Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F.

Castellani

Sumário TÍTULO I – PARTE GERAL CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS ............................................................................ CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA ............................................................................... CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO .................................................................................. CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO .......................................................................................... CAPÍTULO V – DOS BENS ............................................................................................. TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .............................................................. CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS .................................................. CAPÍTULO III – CONTRATOS EM ESPÉCIE ................................................................ CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................ TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS CAPÍTULO I – POSSE ...................................................................................................... CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS .................................................................................. CAPÍTULO III – PROPRIEDADE .................................................................................... CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA ...................................... CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA ..................................................... TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO ......................................................................................... CAPÍTULO II – PARENTESCO ....................................................................................... CAPÍTULO III – FILIAÇÃO ............................................................................................. CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL ............................................................................... CAPÍTULO V – ALIMENTOS ......................................................................................... 87 97 99 103 105 71 73 75 79 83 31 49 53 67 3 9 15 25 27

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Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA ...................................................................... 107 CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES .............................................................. 111

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO I - PARTE GERAL

CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS

1. Conceito de personalidade jurídica A personalidade jurídica é um atributo essencial para ser sujeito de direito (art. 1º do CC). Para a teoria geral do direito civil a personalidade é uma aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações. Todavia, a noção de aptidão, ou seja, qualidade para ser sujeito de direito, conceito aplicável tanto às pessoas físicas como às pessoas jurídicas não é o único sentido técnico de personalidade. Num sentido valorativo, a personalidade traduz o “conjunto de características e atributos da pessoa humana, considerada objeto de proteção privilegiada por parte do ordenamento, bem jurídico representado pela afirmação da dignidade humana” (Gustavo Tepedino, Heloisa Helena Barbosa, Maria Celina Bodin de Morais. Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Rio de Janeiro: Revonar, 2004, p.04). Resumindo os dois sentidos técnicos que envolvem o conceito de personalidade jurídica podemos afirmar que: a) ela significa a possibilidade de alguém ser titular de relações jurídicas, como forma de expressão da dignidade da pessoa humana e, b) objeto de tutela privilegiada pela ordem jurídica constitucional. 2. Início da personalidade jurídica da pessoa natural O início da personalidade é marcado pelo nascimento com vida, conforme dicção do art. 2º do CC. Clinicamente o nascimento é aferível pelo exame de docimasia hidrostática de Galeno. Em consonância com o texto do art. 2º do CC, a doutrina majoritária defende que o Direito Civil positivo adotou a teoria natalista para o início da personalidade jurídica. Nessa linha, o nascituro, ente concebido, mas não nascido, não passa de uma potencialidade de direitos. Em sentido contrário, por influência do Direito francês, surge a teoria concepcionista pela qual o nascituro adquiriria personalidade jurídica desde a concepção, sendo, assim, considerado pessoa. Aqui o nascimento não é condição para que a personalidade exista, mas para que se consolide. 3. Proteção jurídica do nascituro Nascituro é o ente já concebido, mas ainda não nascido. Deixando de lado as discussões teóricas sobre o início da personalidade jurídica, é certo que a segunda parte do art. 2º do CC expressamente “põe à salvo os seus direitos”. Assim, pode-se afirmar que na legislação em vigor o nascituro: a) É titular de direitos personalíssimos (como o direito à vida); b) Pode receber doação, conforme dispõe o art. 542 do CC: “A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita por seu representante legal”; c) Pode ser beneficiado por legado e herança (art. 1798 do CC); d) Pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses (arts. 877 e 878 do CPC); e) O Código Penal tipifica o crime de aborto;

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b) Aqueles que sofrem de doença ou deficiência mental (art. a qual se refere à aptidão para a prática em geral. é exatamente o patrimônio da família. seus direitos civis. promovida pelo CEJ (Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal). Todo ente com personalidade jurídica possui também capacidade de direito. Ele distingue duas modalidades de incapacidade. IV) – Esta modalidade de incapacidade deve ser decretada judicialmente por requisição do cônjuge ou familiar. A capacidade de fato. Da capacidade de fato distingue-se a legitimidade (ou legitimação). Nesta hipótese a incapacidade deve ser reconhecida por meio da ação de interdição. I). tais como o nome. 4º. II). com a incapacidade do pródigo. Personalidade e capacidade jurídica são as duas faces de uma mesma moeda. (ex. III) – São elementos para a configuração dessa forma de incapacidade o caráter temporário e a impossibilidade total de expressão da vontade. imagem e sepultura”. sem a interferência de terceiros na qualidade de representantes ou assistentes. prevista nos artigos 1. 3º. e não apenas o patrimônio do -4- . III) – A previsão da incapacidade relativa dos excepcionais tem como propósito proteger os atos praticados pelos agentes nessas situações. 3º.177 ao artigo 1186 do CPC. também conhecida como capacidade de gozo ou capacidade de aquisição. c) Os deficientes mentais que tenham o discernimento reduzido (art. A capacidade de direito não se confunde com a capacidade de fato. também chamada de capacidade de exercício. coma). sem prejuízo de sua salutar inserção no meio social. 8069/90). até os 12 anos de idade incompletos considera-se a pessoa criança. os quais deverão ser verificados cumulativamente. em 2002. c) Os que por causa transitória não puderem exprimir sua vontade (art. já que o que se protege. b) Os ébrios habituais e os viciados em tóxico (art. aprovado na Jornada de Direito Civil. ao contrário da capacidade de direito possui estágios definidos no próprio Código Civil. e) Os pródigos (art. ao contrário da capacidade. d) Os excepcionais sem desenvolvimento mental completo (art. pode ser entendida como a medida da intensidade da personalidade. 4º. 4º do CC são considerados relativamente incapazes: a) Os maiores de 16 e menores de 18 anos (art. ou seja. Esta é uma forma específica de exercício de determinados atos da vida civil. Trata-se de um divisor quantitativo de compreensão do indivíduo. É bom lembrar que o enunciado 01. I) – Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no. Entretanto. 3º. tendo em vista que não se nega ao indivíduo a qualidade para ser sujeito de direito. 4º. Este conceito se relaciona com as condições pessoais que determinado indivíduo reúne para exercer pessoalmente seus direitos. tendo em vista o comprometimento do seu quadro cognitivo. II) – Trata-se de uma hipótese que o indivíduo é atormentado por uma patologia que o impede de praticar atos no comércio jurídico. II). afirmou que “a proteção que o Código Defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos de personalidade. De acordo com o art. 4º. os adolescentes até os 16 também são reputados absolutamente incapazes. Capacidade de direito e capacidade de fato Por capacidade de direito. De acordo com o art. Ela nada mais é do que a habilidade para praticar de forma autônoma. 4º. 4.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI f) Tem direito a alimentos. a saber: a incapacidade em absoluta e a relativa. 3º do CC são considerados absolutamente incapazes: a) Os menores de 16 anos (art.

1782 do CC “a interdição do pródigo só o privará de. caso não seja encontrado até 02 dois anos após o término da guerra (CC art. transigir. ou a existência de relação de emprego. A morte deverá ser atestada por profissional de medicina. A expressão economia própria deve ser entendida no sentido de caracterização de renda suficiente por meio do estabelecimento ou do emprego para a sobrevivência da pessoa. Nesse caso. (CC art. primeira parte). 77 e 78 da Lei no. conforme se depreende da leitura do art. em função deles. a exemplo da arteriosclerose. 6. alienar. ou um deles na falta do outro. de acordo com o nível social em que está inserida. parágrafo único. I. tendo em vista que o código civil remete a matéria para a legislação especial (art. É bom lembrar que a senilidade não é causa de restrição da capacidade.Exercício de emprego efetivo. c) Emancipação legal – Ocorre em razão de situações descritas na lei. II). demandar ou ser demandado. desde que o menor haja completado 16 anos (CC art. I. hipotecar. ressalvada a hipótese de a senectude gerar um estado patológico. segunda parte). 3. na hipótese de um menor posto sob tutela. 5º.Estabelecimento civil ou comercial. 2. necessariamente. Antes da sentença o tutor será. Cometti Fernando F. 4. 7º. desde que. parágrafo único. A primeira trata da probabilidade extrema de morte daquele que se encontre em perigo de vida. independentemente de homologação judicial. b) Emancipação judicial – Realiza-se mediante uma sentença judicial.. sendo o fato levado a registro. De acordo com o art.O Casamento. 5.Coordenadores: Marcelo T. -5- . 5º do CC nos traz as seguintes situações: 1. nos termos dos arts. Não se admite no ordenamento pátrio a hipótese de morte civil ou qualquer outro modo de perda da personalidade sem vida. sob a forma de instrumento público.015/73 (Lei de Registros Públicos).Colação de grau em curso de ensino superior.001/73 (Estatuto do Índio). cuja prova se faz através da certidão extraída do assento de óbito. O art. os atos que não sejam de mera administração”. Extinção da personalidade jurídica da pessoa natural A morte é o momento no qual a personalidade se extingue. o menor tenha economia própria. 6. Para surtir os efeitos legais a escritura pública de emancipação deverá ser registrada no Cartório de Registro das Pessoas Naturais (CC art. se não constar dos autos haver sido efetuado este em oito dias. parágrafo único). Castellani pródigo. 4º. ouvido pelo magistrado (Código Civil art. 7º. 5º. 7º do CC. Três são as formas de emancipação: a) Emancipação voluntária – É aquela concedida por ato unilateral dos pais em pleno exercício do poder parental. ressalvada a possibilidade de suas testemunhas o fazerem se faltar o especialista. II). Sobre a capacidade dos índicos está será regulada pela Lei no. dar quitação. em geral. 6. I). Emancipação Trata-se de um uma hipótese de antecipação da aquisição da capacidade civil plena antes da idade legal. Todavia é possível cogitar de uma presunção de morte. 9º. Trata-se de ato irrevogável. e praticar. emprestar. A segunda hipótese trata dos desaparecidos em campanha de guerra ou feito prisioneiro. de ofício. sem curador. O referido dispositivo trata de duas hipóteses de morte presumida. o juiz deverá comunicar a emancipação ao oficial de registro civil.

podendo ser ilidida por prova que estabeleça a precedência da morte de um dos envolvidos. os herdeiros presumidos. sem que dele se tenha notícias. 1819 e seguintes do CC). nomeando curador.. 30 do CC). O sucessor provisório recebe os bens que caibam no seu quinhão. na transmissão dos direitos entre os sucessores e sucedidos. Essa cautela de exigência de garantia é excepcionada. legítimos ou testamentários. os que tiverem sobre os bens do ausente direito pendente de sua morte. companheiro. Por fim. parágrafo 2º do CC). sem deixar notícias. uma vez provada sua condição de herdeiro (art. poderão os interessados requerer que se abra provisoriamente a sucessão. 30. 9º. 2) pais do ausente (genitores).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Por força do estabelecido no art. 8º trata da hipótese de morte simultânea. garantia pignoratícia ou hipotecária de restituí-los (art. parente sucessível) ou do Ministério Público. porém. para caracterizar a ausência a não-presença do sujeito deve somar-se com a falta de notícias. se não tiver separado judicialmente. a saber: 1) o cônjuge (também o companheiro). Cuida-se de uma presunção juris tantum. 1728 e seguintes do CC). Assim. em relação aos ascendentes. de forma a dar publicidade ao acontecimento. mediante arrecadação de seus bens (art. 1160 do CPC). enfim. do CC a sentença declaratória de morte presumida deverá ser inscrita em registro público. estabelecendo uma ordem legal estrita e sucessiva. a requerimento dos interessados na administração (cônjuge. ou seja. Ausência das pessoas naturais Ausente é aquele que desaparece de seu domicílio. descendentes e o cônjuge. quem tem a posição de herdeiro do outro. ou de fato por mais de dois anos antes da declaração de ausência. b) Sucessão provisória: De acordo com o art. -6- . o Poder Judiciário reconhecerá tal circunstância. conforme a menor possibilidade de reaparecimento do ausente: a) Declaração da ausência e curadoria dos bens: Com o desaparecimento de uma pessoa. em se passando 03 anos. observa-se que a curadoria dos bens do ausente não se confunde com a curadoria da herança jacente (arts. nem representante ou procurador. O interesse no tratamento do tema justifica-se pela implicância de tal fato na ordem de vocação no plano da sucessão. com a declaração de ausência. 26 do CC decorrido 01 ano da arrecadação dos bens do ausente. ou. preferindo os mais próximos aos mais remotos. 23 do mesmo diploma. Finalmente. 4) Qualquer pessoa à escolha do magistrado. Portanto. se ele deixou representante ou procurador. 3) descendente. hipótese que se limita à previsão do art. os credores de obrigações vencidas e não pagas. que passará a gerir os negócios do ausente até o seu eventual retorno. A nomeação não é discricionária. Atente-se que não caberá nomeação de curador se não houver bens para administrar. Consideram-se interessados na abertura o cônjuge ou companheiro. as quais. o CC no art. surge uma massa de bens de bens sem que tenha alguém para administrá-la. em regra. dando. conhecida também como comoriência. sem linhas gerais. IV. Na nomeação o juiz deverá fixar os poderes e obrigações do curador. A ausência é um processo no qual a proteção dos bens do desaparecido dá lugar à proteção dos interesses dos sucessores. segundo a qual se determina a morte simultânea daqueles que falecem na mesma ocasião. 7. Este processo tem três estágios. seguirão os princípios a respeito dos tutores e curadores (arts.

28 do Código Civil. ou ao inventário e partilha dos bens. ou quando houver certeza da morte do ausente (arts. Na forma do art. como forma de sanção ao comportamento negligente daquele. ou quando o ausente completar 80 anos de idade. Castellani A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeitos 180 após sua publicação e trânsito em julgado. se o ausente regressar depois de passados os 10 anos nada recebe. se a ausência foi voluntária e injustificada. o que não acontecerá com os demais sucessores. como se o ausente tivesse falecido. 33. Mas a propriedade assim adquirida considera-se resolúvel. se de 05 datam suas últimas notícias. 1845 do CC) terão direito subjetivo a todos os frutos e rendimentos dos bens que lhes couberem. serão os bens arrecadados como vagos passando à propriedade do Município. os herdeiros necessários empossados (art. se não regressar e nenhum herdeiro tiver promovido a sucessão definitiva. necessariamente. caso existente. que deverão. Reversamente. ou os que se sub-rogarem neles. o ausente perde direito ao montante acumulado em favor dos sucessores (art. Se o ausente aparecer nos dez seguintes à abertura da sucessão definitiva. Depois desse período proceder-se-á à abertura do testamento. 37 e 38 do CC).Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. de acordo com o art. capitalizar metade desses bens acessórios. -7- . não se desfazendo as aquisições realizadas. c) Sucessão definitiva: Decorridos 10 anos do trânsito em julgado da sentença que concedeu a abertura da sucessão provisória. do Distrito Federal ou da União. parágrafo único do CC). Porém. poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e levantamento das cauções. os bens serão entregues no estado em que se acharem. Seja qual for o caso os direitos de terceiros são respeitados. 33. Porém. com prestação anual de contas ao juiz competente. os o preço de sua alienação.

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Por óbvio não é possível reconhecer validade a um ente que atue em descompasso com o ordenamento jurídico que possibilitou seu surgimento. O ato deverá ser escrito. vontade eminentemente criadora que. para a constituição ou o nascimento da pessoa jurídica é necessária a conjunção de três requisitos: a) Vontade humana criadora . 2. A melhor doutrina entende que a teoria da realidade técnica é a que melhor explica o tratamento dispensado à pessoa jurídica por nosso ordenamento. Caracteres gerais da pessoa jurídica Por diversas razões. para ser eficaz. manifestada nas associações e nas sociedades pela vontade do grupo componente e nas fundações pela de seu criador. que é a idéia dominante. análoga à pessoa física. As principais são: a) Teoria da ficção – Segundo essa concepção o direito concebe a pessoa jurídica como uma criação artificial. o homem tende a agrupar-se. o ato de atribuir personalidade não seria arbitrário. Teorias sobre a natureza da pessoa jurídica Diversas são as teorias que tentam explicar a caracterização das pessoas jurídicas. pois a personificação dos grupos se opera por construção jurídica. c) Liceidade de seu propósito . inclusive. de fato. O primeiro ocorre com a exteriorização da manifestação de vontade que permite a criação e a elaboração do ato de constituição. em situações excepcionais admitidas por lei. ou seja. assim. independentemente de qualquer autorização estatal. deve emitir-se na conformidade do que prescreve o direito positivo. daí porque a liceidade é imprescindível à vida da pessoa jurídica. por isso mesmo. Cometti Fernando F. Surgimento e início da personalidade da pessoa jurídica O surgimento da pessoa jurídica de direito privado se dá em dois estágios distintos. Contudo. por meio da desconsideração. que não seria objetiva. recebe do ordenamento personalidade jurídica. com vistas à realização de seus objetivos. viabilizando a sua atuação autônoma e funcional. 3. b) Observância das condições legais – É a lei que determina a forma a que obedece aquela declaração de vontade. operar-se a suspensão legal de seus efeitos.È a vontade gregária que marca o surgimento das pessoas jurídicas. b) Teoria orgânica ou da realidade objetiva – Seus partidários entendem que a pessoa jurídica é uma realidade viva. 45 do CC permite afirmar que a personificação da pessoa jurídica é. mas à vista de uma situação concentra. como um animus. Para esta teoria as pessoas jurídicas possuem tanto um corpus. franqueando aos indivíduos a adoção de instrumento particular ou exigindo o instrumento público. Castellani CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA 1. podendo se revestir -9- . é simplesmente uma ficção. para garantir a subsistência e realizar seus propósitos. O grupo. as quais refletem a evolução deste instituto ao longo da história. que administra e mantém a entidade em contato com o mundo. c) Teoria da realidade técnica – Esta teoria situa a pessoa jurídica como produto da técnica jurídica. inclusive de natureza social e antropológica. podendo. A análise do art. rejeitando a tese ficcional para considerar os entes coletivos como uma realidade. com exceção dos casos especiais tratados no CC. cuja existência. construção da técnica jurídica.Coordenadores: Marcelo T.

d) Condomínio – Dá-se a figura do condomínio quando mais de uma pessoa possui a titularidade do domínio de um bem. deixando acervo de bens sem.10 - . Abre-se o segundo estágio em razão da adoção do sistema das disposições normativas. a sociedade irregular. testamento ou herdeiro legítimo notoriamente conhecido. diferentemente do registro civil de nascimento da pessoa natural. seja ele formal ou substancial. Este se refere: a) identificação da pessoa jurídica segundo a sua denominação e fins. O condomínio não chega a ser uma pessoa jurídica. 1819 prevê a hipótese de alguém vir a falecer.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI de forma pública ou particular. pois. d) ao esclarecimento se o ato constitutivo é passível de modificação no que concerne à administração e ao seu modo de atuar. tempo de duração e fundo social. o patrimônio deverá ser incorporado aos bens da União. f) às condições gerais na hipótese de extinção. todavia. eminentemente declaratório da condição de pessoa. Em segundo lugar. b) aos nomes e qualificações dos fundadores ou instituidores e dos diretores. Ocorrendo esta. Na doutrina do direito comercial a sociedade de fato seria aquela que funciona sem que houvesse sido reduzido a termo o seu estatuto ou contrato social. É preciso pôr em sinal a existência de outras entidades despersonalizadas. mas sem a necessária inscrição dos atos constitutivos no registro peculiar. como destaca o próprio texto do parágrafo único do art. 45 do CC exige o registro do ato de constituição. A situação configura o instituto da herança jacente. carecendo. O prazo é decadencial. do Estado ou do Distrito Federal. aos legítimos interessados cabe o direito potestativo de anular a constituição da pessoa jurídica. 45 do CC. que requerem instrumento público ou testamento. mas com capacidade para se obrigar perante terceiros. seria aquela organizada por escrito. porque não há manifestação de vontade neste sentido. de affectio societatis. 46 do CC dispõe sobre os dados a serem anotados na inscrição. Entre esses dois momentos – morte e partilha – impõe-se administração do acervo de direitos e obrigações. O art. A falta do registro implica no surgimento de entidades de fato ou irregulares. O registro tem natureza constitutiva. . incluindo a representação junto às esferas judicial e extrajudicial. É com a sentença declaratória de falência que surge a massa falida. porquanto o art. salvo nas hipóteses das fundações. por ser atributivo de personalidade. inclusive a destinação do patrimônio. uma vez que a ordem jurídica o instrumentaliza com os recursos jurídicos suficientes à administração de seus interesses. por sua vez. além das chamadas sociedades de fato ou irregulares: a) Massa Falida – Se refere ao acervo patrimonial que pertencia à empresa declarada judicialmente falida. se houver. desprovida de personalidade. c) às normas básicas de administração. e) à informação se os membros da pessoa jurídica respondem subsidiariamente pelas obrigações sociais. c) Herança jacente e vacante – O CC no art. No caso de defeito no ato constitutivo. O fato jurídico que faz surgir é o evento morte e a sua extinção se opera com o fato jurídico da partilha de bens entre os herdeiros. local da sede. já adquirida no instante do nascimento com vida. nem formalização desta. b) Espólio – Este consiste no patrimônio deixado pelo de cujus e compreensivo do conjunto de direitos e obrigações. em primeiro lugar pela desnecessidade. Os bens permanecerão nesta condição até a sua entrega aos herdeiros que vierem a se habilitar ou à declaração de sua vacância. cuja titularidade é exercida pela figura do inventariante.

por sua própria natureza. de fins idênticos ou semelhantes. p. Ocorrendo a dissolução da associação. Considerando sua estrutura organizacional. A receita gerada deve ser revertida em benefício da própria associação visando à melhoria de sua atividade. 2º) destituir os adminitradores. nos estatutos ou na própria lei. será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto. em deliberação fundamentada e por maioria absoluta dos presentes. São elas: a) Associações: São entidades formadas pela união de indivíduos com o propósito de realizarem fins nãoeconômicos. Espécies de pessoas jurídicas de direito privado O art. por meio das pessoas jurídicas que compõem os seus órgãos sociais e conselhos deliberativos. exige órgãos de representação para poder atuar na órbita social. Ela possui poderes deliberativos e o art.Coordenadores: Marcelo T. moldada a partir da técnica jurídica. à instituição municipal. a sociedade ou a associação age. Note-se que. e na estrita forma do estatuto social (art. no silêncio deste. pelo fato de não perseguir escopo lucrativo. é permitido aos respectivos membros. Trata-se de um conteúdo mínimo que poderá ser. que passará à condição de associado. Por se tratar de um ente cuja personificação é decorrência da técnica legal. Na falta dessas. São Paulo: Saraiva. dada a sua estrutura. A exclusão do associado só ocorre ocorrendo justa causa. Mesmo não cuidando o estatuto de elencar as condutas que entende passíveis de exclusão do associado. Vol I. por não poder atuar por si mesma. a associação não está impedida de gerar renda. 59 do CC estabeleceu-lhe competências absolutas: 1º) eleger os administradores. praticar todos os atos jurídicos admitidos para a pessoa natural. 5. Capacidade e representação da pessoa jurídica A capacidade da pessoa jurídica é. 3º) aprovar contas. por óbvio. portanto. havendo autorização estatutária. A lei considerou intransmissível a qualidade de associado (art. mais técnico seria falar em presentação da pessoa jurídica. sem existência biológica ou orgânica. por ato inter vivos ou mortis causa. Em verdade. estadual ou federal. a pessoa jurídica. por deliberação dos associados. especialmente convocada. poderá apreciar a existência de motivos graves. os seus direitos a um terceiro (adquirente ou herdeiro). antes da destinação do remanescente a . decidir pela aplicação da sanção. os bens remanescentes serão devolvidos à Fazenda do Estado. prevê o § 1º do art.11 - . porém os seus membros não pretendem partilhar lucros ou dividendos. “O seu campo de atuação jurídica encontra-se delimitado no contrato social. ampliado. A assembléia geral é o órgão máximo das associações. Não deve. 44 do CC prevê cinco espécies de pessoa jurídica de direito privado. a assembléia geral. Isto é. o titular de quota ou fração ideal do patrimônio poderá transmitir. praticar atos ou celebrar negócios que extrapolem da sua finalidade social. 61. omisso este. O estatuto social das associações deverá observar para a sua validade os requisitos indicados no art. Cometti Fernando F. sob pena de ineficácia” (Pablo Stolze Gagliano. como ocorre entre os sócios nas sociedades civis e empresárias. 2004. o patrimônio líquido.208). Todavia. eventualmente. do Distrito Federal ou da União (art. § 2º do CC). Essas pessoas praticam atos como se fosse o próprio ente social. Novo Curso de Direito Civil. 61. especial. e 4º) alterar o estatuto. esse ente social não poderá. por deliberação dos associados. Castellani 4. e. 54 do CC. 57 do CC). faz-se presente. 56 do CC). Rodolfo Pamplona Filho. Por cláusula do estatuto ou. ou.

. receber em restituição. por testamento ou escritura pública. quando confia a terceiro a organização da entidade).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI entidades congêneres. 9. 3) sociedade limitada. especificando o fim para o qual se destina. pessoalmente. sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos. 44 do CC não é um rol taxativo. b) Sociedades: São as entidades formadas pela união de pessoas que exercem atividade econômica e buscam o lucro como objetivo. 5) Realização do registro civil. abuso. 50 do CC prevê a desconsideração. Outras espécies como as cooperativas e as entidades desportivas não foram previstas neste dispositivo 6. há uma série ordenada de etapas que devem ser observadas. e) sociedade em comandita por ações. 4) sociedade anônima. em valor atualizado. O art. 44 do CC estabelece que os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto na Lei n. 2) sociedade em comandita simples.12 - . 17 da CF). objetivando a satisfação do terceiro lesado junto ao patrimônio dos próprios sócios. com recurso ao juiz competente. As formas societárias previstas no nosso ordenamento são: 1) sociedade em nome coletivo. devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidária (art. o § 1º. ou simples desvio de função. e) Organizações religiosas: São entidades que muito se assemelham às associações. 28. a saber: 1) Afetação de bens livres por meio do ato de dotação patrimonial. em caso de fraude. 2) Instituição por escritura pública ou testamento. tendo autonomia para definir sua estrutura interna. Dependendo do tipo de atividade realizada. a qual pode ser entendida como um mecanismo que pretende a supressão temporária da personalidade jurídica da sociedade. 4) Aprovação dos estatutos (É o órgão do Ministério Público que deverá aprovar os estatutos da fundação. Para a criação de uma fundação. organização e funcionamento. d) Partidos Políticos: São entidades com liberdade de criação. c) Fundações: São entidades resultantes de uma afetação patrimonial. as sociedades podem ser simples ou empresárias. em caso de divergência). 3) Elaboração dos estatutos (Há duas formas de instituição da fundação: a direta. Do art. quando o próprio instituidor o faz. organização. ou a fiduciária. estruturação interna. Contudo. que passam a ter responsabilidade pessoal pelo ilícito causado. Desconsideração da personalidade jurídica O art. as contribuições que houverem prestado ao patrimônio da entidade. O § 3º do art. Norma de teor semelhante existe também no CDC no art.096/95. 44 do CC garante-lhes liberdade de criação. que faz o seu instituidor.

b) Administrativa – Ocorre quando a autorização para o funcionamento da pessoa jurídica é cancelada. em primeiro lugar. uma vez encerrada a liquidação. d) Fato natural – Ocorrendo o fato jurídico morte dos membros de uma sociedade. o resultado será a extinção da pessoa jurídica. que dispõem do prazo de trinta dias contado da perda da autorização.Coordenadores: Marcelo T. mas em qualquer hipótese a personalidade subsistirá até que se ultime a liquidação e se proceda a anotação devida. é dos administradores. . A dissolução deverá ser averbada no registro respectivo e.13 - . seguir-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. Cometti Fernando F. c) Judicial – A iniciativa para a dissolução da pessoa jurídica. e não prevendo o seu ato constitutivo o prosseguimento das atividades por intermédio dos herdeiros. A dissolução das pessoas poderá ser: a) Convencional – A mesma liberdade que permitiu aos sócios a criação da pessoa jurídica pode levá-los à extinção desta. ou de sócio que tenha exercitado o direito de pedi-la na forma da lei. Extinção da pessoa jurídica O fim da pessoa jurídica poderá ocorrer por causas diversas. Para tanto devem ser observadas as normas previstas no estatuto ou contrato social. Castellani 7.

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em sentido amplo (lato sensu). conservar ou extinguir relações jurídicas. em sentido amplo. portanto. Assim. O ordenamento atribui a um fato uma qualificação e uma disciplina. São Paulo: RT. de tal sorte que ocorrendo concretamente o fato. de caráter muitas vezes acautelatório. 199). fato jurídico. Como exemplo. por si só. que geram direitos subjetivos são chamados. sem interposição ou transferência de outra pessoa. porém. caso estes sejam ameaçados por quem quer que seja. não estando amparada pela legislação em geral. a que correspondem novas qualificações jurídicas” (LOTUFO. [coordenação Everaldo Augusti Cambler]. de um direito adquirido. Conceito de fato jurídico lato sensu Os acontecimentos. em relação à expectativa de direito. no sentido de mudar as relações anteriores a eles e de configurar novas situações. de fatos jurídicos ou fatos jurígenos. d) Simples ou complexa – Se o fato gerador da relação jurídica se constituir em um único ato ou numa necessária simultaneidade ou sucessividade de fatos. A aquisição de direitos tem sido analisada das seguintes formas: a) Originária ou derivada – de acordo com a existência ou não de uma relação jurídica anterior com o direito ou bem objeto da relação. do direito eventual e do direito condicional. podem ser sistematizadas da seguinte forma: . 2) Conservação de direitos – Atos praticados para o resguardo (defesa) de direitos.15 - . c) A título universal ou singular – se o adquirente substitui o sucedido na totalidade (ou em quota-parte) de seus direitos ou apenas de uma ou algumas coisas determinadas. ainda. Renan. Curso Avançado de Direito Civil: Vol 1. “Fatos jurídicos são. refere-se a situações em que o interesse do titular ainda não se encontra completo. o direito condicional é aquele que somente se perfaz se ocorrer determinado acontecimento futuro e incerto. é importante distinguir os direitos futuros. Por fim. conservativos e extintivos do fato jurídico 1) Aquisição de direitos – Ocorre quando se dá sua conjunção com seu titular. p. seria todo o acontecimento natural ou humano capaz de criar. por sua vez. Assim. indistintamente considerados. modificar. podemos lembrar o direito à sucessão legítima. b) Gratuita ou onerosa – de acordo com a existência ou não de uma contraprestação para a aquisição do direito. A expectativa de direito é mera possibilidade de sua aquisição. modificativos. uma vez que ainda não foi incorporada ao patrimônio jurídico da pessoa. constitui o ponto de confluência entre a norma e o dever ser da realidade: é o modo pelo qual o ordenamento jurídico encontra real atuação. O direito eventual. em que não há falar.Coordenadores: Marcelo T. surge a propriedade quando o bem se subordina a um dominus. que. Castellani CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO 1. embora protegido pelo ordenamento jurídico. 2003. Essas medidas. aqueles fatos a que o direito atribui relevância jurídica. Efeitos aquisitivos. à realização da avença. A título de complementação. pelo fato de não se terem realizado todos os elementos básicos exigidos pela norma jurídica. 2. Cometti Fernando F. Um exemplo é a fase de tratativas para celebração de um contrato. ou historicamente. só se consolida com a morte do autor da herança.

a morte. sem conteúdo negocial. 112 do C. turbação ou esbulho de seu direito. 4. o atendimento a certos requisitos mínimos.). no ato de fixação do domicílio. a decadência. Fato jurídico em sentido estrito São todos os acontecimentos naturais que determinam efeitos na órbita jurídica. Introdução ao estudo do direito civil. Note-se que o elemento caracterizador dessa categoria reside na circunstância de que o agente não goza de ampla liberdade de escolha na determinação dos efeitos resultantes de seu comportamento. como se dá no negócio jurídico (um contrato. o caso fortuito e a força maior. por exemplo. Ato jurídico em sentido estrito O ato jurídico em sentido estrito. 280. p. Negócio jurídico O negócio jurídico é entendido pela corrente voluntarista (dominante no direito brasileiro. refletindo-se no art. etc. b) Atos de defesa do direito lesado – Tendo ocorrido a violação ao direito. Neste tipo de ato. 3. que se dirige. o abandono. na definição do Código da Saxônia. Neste plano “não . Orlando.16 - . modificar ou extinguir uma relação jurídica” (GOMES. a ação de vontade. de acordo com a lei. o decurso do tempo. cotidiana: o nascimento. 1993. a ordem jurídica admite. o ajuizamento de ações cognitivas ou executivas. sempre excepcionalmente. no exercício do direito constitucional de ação (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI a) Atos de conservação – Atos praticados pelo titular do direito para evitar o perecimento. 1210. costumeira. por exemplo). para tanto que seja considerado como tal. XXXV. a constituir. parágrafo 1º do CC). uma enchente. como é o caso do perecimento do objeto. como. constitui simples manifestação de vontade. 3) Extinção de direitos – Como tudo na vida. 10ª. não existe propriamente um declaração de vontade manifestada com o propósito de atingir. como é o caso do interdito proibitório. Os fatos jurídicos em sentido estrito subdividem-se em: a) Ordinários – São fatos da natureza de ocorrência comum. também os direitos podem extinguir-se. às vezes imprevisíveis: um terremoto. 5º. Rio de Janeiro: Forense. a prática de atos de autotutela. 5. É o que ocorre. da CF). dentro do campo da autonomia privada. que determina a produção de efeitos legalmente previstos. exigindo-se. para apreender sistematicamente o tema faz-se mister analisá-lo sob os três planos em que o negócio jurídico pode ser visualizado: a) Plano de existência – Um negócio jurídico não surge do nada. d) Ocorrida a violação. Com efeito. c) Atos de defesa preventiva – Antes mesmo da violação (mas diante da sua ameaça evidente) é possível o ajuizamento de procedimentos próprios para uma defesa preventiva. os efeitos jurídicos pretendidos pelo agente (como no negócio jurídico). por exemplo. mas sim um simples comportamento humano deflagrador de efeitos previamente estabelecidos por lei. ou.C.) como uma “declaração de vontade dirigida à provocação de determinados efeitos jurídicos.. o desforço incontinenti (art. b) Extraordinários – São fatos inesperados.

portanto. que os negócios jurídicos. ser observada. a realidade da existência. como. 117 – Salvo se o permitir a lei ou o representado. diz-se que o negócio é ad solemnitatem. sob pena de se prejudicar não apenas a validade.Coordenadores: Marcelo T. ainda. Observa-se. 401 do CPC. pois. c) Plano de eficácia – Ainda que um negócio jurídico existente seja considerado válido. determinado ou determinável. Castellani se cogita de invalidade ou eficácia do fato jurídico. mas. Sobre o tema da capacidade o C. respeitar as leis naturais. outrossim.C. Todavia. uma vez que a forma pública é indispensável para a validade do ato. importa. em último plano. para que o negócio jurídico. Por fim. trouxe à tona um capítulo inteiramente dedicado ao instituto da representação.C. p. ou seja. dando ensejo à incidência” (MELLO. fisicamente possível. uma vez que não se poderia reconhecer validade a um negócio que tivesse por objeto uma prestação naturalmente irrealizável. a própria executoriedade da avença. o que significa dizer não ser proibido pelo direito e pela moral. seja perfeitamente válido. a exemplo do testamento e dos contratos constitutivos ou translativos de direitos reais imóveis acima do valor consignado em lei. Ao lado do negócio ad solemnitatem. para efeitos probatórios. A lei civil dispõe sobre três tipos de elementos acidentais: 1) Condição – Elemento voluntário que subordina o nascimento ou extinção do direito subjetivo a acontecimento futuro e incerto. é anulável o negócio jurídico que o representante. A modalidade suspensiva provoca a aquisição do . com preceitos genéricos aplicáveis tanto à representação legal. na forma deduzida no art. Há que ser. como forma de manifestação de vontade do representado através do representante deve produzir plenamente seus efeitos. quando o valor do contrato exceder o décuplo do maior salário mínimo vigente no país. Tudo. pois estes podem estar limitados por elementos acidentais de declaração. Marcos Bernardes de. perfeito para o sistema que o concebeu. Cometti Fernando F. deverá. como se vê do art. a alienação de um imóvel situado na lua. isto não importa em produção imediata de efeitos.C. apesar de a forma não preponderar sobre o fundo.) b) Plano de validade – O C. 104 enumera os pressupostos de validade do negócio jurídico: a) agente capaz. figura outra importante categoria: a dos negócios ad probationem. o objeto deve. podem ser realizados de acordo com a conveniência da forma preferida pelas partes. ou seja. Sobre o tema. também. quanto à voluntária. o objeto ser determinado ou. nos termos do art. A representação. Assim. Além do campo da licitude. aqui. determinável. possível. como regra geral. ao negócio jurídico consigo mesmo. por exemplo. ainda. 2000. apenas. São Paulo: Saraiva. vale observar a restrição legal sobre o autocontrato. por não ser essencial.C. quando a norma legal impõe determinado revestimento para o ato. com isso. no seu interesse ou por conta de outrem. no art. conter elementos mínimos de individualização que permitam caracterizá-lo. Parágrafo único – Para esse efeito. Deve. Todo objeto deve.” A licitude para a validade do negócio jurídico traduz a idéia de estar o objeto dentro do campo de permissibilidade normativa. 117: “Art. Nesses.17 - . por força da adoção no C. para efeito de prova do ato jurídico.. fica circunscrito a se saber se o suporte fático suficiente se compôs. Teoria do Fato Jurídico (Plano da Existência). traduzindo em uma forma especial ou em uma indispensável solenidade. 116 do C. c) forma prescrita ou não defesa em lei. suprindo omissão da legislação civil anterior. deve revestir a forma adequada. b) objeto lícito. do princípio da liberdade da formas. celebrar consigo mesmo. ao tempo que foi celebrado. 83. ao menos. tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido substabelecidos. a prova escrita é necessária.

131. até porque se deve entender o direito como proteção do que é lícito. Defeitos do negócio jurídico Trata-se dos defeitos dos negócios jurídicos. bastando. que se classificam em vícios de consentimento –aqueles em que a vontade não é expressada de maneira absolutamente livre – e vícios sociais – em que a vontade manifestada não tem. de cláusula contratual. 1923. na realidade. ao passo que a ignorância é um estado de espírito negativo. a qual informa que o termo inicial suspende o exercício. O encargo pode ser uma restrição no uso da coisa. atribuir-se o que é seu). a intenção pura e de boa fé que enuncia. vale observar que o exercício regular do direito. Finalmente. 7. Adotou-se. Neste sentido é a regra do art. Dizem alguns. conclui-se não ser imprescindível para o reconhecimento do abuso que o agente tenha a intenção de prejudicar terceiro. 3) Encargo ou modo – É a cláusula geradora de obrigação para a parte beneficiária em negócio jurídico gratuito e em favor do disponente. 188 do CC). 6. por seu art. já a resolutiva. 2) Termo – É o marco temporal que define o começo ou o fim dos efeitos jurídicos de um negócio jurídico. suum cuique tribuere (viver honestamente. Ao lado e muito próximo do ato ilícito existe a figura do abuso de direito. pela boa-fé ou pelos bons costumes. Honeste vivere. o critério finalístico para a identificação do abuso de direito. É um peso atrelado a uma vantagem (uma restrição). que já existe.C. de estrutura obrigacional. prevê a hipótese de legado a termo inicial ou suspensivo. que ilícito é tudo aquilo que é contrário ao direito. 187 do C. o total desconhecimento do declarante a respeito . simplificadamente e generalizando. O C.. O segundo corresponde ao dia em que cessam os efeitos do ato negocial. Ele não instaura a relação jurídica. São vícios de consentimento: a) Erro ou ignorância – Trata-se de uma falsa percepção da realidade.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI direito. não a aquisição do direito. Ato ilícito Trata-se de um ato voluntário e consciente do ser humano. também denominado inicial (dies a quo) é o dia a partir de quando os efeitos de um negócio jurídico começam a produzir. alterum non laedere. uma vez realizado o negócio. de terceiro ou do interesse público. A doutrina registra ainda o termo de graça.18 - . A conseqüência do ato ilícito é a do surgimento do dever de reparar o dano causado.C. segundo a dicção legal. permite a extinção de seus efeitos na eventualidade de o fato previsto vir a acontecer. Pode ser legal ou convencional. portanto. O primeiro decorre da lei o segundo. que transgride um dever jurídico. e não uma prestação correspectiva sinalagmática. O termo se caracteriza pela futuridade e certeza. não prejudicar outrem. O primeiro. que exceda manifestamente os limites impostos pela finalidade econômica ou social. Analisando o art. previstas em nosso direito positivo (art. O termo pode ser suspensivo ou resolutivo. que é concedido pelo juiz no curso dos processos mediante dilação de prazo. ou pode ser uma obrigação imposta àquele que é beneficiário. a legítima defesa e o estado de necessidade são causas excludentes de ilicitude.

O acidental leva a distorções comportamentais que podem alterar o resultado final do negócio. . entretanto. ante a iminência de dano por que passa o agente. imaterial ou anímico (a premente necessidade. aproveitando ao autor do dolo ou a terceiro. já a teoria da imprevisão. por sua vez. pressupõe negócio válido.Identifica-se como uma hipótese de inexigibilidade de conduta diversa. pode ser um exemplo para esse vício. 3) a desproporção deve ser considerável. Suas características são: 1) a lesão só é admissível nos contratos comutativos. autorizarem a sua resolução ou revisão. com o propósito de prejudicar credor preexistente. praticado pelo devedor insolvente. exploradas indevidamente pelo locupletante. Cometti Fernando F. O erro. b) Fraude contra credores – Consiste no ato de alienação ou oneração de bens. São dois tipos de coação: física (vis absoluta) e moral (vis compulsiva). uma vez que este se mancomuna de livre vontade para atingir fins espúrios. assim como de remissão de dívidas. todavia. que tem seu equilíbrio rompido pela superveniência de circunstância imprevista e imprevisível.Coordenadores: Marcelo T. A lesão se compõe de dois requisitos: 1) objetivo ou material (desproporção das prestações avençadas). Castellani das circunstâncias do negócio. São vícios sociais: a) Simulação – È uma declaração enganosa de vontade. ou à beira da insolvência. daí a possibilidade de sua anulação. e b) escusável (perdoável). em virtude da diminuição experimentada pelo seu patrimônio. A expressão “meu reino por um cavalo”. Pode-se classificar o dolo em principal e acidental. empregado para induzir alguém à prática de um ato jurídico que o prejudica. imprevisíveis pelas partes e a elas não-imputáveis. o consilium fraudis (o conluio fraudulento) e o eventus damni (o prejuízo causado ao credor). só é considerado como causa de anulabilidade do negócio jurídico se for: a) essencial (substancial). A distinção tem relevo para fins que o principal enseja a anulação do negócio e o acidental só pode levar às perdas e danos. Esta última. respectivamente. a inexperiência ou a leviandade da parte lesada e o dolo de aproveitamento da parte beneficiada). São eles. para ajustá-lo às circunstâncias supervenientes. A lesão é vício que surge concomitantemente com o negócio. Dois elementos compõem a fraude. tornando o negócio jurídico inexistente. e) Estado de perigo . que a doutrina entende que a vis absoluta neutraliza completamente a manifestação de vontade. decorrente do desenvolvimento teórico da cláusula rebus sic stantibus. Não se confunde a lesão. 2) a desproporção entre as prestações deve verificar-se no momento do contrato e não posteriormente. e não simplesmente anulável. O principal é quando a causa determinante do negócio. É um defeito que não vicia a vontade do declarante. Importante notar. a quem não resta outra alternativa senão praticar o ato. é aplicável quando a ocorrência de acontecimentos novos. c) Coação – Trata-se da violência apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar. da obra de Shakespeare. e 2) subjetivo. com a aplicação da teoria da imprevisão. em detrimento da lei ou da própria sociedade. diante da inexperiência ou necessidade. refletindo sobre a economia ou na execução do contrato. o primeiro de natureza subjetiva e o segundo objetiva. d) Lesão – Trata-se de um vício que permite a deformação da declaração de vontade por fatores pessoais do contratante. b) Dolo – Trata-se de um artifício ou expediente astucioso. visando produzir efeito do ostensivamente indicado.19 - . Importante observar que a simulação deixou de ser uma causa de anulabilidade e passou a figurar entre as hipóteses de nulidade do ato jurídico.

embora com conotação dinâmica. uma situação jurídica subjetiva. 2.O ato nulo atinge interesse público 1. ou ainda. pela via judicial. 3. que permite a composição do dano verificado. 8. por influência do direito alemão. 3.Admite confirmação expressa ou tácita. É verdadeira permissão jurídica. contaminado de vício menos grave. 2. decadenciais de quatro (regra geral) ou dois (regra supletiva) anos. particulares. é correto dizer-se que o ato nulo (nulidade absoluta). com a qual não se confunde. decorre de infringência de norma jurídica protetora de interesses eminentemente privados. fazer ou exigir de outrem determinado comportamento. a depender da natureza do interesse jurídico violado. Prescrição Direito subjetivo é o poder que o ordenamento jurídico reconhece a alguém de ter.A anulabilidade somente pode ser a qualquer tempo.Não se opera de pleno direito. assim.A ação declaratória de nulidade é 5. A pretensão que nasce no momento em que o credor pode exigir a prestação. em prazos prazo prescricional ou decadencial. salvo norma específica em sentido contrário. ainda. o ato anulável (nulidade relativa). A pretensão revela-se. portanto. a existência de um crédito. segundo o CC. causando lesão no direito subjetivo. nas relações jurídicas patrimoniais. A esse direito de exigir chama a doutrina de pretensão. 9. é possível afirmar que o reconhecimento desses estados são formas de proteção e defesa do ordenamento jurídico vigente.Pode ser argüida pelas partes.O ato anulável atinge interesses superior. Invalidade do negócio jurídico A previsibilidade doutrinária e normativa da teoria das nulidades impede a proliferação de atos jurídicos ilegais ou portadores de vícios. 4. Da infração desse dever resulta. para outros. denominada ação pauliana. até legítimos interessados.20 - . como um poder de exigir de outrem uma ação ou omissão. Por sua vez. então. para alguns. um dano para o titular do direito subjetivo. não se sujeitando ao argüida. enquanto aquele é estático e. legalmente tutelados. Nasce. ou. pronunciada pelo juiz. pressupõe. é um poder concedido ao indivíduo para realizar seus interesses. Dentro dessa perspectiva. Sendo assim.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A anulação do ato praticado em fraude contra credores dá-se por meio de uma ação revocatório.Opera-se de pleno direito. 6. 6. em que ao poder de uma das partes corresponde ao dever da outra.A ação anulatória é decidida por decidida por sentença de natureza sentença de natureza desconstitutiva declaratória. Representa a estrutura da relação poder-dever. É. mesmo. 5. para esse titular. . de natureza cogente. pelo MP.Pode ser reconhecida.Somente pode ser argüida pelos terceiro interessado. sinônimo de direito subjetivo. NULIDADE ABSOLUTA NULIDADE RELATIVA 1. viola norma de ordem pública. e carrega em si vício considerado grave. o poder de exigir do devedor uma ação ou omissão. e esta não é cumprida. por 4.Não admite confirmação.

em tese. como as destinadas a extinguir o condomínio. O Código Civil agrupou as causas que suspendem e impedem a prescrição em uma mesma seção. a condição conjugal). 189 e art. o que a relaciona intimamente com o direito processual civil. Pode-se dizer. dependendo do momento em que surgem. Cometti Fernando F. e) as que protegem o direito de propriedade. pois a renúncia à possibilidade de alegar a prescrição pode acarretar a diminuição do patrimônio do devedor. Em se tratando de ato jurídico. antes que se tenha consumado. f) as pretensões de reaver bens confiados à guarda de outrem. que a prescrição tem como requisitos: a) a violação do direito. a accessio praescriptionis. ou não a alegarem oportunamente” (art. b) que não prejudique terceiro. é nas obrigações que ele encontra a sua natural aplicação. a de pedir meação no muro vizinho. penhor ou mandato. abdicar do direito de alegar esta defesa indireta de mérito (a prescrição) em face de seu credor. A pretensão e a exceção prescrevem no mesmo prazo (art. Assim. com o nascimento da pretensão. Diz o mencionado art. a título de depósito. deixando para fazê-lo somente em grau de apelação. é permitida. Assim. mas se estende a terceiros favorecidos por ela. nos termos do art. regra que deve ser acolhida pela doutrina e jurisprudência. requer a capacidade do agente. A argüição não se restringe.167). Finalmente. 22 do CPC. 196).21 - . Registre-se que os “relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes legais. d) as referentes a bens públicos de qualquer natureza. 193 que a prescrição pode ser alegada “pela parte a quem aproveita”. isto é.Coordenadores: Marcelo T.). 191 não admite a renúncia prévia da prescrição. As mesmas causas ora impedem. consumado o prazo prescricional e sem prejuízo a terceiro. não se inicia novamente. desse modo. Renunciar à prescrição consiste na possibilidade de o devedor de uma dívida prescrita.C. Importante observar que existem pretensões imprescritíveis. 195). 189 do C. 208 do CC. dois são os requisitos para a validade da renúncia: a) que a prescrição já esteja consumada. Castellani Embora a pretensão seja um conceito técnico jurídico aplicável às várias espécies de relações jurídicas. que derem causa à prescrição. entendendo que estão subordinadas a uma unidade fundamental. regra também aplicável à decadência por força do art. c) o decurso do prazo fixado em lei. ao prescribente. afirmando que a prescritibilidade é a regra e a imprescritibilidade a exceção. b) a inércia do titular. isto é. 1. em virtude da inércia de seu titular. a qualidade de cidadania. O prazo. E com o principal prescrevem os direitos acessórios (art. se este deixou de alegar a prescrição de imediato. b) as que se prendem ao estado das pessoas (estado de filiação. que é perpétuo (reivindicatória). pois. também. que são imprescritíveis. O art. c) as de exercício facultativo (ou potestativo). não prescrevem: a) as que protegem os direitos da personalidade. g) as destinadas a anular inscrição do nome empresarial feita com violação de lei ou do contrato (CC. a soma do tempo corrido contra o credor ao que flui contra o seu sucessor (art. em que não existe direito violado. no prazo previsto pela lei (art. A única conseqüência da tardia alegação da prescrição diz respeito aos ônus de sucumbência: são indevidos honorários advocatícios em favor do réu. . A prescrição é a perda da pretensão. pois. A sua função mais importante é a de traduzir uma legitimação material para exigir uma prestação determinada. Terceiros eventualmente prejudicados são os credores. na oportunidade da contestação. 190). art. ora suspendem a prescrição. 167 do CC/16).

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Impedimento da prescrição é o obstáculo ao curso do respectivo prazo. não há lesão. se o prazo ainda não começou a fluir. o obstáculo surge após o prazo ter iniciado. 2. O lado passivo da relação jurídica limita-se a sujeitar-se ao exercício de vontade da outra parte. constituindo. Desse modo. O efeito da interrupção da prescrição é. de um comportamento ativo do credor. A restrição é benéfica. Qualquer ato de exercício ou proteção ao direito interrompe a prescrição. que decorre de certos fatos previstos na lei. 204. não há pretensão. aproveitando-se o tempo anteriormente decorrido. O art. a prescrição continua a correr. não há o seu descumprimento. ela se verificará pela maneira mais favorável ao devedor. § 1º). a causa ou obstáculo impede que comece. Sempre que possível a opção.Inutiliza-se todo o tempo prescricional decorrido. instantâneo: “A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu. caput. porque destituídos dos respectivos deveres. Se. dá-se a suspensão. Interrupção da prescrição é o fato que impede o fluxo normal do prazo. expressamente declara que a interrupção da prescrição “somente poderá ocorrer uma vez”. O tempo limita o exercício dos direitos potestativos pela inércia do respectivo titular. modificando ou extinguindo uma situação subjetiva sem que esta possa fazer alguma coisa se não sujeitar-se. ou do último ato do processo para a interromper” (art. São direitos potestativos. aproveita aos outros. em sentido amplo. Consequentemente. em regra.O direito subjetivo atingido é beneficiado pela interrupção. que volta a correr por inteiro. 10.A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros. a interrupção operada contra o co-devedor. a suspensão é a cessação temporária do curso do prazo prescricional sem prejuízo do tempo já decorrido. diversamente da suspensão da prescrição. Constitui-se em um fato que não permite comece o prazo prescricional a correr. o do doador revogar a doação simples. a qual recebe o nome de caducidade. antes do seu início. Esta. 204 do CC). A interrupção por um dos credores solidários. para não se eternizarem as interrupções da prescrição. essa vantagem para o titular do direito subjetivo ofendido corresponde às desvantagens para o prescribente. parágrafo único). Assim. o de aceitar ou não herança. igualmente. assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros (CC. O direito potestativo é o poder que o agente tem de influir na esfera jurídica de outrem. como foi mencionada. art. entretanto. significa extinção de direitos em . portanto. não prejudica os demais coobrigados (art. 3. inutilizando o já decorrido A interrupção depende. 202. começando a correr novo prazo. dilatando-se o período para composição do dano. São efeitos da interrupção da prescrição: 1. E não havendo dever. extinguindo o tempo já decorrido.22 - . cujo prazo volta a fluir somente pelo tempo restante. São direitos potestativos o do patrão dispensar o empregado. ou seu herdeiro. o de aceitar ou não a proposta de contratar. 202. Cessando as causas suspensivas. Decadência Existem direitos subjetivos que não fazem nascer pretensões. diferentemente da suspensão. que vê retardado o benefício que lhe poderia advir da prescrição.

portanto. pois. pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição. dispõe a lei (CC. os prazos decadenciais são fatais e peremptórios.Coordenadores: Marcelo T. própria da prescrição. A decadência traduz-se. deve o juiz conhece-la de ofício (CC. art. A decadência é estabelecida em lei ou pela vontade das partes em negócio jurídico. em uma limitação que a lei estabelece para o exercício de um direito. bem como de esclarecer que não são revogados os casos de um eventual dispositivo especial. a parte a quem aproveita. ser válida a renúncia à decadência estabelecida em negócio jurídico pelas partes. 207 que salvo disposição legal em contrário. o prazo começa a correr no momento em que o direito nasce. como meio de defesa”. mas o juiz não pode suprir a alegação. A inserção da expressão “salvo disposição em contrário” no aludido dispositivo tem a finalidade de definir que tal regra não é absoluta. Na decadência. perda dos direitos potestativos quando toma o nome de decadência. 210). art. a contrario sensu. simultaneamente. sendo objeto de ação constitutiva. e também menor do que o da prescrição. No caso de decadência convencional. O respectivo prazo é rigidamente fixado. em que este só corre da lesão do direito subjetivo. . suspendem ou interrompem a prescrição. não se aplicam à decadência as normas que impedem. No caso de decadência legal. desde que se trate de matéria de direito disponível e não haja fraude às regras legais. Prescreve o art. Em princípio. ainda. sem possibilidade de interrupção ou suspensão. sendo de admitir-se. Castellani geral. nem se interrompem. Cometti Fernando F. surgindo. O que se tem em mira é. extinguindo-o e pondo a termo ao estado de sujeição existente. a decadência não é “suscetível de oposição.23 - . Sendo matéria de ordem pública. isto é. e em sentido restrito. Enquanto a prescrição deve ser alegada pela parte interessada. o interessado. pois não se suspendem. direito e termo inicial do prazo. o que não ocorre na prescrição. não a sua exigibilidade. 209) que é nula a renúncia à decadência fixada em lei. portanto. Aplica-se às relações que contêm obrigações. Seu fundamento é o princípio da inadmissibilidade de conduta contraditória. o exercício do direito potestativo.

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Para as pessoas que não tenham residência certa. 2004. 70. uma sede estável da pessoa. A mudança de domicílio opera-se com a transferência da residência aliada à intenção manifesta de alterá-lo. 94. Aspectos gerais do domicílio da pessoa natural O domicílio é o lugar de exercício dos direitos e cumprimento das obrigações. Segundo o art. a indicação de um lugar onde o indivíduo está. a capacidade e os direitos de família”.25 - . tendo em vista que todas as situações descrevem um tipo de relação que uma pessoa natural estabelece com um lugar. Em ambos os casos é mister a concorrência dos requisitos do ânimo (psíquico) e da residência (material). É o lugar onde a pessoa natural se estabelece habitualmente. da . A prova da intenção resulta do que declarar a pessoa às municipalidades do lugar que deixa. conclui-se. ou seja. onde será aberta a sucessão hereditária (art. 3.C. 373). em habitação. e para onde vai.Coordenadores: Marcelo T. b) Residência – Trata-se de um lugar que pressupõe mais estabilidade. da LICC a “lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. Nos termos do art. dispensando-se aos que tenham interesse em encontrá-lo o esforço e a incerteza de andarem à sua procura por caminhos instáveis” (Caio Mario da Silva Pereira.C. parágrafo 2º do CPC. etc. habitualmente. Noção Geral A noção de domicílio desempenha papel relevante para o Direito. Castellani CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO 1. inclusive com uma técnica para destacar a pluralidade domiciliar residencial (art. profissionais de circo. Fala-se também.) e ainda. em centro principal de seus negócios jurídicos ou de sua atividade profissional. deve estar ou presume-se que esteja. Rio de Janeiro: Forense. o nome. 70 do CC o domicílio da pessoa natural é o lugar onde estabelece residência com ânimo definitivo. 327 do C. 2. andarilhos.). convertendo-o. Noção de residência e morada Não se confundem com o domicílio a morada e a residência. 72 do CC). não possuam o requisito material do domicílio. terá de cumprir suas obrigações (art. em regra. Diante disso. Confunde-se com a noção de estadia que é a mais tênue relação de fato entre uma pessoa e um lugar tomada em consideração pela lei. Instituições de Direito Civil – Introdução ao direito civil. que o domicílio importa em traduzir “o elemento de fixação espacial do indivíduo. O ordenamento jurídico brasileiro adota o conceito da pluralidade domiciliar. ou se tais declarações não fizer. segundo a qual aquele que cria aparências de um domicílio em um lugar pode ser considerado pelo terceiro como tendo aí seu domicílio (ex.) A aplicação legal desta teoria encontra-se no art. 71 do CC) da pluralidade domiciliar profissional (art. para caracterizar esta relação transitória de fato. no sentido da exigibilidade. Todavia. elaborou-se a teoria do domicílio aparente ou ocasional. p. o fato de localização para efeito das relações jurídicas. 1785 do C. ou seja. é ainda o domicílio que determina o local onde a pessoa. ciganos. a) Morada – É o lugar onde a pessoa se estabelece provisoriamente. Cometti Fernando F. a exata compreensão desses conceitos é fundamental para esclarece a matéria de maneira apropriada. 73 do CC e no art.

a sede do comando a que se encontra imediatamente subordinado. porém.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI própria mudança. em atenção à condição especial de determinadas pessoas. IV. do CDC. contrato social ou ato constitutivo equivalente. no país. o militar que responderá civilmente no lugar onde serva. 77 do CC). com as circunstâncias que a determinaram. Trata-se de norma jurídica imperfeita. Se não houver essa fixação. que fixa residência em um determinado local. b) De eleição ou especial – Decorre do ajuste entre as partes de um contrato. com ânimo definitivo. por sua vez. Vale destacar. citado no estrangeiro. do CC). que este dispositivo somente pode ser invocado em relações jurídicas em que prevaleça o princípio da igualdade dos contratantes e de sua correspondente autonomia de vontade. 75. 51. poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve (art. o do preso que é o lugar onde estiver cumprindo pena. 4. Espécies de domicílio O domicílio poderá ser: a) Voluntário – Decorre do ato de livre vontade do sujeito. uma vez que a falta de declaração não acarreta sanção alguma ao omitente. por violar o disposto no art. 5. e. 74 do CC. Suas hipóteses estão descritas no parágrafo único do art. a lei atua supletivamente. o servidor público cujo domicílio é o lugar em que exerce permanentemente suas funções. então. ao considerar como seu domicílio “o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações”. c) Necessário ou legal – Decorre de mandamento da lei. que. ou do estabelecimento. Não sofre interferência legal este tipo de domicílio. 75. Tal regra encontra assento no art. “o lugar do estabelecimento. Se a administração ou diretoria da pessoa jurídica de direito privado tiver sede no estrangeiro. IV e parágrafo 1º. Aliás. O agente diplomático. sendo da Marinha ou da Aeronáutica. se possuir filiais em diversos lugares. indicada em seu estatuto. sito no Brasil. no tocante às obrigações contraídas por qualquer de suas agências. do CC). e. “cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados” (art. É o seu domicílio especial. o Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento no sentido de que “a pessoa jurídica de direito privado pode ser demandada no domicílio da agência. a que ela corresponder” (art. Aspectos gerais do domicílio da pessoa jurídica O domicílio da pessoa jurídica de direito privado é a sua sede. Vale notar que na dinâmica do CDC considera-se ilegal a cláusula contratual que estabelece o foro de eleição em benefício do fornecedor. alegar extraterritorialidade sem designar onde tem. o do marítimo que é lugar onde o navio estiver matriculado. . 76 do CC. parágrafo 2º. finalmente. ou. o seu domicílio. sendo elas: o do menor que terá o domicílio do seu representante legal.26 - . será considerado seu domicílio. em que praticou o ato” (súmula 363).

como os direitos de família e os direitos puros de personalidade. Ed. são considerados bens apenas as utilidades com valor pecuniário. Cometti Fernando F. Introdução ao Direito Civil. quando trata de propriedade e de seus desdobramentos. 207). deixando de utilizar-se do termo “bem”. a qual alicerça a noção de piso vital ou mínimo existencial. noutras palavras. jurídica (p. ou seja. a “representação econômica da pessoa”. Tal renda básica de cidadania nada mais é do que uma projeção do patrimônio mínimo dos indivíduos. Introdução Sob um prisma de técnica legislativa das expressões. Para efeitos jurídicos. suscetíveis de avaliação econômica. um complexo de direitos e obrigações entrelaçados por relações jurídicas. ex. 2. as quais têm como objeto os bens. por meio de comparação com outros bens. ficando de lado todos os outros que não têm valor pecuniário. Classificação dos bens Os bens se classificam. Ed. Modernamente a noção de patrimônio está ligada diretamente à personalidade do indivíduo. ão ao Direito Civil. Castellani CAPÍTULO V – DOS BENS 1. 10ª. bens de composição obrigatória em seu patrimônio para garantir alimentação. as coisas.Coordenadores: Marcelo T. No sentido econômico. os créditos. cunhando alguns autores a expressão “patrimônio moral” e também a teoria do patrimônio mínimo desenvolvida por Edson Fachin.bens considerados em si mesmos: a) Corpóreos são aqueles que têm existência física (material). perceptível pelos sentidos (móveis. incorpóreos são aqueles que têm existência meramente abstrata. Orlando Gomes (ORLANDO GOMES. sob três aspectos: de acordo com sua titularidade.. imóveis). os débitos. num sentido de raridade. ou seja. é possível afirmar que a expressão “bem” utilizada pelo legislador na parte geral tem significado amplo e pode ser utilizada em diferentes acepções. infelizmente a doutrina nem sempre está acorde sobre o conceito de bem correspondente ao de coisa. pode-se considerar como bem a utilidade física material ou imaterial que pode servir de objeto de uma relação jurídica. p. . e limitatividade. Rio de Janeiro. ideal. se é mais ou menos amplo do que esse. está englobado o complexo de direitos reais e obrigacionais de uma pessoa. a possibilidade de transito jurídico através de relação estabelecidas entre os seus titulares (posse e domínio). introduzida expressamente no ordenamento pátrio pela Lei 10. direitos autorais). educação e a saúde como projeção concreta do fundamento da dignidade da pessoa humana. pela própria lei. 1990. ou seja. 1. exige a reunião de três qualidade: a) economicidade. nem podem ser cedidos. 10ª. como feito na parte geral.. fala em coisa. escassez empregado por outros doutrinadores. ou através da consideração do bem isoladamente. mediante uma individualização existencial criado por um critério econômico-social.835/04 que trata da renda básica de cidadania. Em síntese.27 - . Na parte especial. Para explicar o conceito de bem. Nesta idéia. permutabilidade. excluídas aquelas que não podem merecer a qualificação patrimonial. Já num enfoque dogmático. Patrimônio Numa acepção clássica o patrimônio é a constituição econômica da pessoa natural ou jurídica.

Quanto à forma de alienação: é livre em relação aos móveis. embora ainda incorporados ao solo são destinados a ser destacados e convertidos em móveis. é possível que sejam tratados num determinado negócio como bens fungíveis. quanto aos bens móveis a exigência não existe. embora sejam bens incorpóreos.Por antecipação: São aqueles bens que. por força própria ou externa.por acessão física. 2. separadas do solo. qualidade e quantidade.Por natureza: solo e tudo que nele se incorporar naturalmente (subsolo. 2.Outro aspecto da distinção reside no tipo de direito real de garantia que poderá ser constituído sobre o bem: em regra. maquinários agrícolas. . os bens móveis podem ser oferecidos em penhor. Porém. Nos termos do art. 2. edifícios). Os bens móveis. em bens móveis ou imóveis. Os imóveis podem ser: 1. Os bens materiais são transferidos por meio de contrato de compra e venda ou doação. ou de remoção por força alheia. 83 do CC.Quanto à necessidade de autorização do cônjuge: Via de regra as negociações relacionadas aos bens imóveis exige anuência do cônjuge. Os imóveis. os imateriais por cessão. espaço aéreo. Não existe a possibilidade de aquisição de bens incorpóreos por meio de usucapião. armários embutidos). segundo o art. A doutrina esclarece que são aqueles que não se podem transportar sem alteração de sua essência. Exemplo: árvores destinadas a corte. forem removidas para outro lugar (ex. c) Fungíveis são os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie. b) Imóveis (ou bens de raiz). “os bens suscetíveis de movimento próprio (semoventes).28 - . sob pena de anulabilidade do ato (art. escada de emergência. 81 não perdem o caráter de imóveis as edificações que.Por acessão intelectual ou por destinação do proprietário. com a ressalva de que a autorização não será exigida se o regime de bens for de separação absoluta).).Por determinação legal: Também há bens que são considerados móveis em razão da vontade do legislador. em razão de sua natureza. a lei opta por tratar determinados bens como imóveis. Trata-se das hipóteses previstas no art. ar-condicionado. 82. 4. 79 do CC são “o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente”. de acordo com o art. serão sempre considerados bens infungíveis. em princípio. Infungíveis são os insubtituíveis. Móveis são. de sua substância. casa de madeira) e os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele reempregarem. são considerados imóveis para efeitos legais: os direitos reais sobre imóveis e as ações que os assegurem e o direito à sucessão aberta.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A importância da distinção reside no fato de haver diferença para a transmissão. De acordo com o art. 93). por sua vez. Pelo novo CC são chamados de pertenças (art. Ex. 1. árvores. construções. mas em relação aos imóveis exige escritura pública para os bens de valor superior a 30 salários mínimos. podem ser classificados em: 1.Por sua própria natureza: são aqueles que podem ser transportados sem deterioração de sua substância. 3. 3. embora não se pudesse falar. mas conservando sua unidade. industrial ou artificial: é tudo que o homem incorporar permanentemente ao solo (sementes. 3. 80.Por determinação legal: Por imperativo de segurança jurídica. 1647. sem alteração de sua substância ou da destinação econômico-social”. etc. que constituem uma categoria de bens acessórios. A importância da distinção entre bens móveis e imóveis é verificada em vários aspectos. e em relação aos imóveis poderão ser objeto de hipoteca.

É indiferente para a caracterização dos bens de uso comum que o uso seja gratuito ou retribuído. quando seus elementos são unidos por ato humano. Os bens de uso comum e os de uso especial são inalienáveis. embora reunidos. Acessório é aqueles cuja existência supõe a do principal. os quais podem ser públicos ou particulares. Etc. Cometti Fernando F. o solo). melhorá-la (benfeitorias úteis) ou embelezá-la (benfeitorias voluptuárias). 26 do CDC (bens duráveis e não duráveis) e que envolve tempo maior ou menor do consumo de determinado bem. 4. patrimônio.Produtos: São as utilidades que se retiram da coisa. que é a pluralidade de bens singulares com destinação unitária. São os bens públicos que não são afetados a uma atividade pública específica. pó um acaso. 99): 1. sem destruição imediata de sua substância. . dotadas de valor econômico e que por isso. será chamado de quase-usufruto ou usufruto impróprio. metais. 3. o usufruto for instituído sobre bens consumíveis.Os de uso especial. A importância desta classificação encontra-se no usufruto. que é o complexo de relações jurídicas de uma pessoa. estradas.Frutos: São as utilidades que a coisa principal periodicamente produz e cuja percepção não diminui a sua substância. por sua vez. A presente classificação não se confunde com aquela que consta do art. Se. O bem principal (art. sem que sejam considerados suas partes integrantes (art. independente dos demais. Os bens singulares podem ser: simples. tais como rios. 2. 3. estadual. Bens reciprocamente considerados: De acordo com esta classificação os bens podem ser principais ou acessórios. tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal. com o propósito de conservá-la (benfeitorias necessárias). que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público. Castellani d) Consumíveis são os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância. massa falida). universais.Os dominicais. A universalidade pode ser de fato. Os bens coletivos. bem como aqueles que são destinados à alienação. e que não se renovam (pedras. ou as universalidades. São aqueles bens públicos que se destinam especialmente à execução dos serviços públicos e são utilizados exclusivamente pelo poder público. mares. Costuma-se dizer que são as utilidades que nascem e renascem. aqueles que são compostos por vários bens singulares. ou de direito. 93). ruas e praças. já os dominicais podem ser alienados.29 - . a ordem jurídica atribui caráter unitário (espólio. inclusive os de suas autarquias.Coordenadores: Marcelo T. que é um direito real de gozo ou fruição que só pode recair sobre bens inconsumíveis. Os bens acessórios podem ser de vários tipos: 1. compostos.Benfeitorias: São obras ou despesas realizadas pelo homem na estrutura da coisa principal. 2. e) divisíveis e indivisíveis f) Singulares são os bens que. se consideram de per si. petróleo) 3.bens quanto à titularidade do domínio: A lei classifica os bens de acordo com sua titularidade. Inconsumíveis são aqueles que admitem uso reiterado. são. diminuindo-lhe a quantidade. quando suas partes componentes encontramse ligadas naturalmente. considerados em conjunto. 92) é aquele que existe por si mesmo.Pertenças: São os bens móveis que são afetados de forma duradoura ao uso. nos termos da lei. territorial ou municipal.Os de uso comum do povo. formam um todo homogêneo. que tem existência própria (ex. Existem três classes de bens públicos (art. que. ainda que haja possibilidade de sua destruição em decorrência do tempo. serviço ou aformoseamento de outro bem.

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Crédito e débito Em toda obrigação existem um lado positivo – o crédito – e um lado negativo – o débito.Coordenadores: Marcelo T. os juristas utilizam. num contrato de compra e venda. para uma ou para as diferentes partes interessadas. a relação jurídica existente cria apenas uma obrigação para o mutuário. uma prestação de caráter patrimonial. 2. O vendedor deve entregar a coisa e responder no caso de evicção. fazer ou não fazer alguma coisa).31 - . O comprador deve pagar o preço. Já. Cometti Fernando F. o objeto e o vínculo jurídico. O crédito é o direito visto sob o prisma do sujeito ativo da relação jurídica. vínculos obrigacionais que se limitam a criar uma obrigação e outros que criam diversas obrigações derivadas do mesmo negócio jurídico. Há. possível e determinada ou determinável. se não for satisfeita espontaneamente. Por outras palavras: Obrigação é o vínculo jurídico temporário pelo qual a parte credora (uma ou mais pessoas) pode exigir da parte devedora (uma ou mais pessoas) uma prestação patrimonial e agir judicialmente ou mediante instauração de juízo arbitral sobre o seu patrimônio. algumas vezes. na forma estabelecida pelas cláusulas contratuais. assim. em favor de outra ou de outras. Os sujeitos são: a parte credora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas) e a parte devedora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas). que é a de devolver a quantia emprestada. existem várias obrigações de ambas as partes. Acepções da obrigação Em sentido lato. . a palavra “obrigação” como sinônimo de dever jurídico. ao contrário. O objeto é a prestação (dar. Mesmo no campo do direito. num mútuo sem juros. A prestação deve ter conteúdo patrimonial e ser lícita. a obrigação se identifica com qualquer espécie de dever moral. social. olvidando a sua significação técnica e dogmática. 4. Castellani TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 1. religioso ou jurídico. Conceito e elementos Obrigação é a relação jurídica em virtude da qual uma ou mais pessoas determinadas devem. O direito alemão conserva expressões distintas para indicar a relação de débito – Schuldverhältnis – e os direitos de crédito – Forderungsrechte. Vínculo obrigacional Um vínculo obrigacional pode criar uma ou diversas obrigações. O débito é o dever jurídico de pagar. Assim. Seus elemento são: os sujeitos. que recai sobre o sujeito passivo da relação jurídica. 3.

7. pois já afirmavam os romanos que ad impossibilia nemo tenetur. ou recorrer à máquina judiciária do Estado.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 5. que recai sobre uma pessoa. pode pedir ao juiz que execute tantos bens do devedor quantos forem necessários para a satisfação do seu débito. Não ocorrendo o pagamento voluntário. e um fim secundário: sujeitar o patrimônio do devedor que não a satisfaz. e se. determinada ou determinável e possuindo expressão econômica. consistindo na obrigação de realizar a prestação e dependente de ação ou omissão do devedor. na relação obrigacional. surge a responsabilidade. física e legalmente. a questão poderá ser resolvida por arbitragem. não pode reaver o pagamento feito conscientemente. A impossibilidade pode ser física ou jurídica. constituindo a violação ou o descumprimento de um dever jurídico. A impossibilidade é objetiva ou absoluta quando existe para todos os membros da . da indenização pelos prejuízos causados em virtude do inadimplemento da obrigação originária na forma previamente estabelecida. O dever de prestar surge do débito. relativamente a um bem (coisa ou serviço) que se encontra no patrimônio do devedor. desde que estabelecida cláusula compromissória entre as partes. dois momentos distintos: o do débito (Schuld). O inadimplemento da obrigação. a responsabilidade é derivada do inadimplemento de dever jurídico e autoriza a ação do credor. Obrigações naturais São as que não podem ser reclamadas em juízo. posteriormente. 6. que discriminou. em benefício de outra. Débito e responsabilidade A obrigação tem um fim primário: a prestação.A idéia de obrigação imperfeita ou natural também é válida para as dívidas de jogo e de aposta. lícita. após a condenação. 814 do Código Civil A obrigação natural confere hoje juridicidade à obrigação moral e ao dever de consciência reconhecidos e cumpridos pelo devedor.32 - . na qual se faculta ao credor atacar e executar o patrimônio do devedor a fim de obter o pagamento devido ou uma quantia equivalente acrescida das perdas e danos. e o da responsabilidade (Haftung). que. que denominamos responsabilidade. não pagar ou já tendo o credor um título. Características da prestação Definida a obrigação em sentido técnico como um vínculo jurídico de caráter patrimonial. agora tratadas no art. A distinção entre obrigação e responsabilidade foi feita por Brinz na Alemanha. Ademais. Enquanto a obrigação é originária e depende de ato do devedor para a sua extinção. recaindo sobre pessoa determinada (direito relativo) e de caráter patrimonial. a ação judicial sobre o patrimônio surge da responsabilidade ou da garantia. com as mesmas características da obrigação. A prestação é o comportamento do devedor que aproveita ao credor e por este pode ser exigido. por ser dever jurídico. para obter a condenação do devedor ao pagamento. por intermédio do Estado ou mediante instauração de juízo arbitral. e o credor pode ir a juízo. A prestação deve ser possível. sobre os bens do devedor. embora lícitas. implica a criação de uma relação jurídica secundária ou derivada. originária ou superveniente. podemos afirmar que o conteúdo da obrigação deve ser uma prestação possível. absoluta e objetiva ou relativa e subjetiva. ou seja.

e não pode exigir do devedor outra coisa. de ressarcir os danos decorrentes do não-cumprimento da obrigação assumida. . É o princípio romano que encontramos em sentença de Paulo. no caso de inadimplemento. Embora. hipótese na qual ele responde pelas perdas e danos.Coordenadores: Marcelo T. uma vez que não se considera obrigação o dever jurídico que. fazer e não fazer. cabe notar que. Embora a doutrina entenda imprescindível o conteúdo econômico. enquanto a obrigação de fazer importa na realização de atos ou serviços no interesse do credor. Se a coisa certa devida se perder. que só ocorre havendo consentimento de ambas as partes. excluindo-se pois a sua responsabilidade. Cometti Fernando F. se são obrigações de dar ou de fazer a de lavrar escritura definitiva de um imóvel e a de justificar o pagamento de certos impostos que em virtude de contrato são da responsabilidade do locatário. assim. 233 do CC). A importância prática da classificação decorre da regulamentação legal tradicionalmente diferente com referência às obrigações de fazer e às obrigações de dar. A obrigação de dar consiste em transferir a posse ou transmitir a propriedade de um objeto ao credor. em muitos casos surgem dúvidas quanto à natureza da obrigação. Quando a impossibilidade objetiva é superveniente ou posterior à relação jurídica. 9. ou seja. a obrigação se tornou impossível ou ilícita.33 - . para o inadimplente. Indaga-se. à primeira vista. não se possa resolver em perdas e danos. Tal impossibilidade importa em nulidade da obrigação. Obrigações positivas e negativas As obrigações são positivas quando a prestação do devedor implica dar ou fazer alguma coisa e negativas quando importam numa abstenção. sem culpa do devedor. com a aceitação do dano material ou moral. A coisa deve ser entregue com os seus acessórios. é preciso destacar o caso em que houve mora do devedor. denominada novação objetiva (do objeto). havendo autores que condenam a distinção. A obrigação de dar coisa certa surge quando a prestação é de objeto específico e individualizado A lei esclarece que o credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber outra. de acordo com o qual aliud pro alio invito creditore solvi non potest. mesmo sendo de valor inferior. todos os riscos correm por conta do tradens que tem a propriedade do bem. É tradicional a distinção entre obrigações de dar. extinguindo-se todos os seus efeitos. 313 do CC). qualquer lesão de direito pode ser avaliada em dinheiro. e importa o dever. A prestação deve ser determinada ou determinável. salvo convenção em contrário das partes (art. mas não para todas as pessoas. Castellani coletividade. a impossibilidade relativa ou subjetiva é a que só ocorre para o sujeito passivo da relação jurídica. antes da tradição e sem culpa do devedor. em não praticar algum ato. atualmente. e os casos fortuitos ou de força maior em que. que ainda é feita pelo CC. por motivos físicos ou em virtude de lei. os contornos de cada uma sejam perfeitamente definidos. não podendo ficar ao exclusivo arbítrio do devedor. Ao contrário. fixados em dinheiro. a obrigação se resolve para os interessados. Até a tradição. A entrega de objeto diverso do prometido importa em modificação da obrigação. A obrigação negativa importa numa abstenção. ainda que mais valiosa (art. Obrigações de dar coisa certa e coisa incerta A obrigação de dar pode abranger coisa certa ou coisa incerta. 8.

seguindo a sistemática do Código de 1916. A aplicação desta hipótese pressupõe urgência para que possa ser realizada independentemente de autorização judicial. se a prestação não for realizada. escolher a pior qualidade. sem culpa do devedor. . Como regra geral. indenização pelas perdas e danos (art. quando for possível e desde que ela não seja personalíssima. 236 do CC). 247 do CC). 10. trata da obrigação de restituir (art. ainda que por força maior. seja a terceiro. o devedor indenizar o credor por perdas e danos (art. 234 do CC. “antes da escolha. em sentido estrito. O conteúdo da obrigação definirá o grau de pessoalidade que o credor tenha desejado. enquanto. com direito a reclamar.). mesmo na hipótese de destruição ou perda do objeto em virtude de caso fortuito ou força maior. o credor tem direito real sobre o bem que está legalmente em poder do devedor. e art. até a tradição ou a transcrição. 238 e s. o CC. As partes têm a mais ampla liberdade de atribuir seja a um dos contratantes. Obrigações de fazer A prestação de fazer pode ser um ato de ordem física. não lhe sendo lícito. mas determinação genericamente feita. em virtude da qual a escolha caberá ao devedor. desde que só ele possa realizá-la. Se a coisa sofrer melhoramentos ou passar a ter acrescidos até a tradição. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. Nada impede que as partes convencionem a obrigação do devedor de ressarcir os danos. Obrigações de não fazer As obrigações ainda podem ser omissivas. 237. Havendo culpa do devedor. A obrigação de dar coisa incerta consiste em fornecer certa quantidade de unidades de determinado gênero e não uma coisa especificada. 244 do CC). embora haja diferença na situação do credor nos dois casos. Em caso de deterioração do objeto. cabem ao devedor. 11. o credor dele poderá exigir o valor em dinheiro do objeto acrescido das perdas e danos (art. O CC prevê a possibilidade de o credor valer-se de execução da obrigação por terceiro (execução in natura). parágrafo único. ao devedor. do CC). Nas obrigações de dar coisa incerta. Entre as obrigações de dar coisa certa. a escolha dos exemplares que deverão ser fornecidos. à custa do devedor. 237 do CC). o primeiro problema que surge é o referente à escolha das unidades a serem entregues.34 - . abatendo do seu preço o valor que perdeu. em ambos os casos.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se a perda ou destruição da coisa for oriunda de culpa do devedor. passando os frutos pendentes à propriedade do credor (art. Na falta de cláusula contratual. por força do contrato ou em razão de reputação profissional ou de habilidades pessoais. existe uma norma supletiva. O art. na obrigação de restituir. o devedor poderá exigir um aumento do preço. nem sendo obrigado a dar as melhores unidades (art. importando numa abstenção. resolvendo a obrigação se o credor não anuir (art. ou de ordem psíquica. parte final. 627 do CPC). 246 do CC esclarece que. o credor pode exigir o equivalente em dinheiro ou aceitar o objeto com abatimento do preço. Na obrigação de dar. Dando a coisa frutos antes da tradição. tem o credor uma opção entre solver a obrigação ou aceitar a coisa. a propriedade do bem pertence. ou caso fortuito”. A incerteza da coisa não significa indeterminação. todavia. num non facere.

Coordenadores: Marcelo T. devendo ser posteriormente ressarcido do devido (art. 13. salvo se se tratar de prestações periódicas nas quais se admite a renovação da opção para cada período (entrega mensal alternativa de determinados alimentos ou de certa quantia em dinheiro). o credor não pode desfazer as vendas realizadas. que concede o direito de escolha ao devedor. mediante ação própria. do CC. A sua opção deve ser total. existe pluralidade de pretensões. o credor pode mandar destruir a obra. art. A escolha da prestação que será cumprida. mas pode pedir uma indenização e. Não existindo prazo. o credor ou devedor a quem couber a . 252. cabendo ao devedor cumprilas conjuntamente (obrigações conjuntivas ou cumulativas) ou alternativamente (obrigações alternativas). Castellani Em certos casos. do CC). una autem in solutione). na execução. uma pessoa. por uma prestação única escolhida na forma do contrato ou da lei (plures res sunt in obligatione. fixar uma multa que o devedor será obrigado a pagar enquanto infringir a obrigação por ele assumida (arts. Obrigações cumulativas e alternativas Nas obrigações compostas. Se o devedor. 252. Cometti Fernando F. no caso de obrigações alternativas. podendo ainda este exigir que o devedor desfaça à sua custa o ato praticado. a obrigação contém mais de uma prestação. Se. ou seja. em casos de urgência. em virtude de cláusulas contratuais. aplica-se a norma supletiva existente no CC. nos termos do art. parágrafo único). Nas primeiras. 252. ou de condições impostas em ato unilateral. Quando. A finalidade da prestação alternativa é dar maior liberdade de escolha ao devedor. independente de autorização judicial. Se a obrigação consiste em não vender determinados artigos. deve ser realizada no prazo estabelecido pela convenção. § 2º. e o cumprimento de uma única prestação extingue a obrigação. se obriga a deixar de praticar algum ato. 642 a 645 do CPC). O negócio jurídico indica normalmente. ao contrário. infringe a obrigação de não fazer e pratica o ato vedado. por conta do devedor. desfazer ou mandar desfazer. Obrigações simples e compostas A obrigação pode ter um ou vários objetos. tratando-se de obrigações de não construir além de certo gabarito. extingue-se a obrigação (art. a quem cabe escolher a prestação a ser executada (in solutione) entre as diversas possíveis (in obligatione). O devedor não pode. 251. a concentração. aumentando as garantias e as perspectivas de cumprimento da obrigação para o credor. Assim. Se o devedor se recusar. deve ressarcir o dano causado ao credor. culposamente. obrigar o credor a receber parte de uma prestação e parte de outra (art. Quando a obrigação abrange uma única prestação. 251 do CC). é considerada simples (por exemplo: o vendedor se obriga a entregar ao comprador o livro vendido).35 - . O CC permitir ao credor. o credor pode exigir do devedor que desfaça a construção levantada além do mencionado gabarito e pague as perdas e danos. em virtude de cláusulas contratuais. é denominada composta ou complexa. enquanto nas segundas a pluralidade das prestações existentes na obrigação é substituída. § 1º. No silêncio das partes. restringindo a sua própria liberdade e os direitos que a lei lhe assegura. Nas obrigações alternativas. 250 do CC). a abstenção se torna impossível. sem culpa do devedor. existem duas ou mais formas pelas quais a obrigação pode ser satisfeita. se a sua natureza o permitir (art. todavia. 12. todas as prestações abrangidas pela obrigação devem ser executadas.

É a prestação que o descobridor da coisa pode exigir. se assim não se ajustou”.404. 257 do CC). A indivisibilidade pode decorrer da natureza da prestação. Obrigações com faculdade de substituição Têm uma estrutura parecida com as obrigações alternativas as obrigações com faculdade de solução ou com faculdade de substituição. O art. cada um deles será obrigado pela dívida total. o proprietário pode. Conforme o CC. a lei presume a divisão da obrigação. É o que ocorre no caso. de determinações legais. o art. a quem a achou. 1. da vontade das partes. se houver a pluralidade de optantes. A própria lei apresenta casos de obrigações com faculdade de solução. 314 do CC estabelece uma presunção de indivisibilidade da prestação no tempo quando afirma: “Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. o abandono da coisa perdida. de incorporação de uma sociedade por outra. A própria lei pode considerar um bem indivisível. 258 do CC). 28 da Lei n. na qual os acionistas dissidentes têm direito de retirar-se da companhia mediante pagamento do reembolso ou então de receber ações da incorporadora. resultando em alguns casos das próprias disposições legais. O mesmo artigo admite. o juiz deverá decidir o impasse (art. Se a prestação não for divisível e houver pluralidade de devedores. Por outro lado. 14. Na obrigação com faculdade de solução. . Na obrigação alternativa. não podendo o credor exigir a prestação facultativa. a impossibilidade em relação à prestação principal extingue o vínculo jurídico. Assim. em vez de pagar o que deve.36 - . assim. como ocorre com relação à ação das sociedades anônimas. havendo uma possibilidade de substituição para o devedor. para o proprietário da coisa perdida. A distinção com as obrigações alternativas se faz atendendo ao fato de nestas haver diversas prestações na obrigação. 15. conforme possam ou não ser fracionadas em prestações parciais homogêneas. A alternatividade da obrigação não decorre apenas da vontade individual.234 do CC estabelece. não pode o credor ser obrigado a receber. e. uma recompensa mínima de 5% (cinco por cento) e uma indenização pelas despesas que houver feito com a conservação e transporte da coisa. 259 do CC). a impossibilidade em relação a uma das prestações importa em obrigação de cumprir a outra. o que tiver pago a dívida (art. por exemplo. em relação aos outros. Obrigações divisíveis e indivisíveis As obrigações são divisíveis ou indivisíveis. Não poderia haver obrigações facultativas. a obrigação de pagar. § 3º). 252. por partes. pois o que é facultativo não é obrigatório e o que é obrigatório não é facultativo. abandonar o objeto. desde que o objeto seja divisível (art. de 15-12-1976 (Lei das Sociedades Anônimas). todavia. que para a companhia é considerada indivisível ex vi do art. mas não o consenso entre eles sobre a escolha dentro de determinado prazo. 6. enquanto na obrigação com faculdade de solução ou de substituição a obrigação é de prestar determinado fato ou entregar certa coisa. de motivos de ordem econômica ou dada a razão determinante do negócio jurídico (art. havendo pluralidade de credores ou de devedores. É a faculdade de solução ou substituição. erradamente chamadas obrigações facultativas.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI escolha deverá ser notificado a fim de incorrer em mora pela ausência de escolha. nem o devedor a pagar. sub-rogando-se nos direitos do credor.

dando este caução de ratificação dos outros (art. O pagamento total do débito a um dos credores extingue a obrigação (art. Se um dos credores receber a prestação inteira. 17. ou propter rem. bem como deveres decorrentes da necessidade de manter-se a coisa (despesas de condomínio. constituir o devedor em mora e interromper a prescrição. Cada um dos credores solidários tem o direito de exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. como se houvesse um só credor ou devedor. 265 do CC). mas o devedor ou os devedores só se desobrigam pagando a todos conjuntamente ou a um dos credores. No caso da confusão só se extingue a parte do crédito ou do débito pertencente ao credor ou devedor solidário (art. As obrigações reais. trem. § 2º. A incapacidade de . teatro. Obrigações ambulatórias. 269 do CC). A solidariedade nunca se presume (art. 383 do CC). Chamam-se também de obrigações propter rem ou ob rem. Obrigações “propter rem” ou reais Chamam-se obrigações ambulatórias (de ambulare = andar) aquelas obrigações que podem ser transferidas sem formalidades.Coordenadores: Marcelo T.37 - . sendo cada um dos devedores responsável apenas pela sua quota. ao contrário do que acontece em outras legislações que admitem a presunção de solidariedade a) Solidariedade ativa Solidariedade ativa é a de vários credores. salvo quando em virtude de lei ou de convenção houver indivisibilidade. passando de um titular a outro. Sendo de credores e devedores. Em geral. confusão ou compensação da dívida por parte de um dos credores. é mista. Sendo a pluralidade de credores. (art. cada um com um direito ou obrigado ao total. em dinheiro.). seja por ser divisível o seu objeto. As obrigações de fazer. Nos casos de remissão. conservação de divisas etc. passam a pesar sobre quem se torne titular da coisa. a parte que lhes couber (art. São exemplos de solidariedade ativa as contas bancárias conjuntas e os depósitos conjuntos em caixas-fortes. Obrigações solidárias Obrigações solidárias são aquelas com pluralidade de credores ou devedores. descontada a quota do credor que perdoou a dívida ou em relação ao qual ocorreu a transação. podendo qualquer dos credores movimentar a conta ou utilizar a caixa-forte. sendo de devedores é passiva. seja por admitir a divisão deste em quotas ideais. surge a responsabilidade que reveste a forma de indenização em dinheiro.). seguro obrigatório. 260 do CC). transação. que poderão exigir a prestação. 262 do CC). são divisíveis. 267 do CC). Não cumprida a obrigação. este responderá pelas perdas e danos (art. Logo. 16. Cometti Fernando F. Castellani Se a pluralidade for de credores.). Sendo a culpa de um só. cada um destes pode exigir a dívida inteira. a solidariedade é ativa. independentemente de autorização dos outros credores ou de caução (art. fichas de bar etc. São exemplos os títulos ao portador. resultando da lei ou da vontade das partes. os outros exigirão dele. foro etc. quando fungíveis. sobre os quais incidem ônus reais (imposto imobiliário. a obrigação não fica extinta em relação aos outros credores. as obrigações de dar são consideradas divisíveis. os títulos de legitimação (bilhetes de cinema. novação. em latim) são as que derivam da vinculação de alguém a certos bens. sabe-se quem é o devedor. 263. do CC). 261 do CC). Já as obrigações reais (de res = coisa. podendo promover as medidas assecuratórias do seu direito. confusão etc. sabendo-se quem é o titular.

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um dos co-credores não prejudica os direitos dos outros. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar (art. 268 do CC). A mora accipiendi por parte de um dos credores prejudica a todos os outros, ressalvando o direito à ação regressiva. Falecendo um dos credores solidários, cada um dos seus herdeiros só terá direito a exigir a quota do crédito correspondente ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a prestação (art. 270 do CC). Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste a solidariedade para todos os efeitos, inclusive para fins do pagamento de juros de mora e demais encargos dela decorrentes (art. 271 do CC). O credor que recebe o pagamento ou faz a remissão da dívida ou que a extingue em virtude de novação, compensação ou transação responde, perante os outros, pela parte que lhes couber (art. 272 do CC). Há assim o direito de regresso em virtude do qual cada um dos credores recebe a sua quota, presumindo-se juris tantum, na falta de disposições diversas no título, que a divisão seja igual, impondo-se o rateio quando recebido o montante do total do débito ou uma parte dele. b) Solidariedade passiva Ocorre solidariedade passiva quando, havendo multiplicidade de devedores, o credor pode exigir de qualquer destes o pagamento integral do débito, a qual resulta de disposições legais ou de declaração de vontade das partes interessadas. Na obrigação solidária, o credor tem o direito de exigir e receber de um ou alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum. Sendo o pagamento parcial, poderá exigir dos demais devedores o saldo. O devedor acionado não pode alegar o benefício da divisão, nem limitar o seu pagamento à quota do débito total que lhe cabe, nem mesmo exigir que sejam acionados, no mesmo processo ou em outro, os demais coobrigados. Uma vez feito o pagamento por um dos devedores, o crédito se extingue na relação externa, sendo feito o rateio na relação jurídica interna. Se o credor, tendo executado os bens de alguns devedores, não recebeu o débito total, subsiste a solidariedade, e, portanto, pode acionar os outros a fim de receber o saldo. Falecendo um dos devedores solidários, deixando herdeiros, a obrigação entre os herdeiros é conjunta, mas não solidária. Cada um deles não será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a obrigação. Em relação aos demais devedores, os herdeiros serão considerados como um devedor solidário (art. 276 do CC). A remissão concedida a um dos coobrigados extingue a dívida na parte a ele correspondente, de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida (art. 388 do CC). A remissão, sendo liberalidade, é interpretada restritivamente, aplicando-se tão-somente à quota do devedor, mantido o dever solidário dos coobrigados pelo total do montante do débito, descontada a parte do devedor que obteve remissão. Qualquer dos devedores solidários pode estipular condições especiais para o pagamento do seu débito, não podendo, todavia, agravar a posição dos coobrigados sem consentimento destes (art. 278 do CC). A interrupção da prescrição efetuada contra o devedor solidário ou o reconhecimento da dívida por este envolve os demais coobrigados e seus herdeiros. A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis (art. 204, §§ 1º e 2º, do CC).

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No caso de impossibilidade de cumprir a obrigação decorrente de força maior, a obrigação se extingue. Se houver culpa de um dos devedores, cada um dos coobrigados deve pagar o valor da coisa ou da prestação (aestimatio rei), respondendo pelas perdas e danos o devedor culpado (art. 280 do CC). Se um dos devedores já estava em mora quando a impossibilidade se verificou, responde pelos danos dela decorrentes, mesmo na hipótese de força maior ou de caso fortuito, salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano sobreviria ainda se a obrigação fosse oportunamente executada (art. 399 do CC). Quanto ao credor, na relação jurídica externa, todos os devedores respondem pelos juros de mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um, mas o culpado responde perante os outros, na relação interna, pela obrigação acrescida (art. 280 do novo Código Civil). Os princípios aplicados em relação às perdas e danos e aos juros não são os mesmos. Quanto à indenização pelas perdas e danos, o credor só pode cobrá-la do devedor culpado. Quanto aos juros, são exigíveis de qualquer coobrigado, embora este tenha ação regressiva contra o culpado. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores (art. 282 do CC). Pode, assim, transformar a obrigação solidária em obrigação conjunta ou fracionária, na qual, em vez de responder, na relação externa, pelo total do débito, só responde cada devedor pela sua quota. O devedor demandado pelo credor pode opor as exceções comuns a todos os devedores e as exceções que lhe forem pessoais, não lhe aproveitando porém as pessoais de outro codevedor. Assim, qualquer devedor pode alegar a ilicitude do objeto, a extinção da dívida por pagamento já feito, ou seja, as defesas ou exceções comuns a todos os devedores. São consideradas exceções pessoais as que só podem ser alegadas pelo interessado, por exemplo, os vícios de consentimento e as causas de anulabilidades dos negócios jurídicos em geral (arts. 171 e 177 do CC). A novação entre um dos devedores e o credor, modificando o conteúdo da obrigação originária, exonera os devedores solidários de qualquer responsabilidade (art. 365 do CC). 18. Execução da obrigação O dever jurídico imposto ao devedor, em favor do credor, na relação obrigacional pode ser cumprido direta ou indiretamente, voluntária ou involuntariamente. O cumprimento da obrigação, também denominado pagamento ou solução do débito, é a execução da prestação pelo devedor na forma estabelecida no ato jurídico ou na lei, de acordo com as normas fixadas quanto ao modo, tempo e lugar de sua realização. O pagamento pressupõe a existência de uma dívida e a vontade de extingui-la (animus solvendi), devendo em tese ser feito pelo devedor ao credor. Na falta de uma relação jurídica, o pagamento configura-se como indevido, dando margem a uma ação do devedor para reaver o que pagou sem justo motivo (arts. 876 e seguintes do CC). A obrigação se extingue independentemente de pagamento no caso de realização de condição resolutiva ou advento de termo extintivo. A impossibilidade de cumprimento do dever jurídico em virtude de caso fortuito ou força maior constitui outra hipótese de extinção da obrigação. No caso de inadimplemento injustificado, o credor pode recorrer ao procedimento judicial ou arbitral para exigir a execução forçada da obrigação. A sentença garante ao credor o que lhe era devido acrescido das perdas e danos pelo atraso, ou o equivalente (id quod interest),

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abrangendo o ressarcimento do dano causado e do lucro não auferido (damnum emergens e lucrum cessans). 19. Pagamento Pagamento todo cumprimento de obrigação, importando em dar, fazer ou não fazer. O pagamento é feito na forma estipulada, não podendo o credor ser obrigado a receber parcialmente o débito, salvo em casos especiais previstos pela lei, como na substituição do devedor por seus herdeiros, que só são responsáveis pelo débito na proporção dos seus quinhões (art. 1.997 do CC). O dever de cumprir a obrigação incumbe ao devedor e aos seus herdeiros, se o débito não for personalíssimo. Os sucessores se substituem ao falecido em todas as vantagens e deveres de caráter patrimonial que tenha, salvo se existir um vínculo de intuito pessoal. Qualquer pessoa pode pagar uma dívida, sua ou de outrem. Mas o Código Civil distingue: o pagamento pode ser feito por terceiro interessado ou por terceiro não interessado. O termo interessado aí tem sentido técnico: é aquele que pode ser responsabilizado pelo débito, como, por exemplo, o avalista ou um terceiro garantidor da dívida. No entanto, se alguém é parente ou amigo do devedor e deseja auxiliá-lo, também pode pagar, mas os efeitos são diversos. A obrigação se extingue pelo pagamento da dívida por qualquer interessado (devedor, coobrigado, fiador, herdeiro do devedor, adquirente do imóvel hipotecado) a quem é lícito fazê-lo em nome próprio, sub-rogando-se no direito do credor. Em virtude do estabelecido no art. 346 do CC, ocorre a sub-rogação de pleno direito em favor: “I – do credor que paga a dívida do devedor comum; II – do adquirente do imóvel hipotecado que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; III – do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte”. O pagamento também pode ser feito por terceiro não interessado. Se o fizer em nome próprio, o terceiro pode tão-somente obter o reembolso do que pagou, mas não se sub-roga nos direitos do credor (art. 305 do CC). Havendo oposição do devedor ao pagamento do seu débito por outrem ou não tendo conhecimento da ação de terceiro, este não terá direito ao reembolso do que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação (art. 306 do CC). O devedor não se pode opor ao pagamento por terceiros, ou melhor, a sua oposição não invalida ou impede o pagamento, importando apenas em restringir os direitos do pagador contra ele. Não pode, todavia, o terceiro, piorar a posição do devedor. Assim, se pagar o débito antes do vencimento, somente após este poderá exigir do devedor o reembolso da quantia despendida (art. 305, parágrafo único, do CC). Se o devedor tinha a possibilidade de compensar débito e crédito com o credor, o terceiro não interessado, que pagou, só poderá exigir do devedor o pagamento da quantia não sujeita à compensação. O pagamento deve ser feito ao credor, aos seus sucessores, ou ao seu representante legal, judicial ou convencional. Nos casos de incapacidade do credor, o pagamento deverá ser feito a quem de direito. Havendo dúvida de quem pode receber, incumbe ao devedor consignar judicialmente o pagamento, cabendo ao juiz finalmente decidir a quem o pagamento deverá ser feito (art. 895 do CPC). Considera válido o pagamento feito ao credor putativo, ou seja, àquele que tem todas as características de credor, embora não o seja. É credor putativo aquele que se apresenta com um título aparentemente válido, embora posteriormente seja o mesmo julgado nulo.

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das circunstâncias ou de convenção entre as partes. . 884 do CC). pode o devedor exigir. podendo reter o pagamento. estabelecida no art. da natureza das obrigações. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que é devida. que não ocorreu o pagamento. 321 do CC). a prova contrária. à prova do pagamento feito. Admite-se.41 - . decorrentes da própria lei. fundamentando-se nas regras sobre pagamento indevido (arts. que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor. Quem paga mal paga duas vezes. no prazo de sessenta dias.Coordenadores: Marcelo T. presume-se juris tantum que o recebimento do pagamento da prestação posterior implique a quitação das prestações anteriores. 310 do CC). O devedor que paga tem direito à quitação regular. Existem várias exceções ao princípio fixado no referido art. todavia. 327 do CC. reaver daquele a quem pagou indevidamente o montante pago. declaração do credor que inutilize o título desaparecido (art. presume-se que corram por conta do devedor as despesas com o pagamento e a quitação. Cometti Fernando F. Tal presunção extingue-se. ainda que mais valiosa. A segunda está aposta em seu art. também não está obrigado o credor a receber pagamento que não seja em moeda corrente. A norma geral. que pode consistir na ressalva existente no próprio recibo ou em outros documentos ou mesmo na correspondência entre as partes (art. 325 do CC). sem incorrer em mora. se ocorrer aumento por fato do credor. no momento do vencimento da obrigação. o devedor poderá fazê-lo em outro local. desde que o credor prove. visados ou não. 323 do CC). todavia. tratando-se de obrigações pecuniárias. 324 do CC). ficando ao seu exclusivo critério aceitar ou não ordem de pagamento ou cheques. O devedor poderá. far-se-á em moeda corrente no lugar do cumprimento da obrigação (art. 315 do CC). A quitação do capital. a quitação ser impugnada. perdido este. 330 ao prever que. O pagamento feito indevidamente obriga o devedor a pagar novamente. com o pagamento reiterado em outro local. No que diz respeito ao lugar do pagamento as dívidas são portables ou portáveis quando devem ser pagas no domicílio do credor ou onde ele indicar. retendo o pagamento. 876 e s. caso em que a despesa acrescida será por conta do credor (art. presume-se que o credor renunciou ao lugar previamente acordado no contrato. desde que haja prejuízo para o credor. A primeira está prevista em seu art. O pagamento é feito na forma estabelecida pela lei ou pelo negócio jurídico e. cabe a opção ao credor. São quérables ou quesíveis quando pagáveis no domicílio do devedor. do CC) e da vedação do enriquecimento sem causa (art. É o que se dá na hipótese de pagamento de aluguéis na locação e das duplicatas sucessivas na venda de um objeto em prestações. cuja quitação consiste na devolução do título (por exemplo: nota promissória). 319 do CC). A quitação admite qualquer forma. 322 do CC). todavia. enquanto lhe for recusada a quitação (art. Castellani Se o pagamento é feito ao credor incapaz de quitar. Havendo pagamentos periódicos. Havendo pluralidade de domicílios ou mais de um lugar indicado para o pagamento. sem ressalva. O CC duas regras especiais referentes ao lugar do pagamento. Salvo convenção em contrário. podendo. 327 do CC considera. todavia. 329 e estabelece que. só valerá nos limites em que reverteu em favor do beneficiado (art. ou seja. faz presumir o pagamento dos juros (art. tendo a quitação sido obtida pelo devedor fraudulentamente (art. 401 do CPC). se houver motivo grave que impeça a realização do pagamento no lugar acordado. Assim. A entrega do título ao devedor firma a presunção juris tantum de pagamento. devendo ser escrita desde que o montante da dívida seja superior ao décuplo do maior salário mínimo (art. Os débitos. salvo convenção em contrário. tendo o devedor ciência dessa incapacidade.

42 - . fidejussórias. casos em que o prazo será fixado de acordo com os usos e costumes locais. se este oscilar . 333. Os efeitos da mora creditoris importam em transferir a responsabilidade pela conservação da coisa ao credor. que não foi cumprida no tempo fixado. o negócio jurídico criador da obrigação estabelece a época de sua realização. Uma vez que haja mora. ensejando. pela conservação do bem e sujeitando-se ainda a recebê-lo pelo seu maior valor. 20. Também são causas de vencimento antecipado dos débitos as hipóteses elencadas no art. 332 do CC). hipotecados ou empenhados. em virtude de lei nova. Inadimplemento e mora O inadimplemento ou não-cumprimento da obrigação na maneira estipulada pode revestir formas diversas. ou seja. importam em impedir de modo definitivo o cumprimento da obrigação. quer por parte do devedor (mora debitoris ou mora solvendi). salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso. mas o foi posteriormente. ou se se tornarem insuficientes. a responsabilidade do inadimplente. No caso de silêncio das partes e desde que não exista disposição legal em sentido contrário.425 do CC. o credor pode exigir o pagamento imediatamente (art. 394 do CC). 1. intimado. 331 do CC).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sobre o tempo do pagamento. pelo simples advento do termo ou decurso do prazo. parágrafo único. Há mora do credor quando este se recusa a receber o que lhe é devido. sem necessidade de qualquer interpelação judicial. A mora debitoris pressupõe uma dívida líquida e certa. A constituição em mora se realiza de pleno direito. que revelam a insolvência do devedor. cabal e definitivo pode ser fortuito ou culposo. A lei concede ao credor o direito de cobrar a dívida antes do seu vencimento em algumas hipóteses especiais. devendo o credor ressarcir o devedor pelas despesas que teve. A destruição da coisa e a ilicitude do negócio jurídico. ou reais. dependendo de notificação prévia feita pelo credor ao devedor. Pode. ou de concurso de credores. 333 do CC: “I – no caso de falência do devedor. quer por parte do credor (mora creditoris ou mora accipiendi). do CC). se houver solidariedade passiva entre os devedores. na forma contratual ou legal (art. as garantias do débito. quando a prestação ainda é útil para o credor. diversamente. ter havido um simples atraso no adimplemento da obrigação. o devedor responde também pela impossibilidade da prestação resultante de caso fortuito ou força maior. As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição. e o devedor. II – se os bens. Esse atraso ou retardamento importa num inadimplemento temporário. ou exigir tempo. como as mencionadas no art. III – se cessarem. O inadimplemento total. Mora é o retardamento culposo no cumprimento da obrigação. que são. §§ 1º e 2º). É o princípio dies interpellat pro homine (art. por exemplo. Neste caso. forem penhorados em execução por outro credor. como se tradição tivesse havido. na última hipótese. cabendo ao credor a prova de que o devedor teve ciência do advento da mesma (art. salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano ainda sobreviria se a obrigação fosse oportunamente desempenhada. depois da mora. vencida e não paga em virtude de culpa do devedor. a deterioração e o perecimento da coisa dada em garantia (incisos I e IV. a antecipação de vencimento relativa a um dos devedores não importa em vencimento do débito dos coobrigados solidários (art. 397 do CC). se negar a reforçá-las”.

e convencional quando ocorre explicitamente a transferência dos direitos de devedor ou do credor ao terceiro. completa e incondicional. que fica em lugar daquela. Exemplo: um bem da herança gravada com cláusula de inalienabilidade não pode ser vendido. móvel ou imóvel. Ocorre. A consignação em pagamento se aplica a todos os casos de obrigação de dar coisa certa ou incerta. 21.Coordenadores: Marcelo T. 334 do CC) A consignação é regulada pelo CC nos arts. A sub-rogação convencional se dá por cessão do credor ou do devedor. de valor semelhante. se for débito em dinheiro. também. O terceiro se subroga nos direitos do credor quando paga o débito. b) por força de contrato ou de recibo com tal fim. pelo pagamento (art. parágrafo único. 22. . 1. ou títulos da dívida pública. o curso dos juros (art. com todas as suas características e atributos. 890 a 900. ou mantiver depósito em poupança vinculada. Pagamento com sub-rogação A sub-rogação é a substituição de uma pessoa ou de uma coisa por outra pessoa ou coisa. e considerando-se pagamento o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida. Os casos de sub-rogação legal são aqueles em que o pagamento é feito por um terceiro interessado na relação jurídica. 6. Cometti Fernando F. Distingue-se da cessão de crédito. É legal quando independe do consentimento do devedor ou do credor. outrossim. numa relação jurídica.777. que efetua o pagamento ou empresta o dinheiro necessário para tal fim. porque esta se faz antes do pagamento e a sub-rogação se faz por causa do pagamento. de 8-8-1944). O sub-rogado assume assim a posição do sub-rogante. ações. 334 a 345 e no Código de Processo Civil nos arts. só não cabendo tal ação na hipótese de obrigação de fazer ou de não fazer. para liberar o devedor. a transferência do crédito ao pagador de dívida alheia (casos do art. Mas. A consignação deve ser efetiva. 400 do CC). A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos. que é substituído pelo outro ou pelos títulos ou pela caderneta vinculada (art. privilégios e garantias do primitivo em relação à dívida contra o devedor principal e os fiadores (art. se o herdeiro indicar outro bem. poderá vender o imóvel. nos casos e forma legais (art. Sub-rogação pessoal pode ser: a) por força de lei. nos casos legais (art. a transferência do crédito próprio ou alheio.43 - . Sub-rogação real é a substituição de uma coisa gravada por outra. Pagamento em consignação Pagamento em consignação é o depósito judicial da coisa devida ou depósito em estabelecimento bancário. mediante transferência dos direitos que o credor tinha contra o devedor. 349 do CC). do CC – passando a ser exigida autorização judicial – e Decreto-lei n. 347 do CC). a sub-rogação legal em favor do terceiro que paga letra de câmbio ou do segurador que indeniza o dano causado à pessoa ou coisa segurada. 334 do CC). Castellani entre o tempo do vencimento e o do pagamento. de valor equivalente. somente podendo depender de prova da qualidade do credor por parte de quem pretende receber o pagamento. interrompendo. A sub-rogação pode ser legal (de pleno direito) ou convencional. 346 do CC).911.

A novação é objetiva ou real quando há modificação da prestação e subjetiva quando ocorre mudança do credor ou do devedor. Havendo diversos débitos. no silêncio das partes. Imputação do pagamento Imputação é a escolha da parcela a ser quitada num pagamento parcial do devedor que tem vários débitos em relação a um só credor. condicional ou anulável. 352 do CC). garante a lei ao devedor o direito de indicar quais os débitos que pretende pagar (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 23. 364 a 366 do CC). 25. Não declarando o devedor qual das dívidas pretende pagar e aceitando a quitação de uma delas. Salvo estipulação em contrário. Assim sendo. b) uma obrigação nova que extingue a anterior. a extinção de uma obrigação mediante a constituição de uma obrigação nova que se substitui à anterior. seja por modificação do credor ou do devedor. pois. ou seja. fica ao arbítrio do credor imputar o pagamento da maneira que preferir. ficando sem efeito a quitação dada. determina o Código que se restabelece a obrigação primitiva. Quando o devedor tem vários débitos em relação ao mesmo credor e paga quantia insuficiente para a liquidação de todos. 353 do CC). c) a vontade de realizar novação (animus novandi) extinguindo a obrigação anterior. com relação a que débitos o pagamento deve ser imputado. e d) capacidade das partes para novar e para dispor. na falta de declaração de vontade dos interessados. embora possa ser simples obrigação natural. Dação em pagamento Quando o credor consente em receber coisa diversa da que lhe é devida ocorre a datio in solutum ou dação em pagamento. ou melhor. desonerando os coobrigados que nela não intervieram (arts. a existência de uma dívida e o pagamento desta pela entrega de uma coisa diferente da prometida. na falta de declaração do devedor. 354 do CC). ressalvados os direitos de terceiros (art. com assentimento do credor e visando à extinção da obrigação. o problema que surge é o de saber quais os débitos que devem ser considerados pagos. pouco importando que a coisa dada em pagamento tenha valor maior ou menor do que a prestação originariamente devida. 24. havendo capital e juros. seja pelo valor ou natureza da prestação. não mais poderá apresentar reclamação posterior contra a imputação. Havendo evicção. o pagamento. distinguindo-se a prestação antiga da nova. em virtude da criação da obrigação nova. todos líquidos e vencidos. Para que haja novação são elementos necessários: a) uma obrigação anterior. A dação em pagamento extingue a obrigação. Os elementos necessários da dação em pagamento são. o legislador estabeleceu um sistema de preferência considerando que. 359 do CC). ou seja. reintegrando-se terceiro na propriedade da coisa dada em pagamento ao credor. ou seja.44 - . salvo provando a existência de dolo ou violência (art. Novação A novação é a transformação de uma obrigação em outra. a novação extingue os acessórios e garantias da dívida primitiva. Não caracteriza a novação a simples modificação . Supletivamente. deve ser imputado primeiramente nos juros e depois no capital (art. A imputação pode decorrer de acordo entre os interessados ou de determinações legais.

a não ser em virtude de lei específica (art. 5. Cometti Fernando F. quando depende de decisão do magistrado. . As partes podem renunciar à compensação ou excluí-la por mútuo acordo (art. 170 da Lei n. A confusão pode ser parcial ou total (art. ou quando o credor primitivo é substituído por outro. havendo reciprocidade entre os créditos e débitos. sendo necessária uma substituição do objeto da obrigação (prestação) ou da causa debendi. 368 do CC). Também não se admite a compensação nas dívidas fiscais. É também denominada compensação facultativa. Compensação A compensação é meio de extinguir as dívidas de pessoas que. salvo se um dos créditos decorrer de esbulho. comodato. a confusão só pode ser alegada entre credor e devedor. Mesmo as coisas fungíveis só se compensam quando forem da mesma qualidade. ou da expromissão. ficando exonerado da responsabilidade o antigo. depósito ou alimentos ou se uma dívida for de coisa insuscetível de penhora (art. ou convencional. A novação deriva de delegação quando há consentimento de todos os interessados e extinção do débito para o substituído. em virtude da liquidação judicial de um crédito anteriormente ilíquido. por acordo entre o credor e um novo devedor que assume a obrigação do anterior (art. quando decorre de declaração de vontade das partes interessadas. É total quando importa na extinção da obrigação. 384 do CC). 375 do novo Código Civil). É parcial quando tão-somente uma parte do crédito se extingue pela confusão. Confusão A confusão é a extinção da obrigação decorrente da identificação numa mesma pessoa das qualidades de credor e devedor (art. 27. A novação é subjetiva quando o antigo devedor é substituído por um devedor novo. ou parcial. extinguindo-se a dívida do devedor para com o primeiro e mantendo-se para com o novo credor. sem que existam os requisitos estabelecidos pela lei para a compensação de pleno direito. A compensação só se efetua entre dívidas líquidas. furto ou roubo. 382 do CC). 362 do CC). termo ou encargo) ou das garantias dadas ao credor. 369 do CC). Como a compensação. Não impede a compensação a diferença de causa nas dívidas.Coordenadores: Marcelo T. Castellani das modalidades (condições. extinguindo-se um e mantendo-se o outro na parte excedente ao crédito compensado. A compensação é voluntária quando as partes a realizam em virtude de convenção. 381 do CC). quando os créditos são de valor diverso. ao mesmo tempo. 26. são credora e devedora uma da outra até o limite da existência do crédito recíproco (art. vencidas e de coisas fungíveis (art. judicial. 373 do CC). mas a confusão na obrigação acessória (confusão do fiador e do credor) não importa em extinção da obrigação principal (art. com a extinção de ambas as dívidas. A compensação pode ser automática ou de pleno direito. podendo ainda ser total. A compensação judicial é aquela realizada pelo juiz. quando a novação se realiza independentemente do consentimento do devedor originário. A confusão extingue a obrigação principal e as obrigações acessórias.172/66).45 - .

Cláusula penal A cláusula penal é um pacto acessório. por convenção expressa. Em sentido restrito.. só podendo o credor cobrar dos coobrigados solidários o débito remanescente. No primeiro caso. há sempre uma dúvida ou um litígio que as partes pretendem eliminar a fim de obter maior segurança nas suas relações jurídicas. 262 do novo Código Civil). é o negócio jurídico bilateral pelo qual os interessados. conforme vise a terminar um processo ou evitar o seu início. § 1º. A simples declaração do credor importa em extinção da dívida. descontando a quota que for objeto da remissão (art. obra beneficente). 30. se recair sobre direitos contestados em juízo. Remissão de dívida Remissão das dívidas é a renúncia do credor ao crédito que existe em seu favor. Pode ser judicial ou extrajudicial. será feita por escritura pública ou por termo nos autos. por concessões mútuas. Se a dívida for solidária. mas pode ser revogada até o momento em que o devedor aceita a remissão. pelo qual as partes. seja perdoando uma dívida. nas em que ela o admite. 842 do CC. a remissão feita a um dos devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente. 29. poderá ser feita por termo nos autos. 844. 408 a 416 do CC). 844. do CC). A multa é convencionada no momento da realização do ato jurídico ou posteriormente. como ocorre na novação. nas obrigações em que a lei o exige. Quando se transige. Na acepção mais ampla e menos técnica. A cláusula penal se apresenta geralmente sob a forma de pagamento de determinada quantia em dinheiro. a obrigação não se extingue para os outros. regulamentado pela lei civil (arts. Se houver transação entre um dos devedores solidários e o credor. 388 do CC). A transação também se distingue do ato de liberalidade em que uma das partes quer beneficiar a outra. necessitando. § 3º. a transação far-se-á por escritura pública. evitam ou terminam um litígio (art. Nos termos do art. A transação concluída entre o credor e o devedor desobriga o fiador. para se tornar irrevogável. ou por instrumento particular. Pela transação. Transação A palavra “transação” é utilizada em sentidos diversos.46 - . que todavia só poderão exigi-la descontada a parte correspondente ao credor que perdoou a dívida (art. significa qualquer espécie de negócio. admitindo-se todavia a cláusula cujo conteúdo seja a prática de ato ou mesmo uma abstenção por parte do inadimplente. assinado pelos transigentes e homologado pelo juiz. O valor da . assinado pelos transigentes e devidamente homologado pelo juiz ou por escritura pública. as partes extinguem obrigações. como aliás ocorre em matéria de novação (art. do CC).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 28. a dívida se extingue para os co-devedores solidários (art. Se a obrigação for indivisível e um dos credores fizer a remissão da dívida. g. seja trazendo-lhe uma doação. o acordo de vontades do credor e do devedor. revertendo em favor da parte inocente ou de terceiro (v. não as substituindo normalmente por outras. 840 do CC). submetem o devedor que descumprir a obrigação a uma pena ou multa no caso de mora (cláusula penal moratória) ou de inadimplemento (cláusula penal compensatória).

420 do CC. haverá restituição do equivalente ao valor dado como arras. parte final. devem ser devolvidas quando o contrato é executado ou desfeito independentemente de culpa. não devendo mais nada (art. 413). um crédito contratual. as arras são consideradas penitenciais e terão função unicamente indenizatórias.Coordenadores: Marcelo T. num contrato de locação por tempo determinado. entende-se que no caso de inadimplemento. independentemente de qualquer infração. ainda. se as arras não constituem início do pagamento. Castellani multa deve ser determinável. Assim. O legislador determinou. Nesta hipótese. 8. a cláusula penal se aplica no caso de infração do contrato. O segundo atribui ao juiz o dever de reduzir a cláusula eqüitativamente. Nos termos do art. Transmissão das obrigações A transmissão das obrigações pode apresentar-se sob a forma ativa (cessão de crédito) ou passiva (assunção de dívida ou cessão de débito). entre pessoas vivas (inter vivos) ou em virtude de falecimento (mortis causa). 31. quando a obrigação tiver sido parcialmente cumprida ou na hipótese de a penalidade ser manifestamente excessiva. enquanto naquela o pagamento é feito desde logo. Cometti Fernando F.. quando só se refere a um crédito específico (v. funcionando como verdadeira cláusula compensatória. do CC).245. o locatário abandona o prédio antes do termo fixado e existe no contrato uma multa na hipótese de infração contratual. 32. Se houver a execução do contrato. a cláusula penal é compensatória e não representa um acréscimo às perdas e danos. em garantia da conclusão de um contrato. 4º da Lei n. Ressalta-se que. no momento da celebração do contrato. se o arrependimento for da outra parte. Funcionando ambos os institutos como limitações da indenização na hipótese de inadimplemento. o sinal poderá ser restituído ou computado como parte do pagamento do devido (art. Outras vezes. quando abrange todos os bens ou uma fração da totalidade dos bens do cedente (como ocorre em relação ao herdeiro). que foi cedido). . Arras ou sinal As arras constituem quantia ou coisa móvel dada por uma das partes à outra. g. não haverá a restituição do sinal para aquele que o deu ou. e não de mora. há promessa de pagamento. O CC tem dois artigos que impõem limites para a estipulação da cláusula penal. A cláusula penal é moratória quando se aplica em virtude de mora do devedor e sem prejuízo da exigência da prestação principal. nesta. 417. nas arras penitenciais o pagamento é prévio. enquanto na cláusula penal a parte inadimplente se compromete condicionalmente (na hipótese de inadimplemento ou de mora) a pagar certa quantia previamente fixada. As arras se distinguem da cláusula penal pois. como complemento pela infração contratual. tendo em vista a natureza e a finalidade do negócio (art. ou acrescer-se a elas. se as partes convencionam a possibilidade de arrependimento. O primeiro é o art. recorrendo-se eventualmente a vários fatores para a fixação definitiva do seu montante. No silêncio do contrato.47 - . que não poderá ser exigida indenização suplementar. por antecipação mediante entrega real da quantia. podendo então substituir-se às perdas e danos. ou a título singular. O locatário pode pagar a multa. As arras podem ser em dinheiro ou em outros bens fungíveis. de 18-10-1991). podendo ser a título universal. 412 que veda ter a cláusula penal valor superior ao da obrigação principal.

salvo se aquele. 299 trata da manifestação do credor sobre o negócio realizado e determina que pode ficar estipulado um prazo para que ele consinta na assunção da dívida. o parágrafo único do art. 299). Como aplicações específicas da assunção de dívida. o CC se refere ao caso do adquirente do imóvel hipotecado que se responsabiliza pelo pagamento do débito hipotecário. 299 e s. e. o banco não é obrigado a aceitar qualquer devedor. emprego e outros fatores.48 - . . ao tempo da assunção. pois concede crédito a alguém que. caso não o faça. sendo notificado. com ou sem aceite deste. o silêncio será interpretado como a reprovação da respectiva cessão de débito.. 303. “entender-se-á dado o assentimento”. O CC admite expressamente a assunção de dívida nos arts.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A assunção de dívida é um negócio jurídico pelo qual um terceiro assume a dívida em lugar do devedor. ficando exonerado o devedor primitivo. tornando inequívoco que: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. Além disso. em princípio. deve impugnar a transferência em trinta dias. conforme o seu art. Neste caso. O CC diz que o credor. se não o faz. poderá pagar. com o consentimento expresso do credor. dependendo dos rendimentos. era insolvente e o credor o ignorava” (art.

para saber se interessa ou não o contrato. apontamentos. modificar ou extinguir obrigações (direitos relativos de conteúdo patrimonial). que representa a projeção do interesse social nas relações interindividuais. que implica um estado de conhecimento do sujeito. Assim. enquanto a liberdade contratual é a possibilidade de estabelecer o conteúdo do contrato. . Castellani CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS 1. representa algo psicológico que presume a ignorância da real situação jurídica. visando criar. pressupõe uma proposta. A regra de boa-fé objetiva configura-se como cláusula geral e. isto é. o oblato torna-se aceitante. levando em conta os deveres de diligência que se espera de um homem mediano. possibilitando a existência de um sistema jurídico aberto com constantes adaptações das normas legais às exigências do mundo de relações e da alteração dos seus valores com o tempo. pois depende de no mínimo duas declarações de vontade. É preciso ressaltar. uma das partes pode pretender apenas obter informações. a cláusula geral fornece um ponto de partida para se alcançar resultados justos e adequados. corresponde a uma técnica legislativa que busca garantir a relação entre o direito e a realidade social. Os dois elementos imprescindíveis para a formação do contrato são a solicitação ou proposta e a aceitação. feita por uma das partes – o policitante ou proponente – à outra – o oblato ou solicitado. 2. como acordo de vontades. ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. Na boa-fé subjetiva. tabelamento de gênero. adotou a cláusula geral de boa-fé. Antes de aceitar. troca de cartas para esclarecimentos. Relaciona-se com fatores do sujeito e com os cuidados que deve ter nas suas relações com terceiros. 422. visitas. Em tese. ainda. tanto na conclusão do contrato quanto na sua execução. portanto. Princípios básicos do direito contratual Liberdade de contratar é a faculdade de realizar ou não determinado contrato. denominada policitação.Coordenadores: Marcelo T. contas. indagações. não vinculam as partes. em virtude da elaboração de uma série de normas legislativas fixando princípios mínimos que os contratos não podem afastar (salário mínimo. analisa-se o conhecimento ou a ignorância de determinada situação. fixação de percentagens de juros). se o possuidor ignora o vício. enquanto a segunda importa na fixação das modalidades de sua realização. cujo texto depende de aprovação prévia de organismos governamentais. 3. É o caso do art. a liberdade contratual só sofre restrições em virtude da ordem pública. em seu art. A primeira se refere à possibilidade de realizar ou não um negócio. minutas. O contrato poderá ou não se realizar. Assim. O dirigismo contratual diminuiu e restringiu a autonomia da vontade. que não se iguala ao sentido dado à boa-fé subjetiva. pois muitos contratos são hoje verdadeiros contratos de adesão. 1. especialmente no tocante à faculdade de fixar o conteúdo do contrato (liberdade contratual). Quando há aceitação. Noção de contrato O contrato é um negócio jurídico bilateral.201 do CC: “É de boa-fé a posse. A liberdade no plano contratual tem sofrido amplas restrições. . também denominada pela doutrina de boa-fé objetiva. O Código Civil. Formação do contrato O contrato.49 - . Cometti Fernando F.

não há exigência legal quanto à forma. o terceiro. reputa-se celebrado o contrato onde foi proposto (art. passando a ser o instrumento público essencial para a validade do negócio jurídico (art. Decreto-lei n. a indenização deve ser ampla. Geralmente os contratos não tenham formas solenes. o contrato é res inter alios acta. aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem”. a oferta ao público equivale à proposta. será considerado o lugar em que foi feita. 4. que são os sujeitos ativos e passivos da relação jurídica. todavia. . 429.50 - . com ou sem conhecimento ou consentimento deste. De acordo com o seu art. 435 do novo Código Civil). assim como seus sucessores (herdeiros. Efeitos dos contratos Os contratos alcançam as partes interessadas.657. pois. O problema se reveste da maior importância em direito privado. Para o não contratante que não sucede ao contratante. e “a obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente” (art. 5. resolvendo-se em perdas e danos que o promitente deverá pagar ao outro contratante.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Essas são as chamadas negociações preliminares. Promessa pelo fato de terceiro O art. Quanto ao lugar. A promessa não vincula. 4. equiparando-se a aceitação condicional. Quando. constitui nova proposta. antes ou simultaneamente com ela. todavia. O CC estabeleceu regra específica para a oferta destinada ao público em geral. A proposta de contrato obriga o proponente. esta não responder dentro do prazo estipulado ou de prazo razoável. no fundo. salvo declaração de vontade deste. chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente (arts. ou de documento escrito (doação que não seja de pequeno valor. sem nenhum efeito sobre o patrimônio do terceiro. que. relação jurídica entre as partes contratantes. 427 e 428 do CC). 429). se contiver todos os requisitos essenciais do contrato e desde que as circunstâncias e os usos não estabeleçam o contrário. Havendo contraproposta. deixando todavia a policitação de ser vinculatória se feita sem prazo a pessoa presente. abrangendo tanto o dano emergente como o lucro cessante. não podendo todavia prejudicar ou beneficiar terceiros sem declaração de vontade por parte destes de que aceitam os efeitos contratuais sobre o seu patrimônio. ela pode ser revogada pela mesma via da sua divulgação. realizando-se por documento particular ou público. desde que a própria oferta mencione essa faculdade (parágrafo único do art. “para qualificar e reger as obrigações. da natureza do negócio ou das circunstâncias do caso. na hipótese de inadimplemento. feita a pessoa ausente. Entretanto. como toda declaração unilateral de vontade. 9º e § 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. autorização para sublocar na sistemática da Lei do Inquilinato). algumas vezes há necessidade de escritura pública (venda de imóvel de valor superior a certa quantia). 439 do CC admite explicitamente a possibilidade de ser prometido fato de terceiro. se o contrário não resultar dos seus termos. Nesta hipótese. não for aceita imediatamente ou se. 109 do CC). de 4-9-1942). Deixa também de obrigar o proponente a policitação quando. pode o contrato tanto ser verbal como escrito. cessionários).

Cometti Fernando F. 7. em favor de quem a prestação deve ser executada. não pode ser atribuída a responsabilidade ao vendedor. prefere realizar. em certos casos. uma vez que o terceiro tenha manifestado a sua aceitação. ou seja. Contrato com pessoa a declarar Neste tipo de contrato. aparente ou ostensivo.51 - . do CC estabelece que. § 1o. indicar outra pessoa que irá adquirir direitos ou assumir obrigações nele previstas. caso não haja indicação de terceira pessoa ou a indicação não seja aceita por ela ou. por outro.O vício redibitório se distingue do defeito visível. Perecendo a coisa. para terceiro. o contrato somente produzirá efeitos entre os contratantes originários (arts. O vício redibitório é. o art. as reformas ou consertos necessários para corrigir os defeitos existentes. modificar a identidade do beneficiário ou as modalidades da prestação. nem poderão. Castellani 6. Os prazos para o exercício da ação redibitória são de decadência. desde o momento em que foi celebrado (arts. se a pessoa indicada for insolvente ou incapaz no momento da indicação. por sua natureza. nem sendo suscetíveis de interrupção. 470 e 471). nos termos estipulados no instrumento contratual ou na lei. pois. um direito novo e próprio. ignorado pelo adquirente. só puder . impedindo o uso normal da coisa. uma das partes tem a faculdade de. 467 a 469 do CC). e existente no momento da execução do contrato e subsistente na época do exercício da ação própria. quando o adquirente. e finalmente o terceiro. e do erro. em virtude de caso fortuito ou culpa do comprador. há obrigatoriedade desta.Coordenadores: Marcelo T. mas. que se obriga a realizar a prestação em favor de terceiro. Entretanto. A teoria da responsabilidade pelos vícios redibitórios se aplica atualmente a todos os contratos comutativos. mediante cláusula contratual ou aditamento ao contrato. mas as partes podem alterar a convenção de comum acordo. Enquanto o terceiro não aceita os efeitos da estipulação. cabe o exercício da ação redibitória. A renúncia à garantia pelos vícios redibitórios pode ser expressa. não se suspendendo. pessoa determinada ou determinável. Estipulação em favor de terceiro A estipulação em favor de terceiro é o contrato pelo qual se cria. Vícios redibitórios Vício redibitório é o defeito oculto que desvaloriza ou torna a coisa imprópria ao uso. 8. Contudo. não intentando as ações próprias. que estipula em favor de terceiro. oculto. começando a correr a partir da entrega ou da tradição do objeto ao adquirente. salvo se o comprador puder provar que decorre de outro defeito já existente por ocasião do contrato. ou tácita. Na estipulação existem três sujeitos. ainda. por sua própria conta. Se o vício vier a surgir depois da execução do contrato. quando o vício. àqueles em que há equivalência das prestações das partes. dois certos e um condicional. 441 e parágrafo único do CC). não poderão os contratantes fazer o distrato sem intervenção do terceiro. sendo o estipulante. vício da vontade. Os direitos e deveres oriundos da estipulação surgem independentemente da aceitação do terceiro. Se ao contrário o desaparecimento do objeto for conseqüência do vício. o promitente. como também à doação onerosa (art. por um lado. Exemplo: seguro de vida. este não pode acionar o vendedor. sem o seu consentimento. 445.

ela é parcial. O alienante é o responsável pelos prejuízos decorrentes da evicção. 447 do CC). para os imóveis. Evicção A evicção é o fato em virtude do qual o adquirente perde a posse ou a propriedade de determinado objeto. O terceiro que realiza a evicção é o evictor. considerar-se-ão os usos e costumes locais. o prazo será contado da data da ciência da sua existência até o máximo de cento e oitenta dias. ao contrário. em contrato oneroso. As garantias do adquirente podem ser reforçadas mediante uma caução ou fiança ou mesmo por garantia hipotecária a fim de assegurar. Em relação aos vícios ocultos nos negócios de compra e venda de animais. a evicção só recai sobre uma parte do objeto da alienação. transitada em julgado. 2. nem regra consuetudinária. a evicção é total. Caracteriza. na qual se declara que o alienante não tinha qualidade para realizar a alienação. mediante cláusula contratual. Ademais. o prazo de garantia deve ser especificado em lei especial. que as atribui a terceiro. a evicção a perda da posse ou da propriedade de um bem. A lei dá assim maior liberdade às partes para a ampliação da garantia legal no caso de evicção. a posse ou o domínio da coisa alienada. com um patrimônio de terceiro ou com certos bens específicos pertencentes ao alienante. 9. nos termos do art. titular legítimo do direito. ou. O adquirente é o evicto. seja o vício anterior à alienação. ou seja. pois. mas consideramos que se equipara aos móveis. em virtude de sentença judicial. haja sentença. 3. pois sofre a evicção. pois transmitiu um direito inexistente ou viciado.52 - . exista um vício no direito do alienante transferido ao adquirente. e um ano. 448 do CC). 445. do CC. quando não houver lei específica. essa garantia subsiste mesmo em casos de aquisição em hasta pública (art. Este dispositivo determina a aplicação do prazo especificado no seu § 1º – 180 dias para bens móveis e um ano para bens imóveis. . diminuir ou excluir a responsabilidade decorrente da lei (art. o pagamento da indenização devida na hipótese de evicção. § 2º. perdendo o direito que acreditava ter legitimamente adquirido. um direito alheio. para bens móveis. podendo as partes. A garantia do alienante pelos prejuízos decorrentes da evicção existe nos contratos onerosos. devendo os contratantes fixar as garantias suplementares no instrumento em que estabelecem as condições do negócio jurídico ou em ato posterior. em virtude da qual o adquirente perdeu o uso. reconhecendo que o alienante não era titular legítimo do direito que transferiu. se esta não existir. Quando o objeto da evicção se identifica completamente com o da alienação. pelo adquirente. Para que haja evicção é preciso que: 1. quando. em virtude de sentença judicial.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI ser conhecido mais tarde. reforçar.

Castellani CAPÍTULO III . venda de colheita futura. sendo ato de disponibilidade. O contrato se torna perfeito com a combinação entre as partes do objeto da venda. devendo tanto o comprador como o vendedor ser capazes de fato ou. pode ser aleatório. podendo ser comutativo ou aleatório. demais serventuários e auxiliares da Justiça e aos leiloeiros. o falido não pode alienar os seus bens. exige autorização do juiz quando o alienante é incapaz (arts. 496 do CC). parágrafo único). Assim. e o outro a pagar-lhe certo preço em dinheiro (art. venda de colheita desde que haja safra.CONTRATOS EM ESPÉCIE 1. Esses elementos estão perfeitamente especificados no art. 484 do CC).750 do CC). embora possa esta ser exigida para a transferência da propriedade. O legislador ressaltou ainda que essa proibição estende-se aos casos de cessão de crédito (art. a fim de evitar que a doação seja simulada em compra e venda. Para evitar litígios na família exige-se. Da compra e venda e da troca A compra e venda distinguiu-se da troca ou permuta por importar na transferência de mercadorias de uma parte contratante para a outra. Além disso. seqüestrados ou penhorados. protótipos ou modelos. 1. sob pena de anulação do negócio. legitimação. estar devidamente assistidos ou representados. em alguns casos. A venda.691. 484). havendo equivalência aproximada das prestações e certeza quanto ao valor de ambas.747 e 1. aos juízes. 2. . a fim de evitar conluios ou fraudes. oneroso (não importa em liberalidade). embora tenha a capacidade geral. o vendedor garante ao comprador que a mercadoria alienada tem as qualidades correspondentes às da amostra (art. qualquer que seja o seu valor). mediante o pagamento de determinada quantia de moedas. A compra e venda não requer forma especial. do preço e das modalidades de pagamento. administradores a aquisição dos bens confiados à sua guarda ou administração. se houver contradição ou diversidade entre a descrição da coisa no contrato e as características das amostras. estendendo tal proibição aos funcionários públicos. o novo Código deixa claro que. São elementos essenciais da venda a existência do objeto (res). A lei também veda. 481). se incapazes. aos tutores. Hipóteses especiais de compra e venda (cláusulas especiais) a) Venda por Amostra Na venda por amostras. O contrato de compra e venda pressupõe a capacidade geral. Excepcionalmente. do preço (pretium) e do consenso (consensus). testamenteiros. dos protótipos ou dos modelos.Coordenadores: Marcelo T. venha ou não a haver safra – emptio spei) ou quanto ao valor dela (emptio rei speratae. Geralmente é comutativo. na hipótese de surgir dúvida quanto à existência de uma das prestações (venda de mercadoria que se encontra em navio que pode ter naufragado. curadores.53 - . 497 do CC. 497. prevalecem estas últimas (parágrafo único do art. A compra e venda é um contrato bilateral (cria obrigações para ambas as partes). e mesmo a pessoa solvente não pode alienar bens arrestados. nos casos expressamente mencionados no art. 1. sob pena de nulidade. que na venda dos ascendentes para os descendentes haja o consentimento expresso dos outros descendentes e do cônjuge (art. O CC define a compra e venda como o contrato pelo qual um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. 482 do CC. exigindo. Cometti Fernando F.

54 - . o comprador fica obrigado a pagar o preço nas condições ofertadas ou ajustadas. na hipótese de revenda do bem. que se assemelha à venda a contento. três anos a partir da data da venda (art. O direito de preferência é intransferível por ato mortis causa ou inter vivos. pois. 505 do CC). situação em que a mesma passa a ser condição essencial ao contrato efetivado. É muito conhecida tal espécie de venda no tocante a vinhos. funcionando como verdadeira cláusula resolutória da propriedade (art. adquirindo o bem. Distingue-se da retrovenda por ser aplicável tanto a móveis como a imóveis. e não num direito real. sendo de cento e oitenta dias. A retrovenda só se aplica aos imóveis e pode ser exercida durante um prazo de caducidade de. d) Venda a contento e venda sujeita a prova (arts. importando apenas na criação de um direito obrigacional. 513. e extinguindo todos os direitos de terceiros posteriores à alienação primitiva (hipoteca. O CCl trouxe a figura da venda sujeita a prova. anticrese. . funcionando esta como condição suspensiva para a efetivação do negócio. sendo apenas enunciativa ou descritiva a referência às dimensões. A retrovenda tem efeitos reais. à coisa em seu todo. só poderá ser exercido em relação à totalidade do objeto. ou de dois anos. O CC estipulou um prazo máximo para o exercício do direito de preferência. parágrafo único). se imóvel (art. e) Preferência ou preempção A preferência ou preempção é uma faculdade pessoal que se assegura ao vendedor para readquirir a coisa vendida em igualdade de condições com um terceiro comprador. na medida em que também se presume feita sob condição suspensiva de que a coisa tenha as qualidades asseguradas pelo vendedor e seja idônea para o fim a que se destina (art. perfumes. Na hipótese de exercício do direito de preferência.359 do CC). o titular do direito de preferência pode notificar o alienante de sua vontade de exercê-la. ou seja. Até a aceitação da venda. 509 a 512 do novo Código Civil) Venda a contento é a alienação que depende de aprovação do comprador. Existindo preferência em favor de mais de uma pessoa. tanto na venda a contento quanto na venda sujeita a prova.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Trata-se. 510). de uma espécie de venda condicional que somente se torna perfeita e acabada comprovando-se a identidade da mercadoria ou do objeto entregue com a amostra que deu margem ao pedido. 1. Ciente da venda que está para ser realizada. as despesas feitas pelo adquirente (custas de escritura e impostos). Já a venda “ad mensuram” faz-se o preço por medida de extensão. que se resolve em perdas e danos. se a coisa for móvel. incluindo aquelas efetuadas com a sua autorização escrita no período de resgate ou para a realização de benfeitorias necessárias (art. valendo inclusive contra terceiros. como ocorre na retrovenda.). no máximo. como coisa certa e discriminada. b) Venda “ad corpus” e “ad mensuram” Há duas modalidades na venda de terras ou terrenos: a venda ad corpus é a alienação de imóvel. não se admitindo exercício parcial do direito de preferência que viria cindir a venda. ainda que a coisa já tenha sido entregue. se o comprador transferiu o seu direito dentro do prazo de exercício da retrovenda. promessa irretratável de venda etc. c) Retrovenda A cláusula de retrovenda consiste na faculdade que se reserva o vendedor de reaver o imóvel vendido devolvendo ao comprador o preço. 511 do CC). livros e alimentos em geral. 505 do CC). o comprador é equiparado ao comodatário (art.

em que se prova o embarque das mercadorias. Vale o pacto de melhor comprador como verdadeira condição resolutiva. mas pela entrega do seu título representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato. aplicandose somente aos imóveis. entretanto. de rescindir a venda já realizada se dentro de certo prazo aparecer melhor comprador. resolvendo-se em perdas e danos. bens ou vantagens do seu patrimônio para outra pessoa. Doação Doação é o negócio jurídico pelo qual alguém se obriga a transferir.647 do CC). salvo se absolutamente incapaz. Essa proibição. Também se considera válida a doação feita ao nascituro quando aceita pelo seu representante legal (art. a aceitação quando o doador fixou prazo para que o donatário o aceitasse.242/91) lhe dá efeitos reais (art. A lei presume. sem a necessidade da sua aceitação (art. Castellani A preferência tem sido assegurada. 33). o pagamento deverá ser efetuado na data e no lugar da entrega dos documentos (art. 1. observado o regime dos negócios jurídicos. sob a justificativa do desuso dessa figura contratual tipificada pelo Código de 1916. em geral contendo as cláusulas CIF (cost. pelo contrato. É preciso distinguir no caso a doação da dação em . Ao comprador não cabe recusar o pagamento alegando vício ou estado da coisa vendida. ou até. por liberalidade. todavia. freight = custo. nada impede que as partes. usando da sua autonomia da vontade. 8. 529). todavia. uma vez que a documentação esteja em ordem.55 - . 3. por lei. 543 do CC). O Código Civil deixou de disciplinar o pacto de melhor comprador. A pessoa casada não pode fazer doações sem o consentimento do outro cônjuge. em condições de igualdade com qualquer terceiro interessado na compra do prédio. pelo conhecimento marítimo. ao primeiro comprador a preferência para manter a venda feita em seu favor. estipulem de forma similar. o animus donandi. Atendendo-se ao interesse do donatário. ressalvados os casos em que o defeito tiver sido comprovado (parágrafo único do art. Salvo estipulação em contrário. Os caracteres essenciais da doação são o enriquecimento do donatário. pelos usos. seguro e frete incluídos) ou FOB (free on board = livre a bordo). Cometti Fernando F. não vale se os cônjuges forem casados em regime de separação absoluta (art. Entretanto. caso pague preço igual ao do melhor comprador encontrado no prazo de exercício do pacto. salvo sendo remuneratórias. 530). As doações remuneratórias são aquelas que visam uma compensação do donatário por serviços prestados ou por ato praticado. 542 do CC). É preciso que o donatário aceite a doação. caso o contrato nada mencione. admite-se que os absolutamente incapazes possam receber doações puras. de bens comuns ou dos que possam integrar futura meação. tendo todavia efeitos pessoais.Coordenadores: Marcelo T. por exemplo. A Lei do Inquilinato (Lei n. ao locatário para aquisição do imóvel residencial alugado. f) Pacto de melhor comprador e pacto comissório O pacto de melhor comprador é a faculdade concedida ao vendedor. a atualidade da atribuição patrimonial e a irrevogabilidade. insurance. ou seja. 539 do CC). 529. de modo que se caracteriza não pela tradição da coisa. assegurando-se. tratando-se de doação sem encargo e o donatário não se manifestou nesse período (art. g) Venda sobre documentos A definição desse instituto é dada pelo art. Usa-se tal modalidade no comércio internacional.

passando a ser considerada como inexistente desde o início e desaparecendo todos os seus efeitos e. locatio operis faciendi: locação de obra. mesmo antes da entrega o contrato já está perfeito. que tinha três modalidades: locatio rei (ou rerum): locação de coisas. A locação é contrato bilateral.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI pagamento. se for gratuito. quando as partes estipulam que. constitui comodato (empréstimo de coisa não fungível). extinguindo-se a liberalidade. Esta existe havendo preço combinado para uma prestação de serviços e pagando o devedor com um objeto determinado. o de expedição. e locatio operarum: locação de serviços. ou empreitada. comutativo.56 - . É oneroso porque. o de trabalho doméstico. os Códigos mais recentes disciplinam o contrato de prestação de serviços. só são devidas enquanto ele estiver vivo e não poderão subsistir após a morte do donatário. inquilino ou arrendatário. operando tal cláusula como resolutória do contrato. A resolução da doação decorre da existência de condição resolutiva ou termo final. A locação ficou restrita à de coisas. senhorio ou arrendador. aluguer ou renda. em virtude da morte do donatário. É bilateral porque acarreta obrigações interdependentes de ambas as partes. A parte que cede o uso e gozo diz-se locador. 557 a 564 do CC. Assim. anulando as alienações feitas pelo donatário e fazendo os bens reverterem livres de quaisquer ônus ao doador. que. As doações podem ser reversíveis. pois a resolução do direito fundamental importa em caducidade dos direitos derivados. ou de execução sucessiva. consensual. As doações ainda podem ser continuadas. porque não se exige a entrega da coisa para aperfeiçoar o contrato. 555 do CC). mediante remuneração. o de agência. Mas a evolução do direito alterou a classificação romana. A doação é ineficaz quando realizada em desobediência às normas legais. A revogação deve respeitar os direitos de terceiros e pode decorrer também da inexecução de encargos (art. a empreitada. os eventuais direitos de terceiros. salvo outra indicação do doador. constituindo faculdade que o doador poderá exercer na forma dos arts. voltarão os bens doados ao doador se ainda estiver vivo. É consensual porque basta o acordo de vontades. não havendo nem mesmo um direito do credor de exigir judicialmente o pagamento de uma prestação fixa. terá ela efeitos retroativos. o de transporte e outros. a que recebe a coisa chama-se locatário. Pode fazer-se em dinheiro ou outra utilidade. o contrato de trabalho. o contrato de aprendizagem. A revogação ocorre na hipótese de ingratidão do donatário. A remuneração ou o preço pago diz-se aluguel. ferindo assim os direitos dos seus herdeiros necessários (art. Não é contrato real. Locação é o contrato em que uma das partes se obriga a ceder à outra o uso e gozo de coisa infungível. podendo ser nula ou anulável. oneroso. Nesta hipótese. Da locação No direito romano. isto é. como figuras autônomas. A redução das doações se justifica quando o valor destas ultrapassa a parte disponível. A doação surge quando não existe essa proporção exata entre as prestações. quando revestem a forma de pagamento em períodos sucessivos. sendo considerada nula qualquer estipulação pela qual o doador previamente renuncie à possibilidade de revogação nos casos de ingratidão do donatário. vários contratos foram abrangidos pela denominação de locatio conductio. da qual o doador poderia dispor em testamento no momento da liberalidade. 4. mediante acordo nesse sentido entre as partes. . com um regime especial para os imóveis. 549 do CC). inclusive. impessoal e de duração.

A coisa pode ser do locador ou não. Admite-se que certos bens incorpóreos também possam ser locados. pois neste caso o contrato se transforma em mútuo oneroso. alterando e extinguindo a Lei de Luvas e outras leis especiais (art. e b) quando as alterações forem de pouca monta. deverá ser assinado documento escrito determinando as alterações. porque supostamente pretendiam defender ou proteger o inquilino. “dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os procedimentos a elas pertinentes”. Podem ser locadas coisas móveis e imóveis. 6. respondendo pela sua solidez. Cometti Fernando F. como se vê da ementa. começando pelas disposições gerais. o mesmo dispositivo legal traz duas exceções e permite modificações quando: a) fique demonstrada a inconveniência ou excessiva onerosidade da execução do projeto original. a cessão. Não podem ser locadas as coisas fungíveis. 90). Da empreitada A empreitada costuma ser definida como o contrato pelo qual alguém se obriga a fazer determinada obra para outrem. consignação. a Lei n. Tal como em parte ocorria nas anteriores. Entretanto. tratando-se de um instituto de alta relevância não apenas no direito civil. Da locação predial urbana As leis de locação predial foram chamadas de Leis do Inquilinato. É contrato de duração. porque se prolonga no tempo. Em virtude do contrato de empreitada pode ocorrer a modificação de um bem móvel ou imóvel ou a realização de um trabalho científico. realizado intuitu personae ou livremente transferível (art. Não o podem ser também os bens públicos de uso comum. o dono pode optar entre receber a obra e exigir abatimento do preço ou rescindir o contrato pedindo perdas e danos (arts. supletivamente. O dever primordial do empreiteiro é realizar a obra ou serviço no prazo e nas condições convencionadas ou de acordo com os usos locais. com a locação residencial e a não residencial e cuidando da parte processual. Em 18-10-1991. Mesmo sendo lei especial. revisional e renovatória.57 - . oneroso e comutativo. conforme o caso. tudo dependendo das circunstâncias peculiares do contrato e da convenção das partes. A lei sistematizou melhor a matéria.Coordenadores: Marcelo T.245/91 foi além e regulou melhor e com alterações alguns processos referentes às locações de imóveis. ser de execução imediata ou contínua. Considera-se imperfeita a obra quando o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados. 8. Havendo qualquer modificação do plano inicial por parte do dono da obra. A lei se refere aos contratos em shopping centers. podendo. que passam a incluir-se na locação. . Castellani É impessoal porque não se leva em conta a pessoa do contratante. aplica-se o Código Civil. 5. em tese. por motivos supervenientes ou razões de ordem técnica. 626 do CC). 615 e 616 do CC). infungíveis e não consumíveis. mas também no direito empresarial e no direito administrativo. O contrato de empreitada é consensual. é válida a locação de coisa alheia. editou-se a Lei n. mediante retribuição. 621 do CC. 8. sendo admitida. que. Na hipótese de mora do empreiteiro ou de defeitos na obra. se for omissa. assim como das regras técnicas peculiares aos trabalhos da mesma natureza.245. aplicáveis a todas as locações de imóveis urbanos. Nesse sentido é o art. ressalvada a unidade estética da obra projetada. em que trouxe inovações quanto às ações de despejo. passando para as especiais. bilateral. como o fundo de comércio e patente de invenção. intelectual ou artístico.

podem realizar um distrato. mas inova ao acrescentar: “Art. devolvê-la ao legítimo proprietário. é de quatro anos (art.221) por “resolver”. como acontece nos bens fungíveis. o mesmo acontecendo na hipótese de inadimplemento por parte do dono da obra. em seguida. A conclusão da obra com o respectivo pagamento é a forma normal de extinção do contrato de empreitada. mantendo-se. material ou imaterial. 1. empréstimo gratuito. o falecimento de uma das partes sendo o contrato intuitu personae (art. assim estabelecendo no art. a seu arbítrio. pode ser contratada mediante retribuição”. aplicável a todos os contratos bilaterais. A finalidade do empréstimo pode ser o simples uso. Da prestação de serviço É aquele pelo qual uma pessoa estipula uma atividade lícita. 593 a 609 ao admitir que se contrate qualquer serviço. de locação de serviços e que hoje se considera mais adequado chamar de prestação de serviços. Art. como ocorre nas coisas infungíveis. O CC regula a matéria nos arts. O contrato só admite transferência com acordo da outra parte. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito. 7. nem se podendo inferir da natureza do contrato. ou seja. Neste caso. o que se chamou. ocorrendo assim a extinção por vontade das partes. a força maior e o caso fortuito são outras tantas causas de extinção da empreitada. 599: “Não havendo prazo estipulado. 603). justificando então a rescisão a pedido do empreiteiro. 626 do CC). qualquer das partes pode rompê-lo. se não fixado. em caráter eventual e autônomo. reger-se-á pelas disposições deste Capítulo. Do empréstimo O empréstimo é a convenção pela qual uma das partes recebe coisa alheia para utilizá-la e. os riscos referentes a este correrão por conta do empreiteiro até a entrega da obra a quem a encomendou. O perecimento do objeto. que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial. a terceira. não se pode mandar alguém em lugar da parte (art. Se o prestador de serviços for despedido sem justa causa. A prestação de serviço. se quiser. Se houver inadimplemento ou culpa por parte do empreiteiro. no Código Civil de 1916. Já vimos. com aviso prévio (como no direito do trabalho). terminologia adotada pelo novo Código Civil. Distingue-se assim o a) comodato. a segunda (locação de obra) é o que se chama de empreitada. 594. de acordo com a cláusula resolutiva tácita. A primeira é a locação de coisas. que. locatio operis e locatio operarum. Em caso de prazo certo. havia três figuras com nomes começando pela palavra locatio: locatio rerum. ou do costume do lugar. só deve o prestador despedir-se por justa causa (art. de coisas infungíveis para utilização pelo comodatário. mediante prévio aviso.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo a empreitada de mão-de-obra e de material. sem subordinação do prestador e mediante remuneração. 598 do CC). a desapropriação do bem. As partes que convencionaram a empreitada. ou o consumo. O tempo máximo do contrato. no direito romano. 602 do CC). no capítulo das locações. donde se segue que é personalíssimo (ou intuitu personae) 8. por comum acordo.58 - . O novo Código Civil corrigiu o termo “rescindir” (do art. 593. qualquer das partes. pode resolver o contrato”. . tem direito a receber por inteiro a retribuição vencida e a metade do que faltar até o fim do contrato (art. assiste ao dono da obra o direito de rescindir o contrato. 605 do CC).

que têm a mesma razão de ser. obrigando-o a restituir ao mutuante o que dele recebeu. O mútuo em que as partes estipulam o pagamento de juros é denominado mútuo feneraticio. e da locação de coisa. implica responder o depositário por perdas e danos (art. sendo a identificação genérica e não individual. pela sua finalidade básica de custódia da coisa. do b) mútuo. para consumo. mandatário). pela qual se assegura a alguém. segundo a melhor doutrina. sem a autorização expressa do depositante. no segundo. cuja obrigação de restituir perdura. A utilização indevida da coisa depositada ou a sua entrega em depósito a terceiro. pode ser contratado não apenas pelo proprietário do objeto. por haver no primeiro uma função relativamente passiva de vigilância. 627 do CC). art. Normalmente. O depósito. I). em que o comodatário recebe a coisa para a sua utilização. podendo usá-la e consumi-la. com traços peculiares. O mútuo também é chamado empréstimo de consumo. 640 do CC). Já o mútuo consiste na transferência da propriedade da coisa mutuada. empréstimo de coisas fungíveis. mesmo na hipótese de destruição da coisa por força maior ou em virtude de caso fortuito. e só pode ser realizado pelo proprietário da coisa mutuada. Castellani todavia. Do depósito O contrato de depósito importa na guarda temporária de um bem móvel pelo depositário até o momento em que o depositante o reclame (art. § 2º. O legislador (art. as regras do novo Código Civil seguem quase que completamente as já existentes no Código de 1916. depósito obrigatório é o realizado em desempenho de obrigação legal (depósito legal) ou em virtude de calamidade pública (depósito miserável). o mandatário tem deveres ativos para defender os interesses do mandante. do CC) especificou ainda a responsabilidade do depositário. Também se diferencia o depósito do mandato. salvo convenção em contrário das partes ou em decorrência da própria natureza do negócio (depósitos bancários). cabendo-lhe restituir objeto de igual qualidade e valor. 9. e o gênero presumidamente nunca perece. convencionando-se juros para o financiamento. a sua substância inalterada e devolvendo-se as coisas recebidas ao comodante. denominando-se então . comodatário. conhecemos o contrato de abertura de crédito ou promessa de mútuo. O depósito. Ao lado do contrato típico de mútuo. o depositário não pode utilizar a coisa depositada. parágrafo único. mesmo quando devidamente autorizado pelo depositante. 171. em coisa do mesmo gênero. se agir com culpa na escolha do terceiro para quem o bem será dado em depósito. pois res perit domino (o risco pelo perecimento da coisa corre por conta do proprietário). embora sendo onerosa. Ressalta-se que.Coordenadores: Marcelo T. O comodato consiste na cessão gratuita e temporária da utilização de coisa infungível. mas por qualquer pessoa que tenha a posse dele (locatário. a possibilidade de utilizar por certo prazo um crédito limitado ou ilimitado. distingue-se do comodato.59 - . em virtude da qual os riscos da coisa se transferem para o mutuário. em relação ao comodato. podendo ser gratuito ou oneroso. mediante determinada comissão. O depósito ainda pode ser de coisa litigiosa a fim de evitar que o desvio dos bens litigiosos venha prejudicar as partes em conflito. Caracteriza-se o mútuo pela translação do domínio. Cometti Fernando F. sob pena de importar em ato nulo para o direito civil e ilícito penal punido como se estelionato fosse (CP. 640. Depósito voluntário é o decorrente da vontade das partes. enquanto. sendo ato de administração. quantidade e qualidade. Ao contrário do mútuo. a abertura de crédito é contrato consensual. em que o mutuário se torna um verdadeiro proprietário da coisa mutuada.

corretagem etc. a relação entre o representante e principal perante o terceiro. em verdade. do Código de Processo Civil). pois. O mandato é considerado como contrato unilateral. quando somente os primeiros são da alçada do mandatário. devendo a procuração ser dada pelos seus representantes legais. Em alguns casos especiais. enquanto o mandato se apresenta como presumidamente gratuito. independentemente de qualquer intervenção do seu assistente.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI seqüestro. assim dispondo a lei em relação aos conflitos trabalhistas (art. 6. arts. que é sempre onerosa. O mandato só é admissível para os atos que não têm natureza personalíssima. 34 e 50) e de requerer o registro de nascimento (Lei n. como exige o art. normalmente. sendo absoluta a incapacidade. 792 da Consolidação das Leis do Trabalho).015/73. 822 e s. O analfabeto só pode outorgar procuração por instrumento público. por exemplo. compra e venda. e que abrange negócios jurídicos e atos materiais. salvo em decorrência das regras gerais e princípios aplicáveis às obrigações contraídas pelos menores (art. uma vez que não pode assinar o instrumento particular. o mandatário age em nome e por conta do mandante. em seu nome.60 - . tratando-se inequivocamente de um contrato realizado intuitu personae. 166. 10. pessoa física ou jurídica. fiduciária. somente passando a ser imperfeitamente bilateral quando o mandatário. A procuração é o instrumento do mandato. embora no interesse e por conta do comitente. casar com pessoa determinada (art. admite-se a procuração dada pelo relativamente incapaz. O mandato se distingue da comissão porque o comissário atua em nome próprio. praticar atos ou administrar interesses (art. A procuração é um negócio jurídico pelo qual se constitui o poder de representação voluntária. atendendo-se à personalidade do mandatário.542 do novo Código Civil). enquanto no mandato. decorrente da confiança existente entre os contratantes. o relativamente incapaz pode figurar como mandatário. 50. O mandato pode ser expresso ou tácito. Este pode ser de prestação de serviços. Quando os incapazes outorgarem mandato sem representação ou assistência. em nome do mandante. 653 do CC). a faculdade de apresentar queixa-crime (Código de Processo Penal. é remunerado. A base do mandato é. art. Há um lado interno (o negócio entre as partes) – subjacente – e o lado externo – a representação. 1. § 3º). ou pelos seus assistentes. Ademais. entre dezesseis e dezoito anos. Os incapazes podem outorgar mandato. Ocorre que. para a doutrina. mas neste caso o mandante não terá ação contra ele. embora se admita o mandato para. Todas as pessoas capazes podem outorgar mandato mediante instrumento particular por elas assinado. O primeiro decorre de convenção e o segundo de . sendo admissível tanto em relação a móveis como a imóveis e funcionando como medida preparatória ou conservatória regulada pela lei processual civil (arts. Também se diferencia da prestação de serviços. trabalho. não há identidade entre procuração e mandato. conceder mandato para fazer testamento. pois. não se podendo. 171 a 177 do CC). só cria obrigações para o mandatário. em virtude da convenção ou por tratar-se de ato profissional. aplicam-se as normas sobre obrigações contraídas por menores (arts. 654 do CC. Freqüentemente é o mandato. sendo a incapacidade relativa. Do mandato O mandato é o contrato pelo qual alguém recebe de outrem poderes para. 666 do CC).

643 do CC). É também chamado de mediação. O mandato judicial é concedido a advogado devidamente registrado na Ordem dos Advogados (OAB) para patrocinar uma causa. meio de cumprir uma obrigação contratada. O mandato deve ser escrito. Se o mandato for oneroso. porque acarreta obrigações para ambas as partes. não tem a obrigação de pagar a comissão.906/94 – Estatuto da OAB). 658. recebendo duplamente. fica isento de prestar contas. Admite-se excepcionalmente que o advogado funcione sem procuração e comprometendose a apresentá-la dentro de certo prazo (art. não se configura como cliente no contrato de corretagem e. O contrato classifica-se como bilateral. na falta destes. por arbitramento (art. que é aproximada. admitindo-se em todas as hipóteses que as partes livremente convencionem uma remuneração pelo exercício do mandato. Cliente é aquele que contrata o corretor para realizar o negócio. A natureza personalíssima e fiduciária do contrato faz com que. 1. se presume oneroso quando praticado profissionalmente pelo mandatário. 8. inclusive para transferir para si bens móveis e imóveis objeto do mandato. Do contrato de corretagem É o contrato pelo qual uma parte se obriga para com outra a aproximar interessados e obter a conclusão de negócios.Coordenadores: Marcelo T. naturalmente gratuito. tem poderes amplos. parágrafo único. 682 do CC). Cometti Fernando F. Nem sempre o corretor é um profissional. 37 do Código de Processo Civil e art. do CC). 658 do CC). caberá ao mandatário a retribuição prevista em lei ou no contrato. como a que considera os cônjuges autorizados a comprar as coisas necessárias à economia doméstica independentemente de autorização um do outro (art. Este pode ser pessoa física ou jurídica. É muito usada na cessão de títulos de clube e na alienação de bens imóveis. morte ou interdição de uma das partes. . salvo nos processos criminais e trabalhistas. Trata-se de mandato irrevogável e que subsiste e produz efeitos após a morte do mandante. 11. qualquer das partes possa sempre rescindi-lo. quando se trata de pessoa física. caducando o mandato com a morte. sem subordinação e mediante remuneração. conseqüentemente. por conseqüência. incapacidade ou mudança de estado de um dos contratantes. Castellani presunção legal. que certos corretores exigem. O mandato.61 - . A outra parte. mudança do estado que inabilite o mandante a conferir os poderes ou o mandatário a exercê-los. podendo desempenhar a função apenas esporadicamente. em tese. São partes no contrato de corretagem o interessado (cliente) e o corretor (mediador). revogação pelo mandante. conforme indicado. Esse contratante. Quando não houver previsão. deve remunerar o corretor. caso seja efetivado o negócio pretendido. O mandato em causa própria é. Extingue-se o mandato em virtude de renúncia do mandatário. b) dados como condição do contrato bilateral ou c) com cláusula “em causa própria”. outorgado no interesse do mandatário. podendo esta ser global ou paga parceladamente durante o tempo em que for exercido o mandato (art. São irrevogáveis os mandatos a) com cláusula de irrevogabilidade. que. § 1º. equivalendo a procuração à venda ou cessão de direito. da Lei n. mas não afetando as pessoas jurídicas. pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio (art. em que a simples indicação do advogado em audiência pode ser suficiente. 5º. a remuneração será determinada pelos usos e costumes do lugar e.

devendo conter a enumeração dos riscos transferidos ao segurador. já tendo. a obrigação do pagamento do prêmio vencido (art. podendo apenas aceitá-las ou deixar de contratar. englobando o seguro de vida. entretanto. O contrato de seguro é dirigido. basta a declaração do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito) de que foi pago o prêmio (anexa ao Certificado de . todavia. deve por eles responder. que depende da existência de prejuízo em virtude da ocorrência do sinistro no período de vigência do contrato. Concluindo-se ou não os negócios. 765 do CC). os documentos recebidos devem ser restituídos. e é de adesão. O contrato de seguro se fundamenta na boa-fé das partes e na sua lealdade. tendo como contraprestação o pagamento do prêmio pelo segurado. se o segurado prestar declarações falsas. aleatório. oneroso. que fica com a seguradora. conforme decidido pelos nossos tribunais. de trânsito e outros). A apólice ou o bilhete de seguro são os instrumentos probatórios do contrato. podendo o cliente exigir prestação de contas. porque tem por fim a conclusão de outro contrato (o principal). O corretor tem o dever de desempenhar a sua função de intermediação com diligência e prudência que o negócio exige. condicional. nos termos do art. assim. se pronunciado pela sua caracterização como obrigação de resultado. do CC). 73/66 permite a emissão de bilhete de seguro a pedido verbal do interessado (art. é um contrato de adesão e um contrato dirigido. pois depende da aprovação do seu texto pelas autoridades administrativas (SUSEP – Superintendência de Seguros Privados). 766. sempre prestando informações e esclarecimentos ao cliente sobre o andamento. No seguro obrigatório de veículos terrestres. O Decreto-lei n. que possam influir na aceitação da proposta ou especificação do valor do prêmio pela seguradora. 766 do CC). que. enquanto a do outro contratante (o pagamento do prêmio pelo segurado) é certa e independe de condição. b) seguros de pessoa. não sendo exigida necessariamente a sua formalização por escrito. Muitas vezes. enquanto a apólice fica com o segurado. 12. porque basta o acordo de vontades. conforme o caso. e consensual. parágrafo único. As operações de seguros agrupam-se em: a) seguros de ramos elementares ou de dano. tanto na sua formação quanto na sua execução (art. o STJ. porque depende do fator sorte (realização do negócio). Uma das prestações (a indenização a ser paga pelo segurador) é. se a inexatidão ou a omissão não resultar de má-fé do segurado. Há também a proposta.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI acessório. o segurador pode optar pela resolução do contrato ou cobrança da diferença do prêmio (art. porque implica remuneração. nem a liberdade de contratar.62 - . O legislador ressalvou. O elemento aleatório consiste justamente na incerteza referente ao pagamento da indenização. por dolo ou culpa. ou não. inclusive. 10). subsistindo. oneroso. 723 do CC. O contrato de seguro é bilateral. Se causar danos. ele perderá o direito à garantia objeto do seguro. O seguro tem como instrumentos a apólice e o bilhete de seguros. inexatas ou omitir informações relevantes. pois a lei impõe a determinadas classes de pessoas o seguro obrigatório (acidentes de trabalho. pois o segurado não tem a possibilidade de discutir as cláusulas contratuais com o segurador. existe. aleatório e consensual. os riscos e as especificidades do negócio. as condições. Do Seguro O seguro é concebido como promessa condicional de indenização na hipótese de ocorrência do sinistro (acontecimento futuro e incerto causador de prejuízo). os dados sobre o prazo de vigência do contrato e as obrigações assumidas pelas partes. Diante desse princípio.

Trata-se de um contrato acessório. 823 do CC). em virtude do art. extinguindo-se e anulando-se com esta. A fiança. A fiança se distingue do aval.Coordenadores: Marcelo T. Em princípio. certas seguradoras fornecem um cartão com a espécie de seguro. garantia específica dos títulos cambiais. nem mesmo as cartas de recomendação ou aquelas em que um terceiro promete fazer o melhor esforço para que o devedor pague a dívida (comfort letter). o contrato de fiança é gratuito.. Fiança judicial é aquela exigida por uma das partes no processo. 819 do CC). em contrato próprio ou no contrato principal. explicando-se. Fiança convencional é a que decorre de vontade das partes. assim como da comissão “del credere”. pagamento dos aluguéis etc. Nos estacionamentos pagos de veículos. 21. Em determinados seguros-saúde. sob pena de ser reduzida às suas justas proporções (art. disciplinada no Código Civil a partir do art. 30). o proprietário tem direito a exigir do proprietário ou possuidor do prédio vizinho a demolição ou a reparação necessária. e. podendo todavia as partes livremente convencionar uma compensação para os riscos corridos pelo fiador. todavia. 13. pois cria dever para o fiador em relação ao credor. cujas obrigações se garantem. Esta pode ser: real (quando há uma coisa dada em garantia) ou fidejussória. como ocorre com os seguros de cartão de crédito. A acessoriedade decorre de seguir a obrigação do fiador o destino da obrigação principal. os leiloeiros (Decreto n. basta um simples bilhete ou cartão numerado. bem como que lhe preste caução pelo dano iminente. necessariamente manifestada por escrito.63 - . 1. A fiança pode ser mais restrita do que a obrigação principal (as obrigações do locatário se referem à conservação do prédio. A lei usa o termo caução. Outras vezes. Nos seguros de viagem. dando o nome e o período da garantia. a denominação de caução fidejussória. A fiança se caracteriza pela fé depositada no fiador. Cometti Fernando F. Por exemplo. 693. as pessoas jurídicas cujos estatutos proíbem a concessão de fiança e os mandatários que não tenham competência explícita para esse fim. só respondendo o fiador pelas obrigações explicitamente assumidas. art. salvo tendo dado poderes especiais para tanto por instrumento público (art. Os elementos essenciais da fiança são a existência de uma obrigação principal válida (obrigação do afiançado) e de uma obrigação acessória com caráter de garantia. também podendo constar de simples carta ou declaração na qual seja inequívoca a vontade do fiador de garantir o pagamento de dívida alheia. Da fiança Ocorre fiança quando alguém se obriga a pagar dívida alheia. . comprovando o estacionamento. 758: “O contrato de seguro provase com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro. pelo seu caráter liberal não se presume. ser mais ampla do que a obrigação garantida. Não podem prestar fiança os analfabetos. Fiança legal é a que decorre de imposição de lei. salvo se a procuração contiver poderes expressos. assim. não devendo. basta um simples cartão com os dados do segurado.981 de 19-10-1932. Esta costuma ser fiança. na falta deles. por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio”. O Código Civil estabelece em seu art.280. fornecido por meios eletrônicos. quando este ameace ruína. simples indicação nos extratos mensais. Castellani Propriedade). não admitindo outrossim interpretação extensiva. e o fiador pode limitar-se a garantir o pagamento dos aluguéis). É unilateral. não valendo todavia como fiança as simples referências à idoneidade do devedor ou as informações comerciais sobre ele. sem que o primeiro possa exigir qualquer compensação do segundo. unilateral e gratuito.

a evolução realizada pretende equiparar o fiador ao devedor solidário. 731). a transportar. a Lei n. cláusulas penais). o transportador obriga-se a cumprir o contrato. 821 do CC). No caso de pluralidade de fiadores para um mesmo débito. 8. 8º. entende-se que são solidários salvo se limitaram a responsabilidade de cada um ou convencionaram a divisão das responsabilidades.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A fiança pode ser estipulada sem consentimento do devedor ou contra sua vontade (art. desde que haja a anuência do usuário. o legislador ressalvou que ao transporte exercido em virtude de autorização. Se ocorrer evento alheio à vontade do transportador que interrompa a viagem. incidindo também regras do Código de Defesa do Consumidor. abrangendo dívidas certas ou incertas. 10). abrangendo sucessivamente as várias modalidades. pessoas ou coisas”. 820 do CC). aquático (marítimo. Pode haver transporte de pessoas e transporte de coisas. Pode haver vários fiadores para um único débito. Na prática. dependentes de condição ou de termo (art. O benefício de ordem decorre da natureza normalmente subsidiária ou complementar da responsabilidade do fiador. líquidas ou ilíquidas. sem danos. até a contestação da lide. Como legislação específica relacionada com o contrato de transporte. art.64 - . . até o lugar previsto. Não é parte o destinatário das coisas. 9. Também devem ser observadas as disciplinas especiais sobre o tema e os tratados e convenções internacionais (art. Obrigando-se pela obrigação principal. § 2º. Quanto ao meio. todavia.374/91. sem prejuízo. tendo o novo Código Civil disciplinado estas duas espécies de forma diversa. No transporte de pessoas. sem mencionar qualquer restrição. como se vê. a fim de evitar a execução dos seus próprios bens.611/98. indicar bens do devedor livres e desembaraçados existentes no município suficientes para solver o débito. mediante o pagamento do valor da passagem pelo usuário. 7. 730: “Pelo contrato de transporte alguém se obriga. em seus arts. custas. As partes do contrato de transporte são: de um lado. o transportador (ou condutor) e. desaparecendo. de outro. a Lei n.411/2000. permissão ou concessão são aplicadas as regras dos regulamentos específicos. obedecendo aos horários e aos itinerários. art. aliás. mediante retribuição.565/86. 3. 827 e 828 do CC). Do transporte O Código Civil define o contrato de transporte em seu art. O benefício de ordem consiste na possibilidade dada ao fiador de. o passageiro ou usuário (no transporte de pessoas) ou o expedidor ou remetente (no transporte de coisas). com segurança. o transporte deverá ser concluído em outro veículo da mesma categoria ou em modalidade diferente. fluvial e lacustre) e aéreo. respectivamente. o transporte pode ser terrestre (rodoviário ou ferroviário). presentes ou futuras. quando o credor renunciou expressamente a esse benefício. das normas do Código Civil (art. todavia. 732). regulamentada pelo Decreto n. podem-se citar o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei n. na legislação estrangeira. ou misto. Em relação ao regime jurídico aplicável. admitindo-se também a concessão de fiança ao fiador. que trata do transporte multimodal. 734 a 742 e 743 a 756. assume o fiador a responsabilidade por todos os acessórios (juros. de um lugar para outro. correndo todas as despesas por conta do transportador. que dispõe sobre o seguro de cargas. deslocando a pessoa e a sua bagagem. ou se obrigou como principal pagador e devedor solidário ou ainda sendo o afiançado pessoa insolvente ou falida (arts. 14.

Cometti Fernando F. se comunicado ao transportador em tempo hábil para a revenda do bilhete. exigir do expedidor uma relação dos bens devidamente assinada. a não danificar o veículo. neste momento. . No transporte de coisas. O passageiro tem a obrigação de observar as normas estabelecidas pelo transportador. em virtude do art. salvo se existir justificativa em regulamentos ou o motivo decorrer das condições de saúde ou de higiene do interessado (art. bem como de se comportar de maneira a não incomodar ou prejudicar os demais passageiros. o transportador submete-se à disciplina legal do depósito. sob pena de decadência de tal direito. salvo se a avaria não for perceptível desde logo. inclusive. As eventuais reclamações deverão ser feitas. Castellani O transportador não pode recusar passageiros. A falsidade das informações ou a sua inexatidão implica o dever de o remetente indenizar o transportador pelos danos causados por tal ato. hipótese na qual há o prazo de dez dias para reclamar (art. O transportador é obrigado a emitir documento especificando as características que identifiquem a coisa a ser transportada. mas somente receberá a restituição do trecho não utilizado se demonstrar que outra pessoa foi transportada em seu lugar na continuação da viagem. 739 do CC).65 - . terá direito à restituição do valor pago. ficando uma parte integrante do conhecimento (art. dentro do prazo contratado ou previsto. Mesmo que a viagem já tenha começado. especificadas nos bilhetes ou que de outra forma lhe tenha sido dado conhecimento. 751 do Código Civil. 744 e seu parágrafo único do CC). podendo. 754 do CC). dificultar ou impedir a prestação do serviço (art. A conferência das condições da mercadoria deve ser feita no ato de entrega pelo destinatário ou por pessoa que apresentar o conhecimento de transporte endossado. o passageiro pode rescindir o contrato de transporte. devendo tomar todas as providências e os cuidados para manter o seu bom estado. O passageiro pode rescindir o contrato antes de iniciada a viagem e.Coordenadores: Marcelo T. Ao manter a coisa a ser transportada em seus armazéns. o transportador tem a obrigação de levar o bem que lhe foi entregue ao destino solicitado. em duas vias. 738 do CC).

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Assim. Elementos da responsabilidade civil São elementos estruturais da responsabilidade civil: a) Ação ou omissão do agente . só porque o agente causador do dano procedeu obejtivamente mal. ocorre a solidariedade não só no caso de concorrer uma pluralidade de agentes. Assim. O ato do autor do dano era condição sine qua non para que o dano se verificasse. 932. a culpa pode ser grave. Vem expressa no verbo “causar”. 942 do CC o direito positivo brasileiro instituiu um “nexo causal plúrimo”. deve ser ele ressarcido integralmente pelo seu causador.Coordenadores: Marcelo T. 2) Teoria da causalidade adequada – Somente considera como causadora do dano a condição por si só apta a produzi-lo. do homem ideal. o dano não se verifica. A responsabilidade por danos causados por animais e coisas que estejam sob a guarda do agente é. em regra. Se existiu no caso em apreciação dano somente por força de uma circunstância acidental. tenha agido com dolo. Beneficiando. como também entre as pessoas designadas no art. é o da comparação de seu comportamento com o do homo medius. Em havendo mais de um agente causador do dano.A responsabilidade pode derivar de ato próprio. não se perquire qual deles deve ser chamado como responsável direto ou principal. Como excludente de responsabilidade o agente deve provar que o dano foi causado por culpa exclusiva da vítima ou força maior. nem entre os graus da culpa. Castellani CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL A responsabilidade civil é definida como a situação de quem sofre as conseqüências da violação de uma norma. utilizado no art. entretanto. O CC. não faz nenhuma distinção entre dolo e culpa. portanto. É essencial que ele tenha agido com culpa. para a caracterização de culpa. Com o art. 942). 927 do CC) O critério para aferição da diligência exigível do agente. 936: independe da prova de culpa. e. A responsabilidade por ato de terceiro é hipótese de responsabilidade solidária (art. Cometti Fernando F. culpa grave ou mesmo levíssima. em regra. objetiva (expressa disposição do art. para suportar o encargo ressarcitório. 1. leve e levíssima. (Primeira parte do art. mais uma vez.67 - .A obrigação de indenizar não existe. e ainda de danos causados por coisas e animais que lhe pertençam. ou como a obrigação que incumbe a alguém de reparar o prejuízo causado a outrem. b) Culpa ou dolo do agente . A sua equivalência resulta de que. que diligentemente prevê o mal e precavidament evita o perigo. merecer censura ou reprovação do direito. que não devem ficar irressarcidas. suprimida uma delas. . para fins de reparação do dano. 186. Agir com culpa significa atuar o agente em termos de. dentre os co-responsáveis. c) Relação de Causalidade . de ato de terceiro que esteja sob a guarda do agente. Isto se deve ao aumento do número de acidentes e de vítimas.. aquele de maior resistência econômica.– É a relação de causa e efeito entre a ação ou omissão do agente e o dano verificado. diz-se que a causa não era adequada. pessoalmente. a vítima permite-lhe eleger. provado o dano. pela sua atuação ou em virtude de danos provocados por pessoas ou coisas dele dependentes. As principais teoria sobre a relação de causalidade são: 1) Teoria da equivalência das condições – toda e qualquer circunstância que haja concorrido para produzir o dano é considerada uma causa. Com relação aos graus.

em toda a sua extensão deve abranger aquilo que efetivamente se perdeu e aquilo que se deixou de lucrar. em não havendo culpa não há responsabilidade. 395 e seguintes e 389 e seguintes. O dano pode ser material ou simplesmente moral Dano é uma lesão a um bem jurídico. 967 do CC admite a responsabilidade sem culpa pelo exercício da atividade que. a) Responsabilidade subjetiva . . Responsabilidade subjetiva e objetiva Convivem hoje no ordenamento jurídico brasileiro duas teorias que fundamentam a responsabilidade civil. o dano. também chamada aquiliana (art. A responsabilidade subjetiva subsiste como regra necessária. tornando-se inadimplente. Nela o agente infringe um dever legal. indenizável o chamado dano remoto. Se possível restaurando o statu quo ante. O CC disciplinou genericamente esta espécie de responsabilidade nos art. que seria conseqüência indireta do inadimplemento. Aprecia-se o dano tendo em vista a diminuição sofrida no patrimônio. as quais se diferenciam pela consideração da culpa como elemento da obrigação de reparar o dano. 3. tanto a responsabilidade pelo fato do produto ou serviço como a oriunda do vício do produto ou serviço são de natureza objetiva. 4. ou seja. de modo que só interessa o estudo do dano indenizável.68 - . O CC filiou-se à teoria subjetiva. 2. sem prejuízo da adoção da responsabilidade objetiva.Sem a prova do dano. a procuração ou a promessa de recompensa) ou da lei (como a obrigação de alimentos) Já a responsabilidade extracontratual é aquela derivada de ilícito extracontratual. ninguém pode ser responsabilizado civilmente. integralmente. Não há nenhum vínculo jurídico existente entre a vítima e o causador do dano. a matéria do dano prende-se à da indenização. b) Responsabilidade objetiva – Nesta hipótese a lei impõe a reparação de um dano causado sem a concorrência do elemento culpa. 186 do CC). ainda que provenientes de um negócio unilateral (como o testamento. Responsabilidade contratual e extracontratual A responsabilidade contratual ocorre quando determinada pessoa causar prejuízo a outrem por descumprir uma obrigação contratual.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI d) Dano . portanto. representa risco para os direitos de outrem. Logo. Assim. prescindindo do elemento culpa a obrigação de indenizar atribuída ao fornecedor. por sua natureza.Nesta concepção a culpa é pressuposto da responsabilidade civil. 186 que erigiu o dolo e a culpa como fundamentos da obrigação de reparar. Indenizar significa reparar o dano causado à vitima. Esta modalidade funda-se no risco. Nela o agente descumpre o avençado. envolvendo lucros cessantes para cuja efetiva configuração tivessem de concorrer outros fatores apenas a execução a que o devedor faltou. conforme se verifica da leitura do art. Responsabilidade civil nas relações de consumo No CDC. O parágrafo único do art. Não é. A responsabilidade contratual abrange também o inadimplemento ou mora relativos a qualquer obrigação.

dentro da medida do possível. 944 do novo Código Civil especifica que: “A indenização mede-se pela extensão do dano”. Quando houver impossibilidade ou diminuição da capacidade de trabalho da vítima. 948 a 954 do CC esclarecem o modus faciendi da liquidação da reparação civil no caso de atos ilícitos. o lesado o direito de receber perdas e danos (dano emergente e lucro cessante). 949 do CC). a indenização poderá ser paga sob a forma de entrega de um capital ou de uma renda (art. na realidade. difamação ou calúnia. sob pagamento em apenas uma parcela (arts. parágrafo único). pode realizar-se sem litígio (composição amigável) ou em virtude de decisão judicial (composição judicial). restabelecer a situação anterior ao dano. Em relação ao homicídio. 6.69 - . assim como nas ofensas à liberdade pessoal (cárcere privado e prisão ilegal ou não motivada). b) o estado de necessidade. 947). Significa desfazer o dano. Castellani 5. o art. c) o exercício regular do direito. Ao magistrado é dado excepcionalmente o poder de reduzir o montante da indenização. Os arts. sem excluir outras reparações. É convencional quando decorre de entendimento prévio entre as partes. São excludentes de responsabilidade civil subjetiva: a) legítima defesa. 948 do CC). Caso tenha se perdido o bem. É legal quando realizada na forma da lei. além dos lucros cessantes. Os arts. a lei determina que seja paga uma indenização cabal de todas as despesas incorridas pela vítima e dos lucros não auferidos. 950 do CC). bem como de eventuais outros prejuízos (art. 953 e 954 do CC tratam da reparação do dano material e do dano moral nos casos de injúria. se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano causado (art. sob a forma de pensão ou. conforme a natureza do dano. amigável ou judicial. 945). deverá ser reembolsado ao prejudicado valor equivalente (art. o luto de sua família e o pagamento dos alimentos às pessoas a quem o defunto os devia. Além disso. que consiste na fixação do montante pecuniário da indenização. a reparação consiste na sua devolução e no pagamento de suas deteriorações. o valor da indenização levará em conta a gravidade da sua culpa em confronto com a do autor do dano (art. assim. tendo. A formação da palavra indica o seu sentido: in + dano + izar.Coordenadores: Marcelo T. se o prejudicado preferir. . No caso de lesão ou ofensa à saúde. quando quem sofreu o dano tiver colaborado com a ocorrência do fato. deverá ser concedida indenização correspondente. determina a lei que sejam abrangidas as despesas com o tratamento e funeral da vítima. Quer seja convencional ou legal. A reparação ideal consiste na efetiva reposição. Essa liquidação pode ser convencional ou legal. Excludentes de responsabilidade civil As excludentes de responsabilidade civil são situações jurídicas descritas pela lei que exoneram ao agente o dever jurídico de reparação do dano. podendo a cláusula penal funcionar como uma prefixação das perdas e danos. Quando impossível deve a indenização ser paga em dinheiro. No caso de usurpação de bens. Nesse sentido. 944. dizendo em que consiste a indenização pelos diversos casos. A avaliação do dano faz-se pela liquidação. Cometti Fernando F. considerando-se a duração provável da vida da vítima (art. 952 do CC). Quantificação e liquidação do dano Indenizar é.

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d) o estrito cumprimento do dever legal; e) o caso fortuito; e f) a força maior. Legítima defesa própria é a repulsa a mal injusto, grave e atual ou iminente à pessoa da vítima ou aos seus bens. A legítima defesa pressupõe, assim, a existência de uma agressão ilícita, pelo agente, e a vontade de defesa, por parte do ofendido.A repulsa deve ser proporcional e imediata. O ofendido responderá pelo excesso de legítima defesa, pouco importando se cometeu o excesso por dolo ou culpa. Estado de necessidade próprio é a situação em que o sujeito viola direito alheio, com a finalidade de remover perigo iminente de um direito seu. Não se confunde a legítima defesa com o estado de necessidade, pois aquela se refere aos direitos da personalidade, enquanto este se relaciona com o patrimônio do indivíduo. O estado de necessidade pressupõe aquele que o pratica não ter provocado ou facilitado o seu próprio dano. Exercício regular de direito é o desenvolvimento de atividade humana em conformidade com o ordenamento jurídico. Somente deixa de ser considerado regular o exercício do direito, pelo excesso na atividade humana, conhecido como abuso de direito. Estrito cumprimento do dever legal é a observância de um dever jurídico anteriormente estabelecido por lei. Caso o sujeito venha a ultrapassar os limites fixados pelo ordenamento jurídico, no cumprimento do dever legal, ele poderá ser responsabilizado pelo excesso ou abuso de poder ou de autoridade. Caso fortuito é um evento imprevisível, do qual o homem médio não possui controle. Já a força maior é todo evento inevitável e, por vezes, imprevisível, que prejudica os interesses patrimoniais ou morais da vítima. São excludentes de responsabilidade civil objetiva: a) a culpa exclusiva da vítima; b) a culpa exclusiva de terceiro; c) a força maior; e d) o caso fortuito. Além das excludentes de responsabilidade civil subjetiva e objetiva, há duas outras hipóteses frequentemente lembradas, que não são causas de exoneração da responsabilidade por força de lei, mas sim motivos que levam à não responsabilização do agente na prática porque dependem da vontade humana. São elas: a renúncia da vítima à indenização e a cláusula de não indenizar. Renúncia da vítima à indenização é ato jurídico unilateral irrevogável e informal por meio do qual o próprio titular extingue, por abdicação, o direito subjetivo que tem à reparação por perdas e danos. Somente se torna possível a renúncia à indenização por quem é plenamente capaz. Cláusula de não indenizar é o dispositivo integrante de um negócio jurídico por meio do qual há a exoneração total ou parcial do dever de reparar o prejuízo patrimonial, nos limites acordados pelas partes.

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS

CAPÍTULO I – POSSE 1. Conceito e teorias A doutrina, na sua quase totalidade, alerta a dificuldade do enquadramento jurídico do instituto da posse. Na idéia de posse há, pois, uma coisa e uma vontade, traduzindo a relação de fruição. Mas, nem todo estado de fato, relativamente à coisa ou à sua utilização, é juridicamente posse. Muito próximo deste instituto temos a detenção (art. 1.198 do CC) que, embora semelhante na aparência, muito se difere na essência, como nos efeitos. Aí é que surge a doutrina, com os elementos de caracterização, e com os pressupostos que autorizam estremar uma de outra. Savigny, responsável pelo desenvolvimento da teoria subjetiva da posse, considerava-a como o poder de uma pessoa sobre uma determinada coisa. Assim, era preciso, a conjugação de dois elementos para a sua caracterização: o corpus (poder físico sobre a coisa) e o animus (intenção de agir como dono). Por sua vez, Jhering definia a posse como exteriorização da propriedade. O elemento material da posse para o autor é a conduta externa da pessoa, que se apresenta numa relação semelhante ao procedimento normal de proprietário. O elemento psíquico (animus) nesta teoria não se situa na intenção de dono, mas tão-somente na vontade de proceder como procede habitualmente o proprietário (affectio tenendi) independentemente de querer ser dono. Partindo de que, normalmente, o proprietário é possuidor, Jhering entendeu que é possuidor quem procede com a aparência de dono, o que permite definir, como já se tem feito: posse é a visibilidade do domínio. O Código Civil, no art. 1.196, adotou a teoria desenvolvida pela referido autor, a qual foi denominada de objetiva, justamente por ser mais conveniente e satisfatória. Com efeito, na relação possessória não se revela o animus domini, nem facilmente se prova. Essas novas teorias, que dão ênfase ao caráter econômico e à função social da posse, aliadas à nova concepção do direito de propriedade, que também deve exercer uma função social, como prescreve a Constituição Federal, constituem instrumento jurídico de fortalecimento da posse, permitindo que, em alguns casos e diante de certas circunstâncias, venha a preponderar sobre o direito de propriedade.

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A taxatividade (numerus clausus) releva que não há direitos reais quando a lei não os declara. O art.225 do CC é a referência para os que proclamam a taxatividade do número dos direitos reais. sendo que esta deve possuir valor econômico e suscetível de apropriação. bem como o jus praeferendi ou direito de preferência. independendo para o seu exercício da colaboração de outrem e conferindo ao seu titular a possibilidade de ir buscar a coisa onde quer que ela se encontre. oponibilidade “erga omnes”. . Características dos direitos reais Os direitos reais se apóiam na relação entre homem e coisa. Surge. os direitos reais permitem que seu titular não seja molestado por ninguém. o direito de seqüela é o que tem o titular de direito real de seguir a coisa em poder de todo e qualquer detentor ou possuidor. No dizer de Silvio Rodrigues. de perseguir a coisa e de reivindicá-la em poder de quem quer que esteja (ação real). isto é. em poder de quem quer que ela se encontre. Castellani CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS 1. Por fim a aderência do direito real à coisa não é senão a constatação do fato de que o direito real permanece incidindo sobre o bem. Segundo a lição de Orlando Gomes. Quanto à oponibilidade.514/97). prevalecendo com a exclusão de concorrência de quem quer que seja. a tutela do direito real é sempre mais enérgica e eficaz que a do direito de crédito. mas também outros disciplinados de modo esparso no mesmo diploma e os constituídos em diversas leis especiais. o direito de seqüela ou jus persequendi. pois o aludido direito segue a coisa (jus persequendi).73 - . para sobre ela exercer o seu direito. Todavia. As características principais dos direitos reais são: taxatividade.Coordenadores: Marcelo T. seqüela e aderência. ainda que este circule de mão em mão e se transmita a terceiros. daí. tal não significa que só são direitos reais os apontados no referido dispositivo. Em conseqüência. Entre os direitos reais previstos em lei esparsa é bom lembrar a alienação fiduciária (Lei 9. Cometti Fernando F. 1. são os direitos que se prende à coisa.

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para se transformar em um direito de finalidade social. em caráter predominantemente negativo. a propriedade não pode ser vista apenas como a reunião das faculdades usar. não pode ser tutelada pelo ordenamento jurídico. Tal conclusão oferece suporte teórico para a correta compreensão da função social da propriedade.75 - . sendo por esta conformados em seu conteúdo – modos de aquisição e de utilização. que deixou de apresentar as características de direito absoluto e ilimitado. Vale dizer.). que terá. ou. expressão do núcleo interno ou econômico do domínio e do núcleo externo ou jurídico. que não somente os bens de produção. os possua. acaba traçando o perfil atual do direito de propriedade no direito brasileiro. Aquisição da propriedade imóvel a) Usucapião b) Acessão: É uma forma de aquisição de propriedade imóvel que resulta de um processo de incorporação de um determinado bem ao solo. Seja qual for a modalidade de acessão. Daí decorre que quando uma certa propriedade não cumpre a sua função social. ao contrário. Castellani CAPÍTULO III – PROPRIEDADE 1. até então separadas. a determinação do conteúdo da propriedade. Seja ela qual for presume-se que a acessão existente em um determinado terreno foi feita pelo proprietário e à sua custa (art. 2. . Contudo hoje. Lei de Proteção ao Meio Ambiente. Há ainda limitações decorrentes do direito de vizinhança e de cláusulas impostas voluntariamente nas liberalidades. impenhorabilidade e incomunicabilidade. gozar e dispor reivindicar. no entanto. Função social da propriedade Propriedade é o direito que outorga ao seu titular a faculdade de usar. em confronto com a outra. necessariamente. como inalienabilidade. sem nenhuma referência ao aspecto funcional do instituto. 1253 do C. Cometti Fernando F. o proprietário teria espaço livre para suas atividades e para a emanação de sua senhoria sobre o bem. b) o caráter acessório de uma dessas coisas. na caracterização deste fenômeno aquisitivo o princípio segundo o qual a coisa acessória segue a principal (acessorium sequitur suum principale). compõem o aspecto estrutural do direito de propriedade. avulsão. até uma certa demarcação. uma configuração mais flexível. nitidamente. Tais poderes. ela sempre dependerá do concurso de dois requisitos: a) a conjugação entre duas coisas. As acessões podem ser físicas ou naturais (formação de ilhas. cujos confins são definidos externamente. Modernamente.Coordenadores: Marcelo T. os quais são tendencialmente plenos. aluvião e álveo abandonado) ou industruais (construções ou plantações).C). Percebe-se. Restrições ao direito de propriedade Inúmeras leis impõem restrições ao direito de propriedade (Código de Mineração. injustamente. dependerá de centros de interesses extraproprietários. de tal modo que. etc. os quais vão ser regulados no âmbito da relação jurídica de propriedade. gozar e dispor dos bens e de reavê-los do poder de quem quer que. Todo esse conjunto. de qualquer modo. mas também os de consumo possuem uma função social.

torna-se mister a ocorrência de um fator psíquico. promovido por mão humana. Estes não são res nullius. como limite de sua validade de seu direito de dono. reputam-se também sem dono os enxames de abelhas. em primeiro lugar pelos animais bravios enquanto entregues à sua natural liberdade.76 - . deixando um objeto para sofrer reparações. pesca e tesouro – são as hipóteses mais comuns. Considera-se ainda sem dono a coisa abandonada (res derelicta).C.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. que se não confundem com os animais selvagens capturados. É aceitável mandato para vender.estar o depósito enterrado ou oculto. Não é razoável presumir que alguém. Aquisição da propriedade móvel a) Ocupação Na apropriação de cada coisa sem dono inseriu-se uma idéia que o tempo amadureceu e sistematizou. ou em tabuleta na loja. A “novidade” é encarada em sentido econômico e não filosófico. Elementos para caracterização: 1. tendo-se em vista a capacidade criadora do homem. Com efeito. sapataria. Indaga-se da liceidade da cláusula adjecta a talões de empresas de serviço (lavanderia. categoria preenchida pelas espécies que a natureza inesgotavelmente produz. As poucas hipóteses remanescentes – caça. pois que pertencem a alguém. Para que se opere a aquisição da propriedade é mister a transformação se dê pela ação humana. de cujo dono não haja memória. manifeste com isso. numa res derelicta pelo fato de haver excedido um prazo determinado no cupão de sua identificação. escultura. na apropriação de coisa sem dono pelo simples fato. ser antigo e tão antigo que se haja perdido a memória de quem seja o proprietário. de apreendê-la possuindo-a como própria. como aquela que já o teve e não mais o tem (res derelicta). contido na intenção de renunciálas. vale dizer que a nova species há de resultar de alteração dotada de importância (ex. O que não é lícito é forçar no proprietário uma intenção de abandonar e converter a coisa. não sendo essa ocupação defesa por lei (art. . não assinalados ou marcados. 1263 do C. b) Especificação Especificação é a transformação definitiva da matéria-prima em espécie nova. a ocupação como modalidade aquisitiva ficou hoje muito reduzida. salvo se os donos estiverem ainda à sua procura.ser um depósito de coisas móveis preciosas ou moedas. se perderem o hábito de retornar ao lugar onde costuma recolher-se. acrescenta-se. consignando que se consideram abandonados os objetos não procurados num prazo determinado. A coisa sem dono pertence por direito natural ao ocupante.). mas para que assim se configure. Tesouro: É o depósito antigo de moedas ou coisas preciosas. a pintura em relação à tela). A importância social desta modalidade aquisitiva é muito grande. 3a ancianidade. Tendo em vista que não são freqüentes as coisas sem dono. isto é. e que não seja possível retornar à espécie anterior. enterrado ou oculto. que o interessado tem a intenção de conservar. A essência da ocupação reside. diz-se que não tem dono aquela que nunca foi objeto de assenhoramento (res nullius). No segundo estão os animais mansos ou domesticados. transportadora). a intenção não revelada de e ele renunciar. anteriormente apropriados se o dono da respectiva colméia os não reclamar imediatamente (decadência instantânea de direito). que os sistemas modernos o adotam ao definir o princípio da aquisição da propriedade móvel: quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade. A primeira classe (res nullius) é preenchida. 2. mediante o trabalho ou indústria do especificador. e o locador do serviço pagar-se do custo deste. pois.

a rede geral de distribuição de água. emerge de contrato ou convenção. Num e noutro caso. do telhado. inclusive o acesso ao logradouro público. e. inclusive frutos e rendimentos. aos condomínios e a possibilidade de se aplicar multa ao condômino que tiver conduta anti-social de forma reiterada (art. ao mesmo tempo.338 do CC). trabalhando em matéria-prima em parte alheia.77 - . e adjunção São hipóteses de coisas de diversos donos mesclarem-se. Particular. o prejudicado com a especificação irredutível terá direito ao ressarcimento. ou seja. Condomínio Dá-se o condomínio. Simbólica se diz a tradição que se não realiza pela entrega e apreensão material da coisa. A grande novidade do Código. não podendo ser alienados separadamente ou divididos.591/64 condomínio edilício (arts. ou seja. são de utilidade em comum dos condôminos. porém mediante a de algo que a represente 4. (art 1. mas não de fato (cada condômino já se situou numa parte determinada da coisa). Eventual ou acidental. resultando que o dono da primeira adquire a segunda. O condomínio pode ser classificado sob três formas: a) quanto à origem. a aquisição da propriedade com o princípio fundamental do respeito ao direito alheio. todavia. 1. Castellani O CC ao fixar o princípio da especificação. esgoto. quando se limita a determinadas coisas ou frutos. estrutura do prédio. mistura ou comistão se forem coisas secas. quando for ela voluntariamente obtida. . Universal. comistão. e as demais partes comuns. quando mais de uma pessoa.864/65 continua vigendo subsidiariamente ao novo Código Civil nas implicações que este não disciplinou. se não puder restituir à forma anterior” Conciliando. voluntário e eventual.331 a 1. divisível e indivisível. permanecendo os demais fora do condomínio.337. Voluntário ou convencional. ordinariamente resulta num condomínio.358 do CC) com as alterações da Lei 4. impossibilitando destacar-se a acessória da principal. obtiver espécie nova. com a observância das regras de acessão. quando sua origem é estranha à vontade dos condôminos. O novo Código deixou claro que o solo. Diz-se tradição real a que consiste na efetiva entrega ou entrega material da coisa ao adquirente que a recebe e apreende. Vale ressaltar que a Lei 4. salvo se se tratar de especificação de má-fé. dando preferência aos demais condôminos. quando abranger a coisa integralmente. gás e eletricidade. transformando a declaração translatícia de vontade em direito real. Também poderá o condômino alugar a sua vaga de garagem a qualquer pessoa. 1269 que “aquele que. quando surge do acordo de vontades. regulados os direitos pelo disposto no título ou na convenção. Divisível. conseguintemente. quando o condomínio existe de direito. 1. c) quanto à forma.Coordenadores: Marcelo T. parágrafo único do CC). dispõe no art. universal e particular. Cometti Fernando F. exerce o direito de propriedade sobre determinada coisa. c) Misturas: Confusão. A adjunção consiste na justaposição de uma a outra coisa. É a hipótese dos bens deixados por herança a mais de um herdeiro ou doação de uma coisa a mais de uma pessoa. b) quanto ao objeto. Diz-se haver confusão quando se acharem sem estado líquido. calefação e refrigeração centrais. desta será proprietário. ou seja. d) Usucapião e) Tradição Trata-se de um ato de entrega da coisa ao adquirente.

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Indivisível. quando tanto existe de fato como de direito. Cumpre apenas ressaltar que o assunto referente a condomínio é tratado nos arts.78 - . .314 a 1. de toda coisa. Todos os condôminos são donos.322 do CC. 1. porque se mantém indivisa e nenhum se situou em uma parte. em comum.

Não perde entretanto. disciplinando o direito de superfície. seu titular há que ser proprietário daquele prédio. pelo superficiário. 2. de origem romana.Coordenadores: Marcelo T. Como se trata de direito concedido ao dono do prédio dominante. porém. mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis A concessão da superfície pode ser onerosa ou gratuita. porque implica a existência de um direito principal. por morte daquele. limitado. 1369 do CC o direito de superfície é definido como a faculdade que o proprietário tem de conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno. 1410. Se bens móveis. A servidão é perpétua. Suas principais características são: 1. não podem ser fungíveis. pois necessário conservar a substância da coisa. em benefício de um outro prédio chamado dominante. Da superfície Trata-se de direito real de fruição ou gozo sobre coisa alheia. o direito ao uso e aos frutos. CC). Do usufruto Trata-se de um direito real sobre coisa alheia conferido a alguém de retirar. no sentido de que é irresgatável sem a anuência do proprietário do prédio dominante. I CC) ou trinta anos se for pessoa jurídica (art. a substância. 1410 CC). A servidão é um direito acessório. a terceiros.Oponível erga omnes: daí também decorre o direito de seqüela. eis que fica tolhido no exercício integral dos poderes inerente à propriedade. IV. temporariamente. posto que desfruta dos proveitos do imóvel. Surgiu da necessidade prática de se permitir edificação sobre bens públicos. . a imóvel urbano. responde pelos encargos e tributos que sobre ele incidem. inclusive a seus herdeiros. Cometti Fernando F. O Estatuto da Cidade antecipou-se ao novo Código Civil. enquanto este cuida do urbano e também do rural. o direito de superfície pode ser transferido. A servidão é composta dos seguintes elementos: a) Trata-se de uma relação entre dois prédios. Pode-se estabelecer uma condição (graduação universitária). O proprietário perde. conservando a condição de proprietário.Temporário: não excede à vida do usufrutuário (art. Com efeito. Nunca perpétuo. Daí o termo nu proprietário. b) A servidão envolve uma obrigação negativa.79 - . pertencendo o solo em poder do Estado. Como direito real que se prende ao imóvel. Das servidões Servidão é um encargo que suporta um prédio denominado serviente. 1225. Em ambos os casos o superficiário. seria contrário ao próprio conceito de servidão admitir sua constituição em favor de quem não fosse dono do prédio dominante. da coisa alheia os frutos e utilidades que ela produz. No art. Castellani CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA 1. sem alterar-lhe a substância (Art. temporariamente. 2. por tempo determinado. Pode recair sobre bens móveis ou imóveis e sobre um patrimônio (como um todo). c) A existência da servidão implica a idéia de que os prédios pertencem a donos diversos 3. conferindo ao titular o uso e gozo do direito ou faculdade.

716 CPC – usufruto em execução) O usufruto pode ser classificado de três formas: 1. Em verdade. No que diz respeito às necessidades pessoais. E se for conferido a mais de uma pessoa.Consolidação 4. bem como o lugar onde vive. sobre uma universalidade de bens (ou parte dela) e pode abranger os frutos e utilidades.80 - . 1393 CC é possível ceder o exercício a título gratuito (comodato) ou oneroso (RT 412/208). 9278. desde que o imóvel da família seja o único residencial a inventariar. 2.Extinção da pessoa jurídica ou decurso do prazo de 30 anos.Cessação do motivo de origem.Quanto à duração pode ser temporário (prazo preestabelecido) ou vitalício (até a morte do usufrutuário). dá ao sobrevivente o direito real de habitação (art. A penhora recai sobre os frutos e utilidades do bem (Art. salvo morte anterior. Como direito real.Quanto à extensão é possível afirmar que este direito recai sobre bens individualizados. quando o exigirem as necessidades pessoais suas e de sua família (art. deve-se ter em consideração a condição social do usuário. por morte de um dos conviventes. 3. resultante de usucapião. no todo ou em parte. 5. 4. residindo nela.Quanto à origem pode ser legal (estabelecido por lei em benefício de determinadas pessoas). enquanto permanecer em estado de viuvez. 167. mas não alugá-la nem emprestá-la. distinguindo-se dele pela intensidade ou profundidade do direito. de 10 de maio de 1996.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3.Renúncia ou morte do usufrutuário. qualquer delas que a ocupar estará no exercício de direito próprio. convencional. Não ocorre com a morte do nu proprietário (aqui a nua propriedade é transmitida aos herdeiros). de 27 de agosto de 1962. n. Mesmo que o cônjuge sobrevivente seja herdeiro ou legatário. diz que a dissolução. Da habitação A habitação pode ser entendida como uma modalidade especial de uso à moradia. de acordo como o art. não perde o direito de habitação.Termo de sua duração – prazo. criou o direito de habitação em favor do cônjuge sobrevivente.7). O titular desse direito pode usar a cada para si. item I. O direito real de habitação é concedido sem prejuízo da participação da viúva ou do viúvo na herança. 5. 7º. nada devendo às demais a título de aluguel. Todavia. mas seu exercício sim.Destruição da coisa. dispondo sobre a união estável. Perante terceiro só tem validade se devidamente registrado (RT 520/212). 4. A Lei no. . A Lei no. imprescindível se torna o registro do respectivo título no Cartório de Registro de Imóveis (LRP. Do uso O usuário usará da coisa e perceberá os seus frutos. 2. 3. 1412). 6. o direito real de uso não se diferencia substancialmente do usufruto.É impenhorável: o direito real não pode ser objeto de penhora. parágrafo único). art. A extinção do usufruto ocorre pela: 1.Intransferível e inalienável: Não se transfere por herança ou por alienação. 4.121. desde que tenha expressão econômica.

mas apenas o pagamento de perdas e danos.088. opor-se à ação de terceiros que coloquem obstáculos ao exercício do direito. Desfruta. pois. podendo reivindicar a coisa em poder de quem quer que a detenha.81 - .831 do Código Civil. Em se tratando. em conseqüência. Castellani Dispõe ainda o art. 6. também.766/79 veio derrogar o Decreto-Lei n. Inexistindo cláusula nesse sentido. 1. os adquirentes não podiam reivindicar o imóvel. adquirindo. Cuida-se de direito real. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. com base no seu art. que hoje se aplica somente aos loteamentos rurais. condições e modos convencionados. 6. “ao cônjuge sobrevivente. por não escrita. O instituto passou por uma série de fases de evolução em nosso direito. que. afastando-se. 1. com isso. no capítulo concernente à ordem da vocação hereditária. se arrependesse antes de celebrado o contrato definitivo. porém. conferindo direito real ao comprador. ter-se-á. Qualquer cláusula de arrependimento. qualquer que seja o regime de bens. O compromissário comprador. desde que seja o único daquela natureza a inventariar”. pelo preço. porque o adquirente tem a utilização da coisa e pode dispor do direito mediante cessão. A Lei n. por sua vez. desde que levado ao registro imobiliário. havendo oponibilidade erga omnes. prevalece a irretratabilidade.Coordenadores: Marcelo T. Pode. lícito afigura-se convencionar o arrependimento. obriga-se a pagar o preço e cumprir todas as condições estipuladas na avença. 58/37. com a faculdade de reclamar a outorga da escritura pública definitiva. de imóvel não loteado. ou sua adjudicação compulsória havendo recusa por parte do promitente vendedor. O promitente comprador não recebe o domínio da coisa. direito real sobre o imóvel. O art. a constituição do direito real. Do direito do promitente comprador Consiste a promessa irretratável de compra e venda no contrato pelo qual o promitente vendedor obriga-se a vender ao compromissário comprador determinado imóvel. o compromisso tornou-se irretratável. Com o advento do Decreto-Lei n. . outorgando-lhe a escritura definitiva quando houver o adimplemento da obrigação. nesses contratos. 58/37. O sistema do Código Civil de 1916 permitia que o promitente. Cometti Fernando F. ainda. será assegurado. da seqüela. mas passa a ter direitos reais sobre ela. 25 da referida lei declara irretratáveis e irrevogáveis os compromissos de compra e venda de imóveis loteados. Como o direito era de natureza pessoal. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança.

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segundo dispõe o art.422 permite a separação deste bem do patrimônio do devedor. 1. 1. Sua função é garantir ao credor o recebimento da dívida. além da capacidade geral para os atos da vida civil. ainda. restando-lhe apenas o direito de participar do concurso de credores. da preferência e da ação real. Da hipoteca É o direito real de garantia que tem por objetivo bens imóveis. a observância de formalidades para que os contratos de penhor. pois. Cometti Fernando F. Os atributos de seqüela e preferência atestam sua natureza substantiva real. e não quem o praticou. porquanto o art.728/65. Em conseqüência. fica o bem afetado ao pagamento prioritário de determinada obrigação. os direitos reais de garantia geram os seguintes efeitos: a) direito de preferência ou prelação. A publicidade é dada pelo registro do título constitutivo no Registro de Imóveis (hipoteca. A lei impõe. além do domínio. . A segunda parte do art. E especialização é a descrição pormenorizada. Aspectos Gerais O Código Civil brasileiro contempla as seguintes modalidades de garantia real: penhor. essa qualidade. o recebimento de seu crédito. Em regra. podendo o outro cônjuge. anticrese e hipoteca tenham eficácia perante terceiros. ou a constituição de direito real.424) e pela publicidade. 1. tornam o negócio nulo. Além desta prioridade. hipoteca e anticrese. c) direito de excussão. fica o credor privado da seqüela. Não existe regra idêntica para os companheiros. somente o proprietário pode dar bens em garantia. b) direito de seqüela. 2. Não basta. ilaqueando a boa-fé do terceiro. pois não produz os efeitos próprios de um direito real. na sua primeira parte.83 - . Dispõe. 4. porém. anticrese e penhor rural) ou no Registro de Títulos e Documentos (penhor convencional). Criado o direito real de garantia. mas apenas a sua ineficácia.420 do CC. É importante observar que a ausência desses requisitos não acarreta. disciplinada no Código Civil como propriedade fiduciária. a especial para alienar.Coordenadores: Marcelo T. no contrato. com efeito. vinculando somente as partes que intervieram na convenção. Desse modo. Faz-se mister que. se houver. na condição de quirografário. a qual é alcançada pela especialização (art. o art. d) indivisibilidade. criou uma nova modalidade: a alienação fiduciária. 1. do prazo fixado para pagamento e da taxa de juros. Para validade da garantia real exige a lei.649 do CC. O direito do credor concentra-se sobre determinado elemento patrimonial do devedor. direito real de garantia é o que confere ao credor a pretensão de obter o pagamento da dívida com o valor do bem aplicado exclusivamente à sua satisfação. Castellani CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA 1. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. podendo suceder a alienação unilateral de um bem. Valerá apenas como direito pessoal. do bem dado em garantia. 1. todavia. anticrese ou hipoteca. por estar vinculado determinado bem ao seu pagamento. que “só aquele que pode alienar poderá empenhar. a nulidade do contrato. por um deles.420 dispõe que somente os bens dentro do comércio poderão ser dados em penhor. Para Orlando Gomes. A Lei n. navio ou avião pertencentes ao devedor ou a terceiro e que. a falta de vênia conjugal torna anulável o ato praticado. hipotecar ou dar em anticrese”. do valor do crédito. preferencialmente. embora não entregues ao credor. Os bens fora do comércio dados em garantia. asseguram-lhe. pleitear-lhe a anulação. tenha ainda a livre disposição da coisa.

permanecendo o fiduciante com a posse direta. mediante financiamento de entidade autorizada. com a finalidade de garantir o cumprimento de uma obrigação. extingue-se a propriedade fiduciária do imóvel retornando o bem à plena propriedade do fiduciante.514/97. regulada pela Lei no.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo condição natural da hipoteca a acessoriedade. Uma vez registrada. Assim. com os requisitos previstos no art.424 do CC) e o registro no Cartório de Imóveis (art. alguém. 5. sob pena de multa em favor deste. 3. pressupõe ela a existência de uma dívida. Do penhor É o direito real que submete coisa móvel ou mobilizável ao pagamento de uma dívida (art. . ficando autorizado a perceber-lhe os frutos e imputa-los no pagamento da dívida. da dívida que visa garantir. pois é nulo o penhor de coisa alheia. a especialização (art. querendo adquirir imóvel em construção ou construído. 9. além de dar publicidade ao negócio jurídico. Da alienação fiduciária A alienação fiduciária em garantia de imóveis. a contar da liquidação da dívida. Desse modo.492 do CC). uma vez paga a dívida. O fiduciário é obrigado a entregar ao fiduciante. Envolve este o título constitutivo. A validade da hipoteca depende da observância do requisito concernente à forma de sua constituição.431 do CC). é negócio jurídico pelo qual o devedor. para o cancelamento da propriedade fiduciária.5% ao mês. 4. O termo de quitação será levado a registro. Para que tenha validade a constituição do penhor é necessário que a coisa oferecida em garantia pertença ao próprio devedor. O fiduciante poderá. a qual ficará obrigada a devolvê-la. da propriedade resolúvel e a posse indireta da coisa imóvel. 9. realizará contrato pelo qual transferirá a propriedade a esta entidade. Com o pagamento da dívida e seus encargos. daí constituir-se. ao credor. transferir os direitos de que seja titular sobre o imóvel objeto da alienação fiduciária em garantia. O contrato de alienação será necessariamente registrado no Registro de Imóveis. no prazo de 30 dias. sobre o valor do contrato.84 - . em propriedade resolúvel. adere à coisa. Remição da hipoteca é a liberação ou resgate do imóvel hipotecado mediante o pagamento. Da anticrese É direito real de garantia que o credor recebe a posse de coisa frigífera. A publicidade é reforçada pelo registro do título no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. termo de quitação. para o fiduciário ou credor. A transferência da coisa para as mãos do credor tem a vantagem de impedir a alienação fraudulenta do objeto da garantia. fiduciante. equivalente a 0. com anuência do fiduciário. à qual adere e busca assegurar. acompanhando-a em caso de transmissão inter vivos ou mortis causa. 1. contrata a transferência ao credor. assumindo o adquirente as respectivas obrigações. ou fiduciário.514/97. o credor pode opor seu direito ao adquirente do imóvel dado em garantia. 24 da Lei n. 1. ou fração. 1. salvo as hipóteses de domínio superveniente e de garantia oferecida por terceira pessoa.

III – de interesse da defesa nacional. 1. 37. 15 a 20 do Estatuto da Cidade (Lei n. O art. 6.220/2001. Ocorre que a concessão. como se vê.220.220/2001. praticamente nada acrescentou sobre o instituto.º e 2. que "O direito de concessão de uso especial para fins de moradia é transferível por ato inter vivos ou causa mortis".º da referida Medida Provisória). 183 da CF e no art. de outro imóvel urbano ou rural” (art. no art.º em outro local na hipótese de ocupação de imóvel: I – de uso comum do povo. II – destinado a projeto de urbanização.015/73). de 4 de setembro de 2001. com o registro no Registro Predial (art.481/2007. inclusive dispondo. IV – reservado à construção de represas e obras congêneres. Das Concessões A lei 11. de caráter declaratório. n. da Lei n. nada mais é do que contrato administrativo pelo qual a Administração faculta ao particular a utilização privativa de bem público. Cometti Fernando F. um título específico sobre esse direito. 1. para que a exerça conforme a sua destinação.Coordenadores: Marcelo T.º da Med. o direito à concessão de uso especial para fins de moradia só será outorgado àquele “que. I. A concessão exige praticamente os mesmos requisitos do usucapião urbano previsto no art.º da MP estabelece que "É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito de que tratam os arts.220/2001. O direito de concessão de uso especial para fins de moradia pode ser reconhecido por ato administrativo ou por decisão judicial e tem publicidade. desde que não seja proprietário ou concessionário. . até 30 de junho de 2001. ou V – situado em via de comunicação". até duzentos e cinqüenta metros quadrados de imóvel público situado em área urbana.481/07 introduziu dois novos direitos reais no Código Civil brasileiro. Há. 10. 2. Prov. a qualquer título. Pela MP n. 167. ou melhor. Prov. O que era faculdade. da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas naturais. e a Administração não pode recusar o contrato. utilizando-o para sua moradia ou de sua família. a saber: a concessão de uso especial para fins de moradia e a concessão de direito real de uso. 5.257/2001). tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da posse. 2. responsável pela introdução do instituto no CC. ao contrário do usucapião. passa a ser direito do possuidor. possuiu como seu. 1. pouco. ininterruptamente e sem oposição. 7. 2.85 - . 11. n. editada como diploma substitutivo ao veto dos arts. o qual continua submetido ao conteúdo e contornos normativos da Med. Desde a edição da Medida Provisória n. buscando outorgar-lhe títulos de direito real. Não se trata propriamente de um direito real novo. 2.240 do CC. a concessão de uso especial para fins de moradia compõe o rol dos direitos reais. tentativa de trazer essa camada desfavorecida da população ao mundo legalizado. Isso porque não foi inserido no CC. n. por cinco anos. Ocorre que a Lei n. ao contrário dos demais direitos reais. Castellani 6. porém.

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solidariedade. capaz de atender e satisfazer ideais e interesses de ambos os cônjuges. atração mútua e afinidades pessoais. fundamentais e lapidares do casamento. a inscrição do casamento no registro público. cumplicidade. c) O companheirismo – Calcado num projeto comum. Finalidades do casamento a) Intenção de viverem juntos – É a chamada affectio maritalis que é o elemento decisivo na indissolubilidade do vínculo. 5.Decorre da mais tradicional e inquebrável postura do mundo ocidental. b) Amor – Que independe de mera atração sexual e encontra sua manifestação mais veemente na afeição. 1.87 - . 2. 1521. no art. Na realidade. instituição (estatuto imperativo pré organizado) no conteúdo. O legislador. O registro funciona como uma espécie de convalidação. A habilitação aqui descrita é a mesma exigida para o casamento civil e o procedimento visa declarar e certificar que os interessados não possuem impedimentos. trata-se de uma instituição em que os cônjuges ingressam pela manifestação de sua vontade. . Conceito de casamento Casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher que se unem material e espiritualmente para constituírem uma família.C. b) Habilitação Posterior – Nesse caso. feita de acordo com a lei.515 do C. Estes são os elementos básicos.Coordenadores: Marcelo T. VI). por fim. 3. Cometti Fernando F. 4. explicita os modos pelos quais se alcançam os efeitos civis: a) Habilitação Prévia – Os nubentes apresentam-se ao oficial do registro civil e habitam-se ao ato posterior.. quem é casado está proibido de contrair novas núpcias ( C. Casamento religioso com efeitos civis O casamento religioso equipara-se ao civil. art. estando aptos para o casamento. resultando numa certidão a ser apresentada ao ministro religioso. Natureza jurídica do casamento O casamento seria um instituto de natureza híbrida: contrato na formação. b) Monogamia . Princípios do casamento a) Liberdade de União – O casamento só se justifica e legitima quando decorre da livre manifestação de vontade dos parceiros. primeiro é realizada a cerimônia religiosa com posterior competente habilitação e. Encerrado o procedimento de habilitação (num prazo de noventa dias) é extraída uma “sentença”. Castellani TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO 1.

A lei soleniza-o. 1517 c/c o art. Desse modo. . prescrevendo formalidades de observância obrigatória para a sua regularidade. Pressupostos de regularidade São os que se referem às formalidades do casamento. 1525 e 1526 . c) Celebração por Autoridade Competente – Inexiste casamento se o consentimento é manifestado perante quem não tem competência para celebrar o ato matrimonial. 1519). 1517).200 de 1941.(nesta fase ocorre a apreciação dos documentos e apuração da capacidade dos nubentes e a inexistência dos impedimentos matrimoniais). em função de um bem maior que é a família. 1540) os nubentes devem ter aptidão para a vida sexual.88 - . Todavia. 1520). viagem inadiável) e também no caso de casamento nuncupativo). de procriar) – Não justifica a anulação do casamento. independentemente do sexo do nubente. 6. Casamento celebrado perante autoridade incompetente (perante prefeito municipal ou delegado de polícia) não é nulo. mas não como modalidade de casamento. se um ou ambos os pretendentes não tiverem atingido a maioridade civil. conforme disposto no Decreto-lei 3. O exame pré-nupcial não é obrigatório. b) Consentimento – A falta de consentimento torna inexistente o casamento.Os nubentes comungam os mesmos ideais. parto eminente. Dois são os tipos de impotência que interessam ao direito matrimonial: Impotentia Coeundi (de concepção ou de cópula) – Pode gerar a anulação do casamento. Havendo divergência entre os pais. salvo no caso de casamento de colaterais de 3º grau (tios e sobrinhos). As uniões estáveis de natureza homossexual podem ter relevância jurídica em outros planos e sob outras formar. 1557. 1517 comporta.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI c) Comunhão de Vida . que é ato jurídico eminentemente formal.(a dispensa dos editais é possível nas seguintes hipóteses: se ficar comprovada a urgência (grave enfermidade. a) Formalidades Preliminares – São as que antecedem o casamento. o interessado poderá obter do juiz o suprimento judicial correspondente (parágrafo único do art. a publicação dos editais – art 1527 . porém. uma exceção: admissibilidade do casamento para evitar cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez (art. 1533 a 1538 – (o oficial extrairá o certificado de habilitação durando a eficácia da habilitação por 90 dias). e emissão do certificado da habilitação – arts. Impotentia Generandi (de gerar. desde que interesse a um dos cônjuges anulá-lo (art. 7. a capacidade matrimonial não se confunde com a capacidade civil (18 anos). Pressupostos de existência jurídica do casamento a) Diversidade de Sexo – Nesse sentido a lei é clara e não abre espaço a qualquer exegese extensiva (art. Elas são de três ordens: habilitação – arts. Fora as exceções legais (casamento de anciãos e casamento in extremis – art. mas simplesmente inexistente. Pressupostos de validade a) Puberdade – No art. c) Sanidade – O CC não previu a sanidade dos nubentes como condição necessária à validade do casamento. 8. 1517 o legislador fixou idade núbil aos 16 anos. será necessária a autorização dos pais ou dos seus representantes legais para a celebração do ato. b) Potência – É a aptidão para conjunção carnal. renunciando os instintos egoísticos e personalistas. III). confirmando-se a idéia de que a prole não é finalidade do casamento. A regra do art. ou.

As disposições constantes nos incisos I a IV do art.550). 1538. nem anulação. e impedimentos resultante de crime (art.No atual CC passam a ser. a) Casamento por procuração . 1. desde que o nubente impossibilitado outorgue poderes especiais a alguém para comparecer em seu lugar e receber. representantes legais ou ascendentes. Mas se os cônjuges (ou interessados na anulabilidade) silenciarem. agora. 7º.Coordenadores: Marcelo T. em seu nome. Celebração do casamento Dada a importância que se reveste o casamento. Estes impedimentos dividem-se em três categoriais: impedimentos resultantes do parentesco (art. Os impedimentos são classificados da seguinte forma: a) Impedimentos dirimentes públicos (ou absolutos) – São examinados nos incisos I a VII do art. VII). Hoje. 1521. mas tão somente uma sanção (imposição do regime obrigatório da separação de bens). Ex. a confusão de patrimônios e a proteção do nubente por influência dos representantes legais. o casamento convalida do vício originário. 1533 ao art. c) Impedimentos impedientes (ou proibitivos) . noutras palavras. 1521. Acarretam como efeito uma mera sanção. pessoa casada. Dos impedimentos matrimoniais São as circunstâncias que impossibilitam a realização de determinado casamento. Podem demandar a anulação o cônjuge prejudicado. parágrafo segundo da LICC: “o casamento de estrangeiros poderá ser celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes”. Esta procuração é um ato eminentemente revogável até o momento da celebração do casamento. o legislador reveste-o de toda a solenidade possível.A lei permite a celebração do ato por procuração cuja eficácia não ultrapassará noventa dias. A incapacidade é geral. 1523. VI). 1521. b) Casamento perante autoridade diplomática ou consular . 1521.89 - . a proteção da prole anterior. Desde já é importante observar a diferença entre incapacidade e impedimento matrimonial. 1521. a pessoa considerada não pode casar com determinada pessoa. 10. 1533 a 1538. I a V). a pessoa considerada incapaz não pode casar com quem quer que seja. Cometti Fernando F. Considerando o interesse público neles estampados podem ser argüídos por qualquer interessado e pelo Ministério Público. O impedimento matrimonial é relativo. é a ausência de requisito ou ausência de qualidade que a lei articulou entre as condições que invalidam ou apenas proíbem a união civil. IV). 1523 têm por escopo. isto é. 1542 – é imprescindível a escritura pública para a sua validade.Dispõe o art.Passaram a ser as causas de anulabilidade do casamento (art. não podem casar os irmãos (art. Acarretam como efeito a nulidade do casamento. Ex. I a IV) a infração destas causas não gera nem nulidade. causas suspensivas (art. . b) Impedimentos Dirimentes Relativos . tanto na ordem pública como na ordem privada. impedimentos resultante de vínculo (art. evitar a confusão de consangüinidade (turbatio sanguinis). em decorrência de disposição legal expressa – art. É o que se depreende da leitura dos arts. 9. o outro consorte. Castellani b) Formalidades Concomitantes – São as que acompanham a cerimônia e vêem detalhadamente previstas nos art. Importante notar que sua inobservância determina-lhe a nulidade do ato.

está submetida à condição suspensiva. assumem mutuamente a condição de consortes. quando há dúvida quanto à existência do ato constitutivo do vínculo conjugal. que não tenham parentesco em linha reta. mediante despacho da autoridade competente. a posse do estado de casados. Após o retorno dos brasileiros ao território nacional. dispensando o processo regular. chancelando a dimensão do afeto em detrimento do puro formalismo. Se o casamento for realizado no Brasil. A regra do in dúbio pro matrimonio (art.Também chamado in extremis vitae momentis. 1565 do CC. Neste caso. Mas a lei chega mesmo a permitir a dispensa da autoridade competente se os contraentes não lograrem obter sua presença. O art. d) Que não se apresente certidão do registro civil provando a ocorrência de casamento. homem e mulher. preliminarmente. ou. a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges. Segundo a disposição legal. A prova supletória só se torna admissível quando. se justifica a falta ou a perda do registro (ex. O art. à vista dos documentos exigidos no art. os nubentes figurarão como celebrantes e realizarão oralmente o casamento. etc. 1543. pelo casamento. deve o julgador inclinar pela sua existência. a validade do casamento celebrado no estrangeiro. Da eficácia do casamento Pelo art. O artigo consagra os efeitos da retroação sentencial. no consulado brasileiro. É válido no Brasil desde que registrado. 1525 e independentemente de edital de proclamas. em absoluta igualdade de direitos e deveres. Das provas do casamento O casamento realizado no Brasil. deverá ser registrado em 180 dias. 7º. Instaura-se o regime da co-gestão na sociedade familiar. para a comunidade. é forma especial de celebração de casamento. in articulo mortis. privada e publicamente como marido e mulher e que. certidão de proclamas. 12. admite uma prova indireta. até segundo grau. dê a certidão de habilitação. 11. companheiros e responsáveis pelos encargos da família. no Brasil. prevista pelo CC. c) Casamento nuncupativo . depoimento de testemunhas. na colateral. está submetida ao requisito de que ambos os nubentes sejam brasileiros. quando do retorno dos nubentes ao país. b) Que ambos os pais tenham vivido naquele estado. 1546 prevê a retroatividade dos efeitos do registro da sentença que reconhece o casamento à data de sua celebração. passaporte. será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos e às formalidades do casamento (Art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No caso de um dos nubentes ser brasileiro e o outro estrangeiro. feito ao tempo de sua celebração. A eficácia do ato. prova-se pela certidão do registro. quando um dos contraentes se encontra em iminente perigo de vida. qual seja. Em assim sendo. da LICC). perante seis testemunhas. que nada mais é do que a situação de duas pessoas que sempre se comportaram. 1547 do CC) é utilizada quando há dúvida sobre a prova do casamento. parágrafo 1º. 1540 do CC permite que o oficial do Registro Civil. se encontram no gozo recíproco da situação de esposos.. não havendo assim tempo para a celebração do casamento com todo o formalismo previsto na lei civil. a concessão feita pelo art.) O CC. cessa a competência da autoridade consular. a realização de seu registro em território nacional. c) Que a prole comum prove que o é. E para .90 - . ou seja. 1545 fica subordinada a quatro pressupostos: a) Que ambos os pais tenham falecido. ou. conforme dispõe o art.

13. querendo. não adquirindo existência. 1520 e 1551). os quais dão origem aos chamados deveres conjugais. 1563). 1548 nulo é o casamento contraído pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil (por não estar em seu juízo perfeito) e por infringência de impedimentos (previstos no CC. Da invalidade do casamento a) Casamento inexistente . do citado art que.O menor em idade núbil. logo. acarreta a suspensão ou destituição do poder parental (art. sob pena de adultério. Os efeitos que produz o casamento podem ser encarados como restrições que cada um dos cônjuges impôs voluntariamente à sua liberdade pessoal e que. Afora as hipóteses de recusa legítima ou justa. b) Vida em comum no domicílio conjugal . que englobe tanto o aspecto material (econômico).Na convivência sob o mesmo teto (domicílio conjugal). 1556 e 1557 o legislador trata da complexa matéria da ocorrência de erro essencial de um dos nubentes quanto à pessoa do outro. e) Respeito e consideração mútuos . em seguida. A sentença de nulidade do casamento tem caráter declaratório. honra e boa fama.O desaparecimento do respeito e da consideração mútuos é prova evidente que a união conjugal se encontra fragilizada.O casamento é inexistente quando lhe faltam um ou mais elementos essenciais à sua formação. nenhum efeito pode produzir. próprios do companheirismo). é que se estabelece o convívio sexual. 1533. poderá confirmar seu casamento.A infração deste dever. 1. Cometti Fernando F. E. na mesma casa. São elas: a) o que diz respeito à sua identidade. c) Casamento anulável . produzindo efeitos ex tunc (art. A decretação da nulidade pode ser promovida pelo Ministério Público. ou por qualquer interessado (art. 1521.566 do CC): a) Fidelidade recíproca . no parágrafo 1º. . devem ser respeitadas enquanto durar a união. incisos I a VII). uma vez que reconhece apenas o fato que o invalida. uma vez assumidas. Castellani reafirmar a recepção do princípio constitucional da igualdade. ou seja.A palavra assistência (apoio. o legislador estatui. depois de atingi-la. trata-se de uma enumeração taxativa e não exemplificativa. c) Mútua assistência . como o moral (apoio. ou. o dever de coabitação no domicílio conjugal é indeclinável.91 - . arrola as hipóteses caracterizadoras daquele erro. 2. guarda e educação dos filhos .Coordenadores: Marcelo T. d) Sustento.. O ato.A ocorrência de vício de vontade: Nos arts. relativamente aos filhos menores e não emancipados. qualquer dos nubentes. art. socorro) não pode ser tomada num sentido amplo. 1549). 3. São eles (art.Segundo o disposto no art. ou com suprimento judicial – art. Não existem outras. O dever de convivência sexual não é da essência do casamento nos casos de casamento in extremis bem como nos casos de consortes separados em razão de doença ou da profissão. com a autorização de seus representantes legais.O art. não autorizado pelo seu representante legal: mas.A jurisprudência e a doutrina sempre encararam essa questão como o dever de abster-se cada consorte de praticar relações sexuais com terceiro. 1638. os outrora denominados impedimentos dirimentes relativos. poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.Quem não completou a idade mínima para casar (A regra comporta as exceções dos arts. Seis são as hipóteses legais de anulação do casamento. b) Casamento nulo . II). em linhas gerais. São elas: 1. 1550 o CC trata dos casos de casamento anulável que substituem. desvelo.

. Casamento putativo Diz-se putativo o casamento que. 1571 do CC.Pelo mandatário. quanto a seus domicílios).C. 15. Dissolução da sociedade conjugal Segundo o disposto no art. por contágio ou herança. d) a ignorância. 1582. putare. ou anulável. até a data da sentença que o invalidou. anterior ao casamento. Com efeito.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI b) a ignorância de crime anterior ao casamento. em caso de incapacidade a lei admite a propositura da ação por curador. foi contraído de boa-fé. pelos filhos ou por terceiros que tenham interesse na declaração. toxicômano não podem casar. b) desconhecimento do defeito pelo cônjuge enganado. c) Enquanto perdura o processo judicial de separação. de defeito físico irremediável. que significa “imaginar”.. salvo na hipótese do art. então. 6. 14. pela separação judicial ou pelo divórcio. A incompetência ratione materiae. c) a ignorância. ou anulável. pela nulidade ou anulação do casamento. parágrafo único). ratione personarum (em razão das pessoas dos nubentes. mas. ou. . parágrafo único). gera inexistência do casamento. A separação pode ser judicial e extrajudicial.Por incompetência da autoridade celebrante: O legislador está aqui se referindo à incompetência ratione loci (em razão do lugar da celebração). 5. Atendendo a boa-fé e o princípio da equidade. 1576. perduram as obrigações decorrentes do casamento (art. se a sentença foi omissa a esse respeito.. – deixa de constar no novo C. a sociedade conjugal termina: pela morte de um dos cônjuges. mas era de ordem pública e sua ausência justificava a nulidade do processo. embora nulo. b) A tentativa de conciliação – obrigatória na Lei do Divórcio art. sem que ele ou outro contratante soubesse da revogação do mandato. 1576). pessoa portadora de enfermidade mental ou física. de doença mental grave. O termo vem do latim.92 - . o ordenamento jurídico reconhece ao casamento nulo. de igual modo. não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. todos os efeitos – aos filhos e ao cônjuge de boa-fé – do casamento válido. 4. Declarado putativo o casamento ganha validade e produz todos os efeitos que produziria o casamento válido.O incapaz de consentir ou manifestar de modo inequívoco. 1554. Entre suas principais características temos: a) A ação de separação judicial é personalíssima (art. e c) insuportabilidade da vida em comum. anterior ao casamento. conforme vimos. parágrafo 2º. reconhecendo-lhe efeitos a ordem jurídica. seu consentimento: Os surdos-mudos sem educação adequada que lhes possibilite manifestar sua vontade não podem casar. por um só ou por ambos os cônjuges. A putatividade pode ocorrer na própria ação anulatória ou em processo autônomo promovido pelo(s) cônjuges(s) enganado(s). 3º. ascendente ou irmão – No mesmo sentido em relação ao divórcio (art. ou de moléstia grave e transmissível. Toda separação depende da homologação para surtir efeitos. para que o erro essencial quanto à pessoa do outro nubente seja causa de anulabilidade do casamento é preciso a ocorrência de três pressupostos: a) anterioridade do defeito do casamento.

1581 que. O art. é efeito fundamental da separação. c) Separação Litigiosa como Remédio: Ocorre quando um dos cônjuges está acometido de grave doença mental de cura improvável (art.93 - . . na hipótese de cautelar preparatória. Há decisões que aceitam justificação para comprovar a existência do casamento. encarando a concessão da separação como termo das obrigações oriundas do casamento. no art. 1580. 1120 a 1124 do CPC. constantes na Lei do Divórcio permanecem presentes no novo Código Civil: a) Separação Litigiosa como Sanção: Ocorre quando um dos cônjuges imputar ao outro conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres conjugais. permite a concessão do divórcio sem que haja partilha de bens. b) Separação Litigiosa como Falência: Ocorre quando qualquer um dos cônjuges prova a ruptura da vida em comum há mais de 01 (um) ano consecutivo e a impossibilidade de sua recoonstituição (art. não constará referência à causa que a determinou – parágrafo 1º. na ausência do registro. reduzindo o prazo mínimo de casamento. Em se tratando de separação litigiosa. O divórcio direto poderá ser requerido por um ou ambos os cônjuges. o dever de sustento. O divórcio indireto (ou via conversão) dá-se quando do transcurso do lapso temporal de 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença de separação. será pelo juiz decidida. do STJ. O lapso temporal é um requisito objetivo e comprova-se pela certidão. a ser de dois anos. e 3º. 1572.). na lei divorcista. Importante notar. Com o atual dispositivo encerra-se a controvertida polêmica: a separação judicial põe termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca. a mútua assistência mantém-se na forma de alimentos e. agora. parágrafo 2º. ou da concessão da medida cautelar de separação de corpos. 1576 o legislador enfrentou a questão tormentosa que sempre dividiu a jurisprudência nacional. 5º. no caso de comprovada separação de fato por mais de 2 (dois) anos. No caso de conversão em divórcio da separação judicial. Castellani As três espécies de separação litigiosa. 1572. O consentimento é suficiente a determinar a validade da decisão. 1575 dispõe sobre a separação de corpos e a partilha de bens. poderá ser feita mediante proposta dos cônjuges e homologada pelo juiz. em havendo filhos. É dado importante na matéria da dissolução da sociedade conjugal porque. O art. que se refere à grave violação dos deveres do casamento e à insuportabilidade da vida em comum (Os deveres conjugais são aqueles arrolados no atual art. além de reafirmar as duas hipóteses de divórcio (direto ou via conversão) refere-se aos prazos da ruptura da sociedade conjugal. 1574 trata da separação judicial consensual. de dois para um ano. Anteriormente prevista no art. em manifesta incoerência e quebra de sistema. parágrafo 1º. No art. O processo é disciplinado pelo art. que dispensa a partilha em se tratando de divórcio direto. quando a separação é consensual.). se foi deferida a medida cautelar de separação de corpos. passa. como a lei deixa claro. 34 da Lei no. A separação de corpos. contrariamente. face à indecisão ou irredutibilidade dos cônjuges. 6515/77 e pelos arts. O prazo de duração da doença para a obtenção da separação que. da Ldi ressurge. tudo parece indicar que a postura do legislador atual decorra da Sumula 197. até a maioridade. Mas. Cometti Fernando F. que o disposto no art.). O art. pode confirmar a medida deferida liminarmente no processo cautelar. 1566 do C. guarda e educação. era de cinco anos. uns entendendo que a separação não importava em término dos deveres matrimoniais e outros.Coordenadores: Marcelo T.C. agora. o prazo para conversão em divórcio é contado da data da concessão daquela medida e não do decreto da separação judicial. Quanto à partilha de bens. e em caráter de justificação. 1572. Preliminarmente.

esse regime é passível de modificação (art.evidente prejuízo para sua identificação. mas a lei impõe a necessidade da convenção – pacto antenupcial – sempre que a opção exercida difere do padrão ofertado pela lei. c) Impossibilita a realização de novas núpcias.94 - . Efeitos da separação e do divórcio Os efeitos da separação judicial atingem tanto a pessoa dos cônjuges quanto o seu patrimônio. II. c) Extingue o regime matrimonial. b) Põe fim aos deveres conjugais. d) Faz cessar o direito sucessório. 1640. inderrogáveis pelos cônjuges. Regime de bens entre os cônjuges Regime de bens é. pena que se concretizará se não ocorrer alguma das hipóteses previstas no art. g) Mantém inalterado os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos. d) Autoriza a conversão em divórcio. O cônjuge “culpado” perde o direito de usar o sobrenome do outro. b) Substitui o dever de sustento pela obrigação alimentar. diz o parágrafo 1º do art. 1639 do CC. 1578: I. O art. pois. cumprido o prazo de um ano de vigência da separação. b) Os cônjuges aderem ao regime legal – sem convenção. c) Extingue o direito sucessório entre os cônjuges. permitindo aos cônjuges estipular o que lhes aprouver. Importante ressaltar que o regime de bens começa a vigorar desde a data do casamento. f) Possibilita novo casamento aos divorciados. e) Não admite reconciliação entre os cônjuges. III. b) Impede a mulher de continuar a usar o nome do marido (regra geral). Efeitos Patrimoniais: a) Põe fim ao regime matrimonial de bens. por isso fala-se em efeitos pessoais e efeitos patrimoniais. Efeitos Pessoais: a) Põe termo aos deveres recíprocos do casamento. portanto. aceitando em bloco o regime da comunhão parcial de bens – art.manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida. 1639 do CC resgata o princípio da autonomia da vontade. d) Pode dar origem à indenização por perdas e danos se ocorrerem prejuízos morais ou patrimoniais. o legislador criou duas hipóteses de incidência de regras em matéria de regime de bens: a) Os cônjuges escolhem o que lhes aprouver – materializando sua escolha em documento próprio (pacto antenupcial – art. 17. Estas normas são de ordem pública e. A liberdade dos cônjuges no exercício da escolha é total.dano grave reconhecido na decisão judicial. A sentença de divórcio produz os seguintes efeitos: a) Dissolve definitivamente o vínculo matrimonial. 1653).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 16. em matéria de regime de bens. 1640 c/c art. parágrafo segundo) mediante a ocorrência de três requisitos cumulativos: . Na realidade. Todavia. 1639. o complexo de normas que disciplina as relações econômicas entre marido e mulher durante o casamento.

b) O pedido motivado de ambos os cônjuges. sendo indispensável a escritura pública (art. em ação própria. a diferença do valor.Coordenadores: Marcelo T. Logo. não realizado o casamento. isto é. passa a ser comum a ambos os cônjuges. O pacto antenupcial só terá efeito perante terceiros – art. previsto em lei e legítimo (típico). 1659 estão arrolados os bens que não entram na comunhão: 1. Assim como o casamento é objeto de registro público. nominado.Os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares. Se o bem sub-rogado é mais valioso que o alienado. No art. para que produza os efeitos perante terceiros. ou doado. Cometti Fernando F. a não anuência de um não só compromete o deferimento. uma vez que a admissão daquela mudança implicaria em esvaziar o conteúdo da previsão legal. por doação ou sucessão e os sub-rogados em seu lugar. 3. estipular que o pacto produzirá efeitos diversos daqueles previstos pela norma jurídica. formal. é porque. ou sendo nula. 4. Se o legislador impõe a separação nas três hipóteses do art. em se tratando de regime obrigatório de separação de bens (art. Acrescenta o art.Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. Desse modo. Todavia. Castellani a) A autorização judicial. 258 (CC/16). pois os nubentes têm a sua autonomia limitada pela lei e não podem. O limite da sub-rogação é o valor do bem particular (adquirido antes do casamento. quais sejam. O regime de comunhão parcial limita o patrimônio comum aos bens adquiridos na constância do casamento a título oneroso (ou seja. O pacto antenupcial é um ato jurídico pessoal. Ou seja. Regime da comunhão parcial de bens Introduzido no Brasil pela Lei do Divórcio (Lei 6515/1977). consequentemente. 1657 – depois de registrado. como também não poderá ser suprida pelo juiz. e os bens comuns do casal. o regime da comunhão parcial. A eficácia a que se refere o texto legal. o casamento é condição suspensiva necessária para que o pacto produza os seus reais efeitos. 1653 que o pacto é nulo se não lhe seguir o casamento. 5-Os bens de uso pessoal. . 18. os livros e os instrumentos de profissão. quanto aos bens.95 - . 2. ou herdado).Os bens que cada cônjuge possuir ao casar e os que lhe sobrevierem. O pedido motivado de ambos os cônjuges cerca o pedido de maior garantia. a lei também exige o registro do pacto antenupcial no registro de imóveis. 1641) não há que se invocar a revogabilidade estampada na nova lei. 1641. O registro imobiliário competente é o do domicílio dos cônjuges devendo os mesmos levar ao registro imobiliário a escritura pública do pacto antenupcial e a certidão do casamento. a ocorrência da sociedade conjugal não anula a individualidade e autonomia dos cônjuges em matéria patrimonial). 6. que só o deferirá quando convicto da motivação relevante e do não prejuízo dos interesses de terceiros. os bens particulares do marido. não havendo convenção. 1653). diz respeito tão somente aos bens imóveis. salvo reversão em proveito do casal. vigorará. e c) A ressalva dos direitos de terceiros. o regime da comunhão parcial faz surgir três massas distintas de bens. na constância do casamento. alterou o então vigente art. para determinar que.As obrigações provenientes de atos ilícitos. O pedido de alteração é dirigido ao juiz competente. o pacto torna-se ineficaz.As obrigações anteriores ao casamento – obrigações negociais. naquelas hipóteses específicas desconheceu a aplicação do princípio da autonomia da vontade. se não foi paga com recursos próprios e particulares do cônjuge. os bens particulares da mulher.

se forem móveis. os patrimônios dos cônjuges se fundem em um só. Durante o casamento. marido e mulher. desde que a hipótese tenham sido objeto de cláusula no pacto antenupcial (art. Cada um dos cônjuges tem direito à metade ideal desta massa. quando ressurge a idéia da comunhão. pois que insuscetível de divisão antes da dissolução da sociedade conjugal. por isso. 1668. associa cada cônjuge aos ganhos do outro. direitos e ações. 1673 só admita a alienação dos bens móveis. Os bens que participam da comunhão são aqueles descritos no art. aos bens imóveis. O regime de separação é legal (quando decorre da lei) ou convencional (decorre de convenção estabelecida em pacto antenupcial). 1673 delimita o que é patrimônio comum dispondo. o legislador arrola. Regime da separação de bens O regime de separação de bens é aquele em que cada cônjuge conserva o domínio e a administração de seus bens presentes e futuros. que a administração dos bens é exclusiva de cada cônjuge. cada um dos cônjuges goza de liberdade total na administração e na disposição dos seus bens.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 7.96 - . ao mesmo tempo. mas. como ocorre na separação de bens. . embora o parágrafo único do art. Todos os bens. Regime da comunhão universal de bens Segundo o art. 19. Com a exclusão das exceções previstas no art. 1660 do CC. diz-se que o cônjuge é “meeiro”. móveis e imóveis. valor este a ser levantado na dissolução da sociedade conjugal. 1667 do CC o regime da comunhão universal importa na comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas. os bens que são excluídos do regime de comunhão universal. 21. logo. No art. montepios e outras rendas semelhantes. Vale ressaltar que. passam a constituir um só massa. meios-soldos. 20. a figurar como condôminos de um condomínio peculiar. 1668 do C. mas que se tornam comuns no momento da dissolução do mesmo. diz a lei. O art. 1656). que permanece indivisível até a dissolução da sociedade conjugal.As pensões. Regime da participação final nos aqüestos Na participação final nos aqüestos há formação de massas de bens particulares incomunicáveis durante o casamento. passando. igualmente. no seu parágrafo único. que os poderá livremente alienar.C. responsabilizando-se individualmente pelas dívidas anteriores e posteriores ao casamento. em cinco incisos. a possibilidade estende-se.

parágrafo 2º. mas a afinidade colateral (ou cunhadio) extingue-se com o término do casamento. no atual sistema codificado. a afinidade não decorre da natureza.). 3. 1592 do CC.: “ São parentes em linha colateral ou transversal. entre si. o parentesco.Inicialmente vale ressaltar que o casamento não cria nenhum parentesco entre o homem e a mulher.97 - . desde os impedimentos que se traduzem em inelegibilidade da constituição até os impedimentos para o casamento. Os graus são o meio de que se dispõe para determinar a proximidade ou remoticidade do parentesco. simplesmente. São afins na linha na linha reta descendente: genro. Contagem do parentesco O parentesco é contado através de linhas e graus. É por força de uma ficção legal que se estabelece este parentesco. b) Parentesco civil – É o decorrente da adoção. o art. Dispõe. da CF. padrasto e madrasta (no mesmo grau que pai e mãe). na colateral. Em decorrência do art.É a proposta inédita. A afinidade na linha reta é sempre mantida (art. o adotado tem os mesmos direitos do filho consangüíneo. 1593 quando se refere ao parentesco que resulta de outra origem. c) Parentesco por afinidade . na linha reta. e o vínculo sócio-afetivo. isto é. mas tão somente da lei. não descendem uma das outras. nora. afins. não visualizada pelo C/C 1916 e que ganha legítimo reconhecimento na singela fórmula do art. também pelo número delas. e descendo até encontrar o outro parente”. A afinidade. Embora haja simetria com a contagem dos graus no parentesco. Dispõe a respeito o art. Em assim sendo. subindo de um dos parentes até ao ascendente comum. 1. 227. assim como o parentesco por consangüinidade. Marido e mulher são. Existem duas espécies de linhas: reta (quando as pessoas descendem umas das outras) e colateral ou transversal (quando as pessoas. até o quarto grau. parágrafo 6º. Espécies de parentesco a) Parentesco natural – É o que se origina da consangüinidade. enteado. Cometti Fernando F.Coordenadores: Marcelo T. 2. as pessoas provenientes de um só tronco. os graus de parentesco pelo número de gerações e. enteada (no mesmo grau que filho e filha). comporta duas linhas: a reta e a colateral. . nem do sangue. com efeito. 1595. 1594 “Contam-se. Castellani CAPÍTULO II – PARENTESCO Toda pessoa se enquadra numa família por quatro ordens de relações: o vínculo conjugal. d) O vínculo sócio-afetivo . inexiste impedimento de o viúvo (ou divorciado) casar-se com a cunhada. a afinidade. mas independente dos laços de sangue. sem descenderem uma da outra”. embora procedendo de um tronco ancestral comum. São afins em linha reta ascendente: sogro. Efeitos do parentesco As relações de parentesco afetam os mais diversos campos do Direito. o vínculo legal que se estabelece à semelhança da filiação consangüínea. sogra.

. inclusive. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. há restrições de parentesco para ocupar certos cargos: Resolução no. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. de cargos de provimento em comissão. No direito sucessório. 07 do CNJ – art.a contratação.. estabelecer o dever de prestar alimentos. dos respectivos membros ou juízes vinculados.) No direito de família. ao estabelecer impedimentos para o casamento. deduções ou o nível de tributação. I. o parentesco pode definir isenções. até o terceiro grau. No direito penal. 2º. parágrafo 2º. Constituem prática de nepotismo. de dois ou mais magistrados. 405.98 - . companheiro ou parente em linha reta ou colateral até o terceiro grau. àqueles até o quarto grau. até o terceiro grau. III . em casos excepcionais de dispensa ou inexigibilidade de licitação. o parentesco estabelece as classes de herdeiros que podem concorrer à herança. estão impedidos de depor como testemunha. (. ou servidor investido em cargo de direção e de assessoramento. inclusive. assim como o colateral até o terceiro grau. de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. No direito fiscal. além do cônjuge da parte. há crimes cujo parentesco entre o agente causador e a vítima agrava a intensidade da pena. dentre outras: I..o exercício. dos respectivos membros ou juízes vinculados. inclusive. do CPC). No direito constitucional e no direito administrativo. . limitando-se. inclusive. companheiros ou parentes em linha reta.a contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. ou de funções gratificadas. companheiro ou parente em linha reta. por cônjuge. por cônjuge. até o terceiro grau. os efeitos do parentesco fazem-se sentir com mais intensidade. companheiro ou parente em linha reta. colateral ou por afinidade. de pessoa jurídica da qual sejam sócios cônjuge. de cônjuge. bem como de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento.o exercício de cargo em provimento de comissão ou de função gratificada. II. ou de servi dor es investidos em cargos de direção ou de assessoramento. em Tribunais ou Juízos diversos.o exercício de cargo de provimento em comissão ou de função gratificada. inclusive. em circunstâncias que caracterizem ajuste para burlar a regra do inciso anterior mediante reciprocidade nas nomeações ou designações. até o terceiro grau. companheiro ou parente em linha reta. seu ascendente ou descendente em qualquer grau.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No processo civil. por cônjuges. V . colateral ou por afinidade. dos respectivos membros ou juízes vinculados. seja consangüíneo ou afim (art. colateral ou por afinidade. de servir como tutor etc. IV . na classe dos colaterais. colateral ou por afinidade.

in casu. A lei não exige que haja autorização escrita. havidos ou não da relação do casamento. não possa procriar. por meio de técnicas especiais. em primeiro grau e em linha reta. Apenas é admitida a concepção de embriões excedentários “se estes derivam de fecundação homóloga. Castellani CAPÍTULO III – FILIAÇÃO Filiação é a relação de parentesco. do Conselho Federal de Medicina. Cometti Fernando F. respectivamente. razão por que pode ser verbal e comprovada em juízo como tal. neste caso. tem-se propriamente o embrião.358/92 do Conselho Federal de Medicina admite a cessão temporária do útero. indica que.358/92. A única exigência é que tenha o marido previamente autorizado a utilização de sêmen estranho ao seu. o consentimento de ambos. A fecundação ou inseminação artificial post mortem é realizada com embrião ou sêmen conservado. A paternidade. de gametas da mãe e do pai. ou vida humana. 1. para a fecundação do óvulo da mulher. ou por adoção. . 1.99 - . A resolução no. O código não define a partir de quando se considera embrião. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação”. Já diziam os romanos: mater semper certa est. O princípio da igualdade dos filhos é reiterado no art. A presunção de paternidade é prevista no art.1. especialmente na Europa”. normalmente doador anônimo.596 do CC. que enfatiza: “Os filhos. por qualquer razão física ou psíquica. após a morte do doador. esta circunstância estabelece. apesar de não ter componente genético. parágrafo 6o. 1. O vocábulo fecundação indica a fase de reprodução assistida consistente na fertilização do óvulo pelo espermatozóide. Neste caso o óvulo e o sêmen pertecem ao marido e à mulher. que liga uma pessoa àquelas que a geraram. Presunção de paternidade Presume-se filho o concebido na constância do casamento: pater is est quem iustae nuptiae demonstrant. O inciso V do art. ou a receberam como se a tivesse gerado. 1. sejam casados ou companheiros de união estável”. Por conseqüência. terão os mesmos direitos e qualificações. não admitindo mais a retrógrada distinção entre filiação legítima e ilegítima. mas a resolução 1. ou seja. apenas que seja “prévia”. “a partir de 14 dias. desde que o cedente seja parente colateral até o segundo da mãe genética. Em regra.597 presume concebido no casamento os filhos “havidos por inseminação artificial heteróloga. A lei não exige que o marido seja estéril ou. desde que tenha prévia autorização do marido”.) estabeleceu absoluta igualdade entre todos os filhos. pressupondo-se. e não o do marido.Neste dispositivo três hipóteses de presunção de filhos concebidos na constância do casamento. a paternidade. todas elas vinculadas à reprodução assistida. sem fins lucrativos.Coordenadores: Marcelo T. o simples fato do nascimento estabelece o vínculo jurídico entre a mãe e o filho. Se a mãe for casada. privilegiando-se a relação socioafetiva. 226. A CF (art. automaticamente. Essa distinção é aceita em vários direitos estrangeiros. Ocorre tal modalidade de inseminação quando é utilizado “sêmen de outro homem. terá fundamento moral. A fecundação ou inseminação homóloga é realizada com sêmen originário do marido. está proibida a utilização de embrião excedêntário por homem e mulher que não sejam os pais genéticos ou por outra mulher titular da entidade monoparental.597 do CC.

também. entende a doutrina que nem mesmo o curado do marido interdito poderia ajuizar tal ação. também é o ECA: (art. que a prova de impotência do cônjuge para gerar. 1. pois. que visa à proteção da família constituída pelo casamento.560/92.601 do CC). Legitimado passivamente para esta ação é o filho. 1.601). ouvido o Ministério Público. A segunda visa negar o fato da própria concepção.100 - . elaborada com o intuito de conferir maior proteção aos filhos.599). 1. ou provar a suposição de parto.ou das declarações nele contidas”. A falsidade do termo de nascimento pode ser atribuída ao próprio oficial de registro civil ou à declaração da mãe ou do pai. na posição de ré. Importante observar. retirando do registro civil o nome que figura como pai -. na verdade. para afastar a condição de . a retificação. seja proposta contra o homem casado. ou mais. 27): “O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. O importante é que a patologia tenha ocorrido depois de estabelecida a convivência conjugal e no prazo legal atribuído ao momento da concepção. Nesse sentido. Ação negatória de paternidade e de maternidade Conhecida também como ação de contestação de paternidade. sem qualquer restrição. uma vez iniciada. parágrafo único).604. será o pai legal da criança assim concebida. a ação deve ser movida contra seus herdeiros (normalmente a mãe é a herdeira). dos trezentos que houverem precedido ao nascimento do filho. Dispõe o art. ser elidida pelo marido. à época da concepção. com base no art. distinguir a ação negatória de paternidade ou maternidade daquela destinada a impugnar a paternidade ou maternidade. induzidos a erro por falta de cuidado de hospitais e maternidades. admitindo a prova em contrário. a ação negatória destina-se a excluir a presunção legal de paternidade. passa a seus herdeiros (art. por ter sido efetuado o registro pela mãe – e porque se objetiva desconstituir um ato jurídico. Só ele tem a titularidade. mediante ação negatória de paternidade. pois. traduzido nos cento e vinte e um dias.597 é júris tantum. ou pelo filho da mulher casada contra o seu verdadeiro pai. podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros. Deve-se. 1. a presunção de paternidade do art. 8. art. Pode.601. a mãe só poderá contestá-la. Mais se evidenciou essa possibilidade com o advento da Lei n. se ele vier a falecer durante o seu curso. no art. Se o filho é falecido. aquele bebê adveio da infidelidade da mulher (CC. Assim.608 do CC: “quando a maternidade constar do termo do nascimento do filho. por permitir que a investigação da paternidade. dos “registros de nascimento anteriores à data da presente lei”. A legitimidade ativa é privativa do marido (CC. por decisão judicial. A primeira tem por objeto negar o status de filho ao que goza de presunção decorrente da concepção na constância do casamento. mas. indisponível e imprescritível. mesmo adulterina.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se o marido anuiu na inseminação artificial heteróloga. observado o segredo de justiça”. 8o. arts. salvo se provar que. 1. A impugnação da paternidade conduzirá o filho a uma paternidade incerta. tem sido reconhecido ao filho o direito de impugnar a paternidade. ilide a presunção de paternidade (art. que é imprescritível (art. não podendo voltar atrás. provando a falsidade do termo. Tal dispositivo abre exceção à presunção mater in jure semper certa est. a iniciativa da ação. Mesmo que o marido não tenha ajuizado a negatória de paternidade. como ocorre nos casos de troca de bebês. deve ela também integrar a lide. Em regra.600 e 1. e por permitir. devido ao segredo profissional médico e ao anonimato do doador do sêmen inoculado na mulher. mas.602).. 2. 1. 1. 1.

É que o prazo de prescrição somente se inicia quando surge o direito à ação. pois. ou ainda por quem demonstre legítimo interesse. exerce o poder familiar de filho menor não reconhecido pelo pai e. com citação dos pais presumidos. Esta prescreve em dez anos (CC. Não há empecilho para que o filho adotivo intente ação de investigação de paternidade em face do pai biológico. forçado ou coativo. Dispõe o art. A moderna doutrina. O registro. como também por se tratar de pretensão que se insere no rol dos direitos da personalidade e na idéia de proteção integral à criança. preceitua a Súmula 149 do STF: “É imprescritível a ação de investigação de paternidade. A legitimidade ativa para o ajuizamento da ação de investigação de paternidade é do filho. por isso. Os efeitos da sentença que declara a paternidade são os mesmos do reconhecimento voluntário e também ex tunc: retroagem à data do nascimento (CC. 1. será representado pela mãe ou tutor. parágrafo único).603 do CC que a filiação prova-se pela certidão do termo de nascimento registrada no Registro Civil. a contar não da morte do suposto pai. não só em face do que dispõe o parágrafo único do art. mas não o é a de petição de herança”.101 - .606). . intentar em nome do filho a ação investigatória de paternidade”. Embora a ação seja imprescritível. O filho não reconhecido voluntariamente pode obter o reconhecimento judicial. ainda que menor. assistida por seu pai. que zela pelos interesses do incapaz. A de impugnação da paternidade ou da maternidade pode ser ajuizada pelo próprio filho. prova não só o nascimento como também a filiação. por interesse moral ou até mesmo de natureza sucessória. ou por tutor nomeado especialmente para o ato. relativa ou absolutamente incapaz. por meio da ação de investigação de paternidade. representado pela mãe. 1. como nas hipóteses de troca de criança em maternidades. 1. Cometti Fernando F. que deve conter os dados exigidos no art. “representa-o nos atos da vida civil e pode. É de se admitir o litisconsórcio ativo facultativo dos filhos da mesma mãe na investigação de paternidade do mesmo suposto genitor. de natureza declaratória e imprescritível. salvo se “ele morrer menor e incapaz” (CC art. como os irmãos da pessoa registrada como filho. têm eles legitimação para “continuá-la.Coordenadores: Marcelo T. consagrada na própria CF. Prova-se também a filiação pelos meios de prova elencados no art. Se já tiver sido iniciada.604 do CC e provando erro ou falsidade do registro. 54 da Lei dos Registros Públicos. Se o filho morrer antes de iniciá-la. 1.616). mas do momento em que foi reconhecida a paternidade. art. secundada pela jurisprudência. Castellani filho. de caráter declaratório e satisfativo do seu interesse pessoal. 1. salvo se julgado extinto o processo” (art. tem reconhecido legitimidade ao nascituro para a sua propositura. Reconhecimento judicial da filiação: investigação de paternidade e maternidade. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. destarte. Se a mãe do investigante é menor. a ação é privativa dele.606. que é ação de estado.609 do CC como modos voluntários de reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento. a pedido do Ministério Público. e este só nasce com o reconhecimento. poderá ser representada ou assistida por um dos seus genitores. Somente a ação negatória é privativa do marido ou da mulher.609 do CC. os efeitos patrimoniais do estado da pessoa prescrevem. Se menor. de simulação de parto e introdução maliciosa na família da pessoa portadora do status de filho e de falsidade ideológica do assento de nascimento. art. 205). discriminando em 09 itens. A mãe natural. fazendo-o com base no art. 1. Por essa razão. 1. seus herdeiros e sucessores ficarão inibidos para o ajuizamento.

art. seja por inexistirem descendentes e ascendentes (CC. 1. afastando-se. porém. assim. art. uma vez que a declaração do estado de filho repercute não apenas na relação entre as partes. art. que.613).8. de tê-lo sob sua guarda e de educá-lo (CC.696) e à sucessão (art. o filho ingressa na família do genitor e passa a usar o sobrenome deste. 1. todavia. art. O dispositivo permite. se não concorrer com estes à herança.102 - . Havendo descendentes ou ascendentes.616 do CC que “a sentença que julgar procedente a ação de investigação produzirá os mesmos efeitos do reconhecimento. gerando as suas conseqüências. se sujeita ao poder familiar. O espólio não tem personalidade jurídica. Dispõe o art. mas poderá ordenar que o filho se crie e eduque fora da companhia dos pais ou daqueles que lhe contestou essa qualidade”.566.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A lei n. Com o reconhecimento. havendo elementos suficientes. O registro de nascimento deve ser. Se não houver herdeiros sucessíveis conhecidos. pois. . seja por concorrer com eles à herança (art. Se menor. fornecidos pela mãe ao registrar o filho (art. I e II). mas a ação pode ser contestada por qualquer pessoa “que justo interesse tenha” (CC. O art. O principal deles é estabelecer a relação jurídica de parentesco entre pai e filho. mas retroagindo “até o dia do nascimento do filho. ou mesmo de sua concepção. art. ela possa permanecer na companhia de quem a acolheu e criou. bem como outros parentes sucessíveis. alterado. Embora se produzam a partir do momento de sua realização. pode. ainda que o registro de nascimento tenha sido lavrado anteriormente à sua promulgação. 3. na defesa dos interesses do investigando. Trata-se de legitimação extraordinária deferida aos membros do parquet. ser apresentada pela mulher do investigado.829. o cônjuge do falecido não participará da ação. Não é correto mover a ação contra o espólio do finado pai. a temporariedade do ato. 2o.829.560/92 permite que a referida ação seja ajuizada pelo Ministério Público. são. na qualidade de parte. É vedado ao pai subordinar a eficácia do reconhecimento à determinada data ou a determinado período. Efeitos do reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento O reconhecimento produz efeitos de natureza patrimonial e de cunho moral. retroativos ou retrooperantes (ex tunc). 1. 27 do ECA menciona expressamente “os herdeiros” do suposto pai. como aquele que se considera o verdadeiro genitor. 1. pelos filhos havidos no casamento ou filhos reconhecidos anteriormente. Deverá a viúva ser citada como parte. ou a termo (CC. salvo como representante do filho menor. 1. para que dele venham a constar os dados atualizados sobre sua ascendência. III). Entre o pai e o filho reconhecido há direitos recíprocos aos alimentos (CC. I e II). em nome do melhor interesse da criança. a ação deverá ser movida contra eventuais herdeiros incertos e desconhecidos citados por editais. quando o oficial do Registro Civil encaminhar ao juiz os dados sobre o suposto pai. mas pode atingir terceiros. ficando os pais submetidos ao dever de sustentá-lo.615). não passando de um acervo de bens. a ação deverá ser dirigida contra seus herdeiros. dependendo de quem está sendo investigado. IV). parágrafo 4o.829. O reconhecimento é incondicional:não se pode subordiná-lo a condição. 1. A legitimidade passiva recai no suposto pai ou na suposta mãe. 1. Se o demandado já for falecido. assim.). 1. não da data do ato. A defesa. portanto. sempre que for herdeira. se isto condisser com seus interesses”.

tudo se incluiria na noção maior de concubinato. de homem e mulher. o convívio. parágrafo 3º refere-se à possibilidade de conversão em casamento. empregado pelo constituinte de 1988 refere-se à união livre. como se fossem marido e mulher. com notoriedade de longos anos. O termo união estável. é a convivência more uxorio. enquanto nesta a convivência pode ser convertida em casamento. 226. união livre). desde a posse do estado de casados. um amplo (lato sensu) e um restrito (stricto sensu). até a união adulterina.Coordenadores: Marcelo T. Só se converte em casamento.103 - . união entre homem e mulher não inquinada de impedimento. porque naquele há sempre impedimento. . entre homem e mulher desimpedidos. Cometti Fernando F. tanto é que o texto constitucional – art. No sentido restrito. Castellani CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL O termo “união estável” admite dois sentidos. O concubinato não se confunde com a união estável (ou. No sentido amplo. ou seja.

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Importante notar. faltando estes. O CC limita a obrigação na linha colateral ao segundo grau (irmãos). tem uma conotação amplíssima. mas sempre no limite das forças do monte. f) Princípio da alternatividade – Os alimentos podem ser pagos em espécie (moradia. o poder de fixar a forma do cumprimento da prestação. sempre em decorrência da variação financeira das partes interessadas (art. lazer. mediante o pagamento da prestação pecuniária. ou de cada herdeiro.Coordenadores: Marcelo T.105 - . educação. portanto. não é absoluto. a reciprocidade da obrigação alimentar ocorre tanto entre ascendentes como entre descendentes. Se o quantum da pensão alimentícia subordina-se a um critério de proporcionalidade entre as necessidades do alimentado e os recursos do alimentante. redução ou majoração. que o elenco previsto pela lei é taxativo. uns em falta de outros. não se pode ajustar que seu montante jamais será alterado. g) Princípio da irrenunciabilidade – Não podem as partes pactuarem de modo diverso. isto é. e extensivo a todos os ascendentes. ela é mutável podendo ser modificada a qualquer tempo. O art. 1. numerus clausus. Assim. 1699 do CC). habitação. respondendo cada herdeiro proporcionalmente à parte que lhe couber na herança. 1696 do CC que o direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos. saúde. logo tios ou sobrinhos (parentes em 3º grau) escapam da previsão legal. não se pode renunciar ao direito de exigir alimentos (art. O direito de escolha. e) Princípio da transmissibilidade – Os alimentos poderão ser cobrados do espólio. recaindo a obrigação nos mais próximos em grau. Cometti Fernando F. quer por contrato ou convenção (art. isto é. em faltando alguma das categorias citadas. de grau imediato para concorrer no cumprimento da dívida alimentar. b) Princípio da preferência – Na falta de ascendente cabe a obrigação aos descendentes e. vestuário. Logo. 1701 do CC confere ao devedor de alimentos a faculdade de optar entre o cumprimento da pensão em espécie. alimentação. 1698 do CC) poderá chamar outros parentes. . 1707 do CC). de modo que. a) Princípio da reciprocidade – Dispõe o art. ou em dinheiro. etc. profissionalização.) ou em dinheiro. as regras que disciplinam a matéria são de ordem pública. mas não material. Princípios da obrigação alimentar Como se trata de um munus público. 1707). se as circunstâncias o exigirem. vestuário. porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos. podemos afirmar que alimentos são os auxílios prestados a uma pessoa para prover as necessidades da vida. sempre que o binômio se alterar produzirá efeitos imediatos sobre a pensão provocando exoneração. entende-se que a revisão é da essência da obrigação alimentar. aos irmãos. germanos como unilaterais (art. que não pode ser reduzida à noção de mero sustento (alimentação) mas envolve. 1697). d) Princípio da mutabilidade (ou da variabilidade da prestação) – A decisão judicial sobre alimentos faz coisa julgada formal. na linguagem jurídica. c) Princípio da complementaridade – Se o parente convocado não estiver habilitado a cumprir a obrigação totalmente (art. também. extingue-se a obrigação alimentar decorrente do parentesco. Castellani CAPÍTULO V – ALIMENTOS Alimentos. Isto é. não se pode estabelecer condição contrária ao disposto na lei. Desse modo. porém. inderrogáveis por convenção entre as partes. O texto legal é claro e não deve gerar maiores questionamentos: o credor pode não exercer. pois o parágrafo único do artigo confere ao juiz. o dispositivo legal prescreve uma obrigação alternativa.

948. Atualização da dívida alimentar No art. Exoneração da obrigação alimentar As três hipóteses arroladas no caput do art. O parágrafo único do referido art. sem risco de perda de parâmetro oficial quando da desvalorização da moeda nacional. 4. II.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 2. a pensão alimentar decorre da responsabilidade civil. aos filhos compete sustentar os pais. à outra pessoa. introduz a hipótese de ingratidão do alimentário como causa extintiva da obrigação do devedor. os companheiros também podem pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver (art. na qual o marido (ou a mulher) convenciona a pensão a ser paga ao outro cônjuge. 1710 do CC a atualização monetária é feita por fórmula mais ampla (índice oficial regularmente estabelecido) que subsiste por tempo indeterminado. 3. . c) Casamento e União Estável – Por força do princípio constitucional que inseriu as uniões estáveis como espécie do gênero maior entidades familiares. Também pode derivar de disposição testamentária (art. É o que decorre do disposto no art. 1920). Da mesma forma. Cessa o dever de prestar alimento em caráter definitivo por que o credor se encontra vinculado a outra pessoa. Fontes da obrigação alimentar A dívida de alimentos pode provir de várias fontes: a) Vontade das partes – Embora hipótese rara ela pode se materializar nos casos de separação consensual.106 - . 1708 do CC (casamento. na velhice e quando necessitam de auxílio. 1694). d) Ato Ilícito – Quando o causador do dano fica obrigado a reparar o prejuízo mediante pagamento de uma indenização. b) Parentesco – A lei impõe aos pais o encargo de prover a mantença da família e. a eles compete sustentar e educar os filhos. são suficientes a justificar a cessação do pagamento da dívida alimentar. por decorrência jurídica. união estável ou o concubinato) na medida em que acarretam o vínculo do credor da pensão.

107 - . de caráter personalíssimo e. o art. própria da tutela dativa. 1736 é taxativo. que. e que os outros lhe sucederão pela ordem de nomeação. 1729 restringe aos pais. não pode ser recusada. 1730). Castellani CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA A tutela e a curatela têm um ponto em comum. em princípio. O rol do art. quanto a curatela representam um munus (encargo) público.Coordenadores: Marcelo T. o munus é direcionado a pessoa estranha ao grupo familiar (art. em conjunto. Da tutela A tutela possui três finalidades específicas: os cuidados com a pessoa do menor. em princípio irrenunciável. 1739 – o nomeado exercerá a tutela. não estão obrigados a aceitar a tutela. ainda. isto é. b) Tutela legítima . somente aqueles casos são excludentes da tutela. Ambos devem estar no exercício do poder parental (art. Se o juiz admitir a escusa – art.737 a lei arrola mais uma hipótese de escusa. 2. sob pena de entender-se renunciado o direito de alegá-la (art. a nomeação do tutor. A tutela dativa tem caráter subsidiário.O art. porque somente ocorrerá quando inexistir tutor testamentário ou legítimo. devendo-se considerar. Aí reside o divisor de águas entre os dois institutos.Na falta ou na impossibilidade dos consangüíneos. incapacidade. daqueles que não forem parentes do menor e que. Cometti Fernando F. 1733. de fato e de direito. sempre. Dispõe. c) Tutela dativa . 1736 estão arrolados os casos específicos em que se justifica a escusa. escusa ou qualquer outro impedimento. Todavia. Três são os tipos de tutela reconhecidos pela ordem civil brasileira: a) Tutela testamentária . São posto sob tutela Os menores cujos pais falecem Os menores cujos pais foram destituídos ou suspensos do poder parental São postos sob curatela Os Deficientes mentais Os excepcionais Os pródigos Os nascituros 1. no art. se mais de um tutor foi nomeado em disposição testamentária. Da escusa dos tutores Tratando-se de um encargo público a tutela. a administração de seus bens e sua representação para os atos e negócios da vida civil. . O Código Civil manteve a distinção do direito antigo: a tutela dirige-se aos menores e a curatela. No art. 1738). que necessitam da presença de outrem que aja em nome delas. 1732). o maior interesse do menor. aos maiores incapazes. A escusa deve ser apresentada no lapso temporal de 10 (dez) dias subseqüentes à designação. por conseguinte. 1731) ordem que não é inflexível.Na falta de nomeação a lei estabelece a ordem de preferência dos eventuais tutores (art. até a decisão do recurso interposto. 1. ambos os institutos objetivam proteger pessoas incapazes. entende-se que a tutela foi atribuída ao primeiro. Tanto a tutela. no caso de morte. Se existir apenas um dos genitores a este competirá a nomeação do tutor.

) as contas serão prestadas por seus herdeiros ou representantes (art. Visualiza o art. o Código admite a figura do protutor (pessoa encarregada de fiscalizar o tutor) no art. quando necessário. a quitação do menor só produzirá efeito depois de aprovadas as contas pelo juiz (art. 1756) e prestarão contas de 2 (dois) em 2 (dois) anos quando. por qualquer motivo. ao sobrevir escusa legítima ou ao ser removido (art. os tutores submeterão ao juiz o balanço respectivo (art. 1764). ou ao cair o menor sob o poder familiar (caso de adoção. dos dezesseis aos 18 anos de idade. . manda aplicar-se à curatela as disposições concernentes à tutela. 1752 prevê a remuneração do tutor proporcionalmente à importância dos bens administrados. defendê-lo e prestar-lhe alimentos. quanto à pessoa do menor: a) Dirigir-lhe a educação.743) previu a ocorrência de tutor subrogado sempre que o vulto e a complexidade do patrimônio e exigir e. ao expirar o termo. conforme prevê o art. Importante notar. o tutor se compromete a exercer gratuitamente o cargo. Ao final da cada ano de administração. até então. o tutor fica obrigado a prestar contas (art. Da curatela Quem exerce a curatela cuida dos interesses das pessoas arroladas no art. c) Adimplir os demais deveres que normalmente competem aos pais. sob inspeção do Poder Judiciário. por improbidade ou má-fé) ou incurso em incapacidade (todas as vezes em que o tutor se encontrar em qualquer das hipóteses do art. prevaricador (é o que descumpre o dever a que está obrigado. Da mesma forma. O tutor também deve representar o menor até os dezesseis anos assisti-lo. 5. etc. 1. Sob o prisma do tutor. ausência. 4. não poderá reclamar qualquer remuneração. 1766 a possibilidade de destituição do tutor quando negligente (isto é. 1758) subsistindo inteira. Da prestação de contas do tutor Como administrador da pessoa do menor e de seu eventual patrimônio. Quanto ao patrimônio do menor compete ao tutor administrar os bens do tutelado em proveito do mesmo. sob o prisma do tutelado. descaso ou falta de zelo no exercício de suas funções).108 - . por exemplo). Incumbe ao tutor. 1757). Se. 1755) ainda que o contrário tenham dispostos os pais do tutelado. tanto isso é verdade que o legislador. 1767. 1774. 1735 do Código Civil). b) Providenciar a correção do menor. pelos cônjuges ou outro parente e pelo Ministério Público – art. 1768. Finda a tutela. mediante justificativa em juízo. 1742. 6. Em qualquer hipótese de impossibilidade do tutor prestar contas (morte. com a maioridade ou emancipação do menor. que a tutela e a curatela são institutos muito próximos e com fins idênticos. O CC (art. A interdição dessas pessoas pode ser promovida pelos pais ou tutores. a responsabilidade do tutor. Da cessação da tutela A tutela cessa.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. porém. 1765). deixarem o exercício da tutela ou toda vez que o juiz achar conveniente (art. Do exercício da tutela O art. no art. em que era obrigado a servir (dois anos. 1759).

. A finalidade dessa curadoria é zelar pelos interesses do nascituro e impedir. Cometti Fernando F.109 - . mas não tendo o poder parental.Coordenadores: Marcelo T. Duas são as condições necessárias para materializar a curatela de seus bens: falecimento do pai ou perda do poder parental e. Curatela dos nascituros Nascituro (art. a substituição e a supressão do parto. 1779) é o ser humano já concebido. Castellani 7. mas ainda não nascido. se estiver a mulher grávida. em favor do feto e de terceiros.

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b) o herdeiro pode socorrer-se dos interditos possessórios na proteção de sua posse.787 do CC). 1. O direito brasileiro consagrou o sistema da limitada liberdade de testar. I.797 do CC): 1º) o cônjuge ou companheiro. 3. Porém a lei prevê outras situações: a) Ausência de domicílio certo – Será competente o foro da situação do imóvel (art. Imediatamente a posse e a propriedade de seus bens transmitem-se aos seus herdeiros legítimos e testamentários. 1. abre espaço à vontade soberana do testador. será competente o lugar onde ocorreu o óbito.789 que o testador só pode dispor da metade da herança. também chamado de de cujus) em decorrência de sua morte para uma outra (chamado genericamente de sucessor). e c) o herdeiro pode prosseguir. Deriva do testamento. 1.789 c/c 1. da manifestação de vontade do testador que. É o que deflui do disposto nos arts.Coordenadores: Marcelo T. sendo aí o foro competente para que se promovam o inventário e a partilha dos bens. havendo herdeiros necessários (art. 2º) . e c) Falecimento no estrangeiro – Será competente para processar o inventário e a partilha. Ocorre sempre que o autor da herança morre sem deixar disposição de última vontade. Cometti Fernando F. Espécies de sucessão Existem duas formas de sucessão no direito brasileiro (art. A nomeação obedece às preferências ditadas pela lei (art. Com efeito. Lugar da abertura da sucessão A sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido (art. Nomeado pelo juiz. do CPC). Com a morte do de cujus abre-se a sucessão. isto é.111 - . prestando compromisso formal no processo e assumindo total responsabilidade pela guarda e conservação dos bens. 1.785). Castellani CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES 1. 1. b) A testamentária – Resultante da vontade do testador. parágrafo único. 1788 do CC). o foro de seu último domicílio no Brasil (art. além da legítima. quanto à cota disponível. Aspectos gerais A sucessão em sentido restrito designa a transmissão de bens de uma pessoa (autor da herança. 1. 96. representa o espólio judicial e extrajudicialmente. 1. 96. 1. Trata-se da aplicação do princípio de saisine. diz-se sucessão ad intestato (art. sem solução de continuidade. 2. com as ações intentadas pelo de cujus.786 do CC): a) A legítima – Resultante de lei. ativa e passivamente. do CPC) 4. sem qualquer necessidade de manifestação dos mesmos (art. Deste princípio resultam as seguintes conseqüências: a) a capacidade para suceder é a do tempo da abertura da sucessão (art.845) diz o art. b) Pluralidade de domicílios – Se o de cujus possuía bens em diversos lugares. caput. Representação legal na sucessão O inventariante é o representante legal do espólio.846 do CC.784 do CC).

Característica da herança A herança é uma universalidade de direito. tácita ou presumida. Cessão de direitos hereditários O CC admitiu a cessão dos direitos hereditários mediante escritura pública e da anuência dos demais co-herdeiros. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo de cujus aos herdeiros. embora o prazo de encerramento esteja previsto no CPC que é de 6 meses. possuidores e proprietários de uma cota ideal. 3º) o testamenteiro. que só se materializará (ou concretizará) no momento da partilha.112 - . I) e as pessoas jurídicas (de direito público e privado). 1. Mas a lei ainda previu a possibilidade de sucessão aos não concebidos (prole eventual – art. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios na eventualidade de substituição ou direito de acrescer. ou seja. Já a aceitação presumida é a prevista . 5. mas silenciou sobre o respectivo término. minucioso e exato. o direito sobre a herança indivisa. 30 dias da data da abertura da sucessão. Capacidade para suceder São capazes de herdar as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros) no momento da abertura da sucessão. Ele garante a igualdade de quinhões. do cedente para o cessionário. esta é pessoal e intransmissível. A aceitação tácita é a que resulta de atos compatíveis com o caráter dos herdeiros. Aceitação da herança A aceitação da herança pode ser expressa.799. a responsabilidade da herança pelas dívidas do defunto limita-se às suas forças.796) estabeleceu o prazo de instauração do inventário. ou fração ideal. 9. O art. Assim. o fato do herdeiro outorgar procuração ao advogado para acompanhar o inventário). Em outras palavras. Não se trata de uma hipótese freqüente. O direito de preferência dos co-herdeiros tem de ser exercido. abstrata. Através da cessão transfere-se. após a transmissão. Ele também deverá respeitar o direito de preferência dos demais co-herdeiros. 8. Essa possibilidade existe desde a abertura da sucessão. 1. A expressa é a manifestada por escrito (art. Instauração do inventário O CC (art. 1.792 ainda precisa que o herdeiro nunca responde ultra vires hereditatis. ele não responde pelos encargos superiores às forças da herança. 6. Não se transfere a qualidade de herdeiro. 4º) a pessoa de confiança do juiz (inventariante judicial). Até a partilha todos os herdeiros encontram-se frente ao espólio como condôminos. ou sobre o seu quinhão. (Ex. ou seja. O estado de indivisão. 1805).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI o herdeiro (na posse e administração do espólio). Trata-se de uma preferência legal e real. contudo estas hipóteses são restritas à sucessão testamentária. depositado o preço no prazo de 180 dias. desaparece via inventário que. jamais bem singular do acervo. decorrente da abertura da sucessão. O co-herdeiro só cede parte indivisa. 7. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial.

e e) Se o renunciante for o único de sua classe ou se todos os outros da mesma classe renunciarem os filhos poderão herdar por direito próprio e por cabeça A renúncia é irretratável. Transcorrido todo o prazo prescritivo. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. tratando-se de ato jurídico unilateral. da mesma forma que a renúncia. sem herdeiros passam a pertencer ao Município no qual se encontram.820). Os efeitos da renúncia são: a) A renúncia afasta o renunciante da sucessão. 1. declara que não a aceita.113 - . O período que medeia entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do de cujus chama-se jacência. sendo conhecidos renunciaram à herança. devolve-se a herança aos herdeiros da classe subseqüente. 11. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. Localizados no Distrito Federal sãolhe devolvidos e se encontrarem-se nos territórios revertem em favor da União. e c) Tenha sido feita em favor de todos os co-herdeiros. aperfeiçoa-se desde o momento da declaração soberana de vontade. chamado à sucessão. condição ou termo. Importante observar que a aceitação não admite parcialidade. c) Se o renunciante é o único herdeiro da classe. 1810). a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. Castellani no art. Cometti Fernando F. devolvendo-se esta ao Estado. b) A cota do renunciante acresce à dos outros herdeiros (art. não admite revogação pois. 1807 do CC. b) Tenha sido pura e simples (sem termo ou condição). mediante devida habilitação. ou que.Coordenadores: Marcelo T. admissível um ano após a conclusão do inventário (art. Os bens do de cujus. Herança jacente Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. sem a habilitação de qualquer herdeiro. Se em 30 (trinta) dias não se pronunciar o herdeiro. Renúncia da herança É o ato pelo qual um herdeiro. O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. Para que se caracterize é fundamental a ocorrência de três condições: a) Tenha sido gratuita. 10. eventual herdeiro) pode requerer a notificação do herdeiro silente. retroagindo ao momento da abertura da sucessão o renunciante é considerado como se jamais tivesse existido. A jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. No direito pátrio jamais ocorre a aquisição imediata da herança pelo Estado. . Qualquer interessado (credor. O ente público somente adquire a propriedade dos bens hereditários após a declaração de vacância. quanto na sucessão testamentária. Evitando-se que o patrimônio caia no vazio a lei indica o Estado para recolher a herança vaga. presumirse-á aceitação da herança. d) Os descendentes do de cujus não podem representar o renunciante na sucessão do ascendente.

Assim: a) Herdeiros de grau igual: herdam por cabeça b) Herdeiros de grau diferente: herdam por estirpe 14. quando faltarem herdeiros necessários. de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente”. 1829) e o companheiro. Ordem de vocação hereditária O critério da vocação é a proximidade do vínculo familiar. 13. “salvo prova. Em três hipóteses. b) A restituição dos bens que compõem o seu acervo hereditário. 1. com ofensa ao seu direito de herdeiro.829) como sucessores. atribuindo a herança. 1. não estivesse separado judicialmente de de cujus. Sucessão do cônjuge De acordo com o art. qualquer herdeiro pode intentar a ação. A petição de herança tem um duplo objetivo: a) O reconhecimento judicial da qualidade de herdeiro. Para excluí-los da sucessão basta que o testador disponha dos bens. nem deste separado de fato há mais de dois anos.830 o chamamento do cônjuge está condicionado a que. em sua totalidade. Os herdeiros legítimos facultativos são os herdeiros que podem vir a herdar.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 12. recebem uma cota igual da herança. Assim. Conforme dispõe o art. os herdeiros mais próximos excluem os mais remotos (salvo hipótese de representação) e os herdeiros de grau igual. na sucessão legal.114 - . São eles: os descendentes. quem quer que herde. a lei deixa de reconhecer vocação hereditária ao cônjuge. 15. o cônjuge sobrevivente concorre à divisão da legítima. legítima ou testamentariamente. sem os contemplar. b) Se o regime de bens era o da separação obrigatória. Sucessão dos descendentes A sucessão dos descendentes ocorre por cabeça (quando os herdeiros se encontram no mesmo grau de parentesco do de cujus) ou por estirpe (quando herdeiros de graus diferentes). Da petição de herança Trata-se do meio judicial de que se serve o herdeiro excluído para garantir sua qualidade sucessória e natural acesso aos bens herediários. Agora.824 do CC. aos descendentes: a) Se o regime de bens do casal era o da comunhão universal. os ascendentes. todavia. quando herdam em nome próprio. 16. a quem se transmite a totalidade ou cota parte da herança. em igualdade com os descendentes ou ascendentes do falecido. na data do óbito. conforme prevê o inciso I do art.846). Herdeiros legítimos São as pessoas indicadas na lei (art. e . 1. Nesta categoria incluem-se os colaterais até o quarto grau. 1. e o cônjuge sobrevivente (concorrendo com as duas categorias. pode pedir a herança se outrem a possui. neste caso. A existência de herdeiros legítimos necessários impede a disposição testamentária dos bens constitutivos da legítima (art.

b) Adoção Simples – A herança beneficiará os ascendentes naturais. Também aqui haverá herança e meação. Cometti Fernando F. Sucessão na união estável A sucessão do convivente está prevista no art. A ausência de patrimônio particular do de cujus importa serem comuns todos os seus bens: por uma circunstância fática. O convivente somente irá receber a totalidade da herança caso o falecido não tenha deixado nenhum parente suscetível de receber a herança. ao último caberá participar da sucessão em três hipóteses: a) Se o regime de bens do casal era o da separação convencional. c) Se o regime de bens era o da participação final nos aqüestos. e o de cujus tinha bens particulares (caso em que o cônjuge será. a saber: a) Adoção plena . mas ainda vivos seu avô paterno C e seus avós maternos E e F. o princípio da proximidade é a regra. tendo direito a no mínimo 1/3 (um terço) da herança. ao mesmo tempo. 19.). 1790 do CC. 18. 1. Neste montante incluem-se os bens particulares. essa última situação se equipara à primeira (de comunhão universal) e.A herança do filho adotivo devolve-se aos seus pais adotivos (art. aquele livremente adotado pelos cônjuges mediante pacto antenupcial válido. Diante de tais exceções à regra da concorrência entre descendentes e cônjuge. Castellani c) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. incidindo a meação.Coordenadores: Marcelo T. são chamados os seus descendentes. apenas sobre o patrimônio comum).115 - . Sua participação está limitada aos bens adquiridos onerosamente na constância da convivência. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. Se concorrer com descendentes só do falecido receberá metade do que cada descendente receber. 17. sem que o falecido tenha deixado bens particulares. em concorrência com os outros . A nova lei previu. com maior extensão. como se dividirá a herança? C receberá metade da herança cabendo a outra metade a E e F conjuntamente (art. Aqui. Sucessão dos ascendentes Não havendo descendentes. do ECA).836. a sucessão devolve-se aos ascendentes. portanto. o convivente concorrerá à herança com os outros parentes porventura existentes. Quando o cônjuge concorrer com ascendentes. A sucessão do filho adotivo por seus ascendentes cria duas situações distintas. mas não se admite a representação. b) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. isto é. o direito real de habitação sobre o imóvel residencial familiar para o cônjuge sobrevivente (art.C. Não havendo descendentes do falecido. parágrafo 2o. 1. herdeiro e meeiro. obviamente. também. Concorrendo com descendentes comuns receberá quota igual a que for paga ao descendente. E no caso dos pais do de cujus estarem mortos. ficando excluído os bens particulares deixados pelo de cujus. deve merecer igual tratamento. Do direito de representação Trata-se de ficção porque.831). do C. 41. ainda. parágrafo 2o. será irrelevante o regime de bens.

a representação é sem limites. A indignidade é declarada por sentença em ação ordinária (art.853). mas nunca na ascendente.880 do CC). 1.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI descendentes mais próximos do autor da herança. Da indignidade Trata-se da destituição do direito hereditário que a lei impõe ao herdeiro ou legatário que se conduziu mal em relação à pessoa do de cujus. .875 do CC). 1. O prazo é decadencial. indefinição dos representantes que só se conhecerão no momento da abertura da sucessão. 1. logo. 1. Como a indignidade é de natureza estritamente privativa. 1.864 ao art. 1. 1. mas apenas declarativo da incapacidade para suceder. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. A determinação da capacidade é a da feitura do testamento. A representação (art. para depois de sua morte. Testamento Testamento é o ato unilateral e revogável pelo que uma pessoa dispõe. 1. há. A representação é própria da sucessão legítima. 1. o surdo (art. de todos os seus bens ou de parte deles. pois. Na ascendente não há que se falar em representação. O analfabeto (art. Os ordinários são os facultados a todas as pessoas capazes. É de 05 anos o prazo para impugnar a validade do testamento (art.856 que o renunciante à herança de uma pessoa não está impedido de representá-la na sucessão de outra. Os testamentos se dividem em ordinários e especiais. São eles: a) O testamento público: É o ditado pelo testador e lavrado pelo tabelião em livro de notas. pois trata-se de um direito potestativo. 1. A sentença que declara a indignidade não é título constitutivo. c) O testamento particular: É escrito e assinado pelo testador e lido na presença de três testemunhas que o subscrevem (art. Decorre da vontade pessoal do testador.868 ao art. 1. Embora a representação (também chamada substituição legal) tenha muitos pontos em comum com a substituição.876 ao art. Finalmente dispõe o art.867 do CC). b) O testamento cerrado: É escrito e assinado pelo próprio testador ou por alguém ao seu rogo.867) devem usar este tipo de testamento.860. Podem testar os maiores de 16 anos (1.116 - . Na linha descendente. A pretensão por indignidade pode ser proposta pelo legítimo interessado dentro do prazo de 4 (quatro) anos. parágrafo único). completando por instrumento de aprovação lavrado pelo tabelião em presença de duas testemunhas (art.815 do CC).866 do CC) e o cego (art. iniciada ou não a ação extinguese com o falecimento do herdeiro ameaçado (art.859). parágrafo único do CC). 1. Decorre de imposição legal. 20. mesmo antes de aberta a sucessão já se conhece a titularidade do substituto. 21. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas (art. substituindo-o.865 do CC). 1.852) só ocorre na linha reta descendente. a partir da abertura da sucessão (art. 1. Em se tratando de colaterais (linha transversal) só ocorre direito de representação em favor dos filhos de irmãos do falecido. quando com irmãos deste concorrerem (art. sendo o seu efeito retroativo à data da abertura da sucessão. 1. A substituição é própria da sucessão testamentária . com ela não se confunde.815.816 do CC). 1.

1. Castellani Os testamentos especiais são os facultados a certas e determinadas pessoas que se encontram em situações excepcionais. b) Alienação da coisa legada. b) O testamento aeronáutico: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de aeronaves militares ou comerciais (art. 1.917 do CC).918 do CC).896 do CC). 22. Contém disposições sobre: enterro. h) De usufruto (art. Codicilo Trata-se de um ato de última vontade pelo qual o disponente traça diretrizes sobre assuntos pouco importantes. São eles: a) O testamento marítimo: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de navios de guerra ou mercantes. Cometti Fernando F. g) De alimentos (art. ou em praça sitiada ou com as comunicações interrompidas (art.117 - .888 ao art. c) O testamento militar: Feito por militares e demais pessoas a serviço das Forças Armadas. jóias. f) De quitação de dívida (art.912 do CC). 1. 1.916 do CC). destinada a conceder a alguém uma determinada vantagem econômica. 1. . d) De coisa localizada (art. 1. despesas e dádivas de pequeno valor.892 do CC). legado de móveis. Quanto ao objeto os legados são: a) De coisa certa (art. 1.Coordenadores: Marcelo T.919 do CC). 1. c) O herdeiro (incumbido de cumprir o legado). e) De crédito (art. b) De coisa comum (art. Trata-se da caducidade dos legados. i) De imóvel (art. 1. roupas de pouco valor e de uso pessoal. c) De coisa singularizada (art. b) O legatário (a quem o legado beneficia). 1.920 do CC). esmolas de pouco monta a determinadas pessoas ou aos pobres de certo lugar. 1.921 do CC). Só pode ser objeto de legado bem que pertence ao testador. Três são as pessoas que figuram no legado: a) O testador (legante). Cinco são os motivos geradores: a) Modificação da coisa legada. 1.893 ao art. Os legados podem perder sua eficácia.922 do CC). e) Pré-morte do legatário.888 ao art.892 do CC). dentro ou fora do país. c) Perecimento ou evicção da coisa legada. 1. Legado Trata-se da disposição testamentária a título particular. Realizados com as formalidades da lei se apresenta com forma similar ao testamento público ou ao testamento cerrado (art. 1. 23.914 do CC). 1. d) Indignidade.

quando o testador. e 3ª) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário). condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança. Além disso.964 do CC) tem o poder de gerar a deserdação. a deserdação é mais ampla que esta última. e será plural ou coletiva se vários forem os substitutos convocados simultaneamente.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 24. os declara substitutos uns dos outros. Além das causas enumeradas no art. não poder ou não querer assumir a herança ou o legado é que surgiu o instituto da substituição. 26. Mediante fideicomisso (confiança) o testador (fideicomitente) transmite a propriedade resolúvel da coisa a um primeiro beneficiário (fiduciário). Trata-se de um instituto exclusivo da sucessão testamentária. como meio de dar continuidade à cadeia sucessória. A figura da substituição hereditária apresenta várias modalidades: a) Substituição vulgar: Ocorre quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. 1. c) Substituição fideicomissária: É a substituição quando ocorre a transmissão concomitante e sucessiva a duas pessoas. ou.965 do CC) cabendo ao herdeiro provala no lapso temporal de quatro anos. Todavia. ou do legatário.814 também autorizam a deserdação as hipóteses descritas no art. 25. Constitui-se numa simples troca de titulares. Da deserdação É a privação dos herdeiros necessários à legítima e à sucessão testamentária realizada pelo de cujus. O inventário. Três são as características constitutivas da substituição fideicomissária: 1ª) a dupla disposição testamentária. e reciprocamente). 1. ou co-legatários são substituídos uns pelos outros. Das substituições Prevendo a hipótese do herdeiro. se só tiver um substituto ao herdeiro ou legatário instituído. em testamento com declaração de causa. Trata-se de um instituto específico da sucessão testamentária. consistindo este na boa partição .962 do CC. Do inventário O inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros. Só o testamento (art.118 - . deve ser atendido o princípio da igualdade na partilha. Neste caso. instituindo vários herdeiros ou legatários. pode ocorrer quando todos os herdeiros forem capazes e estiverem acordados sobre a partilha dos bens deixados pelo de cujus. porém guarda estreita ligação com a indignidade. O testador só poderá perdoar o deserdado por meio da revogação testamentária. com a obrigação de que esse transfira para um segundo beneficiário (fideicomissário). 1. na forma de arrolamento sumário. o legislador exige a prova da veracidade da causa (art. 2ª) a obrigação de conservar e restituir os bens. 1. A substituição recíproca pode ser geral (quando todos substituem ao herdeiro ou legatário que faltar) ou particular (quando uns herdeiros ou legatários determinados substituem outros determinados. b) Substituição recíproca: Ocorre quando os co-herdeiros. Essa modalidade admite duas formas: será singular.

a cada um dos herdeiros. Os gastos ordinários do ascendente para com o descendente não são colacionáveis. b) Existência de co-herdeiros necessários descendentes. A partilha em vida é possível e ela não se confunde com a doação (art. por não constituírem doação. 2. Os bens sujeitos à colação são: a) Doações e dotes constituídos pelos ascendentes. os bens doados serão avaliados com base no que valiam ao tempo da liberalidade. c) Outros recursos fornecidos pelo ascendente em favorecimento do descendente. em inventário causa mortis e a ser homologado pelo juiz. . Trata-se de um ato anulável e a invalidação deve ser promovida através de ação anulatória. 1. o valor da colação é o que lhe for atribuído no ato de liberalidade e. Sendo incapazes ou inexistindo composição entre os herdeiros. dando-se em bens. não restituído pelo mesmo ou por sucessor universal. determinando-se que outra seja feita. porém foi ciente e conscientemente omitido na descrição dos bens pelo inventariante. 2.Coordenadores: Marcelo T. Da partilha É o ato pelo qual o partidor procede à divisão de um patrimônio entre os interessados. a partilha será sempre judicial (art. 29. formando-se quinhões em partes iguais. nem liberalidade (art. b) Venda de bens ou doações feitas por interposta pessoa. 28.016 do CC). Tem como objetivo restabelecer a igualdade entre herdeiros legitimários. ou doado a herdeiro e não trazido à colação pelo beneficiário com a liberalidade.010 e art.119 - . c) Ocorrência de uma liberalidade em vida. com prazo prescricional de 1 (um) ano. sob pena de ser a partilha anulada. 2. contado nos termos do disposto no parágrafo único do art.018 do CC). na falta desse valor.011 do CC). São pressupostos da colação: a) Ocorrência de sucessão legítima. 2. Cometti Fernando F. De acordo com o disposto no art. uma soma de valores correspondentes a seu direito hereditário.029 do CPC. Castellani da herança. 2. 27. Dos sonegados Sonegado é tudo aquilo que deveria entrar na partilha. Da colação Colacionar é conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima.004 do CC.

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