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OBRIGAÇÕES

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OBRIGAÇÕES
INTRODUÇÃO ± o direito pode ser dividido em dois grandes ramos: do dos direitos não patrimoniais, referentes à pessoa humana (direito à vida, à liberdade, ao nome, etc.), e dos direitos patrimoniais, de valor econômico, que por sua vez se dividem em reais e obrigacionais. DIREITOS OBRIGACIONAIS X DIREITOS REAIS ± o direitos obrigacionais diferem dos reais: (i) Quanto ao objeto ± os direitos reais incidem sobre uma coisa, enquanto os obrigacionais visam ao cumprimento de determinada prestação. (ii) Quanto ao sujeito ± nos direitos reais, o sujeito passivo é indeterminado (o direito pode ser exercido ³erga omnes´, ou seja, são sujeitos passivos todas as pessoas do universo, que deve abster-se de molestar o titular), enquanto nos obrigacionais o sujeito passivo é determinado ou determinável. (iii) Quanto ao exercício ± os direitos reais são exercidos diretamente sobre a coisa, sem a necessidade da existência de um sujeito passivo, enquanto o exercício dos direitos obrigacionais exige uma figura intermediária, que é o devedor. (iv) Quanto à ação ± nos direitos reais, a ação pode ser exercida contra quem quer que detenha a coisa, ao passo que a ação, no direito obrigacional, é dirigida somente contra quem figura na relação jurídica como sujeito passivo. (v) Quanto à duração ± os direitos reais são perpétuos, não se extinguindo pelo não -uso, mas somente nos casos expressos em lei (ex.: desapropriação, usucapião, etc.), enquanto os pessoais são transitórios se extinguem pelo cumprimento ou por outros meios. (vi) Quanto à formação ± os direitos reais só podem ser criados pela lei, sendo o seu número limitado e regulado por esta (o rol é ³numerus clausus´), ao passo que os obrigacionais podem resultar da vontade das partes, sendo ilimitado o número de contratos inominados (o rol é ³numerus apertus´). CONCEITO DE OBRIGAÇÃO ± é o vínculo jurídico que confere ao credor (sujeito ativo) o direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de determinada prestação . Corresponde a uma relação de natureza pessoal, de crédito e débito, de caráter transitório (extingue-se pelo cumprimento), cujo objeto consiste numa prestação economicamente aferível. É o patrimônio do devedor que responde por suas obrigações, constituindo ele, pois, a garantia do adimplemento com que pode contar o credor. A obrigação nasce de diversas fontes e deve ser cumprida livre e espontaneamente. Quando tal não ocorre e sobrevém o inadimplemento, surge a responsabilidade. OBS: 1) Obrigação x responsabilidade ± não se confundem, pois, obrigação e responsabilidade. A responsabilidade só surge se o devedor não cumpre espontaneamente a obrigação. A responsabilidade é, pois, a conseqüência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. 2) Obrigação sem responsabilidade e responsabilidade sem obrigação ± malgrado a correlação entre obrigação e responsabilidade, uma pode existir sem a outra. As dívidas prescritas e as de jogo constituem exemplos de obrigação sem responsabilidade. O devedor, nestes casos, não pode ser condenado a cumprir a prestação, isto é, ser responsabilizado, embora continue devedor. Como exemplo de responsabilidade sem obrigação pode ser mencionado o exemplo do fiador, que é responsável pelo pagamento do débito somente na hipótese de inadimplemento da obrigação por parte do afiançado, este sim originariamente obrigado ao pagamento dos aluguéis, por exemplo. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO ± a obrigação compõe-se de três elementos essenciais: (i) Sujeitos ativo e passivo (credor e devedor) ± os sujeitos da obrigação podem ser pessoa natural como jurídica, de qualquer natureza, bem como as sociedades em comum (ou de fato). Devem ser determinados ou, ao menos, determináveis (ex: no contrato de doação, o donatário, às vezes, é indeterminado, mas determinável no momento de seu cumprimento, pelos dados nele constantes ± o vencedor de um concurso, o melhor aluno de uma classe, etc.). Se não forem capazes, serão representados ou assistidos por seus representantes legais, dependendo, ainda, em alguns casos, de autorização judicial. (ii) Vínculo jurídico ± é o vínculo existente entre o credor e o devedor. O vínculo jurídico resulta de diversas fontes e sujeita o devedor a determinada prestação em favor do credor. Divide-se em: a) débito ou vínculo espiritual ou pessoal ± é o vínculo que une o devedor ao credor e exige que aquele cumpra pontualmente a obrigação; b)

pelo cumprimento da obrigação. em três espécies: a) obrigação de dar. quanto a seu objeto. c) obrigação de não fazer. entretanto. 814). III (não se revogam por ingratidão as doações ³que se fizerem em cumprimento de obrigação natural´ . possível. que resumem o objeto da prestação. como o dever de fidelidade entre os cônjuges e outros do direito de família. a de indenizar os danos causados por seu empregado (art. II) e suscetível de apreciação econômica (obrigações jurídicas. inexistência do dever de prestar e inadmissibilidade de repetição em caso de pagamento voluntário. de forma coativa. a mediata. pois os referidos atos e negócios jurídicos somente geram obrigações porque assim dispõe a lei. mas sem conteúdo patrimonial. manifestada no contrato. pois. Pode existir. No primeiro caso. (ii) Obrigações civis e naturais ± a. . isto é. ou da vontade humana. Todas as obrigações que venham a se constituir na vida jurídica compreenderão sempre alguma dessas condutas. dolosos e culposos. em que a obrigação de fazer pode abranger a de dar ± art. 140. da declaração unilateral da vontade e do ato ilícit . e de outro a responsabilidade. embora referida de forma indireta em alguns dispositivos (arts. elas caminham juntas (ex. Há de ser lícito. 876). b.: contrato de empreitada. determinado ou determinável (art. 632 a 645 do mesmo diploma. são excluídas do direito das obrigações). 104. duas positivas (de dar e de fazer) e uma negativa (de não fazer). Há obrigações. em razão da ³soluti retentio´ (expressão usada no direito romano e que significa retenção do pagamento) existente em favor do credor. Os casos de ) obrigação natural no CC são dois: dívidas prescritas (art. Obrigações naturais ± nas obrigações naturais o credor não tem o direito de exigir a prestação. 882 (³não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. 932. Em todos eles encontram-se presentes os elementos caracterizadores da referida espécie de obrigação: inexigibilidade do cumprimento. Obrigações civis ± são as que encontram respaldo no direito positivo. ou cumprir obrigação judicialmente inexigível´) e o art. inspirado na técnica romana. reguladas pelos arts. 564. c) atos ilícitos. b) declarações unilaterais de vontade. por meio de ação. a lei é a fonte imediata da obrigação. submetendo àquele os bens do devedor. de acordo com as regras de direito. Há portanto. Portanto. etc. por intermédio da lei. A referida retenção é o único efeito que o direito positivo atribui à obrigação natural. se este. Indagar das fontes do direito é buscar as razões pelas quais alguém se torna credor ou devedor de outrem. nem se admite possa ser objeto de compensação. F ONTES DAS OBRIGAÇÕES ± fonte da obrigação é o seu elemento gerador. 621 a 631 CPC. fazer ou não fazer o quê?) é o objeto mediato da obrigação. na declaração unilateral ou na prática de um ato ilícito. 373. Não é possível revitalizar obrigação natural por novação. como a de prestar alimentos a parentes (art. a lei aparece como fonte o primária. podendo seu cumprimento ser exigido pelo credor.2 responsabilidade ou vínculo material ± confere ao credor não satisfeito o direito de exigir judicialmente o cumprimento da obrigação. que resultam diretamente da lei. não tem o direito de repeti lo. no entanto. conforme se trate de execução para entrega de coisa certa (obrigação de dar). que a causa. 610. parte final). o fato que lhe dá origem. efetua o pagamento. Diverso é o processo de execução de sentença. que a obrigação resulta da vontade do Estado. Em compensação. O CC considera fontes de obrigações: a) contratos. III). b) obrigação de fazer. não foi incluída em nosso ordenamento como elemento constitutivo da relação obrigacional. classifica as obrigações. fazer ou não fazer) e chama-se prestação ou objeto imediato. de um lado o dever da pessoa obrigada (³debitum´). regida pelos arts. voluntariamente. 1694). O sujeito passivo deve e também responde. (iii) Objeto ± o objeto da relação jurídica é sempre uma conduta humana (dar. ou de execução das obrigações de fazer e de não fazer. em caso de inadimplemento. e o devedor não está obrigado a pagar. M ODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES ± (i) Classificação quanto ao seu objeto ± o CC brasileiro. O CC refere-se à obrigação natural em dois dispositivos: o art. o desmembramento desses elementos. por fim. Não cabe o pedido de restituição da importância paga. que ocorre somente entre dívidas vencidas. Em alguns casos. como no caso da fiança (responsabilidade sem débito) e na dívida de jogo (débito sem responsabilidade). O objeto da prestação (que se descobre indagando: dar. Pode-se afirmar. Mesmo no caso do contrato. OBS: Causa ± aduza-se. no segundo. 882) e dívidas de jogo (art. a ³propter rem´ imposta aos vizinhos.

(iii) Tradição ± cumpre-se a obrigação de dar coisa certa mediante entrega (como na compra e venda) ou restituição (como no comodato). salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso ´. Pode o contrário não só resultar de convenção como de circunstâncias do caso. prescreve o art. ainda. 234. Esses dois atos podem ser resumidos numa palavra: tradição. a de um veículo abrange os acessórios colocados pelo vendedor. a nulidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias. por não ter-lhe o domínio. móvel ou imóvel. o devedor não poderá ser constrangido a entregá-la. a alienação de um imóvel inclui.3 (iii) exigíveis.: a obrigação de entregar a coisa no contrato de compra e venda). como acessório. e 238). ainda que menos valiosa . (i) Conteúdo ± no tocante ao seu conteúdo. sem direito a perdas e danos. 356). 481). mas apenas gera a obrigação de entregar a coisa alienada. por exemplo. bem como impede que o devedor se desobrigue por partes. Como no direito brasileiro o contrato. Neste sentido: a. 184. o credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber outra. respondendo o culpado. o vendedor não transfere desde logo o domínio: obriga apenas a -se transmiti-lo (art. Nada obsta que se convencione o contrário. ainda que mais valiosa. 1ª parte. por exemplo. . porque o credor tem direito à restituição da própria coisa emprestada ou depositada. por si só. não havendo culpa. No silêncio do contrato quanto a este aspecto. cláusula penal. fica resolvida a obrigação para ambas as partes. certas circunstâncias podem excluir tal responsabilidade. não pode o adquirente reivindicar a coisa. A recíproca também é verdadeira: o credor não pode exigir coisa diferente. resolve-se a obrigação. etc. cabendo ao credor os pendentes (art. O referido art. depende do expresso consentimento do credor (art. mas é recíproca não é verdadeira. se o credor não anuir. tanto na obrigação de entregar como na de restituir (arts. as obrigações dividem-se em: a. Assim. II). 237. se o objeto da obrigação for um animal e este der cria. ou seja. Por isso é que a dação em pagamento (entrega de um objeto em pagamento de dívida em dinheiro). pelos quais poderá exigir aumento no preço. assim. sendo as partes repostas ao estado anterior. e não real. (ii) Extensão ± quanto a extensão da obrigação. Aperfeiçoado o contrato de compra e venda. Principais ± são as que subsistem por si. b. como o conhecimento do vício por parte do adquirente. o ônus dos impostos. a venda de um terreno com árvores frutíferas inclui os frutos pendentes. juros. Não cumprida a obrigação. Obrigações principais e acessórias ± reciprocamente consideradas. Por exemplo: embora o alienante responda pelos vícios redibitórios. Acessórias ± são as que têm a sua existência subordinada a outra relação jurídica. dependem da obrigação principal (ex. 313). Havendo culpa. modificar unilateralmente o objeto da prestação (art. OBRIGAÇÕES DE DAR COISA CERTA ± na obrigação de dar coisa certa. etc. É uma decorrência da regra geral de que o acessório segue o principal. que voltam à primitiva situação. O devedor não pode. 389 e 475). 237). são devidas as perdas e danos. é preciso. Não tendo havido culpa do devedor ou pendente condição suspensiva. não transfere o domínio. enquanto não ocorrer a tradição a coisa continuará pertencendo ao devedor ³com os seus melhoramentos e acrescidos. Também os frutos percebidos são do devedor. que se distingue por características próprias. 2ª parte). a obrigação de dar coisa certa confere ao credor simples direito pessoal. pelo equivalente em dinheiro da coisa. poderá o devedor resolver a obrigação´ (art. 373. se o animal não foi adquirido juntamente com a futura cria. § único) (iv) Perecimento e deterioração da coisa ± no geral. tem o direito de exigir aumento do preço. 313 afasta a possibilidade de compensação nos casos de comodato e depósito (art. e não tem eficácia a simples promessa de cumpri-la Seu pagamento parcial não autoriza o credor a reclamar o cumprimento do restante. Não comporta fiança nem ônus reais. por exemplo. Por essa razão. obriga-se o devedor a dar coisa individualizada. sem depender de qualquer outra (ex.: fiança. Perecimento ± em caso de perecimento (perda total) da coisa antes da tradição. verificar se o fato decorreu de culpa ou não do devedor. Terá de contentar-se com a ação de perdas e danos e com a resolução da avença (arts.). primeiramente. se assim não convencionado. pois a destas não induz a da principal (art. Pelo acréscimo. Por esta razão. 233 que ³ obrigação de a dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados.

portanto. O direito de escolha competirá ao devedor. pois o devedor não se exonera se vem a perder as cédulas que havia separado para solver a dívida. na condição de dono (³res perit domino´). b. 240. por ter perecido devido a um raio. 2ª parte). ³ressalvados os seus direitos até o dia da perda´ (art. o disposto no art. mas com direito. só competirá ao credor se o contrato assim dispuser. Feita esta e cientificado o credor. 240). Falta apenas determinar a sua qualidade. tanto na obrigação de entregar como na de restituir (arts. pertencerá ao devedor. É necessário que ela (escolha) se exteriorize pela entrega. não se eximirá da obrigação. preliminarmente. pois continua sendo o proprietário até a tradição. Se faltar também o gênero ou a quantidade. por faltar quantidade. torna-se a coisa individualizada. Referido dispositivo estabelece. portanto. então. se o vendedor já recebeu o preço da coisa. se houve culpa ou não do devedor. 235). por faltar o gênero. exigindo o equivalente em dinheiro. certa. Sendo omisso. 246). Assim. em virtude da resolução do contrato. que veio a perecer sem culpa sua (ex. o credor também poderá exigir o equivalente em dinheiro mais perdas e danos (art. Diferente será a solução se se tratar de gênero limitado. É. 629 a 631 CPC. 125). ainda que se percam todas as sacas que possui. obriga-se a entregar dez sacas de café. e o devedor suportará o risco da coisa. porque o objet é o determinado pelo gênero e pela quantidade. pelo depósito em pagamento. se o contrário não resultar do título da obrigação (art. com abatimento do preço proporcional à perda (art. Assim. pois o gênero nunca perece (³genuns nunquan perit´). O ato unilateral de escolha denomina-se concentração. a coisa permanece incerta. Determinada a qualidade. ou aceitá-lo no estado em que se acha. 244). ou aceitar a coisa. suportando a perda o comodante. 2ª parte. Portanto. que não responderá por perdas e danos (exceto se estiver em mora. mas determinável. mas não totalmente. se alguém. conforme art. à indenização das perdas e danos (art. Na obrigação de restituir. limites à atuação do devedor. Deterioração ± em caso de deterioração (perda parcial). Rege-se a obrigação de dar coisa incerta pelo disposto nos arts. na obrigação de entregar. 399). e a avença com tal objeto não gerará obrigação. bem como a de entregar ³dez sacas´. aplicando-se. não estando obrigado a pagar perdas e danos. 1930. Assim. ainda que por força maior ou caso fortuito´ (art. circunscrito a coisas que se acham em determinado lugar (ex. ³não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. 236). Deve. Na obrigação de restituir. 235 (resolver a obrigação. não pode ser objeto de prestação a de ³entregar sacas de café´. porque deve ser indicada. Segundo o princípio que vem do direito romano. no mercado. 238). faltando determinar somente a qualidade do café. é o próprio alienante. o prejudicado será este. deve devolvê-lo ao adquirente. Antes da escolha (a definição somente se completa com a cientificação do credor). 245). mais as perdas e danos comprovadas. pelo gênero e pela quantidade. guardar o meio-termo entre os congêneres da melhor e da pior qualidade. 234. OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA ± a expressão ³coisa incerta´ indica que a obrigação tem objeto indeterminado. a coisa perece para o dono (³res perit domino´). e 239). Enquanto tal não ocorre. o café prometido. acaba a incerteza e a coisa torna-se certa. recebe-o no estado em que estiver. neste caso. Se o devedor não teve culpa. por analogia. as normas da seção anterior do CC. na obrigação de entregar. havendo perecimento do objeto. indeterminada. Havendo culpa pela deterioração. ao estado anterior. vigorando. voltando as partes. em qualquer caso.: em razão de caso fortuito ou da força maior). também importa saber. se o animal objeto de comodato não puder ser restituído. poderá o credor resolver a obrigação. não se terá adquirido o direito a que o ato visa (art. Neste caso. por exemplo. no entanto. Se o perecimento ocorreu pendente condição suspensiva. na obrigação de entregar. porque pode obter. dispondo que ³não poderá dar a coisa pior. Quem sofre o prejuízo. pela constituição em mora ou por outra ato jurídico que importe a cientificação do credor. resolve-se a obrigação do comodatário. sem direito a qualquer indenização (art. nem será obrigado a prestar a melhor´ .4 Assim. a indeterminação será absoluta. com abatimento). ou seja. Para que a obrigação se concentre em determinada coisa não basta a escolha. . Podem as partes convencionar que a escolha competirá a terceiro estranho à relação obrigacional.: animais de determinada fazenda. as alternativas deixadas ao credor são as mesmas do art. A determinação dá-se pela escolha. ao menos. Entram nessa categoria também as obrigações em dinheiro. por não lhe interessar receber o bem danificado. Na obrigação de restituir coisa certa ao credor. que tratam das obrigações de dar coisa certa (art. tem o credor direito a receber o seu equivalente em dinheiro. Mas constitui obrigação de dar coisa incerta a de ³entregar dez sacas de café´. A culpa acarreta a responsabilidade pelo pagamento de perdas e danos.

O cantor que se recusa a se apresentar no espetáculo contratado responde pelos prejuízos acarretados aos promotores do evento. resolve-se a obrigação. ocorrido no trajeto para o teatro. Sendo delimitado dessa forma o ³genus´. pois não se pode constranger fisicamente o devedor a executá-la. 287. o ator que fica impedido de se apresentar em determinado espetáculo em razão de acidente a que não deu causa. a regra quanto ao descumprimento da obrigação de fazer ou não fazer é a da execução específica. bem como a recusa ou mora em executá-la. para o culpado. conforme as circunstâncias. etc. A infungibilidade pode decorrer da própria natureza da prestação. se a impossibilidade foi por ele criada. ou do contexto da avença. o perecimento de todas as espécies que o componham acarretará a extinção da obrigação.). 249 e § único). Como ninguém pode fazer o impossível (³impossibilia nemo tenetur´). se o próprio devedor criou a impossibilidade. sem prejuízo da indenização cabível´. diz-se que a obrigação de fazer é impessoal. poden ser do realizado por terceiro. Atualmente. a prestação consiste em atos ou serviços a serem executados pelo devedor. ³será livre ao credor mandálo executar à custa do devedor. que contemplam meios de. das qualidades artísticas ou profissionais do contratado (ex. ³pode o credor. obrigar o devedor a cumpri-las. etc. não aceitar a prestação por terceiro. consagrado cirurgião plástico.: famoso pintor. Para o credor. a utilidade prometida (art. in fungível ou imaterial ± arts. havendo recusa ou mora deste. resolver-se-á a obrigação (art. (iii) Inadimplemento ± a impossibilidade de o devedor cumprir a obrigação de fazer. OBS: 1) Obrigações de fazer x obrigações de dar ± as obrigações de fazer diferem das obrigações de dar. portanto. principalmente porque o credor pode. ao viajar para local distante às vésperas da apresentação contratada. Se decorrer de culpa deste. sendo exceção a resolução em perdas e danos. nem se trata de ato ou serviço cuja execução depende de qualidades pessoais do devedor. 2ª parte). ou seja. sem conseqüências para o devedor sem culpa. ou seja. Mas a resolução do contrato o obriga a restitu ir eventual adiantamento da remuneração. 106). 305). por convencionado que o devedor a cumpra pessoalmente. desde que a impossibilidade seja absoluta (art. Interessa-lhe o cumprimento. que pode ser executada por terceiro. Assim. OBRIGAÇÕES DE FAZER ± nas obrigações de fazer. . 249 ± quando não há a exigência de que o devedor cumpra pessoalmente a prestação. executar ou mandar executar o fato. enquanto nestas se admite o cumprimento por outrem. estranho aos interessados (art. sendo hospitalizado. sendo depois ressarcido´ (art. Obrigação de fazer personalíssima ± em caso de recusa do devedor em cumprir a prestação a ele só imposta no contrato ou por ele só exeqüível devido a suas qualidades pessoas (obrigação personalíssima). indiretamente. 247 e 248 ± quando for convencionado que o devedor cumpra pessoalmente a prestação. 461 e 644 CPC. Obrigação de fazer impessoal ± em se tratando de obrigação de fazer impessoal. e com a responsabilidade pela satisfação das perdas e danos. 248).). acarretam o inadimplemento contratual. não importa que a prestação venha a ser cumprida por terceiro. A recusa ao cumprimento de obrigação de fazer impessoal resolve -se. ii.5 cereais de determinado depósito. em perdas e danos. às expensas do substituído. Em caso de urgência. Recusa ou mora ± i. No entanto. tradicionalmente. haverá a responsabilização por perdas e danos (art. ou a própria natureza desta impedir a sua substituição. responderá ele por perdas e danos (art. mediante a cominação de multa diária (astreinte). 634 CPC). não responde por perdas e danos. 247). admite-se a execução específica das obrigações de fazer. a. A recusa voluntária induz culpa. 248. fungível ou material ± art. (i) Obrigação de fazer personalíssima (intuitu personae). (ii) Obrigação de fazer impessoal. sendo neste caso subentendida. no entanto. Impossibilidade ± se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. Responde por elas. b. estaremos diante de uma obrigação de fazer personalíssima. como se pode verificar pelos arts. independentemente de autorização judicial.

250). As prestações ³in obligatione´ reduzem-se a uma só e a obrigação torna-se simples. Nada impede que o credor peça somente o pagamento destas. ou o devedor desfaz pessoalmente o ato. tem como pressuposto a fungibilidade jurídica da atividade a ser exercida pelo devedor. Feita a divulgação. assim. quando a obrigação for de prestações periódicas. ficando determinado. 571 . Se se obriga a entregar duas sacas de café ou duas sacas de arroz. irretratável e irrevogável. Se o objeto for bem móvel. que se obrigou a não praticar´ (art. Se não o fizer. o objeto da obrigação. salvo se a convenção dispuser que passa ao credor. sem prejuízo do ressarcimento devido´ . Portanto. Têm. neste caso. entretanto. ³sob pena de se desfazer à sua custa. se não se hou vesse obrigado. OBS: Prazo para a opção ± o contrato deve estabelecer o prazo para a opção. no terreno adquirido. ³independentemente de autorização judicial. Cientificada a escolha. devem cumprir o prometido. prédio além de certa altura. adjudica o imóvel compromissado ao credor. vendido em prestações. em 5 dias. 894 CPC). de rito sumário (art. aquele que prometera não obstar seu uso por terceiros. das quais somente uma será escolhida para pagamento ao credor e liberação do devedor. O adquirente que se obriga a não construir. Em ambas as hipóteses sujeita-se ao pagamento de perdas e danos. OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS OU DISJUNTIVAS ± trata-se de obrigações compostas pela multiplicidade de objetos. em um deles. o devedor será notificado. ³extingue-se a obrigação de não fazer. depositandose a coisa. assim. não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra. o devedor que prometera manter cercas vivas. O STJ vem admitindo a propositura da aludida ação com base em compromisso de compra e venda irretratáv mesmo não estando el. ³se outra coisa não se estipulou´ (art. 252. pois deve ser uma ou outra. será ele citado para. substituindo-se ao devedor inadimplente. A execução do título que consagra obrigação alternativa rege-se pelo art. por determinação judicial. não há como pretender a restituição das partes ao ³statu quo ante´. fundada no art. desde que. Assim. 251. Preceitua o art. Poderá. Se praticam o ato que se obrigaram a não praticar. ainda. de modo definitivo. OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER . não poderá compelir seu credor a receber uma saca de café e uma de arroz. que ³em caso de urgência´. Também nesta hipótese não poderá dividir o objeto da prestação.a obrigação de não fazer ou negativa impõe ao devedor um dever de abstenção: o de não praticar o ato que poderia livremente fazer. do direito de escolha. como na hipótese de alguém divulgar um segredo industrial que prometer não revelar. tornar -se-ão inadimplentes. sem possibilidade de retratação unilateral. 1418 CC. como. de comum acordo. ³caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes´ (art. poderá o credor desfazer ou mandar desfazer o ato. Segundo o §1º do art. Esta não o priva. conferiu o direito de escolha ao devedor. por conteúdo duas ou mais prestações. Assim. em que o juiz. Lei 649/49. se lhe torne impossível abster-se do ato. dá-se a concentração. Quando a eleição compete a este. (i) Direito de escolha ± o direito pátrio. registrado no Cartório de Registro de Imóveis. para que a escolha caiba ao credor é necessário que o contrato assim o determine expressamente. por exemplo. §4º). Pode. por ordem de autoridade. 252. Se este não puder ou não quiser aceitar a incumbência. por exemplo. 252). 251). Lei 6766/79). e o contrato não fixa o prazo. pois não pode o juiz sub-rogar-se ao devedor nas prestações infungíveis. seguindo a tradição romana.6 2) Obrigação de emitir declaração de vontade ± a obrigação de fazer pode consistir em emitir declaração de vontade. e no outro somente sacas de arroz. outorgar escritura definitiva em cumprimento a compromisso de compra e venda. podendo o credor exigir o desfazimento do que foi realizado. §2º). cabe ação de obrigação de fazer. ³a faculdade de opção poderá ser exercida em cada período´ (art. ou aceitar que o devedor o faça a escolha (art. 252. ou a cabeleireira alienante que se obriga a não abrir outro salão de beleza no mesmo bairro. o inadimplemento dá ensejo à propositura da ação de adjudicação compulsória. Todavia. por exemplo. etc. sem culpa do devedor. 641 CPC. a opção ser deferida a terceiro. DL 58/37. exercer o direito. entregar somente sacas de café. ressarcindo o culpado perdas e danos´ (art. não pode deixar de atender à determinação de autoridade competente. para efeito de sua constituição em mora. endossar o certificado de propriedade de veículo. Há casos em que somente lhe resta esse caminho. para construir muro ao redor de sua residência. por exemplo. § único. A sentença. Tal como ocorre nas obrigações de fazer. ou poderá vê-lo desfeito por terceiro. e assim sucessivamente. Caso se trate de compromisso de compra e venda de bem imóvel. como conseqüência do inadimplemento. assim como será obrigado a fechar a passagem existente em sua propriedade.

mas os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei (indivisibilidade legal ± ex. ou nas outras. o credor não é obrigado a ficar com o objeto remanescente. uma obrigação simples. sob pena de se não haver por cumprida (ex. Assim. será alternativa apenas na aparência. a prestação deverá ser cumprida por inteiro seja divisível ou indivisível seu . o objeto é um só. poderá concentrá la na prestação remanescente. aquele poderá exigir ou a prestação subsistente ou o valor da outra. Entretanto. em geral. Impossibilidade material de apenas uma das prestações ± se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível (ex. 256). Nas alternativas. sendo inexigíveis ambas as prestações. por motivo de ordem econômica. toda a obrigação fica contaminada de nulidade. pois não podem fracioná-los. a escolha recai sobre um dos objetos ³in obligatione´. com perdas e danos (art. devendo a escolha recair em apenas um deles. objeto. há vários objetos. se uma das obrigações não puder ser cumprida em razão de impossibilidade material. se a escolha couber ao credor. concentra-se o débito no veículo. proclama o CC que ³a obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. OBS: 1) Obrigações alternativas x obrigações cumulativas ou conjuntivas ± distinguem-se as obrigações alternativas das cumulativas ou conjuntivas. 252. (ii) Impossibilidade das prestações ± a. ficará obrigado ³a pagar o valor da que por último se impossibilitou. Impossibilidade jurídica ± se a impossibilidade é jurídica. o que não ocorre com as indivisíveis. ou dada a razão determinante do negó cio jurídico´. e este último vem a morrer depois de atingido por um raio. se alguém se obriga a entregar um veículo ou um animal. e indivisível no caso contrário. constituindo. Nas to primeiras. Isto porque. mais perdas e danos. por sua natureza. Tal classificação só oferece interesse jurídico havendo pluralidade de credores ou de devedores. não havendo acordo unânime entre eles. concentrou-se o débito no que por último pereceu. ³extinguir-se-á a obrigação. por exemplo. b. malgrado tenham um ponto em comum. por ilícito um dos objetos (ex. na verdade. com o perecimento do primeiro objeto.: art. Impossibilidade material ± i. No caso de pluralidade de optantes. se dois devedores prometem entregar duas sacas de café. 253). 255). Obrigações divisíveis são aquelas cujo objeto pode ser dividido entre os sujeitos. 254). dá-se a concentração da dívida na outra. Se a escolha for do credor e o perecimento decorrer de culpa do devedor. em que também há uma pluralidade de prestações. A indivisibilidade decorre. sem culpa do devedor.7 CPC. nas de dar coisa incerta. por falta de objeto. 2) Obrigações alternativas x obrigações de dar coisa incerta ± diferem as obrigações alternativas das de dar coisa incerta. pois havendo um único devedor obrigado a um só credor a obrigação é indivisível. optando pode exigir seu valor. ii. além das perdas e danos. mas todas devem ser solvidas. Se houver culpa de sua parte. o objeto for um cavalo ou um relógio. ou seja. cabendo-lhe a escolha. ³decidirá o juiz. 1386 CC ± indivisibilidade das servidões . a obrigação será indivisível. apenas indeterminado quan à qualidade. enquanto nas últimas. ou seja. findo o prazo por este assinalado para a deliberação´ (art. Assim. da natureza das coisas (indivisibilidade natural). Mas. Impossibilidade material de todas as prestações ± se a impossibilidade for de todas as prestações. ³subsistirá o débito quanto à outra´ (art. Quando a impossibilidade de uma das prestações é superveniente e inexiste culpa do devedor. §3º). sem ônus para este´ (art. Se. Pode dizer que pretendia escolher justamente o que pereceu. sem exclusão de qualquer delas.: praticar um crime). devendo cada qual uma saca. OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS ± as obrigações divisíveis e indivisíveis são compostas pela multiplicidade de sujeitos.: não se fabrica mais a coisa que o devedor se obrigou a entregar). Nesse sentido. competindo a ele a escolha. pode este exigir o valor de qualquer das prestações (e não somente da que por último pereceu. mais perdas e danos que o caso determinar´ (art. a obrigação é divisível. sobre a qualidade do único objeto existente. pois a escolha era sua. pois a escolha é sua). Mesmo que o perecimento decorra de culpa do devedor. em ambas necessária. Neste caso. no entanto. a obrigação é divisível quando é possível ao credor executá-la por partes. Assim.: obrigação de entregar o cavalo e o boi). que é a escolha.

: entregar dez sacas de café a dois credores.8 prediais). b. ou ainda. A de fazer uma estátua é indivisível. é indivisível. como não vender e não alugar. mas será divisível se o escultor for contratado para fazer dez estátuas. completamente independentes. Obrigações de dar ± a obrigação de dar será divisível ou indivisível. será ela indivisível. a obrigação também o será. Se este for divisível (ex. sendo cinco para cada um). Se no entanto. bastará que inicie a construção além da altura convencionada para que se torne inadimplente. . Se alguém. por exemplo. dependendo da natureza do objeto. Obrigação de não fazer ± em geral. realizando uma a cada cinco dias. no entanto. se o devedor obrigou-se a não praticar determinados atos. a coisa a ser entregue for indivisível (ex. (i) Divisibilidade e indivisibilidade nas obrigações da dar. ser divisível. cuja indenização deve ser paga por inteiro à mãe.: obrigação de indenizar nos acidentes do trabalho. obrigar-se a não construir além de certa altura. por determinação judicial (indivisibilidade judicial ± ex. embora o pai não a pleiteie). c. Obrigação de fazer ± também será divisível ou indivisível. fazer e não fazer ± a.: um animal). Poderá. em decorrência da vontade das partes (indivisibilidade intelectual).

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