UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE BIOQUÍMICA MÉDICA

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Roberto Eizemberg dos Santos

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa. Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Roberto Eizemberg dos Santos

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Química Biológica (Educação, Gestão e Difusão em Biociências), Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica.

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Santos, Roberto Eizemberg dos.S.
Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por professores das Unidades do Colégio Pedro II/ Roberto Eizemberg dos.Santos.

Rio de Janeiro, 2005. xi, f.: il; 31 cm Dissertação (Mestrado em Química Biológica) –Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Bioquímica Médica, 2005. Orientador: Hatisaburo Masuda Co-Orientadora. Andrea Molfetta 1. Ensino de Ciências. 2. Audiovisual Científico 3.Tecnologia Educacional – Teses. I.Masuda, Hatisaburo (Orient.). II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Bioquímica Médica. III. O Tempo do Audiovisual Científico no Ensino de Biologia e Ciências.

como orientador. Dr.Roberto Eizemberg dos Santos Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Rio de Janeiro. ___________________________ Lacy independente ________________________ Pedro Lagerblad de Oliveira. como revisora e suplente. ________________________ Denise Rocha Correa Lannes. . Professor adjunto do IBqM – CCS – UFRJ. Dra. Dr. Pesquisadora ________________________ Miriam Struchiner. ____________________________ Henrique Gomes de Paiva Lins de Barros. Dr. como suplente externa. Dra. Varella Barca de Andrade. Professor Titular do CBPF. Professora adjunta do NUTES– CCS – UFRJ. Professor titular do IBqM – CCS – UFRJ. 19 de setembro de 2005 Aprovado por: ____________________________ Hatisaburo Masuda. Professora adjunta do IBqM – CCS – UFRJ. Dra.

.Dedico esta dissertação aos que não vêem no tempo um inimigo implacável que os impeça de começar uma nova jornada.

não posso conceber você como um dentista. Em primeiro lugar agradeço a minha mãe. Lins de Barros. pode observar em mim essa tendência pela ciência e me disse “Roberto não abandone a ciência. apontou-me essa casa da excelência. Celso. A toda a equipe do grupo de Biofísica do CBPF e. Sarah. que substituíram as canções de ninar. implantando no fundo da minha alma o gosto pela ciência. A Sergio Brandão. educado e apoiado. e a sua gentileza no empréstimo dos catálogos do Ver Ciência e do Image et Science e . amado. à minha orientadora de desenvolvimento tecnológico e industrial. como o local para as minhas idéias e ideais. que soube compreender e aceitar as privações do meu ato quase insano de abandonar um ofício em troca de um ideal. que me ensinou a disciplina necessária para a pesquisa e mostrou-me a necessidade do investimento em uma formação de boa qualidade. por ter me gerado. mesmo agora num momento em que caberia a mim a função de retorno desse apoio. A minha amada companheira. Ao meu pai. Shirley. que reconheceu a qualidade do material audiovisual que produzi. Esquivel. você não tem esse perfil” e que na minha volta. Darci M. Henrique G. que nas suas leituras de revistas de divulgação científica. que vinte anos atrás. da Vídeo Ciência.Agradecimentos Em tão poucas linhas. é difícil agradecer de uma forma satisfatória a tantos e com a real profundidade necessária. impalpável e incerto. o Instituto de Bioquímica Médica (IBqM). em especial. Ao meu orientador de iniciação científica. P. S. do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF).

fazendo assim uma orientação efetiva. por mostrar o . em especial ao Luis Dourado. A Profa. soube identificar e intervir nas horas propícias. Ao meu orientador de mestrado Hatisaburo Masuda do Laboratório de Bioquímica de Insetos. pela complementação dos catálogos. do Programa de Gestão. A minha revisora Denise Lannes. por viabilizarem meus novos audiovisuais de divulgação/educação. do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF). A Profa. que com seus sólidos conhecimentos das imagens em movimento. A Teresa Otonto da TV Cultura SP pelo envio do catálogo de 1995 do Festival Image et Science e do catálogo 2004 do Festival Vedere la Scienza. que mesmo tendo seus castelos a construir. Aos meus companheiros de estudo. Suzete Bressan e seus alunos do Laboratório de Entomologia Médica. deu mais vida. junto a TV Cultura SP. do Departamento de Cinema Rádio e Televisão da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). orientou e me deixou à vontade na minha busca pelo conhecimento. Jacqueline Leta. sem o risco da perda de interesse. A minha co-orientadora de mestrado. que apontou alguns problemas em meu caminho. também do PEGeD. que me acolheu. que se dedicou em encontrar e me mostrar os cadafalsos escondidos no trajeto.que apontou também esta casa para alavancar a minha formação. contribuíram para a minha formação. porém soberba. brilho e consistência ao meu trabalho. e aos Profs. Andrea Molfeta. A José Renato Monteiro. Educação e Difusão em Biociências (PEGeD) . e que com a sua visão bem humorada. Monteiro e Margarete Macedo Monteiro e seus alunos do Laboratório de Ecologia de Insetos do IB. Ricardo F.

por me ceder sua bibliografia e apontar soluções. e a Elisandra Galvão. permitindo assim o êxito desta parte da pesquisa. que me assessorou junto aos professores do Colégio Pedro II. que graças à bolsa concedida ao programa de demanda social. viabilizou a minha dedicação exclusiva nesse estudo.quão é ímpar a linguagem do cinema. sem os quais esta dissertação não teria fundamentos ou credibilidade. A todos os autores citados. sem a qual nossa vida acadêmica certamente seria mais difícil. E a CAPES. em especial a Heloísa e Lílian. . aos entrevistados e aos professores das unidades do colégio Pedro II. A Denise Mano. A toda a equipe do Laboratório de Bioquímica de Insetos. A Tereza Lima.

Resumo Santos. assim como nos audiovisuais disponíveis pela produção de divulgação científica nacional. quando produzidos por empresas internacionais. Vídeo Escola e Vale Vídeo). encontramos que esse material é composto. 2005. Rio de Janeiro. por programas de curta duração (menos de 30 minutos) nos projetos pedagógicos (TV Escola. os quais são utilizados de uma forma fragmentada. na prática de ensino. em um colégio federal no Rio de Janeiro. Esta mesma questão. Foi encontrado. Como resultado. do tempo de duração de audiovisuais. Nesta dissertação. que podem ser vistos nas redes de televisão abertas e por curta e média duração. analisouse também a forma como os audiovisuais são utilizados em sua prática de ensino. de um modo geral. foi analisada segundo a ótica de alguns produtores de vídeo que. Além disso. nas tevês por assinatura e nas tevês abertas. como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica. Gestão e Difusão de Biociências do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. são conduzidos pelas necessidades das grandes redes de televisão. Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II. Roberto Eizemberg dos. também. majoritariamente. Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-Graduação de Educação. que existe uma predileção dos professores por produtos internacionais. o tempo de duração de audiovisuais (filmes e vídeos científicos) que são disponibilizados ao professor de ensino médio e fundamental foram analisados. .

was also analyzed. are of short duration (less than 30 minutes). usually produced by international companies. Profile of Time of Scientific Audiovisuals and a Case Study of Their Utilization. the duration of scientific audiovisual (films and videos). Management and Diffusion of Biosciences from the Instituto de Bioquímica Médica of the Universidade Federal do Rio de Janeiro . Short and long duration videos are obtainable from cable TVs and also from broadcast TV. were also analyzed according to the point of view from the producers. which in general. inside classroom. TV Escola. Video Escola. As a result. that are utilized in a fragmented mode. as part of the requirements necessary to the attainment of Master of Science Degree in Biological Chemistry In this dissertation.Abstract Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Santos.UFRJ. we found that among these videos. It was also found that the teachers prefer international products. were analyzed. in Biology and Sciences Education. The videos analyzed were from the collections from. the one’s from pedagogic projects. Dissertation submitted to the Graduate Program in Education. . Vale Video. in a Federal School from Rio de Janeiro. by the teachers from the Units of Colégio Pedro II. Roberto Eizemberg dos. 2005. that can bee seen in the broadcast TV network. as well as from the collections of videos produced in Brazil for scientific diffusion. Besides that. the way these videos are utilized inside the classroom. available for teachers from basic and high school. Rio de Janeiro. The duration of videos. are conducted by the requirements imposed by the main TVs network.

Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais nacionais e dos audiovisuais de outros paises. 40 Figura 05. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de 44 audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola. 42 Figura 07. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. Figura 06. 37 Figura 03. do projeto Vídeo Escola. 45 Figura 09. Figura 08. dos audiovisuais produzidos no INCE.LISTA DE FIGURAS Figura 01. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais e audiovisuais internacionais. Freqüência percentual por classe de tempo. do projeto Vale Vídeo. dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo. 38 Figura 04. 46 . Freqüência percentual por classe de tempo. 14 Figura 02. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. Freqüência percentual por classe de tempo. do projeto Vídeo Escola. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo 41 do conjunto de vídeos de todas as áreas. do projeto Vale Vídeo.

Freqüência percentual por classe de tempo. no período 2000 – 2001 54 Figura 15.Freqüência percentual por classe de tempo. 60 Figura 18. Outra opção de gênero dos 25 professores que usavam o documentário. para trabalhar os conceitos selecionados. no ano de 2004 56 Figura 16. preíodo1994-2004 Figura 20. dos audiovisuais nacionais de ciências e dos audiovisuais internacionais de ciências apresentados na programação da TV Escola. no período 1994 – 2003. 63 Figura 19. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 e 2000-2004. no período 1996 – 2002. Linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos. dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science. Freqüência percentual por classe de tempo. no período 1996 – 2002. período1999-2004. que usam o audiovisual no Colégio Pedro II.Figura 10. Gráfico inserido. 48 Figura 11. nos qüinqüênios 1994-1998 e 1999-2003. No gráfico inserido. 52 Figura 14. 51 Figura 13. 57 Figura 17. Freqüência do gênero de audiovisual utilizado pelos 27 professores entrevistados. dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo. freqüência percentual de todos os audiovisuais. Figura 21. apresentados na programação da TV Escola. 49 Figura 12. dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola. Figura 22. dos audiovisuais da TV Escola. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 e 2000-2004 Gráfico inserido. Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo. E representação dos segmentos propostos pela equipe da Discovery. dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola. 64 67 68 69 . dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente. no período 1996 – 2002. no período 1996 – 2002.

Figura 23. Acervo dos 27 professores que usavam o audiovisual. Fonte do material usado pelos professores. 70 70 71 . Figura 25. pelos 27 professores que usavam o audiovisual. Práxis relativa a fragmentação dos audiovisuais. Figura 24.

descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE). 34 35 Tabela 04. Audiovisuais. segundo sua Origem e Finalidade. Categorização dos Acervos de Audiovisuais. . segundo sua Origem e Finalidade. do projeto Vale Vídeo. 33 Tabela 02. Total de Audiovisuais. 35 Tabela 05. Audiovisuais dos Acervos segundo sua Origem.LISTA DE TABELA Tabela 01. Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências. segundo a Finalidade. Tabela 03. 42 efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U).

Vôo do pelicano.LISTA DE IMAGENS Imagem 01. Imagem 02. 02 03 . Seqüência de 4 fotos tiradas por Janssen de Vênus frente ao Sol. com seu Revólver.

LISTA DE SIGLAS AIVC BBC CAPES CBPF CD CNPq CNRS CVRD DVD ECA ftp HD DVD http IBqM INCE MEC PDF SEED Semtec UFPA UFRJ UNESCO USP VHS WWW Associação Internacional Ver Ciência Britsh Broadcasting Corporation Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas Compact Disc Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Centre National de la Recherche Scientifique Companhia Vale do Rio Doce Digital Versatile Disc Escola de Comunicação e Artes File Transfer Protocol High Density DVD Hiper Text Transfer Protocol Instituto de Bioquímica Médica Instituto Nacional de Cinema Educativo Ministério da Educação e Cultura Portable Document Format Secretaria de Educação a Distância Secretaria de Educação Média e Tecnológica Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Rio de Janeiro United Nations Educational Scientific and Cultural Organization Universidade de São Paulo Video Home System World Wide Web .

Tamanho da amostra menor. População. Soma dos postos da amostra menor. . Amostra 2. a grandeza da esquerda do símbolo é menor que a grandeza da direita. Sem data. Estatística U de Mann-Whitney. Tamanho da amostra maior. Nível de significância estatístico. a grandeza da esquerda do símbolo é maior que a grandeza da direita. Percentagem. ou seja. Igualdade de grandezas. Amostra 1. ou seja.LISTA DE ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS < > = % A1 A2 α DF n n1 n2 P1 P2 π s/d Sd Se U Menor que. Erro padrão. Soma dos postos da amostra maior. Maior que. Distrito Federal Tamanho da amostra. Desvio padrão.

Perfil de Tempo III. Finalidade III. Análise Estatística III.2.2 Seção 2 – Professores e Especialistas III.1 Seção 1 .4.2. Publicações digitais como fonte de dados: III.2.1. Áreas do Conhecimento III. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo I. Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados 17 17 17 21 21 21 21 22 25 27 27 27 28 30 30 30 . Nacionalidade III.2.2.1.2.4.1.1.2. O Sonho no Ensino I.1. Amostra III.1.1. Amostra e Coleta de Dados III.2.1.1. Metodologia III.3.2. Coleta e Análise dos Dados III.2.2. O Tempo no Ensino 1 1 2 4 6 8 14 II. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III.2.SUMÁRIO I.2. A Linguagem do Audiovisual I.2.2.5.2.1.4. Introdução I. Objetivos 16 III.3. Recomendação dos Especialistas III. A Mãe do Cinema I.6.5.4. O Tempo no cinema I.1.1.Audiovisuais Científicos III. Análise de Dados III.3. Entrevistas com Produtores.4.

. Vídeo Escola IV.Sessão Brasil IV. Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) IV. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II IV. Festival Image et Science IV.2.1.7.IV.2 Seção 2 Professores e Especialistas IV. Resultados IV. Entrevistas com Produtores.1.1. Divulgadores e Consultores.2.Sessões Internacionais IV.9. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal IV. Perfil de Duração IV.5. TV Escola Programação de Meio Ambiente IV. Referências Bibliográficas VIII.1. Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II 76 76 81 VI. Discovery na Escola IV.1.10.1.3.4.1.1.1.1. Vale Vídeo IV.1. O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências V. Discussão V. Apêndices 94 101 102 .6.1.2.1.1. TV Escola Programação de Ciências IV. 32 32 32 36 36 37 39 43 46 50 52 55 58 62 64 65 65 72 V.1. Conclusões 91 VII.11.1.2. TV Escola . Mostra Ver Ciência .1 Seção 1 – Audiovisuais Científicos IV.2. Mostra Ver Ciência .8.1. Palestra IX.2. Finalidade e origem IV.Programa Vendo e Aprendendo IV.

TV Cultura 108 108 109 .Apêndice A: Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação Apêndice B: Audiovisuais do projeto pedagógico Vale Vídeo. classificados como de biociências Apêndice C: Audiovisuais do projeto pedagógico Vídeo Escola. classificados como de biociências Apêndice D: Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 . Anexos Anexo A: Premiações do programa Globo Ciência: TV Globo Anexo B: Premiações do Programa Minuto Científico.2003 Apêndice E: As mídias do audiovisual 105 106 104 103 102 X.

Gênesis Cap 1.E Deus disse: "Faça-se a luz!" Então se fez a luz. Ver 3 .

a onipresente velocidade da luz. um tempo visto e sentido. no decorrer do último século e do que estamos. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo A luz. 1978. que em suas várias linguagens próprias levam a alegria. transportaram o tempo na velocidade da luz. imagens e sons. pois a sua grandeza esperou ainda o início do século XX para sair do discurso metafísico e ser relativizada. 1994. E assim compreendida por uma ciência. a tristeza. Não demorou muito e a genialidade humana começou a cobiçar a possibilidade de guardar não só um momento. estes gênios do fazer materializaram a luz em substratos que agora podiam ser vistos. 1971 e Tosi. difundindo aos poucos. o registro documental do tempo. Mannoni. ora antagônicos. não só uma cabeça. Nascia então no final deste mesmo século. novamente. INTRODUÇÃO I. sonho indizível de muitos e que foi concretizado por alguns intrépidos na primeira metade do século XIX. Busselle. alquimistas e artistas. unidos aos artistas do fazer. conseguiram essa proeza maior. Congelar sua presença significa captar um momento no implacável relógio do tempo. a ciência e até o saber 1. 1 . 1987. mas o tempo integral e. não só uma idéia. Martinet. a fábrica dos sonhos.1. mas implacavelmente. a nossa máquina do tempo: o cinema.I. ora aliados. guardados e retocados. mas seus conjuntos. que com seus incansáveis sonhadores. Então o tempo agora foi dominado? Pelo menos o tempo relativo. Mistura de cientistas. tendo como um dos parâmetros. s/d. Resnick. 1 Texto baseado em.

inter. Seqüência de quatro fotos de Vênus frente ao Sol.htm Acesso em 25/12/2004 2 . como diz Mannoni (s/d. 2 Segundo Busselle. A Mãe do Cinema Determinar a paternidade e a data de nascimento do cinema não é tarefa fácil. 18). com a sua projeção pública de 1895. Assim Janssen é apontado como o pai do cinema. com o seu Revólver Fotográfico. por ter desenvolvido e padronizado. p. tem sua paternidade contestada por alguns autores. Louis-Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). 1978. é apontado como o pai da fotografia. e desta forma fica clara a maternidade científica deste meio audiovisual. com isso “O cinema científico nasceu anos antes que o cinema de entretenimento” (tradução nossa). “esse é o primeiro aparelho que fotografa as diferentes fases de um movimento não simulado” (tradução nossa) e segundo Tosi (1987.I. aproximadamente. na década de 30 do século 19.nl. Aperfeiçoado pelo fisiologista francês Etienne-Jules Marey (1830-1904). 5). conseguiu registrar em uma placa circular de Daguerre 2 as imagens sucessivas da passagem do planeta Vênus frente ao disco solar. apesar de apontados como pais do cinema.2.net/users/anima/chronoph/janssen/index. tiradas por Janssen. que em 1874. o Revólver Fotográfico de Janssen tornou-se portátil e passou de. p. um processo realmente fotográfico e independente do acaso. Imagem 01. 3 Imagens obtidas em: http://web. Assim. Os irmãos Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948). como Tosi (1987) e Martinet (1994). que atribuem esta paternidade ao astrônomo francês Jules Janssen (1824-1907). com seu Revólver Fotográfico 3.

com Acesso em 22/12/2004 3 . as previsões de Janssen. a partir de 1882. ganhando assim a nova denominação de fuzil fotográfico. com o uso de substratos flexíveis (películas) e novas técnicas de projeção. por exemplo. Assim é fácil imaginar.expo-marey. Os aperfeiçoamentos subseqüentes. que em 1876 disse: Uma série de fotografias que cubra um ciclo completo de movimento de uma função específica nos outorgaria dados valiosos para explicar seu mecanismo. mediante a obtenção de uma série de fotografias que representem os diversos momentos da asa em movimento. Vôo do pelicano 4. foram bem aproveitados pelos irmãos Lumière que. Imagem 02. tradução nossa). com a invenção do cinematógrafo. Com esse desenvolvimento Marey pode concretizar. Os estudos de Marrey sobre a locomoção dos animais foram contemporâneos aos estudos do fotógrafo inglês Eadweard James Muybridge (18301904). (TOSI. o grande interesse que teria para um problema tão obscuro como o do vôo das aves. que usava um conjunto de câmeras para obter as imagens. 4 Imagem obtida em: http://www.uma imagem a cada um segundo e meio para 12 imagens por segundo. 1987. vieram a popularizar o cinema. Segundo Sá (1967).

tradução nossa). Nesta ação ousada de um homem de ciência fica caracterizada. desde muito cedo instigou os educadores para o seu uso como meio auxiliar no processo educativo. As imagens em movimento.3. após uma apresentação cinematográfica dos filmes dos irmãos Lumière. em 1898. Estas são palavras de Lev (Leão) Nikolaievitch Tolstoi (1828–1910). “Considero que a cinematografia é um espetáculo inteligente e instrutivo. defendeu-se o Dr Eugène-Louis Doyen (1859-1916). tais como: documentar o trabalho ou objeto da pesquisa. p 93. “É para o meu ensino pessoal e para o de meus discípulos” (COISSAC. O Sonho no Ensino A possibilidade de registrar em filme processos naturais. em 1898. Não tardou muito até que outro visionário desse mais um passo na direção do inevitável. mas também uma necessidade da sociedade que se modernizava. que certamente foi percebida por muitos. 24). Tem um imenso valor como instrumento didático” (TOSI. 4 . O filme científico strictu sensu é produzido no âmbito da pesquisa cientifica e cumpre papéis específicos.Louis Lumière fez a primeira grande reportagem ao registrar. por deixar reproduzir pelo cinematógrafo uma de suas operações. a coroação do Czar Nicolau II. p. com ou sem som. 1930. em 1896. Suas projeções de reportagens e de filmes de viagem popularizaram o gênero documentário. a vocação do cinema científico para o ensino. 1987. sempre foram um fator relevante no contexto educacional. 1925 apud SERRANO e VENANCIO FILHO. aspectos corriqueiros ou mesmo raros. I. procedimentos técnicos e/ou científicos. Elas descrevem mais do que uma mera constatação. Adequá-las às condições do ensino parece ter sido uma busca constante dos educadores. no que seriam os seus primórdios.

existe muita dúvida se a linguagem usada nesses filmes era capaz de motivar o público alvo. E pode ser usado. p. O desenvolvimento das técnicas de filmagem e a grande produção de filmes científicos alavancaram uma indústria crescente de produção de filmes especificamente para o uso no ensino. exatamente. a exposição lógica e a avaliação correta da receptividade da platéia. em grande parte. Ao explanar sobre a importância do cinema no 5 . 1993. Para o montador de filmes educativos esta consideração é. 2001. A razão para isso pode estar na forma como eram (e em muitos casos ainda são) produzidos. p. no ensino. 120). nem tudo era de qualidade questionável. (FRANCO. A força que arrastava multidões às salas de exibição foi suprida pela obrigatoriedade do estudante em permanecer durante a exibição na aula. uma boa parte da linguagem desenvolvida pelo cinema se perde.para arquivamento ou para o uso na divulgação. 23) Mas. O objetivo do montador de documentários ou filmes de ficção é criar uma atmosfera – dramatizar acontecimentos. também. quando se utilizam técnicas especiais. irrelevante. como a microfilmagem ou a filmagem em alta velocidade. Além disso. implementaram os seus próprios órgãos responsáveis pela produção de filmes educativos (SCHVARZMAN. inclusive o Brasil. Entretanto. também se podia usar filmes comerciais no ensino. Vocação que responde perfeitamente aos parâmetros de construção das narrativas míticas que alimentaram as pedagogias de perpetuação cultural da Humanidade. 1978. 174) Sem o uso da dramatização. (REISZ e MILLAR. querer “limpar” a linguagem audiovisual dessa sua vocação de liberdade ante a lógica do tempo e do espaço. p. Muitas vezes é uma das ferramentas investigativas. A finalidade dos seus filmes é ensinar e os seus objetivos devem ser a clareza. O erro cometido na tentativa de criar o cinema educativo foi. mormente. Alguns paises.

Apesar das muitas restrições de ordem econômica. de modo analógico ou simbólico.] Um verdadeiro artista. E a razão para isso é que se trata de uma arte bem consolidada e estruturada em bases sólidas. p. que reforçava assim. em meio a uma proliferação de filmes educativos. Mas. 14) É esperado que um produto. (SÁ. I. p.4.. 1980. política etc. nem sempre foi assim. A competência e criatividade de produtores de “vivência” supriam os educadores das primeiras décadas do século XX com a sua “matéria” prima para o trabalho. Na realidade.. técnica. “baseado num conjunto de códigos cinematográficos particulares e gerais” (METZ. se ele próprio possuir a vivência do espiritual ou puder captar-lhe a presença nos seres mais humildes. o cinema foi sendo construído através. 5 É o processo de análise de movimento através de fotografias sucessivas. além de contar com rica bibliografia. “O cinema é a matriz imagético-sonora do campo midiático da sociedade contemporânea”. “Cinema é a projecção luminosa da synthese mecanica da figura analytica do movimento”. tenha uma probabilidade maior de seduzir seu público alvo.. feito com esmero e que tenha uma linguagem atraente. 80). Segundo Almeida (1931). 1967. do desenvolvimento de uma linguagem própria. Este ponto de vista é um pouco reducionista e simplifica o cinema à visão baseada na cronofotografia 5 de Marey e Muybridge. diz: As idéias abstratas podem ser traduzidas em símbolos e a escala dos valores focados pelo cinema vai de Deus ao mais insignificante objeto [. principalmente. foram criadas verdadeiras jóias.ensino e a força desta linguagem. a veterana escritora e professora de cinema Irene Tavares de Sá. a própria divindade. 6 . pode tornar perceptível. A Linguagem do Audiovisual Segundo Ramos (2003). através da imagem em movimento e da montagem.

ao mesmo tempo. Em seu curso de lingüística geral. constituída de várias línguas. a língua. que deve ser ciente desses códigos moldados pelo contexto. p. ao contrário. iluminada pela luz intermitente do projetor. 1995. tem a função de comunicar uma mensagem codificada e canalizada a um destinatário. Aspas e parênteses do autor) 7 . Desta forma. A primeira não passa de uma parte determinada da segunda: ”ela é. a analogia perceptiva. Saussure distingue. 184. Aspas do autor) Sobre a linguagem do cinema. 1995. que recriou na sala escura. em primeiro lugar. o ambiente escuro das cavernas onde os mitos eram narrados ao redor da fogueira”. finalmente. que constituem a linguagem cinematográfica no sentido estrito).. as figuras significantes propriamente cinematográficas (ou “códigos especializados”. 20) afirma que: “ninguém o contestou como linguagem especialíssima. A “inteligibilidade” do filme passa por três instâncias principais: . é um todo em si e um princípio de classificação. (.) A palavra. Franco (1993. Considerada em seu todo. (AUMONT e outros. a língua da linguagem. Para isso precisamos entender a linguagem como um todo e saber sua diferença com relação à língua.. a colocação do cinema como arte. . a linguagem é uniforme e heteróclita. devemos começar por entender a linguagem do cinema. é um ato individual de vontade e de inteligência”. Esta linguagem própria. (AUMONT e outros. p. . 177. p. um produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias.como num feedback. ao contrário. os “códigos de nominação icônica”. que servem para dar nome aos objetos e aos sons. para entendermos a linguagem do audiovisual. essas figuras estruturam os dois grupos de códigos precedentes funcionando “acima” da analogia fotográfica e fonográfica.

Estes fundamentos da linguagem do cinema permeiam as outras manifestações imagético-sonoras que o sucederam, sendo que cada uma guarda suas características diferenciais que as individualizam como artes distintas que são. Podemos, a partir do conhecimento destas diferenças, chamá-las de “manifestações audiovisuais do movimento” e que, nesta dissertação, chamamos por simplificação de audiovisual.

I.5. O Tempo no Cinema A grande mudança conceitual da fotografia, como uma seqüência de fotografias, foi que: “Pela primeira vez, a imagem das coisas é também a imagem da duração delas” (BAZIN, 1991, p. 22 apud GRUZMAN, 2003, p. 65). Assim, o cinema introduziu uma temporalidade na imagem. Para abordar o tempo no cinema, devemos necessariamente entender como são feitos os filmes. De uma forma sucinta, todo o filme nasce de uma idéia inicial. Essa idéia é melhorada e ampliada até se chegar a um argumento que contenha os elementos básicos do filme: do que se trata a história, aonde serão feitas as filmagens, o tempo de duração do filme, como será contada a história e para quem. Com essas e outras variáveis devidamente equacionadas, passa-se para a fase onde esses elementos serão tratados do ponto de vista técnico e de linguagem. A esses procedimentos chamamos de roteiro. Segundo Field (2001, p. xv), “um roteiro, logo percebi, é uma história contada com imagens”. Assim, não devemos descuidar na perfeita utilização destas imagens, quando formulamos um roteiro. O próximo passo é o de obtenção das imagens e dos sons, que deve seguir da melhor forma possível o roteiro. Pronto! Temos um roteiro, temos as imagens e

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sons. “Então temos um filme?” Ainda não, pois ele tem que passar, quase 6 invariavelmente, por uma fase que é chamada de montagem. “A montagem é o princípio que rege a organização de elementos fílmicos visuais e sonoros ou de agrupamentos de tais elementos, justapondo-os, encadeando-os e/ou organizando sua duração”. (AUMONT e outros, 1995, p. 62). Com essa definição “ampliada” de montagem, esse autor deixa claro o quão importante é a montagem na confecção de um filme. Fica claro também a sua influência na linguagem, pois ela introduz códigos que irão facilitar ou, em alguns casos, viabilizar o entendimento do filme. Seguindo ou não um roteiro, é através da montagem que se vai criando a narrativa. Com ela podemos direcionar a percepção e influenciar os elementos psicológicos que nos dão a sensação de temporalidade.
Assim a montagem alternada constituiu-se, progressivamente, de Porter a Griffith: tratava-se de produzir a noção de simultaneidade de duas ações pela retomada alternada de duas séries de imagens. O projeto narrativo gerou um esquema de inteligibilidade da denotação, pois os espectadores sabiam, a partir de então, que uma alternância de imagens sobre a tela era capaz de significar que, na temporalidade literal da ficção, os acontecimentos apresentados eram simultâneos, o que não era o caso dos primeiros espectadores de Méliès. (AUMONT e outros, 1995, p. 192)

De fato, Edwin Stratton Porter (1869-1941), em 1902, desenvolve a narrativa da seqüência temporal de acontecimentos em seu filme, A Vida de um Bombeiro Americano. Os fatos simultâneos são apresentados em planos distintos. Ou como sintetizam Gaudreault e Jost (1995, p. 124), “[...] que mostram sucessivamente dois aspectos concomitantes [...] de uma única ação [...]; no plano estritamente cronológico. A mesma ação se apresenta em duas ocasiões e podemos falar de montagem repetitiva” (tradução nossa e itálico do autor). Segundo Reisz e Millar
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Existe ainda a opção de filmar diretamente, seguindo ou não um roteiro, e obtermos um filme.

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(1978, p. 4-7), este foi um caminho novo. Fugindo da linguagem contemporânea, Georges Méliès 7 (1861-1938) iria “[...] dividir a ação em três seções independentes, ligadas por letreiros”. Essa narrativa pode ser um pouco confusa para um espectador contemporâneo devido à grande duração da seqüência dos planos, antes da alternância. Entretanto, foi desta forma que Porter deu os primeiros passos no sentido de desenvolver essa linguagem, que organiza os códigos. Segundo Mourão (2002), “é na montagem que encontramos a imagem do tempo uma vez que o tempo cinematográfico, sendo uma representação indireta, depende da organização das imagens e sons para que ele se constitua”. Com isso temos o que no meio cinematográfico é comumente chamado de tempo fílmico, que se difere do tempo físico ou real por ter sua “duração” moldada pela percepção psicológica dos signos e códigos audiovisuais do cinema (AUMONT e outros, 1995, GAUDREAULT e JOST, 1995, METZ, 1977 e 1980, REISZ e MILLAR, 1978). Temos assim três formas de relações entre o tempo fílmico e o tempo físico: Tempo fílmico = tempo físico - é o caso do material apresentado sem cortes, como por exemplo, uma partida de futebol na íntegra (inclusive o tempo dos intervalos). Tempo fílmico < tempo físico - é quando se colocam acontecimentos demorados, de forma sucinta. Como exemplo temos o crescimento do broto de uma planta até o desabrochar de sua flor, que pode ser mostrado em uma tela, em poucos segundos, usando a técnica de lapso de tempo, ou o jogo supracitado, com a remoção dos intervalos.

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Georges Méliès, ilusionista e cineasta francês, é um dos pioneiros do cinema.

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Mas toda essa notação do cinema ainda não dá conta do que podemos fazer com o tempo. melhor ainda. O caso do filme de Porter pode nos elucidar melhor quando o tempo fílmico é maior que o tempo físico. 11 . Podemos também transgredir o fluxo natural do tempo. ou introduzir flash-backs em um filme que seguia a cronologia natural. assistindo ao desabrochar de uma flor. O resultado final é uma mera conta matemática. sem uma seqüência lógica. ou seja. cada uma delas com o tempo fílmico igual ao tempo físico. que é mais natural. que pode ser filmada com técnicas de filmagem em alta velocidade e depois ter seu tempo expandido durante a apresentação do filme. Como exemplo.é o caso inverso ao supracitado. Vejamos um exemplo sobre a necessidade de aprender os códigos.Tempo fílmico > tempo físico . o tempo fílmico é duas vezes maior que o tempo físico. a ordem cronológica dos acontecimentos. Assim temos um acontecimento muito rápido sendo mostrado de uma forma mais lenta. com a narrativa sendo feita dos últimos acontecimentos até um tempo passado (em flash-back). sem uma locução explicando detalhadamente o fato. Suponha uma pessoa que nunca assistiu a um filme em lapso de tempo. Com todas essas possibilidades podemos transformar um filme (quase) em um sonho. de mesma duração. Na montagem podemos seguir uma ordem lógica ou. temos uma explosão. Fica claro ser uma questão de se estar familiarizado com a linguagem ou de ser devidamente apresentado ao novo conceito. Consideremos a alternância de imagens ocorridas simultaneamente. Podemos ainda. introduzir um futuro no presente (flash-forward). Isto pode ser uma experiência enigmática para ela e facilmente ela pode pensar que aquela espécie de flor desabrocha naquela velocidade. Teremos assim uma narrativa linear.

tendendo à supressão da temporalidade. De certa forma a grande maioria dos filmes, ainda guardam os pontos básicos de uma narrativa que segue alguma ordem.
Um início, um final: quer dizer que a narração é uma seqüência temporal. Seqüência duas vezes temporal, devemos acrescentar logo: há o tempo do narrado e o tempo da narração (tempo do significado e tempo do significante). Esta dualidade não é apenas o que torna possíveis todas as distorções temporais verificadas freqüentemente nas narrações (três anos da vida do protagonista em duas fases de um romance, ou em alguns planos de uma montagem “freqüentativa” no cinema etc.); mais essencialmente, ela nos leva a constatar que uma das funções da narração é transpor um tempo para um outro tempo e é isso que diferencia a narração da descrição (que transpõe um espaço para um tempo), bem como da imagem (que transpõe um espaço para outro espaço) (METZ, 1977, p. 31-32. Parênteses, aspas e itálico do autor).

A compreensão da temporalidade da linguagem do cinema, que também está presente nas outras linguagens audiovisuais, nos leva à discussão sobre a percepção do tempo. Após suas exposições, metafísica e transcendental, do conceito do tempo, Kant (1996, p. 79), tem como uma das suas conclusões que: “O tempo nada mais é senão a forma do sentido interno, isto é, do intuir a nós mesmos e a nosso estado interno”. As reflexões de Immanuel Kant (1724-1804) são muito ousadas para a sua época e, de certa forma, trouxeram mais luz ao conceito de tempo e de sua percepção.
A Percepção de Tempo. Não só é a seqüência temporal da natureza e a realidade mais enigmática no mundo externo; é também a coisa mais espantosa do homem como ele mesmo. Como o problema de percepção espacial, o problema da percepção do tempo é um velho, e sempre-novo, enigma da psicologia. (REISER, 1926, p. 240, tradução nossa)

A afirmação acima poderia ser feita hoje e uma das razões para isso é, como explica Ades (2002), “O paradoxo do senso do tempo é que, constituindo uma característica geral e permanente do comportamento, ele não decorra, diretamente, de dados sensoriais. Não existe um órgão dos sentidos especializado em perceber o

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tempo”. Desta forma, assim como na montagem de um filme, o tempo que percebemos é oriundo de uma construção, uma montagem psicológica que fazemos das imagens, sons, sensações táteis e outros sinais que recebemos através dos órgãos do sentido, e como tal, é sujeita a variações decorrentes do nosso estado psicológico.
O tempo psicológico ou tempo vivido (duração interior), por sua vez, não coincide com as medidas temporais objetivas. Variando de indivíduo para indivíduo, sendo subjetivo e qualitativo, sujeita-se apenas ao registro de momentos imprecisos, que se aproximam ou tendem a fundir-se, numa organização determinada por sentimentos e lembranças [...] (RIBEIRO, 2002, p 24)

Então, a “duração” de um audiovisual pode ser alterada pelo nosso estado emocional, que também é afetado pelo próprio audiovisual. Com relação a isso, podemos colocar ainda dois fatos importantes para a compreensão da percepção do tempo. Um deles é que as coisas que nos agradam ou desagradam podem alterar consideravelmente a nossa percepção do tempo. Segundo Ades (2002), “Thayer e Schiff (1975) criaram uma situação em que pessoas deveriam ficar, frente a estranhos, sorridentes ou carrancudos. O sorriso do outro fez correr o tempo, sua carranca o brecou”. O outro é que os resultados de Flaherty (1991) endossam os estudos de Hogan (1978), que encontrou uma relação entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo, resultando em um gráfico em forma de U (Figura 01). O gráfico mostra que quando o estímulo é moderado (abscissa - eixo E), a percepção do tempo tende a uma sincronicidade com o tempo real (ordenada – eixo T). Entretanto, quando o estimulo é baixo ou alto a percepção do tempo tende a ser expandida (duração prolongada).

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T

E

Figura 01. Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. Redesenhado de Flaherty (1991, p. 80).

Com isso, fica claro que uma seqüência de imagem leva em si um tempo físico, ou seja, o tempo real, e um tempo fílmico. O tempo real pode ser aferido por um instrumento de medida, que não deve variar quando submetido a outras aferições, pelo menos em condições normais. O tempo fílmico é construído na “mensagem” do(s) sujeito(s) que produz(em) o audiovisual e é “diferida no tempo e no espaço” (BRAGA e CALAZANS, 2001, p. 27) ao sujeito que o assiste. E tudo pode variar quando medido por outro sujeito, ou pelo próprio, quando de uma próxima audiência.

I.6. O Tempo no Ensino A questão do tempo vista na óptica do professor que utiliza o audiovisual na prática de ensino já é debatida desde o início do uso de audiovisuais nas escolas. A primeira regra de higiene útil nas projeções animadas de Sluys (1922, apud Serrano e Venâncio Filho,1930, p. 68) é direcionada à relação tempo do filme e idade do espectador - “Duração máxima das projeções: 20 minutos para crianças de menos

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O filme escolar deve ser curto. não foi encontrada nenhuma referência sobre o uso desta tecnologia educacional em aulas mais longas. 15 . Entretanto. A questão da metragem. Duzentos a trezentos metros representam a medida razoavel. (SERRANO e VENÂNCIO FILHO. não só no que diz respeito à atenção. O que o educador acaba por perceber logo no início de sua carreira. este comportamento “está relacionado com o fato do núcleo da formação reticular. menos tempo conseguem manter a atenção. deixa claro que quanto menores as crianças. 94-95) Esses e outros autores mais recentes levam em consideração que o uso do audiovisual se dá em tempos normais de duração de uma aula (45 a 50 minutos). isto é dez minutos a um quarto de hora de projecção. Essa questão da duração do audiovisual leva em seu bojo a experiência individual de cada um dos educadores que cogitaram a respeito do tema e. p. para o interrogatório verificador das observações de cada um dos alumnos. como também ao rendimento do processo como um todo. Cumpre não fatigar a attenção da classe e deixar margem para a explicação preliminar. só se tornar inteiramente mielinizado na puberdade ou depois dela”. Serrano e Venâncio Filho alertam para o fato. já no início da década de trinta. Segundo Carter (2003. deixando uma lacuna que o educador acaba preenchendo com o uso da sua vivência e criatividade. Além de estipular um tempo de duração. Muitas vezes as soluções por eles encontradas são alicerçadas na observação da reação de seus alunos. Erro dos mais graves é pensar que um filme longo. 32). p. ainda. que os leigos no assumpto suppõem secundaria. para os commentarios adequados a cada trecho do filme e. de grande metragem. é de relevancia toda especial. possa preencher bem a sua finalidade em aula. que tem papel na manutenção da atenção. 1930.de 12 anos e 30 minutos para idade maior”.

a partir de um estudo de caso. 16 . obtidas através de entrevistas ou através de publicações associadas aos audiovisuais. caracterizar sua utilização como prática didática do ensino formal. buscamos identificar: (a) a finalidade (didáticos ou de divulgação) e a origem (nacionais ou internacionais) das produções de audiovisuais científicos disponíveis para utilização em circuito educacional. O termo biociências será utilizado para classificar os audiovisuais utilizados tanto pelos professores de Ciências e de Biologia. (b) a composição relativa ao tempo de duração do material audiovisual nas diferentes categorias identificadas. Para isto. de um colégio federal tradicional do Rio de Janeiro (Colégio Pedro II).II. (d) confrontar os resultados dos depoimentos dos professores sobre a utilização dos audiovisuais com as recomendações de especialistas no assunto. OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivo principal identificar o perfil do tempo de duração dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e. (c) o tempo e a forma de utilização de audiovisuais por professores de ciências (ensino fundamental) e biologia (ensino médio).

• Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal: No livro de Venâncio Filho (1941.1. veiculados em mídias distintas e com linguagens também distintas. publicações digitais. 69 – 75) são listados os audiovisuais da Filmoteca do 17 . A segunda seção. p. produzidos nas últimas seis décadas. levando-se em consideração o contexto da amostra em que foram obtidos. a área e a origem desses audiovisuais. uma mostra e um festival.725 audiovisuais científicos potencialmente utilizáveis no contexto educacional. A amostra foi obtida de 10 diferentes acervos.Audiovisuais Científicos Esta seção categoriza e analisa os audiovisuais científicos que foram disponibilizados apara o educador brasileiro através de projetos de cunho didáticos e de divulgação.III. uma tese e um livro (listagem a seguir e Quadro 01). III. sete projetos didáticos. a partir de um estudo de caso. busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica.1. acessados em catálogos. Amostra e Coleta de Dados Foram analisados 3. III. sendo uma filmoteca. Seção 1 . METODOLOGIA Este trabalho foi dividido em duas seções: A primeira seção trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo.1.

2001a. 209 – 225. Em 396 destes audiovisuais constam a bitola e a metragem • Vídeo Escola: esta amostra foi baseada no caderno do professor do projeto Vídeo Escola. 2001c e 2002). cujos endereços estão disponíveis nas referências desta dissertação. Vassimon (1998. p. • Discovery na Escola: Para esta parte da pesquisa foram consultadas as publicações eletrônicas do projeto Discovery na Escola.mec. p. Disponível em: http://www. p.pdf acesso em 25/12/2004. em Disponível em: http://www. obtido na página da TV Escola 9. obtido na página da TV Escola. no período 19361966. material em arquivo PDF.gov. 9 8 18 .gov. organizado por Aratangy (2000a.br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/06_ciencias. os 401 audiovisuais produzidos no Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE).Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro).243 – 263) agrupa em tabelas do apêndice VI. 2001b.pdf acesso em 25/12/2004.mec. Este material. 25 – 77. • Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE): Galvão (2004.br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/17_meio%20ambiente. • TV Escola Programas de Meio Ambiente: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002. de sua dissertação. • Vendo e Aprendendo (TV Escola): amostra baseada no material em arquivos PDF. Nesta listagem está disponibilizada a metragem de 164 dos 179 audiovisuais. • TV Escola Programas de Ciências: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002. que foram por ela identificados. que foi obtido na página da TV Escola 8. 2000b. material em arquivo PDF. p 64 – 79).

Demeule (1996. Monteiro e Brandão. Monteiro e Brandão (1994. foi obtido na página de apoio aos professores. Monteiro e Brandão (2003. p 70 – 113). Demeule (2000. p 40 – 47). p 36 – 41). 1994-2003). p 42 – 51). sessão Image et Science e sessão Televisão para a Juventude.arquivos PDF. • Festival Image et Science: Baseado nos catálogos do Festival International de L’émission Scientifique de Télévision (Image et Science. Demeule (2003. p 36 – 45). sessão BBC. Monteiro e Brandão (2001. denominada Guias de Apoio 10. Demeule (2001. pode-se fazer uma subdivisão em Ver Ciência Sessão Brasil e Ver Ciência Sessões internacionais.com/port/docentes_guia_01. p 54 – 100). p 40 – 47). p 53 – 95). p 42 – 82). Demeule (2002. dividem a mostra em sessão Brasil e em várias outras sessões essencialmente internacionais: sessão Especial. p 64 – 103). p 112 – 157). Assim com essa divisão entre audiovisuais nacionais e internacionais.shtml acesso em 19/12/2004 Não ocorreu a mostra no ano de 1995. Monteiro e Brandão (2002b. Monteiro e Brandão (1999. de que muitos audiovisuais internacionais desta mostra. p 38 – 45). p 42 – 85). Disponível em: http://discoverynaescola. Monteiro e Brandão (2000. Monteiro e Brandão (1996. Demeule (1998. • Mostra Ver Ciência: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 11. se deve ao fato. A escolha do período defasado em 1 ano com o Festival Image et Science. Demeule (1999. p 32 – 39). Monteiro e Brandão (2004. p 32 – 40). Demeule (1997. p 36 – 45). como é mostrado na seqüência: • Mostra Ver Ciência Sessão Brasil: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004. Monteiro e Brandão (1997. p 39 – 82). p 56 – 100). Monteiro e Brandão (1998. p 38 – 81). 11 10 19 . p 10 – 23). serem os mesmos que foram apresentados no festival do ano anterior. Demeule (1994. Demeule (1995.

• Mostra Ver Ciência Sessões internacionais: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 de Monteiro e Brandão. 28 – 33). (1995. 20 . Quadro 01. Resumo dos acervos de audiovisuais utilizados no contexto educacional. 20 – 23. Monteiro e Brandão (2002. p 12 – 23. p 24 – 41). 32 – 35). Monteiro e Brandão (1996. p 12 – 17. Monteiro e Brandão (2004. p 14 – 25. p 14 – 22. que compõem a amostra analisada. 22 . Monteiro e Brandão (2000. Amostra Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola . 54 – 59). Monteiro e Brandão (1997. 32 – 37). p 10 – 27. 30 – 33). p 12 – 19.programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Mostra . p 10 – 27. 28 – 29. p 12 – 19. 30 – 33). Monteiro e Brandão (1998. 22 – 29. Monteiro e Brandão (1999. 26 – 30. Monteiro e Brandão (2001.Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Ano 1941 12 1936-1966 1994 1998 1996-2002 1996-2002 2000-2001 2004 1994-2003 1994-2004 1936-2004 Fonte dos dados Livro Venâncio Filho (1941) Tese Galvão (2004) Publicação Guimarães (1994) Publicação Vassimon (1998) Internet Internet Internet Aratangy (2000a . 34 – 36). 26 – 29). p 14 – 39.2002) Internet Catalogo Demeule (1994-2003) Catalogo Monteiro (1994-2004) 12 No livro de Venâncio Filho de 1941 não se encontra o ano de produção dos audiovisuais.25. Monteiro e Brandão (2003. 26 – 29). com a informação do número de audiovisuais.

Os audiovisuais da amostra foram classificados. em Nacionais e Internacionais. Análise de Dados A partir das informações das finalidades do acervo. para se identificar os possíveis fatores que diferenciam esses audiovisuais quanto ao tempo de duração. Esta divisão teve como intuito analisar se havia diferenças entre a produção nacional e a internacional. Alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais.Didáticos e de Divulgação.Com informações adicionais (tipo de audiovisual. as amostras foram categorizadas e separadas. do país em que foi produzido e da área de conhecimento.2.1.2. outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais. III. pôdese fazer para cada um dos acervos. Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total. Para classificá-los como biociências utilizou-se palavras da sinopse. Nacionalidade .3. III.1. III. das áreas do conhecimento e assunto destas publicações. um agrupamento só de vídeos de biociências.2. Foi verificada a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total.1. o objetivo foi de aferir se sua constituição temporal é equivalente aos de outras áreas. sinopse etc) contidas nos acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola. Áreas do Conhecimento .III. segundo o país de origem. Finalidade .Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos a amostra foi dividida em duas grandes categorias de audiovisuais . Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total.1.2. que se ajustassem com as palavras 21 .2.1.

facilmente utilizáveis para esse estudo. em uma única forma. Por exemplo. o tempo foi convertido para todas as fontes originais utilizadas não expressas em minutos (Quadro 02). já foram encontrados divididos em Meio Ambiente e Ciências. Considerou-se como biociências as áreas do CNPq: 2. enquanto outros tipos de audiovisuais forneciam as informações em minutos e/ou em minutos e segundos. Os audiovisuais da TV Escola. 4. III. foi necessário trabalhar os dados originais de fontes de tipos diferentes de audiovisuais. Perfil de Tempo . os resultados dessa divisão podem ser encontrados nos Apêndices B e C. 13 Disponível em: http://www. na composição final do banco de dados.2.4.br/areas/tabconhecimento/index. Ciências Agrárias. filmes forneciam informações sobre o tempo em metragem. os quais não foram classificados. Devido ao fato de alguns audiovisuais serem os mesmos nos dois projetos. Ciências da Saúde e 5.cnpq. Assim.1.htm acesso em 27/01/2004 22 . páginas 103 e 104. eles eram confrontados para dirimir eventuais dúvidas. Todos os resultados das distribuições de freqüências foram expressos como percentagem do total. para cada um dos acervos. Ciências Biológicas. foi composto por audiovisuais de outras áreas. O banco de dados foi organizado utilizandose o minuto como sendo a unidade de tempo a ser referida. O segundo agrupamento.das sub áreas do conhecimento da tabela de áreas do conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 13.Com a finalidade de organizar um banco de dados que pudesse fornecer informações.

recomendados por Marconi e Lakatos (2002.Quadro 02. Os valores de tempo de duração encontrados foram arredondados para cima. a classe B de 5’30” até 10’29” e assim por diante. e para baixo. Não foram observados audiovisuais com menos de 30 segundos. Informação do Tempo dos Audiovisuais utilizados neste estudo. Na realidade. a classe A abrange audiovisuais de 0’30” até 5’29”. iniciando na Classe A. com duração de mais de 60 minutos. 155). um minuto inclusive e cinco minutos inclusive). e encerrando na Classe M. Portanto. com valores fracionados inferiores a 30 segundos exclusive. os valores iniciais e finais de cada classe são includentes (no caso da classe A. p. essenciais de serem exaustivas e mutuamente exclusivas. Desta forma a distribuição de freqüências se enquadra nos critérios. com frações maiores do que 30 segundos inclusive. que vai de um até cinco minutos. Este agrupamento em classes de cinco minutos foi definido após observação detalhada das distribuições de freqüências do banco de dados montado durante este estudo e visa uma homogeneização de resultados para facilitar a análise. Fonte Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Ciências TV Escola – Meio Ambiente TV Escola – programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Tempo na fonte Metragem Metragem Minuto Minuto Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto Minuto Minuto Tempo no banco de dados Minuto Os resultados convertidos foram agrupados em 13 classes de cinco minutos de duração. Os dados resultantes desta 23 .

Para fins de suprir a necessidade de diferentes análises dos audiovisuais neste trabalho. Devido ao fato do acervo ser heterogêneo. página 102. 24 . com 210 audiovisuais e (2) 1999 a 2003. em algumas amostras não há referência a todos os intervalos de classe de tempo. as classes de tempo de duração supracitadas foram agrupadas nas seguintes categorias: • • • • • Curtíssima duração: ≤ cinco minutos (Classe A). com 204 audiovisuais e (2) 2000 a 2004. com 215 audiovisuais. o conjunto de audiovisuais desses acervos foi dividido em dois períodos: • Festival Image et Science – os 10 anos do acervo foram divididos em qüinqüênios: (1) 1994 a 1998. Longa duração: > 60 minutos (Classe M) Uma discussão mais detalhada dessa nomenclatura pode ser encontrada no Apêndice A. Média-baixa duração: > 15 minutos e ≤ 40 minutos (Classes D a H). Média-alta duração: > 40 minutos e ≤ 60 minutos (Classes I a L). com 135 audiovisuais. As análises iniciais dos dados dos catálogos sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período de três acervos. • Mostra Ver Ciência Sessão Brasil – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999. Curta duração: > cinco minutos e ≤ 15 minutos (Classes B e C).análise são mostrados segundo a freqüência percentual de audiovisuais por classe. A fim de estabelecer um padrão de análise.

p.5. O cálculo de U foi obtido pelas fórmulas: U1 = n1n2 + n1(n1 + 1)/2 – P1 U2 = n1n2 + n2(n2 + 1)/2 – P2. com 268 audiovisuais. Onde: A1 = amostra 1. se ambas podem ser consideradas provenientes da mesma população”. ou mesmo nulas. decidir se A1 ∈ π e A2 ∈ π.• Mostra Ver Ciência Sessões Internacionais – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999. π = população.Após observação detalhada dos dados obtidos e tendo como referência Kelvin (1987). Análise Estatística . respectivamente.1. n2 = tamanho da amostra maior. mediante a prova de Mann-Whitney. optou-se pelo uso da estatística nãoparamétrica de Mann-Whitney (teste U). Onde: U = estatística U de Mann-Whitney n1 = tamanho da amostra menor. de tamanhos n1 e n2. com 324 audiovisuais e (2) 2000 a 2004. A1 e A2. “dadas duas amostras. isto é. Segundo Kelvin (1987. já que estes e os outros dados brutos foram agrupados em seqüência ordinal e porque alguns dos conjuntos de dados não tinham uma distribuição normal e/ou em algumas das classes desses conjuntos de dados havia freqüências menores que cinco audiovisuais. III. A2 = amostra 2. é possível. 233).2. 25 .

P1 = soma dos postos da amostra menor. acessado Assumida fortemente a hipótese de distribuição não-paramétrica da amostra. com α = 0. α = 0. Os cálculos foram possíveis.yahoo.05 no caso de distribuição normal. Este teste foi usado para verificar se duas variáveis que apresentam os resultados em classes ou categorias estão relacionadas (variáveis categóricas). foi atribuído o valor de erro padrão (Se) e desvio padrão (Sd). Todos os resultados foram confirmados independentemente do tipo de variável. Contou-se também o número de audiovisuais de 26 . com o auxílio do programa GraphPad Prism 4 na distribuição de freqüência de cada classe. Este teste usou o nível de significância como sendo. P2 = soma dos postos da amostra maior. 30 e 50 minutos (esta última composta por audiovisuais de 50 até 60 minutos) e contados os números de fragmentos propostos pela equipe da Discovery em cada um destes audiovisuais.com.05 (5%). todos os resultados das análises realizadas neste trabalho foram verificados através do teste de Qui-Quadrado para independência. conforme a metodologia supracitada e os números de fragmentos foram arredondados para valores inteiros. que está disponível no endereço: em http://geocities. Os valores dos tempos de duração foram aproximados para minutos inteiros.xls 26/07/2005. foi feito o teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov (KS).br/insecta_tv/Mann-Whitney. No projeto Discovery na Escola havia a proposta de fragmentação dos audiovisuais assim. como rigor estatístico. Foram estabelecidas as médias de tempo destes fragmentos em cada uma das classes. graças à implementação de uma planilha no programa Excel 2000. os 54 programas que compunham o projeto em 2004 foram agrupados por classe de tempo de 15.

localizado na cidade do Rio de Janeiro. Para preservar a autoria das entrevistas. assim como o número de professores contratados.50 minutos apresentados em duas partes.1. Amostra Esta parte da pesquisa se constitui num estudo de caso a partir do discurso dos professores de ciências do Ensino Fundamental e de biologia do Ensino Médio do Colégio Pedro II.2. considerando cada uma das partes como fragmentos maiores que 20 minutos. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III. genericamente indicado nos guias de apoio como “primeira e/ou segunda parte”. três não prestaram a entrevista. Por problemas de ordem pessoal dos professores ou de estrutura da grade horária não foi possível entrevistar os 54 professores. 27 . A amostra de entrevistados corresponde a 61% (33) do total de 54 14 professores de biologia e ciências contabilizados pela secretaria geral da instituição como concursados e efetivos.1.2. III. devido a dinâmica do processo de contratação e dispensa. Entre os 36 contatados. Os professores entrevistados estavam lotados nas seguintes unidades do Colégio Pedro II: • • • 14 Unidade Escolar Centro Unidade Escolar São Cristóvão II Unidade Escolar São Cristóvão III A instituição não foi capaz de informar o número exato de professores concursados licenciados.2. os professores e professoras foram numerados de 01 até 33 e desta forma aparecerão citados nesta dissertação. Seção 2 – Professores e Especialistas III.1. sem levar em consideração o gênero (ei: Professor 12).

foram realizadas entrevistas nãoestruturadas. Apesar da liberdade para perguntas. Roteiro: Você utiliza o audiovisual (vídeo) nas aulas? Em caso afirmativo: • • • • • • Com que freqüência? Qual o tipo de audiovisual utiliza (gênero)? De onde obtém o audiovisual (acervo)? Qual a fonte do audiovisual (origem)? Como utiliza o audiovisual? Quais as características favoráveis de um audiovisual para facilitar o seu uso no ensino? 28 .2. na entrevista não-estruturada “O entrevistado tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. p 94). É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão”. característica das entrevistas do tipo não-estruturadas.2. Coleta e Análise dos Dados: A fim de investigar o discurso dos professores acerca da utilização dos audiovisuais científicos como recurso didático. Segundo Marconi e Lakatos (2002. como balizar para condução das mesmas. foi utilizado um roteiro de perguntas (tipo focalizado).1. do tipo focalizada.• • • • Unidade Escolar Engenho Novo II Unidade Escolar Humaitá II Unidade Escolar Tijuca II Unidade Escolar Realengo III.

Em caso negativo: • • • Quais os fatores que impedem o uso do audiovisual? Quais os fatores pessoais que poderiam facilitar o uso do audiovisual? Quais os fatores relacionados ao equipamento que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados às instalações que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados diretamente aos audiovisuais que poderiam facilitar o seu uso? As entrevistas foram agendadas. os professores foram entrevistados na “sala dos professores”. Eles eram convidados. sempre se tomou o cuidado para que as entrevistas fossem individuais. Seguia-se a apresentação do entrevistador. 29 . individualmente. Apesar de realizadas em ambiente coletivo. extensão e cultura do colégio. após o cadastramento do entrevistador e liberação junto a chefe do setor de pesquisa. assegurando o anonimato. e era explanado o propósito da entrevista (para estudar aspectos do uso do audiovisual no ensino). A necessidade de gravação das entrevistas. professora Denise Mano. Esta determinação se mostrou perfeitamente viável. O agendamento das mesmas contou com o auxílio da chefe do Departamento de Biologia e Ciências. professora Eliane Jorge. Nas unidades supracitadas. uma vez que salas de professores são ambientes muito movimentados. ambiente que eles ocupam nos horários vagos ou de reunião. para a entrevista. foi procedimento aceito por todos os entrevistados. no caso o autor da tese.

1. Recomendação dos Especialistas As recomendações dos especialistas da área acerca do uso dos audiovisuais foram obtidas através de entrevistas com profissionais da área ou em publicações especializadas.2. 2001c e 2002). Algumas das questões são abordadas quantitativamente nos resultados enquanto outras são analisadas qualitativamente na discussão.2.2. podem ser encontradas as recomendações de uso feitas por 45 especialistas. foram analisadas as formas de uso dos 54 audiovisuais dos Guias de Apoio. Aratangy (2000a. desta forma o entrevistador pode explorar melhor os vários aspectos da produção.2. III. Publicações digitais como fonte de dados: Na série de publicações “Como usar os vídeos da TV Escola” do número 01 (um) ao 06 (seis).2. 2001b.2. 2000b. Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados: Esta parte da pesquisa contou com entrevistas não-estruturadas.sendo literalmente impossível prestar atenção a uma conversa que ocorra a alguma distância. Entrevistas com Produtores. 2001a. quatro produtores e três organizadores de acervos: 30 . No Discovery na Escola. sendo dois da Mostra Ver Ciência e um do Festival Image et Science. difusão e organização de acervos dos audiovisuais científicos. III. Foram entrevistados três difusores.2. III.

• MONTEIRO. que é veiculada na Rede Brasil de emissoras educativas. José Renato.• BARRETT. Annick. além de curador da mostra Ver Ciência sessões internacionais e membro do júri do Festival Image et Science. Marlene. • SALDANHA. Entrevista concedida em 02 set. Produtora da série Expedições. Matthew. Entrevista concedida em: 2005. Produtor da série Horizon da BBC. Diretora do Festival Image et Science. Organizador dos acervos dos projetos Vale Vídeo e Vídeo Escola. Sergio. Ildeu de Castro. Entrevista concedida em: 2004. Produtor independente. Entrevista concedida em: 2004. Rio de Janeiro. Lins e. Rio de Janeiro. 2004. • DEMEULE. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em: 2005. Entrevista concedida em 01 set. Organizadora de acervo de audiovisuais científicos. • BARROS. Entrevista concedida em 2004. Teresópolis. Produtor e gerente geral da empresa Vídeo Ciência. 2004. • BENCHIMOL. P. Rio de Janeiro. Paula. Rio de Janeiro. 31 . • MOREIRA. Curador da Sessão Brasil da Mostra Ver Ciência e Organizador do acervo do projeto Vídeo Escola. Henrique G. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em: 2005. • BRANDÃO. Rio de Janeiro.

busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica.1. IV. Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos foi possível dividir a amostra em duas grandes categorias quanto à finalidade dos audiovisuais .1. 32 . Seção 1 – Os Audiovisuais Científicos VI.1.IV. a partir de um estudo de caso. Finalidade e Origem Os audiovisuais dos 10 acervos que compõem a amostra foram a princípio caracterizados quantos à sua finalidade e origem. RESULTADOS A primeira seção deste trabalho trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo. A segunda seção.Didáticos e de Divulgação – e verificar a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total (Tabela 01). a partir das informações disponibilizadas em catálogos próprios ou em publicações especializadas.

Os programas de meio ambiente da TV Escola.50 50.29 3.06 15. Da mesma forma. Categorização dos Acervos de Audiovisuais. A análise da origem dos audiovisuais mostrou que alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais.28 Acervos Audiovisuais (n) (%)* 63. Categoria por Finalidade Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola .72 3. segundo a Finalidade.Ver Ciência TOTAL TOTAL GERAL 02 10 425 931 1.186 357 51 54 2.07 2.66 36.40** 100. gerando os seguintes sub- 33 . e o segundo continha 105 audiovisuais produzidos no Brasil.00** * Os percentuais foram calculados com relação ao total de cada categoria: Didático (n = 2. também foram separados assim.725 31. foram divididos os acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola.programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola TOTAL 08 164 396 78 83 1. outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais (Tabela 02). Os programas de ciências da TV Escola foram divididos em dois agrupamentos: o primeiro continha 1081 audiovisuais sobre ciências. produzidos em outros paises.15 2.60** Divulgação Festival Image et Science Mostra . ** Percentuais calculados com relação ao total geral (n = 3.356 3.369 audiovisuais) e Divulgação (n = 1.725 audiovisuais). gerando dois subconjuntos de respectivamente 281 audiovisuais sobre meio ambiente internacionais e 76 audiovisuais nacionais.356 audiovisuais).369 6.92 16.34 68.Tabela 01.

17 1.programa Vendo e Aprendendo e da Filmoteca do Departamento de Educação do DF.013 400 591 94. Acervos (n) Categoria por Origem Nacionais (%) Internacionais (n) (%) Total* Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola .081 281 54 60. 34 .19 8. A Tabela 03 a seguir mostra os números e freqüências totais dos conjuntos de audiovisuais analisados nesse estudo.12 99.725** * Na Tabela 100% correspondem ao total de cada acervo.81 91.83 2.85 21.15 78.71 100.26 51. por falta de informações nas fontes consultadas. ** A soma dos totais de audiovisuais nacionais e internacionais não corresponde ao total geral devido a não caracterização da origem dos acervos da TV Escola . Tabela 02. Audiovisuais dos Acervos Didáticos e de Divulgação segundo sua Origem.88 100.00 39.00 0.497 425 339 592 3.00 164 396 78 83 1186 357 51 54 Divulgação Festival Image et Science Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil Mostra Ver Ciência – Sessão Internacional Total** 25 339 1 5.74 48.conjuntos: 31 audiovisuais nacionais e 47 internacionais no acervo da Vale Vídeo e 40 audiovisuais nacionais e 43 internacionais no Vídeo Escola.29 47 43 1.Programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola 396 31 40 105 76 100. segundo sua origem (nacional e internacional) e a finalidade do acervo (didático ou de divulgação).

Para possibilitar a discussão desses resultados mais adequada à realidade foi necessário retirar os acervos de difícil acesso. Tabela 04.40) 3.725 audiovisuais).Tabela 03. Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 252 (7.61) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra de acervos audiovisuais de fácil acesso pelos professores (n = 3. Esses resultados mostram a visão cumulativa do perfil dos acervos que os professores brasileiros tiveram ao seu dispor nas últimas seis décadas. A análise do conjunto de resultados mostra que a maior parte (n = 1. segundo sua Finalidade e Origem.77) 0 (0. Entretanto.19) 2.77) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra (n = 3. descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE). Audiovisuais.497 (67.165 Total 617 (19.60) 1. Total de Audiovisuais.84) 3.165 audiovisuais).16%) dos audiovisuais de acervos acessíveis aos professores é de cunho didático.16) 1.809 ou 57.356 (36.60) Indeterminada (%) 215 (5.03) 215 (5.00) Total n (%) 2.00) Total n (%) 1.58) 991 (31. dos quais os professores não podem dispor. o que poderia facilitar o uso em sala de aula (Tabela 4).725 Total 1. A Tabela 04 mostra os resultados gerais apenas dos acervos atualmente de fácil obtenção pelo professor interessado.49) 2.369 (63.53) Internacional (%) 1506 (47.43) 991 (26.809 (57.96) 365 (11.506 (40.79) Internacional (%) 1.61) 0 (0.497 (78. segundo sua Origem e Finalidade.31) Indeterminada (%) 51 (1. Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 648 (17.40) 365 (9.356 (42.89) 51 (1. a 35 .013 (27.

sugerem que esses audiovisuais foram obtidos de produtoras internacionais especializadas em audiovisuais educativos.grande maioria (n=2. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal A Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro) foi escolhida por conter o primeiro registro histórico encontrado (anterior à década de 40) de audiovisuais usados na educação no Brasil. em didáticos ou divulgação. Arganás. o que sugere boas chances do professor ter ao seu dispor um material descontextualizado.2. não podemos afirmar ser um representativo de material internacional à disposição do educador brasileiro do início do século XX. por sua generalidade. distante da realidade dos alunos. muitos outros títulos tais como: Força a Vapor. IV. não nos dão indícios de suas nacionalidades. os acervos assim classificados foram analisados quanto ao tempo de duração. Desta forma temos o perfil de distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais da Filmoteca a seguir (Figura 02).1. Esta entidade organizou um sistema de cooperativa para servir às escolas públicas e particulares com audiovisuais para o propósito educativo. Entretanto. 2. 36 . como por exemplo a De Vry School Films Incorporated. Assim. Os títulos: Pingüins e Focas da Costa da Patagônia. nacionais e/ou internacionais. Perfil de Duração A partir da caracterização dos audiovisuais da amostra.1. IV.89%) desses mesmos acervos é de origem internacional.497 ou 78. Energia Solar e Répteis. entre outros.1. A Pesca do Bacalhau.

Portanto. e teve como primeiro diretor Edgar Roquette-Pinto (1884-1954). dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (n = 164). Freqüência percentual por classe de tempo. nos seus 31 anos de atividades.2. de cunho didático (ver Introdução – Tempo no Ensino. ou seja. IV.2. pág 14). sendo que a maioria dos 15 Classe modal é a classe com a maior freqüência.35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 >20 Classe de tempo em minutos B C D A E Figura 02. 102). pág. Até esta classe existe uma concentração de 95. Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) O Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). produziu 401 audiovisuais. com a classe modal 15 sendo a C. este acervo caracteriza-se fortemente como sendo composto de audiovisuais de curta duração. Os dados apresentados correspondem a informações anteriores à década de 40. em sua maioria de curta duração. De fato a Figura 02 mostra que ocorre uma concentração em tempos muito curtos.1.12% da freqüência (audiovisuais de curta duração veja Apêndice A. 37 .

assim como supracitado. este perfil de tempo caracteriza. 38 . dos audiovisuais produzidos no INCE. Os audiovisuais produzidos pelo INCE possuem uma concentração (81. 2002. tempo de duração igual ou inferior a 15 minutos (Figura 03). Sobre o INCE. 120) diz que é uma “instituição oficial criada em 1936.audiovisuais foi produzida por Humberto Mauro (1897-1983). p. segundo a bibliografia especializada. Schvarzman (2001. o INCE já havia projetado audiovisuais em mais de 1000 escolas e instituições culturais” (SIMIS. 108). que procurou fazer do cinema um veículo de educação. como acontecia no mesmo momento na Alemanha. o que. p. A classe modal é a B (06 – 10 minutos). na França e na União Soviética”. disponibilizado para as instituições de ensino. na Itália. e dessa forma o INCE é o representativo do material audiovisual com finalidade didática da produção nacional.56%) até a classe C. 40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 >35 A Classe de tempo em minutos B C D E F G H Figura 03. no período 1936 – 1966 (n = 396). caracteriza um acervo didático. Como referido para o acervo anterior. Freqüência percentual por classe de tempo. “Até 1942. um acervo com fins didáticos.

39 . Segundo Vídeo Escola (1996.89%) nas classes até 15 minutos (de A a C). Vale Vídeo Coordenado por Marcelo Garcia e José Renato Monteiro e desenvolvido a partir de 1989 pela Fundação Roberto Marinho.2. 96-97). mais nova e localizada.IV. Desenvolvido em 1994. O projeto Vale Vídeo é uma versão. segundo Monteiro (2005. do Vídeo Escola e apresenta uma seleção de 78 audiovisuais. o Projeto Vídeo Escola tem. os audiovisuais concentram-se (85.1. Então era um material de extrema atratividade”. com o apoio da Fundação Banco do Brasil.3. para serem utilizados no ensino (da 1ª a 8ª série) e uma para a capacitação dos professores. o projeto Vale Vídeo abrangeu 196 municípios e 300 escolas. de predisposição e de incitamento à aprendizagem. atendendo a 150 mil alunos e cinco mil professores da região de influência da CVRD. e envolvia nove milhões de alunos em todo o Brasil. com 470 vídeos. em 1994 o projeto já dispunha de uma seleção de 101 fitas. distribuídos em 14 fitas. Neste acervo. O compromisso do Vídeo Escola era o de querer aprender. entrevista) “Um material fundamentalmente de estimulação. sendo a classe modal em B (Figura 04). em uma parceria da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e da Fundação Roberto Marinho. O que mais uma vez caracteriza um acervo de audiovisuais didáticos. p.

103) e demais áreas (Figura 05). pág. A disponibilidade de informações relativas à área de atuação de cada audiovisual permitiu agrupar os audiovisuais em duas subcategorias: biociências (Apêndice B. 40 . Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo (n = 78).40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 04.

O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de vídeos de todas as áreas. Com relação às diferenças encontradas entre os audiovisuais de ciências. e os de biociências foi observado uma moda na classe B de biociências e uma menor concentração nas classes A e D. Entretanto. como não são diferenças drásticas foi aplicado o teste de Mann-Whitney (Tabela 05) para testar a hipótese de constituírem perfis semelhantes. quando comparado com os de outras áreas. n = 37). Freqüência percentual por classe de tempo. n = 41) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo. como um todo. do projeto Vale Vídeo.50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas % Audiovisuais Classe de tempo em minutos B C D 06-10 11-15 16-20 21-25 E Figura 05. (n = 78). 41 . dos audiovisuais de biociências (em quadriculado.

ou seja.72 U 808.5 0. Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências.Tabela 05. n = 31) e audiovisuais internacionais (cinza escuro. 40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 Classe de tempo em minutos A B C D E Figura 06. efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U).5 Soma dos Postos 1411.6191 Hipótese Nula mantida Os resultados da comparação entre os audiovisuais de biociências e os das demais áreas do conhecimento confirmam a hipótese de não haver diferenças significativas entre os dois (Tabela 5). n Outras áreas Biociências Mann-Whitney U p bicaudal 37 41 808. do projeto Vale Vídeo. 42 .5 708. Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais (incolor. contendo produções nacionais e internacionais (Figura 06).5 1669. ao nível ordinal. As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram este acervo como misto.15 40.5 Posto Médio 38. n = 47). do projeto Vale Vídeo. Hipótese Alternativa : Outras áreas ≠ Biociências.

mantendo assim a hipótese de semelhança (hipótese nula). é uma compactação do projeto original em 15 fitas. sendo 14 fitas para exibição. com 83 vídeos e uma para capacitação dos professores. A análise do perfil de tempo mostra.2.1. Por ser um projeto “irmão” ao Vale Vídeo e que teve em seu quadro os mesmos consultores.0607. 43 .A análise do perfil de tempo mostra que. é igual a internacional (Figura 06). E quando comparado com o seu projeto irmão resulta em um p bicaudal igual a 0. resultou em p bicaudal igual a 0.0852. nesse projeto. a produção nacional de audiovisuais de ciências. Vídeo Escola O projeto Vídeo Escola de 1998. podemos fazer as mesmas análises.54%) de audiovisuais até a Classe C (Figura 07). O teste estatístico. para esta comparação. uma maior concentração (85. também para este acervo.4. assim como o Vale Vídeo. aceitando a hipótese nula. voltada para a educação. IV.

40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 07. Este acervo também foi dividido em subcategorias de acordo com a área do conhecimento. Já as classes A. A comparação entre os audiovisuais de biociências (Apêndice C. B. Entretanto. não foram transformações consideráveis. pág. uma vez que não há diferenças significativas entre os dois conjuntos de dados. 44 . D e E (Figura 08) apresentam uma menor representatividade percentual dos audiovisuais de biociências. 104) e das outras áreas de ciências mostra uma prevalência da primeira subcategoria na classe C. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola (n = 83).7077 mantendo a hipótese nula. O teste de Mann-Whitney (teste U) resultou em p bicaudal igual a 0.

Freqüência percentual por classe de tempo.50 45 40 % Audiovisuais 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 08. n = 41). de origem mista. (n = 83). n = 42) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo. contendo audiovisuais nacionais e internacionais (Figura 09). 45 . do projeto Vídeo Escola. As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram também este acervo. O gráfico inserido representa a distribuição percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas. dos audiovisuais de biociências (em quadriculado.

9598. dos audiovisuais nacionais (incolor. n = 40) e dos audiovisuais de outros paises (cinza escuro. n = 43). novamente semelhante ao Projeto Vale Vídeo (Figura 06). do projeto Vídeo Escola.2.5. resultou em p bicaudal igual a 0. a TV Escola é um canal de televisão dedicado aos educadores e alunos do ensino fundamental e médio.40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 09. IV. para esta comparação. sob atribuição da Secretaria de Especial de Educação a Distância (SEED). aceitando a hipótese nula. a produção nacional tem o mesmo perfil de tempo que a internacional.1. TV Escola Programação de Ciências Levado ao ar de forma definitiva em quatro de março de 1996. A Figura 09 mostra que. O teste estatístico. Freqüência percentual por classe de tempo. Sua finalidade é contribuir para a melhoria da educação e seus objetivos principais 46 .

br/seed/tvescola/RelatoriosAtividades/Relatório%20da%20TV%20Escola%201996%20200 2.9% desse segmento da rede pública brasileira.são auxiliar no desenvolvimento profissional dos professores e gestores. com mais de 100 alunos. nesse acervo. os audiovisuais de média-baixa duração Texto baseado no relatório da TV Escola 1996-2002.mec.395 escolas públicas de ensino fundamental. Diferentemente dos acervos anteriormente analisados.zip acesso em 10/5/2004 16 47 .gov. Além do material que é produzido com os recursos próprios.96%). Entretanto. a SEED adquire. no país e no exterior. Veiculada por satélite. os kits tecnológicos necessários para a captação do sinal e gravação dos programas da TV Escola são adquiridos com recursos do Ministério da Educação e Cultura (MEC). a programação é composta por audiovisuais distribuídos majoritariamente entre as classes A e F (96. Enquanto audiovisuais de curtíssima (< 5 minutos) ou curta duração (≥ 5 e < 15 minutos) caracterizam o fim didático. estas características sugerem uma composição mista de tempo neste acervo. A abrangência. entre o ensino médio e o fundamental. direitos de exibição de programas educativos de produtoras de reconhecida competência e qualidade nesta área 16.45 milhão de professores. em sinal digital. disponível em: http://www. existe uma concentração até 15 minutos (68. Até 2002 a TV Escola já havia sido instalada em 57. com a classe modal em B (Figura 10). o que representa 91.80%). em pouco tempo se alcance mais de 35 milhões de alunos e mais de 1. enriquecer o processo de ensino-aprendizagem e incentivar a aproximação escola-comunidade. A expectativa do projeto é que. a diversidade de audiovisuais e a especificidade da área apontaram para a necessidade de inclusão deste recorte do projeto didático nas análises. A análise do perfil de tempo mostra que. com a entrada da Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec) em parceira da SEED.

Portanto. dos audiovisuais da TV Escola. (n = 1186).81%) do Grade é o nome usado no meio televisivo para identificar os intervalos de tempo que cobrem cada um dos programas no período de programação da emissora. foram responsáveis pela produção da maioria (69. foi possível verificar que apenas duas produtoras. apesar de ter por finalidade o uso didático.(>15 e ≤40 minutos) caracterizam produtos usados para suprirem as grades 17 horárias das redes de televisão. neste acervo são encontrados audiovisuais com características de divulgação científica. Com as informações do catálogo. 17 48 . no período 1996 – 2002. Freqüência percentual por classe de tempo. TV Escola/MEC e Secretaria Extraordinária de Programas Especiais do Estado do Rio de Janeiro. 30 25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 10.

30 Nacionais Internacionais 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 11. voltada para a educação. o material internacional foi produzido por 39 entidades. n = 105) e dos audiovisuais internacionais de ciências (cinza escuro. é significativamente diferente da produção internacional (Figura 11). O teste estatístico para esta comparação resultou em p bicaudal igual a 0. 49 . Freqüência percentual por classe de tempo. no período 1996 – 2002. dos audiovisuais nacionais de ciências (incolor. a produção nacional de audiovisuais de ciências. quanto ao perfil de tempo.material nacional. Por outro lado. n = 1081) apresentados na programação da TV Escola. nesse projeto. mostra que. algumas delas especializadas em audiovisuais didáticos. A comparação entre o material nacional e internacional. rejeitando a hipótese nula.0051.

se concentra nas classes C e D (classe modal). TV Escola Programação de Meio Ambiente A análise da programação de meio ambiente guarda similaridades com a de ciências. Este acervo também se caracteriza por uma distribuição de audiovisuais entre as classes A e F (93.1.2. sendo que na produção nacional existe uma variedade maior de produtoras. é a responsável pelo perfil misto de tempo do acervo como um todo (Figura 10).A Figura 11 mostra que a produção nacional.28).6. existindo uma concentração (68. A Figura 12 mostra este perfil com duas concentrações distintas. enquanto a internacional se concentra nas classes A e B (classe modal). neste segmento. A produção internacional também é expressiva nas classes E e F e.35%) até 15 minutos (Classe C). O perfil de tempo deste acervo é semelhante ao encontrado para o acervo “TV Escola Programação de Ciências”. por conter um número muito maior de audiovisuais. 50 . IV.

Comparando os audiovisuais da TV Escola de Ciências e TV Escola de Meio Ambiente (Figuras 10 e 12) obtemos o p bicaudal igual a 0. Freqüência percentual por classe de tempo.30 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46--50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 12. 51 . o que descarta a hipótese nula. (n = 357). Apesar das diferenças.0322. dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola. p bicaudal igual a 0. (Figura 13) mostrou que os conjuntos Nacional e Internacional dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola contêm diferenças significativas. A comparação estatística.0002. os dois acervos têm uma concentração de audiovisuais em tempos de até 30 minutos e duas concentrações de tempos de duração (curta e média-baixa). no período 1996 – 2002.

dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente (incolor. Freqüência percentual por classe de tempo. enquanto a mundial se concentra na A (classe modal). IV.35 30 25 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 13.2. A Figura 13 mostra ainda que a produção nacional. apresentados na programação da TV Escola. após a exibição de um ou de mais audiovisuais 52 . no período 1996 – 2002.Programa Vendo e Aprendendo São programas produzidos pela TV Escola para capacitação de professores do ensino fundamental. nos quais. n = 76) e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente (cinza escuro. B e C. n = 281). para esse projeto. se concentra nas classes B (classe modal) e C.1. o conjunto Internacional tende a ser o responsável pelo perfil geral (Figura 12) por conter um número de audiovisuais cerca de quatro vezes maior que o conjunto Nacional.7. Novamente. TV Escola .

que mesmo em vídeos curtos. foram exibidos em uma única aula e assim a consultora indicou o corte do segundo. o audiovisual foi dividido em partes a serem exibidas em dias distintos. 56 (78. sendo que destas. com tiragem de 110 mil exemplares cada. Em cinco (7. onde nos seis primeiros volumes. 37 (82. para o uso dos vídeos em sala de aula. a TV Escola lançou uma série de publicações com o mesmo nome dos programas. dirigidas aos alunos da pré-escola até a 8ª série. Em três (4. descontando as sobreposições.22%) fragmentavam os audiovisuais. 53 . Nestas propostas pôde-se identificar o uso fracionado do audiovisual em recomendações como: “use a pausa”. “pare o vídeo” etc. Os 45 professores e especialistas convidados fizeram 71 propostas (alguns participaram mais de uma vez.sobre um determinado tema.61%) propostas fragmentavam o audiovisual com o uso de paradas. respectivamente de 22 e 23 minutos. A Figura 14 apresenta a distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados. os audiovisuais eram cortados (editados). professores e especialistas convidados discutem seu conteúdo sugerindo formas para explorá-los em sala de aula. Entre os 45 consultores.87%) das 71 propostas fragmentaram de alguma forma os audiovisuais.04%) propostas. No único caso em que se diminuiu a duração de um audiovisual médio-baixo foi quando dois audiovisuais. É interessante ressaltar.23%) propostas. No total. em edições distintas e sobre audiovisuais distintos). 48 (67. que foram distribuídas nas escolas de alcance do projeto. Baseado nesses programas. essas paradas eram indicadas. desenvolvem as recomendações dos professores e especialistas. Também são apresentados alguns trabalhos que esses professores já haviam realizado com seus alunos.

no período 2000 – 2001.25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 14. que são características de produtos de divulgação usados pelas emissoras de televisão. 54 . na classe média-baixa (de D a H) e na classe média-alta (de I a L). dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola. Os dados disponibilizados não continham referência ao país da produção impossibilitando a classificação dos audiovisuais em nacionais ou internacionais. n = 51. O acervo do Programa Vendo e Aprendendo possui representatividade de audiovisuais na classe curta (de A a C). possuindo um conjunto de audiovisuais de característica didática e outro de audiovisuais mais longos. Freqüência percentual por classe de tempo. Este perfil (Figura 14) sugere um acervo misto.

o projeto Discovery na Escola. mesmo as institucionais. Venezuela. Espanha e Portugal.2. tanto públicas como particulares. ter a melhor programação do mundo para o segmento de divulgação científica. das 07:00h às 08:00h. e logo se estenderá à Colômbia.IV.shtml acesso em 19/12/2004 18 55 . Curaçao.7 mil professores e mais de 500 mil estudantes. Há dez anos nas operadoras de TV por assinatura no Brasil. estarem ligados ao projeto.discoveryenlaescuela. Chile.1. apresentando inserções de comentários e não apresentam inserções de propagandas. O projeto outorga aos professores os direitos de gravação e utilização em salas de aula. Argentina. Apesar dos números divulgados pelo projeto. em propaganda institucional.5 mil escolas. da programação Discovery na Escola até um ano depois da data da última exibição do programa. cujas escolas façam parte do projeto. já alcançou mais de 1. Há ainda os que utilizam outros programas da emissora que nem ao menos fazem parte do Texto baseado em informações disponíveis em: http://www. na América Latina. Panamá. as instituições educativas e o Discovery 18. Os professores são treinados pessoalmente através de um acordo entre as operadoras de TV por assinatura. O projeto já está funcionando no Brasil. Os programas são especialmente editados para o uso didático. México. Discovery na Escola Lançado em 1997. das 11:00h às 12:00h. necessariamente. é de se relevar os incontáveis educadores que acabam utilizando esse material sem.8. de segunda à sexta feira. em 2005.com/port/preguntas_frecuentes. Originalmente veiculado de segunda à sexta feira. produção exclusivamente internacional. Costa Rica. em pelo menos 1. E o projeto Discovery na Escola utiliza uma seleção dos programas veiculados por essa emissora. a Discovery afirma. Equador. passou a ser veiculado.

até a classe C.82% dos programas nas classes J. 40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 0 6 -1 0 1 1 -1 5 1 6 -2 0 21-25 2 6 -3 0 3 1 -3 5 3 6 -4 0 41-45 4 6 -5 0 5 1 -5 5 5 6 -6 0 >60 C la s s e d e te m p o e m m in u to s A B C D E F G H I J K L M Figura 15.projeto. Os programas do projeto Discovery na Escola são editados apenas para a inserção dos comentários. uma nítida diferença em relação aos outros projetos didáticos. pois apresenta apenas dois audiovisuais com fins de utilização no contexto educacional. Freqüência percentual por classe de tempo. K e L (média-alta duração). no ano de 2004. fica evidente a necessidade de incorporar esse material na análise. dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola. no ano de 2004. Observa-se.48% na classe F (Figura 15). portanto. A distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados no projeto. n = 54. Desta forma. designadas nessa análise como de 50 minutos e 31. 56 . ou seja. mostra uma concentração de 64.

Os 51 (94. para completar um período de 60 minutos.14) segmentos (n total de segmentos = 110).75 e Se 1.43) minutos. portanto com sobreposição.50 minutos. o programa “Tudo sobre Límulos”. Três deles foram apresentados inteiros. As linhas em baixo da linha de tempo. para trabalhar os conceitos selecionados. Os 35 audiovisuais de 50 minutos tinham uma média de três (3.44%) restantes foram de alguma forma segmentados. representam os segmentos propostos pela equipe da Discovery. cada um com uma duração média de 9.64 minutos (Sd 8. dois audiovisuais de 15 minutos foram apresentados de forma fragmentada. pág 26). A barra mais grossa representa a linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos. 57 . Todos os 17 audiovisuais tinham em torno de três a quatro segmentos (n total = 59). 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15min Figura 16. Dezessete audiovisuais de 30 minutos foram apresentados de forma fragmentada e aos pares. apenas três eram propostos que fossem assistidos inteiros e eram audiovisuais de 30 minutos. com uma duração média de 7.Apesar do tempo dos audiovisuais serem mais longos.14 – Ver Metodologia. sendo que 18 deles foram fragmentados em duas partes. Cada segmento tinha uma duração média de 20 (20. Como um exemplo da forma proposta para o uso. dos 54 programas analisados. Possuíam a média de quatro segmentos cada. A Figura 16 mostra o exemplo de segmentação proposta para o uso de um desses audiovisuais.

do cineasta Roberto Rossellini. acomodou o primeiro Festival Internacional de Emissão Científica de Televisão. p. Festival Image et Science Organizado pelo Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) em 1976. Tendo como pátria mãe a França. entre outros.Uma vez verificada a distribuição não normal. com a presença de Jean Painlevé. 2003.2. 58 . já em seu ano inicial. Um modelo de inspiração. diretor da criação artística e literária da Unesco. também conheceu o exílio por meia dúzia de anos na Itália e mais um par de anos nos Estados Unidos. de Enrico Fulchignoni. Este fórum contou. ele agora esta sob a égide do CNRS e do Conselho Internacional do Cinema da Televisão e da Comunicação Audiovisual da UNESCO. de diálogos. Desde 1989 retornou definitivamente à França. tradução nossa). agora o Image et Science serve como referência às seguintes manifestações associadas: • International Scientific Film Festival (Beijing Festival) – China. de Jean Rouch. presidente do Comitê Internacional do Filme Etnográfico e Sociológico.1. não se tem o valor de desvio e do erro padrão. o Rencontres internationales de l’audiovisuel scientifique.9. espaços privilegiados de descobertas. Fórum de debate de questões essenciais relacionadas à difusão da ciência. em seu primeiro colóquio sobre “Audiovisuel et connaissance de la science”. e desde 1990 tem como local físico das suas projeções nada menos que a Torre Eiffel. presidente fundador da Associação Internacional do Cinema Científico. e tem como meta principal “oferecer aos pesquisadores e aos profissionais de mídias. IV. também conhecido como Image et Science. de confrontação e de projetos” (DEMEULE.

Chile.• • • • • Ver Ciência – Brasil.. os quais são normalmente apresentados na grade de programação com outro programa de meia hora. NHK. A análise do conjunto de audiovisuais desse acervo (Figura 17. Hoje é cobiçado como uma vitrine de excelência por produtoras de peso em audiovisuais científicos. Channel Four. France 2. Nos últimos dez anos o festival exibiu a melhor seleção da produção de 59 países. sendo desta forma um bom representativo da composição temporal deste segmento da produção audiovisual mundial. ficando muitas vezes com 25 ou 26 minutos.. 19 59 . As classes E e F. que abrangem os tempos entre 21 e 30 minutos. representam 30. os programas. Ver Ciencia . ZDF. são editados para que se caiba a propaganda. France 3. WGBH. TV Ontário.12% da produção. tais como: Télé-Québec. TV Globo. computado como individual. France 5.Bolívia. Deutsche Welle. BBC. tendo os espaços supridos com propaganda de patrocinadores e/ou institucionais perfazendo a hora inteira da grade. TV Cultura. gráfico inserido) mostra que ocorrem duas concentrações: uma nas classes E e F e outra maior nas classes a partir da I. Téléscience – Canadá. Verdere la Scienza – Itália. com tempos de duração próximos a 30 min. Este é um dos padrões de tempo utilizados nas grades de programação das emissoras comerciais e de muitas públicas. Voir la Science – Iran. São estes os programas de meia hora. Os audiovisuais independentes apresentados em bloco foram separados e seu tempo de duração. em 425 audiovisuais 19. Colômbia e Equador. De um modo geral. Discovery Channel. National Geografhic.

94% da produção. Freqüência percentual por classe de tempo. a classe K é a maior. com 22. suprir o tempo de hora inteira da grade de programação. de 41 até 60 minutos. com tempos entre 46 e 55 minutos.25 25 20 1994-1998 1999-2003 20 15 10 5 % Audiovisuais 15 0 AB C D E F GH I J K LM 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 17. Uma segunda concentração encontrada abrange as classes J-K. n = 210) e 1999-2003 (tracejado. Nestas “classes de hora inteira”. no período 1994 – 2003. ou seja. freqüência percentual de todos os audiovisuais.12% do total de 60 . No gráfico inserido. perfazendo 48.47% da produção (Figura 17. que representam 32. n = 215). já que estes programas podem ser facilmente editados para aproximadamente 40 minutos e. gráfico inserido). junto com as propagandas. Podemos estender esta abrangência para englobar as classes de I até L. dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science. n = 425. nos qüinqüênios 1994-1998 (quadriculado cinza.

ao longo do período de veiculação desse acervo. A distribuição de freqüências é do tipo bimodal. as produtoras. I e J. 61 . Dos cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho. cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho e dois da Futura/Fundação Roberto Marinho. ficam presas a esse padrão. sendo que muitas já não existem mais. um era da série Globo Ciência. em última instância. pertencentes a várias séries. F. Dos 16 audiovisuais. acaba por pressionar a produção para se adequar a esse modelo. Com 16 audiovisuais apresentados de uma forma bem distribuída pelo período. de 1997.audiovisuais apresentados. 20 Para este cálculo. Dos dois da Futura//Fundação Roberto Marinho. C e G. e um aumento das classes E. com uma primeira classe modal em F e uma segunda classe modal em K. a metodologia contou como um só documentário “O Minuto Científico”. As redes de televisão estão presas a uma grade de programação que dita o tempo de duração dos programas por elas veiculados e. A Figura 17 mostra que ocorreu uma diminuição de audiovisuais das classes A. A produção de qualidade brasileira vem mostrando uma perenidade. Indícios de modificação deste perfil. Assim. com pelo menos um produto de excelência por ano (ver Apêndice D. pág. nove eram da TV Cultura de SP. que em muitos dos casos são as próprias emissoras. Todos os programas brasileiros veiculados no festival no último qüinqüênio foram das classes comerciais E e F. quatro eram da série Globo Ciência e um da Globo Ciência Saúde. 105). Uma análise sobre a constituição dos países participantes do Festival mostra que o Brasil 20 faz parte do seleto grupo dos dez países que participaram com mais de dez audiovisuais nestes dez anos. que passou a ser veiculada também por essa emissora. nos levaram a separar o decênio analisado em dois qüinqüênios. ele ocupa a 7ª posição no ranking dos 59 países participantes.

1. por questões operacionais.2. junto com a rede educativa. desde 1996. Porto Alegre. nessa dissertação. Assim. os acervos. O Ver Ciência.Sessão Brasil Coordenado por Sergio Brandão e José Renato Monteiro. Também as análises iniciais dos dados dos catálogos da Mostra Ver Ciência sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período.10. passando por 16 cidades brasileiras. O primeiro é que existe duas 62 . e o curador internacional é Sergio Brandão. Mostra Ver Ciência . O Projeto está sendo desenvolvido com este formato há dez anos. São Paulo. vem exibindo semanalmente os melhores programas das mostras Ver Ciência dos anos anteriores. O perfil de tempo dos dois períodos analisados na Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil apresenta dois eventos marcantes. A mostra conta com a exibição integral dos documentários em 11 instituições parceiras do projeto no Rio de Janeiro e em mais cinco instituições em outros estados. com o patrocínio nacional da Petrobrás e com o apoio do Ministério da Cultura. numa realização da Associação Internacional Ver Ciência (AIVC) com o Centro Cultural Banco do Brasil/Rio. A TV Cultura. Estes audiovisuais também são veiculados na TV Escola e são bons representantes da produção nacional neste segmento. quanto da Internacional. tanto da Sessão Brasil. foi dividida em Sessão Brasil e Sessões Internacionais. e é associado ao Rencontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique – "Image et Science". Campo Grande e Curitiba. dentre as quais estão Vitória. Florianópolis. o Ver Ciência reúne produções de divulgação científica nacional e de diferentes partes do mundo. que vem contando. O curador da mostra nacional é José Renato Monteiro.IV. foram divididos em dois períodos de cinco anos. que também é membro do júri do Image et Science.

61% e 60. Freqüência percentual por classe de tempo. O segundo fato é que a classe A sofreu uma diminuição no último qüinqüênio. n = 135).22%. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza. 63 .22% do total para 22. enquanto as classes E e F tiveram um aumento (Figura 18). n = 204) e 2000-2004 (tracejado. respectivamente. uma queda de 56. uma na classe A (classe modal) e a outra nas classes E e F.65%. o que sugere um esforço no sentido de satisfazer as exigências das grades horárias das redes de televisão.concentrações de audiovisuais. Gráfico inserido 1999-2004 (n = 339) Apesar da facilidade de produção e diversidade de uso. As classes E e F aumentaram em. 40 35 30 1994-1999 2000-2004 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 35 30 25 20 15 10 5 0 AB C D E F GH I J K LM 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 Classe de tempo em minutos C D E F G H I A B J K L Figura 18.58%. a representatividade dos audiovisuais da classe A passou de 39.112. ou seja.

11. Gráfico inserido. na categoria de média-alta duração (a partir da classe I).IV. Uma concentração de audiovisuais pode ser observada na classe B.1. outra na classe F e. n = 268).Sessões Internacionais Com um total de 592 audiovisuais representando 49 paises. 1994-2004 (n = 592) 64 . no segmento de audiovisuais voltados para a divulgação da ciência. O perfil das Sessões Internacionais apresenta três concentrações quanto ao tempo de duração (Figura 19). 25 20 15 1994-1999 2000-2004 20 10 5 % Audiovisuais 0 A B C D E F GH I J K LM 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 19.2. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza. n = 324) e 2000-2004 (tracejado. com uma representatividade de 50. Mostra Ver Ciência . Freqüência percentual por classe de tempo.84% dos audiovisuais desse acervo. a maior. as sessões internacionais do Ver Ciência são um bom representativo da produção internacional.

5 século de existência. 65 . Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II O Colégio Pedro II foi fundado em 2 de dezembro de 1837 e oficializado. se compararmos as Figuras 17 e 19 podemos observar que o Ver Ciência .2. Seção 2 – Professores e Especialistas Uma vez caracterizado o perfil de tempo dos audiovisuais (audiovisuais de projetos didáticos e de divulgação científica) que poderiam ser utilizados pelos professores. já que neste último.Sessões Internacionais possui mais audiovisuais na classe B e menos na classe K.O perfil do Festival Image et Science não é significativamente diferente do encontrado na Mostra Ver Ciência . Mesmo após mais de 1. por Decreto Imperial. Este conjunto de resultados sugere a existência de diferenças entre os padrões de tempo dos audiovisuais de divulgação e aqueles voltados ao ensino. Isso se deve ao fato do Ver Ciência conter alguns programas que não se enquadraram nas exigências do Image et Science.1. só são veiculados audiovisuais que tenham sido previamente veiculados em redes de televisão. IV. buscamos verificar o discurso do professor do Colégio Pedro II acerca da utilização do audiovisual científico como recurso didático. em 20 de dezembro do mesmo ano. esta prática foi analisada a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação.2. Consagrado até a década de 50 como “Colégio Padrão do Brasil”.Sessões Internacionais. Posteriormente. Mas. IV. ocorrendo o oposto no Image et Science.4348). de acordo com o teste estatístico (p bicaudal igual a 0.

emocionais e sociais do mundo de hoje 23". pode-se citar: Àlvares de Azevedo. oferecendo ensino fundamental e ensino médio.php?cs=C_CDG_SECAO_ULTIMAS_NOTICIAS&sp=8663 acesso em 26/06/2005 23 Texto baseado em informações obtidas em: http://www. como: Barão do Rio Branco. Na unidade de Realengo. tornando-os capazes de responder às transformações técnicas.cp2. em 1998. Afonso Arinos de Melo Francos. videocassete e TV de 29 polegadas e. e alguns nomes que ocuparam esse quadro são até hoje lembrados.br/interna/interno. em alguns casos. os professores utilizam a sala de audiovisual de outra instituição. Euclides da Cunha.br/index1. Nilo Peçanha.htm Acesso em 27/12/2004 Texto baseado em informações obtidas em: http://www.cp2. Washington Luís. José de Paiva Netto. Pedro Bloch. Visconde de Taunay. Alziro Zarur. Evanildo Bechara. Manuel Bandeira e Aurélio Buarque de Holanda. acervo de fitas diversificadas. o prêmio Qualidade do Governo Federal por seu projeto de qualidade total na área de educação.br/historico/historico. Como característica no Colégio Pedro II. culturais. além de cursos técnicos na área de Informática. sua missão é: "educar crianças e adolescentes.recebeu. Mário Lago. Informações disponíveis em: http://www.g12.religiaodedeus. por ser uma unidade em implantação. É uma autarquia federal e funciona em três turnos em seis bairros da cidade do Rio de Janeiro. Domingos Meirelles entre outros 22. Adolpho Bloch. Segundo a instituição. De seus bancos escolares saíram gerações de homens ilustres que engrandeceram e dignificaram o país 21. Manoel Bandeira. Hermes da Fonseca.htm acesso em 29/08/2004 22 21 66 .org. Prudente de Moraes. Seu corpo docente é de qualificação inquestionável.g12. Antonio Houaiss. Dentre os notáveis alunos. Seis das sete unidades pesquisadas possuíam suporte técnico para audiovisual composto por sala de audiovisual. as aulas de ciências e biologia possuem tempo duplo (uma hora e 40 minutos).

Em entrevista concedida em 2004. cujos autores. lhe autorizaram o uso para fins educacionais.Os professores das unidades do colégio Pedro II foram entrevistados tendo como base um roteiro de perguntas. referindo-se aos audiovisuais do acervo de Marlene Benchimol 24. Apenas um professor citou o gênero “didático-científico”. Marlene Benchimol. 24 67 .diz possuir um grande acervo de audiovisuais científicos.82% Número de professores 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 SIM NÃO 18. Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II (n = 33). A maioria expressiva dos professores declarou usar o audiovisual como ferramenta didática (Figura 20) e os que não usavam geralmente relatavam impossibilidades circunstanciais. 28 26 24 22 81. do Laboratório de Ultraestrutura Celular.18% Uso do audiovisual Figura 20. normalmente cientistas. a maioria declarou preferir o gênero documentário (Figura 21). a Profa. como descrito na metodologia (pág 28). Entre os professores que faziam uso de audiovisuais em suas aulas. Dra. da Universidade Santa Úrsula.

como: filmes. didáticos e reportagem (Figura 22). Um dos professores relatou outros dois gêneros. de outros gêneros de audiovisuais.26 24 22 92. animação. 13 25 declararam fazer uso. Entre os 25 professores que utilizavam o gênero documentário em suas aulas. O percentual é calculado sobre os 25 que usam o documentário.59% N ero de professores úm 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 3. também.70% Não respondeu Gênero Figura 21.70% Documentário Didático-Científico 3. Freqüência de gêneros de audiovisuais utilizados pelos professores Colégio Pedro II (n=27). 25 68 .

00% 4.96%) declarou ser de acervo próprio (Figura 23). 18 professores (66. considerando que os documentários. Muitos professores relataram possuir um acervo pessoal bem composto para usos específicos. a maioria (62.00% 12. pelo menos. não foi possível identificar os audiovisuais de animação como didáticos ou de divulgação. quando questionados sobre a procedência dos acervos utilizados.66%) da amostra não fazem uso de audiovisuais didáticos (Figuras 21 e 22).00% 1 0 F ilm e A n im a ç ã o D id á t ic o R e p o rta g e m G ê n e ro Figura 22.6 Número de professores 5 4 3 2 24. Outras opções de gêneros de audiovisuais utilizados em sala de aula pelos professores que declaram fazer uso de documentários (n=25). Mesmo assim. Algumas unidades do colégio possuíam um acervo sucinto.00% 16. os resultados sugerem que. 69 . Entretanto. A partir dos depoimentos dos professores. filmes e reportagens citados têm o caráter de divulgação. mas em outras o acervo era bem diversificado.

96% 48.11% F o n te Figura 23. Ao responderem sobre a forma de utilização dos audiovisuais na sua prática de ensino. 70 . Práxis didática relativa à fragmentação dos audiovisuais (n=27).52% 11. A maioria (19) preferia trabalhar os audiovisuais de forma fragmentada (Figura 24).18 16 14 62.63% F ra g m e n ta o a u d io v is u a l Figura 24. Procedência dos acervos 26 utilizados pelos professores (n=27). 20 18 16 70. pois os professores em alguns casos usavam mais de uma fonte. apenas oito professores afirmaram exibi-los integralmente. 26 Os percentuais são aditivos.37% Número de professores 14 12 10 8 6 4 2 0 S im Não 29.15% Número de professores 12 10 8 6 4 2 0 A c e r v o p r ó p r io A c e r v o c o lé g io L o c a d o ra O u tra s fo n te s 18.

71 . 18 (70. filmes e/ou reportagens pela maioria desses professores (Figuras 21 e 22). Esta preferência justifica o uso de documentários.37%) utilizam material de bom nível técnico. os professores relataram uma preferência por produtos desenvolvidos originalmente para televisão (Figura 25). é muito usada entre os professores do Colégio Pedro II. seja pausando ou cortando trechos. entre os professores entrevistados.A análise dessas respostas deixa claro que a prática de fragmentar os audiovisuais. Questionados sobre a fonte do audiovisual. Fontes do material audiovisual produzido para televisão utilizado pelos professores (n=27). podemos supor que. 14 48. e normalmente produzido pelas grandes redes internacionais de televisão. 2 Figura 25.22% 4 2 0 1 National Geographic Discovery Channel F o n te s BBC Editora Globo Etc. Partindo do princípio que estes materiais são confeccionados para atender um público seleto. compatível.15% 12 Número de professores 10 8 6 22.

Assim. realizamos entrevistas com produtores de audiovisuais nacionais e/ou internacionais e consultores de projetos didáticos. Já em relação ao Vale Vídeo.2.IV. p 76). sem dubiedades para a interpretação dos alunos. que também concentra vídeos na faixa de curta duração. 18 apud GRUZMAN. embora não tivesse. e por serem temas com poucos conceitos. é evidente que a narrativa deveria ser rápida. Uma das razões desta limitação pode ser encontrada nos “postulados de Roquette-Pinto” para a produção desses audiovisuais. em vez de aborrecer. porque no dinamismo existe a primeira justificativa do cinema. para atrair. o que talvez tenha levado à concentração observada na Figura 03. Com essas diretrizes. interessante no seu conjunto estético e nas suas minúcias de execução. p. procuramos obter mais informações junto às fontes produtoras. claro. Foi um dos três consultores que selecionou o acervo 72 . 1980. A análise dos audiovisuais disponíveis para uso no contexto escolar mostrou a tendência de agrupamento de audiovisuais curtos nos acervos didáticos e a prevalência dos mais longos nas mostras de divulgação científica.2. produziu audiovisuais de curta duração. minucioso. professor universitário e atualmente diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do MCT. lógico no encadeamento de suas seqüências. em 2004. físico. Nítido. para entender as possíveis razões da preferência dos professores por audiovisuais de divulgação na prática didática. detalhado. Divulgadores e Consultores. O INCE. pelo menos durante a gestão de RoquettePinto. Entrevistas com Produtores. uma diretriz explícita para limitar o tempo. 2003. Para isto. movimentado. entrevistamos Ildeu de Castro Moreira. (CÉSAR.

de pegar trechos. segundo Moreira. o tempo de duração acabou sendo restringido. quando eu via um vídeo mais curto. Em primeiro lugar. entrevista) também diz que a TV Escola herdou muito do Vídeo Escola. Segundo entrevista concedida. os profissionais que migraram para o novo projeto didático.de audiovisuais do projeto: “Certamente. Moreira complementa: “Eu. desfecha uma afirmação contundente. atualmente curador da mostra nacional do Ver Ciência e um dos criadores do projeto inicial do Vídeo Escola. além. os programas de Ciências veiculados na TV Escola 73 . pelo menos no início do projeto. havia a possibilidade de editar também. “Foi absolutamente intencional. particularmente. por José Renato Monteiro. era uma diretriz. e que tivesse um caráter mais interessante”. Uma das causas dessa restrição é o excesso de informação. Então um vídeo de 15 minutos é maravilhoso!” Monteiro (2005. a concentração de vídeos de curta duração. Em sua maioria. Quando questionado da curta duração. em 2005. Vídeos muito grandes. aspectos mais fáceis de serem encontrados em audiovisuais mais curtos. É importante registrar que todos os audiovisuais editados foram produzidos para TV.. é claro. que ao ser evitado. 24 dos 78 audiovisuais do Vale Vídeo e 18 dos 83 audiovisuais do catálogo Vídeo Escola foram editados. buscava valorizar um pouco mais vídeos que tivessem menos informação condensada. pois se era o vídeo no ensino. Assim. ele é apenas um suporte da aula e o tempo da aula é de 45-50 minutos. e não passar inteiramente”. da seleção de audiovisuais que acabou sendo utilizada pela programação.. leva a uma linguagem mais dinâmica. De fato. havia essa predileção. mesmo não sendo uma diretriz por parte destes três consultores. Alguns audiovisuais também foram divididos em dois episódios. como consta no catálogo. mais interessante. e é nesse tempo que o vídeo tem que acontecer e ser explorado pedagogicamente.

que é o vídeo”. Então. Já os audiovisuais produzidos para a divulgação em televisão se caracterizam por ter um tempo de duração mais longo e as entrevistas a seguir sugerem algumas razões para esta característica: Segundo Annick Demeule (2004. ou a americana Coronet.são oriundos de produtoras internacionais de grande expressividade e experiência na produção de material didático e. o conteúdo da aula que estaria sendo dada. o movimento de rotação. numa sala de aula. o professor passaria somente 3 min de audiovisual. Barros (2004. entrevista). fazem parte de grandes séries de pequenos programas. “A idéia é que. como a francesa Centre National de Documentation Pédagogique (CNDP). o professor poderia destacar um desses pequenos blocos. físico e professor titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e produtor independente. produtor de audiovisuais e curador da mostra internacional do Ver Ciência. com 113 programas. entrevista). de aproximadamente 3 min. normalmente. que com a publicidade completa uma hora”. pegando um dos movimentos da Terra. Relata a experiência do audiovisual de 15 minutos Movimentos da Terra. diz na entrevista que seus audiovisuais têm basicamente entre 10 e 15 min. entrevista). também confirma esta preferência: “A televisão européia procura produzir programas de 50 a 60 minutos”. 74 . com 72 programas. por exemplo. A idéia eram blocos muito curtos que pudessem ser lidos independentemente ou que compusessem um todo. diretora do Festival image et Science: “Os canais de televisão privilegiam o tempo de 52 minutos. não comprometendo o tempo de aula Poderia explorar com as imagens e com o texto. que é composto por blocos que são autônomos. Sergio Brandão (2005.

de 25 minutos. porque ele não deixa no telespectador aquela vontade de ver mais. Porque 15 minutos é muito pouco para se falar de um assunto mais profundo”. veiculado na Rede Brasil de emissoras educativas. explica: “O nosso formato. A princípio as entrevistas mostram que a tendência observada em concentrar audiovisuais de baixa duração nos projetos didáticos parece estar relacionada ao seu uso específico em sala de aula. 75 . entrevista). enquanto os audiovisuais produzidos para divulgar ciência se ajustam ao gradeamento das grandes redes de televisão.Paula Saldanha (2005. pedagoga e produtora do programa Expedições. é muito bom.

O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências Dentro do universo de audiovisuais analisados.. Como exemplo.] para uma aula comum de três quartos de hora. com a necessaria discussão de cada ponto. 106). pág. Por outro lado. No entanto. As tecnologias utilizando imagens evoluíram muito ao longo do tempo e hoje temos à nossa disposição o audiovisual em várias mídias (Apêndice E. Neste sentido.1. A maioria dos audiovisuais produzidos ou selecionados com finalidade didática (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal.. as características de audiovisuais necessárias para a boa utilização em processos educativos não foram ainda sistematicamente analisadas. Vídeo Escola. que compunham a nossa amostra.V. V. 1930. (SERRANO. p. e parte dos da TV Escola) mostrou uma tendência clara para produtos de curta duração (tempo de duração até 15 minutos). já havendo a preocupação com o tempo de duração. Por fim são feitas perguntas methodicas sobre o que os alumnos viram. Cinco minutos bastam para a explicação preliminar. 26). DISCUSSÃO A utilização de audiovisuais para fins educativos é anterior à década de 30. feitos especificamente para o ensino e acompanhados de material de suporte. Depois o professor exhibe o filme durante uns dez a quinze minutos. [. temos os audiovisuais da De Vry. Vale Vídeo. este trabalho teve início buscando identificar o perfil de tempo dos audiovisuais disponíveis aos professores do ensino médio e fundamental. os audiovisuais 76 . foram observadas nítidas diferenças de acordo com a finalidade. INCE. que podem e devem ser utilizados no auxílio do processo educativo.

Esta tendência podem ser explicada em parte por questões de ordem técnica. 77 . os produtores nacionais concentram sua produção em audiovisuais de duração média-baixa. Discovery na Escola) apresentavam média duração (média-baixa 16-40 e média-alta 41-60 minutos). os depoimentos dos produtores e consultores de projetos didáticos deixam claro que o tempo dos audiovisuais é ajustado para as necessidades de um professor em sala de aula. ajustam os seus audiovisuais ao gradeamento das emissoras de televisão.produzidos para a divulgação da ciência (Festival Image et Science. Por outro lado.85%). entrevista): “Uma hora é demais. porque no programa de uma hora nós temos que fazer um esforço muito grande para manter o espectador atento diante da televisão”. De fato. a produção de um audiovisual de média-alta duração com uma qualidade aceitável e que agrade a audiência obviamente esbarra no fato do aumento dos custos de produção. puderam ser explicadas através das entrevistas com produtores nacionais e internacionais e divulgadores de ciência. conforme declaração de Paula Saldanha (2005. Embora se observe uma tendência internacional em produzir audiovisuais de divulgação científica de duração média-baixa e média-alta. Tanto os produtores nacionais como os internacionais envolvidos com a divulgação da ciência. Assim. Mostra Ver Ciência Sessões internacionais. entre os produtos destinados ao ensino e à divulgação científica. Mostra Ver Ciência Sessão Brasil. podemos observar que os programas de hora inteira são raros na produção nacional voltada à ciência (8. Estas diferenças. Esse perfil pode estar relacionado à dificuldade no dinamismo narrativo apontado anteriormente por Saldanha. que tem em torno de 40 a 50 minutos para trabalhar com seus alunos.

Monteiro (2005. Comunicação pessoal ao autor desta dissertação. Entretanto. entrevista) também relata a dificuldade para obter esta informação junto aos produtores da BBC. No Festival Image et Science. da série Squatters. foi evasivo. que necessitam de maiores investimentos de produção. Saldanha (2005.Quando questionado sobre o custo da produção. “o custo habitual para produzir um documentário com valores de produção do estilo da Discovery varia de US$100. Os produtores internacionais. os valores são em dólares americanos). em função da falta de recursos. Este fator pode explicar a maior freqüência na produção de vídeos de média-baixa duração e de vídeos de curtíssima duração nos acervos nacionais. o grande quinhão é formado por audiovisuais de média-alta duração.000” (Tradução nossa.. os profissionais da Série Horizon da BBC indicam um dos caminhos. diretor da série Squatters.. Thierry Berrod 27 (2002). p 11). Para os produtores nacionais.000 até US$500. que é produzida e veiculada pela Discovery. segundo Chris (2002. mas lembra que esta instituição arrecada cerca de 5 bilhões de dólares por ano. sobre isso. apenas investimentos em equipamentos e em viagens para locações remotas não conseguem segurar o telespectador diante da TV assistindo a um programa de ciências de até uma hora de duração. 27 78 . estão também sujeitos à grade das grandes redes de televisão. durante a produção do episódio “Carnivorous Ants”. apesar do alto investimento na produção. a julgar pela concentração de vídeos em tempos de média-baixa e média-alta duração. entrevista) afirma que um documentário da National Geographic custa aproximadamente 300 mil dólares e. A receita para este ‘milagre’ passa provavelmente pela linguagem e. principalmente o ‘leigo’ ou o estudante. a pressão maior estaria relacionada aos custos de produção.

Matthew. na 10ª mostra Ver Ciência. 2002. 28 79 . p. Tem alternado fases de maior e menor audiência e mudado periodicamente de formatos e objetivos”. confirma a manutenção dessa diretriz da dramatização. Moreira (2004. A história (que é contada) é tudo. da BBC. O atual diretor da série. entrevista) complementa Barrett. 1997 apud Monteiro e Brandão. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil. definir personagens. Rio de Janeiro: 2 set. já transpôs quatro décadas de grande audiência nos lares britânicos. Matthew Barrett 28.] a televisão é ótima para criar climas. Isto tem sido observado mesmo em séries de longo histórico na nossa televisão. Segundo Moreira e Massarani (2002. “o Globo Ciência não conseguiu se firmar como um programa televisivo de divulgação científica de qualidade. Os documentários de Ciências têm que ser construídos como dramas. 60). criar motivações. que em 2004 completou 20 anos. mas nem sempre às custas de pesados investimentos.. como o Globo Ciência. p. e sim contando com criatividade e inovação. Em outras palavras: construir drama. De fato. 2004. como um aliado poderoso na tarefa de manter atenta a audiência. A Série Horizon. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. Os programas exibidos no Ver Ciência. impressionar. obviamente com a manutenção da integridade da informação científica. observa-se que redes comerciais como a Discovery trabalham em uma grade de padrão horário inteiro. Apesar disso. este tipo de esforço não tem garantido uma perenidade e tem causado flutuações de qualidade. 97). Sessão Brasil. Seus programas são normalmente editados para duração de 46 minutos. (LYNCH.[. atestam que a televisão brasileira está se esforçando para melhorar a qualidade de suas produções.. a fim de comportarem os cortes de inserção de propaganda.

e Insetos & Cia da Verde Vídeo e Vídeo Ciência. existe ainda espaço para vídeos de curtíssima duração 29 (até cinco minutos de duração). são conhecidos como interprogramas. Minuto Científico e X Tudo da TV Cultura SP. o que nas emissoras comerciais se materializam nas pesquisas de audiência. pág. Prêmios internacionais e nacionais atestam sua qualidade como veículo de difusão dos conhecimentos científicos. Entretanto. fechando grades de curta e média duração. mesmo às sete e meia da manhã de sábado". no período entre 1987 e 1991. No segundo caso. Embora haja esta programação preponderante das emissoras. Soluções Científicas do Departamento de Tecnologia Educacional da TVE Rede Brasil. parece ter sido constante o investimento na atualização da linguagem. para a rede Globo de televisão. Brandão (2005. desde cedo. Algumas destas séries são de alto nível. Apesar da janela de apenas cinco semanas. "O programa perdia público. no intuito de manter a audiência junto ao seu público. 108). pecado mortal numa emissora comercial. Estas mudanças de formato indicam para uma tentativa de melhora. teve reconhecimento. o programa mudou novamente o formato. Segundo Barca (1998. p. não poderia afirmar o mesmo. utiliza o formato caracterizado por um locutor que viaja a procura das informações científicas. pág. Em 1999. foi o período mais premiado do Globo Ciência (Anexo A. 29 Alguns destes programas são exibidos em blocos dentro de um contexto maior na grade de programação e outros são exibidos individualmente. 109). Atualmente.7). O Globo Ciência. entrevista). 80 . passando a usar humor e ficção para conquistar a audiência. São exemplos destas produções: Academia Amazônia da Universidade Federal do Pará (UFPA). caso do Minuto Científico agraciado com várias premiações (Anexo B. de forma independente.dizendo que parte deste problema explica-se pela apertada janela de produção de apenas oito semanas. cuja empresa produzia esta série.

Apenas um professor relatou que não gosta de usar. Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II Nas unidades do Colégio Pedro II existe um uso relativamente freqüente do recurso audiovisual. Apesar da diversidade de uso. fisiologia e genética. uma boa parte dos audiovisuais disponíveis aos professores é produzida para divulgação e com tempo de duração incompatível com o tempo de aula. V. normalmente são por questões circunstanciais. e sempre trabalhou em laboratório. Como é um professor que começou lecionando há mais de trinta anos em universidades na área de zoologia. Assim. Mas consideramos ser oportuno registrar o ponto de vista desse professor que “não usa nem quer usar” o audiovisual antes de abordar a prática de ensino dos professores que utilizam o audiovisual. por força da intensa influência da grade de programação das emissoras. Os poucos professores que não utilizam. histologia. montou um laboratório de microscopia bem equipado no colégio. nossos resultados indicam uma tendência de crescimento da produção de audiovisuais nas faixas comerciais e de diminuição nas faixas de duração curtíssima.Os audiovisuais de curtíssima duração. e considera que as atividades de laboratório são mais importantes que o uso do audiovisual. onde ministra aulas de citologia. Esta tendência enfatiza a forte influência das grades de programação das emissoras de TV. são capazes de manter uma boa “taxa de informação” podendo ser usados em ambientes e meios diversos. quando bem produzidos. tal como ambientes de educação à distância.2. Este professor tem como 81 . que são os grandes consumidores destes produtos.

A maioria declarou ter como material básico o gênero documentário. que é um gênero mais encontrado nas produções internacionais voltadas para a televisão. “Esse tipo de atividade já está se esgotando. Ele vê. ele mexe. no domingo. fora dos 82 . ele é um participante do processo.conceito de audiovisual de boa qualidade “um vídeo que não cometa erros ou que mostre exceções. Para nós professores a segunda feira é muito difícil quando. Eu vejo os olhinhos dos alunos brilharem mais numa aula de microscopia do que numa aula de vídeo” (Professor 08).. quando uma aula de microscopia chega muito mais ao interesse do menino [. Portanto. Você vê em um Globo Repórter que fala da fecundação. eu tenho um microscópio para cada aluno. E complementou falando que existem poucos vídeos nessa área. Questionado sobre a possibilidade de produção de audiovisuais na sua área. vídeos lindos que se popularizam.. ele desenha. No vídeo ele é um assistente [. ele comenta. A televisão.]. os outros professores acabaram por aderir ao uso do audiovisual.]. então ele não traz para o aluno a curiosidade do inédito [... tanto nos canais fechados como nos canais abertos.. pois os vídeos internacionais são de duração média-baixa e média-alta. Apesar da existência de filmotecas nas unidades do Colégio Pedro II os professores que utilizavam audiovisuais davam preferência aos de divulgação científica em detrimento aos didáticos. De modo geral. já está explorando muito isso.. o Fantástico mostra uma exceção de um fato que ocorre com um bicho” (PROFESSOR 08). Esta constatação foi inesperada.] eu acho que há 10 anos o vídeo tinha uma utilidade muito mais importante do que hoje.

Entretanto. Esta prática observada entre os professores do Colégio Pedro II se aproxima do modelo preconizado pelos produtores e consultores de projetos didáticos. O professor 04 apresenta audiovisuais de 30-35 min. quando dão preferência a audiovisuais de curta duração. Na prática. não deixava o filme correr na íntegra. (Professor 02). mas sempre deu certo”. Na realidade. quando questionados quanto à sua forma de utilização em seus objetivos educacionais verificou-se que a grande maioria fragmentava a apresentação para questionar seus alunos ou inserir comentários (Figura 24). intuitivamente. Exatamente. fragmentando-os em tempos mais curtos. Às vezes ele tinha 10 min. com o controle remoto na mão. não sei se estava certo ou errado. que são resgatadas durante a apresentação. Quando eram filmes mais longos. 83 . por exemplo. pausando umas 10 vezes. O professor 21 relatou que apresenta um audiovisual de 50 min. os professores do Colégio Pedro II estavam transformando.padrões preconizados pelos produtores e consultores didáticos por serem de difícil exibição dentro dos limites impostos pelo tempo da aula. Então era o meu método. o filme acontecia e eu. Alguns depoimentos dos professores são esclarecedores sobre a forma como era feita a fragmentação do material. atestando uma prática empírica. discutindo e usando anotações feitas em sala. a mesma técnica utilizada atualmente por produtoras internacionais que recentemente passaram a produzir audiovisuais para a educação. o projeto Discovery na Escola. discutia com os alunos as questões. adaptou seus produtos. à semelhança do método utilizado pelos professores do Colégio Pedro II. “Eu procurava calcular o tempo do vídeo. os vídeos de divulgação científica em vídeos educativos ao mudar sua linguagem através de interrupções controladas. No final.

que geralmente é curto. no final.. O professor 12 relatou a forma diferenciada que utiliza audiovisuais de duração diferente: “Se é curto. passo integralmente e debato depois.] 84 . descreve sua prática de ensino: “Inicialmente dá-se uma explicação do que vai ocorrer e eles vêem o vídeo. em pontos considerados estratégicos. Então eu paro em pontos pré-selecionados e. e que também produz audiovisuais com seus alunos. Outro professor relata: “na medida em que o filme vai passando e a gente tem o recurso do pause. faço o comentário para reforçar aquela relação com o assunto que ele viu ou está vendo em sala de aula. Essa prática condiz com o tutorial da De Vry da década de 20 (ver pág. Apesar de responder afirmativamente. O professor 17 relata que passa direto e trabalha depois.. quando tem conteúdo denso e sutil. mais experiente. isto para audiovisuais de 35-40 minutos. O professor 27. muitas vezes a gente não tem um público que está ali porque está interessado [. vou interrompendo”. A dinâmica da entrevista permitiu aprofundar essa abordagem quando questionamos se as paradas. de 10 a 15 min. com uns 15min (não passo vídeo de muito mais) e depois a gente discute”. e que conhece bem a linguagem audiovisual e suas potencialidades. porque tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio. e para isso faz quatro ou cinco pausas durante a apresentação. (Professor 06). eram necessárias para evitar que a grande quantidade de informações que está sendo colocada seja perdida. porém. 76). vai parando para detalhar. eu costumo dar umas paradas em alguns trechos e na imagem congelada.pausando e discutindo. inseriu em sua declaração um outro aspecto relevante: “Correto. costumo fazer um debate”. mas não só por esse motivo como também para manter a atenção do público. que eu selecionei. Se for longo.

85 . Entre os 10 conselhos de como utilizar o vídeo em sala de aula. congele a imagem. que se ajusta à receptividade da turma. eu deixo ele correr. apresentados nas edições impressas do Vendo e Aprendendo da TV Escola. enquanto a fita passa. (grifo nosso). porque eu descobri que se a gente passar um vídeo direto.Eu estimo de seis a oito paradas. mas se o pessoal está mais disperso. em vídeos de 50 min”. Apenas um dos professores (Professor 18) tinha a possibilidade de editar os seus audiovisuais e o fazia seguindo critérios relatados: “Uso documentários e faço uma seleção das cenas de acordo com o conteúdo. reveja o mesmo trecho com a classe quantas vezes for preciso. (Professor 06). faço comentários rápidos durante a apresentação. O professor 31 deixa bem clara a inquietude dos adolescentes e fala da sua “descoberta”: “O aluno de ensino médio é muito inquieto. eles não ficam tão atentos quanto se eu for parando e explicando. temos: √ Use e abuse dos recursos do vídeo. Nesses depoimentos podemos ver a flexibilidade da prática de ensino. faço comentários. Se a turma é bem receptiva ao vídeo. faço perguntas. durante a exibição: avance a fita. mesmo que rapidamente”. Eu coloco em um vídeo de 35min. sem que seus alunos dispersem. e depois passo outro bloco” (Professor 18). Eu vou parando e dando explicações rápidas. para manter a atenção deles. aí eu dou um bloco. Todos esses relatos e outras declarações menos explícitas deixam clara a preocupação destes educadores em manter uma aula dinâmica. para fazer algum comentário. paro.

sem que isso afete fundamentalmente a percepção do todo (MACHADO. 1988. um pouco cada dia. permitindo que. não hesite em ‘pulá-lo’. 70. e levam. mantenha-os curiosos. na sua essência. Apresente-o em ’capítulos’. crie suspense. a linguagem fragmentada deste meio audiovisual. enquanto outro oferece pouco interesse. tal como nas narrativas literárias contemporâneas (Vide O Jogo da Amarelinha. acaba cedendo à sua fragmentação por força da inquietude que emana do aluno. pois ele foi concebido para ser decodificado em partes e simultaneamente com outros programas.√ Se o vídeo for longo. Dentro dessa macroestrutura de colagens. Assim. Quando perguntados sobre “qual a fonte do audiovisual utilizado?” (Figura 25). Se os intervalos que fragmentam um programa de tevê fossem suprimidos e os vários capítulos diários fossem colocados em continuidade numa mesma seqüência. √ É possível que um pequeno trecho renda uma boa discussão e traga novas informações. o professor. (ARATANGY. Ninguém suportaria uma novela de tevê que fosse apresentada de uma só vez (mesmo que de forma compacta). sem interrupções e sem os nós de tensão que viabilizam o corte. 109-110). não se preocupe em exibi-lo de uma vez.37% dos professores entrevistados têm seu “arsenal” composto de audiovisuais de bom nível técnico. de Cortazar). cada fragmento tem relativa autonomia. segundo os seus próprios discursos. 6). p. peça para os alunos tentarem antecipar o que irão ver. o interesse do programa cairia imediatamente. p. o ato de fruição possa começar em qualquer ponto a se interromper a qualquer momento. 2001a. Estes acervos foram geralmente produzidos para atender às necessidades das redes de televisão. nesse caso. mesmo que alheio a este detalhe da linguagem da imagem. Este comportamento em sala de aula talvez ocorra pelo não cumprimento dos rituais que foram aprendidos em longas horas de treinamento frente a um aparelho 86 .

como se dividissem a aula em “programa” e “comercial””. “Essa divisão do tempo nos leva a concentrar a atenção durante os sete ou dez minutos de programa e a desconcentrá-la durante as pausas para a publicidade”. e 4) manutenção da atenção. 67). A autora também lembra que isso se torna um hábito e complementa: “Professores observam que seus alunos perdem a atenção a cada dez minutos e só voltam a se concentrar após uma pausa que dão a si mesmos. duração e forma das informações. podemos concluir que manter a atenção do aluno é uma tarefa difícil para o professor. porque manter o desempenho é acompanhado por uma considerável demanda de processamento [. quem sabe sem perceberse disso. (Tradução nossa). 414).. 1997. p. a atenção depende de quatro fatores: 1) capacidade atencional. 2) atenção seletiva. o aluno tem limites neurológicos. (Aspas da autora). Dessa forma. 332) também enfatiza esta dispersão e atribui suas causas a divisão da programação em blocos que duram de sete a dez minutos intercalados com comerciais. Segundo Cohen e Salloway (1997. Limites que podem comprometer a expectativa de aula de um 87 . Chauí (1997.. Sobre o último item esses autores afirmam: “Os problemas em manter a atenção são comumente associados com a exigência atencional das tarefas que persistem por longa duração.de TV. iniciando sua aprendizagem para ser telespectador” (OROZCO. p. 3) seleção da resposta e controle da sua execução. presença ou ausência de “treinamento”. p.] o tempo é por si próprio o determinante central da atenção”. “A criança que começa a ver programas de TV vai. Além dos limites impostos pela quantidade.

imagem. além de respeitar os limites individuais. a qualidade plástica e apelo visual”. para ele. junto com os alunos. “os vídeos que apresentam conceitos problemáticos podem ser usados para descobri-los. dentre as características favoráveis de um audiovisual. o som não é tão importante” (Professor 18). ele pode trabalhar. o que vem a ser uma locução aceitável? Uma locução de boa qualidade técnica. a qualidade das imagens era muito importante e usaram expressões como: “boa fotografia. as mensagens em som. em linguagem coloquial”. aberto e mais compacto possível. com uma abordagem clara e didática. relataram que o conteúdo é importante e usaram expressões como: “correto. pois agora ele é a autoridade que direciona e valida o conteúdo desejado. 88 . ele é o locutor. Aliás. Dos 26 professores entrevistados que usavam o audiovisual. a estética. relatou que desconsidera o som (locução) original. O professor 25 diz: “sem erros. Assim. mas se houver erro serve como exemplo para mostrar a dificuldade na transposição didática”. Esse professor. Nesse sentido a tarefa primordial para o professor é buscar o interesse dos alunos. que editava seus audiovisuais. 11 relataram que. e questioná-los”. sugere que. em conformidade com a matéria. pois numa edição doméstica dificilmente pode-se ter uma locução aceitável.professor mais ambicioso. Podemos discutir a utilização dos audiovisuais também sob o ponto de vista do conteúdo. as características favoráveis num audiovisual são: “movimento. O professor 18. Assim. fator básico para criar seletividade na atenção. a seu critério. Também em 11 depoimentos. ao desconsiderar o som (locução). com uma boa entonação? Ou uma locução ilibada nos aspectos de exatidão dos conteúdos? Segundo Moran (1995). coloca o audiovisual constituído apenas da mensagem visual. conceitos corretos. o que é compreensível.

ou diretamente. Mas. porém muitas videotecas de colégios possuem este material em acervo. O problema do tempo de duração dos audiovisuais utilizados para o ensino sempre foi uma preocupação dos educadores e produtores de audiovisuais para essa finalidade. por outro lado. os professores pesquisados. indústria voltada para o entretenimento e a informação. com sua linguagem característica e fragmentada e com seu padrão de gradeamento. E uma das maneiras encontrada pela maioria destes professores para conseguir esses resultados parece estar baseada na utilização do 30 O projeto já está extinto. no seu ponto de vista. Assim. Historicamente este material sempre foi disponibilizado no formato de curta e curtíssima duração. mormente a internacional. em que normalmente as preocupações eram centradas na exatidão das informações contidas. permeou o segmento de audiovisuais educativos. Este material parece seduzir o educador. Produto este impregnado com padrão característico de duração e de linguagem e para o qual o educador necessita ajustar a sua práxis de ensino a fim de atingir os melhores resultados possíveis. através de projetos didáticos e vídeos colocados à venda. a indústria da televisão.Não podemos negar o grande esforço governamental/institucional ao disponibilizar ao longo das últimas décadas materiais essencialmente didáticos. acabam usando um produto voltado para a divulgação. principalmente no Vendo e Aprendendo. que acaba declinando o uso de um material de formato “mais propício” em favor de um material que. Este fato pode ser observado no projeto TV Escola. 89 . pela própria programação que é gravada. via forma de apresentação. tais como os projetos Vídeo Escola 30 e TV Escola. Nas últimas décadas. o desenvolvimento da televisão. só necessita ser trabalhado no quesito da duração. vem se aprimorando e lançando produtos de grande qualidade. seja indiretamente.

souberam. para reforçar a narrativa. além dos momentos para as reflexões construtivas. 31 Disponível em: http://discoverynaescola. a atenção dos alunos. reconquistando.22% dos consultores didáticos do Vendo e Aprendendo da TV Escola e da equipe do Discovery na Escola. sem as quais muito se perderia nesse processo. o sujeito do processo de aprendizagem.audiovisual de uma forma fragmentada. Desta forma. assim. Uma das formas de avaliar esta questão é. utilizar os vídeos da maneira indicada pelos consultores e produtores. em sua prática de ensino. A proposta da equipe Discovery na Escola 31:é bem clara: “O vídeo. no qual 94. juntamente com as atividades de apresentação do mesmo. que são eleitos por eles. em um próximo passo. útil para o processo de aprendizagem dos alunos. Esta fragmentação do tempo dos audiovisuais. Resta saber se a utilização de vídeos curtos ou de vídeos longos fragmentados é. tem suporte na atitude de 82.pdf Acesso em 19/12/2004 90 . pode durar entre 10 a 15 minutos de uma aula”. pode-se verificar que os professores do Colégio Pedro II.37% dos professores do Colégio Pedro II.44% dos audiovisuais são fragmentados. focalizar as atenções no aluno. passo essencial para a aprendizagem. de fato. aproveitando pontos de corte moldados pelo contexto.com/port/download/pdf/act_video. elegida por 70.

produzidos no Brasil. 4) Os Professores do colégio Pedro II parecem privilegiar o uso de audiovisuais de divulgação. entre 21 e 30 minutos. de até cinco minutos. indica a busca de qualidade de imagem e de linguagem mais dramatizada. com um tempo médio-alto. Etapas compreendidas 91 . 3) Os audiovisuais para divulgação científica. normalmente entre 41 e 60 minutos. A tendência verificada aponta para a consolidação dos dois padrões. 6) A opção dos professores pelos audiovisuais científicos de divulgação. O projeto didático TV Escola. Existe uma tendência para a consolidação do padrão médio-baixo. ou curtíssimo. com linguagem própria para televisão. os responsáveis pelos projetos didáticos brasileiros parecem estar atentos às necessidades e preferências dos professores. a nível mundial. CONCLUSÕES Os resultados obtidos na busca de caracterizar o perfil dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e a sua utilização no contexto educacional. ou médio-baixo. têm linguagem própria para televisão.VI. têm um tempo de duração médio-baixo. 5) Apesar dos limites de recursos impostos à produção nacional. normalmente entre 21 e 30 minutos. na expectativa de motivar e prender a atenção dos alunos. 2) Os audiovisuais para divulgação científica. produzidos para televisão com padrão de qualidade internacional. incorpora audiovisuais de divulgação em sua programação. permitem concluir que: 1) Os audiovisuais produzidos para fins didáticos têm um tempo curto. já em 1996.

os professores exibem o material de forma fragmentada. como prática adequada aos limites da capacidade de concentração dos alunos da educação básica. apesar de construída a partir de experiências individuais e empíricas no dia a dia da sala de aula. diante da grande disponibilidade de audiovisuais didáticos. Ao serem produzidos para atender às grades de programação da mídia televisiva. 8) Desta forma. estar plenamente de acordo com as indicações dos consultores dos projetos didáticos. 10) Mais interessante é esse procedimento padrão. se tornam demasiados longos dentro do contexto escolar. esses professores são capazes de lançar 92 . mas principalmente. segundo declarações dos professores entrevistados. praticamente. entretanto. parece esbarrar no tempo de duração desse gênero de audiovisual. declaram a preferência pela utilização de audiovisuais científicos de divulgação. como um padrão didático entre os professores de ciências e biologia do Colégio Pedro II.como necessárias para efetivar. construído a partir de vivências didáticas e pedagógicas diferenciadas. se apresentar. como o programa Vendo e Aprendendo e o Discovery na Escola. 9) É relevante o fato da práxis da fragmentação da exibição dos audiovisuais. os audiovisuais de divulgação. Como verdadeiros autores da sua prática. 7) Essa expectativa. dentro de um contexto educacional formal. 11) A análise do conjunto dos resultados indica a propriedade do procedimento didático e pedagógico do professores apesar da aparente contradição expressa quando. a fim de viabilizar o audiovisual científico de divulgação como material didático a ser trabalhado dentro dos limites da hora/aula. o processo de aprendizado.

transformá-las em instrumentos didáticos perfeitamente adequados ao contexto da educação formal.mão do que há de melhor nas produções para divulgação científica e. 93 . trabalhando características a principio adversas.

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VIII. Palestra BARRETT, Matthew. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil, na 10ª mostra Ver Ciência. Rio de Janeiro: 2 set. 2004.

101

IX. APÊNDICES

Apêndice A Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação: Existe grande discordância na designação do audiovisual, quanto ao seu tempo de duração. Para suprir as necessidades desta dissertação, utilizaremos como ponto de partida a Medida Provisória No 2.228-1 (BRASIL 2001), que determina no seu capítulo 1, artigo 1º: VII - obra cinematográfica ou videofonográfica de curta metragem: aquela cuja duração é igual ou inferior a quinze minutos; VIII - obra cinematográfica ou videofonográfica de média metragem: aquela cuja duração é superior a quinze minutos e igual ou inferior a setenta minutos; IX - obra cinematográfica ou videofonográfica de longa metragem: aquela cuja duração é superior a setenta minutos; Assim, devido à necessidade de um maior espectro de tempo e às características da amostra, as classes serão subdivididas da seguinte forma: • Curtíssima duração: aquela cuja duração é igual ou inferior a cinco minutos, que será usada para algumas discussões; • Curta duração: aquela cuja duração é superior a cinco minutos e inferior ou igual a 15 minutos. Nos casos não especificados, englobará a classe curtíssima; • Média-baixa duração: aquela cuja duração é superior a 15 e igual ou inferior a 40 minutos; • Média-alta duração: aquela cuja duração é superior a 40 minutos e igual ou inferior a 60 minutos; • Longa duração: aquela cuja duração é superior a 60 minutos. 102

Homenzinhos. A Toca do Coelho. Homens e Mar. Instituto Butantã. Os Senhores da Mata Atlântica. Esquistossomose. Aids: A Melhor Defesa é a Informação.Apêndice B Audiovisuais do projeto didático Vale Vídeo. Como Nasce e Cresce o Sapo. Dinossauros II. Cuidado Nervos. Dinossauros I. Alimentos para a Saúde. O Deserto do Maranhão. Corpo Humano. Zoom Cósmico. O Começo da Vida. A Pré-história do Brasil. A Química da Cozinha. A Maravilhosa História da Batata I. O Jequitibá. Carlinhos Precisa de uma Capa. Frutos do Cerrado. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores. 103 . O Meio Ambiente do Espírito Santo. Aves II. Tá Limpo. Floresta Inundada. Minha Primeira Experiência com A Acidez dos Alimentos. Insetos Sociais. Aves I. Biodiversidade. Evolução. Minha Primeira Experiência com O Som e a Música. A Velha a Fiar. O Semiárido Brasileiro. O Povo das Gerais. Como Cresce o Feijão. Como Cresce a Margarida. Solos. classificados como de biociências: Chapada Diamantina. A Maravilhosa História da Batata II.

104 . Sons de Minas Gerais. O Começo da Vida. A Vida Nasce no Mar. Cores do Pará.Parte 2. Higiene Corporal. Corpo Humano: Um Ecossistema . Formas do Maranhão. A Toca do Coelho. Cores do Espírito Santo. Floresta Inundada. Corpo Humano: Um Ecossistema Parte 1. Formas de Minas Gerais. Aves I. A Maravilhosa História da Batata I. O Rio São Francisco. Sons do Pará. O Semi-árido Brasileiro. classificados como de biociências: Os Índios Bakairi e o Jatobá.Uma Árvore e seu Ecossistema. Como Nasce e Cresce o Sapo. Século XX: Primeiros Tempos. As Baleias em Abrolhos. A Borboleta. Sons do Espírito Santo. Insetos. A Maravilhosa História da Batata II. Como Cresce o Feijão.Parte 1. Dinossauros. Como Classificar Animais?. Chapada dos Guimarães. A Conquista do Espaço. Lar de Homens e Animais .Parte 2. Aves II. Lar de Homens e Animais . A Velha a Fiar. Formas do Pará. Derivados da Cana-de-açúcar. Carvalho . Sons do Maranhão. Cuidado Nervos.Apêndice C Audiovisuais do projeto didático Vídeo Escola. Formas do Espírito Santo. Os Homens e a Lua. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores.

Canal Futura/Fundação Roberto Marinho. Série Globo Ciência. Série Globo Ciência. 2002. episódio: Surfboard. episódio: A Caminho do Mar. Série Globo Ciência. Série Globo Ecologia. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. 1999. TV Cultura. 1998. TV Cultura. 1999. episódio: Insetos & Cia. Série Repórter Eco. 2001. 1994. Série Mar à Vista. Canal Futura. episódio: Rondon. 2002. TV Cultura. 1998. Pré Histórias da Pedra Furada. TV Cultura. 1995. 105 . o Explorador do 20° Século. Série Olhando para o Céu. 1997. Teca na TV. Nise da Silveira. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. episódio: Dr. episódio: Ordem no Caos.Apêndice D Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 – 2003. TV Cultura. episódio: Tributo a Paulo Freire. TV Cultura. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. 10 episódios. Minuto Científico. 1998. TV Globo. episódio: Futebol. Série Globo Ciência. TV Cultura. 2000. episódio: Chuá Chuágua. Genoma: Em Busca do Sonho da Ciência. 1997. TV Cultura. Série Ver Ciência. Série A Mão Livre. 2003. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. 1994. episódio: Malaria. episódio: Somos Pequenos no Universo? 1996. Série Globo Ciência Saúde. TV Cultura. Série Arte e Matemática.

além disso os equipamentos utilizados para “tocar” essas mídias (os players). em especial do DVD. utilizando os algoritmos de compactação. os índios do Xingu. como no caso do VHS.Apêndice E As mídias do audiovisual Existem muitas mídias de suporte para o audiovisual. Outra grande vantagem é na hora de pausar a imagem. Saldanha (2005) em entrevista diz: “Nossos parceiros. quando comparadas com as fitas VHS. o que é um forte limitante do uso deste recurso nas antigas mídias em fita magnética. A grande diferença destas e outras mídias como a Blu-ray. a High Density DVD (HD DVD) etc. com a possibilidade de armazenar várias horas de vídeo com qualidade inferior ou igual ao VHS. mais ‘atualizado’. facilitando em muito o educador. que não é muito usado no Brasil para esta finalidade. pois nas novas mídias. como o Compact Disc (CD). já nos cobram as cópias dos documentários em DVD. pois as fitas melam em pouco tempo devido a grande umidade”. ou de armazenar vídeos de alta definição em um 106 . é que não apresentam o problema da perda de qualidade com o passar do tempo e são mais estáveis fisicamente. Outro motivo da agressiva dominação das novas mídias. Mas o choque definitivo está se impondo. não ocorre o problema do desgaste físico da mesma. ou seja a possibilidade de um acesso aleatório em qualquer ponto das trilhas de dados. e que elas têm na essência as mesmas vantagens do velho disco de vinil. e o Digital Versatile Disc (DVD) que apesar de ter literalmente acabado com o mercado da fita Video Home System (VHS). podem ser programados para o acesso aos pontos predefinidos. só agora começa a ser usado no ensino (o Colégio Pedro II só agora começou a adquirir os primeiros equipamentos). na hora de exibir o vídeo. pois dizem que são mais resistentes.

107 . além é claro da evolução dos padrões de compactação.único DVD ou em outras mídias de maior capacidade física.

para o programa “Boas Festas com Segurança”. França .Bogotá. Disponível em: http://www.Bristol. 1989 .para o programa “Mais Verde com Ciência”.para o programa “Será que é isso mesmo?”.para o programa “Será que é isso mesmo?”.Menção Honrosa no SCI-TECH Festival .Prêmio Master de Ciência e Tecnologia 2000. 2000 .Prêmio José Reis de Divulgação Científica.Destaque na categoria Jornalismo do Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito.frm. Científico .Vega Awards pelo episódio “pão”.Primeiro lugar no Primeiro Concurso Latino. 2002 . Colômbia .Menção Especial do Júri do “6ème Festival International de L’Émission Scientifique de Télévision” . ANEXOS Anexo A Premiações do programa Globo Ciência 32: TV Globo.Americano de Jornalismo.asp?ViewID={25199997-AC07-45EE-A1C101D8204DE822}&params=itemID={8BB7B665-66C6-4C99-BFDDB65FD5609096}.br/main.Paris.org.X. 1990 . 1989 . veiculado em 9/3/2002. 1989 . com o apoio de várias instituições. oferecido pelo Instituto da Qualidade e organizado pela Camplux Editora e Publicações. 1987 .&UIPartUID={0B11DCF7-D35E-476B-AB4E-FEA3B7A87A62} Acessada em 02/01/2005 32 108 . Inglaterra .

Anexo B Premiações do Programa Minuto Científico 33.Minuto Científico 1998 PRÊMIO CIDADE DE MONTREAL DO FESTIVAL TELESCIENCE . Itália 1998 1º Encontro Latino Americano de Televisão da RAL . TV Cultura.Minuto Científico 2000 PRÊMIO DRAGÃO DE PRATA 1º Festival Internacional do Filme Científico de Beijing – China.Melhor Programa infanto-juvenil .Categoria Programas para a Juventude. Série "Minuto Científico" . 33 Disponível em: http://www.CANADÁ Categoria Produção Infantil . 1997 VII PRIX LEONARDO da Fundazione Medikinale International Special Award – Melhor Programa Estrangeiro "Minuto Científico" Parma.htm Acesso em 20/12/2004 109 .br/tvcultura/sobretv/premios.tvcultura.com.Gramado .