros de audiovisuais. didáticos e reportagem (Figura 22).59% N ero de professores úm 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 3.70% Documentário Didático-Científico 3.

a maioria (62. mas em outras o acervo era bem diversificado. A partir dos depoimentos dos professores. Muitos professores relataram possuir um acervo pessoal bem composto para usos específicos.00% 12.00% 1 0 F ilm e A n im a ç ã o D id á t ic o R e p o rta g e m G ê n e ro Figura 22. considerando que os documentários.6 Número de professores 5 4 3 2 24. filmes e reportagens citados têm o caráter de divulgação. quando questionados sobre a procedência dos acervos utilizados.66%) da amostra não fazem uso de audiovisuais didáticos (Figuras 21 e 22). pelo menos. 18 professores (66. 69 .00% 4. os resultados sugerem que. Entretanto. Algumas unidades do colégio possuíam um acervo sucinto.00% 16. não foi possível identificar os audiovisuais de animação como didáticos ou de divulgação. Outras opções de gêneros de audiovisuais utilizados em sala de aula pelos professores que declaram fazer uso de documentários (n=25).96%) declarou ser de acervo próprio (Figura 23). Mesmo assim.

Procedência dos acervos 26 utilizados pelos professores (n=27).11% F o n te Figura 23. A maioria (19) preferia trabalhar os audiovisuais de forma fragmentada (Figura 24). 26 Os percentuais são aditivos.18 16 14 62. Práxis didática relativa à fragmentação dos audiovisuais (n=27). apenas oito professores afirmaram exibi-los integralmente.15% Número de professores 12 10 8 6 4 2 0 A c e r v o p r ó p r io A c e r v o c o lé g io L o c a d o ra O u tra s fo n te s 18.96% 48.52% 11. pois os professores em alguns casos usavam mais de uma fonte. Ao responderem sobre a forma de utilização dos audiovisuais na sua prática de ensino.37% Número de professores 14 12 10 8 6 4 2 0 S im Não 29. 70 . 20 18 16 70.63% F ra g m e n ta o a u d io v is u a l Figura 24.

filmes e/ou reportagens pela maioria desses professores (Figuras 21 e 22). Partindo do princípio que estes materiais são confeccionados para atender um público seleto. os professores relataram uma preferência por produtos desenvolvidos originalmente para televisão (Figura 25). Esta preferência justifica o uso de documentários. entre os professores entrevistados.15% 12 Número de professores 10 8 6 22. compatível.A análise dessas respostas deixa claro que a prática de fragmentar os audiovisuais. podemos supor que.22% 4 2 0 1 National Geographic Discovery Channel F o n te s BBC Editora Globo Etc. 18 (70. 71 . seja pausando ou cortando trechos.37%) utilizam material de bom nível técnico. Fontes do material audiovisual produzido para televisão utilizado pelos professores (n=27). é muito usada entre os professores do Colégio Pedro II. 14 48. Questionados sobre a fonte do audiovisual. e normalmente produzido pelas grandes redes internacionais de televisão. 2 Figura 25.

(CÉSAR. Entrevistas com Produtores. minucioso. pelo menos durante a gestão de RoquettePinto. Uma das razões desta limitação pode ser encontrada nos “postulados de Roquette-Pinto” para a produção desses audiovisuais. porque no dinamismo existe a primeira justificativa do cinema. Com essas diretrizes. p. Assim. lógico no encadeamento de suas seqüências. A análise dos audiovisuais disponíveis para uso no contexto escolar mostrou a tendência de agrupamento de audiovisuais curtos nos acervos didáticos e a prevalência dos mais longos nas mostras de divulgação científica. produziu audiovisuais de curta duração. 18 apud GRUZMAN. em 2004. que também concentra vídeos na faixa de curta duração.2. Divulgadores e Consultores. sem dubiedades para a interpretação dos alunos. movimentado. entrevistamos Ildeu de Castro Moreira. físico. interessante no seu conjunto estético e nas suas minúcias de execução. em vez de aborrecer. 2003. O INCE. realizamos entrevistas com produtores de audiovisuais nacionais e/ou internacionais e consultores de projetos didáticos. p 76). para atrair. embora não tivesse. professor universitário e atualmente diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do MCT. Já em relação ao Vale Vídeo. é evidente que a narrativa deveria ser rápida.IV. procuramos obter mais informações junto às fontes produtoras. detalhado.2. Para isto. Nítido. para entender as possíveis razões da preferência dos professores por audiovisuais de divulgação na prática didática. 1980. uma diretriz explícita para limitar o tempo. Foi um dos três consultores que selecionou o acervo 72 . claro. e por serem temas com poucos conceitos. o que talvez tenha levado à concentração observada na Figura 03.

atualmente curador da mostra nacional do Ver Ciência e um dos criadores do projeto inicial do Vídeo Escola. que ao ser evitado. É importante registrar que todos os audiovisuais editados foram produzidos para TV. a concentração de vídeos de curta duração. leva a uma linguagem mais dinâmica. havia a possibilidade de editar também. havia essa predileção. Então um vídeo de 15 minutos é maravilhoso!” Monteiro (2005. os profissionais que migraram para o novo projeto didático. quando eu via um vídeo mais curto. os programas de Ciências veiculados na TV Escola 73 . Moreira complementa: “Eu. e não passar inteiramente”. Uma das causas dessa restrição é o excesso de informação. desfecha uma afirmação contundente. particularmente.de audiovisuais do projeto: “Certamente. mesmo não sendo uma diretriz por parte destes três consultores. em 2005. buscava valorizar um pouco mais vídeos que tivessem menos informação condensada.. Em primeiro lugar. por José Renato Monteiro. e que tivesse um caráter mais interessante”. pelo menos no início do projeto. segundo Moreira. o tempo de duração acabou sendo restringido. Assim. Em sua maioria. “Foi absolutamente intencional. entrevista) também diz que a TV Escola herdou muito do Vídeo Escola. da seleção de audiovisuais que acabou sendo utilizada pela programação. Vídeos muito grandes. 24 dos 78 audiovisuais do Vale Vídeo e 18 dos 83 audiovisuais do catálogo Vídeo Escola foram editados. Segundo entrevista concedida. ele é apenas um suporte da aula e o tempo da aula é de 45-50 minutos. Alguns audiovisuais também foram divididos em dois episódios.. aspectos mais fáceis de serem encontrados em audiovisuais mais curtos. e é nesse tempo que o vídeo tem que acontecer e ser explorado pedagogicamente. Quando questionado da curta duração. mais interessante. pois se era o vídeo no ensino. é claro. de pegar trechos. era uma diretriz. como consta no catálogo. De fato. além.

74 . produtor de audiovisuais e curador da mostra internacional do Ver Ciência. entrevista). também confirma esta preferência: “A televisão européia procura produzir programas de 50 a 60 minutos”. o conteúdo da aula que estaria sendo dada. Então.são oriundos de produtoras internacionais de grande expressividade e experiência na produção de material didático e. o professor passaria somente 3 min de audiovisual. numa sala de aula. pegando um dos movimentos da Terra. A idéia eram blocos muito curtos que pudessem ser lidos independentemente ou que compusessem um todo. que com a publicidade completa uma hora”. entrevista). por exemplo. não comprometendo o tempo de aula Poderia explorar com as imagens e com o texto. ou a americana Coronet. que é composto por blocos que são autônomos. diz na entrevista que seus audiovisuais têm basicamente entre 10 e 15 min. fazem parte de grandes séries de pequenos programas. de aproximadamente 3 min. com 113 programas. com 72 programas. que é o vídeo”. físico e professor titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e produtor independente. normalmente. entrevista). “A idéia é que. Relata a experiência do audiovisual de 15 minutos Movimentos da Terra. o professor poderia destacar um desses pequenos blocos. diretora do Festival image et Science: “Os canais de televisão privilegiam o tempo de 52 minutos. Já os audiovisuais produzidos para a divulgação em televisão se caracterizam por ter um tempo de duração mais longo e as entrevistas a seguir sugerem algumas razões para esta característica: Segundo Annick Demeule (2004. Sergio Brandão (2005. como a francesa Centre National de Documentation Pédagogique (CNDP). Barros (2004. o movimento de rotação.

enquanto os audiovisuais produzidos para divulgar ciência se ajustam ao gradeamento das grandes redes de televisão. veiculado na Rede Brasil de emissoras educativas. pedagoga e produtora do programa Expedições. A princípio as entrevistas mostram que a tendência observada em concentrar audiovisuais de baixa duração nos projetos didáticos parece estar relacionada ao seu uso específico em sala de aula. é muito bom. Porque 15 minutos é muito pouco para se falar de um assunto mais profundo”. de 25 minutos. 75 . entrevista). porque ele não deixa no telespectador aquela vontade de ver mais.Paula Saldanha (2005. explica: “O nosso formato.

temos os audiovisuais da De Vry.V. [. DISCUSSÃO A utilização de audiovisuais para fins educativos é anterior à década de 30. este trabalho teve início buscando identificar o perfil de tempo dos audiovisuais disponíveis aos professores do ensino médio e fundamental. os audiovisuais 76 .. (SERRANO. as características de audiovisuais necessárias para a boa utilização em processos educativos não foram ainda sistematicamente analisadas. Neste sentido. Por fim são feitas perguntas methodicas sobre o que os alumnos viram. já havendo a preocupação com o tempo de duração..] para uma aula comum de três quartos de hora. Vale Vídeo. Por outro lado. 26). Como exemplo. pág. 106). Cinco minutos bastam para a explicação preliminar. p. As tecnologias utilizando imagens evoluíram muito ao longo do tempo e hoje temos à nossa disposição o audiovisual em várias mídias (Apêndice E. O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências Dentro do universo de audiovisuais analisados. feitos especificamente para o ensino e acompanhados de material de suporte. A maioria dos audiovisuais produzidos ou selecionados com finalidade didática (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal. V. foram observadas nítidas diferenças de acordo com a finalidade.1. que compunham a nossa amostra. Vídeo Escola. 1930. INCE. com a necessaria discussão de cada ponto. No entanto. Depois o professor exhibe o filme durante uns dez a quinze minutos. e parte dos da TV Escola) mostrou uma tendência clara para produtos de curta duração (tempo de duração até 15 minutos). que podem e devem ser utilizados no auxílio do processo educativo.

Mostra Ver Ciência Sessão Brasil. porque no programa de uma hora nós temos que fazer um esforço muito grande para manter o espectador atento diante da televisão”. De fato. Esta tendência podem ser explicada em parte por questões de ordem técnica. Assim. puderam ser explicadas através das entrevistas com produtores nacionais e internacionais e divulgadores de ciência. ajustam os seus audiovisuais ao gradeamento das emissoras de televisão. Esse perfil pode estar relacionado à dificuldade no dinamismo narrativo apontado anteriormente por Saldanha. os depoimentos dos produtores e consultores de projetos didáticos deixam claro que o tempo dos audiovisuais é ajustado para as necessidades de um professor em sala de aula. entre os produtos destinados ao ensino e à divulgação científica. Discovery na Escola) apresentavam média duração (média-baixa 16-40 e média-alta 41-60 minutos).85%). conforme declaração de Paula Saldanha (2005. 77 . podemos observar que os programas de hora inteira são raros na produção nacional voltada à ciência (8. entrevista): “Uma hora é demais. Estas diferenças. Por outro lado. Tanto os produtores nacionais como os internacionais envolvidos com a divulgação da ciência. Embora se observe uma tendência internacional em produzir audiovisuais de divulgação científica de duração média-baixa e média-alta.produzidos para a divulgação da ciência (Festival Image et Science. a produção de um audiovisual de média-alta duração com uma qualidade aceitável e que agrade a audiência obviamente esbarra no fato do aumento dos custos de produção. que tem em torno de 40 a 50 minutos para trabalhar com seus alunos. os produtores nacionais concentram sua produção em audiovisuais de duração média-baixa. Mostra Ver Ciência Sessões internacionais.

Thierry Berrod 27 (2002). Saldanha (2005. durante a produção do episódio “Carnivorous Ants”. foi evasivo. 27 78 . que necessitam de maiores investimentos de produção. “o custo habitual para produzir um documentário com valores de produção do estilo da Discovery varia de US$100. Os produtores internacionais. principalmente o ‘leigo’ ou o estudante. da série Squatters. p 11). os valores são em dólares americanos). o grande quinhão é formado por audiovisuais de média-alta duração. estão também sujeitos à grade das grandes redes de televisão. os profissionais da Série Horizon da BBC indicam um dos caminhos. sobre isso. a pressão maior estaria relacionada aos custos de produção. No Festival Image et Science.000 até US$500.000” (Tradução nossa.. Este fator pode explicar a maior freqüência na produção de vídeos de média-baixa duração e de vídeos de curtíssima duração nos acervos nacionais. Monteiro (2005. diretor da série Squatters. entrevista) afirma que um documentário da National Geographic custa aproximadamente 300 mil dólares e.. apenas investimentos em equipamentos e em viagens para locações remotas não conseguem segurar o telespectador diante da TV assistindo a um programa de ciências de até uma hora de duração. em função da falta de recursos. A receita para este ‘milagre’ passa provavelmente pela linguagem e. segundo Chris (2002.Quando questionado sobre o custo da produção. Para os produtores nacionais. Entretanto. entrevista) também relata a dificuldade para obter esta informação junto aos produtores da BBC. que é produzida e veiculada pela Discovery. apesar do alto investimento na produção. a julgar pela concentração de vídeos em tempos de média-baixa e média-alta duração. mas lembra que esta instituição arrecada cerca de 5 bilhões de dólares por ano. Comunicação pessoal ao autor desta dissertação.

impressionar. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil. Matthew. Rio de Janeiro: 2 set.. Sessão Brasil. Segundo Moreira e Massarani (2002. O atual diretor da série. como um aliado poderoso na tarefa de manter atenta a audiência.[. 2004. observa-se que redes comerciais como a Discovery trabalham em uma grade de padrão horário inteiro. p. obviamente com a manutenção da integridade da informação científica. (LYNCH. “o Globo Ciência não conseguiu se firmar como um programa televisivo de divulgação científica de qualidade. 1997 apud Monteiro e Brandão. Apesar disso. A Série Horizon. mas nem sempre às custas de pesados investimentos. Seus programas são normalmente editados para duração de 46 minutos. 97). como o Globo Ciência. confirma a manutenção dessa diretriz da dramatização. Matthew Barrett 28.. p. A história (que é contada) é tudo. Isto tem sido observado mesmo em séries de longo histórico na nossa televisão. Tem alternado fases de maior e menor audiência e mudado periodicamente de formatos e objetivos”.] a televisão é ótima para criar climas. que em 2004 completou 20 anos. a fim de comportarem os cortes de inserção de propaganda. e sim contando com criatividade e inovação. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. Moreira (2004. Em outras palavras: construir drama. entrevista) complementa Barrett. Os programas exibidos no Ver Ciência. atestam que a televisão brasileira está se esforçando para melhorar a qualidade de suas produções. na 10ª mostra Ver Ciência. da BBC. definir personagens. Os documentários de Ciências têm que ser construídos como dramas. 2002. este tipo de esforço não tem garantido uma perenidade e tem causado flutuações de qualidade. criar motivações. já transpôs quatro décadas de grande audiência nos lares britânicos. De fato. 60). 28 79 .

são conhecidos como interprogramas. para a rede Globo de televisão. Segundo Barca (1998. 108). Embora haja esta programação preponderante das emissoras.dizendo que parte deste problema explica-se pela apertada janela de produção de apenas oito semanas. Estas mudanças de formato indicam para uma tentativa de melhora. Em 1999. 109). Soluções Científicas do Departamento de Tecnologia Educacional da TVE Rede Brasil. 80 . Algumas destas séries são de alto nível. existe ainda espaço para vídeos de curtíssima duração 29 (até cinco minutos de duração). desde cedo. "O programa perdia público. Prêmios internacionais e nacionais atestam sua qualidade como veículo de difusão dos conhecimentos científicos. o que nas emissoras comerciais se materializam nas pesquisas de audiência.7). caso do Minuto Científico agraciado com várias premiações (Anexo B. Brandão (2005. foi o período mais premiado do Globo Ciência (Anexo A. No segundo caso. p. pecado mortal numa emissora comercial. pág. entrevista). no período entre 1987 e 1991. cuja empresa produzia esta série. O Globo Ciência. pág. parece ter sido constante o investimento na atualização da linguagem. de forma independente. Entretanto. teve reconhecimento. Apesar da janela de apenas cinco semanas. Atualmente. no intuito de manter a audiência junto ao seu público. fechando grades de curta e média duração. utiliza o formato caracterizado por um locutor que viaja a procura das informações científicas. passando a usar humor e ficção para conquistar a audiência. Minuto Científico e X Tudo da TV Cultura SP. São exemplos destas produções: Academia Amazônia da Universidade Federal do Pará (UFPA). o programa mudou novamente o formato. e Insetos & Cia da Verde Vídeo e Vídeo Ciência. 29 Alguns destes programas são exibidos em blocos dentro de um contexto maior na grade de programação e outros são exibidos individualmente. mesmo às sete e meia da manhã de sábado". não poderia afirmar o mesmo.

e considera que as atividades de laboratório são mais importantes que o uso do audiovisual. nossos resultados indicam uma tendência de crescimento da produção de audiovisuais nas faixas comerciais e de diminuição nas faixas de duração curtíssima. onde ministra aulas de citologia. Apesar da diversidade de uso. fisiologia e genética. Como é um professor que começou lecionando há mais de trinta anos em universidades na área de zoologia.2. que são os grandes consumidores destes produtos. são capazes de manter uma boa “taxa de informação” podendo ser usados em ambientes e meios diversos. Assim. Este professor tem como 81 .Os audiovisuais de curtíssima duração. histologia. quando bem produzidos. Apenas um professor relatou que não gosta de usar. uma boa parte dos audiovisuais disponíveis aos professores é produzida para divulgação e com tempo de duração incompatível com o tempo de aula. normalmente são por questões circunstanciais. Os poucos professores que não utilizam. Esta tendência enfatiza a forte influência das grades de programação das emissoras de TV. montou um laboratório de microscopia bem equipado no colégio. V. Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II Nas unidades do Colégio Pedro II existe um uso relativamente freqüente do recurso audiovisual. e sempre trabalhou em laboratório. Mas consideramos ser oportuno registrar o ponto de vista desse professor que “não usa nem quer usar” o audiovisual antes de abordar a prática de ensino dos professores que utilizam o audiovisual. tal como ambientes de educação à distância. por força da intensa influência da grade de programação das emissoras.

].]. quando uma aula de microscopia chega muito mais ao interesse do menino [.conceito de audiovisual de boa qualidade “um vídeo que não cometa erros ou que mostre exceções. Questionado sobre a possibilidade de produção de audiovisuais na sua área. vídeos lindos que se popularizam. os outros professores acabaram por aderir ao uso do audiovisual. Esta constatação foi inesperada. De modo geral. que é um gênero mais encontrado nas produções internacionais voltadas para a televisão. No vídeo ele é um assistente [. “Esse tipo de atividade já está se esgotando. ele comenta. no domingo. E complementou falando que existem poucos vídeos nessa área.. eu tenho um microscópio para cada aluno.. ele desenha.. ele é um participante do processo. Apesar da existência de filmotecas nas unidades do Colégio Pedro II os professores que utilizavam audiovisuais davam preferência aos de divulgação científica em detrimento aos didáticos. o Fantástico mostra uma exceção de um fato que ocorre com um bicho” (PROFESSOR 08).. ele mexe. Para nós professores a segunda feira é muito difícil quando. Ele vê. então ele não traz para o aluno a curiosidade do inédito [. A televisão. tanto nos canais fechados como nos canais abertos. já está explorando muito isso. fora dos 82 . Eu vejo os olhinhos dos alunos brilharem mais numa aula de microscopia do que numa aula de vídeo” (Professor 08). Você vê em um Globo Repórter que fala da fecundação... Portanto. pois os vídeos internacionais são de duração média-baixa e média-alta. A maioria declarou ter como material básico o gênero documentário.] eu acho que há 10 anos o vídeo tinha uma utilidade muito mais importante do que hoje.

o filme acontecia e eu. com o controle remoto na mão. atestando uma prática empírica. os vídeos de divulgação científica em vídeos educativos ao mudar sua linguagem através de interrupções controladas. Então era o meu método. Esta prática observada entre os professores do Colégio Pedro II se aproxima do modelo preconizado pelos produtores e consultores de projetos didáticos. No final. “Eu procurava calcular o tempo do vídeo. fragmentando-os em tempos mais curtos. quando questionados quanto à sua forma de utilização em seus objetivos educacionais verificou-se que a grande maioria fragmentava a apresentação para questionar seus alunos ou inserir comentários (Figura 24). Quando eram filmes mais longos. Exatamente. pausando umas 10 vezes. Na prática. mas sempre deu certo”. discutindo e usando anotações feitas em sala. os professores do Colégio Pedro II estavam transformando. Entretanto. (Professor 02). O professor 04 apresenta audiovisuais de 30-35 min. quando dão preferência a audiovisuais de curta duração. por exemplo. Às vezes ele tinha 10 min.padrões preconizados pelos produtores e consultores didáticos por serem de difícil exibição dentro dos limites impostos pelo tempo da aula. a mesma técnica utilizada atualmente por produtoras internacionais que recentemente passaram a produzir audiovisuais para a educação. à semelhança do método utilizado pelos professores do Colégio Pedro II. O professor 21 relatou que apresenta um audiovisual de 50 min. intuitivamente. 83 . que são resgatadas durante a apresentação. Na realidade. o projeto Discovery na Escola. discutia com os alunos as questões. não sei se estava certo ou errado. não deixava o filme correr na íntegra. adaptou seus produtos. Alguns depoimentos dos professores são esclarecedores sobre a forma como era feita a fragmentação do material.

O professor 27. inseriu em sua declaração um outro aspecto relevante: “Correto. vai parando para detalhar. O professor 12 relatou a forma diferenciada que utiliza audiovisuais de duração diferente: “Se é curto. e que também produz audiovisuais com seus alunos. com uns 15min (não passo vídeo de muito mais) e depois a gente discute”. A dinâmica da entrevista permitiu aprofundar essa abordagem quando questionamos se as paradas. O professor 17 relata que passa direto e trabalha depois. vou interrompendo”.] 84 . mais experiente. porém. eu costumo dar umas paradas em alguns trechos e na imagem congelada. Apesar de responder afirmativamente. descreve sua prática de ensino: “Inicialmente dá-se uma explicação do que vai ocorrer e eles vêem o vídeo. passo integralmente e debato depois. no final. em pontos considerados estratégicos. que eu selecionei. que geralmente é curto. Então eu paro em pontos pré-selecionados e. e para isso faz quatro ou cinco pausas durante a apresentação. eram necessárias para evitar que a grande quantidade de informações que está sendo colocada seja perdida.. quando tem conteúdo denso e sutil. 76). de 10 a 15 min. Outro professor relata: “na medida em que o filme vai passando e a gente tem o recurso do pause. porque tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio. faço o comentário para reforçar aquela relação com o assunto que ele viu ou está vendo em sala de aula. (Professor 06). mas não só por esse motivo como também para manter a atenção do público..pausando e discutindo. Se for longo. isto para audiovisuais de 35-40 minutos. costumo fazer um debate”. muitas vezes a gente não tem um público que está ali porque está interessado [. Essa prática condiz com o tutorial da De Vry da década de 20 (ver pág. e que conhece bem a linguagem audiovisual e suas potencialidades.

Nesses depoimentos podemos ver a flexibilidade da prática de ensino. O professor 31 deixa bem clara a inquietude dos adolescentes e fala da sua “descoberta”: “O aluno de ensino médio é muito inquieto. (grifo nosso). congele a imagem. Todos esses relatos e outras declarações menos explícitas deixam clara a preocupação destes educadores em manter uma aula dinâmica. mesmo que rapidamente”. que se ajusta à receptividade da turma. 85 . (Professor 06). faço perguntas. durante a exibição: avance a fita. em vídeos de 50 min”. faço comentários. Entre os 10 conselhos de como utilizar o vídeo em sala de aula. para manter a atenção deles. e depois passo outro bloco” (Professor 18). temos: √ Use e abuse dos recursos do vídeo. Se a turma é bem receptiva ao vídeo. faço comentários rápidos durante a apresentação.Eu estimo de seis a oito paradas. porque eu descobri que se a gente passar um vídeo direto. reveja o mesmo trecho com a classe quantas vezes for preciso. aí eu dou um bloco. para fazer algum comentário. mas se o pessoal está mais disperso. eles não ficam tão atentos quanto se eu for parando e explicando. Apenas um dos professores (Professor 18) tinha a possibilidade de editar os seus audiovisuais e o fazia seguindo critérios relatados: “Uso documentários e faço uma seleção das cenas de acordo com o conteúdo. paro. sem que seus alunos dispersem. eu deixo ele correr. Eu vou parando e dando explicações rápidas. apresentados nas edições impressas do Vendo e Aprendendo da TV Escola. enquanto a fita passa. Eu coloco em um vídeo de 35min.

Se os intervalos que fragmentam um programa de tevê fossem suprimidos e os vários capítulos diários fossem colocados em continuidade numa mesma seqüência. sem que isso afete fundamentalmente a percepção do todo (MACHADO. nesse caso. Estes acervos foram geralmente produzidos para atender às necessidades das redes de televisão. mantenha-os curiosos. na sua essência. 109-110). mesmo que alheio a este detalhe da linguagem da imagem. pois ele foi concebido para ser decodificado em partes e simultaneamente com outros programas. Ninguém suportaria uma novela de tevê que fosse apresentada de uma só vez (mesmo que de forma compacta). 1988. Apresente-o em ’capítulos’. peça para os alunos tentarem antecipar o que irão ver.37% dos professores entrevistados têm seu “arsenal” composto de audiovisuais de bom nível técnico. Este comportamento em sala de aula talvez ocorra pelo não cumprimento dos rituais que foram aprendidos em longas horas de treinamento frente a um aparelho 86 . sem interrupções e sem os nós de tensão que viabilizam o corte. um pouco cada dia. Dentro dessa macroestrutura de colagens. não se preocupe em exibi-lo de uma vez. Assim. enquanto outro oferece pouco interesse. e levam. permitindo que. segundo os seus próprios discursos. cada fragmento tem relativa autonomia.√ Se o vídeo for longo. o ato de fruição possa começar em qualquer ponto a se interromper a qualquer momento. √ É possível que um pequeno trecho renda uma boa discussão e traga novas informações. p. (ARATANGY. 2001a. Quando perguntados sobre “qual a fonte do audiovisual utilizado?” (Figura 25). não hesite em ‘pulá-lo’. o interesse do programa cairia imediatamente. a linguagem fragmentada deste meio audiovisual. crie suspense. tal como nas narrativas literárias contemporâneas (Vide O Jogo da Amarelinha. de Cortazar). 6). o professor. p. acaba cedendo à sua fragmentação por força da inquietude que emana do aluno. 70.

332) também enfatiza esta dispersão e atribui suas causas a divisão da programação em blocos que duram de sete a dez minutos intercalados com comerciais. (Aspas da autora). a atenção depende de quatro fatores: 1) capacidade atencional. Dessa forma.de TV. podemos concluir que manter a atenção do aluno é uma tarefa difícil para o professor.. 1997. e 4) manutenção da atenção. Chauí (1997. “A criança que começa a ver programas de TV vai. presença ou ausência de “treinamento”. A autora também lembra que isso se torna um hábito e complementa: “Professores observam que seus alunos perdem a atenção a cada dez minutos e só voltam a se concentrar após uma pausa que dão a si mesmos. duração e forma das informações.. (Tradução nossa). p. 414). 2) atenção seletiva. Sobre o último item esses autores afirmam: “Os problemas em manter a atenção são comumente associados com a exigência atencional das tarefas que persistem por longa duração. “Essa divisão do tempo nos leva a concentrar a atenção durante os sete ou dez minutos de programa e a desconcentrá-la durante as pausas para a publicidade”.] o tempo é por si próprio o determinante central da atenção”. Além dos limites impostos pela quantidade. o aluno tem limites neurológicos. como se dividissem a aula em “programa” e “comercial””. p. Limites que podem comprometer a expectativa de aula de um 87 . p. iniciando sua aprendizagem para ser telespectador” (OROZCO. quem sabe sem perceberse disso. porque manter o desempenho é acompanhado por uma considerável demanda de processamento [. Segundo Cohen e Salloway (1997. 3) seleção da resposta e controle da sua execução. 67).

O professor 18. fator básico para criar seletividade na atenção. aberto e mais compacto possível. a seu critério. 11 relataram que. que editava seus audiovisuais. a qualidade das imagens era muito importante e usaram expressões como: “boa fotografia. para ele. dentre as características favoráveis de um audiovisual. o som não é tão importante” (Professor 18). pois agora ele é a autoridade que direciona e valida o conteúdo desejado. Também em 11 depoimentos. mas se houver erro serve como exemplo para mostrar a dificuldade na transposição didática”. 88 . com uma boa entonação? Ou uma locução ilibada nos aspectos de exatidão dos conteúdos? Segundo Moran (1995). as mensagens em som. Assim. o que é compreensível. e questioná-los”. Podemos discutir a utilização dos audiovisuais também sob o ponto de vista do conteúdo. ele pode trabalhar. sugere que. imagem. conceitos corretos. Dos 26 professores entrevistados que usavam o audiovisual. em linguagem coloquial”. com uma abordagem clara e didática. O professor 25 diz: “sem erros. ele é o locutor. relataram que o conteúdo é importante e usaram expressões como: “correto. junto com os alunos. coloca o audiovisual constituído apenas da mensagem visual. “os vídeos que apresentam conceitos problemáticos podem ser usados para descobri-los. as características favoráveis num audiovisual são: “movimento. a estética. pois numa edição doméstica dificilmente pode-se ter uma locução aceitável. Esse professor. o que vem a ser uma locução aceitável? Uma locução de boa qualidade técnica. ao desconsiderar o som (locução). a qualidade plástica e apelo visual”. Assim. Nesse sentido a tarefa primordial para o professor é buscar o interesse dos alunos.professor mais ambicioso. Aliás. em conformidade com a matéria. relatou que desconsidera o som (locução) original. além de respeitar os limites individuais.

Não podemos negar o grande esforço governamental/institucional ao disponibilizar ao longo das últimas décadas materiais essencialmente didáticos. em que normalmente as preocupações eram centradas na exatidão das informações contidas. seja indiretamente. Assim. tais como os projetos Vídeo Escola 30 e TV Escola. no seu ponto de vista. pela própria programação que é gravada. Historicamente este material sempre foi disponibilizado no formato de curta e curtíssima duração. os professores pesquisados. Produto este impregnado com padrão característico de duração e de linguagem e para o qual o educador necessita ajustar a sua práxis de ensino a fim de atingir os melhores resultados possíveis. vem se aprimorando e lançando produtos de grande qualidade. via forma de apresentação. principalmente no Vendo e Aprendendo. E uma das maneiras encontrada pela maioria destes professores para conseguir esses resultados parece estar baseada na utilização do 30 O projeto já está extinto. mormente a internacional. porém muitas videotecas de colégios possuem este material em acervo. ou diretamente. por outro lado. acabam usando um produto voltado para a divulgação. através de projetos didáticos e vídeos colocados à venda. o desenvolvimento da televisão. Este material parece seduzir o educador. Nas últimas décadas. a indústria da televisão. só necessita ser trabalhado no quesito da duração. que acaba declinando o uso de um material de formato “mais propício” em favor de um material que. Este fato pode ser observado no projeto TV Escola. O problema do tempo de duração dos audiovisuais utilizados para o ensino sempre foi uma preocupação dos educadores e produtores de audiovisuais para essa finalidade. com sua linguagem característica e fragmentada e com seu padrão de gradeamento. 89 . permeou o segmento de audiovisuais educativos. indústria voltada para o entretenimento e a informação. Mas.

útil para o processo de aprendizagem dos alunos.com/port/download/pdf/act_video. tem suporte na atitude de 82. a atenção dos alunos. em sua prática de ensino.44% dos audiovisuais são fragmentados. em um próximo passo. para reforçar a narrativa. pode-se verificar que os professores do Colégio Pedro II. passo essencial para a aprendizagem. Esta fragmentação do tempo dos audiovisuais. no qual 94. focalizar as atenções no aluno. souberam. Resta saber se a utilização de vídeos curtos ou de vídeos longos fragmentados é.37% dos professores do Colégio Pedro II. utilizar os vídeos da maneira indicada pelos consultores e produtores. elegida por 70. A proposta da equipe Discovery na Escola 31:é bem clara: “O vídeo.audiovisual de uma forma fragmentada. que são eleitos por eles. assim.pdf Acesso em 19/12/2004 90 . juntamente com as atividades de apresentação do mesmo. Desta forma. reconquistando.22% dos consultores didáticos do Vendo e Aprendendo da TV Escola e da equipe do Discovery na Escola. aproveitando pontos de corte moldados pelo contexto. pode durar entre 10 a 15 minutos de uma aula”. Uma das formas de avaliar esta questão é. de fato. além dos momentos para as reflexões construtivas. o sujeito do processo de aprendizagem. 31 Disponível em: http://discoverynaescola. sem as quais muito se perderia nesse processo.

com linguagem própria para televisão. têm linguagem própria para televisão. permitem concluir que: 1) Os audiovisuais produzidos para fins didáticos têm um tempo curto. os responsáveis pelos projetos didáticos brasileiros parecem estar atentos às necessidades e preferências dos professores. normalmente entre 21 e 30 minutos. Etapas compreendidas 91 . ou curtíssimo. entre 21 e 30 minutos. com um tempo médio-alto. normalmente entre 41 e 60 minutos. incorpora audiovisuais de divulgação em sua programação. de até cinco minutos. 5) Apesar dos limites de recursos impostos à produção nacional. CONCLUSÕES Os resultados obtidos na busca de caracterizar o perfil dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e a sua utilização no contexto educacional. têm um tempo de duração médio-baixo. 6) A opção dos professores pelos audiovisuais científicos de divulgação. já em 1996. produzidos no Brasil. indica a busca de qualidade de imagem e de linguagem mais dramatizada. a nível mundial. A tendência verificada aponta para a consolidação dos dois padrões. produzidos para televisão com padrão de qualidade internacional. ou médio-baixo. 2) Os audiovisuais para divulgação científica. 3) Os audiovisuais para divulgação científica.VI. 4) Os Professores do colégio Pedro II parecem privilegiar o uso de audiovisuais de divulgação. O projeto didático TV Escola. Existe uma tendência para a consolidação do padrão médio-baixo. na expectativa de motivar e prender a atenção dos alunos.

segundo declarações dos professores entrevistados.como necessárias para efetivar. 8) Desta forma. como prática adequada aos limites da capacidade de concentração dos alunos da educação básica. 11) A análise do conjunto dos resultados indica a propriedade do procedimento didático e pedagógico do professores apesar da aparente contradição expressa quando. declaram a preferência pela utilização de audiovisuais científicos de divulgação. 10) Mais interessante é esse procedimento padrão. praticamente. estar plenamente de acordo com as indicações dos consultores dos projetos didáticos. como um padrão didático entre os professores de ciências e biologia do Colégio Pedro II. diante da grande disponibilidade de audiovisuais didáticos. como o programa Vendo e Aprendendo e o Discovery na Escola. entretanto. Como verdadeiros autores da sua prática. os professores exibem o material de forma fragmentada. o processo de aprendizado. esses professores são capazes de lançar 92 . Ao serem produzidos para atender às grades de programação da mídia televisiva. mas principalmente. se tornam demasiados longos dentro do contexto escolar. apesar de construída a partir de experiências individuais e empíricas no dia a dia da sala de aula. parece esbarrar no tempo de duração desse gênero de audiovisual. 9) É relevante o fato da práxis da fragmentação da exibição dos audiovisuais. 7) Essa expectativa. dentro de um contexto educacional formal. se apresentar. a fim de viabilizar o audiovisual científico de divulgação como material didático a ser trabalhado dentro dos limites da hora/aula. os audiovisuais de divulgação. construído a partir de vivências didáticas e pedagógicas diferenciadas.

trabalhando características a principio adversas.mão do que há de melhor nas produções para divulgação científica e. 93 . transformá-las em instrumentos didáticos perfeitamente adequados ao contexto da educação formal.

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VIII. Palestra BARRETT, Matthew. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil, na 10ª mostra Ver Ciência. Rio de Janeiro: 2 set. 2004.

101

IX. APÊNDICES

Apêndice A Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação: Existe grande discordância na designação do audiovisual, quanto ao seu tempo de duração. Para suprir as necessidades desta dissertação, utilizaremos como ponto de partida a Medida Provisória No 2.228-1 (BRASIL 2001), que determina no seu capítulo 1, artigo 1º: VII - obra cinematográfica ou videofonográfica de curta metragem: aquela cuja duração é igual ou inferior a quinze minutos; VIII - obra cinematográfica ou videofonográfica de média metragem: aquela cuja duração é superior a quinze minutos e igual ou inferior a setenta minutos; IX - obra cinematográfica ou videofonográfica de longa metragem: aquela cuja duração é superior a setenta minutos; Assim, devido à necessidade de um maior espectro de tempo e às características da amostra, as classes serão subdivididas da seguinte forma: • Curtíssima duração: aquela cuja duração é igual ou inferior a cinco minutos, que será usada para algumas discussões; • Curta duração: aquela cuja duração é superior a cinco minutos e inferior ou igual a 15 minutos. Nos casos não especificados, englobará a classe curtíssima; • Média-baixa duração: aquela cuja duração é superior a 15 e igual ou inferior a 40 minutos; • Média-alta duração: aquela cuja duração é superior a 40 minutos e igual ou inferior a 60 minutos; • Longa duração: aquela cuja duração é superior a 60 minutos. 102

A Maravilhosa História da Batata I. Aves I. Zoom Cósmico. A Química da Cozinha. classificados como de biociências: Chapada Diamantina. Solos. A Velha a Fiar. Carlinhos Precisa de uma Capa. Cuidado Nervos. Como Cresce a Margarida. Biodiversidade. Insetos Sociais. Esquistossomose.Apêndice B Audiovisuais do projeto didático Vale Vídeo. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores. Homenzinhos. Dinossauros II. A Toca do Coelho. Alimentos para a Saúde. Aids: A Melhor Defesa é a Informação. Minha Primeira Experiência com O Som e a Música. O Jequitibá. Aves II. O Deserto do Maranhão. A Maravilhosa História da Batata II. Dinossauros I. O Semiárido Brasileiro. O Meio Ambiente do Espírito Santo. Corpo Humano. Como Cresce o Feijão. Evolução. O Povo das Gerais. Como Nasce e Cresce o Sapo. Floresta Inundada. 103 . Tá Limpo. Homens e Mar. O Começo da Vida. Instituto Butantã. Frutos do Cerrado. Minha Primeira Experiência com A Acidez dos Alimentos. Os Senhores da Mata Atlântica. A Pré-história do Brasil.

Como Classificar Animais?. Cores do Espírito Santo. Os Homens e a Lua. Sons do Pará. A Velha a Fiar. Insetos.Uma Árvore e seu Ecossistema. A Maravilhosa História da Batata I. Aves II. Aves I. O Rio São Francisco. Corpo Humano: Um Ecossistema Parte 1. Cuidado Nervos. A Maravilhosa História da Batata II. Lar de Homens e Animais . Corpo Humano: Um Ecossistema . Sons de Minas Gerais. A Conquista do Espaço. Formas do Pará.Parte 2. Sons do Espírito Santo. Lar de Homens e Animais . Floresta Inundada. Formas do Espírito Santo. Século XX: Primeiros Tempos. Carvalho . Formas do Maranhão. Higiene Corporal. Derivados da Cana-de-açúcar. Como Cresce o Feijão.Parte 1. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores.Apêndice C Audiovisuais do projeto didático Vídeo Escola. Formas de Minas Gerais. Sons do Maranhão. A Toca do Coelho. O Semi-árido Brasileiro. Dinossauros. Como Nasce e Cresce o Sapo. A Borboleta. O Começo da Vida. classificados como de biociências: Os Índios Bakairi e o Jatobá. Cores do Pará. As Baleias em Abrolhos.Parte 2. Chapada dos Guimarães. A Vida Nasce no Mar. 104 .

episódio: Surfboard.Apêndice D Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 – 2003. TV Cultura. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. 1999. 1995. Minuto Científico. 1997. TV Cultura. episódio: Tributo a Paulo Freire. TV Cultura. 105 . TV Cultura. o Explorador do 20° Século. Série Globo Ciência. Canal Futura/Fundação Roberto Marinho. Nise da Silveira. episódio: Malaria. TV Globo. episódio: Insetos & Cia. 2000. Série Ver Ciência. episódio: Futebol. 10 episódios. Série Olhando para o Céu. episódio: A Caminho do Mar. episódio: Chuá Chuágua. Série Arte e Matemática. episódio: Rondon. 2001. TV Cultura. Genoma: Em Busca do Sonho da Ciência. TV Cultura. Série Globo Ciência. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. episódio: Ordem no Caos. 1998. TV Cultura. Canal Futura. 2002. Pré Histórias da Pedra Furada. Série A Mão Livre. Série Globo Ciência. Teca na TV. episódio: Somos Pequenos no Universo? 1996. TV Cultura. 2003. TV Cultura. 1999. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. Série Globo Ciência. episódio: Dr. Série Globo Ecologia. Série Repórter Eco. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. 2002. Série Globo Ciência Saúde. 1998. 1994. Série Mar à Vista. 1997. 1994. 1998.

os índios do Xingu. pois as fitas melam em pouco tempo devido a grande umidade”. Outro motivo da agressiva dominação das novas mídias. só agora começa a ser usado no ensino (o Colégio Pedro II só agora começou a adquirir os primeiros equipamentos). em especial do DVD. mais ‘atualizado’.Apêndice E As mídias do audiovisual Existem muitas mídias de suporte para o audiovisual. na hora de exibir o vídeo. e o Digital Versatile Disc (DVD) que apesar de ter literalmente acabado com o mercado da fita Video Home System (VHS). pois nas novas mídias. como no caso do VHS. a High Density DVD (HD DVD) etc. não ocorre o problema do desgaste físico da mesma. o que é um forte limitante do uso deste recurso nas antigas mídias em fita magnética. quando comparadas com as fitas VHS. Mas o choque definitivo está se impondo. ou seja a possibilidade de um acesso aleatório em qualquer ponto das trilhas de dados. podem ser programados para o acesso aos pontos predefinidos. Outra grande vantagem é na hora de pausar a imagem. que não é muito usado no Brasil para esta finalidade. já nos cobram as cópias dos documentários em DVD. utilizando os algoritmos de compactação. é que não apresentam o problema da perda de qualidade com o passar do tempo e são mais estáveis fisicamente. além disso os equipamentos utilizados para “tocar” essas mídias (os players). facilitando em muito o educador. A grande diferença destas e outras mídias como a Blu-ray. ou de armazenar vídeos de alta definição em um 106 . como o Compact Disc (CD). com a possibilidade de armazenar várias horas de vídeo com qualidade inferior ou igual ao VHS. pois dizem que são mais resistentes. Saldanha (2005) em entrevista diz: “Nossos parceiros. e que elas têm na essência as mesmas vantagens do velho disco de vinil.

107 . além é claro da evolução dos padrões de compactação.único DVD ou em outras mídias de maior capacidade física.

Menção Especial do Júri do “6ème Festival International de L’Émission Scientifique de Télévision” .br/main. França .X. 1989 .asp?ViewID={25199997-AC07-45EE-A1C101D8204DE822}&params=itemID={8BB7B665-66C6-4C99-BFDDB65FD5609096}.Bogotá. 1989 . oferecido pelo Instituto da Qualidade e organizado pela Camplux Editora e Publicações.Prêmio José Reis de Divulgação Científica. 2000 . Disponível em: http://www.frm.Americano de Jornalismo.Paris. 2002 .Vega Awards pelo episódio “pão”.Prêmio Master de Ciência e Tecnologia 2000.Primeiro lugar no Primeiro Concurso Latino. para o programa “Boas Festas com Segurança”. veiculado em 9/3/2002. Científico . Colômbia . Inglaterra .org.Bristol.para o programa “Mais Verde com Ciência”.&UIPartUID={0B11DCF7-D35E-476B-AB4E-FEA3B7A87A62} Acessada em 02/01/2005 32 108 . 1989 .Destaque na categoria Jornalismo do Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito.Menção Honrosa no SCI-TECH Festival . 1987 .para o programa “Será que é isso mesmo?”. 1990 . com o apoio de várias instituições.para o programa “Será que é isso mesmo?”. ANEXOS Anexo A Premiações do programa Globo Ciência 32: TV Globo.

Gramado .htm Acesso em 20/12/2004 109 . 33 Disponível em: http://www.CANADÁ Categoria Produção Infantil .tvcultura. 1997 VII PRIX LEONARDO da Fundazione Medikinale International Special Award – Melhor Programa Estrangeiro "Minuto Científico" Parma.Categoria Programas para a Juventude.com. Itália 1998 1º Encontro Latino Americano de Televisão da RAL . TV Cultura.Minuto Científico 1998 PRÊMIO CIDADE DE MONTREAL DO FESTIVAL TELESCIENCE .Anexo B Premiações do Programa Minuto Científico 33.Minuto Científico 2000 PRÊMIO DRAGÃO DE PRATA 1º Festival Internacional do Filme Científico de Beijing – China.Melhor Programa infanto-juvenil . Série "Minuto Científico" .br/tvcultura/sobretv/premios.

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