Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F.

Castellani

Sumário TÍTULO I – PARTE GERAL CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS ............................................................................ CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA ............................................................................... CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO .................................................................................. CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO .......................................................................................... CAPÍTULO V – DOS BENS ............................................................................................. TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .............................................................. CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS .................................................. CAPÍTULO III – CONTRATOS EM ESPÉCIE ................................................................ CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................ TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS CAPÍTULO I – POSSE ...................................................................................................... CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS .................................................................................. CAPÍTULO III – PROPRIEDADE .................................................................................... CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA ...................................... CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA ..................................................... TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO ......................................................................................... CAPÍTULO II – PARENTESCO ....................................................................................... CAPÍTULO III – FILIAÇÃO ............................................................................................. CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL ............................................................................... CAPÍTULO V – ALIMENTOS ......................................................................................... 87 97 99 103 105 71 73 75 79 83 31 49 53 67 3 9 15 25 27

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Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA ...................................................................... 107 CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES .............................................................. 111

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO I - PARTE GERAL

CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS

1. Conceito de personalidade jurídica A personalidade jurídica é um atributo essencial para ser sujeito de direito (art. 1º do CC). Para a teoria geral do direito civil a personalidade é uma aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações. Todavia, a noção de aptidão, ou seja, qualidade para ser sujeito de direito, conceito aplicável tanto às pessoas físicas como às pessoas jurídicas não é o único sentido técnico de personalidade. Num sentido valorativo, a personalidade traduz o “conjunto de características e atributos da pessoa humana, considerada objeto de proteção privilegiada por parte do ordenamento, bem jurídico representado pela afirmação da dignidade humana” (Gustavo Tepedino, Heloisa Helena Barbosa, Maria Celina Bodin de Morais. Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Rio de Janeiro: Revonar, 2004, p.04). Resumindo os dois sentidos técnicos que envolvem o conceito de personalidade jurídica podemos afirmar que: a) ela significa a possibilidade de alguém ser titular de relações jurídicas, como forma de expressão da dignidade da pessoa humana e, b) objeto de tutela privilegiada pela ordem jurídica constitucional. 2. Início da personalidade jurídica da pessoa natural O início da personalidade é marcado pelo nascimento com vida, conforme dicção do art. 2º do CC. Clinicamente o nascimento é aferível pelo exame de docimasia hidrostática de Galeno. Em consonância com o texto do art. 2º do CC, a doutrina majoritária defende que o Direito Civil positivo adotou a teoria natalista para o início da personalidade jurídica. Nessa linha, o nascituro, ente concebido, mas não nascido, não passa de uma potencialidade de direitos. Em sentido contrário, por influência do Direito francês, surge a teoria concepcionista pela qual o nascituro adquiriria personalidade jurídica desde a concepção, sendo, assim, considerado pessoa. Aqui o nascimento não é condição para que a personalidade exista, mas para que se consolide. 3. Proteção jurídica do nascituro Nascituro é o ente já concebido, mas ainda não nascido. Deixando de lado as discussões teóricas sobre o início da personalidade jurídica, é certo que a segunda parte do art. 2º do CC expressamente “põe à salvo os seus direitos”. Assim, pode-se afirmar que na legislação em vigor o nascituro: a) É titular de direitos personalíssimos (como o direito à vida); b) Pode receber doação, conforme dispõe o art. 542 do CC: “A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita por seu representante legal”; c) Pode ser beneficiado por legado e herança (art. 1798 do CC); d) Pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses (arts. 877 e 878 do CPC); e) O Código Penal tipifica o crime de aborto;

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A capacidade de direito não se confunde com a capacidade de fato. coma). 4. I) – Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no. em 2002. tais como o nome. 3º. 4º. a qual se refere à aptidão para a prática em geral. é exatamente o patrimônio da família. Todo ente com personalidade jurídica possui também capacidade de direito. e) Os pródigos (art. ao contrário da capacidade. ao contrário da capacidade de direito possui estágios definidos no próprio Código Civil. Da capacidade de fato distingue-se a legitimidade (ou legitimação). sem a interferência de terceiros na qualidade de representantes ou assistentes. tendo em vista o comprometimento do seu quadro cognitivo. b) Os ébrios habituais e os viciados em tóxico (art. sem prejuízo de sua salutar inserção no meio social. III) – São elementos para a configuração dessa forma de incapacidade o caráter temporário e a impossibilidade total de expressão da vontade. I). já que o que se protege. Trata-se de um divisor quantitativo de compreensão do indivíduo. Ela nada mais é do que a habilidade para praticar de forma autônoma. os quais deverão ser verificados cumulativamente. 4º. c) Os que por causa transitória não puderem exprimir sua vontade (art. aprovado na Jornada de Direito Civil. seus direitos civis. os adolescentes até os 16 também são reputados absolutamente incapazes. IV) – Esta modalidade de incapacidade deve ser decretada judicialmente por requisição do cônjuge ou familiar. (ex. 3º. imagem e sepultura”. a saber: a incapacidade em absoluta e a relativa. Entretanto. e não apenas o patrimônio do -4- . b) Aqueles que sofrem de doença ou deficiência mental (art. ou seja. também chamada de capacidade de exercício. 4º. A capacidade de fato. 4º do CC são considerados relativamente incapazes: a) Os maiores de 16 e menores de 18 anos (art. De acordo com o art. É bom lembrar que o enunciado 01. Nesta hipótese a incapacidade deve ser reconhecida por meio da ação de interdição. II). promovida pelo CEJ (Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal). com a incapacidade do pródigo. Esta é uma forma específica de exercício de determinados atos da vida civil. Ele distingue duas modalidades de incapacidade. II). tendo em vista que não se nega ao indivíduo a qualidade para ser sujeito de direito. 4º. 4º. Personalidade e capacidade jurídica são as duas faces de uma mesma moeda. até os 12 anos de idade incompletos considera-se a pessoa criança. 8069/90). afirmou que “a proteção que o Código Defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos de personalidade. pode ser entendida como a medida da intensidade da personalidade. c) Os deficientes mentais que tenham o discernimento reduzido (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI f) Tem direito a alimentos. d) Os excepcionais sem desenvolvimento mental completo (art. 3º. Capacidade de direito e capacidade de fato Por capacidade de direito. III) – A previsão da incapacidade relativa dos excepcionais tem como propósito proteger os atos praticados pelos agentes nessas situações. também conhecida como capacidade de gozo ou capacidade de aquisição. Este conceito se relaciona com as condições pessoais que determinado indivíduo reúne para exercer pessoalmente seus direitos. 3º do CC são considerados absolutamente incapazes: a) Os menores de 16 anos (art.177 ao artigo 1186 do CPC. prevista nos artigos 1. De acordo com o art. II) – Trata-se de uma hipótese que o indivíduo é atormentado por uma patologia que o impede de praticar atos no comércio jurídico.

em função deles. e praticar. conforme se depreende da leitura do art. em geral. de ofício. Cometti Fernando F. c) Emancipação legal – Ocorre em razão de situações descritas na lei. tendo em vista que o código civil remete a matéria para a legislação especial (art. Castellani pródigo. na hipótese de um menor posto sob tutela. ou um deles na falta do outro. II). 5º do CC nos traz as seguintes situações: 1. parágrafo único. o menor tenha economia própria. desde que o menor haja completado 16 anos (CC art. Emancipação Trata-se de um uma hipótese de antecipação da aquisição da capacidade civil plena antes da idade legal. demandar ou ser demandado. a exemplo da arteriosclerose. I. Sobre a capacidade dos índicos está será regulada pela Lei no. necessariamente. 4. desde que. A expressão economia própria deve ser entendida no sentido de caracterização de renda suficiente por meio do estabelecimento ou do emprego para a sobrevivência da pessoa. O art. sem curador. se não constar dos autos haver sido efetuado este em oito dias. caso não seja encontrado até 02 dois anos após o término da guerra (CC art. 6.015/73 (Lei de Registros Públicos). sendo o fato levado a registro. ou a existência de relação de emprego. cuja prova se faz através da certidão extraída do assento de óbito. 5º. os atos que não sejam de mera administração”. Nesse caso.Colação de grau em curso de ensino superior. 77 e 78 da Lei no. nos termos dos arts. I). Não se admite no ordenamento pátrio a hipótese de morte civil ou qualquer outro modo de perda da personalidade sem vida. parágrafo único. de acordo com o nível social em que está inserida. Antes da sentença o tutor será. o juiz deverá comunicar a emancipação ao oficial de registro civil. Trata-se de ato irrevogável.. dar quitação. 7º. ressalvada a hipótese de a senectude gerar um estado patológico. emprestar. alienar. -5- . ressalvada a possibilidade de suas testemunhas o fazerem se faltar o especialista. 6. sob a forma de instrumento público.Estabelecimento civil ou comercial. II).001/73 (Estatuto do Índio). De acordo com o art.Exercício de emprego efetivo. 7º. 5. primeira parte). A primeira trata da probabilidade extrema de morte daquele que se encontre em perigo de vida. A morte deverá ser atestada por profissional de medicina. Extinção da personalidade jurídica da pessoa natural A morte é o momento no qual a personalidade se extingue. Três são as formas de emancipação: a) Emancipação voluntária – É aquela concedida por ato unilateral dos pais em pleno exercício do poder parental.Coordenadores: Marcelo T. 2. ouvido pelo magistrado (Código Civil art.O Casamento. 3. A segunda hipótese trata dos desaparecidos em campanha de guerra ou feito prisioneiro. Todavia é possível cogitar de uma presunção de morte. 5º. segunda parte). transigir. 1782 do CC “a interdição do pródigo só o privará de. hipotecar. parágrafo único). 4º. 6. 9º. O referido dispositivo trata de duas hipóteses de morte presumida. I. (CC art. independentemente de homologação judicial. b) Emancipação judicial – Realiza-se mediante uma sentença judicial. É bom lembrar que a senilidade não é causa de restrição da capacidade. 7º do CC. Para surtir os efeitos legais a escritura pública de emancipação deverá ser registrada no Cartório de Registro das Pessoas Naturais (CC art.

conhecida também como comoriência. Essa cautela de exigência de garantia é excepcionada. IV. enfim. parágrafo 2º do CC). os que tiverem sobre os bens do ausente direito pendente de sua morte. o CC no art. preferindo os mais próximos aos mais remotos. nem representante ou procurador. Atente-se que não caberá nomeação de curador se não houver bens para administrar. b) Sucessão provisória: De acordo com o art. quem tem a posição de herdeiro do outro. em se passando 03 anos. se ele deixou representante ou procurador. sem linhas gerais. 4) Qualquer pessoa à escolha do magistrado. Na nomeação o juiz deverá fixar os poderes e obrigações do curador. A ausência é um processo no qual a proteção dos bens do desaparecido dá lugar à proteção dos interesses dos sucessores. 1728 e seguintes do CC). a requerimento dos interessados na administração (cônjuge. sem deixar notícias. os herdeiros presumidos. Consideram-se interessados na abertura o cônjuge ou companheiro. as quais. porém. nomeando curador. hipótese que se limita à previsão do art. Por fim. Este processo tem três estágios. estabelecendo uma ordem legal estrita e sucessiva. podendo ser ilidida por prova que estabeleça a precedência da morte de um dos envolvidos. descendentes e o cônjuge. 3) descendente. observa-se que a curadoria dos bens do ausente não se confunde com a curadoria da herança jacente (arts. a saber: 1) o cônjuge (também o companheiro). Ausência das pessoas naturais Ausente é aquele que desaparece de seu domicílio. conforme a menor possibilidade de reaparecimento do ausente: a) Declaração da ausência e curadoria dos bens: Com o desaparecimento de uma pessoa. Finalmente. ou seja. mediante arrecadação de seus bens (art. 8º trata da hipótese de morte simultânea. com a declaração de ausência. surge uma massa de bens de bens sem que tenha alguém para administrá-la. na transmissão dos direitos entre os sucessores e sucedidos. parente sucessível) ou do Ministério Público. 9º. -6- . 2) pais do ausente (genitores). em relação aos ascendentes. ou de fato por mais de dois anos antes da declaração de ausência. A nomeação não é discricionária. 26 do CC decorrido 01 ano da arrecadação dos bens do ausente. do CC a sentença declaratória de morte presumida deverá ser inscrita em registro público. para caracterizar a ausência a não-presença do sujeito deve somar-se com a falta de notícias. segundo a qual se determina a morte simultânea daqueles que falecem na mesma ocasião. 1160 do CPC). sem que dele se tenha notícias. os credores de obrigações vencidas e não pagas. legítimos ou testamentários. garantia pignoratícia ou hipotecária de restituí-los (art. o Poder Judiciário reconhecerá tal circunstância. que passará a gerir os negócios do ausente até o seu eventual retorno. O sucessor provisório recebe os bens que caibam no seu quinhão. se não tiver separado judicialmente. 30. 1819 e seguintes do CC).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Por força do estabelecido no art. em regra.. Cuida-se de uma presunção juris tantum. dando. O interesse no tratamento do tema justifica-se pela implicância de tal fato na ordem de vocação no plano da sucessão. companheiro. ou. seguirão os princípios a respeito dos tutores e curadores (arts. 23 do mesmo diploma. 7. uma vez provada sua condição de herdeiro (art. poderão os interessados requerer que se abra provisoriamente a sucessão. Assim. Portanto. de forma a dar publicidade ao acontecimento. 30 do CC).

ou ao inventário e partilha dos bens. 33. 33. do Distrito Federal ou da União. como se o ausente tivesse falecido. os herdeiros necessários empossados (art. ou quando houver certeza da morte do ausente (arts. Castellani A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeitos 180 após sua publicação e trânsito em julgado. com prestação anual de contas ao juiz competente. Porém. poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e levantamento das cauções. 28 do Código Civil.Coordenadores: Marcelo T. se de 05 datam suas últimas notícias. que deverão. se não regressar e nenhum herdeiro tiver promovido a sucessão definitiva. caso existente. não se desfazendo as aquisições realizadas. Mas a propriedade assim adquirida considera-se resolúvel. Seja qual for o caso os direitos de terceiros são respeitados. c) Sucessão definitiva: Decorridos 10 anos do trânsito em julgado da sentença que concedeu a abertura da sucessão provisória. capitalizar metade desses bens acessórios. se o ausente regressar depois de passados os 10 anos nada recebe. Se o ausente aparecer nos dez seguintes à abertura da sucessão definitiva. Porém. os bens serão entregues no estado em que se acharem. como forma de sanção ao comportamento negligente daquele. ou quando o ausente completar 80 anos de idade. de acordo com o art. serão os bens arrecadados como vagos passando à propriedade do Município. ou os que se sub-rogarem neles. Reversamente. parágrafo único do CC). necessariamente. Na forma do art. se a ausência foi voluntária e injustificada. 37 e 38 do CC). Depois desse período proceder-se-á à abertura do testamento. Cometti Fernando F. os o preço de sua alienação. 1845 do CC) terão direito subjetivo a todos os frutos e rendimentos dos bens que lhes couberem. o que não acontecerá com os demais sucessores. o ausente perde direito ao montante acumulado em favor dos sucessores (art. -7- .

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O ato deverá ser escrito. b) Observância das condições legais – É a lei que determina a forma a que obedece aquela declaração de vontade. com exceção dos casos especiais tratados no CC. como um animus. Caracteres gerais da pessoa jurídica Por diversas razões. para ser eficaz. vontade eminentemente criadora que. por meio da desconsideração. o ato de atribuir personalidade não seria arbitrário. análoga à pessoa física. em situações excepcionais admitidas por lei.È a vontade gregária que marca o surgimento das pessoas jurídicas. ou seja. Contudo.Coordenadores: Marcelo T. por isso mesmo. Para esta teoria as pessoas jurídicas possuem tanto um corpus. manifestada nas associações e nas sociedades pela vontade do grupo componente e nas fundações pela de seu criador. A melhor doutrina entende que a teoria da realidade técnica é a que melhor explica o tratamento dispensado à pessoa jurídica por nosso ordenamento.Por óbvio não é possível reconhecer validade a um ente que atue em descompasso com o ordenamento jurídico que possibilitou seu surgimento. assim. Teorias sobre a natureza da pessoa jurídica Diversas são as teorias que tentam explicar a caracterização das pessoas jurídicas. mas à vista de uma situação concentra. c) Liceidade de seu propósito . Cometti Fernando F. pois a personificação dos grupos se opera por construção jurídica. para a constituição ou o nascimento da pessoa jurídica é necessária a conjunção de três requisitos: a) Vontade humana criadora . 2. recebe do ordenamento personalidade jurídica. b) Teoria orgânica ou da realidade objetiva – Seus partidários entendem que a pessoa jurídica é uma realidade viva. com vistas à realização de seus objetivos. viabilizando a sua atuação autônoma e funcional. é simplesmente uma ficção. A análise do art. 3. para garantir a subsistência e realizar seus propósitos. podendo. franqueando aos indivíduos a adoção de instrumento particular ou exigindo o instrumento público. O grupo. construção da técnica jurídica. de fato. 45 do CC permite afirmar que a personificação da pessoa jurídica é. cuja existência. as quais refletem a evolução deste instituto ao longo da história. Surgimento e início da personalidade da pessoa jurídica O surgimento da pessoa jurídica de direito privado se dá em dois estágios distintos. inclusive de natureza social e antropológica. rejeitando a tese ficcional para considerar os entes coletivos como uma realidade. Castellani CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA 1. deve emitir-se na conformidade do que prescreve o direito positivo. que é a idéia dominante. que administra e mantém a entidade em contato com o mundo. daí porque a liceidade é imprescindível à vida da pessoa jurídica. O primeiro ocorre com a exteriorização da manifestação de vontade que permite a criação e a elaboração do ato de constituição. independentemente de qualquer autorização estatal. que não seria objetiva. As principais são: a) Teoria da ficção – Segundo essa concepção o direito concebe a pessoa jurídica como uma criação artificial. c) Teoria da realidade técnica – Esta teoria situa a pessoa jurídica como produto da técnica jurídica. o homem tende a agrupar-se. operar-se a suspensão legal de seus efeitos. inclusive. podendo se revestir -9- .

seria aquela organizada por escrito. todavia. 45 do CC. seja ele formal ou substancial. de affectio societatis. aos legítimos interessados cabe o direito potestativo de anular a constituição da pessoa jurídica. em primeiro lugar pela desnecessidade. Em segundo lugar. mas sem a necessária inscrição dos atos constitutivos no registro peculiar. No caso de defeito no ato constitutivo. testamento ou herdeiro legítimo notoriamente conhecido. que requerem instrumento público ou testamento. nem formalização desta. f) às condições gerais na hipótese de extinção. carecendo. Ocorrendo esta. porque não há manifestação de vontade neste sentido. eminentemente declaratório da condição de pessoa. d) ao esclarecimento se o ato constitutivo é passível de modificação no que concerne à administração e ao seu modo de atuar. b) Espólio – Este consiste no patrimônio deixado pelo de cujus e compreensivo do conjunto de direitos e obrigações. o patrimônio deverá ser incorporado aos bens da União. 1819 prevê a hipótese de alguém vir a falecer. deixando acervo de bens sem.10 - . desprovida de personalidade. uma vez que a ordem jurídica o instrumentaliza com os recursos jurídicos suficientes à administração de seus interesses. É com a sentença declaratória de falência que surge a massa falida. inclusive a destinação do patrimônio. A situação configura o instituto da herança jacente. Este se refere: a) identificação da pessoa jurídica segundo a sua denominação e fins. tempo de duração e fundo social. mas com capacidade para se obrigar perante terceiros. por ser atributivo de personalidade. 46 do CC dispõe sobre os dados a serem anotados na inscrição. Os bens permanecerão nesta condição até a sua entrega aos herdeiros que vierem a se habilitar ou à declaração de sua vacância. incluindo a representação junto às esferas judicial e extrajudicial. pois. d) Condomínio – Dá-se a figura do condomínio quando mais de uma pessoa possui a titularidade do domínio de um bem. É preciso pôr em sinal a existência de outras entidades despersonalizadas.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI de forma pública ou particular. Na doutrina do direito comercial a sociedade de fato seria aquela que funciona sem que houvesse sido reduzido a termo o seu estatuto ou contrato social. O art. local da sede. b) aos nomes e qualificações dos fundadores ou instituidores e dos diretores. e) à informação se os membros da pessoa jurídica respondem subsidiariamente pelas obrigações sociais. O fato jurídico que faz surgir é o evento morte e a sua extinção se opera com o fato jurídico da partilha de bens entre os herdeiros. se houver. Abre-se o segundo estágio em razão da adoção do sistema das disposições normativas. 45 do CC exige o registro do ato de constituição. O condomínio não chega a ser uma pessoa jurídica. além das chamadas sociedades de fato ou irregulares: a) Massa Falida – Se refere ao acervo patrimonial que pertencia à empresa declarada judicialmente falida. cuja titularidade é exercida pela figura do inventariante. por sua vez. O prazo é decadencial. porquanto o art. como destaca o próprio texto do parágrafo único do art. já adquirida no instante do nascimento com vida. O registro tem natureza constitutiva. c) às normas básicas de administração. . do Estado ou do Distrito Federal. A falta do registro implica no surgimento de entidades de fato ou irregulares. salvo nas hipóteses das fundações. diferentemente do registro civil de nascimento da pessoa natural. Entre esses dois momentos – morte e partilha – impõe-se administração do acervo de direitos e obrigações. c) Herança jacente e vacante – O CC no art. a sociedade irregular.

5. Em verdade. § 2º do CC). os seus direitos a um terceiro (adquirente ou herdeiro). sob pena de ineficácia” (Pablo Stolze Gagliano. Capacidade e representação da pessoa jurídica A capacidade da pessoa jurídica é. mais técnico seria falar em presentação da pessoa jurídica. o titular de quota ou fração ideal do patrimônio poderá transmitir. 44 do CC prevê cinco espécies de pessoa jurídica de direito privado. moldada a partir da técnica jurídica. 2º) destituir os adminitradores. Novo Curso de Direito Civil. O estatuto social das associações deverá observar para a sua validade os requisitos indicados no art. Ela possui poderes deliberativos e o art. e. no silêncio deste. sem existência biológica ou orgânica. esse ente social não poderá. praticar todos os atos jurídicos admitidos para a pessoa natural. “O seu campo de atuação jurídica encontra-se delimitado no contrato social. de fins idênticos ou semelhantes. Isto é. omisso este. Todavia. Na falta dessas. a sociedade ou a associação age. portanto. ou. Rodolfo Pamplona Filho. o patrimônio líquido. à instituição municipal. Por se tratar de um ente cuja personificação é decorrência da técnica legal. A receita gerada deve ser revertida em benefício da própria associação visando à melhoria de sua atividade. 61. faz-se presente. será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto. por óbvio. 57 do CC). e na estrita forma do estatuto social (art. por não poder atuar por si mesma. por ato inter vivos ou mortis causa.208). 2004. Trata-se de um conteúdo mínimo que poderá ser. Vol I. a associação não está impedida de gerar renda. poderá apreciar a existência de motivos graves. São elas: a) Associações: São entidades formadas pela união de indivíduos com o propósito de realizarem fins nãoeconômicos. ampliado. especialmente convocada. Considerando sua estrutura organizacional. São Paulo: Saraiva. é permitido aos respectivos membros. os bens remanescentes serão devolvidos à Fazenda do Estado. Cometti Fernando F. 56 do CC). 59 do CC estabeleceu-lhe competências absolutas: 1º) eleger os administradores. por deliberação dos associados. Castellani 4. havendo autorização estatutária. Espécies de pessoas jurídicas de direito privado O art. exige órgãos de representação para poder atuar na órbita social. nos estatutos ou na própria lei. 3º) aprovar contas. pelo fato de não perseguir escopo lucrativo. Por cláusula do estatuto ou. Não deve. A lei considerou intransmissível a qualidade de associado (art. especial. prevê o § 1º do art. por deliberação dos associados.Coordenadores: Marcelo T. A exclusão do associado só ocorre ocorrendo justa causa. Essas pessoas praticam atos como se fosse o próprio ente social. por meio das pessoas jurídicas que compõem os seus órgãos sociais e conselhos deliberativos. a assembléia geral. que passará à condição de associado. eventualmente. A assembléia geral é o órgão máximo das associações. e 4º) alterar o estatuto. Ocorrendo a dissolução da associação. 54 do CC. porém os seus membros não pretendem partilhar lucros ou dividendos. dada a sua estrutura. Note-se que. estadual ou federal. 61. em deliberação fundamentada e por maioria absoluta dos presentes. do Distrito Federal ou da União (art. decidir pela aplicação da sanção. Mesmo não cuidando o estatuto de elencar as condutas que entende passíveis de exclusão do associado. como ocorre entre os sócios nas sociedades civis e empresárias. a pessoa jurídica. p. por sua própria natureza.11 - . praticar atos ou celebrar negócios que extrapolem da sua finalidade social. antes da destinação do remanescente a .

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI entidades congêneres. objetivando a satisfação do terceiro lesado junto ao patrimônio dos próprios sócios. tendo autonomia para definir sua estrutura interna. as sociedades podem ser simples ou empresárias. quando o próprio instituidor o faz. receber em restituição. 3) Elaboração dos estatutos (Há duas formas de instituição da fundação: a direta. Norma de teor semelhante existe também no CDC no art. 3) sociedade limitada. 44 do CC garante-lhes liberdade de criação. que passam a ter responsabilidade pessoal pelo ilícito causado. b) Sociedades: São as entidades formadas pela união de pessoas que exercem atividade econômica e buscam o lucro como objetivo. c) Fundações: São entidades resultantes de uma afetação patrimonial. 50 do CC prevê a desconsideração. quando confia a terceiro a organização da entidade). abuso. 4) sociedade anônima. que faz o seu instituidor. Contudo. ou a fiduciária. por testamento ou escritura pública. há uma série ordenada de etapas que devem ser observadas. organização e funcionamento. especificando o fim para o qual se destina. 2) sociedade em comandita simples. Para a criação de uma fundação. organização. 44 do CC estabelece que os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto na Lei n. com recurso ao juiz competente. 4) Aprovação dos estatutos (É o órgão do Ministério Público que deverá aprovar os estatutos da fundação. . em caso de divergência). pessoalmente. ou simples desvio de função. a saber: 1) Afetação de bens livres por meio do ato de dotação patrimonial. 28. 5) Realização do registro civil. Desconsideração da personalidade jurídica O art. as contribuições que houverem prestado ao patrimônio da entidade. As formas societárias previstas no nosso ordenamento são: 1) sociedade em nome coletivo. 17 da CF). d) Partidos Políticos: São entidades com liberdade de criação. sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos. e) Organizações religiosas: São entidades que muito se assemelham às associações. e) sociedade em comandita por ações.12 - . O § 3º do art. 9.096/95. em caso de fraude. 2) Instituição por escritura pública ou testamento. Outras espécies como as cooperativas e as entidades desportivas não foram previstas neste dispositivo 6. Do art. 44 do CC não é um rol taxativo. estruturação interna. Dependendo do tipo de atividade realizada. O art. em valor atualizado. a qual pode ser entendida como um mecanismo que pretende a supressão temporária da personalidade jurídica da sociedade. o § 1º. devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidária (art.

b) Administrativa – Ocorre quando a autorização para o funcionamento da pessoa jurídica é cancelada. seguir-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. Extinção da pessoa jurídica O fim da pessoa jurídica poderá ocorrer por causas diversas. Para tanto devem ser observadas as normas previstas no estatuto ou contrato social. é dos administradores.Coordenadores: Marcelo T. e não prevendo o seu ato constitutivo o prosseguimento das atividades por intermédio dos herdeiros. em primeiro lugar. d) Fato natural – Ocorrendo o fato jurídico morte dos membros de uma sociedade. c) Judicial – A iniciativa para a dissolução da pessoa jurídica. Cometti Fernando F. A dissolução deverá ser averbada no registro respectivo e. mas em qualquer hipótese a personalidade subsistirá até que se ultime a liquidação e se proceda a anotação devida. uma vez encerrada a liquidação. que dispõem do prazo de trinta dias contado da perda da autorização. . Castellani 7. A dissolução das pessoas poderá ser: a) Convencional – A mesma liberdade que permitiu aos sócios a criação da pessoa jurídica pode levá-los à extinção desta.13 - . ou de sócio que tenha exercitado o direito de pedi-la na forma da lei. o resultado será a extinção da pessoa jurídica.

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O direito eventual. Essas medidas. Renan. indistintamente considerados. c) A título universal ou singular – se o adquirente substitui o sucedido na totalidade (ou em quota-parte) de seus direitos ou apenas de uma ou algumas coisas determinadas. O ordenamento atribui a um fato uma qualificação e uma disciplina. seria todo o acontecimento natural ou humano capaz de criar. de um direito adquirido. [coordenação Everaldo Augusti Cambler]. ainda. em relação à expectativa de direito. “Fatos jurídicos são. é importante distinguir os direitos futuros. d) Simples ou complexa – Se o fato gerador da relação jurídica se constituir em um único ato ou numa necessária simultaneidade ou sucessividade de fatos. São Paulo: RT. Conceito de fato jurídico lato sensu Os acontecimentos. podem ser sistematizadas da seguinte forma: . modificativos. 2. uma vez que ainda não foi incorporada ao patrimônio jurídico da pessoa. constitui o ponto de confluência entre a norma e o dever ser da realidade: é o modo pelo qual o ordenamento jurídico encontra real atuação. pelo fato de não se terem realizado todos os elementos básicos exigidos pela norma jurídica. 199). b) Gratuita ou onerosa – de acordo com a existência ou não de uma contraprestação para a aquisição do direito. o direito condicional é aquele que somente se perfaz se ocorrer determinado acontecimento futuro e incerto. à realização da avença. que.15 - . Assim. de tal sorte que ocorrendo concretamente o fato. aqueles fatos a que o direito atribui relevância jurídica. 2003. A título de complementação. no sentido de mudar as relações anteriores a eles e de configurar novas situações. de caráter muitas vezes acautelatório.Coordenadores: Marcelo T. por si só. Cometti Fernando F. caso estes sejam ameaçados por quem quer que seja. A expectativa de direito é mera possibilidade de sua aquisição. porém. fato jurídico. de fatos jurídicos ou fatos jurígenos. em sentido amplo. do direito eventual e do direito condicional. podemos lembrar o direito à sucessão legítima. conservar ou extinguir relações jurídicas. Um exemplo é a fase de tratativas para celebração de um contrato. por sua vez. Curso Avançado de Direito Civil: Vol 1. p. Por fim. Castellani CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO 1. Como exemplo. sem interposição ou transferência de outra pessoa. embora protegido pelo ordenamento jurídico. Efeitos aquisitivos. ou historicamente. só se consolida com a morte do autor da herança. conservativos e extintivos do fato jurídico 1) Aquisição de direitos – Ocorre quando se dá sua conjunção com seu titular. 2) Conservação de direitos – Atos praticados para o resguardo (defesa) de direitos. Assim. não estando amparada pela legislação em geral. a que correspondem novas qualificações jurídicas” (LOTUFO. portanto. refere-se a situações em que o interesse do titular ainda não se encontra completo. em que não há falar. em sentido amplo (lato sensu). modificar. surge a propriedade quando o bem se subordina a um dominus. que geram direitos subjetivos são chamados. A aquisição de direitos tem sido analisada das seguintes formas: a) Originária ou derivada – de acordo com a existência ou não de uma relação jurídica anterior com o direito ou bem objeto da relação.

etc. a morte. 10ª. a decadência. a ação de vontade. 280. da CF). 5º. cotidiana: o nascimento. 3) Extinção de direitos – Como tudo na vida. turbação ou esbulho de seu direito. como é o caso do interdito proibitório. uma enchente. a constituir. Fato jurídico em sentido estrito São todos os acontecimentos naturais que determinam efeitos na órbita jurídica. o atendimento a certos requisitos mínimos. 112 do C. refletindo-se no art. como se dá no negócio jurídico (um contrato. no exercício do direito constitucional de ação (art. o ajuizamento de ações cognitivas ou executivas.). não existe propriamente um declaração de vontade manifestada com o propósito de atingir. para apreender sistematicamente o tema faz-se mister analisá-lo sob os três planos em que o negócio jurídico pode ser visualizado: a) Plano de existência – Um negócio jurídico não surge do nada. p. a prática de atos de autotutela. Negócio jurídico O negócio jurídico é entendido pela corrente voluntarista (dominante no direito brasileiro.16 - . exigindo-se. por exemplo. que determina a produção de efeitos legalmente previstos. os efeitos jurídicos pretendidos pelo agente (como no negócio jurídico). constitui simples manifestação de vontade. costumeira. às vezes imprevisíveis: um terremoto. sem conteúdo negocial. dentro do campo da autonomia privada. c) Atos de defesa preventiva – Antes mesmo da violação (mas diante da sua ameaça evidente) é possível o ajuizamento de procedimentos próprios para uma defesa preventiva. por exemplo). o abandono. também os direitos podem extinguir-se. o desforço incontinenti (art. b) Atos de defesa do direito lesado – Tendo ocorrido a violação ao direito. por exemplo. o caso fortuito e a força maior. modificar ou extinguir uma relação jurídica” (GOMES.. parágrafo 1º do CC). a ordem jurídica admite. ou. Neste tipo de ato. como. de acordo com a lei. no ato de fixação do domicílio. Neste plano “não . o decurso do tempo. como é o caso do perecimento do objeto. 1993. 3.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI a) Atos de conservação – Atos praticados pelo titular do direito para evitar o perecimento.) como uma “declaração de vontade dirigida à provocação de determinados efeitos jurídicos. b) Extraordinários – São fatos inesperados. Orlando. d) Ocorrida a violação. Ato jurídico em sentido estrito O ato jurídico em sentido estrito. 5. na definição do Código da Saxônia. Rio de Janeiro: Forense. Note-se que o elemento caracterizador dessa categoria reside na circunstância de que o agente não goza de ampla liberdade de escolha na determinação dos efeitos resultantes de seu comportamento. 4. mas sim um simples comportamento humano deflagrador de efeitos previamente estabelecidos por lei. para tanto que seja considerado como tal. sempre excepcionalmente. XXXV. que se dirige. Os fatos jurídicos em sentido estrito subdividem-se em: a) Ordinários – São fatos da natureza de ocorrência comum. É o que ocorre.C. 1210. Com efeito. Introdução ao estudo do direito civil.

portanto. ao tempo que foi celebrado. também. a alienação de um imóvel situado na lua. o que significa dizer não ser proibido pelo direito e pela moral. 104 enumera os pressupostos de validade do negócio jurídico: a) agente capaz. nos termos do art. Todo objeto deve. aqui. 117 – Salvo se o permitir a lei ou o representado. Tudo. o objeto deve. determinado ou determinável. c) forma prescrita ou não defesa em lei. uma vez que a forma pública é indispensável para a validade do ato. ou seja. Sobre o tema. figura outra importante categoria: a dos negócios ad probationem. por força da adoção no C. Teoria do Fato Jurídico (Plano da Existência). A representação. a realidade da existência. com preceitos genéricos aplicáveis tanto à representação legal.C. ao negócio jurídico consigo mesmo.C. do princípio da liberdade da formas. p.” A licitude para a validade do negócio jurídico traduz a idéia de estar o objeto dentro do campo de permissibilidade normativa. uma vez que não se poderia reconhecer validade a um negócio que tivesse por objeto uma prestação naturalmente irrealizável. em último plano. conter elementos mínimos de individualização que permitam caracterizá-lo. como se vê do art.Coordenadores: Marcelo T. A lei civil dispõe sobre três tipos de elementos acidentais: 1) Condição – Elemento voluntário que subordina o nascimento ou extinção do direito subjetivo a acontecimento futuro e incerto. quando o valor do contrato exceder o décuplo do maior salário mínimo vigente no país. por não ser essencial. Além do campo da licitude. trouxe à tona um capítulo inteiramente dedicado ao instituto da representação. isto não importa em produção imediata de efeitos. apesar de a forma não preponderar sobre o fundo. Parágrafo único – Para esse efeito.) b) Plano de validade – O C. ainda. Sobre o tema da capacidade o C. c) Plano de eficácia – Ainda que um negócio jurídico existente seja considerado válido. como regra geral. Castellani se cogita de invalidade ou eficácia do fato jurídico. Por fim. tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido substabelecidos. Ao lado do negócio ad solemnitatem. Deve. com isso. sob pena de se prejudicar não apenas a validade. apenas. 2000. vale observar a restrição legal sobre o autocontrato. pois. respeitar as leis naturais. por exemplo. a exemplo do testamento e dos contratos constitutivos ou translativos de direitos reais imóveis acima do valor consignado em lei. para que o negócio jurídico. outrossim. ao menos. b) objeto lícito. determinável. fisicamente possível.C. 401 do CPC.. Marcos Bernardes de. como.17 - . 116 do C. perfeito para o sistema que o concebeu. fica circunscrito a se saber se o suporte fático suficiente se compôs. é anulável o negócio jurídico que o representante. 117: “Art. Cometti Fernando F. como forma de manifestação de vontade do representado através do representante deve produzir plenamente seus efeitos.C. a prova escrita é necessária. o objeto ser determinado ou. pois estes podem estar limitados por elementos acidentais de declaração. seja perfeitamente válido. a própria executoriedade da avença. celebrar consigo mesmo. possível. podem ser realizados de acordo com a conveniência da forma preferida pelas partes. deverá. Nesses. para efeitos probatórios. 83. A modalidade suspensiva provoca a aquisição do . para efeito de prova do ato jurídico. no seu interesse ou por conta de outrem. diz-se que o negócio é ad solemnitatem. ainda. ou seja. quando a norma legal impõe determinado revestimento para o ato. Há que ser. mas. que os negócios jurídicos. deve revestir a forma adequada. dando ensejo à incidência” (MELLO. São Paulo: Saraiva. ser observada. traduzindo em uma forma especial ou em uma indispensável solenidade. no art. Todavia. na forma deduzida no art. suprindo omissão da legislação civil anterior. quanto à voluntária. Observa-se. importa. Assim.

pela boa-fé ou pelos bons costumes. O encargo pode ser uma restrição no uso da coisa.C. conclui-se não ser imprescindível para o reconhecimento do abuso que o agente tenha a intenção de prejudicar terceiro. de estrutura obrigacional. uma vez realizado o negócio. Ele não instaura a relação jurídica. Ao lado e muito próximo do ato ilícito existe a figura do abuso de direito. Defeitos do negócio jurídico Trata-se dos defeitos dos negócios jurídicos. segundo a dicção legal.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI direito. São vícios de consentimento: a) Erro ou ignorância – Trata-se de uma falsa percepção da realidade. Neste sentido é a regra do art. que ilícito é tudo aquilo que é contrário ao direito. 7. bastando. 6. Adotou-se. Finalmente. por seu art. Dizem alguns. O primeiro decorre da lei o segundo. atribuir-se o que é seu). O termo pode ser suspensivo ou resolutivo. também denominado inicial (dies a quo) é o dia a partir de quando os efeitos de um negócio jurídico começam a produzir. não a aquisição do direito. alterum non laedere. que já existe. Pode ser legal ou convencional. vale observar que o exercício regular do direito. e não uma prestação correspectiva sinalagmática. o critério finalístico para a identificação do abuso de direito. permite a extinção de seus efeitos na eventualidade de o fato previsto vir a acontecer. O segundo corresponde ao dia em que cessam os efeitos do ato negocial. O primeiro. previstas em nosso direito positivo (art.. não prejudicar outrem. 131. O C. ao passo que a ignorância é um estado de espírito negativo. de terceiro ou do interesse público. a qual informa que o termo inicial suspende o exercício.C. simplificadamente e generalizando. até porque se deve entender o direito como proteção do que é lícito. que se classificam em vícios de consentimento –aqueles em que a vontade não é expressada de maneira absolutamente livre – e vícios sociais – em que a vontade manifestada não tem. de cláusula contratual. ou pode ser uma obrigação imposta àquele que é beneficiário. 3) Encargo ou modo – É a cláusula geradora de obrigação para a parte beneficiária em negócio jurídico gratuito e em favor do disponente. na realidade. suum cuique tribuere (viver honestamente. portanto. que exceda manifestamente os limites impostos pela finalidade econômica ou social. O termo se caracteriza pela futuridade e certeza. a intenção pura e de boa fé que enuncia. É um peso atrelado a uma vantagem (uma restrição).18 - . que transgride um dever jurídico. A doutrina registra ainda o termo de graça. a legítima defesa e o estado de necessidade são causas excludentes de ilicitude. 1923. Honeste vivere. A conseqüência do ato ilícito é a do surgimento do dever de reparar o dano causado. Ato ilícito Trata-se de um ato voluntário e consciente do ser humano. 188 do CC). que é concedido pelo juiz no curso dos processos mediante dilação de prazo. prevê a hipótese de legado a termo inicial ou suspensivo. 2) Termo – É o marco temporal que define o começo ou o fim dos efeitos jurídicos de um negócio jurídico. 187 do C. já a resolutiva. o total desconhecimento do declarante a respeito . Analisando o art.

uma vez que este se mancomuna de livre vontade para atingir fins espúrios. é aplicável quando a ocorrência de acontecimentos novos. em detrimento da lei ou da própria sociedade. o consilium fraudis (o conluio fraudulento) e o eventus damni (o prejuízo causado ao credor). A lesão é vício que surge concomitantemente com o negócio. daí a possibilidade de sua anulação. e não simplesmente anulável. empregado para induzir alguém à prática de um ato jurídico que o prejudica. só é considerado como causa de anulabilidade do negócio jurídico se for: a) essencial (substancial). o primeiro de natureza subjetiva e o segundo objetiva.Identifica-se como uma hipótese de inexigibilidade de conduta diversa. já a teoria da imprevisão. b) Dolo – Trata-se de um artifício ou expediente astucioso. c) Coação – Trata-se da violência apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar. Importante notar. por sua vez. Não se confunde a lesão. autorizarem a sua resolução ou revisão. A expressão “meu reino por um cavalo”. decorrente do desenvolvimento teórico da cláusula rebus sic stantibus. entretanto. que tem seu equilíbrio rompido pela superveniência de circunstância imprevista e imprevisível. e) Estado de perigo . com o propósito de prejudicar credor preexistente. 2) a desproporção entre as prestações deve verificar-se no momento do contrato e não posteriormente. Cometti Fernando F. 3) a desproporção deve ser considerável. É um defeito que não vicia a vontade do declarante. a inexperiência ou a leviandade da parte lesada e o dolo de aproveitamento da parte beneficiada). b) Fraude contra credores – Consiste no ato de alienação ou oneração de bens. A lesão se compõe de dois requisitos: 1) objetivo ou material (desproporção das prestações avençadas). Castellani das circunstâncias do negócio.Coordenadores: Marcelo T. O erro. pode ser um exemplo para esse vício. com a aplicação da teoria da imprevisão. pressupõe negócio válido. diante da inexperiência ou necessidade. respectivamente. ante a iminência de dano por que passa o agente. São vícios sociais: a) Simulação – È uma declaração enganosa de vontade. para ajustá-lo às circunstâncias supervenientes. todavia. ou à beira da insolvência. d) Lesão – Trata-se de um vício que permite a deformação da declaração de vontade por fatores pessoais do contratante. . tornando o negócio jurídico inexistente. em virtude da diminuição experimentada pelo seu patrimônio. assim como de remissão de dívidas. da obra de Shakespeare. imaterial ou anímico (a premente necessidade. e 2) subjetivo. imprevisíveis pelas partes e a elas não-imputáveis. visando produzir efeito do ostensivamente indicado. O acidental leva a distorções comportamentais que podem alterar o resultado final do negócio. São eles. A distinção tem relevo para fins que o principal enseja a anulação do negócio e o acidental só pode levar às perdas e danos. Dois elementos compõem a fraude. Esta última.19 - . São dois tipos de coação: física (vis absoluta) e moral (vis compulsiva). O principal é quando a causa determinante do negócio. Suas características são: 1) a lesão só é admissível nos contratos comutativos. exploradas indevidamente pelo locupletante. Pode-se classificar o dolo em principal e acidental. a quem não resta outra alternativa senão praticar o ato. que a doutrina entende que a vis absoluta neutraliza completamente a manifestação de vontade. refletindo sobre a economia ou na execução do contrato. praticado pelo devedor insolvente. e b) escusável (perdoável). Importante observar que a simulação deixou de ser uma causa de anulabilidade e passou a figurar entre as hipóteses de nulidade do ato jurídico. aproveitando ao autor do dolo ou a terceiro.

. para outros.Pode ser argüida pelas partes. é possível afirmar que o reconhecimento desses estados são formas de proteção e defesa do ordenamento jurídico vigente. decadenciais de quatro (regra geral) ou dois (regra supletiva) anos. pela via judicial.Somente pode ser argüida pelos terceiro interessado. denominada ação pauliana. A esse direito de exigir chama a doutrina de pretensão. É verdadeira permissão jurídica. 2. em que ao poder de uma das partes corresponde ao dever da outra. de natureza cogente. 9. que permite a composição do dano verificado.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A anulação do ato praticado em fraude contra credores dá-se por meio de uma ação revocatório.20 - . 5. uma situação jurídica subjetiva. por influência do direito alemão. 2.Opera-se de pleno direito. pronunciada pelo juiz. mesmo. é um poder concedido ao indivíduo para realizar seus interesses. Por sua vez. Nasce. em prazos prazo prescricional ou decadencial. Representa a estrutura da relação poder-dever. decorre de infringência de norma jurídica protetora de interesses eminentemente privados. 8. Sendo assim. A pretensão revela-se. um dano para o titular do direito subjetivo.A anulabilidade somente pode ser a qualquer tempo. a existência de um crédito. por 4.Pode ser reconhecida. como um poder de exigir de outrem uma ação ou omissão. É. ou. para alguns. contaminado de vício menos grave. 3. Da infração desse dever resulta. nas relações jurídicas patrimoniais. portanto. causando lesão no direito subjetivo. ou ainda. ainda. enquanto aquele é estático e. até legítimos interessados. viola norma de ordem pública. Prescrição Direito subjetivo é o poder que o ordenamento jurídico reconhece a alguém de ter.Não se opera de pleno direito.A ação declaratória de nulidade é 5. e esta não é cumprida. NULIDADE ABSOLUTA NULIDADE RELATIVA 1. 4. sinônimo de direito subjetivo.A ação anulatória é decidida por decidida por sentença de natureza sentença de natureza desconstitutiva declaratória. assim.O ato anulável atinge interesses superior. é correto dizer-se que o ato nulo (nulidade absoluta). com a qual não se confunde. 6. A pretensão que nasce no momento em que o credor pode exigir a prestação. pressupõe. então. fazer ou exigir de outrem determinado comportamento. Dentro dessa perspectiva. pelo MP. e carrega em si vício considerado grave. a depender da natureza do interesse jurídico violado. para esse titular. segundo o CC.Não admite confirmação. salvo norma específica em sentido contrário.Admite confirmação expressa ou tácita. embora com conotação dinâmica.O ato nulo atinge interesse público 1. Invalidade do negócio jurídico A previsibilidade doutrinária e normativa da teoria das nulidades impede a proliferação de atos jurídicos ilegais ou portadores de vícios. legalmente tutelados. particulares. não se sujeitando ao argüida. o poder de exigir do devedor uma ação ou omissão. o ato anulável (nulidade relativa). 6. 3.

. desse modo. em tese. é nas obrigações que ele encontra a sua natural aplicação. pois. que é perpétuo (reivindicatória). é permitida. As mesmas causas ora impedem. 193 que a prescrição pode ser alegada “pela parte a quem aproveita”. pois. A prescrição é a perda da pretensão. 196). isto é. ao prescribente. Em se tratando de ato jurídico. b) as que se prendem ao estado das pessoas (estado de filiação. Assim. c) o decurso do prazo fixado em lei. c) as de exercício facultativo (ou potestativo). pois a renúncia à possibilidade de alegar a prescrição pode acarretar a diminuição do patrimônio do devedor. 190). se este deixou de alegar a prescrição de imediato. regra também aplicável à decadência por força do art. consumado o prazo prescricional e sem prejuízo a terceiro. abdicar do direito de alegar esta defesa indireta de mérito (a prescrição) em face de seu credor. entendendo que estão subordinadas a uma unidade fundamental. na oportunidade da contestação. afirmando que a prescritibilidade é a regra e a imprescritibilidade a exceção. Registre-se que os “relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes legais.C.Coordenadores: Marcelo T. que a prescrição tem como requisitos: a) a violação do direito. a soma do tempo corrido contra o credor ao que flui contra o seu sucessor (art. 195). O art. Pode-se dizer. E com o principal prescrevem os direitos acessórios (art. art. d) as referentes a bens públicos de qualquer natureza. A argüição não se restringe. a condição conjugal). antes que se tenha consumado. a qualidade de cidadania. f) as pretensões de reaver bens confiados à guarda de outrem. nos termos do art. dois são os requisitos para a validade da renúncia: a) que a prescrição já esteja consumada.). A pretensão e a exceção prescrevem no mesmo prazo (art. O prazo. como as destinadas a extinguir o condomínio. regra que deve ser acolhida pela doutrina e jurisprudência. b) que não prejudique terceiro. A única conseqüência da tardia alegação da prescrição diz respeito aos ônus de sucumbência: são indevidos honorários advocatícios em favor do réu. Diz o mencionado art. Importante observar que existem pretensões imprescritíveis. Assim. que derem causa à prescrição. também. a título de depósito. no prazo previsto pela lei (art. 22 do CPC. Terceiros eventualmente prejudicados são os credores. ou não a alegarem oportunamente” (art. Renunciar à prescrição consiste na possibilidade de o devedor de uma dívida prescrita. não se inicia novamente. o que a relaciona intimamente com o direito processual civil. b) a inércia do titular. a de pedir meação no muro vizinho. em virtude da inércia de seu titular. O Código Civil agrupou as causas que suspendem e impedem a prescrição em uma mesma seção. penhor ou mandato.21 - . 189 e art. Castellani Embora a pretensão seja um conceito técnico jurídico aplicável às várias espécies de relações jurídicas. Cometti Fernando F. e) as que protegem o direito de propriedade. 191 não admite a renúncia prévia da prescrição. 208 do CC. g) as destinadas a anular inscrição do nome empresarial feita com violação de lei ou do contrato (CC. em que não existe direito violado. com o nascimento da pretensão. requer a capacidade do agente. ora suspendem a prescrição. 167 do CC/16). dependendo do momento em que surgem. 1. A sua função mais importante é a de traduzir uma legitimação material para exigir uma prestação determinada. que são imprescritíveis. 189 do C.167). Finalmente. mas se estende a terceiros favorecidos por ela. isto é. não prescrevem: a) as que protegem os direitos da personalidade. a accessio praescriptionis. deixando para fazê-lo somente em grau de apelação.

antes do seu início. a prescrição continua a correr. São efeitos da interrupção da prescrição: 1. como foi mencionada. essa vantagem para o titular do direito subjetivo ofendido corresponde às desvantagens para o prescribente. O lado passivo da relação jurídica limita-se a sujeitar-se ao exercício de vontade da outra parte. A interrupção por um dos credores solidários. Esta. A restrição é benéfica. instantâneo: “A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu. Constitui-se em um fato que não permite comece o prazo prescricional a correr. não há o seu descumprimento. não há pretensão. porque destituídos dos respectivos deveres. extinguindo o tempo já decorrido. 202. cujo prazo volta a fluir somente pelo tempo restante.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Impedimento da prescrição é o obstáculo ao curso do respectivo prazo. O art. começando a correr novo prazo. o de aceitar ou não herança. art. portanto. aproveita aos outros. a causa ou obstáculo impede que comece. O direito potestativo é o poder que o agente tem de influir na esfera jurídica de outrem. 10. o de aceitar ou não a proposta de contratar. igualmente. diferentemente da suspensão. a suspensão é a cessação temporária do curso do prazo prescricional sem prejuízo do tempo já decorrido. para não se eternizarem as interrupções da prescrição. São direitos potestativos. a qual recebe o nome de caducidade. a interrupção operada contra o co-devedor. não prejudica os demais coobrigados (art. Qualquer ato de exercício ou proteção ao direito interrompe a prescrição. Se. significa extinção de direitos em . Desse modo. inutilizando o já decorrido A interrupção depende. 2. se o prazo ainda não começou a fluir. de um comportamento ativo do credor.A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros. Interrupção da prescrição é o fato que impede o fluxo normal do prazo. O efeito da interrupção da prescrição é. que vê retardado o benefício que lhe poderia advir da prescrição. 204. ou seu herdeiro. constituindo.Inutiliza-se todo o tempo prescricional decorrido. em regra. ela se verificará pela maneira mais favorável ao devedor. 204 do CC). São direitos potestativos o do patrão dispensar o empregado. modificando ou extinguindo uma situação subjetiva sem que esta possa fazer alguma coisa se não sujeitar-se. O tempo limita o exercício dos direitos potestativos pela inércia do respectivo titular. não há lesão.O direito subjetivo atingido é beneficiado pela interrupção. Decadência Existem direitos subjetivos que não fazem nascer pretensões. o do doador revogar a doação simples. Cessando as causas suspensivas. o obstáculo surge após o prazo ter iniciado. diversamente da suspensão da prescrição. entretanto. 3. Consequentemente. parágrafo único).22 - . Sempre que possível a opção. em sentido amplo. E não havendo dever. dá-se a suspensão. expressamente declara que a interrupção da prescrição “somente poderá ocorrer uma vez”. Assim. 202. § 1º). dilatando-se o período para composição do dano. que volta a correr por inteiro. aproveitando-se o tempo anteriormente decorrido. caput. que decorre de certos fatos previstos na lei. ou do último ato do processo para a interromper” (art. assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros (CC.

dispõe a lei (CC. portanto. nem se interrompem.Coordenadores: Marcelo T. a contrario sensu. extinguindo-o e pondo a termo ao estado de sujeição existente. a parte a quem aproveita. direito e termo inicial do prazo. Na decadência. como meio de defesa”. A decadência traduz-se. Cometti Fernando F. art. não se aplicam à decadência as normas que impedem. pois não se suspendem. sem possibilidade de interrupção ou suspensão. No caso de decadência convencional. mas o juiz não pode suprir a alegação. o interessado. surgindo. Prescreve o art. não a sua exigibilidade. pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição. 210). portanto. desde que se trate de matéria de direito disponível e não haja fraude às regras legais. pois. os prazos decadenciais são fatais e peremptórios. O respectivo prazo é rigidamente fixado. O que se tem em mira é. art. bem como de esclarecer que não são revogados os casos de um eventual dispositivo especial. Castellani geral. o que não ocorre na prescrição. ainda. ser válida a renúncia à decadência estabelecida em negócio jurídico pelas partes. o exercício do direito potestativo. isto é. perda dos direitos potestativos quando toma o nome de decadência. 209) que é nula a renúncia à decadência fixada em lei. A inserção da expressão “salvo disposição em contrário” no aludido dispositivo tem a finalidade de definir que tal regra não é absoluta. o prazo começa a correr no momento em que o direito nasce. Enquanto a prescrição deve ser alegada pela parte interessada. a decadência não é “suscetível de oposição. 207 que salvo disposição legal em contrário. sendo de admitir-se. Aplica-se às relações que contêm obrigações.23 - . . e em sentido restrito. Seu fundamento é o princípio da inadmissibilidade de conduta contraditória. No caso de decadência legal. Sendo matéria de ordem pública. Em princípio. e também menor do que o da prescrição. própria da prescrição. em que este só corre da lesão do direito subjetivo. deve o juiz conhece-la de ofício (CC. simultaneamente. sendo objeto de ação constitutiva. em uma limitação que a lei estabelece para o exercício de um direito. suspendem ou interrompem a prescrição. A decadência é estabelecida em lei ou pela vontade das partes em negócio jurídico.

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ou se tais declarações não fizer. 71 do CC) da pluralidade domiciliar profissional (art. para caracterizar esta relação transitória de fato. andarilhos. 70 do CC o domicílio da pessoa natural é o lugar onde estabelece residência com ânimo definitivo. em regra. ciganos. Castellani CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO 1. no sentido da exigibilidade. inclusive com uma técnica para destacar a pluralidade domiciliar residencial (art. conclui-se. é ainda o domicílio que determina o local onde a pessoa. profissionais de circo. em habitação. A prova da intenção resulta do que declarar a pessoa às municipalidades do lugar que deixa. É o lugar onde a pessoa natural se estabelece habitualmente. 1785 do C. 70.Coordenadores: Marcelo T. Segundo o art.C. Para as pessoas que não tenham residência certa. Instituições de Direito Civil – Introdução ao direito civil. da LICC a “lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade.). Nos termos do art. em centro principal de seus negócios jurídicos ou de sua atividade profissional. 94. convertendo-o. ou seja. o fato de localização para efeito das relações jurídicas. Todavia. Rio de Janeiro: Forense. b) Residência – Trata-se de um lugar que pressupõe mais estabilidade. 2. 3. parágrafo 2º do CPC. Confunde-se com a noção de estadia que é a mais tênue relação de fato entre uma pessoa e um lugar tomada em consideração pela lei. ou seja. a) Morada – É o lugar onde a pessoa se estabelece provisoriamente. 373). Fala-se também.25 - . 73 do CC e no art.) A aplicação legal desta teoria encontra-se no art. 72 do CC). Noção de residência e morada Não se confundem com o domicílio a morada e a residência. Diante disso. tendo em vista que todas as situações descrevem um tipo de relação que uma pessoa natural estabelece com um lugar.) e ainda. p. A mudança de domicílio opera-se com a transferência da residência aliada à intenção manifesta de alterá-lo. Aspectos gerais do domicílio da pessoa natural O domicílio é o lugar de exercício dos direitos e cumprimento das obrigações. deve estar ou presume-se que esteja. terá de cumprir suas obrigações (art. Noção Geral A noção de domicílio desempenha papel relevante para o Direito. O ordenamento jurídico brasileiro adota o conceito da pluralidade domiciliar. uma sede estável da pessoa. habitualmente. a indicação de um lugar onde o indivíduo está. que o domicílio importa em traduzir “o elemento de fixação espacial do indivíduo. etc.C. Em ambos os casos é mister a concorrência dos requisitos do ânimo (psíquico) e da residência (material). segundo a qual aquele que cria aparências de um domicílio em um lugar pode ser considerado pelo terceiro como tendo aí seu domicílio (ex. e para onde vai. dispensando-se aos que tenham interesse em encontrá-lo o esforço e a incerteza de andarem à sua procura por caminhos instáveis” (Caio Mario da Silva Pereira. não possuam o requisito material do domicílio. a capacidade e os direitos de família”. o nome. a exata compreensão desses conceitos é fundamental para esclarece a matéria de maneira apropriada. Cometti Fernando F. onde será aberta a sucessão hereditária (art. elaborou-se a teoria do domicílio aparente ou ocasional. da . 2004. 327 do C.

alegar extraterritorialidade sem designar onde tem. indicada em seu estatuto. 76 do CC. com as circunstâncias que a determinaram. Suas hipóteses estão descritas no parágrafo único do art. É o seu domicílio especial. em atenção à condição especial de determinadas pessoas. por violar o disposto no art. parágrafo 2º. poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve (art. IV e parágrafo 1º. no tocante às obrigações contraídas por qualquer de suas agências. Aspectos gerais do domicílio da pessoa jurídica O domicílio da pessoa jurídica de direito privado é a sua sede. Vale destacar. sendo da Marinha ou da Aeronáutica. e. Não sofre interferência legal este tipo de domicílio. a sede do comando a que se encontra imediatamente subordinado. c) Necessário ou legal – Decorre de mandamento da lei. Vale notar que na dinâmica do CDC considera-se ilegal a cláusula contratual que estabelece o foro de eleição em benefício do fornecedor. se possuir filiais em diversos lugares. ao considerar como seu domicílio “o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações”. finalmente. que. 4. do CC). com ânimo definitivo. Tal regra encontra assento no art. 74 do CC. então. 5. o militar que responderá civilmente no lugar onde serva. b) De eleição ou especial – Decorre do ajuste entre as partes de um contrato. 51. porém. 77 do CC). citado no estrangeiro. ou. o Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento no sentido de que “a pessoa jurídica de direito privado pode ser demandada no domicílio da agência. ou do estabelecimento. sendo elas: o do menor que terá o domicílio do seu representante legal. Espécies de domicílio O domicílio poderá ser: a) Voluntário – Decorre do ato de livre vontade do sujeito. .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI própria mudança. IV. no país. que fixa residência em um determinado local. O agente diplomático. sito no Brasil. 75. o servidor público cujo domicílio é o lugar em que exerce permanentemente suas funções. Aliás. uma vez que a falta de declaração não acarreta sanção alguma ao omitente. a lei atua supletivamente.26 - . 75. em que praticou o ato” (súmula 363). o do marítimo que é lugar onde o navio estiver matriculado. por sua vez. “cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados” (art. o seu domicílio. contrato social ou ato constitutivo equivalente. que este dispositivo somente pode ser invocado em relações jurídicas em que prevaleça o princípio da igualdade dos contratantes e de sua correspondente autonomia de vontade. “o lugar do estabelecimento. do CDC. e. o do preso que é o lugar onde estiver cumprindo pena. será considerado seu domicílio. Trata-se de norma jurídica imperfeita. a que ela corresponder” (art. Se não houver essa fixação. Se a administração ou diretoria da pessoa jurídica de direito privado tiver sede no estrangeiro. do CC).

num sentido de raridade. exige a reunião de três qualidade: a) economicidade. Para efeitos jurídicos. . noutras palavras. No sentido econômico. 10ª. Para explicar o conceito de bem. introduzida expressamente no ordenamento pátrio pela Lei 10. nem podem ser cedidos. imóveis). se é mais ou menos amplo do que esse. incorpóreos são aqueles que têm existência meramente abstrata. direitos autorais). Modernamente a noção de patrimônio está ligada diretamente à personalidade do indivíduo. ficando de lado todos os outros que não têm valor pecuniário. por meio de comparação com outros bens. Castellani CAPÍTULO V – DOS BENS 1. e limitatividade. a possibilidade de transito jurídico através de relação estabelecidas entre os seus titulares (posse e domínio). Em síntese. deixando de utilizar-se do termo “bem”. 10ª. Introdução Sob um prisma de técnica legislativa das expressões. p. ou seja.Coordenadores: Marcelo T. os créditos. quando trata de propriedade e de seus desdobramentos. os débitos. como os direitos de família e os direitos puros de personalidade. excluídas aquelas que não podem merecer a qualificação patrimonial.835/04 que trata da renda básica de cidadania. Orlando Gomes (ORLANDO GOMES. Ed. ideal. jurídica (p. Ed. ou seja. bens de composição obrigatória em seu patrimônio para garantir alimentação. Rio de Janeiro. Nesta idéia. 1990. um complexo de direitos e obrigações entrelaçados por relações jurídicas. 2.. são considerados bens apenas as utilidades com valor pecuniário. a “representação econômica da pessoa”. é possível afirmar que a expressão “bem” utilizada pelo legislador na parte geral tem significado amplo e pode ser utilizada em diferentes acepções. educação e a saúde como projeção concreta do fundamento da dignidade da pessoa humana. permutabilidade.bens considerados em si mesmos: a) Corpóreos são aqueles que têm existência física (material). perceptível pelos sentidos (móveis. Tal renda básica de cidadania nada mais é do que uma projeção do patrimônio mínimo dos indivíduos. sob três aspectos: de acordo com sua titularidade. as quais têm como objeto os bens. 207).27 - . pela própria lei. mediante uma individualização existencial criado por um critério econômico-social. ão ao Direito Civil.. como feito na parte geral. Cometti Fernando F. pode-se considerar como bem a utilidade física material ou imaterial que pode servir de objeto de uma relação jurídica. está englobado o complexo de direitos reais e obrigacionais de uma pessoa. as coisas. fala em coisa. Na parte especial. cunhando alguns autores a expressão “patrimônio moral” e também a teoria do patrimônio mínimo desenvolvida por Edson Fachin. 1. ou seja. infelizmente a doutrina nem sempre está acorde sobre o conceito de bem correspondente ao de coisa. suscetíveis de avaliação econômica. ou através da consideração do bem isoladamente. Classificação dos bens Os bens se classificam. ex. Patrimônio Numa acepção clássica o patrimônio é a constituição econômica da pessoa natural ou jurídica. Já num enfoque dogmático. Introdução ao Direito Civil. escassez empregado por outros doutrinadores. a qual alicerça a noção de piso vital ou mínimo existencial.

Pelo novo CC são chamados de pertenças (art. 2.28 - . 1647. Móveis são. em princípio. forem removidas para outro lugar (ex. De acordo com o art. Exemplo: árvores destinadas a corte.Por determinação legal: Também há bens que são considerados móveis em razão da vontade do legislador. os bens móveis podem ser oferecidos em penhor. Porém.Por determinação legal: Por imperativo de segurança jurídica. “os bens suscetíveis de movimento próprio (semoventes). construções. industrial ou artificial: é tudo que o homem incorporar permanentemente ao solo (sementes. ou de remoção por força alheia. em bens móveis ou imóveis. 3. Não existe a possibilidade de aquisição de bens incorpóreos por meio de usucapião.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A importância da distinção reside no fato de haver diferença para a transmissão. Ex. 81 não perdem o caráter de imóveis as edificações que. embora ainda incorporados ao solo são destinados a ser destacados e convertidos em móveis.Por sua própria natureza: são aqueles que podem ser transportados sem deterioração de sua substância.Quanto à forma de alienação: é livre em relação aos móveis. com a ressalva de que a autorização não será exigida se o regime de bens for de separação absoluta). 3.Por natureza: solo e tudo que nele se incorporar naturalmente (subsolo. por força própria ou externa. 93). separadas do solo.Outro aspecto da distinção reside no tipo de direito real de garantia que poderá ser constituído sobre o bem: em regra. por sua vez. os imateriais por cessão. sem alteração de sua substância ou da destinação econômico-social”. 79 do CC são “o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente”. 83 do CC. segundo o art. 2. é possível que sejam tratados num determinado negócio como bens fungíveis. mas em relação aos imóveis exige escritura pública para os bens de valor superior a 30 salários mínimos.por acessão física. Os bens móveis. Os imóveis. espaço aéreo. são considerados imóveis para efeitos legais: os direitos reais sobre imóveis e as ações que os assegurem e o direito à sucessão aberta.Por antecipação: São aqueles bens que. quanto aos bens móveis a exigência não existe. podem ser classificados em: 1.Por acessão intelectual ou por destinação do proprietário. ar-condicionado. embora sejam bens incorpóreos. 82.). Os imóveis podem ser: 1. Nos termos do art. mas conservando sua unidade. e em relação aos imóveis poderão ser objeto de hipoteca. 4. c) Fungíveis são os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie. 1. A doutrina esclarece que são aqueles que não se podem transportar sem alteração de sua essência. Trata-se das hipóteses previstas no art. Infungíveis são os insubtituíveis. árvores. edifícios). embora não se pudesse falar. armários embutidos). que constituem uma categoria de bens acessórios. 80. de acordo com o art. 2. sob pena de anulabilidade do ato (art. de sua substância. 3. . Os bens materiais são transferidos por meio de contrato de compra e venda ou doação.Quanto à necessidade de autorização do cônjuge: Via de regra as negociações relacionadas aos bens imóveis exige anuência do cônjuge. escada de emergência. maquinários agrícolas. a lei opta por tratar determinados bens como imóveis. A importância da distinção entre bens móveis e imóveis é verificada em vários aspectos. etc. casa de madeira) e os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele reempregarem. serão sempre considerados bens infungíveis. em razão de sua natureza. b) Imóveis (ou bens de raiz). qualidade e quantidade.

Benfeitorias: São obras ou despesas realizadas pelo homem na estrutura da coisa principal. que é o complexo de relações jurídicas de uma pessoa. estadual. se consideram de per si. que. o solo). tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal. 4. 2. a ordem jurídica atribui caráter unitário (espólio. embora reunidos. melhorá-la (benfeitorias úteis) ou embelezá-la (benfeitorias voluptuárias). quando seus elementos são unidos por ato humano. considerados em conjunto. ou de direito. formam um todo homogêneo.Os de uso especial.Os de uso comum do povo. metais. 26 do CDC (bens duráveis e não duráveis) e que envolve tempo maior ou menor do consumo de determinado bem. pó um acaso. mares. Inconsumíveis são aqueles que admitem uso reiterado. Os bens coletivos. já os dominicais podem ser alienados. Os bens singulares podem ser: simples. quando suas partes componentes encontramse ligadas naturalmente. . Os bens acessórios podem ser de vários tipos: 1. com o propósito de conservá-la (benfeitorias necessárias). Costuma-se dizer que são as utilidades que nascem e renascem. Etc. sem que sejam considerados suas partes integrantes (art. Acessório é aqueles cuja existência supõe a do principal. compostos. o usufruto for instituído sobre bens consumíveis. e que não se renovam (pedras.bens quanto à titularidade do domínio: A lei classifica os bens de acordo com sua titularidade. massa falida). ou as universalidades. por sua vez. os quais podem ser públicos ou particulares. Se.Frutos: São as utilidades que a coisa principal periodicamente produz e cuja percepção não diminui a sua substância. independente dos demais.Pertenças: São os bens móveis que são afetados de forma duradoura ao uso. Bens reciprocamente considerados: De acordo com esta classificação os bens podem ser principais ou acessórios. bem como aqueles que são destinados à alienação. 92) é aquele que existe por si mesmo. Cometti Fernando F. A presente classificação não se confunde com aquela que consta do art. 2. 93). diminuindo-lhe a quantidade. que é um direito real de gozo ou fruição que só pode recair sobre bens inconsumíveis. O bem principal (art.29 - . São aqueles bens públicos que se destinam especialmente à execução dos serviços públicos e são utilizados exclusivamente pelo poder público. dotadas de valor econômico e que por isso. são. É indiferente para a caracterização dos bens de uso comum que o uso seja gratuito ou retribuído. tais como rios. aqueles que são compostos por vários bens singulares. territorial ou municipal. A importância desta classificação encontra-se no usufruto.Os dominicais.Coordenadores: Marcelo T. ainda que haja possibilidade de sua destruição em decorrência do tempo. 99): 1. será chamado de quase-usufruto ou usufruto impróprio. inclusive os de suas autarquias. A universalidade pode ser de fato. serviço ou aformoseamento de outro bem. e) divisíveis e indivisíveis f) Singulares são os bens que. São os bens públicos que não são afetados a uma atividade pública específica. Os bens de uso comum e os de uso especial são inalienáveis. estradas. nos termos da lei. petróleo) 3. 3. Castellani d) Consumíveis são os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância. que é a pluralidade de bens singulares com destinação unitária.Produtos: São as utilidades que se retiram da coisa. patrimônio. universais. sem destruição imediata de sua substância. que tem existência própria (ex. 3. que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público. ruas e praças. Existem três classes de bens públicos (art.

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que recai sobre o sujeito passivo da relação jurídica. Os sujeitos são: a parte credora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas) e a parte devedora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas). social. em favor de outra ou de outras. a obrigação se identifica com qualquer espécie de dever moral. ao contrário. Já. Crédito e débito Em toda obrigação existem um lado positivo – o crédito – e um lado negativo – o débito. 4. O objeto é a prestação (dar. Há. O comprador deve pagar o preço. vínculos obrigacionais que se limitam a criar uma obrigação e outros que criam diversas obrigações derivadas do mesmo negócio jurídico. os juristas utilizam. num mútuo sem juros. a palavra “obrigação” como sinônimo de dever jurídico. Assim. Por outras palavras: Obrigação é o vínculo jurídico temporário pelo qual a parte credora (uma ou mais pessoas) pode exigir da parte devedora (uma ou mais pessoas) uma prestação patrimonial e agir judicialmente ou mediante instauração de juízo arbitral sobre o seu patrimônio. existem várias obrigações de ambas as partes.Coordenadores: Marcelo T. Acepções da obrigação Em sentido lato. Conceito e elementos Obrigação é a relação jurídica em virtude da qual uma ou mais pessoas determinadas devem. Vínculo obrigacional Um vínculo obrigacional pode criar uma ou diversas obrigações. A prestação deve ter conteúdo patrimonial e ser lícita. uma prestação de caráter patrimonial. O direito alemão conserva expressões distintas para indicar a relação de débito – Schuldverhältnis – e os direitos de crédito – Forderungsrechte. algumas vezes. 2. num contrato de compra e venda. Castellani TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 1. O crédito é o direito visto sob o prisma do sujeito ativo da relação jurídica. O vendedor deve entregar a coisa e responder no caso de evicção. possível e determinada ou determinável. Seus elemento são: os sujeitos. o objeto e o vínculo jurídico. que é a de devolver a quantia emprestada. se não for satisfeita espontaneamente. 3. Mesmo no campo do direito. na forma estabelecida pelas cláusulas contratuais. O débito é o dever jurídico de pagar. fazer ou não fazer alguma coisa). para uma ou para as diferentes partes interessadas. religioso ou jurídico. . Cometti Fernando F. olvidando a sua significação técnica e dogmática. assim.31 - . a relação jurídica existente cria apenas uma obrigação para o mutuário.

6. posteriormente. Débito e responsabilidade A obrigação tem um fim primário: a prestação. na qual se faculta ao credor atacar e executar o patrimônio do devedor a fim de obter o pagamento devido ou uma quantia equivalente acrescida das perdas e danos. que recai sobre uma pessoa. após a condenação. determinada ou determinável e possuindo expressão econômica. A prestação é o comportamento do devedor que aproveita ao credor e por este pode ser exigido. Obrigações naturais São as que não podem ser reclamadas em juízo. que. surge a responsabilidade. A distinção entre obrigação e responsabilidade foi feita por Brinz na Alemanha. lícita. ou recorrer à máquina judiciária do Estado. Enquanto a obrigação é originária e depende de ato do devedor para a sua extinção. a ação judicial sobre o patrimônio surge da responsabilidade ou da garantia. na relação obrigacional. Características da prestação Definida a obrigação em sentido técnico como um vínculo jurídico de caráter patrimonial. A impossibilidade é objetiva ou absoluta quando existe para todos os membros da . podemos afirmar que o conteúdo da obrigação deve ser uma prestação possível. Não ocorrendo o pagamento voluntário. 7. dois momentos distintos: o do débito (Schuld). e o credor pode ir a juízo. 814 do Código Civil A obrigação natural confere hoje juridicidade à obrigação moral e ao dever de consciência reconhecidos e cumpridos pelo devedor. pois já afirmavam os romanos que ad impossibilia nemo tenetur. e se. e um fim secundário: sujeitar o patrimônio do devedor que não a satisfaz. não pagar ou já tendo o credor um título. agora tratadas no art. constituindo a violação ou o descumprimento de um dever jurídico. não pode reaver o pagamento feito conscientemente. para obter a condenação do devedor ao pagamento. que discriminou.A idéia de obrigação imperfeita ou natural também é válida para as dívidas de jogo e de aposta. O inadimplemento da obrigação. A impossibilidade pode ser física ou jurídica. por intermédio do Estado ou mediante instauração de juízo arbitral. O dever de prestar surge do débito. física e legalmente. absoluta e objetiva ou relativa e subjetiva.32 - . a responsabilidade é derivada do inadimplemento de dever jurídico e autoriza a ação do credor. relativamente a um bem (coisa ou serviço) que se encontra no patrimônio do devedor. implica a criação de uma relação jurídica secundária ou derivada.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 5. embora lícitas. A prestação deve ser possível. Ademais. e o da responsabilidade (Haftung). pode pedir ao juiz que execute tantos bens do devedor quantos forem necessários para a satisfação do seu débito. recaindo sobre pessoa determinada (direito relativo) e de caráter patrimonial. a questão poderá ser resolvida por arbitragem. que denominamos responsabilidade. consistindo na obrigação de realizar a prestação e dependente de ação ou omissão do devedor. sobre os bens do devedor. ou seja. desde que estabelecida cláusula compromissória entre as partes. por ser dever jurídico. em benefício de outra. com as mesmas características da obrigação. da indenização pelos prejuízos causados em virtude do inadimplemento da obrigação originária na forma previamente estabelecida. originária ou superveniente.

atualmente. mesmo sendo de valor inferior. ainda que mais valiosa (art. extinguindo-se todos os seus efeitos. que ainda é feita pelo CC. Embora a doutrina entenda imprescindível o conteúdo econômico. ou seja. que só ocorre havendo consentimento de ambas as partes. Obrigações de dar coisa certa e coisa incerta A obrigação de dar pode abranger coisa certa ou coisa incerta. A importância prática da classificação decorre da regulamentação legal tradicionalmente diferente com referência às obrigações de fazer e às obrigações de dar. de acordo com o qual aliud pro alio invito creditore solvi non potest. uma vez que não se considera obrigação o dever jurídico que. mas não para todas as pessoas. 313 do CC). excluindo-se pois a sua responsabilidade.Coordenadores: Marcelo T. não se possa resolver em perdas e danos. é preciso destacar o caso em que houve mora do devedor. Castellani coletividade. os contornos de cada uma sejam perfeitamente definidos. 8. . A obrigação negativa importa numa abstenção. Obrigações positivas e negativas As obrigações são positivas quando a prestação do devedor implica dar ou fazer alguma coisa e negativas quando importam numa abstenção. A prestação deve ser determinada ou determinável. Quando a impossibilidade objetiva é superveniente ou posterior à relação jurídica. com a aceitação do dano material ou moral. fixados em dinheiro. a impossibilidade relativa ou subjetiva é a que só ocorre para o sujeito passivo da relação jurídica. de ressarcir os danos decorrentes do não-cumprimento da obrigação assumida. É o princípio romano que encontramos em sentença de Paulo. Tal impossibilidade importa em nulidade da obrigação. hipótese na qual ele responde pelas perdas e danos. assim. para o inadimplente. salvo convenção em contrário das partes (art. à primeira vista. A coisa deve ser entregue com os seus acessórios. em muitos casos surgem dúvidas quanto à natureza da obrigação. se são obrigações de dar ou de fazer a de lavrar escritura definitiva de um imóvel e a de justificar o pagamento de certos impostos que em virtude de contrato são da responsabilidade do locatário. denominada novação objetiva (do objeto). Até a tradição. não podendo ficar ao exclusivo arbítrio do devedor.33 - . no caso de inadimplemento. 9. a obrigação se resolve para os interessados. em não praticar algum ato. 233 do CC). fazer e não fazer. antes da tradição e sem culpa do devedor. sem culpa do devedor. É tradicional a distinção entre obrigações de dar. havendo autores que condenam a distinção. Indaga-se. Ao contrário. enquanto a obrigação de fazer importa na realização de atos ou serviços no interesse do credor. e os casos fortuitos ou de força maior em que. todos os riscos correm por conta do tradens que tem a propriedade do bem. qualquer lesão de direito pode ser avaliada em dinheiro. Embora. e não pode exigir do devedor outra coisa. por motivos físicos ou em virtude de lei. cabe notar que. A obrigação de dar coisa certa surge quando a prestação é de objeto específico e individualizado A lei esclarece que o credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber outra. Cometti Fernando F. A entrega de objeto diverso do prometido importa em modificação da obrigação. a obrigação se tornou impossível ou ilícita. Se a coisa certa devida se perder. A obrigação de dar consiste em transferir a posse ou transmitir a propriedade de um objeto ao credor. e importa o dever.

todavia. em sentido estrito. Obrigações de não fazer As obrigações ainda podem ser omissivas. a escolha dos exemplares que deverão ser fornecidos. o credor pode exigir o equivalente em dinheiro ou aceitar o objeto com abatimento do preço. mas determinação genericamente feita. na obrigação de restituir. em ambos os casos. Como regra geral. 237 do CC). à custa do devedor. A aplicação desta hipótese pressupõe urgência para que possa ser realizada independentemente de autorização judicial. cabem ao devedor. 627 do CPC). existe uma norma supletiva. nem sendo obrigado a dar as melhores unidades (art. se a prestação não for realizada. do CC).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se a perda ou destruição da coisa for oriunda de culpa do devedor. abatendo do seu preço o valor que perdeu. indenização pelas perdas e danos (art. 237. O art. trata da obrigação de restituir (art. mesmo na hipótese de destruição ou perda do objeto em virtude de caso fortuito ou força maior. quando for possível e desde que ela não seja personalíssima. ao devedor. até a tradição ou a transcrição. sem culpa do devedor. ou caso fortuito”. 11. O conteúdo da obrigação definirá o grau de pessoalidade que o credor tenha desejado. o devedor poderá exigir um aumento do preço. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. com direito a reclamar. passando os frutos pendentes à propriedade do credor (art. “antes da escolha. Havendo culpa do devedor. em virtude da qual a escolha caberá ao devedor. 247 do CC). seja a terceiro. o devedor indenizar o credor por perdas e danos (art. Nada impede que as partes convencionem a obrigação do devedor de ressarcir os danos. resolvendo a obrigação se o credor não anuir (art. embora haja diferença na situação do credor nos dois casos. por força do contrato ou em razão de reputação profissional ou de habilidades pessoais. a propriedade do bem pertence. Obrigações de fazer A prestação de fazer pode ser um ato de ordem física. ou de ordem psíquica. 234 do CC. Dando a coisa frutos antes da tradição. Na falta de cláusula contratual. 236 do CC). ainda que por força maior. parte final. enquanto. parágrafo único. num non facere. 10. A incerteza da coisa não significa indeterminação. O CC prevê a possibilidade de o credor valer-se de execução da obrigação por terceiro (execução in natura). escolher a pior qualidade. importando numa abstenção. tem o credor uma opção entre solver a obrigação ou aceitar a coisa. Nas obrigações de dar coisa incerta.34 - . Se a coisa sofrer melhoramentos ou passar a ter acrescidos até a tradição. desde que só ele possa realizá-la.). o credor dele poderá exigir o valor em dinheiro do objeto acrescido das perdas e danos (art. A obrigação de dar coisa incerta consiste em fornecer certa quantidade de unidades de determinado gênero e não uma coisa especificada. o credor tem direito real sobre o bem que está legalmente em poder do devedor. As partes têm a mais ampla liberdade de atribuir seja a um dos contratantes. 238 e s. . o CC. o primeiro problema que surge é o referente à escolha das unidades a serem entregues. Na obrigação de dar. Entre as obrigações de dar coisa certa. Em caso de deterioração do objeto. 244 do CC). seguindo a sistemática do Código de 1916. não lhe sendo lícito. e art. 246 do CC esclarece que.

todas as prestações abrangidas pela obrigação devem ser executadas. A escolha da prestação que será cumprida. e o cumprimento de uma única prestação extingue a obrigação. § 2º. O CC permitir ao credor. 250 do CC). 252. em casos de urgência. é considerada simples (por exemplo: o vendedor se obriga a entregar ao comprador o livro vendido). una autem in solutione). Cometti Fernando F. desfazer ou mandar desfazer. infringe a obrigação de não fazer e pratica o ato vedado. por uma prestação única escolhida na forma do contrato ou da lei (plures res sunt in obligatione. na execução. o credor ou devedor a quem couber a . O negócio jurídico indica normalmente. a obrigação contém mais de uma prestação.35 - . o credor não pode desfazer as vendas realizadas. extingue-se a obrigação (art. 12. Se o devedor se recusar. cabendo ao devedor cumprilas conjuntamente (obrigações conjuntivas ou cumulativas) ou alternativamente (obrigações alternativas). Se. independente de autorização judicial. No silêncio das partes. Se a obrigação consiste em não vender determinados artigos. a concentração. parágrafo único). § 1º. do CC). todavia. Assim. em virtude de cláusulas contratuais. Quando a obrigação abrange uma única prestação. Obrigações cumulativas e alternativas Nas obrigações compostas. Castellani Em certos casos. 642 a 645 do CPC). nos termos do art. sem culpa do devedor. aplica-se a norma supletiva existente no CC. o credor pode mandar destruir a obra. obrigar o credor a receber parte de uma prestação e parte de outra (art. o credor pode exigir do devedor que desfaça a construção levantada além do mencionado gabarito e pague as perdas e danos. ou de condições impostas em ato unilateral. mediante ação própria. mas pode pedir uma indenização e. em virtude de cláusulas contratuais. existe pluralidade de pretensões. 251 do CC). é denominada composta ou complexa. Nas obrigações alternativas. a abstenção se torna impossível. 13. deve ser realizada no prazo estabelecido pela convenção. que concede o direito de escolha ao devedor. aumentando as garantias e as perspectivas de cumprimento da obrigação para o credor. enquanto nas segundas a pluralidade das prestações existentes na obrigação é substituída. a quem cabe escolher a prestação a ser executada (in solutione) entre as diversas possíveis (in obligatione). podendo ainda este exigir que o devedor desfaça à sua custa o ato praticado. O devedor não pode. fixar uma multa que o devedor será obrigado a pagar enquanto infringir a obrigação por ele assumida (arts. tratando-se de obrigações de não construir além de certo gabarito. existem duas ou mais formas pelas quais a obrigação pode ser satisfeita. devendo ser posteriormente ressarcido do devido (art. ao contrário. por conta do devedor. se obriga a deixar de praticar algum ato. Quando. art. A sua opção deve ser total. culposamente. deve ressarcir o dano causado ao credor. Não existindo prazo. 251. 252. uma pessoa. A finalidade da prestação alternativa é dar maior liberdade de escolha ao devedor.Coordenadores: Marcelo T. Nas primeiras. Obrigações simples e compostas A obrigação pode ter um ou vários objetos. Se o devedor. no caso de obrigações alternativas. salvo se se tratar de prestações periódicas nas quais se admite a renovação da opção para cada período (entrega mensal alternativa de determinados alimentos ou de certa quantia em dinheiro). do CC. se a sua natureza o permitir (art. 252. restringindo a sua própria liberdade e os direitos que a lei lhe assegura. ou seja.

259 do CC). havendo uma possibilidade de substituição para o devedor. A indivisibilidade pode decorrer da natureza da prestação. uma recompensa mínima de 5% (cinco por cento) e uma indenização pelas despesas que houver feito com a conservação e transporte da coisa. como ocorre com relação à ação das sociedades anônimas. É a faculdade de solução ou substituição. pois o que é facultativo não é obrigatório e o que é obrigatório não é facultativo. conforme possam ou não ser fracionadas em prestações parciais homogêneas. da vontade das partes. 15. de 15-12-1976 (Lei das Sociedades Anônimas). 6. a impossibilidade em relação à prestação principal extingue o vínculo jurídico. 14. assim. para o proprietário da coisa perdida. não podendo o credor exigir a prestação facultativa. se houver a pluralidade de optantes. Se a prestação não for divisível e houver pluralidade de devedores. abandonar o objeto. enquanto na obrigação com faculdade de solução ou de substituição a obrigação é de prestar determinado fato ou entregar certa coisa. O mesmo artigo admite. o proprietário pode. 257 do CC). resultando em alguns casos das próprias disposições legais. . de motivos de ordem econômica ou dada a razão determinante do negócio jurídico (art. 28 da Lei n. a impossibilidade em relação a uma das prestações importa em obrigação de cumprir a outra. Não poderia haver obrigações facultativas. o art. desde que o objeto seja divisível (art. A própria lei apresenta casos de obrigações com faculdade de solução. a lei presume a divisão da obrigação.234 do CC estabelece. Obrigações divisíveis e indivisíveis As obrigações são divisíveis ou indivisíveis. todavia. o que tiver pago a dívida (art. de incorporação de uma sociedade por outra. a obrigação de pagar. 1. havendo pluralidade de credores ou de devedores. erradamente chamadas obrigações facultativas. a quem a achou. A alternatividade da obrigação não decorre apenas da vontade individual. na qual os acionistas dissidentes têm direito de retirar-se da companhia mediante pagamento do reembolso ou então de receber ações da incorporadora. de determinações legais. Na obrigação alternativa. A distinção com as obrigações alternativas se faz atendendo ao fato de nestas haver diversas prestações na obrigação. Na obrigação com faculdade de solução. mas não o consenso entre eles sobre a escolha dentro de determinado prazo. É a prestação que o descobridor da coisa pode exigir. A própria lei pode considerar um bem indivisível. Assim. 252. em vez de pagar o que deve. cada um deles será obrigado pela dívida total. § 3º). O art. É o que ocorre no caso. e. sub-rogando-se nos direitos do credor.404. o abandono da coisa perdida.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI escolha deverá ser notificado a fim de incorrer em mora pela ausência de escolha. Obrigações com faculdade de substituição Têm uma estrutura parecida com as obrigações alternativas as obrigações com faculdade de solução ou com faculdade de substituição. se assim não se ajustou”.36 - . Por outro lado. por exemplo. Conforme o CC. que para a companhia é considerada indivisível ex vi do art. não pode o credor ser obrigado a receber. 314 do CC estabelece uma presunção de indivisibilidade da prestação no tempo quando afirma: “Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. 258 do CC). o juiz deverá decidir o impasse (art. em relação aos outros. nem o devedor a pagar. por partes.

O pagamento total do débito a um dos credores extingue a obrigação (art. 17. Nos casos de remissão. No caso da confusão só se extingue a parte do crédito ou do débito pertencente ao credor ou devedor solidário (art. as obrigações de dar são consideradas divisíveis. este responderá pelas perdas e danos (art. ao contrário do que acontece em outras legislações que admitem a presunção de solidariedade a) Solidariedade ativa Solidariedade ativa é a de vários credores. Sendo de credores e devedores. os títulos de legitimação (bilhetes de cinema. 260 do CC). 267 do CC). Obrigações ambulatórias. bem como deveres decorrentes da necessidade de manter-se a coisa (despesas de condomínio. Não cumprida a obrigação. Obrigações “propter rem” ou reais Chamam-se obrigações ambulatórias (de ambulare = andar) aquelas obrigações que podem ser transferidas sem formalidades. descontada a quota do credor que perdoou a dívida ou em relação ao qual ocorreu a transação. foro etc. (art. podendo promover as medidas assecuratórias do seu direito. As obrigações de fazer. sobre os quais incidem ônus reais (imposto imobiliário. dando este caução de ratificação dos outros (art. seguro obrigatório.). Em geral. Castellani Se a pluralidade for de credores. os outros exigirão dele. Obrigações solidárias Obrigações solidárias são aquelas com pluralidade de credores ou devedores. é mista. teatro. Cada um dos credores solidários tem o direito de exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. a solidariedade é ativa. confusão ou compensação da dívida por parte de um dos credores. mas o devedor ou os devedores só se desobrigam pagando a todos conjuntamente ou a um dos credores. em dinheiro. do CC). confusão etc. A incapacidade de . 263. sendo de devedores é passiva.37 - . Se um dos credores receber a prestação inteira. passam a pesar sobre quem se torne titular da coisa. a parte que lhes couber (art. surge a responsabilidade que reveste a forma de indenização em dinheiro. a obrigação não fica extinta em relação aos outros credores. constituir o devedor em mora e interromper a prescrição. resultando da lei ou da vontade das partes.Coordenadores: Marcelo T. 16. cada um com um direito ou obrigado ao total. Sendo a pluralidade de credores. conservação de divisas etc.). sabendo-se quem é o titular. independentemente de autorização dos outros credores ou de caução (art. Chamam-se também de obrigações propter rem ou ob rem. 262 do CC). § 2º. sendo cada um dos devedores responsável apenas pela sua quota. 261 do CC). trem. transação. seja por admitir a divisão deste em quotas ideais. que poderão exigir a prestação. 269 do CC). passando de um titular a outro. 383 do CC). A solidariedade nunca se presume (art. são divisíveis. São exemplos os títulos ao portador. Já as obrigações reais (de res = coisa. fichas de bar etc.). São exemplos de solidariedade ativa as contas bancárias conjuntas e os depósitos conjuntos em caixas-fortes. ou propter rem. cada um destes pode exigir a dívida inteira. Logo. seja por ser divisível o seu objeto. podendo qualquer dos credores movimentar a conta ou utilizar a caixa-forte. Cometti Fernando F. como se houvesse um só credor ou devedor. Sendo a culpa de um só. novação. sabe-se quem é o devedor. salvo quando em virtude de lei ou de convenção houver indivisibilidade. quando fungíveis. 265 do CC). As obrigações reais. em latim) são as que derivam da vinculação de alguém a certos bens.

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um dos co-credores não prejudica os direitos dos outros. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar (art. 268 do CC). A mora accipiendi por parte de um dos credores prejudica a todos os outros, ressalvando o direito à ação regressiva. Falecendo um dos credores solidários, cada um dos seus herdeiros só terá direito a exigir a quota do crédito correspondente ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a prestação (art. 270 do CC). Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste a solidariedade para todos os efeitos, inclusive para fins do pagamento de juros de mora e demais encargos dela decorrentes (art. 271 do CC). O credor que recebe o pagamento ou faz a remissão da dívida ou que a extingue em virtude de novação, compensação ou transação responde, perante os outros, pela parte que lhes couber (art. 272 do CC). Há assim o direito de regresso em virtude do qual cada um dos credores recebe a sua quota, presumindo-se juris tantum, na falta de disposições diversas no título, que a divisão seja igual, impondo-se o rateio quando recebido o montante do total do débito ou uma parte dele. b) Solidariedade passiva Ocorre solidariedade passiva quando, havendo multiplicidade de devedores, o credor pode exigir de qualquer destes o pagamento integral do débito, a qual resulta de disposições legais ou de declaração de vontade das partes interessadas. Na obrigação solidária, o credor tem o direito de exigir e receber de um ou alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum. Sendo o pagamento parcial, poderá exigir dos demais devedores o saldo. O devedor acionado não pode alegar o benefício da divisão, nem limitar o seu pagamento à quota do débito total que lhe cabe, nem mesmo exigir que sejam acionados, no mesmo processo ou em outro, os demais coobrigados. Uma vez feito o pagamento por um dos devedores, o crédito se extingue na relação externa, sendo feito o rateio na relação jurídica interna. Se o credor, tendo executado os bens de alguns devedores, não recebeu o débito total, subsiste a solidariedade, e, portanto, pode acionar os outros a fim de receber o saldo. Falecendo um dos devedores solidários, deixando herdeiros, a obrigação entre os herdeiros é conjunta, mas não solidária. Cada um deles não será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a obrigação. Em relação aos demais devedores, os herdeiros serão considerados como um devedor solidário (art. 276 do CC). A remissão concedida a um dos coobrigados extingue a dívida na parte a ele correspondente, de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida (art. 388 do CC). A remissão, sendo liberalidade, é interpretada restritivamente, aplicando-se tão-somente à quota do devedor, mantido o dever solidário dos coobrigados pelo total do montante do débito, descontada a parte do devedor que obteve remissão. Qualquer dos devedores solidários pode estipular condições especiais para o pagamento do seu débito, não podendo, todavia, agravar a posição dos coobrigados sem consentimento destes (art. 278 do CC). A interrupção da prescrição efetuada contra o devedor solidário ou o reconhecimento da dívida por este envolve os demais coobrigados e seus herdeiros. A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis (art. 204, §§ 1º e 2º, do CC).

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

No caso de impossibilidade de cumprir a obrigação decorrente de força maior, a obrigação se extingue. Se houver culpa de um dos devedores, cada um dos coobrigados deve pagar o valor da coisa ou da prestação (aestimatio rei), respondendo pelas perdas e danos o devedor culpado (art. 280 do CC). Se um dos devedores já estava em mora quando a impossibilidade se verificou, responde pelos danos dela decorrentes, mesmo na hipótese de força maior ou de caso fortuito, salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano sobreviria ainda se a obrigação fosse oportunamente executada (art. 399 do CC). Quanto ao credor, na relação jurídica externa, todos os devedores respondem pelos juros de mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um, mas o culpado responde perante os outros, na relação interna, pela obrigação acrescida (art. 280 do novo Código Civil). Os princípios aplicados em relação às perdas e danos e aos juros não são os mesmos. Quanto à indenização pelas perdas e danos, o credor só pode cobrá-la do devedor culpado. Quanto aos juros, são exigíveis de qualquer coobrigado, embora este tenha ação regressiva contra o culpado. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores (art. 282 do CC). Pode, assim, transformar a obrigação solidária em obrigação conjunta ou fracionária, na qual, em vez de responder, na relação externa, pelo total do débito, só responde cada devedor pela sua quota. O devedor demandado pelo credor pode opor as exceções comuns a todos os devedores e as exceções que lhe forem pessoais, não lhe aproveitando porém as pessoais de outro codevedor. Assim, qualquer devedor pode alegar a ilicitude do objeto, a extinção da dívida por pagamento já feito, ou seja, as defesas ou exceções comuns a todos os devedores. São consideradas exceções pessoais as que só podem ser alegadas pelo interessado, por exemplo, os vícios de consentimento e as causas de anulabilidades dos negócios jurídicos em geral (arts. 171 e 177 do CC). A novação entre um dos devedores e o credor, modificando o conteúdo da obrigação originária, exonera os devedores solidários de qualquer responsabilidade (art. 365 do CC). 18. Execução da obrigação O dever jurídico imposto ao devedor, em favor do credor, na relação obrigacional pode ser cumprido direta ou indiretamente, voluntária ou involuntariamente. O cumprimento da obrigação, também denominado pagamento ou solução do débito, é a execução da prestação pelo devedor na forma estabelecida no ato jurídico ou na lei, de acordo com as normas fixadas quanto ao modo, tempo e lugar de sua realização. O pagamento pressupõe a existência de uma dívida e a vontade de extingui-la (animus solvendi), devendo em tese ser feito pelo devedor ao credor. Na falta de uma relação jurídica, o pagamento configura-se como indevido, dando margem a uma ação do devedor para reaver o que pagou sem justo motivo (arts. 876 e seguintes do CC). A obrigação se extingue independentemente de pagamento no caso de realização de condição resolutiva ou advento de termo extintivo. A impossibilidade de cumprimento do dever jurídico em virtude de caso fortuito ou força maior constitui outra hipótese de extinção da obrigação. No caso de inadimplemento injustificado, o credor pode recorrer ao procedimento judicial ou arbitral para exigir a execução forçada da obrigação. A sentença garante ao credor o que lhe era devido acrescido das perdas e danos pelo atraso, ou o equivalente (id quod interest),

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abrangendo o ressarcimento do dano causado e do lucro não auferido (damnum emergens e lucrum cessans). 19. Pagamento Pagamento todo cumprimento de obrigação, importando em dar, fazer ou não fazer. O pagamento é feito na forma estipulada, não podendo o credor ser obrigado a receber parcialmente o débito, salvo em casos especiais previstos pela lei, como na substituição do devedor por seus herdeiros, que só são responsáveis pelo débito na proporção dos seus quinhões (art. 1.997 do CC). O dever de cumprir a obrigação incumbe ao devedor e aos seus herdeiros, se o débito não for personalíssimo. Os sucessores se substituem ao falecido em todas as vantagens e deveres de caráter patrimonial que tenha, salvo se existir um vínculo de intuito pessoal. Qualquer pessoa pode pagar uma dívida, sua ou de outrem. Mas o Código Civil distingue: o pagamento pode ser feito por terceiro interessado ou por terceiro não interessado. O termo interessado aí tem sentido técnico: é aquele que pode ser responsabilizado pelo débito, como, por exemplo, o avalista ou um terceiro garantidor da dívida. No entanto, se alguém é parente ou amigo do devedor e deseja auxiliá-lo, também pode pagar, mas os efeitos são diversos. A obrigação se extingue pelo pagamento da dívida por qualquer interessado (devedor, coobrigado, fiador, herdeiro do devedor, adquirente do imóvel hipotecado) a quem é lícito fazê-lo em nome próprio, sub-rogando-se no direito do credor. Em virtude do estabelecido no art. 346 do CC, ocorre a sub-rogação de pleno direito em favor: “I – do credor que paga a dívida do devedor comum; II – do adquirente do imóvel hipotecado que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; III – do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte”. O pagamento também pode ser feito por terceiro não interessado. Se o fizer em nome próprio, o terceiro pode tão-somente obter o reembolso do que pagou, mas não se sub-roga nos direitos do credor (art. 305 do CC). Havendo oposição do devedor ao pagamento do seu débito por outrem ou não tendo conhecimento da ação de terceiro, este não terá direito ao reembolso do que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação (art. 306 do CC). O devedor não se pode opor ao pagamento por terceiros, ou melhor, a sua oposição não invalida ou impede o pagamento, importando apenas em restringir os direitos do pagador contra ele. Não pode, todavia, o terceiro, piorar a posição do devedor. Assim, se pagar o débito antes do vencimento, somente após este poderá exigir do devedor o reembolso da quantia despendida (art. 305, parágrafo único, do CC). Se o devedor tinha a possibilidade de compensar débito e crédito com o credor, o terceiro não interessado, que pagou, só poderá exigir do devedor o pagamento da quantia não sujeita à compensação. O pagamento deve ser feito ao credor, aos seus sucessores, ou ao seu representante legal, judicial ou convencional. Nos casos de incapacidade do credor, o pagamento deverá ser feito a quem de direito. Havendo dúvida de quem pode receber, incumbe ao devedor consignar judicialmente o pagamento, cabendo ao juiz finalmente decidir a quem o pagamento deverá ser feito (art. 895 do CPC). Considera válido o pagamento feito ao credor putativo, ou seja, àquele que tem todas as características de credor, embora não o seja. É credor putativo aquele que se apresenta com um título aparentemente válido, embora posteriormente seja o mesmo julgado nulo.

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devendo ser escrita desde que o montante da dívida seja superior ao décuplo do maior salário mínimo (art. far-se-á em moeda corrente no lugar do cumprimento da obrigação (art. 330 ao prever que. A quitação do capital. Havendo pluralidade de domicílios ou mais de um lugar indicado para o pagamento. A segunda está aposta em seu art. tendo o devedor ciência dessa incapacidade. 322 do CC). 321 do CC). das circunstâncias ou de convenção entre as partes. do CC) e da vedação do enriquecimento sem causa (art. com o pagamento reiterado em outro local. se ocorrer aumento por fato do credor. estabelecida no art. à prova do pagamento feito. 327 do CC considera. declaração do credor que inutilize o título desaparecido (art. 315 do CC). perdido este. Existem várias exceções ao princípio fixado no referido art. sem incorrer em mora. todavia. só valerá nos limites em que reverteu em favor do beneficiado (art. se houver motivo grave que impeça a realização do pagamento no lugar acordado. O devedor que paga tem direito à quitação regular. da natureza das obrigações. tratando-se de obrigações pecuniárias. que não ocorreu o pagamento. Cometti Fernando F. reaver daquele a quem pagou indevidamente o montante pago. 327 do CC. tendo a quitação sido obtida pelo devedor fraudulentamente (art. 876 e s. retendo o pagamento. todavia. a prova contrária. desde que o credor prove. presume-se que corram por conta do devedor as despesas com o pagamento e a quitação. O pagamento feito indevidamente obriga o devedor a pagar novamente. O pagamento é feito na forma estabelecida pela lei ou pelo negócio jurídico e. que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor. A quitação admite qualquer forma. Os débitos. A primeira está prevista em seu art. ou seja. a quitação ser impugnada. Quem paga mal paga duas vezes. no momento do vencimento da obrigação.Coordenadores: Marcelo T. fundamentando-se nas regras sobre pagamento indevido (arts. cabe a opção ao credor. São quérables ou quesíveis quando pagáveis no domicílio do devedor. sem ressalva. o devedor poderá fazê-lo em outro local. todavia. salvo convenção em contrário. decorrentes da própria lei. pode o devedor exigir. A entrega do título ao devedor firma a presunção juris tantum de pagamento. podendo. caso em que a despesa acrescida será por conta do credor (art. 401 do CPC). presume-se juris tantum que o recebimento do pagamento da prestação posterior implique a quitação das prestações anteriores. 324 do CC). É o que se dá na hipótese de pagamento de aluguéis na locação e das duplicatas sucessivas na venda de um objeto em prestações. também não está obrigado o credor a receber pagamento que não seja em moeda corrente. Tal presunção extingue-se. desde que haja prejuízo para o credor. podendo reter o pagamento. 323 do CC). faz presumir o pagamento dos juros (art. Assim. 325 do CC). ainda que mais valiosa. todavia. No que diz respeito ao lugar do pagamento as dívidas são portables ou portáveis quando devem ser pagas no domicílio do credor ou onde ele indicar. que pode consistir na ressalva existente no próprio recibo ou em outros documentos ou mesmo na correspondência entre as partes (art. O devedor poderá. ficando ao seu exclusivo critério aceitar ou não ordem de pagamento ou cheques. cuja quitação consiste na devolução do título (por exemplo: nota promissória). 884 do CC). presume-se que o credor renunciou ao lugar previamente acordado no contrato. 310 do CC). 329 e estabelece que. no prazo de sessenta dias. Admite-se. Havendo pagamentos periódicos. . visados ou não. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que é devida. A norma geral. Castellani Se o pagamento é feito ao credor incapaz de quitar. O CC duas regras especiais referentes ao lugar do pagamento.41 - . enquanto lhe for recusada a quitação (art. 319 do CC). Salvo convenção em contrário.

20. na forma contratual ou legal (art. depois da mora. como se tradição tivesse havido. do CC). Inadimplemento e mora O inadimplemento ou não-cumprimento da obrigação na maneira estipulada pode revestir formas diversas. 333 do CC: “I – no caso de falência do devedor. na última hipótese. sem necessidade de qualquer interpelação judicial. quer por parte do credor (mora creditoris ou mora accipiendi). vencida e não paga em virtude de culpa do devedor. A mora debitoris pressupõe uma dívida líquida e certa. e o devedor. diversamente. 333. Neste caso. Há mora do credor quando este se recusa a receber o que lhe é devido. se negar a reforçá-las”. o credor pode exigir o pagamento imediatamente (art. se este oscilar . A lei concede ao credor o direito de cobrar a dívida antes do seu vencimento em algumas hipóteses especiais. importam em impedir de modo definitivo o cumprimento da obrigação.42 - . em virtude de lei nova. o negócio jurídico criador da obrigação estabelece a época de sua realização. Pode. III – se cessarem. cabal e definitivo pode ser fortuito ou culposo. hipotecados ou empenhados. 394 do CC). casos em que o prazo será fixado de acordo com os usos e costumes locais. II – se os bens. 397 do CC).425 do CC. §§ 1º e 2º). a antecipação de vencimento relativa a um dos devedores não importa em vencimento do débito dos coobrigados solidários (art. as garantias do débito. 332 do CC). ter havido um simples atraso no adimplemento da obrigação. ou se se tornarem insuficientes. a responsabilidade do inadimplente. que não foi cumprida no tempo fixado. A constituição em mora se realiza de pleno direito. salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano ainda sobreviria se a obrigação fosse oportunamente desempenhada. quer por parte do devedor (mora debitoris ou mora solvendi). A destruição da coisa e a ilicitude do negócio jurídico. 1. Esse atraso ou retardamento importa num inadimplemento temporário. quando a prestação ainda é útil para o credor. 331 do CC). As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição. o devedor responde também pela impossibilidade da prestação resultante de caso fortuito ou força maior. ou seja. como as mencionadas no art. que revelam a insolvência do devedor. No caso de silêncio das partes e desde que não exista disposição legal em sentido contrário. ou de concurso de credores. que são. pela conservação do bem e sujeitando-se ainda a recebê-lo pelo seu maior valor. intimado. ou exigir tempo. devendo o credor ressarcir o devedor pelas despesas que teve. fidejussórias. ou reais. pelo simples advento do termo ou decurso do prazo. dependendo de notificação prévia feita pelo credor ao devedor. O inadimplemento total. por exemplo. cabendo ao credor a prova de que o devedor teve ciência do advento da mesma (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sobre o tempo do pagamento. Os efeitos da mora creditoris importam em transferir a responsabilidade pela conservação da coisa ao credor. Também são causas de vencimento antecipado dos débitos as hipóteses elencadas no art. Uma vez que haja mora. a deterioração e o perecimento da coisa dada em garantia (incisos I e IV. Mora é o retardamento culposo no cumprimento da obrigação. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso. mas o foi posteriormente. ensejando. parágrafo único. forem penhorados em execução por outro credor. É o princípio dies interpellat pro homine (art. se houver solidariedade passiva entre os devedores.

nos casos e forma legais (art. de 8-8-1944). 334 a 345 e no Código de Processo Civil nos arts. 890 a 900. 334 do CC) A consignação é regulada pelo CC nos arts. de valor semelhante. móvel ou imóvel. poderá vender o imóvel. pelo pagamento (art. que é substituído pelo outro ou pelos títulos ou pela caderneta vinculada (art. Pagamento em consignação Pagamento em consignação é o depósito judicial da coisa devida ou depósito em estabelecimento bancário. privilégios e garantias do primitivo em relação à dívida contra o devedor principal e os fiadores (art. somente podendo depender de prova da qualidade do credor por parte de quem pretende receber o pagamento. . se o herdeiro indicar outro bem. só não cabendo tal ação na hipótese de obrigação de fazer ou de não fazer. a transferência do crédito próprio ou alheio. Pagamento com sub-rogação A sub-rogação é a substituição de uma pessoa ou de uma coisa por outra pessoa ou coisa. Sub-rogação pessoal pode ser: a) por força de lei. ações. A consignação deve ser efetiva. a sub-rogação legal em favor do terceiro que paga letra de câmbio ou do segurador que indeniza o dano causado à pessoa ou coisa segurada. e considerando-se pagamento o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida. 349 do CC). Exemplo: um bem da herança gravada com cláusula de inalienabilidade não pode ser vendido. também. A consignação em pagamento se aplica a todos os casos de obrigação de dar coisa certa ou incerta. 1. 334 do CC). que efetua o pagamento ou empresta o dinheiro necessário para tal fim. interrompendo. ou títulos da dívida pública. de valor equivalente. que fica em lugar daquela. se for débito em dinheiro. Distingue-se da cessão de crédito. com todas as suas características e atributos. 6.777. b) por força de contrato ou de recibo com tal fim. e convencional quando ocorre explicitamente a transferência dos direitos de devedor ou do credor ao terceiro. Sub-rogação real é a substituição de uma coisa gravada por outra.43 - . mediante transferência dos direitos que o credor tinha contra o devedor. Mas. a transferência do crédito ao pagador de dívida alheia (casos do art. 21. ou mantiver depósito em poupança vinculada. Ocorre. O terceiro se subroga nos direitos do credor quando paga o débito. numa relação jurídica. completa e incondicional. para liberar o devedor. A sub-rogação convencional se dá por cessão do credor ou do devedor. Cometti Fernando F.Coordenadores: Marcelo T. outrossim. porque esta se faz antes do pagamento e a sub-rogação se faz por causa do pagamento. Os casos de sub-rogação legal são aqueles em que o pagamento é feito por um terceiro interessado na relação jurídica.911. 346 do CC). Castellani entre o tempo do vencimento e o do pagamento. parágrafo único. 347 do CC). 400 do CC). nos casos legais (art. 22. A sub-rogação pode ser legal (de pleno direito) ou convencional. O sub-rogado assume assim a posição do sub-rogante. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos. o curso dos juros (art. do CC – passando a ser exigida autorização judicial – e Decreto-lei n. É legal quando independe do consentimento do devedor ou do credor.

A novação é objetiva ou real quando há modificação da prestação e subjetiva quando ocorre mudança do credor ou do devedor. Não caracteriza a novação a simples modificação . garante a lei ao devedor o direito de indicar quais os débitos que pretende pagar (art. a existência de uma dívida e o pagamento desta pela entrega de uma coisa diferente da prometida. pois. o legislador estabeleceu um sistema de preferência considerando que. 359 do CC). no silêncio das partes. c) a vontade de realizar novação (animus novandi) extinguindo a obrigação anterior. a extinção de uma obrigação mediante a constituição de uma obrigação nova que se substitui à anterior. fica ao arbítrio do credor imputar o pagamento da maneira que preferir. A dação em pagamento extingue a obrigação. havendo capital e juros. 364 a 366 do CC). A imputação pode decorrer de acordo entre os interessados ou de determinações legais. ou seja. Havendo evicção. 24. seja por modificação do credor ou do devedor. ficando sem efeito a quitação dada. Salvo estipulação em contrário. desonerando os coobrigados que nela não intervieram (arts. e d) capacidade das partes para novar e para dispor. Novação A novação é a transformação de uma obrigação em outra. com relação a que débitos o pagamento deve ser imputado. na falta de declaração de vontade dos interessados. 354 do CC). deve ser imputado primeiramente nos juros e depois no capital (art. 353 do CC). Para que haja novação são elementos necessários: a) uma obrigação anterior. Dação em pagamento Quando o credor consente em receber coisa diversa da que lhe é devida ocorre a datio in solutum ou dação em pagamento. ou melhor. não mais poderá apresentar reclamação posterior contra a imputação. Não declarando o devedor qual das dívidas pretende pagar e aceitando a quitação de uma delas. determina o Código que se restabelece a obrigação primitiva. Supletivamente.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 23. o pagamento. 25. ou seja. embora possa ser simples obrigação natural. b) uma obrigação nova que extingue a anterior. todos líquidos e vencidos. Os elementos necessários da dação em pagamento são. a novação extingue os acessórios e garantias da dívida primitiva. seja pelo valor ou natureza da prestação. com assentimento do credor e visando à extinção da obrigação.44 - . condicional ou anulável. Assim sendo. ou seja. na falta de declaração do devedor. 352 do CC). Imputação do pagamento Imputação é a escolha da parcela a ser quitada num pagamento parcial do devedor que tem vários débitos em relação a um só credor. pouco importando que a coisa dada em pagamento tenha valor maior ou menor do que a prestação originariamente devida. Havendo diversos débitos. distinguindo-se a prestação antiga da nova. reintegrando-se terceiro na propriedade da coisa dada em pagamento ao credor. o problema que surge é o de saber quais os débitos que devem ser considerados pagos. salvo provando a existência de dolo ou violência (art. Quando o devedor tem vários débitos em relação ao mesmo credor e paga quantia insuficiente para a liquidação de todos. ressalvados os direitos de terceiros (art. em virtude da criação da obrigação nova.

termo ou encargo) ou das garantias dadas ao credor. A compensação é voluntária quando as partes a realizam em virtude de convenção. extinguindo-se um e mantendo-se o outro na parte excedente ao crédito compensado. É total quando importa na extinção da obrigação. judicial. 27. salvo se um dos créditos decorrer de esbulho. Como a compensação. ou quando o credor primitivo é substituído por outro. em virtude da liquidação judicial de um crédito anteriormente ilíquido. Não impede a compensação a diferença de causa nas dívidas. ou convencional. 5. ao mesmo tempo. comodato. furto ou roubo. vencidas e de coisas fungíveis (art. ou da expromissão. depósito ou alimentos ou se uma dívida for de coisa insuscetível de penhora (art. Castellani das modalidades (condições. Mesmo as coisas fungíveis só se compensam quando forem da mesma qualidade. 362 do CC). quando decorre de declaração de vontade das partes interessadas.172/66). 375 do novo Código Civil). sendo necessária uma substituição do objeto da obrigação (prestação) ou da causa debendi. quando a novação se realiza independentemente do consentimento do devedor originário. Confusão A confusão é a extinção da obrigação decorrente da identificação numa mesma pessoa das qualidades de credor e devedor (art. podendo ainda ser total. As partes podem renunciar à compensação ou excluí-la por mútuo acordo (art. com a extinção de ambas as dívidas. . a confusão só pode ser alegada entre credor e devedor. por acordo entre o credor e um novo devedor que assume a obrigação do anterior (art. mas a confusão na obrigação acessória (confusão do fiador e do credor) não importa em extinção da obrigação principal (art. Cometti Fernando F. sem que existam os requisitos estabelecidos pela lei para a compensação de pleno direito. 384 do CC). A compensação só se efetua entre dívidas líquidas.Coordenadores: Marcelo T. quando depende de decisão do magistrado.45 - . A compensação judicial é aquela realizada pelo juiz. 382 do CC). 368 do CC). quando os créditos são de valor diverso. 26. ficando exonerado da responsabilidade o antigo. A confusão extingue a obrigação principal e as obrigações acessórias. Também não se admite a compensação nas dívidas fiscais. Compensação A compensação é meio de extinguir as dívidas de pessoas que. A compensação pode ser automática ou de pleno direito. 369 do CC). são credora e devedora uma da outra até o limite da existência do crédito recíproco (art. A novação deriva de delegação quando há consentimento de todos os interessados e extinção do débito para o substituído. havendo reciprocidade entre os créditos e débitos. 373 do CC). A novação é subjetiva quando o antigo devedor é substituído por um devedor novo. ou parcial. 381 do CC). 170 da Lei n. extinguindo-se a dívida do devedor para com o primeiro e mantendo-se para com o novo credor. A confusão pode ser parcial ou total (art. a não ser em virtude de lei específica (art. É parcial quando tão-somente uma parte do crédito se extingue pela confusão. É também denominada compensação facultativa.

Se a obrigação for indivisível e um dos credores fizer a remissão da dívida. Se houver transação entre um dos devedores solidários e o credor. assinado pelos transigentes e devidamente homologado pelo juiz ou por escritura pública. é o negócio jurídico bilateral pelo qual os interessados. g. A cláusula penal se apresenta geralmente sob a forma de pagamento de determinada quantia em dinheiro. necessitando. 408 a 416 do CC). a dívida se extingue para os co-devedores solidários (art. o acordo de vontades do credor e do devedor. seja perdoando uma dívida. submetem o devedor que descumprir a obrigação a uma pena ou multa no caso de mora (cláusula penal moratória) ou de inadimplemento (cláusula penal compensatória). 844.46 - . assinado pelos transigentes e homologado pelo juiz. se recair sobre direitos contestados em juízo. por concessões mútuas. há sempre uma dúvida ou um litígio que as partes pretendem eliminar a fim de obter maior segurança nas suas relações jurídicas. conforme vise a terminar um processo ou evitar o seu início. que todavia só poderão exigi-la descontada a parte correspondente ao credor que perdoou a dívida (art. do CC). a obrigação não se extingue para os outros. Quando se transige. nas obrigações em que a lei o exige. poderá ser feita por termo nos autos. 840 do CC). Em sentido restrito. só podendo o credor cobrar dos coobrigados solidários o débito remanescente. do CC). para se tornar irrevogável. regulamentado pela lei civil (arts. A simples declaração do credor importa em extinção da dívida. não as substituindo normalmente por outras. 842 do CC. mas pode ser revogada até o momento em que o devedor aceita a remissão. No primeiro caso. 844. O valor da . será feita por escritura pública ou por termo nos autos.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 28. Cláusula penal A cláusula penal é um pacto acessório. Nos termos do art. Transação A palavra “transação” é utilizada em sentidos diversos. A multa é convencionada no momento da realização do ato jurídico ou posteriormente. Na acepção mais ampla e menos técnica. Pela transação. as partes extinguem obrigações. nas em que ela o admite. significa qualquer espécie de negócio. admitindo-se todavia a cláusula cujo conteúdo seja a prática de ato ou mesmo uma abstenção por parte do inadimplente. 29. § 3º. como aliás ocorre em matéria de novação (art. revertendo em favor da parte inocente ou de terceiro (v. Remissão de dívida Remissão das dívidas é a renúncia do credor ao crédito que existe em seu favor. seja trazendo-lhe uma doação. pelo qual as partes. 30. por convenção expressa. 388 do CC). obra beneficente). ou por instrumento particular. a transação far-se-á por escritura pública. como ocorre na novação. Se a dívida for solidária. a remissão feita a um dos devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente.. A transação concluída entre o credor e o devedor desobriga o fiador. descontando a quota que for objeto da remissão (art. 262 do novo Código Civil). § 1º. Pode ser judicial ou extrajudicial. evitam ou terminam um litígio (art. A transação também se distingue do ato de liberalidade em que uma das partes quer beneficiar a outra.

g. Nesta hipótese. ou acrescer-se a elas. entre pessoas vivas (inter vivos) ou em virtude de falecimento (mortis causa).47 - . 420 do CC. que não poderá ser exigida indenização suplementar. recorrendo-se eventualmente a vários fatores para a fixação definitiva do seu montante. funcionando como verdadeira cláusula compensatória. quando a obrigação tiver sido parcialmente cumprida ou na hipótese de a penalidade ser manifestamente excessiva. enquanto na cláusula penal a parte inadimplente se compromete condicionalmente (na hipótese de inadimplemento ou de mora) a pagar certa quantia previamente fixada. podendo então substituir-se às perdas e danos. 31. as arras são consideradas penitenciais e terão função unicamente indenizatórias. que foi cedido). se o arrependimento for da outra parte. tendo em vista a natureza e a finalidade do negócio (art. e não de mora. independentemente de qualquer infração. quando abrange todos os bens ou uma fração da totalidade dos bens do cedente (como ocorre em relação ao herdeiro). No silêncio do contrato. A cláusula penal é moratória quando se aplica em virtude de mora do devedor e sem prejuízo da exigência da prestação principal. há promessa de pagamento. Nos termos do art.. a cláusula penal se aplica no caso de infração do contrato. 413). devem ser devolvidas quando o contrato é executado ou desfeito independentemente de culpa. Arras ou sinal As arras constituem quantia ou coisa móvel dada por uma das partes à outra. entende-se que no caso de inadimplemento. O legislador determinou. do CC). 417. não haverá a restituição do sinal para aquele que o deu ou. Ressalta-se que. haverá restituição do equivalente ao valor dado como arras.245. de 18-10-1991). o locatário abandona o prédio antes do termo fixado e existe no contrato uma multa na hipótese de infração contratual. As arras se distinguem da cláusula penal pois. no momento da celebração do contrato. um crédito contratual. não devendo mais nada (art. nas arras penitenciais o pagamento é prévio.Coordenadores: Marcelo T. ainda. O locatário pode pagar a multa. ou a título singular. a cláusula penal é compensatória e não representa um acréscimo às perdas e danos. o sinal poderá ser restituído ou computado como parte do pagamento do devido (art. se as arras não constituem início do pagamento. como complemento pela infração contratual. As arras podem ser em dinheiro ou em outros bens fungíveis. Outras vezes. . O primeiro é o art. quando só se refere a um crédito específico (v. Se houver a execução do contrato. Funcionando ambos os institutos como limitações da indenização na hipótese de inadimplemento. Castellani multa deve ser determinável. Cometti Fernando F. parte final. Assim. Transmissão das obrigações A transmissão das obrigações pode apresentar-se sob a forma ativa (cessão de crédito) ou passiva (assunção de dívida ou cessão de débito). 32. em garantia da conclusão de um contrato. se as partes convencionam a possibilidade de arrependimento. O segundo atribui ao juiz o dever de reduzir a cláusula eqüitativamente. enquanto naquela o pagamento é feito desde logo. O CC tem dois artigos que impõem limites para a estipulação da cláusula penal. podendo ser a título universal. 4º da Lei n. num contrato de locação por tempo determinado. nesta. 412 que veda ter a cláusula penal valor superior ao da obrigação principal. por antecipação mediante entrega real da quantia. 8.

em princípio. 299). Como aplicações específicas da assunção de dívida. o silêncio será interpretado como a reprovação da respectiva cessão de débito. tornando inequívoco que: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. 303. .. com ou sem aceite deste. com o consentimento expresso do credor. o CC se refere ao caso do adquirente do imóvel hipotecado que se responsabiliza pelo pagamento do débito hipotecário. Neste caso. deve impugnar a transferência em trinta dias. conforme o seu art. caso não o faça. pois concede crédito a alguém que. salvo se aquele. Além disso. ao tempo da assunção. “entender-se-á dado o assentimento”. emprego e outros fatores. 299 e s. O CC admite expressamente a assunção de dívida nos arts.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A assunção de dívida é um negócio jurídico pelo qual um terceiro assume a dívida em lugar do devedor. se não o faz. dependendo dos rendimentos.48 - . era insolvente e o credor o ignorava” (art. o banco não é obrigado a aceitar qualquer devedor. 299 trata da manifestação do credor sobre o negócio realizado e determina que pode ficar estipulado um prazo para que ele consinta na assunção da dívida. sendo notificado. ficando exonerado o devedor primitivo. O CC diz que o credor. o parágrafo único do art. e. poderá pagar.

visando criar. fixação de percentagens de juros). que implica um estado de conhecimento do sujeito. representa algo psicológico que presume a ignorância da real situação jurídica. não vinculam as partes. uma das partes pode pretender apenas obter informações. portanto. a liberdade contratual só sofre restrições em virtude da ordem pública. 3. também denominada pela doutrina de boa-fé objetiva. enquanto a segunda importa na fixação das modalidades de sua realização. ainda. . É o caso do art. que representa a projeção do interesse social nas relações interindividuais.Coordenadores: Marcelo T. se o possuidor ignora o vício. 1. Assim. O contrato poderá ou não se realizar. pois muitos contratos são hoje verdadeiros contratos de adesão. Na boa-fé subjetiva. analisa-se o conhecimento ou a ignorância de determinada situação.49 - . Cometti Fernando F. denominada policitação. Os dois elementos imprescindíveis para a formação do contrato são a solicitação ou proposta e a aceitação. para saber se interessa ou não o contrato. Quando há aceitação. tabelamento de gênero. em seu art. Princípios básicos do direito contratual Liberdade de contratar é a faculdade de realizar ou não determinado contrato. visitas. que não se iguala ao sentido dado à boa-fé subjetiva. levando em conta os deveres de diligência que se espera de um homem mediano. Relaciona-se com fatores do sujeito e com os cuidados que deve ter nas suas relações com terceiros. o oblato torna-se aceitante. ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. minutas. Noção de contrato O contrato é um negócio jurídico bilateral. 422. O Código Civil.201 do CC: “É de boa-fé a posse. O dirigismo contratual diminuiu e restringiu a autonomia da vontade. A liberdade no plano contratual tem sofrido amplas restrições. Formação do contrato O contrato. A primeira se refere à possibilidade de realizar ou não um negócio. tanto na conclusão do contrato quanto na sua execução. 2. corresponde a uma técnica legislativa que busca garantir a relação entre o direito e a realidade social. Assim. . adotou a cláusula geral de boa-fé. troca de cartas para esclarecimentos. enquanto a liberdade contratual é a possibilidade de estabelecer o conteúdo do contrato. cujo texto depende de aprovação prévia de organismos governamentais. Castellani CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS 1. apontamentos. É preciso ressaltar. pressupõe uma proposta. modificar ou extinguir obrigações (direitos relativos de conteúdo patrimonial). possibilitando a existência de um sistema jurídico aberto com constantes adaptações das normas legais às exigências do mundo de relações e da alteração dos seus valores com o tempo. especialmente no tocante à faculdade de fixar o conteúdo do contrato (liberdade contratual). a cláusula geral fornece um ponto de partida para se alcançar resultados justos e adequados. como acordo de vontades. indagações. Em tese. em virtude da elaboração de uma série de normas legislativas fixando princípios mínimos que os contratos não podem afastar (salário mínimo. A regra de boa-fé objetiva configura-se como cláusula geral e. pois depende de no mínimo duas declarações de vontade. Antes de aceitar. feita por uma das partes – o policitante ou proponente – à outra – o oblato ou solicitado. contas. isto é.

Quando. salvo declaração de vontade deste.50 - . deixando todavia a policitação de ser vinculatória se feita sem prazo a pessoa presente. Para o não contratante que não sucede ao contratante. relação jurídica entre as partes contratantes. cessionários). chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente (arts. pois. todavia. e “a obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente” (art. ela pode ser revogada pela mesma via da sua divulgação. De acordo com o seu art. será considerado o lugar em que foi feita. não podendo todavia prejudicar ou beneficiar terceiros sem declaração de vontade por parte destes de que aceitam os efeitos contratuais sobre o seu patrimônio. 109 do CC). esta não responder dentro do prazo estipulado ou de prazo razoável.657. que são os sujeitos ativos e passivos da relação jurídica. resolvendo-se em perdas e danos que o promitente deverá pagar ao outro contratante. todavia. Efeitos dos contratos Os contratos alcançam as partes interessadas. sem nenhum efeito sobre o patrimônio do terceiro. no fundo. se o contrário não resultar dos seus termos. Geralmente os contratos não tenham formas solenes. com ou sem conhecimento ou consentimento deste. pode o contrato tanto ser verbal como escrito. 429). a indenização deve ser ampla. abrangendo tanto o dano emergente como o lucro cessante. O CC estabeleceu regra específica para a oferta destinada ao público em geral. feita a pessoa ausente. passando a ser o instrumento público essencial para a validade do negócio jurídico (art. 9º e § 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. o terceiro. Havendo contraproposta. assim como seus sucessores (herdeiros. 439 do CC admite explicitamente a possibilidade de ser prometido fato de terceiro. A promessa não vincula. Deixa também de obrigar o proponente a policitação quando. 5. equiparando-se a aceitação condicional. ou de documento escrito (doação que não seja de pequeno valor. reputa-se celebrado o contrato onde foi proposto (art. antes ou simultaneamente com ela. A proposta de contrato obriga o proponente. na hipótese de inadimplemento. 429. 427 e 428 do CC). Entretanto. Nesta hipótese. de 4-9-1942). Quanto ao lugar. realizando-se por documento particular ou público.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Essas são as chamadas negociações preliminares. da natureza do negócio ou das circunstâncias do caso. constitui nova proposta. autorização para sublocar na sistemática da Lei do Inquilinato). 4. a oferta ao público equivale à proposta. não há exigência legal quanto à forma. o contrato é res inter alios acta. Decreto-lei n. que. . não for aceita imediatamente ou se. como toda declaração unilateral de vontade. “para qualificar e reger as obrigações. O problema se reveste da maior importância em direito privado. algumas vezes há necessidade de escritura pública (venda de imóvel de valor superior a certa quantia). se contiver todos os requisitos essenciais do contrato e desde que as circunstâncias e os usos não estabeleçam o contrário. aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem”. 4. 435 do novo Código Civil). Promessa pelo fato de terceiro O art. desde que a própria oferta mencione essa faculdade (parágrafo único do art.

cabe o exercício da ação redibitória. Contudo. uma vez que o terceiro tenha manifestado a sua aceitação. para terceiro. pois. Enquanto o terceiro não aceita os efeitos da estipulação. § 1o. e existente no momento da execução do contrato e subsistente na época do exercício da ação própria.O vício redibitório se distingue do defeito visível. em favor de quem a prestação deve ser executada. nem poderão. Se ao contrário o desaparecimento do objeto for conseqüência do vício. O vício redibitório é. impedindo o uso normal da coisa.Coordenadores: Marcelo T. Perecendo a coisa. se a pessoa indicada for insolvente ou incapaz no momento da indicação. do CC estabelece que. modificar a identidade do beneficiário ou as modalidades da prestação. aparente ou ostensivo. A renúncia à garantia pelos vícios redibitórios pode ser expressa. Entretanto. 467 a 469 do CC). o contrato somente produzirá efeitos entre os contratantes originários (arts. que estipula em favor de terceiro. desde o momento em que foi celebrado (arts. e finalmente o terceiro. 7. por sua natureza. Se o vício vier a surgir depois da execução do contrato.51 - . ainda. não poderão os contratantes fazer o distrato sem intervenção do terceiro. quando o adquirente. pessoa determinada ou determinável. ignorado pelo adquirente. nos termos estipulados no instrumento contratual ou na lei. vício da vontade. quando o vício. por sua própria conta. uma das partes tem a faculdade de. Os prazos para o exercício da ação redibitória são de decadência. Contrato com pessoa a declarar Neste tipo de contrato. oculto. não se suspendendo. Vícios redibitórios Vício redibitório é o defeito oculto que desvaloriza ou torna a coisa imprópria ao uso. ou seja. sendo o estipulante. 441 e parágrafo único do CC). este não pode acionar o vendedor. sem o seu consentimento. o promitente. em virtude de caso fortuito ou culpa do comprador. começando a correr a partir da entrega ou da tradição do objeto ao adquirente. e do erro. nem sendo suscetíveis de interrupção. Estipulação em favor de terceiro A estipulação em favor de terceiro é o contrato pelo qual se cria. 8. àqueles em que há equivalência das prestações das partes. Na estipulação existem três sujeitos. 445. não intentando as ações próprias. Castellani 6. mediante cláusula contratual ou aditamento ao contrato. Exemplo: seguro de vida. o art. dois certos e um condicional. 470 e 471). um direito novo e próprio. só puder . por outro. Cometti Fernando F. por um lado. não pode ser atribuída a responsabilidade ao vendedor. salvo se o comprador puder provar que decorre de outro defeito já existente por ocasião do contrato. as reformas ou consertos necessários para corrigir os defeitos existentes. que se obriga a realizar a prestação em favor de terceiro. em certos casos. ou tácita. mas as partes podem alterar a convenção de comum acordo. A teoria da responsabilidade pelos vícios redibitórios se aplica atualmente a todos os contratos comutativos. mas. Os direitos e deveres oriundos da estipulação surgem independentemente da aceitação do terceiro. prefere realizar. indicar outra pessoa que irá adquirir direitos ou assumir obrigações nele previstas. caso não haja indicação de terceira pessoa ou a indicação não seja aceita por ela ou. há obrigatoriedade desta. como também à doação onerosa (art.

§ 2º. exista um vício no direito do alienante transferido ao adquirente. pelo adquirente. nos termos do art. perdendo o direito que acreditava ter legitimamente adquirido. . a evicção só recai sobre uma parte do objeto da alienação. considerar-se-ão os usos e costumes locais.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI ser conhecido mais tarde. reconhecendo que o alienante não era titular legítimo do direito que transferiu. 9. O alienante é o responsável pelos prejuízos decorrentes da evicção. Ademais. Caracteriza. reforçar. A lei dá assim maior liberdade às partes para a ampliação da garantia legal no caso de evicção. em virtude da qual o adquirente perdeu o uso. com um patrimônio de terceiro ou com certos bens específicos pertencentes ao alienante. Para que haja evicção é preciso que: 1. ela é parcial. a posse ou o domínio da coisa alienada. mediante cláusula contratual. em virtude de sentença judicial. para os imóveis. a evicção é total. As garantias do adquirente podem ser reforçadas mediante uma caução ou fiança ou mesmo por garantia hipotecária a fim de assegurar. 447 do CC). O adquirente é o evicto. essa garantia subsiste mesmo em casos de aquisição em hasta pública (art. Quando o objeto da evicção se identifica completamente com o da alienação. devendo os contratantes fixar as garantias suplementares no instrumento em que estabelecem as condições do negócio jurídico ou em ato posterior. mas consideramos que se equipara aos móveis. nem regra consuetudinária. Em relação aos vícios ocultos nos negócios de compra e venda de animais. diminuir ou excluir a responsabilidade decorrente da lei (art. em contrato oneroso. o prazo de garantia deve ser especificado em lei especial. Este dispositivo determina a aplicação do prazo especificado no seu § 1º – 180 dias para bens móveis e um ano para bens imóveis. um direito alheio. quando não houver lei específica. o prazo será contado da data da ciência da sua existência até o máximo de cento e oitenta dias. pois transmitiu um direito inexistente ou viciado. 448 do CC). e um ano. O terceiro que realiza a evicção é o evictor. na qual se declara que o alienante não tinha qualidade para realizar a alienação. haja sentença. titular legítimo do direito. do CC. pois. quando. 2. ou seja. o pagamento da indenização devida na hipótese de evicção. para bens móveis. transitada em julgado. ao contrário. 3. Evicção A evicção é o fato em virtude do qual o adquirente perde a posse ou a propriedade de determinado objeto. ou. se esta não existir. seja o vício anterior à alienação.52 - . pois sofre a evicção. que as atribui a terceiro. 445. A garantia do alienante pelos prejuízos decorrentes da evicção existe nos contratos onerosos. podendo as partes. a evicção a perda da posse ou da propriedade de um bem. em virtude de sentença judicial.

O CC define a compra e venda como o contrato pelo qual um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. o vendedor garante ao comprador que a mercadoria alienada tem as qualidades correspondentes às da amostra (art. administradores a aquisição dos bens confiados à sua guarda ou administração. venha ou não a haver safra – emptio spei) ou quanto ao valor dela (emptio rei speratae. estendendo tal proibição aos funcionários públicos. demais serventuários e auxiliares da Justiça e aos leiloeiros. embora possa esta ser exigida para a transferência da propriedade. devendo tanto o comprador como o vendedor ser capazes de fato ou. parágrafo único). Além disso. aos juízes. exige autorização do juiz quando o alienante é incapaz (arts.Coordenadores: Marcelo T. Geralmente é comutativo. Para evitar litígios na família exige-se. A compra e venda é um contrato bilateral (cria obrigações para ambas as partes).747 e 1. o novo Código deixa claro que. que na venda dos ascendentes para os descendentes haja o consentimento expresso dos outros descendentes e do cônjuge (art. embora tenha a capacidade geral. do preço (pretium) e do consenso (consensus). sendo ato de disponibilidade. A compra e venda não requer forma especial. 496 do CC). o falido não pode alienar os seus bens. legitimação. e mesmo a pessoa solvente não pode alienar bens arrestados. do preço e das modalidades de pagamento. 1. 481). 484 do CC).CONTRATOS EM ESPÉCIE 1. e o outro a pagar-lhe certo preço em dinheiro (art.691. se incapazes. na hipótese de surgir dúvida quanto à existência de uma das prestações (venda de mercadoria que se encontra em navio que pode ter naufragado. Assim. Excepcionalmente. oneroso (não importa em liberalidade). havendo equivalência aproximada das prestações e certeza quanto ao valor de ambas. exigindo. nos casos expressamente mencionados no art. dos protótipos ou dos modelos. qualquer que seja o seu valor). pode ser aleatório. 497. venda de colheita desde que haja safra. O contrato de compra e venda pressupõe a capacidade geral. estar devidamente assistidos ou representados. 482 do CC. prevalecem estas últimas (parágrafo único do art. O contrato se torna perfeito com a combinação entre as partes do objeto da venda. em alguns casos. a fim de evitar que a doação seja simulada em compra e venda. Da compra e venda e da troca A compra e venda distinguiu-se da troca ou permuta por importar na transferência de mercadorias de uma parte contratante para a outra. Castellani CAPÍTULO III . aos tutores. sob pena de nulidade. seqüestrados ou penhorados. 1. se houver contradição ou diversidade entre a descrição da coisa no contrato e as características das amostras. Cometti Fernando F. A lei também veda. Esses elementos estão perfeitamente especificados no art. venda de colheita futura. 484). 497 do CC. podendo ser comutativo ou aleatório. mediante o pagamento de determinada quantia de moedas.750 do CC). O legislador ressaltou ainda que essa proibição estende-se aos casos de cessão de crédito (art. sob pena de anulação do negócio. a fim de evitar conluios ou fraudes. . Hipóteses especiais de compra e venda (cláusulas especiais) a) Venda por Amostra Na venda por amostras.53 - . testamenteiros. curadores. A venda. 2. protótipos ou modelos. São elementos essenciais da venda a existência do objeto (res).

b) Venda “ad corpus” e “ad mensuram” Há duas modalidades na venda de terras ou terrenos: a venda ad corpus é a alienação de imóvel. ainda que a coisa já tenha sido entregue. 1.). se o comprador transferiu o seu direito dentro do prazo de exercício da retrovenda. anticrese. 510). e não num direito real. no máximo. 505 do CC). e extinguindo todos os direitos de terceiros posteriores à alienação primitiva (hipoteca. É muito conhecida tal espécie de venda no tocante a vinhos. na medida em que também se presume feita sob condição suspensiva de que a coisa tenha as qualidades asseguradas pelo vendedor e seja idônea para o fim a que se destina (art. sendo de cento e oitenta dias. se a coisa for móvel. se imóvel (art. ou de dois anos. c) Retrovenda A cláusula de retrovenda consiste na faculdade que se reserva o vendedor de reaver o imóvel vendido devolvendo ao comprador o preço. parágrafo único). como coisa certa e discriminada. situação em que a mesma passa a ser condição essencial ao contrato efetivado. e) Preferência ou preempção A preferência ou preempção é uma faculdade pessoal que se assegura ao vendedor para readquirir a coisa vendida em igualdade de condições com um terceiro comprador. perfumes. pois.359 do CC). Ciente da venda que está para ser realizada. Já a venda “ad mensuram” faz-se o preço por medida de extensão. O direito de preferência é intransferível por ato mortis causa ou inter vivos. Distingue-se da retrovenda por ser aplicável tanto a móveis como a imóveis. O CC estipulou um prazo máximo para o exercício do direito de preferência. Até a aceitação da venda. livros e alimentos em geral. o comprador fica obrigado a pagar o preço nas condições ofertadas ou ajustadas. como ocorre na retrovenda. importando apenas na criação de um direito obrigacional. três anos a partir da data da venda (art. promessa irretratável de venda etc. o titular do direito de preferência pode notificar o alienante de sua vontade de exercê-la. adquirindo o bem. na hipótese de revenda do bem. 509 a 512 do novo Código Civil) Venda a contento é a alienação que depende de aprovação do comprador. não se admitindo exercício parcial do direito de preferência que viria cindir a venda. d) Venda a contento e venda sujeita a prova (arts. A retrovenda só se aplica aos imóveis e pode ser exercida durante um prazo de caducidade de. . à coisa em seu todo. sendo apenas enunciativa ou descritiva a referência às dimensões. tanto na venda a contento quanto na venda sujeita a prova. funcionando esta como condição suspensiva para a efetivação do negócio. Na hipótese de exercício do direito de preferência. O CCl trouxe a figura da venda sujeita a prova. que se assemelha à venda a contento. que se resolve em perdas e danos. A retrovenda tem efeitos reais. só poderá ser exercido em relação à totalidade do objeto.54 - . funcionando como verdadeira cláusula resolutória da propriedade (art. as despesas feitas pelo adquirente (custas de escritura e impostos). 511 do CC). 513.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Trata-se. 505 do CC). ou seja. de uma espécie de venda condicional que somente se torna perfeita e acabada comprovando-se a identidade da mercadoria ou do objeto entregue com a amostra que deu margem ao pedido. valendo inclusive contra terceiros. incluindo aquelas efetuadas com a sua autorização escrita no período de resgate ou para a realização de benfeitorias necessárias (art. o comprador é equiparado ao comodatário (art. Existindo preferência em favor de mais de uma pessoa.

pelo contrato. salvo sendo remuneratórias. 530). de rescindir a venda já realizada se dentro de certo prazo aparecer melhor comprador. sem a necessidade da sua aceitação (art. insurance. 1. Doação Doação é o negócio jurídico pelo qual alguém se obriga a transferir. todavia. pelos usos. seguro e frete incluídos) ou FOB (free on board = livre a bordo). As doações remuneratórias são aquelas que visam uma compensação do donatário por serviços prestados ou por ato praticado. É preciso que o donatário aceite a doação. por lei. Atendendo-se ao interesse do donatário. 543 do CC). 539 do CC). bens ou vantagens do seu patrimônio para outra pessoa. g) Venda sobre documentos A definição desse instituto é dada pelo art. mas pela entrega do seu título representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato. 3. em que se prova o embarque das mercadorias. Castellani A preferência tem sido assegurada. O Código Civil deixou de disciplinar o pacto de melhor comprador. todavia. a atualidade da atribuição patrimonial e a irrevogabilidade. assegurando-se. caso o contrato nada mencione. aplicandose somente aos imóveis. 33). por liberalidade. não vale se os cônjuges forem casados em regime de separação absoluta (art. tratando-se de doação sem encargo e o donatário não se manifestou nesse período (art. em geral contendo as cláusulas CIF (cost. Os caracteres essenciais da doação são o enriquecimento do donatário. de bens comuns ou dos que possam integrar futura meação. por exemplo. Salvo estipulação em contrário. 8. ressalvados os casos em que o defeito tiver sido comprovado (parágrafo único do art. Ao comprador não cabe recusar o pagamento alegando vício ou estado da coisa vendida. pelo conhecimento marítimo. nada impede que as partes. 529). sob a justificativa do desuso dessa figura contratual tipificada pelo Código de 1916. Entretanto. usando da sua autonomia da vontade. resolvendo-se em perdas e danos. a aceitação quando o doador fixou prazo para que o donatário o aceitasse. caso pague preço igual ao do melhor comprador encontrado no prazo de exercício do pacto. A lei presume. uma vez que a documentação esteja em ordem. 529. É preciso distinguir no caso a doação da dação em . admite-se que os absolutamente incapazes possam receber doações puras. salvo se absolutamente incapaz.Coordenadores: Marcelo T. de modo que se caracteriza não pela tradição da coisa. Também se considera válida a doação feita ao nascituro quando aceita pelo seu representante legal (art.55 - .647 do CC). estipulem de forma similar.242/91) lhe dá efeitos reais (art. A pessoa casada não pode fazer doações sem o consentimento do outro cônjuge. o pagamento deverá ser efetuado na data e no lugar da entrega dos documentos (art. Usa-se tal modalidade no comércio internacional. tendo todavia efeitos pessoais. Vale o pacto de melhor comprador como verdadeira condição resolutiva. ao primeiro comprador a preferência para manter a venda feita em seu favor. ao locatário para aquisição do imóvel residencial alugado. freight = custo. 542 do CC). ou seja. entretanto. Cometti Fernando F. em condições de igualdade com qualquer terceiro interessado na compra do prédio. observado o regime dos negócios jurídicos. Essa proibição. A Lei do Inquilinato (Lei n. o animus donandi. f) Pacto de melhor comprador e pacto comissório O pacto de melhor comprador é a faculdade concedida ao vendedor. ou até.

vários contratos foram abrangidos pela denominação de locatio conductio. só são devidas enquanto ele estiver vivo e não poderão subsistir após a morte do donatário. A doação é ineficaz quando realizada em desobediência às normas legais. com um regime especial para os imóveis. o de transporte e outros. oneroso. a que recebe a coisa chama-se locatário. A locação ficou restrita à de coisas. Da locação No direito romano. ferindo assim os direitos dos seus herdeiros necessários (art. constituindo faculdade que o doador poderá exercer na forma dos arts. salvo outra indicação do doador. A parte que cede o uso e gozo diz-se locador. Assim. É bilateral porque acarreta obrigações interdependentes de ambas as partes. A revogação deve respeitar os direitos de terceiros e pode decorrer também da inexecução de encargos (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI pagamento. A remuneração ou o preço pago diz-se aluguel. A revogação ocorre na hipótese de ingratidão do donatário. 549 do CC). como figuras autônomas. Nesta hipótese. Pode fazer-se em dinheiro ou outra utilidade. consensual. comutativo. senhorio ou arrendador. 555 do CC). que. ou empreitada. inclusive. locatio operis faciendi: locação de obra. os eventuais direitos de terceiros. 557 a 564 do CC. Esta existe havendo preço combinado para uma prestação de serviços e pagando o devedor com um objeto determinado. anulando as alienações feitas pelo donatário e fazendo os bens reverterem livres de quaisquer ônus ao doador. operando tal cláusula como resolutória do contrato. mediante acordo nesse sentido entre as partes. constitui comodato (empréstimo de coisa não fungível). passando a ser considerada como inexistente desde o início e desaparecendo todos os seus efeitos e. Mas a evolução do direito alterou a classificação romana. impessoal e de duração. a empreitada. aluguer ou renda. 4. o contrato de aprendizagem. Não é contrato real. quando as partes estipulam que. As doações ainda podem ser continuadas. As doações podem ser reversíveis.56 - . A resolução da doação decorre da existência de condição resolutiva ou termo final. É oneroso porque. que tinha três modalidades: locatio rei (ou rerum): locação de coisas. e locatio operarum: locação de serviços. Locação é o contrato em que uma das partes se obriga a ceder à outra o uso e gozo de coisa infungível. o de expedição. o de agência. isto é. extinguindo-se a liberalidade. o contrato de trabalho. É consensual porque basta o acordo de vontades. se for gratuito. ou de execução sucessiva. inquilino ou arrendatário. voltarão os bens doados ao doador se ainda estiver vivo. quando revestem a forma de pagamento em períodos sucessivos. mediante remuneração. . terá ela efeitos retroativos. podendo ser nula ou anulável. A redução das doações se justifica quando o valor destas ultrapassa a parte disponível. pois a resolução do direito fundamental importa em caducidade dos direitos derivados. sendo considerada nula qualquer estipulação pela qual o doador previamente renuncie à possibilidade de revogação nos casos de ingratidão do donatário. A locação é contrato bilateral. porque não se exige a entrega da coisa para aperfeiçoar o contrato. em virtude da morte do donatário. da qual o doador poderia dispor em testamento no momento da liberalidade. mesmo antes da entrega o contrato já está perfeito. não havendo nem mesmo um direito do credor de exigir judicialmente o pagamento de uma prestação fixa. os Códigos mais recentes disciplinam o contrato de prestação de serviços. A doação surge quando não existe essa proporção exata entre as prestações. o de trabalho doméstico.

editou-se a Lei n. 621 do CC. Em virtude do contrato de empreitada pode ocorrer a modificação de um bem móvel ou imóvel ou a realização de um trabalho científico. em que trouxe inovações quanto às ações de despejo. ser de execução imediata ou contínua. podendo. 6. supletivamente. Podem ser locadas coisas móveis e imóveis. realizado intuitu personae ou livremente transferível (art. A lei se refere aos contratos em shopping centers. é válida a locação de coisa alheia. Considera-se imperfeita a obra quando o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados. “dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os procedimentos a elas pertinentes”. por motivos supervenientes ou razões de ordem técnica. em tese. Da locação predial urbana As leis de locação predial foram chamadas de Leis do Inquilinato. e b) quando as alterações forem de pouca monta. Entretanto. começando pelas disposições gerais. Da empreitada A empreitada costuma ser definida como o contrato pelo qual alguém se obriga a fazer determinada obra para outrem. mas também no direito empresarial e no direito administrativo. O dever primordial do empreiteiro é realizar a obra ou serviço no prazo e nas condições convencionadas ou de acordo com os usos locais. Castellani É impessoal porque não se leva em conta a pessoa do contratante. o dono pode optar entre receber a obra e exigir abatimento do preço ou rescindir o contrato pedindo perdas e danos (arts.Coordenadores: Marcelo T. . Mesmo sendo lei especial. ressalvada a unidade estética da obra projetada. a Lei n. É contrato de duração. Não podem ser locadas as coisas fungíveis. alterando e extinguindo a Lei de Luvas e outras leis especiais (art. tratando-se de um instituto de alta relevância não apenas no direito civil. Não o podem ser também os bens públicos de uso comum. se for omissa. Nesse sentido é o art. 8.245. Havendo qualquer modificação do plano inicial por parte do dono da obra. com a locação residencial e a não residencial e cuidando da parte processual. aplica-se o Código Civil. como se vê da ementa. aplicáveis a todas as locações de imóveis urbanos. O contrato de empreitada é consensual. 615 e 616 do CC). Tal como em parte ocorria nas anteriores. pois neste caso o contrato se transforma em mútuo oneroso. intelectual ou artístico. Em 18-10-1991. assim como das regras técnicas peculiares aos trabalhos da mesma natureza. oneroso e comutativo. que. Na hipótese de mora do empreiteiro ou de defeitos na obra. mediante retribuição. 90). a cessão. porque supostamente pretendiam defender ou proteger o inquilino. tudo dependendo das circunstâncias peculiares do contrato e da convenção das partes. A lei sistematizou melhor a matéria. 8. deverá ser assinado documento escrito determinando as alterações. A coisa pode ser do locador ou não. respondendo pela sua solidez. infungíveis e não consumíveis. revisional e renovatória. que passam a incluir-se na locação. 5. bilateral. 626 do CC). porque se prolonga no tempo. o mesmo dispositivo legal traz duas exceções e permite modificações quando: a) fique demonstrada a inconveniência ou excessiva onerosidade da execução do projeto original.245/91 foi além e regulou melhor e com alterações alguns processos referentes às locações de imóveis. passando para as especiais.57 - . conforme o caso. consignação. sendo admitida. Admite-se que certos bens incorpóreos também possam ser locados. como o fundo de comércio e patente de invenção. Cometti Fernando F.

no direito romano.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo a empreitada de mão-de-obra e de material. As partes que convencionaram a empreitada. o mesmo acontecendo na hipótese de inadimplemento por parte do dono da obra. é de quatro anos (art. qualquer das partes pode rompê-lo. ou seja. os riscos referentes a este correrão por conta do empreiteiro até a entrega da obra a quem a encomendou. Distingue-se assim o a) comodato. tem direito a receber por inteiro a retribuição vencida e a metade do que faltar até o fim do contrato (art. pode ser contratada mediante retribuição”. mantendo-se. a terceira. de coisas infungíveis para utilização pelo comodatário. Se houver inadimplemento ou culpa por parte do empreiteiro. se quiser. O perecimento do objeto. Já vimos. se não fixado. podem realizar um distrato. 7. 626 do CC). locatio operis e locatio operarum. 603). ou do costume do lugar.58 - . 1. A primeira é a locação de coisas. mediante prévio aviso. A conclusão da obra com o respectivo pagamento é a forma normal de extinção do contrato de empreitada. 602 do CC). de locação de serviços e que hoje se considera mais adequado chamar de prestação de serviços. por comum acordo. 599: “Não havendo prazo estipulado. a seu arbítrio. sem subordinação do prestador e mediante remuneração. empréstimo gratuito. assiste ao dono da obra o direito de rescindir o contrato. a força maior e o caso fortuito são outras tantas causas de extinção da empreitada. não se pode mandar alguém em lugar da parte (art. Do empréstimo O empréstimo é a convenção pela qual uma das partes recebe coisa alheia para utilizá-la e. o que se chamou. mas inova ao acrescentar: “Art. 594. O novo Código Civil corrigiu o termo “rescindir” (do art. havia três figuras com nomes começando pela palavra locatio: locatio rerum. Da prestação de serviço É aquele pelo qual uma pessoa estipula uma atividade lícita. a desapropriação do bem. material ou imaterial. A finalidade do empréstimo pode ser o simples uso. assim estabelecendo no art. 605 do CC). aplicável a todos os contratos bilaterais. Art. devolvê-la ao legítimo proprietário. que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial. 593. qualquer das partes. O CC regula a matéria nos arts. 593 a 609 ao admitir que se contrate qualquer serviço. ou o consumo. O tempo máximo do contrato. o falecimento de uma das partes sendo o contrato intuitu personae (art. Em caso de prazo certo. no capítulo das locações. em seguida. . como ocorre nas coisas infungíveis. 598 do CC). de acordo com a cláusula resolutiva tácita.221) por “resolver”. a segunda (locação de obra) é o que se chama de empreitada. Neste caso. terminologia adotada pelo novo Código Civil. no Código Civil de 1916. Se o prestador de serviços for despedido sem justa causa. reger-se-á pelas disposições deste Capítulo. O contrato só admite transferência com acordo da outra parte. só deve o prestador despedir-se por justa causa (art. A prestação de serviço. pode resolver o contrato”. que. nem se podendo inferir da natureza do contrato. donde se segue que é personalíssimo (ou intuitu personae) 8. justificando então a rescisão a pedido do empreiteiro. com aviso prévio (como no direito do trabalho). ocorrendo assim a extinção por vontade das partes. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito. em caráter eventual e autônomo. como acontece nos bens fungíveis.

Também se diferencia o depósito do mandato. mandatário). no segundo. 627 do CC). sendo ato de administração. O mútuo também é chamado empréstimo de consumo. O legislador (art. § 2º. enquanto. sendo a identificação genérica e não individual. sob pena de importar em ato nulo para o direito civil e ilícito penal punido como se estelionato fosse (CP. Cometti Fernando F. cabendo-lhe restituir objeto de igual qualidade e valor. o mandatário tem deveres ativos para defender os interesses do mandante. quantidade e qualidade. e o gênero presumidamente nunca perece. embora sendo onerosa. e só pode ser realizado pelo proprietário da coisa mutuada. para consumo. Normalmente. denominando-se então . art.59 - . convencionando-se juros para o financiamento. com traços peculiares. 640. pode ser contratado não apenas pelo proprietário do objeto. Ao lado do contrato típico de mútuo. I). segundo a melhor doutrina. mediante determinada comissão. do b) mútuo. o depositário não pode utilizar a coisa depositada. Ressalta-se que. mas por qualquer pessoa que tenha a posse dele (locatário. pela qual se assegura a alguém. obrigando-o a restituir ao mutuante o que dele recebeu. em que o mutuário se torna um verdadeiro proprietário da coisa mutuada. sem a autorização expressa do depositante. a sua substância inalterada e devolvendo-se as coisas recebidas ao comodante. se agir com culpa na escolha do terceiro para quem o bem será dado em depósito. a possibilidade de utilizar por certo prazo um crédito limitado ou ilimitado.Coordenadores: Marcelo T. Depósito voluntário é o decorrente da vontade das partes. O depósito. mesmo na hipótese de destruição da coisa por força maior ou em virtude de caso fortuito. Do depósito O contrato de depósito importa na guarda temporária de um bem móvel pelo depositário até o momento em que o depositante o reclame (art. 9. parágrafo único. em coisa do mesmo gênero. Caracteriza-se o mútuo pela translação do domínio. distingue-se do comodato. implica responder o depositário por perdas e danos (art. A utilização indevida da coisa depositada ou a sua entrega em depósito a terceiro. salvo convenção em contrário das partes ou em decorrência da própria natureza do negócio (depósitos bancários). O mútuo em que as partes estipulam o pagamento de juros é denominado mútuo feneraticio. por haver no primeiro uma função relativamente passiva de vigilância. em relação ao comodato. e da locação de coisa. 640 do CC). O depósito. do CC) especificou ainda a responsabilidade do depositário. em que o comodatário recebe a coisa para a sua utilização. pela sua finalidade básica de custódia da coisa. empréstimo de coisas fungíveis. conhecemos o contrato de abertura de crédito ou promessa de mútuo. depósito obrigatório é o realizado em desempenho de obrigação legal (depósito legal) ou em virtude de calamidade pública (depósito miserável). podendo ser gratuito ou oneroso. cuja obrigação de restituir perdura. em virtude da qual os riscos da coisa se transferem para o mutuário. que têm a mesma razão de ser. as regras do novo Código Civil seguem quase que completamente as já existentes no Código de 1916. Ao contrário do mútuo. O depósito ainda pode ser de coisa litigiosa a fim de evitar que o desvio dos bens litigiosos venha prejudicar as partes em conflito. a abertura de crédito é contrato consensual. podendo usá-la e consumi-la. mesmo quando devidamente autorizado pelo depositante. comodatário. O comodato consiste na cessão gratuita e temporária da utilização de coisa infungível. pois res perit domino (o risco pelo perecimento da coisa corre por conta do proprietário). Castellani todavia. Já o mútuo consiste na transferência da propriedade da coisa mutuada. 171.

em verdade. devendo a procuração ser dada pelos seus representantes legais. conceder mandato para fazer testamento. pessoa física ou jurídica. praticar atos ou administrar interesses (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI seqüestro. corretagem etc. e que abrange negócios jurídicos e atos materiais. sendo a incapacidade relativa. em seu nome. como exige o art. A procuração é um negócio jurídico pelo qual se constitui o poder de representação voluntária. do Código de Processo Civil). 6. é remunerado. 1. não há identidade entre procuração e mandato. art. Também se diferencia da prestação de serviços. embora se admita o mandato para. O analfabeto só pode outorgar procuração por instrumento público. mas neste caso o mandante não terá ação contra ele. 10. a relação entre o representante e principal perante o terceiro. Há um lado interno (o negócio entre as partes) – subjacente – e o lado externo – a representação. 654 do CC. tratando-se inequivocamente de um contrato realizado intuitu personae. a faculdade de apresentar queixa-crime (Código de Processo Penal. 166. O mandato é considerado como contrato unilateral. 34 e 50) e de requerer o registro de nascimento (Lei n. arts. trabalho. enquanto o mandato se apresenta como presumidamente gratuito. decorrente da confiança existente entre os contratantes. casar com pessoa determinada (art. uma vez que não pode assinar o instrumento particular. aplicam-se as normas sobre obrigações contraídas por menores (arts. Este pode ser de prestação de serviços. entre dezesseis e dezoito anos. O mandato só é admissível para os atos que não têm natureza personalíssima. sendo absoluta a incapacidade. Ademais.015/73. Quando os incapazes outorgarem mandato sem representação ou assistência. admite-se a procuração dada pelo relativamente incapaz. fiduciária.542 do novo Código Civil). quando somente os primeiros são da alçada do mandatário. O primeiro decorre de convenção e o segundo de . pois. Os incapazes podem outorgar mandato. O mandato pode ser expresso ou tácito. somente passando a ser imperfeitamente bilateral quando o mandatário. só cria obrigações para o mandatário. § 3º). A procuração é o instrumento do mandato. para a doutrina. Todas as pessoas capazes podem outorgar mandato mediante instrumento particular por elas assinado. Em alguns casos especiais. em virtude da convenção ou por tratar-se de ato profissional. Freqüentemente é o mandato. 171 a 177 do CC). embora no interesse e por conta do comitente. 50.60 - . não se podendo. 822 e s. enquanto no mandato. Ocorre que. atendendo-se à personalidade do mandatário. Do mandato O mandato é o contrato pelo qual alguém recebe de outrem poderes para. A base do mandato é. em nome do mandante. ou pelos seus assistentes. o mandatário age em nome e por conta do mandante. 792 da Consolidação das Leis do Trabalho). O mandato se distingue da comissão porque o comissário atua em nome próprio. 653 do CC). independentemente de qualquer intervenção do seu assistente. por exemplo. o relativamente incapaz pode figurar como mandatário. que é sempre onerosa. sendo admissível tanto em relação a móveis como a imóveis e funcionando como medida preparatória ou conservatória regulada pela lei processual civil (arts. assim dispondo a lei em relação aos conflitos trabalhistas (art. 666 do CC). salvo em decorrência das regras gerais e princípios aplicáveis às obrigações contraídas pelos menores (art. compra e venda. normalmente. pois.

Do contrato de corretagem É o contrato pelo qual uma parte se obriga para com outra a aproximar interessados e obter a conclusão de negócios. O mandato deve ser escrito. Admite-se excepcionalmente que o advogado funcione sem procuração e comprometendose a apresentá-la dentro de certo prazo (art. em que a simples indicação do advogado em audiência pode ser suficiente. da Lei n. caberá ao mandatário a retribuição prevista em lei ou no contrato. Quando não houver previsão. § 1º.61 - . mudança do estado que inabilite o mandante a conferir os poderes ou o mandatário a exercê-los. 1. qualquer das partes possa sempre rescindi-lo. por arbitramento (art. conseqüentemente. São partes no contrato de corretagem o interessado (cliente) e o corretor (mediador). não tem a obrigação de pagar a comissão. Trata-se de mandato irrevogável e que subsiste e produz efeitos após a morte do mandante. São irrevogáveis os mandatos a) com cláusula de irrevogabilidade. 682 do CC).Coordenadores: Marcelo T. Nem sempre o corretor é um profissional. conforme indicado. Castellani presunção legal. Esse contratante. podendo desempenhar a função apenas esporadicamente. parágrafo único. O mandato. O mandato em causa própria é. 11. Extingue-se o mandato em virtude de renúncia do mandatário. meio de cumprir uma obrigação contratada. inclusive para transferir para si bens móveis e imóveis objeto do mandato. 37 do Código de Processo Civil e art. fica isento de prestar contas. que é aproximada. admitindo-se em todas as hipóteses que as partes livremente convencionem uma remuneração pelo exercício do mandato. caducando o mandato com a morte. Cliente é aquele que contrata o corretor para realizar o negócio. equivalendo a procuração à venda ou cessão de direito. recebendo duplamente. caso seja efetivado o negócio pretendido. 5º. tem poderes amplos. Este pode ser pessoa física ou jurídica. A outra parte. 658 do CC). 658. É também chamado de mediação. pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio (art. podendo esta ser global ou paga parceladamente durante o tempo em que for exercido o mandato (art. não se configura como cliente no contrato de corretagem e. por conseqüência. b) dados como condição do contrato bilateral ou c) com cláusula “em causa própria”. outorgado no interesse do mandatário. Cometti Fernando F. em tese. O contrato classifica-se como bilateral. O mandato judicial é concedido a advogado devidamente registrado na Ordem dos Advogados (OAB) para patrocinar uma causa. deve remunerar o corretor. . sem subordinação e mediante remuneração. É muito usada na cessão de títulos de clube e na alienação de bens imóveis. morte ou interdição de uma das partes. naturalmente gratuito.643 do CC). incapacidade ou mudança de estado de um dos contratantes. mas não afetando as pessoas jurídicas. que. na falta destes. que certos corretores exigem. A natureza personalíssima e fiduciária do contrato faz com que. 8. Se o mandato for oneroso. como a que considera os cônjuges autorizados a comprar as coisas necessárias à economia doméstica independentemente de autorização um do outro (art. porque acarreta obrigações para ambas as partes. do CC). salvo nos processos criminais e trabalhistas. revogação pelo mandante. quando se trata de pessoa física. a remuneração será determinada pelos usos e costumes do lugar e. se presume oneroso quando praticado profissionalmente pelo mandatário.906/94 – Estatuto da OAB).

oneroso. os dados sobre o prazo de vigência do contrato e as obrigações assumidas pelas partes. não sendo exigida necessariamente a sua formalização por escrito. Do Seguro O seguro é concebido como promessa condicional de indenização na hipótese de ocorrência do sinistro (acontecimento futuro e incerto causador de prejuízo). por dolo ou culpa. condicional. b) seguros de pessoa. Diante desse princípio. As operações de seguros agrupam-se em: a) seguros de ramos elementares ou de dano. aleatório e consensual. tanto na sua formação quanto na sua execução (art. que fica com a seguradora. todavia. existe. Concluindo-se ou não os negócios. Se causar danos. a obrigação do pagamento do prêmio vencido (art. subsistindo. pois a lei impõe a determinadas classes de pessoas o seguro obrigatório (acidentes de trabalho. o segurador pode optar pela resolução do contrato ou cobrança da diferença do prêmio (art. e consensual. 765 do CC). inclusive. pois o segurado não tem a possibilidade de discutir as cláusulas contratuais com o segurador. basta a declaração do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito) de que foi pago o prêmio (anexa ao Certificado de . A apólice ou o bilhete de seguro são os instrumentos probatórios do contrato. oneroso. enquanto a do outro contratante (o pagamento do prêmio pelo segurado) é certa e independe de condição. se a inexatidão ou a omissão não resultar de má-fé do segurado. de trânsito e outros). Há também a proposta. parágrafo único. se o segurado prestar declarações falsas. já tendo. do CC). nos termos do art. 766 do CC). e é de adesão. que possam influir na aceitação da proposta ou especificação do valor do prêmio pela seguradora. nem a liberdade de contratar. enquanto a apólice fica com o segurado. assim. ele perderá o direito à garantia objeto do seguro. pois depende da aprovação do seu texto pelas autoridades administrativas (SUSEP – Superintendência de Seguros Privados). englobando o seguro de vida. 10). é um contrato de adesão e um contrato dirigido.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI acessório. porque tem por fim a conclusão de outro contrato (o principal). se pronunciado pela sua caracterização como obrigação de resultado. conforme o caso. porque implica remuneração. Muitas vezes. 766. podendo apenas aceitá-las ou deixar de contratar. aleatório. Uma das prestações (a indenização a ser paga pelo segurador) é. O contrato de seguro é dirigido. tendo como contraprestação o pagamento do prêmio pelo segurado. O contrato de seguro é bilateral. 12. O seguro tem como instrumentos a apólice e o bilhete de seguros. os riscos e as especificidades do negócio. O contrato de seguro se fundamenta na boa-fé das partes e na sua lealdade.62 - . 73/66 permite a emissão de bilhete de seguro a pedido verbal do interessado (art. O Decreto-lei n. o STJ. sempre prestando informações e esclarecimentos ao cliente sobre o andamento. O elemento aleatório consiste justamente na incerteza referente ao pagamento da indenização. O corretor tem o dever de desempenhar a sua função de intermediação com diligência e prudência que o negócio exige. porque basta o acordo de vontades. entretanto. podendo o cliente exigir prestação de contas. devendo conter a enumeração dos riscos transferidos ao segurador. 723 do CC. inexatas ou omitir informações relevantes. porque depende do fator sorte (realização do negócio). os documentos recebidos devem ser restituídos. deve por eles responder. O legislador ressalvou. que. conforme decidido pelos nossos tribunais. ou não. No seguro obrigatório de veículos terrestres. que depende da existência de prejuízo em virtude da ocorrência do sinistro no período de vigência do contrato. as condições.

21. 758: “O contrato de seguro provase com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro. Em determinados seguros-saúde. os leiloeiros (Decreto n. por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio”. 693. Por exemplo. basta um simples cartão com os dados do segurado. dando o nome e o período da garantia. 13.63 - . assim como da comissão “del credere”. Fiança legal é a que decorre de imposição de lei. garantia específica dos títulos cambiais. pagamento dos aluguéis etc. Nos seguros de viagem. 30). A fiança se distingue do aval. nem mesmo as cartas de recomendação ou aquelas em que um terceiro promete fazer o melhor esforço para que o devedor pague a dívida (comfort letter). também podendo constar de simples carta ou declaração na qual seja inequívoca a vontade do fiador de garantir o pagamento de dívida alheia. Da fiança Ocorre fiança quando alguém se obriga a pagar dívida alheia. comprovando o estacionamento. Esta pode ser: real (quando há uma coisa dada em garantia) ou fidejussória. sob pena de ser reduzida às suas justas proporções (art. É unilateral. A acessoriedade decorre de seguir a obrigação do fiador o destino da obrigação principal. disciplinada no Código Civil a partir do art. . quando este ameace ruína.Coordenadores: Marcelo T. Nos estacionamentos pagos de veículos. não admitindo outrossim interpretação extensiva. certas seguradoras fornecem um cartão com a espécie de seguro. A lei usa o termo caução. e o fiador pode limitar-se a garantir o pagamento dos aluguéis). explicando-se. Cometti Fernando F. pois cria dever para o fiador em relação ao credor. 1. a denominação de caução fidejussória.. A fiança. e.280. Outras vezes. só respondendo o fiador pelas obrigações explicitamente assumidas. o proprietário tem direito a exigir do proprietário ou possuidor do prédio vizinho a demolição ou a reparação necessária. A fiança pode ser mais restrita do que a obrigação principal (as obrigações do locatário se referem à conservação do prédio. basta um simples bilhete ou cartão numerado. fornecido por meios eletrônicos. na falta deles. 823 do CC). Castellani Propriedade). em contrato próprio ou no contrato principal. bem como que lhe preste caução pelo dano iminente. assim. as pessoas jurídicas cujos estatutos proíbem a concessão de fiança e os mandatários que não tenham competência explícita para esse fim. Trata-se de um contrato acessório. Esta costuma ser fiança. Os elementos essenciais da fiança são a existência de uma obrigação principal válida (obrigação do afiançado) e de uma obrigação acessória com caráter de garantia. cujas obrigações se garantem. salvo tendo dado poderes especiais para tanto por instrumento público (art. O Código Civil estabelece em seu art. Fiança convencional é a que decorre de vontade das partes. 819 do CC). art. necessariamente manifestada por escrito. simples indicação nos extratos mensais. o contrato de fiança é gratuito. não valendo todavia como fiança as simples referências à idoneidade do devedor ou as informações comerciais sobre ele. unilateral e gratuito. em virtude do art. A fiança se caracteriza pela fé depositada no fiador. sem que o primeiro possa exigir qualquer compensação do segundo.981 de 19-10-1932. Não podem prestar fiança os analfabetos. salvo se a procuração contiver poderes expressos. Em princípio. todavia. Fiança judicial é aquela exigida por uma das partes no processo. pelo seu caráter liberal não se presume. ser mais ampla do que a obrigação garantida. como ocorre com os seguros de cartão de crédito. extinguindo-se e anulando-se com esta. podendo todavia as partes livremente convencionar uma compensação para os riscos corridos pelo fiador. não devendo.

sem danos. 3. aquático (marítimo. presentes ou futuras. todavia. As partes do contrato de transporte são: de um lado. respectivamente. de um lugar para outro. abrangendo sucessivamente as várias modalidades. No transporte de pessoas. 10). em seus arts. Não é parte o destinatário das coisas. com segurança. deslocando a pessoa e a sua bagagem. das normas do Código Civil (art. desde que haja a anuência do usuário. custas. Também devem ser observadas as disciplinas especiais sobre o tema e os tratados e convenções internacionais (art. sem prejuízo. ou misto. a transportar. todavia.411/2000. admitindo-se também a concessão de fiança ao fiador. § 2º. 820 do CC). 731). obedecendo aos horários e aos itinerários. 14. que dispõe sobre o seguro de cargas. líquidas ou ilíquidas. o transporte pode ser terrestre (rodoviário ou ferroviário). fluvial e lacustre) e aéreo. o transportador (ou condutor) e. dependentes de condição ou de termo (art. No caso de pluralidade de fiadores para um mesmo débito. . entende-se que são solidários salvo se limitaram a responsabilidade de cada um ou convencionaram a divisão das responsabilidades. regulamentada pelo Decreto n. indicar bens do devedor livres e desembaraçados existentes no município suficientes para solver o débito. cláusulas penais). 9. 827 e 828 do CC).565/86. Pode haver vários fiadores para um único débito. 7.374/91. aliás. que trata do transporte multimodal. a fim de evitar a execução dos seus próprios bens. Do transporte O Código Civil define o contrato de transporte em seu art. 8.64 - . pessoas ou coisas”. mediante o pagamento do valor da passagem pelo usuário. Na prática. podem-se citar o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei n.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A fiança pode ser estipulada sem consentimento do devedor ou contra sua vontade (art. o passageiro ou usuário (no transporte de pessoas) ou o expedidor ou remetente (no transporte de coisas). incidindo também regras do Código de Defesa do Consumidor. 734 a 742 e 743 a 756. 732). permissão ou concessão são aplicadas as regras dos regulamentos específicos. 730: “Pelo contrato de transporte alguém se obriga. tendo o novo Código Civil disciplinado estas duas espécies de forma diversa. Quanto ao meio. Em relação ao regime jurídico aplicável. abrangendo dívidas certas ou incertas. Como legislação específica relacionada com o contrato de transporte. sem mencionar qualquer restrição. 821 do CC). o legislador ressalvou que ao transporte exercido em virtude de autorização. quando o credor renunciou expressamente a esse benefício. o transporte deverá ser concluído em outro veículo da mesma categoria ou em modalidade diferente. Obrigando-se pela obrigação principal. desaparecendo. a Lei n. O benefício de ordem decorre da natureza normalmente subsidiária ou complementar da responsabilidade do fiador. art. Pode haver transporte de pessoas e transporte de coisas. mediante retribuição. Se ocorrer evento alheio à vontade do transportador que interrompa a viagem. como se vê. O benefício de ordem consiste na possibilidade dada ao fiador de. correndo todas as despesas por conta do transportador. a evolução realizada pretende equiparar o fiador ao devedor solidário.611/98. 8º. na legislação estrangeira. ou se obrigou como principal pagador e devedor solidário ou ainda sendo o afiançado pessoa insolvente ou falida (arts. art. de outro. a Lei n. o transportador obriga-se a cumprir o contrato. assume o fiador a responsabilidade por todos os acessórios (juros. até a contestação da lide. até o lugar previsto.

sob pena de decadência de tal direito. o transportador tem a obrigação de levar o bem que lhe foi entregue ao destino solicitado. exigir do expedidor uma relação dos bens devidamente assinada. Ao manter a coisa a ser transportada em seus armazéns. A conferência das condições da mercadoria deve ser feita no ato de entrega pelo destinatário ou por pessoa que apresentar o conhecimento de transporte endossado. especificadas nos bilhetes ou que de outra forma lhe tenha sido dado conhecimento. O passageiro tem a obrigação de observar as normas estabelecidas pelo transportador. dentro do prazo contratado ou previsto. Cometti Fernando F. 738 do CC). em duas vias. Castellani O transportador não pode recusar passageiros. 744 e seu parágrafo único do CC). o transportador submete-se à disciplina legal do depósito. se comunicado ao transportador em tempo hábil para a revenda do bilhete. ficando uma parte integrante do conhecimento (art. podendo. neste momento. 754 do CC). dificultar ou impedir a prestação do serviço (art. o passageiro pode rescindir o contrato de transporte.Coordenadores: Marcelo T. 739 do CC). As eventuais reclamações deverão ser feitas. a não danificar o veículo. Mesmo que a viagem já tenha começado. hipótese na qual há o prazo de dez dias para reclamar (art. salvo se a avaria não for perceptível desde logo. No transporte de coisas. em virtude do art. terá direito à restituição do valor pago. O transportador é obrigado a emitir documento especificando as características que identifiquem a coisa a ser transportada. . A falsidade das informações ou a sua inexatidão implica o dever de o remetente indenizar o transportador pelos danos causados por tal ato. O passageiro pode rescindir o contrato antes de iniciada a viagem e. devendo tomar todas as providências e os cuidados para manter o seu bom estado. inclusive. bem como de se comportar de maneira a não incomodar ou prejudicar os demais passageiros.65 - . 751 do Código Civil. salvo se existir justificativa em regulamentos ou o motivo decorrer das condições de saúde ou de higiene do interessado (art. mas somente receberá a restituição do trecho não utilizado se demonstrar que outra pessoa foi transportada em seu lugar na continuação da viagem.

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diz-se que a causa não era adequada. e. Assim. Como excludente de responsabilidade o agente deve provar que o dano foi causado por culpa exclusiva da vítima ou força maior. culpa grave ou mesmo levíssima. A responsabilidade por danos causados por animais e coisas que estejam sob a guarda do agente é.A obrigação de indenizar não existe. em regra.Coordenadores: Marcelo T. leve e levíssima. Vem expressa no verbo “causar”. de ato de terceiro que esteja sob a guarda do agente. 1. O ato do autor do dano era condição sine qua non para que o dano se verificasse. ou como a obrigação que incumbe a alguém de reparar o prejuízo causado a outrem. . merecer censura ou reprovação do direito. aquele de maior resistência econômica. portanto. A sua equivalência resulta de que. Com o art.– É a relação de causa e efeito entre a ação ou omissão do agente e o dano verificado. a vítima permite-lhe eleger. utilizado no art. para a caracterização de culpa. 932. não faz nenhuma distinção entre dolo e culpa. A responsabilidade por ato de terceiro é hipótese de responsabilidade solidária (art. As principais teoria sobre a relação de causalidade são: 1) Teoria da equivalência das condições – toda e qualquer circunstância que haja concorrido para produzir o dano é considerada uma causa. é o da comparação de seu comportamento com o do homo medius. Beneficiando. para suportar o encargo ressarcitório. Isto se deve ao aumento do número de acidentes e de vítimas. não se perquire qual deles deve ser chamado como responsável direto ou principal.. em regra. O CC. pela sua atuação ou em virtude de danos provocados por pessoas ou coisas dele dependentes. a culpa pode ser grave. Se existiu no caso em apreciação dano somente por força de uma circunstância acidental. Castellani CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL A responsabilidade civil é definida como a situação de quem sofre as conseqüências da violação de uma norma. mais uma vez. objetiva (expressa disposição do art. Cometti Fernando F. ocorre a solidariedade não só no caso de concorrer uma pluralidade de agentes. pessoalmente. 936: independe da prova de culpa. É essencial que ele tenha agido com culpa. suprimida uma delas. b) Culpa ou dolo do agente . só porque o agente causador do dano procedeu obejtivamente mal. Elementos da responsabilidade civil São elementos estruturais da responsabilidade civil: a) Ação ou omissão do agente . como também entre as pessoas designadas no art. 2) Teoria da causalidade adequada – Somente considera como causadora do dano a condição por si só apta a produzi-lo. provado o dano. do homem ideal. tenha agido com dolo. c) Relação de Causalidade . 942 do CC o direito positivo brasileiro instituiu um “nexo causal plúrimo”.67 - . para fins de reparação do dano. entretanto. 927 do CC) O critério para aferição da diligência exigível do agente. dentre os co-responsáveis.A responsabilidade pode derivar de ato próprio. e ainda de danos causados por coisas e animais que lhe pertençam. Assim. 186. nem entre os graus da culpa. 942). Em havendo mais de um agente causador do dano. o dano não se verifica. que diligentemente prevê o mal e precavidament evita o perigo. que não devem ficar irressarcidas. Agir com culpa significa atuar o agente em termos de. deve ser ele ressarcido integralmente pelo seu causador. (Primeira parte do art. Com relação aos graus.

Indenizar significa reparar o dano causado à vitima. Não é. A responsabilidade subjetiva subsiste como regra necessária. indenizável o chamado dano remoto. 186 que erigiu o dolo e a culpa como fundamentos da obrigação de reparar. prescindindo do elemento culpa a obrigação de indenizar atribuída ao fornecedor. envolvendo lucros cessantes para cuja efetiva configuração tivessem de concorrer outros fatores apenas a execução a que o devedor faltou. 3. b) Responsabilidade objetiva – Nesta hipótese a lei impõe a reparação de um dano causado sem a concorrência do elemento culpa. O CC disciplinou genericamente esta espécie de responsabilidade nos art.Sem a prova do dano. a matéria do dano prende-se à da indenização. Responsabilidade subjetiva e objetiva Convivem hoje no ordenamento jurídico brasileiro duas teorias que fundamentam a responsabilidade civil. 186 do CC). Nela o agente descumpre o avençado. tornando-se inadimplente. de modo que só interessa o estudo do dano indenizável. em toda a sua extensão deve abranger aquilo que efetivamente se perdeu e aquilo que se deixou de lucrar. a) Responsabilidade subjetiva . integralmente. tanto a responsabilidade pelo fato do produto ou serviço como a oriunda do vício do produto ou serviço são de natureza objetiva. 2. portanto. Responsabilidade civil nas relações de consumo No CDC. A responsabilidade contratual abrange também o inadimplemento ou mora relativos a qualquer obrigação. 967 do CC admite a responsabilidade sem culpa pelo exercício da atividade que. também chamada aquiliana (art. 4. Esta modalidade funda-se no risco. por sua natureza.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI d) Dano . o dano. O parágrafo único do art.68 - . Responsabilidade contratual e extracontratual A responsabilidade contratual ocorre quando determinada pessoa causar prejuízo a outrem por descumprir uma obrigação contratual. representa risco para os direitos de outrem. O dano pode ser material ou simplesmente moral Dano é uma lesão a um bem jurídico. Aprecia-se o dano tendo em vista a diminuição sofrida no patrimônio. as quais se diferenciam pela consideração da culpa como elemento da obrigação de reparar o dano. Se possível restaurando o statu quo ante. ainda que provenientes de um negócio unilateral (como o testamento. que seria conseqüência indireta do inadimplemento. em não havendo culpa não há responsabilidade. Logo. Não há nenhum vínculo jurídico existente entre a vítima e o causador do dano. ou seja. a procuração ou a promessa de recompensa) ou da lei (como a obrigação de alimentos) Já a responsabilidade extracontratual é aquela derivada de ilícito extracontratual. ninguém pode ser responsabilizado civilmente. Assim. conforme se verifica da leitura do art.Nesta concepção a culpa é pressuposto da responsabilidade civil. . sem prejuízo da adoção da responsabilidade objetiva. 395 e seguintes e 389 e seguintes. O CC filiou-se à teoria subjetiva. Nela o agente infringe um dever legal.

A avaliação do dano faz-se pela liquidação. sob a forma de pensão ou. c) o exercício regular do direito. o valor da indenização levará em conta a gravidade da sua culpa em confronto com a do autor do dano (art.Coordenadores: Marcelo T. a indenização poderá ser paga sob a forma de entrega de um capital ou de uma renda (art. 944. Caso tenha se perdido o bem. 950 do CC). a lei determina que seja paga uma indenização cabal de todas as despesas incorridas pela vítima e dos lucros não auferidos. o luto de sua família e o pagamento dos alimentos às pessoas a quem o defunto os devia. Ao magistrado é dado excepcionalmente o poder de reduzir o montante da indenização. Quando impossível deve a indenização ser paga em dinheiro. A reparação ideal consiste na efetiva reposição. Essa liquidação pode ser convencional ou legal. que consiste na fixação do montante pecuniário da indenização. Quantificação e liquidação do dano Indenizar é. o art. deverá ser concedida indenização correspondente.69 - . Significa desfazer o dano. restabelecer a situação anterior ao dano. Cometti Fernando F. amigável ou judicial. deverá ser reembolsado ao prejudicado valor equivalente (art. parágrafo único). se o prejudicado preferir. 947). 948 do CC). podendo a cláusula penal funcionar como uma prefixação das perdas e danos. A formação da palavra indica o seu sentido: in + dano + izar. Excludentes de responsabilidade civil As excludentes de responsabilidade civil são situações jurídicas descritas pela lei que exoneram ao agente o dever jurídico de reparação do dano. É convencional quando decorre de entendimento prévio entre as partes. dizendo em que consiste a indenização pelos diversos casos. considerando-se a duração provável da vida da vítima (art. 952 do CC). o lesado o direito de receber perdas e danos (dano emergente e lucro cessante). São excludentes de responsabilidade civil subjetiva: a) legítima defesa. . difamação ou calúnia. É legal quando realizada na forma da lei. bem como de eventuais outros prejuízos (art. dentro da medida do possível. 6. na realidade. tendo. Castellani 5. No caso de usurpação de bens. se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano causado (art. conforme a natureza do dano. Os arts. 945). Além disso. Os arts. 944 do novo Código Civil especifica que: “A indenização mede-se pela extensão do dano”. sob pagamento em apenas uma parcela (arts. Nesse sentido. quando quem sofreu o dano tiver colaborado com a ocorrência do fato. a reparação consiste na sua devolução e no pagamento de suas deteriorações. pode realizar-se sem litígio (composição amigável) ou em virtude de decisão judicial (composição judicial). determina a lei que sejam abrangidas as despesas com o tratamento e funeral da vítima. No caso de lesão ou ofensa à saúde. além dos lucros cessantes. Quer seja convencional ou legal. 948 a 954 do CC esclarecem o modus faciendi da liquidação da reparação civil no caso de atos ilícitos. b) o estado de necessidade. 953 e 954 do CC tratam da reparação do dano material e do dano moral nos casos de injúria. assim. sem excluir outras reparações. 949 do CC). Em relação ao homicídio. assim como nas ofensas à liberdade pessoal (cárcere privado e prisão ilegal ou não motivada). Quando houver impossibilidade ou diminuição da capacidade de trabalho da vítima.

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

d) o estrito cumprimento do dever legal; e) o caso fortuito; e f) a força maior. Legítima defesa própria é a repulsa a mal injusto, grave e atual ou iminente à pessoa da vítima ou aos seus bens. A legítima defesa pressupõe, assim, a existência de uma agressão ilícita, pelo agente, e a vontade de defesa, por parte do ofendido.A repulsa deve ser proporcional e imediata. O ofendido responderá pelo excesso de legítima defesa, pouco importando se cometeu o excesso por dolo ou culpa. Estado de necessidade próprio é a situação em que o sujeito viola direito alheio, com a finalidade de remover perigo iminente de um direito seu. Não se confunde a legítima defesa com o estado de necessidade, pois aquela se refere aos direitos da personalidade, enquanto este se relaciona com o patrimônio do indivíduo. O estado de necessidade pressupõe aquele que o pratica não ter provocado ou facilitado o seu próprio dano. Exercício regular de direito é o desenvolvimento de atividade humana em conformidade com o ordenamento jurídico. Somente deixa de ser considerado regular o exercício do direito, pelo excesso na atividade humana, conhecido como abuso de direito. Estrito cumprimento do dever legal é a observância de um dever jurídico anteriormente estabelecido por lei. Caso o sujeito venha a ultrapassar os limites fixados pelo ordenamento jurídico, no cumprimento do dever legal, ele poderá ser responsabilizado pelo excesso ou abuso de poder ou de autoridade. Caso fortuito é um evento imprevisível, do qual o homem médio não possui controle. Já a força maior é todo evento inevitável e, por vezes, imprevisível, que prejudica os interesses patrimoniais ou morais da vítima. São excludentes de responsabilidade civil objetiva: a) a culpa exclusiva da vítima; b) a culpa exclusiva de terceiro; c) a força maior; e d) o caso fortuito. Além das excludentes de responsabilidade civil subjetiva e objetiva, há duas outras hipóteses frequentemente lembradas, que não são causas de exoneração da responsabilidade por força de lei, mas sim motivos que levam à não responsabilização do agente na prática porque dependem da vontade humana. São elas: a renúncia da vítima à indenização e a cláusula de não indenizar. Renúncia da vítima à indenização é ato jurídico unilateral irrevogável e informal por meio do qual o próprio titular extingue, por abdicação, o direito subjetivo que tem à reparação por perdas e danos. Somente se torna possível a renúncia à indenização por quem é plenamente capaz. Cláusula de não indenizar é o dispositivo integrante de um negócio jurídico por meio do qual há a exoneração total ou parcial do dever de reparar o prejuízo patrimonial, nos limites acordados pelas partes.

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS

CAPÍTULO I – POSSE 1. Conceito e teorias A doutrina, na sua quase totalidade, alerta a dificuldade do enquadramento jurídico do instituto da posse. Na idéia de posse há, pois, uma coisa e uma vontade, traduzindo a relação de fruição. Mas, nem todo estado de fato, relativamente à coisa ou à sua utilização, é juridicamente posse. Muito próximo deste instituto temos a detenção (art. 1.198 do CC) que, embora semelhante na aparência, muito se difere na essência, como nos efeitos. Aí é que surge a doutrina, com os elementos de caracterização, e com os pressupostos que autorizam estremar uma de outra. Savigny, responsável pelo desenvolvimento da teoria subjetiva da posse, considerava-a como o poder de uma pessoa sobre uma determinada coisa. Assim, era preciso, a conjugação de dois elementos para a sua caracterização: o corpus (poder físico sobre a coisa) e o animus (intenção de agir como dono). Por sua vez, Jhering definia a posse como exteriorização da propriedade. O elemento material da posse para o autor é a conduta externa da pessoa, que se apresenta numa relação semelhante ao procedimento normal de proprietário. O elemento psíquico (animus) nesta teoria não se situa na intenção de dono, mas tão-somente na vontade de proceder como procede habitualmente o proprietário (affectio tenendi) independentemente de querer ser dono. Partindo de que, normalmente, o proprietário é possuidor, Jhering entendeu que é possuidor quem procede com a aparência de dono, o que permite definir, como já se tem feito: posse é a visibilidade do domínio. O Código Civil, no art. 1.196, adotou a teoria desenvolvida pela referido autor, a qual foi denominada de objetiva, justamente por ser mais conveniente e satisfatória. Com efeito, na relação possessória não se revela o animus domini, nem facilmente se prova. Essas novas teorias, que dão ênfase ao caráter econômico e à função social da posse, aliadas à nova concepção do direito de propriedade, que também deve exercer uma função social, como prescreve a Constituição Federal, constituem instrumento jurídico de fortalecimento da posse, permitindo que, em alguns casos e diante de certas circunstâncias, venha a preponderar sobre o direito de propriedade.

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prevalecendo com a exclusão de concorrência de quem quer que seja. A taxatividade (numerus clausus) releva que não há direitos reais quando a lei não os declara. para sobre ela exercer o seu direito.73 - . Segundo a lição de Orlando Gomes. Entre os direitos reais previstos em lei esparsa é bom lembrar a alienação fiduciária (Lei 9. oponibilidade “erga omnes”. os direitos reais permitem que seu titular não seja molestado por ninguém. Surge. daí. seqüela e aderência. Castellani CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS 1. Todavia. Quanto à oponibilidade. em poder de quem quer que ela se encontre. ainda que este circule de mão em mão e se transmita a terceiros. sendo que esta deve possuir valor econômico e suscetível de apropriação. Características dos direitos reais Os direitos reais se apóiam na relação entre homem e coisa. 1.225 do CC é a referência para os que proclamam a taxatividade do número dos direitos reais. As características principais dos direitos reais são: taxatividade. tal não significa que só são direitos reais os apontados no referido dispositivo. de perseguir a coisa e de reivindicá-la em poder de quem quer que esteja (ação real). isto é. Em conseqüência. independendo para o seu exercício da colaboração de outrem e conferindo ao seu titular a possibilidade de ir buscar a coisa onde quer que ela se encontre.514/97). bem como o jus praeferendi ou direito de preferência. mas também outros disciplinados de modo esparso no mesmo diploma e os constituídos em diversas leis especiais. Por fim a aderência do direito real à coisa não é senão a constatação do fato de que o direito real permanece incidindo sobre o bem. pois o aludido direito segue a coisa (jus persequendi). No dizer de Silvio Rodrigues. o direito de seqüela ou jus persequendi.Coordenadores: Marcelo T. O art. o direito de seqüela é o que tem o titular de direito real de seguir a coisa em poder de todo e qualquer detentor ou possuidor. a tutela do direito real é sempre mais enérgica e eficaz que a do direito de crédito. . Cometti Fernando F. são os direitos que se prende à coisa.

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etc. avulsão. Castellani CAPÍTULO III – PROPRIEDADE 1. Lei de Proteção ao Meio Ambiente. não pode ser tutelada pelo ordenamento jurídico.Coordenadores: Marcelo T. gozar e dispor reivindicar. As acessões podem ser físicas ou naturais (formação de ilhas. em caráter predominantemente negativo. uma configuração mais flexível. 1253 do C. que deixou de apresentar as características de direito absoluto e ilimitado. gozar e dispor dos bens e de reavê-los do poder de quem quer que. de qualquer modo. aluvião e álveo abandonado) ou industruais (construções ou plantações). sem nenhuma referência ao aspecto funcional do instituto. que terá. Função social da propriedade Propriedade é o direito que outorga ao seu titular a faculdade de usar.75 - . Modernamente. para se transformar em um direito de finalidade social.C). até então separadas. Restrições ao direito de propriedade Inúmeras leis impõem restrições ao direito de propriedade (Código de Mineração. ela sempre dependerá do concurso de dois requisitos: a) a conjugação entre duas coisas. b) o caráter acessório de uma dessas coisas. os quais vão ser regulados no âmbito da relação jurídica de propriedade. impenhorabilidade e incomunicabilidade. ou. de tal modo que. o proprietário teria espaço livre para suas atividades e para a emanação de sua senhoria sobre o bem. injustamente. Tais poderes. Há ainda limitações decorrentes do direito de vizinhança e de cláusulas impostas voluntariamente nas liberalidades. a determinação do conteúdo da propriedade. como inalienabilidade. Seja qual for a modalidade de acessão. na caracterização deste fenômeno aquisitivo o princípio segundo o qual a coisa acessória segue a principal (acessorium sequitur suum principale). no entanto. Vale dizer. dependerá de centros de interesses extraproprietários. ao contrário. os possua. em confronto com a outra. nitidamente. Cometti Fernando F. sendo por esta conformados em seu conteúdo – modos de aquisição e de utilização. que não somente os bens de produção. acaba traçando o perfil atual do direito de propriedade no direito brasileiro. mas também os de consumo possuem uma função social. até uma certa demarcação. Seja ela qual for presume-se que a acessão existente em um determinado terreno foi feita pelo proprietário e à sua custa (art. os quais são tendencialmente plenos. necessariamente. Contudo hoje. Todo esse conjunto. . cujos confins são definidos externamente. 2. a propriedade não pode ser vista apenas como a reunião das faculdades usar. Daí decorre que quando uma certa propriedade não cumpre a sua função social. Tal conclusão oferece suporte teórico para a correta compreensão da função social da propriedade. Percebe-se. Aquisição da propriedade imóvel a) Usucapião b) Acessão: É uma forma de aquisição de propriedade imóvel que resulta de um processo de incorporação de um determinado bem ao solo. expressão do núcleo interno ou econômico do domínio e do núcleo externo ou jurídico.). compõem o aspecto estrutural do direito de propriedade.

que o interessado tem a intenção de conservar. manifeste com isso. consignando que se consideram abandonados os objetos não procurados num prazo determinado. Tendo em vista que não são freqüentes as coisas sem dono. mas para que assim se configure. não sendo essa ocupação defesa por lei (art. b) Especificação Especificação é a transformação definitiva da matéria-prima em espécie nova. No segundo estão os animais mansos ou domesticados. acrescenta-se.estar o depósito enterrado ou oculto. não assinalados ou marcados. salvo se os donos estiverem ainda à sua procura. isto é. reputam-se também sem dono os enxames de abelhas. Para que se opere a aquisição da propriedade é mister a transformação se dê pela ação humana. se perderem o hábito de retornar ao lugar onde costuma recolher-se. pois que pertencem a alguém. A essência da ocupação reside. Considera-se ainda sem dono a coisa abandonada (res derelicta).76 - . A importância social desta modalidade aquisitiva é muito grande. 2. numa res derelicta pelo fato de haver excedido um prazo determinado no cupão de sua identificação. 1263 do C. contido na intenção de renunciálas.ser um depósito de coisas móveis preciosas ou moedas. Com efeito. tendo-se em vista a capacidade criadora do homem. enterrado ou oculto. diz-se que não tem dono aquela que nunca foi objeto de assenhoramento (res nullius). torna-se mister a ocorrência de um fator psíquico. pesca e tesouro – são as hipóteses mais comuns. a pintura em relação à tela). como limite de sua validade de seu direito de dono.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. anteriormente apropriados se o dono da respectiva colméia os não reclamar imediatamente (decadência instantânea de direito). Estes não são res nullius. O que não é lícito é forçar no proprietário uma intenção de abandonar e converter a coisa. escultura. e que não seja possível retornar à espécie anterior. de cujo dono não haja memória. A primeira classe (res nullius) é preenchida. deixando um objeto para sofrer reparações. ser antigo e tão antigo que se haja perdido a memória de quem seja o proprietário. e o locador do serviço pagar-se do custo deste. A coisa sem dono pertence por direito natural ao ocupante. na apropriação de coisa sem dono pelo simples fato. que se não confundem com os animais selvagens capturados.). Tesouro: É o depósito antigo de moedas ou coisas preciosas. a ocupação como modalidade aquisitiva ficou hoje muito reduzida. Elementos para caracterização: 1. que os sistemas modernos o adotam ao definir o princípio da aquisição da propriedade móvel: quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade. 3a ancianidade. sapataria. Não é razoável presumir que alguém. Aquisição da propriedade móvel a) Ocupação Na apropriação de cada coisa sem dono inseriu-se uma idéia que o tempo amadureceu e sistematizou. Indaga-se da liceidade da cláusula adjecta a talões de empresas de serviço (lavanderia. . ou em tabuleta na loja. vale dizer que a nova species há de resultar de alteração dotada de importância (ex. pois. As poucas hipóteses remanescentes – caça. de apreendê-la possuindo-a como própria. como aquela que já o teve e não mais o tem (res derelicta). É aceitável mandato para vender. transportadora). A “novidade” é encarada em sentido econômico e não filosófico. promovido por mão humana. mediante o trabalho ou indústria do especificador.C. em primeiro lugar pelos animais bravios enquanto entregues à sua natural liberdade. categoria preenchida pelas espécies que a natureza inesgotavelmente produz. a intenção não revelada de e ele renunciar.

ou seja. impossibilitando destacar-se a acessória da principal. aos condomínios e a possibilidade de se aplicar multa ao condômino que tiver conduta anti-social de forma reiterada (art. O novo Código deixou claro que o solo. Universal. resultando que o dono da primeira adquire a segunda. exerce o direito de propriedade sobre determinada coisa. Cometti Fernando F. dispõe no art. com a observância das regras de acessão. Castellani O CC ao fixar o princípio da especificação. se não puder restituir à forma anterior” Conciliando. comistão. e as demais partes comuns. universal e particular. 1. Simbólica se diz a tradição que se não realiza pela entrega e apreensão material da coisa. dando preferência aos demais condôminos. inclusive frutos e rendimentos. A grande novidade do Código.591/64 condomínio edilício (arts.331 a 1. emerge de contrato ou convenção. a rede geral de distribuição de água. quando surge do acordo de vontades. voluntário e eventual. Diz-se haver confusão quando se acharem sem estado líquido.337. e adjunção São hipóteses de coisas de diversos donos mesclarem-se. quando o condomínio existe de direito. divisível e indivisível. quando for ela voluntariamente obtida. esgoto. trabalhando em matéria-prima em parte alheia. Diz-se tradição real a que consiste na efetiva entrega ou entrega material da coisa ao adquirente que a recebe e apreende. o prejudicado com a especificação irredutível terá direito ao ressarcimento. b) quanto ao objeto. gás e eletricidade. Eventual ou acidental. ou seja. quando se limita a determinadas coisas ou frutos. (art 1.77 - . a aquisição da propriedade com o princípio fundamental do respeito ao direito alheio. mistura ou comistão se forem coisas secas. Particular. mas não de fato (cada condômino já se situou numa parte determinada da coisa).358 do CC) com as alterações da Lei 4. porém mediante a de algo que a represente 4. quando mais de uma pessoa. c) Misturas: Confusão. desta será proprietário. É a hipótese dos bens deixados por herança a mais de um herdeiro ou doação de uma coisa a mais de uma pessoa. calefação e refrigeração centrais. estrutura do prédio. Vale ressaltar que a Lei 4. inclusive o acesso ao logradouro público. do telhado. parágrafo único do CC). transformando a declaração translatícia de vontade em direito real. obtiver espécie nova. Também poderá o condômino alugar a sua vaga de garagem a qualquer pessoa.Coordenadores: Marcelo T. salvo se se tratar de especificação de má-fé. Condomínio Dá-se o condomínio. Divisível.864/65 continua vigendo subsidiariamente ao novo Código Civil nas implicações que este não disciplinou. quando abranger a coisa integralmente. 1269 que “aquele que. Num e noutro caso. são de utilidade em comum dos condôminos. O condomínio pode ser classificado sob três formas: a) quanto à origem. todavia. ou seja. Voluntário ou convencional. 1. não podendo ser alienados separadamente ou divididos. conseguintemente. quando sua origem é estranha à vontade dos condôminos. d) Usucapião e) Tradição Trata-se de um ato de entrega da coisa ao adquirente. . permanecendo os demais fora do condomínio. e. regulados os direitos pelo disposto no título ou na convenção. A adjunção consiste na justaposição de uma a outra coisa. ordinariamente resulta num condomínio.338 do CC). c) quanto à forma. ao mesmo tempo.

porque se mantém indivisa e nenhum se situou em uma parte. 1. .322 do CC. de toda coisa. Todos os condôminos são donos. quando tanto existe de fato como de direito.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Indivisível. em comum.78 - . Cumpre apenas ressaltar que o assunto referente a condomínio é tratado nos arts.314 a 1.

pois necessário conservar a substância da coisa. O proprietário perde. a substância.Oponível erga omnes: daí também decorre o direito de seqüela. enquanto este cuida do urbano e também do rural. a imóvel urbano. pelo superficiário. posto que desfruta dos proveitos do imóvel. temporariamente. Pode-se estabelecer uma condição (graduação universitária). disciplinando o direito de superfície. Não perde entretanto. Surgiu da necessidade prática de se permitir edificação sobre bens públicos. porém. o direito ao uso e aos frutos. 2. por morte daquele. temporariamente. responde pelos encargos e tributos que sobre ele incidem. A servidão é composta dos seguintes elementos: a) Trata-se de uma relação entre dois prédios. No art. Com efeito. 1410 CC).79 - .Temporário: não excede à vida do usufrutuário (art. limitado. 1410. Castellani CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA 1. em benefício de um outro prédio chamado dominante. O Estatuto da Cidade antecipou-se ao novo Código Civil. 1369 do CC o direito de superfície é definido como a faculdade que o proprietário tem de conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno. 2. Pode recair sobre bens móveis ou imóveis e sobre um patrimônio (como um todo). Do usufruto Trata-se de um direito real sobre coisa alheia conferido a alguém de retirar. . Da superfície Trata-se de direito real de fruição ou gozo sobre coisa alheia. Daí o termo nu proprietário. c) A existência da servidão implica a idéia de que os prédios pertencem a donos diversos 3. seria contrário ao próprio conceito de servidão admitir sua constituição em favor de quem não fosse dono do prédio dominante. Se bens móveis. mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis A concessão da superfície pode ser onerosa ou gratuita. Nunca perpétuo. A servidão é um direito acessório. Cometti Fernando F. da coisa alheia os frutos e utilidades que ela produz. conferindo ao titular o uso e gozo do direito ou faculdade. Como direito real que se prende ao imóvel. eis que fica tolhido no exercício integral dos poderes inerente à propriedade. no sentido de que é irresgatável sem a anuência do proprietário do prédio dominante. seu titular há que ser proprietário daquele prédio. inclusive a seus herdeiros. porque implica a existência de um direito principal. por tempo determinado. b) A servidão envolve uma obrigação negativa. A servidão é perpétua. não podem ser fungíveis. a terceiros. Das servidões Servidão é um encargo que suporta um prédio denominado serviente. IV. Como se trata de direito concedido ao dono do prédio dominante. 1225. I CC) ou trinta anos se for pessoa jurídica (art. conservando a condição de proprietário. sem alterar-lhe a substância (Art. Em ambos os casos o superficiário. Suas principais características são: 1. CC).Coordenadores: Marcelo T. pertencendo o solo em poder do Estado. o direito de superfície pode ser transferido. de origem romana.

Todavia. . por morte de um dos conviventes. desde que tenha expressão econômica.Quanto à origem pode ser legal (estabelecido por lei em benefício de determinadas pessoas). diz que a dissolução. 167. criou o direito de habitação em favor do cônjuge sobrevivente. dispondo sobre a união estável. qualquer delas que a ocupar estará no exercício de direito próprio.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. de 10 de maio de 1996.Cessação do motivo de origem.Extinção da pessoa jurídica ou decurso do prazo de 30 anos. nada devendo às demais a título de aluguel.Quanto à extensão é possível afirmar que este direito recai sobre bens individualizados. 7º. 1393 CC é possível ceder o exercício a título gratuito (comodato) ou oneroso (RT 412/208). Do uso O usuário usará da coisa e perceberá os seus frutos. bem como o lugar onde vive. O direito real de habitação é concedido sem prejuízo da participação da viúva ou do viúvo na herança.Consolidação 4.Termo de sua duração – prazo. deve-se ter em consideração a condição social do usuário. salvo morte anterior. 3.Renúncia ou morte do usufrutuário. resultante de usucapião.Intransferível e inalienável: Não se transfere por herança ou por alienação. n. O titular desse direito pode usar a cada para si. enquanto permanecer em estado de viuvez.É impenhorável: o direito real não pode ser objeto de penhora. Mesmo que o cônjuge sobrevivente seja herdeiro ou legatário. de acordo como o art. 2.Destruição da coisa. imprescindível se torna o registro do respectivo título no Cartório de Registro de Imóveis (LRP. E se for conferido a mais de uma pessoa. A Lei no. 4. 9278. 1412). residindo nela. Como direito real. 5.80 - . 3. no todo ou em parte. art. o direito real de uso não se diferencia substancialmente do usufruto. A penhora recai sobre os frutos e utilidades do bem (Art. convencional. A extinção do usufruto ocorre pela: 1. 5. Perante terceiro só tem validade se devidamente registrado (RT 520/212). distinguindo-se dele pela intensidade ou profundidade do direito.Quanto à duração pode ser temporário (prazo preestabelecido) ou vitalício (até a morte do usufrutuário). Não ocorre com a morte do nu proprietário (aqui a nua propriedade é transmitida aos herdeiros). parágrafo único). item I. dá ao sobrevivente o direito real de habitação (art. 6. quando o exigirem as necessidades pessoais suas e de sua família (art. No que diz respeito às necessidades pessoais.121. de 27 de agosto de 1962. 2. A Lei no. desde que o imóvel da família seja o único residencial a inventariar. mas seu exercício sim. Em verdade. sobre uma universalidade de bens (ou parte dela) e pode abranger os frutos e utilidades. Da habitação A habitação pode ser entendida como uma modalidade especial de uso à moradia. 4.7). 716 CPC – usufruto em execução) O usufruto pode ser classificado de três formas: 1. 4. não perde o direito de habitação. mas não alugá-la nem emprestá-la.

de imóvel não loteado. também. Desfruta. pelo preço. Em se tratando. da seqüela. 58/37.088.81 - . 58/37. outorgando-lhe a escritura definitiva quando houver o adimplemento da obrigação. desde que levado ao registro imobiliário. ou sua adjudicação compulsória havendo recusa por parte do promitente vendedor. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança. direito real sobre o imóvel.766/79 veio derrogar o Decreto-Lei n. porém. conferindo direito real ao comprador. desde que seja o único daquela natureza a inventariar”. mas apenas o pagamento de perdas e danos.Coordenadores: Marcelo T. será assegurado. com a faculdade de reclamar a outorga da escritura pública definitiva. no capítulo concernente à ordem da vocação hereditária. lícito afigura-se convencionar o arrependimento. prevalece a irretratabilidade. Com o advento do Decreto-Lei n. por não escrita. os adquirentes não podiam reivindicar o imóvel. podendo reivindicar a coisa em poder de quem quer que a detenha. por sua vez. condições e modos convencionados. Inexistindo cláusula nesse sentido. Cometti Fernando F. opor-se à ação de terceiros que coloquem obstáculos ao exercício do direito. 6. havendo oponibilidade erga omnes. O instituto passou por uma série de fases de evolução em nosso direito. o compromisso tornou-se irretratável. Como o direito era de natureza pessoal. que hoje se aplica somente aos loteamentos rurais. que. 1. A Lei n. O promitente comprador não recebe o domínio da coisa. ainda. O art. em conseqüência. Qualquer cláusula de arrependimento. adquirindo. Castellani Dispõe ainda o art. a constituição do direito real. qualquer que seja o regime de bens. com isso. Pode. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. 6. se arrependesse antes de celebrado o contrato definitivo. nesses contratos. . afastando-se.831 do Código Civil. obriga-se a pagar o preço e cumprir todas as condições estipuladas na avença. 1. pois. Cuida-se de direito real. “ao cônjuge sobrevivente. porque o adquirente tem a utilização da coisa e pode dispor do direito mediante cessão. 25 da referida lei declara irretratáveis e irrevogáveis os compromissos de compra e venda de imóveis loteados. O compromissário comprador. mas passa a ter direitos reais sobre ela. Do direito do promitente comprador Consiste a promessa irretratável de compra e venda no contrato pelo qual o promitente vendedor obriga-se a vender ao compromissário comprador determinado imóvel. ter-se-á. com base no seu art. O sistema do Código Civil de 1916 permitia que o promitente.

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Para Orlando Gomes. 1. segundo dispõe o art. preferencialmente. porquanto o art. além da capacidade geral para os atos da vida civil. a falta de vênia conjugal torna anulável o ato praticado. O direito do credor concentra-se sobre determinado elemento patrimonial do devedor. por estar vinculado determinado bem ao seu pagamento. criou uma nova modalidade: a alienação fiduciária. e não quem o praticou. É importante observar que a ausência desses requisitos não acarreta. por um deles. pleitear-lhe a anulação. Cometti Fernando F. Em conseqüência. Não basta. Os bens fora do comércio dados em garantia. a observância de formalidades para que os contratos de penhor. essa qualidade. Valerá apenas como direito pessoal. na sua primeira parte. fica o bem afetado ao pagamento prioritário de determinada obrigação. restando-lhe apenas o direito de participar do concurso de credores. Além desta prioridade. Da hipoteca É o direito real de garantia que tem por objetivo bens imóveis.422 permite a separação deste bem do patrimônio do devedor. vinculando somente as partes que intervieram na convenção. o recebimento de seu crédito.420 dispõe que somente os bens dentro do comércio poderão ser dados em penhor. Desse modo. Dispõe. Em regra. da preferência e da ação real. podendo o outro cônjuge. tenha ainda a livre disposição da coisa. Castellani CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA 1. no contrato. ainda. 2. A publicidade é dada pelo registro do título constitutivo no Registro de Imóveis (hipoteca. os direitos reais de garantia geram os seguintes efeitos: a) direito de preferência ou prelação. 1. o art.420 do CC. E especialização é a descrição pormenorizada. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. do valor do crédito. na condição de quirografário. 1. ou a constituição de direito real.83 - . 1. a especial para alienar. todavia. asseguram-lhe. anticrese e penhor rural) ou no Registro de Títulos e Documentos (penhor convencional). pois. fica o credor privado da seqüela. pois não produz os efeitos próprios de um direito real. A Lei n. do bem dado em garantia. ilaqueando a boa-fé do terceiro. 4.424) e pela publicidade. Não existe regra idêntica para os companheiros. Faz-se mister que. se houver. direito real de garantia é o que confere ao credor a pretensão de obter o pagamento da dívida com o valor do bem aplicado exclusivamente à sua satisfação. com efeito. Os atributos de seqüela e preferência atestam sua natureza substantiva real. navio ou avião pertencentes ao devedor ou a terceiro e que.728/65. mas apenas a sua ineficácia. c) direito de excussão. hipotecar ou dar em anticrese”. a nulidade do contrato. d) indivisibilidade. 1. além do domínio. tornam o negócio nulo. anticrese ou hipoteca. b) direito de seqüela. anticrese e hipoteca tenham eficácia perante terceiros. Criado o direito real de garantia. porém.Coordenadores: Marcelo T. . do prazo fixado para pagamento e da taxa de juros. podendo suceder a alienação unilateral de um bem. Sua função é garantir ao credor o recebimento da dívida. que “só aquele que pode alienar poderá empenhar. disciplinada no Código Civil como propriedade fiduciária. Para validade da garantia real exige a lei. A lei impõe. A segunda parte do art. embora não entregues ao credor.649 do CC. hipoteca e anticrese. Aspectos Gerais O Código Civil brasileiro contempla as seguintes modalidades de garantia real: penhor. somente o proprietário pode dar bens em garantia. a qual é alcançada pela especialização (art.

1. daí constituir-se. acompanhando-a em caso de transmissão inter vivos ou mortis causa. para o fiduciário ou credor. é negócio jurídico pelo qual o devedor. mediante financiamento de entidade autorizada. alguém. 1. Da anticrese É direito real de garantia que o credor recebe a posse de coisa frigífera.84 - . regulada pela Lei no. A transferência da coisa para as mãos do credor tem a vantagem de impedir a alienação fraudulenta do objeto da garantia. com a finalidade de garantir o cumprimento de uma obrigação. pois é nulo o penhor de coisa alheia. ficando autorizado a perceber-lhe os frutos e imputa-los no pagamento da dívida. O fiduciante poderá. realizará contrato pelo qual transferirá a propriedade a esta entidade.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo condição natural da hipoteca a acessoriedade. a especialização (art. querendo adquirir imóvel em construção ou construído. Desse modo.424 do CC) e o registro no Cartório de Imóveis (art. ao credor. Da alienação fiduciária A alienação fiduciária em garantia de imóveis. contrata a transferência ao credor. salvo as hipóteses de domínio superveniente e de garantia oferecida por terceira pessoa. no prazo de 30 dias.431 do CC). com os requisitos previstos no art. . 5. 24 da Lei n. sob pena de multa em favor deste. para o cancelamento da propriedade fiduciária. da propriedade resolúvel e a posse indireta da coisa imóvel.492 do CC). A publicidade é reforçada pelo registro do título no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. uma vez paga a dívida. termo de quitação. equivalente a 0. Remição da hipoteca é a liberação ou resgate do imóvel hipotecado mediante o pagamento.5% ao mês. assumindo o adquirente as respectivas obrigações. O fiduciário é obrigado a entregar ao fiduciante. ou fiduciário. Do penhor É o direito real que submete coisa móvel ou mobilizável ao pagamento de uma dívida (art. O termo de quitação será levado a registro. 9. Para que tenha validade a constituição do penhor é necessário que a coisa oferecida em garantia pertença ao próprio devedor. A validade da hipoteca depende da observância do requisito concernente à forma de sua constituição. pressupõe ela a existência de uma dívida. O contrato de alienação será necessariamente registrado no Registro de Imóveis.514/97. extingue-se a propriedade fiduciária do imóvel retornando o bem à plena propriedade do fiduciante. transferir os direitos de que seja titular sobre o imóvel objeto da alienação fiduciária em garantia. da dívida que visa garantir. 9. adere à coisa. o credor pode opor seu direito ao adquirente do imóvel dado em garantia. além de dar publicidade ao negócio jurídico. a qual ficará obrigada a devolvê-la. à qual adere e busca assegurar. 4. ou fração. a contar da liquidação da dívida. 3. Assim. 1.514/97. Uma vez registrada. Envolve este o título constitutivo. fiduciante. permanecendo o fiduciante com a posse direta. com anuência do fiduciário. em propriedade resolúvel. sobre o valor do contrato. Com o pagamento da dívida e seus encargos.

Prov.º da referida Medida Provisória). Isso porque não foi inserido no CC. 167. até 30 de junho de 2001.º em outro local na hipótese de ocupação de imóvel: I – de uso comum do povo. O art. Pela MP n. praticamente nada acrescentou sobre o instituto. 7. nada mais é do que contrato administrativo pelo qual a Administração faculta ao particular a utilização privativa de bem público. um título específico sobre esse direito. passa a ser direito do possuidor. n. A concessão exige praticamente os mesmos requisitos do usucapião urbano previsto no art. tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da posse. 1. a saber: a concessão de uso especial para fins de moradia e a concessão de direito real de uso. Não se trata propriamente de um direito real novo. Desde a edição da Medida Provisória n. O que era faculdade. de 4 de setembro de 2001. ou melhor. 2. editada como diploma substitutivo ao veto dos arts. IV – reservado à construção de represas e obras congêneres. ou V – situado em via de comunicação". o qual continua submetido ao conteúdo e contornos normativos da Med. a qualquer título. com o registro no Registro Predial (art. . n.220.º da MP estabelece que "É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito de que tratam os arts. O direito de concessão de uso especial para fins de moradia pode ser reconhecido por ato administrativo ou por decisão judicial e tem publicidade.Coordenadores: Marcelo T. o direito à concessão de uso especial para fins de moradia só será outorgado àquele “que. e a Administração não pode recusar o contrato. ao contrário dos demais direitos reais.85 - . de outro imóvel urbano ou rural” (art.220/2001. 5. que "O direito de concessão de uso especial para fins de moradia é transferível por ato inter vivos ou causa mortis".257/2001).015/73). da Lei n. no art. 183 da CF e no art.481/07 introduziu dois novos direitos reais no Código Civil brasileiro. Há. por cinco anos.220/2001. Ocorre que a concessão. possuiu como seu.220/2001. ao contrário do usucapião. desde que não seja proprietário ou concessionário. pouco. de caráter declaratório. 2.240 do CC. 1. como se vê. 2. n. para que a exerça conforme a sua destinação. 37. ininterruptamente e sem oposição. 2. 1. a concessão de uso especial para fins de moradia compõe o rol dos direitos reais. utilizando-o para sua moradia ou de sua família. 15 a 20 do Estatuto da Cidade (Lei n. III – de interesse da defesa nacional. porém. 10.º e 2. Castellani 6. II – destinado a projeto de urbanização. Cometti Fernando F. 11. buscando outorgar-lhe títulos de direito real. 6. Ocorre que a Lei n. I. tentativa de trazer essa camada desfavorecida da população ao mundo legalizado. até duzentos e cinqüenta metros quadrados de imóvel público situado em área urbana.481/2007.º da Med. Prov. inclusive dispondo. da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas naturais. responsável pela introdução do instituto no CC. Das Concessões A lei 11.

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Conceito de casamento Casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher que se unem material e espiritualmente para constituírem uma família. 1521. O registro funciona como uma espécie de convalidação. quem é casado está proibido de contrair novas núpcias ( C. .Decorre da mais tradicional e inquebrável postura do mundo ocidental.C. no art. feita de acordo com a lei. 5. VI). por fim. O legislador.515 do C. Finalidades do casamento a) Intenção de viverem juntos – É a chamada affectio maritalis que é o elemento decisivo na indissolubilidade do vínculo. art. instituição (estatuto imperativo pré organizado) no conteúdo. 2. estando aptos para o casamento. Casamento religioso com efeitos civis O casamento religioso equipara-se ao civil. Encerrado o procedimento de habilitação (num prazo de noventa dias) é extraída uma “sentença”. c) O companheirismo – Calcado num projeto comum. Estes são os elementos básicos.87 - . explicita os modos pelos quais se alcançam os efeitos civis: a) Habilitação Prévia – Os nubentes apresentam-se ao oficial do registro civil e habitam-se ao ato posterior. Castellani TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO 1. b) Monogamia . 4. solidariedade. Na realidade. b) Habilitação Posterior – Nesse caso. a inscrição do casamento no registro público. Natureza jurídica do casamento O casamento seria um instituto de natureza híbrida: contrato na formação. primeiro é realizada a cerimônia religiosa com posterior competente habilitação e. b) Amor – Que independe de mera atração sexual e encontra sua manifestação mais veemente na afeição. resultando numa certidão a ser apresentada ao ministro religioso. A habilitação aqui descrita é a mesma exigida para o casamento civil e o procedimento visa declarar e certificar que os interessados não possuem impedimentos. fundamentais e lapidares do casamento. 3. Princípios do casamento a) Liberdade de União – O casamento só se justifica e legitima quando decorre da livre manifestação de vontade dos parceiros. 1. trata-se de uma instituição em que os cônjuges ingressam pela manifestação de sua vontade. atração mútua e afinidades pessoais.Coordenadores: Marcelo T. capaz de atender e satisfazer ideais e interesses de ambos os cônjuges. Cometti Fernando F.. cumplicidade.

Elas são de três ordens: habilitação – arts. parto eminente. a) Formalidades Preliminares – São as que antecedem o casamento.Os nubentes comungam os mesmos ideais. O exame pré-nupcial não é obrigatório. 1517 o legislador fixou idade núbil aos 16 anos. 1517 c/c o art. independentemente do sexo do nubente. A lei soleniza-o. será necessária a autorização dos pais ou dos seus representantes legais para a celebração do ato.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI c) Comunhão de Vida . viagem inadiável) e também no caso de casamento nuncupativo). Pressupostos de validade a) Puberdade – No art. conforme disposto no Decreto-lei 3. As uniões estáveis de natureza homossexual podem ter relevância jurídica em outros planos e sob outras formar.200 de 1941. prescrevendo formalidades de observância obrigatória para a sua regularidade.(a dispensa dos editais é possível nas seguintes hipóteses: se ficar comprovada a urgência (grave enfermidade. renunciando os instintos egoísticos e personalistas. 1519). b) Consentimento – A falta de consentimento torna inexistente o casamento. Desse modo. Pressupostos de regularidade São os que se referem às formalidades do casamento. 7. mas não como modalidade de casamento. 1540) os nubentes devem ter aptidão para a vida sexual. que é ato jurídico eminentemente formal. Casamento celebrado perante autoridade incompetente (perante prefeito municipal ou delegado de polícia) não é nulo. c) Sanidade – O CC não previu a sanidade dos nubentes como condição necessária à validade do casamento.(nesta fase ocorre a apreciação dos documentos e apuração da capacidade dos nubentes e a inexistência dos impedimentos matrimoniais). mas simplesmente inexistente. Todavia. Fora as exceções legais (casamento de anciãos e casamento in extremis – art. b) Potência – É a aptidão para conjunção carnal. em função de um bem maior que é a família. o interessado poderá obter do juiz o suprimento judicial correspondente (parágrafo único do art. 1533 a 1538 – (o oficial extrairá o certificado de habilitação durando a eficácia da habilitação por 90 dias). 1557. Impotentia Generandi (de gerar. 1525 e 1526 . 1520). porém. confirmando-se a idéia de que a prole não é finalidade do casamento. uma exceção: admissibilidade do casamento para evitar cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez (art. c) Celebração por Autoridade Competente – Inexiste casamento se o consentimento é manifestado perante quem não tem competência para celebrar o ato matrimonial. Dois são os tipos de impotência que interessam ao direito matrimonial: Impotentia Coeundi (de concepção ou de cópula) – Pode gerar a anulação do casamento. salvo no caso de casamento de colaterais de 3º grau (tios e sobrinhos). desde que interesse a um dos cônjuges anulá-lo (art. e emissão do certificado da habilitação – arts. a publicação dos editais – art 1527 . 6. Pressupostos de existência jurídica do casamento a) Diversidade de Sexo – Nesse sentido a lei é clara e não abre espaço a qualquer exegese extensiva (art. 8.88 - . III). . Havendo divergência entre os pais. 1517). a capacidade matrimonial não se confunde com a capacidade civil (18 anos). de procriar) – Não justifica a anulação do casamento. se um ou ambos os pretendentes não tiverem atingido a maioridade civil. A regra do art. ou. 1517 comporta.

Estes impedimentos dividem-se em três categoriais: impedimentos resultantes do parentesco (art. o casamento convalida do vício originário. 1521. IV). parágrafo segundo da LICC: “o casamento de estrangeiros poderá ser celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes”.Passaram a ser as causas de anulabilidade do casamento (art. é a ausência de requisito ou ausência de qualidade que a lei articulou entre as condições que invalidam ou apenas proíbem a união civil. 1521. 1521. 1521. Ex. Acarretam como efeito uma mera sanção. c) Impedimentos impedientes (ou proibitivos) . Esta procuração é um ato eminentemente revogável até o momento da celebração do casamento. a confusão de patrimônios e a proteção do nubente por influência dos representantes legais.550).A lei permite a celebração do ato por procuração cuja eficácia não ultrapassará noventa dias. Celebração do casamento Dada a importância que se reveste o casamento. em decorrência de disposição legal expressa – art. . não podem casar os irmãos (art.89 - . 1538. Desde já é importante observar a diferença entre incapacidade e impedimento matrimonial. em seu nome. Mas se os cônjuges (ou interessados na anulabilidade) silenciarem.Coordenadores: Marcelo T. É o que se depreende da leitura dos arts. Acarretam como efeito a nulidade do casamento. Considerando o interesse público neles estampados podem ser argüídos por qualquer interessado e pelo Ministério Público. pessoa casada.No atual CC passam a ser. Ex. I a V). a pessoa considerada não pode casar com determinada pessoa. 1533 a 1538. 1. VI). b) Impedimentos Dirimentes Relativos . 1533 ao art. causas suspensivas (art. Cometti Fernando F. I a IV) a infração destas causas não gera nem nulidade. evitar a confusão de consangüinidade (turbatio sanguinis). 1542 – é imprescindível a escritura pública para a sua validade. Hoje. isto é. nem anulação. noutras palavras.Dispõe o art. o outro consorte. Importante notar que sua inobservância determina-lhe a nulidade do ato. representantes legais ou ascendentes. Podem demandar a anulação o cônjuge prejudicado. agora. 1521. 7º. a) Casamento por procuração . 1523 têm por escopo. Dos impedimentos matrimoniais São as circunstâncias que impossibilitam a realização de determinado casamento. impedimentos resultante de vínculo (art. 1523. As disposições constantes nos incisos I a IV do art. 9. mas tão somente uma sanção (imposição do regime obrigatório da separação de bens). b) Casamento perante autoridade diplomática ou consular . VII). A incapacidade é geral. Os impedimentos são classificados da seguinte forma: a) Impedimentos dirimentes públicos (ou absolutos) – São examinados nos incisos I a VII do art. Castellani b) Formalidades Concomitantes – São as que acompanham a cerimônia e vêem detalhadamente previstas nos art. O impedimento matrimonial é relativo. 10. tanto na ordem pública como na ordem privada. o legislador reveste-o de toda a solenidade possível. a pessoa considerada incapaz não pode casar com quem quer que seja. a proteção da prole anterior. e impedimentos resultante de crime (art. desde que o nubente impossibilitado outorgue poderes especiais a alguém para comparecer em seu lugar e receber.

dispensando o processo regular. Mas a lei chega mesmo a permitir a dispensa da autoridade competente se os contraentes não lograrem obter sua presença. 1565 do CC. que não tenham parentesco em linha reta. 1540 do CC permite que o oficial do Registro Civil. prova-se pela certidão do registro. A regra do in dúbio pro matrimonio (art. 7º. quando do retorno dos nubentes ao país. c) Que a prole comum prove que o é. Instaura-se o regime da co-gestão na sociedade familiar. mediante despacho da autoridade competente. quando há dúvida quanto à existência do ato constitutivo do vínculo conjugal.90 - . chancelando a dimensão do afeto em detrimento do puro formalismo. A eficácia do ato. deverá ser registrado em 180 dias. feito ao tempo de sua celebração. está submetida ao requisito de que ambos os nubentes sejam brasileiros. ou seja. em absoluta igualdade de direitos e deveres. homem e mulher. b) Que ambos os pais tenham vivido naquele estado. se justifica a falta ou a perda do registro (ex. admite uma prova indireta. É válido no Brasil desde que registrado. perante seis testemunhas. a posse do estado de casados. será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos e às formalidades do casamento (Art. A prova supletória só se torna admissível quando. cessa a competência da autoridade consular. é forma especial de celebração de casamento. não havendo assim tempo para a celebração do casamento com todo o formalismo previsto na lei civil. a concessão feita pelo art. parágrafo 1º. deve o julgador inclinar pela sua existência. certidão de proclamas. dê a certidão de habilitação. se encontram no gozo recíproco da situação de esposos. Neste caso. para a comunidade. Após o retorno dos brasileiros ao território nacional. Em assim sendo. 1543. Da eficácia do casamento Pelo art. na colateral. d) Que não se apresente certidão do registro civil provando a ocorrência de casamento. a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges. 1546 prevê a retroatividade dos efeitos do registro da sentença que reconhece o casamento à data de sua celebração. passaporte. O art. até segundo grau. no consulado brasileiro. Segundo a disposição legal. etc. E para . pelo casamento. da LICC). companheiros e responsáveis pelos encargos da família. Das provas do casamento O casamento realizado no Brasil. os nubentes figurarão como celebrantes e realizarão oralmente o casamento. 1547 do CC) é utilizada quando há dúvida sobre a prova do casamento. in articulo mortis. prevista pelo CC. O art.Também chamado in extremis vitae momentis. que nada mais é do que a situação de duas pessoas que sempre se comportaram. Se o casamento for realizado no Brasil. a validade do casamento celebrado no estrangeiro. 1545 fica subordinada a quatro pressupostos: a) Que ambos os pais tenham falecido. 1525 e independentemente de edital de proclamas. c) Casamento nuncupativo . no Brasil. O artigo consagra os efeitos da retroação sentencial. privada e publicamente como marido e mulher e que. conforme dispõe o art. está submetida à condição suspensiva. 11. assumem mutuamente a condição de consortes. qual seja. 12. depoimento de testemunhas.. preliminarmente.) O CC. à vista dos documentos exigidos no art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No caso de um dos nubentes ser brasileiro e o outro estrangeiro. quando um dos contraentes se encontra em iminente perigo de vida. ou. a realização de seu registro em território nacional. ou.

não autorizado pelo seu representante legal: mas. nenhum efeito pode produzir. honra e boa fama. 1520 e 1551). b) Casamento nulo .Na convivência sob o mesmo teto (domicílio conjugal).O casamento é inexistente quando lhe faltam um ou mais elementos essenciais à sua formação.A palavra assistência (apoio. 2. 1638. próprios do companheirismo).91 - .. O dever de convivência sexual não é da essência do casamento nos casos de casamento in extremis bem como nos casos de consortes separados em razão de doença ou da profissão. b) Vida em comum no domicílio conjugal . do citado art que. guarda e educação dos filhos .O desaparecimento do respeito e da consideração mútuos é prova evidente que a união conjugal se encontra fragilizada. arrola as hipóteses caracterizadoras daquele erro.A infração deste dever. d) Sustento. c) Casamento anulável . os outrora denominados impedimentos dirimentes relativos. depois de atingi-la. poderá confirmar seu casamento. o dever de coabitação no domicílio conjugal é indeclinável.A jurisprudência e a doutrina sempre encararam essa questão como o dever de abster-se cada consorte de praticar relações sexuais com terceiro. 13.Coordenadores: Marcelo T. 1550 o CC trata dos casos de casamento anulável que substituem. 1521. incisos I a VII). é que se estabelece o convívio sexual. c) Mútua assistência . não adquirindo existência. no parágrafo 1º.Segundo o disposto no art. ou por qualquer interessado (art. ou seja. em seguida. e) Respeito e consideração mútuos . os quais dão origem aos chamados deveres conjugais. Não existem outras. art.566 do CC): a) Fidelidade recíproca . acarreta a suspensão ou destituição do poder parental (art. II). Afora as hipóteses de recusa legítima ou justa. O ato. na mesma casa. 1563). trata-se de uma enumeração taxativa e não exemplificativa. 1549). socorro) não pode ser tomada num sentido amplo. ou. São eles (art. Castellani reafirmar a recepção do princípio constitucional da igualdade. A sentença de nulidade do casamento tem caráter declaratório. 1556 e 1557 o legislador trata da complexa matéria da ocorrência de erro essencial de um dos nubentes quanto à pessoa do outro. poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro. Cometti Fernando F. logo. qualquer dos nubentes. uma vez assumidas. São elas: a) o que diz respeito à sua identidade. sob pena de adultério. Os efeitos que produz o casamento podem ser encarados como restrições que cada um dos cônjuges impôs voluntariamente à sua liberdade pessoal e que. desvelo. Da invalidade do casamento a) Casamento inexistente . relativamente aos filhos menores e não emancipados. São elas: 1. E. 1548 nulo é o casamento contraído pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil (por não estar em seu juízo perfeito) e por infringência de impedimentos (previstos no CC. ou com suprimento judicial – art. Seis são as hipóteses legais de anulação do casamento. . que englobe tanto o aspecto material (econômico). produzindo efeitos ex tunc (art. 3. o legislador estatui. 1533. 1. como o moral (apoio. com a autorização de seus representantes legais.Quem não completou a idade mínima para casar (A regra comporta as exceções dos arts. uma vez que reconhece apenas o fato que o invalida. querendo.O art. em linhas gerais. devem ser respeitadas enquanto durar a união.A ocorrência de vício de vontade: Nos arts.O menor em idade núbil. A decretação da nulidade pode ser promovida pelo Ministério Público.

O incapaz de consentir ou manifestar de modo inequívoco. b) A tentativa de conciliação – obrigatória na Lei do Divórcio art. pela separação judicial ou pelo divórcio.C. perduram as obrigações decorrentes do casamento (art. se a sentença foi omissa a esse respeito. Atendendo a boa-fé e o princípio da equidade. mas era de ordem pública e sua ausência justificava a nulidade do processo. c) a ignorância. 4. 1571 do CC. por um só ou por ambos os cônjuges. pela nulidade ou anulação do casamento. 1576.Pelo mandatário.92 - . o ordenamento jurídico reconhece ao casamento nulo. Declarado putativo o casamento ganha validade e produz todos os efeitos que produziria o casamento válido. A putatividade pode ocorrer na própria ação anulatória ou em processo autônomo promovido pelo(s) cônjuges(s) enganado(s). Com efeito. 15. toxicômano não podem casar. pessoa portadora de enfermidade mental ou física. 14. parágrafo único). anterior ao casamento. b) desconhecimento do defeito pelo cônjuge enganado. seu consentimento: Os surdos-mudos sem educação adequada que lhes possibilite manifestar sua vontade não podem casar. Toda separação depende da homologação para surtir efeitos. reconhecendo-lhe efeitos a ordem jurídica. 1582. . e c) insuportabilidade da vida em comum. ou de moléstia grave e transmissível. em caso de incapacidade a lei admite a propositura da ação por curador. foi contraído de boa-fé. A separação pode ser judicial e extrajudicial. gera inexistência do casamento. mas. que significa “imaginar”. 6. conforme vimos.Por incompetência da autoridade celebrante: O legislador está aqui se referindo à incompetência ratione loci (em razão do lugar da celebração). ou. – deixa de constar no novo C. por contágio ou herança. para que o erro essencial quanto à pessoa do outro nubente seja causa de anulabilidade do casamento é preciso a ocorrência de três pressupostos: a) anterioridade do defeito do casamento. não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. pelos filhos ou por terceiros que tenham interesse na declaração. putare. de defeito físico irremediável. então. até a data da sentença que o invalidou. ou anulável. salvo na hipótese do art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI b) a ignorância de crime anterior ao casamento.. 5. Dissolução da sociedade conjugal Segundo o disposto no art. d) a ignorância. c) Enquanto perdura o processo judicial de separação. 1554. de doença mental grave. ou anulável. parágrafo 2º. de igual modo. ratione personarum (em razão das pessoas dos nubentes. quanto a seus domicílios).. ascendente ou irmão – No mesmo sentido em relação ao divórcio (art. parágrafo único). 1576). Casamento putativo Diz-se putativo o casamento que. sem que ele ou outro contratante soubesse da revogação do mandato. anterior ao casamento. todos os efeitos – aos filhos e ao cônjuge de boa-fé – do casamento válido. O termo vem do latim. a sociedade conjugal termina: pela morte de um dos cônjuges. A incompetência ratione materiae. embora nulo. Entre suas principais características temos: a) A ação de separação judicial é personalíssima (art.. 3º.

era de cinco anos. O art.93 - . 1566 do C. é efeito fundamental da separação. 1120 a 1124 do CPC.). O consentimento é suficiente a determinar a validade da decisão. parágrafo 1º. constantes na Lei do Divórcio permanecem presentes no novo Código Civil: a) Separação Litigiosa como Sanção: Ocorre quando um dos cônjuges imputar ao outro conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres conjugais. permite a concessão do divórcio sem que haja partilha de bens. b) Separação Litigiosa como Falência: Ocorre quando qualquer um dos cônjuges prova a ruptura da vida em comum há mais de 01 (um) ano consecutivo e a impossibilidade de sua recoonstituição (art. c) Separação Litigiosa como Remédio: Ocorre quando um dos cônjuges está acometido de grave doença mental de cura improvável (art. no art. 1580. em havendo filhos. . em manifesta incoerência e quebra de sistema. Com o atual dispositivo encerra-se a controvertida polêmica: a separação judicial põe termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca. e 3º. No art. tudo parece indicar que a postura do legislador atual decorra da Sumula 197. Importante notar. 1572. de dois para um ano. Mas. parágrafo 2º. O prazo de duração da doença para a obtenção da separação que. no caso de comprovada separação de fato por mais de 2 (dois) anos. face à indecisão ou irredutibilidade dos cônjuges. que se refere à grave violação dos deveres do casamento e à insuportabilidade da vida em comum (Os deveres conjugais são aqueles arrolados no atual art. e em caráter de justificação. reduzindo o prazo mínimo de casamento. Em se tratando de separação litigiosa. do STJ. Preliminarmente. A separação de corpos. além de reafirmar as duas hipóteses de divórcio (direto ou via conversão) refere-se aos prazos da ruptura da sociedade conjugal. que o disposto no art. No caso de conversão em divórcio da separação judicial. 1575 dispõe sobre a separação de corpos e a partilha de bens. O art. agora. contrariamente. Há decisões que aceitam justificação para comprovar a existência do casamento. que dispensa a partilha em se tratando de divórcio direto. O divórcio direto poderá ser requerido por um ou ambos os cônjuges. 1572. poderá ser feita mediante proposta dos cônjuges e homologada pelo juiz. É dado importante na matéria da dissolução da sociedade conjugal porque.C. até a maioridade. 5º.). o prazo para conversão em divórcio é contado da data da concessão daquela medida e não do decreto da separação judicial. O lapso temporal é um requisito objetivo e comprova-se pela certidão.). será pelo juiz decidida. 6515/77 e pelos arts. da Ldi ressurge. se foi deferida a medida cautelar de separação de corpos. na lei divorcista. encarando a concessão da separação como termo das obrigações oriundas do casamento. 1581 que. 1576 o legislador enfrentou a questão tormentosa que sempre dividiu a jurisprudência nacional. O processo é disciplinado pelo art. uns entendendo que a separação não importava em término dos deveres matrimoniais e outros. O art. pode confirmar a medida deferida liminarmente no processo cautelar. ou da concessão da medida cautelar de separação de corpos. a ser de dois anos. como a lei deixa claro. 1574 trata da separação judicial consensual. passa. guarda e educação. na hipótese de cautelar preparatória. agora.Coordenadores: Marcelo T. 1572. 34 da Lei no. a mútua assistência mantém-se na forma de alimentos e. Anteriormente prevista no art. não constará referência à causa que a determinou – parágrafo 1º. quando a separação é consensual. Castellani As três espécies de separação litigiosa. Quanto à partilha de bens. O divórcio indireto (ou via conversão) dá-se quando do transcurso do lapso temporal de 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença de separação. na ausência do registro. Cometti Fernando F. o dever de sustento.

Todavia. Efeitos Pessoais: a) Põe termo aos deveres recíprocos do casamento. d) Autoriza a conversão em divórcio. 1578: I. O art. 1639 do CC resgata o princípio da autonomia da vontade. pena que se concretizará se não ocorrer alguma das hipóteses previstas no art. A liberdade dos cônjuges no exercício da escolha é total. 1639 do CC. em matéria de regime de bens. 1640 c/c art. c) Extingue o regime matrimonial. e) Não admite reconciliação entre os cônjuges.dano grave reconhecido na decisão judicial. f) Possibilita novo casamento aos divorciados. A sentença de divórcio produz os seguintes efeitos: a) Dissolve definitivamente o vínculo matrimonial. Na realidade. Estas normas são de ordem pública e. 17. g) Mantém inalterado os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos. o legislador criou duas hipóteses de incidência de regras em matéria de regime de bens: a) Os cônjuges escolhem o que lhes aprouver – materializando sua escolha em documento próprio (pacto antenupcial – art. o complexo de normas que disciplina as relações econômicas entre marido e mulher durante o casamento. Efeitos da separação e do divórcio Os efeitos da separação judicial atingem tanto a pessoa dos cônjuges quanto o seu patrimônio. b) Os cônjuges aderem ao regime legal – sem convenção. permitindo aos cônjuges estipular o que lhes aprouver.manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida. parágrafo segundo) mediante a ocorrência de três requisitos cumulativos: . Regime de bens entre os cônjuges Regime de bens é. II. d) Pode dar origem à indenização por perdas e danos se ocorrerem prejuízos morais ou patrimoniais.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 16. inderrogáveis pelos cônjuges. pois. Importante ressaltar que o regime de bens começa a vigorar desde a data do casamento.94 - . aceitando em bloco o regime da comunhão parcial de bens – art. mas a lei impõe a necessidade da convenção – pacto antenupcial – sempre que a opção exercida difere do padrão ofertado pela lei. Efeitos Patrimoniais: a) Põe fim ao regime matrimonial de bens. portanto. O cônjuge “culpado” perde o direito de usar o sobrenome do outro. b) Substitui o dever de sustento pela obrigação alimentar. b) Põe fim aos deveres conjugais. c) Extingue o direito sucessório entre os cônjuges. b) Impede a mulher de continuar a usar o nome do marido (regra geral). esse regime é passível de modificação (art. III. cumprido o prazo de um ano de vigência da separação. d) Faz cessar o direito sucessório. 1639.evidente prejuízo para sua identificação. 1653). diz o parágrafo 1º do art. 1640. c) Impossibilita a realização de novas núpcias. por isso fala-se em efeitos pessoais e efeitos patrimoniais.

ou herdado). ou doado.Coordenadores: Marcelo T. a ocorrência da sociedade conjugal não anula a individualidade e autonomia dos cônjuges em matéria patrimonial). em se tratando de regime obrigatório de separação de bens (art. sendo indispensável a escritura pública (art. para que produza os efeitos perante terceiros. pois os nubentes têm a sua autonomia limitada pela lei e não podem. ou sendo nula. passa a ser comum a ambos os cônjuges. consequentemente. 1659 estão arrolados os bens que não entram na comunhão: 1.Os bens que cada cônjuge possuir ao casar e os que lhe sobrevierem. 4. o pacto torna-se ineficaz. 1657 – depois de registrado. 6. O pedido de alteração é dirigido ao juiz competente.As obrigações provenientes de atos ilícitos.95 - . os bens particulares da mulher. não realizado o casamento. como também não poderá ser suprida pelo juiz. naquelas hipóteses específicas desconheceu a aplicação do princípio da autonomia da vontade. na constância do casamento. Se o legislador impõe a separação nas três hipóteses do art. não havendo convenção. Se o bem sub-rogado é mais valioso que o alienado. Assim como o casamento é objeto de registro público. O pacto antenupcial é um ato jurídico pessoal. 3. Acrescenta o art. O regime de comunhão parcial limita o patrimônio comum aos bens adquiridos na constância do casamento a título oneroso (ou seja. o casamento é condição suspensiva necessária para que o pacto produza os seus reais efeitos. 1653). . isto é. 5-Os bens de uso pessoal. para determinar que. 2. O pacto antenupcial só terá efeito perante terceiros – art. b) O pedido motivado de ambos os cônjuges. é porque. previsto em lei e legítimo (típico). No art. o regime da comunhão parcial faz surgir três massas distintas de bens. os livros e os instrumentos de profissão. diz respeito tão somente aos bens imóveis. os bens particulares do marido.Os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares. Regime da comunhão parcial de bens Introduzido no Brasil pela Lei do Divórcio (Lei 6515/1977). Todavia. 1653 que o pacto é nulo se não lhe seguir o casamento. que só o deferirá quando convicto da motivação relevante e do não prejuízo dos interesses de terceiros. e os bens comuns do casal.Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. O pedido motivado de ambos os cônjuges cerca o pedido de maior garantia. Castellani a) A autorização judicial. Logo. 18. vigorará. a lei também exige o registro do pacto antenupcial no registro de imóveis. estipular que o pacto produzirá efeitos diversos daqueles previstos pela norma jurídica. Cometti Fernando F. Desse modo. uma vez que a admissão daquela mudança implicaria em esvaziar o conteúdo da previsão legal. quais sejam. formal. o regime da comunhão parcial. Ou seja. O limite da sub-rogação é o valor do bem particular (adquirido antes do casamento. se não foi paga com recursos próprios e particulares do cônjuge. nominado. alterou o então vigente art. 1641) não há que se invocar a revogabilidade estampada na nova lei. por doação ou sucessão e os sub-rogados em seu lugar. salvo reversão em proveito do casal. A eficácia a que se refere o texto legal. a não anuência de um não só compromete o deferimento. e c) A ressalva dos direitos de terceiros. 258 (CC/16). quanto aos bens. O registro imobiliário competente é o do domicílio dos cônjuges devendo os mesmos levar ao registro imobiliário a escritura pública do pacto antenupcial e a certidão do casamento. a diferença do valor. 1641.As obrigações anteriores ao casamento – obrigações negociais. em ação própria.

Cada um dos cônjuges tem direito à metade ideal desta massa. desde que a hipótese tenham sido objeto de cláusula no pacto antenupcial (art. diz-se que o cônjuge é “meeiro”. 1668 do C. direitos e ações. como ocorre na separação de bens.C. Regime da comunhão universal de bens Segundo o art. montepios e outras rendas semelhantes. pois que insuscetível de divisão antes da dissolução da sociedade conjugal. 1673 só admita a alienação dos bens móveis. Os bens que participam da comunhão são aqueles descritos no art. passam a constituir um só massa.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 7. O regime de separação é legal (quando decorre da lei) ou convencional (decorre de convenção estabelecida em pacto antenupcial). marido e mulher. ao mesmo tempo. 19. quando ressurge a idéia da comunhão. móveis e imóveis. no seu parágrafo único. 1660 do CC. que permanece indivisível até a dissolução da sociedade conjugal. 21. Regime da participação final nos aqüestos Na participação final nos aqüestos há formação de massas de bens particulares incomunicáveis durante o casamento. 1667 do CC o regime da comunhão universal importa na comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas. . cada um dos cônjuges goza de liberdade total na administração e na disposição dos seus bens. os bens que são excluídos do regime de comunhão universal. os patrimônios dos cônjuges se fundem em um só.96 - . logo. o legislador arrola. Durante o casamento. 1656). por isso. aos bens imóveis. a figurar como condôminos de um condomínio peculiar. 20. se forem móveis. 1673 delimita o que é patrimônio comum dispondo. 1668. meios-soldos. mas que se tornam comuns no momento da dissolução do mesmo. valor este a ser levantado na dissolução da sociedade conjugal. mas. que os poderá livremente alienar. No art. Com a exclusão das exceções previstas no art. diz a lei. igualmente. passando. Vale ressaltar que. a possibilidade estende-se. que a administração dos bens é exclusiva de cada cônjuge. em cinco incisos. embora o parágrafo único do art. Regime da separação de bens O regime de separação de bens é aquele em que cada cônjuge conserva o domínio e a administração de seus bens presentes e futuros. associa cada cônjuge aos ganhos do outro.As pensões. responsabilizando-se individualmente pelas dívidas anteriores e posteriores ao casamento. O art. Todos os bens.

Inicialmente vale ressaltar que o casamento não cria nenhum parentesco entre o homem e a mulher.Coordenadores: Marcelo T. Os graus são o meio de que se dispõe para determinar a proximidade ou remoticidade do parentesco. e descendo até encontrar o outro parente”. Cometti Fernando F. A afinidade na linha reta é sempre mantida (art. afins. nem do sangue. 1. até o quarto grau. Em assim sendo. a afinidade. Efeitos do parentesco As relações de parentesco afetam os mais diversos campos do Direito. também pelo número delas. enteado. parágrafo 6º. Marido e mulher são. 2. o parentesco. É por força de uma ficção legal que se estabelece este parentesco. b) Parentesco civil – É o decorrente da adoção. a afinidade não decorre da natureza. 227. d) O vínculo sócio-afetivo . enteada (no mesmo grau que filho e filha). A afinidade. os graus de parentesco pelo número de gerações e. Em decorrência do art. mas a afinidade colateral (ou cunhadio) extingue-se com o término do casamento. Contagem do parentesco O parentesco é contado através de linhas e graus. o adotado tem os mesmos direitos do filho consangüíneo. 1594 “Contam-se. mas independente dos laços de sangue. entre si. Dispõe. São afins na linha na linha reta descendente: genro.97 - . na linha reta. . embora procedendo de um tronco ancestral comum. parágrafo 2º. comporta duas linhas: a reta e a colateral. Dispõe a respeito o art. com efeito. e o vínculo sócio-afetivo.). padrasto e madrasta (no mesmo grau que pai e mãe). o vínculo legal que se estabelece à semelhança da filiação consangüínea. Existem duas espécies de linhas: reta (quando as pessoas descendem umas das outras) e colateral ou transversal (quando as pessoas. na colateral.É a proposta inédita. isto é. 1595. o art. 1592 do CC. desde os impedimentos que se traduzem em inelegibilidade da constituição até os impedimentos para o casamento. inexiste impedimento de o viúvo (ou divorciado) casar-se com a cunhada. sogra. Embora haja simetria com a contagem dos graus no parentesco. 3. c) Parentesco por afinidade . as pessoas provenientes de um só tronco. assim como o parentesco por consangüinidade. sem descenderem uma da outra”.: “ São parentes em linha colateral ou transversal. subindo de um dos parentes até ao ascendente comum. mas tão somente da lei. no atual sistema codificado. Castellani CAPÍTULO II – PARENTESCO Toda pessoa se enquadra numa família por quatro ordens de relações: o vínculo conjugal. Espécies de parentesco a) Parentesco natural – É o que se origina da consangüinidade. não descendem uma das outras. São afins em linha reta ascendente: sogro. não visualizada pelo C/C 1916 e que ganha legítimo reconhecimento na singela fórmula do art. nora. 1593 quando se refere ao parentesco que resulta de outra origem. da CF. simplesmente.

colateral ou por afinidade. àqueles até o quarto grau. III . até o terceiro grau. I. No direito penal. ao estabelecer impedimentos para o casamento. limitando-se. dos respectivos membros ou juízes vinculados. companheiro ou parente em linha reta. inclusive.. até o terceiro grau.o exercício de cargo de provimento em comissão ou de função gratificada. de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. estão impedidos de depor como testemunha. IV . de cargos de provimento em comissão. em circunstâncias que caracterizem ajuste para burlar a regra do inciso anterior mediante reciprocidade nas nomeações ou designações. ou de servi dor es investidos em cargos de direção ou de assessoramento. o parentesco estabelece as classes de herdeiros que podem concorrer à herança. inclusive. por cônjuge. No direito sucessório. colateral ou por afinidade. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. bem como de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. inclusive. No direito constitucional e no direito administrativo. ou servidor investido em cargo de direção e de assessoramento. há crimes cujo parentesco entre o agente causador e a vítima agrava a intensidade da pena. na classe dos colaterais.o exercício. de servir como tutor etc. os efeitos do parentesco fazem-se sentir com mais intensidade.a contratação. companheiro ou parente em linha reta ou colateral até o terceiro grau. 07 do CNJ – art. II.98 - . dos respectivos membros ou juízes vinculados. ou de funções gratificadas. seja consangüíneo ou afim (art. dentre outras: I. há restrições de parentesco para ocupar certos cargos: Resolução no. de cônjuge. companheiro ou parente em linha reta. até o terceiro grau. colateral ou por afinidade. por cônjuges. inclusive. deduções ou o nível de tributação. Constituem prática de nepotismo. de pessoa jurídica da qual sejam sócios cônjuge. estabelecer o dever de prestar alimentos. (. até o terceiro grau. por cônjuge. companheiros ou parentes em linha reta. em casos excepcionais de dispensa ou inexigibilidade de licitação. assim como o colateral até o terceiro grau. inclusive. em Tribunais ou Juízos diversos. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. V .a contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. além do cônjuge da parte. . 405. do CPC). companheiro ou parente em linha reta. o parentesco pode definir isenções...) No direito de família. seu ascendente ou descendente em qualquer grau. 2º. parágrafo 2º. colateral ou por afinidade.o exercício de cargo em provimento de comissão ou de função gratificada. de dois ou mais magistrados.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No processo civil. No direito fiscal. dos respectivos membros ou juízes vinculados.

que enfatiza: “Os filhos. sem fins lucrativos. Neste caso o óvulo e o sêmen pertecem ao marido e à mulher. ou vida humana. A paternidade.597 presume concebido no casamento os filhos “havidos por inseminação artificial heteróloga. para a fecundação do óvulo da mulher.358/92.99 - . 1. 226. desde que o cedente seja parente colateral até o segundo da mãe genética. O código não define a partir de quando se considera embrião. A fecundação ou inseminação artificial post mortem é realizada com embrião ou sêmen conservado.358/92 do Conselho Federal de Medicina admite a cessão temporária do útero. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação”. terá fundamento moral. respectivamente. em primeiro grau e em linha reta. sejam casados ou companheiros de união estável”. não possa procriar. A presunção de paternidade é prevista no art. do Conselho Federal de Medicina. por qualquer razão física ou psíquica. normalmente doador anônimo. A CF (art. A fecundação ou inseminação homóloga é realizada com sêmen originário do marido. ou seja. ou por adoção. in casu. Se a mãe for casada. O inciso V do art. privilegiando-se a relação socioafetiva. está proibida a utilização de embrião excedêntário por homem e mulher que não sejam os pais genéticos ou por outra mulher titular da entidade monoparental.Coordenadores: Marcelo T. Por conseqüência. e não o do marido.596 do CC. 1.1. o consentimento de ambos. Cometti Fernando F. Apenas é admitida a concepção de embriões excedentários “se estes derivam de fecundação homóloga. não admitindo mais a retrógrada distinção entre filiação legítima e ilegítima. A única exigência é que tenha o marido previamente autorizado a utilização de sêmen estranho ao seu. automaticamente. apesar de não ter componente genético. “a partir de 14 dias. especialmente na Europa”. de gametas da mãe e do pai. 1. razão por que pode ser verbal e comprovada em juízo como tal. mas a resolução 1. havidos ou não da relação do casamento. Essa distinção é aceita em vários direitos estrangeiros. Castellani CAPÍTULO III – FILIAÇÃO Filiação é a relação de parentesco. A lei não exige que haja autorização escrita. por meio de técnicas especiais. A lei não exige que o marido seja estéril ou. tem-se propriamente o embrião. A resolução no. o simples fato do nascimento estabelece o vínculo jurídico entre a mãe e o filho. O vocábulo fecundação indica a fase de reprodução assistida consistente na fertilização do óvulo pelo espermatozóide. ou a receberam como se a tivesse gerado. Já diziam os romanos: mater semper certa est.Neste dispositivo três hipóteses de presunção de filhos concebidos na constância do casamento. indica que. O princípio da igualdade dos filhos é reiterado no art. desde que tenha prévia autorização do marido”. Em regra. após a morte do doador. a paternidade. apenas que seja “prévia”. 1. . neste caso. esta circunstância estabelece. que liga uma pessoa àquelas que a geraram. terão os mesmos direitos e qualificações. pressupondo-se. Ocorre tal modalidade de inseminação quando é utilizado “sêmen de outro homem. Presunção de paternidade Presume-se filho o concebido na constância do casamento: pater is est quem iustae nuptiae demonstrant.597 do CC. todas elas vinculadas à reprodução assistida. parágrafo 6o.) estabeleceu absoluta igualdade entre todos os filhos.

uma vez iniciada. a ação deve ser movida contra seus herdeiros (normalmente a mãe é a herdeira).. ilide a presunção de paternidade (art.601 do CC). ou provar a suposição de parto.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se o marido anuiu na inseminação artificial heteróloga. por decisão judicial. 2. que visa à proteção da família constituída pelo casamento. 1. dos trezentos que houverem precedido ao nascimento do filho. Deve-se.ou das declarações nele contidas”. 1. Nesse sentido. A segunda visa negar o fato da própria concepção. 27): “O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo.600 e 1. ser elidida pelo marido. mas.601.560/92. Só ele tem a titularidade. Tal dispositivo abre exceção à presunção mater in jure semper certa est.601). mas. a retificação. mesmo adulterina. induzidos a erro por falta de cuidado de hospitais e maternidades. pois. a iniciativa da ação. por permitir que a investigação da paternidade. Ação negatória de paternidade e de maternidade Conhecida também como ação de contestação de paternidade. ouvido o Ministério Público.597 é júris tantum. Mais se evidenciou essa possibilidade com o advento da Lei n. 1. distinguir a ação negatória de paternidade ou maternidade daquela destinada a impugnar a paternidade ou maternidade. se ele vier a falecer durante o seu curso. no art. passa a seus herdeiros (art. A legitimidade ativa é privativa do marido (CC. na verdade.100 - . devido ao segredo profissional médico e ao anonimato do doador do sêmen inoculado na mulher. à época da concepção. A falsidade do termo de nascimento pode ser atribuída ao próprio oficial de registro civil ou à declaração da mãe ou do pai. Legitimado passivamente para esta ação é o filho. Dispõe o art. Assim. retirando do registro civil o nome que figura como pai -. seja proposta contra o homem casado. 1. para afastar a condição de . dos “registros de nascimento anteriores à data da presente lei”.599).602). 1. Pode. tem sido reconhecido ao filho o direito de impugnar a paternidade. 1. arts. na posição de ré. também é o ECA: (art. Em regra. 1. provando a falsidade do termo. pois. A primeira tem por objeto negar o status de filho ao que goza de presunção decorrente da concepção na constância do casamento. aquele bebê adveio da infidelidade da mulher (CC. observado o segredo de justiça”. Mesmo que o marido não tenha ajuizado a negatória de paternidade. O importante é que a patologia tenha ocorrido depois de estabelecida a convivência conjugal e no prazo legal atribuído ao momento da concepção. que a prova de impotência do cônjuge para gerar. indisponível e imprescritível. Importante observar. 8o. entende a doutrina que nem mesmo o curado do marido interdito poderia ajuizar tal ação. admitindo a prova em contrário. ou mais. 1. 8. será o pai legal da criança assim concebida. que é imprescritível (art. como ocorre nos casos de troca de bebês. art. a presunção de paternidade do art. podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros. também. elaborada com o intuito de conferir maior proteção aos filhos. e por permitir. salvo se provar que. parágrafo único).604. Se o filho é falecido. A impugnação da paternidade conduzirá o filho a uma paternidade incerta. ou pelo filho da mulher casada contra o seu verdadeiro pai. não podendo voltar atrás. com base no art. mediante ação negatória de paternidade. a ação negatória destina-se a excluir a presunção legal de paternidade. traduzido nos cento e vinte e um dias. deve ela também integrar a lide. por ter sido efetuado o registro pela mãe – e porque se objetiva desconstituir um ato jurídico. sem qualquer restrição.608 do CC: “quando a maternidade constar do termo do nascimento do filho. a mãe só poderá contestá-la.

tem reconhecido legitimidade ao nascituro para a sua propositura. com citação dos pais presumidos. que deve conter os dados exigidos no art. Os efeitos da sentença que declara a paternidade são os mesmos do reconhecimento voluntário e também ex tunc: retroagem à data do nascimento (CC. A mãe natural. a contar não da morte do suposto pai. intentar em nome do filho a ação investigatória de paternidade”. “representa-o nos atos da vida civil e pode. A legitimidade ativa para o ajuizamento da ação de investigação de paternidade é do filho. A de impugnação da paternidade ou da maternidade pode ser ajuizada pelo próprio filho.616). por interesse moral ou até mesmo de natureza sucessória. 1. que é ação de estado.101 - . Se a mãe do investigante é menor. salvo se julgado extinto o processo” (art. 205). mas do momento em que foi reconhecida a paternidade. 1. relativa ou absolutamente incapaz.Coordenadores: Marcelo T. Somente a ação negatória é privativa do marido ou da mulher. têm eles legitimação para “continuá-la. preceitua a Súmula 149 do STF: “É imprescritível a ação de investigação de paternidade. Dispõe o art.606. pois. exerce o poder familiar de filho menor não reconhecido pelo pai e. Não há empecilho para que o filho adotivo intente ação de investigação de paternidade em face do pai biológico. destarte. O registro. de caráter declaratório e satisfativo do seu interesse pessoal. como também por se tratar de pretensão que se insere no rol dos direitos da personalidade e na idéia de proteção integral à criança. 1. Reconhecimento judicial da filiação: investigação de paternidade e maternidade.603 do CC que a filiação prova-se pela certidão do termo de nascimento registrada no Registro Civil. salvo se “ele morrer menor e incapaz” (CC art.606). como nas hipóteses de troca de criança em maternidades. Esta prescreve em dez anos (CC. 1. discriminando em 09 itens. O filho não reconhecido voluntariamente pode obter o reconhecimento judicial. ou por tutor nomeado especialmente para o ato.604 do CC e provando erro ou falsidade do registro. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. por meio da ação de investigação de paternidade. 1. por isso. art. a ação é privativa dele. prova não só o nascimento como também a filiação. de simulação de parto e introdução maliciosa na família da pessoa portadora do status de filho e de falsidade ideológica do assento de nascimento. mas não o é a de petição de herança”. 1. e este só nasce com o reconhecimento. representado pela mãe. não só em face do que dispõe o parágrafo único do art. de natureza declaratória e imprescritível. parágrafo único). . 54 da Lei dos Registros Públicos. Prova-se também a filiação pelos meios de prova elencados no art. ou ainda por quem demonstre legítimo interesse. consagrada na própria CF. Cometti Fernando F. Castellani filho. É de se admitir o litisconsórcio ativo facultativo dos filhos da mesma mãe na investigação de paternidade do mesmo suposto genitor. Se menor. poderá ser representada ou assistida por um dos seus genitores. que zela pelos interesses do incapaz.609 do CC. a pedido do Ministério Público. secundada pela jurisprudência. Se o filho morrer antes de iniciá-la. como os irmãos da pessoa registrada como filho. Por essa razão. art. Embora a ação seja imprescritível. os efeitos patrimoniais do estado da pessoa prescrevem. A moderna doutrina.609 do CC como modos voluntários de reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento. seus herdeiros e sucessores ficarão inibidos para o ajuizamento. É que o prazo de prescrição somente se inicia quando surge o direito à ação. 1. assistida por seu pai. será representado pela mãe ou tutor. fazendo-o com base no art. forçado ou coativo. Se já tiver sido iniciada. ainda que menor.

8. 1. 1. art. Efeitos do reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento O reconhecimento produz efeitos de natureza patrimonial e de cunho moral. A legitimidade passiva recai no suposto pai ou na suposta mãe. III). portanto. 1. Se menor. I e II). não passando de um acervo de bens.829. 2o. É vedado ao pai subordinar a eficácia do reconhecimento à determinada data ou a determinado período. art. 1. ainda que o registro de nascimento tenha sido lavrado anteriormente à sua promulgação. O principal deles é estabelecer a relação jurídica de parentesco entre pai e filho. ou a termo (CC. afastando-se. mas a ação pode ser contestada por qualquer pessoa “que justo interesse tenha” (CC. ela possa permanecer na companhia de quem a acolheu e criou. Com o reconhecimento. art. O reconhecimento é incondicional:não se pode subordiná-lo a condição.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A lei n. salvo como representante do filho menor. Embora se produzam a partir do momento de sua realização. quando o oficial do Registro Civil encaminhar ao juiz os dados sobre o suposto pai. para que dele venham a constar os dados atualizados sobre sua ascendência. mas pode atingir terceiros. seja por concorrer com eles à herança (art.102 - . I e II). . O art. ficando os pais submetidos ao dever de sustentá-lo. a ação deverá ser dirigida contra seus herdeiros. se isto condisser com seus interesses”. uma vez que a declaração do estado de filho repercute não apenas na relação entre as partes. de tê-lo sob sua guarda e de educá-lo (CC. O dispositivo permite. parágrafo 4o. 1. O registro de nascimento deve ser. seja por inexistirem descendentes e ascendentes (CC. fornecidos pela mãe ao registrar o filho (art. não da data do ato.696) e à sucessão (art. que. porém.). Se o demandado já for falecido. se não concorrer com estes à herança. assim. Trata-se de legitimação extraordinária deferida aos membros do parquet. retroativos ou retrooperantes (ex tunc). mas poderá ordenar que o filho se crie e eduque fora da companhia dos pais ou daqueles que lhe contestou essa qualidade”. pois. pode. Deverá a viúva ser citada como parte. 1. sempre que for herdeira. assim. na defesa dos interesses do investigando.829. como aquele que se considera o verdadeiro genitor. 1.566.829. gerando as suas conseqüências. dependendo de quem está sendo investigado. 3. 1. Entre o pai e o filho reconhecido há direitos recíprocos aos alimentos (CC. Dispõe o art. na qualidade de parte. Havendo descendentes ou ascendentes.560/92 permite que a referida ação seja ajuizada pelo Ministério Público. a temporariedade do ato. art. a ação deverá ser movida contra eventuais herdeiros incertos e desconhecidos citados por editais. O espólio não tem personalidade jurídica. em nome do melhor interesse da criança. alterado.615). ou mesmo de sua concepção. art. mas retroagindo “até o dia do nascimento do filho. IV).613). são. todavia. o cônjuge do falecido não participará da ação. se sujeita ao poder familiar. ser apresentada pela mulher do investigado. 27 do ECA menciona expressamente “os herdeiros” do suposto pai.616 do CC que “a sentença que julgar procedente a ação de investigação produzirá os mesmos efeitos do reconhecimento. bem como outros parentes sucessíveis. Não é correto mover a ação contra o espólio do finado pai. A defesa. o filho ingressa na família do genitor e passa a usar o sobrenome deste. havendo elementos suficientes. Se não houver herdeiros sucessíveis conhecidos. pelos filhos havidos no casamento ou filhos reconhecidos anteriormente.

entre homem e mulher desimpedidos. parágrafo 3º refere-se à possibilidade de conversão em casamento. ou seja. tudo se incluiria na noção maior de concubinato. Cometti Fernando F. Só se converte em casamento. união entre homem e mulher não inquinada de impedimento. até a união adulterina.Coordenadores: Marcelo T. de homem e mulher. O concubinato não se confunde com a união estável (ou. No sentido amplo. enquanto nesta a convivência pode ser convertida em casamento. união livre). empregado pelo constituinte de 1988 refere-se à união livre. 226. O termo união estável. tanto é que o texto constitucional – art. desde a posse do estado de casados. Castellani CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL O termo “união estável” admite dois sentidos. o convívio. um amplo (lato sensu) e um restrito (stricto sensu). . como se fossem marido e mulher. é a convivência more uxorio. com notoriedade de longos anos. No sentido restrito.103 - . porque naquele há sempre impedimento.

.

. vestuário. inderrogáveis por convenção entre as partes. de modo que. 1701 do CC confere ao devedor de alimentos a faculdade de optar entre o cumprimento da pensão em espécie. em faltando alguma das categorias citadas. c) Princípio da complementaridade – Se o parente convocado não estiver habilitado a cumprir a obrigação totalmente (art. e extensivo a todos os ascendentes. d) Princípio da mutabilidade (ou da variabilidade da prestação) – A decisão judicial sobre alimentos faz coisa julgada formal. isto é. alimentação.) ou em dinheiro. Se o quantum da pensão alimentícia subordina-se a um critério de proporcionalidade entre as necessidades do alimentado e os recursos do alimentante. que o elenco previsto pela lei é taxativo. não se pode ajustar que seu montante jamais será alterado.105 - . Cometti Fernando F. também. faltando estes. extingue-se a obrigação alimentar decorrente do parentesco. se as circunstâncias o exigirem. Desse modo. mas não material. pois o parágrafo único do artigo confere ao juiz. g) Princípio da irrenunciabilidade – Não podem as partes pactuarem de modo diverso. educação. vestuário. não se pode renunciar ao direito de exigir alimentos (art. podemos afirmar que alimentos são os auxílios prestados a uma pessoa para prover as necessidades da vida. isto é. ela é mutável podendo ser modificada a qualquer tempo. uns em falta de outros. de grau imediato para concorrer no cumprimento da dívida alimentar. 1. porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos. Castellani CAPÍTULO V – ALIMENTOS Alimentos. tem uma conotação amplíssima. O art. recaindo a obrigação nos mais próximos em grau. saúde. Importante notar. entende-se que a revisão é da essência da obrigação alimentar. germanos como unilaterais (art. Logo. o dispositivo legal prescreve uma obrigação alternativa. mas sempre no limite das forças do monte. Assim. na linguagem jurídica. Isto é. 1697). a reciprocidade da obrigação alimentar ocorre tanto entre ascendentes como entre descendentes. logo tios ou sobrinhos (parentes em 3º grau) escapam da previsão legal. 1699 do CC). redução ou majoração. etc. 1707). respondendo cada herdeiro proporcionalmente à parte que lhe couber na herança. sempre que o binômio se alterar produzirá efeitos imediatos sobre a pensão provocando exoneração. não é absoluto. ou em dinheiro. sempre em decorrência da variação financeira das partes interessadas (art. porém. portanto. O direito de escolha. 1698 do CC) poderá chamar outros parentes. f) Princípio da alternatividade – Os alimentos podem ser pagos em espécie (moradia. 1696 do CC que o direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos. a) Princípio da reciprocidade – Dispõe o art.Coordenadores: Marcelo T. quer por contrato ou convenção (art. 1707 do CC). e) Princípio da transmissibilidade – Os alimentos poderão ser cobrados do espólio. O texto legal é claro e não deve gerar maiores questionamentos: o credor pode não exercer. numerus clausus. habitação. lazer. as regras que disciplinam a matéria são de ordem pública. ou de cada herdeiro. Princípios da obrigação alimentar Como se trata de um munus público. mediante o pagamento da prestação pecuniária. O CC limita a obrigação na linha colateral ao segundo grau (irmãos). b) Princípio da preferência – Na falta de ascendente cabe a obrigação aos descendentes e. o poder de fixar a forma do cumprimento da prestação. não se pode estabelecer condição contrária ao disposto na lei. profissionalização. aos irmãos. que não pode ser reduzida à noção de mero sustento (alimentação) mas envolve.

1920). 1710 do CC a atualização monetária é feita por fórmula mais ampla (índice oficial regularmente estabelecido) que subsiste por tempo indeterminado. Da mesma forma. 1708 do CC (casamento. a pensão alimentar decorre da responsabilidade civil.106 - . II. 1694). são suficientes a justificar a cessação do pagamento da dívida alimentar. aos filhos compete sustentar os pais. 4. . a eles compete sustentar e educar os filhos. sem risco de perda de parâmetro oficial quando da desvalorização da moeda nacional. na velhice e quando necessitam de auxílio. Também pode derivar de disposição testamentária (art. Cessa o dever de prestar alimento em caráter definitivo por que o credor se encontra vinculado a outra pessoa. união estável ou o concubinato) na medida em que acarretam o vínculo do credor da pensão. na qual o marido (ou a mulher) convenciona a pensão a ser paga ao outro cônjuge. os companheiros também podem pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver (art. Fontes da obrigação alimentar A dívida de alimentos pode provir de várias fontes: a) Vontade das partes – Embora hipótese rara ela pode se materializar nos casos de separação consensual. d) Ato Ilícito – Quando o causador do dano fica obrigado a reparar o prejuízo mediante pagamento de uma indenização. introduz a hipótese de ingratidão do alimentário como causa extintiva da obrigação do devedor. Atualização da dívida alimentar No art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 2. Exoneração da obrigação alimentar As três hipóteses arroladas no caput do art. É o que decorre do disposto no art. c) Casamento e União Estável – Por força do princípio constitucional que inseriu as uniões estáveis como espécie do gênero maior entidades familiares. por decorrência jurídica. O parágrafo único do referido art. à outra pessoa. 3. b) Parentesco – A lei impõe aos pais o encargo de prover a mantença da família e. 948.

1730). Se o juiz admitir a escusa – art. ainda. que necessitam da presença de outrem que aja em nome delas. Se existir apenas um dos genitores a este competirá a nomeação do tutor. quanto a curatela representam um munus (encargo) público. Todavia. A escusa deve ser apresentada no lapso temporal de 10 (dez) dias subseqüentes à designação.Coordenadores: Marcelo T. sempre. 1739 – o nomeado exercerá a tutela. Ambos devem estar no exercício do poder parental (art. o art. Cometti Fernando F. Aí reside o divisor de águas entre os dois institutos. porque somente ocorrerá quando inexistir tutor testamentário ou legítimo. 1738).Na falta ou na impossibilidade dos consangüíneos. sob pena de entender-se renunciado o direito de alegá-la (art. 1. O rol do art. de fato e de direito. isto é. Castellani CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA A tutela e a curatela têm um ponto em comum.107 - . escusa ou qualquer outro impedimento. o munus é direcionado a pessoa estranha ao grupo familiar (art. 1736 estão arrolados os casos específicos em que se justifica a escusa. ambos os institutos objetivam proteger pessoas incapazes. 1731) ordem que não é inflexível. 1733. . por conseguinte. O Código Civil manteve a distinção do direito antigo: a tutela dirige-se aos menores e a curatela. entende-se que a tutela foi atribuída ao primeiro.O art. no art. e que os outros lhe sucederão pela ordem de nomeação. o maior interesse do menor. Três são os tipos de tutela reconhecidos pela ordem civil brasileira: a) Tutela testamentária . 1729 restringe aos pais. incapacidade. não estão obrigados a aceitar a tutela. não pode ser recusada. que. aos maiores incapazes. no caso de morte. Da escusa dos tutores Tratando-se de um encargo público a tutela. 1736 é taxativo. Tanto a tutela. somente aqueles casos são excludentes da tutela. A tutela dativa tem caráter subsidiário. São posto sob tutela Os menores cujos pais falecem Os menores cujos pais foram destituídos ou suspensos do poder parental São postos sob curatela Os Deficientes mentais Os excepcionais Os pródigos Os nascituros 1. a nomeação do tutor.737 a lei arrola mais uma hipótese de escusa. c) Tutela dativa . em princípio irrenunciável. própria da tutela dativa. a administração de seus bens e sua representação para os atos e negócios da vida civil. daqueles que não forem parentes do menor e que. se mais de um tutor foi nomeado em disposição testamentária. No art. em conjunto. 1732). b) Tutela legítima . de caráter personalíssimo e. em princípio.Na falta de nomeação a lei estabelece a ordem de preferência dos eventuais tutores (art. Dispõe. Da tutela A tutela possui três finalidades específicas: os cuidados com a pessoa do menor. 2. devendo-se considerar. até a decisão do recurso interposto.

1759). 1758) subsistindo inteira. A interdição dessas pessoas pode ser promovida pelos pais ou tutores. pelos cônjuges ou outro parente e pelo Ministério Público – art. Do exercício da tutela O art. 1. Se. os tutores submeterão ao juiz o balanço respectivo (art. 1765). prevaricador (é o que descumpre o dever a que está obrigado. 6. Da cessação da tutela A tutela cessa. manda aplicar-se à curatela as disposições concernentes à tutela. Sob o prisma do tutor. Importante notar. por exemplo). tanto isso é verdade que o legislador. 1735 do Código Civil). Da curatela Quem exerce a curatela cuida dos interesses das pessoas arroladas no art. . 1767. Em qualquer hipótese de impossibilidade do tutor prestar contas (morte. até então. no art. O tutor também deve representar o menor até os dezesseis anos assisti-lo.108 - . 1756) e prestarão contas de 2 (dois) em 2 (dois) anos quando. mediante justificativa em juízo.743) previu a ocorrência de tutor subrogado sempre que o vulto e a complexidade do patrimônio e exigir e. 1774. o Código admite a figura do protutor (pessoa encarregada de fiscalizar o tutor) no art. Quanto ao patrimônio do menor compete ao tutor administrar os bens do tutelado em proveito do mesmo.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3.) as contas serão prestadas por seus herdeiros ou representantes (art. dos dezesseis aos 18 anos de idade. Incumbe ao tutor. que a tutela e a curatela são institutos muito próximos e com fins idênticos. Visualiza o art. a responsabilidade do tutor. conforme prevê o art. não poderá reclamar qualquer remuneração. a quitação do menor só produzirá efeito depois de aprovadas as contas pelo juiz (art. descaso ou falta de zelo no exercício de suas funções). deixarem o exercício da tutela ou toda vez que o juiz achar conveniente (art. 1768. 1757). o tutor se compromete a exercer gratuitamente o cargo. 1766 a possibilidade de destituição do tutor quando negligente (isto é. 1755) ainda que o contrário tenham dispostos os pais do tutelado. c) Adimplir os demais deveres que normalmente competem aos pais. por improbidade ou má-fé) ou incurso em incapacidade (todas as vezes em que o tutor se encontrar em qualquer das hipóteses do art. com a maioridade ou emancipação do menor. quando necessário. 1752 prevê a remuneração do tutor proporcionalmente à importância dos bens administrados. O CC (art. ou ao cair o menor sob o poder familiar (caso de adoção. sob inspeção do Poder Judiciário. sob o prisma do tutelado. ao expirar o termo. em que era obrigado a servir (dois anos. quanto à pessoa do menor: a) Dirigir-lhe a educação. b) Providenciar a correção do menor. Ao final da cada ano de administração. 1764). defendê-lo e prestar-lhe alimentos. 1742. o tutor fica obrigado a prestar contas (art. Finda a tutela. por qualquer motivo. etc. 5. 4. ao sobrevir escusa legítima ou ao ser removido (art. Da prestação de contas do tutor Como administrador da pessoa do menor e de seu eventual patrimônio. Da mesma forma. ausência. porém.

mas ainda não nascido. Cometti Fernando F. a substituição e a supressão do parto. 1779) é o ser humano já concebido. se estiver a mulher grávida. em favor do feto e de terceiros.109 - . Castellani 7. A finalidade dessa curadoria é zelar pelos interesses do nascituro e impedir.Coordenadores: Marcelo T. Duas são as condições necessárias para materializar a curatela de seus bens: falecimento do pai ou perda do poder parental e. Curatela dos nascituros Nascituro (art. mas não tendo o poder parental. .

.

1. sendo aí o foro competente para que se promovam o inventário e a partilha dos bens. Cometti Fernando F. do CPC). É o que deflui do disposto nos arts.784 do CC). do CPC) 4. Aspectos gerais A sucessão em sentido restrito designa a transmissão de bens de uma pessoa (autor da herança. sem solução de continuidade. 2. b) A testamentária – Resultante da vontade do testador. sem qualquer necessidade de manifestação dos mesmos (art. e c) o herdeiro pode prosseguir. A nomeação obedece às preferências ditadas pela lei (art. O direito brasileiro consagrou o sistema da limitada liberdade de testar. Lugar da abertura da sucessão A sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido (art. 1. Com a morte do de cujus abre-se a sucessão. b) o herdeiro pode socorrer-se dos interditos possessórios na proteção de sua posse. diz-se sucessão ad intestato (art. 96.789 que o testador só pode dispor da metade da herança. Porém a lei prevê outras situações: a) Ausência de domicílio certo – Será competente o foro da situação do imóvel (art. 1788 do CC). Trata-se da aplicação do princípio de saisine.787 do CC). Com efeito. 2º) . além da legítima. e c) Falecimento no estrangeiro – Será competente para processar o inventário e a partilha. da manifestação de vontade do testador que. Imediatamente a posse e a propriedade de seus bens transmitem-se aos seus herdeiros legítimos e testamentários.845) diz o art. Castellani CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES 1. 3. 1. isto é.Coordenadores: Marcelo T.846 do CC. Ocorre sempre que o autor da herança morre sem deixar disposição de última vontade.785). o foro de seu último domicílio no Brasil (art. b) Pluralidade de domicílios – Se o de cujus possuía bens em diversos lugares. com as ações intentadas pelo de cujus. abre espaço à vontade soberana do testador. prestando compromisso formal no processo e assumindo total responsabilidade pela guarda e conservação dos bens. havendo herdeiros necessários (art. 1. Nomeado pelo juiz. I. 1. Deriva do testamento. 1. 1. caput. representa o espólio judicial e extrajudicialmente. também chamado de de cujus) em decorrência de sua morte para uma outra (chamado genericamente de sucessor). parágrafo único. será competente o lugar onde ocorreu o óbito.786 do CC): a) A legítima – Resultante de lei. quanto à cota disponível. Representação legal na sucessão O inventariante é o representante legal do espólio. ativa e passivamente. Deste princípio resultam as seguintes conseqüências: a) a capacidade para suceder é a do tempo da abertura da sucessão (art.789 c/c 1.111 - .797 do CC): 1º) o cônjuge ou companheiro. 96. Espécies de sucessão Existem duas formas de sucessão no direito brasileiro (art. 1.

Assim. Aceitação da herança A aceitação da herança pode ser expressa. Mas a lei ainda previu a possibilidade de sucessão aos não concebidos (prole eventual – art. O estado de indivisão. depositado o preço no prazo de 180 dias. o direito sobre a herança indivisa. jamais bem singular do acervo. ou seja. 5. 1. Trata-se de uma preferência legal e real. 7.799. I) e as pessoas jurídicas (de direito público e privado). O co-herdeiro só cede parte indivisa.112 - . O direito de preferência dos co-herdeiros tem de ser exercido. ele não responde pelos encargos superiores às forças da herança. A aceitação tácita é a que resulta de atos compatíveis com o caráter dos herdeiros. A expressa é a manifestada por escrito (art. Ele também deverá respeitar o direito de preferência dos demais co-herdeiros. Instauração do inventário O CC (art. 3º) o testamenteiro. 6. contudo estas hipóteses são restritas à sucessão testamentária. ou seja. embora o prazo de encerramento esteja previsto no CPC que é de 6 meses.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI o herdeiro (na posse e administração do espólio). Até a partilha todos os herdeiros encontram-se frente ao espólio como condôminos. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios na eventualidade de substituição ou direito de acrescer. ou sobre o seu quinhão. 9. Já a aceitação presumida é a prevista . Não se transfere a qualidade de herdeiro. Capacidade para suceder São capazes de herdar as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros) no momento da abertura da sucessão. 30 dias da data da abertura da sucessão. possuidores e proprietários de uma cota ideal. 8. Através da cessão transfere-se. que só se materializará (ou concretizará) no momento da partilha. 4º) a pessoa de confiança do juiz (inventariante judicial). esta é pessoal e intransmissível. minucioso e exato. tácita ou presumida.796) estabeleceu o prazo de instauração do inventário. (Ex. do cedente para o cessionário. o fato do herdeiro outorgar procuração ao advogado para acompanhar o inventário). Em outras palavras. a responsabilidade da herança pelas dívidas do defunto limita-se às suas forças. decorrente da abertura da sucessão. Essa possibilidade existe desde a abertura da sucessão. Ele garante a igualdade de quinhões. ou fração ideal.792 ainda precisa que o herdeiro nunca responde ultra vires hereditatis. mas silenciou sobre o respectivo término. desaparece via inventário que. O art. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial. 1. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo de cujus aos herdeiros. após a transmissão. Cessão de direitos hereditários O CC admitiu a cessão dos direitos hereditários mediante escritura pública e da anuência dos demais co-herdeiros. abstrata. 1805). Característica da herança A herança é uma universalidade de direito. 1. Não se trata de uma hipótese freqüente.

a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. tratando-se de ato jurídico unilateral. sendo conhecidos renunciaram à herança. 1810). c) Se o renunciante é o único herdeiro da classe. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. e e) Se o renunciante for o único de sua classe ou se todos os outros da mesma classe renunciarem os filhos poderão herdar por direito próprio e por cabeça A renúncia é irretratável. Castellani no art. e c) Tenha sido feita em favor de todos os co-herdeiros. presumirse-á aceitação da herança. admissível um ano após a conclusão do inventário (art. Transcorrido todo o prazo prescritivo. Localizados no Distrito Federal sãolhe devolvidos e se encontrarem-se nos territórios revertem em favor da União.113 - . 1. Qualquer interessado (credor. retroagindo ao momento da abertura da sucessão o renunciante é considerado como se jamais tivesse existido. não admite revogação pois.820). Importante observar que a aceitação não admite parcialidade. Os bens do de cujus. 10. quanto na sucessão testamentária. sem herdeiros passam a pertencer ao Município no qual se encontram. Para que se caracterize é fundamental a ocorrência de três condições: a) Tenha sido gratuita. b) A cota do renunciante acresce à dos outros herdeiros (art. chamado à sucessão. Os efeitos da renúncia são: a) A renúncia afasta o renunciante da sucessão. O período que medeia entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do de cujus chama-se jacência. 1807 do CC. O ente público somente adquire a propriedade dos bens hereditários após a declaração de vacância. Cometti Fernando F. Evitando-se que o patrimônio caia no vazio a lei indica o Estado para recolher a herança vaga. declara que não a aceita. Renúncia da herança É o ato pelo qual um herdeiro. condição ou termo. Herança jacente Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. . aperfeiçoa-se desde o momento da declaração soberana de vontade. da mesma forma que a renúncia. d) Os descendentes do de cujus não podem representar o renunciante na sucessão do ascendente. mediante devida habilitação. devolvendo-se esta ao Estado. devolve-se a herança aos herdeiros da classe subseqüente. Se em 30 (trinta) dias não se pronunciar o herdeiro. b) Tenha sido pura e simples (sem termo ou condição). sem a habilitação de qualquer herdeiro. A jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. No direito pátrio jamais ocorre a aquisição imediata da herança pelo Estado.Coordenadores: Marcelo T. ou que. eventual herdeiro) pode requerer a notificação do herdeiro silente. 11. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens.

13. atribuindo a herança. na data do óbito. qualquer herdeiro pode intentar a ação. Agora. a quem se transmite a totalidade ou cota parte da herança. sem os contemplar. quando faltarem herdeiros necessários. b) A restituição dos bens que compõem o seu acervo hereditário. na sucessão legal. Para excluí-los da sucessão basta que o testador disponha dos bens. 1. pode pedir a herança se outrem a possui. em sua totalidade. Herdeiros legítimos São as pessoas indicadas na lei (art. a lei deixa de reconhecer vocação hereditária ao cônjuge. Conforme dispõe o art. os herdeiros mais próximos excluem os mais remotos (salvo hipótese de representação) e os herdeiros de grau igual. quando herdam em nome próprio.114 - . Nesta categoria incluem-se os colaterais até o quarto grau. recebem uma cota igual da herança. legítima ou testamentariamente.830 o chamamento do cônjuge está condicionado a que.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 12. aos descendentes: a) Se o regime de bens do casal era o da comunhão universal. Em três hipóteses. 1. conforme prevê o inciso I do art. 1. Os herdeiros legítimos facultativos são os herdeiros que podem vir a herdar. nem deste separado de fato há mais de dois anos. 1829) e o companheiro. e o cônjuge sobrevivente (concorrendo com as duas categorias. Ordem de vocação hereditária O critério da vocação é a proximidade do vínculo familiar.824 do CC. 15. Assim: a) Herdeiros de grau igual: herdam por cabeça b) Herdeiros de grau diferente: herdam por estirpe 14. Sucessão dos descendentes A sucessão dos descendentes ocorre por cabeça (quando os herdeiros se encontram no mesmo grau de parentesco do de cujus) ou por estirpe (quando herdeiros de graus diferentes). de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente”. b) Se o regime de bens era o da separação obrigatória.829) como sucessores. quem quer que herde.846). Sucessão do cônjuge De acordo com o art. os ascendentes. A petição de herança tem um duplo objetivo: a) O reconhecimento judicial da qualidade de herdeiro. Assim. 16. todavia. não estivesse separado judicialmente de de cujus. com ofensa ao seu direito de herdeiro. 1. Da petição de herança Trata-se do meio judicial de que se serve o herdeiro excluído para garantir sua qualidade sucessória e natural acesso aos bens herediários. o cônjuge sobrevivente concorre à divisão da legítima. neste caso. “salvo prova. A existência de herdeiros legítimos necessários impede a disposição testamentária dos bens constitutivos da legítima (art. São eles: os descendentes. em igualdade com os descendentes ou ascendentes do falecido. e .

portanto. 19. Sucessão na união estável A sucessão do convivente está prevista no art.C. Diante de tais exceções à regra da concorrência entre descendentes e cônjuge. ainda. deve merecer igual tratamento. são chamados os seus descendentes. isto é. mas ainda vivos seu avô paterno C e seus avós maternos E e F. o convivente concorrerá à herança com os outros parentes porventura existentes. parágrafo 2o. do ECA). 1. Castellani c) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. Sucessão dos ascendentes Não havendo descendentes. como se dividirá a herança? C receberá metade da herança cabendo a outra metade a E e F conjuntamente (art.). o princípio da proximidade é a regra. Também aqui haverá herança e meação. Neste montante incluem-se os bens particulares. o direito real de habitação sobre o imóvel residencial familiar para o cônjuge sobrevivente (art. ficando excluído os bens particulares deixados pelo de cujus. sem que o falecido tenha deixado bens particulares. 18. será irrelevante o regime de bens.831). parágrafo 2o. tendo direito a no mínimo 1/3 (um terço) da herança. essa última situação se equipara à primeira (de comunhão universal) e.115 - . 1790 do CC. apenas sobre o patrimônio comum). também.Coordenadores: Marcelo T. em concorrência com os outros . incidindo a meação. mas não se admite a representação. b) Adoção Simples – A herança beneficiará os ascendentes naturais. do C. aquele livremente adotado pelos cônjuges mediante pacto antenupcial válido. com maior extensão. c) Se o regime de bens era o da participação final nos aqüestos. A nova lei previu. Cometti Fernando F. E no caso dos pais do de cujus estarem mortos. b) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. ao último caberá participar da sucessão em três hipóteses: a) Se o regime de bens do casal era o da separação convencional. A ausência de patrimônio particular do de cujus importa serem comuns todos os seus bens: por uma circunstância fática. O convivente somente irá receber a totalidade da herança caso o falecido não tenha deixado nenhum parente suscetível de receber a herança. A sucessão do filho adotivo por seus ascendentes cria duas situações distintas.A herança do filho adotivo devolve-se aos seus pais adotivos (art. Concorrendo com descendentes comuns receberá quota igual a que for paga ao descendente. Quando o cônjuge concorrer com ascendentes. obviamente. Aqui. a saber: a) Adoção plena . Do direito de representação Trata-se de ficção porque. 41. e o de cujus tinha bens particulares (caso em que o cônjuge será. ao mesmo tempo. herdeiro e meeiro. 1. Não havendo descendentes do falecido. 17. Sua participação está limitada aos bens adquiridos onerosamente na constância da convivência. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. a sucessão devolve-se aos ascendentes.836. Se concorrer com descendentes só do falecido receberá metade do que cada descendente receber.

O prazo é decadencial.866 do CC) e o cego (art.116 - . mesmo antes de aberta a sucessão já se conhece a titularidade do substituto. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. 1. Decorre da vontade pessoal do testador. Na linha descendente. c) O testamento particular: É escrito e assinado pelo testador e lido na presença de três testemunhas que o subscrevem (art. A sentença que declara a indignidade não é título constitutivo. com ela não se confunde. substituindo-o. parágrafo único do CC). 1. mas apenas declarativo da incapacidade para suceder.859). há. pois. o surdo (art. 1. Da indignidade Trata-se da destituição do direito hereditário que a lei impõe ao herdeiro ou legatário que se conduziu mal em relação à pessoa do de cujus. 1.853). 21. para depois de sua morte. A determinação da capacidade é a da feitura do testamento.816 do CC). mas nunca na ascendente.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI descendentes mais próximos do autor da herança. A indignidade é declarada por sentença em ação ordinária (art.867 do CC). parágrafo único). 1. 1. . 20. 1.880 do CC).856 que o renunciante à herança de uma pessoa não está impedido de representá-la na sucessão de outra. 1. indefinição dos representantes que só se conhecerão no momento da abertura da sucessão.865 do CC).868 ao art. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas (art. logo. A pretensão por indignidade pode ser proposta pelo legítimo interessado dentro do prazo de 4 (quatro) anos. 1. Finalmente dispõe o art. 1. completando por instrumento de aprovação lavrado pelo tabelião em presença de duas testemunhas (art.864 ao art. Embora a representação (também chamada substituição legal) tenha muitos pontos em comum com a substituição. 1. iniciada ou não a ação extinguese com o falecimento do herdeiro ameaçado (art. b) O testamento cerrado: É escrito e assinado pelo próprio testador ou por alguém ao seu rogo. a partir da abertura da sucessão (art. Como a indignidade é de natureza estritamente privativa. São eles: a) O testamento público: É o ditado pelo testador e lavrado pelo tabelião em livro de notas. pois trata-se de um direito potestativo. Decorre de imposição legal.867) devem usar este tipo de testamento. de todos os seus bens ou de parte deles. A representação é própria da sucessão legítima.815 do CC). A substituição é própria da sucessão testamentária . 1. O analfabeto (art. sendo o seu efeito retroativo à data da abertura da sucessão.876 ao art.860.852) só ocorre na linha reta descendente. 1. Podem testar os maiores de 16 anos (1. a representação é sem limites. Os ordinários são os facultados a todas as pessoas capazes.875 do CC). 1. A representação (art. 1.815. quando com irmãos deste concorrerem (art. Os testamentos se dividem em ordinários e especiais. Em se tratando de colaterais (linha transversal) só ocorre direito de representação em favor dos filhos de irmãos do falecido. É de 05 anos o prazo para impugnar a validade do testamento (art. Na ascendente não há que se falar em representação. 1. Testamento Testamento é o ato unilateral e revogável pelo que uma pessoa dispõe.

1. 22. 1. c) Perecimento ou evicção da coisa legada. legado de móveis.912 do CC).893 ao art.117 - .918 do CC). Cometti Fernando F. h) De usufruto (art.892 do CC). esmolas de pouco monta a determinadas pessoas ou aos pobres de certo lugar. 1. b) Alienação da coisa legada. 1.888 ao art. 1. 1. e) De crédito (art. 23. 1. Trata-se da caducidade dos legados. Três são as pessoas que figuram no legado: a) O testador (legante). d) Indignidade.922 do CC). 1. 1. roupas de pouco valor e de uso pessoal. Realizados com as formalidades da lei se apresenta com forma similar ao testamento público ou ao testamento cerrado (art.896 do CC). c) O testamento militar: Feito por militares e demais pessoas a serviço das Forças Armadas. Cinco são os motivos geradores: a) Modificação da coisa legada.921 do CC). i) De imóvel (art. 1. c) O herdeiro (incumbido de cumprir o legado).919 do CC).Coordenadores: Marcelo T. 1. Castellani Os testamentos especiais são os facultados a certas e determinadas pessoas que se encontram em situações excepcionais.888 ao art.920 do CC). 1. c) De coisa singularizada (art.914 do CC). b) De coisa comum (art. b) O legatário (a quem o legado beneficia). dentro ou fora do país. destinada a conceder a alguém uma determinada vantagem econômica. Só pode ser objeto de legado bem que pertence ao testador. jóias. 1. g) De alimentos (art. São eles: a) O testamento marítimo: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de navios de guerra ou mercantes. ou em praça sitiada ou com as comunicações interrompidas (art. Os legados podem perder sua eficácia. despesas e dádivas de pequeno valor.892 do CC). Legado Trata-se da disposição testamentária a título particular. 1. Codicilo Trata-se de um ato de última vontade pelo qual o disponente traça diretrizes sobre assuntos pouco importantes. Quanto ao objeto os legados são: a) De coisa certa (art. e) Pré-morte do legatário. d) De coisa localizada (art. f) De quitação de dívida (art.916 do CC). b) O testamento aeronáutico: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de aeronaves militares ou comerciais (art. .917 do CC). Contém disposições sobre: enterro. 1.

Todavia. O testador só poderá perdoar o deserdado por meio da revogação testamentária. se só tiver um substituto ao herdeiro ou legatário instituído.965 do CC) cabendo ao herdeiro provala no lapso temporal de quatro anos. quando o testador. porém guarda estreita ligação com a indignidade. 1. Do inventário O inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros. Três são as características constitutivas da substituição fideicomissária: 1ª) a dupla disposição testamentária. 1. ou co-legatários são substituídos uns pelos outros. 1. Além das causas enumeradas no art. O inventário. o legislador exige a prova da veracidade da causa (art. Da deserdação É a privação dos herdeiros necessários à legítima e à sucessão testamentária realizada pelo de cujus. com a obrigação de que esse transfira para um segundo beneficiário (fideicomissário). condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança. Das substituições Prevendo a hipótese do herdeiro. e reciprocamente). pode ocorrer quando todos os herdeiros forem capazes e estiverem acordados sobre a partilha dos bens deixados pelo de cujus. A figura da substituição hereditária apresenta várias modalidades: a) Substituição vulgar: Ocorre quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. 26. na forma de arrolamento sumário. Essa modalidade admite duas formas: será singular. instituindo vários herdeiros ou legatários. Constitui-se numa simples troca de titulares. 25. e 3ª) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário). ou do legatário. Trata-se de um instituto exclusivo da sucessão testamentária. não poder ou não querer assumir a herança ou o legado é que surgiu o instituto da substituição. como meio de dar continuidade à cadeia sucessória.118 - . c) Substituição fideicomissária: É a substituição quando ocorre a transmissão concomitante e sucessiva a duas pessoas. em testamento com declaração de causa. Mediante fideicomisso (confiança) o testador (fideicomitente) transmite a propriedade resolúvel da coisa a um primeiro beneficiário (fiduciário).814 também autorizam a deserdação as hipóteses descritas no art. deve ser atendido o princípio da igualdade na partilha. Só o testamento (art. consistindo este na boa partição .964 do CC) tem o poder de gerar a deserdação. a deserdação é mais ampla que esta última. b) Substituição recíproca: Ocorre quando os co-herdeiros. A substituição recíproca pode ser geral (quando todos substituem ao herdeiro ou legatário que faltar) ou particular (quando uns herdeiros ou legatários determinados substituem outros determinados. os declara substitutos uns dos outros. Além disso. 2ª) a obrigação de conservar e restituir os bens. Trata-se de um instituto específico da sucessão testamentária.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 24. ou. e será plural ou coletiva se vários forem os substitutos convocados simultaneamente. Neste caso. 1.962 do CC.

contado nos termos do disposto no parágrafo único do art. a cada um dos herdeiros.016 do CC). A partilha em vida é possível e ela não se confunde com a doação (art.004 do CC. Sendo incapazes ou inexistindo composição entre os herdeiros. com prazo prescricional de 1 (um) ano. b) Venda de bens ou doações feitas por interposta pessoa. 2. porém foi ciente e conscientemente omitido na descrição dos bens pelo inventariante. b) Existência de co-herdeiros necessários descendentes. c) Ocorrência de uma liberalidade em vida. São pressupostos da colação: a) Ocorrência de sucessão legítima. a partilha será sempre judicial (art. 2.029 do CPC. 2. Os gastos ordinários do ascendente para com o descendente não são colacionáveis. 2. sob pena de ser a partilha anulada. Da partilha É o ato pelo qual o partidor procede à divisão de um patrimônio entre os interessados. Castellani da herança. Dos sonegados Sonegado é tudo aquilo que deveria entrar na partilha. 28. uma soma de valores correspondentes a seu direito hereditário. c) Outros recursos fornecidos pelo ascendente em favorecimento do descendente. 1. Da colação Colacionar é conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima. formando-se quinhões em partes iguais. .018 do CC). nem liberalidade (art. Cometti Fernando F.011 do CC). dando-se em bens. o valor da colação é o que lhe for atribuído no ato de liberalidade e. 27. na falta desse valor.010 e art. 29. Trata-se de um ato anulável e a invalidação deve ser promovida através de ação anulatória. os bens doados serão avaliados com base no que valiam ao tempo da liberalidade. Tem como objetivo restabelecer a igualdade entre herdeiros legitimários. 2.119 - . em inventário causa mortis e a ser homologado pelo juiz. por não constituírem doação. Os bens sujeitos à colação são: a) Doações e dotes constituídos pelos ascendentes. determinando-se que outra seja feita.Coordenadores: Marcelo T. ou doado a herdeiro e não trazido à colação pelo beneficiário com a liberalidade. De acordo com o disposto no art. não restituído pelo mesmo ou por sucessor universal.

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