Roberto Eizemberg Dos Santos

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE BIOQUÍMICA MÉDICA

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Roberto Eizemberg dos Santos

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa. Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Roberto Eizemberg dos Santos

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Química Biológica (Educação, Gestão e Difusão em Biociências), Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica.

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Santos, Roberto Eizemberg dos.S.
Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por professores das Unidades do Colégio Pedro II/ Roberto Eizemberg dos.Santos.

Rio de Janeiro, 2005. xi, f.: il; 31 cm Dissertação (Mestrado em Química Biológica) –Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Bioquímica Médica, 2005. Orientador: Hatisaburo Masuda Co-Orientadora. Andrea Molfetta 1. Ensino de Ciências. 2. Audiovisual Científico 3.Tecnologia Educacional – Teses. I.Masuda, Hatisaburo (Orient.). II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Bioquímica Médica. III. O Tempo do Audiovisual Científico no Ensino de Biologia e Ciências.

________________________ Denise Rocha Correa Lannes. como orientador. Professora adjunta do NUTES– CCS – UFRJ. 19 de setembro de 2005 Aprovado por: ____________________________ Hatisaburo Masuda. . Varella Barca de Andrade. Professor adjunto do IBqM – CCS – UFRJ. ___________________________ Lacy independente ________________________ Pedro Lagerblad de Oliveira. Dr. Professor titular do IBqM – CCS – UFRJ. Pesquisadora ________________________ Miriam Struchiner. Dr. como revisora e suplente. Professora adjunta do IBqM – CCS – UFRJ. Professor Titular do CBPF. ____________________________ Henrique Gomes de Paiva Lins de Barros. Dra. Dra. Dr. como suplente externa. Dra.Roberto Eizemberg dos Santos Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Rio de Janeiro.

Dedico esta dissertação aos que não vêem no tempo um inimigo implacável que os impeça de começar uma nova jornada. .

do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). apontou-me essa casa da excelência. Em primeiro lugar agradeço a minha mãe. como o local para as minhas idéias e ideais. impalpável e incerto. Lins de Barros. você não tem esse perfil” e que na minha volta. Sarah. A minha amada companheira. Shirley. que me ensinou a disciplina necessária para a pesquisa e mostrou-me a necessidade do investimento em uma formação de boa qualidade. educado e apoiado.Agradecimentos Em tão poucas linhas. amado. A Sergio Brandão. à minha orientadora de desenvolvimento tecnológico e industrial. implantando no fundo da minha alma o gosto pela ciência. que soube compreender e aceitar as privações do meu ato quase insano de abandonar um ofício em troca de um ideal. não posso conceber você como um dentista. da Vídeo Ciência. que nas suas leituras de revistas de divulgação científica. S. que vinte anos atrás. que substituíram as canções de ninar. Henrique G. e a sua gentileza no empréstimo dos catálogos do Ver Ciência e do Image et Science e . P. é difícil agradecer de uma forma satisfatória a tantos e com a real profundidade necessária. em especial. Celso. Darci M. que reconheceu a qualidade do material audiovisual que produzi. por ter me gerado. o Instituto de Bioquímica Médica (IBqM). mesmo agora num momento em que caberia a mim a função de retorno desse apoio. A toda a equipe do grupo de Biofísica do CBPF e. Esquivel. Ao meu pai. pode observar em mim essa tendência pela ciência e me disse “Roberto não abandone a ciência. Ao meu orientador de iniciação científica.

A José Renato Monteiro. que mesmo tendo seus castelos a construir. do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF). por viabilizarem meus novos audiovisuais de divulgação/educação. Ricardo F. pela complementação dos catálogos. Andrea Molfeta. do Programa de Gestão. A minha co-orientadora de mestrado. orientou e me deixou à vontade na minha busca pelo conhecimento. que apontou alguns problemas em meu caminho. Aos meus companheiros de estudo. Ao meu orientador de mestrado Hatisaburo Masuda do Laboratório de Bioquímica de Insetos. deu mais vida. contribuíram para a minha formação. que se dedicou em encontrar e me mostrar os cadafalsos escondidos no trajeto. Monteiro e Margarete Macedo Monteiro e seus alunos do Laboratório de Ecologia de Insetos do IB. por mostrar o . e que com a sua visão bem humorada. sem o risco da perda de interesse. do Departamento de Cinema Rádio e Televisão da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). em especial ao Luis Dourado. A Teresa Otonto da TV Cultura SP pelo envio do catálogo de 1995 do Festival Image et Science e do catálogo 2004 do Festival Vedere la Scienza. A minha revisora Denise Lannes. Educação e Difusão em Biociências (PEGeD) .que apontou também esta casa para alavancar a minha formação. junto a TV Cultura SP. Jacqueline Leta. Suzete Bressan e seus alunos do Laboratório de Entomologia Médica. que me acolheu. A Profa. fazendo assim uma orientação efetiva. que com seus sólidos conhecimentos das imagens em movimento. soube identificar e intervir nas horas propícias. e aos Profs. porém soberba. A Profa. brilho e consistência ao meu trabalho. também do PEGeD.

sem a qual nossa vida acadêmica certamente seria mais difícil. A Denise Mano. . A todos os autores citados. que graças à bolsa concedida ao programa de demanda social. em especial a Heloísa e Lílian. por me ceder sua bibliografia e apontar soluções.quão é ímpar a linguagem do cinema. permitindo assim o êxito desta parte da pesquisa. que me assessorou junto aos professores do Colégio Pedro II. A toda a equipe do Laboratório de Bioquímica de Insetos. A Tereza Lima. viabilizou a minha dedicação exclusiva nesse estudo. aos entrevistados e aos professores das unidades do colégio Pedro II. e a Elisandra Galvão. E a CAPES. sem os quais esta dissertação não teria fundamentos ou credibilidade.

por programas de curta duração (menos de 30 minutos) nos projetos pedagógicos (TV Escola. assim como nos audiovisuais disponíveis pela produção de divulgação científica nacional. Rio de Janeiro. Como resultado. quando produzidos por empresas internacionais. 2005. os quais são utilizados de uma forma fragmentada. que podem ser vistos nas redes de televisão abertas e por curta e média duração. Vídeo Escola e Vale Vídeo). na prática de ensino. majoritariamente. Foi encontrado. Esta mesma questão. Gestão e Difusão de Biociências do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. encontramos que esse material é composto. também. do tempo de duração de audiovisuais. . de um modo geral. analisouse também a forma como os audiovisuais são utilizados em sua prática de ensino. Nesta dissertação. nas tevês por assinatura e nas tevês abertas.Resumo Santos. Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II. o tempo de duração de audiovisuais (filmes e vídeos científicos) que são disponibilizados ao professor de ensino médio e fundamental foram analisados. foi analisada segundo a ótica de alguns produtores de vídeo que. em um colégio federal no Rio de Janeiro. Além disso. que existe uma predileção dos professores por produtos internacionais. Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-Graduação de Educação. são conduzidos pelas necessidades das grandes redes de televisão. Roberto Eizemberg dos. como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica.

were also analyzed according to the point of view from the producers. was also analyzed. available for teachers from basic and high school. Besides that. It was also found that the teachers prefer international products.Abstract Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Santos. the way these videos are utilized inside the classroom.UFRJ. inside classroom. Rio de Janeiro. in a Federal School from Rio de Janeiro. are conducted by the requirements imposed by the main TVs network. that are utilized in a fragmented mode. usually produced by international companies. 2005. . are of short duration (less than 30 minutes). as well as from the collections of videos produced in Brazil for scientific diffusion. Roberto Eizemberg dos. Vale Video. The duration of videos. Management and Diffusion of Biosciences from the Instituto de Bioquímica Médica of the Universidade Federal do Rio de Janeiro . Profile of Time of Scientific Audiovisuals and a Case Study of Their Utilization. the duration of scientific audiovisual (films and videos). TV Escola. Dissertation submitted to the Graduate Program in Education. we found that among these videos. by the teachers from the Units of Colégio Pedro II. As a result. Video Escola. as part of the requirements necessary to the attainment of Master of Science Degree in Biological Chemistry In this dissertation. that can bee seen in the broadcast TV network. Short and long duration videos are obtainable from cable TVs and also from broadcast TV. were analyzed. in Biology and Sciences Education. which in general. The videos analyzed were from the collections from. the one’s from pedagogic projects.

Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais e audiovisuais internacionais. Freqüência percentual por classe de tempo. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas. 42 Figura 07. do projeto Vale Vídeo. 14 Figura 02. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de 44 audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola. do projeto Vale Vídeo. 40 Figura 05. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. dos audiovisuais nacionais e dos audiovisuais de outros paises. 46 . 45 Figura 09. dos audiovisuais produzidos no INCE. Figura 06. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo 41 do conjunto de vídeos de todas as áreas. Freqüência percentual por classe de tempo.LISTA DE FIGURAS Figura 01. do projeto Vídeo Escola. do projeto Vídeo Escola. dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal. 38 Figura 04. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. Figura 08. Freqüência percentual por classe de tempo. 37 Figura 03.

no período 1996 – 2002. no período 1996 – 2002. Freqüência percentual por classe de tempo. 52 Figura 14. para trabalhar os conceitos selecionados. Linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos. Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II. Figura 21.Freqüência percentual por classe de tempo. 60 Figura 18. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 e 2000-2004 Gráfico inserido. Freqüência percentual por classe de tempo. 49 Figura 12. no período 1994 – 2003. no período 2000 – 2001 54 Figura 15. freqüência percentual de todos os audiovisuais. período1999-2004. no período 1996 – 2002. E representação dos segmentos propostos pela equipe da Discovery. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 e 2000-2004. Outra opção de gênero dos 25 professores que usavam o documentário. no ano de 2004 56 Figura 16. preíodo1994-2004 Figura 20. dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola. dos audiovisuais da TV Escola. apresentados na programação da TV Escola.Figura 10. dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente. 64 67 68 69 . que usam o audiovisual no Colégio Pedro II. Gráfico inserido. 63 Figura 19. dos audiovisuais nacionais de ciências e dos audiovisuais internacionais de ciências apresentados na programação da TV Escola. Freqüência do gênero de audiovisual utilizado pelos 27 professores entrevistados. 51 Figura 13. Freqüência percentual por classe de tempo. No gráfico inserido. 48 Figura 11. dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola. Figura 22. Freqüência percentual por classe de tempo. 57 Figura 17. nos qüinqüênios 1994-1998 e 1999-2003. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo. no período 1996 – 2002. dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola. dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science.

pelos 27 professores que usavam o audiovisual.Figura 23. Figura 24. Fonte do material usado pelos professores. Práxis relativa a fragmentação dos audiovisuais. 70 70 71 . Acervo dos 27 professores que usavam o audiovisual. Figura 25.

34 35 Tabela 04.LISTA DE TABELA Tabela 01. descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE). Audiovisuais. 42 efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U). 33 Tabela 02. . Categorização dos Acervos de Audiovisuais. Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências. Tabela 03. segundo sua Origem e Finalidade. segundo a Finalidade. do projeto Vale Vídeo. 35 Tabela 05. segundo sua Origem e Finalidade. Total de Audiovisuais. Audiovisuais dos Acervos segundo sua Origem.

com seu Revólver.LISTA DE IMAGENS Imagem 01. Seqüência de 4 fotos tiradas por Janssen de Vênus frente ao Sol. 02 03 . Vôo do pelicano. Imagem 02.

LISTA DE SIGLAS AIVC BBC CAPES CBPF CD CNPq CNRS CVRD DVD ECA ftp HD DVD http IBqM INCE MEC PDF SEED Semtec UFPA UFRJ UNESCO USP VHS WWW Associação Internacional Ver Ciência Britsh Broadcasting Corporation Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas Compact Disc Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Centre National de la Recherche Scientifique Companhia Vale do Rio Doce Digital Versatile Disc Escola de Comunicação e Artes File Transfer Protocol High Density DVD Hiper Text Transfer Protocol Instituto de Bioquímica Médica Instituto Nacional de Cinema Educativo Ministério da Educação e Cultura Portable Document Format Secretaria de Educação a Distância Secretaria de Educação Média e Tecnológica Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Rio de Janeiro United Nations Educational Scientific and Cultural Organization Universidade de São Paulo Video Home System World Wide Web .

Maior que. Tamanho da amostra maior. Nível de significância estatístico. Desvio padrão. Igualdade de grandezas. Amostra 2. Tamanho da amostra menor.LISTA DE ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS < > = % A1 A2 α DF n n1 n2 P1 P2 π s/d Sd Se U Menor que. a grandeza da esquerda do símbolo é menor que a grandeza da direita. Distrito Federal Tamanho da amostra. Percentagem. Estatística U de Mann-Whitney. . ou seja. Amostra 1. Soma dos postos da amostra maior. Erro padrão. Soma dos postos da amostra menor. a grandeza da esquerda do símbolo é maior que a grandeza da direita. Sem data. ou seja. População.

2. Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados 17 17 17 21 21 21 21 22 25 27 27 27 28 30 30 30 .SUMÁRIO I.2. Objetivos 16 III. Análise Estatística III. Recomendação dos Especialistas III. Análise de Dados III.Audiovisuais Científicos III. Nacionalidade III.2.4. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo I. A Linguagem do Audiovisual I. Perfil de Tempo III.4. Coleta e Análise dos Dados III.1.2.1.5.1.2.2.2. Introdução I.1.1. Amostra e Coleta de Dados III.1.2.2. Entrevistas com Produtores.3.2. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III.2 Seção 2 – Professores e Especialistas III.3. A Mãe do Cinema I. O Sonho no Ensino I.2.2. Metodologia III.1.1.1.1 Seção 1 . Finalidade III.1.3.1.2.4. Amostra III.2.2. Publicações digitais como fonte de dados: III. O Tempo no cinema I. O Tempo no Ensino 1 1 2 4 6 8 14 II. Áreas do Conhecimento III.1.6.4.5.4.2.

.1.2.2. Entrevistas com Produtores. Discovery na Escola IV.1.5.Sessão Brasil IV.7.1.8.1.1.Sessões Internacionais IV. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II IV.1. Finalidade e origem IV. Divulgadores e Consultores. Conclusões 91 VII. 32 32 32 36 36 37 39 43 46 50 52 55 58 62 64 65 65 72 V. Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) IV.6. Festival Image et Science IV.1. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal IV.1.1. Mostra Ver Ciência . Apêndices 94 101 102 .11. Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II 76 76 81 VI.1 Seção 1 – Audiovisuais Científicos IV. Mostra Ver Ciência . Perfil de Duração IV.2.1.Programa Vendo e Aprendendo IV. Discussão V. Resultados IV.3.IV.10. O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências V.2. Vale Vídeo IV. TV Escola .4.1.2 Seção 2 Professores e Especialistas IV.1.2. Palestra IX.1.1.1. TV Escola Programação de Meio Ambiente IV. Vídeo Escola IV.1. TV Escola Programação de Ciências IV.9.2. Referências Bibliográficas VIII.1.

classificados como de biociências Apêndice C: Audiovisuais do projeto pedagógico Vídeo Escola. TV Cultura 108 108 109 .2003 Apêndice E: As mídias do audiovisual 105 106 104 103 102 X.Apêndice A: Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação Apêndice B: Audiovisuais do projeto pedagógico Vale Vídeo. classificados como de biociências Apêndice D: Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 . Anexos Anexo A: Premiações do programa Globo Ciência: TV Globo Anexo B: Premiações do Programa Minuto Científico.

Ver 3 .E Deus disse: "Faça-se a luz!" Então se fez a luz. Gênesis Cap 1.

1978. Congelar sua presença significa captar um momento no implacável relógio do tempo. que em suas várias linguagens próprias levam a alegria. sonho indizível de muitos e que foi concretizado por alguns intrépidos na primeira metade do século XIX. mas implacavelmente. tendo como um dos parâmetros. Então o tempo agora foi dominado? Pelo menos o tempo relativo.1. E assim compreendida por uma ciência. s/d. pois a sua grandeza esperou ainda o início do século XX para sair do discurso metafísico e ser relativizada. Resnick. ora aliados. Martinet. conseguiram essa proeza maior. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo A luz. o registro documental do tempo. Busselle. a onipresente velocidade da luz. 1 Texto baseado em. alquimistas e artistas. não só uma cabeça. a nossa máquina do tempo: o cinema. mas o tempo integral e. ora antagônicos. 1 . difundindo aos poucos. Mistura de cientistas. novamente. no decorrer do último século e do que estamos. que com seus incansáveis sonhadores. 1994. Mannoni. a ciência e até o saber 1. um tempo visto e sentido. a fábrica dos sonhos. guardados e retocados. Nascia então no final deste mesmo século. unidos aos artistas do fazer. a tristeza. estes gênios do fazer materializaram a luz em substratos que agora podiam ser vistos. 1987.I. 1971 e Tosi. INTRODUÇÃO I. não só uma idéia. Não demorou muito e a genialidade humana começou a cobiçar a possibilidade de guardar não só um momento. transportaram o tempo na velocidade da luz. imagens e sons. mas seus conjuntos.

htm Acesso em 25/12/2004 2 .net/users/anima/chronoph/janssen/index. o Revólver Fotográfico de Janssen tornou-se portátil e passou de. tem sua paternidade contestada por alguns autores. Os irmãos Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948). Assim Janssen é apontado como o pai do cinema.inter. por ter desenvolvido e padronizado. conseguiu registrar em uma placa circular de Daguerre 2 as imagens sucessivas da passagem do planeta Vênus frente ao disco solar. 18). como diz Mannoni (s/d.2. A Mãe do Cinema Determinar a paternidade e a data de nascimento do cinema não é tarefa fácil. Seqüência de quatro fotos de Vênus frente ao Sol. 5). que atribuem esta paternidade ao astrônomo francês Jules Janssen (1824-1907). Louis-Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). com o seu Revólver Fotográfico. com a sua projeção pública de 1895. e desta forma fica clara a maternidade científica deste meio audiovisual. com isso “O cinema científico nasceu anos antes que o cinema de entretenimento” (tradução nossa). Assim.I. Imagem 01. com seu Revólver Fotográfico 3. na década de 30 do século 19. 2 Segundo Busselle. aproximadamente. um processo realmente fotográfico e independente do acaso. tiradas por Janssen. 3 Imagens obtidas em: http://web. p. p. 1978. apesar de apontados como pais do cinema. como Tosi (1987) e Martinet (1994).nl. que em 1874. “esse é o primeiro aparelho que fotografa as diferentes fases de um movimento não simulado” (tradução nossa) e segundo Tosi (1987. é apontado como o pai da fotografia. Aperfeiçoado pelo fisiologista francês Etienne-Jules Marey (1830-1904).

com a invenção do cinematógrafo. por exemplo. vieram a popularizar o cinema. as previsões de Janssen. Segundo Sá (1967). Com esse desenvolvimento Marey pode concretizar. 4 Imagem obtida em: http://www. Os aperfeiçoamentos subseqüentes. que em 1876 disse: Uma série de fotografias que cubra um ciclo completo de movimento de uma função específica nos outorgaria dados valiosos para explicar seu mecanismo. mediante a obtenção de uma série de fotografias que representem os diversos momentos da asa em movimento. (TOSI. foram bem aproveitados pelos irmãos Lumière que. Assim é fácil imaginar. que usava um conjunto de câmeras para obter as imagens.com Acesso em 22/12/2004 3 .expo-marey.uma imagem a cada um segundo e meio para 12 imagens por segundo. ganhando assim a nova denominação de fuzil fotográfico. a partir de 1882. Os estudos de Marrey sobre a locomoção dos animais foram contemporâneos aos estudos do fotógrafo inglês Eadweard James Muybridge (18301904). com o uso de substratos flexíveis (películas) e novas técnicas de projeção. 1987. Vôo do pelicano 4. Imagem 02. tradução nossa). o grande interesse que teria para um problema tão obscuro como o do vôo das aves.

com ou sem som. Adequá-las às condições do ensino parece ter sido uma busca constante dos educadores. em 1896. no que seriam os seus primórdios. I. 1930. p. em 1898. O filme científico strictu sensu é produzido no âmbito da pesquisa cientifica e cumpre papéis específicos. Suas projeções de reportagens e de filmes de viagem popularizaram o gênero documentário. 4 . “Considero que a cinematografia é um espetáculo inteligente e instrutivo. após uma apresentação cinematográfica dos filmes dos irmãos Lumière. aspectos corriqueiros ou mesmo raros. desde muito cedo instigou os educadores para o seu uso como meio auxiliar no processo educativo. As imagens em movimento. a coroação do Czar Nicolau II.Louis Lumière fez a primeira grande reportagem ao registrar. a vocação do cinema científico para o ensino. que certamente foi percebida por muitos. “É para o meu ensino pessoal e para o de meus discípulos” (COISSAC. sempre foram um fator relevante no contexto educacional. 24). Elas descrevem mais do que uma mera constatação. procedimentos técnicos e/ou científicos. mas também uma necessidade da sociedade que se modernizava. Nesta ação ousada de um homem de ciência fica caracterizada.3. 1987. Estas são palavras de Lev (Leão) Nikolaievitch Tolstoi (1828–1910). Não tardou muito até que outro visionário desse mais um passo na direção do inevitável. p 93. O Sonho no Ensino A possibilidade de registrar em filme processos naturais. defendeu-se o Dr Eugène-Louis Doyen (1859-1916). tradução nossa). 1925 apud SERRANO e VENANCIO FILHO. Tem um imenso valor como instrumento didático” (TOSI. tais como: documentar o trabalho ou objeto da pesquisa. por deixar reproduzir pelo cinematógrafo uma de suas operações. em 1898.

1978. irrelevante. p.para arquivamento ou para o uso na divulgação. 23) Mas. como a microfilmagem ou a filmagem em alta velocidade. em grande parte. 2001. inclusive o Brasil. Ao explanar sobre a importância do cinema no 5 . (FRANCO. (REISZ e MILLAR. 1993. p. quando se utilizam técnicas especiais. mormente. também se podia usar filmes comerciais no ensino. no ensino. também. 120). implementaram os seus próprios órgãos responsáveis pela produção de filmes educativos (SCHVARZMAN. E pode ser usado. p. 174) Sem o uso da dramatização. Muitas vezes é uma das ferramentas investigativas. Vocação que responde perfeitamente aos parâmetros de construção das narrativas míticas que alimentaram as pedagogias de perpetuação cultural da Humanidade. O objetivo do montador de documentários ou filmes de ficção é criar uma atmosfera – dramatizar acontecimentos. Entretanto. exatamente. uma boa parte da linguagem desenvolvida pelo cinema se perde. querer “limpar” a linguagem audiovisual dessa sua vocação de liberdade ante a lógica do tempo e do espaço. A razão para isso pode estar na forma como eram (e em muitos casos ainda são) produzidos. Alguns paises. A finalidade dos seus filmes é ensinar e os seus objetivos devem ser a clareza. existe muita dúvida se a linguagem usada nesses filmes era capaz de motivar o público alvo. nem tudo era de qualidade questionável. O erro cometido na tentativa de criar o cinema educativo foi. Além disso. Para o montador de filmes educativos esta consideração é. a exposição lógica e a avaliação correta da receptividade da platéia. A força que arrastava multidões às salas de exibição foi suprida pela obrigatoriedade do estudante em permanecer durante a exibição na aula. O desenvolvimento das técnicas de filmagem e a grande produção de filmes científicos alavancaram uma indústria crescente de produção de filmes especificamente para o uso no ensino.

a própria divindade.ensino e a força desta linguagem. do desenvolvimento de uma linguagem própria. além de contar com rica bibliografia. tenha uma probabilidade maior de seduzir seu público alvo. 5 É o processo de análise de movimento através de fotografias sucessivas. Apesar das muitas restrições de ordem econômica. de modo analógico ou simbólico. 1967. Segundo Almeida (1931). p. o cinema foi sendo construído através. pode tornar perceptível. Este ponto de vista é um pouco reducionista e simplifica o cinema à visão baseada na cronofotografia 5 de Marey e Muybridge. A Linguagem do Audiovisual Segundo Ramos (2003). 1980. “O cinema é a matriz imagético-sonora do campo midiático da sociedade contemporânea”. (SÁ. através da imagem em movimento e da montagem. técnica.. E a razão para isso é que se trata de uma arte bem consolidada e estruturada em bases sólidas. p.4. em meio a uma proliferação de filmes educativos. que reforçava assim. A competência e criatividade de produtores de “vivência” supriam os educadores das primeiras décadas do século XX com a sua “matéria” prima para o trabalho. política etc. nem sempre foi assim. principalmente. se ele próprio possuir a vivência do espiritual ou puder captar-lhe a presença nos seres mais humildes. “Cinema é a projecção luminosa da synthese mecanica da figura analytica do movimento”. 80). a veterana escritora e professora de cinema Irene Tavares de Sá.] Um verdadeiro artista.. diz: As idéias abstratas podem ser traduzidas em símbolos e a escala dos valores focados pelo cinema vai de Deus ao mais insignificante objeto [. I. Na realidade. feito com esmero e que tenha uma linguagem atraente. Mas. 6 . foram criadas verdadeiras jóias.. “baseado num conjunto de códigos cinematográficos particulares e gerais” (METZ. 14) É esperado que um produto.

que constituem a linguagem cinematográfica no sentido estrito). (AUMONT e outros. a língua. (. um produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias. Considerada em seu todo. Esta linguagem própria. p. .) A palavra. os “códigos de nominação icônica”. 177. essas figuras estruturam os dois grupos de códigos precedentes funcionando “acima” da analogia fotográfica e fonográfica. em primeiro lugar. Desta forma. Em seu curso de lingüística geral. para entendermos a linguagem do audiovisual.. ao contrário. é um ato individual de vontade e de inteligência”. a linguagem é uniforme e heteróclita. que deve ser ciente desses códigos moldados pelo contexto. (AUMONT e outros. Aspas do autor) Sobre a linguagem do cinema.. iluminada pela luz intermitente do projetor. o ambiente escuro das cavernas onde os mitos eram narrados ao redor da fogueira”. a colocação do cinema como arte. a língua da linguagem. que recriou na sala escura. as figuras significantes propriamente cinematográficas (ou “códigos especializados”. Franco (1993. Para isso precisamos entender a linguagem como um todo e saber sua diferença com relação à língua. finalmente. constituída de várias línguas. devemos começar por entender a linguagem do cinema. ao mesmo tempo. A “inteligibilidade” do filme passa por três instâncias principais: . . 20) afirma que: “ninguém o contestou como linguagem especialíssima. é um todo em si e um princípio de classificação. Aspas e parênteses do autor) 7 . a analogia perceptiva. p. 1995. ao contrário. 184. 1995. A primeira não passa de uma parte determinada da segunda: ”ela é.como num feedback. que servem para dar nome aos objetos e aos sons. Saussure distingue. p. tem a função de comunicar uma mensagem codificada e canalizada a um destinatário.

Estes fundamentos da linguagem do cinema permeiam as outras manifestações imagético-sonoras que o sucederam, sendo que cada uma guarda suas características diferenciais que as individualizam como artes distintas que são. Podemos, a partir do conhecimento destas diferenças, chamá-las de “manifestações audiovisuais do movimento” e que, nesta dissertação, chamamos por simplificação de audiovisual.

I.5. O Tempo no Cinema A grande mudança conceitual da fotografia, como uma seqüência de fotografias, foi que: “Pela primeira vez, a imagem das coisas é também a imagem da duração delas” (BAZIN, 1991, p. 22 apud GRUZMAN, 2003, p. 65). Assim, o cinema introduziu uma temporalidade na imagem. Para abordar o tempo no cinema, devemos necessariamente entender como são feitos os filmes. De uma forma sucinta, todo o filme nasce de uma idéia inicial. Essa idéia é melhorada e ampliada até se chegar a um argumento que contenha os elementos básicos do filme: do que se trata a história, aonde serão feitas as filmagens, o tempo de duração do filme, como será contada a história e para quem. Com essas e outras variáveis devidamente equacionadas, passa-se para a fase onde esses elementos serão tratados do ponto de vista técnico e de linguagem. A esses procedimentos chamamos de roteiro. Segundo Field (2001, p. xv), “um roteiro, logo percebi, é uma história contada com imagens”. Assim, não devemos descuidar na perfeita utilização destas imagens, quando formulamos um roteiro. O próximo passo é o de obtenção das imagens e dos sons, que deve seguir da melhor forma possível o roteiro. Pronto! Temos um roteiro, temos as imagens e

8

sons. “Então temos um filme?” Ainda não, pois ele tem que passar, quase 6 invariavelmente, por uma fase que é chamada de montagem. “A montagem é o princípio que rege a organização de elementos fílmicos visuais e sonoros ou de agrupamentos de tais elementos, justapondo-os, encadeando-os e/ou organizando sua duração”. (AUMONT e outros, 1995, p. 62). Com essa definição “ampliada” de montagem, esse autor deixa claro o quão importante é a montagem na confecção de um filme. Fica claro também a sua influência na linguagem, pois ela introduz códigos que irão facilitar ou, em alguns casos, viabilizar o entendimento do filme. Seguindo ou não um roteiro, é através da montagem que se vai criando a narrativa. Com ela podemos direcionar a percepção e influenciar os elementos psicológicos que nos dão a sensação de temporalidade.
Assim a montagem alternada constituiu-se, progressivamente, de Porter a Griffith: tratava-se de produzir a noção de simultaneidade de duas ações pela retomada alternada de duas séries de imagens. O projeto narrativo gerou um esquema de inteligibilidade da denotação, pois os espectadores sabiam, a partir de então, que uma alternância de imagens sobre a tela era capaz de significar que, na temporalidade literal da ficção, os acontecimentos apresentados eram simultâneos, o que não era o caso dos primeiros espectadores de Méliès. (AUMONT e outros, 1995, p. 192)

De fato, Edwin Stratton Porter (1869-1941), em 1902, desenvolve a narrativa da seqüência temporal de acontecimentos em seu filme, A Vida de um Bombeiro Americano. Os fatos simultâneos são apresentados em planos distintos. Ou como sintetizam Gaudreault e Jost (1995, p. 124), “[...] que mostram sucessivamente dois aspectos concomitantes [...] de uma única ação [...]; no plano estritamente cronológico. A mesma ação se apresenta em duas ocasiões e podemos falar de montagem repetitiva” (tradução nossa e itálico do autor). Segundo Reisz e Millar
6

Existe ainda a opção de filmar diretamente, seguindo ou não um roteiro, e obtermos um filme.

9

(1978, p. 4-7), este foi um caminho novo. Fugindo da linguagem contemporânea, Georges Méliès 7 (1861-1938) iria “[...] dividir a ação em três seções independentes, ligadas por letreiros”. Essa narrativa pode ser um pouco confusa para um espectador contemporâneo devido à grande duração da seqüência dos planos, antes da alternância. Entretanto, foi desta forma que Porter deu os primeiros passos no sentido de desenvolver essa linguagem, que organiza os códigos. Segundo Mourão (2002), “é na montagem que encontramos a imagem do tempo uma vez que o tempo cinematográfico, sendo uma representação indireta, depende da organização das imagens e sons para que ele se constitua”. Com isso temos o que no meio cinematográfico é comumente chamado de tempo fílmico, que se difere do tempo físico ou real por ter sua “duração” moldada pela percepção psicológica dos signos e códigos audiovisuais do cinema (AUMONT e outros, 1995, GAUDREAULT e JOST, 1995, METZ, 1977 e 1980, REISZ e MILLAR, 1978). Temos assim três formas de relações entre o tempo fílmico e o tempo físico: Tempo fílmico = tempo físico - é o caso do material apresentado sem cortes, como por exemplo, uma partida de futebol na íntegra (inclusive o tempo dos intervalos). Tempo fílmico < tempo físico - é quando se colocam acontecimentos demorados, de forma sucinta. Como exemplo temos o crescimento do broto de uma planta até o desabrochar de sua flor, que pode ser mostrado em uma tela, em poucos segundos, usando a técnica de lapso de tempo, ou o jogo supracitado, com a remoção dos intervalos.

7

Georges Méliès, ilusionista e cineasta francês, é um dos pioneiros do cinema.

10

temos uma explosão. sem uma seqüência lógica. Com todas essas possibilidades podemos transformar um filme (quase) em um sonho. O resultado final é uma mera conta matemática. Assim temos um acontecimento muito rápido sendo mostrado de uma forma mais lenta. Vejamos um exemplo sobre a necessidade de aprender os códigos. Como exemplo. Isto pode ser uma experiência enigmática para ela e facilmente ela pode pensar que aquela espécie de flor desabrocha naquela velocidade. sem uma locução explicando detalhadamente o fato. melhor ainda. Consideremos a alternância de imagens ocorridas simultaneamente. Fica claro ser uma questão de se estar familiarizado com a linguagem ou de ser devidamente apresentado ao novo conceito. de mesma duração. Na montagem podemos seguir uma ordem lógica ou. o tempo fílmico é duas vezes maior que o tempo físico. O caso do filme de Porter pode nos elucidar melhor quando o tempo fílmico é maior que o tempo físico. ou seja.é o caso inverso ao supracitado. Podemos também transgredir o fluxo natural do tempo. 11 . Mas toda essa notação do cinema ainda não dá conta do que podemos fazer com o tempo. assistindo ao desabrochar de uma flor. com a narrativa sendo feita dos últimos acontecimentos até um tempo passado (em flash-back). que é mais natural. a ordem cronológica dos acontecimentos. Podemos ainda. Teremos assim uma narrativa linear. ou introduzir flash-backs em um filme que seguia a cronologia natural. que pode ser filmada com técnicas de filmagem em alta velocidade e depois ter seu tempo expandido durante a apresentação do filme. introduzir um futuro no presente (flash-forward). Suponha uma pessoa que nunca assistiu a um filme em lapso de tempo. cada uma delas com o tempo fílmico igual ao tempo físico.Tempo fílmico > tempo físico .

tendendo à supressão da temporalidade. De certa forma a grande maioria dos filmes, ainda guardam os pontos básicos de uma narrativa que segue alguma ordem.
Um início, um final: quer dizer que a narração é uma seqüência temporal. Seqüência duas vezes temporal, devemos acrescentar logo: há o tempo do narrado e o tempo da narração (tempo do significado e tempo do significante). Esta dualidade não é apenas o que torna possíveis todas as distorções temporais verificadas freqüentemente nas narrações (três anos da vida do protagonista em duas fases de um romance, ou em alguns planos de uma montagem “freqüentativa” no cinema etc.); mais essencialmente, ela nos leva a constatar que uma das funções da narração é transpor um tempo para um outro tempo e é isso que diferencia a narração da descrição (que transpõe um espaço para um tempo), bem como da imagem (que transpõe um espaço para outro espaço) (METZ, 1977, p. 31-32. Parênteses, aspas e itálico do autor).

A compreensão da temporalidade da linguagem do cinema, que também está presente nas outras linguagens audiovisuais, nos leva à discussão sobre a percepção do tempo. Após suas exposições, metafísica e transcendental, do conceito do tempo, Kant (1996, p. 79), tem como uma das suas conclusões que: “O tempo nada mais é senão a forma do sentido interno, isto é, do intuir a nós mesmos e a nosso estado interno”. As reflexões de Immanuel Kant (1724-1804) são muito ousadas para a sua época e, de certa forma, trouxeram mais luz ao conceito de tempo e de sua percepção.
A Percepção de Tempo. Não só é a seqüência temporal da natureza e a realidade mais enigmática no mundo externo; é também a coisa mais espantosa do homem como ele mesmo. Como o problema de percepção espacial, o problema da percepção do tempo é um velho, e sempre-novo, enigma da psicologia. (REISER, 1926, p. 240, tradução nossa)

A afirmação acima poderia ser feita hoje e uma das razões para isso é, como explica Ades (2002), “O paradoxo do senso do tempo é que, constituindo uma característica geral e permanente do comportamento, ele não decorra, diretamente, de dados sensoriais. Não existe um órgão dos sentidos especializado em perceber o

12

tempo”. Desta forma, assim como na montagem de um filme, o tempo que percebemos é oriundo de uma construção, uma montagem psicológica que fazemos das imagens, sons, sensações táteis e outros sinais que recebemos através dos órgãos do sentido, e como tal, é sujeita a variações decorrentes do nosso estado psicológico.
O tempo psicológico ou tempo vivido (duração interior), por sua vez, não coincide com as medidas temporais objetivas. Variando de indivíduo para indivíduo, sendo subjetivo e qualitativo, sujeita-se apenas ao registro de momentos imprecisos, que se aproximam ou tendem a fundir-se, numa organização determinada por sentimentos e lembranças [...] (RIBEIRO, 2002, p 24)

Então, a “duração” de um audiovisual pode ser alterada pelo nosso estado emocional, que também é afetado pelo próprio audiovisual. Com relação a isso, podemos colocar ainda dois fatos importantes para a compreensão da percepção do tempo. Um deles é que as coisas que nos agradam ou desagradam podem alterar consideravelmente a nossa percepção do tempo. Segundo Ades (2002), “Thayer e Schiff (1975) criaram uma situação em que pessoas deveriam ficar, frente a estranhos, sorridentes ou carrancudos. O sorriso do outro fez correr o tempo, sua carranca o brecou”. O outro é que os resultados de Flaherty (1991) endossam os estudos de Hogan (1978), que encontrou uma relação entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo, resultando em um gráfico em forma de U (Figura 01). O gráfico mostra que quando o estímulo é moderado (abscissa - eixo E), a percepção do tempo tende a uma sincronicidade com o tempo real (ordenada – eixo T). Entretanto, quando o estimulo é baixo ou alto a percepção do tempo tende a ser expandida (duração prolongada).

13

T

E

Figura 01. Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. Redesenhado de Flaherty (1991, p. 80).

Com isso, fica claro que uma seqüência de imagem leva em si um tempo físico, ou seja, o tempo real, e um tempo fílmico. O tempo real pode ser aferido por um instrumento de medida, que não deve variar quando submetido a outras aferições, pelo menos em condições normais. O tempo fílmico é construído na “mensagem” do(s) sujeito(s) que produz(em) o audiovisual e é “diferida no tempo e no espaço” (BRAGA e CALAZANS, 2001, p. 27) ao sujeito que o assiste. E tudo pode variar quando medido por outro sujeito, ou pelo próprio, quando de uma próxima audiência.

I.6. O Tempo no Ensino A questão do tempo vista na óptica do professor que utiliza o audiovisual na prática de ensino já é debatida desde o início do uso de audiovisuais nas escolas. A primeira regra de higiene útil nas projeções animadas de Sluys (1922, apud Serrano e Venâncio Filho,1930, p. 68) é direcionada à relação tempo do filme e idade do espectador - “Duração máxima das projeções: 20 minutos para crianças de menos

14

O filme escolar deve ser curto. que tem papel na manutenção da atenção. para os commentarios adequados a cada trecho do filme e. de grande metragem. este comportamento “está relacionado com o fato do núcleo da formação reticular. só se tornar inteiramente mielinizado na puberdade ou depois dela”. menos tempo conseguem manter a atenção. Serrano e Venâncio Filho alertam para o fato. Essa questão da duração do audiovisual leva em seu bojo a experiência individual de cada um dos educadores que cogitaram a respeito do tema e. A questão da metragem. O que o educador acaba por perceber logo no início de sua carreira. p. deixa claro que quanto menores as crianças. como também ao rendimento do processo como um todo. Erro dos mais graves é pensar que um filme longo. é de relevancia toda especial. deixando uma lacuna que o educador acaba preenchendo com o uso da sua vivência e criatividade. Cumpre não fatigar a attenção da classe e deixar margem para a explicação preliminar. ainda. para o interrogatório verificador das observações de cada um dos alumnos. 94-95) Esses e outros autores mais recentes levam em consideração que o uso do audiovisual se dá em tempos normais de duração de uma aula (45 a 50 minutos). possa preencher bem a sua finalidade em aula. p. que os leigos no assumpto suppõem secundaria. Segundo Carter (2003. não só no que diz respeito à atenção. Entretanto. Muitas vezes as soluções por eles encontradas são alicerçadas na observação da reação de seus alunos. Além de estipular um tempo de duração. isto é dez minutos a um quarto de hora de projecção. (SERRANO e VENÂNCIO FILHO.de 12 anos e 30 minutos para idade maior”. não foi encontrada nenhuma referência sobre o uso desta tecnologia educacional em aulas mais longas. 15 . Duzentos a trezentos metros representam a medida razoavel. 1930. já no início da década de trinta. 32).

de um colégio federal tradicional do Rio de Janeiro (Colégio Pedro II). O termo biociências será utilizado para classificar os audiovisuais utilizados tanto pelos professores de Ciências e de Biologia. (d) confrontar os resultados dos depoimentos dos professores sobre a utilização dos audiovisuais com as recomendações de especialistas no assunto. (c) o tempo e a forma de utilização de audiovisuais por professores de ciências (ensino fundamental) e biologia (ensino médio). buscamos identificar: (a) a finalidade (didáticos ou de divulgação) e a origem (nacionais ou internacionais) das produções de audiovisuais científicos disponíveis para utilização em circuito educacional. Para isto. caracterizar sua utilização como prática didática do ensino formal. 16 . OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivo principal identificar o perfil do tempo de duração dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e. (b) a composição relativa ao tempo de duração do material audiovisual nas diferentes categorias identificadas. a partir de um estudo de caso.II. obtidas através de entrevistas ou através de publicações associadas aos audiovisuais.

a partir de um estudo de caso. uma tese e um livro (listagem a seguir e Quadro 01). A segunda seção. acessados em catálogos.Audiovisuais Científicos Esta seção categoriza e analisa os audiovisuais científicos que foram disponibilizados apara o educador brasileiro através de projetos de cunho didáticos e de divulgação. levando-se em consideração o contexto da amostra em que foram obtidos. • Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal: No livro de Venâncio Filho (1941. III. A amostra foi obtida de 10 diferentes acervos.1. produzidos nas últimas seis décadas. sete projetos didáticos.725 audiovisuais científicos potencialmente utilizáveis no contexto educacional. Seção 1 . p. sendo uma filmoteca. veiculados em mídias distintas e com linguagens também distintas. III. publicações digitais.1. busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica. uma mostra e um festival.III. Amostra e Coleta de Dados Foram analisados 3. 69 – 75) são listados os audiovisuais da Filmoteca do 17 . a área e a origem desses audiovisuais.1. METODOLOGIA Este trabalho foi dividido em duas seções: A primeira seção trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo.

que foi obtido na página da TV Escola 8. p. obtido na página da TV Escola 9. • Discovery na Escola: Para esta parte da pesquisa foram consultadas as publicações eletrônicas do projeto Discovery na Escola. 25 – 77. 2001b.mec. organizado por Aratangy (2000a. • TV Escola Programas de Ciências: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002. no período 19361966. 2001c e 2002). que foram por ela identificados. • TV Escola Programas de Meio Ambiente: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002. Em 396 destes audiovisuais constam a bitola e a metragem • Vídeo Escola: esta amostra foi baseada no caderno do professor do projeto Vídeo Escola. em Disponível em: http://www. de sua dissertação. p.br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/17_meio%20ambiente.pdf acesso em 25/12/2004. p 64 – 79).br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/06_ciencias. 2000b. material em arquivo PDF. • Vendo e Aprendendo (TV Escola): amostra baseada no material em arquivos PDF. Nesta listagem está disponibilizada a metragem de 164 dos 179 audiovisuais.243 – 263) agrupa em tabelas do apêndice VI.gov. obtido na página da TV Escola. os 401 audiovisuais produzidos no Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). 9 8 18 . p. • Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE): Galvão (2004.gov. material em arquivo PDF. cujos endereços estão disponíveis nas referências desta dissertação. Este material. 209 – 225. Vassimon (1998. Disponível em: http://www.mec. 2001a.Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro).pdf acesso em 25/12/2004.

Monteiro e Brandão (1994. Monteiro e Brandão (1999. p 42 – 51). p 32 – 40). Monteiro e Brandão (1996. Monteiro e Brandão (2004. p 40 – 47). Demeule (2002. de que muitos audiovisuais internacionais desta mostra.shtml acesso em 19/12/2004 Não ocorreu a mostra no ano de 1995. p 64 – 103). Monteiro e Brandão (2002b. Monteiro e Brandão. Monteiro e Brandão (2001. sessão Image et Science e sessão Televisão para a Juventude. A escolha do período defasado em 1 ano com o Festival Image et Science. Demeule (2000. Monteiro e Brandão (2000. Disponível em: http://discoverynaescola. serem os mesmos que foram apresentados no festival do ano anterior. p 36 – 45). p 53 – 95). 11 10 19 . sessão BBC. p 10 – 23). se deve ao fato. p 56 – 100).arquivos PDF. denominada Guias de Apoio 10.com/port/docentes_guia_01. p 112 – 157). como é mostrado na seqüência: • Mostra Ver Ciência Sessão Brasil: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004. p 54 – 100). Monteiro e Brandão (2003. p 39 – 82). p 70 – 113). 1994-2003). Demeule (1997. Demeule (1999. Demeule (2001. pode-se fazer uma subdivisão em Ver Ciência Sessão Brasil e Ver Ciência Sessões internacionais. Demeule (1994. Monteiro e Brandão (1998. Demeule (1998. • Festival Image et Science: Baseado nos catálogos do Festival International de L’émission Scientifique de Télévision (Image et Science. Demeule (1995. p 38 – 45). Demeule (2003. p 42 – 82). Demeule (1996. p 36 – 41). p 32 – 39). Assim com essa divisão entre audiovisuais nacionais e internacionais. foi obtido na página de apoio aos professores. p 42 – 85). • Mostra Ver Ciência: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 11. Monteiro e Brandão (1997. p 38 – 81). p 40 – 47). dividem a mostra em sessão Brasil e em várias outras sessões essencialmente internacionais: sessão Especial. p 36 – 45).

28 – 33). 34 – 36).Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Ano 1941 12 1936-1966 1994 1998 1996-2002 1996-2002 2000-2001 2004 1994-2003 1994-2004 1936-2004 Fonte dos dados Livro Venâncio Filho (1941) Tese Galvão (2004) Publicação Guimarães (1994) Publicação Vassimon (1998) Internet Internet Internet Aratangy (2000a . p 14 – 25. 22 . p 14 – 22. 28 – 29. Resumo dos acervos de audiovisuais utilizados no contexto educacional.2002) Internet Catalogo Demeule (1994-2003) Catalogo Monteiro (1994-2004) 12 No livro de Venâncio Filho de 1941 não se encontra o ano de produção dos audiovisuais.25. p 10 – 27. Monteiro e Brandão (2000. 26 – 29). 26 – 30. Monteiro e Brandão (1997. 54 – 59). 30 – 33). p 12 – 17. 30 – 33). 32 – 35). p 12 – 19.programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Mostra . 26 – 29). p 14 – 39. Monteiro e Brandão (1998. com a informação do número de audiovisuais. Amostra Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola . p 12 – 19. 32 – 37). 22 – 29. Monteiro e Brandão (2002. p 10 – 27. Monteiro e Brandão (2001. Monteiro e Brandão (1996. Monteiro e Brandão (2003. Quadro 01. 20 – 23. Monteiro e Brandão (1999. que compõem a amostra analisada. p 12 – 23.• Mostra Ver Ciência Sessões internacionais: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 de Monteiro e Brandão. Monteiro e Brandão (2004. (1995. 20 . p 24 – 41).

III. sinopse etc) contidas nos acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola. em Nacionais e Internacionais.2. III. Foi verificada a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total.3. III. o objetivo foi de aferir se sua constituição temporal é equivalente aos de outras áreas. Alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais.2.1.Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos a amostra foi dividida em duas grandes categorias de audiovisuais .Com informações adicionais (tipo de audiovisual. Esta divisão teve como intuito analisar se havia diferenças entre a produção nacional e a internacional. Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total.2.Didáticos e de Divulgação. Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total. das áreas do conhecimento e assunto destas publicações. um agrupamento só de vídeos de biociências.Os audiovisuais da amostra foram classificados. outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais. Para classificá-los como biociências utilizou-se palavras da sinopse. segundo o país de origem.2. Finalidade .1.1.2. Nacionalidade . que se ajustassem com as palavras 21 .1. Áreas do Conhecimento .III. Análise de Dados A partir das informações das finalidades do acervo. para se identificar os possíveis fatores que diferenciam esses audiovisuais quanto ao tempo de duração. do país em que foi produzido e da área de conhecimento.1. as amostras foram categorizadas e separadas. pôdese fazer para cada um dos acervos.

Ciências Agrárias. para cada um dos acervos. Por exemplo. enquanto outros tipos de audiovisuais forneciam as informações em minutos e/ou em minutos e segundos. 13 Disponível em: http://www. foi composto por audiovisuais de outras áreas. O banco de dados foi organizado utilizandose o minuto como sendo a unidade de tempo a ser referida. 4. Perfil de Tempo .2.br/areas/tabconhecimento/index. III. eles eram confrontados para dirimir eventuais dúvidas. na composição final do banco de dados. filmes forneciam informações sobre o tempo em metragem. Os audiovisuais da TV Escola.htm acesso em 27/01/2004 22 . Ciências da Saúde e 5. os quais não foram classificados. os resultados dessa divisão podem ser encontrados nos Apêndices B e C. Devido ao fato de alguns audiovisuais serem os mesmos nos dois projetos. Ciências Biológicas.Com a finalidade de organizar um banco de dados que pudesse fornecer informações. Considerou-se como biociências as áreas do CNPq: 2. em uma única forma. foi necessário trabalhar os dados originais de fontes de tipos diferentes de audiovisuais. páginas 103 e 104.cnpq.4.1. Assim. facilmente utilizáveis para esse estudo. O segundo agrupamento.das sub áreas do conhecimento da tabela de áreas do conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 13. já foram encontrados divididos em Meio Ambiente e Ciências. o tempo foi convertido para todas as fontes originais utilizadas não expressas em minutos (Quadro 02). Todos os resultados das distribuições de freqüências foram expressos como percentagem do total.

os valores iniciais e finais de cada classe são includentes (no caso da classe A. essenciais de serem exaustivas e mutuamente exclusivas. com duração de mais de 60 minutos.Quadro 02. Os dados resultantes desta 23 . Informação do Tempo dos Audiovisuais utilizados neste estudo. Este agrupamento em classes de cinco minutos foi definido após observação detalhada das distribuições de freqüências do banco de dados montado durante este estudo e visa uma homogeneização de resultados para facilitar a análise. 155). iniciando na Classe A. Não foram observados audiovisuais com menos de 30 segundos. p. com frações maiores do que 30 segundos inclusive. recomendados por Marconi e Lakatos (2002. Na realidade. e encerrando na Classe M. Os valores de tempo de duração encontrados foram arredondados para cima. com valores fracionados inferiores a 30 segundos exclusive. Desta forma a distribuição de freqüências se enquadra nos critérios. e para baixo. a classe A abrange audiovisuais de 0’30” até 5’29”. Fonte Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Ciências TV Escola – Meio Ambiente TV Escola – programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Tempo na fonte Metragem Metragem Minuto Minuto Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto Minuto Minuto Tempo no banco de dados Minuto Os resultados convertidos foram agrupados em 13 classes de cinco minutos de duração. a classe B de 5’30” até 10’29” e assim por diante. que vai de um até cinco minutos. Portanto. um minuto inclusive e cinco minutos inclusive).

em algumas amostras não há referência a todos os intervalos de classe de tempo. • Mostra Ver Ciência Sessão Brasil – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999. Curta duração: > cinco minutos e ≤ 15 minutos (Classes B e C). com 215 audiovisuais. Média-alta duração: > 40 minutos e ≤ 60 minutos (Classes I a L).análise são mostrados segundo a freqüência percentual de audiovisuais por classe. com 210 audiovisuais e (2) 1999 a 2003. página 102. com 135 audiovisuais. Média-baixa duração: > 15 minutos e ≤ 40 minutos (Classes D a H). As análises iniciais dos dados dos catálogos sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período de três acervos. com 204 audiovisuais e (2) 2000 a 2004. o conjunto de audiovisuais desses acervos foi dividido em dois períodos: • Festival Image et Science – os 10 anos do acervo foram divididos em qüinqüênios: (1) 1994 a 1998. as classes de tempo de duração supracitadas foram agrupadas nas seguintes categorias: • • • • • Curtíssima duração: ≤ cinco minutos (Classe A). A fim de estabelecer um padrão de análise. Longa duração: > 60 minutos (Classe M) Uma discussão mais detalhada dessa nomenclatura pode ser encontrada no Apêndice A. 24 . Devido ao fato do acervo ser heterogêneo. Para fins de suprir a necessidade de diferentes análises dos audiovisuais neste trabalho.

Segundo Kelvin (1987. III. π = população. 233). decidir se A1 ∈ π e A2 ∈ π. 25 . com 324 audiovisuais e (2) 2000 a 2004. A1 e A2. se ambas podem ser consideradas provenientes da mesma população”. é possível. O cálculo de U foi obtido pelas fórmulas: U1 = n1n2 + n1(n1 + 1)/2 – P1 U2 = n1n2 + n2(n2 + 1)/2 – P2.Após observação detalhada dos dados obtidos e tendo como referência Kelvin (1987). “dadas duas amostras. respectivamente. de tamanhos n1 e n2. ou mesmo nulas. Análise Estatística . Onde: U = estatística U de Mann-Whitney n1 = tamanho da amostra menor. optou-se pelo uso da estatística nãoparamétrica de Mann-Whitney (teste U).1. Onde: A1 = amostra 1. mediante a prova de Mann-Whitney. n2 = tamanho da amostra maior. isto é. A2 = amostra 2.• Mostra Ver Ciência Sessões Internacionais – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999. já que estes e os outros dados brutos foram agrupados em seqüência ordinal e porque alguns dos conjuntos de dados não tinham uma distribuição normal e/ou em algumas das classes desses conjuntos de dados havia freqüências menores que cinco audiovisuais.5. com 268 audiovisuais. p.2.

Os cálculos foram possíveis. acessado Assumida fortemente a hipótese de distribuição não-paramétrica da amostra. No projeto Discovery na Escola havia a proposta de fragmentação dos audiovisuais assim. Este teste usou o nível de significância como sendo.br/insecta_tv/Mann-Whitney. com o auxílio do programa GraphPad Prism 4 na distribuição de freqüência de cada classe. foi atribuído o valor de erro padrão (Se) e desvio padrão (Sd). que está disponível no endereço: em http://geocities. Este teste foi usado para verificar se duas variáveis que apresentam os resultados em classes ou categorias estão relacionadas (variáveis categóricas).05 no caso de distribuição normal.yahoo.P1 = soma dos postos da amostra menor. foi feito o teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov (KS).05 (5%). α = 0. todos os resultados das análises realizadas neste trabalho foram verificados através do teste de Qui-Quadrado para independência. Todos os resultados foram confirmados independentemente do tipo de variável. Os valores dos tempos de duração foram aproximados para minutos inteiros. graças à implementação de uma planilha no programa Excel 2000. Contou-se também o número de audiovisuais de 26 . com α = 0. conforme a metodologia supracitada e os números de fragmentos foram arredondados para valores inteiros. Foram estabelecidas as médias de tempo destes fragmentos em cada uma das classes. como rigor estatístico. P2 = soma dos postos da amostra maior.xls 26/07/2005. os 54 programas que compunham o projeto em 2004 foram agrupados por classe de tempo de 15.com. 30 e 50 minutos (esta última composta por audiovisuais de 50 até 60 minutos) e contados os números de fragmentos propostos pela equipe da Discovery em cada um destes audiovisuais.

devido a dinâmica do processo de contratação e dispensa. Amostra Esta parte da pesquisa se constitui num estudo de caso a partir do discurso dos professores de ciências do Ensino Fundamental e de biologia do Ensino Médio do Colégio Pedro II.2. genericamente indicado nos guias de apoio como “primeira e/ou segunda parte”. Seção 2 – Professores e Especialistas III.2. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III. os professores e professoras foram numerados de 01 até 33 e desta forma aparecerão citados nesta dissertação.50 minutos apresentados em duas partes. 27 . Os professores entrevistados estavam lotados nas seguintes unidades do Colégio Pedro II: • • • 14 Unidade Escolar Centro Unidade Escolar São Cristóvão II Unidade Escolar São Cristóvão III A instituição não foi capaz de informar o número exato de professores concursados licenciados.2. Por problemas de ordem pessoal dos professores ou de estrutura da grade horária não foi possível entrevistar os 54 professores. III. considerando cada uma das partes como fragmentos maiores que 20 minutos. sem levar em consideração o gênero (ei: Professor 12). três não prestaram a entrevista.1. Para preservar a autoria das entrevistas.1. localizado na cidade do Rio de Janeiro. A amostra de entrevistados corresponde a 61% (33) do total de 54 14 professores de biologia e ciências contabilizados pela secretaria geral da instituição como concursados e efetivos. Entre os 36 contatados. assim como o número de professores contratados.1.

p 94). Apesar da liberdade para perguntas. característica das entrevistas do tipo não-estruturadas. na entrevista não-estruturada “O entrevistado tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada.1.• • • • Unidade Escolar Engenho Novo II Unidade Escolar Humaitá II Unidade Escolar Tijuca II Unidade Escolar Realengo III. foi utilizado um roteiro de perguntas (tipo focalizado). Coleta e Análise dos Dados: A fim de investigar o discurso dos professores acerca da utilização dos audiovisuais científicos como recurso didático. como balizar para condução das mesmas. Roteiro: Você utiliza o audiovisual (vídeo) nas aulas? Em caso afirmativo: • • • • • • Com que freqüência? Qual o tipo de audiovisual utiliza (gênero)? De onde obtém o audiovisual (acervo)? Qual a fonte do audiovisual (origem)? Como utiliza o audiovisual? Quais as características favoráveis de um audiovisual para facilitar o seu uso no ensino? 28 . do tipo focalizada. Segundo Marconi e Lakatos (2002.2.2. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão”. foram realizadas entrevistas nãoestruturadas.

no caso o autor da tese. Esta determinação se mostrou perfeitamente viável. Seguia-se a apresentação do entrevistador. para a entrevista.Em caso negativo: • • • Quais os fatores que impedem o uso do audiovisual? Quais os fatores pessoais que poderiam facilitar o uso do audiovisual? Quais os fatores relacionados ao equipamento que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados às instalações que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados diretamente aos audiovisuais que poderiam facilitar o seu uso? As entrevistas foram agendadas. O agendamento das mesmas contou com o auxílio da chefe do Departamento de Biologia e Ciências. e era explanado o propósito da entrevista (para estudar aspectos do uso do audiovisual no ensino). foi procedimento aceito por todos os entrevistados. após o cadastramento do entrevistador e liberação junto a chefe do setor de pesquisa. individualmente. Nas unidades supracitadas. Eles eram convidados. uma vez que salas de professores são ambientes muito movimentados. 29 . extensão e cultura do colégio. assegurando o anonimato. os professores foram entrevistados na “sala dos professores”. professora Eliane Jorge. sempre se tomou o cuidado para que as entrevistas fossem individuais. Apesar de realizadas em ambiente coletivo. A necessidade de gravação das entrevistas. professora Denise Mano. ambiente que eles ocupam nos horários vagos ou de reunião.

III. Recomendação dos Especialistas As recomendações dos especialistas da área acerca do uso dos audiovisuais foram obtidas através de entrevistas com profissionais da área ou em publicações especializadas. podem ser encontradas as recomendações de uso feitas por 45 especialistas. Publicações digitais como fonte de dados: Na série de publicações “Como usar os vídeos da TV Escola” do número 01 (um) ao 06 (seis).2. foram analisadas as formas de uso dos 54 audiovisuais dos Guias de Apoio. 2001c e 2002).sendo literalmente impossível prestar atenção a uma conversa que ocorra a alguma distância. quatro produtores e três organizadores de acervos: 30 . 2001b.1. III. III.2. Foram entrevistados três difusores. 2001a. Entrevistas com Produtores.2.2. sendo dois da Mostra Ver Ciência e um do Festival Image et Science. desta forma o entrevistador pode explorar melhor os vários aspectos da produção. Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados: Esta parte da pesquisa contou com entrevistas não-estruturadas.2. Algumas das questões são abordadas quantitativamente nos resultados enquanto outras são analisadas qualitativamente na discussão. difusão e organização de acervos dos audiovisuais científicos.2. Aratangy (2000a. No Discovery na Escola. 2000b.2.

• SALDANHA. Produtora da série Expedições. Organizador dos acervos dos projetos Vale Vídeo e Vídeo Escola. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em: 2004. Henrique G. Entrevista concedida em: 2005. Paula. P. Entrevista concedida em 2004. Teresópolis. que é veiculada na Rede Brasil de emissoras educativas. Marlene. Organizadora de acervo de audiovisuais científicos. Lins e. além de curador da mostra Ver Ciência sessões internacionais e membro do júri do Festival Image et Science. • BARROS. José Renato. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em: 2005. Entrevista concedida em: 2004. Matthew. • DEMEULE. Ildeu de Castro. • MONTEIRO. Produtor da série Horizon da BBC. 31 . Rio de Janeiro. 2004. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em: 2005. Entrevista concedida em 02 set. Produtor independente. Annick. Rio de Janeiro. Diretora do Festival Image et Science. Curador da Sessão Brasil da Mostra Ver Ciência e Organizador do acervo do projeto Vídeo Escola. • BRANDÃO. Sergio. Rio de Janeiro. • MOREIRA. 2004. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em 01 set.• BARRETT. • BENCHIMOL. Produtor e gerente geral da empresa Vídeo Ciência.

1.Didáticos e de Divulgação – e verificar a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total (Tabela 01).1. busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica. RESULTADOS A primeira seção deste trabalho trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo. A segunda seção. IV. Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos foi possível dividir a amostra em duas grandes categorias quanto à finalidade dos audiovisuais .1. a partir de um estudo de caso. Seção 1 – Os Audiovisuais Científicos VI. a partir das informações disponibilizadas em catálogos próprios ou em publicações especializadas.IV. 32 . Finalidade e Origem Os audiovisuais dos 10 acervos que compõem a amostra foram a princípio caracterizados quantos à sua finalidade e origem.

66 36. Os programas de ciências da TV Escola foram divididos em dois agrupamentos: o primeiro continha 1081 audiovisuais sobre ciências.356 audiovisuais).92 16.15 2.28 Acervos Audiovisuais (n) (%)* 63. Categorização dos Acervos de Audiovisuais. Os programas de meio ambiente da TV Escola. foram divididos os acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola.60** Divulgação Festival Image et Science Mostra .programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola TOTAL 08 164 396 78 83 1. gerando dois subconjuntos de respectivamente 281 audiovisuais sobre meio ambiente internacionais e 76 audiovisuais nacionais.356 3.72 3. também foram separados assim.Ver Ciência TOTAL TOTAL GERAL 02 10 425 931 1. e o segundo continha 105 audiovisuais produzidos no Brasil. Categoria por Finalidade Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola . ** Percentuais calculados com relação ao total geral (n = 3. A análise da origem dos audiovisuais mostrou que alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais. gerando os seguintes sub- 33 .40** 100.34 68. produzidos em outros paises.07 2.29 3.50 50.725 audiovisuais).00** * Os percentuais foram calculados com relação ao total de cada categoria: Didático (n = 2.369 audiovisuais) e Divulgação (n = 1.186 357 51 54 2.06 15. outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais (Tabela 02).725 31. segundo a Finalidade.369 6.Tabela 01. Da mesma forma.

A Tabela 03 a seguir mostra os números e freqüências totais dos conjuntos de audiovisuais analisados nesse estudo.88 100.013 400 591 94. ** A soma dos totais de audiovisuais nacionais e internacionais não corresponde ao total geral devido a não caracterização da origem dos acervos da TV Escola .85 21. segundo sua origem (nacional e internacional) e a finalidade do acervo (didático ou de divulgação).Programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola 396 31 40 105 76 100.conjuntos: 31 audiovisuais nacionais e 47 internacionais no acervo da Vale Vídeo e 40 audiovisuais nacionais e 43 internacionais no Vídeo Escola.17 1.081 281 54 60.71 100.83 2.00 0. Audiovisuais dos Acervos Didáticos e de Divulgação segundo sua Origem.725** * Na Tabela 100% correspondem ao total de cada acervo.29 47 43 1. Tabela 02.19 8. por falta de informações nas fontes consultadas.12 99.00 39.81 91.497 425 339 592 3. 34 .00 164 396 78 83 1186 357 51 54 Divulgação Festival Image et Science Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil Mostra Ver Ciência – Sessão Internacional Total** 25 339 1 5.26 51.programa Vendo e Aprendendo e da Filmoteca do Departamento de Educação do DF.15 78.74 48. Acervos (n) Categoria por Origem Nacionais (%) Internacionais (n) (%) Total* Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola .

53) Internacional (%) 1506 (47. Entretanto. segundo sua Finalidade e Origem.00) Total n (%) 1.497 (67.79) Internacional (%) 1.Tabela 03.506 (40.40) 3.356 (42. dos quais os professores não podem dispor.03) 215 (5. Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 648 (17.61) 0 (0.356 (36.49) 2. Para possibilitar a discussão desses resultados mais adequada à realidade foi necessário retirar os acervos de difícil acesso.77) 0 (0. a 35 .369 (63.16) 1. A análise do conjunto de resultados mostra que a maior parte (n = 1.96) 365 (11.60) Indeterminada (%) 215 (5.60) 1.16%) dos audiovisuais de acervos acessíveis aos professores é de cunho didático.31) Indeterminada (%) 51 (1.58) 991 (31.497 (78.165 audiovisuais).725 Total 1.84) 3.40) 365 (9.165 Total 617 (19. Total de Audiovisuais.19) 2. A Tabela 04 mostra os resultados gerais apenas dos acervos atualmente de fácil obtenção pelo professor interessado.61) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra de acervos audiovisuais de fácil acesso pelos professores (n = 3.725 audiovisuais). Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 252 (7. Audiovisuais.809 (57. o que poderia facilitar o uso em sala de aula (Tabela 4).809 ou 57. Tabela 04.89) 51 (1.43) 991 (26.77) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra (n = 3.013 (27. segundo sua Origem e Finalidade. Esses resultados mostram a visão cumulativa do perfil dos acervos que os professores brasileiros tiveram ao seu dispor nas últimas seis décadas.00) Total n (%) 2. descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE).

em didáticos ou divulgação. o que sugere boas chances do professor ter ao seu dispor um material descontextualizado. não podemos afirmar ser um representativo de material internacional à disposição do educador brasileiro do início do século XX. não nos dão indícios de suas nacionalidades. IV.grande maioria (n=2. Desta forma temos o perfil de distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais da Filmoteca a seguir (Figura 02). por sua generalidade. nacionais e/ou internacionais.1. distante da realidade dos alunos. Os títulos: Pingüins e Focas da Costa da Patagônia. sugerem que esses audiovisuais foram obtidos de produtoras internacionais especializadas em audiovisuais educativos.89%) desses mesmos acervos é de origem internacional. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal A Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro) foi escolhida por conter o primeiro registro histórico encontrado (anterior à década de 40) de audiovisuais usados na educação no Brasil.497 ou 78. Assim. 2. 36 . entre outros. Entretanto. Energia Solar e Répteis. os acervos assim classificados foram analisados quanto ao tempo de duração. Perfil de Duração A partir da caracterização dos audiovisuais da amostra.1.2. muitos outros títulos tais como: Força a Vapor. A Pesca do Bacalhau. como por exemplo a De Vry School Films Incorporated. Arganás.1. Esta entidade organizou um sistema de cooperativa para servir às escolas públicas e particulares com audiovisuais para o propósito educativo. IV.

2. dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (n = 164). em sua maioria de curta duração. com a classe modal 15 sendo a C.1. Até esta classe existe uma concentração de 95. sendo que a maioria dos 15 Classe modal é a classe com a maior freqüência. ou seja. Freqüência percentual por classe de tempo. pág. Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) O Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). nos seus 31 anos de atividades. Os dados apresentados correspondem a informações anteriores à década de 40. e teve como primeiro diretor Edgar Roquette-Pinto (1884-1954). De fato a Figura 02 mostra que ocorre uma concentração em tempos muito curtos. de cunho didático (ver Introdução – Tempo no Ensino. este acervo caracteriza-se fortemente como sendo composto de audiovisuais de curta duração. 37 .12% da freqüência (audiovisuais de curta duração veja Apêndice A.2. Portanto. produziu 401 audiovisuais.35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 >20 Classe de tempo em minutos B C D A E Figura 02. 102). IV. pág 14).

assim como supracitado. Schvarzman (2001. este perfil de tempo caracteriza. na França e na União Soviética”. disponibilizado para as instituições de ensino. Como referido para o acervo anterior. 2002. dos audiovisuais produzidos no INCE. p. p. 108). tempo de duração igual ou inferior a 15 minutos (Figura 03). Sobre o INCE.audiovisuais foi produzida por Humberto Mauro (1897-1983). “Até 1942. o que. 38 . caracteriza um acervo didático. um acervo com fins didáticos. o INCE já havia projetado audiovisuais em mais de 1000 escolas e instituições culturais” (SIMIS. como acontecia no mesmo momento na Alemanha. que procurou fazer do cinema um veículo de educação. 120) diz que é uma “instituição oficial criada em 1936. A classe modal é a B (06 – 10 minutos). Os audiovisuais produzidos pelo INCE possuem uma concentração (81. 40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 >35 A Classe de tempo em minutos B C D E F G H Figura 03. e dessa forma o INCE é o representativo do material audiovisual com finalidade didática da produção nacional.56%) até a classe C. segundo a bibliografia especializada. no período 1936 – 1966 (n = 396). na Itália. Freqüência percentual por classe de tempo.

o projeto Vale Vídeo abrangeu 196 municípios e 300 escolas. O compromisso do Vídeo Escola era o de querer aprender. do Vídeo Escola e apresenta uma seleção de 78 audiovisuais. Vale Vídeo Coordenado por Marcelo Garcia e José Renato Monteiro e desenvolvido a partir de 1989 pela Fundação Roberto Marinho. Neste acervo. o Projeto Vídeo Escola tem. em uma parceria da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e da Fundação Roberto Marinho. Segundo Vídeo Escola (1996. e envolvia nove milhões de alunos em todo o Brasil. mais nova e localizada. entrevista) “Um material fundamentalmente de estimulação.3.2. sendo a classe modal em B (Figura 04). com 470 vídeos. em 1994 o projeto já dispunha de uma seleção de 101 fitas. 96-97). distribuídos em 14 fitas.89%) nas classes até 15 minutos (de A a C). para serem utilizados no ensino (da 1ª a 8ª série) e uma para a capacitação dos professores. atendendo a 150 mil alunos e cinco mil professores da região de influência da CVRD. Então era um material de extrema atratividade”. os audiovisuais concentram-se (85.1. p. segundo Monteiro (2005. com o apoio da Fundação Banco do Brasil. O projeto Vale Vídeo é uma versão. O que mais uma vez caracteriza um acervo de audiovisuais didáticos.IV. Desenvolvido em 1994. de predisposição e de incitamento à aprendizagem. 39 .

pág.40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 04. 103) e demais áreas (Figura 05). A disponibilidade de informações relativas à área de atuação de cada audiovisual permitiu agrupar os audiovisuais em duas subcategorias: biociências (Apêndice B. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo (n = 78). 40 .

Entretanto. Freqüência percentual por classe de tempo. como não são diferenças drásticas foi aplicado o teste de Mann-Whitney (Tabela 05) para testar a hipótese de constituírem perfis semelhantes. quando comparado com os de outras áreas. do projeto Vale Vídeo.50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas % Audiovisuais Classe de tempo em minutos B C D 06-10 11-15 16-20 21-25 E Figura 05. n = 37). 41 . n = 41) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo. e os de biociências foi observado uma moda na classe B de biociências e uma menor concentração nas classes A e D. (n = 78). Com relação às diferenças encontradas entre os audiovisuais de ciências. dos audiovisuais de biociências (em quadriculado. como um todo. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de vídeos de todas as áreas.

n = 47). do projeto Vale Vídeo.72 U 808. ao nível ordinal.5 1669. Hipótese Alternativa : Outras áreas ≠ Biociências. ou seja. efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U). n Outras áreas Biociências Mann-Whitney U p bicaudal 37 41 808. n = 31) e audiovisuais internacionais (cinza escuro. do projeto Vale Vídeo. As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram este acervo como misto.6191 Hipótese Nula mantida Os resultados da comparação entre os audiovisuais de biociências e os das demais áreas do conhecimento confirmam a hipótese de não haver diferenças significativas entre os dois (Tabela 5). Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais (incolor.5 708.5 Soma dos Postos 1411.15 40.5 0.5 Posto Médio 38. 42 . 40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 Classe de tempo em minutos A B C D E Figura 06. Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências. contendo produções nacionais e internacionais (Figura 06).Tabela 05.

sendo 14 fitas para exibição. para esta comparação. voltada para a educação. 43 . é igual a internacional (Figura 06). IV. E quando comparado com o seu projeto irmão resulta em um p bicaudal igual a 0. é uma compactação do projeto original em 15 fitas.0852. A análise do perfil de tempo mostra. Vídeo Escola O projeto Vídeo Escola de 1998.4. nesse projeto. resultou em p bicaudal igual a 0.2.54%) de audiovisuais até a Classe C (Figura 07). aceitando a hipótese nula. O teste estatístico. assim como o Vale Vídeo. mantendo assim a hipótese de semelhança (hipótese nula). com 83 vídeos e uma para capacitação dos professores. uma maior concentração (85. a produção nacional de audiovisuais de ciências.1. Por ser um projeto “irmão” ao Vale Vídeo e que teve em seu quadro os mesmos consultores.0607. podemos fazer as mesmas análises. também para este acervo.A análise do perfil de tempo mostra que.

7077 mantendo a hipótese nula. D e E (Figura 08) apresentam uma menor representatividade percentual dos audiovisuais de biociências. não foram transformações consideráveis. O teste de Mann-Whitney (teste U) resultou em p bicaudal igual a 0. 104) e das outras áreas de ciências mostra uma prevalência da primeira subcategoria na classe C. B. pág. Entretanto.40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 07. A comparação entre os audiovisuais de biociências (Apêndice C. uma vez que não há diferenças significativas entre os dois conjuntos de dados. Já as classes A. Este acervo também foi dividido em subcategorias de acordo com a área do conhecimento. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola (n = 83). 44 .

do projeto Vídeo Escola. de origem mista. Freqüência percentual por classe de tempo. (n = 83). dos audiovisuais de biociências (em quadriculado. contendo audiovisuais nacionais e internacionais (Figura 09). As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram também este acervo.50 45 40 % Audiovisuais 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 08. n = 42) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo. n = 41). 45 . O gráfico inserido representa a distribuição percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas.

O teste estatístico. aceitando a hipótese nula. A Figura 09 mostra que.9598. a TV Escola é um canal de televisão dedicado aos educadores e alunos do ensino fundamental e médio. Freqüência percentual por classe de tempo. n = 43). TV Escola Programação de Ciências Levado ao ar de forma definitiva em quatro de março de 1996. resultou em p bicaudal igual a 0. dos audiovisuais nacionais (incolor.5. IV.2.40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 09. novamente semelhante ao Projeto Vale Vídeo (Figura 06). Sua finalidade é contribuir para a melhoria da educação e seus objetivos principais 46 . do projeto Vídeo Escola. a produção nacional tem o mesmo perfil de tempo que a internacional. para esta comparação. sob atribuição da Secretaria de Especial de Educação a Distância (SEED).1. n = 40) e dos audiovisuais de outros paises (cinza escuro.

9% desse segmento da rede pública brasileira. disponível em: http://www. nesse acervo. existe uma concentração até 15 minutos (68. A abrangência. o que representa 91. os audiovisuais de média-baixa duração Texto baseado no relatório da TV Escola 1996-2002.gov. os kits tecnológicos necessários para a captação do sinal e gravação dos programas da TV Escola são adquiridos com recursos do Ministério da Educação e Cultura (MEC).zip acesso em 10/5/2004 16 47 . Veiculada por satélite. com mais de 100 alunos. com a classe modal em B (Figura 10). estas características sugerem uma composição mista de tempo neste acervo. Diferentemente dos acervos anteriormente analisados.96%). Além do material que é produzido com os recursos próprios.são auxiliar no desenvolvimento profissional dos professores e gestores. A análise do perfil de tempo mostra que. em pouco tempo se alcance mais de 35 milhões de alunos e mais de 1. Enquanto audiovisuais de curtíssima (< 5 minutos) ou curta duração (≥ 5 e < 15 minutos) caracterizam o fim didático. com a entrada da Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec) em parceira da SEED. Entretanto. A expectativa do projeto é que. direitos de exibição de programas educativos de produtoras de reconhecida competência e qualidade nesta área 16. enriquecer o processo de ensino-aprendizagem e incentivar a aproximação escola-comunidade. Até 2002 a TV Escola já havia sido instalada em 57. no país e no exterior. a programação é composta por audiovisuais distribuídos majoritariamente entre as classes A e F (96.45 milhão de professores. em sinal digital.395 escolas públicas de ensino fundamental. a SEED adquire. entre o ensino médio e o fundamental.mec.br/seed/tvescola/RelatoriosAtividades/Relatório%20da%20TV%20Escola%201996%20200 2. a diversidade de audiovisuais e a especificidade da área apontaram para a necessidade de inclusão deste recorte do projeto didático nas análises.80%).

neste acervo são encontrados audiovisuais com características de divulgação científica. (n = 1186). TV Escola/MEC e Secretaria Extraordinária de Programas Especiais do Estado do Rio de Janeiro. foi possível verificar que apenas duas produtoras. no período 1996 – 2002. Portanto.(>15 e ≤40 minutos) caracterizam produtos usados para suprirem as grades 17 horárias das redes de televisão. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais da TV Escola. Com as informações do catálogo. apesar de ter por finalidade o uso didático.81%) do Grade é o nome usado no meio televisivo para identificar os intervalos de tempo que cobrem cada um dos programas no período de programação da emissora. 30 25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 10. foram responsáveis pela produção da maioria (69. 17 48 .

a produção nacional de audiovisuais de ciências. Por outro lado. Freqüência percentual por classe de tempo. é significativamente diferente da produção internacional (Figura 11). no período 1996 – 2002. quanto ao perfil de tempo. o material internacional foi produzido por 39 entidades. 30 Nacionais Internacionais 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 11. O teste estatístico para esta comparação resultou em p bicaudal igual a 0. n = 105) e dos audiovisuais internacionais de ciências (cinza escuro. dos audiovisuais nacionais de ciências (incolor. voltada para a educação. A comparação entre o material nacional e internacional. 49 .0051. nesse projeto. rejeitando a hipótese nula.material nacional. n = 1081) apresentados na programação da TV Escola. mostra que. algumas delas especializadas em audiovisuais didáticos.

O perfil de tempo deste acervo é semelhante ao encontrado para o acervo “TV Escola Programação de Ciências”. 50 . se concentra nas classes C e D (classe modal). Este acervo também se caracteriza por uma distribuição de audiovisuais entre as classes A e F (93. por conter um número muito maior de audiovisuais.1. IV. é a responsável pelo perfil misto de tempo do acervo como um todo (Figura 10). enquanto a internacional se concentra nas classes A e B (classe modal). TV Escola Programação de Meio Ambiente A análise da programação de meio ambiente guarda similaridades com a de ciências. existindo uma concentração (68. sendo que na produção nacional existe uma variedade maior de produtoras. neste segmento.35%) até 15 minutos (Classe C).2.A Figura 11 mostra que a produção nacional.6.28). A Figura 12 mostra este perfil com duas concentrações distintas. A produção internacional também é expressiva nas classes E e F e.

30 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46--50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 12. os dois acervos têm uma concentração de audiovisuais em tempos de até 30 minutos e duas concentrações de tempos de duração (curta e média-baixa). (n = 357). o que descarta a hipótese nula. dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola.0322. no período 1996 – 2002. p bicaudal igual a 0. A comparação estatística. 51 . (Figura 13) mostrou que os conjuntos Nacional e Internacional dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola contêm diferenças significativas. Comparando os audiovisuais da TV Escola de Ciências e TV Escola de Meio Ambiente (Figuras 10 e 12) obtemos o p bicaudal igual a 0. Freqüência percentual por classe de tempo. Apesar das diferenças.0002.

se concentra nas classes B (classe modal) e C.2.35 30 25 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 13. n = 281). IV. B e C. o conjunto Internacional tende a ser o responsável pelo perfil geral (Figura 12) por conter um número de audiovisuais cerca de quatro vezes maior que o conjunto Nacional. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente (incolor. n = 76) e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente (cinza escuro. A Figura 13 mostra ainda que a produção nacional. nos quais. para esse projeto.Programa Vendo e Aprendendo São programas produzidos pela TV Escola para capacitação de professores do ensino fundamental. apresentados na programação da TV Escola. após a exibição de um ou de mais audiovisuais 52 .1. Novamente.7. TV Escola . no período 1996 – 2002. enquanto a mundial se concentra na A (classe modal).

Os 45 professores e especialistas convidados fizeram 71 propostas (alguns participaram mais de uma vez. Baseado nesses programas. o audiovisual foi dividido em partes a serem exibidas em dias distintos.87%) das 71 propostas fragmentaram de alguma forma os audiovisuais. sendo que destas. É interessante ressaltar. que foram distribuídas nas escolas de alcance do projeto. descontando as sobreposições. Também são apresentados alguns trabalhos que esses professores já haviam realizado com seus alunos. onde nos seis primeiros volumes.61%) propostas fragmentavam o audiovisual com o uso de paradas. respectivamente de 22 e 23 minutos. em edições distintas e sobre audiovisuais distintos).22%) fragmentavam os audiovisuais. 37 (82. dirigidas aos alunos da pré-escola até a 8ª série.sobre um determinado tema. No total. professores e especialistas convidados discutem seu conteúdo sugerindo formas para explorá-los em sala de aula. 48 (67. 56 (78. que mesmo em vídeos curtos. 53 . para o uso dos vídeos em sala de aula. Em três (4. Nestas propostas pôde-se identificar o uso fracionado do audiovisual em recomendações como: “use a pausa”. a TV Escola lançou uma série de publicações com o mesmo nome dos programas. Entre os 45 consultores. os audiovisuais eram cortados (editados).23%) propostas. “pare o vídeo” etc. essas paradas eram indicadas. No único caso em que se diminuiu a duração de um audiovisual médio-baixo foi quando dois audiovisuais. Em cinco (7. foram exibidos em uma única aula e assim a consultora indicou o corte do segundo. desenvolvem as recomendações dos professores e especialistas. A Figura 14 apresenta a distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados.04%) propostas. com tiragem de 110 mil exemplares cada.

n = 51. O acervo do Programa Vendo e Aprendendo possui representatividade de audiovisuais na classe curta (de A a C). no período 2000 – 2001.25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 14. Este perfil (Figura 14) sugere um acervo misto. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola. possuindo um conjunto de audiovisuais de característica didática e outro de audiovisuais mais longos. 54 . na classe média-baixa (de D a H) e na classe média-alta (de I a L). Os dados disponibilizados não continham referência ao país da produção impossibilitando a classificação dos audiovisuais em nacionais ou internacionais. que são características de produtos de divulgação usados pelas emissoras de televisão.

na América Latina. estarem ligados ao projeto. em pelo menos 1. em propaganda institucional. apresentando inserções de comentários e não apresentam inserções de propagandas. produção exclusivamente internacional. Há dez anos nas operadoras de TV por assinatura no Brasil.shtml acesso em 19/12/2004 18 55 . da programação Discovery na Escola até um ano depois da data da última exibição do programa.discoveryenlaescuela.1. ter a melhor programação do mundo para o segmento de divulgação científica. já alcançou mais de 1.8. O projeto outorga aos professores os direitos de gravação e utilização em salas de aula. das 07:00h às 08:00h. Panamá. Os programas são especialmente editados para o uso didático. Originalmente veiculado de segunda à sexta feira. Espanha e Portugal.com/port/preguntas_frecuentes. e logo se estenderá à Colômbia. em 2005. tanto públicas como particulares. mesmo as institucionais. México. das 11:00h às 12:00h.IV.5 mil escolas. Costa Rica. Discovery na Escola Lançado em 1997. Curaçao. necessariamente. O projeto já está funcionando no Brasil. Chile. o projeto Discovery na Escola. passou a ser veiculado. Equador. Venezuela. Apesar dos números divulgados pelo projeto. E o projeto Discovery na Escola utiliza uma seleção dos programas veiculados por essa emissora. Há ainda os que utilizam outros programas da emissora que nem ao menos fazem parte do Texto baseado em informações disponíveis em: http://www. é de se relevar os incontáveis educadores que acabam utilizando esse material sem.2. a Discovery afirma. cujas escolas façam parte do projeto. de segunda à sexta feira. as instituições educativas e o Discovery 18.7 mil professores e mais de 500 mil estudantes. Argentina. Os professores são treinados pessoalmente através de um acordo entre as operadoras de TV por assinatura.

A distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados no projeto. Observa-se. Os programas do projeto Discovery na Escola são editados apenas para a inserção dos comentários. fica evidente a necessidade de incorporar esse material na análise. ou seja. uma nítida diferença em relação aos outros projetos didáticos. no ano de 2004. Desta forma. dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola. mostra uma concentração de 64. K e L (média-alta duração).projeto. n = 54. Freqüência percentual por classe de tempo. 56 . designadas nessa análise como de 50 minutos e 31.82% dos programas nas classes J. portanto. 40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 0 6 -1 0 1 1 -1 5 1 6 -2 0 21-25 2 6 -3 0 3 1 -3 5 3 6 -4 0 41-45 4 6 -5 0 5 1 -5 5 5 6 -6 0 >60 C la s s e d e te m p o e m m in u to s A B C D E F G H I J K L M Figura 15. no ano de 2004. até a classe C.48% na classe F (Figura 15). pois apresenta apenas dois audiovisuais com fins de utilização no contexto educacional.

44%) restantes foram de alguma forma segmentados.43) minutos. Os 51 (94. dos 54 programas analisados. A Figura 16 mostra o exemplo de segmentação proposta para o uso de um desses audiovisuais. Três deles foram apresentados inteiros. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15min Figura 16. cada um com uma duração média de 9. Todos os 17 audiovisuais tinham em torno de três a quatro segmentos (n total = 59). representam os segmentos propostos pela equipe da Discovery. Cada segmento tinha uma duração média de 20 (20. Os 35 audiovisuais de 50 minutos tinham uma média de três (3.75 e Se 1. com uma duração média de 7. As linhas em baixo da linha de tempo. para trabalhar os conceitos selecionados.14) segmentos (n total de segmentos = 110). portanto com sobreposição.Apesar do tempo dos audiovisuais serem mais longos. para completar um período de 60 minutos. o programa “Tudo sobre Límulos”. A barra mais grossa representa a linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos. dois audiovisuais de 15 minutos foram apresentados de forma fragmentada. 57 .64 minutos (Sd 8. apenas três eram propostos que fossem assistidos inteiros e eram audiovisuais de 30 minutos. Como um exemplo da forma proposta para o uso.14 – Ver Metodologia. sendo que 18 deles foram fragmentados em duas partes. pág 26). Possuíam a média de quatro segmentos cada. Dezessete audiovisuais de 30 minutos foram apresentados de forma fragmentada e aos pares.50 minutos.

IV. em seu primeiro colóquio sobre “Audiovisuel et connaissance de la science”. e tem como meta principal “oferecer aos pesquisadores e aos profissionais de mídias. p. Tendo como pátria mãe a França. de diálogos. acomodou o primeiro Festival Internacional de Emissão Científica de Televisão. do cineasta Roberto Rossellini. Este fórum contou. ele agora esta sob a égide do CNRS e do Conselho Internacional do Cinema da Televisão e da Comunicação Audiovisual da UNESCO. Fórum de debate de questões essenciais relacionadas à difusão da ciência. 58 .Uma vez verificada a distribuição não normal. com a presença de Jean Painlevé. presidente do Comitê Internacional do Filme Etnográfico e Sociológico.2.9. não se tem o valor de desvio e do erro padrão. de Jean Rouch. Um modelo de inspiração. espaços privilegiados de descobertas.1. Desde 1989 retornou definitivamente à França. entre outros. também conhecido como Image et Science. e desde 1990 tem como local físico das suas projeções nada menos que a Torre Eiffel. 2003. presidente fundador da Associação Internacional do Cinema Científico. Festival Image et Science Organizado pelo Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) em 1976. já em seu ano inicial. o Rencontres internationales de l’audiovisuel scientifique. também conheceu o exílio por meia dúzia de anos na Itália e mais um par de anos nos Estados Unidos. tradução nossa). agora o Image et Science serve como referência às seguintes manifestações associadas: • International Scientific Film Festival (Beijing Festival) – China. de confrontação e de projetos” (DEMEULE. diretor da criação artística e literária da Unesco. de Enrico Fulchignoni.

Hoje é cobiçado como uma vitrine de excelência por produtoras de peso em audiovisuais científicos. De um modo geral. computado como individual. com tempos de duração próximos a 30 min. em 425 audiovisuais 19. sendo desta forma um bom representativo da composição temporal deste segmento da produção audiovisual mundial. Os audiovisuais independentes apresentados em bloco foram separados e seu tempo de duração. WGBH. Channel Four. Colômbia e Equador. TV Cultura. As classes E e F. tais como: Télé-Québec. Chile. France 3. os programas. representam 30. gráfico inserido) mostra que ocorrem duas concentrações: uma nas classes E e F e outra maior nas classes a partir da I. Ver Ciencia . Este é um dos padrões de tempo utilizados nas grades de programação das emissoras comerciais e de muitas públicas. Verdere la Scienza – Itália. os quais são normalmente apresentados na grade de programação com outro programa de meia hora.. Voir la Science – Iran. ZDF. France 5.• • • • • Ver Ciência – Brasil. 19 59 .Bolívia. Téléscience – Canadá. Discovery Channel. TV Globo. ficando muitas vezes com 25 ou 26 minutos. Nos últimos dez anos o festival exibiu a melhor seleção da produção de 59 países. TV Ontário. National Geografhic. BBC.12% da produção. A análise do conjunto de audiovisuais desse acervo (Figura 17.. são editados para que se caiba a propaganda. NHK. France 2. São estes os programas de meia hora. tendo os espaços supridos com propaganda de patrocinadores e/ou institucionais perfazendo a hora inteira da grade. que abrangem os tempos entre 21 e 30 minutos. Deutsche Welle.

a classe K é a maior. já que estes programas podem ser facilmente editados para aproximadamente 40 minutos e. Podemos estender esta abrangência para englobar as classes de I até L. que representam 32.47% da produção (Figura 17. nos qüinqüênios 1994-1998 (quadriculado cinza. com 22. Freqüência percentual por classe de tempo. Nestas “classes de hora inteira”. com tempos entre 46 e 55 minutos. dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science. ou seja. gráfico inserido). perfazendo 48. no período 1994 – 2003. Uma segunda concentração encontrada abrange as classes J-K. suprir o tempo de hora inteira da grade de programação. junto com as propagandas. n = 215).25 25 20 1994-1998 1999-2003 20 15 10 5 % Audiovisuais 15 0 AB C D E F GH I J K LM 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 17.94% da produção. de 41 até 60 minutos.12% do total de 60 . No gráfico inserido. n = 425. n = 210) e 1999-2003 (tracejado. freqüência percentual de todos os audiovisuais.

sendo que muitas já não existem mais. acaba por pressionar a produção para se adequar a esse modelo. de 1997. cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho e dois da Futura/Fundação Roberto Marinho. as produtoras. A produção de qualidade brasileira vem mostrando uma perenidade. nos levaram a separar o decênio analisado em dois qüinqüênios. Dos dois da Futura//Fundação Roberto Marinho. nove eram da TV Cultura de SP. a metodologia contou como um só documentário “O Minuto Científico”. Todos os programas brasileiros veiculados no festival no último qüinqüênio foram das classes comerciais E e F. Dos cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho. ficam presas a esse padrão. Assim. em última instância. com uma primeira classe modal em F e uma segunda classe modal em K. com pelo menos um produto de excelência por ano (ver Apêndice D. 20 Para este cálculo. C e G. um era da série Globo Ciência. As redes de televisão estão presas a uma grade de programação que dita o tempo de duração dos programas por elas veiculados e. 105). Indícios de modificação deste perfil. Dos 16 audiovisuais. A Figura 17 mostra que ocorreu uma diminuição de audiovisuais das classes A. quatro eram da série Globo Ciência e um da Globo Ciência Saúde. F. I e J. 61 . e um aumento das classes E. que em muitos dos casos são as próprias emissoras.audiovisuais apresentados. pertencentes a várias séries. A distribuição de freqüências é do tipo bimodal. que passou a ser veiculada também por essa emissora. ele ocupa a 7ª posição no ranking dos 59 países participantes. Com 16 audiovisuais apresentados de uma forma bem distribuída pelo período. ao longo do período de veiculação desse acervo. Uma análise sobre a constituição dos países participantes do Festival mostra que o Brasil 20 faz parte do seleto grupo dos dez países que participaram com mais de dez audiovisuais nestes dez anos. pág.

tanto da Sessão Brasil. O perfil de tempo dos dois períodos analisados na Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil apresenta dois eventos marcantes. Também as análises iniciais dos dados dos catálogos da Mostra Ver Ciência sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período. numa realização da Associação Internacional Ver Ciência (AIVC) com o Centro Cultural Banco do Brasil/Rio. os acervos. O Projeto está sendo desenvolvido com este formato há dez anos. nessa dissertação. Florianópolis. vem exibindo semanalmente os melhores programas das mostras Ver Ciência dos anos anteriores. por questões operacionais.10. junto com a rede educativa. A TV Cultura. que vem contando. com o patrocínio nacional da Petrobrás e com o apoio do Ministério da Cultura. O primeiro é que existe duas 62 . o Ver Ciência reúne produções de divulgação científica nacional e de diferentes partes do mundo. A mostra conta com a exibição integral dos documentários em 11 instituições parceiras do projeto no Rio de Janeiro e em mais cinco instituições em outros estados. Mostra Ver Ciência . e o curador internacional é Sergio Brandão. foi dividida em Sessão Brasil e Sessões Internacionais.Sessão Brasil Coordenado por Sergio Brandão e José Renato Monteiro. O Ver Ciência. dentre as quais estão Vitória. Porto Alegre. Assim. foram divididos em dois períodos de cinco anos. quanto da Internacional. passando por 16 cidades brasileiras. e é associado ao Rencontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique – "Image et Science".1. que também é membro do júri do Image et Science. São Paulo.IV. Campo Grande e Curitiba.2. desde 1996. Estes audiovisuais também são veiculados na TV Escola e são bons representantes da produção nacional neste segmento. O curador da mostra nacional é José Renato Monteiro.

22%. ou seja. enquanto as classes E e F tiveram um aumento (Figura 18). Gráfico inserido 1999-2004 (n = 339) Apesar da facilidade de produção e diversidade de uso.58%. n = 135). As classes E e F aumentaram em. uma na classe A (classe modal) e a outra nas classes E e F. respectivamente.22% do total para 22.112. O segundo fato é que a classe A sofreu uma diminuição no último qüinqüênio. 40 35 30 1994-1999 2000-2004 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 35 30 25 20 15 10 5 0 AB C D E F GH I J K LM 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 Classe de tempo em minutos C D E F G H I A B J K L Figura 18.61% e 60. n = 204) e 2000-2004 (tracejado. 63 . a representatividade dos audiovisuais da classe A passou de 39.65%.concentrações de audiovisuais. o que sugere um esforço no sentido de satisfazer as exigências das grades horárias das redes de televisão. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza. uma queda de 56.

11. no segmento de audiovisuais voltados para a divulgação da ciência. as sessões internacionais do Ver Ciência são um bom representativo da produção internacional. na categoria de média-alta duração (a partir da classe I). dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza. outra na classe F e.IV. a maior. n = 324) e 2000-2004 (tracejado. 25 20 15 1994-1999 2000-2004 20 10 5 % Audiovisuais 0 A B C D E F GH I J K LM 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 19. com uma representatividade de 50.84% dos audiovisuais desse acervo.1. n = 268).Sessões Internacionais Com um total de 592 audiovisuais representando 49 paises. Uma concentração de audiovisuais pode ser observada na classe B. Mostra Ver Ciência .2. Freqüência percentual por classe de tempo. 1994-2004 (n = 592) 64 . O perfil das Sessões Internacionais apresenta três concentrações quanto ao tempo de duração (Figura 19). Gráfico inserido.

por Decreto Imperial. ocorrendo o oposto no Image et Science.2. esta prática foi analisada a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação. IV. Posteriormente.1. Isso se deve ao fato do Ver Ciência conter alguns programas que não se enquadraram nas exigências do Image et Science. buscamos verificar o discurso do professor do Colégio Pedro II acerca da utilização do audiovisual científico como recurso didático.2. se compararmos as Figuras 17 e 19 podemos observar que o Ver Ciência .O perfil do Festival Image et Science não é significativamente diferente do encontrado na Mostra Ver Ciência . Este conjunto de resultados sugere a existência de diferenças entre os padrões de tempo dos audiovisuais de divulgação e aqueles voltados ao ensino. Mas.4348). de acordo com o teste estatístico (p bicaudal igual a 0. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II O Colégio Pedro II foi fundado em 2 de dezembro de 1837 e oficializado. Consagrado até a década de 50 como “Colégio Padrão do Brasil”. em 20 de dezembro do mesmo ano. já que neste último. Mesmo após mais de 1. Seção 2 – Professores e Especialistas Uma vez caracterizado o perfil de tempo dos audiovisuais (audiovisuais de projetos didáticos e de divulgação científica) que poderiam ser utilizados pelos professores.Sessões Internacionais possui mais audiovisuais na classe B e menos na classe K. só são veiculados audiovisuais que tenham sido previamente veiculados em redes de televisão. 65 .5 século de existência. IV.Sessões Internacionais.

os professores utilizam a sala de audiovisual de outra instituição. Pedro Bloch. por ser uma unidade em implantação. Washington Luís. Dentre os notáveis alunos. oferecendo ensino fundamental e ensino médio. Visconde de Taunay.br/historico/historico.cp2.g12.g12. Informações disponíveis em: http://www.org.htm Acesso em 27/12/2004 Texto baseado em informações obtidas em: http://www.php?cs=C_CDG_SECAO_ULTIMAS_NOTICIAS&sp=8663 acesso em 26/06/2005 23 Texto baseado em informações obtidas em: http://www. sua missão é: "educar crianças e adolescentes. Domingos Meirelles entre outros 22. videocassete e TV de 29 polegadas e. Antonio Houaiss.htm acesso em 29/08/2004 22 21 66 . Prudente de Moraes. além de cursos técnicos na área de Informática. De seus bancos escolares saíram gerações de homens ilustres que engrandeceram e dignificaram o país 21. Evanildo Bechara. Manuel Bandeira e Aurélio Buarque de Holanda. Mário Lago. e alguns nomes que ocuparam esse quadro são até hoje lembrados. emocionais e sociais do mundo de hoje 23". Segundo a instituição. as aulas de ciências e biologia possuem tempo duplo (uma hora e 40 minutos). Adolpho Bloch. tornando-os capazes de responder às transformações técnicas. É uma autarquia federal e funciona em três turnos em seis bairros da cidade do Rio de Janeiro. Afonso Arinos de Melo Francos. Hermes da Fonseca. Seis das sete unidades pesquisadas possuíam suporte técnico para audiovisual composto por sala de audiovisual. Alziro Zarur. o prêmio Qualidade do Governo Federal por seu projeto de qualidade total na área de educação.cp2. como: Barão do Rio Branco. pode-se citar: Àlvares de Azevedo. Como característica no Colégio Pedro II.recebeu. culturais.br/index1.br/interna/interno. Nilo Peçanha. em 1998. José de Paiva Netto. Seu corpo docente é de qualificação inquestionável. Manoel Bandeira. Na unidade de Realengo. Euclides da Cunha. acervo de fitas diversificadas. em alguns casos.religiaodedeus.

da Universidade Santa Úrsula.18% Uso do audiovisual Figura 20. lhe autorizaram o uso para fins educacionais. 28 26 24 22 81. 24 67 . cujos autores. a maioria declarou preferir o gênero documentário (Figura 21). do Laboratório de Ultraestrutura Celular. como descrito na metodologia (pág 28).82% Número de professores 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 SIM NÃO 18.Os professores das unidades do colégio Pedro II foram entrevistados tendo como base um roteiro de perguntas.diz possuir um grande acervo de audiovisuais científicos. Em entrevista concedida em 2004. normalmente cientistas. Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II (n = 33). Entre os professores que faziam uso de audiovisuais em suas aulas. a Profa. Dra. A maioria expressiva dos professores declarou usar o audiovisual como ferramenta didática (Figura 20) e os que não usavam geralmente relatavam impossibilidades circunstanciais. Marlene Benchimol. Apenas um professor citou o gênero “didático-científico”. referindo-se aos audiovisuais do acervo de Marlene Benchimol 24.

13 25 declararam fazer uso. também. de outros gêneros de audiovisuais. didáticos e reportagem (Figura 22).70% Não respondeu Gênero Figura 21.70% Documentário Didático-Científico 3. Entre os 25 professores que utilizavam o gênero documentário em suas aulas. animação.59% N ero de professores úm 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 3. 25 68 .26 24 22 92. Freqüência de gêneros de audiovisuais utilizados pelos professores Colégio Pedro II (n=27). Um dos professores relatou outros dois gêneros. como: filmes. O percentual é calculado sobre os 25 que usam o documentário.

filmes e reportagens citados têm o caráter de divulgação.00% 12.6 Número de professores 5 4 3 2 24. não foi possível identificar os audiovisuais de animação como didáticos ou de divulgação. os resultados sugerem que. mas em outras o acervo era bem diversificado.00% 16. a maioria (62. Mesmo assim. Algumas unidades do colégio possuíam um acervo sucinto. A partir dos depoimentos dos professores.00% 4.96%) declarou ser de acervo próprio (Figura 23). Entretanto. quando questionados sobre a procedência dos acervos utilizados.66%) da amostra não fazem uso de audiovisuais didáticos (Figuras 21 e 22). pelo menos. Outras opções de gêneros de audiovisuais utilizados em sala de aula pelos professores que declaram fazer uso de documentários (n=25). considerando que os documentários. Muitos professores relataram possuir um acervo pessoal bem composto para usos específicos. 18 professores (66.00% 1 0 F ilm e A n im a ç ã o D id á t ic o R e p o rta g e m G ê n e ro Figura 22. 69 .

11% F o n te Figura 23. apenas oito professores afirmaram exibi-los integralmente.52% 11.63% F ra g m e n ta o a u d io v is u a l Figura 24. 26 Os percentuais são aditivos. A maioria (19) preferia trabalhar os audiovisuais de forma fragmentada (Figura 24). Procedência dos acervos 26 utilizados pelos professores (n=27).96% 48. pois os professores em alguns casos usavam mais de uma fonte.15% Número de professores 12 10 8 6 4 2 0 A c e r v o p r ó p r io A c e r v o c o lé g io L o c a d o ra O u tra s fo n te s 18. Práxis didática relativa à fragmentação dos audiovisuais (n=27). Ao responderem sobre a forma de utilização dos audiovisuais na sua prática de ensino.18 16 14 62. 20 18 16 70. 70 .37% Número de professores 14 12 10 8 6 4 2 0 S im Não 29.

22% 4 2 0 1 National Geographic Discovery Channel F o n te s BBC Editora Globo Etc. Fontes do material audiovisual produzido para televisão utilizado pelos professores (n=27).15% 12 Número de professores 10 8 6 22. entre os professores entrevistados. Questionados sobre a fonte do audiovisual. compatível. Esta preferência justifica o uso de documentários. 18 (70. e normalmente produzido pelas grandes redes internacionais de televisão. é muito usada entre os professores do Colégio Pedro II.37%) utilizam material de bom nível técnico. os professores relataram uma preferência por produtos desenvolvidos originalmente para televisão (Figura 25).A análise dessas respostas deixa claro que a prática de fragmentar os audiovisuais. seja pausando ou cortando trechos. Partindo do princípio que estes materiais são confeccionados para atender um público seleto. 14 48. 71 . 2 Figura 25. podemos supor que. filmes e/ou reportagens pela maioria desses professores (Figuras 21 e 22).

é evidente que a narrativa deveria ser rápida. p.2. minucioso.2. Assim. sem dubiedades para a interpretação dos alunos. o que talvez tenha levado à concentração observada na Figura 03. A análise dos audiovisuais disponíveis para uso no contexto escolar mostrou a tendência de agrupamento de audiovisuais curtos nos acervos didáticos e a prevalência dos mais longos nas mostras de divulgação científica. 2003. p 76). para entender as possíveis razões da preferência dos professores por audiovisuais de divulgação na prática didática. procuramos obter mais informações junto às fontes produtoras. (CÉSAR. embora não tivesse. Nítido. O INCE. uma diretriz explícita para limitar o tempo. Uma das razões desta limitação pode ser encontrada nos “postulados de Roquette-Pinto” para a produção desses audiovisuais. que também concentra vídeos na faixa de curta duração. entrevistamos Ildeu de Castro Moreira. Com essas diretrizes. em 2004. 18 apud GRUZMAN. professor universitário e atualmente diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do MCT. 1980. Foi um dos três consultores que selecionou o acervo 72 . pelo menos durante a gestão de RoquettePinto. porque no dinamismo existe a primeira justificativa do cinema. interessante no seu conjunto estético e nas suas minúcias de execução. e por serem temas com poucos conceitos.IV. Para isto. detalhado. movimentado. em vez de aborrecer. produziu audiovisuais de curta duração. lógico no encadeamento de suas seqüências. Entrevistas com Produtores. para atrair. realizamos entrevistas com produtores de audiovisuais nacionais e/ou internacionais e consultores de projetos didáticos. físico. claro. Já em relação ao Vale Vídeo. Divulgadores e Consultores.

havia essa predileção. os programas de Ciências veiculados na TV Escola 73 . quando eu via um vídeo mais curto. além. Vídeos muito grandes. ele é apenas um suporte da aula e o tempo da aula é de 45-50 minutos. a concentração de vídeos de curta duração. Em primeiro lugar. atualmente curador da mostra nacional do Ver Ciência e um dos criadores do projeto inicial do Vídeo Escola. De fato. Assim.de audiovisuais do projeto: “Certamente. Em sua maioria. pelo menos no início do projeto. entrevista) também diz que a TV Escola herdou muito do Vídeo Escola. buscava valorizar um pouco mais vídeos que tivessem menos informação condensada. pois se era o vídeo no ensino. havia a possibilidade de editar também. aspectos mais fáceis de serem encontrados em audiovisuais mais curtos. e não passar inteiramente”. particularmente. e é nesse tempo que o vídeo tem que acontecer e ser explorado pedagogicamente. os profissionais que migraram para o novo projeto didático. como consta no catálogo. “Foi absolutamente intencional. Então um vídeo de 15 minutos é maravilhoso!” Monteiro (2005. por José Renato Monteiro. da seleção de audiovisuais que acabou sendo utilizada pela programação. 24 dos 78 audiovisuais do Vale Vídeo e 18 dos 83 audiovisuais do catálogo Vídeo Escola foram editados. em 2005. o tempo de duração acabou sendo restringido. segundo Moreira. desfecha uma afirmação contundente. Quando questionado da curta duração. mais interessante. Moreira complementa: “Eu. que ao ser evitado. de pegar trechos. era uma diretriz. é claro. mesmo não sendo uma diretriz por parte destes três consultores. Uma das causas dessa restrição é o excesso de informação. É importante registrar que todos os audiovisuais editados foram produzidos para TV. e que tivesse um caráter mais interessante”... leva a uma linguagem mais dinâmica. Alguns audiovisuais também foram divididos em dois episódios. Segundo entrevista concedida.

fazem parte de grandes séries de pequenos programas. não comprometendo o tempo de aula Poderia explorar com as imagens e com o texto. que com a publicidade completa uma hora”. o professor poderia destacar um desses pequenos blocos. Relata a experiência do audiovisual de 15 minutos Movimentos da Terra. também confirma esta preferência: “A televisão européia procura produzir programas de 50 a 60 minutos”. com 113 programas. por exemplo. entrevista). numa sala de aula. como a francesa Centre National de Documentation Pédagogique (CNDP). entrevista). ou a americana Coronet. Já os audiovisuais produzidos para a divulgação em televisão se caracterizam por ter um tempo de duração mais longo e as entrevistas a seguir sugerem algumas razões para esta característica: Segundo Annick Demeule (2004.são oriundos de produtoras internacionais de grande expressividade e experiência na produção de material didático e. diz na entrevista que seus audiovisuais têm basicamente entre 10 e 15 min. normalmente. que é composto por blocos que são autônomos. com 72 programas. Então. A idéia eram blocos muito curtos que pudessem ser lidos independentemente ou que compusessem um todo. físico e professor titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e produtor independente. o movimento de rotação. Sergio Brandão (2005. pegando um dos movimentos da Terra. o professor passaria somente 3 min de audiovisual. de aproximadamente 3 min. 74 . Barros (2004. produtor de audiovisuais e curador da mostra internacional do Ver Ciência. “A idéia é que. que é o vídeo”. diretora do Festival image et Science: “Os canais de televisão privilegiam o tempo de 52 minutos. o conteúdo da aula que estaria sendo dada. entrevista).

porque ele não deixa no telespectador aquela vontade de ver mais. enquanto os audiovisuais produzidos para divulgar ciência se ajustam ao gradeamento das grandes redes de televisão. A princípio as entrevistas mostram que a tendência observada em concentrar audiovisuais de baixa duração nos projetos didáticos parece estar relacionada ao seu uso específico em sala de aula. é muito bom. entrevista).Paula Saldanha (2005. 75 . pedagoga e produtora do programa Expedições. Porque 15 minutos é muito pouco para se falar de um assunto mais profundo”. veiculado na Rede Brasil de emissoras educativas. de 25 minutos. explica: “O nosso formato.

foram observadas nítidas diferenças de acordo com a finalidade.. A maioria dos audiovisuais produzidos ou selecionados com finalidade didática (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal. este trabalho teve início buscando identificar o perfil de tempo dos audiovisuais disponíveis aos professores do ensino médio e fundamental. com a necessaria discussão de cada ponto. 106). Como exemplo. No entanto. e parte dos da TV Escola) mostrou uma tendência clara para produtos de curta duração (tempo de duração até 15 minutos). DISCUSSÃO A utilização de audiovisuais para fins educativos é anterior à década de 30. Cinco minutos bastam para a explicação preliminar. pág. Vídeo Escola. INCE. 26). Por fim são feitas perguntas methodicas sobre o que os alumnos viram. (SERRANO. que podem e devem ser utilizados no auxílio do processo educativo.1. os audiovisuais 76 . que compunham a nossa amostra. 1930. as características de audiovisuais necessárias para a boa utilização em processos educativos não foram ainda sistematicamente analisadas.] para uma aula comum de três quartos de hora. V. temos os audiovisuais da De Vry. já havendo a preocupação com o tempo de duração. O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências Dentro do universo de audiovisuais analisados.. [. feitos especificamente para o ensino e acompanhados de material de suporte. Depois o professor exhibe o filme durante uns dez a quinze minutos. As tecnologias utilizando imagens evoluíram muito ao longo do tempo e hoje temos à nossa disposição o audiovisual em várias mídias (Apêndice E. Neste sentido. Vale Vídeo. p. Por outro lado.V.

Tanto os produtores nacionais como os internacionais envolvidos com a divulgação da ciência. Mostra Ver Ciência Sessões internacionais. Embora se observe uma tendência internacional em produzir audiovisuais de divulgação científica de duração média-baixa e média-alta. Mostra Ver Ciência Sessão Brasil. a produção de um audiovisual de média-alta duração com uma qualidade aceitável e que agrade a audiência obviamente esbarra no fato do aumento dos custos de produção. porque no programa de uma hora nós temos que fazer um esforço muito grande para manter o espectador atento diante da televisão”.produzidos para a divulgação da ciência (Festival Image et Science. 77 . entrevista): “Uma hora é demais. que tem em torno de 40 a 50 minutos para trabalhar com seus alunos. Por outro lado. Discovery na Escola) apresentavam média duração (média-baixa 16-40 e média-alta 41-60 minutos). puderam ser explicadas através das entrevistas com produtores nacionais e internacionais e divulgadores de ciência.85%). Esta tendência podem ser explicada em parte por questões de ordem técnica. Esse perfil pode estar relacionado à dificuldade no dinamismo narrativo apontado anteriormente por Saldanha. os produtores nacionais concentram sua produção em audiovisuais de duração média-baixa. Assim. entre os produtos destinados ao ensino e à divulgação científica. ajustam os seus audiovisuais ao gradeamento das emissoras de televisão. De fato. Estas diferenças. conforme declaração de Paula Saldanha (2005. podemos observar que os programas de hora inteira são raros na produção nacional voltada à ciência (8. os depoimentos dos produtores e consultores de projetos didáticos deixam claro que o tempo dos audiovisuais é ajustado para as necessidades de um professor em sala de aula.

“o custo habitual para produzir um documentário com valores de produção do estilo da Discovery varia de US$100.Quando questionado sobre o custo da produção. principalmente o ‘leigo’ ou o estudante. em função da falta de recursos. p 11). Comunicação pessoal ao autor desta dissertação. Saldanha (2005. entrevista) também relata a dificuldade para obter esta informação junto aos produtores da BBC. Os produtores internacionais. Thierry Berrod 27 (2002). entrevista) afirma que um documentário da National Geographic custa aproximadamente 300 mil dólares e. que é produzida e veiculada pela Discovery. a pressão maior estaria relacionada aos custos de produção.. da série Squatters. foi evasivo. estão também sujeitos à grade das grandes redes de televisão. Entretanto. Monteiro (2005. o grande quinhão é formado por audiovisuais de média-alta duração. No Festival Image et Science. 27 78 . segundo Chris (2002. diretor da série Squatters. que necessitam de maiores investimentos de produção. durante a produção do episódio “Carnivorous Ants”. os profissionais da Série Horizon da BBC indicam um dos caminhos.000” (Tradução nossa. Este fator pode explicar a maior freqüência na produção de vídeos de média-baixa duração e de vídeos de curtíssima duração nos acervos nacionais. sobre isso. a julgar pela concentração de vídeos em tempos de média-baixa e média-alta duração. apesar do alto investimento na produção. A receita para este ‘milagre’ passa provavelmente pela linguagem e. Para os produtores nacionais. os valores são em dólares americanos).000 até US$500. apenas investimentos em equipamentos e em viagens para locações remotas não conseguem segurar o telespectador diante da TV assistindo a um programa de ciências de até uma hora de duração.. mas lembra que esta instituição arrecada cerca de 5 bilhões de dólares por ano.

Matthew Barrett 28. já transpôs quatro décadas de grande audiência nos lares britânicos. obviamente com a manutenção da integridade da informação científica. Moreira (2004. O atual diretor da série. Os documentários de Ciências têm que ser construídos como dramas. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil. da BBC. na 10ª mostra Ver Ciência. definir personagens. Apesar disso. (LYNCH. entrevista) complementa Barrett. 97). Tem alternado fases de maior e menor audiência e mudado periodicamente de formatos e objetivos”. criar motivações. observa-se que redes comerciais como a Discovery trabalham em uma grade de padrão horário inteiro. Em outras palavras: construir drama. 1997 apud Monteiro e Brandão.[. Rio de Janeiro: 2 set. este tipo de esforço não tem garantido uma perenidade e tem causado flutuações de qualidade. e sim contando com criatividade e inovação. mas nem sempre às custas de pesados investimentos. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. “o Globo Ciência não conseguiu se firmar como um programa televisivo de divulgação científica de qualidade. p. impressionar.. p. como um aliado poderoso na tarefa de manter atenta a audiência. De fato. A Série Horizon. a fim de comportarem os cortes de inserção de propaganda. 2002. Sessão Brasil. Matthew.. A história (que é contada) é tudo. Isto tem sido observado mesmo em séries de longo histórico na nossa televisão. confirma a manutenção dessa diretriz da dramatização.] a televisão é ótima para criar climas. 60). Segundo Moreira e Massarani (2002. 2004. como o Globo Ciência. Seus programas são normalmente editados para duração de 46 minutos. que em 2004 completou 20 anos. 28 79 . atestam que a televisão brasileira está se esforçando para melhorar a qualidade de suas produções. Os programas exibidos no Ver Ciência.

desde cedo. são conhecidos como interprogramas. teve reconhecimento. passando a usar humor e ficção para conquistar a audiência. no intuito de manter a audiência junto ao seu público. 108).7). São exemplos destas produções: Academia Amazônia da Universidade Federal do Pará (UFPA). Segundo Barca (1998. entrevista). existe ainda espaço para vídeos de curtíssima duração 29 (até cinco minutos de duração). e Insetos & Cia da Verde Vídeo e Vídeo Ciência. Prêmios internacionais e nacionais atestam sua qualidade como veículo de difusão dos conhecimentos científicos. foi o período mais premiado do Globo Ciência (Anexo A. Atualmente. no período entre 1987 e 1991. Soluções Científicas do Departamento de Tecnologia Educacional da TVE Rede Brasil. Entretanto. mesmo às sete e meia da manhã de sábado". p. parece ter sido constante o investimento na atualização da linguagem. Apesar da janela de apenas cinco semanas. Embora haja esta programação preponderante das emissoras. o que nas emissoras comerciais se materializam nas pesquisas de audiência. utiliza o formato caracterizado por um locutor que viaja a procura das informações científicas.dizendo que parte deste problema explica-se pela apertada janela de produção de apenas oito semanas. cuja empresa produzia esta série. Estas mudanças de formato indicam para uma tentativa de melhora. Minuto Científico e X Tudo da TV Cultura SP. O Globo Ciência. Brandão (2005. Em 1999. Algumas destas séries são de alto nível. "O programa perdia público. fechando grades de curta e média duração. de forma independente. para a rede Globo de televisão. 109). pág. o programa mudou novamente o formato. pág. pecado mortal numa emissora comercial. 29 Alguns destes programas são exibidos em blocos dentro de um contexto maior na grade de programação e outros são exibidos individualmente. 80 . não poderia afirmar o mesmo. No segundo caso. caso do Minuto Científico agraciado com várias premiações (Anexo B.

Assim. histologia. fisiologia e genética. Apesar da diversidade de uso. Mas consideramos ser oportuno registrar o ponto de vista desse professor que “não usa nem quer usar” o audiovisual antes de abordar a prática de ensino dos professores que utilizam o audiovisual.Os audiovisuais de curtíssima duração. quando bem produzidos. e considera que as atividades de laboratório são mais importantes que o uso do audiovisual. V. são capazes de manter uma boa “taxa de informação” podendo ser usados em ambientes e meios diversos. Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II Nas unidades do Colégio Pedro II existe um uso relativamente freqüente do recurso audiovisual. Este professor tem como 81 . Esta tendência enfatiza a forte influência das grades de programação das emissoras de TV. que são os grandes consumidores destes produtos. montou um laboratório de microscopia bem equipado no colégio. por força da intensa influência da grade de programação das emissoras. Os poucos professores que não utilizam. onde ministra aulas de citologia. Como é um professor que começou lecionando há mais de trinta anos em universidades na área de zoologia. tal como ambientes de educação à distância. normalmente são por questões circunstanciais.2. e sempre trabalhou em laboratório. Apenas um professor relatou que não gosta de usar. nossos resultados indicam uma tendência de crescimento da produção de audiovisuais nas faixas comerciais e de diminuição nas faixas de duração curtíssima. uma boa parte dos audiovisuais disponíveis aos professores é produzida para divulgação e com tempo de duração incompatível com o tempo de aula.

que é um gênero mais encontrado nas produções internacionais voltadas para a televisão. no domingo. Apesar da existência de filmotecas nas unidades do Colégio Pedro II os professores que utilizavam audiovisuais davam preferência aos de divulgação científica em detrimento aos didáticos.. pois os vídeos internacionais são de duração média-baixa e média-alta. Questionado sobre a possibilidade de produção de audiovisuais na sua área. No vídeo ele é um assistente [.]. então ele não traz para o aluno a curiosidade do inédito [. De modo geral. quando uma aula de microscopia chega muito mais ao interesse do menino [.. Eu vejo os olhinhos dos alunos brilharem mais numa aula de microscopia do que numa aula de vídeo” (Professor 08). Ele vê. “Esse tipo de atividade já está se esgotando. Portanto.] eu acho que há 10 anos o vídeo tinha uma utilidade muito mais importante do que hoje. fora dos 82 .conceito de audiovisual de boa qualidade “um vídeo que não cometa erros ou que mostre exceções. Para nós professores a segunda feira é muito difícil quando. o Fantástico mostra uma exceção de um fato que ocorre com um bicho” (PROFESSOR 08). ele mexe. A televisão. vídeos lindos que se popularizam. já está explorando muito isso. A maioria declarou ter como material básico o gênero documentário. os outros professores acabaram por aderir ao uso do audiovisual.. eu tenho um microscópio para cada aluno.]. Esta constatação foi inesperada.. tanto nos canais fechados como nos canais abertos. ele é um participante do processo. E complementou falando que existem poucos vídeos nessa área. Você vê em um Globo Repórter que fala da fecundação. ele comenta.. ele desenha..

Então era o meu método. Alguns depoimentos dos professores são esclarecedores sobre a forma como era feita a fragmentação do material. o projeto Discovery na Escola. que são resgatadas durante a apresentação. com o controle remoto na mão. 83 . O professor 21 relatou que apresenta um audiovisual de 50 min. atestando uma prática empírica. Exatamente. os professores do Colégio Pedro II estavam transformando. os vídeos de divulgação científica em vídeos educativos ao mudar sua linguagem através de interrupções controladas. discutia com os alunos as questões. à semelhança do método utilizado pelos professores do Colégio Pedro II. adaptou seus produtos. intuitivamente. “Eu procurava calcular o tempo do vídeo. Quando eram filmes mais longos. fragmentando-os em tempos mais curtos. quando questionados quanto à sua forma de utilização em seus objetivos educacionais verificou-se que a grande maioria fragmentava a apresentação para questionar seus alunos ou inserir comentários (Figura 24). mas sempre deu certo”. quando dão preferência a audiovisuais de curta duração. por exemplo. Na realidade. Às vezes ele tinha 10 min. O professor 04 apresenta audiovisuais de 30-35 min. Esta prática observada entre os professores do Colégio Pedro II se aproxima do modelo preconizado pelos produtores e consultores de projetos didáticos. Entretanto. o filme acontecia e eu. não deixava o filme correr na íntegra. pausando umas 10 vezes. Na prática. (Professor 02). No final. a mesma técnica utilizada atualmente por produtoras internacionais que recentemente passaram a produzir audiovisuais para a educação.padrões preconizados pelos produtores e consultores didáticos por serem de difícil exibição dentro dos limites impostos pelo tempo da aula. discutindo e usando anotações feitas em sala. não sei se estava certo ou errado.

A dinâmica da entrevista permitiu aprofundar essa abordagem quando questionamos se as paradas. O professor 17 relata que passa direto e trabalha depois. faço o comentário para reforçar aquela relação com o assunto que ele viu ou está vendo em sala de aula.. e para isso faz quatro ou cinco pausas durante a apresentação.] 84 . vai parando para detalhar. porque tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio. Se for longo.pausando e discutindo. que geralmente é curto. eu costumo dar umas paradas em alguns trechos e na imagem congelada. mas não só por esse motivo como também para manter a atenção do público. porém. O professor 12 relatou a forma diferenciada que utiliza audiovisuais de duração diferente: “Se é curto. mais experiente. descreve sua prática de ensino: “Inicialmente dá-se uma explicação do que vai ocorrer e eles vêem o vídeo. Essa prática condiz com o tutorial da De Vry da década de 20 (ver pág. no final. e que também produz audiovisuais com seus alunos. em pontos considerados estratégicos. 76). muitas vezes a gente não tem um público que está ali porque está interessado [. passo integralmente e debato depois. isto para audiovisuais de 35-40 minutos. costumo fazer um debate”. eram necessárias para evitar que a grande quantidade de informações que está sendo colocada seja perdida. vou interrompendo”. Então eu paro em pontos pré-selecionados e. (Professor 06). de 10 a 15 min. com uns 15min (não passo vídeo de muito mais) e depois a gente discute”.. quando tem conteúdo denso e sutil. Outro professor relata: “na medida em que o filme vai passando e a gente tem o recurso do pause. Apesar de responder afirmativamente. O professor 27. inseriu em sua declaração um outro aspecto relevante: “Correto. que eu selecionei. e que conhece bem a linguagem audiovisual e suas potencialidades.

e depois passo outro bloco” (Professor 18). temos: √ Use e abuse dos recursos do vídeo. faço comentários rápidos durante a apresentação. enquanto a fita passa. 85 . Todos esses relatos e outras declarações menos explícitas deixam clara a preocupação destes educadores em manter uma aula dinâmica. para manter a atenção deles.Eu estimo de seis a oito paradas. reveja o mesmo trecho com a classe quantas vezes for preciso. sem que seus alunos dispersem. Se a turma é bem receptiva ao vídeo. eu deixo ele correr. porque eu descobri que se a gente passar um vídeo direto. (grifo nosso). paro. Entre os 10 conselhos de como utilizar o vídeo em sala de aula. eles não ficam tão atentos quanto se eu for parando e explicando. para fazer algum comentário. Eu coloco em um vídeo de 35min. apresentados nas edições impressas do Vendo e Aprendendo da TV Escola. aí eu dou um bloco. Eu vou parando e dando explicações rápidas. Nesses depoimentos podemos ver a flexibilidade da prática de ensino. congele a imagem. mesmo que rapidamente”. que se ajusta à receptividade da turma. Apenas um dos professores (Professor 18) tinha a possibilidade de editar os seus audiovisuais e o fazia seguindo critérios relatados: “Uso documentários e faço uma seleção das cenas de acordo com o conteúdo. faço comentários. faço perguntas. (Professor 06). O professor 31 deixa bem clara a inquietude dos adolescentes e fala da sua “descoberta”: “O aluno de ensino médio é muito inquieto. durante a exibição: avance a fita. mas se o pessoal está mais disperso. em vídeos de 50 min”.

√ Se o vídeo for longo. p. cada fragmento tem relativa autonomia. 109-110). crie suspense. tal como nas narrativas literárias contemporâneas (Vide O Jogo da Amarelinha. permitindo que. enquanto outro oferece pouco interesse. 1988. Ninguém suportaria uma novela de tevê que fosse apresentada de uma só vez (mesmo que de forma compacta). pois ele foi concebido para ser decodificado em partes e simultaneamente com outros programas. a linguagem fragmentada deste meio audiovisual. segundo os seus próprios discursos. mantenha-os curiosos. o interesse do programa cairia imediatamente. Estes acervos foram geralmente produzidos para atender às necessidades das redes de televisão. Se os intervalos que fragmentam um programa de tevê fossem suprimidos e os vários capítulos diários fossem colocados em continuidade numa mesma seqüência. 6). o professor. peça para os alunos tentarem antecipar o que irão ver. nesse caso. e levam. sem interrupções e sem os nós de tensão que viabilizam o corte. acaba cedendo à sua fragmentação por força da inquietude que emana do aluno. Quando perguntados sobre “qual a fonte do audiovisual utilizado?” (Figura 25). não hesite em ‘pulá-lo’. √ É possível que um pequeno trecho renda uma boa discussão e traga novas informações. o ato de fruição possa começar em qualquer ponto a se interromper a qualquer momento. 2001a. Assim.37% dos professores entrevistados têm seu “arsenal” composto de audiovisuais de bom nível técnico. na sua essência. Apresente-o em ’capítulos’. Este comportamento em sala de aula talvez ocorra pelo não cumprimento dos rituais que foram aprendidos em longas horas de treinamento frente a um aparelho 86 . 70. de Cortazar). sem que isso afete fundamentalmente a percepção do todo (MACHADO. um pouco cada dia. não se preocupe em exibi-lo de uma vez. (ARATANGY. mesmo que alheio a este detalhe da linguagem da imagem. p. Dentro dessa macroestrutura de colagens.

presença ou ausência de “treinamento”. “A criança que começa a ver programas de TV vai.de TV. Além dos limites impostos pela quantidade. 3) seleção da resposta e controle da sua execução. duração e forma das informações.. Limites que podem comprometer a expectativa de aula de um 87 . 2) atenção seletiva.. 414). 67). p. (Tradução nossa). podemos concluir que manter a atenção do aluno é uma tarefa difícil para o professor. 1997. A autora também lembra que isso se torna um hábito e complementa: “Professores observam que seus alunos perdem a atenção a cada dez minutos e só voltam a se concentrar após uma pausa que dão a si mesmos. Segundo Cohen e Salloway (1997.] o tempo é por si próprio o determinante central da atenção”. Dessa forma. p. e 4) manutenção da atenção. Sobre o último item esses autores afirmam: “Os problemas em manter a atenção são comumente associados com a exigência atencional das tarefas que persistem por longa duração. 332) também enfatiza esta dispersão e atribui suas causas a divisão da programação em blocos que duram de sete a dez minutos intercalados com comerciais. p. como se dividissem a aula em “programa” e “comercial””. porque manter o desempenho é acompanhado por uma considerável demanda de processamento [. a atenção depende de quatro fatores: 1) capacidade atencional. (Aspas da autora). iniciando sua aprendizagem para ser telespectador” (OROZCO. quem sabe sem perceberse disso. o aluno tem limites neurológicos. “Essa divisão do tempo nos leva a concentrar a atenção durante os sete ou dez minutos de programa e a desconcentrá-la durante as pausas para a publicidade”. Chauí (1997.

para ele. 88 . aberto e mais compacto possível. a estética. conceitos corretos.professor mais ambicioso. as mensagens em som. relataram que o conteúdo é importante e usaram expressões como: “correto. 11 relataram que. Nesse sentido a tarefa primordial para o professor é buscar o interesse dos alunos. ele pode trabalhar. a qualidade das imagens era muito importante e usaram expressões como: “boa fotografia. fator básico para criar seletividade na atenção. Também em 11 depoimentos. Assim. “os vídeos que apresentam conceitos problemáticos podem ser usados para descobri-los. pois agora ele é a autoridade que direciona e valida o conteúdo desejado. Dos 26 professores entrevistados que usavam o audiovisual. O professor 18. Esse professor. dentre as características favoráveis de um audiovisual. a qualidade plástica e apelo visual”. imagem. sugere que. o que vem a ser uma locução aceitável? Uma locução de boa qualidade técnica. O professor 25 diz: “sem erros. coloca o audiovisual constituído apenas da mensagem visual. além de respeitar os limites individuais. em linguagem coloquial”. as características favoráveis num audiovisual são: “movimento. junto com os alunos. o que é compreensível. e questioná-los”. com uma abordagem clara e didática. pois numa edição doméstica dificilmente pode-se ter uma locução aceitável. Podemos discutir a utilização dos audiovisuais também sob o ponto de vista do conteúdo. ele é o locutor. Aliás. relatou que desconsidera o som (locução) original. Assim. o som não é tão importante” (Professor 18). que editava seus audiovisuais. mas se houver erro serve como exemplo para mostrar a dificuldade na transposição didática”. em conformidade com a matéria. a seu critério. ao desconsiderar o som (locução). com uma boa entonação? Ou uma locução ilibada nos aspectos de exatidão dos conteúdos? Segundo Moran (1995).

o desenvolvimento da televisão. 89 . Este material parece seduzir o educador. indústria voltada para o entretenimento e a informação. Nas últimas décadas. em que normalmente as preocupações eram centradas na exatidão das informações contidas. a indústria da televisão. via forma de apresentação. principalmente no Vendo e Aprendendo. só necessita ser trabalhado no quesito da duração. Produto este impregnado com padrão característico de duração e de linguagem e para o qual o educador necessita ajustar a sua práxis de ensino a fim de atingir os melhores resultados possíveis. Este fato pode ser observado no projeto TV Escola. O problema do tempo de duração dos audiovisuais utilizados para o ensino sempre foi uma preocupação dos educadores e produtores de audiovisuais para essa finalidade. por outro lado. através de projetos didáticos e vídeos colocados à venda. tais como os projetos Vídeo Escola 30 e TV Escola. os professores pesquisados. mormente a internacional. Assim.Não podemos negar o grande esforço governamental/institucional ao disponibilizar ao longo das últimas décadas materiais essencialmente didáticos. seja indiretamente. no seu ponto de vista. E uma das maneiras encontrada pela maioria destes professores para conseguir esses resultados parece estar baseada na utilização do 30 O projeto já está extinto. com sua linguagem característica e fragmentada e com seu padrão de gradeamento. que acaba declinando o uso de um material de formato “mais propício” em favor de um material que. permeou o segmento de audiovisuais educativos. Historicamente este material sempre foi disponibilizado no formato de curta e curtíssima duração. acabam usando um produto voltado para a divulgação. Mas. porém muitas videotecas de colégios possuem este material em acervo. vem se aprimorando e lançando produtos de grande qualidade. pela própria programação que é gravada. ou diretamente.

focalizar as atenções no aluno.44% dos audiovisuais são fragmentados.com/port/download/pdf/act_video. aproveitando pontos de corte moldados pelo contexto.37% dos professores do Colégio Pedro II. além dos momentos para as reflexões construtivas. Resta saber se a utilização de vídeos curtos ou de vídeos longos fragmentados é. que são eleitos por eles. utilizar os vídeos da maneira indicada pelos consultores e produtores. tem suporte na atitude de 82. passo essencial para a aprendizagem. sem as quais muito se perderia nesse processo. no qual 94. pode durar entre 10 a 15 minutos de uma aula”. em um próximo passo. A proposta da equipe Discovery na Escola 31:é bem clara: “O vídeo. souberam. assim.22% dos consultores didáticos do Vendo e Aprendendo da TV Escola e da equipe do Discovery na Escola. 31 Disponível em: http://discoverynaescola. para reforçar a narrativa. Desta forma. em sua prática de ensino. pode-se verificar que os professores do Colégio Pedro II. útil para o processo de aprendizagem dos alunos. Esta fragmentação do tempo dos audiovisuais. reconquistando.audiovisual de uma forma fragmentada. Uma das formas de avaliar esta questão é. elegida por 70. a atenção dos alunos. o sujeito do processo de aprendizagem. juntamente com as atividades de apresentação do mesmo. de fato.pdf Acesso em 19/12/2004 90 .

CONCLUSÕES Os resultados obtidos na busca de caracterizar o perfil dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e a sua utilização no contexto educacional. a nível mundial. 5) Apesar dos limites de recursos impostos à produção nacional. têm um tempo de duração médio-baixo. ou curtíssimo. Existe uma tendência para a consolidação do padrão médio-baixo. incorpora audiovisuais de divulgação em sua programação. 2) Os audiovisuais para divulgação científica. entre 21 e 30 minutos. A tendência verificada aponta para a consolidação dos dois padrões. com um tempo médio-alto. O projeto didático TV Escola. 3) Os audiovisuais para divulgação científica. produzidos para televisão com padrão de qualidade internacional. têm linguagem própria para televisão.VI. na expectativa de motivar e prender a atenção dos alunos. com linguagem própria para televisão. permitem concluir que: 1) Os audiovisuais produzidos para fins didáticos têm um tempo curto. indica a busca de qualidade de imagem e de linguagem mais dramatizada. normalmente entre 21 e 30 minutos. Etapas compreendidas 91 . de até cinco minutos. normalmente entre 41 e 60 minutos. 6) A opção dos professores pelos audiovisuais científicos de divulgação. os responsáveis pelos projetos didáticos brasileiros parecem estar atentos às necessidades e preferências dos professores. ou médio-baixo. 4) Os Professores do colégio Pedro II parecem privilegiar o uso de audiovisuais de divulgação. produzidos no Brasil. já em 1996.

como um padrão didático entre os professores de ciências e biologia do Colégio Pedro II. 7) Essa expectativa. 10) Mais interessante é esse procedimento padrão. 8) Desta forma. como o programa Vendo e Aprendendo e o Discovery na Escola. entretanto.como necessárias para efetivar. os professores exibem o material de forma fragmentada. segundo declarações dos professores entrevistados. estar plenamente de acordo com as indicações dos consultores dos projetos didáticos. o processo de aprendizado. a fim de viabilizar o audiovisual científico de divulgação como material didático a ser trabalhado dentro dos limites da hora/aula. declaram a preferência pela utilização de audiovisuais científicos de divulgação. diante da grande disponibilidade de audiovisuais didáticos. 9) É relevante o fato da práxis da fragmentação da exibição dos audiovisuais. esses professores são capazes de lançar 92 . Ao serem produzidos para atender às grades de programação da mídia televisiva. os audiovisuais de divulgação. mas principalmente. apesar de construída a partir de experiências individuais e empíricas no dia a dia da sala de aula. se tornam demasiados longos dentro do contexto escolar. construído a partir de vivências didáticas e pedagógicas diferenciadas. se apresentar. parece esbarrar no tempo de duração desse gênero de audiovisual. dentro de um contexto educacional formal. Como verdadeiros autores da sua prática. 11) A análise do conjunto dos resultados indica a propriedade do procedimento didático e pedagógico do professores apesar da aparente contradição expressa quando. praticamente. como prática adequada aos limites da capacidade de concentração dos alunos da educação básica.

mão do que há de melhor nas produções para divulgação científica e. transformá-las em instrumentos didáticos perfeitamente adequados ao contexto da educação formal. trabalhando características a principio adversas. 93 .

Disponível em: http://www. 2000b.gov. Claudia Rosenberg (Org). Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola. Brasília: MEC. Cezar. Ciência e Cultura.mec. Secretaria de Educação a Distância.pdf Acesso em 10/01/2005 __________./Dec 26-29. 2001b.mec.mec. Disponível em: http://www.gov.gov. 1931. Secretaria de Educação a Distância.br/seed/tvescola/pdf/vendo4final. n 5. ARATANGY. Secretaria de Educação a Distância. n 6. Disponível em: http://www.br/seed/tvescola/pdf/vendo3final.gov. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADES. Secretaria de Educação a Distância. 2002. Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola. 54 no. 2002 ALMEIDA. n 1. 2001c. Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola. Secretaria de Educação a Distância.gov.pdf Acesso em 10/01/2005 __________. Secretaria de Educação a Distância. 2000a.gov. Brasília: MEC.pdf Acesso em 10/01/2005 __________. A experiência psicológica da duração. n 2. Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola.mec.br/seed/tvescola/pdf/vendo3final.pdf Acesso em 10/01/2005 __________.br/seed/tvescola/pdf/vendo1. Brasília: MEC. Brasília: MEC. n 3.pdf Acesso em 10/01/2005 94 . n 4. Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola. Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola.mec. São Paulo: Editora Limitada.VII. Joaquim Canuto Mendes de. Brasília: MEC. Disponível em: http://www.2 São Paulo: Oct. 2001a. Disponível em: http://www.br/seed/tvescola/pdf/vendo3final. Disponível em: http://www. vol.pdf Acesso em 10/01/2005 __________. Brasília: MEC. Cinema Contra Cinema.br/seed/tvescola/pdf/vendo2.mec.

A influência do vídeo no processo de aprendizagem. São Paulo: Hacker Editores. February 7– 28 2002. Nair Pereira Figueiredo. 1998. 1980. Disponível em http://www. Television & New Media Vol. DE 6 DE SETEMBRO DE 2001. BARCA. CHAUÍ. Disponível em: http://www. Maria Regina. 95 . CALAZANS. BRASIL. 2001. Ana C. CARTER. Florianópolis. MARIE. Ciência e Comunicação na TV Comercial: 14 anos do Programa Globo Ciência. José Luiz. Rio de Janeiro: Ediouro. BERGALA. Rita.usp.pdf acesso em 24/12/2004. André.AUMONT. O cinema: ensaios. 2003. Literatura não é documento. O livro de ouro da mente (título original: mapping the mind). Master Photography: Take and Make Perfect Pictures. SP: Papirus. 1. A Estética do Filme (Titulo original: Esthétique du film). VERNET. 3 No. 8 ed.ancine. Campinas. BRAGA. CINELLI. All Documentary. Marilena. Michael. Comunicação e Educação: questões delicadas na interface.gov. Lacy. Jacques. Cynthia. Alain. CÉSAR. 1995.br/media/MP_2228-1_06092001_original.pdf acesso em: 20/02/2005. 2003. BUSSELLE. MEDIDA PROVISÓRIA NO 2.br/nucleos/nce/pdf/093.SãoPaulo: Editora Àtica. Chicago: Illinois Rand McNally & Company. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina.. Rio de Janeiro: Funarte. All the Time? Discovery Communications Inc. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Marc. São Paulo: Brasiliense. 1997. 2003. and Trends in Cable Television.eca.228-1. Convite à filosofia. 1991. Michel. 1978. CHRIS. BAZIN.

Paris: CNRS 1995. 18es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. 413-446). 13es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. 1997. COISSAC. Annick (Org). Michel. __________. Neuropsychiatric aspects of disorders of attention (p. Paris: CNRS 1999. 1925. Paris: CNRS 2000. 15es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. __________. 11es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. HALES. Histoire du Cinématographe de ses origins jusqu’à nos jours. 17es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. __________. DEMEULE. 96 . SALLOWAY. 12es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. Stuart.Paris: Editions du Cinéopse. In: YUDOFSKY. Paris: CNRS 2001. 16es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. Washington: American Psychiatric Press inc. __________. Stephen. G. Ronald A.COHEN. Paris: CNRS 1994. __________. __________. Paris: CNRS 1996. Paris: CNRS 1997. Neuropsychiatry. __________. 14es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. Paris: CNRS 1998. Robert E.

(Título original: Kritif der reinen Vernunft. JOST.UFRJ/ICB. The perception of time and situated engrossment. Vilma (org). Michael G. GAUDREAULT. Crítica da Razão Pura. FRANCO. FLAHERTY. Vol. Dissertação (mestrado) . A natureza pedagógica das linguagens audiovisuais. No 1. Dissertação (mestrado) . P. 1993. __________. Rio de Janeiro. Syd. A Ciência Vai ao Cinema: uma análise de filmes educativos e de divulgação científica do Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). François. Gestão e Difusão em Biociências do Departamento de Bioquímica Médica. 1991. 76-85. Elisandra. Immanuel. Representações dos insetos através da imagem: uma investigação teórico-prática para a realização de um vídeo educativo em ecoentomologia. Rio de Janeiro: 2004. 1995. 2001. 1994. Paris: CNRS 2003. São Paulo: Nova Cultural. American Journal of Psychology Vol 91 417-28 1978. Programa de Pósgraduação em Tecnologia Educacional nas Ciências da Saúde. GRUZMAN. São Paulo: FDE.UFRJ/NUTES. 2003. Barcelona – Buenos Aires – México. Editora Objetiva Ltda. HOGAN. In: Coletânea Lições com cinema. H. El relato cinematográfico: Cine y narratología (Título original: Le récit cinématographique). 2004. Manual do Roteiro: Os fundamentos do texto cinematográfico (Título original: Screenplay). GALVÃO. Eduardo. André. A Theorical Reconciliation of Concepting Views of Time Perception. Ediciones Paidós. GUIMARÃES. publicado em 1787). (1996). 20es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. FIELD.__________. In: Kant – vida e obra. Programa de Pós-Graduação em Educação. Social Psychology Quarterly. Rio de Janeiro: Graphos. 52. W. (coleção os pensadores) 97 . Rio de Janeiro. KANT. 2003. 19es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. Paris: CNRS 2002. O Vale Vídeo na sala de aula. Marília S.

LAKATOS. Ildeu de Castro.pdf Acesso em: 09/01/05. Aspectos históricos da divulgação científica no Brasil. MORAN. 43-64). 2002. Chistian. (Coleção Insolites de la Science). A Arte do Vídeo.fr/doc_site/thema/mamu/francais/analyse/mannoni2.35. MOREIRA. s/d. (Coleção Debates). O Vídeo na Sala de Aula. A Significação no Cinema (Título original: Essais sur la Signification au cinéma). 1977. Ildeu de Castro. Disponível em 3 partes em: http://www.htm Acesso em 25/01/2004. In: MASSARANI. (p.bifi. __________. Disponível na URL: http://www. A. BRITO. Eva Maria. São Paulo: Editora Atlas S. METZ.. Linguagem e Cinema (Título original: Langage et cinéma). 2002. Paris: CNRS Éditions. MARCONI. 2 ed.pdf Acesso em: 09/01/05. Rio de Janeiro: Casa da Ciência/UFRJ. A..fr/doc_site/thema/mamu/francais/analyse/mannoni3. (Coleção Debates). MOREIRA. Marina de Andrade. São Paulo: Editora Perspectiva S. jan. 1987./abr. Aléxis. http://www.pdf Acesso em: 09/01/05.bifi. Moderna.. http://www. Jack. 1980. Ciência e Público: caminhos da divulgação científica no Brasil. 98 . 1994.br/prof/moran/vidsal. 5 ed. de 1995. [2]: 27 . Luiza. MACHADO. Fátima.fr/doc_site/thema/mamu/francais/analyse/mannoni1. Eadweard James Muybridge – Etienne-Jules Marey (18301904).usp. MARTINET. Comunicação & Educação. Estatística Aplicada a Ciências Humanas (Título original: Elementary Statistics in Social Reserch). São Paulo: ECA-Ed. Técnicas de Pesquisa. A.. MASSARANI. Luiza. São Paulo: editora Brasiliense 1988.bifi. José Manuel. MANNONI.KELVIN. 2 ed. Laurent. Bibliothèque du Film (BIFI). Arlindo.eca. Le cinéma et la science. São Paulo: Editora Perspectiva S. São Paulo: Editora Habra Ltda.

__________. __________. _________. 6ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 2000. 36 – 37. __________. __________. 2002. 10ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 2004. MOREIRA. vol. 8ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 2002b. Ciência e TV: um encontro esperado. 2ª Mostra Internacional de TV e Vídeo Ver Ciência Rio de Janeiro 1996. 99 . BRITO. 89-105). 2002.2 São Paulo: p. __________. Sergio (Org). 5ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 1999. Rio de Janeiro: Casa da Ciência/UFRJ.MOURÃO. 4ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 1998./Dec.54 no. 7ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 2001. __________. __________. 3ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 1997. Ciência e Público: caminhos da divulgação científica no Brasil. O tempo no cinema e as novas tecnologias. __________. Ciência e Cultura. (p. BRANDÃO. MONTEIRO. 1ª Mostra Internacional de TV e Vídeo Ver Ciência Rio de Janeiro 1994. Oct. Ildeu de Castro. __________. Maria Dora. Luiza. 9ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 2003. In: MASSARANI. Fátima. José Renato.

OROZCO GOMES, Guillermo. Professores e meios de comunicação: desafios, estereótipos. Comunicação & Educação. São Paulo: ECA-Ed. Moderna, [10]: 57 - 68, set./dez. 1997. RAMOS, Fernão Pessoa. O lugar do cinema, p. 35 – 48. In: FABRIS, Mariarosaria.et al. Estudos Socine de Cinema. Porto Alegre: Sulina, Ano III, 2003. REISER, Oliver L. The problem of time in Science and philosophy. The Philosophical Review, vol. 35, N°. 3 (May, 1926), 236 – 252. REISZ, Karel; MILLAR, Gavin. A Técnica da Montagem Cinematográfica. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira S. A. 1978. RESNICK, Robert. Introdução à Relatividade Especial. (Título original: Introduction to Special Relativity). São Paulo: Editora Polígono S. A. 1971. RIBEIRO, Ronilda Iyakemi. Finitude, Mutações e Gozo Ciência e Cultura. vol.54 no.2 São Paulo: Oct./Dec. 2002, p 24-26. SÁ, Irene Tavares de. Cinema e Educação. Rio de Janeiro: Agir. 1967. SCHVARZMAN, Sheila. Humberto Mauro e a constituição da memória do cinema brasileiro. p 119 – 129. In Ramos, Fernão Pessoa (Org). Estudos de Cinema 2000 – SOCINE. Porto Alegre: Sulina, 2001. SERRANO, Jonathas; VENÂNCIO FILHO, Francisco. Cinema e Educação. São Paulo, Cayeiras, Rio: Melhoramentos, vol. XIV, 1930. SIMIS, Anita. Movies and Moviemakers Under Perspectives. Vol. 29 No. 1, 106-114. 2002. Vargas.

Latin

American

SLUYS, A. La Cinématographie Scolaire et post-scolaire. Bruxelas. 1922.

THAYER, S; SCHIFF, W. “Eye contacts, facial expression and the experience of time”. Journal of Social Psychology, 95, 117-24, 1975.

100

TOSI, Virgilio. Manual de Cine Científico Para la Investigación, Enseñanza y Divulgación (Título original: How to Make Scientific Audio-Visuals for Research, Teaching, Popularization). México: UNAM/UNESCO, 1987. (Coleccíon Cuadernos de Cine Nº 32). VASSIMON, Marisa (Org). Vídeo Escola a sala de aula ganha o mundo. Rio de Janeiro: Gráfica Color Set, 1998. VENANCIO FILHO, Francisco. A Educação e o seu aparelhamento Moderno. Brinquedos – Cinema – Rádio – Fonógrafo – Viagens e Excursões – Museus – Livros. São Paulo – Rio de Janeiro – Recife – Porto Alegre: Companhia Editora Nacional, 1941. VÍDEO ESCOLA. Vídeo Escola: cinco anos na sala de aula da escola pública brasileira. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho e Fundação Banco do Brasil, 1996.

VIII. Palestra BARRETT, Matthew. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil, na 10ª mostra Ver Ciência. Rio de Janeiro: 2 set. 2004.

101

IX. APÊNDICES

Apêndice A Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação: Existe grande discordância na designação do audiovisual, quanto ao seu tempo de duração. Para suprir as necessidades desta dissertação, utilizaremos como ponto de partida a Medida Provisória No 2.228-1 (BRASIL 2001), que determina no seu capítulo 1, artigo 1º: VII - obra cinematográfica ou videofonográfica de curta metragem: aquela cuja duração é igual ou inferior a quinze minutos; VIII - obra cinematográfica ou videofonográfica de média metragem: aquela cuja duração é superior a quinze minutos e igual ou inferior a setenta minutos; IX - obra cinematográfica ou videofonográfica de longa metragem: aquela cuja duração é superior a setenta minutos; Assim, devido à necessidade de um maior espectro de tempo e às características da amostra, as classes serão subdivididas da seguinte forma: • Curtíssima duração: aquela cuja duração é igual ou inferior a cinco minutos, que será usada para algumas discussões; • Curta duração: aquela cuja duração é superior a cinco minutos e inferior ou igual a 15 minutos. Nos casos não especificados, englobará a classe curtíssima; • Média-baixa duração: aquela cuja duração é superior a 15 e igual ou inferior a 40 minutos; • Média-alta duração: aquela cuja duração é superior a 40 minutos e igual ou inferior a 60 minutos; • Longa duração: aquela cuja duração é superior a 60 minutos. 102

Carlinhos Precisa de uma Capa. Cuidado Nervos. Aids: A Melhor Defesa é a Informação. classificados como de biociências: Chapada Diamantina. Frutos do Cerrado. 103 . Alimentos para a Saúde. Dinossauros I. Minha Primeira Experiência com A Acidez dos Alimentos. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores. A Pré-história do Brasil. Minha Primeira Experiência com O Som e a Música. O Deserto do Maranhão. Insetos Sociais. Instituto Butantã. A Maravilhosa História da Batata II. Homens e Mar. Tá Limpo. Solos. Zoom Cósmico. O Povo das Gerais.Apêndice B Audiovisuais do projeto didático Vale Vídeo. Homenzinhos. O Semiárido Brasileiro. Dinossauros II. A Toca do Coelho. O Jequitibá. A Maravilhosa História da Batata I. Evolução. A Química da Cozinha. Esquistossomose. Os Senhores da Mata Atlântica. Floresta Inundada. O Meio Ambiente do Espírito Santo. Como Cresce a Margarida. A Velha a Fiar. O Começo da Vida. Corpo Humano. Aves II. Como Nasce e Cresce o Sapo. Como Cresce o Feijão. Aves I. Biodiversidade.

Dinossauros. Cores do Espírito Santo. Formas do Maranhão. Aves II. Os Homens e a Lua. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores. Sons de Minas Gerais. Sons do Espírito Santo. Formas do Espírito Santo. A Toca do Coelho. Como Classificar Animais?.Parte 1. Lar de Homens e Animais . Como Nasce e Cresce o Sapo. A Maravilhosa História da Batata II. Floresta Inundada. A Borboleta. Higiene Corporal.Parte 2.Uma Árvore e seu Ecossistema. Formas de Minas Gerais. Corpo Humano: Um Ecossistema . Como Cresce o Feijão. A Maravilhosa História da Batata I. A Velha a Fiar.Apêndice C Audiovisuais do projeto didático Vídeo Escola. Século XX: Primeiros Tempos. O Semi-árido Brasileiro. Chapada dos Guimarães. Corpo Humano: Um Ecossistema Parte 1. O Começo da Vida. 104 . Sons do Pará. A Conquista do Espaço. Formas do Pará. classificados como de biociências: Os Índios Bakairi e o Jatobá. O Rio São Francisco. Cuidado Nervos. Cores do Pará. Sons do Maranhão. A Vida Nasce no Mar. Carvalho . Lar de Homens e Animais . Derivados da Cana-de-açúcar. Insetos. As Baleias em Abrolhos.Parte 2. Aves I.

TV Globo/Fundação Roberto Marinho. Série Globo Ciência. episódio: Somos Pequenos no Universo? 1996. Pré Histórias da Pedra Furada. 1998. 1999. TV Cultura. 10 episódios. TV Globo/Fundação Roberto Marinho.Apêndice D Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 – 2003. TV Cultura. TV Cultura. TV Cultura. episódio: Dr. 2000. Série Ver Ciência. o Explorador do 20° Século. Série A Mão Livre. TV Cultura. 1997. 1999. Canal Futura/Fundação Roberto Marinho. episódio: Ordem no Caos. TV Cultura. 2002. episódio: Surfboard. 2003. episódio: Futebol. 1995. 1994. TV Globo. 2001. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. Série Globo Ciência. TV Cultura. TV Cultura. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. Série Globo Ciência. 2002. episódio: Malaria. Série Arte e Matemática. 1997. Série Olhando para o Céu. TV Cultura. Série Repórter Eco. Série Globo Ecologia. episódio: A Caminho do Mar. Nise da Silveira. 105 . Canal Futura. 1998. episódio: Rondon. episódio: Insetos & Cia. 1994. episódio: Chuá Chuágua. 1998. Minuto Científico. Teca na TV. Série Globo Ciência. Genoma: Em Busca do Sonho da Ciência. Série Globo Ciência Saúde. episódio: Tributo a Paulo Freire. Série Mar à Vista.

Apêndice E As mídias do audiovisual Existem muitas mídias de suporte para o audiovisual. não ocorre o problema do desgaste físico da mesma. além disso os equipamentos utilizados para “tocar” essas mídias (os players). ou seja a possibilidade de um acesso aleatório em qualquer ponto das trilhas de dados. em especial do DVD. utilizando os algoritmos de compactação. e o Digital Versatile Disc (DVD) que apesar de ter literalmente acabado com o mercado da fita Video Home System (VHS). na hora de exibir o vídeo. e que elas têm na essência as mesmas vantagens do velho disco de vinil. Outra grande vantagem é na hora de pausar a imagem. a High Density DVD (HD DVD) etc. Saldanha (2005) em entrevista diz: “Nossos parceiros. Outro motivo da agressiva dominação das novas mídias. como no caso do VHS. que não é muito usado no Brasil para esta finalidade. já nos cobram as cópias dos documentários em DVD. pois dizem que são mais resistentes. os índios do Xingu. quando comparadas com as fitas VHS. com a possibilidade de armazenar várias horas de vídeo com qualidade inferior ou igual ao VHS. é que não apresentam o problema da perda de qualidade com o passar do tempo e são mais estáveis fisicamente. mais ‘atualizado’. A grande diferença destas e outras mídias como a Blu-ray. pois nas novas mídias. o que é um forte limitante do uso deste recurso nas antigas mídias em fita magnética. só agora começa a ser usado no ensino (o Colégio Pedro II só agora começou a adquirir os primeiros equipamentos). podem ser programados para o acesso aos pontos predefinidos. ou de armazenar vídeos de alta definição em um 106 . facilitando em muito o educador. Mas o choque definitivo está se impondo. como o Compact Disc (CD). pois as fitas melam em pouco tempo devido a grande umidade”.

único DVD ou em outras mídias de maior capacidade física. além é claro da evolução dos padrões de compactação. 107 .

Colômbia . veiculado em 9/3/2002. com o apoio de várias instituições.para o programa “Mais Verde com Ciência”. Científico . 1989 .org.Paris. 2002 .&UIPartUID={0B11DCF7-D35E-476B-AB4E-FEA3B7A87A62} Acessada em 02/01/2005 32 108 .Americano de Jornalismo.Destaque na categoria Jornalismo do Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito.Primeiro lugar no Primeiro Concurso Latino. oferecido pelo Instituto da Qualidade e organizado pela Camplux Editora e Publicações. 1987 . 1989 . 2000 . França .X.br/main. para o programa “Boas Festas com Segurança”. 1990 . Inglaterra .Menção Honrosa no SCI-TECH Festival . 1989 .Bogotá.Vega Awards pelo episódio “pão”.Prêmio José Reis de Divulgação Científica. Disponível em: http://www.asp?ViewID={25199997-AC07-45EE-A1C101D8204DE822}&params=itemID={8BB7B665-66C6-4C99-BFDDB65FD5609096}. ANEXOS Anexo A Premiações do programa Globo Ciência 32: TV Globo.Menção Especial do Júri do “6ème Festival International de L’Émission Scientifique de Télévision” .Prêmio Master de Ciência e Tecnologia 2000.para o programa “Será que é isso mesmo?”.frm.para o programa “Será que é isso mesmo?”.Bristol.

CANADÁ Categoria Produção Infantil .Anexo B Premiações do Programa Minuto Científico 33.tvcultura.Minuto Científico 2000 PRÊMIO DRAGÃO DE PRATA 1º Festival Internacional do Filme Científico de Beijing – China. 33 Disponível em: http://www. Série "Minuto Científico" . Itália 1998 1º Encontro Latino Americano de Televisão da RAL .Gramado .br/tvcultura/sobretv/premios.Melhor Programa infanto-juvenil .Minuto Científico 1998 PRÊMIO CIDADE DE MONTREAL DO FESTIVAL TELESCIENCE .htm Acesso em 20/12/2004 109 . 1997 VII PRIX LEONARDO da Fundazione Medikinale International Special Award – Melhor Programa Estrangeiro "Minuto Científico" Parma.Categoria Programas para a Juventude. TV Cultura.com.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful