UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO INSTITUTO DE BIOQUÍMICA MÉDICA

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Roberto Eizemberg dos Santos

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa. Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Roberto Eizemberg dos Santos

Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Química Biológica (Educação, Gestão e Difusão em Biociências), Instituto de Bioquímica Médica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica.

Orientador Prof. Dr. Hatisaburo Masuda Co-orientadora Profa Dra. Andrea Molfetta

Rio de Janeiro 2005

Santos, Roberto Eizemberg dos.S.
Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por professores das Unidades do Colégio Pedro II/ Roberto Eizemberg dos.Santos.

Rio de Janeiro, 2005. xi, f.: il; 31 cm Dissertação (Mestrado em Química Biológica) –Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Bioquímica Médica, 2005. Orientador: Hatisaburo Masuda Co-Orientadora. Andrea Molfetta 1. Ensino de Ciências. 2. Audiovisual Científico 3.Tecnologia Educacional – Teses. I.Masuda, Hatisaburo (Orient.). II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto de Bioquímica Médica. III. O Tempo do Audiovisual Científico no Ensino de Biologia e Ciências.

Dra. Professor titular do IBqM – CCS – UFRJ. como revisora e suplente. Pesquisadora ________________________ Miriam Struchiner. como orientador. Professora adjunta do IBqM – CCS – UFRJ. Dra. Dra. Dr. . Dr. Dr. 19 de setembro de 2005 Aprovado por: ____________________________ Hatisaburo Masuda. Varella Barca de Andrade. Professora adjunta do NUTES– CCS – UFRJ. Professor Titular do CBPF. ____________________________ Henrique Gomes de Paiva Lins de Barros.Roberto Eizemberg dos Santos Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Rio de Janeiro. Professor adjunto do IBqM – CCS – UFRJ. ________________________ Denise Rocha Correa Lannes. ___________________________ Lacy independente ________________________ Pedro Lagerblad de Oliveira. como suplente externa.

.Dedico esta dissertação aos que não vêem no tempo um inimigo implacável que os impeça de começar uma nova jornada.

pode observar em mim essa tendência pela ciência e me disse “Roberto não abandone a ciência. Ao meu orientador de iniciação científica. Ao meu pai. Celso. A minha amada companheira. como o local para as minhas idéias e ideais. Em primeiro lugar agradeço a minha mãe. à minha orientadora de desenvolvimento tecnológico e industrial. Darci M. Lins de Barros. S. apontou-me essa casa da excelência. Esquivel. educado e apoiado. é difícil agradecer de uma forma satisfatória a tantos e com a real profundidade necessária. não posso conceber você como um dentista. que vinte anos atrás. por ter me gerado. você não tem esse perfil” e que na minha volta. impalpável e incerto. da Vídeo Ciência. que substituíram as canções de ninar. em especial. que soube compreender e aceitar as privações do meu ato quase insano de abandonar um ofício em troca de um ideal. A Sergio Brandão. amado. Henrique G. do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF). implantando no fundo da minha alma o gosto pela ciência. A toda a equipe do grupo de Biofísica do CBPF e. que reconheceu a qualidade do material audiovisual que produzi. Shirley. mesmo agora num momento em que caberia a mim a função de retorno desse apoio. o Instituto de Bioquímica Médica (IBqM). e a sua gentileza no empréstimo dos catálogos do Ver Ciência e do Image et Science e . Sarah. P. que nas suas leituras de revistas de divulgação científica.Agradecimentos Em tão poucas linhas. que me ensinou a disciplina necessária para a pesquisa e mostrou-me a necessidade do investimento em uma formação de boa qualidade.

A José Renato Monteiro. por mostrar o . brilho e consistência ao meu trabalho. soube identificar e intervir nas horas propícias. Monteiro e Margarete Macedo Monteiro e seus alunos do Laboratório de Ecologia de Insetos do IB. Educação e Difusão em Biociências (PEGeD) . porém soberba. Aos meus companheiros de estudo. também do PEGeD. fazendo assim uma orientação efetiva. Andrea Molfeta. A Profa.que apontou também esta casa para alavancar a minha formação. sem o risco da perda de interesse. do Programa de Gestão. Ricardo F. e que com a sua visão bem humorada. Suzete Bressan e seus alunos do Laboratório de Entomologia Médica. deu mais vida. orientou e me deixou à vontade na minha busca pelo conhecimento. e aos Profs. que mesmo tendo seus castelos a construir. Ao meu orientador de mestrado Hatisaburo Masuda do Laboratório de Bioquímica de Insetos. que se dedicou em encontrar e me mostrar os cadafalsos escondidos no trajeto. em especial ao Luis Dourado. A minha revisora Denise Lannes. que com seus sólidos conhecimentos das imagens em movimento. do Departamento de Cinema Rádio e Televisão da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). A minha co-orientadora de mestrado. Jacqueline Leta. que apontou alguns problemas em meu caminho. do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF). pela complementação dos catálogos. contribuíram para a minha formação. A Profa. junto a TV Cultura SP. por viabilizarem meus novos audiovisuais de divulgação/educação. que me acolheu. A Teresa Otonto da TV Cultura SP pelo envio do catálogo de 1995 do Festival Image et Science e do catálogo 2004 do Festival Vedere la Scienza.

que me assessorou junto aos professores do Colégio Pedro II. viabilizou a minha dedicação exclusiva nesse estudo. que graças à bolsa concedida ao programa de demanda social. aos entrevistados e aos professores das unidades do colégio Pedro II. A Denise Mano. A Tereza Lima. permitindo assim o êxito desta parte da pesquisa. por me ceder sua bibliografia e apontar soluções. e a Elisandra Galvão. sem a qual nossa vida acadêmica certamente seria mais difícil. . A todos os autores citados. em especial a Heloísa e Lílian.quão é ímpar a linguagem do cinema. sem os quais esta dissertação não teria fundamentos ou credibilidade. A toda a equipe do Laboratório de Bioquímica de Insetos. E a CAPES.

analisouse também a forma como os audiovisuais são utilizados em sua prática de ensino. Vídeo Escola e Vale Vídeo). Nesta dissertação. Foi encontrado. Esta mesma questão. como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Química Biológica. . Roberto Eizemberg dos. do tempo de duração de audiovisuais. Como resultado. Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II. por programas de curta duração (menos de 30 minutos) nos projetos pedagógicos (TV Escola. que existe uma predileção dos professores por produtos internacionais. também. Rio de Janeiro. foi analisada segundo a ótica de alguns produtores de vídeo que. na prática de ensino. de um modo geral. Gestão e Difusão de Biociências do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. assim como nos audiovisuais disponíveis pela produção de divulgação científica nacional. em um colégio federal no Rio de Janeiro. nas tevês por assinatura e nas tevês abertas. Além disso. os quais são utilizados de uma forma fragmentada. majoritariamente.Resumo Santos. que podem ser vistos nas redes de televisão abertas e por curta e média duração. são conduzidos pelas necessidades das grandes redes de televisão. o tempo de duração de audiovisuais (filmes e vídeos científicos) que são disponibilizados ao professor de ensino médio e fundamental foram analisados. 2005. encontramos que esse material é composto. Dissertação de Mestrado submetida ao Programa de Pós-Graduação de Educação. quando produzidos por empresas internacionais.

Abstract Perfil de Tempo de Audiovisuais Científicos e um Estudo de Caso da Utilização de Audiovisuais no Ensino de Biologia e Ciências por Professores das Unidades do Colégio Pedro II Santos. were also analyzed according to the point of view from the producers. in a Federal School from Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Short and long duration videos are obtainable from cable TVs and also from broadcast TV. Dissertation submitted to the Graduate Program in Education. the duration of scientific audiovisual (films and videos). are of short duration (less than 30 minutes). usually produced by international companies. The duration of videos. were analyzed. Vale Video. As a result. . TV Escola. Profile of Time of Scientific Audiovisuals and a Case Study of Their Utilization. which in general. available for teachers from basic and high school. the way these videos are utilized inside the classroom. as well as from the collections of videos produced in Brazil for scientific diffusion. Roberto Eizemberg dos. Video Escola. we found that among these videos. 2005. Management and Diffusion of Biosciences from the Instituto de Bioquímica Médica of the Universidade Federal do Rio de Janeiro . Besides that. by the teachers from the Units of Colégio Pedro II. was also analyzed. inside classroom.UFRJ. The videos analyzed were from the collections from. as part of the requirements necessary to the attainment of Master of Science Degree in Biological Chemistry In this dissertation. in Biology and Sciences Education. that can bee seen in the broadcast TV network. the one’s from pedagogic projects. that are utilized in a fragmented mode. It was also found that the teachers prefer international products. are conducted by the requirements imposed by the main TVs network.

42 Figura 07. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo 41 do conjunto de vídeos de todas as áreas. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais e audiovisuais internacionais. Figura 08. 38 Figura 04. Freqüência percentual por classe de tempo. 46 . 40 Figura 05. Freqüência percentual por classe de tempo.LISTA DE FIGURAS Figura 01. do projeto Vídeo Escola. Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. 37 Figura 03. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais nacionais e dos audiovisuais de outros paises. 14 Figura 02. dos audiovisuais produzidos no INCE. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de 44 audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo. do projeto Vale Vídeo. dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal. Figura 06. dos audiovisuais de biociências e dos audiovisuais de outras áreas. do projeto Vídeo Escola. do projeto Vale Vídeo. 45 Figura 09.

Freqüência do gênero de audiovisual utilizado pelos 27 professores entrevistados. período1999-2004. dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 e 2000-2004 Gráfico inserido. Figura 22. 48 Figura 11. preíodo1994-2004 Figura 20. Freqüência percentual por classe de tempo. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 e 2000-2004.Figura 10. dos audiovisuais nacionais de ciências e dos audiovisuais internacionais de ciências apresentados na programação da TV Escola. 63 Figura 19. para trabalhar os conceitos selecionados. Freqüência percentual por classe de tempo. no período 1996 – 2002. 52 Figura 14. apresentados na programação da TV Escola.Freqüência percentual por classe de tempo. No gráfico inserido. 57 Figura 17. Freqüência percentual por classe de tempo. 49 Figura 12. no período 1994 – 2003. no período 1996 – 2002. Gráfico inserido. Freqüência percentual por classe de tempo. dos audiovisuais da TV Escola. Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II. Freqüência percentual por classe de tempo. nos qüinqüênios 1994-1998 e 1999-2003. Outra opção de gênero dos 25 professores que usavam o documentário. no ano de 2004 56 Figura 16. no período 1996 – 2002. Linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos. dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola. dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola. no período 1996 – 2002. Freqüência percentual por classe de tempo. E representação dos segmentos propostos pela equipe da Discovery. 60 Figura 18. Figura 21. dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola. dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science. 64 67 68 69 . 51 Figura 13. freqüência percentual de todos os audiovisuais. no período 2000 – 2001 54 Figura 15. que usam o audiovisual no Colégio Pedro II. Freqüência percentual por classe de tempo.

Figura 23. Práxis relativa a fragmentação dos audiovisuais. Acervo dos 27 professores que usavam o audiovisual. 70 70 71 . Fonte do material usado pelos professores. pelos 27 professores que usavam o audiovisual. Figura 24. Figura 25.

Tabela 03. segundo sua Origem e Finalidade. Categorização dos Acervos de Audiovisuais. descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE). 34 35 Tabela 04. segundo a Finalidade. . 42 efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U). 35 Tabela 05.LISTA DE TABELA Tabela 01. Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências. Audiovisuais. segundo sua Origem e Finalidade. 33 Tabela 02. Audiovisuais dos Acervos segundo sua Origem. do projeto Vale Vídeo. Total de Audiovisuais.

Seqüência de 4 fotos tiradas por Janssen de Vênus frente ao Sol. Imagem 02. com seu Revólver.LISTA DE IMAGENS Imagem 01. 02 03 . Vôo do pelicano.

LISTA DE SIGLAS AIVC BBC CAPES CBPF CD CNPq CNRS CVRD DVD ECA ftp HD DVD http IBqM INCE MEC PDF SEED Semtec UFPA UFRJ UNESCO USP VHS WWW Associação Internacional Ver Ciência Britsh Broadcasting Corporation Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas Compact Disc Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Centre National de la Recherche Scientifique Companhia Vale do Rio Doce Digital Versatile Disc Escola de Comunicação e Artes File Transfer Protocol High Density DVD Hiper Text Transfer Protocol Instituto de Bioquímica Médica Instituto Nacional de Cinema Educativo Ministério da Educação e Cultura Portable Document Format Secretaria de Educação a Distância Secretaria de Educação Média e Tecnológica Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Rio de Janeiro United Nations Educational Scientific and Cultural Organization Universidade de São Paulo Video Home System World Wide Web .

Desvio padrão. Percentagem. . Nível de significância estatístico.LISTA DE ABREVIAÇÕES E SÍMBOLOS < > = % A1 A2 α DF n n1 n2 P1 P2 π s/d Sd Se U Menor que. Maior que. Erro padrão. a grandeza da esquerda do símbolo é menor que a grandeza da direita. Estatística U de Mann-Whitney. População. Tamanho da amostra menor. Amostra 2. ou seja. Soma dos postos da amostra maior. a grandeza da esquerda do símbolo é maior que a grandeza da direita. Amostra 1. Igualdade de grandezas. ou seja. Soma dos postos da amostra menor. Distrito Federal Tamanho da amostra. Tamanho da amostra maior. Sem data.

3. Análise de Dados III. O Sonho no Ensino I. Coleta e Análise dos Dados III.2. Entrevistas com Produtores.2.Audiovisuais Científicos III.SUMÁRIO I. Metodologia III. Publicações digitais como fonte de dados: III.2.2. O Tempo no Ensino 1 1 2 4 6 8 14 II.1. Introdução I. Amostra III.6. Finalidade III.2.1.2. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo I.4.3. Recomendação dos Especialistas III.1 Seção 1 .2. Nacionalidade III. Áreas do Conhecimento III.1.1.2. Perfil de Tempo III.1. Análise Estatística III.1.1.2.3.4. Objetivos 16 III.2.2.1. Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados 17 17 17 21 21 21 21 22 25 27 27 27 28 30 30 30 .2.2.2.4.1.2. O Tempo no cinema I.5.4. A Mãe do Cinema I. A Linguagem do Audiovisual I.1.2 Seção 2 – Professores e Especialistas III.2.4. Amostra e Coleta de Dados III.1.5.1. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III.

32 32 32 36 36 37 39 43 46 50 52 55 58 62 64 65 65 72 V.5.2. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal IV..Sessões Internacionais IV.1.1.1. Festival Image et Science IV.2. Vale Vídeo IV. Apêndices 94 101 102 .3. Entrevistas com Produtores. TV Escola Programação de Meio Ambiente IV.2. Mostra Ver Ciência .1.1.11.2 Seção 2 Professores e Especialistas IV.9. Conclusões 91 VII. Perfil de Duração IV.1.1. Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) IV.1.10.Sessão Brasil IV.8.IV. Discussão V. Finalidade e origem IV.1. TV Escola Programação de Ciências IV.1. TV Escola . Divulgadores e Consultores.1.1. O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências V.6.2.1 Seção 1 – Audiovisuais Científicos IV.Programa Vendo e Aprendendo IV. Palestra IX.1. Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II 76 76 81 VI. Referências Bibliográficas VIII.7.2.1.1.4.1. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II IV. Discovery na Escola IV.2. Mostra Ver Ciência . Vídeo Escola IV.1. Resultados IV.

2003 Apêndice E: As mídias do audiovisual 105 106 104 103 102 X.Apêndice A: Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação Apêndice B: Audiovisuais do projeto pedagógico Vale Vídeo. classificados como de biociências Apêndice D: Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 . Anexos Anexo A: Premiações do programa Globo Ciência: TV Globo Anexo B: Premiações do Programa Minuto Científico. TV Cultura 108 108 109 . classificados como de biociências Apêndice C: Audiovisuais do projeto pedagógico Vídeo Escola.

Gênesis Cap 1.E Deus disse: "Faça-se a luz!" Então se fez a luz. Ver 3 .

conseguiram essa proeza maior. a onipresente velocidade da luz. que em suas várias linguagens próprias levam a alegria. 1 . difundindo aos poucos. a tristeza. tendo como um dos parâmetros. s/d. imagens e sons. Então o tempo agora foi dominado? Pelo menos o tempo relativo. a fábrica dos sonhos. Martinet. 1987. 1971 e Tosi. mas implacavelmente. o registro documental do tempo. A Prisão da Luz aos Olhos do Tempo A luz. um tempo visto e sentido. INTRODUÇÃO I. que com seus incansáveis sonhadores.I. Não demorou muito e a genialidade humana começou a cobiçar a possibilidade de guardar não só um momento. novamente. Resnick. pois a sua grandeza esperou ainda o início do século XX para sair do discurso metafísico e ser relativizada. ora aliados. Congelar sua presença significa captar um momento no implacável relógio do tempo. Nascia então no final deste mesmo século. transportaram o tempo na velocidade da luz.1. não só uma cabeça. Mannoni. Mistura de cientistas. unidos aos artistas do fazer. não só uma idéia. guardados e retocados. mas o tempo integral e. sonho indizível de muitos e que foi concretizado por alguns intrépidos na primeira metade do século XIX. mas seus conjuntos. no decorrer do último século e do que estamos. alquimistas e artistas. a nossa máquina do tempo: o cinema. 1978. 1994. Busselle. E assim compreendida por uma ciência. estes gênios do fazer materializaram a luz em substratos que agora podiam ser vistos. a ciência e até o saber 1. 1 Texto baseado em. ora antagônicos.

“esse é o primeiro aparelho que fotografa as diferentes fases de um movimento não simulado” (tradução nossa) e segundo Tosi (1987. com o seu Revólver Fotográfico. e desta forma fica clara a maternidade científica deste meio audiovisual. 2 Segundo Busselle. com seu Revólver Fotográfico 3.htm Acesso em 25/12/2004 2 .I. apesar de apontados como pais do cinema. como Tosi (1987) e Martinet (1994). 5). conseguiu registrar em uma placa circular de Daguerre 2 as imagens sucessivas da passagem do planeta Vênus frente ao disco solar. Aperfeiçoado pelo fisiologista francês Etienne-Jules Marey (1830-1904). como diz Mannoni (s/d. aproximadamente. na década de 30 do século 19. que em 1874.2. Assim Janssen é apontado como o pai do cinema. tem sua paternidade contestada por alguns autores. o Revólver Fotográfico de Janssen tornou-se portátil e passou de.nl. 18). 3 Imagens obtidas em: http://web. que atribuem esta paternidade ao astrônomo francês Jules Janssen (1824-1907). 1978. um processo realmente fotográfico e independente do acaso. com a sua projeção pública de 1895. A Mãe do Cinema Determinar a paternidade e a data de nascimento do cinema não é tarefa fácil. Louis-Jacques Mandé Daguerre (1787-1851). é apontado como o pai da fotografia. p. por ter desenvolvido e padronizado. Seqüência de quatro fotos de Vênus frente ao Sol.net/users/anima/chronoph/janssen/index. Assim. p.inter. Os irmãos Auguste Lumière (1862-1954) e Louis Lumière (1864-1948). tiradas por Janssen. Imagem 01. com isso “O cinema científico nasceu anos antes que o cinema de entretenimento” (tradução nossa).

Com esse desenvolvimento Marey pode concretizar. 1987. (TOSI. Os estudos de Marrey sobre a locomoção dos animais foram contemporâneos aos estudos do fotógrafo inglês Eadweard James Muybridge (18301904). com a invenção do cinematógrafo. Imagem 02. por exemplo. o grande interesse que teria para um problema tão obscuro como o do vôo das aves.expo-marey. Vôo do pelicano 4. 4 Imagem obtida em: http://www. as previsões de Janssen. Os aperfeiçoamentos subseqüentes. Assim é fácil imaginar. Segundo Sá (1967). vieram a popularizar o cinema. com o uso de substratos flexíveis (películas) e novas técnicas de projeção. foram bem aproveitados pelos irmãos Lumière que. que em 1876 disse: Uma série de fotografias que cubra um ciclo completo de movimento de uma função específica nos outorgaria dados valiosos para explicar seu mecanismo. ganhando assim a nova denominação de fuzil fotográfico. mediante a obtenção de uma série de fotografias que representem os diversos momentos da asa em movimento.uma imagem a cada um segundo e meio para 12 imagens por segundo.com Acesso em 22/12/2004 3 . tradução nossa). que usava um conjunto de câmeras para obter as imagens. a partir de 1882.

em 1896. a vocação do cinema científico para o ensino. por deixar reproduzir pelo cinematógrafo uma de suas operações. As imagens em movimento. tais como: documentar o trabalho ou objeto da pesquisa. Suas projeções de reportagens e de filmes de viagem popularizaram o gênero documentário. I. Estas são palavras de Lev (Leão) Nikolaievitch Tolstoi (1828–1910). Nesta ação ousada de um homem de ciência fica caracterizada. defendeu-se o Dr Eugène-Louis Doyen (1859-1916). “Considero que a cinematografia é um espetáculo inteligente e instrutivo. Não tardou muito até que outro visionário desse mais um passo na direção do inevitável. Tem um imenso valor como instrumento didático” (TOSI. p. após uma apresentação cinematográfica dos filmes dos irmãos Lumière. p 93. 24). tradução nossa). com ou sem som. 1930. O Sonho no Ensino A possibilidade de registrar em filme processos naturais.Louis Lumière fez a primeira grande reportagem ao registrar. mas também uma necessidade da sociedade que se modernizava. 1925 apud SERRANO e VENANCIO FILHO. O filme científico strictu sensu é produzido no âmbito da pesquisa cientifica e cumpre papéis específicos. em 1898. sempre foram um fator relevante no contexto educacional. em 1898. 4 . a coroação do Czar Nicolau II. desde muito cedo instigou os educadores para o seu uso como meio auxiliar no processo educativo. 1987. Elas descrevem mais do que uma mera constatação. que certamente foi percebida por muitos.3. no que seriam os seus primórdios. “É para o meu ensino pessoal e para o de meus discípulos” (COISSAC. aspectos corriqueiros ou mesmo raros. procedimentos técnicos e/ou científicos. Adequá-las às condições do ensino parece ter sido uma busca constante dos educadores.

nem tudo era de qualidade questionável. implementaram os seus próprios órgãos responsáveis pela produção de filmes educativos (SCHVARZMAN. irrelevante. inclusive o Brasil. mormente. existe muita dúvida se a linguagem usada nesses filmes era capaz de motivar o público alvo. p. (FRANCO. O objetivo do montador de documentários ou filmes de ficção é criar uma atmosfera – dramatizar acontecimentos. Entretanto. no ensino. querer “limpar” a linguagem audiovisual dessa sua vocação de liberdade ante a lógica do tempo e do espaço. Para o montador de filmes educativos esta consideração é. E pode ser usado. 120).para arquivamento ou para o uso na divulgação. 23) Mas. (REISZ e MILLAR. também se podia usar filmes comerciais no ensino. Ao explanar sobre a importância do cinema no 5 . A finalidade dos seus filmes é ensinar e os seus objetivos devem ser a clareza. 2001. Alguns paises. p. Vocação que responde perfeitamente aos parâmetros de construção das narrativas míticas que alimentaram as pedagogias de perpetuação cultural da Humanidade. A força que arrastava multidões às salas de exibição foi suprida pela obrigatoriedade do estudante em permanecer durante a exibição na aula. em grande parte. a exposição lógica e a avaliação correta da receptividade da platéia. Muitas vezes é uma das ferramentas investigativas. uma boa parte da linguagem desenvolvida pelo cinema se perde. também. Além disso. como a microfilmagem ou a filmagem em alta velocidade. 1993. 174) Sem o uso da dramatização. A razão para isso pode estar na forma como eram (e em muitos casos ainda são) produzidos. O desenvolvimento das técnicas de filmagem e a grande produção de filmes científicos alavancaram uma indústria crescente de produção de filmes especificamente para o uso no ensino. exatamente. quando se utilizam técnicas especiais. O erro cometido na tentativa de criar o cinema educativo foi. p. 1978.

Na realidade. (SÁ. em meio a uma proliferação de filmes educativos. I.ensino e a força desta linguagem. p.. tenha uma probabilidade maior de seduzir seu público alvo. nem sempre foi assim. 1967. foram criadas verdadeiras jóias. E a razão para isso é que se trata de uma arte bem consolidada e estruturada em bases sólidas. 14) É esperado que um produto. a própria divindade. política etc. 1980. A competência e criatividade de produtores de “vivência” supriam os educadores das primeiras décadas do século XX com a sua “matéria” prima para o trabalho. a veterana escritora e professora de cinema Irene Tavares de Sá. além de contar com rica bibliografia. Este ponto de vista é um pouco reducionista e simplifica o cinema à visão baseada na cronofotografia 5 de Marey e Muybridge. através da imagem em movimento e da montagem.. p.. técnica. A Linguagem do Audiovisual Segundo Ramos (2003). principalmente. feito com esmero e que tenha uma linguagem atraente. de modo analógico ou simbólico. do desenvolvimento de uma linguagem própria. 5 É o processo de análise de movimento através de fotografias sucessivas. “baseado num conjunto de códigos cinematográficos particulares e gerais” (METZ. Mas. diz: As idéias abstratas podem ser traduzidas em símbolos e a escala dos valores focados pelo cinema vai de Deus ao mais insignificante objeto [. “O cinema é a matriz imagético-sonora do campo midiático da sociedade contemporânea”. 80). se ele próprio possuir a vivência do espiritual ou puder captar-lhe a presença nos seres mais humildes.4. Apesar das muitas restrições de ordem econômica. o cinema foi sendo construído através. pode tornar perceptível. 6 . que reforçava assim. Segundo Almeida (1931). “Cinema é a projecção luminosa da synthese mecanica da figura analytica do movimento”.] Um verdadeiro artista.

. p. A “inteligibilidade” do filme passa por três instâncias principais: .. que recriou na sala escura. Aspas do autor) Sobre a linguagem do cinema. p. 20) afirma que: “ninguém o contestou como linguagem especialíssima. a língua da linguagem. Considerada em seu todo. ao contrário. Franco (1993. 184. 1995.como num feedback. Esta linguagem própria. Desta forma. a linguagem é uniforme e heteróclita. ao mesmo tempo. os “códigos de nominação icônica”. é um ato individual de vontade e de inteligência”. Saussure distingue. (.. iluminada pela luz intermitente do projetor. Em seu curso de lingüística geral. constituída de várias línguas. 177. um produto social da faculdade de linguagem e um conjunto de convenções necessárias. devemos começar por entender a linguagem do cinema. (AUMONT e outros. em primeiro lugar. ao contrário. que constituem a linguagem cinematográfica no sentido estrito). . é um todo em si e um princípio de classificação. Aspas e parênteses do autor) 7 . para entendermos a linguagem do audiovisual. finalmente. que deve ser ciente desses códigos moldados pelo contexto. o ambiente escuro das cavernas onde os mitos eram narrados ao redor da fogueira”. Para isso precisamos entender a linguagem como um todo e saber sua diferença com relação à língua. que servem para dar nome aos objetos e aos sons. p.) A palavra. 1995. A primeira não passa de uma parte determinada da segunda: ”ela é. a colocação do cinema como arte. (AUMONT e outros. a língua. as figuras significantes propriamente cinematográficas (ou “códigos especializados”. essas figuras estruturam os dois grupos de códigos precedentes funcionando “acima” da analogia fotográfica e fonográfica. a analogia perceptiva. tem a função de comunicar uma mensagem codificada e canalizada a um destinatário.

Estes fundamentos da linguagem do cinema permeiam as outras manifestações imagético-sonoras que o sucederam, sendo que cada uma guarda suas características diferenciais que as individualizam como artes distintas que são. Podemos, a partir do conhecimento destas diferenças, chamá-las de “manifestações audiovisuais do movimento” e que, nesta dissertação, chamamos por simplificação de audiovisual.

I.5. O Tempo no Cinema A grande mudança conceitual da fotografia, como uma seqüência de fotografias, foi que: “Pela primeira vez, a imagem das coisas é também a imagem da duração delas” (BAZIN, 1991, p. 22 apud GRUZMAN, 2003, p. 65). Assim, o cinema introduziu uma temporalidade na imagem. Para abordar o tempo no cinema, devemos necessariamente entender como são feitos os filmes. De uma forma sucinta, todo o filme nasce de uma idéia inicial. Essa idéia é melhorada e ampliada até se chegar a um argumento que contenha os elementos básicos do filme: do que se trata a história, aonde serão feitas as filmagens, o tempo de duração do filme, como será contada a história e para quem. Com essas e outras variáveis devidamente equacionadas, passa-se para a fase onde esses elementos serão tratados do ponto de vista técnico e de linguagem. A esses procedimentos chamamos de roteiro. Segundo Field (2001, p. xv), “um roteiro, logo percebi, é uma história contada com imagens”. Assim, não devemos descuidar na perfeita utilização destas imagens, quando formulamos um roteiro. O próximo passo é o de obtenção das imagens e dos sons, que deve seguir da melhor forma possível o roteiro. Pronto! Temos um roteiro, temos as imagens e

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sons. “Então temos um filme?” Ainda não, pois ele tem que passar, quase 6 invariavelmente, por uma fase que é chamada de montagem. “A montagem é o princípio que rege a organização de elementos fílmicos visuais e sonoros ou de agrupamentos de tais elementos, justapondo-os, encadeando-os e/ou organizando sua duração”. (AUMONT e outros, 1995, p. 62). Com essa definição “ampliada” de montagem, esse autor deixa claro o quão importante é a montagem na confecção de um filme. Fica claro também a sua influência na linguagem, pois ela introduz códigos que irão facilitar ou, em alguns casos, viabilizar o entendimento do filme. Seguindo ou não um roteiro, é através da montagem que se vai criando a narrativa. Com ela podemos direcionar a percepção e influenciar os elementos psicológicos que nos dão a sensação de temporalidade.
Assim a montagem alternada constituiu-se, progressivamente, de Porter a Griffith: tratava-se de produzir a noção de simultaneidade de duas ações pela retomada alternada de duas séries de imagens. O projeto narrativo gerou um esquema de inteligibilidade da denotação, pois os espectadores sabiam, a partir de então, que uma alternância de imagens sobre a tela era capaz de significar que, na temporalidade literal da ficção, os acontecimentos apresentados eram simultâneos, o que não era o caso dos primeiros espectadores de Méliès. (AUMONT e outros, 1995, p. 192)

De fato, Edwin Stratton Porter (1869-1941), em 1902, desenvolve a narrativa da seqüência temporal de acontecimentos em seu filme, A Vida de um Bombeiro Americano. Os fatos simultâneos são apresentados em planos distintos. Ou como sintetizam Gaudreault e Jost (1995, p. 124), “[...] que mostram sucessivamente dois aspectos concomitantes [...] de uma única ação [...]; no plano estritamente cronológico. A mesma ação se apresenta em duas ocasiões e podemos falar de montagem repetitiva” (tradução nossa e itálico do autor). Segundo Reisz e Millar
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Existe ainda a opção de filmar diretamente, seguindo ou não um roteiro, e obtermos um filme.

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(1978, p. 4-7), este foi um caminho novo. Fugindo da linguagem contemporânea, Georges Méliès 7 (1861-1938) iria “[...] dividir a ação em três seções independentes, ligadas por letreiros”. Essa narrativa pode ser um pouco confusa para um espectador contemporâneo devido à grande duração da seqüência dos planos, antes da alternância. Entretanto, foi desta forma que Porter deu os primeiros passos no sentido de desenvolver essa linguagem, que organiza os códigos. Segundo Mourão (2002), “é na montagem que encontramos a imagem do tempo uma vez que o tempo cinematográfico, sendo uma representação indireta, depende da organização das imagens e sons para que ele se constitua”. Com isso temos o que no meio cinematográfico é comumente chamado de tempo fílmico, que se difere do tempo físico ou real por ter sua “duração” moldada pela percepção psicológica dos signos e códigos audiovisuais do cinema (AUMONT e outros, 1995, GAUDREAULT e JOST, 1995, METZ, 1977 e 1980, REISZ e MILLAR, 1978). Temos assim três formas de relações entre o tempo fílmico e o tempo físico: Tempo fílmico = tempo físico - é o caso do material apresentado sem cortes, como por exemplo, uma partida de futebol na íntegra (inclusive o tempo dos intervalos). Tempo fílmico < tempo físico - é quando se colocam acontecimentos demorados, de forma sucinta. Como exemplo temos o crescimento do broto de uma planta até o desabrochar de sua flor, que pode ser mostrado em uma tela, em poucos segundos, usando a técnica de lapso de tempo, ou o jogo supracitado, com a remoção dos intervalos.

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Georges Méliès, ilusionista e cineasta francês, é um dos pioneiros do cinema.

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Podemos também transgredir o fluxo natural do tempo. Suponha uma pessoa que nunca assistiu a um filme em lapso de tempo. a ordem cronológica dos acontecimentos. Podemos ainda. temos uma explosão. Isto pode ser uma experiência enigmática para ela e facilmente ela pode pensar que aquela espécie de flor desabrocha naquela velocidade. que pode ser filmada com técnicas de filmagem em alta velocidade e depois ter seu tempo expandido durante a apresentação do filme. Fica claro ser uma questão de se estar familiarizado com a linguagem ou de ser devidamente apresentado ao novo conceito. ou introduzir flash-backs em um filme que seguia a cronologia natural. sem uma locução explicando detalhadamente o fato. introduzir um futuro no presente (flash-forward). sem uma seqüência lógica. Na montagem podemos seguir uma ordem lógica ou. Mas toda essa notação do cinema ainda não dá conta do que podemos fazer com o tempo. que é mais natural. cada uma delas com o tempo fílmico igual ao tempo físico. Teremos assim uma narrativa linear. Vejamos um exemplo sobre a necessidade de aprender os códigos. Com todas essas possibilidades podemos transformar um filme (quase) em um sonho. O caso do filme de Porter pode nos elucidar melhor quando o tempo fílmico é maior que o tempo físico. Como exemplo. melhor ainda. 11 . o tempo fílmico é duas vezes maior que o tempo físico. ou seja. com a narrativa sendo feita dos últimos acontecimentos até um tempo passado (em flash-back). Consideremos a alternância de imagens ocorridas simultaneamente.é o caso inverso ao supracitado. assistindo ao desabrochar de uma flor. Assim temos um acontecimento muito rápido sendo mostrado de uma forma mais lenta.Tempo fílmico > tempo físico . O resultado final é uma mera conta matemática. de mesma duração.

tendendo à supressão da temporalidade. De certa forma a grande maioria dos filmes, ainda guardam os pontos básicos de uma narrativa que segue alguma ordem.
Um início, um final: quer dizer que a narração é uma seqüência temporal. Seqüência duas vezes temporal, devemos acrescentar logo: há o tempo do narrado e o tempo da narração (tempo do significado e tempo do significante). Esta dualidade não é apenas o que torna possíveis todas as distorções temporais verificadas freqüentemente nas narrações (três anos da vida do protagonista em duas fases de um romance, ou em alguns planos de uma montagem “freqüentativa” no cinema etc.); mais essencialmente, ela nos leva a constatar que uma das funções da narração é transpor um tempo para um outro tempo e é isso que diferencia a narração da descrição (que transpõe um espaço para um tempo), bem como da imagem (que transpõe um espaço para outro espaço) (METZ, 1977, p. 31-32. Parênteses, aspas e itálico do autor).

A compreensão da temporalidade da linguagem do cinema, que também está presente nas outras linguagens audiovisuais, nos leva à discussão sobre a percepção do tempo. Após suas exposições, metafísica e transcendental, do conceito do tempo, Kant (1996, p. 79), tem como uma das suas conclusões que: “O tempo nada mais é senão a forma do sentido interno, isto é, do intuir a nós mesmos e a nosso estado interno”. As reflexões de Immanuel Kant (1724-1804) são muito ousadas para a sua época e, de certa forma, trouxeram mais luz ao conceito de tempo e de sua percepção.
A Percepção de Tempo. Não só é a seqüência temporal da natureza e a realidade mais enigmática no mundo externo; é também a coisa mais espantosa do homem como ele mesmo. Como o problema de percepção espacial, o problema da percepção do tempo é um velho, e sempre-novo, enigma da psicologia. (REISER, 1926, p. 240, tradução nossa)

A afirmação acima poderia ser feita hoje e uma das razões para isso é, como explica Ades (2002), “O paradoxo do senso do tempo é que, constituindo uma característica geral e permanente do comportamento, ele não decorra, diretamente, de dados sensoriais. Não existe um órgão dos sentidos especializado em perceber o

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tempo”. Desta forma, assim como na montagem de um filme, o tempo que percebemos é oriundo de uma construção, uma montagem psicológica que fazemos das imagens, sons, sensações táteis e outros sinais que recebemos através dos órgãos do sentido, e como tal, é sujeita a variações decorrentes do nosso estado psicológico.
O tempo psicológico ou tempo vivido (duração interior), por sua vez, não coincide com as medidas temporais objetivas. Variando de indivíduo para indivíduo, sendo subjetivo e qualitativo, sujeita-se apenas ao registro de momentos imprecisos, que se aproximam ou tendem a fundir-se, numa organização determinada por sentimentos e lembranças [...] (RIBEIRO, 2002, p 24)

Então, a “duração” de um audiovisual pode ser alterada pelo nosso estado emocional, que também é afetado pelo próprio audiovisual. Com relação a isso, podemos colocar ainda dois fatos importantes para a compreensão da percepção do tempo. Um deles é que as coisas que nos agradam ou desagradam podem alterar consideravelmente a nossa percepção do tempo. Segundo Ades (2002), “Thayer e Schiff (1975) criaram uma situação em que pessoas deveriam ficar, frente a estranhos, sorridentes ou carrancudos. O sorriso do outro fez correr o tempo, sua carranca o brecou”. O outro é que os resultados de Flaherty (1991) endossam os estudos de Hogan (1978), que encontrou uma relação entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo, resultando em um gráfico em forma de U (Figura 01). O gráfico mostra que quando o estímulo é moderado (abscissa - eixo E), a percepção do tempo tende a uma sincronicidade com o tempo real (ordenada – eixo T). Entretanto, quando o estimulo é baixo ou alto a percepção do tempo tende a ser expandida (duração prolongada).

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T

E

Figura 01. Relação teórica entre a percepção do tempo e a complexidade do estímulo. Redesenhado de Flaherty (1991, p. 80).

Com isso, fica claro que uma seqüência de imagem leva em si um tempo físico, ou seja, o tempo real, e um tempo fílmico. O tempo real pode ser aferido por um instrumento de medida, que não deve variar quando submetido a outras aferições, pelo menos em condições normais. O tempo fílmico é construído na “mensagem” do(s) sujeito(s) que produz(em) o audiovisual e é “diferida no tempo e no espaço” (BRAGA e CALAZANS, 2001, p. 27) ao sujeito que o assiste. E tudo pode variar quando medido por outro sujeito, ou pelo próprio, quando de uma próxima audiência.

I.6. O Tempo no Ensino A questão do tempo vista na óptica do professor que utiliza o audiovisual na prática de ensino já é debatida desde o início do uso de audiovisuais nas escolas. A primeira regra de higiene útil nas projeções animadas de Sluys (1922, apud Serrano e Venâncio Filho,1930, p. 68) é direcionada à relação tempo do filme e idade do espectador - “Duração máxima das projeções: 20 minutos para crianças de menos

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para o interrogatório verificador das observações de cada um dos alumnos. 32). já no início da década de trinta. O filme escolar deve ser curto. Segundo Carter (2003. Cumpre não fatigar a attenção da classe e deixar margem para a explicação preliminar. é de relevancia toda especial. A questão da metragem. Essa questão da duração do audiovisual leva em seu bojo a experiência individual de cada um dos educadores que cogitaram a respeito do tema e. Serrano e Venâncio Filho alertam para o fato. menos tempo conseguem manter a atenção. que os leigos no assumpto suppõem secundaria. 15 . não foi encontrada nenhuma referência sobre o uso desta tecnologia educacional em aulas mais longas. deixa claro que quanto menores as crianças. Além de estipular um tempo de duração. 94-95) Esses e outros autores mais recentes levam em consideração que o uso do audiovisual se dá em tempos normais de duração de uma aula (45 a 50 minutos). O que o educador acaba por perceber logo no início de sua carreira. como também ao rendimento do processo como um todo. 1930. este comportamento “está relacionado com o fato do núcleo da formação reticular. p. p. de grande metragem. Entretanto. ainda. isto é dez minutos a um quarto de hora de projecção. possa preencher bem a sua finalidade em aula. que tem papel na manutenção da atenção. Erro dos mais graves é pensar que um filme longo. (SERRANO e VENÂNCIO FILHO.de 12 anos e 30 minutos para idade maior”. para os commentarios adequados a cada trecho do filme e. Duzentos a trezentos metros representam a medida razoavel. Muitas vezes as soluções por eles encontradas são alicerçadas na observação da reação de seus alunos. deixando uma lacuna que o educador acaba preenchendo com o uso da sua vivência e criatividade. não só no que diz respeito à atenção. só se tornar inteiramente mielinizado na puberdade ou depois dela”.

caracterizar sua utilização como prática didática do ensino formal. (d) confrontar os resultados dos depoimentos dos professores sobre a utilização dos audiovisuais com as recomendações de especialistas no assunto. de um colégio federal tradicional do Rio de Janeiro (Colégio Pedro II). a partir de um estudo de caso. obtidas através de entrevistas ou através de publicações associadas aos audiovisuais. 16 . O termo biociências será utilizado para classificar os audiovisuais utilizados tanto pelos professores de Ciências e de Biologia. (c) o tempo e a forma de utilização de audiovisuais por professores de ciências (ensino fundamental) e biologia (ensino médio). Para isto.II. OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivo principal identificar o perfil do tempo de duração dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e. buscamos identificar: (a) a finalidade (didáticos ou de divulgação) e a origem (nacionais ou internacionais) das produções de audiovisuais científicos disponíveis para utilização em circuito educacional. (b) a composição relativa ao tempo de duração do material audiovisual nas diferentes categorias identificadas.

Audiovisuais Científicos Esta seção categoriza e analisa os audiovisuais científicos que foram disponibilizados apara o educador brasileiro através de projetos de cunho didáticos e de divulgação. Seção 1 . a área e a origem desses audiovisuais.III. uma mostra e um festival. produzidos nas últimas seis décadas. A segunda seção. levando-se em consideração o contexto da amostra em que foram obtidos.1. Amostra e Coleta de Dados Foram analisados 3.1. acessados em catálogos. publicações digitais. uma tese e um livro (listagem a seguir e Quadro 01). a partir de um estudo de caso. 69 – 75) são listados os audiovisuais da Filmoteca do 17 . veiculados em mídias distintas e com linguagens também distintas. III. METODOLOGIA Este trabalho foi dividido em duas seções: A primeira seção trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo. p. • Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal: No livro de Venâncio Filho (1941.725 audiovisuais científicos potencialmente utilizáveis no contexto educacional. III.1. sendo uma filmoteca. sete projetos didáticos. busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica. A amostra foi obtida de 10 diferentes acervos.

pdf acesso em 25/12/2004.mec. 25 – 77. p. 2000b. material em arquivo PDF. 9 8 18 . no período 19361966. p. • Vendo e Aprendendo (TV Escola): amostra baseada no material em arquivos PDF. obtido na página da TV Escola 9.br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/06_ciencias. p. Disponível em: http://www.Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro).mec. • Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE): Galvão (2004. os 401 audiovisuais produzidos no Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). cujos endereços estão disponíveis nas referências desta dissertação. • Discovery na Escola: Para esta parte da pesquisa foram consultadas as publicações eletrônicas do projeto Discovery na Escola. de sua dissertação. Este material. • TV Escola Programas de Ciências: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002. que foram por ela identificados. obtido na página da TV Escola.gov. Nesta listagem está disponibilizada a metragem de 164 dos 179 audiovisuais. 2001b. em Disponível em: http://www. 2001a.br/seed/tvescola/Guia/pdf96-02/17_meio%20ambiente. • TV Escola Programas de Meio Ambiente: esta amostra tem como base o Guia de Programação 1996 – 2002. 209 – 225.gov. Vassimon (1998. 2001c e 2002). Em 396 destes audiovisuais constam a bitola e a metragem • Vídeo Escola: esta amostra foi baseada no caderno do professor do projeto Vídeo Escola.243 – 263) agrupa em tabelas do apêndice VI. p 64 – 79). que foi obtido na página da TV Escola 8.pdf acesso em 25/12/2004. organizado por Aratangy (2000a. material em arquivo PDF.

Monteiro e Brandão (2003. sessão Image et Science e sessão Televisão para a Juventude. p 36 – 45). Disponível em: http://discoverynaescola. p 64 – 103). p 36 – 45). p 42 – 51). Assim com essa divisão entre audiovisuais nacionais e internacionais. dividem a mostra em sessão Brasil e em várias outras sessões essencialmente internacionais: sessão Especial. p 53 – 95). p 32 – 39). p 10 – 23). Monteiro e Brandão (2002b. como é mostrado na seqüência: • Mostra Ver Ciência Sessão Brasil: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004. p 54 – 100). p 38 – 81). p 56 – 100). Monteiro e Brandão (1998. Monteiro e Brandão (1996. 11 10 19 . p 112 – 157). Demeule (1998. Monteiro e Brandão (2004. A escolha do período defasado em 1 ano com o Festival Image et Science. Demeule (1997.shtml acesso em 19/12/2004 Não ocorreu a mostra no ano de 1995. foi obtido na página de apoio aos professores. Demeule (1994. p 40 – 47). Demeule (2000. Monteiro e Brandão (1999. p 42 – 82). p 70 – 113). p 36 – 41). • Mostra Ver Ciência: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 11. Demeule (1995. Demeule (2002. Demeule (2003. serem os mesmos que foram apresentados no festival do ano anterior.arquivos PDF. pode-se fazer uma subdivisão em Ver Ciência Sessão Brasil e Ver Ciência Sessões internacionais. p 38 – 45). se deve ao fato. • Festival Image et Science: Baseado nos catálogos do Festival International de L’émission Scientifique de Télévision (Image et Science.com/port/docentes_guia_01. p 39 – 82). Demeule (1996. Monteiro e Brandão (1997. sessão BBC. Demeule (2001. Monteiro e Brandão (2000. p 32 – 40). de que muitos audiovisuais internacionais desta mostra. Monteiro e Brandão (2001. p 40 – 47). Monteiro e Brandão. Demeule (1999. Monteiro e Brandão (1994. denominada Guias de Apoio 10. p 42 – 85). 1994-2003).

p 14 – 25. Monteiro e Brandão (2000. 26 – 29). p 12 – 19. p 12 – 17. 26 – 29). Monteiro e Brandão (2003.Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Ano 1941 12 1936-1966 1994 1998 1996-2002 1996-2002 2000-2001 2004 1994-2003 1994-2004 1936-2004 Fonte dos dados Livro Venâncio Filho (1941) Tese Galvão (2004) Publicação Guimarães (1994) Publicação Vassimon (1998) Internet Internet Internet Aratangy (2000a . 30 – 33). Monteiro e Brandão (1996. Amostra Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola . p 24 – 41). Quadro 01. 32 – 35).programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Mostra . p 14 – 39. 22 – 29. Monteiro e Brandão (1998. 32 – 37). Monteiro e Brandão (1999. 20 – 23. que compõem a amostra analisada. Monteiro e Brandão (1997. 54 – 59). p 14 – 22. Resumo dos acervos de audiovisuais utilizados no contexto educacional. Monteiro e Brandão (2001. 34 – 36). p 10 – 27. 30 – 33). Monteiro e Brandão (2002.2002) Internet Catalogo Demeule (1994-2003) Catalogo Monteiro (1994-2004) 12 No livro de Venâncio Filho de 1941 não se encontra o ano de produção dos audiovisuais. 28 – 33). p 12 – 23. 22 . 20 . p 10 – 27.25. Monteiro e Brandão (2004. 26 – 30. (1995. 28 – 29. p 12 – 19. com a informação do número de audiovisuais.• Mostra Ver Ciência Sessões internacionais: baseado nos catálogos da Mostra Internacional de Ciência na TV (Ver Ciência) dos anos de 1994 até 2004 de Monteiro e Brandão.

um agrupamento só de vídeos de biociências.Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos a amostra foi dividida em duas grandes categorias de audiovisuais .2.2.III. Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total.2. Foi verificada a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total.Com informações adicionais (tipo de audiovisual.2. Nacionalidade . Para classificá-los como biociências utilizou-se palavras da sinopse. para se identificar os possíveis fatores que diferenciam esses audiovisuais quanto ao tempo de duração.Os audiovisuais da amostra foram classificados. das áreas do conhecimento e assunto destas publicações. pôdese fazer para cada um dos acervos. em Nacionais e Internacionais.Didáticos e de Divulgação. que se ajustassem com as palavras 21 . o objetivo foi de aferir se sua constituição temporal é equivalente aos de outras áreas.1. Esta divisão teve como intuito analisar se havia diferenças entre a produção nacional e a internacional. segundo o país de origem.1. Alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais.1. Análise de Dados A partir das informações das finalidades do acervo. III. Áreas do Conhecimento . Os resultados das distribuições das freqüências foram expressos como percentagem do total. do país em que foi produzido e da área de conhecimento. outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais. sinopse etc) contidas nos acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola.1. III.3.1.2. Finalidade . III. as amostras foram categorizadas e separadas.

foi composto por audiovisuais de outras áreas. III. 13 Disponível em: http://www. Ciências Agrárias. filmes forneciam informações sobre o tempo em metragem. Assim. Todos os resultados das distribuições de freqüências foram expressos como percentagem do total.2. já foram encontrados divididos em Meio Ambiente e Ciências. Perfil de Tempo . eles eram confrontados para dirimir eventuais dúvidas. Por exemplo. Ciências Biológicas. foi necessário trabalhar os dados originais de fontes de tipos diferentes de audiovisuais. O segundo agrupamento. Devido ao fato de alguns audiovisuais serem os mesmos nos dois projetos. os quais não foram classificados. para cada um dos acervos.das sub áreas do conhecimento da tabela de áreas do conhecimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 13. enquanto outros tipos de audiovisuais forneciam as informações em minutos e/ou em minutos e segundos. Ciências da Saúde e 5. Considerou-se como biociências as áreas do CNPq: 2. os resultados dessa divisão podem ser encontrados nos Apêndices B e C. em uma única forma. páginas 103 e 104. 4.br/areas/tabconhecimento/index.1. Os audiovisuais da TV Escola. na composição final do banco de dados.htm acesso em 27/01/2004 22 . facilmente utilizáveis para esse estudo.Com a finalidade de organizar um banco de dados que pudesse fornecer informações. o tempo foi convertido para todas as fontes originais utilizadas não expressas em minutos (Quadro 02). O banco de dados foi organizado utilizandose o minuto como sendo a unidade de tempo a ser referida.4.cnpq.

a classe B de 5’30” até 10’29” e assim por diante. com duração de mais de 60 minutos. essenciais de serem exaustivas e mutuamente exclusivas. e encerrando na Classe M. Não foram observados audiovisuais com menos de 30 segundos. 155). Os valores de tempo de duração encontrados foram arredondados para cima. um minuto inclusive e cinco minutos inclusive).Quadro 02. Na realidade. Este agrupamento em classes de cinco minutos foi definido após observação detalhada das distribuições de freqüências do banco de dados montado durante este estudo e visa uma homogeneização de resultados para facilitar a análise. com valores fracionados inferiores a 30 segundos exclusive. a classe A abrange audiovisuais de 0’30” até 5’29”. recomendados por Marconi e Lakatos (2002. Desta forma a distribuição de freqüências se enquadra nos critérios. p. e para baixo. os valores iniciais e finais de cada classe são includentes (no caso da classe A. Fonte Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Ciências TV Escola – Meio Ambiente TV Escola – programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola Festival Image et Science Ver Ciência Total Número de audiovisuais 164 396 78 83 1186 357 51 54 425 931 3725 Tempo na fonte Metragem Metragem Minuto Minuto Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto/Segundo Minuto Minuto Minuto Tempo no banco de dados Minuto Os resultados convertidos foram agrupados em 13 classes de cinco minutos de duração. Os dados resultantes desta 23 . que vai de um até cinco minutos. com frações maiores do que 30 segundos inclusive. Portanto. iniciando na Classe A. Informação do Tempo dos Audiovisuais utilizados neste estudo.

• Mostra Ver Ciência Sessão Brasil – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999. o conjunto de audiovisuais desses acervos foi dividido em dois períodos: • Festival Image et Science – os 10 anos do acervo foram divididos em qüinqüênios: (1) 1994 a 1998. Devido ao fato do acervo ser heterogêneo. As análises iniciais dos dados dos catálogos sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período de três acervos. Curta duração: > cinco minutos e ≤ 15 minutos (Classes B e C). Para fins de suprir a necessidade de diferentes análises dos audiovisuais neste trabalho. com 215 audiovisuais. Média-alta duração: > 40 minutos e ≤ 60 minutos (Classes I a L). página 102. com 204 audiovisuais e (2) 2000 a 2004.análise são mostrados segundo a freqüência percentual de audiovisuais por classe. com 135 audiovisuais. 24 . em algumas amostras não há referência a todos os intervalos de classe de tempo. as classes de tempo de duração supracitadas foram agrupadas nas seguintes categorias: • • • • • Curtíssima duração: ≤ cinco minutos (Classe A). Média-baixa duração: > 15 minutos e ≤ 40 minutos (Classes D a H). Longa duração: > 60 minutos (Classe M) Uma discussão mais detalhada dessa nomenclatura pode ser encontrada no Apêndice A. com 210 audiovisuais e (2) 1999 a 2003. A fim de estabelecer um padrão de análise.

A1 e A2. com 268 audiovisuais. Análise Estatística .• Mostra Ver Ciência Sessões Internacionais – os onze anos do acervo foram divididos em períodos de seis e cinco anos: (1) 1994 a 1999. optou-se pelo uso da estatística nãoparamétrica de Mann-Whitney (teste U). III. 233). Segundo Kelvin (1987.1. A2 = amostra 2. respectivamente. mediante a prova de Mann-Whitney. 25 . n2 = tamanho da amostra maior. isto é. com 324 audiovisuais e (2) 2000 a 2004. já que estes e os outros dados brutos foram agrupados em seqüência ordinal e porque alguns dos conjuntos de dados não tinham uma distribuição normal e/ou em algumas das classes desses conjuntos de dados havia freqüências menores que cinco audiovisuais. O cálculo de U foi obtido pelas fórmulas: U1 = n1n2 + n1(n1 + 1)/2 – P1 U2 = n1n2 + n2(n2 + 1)/2 – P2. Onde: U = estatística U de Mann-Whitney n1 = tamanho da amostra menor. decidir se A1 ∈ π e A2 ∈ π. é possível.2. p.Após observação detalhada dos dados obtidos e tendo como referência Kelvin (1987). Onde: A1 = amostra 1. de tamanhos n1 e n2. ou mesmo nulas. π = população. se ambas podem ser consideradas provenientes da mesma população”.5. “dadas duas amostras.

os 54 programas que compunham o projeto em 2004 foram agrupados por classe de tempo de 15. Este teste usou o nível de significância como sendo. com α = 0. Os valores dos tempos de duração foram aproximados para minutos inteiros.P1 = soma dos postos da amostra menor. 30 e 50 minutos (esta última composta por audiovisuais de 50 até 60 minutos) e contados os números de fragmentos propostos pela equipe da Discovery em cada um destes audiovisuais.yahoo. Os cálculos foram possíveis.br/insecta_tv/Mann-Whitney. Foram estabelecidas as médias de tempo destes fragmentos em cada uma das classes. foi atribuído o valor de erro padrão (Se) e desvio padrão (Sd). com o auxílio do programa GraphPad Prism 4 na distribuição de freqüência de cada classe.05 no caso de distribuição normal. foi feito o teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov (KS).xls 26/07/2005. como rigor estatístico. Todos os resultados foram confirmados independentemente do tipo de variável.05 (5%).com. Este teste foi usado para verificar se duas variáveis que apresentam os resultados em classes ou categorias estão relacionadas (variáveis categóricas). graças à implementação de uma planilha no programa Excel 2000. que está disponível no endereço: em http://geocities. No projeto Discovery na Escola havia a proposta de fragmentação dos audiovisuais assim. acessado Assumida fortemente a hipótese de distribuição não-paramétrica da amostra. α = 0. conforme a metodologia supracitada e os números de fragmentos foram arredondados para valores inteiros. todos os resultados das análises realizadas neste trabalho foram verificados através do teste de Qui-Quadrado para independência. P2 = soma dos postos da amostra maior. Contou-se também o número de audiovisuais de 26 .

devido a dinâmica do processo de contratação e dispensa.50 minutos apresentados em duas partes. três não prestaram a entrevista. assim como o número de professores contratados. III. Os professores entrevistados estavam lotados nas seguintes unidades do Colégio Pedro II: • • • 14 Unidade Escolar Centro Unidade Escolar São Cristóvão II Unidade Escolar São Cristóvão III A instituição não foi capaz de informar o número exato de professores concursados licenciados.1.2. Para preservar a autoria das entrevistas. os professores e professoras foram numerados de 01 até 33 e desta forma aparecerão citados nesta dissertação. sem levar em consideração o gênero (ei: Professor 12). Por problemas de ordem pessoal dos professores ou de estrutura da grade horária não foi possível entrevistar os 54 professores. localizado na cidade do Rio de Janeiro. 27 . Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II III.2.2. Entre os 36 contatados. considerando cada uma das partes como fragmentos maiores que 20 minutos.1. A amostra de entrevistados corresponde a 61% (33) do total de 54 14 professores de biologia e ciências contabilizados pela secretaria geral da instituição como concursados e efetivos. Seção 2 – Professores e Especialistas III. genericamente indicado nos guias de apoio como “primeira e/ou segunda parte”. Amostra Esta parte da pesquisa se constitui num estudo de caso a partir do discurso dos professores de ciências do Ensino Fundamental e de biologia do Ensino Médio do Colégio Pedro II.1.

característica das entrevistas do tipo não-estruturadas. Roteiro: Você utiliza o audiovisual (vídeo) nas aulas? Em caso afirmativo: • • • • • • Com que freqüência? Qual o tipo de audiovisual utiliza (gênero)? De onde obtém o audiovisual (acervo)? Qual a fonte do audiovisual (origem)? Como utiliza o audiovisual? Quais as características favoráveis de um audiovisual para facilitar o seu uso no ensino? 28 .1. Segundo Marconi e Lakatos (2002. do tipo focalizada. foi utilizado um roteiro de perguntas (tipo focalizado). como balizar para condução das mesmas.2. Apesar da liberdade para perguntas. na entrevista não-estruturada “O entrevistado tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. Coleta e Análise dos Dados: A fim de investigar o discurso dos professores acerca da utilização dos audiovisuais científicos como recurso didático.• • • • Unidade Escolar Engenho Novo II Unidade Escolar Humaitá II Unidade Escolar Tijuca II Unidade Escolar Realengo III. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão”. foram realizadas entrevistas nãoestruturadas.2. p 94).

professora Eliane Jorge. 29 . Apesar de realizadas em ambiente coletivo. professora Denise Mano.Em caso negativo: • • • Quais os fatores que impedem o uso do audiovisual? Quais os fatores pessoais que poderiam facilitar o uso do audiovisual? Quais os fatores relacionados ao equipamento que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados às instalações que poderiam facilitar o uso do audiovisual? • Quais os fatores relacionados diretamente aos audiovisuais que poderiam facilitar o seu uso? As entrevistas foram agendadas. após o cadastramento do entrevistador e liberação junto a chefe do setor de pesquisa. individualmente. e era explanado o propósito da entrevista (para estudar aspectos do uso do audiovisual no ensino). uma vez que salas de professores são ambientes muito movimentados. A necessidade de gravação das entrevistas. para a entrevista. assegurando o anonimato. no caso o autor da tese. os professores foram entrevistados na “sala dos professores”. Seguia-se a apresentação do entrevistador. foi procedimento aceito por todos os entrevistados. sempre se tomou o cuidado para que as entrevistas fossem individuais. Nas unidades supracitadas. Esta determinação se mostrou perfeitamente viável. O agendamento das mesmas contou com o auxílio da chefe do Departamento de Biologia e Ciências. ambiente que eles ocupam nos horários vagos ou de reunião. Eles eram convidados. extensão e cultura do colégio.

Publicações digitais como fonte de dados: Na série de publicações “Como usar os vídeos da TV Escola” do número 01 (um) ao 06 (seis). 2001b. sendo dois da Mostra Ver Ciência e um do Festival Image et Science. Algumas das questões são abordadas quantitativamente nos resultados enquanto outras são analisadas qualitativamente na discussão. Foram entrevistados três difusores. 2001c e 2002). Difusores e Organizadores de Acervos de Audiovisuais Científicos como fonte de dados: Esta parte da pesquisa contou com entrevistas não-estruturadas. No Discovery na Escola.1. 2001a. podem ser encontradas as recomendações de uso feitas por 45 especialistas. III. 2000b.sendo literalmente impossível prestar atenção a uma conversa que ocorra a alguma distância. foram analisadas as formas de uso dos 54 audiovisuais dos Guias de Apoio.2. desta forma o entrevistador pode explorar melhor os vários aspectos da produção. Recomendação dos Especialistas As recomendações dos especialistas da área acerca do uso dos audiovisuais foram obtidas através de entrevistas com profissionais da área ou em publicações especializadas. Entrevistas com Produtores.2. difusão e organização de acervos dos audiovisuais científicos.2. III.2. quatro produtores e três organizadores de acervos: 30 .2. Aratangy (2000a.2.2. III.

Rio de Janeiro. Henrique G. Curador da Sessão Brasil da Mostra Ver Ciência e Organizador do acervo do projeto Vídeo Escola. Organizadora de acervo de audiovisuais científicos. Rio de Janeiro. Paula. Entrevista concedida em 01 set. 2004. • MOREIRA. • SALDANHA. • BENCHIMOL. Produtor e gerente geral da empresa Vídeo Ciência. Marlene. Entrevista concedida em: 2005.• BARRETT. Ildeu de Castro. Entrevista concedida em 02 set. além de curador da mostra Ver Ciência sessões internacionais e membro do júri do Festival Image et Science. Diretora do Festival Image et Science. Entrevista concedida em: 2005. P. Entrevista concedida em: 2004. que é veiculada na Rede Brasil de emissoras educativas. Annick. Lins e. Produtor independente. Produtora da série Expedições. José Renato. • BARROS. • BRANDÃO. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Sergio. Matthew. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em 2004. Organizador dos acervos dos projetos Vale Vídeo e Vídeo Escola. • MONTEIRO. Produtor da série Horizon da BBC. Rio de Janeiro. Entrevista concedida em: 2005. 2004. Teresópolis. Entrevista concedida em: 2004. 31 . • DEMEULE.

a partir de um estudo de caso. RESULTADOS A primeira seção deste trabalho trata da caracterização dos audiovisuais científicos e a identificação de seus perfis de tempo. Segundo os objetivos propostos pelas entidades responsáveis pelos acervos foi possível dividir a amostra em duas grandes categorias quanto à finalidade dos audiovisuais . Seção 1 – Os Audiovisuais Científicos VI.Didáticos e de Divulgação – e verificar a representatividade dos acervos em cada categoria e destas na amostra total (Tabela 01). A segunda seção.IV. a partir das informações disponibilizadas em catálogos próprios ou em publicações especializadas. Finalidade e Origem Os audiovisuais dos 10 acervos que compõem a amostra foram a princípio caracterizados quantos à sua finalidade e origem.1. busca caracterizar o discurso do professor acerca da utilização do audiovisual cientifico como recurso didático e analisar esta prática a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação científica. IV. 32 .1.1.

** Percentuais calculados com relação ao total geral (n = 3.725 31. produzidos em outros paises.29 3.40** 100.50 50. também foram separados assim. outros continham tanto audiovisuais nacionais como internacionais (Tabela 02).369 audiovisuais) e Divulgação (n = 1.Ver Ciência TOTAL TOTAL GERAL 02 10 425 931 1.356 3. segundo a Finalidade.66 36. A análise da origem dos audiovisuais mostrou que alguns acervos eram exclusivamente nacionais ou internacionais.92 16. Os programas de ciências da TV Escola foram divididos em dois agrupamentos: o primeiro continha 1081 audiovisuais sobre ciências. Categorização dos Acervos de Audiovisuais. gerando os seguintes sub- 33 .28 Acervos Audiovisuais (n) (%)* 63. gerando dois subconjuntos de respectivamente 281 audiovisuais sobre meio ambiente internacionais e 76 audiovisuais nacionais.06 15. foram divididos os acervos do Vale Vídeo e Vídeo Escola.programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola TOTAL 08 164 396 78 83 1.00** * Os percentuais foram calculados com relação ao total de cada categoria: Didático (n = 2. Categoria por Finalidade Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola .Tabela 01.15 2.356 audiovisuais). Da mesma forma. e o segundo continha 105 audiovisuais produzidos no Brasil.34 68.72 3.60** Divulgação Festival Image et Science Mostra .725 audiovisuais).186 357 51 54 2. Os programas de meio ambiente da TV Escola.07 2.369 6.

Acervos (n) Categoria por Origem Nacionais (%) Internacionais (n) (%) Total* Didáticos Filmoteca do Departamento de Educação do DF Instituto Nacional do Cinema Educativo Vale Vídeo Vídeo Escola TV Escola – Audiovisuais de Ciências TV Escola – Audiovisuais de Meio Ambiente TV Escola .81 91. por falta de informações nas fontes consultadas.29 47 43 1.081 281 54 60. 34 .00 0.74 48.Programa Vendo e Aprendendo Discovery na Escola 396 31 40 105 76 100. Audiovisuais dos Acervos Didáticos e de Divulgação segundo sua Origem.83 2.26 51.497 425 339 592 3.17 1.85 21. ** A soma dos totais de audiovisuais nacionais e internacionais não corresponde ao total geral devido a não caracterização da origem dos acervos da TV Escola .programa Vendo e Aprendendo e da Filmoteca do Departamento de Educação do DF.12 99.00 164 396 78 83 1186 357 51 54 Divulgação Festival Image et Science Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil Mostra Ver Ciência – Sessão Internacional Total** 25 339 1 5.71 100. A Tabela 03 a seguir mostra os números e freqüências totais dos conjuntos de audiovisuais analisados nesse estudo. Tabela 02.conjuntos: 31 audiovisuais nacionais e 47 internacionais no acervo da Vale Vídeo e 40 audiovisuais nacionais e 43 internacionais no Vídeo Escola.88 100.00 39.19 8.725** * Na Tabela 100% correspondem ao total de cada acervo.013 400 591 94.15 78. segundo sua origem (nacional e internacional) e a finalidade do acervo (didático ou de divulgação).

60) Indeterminada (%) 215 (5. a 35 . A Tabela 04 mostra os resultados gerais apenas dos acervos atualmente de fácil obtenção pelo professor interessado.356 (42.356 (36.40) 365 (9.77) 0 (0.497 (67.03) 215 (5. Para possibilitar a discussão desses resultados mais adequada à realidade foi necessário retirar os acervos de difícil acesso. descontados os acervos de difícil acesso (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal e INCE).49) 2.53) Internacional (%) 1506 (47. Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 648 (17.31) Indeterminada (%) 51 (1.506 (40.165 audiovisuais). segundo sua Finalidade e Origem.61) 0 (0. Finalidade proposta Didático Divulgação Origem do acervo Nacional (%) 252 (7.00) Total n (%) 2.725 audiovisuais). Total de Audiovisuais.165 Total 617 (19.16%) dos audiovisuais de acervos acessíveis aos professores é de cunho didático.58) 991 (31. A análise do conjunto de resultados mostra que a maior parte (n = 1.77) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra (n = 3.40) 3.809 (57.725 Total 1.013 (27. Tabela 04. Audiovisuais.79) Internacional (%) 1.16) 1. dos quais os professores não podem dispor.497 (78.43) 991 (26.61) Na tabela 100% corresponde ao total geral da amostra de acervos audiovisuais de fácil acesso pelos professores (n = 3. segundo sua Origem e Finalidade.809 ou 57.60) 1. Esses resultados mostram a visão cumulativa do perfil dos acervos que os professores brasileiros tiveram ao seu dispor nas últimas seis décadas.19) 2. o que poderia facilitar o uso em sala de aula (Tabela 4).89) 51 (1.96) 365 (11. Entretanto.369 (63.84) 3.00) Total n (%) 1.Tabela 03.

grande maioria (n=2. Os títulos: Pingüins e Focas da Costa da Patagônia. entre outros. Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal A Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (agora município do Rio de Janeiro) foi escolhida por conter o primeiro registro histórico encontrado (anterior à década de 40) de audiovisuais usados na educação no Brasil.1. por sua generalidade. sugerem que esses audiovisuais foram obtidos de produtoras internacionais especializadas em audiovisuais educativos. muitos outros títulos tais como: Força a Vapor. o que sugere boas chances do professor ter ao seu dispor um material descontextualizado. Arganás. IV. Assim. nacionais e/ou internacionais. 36 . Entretanto.1. distante da realidade dos alunos.1. como por exemplo a De Vry School Films Incorporated. Perfil de Duração A partir da caracterização dos audiovisuais da amostra. A Pesca do Bacalhau.2.89%) desses mesmos acervos é de origem internacional. Energia Solar e Répteis. Esta entidade organizou um sistema de cooperativa para servir às escolas públicas e particulares com audiovisuais para o propósito educativo. IV. os acervos assim classificados foram analisados quanto ao tempo de duração. não podemos afirmar ser um representativo de material internacional à disposição do educador brasileiro do início do século XX.497 ou 78. em didáticos ou divulgação. não nos dão indícios de suas nacionalidades. 2. Desta forma temos o perfil de distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais da Filmoteca a seguir (Figura 02).

Os dados apresentados correspondem a informações anteriores à década de 40. De fato a Figura 02 mostra que ocorre uma concentração em tempos muito curtos. IV.2. produziu 401 audiovisuais. dos audiovisuais do acervo da Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal (n = 164). pág 14). Até esta classe existe uma concentração de 95. ou seja. em sua maioria de curta duração.12% da freqüência (audiovisuais de curta duração veja Apêndice A. sendo que a maioria dos 15 Classe modal é a classe com a maior freqüência. 102). nos seus 31 anos de atividades. e teve como primeiro diretor Edgar Roquette-Pinto (1884-1954). Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE) O Instituto Nacional do Cinema Educativo (INCE). de cunho didático (ver Introdução – Tempo no Ensino.2.35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 >20 Classe de tempo em minutos B C D A E Figura 02.1. 37 . pág. este acervo caracteriza-se fortemente como sendo composto de audiovisuais de curta duração. Freqüência percentual por classe de tempo. Portanto. com a classe modal 15 sendo a C.

p. Os audiovisuais produzidos pelo INCE possuem uma concentração (81. disponibilizado para as instituições de ensino. A classe modal é a B (06 – 10 minutos). 40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 >35 A Classe de tempo em minutos B C D E F G H Figura 03. assim como supracitado. 38 . “Até 1942. p. que procurou fazer do cinema um veículo de educação. 2002. 108). dos audiovisuais produzidos no INCE. um acervo com fins didáticos. tempo de duração igual ou inferior a 15 minutos (Figura 03). Schvarzman (2001. segundo a bibliografia especializada. Como referido para o acervo anterior.56%) até a classe C. Freqüência percentual por classe de tempo. caracteriza um acervo didático. na França e na União Soviética”. e dessa forma o INCE é o representativo do material audiovisual com finalidade didática da produção nacional. este perfil de tempo caracteriza. o que. na Itália. 120) diz que é uma “instituição oficial criada em 1936. como acontecia no mesmo momento na Alemanha. o INCE já havia projetado audiovisuais em mais de 1000 escolas e instituições culturais” (SIMIS.audiovisuais foi produzida por Humberto Mauro (1897-1983). no período 1936 – 1966 (n = 396). Sobre o INCE.

atendendo a 150 mil alunos e cinco mil professores da região de influência da CVRD. mais nova e localizada.1. para serem utilizados no ensino (da 1ª a 8ª série) e uma para a capacitação dos professores. Segundo Vídeo Escola (1996. sendo a classe modal em B (Figura 04). com 470 vídeos. e envolvia nove milhões de alunos em todo o Brasil.89%) nas classes até 15 minutos (de A a C).IV. Então era um material de extrema atratividade”. Desenvolvido em 1994. O que mais uma vez caracteriza um acervo de audiovisuais didáticos. Vale Vídeo Coordenado por Marcelo Garcia e José Renato Monteiro e desenvolvido a partir de 1989 pela Fundação Roberto Marinho. de predisposição e de incitamento à aprendizagem. com o apoio da Fundação Banco do Brasil. 39 . entrevista) “Um material fundamentalmente de estimulação. em 1994 o projeto já dispunha de uma seleção de 101 fitas. do Vídeo Escola e apresenta uma seleção de 78 audiovisuais. distribuídos em 14 fitas.2. o Projeto Vídeo Escola tem. em uma parceria da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e da Fundação Roberto Marinho. 96-97). segundo Monteiro (2005. os audiovisuais concentram-se (85. Neste acervo. O projeto Vale Vídeo é uma versão.3. O compromisso do Vídeo Escola era o de querer aprender. o projeto Vale Vídeo abrangeu 196 municípios e 300 escolas. p.

pág.40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 04. 103) e demais áreas (Figura 05). A disponibilidade de informações relativas à área de atuação de cada audiovisual permitiu agrupar os audiovisuais em duas subcategorias: biociências (Apêndice B. 40 . Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vale Vídeo (n = 78).

Freqüência percentual por classe de tempo. (n = 78).50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas % Audiovisuais Classe de tempo em minutos B C D 06-10 11-15 16-20 21-25 E Figura 05. Entretanto. O gráfico inserido representa a freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de vídeos de todas as áreas. 41 . dos audiovisuais de biociências (em quadriculado. como não são diferenças drásticas foi aplicado o teste de Mann-Whitney (Tabela 05) para testar a hipótese de constituírem perfis semelhantes. do projeto Vale Vídeo. quando comparado com os de outras áreas. n = 37). n = 41) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo. Com relação às diferenças encontradas entre os audiovisuais de ciências. como um todo. e os de biociências foi observado uma moda na classe B de biociências e uma menor concentração nas classes A e D.

40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 Classe de tempo em minutos A B C D E Figura 06. 42 .5 708. n Outras áreas Biociências Mann-Whitney U p bicaudal 37 41 808. Freqüência percentual por classe de tempo dos audiovisuais nacionais (incolor.5 0. ou seja. do projeto Vale Vídeo. n = 47). efetuada pelo Teste de Mann-Whitney (teste U). As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram este acervo como misto. do projeto Vale Vídeo.5 Posto Médio 38. Comparação do conjunto de audiovisuais de outras áreas com o conjunto de audiovisuais de Biociências.15 40. Hipótese Alternativa : Outras áreas ≠ Biociências. ao nível ordinal.72 U 808.5 Soma dos Postos 1411.6191 Hipótese Nula mantida Os resultados da comparação entre os audiovisuais de biociências e os das demais áreas do conhecimento confirmam a hipótese de não haver diferenças significativas entre os dois (Tabela 5).5 1669. contendo produções nacionais e internacionais (Figura 06). n = 31) e audiovisuais internacionais (cinza escuro.Tabela 05.

O teste estatístico. sendo 14 fitas para exibição. é igual a internacional (Figura 06). E quando comparado com o seu projeto irmão resulta em um p bicaudal igual a 0. também para este acervo. mantendo assim a hipótese de semelhança (hipótese nula). aceitando a hipótese nula. voltada para a educação. a produção nacional de audiovisuais de ciências. Por ser um projeto “irmão” ao Vale Vídeo e que teve em seu quadro os mesmos consultores. Vídeo Escola O projeto Vídeo Escola de 1998.0852.54%) de audiovisuais até a Classe C (Figura 07). IV. é uma compactação do projeto original em 15 fitas.1. 43 . nesse projeto.2. para esta comparação. com 83 vídeos e uma para capacitação dos professores.A análise do perfil de tempo mostra que.0607.4. assim como o Vale Vídeo. podemos fazer as mesmas análises. A análise do perfil de tempo mostra. resultou em p bicaudal igual a 0. uma maior concentração (85.

uma vez que não há diferenças significativas entre os dois conjuntos de dados. 104) e das outras áreas de ciências mostra uma prevalência da primeira subcategoria na classe C.40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 07. pág. A comparação entre os audiovisuais de biociências (Apêndice C.7077 mantendo a hipótese nula. Já as classes A. Este acervo também foi dividido em subcategorias de acordo com a área do conhecimento. D e E (Figura 08) apresentam uma menor representatividade percentual dos audiovisuais de biociências. Freqüência percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas do projeto Vídeo Escola (n = 83). Entretanto. 44 . O teste de Mann-Whitney (teste U) resultou em p bicaudal igual a 0. B. não foram transformações consideráveis.

50 45 40 % Audiovisuais 35 30 25 20 15 10 5 0 01-05 A Biociências Outras áreas 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 08. (n = 83). O gráfico inserido representa a distribuição percentual por classe de tempo do conjunto de audiovisuais de todas as áreas. dos audiovisuais de biociências (em quadriculado. Freqüência percentual por classe de tempo. do projeto Vídeo Escola. n = 41). 45 . contendo audiovisuais nacionais e internacionais (Figura 09). As informações referentes aos países de produção dos audiovisuais caracterizaram também este acervo. n = 42) e dos audiovisuais de outras áreas (tracejado obliquo. de origem mista.

do projeto Vídeo Escola. sob atribuição da Secretaria de Especial de Educação a Distância (SEED). n = 43). a produção nacional tem o mesmo perfil de tempo que a internacional.40 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 30 20 10 0 01-05 A 06-10 11-15 16-20 Classe de tempo em minutos B C D 21-25 E Figura 09.9598. a TV Escola é um canal de televisão dedicado aos educadores e alunos do ensino fundamental e médio. novamente semelhante ao Projeto Vale Vídeo (Figura 06). resultou em p bicaudal igual a 0. n = 40) e dos audiovisuais de outros paises (cinza escuro. para esta comparação. O teste estatístico. Sua finalidade é contribuir para a melhoria da educação e seus objetivos principais 46 . A Figura 09 mostra que. Freqüência percentual por classe de tempo. aceitando a hipótese nula. dos audiovisuais nacionais (incolor.2. IV.5. TV Escola Programação de Ciências Levado ao ar de forma definitiva em quatro de março de 1996.1.

nesse acervo.45 milhão de professores. o que representa 91. A análise do perfil de tempo mostra que. com a classe modal em B (Figura 10).mec.9% desse segmento da rede pública brasileira. enriquecer o processo de ensino-aprendizagem e incentivar a aproximação escola-comunidade. os kits tecnológicos necessários para a captação do sinal e gravação dos programas da TV Escola são adquiridos com recursos do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Entretanto. com a entrada da Secretaria de Educação Média e Tecnológica (Semtec) em parceira da SEED. em sinal digital. estas características sugerem uma composição mista de tempo neste acervo. disponível em: http://www. a programação é composta por audiovisuais distribuídos majoritariamente entre as classes A e F (96. existe uma concentração até 15 minutos (68. entre o ensino médio e o fundamental.395 escolas públicas de ensino fundamental. Diferentemente dos acervos anteriormente analisados.80%). Até 2002 a TV Escola já havia sido instalada em 57. direitos de exibição de programas educativos de produtoras de reconhecida competência e qualidade nesta área 16. Além do material que é produzido com os recursos próprios.zip acesso em 10/5/2004 16 47 . Veiculada por satélite. a diversidade de audiovisuais e a especificidade da área apontaram para a necessidade de inclusão deste recorte do projeto didático nas análises.96%).gov. A abrangência. com mais de 100 alunos. Enquanto audiovisuais de curtíssima (< 5 minutos) ou curta duração (≥ 5 e < 15 minutos) caracterizam o fim didático.são auxiliar no desenvolvimento profissional dos professores e gestores. no país e no exterior. a SEED adquire. os audiovisuais de média-baixa duração Texto baseado no relatório da TV Escola 1996-2002.br/seed/tvescola/RelatoriosAtividades/Relatório%20da%20TV%20Escola%201996%20200 2. A expectativa do projeto é que. em pouco tempo se alcance mais de 35 milhões de alunos e mais de 1.

Portanto. Com as informações do catálogo.81%) do Grade é o nome usado no meio televisivo para identificar os intervalos de tempo que cobrem cada um dos programas no período de programação da emissora. neste acervo são encontrados audiovisuais com características de divulgação científica.(>15 e ≤40 minutos) caracterizam produtos usados para suprirem as grades 17 horárias das redes de televisão. TV Escola/MEC e Secretaria Extraordinária de Programas Especiais do Estado do Rio de Janeiro. 17 48 . 30 25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 10. apesar de ter por finalidade o uso didático. dos audiovisuais da TV Escola. Freqüência percentual por classe de tempo. foi possível verificar que apenas duas produtoras. no período 1996 – 2002. (n = 1186). foram responsáveis pela produção da maioria (69.

Por outro lado. a produção nacional de audiovisuais de ciências. n = 1081) apresentados na programação da TV Escola. o material internacional foi produzido por 39 entidades. n = 105) e dos audiovisuais internacionais de ciências (cinza escuro. quanto ao perfil de tempo. 30 Nacionais Internacionais 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 11. algumas delas especializadas em audiovisuais didáticos. dos audiovisuais nacionais de ciências (incolor.0051. O teste estatístico para esta comparação resultou em p bicaudal igual a 0. no período 1996 – 2002. é significativamente diferente da produção internacional (Figura 11). nesse projeto.material nacional. rejeitando a hipótese nula. A comparação entre o material nacional e internacional. mostra que. voltada para a educação. Freqüência percentual por classe de tempo. 49 .

35%) até 15 minutos (Classe C). por conter um número muito maior de audiovisuais. se concentra nas classes C e D (classe modal).2. neste segmento. O perfil de tempo deste acervo é semelhante ao encontrado para o acervo “TV Escola Programação de Ciências”.1.28). TV Escola Programação de Meio Ambiente A análise da programação de meio ambiente guarda similaridades com a de ciências. A Figura 12 mostra este perfil com duas concentrações distintas. Este acervo também se caracteriza por uma distribuição de audiovisuais entre as classes A e F (93.A Figura 11 mostra que a produção nacional. é a responsável pelo perfil misto de tempo do acervo como um todo (Figura 10). sendo que na produção nacional existe uma variedade maior de produtoras. existindo uma concentração (68. A produção internacional também é expressiva nas classes E e F e. 50 . enquanto a internacional se concentra nas classes A e B (classe modal).6. IV.

51 . A comparação estatística. Apesar das diferenças. Comparando os audiovisuais da TV Escola de Ciências e TV Escola de Meio Ambiente (Figuras 10 e 12) obtemos o p bicaudal igual a 0. os dois acervos têm uma concentração de audiovisuais em tempos de até 30 minutos e duas concentrações de tempos de duração (curta e média-baixa). dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola.0002.0322. o que descarta a hipótese nula. (Figura 13) mostrou que os conjuntos Nacional e Internacional dos audiovisuais de Meio Ambiente da TV Escola contêm diferenças significativas.30 25 % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46--50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 12. Freqüência percentual por classe de tempo. p bicaudal igual a 0. (n = 357). no período 1996 – 2002.

Freqüência percentual por classe de tempo. n = 76) e dos audiovisuais internacionais de Meio Ambiente (cinza escuro. Novamente.2. dos audiovisuais nacionais de Meio Ambiente (incolor. TV Escola . apresentados na programação da TV Escola. n = 281). nos quais.Programa Vendo e Aprendendo São programas produzidos pela TV Escola para capacitação de professores do ensino fundamental.35 30 25 Nacionais Internacionais % Audiovisuais 20 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41--45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 13. após a exibição de um ou de mais audiovisuais 52 . o conjunto Internacional tende a ser o responsável pelo perfil geral (Figura 12) por conter um número de audiovisuais cerca de quatro vezes maior que o conjunto Nacional. A Figura 13 mostra ainda que a produção nacional. se concentra nas classes B (classe modal) e C. no período 1996 – 2002.1. enquanto a mundial se concentra na A (classe modal). para esse projeto. IV.7. B e C.

para o uso dos vídeos em sala de aula. 53 . 48 (67. em edições distintas e sobre audiovisuais distintos). Os 45 professores e especialistas convidados fizeram 71 propostas (alguns participaram mais de uma vez. Também são apresentados alguns trabalhos que esses professores já haviam realizado com seus alunos. respectivamente de 22 e 23 minutos.22%) fragmentavam os audiovisuais. Em três (4. É interessante ressaltar. “pare o vídeo” etc.23%) propostas. Entre os 45 consultores. Em cinco (7. sendo que destas.sobre um determinado tema. os audiovisuais eram cortados (editados). A Figura 14 apresenta a distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados. que foram distribuídas nas escolas de alcance do projeto. descontando as sobreposições. 56 (78. No total. a TV Escola lançou uma série de publicações com o mesmo nome dos programas. onde nos seis primeiros volumes. essas paradas eram indicadas. dirigidas aos alunos da pré-escola até a 8ª série. o audiovisual foi dividido em partes a serem exibidas em dias distintos.87%) das 71 propostas fragmentaram de alguma forma os audiovisuais. Baseado nesses programas.04%) propostas. com tiragem de 110 mil exemplares cada. 37 (82. que mesmo em vídeos curtos. professores e especialistas convidados discutem seu conteúdo sugerindo formas para explorá-los em sala de aula. Nestas propostas pôde-se identificar o uso fracionado do audiovisual em recomendações como: “use a pausa”.61%) propostas fragmentavam o audiovisual com o uso de paradas. No único caso em que se diminuiu a duração de um audiovisual médio-baixo foi quando dois audiovisuais. foram exibidos em uma única aula e assim a consultora indicou o corte do segundo. desenvolvem as recomendações dos professores e especialistas.

Os dados disponibilizados não continham referência ao país da produção impossibilitando a classificação dos audiovisuais em nacionais ou internacionais. que são características de produtos de divulgação usados pelas emissoras de televisão. Este perfil (Figura 14) sugere um acervo misto. possuindo um conjunto de audiovisuais de característica didática e outro de audiovisuais mais longos. no período 2000 – 2001. na classe média-baixa (de D a H) e na classe média-alta (de I a L). n = 51. Freqüência percentual por classe de tempo. 54 .25 20 % Audiovisuais 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 >60 Classe de tempo em minutos A B C D E F G H I J K L M Figura 14. dos audiovisuais apresentados no programa Vendo e Aprendendo da TV Escola. O acervo do Programa Vendo e Aprendendo possui representatividade de audiovisuais na classe curta (de A a C).

Os professores são treinados pessoalmente através de um acordo entre as operadoras de TV por assinatura. Espanha e Portugal. mesmo as institucionais. Originalmente veiculado de segunda à sexta feira. é de se relevar os incontáveis educadores que acabam utilizando esse material sem. Discovery na Escola Lançado em 1997. Curaçao. necessariamente. ter a melhor programação do mundo para o segmento de divulgação científica. Chile. o projeto Discovery na Escola.shtml acesso em 19/12/2004 18 55 . em pelo menos 1.5 mil escolas. Equador. de segunda à sexta feira.7 mil professores e mais de 500 mil estudantes. estarem ligados ao projeto. O projeto já está funcionando no Brasil. tanto públicas como particulares. Há ainda os que utilizam outros programas da emissora que nem ao menos fazem parte do Texto baseado em informações disponíveis em: http://www.1. Panamá. cujas escolas façam parte do projeto. O projeto outorga aos professores os direitos de gravação e utilização em salas de aula. passou a ser veiculado. em 2005. Venezuela.com/port/preguntas_frecuentes. a Discovery afirma. Apesar dos números divulgados pelo projeto.discoveryenlaescuela. em propaganda institucional. já alcançou mais de 1.2.IV. Há dez anos nas operadoras de TV por assinatura no Brasil. apresentando inserções de comentários e não apresentam inserções de propagandas. México. Argentina. das 07:00h às 08:00h. as instituições educativas e o Discovery 18.8. na América Latina. E o projeto Discovery na Escola utiliza uma seleção dos programas veiculados por essa emissora. produção exclusivamente internacional. da programação Discovery na Escola até um ano depois da data da última exibição do programa. Costa Rica. das 11:00h às 12:00h. Os programas são especialmente editados para o uso didático. e logo se estenderá à Colômbia.

ou seja. dos audiovisuais apresentados no programa Discovery na Escola.48% na classe F (Figura 15). A distribuição de freqüências de tempo de duração dos audiovisuais utilizados no projeto. K e L (média-alta duração). 40 35 30 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 01-05 0 6 -1 0 1 1 -1 5 1 6 -2 0 21-25 2 6 -3 0 3 1 -3 5 3 6 -4 0 41-45 4 6 -5 0 5 1 -5 5 5 6 -6 0 >60 C la s s e d e te m p o e m m in u to s A B C D E F G H I J K L M Figura 15. designadas nessa análise como de 50 minutos e 31.projeto. no ano de 2004. mostra uma concentração de 64. pois apresenta apenas dois audiovisuais com fins de utilização no contexto educacional. Observa-se. Freqüência percentual por classe de tempo. n = 54. fica evidente a necessidade de incorporar esse material na análise. Os programas do projeto Discovery na Escola são editados apenas para a inserção dos comentários. 56 . até a classe C. uma nítida diferença em relação aos outros projetos didáticos.82% dos programas nas classes J. portanto. Desta forma. no ano de 2004.

representam os segmentos propostos pela equipe da Discovery. Os 51 (94. Como um exemplo da forma proposta para o uso. com uma duração média de 7. sendo que 18 deles foram fragmentados em duas partes. As linhas em baixo da linha de tempo.14 – Ver Metodologia. para trabalhar os conceitos selecionados.43) minutos. apenas três eram propostos que fossem assistidos inteiros e eram audiovisuais de 30 minutos. Três deles foram apresentados inteiros. pág 26). para completar um período de 60 minutos.64 minutos (Sd 8. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15min Figura 16.50 minutos. portanto com sobreposição. 57 . Possuíam a média de quatro segmentos cada. cada um com uma duração média de 9. dois audiovisuais de 15 minutos foram apresentados de forma fragmentada.14) segmentos (n total de segmentos = 110). Cada segmento tinha uma duração média de 20 (20. Dezessete audiovisuais de 30 minutos foram apresentados de forma fragmentada e aos pares. A barra mais grossa representa a linha de tempo de duração do audiovisual Tudo sobre Límulos.Apesar do tempo dos audiovisuais serem mais longos.75 e Se 1. Todos os 17 audiovisuais tinham em torno de três a quatro segmentos (n total = 59). o programa “Tudo sobre Límulos”. Os 35 audiovisuais de 50 minutos tinham uma média de três (3. A Figura 16 mostra o exemplo de segmentação proposta para o uso de um desses audiovisuais. dos 54 programas analisados.44%) restantes foram de alguma forma segmentados.

2003. com a presença de Jean Painlevé. espaços privilegiados de descobertas. não se tem o valor de desvio e do erro padrão. presidente do Comitê Internacional do Filme Etnográfico e Sociológico. e tem como meta principal “oferecer aos pesquisadores e aos profissionais de mídias. agora o Image et Science serve como referência às seguintes manifestações associadas: • International Scientific Film Festival (Beijing Festival) – China. em seu primeiro colóquio sobre “Audiovisuel et connaissance de la science”. do cineasta Roberto Rossellini. Festival Image et Science Organizado pelo Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) em 1976.2. tradução nossa). também conheceu o exílio por meia dúzia de anos na Itália e mais um par de anos nos Estados Unidos. Um modelo de inspiração. Fórum de debate de questões essenciais relacionadas à difusão da ciência. IV. Tendo como pátria mãe a França. também conhecido como Image et Science. p. ele agora esta sob a égide do CNRS e do Conselho Internacional do Cinema da Televisão e da Comunicação Audiovisual da UNESCO. já em seu ano inicial. de diálogos. Este fórum contou. o Rencontres internationales de l’audiovisuel scientifique. de confrontação e de projetos” (DEMEULE.1. de Enrico Fulchignoni. 58 . entre outros. acomodou o primeiro Festival Internacional de Emissão Científica de Televisão.Uma vez verificada a distribuição não normal. de Jean Rouch. e desde 1990 tem como local físico das suas projeções nada menos que a Torre Eiffel. Desde 1989 retornou definitivamente à França. presidente fundador da Associação Internacional do Cinema Científico. diretor da criação artística e literária da Unesco.9.

são editados para que se caiba a propaganda. tais como: Télé-Québec. Nos últimos dez anos o festival exibiu a melhor seleção da produção de 59 países.. computado como individual. ficando muitas vezes com 25 ou 26 minutos. sendo desta forma um bom representativo da composição temporal deste segmento da produção audiovisual mundial. De um modo geral. em 425 audiovisuais 19. As classes E e F. Chile. Ver Ciencia . os programas. Discovery Channel. Voir la Science – Iran. São estes os programas de meia hora.• • • • • Ver Ciência – Brasil. BBC. Este é um dos padrões de tempo utilizados nas grades de programação das emissoras comerciais e de muitas públicas. Verdere la Scienza – Itália. TV Cultura. France 5. Deutsche Welle. Os audiovisuais independentes apresentados em bloco foram separados e seu tempo de duração.. os quais são normalmente apresentados na grade de programação com outro programa de meia hora. WGBH. NHK. representam 30. Channel Four. com tempos de duração próximos a 30 min. A análise do conjunto de audiovisuais desse acervo (Figura 17. Téléscience – Canadá. Colômbia e Equador. ZDF. tendo os espaços supridos com propaganda de patrocinadores e/ou institucionais perfazendo a hora inteira da grade. France 2. TV Ontário. National Geografhic. Hoje é cobiçado como uma vitrine de excelência por produtoras de peso em audiovisuais científicos. que abrangem os tempos entre 21 e 30 minutos.Bolívia. 19 59 . France 3. TV Globo. gráfico inserido) mostra que ocorrem duas concentrações: uma nas classes E e F e outra maior nas classes a partir da I.12% da produção.

Uma segunda concentração encontrada abrange as classes J-K. junto com as propagandas. gráfico inserido). de 41 até 60 minutos. ou seja. nos qüinqüênios 1994-1998 (quadriculado cinza. dos audiovisuais apresentados no festival Image et Science. Podemos estender esta abrangência para englobar as classes de I até L. com 22. n = 425. já que estes programas podem ser facilmente editados para aproximadamente 40 minutos e. a classe K é a maior.94% da produção.25 25 20 1994-1998 1999-2003 20 15 10 5 % Audiovisuais 15 0 AB C D E F GH I J K LM 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 17.12% do total de 60 . No gráfico inserido. n = 210) e 1999-2003 (tracejado. que representam 32. Freqüência percentual por classe de tempo. com tempos entre 46 e 55 minutos. perfazendo 48. n = 215). no período 1994 – 2003. Nestas “classes de hora inteira”. suprir o tempo de hora inteira da grade de programação.47% da produção (Figura 17. freqüência percentual de todos os audiovisuais.

A distribuição de freqüências é do tipo bimodal. nove eram da TV Cultura de SP. ficam presas a esse padrão. com pelo menos um produto de excelência por ano (ver Apêndice D. que passou a ser veiculada também por essa emissora. em última instância. pág. 20 Para este cálculo. um era da série Globo Ciência. Todos os programas brasileiros veiculados no festival no último qüinqüênio foram das classes comerciais E e F. e um aumento das classes E. nos levaram a separar o decênio analisado em dois qüinqüênios. Indícios de modificação deste perfil. A Figura 17 mostra que ocorreu uma diminuição de audiovisuais das classes A. com uma primeira classe modal em F e uma segunda classe modal em K.audiovisuais apresentados. Dos 16 audiovisuais. pertencentes a várias séries. C e G. 105). F. A produção de qualidade brasileira vem mostrando uma perenidade. quatro eram da série Globo Ciência e um da Globo Ciência Saúde. As redes de televisão estão presas a uma grade de programação que dita o tempo de duração dos programas por elas veiculados e. ele ocupa a 7ª posição no ranking dos 59 países participantes. 61 . Uma análise sobre a constituição dos países participantes do Festival mostra que o Brasil 20 faz parte do seleto grupo dos dez países que participaram com mais de dez audiovisuais nestes dez anos. Dos dois da Futura//Fundação Roberto Marinho. Assim. as produtoras. ao longo do período de veiculação desse acervo. sendo que muitas já não existem mais. a metodologia contou como um só documentário “O Minuto Científico”. Com 16 audiovisuais apresentados de uma forma bem distribuída pelo período. Dos cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho. acaba por pressionar a produção para se adequar a esse modelo. I e J. de 1997. que em muitos dos casos são as próprias emissoras. cinco da TV Globo/Fundação Roberto Marinho e dois da Futura/Fundação Roberto Marinho.

e é associado ao Rencontres Internationales de l’Audiovisuel Scientifique – "Image et Science". dentre as quais estão Vitória. O Projeto está sendo desenvolvido com este formato há dez anos. O Ver Ciência. foram divididos em dois períodos de cinco anos. que vem contando.2. foi dividida em Sessão Brasil e Sessões Internacionais.10. que também é membro do júri do Image et Science.1. O primeiro é que existe duas 62 . passando por 16 cidades brasileiras. tanto da Sessão Brasil. Também as análises iniciais dos dados dos catálogos da Mostra Ver Ciência sugeriram uma mudança do perfil de tempo de duração dos audiovisuais ao longo do período. O perfil de tempo dos dois períodos analisados na Mostra Ver Ciência – Sessão Brasil apresenta dois eventos marcantes. Assim. A mostra conta com a exibição integral dos documentários em 11 instituições parceiras do projeto no Rio de Janeiro e em mais cinco instituições em outros estados.IV. vem exibindo semanalmente os melhores programas das mostras Ver Ciência dos anos anteriores. o Ver Ciência reúne produções de divulgação científica nacional e de diferentes partes do mundo. Estes audiovisuais também são veiculados na TV Escola e são bons representantes da produção nacional neste segmento.Sessão Brasil Coordenado por Sergio Brandão e José Renato Monteiro. São Paulo. nessa dissertação. numa realização da Associação Internacional Ver Ciência (AIVC) com o Centro Cultural Banco do Brasil/Rio. por questões operacionais. Florianópolis. A TV Cultura. Porto Alegre. quanto da Internacional. os acervos. Mostra Ver Ciência . Campo Grande e Curitiba. junto com a rede educativa. desde 1996. e o curador internacional é Sergio Brandão. O curador da mostra nacional é José Renato Monteiro. com o patrocínio nacional da Petrobrás e com o apoio do Ministério da Cultura.

o que sugere um esforço no sentido de satisfazer as exigências das grades horárias das redes de televisão. a representatividade dos audiovisuais da classe A passou de 39.22% do total para 22.58%. As classes E e F aumentaram em.concentrações de audiovisuais.65%.61% e 60. n = 204) e 2000-2004 (tracejado. uma na classe A (classe modal) e a outra nas classes E e F. enquanto as classes E e F tiveram um aumento (Figura 18). dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessão Brasil nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza. 40 35 30 1994-1999 2000-2004 % Audiovisuais 25 20 15 10 5 0 35 30 25 20 15 10 5 0 AB C D E F GH I J K LM 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 Classe de tempo em minutos C D E F G H I A B J K L Figura 18. O segundo fato é que a classe A sofreu uma diminuição no último qüinqüênio. Freqüência percentual por classe de tempo. uma queda de 56. respectivamente. n = 135). Gráfico inserido 1999-2004 (n = 339) Apesar da facilidade de produção e diversidade de uso.112.22%. 63 . ou seja.

n = 324) e 2000-2004 (tracejado. dos audiovisuais da mostra Ver Ciência Sessões internacionais nos períodos 1994-1999 (quadriculado cinza. a maior.Sessões Internacionais Com um total de 592 audiovisuais representando 49 paises.1. Mostra Ver Ciência . n = 268). Gráfico inserido. 25 20 15 1994-1999 2000-2004 20 10 5 % Audiovisuais 0 A B C D E F GH I J K LM 15 10 5 0 01-05 06-10 11-15 16-20 21-25 26-30 31-35 36-40 41-45 46-50 51-55 56-60 > 61 Classe de tempo em minutos D E F G H I J A B C K L M Figura 19. com uma representatividade de 50.84% dos audiovisuais desse acervo.IV. outra na classe F e. no segmento de audiovisuais voltados para a divulgação da ciência.11.2. Uma concentração de audiovisuais pode ser observada na classe B. Freqüência percentual por classe de tempo. na categoria de média-alta duração (a partir da classe I). as sessões internacionais do Ver Ciência são um bom representativo da produção internacional. 1994-2004 (n = 592) 64 . O perfil das Sessões Internacionais apresenta três concentrações quanto ao tempo de duração (Figura 19).

Consagrado até a década de 50 como “Colégio Padrão do Brasil”. em 20 de dezembro do mesmo ano. se compararmos as Figuras 17 e 19 podemos observar que o Ver Ciência . de acordo com o teste estatístico (p bicaudal igual a 0.5 século de existência. ocorrendo o oposto no Image et Science. buscamos verificar o discurso do professor do Colégio Pedro II acerca da utilização do audiovisual científico como recurso didático. Este conjunto de resultados sugere a existência de diferenças entre os padrões de tempo dos audiovisuais de divulgação e aqueles voltados ao ensino.4348). 65 . IV.Sessões Internacionais possui mais audiovisuais na classe B e menos na classe K.Sessões Internacionais. IV. por Decreto Imperial.2.2. Mas. Posteriormente. esta prática foi analisada a partir das recomendações de especialistas da área de educação e divulgação.1. Mesmo após mais de 1. Isso se deve ao fato do Ver Ciência conter alguns programas que não se enquadraram nas exigências do Image et Science.O perfil do Festival Image et Science não é significativamente diferente do encontrado na Mostra Ver Ciência . Seção 2 – Professores e Especialistas Uma vez caracterizado o perfil de tempo dos audiovisuais (audiovisuais de projetos didáticos e de divulgação científica) que poderiam ser utilizados pelos professores. Entrevistas com Professores do Colégio Pedro II O Colégio Pedro II foi fundado em 2 de dezembro de 1837 e oficializado. já que neste último. só são veiculados audiovisuais que tenham sido previamente veiculados em redes de televisão.

oferecendo ensino fundamental e ensino médio. por ser uma unidade em implantação. Seis das sete unidades pesquisadas possuíam suporte técnico para audiovisual composto por sala de audiovisual.cp2.org. sua missão é: "educar crianças e adolescentes. em 1998. Euclides da Cunha.htm acesso em 29/08/2004 22 21 66 . e alguns nomes que ocuparam esse quadro são até hoje lembrados. Pedro Bloch. Dentre os notáveis alunos. Evanildo Bechara. De seus bancos escolares saíram gerações de homens ilustres que engrandeceram e dignificaram o país 21.br/interna/interno. Informações disponíveis em: http://www. Domingos Meirelles entre outros 22. Afonso Arinos de Melo Francos. Adolpho Bloch. Alziro Zarur. os professores utilizam a sala de audiovisual de outra instituição. o prêmio Qualidade do Governo Federal por seu projeto de qualidade total na área de educação. Manoel Bandeira. emocionais e sociais do mundo de hoje 23". Washington Luís. em alguns casos. as aulas de ciências e biologia possuem tempo duplo (uma hora e 40 minutos). Seu corpo docente é de qualificação inquestionável. É uma autarquia federal e funciona em três turnos em seis bairros da cidade do Rio de Janeiro.php?cs=C_CDG_SECAO_ULTIMAS_NOTICIAS&sp=8663 acesso em 26/06/2005 23 Texto baseado em informações obtidas em: http://www. Visconde de Taunay. Antonio Houaiss. Nilo Peçanha. pode-se citar: Àlvares de Azevedo. Como característica no Colégio Pedro II.br/index1. Manuel Bandeira e Aurélio Buarque de Holanda. culturais. Na unidade de Realengo. José de Paiva Netto.br/historico/historico. videocassete e TV de 29 polegadas e.cp2. Mário Lago.htm Acesso em 27/12/2004 Texto baseado em informações obtidas em: http://www.g12. Hermes da Fonseca. Segundo a instituição. Prudente de Moraes.religiaodedeus. tornando-os capazes de responder às transformações técnicas.recebeu. acervo de fitas diversificadas.g12. além de cursos técnicos na área de Informática. como: Barão do Rio Branco.

Freqüência dos professores que utilizam ou não o audiovisual no Colégio Pedro II (n = 33). da Universidade Santa Úrsula.Os professores das unidades do colégio Pedro II foram entrevistados tendo como base um roteiro de perguntas.18% Uso do audiovisual Figura 20. Apenas um professor citou o gênero “didático-científico”. 24 67 . Entre os professores que faziam uso de audiovisuais em suas aulas. a Profa. cujos autores. 28 26 24 22 81. como descrito na metodologia (pág 28). Marlene Benchimol.diz possuir um grande acervo de audiovisuais científicos. Dra. Em entrevista concedida em 2004.82% Número de professores 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 SIM NÃO 18. normalmente cientistas. A maioria expressiva dos professores declarou usar o audiovisual como ferramenta didática (Figura 20) e os que não usavam geralmente relatavam impossibilidades circunstanciais. referindo-se aos audiovisuais do acervo de Marlene Benchimol 24. do Laboratório de Ultraestrutura Celular. a maioria declarou preferir o gênero documentário (Figura 21). lhe autorizaram o uso para fins educacionais.

também. de outros gêneros de audiovisuais.70% Documentário Didático-Científico 3.59% N ero de professores úm 20 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 3. Entre os 25 professores que utilizavam o gênero documentário em suas aulas. didáticos e reportagem (Figura 22). Um dos professores relatou outros dois gêneros. animação.26 24 22 92. 25 68 . Freqüência de gêneros de audiovisuais utilizados pelos professores Colégio Pedro II (n=27). O percentual é calculado sobre os 25 que usam o documentário. 13 25 declararam fazer uso. como: filmes.70% Não respondeu Gênero Figura 21.

Muitos professores relataram possuir um acervo pessoal bem composto para usos específicos. os resultados sugerem que.00% 1 0 F ilm e A n im a ç ã o D id á t ic o R e p o rta g e m G ê n e ro Figura 22. A partir dos depoimentos dos professores. Outras opções de gêneros de audiovisuais utilizados em sala de aula pelos professores que declaram fazer uso de documentários (n=25).00% 16.66%) da amostra não fazem uso de audiovisuais didáticos (Figuras 21 e 22). pelo menos. mas em outras o acervo era bem diversificado. considerando que os documentários. Entretanto. 18 professores (66. não foi possível identificar os audiovisuais de animação como didáticos ou de divulgação.6 Número de professores 5 4 3 2 24. quando questionados sobre a procedência dos acervos utilizados. Mesmo assim. Algumas unidades do colégio possuíam um acervo sucinto. 69 .96%) declarou ser de acervo próprio (Figura 23).00% 12. filmes e reportagens citados têm o caráter de divulgação. a maioria (62.00% 4.

26 Os percentuais são aditivos.52% 11.37% Número de professores 14 12 10 8 6 4 2 0 S im Não 29.96% 48. 70 . pois os professores em alguns casos usavam mais de uma fonte. Práxis didática relativa à fragmentação dos audiovisuais (n=27). Ao responderem sobre a forma de utilização dos audiovisuais na sua prática de ensino. apenas oito professores afirmaram exibi-los integralmente. 20 18 16 70. Procedência dos acervos 26 utilizados pelos professores (n=27).15% Número de professores 12 10 8 6 4 2 0 A c e r v o p r ó p r io A c e r v o c o lé g io L o c a d o ra O u tra s fo n te s 18. A maioria (19) preferia trabalhar os audiovisuais de forma fragmentada (Figura 24).63% F ra g m e n ta o a u d io v is u a l Figura 24.18 16 14 62.11% F o n te Figura 23.

18 (70. Esta preferência justifica o uso de documentários. 14 48. Partindo do princípio que estes materiais são confeccionados para atender um público seleto.A análise dessas respostas deixa claro que a prática de fragmentar os audiovisuais. entre os professores entrevistados. os professores relataram uma preferência por produtos desenvolvidos originalmente para televisão (Figura 25).22% 4 2 0 1 National Geographic Discovery Channel F o n te s BBC Editora Globo Etc. é muito usada entre os professores do Colégio Pedro II.15% 12 Número de professores 10 8 6 22.37%) utilizam material de bom nível técnico. podemos supor que. Questionados sobre a fonte do audiovisual. compatível. Fontes do material audiovisual produzido para televisão utilizado pelos professores (n=27). seja pausando ou cortando trechos. e normalmente produzido pelas grandes redes internacionais de televisão. 71 . filmes e/ou reportagens pela maioria desses professores (Figuras 21 e 22). 2 Figura 25.

p 76). 2003. Já em relação ao Vale Vídeo. em vez de aborrecer. Entrevistas com Produtores. A análise dos audiovisuais disponíveis para uso no contexto escolar mostrou a tendência de agrupamento de audiovisuais curtos nos acervos didáticos e a prevalência dos mais longos nas mostras de divulgação científica. físico. claro. movimentado. Para isto. Com essas diretrizes. que também concentra vídeos na faixa de curta duração. procuramos obter mais informações junto às fontes produtoras. é evidente que a narrativa deveria ser rápida. Divulgadores e Consultores. Nítido. Foi um dos três consultores que selecionou o acervo 72 . Assim. e por serem temas com poucos conceitos. 18 apud GRUZMAN. O INCE. interessante no seu conjunto estético e nas suas minúcias de execução. embora não tivesse. professor universitário e atualmente diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do MCT. realizamos entrevistas com produtores de audiovisuais nacionais e/ou internacionais e consultores de projetos didáticos.2. em 2004. produziu audiovisuais de curta duração. minucioso. Uma das razões desta limitação pode ser encontrada nos “postulados de Roquette-Pinto” para a produção desses audiovisuais. entrevistamos Ildeu de Castro Moreira. pelo menos durante a gestão de RoquettePinto. (CÉSAR.IV. para entender as possíveis razões da preferência dos professores por audiovisuais de divulgação na prática didática. lógico no encadeamento de suas seqüências. uma diretriz explícita para limitar o tempo. 1980. para atrair. detalhado. o que talvez tenha levado à concentração observada na Figura 03. porque no dinamismo existe a primeira justificativa do cinema. sem dubiedades para a interpretação dos alunos.2. p.

Uma das causas dessa restrição é o excesso de informação. os profissionais que migraram para o novo projeto didático. atualmente curador da mostra nacional do Ver Ciência e um dos criadores do projeto inicial do Vídeo Escola. mesmo não sendo uma diretriz por parte destes três consultores. era uma diretriz. da seleção de audiovisuais que acabou sendo utilizada pela programação. 24 dos 78 audiovisuais do Vale Vídeo e 18 dos 83 audiovisuais do catálogo Vídeo Escola foram editados. os programas de Ciências veiculados na TV Escola 73 . De fato. ele é apenas um suporte da aula e o tempo da aula é de 45-50 minutos. e que tivesse um caráter mais interessante”. particularmente. por José Renato Monteiro. pelo menos no início do projeto. e não passar inteiramente”.. que ao ser evitado.. leva a uma linguagem mais dinâmica.de audiovisuais do projeto: “Certamente. é claro. Em primeiro lugar. mais interessante. aspectos mais fáceis de serem encontrados em audiovisuais mais curtos. desfecha uma afirmação contundente. entrevista) também diz que a TV Escola herdou muito do Vídeo Escola. Moreira complementa: “Eu. quando eu via um vídeo mais curto. havia essa predileção. Alguns audiovisuais também foram divididos em dois episódios. segundo Moreira. É importante registrar que todos os audiovisuais editados foram produzidos para TV. buscava valorizar um pouco mais vídeos que tivessem menos informação condensada. havia a possibilidade de editar também. de pegar trechos. em 2005. Vídeos muito grandes. o tempo de duração acabou sendo restringido. Então um vídeo de 15 minutos é maravilhoso!” Monteiro (2005. além. pois se era o vídeo no ensino. “Foi absolutamente intencional. e é nesse tempo que o vídeo tem que acontecer e ser explorado pedagogicamente. Assim. Quando questionado da curta duração. Segundo entrevista concedida. a concentração de vídeos de curta duração. como consta no catálogo. Em sua maioria.

que é o vídeo”. ou a americana Coronet. 74 . o professor passaria somente 3 min de audiovisual. não comprometendo o tempo de aula Poderia explorar com as imagens e com o texto. o professor poderia destacar um desses pequenos blocos. A idéia eram blocos muito curtos que pudessem ser lidos independentemente ou que compusessem um todo. entrevista). também confirma esta preferência: “A televisão européia procura produzir programas de 50 a 60 minutos”. o movimento de rotação. produtor de audiovisuais e curador da mostra internacional do Ver Ciência. numa sala de aula. diz na entrevista que seus audiovisuais têm basicamente entre 10 e 15 min. normalmente. com 72 programas. entrevista). fazem parte de grandes séries de pequenos programas. o conteúdo da aula que estaria sendo dada. Relata a experiência do audiovisual de 15 minutos Movimentos da Terra. com 113 programas. diretora do Festival image et Science: “Os canais de televisão privilegiam o tempo de 52 minutos. por exemplo. que é composto por blocos que são autônomos. que com a publicidade completa uma hora”. de aproximadamente 3 min. Já os audiovisuais produzidos para a divulgação em televisão se caracterizam por ter um tempo de duração mais longo e as entrevistas a seguir sugerem algumas razões para esta característica: Segundo Annick Demeule (2004. entrevista). pegando um dos movimentos da Terra. Então. Barros (2004. “A idéia é que.são oriundos de produtoras internacionais de grande expressividade e experiência na produção de material didático e. Sergio Brandão (2005. como a francesa Centre National de Documentation Pédagogique (CNDP). físico e professor titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e produtor independente.

Porque 15 minutos é muito pouco para se falar de um assunto mais profundo”. é muito bom. porque ele não deixa no telespectador aquela vontade de ver mais. A princípio as entrevistas mostram que a tendência observada em concentrar audiovisuais de baixa duração nos projetos didáticos parece estar relacionada ao seu uso específico em sala de aula. enquanto os audiovisuais produzidos para divulgar ciência se ajustam ao gradeamento das grandes redes de televisão. entrevista). veiculado na Rede Brasil de emissoras educativas. de 25 minutos. explica: “O nosso formato. pedagoga e produtora do programa Expedições. 75 .Paula Saldanha (2005.

e parte dos da TV Escola) mostrou uma tendência clara para produtos de curta duração (tempo de duração até 15 minutos). Por fim são feitas perguntas methodicas sobre o que os alumnos viram. Depois o professor exhibe o filme durante uns dez a quinze minutos. V. pág. já havendo a preocupação com o tempo de duração. As tecnologias utilizando imagens evoluíram muito ao longo do tempo e hoje temos à nossa disposição o audiovisual em várias mídias (Apêndice E. A maioria dos audiovisuais produzidos ou selecionados com finalidade didática (Filmoteca do Departamento de Educação do Distrito Federal. (SERRANO. este trabalho teve início buscando identificar o perfil de tempo dos audiovisuais disponíveis aos professores do ensino médio e fundamental. foram observadas nítidas diferenças de acordo com a finalidade. temos os audiovisuais da De Vry. INCE. [. No entanto. Vale Vídeo. O Perfil de Tempo dos Audiovisuais Disponíveis e Suas Tendências Dentro do universo de audiovisuais analisados. Por outro lado. Cinco minutos bastam para a explicação preliminar.. 26).] para uma aula comum de três quartos de hora.. feitos especificamente para o ensino e acompanhados de material de suporte. com a necessaria discussão de cada ponto.1. Neste sentido. as características de audiovisuais necessárias para a boa utilização em processos educativos não foram ainda sistematicamente analisadas. Como exemplo. os audiovisuais 76 . Vídeo Escola. 106). 1930. p.V. que podem e devem ser utilizados no auxílio do processo educativo. que compunham a nossa amostra. DISCUSSÃO A utilização de audiovisuais para fins educativos é anterior à década de 30.

Discovery na Escola) apresentavam média duração (média-baixa 16-40 e média-alta 41-60 minutos). puderam ser explicadas através das entrevistas com produtores nacionais e internacionais e divulgadores de ciência. Assim. ajustam os seus audiovisuais ao gradeamento das emissoras de televisão. Mostra Ver Ciência Sessão Brasil. entrevista): “Uma hora é demais. conforme declaração de Paula Saldanha (2005.85%). Esse perfil pode estar relacionado à dificuldade no dinamismo narrativo apontado anteriormente por Saldanha. Mostra Ver Ciência Sessões internacionais. 77 . Embora se observe uma tendência internacional em produzir audiovisuais de divulgação científica de duração média-baixa e média-alta. os produtores nacionais concentram sua produção em audiovisuais de duração média-baixa. que tem em torno de 40 a 50 minutos para trabalhar com seus alunos. Estas diferenças. De fato. os depoimentos dos produtores e consultores de projetos didáticos deixam claro que o tempo dos audiovisuais é ajustado para as necessidades de um professor em sala de aula.produzidos para a divulgação da ciência (Festival Image et Science. porque no programa de uma hora nós temos que fazer um esforço muito grande para manter o espectador atento diante da televisão”. Esta tendência podem ser explicada em parte por questões de ordem técnica. Tanto os produtores nacionais como os internacionais envolvidos com a divulgação da ciência. entre os produtos destinados ao ensino e à divulgação científica. podemos observar que os programas de hora inteira são raros na produção nacional voltada à ciência (8. a produção de um audiovisual de média-alta duração com uma qualidade aceitável e que agrade a audiência obviamente esbarra no fato do aumento dos custos de produção. Por outro lado.

27 78 . da série Squatters.. principalmente o ‘leigo’ ou o estudante. A receita para este ‘milagre’ passa provavelmente pela linguagem e. diretor da série Squatters. em função da falta de recursos. sobre isso. No Festival Image et Science. “o custo habitual para produzir um documentário com valores de produção do estilo da Discovery varia de US$100. os valores são em dólares americanos). foi evasivo. Saldanha (2005. a pressão maior estaria relacionada aos custos de produção.000” (Tradução nossa. que é produzida e veiculada pela Discovery. Comunicação pessoal ao autor desta dissertação. os profissionais da Série Horizon da BBC indicam um dos caminhos. estão também sujeitos à grade das grandes redes de televisão. p 11). entrevista) afirma que um documentário da National Geographic custa aproximadamente 300 mil dólares e. apenas investimentos em equipamentos e em viagens para locações remotas não conseguem segurar o telespectador diante da TV assistindo a um programa de ciências de até uma hora de duração. o grande quinhão é formado por audiovisuais de média-alta duração. Thierry Berrod 27 (2002). segundo Chris (2002.Quando questionado sobre o custo da produção. durante a produção do episódio “Carnivorous Ants”. apesar do alto investimento na produção. Para os produtores nacionais. Os produtores internacionais. entrevista) também relata a dificuldade para obter esta informação junto aos produtores da BBC. Entretanto. Este fator pode explicar a maior freqüência na produção de vídeos de média-baixa duração e de vídeos de curtíssima duração nos acervos nacionais..000 até US$500. a julgar pela concentração de vídeos em tempos de média-baixa e média-alta duração. Monteiro (2005. mas lembra que esta instituição arrecada cerca de 5 bilhões de dólares por ano. que necessitam de maiores investimentos de produção.

e sim contando com criatividade e inovação. Matthew Barrett 28. Seus programas são normalmente editados para duração de 46 minutos. criar motivações. observa-se que redes comerciais como a Discovery trabalham em uma grade de padrão horário inteiro. como um aliado poderoso na tarefa de manter atenta a audiência. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. 60). a fim de comportarem os cortes de inserção de propaganda. já transpôs quatro décadas de grande audiência nos lares britânicos. De fato. este tipo de esforço não tem garantido uma perenidade e tem causado flutuações de qualidade. como o Globo Ciência. A Série Horizon. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil. que em 2004 completou 20 anos. 97). mas nem sempre às custas de pesados investimentos. p. da BBC. Segundo Moreira e Massarani (2002. Matthew. confirma a manutenção dessa diretriz da dramatização. Os documentários de Ciências têm que ser construídos como dramas. Sessão Brasil. entrevista) complementa Barrett. Isto tem sido observado mesmo em séries de longo histórico na nossa televisão. p.. atestam que a televisão brasileira está se esforçando para melhorar a qualidade de suas produções.] a televisão é ótima para criar climas. 2002. 28 79 . “o Globo Ciência não conseguiu se firmar como um programa televisivo de divulgação científica de qualidade. Tem alternado fases de maior e menor audiência e mudado periodicamente de formatos e objetivos”. impressionar. 1997 apud Monteiro e Brandão. (LYNCH. Os programas exibidos no Ver Ciência. definir personagens. Rio de Janeiro: 2 set.[. Em outras palavras: construir drama. obviamente com a manutenção da integridade da informação científica. na 10ª mostra Ver Ciência. 2004. Apesar disso. A história (que é contada) é tudo.. O atual diretor da série. Moreira (2004.

Brandão (2005. Embora haja esta programação preponderante das emissoras. pág. não poderia afirmar o mesmo. No segundo caso. Segundo Barca (1998. fechando grades de curta e média duração. 29 Alguns destes programas são exibidos em blocos dentro de um contexto maior na grade de programação e outros são exibidos individualmente. no período entre 1987 e 1991. p. Apesar da janela de apenas cinco semanas. Atualmente. 80 . são conhecidos como interprogramas.dizendo que parte deste problema explica-se pela apertada janela de produção de apenas oito semanas. Entretanto. existe ainda espaço para vídeos de curtíssima duração 29 (até cinco minutos de duração). O Globo Ciência. "O programa perdia público. Estas mudanças de formato indicam para uma tentativa de melhora. o que nas emissoras comerciais se materializam nas pesquisas de audiência. teve reconhecimento. Em 1999. caso do Minuto Científico agraciado com várias premiações (Anexo B. para a rede Globo de televisão. 109). entrevista). e Insetos & Cia da Verde Vídeo e Vídeo Ciência. passando a usar humor e ficção para conquistar a audiência. pág. parece ter sido constante o investimento na atualização da linguagem. Minuto Científico e X Tudo da TV Cultura SP. o programa mudou novamente o formato. pecado mortal numa emissora comercial. 108). foi o período mais premiado do Globo Ciência (Anexo A. utiliza o formato caracterizado por um locutor que viaja a procura das informações científicas. mesmo às sete e meia da manhã de sábado". Soluções Científicas do Departamento de Tecnologia Educacional da TVE Rede Brasil. Algumas destas séries são de alto nível. Prêmios internacionais e nacionais atestam sua qualidade como veículo de difusão dos conhecimentos científicos. no intuito de manter a audiência junto ao seu público. desde cedo. São exemplos destas produções: Academia Amazônia da Universidade Federal do Pará (UFPA).7). de forma independente. cuja empresa produzia esta série.

tal como ambientes de educação à distância. e sempre trabalhou em laboratório. V. nossos resultados indicam uma tendência de crescimento da produção de audiovisuais nas faixas comerciais e de diminuição nas faixas de duração curtíssima. fisiologia e genética. montou um laboratório de microscopia bem equipado no colégio. por força da intensa influência da grade de programação das emissoras. uma boa parte dos audiovisuais disponíveis aos professores é produzida para divulgação e com tempo de duração incompatível com o tempo de aula. são capazes de manter uma boa “taxa de informação” podendo ser usados em ambientes e meios diversos. Apenas um professor relatou que não gosta de usar. histologia. Assim. e considera que as atividades de laboratório são mais importantes que o uso do audiovisual. que são os grandes consumidores destes produtos. quando bem produzidos. Como é um professor que começou lecionando há mais de trinta anos em universidades na área de zoologia. onde ministra aulas de citologia.Os audiovisuais de curtíssima duração. Este professor tem como 81 . Utilização dos Audiovisuais no Colégio Pedro II Nas unidades do Colégio Pedro II existe um uso relativamente freqüente do recurso audiovisual. Apesar da diversidade de uso. Mas consideramos ser oportuno registrar o ponto de vista desse professor que “não usa nem quer usar” o audiovisual antes de abordar a prática de ensino dos professores que utilizam o audiovisual. Esta tendência enfatiza a forte influência das grades de programação das emissoras de TV. normalmente são por questões circunstanciais. Os poucos professores que não utilizam.2.

E complementou falando que existem poucos vídeos nessa área.]. os outros professores acabaram por aderir ao uso do audiovisual.].. Portanto. no domingo. Para nós professores a segunda feira é muito difícil quando. Apesar da existência de filmotecas nas unidades do Colégio Pedro II os professores que utilizavam audiovisuais davam preferência aos de divulgação científica em detrimento aos didáticos. que é um gênero mais encontrado nas produções internacionais voltadas para a televisão. então ele não traz para o aluno a curiosidade do inédito [... o Fantástico mostra uma exceção de um fato que ocorre com um bicho” (PROFESSOR 08).. De modo geral. Você vê em um Globo Repórter que fala da fecundação. A televisão. Questionado sobre a possibilidade de produção de audiovisuais na sua área. Eu vejo os olhinhos dos alunos brilharem mais numa aula de microscopia do que numa aula de vídeo” (Professor 08).] eu acho que há 10 anos o vídeo tinha uma utilidade muito mais importante do que hoje. quando uma aula de microscopia chega muito mais ao interesse do menino [.. eu tenho um microscópio para cada aluno. ele comenta. ele mexe. vídeos lindos que se popularizam. pois os vídeos internacionais são de duração média-baixa e média-alta. fora dos 82 . ele é um participante do processo.conceito de audiovisual de boa qualidade “um vídeo que não cometa erros ou que mostre exceções. “Esse tipo de atividade já está se esgotando. No vídeo ele é um assistente [. A maioria declarou ter como material básico o gênero documentário. Esta constatação foi inesperada.. tanto nos canais fechados como nos canais abertos. ele desenha. já está explorando muito isso. Ele vê.

discutia com os alunos as questões. Às vezes ele tinha 10 min. atestando uma prática empírica. a mesma técnica utilizada atualmente por produtoras internacionais que recentemente passaram a produzir audiovisuais para a educação. intuitivamente. fragmentando-os em tempos mais curtos. o projeto Discovery na Escola. quando dão preferência a audiovisuais de curta duração.padrões preconizados pelos produtores e consultores didáticos por serem de difícil exibição dentro dos limites impostos pelo tempo da aula. No final. que são resgatadas durante a apresentação. por exemplo. O professor 04 apresenta audiovisuais de 30-35 min. mas sempre deu certo”. O professor 21 relatou que apresenta um audiovisual de 50 min. Esta prática observada entre os professores do Colégio Pedro II se aproxima do modelo preconizado pelos produtores e consultores de projetos didáticos. com o controle remoto na mão. não sei se estava certo ou errado. Quando eram filmes mais longos. Entretanto. Alguns depoimentos dos professores são esclarecedores sobre a forma como era feita a fragmentação do material. discutindo e usando anotações feitas em sala. à semelhança do método utilizado pelos professores do Colégio Pedro II. Na realidade. (Professor 02). quando questionados quanto à sua forma de utilização em seus objetivos educacionais verificou-se que a grande maioria fragmentava a apresentação para questionar seus alunos ou inserir comentários (Figura 24). o filme acontecia e eu. “Eu procurava calcular o tempo do vídeo. os professores do Colégio Pedro II estavam transformando. Exatamente. Na prática. pausando umas 10 vezes. Então era o meu método. os vídeos de divulgação científica em vídeos educativos ao mudar sua linguagem através de interrupções controladas. adaptou seus produtos. 83 . não deixava o filme correr na íntegra.

O professor 27. mais experiente. O professor 12 relatou a forma diferenciada que utiliza audiovisuais de duração diferente: “Se é curto. no final. que geralmente é curto. 76). mas não só por esse motivo como também para manter a atenção do público. isto para audiovisuais de 35-40 minutos.. quando tem conteúdo denso e sutil. vai parando para detalhar. eu costumo dar umas paradas em alguns trechos e na imagem congelada. Então eu paro em pontos pré-selecionados e. (Professor 06). de 10 a 15 min.pausando e discutindo. A dinâmica da entrevista permitiu aprofundar essa abordagem quando questionamos se as paradas. costumo fazer um debate”. e que também produz audiovisuais com seus alunos. vou interrompendo”.] 84 . muitas vezes a gente não tem um público que está ali porque está interessado [. Apesar de responder afirmativamente. eram necessárias para evitar que a grande quantidade de informações que está sendo colocada seja perdida. Essa prática condiz com o tutorial da De Vry da década de 20 (ver pág. porque tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio. porém.. O professor 17 relata que passa direto e trabalha depois. Outro professor relata: “na medida em que o filme vai passando e a gente tem o recurso do pause. descreve sua prática de ensino: “Inicialmente dá-se uma explicação do que vai ocorrer e eles vêem o vídeo. com uns 15min (não passo vídeo de muito mais) e depois a gente discute”. e para isso faz quatro ou cinco pausas durante a apresentação. passo integralmente e debato depois. que eu selecionei. em pontos considerados estratégicos. faço o comentário para reforçar aquela relação com o assunto que ele viu ou está vendo em sala de aula. inseriu em sua declaração um outro aspecto relevante: “Correto. e que conhece bem a linguagem audiovisual e suas potencialidades. Se for longo.

Eu estimo de seis a oito paradas. faço comentários rápidos durante a apresentação. mas se o pessoal está mais disperso. para fazer algum comentário. 85 . O professor 31 deixa bem clara a inquietude dos adolescentes e fala da sua “descoberta”: “O aluno de ensino médio é muito inquieto. (Professor 06). eu deixo ele correr. Eu vou parando e dando explicações rápidas. enquanto a fita passa. sem que seus alunos dispersem. congele a imagem. que se ajusta à receptividade da turma. temos: √ Use e abuse dos recursos do vídeo. para manter a atenção deles. paro. Eu coloco em um vídeo de 35min. eles não ficam tão atentos quanto se eu for parando e explicando. faço perguntas. Se a turma é bem receptiva ao vídeo. e depois passo outro bloco” (Professor 18). Todos esses relatos e outras declarações menos explícitas deixam clara a preocupação destes educadores em manter uma aula dinâmica. mesmo que rapidamente”. (grifo nosso). Apenas um dos professores (Professor 18) tinha a possibilidade de editar os seus audiovisuais e o fazia seguindo critérios relatados: “Uso documentários e faço uma seleção das cenas de acordo com o conteúdo. porque eu descobri que se a gente passar um vídeo direto. apresentados nas edições impressas do Vendo e Aprendendo da TV Escola. reveja o mesmo trecho com a classe quantas vezes for preciso. durante a exibição: avance a fita. faço comentários. Nesses depoimentos podemos ver a flexibilidade da prática de ensino. aí eu dou um bloco. Entre os 10 conselhos de como utilizar o vídeo em sala de aula. em vídeos de 50 min”.

peça para os alunos tentarem antecipar o que irão ver. 6).37% dos professores entrevistados têm seu “arsenal” composto de audiovisuais de bom nível técnico. a linguagem fragmentada deste meio audiovisual. e levam. crie suspense. enquanto outro oferece pouco interesse. um pouco cada dia. Ninguém suportaria uma novela de tevê que fosse apresentada de uma só vez (mesmo que de forma compacta). o professor. mantenha-os curiosos. tal como nas narrativas literárias contemporâneas (Vide O Jogo da Amarelinha. pois ele foi concebido para ser decodificado em partes e simultaneamente com outros programas. mesmo que alheio a este detalhe da linguagem da imagem. Assim. (ARATANGY. nesse caso. p. segundo os seus próprios discursos. 109-110). o ato de fruição possa começar em qualquer ponto a se interromper a qualquer momento. Se os intervalos que fragmentam um programa de tevê fossem suprimidos e os vários capítulos diários fossem colocados em continuidade numa mesma seqüência. não hesite em ‘pulá-lo’. Estes acervos foram geralmente produzidos para atender às necessidades das redes de televisão. Apresente-o em ’capítulos’. não se preocupe em exibi-lo de uma vez. de Cortazar). p. permitindo que. 70. o interesse do programa cairia imediatamente. Dentro dessa macroestrutura de colagens. 1988. Quando perguntados sobre “qual a fonte do audiovisual utilizado?” (Figura 25). 2001a. sem interrupções e sem os nós de tensão que viabilizam o corte. √ É possível que um pequeno trecho renda uma boa discussão e traga novas informações. cada fragmento tem relativa autonomia.√ Se o vídeo for longo. Este comportamento em sala de aula talvez ocorra pelo não cumprimento dos rituais que foram aprendidos em longas horas de treinamento frente a um aparelho 86 . sem que isso afete fundamentalmente a percepção do todo (MACHADO. acaba cedendo à sua fragmentação por força da inquietude que emana do aluno. na sua essência.

. (Tradução nossa). “Essa divisão do tempo nos leva a concentrar a atenção durante os sete ou dez minutos de programa e a desconcentrá-la durante as pausas para a publicidade”. “A criança que começa a ver programas de TV vai. Limites que podem comprometer a expectativa de aula de um 87 . p. presença ou ausência de “treinamento”.de TV. a atenção depende de quatro fatores: 1) capacidade atencional. 67). 332) também enfatiza esta dispersão e atribui suas causas a divisão da programação em blocos que duram de sete a dez minutos intercalados com comerciais. 2) atenção seletiva. Sobre o último item esses autores afirmam: “Os problemas em manter a atenção são comumente associados com a exigência atencional das tarefas que persistem por longa duração. iniciando sua aprendizagem para ser telespectador” (OROZCO. quem sabe sem perceberse disso. podemos concluir que manter a atenção do aluno é uma tarefa difícil para o professor. A autora também lembra que isso se torna um hábito e complementa: “Professores observam que seus alunos perdem a atenção a cada dez minutos e só voltam a se concentrar após uma pausa que dão a si mesmos.. p. e 4) manutenção da atenção. Dessa forma. o aluno tem limites neurológicos. como se dividissem a aula em “programa” e “comercial””. porque manter o desempenho é acompanhado por uma considerável demanda de processamento [. 1997. 414). (Aspas da autora). 3) seleção da resposta e controle da sua execução. p. Segundo Cohen e Salloway (1997.] o tempo é por si próprio o determinante central da atenção”. Chauí (1997. Além dos limites impostos pela quantidade. duração e forma das informações.

o que vem a ser uma locução aceitável? Uma locução de boa qualidade técnica. Também em 11 depoimentos. sugere que. O professor 18. relatou que desconsidera o som (locução) original. ele pode trabalhar. Nesse sentido a tarefa primordial para o professor é buscar o interesse dos alunos. em conformidade com a matéria. O professor 25 diz: “sem erros. pois agora ele é a autoridade que direciona e valida o conteúdo desejado. Esse professor. 11 relataram que. a estética. Assim. “os vídeos que apresentam conceitos problemáticos podem ser usados para descobri-los. mas se houver erro serve como exemplo para mostrar a dificuldade na transposição didática”. com uma boa entonação? Ou uma locução ilibada nos aspectos de exatidão dos conteúdos? Segundo Moran (1995). pois numa edição doméstica dificilmente pode-se ter uma locução aceitável. com uma abordagem clara e didática. além de respeitar os limites individuais. para ele. as características favoráveis num audiovisual são: “movimento. fator básico para criar seletividade na atenção. Podemos discutir a utilização dos audiovisuais também sob o ponto de vista do conteúdo. em linguagem coloquial”. Aliás. e questioná-los”. ao desconsiderar o som (locução). 88 . o som não é tão importante” (Professor 18). coloca o audiovisual constituído apenas da mensagem visual. a seu critério. junto com os alunos. que editava seus audiovisuais. aberto e mais compacto possível. ele é o locutor. Assim. o que é compreensível. as mensagens em som.professor mais ambicioso. relataram que o conteúdo é importante e usaram expressões como: “correto. conceitos corretos. a qualidade plástica e apelo visual”. dentre as características favoráveis de um audiovisual. imagem. a qualidade das imagens era muito importante e usaram expressões como: “boa fotografia. Dos 26 professores entrevistados que usavam o audiovisual.

porém muitas videotecas de colégios possuem este material em acervo. Este material parece seduzir o educador. vem se aprimorando e lançando produtos de grande qualidade. E uma das maneiras encontrada pela maioria destes professores para conseguir esses resultados parece estar baseada na utilização do 30 O projeto já está extinto. permeou o segmento de audiovisuais educativos. 89 . Produto este impregnado com padrão característico de duração e de linguagem e para o qual o educador necessita ajustar a sua práxis de ensino a fim de atingir os melhores resultados possíveis. indústria voltada para o entretenimento e a informação. mormente a internacional. via forma de apresentação. Assim. através de projetos didáticos e vídeos colocados à venda. O problema do tempo de duração dos audiovisuais utilizados para o ensino sempre foi uma preocupação dos educadores e produtores de audiovisuais para essa finalidade. os professores pesquisados. Historicamente este material sempre foi disponibilizado no formato de curta e curtíssima duração. ou diretamente. Mas. principalmente no Vendo e Aprendendo. com sua linguagem característica e fragmentada e com seu padrão de gradeamento. pela própria programação que é gravada. o desenvolvimento da televisão. Nas últimas décadas. que acaba declinando o uso de um material de formato “mais propício” em favor de um material que. a indústria da televisão. seja indiretamente. no seu ponto de vista. em que normalmente as preocupações eram centradas na exatidão das informações contidas. tais como os projetos Vídeo Escola 30 e TV Escola. Este fato pode ser observado no projeto TV Escola. acabam usando um produto voltado para a divulgação.Não podemos negar o grande esforço governamental/institucional ao disponibilizar ao longo das últimas décadas materiais essencialmente didáticos. por outro lado. só necessita ser trabalhado no quesito da duração.

focalizar as atenções no aluno. elegida por 70. aproveitando pontos de corte moldados pelo contexto. pode-se verificar que os professores do Colégio Pedro II. reconquistando.pdf Acesso em 19/12/2004 90 . em um próximo passo. que são eleitos por eles. passo essencial para a aprendizagem. utilizar os vídeos da maneira indicada pelos consultores e produtores.37% dos professores do Colégio Pedro II. Esta fragmentação do tempo dos audiovisuais. A proposta da equipe Discovery na Escola 31:é bem clara: “O vídeo. útil para o processo de aprendizagem dos alunos. Desta forma. de fato. souberam. em sua prática de ensino. Resta saber se a utilização de vídeos curtos ou de vídeos longos fragmentados é.audiovisual de uma forma fragmentada.44% dos audiovisuais são fragmentados. o sujeito do processo de aprendizagem.22% dos consultores didáticos do Vendo e Aprendendo da TV Escola e da equipe do Discovery na Escola. tem suporte na atitude de 82. além dos momentos para as reflexões construtivas.com/port/download/pdf/act_video. 31 Disponível em: http://discoverynaescola. Uma das formas de avaliar esta questão é. no qual 94. para reforçar a narrativa. sem as quais muito se perderia nesse processo. assim. juntamente com as atividades de apresentação do mesmo. a atenção dos alunos. pode durar entre 10 a 15 minutos de uma aula”.

produzidos no Brasil. têm um tempo de duração médio-baixo. 6) A opção dos professores pelos audiovisuais científicos de divulgação. permitem concluir que: 1) Os audiovisuais produzidos para fins didáticos têm um tempo curto. indica a busca de qualidade de imagem e de linguagem mais dramatizada. entre 21 e 30 minutos. O projeto didático TV Escola. produzidos para televisão com padrão de qualidade internacional.VI. 3) Os audiovisuais para divulgação científica. têm linguagem própria para televisão. a nível mundial. 2) Os audiovisuais para divulgação científica. CONCLUSÕES Os resultados obtidos na busca de caracterizar o perfil dos audiovisuais científicos disponibilizados aos professores e a sua utilização no contexto educacional. com um tempo médio-alto. já em 1996. ou curtíssimo. na expectativa de motivar e prender a atenção dos alunos. de até cinco minutos. ou médio-baixo. normalmente entre 21 e 30 minutos. os responsáveis pelos projetos didáticos brasileiros parecem estar atentos às necessidades e preferências dos professores. normalmente entre 41 e 60 minutos. incorpora audiovisuais de divulgação em sua programação. 4) Os Professores do colégio Pedro II parecem privilegiar o uso de audiovisuais de divulgação. A tendência verificada aponta para a consolidação dos dois padrões. Etapas compreendidas 91 . Existe uma tendência para a consolidação do padrão médio-baixo. com linguagem própria para televisão. 5) Apesar dos limites de recursos impostos à produção nacional.

como prática adequada aos limites da capacidade de concentração dos alunos da educação básica. mas principalmente. construído a partir de vivências didáticas e pedagógicas diferenciadas.como necessárias para efetivar. Como verdadeiros autores da sua prática. os professores exibem o material de forma fragmentada. 10) Mais interessante é esse procedimento padrão. esses professores são capazes de lançar 92 . entretanto. parece esbarrar no tempo de duração desse gênero de audiovisual. 11) A análise do conjunto dos resultados indica a propriedade do procedimento didático e pedagógico do professores apesar da aparente contradição expressa quando. 8) Desta forma. como o programa Vendo e Aprendendo e o Discovery na Escola. se apresentar. Ao serem produzidos para atender às grades de programação da mídia televisiva. 7) Essa expectativa. os audiovisuais de divulgação. como um padrão didático entre os professores de ciências e biologia do Colégio Pedro II. 9) É relevante o fato da práxis da fragmentação da exibição dos audiovisuais. a fim de viabilizar o audiovisual científico de divulgação como material didático a ser trabalhado dentro dos limites da hora/aula. o processo de aprendizado. apesar de construída a partir de experiências individuais e empíricas no dia a dia da sala de aula. se tornam demasiados longos dentro do contexto escolar. praticamente. segundo declarações dos professores entrevistados. estar plenamente de acordo com as indicações dos consultores dos projetos didáticos. diante da grande disponibilidade de audiovisuais didáticos. declaram a preferência pela utilização de audiovisuais científicos de divulgação. dentro de um contexto educacional formal.

93 . transformá-las em instrumentos didáticos perfeitamente adequados ao contexto da educação formal.mão do que há de melhor nas produções para divulgação científica e. trabalhando características a principio adversas.

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VIII. Palestra BARRETT, Matthew. Um Olhar Sobre as Novas Produções da BBC. Palestra apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil, na 10ª mostra Ver Ciência. Rio de Janeiro: 2 set. 2004.

101

IX. APÊNDICES

Apêndice A Nomenclatura das classes de tempo de duração utilizadas nessa dissertação: Existe grande discordância na designação do audiovisual, quanto ao seu tempo de duração. Para suprir as necessidades desta dissertação, utilizaremos como ponto de partida a Medida Provisória No 2.228-1 (BRASIL 2001), que determina no seu capítulo 1, artigo 1º: VII - obra cinematográfica ou videofonográfica de curta metragem: aquela cuja duração é igual ou inferior a quinze minutos; VIII - obra cinematográfica ou videofonográfica de média metragem: aquela cuja duração é superior a quinze minutos e igual ou inferior a setenta minutos; IX - obra cinematográfica ou videofonográfica de longa metragem: aquela cuja duração é superior a setenta minutos; Assim, devido à necessidade de um maior espectro de tempo e às características da amostra, as classes serão subdivididas da seguinte forma: • Curtíssima duração: aquela cuja duração é igual ou inferior a cinco minutos, que será usada para algumas discussões; • Curta duração: aquela cuja duração é superior a cinco minutos e inferior ou igual a 15 minutos. Nos casos não especificados, englobará a classe curtíssima; • Média-baixa duração: aquela cuja duração é superior a 15 e igual ou inferior a 40 minutos; • Média-alta duração: aquela cuja duração é superior a 40 minutos e igual ou inferior a 60 minutos; • Longa duração: aquela cuja duração é superior a 60 minutos. 102

A Química da Cozinha. Alimentos para a Saúde. Cuidado Nervos. Zoom Cósmico. O Povo das Gerais. Como Nasce e Cresce o Sapo. O Deserto do Maranhão. Dinossauros II. A Toca do Coelho. Minha Primeira Experiência com A Acidez dos Alimentos.Apêndice B Audiovisuais do projeto didático Vale Vídeo. Aves II. Aids: A Melhor Defesa é a Informação. Como Cresce a Margarida. Solos. A Velha a Fiar. A Maravilhosa História da Batata I. Corpo Humano. A Pré-história do Brasil. Os Senhores da Mata Atlântica. Biodiversidade. A Maravilhosa História da Batata II. O Meio Ambiente do Espírito Santo. classificados como de biociências: Chapada Diamantina. Como Cresce o Feijão. O Jequitibá. Homens e Mar. Esquistossomose. Insetos Sociais. 103 . Frutos do Cerrado. Instituto Butantã. Carlinhos Precisa de uma Capa. O Semiárido Brasileiro. Homenzinhos. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores. Evolução. Floresta Inundada. O Começo da Vida. Dinossauros I. Tá Limpo. Minha Primeira Experiência com O Som e a Música. Aves I.

Formas do Maranhão. Sons de Minas Gerais. Como Cresce o Feijão. Minha Primeira Experiência com A Coloração das Flores. As Baleias em Abrolhos. Os Homens e a Lua. Sons do Maranhão. A Conquista do Espaço. A Vida Nasce no Mar. Cuidado Nervos. O Rio São Francisco. Lar de Homens e Animais . Chapada dos Guimarães. Corpo Humano: Um Ecossistema . A Borboleta. Como Nasce e Cresce o Sapo. Floresta Inundada.Parte 2. Insetos. A Toca do Coelho. Formas do Espírito Santo.Parte 1. A Velha a Fiar. Derivados da Cana-de-açúcar. Século XX: Primeiros Tempos. Carvalho . Lar de Homens e Animais .Uma Árvore e seu Ecossistema. Cores do Espírito Santo. Corpo Humano: Um Ecossistema Parte 1. Formas de Minas Gerais. Aves I. A Maravilhosa História da Batata II. Formas do Pará. A Maravilhosa História da Batata I.Parte 2.Apêndice C Audiovisuais do projeto didático Vídeo Escola. Dinossauros. O Começo da Vida. Cores do Pará. Sons do Pará. 104 . Sons do Espírito Santo. classificados como de biociências: Os Índios Bakairi e o Jatobá. Aves II. O Semi-árido Brasileiro. Higiene Corporal. Como Classificar Animais?.

Série Globo Ciência. Pré Histórias da Pedra Furada. episódio: Insetos & Cia. 1997. 2003. Genoma: Em Busca do Sonho da Ciência.Apêndice D Programas brasileiros apresentados no Image et Science no período de 1994 – 2003. 10 episódios. episódio: Chuá Chuágua. episódio: Ordem no Caos. 2002. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. TV Cultura. TV Cultura. Série Arte e Matemática. Minuto Científico. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. 1995. Teca na TV. Série Repórter Eco. episódio: A Caminho do Mar. Série Globo Ecologia. TV Cultura. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. Série Ver Ciência. 1994. 1998. TV Cultura. Série A Mão Livre. TV Cultura. Canal Futura. TV Globo/Fundação Roberto Marinho. 2000. Série Olhando para o Céu. 2001. Série Globo Ciência. 1999. episódio: Somos Pequenos no Universo? 1996. TV Globo. 1997. Série Globo Ciência Saúde. episódio: Futebol. episódio: Malaria. TV Cultura. TV Cultura. Canal Futura/Fundação Roberto Marinho. episódio: Tributo a Paulo Freire. Série Mar à Vista. 1998. Série Globo Ciência. episódio: Dr. episódio: Surfboard. 1999. 2002. Nise da Silveira. 1994. TV Cultura. 1998. Série Globo Ciência. o Explorador do 20° Século. TV Cultura. 105 . episódio: Rondon.

os índios do Xingu. pois nas novas mídias. mais ‘atualizado’. ou de armazenar vídeos de alta definição em um 106 . o que é um forte limitante do uso deste recurso nas antigas mídias em fita magnética. A grande diferença destas e outras mídias como a Blu-ray. pois as fitas melam em pouco tempo devido a grande umidade”.Apêndice E As mídias do audiovisual Existem muitas mídias de suporte para o audiovisual. Outra grande vantagem é na hora de pausar a imagem. em especial do DVD. além disso os equipamentos utilizados para “tocar” essas mídias (os players). utilizando os algoritmos de compactação. ou seja a possibilidade de um acesso aleatório em qualquer ponto das trilhas de dados. já nos cobram as cópias dos documentários em DVD. como o Compact Disc (CD). quando comparadas com as fitas VHS. e que elas têm na essência as mesmas vantagens do velho disco de vinil. Outro motivo da agressiva dominação das novas mídias. facilitando em muito o educador. é que não apresentam o problema da perda de qualidade com o passar do tempo e são mais estáveis fisicamente. só agora começa a ser usado no ensino (o Colégio Pedro II só agora começou a adquirir os primeiros equipamentos). como no caso do VHS. não ocorre o problema do desgaste físico da mesma. pois dizem que são mais resistentes. Saldanha (2005) em entrevista diz: “Nossos parceiros. a High Density DVD (HD DVD) etc. com a possibilidade de armazenar várias horas de vídeo com qualidade inferior ou igual ao VHS. que não é muito usado no Brasil para esta finalidade. na hora de exibir o vídeo. Mas o choque definitivo está se impondo. e o Digital Versatile Disc (DVD) que apesar de ter literalmente acabado com o mercado da fita Video Home System (VHS). podem ser programados para o acesso aos pontos predefinidos.

único DVD ou em outras mídias de maior capacidade física. 107 . além é claro da evolução dos padrões de compactação.

1987 . 1989 .Primeiro lugar no Primeiro Concurso Latino.Destaque na categoria Jornalismo do Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito. 1989 .Bristol.asp?ViewID={25199997-AC07-45EE-A1C101D8204DE822}&params=itemID={8BB7B665-66C6-4C99-BFDDB65FD5609096}.Prêmio Master de Ciência e Tecnologia 2000. veiculado em 9/3/2002. 2000 .X. Colômbia . 1990 .Paris.Menção Especial do Júri do “6ème Festival International de L’Émission Scientifique de Télévision” . França .Americano de Jornalismo.Menção Honrosa no SCI-TECH Festival .para o programa “Será que é isso mesmo?”.&UIPartUID={0B11DCF7-D35E-476B-AB4E-FEA3B7A87A62} Acessada em 02/01/2005 32 108 . Científico . ANEXOS Anexo A Premiações do programa Globo Ciência 32: TV Globo.para o programa “Será que é isso mesmo?”. para o programa “Boas Festas com Segurança”.org. 2002 .br/main. Inglaterra .frm. Disponível em: http://www.para o programa “Mais Verde com Ciência”. 1989 .Bogotá.Vega Awards pelo episódio “pão”. oferecido pelo Instituto da Qualidade e organizado pela Camplux Editora e Publicações.Prêmio José Reis de Divulgação Científica. com o apoio de várias instituições.

TV Cultura.Melhor Programa infanto-juvenil .CANADÁ Categoria Produção Infantil .br/tvcultura/sobretv/premios. 33 Disponível em: http://www. Itália 1998 1º Encontro Latino Americano de Televisão da RAL . Série "Minuto Científico" .Categoria Programas para a Juventude.tvcultura.htm Acesso em 20/12/2004 109 .com.Minuto Científico 1998 PRÊMIO CIDADE DE MONTREAL DO FESTIVAL TELESCIENCE . 1997 VII PRIX LEONARDO da Fundazione Medikinale International Special Award – Melhor Programa Estrangeiro "Minuto Científico" Parma.Anexo B Premiações do Programa Minuto Científico 33.Minuto Científico 2000 PRÊMIO DRAGÃO DE PRATA 1º Festival Internacional do Filme Científico de Beijing – China.Gramado .

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