Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F.

Castellani

Sumário TÍTULO I – PARTE GERAL CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS ............................................................................ CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA ............................................................................... CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO .................................................................................. CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO .......................................................................................... CAPÍTULO V – DOS BENS ............................................................................................. TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .............................................................. CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS .................................................. CAPÍTULO III – CONTRATOS EM ESPÉCIE ................................................................ CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................ TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS CAPÍTULO I – POSSE ...................................................................................................... CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS .................................................................................. CAPÍTULO III – PROPRIEDADE .................................................................................... CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA ...................................... CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA ..................................................... TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO ......................................................................................... CAPÍTULO II – PARENTESCO ....................................................................................... CAPÍTULO III – FILIAÇÃO ............................................................................................. CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL ............................................................................... CAPÍTULO V – ALIMENTOS ......................................................................................... 87 97 99 103 105 71 73 75 79 83 31 49 53 67 3 9 15 25 27

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Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA ...................................................................... 107 CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES .............................................................. 111

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO I - PARTE GERAL

CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS

1. Conceito de personalidade jurídica A personalidade jurídica é um atributo essencial para ser sujeito de direito (art. 1º do CC). Para a teoria geral do direito civil a personalidade é uma aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações. Todavia, a noção de aptidão, ou seja, qualidade para ser sujeito de direito, conceito aplicável tanto às pessoas físicas como às pessoas jurídicas não é o único sentido técnico de personalidade. Num sentido valorativo, a personalidade traduz o “conjunto de características e atributos da pessoa humana, considerada objeto de proteção privilegiada por parte do ordenamento, bem jurídico representado pela afirmação da dignidade humana” (Gustavo Tepedino, Heloisa Helena Barbosa, Maria Celina Bodin de Morais. Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Rio de Janeiro: Revonar, 2004, p.04). Resumindo os dois sentidos técnicos que envolvem o conceito de personalidade jurídica podemos afirmar que: a) ela significa a possibilidade de alguém ser titular de relações jurídicas, como forma de expressão da dignidade da pessoa humana e, b) objeto de tutela privilegiada pela ordem jurídica constitucional. 2. Início da personalidade jurídica da pessoa natural O início da personalidade é marcado pelo nascimento com vida, conforme dicção do art. 2º do CC. Clinicamente o nascimento é aferível pelo exame de docimasia hidrostática de Galeno. Em consonância com o texto do art. 2º do CC, a doutrina majoritária defende que o Direito Civil positivo adotou a teoria natalista para o início da personalidade jurídica. Nessa linha, o nascituro, ente concebido, mas não nascido, não passa de uma potencialidade de direitos. Em sentido contrário, por influência do Direito francês, surge a teoria concepcionista pela qual o nascituro adquiriria personalidade jurídica desde a concepção, sendo, assim, considerado pessoa. Aqui o nascimento não é condição para que a personalidade exista, mas para que se consolide. 3. Proteção jurídica do nascituro Nascituro é o ente já concebido, mas ainda não nascido. Deixando de lado as discussões teóricas sobre o início da personalidade jurídica, é certo que a segunda parte do art. 2º do CC expressamente “põe à salvo os seus direitos”. Assim, pode-se afirmar que na legislação em vigor o nascituro: a) É titular de direitos personalíssimos (como o direito à vida); b) Pode receber doação, conforme dispõe o art. 542 do CC: “A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita por seu representante legal”; c) Pode ser beneficiado por legado e herança (art. 1798 do CC); d) Pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses (arts. 877 e 878 do CPC); e) O Código Penal tipifica o crime de aborto;

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imagem e sepultura”. 4º. IV) – Esta modalidade de incapacidade deve ser decretada judicialmente por requisição do cônjuge ou familiar. 4º. 3º. II). Ela nada mais é do que a habilidade para praticar de forma autônoma. coma). Todo ente com personalidade jurídica possui também capacidade de direito. I) – Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no. É bom lembrar que o enunciado 01. 4. os quais deverão ser verificados cumulativamente. III) – São elementos para a configuração dessa forma de incapacidade o caráter temporário e a impossibilidade total de expressão da vontade. 8069/90). ao contrário da capacidade de direito possui estágios definidos no próprio Código Civil. I). Da capacidade de fato distingue-se a legitimidade (ou legitimação). e não apenas o patrimônio do -4- .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI f) Tem direito a alimentos.177 ao artigo 1186 do CPC. até os 12 anos de idade incompletos considera-se a pessoa criança. também chamada de capacidade de exercício. 4º. De acordo com o art. Trata-se de um divisor quantitativo de compreensão do indivíduo. b) Os ébrios habituais e os viciados em tóxico (art. já que o que se protege. 4º. em 2002. 4º do CC são considerados relativamente incapazes: a) Os maiores de 16 e menores de 18 anos (art. a qual se refere à aptidão para a prática em geral. ou seja. b) Aqueles que sofrem de doença ou deficiência mental (art. seus direitos civis. Entretanto. sem prejuízo de sua salutar inserção no meio social. III) – A previsão da incapacidade relativa dos excepcionais tem como propósito proteger os atos praticados pelos agentes nessas situações. 3º. tendo em vista que não se nega ao indivíduo a qualidade para ser sujeito de direito. 3º do CC são considerados absolutamente incapazes: a) Os menores de 16 anos (art. com a incapacidade do pródigo. tendo em vista o comprometimento do seu quadro cognitivo. d) Os excepcionais sem desenvolvimento mental completo (art. e) Os pródigos (art. (ex. promovida pelo CEJ (Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal). Capacidade de direito e capacidade de fato Por capacidade de direito. aprovado na Jornada de Direito Civil. Esta é uma forma específica de exercício de determinados atos da vida civil. afirmou que “a proteção que o Código Defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos de personalidade. De acordo com o art. 3º. 4º. a saber: a incapacidade em absoluta e a relativa. ao contrário da capacidade. Personalidade e capacidade jurídica são as duas faces de uma mesma moeda. Ele distingue duas modalidades de incapacidade. Nesta hipótese a incapacidade deve ser reconhecida por meio da ação de interdição. prevista nos artigos 1. também conhecida como capacidade de gozo ou capacidade de aquisição. sem a interferência de terceiros na qualidade de representantes ou assistentes. c) Os deficientes mentais que tenham o discernimento reduzido (art. A capacidade de direito não se confunde com a capacidade de fato. pode ser entendida como a medida da intensidade da personalidade. c) Os que por causa transitória não puderem exprimir sua vontade (art. tais como o nome. II). é exatamente o patrimônio da família. A capacidade de fato. II) – Trata-se de uma hipótese que o indivíduo é atormentado por uma patologia que o impede de praticar atos no comércio jurídico. Este conceito se relaciona com as condições pessoais que determinado indivíduo reúne para exercer pessoalmente seus direitos. os adolescentes até os 16 também são reputados absolutamente incapazes.

A primeira trata da probabilidade extrema de morte daquele que se encontre em perigo de vida. parágrafo único. 7º do CC. sendo o fato levado a registro.Colação de grau em curso de ensino superior. em função deles. de ofício. 1782 do CC “a interdição do pródigo só o privará de. ouvido pelo magistrado (Código Civil art. parágrafo único. 4. cuja prova se faz através da certidão extraída do assento de óbito. ressalvada a possibilidade de suas testemunhas o fazerem se faltar o especialista. Extinção da personalidade jurídica da pessoa natural A morte é o momento no qual a personalidade se extingue. 5. necessariamente. desde que. (CC art. ressalvada a hipótese de a senectude gerar um estado patológico. 7º. a exemplo da arteriosclerose. Todavia é possível cogitar de uma presunção de morte. c) Emancipação legal – Ocorre em razão de situações descritas na lei.Exercício de emprego efetivo. Nesse caso.001/73 (Estatuto do Índio).. I.Estabelecimento civil ou comercial.O Casamento. os atos que não sejam de mera administração”. I. Antes da sentença o tutor será. e praticar. O referido dispositivo trata de duas hipóteses de morte presumida. ou a existência de relação de emprego. na hipótese de um menor posto sob tutela. dar quitação. nos termos dos arts. A segunda hipótese trata dos desaparecidos em campanha de guerra ou feito prisioneiro. independentemente de homologação judicial. 77 e 78 da Lei no.Coordenadores: Marcelo T. demandar ou ser demandado. de acordo com o nível social em que está inserida. Três são as formas de emancipação: a) Emancipação voluntária – É aquela concedida por ato unilateral dos pais em pleno exercício do poder parental. 6. Cometti Fernando F. 5º. desde que o menor haja completado 16 anos (CC art. Emancipação Trata-se de um uma hipótese de antecipação da aquisição da capacidade civil plena antes da idade legal. A morte deverá ser atestada por profissional de medicina. II). 2. transigir. primeira parte). sem curador. 3. tendo em vista que o código civil remete a matéria para a legislação especial (art. ou um deles na falta do outro. segunda parte). o juiz deverá comunicar a emancipação ao oficial de registro civil. o menor tenha economia própria. emprestar. 5º do CC nos traz as seguintes situações: 1. caso não seja encontrado até 02 dois anos após o término da guerra (CC art. sob a forma de instrumento público. hipotecar. alienar. parágrafo único). De acordo com o art. 5º. I). b) Emancipação judicial – Realiza-se mediante uma sentença judicial. se não constar dos autos haver sido efetuado este em oito dias. Castellani pródigo. Sobre a capacidade dos índicos está será regulada pela Lei no. 6. É bom lembrar que a senilidade não é causa de restrição da capacidade.015/73 (Lei de Registros Públicos). Trata-se de ato irrevogável. II). Não se admite no ordenamento pátrio a hipótese de morte civil ou qualquer outro modo de perda da personalidade sem vida. 7º. A expressão economia própria deve ser entendida no sentido de caracterização de renda suficiente por meio do estabelecimento ou do emprego para a sobrevivência da pessoa. -5- . 6. 9º. O art. em geral. conforme se depreende da leitura do art. Para surtir os efeitos legais a escritura pública de emancipação deverá ser registrada no Cartório de Registro das Pessoas Naturais (CC art. 4º.

se ele deixou representante ou procurador. garantia pignoratícia ou hipotecária de restituí-los (art. 9º. poderão os interessados requerer que se abra provisoriamente a sucessão. b) Sucessão provisória: De acordo com o art. que passará a gerir os negócios do ausente até o seu eventual retorno. Finalmente. porém. 23 do mesmo diploma. os que tiverem sobre os bens do ausente direito pendente de sua morte. A ausência é um processo no qual a proteção dos bens do desaparecido dá lugar à proteção dos interesses dos sucessores. ou de fato por mais de dois anos antes da declaração de ausência. as quais. O interesse no tratamento do tema justifica-se pela implicância de tal fato na ordem de vocação no plano da sucessão. sem deixar notícias. Por fim. parente sucessível) ou do Ministério Público. o CC no art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Por força do estabelecido no art. O sucessor provisório recebe os bens que caibam no seu quinhão. 26 do CC decorrido 01 ano da arrecadação dos bens do ausente. para caracterizar a ausência a não-presença do sujeito deve somar-se com a falta de notícias. Consideram-se interessados na abertura o cônjuge ou companheiro. Essa cautela de exigência de garantia é excepcionada. em regra. com a declaração de ausência. estabelecendo uma ordem legal estrita e sucessiva. conforme a menor possibilidade de reaparecimento do ausente: a) Declaração da ausência e curadoria dos bens: Com o desaparecimento de uma pessoa. legítimos ou testamentários. nem representante ou procurador. segundo a qual se determina a morte simultânea daqueles que falecem na mesma ocasião. o Poder Judiciário reconhecerá tal circunstância. Na nomeação o juiz deverá fixar os poderes e obrigações do curador. seguirão os princípios a respeito dos tutores e curadores (arts. a saber: 1) o cônjuge (também o companheiro). descendentes e o cônjuge. parágrafo 2º do CC). -6- . hipótese que se limita à previsão do art. IV. 3) descendente. os herdeiros presumidos. 1160 do CPC). 30 do CC). ou seja. companheiro. os credores de obrigações vencidas e não pagas. 7. 1819 e seguintes do CC). se não tiver separado judicialmente. Assim. Este processo tem três estágios. Cuida-se de uma presunção juris tantum. 2) pais do ausente (genitores). 1728 e seguintes do CC). conhecida também como comoriência. de forma a dar publicidade ao acontecimento. quem tem a posição de herdeiro do outro. podendo ser ilidida por prova que estabeleça a precedência da morte de um dos envolvidos. sem que dele se tenha notícias. A nomeação não é discricionária. sem linhas gerais. preferindo os mais próximos aos mais remotos. dando. enfim. em se passando 03 anos. 8º trata da hipótese de morte simultânea. 30. em relação aos ascendentes. surge uma massa de bens de bens sem que tenha alguém para administrá-la. observa-se que a curadoria dos bens do ausente não se confunde com a curadoria da herança jacente (arts.. do CC a sentença declaratória de morte presumida deverá ser inscrita em registro público. a requerimento dos interessados na administração (cônjuge. 4) Qualquer pessoa à escolha do magistrado. Portanto. ou. Atente-se que não caberá nomeação de curador se não houver bens para administrar. nomeando curador. uma vez provada sua condição de herdeiro (art. mediante arrecadação de seus bens (art. na transmissão dos direitos entre os sucessores e sucedidos. Ausência das pessoas naturais Ausente é aquele que desaparece de seu domicílio.

ou ao inventário e partilha dos bens. Mas a propriedade assim adquirida considera-se resolúvel. capitalizar metade desses bens acessórios. Na forma do art. parágrafo único do CC). Reversamente. do Distrito Federal ou da União. se não regressar e nenhum herdeiro tiver promovido a sucessão definitiva. Se o ausente aparecer nos dez seguintes à abertura da sucessão definitiva. 28 do Código Civil. o que não acontecerá com os demais sucessores. ou os que se sub-rogarem neles. ou quando houver certeza da morte do ausente (arts. 33. os o preço de sua alienação. que deverão. como forma de sanção ao comportamento negligente daquele. caso existente. Seja qual for o caso os direitos de terceiros são respeitados. de acordo com o art. ou quando o ausente completar 80 anos de idade. necessariamente. -7- . 33. como se o ausente tivesse falecido. Cometti Fernando F. não se desfazendo as aquisições realizadas. o ausente perde direito ao montante acumulado em favor dos sucessores (art. com prestação anual de contas ao juiz competente. c) Sucessão definitiva: Decorridos 10 anos do trânsito em julgado da sentença que concedeu a abertura da sucessão provisória. se o ausente regressar depois de passados os 10 anos nada recebe. 1845 do CC) terão direito subjetivo a todos os frutos e rendimentos dos bens que lhes couberem. os herdeiros necessários empossados (art. serão os bens arrecadados como vagos passando à propriedade do Município. os bens serão entregues no estado em que se acharem. Depois desse período proceder-se-á à abertura do testamento. se a ausência foi voluntária e injustificada. Castellani A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeitos 180 após sua publicação e trânsito em julgado. 37 e 38 do CC). poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e levantamento das cauções. Porém.Coordenadores: Marcelo T. se de 05 datam suas últimas notícias. Porém.

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o homem tende a agrupar-se. A análise do art. cuja existência. pois a personificação dos grupos se opera por construção jurídica. podendo. daí porque a liceidade é imprescindível à vida da pessoa jurídica. assim. Cometti Fernando F. as quais refletem a evolução deste instituto ao longo da história. Caracteres gerais da pessoa jurídica Por diversas razões. O primeiro ocorre com a exteriorização da manifestação de vontade que permite a criação e a elaboração do ato de constituição. construção da técnica jurídica. Teorias sobre a natureza da pessoa jurídica Diversas são as teorias que tentam explicar a caracterização das pessoas jurídicas. b) Observância das condições legais – É a lei que determina a forma a que obedece aquela declaração de vontade. 2. mas à vista de uma situação concentra. viabilizando a sua atuação autônoma e funcional. é simplesmente uma ficção. Para esta teoria as pessoas jurídicas possuem tanto um corpus. recebe do ordenamento personalidade jurídica. de fato. para garantir a subsistência e realizar seus propósitos. que administra e mantém a entidade em contato com o mundo. o ato de atribuir personalidade não seria arbitrário. independentemente de qualquer autorização estatal. c) Teoria da realidade técnica – Esta teoria situa a pessoa jurídica como produto da técnica jurídica. vontade eminentemente criadora que. com vistas à realização de seus objetivos. O ato deverá ser escrito. 45 do CC permite afirmar que a personificação da pessoa jurídica é. por meio da desconsideração. rejeitando a tese ficcional para considerar os entes coletivos como uma realidade. manifestada nas associações e nas sociedades pela vontade do grupo componente e nas fundações pela de seu criador. como um animus. para a constituição ou o nascimento da pessoa jurídica é necessária a conjunção de três requisitos: a) Vontade humana criadora . que não seria objetiva.È a vontade gregária que marca o surgimento das pessoas jurídicas. operar-se a suspensão legal de seus efeitos. para ser eficaz. por isso mesmo. inclusive. b) Teoria orgânica ou da realidade objetiva – Seus partidários entendem que a pessoa jurídica é uma realidade viva. Castellani CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA 1. franqueando aos indivíduos a adoção de instrumento particular ou exigindo o instrumento público. deve emitir-se na conformidade do que prescreve o direito positivo. O grupo. inclusive de natureza social e antropológica. Surgimento e início da personalidade da pessoa jurídica O surgimento da pessoa jurídica de direito privado se dá em dois estágios distintos. com exceção dos casos especiais tratados no CC. que é a idéia dominante. c) Liceidade de seu propósito . ou seja.Por óbvio não é possível reconhecer validade a um ente que atue em descompasso com o ordenamento jurídico que possibilitou seu surgimento. 3. em situações excepcionais admitidas por lei. podendo se revestir -9- .Coordenadores: Marcelo T. A melhor doutrina entende que a teoria da realidade técnica é a que melhor explica o tratamento dispensado à pessoa jurídica por nosso ordenamento. As principais são: a) Teoria da ficção – Segundo essa concepção o direito concebe a pessoa jurídica como uma criação artificial. análoga à pessoa física. Contudo.

por sua vez. 45 do CC. aos legítimos interessados cabe o direito potestativo de anular a constituição da pessoa jurídica. e) à informação se os membros da pessoa jurídica respondem subsidiariamente pelas obrigações sociais. O fato jurídico que faz surgir é o evento morte e a sua extinção se opera com o fato jurídico da partilha de bens entre os herdeiros. porquanto o art. testamento ou herdeiro legítimo notoriamente conhecido. deixando acervo de bens sem. O prazo é decadencial. É preciso pôr em sinal a existência de outras entidades despersonalizadas. carecendo. a sociedade irregular. desprovida de personalidade. de affectio societatis. se houver. b) Espólio – Este consiste no patrimônio deixado pelo de cujus e compreensivo do conjunto de direitos e obrigações. em primeiro lugar pela desnecessidade.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI de forma pública ou particular. d) Condomínio – Dá-se a figura do condomínio quando mais de uma pessoa possui a titularidade do domínio de um bem. A situação configura o instituto da herança jacente. A falta do registro implica no surgimento de entidades de fato ou irregulares. b) aos nomes e qualificações dos fundadores ou instituidores e dos diretores. Os bens permanecerão nesta condição até a sua entrega aos herdeiros que vierem a se habilitar ou à declaração de sua vacância. incluindo a representação junto às esferas judicial e extrajudicial. Em segundo lugar. 45 do CC exige o registro do ato de constituição. f) às condições gerais na hipótese de extinção. local da sede. O condomínio não chega a ser uma pessoa jurídica. inclusive a destinação do patrimônio. além das chamadas sociedades de fato ou irregulares: a) Massa Falida – Se refere ao acervo patrimonial que pertencia à empresa declarada judicialmente falida. já adquirida no instante do nascimento com vida. Abre-se o segundo estágio em razão da adoção do sistema das disposições normativas. do Estado ou do Distrito Federal. seja ele formal ou substancial. mas sem a necessária inscrição dos atos constitutivos no registro peculiar. O art. c) às normas básicas de administração. Na doutrina do direito comercial a sociedade de fato seria aquela que funciona sem que houvesse sido reduzido a termo o seu estatuto ou contrato social. 46 do CC dispõe sobre os dados a serem anotados na inscrição. diferentemente do registro civil de nascimento da pessoa natural. Este se refere: a) identificação da pessoa jurídica segundo a sua denominação e fins. tempo de duração e fundo social. mas com capacidade para se obrigar perante terceiros. 1819 prevê a hipótese de alguém vir a falecer. Entre esses dois momentos – morte e partilha – impõe-se administração do acervo de direitos e obrigações. Ocorrendo esta.10 - . cuja titularidade é exercida pela figura do inventariante. seria aquela organizada por escrito. . O registro tem natureza constitutiva. por ser atributivo de personalidade. d) ao esclarecimento se o ato constitutivo é passível de modificação no que concerne à administração e ao seu modo de atuar. que requerem instrumento público ou testamento. No caso de defeito no ato constitutivo. porque não há manifestação de vontade neste sentido. salvo nas hipóteses das fundações. todavia. o patrimônio deverá ser incorporado aos bens da União. pois. eminentemente declaratório da condição de pessoa. É com a sentença declaratória de falência que surge a massa falida. uma vez que a ordem jurídica o instrumentaliza com os recursos jurídicos suficientes à administração de seus interesses. c) Herança jacente e vacante – O CC no art. nem formalização desta. como destaca o próprio texto do parágrafo único do art.

61. Novo Curso de Direito Civil. O estatuto social das associações deverá observar para a sua validade os requisitos indicados no art. por deliberação dos associados. Isto é. à instituição municipal. e 4º) alterar o estatuto. Por se tratar de um ente cuja personificação é decorrência da técnica legal. Por cláusula do estatuto ou. exige órgãos de representação para poder atuar na órbita social. Todavia. será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto. ampliado. estadual ou federal. os bens remanescentes serão devolvidos à Fazenda do Estado. São Paulo: Saraiva. Não deve. por ato inter vivos ou mortis causa. e na estrita forma do estatuto social (art. Na falta dessas. Em verdade. Essas pessoas praticam atos como se fosse o próprio ente social. por sua própria natureza. como ocorre entre os sócios nas sociedades civis e empresárias. A lei considerou intransmissível a qualidade de associado (art. de fins idênticos ou semelhantes. do Distrito Federal ou da União (art. praticar atos ou celebrar negócios que extrapolem da sua finalidade social. a pessoa jurídica. especial.208). Mesmo não cuidando o estatuto de elencar as condutas que entende passíveis de exclusão do associado. poderá apreciar a existência de motivos graves. dada a sua estrutura.Coordenadores: Marcelo T. Espécies de pessoas jurídicas de direito privado O art. 2º) destituir os adminitradores. Vol I. o titular de quota ou fração ideal do patrimônio poderá transmitir. no silêncio deste. A receita gerada deve ser revertida em benefício da própria associação visando à melhoria de sua atividade. Note-se que. por não poder atuar por si mesma. por óbvio. Trata-se de um conteúdo mínimo que poderá ser. p. antes da destinação do remanescente a . praticar todos os atos jurídicos admitidos para a pessoa natural. A assembléia geral é o órgão máximo das associações. prevê o § 1º do art. é permitido aos respectivos membros. a associação não está impedida de gerar renda. decidir pela aplicação da sanção. “O seu campo de atuação jurídica encontra-se delimitado no contrato social. Rodolfo Pamplona Filho. 54 do CC.11 - . por deliberação dos associados. ou. omisso este. São elas: a) Associações: São entidades formadas pela união de indivíduos com o propósito de realizarem fins nãoeconômicos. 57 do CC). 61. havendo autorização estatutária. A exclusão do associado só ocorre ocorrendo justa causa. por meio das pessoas jurídicas que compõem os seus órgãos sociais e conselhos deliberativos. 3º) aprovar contas. mais técnico seria falar em presentação da pessoa jurídica. 59 do CC estabeleceu-lhe competências absolutas: 1º) eleger os administradores. sem existência biológica ou orgânica. a sociedade ou a associação age. em deliberação fundamentada e por maioria absoluta dos presentes. esse ente social não poderá. porém os seus membros não pretendem partilhar lucros ou dividendos. pelo fato de não perseguir escopo lucrativo. 44 do CC prevê cinco espécies de pessoa jurídica de direito privado. 56 do CC). moldada a partir da técnica jurídica. sob pena de ineficácia” (Pablo Stolze Gagliano. e. Considerando sua estrutura organizacional. portanto. 5. 2004. Capacidade e representação da pessoa jurídica A capacidade da pessoa jurídica é. § 2º do CC). Castellani 4. eventualmente. faz-se presente. a assembléia geral. Ocorrendo a dissolução da associação. o patrimônio líquido. Cometti Fernando F. Ela possui poderes deliberativos e o art. os seus direitos a um terceiro (adquirente ou herdeiro). nos estatutos ou na própria lei. que passará à condição de associado. especialmente convocada.

3) sociedade limitada. a saber: 1) Afetação de bens livres por meio do ato de dotação patrimonial. 44 do CC estabelece que os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto na Lei n. O § 3º do art. Norma de teor semelhante existe também no CDC no art.12 - . Contudo. em caso de fraude. Desconsideração da personalidade jurídica O art. quando confia a terceiro a organização da entidade). organização e funcionamento. que passam a ter responsabilidade pessoal pelo ilícito causado. 17 da CF). há uma série ordenada de etapas que devem ser observadas. objetivando a satisfação do terceiro lesado junto ao patrimônio dos próprios sócios. em caso de divergência). O art. as contribuições que houverem prestado ao patrimônio da entidade. quando o próprio instituidor o faz. e) Organizações religiosas: São entidades que muito se assemelham às associações. 4) sociedade anônima. as sociedades podem ser simples ou empresárias. As formas societárias previstas no nosso ordenamento são: 1) sociedade em nome coletivo. d) Partidos Políticos: São entidades com liberdade de criação. e) sociedade em comandita por ações. tendo autonomia para definir sua estrutura interna. receber em restituição. 4) Aprovação dos estatutos (É o órgão do Ministério Público que deverá aprovar os estatutos da fundação. ou a fiduciária. . sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos. em valor atualizado. 2) Instituição por escritura pública ou testamento. Do art. o § 1º. Para a criação de uma fundação. Outras espécies como as cooperativas e as entidades desportivas não foram previstas neste dispositivo 6. c) Fundações: São entidades resultantes de uma afetação patrimonial. 44 do CC garante-lhes liberdade de criação. 5) Realização do registro civil. 9. 44 do CC não é um rol taxativo. por testamento ou escritura pública. ou simples desvio de função. especificando o fim para o qual se destina. devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidária (art. abuso. que faz o seu instituidor.096/95. a qual pode ser entendida como um mecanismo que pretende a supressão temporária da personalidade jurídica da sociedade. pessoalmente. 28.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI entidades congêneres. com recurso ao juiz competente. 3) Elaboração dos estatutos (Há duas formas de instituição da fundação: a direta. 2) sociedade em comandita simples. b) Sociedades: São as entidades formadas pela união de pessoas que exercem atividade econômica e buscam o lucro como objetivo. organização. 50 do CC prevê a desconsideração. Dependendo do tipo de atividade realizada. estruturação interna.

. e não prevendo o seu ato constitutivo o prosseguimento das atividades por intermédio dos herdeiros. que dispõem do prazo de trinta dias contado da perda da autorização. seguir-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. Extinção da pessoa jurídica O fim da pessoa jurídica poderá ocorrer por causas diversas.13 - . Cometti Fernando F. o resultado será a extinção da pessoa jurídica.Coordenadores: Marcelo T. Para tanto devem ser observadas as normas previstas no estatuto ou contrato social. ou de sócio que tenha exercitado o direito de pedi-la na forma da lei. A dissolução deverá ser averbada no registro respectivo e. d) Fato natural – Ocorrendo o fato jurídico morte dos membros de uma sociedade. é dos administradores. uma vez encerrada a liquidação. c) Judicial – A iniciativa para a dissolução da pessoa jurídica. mas em qualquer hipótese a personalidade subsistirá até que se ultime a liquidação e se proceda a anotação devida. A dissolução das pessoas poderá ser: a) Convencional – A mesma liberdade que permitiu aos sócios a criação da pessoa jurídica pode levá-los à extinção desta. em primeiro lugar. Castellani 7. b) Administrativa – Ocorre quando a autorização para o funcionamento da pessoa jurídica é cancelada.

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Assim. modificativos. Assim. 2) Conservação de direitos – Atos praticados para o resguardo (defesa) de direitos. Curso Avançado de Direito Civil: Vol 1. b) Gratuita ou onerosa – de acordo com a existência ou não de uma contraprestação para a aquisição do direito. 199). em que não há falar. podem ser sistematizadas da seguinte forma: . porém. Renan. A título de complementação. o direito condicional é aquele que somente se perfaz se ocorrer determinado acontecimento futuro e incerto. ainda. em relação à expectativa de direito. só se consolida com a morte do autor da herança.Coordenadores: Marcelo T. O direito eventual. de fatos jurídicos ou fatos jurígenos. d) Simples ou complexa – Se o fato gerador da relação jurídica se constituir em um único ato ou numa necessária simultaneidade ou sucessividade de fatos. [coordenação Everaldo Augusti Cambler]. A aquisição de direitos tem sido analisada das seguintes formas: a) Originária ou derivada – de acordo com a existência ou não de uma relação jurídica anterior com o direito ou bem objeto da relação. seria todo o acontecimento natural ou humano capaz de criar. p. conservativos e extintivos do fato jurídico 1) Aquisição de direitos – Ocorre quando se dá sua conjunção com seu titular. fato jurídico. Um exemplo é a fase de tratativas para celebração de um contrato. embora protegido pelo ordenamento jurídico. uma vez que ainda não foi incorporada ao patrimônio jurídico da pessoa. de tal sorte que ocorrendo concretamente o fato. São Paulo: RT. refere-se a situações em que o interesse do titular ainda não se encontra completo.15 - . 2. Castellani CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO 1. Por fim. Efeitos aquisitivos. em sentido amplo (lato sensu). conservar ou extinguir relações jurídicas. de um direito adquirido. constitui o ponto de confluência entre a norma e o dever ser da realidade: é o modo pelo qual o ordenamento jurídico encontra real atuação. à realização da avença. por si só. é importante distinguir os direitos futuros. Essas medidas. modificar. em sentido amplo. no sentido de mudar as relações anteriores a eles e de configurar novas situações. do direito eventual e do direito condicional. portanto. Cometti Fernando F. aqueles fatos a que o direito atribui relevância jurídica. que geram direitos subjetivos são chamados. O ordenamento atribui a um fato uma qualificação e uma disciplina. caso estes sejam ameaçados por quem quer que seja. Conceito de fato jurídico lato sensu Os acontecimentos. não estando amparada pela legislação em geral. A expectativa de direito é mera possibilidade de sua aquisição. indistintamente considerados. podemos lembrar o direito à sucessão legítima. por sua vez. a que correspondem novas qualificações jurídicas” (LOTUFO. “Fatos jurídicos são. de caráter muitas vezes acautelatório. sem interposição ou transferência de outra pessoa. 2003. surge a propriedade quando o bem se subordina a um dominus. pelo fato de não se terem realizado todos os elementos básicos exigidos pela norma jurídica. ou historicamente. que. Como exemplo. c) A título universal ou singular – se o adquirente substitui o sucedido na totalidade (ou em quota-parte) de seus direitos ou apenas de uma ou algumas coisas determinadas.

4. Neste tipo de ato. o decurso do tempo. a morte. como é o caso do interdito proibitório. o abandono. d) Ocorrida a violação. como se dá no negócio jurídico (um contrato. dentro do campo da autonomia privada. costumeira. Negócio jurídico O negócio jurídico é entendido pela corrente voluntarista (dominante no direito brasileiro. turbação ou esbulho de seu direito. cotidiana: o nascimento. b) Atos de defesa do direito lesado – Tendo ocorrido a violação ao direito. no exercício do direito constitucional de ação (art. etc. modificar ou extinguir uma relação jurídica” (GOMES. p. 112 do C. a prática de atos de autotutela. o ajuizamento de ações cognitivas ou executivas. 3. Rio de Janeiro: Forense. b) Extraordinários – São fatos inesperados.).16 - . Com efeito. ou. a ação de vontade. 5º. Note-se que o elemento caracterizador dessa categoria reside na circunstância de que o agente não goza de ampla liberdade de escolha na determinação dos efeitos resultantes de seu comportamento. Fato jurídico em sentido estrito São todos os acontecimentos naturais que determinam efeitos na órbita jurídica. a constituir. por exemplo. o desforço incontinenti (art. 5. que se dirige. da CF). às vezes imprevisíveis: um terremoto. o atendimento a certos requisitos mínimos. não existe propriamente um declaração de vontade manifestada com o propósito de atingir. sempre excepcionalmente. por exemplo. para apreender sistematicamente o tema faz-se mister analisá-lo sob os três planos em que o negócio jurídico pode ser visualizado: a) Plano de existência – Um negócio jurídico não surge do nada. na definição do Código da Saxônia. Introdução ao estudo do direito civil. parágrafo 1º do CC). o caso fortuito e a força maior. refletindo-se no art. a decadência.) como uma “declaração de vontade dirigida à provocação de determinados efeitos jurídicos. É o que ocorre. mas sim um simples comportamento humano deflagrador de efeitos previamente estabelecidos por lei. também os direitos podem extinguir-se. exigindo-se.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI a) Atos de conservação – Atos praticados pelo titular do direito para evitar o perecimento. 1210. por exemplo). para tanto que seja considerado como tal. Ato jurídico em sentido estrito O ato jurídico em sentido estrito. como. a ordem jurídica admite. 10ª. 280. Neste plano “não . sem conteúdo negocial. Orlando. XXXV. Os fatos jurídicos em sentido estrito subdividem-se em: a) Ordinários – São fatos da natureza de ocorrência comum. c) Atos de defesa preventiva – Antes mesmo da violação (mas diante da sua ameaça evidente) é possível o ajuizamento de procedimentos próprios para uma defesa preventiva. os efeitos jurídicos pretendidos pelo agente (como no negócio jurídico). 3) Extinção de direitos – Como tudo na vida. no ato de fixação do domicílio.C.. 1993. que determina a produção de efeitos legalmente previstos. uma enchente. como é o caso do perecimento do objeto. constitui simples manifestação de vontade. de acordo com a lei.

podem ser realizados de acordo com a conveniência da forma preferida pelas partes. fisicamente possível. que os negócios jurídicos. 401 do CPC. celebrar consigo mesmo. 117: “Art. b) objeto lícito. A representação.17 - . a exemplo do testamento e dos contratos constitutivos ou translativos de direitos reais imóveis acima do valor consignado em lei. seja perfeitamente válido. A lei civil dispõe sobre três tipos de elementos acidentais: 1) Condição – Elemento voluntário que subordina o nascimento ou extinção do direito subjetivo a acontecimento futuro e incerto. outrossim. com preceitos genéricos aplicáveis tanto à representação legal. 83. no art. tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido substabelecidos. é anulável o negócio jurídico que o representante. em último plano. sob pena de se prejudicar não apenas a validade. no seu interesse ou por conta de outrem. importa. também.C. como forma de manifestação de vontade do representado através do representante deve produzir plenamente seus efeitos. c) Plano de eficácia – Ainda que um negócio jurídico existente seja considerado válido. Sobre o tema da capacidade o C.. Todo objeto deve. com isso. a alienação de um imóvel situado na lua. vale observar a restrição legal sobre o autocontrato. 117 – Salvo se o permitir a lei ou o representado. deve revestir a forma adequada. na forma deduzida no art. Parágrafo único – Para esse efeito. quando a norma legal impõe determinado revestimento para o ato. ou seja. apenas. Teoria do Fato Jurídico (Plano da Existência). pois. para que o negócio jurídico.) b) Plano de validade – O C. 116 do C. do princípio da liberdade da formas. figura outra importante categoria: a dos negócios ad probationem. para efeitos probatórios. isto não importa em produção imediata de efeitos. Marcos Bernardes de. Deve.Coordenadores: Marcelo T. uma vez que não se poderia reconhecer validade a um negócio que tivesse por objeto uma prestação naturalmente irrealizável. Além do campo da licitude. o objeto ser determinado ou. Sobre o tema. mas. fica circunscrito a se saber se o suporte fático suficiente se compôs. ainda. quanto à voluntária. deverá. Observa-se. apesar de a forma não preponderar sobre o fundo. 104 enumera os pressupostos de validade do negócio jurídico: a) agente capaz. possível. traduzindo em uma forma especial ou em uma indispensável solenidade. Assim. o objeto deve. ser observada. ainda. por não ser essencial. Há que ser. ao tempo que foi celebrado. c) forma prescrita ou não defesa em lei. portanto.C. conter elementos mínimos de individualização que permitam caracterizá-lo. como se vê do art. para efeito de prova do ato jurídico. por exemplo. como. uma vez que a forma pública é indispensável para a validade do ato. Tudo. Nesses.C. São Paulo: Saraiva. Cometti Fernando F. a própria executoriedade da avença. trouxe à tona um capítulo inteiramente dedicado ao instituto da representação. aqui. quando o valor do contrato exceder o décuplo do maior salário mínimo vigente no país.” A licitude para a validade do negócio jurídico traduz a idéia de estar o objeto dentro do campo de permissibilidade normativa. Castellani se cogita de invalidade ou eficácia do fato jurídico. 2000. p. por força da adoção no C. Todavia. determinável. perfeito para o sistema que o concebeu. a prova escrita é necessária. Ao lado do negócio ad solemnitatem. ao menos. respeitar as leis naturais. diz-se que o negócio é ad solemnitatem. o que significa dizer não ser proibido pelo direito e pela moral.C. A modalidade suspensiva provoca a aquisição do . dando ensejo à incidência” (MELLO. pois estes podem estar limitados por elementos acidentais de declaração. Por fim. ou seja. ao negócio jurídico consigo mesmo. a realidade da existência. como regra geral. determinado ou determinável. suprindo omissão da legislação civil anterior. nos termos do art.

Dizem alguns. O C. Honeste vivere. 2) Termo – É o marco temporal que define o começo ou o fim dos efeitos jurídicos de um negócio jurídico. permite a extinção de seus efeitos na eventualidade de o fato previsto vir a acontecer. O termo pode ser suspensivo ou resolutivo. Adotou-se. Pode ser legal ou convencional. Neste sentido é a regra do art. O segundo corresponde ao dia em que cessam os efeitos do ato negocial. simplificadamente e generalizando. O encargo pode ser uma restrição no uso da coisa. prevê a hipótese de legado a termo inicial ou suspensivo. 3) Encargo ou modo – É a cláusula geradora de obrigação para a parte beneficiária em negócio jurídico gratuito e em favor do disponente. Ato ilícito Trata-se de um ato voluntário e consciente do ser humano. portanto. de cláusula contratual. Finalmente. o critério finalístico para a identificação do abuso de direito. já a resolutiva. bastando. 188 do CC).18 - . É um peso atrelado a uma vantagem (uma restrição). que transgride um dever jurídico. pela boa-fé ou pelos bons costumes. O primeiro. e não uma prestação correspectiva sinalagmática. conclui-se não ser imprescindível para o reconhecimento do abuso que o agente tenha a intenção de prejudicar terceiro. ou pode ser uma obrigação imposta àquele que é beneficiário. que é concedido pelo juiz no curso dos processos mediante dilação de prazo. São vícios de consentimento: a) Erro ou ignorância – Trata-se de uma falsa percepção da realidade.. O termo se caracteriza pela futuridade e certeza. uma vez realizado o negócio. 7. não a aquisição do direito. A doutrina registra ainda o termo de graça. na realidade. o total desconhecimento do declarante a respeito . a qual informa que o termo inicial suspende o exercício. a intenção pura e de boa fé que enuncia.C. suum cuique tribuere (viver honestamente. de estrutura obrigacional. Ele não instaura a relação jurídica. Defeitos do negócio jurídico Trata-se dos defeitos dos negócios jurídicos. 131. até porque se deve entender o direito como proteção do que é lícito. alterum non laedere. 6. Analisando o art. previstas em nosso direito positivo (art. de terceiro ou do interesse público. por seu art. também denominado inicial (dies a quo) é o dia a partir de quando os efeitos de um negócio jurídico começam a produzir. segundo a dicção legal. O primeiro decorre da lei o segundo. que se classificam em vícios de consentimento –aqueles em que a vontade não é expressada de maneira absolutamente livre – e vícios sociais – em que a vontade manifestada não tem. que exceda manifestamente os limites impostos pela finalidade econômica ou social. 1923. a legítima defesa e o estado de necessidade são causas excludentes de ilicitude.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI direito. 187 do C. vale observar que o exercício regular do direito.C. A conseqüência do ato ilícito é a do surgimento do dever de reparar o dano causado. que já existe. não prejudicar outrem. Ao lado e muito próximo do ato ilícito existe a figura do abuso de direito. atribuir-se o que é seu). que ilícito é tudo aquilo que é contrário ao direito. ao passo que a ignorância é um estado de espírito negativo.

refletindo sobre a economia ou na execução do contrato. Esta última. aproveitando ao autor do dolo ou a terceiro. c) Coação – Trata-se da violência apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar. o consilium fraudis (o conluio fraudulento) e o eventus damni (o prejuízo causado ao credor). pode ser um exemplo para esse vício. b) Dolo – Trata-se de um artifício ou expediente astucioso. A expressão “meu reino por um cavalo”. que a doutrina entende que a vis absoluta neutraliza completamente a manifestação de vontade. pressupõe negócio válido. daí a possibilidade de sua anulação. assim como de remissão de dívidas. respectivamente. o primeiro de natureza subjetiva e o segundo objetiva. Importante observar que a simulação deixou de ser uma causa de anulabilidade e passou a figurar entre as hipóteses de nulidade do ato jurídico.19 - . imprevisíveis pelas partes e a elas não-imputáveis. . Castellani das circunstâncias do negócio. praticado pelo devedor insolvente. exploradas indevidamente pelo locupletante. todavia. Cometti Fernando F. ou à beira da insolvência. a inexperiência ou a leviandade da parte lesada e o dolo de aproveitamento da parte beneficiada). já a teoria da imprevisão. com o propósito de prejudicar credor preexistente. e b) escusável (perdoável). São dois tipos de coação: física (vis absoluta) e moral (vis compulsiva).Coordenadores: Marcelo T. autorizarem a sua resolução ou revisão. O erro. O acidental leva a distorções comportamentais que podem alterar o resultado final do negócio. Importante notar. empregado para induzir alguém à prática de um ato jurídico que o prejudica. imaterial ou anímico (a premente necessidade. a quem não resta outra alternativa senão praticar o ato. Pode-se classificar o dolo em principal e acidental. b) Fraude contra credores – Consiste no ato de alienação ou oneração de bens. é aplicável quando a ocorrência de acontecimentos novos. da obra de Shakespeare. São eles. Suas características são: 1) a lesão só é admissível nos contratos comutativos. O principal é quando a causa determinante do negócio. em detrimento da lei ou da própria sociedade. em virtude da diminuição experimentada pelo seu patrimônio. diante da inexperiência ou necessidade. visando produzir efeito do ostensivamente indicado. Não se confunde a lesão. 2) a desproporção entre as prestações deve verificar-se no momento do contrato e não posteriormente. A lesão se compõe de dois requisitos: 1) objetivo ou material (desproporção das prestações avençadas). 3) a desproporção deve ser considerável. Dois elementos compõem a fraude. É um defeito que não vicia a vontade do declarante. uma vez que este se mancomuna de livre vontade para atingir fins espúrios. e não simplesmente anulável. entretanto. e 2) subjetivo. d) Lesão – Trata-se de um vício que permite a deformação da declaração de vontade por fatores pessoais do contratante. e) Estado de perigo . que tem seu equilíbrio rompido pela superveniência de circunstância imprevista e imprevisível. São vícios sociais: a) Simulação – È uma declaração enganosa de vontade. para ajustá-lo às circunstâncias supervenientes. A lesão é vício que surge concomitantemente com o negócio. com a aplicação da teoria da imprevisão. A distinção tem relevo para fins que o principal enseja a anulação do negócio e o acidental só pode levar às perdas e danos. decorrente do desenvolvimento teórico da cláusula rebus sic stantibus. por sua vez. só é considerado como causa de anulabilidade do negócio jurídico se for: a) essencial (substancial).Identifica-se como uma hipótese de inexigibilidade de conduta diversa. tornando o negócio jurídico inexistente. ante a iminência de dano por que passa o agente.

mesmo.O ato anulável atinge interesses superior. legalmente tutelados. denominada ação pauliana. contaminado de vício menos grave. enquanto aquele é estático e. assim. por 4. uma situação jurídica subjetiva. e esta não é cumprida.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A anulação do ato praticado em fraude contra credores dá-se por meio de uma ação revocatório. 6. causando lesão no direito subjetivo. 4. 6. em que ao poder de uma das partes corresponde ao dever da outra. fazer ou exigir de outrem determinado comportamento. a depender da natureza do interesse jurídico violado. então. NULIDADE ABSOLUTA NULIDADE RELATIVA 1. é correto dizer-se que o ato nulo (nulidade absoluta). A pretensão que nasce no momento em que o credor pode exigir a prestação. não se sujeitando ao argüida. Por sua vez. pressupõe. sinônimo de direito subjetivo. 5. de natureza cogente. 3. É verdadeira permissão jurídica. ainda. Prescrição Direito subjetivo é o poder que o ordenamento jurídico reconhece a alguém de ter. A esse direito de exigir chama a doutrina de pretensão. decadenciais de quatro (regra geral) ou dois (regra supletiva) anos. Sendo assim. o poder de exigir do devedor uma ação ou omissão. decorre de infringência de norma jurídica protetora de interesses eminentemente privados. ou. viola norma de ordem pública. em prazos prazo prescricional ou decadencial.Pode ser argüida pelas partes. é possível afirmar que o reconhecimento desses estados são formas de proteção e defesa do ordenamento jurídico vigente. nas relações jurídicas patrimoniais.Não admite confirmação.Pode ser reconhecida. É. Dentro dessa perspectiva.Opera-se de pleno direito. 9. portanto. Da infração desse dever resulta. salvo norma específica em sentido contrário. Nasce. A pretensão revela-se. e carrega em si vício considerado grave. é um poder concedido ao indivíduo para realizar seus interesses. com a qual não se confunde. 2. .Não se opera de pleno direito. Invalidade do negócio jurídico A previsibilidade doutrinária e normativa da teoria das nulidades impede a proliferação de atos jurídicos ilegais ou portadores de vícios. que permite a composição do dano verificado. pronunciada pelo juiz.20 - . a existência de um crédito. pela via judicial.Somente pode ser argüida pelos terceiro interessado.A ação declaratória de nulidade é 5. embora com conotação dinâmica. para outros. por influência do direito alemão. Representa a estrutura da relação poder-dever.A anulabilidade somente pode ser a qualquer tempo. para alguns. particulares.O ato nulo atinge interesse público 1.Admite confirmação expressa ou tácita. segundo o CC. 8. ou ainda. o ato anulável (nulidade relativa). como um poder de exigir de outrem uma ação ou omissão. um dano para o titular do direito subjetivo. 2.A ação anulatória é decidida por decidida por sentença de natureza sentença de natureza desconstitutiva declaratória. pelo MP. até legítimos interessados. 3. para esse titular.

a soma do tempo corrido contra o credor ao que flui contra o seu sucessor (art. Em se tratando de ato jurídico. isto é. Registre-se que os “relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes legais. A pretensão e a exceção prescrevem no mesmo prazo (art. c) as de exercício facultativo (ou potestativo). nos termos do art. mas se estende a terceiros favorecidos por ela. que derem causa à prescrição. que são imprescritíveis. a qualidade de cidadania. antes que se tenha consumado.21 - . Assim. A única conseqüência da tardia alegação da prescrição diz respeito aos ônus de sucumbência: são indevidos honorários advocatícios em favor do réu.167).). regra também aplicável à decadência por força do art. não prescrevem: a) as que protegem os direitos da personalidade. deixando para fazê-lo somente em grau de apelação. art. 193 que a prescrição pode ser alegada “pela parte a quem aproveita”. b) que não prejudique terceiro. O prazo. A sua função mais importante é a de traduzir uma legitimação material para exigir uma prestação determinada. é nas obrigações que ele encontra a sua natural aplicação. A argüição não se restringe. em que não existe direito violado. afirmando que a prescritibilidade é a regra e a imprescritibilidade a exceção. a condição conjugal). ou não a alegarem oportunamente” (art. na oportunidade da contestação. pois. Pode-se dizer. 191 não admite a renúncia prévia da prescrição. b) as que se prendem ao estado das pessoas (estado de filiação.Coordenadores: Marcelo T. 195). regra que deve ser acolhida pela doutrina e jurisprudência. é permitida. 190). c) o decurso do prazo fixado em lei. em virtude da inércia de seu titular. em tese. 22 do CPC. que a prescrição tem como requisitos: a) a violação do direito. b) a inércia do titular. se este deixou de alegar a prescrição de imediato. 1. Diz o mencionado art. no prazo previsto pela lei (art. a de pedir meação no muro vizinho. . que é perpétuo (reivindicatória). abdicar do direito de alegar esta defesa indireta de mérito (a prescrição) em face de seu credor. ao prescribente. E com o principal prescrevem os direitos acessórios (art. A prescrição é a perda da pretensão. Finalmente. isto é. 196). d) as referentes a bens públicos de qualquer natureza. As mesmas causas ora impedem. f) as pretensões de reaver bens confiados à guarda de outrem. ora suspendem a prescrição. Cometti Fernando F. 189 do C. O art.C. entendendo que estão subordinadas a uma unidade fundamental. dependendo do momento em que surgem. a accessio praescriptionis. Renunciar à prescrição consiste na possibilidade de o devedor de uma dívida prescrita. Castellani Embora a pretensão seja um conceito técnico jurídico aplicável às várias espécies de relações jurídicas. Assim. desse modo. penhor ou mandato. 189 e art. O Código Civil agrupou as causas que suspendem e impedem a prescrição em uma mesma seção. pois. com o nascimento da pretensão. consumado o prazo prescricional e sem prejuízo a terceiro. como as destinadas a extinguir o condomínio. 167 do CC/16). e) as que protegem o direito de propriedade. requer a capacidade do agente. não se inicia novamente. a título de depósito. g) as destinadas a anular inscrição do nome empresarial feita com violação de lei ou do contrato (CC. pois a renúncia à possibilidade de alegar a prescrição pode acarretar a diminuição do patrimônio do devedor. dois são os requisitos para a validade da renúncia: a) que a prescrição já esteja consumada. também. 208 do CC. o que a relaciona intimamente com o direito processual civil. Terceiros eventualmente prejudicados são os credores. Importante observar que existem pretensões imprescritíveis.

ela se verificará pela maneira mais favorável ao devedor. constituindo. a qual recebe o nome de caducidade. Qualquer ato de exercício ou proteção ao direito interrompe a prescrição. em sentido amplo. § 1º). Desse modo. portanto. significa extinção de direitos em . de um comportamento ativo do credor. a causa ou obstáculo impede que comece. 202. caput. o de aceitar ou não herança. como foi mencionada. expressamente declara que a interrupção da prescrição “somente poderá ocorrer uma vez”. aproveita aos outros. que volta a correr por inteiro. não há lesão. essa vantagem para o titular do direito subjetivo ofendido corresponde às desvantagens para o prescribente. art. ou do último ato do processo para a interromper” (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Impedimento da prescrição é o obstáculo ao curso do respectivo prazo. 204 do CC). Sempre que possível a opção. não prejudica os demais coobrigados (art. dá-se a suspensão. igualmente. 10. não há pretensão. aproveitando-se o tempo anteriormente decorrido. São direitos potestativos o do patrão dispensar o empregado. 204. ou seu herdeiro. A interrupção por um dos credores solidários. A restrição é benéfica. não há o seu descumprimento. Decadência Existem direitos subjetivos que não fazem nascer pretensões. parágrafo único).A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros. a interrupção operada contra o co-devedor. dilatando-se o período para composição do dano.22 - . São efeitos da interrupção da prescrição: 1. O efeito da interrupção da prescrição é. começando a correr novo prazo.Inutiliza-se todo o tempo prescricional decorrido. a suspensão é a cessação temporária do curso do prazo prescricional sem prejuízo do tempo já decorrido. se o prazo ainda não começou a fluir. Se. o do doador revogar a doação simples. Assim. Consequentemente. que vê retardado o benefício que lhe poderia advir da prescrição. Cessando as causas suspensivas. assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros (CC. Esta. entretanto. E não havendo dever. cujo prazo volta a fluir somente pelo tempo restante. diversamente da suspensão da prescrição. inutilizando o já decorrido A interrupção depende. extinguindo o tempo já decorrido. para não se eternizarem as interrupções da prescrição. instantâneo: “A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu. diferentemente da suspensão. São direitos potestativos. antes do seu início. 3. que decorre de certos fatos previstos na lei. modificando ou extinguindo uma situação subjetiva sem que esta possa fazer alguma coisa se não sujeitar-se. O lado passivo da relação jurídica limita-se a sujeitar-se ao exercício de vontade da outra parte. 202. o obstáculo surge após o prazo ter iniciado.O direito subjetivo atingido é beneficiado pela interrupção. Constitui-se em um fato que não permite comece o prazo prescricional a correr. o de aceitar ou não a proposta de contratar. 2. porque destituídos dos respectivos deveres. O art. a prescrição continua a correr. em regra. Interrupção da prescrição é o fato que impede o fluxo normal do prazo. O tempo limita o exercício dos direitos potestativos pela inércia do respectivo titular. O direito potestativo é o poder que o agente tem de influir na esfera jurídica de outrem.

pois. ainda. sendo de admitir-se. 210). extinguindo-o e pondo a termo ao estado de sujeição existente. pois não se suspendem. Cometti Fernando F. desde que se trate de matéria de direito disponível e não haja fraude às regras legais. Em princípio. como meio de defesa”. Seu fundamento é o princípio da inadmissibilidade de conduta contraditória.23 - . não a sua exigibilidade. No caso de decadência legal. os prazos decadenciais são fatais e peremptórios.Coordenadores: Marcelo T. A decadência é estabelecida em lei ou pela vontade das partes em negócio jurídico. a contrario sensu. O respectivo prazo é rigidamente fixado. em que este só corre da lesão do direito subjetivo. o exercício do direito potestativo. A inserção da expressão “salvo disposição em contrário” no aludido dispositivo tem a finalidade de definir que tal regra não é absoluta. o prazo começa a correr no momento em que o direito nasce. Prescreve o art. isto é. sem possibilidade de interrupção ou suspensão. não se aplicam à decadência as normas que impedem. nem se interrompem. No caso de decadência convencional. Sendo matéria de ordem pública. o interessado. em uma limitação que a lei estabelece para o exercício de um direito. 207 que salvo disposição legal em contrário. Castellani geral. e em sentido restrito. art. suspendem ou interrompem a prescrição. a decadência não é “suscetível de oposição. portanto. ser válida a renúncia à decadência estabelecida em negócio jurídico pelas partes. direito e termo inicial do prazo. mas o juiz não pode suprir a alegação. . portanto. Na decadência. simultaneamente. própria da prescrição. deve o juiz conhece-la de ofício (CC. dispõe a lei (CC. Aplica-se às relações que contêm obrigações. O que se tem em mira é. e também menor do que o da prescrição. surgindo. art. 209) que é nula a renúncia à decadência fixada em lei. pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição. o que não ocorre na prescrição. bem como de esclarecer que não são revogados os casos de um eventual dispositivo especial. sendo objeto de ação constitutiva. A decadência traduz-se. a parte a quem aproveita. Enquanto a prescrição deve ser alegada pela parte interessada. perda dos direitos potestativos quando toma o nome de decadência.

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ou se tais declarações não fizer.C. a capacidade e os direitos de família”. etc. Noção de residência e morada Não se confundem com o domicílio a morada e a residência. em regra. 72 do CC). o fato de localização para efeito das relações jurídicas. Em ambos os casos é mister a concorrência dos requisitos do ânimo (psíquico) e da residência (material). é ainda o domicílio que determina o local onde a pessoa. Nos termos do art. o nome. 2004. habitualmente.). terá de cumprir suas obrigações (art. Todavia.Coordenadores: Marcelo T. dispensando-se aos que tenham interesse em encontrá-lo o esforço e a incerteza de andarem à sua procura por caminhos instáveis” (Caio Mario da Silva Pereira.) e ainda. Cometti Fernando F.C. A mudança de domicílio opera-se com a transferência da residência aliada à intenção manifesta de alterá-lo. ou seja. parágrafo 2º do CPC. não possuam o requisito material do domicílio. e para onde vai. Segundo o art. 70. no sentido da exigibilidade. que o domicílio importa em traduzir “o elemento de fixação espacial do indivíduo. Noção Geral A noção de domicílio desempenha papel relevante para o Direito. p. para caracterizar esta relação transitória de fato. em habitação. a) Morada – É o lugar onde a pessoa se estabelece provisoriamente. 73 do CC e no art. da . Confunde-se com a noção de estadia que é a mais tênue relação de fato entre uma pessoa e um lugar tomada em consideração pela lei. segundo a qual aquele que cria aparências de um domicílio em um lugar pode ser considerado pelo terceiro como tendo aí seu domicílio (ex. uma sede estável da pessoa. Rio de Janeiro: Forense. andarilhos. Instituições de Direito Civil – Introdução ao direito civil. da LICC a “lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. ou seja. 70 do CC o domicílio da pessoa natural é o lugar onde estabelece residência com ânimo definitivo. profissionais de circo. a indicação de um lugar onde o indivíduo está. deve estar ou presume-se que esteja. convertendo-o. Aspectos gerais do domicílio da pessoa natural O domicílio é o lugar de exercício dos direitos e cumprimento das obrigações. b) Residência – Trata-se de um lugar que pressupõe mais estabilidade. A prova da intenção resulta do que declarar a pessoa às municipalidades do lugar que deixa. Castellani CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO 1. inclusive com uma técnica para destacar a pluralidade domiciliar residencial (art. Fala-se também. onde será aberta a sucessão hereditária (art. 94. ciganos.) A aplicação legal desta teoria encontra-se no art. a exata compreensão desses conceitos é fundamental para esclarece a matéria de maneira apropriada. 2.25 - . Para as pessoas que não tenham residência certa. conclui-se. 327 do C. 373). É o lugar onde a pessoa natural se estabelece habitualmente. 1785 do C. 3. tendo em vista que todas as situações descrevem um tipo de relação que uma pessoa natural estabelece com um lugar. O ordenamento jurídico brasileiro adota o conceito da pluralidade domiciliar. elaborou-se a teoria do domicílio aparente ou ocasional. 71 do CC) da pluralidade domiciliar profissional (art. em centro principal de seus negócios jurídicos ou de sua atividade profissional. Diante disso.

contrato social ou ato constitutivo equivalente. que este dispositivo somente pode ser invocado em relações jurídicas em que prevaleça o princípio da igualdade dos contratantes e de sua correspondente autonomia de vontade. em que praticou o ato” (súmula 363). ao considerar como seu domicílio “o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações”. Se não houver essa fixação.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI própria mudança. 76 do CC. e. 75. parágrafo 2º. . a sede do comando a que se encontra imediatamente subordinado. ou. IV. uma vez que a falta de declaração não acarreta sanção alguma ao omitente. poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve (art. com as circunstâncias que a determinaram. que fixa residência em um determinado local. sendo da Marinha ou da Aeronáutica. o militar que responderá civilmente no lugar onde serva. citado no estrangeiro. indicada em seu estatuto. “cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados” (art. 4. por sua vez. O agente diplomático. o Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento no sentido de que “a pessoa jurídica de direito privado pode ser demandada no domicílio da agência. sito no Brasil. Se a administração ou diretoria da pessoa jurídica de direito privado tiver sede no estrangeiro. do CC). o do marítimo que é lugar onde o navio estiver matriculado. Suas hipóteses estão descritas no parágrafo único do art. porém. o do preso que é o lugar onde estiver cumprindo pena. É o seu domicílio especial. 77 do CC). Aliás. b) De eleição ou especial – Decorre do ajuste entre as partes de um contrato. em atenção à condição especial de determinadas pessoas. Trata-se de norma jurídica imperfeita. 51. sendo elas: o do menor que terá o domicílio do seu representante legal. Tal regra encontra assento no art. e. então. que. por violar o disposto no art. 74 do CC. c) Necessário ou legal – Decorre de mandamento da lei. o servidor público cujo domicílio é o lugar em que exerce permanentemente suas funções. a lei atua supletivamente. ou do estabelecimento. Vale destacar. 75. será considerado seu domicílio. no tocante às obrigações contraídas por qualquer de suas agências. com ânimo definitivo. IV e parágrafo 1º. Vale notar que na dinâmica do CDC considera-se ilegal a cláusula contratual que estabelece o foro de eleição em benefício do fornecedor. do CC). Espécies de domicílio O domicílio poderá ser: a) Voluntário – Decorre do ato de livre vontade do sujeito. o seu domicílio. a que ela corresponder” (art. Aspectos gerais do domicílio da pessoa jurídica O domicílio da pessoa jurídica de direito privado é a sua sede. alegar extraterritorialidade sem designar onde tem.26 - . “o lugar do estabelecimento. Não sofre interferência legal este tipo de domicílio. se possuir filiais em diversos lugares. finalmente. 5. do CDC. no país.

Cometti Fernando F. deixando de utilizar-se do termo “bem”. perceptível pelos sentidos (móveis. mediante uma individualização existencial criado por um critério econômico-social. ou seja. 1990. No sentido econômico. introduzida expressamente no ordenamento pátrio pela Lei 10. ou através da consideração do bem isoladamente. Tal renda básica de cidadania nada mais é do que uma projeção do patrimônio mínimo dos indivíduos. noutras palavras. ão ao Direito Civil. ou seja. Patrimônio Numa acepção clássica o patrimônio é a constituição econômica da pessoa natural ou jurídica.. pela própria lei. um complexo de direitos e obrigações entrelaçados por relações jurídicas. cunhando alguns autores a expressão “patrimônio moral” e também a teoria do patrimônio mínimo desenvolvida por Edson Fachin. 2. Ed. 1. Na parte especial. suscetíveis de avaliação econômica. é possível afirmar que a expressão “bem” utilizada pelo legislador na parte geral tem significado amplo e pode ser utilizada em diferentes acepções. num sentido de raridade. nem podem ser cedidos. infelizmente a doutrina nem sempre está acorde sobre o conceito de bem correspondente ao de coisa. Introdução ao Direito Civil. Para explicar o conceito de bem. as coisas. como feito na parte geral. ideal. incorpóreos são aqueles que têm existência meramente abstrata. como os direitos de família e os direitos puros de personalidade. bens de composição obrigatória em seu patrimônio para garantir alimentação.27 - .bens considerados em si mesmos: a) Corpóreos são aqueles que têm existência física (material). exige a reunião de três qualidade: a) economicidade. Introdução Sob um prisma de técnica legislativa das expressões. permutabilidade. a qual alicerça a noção de piso vital ou mínimo existencial. Modernamente a noção de patrimônio está ligada diretamente à personalidade do indivíduo. pode-se considerar como bem a utilidade física material ou imaterial que pode servir de objeto de uma relação jurídica. os débitos. 10ª. Ed. os créditos. Em síntese. as quais têm como objeto os bens.Coordenadores: Marcelo T. 10ª. Rio de Janeiro. quando trata de propriedade e de seus desdobramentos. direitos autorais). imóveis). está englobado o complexo de direitos reais e obrigacionais de uma pessoa. escassez empregado por outros doutrinadores. p.835/04 que trata da renda básica de cidadania. se é mais ou menos amplo do que esse. .. ex. Castellani CAPÍTULO V – DOS BENS 1. sob três aspectos: de acordo com sua titularidade. ficando de lado todos os outros que não têm valor pecuniário. excluídas aquelas que não podem merecer a qualificação patrimonial. e limitatividade. Já num enfoque dogmático. ou seja. por meio de comparação com outros bens. são considerados bens apenas as utilidades com valor pecuniário. Para efeitos jurídicos. a “representação econômica da pessoa”. 207). Orlando Gomes (ORLANDO GOMES. a possibilidade de transito jurídico através de relação estabelecidas entre os seus titulares (posse e domínio). fala em coisa. educação e a saúde como projeção concreta do fundamento da dignidade da pessoa humana. Nesta idéia. jurídica (p. Classificação dos bens Os bens se classificam.

embora não se pudesse falar. a lei opta por tratar determinados bens como imóveis. são considerados imóveis para efeitos legais: os direitos reais sobre imóveis e as ações que os assegurem e o direito à sucessão aberta. ou de remoção por força alheia. por força própria ou externa. 2. A importância da distinção entre bens móveis e imóveis é verificada em vários aspectos. de acordo com o art. De acordo com o art. 3.por acessão física. 3. 1647.Por acessão intelectual ou por destinação do proprietário. “os bens suscetíveis de movimento próprio (semoventes). 79 do CC são “o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente”. Não existe a possibilidade de aquisição de bens incorpóreos por meio de usucapião. e em relação aos imóveis poderão ser objeto de hipoteca. Trata-se das hipóteses previstas no art. maquinários agrícolas. etc. Os bens móveis.Por sua própria natureza: são aqueles que podem ser transportados sem deterioração de sua substância. escada de emergência. Exemplo: árvores destinadas a corte. separadas do solo. mas em relação aos imóveis exige escritura pública para os bens de valor superior a 30 salários mínimos. quanto aos bens móveis a exigência não existe. construções.). 82.Por natureza: solo e tudo que nele se incorporar naturalmente (subsolo. 2. os bens móveis podem ser oferecidos em penhor. sem alteração de sua substância ou da destinação econômico-social”. sob pena de anulabilidade do ato (art. podem ser classificados em: 1. serão sempre considerados bens infungíveis. Os bens materiais são transferidos por meio de contrato de compra e venda ou doação. 3. casa de madeira) e os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele reempregarem. 4.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A importância da distinção reside no fato de haver diferença para a transmissão. b) Imóveis (ou bens de raiz). A doutrina esclarece que são aqueles que não se podem transportar sem alteração de sua essência. árvores. Pelo novo CC são chamados de pertenças (art. por sua vez. com a ressalva de que a autorização não será exigida se o regime de bens for de separação absoluta). c) Fungíveis são os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie. é possível que sejam tratados num determinado negócio como bens fungíveis. 81 não perdem o caráter de imóveis as edificações que.Por determinação legal: Por imperativo de segurança jurídica.Quanto à forma de alienação: é livre em relação aos móveis. espaço aéreo. os imateriais por cessão. forem removidas para outro lugar (ex. 80. 93). qualidade e quantidade. em princípio. mas conservando sua unidade. Infungíveis são os insubtituíveis. ar-condicionado.Por antecipação: São aqueles bens que. 2. de sua substância. Móveis são.28 - . . 1. 83 do CC. Ex. industrial ou artificial: é tudo que o homem incorporar permanentemente ao solo (sementes.Quanto à necessidade de autorização do cônjuge: Via de regra as negociações relacionadas aos bens imóveis exige anuência do cônjuge. embora sejam bens incorpóreos. Nos termos do art. em razão de sua natureza. segundo o art. armários embutidos). Os imóveis podem ser: 1. edifícios). Porém.Por determinação legal: Também há bens que são considerados móveis em razão da vontade do legislador. embora ainda incorporados ao solo são destinados a ser destacados e convertidos em móveis. Os imóveis. em bens móveis ou imóveis. que constituem uma categoria de bens acessórios.Outro aspecto da distinção reside no tipo de direito real de garantia que poderá ser constituído sobre o bem: em regra.

independente dos demais. considerados em conjunto. bem como aqueles que são destinados à alienação. que tem existência própria (ex. os quais podem ser públicos ou particulares. sem destruição imediata de sua substância. São os bens públicos que não são afetados a uma atividade pública específica. que é a pluralidade de bens singulares com destinação unitária. quando suas partes componentes encontramse ligadas naturalmente. patrimônio. São aqueles bens públicos que se destinam especialmente à execução dos serviços públicos e são utilizados exclusivamente pelo poder público. se consideram de per si. territorial ou municipal. dotadas de valor econômico e que por isso. inclusive os de suas autarquias.Pertenças: São os bens móveis que são afetados de forma duradoura ao uso. serviço ou aformoseamento de outro bem. Os bens acessórios podem ser de vários tipos: 1. sem que sejam considerados suas partes integrantes (art. Castellani d) Consumíveis são os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância. 92) é aquele que existe por si mesmo.Os dominicais. nos termos da lei. 26 do CDC (bens duráveis e não duráveis) e que envolve tempo maior ou menor do consumo de determinado bem. que é um direito real de gozo ou fruição que só pode recair sobre bens inconsumíveis.Coordenadores: Marcelo T. ou as universalidades. Inconsumíveis são aqueles que admitem uso reiterado. petróleo) 3. ou de direito.Os de uso especial.Frutos: São as utilidades que a coisa principal periodicamente produz e cuja percepção não diminui a sua substância. Os bens singulares podem ser: simples. formam um todo homogêneo. o solo). Acessório é aqueles cuja existência supõe a do principal. a ordem jurídica atribui caráter unitário (espólio. O bem principal (art. 3. A universalidade pode ser de fato. será chamado de quase-usufruto ou usufruto impróprio. quando seus elementos são unidos por ato humano. estradas. com o propósito de conservá-la (benfeitorias necessárias). aqueles que são compostos por vários bens singulares. Cometti Fernando F. É indiferente para a caracterização dos bens de uso comum que o uso seja gratuito ou retribuído. já os dominicais podem ser alienados. Os bens de uso comum e os de uso especial são inalienáveis. que.Os de uso comum do povo. Costuma-se dizer que são as utilidades que nascem e renascem. e) divisíveis e indivisíveis f) Singulares são os bens que. ruas e praças.29 - . 2. compostos. A importância desta classificação encontra-se no usufruto. Bens reciprocamente considerados: De acordo com esta classificação os bens podem ser principais ou acessórios. o usufruto for instituído sobre bens consumíveis. Os bens coletivos. pó um acaso. que é o complexo de relações jurídicas de uma pessoa. e que não se renovam (pedras. Etc. embora reunidos. por sua vez. melhorá-la (benfeitorias úteis) ou embelezá-la (benfeitorias voluptuárias). ainda que haja possibilidade de sua destruição em decorrência do tempo. são. tais como rios. diminuindo-lhe a quantidade. A presente classificação não se confunde com aquela que consta do art. 93). 99): 1. mares.Produtos: São as utilidades que se retiram da coisa. 3. 2. metais. massa falida).Benfeitorias: São obras ou despesas realizadas pelo homem na estrutura da coisa principal. 4. universais. que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público.bens quanto à titularidade do domínio: A lei classifica os bens de acordo com sua titularidade. tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal. Existem três classes de bens públicos (art. . Se. estadual.

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4. a obrigação se identifica com qualquer espécie de dever moral. O objeto é a prestação (dar. Seus elemento são: os sujeitos. Castellani TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 1. A prestação deve ter conteúdo patrimonial e ser lícita. os juristas utilizam. O débito é o dever jurídico de pagar. O comprador deve pagar o preço. O crédito é o direito visto sob o prisma do sujeito ativo da relação jurídica. que recai sobre o sujeito passivo da relação jurídica. Vínculo obrigacional Um vínculo obrigacional pode criar uma ou diversas obrigações. a palavra “obrigação” como sinônimo de dever jurídico. olvidando a sua significação técnica e dogmática. Acepções da obrigação Em sentido lato. Conceito e elementos Obrigação é a relação jurídica em virtude da qual uma ou mais pessoas determinadas devem.31 - . Por outras palavras: Obrigação é o vínculo jurídico temporário pelo qual a parte credora (uma ou mais pessoas) pode exigir da parte devedora (uma ou mais pessoas) uma prestação patrimonial e agir judicialmente ou mediante instauração de juízo arbitral sobre o seu patrimônio. vínculos obrigacionais que se limitam a criar uma obrigação e outros que criam diversas obrigações derivadas do mesmo negócio jurídico. ao contrário. na forma estabelecida pelas cláusulas contratuais. Cometti Fernando F. 3. existem várias obrigações de ambas as partes. Mesmo no campo do direito. Já. o objeto e o vínculo jurídico. uma prestação de caráter patrimonial. possível e determinada ou determinável. assim. se não for satisfeita espontaneamente.Coordenadores: Marcelo T. Os sujeitos são: a parte credora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas) e a parte devedora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas). Assim. O direito alemão conserva expressões distintas para indicar a relação de débito – Schuldverhältnis – e os direitos de crédito – Forderungsrechte. num contrato de compra e venda. em favor de outra ou de outras. Há. religioso ou jurídico. algumas vezes. fazer ou não fazer alguma coisa). num mútuo sem juros. 2. social. que é a de devolver a quantia emprestada. para uma ou para as diferentes partes interessadas. . Crédito e débito Em toda obrigação existem um lado positivo – o crédito – e um lado negativo – o débito. a relação jurídica existente cria apenas uma obrigação para o mutuário. O vendedor deve entregar a coisa e responder no caso de evicção.

32 - . dois momentos distintos: o do débito (Schuld). pode pedir ao juiz que execute tantos bens do devedor quantos forem necessários para a satisfação do seu débito. em benefício de outra. da indenização pelos prejuízos causados em virtude do inadimplemento da obrigação originária na forma previamente estabelecida. a responsabilidade é derivada do inadimplemento de dever jurídico e autoriza a ação do credor. lícita. constituindo a violação ou o descumprimento de um dever jurídico. com as mesmas características da obrigação. O inadimplemento da obrigação. O dever de prestar surge do débito. Enquanto a obrigação é originária e depende de ato do devedor para a sua extinção. sobre os bens do devedor. e o da responsabilidade (Haftung). a questão poderá ser resolvida por arbitragem. que denominamos responsabilidade. não pagar ou já tendo o credor um título. Não ocorrendo o pagamento voluntário. e se. podemos afirmar que o conteúdo da obrigação deve ser uma prestação possível. que discriminou. a ação judicial sobre o patrimônio surge da responsabilidade ou da garantia. A distinção entre obrigação e responsabilidade foi feita por Brinz na Alemanha. não pode reaver o pagamento feito conscientemente. implica a criação de uma relação jurídica secundária ou derivada. e um fim secundário: sujeitar o patrimônio do devedor que não a satisfaz. Débito e responsabilidade A obrigação tem um fim primário: a prestação. desde que estabelecida cláusula compromissória entre as partes. A impossibilidade pode ser física ou jurídica. 7. na relação obrigacional. Obrigações naturais São as que não podem ser reclamadas em juízo. para obter a condenação do devedor ao pagamento. A prestação deve ser possível.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 5. na qual se faculta ao credor atacar e executar o patrimônio do devedor a fim de obter o pagamento devido ou uma quantia equivalente acrescida das perdas e danos. recaindo sobre pessoa determinada (direito relativo) e de caráter patrimonial. 814 do Código Civil A obrigação natural confere hoje juridicidade à obrigação moral e ao dever de consciência reconhecidos e cumpridos pelo devedor. relativamente a um bem (coisa ou serviço) que se encontra no patrimônio do devedor. que recai sobre uma pessoa. agora tratadas no art. Ademais. por ser dever jurídico. ou recorrer à máquina judiciária do Estado. absoluta e objetiva ou relativa e subjetiva. por intermédio do Estado ou mediante instauração de juízo arbitral. física e legalmente. após a condenação. ou seja. surge a responsabilidade. determinada ou determinável e possuindo expressão econômica. posteriormente. consistindo na obrigação de realizar a prestação e dependente de ação ou omissão do devedor. Características da prestação Definida a obrigação em sentido técnico como um vínculo jurídico de caráter patrimonial. originária ou superveniente. 6.A idéia de obrigação imperfeita ou natural também é válida para as dívidas de jogo e de aposta. embora lícitas. A prestação é o comportamento do devedor que aproveita ao credor e por este pode ser exigido. que. e o credor pode ir a juízo. A impossibilidade é objetiva ou absoluta quando existe para todos os membros da . pois já afirmavam os romanos que ad impossibilia nemo tenetur.

qualquer lesão de direito pode ser avaliada em dinheiro. A prestação deve ser determinada ou determinável. de ressarcir os danos decorrentes do não-cumprimento da obrigação assumida. atualmente. fazer e não fazer. ou seja. A coisa deve ser entregue com os seus acessórios. cabe notar que. ainda que mais valiosa (art. . os contornos de cada uma sejam perfeitamente definidos. Indaga-se. não se possa resolver em perdas e danos. salvo convenção em contrário das partes (art. havendo autores que condenam a distinção. denominada novação objetiva (do objeto). e os casos fortuitos ou de força maior em que. por motivos físicos ou em virtude de lei. em muitos casos surgem dúvidas quanto à natureza da obrigação. Obrigações de dar coisa certa e coisa incerta A obrigação de dar pode abranger coisa certa ou coisa incerta.Coordenadores: Marcelo T. todos os riscos correm por conta do tradens que tem a propriedade do bem. É o princípio romano que encontramos em sentença de Paulo. A obrigação negativa importa numa abstenção. fixados em dinheiro. uma vez que não se considera obrigação o dever jurídico que. Ao contrário. Embora. Até a tradição. enquanto a obrigação de fazer importa na realização de atos ou serviços no interesse do credor. em não praticar algum ato. 9. com a aceitação do dano material ou moral. Cometti Fernando F. a impossibilidade relativa ou subjetiva é a que só ocorre para o sujeito passivo da relação jurídica. 8. a obrigação se resolve para os interessados. Obrigações positivas e negativas As obrigações são positivas quando a prestação do devedor implica dar ou fazer alguma coisa e negativas quando importam numa abstenção. no caso de inadimplemento. Se a coisa certa devida se perder. mas não para todas as pessoas. 313 do CC). à primeira vista. A obrigação de dar consiste em transferir a posse ou transmitir a propriedade de um objeto ao credor. antes da tradição e sem culpa do devedor. É tradicional a distinção entre obrigações de dar. assim. extinguindo-se todos os seus efeitos. Quando a impossibilidade objetiva é superveniente ou posterior à relação jurídica. e importa o dever. A entrega de objeto diverso do prometido importa em modificação da obrigação. que só ocorre havendo consentimento de ambas as partes. que ainda é feita pelo CC. Castellani coletividade. Tal impossibilidade importa em nulidade da obrigação. de acordo com o qual aliud pro alio invito creditore solvi non potest. não podendo ficar ao exclusivo arbítrio do devedor. hipótese na qual ele responde pelas perdas e danos. a obrigação se tornou impossível ou ilícita. é preciso destacar o caso em que houve mora do devedor. A obrigação de dar coisa certa surge quando a prestação é de objeto específico e individualizado A lei esclarece que o credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber outra.33 - . excluindo-se pois a sua responsabilidade. se são obrigações de dar ou de fazer a de lavrar escritura definitiva de um imóvel e a de justificar o pagamento de certos impostos que em virtude de contrato são da responsabilidade do locatário. 233 do CC). sem culpa do devedor. mesmo sendo de valor inferior. Embora a doutrina entenda imprescindível o conteúdo econômico. e não pode exigir do devedor outra coisa. A importância prática da classificação decorre da regulamentação legal tradicionalmente diferente com referência às obrigações de fazer e às obrigações de dar. para o inadimplente.

Em caso de deterioração do objeto. ainda que por força maior. o CC. num non facere. 246 do CC esclarece que. Dando a coisa frutos antes da tradição. O art. 237. resolvendo a obrigação se o credor não anuir (art. o credor pode exigir o equivalente em dinheiro ou aceitar o objeto com abatimento do preço. desde que só ele possa realizá-la. Obrigações de não fazer As obrigações ainda podem ser omissivas. o credor dele poderá exigir o valor em dinheiro do objeto acrescido das perdas e danos (art. 237 do CC). o devedor indenizar o credor por perdas e danos (art. “antes da escolha. parte final. Havendo culpa do devedor. não lhe sendo lícito. em sentido estrito. ou de ordem psíquica. passando os frutos pendentes à propriedade do credor (art. nem sendo obrigado a dar as melhores unidades (art. O CC prevê a possibilidade de o credor valer-se de execução da obrigação por terceiro (execução in natura). Obrigações de fazer A prestação de fazer pode ser um ato de ordem física. Nas obrigações de dar coisa incerta. à custa do devedor.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se a perda ou destruição da coisa for oriunda de culpa do devedor. a propriedade do bem pertence. em virtude da qual a escolha caberá ao devedor. 247 do CC). tem o credor uma opção entre solver a obrigação ou aceitar a coisa. Como regra geral. sem culpa do devedor. todavia. por força do contrato ou em razão de reputação profissional ou de habilidades pessoais. quando for possível e desde que ela não seja personalíssima. enquanto. na obrigação de restituir. Na falta de cláusula contratual. seja a terceiro. A aplicação desta hipótese pressupõe urgência para que possa ser realizada independentemente de autorização judicial. importando numa abstenção. se a prestação não for realizada. o credor tem direito real sobre o bem que está legalmente em poder do devedor. em ambos os casos. indenização pelas perdas e danos (art.34 - . seguindo a sistemática do Código de 1916. e art.). existe uma norma supletiva. até a tradição ou a transcrição. 10. 244 do CC). Se a coisa sofrer melhoramentos ou passar a ter acrescidos até a tradição. mesmo na hipótese de destruição ou perda do objeto em virtude de caso fortuito ou força maior. com direito a reclamar. do CC). Nada impede que as partes convencionem a obrigação do devedor de ressarcir os danos. abatendo do seu preço o valor que perdeu. 236 do CC). Na obrigação de dar. parágrafo único. A incerteza da coisa não significa indeterminação. cabem ao devedor. mas determinação genericamente feita. O conteúdo da obrigação definirá o grau de pessoalidade que o credor tenha desejado. a escolha dos exemplares que deverão ser fornecidos. escolher a pior qualidade. A obrigação de dar coisa incerta consiste em fornecer certa quantidade de unidades de determinado gênero e não uma coisa especificada. o devedor poderá exigir um aumento do preço. 11. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. . 627 do CPC). ou caso fortuito”. As partes têm a mais ampla liberdade de atribuir seja a um dos contratantes. o primeiro problema que surge é o referente à escolha das unidades a serem entregues. 234 do CC. ao devedor. embora haja diferença na situação do credor nos dois casos. Entre as obrigações de dar coisa certa. 238 e s. trata da obrigação de restituir (art.

a obrigação contém mais de uma prestação. mas pode pedir uma indenização e. é considerada simples (por exemplo: o vendedor se obriga a entregar ao comprador o livro vendido). todavia. independente de autorização judicial. 250 do CC). Nas obrigações alternativas. desfazer ou mandar desfazer. se a sua natureza o permitir (art. e o cumprimento de uma única prestação extingue a obrigação. do CC). O negócio jurídico indica normalmente. uma pessoa. deve ressarcir o dano causado ao credor. Se a obrigação consiste em não vender determinados artigos. culposamente. a abstenção se torna impossível. sem culpa do devedor. que concede o direito de escolha ao devedor. extingue-se a obrigação (art. o credor ou devedor a quem couber a . por conta do devedor. se obriga a deixar de praticar algum ato. Nas primeiras. em casos de urgência. restringindo a sua própria liberdade e os direitos que a lei lhe assegura. o credor pode mandar destruir a obra. a quem cabe escolher a prestação a ser executada (in solutione) entre as diversas possíveis (in obligatione). o credor não pode desfazer as vendas realizadas. 252. Se o devedor se recusar. em virtude de cláusulas contratuais. 13. infringe a obrigação de não fazer e pratica o ato vedado. 252. todas as prestações abrangidas pela obrigação devem ser executadas. No silêncio das partes. § 2º. Assim. aumentando as garantias e as perspectivas de cumprimento da obrigação para o credor. podendo ainda este exigir que o devedor desfaça à sua custa o ato praticado. no caso de obrigações alternativas. 251 do CC). Cometti Fernando F. nos termos do art. 251. Quando. fixar uma multa que o devedor será obrigado a pagar enquanto infringir a obrigação por ele assumida (arts. por uma prestação única escolhida na forma do contrato ou da lei (plures res sunt in obligatione. una autem in solutione). deve ser realizada no prazo estabelecido pela convenção. o credor pode exigir do devedor que desfaça a construção levantada além do mencionado gabarito e pague as perdas e danos. existe pluralidade de pretensões. parágrafo único). Obrigações cumulativas e alternativas Nas obrigações compostas. obrigar o credor a receber parte de uma prestação e parte de outra (art. ou seja. na execução. Se o devedor. A escolha da prestação que será cumprida. devendo ser posteriormente ressarcido do devido (art. Se. Obrigações simples e compostas A obrigação pode ter um ou vários objetos. mediante ação própria. 252. em virtude de cláusulas contratuais. do CC. A finalidade da prestação alternativa é dar maior liberdade de escolha ao devedor. existem duas ou mais formas pelas quais a obrigação pode ser satisfeita. art. § 1º. 12. Quando a obrigação abrange uma única prestação.Coordenadores: Marcelo T. é denominada composta ou complexa. ao contrário. A sua opção deve ser total. O CC permitir ao credor. Castellani Em certos casos. aplica-se a norma supletiva existente no CC. 642 a 645 do CPC). O devedor não pode. cabendo ao devedor cumprilas conjuntamente (obrigações conjuntivas ou cumulativas) ou alternativamente (obrigações alternativas). salvo se se tratar de prestações periódicas nas quais se admite a renovação da opção para cada período (entrega mensal alternativa de determinados alimentos ou de certa quantia em dinheiro). Não existindo prazo.35 - . tratando-se de obrigações de não construir além de certo gabarito. ou de condições impostas em ato unilateral. enquanto nas segundas a pluralidade das prestações existentes na obrigação é substituída. a concentração.

. É a faculdade de solução ou substituição. em vez de pagar o que deve. Por outro lado. erradamente chamadas obrigações facultativas. desde que o objeto seja divisível (art. Obrigações divisíveis e indivisíveis As obrigações são divisíveis ou indivisíveis.404. 6. 14. uma recompensa mínima de 5% (cinco por cento) e uma indenização pelas despesas que houver feito com a conservação e transporte da coisa. todavia. não pode o credor ser obrigado a receber. na qual os acionistas dissidentes têm direito de retirar-se da companhia mediante pagamento do reembolso ou então de receber ações da incorporadora. É a prestação que o descobridor da coisa pode exigir. cada um deles será obrigado pela dívida total. e. nem o devedor a pagar. o que tiver pago a dívida (art. de determinações legais. pois o que é facultativo não é obrigatório e o que é obrigatório não é facultativo. A alternatividade da obrigação não decorre apenas da vontade individual. Na obrigação com faculdade de solução. o proprietário pode. Conforme o CC. 28 da Lei n. a impossibilidade em relação à prestação principal extingue o vínculo jurídico. abandonar o objeto. o art.234 do CC estabelece. 314 do CC estabelece uma presunção de indivisibilidade da prestação no tempo quando afirma: “Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. O mesmo artigo admite. a obrigação de pagar. para o proprietário da coisa perdida. Se a prestação não for divisível e houver pluralidade de devedores. § 3º). de 15-12-1976 (Lei das Sociedades Anônimas). 1. Obrigações com faculdade de substituição Têm uma estrutura parecida com as obrigações alternativas as obrigações com faculdade de solução ou com faculdade de substituição. Não poderia haver obrigações facultativas. havendo uma possibilidade de substituição para o devedor. o juiz deverá decidir o impasse (art. que para a companhia é considerada indivisível ex vi do art. a lei presume a divisão da obrigação. o abandono da coisa perdida. conforme possam ou não ser fracionadas em prestações parciais homogêneas. sub-rogando-se nos direitos do credor. enquanto na obrigação com faculdade de solução ou de substituição a obrigação é de prestar determinado fato ou entregar certa coisa. A indivisibilidade pode decorrer da natureza da prestação. de incorporação de uma sociedade por outra. O art.36 - . A própria lei pode considerar um bem indivisível. A distinção com as obrigações alternativas se faz atendendo ao fato de nestas haver diversas prestações na obrigação. se houver a pluralidade de optantes. 258 do CC). a impossibilidade em relação a uma das prestações importa em obrigação de cumprir a outra. mas não o consenso entre eles sobre a escolha dentro de determinado prazo. por exemplo. A própria lei apresenta casos de obrigações com faculdade de solução. 252. Assim. Na obrigação alternativa. a quem a achou. resultando em alguns casos das próprias disposições legais. É o que ocorre no caso. por partes.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI escolha deverá ser notificado a fim de incorrer em mora pela ausência de escolha. assim. havendo pluralidade de credores ou de devedores. em relação aos outros. como ocorre com relação à ação das sociedades anônimas. 15. 257 do CC). 259 do CC). se assim não se ajustou”. não podendo o credor exigir a prestação facultativa. de motivos de ordem econômica ou dada a razão determinante do negócio jurídico (art. da vontade das partes.

conservação de divisas etc. mas o devedor ou os devedores só se desobrigam pagando a todos conjuntamente ou a um dos credores. dando este caução de ratificação dos outros (art. (art. No caso da confusão só se extingue a parte do crédito ou do débito pertencente ao credor ou devedor solidário (art.). em latim) são as que derivam da vinculação de alguém a certos bens. 17. confusão etc. que poderão exigir a prestação. Castellani Se a pluralidade for de credores. Obrigações ambulatórias. 16. os títulos de legitimação (bilhetes de cinema. em dinheiro. podendo promover as medidas assecuratórias do seu direito.). 261 do CC). Já as obrigações reais (de res = coisa. 267 do CC). novação. 269 do CC). Se um dos credores receber a prestação inteira. § 2º. do CC). a obrigação não fica extinta em relação aos outros credores. São exemplos os títulos ao portador. sobre os quais incidem ônus reais (imposto imobiliário. podendo qualquer dos credores movimentar a conta ou utilizar a caixa-forte. Nos casos de remissão. Obrigações “propter rem” ou reais Chamam-se obrigações ambulatórias (de ambulare = andar) aquelas obrigações que podem ser transferidas sem formalidades. Logo. Sendo a pluralidade de credores. descontada a quota do credor que perdoou a dívida ou em relação ao qual ocorreu a transação.). as obrigações de dar são consideradas divisíveis. 262 do CC). como se houvesse um só credor ou devedor. surge a responsabilidade que reveste a forma de indenização em dinheiro. transação. 265 do CC). ao contrário do que acontece em outras legislações que admitem a presunção de solidariedade a) Solidariedade ativa Solidariedade ativa é a de vários credores. salvo quando em virtude de lei ou de convenção houver indivisibilidade. independentemente de autorização dos outros credores ou de caução (art. foro etc. 260 do CC). constituir o devedor em mora e interromper a prescrição. fichas de bar etc. O pagamento total do débito a um dos credores extingue a obrigação (art. A incapacidade de . As obrigações reais. Chamam-se também de obrigações propter rem ou ob rem. Não cumprida a obrigação. sendo de devedores é passiva. é mista. a solidariedade é ativa. teatro. seja por admitir a divisão deste em quotas ideais. Cometti Fernando F. Sendo de credores e devedores. bem como deveres decorrentes da necessidade de manter-se a coisa (despesas de condomínio. os outros exigirão dele. seja por ser divisível o seu objeto. trem.Coordenadores: Marcelo T. 263. As obrigações de fazer. quando fungíveis. Sendo a culpa de um só. Obrigações solidárias Obrigações solidárias são aquelas com pluralidade de credores ou devedores. cada um com um direito ou obrigado ao total. são divisíveis. sendo cada um dos devedores responsável apenas pela sua quota. Cada um dos credores solidários tem o direito de exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. 383 do CC). passando de um titular a outro. este responderá pelas perdas e danos (art. ou propter rem. A solidariedade nunca se presume (art. sabe-se quem é o devedor. cada um destes pode exigir a dívida inteira. passam a pesar sobre quem se torne titular da coisa. São exemplos de solidariedade ativa as contas bancárias conjuntas e os depósitos conjuntos em caixas-fortes. a parte que lhes couber (art. resultando da lei ou da vontade das partes. sabendo-se quem é o titular.37 - . seguro obrigatório. Em geral. confusão ou compensação da dívida por parte de um dos credores.

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um dos co-credores não prejudica os direitos dos outros. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar (art. 268 do CC). A mora accipiendi por parte de um dos credores prejudica a todos os outros, ressalvando o direito à ação regressiva. Falecendo um dos credores solidários, cada um dos seus herdeiros só terá direito a exigir a quota do crédito correspondente ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a prestação (art. 270 do CC). Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste a solidariedade para todos os efeitos, inclusive para fins do pagamento de juros de mora e demais encargos dela decorrentes (art. 271 do CC). O credor que recebe o pagamento ou faz a remissão da dívida ou que a extingue em virtude de novação, compensação ou transação responde, perante os outros, pela parte que lhes couber (art. 272 do CC). Há assim o direito de regresso em virtude do qual cada um dos credores recebe a sua quota, presumindo-se juris tantum, na falta de disposições diversas no título, que a divisão seja igual, impondo-se o rateio quando recebido o montante do total do débito ou uma parte dele. b) Solidariedade passiva Ocorre solidariedade passiva quando, havendo multiplicidade de devedores, o credor pode exigir de qualquer destes o pagamento integral do débito, a qual resulta de disposições legais ou de declaração de vontade das partes interessadas. Na obrigação solidária, o credor tem o direito de exigir e receber de um ou alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum. Sendo o pagamento parcial, poderá exigir dos demais devedores o saldo. O devedor acionado não pode alegar o benefício da divisão, nem limitar o seu pagamento à quota do débito total que lhe cabe, nem mesmo exigir que sejam acionados, no mesmo processo ou em outro, os demais coobrigados. Uma vez feito o pagamento por um dos devedores, o crédito se extingue na relação externa, sendo feito o rateio na relação jurídica interna. Se o credor, tendo executado os bens de alguns devedores, não recebeu o débito total, subsiste a solidariedade, e, portanto, pode acionar os outros a fim de receber o saldo. Falecendo um dos devedores solidários, deixando herdeiros, a obrigação entre os herdeiros é conjunta, mas não solidária. Cada um deles não será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a obrigação. Em relação aos demais devedores, os herdeiros serão considerados como um devedor solidário (art. 276 do CC). A remissão concedida a um dos coobrigados extingue a dívida na parte a ele correspondente, de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida (art. 388 do CC). A remissão, sendo liberalidade, é interpretada restritivamente, aplicando-se tão-somente à quota do devedor, mantido o dever solidário dos coobrigados pelo total do montante do débito, descontada a parte do devedor que obteve remissão. Qualquer dos devedores solidários pode estipular condições especiais para o pagamento do seu débito, não podendo, todavia, agravar a posição dos coobrigados sem consentimento destes (art. 278 do CC). A interrupção da prescrição efetuada contra o devedor solidário ou o reconhecimento da dívida por este envolve os demais coobrigados e seus herdeiros. A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis (art. 204, §§ 1º e 2º, do CC).

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

No caso de impossibilidade de cumprir a obrigação decorrente de força maior, a obrigação se extingue. Se houver culpa de um dos devedores, cada um dos coobrigados deve pagar o valor da coisa ou da prestação (aestimatio rei), respondendo pelas perdas e danos o devedor culpado (art. 280 do CC). Se um dos devedores já estava em mora quando a impossibilidade se verificou, responde pelos danos dela decorrentes, mesmo na hipótese de força maior ou de caso fortuito, salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano sobreviria ainda se a obrigação fosse oportunamente executada (art. 399 do CC). Quanto ao credor, na relação jurídica externa, todos os devedores respondem pelos juros de mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um, mas o culpado responde perante os outros, na relação interna, pela obrigação acrescida (art. 280 do novo Código Civil). Os princípios aplicados em relação às perdas e danos e aos juros não são os mesmos. Quanto à indenização pelas perdas e danos, o credor só pode cobrá-la do devedor culpado. Quanto aos juros, são exigíveis de qualquer coobrigado, embora este tenha ação regressiva contra o culpado. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores (art. 282 do CC). Pode, assim, transformar a obrigação solidária em obrigação conjunta ou fracionária, na qual, em vez de responder, na relação externa, pelo total do débito, só responde cada devedor pela sua quota. O devedor demandado pelo credor pode opor as exceções comuns a todos os devedores e as exceções que lhe forem pessoais, não lhe aproveitando porém as pessoais de outro codevedor. Assim, qualquer devedor pode alegar a ilicitude do objeto, a extinção da dívida por pagamento já feito, ou seja, as defesas ou exceções comuns a todos os devedores. São consideradas exceções pessoais as que só podem ser alegadas pelo interessado, por exemplo, os vícios de consentimento e as causas de anulabilidades dos negócios jurídicos em geral (arts. 171 e 177 do CC). A novação entre um dos devedores e o credor, modificando o conteúdo da obrigação originária, exonera os devedores solidários de qualquer responsabilidade (art. 365 do CC). 18. Execução da obrigação O dever jurídico imposto ao devedor, em favor do credor, na relação obrigacional pode ser cumprido direta ou indiretamente, voluntária ou involuntariamente. O cumprimento da obrigação, também denominado pagamento ou solução do débito, é a execução da prestação pelo devedor na forma estabelecida no ato jurídico ou na lei, de acordo com as normas fixadas quanto ao modo, tempo e lugar de sua realização. O pagamento pressupõe a existência de uma dívida e a vontade de extingui-la (animus solvendi), devendo em tese ser feito pelo devedor ao credor. Na falta de uma relação jurídica, o pagamento configura-se como indevido, dando margem a uma ação do devedor para reaver o que pagou sem justo motivo (arts. 876 e seguintes do CC). A obrigação se extingue independentemente de pagamento no caso de realização de condição resolutiva ou advento de termo extintivo. A impossibilidade de cumprimento do dever jurídico em virtude de caso fortuito ou força maior constitui outra hipótese de extinção da obrigação. No caso de inadimplemento injustificado, o credor pode recorrer ao procedimento judicial ou arbitral para exigir a execução forçada da obrigação. A sentença garante ao credor o que lhe era devido acrescido das perdas e danos pelo atraso, ou o equivalente (id quod interest),

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abrangendo o ressarcimento do dano causado e do lucro não auferido (damnum emergens e lucrum cessans). 19. Pagamento Pagamento todo cumprimento de obrigação, importando em dar, fazer ou não fazer. O pagamento é feito na forma estipulada, não podendo o credor ser obrigado a receber parcialmente o débito, salvo em casos especiais previstos pela lei, como na substituição do devedor por seus herdeiros, que só são responsáveis pelo débito na proporção dos seus quinhões (art. 1.997 do CC). O dever de cumprir a obrigação incumbe ao devedor e aos seus herdeiros, se o débito não for personalíssimo. Os sucessores se substituem ao falecido em todas as vantagens e deveres de caráter patrimonial que tenha, salvo se existir um vínculo de intuito pessoal. Qualquer pessoa pode pagar uma dívida, sua ou de outrem. Mas o Código Civil distingue: o pagamento pode ser feito por terceiro interessado ou por terceiro não interessado. O termo interessado aí tem sentido técnico: é aquele que pode ser responsabilizado pelo débito, como, por exemplo, o avalista ou um terceiro garantidor da dívida. No entanto, se alguém é parente ou amigo do devedor e deseja auxiliá-lo, também pode pagar, mas os efeitos são diversos. A obrigação se extingue pelo pagamento da dívida por qualquer interessado (devedor, coobrigado, fiador, herdeiro do devedor, adquirente do imóvel hipotecado) a quem é lícito fazê-lo em nome próprio, sub-rogando-se no direito do credor. Em virtude do estabelecido no art. 346 do CC, ocorre a sub-rogação de pleno direito em favor: “I – do credor que paga a dívida do devedor comum; II – do adquirente do imóvel hipotecado que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; III – do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte”. O pagamento também pode ser feito por terceiro não interessado. Se o fizer em nome próprio, o terceiro pode tão-somente obter o reembolso do que pagou, mas não se sub-roga nos direitos do credor (art. 305 do CC). Havendo oposição do devedor ao pagamento do seu débito por outrem ou não tendo conhecimento da ação de terceiro, este não terá direito ao reembolso do que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação (art. 306 do CC). O devedor não se pode opor ao pagamento por terceiros, ou melhor, a sua oposição não invalida ou impede o pagamento, importando apenas em restringir os direitos do pagador contra ele. Não pode, todavia, o terceiro, piorar a posição do devedor. Assim, se pagar o débito antes do vencimento, somente após este poderá exigir do devedor o reembolso da quantia despendida (art. 305, parágrafo único, do CC). Se o devedor tinha a possibilidade de compensar débito e crédito com o credor, o terceiro não interessado, que pagou, só poderá exigir do devedor o pagamento da quantia não sujeita à compensação. O pagamento deve ser feito ao credor, aos seus sucessores, ou ao seu representante legal, judicial ou convencional. Nos casos de incapacidade do credor, o pagamento deverá ser feito a quem de direito. Havendo dúvida de quem pode receber, incumbe ao devedor consignar judicialmente o pagamento, cabendo ao juiz finalmente decidir a quem o pagamento deverá ser feito (art. 895 do CPC). Considera válido o pagamento feito ao credor putativo, ou seja, àquele que tem todas as características de credor, embora não o seja. É credor putativo aquele que se apresenta com um título aparentemente válido, embora posteriormente seja o mesmo julgado nulo.

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Havendo pagamentos periódicos. Assim. São quérables ou quesíveis quando pagáveis no domicílio do devedor. ou seja. todavia. se houver motivo grave que impeça a realização do pagamento no lugar acordado. A primeira está prevista em seu art. 876 e s. perdido este. far-se-á em moeda corrente no lugar do cumprimento da obrigação (art. 310 do CC). fundamentando-se nas regras sobre pagamento indevido (arts. Existem várias exceções ao princípio fixado no referido art. 329 e estabelece que. retendo o pagamento. 319 do CC). com o pagamento reiterado em outro local. No que diz respeito ao lugar do pagamento as dívidas são portables ou portáveis quando devem ser pagas no domicílio do credor ou onde ele indicar. tratando-se de obrigações pecuniárias.41 - . 323 do CC). A quitação do capital. Cometti Fernando F. Castellani Se o pagamento é feito ao credor incapaz de quitar. Tal presunção extingue-se. que pode consistir na ressalva existente no próprio recibo ou em outros documentos ou mesmo na correspondência entre as partes (art. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que é devida. O CC duas regras especiais referentes ao lugar do pagamento. declaração do credor que inutilize o título desaparecido (art. 324 do CC). também não está obrigado o credor a receber pagamento que não seja em moeda corrente. Salvo convenção em contrário. desde que o credor prove. Admite-se. 321 do CC). todavia. cabe a opção ao credor. salvo convenção em contrário. que não ocorreu o pagamento. no prazo de sessenta dias. do CC) e da vedação do enriquecimento sem causa (art. 884 do CC). A quitação admite qualquer forma. visados ou não. 315 do CC). que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor. todavia. cuja quitação consiste na devolução do título (por exemplo: nota promissória). presume-se que corram por conta do devedor as despesas com o pagamento e a quitação. das circunstâncias ou de convenção entre as partes. A norma geral. O devedor poderá. estabelecida no art. O pagamento é feito na forma estabelecida pela lei ou pelo negócio jurídico e. no momento do vencimento da obrigação. reaver daquele a quem pagou indevidamente o montante pago. devendo ser escrita desde que o montante da dívida seja superior ao décuplo do maior salário mínimo (art. É o que se dá na hipótese de pagamento de aluguéis na locação e das duplicatas sucessivas na venda de um objeto em prestações. só valerá nos limites em que reverteu em favor do beneficiado (art. caso em que a despesa acrescida será por conta do credor (art. a prova contrária. todavia. O pagamento feito indevidamente obriga o devedor a pagar novamente. 325 do CC). decorrentes da própria lei. Quem paga mal paga duas vezes. desde que haja prejuízo para o credor. o devedor poderá fazê-lo em outro local. faz presumir o pagamento dos juros (art. Os débitos. . da natureza das obrigações. 401 do CPC). O devedor que paga tem direito à quitação regular. podendo. sem ressalva. se ocorrer aumento por fato do credor. A segunda está aposta em seu art. presume-se juris tantum que o recebimento do pagamento da prestação posterior implique a quitação das prestações anteriores. Havendo pluralidade de domicílios ou mais de um lugar indicado para o pagamento. presume-se que o credor renunciou ao lugar previamente acordado no contrato. sem incorrer em mora. podendo reter o pagamento. 330 ao prever que. tendo a quitação sido obtida pelo devedor fraudulentamente (art. tendo o devedor ciência dessa incapacidade.Coordenadores: Marcelo T. A entrega do título ao devedor firma a presunção juris tantum de pagamento. enquanto lhe for recusada a quitação (art. ficando ao seu exclusivo critério aceitar ou não ordem de pagamento ou cheques. à prova do pagamento feito. 322 do CC). pode o devedor exigir. 327 do CC. 327 do CC considera. ainda que mais valiosa. a quitação ser impugnada.

ou seja. 397 do CC). forem penhorados em execução por outro credor. vencida e não paga em virtude de culpa do devedor. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso. o devedor responde também pela impossibilidade da prestação resultante de caso fortuito ou força maior. pela conservação do bem e sujeitando-se ainda a recebê-lo pelo seu maior valor. As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição. que não foi cumprida no tempo fixado. na última hipótese. 333. ensejando. parágrafo único. III – se cessarem.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sobre o tempo do pagamento. Mora é o retardamento culposo no cumprimento da obrigação. e o devedor. É o princípio dies interpellat pro homine (art. devendo o credor ressarcir o devedor pelas despesas que teve. A mora debitoris pressupõe uma dívida líquida e certa. quer por parte do devedor (mora debitoris ou mora solvendi). as garantias do débito. diversamente. o credor pode exigir o pagamento imediatamente (art. sem necessidade de qualquer interpelação judicial.425 do CC. se houver solidariedade passiva entre os devedores. A lei concede ao credor o direito de cobrar a dívida antes do seu vencimento em algumas hipóteses especiais. casos em que o prazo será fixado de acordo com os usos e costumes locais. 331 do CC).42 - . 394 do CC). ou reais. No caso de silêncio das partes e desde que não exista disposição legal em sentido contrário. importam em impedir de modo definitivo o cumprimento da obrigação. quando a prestação ainda é útil para o credor. se este oscilar . A constituição em mora se realiza de pleno direito. o negócio jurídico criador da obrigação estabelece a época de sua realização. ter havido um simples atraso no adimplemento da obrigação. ou se se tornarem insuficientes. do CC). II – se os bens. a responsabilidade do inadimplente. §§ 1º e 2º). Inadimplemento e mora O inadimplemento ou não-cumprimento da obrigação na maneira estipulada pode revestir formas diversas. 1. 333 do CC: “I – no caso de falência do devedor. se negar a reforçá-las”. Uma vez que haja mora. dependendo de notificação prévia feita pelo credor ao devedor. em virtude de lei nova. fidejussórias. que revelam a insolvência do devedor. mas o foi posteriormente. a antecipação de vencimento relativa a um dos devedores não importa em vencimento do débito dos coobrigados solidários (art. cabal e definitivo pode ser fortuito ou culposo. cabendo ao credor a prova de que o devedor teve ciência do advento da mesma (art. O inadimplemento total. 20. por exemplo. Há mora do credor quando este se recusa a receber o que lhe é devido. na forma contratual ou legal (art. a deterioração e o perecimento da coisa dada em garantia (incisos I e IV. que são. Pode. intimado. Esse atraso ou retardamento importa num inadimplemento temporário. Também são causas de vencimento antecipado dos débitos as hipóteses elencadas no art. A destruição da coisa e a ilicitude do negócio jurídico. quer por parte do credor (mora creditoris ou mora accipiendi). depois da mora. como as mencionadas no art. como se tradição tivesse havido. pelo simples advento do termo ou decurso do prazo. hipotecados ou empenhados. ou exigir tempo. Neste caso. 332 do CC). salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano ainda sobreviria se a obrigação fosse oportunamente desempenhada. ou de concurso de credores. Os efeitos da mora creditoris importam em transferir a responsabilidade pela conservação da coisa ao credor.

Ocorre. 347 do CC). A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos. Mas. Cometti Fernando F. b) por força de contrato ou de recibo com tal fim. a transferência do crédito ao pagador de dívida alheia (casos do art. móvel ou imóvel. ou títulos da dívida pública. O sub-rogado assume assim a posição do sub-rogante.911. que efetua o pagamento ou empresta o dinheiro necessário para tal fim. 22. interrompendo. 6. se o herdeiro indicar outro bem. A consignação deve ser efetiva. nos casos legais (art.777. É legal quando independe do consentimento do devedor ou do credor. porque esta se faz antes do pagamento e a sub-rogação se faz por causa do pagamento. a transferência do crédito próprio ou alheio. . 21. 334 do CC) A consignação é regulada pelo CC nos arts. de 8-8-1944). completa e incondicional. Exemplo: um bem da herança gravada com cláusula de inalienabilidade não pode ser vendido. mediante transferência dos direitos que o credor tinha contra o devedor. numa relação jurídica. a sub-rogação legal em favor do terceiro que paga letra de câmbio ou do segurador que indeniza o dano causado à pessoa ou coisa segurada. Castellani entre o tempo do vencimento e o do pagamento. se for débito em dinheiro. 890 a 900. 334 a 345 e no Código de Processo Civil nos arts. e considerando-se pagamento o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida. O terceiro se subroga nos direitos do credor quando paga o débito. parágrafo único. ou mantiver depósito em poupança vinculada. que é substituído pelo outro ou pelos títulos ou pela caderneta vinculada (art. A consignação em pagamento se aplica a todos os casos de obrigação de dar coisa certa ou incerta. para liberar o devedor. nos casos e forma legais (art. e convencional quando ocorre explicitamente a transferência dos direitos de devedor ou do credor ao terceiro. poderá vender o imóvel.Coordenadores: Marcelo T. 349 do CC). de valor semelhante. pelo pagamento (art. também. 334 do CC). 1. Sub-rogação real é a substituição de uma coisa gravada por outra. A sub-rogação convencional se dá por cessão do credor ou do devedor. do CC – passando a ser exigida autorização judicial – e Decreto-lei n. de valor equivalente. 400 do CC). somente podendo depender de prova da qualidade do credor por parte de quem pretende receber o pagamento. que fica em lugar daquela. Distingue-se da cessão de crédito. ações. o curso dos juros (art. 346 do CC). A sub-rogação pode ser legal (de pleno direito) ou convencional. só não cabendo tal ação na hipótese de obrigação de fazer ou de não fazer. privilégios e garantias do primitivo em relação à dívida contra o devedor principal e os fiadores (art. Os casos de sub-rogação legal são aqueles em que o pagamento é feito por um terceiro interessado na relação jurídica. Pagamento com sub-rogação A sub-rogação é a substituição de uma pessoa ou de uma coisa por outra pessoa ou coisa. Sub-rogação pessoal pode ser: a) por força de lei. com todas as suas características e atributos. outrossim. Pagamento em consignação Pagamento em consignação é o depósito judicial da coisa devida ou depósito em estabelecimento bancário.43 - .

a novação extingue os acessórios e garantias da dívida primitiva.44 - . Supletivamente. determina o Código que se restabelece a obrigação primitiva. 354 do CC). 24. ou seja. no silêncio das partes. Salvo estipulação em contrário. ou seja. e d) capacidade das partes para novar e para dispor. o legislador estabeleceu um sistema de preferência considerando que. Havendo evicção. todos líquidos e vencidos. Assim sendo. ou melhor.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 23. 353 do CC). 364 a 366 do CC). A novação é objetiva ou real quando há modificação da prestação e subjetiva quando ocorre mudança do credor ou do devedor. Quando o devedor tem vários débitos em relação ao mesmo credor e paga quantia insuficiente para a liquidação de todos. fica ao arbítrio do credor imputar o pagamento da maneira que preferir. Para que haja novação são elementos necessários: a) uma obrigação anterior. não mais poderá apresentar reclamação posterior contra a imputação. desonerando os coobrigados que nela não intervieram (arts. pouco importando que a coisa dada em pagamento tenha valor maior ou menor do que a prestação originariamente devida. deve ser imputado primeiramente nos juros e depois no capital (art. com assentimento do credor e visando à extinção da obrigação. com relação a que débitos o pagamento deve ser imputado. pois. seja por modificação do credor ou do devedor. 25. ou seja. reintegrando-se terceiro na propriedade da coisa dada em pagamento ao credor. Dação em pagamento Quando o credor consente em receber coisa diversa da que lhe é devida ocorre a datio in solutum ou dação em pagamento. havendo capital e juros. garante a lei ao devedor o direito de indicar quais os débitos que pretende pagar (art. a existência de uma dívida e o pagamento desta pela entrega de uma coisa diferente da prometida. condicional ou anulável. o problema que surge é o de saber quais os débitos que devem ser considerados pagos. Não caracteriza a novação a simples modificação . na falta de declaração do devedor. Imputação do pagamento Imputação é a escolha da parcela a ser quitada num pagamento parcial do devedor que tem vários débitos em relação a um só credor. a extinção de uma obrigação mediante a constituição de uma obrigação nova que se substitui à anterior. ressalvados os direitos de terceiros (art. salvo provando a existência de dolo ou violência (art. distinguindo-se a prestação antiga da nova. Novação A novação é a transformação de uma obrigação em outra. Havendo diversos débitos. ficando sem efeito a quitação dada. 352 do CC). A dação em pagamento extingue a obrigação. seja pelo valor ou natureza da prestação. c) a vontade de realizar novação (animus novandi) extinguindo a obrigação anterior. embora possa ser simples obrigação natural. na falta de declaração de vontade dos interessados. 359 do CC). em virtude da criação da obrigação nova. o pagamento. A imputação pode decorrer de acordo entre os interessados ou de determinações legais. Os elementos necessários da dação em pagamento são. b) uma obrigação nova que extingue a anterior. Não declarando o devedor qual das dívidas pretende pagar e aceitando a quitação de uma delas.

depósito ou alimentos ou se uma dívida for de coisa insuscetível de penhora (art. É parcial quando tão-somente uma parte do crédito se extingue pela confusão. Também não se admite a compensação nas dívidas fiscais. 26. quando decorre de declaração de vontade das partes interessadas. . 362 do CC). sendo necessária uma substituição do objeto da obrigação (prestação) ou da causa debendi. Confusão A confusão é a extinção da obrigação decorrente da identificação numa mesma pessoa das qualidades de credor e devedor (art. Não impede a compensação a diferença de causa nas dívidas. sem que existam os requisitos estabelecidos pela lei para a compensação de pleno direito. A confusão extingue a obrigação principal e as obrigações acessórias. A compensação pode ser automática ou de pleno direito. A compensação só se efetua entre dívidas líquidas. A novação é subjetiva quando o antigo devedor é substituído por um devedor novo.Coordenadores: Marcelo T. É também denominada compensação facultativa. salvo se um dos créditos decorrer de esbulho. Cometti Fernando F. 368 do CC). ou da expromissão. 170 da Lei n. furto ou roubo. 369 do CC). vencidas e de coisas fungíveis (art. ou convencional. em virtude da liquidação judicial de um crédito anteriormente ilíquido. judicial. comodato. com a extinção de ambas as dívidas. ao mesmo tempo. É total quando importa na extinção da obrigação. ficando exonerado da responsabilidade o antigo. A compensação é voluntária quando as partes a realizam em virtude de convenção. a confusão só pode ser alegada entre credor e devedor.172/66). extinguindo-se um e mantendo-se o outro na parte excedente ao crédito compensado. 27. quando os créditos são de valor diverso. A novação deriva de delegação quando há consentimento de todos os interessados e extinção do débito para o substituído. 373 do CC). termo ou encargo) ou das garantias dadas ao credor. Castellani das modalidades (condições. a não ser em virtude de lei específica (art. 5. podendo ainda ser total. ou quando o credor primitivo é substituído por outro. 375 do novo Código Civil). quando depende de decisão do magistrado. 381 do CC). Compensação A compensação é meio de extinguir as dívidas de pessoas que. mas a confusão na obrigação acessória (confusão do fiador e do credor) não importa em extinção da obrigação principal (art. Mesmo as coisas fungíveis só se compensam quando forem da mesma qualidade. extinguindo-se a dívida do devedor para com o primeiro e mantendo-se para com o novo credor. A confusão pode ser parcial ou total (art.45 - . por acordo entre o credor e um novo devedor que assume a obrigação do anterior (art. são credora e devedora uma da outra até o limite da existência do crédito recíproco (art. quando a novação se realiza independentemente do consentimento do devedor originário. A compensação judicial é aquela realizada pelo juiz. As partes podem renunciar à compensação ou excluí-la por mútuo acordo (art. havendo reciprocidade entre os créditos e débitos. 384 do CC). 382 do CC). ou parcial. Como a compensação.

Cláusula penal A cláusula penal é um pacto acessório. do CC). será feita por escritura pública ou por termo nos autos. 840 do CC). evitam ou terminam um litígio (art. a dívida se extingue para os co-devedores solidários (art. necessitando. 842 do CC. há sempre uma dúvida ou um litígio que as partes pretendem eliminar a fim de obter maior segurança nas suas relações jurídicas. a remissão feita a um dos devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente. obra beneficente). assinado pelos transigentes e homologado pelo juiz. nas em que ela o admite. § 1º. Remissão de dívida Remissão das dívidas é a renúncia do credor ao crédito que existe em seu favor. seja perdoando uma dívida. significa qualquer espécie de negócio. mas pode ser revogada até o momento em que o devedor aceita a remissão. só podendo o credor cobrar dos coobrigados solidários o débito remanescente. não as substituindo normalmente por outras. é o negócio jurídico bilateral pelo qual os interessados. a transação far-se-á por escritura pública. o acordo de vontades do credor e do devedor. as partes extinguem obrigações. Em sentido restrito. 844. 30. A simples declaração do credor importa em extinção da dívida. para se tornar irrevogável. como ocorre na novação. assinado pelos transigentes e devidamente homologado pelo juiz ou por escritura pública. por concessões mútuas. seja trazendo-lhe uma doação. 262 do novo Código Civil). do CC). pelo qual as partes. Se a obrigação for indivisível e um dos credores fizer a remissão da dívida.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 28. Se houver transação entre um dos devedores solidários e o credor. § 3º. Pela transação. que todavia só poderão exigi-la descontada a parte correspondente ao credor que perdoou a dívida (art. regulamentado pela lei civil (arts. A multa é convencionada no momento da realização do ato jurídico ou posteriormente. A cláusula penal se apresenta geralmente sob a forma de pagamento de determinada quantia em dinheiro. Pode ser judicial ou extrajudicial. Se a dívida for solidária. ou por instrumento particular. admitindo-se todavia a cláusula cujo conteúdo seja a prática de ato ou mesmo uma abstenção por parte do inadimplente. Quando se transige. No primeiro caso. descontando a quota que for objeto da remissão (art.. poderá ser feita por termo nos autos. 844. se recair sobre direitos contestados em juízo. por convenção expressa. Na acepção mais ampla e menos técnica. g. Nos termos do art. conforme vise a terminar um processo ou evitar o seu início. 388 do CC). a obrigação não se extingue para os outros.46 - . nas obrigações em que a lei o exige. Transação A palavra “transação” é utilizada em sentidos diversos. A transação também se distingue do ato de liberalidade em que uma das partes quer beneficiar a outra. revertendo em favor da parte inocente ou de terceiro (v. 29. 408 a 416 do CC). O valor da . como aliás ocorre em matéria de novação (art. submetem o devedor que descumprir a obrigação a uma pena ou multa no caso de mora (cláusula penal moratória) ou de inadimplemento (cláusula penal compensatória). A transação concluída entre o credor e o devedor desobriga o fiador.

8. se o arrependimento for da outra parte. do CC). g. quando só se refere a um crédito específico (v. há promessa de pagamento. 412 que veda ter a cláusula penal valor superior ao da obrigação principal. se as partes convencionam a possibilidade de arrependimento. O CC tem dois artigos que impõem limites para a estipulação da cláusula penal.Coordenadores: Marcelo T. se as arras não constituem início do pagamento. 417. no momento da celebração do contrato. 4º da Lei n. 420 do CC. enquanto naquela o pagamento é feito desde logo. funcionando como verdadeira cláusula compensatória. um crédito contratual. nas arras penitenciais o pagamento é prévio. Outras vezes. entende-se que no caso de inadimplemento. como complemento pela infração contratual. O primeiro é o art. Arras ou sinal As arras constituem quantia ou coisa móvel dada por uma das partes à outra. independentemente de qualquer infração. quando a obrigação tiver sido parcialmente cumprida ou na hipótese de a penalidade ser manifestamente excessiva. . que não poderá ser exigida indenização suplementar. por antecipação mediante entrega real da quantia. entre pessoas vivas (inter vivos) ou em virtude de falecimento (mortis causa). 413). devem ser devolvidas quando o contrato é executado ou desfeito independentemente de culpa. Se houver a execução do contrato. 31.. tendo em vista a natureza e a finalidade do negócio (art. O locatário pode pagar a multa. quando abrange todos os bens ou uma fração da totalidade dos bens do cedente (como ocorre em relação ao herdeiro). ou a título singular.47 - . 32. podendo então substituir-se às perdas e danos. Cometti Fernando F. O legislador determinou. que foi cedido). Assim.245. o sinal poderá ser restituído ou computado como parte do pagamento do devido (art. ou acrescer-se a elas. enquanto na cláusula penal a parte inadimplente se compromete condicionalmente (na hipótese de inadimplemento ou de mora) a pagar certa quantia previamente fixada. não devendo mais nada (art. As arras se distinguem da cláusula penal pois. Castellani multa deve ser determinável. Funcionando ambos os institutos como limitações da indenização na hipótese de inadimplemento. Nos termos do art. haverá restituição do equivalente ao valor dado como arras. o locatário abandona o prédio antes do termo fixado e existe no contrato uma multa na hipótese de infração contratual. Ressalta-se que. No silêncio do contrato. recorrendo-se eventualmente a vários fatores para a fixação definitiva do seu montante. A cláusula penal é moratória quando se aplica em virtude de mora do devedor e sem prejuízo da exigência da prestação principal. num contrato de locação por tempo determinado. não haverá a restituição do sinal para aquele que o deu ou. podendo ser a título universal. a cláusula penal se aplica no caso de infração do contrato. e não de mora. O segundo atribui ao juiz o dever de reduzir a cláusula eqüitativamente. ainda. Transmissão das obrigações A transmissão das obrigações pode apresentar-se sob a forma ativa (cessão de crédito) ou passiva (assunção de dívida ou cessão de débito). a cláusula penal é compensatória e não representa um acréscimo às perdas e danos. de 18-10-1991). Nesta hipótese. as arras são consideradas penitenciais e terão função unicamente indenizatórias. As arras podem ser em dinheiro ou em outros bens fungíveis. nesta. parte final. em garantia da conclusão de um contrato.

o banco não é obrigado a aceitar qualquer devedor.. se não o faz. sendo notificado. o silêncio será interpretado como a reprovação da respectiva cessão de débito. ficando exonerado o devedor primitivo. tornando inequívoco que: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. em princípio. pois concede crédito a alguém que. o CC se refere ao caso do adquirente do imóvel hipotecado que se responsabiliza pelo pagamento do débito hipotecário. dependendo dos rendimentos. 299 trata da manifestação do credor sobre o negócio realizado e determina que pode ficar estipulado um prazo para que ele consinta na assunção da dívida. deve impugnar a transferência em trinta dias. com ou sem aceite deste. com o consentimento expresso do credor. “entender-se-á dado o assentimento”. 303. O CC admite expressamente a assunção de dívida nos arts. conforme o seu art. 299 e s. era insolvente e o credor o ignorava” (art. emprego e outros fatores. e.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A assunção de dívida é um negócio jurídico pelo qual um terceiro assume a dívida em lugar do devedor. O CC diz que o credor. salvo se aquele.48 - . caso não o faça. Além disso. Neste caso. poderá pagar. Como aplicações específicas da assunção de dívida. . 299). o parágrafo único do art. ao tempo da assunção.

ainda.49 - .201 do CC: “É de boa-fé a posse. não vinculam as partes. apontamentos. cujo texto depende de aprovação prévia de organismos governamentais. Quando há aceitação. a liberdade contratual só sofre restrições em virtude da ordem pública. portanto. A liberdade no plano contratual tem sofrido amplas restrições. pois muitos contratos são hoje verdadeiros contratos de adesão. levando em conta os deveres de diligência que se espera de um homem mediano. que representa a projeção do interesse social nas relações interindividuais. Os dois elementos imprescindíveis para a formação do contrato são a solicitação ou proposta e a aceitação. tabelamento de gênero. Assim. como acordo de vontades. tanto na conclusão do contrato quanto na sua execução. adotou a cláusula geral de boa-fé. Assim. modificar ou extinguir obrigações (direitos relativos de conteúdo patrimonial).Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. a cláusula geral fornece um ponto de partida para se alcançar resultados justos e adequados. enquanto a segunda importa na fixação das modalidades de sua realização. O contrato poderá ou não se realizar. 422. Noção de contrato O contrato é um negócio jurídico bilateral. o oblato torna-se aceitante. para saber se interessa ou não o contrato. O dirigismo contratual diminuiu e restringiu a autonomia da vontade. Na boa-fé subjetiva. uma das partes pode pretender apenas obter informações. pressupõe uma proposta. analisa-se o conhecimento ou a ignorância de determinada situação. representa algo psicológico que presume a ignorância da real situação jurídica. ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. indagações. fixação de percentagens de juros). corresponde a uma técnica legislativa que busca garantir a relação entre o direito e a realidade social. em seu art. se o possuidor ignora o vício. O Código Civil. 2. Princípios básicos do direito contratual Liberdade de contratar é a faculdade de realizar ou não determinado contrato. Castellani CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS 1. enquanto a liberdade contratual é a possibilidade de estabelecer o conteúdo do contrato. denominada policitação. que não se iguala ao sentido dado à boa-fé subjetiva. em virtude da elaboração de uma série de normas legislativas fixando princípios mínimos que os contratos não podem afastar (salário mínimo. 3. especialmente no tocante à faculdade de fixar o conteúdo do contrato (liberdade contratual). É preciso ressaltar. troca de cartas para esclarecimentos. Formação do contrato O contrato. pois depende de no mínimo duas declarações de vontade. . Relaciona-se com fatores do sujeito e com os cuidados que deve ter nas suas relações com terceiros. A primeira se refere à possibilidade de realizar ou não um negócio. que implica um estado de conhecimento do sujeito. visando criar. 1. visitas. feita por uma das partes – o policitante ou proponente – à outra – o oblato ou solicitado. minutas. isto é. Em tese. Antes de aceitar. contas. . A regra de boa-fé objetiva configura-se como cláusula geral e. É o caso do art. também denominada pela doutrina de boa-fé objetiva. possibilitando a existência de um sistema jurídico aberto com constantes adaptações das normas legais às exigências do mundo de relações e da alteração dos seus valores com o tempo.

A promessa não vincula.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Essas são as chamadas negociações preliminares. 5. autorização para sublocar na sistemática da Lei do Inquilinato). 439 do CC admite explicitamente a possibilidade de ser prometido fato de terceiro. não podendo todavia prejudicar ou beneficiar terceiros sem declaração de vontade por parte destes de que aceitam os efeitos contratuais sobre o seu patrimônio. . de 4-9-1942). constitui nova proposta. resolvendo-se em perdas e danos que o promitente deverá pagar ao outro contratante. 427 e 428 do CC). Havendo contraproposta.657. Promessa pelo fato de terceiro O art. Nesta hipótese. se contiver todos os requisitos essenciais do contrato e desde que as circunstâncias e os usos não estabeleçam o contrário. ou de documento escrito (doação que não seja de pequeno valor. O problema se reveste da maior importância em direito privado. ela pode ser revogada pela mesma via da sua divulgação. aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem”. todavia. “para qualificar e reger as obrigações. salvo declaração de vontade deste. se o contrário não resultar dos seus termos. pode o contrato tanto ser verbal como escrito. abrangendo tanto o dano emergente como o lucro cessante. relação jurídica entre as partes contratantes. na hipótese de inadimplemento. 9º e § 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. não há exigência legal quanto à forma.50 - . 435 do novo Código Civil). O CC estabeleceu regra específica para a oferta destinada ao público em geral. Para o não contratante que não sucede ao contratante. Quanto ao lugar. 4. chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente (arts. realizando-se por documento particular ou público. A proposta de contrato obriga o proponente. antes ou simultaneamente com ela. que são os sujeitos ativos e passivos da relação jurídica. e “a obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente” (art. 4. assim como seus sucessores (herdeiros. deixando todavia a policitação de ser vinculatória se feita sem prazo a pessoa presente. algumas vezes há necessidade de escritura pública (venda de imóvel de valor superior a certa quantia). será considerado o lugar em que foi feita. equiparando-se a aceitação condicional. a oferta ao público equivale à proposta. Decreto-lei n. a indenização deve ser ampla. 429. no fundo. Efeitos dos contratos Os contratos alcançam as partes interessadas. esta não responder dentro do prazo estipulado ou de prazo razoável. feita a pessoa ausente. desde que a própria oferta mencione essa faculdade (parágrafo único do art. reputa-se celebrado o contrato onde foi proposto (art. Deixa também de obrigar o proponente a policitação quando. da natureza do negócio ou das circunstâncias do caso. cessionários). 429). 109 do CC). pois. que. De acordo com o seu art. com ou sem conhecimento ou consentimento deste. Geralmente os contratos não tenham formas solenes. como toda declaração unilateral de vontade. o contrato é res inter alios acta. não for aceita imediatamente ou se. Entretanto. todavia. sem nenhum efeito sobre o patrimônio do terceiro. Quando. o terceiro. passando a ser o instrumento público essencial para a validade do negócio jurídico (art.

uma vez que o terceiro tenha manifestado a sua aceitação. cabe o exercício da ação redibitória. nem sendo suscetíveis de interrupção. Cometti Fernando F. Enquanto o terceiro não aceita os efeitos da estipulação. Perecendo a coisa. Estipulação em favor de terceiro A estipulação em favor de terceiro é o contrato pelo qual se cria. quando o adquirente. pessoa determinada ou determinável. do CC estabelece que. ignorado pelo adquirente. 470 e 471). prefere realizar. não intentando as ações próprias. o art. Contudo. Castellani 6. § 1o. 7. Se o vício vier a surgir depois da execução do contrato. nem poderão. A renúncia à garantia pelos vícios redibitórios pode ser expressa. Os prazos para o exercício da ação redibitória são de decadência. o contrato somente produzirá efeitos entre os contratantes originários (arts. em favor de quem a prestação deve ser executada. para terceiro. começando a correr a partir da entrega ou da tradição do objeto ao adquirente. Se ao contrário o desaparecimento do objeto for conseqüência do vício. desde o momento em que foi celebrado (arts. que se obriga a realizar a prestação em favor de terceiro. só puder . ou tácita. aparente ou ostensivo.O vício redibitório se distingue do defeito visível. e do erro. Entretanto. Exemplo: seguro de vida. que estipula em favor de terceiro. indicar outra pessoa que irá adquirir direitos ou assumir obrigações nele previstas. vício da vontade. não poderão os contratantes fazer o distrato sem intervenção do terceiro. sem o seu consentimento. uma das partes tem a faculdade de. mas.51 - . por outro. um direito novo e próprio. mas as partes podem alterar a convenção de comum acordo. há obrigatoriedade desta.Coordenadores: Marcelo T. este não pode acionar o vendedor. salvo se o comprador puder provar que decorre de outro defeito já existente por ocasião do contrato. por sua própria conta. oculto. e finalmente o terceiro. O vício redibitório é. as reformas ou consertos necessários para corrigir os defeitos existentes. Vícios redibitórios Vício redibitório é o defeito oculto que desvaloriza ou torna a coisa imprópria ao uso. e existente no momento da execução do contrato e subsistente na época do exercício da ação própria. em virtude de caso fortuito ou culpa do comprador. em certos casos. ainda. não se suspendendo. mediante cláusula contratual ou aditamento ao contrato. A teoria da responsabilidade pelos vícios redibitórios se aplica atualmente a todos os contratos comutativos. se a pessoa indicada for insolvente ou incapaz no momento da indicação. Na estipulação existem três sujeitos. ou seja. pois. dois certos e um condicional. 441 e parágrafo único do CC). por sua natureza. 467 a 469 do CC). o promitente. Contrato com pessoa a declarar Neste tipo de contrato. sendo o estipulante. 8. Os direitos e deveres oriundos da estipulação surgem independentemente da aceitação do terceiro. não pode ser atribuída a responsabilidade ao vendedor. nos termos estipulados no instrumento contratual ou na lei. àqueles em que há equivalência das prestações das partes. caso não haja indicação de terceira pessoa ou a indicação não seja aceita por ela ou. quando o vício. 445. como também à doação onerosa (art. por um lado. impedindo o uso normal da coisa. modificar a identidade do beneficiário ou as modalidades da prestação.

e um ano. considerar-se-ão os usos e costumes locais. em virtude da qual o adquirente perdeu o uso. em contrato oneroso. Este dispositivo determina a aplicação do prazo especificado no seu § 1º – 180 dias para bens móveis e um ano para bens imóveis. 448 do CC). O adquirente é o evicto. para bens móveis. um direito alheio.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI ser conhecido mais tarde. a evicção só recai sobre uma parte do objeto da alienação. As garantias do adquirente podem ser reforçadas mediante uma caução ou fiança ou mesmo por garantia hipotecária a fim de assegurar. quando. com um patrimônio de terceiro ou com certos bens específicos pertencentes ao alienante. pois transmitiu um direito inexistente ou viciado. mas consideramos que se equipara aos móveis. pelo adquirente. ao contrário. 9. reforçar. podendo as partes. transitada em julgado. seja o vício anterior à alienação. o prazo de garantia deve ser especificado em lei especial. A lei dá assim maior liberdade às partes para a ampliação da garantia legal no caso de evicção. se esta não existir. que as atribui a terceiro. . a posse ou o domínio da coisa alienada. 3. o prazo será contado da data da ciência da sua existência até o máximo de cento e oitenta dias. 445. quando não houver lei específica. Evicção A evicção é o fato em virtude do qual o adquirente perde a posse ou a propriedade de determinado objeto. essa garantia subsiste mesmo em casos de aquisição em hasta pública (art. perdendo o direito que acreditava ter legitimamente adquirido. exista um vício no direito do alienante transferido ao adquirente. reconhecendo que o alienante não era titular legítimo do direito que transferiu. ela é parcial. nos termos do art. O terceiro que realiza a evicção é o evictor. 447 do CC). Caracteriza. o pagamento da indenização devida na hipótese de evicção. O alienante é o responsável pelos prejuízos decorrentes da evicção. em virtude de sentença judicial. nem regra consuetudinária. titular legítimo do direito. ou seja. na qual se declara que o alienante não tinha qualidade para realizar a alienação. para os imóveis. diminuir ou excluir a responsabilidade decorrente da lei (art. § 2º. haja sentença. Quando o objeto da evicção se identifica completamente com o da alienação. pois. a evicção a perda da posse ou da propriedade de um bem. do CC. ou. Em relação aos vícios ocultos nos negócios de compra e venda de animais. a evicção é total. pois sofre a evicção. devendo os contratantes fixar as garantias suplementares no instrumento em que estabelecem as condições do negócio jurídico ou em ato posterior. Ademais. Para que haja evicção é preciso que: 1. em virtude de sentença judicial. mediante cláusula contratual. A garantia do alienante pelos prejuízos decorrentes da evicção existe nos contratos onerosos.52 - . 2.

qualquer que seja o seu valor). aos tutores. exigindo. do preço e das modalidades de pagamento. 481). do preço (pretium) e do consenso (consensus). o falido não pode alienar os seus bens. curadores. 1. estendendo tal proibição aos funcionários públicos. O contrato de compra e venda pressupõe a capacidade geral. Excepcionalmente. que na venda dos ascendentes para os descendentes haja o consentimento expresso dos outros descendentes e do cônjuge (art. devendo tanto o comprador como o vendedor ser capazes de fato ou. 2. e o outro a pagar-lhe certo preço em dinheiro (art. . sob pena de nulidade. a fim de evitar que a doação seja simulada em compra e venda. parágrafo único). nos casos expressamente mencionados no art. em alguns casos. o novo Código deixa claro que. A lei também veda. A compra e venda é um contrato bilateral (cria obrigações para ambas as partes). prevalecem estas últimas (parágrafo único do art. O contrato se torna perfeito com a combinação entre as partes do objeto da venda.53 - . a fim de evitar conluios ou fraudes. estar devidamente assistidos ou representados. Da compra e venda e da troca A compra e venda distinguiu-se da troca ou permuta por importar na transferência de mercadorias de uma parte contratante para a outra. oneroso (não importa em liberalidade). sob pena de anulação do negócio. O CC define a compra e venda como o contrato pelo qual um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. 497 do CC. demais serventuários e auxiliares da Justiça e aos leiloeiros. se houver contradição ou diversidade entre a descrição da coisa no contrato e as características das amostras. 1. 497. embora possa esta ser exigida para a transferência da propriedade. e mesmo a pessoa solvente não pode alienar bens arrestados. mediante o pagamento de determinada quantia de moedas. 496 do CC). A compra e venda não requer forma especial. 484 do CC). São elementos essenciais da venda a existência do objeto (res).750 do CC). seqüestrados ou penhorados. exige autorização do juiz quando o alienante é incapaz (arts. Geralmente é comutativo. se incapazes. Hipóteses especiais de compra e venda (cláusulas especiais) a) Venda por Amostra Na venda por amostras. Esses elementos estão perfeitamente especificados no art. na hipótese de surgir dúvida quanto à existência de uma das prestações (venda de mercadoria que se encontra em navio que pode ter naufragado. legitimação.691. dos protótipos ou dos modelos. Além disso. A venda. Castellani CAPÍTULO III . 484).Coordenadores: Marcelo T. venda de colheita futura. venha ou não a haver safra – emptio spei) ou quanto ao valor dela (emptio rei speratae. sendo ato de disponibilidade. 482 do CC. testamenteiros.747 e 1. O legislador ressaltou ainda que essa proibição estende-se aos casos de cessão de crédito (art. administradores a aquisição dos bens confiados à sua guarda ou administração.CONTRATOS EM ESPÉCIE 1. aos juízes. havendo equivalência aproximada das prestações e certeza quanto ao valor de ambas. pode ser aleatório. podendo ser comutativo ou aleatório. Cometti Fernando F. embora tenha a capacidade geral. Assim. venda de colheita desde que haja safra. protótipos ou modelos. o vendedor garante ao comprador que a mercadoria alienada tem as qualidades correspondentes às da amostra (art. Para evitar litígios na família exige-se.

como coisa certa e discriminada. o comprador é equiparado ao comodatário (art. ainda que a coisa já tenha sido entregue. incluindo aquelas efetuadas com a sua autorização escrita no período de resgate ou para a realização de benfeitorias necessárias (art. adquirindo o bem. no máximo. tanto na venda a contento quanto na venda sujeita a prova. 1. funcionando esta como condição suspensiva para a efetivação do negócio. à coisa em seu todo. parágrafo único).54 - . livros e alimentos em geral. A retrovenda só se aplica aos imóveis e pode ser exercida durante um prazo de caducidade de. que se assemelha à venda a contento. A retrovenda tem efeitos reais. se o comprador transferiu o seu direito dentro do prazo de exercício da retrovenda. O CC estipulou um prazo máximo para o exercício do direito de preferência. 510). Até a aceitação da venda. promessa irretratável de venda etc. ou de dois anos. ou seja. o comprador fica obrigado a pagar o preço nas condições ofertadas ou ajustadas. Já a venda “ad mensuram” faz-se o preço por medida de extensão.). as despesas feitas pelo adquirente (custas de escritura e impostos). 505 do CC). importando apenas na criação de um direito obrigacional. funcionando como verdadeira cláusula resolutória da propriedade (art. sendo de cento e oitenta dias. Distingue-se da retrovenda por ser aplicável tanto a móveis como a imóveis. pois. na medida em que também se presume feita sob condição suspensiva de que a coisa tenha as qualidades asseguradas pelo vendedor e seja idônea para o fim a que se destina (art. perfumes. só poderá ser exercido em relação à totalidade do objeto. valendo inclusive contra terceiros. O CCl trouxe a figura da venda sujeita a prova. não se admitindo exercício parcial do direito de preferência que viria cindir a venda. anticrese. três anos a partir da data da venda (art. É muito conhecida tal espécie de venda no tocante a vinhos. situação em que a mesma passa a ser condição essencial ao contrato efetivado. o titular do direito de preferência pode notificar o alienante de sua vontade de exercê-la. 509 a 512 do novo Código Civil) Venda a contento é a alienação que depende de aprovação do comprador. se imóvel (art. b) Venda “ad corpus” e “ad mensuram” Há duas modalidades na venda de terras ou terrenos: a venda ad corpus é a alienação de imóvel. O direito de preferência é intransferível por ato mortis causa ou inter vivos. como ocorre na retrovenda. Ciente da venda que está para ser realizada. de uma espécie de venda condicional que somente se torna perfeita e acabada comprovando-se a identidade da mercadoria ou do objeto entregue com a amostra que deu margem ao pedido. e não num direito real. d) Venda a contento e venda sujeita a prova (arts.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Trata-se. e) Preferência ou preempção A preferência ou preempção é uma faculdade pessoal que se assegura ao vendedor para readquirir a coisa vendida em igualdade de condições com um terceiro comprador. 511 do CC). . Existindo preferência em favor de mais de uma pessoa. 513. c) Retrovenda A cláusula de retrovenda consiste na faculdade que se reserva o vendedor de reaver o imóvel vendido devolvendo ao comprador o preço. Na hipótese de exercício do direito de preferência. sendo apenas enunciativa ou descritiva a referência às dimensões. na hipótese de revenda do bem.359 do CC). que se resolve em perdas e danos. 505 do CC). e extinguindo todos os direitos de terceiros posteriores à alienação primitiva (hipoteca. se a coisa for móvel.

estipulem de forma similar. 1. em que se prova o embarque das mercadorias. Cometti Fernando F. o animus donandi. sob a justificativa do desuso dessa figura contratual tipificada pelo Código de 1916. Essa proibição. seguro e frete incluídos) ou FOB (free on board = livre a bordo). bens ou vantagens do seu patrimônio para outra pessoa. A pessoa casada não pode fazer doações sem o consentimento do outro cônjuge. assegurando-se. por liberalidade. A lei presume. ao primeiro comprador a preferência para manter a venda feita em seu favor. Também se considera válida a doação feita ao nascituro quando aceita pelo seu representante legal (art. admite-se que os absolutamente incapazes possam receber doações puras. 8.Coordenadores: Marcelo T. É preciso que o donatário aceite a doação. f) Pacto de melhor comprador e pacto comissório O pacto de melhor comprador é a faculdade concedida ao vendedor. 529). aplicandose somente aos imóveis. É preciso distinguir no caso a doação da dação em . Doação Doação é o negócio jurídico pelo qual alguém se obriga a transferir. Os caracteres essenciais da doação são o enriquecimento do donatário. por exemplo. Castellani A preferência tem sido assegurada. pelo contrato. 33). pelos usos. Entretanto. Vale o pacto de melhor comprador como verdadeira condição resolutiva. caso o contrato nada mencione. As doações remuneratórias são aquelas que visam uma compensação do donatário por serviços prestados ou por ato praticado. resolvendo-se em perdas e danos. observado o regime dos negócios jurídicos. sem a necessidade da sua aceitação (art. em condições de igualdade com qualquer terceiro interessado na compra do prédio. salvo se absolutamente incapaz. 3. freight = custo.242/91) lhe dá efeitos reais (art. 542 do CC). mas pela entrega do seu título representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato. caso pague preço igual ao do melhor comprador encontrado no prazo de exercício do pacto. ressalvados os casos em que o defeito tiver sido comprovado (parágrafo único do art. g) Venda sobre documentos A definição desse instituto é dada pelo art. todavia. de bens comuns ou dos que possam integrar futura meação. Usa-se tal modalidade no comércio internacional. 543 do CC). a atualidade da atribuição patrimonial e a irrevogabilidade. 530). por lei. em geral contendo as cláusulas CIF (cost. 529.647 do CC). usando da sua autonomia da vontade. A Lei do Inquilinato (Lei n. pelo conhecimento marítimo. a aceitação quando o doador fixou prazo para que o donatário o aceitasse. 539 do CC). de rescindir a venda já realizada se dentro de certo prazo aparecer melhor comprador. Ao comprador não cabe recusar o pagamento alegando vício ou estado da coisa vendida. ao locatário para aquisição do imóvel residencial alugado. Atendendo-se ao interesse do donatário. tendo todavia efeitos pessoais. entretanto. salvo sendo remuneratórias. Salvo estipulação em contrário. ou até. não vale se os cônjuges forem casados em regime de separação absoluta (art. ou seja.55 - . tratando-se de doação sem encargo e o donatário não se manifestou nesse período (art. O Código Civil deixou de disciplinar o pacto de melhor comprador. insurance. nada impede que as partes. de modo que se caracteriza não pela tradição da coisa. todavia. o pagamento deverá ser efetuado na data e no lugar da entrega dos documentos (art. uma vez que a documentação esteja em ordem.

voltarão os bens doados ao doador se ainda estiver vivo. ou empreitada. anulando as alienações feitas pelo donatário e fazendo os bens reverterem livres de quaisquer ônus ao doador. se for gratuito. senhorio ou arrendador. operando tal cláusula como resolutória do contrato. da qual o doador poderia dispor em testamento no momento da liberalidade.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI pagamento. impessoal e de duração. comutativo. É oneroso porque. só são devidas enquanto ele estiver vivo e não poderão subsistir após a morte do donatário. consensual. o de trabalho doméstico. podendo ser nula ou anulável. quando revestem a forma de pagamento em períodos sucessivos. vários contratos foram abrangidos pela denominação de locatio conductio. não havendo nem mesmo um direito do credor de exigir judicialmente o pagamento de uma prestação fixa. Da locação No direito romano. mediante acordo nesse sentido entre as partes. e locatio operarum: locação de serviços. mesmo antes da entrega o contrato já está perfeito. o contrato de trabalho. locatio operis faciendi: locação de obra. Assim. A revogação ocorre na hipótese de ingratidão do donatário. Nesta hipótese. 549 do CC). em virtude da morte do donatário. isto é. As doações podem ser reversíveis. passando a ser considerada como inexistente desde o início e desaparecendo todos os seus efeitos e. 555 do CC). Não é contrato real. que tinha três modalidades: locatio rei (ou rerum): locação de coisas. mediante remuneração.56 - . salvo outra indicação do doador. ou de execução sucessiva. É bilateral porque acarreta obrigações interdependentes de ambas as partes. constitui comodato (empréstimo de coisa não fungível). terá ela efeitos retroativos. o de agência. A resolução da doação decorre da existência de condição resolutiva ou termo final. oneroso. quando as partes estipulam que. o de expedição. A locação é contrato bilateral. a que recebe a coisa chama-se locatário. Locação é o contrato em que uma das partes se obriga a ceder à outra o uso e gozo de coisa infungível. 4. como figuras autônomas. pois a resolução do direito fundamental importa em caducidade dos direitos derivados. inquilino ou arrendatário. . A remuneração ou o preço pago diz-se aluguel. Esta existe havendo preço combinado para uma prestação de serviços e pagando o devedor com um objeto determinado. porque não se exige a entrega da coisa para aperfeiçoar o contrato. A doação é ineficaz quando realizada em desobediência às normas legais. inclusive. os Códigos mais recentes disciplinam o contrato de prestação de serviços. sendo considerada nula qualquer estipulação pela qual o doador previamente renuncie à possibilidade de revogação nos casos de ingratidão do donatário. A redução das doações se justifica quando o valor destas ultrapassa a parte disponível. Pode fazer-se em dinheiro ou outra utilidade. a empreitada. A locação ficou restrita à de coisas. extinguindo-se a liberalidade. 557 a 564 do CC. ferindo assim os direitos dos seus herdeiros necessários (art. que. A revogação deve respeitar os direitos de terceiros e pode decorrer também da inexecução de encargos (art. os eventuais direitos de terceiros. A parte que cede o uso e gozo diz-se locador. constituindo faculdade que o doador poderá exercer na forma dos arts. com um regime especial para os imóveis. A doação surge quando não existe essa proporção exata entre as prestações. aluguer ou renda. É consensual porque basta o acordo de vontades. o contrato de aprendizagem. Mas a evolução do direito alterou a classificação romana. As doações ainda podem ser continuadas. o de transporte e outros.

Mesmo sendo lei especial. 90). realizado intuitu personae ou livremente transferível (art. tratando-se de um instituto de alta relevância não apenas no direito civil. em que trouxe inovações quanto às ações de despejo. consignação. que. “dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os procedimentos a elas pertinentes”. O dever primordial do empreiteiro é realizar a obra ou serviço no prazo e nas condições convencionadas ou de acordo com os usos locais. respondendo pela sua solidez. como se vê da ementa. ser de execução imediata ou contínua. assim como das regras técnicas peculiares aos trabalhos da mesma natureza.57 - . aplicáveis a todas as locações de imóveis urbanos. Nesse sentido é o art. o dono pode optar entre receber a obra e exigir abatimento do preço ou rescindir o contrato pedindo perdas e danos (arts. A lei sistematizou melhor a matéria. Da empreitada A empreitada costuma ser definida como o contrato pelo qual alguém se obriga a fazer determinada obra para outrem. 621 do CC. como o fundo de comércio e patente de invenção. infungíveis e não consumíveis. o mesmo dispositivo legal traz duas exceções e permite modificações quando: a) fique demonstrada a inconveniência ou excessiva onerosidade da execução do projeto original. 8. Considera-se imperfeita a obra quando o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados. a cessão. conforme o caso. O contrato de empreitada é consensual. Admite-se que certos bens incorpóreos também possam ser locados.Coordenadores: Marcelo T. Castellani É impessoal porque não se leva em conta a pessoa do contratante. começando pelas disposições gerais. Na hipótese de mora do empreiteiro ou de defeitos na obra. ressalvada a unidade estética da obra projetada. e b) quando as alterações forem de pouca monta. Da locação predial urbana As leis de locação predial foram chamadas de Leis do Inquilinato. podendo.245/91 foi além e regulou melhor e com alterações alguns processos referentes às locações de imóveis. Tal como em parte ocorria nas anteriores. Cometti Fernando F. Não o podem ser também os bens públicos de uso comum. Em virtude do contrato de empreitada pode ocorrer a modificação de um bem móvel ou imóvel ou a realização de um trabalho científico. 626 do CC). deverá ser assinado documento escrito determinando as alterações. que passam a incluir-se na locação. bilateral. em tese. aplica-se o Código Civil. porque se prolonga no tempo. Havendo qualquer modificação do plano inicial por parte do dono da obra. a Lei n.245. por motivos supervenientes ou razões de ordem técnica. Podem ser locadas coisas móveis e imóveis. Entretanto. Não podem ser locadas as coisas fungíveis. É contrato de duração. oneroso e comutativo. passando para as especiais. 5. mediante retribuição. A coisa pode ser do locador ou não. editou-se a Lei n. A lei se refere aos contratos em shopping centers. se for omissa. porque supostamente pretendiam defender ou proteger o inquilino. supletivamente. alterando e extinguindo a Lei de Luvas e outras leis especiais (art. 615 e 616 do CC). 8. é válida a locação de coisa alheia. Em 18-10-1991. pois neste caso o contrato se transforma em mútuo oneroso. . com a locação residencial e a não residencial e cuidando da parte processual. 6. revisional e renovatória. mas também no direito empresarial e no direito administrativo. tudo dependendo das circunstâncias peculiares do contrato e da convenção das partes. sendo admitida. intelectual ou artístico.

de locação de serviços e que hoje se considera mais adequado chamar de prestação de serviços. Em caso de prazo certo. ou o consumo. justificando então a rescisão a pedido do empreiteiro. não se pode mandar alguém em lugar da parte (art. Do empréstimo O empréstimo é a convenção pela qual uma das partes recebe coisa alheia para utilizá-la e. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito. Já vimos. 602 do CC). como acontece nos bens fungíveis. locatio operis e locatio operarum. assim estabelecendo no art. no Código Civil de 1916. o que se chamou. pode ser contratada mediante retribuição”. O perecimento do objeto. assiste ao dono da obra o direito de rescindir o contrato. de coisas infungíveis para utilização pelo comodatário. material ou imaterial. que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial. 593 a 609 ao admitir que se contrate qualquer serviço. no capítulo das locações. com aviso prévio (como no direito do trabalho). de acordo com a cláusula resolutiva tácita. Da prestação de serviço É aquele pelo qual uma pessoa estipula uma atividade lícita. reger-se-á pelas disposições deste Capítulo. 599: “Não havendo prazo estipulado. sem subordinação do prestador e mediante remuneração. só deve o prestador despedir-se por justa causa (art. os riscos referentes a este correrão por conta do empreiteiro até a entrega da obra a quem a encomendou. 1. donde se segue que é personalíssimo (ou intuitu personae) 8. As partes que convencionaram a empreitada. no direito romano. qualquer das partes pode rompê-lo. mediante prévio aviso. terminologia adotada pelo novo Código Civil. se quiser. que. empréstimo gratuito. 593. A conclusão da obra com o respectivo pagamento é a forma normal de extinção do contrato de empreitada. tem direito a receber por inteiro a retribuição vencida e a metade do que faltar até o fim do contrato (art. como ocorre nas coisas infungíveis. devolvê-la ao legítimo proprietário. aplicável a todos os contratos bilaterais. O tempo máximo do contrato. A finalidade do empréstimo pode ser o simples uso. em seguida. Art. o mesmo acontecendo na hipótese de inadimplemento por parte do dono da obra. 594. nem se podendo inferir da natureza do contrato. 7. 603). a seu arbítrio. . O contrato só admite transferência com acordo da outra parte. por comum acordo. havia três figuras com nomes começando pela palavra locatio: locatio rerum. ou seja. qualquer das partes. a força maior e o caso fortuito são outras tantas causas de extinção da empreitada. Se o prestador de serviços for despedido sem justa causa. a terceira. mas inova ao acrescentar: “Art. a segunda (locação de obra) é o que se chama de empreitada.58 - . A prestação de serviço. A primeira é a locação de coisas. podem realizar um distrato. O novo Código Civil corrigiu o termo “rescindir” (do art.221) por “resolver”. em caráter eventual e autônomo. ocorrendo assim a extinção por vontade das partes. Distingue-se assim o a) comodato. é de quatro anos (art. 626 do CC). 598 do CC). se não fixado. a desapropriação do bem. pode resolver o contrato”. mantendo-se. O CC regula a matéria nos arts. o falecimento de uma das partes sendo o contrato intuitu personae (art. 605 do CC).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo a empreitada de mão-de-obra e de material. Se houver inadimplemento ou culpa por parte do empreiteiro. Neste caso. ou do costume do lugar.

Também se diferencia o depósito do mandato. mesmo quando devidamente autorizado pelo depositante. e só pode ser realizado pelo proprietário da coisa mutuada. comodatário. do b) mútuo. Castellani todavia. podendo ser gratuito ou oneroso. o mandatário tem deveres ativos para defender os interesses do mandante. 640. 627 do CC). as regras do novo Código Civil seguem quase que completamente as já existentes no Código de 1916. pois res perit domino (o risco pelo perecimento da coisa corre por conta do proprietário). O depósito. quantidade e qualidade. sem a autorização expressa do depositante. Ressalta-se que. podendo usá-la e consumi-la. distingue-se do comodato. que têm a mesma razão de ser. 640 do CC). em que o comodatário recebe a coisa para a sua utilização. por haver no primeiro uma função relativamente passiva de vigilância. cabendo-lhe restituir objeto de igual qualidade e valor. sob pena de importar em ato nulo para o direito civil e ilícito penal punido como se estelionato fosse (CP. A utilização indevida da coisa depositada ou a sua entrega em depósito a terceiro. Do depósito O contrato de depósito importa na guarda temporária de um bem móvel pelo depositário até o momento em que o depositante o reclame (art. art. 9. empréstimo de coisas fungíveis. em virtude da qual os riscos da coisa se transferem para o mutuário. convencionando-se juros para o financiamento. O comodato consiste na cessão gratuita e temporária da utilização de coisa infungível.59 - . em que o mutuário se torna um verdadeiro proprietário da coisa mutuada. embora sendo onerosa. obrigando-o a restituir ao mutuante o que dele recebeu. denominando-se então . I). no segundo. segundo a melhor doutrina. O depósito. O mútuo também é chamado empréstimo de consumo. o depositário não pode utilizar a coisa depositada. em coisa do mesmo gênero. Depósito voluntário é o decorrente da vontade das partes. parágrafo único. e da locação de coisa. § 2º. do CC) especificou ainda a responsabilidade do depositário. enquanto. a abertura de crédito é contrato consensual. O mútuo em que as partes estipulam o pagamento de juros é denominado mútuo feneraticio. sendo a identificação genérica e não individual. 171. Caracteriza-se o mútuo pela translação do domínio. Ao contrário do mútuo. se agir com culpa na escolha do terceiro para quem o bem será dado em depósito. mas por qualquer pessoa que tenha a posse dele (locatário. implica responder o depositário por perdas e danos (art. Ao lado do contrato típico de mútuo. sendo ato de administração. Normalmente. mandatário). pela sua finalidade básica de custódia da coisa. depósito obrigatório é o realizado em desempenho de obrigação legal (depósito legal) ou em virtude de calamidade pública (depósito miserável). para consumo. a sua substância inalterada e devolvendo-se as coisas recebidas ao comodante. com traços peculiares. a possibilidade de utilizar por certo prazo um crédito limitado ou ilimitado. mesmo na hipótese de destruição da coisa por força maior ou em virtude de caso fortuito. e o gênero presumidamente nunca perece.Coordenadores: Marcelo T. pode ser contratado não apenas pelo proprietário do objeto. Já o mútuo consiste na transferência da propriedade da coisa mutuada. salvo convenção em contrário das partes ou em decorrência da própria natureza do negócio (depósitos bancários). em relação ao comodato. Cometti Fernando F. O legislador (art. pela qual se assegura a alguém. mediante determinada comissão. cuja obrigação de restituir perdura. conhecemos o contrato de abertura de crédito ou promessa de mútuo. O depósito ainda pode ser de coisa litigiosa a fim de evitar que o desvio dos bens litigiosos venha prejudicar as partes em conflito.

Quando os incapazes outorgarem mandato sem representação ou assistência. 654 do CC. não se podendo.015/73. trabalho. A base do mandato é. devendo a procuração ser dada pelos seus representantes legais. conceder mandato para fazer testamento. § 3º). salvo em decorrência das regras gerais e princípios aplicáveis às obrigações contraídas pelos menores (art. sendo admissível tanto em relação a móveis como a imóveis e funcionando como medida preparatória ou conservatória regulada pela lei processual civil (arts. 653 do CC). pois. quando somente os primeiros são da alçada do mandatário. atendendo-se à personalidade do mandatário. A procuração é um negócio jurídico pelo qual se constitui o poder de representação voluntária. O primeiro decorre de convenção e o segundo de . independentemente de qualquer intervenção do seu assistente. aplicam-se as normas sobre obrigações contraídas por menores (arts. Há um lado interno (o negócio entre as partes) – subjacente – e o lado externo – a representação. pois. entre dezesseis e dezoito anos. Ocorre que. 171 a 177 do CC). o relativamente incapaz pode figurar como mandatário. ou pelos seus assistentes. decorrente da confiança existente entre os contratantes. corretagem etc. e que abrange negócios jurídicos e atos materiais. pessoa física ou jurídica. Este pode ser de prestação de serviços. mas neste caso o mandante não terá ação contra ele. é remunerado. do Código de Processo Civil). normalmente. O mandato é considerado como contrato unilateral. casar com pessoa determinada (art. em virtude da convenção ou por tratar-se de ato profissional. Os incapazes podem outorgar mandato. como exige o art. enquanto no mandato. Ademais. em nome do mandante. art. Em alguns casos especiais. Todas as pessoas capazes podem outorgar mandato mediante instrumento particular por elas assinado. O mandato se distingue da comissão porque o comissário atua em nome próprio. Do mandato O mandato é o contrato pelo qual alguém recebe de outrem poderes para. 666 do CC). O mandato pode ser expresso ou tácito. 6.542 do novo Código Civil). 792 da Consolidação das Leis do Trabalho). A procuração é o instrumento do mandato. 166. sendo absoluta a incapacidade. embora se admita o mandato para. praticar atos ou administrar interesses (art. em seu nome. o mandatário age em nome e por conta do mandante. somente passando a ser imperfeitamente bilateral quando o mandatário. fiduciária. assim dispondo a lei em relação aos conflitos trabalhistas (art. em verdade. por exemplo. Freqüentemente é o mandato.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI seqüestro. sendo a incapacidade relativa. 822 e s. a faculdade de apresentar queixa-crime (Código de Processo Penal. que é sempre onerosa. admite-se a procuração dada pelo relativamente incapaz. arts. Também se diferencia da prestação de serviços.60 - . não há identidade entre procuração e mandato. 10. O analfabeto só pode outorgar procuração por instrumento público. para a doutrina. uma vez que não pode assinar o instrumento particular. O mandato só é admissível para os atos que não têm natureza personalíssima. 50. compra e venda. 1. a relação entre o representante e principal perante o terceiro. só cria obrigações para o mandatário. tratando-se inequivocamente de um contrato realizado intuitu personae. 34 e 50) e de requerer o registro de nascimento (Lei n. embora no interesse e por conta do comitente. enquanto o mandato se apresenta como presumidamente gratuito.

mudança do estado que inabilite o mandante a conferir os poderes ou o mandatário a exercê-los. 5º. conforme indicado. Esse contratante. tem poderes amplos. revogação pelo mandante. 682 do CC). que é aproximada. O mandato. 658. Trata-se de mandato irrevogável e que subsiste e produz efeitos após a morte do mandante. 11. 658 do CC). Extingue-se o mandato em virtude de renúncia do mandatário. em que a simples indicação do advogado em audiência pode ser suficiente. do CC). conseqüentemente. na falta destes. em tese. quando se trata de pessoa física. caducando o mandato com a morte.61 - . mas não afetando as pessoas jurídicas. como a que considera os cônjuges autorizados a comprar as coisas necessárias à economia doméstica independentemente de autorização um do outro (art. pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio (art. recebendo duplamente. que certos corretores exigem. São partes no contrato de corretagem o interessado (cliente) e o corretor (mediador). por arbitramento (art. incapacidade ou mudança de estado de um dos contratantes. morte ou interdição de uma das partes. fica isento de prestar contas. sem subordinação e mediante remuneração. Do contrato de corretagem É o contrato pelo qual uma parte se obriga para com outra a aproximar interessados e obter a conclusão de negócios. 37 do Código de Processo Civil e art. da Lei n. É também chamado de mediação. inclusive para transferir para si bens móveis e imóveis objeto do mandato. São irrevogáveis os mandatos a) com cláusula de irrevogabilidade. naturalmente gratuito.Coordenadores: Marcelo T. O mandato judicial é concedido a advogado devidamente registrado na Ordem dos Advogados (OAB) para patrocinar uma causa. Castellani presunção legal. O contrato classifica-se como bilateral. caso seja efetivado o negócio pretendido. não tem a obrigação de pagar a comissão. . outorgado no interesse do mandatário. se presume oneroso quando praticado profissionalmente pelo mandatário. Admite-se excepcionalmente que o advogado funcione sem procuração e comprometendose a apresentá-la dentro de certo prazo (art. podendo desempenhar a função apenas esporadicamente. podendo esta ser global ou paga parceladamente durante o tempo em que for exercido o mandato (art. Cometti Fernando F. caberá ao mandatário a retribuição prevista em lei ou no contrato. 1. porque acarreta obrigações para ambas as partes. b) dados como condição do contrato bilateral ou c) com cláusula “em causa própria”. qualquer das partes possa sempre rescindi-lo. O mandato em causa própria é. equivalendo a procuração à venda ou cessão de direito. admitindo-se em todas as hipóteses que as partes livremente convencionem uma remuneração pelo exercício do mandato. Quando não houver previsão. A natureza personalíssima e fiduciária do contrato faz com que. salvo nos processos criminais e trabalhistas. a remuneração será determinada pelos usos e costumes do lugar e. não se configura como cliente no contrato de corretagem e. A outra parte. É muito usada na cessão de títulos de clube e na alienação de bens imóveis. meio de cumprir uma obrigação contratada.906/94 – Estatuto da OAB).643 do CC). deve remunerar o corretor. § 1º. 8. Este pode ser pessoa física ou jurídica. Se o mandato for oneroso. O mandato deve ser escrito. parágrafo único. Nem sempre o corretor é um profissional. Cliente é aquele que contrata o corretor para realizar o negócio. por conseqüência. que.

que. entretanto. todavia. porque implica remuneração. aleatório e consensual. se pronunciado pela sua caracterização como obrigação de resultado. sempre prestando informações e esclarecimentos ao cliente sobre o andamento. devendo conter a enumeração dos riscos transferidos ao segurador.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI acessório. O contrato de seguro é dirigido. Muitas vezes. nos termos do art. 12. do CC). se o segurado prestar declarações falsas. conforme decidido pelos nossos tribunais. basta a declaração do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito) de que foi pago o prêmio (anexa ao Certificado de . ou não. 723 do CC. O seguro tem como instrumentos a apólice e o bilhete de seguros. de trânsito e outros). as condições. O Decreto-lei n. podendo o cliente exigir prestação de contas. No seguro obrigatório de veículos terrestres. pois depende da aprovação do seu texto pelas autoridades administrativas (SUSEP – Superintendência de Seguros Privados). pois a lei impõe a determinadas classes de pessoas o seguro obrigatório (acidentes de trabalho. aleatório. que possam influir na aceitação da proposta ou especificação do valor do prêmio pela seguradora. subsistindo. oneroso. nem a liberdade de contratar. tendo como contraprestação o pagamento do prêmio pelo segurado. Concluindo-se ou não os negócios. assim. inclusive.62 - . o STJ. e consensual. ele perderá o direito à garantia objeto do seguro. Do Seguro O seguro é concebido como promessa condicional de indenização na hipótese de ocorrência do sinistro (acontecimento futuro e incerto causador de prejuízo). não sendo exigida necessariamente a sua formalização por escrito. tanto na sua formação quanto na sua execução (art. os documentos recebidos devem ser restituídos. se a inexatidão ou a omissão não resultar de má-fé do segurado. englobando o seguro de vida. porque depende do fator sorte (realização do negócio). O contrato de seguro é bilateral. podendo apenas aceitá-las ou deixar de contratar. o segurador pode optar pela resolução do contrato ou cobrança da diferença do prêmio (art. O legislador ressalvou. já tendo. é um contrato de adesão e um contrato dirigido. que depende da existência de prejuízo em virtude da ocorrência do sinistro no período de vigência do contrato. Uma das prestações (a indenização a ser paga pelo segurador) é. e é de adesão. porque basta o acordo de vontades. O elemento aleatório consiste justamente na incerteza referente ao pagamento da indenização. O contrato de seguro se fundamenta na boa-fé das partes e na sua lealdade. a obrigação do pagamento do prêmio vencido (art. conforme o caso. Se causar danos. por dolo ou culpa. porque tem por fim a conclusão de outro contrato (o principal). As operações de seguros agrupam-se em: a) seguros de ramos elementares ou de dano. oneroso. A apólice ou o bilhete de seguro são os instrumentos probatórios do contrato. O corretor tem o dever de desempenhar a sua função de intermediação com diligência e prudência que o negócio exige. Há também a proposta. enquanto a apólice fica com o segurado. enquanto a do outro contratante (o pagamento do prêmio pelo segurado) é certa e independe de condição. existe. os dados sobre o prazo de vigência do contrato e as obrigações assumidas pelas partes. 73/66 permite a emissão de bilhete de seguro a pedido verbal do interessado (art. inexatas ou omitir informações relevantes. 766. os riscos e as especificidades do negócio. 765 do CC). 10). deve por eles responder. pois o segurado não tem a possibilidade de discutir as cláusulas contratuais com o segurador. 766 do CC). parágrafo único. Diante desse princípio. b) seguros de pessoa. condicional. que fica com a seguradora.

pois cria dever para o fiador em relação ao credor. o contrato de fiança é gratuito. e o fiador pode limitar-se a garantir o pagamento dos aluguéis).63 - . em virtude do art. 13. nem mesmo as cartas de recomendação ou aquelas em que um terceiro promete fazer o melhor esforço para que o devedor pague a dívida (comfort letter). unilateral e gratuito. Cometti Fernando F. Em princípio. sob pena de ser reduzida às suas justas proporções (art. A lei usa o termo caução. disciplinada no Código Civil a partir do art. É unilateral. A fiança. Nos estacionamentos pagos de veículos. A fiança pode ser mais restrita do que a obrigação principal (as obrigações do locatário se referem à conservação do prédio. não valendo todavia como fiança as simples referências à idoneidade do devedor ou as informações comerciais sobre ele. garantia específica dos títulos cambiais. 819 do CC). e. a denominação de caução fidejussória. 693. art. por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio”.. Esta pode ser: real (quando há uma coisa dada em garantia) ou fidejussória. Nos seguros de viagem. Esta costuma ser fiança. extinguindo-se e anulando-se com esta. salvo se a procuração contiver poderes expressos. em contrato próprio ou no contrato principal. como ocorre com os seguros de cartão de crédito. pagamento dos aluguéis etc. dando o nome e o período da garantia. Fiança legal é a que decorre de imposição de lei. assim como da comissão “del credere”. comprovando o estacionamento. não devendo. O Código Civil estabelece em seu art. A acessoriedade decorre de seguir a obrigação do fiador o destino da obrigação principal. 30). 1. 823 do CC).981 de 19-10-1932. cujas obrigações se garantem. basta um simples bilhete ou cartão numerado. as pessoas jurídicas cujos estatutos proíbem a concessão de fiança e os mandatários que não tenham competência explícita para esse fim. Trata-se de um contrato acessório. Castellani Propriedade). também podendo constar de simples carta ou declaração na qual seja inequívoca a vontade do fiador de garantir o pagamento de dívida alheia. salvo tendo dado poderes especiais para tanto por instrumento público (art. . Fiança judicial é aquela exigida por uma das partes no processo. Por exemplo. pelo seu caráter liberal não se presume. todavia. explicando-se. Em determinados seguros-saúde. Os elementos essenciais da fiança são a existência de uma obrigação principal válida (obrigação do afiançado) e de uma obrigação acessória com caráter de garantia. simples indicação nos extratos mensais. os leiloeiros (Decreto n. só respondendo o fiador pelas obrigações explicitamente assumidas. A fiança se distingue do aval. ser mais ampla do que a obrigação garantida.Coordenadores: Marcelo T. quando este ameace ruína. não admitindo outrossim interpretação extensiva. 758: “O contrato de seguro provase com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro. assim. A fiança se caracteriza pela fé depositada no fiador. podendo todavia as partes livremente convencionar uma compensação para os riscos corridos pelo fiador. Outras vezes. certas seguradoras fornecem um cartão com a espécie de seguro. o proprietário tem direito a exigir do proprietário ou possuidor do prédio vizinho a demolição ou a reparação necessária. bem como que lhe preste caução pelo dano iminente. na falta deles. Da fiança Ocorre fiança quando alguém se obriga a pagar dívida alheia. 21. basta um simples cartão com os dados do segurado.280. Fiança convencional é a que decorre de vontade das partes. fornecido por meios eletrônicos. Não podem prestar fiança os analfabetos. necessariamente manifestada por escrito. sem que o primeiro possa exigir qualquer compensação do segundo.

incidindo também regras do Código de Defesa do Consumidor. § 2º. Como legislação específica relacionada com o contrato de transporte. art. 734 a 742 e 743 a 756. 10). Também devem ser observadas as disciplinas especiais sobre o tema e os tratados e convenções internacionais (art. mediante retribuição. com segurança. entende-se que são solidários salvo se limitaram a responsabilidade de cada um ou convencionaram a divisão das responsabilidades. a transportar. 731). fluvial e lacustre) e aéreo. das normas do Código Civil (art.411/2000. quando o credor renunciou expressamente a esse benefício. 8. até a contestação da lide. art.611/98. permissão ou concessão são aplicadas as regras dos regulamentos específicos. sem danos. Na prática. ou misto. indicar bens do devedor livres e desembaraçados existentes no município suficientes para solver o débito. regulamentada pelo Decreto n. dependentes de condição ou de termo (art. aliás. abrangendo sucessivamente as várias modalidades. que trata do transporte multimodal. podem-se citar o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei n. abrangendo dívidas certas ou incertas. custas. todavia. 730: “Pelo contrato de transporte alguém se obriga. deslocando a pessoa e a sua bagagem. As partes do contrato de transporte são: de um lado.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A fiança pode ser estipulada sem consentimento do devedor ou contra sua vontade (art. cláusulas penais). a fim de evitar a execução dos seus próprios bens. o transportador obriga-se a cumprir o contrato. Em relação ao regime jurídico aplicável. presentes ou futuras. o passageiro ou usuário (no transporte de pessoas) ou o expedidor ou remetente (no transporte de coisas). 3. como se vê. 7. a Lei n. sem prejuízo. respectivamente. obedecendo aos horários e aos itinerários. desaparecendo. 732). na legislação estrangeira. a Lei n. aquático (marítimo. O benefício de ordem decorre da natureza normalmente subsidiária ou complementar da responsabilidade do fiador.565/86. o transporte pode ser terrestre (rodoviário ou ferroviário). a evolução realizada pretende equiparar o fiador ao devedor solidário. Pode haver transporte de pessoas e transporte de coisas. desde que haja a anuência do usuário. de um lugar para outro. 9. No transporte de pessoas. 14. líquidas ou ilíquidas. admitindo-se também a concessão de fiança ao fiador. o legislador ressalvou que ao transporte exercido em virtude de autorização. em seus arts. Se ocorrer evento alheio à vontade do transportador que interrompa a viagem. correndo todas as despesas por conta do transportador. pessoas ou coisas”. 820 do CC). que dispõe sobre o seguro de cargas. ou se obrigou como principal pagador e devedor solidário ou ainda sendo o afiançado pessoa insolvente ou falida (arts. todavia. 827 e 828 do CC). de outro.374/91.64 - . . o transporte deverá ser concluído em outro veículo da mesma categoria ou em modalidade diferente. sem mencionar qualquer restrição. mediante o pagamento do valor da passagem pelo usuário. 8º. Quanto ao meio. o transportador (ou condutor) e. 821 do CC). O benefício de ordem consiste na possibilidade dada ao fiador de. Obrigando-se pela obrigação principal. Pode haver vários fiadores para um único débito. Do transporte O Código Civil define o contrato de transporte em seu art. Não é parte o destinatário das coisas. assume o fiador a responsabilidade por todos os acessórios (juros. No caso de pluralidade de fiadores para um mesmo débito. até o lugar previsto. tendo o novo Código Civil disciplinado estas duas espécies de forma diversa.

em duas vias. podendo. inclusive. Castellani O transportador não pode recusar passageiros. devendo tomar todas as providências e os cuidados para manter o seu bom estado. a não danificar o veículo. salvo se existir justificativa em regulamentos ou o motivo decorrer das condições de saúde ou de higiene do interessado (art. As eventuais reclamações deverão ser feitas. 739 do CC). terá direito à restituição do valor pago. neste momento. A conferência das condições da mercadoria deve ser feita no ato de entrega pelo destinatário ou por pessoa que apresentar o conhecimento de transporte endossado. especificadas nos bilhetes ou que de outra forma lhe tenha sido dado conhecimento. sob pena de decadência de tal direito. o transportador submete-se à disciplina legal do depósito. dificultar ou impedir a prestação do serviço (art. o transportador tem a obrigação de levar o bem que lhe foi entregue ao destino solicitado.65 - . A falsidade das informações ou a sua inexatidão implica o dever de o remetente indenizar o transportador pelos danos causados por tal ato. 751 do Código Civil. 744 e seu parágrafo único do CC). o passageiro pode rescindir o contrato de transporte. Ao manter a coisa a ser transportada em seus armazéns.Coordenadores: Marcelo T. 754 do CC). O passageiro pode rescindir o contrato antes de iniciada a viagem e. se comunicado ao transportador em tempo hábil para a revenda do bilhete. bem como de se comportar de maneira a não incomodar ou prejudicar os demais passageiros. No transporte de coisas. O transportador é obrigado a emitir documento especificando as características que identifiquem a coisa a ser transportada. ficando uma parte integrante do conhecimento (art. . salvo se a avaria não for perceptível desde logo. hipótese na qual há o prazo de dez dias para reclamar (art. exigir do expedidor uma relação dos bens devidamente assinada. O passageiro tem a obrigação de observar as normas estabelecidas pelo transportador. dentro do prazo contratado ou previsto. Cometti Fernando F. mas somente receberá a restituição do trecho não utilizado se demonstrar que outra pessoa foi transportada em seu lugar na continuação da viagem. em virtude do art. Mesmo que a viagem já tenha começado. 738 do CC).

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. Em havendo mais de um agente causador do dano. diz-se que a causa não era adequada. Com o art. para suportar o encargo ressarcitório. do homem ideal. Beneficiando. deve ser ele ressarcido integralmente pelo seu causador. para a caracterização de culpa. ocorre a solidariedade não só no caso de concorrer uma pluralidade de agentes. e. que diligentemente prevê o mal e precavidament evita o perigo. Cometti Fernando F. portanto. merecer censura ou reprovação do direito. A responsabilidade por danos causados por animais e coisas que estejam sob a guarda do agente é. Castellani CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL A responsabilidade civil é definida como a situação de quem sofre as conseqüências da violação de uma norma. Isto se deve ao aumento do número de acidentes e de vítimas. é o da comparação de seu comportamento com o do homo medius. Assim. não se perquire qual deles deve ser chamado como responsável direto ou principal. As principais teoria sobre a relação de causalidade são: 1) Teoria da equivalência das condições – toda e qualquer circunstância que haja concorrido para produzir o dano é considerada uma causa. Com relação aos graus. objetiva (expressa disposição do art. 936: independe da prova de culpa.67 - .– É a relação de causa e efeito entre a ação ou omissão do agente e o dano verificado. que não devem ficar irressarcidas. mais uma vez. não faz nenhuma distinção entre dolo e culpa. em regra. culpa grave ou mesmo levíssima. nem entre os graus da culpa. de ato de terceiro que esteja sob a guarda do agente. e ainda de danos causados por coisas e animais que lhe pertençam. O ato do autor do dano era condição sine qua non para que o dano se verificasse. c) Relação de Causalidade .A responsabilidade pode derivar de ato próprio. pessoalmente. 942 do CC o direito positivo brasileiro instituiu um “nexo causal plúrimo”. suprimida uma delas. ou como a obrigação que incumbe a alguém de reparar o prejuízo causado a outrem. 186. 932. 2) Teoria da causalidade adequada – Somente considera como causadora do dano a condição por si só apta a produzi-lo. A responsabilidade por ato de terceiro é hipótese de responsabilidade solidária (art. aquele de maior resistência econômica. a culpa pode ser grave. b) Culpa ou dolo do agente . como também entre as pessoas designadas no art. Agir com culpa significa atuar o agente em termos de. Vem expressa no verbo “causar”. É essencial que ele tenha agido com culpa. 1. para fins de reparação do dano. provado o dano. a vítima permite-lhe eleger. 942). pela sua atuação ou em virtude de danos provocados por pessoas ou coisas dele dependentes.Coordenadores: Marcelo T. só porque o agente causador do dano procedeu obejtivamente mal. O CC. Elementos da responsabilidade civil São elementos estruturais da responsabilidade civil: a) Ação ou omissão do agente . dentre os co-responsáveis. leve e levíssima. Como excludente de responsabilidade o agente deve provar que o dano foi causado por culpa exclusiva da vítima ou força maior. Assim. (Primeira parte do art. .A obrigação de indenizar não existe. A sua equivalência resulta de que. utilizado no art. o dano não se verifica. Se existiu no caso em apreciação dano somente por força de uma circunstância acidental. tenha agido com dolo. entretanto. 927 do CC) O critério para aferição da diligência exigível do agente. em regra.

395 e seguintes e 389 e seguintes. o dano. representa risco para os direitos de outrem. O parágrafo único do art. prescindindo do elemento culpa a obrigação de indenizar atribuída ao fornecedor.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI d) Dano . Responsabilidade civil nas relações de consumo No CDC. Esta modalidade funda-se no risco. também chamada aquiliana (art. Não há nenhum vínculo jurídico existente entre a vítima e o causador do dano. Não é. b) Responsabilidade objetiva – Nesta hipótese a lei impõe a reparação de um dano causado sem a concorrência do elemento culpa. Assim. a matéria do dano prende-se à da indenização. as quais se diferenciam pela consideração da culpa como elemento da obrigação de reparar o dano. Responsabilidade subjetiva e objetiva Convivem hoje no ordenamento jurídico brasileiro duas teorias que fundamentam a responsabilidade civil. por sua natureza. em não havendo culpa não há responsabilidade. Responsabilidade contratual e extracontratual A responsabilidade contratual ocorre quando determinada pessoa causar prejuízo a outrem por descumprir uma obrigação contratual. A responsabilidade subjetiva subsiste como regra necessária. 967 do CC admite a responsabilidade sem culpa pelo exercício da atividade que. a procuração ou a promessa de recompensa) ou da lei (como a obrigação de alimentos) Já a responsabilidade extracontratual é aquela derivada de ilícito extracontratual. Se possível restaurando o statu quo ante.Nesta concepção a culpa é pressuposto da responsabilidade civil. que seria conseqüência indireta do inadimplemento. 4. conforme se verifica da leitura do art. portanto. Indenizar significa reparar o dano causado à vitima. 186 do CC). ninguém pode ser responsabilizado civilmente. 2. integralmente. Nela o agente descumpre o avençado. O CC filiou-se à teoria subjetiva. indenizável o chamado dano remoto.Sem a prova do dano. tornando-se inadimplente. Logo. a) Responsabilidade subjetiva . ou seja. 3. envolvendo lucros cessantes para cuja efetiva configuração tivessem de concorrer outros fatores apenas a execução a que o devedor faltou. tanto a responsabilidade pelo fato do produto ou serviço como a oriunda do vício do produto ou serviço são de natureza objetiva. Nela o agente infringe um dever legal. Aprecia-se o dano tendo em vista a diminuição sofrida no patrimônio. . O dano pode ser material ou simplesmente moral Dano é uma lesão a um bem jurídico.68 - . em toda a sua extensão deve abranger aquilo que efetivamente se perdeu e aquilo que se deixou de lucrar. 186 que erigiu o dolo e a culpa como fundamentos da obrigação de reparar. de modo que só interessa o estudo do dano indenizável. sem prejuízo da adoção da responsabilidade objetiva. A responsabilidade contratual abrange também o inadimplemento ou mora relativos a qualquer obrigação. O CC disciplinou genericamente esta espécie de responsabilidade nos art. ainda que provenientes de um negócio unilateral (como o testamento.

948 a 954 do CC esclarecem o modus faciendi da liquidação da reparação civil no caso de atos ilícitos. parágrafo único). além dos lucros cessantes. 953 e 954 do CC tratam da reparação do dano material e do dano moral nos casos de injúria. se o prejudicado preferir. Além disso. 952 do CC). Os arts. 944. Em relação ao homicídio. determina a lei que sejam abrangidas as despesas com o tratamento e funeral da vítima. Quantificação e liquidação do dano Indenizar é. Quando impossível deve a indenização ser paga em dinheiro. 950 do CC). deverá ser concedida indenização correspondente. 947). . amigável ou judicial. c) o exercício regular do direito.Coordenadores: Marcelo T. É legal quando realizada na forma da lei. podendo a cláusula penal funcionar como uma prefixação das perdas e danos. São excludentes de responsabilidade civil subjetiva: a) legítima defesa. dentro da medida do possível. É convencional quando decorre de entendimento prévio entre as partes. Caso tenha se perdido o bem. Significa desfazer o dano. Nesse sentido. o art. 949 do CC). que consiste na fixação do montante pecuniário da indenização. restabelecer a situação anterior ao dano. tendo. No caso de usurpação de bens. assim. quando quem sofreu o dano tiver colaborado com a ocorrência do fato. na realidade. 944 do novo Código Civil especifica que: “A indenização mede-se pela extensão do dano”. Cometti Fernando F. sem excluir outras reparações. Excludentes de responsabilidade civil As excludentes de responsabilidade civil são situações jurídicas descritas pela lei que exoneram ao agente o dever jurídico de reparação do dano. dizendo em que consiste a indenização pelos diversos casos. se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano causado (art. b) o estado de necessidade. a indenização poderá ser paga sob a forma de entrega de um capital ou de uma renda (art. pode realizar-se sem litígio (composição amigável) ou em virtude de decisão judicial (composição judicial). A formação da palavra indica o seu sentido: in + dano + izar. No caso de lesão ou ofensa à saúde. considerando-se a duração provável da vida da vítima (art. Quando houver impossibilidade ou diminuição da capacidade de trabalho da vítima.69 - . 948 do CC). sob pagamento em apenas uma parcela (arts. A avaliação do dano faz-se pela liquidação. bem como de eventuais outros prejuízos (art. Os arts. difamação ou calúnia. 945). o valor da indenização levará em conta a gravidade da sua culpa em confronto com a do autor do dano (art. conforme a natureza do dano. Ao magistrado é dado excepcionalmente o poder de reduzir o montante da indenização. Quer seja convencional ou legal. a reparação consiste na sua devolução e no pagamento de suas deteriorações. A reparação ideal consiste na efetiva reposição. deverá ser reembolsado ao prejudicado valor equivalente (art. 6. assim como nas ofensas à liberdade pessoal (cárcere privado e prisão ilegal ou não motivada). sob a forma de pensão ou. Essa liquidação pode ser convencional ou legal. o luto de sua família e o pagamento dos alimentos às pessoas a quem o defunto os devia. Castellani 5. o lesado o direito de receber perdas e danos (dano emergente e lucro cessante). a lei determina que seja paga uma indenização cabal de todas as despesas incorridas pela vítima e dos lucros não auferidos.

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

d) o estrito cumprimento do dever legal; e) o caso fortuito; e f) a força maior. Legítima defesa própria é a repulsa a mal injusto, grave e atual ou iminente à pessoa da vítima ou aos seus bens. A legítima defesa pressupõe, assim, a existência de uma agressão ilícita, pelo agente, e a vontade de defesa, por parte do ofendido.A repulsa deve ser proporcional e imediata. O ofendido responderá pelo excesso de legítima defesa, pouco importando se cometeu o excesso por dolo ou culpa. Estado de necessidade próprio é a situação em que o sujeito viola direito alheio, com a finalidade de remover perigo iminente de um direito seu. Não se confunde a legítima defesa com o estado de necessidade, pois aquela se refere aos direitos da personalidade, enquanto este se relaciona com o patrimônio do indivíduo. O estado de necessidade pressupõe aquele que o pratica não ter provocado ou facilitado o seu próprio dano. Exercício regular de direito é o desenvolvimento de atividade humana em conformidade com o ordenamento jurídico. Somente deixa de ser considerado regular o exercício do direito, pelo excesso na atividade humana, conhecido como abuso de direito. Estrito cumprimento do dever legal é a observância de um dever jurídico anteriormente estabelecido por lei. Caso o sujeito venha a ultrapassar os limites fixados pelo ordenamento jurídico, no cumprimento do dever legal, ele poderá ser responsabilizado pelo excesso ou abuso de poder ou de autoridade. Caso fortuito é um evento imprevisível, do qual o homem médio não possui controle. Já a força maior é todo evento inevitável e, por vezes, imprevisível, que prejudica os interesses patrimoniais ou morais da vítima. São excludentes de responsabilidade civil objetiva: a) a culpa exclusiva da vítima; b) a culpa exclusiva de terceiro; c) a força maior; e d) o caso fortuito. Além das excludentes de responsabilidade civil subjetiva e objetiva, há duas outras hipóteses frequentemente lembradas, que não são causas de exoneração da responsabilidade por força de lei, mas sim motivos que levam à não responsabilização do agente na prática porque dependem da vontade humana. São elas: a renúncia da vítima à indenização e a cláusula de não indenizar. Renúncia da vítima à indenização é ato jurídico unilateral irrevogável e informal por meio do qual o próprio titular extingue, por abdicação, o direito subjetivo que tem à reparação por perdas e danos. Somente se torna possível a renúncia à indenização por quem é plenamente capaz. Cláusula de não indenizar é o dispositivo integrante de um negócio jurídico por meio do qual há a exoneração total ou parcial do dever de reparar o prejuízo patrimonial, nos limites acordados pelas partes.

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS

CAPÍTULO I – POSSE 1. Conceito e teorias A doutrina, na sua quase totalidade, alerta a dificuldade do enquadramento jurídico do instituto da posse. Na idéia de posse há, pois, uma coisa e uma vontade, traduzindo a relação de fruição. Mas, nem todo estado de fato, relativamente à coisa ou à sua utilização, é juridicamente posse. Muito próximo deste instituto temos a detenção (art. 1.198 do CC) que, embora semelhante na aparência, muito se difere na essência, como nos efeitos. Aí é que surge a doutrina, com os elementos de caracterização, e com os pressupostos que autorizam estremar uma de outra. Savigny, responsável pelo desenvolvimento da teoria subjetiva da posse, considerava-a como o poder de uma pessoa sobre uma determinada coisa. Assim, era preciso, a conjugação de dois elementos para a sua caracterização: o corpus (poder físico sobre a coisa) e o animus (intenção de agir como dono). Por sua vez, Jhering definia a posse como exteriorização da propriedade. O elemento material da posse para o autor é a conduta externa da pessoa, que se apresenta numa relação semelhante ao procedimento normal de proprietário. O elemento psíquico (animus) nesta teoria não se situa na intenção de dono, mas tão-somente na vontade de proceder como procede habitualmente o proprietário (affectio tenendi) independentemente de querer ser dono. Partindo de que, normalmente, o proprietário é possuidor, Jhering entendeu que é possuidor quem procede com a aparência de dono, o que permite definir, como já se tem feito: posse é a visibilidade do domínio. O Código Civil, no art. 1.196, adotou a teoria desenvolvida pela referido autor, a qual foi denominada de objetiva, justamente por ser mais conveniente e satisfatória. Com efeito, na relação possessória não se revela o animus domini, nem facilmente se prova. Essas novas teorias, que dão ênfase ao caráter econômico e à função social da posse, aliadas à nova concepção do direito de propriedade, que também deve exercer uma função social, como prescreve a Constituição Federal, constituem instrumento jurídico de fortalecimento da posse, permitindo que, em alguns casos e diante de certas circunstâncias, venha a preponderar sobre o direito de propriedade.

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73 - . em poder de quem quer que ela se encontre. Surge. tal não significa que só são direitos reais os apontados no referido dispositivo. Cometti Fernando F. independendo para o seu exercício da colaboração de outrem e conferindo ao seu titular a possibilidade de ir buscar a coisa onde quer que ela se encontre. Segundo a lição de Orlando Gomes. o direito de seqüela é o que tem o titular de direito real de seguir a coisa em poder de todo e qualquer detentor ou possuidor. seqüela e aderência. o direito de seqüela ou jus persequendi. a tutela do direito real é sempre mais enérgica e eficaz que a do direito de crédito. os direitos reais permitem que seu titular não seja molestado por ninguém. pois o aludido direito segue a coisa (jus persequendi). sendo que esta deve possuir valor econômico e suscetível de apropriação. Em conseqüência. Entre os direitos reais previstos em lei esparsa é bom lembrar a alienação fiduciária (Lei 9. Castellani CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS 1.225 do CC é a referência para os que proclamam a taxatividade do número dos direitos reais. daí. . mas também outros disciplinados de modo esparso no mesmo diploma e os constituídos em diversas leis especiais. O art. Características dos direitos reais Os direitos reais se apóiam na relação entre homem e coisa. Por fim a aderência do direito real à coisa não é senão a constatação do fato de que o direito real permanece incidindo sobre o bem.514/97). são os direitos que se prende à coisa.Coordenadores: Marcelo T. 1. de perseguir a coisa e de reivindicá-la em poder de quem quer que esteja (ação real). No dizer de Silvio Rodrigues. ainda que este circule de mão em mão e se transmita a terceiros. oponibilidade “erga omnes”. bem como o jus praeferendi ou direito de preferência. As características principais dos direitos reais são: taxatividade. isto é. Quanto à oponibilidade. para sobre ela exercer o seu direito. A taxatividade (numerus clausus) releva que não há direitos reais quando a lei não os declara. prevalecendo com a exclusão de concorrência de quem quer que seja. Todavia.

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Castellani CAPÍTULO III – PROPRIEDADE 1. Modernamente.C). b) o caráter acessório de uma dessas coisas. não pode ser tutelada pelo ordenamento jurídico. . Tal conclusão oferece suporte teórico para a correta compreensão da função social da propriedade. cujos confins são definidos externamente. que não somente os bens de produção. aluvião e álveo abandonado) ou industruais (construções ou plantações). Seja ela qual for presume-se que a acessão existente em um determinado terreno foi feita pelo proprietário e à sua custa (art. mas também os de consumo possuem uma função social. Há ainda limitações decorrentes do direito de vizinhança e de cláusulas impostas voluntariamente nas liberalidades. Cometti Fernando F. os quais são tendencialmente plenos. sendo por esta conformados em seu conteúdo – modos de aquisição e de utilização. ou. etc. sem nenhuma referência ao aspecto funcional do instituto. a propriedade não pode ser vista apenas como a reunião das faculdades usar. gozar e dispor dos bens e de reavê-los do poder de quem quer que. que terá.Coordenadores: Marcelo T. avulsão. ela sempre dependerá do concurso de dois requisitos: a) a conjugação entre duas coisas. Seja qual for a modalidade de acessão. para se transformar em um direito de finalidade social. Vale dizer. em confronto com a outra. que deixou de apresentar as características de direito absoluto e ilimitado. na caracterização deste fenômeno aquisitivo o princípio segundo o qual a coisa acessória segue a principal (acessorium sequitur suum principale). os possua. a determinação do conteúdo da propriedade. acaba traçando o perfil atual do direito de propriedade no direito brasileiro. os quais vão ser regulados no âmbito da relação jurídica de propriedade. 2. Todo esse conjunto. dependerá de centros de interesses extraproprietários. até uma certa demarcação. injustamente. o proprietário teria espaço livre para suas atividades e para a emanação de sua senhoria sobre o bem. compõem o aspecto estrutural do direito de propriedade. Percebe-se. Função social da propriedade Propriedade é o direito que outorga ao seu titular a faculdade de usar. necessariamente. de tal modo que. nitidamente. uma configuração mais flexível. como inalienabilidade. expressão do núcleo interno ou econômico do domínio e do núcleo externo ou jurídico. Tais poderes. Lei de Proteção ao Meio Ambiente. Restrições ao direito de propriedade Inúmeras leis impõem restrições ao direito de propriedade (Código de Mineração.). Contudo hoje. ao contrário. As acessões podem ser físicas ou naturais (formação de ilhas. Daí decorre que quando uma certa propriedade não cumpre a sua função social. Aquisição da propriedade imóvel a) Usucapião b) Acessão: É uma forma de aquisição de propriedade imóvel que resulta de um processo de incorporação de um determinado bem ao solo. em caráter predominantemente negativo. até então separadas. no entanto. 1253 do C. gozar e dispor reivindicar. impenhorabilidade e incomunicabilidade. de qualquer modo.75 - .

tendo-se em vista a capacidade criadora do homem. Considera-se ainda sem dono a coisa abandonada (res derelicta). ser antigo e tão antigo que se haja perdido a memória de quem seja o proprietário. . pesca e tesouro – são as hipóteses mais comuns.ser um depósito de coisas móveis preciosas ou moedas. Indaga-se da liceidade da cláusula adjecta a talões de empresas de serviço (lavanderia. não assinalados ou marcados. que se não confundem com os animais selvagens capturados.C. transportadora). A coisa sem dono pertence por direito natural ao ocupante. Tendo em vista que não são freqüentes as coisas sem dono. que os sistemas modernos o adotam ao definir o princípio da aquisição da propriedade móvel: quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade. A “novidade” é encarada em sentido econômico e não filosófico. de apreendê-la possuindo-a como própria. deixando um objeto para sofrer reparações. As poucas hipóteses remanescentes – caça. como aquela que já o teve e não mais o tem (res derelicta).76 - .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. Tesouro: É o depósito antigo de moedas ou coisas preciosas. vale dizer que a nova species há de resultar de alteração dotada de importância (ex. No segundo estão os animais mansos ou domesticados. mediante o trabalho ou indústria do especificador. 3a ancianidade. numa res derelicta pelo fato de haver excedido um prazo determinado no cupão de sua identificação. torna-se mister a ocorrência de um fator psíquico. mas para que assim se configure. reputam-se também sem dono os enxames de abelhas. anteriormente apropriados se o dono da respectiva colméia os não reclamar imediatamente (decadência instantânea de direito). diz-se que não tem dono aquela que nunca foi objeto de assenhoramento (res nullius). categoria preenchida pelas espécies que a natureza inesgotavelmente produz. a intenção não revelada de e ele renunciar. salvo se os donos estiverem ainda à sua procura. sapataria. na apropriação de coisa sem dono pelo simples fato. 2. Para que se opere a aquisição da propriedade é mister a transformação se dê pela ação humana. não sendo essa ocupação defesa por lei (art. Aquisição da propriedade móvel a) Ocupação Na apropriação de cada coisa sem dono inseriu-se uma idéia que o tempo amadureceu e sistematizou. A essência da ocupação reside. isto é. É aceitável mandato para vender. consignando que se consideram abandonados os objetos não procurados num prazo determinado. ou em tabuleta na loja. a ocupação como modalidade aquisitiva ficou hoje muito reduzida. em primeiro lugar pelos animais bravios enquanto entregues à sua natural liberdade. pois. promovido por mão humana. e o locador do serviço pagar-se do custo deste.estar o depósito enterrado ou oculto. enterrado ou oculto. Com efeito. a pintura em relação à tela). Não é razoável presumir que alguém. e que não seja possível retornar à espécie anterior. contido na intenção de renunciálas. que o interessado tem a intenção de conservar. como limite de sua validade de seu direito de dono. pois que pertencem a alguém. de cujo dono não haja memória. 1263 do C. acrescenta-se. b) Especificação Especificação é a transformação definitiva da matéria-prima em espécie nova. A importância social desta modalidade aquisitiva é muito grande.). Elementos para caracterização: 1. O que não é lícito é forçar no proprietário uma intenção de abandonar e converter a coisa. Estes não são res nullius. A primeira classe (res nullius) é preenchida. escultura. manifeste com isso. se perderem o hábito de retornar ao lugar onde costuma recolher-se.

e. com a observância das regras de acessão. regulados os direitos pelo disposto no título ou na convenção. mistura ou comistão se forem coisas secas. A grande novidade do Código. A adjunção consiste na justaposição de uma a outra coisa. são de utilidade em comum dos condôminos. emerge de contrato ou convenção. todavia. permanecendo os demais fora do condomínio.358 do CC) com as alterações da Lei 4. a aquisição da propriedade com o princípio fundamental do respeito ao direito alheio. d) Usucapião e) Tradição Trata-se de um ato de entrega da coisa ao adquirente. Eventual ou acidental. Diz-se tradição real a que consiste na efetiva entrega ou entrega material da coisa ao adquirente que a recebe e apreende. porém mediante a de algo que a represente 4. estrutura do prédio. conseguintemente. O novo Código deixou claro que o solo. Particular. Castellani O CC ao fixar o princípio da especificação. 1269 que “aquele que. voluntário e eventual. Num e noutro caso. ou seja. Universal. Cometti Fernando F. inclusive o acesso ao logradouro público. Voluntário ou convencional. e as demais partes comuns. divisível e indivisível. inclusive frutos e rendimentos.77 - . c) Misturas: Confusão. aos condomínios e a possibilidade de se aplicar multa ao condômino que tiver conduta anti-social de forma reiterada (art. quando mais de uma pessoa.337. do telhado. 1. se não puder restituir à forma anterior” Conciliando. c) quanto à forma. ou seja. . b) quanto ao objeto. impossibilitando destacar-se a acessória da principal. salvo se se tratar de especificação de má-fé. desta será proprietário.Coordenadores: Marcelo T.591/64 condomínio edilício (arts.864/65 continua vigendo subsidiariamente ao novo Código Civil nas implicações que este não disciplinou. dispõe no art. exerce o direito de propriedade sobre determinada coisa. Vale ressaltar que a Lei 4. quando for ela voluntariamente obtida. É a hipótese dos bens deixados por herança a mais de um herdeiro ou doação de uma coisa a mais de uma pessoa. Divisível. e adjunção São hipóteses de coisas de diversos donos mesclarem-se. Condomínio Dá-se o condomínio. quando abranger a coisa integralmente. a rede geral de distribuição de água. Também poderá o condômino alugar a sua vaga de garagem a qualquer pessoa. calefação e refrigeração centrais. quando surge do acordo de vontades. gás e eletricidade.338 do CC).331 a 1. universal e particular. (art 1. esgoto. trabalhando em matéria-prima em parte alheia. Simbólica se diz a tradição que se não realiza pela entrega e apreensão material da coisa. quando sua origem é estranha à vontade dos condôminos. quando o condomínio existe de direito. ordinariamente resulta num condomínio. comistão. dando preferência aos demais condôminos. Diz-se haver confusão quando se acharem sem estado líquido. o prejudicado com a especificação irredutível terá direito ao ressarcimento. 1. resultando que o dono da primeira adquire a segunda. mas não de fato (cada condômino já se situou numa parte determinada da coisa). O condomínio pode ser classificado sob três formas: a) quanto à origem. transformando a declaração translatícia de vontade em direito real. parágrafo único do CC). quando se limita a determinadas coisas ou frutos. ao mesmo tempo. ou seja. não podendo ser alienados separadamente ou divididos. obtiver espécie nova.

porque se mantém indivisa e nenhum se situou em uma parte. quando tanto existe de fato como de direito. 1. em comum.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Indivisível.322 do CC.78 - . Todos os condôminos são donos. Cumpre apenas ressaltar que o assunto referente a condomínio é tratado nos arts. .314 a 1. de toda coisa.

CC). enquanto este cuida do urbano e também do rural. Da superfície Trata-se de direito real de fruição ou gozo sobre coisa alheia. Das servidões Servidão é um encargo que suporta um prédio denominado serviente. temporariamente. porém. Surgiu da necessidade prática de se permitir edificação sobre bens públicos. . pois necessário conservar a substância da coisa. seria contrário ao próprio conceito de servidão admitir sua constituição em favor de quem não fosse dono do prédio dominante. a imóvel urbano.Coordenadores: Marcelo T. 1225. Nunca perpétuo. Se bens móveis. 2. no sentido de que é irresgatável sem a anuência do proprietário do prédio dominante. porque implica a existência de um direito principal. Como se trata de direito concedido ao dono do prédio dominante. Com efeito. Em ambos os casos o superficiário. Como direito real que se prende ao imóvel. A servidão é composta dos seguintes elementos: a) Trata-se de uma relação entre dois prédios. A servidão é perpétua. disciplinando o direito de superfície. Não perde entretanto. a terceiros. posto que desfruta dos proveitos do imóvel. b) A servidão envolve uma obrigação negativa. eis que fica tolhido no exercício integral dos poderes inerente à propriedade.Temporário: não excede à vida do usufrutuário (art. o direito de superfície pode ser transferido. O Estatuto da Cidade antecipou-se ao novo Código Civil. inclusive a seus herdeiros. Suas principais características são: 1. pelo superficiário. c) A existência da servidão implica a idéia de que os prédios pertencem a donos diversos 3. pertencendo o solo em poder do Estado. não podem ser fungíveis. por morte daquele. 1410. de origem romana. em benefício de um outro prédio chamado dominante. No art. Daí o termo nu proprietário. responde pelos encargos e tributos que sobre ele incidem. conferindo ao titular o uso e gozo do direito ou faculdade. Do usufruto Trata-se de um direito real sobre coisa alheia conferido a alguém de retirar. conservando a condição de proprietário. IV. a substância. 2. Pode recair sobre bens móveis ou imóveis e sobre um patrimônio (como um todo). mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis A concessão da superfície pode ser onerosa ou gratuita. Castellani CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA 1. O proprietário perde. o direito ao uso e aos frutos. limitado. A servidão é um direito acessório. 1369 do CC o direito de superfície é definido como a faculdade que o proprietário tem de conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno. da coisa alheia os frutos e utilidades que ela produz. por tempo determinado. sem alterar-lhe a substância (Art. 1410 CC). Cometti Fernando F.Oponível erga omnes: daí também decorre o direito de seqüela. temporariamente. seu titular há que ser proprietário daquele prédio. Pode-se estabelecer uma condição (graduação universitária). I CC) ou trinta anos se for pessoa jurídica (art.79 - .

Em verdade. Mesmo que o cônjuge sobrevivente seja herdeiro ou legatário. 2. qualquer delas que a ocupar estará no exercício de direito próprio. E se for conferido a mais de uma pessoa. 2. 1393 CC é possível ceder o exercício a título gratuito (comodato) ou oneroso (RT 412/208). Do uso O usuário usará da coisa e perceberá os seus frutos. parágrafo único).121. criou o direito de habitação em favor do cônjuge sobrevivente. No que diz respeito às necessidades pessoais. 3. de 10 de maio de 1996. Não ocorre com a morte do nu proprietário (aqui a nua propriedade é transmitida aos herdeiros). A Lei no. art. . salvo morte anterior.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. 5. 4. diz que a dissolução. residindo nela. 716 CPC – usufruto em execução) O usufruto pode ser classificado de três formas: 1. nada devendo às demais a título de aluguel.Renúncia ou morte do usufrutuário. bem como o lugar onde vive. imprescindível se torna o registro do respectivo título no Cartório de Registro de Imóveis (LRP. o direito real de uso não se diferencia substancialmente do usufruto.Intransferível e inalienável: Não se transfere por herança ou por alienação.Termo de sua duração – prazo.Extinção da pessoa jurídica ou decurso do prazo de 30 anos. A penhora recai sobre os frutos e utilidades do bem (Art. O direito real de habitação é concedido sem prejuízo da participação da viúva ou do viúvo na herança. dispondo sobre a união estável. Todavia. desde que tenha expressão econômica. 6.Quanto à extensão é possível afirmar que este direito recai sobre bens individualizados.7). enquanto permanecer em estado de viuvez. mas seu exercício sim. n. dá ao sobrevivente o direito real de habitação (art.Consolidação 4. 4.É impenhorável: o direito real não pode ser objeto de penhora.80 - . distinguindo-se dele pela intensidade ou profundidade do direito. desde que o imóvel da família seja o único residencial a inventariar. A extinção do usufruto ocorre pela: 1. 5. não perde o direito de habitação.Cessação do motivo de origem.Quanto à duração pode ser temporário (prazo preestabelecido) ou vitalício (até a morte do usufrutuário). 7º. Da habitação A habitação pode ser entendida como uma modalidade especial de uso à moradia. resultante de usucapião. deve-se ter em consideração a condição social do usuário. item I. sobre uma universalidade de bens (ou parte dela) e pode abranger os frutos e utilidades. A Lei no. de acordo como o art. 4. quando o exigirem as necessidades pessoais suas e de sua família (art. convencional. O titular desse direito pode usar a cada para si. por morte de um dos conviventes. Como direito real. no todo ou em parte. Perante terceiro só tem validade se devidamente registrado (RT 520/212). 1412). 9278. 3. mas não alugá-la nem emprestá-la. 167.Destruição da coisa. de 27 de agosto de 1962.Quanto à origem pode ser legal (estabelecido por lei em benefício de determinadas pessoas).

com isso.831 do Código Civil. O art. condições e modos convencionados. Como o direito era de natureza pessoal. ou sua adjudicação compulsória havendo recusa por parte do promitente vendedor. ainda. O instituto passou por uma série de fases de evolução em nosso direito.088. de imóvel não loteado. se arrependesse antes de celebrado o contrato definitivo. conferindo direito real ao comprador. pois. “ao cônjuge sobrevivente.Coordenadores: Marcelo T. o compromisso tornou-se irretratável. opor-se à ação de terceiros que coloquem obstáculos ao exercício do direito. Do direito do promitente comprador Consiste a promessa irretratável de compra e venda no contrato pelo qual o promitente vendedor obriga-se a vender ao compromissário comprador determinado imóvel. da seqüela. por sua vez. porém. podendo reivindicar a coisa em poder de quem quer que a detenha. Cuida-se de direito real. Com o advento do Decreto-Lei n. a constituição do direito real. em conseqüência. havendo oponibilidade erga omnes. será assegurado. desde que seja o único daquela natureza a inventariar”. O promitente comprador não recebe o domínio da coisa. adquirindo. no capítulo concernente à ordem da vocação hereditária. Desfruta. 25 da referida lei declara irretratáveis e irrevogáveis os compromissos de compra e venda de imóveis loteados. que hoje se aplica somente aos loteamentos rurais. 6. 58/37. por não escrita. com a faculdade de reclamar a outorga da escritura pública definitiva. com base no seu art. Cometti Fernando F. mas passa a ter direitos reais sobre ela. direito real sobre o imóvel. nesses contratos. . obriga-se a pagar o preço e cumprir todas as condições estipuladas na avença. ter-se-á. 6. que. 1. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. Castellani Dispõe ainda o art. Qualquer cláusula de arrependimento. A Lei n. Inexistindo cláusula nesse sentido. qualquer que seja o regime de bens. outorgando-lhe a escritura definitiva quando houver o adimplemento da obrigação. prevalece a irretratabilidade. 58/37. 1. desde que levado ao registro imobiliário. mas apenas o pagamento de perdas e danos. Pode. porque o adquirente tem a utilização da coisa e pode dispor do direito mediante cessão. lícito afigura-se convencionar o arrependimento. Em se tratando. os adquirentes não podiam reivindicar o imóvel.81 - . sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança.766/79 veio derrogar o Decreto-Lei n. também. O compromissário comprador. pelo preço. O sistema do Código Civil de 1916 permitia que o promitente. afastando-se.

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c) direito de excussão. no contrato. Não basta. podendo suceder a alienação unilateral de um bem. direito real de garantia é o que confere ao credor a pretensão de obter o pagamento da dívida com o valor do bem aplicado exclusivamente à sua satisfação. todavia. além do domínio. embora não entregues ao credor. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. hipotecar ou dar em anticrese”. . ilaqueando a boa-fé do terceiro. fica o credor privado da seqüela. pois. do valor do crédito. se houver. na sua primeira parte. Para Orlando Gomes. asseguram-lhe. Castellani CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA 1. Criado o direito real de garantia. ou a constituição de direito real. essa qualidade. a falta de vênia conjugal torna anulável o ato praticado. e não quem o praticou. 1. a especial para alienar. do prazo fixado para pagamento e da taxa de juros. Sua função é garantir ao credor o recebimento da dívida. Além desta prioridade. pois não produz os efeitos próprios de um direito real. A Lei n. ainda. o recebimento de seu crédito. É importante observar que a ausência desses requisitos não acarreta. restando-lhe apenas o direito de participar do concurso de credores. Faz-se mister que. O direito do credor concentra-se sobre determinado elemento patrimonial do devedor. mas apenas a sua ineficácia. porquanto o art. A publicidade é dada pelo registro do título constitutivo no Registro de Imóveis (hipoteca. porém. tornam o negócio nulo. que “só aquele que pode alienar poderá empenhar. navio ou avião pertencentes ao devedor ou a terceiro e que. Desse modo. anticrese ou hipoteca. Dispõe. a observância de formalidades para que os contratos de penhor. Em regra. 1.422 permite a separação deste bem do patrimônio do devedor. Os bens fora do comércio dados em garantia.83 - . podendo o outro cônjuge.424) e pela publicidade. a nulidade do contrato. segundo dispõe o art. da preferência e da ação real. fica o bem afetado ao pagamento prioritário de determinada obrigação. Para validade da garantia real exige a lei. somente o proprietário pode dar bens em garantia. 2. hipoteca e anticrese. tenha ainda a livre disposição da coisa. A lei impõe. na condição de quirografário. anticrese e hipoteca tenham eficácia perante terceiros. pleitear-lhe a anulação. Em conseqüência.728/65.420 dispõe que somente os bens dentro do comércio poderão ser dados em penhor. vinculando somente as partes que intervieram na convenção. com efeito. E especialização é a descrição pormenorizada. 1. d) indivisibilidade. b) direito de seqüela. 1.Coordenadores: Marcelo T. 1. 4. os direitos reais de garantia geram os seguintes efeitos: a) direito de preferência ou prelação. Cometti Fernando F. Valerá apenas como direito pessoal. disciplinada no Código Civil como propriedade fiduciária. preferencialmente. o art.649 do CC. Aspectos Gerais O Código Civil brasileiro contempla as seguintes modalidades de garantia real: penhor. por um deles. além da capacidade geral para os atos da vida civil. Não existe regra idêntica para os companheiros. anticrese e penhor rural) ou no Registro de Títulos e Documentos (penhor convencional). A segunda parte do art.420 do CC. a qual é alcançada pela especialização (art. criou uma nova modalidade: a alienação fiduciária. Da hipoteca É o direito real de garantia que tem por objetivo bens imóveis. por estar vinculado determinado bem ao seu pagamento. Os atributos de seqüela e preferência atestam sua natureza substantiva real. do bem dado em garantia.

a contar da liquidação da dívida. à qual adere e busca assegurar. além de dar publicidade ao negócio jurídico. Da anticrese É direito real de garantia que o credor recebe a posse de coisa frigífera. Desse modo. A transferência da coisa para as mãos do credor tem a vantagem de impedir a alienação fraudulenta do objeto da garantia. ou fiduciário. da propriedade resolúvel e a posse indireta da coisa imóvel.514/97. ficando autorizado a perceber-lhe os frutos e imputa-los no pagamento da dívida. Uma vez registrada. A validade da hipoteca depende da observância do requisito concernente à forma de sua constituição. fiduciante. pois é nulo o penhor de coisa alheia. no prazo de 30 dias. termo de quitação. Para que tenha validade a constituição do penhor é necessário que a coisa oferecida em garantia pertença ao próprio devedor. Assim. O termo de quitação será levado a registro. com anuência do fiduciário. com a finalidade de garantir o cumprimento de uma obrigação. Com o pagamento da dívida e seus encargos. para o fiduciário ou credor. 5. 1. permanecendo o fiduciante com a posse direta. daí constituir-se. acompanhando-a em caso de transmissão inter vivos ou mortis causa.424 do CC) e o registro no Cartório de Imóveis (art.5% ao mês. 3. extingue-se a propriedade fiduciária do imóvel retornando o bem à plena propriedade do fiduciante. assumindo o adquirente as respectivas obrigações.492 do CC).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo condição natural da hipoteca a acessoriedade. Da alienação fiduciária A alienação fiduciária em garantia de imóveis. contrata a transferência ao credor. uma vez paga a dívida. 4. . ou fração. em propriedade resolúvel. Envolve este o título constitutivo.431 do CC). 9. Remição da hipoteca é a liberação ou resgate do imóvel hipotecado mediante o pagamento. realizará contrato pelo qual transferirá a propriedade a esta entidade. A publicidade é reforçada pelo registro do título no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. O fiduciante poderá. é negócio jurídico pelo qual o devedor.84 - . adere à coisa. 1. transferir os direitos de que seja titular sobre o imóvel objeto da alienação fiduciária em garantia. querendo adquirir imóvel em construção ou construído. alguém. equivalente a 0.514/97. sob pena de multa em favor deste. o credor pode opor seu direito ao adquirente do imóvel dado em garantia. O fiduciário é obrigado a entregar ao fiduciante. 9. ao credor. O contrato de alienação será necessariamente registrado no Registro de Imóveis. Do penhor É o direito real que submete coisa móvel ou mobilizável ao pagamento de uma dívida (art. 24 da Lei n. a especialização (art. a qual ficará obrigada a devolvê-la. regulada pela Lei no. salvo as hipóteses de domínio superveniente e de garantia oferecida por terceira pessoa. mediante financiamento de entidade autorizada. com os requisitos previstos no art. da dívida que visa garantir. para o cancelamento da propriedade fiduciária. 1. pressupõe ela a existência de uma dívida. sobre o valor do contrato.

11. desde que não seja proprietário ou concessionário. com o registro no Registro Predial (art. até 30 de junho de 2001. como se vê. I. buscando outorgar-lhe títulos de direito real. Cometti Fernando F. O que era faculdade. porém.481/2007. II – destinado a projeto de urbanização. de caráter declaratório. n.85 - .º em outro local na hipótese de ocupação de imóvel: I – de uso comum do povo. n. utilizando-o para sua moradia ou de sua família. 1.240 do CC. Há. A concessão exige praticamente os mesmos requisitos do usucapião urbano previsto no art.º da Med. . de outro imóvel urbano ou rural” (art. a qualquer título.º da MP estabelece que "É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito de que tratam os arts. 37.Coordenadores: Marcelo T. nada mais é do que contrato administrativo pelo qual a Administração faculta ao particular a utilização privativa de bem público. 15 a 20 do Estatuto da Cidade (Lei n. para que a exerça conforme a sua destinação. Ocorre que a Lei n. III – de interesse da defesa nacional. tentativa de trazer essa camada desfavorecida da população ao mundo legalizado. editada como diploma substitutivo ao veto dos arts. de 4 de setembro de 2001.257/2001).º da referida Medida Provisória).º e 2.220. O direito de concessão de uso especial para fins de moradia pode ser reconhecido por ato administrativo ou por decisão judicial e tem publicidade. a concessão de uso especial para fins de moradia compõe o rol dos direitos reais. IV – reservado à construção de represas e obras congêneres. tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da posse.481/07 introduziu dois novos direitos reais no Código Civil brasileiro. 2. da Lei n. Desde a edição da Medida Provisória n. O art.220/2001. ou V – situado em via de comunicação". 10. ininterruptamente e sem oposição. responsável pela introdução do instituto no CC. 1. praticamente nada acrescentou sobre o instituto. até duzentos e cinqüenta metros quadrados de imóvel público situado em área urbana. inclusive dispondo. ao contrário dos demais direitos reais. possuiu como seu. e a Administração não pode recusar o contrato. 2. um título específico sobre esse direito. ou melhor. 1. por cinco anos. que "O direito de concessão de uso especial para fins de moradia é transferível por ato inter vivos ou causa mortis". Ocorre que a concessão. o direito à concessão de uso especial para fins de moradia só será outorgado àquele “que.015/73). ao contrário do usucapião. Das Concessões A lei 11. Pela MP n. no art. 167. passa a ser direito do possuidor. 2.220/2001. da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas naturais. a saber: a concessão de uso especial para fins de moradia e a concessão de direito real de uso.220/2001. Castellani 6. Isso porque não foi inserido no CC. pouco. 7. Prov. 2. Não se trata propriamente de um direito real novo. 5. o qual continua submetido ao conteúdo e contornos normativos da Med. Prov. 183 da CF e no art. 6. n.

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VI).515 do C. Castellani TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO 1. no art. 3. Casamento religioso com efeitos civis O casamento religioso equipara-se ao civil. a inscrição do casamento no registro público. fundamentais e lapidares do casamento. O legislador. art. Princípios do casamento a) Liberdade de União – O casamento só se justifica e legitima quando decorre da livre manifestação de vontade dos parceiros. Cometti Fernando F. Conceito de casamento Casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher que se unem material e espiritualmente para constituírem uma família. 1. trata-se de uma instituição em que os cônjuges ingressam pela manifestação de sua vontade. O registro funciona como uma espécie de convalidação. estando aptos para o casamento. A habilitação aqui descrita é a mesma exigida para o casamento civil e o procedimento visa declarar e certificar que os interessados não possuem impedimentos. quem é casado está proibido de contrair novas núpcias ( C. primeiro é realizada a cerimônia religiosa com posterior competente habilitação e. 4.C.Coordenadores: Marcelo T. 2.Decorre da mais tradicional e inquebrável postura do mundo ocidental. b) Monogamia . c) O companheirismo – Calcado num projeto comum. cumplicidade. Estes são os elementos básicos. atração mútua e afinidades pessoais. Encerrado o procedimento de habilitação (num prazo de noventa dias) é extraída uma “sentença”.. Finalidades do casamento a) Intenção de viverem juntos – É a chamada affectio maritalis que é o elemento decisivo na indissolubilidade do vínculo. explicita os modos pelos quais se alcançam os efeitos civis: a) Habilitação Prévia – Os nubentes apresentam-se ao oficial do registro civil e habitam-se ao ato posterior.87 - . por fim. b) Amor – Que independe de mera atração sexual e encontra sua manifestação mais veemente na afeição. 1521. . capaz de atender e satisfazer ideais e interesses de ambos os cônjuges. resultando numa certidão a ser apresentada ao ministro religioso. 5. instituição (estatuto imperativo pré organizado) no conteúdo. Natureza jurídica do casamento O casamento seria um instituto de natureza híbrida: contrato na formação. solidariedade. feita de acordo com a lei. b) Habilitação Posterior – Nesse caso. Na realidade.

7. parto eminente. confirmando-se a idéia de que a prole não é finalidade do casamento. 1519). viagem inadiável) e também no caso de casamento nuncupativo). mas simplesmente inexistente. 1533 a 1538 – (o oficial extrairá o certificado de habilitação durando a eficácia da habilitação por 90 dias).Os nubentes comungam os mesmos ideais. III). Impotentia Generandi (de gerar. 1517 o legislador fixou idade núbil aos 16 anos. Dois são os tipos de impotência que interessam ao direito matrimonial: Impotentia Coeundi (de concepção ou de cópula) – Pode gerar a anulação do casamento. a publicação dos editais – art 1527 . 1540) os nubentes devem ter aptidão para a vida sexual. conforme disposto no Decreto-lei 3. de procriar) – Não justifica a anulação do casamento.(nesta fase ocorre a apreciação dos documentos e apuração da capacidade dos nubentes e a inexistência dos impedimentos matrimoniais). Casamento celebrado perante autoridade incompetente (perante prefeito municipal ou delegado de polícia) não é nulo. que é ato jurídico eminentemente formal. ou. Pressupostos de validade a) Puberdade – No art. independentemente do sexo do nubente. 1517).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI c) Comunhão de Vida .88 - . desde que interesse a um dos cônjuges anulá-lo (art. em função de um bem maior que é a família. 1517 c/c o art. 1557. a capacidade matrimonial não se confunde com a capacidade civil (18 anos).(a dispensa dos editais é possível nas seguintes hipóteses: se ficar comprovada a urgência (grave enfermidade. será necessária a autorização dos pais ou dos seus representantes legais para a celebração do ato. 1520). renunciando os instintos egoísticos e personalistas. A regra do art. Fora as exceções legais (casamento de anciãos e casamento in extremis – art.200 de 1941. e emissão do certificado da habilitação – arts. A lei soleniza-o. c) Sanidade – O CC não previu a sanidade dos nubentes como condição necessária à validade do casamento. Pressupostos de existência jurídica do casamento a) Diversidade de Sexo – Nesse sentido a lei é clara e não abre espaço a qualquer exegese extensiva (art. b) Consentimento – A falta de consentimento torna inexistente o casamento. As uniões estáveis de natureza homossexual podem ter relevância jurídica em outros planos e sob outras formar. salvo no caso de casamento de colaterais de 3º grau (tios e sobrinhos). uma exceção: admissibilidade do casamento para evitar cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez (art. prescrevendo formalidades de observância obrigatória para a sua regularidade. . se um ou ambos os pretendentes não tiverem atingido a maioridade civil. 1525 e 1526 . mas não como modalidade de casamento. o interessado poderá obter do juiz o suprimento judicial correspondente (parágrafo único do art. Havendo divergência entre os pais. porém. O exame pré-nupcial não é obrigatório. 8. 1517 comporta. Pressupostos de regularidade São os que se referem às formalidades do casamento. a) Formalidades Preliminares – São as que antecedem o casamento. 6. Desse modo. Todavia. Elas são de três ordens: habilitação – arts. c) Celebração por Autoridade Competente – Inexiste casamento se o consentimento é manifestado perante quem não tem competência para celebrar o ato matrimonial. b) Potência – É a aptidão para conjunção carnal.

1538. o casamento convalida do vício originário. 1521. representantes legais ou ascendentes. isto é. noutras palavras. a pessoa considerada incapaz não pode casar com quem quer que seja. IV). As disposições constantes nos incisos I a IV do art. em seu nome. 1523 têm por escopo. 1521. b) Impedimentos Dirimentes Relativos . a proteção da prole anterior.No atual CC passam a ser. 1521. o legislador reveste-o de toda a solenidade possível. Cometti Fernando F. 10. c) Impedimentos impedientes (ou proibitivos) . Ex. nem anulação. I a IV) a infração destas causas não gera nem nulidade. 1533 a 1538. causas suspensivas (art. 1542 – é imprescindível a escritura pública para a sua validade. a pessoa considerada não pode casar com determinada pessoa. Os impedimentos são classificados da seguinte forma: a) Impedimentos dirimentes públicos (ou absolutos) – São examinados nos incisos I a VII do art. I a V). evitar a confusão de consangüinidade (turbatio sanguinis).Passaram a ser as causas de anulabilidade do casamento (art. Estes impedimentos dividem-se em três categoriais: impedimentos resultantes do parentesco (art. 1521. Considerando o interesse público neles estampados podem ser argüídos por qualquer interessado e pelo Ministério Público. não podem casar os irmãos (art. o outro consorte. b) Casamento perante autoridade diplomática ou consular . Hoje. . Castellani b) Formalidades Concomitantes – São as que acompanham a cerimônia e vêem detalhadamente previstas nos art.Dispõe o art. pessoa casada.550). a confusão de patrimônios e a proteção do nubente por influência dos representantes legais.Coordenadores: Marcelo T. É o que se depreende da leitura dos arts. agora. 1. 9. 1523. Dos impedimentos matrimoniais São as circunstâncias que impossibilitam a realização de determinado casamento. 7º.89 - . Celebração do casamento Dada a importância que se reveste o casamento. Acarretam como efeito a nulidade do casamento.A lei permite a celebração do ato por procuração cuja eficácia não ultrapassará noventa dias. mas tão somente uma sanção (imposição do regime obrigatório da separação de bens). e impedimentos resultante de crime (art. VI). O impedimento matrimonial é relativo. Acarretam como efeito uma mera sanção. em decorrência de disposição legal expressa – art. A incapacidade é geral. VII). Podem demandar a anulação o cônjuge prejudicado. Mas se os cônjuges (ou interessados na anulabilidade) silenciarem. 1533 ao art. impedimentos resultante de vínculo (art. Ex. desde que o nubente impossibilitado outorgue poderes especiais a alguém para comparecer em seu lugar e receber. é a ausência de requisito ou ausência de qualidade que a lei articulou entre as condições que invalidam ou apenas proíbem a união civil. Esta procuração é um ato eminentemente revogável até o momento da celebração do casamento. tanto na ordem pública como na ordem privada. Importante notar que sua inobservância determina-lhe a nulidade do ato. 1521. Desde já é importante observar a diferença entre incapacidade e impedimento matrimonial. a) Casamento por procuração . parágrafo segundo da LICC: “o casamento de estrangeiros poderá ser celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes”.

para a comunidade. está submetida ao requisito de que ambos os nubentes sejam brasileiros. Instaura-se o regime da co-gestão na sociedade familiar. ou. 1543. Da eficácia do casamento Pelo art. à vista dos documentos exigidos no art. deverá ser registrado em 180 dias. a concessão feita pelo art. Mas a lei chega mesmo a permitir a dispensa da autoridade competente se os contraentes não lograrem obter sua presença. d) Que não se apresente certidão do registro civil provando a ocorrência de casamento. depoimento de testemunhas. se justifica a falta ou a perda do registro (ex. deve o julgador inclinar pela sua existência. na colateral. parágrafo 1º. dispensando o processo regular. prova-se pela certidão do registro. admite uma prova indireta. c) Casamento nuncupativo . chancelando a dimensão do afeto em detrimento do puro formalismo. O art. 1525 e independentemente de edital de proclamas. Neste caso. E para . O artigo consagra os efeitos da retroação sentencial. A regra do in dúbio pro matrimonio (art. certidão de proclamas. Se o casamento for realizado no Brasil. mediante despacho da autoridade competente. 7º. feito ao tempo de sua celebração. perante seis testemunhas.Também chamado in extremis vitae momentis. quando do retorno dos nubentes ao país. a posse do estado de casados. Após o retorno dos brasileiros ao território nacional. em absoluta igualdade de direitos e deveres. a validade do casamento celebrado no estrangeiro. A prova supletória só se torna admissível quando. in articulo mortis. 1545 fica subordinada a quatro pressupostos: a) Que ambos os pais tenham falecido. companheiros e responsáveis pelos encargos da família. Segundo a disposição legal. pelo casamento. até segundo grau. etc.. 1540 do CC permite que o oficial do Registro Civil. não havendo assim tempo para a celebração do casamento com todo o formalismo previsto na lei civil. c) Que a prole comum prove que o é. dê a certidão de habilitação. qual seja. É válido no Brasil desde que registrado. os nubentes figurarão como celebrantes e realizarão oralmente o casamento. 11. 1546 prevê a retroatividade dos efeitos do registro da sentença que reconhece o casamento à data de sua celebração.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No caso de um dos nubentes ser brasileiro e o outro estrangeiro. Em assim sendo. O art. homem e mulher. b) Que ambos os pais tenham vivido naquele estado. conforme dispõe o art. no Brasil.90 - . passaporte. a realização de seu registro em território nacional. 1547 do CC) é utilizada quando há dúvida sobre a prova do casamento. 1565 do CC. quando há dúvida quanto à existência do ato constitutivo do vínculo conjugal. preliminarmente. está submetida à condição suspensiva. da LICC). Das provas do casamento O casamento realizado no Brasil. assumem mutuamente a condição de consortes. se encontram no gozo recíproco da situação de esposos.) O CC. ou. prevista pelo CC. é forma especial de celebração de casamento. ou seja. cessa a competência da autoridade consular. privada e publicamente como marido e mulher e que. será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos e às formalidades do casamento (Art. que não tenham parentesco em linha reta. A eficácia do ato. no consulado brasileiro. quando um dos contraentes se encontra em iminente perigo de vida. 12. a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges. que nada mais é do que a situação de duas pessoas que sempre se comportaram.

O dever de convivência sexual não é da essência do casamento nos casos de casamento in extremis bem como nos casos de consortes separados em razão de doença ou da profissão. honra e boa fama. c) Mútua assistência . Seis são as hipóteses legais de anulação do casamento. art.O desaparecimento do respeito e da consideração mútuos é prova evidente que a união conjugal se encontra fragilizada. depois de atingi-la. qualquer dos nubentes. São eles (art. que englobe tanto o aspecto material (econômico).A palavra assistência (apoio. os quais dão origem aos chamados deveres conjugais. do citado art que. querendo. é que se estabelece o convívio sexual. Cometti Fernando F. São elas: a) o que diz respeito à sua identidade. relativamente aos filhos menores e não emancipados.A ocorrência de vício de vontade: Nos arts. próprios do companheirismo). . incisos I a VII). na mesma casa.566 do CC): a) Fidelidade recíproca .A jurisprudência e a doutrina sempre encararam essa questão como o dever de abster-se cada consorte de praticar relações sexuais com terceiro. poderá confirmar seu casamento. poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro. guarda e educação dos filhos . ou por qualquer interessado (art. trata-se de uma enumeração taxativa e não exemplificativa. 1550 o CC trata dos casos de casamento anulável que substituem.Quem não completou a idade mínima para casar (A regra comporta as exceções dos arts. desvelo. os outrora denominados impedimentos dirimentes relativos.O art. não autorizado pelo seu representante legal: mas. como o moral (apoio. 2. acarreta a suspensão ou destituição do poder parental (art. 3.91 - . 1. Castellani reafirmar a recepção do princípio constitucional da igualdade. com a autorização de seus representantes legais. e) Respeito e consideração mútuos . São elas: 1. A decretação da nulidade pode ser promovida pelo Ministério Público. b) Vida em comum no domicílio conjugal . Da invalidade do casamento a) Casamento inexistente . Não existem outras. O ato. ou. em seguida. 1638. arrola as hipóteses caracterizadoras daquele erro. uma vez que reconhece apenas o fato que o invalida.. não adquirindo existência. o dever de coabitação no domicílio conjugal é indeclinável. E. 1563). ou seja. ou com suprimento judicial – art.O casamento é inexistente quando lhe faltam um ou mais elementos essenciais à sua formação. A sentença de nulidade do casamento tem caráter declaratório. 13. Afora as hipóteses de recusa legítima ou justa.Segundo o disposto no art. socorro) não pode ser tomada num sentido amplo. no parágrafo 1º. b) Casamento nulo .Na convivência sob o mesmo teto (domicílio conjugal).O menor em idade núbil. em linhas gerais.Coordenadores: Marcelo T. logo. 1520 e 1551).A infração deste dever. 1533. 1548 nulo é o casamento contraído pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil (por não estar em seu juízo perfeito) e por infringência de impedimentos (previstos no CC. uma vez assumidas. devem ser respeitadas enquanto durar a união. 1556 e 1557 o legislador trata da complexa matéria da ocorrência de erro essencial de um dos nubentes quanto à pessoa do outro. Os efeitos que produz o casamento podem ser encarados como restrições que cada um dos cônjuges impôs voluntariamente à sua liberdade pessoal e que. sob pena de adultério. o legislador estatui. d) Sustento. c) Casamento anulável . produzindo efeitos ex tunc (art. 1521. 1549). nenhum efeito pode produzir. II).

o ordenamento jurídico reconhece ao casamento nulo. mas era de ordem pública e sua ausência justificava a nulidade do processo. ratione personarum (em razão das pessoas dos nubentes. que significa “imaginar”. conforme vimos. anterior ao casamento. 15. toxicômano não podem casar. ascendente ou irmão – No mesmo sentido em relação ao divórcio (art.. não sobrevindo coabitação entre os cônjuges.. b) A tentativa de conciliação – obrigatória na Lei do Divórcio art. Casamento putativo Diz-se putativo o casamento que. embora nulo. ou. O termo vem do latim. putare. – deixa de constar no novo C. pela nulidade ou anulação do casamento. . c) a ignorância. Com efeito. foi contraído de boa-fé. e c) insuportabilidade da vida em comum. ou anulável. c) Enquanto perdura o processo judicial de separação. mas. quanto a seus domicílios).C. Toda separação depende da homologação para surtir efeitos. gera inexistência do casamento. 1571 do CC. parágrafo único). A incompetência ratione materiae. seu consentimento: Os surdos-mudos sem educação adequada que lhes possibilite manifestar sua vontade não podem casar. Declarado putativo o casamento ganha validade e produz todos os efeitos que produziria o casamento válido. Atendendo a boa-fé e o princípio da equidade.92 - . 4. de defeito físico irremediável. A putatividade pode ocorrer na própria ação anulatória ou em processo autônomo promovido pelo(s) cônjuges(s) enganado(s). parágrafo único). pelos filhos ou por terceiros que tenham interesse na declaração.Pelo mandatário.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI b) a ignorância de crime anterior ao casamento. A separação pode ser judicial e extrajudicial. em caso de incapacidade a lei admite a propositura da ação por curador. se a sentença foi omissa a esse respeito. de igual modo. 1554. 5. 1576).Por incompetência da autoridade celebrante: O legislador está aqui se referindo à incompetência ratione loci (em razão do lugar da celebração). ou de moléstia grave e transmissível. sem que ele ou outro contratante soubesse da revogação do mandato.. ou anulável. Dissolução da sociedade conjugal Segundo o disposto no art. 1582. b) desconhecimento do defeito pelo cônjuge enganado. para que o erro essencial quanto à pessoa do outro nubente seja causa de anulabilidade do casamento é preciso a ocorrência de três pressupostos: a) anterioridade do defeito do casamento. de doença mental grave. pela separação judicial ou pelo divórcio. salvo na hipótese do art. reconhecendo-lhe efeitos a ordem jurídica. perduram as obrigações decorrentes do casamento (art. então. a sociedade conjugal termina: pela morte de um dos cônjuges. por contágio ou herança. todos os efeitos – aos filhos e ao cônjuge de boa-fé – do casamento válido. pessoa portadora de enfermidade mental ou física. por um só ou por ambos os cônjuges. 6. anterior ao casamento. até a data da sentença que o invalidou. 14. parágrafo 2º. 3º. Entre suas principais características temos: a) A ação de separação judicial é personalíssima (art. 1576. d) a ignorância.O incapaz de consentir ou manifestar de modo inequívoco.

face à indecisão ou irredutibilidade dos cônjuges. não constará referência à causa que a determinou – parágrafo 1º. ou da concessão da medida cautelar de separação de corpos. A separação de corpos. agora. O processo é disciplinado pelo art. é efeito fundamental da separação. 1580.).Coordenadores: Marcelo T. de dois para um ano. até a maioridade. a ser de dois anos. tudo parece indicar que a postura do legislador atual decorra da Sumula 197. que dispensa a partilha em se tratando de divórcio direto. parágrafo 1º. agora. Preliminarmente.). No art. em manifesta incoerência e quebra de sistema. Cometti Fernando F. além de reafirmar as duas hipóteses de divórcio (direto ou via conversão) refere-se aos prazos da ruptura da sociedade conjugal. o dever de sustento. 6515/77 e pelos arts. Anteriormente prevista no art. O consentimento é suficiente a determinar a validade da decisão. 1566 do C. encarando a concessão da separação como termo das obrigações oriundas do casamento. e 3º. constantes na Lei do Divórcio permanecem presentes no novo Código Civil: a) Separação Litigiosa como Sanção: Ocorre quando um dos cônjuges imputar ao outro conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres conjugais. Mas. No caso de conversão em divórcio da separação judicial. quando a separação é consensual.C. O divórcio direto poderá ser requerido por um ou ambos os cônjuges. permite a concessão do divórcio sem que haja partilha de bens. guarda e educação. 1572.93 - . na lei divorcista. 1576 o legislador enfrentou a questão tormentosa que sempre dividiu a jurisprudência nacional. era de cinco anos. e em caráter de justificação. no caso de comprovada separação de fato por mais de 2 (dois) anos. O divórcio indireto (ou via conversão) dá-se quando do transcurso do lapso temporal de 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença de separação. O prazo de duração da doença para a obtenção da separação que. É dado importante na matéria da dissolução da sociedade conjugal porque. 34 da Lei no. a mútua assistência mantém-se na forma de alimentos e.). 1120 a 1124 do CPC. o prazo para conversão em divórcio é contado da data da concessão daquela medida e não do decreto da separação judicial. Com o atual dispositivo encerra-se a controvertida polêmica: a separação judicial põe termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca. que o disposto no art. da Ldi ressurge. reduzindo o prazo mínimo de casamento. 5º. c) Separação Litigiosa como Remédio: Ocorre quando um dos cônjuges está acometido de grave doença mental de cura improvável (art. O art. Quanto à partilha de bens. O lapso temporal é um requisito objetivo e comprova-se pela certidão. 1575 dispõe sobre a separação de corpos e a partilha de bens. O art. será pelo juiz decidida. 1581 que. contrariamente. na hipótese de cautelar preparatória. no art. do STJ. pode confirmar a medida deferida liminarmente no processo cautelar. se foi deferida a medida cautelar de separação de corpos. O art. em havendo filhos. passa. poderá ser feita mediante proposta dos cônjuges e homologada pelo juiz. como a lei deixa claro. . uns entendendo que a separação não importava em término dos deveres matrimoniais e outros. Castellani As três espécies de separação litigiosa. que se refere à grave violação dos deveres do casamento e à insuportabilidade da vida em comum (Os deveres conjugais são aqueles arrolados no atual art. 1572. Em se tratando de separação litigiosa. parágrafo 2º. Há decisões que aceitam justificação para comprovar a existência do casamento. b) Separação Litigiosa como Falência: Ocorre quando qualquer um dos cônjuges prova a ruptura da vida em comum há mais de 01 (um) ano consecutivo e a impossibilidade de sua recoonstituição (art. na ausência do registro. 1574 trata da separação judicial consensual. 1572. Importante notar.

c) Extingue o regime matrimonial. 1639 do CC resgata o princípio da autonomia da vontade. c) Extingue o direito sucessório entre os cônjuges. c) Impossibilita a realização de novas núpcias. A liberdade dos cônjuges no exercício da escolha é total. b) Os cônjuges aderem ao regime legal – sem convenção. mas a lei impõe a necessidade da convenção – pacto antenupcial – sempre que a opção exercida difere do padrão ofertado pela lei. II. Efeitos da separação e do divórcio Os efeitos da separação judicial atingem tanto a pessoa dos cônjuges quanto o seu patrimônio. e) Não admite reconciliação entre os cônjuges. diz o parágrafo 1º do art. pois. permitindo aos cônjuges estipular o que lhes aprouver. g) Mantém inalterado os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos. pena que se concretizará se não ocorrer alguma das hipóteses previstas no art. b) Põe fim aos deveres conjugais. O art. 1639.94 - . 1640. por isso fala-se em efeitos pessoais e efeitos patrimoniais. b) Impede a mulher de continuar a usar o nome do marido (regra geral). Efeitos Patrimoniais: a) Põe fim ao regime matrimonial de bens. cumprido o prazo de um ano de vigência da separação. portanto. 1578: I.evidente prejuízo para sua identificação. A sentença de divórcio produz os seguintes efeitos: a) Dissolve definitivamente o vínculo matrimonial. d) Autoriza a conversão em divórcio. em matéria de regime de bens. f) Possibilita novo casamento aos divorciados. Efeitos Pessoais: a) Põe termo aos deveres recíprocos do casamento. Regime de bens entre os cônjuges Regime de bens é. 1640 c/c art. Importante ressaltar que o regime de bens começa a vigorar desde a data do casamento. esse regime é passível de modificação (art. 1639 do CC. d) Faz cessar o direito sucessório. III. o legislador criou duas hipóteses de incidência de regras em matéria de regime de bens: a) Os cônjuges escolhem o que lhes aprouver – materializando sua escolha em documento próprio (pacto antenupcial – art. 1653). b) Substitui o dever de sustento pela obrigação alimentar. inderrogáveis pelos cônjuges.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 16. d) Pode dar origem à indenização por perdas e danos se ocorrerem prejuízos morais ou patrimoniais. o complexo de normas que disciplina as relações econômicas entre marido e mulher durante o casamento. 17. Na realidade.dano grave reconhecido na decisão judicial. Todavia. aceitando em bloco o regime da comunhão parcial de bens – art. parágrafo segundo) mediante a ocorrência de três requisitos cumulativos: . O cônjuge “culpado” perde o direito de usar o sobrenome do outro.manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida. Estas normas são de ordem pública e.

nominado. ou doado. 3. 4. não havendo convenção. A eficácia a que se refere o texto legal. a ocorrência da sociedade conjugal não anula a individualidade e autonomia dos cônjuges em matéria patrimonial). o regime da comunhão parcial faz surgir três massas distintas de bens. 258 (CC/16). previsto em lei e legítimo (típico). e os bens comuns do casal. que só o deferirá quando convicto da motivação relevante e do não prejuízo dos interesses de terceiros. Se o bem sub-rogado é mais valioso que o alienado. b) O pedido motivado de ambos os cônjuges. uma vez que a admissão daquela mudança implicaria em esvaziar o conteúdo da previsão legal. Assim como o casamento é objeto de registro público. formal. a lei também exige o registro do pacto antenupcial no registro de imóveis. na constância do casamento. O regime de comunhão parcial limita o patrimônio comum aos bens adquiridos na constância do casamento a título oneroso (ou seja. os livros e os instrumentos de profissão. 1653). como também não poderá ser suprida pelo juiz. 5-Os bens de uso pessoal.As obrigações provenientes de atos ilícitos. a diferença do valor. em ação própria. Desse modo. os bens particulares da mulher. se não foi paga com recursos próprios e particulares do cônjuge. O limite da sub-rogação é o valor do bem particular (adquirido antes do casamento. ou sendo nula. Acrescenta o art. salvo reversão em proveito do casal.Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. alterou o então vigente art. estipular que o pacto produzirá efeitos diversos daqueles previstos pela norma jurídica. quais sejam. para determinar que. Regime da comunhão parcial de bens Introduzido no Brasil pela Lei do Divórcio (Lei 6515/1977). não realizado o casamento. quanto aos bens. a não anuência de um não só compromete o deferimento. naquelas hipóteses específicas desconheceu a aplicação do princípio da autonomia da vontade. passa a ser comum a ambos os cônjuges. vigorará. 1641) não há que se invocar a revogabilidade estampada na nova lei. é porque. . os bens particulares do marido. O pedido motivado de ambos os cônjuges cerca o pedido de maior garantia. Ou seja. e c) A ressalva dos direitos de terceiros. Cometti Fernando F. isto é. consequentemente. por doação ou sucessão e os sub-rogados em seu lugar. o pacto torna-se ineficaz. Castellani a) A autorização judicial. O pedido de alteração é dirigido ao juiz competente.95 - . Todavia.Os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares. O pacto antenupcial é um ato jurídico pessoal. 1641.As obrigações anteriores ao casamento – obrigações negociais. No art. ou herdado). 1657 – depois de registrado. 18. sendo indispensável a escritura pública (art. Logo. para que produza os efeitos perante terceiros. o regime da comunhão parcial. O registro imobiliário competente é o do domicílio dos cônjuges devendo os mesmos levar ao registro imobiliário a escritura pública do pacto antenupcial e a certidão do casamento. em se tratando de regime obrigatório de separação de bens (art. 1659 estão arrolados os bens que não entram na comunhão: 1. 1653 que o pacto é nulo se não lhe seguir o casamento. Se o legislador impõe a separação nas três hipóteses do art.Os bens que cada cônjuge possuir ao casar e os que lhe sobrevierem.Coordenadores: Marcelo T. O pacto antenupcial só terá efeito perante terceiros – art. diz respeito tão somente aos bens imóveis. 2. pois os nubentes têm a sua autonomia limitada pela lei e não podem. 6. o casamento é condição suspensiva necessária para que o pacto produza os seus reais efeitos.

19. 1673 delimita o que é patrimônio comum dispondo. . por isso. aos bens imóveis. Regime da separação de bens O regime de separação de bens é aquele em que cada cônjuge conserva o domínio e a administração de seus bens presentes e futuros.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 7.96 - . mas. 1656). como ocorre na separação de bens. valor este a ser levantado na dissolução da sociedade conjugal. que os poderá livremente alienar. 1668 do C. diz a lei. 1673 só admita a alienação dos bens móveis. direitos e ações. embora o parágrafo único do art. se forem móveis. Os bens que participam da comunhão são aqueles descritos no art. que permanece indivisível até a dissolução da sociedade conjugal. 20. Durante o casamento. a possibilidade estende-se. os patrimônios dos cônjuges se fundem em um só. meios-soldos. No art. associa cada cônjuge aos ganhos do outro. que a administração dos bens é exclusiva de cada cônjuge. mas que se tornam comuns no momento da dissolução do mesmo. O art. pois que insuscetível de divisão antes da dissolução da sociedade conjugal. 1667 do CC o regime da comunhão universal importa na comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas. cada um dos cônjuges goza de liberdade total na administração e na disposição dos seus bens.C. marido e mulher. no seu parágrafo único. diz-se que o cônjuge é “meeiro”. desde que a hipótese tenham sido objeto de cláusula no pacto antenupcial (art. logo.As pensões. passam a constituir um só massa. Regime da participação final nos aqüestos Na participação final nos aqüestos há formação de massas de bens particulares incomunicáveis durante o casamento. Todos os bens. ao mesmo tempo. passando. os bens que são excluídos do regime de comunhão universal. Regime da comunhão universal de bens Segundo o art. responsabilizando-se individualmente pelas dívidas anteriores e posteriores ao casamento. montepios e outras rendas semelhantes. 21. Cada um dos cônjuges tem direito à metade ideal desta massa. o legislador arrola. Vale ressaltar que. O regime de separação é legal (quando decorre da lei) ou convencional (decorre de convenção estabelecida em pacto antenupcial). 1660 do CC. a figurar como condôminos de um condomínio peculiar. em cinco incisos. 1668. Com a exclusão das exceções previstas no art. quando ressurge a idéia da comunhão. igualmente. móveis e imóveis.

1593 quando se refere ao parentesco que resulta de outra origem. o parentesco. Em decorrência do art. inexiste impedimento de o viúvo (ou divorciado) casar-se com a cunhada. simplesmente. Castellani CAPÍTULO II – PARENTESCO Toda pessoa se enquadra numa família por quatro ordens de relações: o vínculo conjugal. enteado. . 3. a afinidade não decorre da natureza. 1595. Cometti Fernando F. A afinidade na linha reta é sempre mantida (art. mas a afinidade colateral (ou cunhadio) extingue-se com o término do casamento.É a proposta inédita. os graus de parentesco pelo número de gerações e.: “ São parentes em linha colateral ou transversal. Embora haja simetria com a contagem dos graus no parentesco. 2. a afinidade. Efeitos do parentesco As relações de parentesco afetam os mais diversos campos do Direito. Em assim sendo. sogra. 227.Coordenadores: Marcelo T. São afins na linha na linha reta descendente: genro. não descendem uma das outras. nora. É por força de uma ficção legal que se estabelece este parentesco. também pelo número delas. São afins em linha reta ascendente: sogro. A afinidade. b) Parentesco civil – É o decorrente da adoção. assim como o parentesco por consangüinidade. Dispõe a respeito o art. desde os impedimentos que se traduzem em inelegibilidade da constituição até os impedimentos para o casamento. o art. nem do sangue. afins. o adotado tem os mesmos direitos do filho consangüíneo. não visualizada pelo C/C 1916 e que ganha legítimo reconhecimento na singela fórmula do art. no atual sistema codificado. padrasto e madrasta (no mesmo grau que pai e mãe). d) O vínculo sócio-afetivo . o vínculo legal que se estabelece à semelhança da filiação consangüínea. embora procedendo de um tronco ancestral comum. entre si. 1594 “Contam-se. até o quarto grau. 1. Marido e mulher são. parágrafo 6º. comporta duas linhas: a reta e a colateral. e descendo até encontrar o outro parente”. enteada (no mesmo grau que filho e filha). Os graus são o meio de que se dispõe para determinar a proximidade ou remoticidade do parentesco. Contagem do parentesco O parentesco é contado através de linhas e graus.Inicialmente vale ressaltar que o casamento não cria nenhum parentesco entre o homem e a mulher.). e o vínculo sócio-afetivo. com efeito. subindo de um dos parentes até ao ascendente comum. na colateral.97 - . Dispõe. c) Parentesco por afinidade . as pessoas provenientes de um só tronco. Existem duas espécies de linhas: reta (quando as pessoas descendem umas das outras) e colateral ou transversal (quando as pessoas. isto é. mas independente dos laços de sangue. parágrafo 2º. mas tão somente da lei. na linha reta. 1592 do CC. Espécies de parentesco a) Parentesco natural – É o que se origina da consangüinidade. sem descenderem uma da outra”. da CF.

No direito constitucional e no direito administrativo. de dois ou mais magistrados. .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No processo civil. Constituem prática de nepotismo. dos respectivos membros ou juízes vinculados.. 405. inclusive.. de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. 07 do CNJ – art. (. em Tribunais ou Juízos diversos. os efeitos do parentesco fazem-se sentir com mais intensidade. dentre outras: I.o exercício.o exercício de cargo de provimento em comissão ou de função gratificada. do CPC). de pessoa jurídica da qual sejam sócios cônjuge. No direito sucessório. por cônjuge. II. o parentesco pode definir isenções.o exercício de cargo em provimento de comissão ou de função gratificada. 2º.a contratação. até o terceiro grau.. até o terceiro grau. companheiro ou parente em linha reta. No direito penal. limitando-se. há crimes cujo parentesco entre o agente causador e a vítima agrava a intensidade da pena. assim como o colateral até o terceiro grau.a contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. seu ascendente ou descendente em qualquer grau. ou servidor investido em cargo de direção e de assessoramento. companheiro ou parente em linha reta ou colateral até o terceiro grau. de cônjuge. colateral ou por afinidade. dos respectivos membros ou juízes vinculados. parágrafo 2º. até o terceiro grau.98 - . inclusive. colateral ou por afinidade. em casos excepcionais de dispensa ou inexigibilidade de licitação. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. deduções ou o nível de tributação. inclusive. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. por cônjuges. ou de servi dor es investidos em cargos de direção ou de assessoramento. de cargos de provimento em comissão. dos respectivos membros ou juízes vinculados. I. o parentesco estabelece as classes de herdeiros que podem concorrer à herança. estabelecer o dever de prestar alimentos. àqueles até o quarto grau. ao estabelecer impedimentos para o casamento. IV . na classe dos colaterais. companheiros ou parentes em linha reta. inclusive.) No direito de família. III . No direito fiscal. até o terceiro grau. em circunstâncias que caracterizem ajuste para burlar a regra do inciso anterior mediante reciprocidade nas nomeações ou designações. companheiro ou parente em linha reta. estão impedidos de depor como testemunha. V . há restrições de parentesco para ocupar certos cargos: Resolução no. colateral ou por afinidade. por cônjuge. bem como de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. de servir como tutor etc. inclusive. colateral ou por afinidade. companheiro ou parente em linha reta. além do cônjuge da parte. seja consangüíneo ou afim (art. ou de funções gratificadas.

226. Por conseqüência. por meio de técnicas especiais. havidos ou não da relação do casamento.) estabeleceu absoluta igualdade entre todos os filhos.1. do Conselho Federal de Medicina. e não o do marido. A fecundação ou inseminação homóloga é realizada com sêmen originário do marido. ou por adoção. terá fundamento moral. não possa procriar. A CF (art. todas elas vinculadas à reprodução assistida. “a partir de 14 dias. A lei não exige que o marido seja estéril ou. . A paternidade. O princípio da igualdade dos filhos é reiterado no art. indica que. 1. Se a mãe for casada. Apenas é admitida a concepção de embriões excedentários “se estes derivam de fecundação homóloga. ou vida humana. especialmente na Europa”. 1. sejam casados ou companheiros de união estável”. o simples fato do nascimento estabelece o vínculo jurídico entre a mãe e o filho. A lei não exige que haja autorização escrita. após a morte do doador. por qualquer razão física ou psíquica.Neste dispositivo três hipóteses de presunção de filhos concebidos na constância do casamento.596 do CC. Em regra. Presunção de paternidade Presume-se filho o concebido na constância do casamento: pater is est quem iustae nuptiae demonstrant.358/92. esta circunstância estabelece. ou seja.Coordenadores: Marcelo T. Essa distinção é aceita em vários direitos estrangeiros. normalmente doador anônimo. 1. está proibida a utilização de embrião excedêntário por homem e mulher que não sejam os pais genéticos ou por outra mulher titular da entidade monoparental. apesar de não ter componente genético. A fecundação ou inseminação artificial post mortem é realizada com embrião ou sêmen conservado. A resolução no. Castellani CAPÍTULO III – FILIAÇÃO Filiação é a relação de parentesco. que enfatiza: “Os filhos. 1. respectivamente. O vocábulo fecundação indica a fase de reprodução assistida consistente na fertilização do óvulo pelo espermatozóide. parágrafo 6o. que liga uma pessoa àquelas que a geraram.358/92 do Conselho Federal de Medicina admite a cessão temporária do útero. mas a resolução 1. ou a receberam como se a tivesse gerado. não admitindo mais a retrógrada distinção entre filiação legítima e ilegítima. neste caso.99 - . pressupondo-se. o consentimento de ambos. automaticamente. O inciso V do art. a paternidade. razão por que pode ser verbal e comprovada em juízo como tal. apenas que seja “prévia”.597 presume concebido no casamento os filhos “havidos por inseminação artificial heteróloga. em primeiro grau e em linha reta. tem-se propriamente o embrião. de gametas da mãe e do pai. O código não define a partir de quando se considera embrião. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação”.597 do CC. Cometti Fernando F. A única exigência é que tenha o marido previamente autorizado a utilização de sêmen estranho ao seu. Já diziam os romanos: mater semper certa est. desde que o cedente seja parente colateral até o segundo da mãe genética. privilegiando-se a relação socioafetiva. Neste caso o óvulo e o sêmen pertecem ao marido e à mulher. in casu. sem fins lucrativos. terão os mesmos direitos e qualificações. Ocorre tal modalidade de inseminação quando é utilizado “sêmen de outro homem. para a fecundação do óvulo da mulher. A presunção de paternidade é prevista no art. desde que tenha prévia autorização do marido”.

560/92. 1. O importante é que a patologia tenha ocorrido depois de estabelecida a convivência conjugal e no prazo legal atribuído ao momento da concepção. A segunda visa negar o fato da própria concepção. Tal dispositivo abre exceção à presunção mater in jure semper certa est. mesmo adulterina. também é o ECA: (art. no art. 8o.ou das declarações nele contidas”. admitindo a prova em contrário. com base no art.599). Assim. se ele vier a falecer durante o seu curso. devido ao segredo profissional médico e ao anonimato do doador do sêmen inoculado na mulher. Importante observar. mas. Dispõe o art. dos “registros de nascimento anteriores à data da presente lei”. salvo se provar que. não podendo voltar atrás. traduzido nos cento e vinte e um dias. também. à época da concepção. art. mediante ação negatória de paternidade.597 é júris tantum. 1. para afastar a condição de . 1. induzidos a erro por falta de cuidado de hospitais e maternidades. Ação negatória de paternidade e de maternidade Conhecida também como ação de contestação de paternidade. a retificação. uma vez iniciada.601. sem qualquer restrição. a mãe só poderá contestá-la. Em regra. A legitimidade ativa é privativa do marido (CC. Legitimado passivamente para esta ação é o filho. Nesse sentido. a ação deve ser movida contra seus herdeiros (normalmente a mãe é a herdeira). 1. A primeira tem por objeto negar o status de filho ao que goza de presunção decorrente da concepção na constância do casamento. ouvido o Ministério Público. Mesmo que o marido não tenha ajuizado a negatória de paternidade. observado o segredo de justiça”. passa a seus herdeiros (art. 1. será o pai legal da criança assim concebida. a presunção de paternidade do art. podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros.602). 1. Se o filho é falecido.601 do CC). Pode. e por permitir. pois.601).600 e 1. 27): “O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. A falsidade do termo de nascimento pode ser atribuída ao próprio oficial de registro civil ou à declaração da mãe ou do pai. 2. distinguir a ação negatória de paternidade ou maternidade daquela destinada a impugnar a paternidade ou maternidade. 1. dos trezentos que houverem precedido ao nascimento do filho. 8. Só ele tem a titularidade. Mais se evidenciou essa possibilidade com o advento da Lei n. na verdade. provando a falsidade do termo..608 do CC: “quando a maternidade constar do termo do nascimento do filho. que é imprescritível (art. arts. elaborada com o intuito de conferir maior proteção aos filhos. deve ela também integrar a lide. 1. parágrafo único). que visa à proteção da família constituída pelo casamento. na posição de ré. ser elidida pelo marido. por decisão judicial. Deve-se. ou mais. ou pelo filho da mulher casada contra o seu verdadeiro pai. que a prova de impotência do cônjuge para gerar. entende a doutrina que nem mesmo o curado do marido interdito poderia ajuizar tal ação. a iniciativa da ação. seja proposta contra o homem casado. indisponível e imprescritível. ou provar a suposição de parto. pois. aquele bebê adveio da infidelidade da mulher (CC. por ter sido efetuado o registro pela mãe – e porque se objetiva desconstituir um ato jurídico. mas.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se o marido anuiu na inseminação artificial heteróloga.604. ilide a presunção de paternidade (art. a ação negatória destina-se a excluir a presunção legal de paternidade. por permitir que a investigação da paternidade.100 - . tem sido reconhecido ao filho o direito de impugnar a paternidade. como ocorre nos casos de troca de bebês. retirando do registro civil o nome que figura como pai -. A impugnação da paternidade conduzirá o filho a uma paternidade incerta.

Somente a ação negatória é privativa do marido ou da mulher. art.606). Não há empecilho para que o filho adotivo intente ação de investigação de paternidade em face do pai biológico. 1. 205). O registro. A de impugnação da paternidade ou da maternidade pode ser ajuizada pelo próprio filho. prova não só o nascimento como também a filiação. como também por se tratar de pretensão que se insere no rol dos direitos da personalidade e na idéia de proteção integral à criança. de natureza declaratória e imprescritível.604 do CC e provando erro ou falsidade do registro. por meio da ação de investigação de paternidade. os efeitos patrimoniais do estado da pessoa prescrevem. Cometti Fernando F. parágrafo único). que deve conter os dados exigidos no art. seus herdeiros e sucessores ficarão inibidos para o ajuizamento. como nas hipóteses de troca de criança em maternidades. Se a mãe do investigante é menor. como os irmãos da pessoa registrada como filho. 1. . Prova-se também a filiação pelos meios de prova elencados no art. que zela pelos interesses do incapaz. forçado ou coativo. Dispõe o art. tem reconhecido legitimidade ao nascituro para a sua propositura. destarte. ainda que menor. representado pela mãe.609 do CC como modos voluntários de reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento. não só em face do que dispõe o parágrafo único do art. Reconhecimento judicial da filiação: investigação de paternidade e maternidade.603 do CC que a filiação prova-se pela certidão do termo de nascimento registrada no Registro Civil. por interesse moral ou até mesmo de natureza sucessória. A moderna doutrina. Esta prescreve em dez anos (CC. salvo se julgado extinto o processo” (art. que é ação de estado. consagrada na própria CF.616). 1. será representado pela mãe ou tutor. 54 da Lei dos Registros Públicos.101 - . A mãe natural.Coordenadores: Marcelo T. por isso. poderá ser representada ou assistida por um dos seus genitores. têm eles legitimação para “continuá-la. e este só nasce com o reconhecimento. com citação dos pais presumidos. ou por tutor nomeado especialmente para o ato. salvo se “ele morrer menor e incapaz” (CC art. É que o prazo de prescrição somente se inicia quando surge o direito à ação. Os efeitos da sentença que declara a paternidade são os mesmos do reconhecimento voluntário e também ex tunc: retroagem à data do nascimento (CC.606. ou ainda por quem demonstre legítimo interesse. a contar não da morte do suposto pai. mas não o é a de petição de herança”. art. secundada pela jurisprudência. de caráter declaratório e satisfativo do seu interesse pessoal. 1. preceitua a Súmula 149 do STF: “É imprescritível a ação de investigação de paternidade. Por essa razão. exerce o poder familiar de filho menor não reconhecido pelo pai e. a ação é privativa dele. intentar em nome do filho a ação investigatória de paternidade”. “representa-o nos atos da vida civil e pode. 1. O filho não reconhecido voluntariamente pode obter o reconhecimento judicial. Se já tiver sido iniciada. Embora a ação seja imprescritível. mas do momento em que foi reconhecida a paternidade. a pedido do Ministério Público. 1. Se o filho morrer antes de iniciá-la. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. discriminando em 09 itens. Se menor.609 do CC. relativa ou absolutamente incapaz. A legitimidade ativa para o ajuizamento da ação de investigação de paternidade é do filho. de simulação de parto e introdução maliciosa na família da pessoa portadora do status de filho e de falsidade ideológica do assento de nascimento. É de se admitir o litisconsórcio ativo facultativo dos filhos da mesma mãe na investigação de paternidade do mesmo suposto genitor. Castellani filho. assistida por seu pai. pois. fazendo-o com base no art. 1.

quando o oficial do Registro Civil encaminhar ao juiz os dados sobre o suposto pai. sempre que for herdeira. na qualidade de parte. art. ainda que o registro de nascimento tenha sido lavrado anteriormente à sua promulgação. O art. se sujeita ao poder familiar. Se o demandado já for falecido. I e II). Havendo descendentes ou ascendentes.615). em nome do melhor interesse da criança. mas a ação pode ser contestada por qualquer pessoa “que justo interesse tenha” (CC. a ação deverá ser movida contra eventuais herdeiros incertos e desconhecidos citados por editais. art. O reconhecimento é incondicional:não se pode subordiná-lo a condição. havendo elementos suficientes.560/92 permite que a referida ação seja ajuizada pelo Ministério Público. 27 do ECA menciona expressamente “os herdeiros” do suposto pai. salvo como representante do filho menor.616 do CC que “a sentença que julgar procedente a ação de investigação produzirá os mesmos efeitos do reconhecimento. I e II). III). O espólio não tem personalidade jurídica. . 1. Deverá a viúva ser citada como parte. ou mesmo de sua concepção.566. art.8. a temporariedade do ato. o filho ingressa na família do genitor e passa a usar o sobrenome deste. pois. retroativos ou retrooperantes (ex tunc). assim. não da data do ato. IV). gerando as suas conseqüências. 1. mas retroagindo “até o dia do nascimento do filho. se não concorrer com estes à herança. bem como outros parentes sucessíveis. Efeitos do reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento O reconhecimento produz efeitos de natureza patrimonial e de cunho moral.696) e à sucessão (art. parágrafo 4o. como aquele que se considera o verdadeiro genitor. Não é correto mover a ação contra o espólio do finado pai. 1. pode. Se menor. ou a termo (CC. 1. que. art. Se não houver herdeiros sucessíveis conhecidos. para que dele venham a constar os dados atualizados sobre sua ascendência.829. assim. O principal deles é estabelecer a relação jurídica de parentesco entre pai e filho. mas pode atingir terceiros. não passando de um acervo de bens. seja por inexistirem descendentes e ascendentes (CC. a ação deverá ser dirigida contra seus herdeiros. afastando-se. 3.). 1. art. mas poderá ordenar que o filho se crie e eduque fora da companhia dos pais ou daqueles que lhe contestou essa qualidade”. o cônjuge do falecido não participará da ação. dependendo de quem está sendo investigado.829. Com o reconhecimento. pelos filhos havidos no casamento ou filhos reconhecidos anteriormente. 1. A legitimidade passiva recai no suposto pai ou na suposta mãe. se isto condisser com seus interesses”.829. 1. alterado. 2o. É vedado ao pai subordinar a eficácia do reconhecimento à determinada data ou a determinado período. são. Dispõe o art. de tê-lo sob sua guarda e de educá-lo (CC. Entre o pai e o filho reconhecido há direitos recíprocos aos alimentos (CC. uma vez que a declaração do estado de filho repercute não apenas na relação entre as partes. portanto.102 - . na defesa dos interesses do investigando.613). fornecidos pela mãe ao registrar o filho (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A lei n. porém. ficando os pais submetidos ao dever de sustentá-lo. todavia. Embora se produzam a partir do momento de sua realização. seja por concorrer com eles à herança (art. Trata-se de legitimação extraordinária deferida aos membros do parquet. O dispositivo permite. 1. ser apresentada pela mulher do investigado. A defesa. O registro de nascimento deve ser. ela possa permanecer na companhia de quem a acolheu e criou.

desde a posse do estado de casados. enquanto nesta a convivência pode ser convertida em casamento. porque naquele há sempre impedimento. Cometti Fernando F. com notoriedade de longos anos. . é a convivência more uxorio. até a união adulterina. o convívio. de homem e mulher. Só se converte em casamento.103 - . parágrafo 3º refere-se à possibilidade de conversão em casamento. entre homem e mulher desimpedidos. união entre homem e mulher não inquinada de impedimento. No sentido amplo. união livre). como se fossem marido e mulher.Coordenadores: Marcelo T. O termo união estável. 226. ou seja. um amplo (lato sensu) e um restrito (stricto sensu). tudo se incluiria na noção maior de concubinato. O concubinato não se confunde com a união estável (ou. empregado pelo constituinte de 1988 refere-se à união livre. tanto é que o texto constitucional – art. No sentido restrito. Castellani CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL O termo “união estável” admite dois sentidos.

.

não é absoluto. Cometti Fernando F. respondendo cada herdeiro proporcionalmente à parte que lhe couber na herança. germanos como unilaterais (art. Princípios da obrigação alimentar Como se trata de um munus público. aos irmãos. de grau imediato para concorrer no cumprimento da dívida alimentar. o poder de fixar a forma do cumprimento da prestação. lazer. Castellani CAPÍTULO V – ALIMENTOS Alimentos. tem uma conotação amplíssima. ou de cada herdeiro.) ou em dinheiro. pois o parágrafo único do artigo confere ao juiz. b) Princípio da preferência – Na falta de ascendente cabe a obrigação aos descendentes e. entende-se que a revisão é da essência da obrigação alimentar. podemos afirmar que alimentos são os auxílios prestados a uma pessoa para prover as necessidades da vida. educação. c) Princípio da complementaridade – Se o parente convocado não estiver habilitado a cumprir a obrigação totalmente (art. redução ou majoração. ela é mutável podendo ser modificada a qualquer tempo. Assim. 1696 do CC que o direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos. 1707 do CC). 1697). logo tios ou sobrinhos (parentes em 3º grau) escapam da previsão legal. a reciprocidade da obrigação alimentar ocorre tanto entre ascendentes como entre descendentes. quer por contrato ou convenção (art. O CC limita a obrigação na linha colateral ao segundo grau (irmãos).Coordenadores: Marcelo T. saúde. não se pode ajustar que seu montante jamais será alterado. a) Princípio da reciprocidade – Dispõe o art.105 - . que não pode ser reduzida à noção de mero sustento (alimentação) mas envolve. que o elenco previsto pela lei é taxativo. também. uns em falta de outros. 1. vestuário. g) Princípio da irrenunciabilidade – Não podem as partes pactuarem de modo diverso. 1701 do CC confere ao devedor de alimentos a faculdade de optar entre o cumprimento da pensão em espécie. porém. ou em dinheiro. f) Princípio da alternatividade – Os alimentos podem ser pagos em espécie (moradia. faltando estes. Isto é. e extensivo a todos os ascendentes. de modo que. habitação. as regras que disciplinam a matéria são de ordem pública. sempre que o binômio se alterar produzirá efeitos imediatos sobre a pensão provocando exoneração. Desse modo. profissionalização. não se pode estabelecer condição contrária ao disposto na lei. etc. sempre em decorrência da variação financeira das partes interessadas (art. O direito de escolha. 1698 do CC) poderá chamar outros parentes. Logo. recaindo a obrigação nos mais próximos em grau. inderrogáveis por convenção entre as partes. numerus clausus. portanto. mas sempre no limite das forças do monte. vestuário. porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos. 1707). mas não material. não se pode renunciar ao direito de exigir alimentos (art. em faltando alguma das categorias citadas. O texto legal é claro e não deve gerar maiores questionamentos: o credor pode não exercer. na linguagem jurídica. isto é. d) Princípio da mutabilidade (ou da variabilidade da prestação) – A decisão judicial sobre alimentos faz coisa julgada formal. e) Princípio da transmissibilidade – Os alimentos poderão ser cobrados do espólio. 1699 do CC). isto é. . se as circunstâncias o exigirem. alimentação. Importante notar. Se o quantum da pensão alimentícia subordina-se a um critério de proporcionalidade entre as necessidades do alimentado e os recursos do alimentante. extingue-se a obrigação alimentar decorrente do parentesco. o dispositivo legal prescreve uma obrigação alternativa. O art. mediante o pagamento da prestação pecuniária.

Cessa o dever de prestar alimento em caráter definitivo por que o credor se encontra vinculado a outra pessoa. II. O parágrafo único do referido art. Fontes da obrigação alimentar A dívida de alimentos pode provir de várias fontes: a) Vontade das partes – Embora hipótese rara ela pode se materializar nos casos de separação consensual. Também pode derivar de disposição testamentária (art. 1710 do CC a atualização monetária é feita por fórmula mais ampla (índice oficial regularmente estabelecido) que subsiste por tempo indeterminado. por decorrência jurídica. 948. 1694).106 - . 1920). na qual o marido (ou a mulher) convenciona a pensão a ser paga ao outro cônjuge. sem risco de perda de parâmetro oficial quando da desvalorização da moeda nacional. introduz a hipótese de ingratidão do alimentário como causa extintiva da obrigação do devedor. 1708 do CC (casamento. Atualização da dívida alimentar No art. . 4. a pensão alimentar decorre da responsabilidade civil. Exoneração da obrigação alimentar As três hipóteses arroladas no caput do art. à outra pessoa. aos filhos compete sustentar os pais. são suficientes a justificar a cessação do pagamento da dívida alimentar.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 2. É o que decorre do disposto no art. 3. na velhice e quando necessitam de auxílio. a eles compete sustentar e educar os filhos. os companheiros também podem pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver (art. d) Ato Ilícito – Quando o causador do dano fica obrigado a reparar o prejuízo mediante pagamento de uma indenização. Da mesma forma. b) Parentesco – A lei impõe aos pais o encargo de prover a mantença da família e. união estável ou o concubinato) na medida em que acarretam o vínculo do credor da pensão. c) Casamento e União Estável – Por força do princípio constitucional que inseriu as uniões estáveis como espécie do gênero maior entidades familiares.

Da escusa dos tutores Tratando-se de um encargo público a tutela. 1. entende-se que a tutela foi atribuída ao primeiro. de caráter personalíssimo e. c) Tutela dativa . própria da tutela dativa. . de fato e de direito.Na falta de nomeação a lei estabelece a ordem de preferência dos eventuais tutores (art. 1733. no caso de morte. Ambos devem estar no exercício do poder parental (art. Cometti Fernando F. b) Tutela legítima . daqueles que não forem parentes do menor e que. Da tutela A tutela possui três finalidades específicas: os cuidados com a pessoa do menor. Aí reside o divisor de águas entre os dois institutos. a nomeação do tutor. no art. O Código Civil manteve a distinção do direito antigo: a tutela dirige-se aos menores e a curatela. isto é. escusa ou qualquer outro impedimento. somente aqueles casos são excludentes da tutela. não estão obrigados a aceitar a tutela. Três são os tipos de tutela reconhecidos pela ordem civil brasileira: a) Tutela testamentária . incapacidade. aos maiores incapazes. 1729 restringe aos pais. e que os outros lhe sucederão pela ordem de nomeação. em conjunto. o maior interesse do menor. até a decisão do recurso interposto. 1731) ordem que não é inflexível. quanto a curatela representam um munus (encargo) público.O art. o art.107 - . o munus é direcionado a pessoa estranha ao grupo familiar (art. que. 1739 – o nomeado exercerá a tutela. O rol do art. devendo-se considerar. São posto sob tutela Os menores cujos pais falecem Os menores cujos pais foram destituídos ou suspensos do poder parental São postos sob curatela Os Deficientes mentais Os excepcionais Os pródigos Os nascituros 1. Se existir apenas um dos genitores a este competirá a nomeação do tutor. se mais de um tutor foi nomeado em disposição testamentária. A escusa deve ser apresentada no lapso temporal de 10 (dez) dias subseqüentes à designação. Tanto a tutela. porque somente ocorrerá quando inexistir tutor testamentário ou legítimo. 1730). que necessitam da presença de outrem que aja em nome delas. Dispõe. A tutela dativa tem caráter subsidiário. sob pena de entender-se renunciado o direito de alegá-la (art. Se o juiz admitir a escusa – art. sempre. a administração de seus bens e sua representação para os atos e negócios da vida civil. em princípio irrenunciável. No art. 1738). ainda. 1732).737 a lei arrola mais uma hipótese de escusa.Na falta ou na impossibilidade dos consangüíneos. em princípio. 1736 é taxativo. Todavia. ambos os institutos objetivam proteger pessoas incapazes. 2. não pode ser recusada. Castellani CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA A tutela e a curatela têm um ponto em comum. 1736 estão arrolados os casos específicos em que se justifica a escusa.Coordenadores: Marcelo T. por conseguinte.

porém.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. 1757). por exemplo). . sob inspeção do Poder Judiciário. no art. Importante notar. Visualiza o art. 1767. Do exercício da tutela O art. 1756) e prestarão contas de 2 (dois) em 2 (dois) anos quando. Quanto ao patrimônio do menor compete ao tutor administrar os bens do tutelado em proveito do mesmo. O CC (art. 1759). conforme prevê o art. A interdição dessas pessoas pode ser promovida pelos pais ou tutores. 5. 1768. dos dezesseis aos 18 anos de idade. a quitação do menor só produzirá efeito depois de aprovadas as contas pelo juiz (art. até então. O tutor também deve representar o menor até os dezesseis anos assisti-lo. 6. 1765). 1752 prevê a remuneração do tutor proporcionalmente à importância dos bens administrados. quanto à pessoa do menor: a) Dirigir-lhe a educação. o tutor se compromete a exercer gratuitamente o cargo. prevaricador (é o que descumpre o dever a que está obrigado. Da prestação de contas do tutor Como administrador da pessoa do menor e de seu eventual patrimônio. mediante justificativa em juízo. 1758) subsistindo inteira. sob o prisma do tutelado. 1. o Código admite a figura do protutor (pessoa encarregada de fiscalizar o tutor) no art. o tutor fica obrigado a prestar contas (art. Se. Incumbe ao tutor. Da cessação da tutela A tutela cessa. por qualquer motivo. 1774. defendê-lo e prestar-lhe alimentos.108 - . Finda a tutela. 4. com a maioridade ou emancipação do menor. descaso ou falta de zelo no exercício de suas funções). Da curatela Quem exerce a curatela cuida dos interesses das pessoas arroladas no art. que a tutela e a curatela são institutos muito próximos e com fins idênticos. ao expirar o termo. 1766 a possibilidade de destituição do tutor quando negligente (isto é. pelos cônjuges ou outro parente e pelo Ministério Público – art. não poderá reclamar qualquer remuneração. 1764).) as contas serão prestadas por seus herdeiros ou representantes (art. 1742. em que era obrigado a servir (dois anos. tanto isso é verdade que o legislador. a responsabilidade do tutor. Em qualquer hipótese de impossibilidade do tutor prestar contas (morte. Sob o prisma do tutor. 1735 do Código Civil). por improbidade ou má-fé) ou incurso em incapacidade (todas as vezes em que o tutor se encontrar em qualquer das hipóteses do art. quando necessário. ausência.743) previu a ocorrência de tutor subrogado sempre que o vulto e a complexidade do patrimônio e exigir e. c) Adimplir os demais deveres que normalmente competem aos pais. Da mesma forma. ou ao cair o menor sob o poder familiar (caso de adoção. deixarem o exercício da tutela ou toda vez que o juiz achar conveniente (art. Ao final da cada ano de administração. ao sobrevir escusa legítima ou ao ser removido (art. manda aplicar-se à curatela as disposições concernentes à tutela. etc. b) Providenciar a correção do menor. os tutores submeterão ao juiz o balanço respectivo (art. 1755) ainda que o contrário tenham dispostos os pais do tutelado.

mas não tendo o poder parental. a substituição e a supressão do parto. Cometti Fernando F. 1779) é o ser humano já concebido. mas ainda não nascido. Duas são as condições necessárias para materializar a curatela de seus bens: falecimento do pai ou perda do poder parental e. Curatela dos nascituros Nascituro (art. se estiver a mulher grávida. Castellani 7. em favor do feto e de terceiros. .109 - . A finalidade dessa curadoria é zelar pelos interesses do nascituro e impedir.Coordenadores: Marcelo T.

.

do CPC) 4. 1. 1.786 do CC): a) A legítima – Resultante de lei. da manifestação de vontade do testador que. também chamado de de cujus) em decorrência de sua morte para uma outra (chamado genericamente de sucessor). sem qualquer necessidade de manifestação dos mesmos (art. Deriva do testamento. b) A testamentária – Resultante da vontade do testador.784 do CC). Representação legal na sucessão O inventariante é o representante legal do espólio. prestando compromisso formal no processo e assumindo total responsabilidade pela guarda e conservação dos bens. Com efeito. b) o herdeiro pode socorrer-se dos interditos possessórios na proteção de sua posse. e c) Falecimento no estrangeiro – Será competente para processar o inventário e a partilha. 1. 3. 1.787 do CC). b) Pluralidade de domicílios – Se o de cujus possuía bens em diversos lugares. havendo herdeiros necessários (art. com as ações intentadas pelo de cujus. Porém a lei prevê outras situações: a) Ausência de domicílio certo – Será competente o foro da situação do imóvel (art. O direito brasileiro consagrou o sistema da limitada liberdade de testar.845) diz o art. caput. representa o espólio judicial e extrajudicialmente. além da legítima. Castellani CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES 1. e c) o herdeiro pode prosseguir. Deste princípio resultam as seguintes conseqüências: a) a capacidade para suceder é a do tempo da abertura da sucessão (art. 2. Espécies de sucessão Existem duas formas de sucessão no direito brasileiro (art. 96. 1. será competente o lugar onde ocorreu o óbito. Lugar da abertura da sucessão A sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido (art.846 do CC.789 que o testador só pode dispor da metade da herança.797 do CC): 1º) o cônjuge ou companheiro. do CPC). ativa e passivamente. parágrafo único. o foro de seu último domicílio no Brasil (art. 1. Imediatamente a posse e a propriedade de seus bens transmitem-se aos seus herdeiros legítimos e testamentários. Ocorre sempre que o autor da herança morre sem deixar disposição de última vontade. Nomeado pelo juiz. abre espaço à vontade soberana do testador. Cometti Fernando F. 1788 do CC). 1. quanto à cota disponível.111 - . 2º) . 96. Com a morte do de cujus abre-se a sucessão. sem solução de continuidade.Coordenadores: Marcelo T. Aspectos gerais A sucessão em sentido restrito designa a transmissão de bens de uma pessoa (autor da herança. I. Trata-se da aplicação do princípio de saisine. sendo aí o foro competente para que se promovam o inventário e a partilha dos bens.789 c/c 1. diz-se sucessão ad intestato (art.785). isto é. 1. É o que deflui do disposto nos arts. A nomeação obedece às preferências ditadas pela lei (art.

112 - . abstrata. desaparece via inventário que. Cessão de direitos hereditários O CC admitiu a cessão dos direitos hereditários mediante escritura pública e da anuência dos demais co-herdeiros. Ele também deverá respeitar o direito de preferência dos demais co-herdeiros. o direito sobre a herança indivisa. Já a aceitação presumida é a prevista . mas silenciou sobre o respectivo término. ou seja. Em outras palavras. que só se materializará (ou concretizará) no momento da partilha. ou fração ideal. Até a partilha todos os herdeiros encontram-se frente ao espólio como condôminos. O art. 7. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo de cujus aos herdeiros. Ele garante a igualdade de quinhões. Capacidade para suceder São capazes de herdar as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros) no momento da abertura da sucessão. a responsabilidade da herança pelas dívidas do defunto limita-se às suas forças. depositado o preço no prazo de 180 dias. Essa possibilidade existe desde a abertura da sucessão.799. contudo estas hipóteses são restritas à sucessão testamentária. Mas a lei ainda previu a possibilidade de sucessão aos não concebidos (prole eventual – art. 1. Através da cessão transfere-se. após a transmissão. (Ex. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial. esta é pessoal e intransmissível. Não se transfere a qualidade de herdeiro. 30 dias da data da abertura da sucessão. 1. 5. 8. 4º) a pessoa de confiança do juiz (inventariante judicial). decorrente da abertura da sucessão. O estado de indivisão. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios na eventualidade de substituição ou direito de acrescer. minucioso e exato. 9. A aceitação tácita é a que resulta de atos compatíveis com o caráter dos herdeiros. possuidores e proprietários de uma cota ideal. Instauração do inventário O CC (art. Aceitação da herança A aceitação da herança pode ser expressa. 6.792 ainda precisa que o herdeiro nunca responde ultra vires hereditatis. jamais bem singular do acervo. o fato do herdeiro outorgar procuração ao advogado para acompanhar o inventário). A expressa é a manifestada por escrito (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI o herdeiro (na posse e administração do espólio). O co-herdeiro só cede parte indivisa. Não se trata de uma hipótese freqüente. do cedente para o cessionário. tácita ou presumida. 3º) o testamenteiro. O direito de preferência dos co-herdeiros tem de ser exercido.796) estabeleceu o prazo de instauração do inventário. 1. ou sobre o seu quinhão. Assim. Característica da herança A herança é uma universalidade de direito. Trata-se de uma preferência legal e real. I) e as pessoas jurídicas (de direito público e privado). ele não responde pelos encargos superiores às forças da herança. ou seja. embora o prazo de encerramento esteja previsto no CPC que é de 6 meses. 1805).

quanto na sucessão testamentária. O período que medeia entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do de cujus chama-se jacência. Se em 30 (trinta) dias não se pronunciar o herdeiro. b) Tenha sido pura e simples (sem termo ou condição). devolvendo-se esta ao Estado. Importante observar que a aceitação não admite parcialidade. Cometti Fernando F. retroagindo ao momento da abertura da sucessão o renunciante é considerado como se jamais tivesse existido. 1. O ente público somente adquire a propriedade dos bens hereditários após a declaração de vacância. Qualquer interessado (credor. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. sendo conhecidos renunciaram à herança. admissível um ano após a conclusão do inventário (art. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. eventual herdeiro) pode requerer a notificação do herdeiro silente. não admite revogação pois. devolve-se a herança aos herdeiros da classe subseqüente. Para que se caracterize é fundamental a ocorrência de três condições: a) Tenha sido gratuita. sem herdeiros passam a pertencer ao Município no qual se encontram. e c) Tenha sido feita em favor de todos os co-herdeiros. 10. tratando-se de ato jurídico unilateral. No direito pátrio jamais ocorre a aquisição imediata da herança pelo Estado. Os bens do de cujus. chamado à sucessão. Renúncia da herança É o ato pelo qual um herdeiro. da mesma forma que a renúncia. .113 - . Castellani no art. Os efeitos da renúncia são: a) A renúncia afasta o renunciante da sucessão. c) Se o renunciante é o único herdeiro da classe. e e) Se o renunciante for o único de sua classe ou se todos os outros da mesma classe renunciarem os filhos poderão herdar por direito próprio e por cabeça A renúncia é irretratável. Localizados no Distrito Federal sãolhe devolvidos e se encontrarem-se nos territórios revertem em favor da União. d) Os descendentes do de cujus não podem representar o renunciante na sucessão do ascendente. Transcorrido todo o prazo prescritivo. 1810). Evitando-se que o patrimônio caia no vazio a lei indica o Estado para recolher a herança vaga. sem a habilitação de qualquer herdeiro.820). b) A cota do renunciante acresce à dos outros herdeiros (art. mediante devida habilitação. ou que. declara que não a aceita. O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. condição ou termo.Coordenadores: Marcelo T. 1807 do CC. Herança jacente Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. 11. presumirse-á aceitação da herança. A jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. aperfeiçoa-se desde o momento da declaração soberana de vontade.

b) Se o regime de bens era o da separação obrigatória. Em três hipóteses. Herdeiros legítimos São as pessoas indicadas na lei (art. legítima ou testamentariamente. São eles: os descendentes. Agora. “salvo prova. aos descendentes: a) Se o regime de bens do casal era o da comunhão universal. 13.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 12. os herdeiros mais próximos excluem os mais remotos (salvo hipótese de representação) e os herdeiros de grau igual. b) A restituição dos bens que compõem o seu acervo hereditário. não estivesse separado judicialmente de de cujus. neste caso. a lei deixa de reconhecer vocação hereditária ao cônjuge. 1. atribuindo a herança. 1. Assim: a) Herdeiros de grau igual: herdam por cabeça b) Herdeiros de grau diferente: herdam por estirpe 14. em igualdade com os descendentes ou ascendentes do falecido.829) como sucessores. na data do óbito. e . e o cônjuge sobrevivente (concorrendo com as duas categorias. quem quer que herde. sem os contemplar.846). 16.114 - . 1. Ordem de vocação hereditária O critério da vocação é a proximidade do vínculo familiar. Conforme dispõe o art. o cônjuge sobrevivente concorre à divisão da legítima. de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente”. A existência de herdeiros legítimos necessários impede a disposição testamentária dos bens constitutivos da legítima (art. conforme prevê o inciso I do art. 15.824 do CC. Para excluí-los da sucessão basta que o testador disponha dos bens. quando herdam em nome próprio. com ofensa ao seu direito de herdeiro. 1. Os herdeiros legítimos facultativos são os herdeiros que podem vir a herdar. os ascendentes. qualquer herdeiro pode intentar a ação. na sucessão legal. 1829) e o companheiro.830 o chamamento do cônjuge está condicionado a que. Sucessão dos descendentes A sucessão dos descendentes ocorre por cabeça (quando os herdeiros se encontram no mesmo grau de parentesco do de cujus) ou por estirpe (quando herdeiros de graus diferentes). A petição de herança tem um duplo objetivo: a) O reconhecimento judicial da qualidade de herdeiro. recebem uma cota igual da herança. nem deste separado de fato há mais de dois anos. quando faltarem herdeiros necessários. em sua totalidade. Da petição de herança Trata-se do meio judicial de que se serve o herdeiro excluído para garantir sua qualidade sucessória e natural acesso aos bens herediários. pode pedir a herança se outrem a possui. a quem se transmite a totalidade ou cota parte da herança. todavia. Assim. Nesta categoria incluem-se os colaterais até o quarto grau. Sucessão do cônjuge De acordo com o art.

Concorrendo com descendentes comuns receberá quota igual a que for paga ao descendente. Cometti Fernando F. parágrafo 2o. será irrelevante o regime de bens. ao mesmo tempo. Neste montante incluem-se os bens particulares. Diante de tais exceções à regra da concorrência entre descendentes e cônjuge. 19. são chamados os seus descendentes.Coordenadores: Marcelo T. o direito real de habitação sobre o imóvel residencial familiar para o cônjuge sobrevivente (art. 1790 do CC.836. isto é. incidindo a meação. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. a sucessão devolve-se aos ascendentes. aquele livremente adotado pelos cônjuges mediante pacto antenupcial válido. o princípio da proximidade é a regra. Quando o cônjuge concorrer com ascendentes. apenas sobre o patrimônio comum).115 - .). com maior extensão. 17. ao último caberá participar da sucessão em três hipóteses: a) Se o regime de bens do casal era o da separação convencional. do ECA). Sucessão dos ascendentes Não havendo descendentes. Sua participação está limitada aos bens adquiridos onerosamente na constância da convivência. E no caso dos pais do de cujus estarem mortos. deve merecer igual tratamento. mas ainda vivos seu avô paterno C e seus avós maternos E e F. obviamente. Se concorrer com descendentes só do falecido receberá metade do que cada descendente receber. 18. Sucessão na união estável A sucessão do convivente está prevista no art. c) Se o regime de bens era o da participação final nos aqüestos. Castellani c) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. do C. parágrafo 2o. A sucessão do filho adotivo por seus ascendentes cria duas situações distintas. ficando excluído os bens particulares deixados pelo de cujus. b) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. o convivente concorrerá à herança com os outros parentes porventura existentes. A ausência de patrimônio particular do de cujus importa serem comuns todos os seus bens: por uma circunstância fática. e o de cujus tinha bens particulares (caso em que o cônjuge será. 1. 41.831). 1. sem que o falecido tenha deixado bens particulares. Não havendo descendentes do falecido. portanto. A nova lei previu. essa última situação se equipara à primeira (de comunhão universal) e. Do direito de representação Trata-se de ficção porque. a saber: a) Adoção plena . Também aqui haverá herança e meação. ainda. Aqui.C. tendo direito a no mínimo 1/3 (um terço) da herança. mas não se admite a representação. também. em concorrência com os outros . herdeiro e meeiro. como se dividirá a herança? C receberá metade da herança cabendo a outra metade a E e F conjuntamente (art. b) Adoção Simples – A herança beneficiará os ascendentes naturais.A herança do filho adotivo devolve-se aos seus pais adotivos (art. O convivente somente irá receber a totalidade da herança caso o falecido não tenha deixado nenhum parente suscetível de receber a herança.

1. 1. 1. completando por instrumento de aprovação lavrado pelo tabelião em presença de duas testemunhas (art.867) devem usar este tipo de testamento. Da indignidade Trata-se da destituição do direito hereditário que a lei impõe ao herdeiro ou legatário que se conduziu mal em relação à pessoa do de cujus. Em se tratando de colaterais (linha transversal) só ocorre direito de representação em favor dos filhos de irmãos do falecido. indefinição dos representantes que só se conhecerão no momento da abertura da sucessão.815. Finalmente dispõe o art. A substituição é própria da sucessão testamentária . Podem testar os maiores de 16 anos (1. sendo o seu efeito retroativo à data da abertura da sucessão. O prazo é decadencial. logo. 1. A representação é própria da sucessão legítima. É de 05 anos o prazo para impugnar a validade do testamento (art. a representação é sem limites.864 ao art. O analfabeto (art. Como a indignidade é de natureza estritamente privativa. mesmo antes de aberta a sucessão já se conhece a titularidade do substituto.852) só ocorre na linha reta descendente. São eles: a) O testamento público: É o ditado pelo testador e lavrado pelo tabelião em livro de notas. o surdo (art.868 ao art. quando com irmãos deste concorrerem (art. 1.853). A indignidade é declarada por sentença em ação ordinária (art. 1. Os ordinários são os facultados a todas as pessoas capazes. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas (art. A pretensão por indignidade pode ser proposta pelo legítimo interessado dentro do prazo de 4 (quatro) anos. Decorre da vontade pessoal do testador.856 que o renunciante à herança de uma pessoa não está impedido de representá-la na sucessão de outra. há. parágrafo único). para depois de sua morte. iniciada ou não a ação extinguese com o falecimento do herdeiro ameaçado (art. substituindo-o. 21. Na linha descendente. Na ascendente não há que se falar em representação.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI descendentes mais próximos do autor da herança. Os testamentos se dividem em ordinários e especiais. 20. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. c) O testamento particular: É escrito e assinado pelo testador e lido na presença de três testemunhas que o subscrevem (art. mas apenas declarativo da incapacidade para suceder. parágrafo único do CC). b) O testamento cerrado: É escrito e assinado pelo próprio testador ou por alguém ao seu rogo.860.859).865 do CC). 1. 1. a partir da abertura da sucessão (art.816 do CC). mas nunca na ascendente. pois. Testamento Testamento é o ato unilateral e revogável pelo que uma pessoa dispõe.867 do CC). de todos os seus bens ou de parte deles. pois trata-se de um direito potestativo.880 do CC).875 do CC).116 - . A sentença que declara a indignidade não é título constitutivo. A representação (art.866 do CC) e o cego (art. com ela não se confunde. 1. Decorre de imposição legal. 1. 1. 1. . Embora a representação (também chamada substituição legal) tenha muitos pontos em comum com a substituição. 1. 1.815 do CC).876 ao art. 1. A determinação da capacidade é a da feitura do testamento. 1.

912 do CC). 1. b) De coisa comum (art. Castellani Os testamentos especiais são os facultados a certas e determinadas pessoas que se encontram em situações excepcionais. Cometti Fernando F. c) O herdeiro (incumbido de cumprir o legado). Só pode ser objeto de legado bem que pertence ao testador. f) De quitação de dívida (art. e) Pré-morte do legatário.888 ao art. 1.917 do CC).919 do CC).922 do CC). d) De coisa localizada (art. 23. 1. e) De crédito (art. destinada a conceder a alguém uma determinada vantagem econômica. 1. Quanto ao objeto os legados são: a) De coisa certa (art. Os legados podem perder sua eficácia.920 do CC). 1. Cinco são os motivos geradores: a) Modificação da coisa legada. 1. 22. c) O testamento militar: Feito por militares e demais pessoas a serviço das Forças Armadas. 1.Coordenadores: Marcelo T. b) Alienação da coisa legada. c) De coisa singularizada (art. legado de móveis.896 do CC). esmolas de pouco monta a determinadas pessoas ou aos pobres de certo lugar. 1.918 do CC).916 do CC). g) De alimentos (art. 1.914 do CC). Realizados com as formalidades da lei se apresenta com forma similar ao testamento público ou ao testamento cerrado (art. Trata-se da caducidade dos legados. b) O legatário (a quem o legado beneficia). i) De imóvel (art.893 ao art. roupas de pouco valor e de uso pessoal. despesas e dádivas de pequeno valor. 1. h) De usufruto (art. 1.921 do CC). jóias.892 do CC).892 do CC). ou em praça sitiada ou com as comunicações interrompidas (art. 1. Contém disposições sobre: enterro. 1. 1.888 ao art. Três são as pessoas que figuram no legado: a) O testador (legante). Codicilo Trata-se de um ato de última vontade pelo qual o disponente traça diretrizes sobre assuntos pouco importantes. c) Perecimento ou evicção da coisa legada. d) Indignidade. dentro ou fora do país. . Legado Trata-se da disposição testamentária a título particular. São eles: a) O testamento marítimo: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de navios de guerra ou mercantes. b) O testamento aeronáutico: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de aeronaves militares ou comerciais (art. 1.117 - .

Do inventário O inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros.965 do CC) cabendo ao herdeiro provala no lapso temporal de quatro anos. ou do legatário. Três são as características constitutivas da substituição fideicomissária: 1ª) a dupla disposição testamentária. Trata-se de um instituto exclusivo da sucessão testamentária. c) Substituição fideicomissária: É a substituição quando ocorre a transmissão concomitante e sucessiva a duas pessoas. b) Substituição recíproca: Ocorre quando os co-herdeiros. 1. e será plural ou coletiva se vários forem os substitutos convocados simultaneamente. em testamento com declaração de causa. como meio de dar continuidade à cadeia sucessória. porém guarda estreita ligação com a indignidade.962 do CC. deve ser atendido o princípio da igualdade na partilha. pode ocorrer quando todos os herdeiros forem capazes e estiverem acordados sobre a partilha dos bens deixados pelo de cujus. instituindo vários herdeiros ou legatários. 1. Constitui-se numa simples troca de titulares. Além das causas enumeradas no art. ou co-legatários são substituídos uns pelos outros. Essa modalidade admite duas formas: será singular. O inventário. com a obrigação de que esse transfira para um segundo beneficiário (fideicomissário). A substituição recíproca pode ser geral (quando todos substituem ao herdeiro ou legatário que faltar) ou particular (quando uns herdeiros ou legatários determinados substituem outros determinados. Trata-se de um instituto específico da sucessão testamentária. ou. condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança.118 - .814 também autorizam a deserdação as hipóteses descritas no art. A figura da substituição hereditária apresenta várias modalidades: a) Substituição vulgar: Ocorre quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. se só tiver um substituto ao herdeiro ou legatário instituído. Das substituições Prevendo a hipótese do herdeiro. na forma de arrolamento sumário. o legislador exige a prova da veracidade da causa (art. 1. não poder ou não querer assumir a herança ou o legado é que surgiu o instituto da substituição. 25.964 do CC) tem o poder de gerar a deserdação. Só o testamento (art. consistindo este na boa partição . Todavia. 26. Neste caso. e reciprocamente). Além disso.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 24. 2ª) a obrigação de conservar e restituir os bens. e 3ª) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário). O testador só poderá perdoar o deserdado por meio da revogação testamentária. os declara substitutos uns dos outros. a deserdação é mais ampla que esta última. Mediante fideicomisso (confiança) o testador (fideicomitente) transmite a propriedade resolúvel da coisa a um primeiro beneficiário (fiduciário). quando o testador. Da deserdação É a privação dos herdeiros necessários à legítima e à sucessão testamentária realizada pelo de cujus. 1.

29. 2. dando-se em bens. Tem como objetivo restabelecer a igualdade entre herdeiros legitimários. 2. ou doado a herdeiro e não trazido à colação pelo beneficiário com a liberalidade. uma soma de valores correspondentes a seu direito hereditário. 1.016 do CC). a partilha será sempre judicial (art. os bens doados serão avaliados com base no que valiam ao tempo da liberalidade. Da partilha É o ato pelo qual o partidor procede à divisão de um patrimônio entre os interessados. Sendo incapazes ou inexistindo composição entre os herdeiros. por não constituírem doação.Coordenadores: Marcelo T. São pressupostos da colação: a) Ocorrência de sucessão legítima. A partilha em vida é possível e ela não se confunde com a doação (art. Da colação Colacionar é conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima. c) Ocorrência de uma liberalidade em vida. Os bens sujeitos à colação são: a) Doações e dotes constituídos pelos ascendentes. 28.004 do CC. 27. porém foi ciente e conscientemente omitido na descrição dos bens pelo inventariante. Dos sonegados Sonegado é tudo aquilo que deveria entrar na partilha. 2. Os gastos ordinários do ascendente para com o descendente não são colacionáveis.011 do CC). determinando-se que outra seja feita. . b) Venda de bens ou doações feitas por interposta pessoa.010 e art. não restituído pelo mesmo ou por sucessor universal. formando-se quinhões em partes iguais. Trata-se de um ato anulável e a invalidação deve ser promovida através de ação anulatória. b) Existência de co-herdeiros necessários descendentes. Cometti Fernando F. em inventário causa mortis e a ser homologado pelo juiz. 2. 2. o valor da colação é o que lhe for atribuído no ato de liberalidade e. c) Outros recursos fornecidos pelo ascendente em favorecimento do descendente. sob pena de ser a partilha anulada. Castellani da herança. com prazo prescricional de 1 (um) ano. contado nos termos do disposto no parágrafo único do art. na falta desse valor. De acordo com o disposto no art.029 do CPC.119 - . a cada um dos herdeiros.018 do CC). nem liberalidade (art.

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