UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE BIOQUÍMICA MÉDICA

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Roberto Eizemberg dos Santos

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa. Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Roberto Eizemberg dos Santos

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Química Biológica (Educação, Gestão e Difusão em Biociências), Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica.

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Santos, Roberto Eizemberg dos.S.
Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por professores das Unidades do Colégio Pedro II/ Roberto Eizemberg dos.Santos.

Rio de Janeiro, 2005. xi, f.: il; 31 cm Dissertação (Mestrado em Química Biológica) –Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Bioquímica Médica, 2005. Orientador: Hatisaburo Masuda Co-Orientadora. Andrea Molfetta 1. Ensino de Ciências. 2. Audiovisual Científico 3.Tecnologia Educacional – Teses. I.Masuda, Hatisaburo (Orient.). II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Bioquímica Médica. III. O Tempo do Audiovisual Científico no Ensino de Biologia e Ciências.

Professor titular do IBqM – CCS – UFRJ.Roberto Eizemberg dos Santos Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Rio de Janeiro. Dr. como suplente externa. como revisora e suplente. Professor adjunto do IBqM – CCS – UFRJ. Dr. Varella Barca de Andrade. Professora adjunta do IBqM – CCS – UFRJ. Dra. ____________________________ Henrique Gomes de Paiva Lins de Barros. Professor Titular do CBPF. Professora adjunta do NUTES– CCS – UFRJ. Dr. . Dra. como orientador. ___________________________ Lacy independente ________________________ Pedro Lagerblad de Oliveira. Dra. Pesquisadora ________________________ Miriam Struchiner. ________________________ Denise Rocha Correa Lannes. 19 de setembro de 2005 Aprovado por: ____________________________ Hatisaburo Masuda.

.Dedico esta dissertação aos que não vêem no tempo um inimigo implacável que os impeça de começar uma nova jornada.

A toda a equipe do grupo de Biofísica do CBPF e. S. é difícil agradecer de uma forma satisfatória a tantos e com a real profundidade necessária. Esquivel. que soube compreender e aceitar as privações do meu ato quase insano de abandonar um ofício em troca de um ideal.Agradecimentos Em tão poucas linhas. que substituíram as canções de ninar. como o local para as minhas idéias e ideais. impalpável e incerto. o Instituto de Bioquímica Médica (IBqM). por ter me gerado. Darci M. Shirley. Lins de Barros. Henrique G. que me ensinou a disciplina necessária para a pesquisa e mostrou-me a necessidade do investimento em uma formação de boa qualidade. pode observar em mim essa tendência pela ciência e me disse “Roberto não abandone a ciência. Ao meu orientador de iniciação científica. A minha amada companheira. A Sergio Brandão. você não tem esse perfil” e que na minha volta. Sarah. do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). em especial. Ao meu pai. e a sua gentileza no empréstimo dos catálogos do Ver Ciência e do Image et Science e . P. que nas suas leituras de revistas de divulgação científica. que reconheceu a qualidade do material audiovisual que produzi. apontou-me essa casa da excelência. amado. implantando no fundo da minha alma o gosto pela ciência. à minha orientadora de desenvolvimento tecnológico e industrial. que vinte anos atrás. Em primeiro lugar agradeço a minha mãe. Celso. educado e apoiado. da Vídeo Ciência. mesmo agora num momento em que caberia a mim a função de retorno desse apoio. não posso conceber você como um dentista.

por viabilizarem meus novos audiovisuais de divulgação/educação. brilho e consistência ao meu trabalho. porém soberba. Jacqueline Leta. do Programa de Gestão. Aos meus companheiros de estudo. Ricardo F. A Profa. fazendo assim uma orientação efetiva. Andrea Molfeta. e que com a sua visão bem humorada. em especial ao Luis Dourado. junto a TV Cultura SP. Educação e Difusão em Biociências (PEGeD) . orientou e me deixou à vontade na minha busca pelo conhecimento. A Profa. do Departamento de Cinema Rádio e Televisão da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). pela complementação dos catálogos. A Teresa Otonto da TV Cultura SP pelo envio do catálogo de 1995 do Festival Image et Science e do catálogo 2004 do Festival Vedere la Scienza. que apontou alguns problemas em meu caminho. e aos Profs. A minha co-orientadora de mestrado. A minha revisora Denise Lannes. Ao meu orientador de mestrado Hatisaburo Masuda do Laboratório de Bioquímica de Insetos. deu mais vida. por mostrar o . Suzete Bressan e seus alunos do Laboratório de Entomologia Médica. Monteiro e Margarete Macedo Monteiro e seus alunos do Laboratório de Ecologia de Insetos do IB. A José Renato Monteiro. que mesmo tendo seus castelos a construir. soube identificar e intervir nas horas propícias. que se dedicou em encontrar e me mostrar os cadafalsos escondidos no trajeto. do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF). contribuíram para a minha formação. também do PEGeD. sem o risco da perda de interesse. que me acolheu.que apontou também esta casa para alavancar a minha formação. que com seus sólidos conhecimentos das imagens em movimento.

A Denise Mano. . por me ceder sua bibliografia e apontar soluções. em especial a Heloísa e Lílian. A todos os autores citados. e a Elisandra Galvão. aos entrevistados e aos professores das unidades do colégio Pedro II. sem os quais esta dissertação não teria fundamentos ou credibilidade. sem a qual nossa vida acadêmica certamente seria mais difícil. A Tereza Lima. A toda a equipe do Laboratório de Bioquímica de Insetos. que me assessorou junto aos professores do Colégio Pedro II. que graças à bolsa concedida ao programa de demanda social. viabilizou a minha dedicação exclusiva nesse estudo.quão é ímpar a linguagem do cinema. permitindo assim o êxito desta parte da pesquisa. E a CAPES.

foi analisada segundo a ótica de alguns produtores de vídeo que. os quais são utilizados de uma forma fragmentada. assim como nos audiovisuais disponíveis pela produção de divulgação científica nacional. que podem ser vistos nas redes de televisão abertas e por curta e média duração. em um colégio federal no Rio de Janeiro. nas tevês por assinatura e nas tevês abertas. Rio de Janeiro. Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II. encontramos que esse material é composto. como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica. do tempo de duração de audiovisuais. quando produzidos por empresas internacionais. . Nesta dissertação. o tempo de duração de audiovisuais (filmes e vídeos científicos) que são disponibilizados ao professor de ensino médio e fundamental foram analisados. majoritariamente. Foi encontrado. Vídeo Escola e Vale Vídeo). na prática de ensino. Gestão e Difusão de Biociências do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. também. que existe uma predileção dos professores por produtos internacionais. analisouse também a forma como os audiovisuais são utilizados em sua prática de ensino.Resumo Santos. por programas de curta duração (menos de 30 minutos) nos projetos pedagógicos (TV Escola. são conduzidos pelas necessidades das grandes redes de televisão. Roberto Eizemberg dos. Como resultado. Esta mesma questão. 2005. Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-Graduação de Educação. de um modo geral. Além disso.

the way these videos are utilized inside the classroom. The videos analyzed were from the collections from.UFRJ. Profile of Time of Scientific Audiovisuals and a Case Study of Their Utilization. which in general. Vale Video.Abstract Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Santos. was also analyzed. Besides that. by the teachers from the Units of Colégio Pedro II. Video Escola. available for teachers from basic and high school. were also analyzed according to the point of view from the producers. as part of the requirements necessary to the attainment of Master of Science Degree in Biological Chemistry In this dissertation. were analyzed. in a Federal School from Rio de Janeiro. . inside classroom. The duration of videos. that can bee seen in the broadcast TV network. As a result. Rio de Janeiro. Roberto Eizemberg dos. usually produced by international companies. are conducted by the requirements imposed by the main TVs network. TV Escola. Dissertation submitted to the Graduate Program in Education. Management and Diffusion of Biosciences from the Instituto de Bioquímica Médica of the Universidade Federal do Rio de Janeiro . are of short duration (less than 30 minutes). in Biology and Sciences Education. It was also found that the teachers prefer international products. as well as from the collections of videos produced in Brazil for scientific diffusion. 2005. Short and long duration videos are obtainable from cable TVs and also from broadcast TV. that are utilized in a fragmented mode. the duration of scientific audiovisual (films and videos). the one’s from pedagogic projects. we found that among these videos.

Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais e audiovisuais internacionais. dos audiovisuais produzidos no INCE. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. do projeto Vale Vídeo. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal. 40 Figura 05. Figura 08. 37 Figura 03. do projeto Vale Vídeo. Figura 06. do projeto Vídeo Escola. 45 Figura 09.LISTA DE FIGURAS Figura 01. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo. 46 . 14 Figura 02. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo. Freqüência percentual por classe de tempo. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas. Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. dos audiovisuais nacionais e dos audiovisuais de outros paises. do projeto Vídeo Escola. 42 Figura 07. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de 44 audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola. 38 Figura 04. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo 41 do conjunto de vídeos de todas as áreas.

apresentados na programação da TV Escola. no período 1996 – 2002. período1999-2004. Freqüência percentual por classe de tempo. no período 1996 – 2002. para trabalhar os conceitos selecionados. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência do gênero de audiovisual utilizado pelos 27 professores entrevistados. 51 Figura 13. no ano de 2004 56 Figura 16. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais da TV Escola. dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 e 2000-2004. Freqüência percentual por classe de tempo. 63 Figura 19. E representação dos segmentos propostos pela equipe da Discovery. Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II. 57 Figura 17. dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science. 48 Figura 11. Gráfico inserido. Outra opção de gênero dos 25 professores que usavam o documentário. dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola. No gráfico inserido. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola. 64 67 68 69 .Freqüência percentual por classe de tempo. no período 1996 – 2002. Freqüência percentual por classe de tempo. 52 Figura 14. 49 Figura 12. no período 1994 – 2003. preíodo1994-2004 Figura 20. 60 Figura 18. Figura 22. Linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos. no período 2000 – 2001 54 Figura 15. que usam o audiovisual no Colégio Pedro II.Figura 10. freqüência percentual de todos os audiovisuais. dos audiovisuais nacionais de ciências e dos audiovisuais internacionais de ciências apresentados na programação da TV Escola. Freqüência percentual por classe de tempo. nos qüinqüênios 1994-1998 e 1999-2003. no período 1996 – 2002. Figura 21. dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 e 2000-2004 Gráfico inserido. Freqüência percentual por classe de tempo.

pelos 27 professores que usavam o audiovisual. Acervo dos 27 professores que usavam o audiovisual. Práxis relativa a fragmentação dos audiovisuais.Figura 23. Figura 25. Figura 24. 70 70 71 . Fonte do material usado pelos professores.

Categorização dos Acervos de Audiovisuais. 42 efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U). Audiovisuais. descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE). . 35 Tabela 05. segundo sua Origem e Finalidade. do projeto Vale Vídeo. Total de Audiovisuais.LISTA DE TABELA Tabela 01. segundo sua Origem e Finalidade. 34 35 Tabela 04. Tabela 03. segundo a Finalidade. 33 Tabela 02. Audiovisuais dos Acervos segundo sua Origem. Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências.

02 03 . Seqüência de 4 fotos tiradas por Janssen de Vênus frente ao Sol.LISTA DE IMAGENS Imagem 01. Vôo do pelicano. com seu Revólver. Imagem 02.

LISTA DE SIGLAS AIVC BBC CAPES CBPF CD CNPq CNRS CVRD DVD ECA ftp HD DVD http IBqM INCE MEC PDF SEED Semtec UFPA UFRJ UNESCO USP VHS WWW Associação Internacional Ver Ciência Britsh Broadcasting Corporation Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas Compact Disc Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Centre National de la Recherche Scientifique Companhia Vale do Rio Doce Digital Versatile Disc Escola de Comunicação e Artes File Transfer Protocol High Density DVD Hiper Text Transfer Protocol Instituto de Bioquímica Médica Instituto Nacional de Cinema Educativo Ministério da Educação e Cultura Portable Document Format Secretaria de Educação a Distância Secretaria de Educação Média e Tecnológica Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Rio de Janeiro United Nations Educational Scientific and Cultural Organization Universidade de São Paulo Video Home System World Wide Web .

LISTA DE ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS < > = % A1 A2 α DF n n1 n2 P1 P2 π s/d Sd Se U Menor que. Erro padrão. Igualdade de grandezas. Tamanho da amostra menor. ou seja. Soma dos postos da amostra menor. a grandeza da esquerda do símbolo é maior que a grandeza da direita. Desvio padrão. Maior que. Tamanho da amostra maior. Estatística U de Mann-Whitney. a grandeza da esquerda do símbolo é menor que a grandeza da direita. ou seja. População. Soma dos postos da amostra maior. Nível de significância estatístico. Distrito Federal Tamanho da amostra. Amostra 1. Amostra 2. Percentagem. Sem data. .

2.1. Publicações digitais como fonte de dados: III.2.1.2. Nacionalidade III. Coleta e Análise dos Dados III. Entrevistas com Produtores. Objetivos 16 III.1. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo I.1.2.3.Audiovisuais Científicos III. O Sonho no Ensino I.5.2.2. Finalidade III.2.2 Seção 2 – Professores e Especialistas III.1.1.2.1.4.1. Amostra III. Análise de Dados III.2. Introdução I. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III. O Tempo no cinema I.2.2.4. Perfil de Tempo III. Metodologia III.1.5. A Mãe do Cinema I.3.1. Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados 17 17 17 21 21 21 21 22 25 27 27 27 28 30 30 30 .SUMÁRIO I.2. Áreas do Conhecimento III.4. Recomendação dos Especialistas III.3.1 Seção 1 . O Tempo no Ensino 1 1 2 4 6 8 14 II.1. Análise Estatística III. A Linguagem do Audiovisual I. Amostra e Coleta de Dados III.4.1.2.6.2.4.2.2.

Discussão V.11. Finalidade e origem IV.1.2.Sessões Internacionais IV. Divulgadores e Consultores.1. Referências Bibliográficas VIII.2. O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências V. Resultados IV.1.6. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal IV.10.1.IV. TV Escola Programação de Ciências IV.Programa Vendo e Aprendendo IV. TV Escola Programação de Meio Ambiente IV.1.5.Sessão Brasil IV. Entrevistas com Produtores.2..3.1.1.2. Palestra IX. Perfil de Duração IV. Apêndices 94 101 102 . Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) IV.2.1.8.1.7. Mostra Ver Ciência .1.9. Mostra Ver Ciência . Vídeo Escola IV.2. Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II 76 76 81 VI.1.4.1.2 Seção 2 Professores e Especialistas IV.1. Vale Vídeo IV.1. TV Escola .1.1 Seção 1 – Audiovisuais Científicos IV. 32 32 32 36 36 37 39 43 46 50 52 55 58 62 64 65 65 72 V. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II IV.1.1. Conclusões 91 VII. Festival Image et Science IV. Discovery na Escola IV.

TV Cultura 108 108 109 . classificados como de biociências Apêndice C: Audiovisuais do projeto pedagógico Vídeo Escola.2003 Apêndice E: As mídias do audiovisual 105 106 104 103 102 X. Anexos Anexo A: Premiações do programa Globo Ciência: TV Globo Anexo B: Premiações do Programa Minuto Científico.Apêndice A: Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação Apêndice B: Audiovisuais do projeto pedagógico Vale Vídeo. classificados como de biociências Apêndice D: Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 .

Gênesis Cap 1.E Deus disse: "Faça-se a luz!" Então se fez a luz. Ver 3 .

que em suas várias linguagens próprias levam a alegria. Busselle. o registro documental do tempo. um tempo visto e sentido. difundindo aos poucos. unidos aos artistas do fazer. sonho indizível de muitos e que foi concretizado por alguns intrépidos na primeira metade do século XIX. não só uma idéia. Resnick. ora aliados. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo A luz. tendo como um dos parâmetros. 1978. transportaram o tempo na velocidade da luz. a onipresente velocidade da luz. alquimistas e artistas. que com seus incansáveis sonhadores.I. a tristeza. guardados e retocados. Então o tempo agora foi dominado? Pelo menos o tempo relativo.1. 1971 e Tosi. mas seus conjuntos. Congelar sua presença significa captar um momento no implacável relógio do tempo. conseguiram essa proeza maior. Mistura de cientistas. ora antagônicos. 1 Texto baseado em. estes gênios do fazer materializaram a luz em substratos que agora podiam ser vistos. Não demorou muito e a genialidade humana começou a cobiçar a possibilidade de guardar não só um momento. no decorrer do último século e do que estamos. Martinet. a ciência e até o saber 1. pois a sua grandeza esperou ainda o início do século XX para sair do discurso metafísico e ser relativizada. s/d. mas implacavelmente. 1 . INTRODUÇÃO I. novamente. Nascia então no final deste mesmo século. a fábrica dos sonhos. imagens e sons. Mannoni. 1994. a nossa máquina do tempo: o cinema. mas o tempo integral e. E assim compreendida por uma ciência. 1987. não só uma cabeça.

como Tosi (1987) e Martinet (1994). p. Imagem 01. por ter desenvolvido e padronizado. Assim Janssen é apontado como o pai do cinema. Seqüência de quatro fotos de Vênus frente ao Sol. que atribuem esta paternidade ao astrônomo francês Jules Janssen (1824-1907). “esse é o primeiro aparelho que fotografa as diferentes fases de um movimento não simulado” (tradução nossa) e segundo Tosi (1987.2. aproximadamente. tiradas por Janssen. que em 1874. 3 Imagens obtidas em: http://web. Aperfeiçoado pelo fisiologista francês Etienne-Jules Marey (1830-1904). A Mãe do Cinema Determinar a paternidade e a data de nascimento do cinema não é tarefa fácil. com seu Revólver Fotográfico 3. conseguiu registrar em uma placa circular de Daguerre 2 as imagens sucessivas da passagem do planeta Vênus frente ao disco solar. como diz Mannoni (s/d. com o seu Revólver Fotográfico. apesar de apontados como pais do cinema.inter. 1978. 5). Assim.net/users/anima/chronoph/janssen/index. o Revólver Fotográfico de Janssen tornou-se portátil e passou de.I. com a sua projeção pública de 1895. com isso “O cinema científico nasceu anos antes que o cinema de entretenimento” (tradução nossa). 2 Segundo Busselle. 18).nl. tem sua paternidade contestada por alguns autores. é apontado como o pai da fotografia. e desta forma fica clara a maternidade científica deste meio audiovisual.htm Acesso em 25/12/2004 2 . Os irmãos Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948). Louis-Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). na década de 30 do século 19. um processo realmente fotográfico e independente do acaso. p.

com Acesso em 22/12/2004 3 . ganhando assim a nova denominação de fuzil fotográfico. as previsões de Janssen. tradução nossa). Imagem 02. o grande interesse que teria para um problema tão obscuro como o do vôo das aves. Os aperfeiçoamentos subseqüentes. Vôo do pelicano 4. a partir de 1882. vieram a popularizar o cinema. 1987. Com esse desenvolvimento Marey pode concretizar. que em 1876 disse: Uma série de fotografias que cubra um ciclo completo de movimento de uma função específica nos outorgaria dados valiosos para explicar seu mecanismo. (TOSI. por exemplo. Os estudos de Marrey sobre a locomoção dos animais foram contemporâneos aos estudos do fotógrafo inglês Eadweard James Muybridge (18301904).uma imagem a cada um segundo e meio para 12 imagens por segundo. com o uso de substratos flexíveis (películas) e novas técnicas de projeção. foram bem aproveitados pelos irmãos Lumière que. 4 Imagem obtida em: http://www. Segundo Sá (1967). mediante a obtenção de uma série de fotografias que representem os diversos momentos da asa em movimento.expo-marey. com a invenção do cinematógrafo. Assim é fácil imaginar. que usava um conjunto de câmeras para obter as imagens.

no que seriam os seus primórdios. mas também uma necessidade da sociedade que se modernizava. O Sonho no Ensino A possibilidade de registrar em filme processos naturais. aspectos corriqueiros ou mesmo raros. tradução nossa). Suas projeções de reportagens e de filmes de viagem popularizaram o gênero documentário. Tem um imenso valor como instrumento didático” (TOSI. tais como: documentar o trabalho ou objeto da pesquisa. O filme científico strictu sensu é produzido no âmbito da pesquisa cientifica e cumpre papéis específicos. 1925 apud SERRANO e VENANCIO FILHO. em 1898. que certamente foi percebida por muitos.Louis Lumière fez a primeira grande reportagem ao registrar. defendeu-se o Dr Eugène-Louis Doyen (1859-1916). após uma apresentação cinematográfica dos filmes dos irmãos Lumière. em 1896. “É para o meu ensino pessoal e para o de meus discípulos” (COISSAC. I. “Considero que a cinematografia é um espetáculo inteligente e instrutivo. a coroação do Czar Nicolau II. procedimentos técnicos e/ou científicos. desde muito cedo instigou os educadores para o seu uso como meio auxiliar no processo educativo. 1930. 4 . sempre foram um fator relevante no contexto educacional. a vocação do cinema científico para o ensino. Nesta ação ousada de um homem de ciência fica caracterizada. Adequá-las às condições do ensino parece ter sido uma busca constante dos educadores. As imagens em movimento. 1987. Não tardou muito até que outro visionário desse mais um passo na direção do inevitável. p. p 93. Estas são palavras de Lev (Leão) Nikolaievitch Tolstoi (1828–1910). com ou sem som. Elas descrevem mais do que uma mera constatação. por deixar reproduzir pelo cinematógrafo uma de suas operações.3. 24). em 1898.

a exposição lógica e a avaliação correta da receptividade da platéia. 1993. mormente. em grande parte. Vocação que responde perfeitamente aos parâmetros de construção das narrativas míticas que alimentaram as pedagogias de perpetuação cultural da Humanidade. p. inclusive o Brasil. 23) Mas. implementaram os seus próprios órgãos responsáveis pela produção de filmes educativos (SCHVARZMAN. 120). O objetivo do montador de documentários ou filmes de ficção é criar uma atmosfera – dramatizar acontecimentos. querer “limpar” a linguagem audiovisual dessa sua vocação de liberdade ante a lógica do tempo e do espaço. Além disso. existe muita dúvida se a linguagem usada nesses filmes era capaz de motivar o público alvo. Muitas vezes é uma das ferramentas investigativas. uma boa parte da linguagem desenvolvida pelo cinema se perde. quando se utilizam técnicas especiais. Entretanto. O desenvolvimento das técnicas de filmagem e a grande produção de filmes científicos alavancaram uma indústria crescente de produção de filmes especificamente para o uso no ensino. O erro cometido na tentativa de criar o cinema educativo foi. também se podia usar filmes comerciais no ensino. irrelevante. Ao explanar sobre a importância do cinema no 5 . p. (FRANCO. E pode ser usado. 2001. como a microfilmagem ou a filmagem em alta velocidade. A força que arrastava multidões às salas de exibição foi suprida pela obrigatoriedade do estudante em permanecer durante a exibição na aula. Alguns paises. também. A finalidade dos seus filmes é ensinar e os seus objetivos devem ser a clareza. (REISZ e MILLAR. nem tudo era de qualidade questionável. 1978.para arquivamento ou para o uso na divulgação. exatamente. A razão para isso pode estar na forma como eram (e em muitos casos ainda são) produzidos. Para o montador de filmes educativos esta consideração é. p. 174) Sem o uso da dramatização. no ensino.

tenha uma probabilidade maior de seduzir seu público alvo. de modo analógico ou simbólico.ensino e a força desta linguagem. 6 .4. (SÁ. diz: As idéias abstratas podem ser traduzidas em símbolos e a escala dos valores focados pelo cinema vai de Deus ao mais insignificante objeto [. Este ponto de vista é um pouco reducionista e simplifica o cinema à visão baseada na cronofotografia 5 de Marey e Muybridge. Mas. nem sempre foi assim. se ele próprio possuir a vivência do espiritual ou puder captar-lhe a presença nos seres mais humildes. Na realidade. através da imagem em movimento e da montagem. A Linguagem do Audiovisual Segundo Ramos (2003). do desenvolvimento de uma linguagem própria.. técnica. além de contar com rica bibliografia. 1967. que reforçava assim. 14) É esperado que um produto.. pode tornar perceptível. “Cinema é a projecção luminosa da synthese mecanica da figura analytica do movimento”. p. Segundo Almeida (1931). feito com esmero e que tenha uma linguagem atraente.. Apesar das muitas restrições de ordem econômica. a veterana escritora e professora de cinema Irene Tavares de Sá. principalmente. A competência e criatividade de produtores de “vivência” supriam os educadores das primeiras décadas do século XX com a sua “matéria” prima para o trabalho. 1980. foram criadas verdadeiras jóias. política etc. “baseado num conjunto de códigos cinematográficos particulares e gerais” (METZ. a própria divindade. em meio a uma proliferação de filmes educativos. p. 80). o cinema foi sendo construído através. “O cinema é a matriz imagético-sonora do campo midiático da sociedade contemporânea”.] Um verdadeiro artista. E a razão para isso é que se trata de uma arte bem consolidada e estruturada em bases sólidas. 5 É o processo de análise de movimento através de fotografias sucessivas. I.

a colocação do cinema como arte. que constituem a linguagem cinematográfica no sentido estrito). Saussure distingue. um produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias.. os “códigos de nominação icônica”. Considerada em seu todo. Desta forma. Aspas e parênteses do autor) 7 . 1995. . ao contrário. . constituída de várias línguas. Franco (1993. é um todo em si e um princípio de classificação. A “inteligibilidade” do filme passa por três instâncias principais: . a linguagem é uniforme e heteróclita. Em seu curso de lingüística geral. devemos começar por entender a linguagem do cinema. p. finalmente. Aspas do autor) Sobre a linguagem do cinema. é um ato individual de vontade e de inteligência”. essas figuras estruturam os dois grupos de códigos precedentes funcionando “acima” da analogia fotográfica e fonográfica. o ambiente escuro das cavernas onde os mitos eram narrados ao redor da fogueira”. as figuras significantes propriamente cinematográficas (ou “códigos especializados”. para entendermos a linguagem do audiovisual. a língua da linguagem. A primeira não passa de uma parte determinada da segunda: ”ela é. que deve ser ciente desses códigos moldados pelo contexto. tem a função de comunicar uma mensagem codificada e canalizada a um destinatário. (AUMONT e outros. 1995. p. 20) afirma que: “ninguém o contestou como linguagem especialíssima. (AUMONT e outros. em primeiro lugar.. 184. ao contrário.como num feedback. a língua. 177. iluminada pela luz intermitente do projetor.) A palavra. ao mesmo tempo. que recriou na sala escura. a analogia perceptiva. Esta linguagem própria. (. que servem para dar nome aos objetos e aos sons. p. Para isso precisamos entender a linguagem como um todo e saber sua diferença com relação à língua.

Estes fundamentos da linguagem do cinema permeiam as outras manifestações imagético-sonoras que o sucederam, sendo que cada uma guarda suas características diferenciais que as individualizam como artes distintas que são. Podemos, a partir do conhecimento destas diferenças, chamá-las de “manifestações audiovisuais do movimento” e que, nesta dissertação, chamamos por simplificação de audiovisual.

I.5. O Tempo no Cinema A grande mudança conceitual da fotografia, como uma seqüência de fotografias, foi que: “Pela primeira vez, a imagem das coisas é também a imagem da duração delas” (BAZIN, 1991, p. 22 apud GRUZMAN, 2003, p. 65). Assim, o cinema introduziu uma temporalidade na imagem. Para abordar o tempo no cinema, devemos necessariamente entender como são feitos os filmes. De uma forma sucinta, todo o filme nasce de uma idéia inicial. Essa idéia é melhorada e ampliada até se chegar a um argumento que contenha os elementos básicos do filme: do que se trata a história, aonde serão feitas as filmagens, o tempo de duração do filme, como será contada a história e para quem. Com essas e outras variáveis devidamente equacionadas, passa-se para a fase onde esses elementos serão tratados do ponto de vista técnico e de linguagem. A esses procedimentos chamamos de roteiro. Segundo Field (2001, p. xv), “um roteiro, logo percebi, é uma história contada com imagens”. Assim, não devemos descuidar na perfeita utilização destas imagens, quando formulamos um roteiro. O próximo passo é o de obtenção das imagens e dos sons, que deve seguir da melhor forma possível o roteiro. Pronto! Temos um roteiro, temos as imagens e

8

sons. “Então temos um filme?” Ainda não, pois ele tem que passar, quase 6 invariavelmente, por uma fase que é chamada de montagem. “A montagem é o princípio que rege a organização de elementos fílmicos visuais e sonoros ou de agrupamentos de tais elementos, justapondo-os, encadeando-os e/ou organizando sua duração”. (AUMONT e outros, 1995, p. 62). Com essa definição “ampliada” de montagem, esse autor deixa claro o quão importante é a montagem na confecção de um filme. Fica claro também a sua influência na linguagem, pois ela introduz códigos que irão facilitar ou, em alguns casos, viabilizar o entendimento do filme. Seguindo ou não um roteiro, é através da montagem que se vai criando a narrativa. Com ela podemos direcionar a percepção e influenciar os elementos psicológicos que nos dão a sensação de temporalidade.
Assim a montagem alternada constituiu-se, progressivamente, de Porter a Griffith: tratava-se de produzir a noção de simultaneidade de duas ações pela retomada alternada de duas séries de imagens. O projeto narrativo gerou um esquema de inteligibilidade da denotação, pois os espectadores sabiam, a partir de então, que uma alternância de imagens sobre a tela era capaz de significar que, na temporalidade literal da ficção, os acontecimentos apresentados eram simultâneos, o que não era o caso dos primeiros espectadores de Méliès. (AUMONT e outros, 1995, p. 192)

De fato, Edwin Stratton Porter (1869-1941), em 1902, desenvolve a narrativa da seqüência temporal de acontecimentos em seu filme, A Vida de um Bombeiro Americano. Os fatos simultâneos são apresentados em planos distintos. Ou como sintetizam Gaudreault e Jost (1995, p. 124), “[...] que mostram sucessivamente dois aspectos concomitantes [...] de uma única ação [...]; no plano estritamente cronológico. A mesma ação se apresenta em duas ocasiões e podemos falar de montagem repetitiva” (tradução nossa e itálico do autor). Segundo Reisz e Millar
6

Existe ainda a opção de filmar diretamente, seguindo ou não um roteiro, e obtermos um filme.

9

(1978, p. 4-7), este foi um caminho novo. Fugindo da linguagem contemporânea, Georges Méliès 7 (1861-1938) iria “[...] dividir a ação em três seções independentes, ligadas por letreiros”. Essa narrativa pode ser um pouco confusa para um espectador contemporâneo devido à grande duração da seqüência dos planos, antes da alternância. Entretanto, foi desta forma que Porter deu os primeiros passos no sentido de desenvolver essa linguagem, que organiza os códigos. Segundo Mourão (2002), “é na montagem que encontramos a imagem do tempo uma vez que o tempo cinematográfico, sendo uma representação indireta, depende da organização das imagens e sons para que ele se constitua”. Com isso temos o que no meio cinematográfico é comumente chamado de tempo fílmico, que se difere do tempo físico ou real por ter sua “duração” moldada pela percepção psicológica dos signos e códigos audiovisuais do cinema (AUMONT e outros, 1995, GAUDREAULT e JOST, 1995, METZ, 1977 e 1980, REISZ e MILLAR, 1978). Temos assim três formas de relações entre o tempo fílmico e o tempo físico: Tempo fílmico = tempo físico - é o caso do material apresentado sem cortes, como por exemplo, uma partida de futebol na íntegra (inclusive o tempo dos intervalos). Tempo fílmico < tempo físico - é quando se colocam acontecimentos demorados, de forma sucinta. Como exemplo temos o crescimento do broto de uma planta até o desabrochar de sua flor, que pode ser mostrado em uma tela, em poucos segundos, usando a técnica de lapso de tempo, ou o jogo supracitado, com a remoção dos intervalos.

7

Georges Méliès, ilusionista e cineasta francês, é um dos pioneiros do cinema.

10

Assim temos um acontecimento muito rápido sendo mostrado de uma forma mais lenta.é o caso inverso ao supracitado. que é mais natural. Teremos assim uma narrativa linear. Mas toda essa notação do cinema ainda não dá conta do que podemos fazer com o tempo. Fica claro ser uma questão de se estar familiarizado com a linguagem ou de ser devidamente apresentado ao novo conceito. de mesma duração. Como exemplo. 11 . introduzir um futuro no presente (flash-forward). a ordem cronológica dos acontecimentos. melhor ainda. cada uma delas com o tempo fílmico igual ao tempo físico. assistindo ao desabrochar de uma flor. Consideremos a alternância de imagens ocorridas simultaneamente. O caso do filme de Porter pode nos elucidar melhor quando o tempo fílmico é maior que o tempo físico. Com todas essas possibilidades podemos transformar um filme (quase) em um sonho. Podemos ainda. Vejamos um exemplo sobre a necessidade de aprender os códigos. O resultado final é uma mera conta matemática. ou introduzir flash-backs em um filme que seguia a cronologia natural. que pode ser filmada com técnicas de filmagem em alta velocidade e depois ter seu tempo expandido durante a apresentação do filme. sem uma seqüência lógica. Podemos também transgredir o fluxo natural do tempo. com a narrativa sendo feita dos últimos acontecimentos até um tempo passado (em flash-back).Tempo fílmico > tempo físico . o tempo fílmico é duas vezes maior que o tempo físico. Suponha uma pessoa que nunca assistiu a um filme em lapso de tempo. temos uma explosão. Isto pode ser uma experiência enigmática para ela e facilmente ela pode pensar que aquela espécie de flor desabrocha naquela velocidade. ou seja. Na montagem podemos seguir uma ordem lógica ou. sem uma locução explicando detalhadamente o fato.

tendendo à supressão da temporalidade. De certa forma a grande maioria dos filmes, ainda guardam os pontos básicos de uma narrativa que segue alguma ordem.
Um início, um final: quer dizer que a narração é uma seqüência temporal. Seqüência duas vezes temporal, devemos acrescentar logo: há o tempo do narrado e o tempo da narração (tempo do significado e tempo do significante). Esta dualidade não é apenas o que torna possíveis todas as distorções temporais verificadas freqüentemente nas narrações (três anos da vida do protagonista em duas fases de um romance, ou em alguns planos de uma montagem “freqüentativa” no cinema etc.); mais essencialmente, ela nos leva a constatar que uma das funções da narração é transpor um tempo para um outro tempo e é isso que diferencia a narração da descrição (que transpõe um espaço para um tempo), bem como da imagem (que transpõe um espaço para outro espaço) (METZ, 1977, p. 31-32. Parênteses, aspas e itálico do autor).

A compreensão da temporalidade da linguagem do cinema, que também está presente nas outras linguagens audiovisuais, nos leva à discussão sobre a percepção do tempo. Após suas exposições, metafísica e transcendental, do conceito do tempo, Kant (1996, p. 79), tem como uma das suas conclusões que: “O tempo nada mais é senão a forma do sentido interno, isto é, do intuir a nós mesmos e a nosso estado interno”. As reflexões de Immanuel Kant (1724-1804) são muito ousadas para a sua época e, de certa forma, trouxeram mais luz ao conceito de tempo e de sua percepção.
A Percepção de Tempo. Não só é a seqüência temporal da natureza e a realidade mais enigmática no mundo externo; é também a coisa mais espantosa do homem como ele mesmo. Como o problema de percepção espacial, o problema da percepção do tempo é um velho, e sempre-novo, enigma da psicologia. (REISER, 1926, p. 240, tradução nossa)

A afirmação acima poderia ser feita hoje e uma das razões para isso é, como explica Ades (2002), “O paradoxo do senso do tempo é que, constituindo uma característica geral e permanente do comportamento, ele não decorra, diretamente, de dados sensoriais. Não existe um órgão dos sentidos especializado em perceber o

12

tempo”. Desta forma, assim como na montagem de um filme, o tempo que percebemos é oriundo de uma construção, uma montagem psicológica que fazemos das imagens, sons, sensações táteis e outros sinais que recebemos através dos órgãos do sentido, e como tal, é sujeita a variações decorrentes do nosso estado psicológico.
O tempo psicológico ou tempo vivido (duração interior), por sua vez, não coincide com as medidas temporais objetivas. Variando de indivíduo para indivíduo, sendo subjetivo e qualitativo, sujeita-se apenas ao registro de momentos imprecisos, que se aproximam ou tendem a fundir-se, numa organização determinada por sentimentos e lembranças [...] (RIBEIRO, 2002, p 24)

Então, a “duração” de um audiovisual pode ser alterada pelo nosso estado emocional, que também é afetado pelo próprio audiovisual. Com relação a isso, podemos colocar ainda dois fatos importantes para a compreensão da percepção do tempo. Um deles é que as coisas que nos agradam ou desagradam podem alterar consideravelmente a nossa percepção do tempo. Segundo Ades (2002), “Thayer e Schiff (1975) criaram uma situação em que pessoas deveriam ficar, frente a estranhos, sorridentes ou carrancudos. O sorriso do outro fez correr o tempo, sua carranca o brecou”. O outro é que os resultados de Flaherty (1991) endossam os estudos de Hogan (1978), que encontrou uma relação entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo, resultando em um gráfico em forma de U (Figura 01). O gráfico mostra que quando o estímulo é moderado (abscissa - eixo E), a percepção do tempo tende a uma sincronicidade com o tempo real (ordenada – eixo T). Entretanto, quando o estimulo é baixo ou alto a percepção do tempo tende a ser expandida (duração prolongada).

13

T

E

Figura 01. Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. Redesenhado de Flaherty (1991, p. 80).

Com isso, fica claro que uma seqüência de imagem leva em si um tempo físico, ou seja, o tempo real, e um tempo fílmico. O tempo real pode ser aferido por um instrumento de medida, que não deve variar quando submetido a outras aferições, pelo menos em condições normais. O tempo fílmico é construído na “mensagem” do(s) sujeito(s) que produz(em) o audiovisual e é “diferida no tempo e no espaço” (BRAGA e CALAZANS, 2001, p. 27) ao sujeito que o assiste. E tudo pode variar quando medido por outro sujeito, ou pelo próprio, quando de uma próxima audiência.

I.6. O Tempo no Ensino A questão do tempo vista na óptica do professor que utiliza o audiovisual na prática de ensino já é debatida desde o início do uso de audiovisuais nas escolas. A primeira regra de higiene útil nas projeções animadas de Sluys (1922, apud Serrano e Venâncio Filho,1930, p. 68) é direcionada à relação tempo do filme e idade do espectador - “Duração máxima das projeções: 20 minutos para crianças de menos

14

Além de estipular um tempo de duração. Segundo Carter (2003. O que o educador acaba por perceber logo no início de sua carreira. p. que tem papel na manutenção da atenção. deixando uma lacuna que o educador acaba preenchendo com o uso da sua vivência e criatividade. como também ao rendimento do processo como um todo. 1930. não só no que diz respeito à atenção. 32). (SERRANO e VENÂNCIO FILHO. p. ainda. O filme escolar deve ser curto. já no início da década de trinta. 15 . para os commentarios adequados a cada trecho do filme e. não foi encontrada nenhuma referência sobre o uso desta tecnologia educacional em aulas mais longas. Entretanto. Essa questão da duração do audiovisual leva em seu bojo a experiência individual de cada um dos educadores que cogitaram a respeito do tema e. Erro dos mais graves é pensar que um filme longo. só se tornar inteiramente mielinizado na puberdade ou depois dela”. Serrano e Venâncio Filho alertam para o fato. Muitas vezes as soluções por eles encontradas são alicerçadas na observação da reação de seus alunos. para o interrogatório verificador das observações de cada um dos alumnos. que os leigos no assumpto suppõem secundaria. Duzentos a trezentos metros representam a medida razoavel. deixa claro que quanto menores as crianças. isto é dez minutos a um quarto de hora de projecção. é de relevancia toda especial. Cumpre não fatigar a attenção da classe e deixar margem para a explicação preliminar. 94-95) Esses e outros autores mais recentes levam em consideração que o uso do audiovisual se dá em tempos normais de duração de uma aula (45 a 50 minutos). de grande metragem.de 12 anos e 30 minutos para idade maior”. menos tempo conseguem manter a atenção. A questão da metragem. este comportamento “está relacionado com o fato do núcleo da formação reticular. possa preencher bem a sua finalidade em aula.

II. OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivo principal identificar o perfil do tempo de duração dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e. a partir de um estudo de caso. (b) a composição relativa ao tempo de duração do material audiovisual nas diferentes categorias identificadas. obtidas através de entrevistas ou através de publicações associadas aos audiovisuais. Para isto. caracterizar sua utilização como prática didática do ensino formal. (d) confrontar os resultados dos depoimentos dos professores sobre a utilização dos audiovisuais com as recomendações de especialistas no assunto. buscamos identificar: (a) a finalidade (didáticos ou de divulgação) e a origem (nacionais ou internacionais) das produções de audiovisuais científicos disponíveis para utilização em circuito educacional. de um colégio federal tradicional do Rio de Janeiro (Colégio Pedro II). O termo biociências será utilizado para classificar os audiovisuais utilizados tanto pelos professores de Ciências e de Biologia. 16 . (c) o tempo e a forma de utilização de audiovisuais por professores de ciências (ensino fundamental) e biologia (ensino médio).

725 audiovisuais científicos potencialmente utilizáveis no contexto educacional. • Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal: No livro de Venâncio Filho (1941. levando-se em consideração o contexto da amostra em que foram obtidos. Amostra e Coleta de Dados Foram analisados 3. busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica. produzidos nas últimas seis décadas. Seção 1 . sendo uma filmoteca.III. a partir de um estudo de caso. acessados em catálogos. 69 – 75) são listados os audiovisuais da Filmoteca do 17 .1. uma mostra e um festival. uma tese e um livro (listagem a seguir e Quadro 01). III. publicações digitais. a área e a origem desses audiovisuais. p. sete projetos didáticos. A segunda seção.Audiovisuais Científicos Esta seção categoriza e analisa os audiovisuais científicos que foram disponibilizados apara o educador brasileiro através de projetos de cunho didáticos e de divulgação. A amostra foi obtida de 10 diferentes acervos.1.1. METODOLOGIA Este trabalho foi dividido em duas seções: A primeira seção trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo. veiculados em mídias distintas e com linguagens também distintas. III.

de sua dissertação. 209 – 225. os 401 audiovisuais produzidos no Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). cujos endereços estão disponíveis nas referências desta dissertação. • TV Escola Programas de Meio Ambiente: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002. que foram por ela identificados. • Vendo e Aprendendo (TV Escola): amostra baseada no material em arquivos PDF. 9 8 18 . 2001b. 2001a.mec. Vassimon (1998. obtido na página da TV Escola. p. • Discovery na Escola: Para esta parte da pesquisa foram consultadas as publicações eletrônicas do projeto Discovery na Escola. 2001c e 2002).br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/17_meio%20ambiente.gov.243 – 263) agrupa em tabelas do apêndice VI. no período 19361966.pdf acesso em 25/12/2004. Em 396 destes audiovisuais constam a bitola e a metragem • Vídeo Escola: esta amostra foi baseada no caderno do professor do projeto Vídeo Escola. Nesta listagem está disponibilizada a metragem de 164 dos 179 audiovisuais. obtido na página da TV Escola 9.gov.pdf acesso em 25/12/2004. 25 – 77. material em arquivo PDF. que foi obtido na página da TV Escola 8. p 64 – 79). p.mec. em Disponível em: http://www. material em arquivo PDF. Este material. Disponível em: http://www. 2000b. p. • TV Escola Programas de Ciências: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002.br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/06_ciencias. • Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE): Galvão (2004. organizado por Aratangy (2000a.Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro).

Disponível em: http://discoverynaescola. A escolha do período defasado em 1 ano com o Festival Image et Science. • Mostra Ver Ciência: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 11. Monteiro e Brandão (1998. Monteiro e Brandão. Demeule (1994. 11 10 19 . Demeule (1998. foi obtido na página de apoio aos professores. dividem a mostra em sessão Brasil e em várias outras sessões essencialmente internacionais: sessão Especial. como é mostrado na seqüência: • Mostra Ver Ciência Sessão Brasil: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004. p 42 – 82). p 10 – 23). p 32 – 40). Monteiro e Brandão (2003. p 53 – 95). p 40 – 47). p 36 – 45). Demeule (2002. Demeule (2001. p 42 – 85).shtml acesso em 19/12/2004 Não ocorreu a mostra no ano de 1995. Monteiro e Brandão (2001. p 39 – 82). Assim com essa divisão entre audiovisuais nacionais e internacionais.com/port/docentes_guia_01. Monteiro e Brandão (2000. p 42 – 51). p 112 – 157). 1994-2003). sessão BBC. p 54 – 100). serem os mesmos que foram apresentados no festival do ano anterior. • Festival Image et Science: Baseado nos catálogos do Festival International de L’émission Scientifique de Télévision (Image et Science. p 36 – 45).arquivos PDF. Demeule (2003. p 32 – 39). se deve ao fato. pode-se fazer uma subdivisão em Ver Ciência Sessão Brasil e Ver Ciência Sessões internacionais. de que muitos audiovisuais internacionais desta mostra. Monteiro e Brandão (1994. p 36 – 41). denominada Guias de Apoio 10. p 56 – 100). Monteiro e Brandão (2004. Monteiro e Brandão (2002b. Monteiro e Brandão (1997. p 38 – 81). p 64 – 103). Demeule (1997. Monteiro e Brandão (1999. Demeule (1996. Monteiro e Brandão (1996. Demeule (2000. sessão Image et Science e sessão Televisão para a Juventude. Demeule (1999. p 38 – 45). Demeule (1995. p 40 – 47). p 70 – 113).

Monteiro e Brandão (2002. p 10 – 27. Monteiro e Brandão (1996. Monteiro e Brandão (1997. Monteiro e Brandão (1999. Monteiro e Brandão (1998. p 14 – 25. Monteiro e Brandão (2000. Resumo dos acervos de audiovisuais utilizados no contexto educacional. 26 – 29). p 14 – 39.• Mostra Ver Ciência Sessões internacionais: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 de Monteiro e Brandão. 26 – 29). Monteiro e Brandão (2004. p 10 – 27. 22 – 29. Monteiro e Brandão (2003. 32 – 35). 28 – 29. p 12 – 19. 20 – 23. 54 – 59). p 24 – 41). 28 – 33).25. p 12 – 23.Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Ano 1941 12 1936-1966 1994 1998 1996-2002 1996-2002 2000-2001 2004 1994-2003 1994-2004 1936-2004 Fonte dos dados Livro Venâncio Filho (1941) Tese Galvão (2004) Publicação Guimarães (1994) Publicação Vassimon (1998) Internet Internet Internet Aratangy (2000a . com a informação do número de audiovisuais. 32 – 37). 30 – 33). Amostra Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola . Quadro 01. 30 – 33). 22 . p 12 – 19. que compõem a amostra analisada. p 14 – 22. Monteiro e Brandão (2001.programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Mostra . p 12 – 17. (1995.2002) Internet Catalogo Demeule (1994-2003) Catalogo Monteiro (1994-2004) 12 No livro de Venâncio Filho de 1941 não se encontra o ano de produção dos audiovisuais. 20 . 26 – 30. 34 – 36).

1.III.1. Esta divisão teve como intuito analisar se havia diferenças entre a produção nacional e a internacional.1. das áreas do conhecimento e assunto destas publicações.Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos a amostra foi dividida em duas grandes categorias de audiovisuais .3. Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total. em Nacionais e Internacionais. Nacionalidade . Alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais. um agrupamento só de vídeos de biociências. para se identificar os possíveis fatores que diferenciam esses audiovisuais quanto ao tempo de duração. III.1. que se ajustassem com as palavras 21 . o objetivo foi de aferir se sua constituição temporal é equivalente aos de outras áreas. Áreas do Conhecimento . sinopse etc) contidas nos acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola. Para classificá-los como biociências utilizou-se palavras da sinopse.Os audiovisuais da amostra foram classificados.2. as amostras foram categorizadas e separadas.Didáticos e de Divulgação. Finalidade .2. Foi verificada a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total. segundo o país de origem.1. Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total. III. pôdese fazer para cada um dos acervos.Com informações adicionais (tipo de audiovisual.2. outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais.2.2. Análise de Dados A partir das informações das finalidades do acervo. do país em que foi produzido e da área de conhecimento. III.

enquanto outros tipos de audiovisuais forneciam as informações em minutos e/ou em minutos e segundos. na composição final do banco de dados.4. facilmente utilizáveis para esse estudo. Devido ao fato de alguns audiovisuais serem os mesmos nos dois projetos.2. III. os quais não foram classificados. já foram encontrados divididos em Meio Ambiente e Ciências. O segundo agrupamento. 4. O banco de dados foi organizado utilizandose o minuto como sendo a unidade de tempo a ser referida. o tempo foi convertido para todas as fontes originais utilizadas não expressas em minutos (Quadro 02). Todos os resultados das distribuições de freqüências foram expressos como percentagem do total. em uma única forma. para cada um dos acervos.Com a finalidade de organizar um banco de dados que pudesse fornecer informações.br/areas/tabconhecimento/index. Assim. 13 Disponível em: http://www. foi necessário trabalhar os dados originais de fontes de tipos diferentes de audiovisuais. Os audiovisuais da TV Escola. Considerou-se como biociências as áreas do CNPq: 2. páginas 103 e 104. Ciências Agrárias. os resultados dessa divisão podem ser encontrados nos Apêndices B e C. Ciências da Saúde e 5.das sub áreas do conhecimento da tabela de áreas do conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 13. eles eram confrontados para dirimir eventuais dúvidas. Por exemplo.htm acesso em 27/01/2004 22 .cnpq.1. foi composto por audiovisuais de outras áreas. filmes forneciam informações sobre o tempo em metragem. Ciências Biológicas. Perfil de Tempo .

Informação do Tempo dos Audiovisuais utilizados neste estudo. e encerrando na Classe M. os valores iniciais e finais de cada classe são includentes (no caso da classe A. com valores fracionados inferiores a 30 segundos exclusive. Desta forma a distribuição de freqüências se enquadra nos critérios. a classe A abrange audiovisuais de 0’30” até 5’29”. Portanto. 155). com frações maiores do que 30 segundos inclusive. Os valores de tempo de duração encontrados foram arredondados para cima. com duração de mais de 60 minutos. Na realidade. que vai de um até cinco minutos. Não foram observados audiovisuais com menos de 30 segundos. essenciais de serem exaustivas e mutuamente exclusivas. p. iniciando na Classe A.Quadro 02. um minuto inclusive e cinco minutos inclusive). a classe B de 5’30” até 10’29” e assim por diante. e para baixo. Os dados resultantes desta 23 . recomendados por Marconi e Lakatos (2002. Fonte Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Ciências TV Escola – Meio Ambiente TV Escola – programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Tempo na fonte Metragem Metragem Minuto Minuto Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto Minuto Minuto Tempo no banco de dados Minuto Os resultados convertidos foram agrupados em 13 classes de cinco minutos de duração. Este agrupamento em classes de cinco minutos foi definido após observação detalhada das distribuições de freqüências do banco de dados montado durante este estudo e visa uma homogeneização de resultados para facilitar a análise.

análise são mostrados segundo a freqüência percentual de audiovisuais por classe. com 215 audiovisuais. Longa duração: > 60 minutos (Classe M) Uma discussão mais detalhada dessa nomenclatura pode ser encontrada no Apêndice A. • Mostra Ver Ciência Sessão Brasil – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999. as classes de tempo de duração supracitadas foram agrupadas nas seguintes categorias: • • • • • Curtíssima duração: ≤ cinco minutos (Classe A). Média-baixa duração: > 15 minutos e ≤ 40 minutos (Classes D a H). página 102. Curta duração: > cinco minutos e ≤ 15 minutos (Classes B e C). Para fins de suprir a necessidade de diferentes análises dos audiovisuais neste trabalho. com 135 audiovisuais. com 204 audiovisuais e (2) 2000 a 2004. em algumas amostras não há referência a todos os intervalos de classe de tempo. 24 . As análises iniciais dos dados dos catálogos sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período de três acervos. o conjunto de audiovisuais desses acervos foi dividido em dois períodos: • Festival Image et Science – os 10 anos do acervo foram divididos em qüinqüênios: (1) 1994 a 1998. A fim de estabelecer um padrão de análise. Média-alta duração: > 40 minutos e ≤ 60 minutos (Classes I a L). Devido ao fato do acervo ser heterogêneo. com 210 audiovisuais e (2) 1999 a 2003.

Onde: U = estatística U de Mann-Whitney n1 = tamanho da amostra menor. Análise Estatística .1. já que estes e os outros dados brutos foram agrupados em seqüência ordinal e porque alguns dos conjuntos de dados não tinham uma distribuição normal e/ou em algumas das classes desses conjuntos de dados havia freqüências menores que cinco audiovisuais. com 268 audiovisuais. é possível. III. “dadas duas amostras. A1 e A2. n2 = tamanho da amostra maior. respectivamente. com 324 audiovisuais e (2) 2000 a 2004. optou-se pelo uso da estatística nãoparamétrica de Mann-Whitney (teste U). p. decidir se A1 ∈ π e A2 ∈ π. isto é. 233). de tamanhos n1 e n2. se ambas podem ser consideradas provenientes da mesma população”.• Mostra Ver Ciência Sessões Internacionais – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999. 25 .2. π = população.5. O cálculo de U foi obtido pelas fórmulas: U1 = n1n2 + n1(n1 + 1)/2 – P1 U2 = n1n2 + n2(n2 + 1)/2 – P2. A2 = amostra 2. Onde: A1 = amostra 1. Segundo Kelvin (1987.Após observação detalhada dos dados obtidos e tendo como referência Kelvin (1987). ou mesmo nulas. mediante a prova de Mann-Whitney.

yahoo. Este teste usou o nível de significância como sendo. Foram estabelecidas as médias de tempo destes fragmentos em cada uma das classes.com. P2 = soma dos postos da amostra maior.P1 = soma dos postos da amostra menor. 30 e 50 minutos (esta última composta por audiovisuais de 50 até 60 minutos) e contados os números de fragmentos propostos pela equipe da Discovery em cada um destes audiovisuais. Contou-se também o número de audiovisuais de 26 . No projeto Discovery na Escola havia a proposta de fragmentação dos audiovisuais assim. foi feito o teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov (KS). como rigor estatístico.xls 26/07/2005.05 no caso de distribuição normal.br/insecta_tv/Mann-Whitney. que está disponível no endereço: em http://geocities. foi atribuído o valor de erro padrão (Se) e desvio padrão (Sd). α = 0. acessado Assumida fortemente a hipótese de distribuição não-paramétrica da amostra. Este teste foi usado para verificar se duas variáveis que apresentam os resultados em classes ou categorias estão relacionadas (variáveis categóricas). Todos os resultados foram confirmados independentemente do tipo de variável. Os cálculos foram possíveis. com o auxílio do programa GraphPad Prism 4 na distribuição de freqüência de cada classe.05 (5%). todos os resultados das análises realizadas neste trabalho foram verificados através do teste de Qui-Quadrado para independência. os 54 programas que compunham o projeto em 2004 foram agrupados por classe de tempo de 15. graças à implementação de uma planilha no programa Excel 2000. Os valores dos tempos de duração foram aproximados para minutos inteiros. conforme a metodologia supracitada e os números de fragmentos foram arredondados para valores inteiros. com α = 0.

27 . três não prestaram a entrevista.2. Seção 2 – Professores e Especialistas III.1. devido a dinâmica do processo de contratação e dispensa. III. Os professores entrevistados estavam lotados nas seguintes unidades do Colégio Pedro II: • • • 14 Unidade Escolar Centro Unidade Escolar São Cristóvão II Unidade Escolar São Cristóvão III A instituição não foi capaz de informar o número exato de professores concursados licenciados. Entre os 36 contatados.2. assim como o número de professores contratados. sem levar em consideração o gênero (ei: Professor 12).2.1. A amostra de entrevistados corresponde a 61% (33) do total de 54 14 professores de biologia e ciências contabilizados pela secretaria geral da instituição como concursados e efetivos. considerando cada uma das partes como fragmentos maiores que 20 minutos.50 minutos apresentados em duas partes. os professores e professoras foram numerados de 01 até 33 e desta forma aparecerão citados nesta dissertação. localizado na cidade do Rio de Janeiro. Para preservar a autoria das entrevistas. genericamente indicado nos guias de apoio como “primeira e/ou segunda parte”.1. Por problemas de ordem pessoal dos professores ou de estrutura da grade horária não foi possível entrevistar os 54 professores. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III. Amostra Esta parte da pesquisa se constitui num estudo de caso a partir do discurso dos professores de ciências do Ensino Fundamental e de biologia do Ensino Médio do Colégio Pedro II.

1. Roteiro: Você utiliza o audiovisual (vídeo) nas aulas? Em caso afirmativo: • • • • • • Com que freqüência? Qual o tipo de audiovisual utiliza (gênero)? De onde obtém o audiovisual (acervo)? Qual a fonte do audiovisual (origem)? Como utiliza o audiovisual? Quais as características favoráveis de um audiovisual para facilitar o seu uso no ensino? 28 . na entrevista não-estruturada “O entrevistado tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão”. p 94). Segundo Marconi e Lakatos (2002.2.2. do tipo focalizada. como balizar para condução das mesmas. Apesar da liberdade para perguntas. foram realizadas entrevistas nãoestruturadas.• • • • Unidade Escolar Engenho Novo II Unidade Escolar Humaitá II Unidade Escolar Tijuca II Unidade Escolar Realengo III. característica das entrevistas do tipo não-estruturadas. foi utilizado um roteiro de perguntas (tipo focalizado). Coleta e Análise dos Dados: A fim de investigar o discurso dos professores acerca da utilização dos audiovisuais científicos como recurso didático.

Eles eram convidados. para a entrevista. Apesar de realizadas em ambiente coletivo. Seguia-se a apresentação do entrevistador. professora Eliane Jorge. O agendamento das mesmas contou com o auxílio da chefe do Departamento de Biologia e Ciências. e era explanado o propósito da entrevista (para estudar aspectos do uso do audiovisual no ensino). uma vez que salas de professores são ambientes muito movimentados. assegurando o anonimato. professora Denise Mano. Nas unidades supracitadas. Esta determinação se mostrou perfeitamente viável. extensão e cultura do colégio. após o cadastramento do entrevistador e liberação junto a chefe do setor de pesquisa.Em caso negativo: • • • Quais os fatores que impedem o uso do audiovisual? Quais os fatores pessoais que poderiam facilitar o uso do audiovisual? Quais os fatores relacionados ao equipamento que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados às instalações que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados diretamente aos audiovisuais que poderiam facilitar o seu uso? As entrevistas foram agendadas. ambiente que eles ocupam nos horários vagos ou de reunião. os professores foram entrevistados na “sala dos professores”. 29 . no caso o autor da tese. sempre se tomou o cuidado para que as entrevistas fossem individuais. individualmente. A necessidade de gravação das entrevistas. foi procedimento aceito por todos os entrevistados.

Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados: Esta parte da pesquisa contou com entrevistas não-estruturadas. podem ser encontradas as recomendações de uso feitas por 45 especialistas. 2001b. III. difusão e organização de acervos dos audiovisuais científicos. Algumas das questões são abordadas quantitativamente nos resultados enquanto outras são analisadas qualitativamente na discussão. desta forma o entrevistador pode explorar melhor os vários aspectos da produção. 2000b. Recomendação dos Especialistas As recomendações dos especialistas da área acerca do uso dos audiovisuais foram obtidas através de entrevistas com profissionais da área ou em publicações especializadas. No Discovery na Escola. III. sendo dois da Mostra Ver Ciência e um do Festival Image et Science.2. Foram entrevistados três difusores. Entrevistas com Produtores. III. quatro produtores e três organizadores de acervos: 30 .2.2.1. 2001a.2. Publicações digitais como fonte de dados: Na série de publicações “Como usar os vídeos da TV Escola” do número 01 (um) ao 06 (seis). 2001c e 2002).2.sendo literalmente impossível prestar atenção a uma conversa que ocorra a alguma distância.2. Aratangy (2000a. foram analisadas as formas de uso dos 54 audiovisuais dos Guias de Apoio.2.

• SALDANHA. Entrevista concedida em: 2004. Ildeu de Castro. Produtora da série Expedições. Organizadora de acervo de audiovisuais científicos. • MOREIRA. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em 02 set. Henrique G. Rio de Janeiro. Organizador dos acervos dos projetos Vale Vídeo e Vídeo Escola. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em: 2005. Lins e. Marlene. Produtor e gerente geral da empresa Vídeo Ciência. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em: 2005. • DEMEULE. Sergio. 31 . Rio de Janeiro. • MONTEIRO. Produtor independente. Entrevista concedida em 2004. Curador da Sessão Brasil da Mostra Ver Ciência e Organizador do acervo do projeto Vídeo Escola. Matthew. • BENCHIMOL. Produtor da série Horizon da BBC. Rio de Janeiro. além de curador da mostra Ver Ciência sessões internacionais e membro do júri do Festival Image et Science. que é veiculada na Rede Brasil de emissoras educativas. 2004. José Renato. Paula. Entrevista concedida em 01 set. Teresópolis. Rio de Janeiro. • BARROS.• BARRETT. Entrevista concedida em: 2005. Annick. 2004. Entrevista concedida em: 2004. • BRANDÃO. Diretora do Festival Image et Science. P.

A segunda seção. a partir de um estudo de caso. Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos foi possível dividir a amostra em duas grandes categorias quanto à finalidade dos audiovisuais .IV. a partir das informações disponibilizadas em catálogos próprios ou em publicações especializadas. Seção 1 – Os Audiovisuais Científicos VI. IV. 32 .1. busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica. Finalidade e Origem Os audiovisuais dos 10 acervos que compõem a amostra foram a princípio caracterizados quantos à sua finalidade e origem.Didáticos e de Divulgação – e verificar a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total (Tabela 01).1.1. RESULTADOS A primeira seção deste trabalho trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo.

356 audiovisuais).60** Divulgação Festival Image et Science Mostra .40** 100.Tabela 01. produzidos em outros paises. ** Percentuais calculados com relação ao total geral (n = 3.369 audiovisuais) e Divulgação (n = 1. foram divididos os acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola.369 6.66 36.29 3. Da mesma forma.15 2. segundo a Finalidade. Categoria por Finalidade Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola . Categorização dos Acervos de Audiovisuais. gerando os seguintes sub- 33 .50 50.06 15.725 audiovisuais).07 2.28 Acervos Audiovisuais (n) (%)* 63.356 3. gerando dois subconjuntos de respectivamente 281 audiovisuais sobre meio ambiente internacionais e 76 audiovisuais nacionais. Os programas de meio ambiente da TV Escola.92 16.Ver Ciência TOTAL TOTAL GERAL 02 10 425 931 1. e o segundo continha 105 audiovisuais produzidos no Brasil.186 357 51 54 2. A análise da origem dos audiovisuais mostrou que alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais. também foram separados assim.72 3.programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola TOTAL 08 164 396 78 83 1. outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais (Tabela 02).00** * Os percentuais foram calculados com relação ao total de cada categoria: Didático (n = 2.34 68. Os programas de ciências da TV Escola foram divididos em dois agrupamentos: o primeiro continha 1081 audiovisuais sobre ciências.725 31.

83 2.00 164 396 78 83 1186 357 51 54 Divulgação Festival Image et Science Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil Mostra Ver Ciência – Sessão Internacional Total** 25 339 1 5.85 21.74 48. Audiovisuais dos Acervos Didáticos e de Divulgação segundo sua Origem. A Tabela 03 a seguir mostra os números e freqüências totais dos conjuntos de audiovisuais analisados nesse estudo.Programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola 396 31 40 105 76 100.19 8.71 100. Acervos (n) Categoria por Origem Nacionais (%) Internacionais (n) (%) Total* Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola .081 281 54 60.15 78. 34 . segundo sua origem (nacional e internacional) e a finalidade do acervo (didático ou de divulgação).00 39.725** * Na Tabela 100% correspondem ao total de cada acervo.programa Vendo e Aprendendo e da Filmoteca do Departamento de Educação do DF.17 1.497 425 339 592 3. por falta de informações nas fontes consultadas.00 0. Tabela 02.conjuntos: 31 audiovisuais nacionais e 47 internacionais no acervo da Vale Vídeo e 40 audiovisuais nacionais e 43 internacionais no Vídeo Escola.88 100.81 91.12 99.29 47 43 1. ** A soma dos totais de audiovisuais nacionais e internacionais não corresponde ao total geral devido a não caracterização da origem dos acervos da TV Escola .013 400 591 94.26 51.

60) Indeterminada (%) 215 (5.809 (57.61) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra de acervos audiovisuais de fácil acesso pelos professores (n = 3. Esses resultados mostram a visão cumulativa do perfil dos acervos que os professores brasileiros tiveram ao seu dispor nas últimas seis décadas. segundo sua Finalidade e Origem.165 Total 617 (19.356 (42.43) 991 (26.96) 365 (11.506 (40.03) 215 (5.16%) dos audiovisuais de acervos acessíveis aos professores é de cunho didático.40) 3.809 ou 57.00) Total n (%) 1.00) Total n (%) 2.16) 1.79) Internacional (%) 1. Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 648 (17.77) 0 (0. a 35 .61) 0 (0.165 audiovisuais).84) 3.60) 1.53) Internacional (%) 1506 (47.356 (36.77) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra (n = 3. segundo sua Origem e Finalidade.725 audiovisuais). A análise do conjunto de resultados mostra que a maior parte (n = 1.40) 365 (9.497 (78. dos quais os professores não podem dispor.497 (67.Tabela 03.369 (63. Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 252 (7. Para possibilitar a discussão desses resultados mais adequada à realidade foi necessário retirar os acervos de difícil acesso. descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE). Total de Audiovisuais.89) 51 (1. Audiovisuais. Entretanto.31) Indeterminada (%) 51 (1.58) 991 (31.49) 2. o que poderia facilitar o uso em sala de aula (Tabela 4).013 (27.19) 2.725 Total 1. Tabela 04. A Tabela 04 mostra os resultados gerais apenas dos acervos atualmente de fácil obtenção pelo professor interessado.

não podemos afirmar ser um representativo de material internacional à disposição do educador brasileiro do início do século XX. como por exemplo a De Vry School Films Incorporated. 2. Energia Solar e Répteis.497 ou 78. 36 . muitos outros títulos tais como: Força a Vapor.2. os acervos assim classificados foram analisados quanto ao tempo de duração. nacionais e/ou internacionais. Esta entidade organizou um sistema de cooperativa para servir às escolas públicas e particulares com audiovisuais para o propósito educativo. não nos dão indícios de suas nacionalidades.grande maioria (n=2.1. Desta forma temos o perfil de distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais da Filmoteca a seguir (Figura 02).1. em didáticos ou divulgação. por sua generalidade. IV. Perfil de Duração A partir da caracterização dos audiovisuais da amostra. A Pesca do Bacalhau. Assim. entre outros.89%) desses mesmos acervos é de origem internacional.1. distante da realidade dos alunos. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal A Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro) foi escolhida por conter o primeiro registro histórico encontrado (anterior à década de 40) de audiovisuais usados na educação no Brasil. sugerem que esses audiovisuais foram obtidos de produtoras internacionais especializadas em audiovisuais educativos. IV. Os títulos: Pingüins e Focas da Costa da Patagônia. Entretanto. o que sugere boas chances do professor ter ao seu dispor um material descontextualizado. Arganás.

com a classe modal 15 sendo a C. nos seus 31 anos de atividades. Freqüência percentual por classe de tempo. de cunho didático (ver Introdução – Tempo no Ensino.2. Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) O Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). ou seja. sendo que a maioria dos 15 Classe modal é a classe com a maior freqüência. 102). IV. 37 .2.12% da freqüência (audiovisuais de curta duração veja Apêndice A.1. De fato a Figura 02 mostra que ocorre uma concentração em tempos muito curtos. em sua maioria de curta duração. Os dados apresentados correspondem a informações anteriores à década de 40. pág. e teve como primeiro diretor Edgar Roquette-Pinto (1884-1954). Portanto. Até esta classe existe uma concentração de 95. este acervo caracteriza-se fortemente como sendo composto de audiovisuais de curta duração.35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 >20 Classe de tempo em minutos B C D A E Figura 02. produziu 401 audiovisuais. pág 14). dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (n = 164).

40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 >35 A Classe de tempo em minutos B C D E F G H Figura 03. “Até 1942. 120) diz que é uma “instituição oficial criada em 1936. na Itália. 108). que procurou fazer do cinema um veículo de educação. como acontecia no mesmo momento na Alemanha. Sobre o INCE. Freqüência percentual por classe de tempo. na França e na União Soviética”. no período 1936 – 1966 (n = 396). disponibilizado para as instituições de ensino.56%) até a classe C. Como referido para o acervo anterior. 2002. p. A classe modal é a B (06 – 10 minutos). Os audiovisuais produzidos pelo INCE possuem uma concentração (81. este perfil de tempo caracteriza. o que. Schvarzman (2001. o INCE já havia projetado audiovisuais em mais de 1000 escolas e instituições culturais” (SIMIS. p. dos audiovisuais produzidos no INCE. segundo a bibliografia especializada. assim como supracitado. e dessa forma o INCE é o representativo do material audiovisual com finalidade didática da produção nacional.audiovisuais foi produzida por Humberto Mauro (1897-1983). tempo de duração igual ou inferior a 15 minutos (Figura 03). um acervo com fins didáticos. caracteriza um acervo didático. 38 .

em 1994 o projeto já dispunha de uma seleção de 101 fitas. o projeto Vale Vídeo abrangeu 196 municípios e 300 escolas. sendo a classe modal em B (Figura 04). p. 96-97). O projeto Vale Vídeo é uma versão. segundo Monteiro (2005. do Vídeo Escola e apresenta uma seleção de 78 audiovisuais. Então era um material de extrema atratividade”.89%) nas classes até 15 minutos (de A a C). O que mais uma vez caracteriza um acervo de audiovisuais didáticos.IV.2. o Projeto Vídeo Escola tem. Neste acervo. com o apoio da Fundação Banco do Brasil. Desenvolvido em 1994. com 470 vídeos. atendendo a 150 mil alunos e cinco mil professores da região de influência da CVRD.3. e envolvia nove milhões de alunos em todo o Brasil. Segundo Vídeo Escola (1996. em uma parceria da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e da Fundação Roberto Marinho. distribuídos em 14 fitas. 39 . Vale Vídeo Coordenado por Marcelo Garcia e José Renato Monteiro e desenvolvido a partir de 1989 pela Fundação Roberto Marinho. de predisposição e de incitamento à aprendizagem. para serem utilizados no ensino (da 1ª a 8ª série) e uma para a capacitação dos professores. mais nova e localizada. os audiovisuais concentram-se (85. entrevista) “Um material fundamentalmente de estimulação. O compromisso do Vídeo Escola era o de querer aprender.1.

103) e demais áreas (Figura 05). 40 . A disponibilidade de informações relativas à área de atuação de cada audiovisual permitiu agrupar os audiovisuais em duas subcategorias: biociências (Apêndice B.40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 04. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo (n = 78). pág.

O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de vídeos de todas as áreas. do projeto Vale Vídeo. n = 37). 41 . quando comparado com os de outras áreas. dos audiovisuais de biociências (em quadriculado. como um todo. e os de biociências foi observado uma moda na classe B de biociências e uma menor concentração nas classes A e D. Entretanto. n = 41) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo.50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas % Audiovisuais Classe de tempo em minutos B C D 06-10 11-15 16-20 21-25 E Figura 05. (n = 78). Freqüência percentual por classe de tempo. como não são diferenças drásticas foi aplicado o teste de Mann-Whitney (Tabela 05) para testar a hipótese de constituírem perfis semelhantes. Com relação às diferenças encontradas entre os audiovisuais de ciências.

As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram este acervo como misto. efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U). n = 47).6191 Hipótese Nula mantida Os resultados da comparação entre os audiovisuais de biociências e os das demais áreas do conhecimento confirmam a hipótese de não haver diferenças significativas entre os dois (Tabela 5). Hipótese Alternativa : Outras áreas ≠ Biociências.5 Soma dos Postos 1411. ao nível ordinal.5 Posto Médio 38.5 1669.5 0. Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais (incolor. n Outras áreas Biociências Mann-Whitney U p bicaudal 37 41 808. contendo produções nacionais e internacionais (Figura 06). do projeto Vale Vídeo. 42 . n = 31) e audiovisuais internacionais (cinza escuro.72 U 808.5 708. do projeto Vale Vídeo.15 40.Tabela 05. ou seja. Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências. 40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 Classe de tempo em minutos A B C D E Figura 06.

IV. sendo 14 fitas para exibição. para esta comparação.0607. 43 . é igual a internacional (Figura 06). aceitando a hipótese nula. O teste estatístico.54%) de audiovisuais até a Classe C (Figura 07).2. Vídeo Escola O projeto Vídeo Escola de 1998.A análise do perfil de tempo mostra que.0852.4. é uma compactação do projeto original em 15 fitas. mantendo assim a hipótese de semelhança (hipótese nula). também para este acervo. resultou em p bicaudal igual a 0. E quando comparado com o seu projeto irmão resulta em um p bicaudal igual a 0. voltada para a educação. com 83 vídeos e uma para capacitação dos professores. A análise do perfil de tempo mostra. podemos fazer as mesmas análises. uma maior concentração (85. assim como o Vale Vídeo. a produção nacional de audiovisuais de ciências. nesse projeto. Por ser um projeto “irmão” ao Vale Vídeo e que teve em seu quadro os mesmos consultores.1.

uma vez que não há diferenças significativas entre os dois conjuntos de dados.7077 mantendo a hipótese nula. 44 . não foram transformações consideráveis.40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 07. D e E (Figura 08) apresentam uma menor representatividade percentual dos audiovisuais de biociências. pág. Entretanto. Já as classes A. A comparação entre os audiovisuais de biociências (Apêndice C. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola (n = 83). 104) e das outras áreas de ciências mostra uma prevalência da primeira subcategoria na classe C. O teste de Mann-Whitney (teste U) resultou em p bicaudal igual a 0. Este acervo também foi dividido em subcategorias de acordo com a área do conhecimento. B.

Freqüência percentual por classe de tempo. O gráfico inserido representa a distribuição percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas. As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram também este acervo. (n = 83). n = 41). do projeto Vídeo Escola. n = 42) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo. de origem mista. dos audiovisuais de biociências (em quadriculado. contendo audiovisuais nacionais e internacionais (Figura 09).50 45 40 % Audiovisuais 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 08. 45 .

sob atribuição da Secretaria de Especial de Educação a Distância (SEED). Freqüência percentual por classe de tempo. aceitando a hipótese nula. novamente semelhante ao Projeto Vale Vídeo (Figura 06). do projeto Vídeo Escola.2. a TV Escola é um canal de televisão dedicado aos educadores e alunos do ensino fundamental e médio. n = 40) e dos audiovisuais de outros paises (cinza escuro.40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 09. Sua finalidade é contribuir para a melhoria da educação e seus objetivos principais 46 . O teste estatístico. A Figura 09 mostra que. TV Escola Programação de Ciências Levado ao ar de forma definitiva em quatro de março de 1996.1. a produção nacional tem o mesmo perfil de tempo que a internacional. resultou em p bicaudal igual a 0. para esta comparação.5. IV. n = 43). dos audiovisuais nacionais (incolor.9598.

com a entrada da Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec) em parceira da SEED.mec. A expectativa do projeto é que. direitos de exibição de programas educativos de produtoras de reconhecida competência e qualidade nesta área 16.45 milhão de professores. os audiovisuais de média-baixa duração Texto baseado no relatório da TV Escola 1996-2002.96%). com mais de 100 alunos. em sinal digital. Veiculada por satélite.gov.br/seed/tvescola/RelatoriosAtividades/Relatório%20da%20TV%20Escola%201996%20200 2. disponível em: http://www. Até 2002 a TV Escola já havia sido instalada em 57. a programação é composta por audiovisuais distribuídos majoritariamente entre as classes A e F (96. no país e no exterior. existe uma concentração até 15 minutos (68. Diferentemente dos acervos anteriormente analisados. os kits tecnológicos necessários para a captação do sinal e gravação dos programas da TV Escola são adquiridos com recursos do Ministério da Educação e Cultura (MEC). estas características sugerem uma composição mista de tempo neste acervo.são auxiliar no desenvolvimento profissional dos professores e gestores. Entretanto. nesse acervo. A abrangência.zip acesso em 10/5/2004 16 47 .80%). com a classe modal em B (Figura 10).395 escolas públicas de ensino fundamental.9% desse segmento da rede pública brasileira. enriquecer o processo de ensino-aprendizagem e incentivar a aproximação escola-comunidade. em pouco tempo se alcance mais de 35 milhões de alunos e mais de 1. entre o ensino médio e o fundamental. Além do material que é produzido com os recursos próprios. Enquanto audiovisuais de curtíssima (< 5 minutos) ou curta duração (≥ 5 e < 15 minutos) caracterizam o fim didático. A análise do perfil de tempo mostra que. o que representa 91. a diversidade de audiovisuais e a especificidade da área apontaram para a necessidade de inclusão deste recorte do projeto didático nas análises. a SEED adquire.

neste acervo são encontrados audiovisuais com características de divulgação científica. Freqüência percentual por classe de tempo. Portanto. Com as informações do catálogo.81%) do Grade é o nome usado no meio televisivo para identificar os intervalos de tempo que cobrem cada um dos programas no período de programação da emissora. foi possível verificar que apenas duas produtoras. (n = 1186). foram responsáveis pela produção da maioria (69. 30 25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 10. 17 48 . apesar de ter por finalidade o uso didático. no período 1996 – 2002. TV Escola/MEC e Secretaria Extraordinária de Programas Especiais do Estado do Rio de Janeiro. dos audiovisuais da TV Escola.(>15 e ≤40 minutos) caracterizam produtos usados para suprirem as grades 17 horárias das redes de televisão.

dos audiovisuais nacionais de ciências (incolor. 30 Nacionais Internacionais 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 11. voltada para a educação. n = 105) e dos audiovisuais internacionais de ciências (cinza escuro. 49 . rejeitando a hipótese nula. nesse projeto. Por outro lado. o material internacional foi produzido por 39 entidades.material nacional. Freqüência percentual por classe de tempo. O teste estatístico para esta comparação resultou em p bicaudal igual a 0. no período 1996 – 2002.0051. mostra que. A comparação entre o material nacional e internacional. quanto ao perfil de tempo. n = 1081) apresentados na programação da TV Escola. algumas delas especializadas em audiovisuais didáticos. a produção nacional de audiovisuais de ciências. é significativamente diferente da produção internacional (Figura 11).

TV Escola Programação de Meio Ambiente A análise da programação de meio ambiente guarda similaridades com a de ciências. A produção internacional também é expressiva nas classes E e F e. enquanto a internacional se concentra nas classes A e B (classe modal).A Figura 11 mostra que a produção nacional. é a responsável pelo perfil misto de tempo do acervo como um todo (Figura 10).35%) até 15 minutos (Classe C).6. A Figura 12 mostra este perfil com duas concentrações distintas. se concentra nas classes C e D (classe modal). IV. neste segmento. por conter um número muito maior de audiovisuais. sendo que na produção nacional existe uma variedade maior de produtoras. existindo uma concentração (68. 50 . O perfil de tempo deste acervo é semelhante ao encontrado para o acervo “TV Escola Programação de Ciências”.1.2.28). Este acervo também se caracteriza por uma distribuição de audiovisuais entre as classes A e F (93.

Apesar das diferenças. Freqüência percentual por classe de tempo. (n = 357). Comparando os audiovisuais da TV Escola de Ciências e TV Escola de Meio Ambiente (Figuras 10 e 12) obtemos o p bicaudal igual a 0. 51 . no período 1996 – 2002. dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola. A comparação estatística. (Figura 13) mostrou que os conjuntos Nacional e Internacional dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola contêm diferenças significativas.30 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46--50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 12. os dois acervos têm uma concentração de audiovisuais em tempos de até 30 minutos e duas concentrações de tempos de duração (curta e média-baixa). o que descarta a hipótese nula.0002.0322. p bicaudal igual a 0.

no período 1996 – 2002. nos quais. n = 76) e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente (cinza escuro.7.Programa Vendo e Aprendendo São programas produzidos pela TV Escola para capacitação de professores do ensino fundamental. o conjunto Internacional tende a ser o responsável pelo perfil geral (Figura 12) por conter um número de audiovisuais cerca de quatro vezes maior que o conjunto Nacional. dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente (incolor. Freqüência percentual por classe de tempo. Novamente.35 30 25 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 13.1. enquanto a mundial se concentra na A (classe modal). A Figura 13 mostra ainda que a produção nacional.2. para esse projeto. IV. B e C. apresentados na programação da TV Escola. n = 281). se concentra nas classes B (classe modal) e C. após a exibição de um ou de mais audiovisuais 52 . TV Escola .

para o uso dos vídeos em sala de aula. desenvolvem as recomendações dos professores e especialistas. que mesmo em vídeos curtos. foram exibidos em uma única aula e assim a consultora indicou o corte do segundo. o audiovisual foi dividido em partes a serem exibidas em dias distintos. descontando as sobreposições. Os 45 professores e especialistas convidados fizeram 71 propostas (alguns participaram mais de uma vez.sobre um determinado tema. 48 (67. 53 . Baseado nesses programas. essas paradas eram indicadas. com tiragem de 110 mil exemplares cada. sendo que destas. que foram distribuídas nas escolas de alcance do projeto.22%) fragmentavam os audiovisuais. No total. Nestas propostas pôde-se identificar o uso fracionado do audiovisual em recomendações como: “use a pausa”. Em cinco (7. professores e especialistas convidados discutem seu conteúdo sugerindo formas para explorá-los em sala de aula.87%) das 71 propostas fragmentaram de alguma forma os audiovisuais. 56 (78.61%) propostas fragmentavam o audiovisual com o uso de paradas.23%) propostas. os audiovisuais eram cortados (editados). Também são apresentados alguns trabalhos que esses professores já haviam realizado com seus alunos. 37 (82.04%) propostas. “pare o vídeo” etc. a TV Escola lançou uma série de publicações com o mesmo nome dos programas. respectivamente de 22 e 23 minutos. onde nos seis primeiros volumes. É interessante ressaltar. No único caso em que se diminuiu a duração de um audiovisual médio-baixo foi quando dois audiovisuais. Em três (4. A Figura 14 apresenta a distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados. dirigidas aos alunos da pré-escola até a 8ª série. Entre os 45 consultores. em edições distintas e sobre audiovisuais distintos).

Este perfil (Figura 14) sugere um acervo misto. na classe média-baixa (de D a H) e na classe média-alta (de I a L). n = 51. que são características de produtos de divulgação usados pelas emissoras de televisão.25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 14. O acervo do Programa Vendo e Aprendendo possui representatividade de audiovisuais na classe curta (de A a C). 54 . Os dados disponibilizados não continham referência ao país da produção impossibilitando a classificação dos audiovisuais em nacionais ou internacionais. possuindo um conjunto de audiovisuais de característica didática e outro de audiovisuais mais longos. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola. no período 2000 – 2001.

Os programas são especialmente editados para o uso didático. apresentando inserções de comentários e não apresentam inserções de propagandas. Há ainda os que utilizam outros programas da emissora que nem ao menos fazem parte do Texto baseado em informações disponíveis em: http://www. Há dez anos nas operadoras de TV por assinatura no Brasil. Originalmente veiculado de segunda à sexta feira. Equador. em propaganda institucional. E o projeto Discovery na Escola utiliza uma seleção dos programas veiculados por essa emissora.com/port/preguntas_frecuentes. necessariamente. já alcançou mais de 1. em 2005. e logo se estenderá à Colômbia. a Discovery afirma. Espanha e Portugal. da programação Discovery na Escola até um ano depois da data da última exibição do programa.IV.1. na América Latina.8. Argentina. em pelo menos 1. é de se relevar os incontáveis educadores que acabam utilizando esse material sem. Apesar dos números divulgados pelo projeto. passou a ser veiculado. ter a melhor programação do mundo para o segmento de divulgação científica.7 mil professores e mais de 500 mil estudantes. Os professores são treinados pessoalmente através de um acordo entre as operadoras de TV por assinatura. Costa Rica. estarem ligados ao projeto.2.5 mil escolas. produção exclusivamente internacional. das 11:00h às 12:00h. mesmo as institucionais. México. O projeto já está funcionando no Brasil.shtml acesso em 19/12/2004 18 55 . de segunda à sexta feira. Venezuela. as instituições educativas e o Discovery 18. Panamá.discoveryenlaescuela. cujas escolas façam parte do projeto. Curaçao. tanto públicas como particulares. Discovery na Escola Lançado em 1997. Chile. O projeto outorga aos professores os direitos de gravação e utilização em salas de aula. das 07:00h às 08:00h. o projeto Discovery na Escola.

82% dos programas nas classes J. A distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados no projeto. Freqüência percentual por classe de tempo.projeto. no ano de 2004. ou seja. portanto. no ano de 2004. Os programas do projeto Discovery na Escola são editados apenas para a inserção dos comentários. mostra uma concentração de 64. pois apresenta apenas dois audiovisuais com fins de utilização no contexto educacional.48% na classe F (Figura 15). fica evidente a necessidade de incorporar esse material na análise. designadas nessa análise como de 50 minutos e 31. 40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 0 6 -1 0 1 1 -1 5 1 6 -2 0 21-25 2 6 -3 0 3 1 -3 5 3 6 -4 0 41-45 4 6 -5 0 5 1 -5 5 5 6 -6 0 >60 C la s s e d e te m p o e m m in u to s A B C D E F G H I J K L M Figura 15. até a classe C. K e L (média-alta duração). n = 54. uma nítida diferença em relação aos outros projetos didáticos. Observa-se. Desta forma. 56 . dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola.

75 e Se 1. Os 35 audiovisuais de 50 minutos tinham uma média de três (3.43) minutos. o programa “Tudo sobre Límulos”.Apesar do tempo dos audiovisuais serem mais longos. As linhas em baixo da linha de tempo. sendo que 18 deles foram fragmentados em duas partes. para trabalhar os conceitos selecionados. apenas três eram propostos que fossem assistidos inteiros e eram audiovisuais de 30 minutos. A Figura 16 mostra o exemplo de segmentação proposta para o uso de um desses audiovisuais.14) segmentos (n total de segmentos = 110). dois audiovisuais de 15 minutos foram apresentados de forma fragmentada. pág 26). A barra mais grossa representa a linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos. Dezessete audiovisuais de 30 minutos foram apresentados de forma fragmentada e aos pares.50 minutos. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15min Figura 16. Todos os 17 audiovisuais tinham em torno de três a quatro segmentos (n total = 59). cada um com uma duração média de 9.64 minutos (Sd 8. Como um exemplo da forma proposta para o uso.14 – Ver Metodologia. representam os segmentos propostos pela equipe da Discovery.44%) restantes foram de alguma forma segmentados. Cada segmento tinha uma duração média de 20 (20. 57 . Possuíam a média de quatro segmentos cada. Os 51 (94. dos 54 programas analisados. portanto com sobreposição. para completar um período de 60 minutos. Três deles foram apresentados inteiros. com uma duração média de 7.

também conhecido como Image et Science. de confrontação e de projetos” (DEMEULE.1. entre outros.2. 2003.9. presidente do Comitê Internacional do Filme Etnográfico e Sociológico. acomodou o primeiro Festival Internacional de Emissão Científica de Televisão. Tendo como pátria mãe a França. com a presença de Jean Painlevé. tradução nossa). ele agora esta sob a égide do CNRS e do Conselho Internacional do Cinema da Televisão e da Comunicação Audiovisual da UNESCO. e tem como meta principal “oferecer aos pesquisadores e aos profissionais de mídias. também conheceu o exílio por meia dúzia de anos na Itália e mais um par de anos nos Estados Unidos. diretor da criação artística e literária da Unesco. presidente fundador da Associação Internacional do Cinema Científico. Este fórum contou. Desde 1989 retornou definitivamente à França. de Enrico Fulchignoni. o Rencontres internationales de l’audiovisuel scientifique. Fórum de debate de questões essenciais relacionadas à difusão da ciência. do cineasta Roberto Rossellini. IV. Festival Image et Science Organizado pelo Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) em 1976. de Jean Rouch. de diálogos. em seu primeiro colóquio sobre “Audiovisuel et connaissance de la science”. 58 . Um modelo de inspiração. e desde 1990 tem como local físico das suas projeções nada menos que a Torre Eiffel. p. já em seu ano inicial. não se tem o valor de desvio e do erro padrão. espaços privilegiados de descobertas. agora o Image et Science serve como referência às seguintes manifestações associadas: • International Scientific Film Festival (Beijing Festival) – China.Uma vez verificada a distribuição não normal.

NHK. WGBH. São estes os programas de meia hora. As classes E e F. France 3. Hoje é cobiçado como uma vitrine de excelência por produtoras de peso em audiovisuais científicos. Voir la Science – Iran. TV Ontário. em 425 audiovisuais 19. que abrangem os tempos entre 21 e 30 minutos. são editados para que se caiba a propaganda. sendo desta forma um bom representativo da composição temporal deste segmento da produção audiovisual mundial. tendo os espaços supridos com propaganda de patrocinadores e/ou institucionais perfazendo a hora inteira da grade. os quais são normalmente apresentados na grade de programação com outro programa de meia hora. Colômbia e Equador. ficando muitas vezes com 25 ou 26 minutos. France 2. Discovery Channel.. Nos últimos dez anos o festival exibiu a melhor seleção da produção de 59 países. TV Cultura. tais como: Télé-Québec. computado como individual. Deutsche Welle.. 19 59 . A análise do conjunto de audiovisuais desse acervo (Figura 17. Os audiovisuais independentes apresentados em bloco foram separados e seu tempo de duração.• • • • • Ver Ciência – Brasil. os programas. TV Globo. De um modo geral. ZDF.12% da produção. Téléscience – Canadá. Ver Ciencia . gráfico inserido) mostra que ocorrem duas concentrações: uma nas classes E e F e outra maior nas classes a partir da I. Este é um dos padrões de tempo utilizados nas grades de programação das emissoras comerciais e de muitas públicas. representam 30.Bolívia. National Geografhic. Channel Four. Verdere la Scienza – Itália. BBC. com tempos de duração próximos a 30 min. Chile. France 5.

com tempos entre 46 e 55 minutos. freqüência percentual de todos os audiovisuais. n = 215). gráfico inserido). Freqüência percentual por classe de tempo. que representam 32. junto com as propagandas.47% da produção (Figura 17. Podemos estender esta abrangência para englobar as classes de I até L.12% do total de 60 . a classe K é a maior. com 22.25 25 20 1994-1998 1999-2003 20 15 10 5 % Audiovisuais 15 0 AB C D E F GH I J K LM 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 17. ou seja. n = 425. já que estes programas podem ser facilmente editados para aproximadamente 40 minutos e. n = 210) e 1999-2003 (tracejado. de 41 até 60 minutos. No gráfico inserido. Nestas “classes de hora inteira”. no período 1994 – 2003. perfazendo 48. dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science. suprir o tempo de hora inteira da grade de programação.94% da produção. Uma segunda concentração encontrada abrange as classes J-K. nos qüinqüênios 1994-1998 (quadriculado cinza.

Todos os programas brasileiros veiculados no festival no último qüinqüênio foram das classes comerciais E e F. A distribuição de freqüências é do tipo bimodal. 20 Para este cálculo. 105). pág. que passou a ser veiculada também por essa emissora. quatro eram da série Globo Ciência e um da Globo Ciência Saúde. Dos cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho. em última instância. Dos dois da Futura//Fundação Roberto Marinho. nos levaram a separar o decênio analisado em dois qüinqüênios. I e J. nove eram da TV Cultura de SP. A Figura 17 mostra que ocorreu uma diminuição de audiovisuais das classes A. Indícios de modificação deste perfil. acaba por pressionar a produção para se adequar a esse modelo. A produção de qualidade brasileira vem mostrando uma perenidade. Dos 16 audiovisuais. pertencentes a várias séries. 61 . Com 16 audiovisuais apresentados de uma forma bem distribuída pelo período. sendo que muitas já não existem mais. F.audiovisuais apresentados. as produtoras. de 1997. ao longo do período de veiculação desse acervo. a metodologia contou como um só documentário “O Minuto Científico”. com pelo menos um produto de excelência por ano (ver Apêndice D. As redes de televisão estão presas a uma grade de programação que dita o tempo de duração dos programas por elas veiculados e. ficam presas a esse padrão. com uma primeira classe modal em F e uma segunda classe modal em K. um era da série Globo Ciência. Uma análise sobre a constituição dos países participantes do Festival mostra que o Brasil 20 faz parte do seleto grupo dos dez países que participaram com mais de dez audiovisuais nestes dez anos. que em muitos dos casos são as próprias emissoras. Assim. e um aumento das classes E. ele ocupa a 7ª posição no ranking dos 59 países participantes. C e G. cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho e dois da Futura/Fundação Roberto Marinho.

foram divididos em dois períodos de cinco anos. que também é membro do júri do Image et Science. numa realização da Associação Internacional Ver Ciência (AIVC) com o Centro Cultural Banco do Brasil/Rio. passando por 16 cidades brasileiras. Campo Grande e Curitiba. Porto Alegre.Sessão Brasil Coordenado por Sergio Brandão e José Renato Monteiro. nessa dissertação. com o patrocínio nacional da Petrobrás e com o apoio do Ministério da Cultura. e é associado ao Rencontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique – "Image et Science". Assim. que vem contando.10.IV. O Projeto está sendo desenvolvido com este formato há dez anos. Florianópolis. por questões operacionais. Também as análises iniciais dos dados dos catálogos da Mostra Ver Ciência sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período.2. O primeiro é que existe duas 62 . o Ver Ciência reúne produções de divulgação científica nacional e de diferentes partes do mundo. A mostra conta com a exibição integral dos documentários em 11 instituições parceiras do projeto no Rio de Janeiro e em mais cinco instituições em outros estados. junto com a rede educativa. São Paulo. tanto da Sessão Brasil. foi dividida em Sessão Brasil e Sessões Internacionais. A TV Cultura.1. O Ver Ciência. quanto da Internacional. os acervos. O perfil de tempo dos dois períodos analisados na Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil apresenta dois eventos marcantes. dentre as quais estão Vitória. Estes audiovisuais também são veiculados na TV Escola e são bons representantes da produção nacional neste segmento. Mostra Ver Ciência . vem exibindo semanalmente os melhores programas das mostras Ver Ciência dos anos anteriores. desde 1996. e o curador internacional é Sergio Brandão. O curador da mostra nacional é José Renato Monteiro.

n = 204) e 2000-2004 (tracejado.112.61% e 60.58%.22%. Gráfico inserido 1999-2004 (n = 339) Apesar da facilidade de produção e diversidade de uso. respectivamente. Freqüência percentual por classe de tempo. uma na classe A (classe modal) e a outra nas classes E e F. 40 35 30 1994-1999 2000-2004 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 35 30 25 20 15 10 5 0 AB C D E F GH I J K LM 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 Classe de tempo em minutos C D E F G H I A B J K L Figura 18. As classes E e F aumentaram em. 63 .22% do total para 22. ou seja. o que sugere um esforço no sentido de satisfazer as exigências das grades horárias das redes de televisão.concentrações de audiovisuais. uma queda de 56. a representatividade dos audiovisuais da classe A passou de 39. O segundo fato é que a classe A sofreu uma diminuição no último qüinqüênio. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza. n = 135). enquanto as classes E e F tiveram um aumento (Figura 18).65%.

a maior.1. 25 20 15 1994-1999 2000-2004 20 10 5 % Audiovisuais 0 A B C D E F GH I J K LM 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 19. com uma representatividade de 50. n = 324) e 2000-2004 (tracejado. Gráfico inserido. 1994-2004 (n = 592) 64 . na categoria de média-alta duração (a partir da classe I). no segmento de audiovisuais voltados para a divulgação da ciência.84% dos audiovisuais desse acervo. Freqüência percentual por classe de tempo.IV.11. outra na classe F e. Uma concentração de audiovisuais pode ser observada na classe B.Sessões Internacionais Com um total de 592 audiovisuais representando 49 paises. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza. n = 268).2. as sessões internacionais do Ver Ciência são um bom representativo da produção internacional. Mostra Ver Ciência . O perfil das Sessões Internacionais apresenta três concentrações quanto ao tempo de duração (Figura 19).

Este conjunto de resultados sugere a existência de diferenças entre os padrões de tempo dos audiovisuais de divulgação e aqueles voltados ao ensino.4348). Seção 2 – Professores e Especialistas Uma vez caracterizado o perfil de tempo dos audiovisuais (audiovisuais de projetos didáticos e de divulgação científica) que poderiam ser utilizados pelos professores.Sessões Internacionais. Posteriormente. esta prática foi analisada a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação.Sessões Internacionais possui mais audiovisuais na classe B e menos na classe K.2. Mas. em 20 de dezembro do mesmo ano. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II O Colégio Pedro II foi fundado em 2 de dezembro de 1837 e oficializado. já que neste último. se compararmos as Figuras 17 e 19 podemos observar que o Ver Ciência . buscamos verificar o discurso do professor do Colégio Pedro II acerca da utilização do audiovisual científico como recurso didático. de acordo com o teste estatístico (p bicaudal igual a 0. só são veiculados audiovisuais que tenham sido previamente veiculados em redes de televisão. Isso se deve ao fato do Ver Ciência conter alguns programas que não se enquadraram nas exigências do Image et Science.O perfil do Festival Image et Science não é significativamente diferente do encontrado na Mostra Ver Ciência . IV.5 século de existência. Mesmo após mais de 1.2. 65 . Consagrado até a década de 50 como “Colégio Padrão do Brasil”. ocorrendo o oposto no Image et Science. por Decreto Imperial. IV.1.

Manuel Bandeira e Aurélio Buarque de Holanda. videocassete e TV de 29 polegadas e. De seus bancos escolares saíram gerações de homens ilustres que engrandeceram e dignificaram o país 21. em 1998. além de cursos técnicos na área de Informática. tornando-os capazes de responder às transformações técnicas. Como característica no Colégio Pedro II. Prudente de Moraes. Pedro Bloch. Afonso Arinos de Melo Francos.g12. culturais. Seis das sete unidades pesquisadas possuíam suporte técnico para audiovisual composto por sala de audiovisual.cp2.g12. as aulas de ciências e biologia possuem tempo duplo (uma hora e 40 minutos). sua missão é: "educar crianças e adolescentes. Visconde de Taunay.htm acesso em 29/08/2004 22 21 66 .br/interna/interno. os professores utilizam a sala de audiovisual de outra instituição.php?cs=C_CDG_SECAO_ULTIMAS_NOTICIAS&sp=8663 acesso em 26/06/2005 23 Texto baseado em informações obtidas em: http://www. Informações disponíveis em: http://www. Domingos Meirelles entre outros 22. emocionais e sociais do mundo de hoje 23". Dentre os notáveis alunos. Alziro Zarur. Adolpho Bloch. José de Paiva Netto.recebeu. acervo de fitas diversificadas. É uma autarquia federal e funciona em três turnos em seis bairros da cidade do Rio de Janeiro. Manoel Bandeira. pode-se citar: Àlvares de Azevedo. Na unidade de Realengo.br/index1. Hermes da Fonseca. como: Barão do Rio Branco. Washington Luís.cp2. Antonio Houaiss.htm Acesso em 27/12/2004 Texto baseado em informações obtidas em: http://www. por ser uma unidade em implantação. e alguns nomes que ocuparam esse quadro são até hoje lembrados. Nilo Peçanha.org. Seu corpo docente é de qualificação inquestionável. Mário Lago. Segundo a instituição. em alguns casos. Euclides da Cunha. o prêmio Qualidade do Governo Federal por seu projeto de qualidade total na área de educação.religiaodedeus. oferecendo ensino fundamental e ensino médio. Evanildo Bechara.br/historico/historico.

18% Uso do audiovisual Figura 20. 24 67 . lhe autorizaram o uso para fins educacionais. Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II (n = 33). Em entrevista concedida em 2004. 28 26 24 22 81. Entre os professores que faziam uso de audiovisuais em suas aulas. Dra. cujos autores. a maioria declarou preferir o gênero documentário (Figura 21). do Laboratório de Ultraestrutura Celular. referindo-se aos audiovisuais do acervo de Marlene Benchimol 24.Os professores das unidades do colégio Pedro II foram entrevistados tendo como base um roteiro de perguntas. como descrito na metodologia (pág 28). normalmente cientistas. A maioria expressiva dos professores declarou usar o audiovisual como ferramenta didática (Figura 20) e os que não usavam geralmente relatavam impossibilidades circunstanciais.82% Número de professores 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 SIM NÃO 18. Apenas um professor citou o gênero “didático-científico”.diz possuir um grande acervo de audiovisuais científicos. Marlene Benchimol. da Universidade Santa Úrsula. a Profa.

animação. como: filmes. didáticos e reportagem (Figura 22). de outros gêneros de audiovisuais.26 24 22 92. também. 25 68 . Freqüência de gêneros de audiovisuais utilizados pelos professores Colégio Pedro II (n=27). 13 25 declararam fazer uso.70% Não respondeu Gênero Figura 21. Um dos professores relatou outros dois gêneros. Entre os 25 professores que utilizavam o gênero documentário em suas aulas.59% N ero de professores úm 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 3.70% Documentário Didático-Científico 3. O percentual é calculado sobre os 25 que usam o documentário.

filmes e reportagens citados têm o caráter de divulgação.00% 1 0 F ilm e A n im a ç ã o D id á t ic o R e p o rta g e m G ê n e ro Figura 22. Algumas unidades do colégio possuíam um acervo sucinto.00% 4.66%) da amostra não fazem uso de audiovisuais didáticos (Figuras 21 e 22). não foi possível identificar os audiovisuais de animação como didáticos ou de divulgação. pelo menos. os resultados sugerem que. Outras opções de gêneros de audiovisuais utilizados em sala de aula pelos professores que declaram fazer uso de documentários (n=25).00% 12.00% 16.6 Número de professores 5 4 3 2 24. Entretanto. 18 professores (66. A partir dos depoimentos dos professores. mas em outras o acervo era bem diversificado. considerando que os documentários. quando questionados sobre a procedência dos acervos utilizados.96%) declarou ser de acervo próprio (Figura 23). Muitos professores relataram possuir um acervo pessoal bem composto para usos específicos. 69 . Mesmo assim. a maioria (62.

37% Número de professores 14 12 10 8 6 4 2 0 S im Não 29.18 16 14 62. apenas oito professores afirmaram exibi-los integralmente. 70 . 20 18 16 70. Procedência dos acervos 26 utilizados pelos professores (n=27). A maioria (19) preferia trabalhar os audiovisuais de forma fragmentada (Figura 24).63% F ra g m e n ta o a u d io v is u a l Figura 24.96% 48. 26 Os percentuais são aditivos. pois os professores em alguns casos usavam mais de uma fonte. Práxis didática relativa à fragmentação dos audiovisuais (n=27).15% Número de professores 12 10 8 6 4 2 0 A c e r v o p r ó p r io A c e r v o c o lé g io L o c a d o ra O u tra s fo n te s 18. Ao responderem sobre a forma de utilização dos audiovisuais na sua prática de ensino.11% F o n te Figura 23.52% 11.

e normalmente produzido pelas grandes redes internacionais de televisão. os professores relataram uma preferência por produtos desenvolvidos originalmente para televisão (Figura 25). compatível. 18 (70. Questionados sobre a fonte do audiovisual. é muito usada entre os professores do Colégio Pedro II. 2 Figura 25. 14 48.22% 4 2 0 1 National Geographic Discovery Channel F o n te s BBC Editora Globo Etc. Fontes do material audiovisual produzido para televisão utilizado pelos professores (n=27). Esta preferência justifica o uso de documentários. 71 .15% 12 Número de professores 10 8 6 22.A análise dessas respostas deixa claro que a prática de fragmentar os audiovisuais.37%) utilizam material de bom nível técnico. entre os professores entrevistados. Partindo do princípio que estes materiais são confeccionados para atender um público seleto. podemos supor que. filmes e/ou reportagens pela maioria desses professores (Figuras 21 e 22). seja pausando ou cortando trechos.

procuramos obter mais informações junto às fontes produtoras. para entender as possíveis razões da preferência dos professores por audiovisuais de divulgação na prática didática. realizamos entrevistas com produtores de audiovisuais nacionais e/ou internacionais e consultores de projetos didáticos. é evidente que a narrativa deveria ser rápida. professor universitário e atualmente diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do MCT. embora não tivesse. (CÉSAR. minucioso. Já em relação ao Vale Vídeo. Assim. em vez de aborrecer. Nítido. 18 apud GRUZMAN. 2003. pelo menos durante a gestão de RoquettePinto. porque no dinamismo existe a primeira justificativa do cinema. que também concentra vídeos na faixa de curta duração.2. Entrevistas com Produtores. Uma das razões desta limitação pode ser encontrada nos “postulados de Roquette-Pinto” para a produção desses audiovisuais. p 76). O INCE. para atrair. lógico no encadeamento de suas seqüências. o que talvez tenha levado à concentração observada na Figura 03. produziu audiovisuais de curta duração. Foi um dos três consultores que selecionou o acervo 72 .IV. Para isto. claro. e por serem temas com poucos conceitos. uma diretriz explícita para limitar o tempo. movimentado. sem dubiedades para a interpretação dos alunos. Divulgadores e Consultores. interessante no seu conjunto estético e nas suas minúcias de execução. em 2004. 1980. detalhado. físico. p. Com essas diretrizes. A análise dos audiovisuais disponíveis para uso no contexto escolar mostrou a tendência de agrupamento de audiovisuais curtos nos acervos didáticos e a prevalência dos mais longos nas mostras de divulgação científica.2. entrevistamos Ildeu de Castro Moreira.

de audiovisuais do projeto: “Certamente. De fato. ele é apenas um suporte da aula e o tempo da aula é de 45-50 minutos. particularmente. havia essa predileção. Alguns audiovisuais também foram divididos em dois episódios. os profissionais que migraram para o novo projeto didático. e não passar inteiramente”. em 2005. havia a possibilidade de editar também. pois se era o vídeo no ensino. 24 dos 78 audiovisuais do Vale Vídeo e 18 dos 83 audiovisuais do catálogo Vídeo Escola foram editados. o tempo de duração acabou sendo restringido. desfecha uma afirmação contundente. Vídeos muito grandes. como consta no catálogo. e é nesse tempo que o vídeo tem que acontecer e ser explorado pedagogicamente. Moreira complementa: “Eu. é claro. Uma das causas dessa restrição é o excesso de informação. mesmo não sendo uma diretriz por parte destes três consultores. leva a uma linguagem mais dinâmica. atualmente curador da mostra nacional do Ver Ciência e um dos criadores do projeto inicial do Vídeo Escola. Segundo entrevista concedida. Em primeiro lugar. pelo menos no início do projeto. buscava valorizar um pouco mais vídeos que tivessem menos informação condensada. É importante registrar que todos os audiovisuais editados foram produzidos para TV. que ao ser evitado. a concentração de vídeos de curta duração. “Foi absolutamente intencional. mais interessante. quando eu via um vídeo mais curto. e que tivesse um caráter mais interessante”. além. da seleção de audiovisuais que acabou sendo utilizada pela programação. era uma diretriz. Em sua maioria. segundo Moreira. aspectos mais fáceis de serem encontrados em audiovisuais mais curtos. os programas de Ciências veiculados na TV Escola 73 . Quando questionado da curta duração. Assim.. por José Renato Monteiro.. Então um vídeo de 15 minutos é maravilhoso!” Monteiro (2005. entrevista) também diz que a TV Escola herdou muito do Vídeo Escola. de pegar trechos.

“A idéia é que. por exemplo. com 113 programas. normalmente. também confirma esta preferência: “A televisão européia procura produzir programas de 50 a 60 minutos”. com 72 programas. diz na entrevista que seus audiovisuais têm basicamente entre 10 e 15 min. entrevista). fazem parte de grandes séries de pequenos programas. o professor poderia destacar um desses pequenos blocos. numa sala de aula. de aproximadamente 3 min. não comprometendo o tempo de aula Poderia explorar com as imagens e com o texto. entrevista). que é composto por blocos que são autônomos. que com a publicidade completa uma hora”. o conteúdo da aula que estaria sendo dada. diretora do Festival image et Science: “Os canais de televisão privilegiam o tempo de 52 minutos. Sergio Brandão (2005. como a francesa Centre National de Documentation Pédagogique (CNDP). Barros (2004. entrevista). produtor de audiovisuais e curador da mostra internacional do Ver Ciência. o movimento de rotação. o professor passaria somente 3 min de audiovisual. 74 . Relata a experiência do audiovisual de 15 minutos Movimentos da Terra. que é o vídeo”. pegando um dos movimentos da Terra. ou a americana Coronet. A idéia eram blocos muito curtos que pudessem ser lidos independentemente ou que compusessem um todo. Então.são oriundos de produtoras internacionais de grande expressividade e experiência na produção de material didático e. físico e professor titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e produtor independente. Já os audiovisuais produzidos para a divulgação em televisão se caracterizam por ter um tempo de duração mais longo e as entrevistas a seguir sugerem algumas razões para esta característica: Segundo Annick Demeule (2004.

75 . explica: “O nosso formato. porque ele não deixa no telespectador aquela vontade de ver mais. Porque 15 minutos é muito pouco para se falar de um assunto mais profundo”. enquanto os audiovisuais produzidos para divulgar ciência se ajustam ao gradeamento das grandes redes de televisão. pedagoga e produtora do programa Expedições. veiculado na Rede Brasil de emissoras educativas. entrevista). A princípio as entrevistas mostram que a tendência observada em concentrar audiovisuais de baixa duração nos projetos didáticos parece estar relacionada ao seu uso específico em sala de aula. de 25 minutos. é muito bom.Paula Saldanha (2005.

(SERRANO. as características de audiovisuais necessárias para a boa utilização em processos educativos não foram ainda sistematicamente analisadas. os audiovisuais 76 . Por fim são feitas perguntas methodicas sobre o que os alumnos viram. Neste sentido. No entanto. DISCUSSÃO A utilização de audiovisuais para fins educativos é anterior à década de 30. 26). foram observadas nítidas diferenças de acordo com a finalidade. este trabalho teve início buscando identificar o perfil de tempo dos audiovisuais disponíveis aos professores do ensino médio e fundamental.. Por outro lado. que podem e devem ser utilizados no auxílio do processo educativo. e parte dos da TV Escola) mostrou uma tendência clara para produtos de curta duração (tempo de duração até 15 minutos). feitos especificamente para o ensino e acompanhados de material de suporte.. [. Vídeo Escola. Depois o professor exhibe o filme durante uns dez a quinze minutos. Como exemplo. V. Vale Vídeo. Cinco minutos bastam para a explicação preliminar.] para uma aula comum de três quartos de hora.1. que compunham a nossa amostra. 1930.V. 106). p. INCE. A maioria dos audiovisuais produzidos ou selecionados com finalidade didática (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal. temos os audiovisuais da De Vry. As tecnologias utilizando imagens evoluíram muito ao longo do tempo e hoje temos à nossa disposição o audiovisual em várias mídias (Apêndice E. com a necessaria discussão de cada ponto. pág. O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências Dentro do universo de audiovisuais analisados. já havendo a preocupação com o tempo de duração.

a produção de um audiovisual de média-alta duração com uma qualidade aceitável e que agrade a audiência obviamente esbarra no fato do aumento dos custos de produção. Tanto os produtores nacionais como os internacionais envolvidos com a divulgação da ciência. podemos observar que os programas de hora inteira são raros na produção nacional voltada à ciência (8. conforme declaração de Paula Saldanha (2005. Assim. Mostra Ver Ciência Sessões internacionais. ajustam os seus audiovisuais ao gradeamento das emissoras de televisão. os depoimentos dos produtores e consultores de projetos didáticos deixam claro que o tempo dos audiovisuais é ajustado para as necessidades de um professor em sala de aula.85%). Esta tendência podem ser explicada em parte por questões de ordem técnica. puderam ser explicadas através das entrevistas com produtores nacionais e internacionais e divulgadores de ciência. porque no programa de uma hora nós temos que fazer um esforço muito grande para manter o espectador atento diante da televisão”. entrevista): “Uma hora é demais. entre os produtos destinados ao ensino e à divulgação científica. 77 . De fato.produzidos para a divulgação da ciência (Festival Image et Science. Mostra Ver Ciência Sessão Brasil. que tem em torno de 40 a 50 minutos para trabalhar com seus alunos. os produtores nacionais concentram sua produção em audiovisuais de duração média-baixa. Por outro lado. Embora se observe uma tendência internacional em produzir audiovisuais de divulgação científica de duração média-baixa e média-alta. Estas diferenças. Esse perfil pode estar relacionado à dificuldade no dinamismo narrativo apontado anteriormente por Saldanha. Discovery na Escola) apresentavam média duração (média-baixa 16-40 e média-alta 41-60 minutos).

diretor da série Squatters. durante a produção do episódio “Carnivorous Ants”. sobre isso. Entretanto. foi evasivo. os valores são em dólares americanos). Os produtores internacionais. os profissionais da Série Horizon da BBC indicam um dos caminhos. estão também sujeitos à grade das grandes redes de televisão.000” (Tradução nossa. Este fator pode explicar a maior freqüência na produção de vídeos de média-baixa duração e de vídeos de curtíssima duração nos acervos nacionais.000 até US$500. “o custo habitual para produzir um documentário com valores de produção do estilo da Discovery varia de US$100. que necessitam de maiores investimentos de produção. No Festival Image et Science. apesar do alto investimento na produção. Saldanha (2005. a julgar pela concentração de vídeos em tempos de média-baixa e média-alta duração. da série Squatters. 27 78 . A receita para este ‘milagre’ passa provavelmente pela linguagem e. Monteiro (2005.Quando questionado sobre o custo da produção.. em função da falta de recursos. o grande quinhão é formado por audiovisuais de média-alta duração. segundo Chris (2002. entrevista) afirma que um documentário da National Geographic custa aproximadamente 300 mil dólares e. apenas investimentos em equipamentos e em viagens para locações remotas não conseguem segurar o telespectador diante da TV assistindo a um programa de ciências de até uma hora de duração. Thierry Berrod 27 (2002). Comunicação pessoal ao autor desta dissertação. entrevista) também relata a dificuldade para obter esta informação junto aos produtores da BBC. p 11). que é produzida e veiculada pela Discovery. a pressão maior estaria relacionada aos custos de produção. mas lembra que esta instituição arrecada cerca de 5 bilhões de dólares por ano.. Para os produtores nacionais. principalmente o ‘leigo’ ou o estudante.

observa-se que redes comerciais como a Discovery trabalham em uma grade de padrão horário inteiro. 60). Seus programas são normalmente editados para duração de 46 minutos. Isto tem sido observado mesmo em séries de longo histórico na nossa televisão. como um aliado poderoso na tarefa de manter atenta a audiência. Os documentários de Ciências têm que ser construídos como dramas. Rio de Janeiro: 2 set. Tem alternado fases de maior e menor audiência e mudado periodicamente de formatos e objetivos”. este tipo de esforço não tem garantido uma perenidade e tem causado flutuações de qualidade.] a televisão é ótima para criar climas. e sim contando com criatividade e inovação. como o Globo Ciência. Matthew Barrett 28. De fato. confirma a manutenção dessa diretriz da dramatização. definir personagens. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. atestam que a televisão brasileira está se esforçando para melhorar a qualidade de suas produções. Matthew. 2004. O atual diretor da série. p. Os programas exibidos no Ver Ciência. entrevista) complementa Barrett. “o Globo Ciência não conseguiu se firmar como um programa televisivo de divulgação científica de qualidade. criar motivações. 97).. Em outras palavras: construir drama. na 10ª mostra Ver Ciência. impressionar. mas nem sempre às custas de pesados investimentos. (LYNCH. 28 79 . Sessão Brasil. 1997 apud Monteiro e Brandão. 2002. p. A Série Horizon. Segundo Moreira e Massarani (2002.[.. A história (que é contada) é tudo. obviamente com a manutenção da integridade da informação científica. a fim de comportarem os cortes de inserção de propaganda. da BBC. já transpôs quatro décadas de grande audiência nos lares britânicos. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil. Apesar disso. que em 2004 completou 20 anos. Moreira (2004.

utiliza o formato caracterizado por um locutor que viaja a procura das informações científicas. O Globo Ciência. desde cedo. 80 . mesmo às sete e meia da manhã de sábado". foi o período mais premiado do Globo Ciência (Anexo A. pág. pecado mortal numa emissora comercial. o programa mudou novamente o formato. fechando grades de curta e média duração. 108). são conhecidos como interprogramas. São exemplos destas produções: Academia Amazônia da Universidade Federal do Pará (UFPA). existe ainda espaço para vídeos de curtíssima duração 29 (até cinco minutos de duração). não poderia afirmar o mesmo. Apesar da janela de apenas cinco semanas. Prêmios internacionais e nacionais atestam sua qualidade como veículo de difusão dos conhecimentos científicos. Entretanto. Atualmente. Em 1999. Brandão (2005. "O programa perdia público. entrevista). No segundo caso. no intuito de manter a audiência junto ao seu público. Algumas destas séries são de alto nível. Embora haja esta programação preponderante das emissoras. cuja empresa produzia esta série. 109). o que nas emissoras comerciais se materializam nas pesquisas de audiência.dizendo que parte deste problema explica-se pela apertada janela de produção de apenas oito semanas. teve reconhecimento. p. para a rede Globo de televisão. 29 Alguns destes programas são exibidos em blocos dentro de um contexto maior na grade de programação e outros são exibidos individualmente. pág. no período entre 1987 e 1991. e Insetos & Cia da Verde Vídeo e Vídeo Ciência. caso do Minuto Científico agraciado com várias premiações (Anexo B.7). parece ter sido constante o investimento na atualização da linguagem. Estas mudanças de formato indicam para uma tentativa de melhora. de forma independente. Segundo Barca (1998. Soluções Científicas do Departamento de Tecnologia Educacional da TVE Rede Brasil. Minuto Científico e X Tudo da TV Cultura SP. passando a usar humor e ficção para conquistar a audiência.

2. fisiologia e genética. nossos resultados indicam uma tendência de crescimento da produção de audiovisuais nas faixas comerciais e de diminuição nas faixas de duração curtíssima.Os audiovisuais de curtíssima duração. que são os grandes consumidores destes produtos. histologia. onde ministra aulas de citologia. Apenas um professor relatou que não gosta de usar. Os poucos professores que não utilizam. e sempre trabalhou em laboratório. quando bem produzidos. V. montou um laboratório de microscopia bem equipado no colégio. Apesar da diversidade de uso. Mas consideramos ser oportuno registrar o ponto de vista desse professor que “não usa nem quer usar” o audiovisual antes de abordar a prática de ensino dos professores que utilizam o audiovisual. e considera que as atividades de laboratório são mais importantes que o uso do audiovisual. são capazes de manter uma boa “taxa de informação” podendo ser usados em ambientes e meios diversos. Como é um professor que começou lecionando há mais de trinta anos em universidades na área de zoologia. Esta tendência enfatiza a forte influência das grades de programação das emissoras de TV. Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II Nas unidades do Colégio Pedro II existe um uso relativamente freqüente do recurso audiovisual. por força da intensa influência da grade de programação das emissoras. Assim. normalmente são por questões circunstanciais. Este professor tem como 81 . uma boa parte dos audiovisuais disponíveis aos professores é produzida para divulgação e com tempo de duração incompatível com o tempo de aula. tal como ambientes de educação à distância.

quando uma aula de microscopia chega muito mais ao interesse do menino [.. Portanto. ele desenha. que é um gênero mais encontrado nas produções internacionais voltadas para a televisão. eu tenho um microscópio para cada aluno. Para nós professores a segunda feira é muito difícil quando. De modo geral. ele mexe.conceito de audiovisual de boa qualidade “um vídeo que não cometa erros ou que mostre exceções. A televisão. Questionado sobre a possibilidade de produção de audiovisuais na sua área. no domingo. “Esse tipo de atividade já está se esgotando. Ele vê. ele comenta.. então ele não traz para o aluno a curiosidade do inédito [.]. já está explorando muito isso. Eu vejo os olhinhos dos alunos brilharem mais numa aula de microscopia do que numa aula de vídeo” (Professor 08). tanto nos canais fechados como nos canais abertos.].] eu acho que há 10 anos o vídeo tinha uma utilidade muito mais importante do que hoje... os outros professores acabaram por aderir ao uso do audiovisual.. Você vê em um Globo Repórter que fala da fecundação. E complementou falando que existem poucos vídeos nessa área. ele é um participante do processo. o Fantástico mostra uma exceção de um fato que ocorre com um bicho” (PROFESSOR 08). No vídeo ele é um assistente [. fora dos 82 . Apesar da existência de filmotecas nas unidades do Colégio Pedro II os professores que utilizavam audiovisuais davam preferência aos de divulgação científica em detrimento aos didáticos. vídeos lindos que se popularizam. A maioria declarou ter como material básico o gênero documentário. Esta constatação foi inesperada. pois os vídeos internacionais são de duração média-baixa e média-alta..

que são resgatadas durante a apresentação. quando questionados quanto à sua forma de utilização em seus objetivos educacionais verificou-se que a grande maioria fragmentava a apresentação para questionar seus alunos ou inserir comentários (Figura 24). quando dão preferência a audiovisuais de curta duração. O professor 04 apresenta audiovisuais de 30-35 min. por exemplo. mas sempre deu certo”. Então era o meu método. o filme acontecia e eu. não deixava o filme correr na íntegra. os vídeos de divulgação científica em vídeos educativos ao mudar sua linguagem através de interrupções controladas. Esta prática observada entre os professores do Colégio Pedro II se aproxima do modelo preconizado pelos produtores e consultores de projetos didáticos. intuitivamente. pausando umas 10 vezes. “Eu procurava calcular o tempo do vídeo. Alguns depoimentos dos professores são esclarecedores sobre a forma como era feita a fragmentação do material. com o controle remoto na mão. a mesma técnica utilizada atualmente por produtoras internacionais que recentemente passaram a produzir audiovisuais para a educação. 83 . Entretanto. Quando eram filmes mais longos. discutia com os alunos as questões. à semelhança do método utilizado pelos professores do Colégio Pedro II. Às vezes ele tinha 10 min. Na prática. adaptou seus produtos. atestando uma prática empírica. discutindo e usando anotações feitas em sala. fragmentando-os em tempos mais curtos. Na realidade. os professores do Colégio Pedro II estavam transformando. (Professor 02). o projeto Discovery na Escola. No final. Exatamente. não sei se estava certo ou errado. O professor 21 relatou que apresenta um audiovisual de 50 min.padrões preconizados pelos produtores e consultores didáticos por serem de difícil exibição dentro dos limites impostos pelo tempo da aula.

eu costumo dar umas paradas em alguns trechos e na imagem congelada..pausando e discutindo. Se for longo.] 84 . muitas vezes a gente não tem um público que está ali porque está interessado [. descreve sua prática de ensino: “Inicialmente dá-se uma explicação do que vai ocorrer e eles vêem o vídeo.. costumo fazer um debate”. eram necessárias para evitar que a grande quantidade de informações que está sendo colocada seja perdida. com uns 15min (não passo vídeo de muito mais) e depois a gente discute”. (Professor 06). inseriu em sua declaração um outro aspecto relevante: “Correto. O professor 12 relatou a forma diferenciada que utiliza audiovisuais de duração diferente: “Se é curto. mais experiente. no final. porém. O professor 27. Essa prática condiz com o tutorial da De Vry da década de 20 (ver pág. faço o comentário para reforçar aquela relação com o assunto que ele viu ou está vendo em sala de aula. em pontos considerados estratégicos. de 10 a 15 min. 76). e que conhece bem a linguagem audiovisual e suas potencialidades. que geralmente é curto. Então eu paro em pontos pré-selecionados e. isto para audiovisuais de 35-40 minutos. vou interrompendo”. Apesar de responder afirmativamente. vai parando para detalhar. O professor 17 relata que passa direto e trabalha depois. e para isso faz quatro ou cinco pausas durante a apresentação. porque tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio. quando tem conteúdo denso e sutil. mas não só por esse motivo como também para manter a atenção do público. que eu selecionei. A dinâmica da entrevista permitiu aprofundar essa abordagem quando questionamos se as paradas. e que também produz audiovisuais com seus alunos. Outro professor relata: “na medida em que o filme vai passando e a gente tem o recurso do pause. passo integralmente e debato depois.

85 . durante a exibição: avance a fita. Entre os 10 conselhos de como utilizar o vídeo em sala de aula. eles não ficam tão atentos quanto se eu for parando e explicando. Nesses depoimentos podemos ver a flexibilidade da prática de ensino. Todos esses relatos e outras declarações menos explícitas deixam clara a preocupação destes educadores em manter uma aula dinâmica. para manter a atenção deles. mesmo que rapidamente”. eu deixo ele correr. paro. (grifo nosso). apresentados nas edições impressas do Vendo e Aprendendo da TV Escola. sem que seus alunos dispersem. que se ajusta à receptividade da turma. porque eu descobri que se a gente passar um vídeo direto.Eu estimo de seis a oito paradas. em vídeos de 50 min”. Apenas um dos professores (Professor 18) tinha a possibilidade de editar os seus audiovisuais e o fazia seguindo critérios relatados: “Uso documentários e faço uma seleção das cenas de acordo com o conteúdo. aí eu dou um bloco. enquanto a fita passa. faço perguntas. mas se o pessoal está mais disperso. Eu coloco em um vídeo de 35min. Eu vou parando e dando explicações rápidas. congele a imagem. para fazer algum comentário. O professor 31 deixa bem clara a inquietude dos adolescentes e fala da sua “descoberta”: “O aluno de ensino médio é muito inquieto. temos: √ Use e abuse dos recursos do vídeo. reveja o mesmo trecho com a classe quantas vezes for preciso. e depois passo outro bloco” (Professor 18). faço comentários. Se a turma é bem receptiva ao vídeo. (Professor 06). faço comentários rápidos durante a apresentação.

pois ele foi concebido para ser decodificado em partes e simultaneamente com outros programas. Quando perguntados sobre “qual a fonte do audiovisual utilizado?” (Figura 25). Ninguém suportaria uma novela de tevê que fosse apresentada de uma só vez (mesmo que de forma compacta). um pouco cada dia. Apresente-o em ’capítulos’. e levam. sem interrupções e sem os nós de tensão que viabilizam o corte. não hesite em ‘pulá-lo’. mantenha-os curiosos. p. Estes acervos foram geralmente produzidos para atender às necessidades das redes de televisão. Este comportamento em sala de aula talvez ocorra pelo não cumprimento dos rituais que foram aprendidos em longas horas de treinamento frente a um aparelho 86 . Dentro dessa macroestrutura de colagens. p. nesse caso. não se preocupe em exibi-lo de uma vez. sem que isso afete fundamentalmente a percepção do todo (MACHADO. acaba cedendo à sua fragmentação por força da inquietude que emana do aluno. 109-110). o ato de fruição possa começar em qualquer ponto a se interromper a qualquer momento. a linguagem fragmentada deste meio audiovisual. 1988. 70. tal como nas narrativas literárias contemporâneas (Vide O Jogo da Amarelinha. na sua essência.37% dos professores entrevistados têm seu “arsenal” composto de audiovisuais de bom nível técnico. (ARATANGY. mesmo que alheio a este detalhe da linguagem da imagem. de Cortazar). Assim. o interesse do programa cairia imediatamente. 2001a. 6). segundo os seus próprios discursos. √ É possível que um pequeno trecho renda uma boa discussão e traga novas informações. Se os intervalos que fragmentam um programa de tevê fossem suprimidos e os vários capítulos diários fossem colocados em continuidade numa mesma seqüência.√ Se o vídeo for longo. crie suspense. cada fragmento tem relativa autonomia. enquanto outro oferece pouco interesse. peça para os alunos tentarem antecipar o que irão ver. o professor. permitindo que.

] o tempo é por si próprio o determinante central da atenção”. Dessa forma. Chauí (1997. duração e forma das informações. p. a atenção depende de quatro fatores: 1) capacidade atencional. 67). A autora também lembra que isso se torna um hábito e complementa: “Professores observam que seus alunos perdem a atenção a cada dez minutos e só voltam a se concentrar após uma pausa que dão a si mesmos. Segundo Cohen e Salloway (1997. 414).de TV.. 2) atenção seletiva. quem sabe sem perceberse disso. Sobre o último item esses autores afirmam: “Os problemas em manter a atenção são comumente associados com a exigência atencional das tarefas que persistem por longa duração. o aluno tem limites neurológicos. p. (Aspas da autora). 3) seleção da resposta e controle da sua execução. “A criança que começa a ver programas de TV vai. podemos concluir que manter a atenção do aluno é uma tarefa difícil para o professor. “Essa divisão do tempo nos leva a concentrar a atenção durante os sete ou dez minutos de programa e a desconcentrá-la durante as pausas para a publicidade”. presença ou ausência de “treinamento”. Limites que podem comprometer a expectativa de aula de um 87 . p. porque manter o desempenho é acompanhado por uma considerável demanda de processamento [. Além dos limites impostos pela quantidade. e 4) manutenção da atenção. 332) também enfatiza esta dispersão e atribui suas causas a divisão da programação em blocos que duram de sete a dez minutos intercalados com comerciais. iniciando sua aprendizagem para ser telespectador” (OROZCO.. como se dividissem a aula em “programa” e “comercial””. (Tradução nossa). 1997.

pois numa edição doméstica dificilmente pode-se ter uma locução aceitável. a estética. dentre as características favoráveis de um audiovisual. a qualidade plástica e apelo visual”. para ele. relatou que desconsidera o som (locução) original. fator básico para criar seletividade na atenção. ao desconsiderar o som (locução). pois agora ele é a autoridade que direciona e valida o conteúdo desejado. Também em 11 depoimentos. as características favoráveis num audiovisual são: “movimento. conceitos corretos. Assim. a seu critério. e questioná-los”. aberto e mais compacto possível. Dos 26 professores entrevistados que usavam o audiovisual. que editava seus audiovisuais. sugere que. com uma abordagem clara e didática. com uma boa entonação? Ou uma locução ilibada nos aspectos de exatidão dos conteúdos? Segundo Moran (1995). junto com os alunos. “os vídeos que apresentam conceitos problemáticos podem ser usados para descobri-los. 88 . coloca o audiovisual constituído apenas da mensagem visual. 11 relataram que. Esse professor. o que vem a ser uma locução aceitável? Uma locução de boa qualidade técnica. em conformidade com a matéria. Nesse sentido a tarefa primordial para o professor é buscar o interesse dos alunos. ele pode trabalhar. relataram que o conteúdo é importante e usaram expressões como: “correto. Podemos discutir a utilização dos audiovisuais também sob o ponto de vista do conteúdo. mas se houver erro serve como exemplo para mostrar a dificuldade na transposição didática”. as mensagens em som. Assim. o som não é tão importante” (Professor 18). ele é o locutor.professor mais ambicioso. O professor 18. o que é compreensível. Aliás. imagem. além de respeitar os limites individuais. O professor 25 diz: “sem erros. em linguagem coloquial”. a qualidade das imagens era muito importante e usaram expressões como: “boa fotografia.

os professores pesquisados.Não podemos negar o grande esforço governamental/institucional ao disponibilizar ao longo das últimas décadas materiais essencialmente didáticos. seja indiretamente. vem se aprimorando e lançando produtos de grande qualidade. porém muitas videotecas de colégios possuem este material em acervo. 89 . pela própria programação que é gravada. acabam usando um produto voltado para a divulgação. Este material parece seduzir o educador. o desenvolvimento da televisão. indústria voltada para o entretenimento e a informação. E uma das maneiras encontrada pela maioria destes professores para conseguir esses resultados parece estar baseada na utilização do 30 O projeto já está extinto. principalmente no Vendo e Aprendendo. através de projetos didáticos e vídeos colocados à venda. mormente a internacional. só necessita ser trabalhado no quesito da duração. ou diretamente. O problema do tempo de duração dos audiovisuais utilizados para o ensino sempre foi uma preocupação dos educadores e produtores de audiovisuais para essa finalidade. Este fato pode ser observado no projeto TV Escola. Mas. por outro lado. Nas últimas décadas. Assim. que acaba declinando o uso de um material de formato “mais propício” em favor de um material que. permeou o segmento de audiovisuais educativos. em que normalmente as preocupações eram centradas na exatidão das informações contidas. tais como os projetos Vídeo Escola 30 e TV Escola. via forma de apresentação. a indústria da televisão. com sua linguagem característica e fragmentada e com seu padrão de gradeamento. Historicamente este material sempre foi disponibilizado no formato de curta e curtíssima duração. Produto este impregnado com padrão característico de duração e de linguagem e para o qual o educador necessita ajustar a sua práxis de ensino a fim de atingir os melhores resultados possíveis. no seu ponto de vista.

pode-se verificar que os professores do Colégio Pedro II.pdf Acesso em 19/12/2004 90 . no qual 94. útil para o processo de aprendizagem dos alunos.37% dos professores do Colégio Pedro II.22% dos consultores didáticos do Vendo e Aprendendo da TV Escola e da equipe do Discovery na Escola. utilizar os vídeos da maneira indicada pelos consultores e produtores. para reforçar a narrativa. passo essencial para a aprendizagem. além dos momentos para as reflexões construtivas. o sujeito do processo de aprendizagem. Resta saber se a utilização de vídeos curtos ou de vídeos longos fragmentados é. em um próximo passo. assim. Uma das formas de avaliar esta questão é. aproveitando pontos de corte moldados pelo contexto. reconquistando. que são eleitos por eles. elegida por 70. sem as quais muito se perderia nesse processo. A proposta da equipe Discovery na Escola 31:é bem clara: “O vídeo.44% dos audiovisuais são fragmentados. tem suporte na atitude de 82. juntamente com as atividades de apresentação do mesmo.com/port/download/pdf/act_video. de fato. focalizar as atenções no aluno. pode durar entre 10 a 15 minutos de uma aula”. 31 Disponível em: http://discoverynaescola. souberam.audiovisual de uma forma fragmentada. a atenção dos alunos. em sua prática de ensino. Esta fragmentação do tempo dos audiovisuais. Desta forma.

permitem concluir que: 1) Os audiovisuais produzidos para fins didáticos têm um tempo curto. 2) Os audiovisuais para divulgação científica. incorpora audiovisuais de divulgação em sua programação. 5) Apesar dos limites de recursos impostos à produção nacional. indica a busca de qualidade de imagem e de linguagem mais dramatizada. com um tempo médio-alto. 3) Os audiovisuais para divulgação científica. com linguagem própria para televisão. O projeto didático TV Escola. na expectativa de motivar e prender a atenção dos alunos. normalmente entre 41 e 60 minutos. já em 1996. ou médio-baixo. ou curtíssimo. têm linguagem própria para televisão. Existe uma tendência para a consolidação do padrão médio-baixo. de até cinco minutos. os responsáveis pelos projetos didáticos brasileiros parecem estar atentos às necessidades e preferências dos professores. a nível mundial. A tendência verificada aponta para a consolidação dos dois padrões. têm um tempo de duração médio-baixo. produzidos para televisão com padrão de qualidade internacional. entre 21 e 30 minutos. normalmente entre 21 e 30 minutos. 4) Os Professores do colégio Pedro II parecem privilegiar o uso de audiovisuais de divulgação. CONCLUSÕES Os resultados obtidos na busca de caracterizar o perfil dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e a sua utilização no contexto educacional. produzidos no Brasil. 6) A opção dos professores pelos audiovisuais científicos de divulgação.VI. Etapas compreendidas 91 .

se tornam demasiados longos dentro do contexto escolar. como prática adequada aos limites da capacidade de concentração dos alunos da educação básica. 8) Desta forma. a fim de viabilizar o audiovisual científico de divulgação como material didático a ser trabalhado dentro dos limites da hora/aula. como um padrão didático entre os professores de ciências e biologia do Colégio Pedro II. entretanto. os professores exibem o material de forma fragmentada. 10) Mais interessante é esse procedimento padrão. apesar de construída a partir de experiências individuais e empíricas no dia a dia da sala de aula. Ao serem produzidos para atender às grades de programação da mídia televisiva. o processo de aprendizado. dentro de um contexto educacional formal. se apresentar. parece esbarrar no tempo de duração desse gênero de audiovisual. como o programa Vendo e Aprendendo e o Discovery na Escola. praticamente. declaram a preferência pela utilização de audiovisuais científicos de divulgação. 9) É relevante o fato da práxis da fragmentação da exibição dos audiovisuais. construído a partir de vivências didáticas e pedagógicas diferenciadas. diante da grande disponibilidade de audiovisuais didáticos. mas principalmente. Como verdadeiros autores da sua prática.como necessárias para efetivar. segundo declarações dos professores entrevistados. esses professores são capazes de lançar 92 . os audiovisuais de divulgação. estar plenamente de acordo com as indicações dos consultores dos projetos didáticos. 7) Essa expectativa. 11) A análise do conjunto dos resultados indica a propriedade do procedimento didático e pedagógico do professores apesar da aparente contradição expressa quando.

transformá-las em instrumentos didáticos perfeitamente adequados ao contexto da educação formal. trabalhando características a principio adversas.mão do que há de melhor nas produções para divulgação científica e. 93 .

br/seed/tvescola/pdf/vendo3final. Disponível em: http://www.mec. Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola.pdf Acesso em 10/01/2005 __________.mec.mec. Disponível em: http://www. Brasília: MEC. vol. Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola. ARATANGY. 2000b. Cezar. Secretaria de Educação a Distância.mec.2 São Paulo: Oct. Disponível em: http://www. n 1./Dec 26-29. Disponível em: http://www. Ciência e Cultura. Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola.VII.br/seed/tvescola/pdf/vendo3final.br/seed/tvescola/pdf/vendo4final. 54 no.mec.gov. Disponível em: http://www.gov. n 5. A experiência psicológica da duração.br/seed/tvescola/pdf/vendo1. Secretaria de Educação a Distância. Claudia Rosenberg (Org). Disponível em: http://www. 2001a.pdf Acesso em 10/01/2005 94 . Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola.pdf Acesso em 10/01/2005 __________. Secretaria de Educação a Distância. São Paulo: Editora Limitada.br/seed/tvescola/pdf/vendo3final. 2000a. 2002. Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola. n 6. Joaquim Canuto Mendes de. Vendo e Aprendendo: Como usar os vídeos da TV Escola. n 3.gov. Brasília: MEC. Secretaria de Educação a Distância. 2001b.pdf Acesso em 10/01/2005 __________. Brasília: MEC. 1931. n 2. 2002 ALMEIDA.pdf Acesso em 10/01/2005 __________. Secretaria de Educação a Distância.gov. 2001c. Brasília: MEC.mec. Secretaria de Educação a Distância. Brasília: MEC. Cinema Contra Cinema. Brasília: MEC.br/seed/tvescola/pdf/vendo2. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADES.gov. n 4.gov.pdf Acesso em 10/01/2005 __________.

. CÉSAR. All the Time? Discovery Communications Inc. MARIE. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção.228-1. BAZIN. 1997. São Paulo: Brasiliense. BUSSELLE. A influência do vídeo no processo de aprendizagem. André. 8 ed. Rita. São Paulo: Hacker Editores. Chicago: Illinois Rand McNally & Company. Comunicação e Educação: questões delicadas na interface. BARCA.SãoPaulo: Editora Àtica. CINELLI. DE 6 DE SETEMBRO DE 2001. 2003. CHAUÍ. Rio de Janeiro: Ediouro. Maria Regina. 2001. 1991. O cinema: ensaios.eca. Jacques. 1998. Rio de Janeiro: Funarte. BRAGA. 2003. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina.AUMONT. Florianópolis. Master Photography: Take and Make Perfect Pictures. José Luiz. O livro de ouro da mente (título original: mapping the mind).br/media/MP_2228-1_06092001_original. Ana C. Television & New Media Vol. Convite à filosofia. Michael. Marilena. VERNET. 1995. Cynthia. Literatura não é documento.gov. Alain. SP: Papirus. All Documentary. Lacy. A Estética do Filme (Titulo original: Esthétique du film).br/nucleos/nce/pdf/093. February 7– 28 2002. Ciência e Comunicação na TV Comercial: 14 anos do Programa Globo Ciência. Campinas. BERGALA. Nair Pereira Figueiredo. and Trends in Cable Television.ancine.pdf acesso em 24/12/2004.pdf acesso em: 20/02/2005. MEDIDA PROVISÓRIA NO 2. 3 No. 1. 1978. CHRIS. 2003. Disponível em http://www. CARTER. Marc. 1980. BRASIL. 95 . Disponível em: http://www. Michel.usp. CALAZANS.

__________. COISSAC. Robert E. __________. Ronald A. __________. __________. Paris: CNRS 1999. 11es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. 96 . 16es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. Paris: CNRS 2001. 14es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. Michel. Washington: American Psychiatric Press inc. 12es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. Annick (Org). 17es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. __________. G. DEMEULE. __________. HALES. 1997. 18es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. Stuart. __________.Paris: Editions du Cinéopse. Paris: CNRS 1997. 15es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. Neuropsychiatry. 13es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. 1925. Paris: CNRS 2000. Paris: CNRS 1994. Paris: CNRS 1998. Paris: CNRS 1996. Histoire du Cinématographe de ses origins jusqu’à nos jours.COHEN. Stephen. In: YUDOFSKY. SALLOWAY. 413-446). Neuropsychiatric aspects of disorders of attention (p. Paris: CNRS 1995.

O Vale Vídeo na sala de aula.UFRJ/ICB. American Journal of Psychology Vol 91 417-28 1978. Ediciones Paidós. JOST. Rio de Janeiro: 2004. Dissertação (mestrado) . P. Marília S. Gestão e Difusão em Biociências do Departamento de Bioquímica Médica. 52. 1991. 76-85. Vilma (org).__________. Barcelona – Buenos Aires – México. Rio de Janeiro. W. Eduardo. A Theorical Reconciliation of Concepting Views of Time Perception. publicado em 1787). A natureza pedagógica das linguagens audiovisuais. Rio de Janeiro. 19es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. (1996). 1993. Paris: CNRS 2003. 1994. Paris: CNRS 2002. KANT. Immanuel. H. GRUZMAN. In: Kant – vida e obra. FRANCO. No 1. 2001. 2003. Rio de Janeiro: Graphos. (coleção os pensadores) 97 . François. El relato cinematográfico: Cine y narratología (Título original: Le récit cinématographique). Programa de Pósgraduação em Tecnologia Educacional nas Ciências da Saúde. GAUDREAULT. 2004. (Título original: Kritif der reinen Vernunft. Elisandra. 2003. Crítica da Razão Pura. HOGAN. In: Coletânea Lições com cinema. GUIMARÃES. André. Michael G. __________. FIELD.UFRJ/NUTES. São Paulo: Nova Cultural. FLAHERTY. Syd. Social Psychology Quarterly. São Paulo: FDE. A Ciência Vai ao Cinema: uma análise de filmes educativos e de divulgação científica do Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). Manual do Roteiro: Os fundamentos do texto cinematográfico (Título original: Screenplay). Dissertação (mestrado) . 20es Recontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique. Editora Objetiva Ltda. Vol. GALVÃO. Programa de Pós-Graduação em Educação. Representações dos insetos através da imagem: uma investigação teórico-prática para a realização de um vídeo educativo em ecoentomologia. 1995. The perception of time and situated engrossment.

Disponível em 3 partes em: http://www. Marina de Andrade. Eadweard James Muybridge – Etienne-Jules Marey (18301904).fr/doc_site/thema/mamu/francais/analyse/mannoni2.KELVIN.. São Paulo: ECA-Ed. MORAN. jan. 1977. O Vídeo na Sala de Aula. Ciência e Público: caminhos da divulgação científica no Brasil. 2 ed. http://www.bifi.. Bibliothèque du Film (BIFI). Rio de Janeiro: Casa da Ciência/UFRJ. MOREIRA. MARCONI. Arlindo. São Paulo: editora Brasiliense 1988. METZ. MANNONI. de 1995. Estatística Aplicada a Ciências Humanas (Título original: Elementary Statistics in Social Reserch). 2002. São Paulo: Editora Perspectiva S. 1994.fr/doc_site/thema/mamu/francais/analyse/mannoni1. A Arte do Vídeo. (p. 1987. Le cinéma et la science. Chistian.pdf Acesso em: 09/01/05. Jack.bifi.pdf Acesso em: 09/01/05. Paris: CNRS Éditions. __________. MACHADO. Comunicação & Educação.htm Acesso em 25/01/2004. Ildeu de Castro. A. 43-64).usp. 5 ed. [2]: 27 . LAKATOS. Luiza. A. José Manuel. (Coleção Debates).. http://www.fr/doc_site/thema/mamu/francais/analyse/mannoni3. Luiza. MASSARANI.35. São Paulo: Editora Atlas S.bifi.pdf Acesso em: 09/01/05. In: MASSARANI. 98 .. Aléxis. MARTINET.eca. São Paulo: Editora Habra Ltda. São Paulo: Editora Perspectiva S. Eva Maria. Técnicas de Pesquisa. Laurent. Aspectos históricos da divulgação científica no Brasil. MOREIRA. 2002. 1980. A Significação no Cinema (Título original: Essais sur la Signification au cinéma). s/d. Disponível na URL: http://www. Linguagem e Cinema (Título original: Langage et cinéma). (Coleção Insolites de la Science). Moderna. BRITO.br/prof/moran/vidsal. (Coleção Debates). 2 ed. Fátima. A./abr. Ildeu de Castro.

Ciência e Público: caminhos da divulgação científica no Brasil. 10ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 2004. 5ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 1999. Fátima. BRITO. __________. 8ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 2002b. Ciência e TV: um encontro esperado. Luiza. Ildeu de Castro.2 São Paulo: p. 2002. (p. 6ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 2000. 99 . vol. __________. 36 – 37. BRANDÃO. __________. __________. __________. 2ª Mostra Internacional de TV e Vídeo Ver Ciência Rio de Janeiro 1996. _________. Ciência e Cultura. __________. In: MASSARANI. MOREIRA. Sergio (Org). O tempo no cinema e as novas tecnologias. 7ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 2001. 89-105). Oct. __________. __________. MONTEIRO.MOURÃO./Dec. 4ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 1998. Maria Dora. 3ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 1997. __________. José Renato. 2002. 9ª Mostra Internacional de Ciência na TV Ver Ciência Rio de Janeiro 2003. Rio de Janeiro: Casa da Ciência/UFRJ.54 no. 1ª Mostra Internacional de TV e Vídeo Ver Ciência Rio de Janeiro 1994.

OROZCO GOMES, Guillermo. Professores e meios de comunicação: desafios, estereótipos. Comunicação & Educação. São Paulo: ECA-Ed. Moderna, [10]: 57 - 68, set./dez. 1997. RAMOS, Fernão Pessoa. O lugar do cinema, p. 35 – 48. In: FABRIS, Mariarosaria.et al. Estudos Socine de Cinema. Porto Alegre: Sulina, Ano III, 2003. REISER, Oliver L. The problem of time in Science and philosophy. The Philosophical Review, vol. 35, N°. 3 (May, 1926), 236 – 252. REISZ, Karel; MILLAR, Gavin. A Técnica da Montagem Cinematográfica. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira S. A. 1978. RESNICK, Robert. Introdução à Relatividade Especial. (Título original: Introduction to Special Relativity). São Paulo: Editora Polígono S. A. 1971. RIBEIRO, Ronilda Iyakemi. Finitude, Mutações e Gozo Ciência e Cultura. vol.54 no.2 São Paulo: Oct./Dec. 2002, p 24-26. SÁ, Irene Tavares de. Cinema e Educação. Rio de Janeiro: Agir. 1967. SCHVARZMAN, Sheila. Humberto Mauro e a constituição da memória do cinema brasileiro. p 119 – 129. In Ramos, Fernão Pessoa (Org). Estudos de Cinema 2000 – SOCINE. Porto Alegre: Sulina, 2001. SERRANO, Jonathas; VENÂNCIO FILHO, Francisco. Cinema e Educação. São Paulo, Cayeiras, Rio: Melhoramentos, vol. XIV, 1930. SIMIS, Anita. Movies and Moviemakers Under Perspectives. Vol. 29 No. 1, 106-114. 2002. Vargas.

Latin

American

SLUYS, A. La Cinématographie Scolaire et post-scolaire. Bruxelas. 1922.

THAYER, S; SCHIFF, W. “Eye contacts, facial expression and the experience of time”. Journal of Social Psychology, 95, 117-24, 1975.

100

TOSI, Virgilio. Manual de Cine Científico Para la Investigación, Enseñanza y Divulgación (Título original: How to Make Scientific Audio-Visuals for Research, Teaching, Popularization). México: UNAM/UNESCO, 1987. (Coleccíon Cuadernos de Cine Nº 32). VASSIMON, Marisa (Org). Vídeo Escola a sala de aula ganha o mundo. Rio de Janeiro: Gráfica Color Set, 1998. VENANCIO FILHO, Francisco. A Educação e o seu aparelhamento Moderno. Brinquedos – Cinema – Rádio – Fonógrafo – Viagens e Excursões – Museus – Livros. São Paulo – Rio de Janeiro – Recife – Porto Alegre: Companhia Editora Nacional, 1941. VÍDEO ESCOLA. Vídeo Escola: cinco anos na sala de aula da escola pública brasileira. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho e Fundação Banco do Brasil, 1996.

VIII. Palestra BARRETT, Matthew. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil, na 10ª mostra Ver Ciência. Rio de Janeiro: 2 set. 2004.

101

IX. APÊNDICES

Apêndice A Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação: Existe grande discordância na designação do audiovisual, quanto ao seu tempo de duração. Para suprir as necessidades desta dissertação, utilizaremos como ponto de partida a Medida Provisória No 2.228-1 (BRASIL 2001), que determina no seu capítulo 1, artigo 1º: VII - obra cinematográfica ou videofonográfica de curta metragem: aquela cuja duração é igual ou inferior a quinze minutos; VIII - obra cinematográfica ou videofonográfica de média metragem: aquela cuja duração é superior a quinze minutos e igual ou inferior a setenta minutos; IX - obra cinematográfica ou videofonográfica de longa metragem: aquela cuja duração é superior a setenta minutos; Assim, devido à necessidade de um maior espectro de tempo e às características da amostra, as classes serão subdivididas da seguinte forma: • Curtíssima duração: aquela cuja duração é igual ou inferior a cinco minutos, que será usada para algumas discussões; • Curta duração: aquela cuja duração é superior a cinco minutos e inferior ou igual a 15 minutos. Nos casos não especificados, englobará a classe curtíssima; • Média-baixa duração: aquela cuja duração é superior a 15 e igual ou inferior a 40 minutos; • Média-alta duração: aquela cuja duração é superior a 40 minutos e igual ou inferior a 60 minutos; • Longa duração: aquela cuja duração é superior a 60 minutos. 102

Corpo Humano. Floresta Inundada. O Semiárido Brasileiro. Frutos do Cerrado. Instituto Butantã. Como Cresce a Margarida. classificados como de biociências: Chapada Diamantina. Como Cresce o Feijão. Esquistossomose. Os Senhores da Mata Atlântica. Solos. Aids: A Melhor Defesa é a Informação. Carlinhos Precisa de uma Capa. Minha Primeira Experiência com O Som e a Música. A Química da Cozinha. Biodiversidade. A Pré-história do Brasil. Minha Primeira Experiência com A Acidez dos Alimentos. A Toca do Coelho. Aves II. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores. Homens e Mar. A Maravilhosa História da Batata II. Aves I.Apêndice B Audiovisuais do projeto didático Vale Vídeo. Como Nasce e Cresce o Sapo. O Jequitibá. Insetos Sociais. O Meio Ambiente do Espírito Santo. Tá Limpo. Zoom Cósmico. Cuidado Nervos. Dinossauros II. O Deserto do Maranhão. O Começo da Vida. Alimentos para a Saúde. 103 . Dinossauros I. A Velha a Fiar. O Povo das Gerais. Homenzinhos. Evolução. A Maravilhosa História da Batata I.

O Semi-árido Brasileiro. A Velha a Fiar. Aves I. A Maravilhosa História da Batata I. Lar de Homens e Animais .Parte 2. Sons do Maranhão. Corpo Humano: Um Ecossistema Parte 1. Os Homens e a Lua. Insetos. Corpo Humano: Um Ecossistema .Parte 2. A Toca do Coelho. Século XX: Primeiros Tempos. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores. Higiene Corporal. Formas do Espírito Santo. Como Classificar Animais?. Sons do Pará. O Começo da Vida. A Vida Nasce no Mar. Floresta Inundada.Apêndice C Audiovisuais do projeto didático Vídeo Escola. Cores do Espírito Santo. Como Cresce o Feijão. Formas do Pará. Como Nasce e Cresce o Sapo. Formas do Maranhão. Lar de Homens e Animais . Formas de Minas Gerais. 104 .Parte 1.Uma Árvore e seu Ecossistema. Chapada dos Guimarães. As Baleias em Abrolhos. Carvalho . Derivados da Cana-de-açúcar. Sons do Espírito Santo. Cores do Pará. A Borboleta. A Maravilhosa História da Batata II. Sons de Minas Gerais. Cuidado Nervos. A Conquista do Espaço. classificados como de biociências: Os Índios Bakairi e o Jatobá. Dinossauros. Aves II. O Rio São Francisco.

1998. Teca na TV. Genoma: Em Busca do Sonho da Ciência. TV Cultura. Minuto Científico. TV Cultura. 1994. TV Cultura. Série Olhando para o Céu.Apêndice D Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 – 2003. Série Globo Ciência. 2002. Série Globo Ciência. episódio: Surfboard. o Explorador do 20° Século. 1995. Série A Mão Livre. 10 episódios. 2001. 2003. episódio: Somos Pequenos no Universo? 1996. episódio: Dr. episódio: A Caminho do Mar. TV Cultura. 2000. 105 . Série Globo Ciência Saúde. Série Globo Ecologia. episódio: Tributo a Paulo Freire. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. Canal Futura/Fundação Roberto Marinho. 1999. TV Globo. 1999. 1997. episódio: Ordem no Caos. Série Globo Ciência. Canal Futura. TV Cultura. episódio: Chuá Chuágua. Série Mar à Vista. 1997. Pré Histórias da Pedra Furada. Série Globo Ciência. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. 1994. Série Ver Ciência. TV Cultura. 2002. episódio: Futebol. episódio: Insetos & Cia. TV Cultura. Nise da Silveira. TV Cultura. Série Repórter Eco. episódio: Malaria. 1998. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. episódio: Rondon. TV Cultura. 1998. Série Arte e Matemática.

além disso os equipamentos utilizados para “tocar” essas mídias (os players). o que é um forte limitante do uso deste recurso nas antigas mídias em fita magnética. a High Density DVD (HD DVD) etc. mais ‘atualizado’. Outro motivo da agressiva dominação das novas mídias. não ocorre o problema do desgaste físico da mesma.Apêndice E As mídias do audiovisual Existem muitas mídias de suporte para o audiovisual. é que não apresentam o problema da perda de qualidade com o passar do tempo e são mais estáveis fisicamente. na hora de exibir o vídeo. pois as fitas melam em pouco tempo devido a grande umidade”. facilitando em muito o educador. A grande diferença destas e outras mídias como a Blu-ray. pois dizem que são mais resistentes. ou de armazenar vídeos de alta definição em um 106 . como o Compact Disc (CD). Saldanha (2005) em entrevista diz: “Nossos parceiros. com a possibilidade de armazenar várias horas de vídeo com qualidade inferior ou igual ao VHS. que não é muito usado no Brasil para esta finalidade. quando comparadas com as fitas VHS. os índios do Xingu. podem ser programados para o acesso aos pontos predefinidos. em especial do DVD. já nos cobram as cópias dos documentários em DVD. pois nas novas mídias. ou seja a possibilidade de um acesso aleatório em qualquer ponto das trilhas de dados. Outra grande vantagem é na hora de pausar a imagem. só agora começa a ser usado no ensino (o Colégio Pedro II só agora começou a adquirir os primeiros equipamentos). utilizando os algoritmos de compactação. como no caso do VHS. Mas o choque definitivo está se impondo. e que elas têm na essência as mesmas vantagens do velho disco de vinil. e o Digital Versatile Disc (DVD) que apesar de ter literalmente acabado com o mercado da fita Video Home System (VHS).

além é claro da evolução dos padrões de compactação. 107 .único DVD ou em outras mídias de maior capacidade física.

Bristol. 1987 .para o programa “Será que é isso mesmo?”.Americano de Jornalismo. Inglaterra .br/main.Paris.Menção Especial do Júri do “6ème Festival International de L’Émission Scientifique de Télévision” .Primeiro lugar no Primeiro Concurso Latino.Prêmio Master de Ciência e Tecnologia 2000. ANEXOS Anexo A Premiações do programa Globo Ciência 32: TV Globo. 1990 .para o programa “Mais Verde com Ciência”.Menção Honrosa no SCI-TECH Festival . Disponível em: http://www. 1989 .Vega Awards pelo episódio “pão”.Bogotá.frm. 1989 . 2002 . oferecido pelo Instituto da Qualidade e organizado pela Camplux Editora e Publicações.para o programa “Será que é isso mesmo?”. 2000 . Científico . Colômbia .&UIPartUID={0B11DCF7-D35E-476B-AB4E-FEA3B7A87A62} Acessada em 02/01/2005 32 108 . França .org.Prêmio José Reis de Divulgação Científica.asp?ViewID={25199997-AC07-45EE-A1C101D8204DE822}&params=itemID={8BB7B665-66C6-4C99-BFDDB65FD5609096}. veiculado em 9/3/2002. com o apoio de várias instituições. para o programa “Boas Festas com Segurança”. 1989 .X.Destaque na categoria Jornalismo do Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito.

Série "Minuto Científico" . 1997 VII PRIX LEONARDO da Fundazione Medikinale International Special Award – Melhor Programa Estrangeiro "Minuto Científico" Parma.Minuto Científico 1998 PRÊMIO CIDADE DE MONTREAL DO FESTIVAL TELESCIENCE .Categoria Programas para a Juventude. Itália 1998 1º Encontro Latino Americano de Televisão da RAL . TV Cultura.Melhor Programa infanto-juvenil .Gramado .Minuto Científico 2000 PRÊMIO DRAGÃO DE PRATA 1º Festival Internacional do Filme Científico de Beijing – China.com. 33 Disponível em: http://www.CANADÁ Categoria Produção Infantil .Anexo B Premiações do Programa Minuto Científico 33.br/tvcultura/sobretv/premios.htm Acesso em 20/12/2004 109 .tvcultura.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful