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direitos políticos

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INTRODUÇÃO O escopo de nosso trabalho é salientar a problemática dos Direitos Políticos.

Assim como os Direitos Individuais e Sociais, o s Direitos Políticos tomam relevância por causa da recente e difundida discussão sobre os Direitos Humanos, devido à incomensurável importância destes no exercício da democracia. Trataremos dos Direitos Políticos enquanto direitos prescritos em normas basilares, porque é a Constituição, o cerne de onde emanam tais direitos. A cada nova Constituição decretada, percebe -se a evolução dos Direitos Políticos em relação ao número de pessoas abarcadas pela amplitude destes. À medida em que se ampliam as condições de interferência do cidadão no poder do Estado, está se alargando o gozo da democracia. Percebemos que as aspirações e conquistas do seio da sociedade, vão, paulatinamente, materializando -se nas Cartas Políticas, desde o Império até nossa Constituição Vigente de 1988. Vale ressaltar que o debate sobre Direitos Políticos esteve em voga, atualmente, com a questão da reeleição, moment o pelo qual muito se pensou sobre a capacidade eleitoral passiva e suas condições, que sobre as quais dissertaremos. Outrossim, a capacidade eleitoral ativa, ou seja, o direito de voto será trabalhado. Nota -se, com a evolução das Constituições, uma maior valorização dos excluídos, como os analfabetos, mendigos, mulheres, que passam a ter seus Direitos Políticos assegurados nos textos constitucionais. É a democracia participativa e a organização da sociedade civil que passam a exigir dos órgãos estatais pro cessos de mudança social, política e econômica, dentro dos princípios dos direitos humanos, universalmente aceitos. Compreenderemos a Constituição de 1988 como a mais democrática, sendo os Direitos Políticos extendidos, praticamente, a todos . Todavia, há de se perquirir sobre a real participação popular no país. Inobstante ser ampla a participação de eleições, a interferência d a sociedade ainda está aquém no que tange às discussões e aos debates sobre as condições político -sociais do povo brasileiro. O pov o ainda está aprendendo a exercer seus direitos políticos, devido ao longo período de ditadura, e está internalizando a necessidade de reivindicações d e suas aspirações. Com uma maior divulgação desses direitos - o que também é objetivo dessa monografia - poderemos passar, em breve, para uma democracia mais participativa e mais humana, fazendo dos instrumentos políticos um meio para uma melhora do bem -estar social de toda a comunidade brasileira.

1. OS DIREITOS POLÍTICOS COMO DIREITOS FUNDAMENTAIS Os Direitos Fundamentais do ser humano, tendo como sinônimo a expressão Direitos Humanos, compõem -se dos Direitos Individuais fundamentais (vida, liberdade, igualdade, propriedade, segurança); dos Direitos Sociais (trabalho, saúde, educação, lazer e o utros); dos Direitos Econômicos (consumidor, pleno emprego, meio ambiente); e dos Direitos Políticos (formas de realização da soberania p opular). Estes grupos se complementam e integralizam de tal forma, que sem a existência de todos eles, torna -se impossível a plenitude dos Direitos Humanos. Os Direitos Políticos são um dos grupos que constituem os Direitos Fundamentais. Como coloca -nos o professor JOSÉ LUIZ QUADROS DE MAGALHÃES: "São direitos de participação popular no Poder do Estado, que resguardam a vontade ma nifestada individualmente por cada eleitor sendo que a sua diferença essencial para os Direitos Individuais é que, para estes últimos, não se exige nenhum tipo de qualificação em razão da idade e nacionalidade para o seu exercício, enquanto que para os Dir eitos Políticos, determina a Constituição requisitos que o indivíduo deve preencher". (Direitos Humanos na ordem jurídica interna . p.21) Contribui-nos, outrossim, este autor (Ibidem, p.241), com uma brilhante passagem: "Estes Direitos Políticos são (...) dependentes de outros direitos fundamentais da pessoa humana, sendo que, para a efetivação de um modelo de democracia mais participativa e portanto mais representativa da vontade consciente da população, dependem estes Direitos Políticos do direito social à educação, como forma de conscientização da população (...). Dependem, (...) de Direitos Econômicos, mais precisamente, de normas do Estado que concretizem uma política econômica que busque a democracia econômica, sem a qual, (...), a democracia es tá em cheque". Ao trabalharmos a questão Direitos Fundamentais faz -se mister mencionar que esses direitos devem estar garantidos por uma lei, da mesma forma que todo direito de uma pessoa. Todavia, essa lei que garante os Direitos Fundamentais do ser humano tem de ser uma lei matriz, que fundamenta as outras. Destarte, os Direitos Fundamentais são garantidos pela Constituição, lei fundamental, que origina e val ida todas as demais. Como bem assevera o Professor JOAQUIM CARLOS SALGADO: "Os Direitos Fundamentais são aquelas prerrogativas das pessoas, necessárias nas Constituições". (SALGADO, Joaquim Carlos. Os direitos fundamentais. p.17)

tem -se a visão universalista ou internacionalista. Poder municipal: paradigmas para o estado constitucional brasileiro. José Afonso da. em dec orrência de fatos históricos. em Paris. Norberto. Assim afirma a Declaração dos Direitos do Homem de 1789 (França): "O fim de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis . o desenvolvimento dos direitos do homem passou por três fases. p. por parte do Estado.17) JOSÉ CARLOS VIEIRA DE ANDRADE (apud MAGALHÃES.32 -33) . Podemos dizer que. Sociais e Econômicos. p. José Luiz Quadros de. nem mesmo sobrevive. aquelas prerrogativas e instituições que ele concretiza em garantias de uma convivência digna.) para designar.concebendo a liberdade não apenas como não-impedimento. não convive e. por todas as cu lturas. são pré -constitucionais. por igual. Posteriormente. num segundo momento. (SALGADO. cit. devem ser. . no nível do direito positivo . Os direitos fundamentais.) examina os Direitos Fundamentais sob três perspectivas. (SILVA. ( BOBBIO. A era dos direitos. o conteúdo dos Di reitos Fundamentais sofreu alterações através dos tempos.34) 2. às vezes. foram propugnados os direitos políticos. que chamamos de liberdade através ou por meio do Estado (Op. são garantidos numa constituição como prerrogativas. mas atr avés do que existe de humano ou universal em cada comunidade. em todos os lugares do mundo. é importante ressaltar que a relevância dos Direitos Fundamentais do ser humano atingiu uma esfera global com a Decl aração Universal dos Direitos do Homem. livre e igual de todas as pessoas. afirmando como tais os direitos individuais. propriedade e resistência à opressão". como os do bem -estar e da igualdade não apenas formal. mas concreta e materialmente efetivados". dois aspectos: a) no aspecto formal. às vezes. se supera os princípios locais. eram como que sinônimos dos direitos individuais fun damentais. Salienta-nos tal importância NORBERTO BOBBIO.tiveram como conseqüência a participação cada vez mais ampla. É uma síntese do passado e uma insp iração para o futuro: mas suas tábuas não foram gravadas de uma vez para sempre. quando coloca: "A Declaração Universal representa a consciência histórica que a humanidade tem dos próprios valores fundamentais na segunda metade do século XX.Direitos humanos na ordem jurídica interna . tentando-se garantir a todos os seres humanos. os Direitos Fundamentais foram acrescidos de novos grupos de direitos..176 -177) Acrescenta ainda professor SALGADO: "O conceito de direitos fundamentais apresenta. p. como direitos propriamente ditos. os quais . Segundo NORBERTO BOBBIO. são como direitos inerentes aos seres humanos.Para JOSÉ AFONSO DA SILVA. se determinará a garantia também dos Direitos Políticos. b) no aspecto material. em 10 de dezembro de 1948. (Ibidem. afirmam -se todos os direitos que tendem a reservar para o indivíduo uma esfera de liberdade em relação ao Estado. devem ser impostos a todos os estados. p. ou seja. No qualificativo fundamentais acha-se a indição de que se trata de situações j urídicas sem as quais a pessoa humana não se realiza. em todos os Estados soberanos contemporâneos. Podem. Joaquim Carlos. pois. p. Intemporais e imutáveis. Num primeiro momento. e determinam o conteúdo desses direitos nas constituições". na sua dime nsão natural. têm se a seguinte conceituação: "Direitos Fundamentais do homem constituia expressão mais adequada (. generalizada e freqüente dos membros de uma comunidade no poder político (ou liberdade no Estado).199) A perspectiva estatal ou constitucional. e por fim. mas como autonomia . entrar em contradição com certas regras de culturas específicas. significando o estudo das declarações de direitos fundamentais n as diversas Constituições. ou seja. p. fundamentais do homem no sentido de que a todos. sociais e políticos. UMA BREVE EXPOSIÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS NA EVOLUÇÃO DOS ESTADOS CONSTITUCIONAIS Consoante já foi dito. na perspectiva filosófica. os Direitos Sociais.22. (Ibidem. Ademais. pois que produtos das culturas civilizadas.22) Em uma segunda perspectiva a se considerar os Direitos Fundamentais. não apenas formalmente reconhecidos. O professor JOSÉ LUIZ QUADROS DE MAGALHÃES observa que os direitos universais são aqueles que podem ser aceitos por todos os povos. é a terceira delas. Vistos desta maneira. p. resumindo-se estes na liberdade. como valores. segurança. inicialmente. Curso de direito constitucional positivo. Na primeira dessas perspectivas.

então. que se tem o fim do voto censitário e a ampliação do conceito de direitos políticos e de cidadão. sendo os direitos políticos sinônimo de democracia política extremamente limitada e restrita.. porém desordenado. característico do Estado liberal. o marco fundamental para a formação de tal Estado são as Revoluções Burguesas do século XVIII.) os laços internacionais criados no pós -guerra para que se estabeleça um núcleo fundamental de direitos internacionais do homem. QUADROS DE MAGALHÃES. em 1215 (séc... discorreu sobre o assunto para o corpo disc ente do 2º período da FDUMG no 1º semestre de 1997) No entanto. (MAGALHÃES. p. exacerbação do Estado Socialista.. distribui competências e declara e garante direitos fundamentais da pessoa humana" ( Poder municipal: paradigmas para o estado constitucional brasileiro. É desta forma que se fará a Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948 (. aproveitar (. nota -se um grande crescimento econômico. então. XIII). com a restrição do direito de voto àqueles que têm poder econômico.) o Estado está definitivamente consagrado como administrador da sociedade e convém. É na sexta fase que surge uma nova proposta para o Estado Constitucional Moderno: o Estado Democrático de Direito. coloca-nos: "Democracia não é somente votar.. (apud SALGADO. O Rei João da da Inglaterra foi pressionado a reconhecer um texto declarando e garantindo certos direitos aos ba rões. Esses são reafirmados na França Revol ucionária pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. Com a Primeira Guerra Mundial. e assim limitando seu poder absoluto. JOSÉ CARLOS VIEIRA DE ANDRADE (Ibidem. gerando concentração econômica e conseqüentes desemprego e miséria. acrescentando ao núcleo desses direitos no Estado liberal (os di reitos individuais e políticos) novos direitos sociais e econômicos". organiza sua estrutura.31). A Segunda Guerra eclode em 1939 e renasce o Estado Social ou Estado Social Liberal com proposta neoliberal e certas interferê ncias estatais. ig ualdade perante a lei. em comunicação oral. o professor José Luiz Quadros. p. (. o Estado Constitucional ou Estado de Direito tem sua manifestação inicial com a Magna Carta. Vale lembrar que a abolição do voto de privilégio das ordens e a introdução do sufrágio univ ersal pela primeira vez. social e política". (Poder municipal paradigmas para o estado constitucional brasileiro . privando -se muitos indivíduos deste direito. vinculada a privilégios econômicos. É neste momento. em 1917. "Essas constituições ampliaram o catálogo de direitos fundamentais. Poder municipal paradigmas para o estado constitucional brasileiro . que se vê substituído pelo Estado Social ou pelo Socialista. sob o pressuposto básico de que todo homem é livre e deve participar d os seus destinos na sociedade política". Entre a quarta e a quinta fase. através de canais amplos de comunicação entre os cidadãos e as diversas instituições privadas ou estatais". para discorrermos sobre as fases evolutivas do Estado Moder no. a conceituação do Estado Constitucional. em 1914. o aparecimento do Estado liberal e a materialização dos direitos fundamentais. como preconiza CONDORCET: ". Como leciona o professor JOSÉ LUIZ QUADROS DE MAGALHÃES: "É aquele que limita os poderes no Estado. há o surgimento do Fascismo e o Nazismo. p. constitui o início de uma nova concepção democrática fundada no critério quantitativo do voto. Mas na época consideram-se apenas os direitos individuais e políticos. Temos a primeira fase do Estado Moderno. crise social. Segundo QUADROS DE MAGALHÃES. p. anti -democráticos. século XIX. mas participar do processo de construção do Estado e da sociedade. anti-socialistas e anti-liberais. p. na seguinte passagem. sem a interferência do Estado. percebe -se a necessidade da intervenção do Estado e do fim do Estado liberal.36) A Revolução Bolchevique na Rússia. Os direitos fundamentais. baseado nu ma democracia econômica. Rompe com o pensamento liberal e possui os quatro gr upos de Direitos Fundamentais.. Outrossim surge o Stalinismo. Há a igualdade jurídica.34) Na segunda e terceira fases da evolução dos Estados Constitucionais. É o voto censitário. (Através de magníficas aulas..101): "Após a Segunda Guerra Muncial sente-se a necessidade de criar mecanismos eficazes que protejam os direitos fundamentais do homem nos diversos Estados. )" . Não há a efetivação plena dos direitos.36) . A Constituição de Weimar na Alemanha em 1919 e a Constituição Me xicana de 1917 são as primeiras constituições sociais.. na Constituição Francesa de 1793.Faz-se mister neste momento. Atesta-nos. instala o Estado Socialista. Mas os Direitos Sociais e Econômicos aparecem como obrigações primordiais do Estado e os Individuais e Políticos tinham limites estabelecidos pela Constituição. Joaquim Carlos.

y underecho de los elegidos (.256) Agora. p. por sua vez. Direito Político é uma disciplina que abarca um setor jurídico (Direito Constituc ional) e outro científico -político (Ciência Política). p...... Introducciónalestudiodelderecho. encuantorepresentan una capacidad de elección sobre laorganizacionmi smadel poder.. y 2º) de la historia d e laorganizacióndel Estado y de lasideas políticas". Pablo Lucas. pois tal feito só seria possível. (Ibidem.) sonlos que reciben essencialmente elnombredéderechos políticos.) El derecho político se ocupa: 1º) de lateoría acerca de laestructura y fines del Estado. (apud MAYNEZ. Introducción al derecho. no una demolición de todos losconocimientos adq uiridos.. é utilizada como sinônimo de Direito Constitucional e outras vezes como Direito do Estado. Como observa LUIZ SANCHES AGESTA: "Los derechos políticos significam una participacióndirecta o indirectaenlasdecisionesdel poder político y se les configurar como una ´libertad´.. o que quer dizer: de participar (..) Hayunderecho subjetivo de loselectores (.244.. Aquela. verbigracia.. p. Não se trata de Teoria Geral do Estado.) Segundo KELSEN (Teoria pura do direito. OS DIREITOS POLÍTICOS Os direitos políticos são essenciais para as liberdades individuais (expressão..) na produção da ordem jurídica . e é este o sentido da expressão ´garantiassocio-econômicas de direitos individuais políticos´". elderechoelectoral. deixamos. Carlos. nem é o mesmo que Ciência Políti ca ou Teoria Geral do Estado. E assim..256) GARCIA MAYNEZ traz à lume os ensinamentos de JELLINEK.) Sonaquellos que conceden al ti tular una participaciónenlaformación de lavoluntad estatal". Estoquieredecir que el votante obra como órgano estatal. temos KENSEN e sua definição: "(..Entende-se a indivisibilidade dos direitos fundamentais e sua compreensão como direitos humanos. BECU..318) Considerando-se então.)..5-6) Já CARLOS MOUCHET e RICARDO ZORRAQUIN BECU chegam a afirmar que: "(. p. Eduardo Garcia.165): "Os chamados Direitos ´Políticos´ (. (apud MAGALHÃES. Ricardo Zorroaquin.) costumam ser definidos como a capa cidade ou o poder de influir na formação da vontade do Estado. coloca -nos: "Del Derecho político encuanto disciplina científica exige una labor crítica. porque es lapretensión de tomar parte enlaelección de ciertosórganos. (Ibidem. em sua Teoria General del Estado: "Derechos Políticos (. a dicotomia Direito Político e Direitos Políticos. Alguns autores se referem à expressão Direito Político em sentido diverso da exp ressão direitos políticos.) a participar enel parlamento con voz e voto. sino una decantación de losmismos desde laac tualidad".. Direitos humanos.. p. Estes hechos (. informação e consciência) e para a efetivação dos Direitos Sociais e Econômicos que são aspirações populares que se expressarão através dos instrumentos democráticos de partici pação. Introducciónalderecho político. El derecho de voto. Esta é a propositura que faz o Estado Democrático e Social de Direito. función que tieneasimismo caráct er orgánico. GARCIA MAYNEZ deixa-nos a seguinte ilação: . p.. las personas que han de ejercerlo o lasdecisionesmismas que este adopta". (MOUCHET. ya que desempeña una función pública". (VERDÚ. Nesse sentido.em que a ´vontade do Estado´ se exprime". as profunda s ilações de QUADROS DE MAGALHÃES: "Não há liberdade política sem democracia econômica e social.101) 3. Para PABLO LUCAS VERDU.. Direito Político não se con funde com Direito Constitucional. p.. es de índole política.. (. com a existência de padrões constitucionais comuns aos diversos povos.) sonlos que co nsistenenlafacultad de intervir enla vida pública como órganodel Estado.

porém fica a pergunta: será que a real situação feminina atualmente em nossa sociedade é de igualdade com os homens? ou ela é considerada cidadão secundário no contexto social? 4."La diferencia fundamental entre lasteorías de JELLINEK Y KELSEN radica en que el primeiro considera eld erecho político como lapretensión de ser admitido para eldesempeño de las funciones orgánicas.. votando e sendo votado. os elementos que condicionam o exercício do poder" (apud MAGALHÃES. Direitos. desde que po ssa decidir livremente. p. que (. OS DIREITOS POLÍTICOS NO BRASIL Os Direitos Políticos nascem da ordem jurídica estatal. CONDORCET foi defensor da participação das mulheres na vida pública. cuandosonejercitados. a Declaração não vai e não pode ir além dessa enunciação gené rica. No entanto.. isto é. Norberto.é essencial para estabelecer a ligação dos Direitos Políticos e os outr os grupos de Direitos Humanos.35) Promulgada.. p. possa participar do poder do Estado pelo voto. Esta exige que qualquer pessoa. o indivíduo participa da vida pública do país.. já contemplada em todas as normas constitucionais que vedam discriminação de sexo. É a igualdade entre os homens. a Declaração Universal dos Direitos do Homem..1090-1091). Destaca -se o inciso I do artigo 5º dizendo que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.252) . os direitos políticos ainda eram restritos. quando o texto fala de ´indivíduos´. ou só indireta.. conforme a intensidade de gozo desse s direitos.. NORBERTO BOBBIO. p.) se classificam em direitos de nacionalidade e direitos de cidadania. p. coloca-nos: "No que se refere à discriminação fundada na diferença de sexo. de fato ou de direito. 1937. não residindo estes a serviço de seu país.. todos losotrosdelmismo grupo. 1969 (idem. Comentários à Constituição Brasileira de 1988. Pelo direito de cidadania. A era dos direitos.37). presentan.. mais ou menos ampla. ainda que de pais estrangeiros. una func ióndel Estado".). directa o indirectamente a lacreación de normas jurídicas abstractas.. p. Segundo PIMENTA BUENO. Os Direitos Políticos das mulheres também estão assegurados.. concorrem para a tomada das decisões coletivas essenciais. erro evitado pelas Constituições de 1934. seres humanos. como nos diz PONTES DE MIRANDA (Comentários à Constituição de 1967.562). O período da Revolução Francesa é o marco do aparecimento da igualdade política. desde que nascido no Brasil. "os direitos políticos (. em 5 de outubro de 1988. mas também sobre o sexo e a raça. em virtude de regras que dizem respeito à estruturação política. a discriminação por sexo era tamanha que nem a mulher proprietária tinha o direito de votar. y el segundo como eldesempeño de tales funciones..1091). No Estado Liberal do século XVIII. e não como os machos da espécie" (apud SALGADO. O voto censitário limitava participação pol ítica à parte da sociedade com determinada renda. Comentários. Introducciónalestudiodelderecho. (GARCIA MAYNEZ. (. en doble aspecto.e dos sistemas políticos . Mas. nossa Constituição vigente. A Constituição de 1891 não distinguia capacidade política da na cionalidade. 2º. (BOBBIO. Distingue se do direito de nacionalidade. que em seu art. 3.. assevera a igualdade de homens e mulheres. a Assembléia Geral aprovou uma Convenção sobre os Direitos Políticos da Mulher. 1946. em 20 de dezembro de 1952. O artigo 1º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 diz: "Os homens nascem e perman ecem livres e iguais em direitos" (Ibidem. já que se deve entender que. cuando estas tien den. já que o princípio da igualdade natural não poderia permitir a exclusão por sexo. p.) Exercita seus direitos políticos. Os direitos fundamentais. Pelo direito de nacionalidade.) prevê a não -discriminação tanto em relação ao direito de votar e de ser votado quanto à possibilidade de acesso a todos os cargos públicos"..1. Em AEra dos Direitos. definidos pelo Professor JOSÉ ALFREDO DE OLIVEIRA BARACHO c omo "o conjunto de elementos que. refere -se indiferentemente a homens e mulheres. incluindo os Políticos iniciou -se anos atrás. José. condena toda discriminação fundada não só sobre a religião.256) Não podemos deixar de colocar que o estudo dos regimes políticos. p.. que é tratado no capítulo III. (. Tais direitos ( . nos termos desta Constituição .) Data-se de 1948. Eduardo. faculdades ou poder de intervenção direta.) são concedidos àqueles que reúnem um conjunto de condições expressas na Constituição e nas leis" (apud CRETELLA JÚNIOR. integra-se o indivíduo na comunidade nacional.p. en general. . Os Direitos Políticos são tratados na Constituição de 1988 no capítulo IV do título II referente aos direitos e garantias fundamentais. sonderechos políticos enejercicio y constituen.35. a língua. 1967. Pensamos que eldere cho de voto y. al propriotiempo..que buscam a real repercussão do modelo constitucionalmente posto . O DIREITO DA MULHER A luta da mulher por Direitos.

. p. Os direitos políticos eram constitucionalmente limitados. inibindo instrumentos de manifestação coletiva. (MIRANDA. a lei constit ucional nº 9 de 28 de fevereiro de 1945 com os seguintes dispositivos: "Art. Constituições do Brasil.)". É o que nos diz o art. Hilton Lobo. Nota-se um lento processo de recuperação de direitos i ndividuais (liberdade de expressão) e do direito a voto para cargos de chefia do Executivo. O Projeto elaborado (. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo... 134 de 1946 (CAMP ANHOLE. se pode falar em Soberania Popular. p. mantendo direitos sociais e econômicos dentro de uma perspectiva interv encionista. de creta que o Presidente e o Vice dos Estados Unidos do Brasil serão eleitos pelo Congresso. no art. (. 1º do Ato Institucional nº 11 de 14 de agosto de 1969. excluem os mendigos do direito de sufrágio. parágrafo único. CAMPANHOLE.. § 1º.. que afirma a realização de eleições para Prefeitos e Vice-Prefeitos e Vereadores para 30 de novembro de 1969. que consiste no direito de escolher representantes por meio de voto. A Constituição brasileira de 1946 será um exemplo de uma Constituição social -liberal.. p. Como nos diz JOSÉ AFONSO DA SILVA: "Considera-se universal o sufrágio quando se outorga o direito de votar a to dos os nacionais de um país.. Comentários.. inibindo a participação popular e o voto direto e secreto para a escolha dos cargos mais importantes. assim como. em que os votantes escolhem os nomes de seus candidatos ou sufrágio in direto. conced e-se apenas ao indivíduo que preencha determinada qualificação econômica. "Art. ocorrendo a chamada simetrização entre os sexos.). Pontes de. Pode -se dividir em: sufrágio direto. O Presidente da República será eleito por sufrágio direto em todo o te rritório nacional". Segundo o caput do art. (. Pedro I. O Estado Social é introduzido no Brasil com a Constituição de 1934 que passa a prever direitos sociais e econômicos. 8ª. decreta: "A eleição do Presidente e Vice-Presidente da República será realizada pela maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional em sessão pública e votação nominal". 148 da Carta de 1969. ensi na-nos RAUL MACHADO HORTA: "A Constituição Política do Império do Brasil. 14 da Carta de 1988. Possui disposições transitórias que em seu art... 552) Em 1937. acabou sendo outorgado pelo Imperador como a Constituição Política do Império (. 46. Importante ressaltar que adere-se à Carta de 1937. . confiou a um Conselho de Estado composto de dez membros a incumbência de preparar Projeto de Constit uição (. o art. 9º... 14 de nossa vigente Carta política de 1988: "A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal (.. José Afonso da. Quando o povo vota em seus constituintes. Adriano. Estudos.. p. os eleitores escolhem os colégios e no segundo. que ocorre em um só grau. 1995. p. SUFRÁGIO Uma das espécies dos direitos políticos é o Direito de sufrágio. As Constituições de 1967 e 1969 refletem o estabeleci mento de um regime político autoritário. (HORTA. embora decorra desta" (Op..1092) 4. de fortuna ou de capacidade especial" (SILVA. o sufrágio não é universal. ed.) dissolvido autoritariamente a Assembléia Geral Constituinte e Legislativa. cit. 70. havendo exclusões. é publicado no Diário Oficial da União o Ato Instituciona l nº 2 que. Raul Machado.336). temos um modelo de Constituição autoritário.Curso de direito constitucional positivo. É a partir desta Constituição que se estende o direito de sufrágio também à mulher. deve-se ressaltar que "a manifestação livre da vontade do povo não é soberania. os colégios escolhem a pessoa ou pessoas. a conceituação de Soberania Popular tratada no início do art. de 25 de março de 1824. A democracia representativa será ainda de caráter restrito.É de grande valia para nosso estudo. em seu art.1. como dos mendigos. sem restrições derivadas de condições de nascimento.).336). As Cartas de 1891.) como Príncipe Regente. item 1º da Con stituição de 1891. que consoante já foi dito ao falarmos de Estado Liberal. exemplo já mencionado. Outrossim. eleitos mediante sufrágio direto". para deter minados cargos. Sobre a Carta de 1824.. No entanto. 143 de 1967 e no art. Curso de direito constitucional positivo.. 1º. A Constituição de 1891 foi a primeira republicana e foi outorgada pelo Presidente.)". 77. que se confunde com Soberania do Estado. Todavia. No art. não emanou de Assembléia Constituinte. alínea c da Constituição de 1934. Soberania é a propriedade que tem um Es tado de ser uma ordem suprema que não deve a sua validade a nenhuma outra ordem superior. está assegurado o sufrágio universal no art. 108. José Afonso da.55) . 1967. Tendo D. como se refere JOSÉ CRETELLA JÚNIOR. 1934 e 1937 possuem o sufrágio censitário.. Em 5 de novembro de 1965. o que revela aspecto censitário (SILVA. 1985). em dois graus: no primeiro. porque o povo outorgou a seus representantes a faculdade de dizer o direito em seu mais alto grau. mediante voto direto e secre to.

c) os maiores de dezesseis anos e menores de dezoito anos ". como agora.. durante o período do serviço militar obrigatório. na forma da lei. (Pré é presto. não sendo o eleitor identificado na cédula. coloca que têm voto os cidadãos brasileiro s. . em 1934. III .) O voto igual e único reflete o princípio democrátic o. o preenchimento dos requisitos. que passam a ser considerados alistáveis os maiores de dezoito anos . no ato. e os estrangeiros naturalizados.341).Esta.os que não tiverem de renda líquida anual duzentos mil reis (. Escrutínio secreto é aquele em que o voto só é do conhecimento do votante. privados dos direitos políticos. (MAGALHÃES. É a partir da Carta de 1934.. A exclusão das praças de pré. (CAMPANHOLE. Cada cidadão tem o mesmo peso político. do exercício do direito de sufrágio. (1991). é omissa em relação ao IusSuffragii.. Outrossim.obrigatório para os maiores de dezoito anos.) A antítese do sufrágio igua l é o sufrágio desigual.. os religiosos e os que não tiverem renda líquida anual de cem mil réis.1. Faz-se mister acrescentar que o art.50). Em ambas as Constituições. Isso significa que. José. menores de vinte e cinco anos. que podem exprimir sua vontade por escrito. O "voto direto e secreto. No § 2º. os cegos (Ibidem. A proibição de alistar -se e votar cabe aos estrangeiros e aos conscritos (CRETELLA JÚNIOR. A Constituição considera alistáveis os maiores de dezoito anos. p. mas admitindo-se a superioridade de determinados votantes. (1985). como se achava nas Constituições de 1891 e 1934. Inscrito. nenhum dispõ e de mais votos do que o outro. exceto os casados. 14 da Constituição de 1988: "O alistamento eleitoral e o voto são: I . condição obrigatória para votar nas eleições.49). Em 1891. como nos diz PINTO FERREIRA: "(. O voto é o ato fundamental. No caso dos cidadãos isentos do alistamento é importante colocar que mesmo alistados. 4... os que estiv essem. II facultativo para: a) os analfabetos. Hilton Lobo. p. Exclui de votar nas assembléias paroquiais. (. O art.1097). só eram obrigadas ao alistamento e ao voto quando exerciam função pública remunerada. temporária ou definitivamente. temos: "Não podem alistar como eleitore s os estrangeiros e. No sistema eleitoral brasileiro.os criminosos (. que estão no gozo de seus direitos políticos. Os surdos -mudos. (1992). constituía reminiscências das distinções de cl asse. os que podem v otar na AssembléiaParochial. todos têm o poder -dever de alistar-se. consoante já dito.. e votar na eleição dos Deputados. o voto teve sempre. nos termos da lei (. singu lar ou colegiado. estão isentos de votar. 14 de nossa Constituiçã o de 1988.. declara que é feita pelo Congresso a eleição do Presidente. 1937. o alistando tem o poder -dever de votar nos pleitos para os quais estiver qualificado (SILVA. salvas as exceções que a lei. A praça de pré é a pessoa que está na praça. conferindo -se a todos a universalização do sufrágio. os que não sabiam ler e escrever nem os mendigos. também a respeito delas. Segundo o § 1º do art. p.641) A Constituição de 1891 exigia a idade de 21 anos. entre o eleitor e o nome sufragado.). p.os Libertos. pessoas qualificadas a quem se confere maior número de votos. porém o voto reforçado espelha princípios elitistas. p. 91.52-53) A Carta Política do Império de 1824 em seu art.. b) os maiores de setenta anos. O voto direto é aquele no qual não há nenhum corpo.1. os criados de servir. os filhos -famílias. (.Curso de Direito Constitucional Positivo. porém a lei ordinária. de modo que o menor de vinte e um anos não precisa de permissão ou autorização dos pais ou tutores para inscrever -se como eleitor. os conscritos". Quanto às mulheres. não tinham direito de voto. presta. determinava (MIRAND A. Senadores. salvas as exceções que a lei determinava. Não limitava aos varões o direito de voto. fugindo à Constituição nunca concedeu o voto às mulheres. Alistamento Eleitoral e Voto Alistamento é a inscrição. No alistamento obrigatório. oligárquicos e aristocráticos. II . podiam ser eleitores. e Membros dos Conselhos de Província todos.)".. exigência importante para que a aut oridade verifique.) "é consagrado no art.. não podiam se alistar como eleitores. 1º das Disposições transitórias da Constituição de 24 de fevereiro de 1891. p. 94 completa: "Podem ser eleitores.. O alistamento e o voto para os homens eram obrigatórios. José Afonso da.. CAMPANHOLE. de prevalência de classes e grupos sociais". pronta para servir à comunidade mediante pagamento de moe da). valor ig ual para todos. os Oficiais Militares maiores de vinte e um anos e os clérigos. os religiosos e. A exclusão dos mendi gos era fundada na falta de independência dos que pedem esmolas.) todos os homens têm o mesmo valor no processo eleitoral de votar. em 1988. Exceptuam-se: I . outrossim. de função eleitoral. Pontes de. com igual valor para todos e. Adriano.

As Constituições de 1946 e 1967 são iguais quando se referem ao alistamento e ao voto. A exigência atende ao fato de existirem naturalizados b rasileiros natos que não aprenderam a língua nacional e se não podem exprimir -se em língua portuguesa. desmembramento ou anexação de Estados (art. sendo o instituto de direito constitucional. subdivisão. pré -excluíram-se os suboficiais. o Texto Constitucional de 1969 se eqüivale ao de 1967. Resta a parte da população que não tem direito de alistar-se: os que perderam os direitos políticos. A Carta Política de 10 de novembro de 1937 prometeu que a Constituição seria submetida ao plebiscito nacional. dificilmente estarão interessados na vida política do país. Diz. e seu parágrafo único). submetida à apreciação popular é menor. 187). a Constituição do Brasil prevê o instituto do plebiscito. os sargentos e os alunos das escolas militares de ensino superior para a formação militar. o plebiscito é sempre regulamentado pela lei ordinária". a forma e o sistema já preexistentes (MAGALHÃES. em 1937. (1991). como trabalho complementar ao do legislado r constituinte.3. mediante pronunciamento. os mendigos. de que o pronunciamento reuna determinado número de assinaturas. o § 4º do art. (O sistema da Constituição de 1937. A Constituição de 1934.Na Carta de 1937. . 117 diz que são eleitores os brasileiros de ambos os sexos. Assim. o Estado como que partilha o exercício da soberania com o povo. o art. enquanto que no plebiscito temos uma questão polêmica de interesse nacional onde a complexidade da questão. fixado em lei. pré -excluía os sargentos do Exército e da Armada e das forças auxiliares do Exército. A Carta de 1891 só excetuava os alunos das escolas militares de ensino superior. José. 4. 4. José. Ambos são obrigatórios para os brasile iros dos dois sexos. Pontes de. Os analfabetos. (1991). p. os sub-tenentes. por isso. mantendo-se. com igual valor para todos. mas a promessa. Os que não sabiam a língua nacional e os sem direitos políticos continuavam excluídos. manifeste livremente sua opinião sobre o assunto de interesse relevante. não foi cumprida. . Referendo Os institutos de referendo e de iniciativa popular ganharam força e regulamentação adequada com a Constituição Federal de 198 8. onde é colocado à apreciação popular o texto d e uma lei.551 -61). notamos certa alteração quanto aos que não podiam alistar -se como eleitores. se parlamentarismo ou presidencialismo. A Constituição de 1946 riscou a exceção do ali stamento aos mendigos. Plebiscito é a consulta ao povo para que este. Mas o exercício momentâneo do poder termina com a votação. ou Constituição. analfabetos e os que não sabiam exprimir -se na língua nacional. É o processo de referendum". É como se o legislador constituinte permitisse que o povo. maiores de dezoito anos. na forma regulada em decreto do Presidente da República (art. inciso II como meio de exercício da soberania popular. como ocorreu na de 1946. e solene. se exercitasse na função legi slativa. que o elegeu. o plebiscito ficou letra morta na Carta. p. (1967). Desse modo. p.1095) Em 1993. pública. Plebiscito Em 5 de outubro de 1988. alarga ram a exceção ao que se estabelecera quanto às praças de pré. Quanto à obrigatoriedade do alistamento e do voto. José Luiz Quadros de. o Brasil teve o seu primeiro e até agora único plebiscito na vigência da Constituição de 1988.1. (1997). associa -se o povo ao processo legislativo. O que diferencia o referendo do plebiscito é a maior complexidade do primeiro. quando se submeteu à vontade popular a escolha sobre forma de governo. o povo não se satisfaz em escolher os seus representantes: quer ter a iniciativa das leis e o direito de recusá -las ou sancioná-las com o próprio voto. 5º. foi o de exigir às mulheres e homens os mesmos deveres e dar-lhes os mesmos direitos). (apud CRETELLA JÚNIOR. maiores de dezoito anos. Como observa CRETELLA JÚNIOR: "No plebiscito. outrossim. 14.131). militares em serviço ativo e os que estivessem privados dos direitos políticos não tinham o direito de voto. (CRETELLA JÚNIOR. Em vez de só se pré -excluírem da incapacidade os aspirantes a oficial". (MIRANDA. Esta e a de 1967. nos casos de inc orporação. com a vitó ria dos dois últimos. o mesmo quanto à exceção ao que se estabelecera quanto às praças de pré.2.1. se monarquia ou república. Também resolução do Parla mento não foi submetida pelo Presidente da República ao plebiscito das populações interessadas. exclui-se distinção de sexos. No entanto. Entretanto. A Constituição Brasileira de 1988 pre vê o referendo no art. Mas.p. e o sistema de governo. pelo qual as coletividad es se pronunciam sobre decisão legislativa. Na Constituição de 1967.1096) É a medida a posteriori. ARAÚJO CASTRO expõe-nos: "Em alguns países. em setor que o constituinte não conseguiu preencher. complementando a tarefa do legislador. mediante sufrágio universal e pelo voto secreto. 147 da Cart a de 1969 nos diz: "A lei disporá sobre a forma pela qual possam os analfabetos alistar -se eleitores e exercer o di reito de voto". ou com a população.

. Prefeito. 1º. um por cento do eleitorado nacional. Todavia. requisitos igualmente enumerados como condição de elegibilidade. residentes.. Iniciativa Popular A iniciativa popular é a atribuição de competência legislativa ao povo eleitor para início do processo de formação d a lei.. mas enumeram os casos de inelegibilidade e inalistabilidade. No Brasil.. trinta e cinco para Presidente. mas só as efetivamente alistadas podiam ser eleitas. Estas estão no § 3º do art.. Para ser eleitor. CAMPANHOLE. vari ando para outros cargos: vinte e um anos para Deputado Estadual. CAMPANHOLE. que existam. (1985).Acrescenta-se ainda que no Plebiscito a consulta popular se realiza antes da elaboração da norma. 4. Direitos.. (1985). p.. a regra é que a elegibilidade siga o direito de voto. PINTO FERREIRA define a Iniciativa Popular como: "Um processo eleitoral pelo qual determinados percentuais do eleitorado podem propor a iniciativa de mudanças constitucionais ou legislativas. com não menos de três d écimos por cento dos eleitores de cada um deles (CRETELLA JÚNIOR. em parte. 60 da Constituição Federal. O § 5º do art. p. Pontes de. quer no plano estadual. Hilton Lobo. no mínimo. A Federação brasileira pelo progresso feminino deveu -se a vitória dos direitos da mulher na Constituiçã o de 1934. mas não suficiente. em seu art. S er "brasileiro" é a primeira das condições. p. São estas e mais algumas. nenhuma distinção se fez quanto ao s exo (MIRANDA. 96: "Os cidadãos Brazileiros em qualquer parte. traz (CAMPANHOLE. José Luiz Quadros de. distribuído pelo menos por cinco Estados. São condições de elegibilidade as exigidas para os elegíveis. no geral. A Reeleição "Emenda Constitucional nº 16. José Luiz Quadros de. quer no plano federal.562) As Constituições Republicanas. Para a Constituição de 25 de março de 1824. inovação da Carta Política de 5 de outubro e 1988. p. (1967). p. trinta anos para Governador e Vice -governador Estadual e do Distrito Federal. promulgam a segu inte emenda ao texto constitucional: Art. são eleg íveis em cada Distrito Eleitoral para Deputados.57). Para se disputar a vereança a idade mínima é dezoito anos. Art. o preenchimento de condições necessárias par a ser eleitor. maior e. menor o que se lhe reconheceu na Constituição de 1937. 14 (. a elegibilidade no direito de postular a designação pelos eleitores a um mandato político no Legislativo ou no Executivo " (SILVA. Dá nova redação ao § 5º do art.4. é necessário. Nas Cartas de 1946 e 1967... Hilton Lobo. José Afonso da.) da Constituição Federal. Vice-Prefeito ou Juiz de Paz. Será exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de Projeto de Lei subscrito por.1.. Foi. Para ser elegível. (1997). em parte. o domicílio eleitoral e a idade mínima de dezoito anos. nos termos do § 3º do art.488): "Art. havia mulheres obrigadas ao alistamento e ao voto e mulheres não -obrigadas. José. As mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Adriano. referente à Constit uição de 1937. p. p. ou domiciliados" (CAMPANHOLE. primeiro se concede esse e mais tarde o de ser eleito. são necessários anacionalidade brasileira. Adriano.62) 4.642) Conforme já foi visto. p. maiores de trinta e cinco anos". Federal ou Distrital. o alistamento eleitoral.) da Constituição Federal passa a vigorar com a seguinte redação: .350).1096 -1097). Só podem ser eleitos para o Conselho Federal os brasileiros natos. de 1997. a inda quando ahi não sejam nascidos. 14 (.2. enquanto que o referendo tem caráter ratificador de uma lei ou Constituição já elaborada (MAGALHÃES. não menciona m as condições de elegibilidade. CAPACIDADE ELEITORAL PASSIVA Capacidade eleitoral passiva se refere à capacidade de ser eleito. 51.485.1. p. Às vezes.. (Ao Conselho Federal cabe aprovar as nomeações de ministros do STF e os acordos concluídos entre os Estados). Ter nacionalidade brasileira.. 78. Assim nos define AFONSO DA SILVA: "Consiste. São condições de elegibilidade à Presidência da República ser brasileiro nato e maior de trinta e cinco anos". 4. O pleno "exercício dos direitos políticos consiste em outra condição. (1991). entre elas a filiação partidária. é importante considerar que a Lei Constitucional nº 9 de 28 de fevereiro de 1945.1100 -1104). mostrando o que é brasileiro nato e naturalizado. como a capacidade eleitoral ativa consiste no direito de alistamen to e voto. Direitos humanos. pois.. mediante a assinatura de petições formais que sejam autorizadas pelo poder legislativo ou por todo o eleitorado " (apud MAGALHÃES. ou Senadores. 14 de nossa Constituição vigente. Vice Presidente da República e Senador (CRETELLA JÚNIOR..2. Comentários.

4. Nesta. caso em que deverá afastarse da atividade. a fim de p roteger a normalidade e a legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou abuso do exercício de função. A partir de 05 de junho deste ano. facultativamente. da Constituição de 1988. José Afonso da. 04. os Prefeitos e quem os houver sucedido ou s ubstituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período subseqüente". até ser aproveitado em outro). o § 2º do art. 2). A de 1967 assim o fez. que deseja manter -se no poder por mais um mandato. os governadores e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito. (1991). que soma os analfabetos aos inalistáveis (CAMPANHOLE. 14 de nosso Constituição de 1988. Se eleito. traz que os inalistáveis são inelegíveis. por sua vez. Hilton Lobo. no ato da diplomação. Curso.1997) (Diário Oficial da União.) nos termos da lei. que é impedimento à capacidade eleitoral ativa (direito de ser eleito r) (SILVA. o Presi dente. (1991). Adriano. 14. deixou de fazê-lo por negligência ou vontade. d. O art. temos que o militar alistável é elegível desde que tenha menos de dez anos de serviç o. José. § 8º. a Emenda Constitucional nº 16. O inalistável não tem direitos políticos. cargo ou emprego. 2º. 150. "A lei deverá tornar inelegíveis todos aqueles que possam prevalecer -se da riqueza para influir nos pleitos eleitorais. O inalistável. pois. quanto para governadores e prefeitos). os chefes do Executivo das várias esferas. O segundo.1109) Segundo o art. outrossim. Conforme dito anteriormente. Não se confunde com a inalistabilidade. Obsta. votar. 1985). 151 de 1969. revogou o § 5º do art.. 140 da Constituição de 1946 e o art. Em nossa Constituição vigente. pessoa que não obstante a vontade de alistar-se é impedida por não preencher as condições exigidas. CAMPANHOLE. O primeiro nos traz a condição de que para concorrem a outros cargos. Condição esta também decretada no art. o militar em atividade. com cinco ou mais anos de serviço será afastado. 70. 05. Seção 1) A Emenda Constitucional invalidou o § 5º do art .. A Emenda abarca a possibilidade de reeleição tanto para presidente. data em que a Emenda foi publicada no Diário Oficial d a União. Esta Emenda Constitucional entra em vigor na data de sua publicação" (Brasília. Na Constituição de 1988. se eleito. depois de 10 anos de exercício. fala -nos o art. nos diz FERREIRA FILHO (apud CRETELLA JÚNIOR. (Esta Emenda Constitucional é resultado de uma pressão política exercida por parte do atual Presidente. § 1º da Carta de 1969.369) O § 4º do art. mas não pode ser votado (CRETELLA JÚNIOR. há. e não apenas excluir os que dela abusaram". no ato da diplomação (art. desde que se aliste. transferido para a reserva (. 112 separou os inelegíveis: em todo o território da União. 148 de 1967. p. nas várias esferas. os comandantes de forças do Exército e da Armada (art. 121 de 1937. agregado pela autoridade superior.1997. temporariamente do s erviço ativo e o militar não excluído. nos Estados. é inelegível. da Constituição de 1934 e no art. 14. passa automaticamente à inatividade. nos diz que: "São inelegíveis os cidadãos não alistáveis".§ 5º. lei complementar poderá estabelecer outros casos de inel egibilidade.06. A Constituição de 1934 em seu art. salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. passam a ter condições de elegibilidade para novo mandato nos mesmos cargos. será. 112. Estas mesmas condições estão postas no art. na Administração direta ou indireta. O Presidente da República. este é elegível. Este excetua da inelegibilidade. 146: para Presidente e Vice -Presidente. para . (A agregação é o instituto de direito administrativo que assegura ao ocupante de certo cargo. o § 2º que nos diz que a filiação político -partidária não interfere na elegibilidade a que se refere as duas primeiras condições impostas ao militar da ativa. à elegibilidade. que acrescenta as praças de pré e a de 1969. 148 de 1967 e o art. alterando-o. 145 (parágrafo único) de 1967 também impõe condições para a elegibilidade dos militares: o que tiver menos d e cinco anos de serviço será excluído do serviço ativo. 14: "são inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos". o direito de perceber os vencimentos do mesmo cargo. em seu art. os Governadores do Estado e do Distrito Federal.1106) Na Carta Política de 1891. Art. quando afastado dele. Governadores e Prefeitos e quem os houvessem sucedido ou substituído.3. no período subseqüente. A Constituição de 1967. para Governador e Vice-Governador. inicia as condições de ineleg ibilidade.. INCAPACIDADE ELEITORAL PASSIVA Inelegibilidade revela impedimento à capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado). p. os oficiais em serviço ativo das Forças Arm adas que embora inalicitáveissão elegíveis. Jos é. como a de 1946. podendo alistar-se. diz serem inelegíveis o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins. se quiser. incisos I e II). outrossim. p. 1. Eram inelegíveis para os mesmos cargos.jun..112. se contar com mais de dez anos de serviço. Para aprová -la. o § 9º decreta que "lei complementar" estabelecerá outros casos de inelegibilidade. o Presidente. considerou in elegíveis os chefes e sub-chefes do Estado Maior e as autoridades policiais. será conduzido à inatividade. Diferentemente do "inalistado" que. sendo sua equipe política acusada da compra de votos. Em 1934. o Presidente fez acordos e concessões. Já o analfabeto pode . no Distrito Federa l e nos Territórios e nos Municípios. . Mas vale lembrar os § 6º e 7º da mesma. Sobre esta mesma condição.

CAMPANHOLE. enquanto perdurarem seus efeitos. É o rompimento de vínculo entre o estrangeiro naturalizado e o Estado que lhe outorgou o status. sem prejuízo da ação penal cabí vel". os atos da vida civil: os menores de dezesseis anos. Advindo. automaticamente. I a IV). p. infringindo. p. que não puderem exprimir sua vontade e os ausentes. é aquela em que o autor propõe ação sem fundamento.Prefeito e Vice-Prefeito. acarreta a suspensão de direitos políticos. José. nos termos do art. PRIVAÇÃO DOS DIREITOS POLÍTICOS O cidadão pode. 95: "Todos os que podem ser eleitores.1115-1122): "Art. ser privado. Temos. O § 11 do art. nos termos do art. com efeito imediato. ocorrerá a perda dos direitos políticos. definitivamente ou temporariamente dos direitos políticos. É a medida que impede o indivíduo de alistar -se como eleitor. qualquer dos candidatos empregar meio fraudulento a fim de obter ou de subtrair votos de seus concorr entes. Se a pessoa. Até o trânsito em julgado da sentença. 5º. os loucos de todo o gênero.364). Quanto aos surdos -mudos. 1991. comprovada. O cancelamento da naturalização acarreta a perda dos direitos políticos do brasileiro naturalizado. p. bem como de concorrer às eleições. p. na forma da lei. corrupção ou fraude. 5º. José. Para tanto deve ser instruída a ação com provas de abuso de poder econômico. 37.os que tiverem quatrocentos mil réis de renda líquida (. excepcionalmente. 4. podem ter intervalos de lucidez. por mero capricho ou emulação. O mesmo ocorreu com o art. na perda da cidadania política.1117). casos de incap acidade civil absoluta e condenação criminal transitada em julgado. 15 (SILVA.os que não professarem a Religião do Estado" (CAMPANH OLE. na forma e gradação previstas em lei. § 10.os estrangeiros naturalizados. p.641-642). enquanto durarem seus efeitos. é suficiente motivo para a impugnação do eleito. p. Finalmente. perde os direitos políticos se declarado ausente por ato do magistrado (CRETELLA JÚNIOR. respondendo o autor. da Carta Magna de 1988 (Ibidem. importa-se saber se é capaz de satisfatória manifestação de vontade . doença mental comprovada. Quanto ao ausente. a regra ou princípio de lealdade processual (CRETELLA JÚNIOR. VIII: ´Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou políti ca. ao atin gir dezoito anos. transitada em julgado. A Constituição de 1988 veda a cassação de direitos políticos.1113). São absolutamente incapazes de exercer. 5º.´" "Art. temos o art. art.. a qualquer cargo. o estrangeiro é brasileiro naturalizado. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. completa: "A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça. os surdos-mudos.). p. 1997. para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal e para as Assembléias Legislativas. 14. II . porque nunca os teve. 37. Em caso contrário é equiparado ao insano e. Hilton Lobo. Exceptuam-se: I . tal status demonstra que possui inteligência normal. são hábeis para serem nomeados Deputados. . (1991). C essando a eficácia da sentença penal. a pessoa que desaparece do domicílio e fica em lugar incerto e não sab ido. José Afonso da. III . (1991). Lide temerária ou de má -fé. Adriano. § 4º. improbidade administrativa. 15 é "o c ancelamento da naturalização por sentença transitado em julgado".)". Se no pleito eleitoral. assim. agora com o status de estrangeiro (Op. fixada em lei... 139 da Carta de 1946. Os "loucos de todo o gênero".4.5. Cassação de direitos políticos consiste na anulação desses. a fraude. isto é. o que importará.. José. § 4º: Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. se temerária ou de manifesta má -fé". no prazo de quinze dias contados da diplomação (. salvo se as invocar para exprimir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar -se a cumprir obrigação alternativa.1120). tornando -os sem efeito. por este motivo é afetado pela incapacidade civil abs oluta. porém. (Código Civil. o ex -condenado readquire. diz -nos que "o mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral. A IMPUGNAÇÃO DE MANDATO Tratada no art. outrossim. a temporária é sua suspensão. O menor de dezesseis anos não perde os direitos políticos. 1995. A eficácia do cancelamento irradia após trânsito em julgado da sentença prolatada. O primeiro caso indicado no art. A privação definitiva denomina-se perda dos direitos políticos. pessoalmente. os direitos políticos suspensos. é mentalmente sã e se alista. perda da função pública. É o impedimento ao direito de participar do governo do Estado ( CRETELLA JÚNIOR. A condenação criminal. cit. e só admite a perda e a suspensão nos casos indicados no art. entra no pleno gozo dos direitos políticos. Retrocedendo à Carta Política do Império (1824). em direito processual civil..1120 -1121). VIII. a perda ou suspensão dos direitos políticos se dará nos seguintes casos: recusa de cumprir obrigação a todos impo sta ou prestação alternativa. 4. 14.

Em 1988. Uma lei federal determinará as condições de reaquisição dos direitos políticos. perda e casos de reaquisição. domicílio determinado e proibição de freqüentar determinados lugares. (1991). da probidade administrativa. 1985). segundo as Cartas Políticas de 1891. 149.. 1946 e 1967. O atributo da moralidade. O instituto de cancelamento de naturalização criado em 1934. seu gozo. perdia-se os direitos político s pela naturalização em país estrangeiro e pela aceitação de emprego ou pensão de governo estrangeiro. suspendendo o exercício dos Direitos Políticos por incapacidade física ou moral e por sentença condenatória a prisão. nem sempre é bem cumprida.740 de 15 de julho de 1965. conforme a Constituição de 1934. OS PARTIDOS POLÍTICOS FERREIRA FILHO elenca as primordiais funções dos partidos políticos: "São os partidos políticos incumbidos de mostrar ao eleitorado quais são as opções políticas possíveis. serviços públicos e organizações. temos também a privação por motivos de condenação c riminal. p. em 1967. § 13 que diz: "É vedada a organização.) enquanto durarem os seus efeitos. A perda dos direitos políticos acarreta simultaneamente a do cargo pelo indivíduo ocupado. Em 1946. 135 da de 1946 e no inciso I do art. 1967 e 1969. Ao que se refere à privação de D ireitos Políticos. sem licença do Poder Executivo Federal. ( FERREIRA FILHO. 1934. suspensão do direito de votar e ser votado nas eleições sindicais. nenhuma das Constituições brasilei ras se preocupou com os partidos. invocando motivo religioso. Sua função constitucional. p. em 1969 e 1988. a improbidade administrativa. em muitos países. deixa de at ender ao que dispõe a regra jurídica constitucional e. Vale citar também o art. 141. p. motivada por convicção religiosa. a suspensão dos direitos polít icos ou a cassação dos mandatos eletivos federais. Hilton Lobo. 118 da Constituição de 1937. Esta última acrescenta que a suspensão ou perda dos direitos políticos será decretada pelo presidente ou por decisão judicial e a Carta de 1969 passa à lei complementar a competência da especialização dos direitos políticos. é como que indispensável para a elegibilidade (Ibidem. só podem eles cumprir essa função qua ndo não são dominados por oligarquias. 16 da Constituição de 1988: "A lei que altera o processo eleitoral só entrará em vigor um ano após s ua promulgação". 1946. (. porém.104-105) Até 1946. proibição de atividade ou manifestação sobre assunto de natureza política e aplicação das seguintes medidas de seg urança: liberdade vigiada. baseado na pluralidade dos pa rtidos e na garantia dos direitos fundamentais do homem". serviç o ou obrigação imposta por lei aos brasileiros e pela aceitação do título nobiliárquico ou condecoração estrangeira. de encargo.Se o maior de dezoito anos deixar de alistar -se. Ademais. . decr etando que para a organização de novos partidos é necessário seguir exigências postas na Lei nº 4. Foi o que instituiu o Ato Institucional nº 10 de 1969. (CRETELLA JÚNIOR. 8º da Constituição de 1824.1123). 5. Na verdade. quando têm disciplina interna. Em 1891. o regime e o funcionamento de qualquer partido político ou associação. mas por incapacidade civil absoluta (CAMPANHOLE. fundações.1124) Mas o Ato Institucional nº 2 em seu art. (Faz-se mister colocar que a obra Constituições do Brasil é consultada a todo momento pelo fat o de conter os textos constitucionais originais). assim. temos o art. O mesmo é visto no § 1º do art. perde os direitos políticos. estaduais ou municipais podia aca rretar na proibição dos exercícios de atividades em empresas. temos o art. no art. referente à Carta de 1967.. 18. a perda ou suspensão de direitos políticos tem. filosófica ou política. O mesmo foi resolvido pelo Ato Institucional nº 5 de 1968. de máquinas para a conquista do poder. No § 1º do art. não passando eles. 16 diz que a suspensão dos direitos político s importa simultaneamente em: cessação de privilégios de fôro por prerrogativa de função. 110 da de 1934. 19 34 e 1946. cujo programa ou ação contrar ie o regime democrático. Curso de direito constitucional. Adriano. quando não são passíveis de suborno por interesses escusos". A perda também se dava pela recusa. Manuel Gonçalves. Temos referente à Constituição de 1946. indica ndo ao mesmo tempo pessoas que afiançam serem capazes de realizá -las. 1937. filosófico ou político. 144 da Constituição de 1967 e nas alíneas b e c do § 2º do art. CAMPANHOLE. no art. como uma de suas causas determinantes. extingue os partidos políticos vigentes e cancela os respectivos registros. manteve -se em 1937.. 71 da Constituição de 1891. quando esta importe restrição de direit os assegurados nesta Constituição ou incompatibilidade com deveres impostos por lei nas Constituiçõe s de 1937. em 1946. o Ato Institucional nº 2 que em seu art.

II . personalidade jurídica.. o regime democrático.proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiro ou de subordinação a estes. Os direitos humanos têm como ponto fundamental a idéia de uma democracia política participativa. na forma da lei".. . § 2º: "Os partidos políticos. de toda a sociedade. Em 1967. é uma conquista diária de cada indivíduo e principalmente. Por fim. § 4º: "É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização para -militar". como dos demais. devemos ressaltar que a efetivação dos Direitos Políticos. proibição de coligações. é proibida a subordinação dos partidos a entidade ou Governo estrangeiros. organização e funcionamento. fusão.prestação de contas à justiça. 149 decreta que serão regulados pela lei federal a organização. CONCLUSÃO Ao estudarmos a questão Direitos Políticos. A indivisibilidade dos direitos fundamentais é essencial à existência e continuidade do processo democrático nas complexas so ciedades atuais. o art.funcionamento parlamentar de acordo com a lei". Nossa Constituição vigente de 1988. o próprio povo consciente. âmbito nacional. amparada n o Direito Social à educação como forma de exercício real da liberdade de consciência. 241-2). incorporação e extinção de partidos políticos. pp. Sabiamente. na forma da lei civil. § 3º: "Os partidos políticos têm direito à recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão. é vedada a utilização pelos Partidos Políticos de organização para -militar. observados certos princípios como regime r epresentativo e democrático. disciplina partidária. o funcionamento e a extinção dos partidos pol íticos. registrarão seus estatutos no Tr ibunal Superior Eleitoral". devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidárias". Caso recente em que tivemos a oportunidade de vivenciar mais intensamente o debate acerca dos Direitos Políticos foi a impugn ação do mandato do ex-presidente Fernando Collor de Mello em decorrênc ia do processo de impeachment e posterior suspensão. 1969 e 1988. III . A democracia participativa. e como conseqüência. da democracia econômica. onde todos tenham voz e " vez". Em 1969. Utilizando-se de seus Direitos Políticos de cidadão . resguardados a soberania nacional. os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos: I . É assegurado ao cidadão o direito de associar -se livremente. IV .Os partidos políticos têm capítulo distinto nas Cartas Magnas de 1967. § 1º: "É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutur a interna. percebemos uma maior conscientização da sociedade contemporânea em relação à real democracia. o pluripartidarismo. após adquirirem personalidade jurídica. o art. coloca-nos o Professor QUADROS DE MAGALHÃES: "É atual e necessária a discussão dos Direitos P olíticos e da democracia que deve ser constantemente aperfeiçoada.caráter nacional. 17 referente aos Partidos Políticos: "É livre a criação. na democracia dos meios de comunicação social. sendo levada a formas de participação mais efetivas da sociedade civil na gestão dos interesses públicos (. (1992.). é a única resposta às aspirações populares". traz o art. de seus Direitos Políticos por oito anos. encaminhará a democracia real. pelo STF. 152 diz livre a criação de Partidos Políticos.

deixam de sê-lo se se engajarem no serviço militar permanente. A princípio. Os direitos de cidadania adquirem-se mediante alistamento eleitoral. denominadas de direitos políticos. estadual ou distrital. . consegue a possibilidade de ser eleito para governador e vice -governador do Estado e do Distrito Federal. Cidadão ativo era o titular dos direitos políticos (art. maiores de dezoito anos de idade. É obrigatório para brasileiros de ambos os sexos. que se confundia com o nacional (arts. São o direito de voto nas eleições. tornando -se titular do direito de votar. cabos. o cidadão (nacional eleito r) incorpora o direito de ser votado para deputado federal. no art. vice -prefeito e juiz de paz. d) aos 30 anos. As constituições posteriores misturaram ainda mais os c onceitos. 14. o direito de voto nos plebiscitos e referendos. Aos poucos. 140 e 141) e para os direitos políticos (arts. Cidadania política é atributo jurídico-político que o nacional obtém desde o momento em que se torna eleitor. § 2º). o cidadão chega ao ponto mais elevado da cidadania formal. O eleitor é cidadão. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente" (art. suboficiais e oficiais das forças armadas e das polícias militares são obrigados a se alistarem como eleitores. É assim que os soldados engajados. e) finalmente. § 1º. os maiores de setenta anos e os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos (art. hoje. 14. 90) falava em cidadão ativo. que apresentará instruído com comprovante de sua qualificação e de idade. elas garantem a participação do povo no poder de dominação política. e facultativo para os analfabetos. exigindo dos candidatos alguma qualificação universitária. c) aos 21 anos. o direito de iniciativa popular.Cidadania e direitos políticos Foi lenta a evolução das técnicas destinadas a efetivar a designação dos representantes do povo nos órgãos governamentais. embora nem sempre possa exercer todos os direitos políticos. Alistamento é a qualificação e inscrição da pessoa como eleitor perante a Justiça Eleitoral. O alistamento eleitoral depende de iniciativa da pessoa. Mas alguns direitos políticos só se adquirem em etapas sucessivas: a) aos 16 anos de idade. é obrigado a alistar-se. é o indivíduo titular dos direitos políticos de votar e ser votado. cidadania é um status ligado ao regime político. se não o fizera aos 16. pois só o titular da nacionalidade brasileira pode ser cidadão. o naci onal já se pode alistar. 6º e 7º). 14. Nossos constituintes de 1988 não poderiam ter dificultado isso um pouco mais . A Constituição traz um conjunto de normas que regula a atuação da soberania popular (arts. Hoje é desnecessária a terminologia dos publicistas do período da nossa monarquia. 149). Capacidade eleitoral passiva é a que se baseia na elegibilidade. o direito eleitoral passivo refere -se aos elegíveis e aos eleitos. b) aos 18 anos. O direito eleitoral de votar e ser votado é o cerne fundamental dos direitos políticos. aos 35 anos. tornando-se titular do direito de votar. Cidadani a é atributo político decorrente do direito de participar no governo e direito de ser ouvido pela representação política. Não são alistáveis como eleitores os estrangeiros e os conscritos durante o serviço militar obrigatório (art. Elas são adisciplina dos meios necessários ao exercício da soberania popular. deixando de fora os partidos políticos (art. pois não mais se confundem nacionalidade e cidadania. mediante requerimento que obedeça ao modelo aprovado pelo Tribunal S uperior Eleitoral. A expressão direitos políticos estabelece normas para os problemas eleitorais. O seu gozo integral depende d o preenchimento de condições que só gradativamente se incorporam ao cidadão. o direito de prop or ação popular e o direito de organizar os partidos políticos e deles participar. certos modos de proceder transformaram-se em regras ou normas de agir. A cidadania adquire-se com a obtenção da qualidade de eleitor. I e II). sargentos. que se manifesta na posse do título de eleitor válido. Capacidade eleitoral ativa é a consubstanciada nas condições do direito de votar. 142 a 148). o direito de elegibilidade (direito de ser votado). para diferençá-lo do cidadão em geral. desdobramento do princípio de que "opoder emana do povo. característica de quem preenche as condições do direito de ser votado. com o direito de ser votado para presidente e vice -presidente da República e para senador federal (art. 1º. elas aplicavam-se nas épocas em que o povo deveria proceder à escolha dos seus representantes. demonstração de probidade moral e administrativa? Os direitos políticos positivos Existem normas que asseguram o direito subjetivo de participar no processo político e nos órgãos governamentais. 91). é titular de cidadania. A de 1937 começou a distinção que as de 1967/1969 completaram. O leigo usa as palavras sufrágio e voto como sinônimos. diz que o sufrágio é universal e o voto é direto e secreto e tem valor igual. 14. § 3º). Nacionalidade é pressuposto da cidadania. Cidadão. parágrafo único). no entanto. Conscritos são os convocados para o serviço militar obrigatório. e do direito de ser eleito para vereador. Nacionalidade é vínculo ao território estatal por nascimento ou naturalização. abrindo capítulos separados para a nacionalidade (arts. A Constituição. A Constituição do Império (art. O direito eleitoral ativo cuida do eleitor e de sua atividade. 14 a 16).

item 1º) e de 1934 (art. Todas essas formas de sufrágio desigual constituem técnicas antidemocráticas. Nossos constituintes de 1988 não foram muito felizes na norma do art. Restrito é o sufrágio conferido a indivíduos qualificados por condições econômicas. de que decorrem as funções de seleção e nomeação das pessoas que hão de exercer as atividades governamentais. Quanto à igualdade do direito de ser votado . Além de desigual em função de circunstância especial. referente à eleição de alguém ou a deliberações sobre projetos ou composição de colegiados ou de julgamentos. uma vez que também são inelegíveis os não eleitores. equivocadamente. o eleitor podia votar mais de uma vez: na circunscrição do seu domicílio. Assim. a mesma impropriedade: voto universal não existe voto universal. indústria e comércio ou empresa. Direito de votar. por circunstância especial. ninguém é elegível se não for eleitor. se não for eleitor. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. No art. Instituição fundamental da democracia representativa. de fortuna e capacidade especial. A universalidade do direito de sufrágio. No sufrágio consubstancia-se o consentimento do povo que legitima o exercício do poder. em 1948. na da universidade e na de sua empre sa ou negócio era o voto múltiplo. o sufrágio será universal. 70. falam em voto universal. 14. ainda que alistáveis. § 4º (são inelegíveis os inalistáveis). permitindo que um voto no Acre valha cerca de vinte vezes mais do que um voto em São Paulo. para que alguém se torne eleitor. apoio) é um direito que decorre diretamente do princípio de que todo o poder emana do povo. apóia -se na identidade entre governantes e governados e é acolhida no art. As Constituições de 1891 (art. Nos termos constitucionais do art. a cada eleitor. Mas o direito de ser votado distingue o elegível. pois ninguém tem o direito de ser votado se não for titular do direito de votar. o voto é pessoal. idade mínima de dezesseis anos. posse de título eleitoral e não ser conscrito em serviço militar obrigatório . 98. um único voto (oneman. c) excluíam os mendigos do direito de sufrágio. § 4º. É que os três se inserem no processo de participação do povo no governo. têm o direito de votar mais de uma vez ou de dispor de mais de um vo to para prover um mesmo cargo. no nosso direito constitucional. princípio basilar da democracia política. 14. Se este for democrático. O direito de votar O sufrágio é apenas um direito. Os trabalhistas. Nossos constituintes de 1988 não foram muito técnicos no uso das palavras. one vote). o eleitor pai de família dispõe de um ou mais votos em função dos membros do núcleo familiar. suprimiram ess a forma de voto contrário à igualdade de sufrágio. ao empregar voto. enquanto o voto (CF. qualidade e discernimento para escolher os governantes e para participar do governo. d. 60. de vir a ser eleito. Censitário é o sufrágio concedido apenas ao indivíduo que preencha determinada qualificação econômica. isto é. II. . o que revela seu aspecto censitário. II. § 1º) é um dos atos de exercício desse direito. Capacitário é o sufrágio que se baseia em capacitações especiais. notadamente de natureza intelectual. no art.A palavra voto é empregada em outros dispositivos. As formas de sufrágio são condicionadas pelo regime político. Nas eleições dos deputados e senadores do Império estavam excluídos de votar os que não tivessem renda líquida anual de duzentos mil réis por bens de raiz . nossos constituintes contrariaram sua própria redação. É o sufrágiodesigual. A Constituição de 1988 concedeu direito de sufrágio aos analfabetos. expressando o direito (sufrágio). destinadas a propiciar regimes elitistas. os eleitores analfabetos e menores de dezoito anos não são elegíveis para nada (art. Escrutínio é outro termo em que se confundem as palavras sufrágio e voto. Sufrágio (do latim suffragium = aprovação. Determinados eleitores. 108 e parágrafo único. o seu exercício ( voto) e o modo de exercício ( escrutínio). os analfabetos e os eleitores entre dezesseis e dezoito anos. Lamentavelmente. não havendo nele qualquer discriminação antidemocrática. 14. Pelo direito de voto plural. É a igualdade de reconhecer a cada homem. o titular do direito de ser votado. que o homem mais instruído ou dono de fortuna tem mais capacidade. sem restrições de quaisquer espécies discriminatórias. enquanto em São Paulo são necessários aproximadamente trezento s mil votos. art. autocrático ou oligárquico. exprimindo a vontade num processo decisório. Aqui está a função primordial do sufrágio. é necessário ter as condições de nacionalidade brasileira. Inelegíveis são portan to os não alistados. Igual é outra exigência democrática do sufrágio: cada eleitor deve dispor de númer o igual de votos dos demais. Um deputado federal é eleito lá com cerca de dezesseis mil votos. 14. 14 da Constituição. afirmando que o povo não está preparado para a democracia. É a igualdade de todos perante a lei. O direito de vo tar caracteriza o eleitor. O primeiro é pressuposto do segundo. é também contrário ao voto feminino. §§ 3º. e 4º). Na Inglaterra. se elitista. Igualmente. § 1º. o sufrágio será restrito.

após a emissão do voto e a retirada do recinto de votação. participa na formação da vontade do governo. que é uma expressão da sua sobe rania individual. Fay ( Le GouvernementdesÉtatsUnis d Amérique. O eleitor é dono do seu segredo. Uma vez eleito. não se admitindo os votos por correspondência ou por procuração. no caso de vacância de ambos os cargos nos últimos dois anos do mandato presidencial (art. 2002. No final da campanha. pois não atinge o conteúdo da manifestação da vontade do eleitor. em virtude de um direito individual próprio. I). A liberdade do voto manifesta-se pela faculdade até mesmo de depositar na urna uma cédula em branco ou de anular o voto. politicamente ela é direta. Eleições e eleitores Eleitorado é o conjunto de todos os que detêm o direito de sufrágio. que lhe incumbia na quele ato. É igualmente uma função de soberania popular. pleno exercício dos dir eitos políticos. como princípio (art. o candidato não incompatibilizado prestará compromisso e tomará posse do mandato. Direito público subj etivo. O segredo do voto é uma garantia constitucional de eleições livres e honestas: evita a intimidação e o suborno. pois o papel dos eleitores é participar nas o perações do corpo eleitoral. conforme está no art. lá a eleição do presidente só é indireta formalmente. são formas de exercício do sufrágio. Eleito é o candidato que tenha recebido votação suficiente para lhe conferir o mandato. porque os representantes do povo deliberam. 14. É o modo pelo qual o povo. . O voto é o ato político que materializa na prática o direito subjetivo do sufrágio. o voto é também um dever. assinando a folha individual de votação. suprimindo. como diz Marcel Prélot ( Institutions politiques etdroitconstituti onnel. Para que alguém. Assim. com o conciliar essa exigência com a concepção da liberdade do voto? Essa obrigatoriedade significa apenas que ele deve comparecer à sua seção eleitoral e depositar sua cédula na urna. possa concorrer a uma função eletiva. nacionalidade brasileira. Organiza -se segundo as circunscrições. A garantia dessa liberdade exige que o seu voto seja secreto. p. o voto é a sua manifestação no plano prátic o. a Coroa britânica ainda possui. Ogg e P. O exemplo dos Estados Unidos da América. filiação partidária. 14. O. §§ 4º a 7º e 9º). domicílio eleitoral. após a sua escolha. como aconteceu no Brasil nas eleições indiretas implantadas de 1964 a 1985. eleitos pela massa eleitoral exclusivamente para tal fim. Se juridicamente essa eleição é indireta. aprovando leis e outros atos legislativos no cumprimento da representação decorrente do exercício do sufrá gio. A. A eleição é um concurso de vontades. p. 642). visando a designação de um titular de mandato eletivo. o que importa em níti da deformação do princípio de soberania popular. Elegibilidade é pois o direito de postular a designação pelos eleitores a um mandato políti co no Legislativo ou no Executivo. com uma única exceção: a da eleição do presidente e vice-presidente da República pelo Congresso Nacional. pois o indivíduo tem o dever de manifestar sua vontade pelo voto. a possibilidade de corrupção eleitoral ou. idade mínima para os vários cargos e não incorrer em nenhuma inelegibilidade específica (art. o poder dos eleitores nesse particular é tão destituído de sentido quanto muitas das prerrogativas que. Na prática. A personalidade do voto é indispensável para a realização dos atributos da sinceridade e autenticidade. autenticidade e eficácia do voto é o voto direto. porque não desempenha a função instrumental da soberania popular. pois a ação de emiti-lo é também um direito e direito subjetivo. § 3º. no exercício do mandato político.Repetindo: o sufrágio é o direito político fundamental nas democracias políticas. é necessário preencher as condições de elegibilidade que a Constituição arrola no art. Exigência de sinceridade. não sustenta o caráter democrático d as eleições indiretas. função de soberania popular na democracia representativa. Vale dizer que sua escolha não cumpre a vontade dos eleitores populares. § 1º). os eleitores comparecem à urna e escolhem os eleitores presidenc iais que também se apresentaram em campanha vinculados aos partidos e aos candidatos à presidência. mas com ele o eleitor cumpre seu dever jurídico. § 1º. reduzindo-a consideravelmente. De fato. 14). porque os eleitores do segundo grau se su bmetem a um mandato imperativo. ele é escolhido por Eleitores Presidenciais (ou Grandes Eleitores. O chamado voto em branco não é vot o. nas democ racias representativas. Se o alistamento e o voto são obrigatórios para os maiores de dezoito anos (art. pois traduz o instrumento de sua atuação. e a elegibilidade refere-se à capacidade eleitoral passiva de ser eleito. zonas e seções eleitorais. na raiz. Dessa maneira. alistamento eleitoral. entre nós. O alistamento diz respeito à capacidade eleitoral ativa de ser eleitor. ou seja. 180). como asseguram F. Só não cumpre é o seu dever social e político. A obrigatoriedade constitucional de votar é formal. Na realidade. os votos emitidos nas assembléias legislati vas. É também ato jurídico. 14. cujo presidente é eleito por sufrágio indireto. É significativa a participação do povo no poder em todas as suas manifestações. InfluentialVoters). nada mais resta aos eleitores a não ser consignar os votos que já foram comprometi dos. em realidade. 81. em teoria. 14.

VIII. em virtude de: a) cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado. soitqu elle punisse. ou seja. O sistema proporcional é acolhido constitucionalmente para a eleição de deputados federais (art. Os direitos políticos negativos "Toda a pessoa tem direito de participar no governo de seu país. 37. O procedimento eleitoral visa selecionar e designar as autoridades governamentais. o quociente eleitoral. 14. 29. ainda que não conste no art. in like manner. and attachment to. A recusa de consciência é a decorrente da liberdade de crença religiosa ou de convicções filosóficas ou políticas (art. 15. São negativos esses direitos. sontégalementadmissibles à toutesdignités. 77). a determinação dos eleitos e a s olução dos casos em que há falta de quociente. Touslescitoyensontdroit de concourirpersonnellement ou par leursreprésentants à saformation. assente d. 5º. eleitores. mas a tendência a isso amplia -se cada vez mais. 6º da Declaraç ão de Direitos de Virgínia (1776): VI That elections of members to serve as representatives of the people in assembly ought to be free. 45). os seus programas. A Constituição veda a cassação de direitos políticos. § 4º. II). porque negam ao cidadão o direito de eleger. the community have the right of suffrage and cannot be taxed or deprived of their property for public uses without their own consent or that of their representatives so elected. soitqu elleprotège.Assim. 28) e do prefeito e vice -prefeito municipal (art. selonleurcapacité et sansautredistinction que celle de leursvertus et de leurstalents . o que significa a adoção de um princípio que se estende às eleições para as Assembléias Legislativas e para as Câmaras Municipais. Igualmente constava no art. O direito constitucional brasileiro vigente consagra o sistema majoritário: a) por maioria absoluta. Touslescitoyens. para a eleição de senadores federais. d) recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa nos termos do art. Elas no entanto fracassaram. Começa com a apresentação das candidaturas ao eleitorado. Desde 1997. perde -os quem a perde com a aquisição de outra (art. Faz parte especialmente do art. placesetemploispublics. Entretanto algumas determinações constit ucionais privam o cidadão do direito de participação no processo político e nos órgãos governamentais. a propaganda eleitoral destinada a tornar conhecidos o pensamento.1 da Declaração Universal dos DireitosHumanos (1948): Article 21. 21. e) improbidade administr ativa. do governador e vice -governador de Estado (art. 12. a Constituição reconheceu ao titular a possibilidade da reeleição. enquanto durarem seus efeitos. o programa e os objetivos dos candidatos. 15. b) por maioria relativa. depois de elegê-los. Isso envolve té cnicas como a divisão do território em distritos ou circunscrições eleitorais. isto é. Isso já era permitido aos titulares de mandatos parlamentares. for the public good. diretamente ou por meio de representantes livremente escolhi dos. uma vez que transforma o brasileiro em estrangeiro. nos termos do art. sua designação em cada partido. destinadas a organizar a representação do povo no território nacional. Pena é que. No Brasil houve várias tentativas de implantar um sistema misto majoritário e proporcional por distrito . . de ser eleito. o seu registro no órgão da Justiça Eleitoral competente. Fato impunível que não importaria em perda de direito algum. os seus objetivos. and that all men. § 5º). Elledoitêtrelamêmepourtous. étantégaux à cesyeux. e ficamos a lamentar nossa falta de consciência política. 6º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789): Article 6 La loi est l expression de lavolontégénérale. nós. Com o o estrangeiro não se pode alistar como eleitor e se a nacionalidade brasileira é pressuposto da posse dos direitos políticos. VIII). Só a admite nos casos do art. o sistema eleitoral é o conjunto de procedimentos que se empregam na realização das eleições. having sufficient evidence of permanent common interest with. II).(1) Everyone has the right to take part in the government of his country. considerando o número de votos válidos. à vista dos notórios defeitos do sistema de representação proporcional pur o que vigora atualmente. nor bound by any law to which they have not. 5º. de exercer atividade político partidária e de exercer função pública. Mas o simples fato da aquisição de outra nacionalidade implica a sua perda. o método de emissão de votos e os procedimentos de apresentação de candidatos e de designação dos eleitos de acordo com os votos emitidos . pleitear a sua própria eleição para um mandato sucessivo ao que está desempenhando (art. para a eleição do presidente e vice presidente da República (art. c) condenação criminal transitada em julg ado." Trata-se de princípio universal quejáfigurava no art. Nossos constituintes de 1988 não incluíram a perda danacionalidade entre os motivos de perda ou de suspensão dos direitos políticos. § 4º. esquecemos os seus nomes. directly or through freely chosen representatives) . b) incapacidade absoluta. a técnica de distribuição dos restos ou sobras. o quociente partidário.

O desonesto administrativo é o devasso da Administração Pública. Nossos constituintes de 1988 redigiram mal o te xto do art. num terceiro período subseqüente: o presidente d a República.Nossos constituintes de 1988 não foram felizes. para os mesmos cargos. a técnica sempre recomendou que fossem disciplinadas inteiramente em dispositivos constitucionais. mediante decretação da interdição doincapaz. e só é legítima quando estab elecida na própria Constituição é o caso do art. 14.. necessariamente. que também possa ser motivo de perda dos direitos políticos. a moralidade para o exercício do mandato. mas o poderia relativamente a outros. 14. Assim é que concluíram que bastaria a verificação judicial da incapacidade civilabsoluta. As inelegibilidades possuem assim um fundamento ético evidente. § 4º: "Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. 14. à suspensão do s direitos políticos. às quais não se estende a suspensão condicional da pena (CP. A Constituição de 1946 (art. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento do erário. São absolutamente inelegíveis por motivos funcionais.. em razão de situações especiais em que. mas como valores em si mesmos dignos de proteção. correlacionando -se com a democracia. se encontre o cidadão. exatamente por estar o cidadão sujeito a um vínculo funcional ou de parentesco ou de domicílio que inviabiliza sua candidatura na situação. no momento da eleição. e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de funç ão. § 4º. Inelegibilidades e desincompatibilização O impedimento à capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado) revela inelegibilidade. para concorrerem a outros cargos. 5º. § 9º). art. porque a improbidade e a imoralidade conspurcam por si sós a lisura do processo elei toral. porque não é lógico que o art." O texto ruim dá a entender que a improbidade administrativa não é propriamente sinônimo de imoralidade administrativa. § 1º) previa como caso de suspensão a incapacidade absoluta e a condenação criminal transitada em julgado. A inelegibilidade absoluta é excepcional. cargo ou emprego na administração direta ou indireta" (art. salvo como pena acessória em condenação criminal. na forma e gradação previstas em lei. de sorte que nem toda a imoralidade administrativa conduziria. con siderada a vida pregressa do candidato. Na condenação criminal o paciente continuará com seus direitos políticos suspensos. não pode pleitear eleição para qualqu er mandato eletivo e não tem prazo para desincompatibilização que lhe permita sair do impedimento a tempo de concorrer a determinado pleito. para que decorresse a privação provisória da cidadania do interdito. Assim. Absolutas são as inelegibilidades que implicam impedição eleitoral para qualquer cargo eletivo: o cidadão não pode concorrer a eleição alguma. 37. que declara inelegíveis os não alistáveis e os analfabetos. A improbidade diz respeito à prática de ato que gere prejuízo ao erário público em proveito do agente. Igualmente. eles são inelegíveis. e assim mesmo ficar sujeito à prestação alternativa. Isso quer dizer que a "probidade administrativa" e a "moralidade para o exercício do mandato" são valores autônomos em relação àquela cláusula. enquanto durarem seus efeitos. Relativas são as inelegibilidades que constituem restrições à elegibilidade para determinados mandatos.. . a perda da função pública. gerando incoerência no texto e até um sem sentido (nonsense). VIII mande o escusador cumprir uma prestação alternativa pela escusa de consciência. a incompatibilidade é o estorvo ao exercício do mandato depois de eleito. Elas não são protegidas contra a influência do poder econômico ou o abuso de função etc. ainda que se beneficie de sursis. normas de eficácia plena e aplicabilidade imediata. É bom lembrar que a cláusul a "contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função. 135. I e 80). Assim. o obstáculo à capacidade eleitoral ativa (direito de ser eleitor) é a não alistabilidade. Esta teria sentido mais amplo. ou seja. É que a suspensão dos direitos políticos constitui uma das penas de interdição temporária de direitos. A inelegibilidade relativa não pode ser exercida em relação a algum cargo ou função eletiva. 47. A dou trina constitucionalista e a jurisprudênci a encontravam base na lei civil e penal para a aplicação correta dessa medida." só se refere à normalidade e à legitimidade das eleições. A suspensão dos direitos políticos consiste na privação temporária dos direitos políticos. Cuida -se de uma imoralidade administrativa qualificada pelo dano ao erário e corr espondente vantagem ao ímprobo. As inelegibilidades visam "proteger a probidade administrativa. salvo desincompatibilização median te renúncia aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito. sem prejuízo da ação penal cabível. Por serem restritivas de direitos fundamentais (direito à e legibilidade). os prefeitos e quem os houver sucedido nos seis meses anteriores ao pleito é a proibição de uma segunda reeleição. que independem da lei complementar referida no § 9º desse artigo. §§ 4º a 7º. A Constituição estabelece vários casos de inelegibi lidades no art. não podendo ser entendidas como um moralismo desgarrado da base democrática do regime que se instaure. os governadores de Estado e do Distrito Federal. o benefício da suspensão condicional da pena não interfere na suspensão dos direitos políticos decor rentes de condenação criminal.

a fim de desvencilhá -los do embaraço. ele é inelegível para mandato ou cargo eletivo em circunscrição em que não seja domiciliado pelo tempo exigido em lei. pois o domicílio eleitoral é uma das condições de elegibilidade (art. 14. Esse termo tanto serve para designar o ato mediante o qual o eleito sai de uma situação de incompatibilidade para o exercício do mandato como para o candidato desembaraçar-se da inelegibilidade. Também por motivo de domicílio pode o cidadão ser inelegível. a não ser pressionar o cônjuge ou parente titular do cargo para que renuncie. . Posição incômoda é a do cônjuge e do parente inelegível: nada pode m fazer por si. Desincompatibilização é o ato pelo qual o candidato se desvencilha da inelegibilidade a tempo de concorrer à eleição cogitada .Por motivo de parentesco no território de circunscrição do titular (o art. são inelegíveis o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins. 14. § 7º. até o segundo grau ou por adoção situação especial com possibilidade de desaparecer pela vontade das pessoas envolvidas e com prazo certo para terminar. erroneamente fala no território da jurisdição do titular). Assim. IV). § 3º.

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