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Apostila de Direito Civil

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  • CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS
  • CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA
  • CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO
  • CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO
  • CAPÍTULO V – DOS BENS
  • CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
  • CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS
  • CAPÍTULO III - CONTRATOS EM ESPÉCIE
  • CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL
  • CAPÍTULO I – POSSE
  • CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS
  • CAPÍTULO III – PROPRIEDADE
  • CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA
  • CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA
  • CAPÍTULO I – CASAMENTO
  • CAPÍTULO II – PARENTESCO
  • CAPÍTULO III – FILIAÇÃO
  • CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL
  • CAPÍTULO V – ALIMENTOS

Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F.

Castellani

Sumário TÍTULO I – PARTE GERAL CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS ............................................................................ CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA ............................................................................... CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO .................................................................................. CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO .......................................................................................... CAPÍTULO V – DOS BENS ............................................................................................. TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .............................................................. CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS .................................................. CAPÍTULO III – CONTRATOS EM ESPÉCIE ................................................................ CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................ TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS CAPÍTULO I – POSSE ...................................................................................................... CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS .................................................................................. CAPÍTULO III – PROPRIEDADE .................................................................................... CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA ...................................... CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA ..................................................... TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO ......................................................................................... CAPÍTULO II – PARENTESCO ....................................................................................... CAPÍTULO III – FILIAÇÃO ............................................................................................. CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL ............................................................................... CAPÍTULO V – ALIMENTOS ......................................................................................... 87 97 99 103 105 71 73 75 79 83 31 49 53 67 3 9 15 25 27

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Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA ...................................................................... 107 CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES .............................................................. 111

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO I - PARTE GERAL

CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS

1. Conceito de personalidade jurídica A personalidade jurídica é um atributo essencial para ser sujeito de direito (art. 1º do CC). Para a teoria geral do direito civil a personalidade é uma aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações. Todavia, a noção de aptidão, ou seja, qualidade para ser sujeito de direito, conceito aplicável tanto às pessoas físicas como às pessoas jurídicas não é o único sentido técnico de personalidade. Num sentido valorativo, a personalidade traduz o “conjunto de características e atributos da pessoa humana, considerada objeto de proteção privilegiada por parte do ordenamento, bem jurídico representado pela afirmação da dignidade humana” (Gustavo Tepedino, Heloisa Helena Barbosa, Maria Celina Bodin de Morais. Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Rio de Janeiro: Revonar, 2004, p.04). Resumindo os dois sentidos técnicos que envolvem o conceito de personalidade jurídica podemos afirmar que: a) ela significa a possibilidade de alguém ser titular de relações jurídicas, como forma de expressão da dignidade da pessoa humana e, b) objeto de tutela privilegiada pela ordem jurídica constitucional. 2. Início da personalidade jurídica da pessoa natural O início da personalidade é marcado pelo nascimento com vida, conforme dicção do art. 2º do CC. Clinicamente o nascimento é aferível pelo exame de docimasia hidrostática de Galeno. Em consonância com o texto do art. 2º do CC, a doutrina majoritária defende que o Direito Civil positivo adotou a teoria natalista para o início da personalidade jurídica. Nessa linha, o nascituro, ente concebido, mas não nascido, não passa de uma potencialidade de direitos. Em sentido contrário, por influência do Direito francês, surge a teoria concepcionista pela qual o nascituro adquiriria personalidade jurídica desde a concepção, sendo, assim, considerado pessoa. Aqui o nascimento não é condição para que a personalidade exista, mas para que se consolide. 3. Proteção jurídica do nascituro Nascituro é o ente já concebido, mas ainda não nascido. Deixando de lado as discussões teóricas sobre o início da personalidade jurídica, é certo que a segunda parte do art. 2º do CC expressamente “põe à salvo os seus direitos”. Assim, pode-se afirmar que na legislação em vigor o nascituro: a) É titular de direitos personalíssimos (como o direito à vida); b) Pode receber doação, conforme dispõe o art. 542 do CC: “A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita por seu representante legal”; c) Pode ser beneficiado por legado e herança (art. 1798 do CC); d) Pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses (arts. 877 e 878 do CPC); e) O Código Penal tipifica o crime de aborto;

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De acordo com o art. 3º. II). I). a qual se refere à aptidão para a prática em geral. e) Os pródigos (art. 4. Esta é uma forma específica de exercício de determinados atos da vida civil. é exatamente o patrimônio da família. também conhecida como capacidade de gozo ou capacidade de aquisição. tendo em vista que não se nega ao indivíduo a qualidade para ser sujeito de direito. É bom lembrar que o enunciado 01. 3º. Todo ente com personalidade jurídica possui também capacidade de direito. até os 12 anos de idade incompletos considera-se a pessoa criança. sem a interferência de terceiros na qualidade de representantes ou assistentes. prevista nos artigos 1. Entretanto. A capacidade de direito não se confunde com a capacidade de fato. d) Os excepcionais sem desenvolvimento mental completo (art. A capacidade de fato. Da capacidade de fato distingue-se a legitimidade (ou legitimação). tendo em vista o comprometimento do seu quadro cognitivo. Ela nada mais é do que a habilidade para praticar de forma autônoma. com a incapacidade do pródigo. III) – São elementos para a configuração dessa forma de incapacidade o caráter temporário e a impossibilidade total de expressão da vontade. seus direitos civis. III) – A previsão da incapacidade relativa dos excepcionais tem como propósito proteger os atos praticados pelos agentes nessas situações. 4º. c) Os que por causa transitória não puderem exprimir sua vontade (art. 4º do CC são considerados relativamente incapazes: a) Os maiores de 16 e menores de 18 anos (art. De acordo com o art. imagem e sepultura”.177 ao artigo 1186 do CPC. c) Os deficientes mentais que tenham o discernimento reduzido (art. ao contrário da capacidade de direito possui estágios definidos no próprio Código Civil. já que o que se protege. aprovado na Jornada de Direito Civil. 4º. também chamada de capacidade de exercício. ao contrário da capacidade. Trata-se de um divisor quantitativo de compreensão do indivíduo. em 2002. IV) – Esta modalidade de incapacidade deve ser decretada judicialmente por requisição do cônjuge ou familiar. afirmou que “a proteção que o Código Defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos de personalidade. Ele distingue duas modalidades de incapacidade. sem prejuízo de sua salutar inserção no meio social. promovida pelo CEJ (Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal). Personalidade e capacidade jurídica são as duas faces de uma mesma moeda. tais como o nome. 4º. 3º do CC são considerados absolutamente incapazes: a) Os menores de 16 anos (art. Capacidade de direito e capacidade de fato Por capacidade de direito.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI f) Tem direito a alimentos. b) Aqueles que sofrem de doença ou deficiência mental (art. ou seja. 8069/90). os adolescentes até os 16 também são reputados absolutamente incapazes. coma). Nesta hipótese a incapacidade deve ser reconhecida por meio da ação de interdição. I) – Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no. 4º. Este conceito se relaciona com as condições pessoais que determinado indivíduo reúne para exercer pessoalmente seus direitos. (ex. II) – Trata-se de uma hipótese que o indivíduo é atormentado por uma patologia que o impede de praticar atos no comércio jurídico. os quais deverão ser verificados cumulativamente. 3º. e não apenas o patrimônio do -4- . 4º. b) Os ébrios habituais e os viciados em tóxico (art. a saber: a incapacidade em absoluta e a relativa. II). pode ser entendida como a medida da intensidade da personalidade.

5º. ou a existência de relação de emprego. de acordo com o nível social em que está inserida. transigir. Nesse caso. 3. ressalvada a hipótese de a senectude gerar um estado patológico. hipotecar. o juiz deverá comunicar a emancipação ao oficial de registro civil. necessariamente. Não se admite no ordenamento pátrio a hipótese de morte civil ou qualquer outro modo de perda da personalidade sem vida. Para surtir os efeitos legais a escritura pública de emancipação deverá ser registrada no Cartório de Registro das Pessoas Naturais (CC art. Antes da sentença o tutor será. A expressão economia própria deve ser entendida no sentido de caracterização de renda suficiente por meio do estabelecimento ou do emprego para a sobrevivência da pessoa.Colação de grau em curso de ensino superior. 7º. de ofício. 6. em geral. segunda parte). II).Coordenadores: Marcelo T. Castellani pródigo. 7º. cuja prova se faz através da certidão extraída do assento de óbito. emprestar. se não constar dos autos haver sido efetuado este em oito dias. primeira parte). em função deles. dar quitação. É bom lembrar que a senilidade não é causa de restrição da capacidade. o menor tenha economia própria. ou um deles na falta do outro. sob a forma de instrumento público. 5º. 2. 1782 do CC “a interdição do pródigo só o privará de. De acordo com o art. a exemplo da arteriosclerose. caso não seja encontrado até 02 dois anos após o término da guerra (CC art. 6. alienar. ouvido pelo magistrado (Código Civil art. parágrafo único). (CC art. sendo o fato levado a registro. Sobre a capacidade dos índicos está será regulada pela Lei no. I. nos termos dos arts. Trata-se de ato irrevogável. independentemente de homologação judicial. A morte deverá ser atestada por profissional de medicina. 9º. sem curador. na hipótese de um menor posto sob tutela. tendo em vista que o código civil remete a matéria para a legislação especial (art. II). parágrafo único. Três são as formas de emancipação: a) Emancipação voluntária – É aquela concedida por ato unilateral dos pais em pleno exercício do poder parental. b) Emancipação judicial – Realiza-se mediante uma sentença judicial.Estabelecimento civil ou comercial. os atos que não sejam de mera administração”. ressalvada a possibilidade de suas testemunhas o fazerem se faltar o especialista. parágrafo único. c) Emancipação legal – Ocorre em razão de situações descritas na lei. Extinção da personalidade jurídica da pessoa natural A morte é o momento no qual a personalidade se extingue. 7º do CC. Emancipação Trata-se de um uma hipótese de antecipação da aquisição da capacidade civil plena antes da idade legal. 5º do CC nos traz as seguintes situações: 1. O art. -5- . demandar ou ser demandado. conforme se depreende da leitura do art. 5. Cometti Fernando F. 4º. Todavia é possível cogitar de uma presunção de morte. A primeira trata da probabilidade extrema de morte daquele que se encontre em perigo de vida. 77 e 78 da Lei no..O Casamento. O referido dispositivo trata de duas hipóteses de morte presumida.001/73 (Estatuto do Índio). desde que o menor haja completado 16 anos (CC art.Exercício de emprego efetivo. 4. 6. A segunda hipótese trata dos desaparecidos em campanha de guerra ou feito prisioneiro.015/73 (Lei de Registros Públicos). I). I. desde que. e praticar.

seguirão os princípios a respeito dos tutores e curadores (arts. as quais. O interesse no tratamento do tema justifica-se pela implicância de tal fato na ordem de vocação no plano da sucessão. Assim. o CC no art. o Poder Judiciário reconhecerá tal circunstância. a saber: 1) o cônjuge (também o companheiro). Ausência das pessoas naturais Ausente é aquele que desaparece de seu domicílio. legítimos ou testamentários. 9º. os herdeiros presumidos. Este processo tem três estágios. Atente-se que não caberá nomeação de curador se não houver bens para administrar. observa-se que a curadoria dos bens do ausente não se confunde com a curadoria da herança jacente (arts. conforme a menor possibilidade de reaparecimento do ausente: a) Declaração da ausência e curadoria dos bens: Com o desaparecimento de uma pessoa. nem representante ou procurador. 1819 e seguintes do CC). podendo ser ilidida por prova que estabeleça a precedência da morte de um dos envolvidos. 1160 do CPC). sem linhas gerais. 2) pais do ausente (genitores). sem que dele se tenha notícias. 30 do CC). quem tem a posição de herdeiro do outro. dando.. mediante arrecadação de seus bens (art. Essa cautela de exigência de garantia é excepcionada. parente sucessível) ou do Ministério Público.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Por força do estabelecido no art. que passará a gerir os negócios do ausente até o seu eventual retorno. 4) Qualquer pessoa à escolha do magistrado. IV. na transmissão dos direitos entre os sucessores e sucedidos. Consideram-se interessados na abertura o cônjuge ou companheiro. em relação aos ascendentes. de forma a dar publicidade ao acontecimento. ou seja. segundo a qual se determina a morte simultânea daqueles que falecem na mesma ocasião. se não tiver separado judicialmente. parágrafo 2º do CC). Finalmente. Na nomeação o juiz deverá fixar os poderes e obrigações do curador. 8º trata da hipótese de morte simultânea. com a declaração de ausência. em regra. 3) descendente. os credores de obrigações vencidas e não pagas. sem deixar notícias. hipótese que se limita à previsão do art. 7. 23 do mesmo diploma. garantia pignoratícia ou hipotecária de restituí-los (art. Por fim. ou. em se passando 03 anos. conhecida também como comoriência. Cuida-se de uma presunção juris tantum. -6- . porém. estabelecendo uma ordem legal estrita e sucessiva. preferindo os mais próximos aos mais remotos. poderão os interessados requerer que se abra provisoriamente a sucessão. uma vez provada sua condição de herdeiro (art. A ausência é um processo no qual a proteção dos bens do desaparecido dá lugar à proteção dos interesses dos sucessores. os que tiverem sobre os bens do ausente direito pendente de sua morte. companheiro. 30. se ele deixou representante ou procurador. 1728 e seguintes do CC). para caracterizar a ausência a não-presença do sujeito deve somar-se com a falta de notícias. A nomeação não é discricionária. a requerimento dos interessados na administração (cônjuge. enfim. Portanto. ou de fato por mais de dois anos antes da declaração de ausência. O sucessor provisório recebe os bens que caibam no seu quinhão. surge uma massa de bens de bens sem que tenha alguém para administrá-la. 26 do CC decorrido 01 ano da arrecadação dos bens do ausente. nomeando curador. do CC a sentença declaratória de morte presumida deverá ser inscrita em registro público. b) Sucessão provisória: De acordo com o art. descendentes e o cônjuge.

os bens serão entregues no estado em que se acharem. 33. Na forma do art. parágrafo único do CC). com prestação anual de contas ao juiz competente. se de 05 datam suas últimas notícias. -7- . Seja qual for o caso os direitos de terceiros são respeitados. ou ao inventário e partilha dos bens. c) Sucessão definitiva: Decorridos 10 anos do trânsito em julgado da sentença que concedeu a abertura da sucessão provisória. do Distrito Federal ou da União. Mas a propriedade assim adquirida considera-se resolúvel. capitalizar metade desses bens acessórios. Depois desse período proceder-se-á à abertura do testamento. ou os que se sub-rogarem neles. caso existente. ou quando houver certeza da morte do ausente (arts. como forma de sanção ao comportamento negligente daquele. ou quando o ausente completar 80 anos de idade.Coordenadores: Marcelo T. 1845 do CC) terão direito subjetivo a todos os frutos e rendimentos dos bens que lhes couberem. de acordo com o art. 33. se não regressar e nenhum herdeiro tiver promovido a sucessão definitiva. os o preço de sua alienação. se a ausência foi voluntária e injustificada. serão os bens arrecadados como vagos passando à propriedade do Município. que deverão. Se o ausente aparecer nos dez seguintes à abertura da sucessão definitiva. Cometti Fernando F. Reversamente. como se o ausente tivesse falecido. o que não acontecerá com os demais sucessores. os herdeiros necessários empossados (art. 28 do Código Civil. Porém. necessariamente. 37 e 38 do CC). se o ausente regressar depois de passados os 10 anos nada recebe. não se desfazendo as aquisições realizadas. o ausente perde direito ao montante acumulado em favor dos sucessores (art. Castellani A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeitos 180 após sua publicação e trânsito em julgado. poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e levantamento das cauções. Porém.

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de fato. daí porque a liceidade é imprescindível à vida da pessoa jurídica. manifestada nas associações e nas sociedades pela vontade do grupo componente e nas fundações pela de seu criador. análoga à pessoa física. b) Teoria orgânica ou da realidade objetiva – Seus partidários entendem que a pessoa jurídica é uma realidade viva. pois a personificação dos grupos se opera por construção jurídica. Caracteres gerais da pessoa jurídica Por diversas razões. independentemente de qualquer autorização estatal. como um animus. podendo se revestir -9- . em situações excepcionais admitidas por lei. que é a idéia dominante. com vistas à realização de seus objetivos. Contudo. o ato de atribuir personalidade não seria arbitrário. rejeitando a tese ficcional para considerar os entes coletivos como uma realidade. Surgimento e início da personalidade da pessoa jurídica O surgimento da pessoa jurídica de direito privado se dá em dois estágios distintos. A análise do art. que não seria objetiva. operar-se a suspensão legal de seus efeitos. inclusive. que administra e mantém a entidade em contato com o mundo.Por óbvio não é possível reconhecer validade a um ente que atue em descompasso com o ordenamento jurídico que possibilitou seu surgimento. O ato deverá ser escrito. o homem tende a agrupar-se. As principais são: a) Teoria da ficção – Segundo essa concepção o direito concebe a pessoa jurídica como uma criação artificial. O grupo. deve emitir-se na conformidade do que prescreve o direito positivo. Para esta teoria as pessoas jurídicas possuem tanto um corpus. para a constituição ou o nascimento da pessoa jurídica é necessária a conjunção de três requisitos: a) Vontade humana criadora . 2. b) Observância das condições legais – É a lei que determina a forma a que obedece aquela declaração de vontade. com exceção dos casos especiais tratados no CC. mas à vista de uma situação concentra. Cometti Fernando F. por meio da desconsideração. cuja existência. para ser eficaz. as quais refletem a evolução deste instituto ao longo da história. c) Teoria da realidade técnica – Esta teoria situa a pessoa jurídica como produto da técnica jurídica. assim. vontade eminentemente criadora que. 3. O primeiro ocorre com a exteriorização da manifestação de vontade que permite a criação e a elaboração do ato de constituição. podendo.Coordenadores: Marcelo T. 45 do CC permite afirmar que a personificação da pessoa jurídica é. para garantir a subsistência e realizar seus propósitos. é simplesmente uma ficção. A melhor doutrina entende que a teoria da realidade técnica é a que melhor explica o tratamento dispensado à pessoa jurídica por nosso ordenamento. viabilizando a sua atuação autônoma e funcional. franqueando aos indivíduos a adoção de instrumento particular ou exigindo o instrumento público. recebe do ordenamento personalidade jurídica. construção da técnica jurídica. c) Liceidade de seu propósito .È a vontade gregária que marca o surgimento das pessoas jurídicas. ou seja. por isso mesmo. Teorias sobre a natureza da pessoa jurídica Diversas são as teorias que tentam explicar a caracterização das pessoas jurídicas. inclusive de natureza social e antropológica. Castellani CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA 1.

uma vez que a ordem jurídica o instrumentaliza com os recursos jurídicos suficientes à administração de seus interesses. O art. f) às condições gerais na hipótese de extinção. além das chamadas sociedades de fato ou irregulares: a) Massa Falida – Se refere ao acervo patrimonial que pertencia à empresa declarada judicialmente falida. carecendo. A falta do registro implica no surgimento de entidades de fato ou irregulares. O condomínio não chega a ser uma pessoa jurídica. porque não há manifestação de vontade neste sentido. pois. .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI de forma pública ou particular. desprovida de personalidade. Este se refere: a) identificação da pessoa jurídica segundo a sua denominação e fins. já adquirida no instante do nascimento com vida. seja ele formal ou substancial. mas com capacidade para se obrigar perante terceiros. em primeiro lugar pela desnecessidade. e) à informação se os membros da pessoa jurídica respondem subsidiariamente pelas obrigações sociais. 1819 prevê a hipótese de alguém vir a falecer. No caso de defeito no ato constitutivo. b) Espólio – Este consiste no patrimônio deixado pelo de cujus e compreensivo do conjunto de direitos e obrigações. O prazo é decadencial. diferentemente do registro civil de nascimento da pessoa natural. seria aquela organizada por escrito. 45 do CC exige o registro do ato de constituição. cuja titularidade é exercida pela figura do inventariante. incluindo a representação junto às esferas judicial e extrajudicial. nem formalização desta. d) Condomínio – Dá-se a figura do condomínio quando mais de uma pessoa possui a titularidade do domínio de um bem. se houver. como destaca o próprio texto do parágrafo único do art. deixando acervo de bens sem. Os bens permanecerão nesta condição até a sua entrega aos herdeiros que vierem a se habilitar ou à declaração de sua vacância. por ser atributivo de personalidade. salvo nas hipóteses das fundações. d) ao esclarecimento se o ato constitutivo é passível de modificação no que concerne à administração e ao seu modo de atuar. b) aos nomes e qualificações dos fundadores ou instituidores e dos diretores. a sociedade irregular. É preciso pôr em sinal a existência de outras entidades despersonalizadas. Ocorrendo esta. 45 do CC. o patrimônio deverá ser incorporado aos bens da União. porquanto o art. mas sem a necessária inscrição dos atos constitutivos no registro peculiar. Abre-se o segundo estágio em razão da adoção do sistema das disposições normativas. aos legítimos interessados cabe o direito potestativo de anular a constituição da pessoa jurídica. local da sede. que requerem instrumento público ou testamento. do Estado ou do Distrito Federal. 46 do CC dispõe sobre os dados a serem anotados na inscrição. Entre esses dois momentos – morte e partilha – impõe-se administração do acervo de direitos e obrigações. O fato jurídico que faz surgir é o evento morte e a sua extinção se opera com o fato jurídico da partilha de bens entre os herdeiros. testamento ou herdeiro legítimo notoriamente conhecido. por sua vez.10 - . todavia. eminentemente declaratório da condição de pessoa. Na doutrina do direito comercial a sociedade de fato seria aquela que funciona sem que houvesse sido reduzido a termo o seu estatuto ou contrato social. O registro tem natureza constitutiva. de affectio societatis. tempo de duração e fundo social. c) às normas básicas de administração. É com a sentença declaratória de falência que surge a massa falida. A situação configura o instituto da herança jacente. inclusive a destinação do patrimônio. c) Herança jacente e vacante – O CC no art. Em segundo lugar.

eventualmente. Espécies de pessoas jurídicas de direito privado O art. mais técnico seria falar em presentação da pessoa jurídica. 2004. pelo fato de não perseguir escopo lucrativo. Em verdade. Todavia. 2º) destituir os adminitradores. por sua própria natureza. os seus direitos a um terceiro (adquirente ou herdeiro). São Paulo: Saraiva. Vol I. Novo Curso de Direito Civil. praticar todos os atos jurídicos admitidos para a pessoa natural. por ato inter vivos ou mortis causa. 3º) aprovar contas. 54 do CC. praticar atos ou celebrar negócios que extrapolem da sua finalidade social. como ocorre entre os sócios nas sociedades civis e empresárias. e na estrita forma do estatuto social (art. Na falta dessas. Castellani 4. sem existência biológica ou orgânica. Capacidade e representação da pessoa jurídica A capacidade da pessoa jurídica é. Isto é. Mesmo não cuidando o estatuto de elencar as condutas que entende passíveis de exclusão do associado. decidir pela aplicação da sanção. 59 do CC estabeleceu-lhe competências absolutas: 1º) eleger os administradores. 61. por não poder atuar por si mesma. a pessoa jurídica. 5. Por cláusula do estatuto ou.208). por meio das pessoas jurídicas que compõem os seus órgãos sociais e conselhos deliberativos. nos estatutos ou na própria lei. Ocorrendo a dissolução da associação. e. A receita gerada deve ser revertida em benefício da própria associação visando à melhoria de sua atividade. 44 do CC prevê cinco espécies de pessoa jurídica de direito privado. a sociedade ou a associação age. que passará à condição de associado. Essas pessoas praticam atos como se fosse o próprio ente social. por deliberação dos associados. exige órgãos de representação para poder atuar na órbita social. dada a sua estrutura. Rodolfo Pamplona Filho. e 4º) alterar o estatuto. à instituição municipal.11 - . especial. ou. O estatuto social das associações deverá observar para a sua validade os requisitos indicados no art. 56 do CC). Por se tratar de um ente cuja personificação é decorrência da técnica legal. A lei considerou intransmissível a qualidade de associado (art. Ela possui poderes deliberativos e o art. é permitido aos respectivos membros. A assembléia geral é o órgão máximo das associações. será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto. o titular de quota ou fração ideal do patrimônio poderá transmitir. Cometti Fernando F. a assembléia geral. sob pena de ineficácia” (Pablo Stolze Gagliano.Coordenadores: Marcelo T. por óbvio. a associação não está impedida de gerar renda. os bens remanescentes serão devolvidos à Fazenda do Estado. 61. havendo autorização estatutária. portanto. moldada a partir da técnica jurídica. do Distrito Federal ou da União (art. por deliberação dos associados. o patrimônio líquido. especialmente convocada. § 2º do CC). São elas: a) Associações: São entidades formadas pela união de indivíduos com o propósito de realizarem fins nãoeconômicos. prevê o § 1º do art. Não deve. Note-se que. Considerando sua estrutura organizacional. estadual ou federal. omisso este. p. no silêncio deste. A exclusão do associado só ocorre ocorrendo justa causa. porém os seus membros não pretendem partilhar lucros ou dividendos. ampliado. faz-se presente. poderá apreciar a existência de motivos graves. 57 do CC). de fins idênticos ou semelhantes. Trata-se de um conteúdo mínimo que poderá ser. “O seu campo de atuação jurídica encontra-se delimitado no contrato social. esse ente social não poderá. antes da destinação do remanescente a . em deliberação fundamentada e por maioria absoluta dos presentes.

tendo autonomia para definir sua estrutura interna. 44 do CC estabelece que os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto na Lei n. Desconsideração da personalidade jurídica O art. 3) sociedade limitada. 44 do CC não é um rol taxativo. 2) sociedade em comandita simples. abuso. em caso de fraude.096/95. especificando o fim para o qual se destina. b) Sociedades: São as entidades formadas pela união de pessoas que exercem atividade econômica e buscam o lucro como objetivo. quando o próprio instituidor o faz. Contudo. e) Organizações religiosas: São entidades que muito se assemelham às associações. 17 da CF). c) Fundações: São entidades resultantes de uma afetação patrimonial. 4) sociedade anônima. 28. 3) Elaboração dos estatutos (Há duas formas de instituição da fundação: a direta. 5) Realização do registro civil. As formas societárias previstas no nosso ordenamento são: 1) sociedade em nome coletivo. com recurso ao juiz competente. 44 do CC garante-lhes liberdade de criação. ou a fiduciária. Do art. há uma série ordenada de etapas que devem ser observadas. quando confia a terceiro a organização da entidade). Outras espécies como as cooperativas e as entidades desportivas não foram previstas neste dispositivo 6. 50 do CC prevê a desconsideração. em valor atualizado. estruturação interna. O art. organização e funcionamento. que faz o seu instituidor. em caso de divergência). O § 3º do art. 2) Instituição por escritura pública ou testamento.12 - . pessoalmente. receber em restituição. 4) Aprovação dos estatutos (É o órgão do Ministério Público que deverá aprovar os estatutos da fundação. ou simples desvio de função. organização. Dependendo do tipo de atividade realizada. . objetivando a satisfação do terceiro lesado junto ao patrimônio dos próprios sócios. as sociedades podem ser simples ou empresárias. por testamento ou escritura pública. devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidária (art. Norma de teor semelhante existe também no CDC no art. sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos. que passam a ter responsabilidade pessoal pelo ilícito causado. a saber: 1) Afetação de bens livres por meio do ato de dotação patrimonial. as contribuições que houverem prestado ao patrimônio da entidade. d) Partidos Políticos: São entidades com liberdade de criação.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI entidades congêneres. a qual pode ser entendida como um mecanismo que pretende a supressão temporária da personalidade jurídica da sociedade. 9. Para a criação de uma fundação. e) sociedade em comandita por ações. o § 1º.

Cometti Fernando F. mas em qualquer hipótese a personalidade subsistirá até que se ultime a liquidação e se proceda a anotação devida. A dissolução deverá ser averbada no registro respectivo e. d) Fato natural – Ocorrendo o fato jurídico morte dos membros de uma sociedade. e não prevendo o seu ato constitutivo o prosseguimento das atividades por intermédio dos herdeiros. b) Administrativa – Ocorre quando a autorização para o funcionamento da pessoa jurídica é cancelada.Coordenadores: Marcelo T. Extinção da pessoa jurídica O fim da pessoa jurídica poderá ocorrer por causas diversas. . o resultado será a extinção da pessoa jurídica.13 - . é dos administradores. Para tanto devem ser observadas as normas previstas no estatuto ou contrato social. que dispõem do prazo de trinta dias contado da perda da autorização. em primeiro lugar. A dissolução das pessoas poderá ser: a) Convencional – A mesma liberdade que permitiu aos sócios a criação da pessoa jurídica pode levá-los à extinção desta. seguir-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. ou de sócio que tenha exercitado o direito de pedi-la na forma da lei. Castellani 7. c) Judicial – A iniciativa para a dissolução da pessoa jurídica. uma vez encerrada a liquidação.

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p. podem ser sistematizadas da seguinte forma: . constitui o ponto de confluência entre a norma e o dever ser da realidade: é o modo pelo qual o ordenamento jurídico encontra real atuação. é importante distinguir os direitos futuros. Curso Avançado de Direito Civil: Vol 1. Assim. conservativos e extintivos do fato jurídico 1) Aquisição de direitos – Ocorre quando se dá sua conjunção com seu titular. de caráter muitas vezes acautelatório. refere-se a situações em que o interesse do titular ainda não se encontra completo. podemos lembrar o direito à sucessão legítima. não estando amparada pela legislação em geral. O ordenamento atribui a um fato uma qualificação e uma disciplina. A aquisição de direitos tem sido analisada das seguintes formas: a) Originária ou derivada – de acordo com a existência ou não de uma relação jurídica anterior com o direito ou bem objeto da relação. que. de um direito adquirido. aqueles fatos a que o direito atribui relevância jurídica. Renan. de fatos jurídicos ou fatos jurígenos. seria todo o acontecimento natural ou humano capaz de criar. d) Simples ou complexa – Se o fato gerador da relação jurídica se constituir em um único ato ou numa necessária simultaneidade ou sucessividade de fatos. sem interposição ou transferência de outra pessoa. portanto. caso estes sejam ameaçados por quem quer que seja. modificativos. Castellani CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO 1. 199). O direito eventual. em sentido amplo. a que correspondem novas qualificações jurídicas” (LOTUFO. fato jurídico. modificar. Por fim. Um exemplo é a fase de tratativas para celebração de um contrato. em sentido amplo (lato sensu). no sentido de mudar as relações anteriores a eles e de configurar novas situações. 2) Conservação de direitos – Atos praticados para o resguardo (defesa) de direitos. Conceito de fato jurídico lato sensu Os acontecimentos. do direito eventual e do direito condicional. à realização da avença. Efeitos aquisitivos. só se consolida com a morte do autor da herança. Essas medidas. embora protegido pelo ordenamento jurídico. “Fatos jurídicos são. indistintamente considerados.Coordenadores: Marcelo T. ou historicamente. o direito condicional é aquele que somente se perfaz se ocorrer determinado acontecimento futuro e incerto. 2003. A título de complementação. surge a propriedade quando o bem se subordina a um dominus. 2. em que não há falar. porém. São Paulo: RT. A expectativa de direito é mera possibilidade de sua aquisição. Como exemplo. uma vez que ainda não foi incorporada ao patrimônio jurídico da pessoa. Cometti Fernando F. por sua vez. conservar ou extinguir relações jurídicas. [coordenação Everaldo Augusti Cambler]. Assim. pelo fato de não se terem realizado todos os elementos básicos exigidos pela norma jurídica. que geram direitos subjetivos são chamados. b) Gratuita ou onerosa – de acordo com a existência ou não de uma contraprestação para a aquisição do direito.15 - . em relação à expectativa de direito. por si só. de tal sorte que ocorrendo concretamente o fato. ainda. c) A título universal ou singular – se o adquirente substitui o sucedido na totalidade (ou em quota-parte) de seus direitos ou apenas de uma ou algumas coisas determinadas.

que determina a produção de efeitos legalmente previstos. no exercício do direito constitucional de ação (art. 3. 112 do C.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI a) Atos de conservação – Atos praticados pelo titular do direito para evitar o perecimento. 5. sem conteúdo negocial. p. modificar ou extinguir uma relação jurídica” (GOMES. na definição do Código da Saxônia. exigindo-se. 1993. por exemplo. 3) Extinção de direitos – Como tudo na vida. constitui simples manifestação de vontade. uma enchente. Neste tipo de ato. como é o caso do interdito proibitório. XXXV. de acordo com a lei. sempre excepcionalmente. dentro do campo da autonomia privada. b) Extraordinários – São fatos inesperados. para tanto que seja considerado como tal. o atendimento a certos requisitos mínimos. Com efeito. Introdução ao estudo do direito civil. os efeitos jurídicos pretendidos pelo agente (como no negócio jurídico). Os fatos jurídicos em sentido estrito subdividem-se em: a) Ordinários – São fatos da natureza de ocorrência comum. turbação ou esbulho de seu direito. para apreender sistematicamente o tema faz-se mister analisá-lo sob os três planos em que o negócio jurídico pode ser visualizado: a) Plano de existência – Um negócio jurídico não surge do nada. Orlando. Fato jurídico em sentido estrito São todos os acontecimentos naturais que determinam efeitos na órbita jurídica. por exemplo). a ação de vontade. a morte. Neste plano “não . Negócio jurídico O negócio jurídico é entendido pela corrente voluntarista (dominante no direito brasileiro. da CF). como é o caso do perecimento do objeto. o abandono. etc. c) Atos de defesa preventiva – Antes mesmo da violação (mas diante da sua ameaça evidente) é possível o ajuizamento de procedimentos próprios para uma defesa preventiva. d) Ocorrida a violação. a ordem jurídica admite. b) Atos de defesa do direito lesado – Tendo ocorrido a violação ao direito. o decurso do tempo. Rio de Janeiro: Forense. 5º. a prática de atos de autotutela. costumeira. mas sim um simples comportamento humano deflagrador de efeitos previamente estabelecidos por lei. 10ª. também os direitos podem extinguir-se. 1210. cotidiana: o nascimento. a decadência. a constituir. no ato de fixação do domicílio. por exemplo. que se dirige. 280. às vezes imprevisíveis: um terremoto. Ato jurídico em sentido estrito O ato jurídico em sentido estrito. refletindo-se no art. como. o ajuizamento de ações cognitivas ou executivas.. o caso fortuito e a força maior. não existe propriamente um declaração de vontade manifestada com o propósito de atingir.C. como se dá no negócio jurídico (um contrato. É o que ocorre. ou.16 - . 4. parágrafo 1º do CC).).) como uma “declaração de vontade dirigida à provocação de determinados efeitos jurídicos. Note-se que o elemento caracterizador dessa categoria reside na circunstância de que o agente não goza de ampla liberdade de escolha na determinação dos efeitos resultantes de seu comportamento. o desforço incontinenti (art.

aqui.C. dando ensejo à incidência” (MELLO. uma vez que a forma pública é indispensável para a validade do ato. respeitar as leis naturais. por não ser essencial. Parágrafo único – Para esse efeito. Observa-se. ou seja. isto não importa em produção imediata de efeitos. importa.C. do princípio da liberdade da formas. ao tempo que foi celebrado. também.) b) Plano de validade – O C. como regra geral. figura outra importante categoria: a dos negócios ad probationem. Castellani se cogita de invalidade ou eficácia do fato jurídico. trouxe à tona um capítulo inteiramente dedicado ao instituto da representação. ao negócio jurídico consigo mesmo. sob pena de se prejudicar não apenas a validade. a prova escrita é necessária. com preceitos genéricos aplicáveis tanto à representação legal. no seu interesse ou por conta de outrem. fica circunscrito a se saber se o suporte fático suficiente se compôs. a alienação de um imóvel situado na lua. vale observar a restrição legal sobre o autocontrato. possível. Ao lado do negócio ad solemnitatem. Todo objeto deve. 116 do C. A lei civil dispõe sobre três tipos de elementos acidentais: 1) Condição – Elemento voluntário que subordina o nascimento ou extinção do direito subjetivo a acontecimento futuro e incerto. 2000. portanto. apenas. outrossim. por força da adoção no C. Sobre o tema da capacidade o C. uma vez que não se poderia reconhecer validade a um negócio que tivesse por objeto uma prestação naturalmente irrealizável. traduzindo em uma forma especial ou em uma indispensável solenidade. a realidade da existência. nos termos do art. quando o valor do contrato exceder o décuplo do maior salário mínimo vigente no país. seja perfeitamente válido. 117: “Art. quanto à voluntária. o objeto ser determinado ou. tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido substabelecidos. A modalidade suspensiva provoca a aquisição do . ainda. na forma deduzida no art. perfeito para o sistema que o concebeu. a própria executoriedade da avença. 401 do CPC. para efeito de prova do ato jurídico. diz-se que o negócio é ad solemnitatem. podem ser realizados de acordo com a conveniência da forma preferida pelas partes. como se vê do art. Marcos Bernardes de. Sobre o tema. a exemplo do testamento e dos contratos constitutivos ou translativos de direitos reais imóveis acima do valor consignado em lei. São Paulo: Saraiva. suprindo omissão da legislação civil anterior. Cometti Fernando F. ainda. c) forma prescrita ou não defesa em lei. no art.Coordenadores: Marcelo T. mas. deverá. ou seja. como forma de manifestação de vontade do representado através do representante deve produzir plenamente seus efeitos. o que significa dizer não ser proibido pelo direito e pela moral. com isso.” A licitude para a validade do negócio jurídico traduz a idéia de estar o objeto dentro do campo de permissibilidade normativa.C. c) Plano de eficácia – Ainda que um negócio jurídico existente seja considerado válido.C. deve revestir a forma adequada. Todavia. para efeitos probatórios. o objeto deve.17 - . pois estes podem estar limitados por elementos acidentais de declaração. celebrar consigo mesmo. como. ao menos. 83. por exemplo. quando a norma legal impõe determinado revestimento para o ato. Além do campo da licitude. em último plano. que os negócios jurídicos. pois. Por fim. Deve.. b) objeto lícito. para que o negócio jurídico. 104 enumera os pressupostos de validade do negócio jurídico: a) agente capaz. determinável. é anulável o negócio jurídico que o representante. Nesses. Teoria do Fato Jurídico (Plano da Existência). fisicamente possível. 117 – Salvo se o permitir a lei ou o representado. p. determinado ou determinável. Há que ser. apesar de a forma não preponderar sobre o fundo. Tudo. ser observada. Assim. A representação. conter elementos mínimos de individualização que permitam caracterizá-lo.

simplificadamente e generalizando. O encargo pode ser uma restrição no uso da coisa. na realidade. que ilícito é tudo aquilo que é contrário ao direito. O primeiro decorre da lei o segundo. O termo se caracteriza pela futuridade e certeza. ao passo que a ignorância é um estado de espírito negativo. O primeiro. e não uma prestação correspectiva sinalagmática. que transgride um dever jurídico. a intenção pura e de boa fé que enuncia. que se classificam em vícios de consentimento –aqueles em que a vontade não é expressada de maneira absolutamente livre – e vícios sociais – em que a vontade manifestada não tem. 3) Encargo ou modo – É a cláusula geradora de obrigação para a parte beneficiária em negócio jurídico gratuito e em favor do disponente. o critério finalístico para a identificação do abuso de direito. de estrutura obrigacional. Adotou-se. que exceda manifestamente os limites impostos pela finalidade econômica ou social. O C. bastando. É um peso atrelado a uma vantagem (uma restrição). Neste sentido é a regra do art. A doutrina registra ainda o termo de graça. permite a extinção de seus efeitos na eventualidade de o fato previsto vir a acontecer. já a resolutiva. O segundo corresponde ao dia em que cessam os efeitos do ato negocial. portanto. uma vez realizado o negócio. Defeitos do negócio jurídico Trata-se dos defeitos dos negócios jurídicos. que já existe. suum cuique tribuere (viver honestamente. o total desconhecimento do declarante a respeito . 6. alterum non laedere. conclui-se não ser imprescindível para o reconhecimento do abuso que o agente tenha a intenção de prejudicar terceiro. 2) Termo – É o marco temporal que define o começo ou o fim dos efeitos jurídicos de um negócio jurídico. a qual informa que o termo inicial suspende o exercício. que é concedido pelo juiz no curso dos processos mediante dilação de prazo. Ele não instaura a relação jurídica. previstas em nosso direito positivo (art. ou pode ser uma obrigação imposta àquele que é beneficiário.C. a legítima defesa e o estado de necessidade são causas excludentes de ilicitude.. atribuir-se o que é seu). 131. por seu art. 1923. Ato ilícito Trata-se de um ato voluntário e consciente do ser humano.18 - .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI direito. Pode ser legal ou convencional. O termo pode ser suspensivo ou resolutivo. 187 do C.C. segundo a dicção legal. São vícios de consentimento: a) Erro ou ignorância – Trata-se de uma falsa percepção da realidade. Honeste vivere. 188 do CC). prevê a hipótese de legado a termo inicial ou suspensivo. Finalmente. 7. Analisando o art. também denominado inicial (dies a quo) é o dia a partir de quando os efeitos de um negócio jurídico começam a produzir. A conseqüência do ato ilícito é a do surgimento do dever de reparar o dano causado. de terceiro ou do interesse público. não prejudicar outrem. de cláusula contratual. até porque se deve entender o direito como proteção do que é lícito. Ao lado e muito próximo do ato ilícito existe a figura do abuso de direito. Dizem alguns. não a aquisição do direito. pela boa-fé ou pelos bons costumes. vale observar que o exercício regular do direito.

ante a iminência de dano por que passa o agente. A expressão “meu reino por um cavalo”. A lesão é vício que surge concomitantemente com o negócio. A lesão se compõe de dois requisitos: 1) objetivo ou material (desproporção das prestações avençadas). Castellani das circunstâncias do negócio. e não simplesmente anulável. todavia. só é considerado como causa de anulabilidade do negócio jurídico se for: a) essencial (substancial). respectivamente. em detrimento da lei ou da própria sociedade. com a aplicação da teoria da imprevisão. visando produzir efeito do ostensivamente indicado. 3) a desproporção deve ser considerável. b) Fraude contra credores – Consiste no ato de alienação ou oneração de bens. que tem seu equilíbrio rompido pela superveniência de circunstância imprevista e imprevisível. Dois elementos compõem a fraude. São vícios sociais: a) Simulação – È uma declaração enganosa de vontade. pressupõe negócio válido. assim como de remissão de dívidas. 2) a desproporção entre as prestações deve verificar-se no momento do contrato e não posteriormente. b) Dolo – Trata-se de um artifício ou expediente astucioso.Identifica-se como uma hipótese de inexigibilidade de conduta diversa. entretanto. . diante da inexperiência ou necessidade. Não se confunde a lesão. praticado pelo devedor insolvente. Importante notar. uma vez que este se mancomuna de livre vontade para atingir fins espúrios.19 - . com o propósito de prejudicar credor preexistente. e) Estado de perigo . o primeiro de natureza subjetiva e o segundo objetiva.Coordenadores: Marcelo T. já a teoria da imprevisão. São eles. é aplicável quando a ocorrência de acontecimentos novos. Pode-se classificar o dolo em principal e acidental. imprevisíveis pelas partes e a elas não-imputáveis. c) Coação – Trata-se da violência apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar. Suas características são: 1) a lesão só é admissível nos contratos comutativos. decorrente do desenvolvimento teórico da cláusula rebus sic stantibus. ou à beira da insolvência. que a doutrina entende que a vis absoluta neutraliza completamente a manifestação de vontade. aproveitando ao autor do dolo ou a terceiro. A distinção tem relevo para fins que o principal enseja a anulação do negócio e o acidental só pode levar às perdas e danos. daí a possibilidade de sua anulação. imaterial ou anímico (a premente necessidade. d) Lesão – Trata-se de um vício que permite a deformação da declaração de vontade por fatores pessoais do contratante. Cometti Fernando F. e b) escusável (perdoável). O acidental leva a distorções comportamentais que podem alterar o resultado final do negócio. exploradas indevidamente pelo locupletante. Esta última. pode ser um exemplo para esse vício. para ajustá-lo às circunstâncias supervenientes. empregado para induzir alguém à prática de um ato jurídico que o prejudica. refletindo sobre a economia ou na execução do contrato. a quem não resta outra alternativa senão praticar o ato. É um defeito que não vicia a vontade do declarante. e 2) subjetivo. o consilium fraudis (o conluio fraudulento) e o eventus damni (o prejuízo causado ao credor). O erro. Importante observar que a simulação deixou de ser uma causa de anulabilidade e passou a figurar entre as hipóteses de nulidade do ato jurídico. por sua vez. tornando o negócio jurídico inexistente. São dois tipos de coação: física (vis absoluta) e moral (vis compulsiva). autorizarem a sua resolução ou revisão. da obra de Shakespeare. a inexperiência ou a leviandade da parte lesada e o dolo de aproveitamento da parte beneficiada). em virtude da diminuição experimentada pelo seu patrimônio. O principal é quando a causa determinante do negócio.

para outros.Opera-se de pleno direito. 4. não se sujeitando ao argüida. ou ainda. 3.O ato anulável atinge interesses superior. A esse direito de exigir chama a doutrina de pretensão. 6. Sendo assim. Invalidade do negócio jurídico A previsibilidade doutrinária e normativa da teoria das nulidades impede a proliferação de atos jurídicos ilegais ou portadores de vícios.Pode ser argüida pelas partes. que permite a composição do dano verificado. NULIDADE ABSOLUTA NULIDADE RELATIVA 1. com a qual não se confunde. decorre de infringência de norma jurídica protetora de interesses eminentemente privados. A pretensão revela-se. A pretensão que nasce no momento em que o credor pode exigir a prestação. a existência de um crédito. Da infração desse dever resulta. portanto.Admite confirmação expressa ou tácita. por influência do direito alemão. e carrega em si vício considerado grave. para esse titular. viola norma de ordem pública. decadenciais de quatro (regra geral) ou dois (regra supletiva) anos. pressupõe. para alguns.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A anulação do ato praticado em fraude contra credores dá-se por meio de uma ação revocatório. de natureza cogente. Dentro dessa perspectiva. até legítimos interessados. é um poder concedido ao indivíduo para realizar seus interesses. mesmo.20 - . É verdadeira permissão jurídica. por 4. o ato anulável (nulidade relativa). Prescrição Direito subjetivo é o poder que o ordenamento jurídico reconhece a alguém de ter. em prazos prazo prescricional ou decadencial. ainda. o poder de exigir do devedor uma ação ou omissão. e esta não é cumprida. particulares. Representa a estrutura da relação poder-dever. é possível afirmar que o reconhecimento desses estados são formas de proteção e defesa do ordenamento jurídico vigente. causando lesão no direito subjetivo. nas relações jurídicas patrimoniais. denominada ação pauliana.A ação anulatória é decidida por decidida por sentença de natureza sentença de natureza desconstitutiva declaratória. Por sua vez.Não admite confirmação. em que ao poder de uma das partes corresponde ao dever da outra. 9. enquanto aquele é estático e. É. salvo norma específica em sentido contrário. é correto dizer-se que o ato nulo (nulidade absoluta). segundo o CC. legalmente tutelados.Somente pode ser argüida pelos terceiro interessado. uma situação jurídica subjetiva. contaminado de vício menos grave. 8. assim. pelo MP.O ato nulo atinge interesse público 1. 3. embora com conotação dinâmica. . 6. pela via judicial.Não se opera de pleno direito.A anulabilidade somente pode ser a qualquer tempo. 5. como um poder de exigir de outrem uma ação ou omissão. 2. fazer ou exigir de outrem determinado comportamento.A ação declaratória de nulidade é 5.Pode ser reconhecida. um dano para o titular do direito subjetivo. Nasce. 2. pronunciada pelo juiz. então. ou. a depender da natureza do interesse jurídico violado. sinônimo de direito subjetivo.

na oportunidade da contestação. g) as destinadas a anular inscrição do nome empresarial feita com violação de lei ou do contrato (CC. . a qualidade de cidadania. dependendo do momento em que surgem. Registre-se que os “relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes legais. art. 195). que são imprescritíveis. Assim. d) as referentes a bens públicos de qualquer natureza. regra também aplicável à decadência por força do art. f) as pretensões de reaver bens confiados à guarda de outrem. O Código Civil agrupou as causas que suspendem e impedem a prescrição em uma mesma seção.21 - . que derem causa à prescrição. se este deixou de alegar a prescrição de imediato. penhor ou mandato.C. a título de depósito. Em se tratando de ato jurídico. não prescrevem: a) as que protegem os direitos da personalidade. que é perpétuo (reivindicatória). A sua função mais importante é a de traduzir uma legitimação material para exigir uma prestação determinada. 22 do CPC. Finalmente. que a prescrição tem como requisitos: a) a violação do direito. 208 do CC.Coordenadores: Marcelo T. c) o decurso do prazo fixado em lei. o que a relaciona intimamente com o direito processual civil. b) as que se prendem ao estado das pessoas (estado de filiação. 167 do CC/16).). desse modo. a accessio praescriptionis. As mesmas causas ora impedem. b) a inércia do titular. pois a renúncia à possibilidade de alegar a prescrição pode acarretar a diminuição do patrimônio do devedor. E com o principal prescrevem os direitos acessórios (art. pois. isto é. Assim. Terceiros eventualmente prejudicados são os credores. b) que não prejudique terceiro. 1. 190). requer a capacidade do agente. também. nos termos do art. ou não a alegarem oportunamente” (art. e) as que protegem o direito de propriedade. A pretensão e a exceção prescrevem no mesmo prazo (art. em virtude da inércia de seu titular. 196). a de pedir meação no muro vizinho. O prazo. em tese. como as destinadas a extinguir o condomínio. é nas obrigações que ele encontra a sua natural aplicação. regra que deve ser acolhida pela doutrina e jurisprudência. A única conseqüência da tardia alegação da prescrição diz respeito aos ônus de sucumbência: são indevidos honorários advocatícios em favor do réu. é permitida. Diz o mencionado art. abdicar do direito de alegar esta defesa indireta de mérito (a prescrição) em face de seu credor. A argüição não se restringe. 189 e art. Castellani Embora a pretensão seja um conceito técnico jurídico aplicável às várias espécies de relações jurídicas. c) as de exercício facultativo (ou potestativo). Pode-se dizer. Importante observar que existem pretensões imprescritíveis. isto é. O art. pois. em que não existe direito violado. com o nascimento da pretensão. ora suspendem a prescrição.167). Renunciar à prescrição consiste na possibilidade de o devedor de uma dívida prescrita. a soma do tempo corrido contra o credor ao que flui contra o seu sucessor (art. no prazo previsto pela lei (art. deixando para fazê-lo somente em grau de apelação. 191 não admite a renúncia prévia da prescrição. a condição conjugal). 193 que a prescrição pode ser alegada “pela parte a quem aproveita”. 189 do C. afirmando que a prescritibilidade é a regra e a imprescritibilidade a exceção. ao prescribente. A prescrição é a perda da pretensão. entendendo que estão subordinadas a uma unidade fundamental. Cometti Fernando F. consumado o prazo prescricional e sem prejuízo a terceiro. não se inicia novamente. dois são os requisitos para a validade da renúncia: a) que a prescrição já esteja consumada. antes que se tenha consumado. mas se estende a terceiros favorecidos por ela.

parágrafo único). § 1º). como foi mencionada. o do doador revogar a doação simples. Decadência Existem direitos subjetivos que não fazem nascer pretensões. cujo prazo volta a fluir somente pelo tempo restante. a causa ou obstáculo impede que comece. que decorre de certos fatos previstos na lei. de um comportamento ativo do credor.22 - . Desse modo. portanto. em sentido amplo.A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros. caput. se o prazo ainda não começou a fluir. essa vantagem para o titular do direito subjetivo ofendido corresponde às desvantagens para o prescribente. A interrupção por um dos credores solidários. não prejudica os demais coobrigados (art. a interrupção operada contra o co-devedor. aproveitando-se o tempo anteriormente decorrido. E não havendo dever. não há lesão. igualmente. expressamente declara que a interrupção da prescrição “somente poderá ocorrer uma vez”. que vê retardado o benefício que lhe poderia advir da prescrição. o obstáculo surge após o prazo ter iniciado. constituindo. 3. o de aceitar ou não herança. em regra. diversamente da suspensão da prescrição. significa extinção de direitos em . Constitui-se em um fato que não permite comece o prazo prescricional a correr. porque destituídos dos respectivos deveres. 10. instantâneo: “A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu. Esta. 202. o de aceitar ou não a proposta de contratar. assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros (CC.Inutiliza-se todo o tempo prescricional decorrido. dá-se a suspensão. A restrição é benéfica. O efeito da interrupção da prescrição é. não há pretensão. extinguindo o tempo já decorrido. São direitos potestativos. O tempo limita o exercício dos direitos potestativos pela inércia do respectivo titular. Se. 204 do CC). começando a correr novo prazo. aproveita aos outros. a prescrição continua a correr. ou do último ato do processo para a interromper” (art. para não se eternizarem as interrupções da prescrição. inutilizando o já decorrido A interrupção depende. que volta a correr por inteiro.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Impedimento da prescrição é o obstáculo ao curso do respectivo prazo. O art. Consequentemente. antes do seu início. ou seu herdeiro. a suspensão é a cessação temporária do curso do prazo prescricional sem prejuízo do tempo já decorrido. modificando ou extinguindo uma situação subjetiva sem que esta possa fazer alguma coisa se não sujeitar-se. a qual recebe o nome de caducidade. 204. São direitos potestativos o do patrão dispensar o empregado. 2. 202. ela se verificará pela maneira mais favorável ao devedor. São efeitos da interrupção da prescrição: 1. O lado passivo da relação jurídica limita-se a sujeitar-se ao exercício de vontade da outra parte. O direito potestativo é o poder que o agente tem de influir na esfera jurídica de outrem. Interrupção da prescrição é o fato que impede o fluxo normal do prazo. Cessando as causas suspensivas. Qualquer ato de exercício ou proteção ao direito interrompe a prescrição. entretanto. art. Assim. dilatando-se o período para composição do dano. Sempre que possível a opção. não há o seu descumprimento. diferentemente da suspensão.O direito subjetivo atingido é beneficiado pela interrupção.

e também menor do que o da prescrição. o interessado. A inserção da expressão “salvo disposição em contrário” no aludido dispositivo tem a finalidade de definir que tal regra não é absoluta. 209) que é nula a renúncia à decadência fixada em lei. não se aplicam à decadência as normas que impedem. os prazos decadenciais são fatais e peremptórios. perda dos direitos potestativos quando toma o nome de decadência. direito e termo inicial do prazo. sem possibilidade de interrupção ou suspensão. portanto. portanto. . mas o juiz não pode suprir a alegação. extinguindo-o e pondo a termo ao estado de sujeição existente. O respectivo prazo é rigidamente fixado. não a sua exigibilidade. em que este só corre da lesão do direito subjetivo. pois. nem se interrompem. em uma limitação que a lei estabelece para o exercício de um direito. No caso de decadência legal. e em sentido restrito. desde que se trate de matéria de direito disponível e não haja fraude às regras legais. deve o juiz conhece-la de ofício (CC. a contrario sensu. pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição. simultaneamente.Coordenadores: Marcelo T. 210). o prazo começa a correr no momento em que o direito nasce. Cometti Fernando F. o que não ocorre na prescrição. própria da prescrição. surgindo. Sendo matéria de ordem pública. 207 que salvo disposição legal em contrário. Enquanto a prescrição deve ser alegada pela parte interessada. ainda. Em princípio. sendo de admitir-se. A decadência traduz-se. art. No caso de decadência convencional. bem como de esclarecer que não são revogados os casos de um eventual dispositivo especial.23 - . O que se tem em mira é. Aplica-se às relações que contêm obrigações. suspendem ou interrompem a prescrição. art. ser válida a renúncia à decadência estabelecida em negócio jurídico pelas partes. Prescreve o art. o exercício do direito potestativo. isto é. Na decadência. pois não se suspendem. a parte a quem aproveita. dispõe a lei (CC. sendo objeto de ação constitutiva. como meio de defesa”. Castellani geral. Seu fundamento é o princípio da inadmissibilidade de conduta contraditória. A decadência é estabelecida em lei ou pela vontade das partes em negócio jurídico. a decadência não é “suscetível de oposição.

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a indicação de um lugar onde o indivíduo está. parágrafo 2º do CPC. 373). ou se tais declarações não fizer. deve estar ou presume-se que esteja. elaborou-se a teoria do domicílio aparente ou ocasional. a exata compreensão desses conceitos é fundamental para esclarece a matéria de maneira apropriada. o fato de localização para efeito das relações jurídicas.) A aplicação legal desta teoria encontra-se no art. que o domicílio importa em traduzir “o elemento de fixação espacial do indivíduo. da LICC a “lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. 70. b) Residência – Trata-se de um lugar que pressupõe mais estabilidade. a capacidade e os direitos de família”.Coordenadores: Marcelo T. Castellani CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO 1. tendo em vista que todas as situações descrevem um tipo de relação que uma pessoa natural estabelece com um lugar. em habitação. 94. uma sede estável da pessoa. ou seja. não possuam o requisito material do domicílio. A prova da intenção resulta do que declarar a pessoa às municipalidades do lugar que deixa. 73 do CC e no art. Noção Geral A noção de domicílio desempenha papel relevante para o Direito. em regra. andarilhos.C. Cometti Fernando F. terá de cumprir suas obrigações (art. É o lugar onde a pessoa natural se estabelece habitualmente. dispensando-se aos que tenham interesse em encontrá-lo o esforço e a incerteza de andarem à sua procura por caminhos instáveis” (Caio Mario da Silva Pereira. ou seja. inclusive com uma técnica para destacar a pluralidade domiciliar residencial (art. 1785 do C. onde será aberta a sucessão hereditária (art. Noção de residência e morada Não se confundem com o domicílio a morada e a residência. segundo a qual aquele que cria aparências de um domicílio em um lugar pode ser considerado pelo terceiro como tendo aí seu domicílio (ex. e para onde vai. 3. Para as pessoas que não tenham residência certa. é ainda o domicílio que determina o local onde a pessoa. 2004. p. da . 327 do C.25 - . Em ambos os casos é mister a concorrência dos requisitos do ânimo (psíquico) e da residência (material). ciganos. O ordenamento jurídico brasileiro adota o conceito da pluralidade domiciliar. Fala-se também. conclui-se.) e ainda. profissionais de circo. o nome. convertendo-o. Nos termos do art. Aspectos gerais do domicílio da pessoa natural O domicílio é o lugar de exercício dos direitos e cumprimento das obrigações. A mudança de domicílio opera-se com a transferência da residência aliada à intenção manifesta de alterá-lo. para caracterizar esta relação transitória de fato. Todavia. Instituições de Direito Civil – Introdução ao direito civil. 2. Rio de Janeiro: Forense. 71 do CC) da pluralidade domiciliar profissional (art. 70 do CC o domicílio da pessoa natural é o lugar onde estabelece residência com ânimo definitivo. a) Morada – É o lugar onde a pessoa se estabelece provisoriamente. Segundo o art. 72 do CC).). Confunde-se com a noção de estadia que é a mais tênue relação de fato entre uma pessoa e um lugar tomada em consideração pela lei.C. Diante disso. no sentido da exigibilidade. etc. habitualmente. em centro principal de seus negócios jurídicos ou de sua atividade profissional.

ou do estabelecimento. O agente diplomático. . que. e. IV e parágrafo 1º. por violar o disposto no art. Se não houver essa fixação. o servidor público cujo domicílio é o lugar em que exerce permanentemente suas funções. sito no Brasil. a lei atua supletivamente. Vale destacar. com as circunstâncias que a determinaram. alegar extraterritorialidade sem designar onde tem. a que ela corresponder” (art. uma vez que a falta de declaração não acarreta sanção alguma ao omitente. c) Necessário ou legal – Decorre de mandamento da lei. sendo elas: o do menor que terá o domicílio do seu representante legal. Espécies de domicílio O domicílio poderá ser: a) Voluntário – Decorre do ato de livre vontade do sujeito. por sua vez. 4. o militar que responderá civilmente no lugar onde serva. no país. Suas hipóteses estão descritas no parágrafo único do art. citado no estrangeiro. e. do CC). que fixa residência em um determinado local. porém. Vale notar que na dinâmica do CDC considera-se ilegal a cláusula contratual que estabelece o foro de eleição em benefício do fornecedor. Se a administração ou diretoria da pessoa jurídica de direito privado tiver sede no estrangeiro. será considerado seu domicílio. finalmente. 76 do CC. parágrafo 2º. Não sofre interferência legal este tipo de domicílio.26 - . IV. b) De eleição ou especial – Decorre do ajuste entre as partes de um contrato. então. o do preso que é o lugar onde estiver cumprindo pena. ou. 51. que este dispositivo somente pode ser invocado em relações jurídicas em que prevaleça o princípio da igualdade dos contratantes e de sua correspondente autonomia de vontade.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI própria mudança. com ânimo definitivo. 77 do CC). no tocante às obrigações contraídas por qualquer de suas agências. o do marítimo que é lugar onde o navio estiver matriculado. o seu domicílio. 74 do CC. do CDC. indicada em seu estatuto. Trata-se de norma jurídica imperfeita. Tal regra encontra assento no art. É o seu domicílio especial. Aspectos gerais do domicílio da pessoa jurídica O domicílio da pessoa jurídica de direito privado é a sua sede. 75. o Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento no sentido de que “a pessoa jurídica de direito privado pode ser demandada no domicílio da agência. a sede do comando a que se encontra imediatamente subordinado. ao considerar como seu domicílio “o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações”. em atenção à condição especial de determinadas pessoas. em que praticou o ato” (súmula 363). poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve (art. Aliás. “o lugar do estabelecimento. se possuir filiais em diversos lugares. 5. do CC). sendo da Marinha ou da Aeronáutica. “cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados” (art. contrato social ou ato constitutivo equivalente. 75.

excluídas aquelas que não podem merecer a qualificação patrimonial. . 10ª. permutabilidade. 10ª. Classificação dos bens Os bens se classificam. ou seja. as quais têm como objeto os bens. ou seja. cunhando alguns autores a expressão “patrimônio moral” e também a teoria do patrimônio mínimo desenvolvida por Edson Fachin. escassez empregado por outros doutrinadores. ão ao Direito Civil.. Nesta idéia. jurídica (p. No sentido econômico. Para efeitos jurídicos. introduzida expressamente no ordenamento pátrio pela Lei 10. direitos autorais). suscetíveis de avaliação econômica. as coisas. bens de composição obrigatória em seu patrimônio para garantir alimentação. fala em coisa. como os direitos de família e os direitos puros de personalidade. sob três aspectos: de acordo com sua titularidade. 2. ou seja. perceptível pelos sentidos (móveis. como feito na parte geral. Orlando Gomes (ORLANDO GOMES. a possibilidade de transito jurídico através de relação estabelecidas entre os seus titulares (posse e domínio). se é mais ou menos amplo do que esse. mediante uma individualização existencial criado por um critério econômico-social.27 - .Coordenadores: Marcelo T. noutras palavras. exige a reunião de três qualidade: a) economicidade. Modernamente a noção de patrimônio está ligada diretamente à personalidade do indivíduo. Para explicar o conceito de bem. pela própria lei. Introdução Sob um prisma de técnica legislativa das expressões. os créditos. a qual alicerça a noção de piso vital ou mínimo existencial. os débitos. ideal. 207). Em síntese. 1. a “representação econômica da pessoa”. é possível afirmar que a expressão “bem” utilizada pelo legislador na parte geral tem significado amplo e pode ser utilizada em diferentes acepções.bens considerados em si mesmos: a) Corpóreos são aqueles que têm existência física (material). p. deixando de utilizar-se do termo “bem”. nem podem ser cedidos. está englobado o complexo de direitos reais e obrigacionais de uma pessoa. Ed. Cometti Fernando F. quando trata de propriedade e de seus desdobramentos. 1990. num sentido de raridade. são considerados bens apenas as utilidades com valor pecuniário. incorpóreos são aqueles que têm existência meramente abstrata. um complexo de direitos e obrigações entrelaçados por relações jurídicas. Tal renda básica de cidadania nada mais é do que uma projeção do patrimônio mínimo dos indivíduos. educação e a saúde como projeção concreta do fundamento da dignidade da pessoa humana. ficando de lado todos os outros que não têm valor pecuniário. pode-se considerar como bem a utilidade física material ou imaterial que pode servir de objeto de uma relação jurídica. infelizmente a doutrina nem sempre está acorde sobre o conceito de bem correspondente ao de coisa. Rio de Janeiro.835/04 que trata da renda básica de cidadania. e limitatividade.. ex. Ed. Introdução ao Direito Civil. Castellani CAPÍTULO V – DOS BENS 1. por meio de comparação com outros bens. Na parte especial. Patrimônio Numa acepção clássica o patrimônio é a constituição econômica da pessoa natural ou jurídica. Já num enfoque dogmático. ou através da consideração do bem isoladamente. imóveis).

Exemplo: árvores destinadas a corte.). Não existe a possibilidade de aquisição de bens incorpóreos por meio de usucapião. 93). 1647. Móveis são. podem ser classificados em: 1. mas em relação aos imóveis exige escritura pública para os bens de valor superior a 30 salários mínimos. embora não se pudesse falar. são considerados imóveis para efeitos legais: os direitos reais sobre imóveis e as ações que os assegurem e o direito à sucessão aberta. A importância da distinção entre bens móveis e imóveis é verificada em vários aspectos. 3. 2. Ex. Nos termos do art. embora sejam bens incorpóreos. A doutrina esclarece que são aqueles que não se podem transportar sem alteração de sua essência. com a ressalva de que a autorização não será exigida se o regime de bens for de separação absoluta). casa de madeira) e os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele reempregarem. De acordo com o art. 2. 83 do CC. qualidade e quantidade.Por determinação legal: Também há bens que são considerados móveis em razão da vontade do legislador. industrial ou artificial: é tudo que o homem incorporar permanentemente ao solo (sementes. Infungíveis são os insubtituíveis.por acessão física. em bens móveis ou imóveis.Por antecipação: São aqueles bens que. a lei opta por tratar determinados bens como imóveis. os bens móveis podem ser oferecidos em penhor.Outro aspecto da distinção reside no tipo de direito real de garantia que poderá ser constituído sobre o bem: em regra. em princípio. separadas do solo.Quanto à forma de alienação: é livre em relação aos móveis. espaço aéreo. Trata-se das hipóteses previstas no art. Os imóveis podem ser: 1. 3. em razão de sua natureza. de acordo com o art. por força própria ou externa. construções.Por acessão intelectual ou por destinação do proprietário. armários embutidos). embora ainda incorporados ao solo são destinados a ser destacados e convertidos em móveis. 80.Por determinação legal: Por imperativo de segurança jurídica. os imateriais por cessão. escada de emergência. maquinários agrícolas. b) Imóveis (ou bens de raiz).28 - . 2. Porém. 4. c) Fungíveis são os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie.Por natureza: solo e tudo que nele se incorporar naturalmente (subsolo. 79 do CC são “o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente”. Os imóveis.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A importância da distinção reside no fato de haver diferença para a transmissão. e em relação aos imóveis poderão ser objeto de hipoteca. Os bens móveis. . árvores. ou de remoção por força alheia. Os bens materiais são transferidos por meio de contrato de compra e venda ou doação. de sua substância. segundo o art. 81 não perdem o caráter de imóveis as edificações que. que constituem uma categoria de bens acessórios. etc. sem alteração de sua substância ou da destinação econômico-social”. mas conservando sua unidade. quanto aos bens móveis a exigência não existe. 3. 82. sob pena de anulabilidade do ato (art. forem removidas para outro lugar (ex.Quanto à necessidade de autorização do cônjuge: Via de regra as negociações relacionadas aos bens imóveis exige anuência do cônjuge.Por sua própria natureza: são aqueles que podem ser transportados sem deterioração de sua substância. “os bens suscetíveis de movimento próprio (semoventes). edifícios). Pelo novo CC são chamados de pertenças (art. por sua vez. ar-condicionado. 1. é possível que sejam tratados num determinado negócio como bens fungíveis. serão sempre considerados bens infungíveis.

com o propósito de conservá-la (benfeitorias necessárias). 92) é aquele que existe por si mesmo. embora reunidos. São aqueles bens públicos que se destinam especialmente à execução dos serviços públicos e são utilizados exclusivamente pelo poder público.Os dominicais. ou de direito.Os de uso especial. Etc. Castellani d) Consumíveis são os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância. já os dominicais podem ser alienados. Se. 2. Inconsumíveis são aqueles que admitem uso reiterado. o solo). quando suas partes componentes encontramse ligadas naturalmente. que é a pluralidade de bens singulares com destinação unitária. são.bens quanto à titularidade do domínio: A lei classifica os bens de acordo com sua titularidade. os quais podem ser públicos ou particulares. universais. 93). melhorá-la (benfeitorias úteis) ou embelezá-la (benfeitorias voluptuárias). independente dos demais. considerados em conjunto. 26 do CDC (bens duráveis e não duráveis) e que envolve tempo maior ou menor do consumo de determinado bem. e que não se renovam (pedras. Acessório é aqueles cuja existência supõe a do principal.Produtos: São as utilidades que se retiram da coisa. O bem principal (art. quando seus elementos são unidos por ato humano. . estadual. a ordem jurídica atribui caráter unitário (espólio. tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal. bem como aqueles que são destinados à alienação. Existem três classes de bens públicos (art. 2.Pertenças: São os bens móveis que são afetados de forma duradoura ao uso. 3.Benfeitorias: São obras ou despesas realizadas pelo homem na estrutura da coisa principal. diminuindo-lhe a quantidade. Os bens de uso comum e os de uso especial são inalienáveis.Frutos: São as utilidades que a coisa principal periodicamente produz e cuja percepção não diminui a sua substância. por sua vez. Cometti Fernando F. São os bens públicos que não são afetados a uma atividade pública específica. A universalidade pode ser de fato. metais. territorial ou municipal. o usufruto for instituído sobre bens consumíveis. aqueles que são compostos por vários bens singulares. será chamado de quase-usufruto ou usufruto impróprio.29 - . A importância desta classificação encontra-se no usufruto. serviço ou aformoseamento de outro bem. 4.Coordenadores: Marcelo T. pó um acaso. estradas. e) divisíveis e indivisíveis f) Singulares são os bens que. se consideram de per si. petróleo) 3. Os bens acessórios podem ser de vários tipos: 1. ruas e praças. patrimônio. inclusive os de suas autarquias. Bens reciprocamente considerados: De acordo com esta classificação os bens podem ser principais ou acessórios. que tem existência própria (ex. formam um todo homogêneo. mares.Os de uso comum do povo. Os bens singulares podem ser: simples. compostos. A presente classificação não se confunde com aquela que consta do art. sem que sejam considerados suas partes integrantes (art. que é um direito real de gozo ou fruição que só pode recair sobre bens inconsumíveis. que é o complexo de relações jurídicas de uma pessoa. 99): 1. Os bens coletivos. ou as universalidades. massa falida). tais como rios. É indiferente para a caracterização dos bens de uso comum que o uso seja gratuito ou retribuído. ainda que haja possibilidade de sua destruição em decorrência do tempo. nos termos da lei. sem destruição imediata de sua substância. Costuma-se dizer que são as utilidades que nascem e renascem. 3. que. dotadas de valor econômico e que por isso. que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público.

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O comprador deve pagar o preço. social. 3. O vendedor deve entregar a coisa e responder no caso de evicção. O débito é o dever jurídico de pagar. Acepções da obrigação Em sentido lato. algumas vezes. num contrato de compra e venda. Vínculo obrigacional Um vínculo obrigacional pode criar uma ou diversas obrigações. Já. Há. Castellani TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 1. a relação jurídica existente cria apenas uma obrigação para o mutuário.31 - . ao contrário. uma prestação de caráter patrimonial. possível e determinada ou determinável. existem várias obrigações de ambas as partes. na forma estabelecida pelas cláusulas contratuais. assim. . fazer ou não fazer alguma coisa). para uma ou para as diferentes partes interessadas. O crédito é o direito visto sob o prisma do sujeito ativo da relação jurídica. Seus elemento são: os sujeitos. olvidando a sua significação técnica e dogmática.Coordenadores: Marcelo T. em favor de outra ou de outras. religioso ou jurídico. vínculos obrigacionais que se limitam a criar uma obrigação e outros que criam diversas obrigações derivadas do mesmo negócio jurídico. que é a de devolver a quantia emprestada. 4. os juristas utilizam. O objeto é a prestação (dar. Assim. Cometti Fernando F. Conceito e elementos Obrigação é a relação jurídica em virtude da qual uma ou mais pessoas determinadas devem. a obrigação se identifica com qualquer espécie de dever moral. a palavra “obrigação” como sinônimo de dever jurídico. num mútuo sem juros. 2. Mesmo no campo do direito. que recai sobre o sujeito passivo da relação jurídica. O direito alemão conserva expressões distintas para indicar a relação de débito – Schuldverhältnis – e os direitos de crédito – Forderungsrechte. Os sujeitos são: a parte credora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas) e a parte devedora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas). se não for satisfeita espontaneamente. Por outras palavras: Obrigação é o vínculo jurídico temporário pelo qual a parte credora (uma ou mais pessoas) pode exigir da parte devedora (uma ou mais pessoas) uma prestação patrimonial e agir judicialmente ou mediante instauração de juízo arbitral sobre o seu patrimônio. o objeto e o vínculo jurídico. Crédito e débito Em toda obrigação existem um lado positivo – o crédito – e um lado negativo – o débito. A prestação deve ter conteúdo patrimonial e ser lícita.

na relação obrigacional. absoluta e objetiva ou relativa e subjetiva. a questão poderá ser resolvida por arbitragem. dois momentos distintos: o do débito (Schuld). consistindo na obrigação de realizar a prestação e dependente de ação ou omissão do devedor. Ademais. a responsabilidade é derivada do inadimplemento de dever jurídico e autoriza a ação do credor. ou recorrer à máquina judiciária do Estado. constituindo a violação ou o descumprimento de um dever jurídico. relativamente a um bem (coisa ou serviço) que se encontra no patrimônio do devedor. O dever de prestar surge do débito. com as mesmas características da obrigação. na qual se faculta ao credor atacar e executar o patrimônio do devedor a fim de obter o pagamento devido ou uma quantia equivalente acrescida das perdas e danos.A idéia de obrigação imperfeita ou natural também é válida para as dívidas de jogo e de aposta. determinada ou determinável e possuindo expressão econômica. A prestação deve ser possível. A distinção entre obrigação e responsabilidade foi feita por Brinz na Alemanha. que discriminou. e um fim secundário: sujeitar o patrimônio do devedor que não a satisfaz. implica a criação de uma relação jurídica secundária ou derivada. que denominamos responsabilidade. física e legalmente. O inadimplemento da obrigação. recaindo sobre pessoa determinada (direito relativo) e de caráter patrimonial. não pode reaver o pagamento feito conscientemente. Características da prestação Definida a obrigação em sentido técnico como um vínculo jurídico de caráter patrimonial. não pagar ou já tendo o credor um título. A impossibilidade pode ser física ou jurídica. posteriormente. A prestação é o comportamento do devedor que aproveita ao credor e por este pode ser exigido. surge a responsabilidade. podemos afirmar que o conteúdo da obrigação deve ser uma prestação possível. Obrigações naturais São as que não podem ser reclamadas em juízo. 7. em benefício de outra. embora lícitas. que. ou seja. pode pedir ao juiz que execute tantos bens do devedor quantos forem necessários para a satisfação do seu débito. por intermédio do Estado ou mediante instauração de juízo arbitral.32 - . 814 do Código Civil A obrigação natural confere hoje juridicidade à obrigação moral e ao dever de consciência reconhecidos e cumpridos pelo devedor. da indenização pelos prejuízos causados em virtude do inadimplemento da obrigação originária na forma previamente estabelecida. 6. originária ou superveniente. lícita. desde que estabelecida cláusula compromissória entre as partes. e se. que recai sobre uma pessoa. A impossibilidade é objetiva ou absoluta quando existe para todos os membros da . para obter a condenação do devedor ao pagamento. e o credor pode ir a juízo. e o da responsabilidade (Haftung). a ação judicial sobre o patrimônio surge da responsabilidade ou da garantia.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 5. agora tratadas no art. por ser dever jurídico. pois já afirmavam os romanos que ad impossibilia nemo tenetur. Débito e responsabilidade A obrigação tem um fim primário: a prestação. após a condenação. sobre os bens do devedor. Enquanto a obrigação é originária e depende de ato do devedor para a sua extinção. Não ocorrendo o pagamento voluntário.

a obrigação se resolve para os interessados. enquanto a obrigação de fazer importa na realização de atos ou serviços no interesse do credor. mesmo sendo de valor inferior. 9. É tradicional a distinção entre obrigações de dar. 233 do CC). A obrigação negativa importa numa abstenção. cabe notar que. no caso de inadimplemento. com a aceitação do dano material ou moral. uma vez que não se considera obrigação o dever jurídico que. A obrigação de dar coisa certa surge quando a prestação é de objeto específico e individualizado A lei esclarece que o credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber outra. não podendo ficar ao exclusivo arbítrio do devedor. se são obrigações de dar ou de fazer a de lavrar escritura definitiva de um imóvel e a de justificar o pagamento de certos impostos que em virtude de contrato são da responsabilidade do locatário. Até a tradição. ou seja.Coordenadores: Marcelo T. 313 do CC). Castellani coletividade. É o princípio romano que encontramos em sentença de Paulo. Cometti Fernando F. em não praticar algum ato. Obrigações positivas e negativas As obrigações são positivas quando a prestação do devedor implica dar ou fazer alguma coisa e negativas quando importam numa abstenção. ainda que mais valiosa (art. A obrigação de dar consiste em transferir a posse ou transmitir a propriedade de um objeto ao credor. assim. denominada novação objetiva (do objeto). hipótese na qual ele responde pelas perdas e danos. e os casos fortuitos ou de força maior em que. em muitos casos surgem dúvidas quanto à natureza da obrigação. Obrigações de dar coisa certa e coisa incerta A obrigação de dar pode abranger coisa certa ou coisa incerta. A coisa deve ser entregue com os seus acessórios. antes da tradição e sem culpa do devedor. que ainda é feita pelo CC. e importa o dever. e não pode exigir do devedor outra coisa. Embora a doutrina entenda imprescindível o conteúdo econômico. mas não para todas as pessoas. Tal impossibilidade importa em nulidade da obrigação. que só ocorre havendo consentimento de ambas as partes. de ressarcir os danos decorrentes do não-cumprimento da obrigação assumida. 8. fixados em dinheiro. Quando a impossibilidade objetiva é superveniente ou posterior à relação jurídica. fazer e não fazer. para o inadimplente. é preciso destacar o caso em que houve mora do devedor. Se a coisa certa devida se perder. Embora. a obrigação se tornou impossível ou ilícita. de acordo com o qual aliud pro alio invito creditore solvi non potest. A importância prática da classificação decorre da regulamentação legal tradicionalmente diferente com referência às obrigações de fazer e às obrigações de dar. excluindo-se pois a sua responsabilidade. A prestação deve ser determinada ou determinável. salvo convenção em contrário das partes (art. Indaga-se. à primeira vista.33 - . os contornos de cada uma sejam perfeitamente definidos. a impossibilidade relativa ou subjetiva é a que só ocorre para o sujeito passivo da relação jurídica. extinguindo-se todos os seus efeitos. Ao contrário. A entrega de objeto diverso do prometido importa em modificação da obrigação. não se possa resolver em perdas e danos. todos os riscos correm por conta do tradens que tem a propriedade do bem. por motivos físicos ou em virtude de lei. qualquer lesão de direito pode ser avaliada em dinheiro. havendo autores que condenam a distinção. sem culpa do devedor. atualmente. .

ainda que por força maior. seguindo a sistemática do Código de 1916. mesmo na hipótese de destruição ou perda do objeto em virtude de caso fortuito ou força maior. até a tradição ou a transcrição. o primeiro problema que surge é o referente à escolha das unidades a serem entregues. não lhe sendo lícito. trata da obrigação de restituir (art. embora haja diferença na situação do credor nos dois casos. O conteúdo da obrigação definirá o grau de pessoalidade que o credor tenha desejado. Em caso de deterioração do objeto.). passando os frutos pendentes à propriedade do credor (art. As partes têm a mais ampla liberdade de atribuir seja a um dos contratantes. Como regra geral. A incerteza da coisa não significa indeterminação. O CC prevê a possibilidade de o credor valer-se de execução da obrigação por terceiro (execução in natura). ou de ordem psíquica. indenização pelas perdas e danos (art. a escolha dos exemplares que deverão ser fornecidos. nem sendo obrigado a dar as melhores unidades (art. importando numa abstenção. num non facere. 627 do CPC). Se a coisa sofrer melhoramentos ou passar a ter acrescidos até a tradição. Dando a coisa frutos antes da tradição. . o credor tem direito real sobre o bem que está legalmente em poder do devedor.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se a perda ou destruição da coisa for oriunda de culpa do devedor. à custa do devedor. quando for possível e desde que ela não seja personalíssima. do CC). 11. tem o credor uma opção entre solver a obrigação ou aceitar a coisa. em sentido estrito. Obrigações de fazer A prestação de fazer pode ser um ato de ordem física. ou caso fortuito”. 238 e s. 246 do CC esclarece que. a propriedade do bem pertence. o devedor poderá exigir um aumento do preço. por força do contrato ou em razão de reputação profissional ou de habilidades pessoais. “antes da escolha. Nas obrigações de dar coisa incerta. 244 do CC). Havendo culpa do devedor. enquanto. em ambos os casos. 10. Na falta de cláusula contratual. o CC. Obrigações de não fazer As obrigações ainda podem ser omissivas. Entre as obrigações de dar coisa certa. o devedor indenizar o credor por perdas e danos (art. parágrafo único. sem culpa do devedor. 236 do CC). o credor pode exigir o equivalente em dinheiro ou aceitar o objeto com abatimento do preço. todavia. 247 do CC).34 - . mas determinação genericamente feita. Nada impede que as partes convencionem a obrigação do devedor de ressarcir os danos. parte final. O art. ao devedor. com direito a reclamar. seja a terceiro. A aplicação desta hipótese pressupõe urgência para que possa ser realizada independentemente de autorização judicial. 234 do CC. abatendo do seu preço o valor que perdeu. Na obrigação de dar. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. 237. cabem ao devedor. o credor dele poderá exigir o valor em dinheiro do objeto acrescido das perdas e danos (art. existe uma norma supletiva. na obrigação de restituir. e art. se a prestação não for realizada. 237 do CC). em virtude da qual a escolha caberá ao devedor. desde que só ele possa realizá-la. resolvendo a obrigação se o credor não anuir (art. A obrigação de dar coisa incerta consiste em fornecer certa quantidade de unidades de determinado gênero e não uma coisa especificada. escolher a pior qualidade.

O devedor não pode. salvo se se tratar de prestações periódicas nas quais se admite a renovação da opção para cada período (entrega mensal alternativa de determinados alimentos ou de certa quantia em dinheiro). do CC). 251 do CC). Quando. deve ressarcir o dano causado ao credor. se a sua natureza o permitir (art. cabendo ao devedor cumprilas conjuntamente (obrigações conjuntivas ou cumulativas) ou alternativamente (obrigações alternativas). sem culpa do devedor. enquanto nas segundas a pluralidade das prestações existentes na obrigação é substituída. é considerada simples (por exemplo: o vendedor se obriga a entregar ao comprador o livro vendido). a abstenção se torna impossível. Assim. na execução. A finalidade da prestação alternativa é dar maior liberdade de escolha ao devedor. Quando a obrigação abrange uma única prestação. restringindo a sua própria liberdade e os direitos que a lei lhe assegura. § 2º. que concede o direito de escolha ao devedor. a obrigação contém mais de uma prestação. Nas obrigações alternativas. A sua opção deve ser total. todavia. deve ser realizada no prazo estabelecido pela convenção. independente de autorização judicial. todas as prestações abrangidas pela obrigação devem ser executadas. o credor não pode desfazer as vendas realizadas. 12. § 1º. a concentração. Obrigações cumulativas e alternativas Nas obrigações compostas. 642 a 645 do CPC). 251. em virtude de cláusulas contratuais. Se o devedor se recusar. A escolha da prestação que será cumprida. a quem cabe escolher a prestação a ser executada (in solutione) entre as diversas possíveis (in obligatione). existe pluralidade de pretensões. Se a obrigação consiste em não vender determinados artigos. uma pessoa. Cometti Fernando F. O CC permitir ao credor. infringe a obrigação de não fazer e pratica o ato vedado. se obriga a deixar de praticar algum ato.Coordenadores: Marcelo T. O negócio jurídico indica normalmente. obrigar o credor a receber parte de uma prestação e parte de outra (art. é denominada composta ou complexa. aplica-se a norma supletiva existente no CC. ao contrário. em virtude de cláusulas contratuais. art. extingue-se a obrigação (art. do CC. por uma prestação única escolhida na forma do contrato ou da lei (plures res sunt in obligatione. no caso de obrigações alternativas. o credor pode exigir do devedor que desfaça a construção levantada além do mencionado gabarito e pague as perdas e danos.35 - . ou de condições impostas em ato unilateral. una autem in solutione). aumentando as garantias e as perspectivas de cumprimento da obrigação para o credor. tratando-se de obrigações de não construir além de certo gabarito. Nas primeiras. 252. em casos de urgência. por conta do devedor. 13. Castellani Em certos casos. devendo ser posteriormente ressarcido do devido (art. 250 do CC). No silêncio das partes. Se o devedor. o credor ou devedor a quem couber a . 252. ou seja. culposamente. 252. e o cumprimento de uma única prestação extingue a obrigação. fixar uma multa que o devedor será obrigado a pagar enquanto infringir a obrigação por ele assumida (arts. o credor pode mandar destruir a obra. desfazer ou mandar desfazer. parágrafo único). Se. mediante ação própria. podendo ainda este exigir que o devedor desfaça à sua custa o ato praticado. nos termos do art. mas pode pedir uma indenização e. Não existindo prazo. existem duas ou mais formas pelas quais a obrigação pode ser satisfeita. Obrigações simples e compostas A obrigação pode ter um ou vários objetos.

a quem a achou. como ocorre com relação à ação das sociedades anônimas. enquanto na obrigação com faculdade de solução ou de substituição a obrigação é de prestar determinado fato ou entregar certa coisa. É a prestação que o descobridor da coisa pode exigir. a obrigação de pagar. o art. erradamente chamadas obrigações facultativas. assim. 314 do CC estabelece uma presunção de indivisibilidade da prestação no tempo quando afirma: “Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. o que tiver pago a dívida (art. resultando em alguns casos das próprias disposições legais. Na obrigação alternativa. § 3º). o juiz deverá decidir o impasse (art. A alternatividade da obrigação não decorre apenas da vontade individual. O art. de 15-12-1976 (Lei das Sociedades Anônimas). o proprietário pode. É o que ocorre no caso. havendo pluralidade de credores ou de devedores. 15. É a faculdade de solução ou substituição. de motivos de ordem econômica ou dada a razão determinante do negócio jurídico (art. e. de incorporação de uma sociedade por outra. 6. desde que o objeto seja divisível (art. Obrigações divisíveis e indivisíveis As obrigações são divisíveis ou indivisíveis. 257 do CC). A própria lei pode considerar um bem indivisível. em relação aos outros.404. 1. A indivisibilidade pode decorrer da natureza da prestação. Se a prestação não for divisível e houver pluralidade de devedores. não podendo o credor exigir a prestação facultativa. Não poderia haver obrigações facultativas. na qual os acionistas dissidentes têm direito de retirar-se da companhia mediante pagamento do reembolso ou então de receber ações da incorporadora. O mesmo artigo admite. se assim não se ajustou”. 252. se houver a pluralidade de optantes. Assim. cada um deles será obrigado pela dívida total. por partes. todavia. a impossibilidade em relação à prestação principal extingue o vínculo jurídico. . mas não o consenso entre eles sobre a escolha dentro de determinado prazo. da vontade das partes. uma recompensa mínima de 5% (cinco por cento) e uma indenização pelas despesas que houver feito com a conservação e transporte da coisa. por exemplo.36 - . abandonar o objeto.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI escolha deverá ser notificado a fim de incorrer em mora pela ausência de escolha. pois o que é facultativo não é obrigatório e o que é obrigatório não é facultativo. para o proprietário da coisa perdida. 28 da Lei n. havendo uma possibilidade de substituição para o devedor. a lei presume a divisão da obrigação.234 do CC estabelece. Conforme o CC. 14. 259 do CC). a impossibilidade em relação a uma das prestações importa em obrigação de cumprir a outra. Por outro lado. em vez de pagar o que deve. Obrigações com faculdade de substituição Têm uma estrutura parecida com as obrigações alternativas as obrigações com faculdade de solução ou com faculdade de substituição. o abandono da coisa perdida. A distinção com as obrigações alternativas se faz atendendo ao fato de nestas haver diversas prestações na obrigação. de determinações legais. A própria lei apresenta casos de obrigações com faculdade de solução. que para a companhia é considerada indivisível ex vi do art. 258 do CC). nem o devedor a pagar. sub-rogando-se nos direitos do credor. conforme possam ou não ser fracionadas em prestações parciais homogêneas. Na obrigação com faculdade de solução. não pode o credor ser obrigado a receber.

261 do CC). A solidariedade nunca se presume (art. Cometti Fernando F. sendo de devedores é passiva. podendo promover as medidas assecuratórias do seu direito. cada um destes pode exigir a dívida inteira. salvo quando em virtude de lei ou de convenção houver indivisibilidade. As obrigações de fazer. São exemplos de solidariedade ativa as contas bancárias conjuntas e os depósitos conjuntos em caixas-fortes. este responderá pelas perdas e danos (art. fichas de bar etc. 383 do CC). passando de um titular a outro. são divisíveis. 269 do CC). descontada a quota do credor que perdoou a dívida ou em relação ao qual ocorreu a transação. As obrigações reais. quando fungíveis. mas o devedor ou os devedores só se desobrigam pagando a todos conjuntamente ou a um dos credores.). Castellani Se a pluralidade for de credores. ao contrário do que acontece em outras legislações que admitem a presunção de solidariedade a) Solidariedade ativa Solidariedade ativa é a de vários credores. Logo. 265 do CC). a solidariedade é ativa. ou propter rem. do CC).). em latim) são as que derivam da vinculação de alguém a certos bens. foro etc. como se houvesse um só credor ou devedor. sabendo-se quem é o titular. 263. 267 do CC). conservação de divisas etc. bem como deveres decorrentes da necessidade de manter-se a coisa (despesas de condomínio. A incapacidade de . O pagamento total do débito a um dos credores extingue a obrigação (art. 17. os títulos de legitimação (bilhetes de cinema. constituir o devedor em mora e interromper a prescrição. Sendo de credores e devedores. passam a pesar sobre quem se torne titular da coisa. § 2º.37 - . sobre os quais incidem ônus reais (imposto imobiliário. surge a responsabilidade que reveste a forma de indenização em dinheiro. Nos casos de remissão.). Não cumprida a obrigação. resultando da lei ou da vontade das partes. No caso da confusão só se extingue a parte do crédito ou do débito pertencente ao credor ou devedor solidário (art. transação. Sendo a culpa de um só. é mista. Obrigações solidárias Obrigações solidárias são aquelas com pluralidade de credores ou devedores. Chamam-se também de obrigações propter rem ou ob rem. Obrigações ambulatórias. Cada um dos credores solidários tem o direito de exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. Sendo a pluralidade de credores. confusão ou compensação da dívida por parte de um dos credores. 260 do CC). São exemplos os títulos ao portador. 16. 262 do CC). seja por admitir a divisão deste em quotas ideais. trem. cada um com um direito ou obrigado ao total. (art. podendo qualquer dos credores movimentar a conta ou utilizar a caixa-forte. a parte que lhes couber (art. Já as obrigações reais (de res = coisa. teatro. dando este caução de ratificação dos outros (art. novação. seja por ser divisível o seu objeto. que poderão exigir a prestação. seguro obrigatório. independentemente de autorização dos outros credores ou de caução (art. as obrigações de dar são consideradas divisíveis. a obrigação não fica extinta em relação aos outros credores. Se um dos credores receber a prestação inteira. confusão etc. os outros exigirão dele. sabe-se quem é o devedor. em dinheiro.Coordenadores: Marcelo T. Em geral. Obrigações “propter rem” ou reais Chamam-se obrigações ambulatórias (de ambulare = andar) aquelas obrigações que podem ser transferidas sem formalidades. sendo cada um dos devedores responsável apenas pela sua quota.

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um dos co-credores não prejudica os direitos dos outros. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar (art. 268 do CC). A mora accipiendi por parte de um dos credores prejudica a todos os outros, ressalvando o direito à ação regressiva. Falecendo um dos credores solidários, cada um dos seus herdeiros só terá direito a exigir a quota do crédito correspondente ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a prestação (art. 270 do CC). Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste a solidariedade para todos os efeitos, inclusive para fins do pagamento de juros de mora e demais encargos dela decorrentes (art. 271 do CC). O credor que recebe o pagamento ou faz a remissão da dívida ou que a extingue em virtude de novação, compensação ou transação responde, perante os outros, pela parte que lhes couber (art. 272 do CC). Há assim o direito de regresso em virtude do qual cada um dos credores recebe a sua quota, presumindo-se juris tantum, na falta de disposições diversas no título, que a divisão seja igual, impondo-se o rateio quando recebido o montante do total do débito ou uma parte dele. b) Solidariedade passiva Ocorre solidariedade passiva quando, havendo multiplicidade de devedores, o credor pode exigir de qualquer destes o pagamento integral do débito, a qual resulta de disposições legais ou de declaração de vontade das partes interessadas. Na obrigação solidária, o credor tem o direito de exigir e receber de um ou alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum. Sendo o pagamento parcial, poderá exigir dos demais devedores o saldo. O devedor acionado não pode alegar o benefício da divisão, nem limitar o seu pagamento à quota do débito total que lhe cabe, nem mesmo exigir que sejam acionados, no mesmo processo ou em outro, os demais coobrigados. Uma vez feito o pagamento por um dos devedores, o crédito se extingue na relação externa, sendo feito o rateio na relação jurídica interna. Se o credor, tendo executado os bens de alguns devedores, não recebeu o débito total, subsiste a solidariedade, e, portanto, pode acionar os outros a fim de receber o saldo. Falecendo um dos devedores solidários, deixando herdeiros, a obrigação entre os herdeiros é conjunta, mas não solidária. Cada um deles não será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a obrigação. Em relação aos demais devedores, os herdeiros serão considerados como um devedor solidário (art. 276 do CC). A remissão concedida a um dos coobrigados extingue a dívida na parte a ele correspondente, de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida (art. 388 do CC). A remissão, sendo liberalidade, é interpretada restritivamente, aplicando-se tão-somente à quota do devedor, mantido o dever solidário dos coobrigados pelo total do montante do débito, descontada a parte do devedor que obteve remissão. Qualquer dos devedores solidários pode estipular condições especiais para o pagamento do seu débito, não podendo, todavia, agravar a posição dos coobrigados sem consentimento destes (art. 278 do CC). A interrupção da prescrição efetuada contra o devedor solidário ou o reconhecimento da dívida por este envolve os demais coobrigados e seus herdeiros. A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis (art. 204, §§ 1º e 2º, do CC).

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

No caso de impossibilidade de cumprir a obrigação decorrente de força maior, a obrigação se extingue. Se houver culpa de um dos devedores, cada um dos coobrigados deve pagar o valor da coisa ou da prestação (aestimatio rei), respondendo pelas perdas e danos o devedor culpado (art. 280 do CC). Se um dos devedores já estava em mora quando a impossibilidade se verificou, responde pelos danos dela decorrentes, mesmo na hipótese de força maior ou de caso fortuito, salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano sobreviria ainda se a obrigação fosse oportunamente executada (art. 399 do CC). Quanto ao credor, na relação jurídica externa, todos os devedores respondem pelos juros de mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um, mas o culpado responde perante os outros, na relação interna, pela obrigação acrescida (art. 280 do novo Código Civil). Os princípios aplicados em relação às perdas e danos e aos juros não são os mesmos. Quanto à indenização pelas perdas e danos, o credor só pode cobrá-la do devedor culpado. Quanto aos juros, são exigíveis de qualquer coobrigado, embora este tenha ação regressiva contra o culpado. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores (art. 282 do CC). Pode, assim, transformar a obrigação solidária em obrigação conjunta ou fracionária, na qual, em vez de responder, na relação externa, pelo total do débito, só responde cada devedor pela sua quota. O devedor demandado pelo credor pode opor as exceções comuns a todos os devedores e as exceções que lhe forem pessoais, não lhe aproveitando porém as pessoais de outro codevedor. Assim, qualquer devedor pode alegar a ilicitude do objeto, a extinção da dívida por pagamento já feito, ou seja, as defesas ou exceções comuns a todos os devedores. São consideradas exceções pessoais as que só podem ser alegadas pelo interessado, por exemplo, os vícios de consentimento e as causas de anulabilidades dos negócios jurídicos em geral (arts. 171 e 177 do CC). A novação entre um dos devedores e o credor, modificando o conteúdo da obrigação originária, exonera os devedores solidários de qualquer responsabilidade (art. 365 do CC). 18. Execução da obrigação O dever jurídico imposto ao devedor, em favor do credor, na relação obrigacional pode ser cumprido direta ou indiretamente, voluntária ou involuntariamente. O cumprimento da obrigação, também denominado pagamento ou solução do débito, é a execução da prestação pelo devedor na forma estabelecida no ato jurídico ou na lei, de acordo com as normas fixadas quanto ao modo, tempo e lugar de sua realização. O pagamento pressupõe a existência de uma dívida e a vontade de extingui-la (animus solvendi), devendo em tese ser feito pelo devedor ao credor. Na falta de uma relação jurídica, o pagamento configura-se como indevido, dando margem a uma ação do devedor para reaver o que pagou sem justo motivo (arts. 876 e seguintes do CC). A obrigação se extingue independentemente de pagamento no caso de realização de condição resolutiva ou advento de termo extintivo. A impossibilidade de cumprimento do dever jurídico em virtude de caso fortuito ou força maior constitui outra hipótese de extinção da obrigação. No caso de inadimplemento injustificado, o credor pode recorrer ao procedimento judicial ou arbitral para exigir a execução forçada da obrigação. A sentença garante ao credor o que lhe era devido acrescido das perdas e danos pelo atraso, ou o equivalente (id quod interest),

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abrangendo o ressarcimento do dano causado e do lucro não auferido (damnum emergens e lucrum cessans). 19. Pagamento Pagamento todo cumprimento de obrigação, importando em dar, fazer ou não fazer. O pagamento é feito na forma estipulada, não podendo o credor ser obrigado a receber parcialmente o débito, salvo em casos especiais previstos pela lei, como na substituição do devedor por seus herdeiros, que só são responsáveis pelo débito na proporção dos seus quinhões (art. 1.997 do CC). O dever de cumprir a obrigação incumbe ao devedor e aos seus herdeiros, se o débito não for personalíssimo. Os sucessores se substituem ao falecido em todas as vantagens e deveres de caráter patrimonial que tenha, salvo se existir um vínculo de intuito pessoal. Qualquer pessoa pode pagar uma dívida, sua ou de outrem. Mas o Código Civil distingue: o pagamento pode ser feito por terceiro interessado ou por terceiro não interessado. O termo interessado aí tem sentido técnico: é aquele que pode ser responsabilizado pelo débito, como, por exemplo, o avalista ou um terceiro garantidor da dívida. No entanto, se alguém é parente ou amigo do devedor e deseja auxiliá-lo, também pode pagar, mas os efeitos são diversos. A obrigação se extingue pelo pagamento da dívida por qualquer interessado (devedor, coobrigado, fiador, herdeiro do devedor, adquirente do imóvel hipotecado) a quem é lícito fazê-lo em nome próprio, sub-rogando-se no direito do credor. Em virtude do estabelecido no art. 346 do CC, ocorre a sub-rogação de pleno direito em favor: “I – do credor que paga a dívida do devedor comum; II – do adquirente do imóvel hipotecado que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; III – do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte”. O pagamento também pode ser feito por terceiro não interessado. Se o fizer em nome próprio, o terceiro pode tão-somente obter o reembolso do que pagou, mas não se sub-roga nos direitos do credor (art. 305 do CC). Havendo oposição do devedor ao pagamento do seu débito por outrem ou não tendo conhecimento da ação de terceiro, este não terá direito ao reembolso do que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação (art. 306 do CC). O devedor não se pode opor ao pagamento por terceiros, ou melhor, a sua oposição não invalida ou impede o pagamento, importando apenas em restringir os direitos do pagador contra ele. Não pode, todavia, o terceiro, piorar a posição do devedor. Assim, se pagar o débito antes do vencimento, somente após este poderá exigir do devedor o reembolso da quantia despendida (art. 305, parágrafo único, do CC). Se o devedor tinha a possibilidade de compensar débito e crédito com o credor, o terceiro não interessado, que pagou, só poderá exigir do devedor o pagamento da quantia não sujeita à compensação. O pagamento deve ser feito ao credor, aos seus sucessores, ou ao seu representante legal, judicial ou convencional. Nos casos de incapacidade do credor, o pagamento deverá ser feito a quem de direito. Havendo dúvida de quem pode receber, incumbe ao devedor consignar judicialmente o pagamento, cabendo ao juiz finalmente decidir a quem o pagamento deverá ser feito (art. 895 do CPC). Considera válido o pagamento feito ao credor putativo, ou seja, àquele que tem todas as características de credor, embora não o seja. É credor putativo aquele que se apresenta com um título aparentemente válido, embora posteriormente seja o mesmo julgado nulo.

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visados ou não. que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor. tratando-se de obrigações pecuniárias. Havendo pluralidade de domicílios ou mais de um lugar indicado para o pagamento. do CC) e da vedação do enriquecimento sem causa (art. 884 do CC). far-se-á em moeda corrente no lugar do cumprimento da obrigação (art. ou seja. sem ressalva. O pagamento feito indevidamente obriga o devedor a pagar novamente. O devedor poderá. se houver motivo grave que impeça a realização do pagamento no lugar acordado. podendo. 319 do CC). Assim. Cometti Fernando F. Castellani Se o pagamento é feito ao credor incapaz de quitar. fundamentando-se nas regras sobre pagamento indevido (arts.Coordenadores: Marcelo T. . São quérables ou quesíveis quando pagáveis no domicílio do devedor. com o pagamento reiterado em outro local. No que diz respeito ao lugar do pagamento as dívidas são portables ou portáveis quando devem ser pagas no domicílio do credor ou onde ele indicar. reaver daquele a quem pagou indevidamente o montante pago. Havendo pagamentos periódicos. à prova do pagamento feito. a prova contrária. sem incorrer em mora. ficando ao seu exclusivo critério aceitar ou não ordem de pagamento ou cheques. Quem paga mal paga duas vezes. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que é devida. também não está obrigado o credor a receber pagamento que não seja em moeda corrente. pode o devedor exigir. caso em que a despesa acrescida será por conta do credor (art. presume-se que corram por conta do devedor as despesas com o pagamento e a quitação. presume-se que o credor renunciou ao lugar previamente acordado no contrato. cuja quitação consiste na devolução do título (por exemplo: nota promissória). 401 do CPC). A quitação do capital. presume-se juris tantum que o recebimento do pagamento da prestação posterior implique a quitação das prestações anteriores. devendo ser escrita desde que o montante da dívida seja superior ao décuplo do maior salário mínimo (art. Existem várias exceções ao princípio fixado no referido art. da natureza das obrigações. A norma geral. perdido este. enquanto lhe for recusada a quitação (art. declaração do credor que inutilize o título desaparecido (art. 330 ao prever que. A entrega do título ao devedor firma a presunção juris tantum de pagamento. se ocorrer aumento por fato do credor. Tal presunção extingue-se. 876 e s. podendo reter o pagamento. A primeira está prevista em seu art. É o que se dá na hipótese de pagamento de aluguéis na locação e das duplicatas sucessivas na venda de um objeto em prestações. O CC duas regras especiais referentes ao lugar do pagamento. tendo a quitação sido obtida pelo devedor fraudulentamente (art. ainda que mais valiosa. 327 do CC considera. 327 do CC. 310 do CC). decorrentes da própria lei. 322 do CC). todavia. faz presumir o pagamento dos juros (art. das circunstâncias ou de convenção entre as partes. a quitação ser impugnada. cabe a opção ao credor. Admite-se. Salvo convenção em contrário. 323 do CC). O pagamento é feito na forma estabelecida pela lei ou pelo negócio jurídico e. o devedor poderá fazê-lo em outro local.41 - . 325 do CC). 315 do CC). Os débitos. A segunda está aposta em seu art. que pode consistir na ressalva existente no próprio recibo ou em outros documentos ou mesmo na correspondência entre as partes (art. retendo o pagamento. todavia. desde que haja prejuízo para o credor. que não ocorreu o pagamento. só valerá nos limites em que reverteu em favor do beneficiado (art. 321 do CC). todavia. no prazo de sessenta dias. desde que o credor prove. tendo o devedor ciência dessa incapacidade. 329 e estabelece que. todavia. no momento do vencimento da obrigação. A quitação admite qualquer forma. salvo convenção em contrário. O devedor que paga tem direito à quitação regular. estabelecida no art. 324 do CC).

importam em impedir de modo definitivo o cumprimento da obrigação. Uma vez que haja mora. casos em que o prazo será fixado de acordo com os usos e costumes locais. 332 do CC). quando a prestação ainda é útil para o credor. o credor pode exigir o pagamento imediatamente (art. §§ 1º e 2º). que revelam a insolvência do devedor. quer por parte do credor (mora creditoris ou mora accipiendi). ou exigir tempo. III – se cessarem. se houver solidariedade passiva entre os devedores. na última hipótese. A lei concede ao credor o direito de cobrar a dívida antes do seu vencimento em algumas hipóteses especiais. Também são causas de vencimento antecipado dos débitos as hipóteses elencadas no art. que não foi cumprida no tempo fixado. devendo o credor ressarcir o devedor pelas despesas que teve. hipotecados ou empenhados. O inadimplemento total. vencida e não paga em virtude de culpa do devedor. intimado. a antecipação de vencimento relativa a um dos devedores não importa em vencimento do débito dos coobrigados solidários (art. a responsabilidade do inadimplente. fidejussórias. ou reais. parágrafo único. em virtude de lei nova. ou seja. salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano ainda sobreviria se a obrigação fosse oportunamente desempenhada. No caso de silêncio das partes e desde que não exista disposição legal em sentido contrário. 1. que são.425 do CC. Os efeitos da mora creditoris importam em transferir a responsabilidade pela conservação da coisa ao credor. 394 do CC). ensejando. Pode. A constituição em mora se realiza de pleno direito. sem necessidade de qualquer interpelação judicial. II – se os bens. ou se se tornarem insuficientes. cabal e definitivo pode ser fortuito ou culposo. se negar a reforçá-las”. como as mencionadas no art. A destruição da coisa e a ilicitude do negócio jurídico. 397 do CC). a deterioração e o perecimento da coisa dada em garantia (incisos I e IV. As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição. por exemplo. e o devedor. o negócio jurídico criador da obrigação estabelece a época de sua realização. Inadimplemento e mora O inadimplemento ou não-cumprimento da obrigação na maneira estipulada pode revestir formas diversas. como se tradição tivesse havido. dependendo de notificação prévia feita pelo credor ao devedor.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sobre o tempo do pagamento. na forma contratual ou legal (art. A mora debitoris pressupõe uma dívida líquida e certa. Há mora do credor quando este se recusa a receber o que lhe é devido. do CC). se este oscilar . Neste caso.42 - . pela conservação do bem e sujeitando-se ainda a recebê-lo pelo seu maior valor. ter havido um simples atraso no adimplemento da obrigação. Esse atraso ou retardamento importa num inadimplemento temporário. mas o foi posteriormente. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso. ou de concurso de credores. cabendo ao credor a prova de que o devedor teve ciência do advento da mesma (art. pelo simples advento do termo ou decurso do prazo. Mora é o retardamento culposo no cumprimento da obrigação. É o princípio dies interpellat pro homine (art. depois da mora. forem penhorados em execução por outro credor. 333. 20. 331 do CC). 333 do CC: “I – no caso de falência do devedor. as garantias do débito. quer por parte do devedor (mora debitoris ou mora solvendi). diversamente. o devedor responde também pela impossibilidade da prestação resultante de caso fortuito ou força maior.

numa relação jurídica. Exemplo: um bem da herança gravada com cláusula de inalienabilidade não pode ser vendido. se for débito em dinheiro. Distingue-se da cessão de crédito. 400 do CC). poderá vender o imóvel. privilégios e garantias do primitivo em relação à dívida contra o devedor principal e os fiadores (art. de 8-8-1944). 334 do CC) A consignação é regulada pelo CC nos arts. 346 do CC). o curso dos juros (art. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos.Coordenadores: Marcelo T. de valor semelhante. só não cabendo tal ação na hipótese de obrigação de fazer ou de não fazer.911. Castellani entre o tempo do vencimento e o do pagamento. pelo pagamento (art. A sub-rogação pode ser legal (de pleno direito) ou convencional. Mas. com todas as suas características e atributos. também. mediante transferência dos direitos que o credor tinha contra o devedor. 347 do CC). ou títulos da dívida pública. nos casos legais (art. nos casos e forma legais (art. 349 do CC). . O sub-rogado assume assim a posição do sub-rogante. que efetua o pagamento ou empresta o dinheiro necessário para tal fim. 334 do CC). parágrafo único. 21. a transferência do crédito ao pagador de dívida alheia (casos do art. ações. Os casos de sub-rogação legal são aqueles em que o pagamento é feito por um terceiro interessado na relação jurídica. A consignação deve ser efetiva. que é substituído pelo outro ou pelos títulos ou pela caderneta vinculada (art. para liberar o devedor. A sub-rogação convencional se dá por cessão do credor ou do devedor. se o herdeiro indicar outro bem. e considerando-se pagamento o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida. e convencional quando ocorre explicitamente a transferência dos direitos de devedor ou do credor ao terceiro. Cometti Fernando F. b) por força de contrato ou de recibo com tal fim.777. outrossim. O terceiro se subroga nos direitos do credor quando paga o débito. 6. 22. 890 a 900. A consignação em pagamento se aplica a todos os casos de obrigação de dar coisa certa ou incerta. 1. Ocorre. do CC – passando a ser exigida autorização judicial – e Decreto-lei n. de valor equivalente. ou mantiver depósito em poupança vinculada.43 - . 334 a 345 e no Código de Processo Civil nos arts. porque esta se faz antes do pagamento e a sub-rogação se faz por causa do pagamento. interrompendo. móvel ou imóvel. completa e incondicional. somente podendo depender de prova da qualidade do credor por parte de quem pretende receber o pagamento. Sub-rogação pessoal pode ser: a) por força de lei. a transferência do crédito próprio ou alheio. Sub-rogação real é a substituição de uma coisa gravada por outra. Pagamento com sub-rogação A sub-rogação é a substituição de uma pessoa ou de uma coisa por outra pessoa ou coisa. que fica em lugar daquela. Pagamento em consignação Pagamento em consignação é o depósito judicial da coisa devida ou depósito em estabelecimento bancário. É legal quando independe do consentimento do devedor ou do credor. a sub-rogação legal em favor do terceiro que paga letra de câmbio ou do segurador que indeniza o dano causado à pessoa ou coisa segurada.

fica ao arbítrio do credor imputar o pagamento da maneira que preferir. a existência de uma dívida e o pagamento desta pela entrega de uma coisa diferente da prometida. pouco importando que a coisa dada em pagamento tenha valor maior ou menor do que a prestação originariamente devida. ficando sem efeito a quitação dada. todos líquidos e vencidos. Supletivamente. 359 do CC). no silêncio das partes. Assim sendo.44 - . na falta de declaração de vontade dos interessados. em virtude da criação da obrigação nova. pois. 364 a 366 do CC). o pagamento. garante a lei ao devedor o direito de indicar quais os débitos que pretende pagar (art. A novação é objetiva ou real quando há modificação da prestação e subjetiva quando ocorre mudança do credor ou do devedor. condicional ou anulável. c) a vontade de realizar novação (animus novandi) extinguindo a obrigação anterior. reintegrando-se terceiro na propriedade da coisa dada em pagamento ao credor. o legislador estabeleceu um sistema de preferência considerando que. Não caracteriza a novação a simples modificação . 25. embora possa ser simples obrigação natural. com relação a que débitos o pagamento deve ser imputado. Havendo evicção. 354 do CC). 352 do CC). ou melhor.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 23. a extinção de uma obrigação mediante a constituição de uma obrigação nova que se substitui à anterior. ou seja. Não declarando o devedor qual das dívidas pretende pagar e aceitando a quitação de uma delas. Imputação do pagamento Imputação é a escolha da parcela a ser quitada num pagamento parcial do devedor que tem vários débitos em relação a um só credor. 24. ou seja. na falta de declaração do devedor. A imputação pode decorrer de acordo entre os interessados ou de determinações legais. salvo provando a existência de dolo ou violência (art. distinguindo-se a prestação antiga da nova. ou seja. e d) capacidade das partes para novar e para dispor. o problema que surge é o de saber quais os débitos que devem ser considerados pagos. Quando o devedor tem vários débitos em relação ao mesmo credor e paga quantia insuficiente para a liquidação de todos. não mais poderá apresentar reclamação posterior contra a imputação. a novação extingue os acessórios e garantias da dívida primitiva. desonerando os coobrigados que nela não intervieram (arts. deve ser imputado primeiramente nos juros e depois no capital (art. seja por modificação do credor ou do devedor. 353 do CC). b) uma obrigação nova que extingue a anterior. Salvo estipulação em contrário. determina o Código que se restabelece a obrigação primitiva. Dação em pagamento Quando o credor consente em receber coisa diversa da que lhe é devida ocorre a datio in solutum ou dação em pagamento. Para que haja novação são elementos necessários: a) uma obrigação anterior. ressalvados os direitos de terceiros (art. com assentimento do credor e visando à extinção da obrigação. havendo capital e juros. Havendo diversos débitos. A dação em pagamento extingue a obrigação. seja pelo valor ou natureza da prestação. Novação A novação é a transformação de uma obrigação em outra. Os elementos necessários da dação em pagamento são.

381 do CC).Coordenadores: Marcelo T. 368 do CC). judicial. comodato. com a extinção de ambas as dívidas. É parcial quando tão-somente uma parte do crédito se extingue pela confusão. Castellani das modalidades (condições. Compensação A compensação é meio de extinguir as dívidas de pessoas que. A compensação só se efetua entre dívidas líquidas. 384 do CC). A compensação judicial é aquela realizada pelo juiz. Cometti Fernando F. 170 da Lei n. As partes podem renunciar à compensação ou excluí-la por mútuo acordo (art. A confusão pode ser parcial ou total (art.45 - . É também denominada compensação facultativa. Não impede a compensação a diferença de causa nas dívidas. ou da expromissão. A novação deriva de delegação quando há consentimento de todos os interessados e extinção do débito para o substituído. A confusão extingue a obrigação principal e as obrigações acessórias. extinguindo-se um e mantendo-se o outro na parte excedente ao crédito compensado. A novação é subjetiva quando o antigo devedor é substituído por um devedor novo. É total quando importa na extinção da obrigação. 373 do CC). quando os créditos são de valor diverso. mas a confusão na obrigação acessória (confusão do fiador e do credor) não importa em extinção da obrigação principal (art. quando depende de decisão do magistrado. Como a compensação. sendo necessária uma substituição do objeto da obrigação (prestação) ou da causa debendi. 382 do CC). ou parcial. ao mesmo tempo. furto ou roubo. depósito ou alimentos ou se uma dívida for de coisa insuscetível de penhora (art. 369 do CC). ou convencional.172/66). em virtude da liquidação judicial de um crédito anteriormente ilíquido. 362 do CC). ou quando o credor primitivo é substituído por outro. quando decorre de declaração de vontade das partes interessadas. podendo ainda ser total. sem que existam os requisitos estabelecidos pela lei para a compensação de pleno direito. 26. são credora e devedora uma da outra até o limite da existência do crédito recíproco (art. vencidas e de coisas fungíveis (art. termo ou encargo) ou das garantias dadas ao credor. Também não se admite a compensação nas dívidas fiscais. a confusão só pode ser alegada entre credor e devedor. . 27. A compensação é voluntária quando as partes a realizam em virtude de convenção. a não ser em virtude de lei específica (art. quando a novação se realiza independentemente do consentimento do devedor originário. Mesmo as coisas fungíveis só se compensam quando forem da mesma qualidade. extinguindo-se a dívida do devedor para com o primeiro e mantendo-se para com o novo credor. salvo se um dos créditos decorrer de esbulho. Confusão A confusão é a extinção da obrigação decorrente da identificação numa mesma pessoa das qualidades de credor e devedor (art. 5. ficando exonerado da responsabilidade o antigo. A compensação pode ser automática ou de pleno direito. havendo reciprocidade entre os créditos e débitos. por acordo entre o credor e um novo devedor que assume a obrigação do anterior (art. 375 do novo Código Civil).

por concessões mútuas. por convenção expressa. Quando se transige. será feita por escritura pública ou por termo nos autos. A simples declaração do credor importa em extinção da dívida. a dívida se extingue para os co-devedores solidários (art. Se a obrigação for indivisível e um dos credores fizer a remissão da dívida. a remissão feita a um dos devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente. Se houver transação entre um dos devedores solidários e o credor. 840 do CC). 29. Pode ser judicial ou extrajudicial. revertendo em favor da parte inocente ou de terceiro (v. é o negócio jurídico bilateral pelo qual os interessados. ou por instrumento particular. conforme vise a terminar um processo ou evitar o seu início. § 3º. Nos termos do art. Em sentido restrito. se recair sobre direitos contestados em juízo. 388 do CC). do CC).. do CC). as partes extinguem obrigações. submetem o devedor que descumprir a obrigação a uma pena ou multa no caso de mora (cláusula penal moratória) ou de inadimplemento (cláusula penal compensatória). 30. A transação concluída entre o credor e o devedor desobriga o fiador. O valor da . Se a dívida for solidária. assinado pelos transigentes e homologado pelo juiz. Cláusula penal A cláusula penal é um pacto acessório. Pela transação. admitindo-se todavia a cláusula cujo conteúdo seja a prática de ato ou mesmo uma abstenção por parte do inadimplente. 262 do novo Código Civil). necessitando. como ocorre na novação. pelo qual as partes. obra beneficente). significa qualquer espécie de negócio.46 - . 842 do CC. só podendo o credor cobrar dos coobrigados solidários o débito remanescente. 844. descontando a quota que for objeto da remissão (art. nas em que ela o admite. 844. A transação também se distingue do ato de liberalidade em que uma das partes quer beneficiar a outra. Na acepção mais ampla e menos técnica. há sempre uma dúvida ou um litígio que as partes pretendem eliminar a fim de obter maior segurança nas suas relações jurídicas. Transação A palavra “transação” é utilizada em sentidos diversos.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 28. o acordo de vontades do credor e do devedor. seja perdoando uma dívida. regulamentado pela lei civil (arts. No primeiro caso. A cláusula penal se apresenta geralmente sob a forma de pagamento de determinada quantia em dinheiro. poderá ser feita por termo nos autos. g. assinado pelos transigentes e devidamente homologado pelo juiz ou por escritura pública. A multa é convencionada no momento da realização do ato jurídico ou posteriormente. nas obrigações em que a lei o exige. evitam ou terminam um litígio (art. como aliás ocorre em matéria de novação (art. a obrigação não se extingue para os outros. mas pode ser revogada até o momento em que o devedor aceita a remissão. seja trazendo-lhe uma doação. § 1º. para se tornar irrevogável. Remissão de dívida Remissão das dívidas é a renúncia do credor ao crédito que existe em seu favor. a transação far-se-á por escritura pública. 408 a 416 do CC). que todavia só poderão exigi-la descontada a parte correspondente ao credor que perdoou a dívida (art. não as substituindo normalmente por outras.

Funcionando ambos os institutos como limitações da indenização na hipótese de inadimplemento. a cláusula penal se aplica no caso de infração do contrato. um crédito contratual. Cometti Fernando F. . não devendo mais nada (art. entende-se que no caso de inadimplemento. de 18-10-1991). Arras ou sinal As arras constituem quantia ou coisa móvel dada por uma das partes à outra. Nesta hipótese. 31. 417.. enquanto na cláusula penal a parte inadimplente se compromete condicionalmente (na hipótese de inadimplemento ou de mora) a pagar certa quantia previamente fixada. num contrato de locação por tempo determinado. e não de mora. O CC tem dois artigos que impõem limites para a estipulação da cláusula penal. Outras vezes. 420 do CC. podendo então substituir-se às perdas e danos. A cláusula penal é moratória quando se aplica em virtude de mora do devedor e sem prejuízo da exigência da prestação principal. No silêncio do contrato. 412 que veda ter a cláusula penal valor superior ao da obrigação principal. nas arras penitenciais o pagamento é prévio. As arras podem ser em dinheiro ou em outros bens fungíveis. funcionando como verdadeira cláusula compensatória. se o arrependimento for da outra parte. nesta. do CC). entre pessoas vivas (inter vivos) ou em virtude de falecimento (mortis causa). no momento da celebração do contrato. 413). Castellani multa deve ser determinável. As arras se distinguem da cláusula penal pois. 4º da Lei n. enquanto naquela o pagamento é feito desde logo. haverá restituição do equivalente ao valor dado como arras.245. O legislador determinou. há promessa de pagamento. parte final. como complemento pela infração contratual. Nos termos do art. recorrendo-se eventualmente a vários fatores para a fixação definitiva do seu montante. que não poderá ser exigida indenização suplementar. não haverá a restituição do sinal para aquele que o deu ou. devem ser devolvidas quando o contrato é executado ou desfeito independentemente de culpa.Coordenadores: Marcelo T. 8. se as partes convencionam a possibilidade de arrependimento. quando a obrigação tiver sido parcialmente cumprida ou na hipótese de a penalidade ser manifestamente excessiva. ainda. por antecipação mediante entrega real da quantia. as arras são consideradas penitenciais e terão função unicamente indenizatórias. Ressalta-se que. independentemente de qualquer infração. ou a título singular. Assim. que foi cedido). em garantia da conclusão de um contrato.47 - . se as arras não constituem início do pagamento. ou acrescer-se a elas. O segundo atribui ao juiz o dever de reduzir a cláusula eqüitativamente. quando só se refere a um crédito específico (v. Transmissão das obrigações A transmissão das obrigações pode apresentar-se sob a forma ativa (cessão de crédito) ou passiva (assunção de dívida ou cessão de débito). tendo em vista a natureza e a finalidade do negócio (art. quando abrange todos os bens ou uma fração da totalidade dos bens do cedente (como ocorre em relação ao herdeiro). g. O primeiro é o art. O locatário pode pagar a multa. o locatário abandona o prédio antes do termo fixado e existe no contrato uma multa na hipótese de infração contratual. podendo ser a título universal. a cláusula penal é compensatória e não representa um acréscimo às perdas e danos. 32. o sinal poderá ser restituído ou computado como parte do pagamento do devido (art. Se houver a execução do contrato.

O CC diz que o credor. com ou sem aceite deste. e. 303. poderá pagar. 299 e s. se não o faz. sendo notificado.. deve impugnar a transferência em trinta dias. ao tempo da assunção. “entender-se-á dado o assentimento”.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A assunção de dívida é um negócio jurídico pelo qual um terceiro assume a dívida em lugar do devedor. . era insolvente e o credor o ignorava” (art. dependendo dos rendimentos. com o consentimento expresso do credor. pois concede crédito a alguém que. 299). emprego e outros fatores. o banco não é obrigado a aceitar qualquer devedor. em princípio. o CC se refere ao caso do adquirente do imóvel hipotecado que se responsabiliza pelo pagamento do débito hipotecário. ficando exonerado o devedor primitivo. Neste caso. tornando inequívoco que: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. o silêncio será interpretado como a reprovação da respectiva cessão de débito. salvo se aquele. 299 trata da manifestação do credor sobre o negócio realizado e determina que pode ficar estipulado um prazo para que ele consinta na assunção da dívida. o parágrafo único do art.48 - . caso não o faça. conforme o seu art. Como aplicações específicas da assunção de dívida. O CC admite expressamente a assunção de dívida nos arts. Além disso.

Castellani CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS 1. visando criar. como acordo de vontades. 1. representa algo psicológico que presume a ignorância da real situação jurídica. possibilitando a existência de um sistema jurídico aberto com constantes adaptações das normas legais às exigências do mundo de relações e da alteração dos seus valores com o tempo. especialmente no tocante à faculdade de fixar o conteúdo do contrato (liberdade contratual). corresponde a uma técnica legislativa que busca garantir a relação entre o direito e a realidade social. indagações. O dirigismo contratual diminuiu e restringiu a autonomia da vontade. minutas. É preciso ressaltar. enquanto a liberdade contratual é a possibilidade de estabelecer o conteúdo do contrato. Antes de aceitar. se o possuidor ignora o vício. Na boa-fé subjetiva. contas. A liberdade no plano contratual tem sofrido amplas restrições. portanto. . não vinculam as partes. tabelamento de gênero. em virtude da elaboração de uma série de normas legislativas fixando princípios mínimos que os contratos não podem afastar (salário mínimo. que representa a projeção do interesse social nas relações interindividuais. ainda. pois depende de no mínimo duas declarações de vontade. Cometti Fernando F. A primeira se refere à possibilidade de realizar ou não um negócio. troca de cartas para esclarecimentos. modificar ou extinguir obrigações (direitos relativos de conteúdo patrimonial). isto é. 3. pressupõe uma proposta. É o caso do art. Em tese. visitas. Formação do contrato O contrato. O contrato poderá ou não se realizar. A regra de boa-fé objetiva configura-se como cláusula geral e. adotou a cláusula geral de boa-fé. pois muitos contratos são hoje verdadeiros contratos de adesão. o oblato torna-se aceitante. cujo texto depende de aprovação prévia de organismos governamentais. O Código Civil. uma das partes pode pretender apenas obter informações. feita por uma das partes – o policitante ou proponente – à outra – o oblato ou solicitado. fixação de percentagens de juros).Coordenadores: Marcelo T. Noção de contrato O contrato é um negócio jurídico bilateral. a cláusula geral fornece um ponto de partida para se alcançar resultados justos e adequados. denominada policitação. ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. enquanto a segunda importa na fixação das modalidades de sua realização. Relaciona-se com fatores do sujeito e com os cuidados que deve ter nas suas relações com terceiros. tanto na conclusão do contrato quanto na sua execução. Os dois elementos imprescindíveis para a formação do contrato são a solicitação ou proposta e a aceitação. para saber se interessa ou não o contrato. em seu art. a liberdade contratual só sofre restrições em virtude da ordem pública. Quando há aceitação. Assim. que não se iguala ao sentido dado à boa-fé subjetiva. levando em conta os deveres de diligência que se espera de um homem mediano.49 - . apontamentos. também denominada pela doutrina de boa-fé objetiva. Assim.201 do CC: “É de boa-fé a posse. . analisa-se o conhecimento ou a ignorância de determinada situação. que implica um estado de conhecimento do sujeito. 2. Princípios básicos do direito contratual Liberdade de contratar é a faculdade de realizar ou não determinado contrato. 422.

autorização para sublocar na sistemática da Lei do Inquilinato). cessionários). ela pode ser revogada pela mesma via da sua divulgação. feita a pessoa ausente. o terceiro. 9º e § 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. que são os sujeitos ativos e passivos da relação jurídica. Para o não contratante que não sucede ao contratante. 427 e 428 do CC). não podendo todavia prejudicar ou beneficiar terceiros sem declaração de vontade por parte destes de que aceitam os efeitos contratuais sobre o seu patrimônio. pois. Quanto ao lugar. deixando todavia a policitação de ser vinculatória se feita sem prazo a pessoa presente.657. de 4-9-1942). o contrato é res inter alios acta. 4. 439 do CC admite explicitamente a possibilidade de ser prometido fato de terceiro. algumas vezes há necessidade de escritura pública (venda de imóvel de valor superior a certa quantia). chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente (arts. sem nenhum efeito sobre o patrimônio do terceiro. na hipótese de inadimplemento. e “a obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente” (art. no fundo. A proposta de contrato obriga o proponente. O problema se reveste da maior importância em direito privado. Havendo contraproposta. 429. Quando. De acordo com o seu art. pode o contrato tanto ser verbal como escrito. realizando-se por documento particular ou público. Entretanto. salvo declaração de vontade deste. antes ou simultaneamente com ela. equiparando-se a aceitação condicional. não há exigência legal quanto à forma. ou de documento escrito (doação que não seja de pequeno valor. que. .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Essas são as chamadas negociações preliminares. Deixa também de obrigar o proponente a policitação quando. constitui nova proposta. se o contrário não resultar dos seus termos. será considerado o lugar em que foi feita. se contiver todos os requisitos essenciais do contrato e desde que as circunstâncias e os usos não estabeleçam o contrário. reputa-se celebrado o contrato onde foi proposto (art.50 - . O CC estabeleceu regra específica para a oferta destinada ao público em geral. 109 do CC). todavia. abrangendo tanto o dano emergente como o lucro cessante. Nesta hipótese. passando a ser o instrumento público essencial para a validade do negócio jurídico (art. assim como seus sucessores (herdeiros. 429). 4. com ou sem conhecimento ou consentimento deste. todavia. relação jurídica entre as partes contratantes. Decreto-lei n. A promessa não vincula. da natureza do negócio ou das circunstâncias do caso. “para qualificar e reger as obrigações. Efeitos dos contratos Os contratos alcançam as partes interessadas. não for aceita imediatamente ou se. aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem”. Geralmente os contratos não tenham formas solenes. como toda declaração unilateral de vontade. resolvendo-se em perdas e danos que o promitente deverá pagar ao outro contratante. desde que a própria oferta mencione essa faculdade (parágrafo único do art. 435 do novo Código Civil). esta não responder dentro do prazo estipulado ou de prazo razoável. a indenização deve ser ampla. 5. Promessa pelo fato de terceiro O art. a oferta ao público equivale à proposta.

Estipulação em favor de terceiro A estipulação em favor de terceiro é o contrato pelo qual se cria. nem sendo suscetíveis de interrupção. e existente no momento da execução do contrato e subsistente na época do exercício da ação própria. o art. por um lado. 8. para terceiro. cabe o exercício da ação redibitória. Contudo. há obrigatoriedade desta. àqueles em que há equivalência das prestações das partes. vício da vontade. prefere realizar. que se obriga a realizar a prestação em favor de terceiro. uma vez que o terceiro tenha manifestado a sua aceitação. dois certos e um condicional. quando o vício. uma das partes tem a faculdade de. aparente ou ostensivo. não intentando as ações próprias. por outro. pois. não pode ser atribuída a responsabilidade ao vendedor. mas. o contrato somente produzirá efeitos entre os contratantes originários (arts. Os prazos para o exercício da ação redibitória são de decadência. 470 e 471). mediante cláusula contratual ou aditamento ao contrato. desde o momento em que foi celebrado (arts. em certos casos. Cometti Fernando F. não se suspendendo. mas as partes podem alterar a convenção de comum acordo. Os direitos e deveres oriundos da estipulação surgem independentemente da aceitação do terceiro. caso não haja indicação de terceira pessoa ou a indicação não seja aceita por ela ou. oculto. Castellani 6. e finalmente o terceiro. um direito novo e próprio. ou seja. o promitente. e do erro. indicar outra pessoa que irá adquirir direitos ou assumir obrigações nele previstas. modificar a identidade do beneficiário ou as modalidades da prestação.51 - . Entretanto. ainda. impedindo o uso normal da coisa. Exemplo: seguro de vida. Contrato com pessoa a declarar Neste tipo de contrato. como também à doação onerosa (art. as reformas ou consertos necessários para corrigir os defeitos existentes. O vício redibitório é. A teoria da responsabilidade pelos vícios redibitórios se aplica atualmente a todos os contratos comutativos. ou tácita. do CC estabelece que. 441 e parágrafo único do CC). Perecendo a coisa. em favor de quem a prestação deve ser executada. pessoa determinada ou determinável. que estipula em favor de terceiro. salvo se o comprador puder provar que decorre de outro defeito já existente por ocasião do contrato. sem o seu consentimento.Coordenadores: Marcelo T. ignorado pelo adquirente.O vício redibitório se distingue do defeito visível. Enquanto o terceiro não aceita os efeitos da estipulação. 7. nos termos estipulados no instrumento contratual ou na lei. este não pode acionar o vendedor. sendo o estipulante. só puder . § 1o. por sua própria conta. não poderão os contratantes fazer o distrato sem intervenção do terceiro. 445. em virtude de caso fortuito ou culpa do comprador. Se o vício vier a surgir depois da execução do contrato. começando a correr a partir da entrega ou da tradição do objeto ao adquirente. por sua natureza. Na estipulação existem três sujeitos. nem poderão. Se ao contrário o desaparecimento do objeto for conseqüência do vício. quando o adquirente. se a pessoa indicada for insolvente ou incapaz no momento da indicação. A renúncia à garantia pelos vícios redibitórios pode ser expressa. 467 a 469 do CC). Vícios redibitórios Vício redibitório é o defeito oculto que desvaloriza ou torna a coisa imprópria ao uso.

podendo as partes. do CC. O terceiro que realiza a evicção é o evictor. reconhecendo que o alienante não era titular legítimo do direito que transferiu. para os imóveis. Quando o objeto da evicção se identifica completamente com o da alienação. e um ano. A lei dá assim maior liberdade às partes para a ampliação da garantia legal no caso de evicção. Para que haja evicção é preciso que: 1. em virtude de sentença judicial. o prazo será contado da data da ciência da sua existência até o máximo de cento e oitenta dias. pois. um direito alheio. § 2º. o pagamento da indenização devida na hipótese de evicção. se esta não existir. pois sofre a evicção. ela é parcial. Ademais. considerar-se-ão os usos e costumes locais. a evicção é total. Caracteriza. titular legítimo do direito. essa garantia subsiste mesmo em casos de aquisição em hasta pública (art. O alienante é o responsável pelos prejuízos decorrentes da evicção. O adquirente é o evicto. em virtude da qual o adquirente perdeu o uso. quando. a evicção a perda da posse ou da propriedade de um bem. para bens móveis. 2. a evicção só recai sobre uma parte do objeto da alienação. exista um vício no direito do alienante transferido ao adquirente. ou seja. perdendo o direito que acreditava ter legitimamente adquirido. devendo os contratantes fixar as garantias suplementares no instrumento em que estabelecem as condições do negócio jurídico ou em ato posterior. pois transmitiu um direito inexistente ou viciado. nos termos do art. com um patrimônio de terceiro ou com certos bens específicos pertencentes ao alienante. A garantia do alienante pelos prejuízos decorrentes da evicção existe nos contratos onerosos. . na qual se declara que o alienante não tinha qualidade para realizar a alienação. pelo adquirente. 447 do CC). Este dispositivo determina a aplicação do prazo especificado no seu § 1º – 180 dias para bens móveis e um ano para bens imóveis. seja o vício anterior à alienação. em contrato oneroso. em virtude de sentença judicial. ou. 3. haja sentença.52 - . o prazo de garantia deve ser especificado em lei especial. mas consideramos que se equipara aos móveis. 448 do CC). 445. As garantias do adquirente podem ser reforçadas mediante uma caução ou fiança ou mesmo por garantia hipotecária a fim de assegurar. quando não houver lei específica. ao contrário. diminuir ou excluir a responsabilidade decorrente da lei (art. Evicção A evicção é o fato em virtude do qual o adquirente perde a posse ou a propriedade de determinado objeto. mediante cláusula contratual. transitada em julgado. que as atribui a terceiro. reforçar. 9.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI ser conhecido mais tarde. Em relação aos vícios ocultos nos negócios de compra e venda de animais. nem regra consuetudinária. a posse ou o domínio da coisa alienada.

o vendedor garante ao comprador que a mercadoria alienada tem as qualidades correspondentes às da amostra (art. a fim de evitar conluios ou fraudes.Coordenadores: Marcelo T. devendo tanto o comprador como o vendedor ser capazes de fato ou. aos juízes. na hipótese de surgir dúvida quanto à existência de uma das prestações (venda de mercadoria que se encontra em navio que pode ter naufragado. sendo ato de disponibilidade. a fim de evitar que a doação seja simulada em compra e venda. Excepcionalmente. que na venda dos ascendentes para os descendentes haja o consentimento expresso dos outros descendentes e do cônjuge (art. venda de colheita futura. aos tutores. havendo equivalência aproximada das prestações e certeza quanto ao valor de ambas. curadores. A lei também veda. 496 do CC). 484 do CC). exige autorização do juiz quando o alienante é incapaz (arts. Castellani CAPÍTULO III . demais serventuários e auxiliares da Justiça e aos leiloeiros. Além disso. e o outro a pagar-lhe certo preço em dinheiro (art. O CC define a compra e venda como o contrato pelo qual um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. A compra e venda não requer forma especial. 1.53 - . A compra e venda é um contrato bilateral (cria obrigações para ambas as partes). 482 do CC. embora tenha a capacidade geral. pode ser aleatório. O contrato de compra e venda pressupõe a capacidade geral. do preço e das modalidades de pagamento. 497 do CC. se houver contradição ou diversidade entre a descrição da coisa no contrato e as características das amostras. legitimação. O legislador ressaltou ainda que essa proibição estende-se aos casos de cessão de crédito (art. qualquer que seja o seu valor). administradores a aquisição dos bens confiados à sua guarda ou administração. exigindo. A venda. do preço (pretium) e do consenso (consensus). sob pena de anulação do negócio. Geralmente é comutativo. Hipóteses especiais de compra e venda (cláusulas especiais) a) Venda por Amostra Na venda por amostras. prevalecem estas últimas (parágrafo único do art. 1. Para evitar litígios na família exige-se. o novo Código deixa claro que. Da compra e venda e da troca A compra e venda distinguiu-se da troca ou permuta por importar na transferência de mercadorias de uma parte contratante para a outra. oneroso (não importa em liberalidade). se incapazes. dos protótipos ou dos modelos. nos casos expressamente mencionados no art. sob pena de nulidade. embora possa esta ser exigida para a transferência da propriedade. . São elementos essenciais da venda a existência do objeto (res). seqüestrados ou penhorados. Assim.691. estar devidamente assistidos ou representados. Cometti Fernando F. protótipos ou modelos. em alguns casos. 2. venha ou não a haver safra – emptio spei) ou quanto ao valor dela (emptio rei speratae. Esses elementos estão perfeitamente especificados no art.750 do CC). estendendo tal proibição aos funcionários públicos.CONTRATOS EM ESPÉCIE 1. e mesmo a pessoa solvente não pode alienar bens arrestados. o falido não pode alienar os seus bens. 497. venda de colheita desde que haja safra. 484). O contrato se torna perfeito com a combinação entre as partes do objeto da venda. 481). podendo ser comutativo ou aleatório.747 e 1. testamenteiros. parágrafo único). mediante o pagamento de determinada quantia de moedas.

adquirindo o bem. livros e alimentos em geral. de uma espécie de venda condicional que somente se torna perfeita e acabada comprovando-se a identidade da mercadoria ou do objeto entregue com a amostra que deu margem ao pedido. ainda que a coisa já tenha sido entregue. na hipótese de revenda do bem. A retrovenda tem efeitos reais. 511 do CC). como coisa certa e discriminada. Até a aceitação da venda. sendo apenas enunciativa ou descritiva a referência às dimensões. sendo de cento e oitenta dias. no máximo. Existindo preferência em favor de mais de uma pessoa. c) Retrovenda A cláusula de retrovenda consiste na faculdade que se reserva o vendedor de reaver o imóvel vendido devolvendo ao comprador o preço. três anos a partir da data da venda (art. 509 a 512 do novo Código Civil) Venda a contento é a alienação que depende de aprovação do comprador. ou de dois anos. anticrese. o titular do direito de preferência pode notificar o alienante de sua vontade de exercê-la. d) Venda a contento e venda sujeita a prova (arts. A retrovenda só se aplica aos imóveis e pode ser exercida durante um prazo de caducidade de. Já a venda “ad mensuram” faz-se o preço por medida de extensão.54 - . pois. na medida em que também se presume feita sob condição suspensiva de que a coisa tenha as qualidades asseguradas pelo vendedor e seja idônea para o fim a que se destina (art.). 505 do CC). o comprador é equiparado ao comodatário (art. Distingue-se da retrovenda por ser aplicável tanto a móveis como a imóveis. É muito conhecida tal espécie de venda no tocante a vinhos. que se assemelha à venda a contento. se a coisa for móvel. se imóvel (art.359 do CC).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Trata-se. O direito de preferência é intransferível por ato mortis causa ou inter vivos. situação em que a mesma passa a ser condição essencial ao contrato efetivado. parágrafo único). tanto na venda a contento quanto na venda sujeita a prova. e) Preferência ou preempção A preferência ou preempção é uma faculdade pessoal que se assegura ao vendedor para readquirir a coisa vendida em igualdade de condições com um terceiro comprador. 505 do CC). importando apenas na criação de um direito obrigacional. ou seja. promessa irretratável de venda etc. O CCl trouxe a figura da venda sujeita a prova. b) Venda “ad corpus” e “ad mensuram” Há duas modalidades na venda de terras ou terrenos: a venda ad corpus é a alienação de imóvel. valendo inclusive contra terceiros. 1. que se resolve em perdas e danos. funcionando esta como condição suspensiva para a efetivação do negócio. . o comprador fica obrigado a pagar o preço nas condições ofertadas ou ajustadas. como ocorre na retrovenda. Na hipótese de exercício do direito de preferência. 510). perfumes. e extinguindo todos os direitos de terceiros posteriores à alienação primitiva (hipoteca. O CC estipulou um prazo máximo para o exercício do direito de preferência. e não num direito real. as despesas feitas pelo adquirente (custas de escritura e impostos). só poderá ser exercido em relação à totalidade do objeto. funcionando como verdadeira cláusula resolutória da propriedade (art. incluindo aquelas efetuadas com a sua autorização escrita no período de resgate ou para a realização de benfeitorias necessárias (art. Ciente da venda que está para ser realizada. 513. se o comprador transferiu o seu direito dentro do prazo de exercício da retrovenda. à coisa em seu todo. não se admitindo exercício parcial do direito de preferência que viria cindir a venda.

ao primeiro comprador a preferência para manter a venda feita em seu favor. ou seja. Essa proibição. sob a justificativa do desuso dessa figura contratual tipificada pelo Código de 1916. sem a necessidade da sua aceitação (art. por lei. por liberalidade.647 do CC). em condições de igualdade com qualquer terceiro interessado na compra do prédio. tratando-se de doação sem encargo e o donatário não se manifestou nesse período (art. Também se considera válida a doação feita ao nascituro quando aceita pelo seu representante legal (art. 542 do CC). 543 do CC). pelo contrato. Ao comprador não cabe recusar o pagamento alegando vício ou estado da coisa vendida. bens ou vantagens do seu patrimônio para outra pessoa. O Código Civil deixou de disciplinar o pacto de melhor comprador. em que se prova o embarque das mercadorias. freight = custo. ao locatário para aquisição do imóvel residencial alugado. todavia. por exemplo. 8. pelos usos. caso o contrato nada mencione. admite-se que os absolutamente incapazes possam receber doações puras. estipulem de forma similar. 529.55 - . resolvendo-se em perdas e danos. Castellani A preferência tem sido assegurada. É preciso distinguir no caso a doação da dação em . Vale o pacto de melhor comprador como verdadeira condição resolutiva. usando da sua autonomia da vontade. 539 do CC). entretanto. tendo todavia efeitos pessoais. salvo se absolutamente incapaz. caso pague preço igual ao do melhor comprador encontrado no prazo de exercício do pacto. de modo que se caracteriza não pela tradição da coisa. Doação Doação é o negócio jurídico pelo qual alguém se obriga a transferir. f) Pacto de melhor comprador e pacto comissório O pacto de melhor comprador é a faculdade concedida ao vendedor. Os caracteres essenciais da doação são o enriquecimento do donatário. não vale se os cônjuges forem casados em regime de separação absoluta (art. assegurando-se. ressalvados os casos em que o defeito tiver sido comprovado (parágrafo único do art. Atendendo-se ao interesse do donatário. de rescindir a venda já realizada se dentro de certo prazo aparecer melhor comprador. a aceitação quando o doador fixou prazo para que o donatário o aceitasse. 530). pelo conhecimento marítimo. Entretanto. a atualidade da atribuição patrimonial e a irrevogabilidade. É preciso que o donatário aceite a doação.242/91) lhe dá efeitos reais (art. o pagamento deverá ser efetuado na data e no lugar da entrega dos documentos (art. uma vez que a documentação esteja em ordem. A pessoa casada não pode fazer doações sem o consentimento do outro cônjuge. nada impede que as partes. 33). A lei presume. seguro e frete incluídos) ou FOB (free on board = livre a bordo). Usa-se tal modalidade no comércio internacional. 1. As doações remuneratórias são aquelas que visam uma compensação do donatário por serviços prestados ou por ato praticado.Coordenadores: Marcelo T. todavia. ou até. 529). de bens comuns ou dos que possam integrar futura meação. A Lei do Inquilinato (Lei n. Salvo estipulação em contrário. insurance. Cometti Fernando F. observado o regime dos negócios jurídicos. salvo sendo remuneratórias. em geral contendo as cláusulas CIF (cost. g) Venda sobre documentos A definição desse instituto é dada pelo art. o animus donandi. 3. mas pela entrega do seu título representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato. aplicandose somente aos imóveis.

senhorio ou arrendador. extinguindo-se a liberalidade. e locatio operarum: locação de serviços. voltarão os bens doados ao doador se ainda estiver vivo. o contrato de aprendizagem. As doações ainda podem ser continuadas. 4. . que. da qual o doador poderia dispor em testamento no momento da liberalidade. sendo considerada nula qualquer estipulação pela qual o doador previamente renuncie à possibilidade de revogação nos casos de ingratidão do donatário. mediante remuneração. o de transporte e outros. locatio operis faciendi: locação de obra. A parte que cede o uso e gozo diz-se locador. 557 a 564 do CC. Nesta hipótese. quando as partes estipulam que. o de expedição. em virtude da morte do donatário. os eventuais direitos de terceiros. isto é.56 - . É consensual porque basta o acordo de vontades. com um regime especial para os imóveis. terá ela efeitos retroativos. ou empreitada. consensual. anulando as alienações feitas pelo donatário e fazendo os bens reverterem livres de quaisquer ônus ao doador. aluguer ou renda. 549 do CC). passando a ser considerada como inexistente desde o início e desaparecendo todos os seus efeitos e. se for gratuito. Da locação No direito romano. A doação é ineficaz quando realizada em desobediência às normas legais. ou de execução sucessiva. pois a resolução do direito fundamental importa em caducidade dos direitos derivados. constitui comodato (empréstimo de coisa não fungível). vários contratos foram abrangidos pela denominação de locatio conductio. As doações podem ser reversíveis. Pode fazer-se em dinheiro ou outra utilidade. A remuneração ou o preço pago diz-se aluguel. comutativo. operando tal cláusula como resolutória do contrato. A locação ficou restrita à de coisas. não havendo nem mesmo um direito do credor de exigir judicialmente o pagamento de uma prestação fixa. como figuras autônomas. inquilino ou arrendatário. Esta existe havendo preço combinado para uma prestação de serviços e pagando o devedor com um objeto determinado. só são devidas enquanto ele estiver vivo e não poderão subsistir após a morte do donatário. A locação é contrato bilateral. podendo ser nula ou anulável. Locação é o contrato em que uma das partes se obriga a ceder à outra o uso e gozo de coisa infungível. A resolução da doação decorre da existência de condição resolutiva ou termo final. A doação surge quando não existe essa proporção exata entre as prestações. mediante acordo nesse sentido entre as partes. oneroso. A redução das doações se justifica quando o valor destas ultrapassa a parte disponível. a que recebe a coisa chama-se locatário. É oneroso porque. a empreitada. Não é contrato real. É bilateral porque acarreta obrigações interdependentes de ambas as partes. A revogação deve respeitar os direitos de terceiros e pode decorrer também da inexecução de encargos (art. inclusive. porque não se exige a entrega da coisa para aperfeiçoar o contrato. o contrato de trabalho. mesmo antes da entrega o contrato já está perfeito. que tinha três modalidades: locatio rei (ou rerum): locação de coisas. 555 do CC). ferindo assim os direitos dos seus herdeiros necessários (art. impessoal e de duração. o de agência. Mas a evolução do direito alterou a classificação romana. o de trabalho doméstico. os Códigos mais recentes disciplinam o contrato de prestação de serviços. quando revestem a forma de pagamento em períodos sucessivos. A revogação ocorre na hipótese de ingratidão do donatário. salvo outra indicação do doador.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI pagamento. Assim. constituindo faculdade que o doador poderá exercer na forma dos arts.

8. consignação. infungíveis e não consumíveis. a cessão. Nesse sentido é o art. com a locação residencial e a não residencial e cuidando da parte processual. Em virtude do contrato de empreitada pode ocorrer a modificação de um bem móvel ou imóvel ou a realização de um trabalho científico. porque se prolonga no tempo. oneroso e comutativo.57 - . 5. Considera-se imperfeita a obra quando o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados. e b) quando as alterações forem de pouca monta. Podem ser locadas coisas móveis e imóveis. tudo dependendo das circunstâncias peculiares do contrato e da convenção das partes. tratando-se de um instituto de alta relevância não apenas no direito civil. respondendo pela sua solidez. se for omissa. Admite-se que certos bens incorpóreos também possam ser locados. 615 e 616 do CC). que. Havendo qualquer modificação do plano inicial por parte do dono da obra. como o fundo de comércio e patente de invenção. podendo. A coisa pode ser do locador ou não. sendo admitida. assim como das regras técnicas peculiares aos trabalhos da mesma natureza.Coordenadores: Marcelo T. A lei sistematizou melhor a matéria. “dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os procedimentos a elas pertinentes”. alterando e extinguindo a Lei de Luvas e outras leis especiais (art. porque supostamente pretendiam defender ou proteger o inquilino. como se vê da ementa. começando pelas disposições gerais. 626 do CC). revisional e renovatória. passando para as especiais. ressalvada a unidade estética da obra projetada. É contrato de duração. o dono pode optar entre receber a obra e exigir abatimento do preço ou rescindir o contrato pedindo perdas e danos (arts. em que trouxe inovações quanto às ações de despejo. Entretanto. O contrato de empreitada é consensual. Da locação predial urbana As leis de locação predial foram chamadas de Leis do Inquilinato. conforme o caso. realizado intuitu personae ou livremente transferível (art. supletivamente.245/91 foi além e regulou melhor e com alterações alguns processos referentes às locações de imóveis. 8. bilateral. Na hipótese de mora do empreiteiro ou de defeitos na obra. a Lei n.245. 6. pois neste caso o contrato se transforma em mútuo oneroso. Castellani É impessoal porque não se leva em conta a pessoa do contratante. mas também no direito empresarial e no direito administrativo. Mesmo sendo lei especial. Tal como em parte ocorria nas anteriores. que passam a incluir-se na locação. Não o podem ser também os bens públicos de uso comum. por motivos supervenientes ou razões de ordem técnica. editou-se a Lei n. deverá ser assinado documento escrito determinando as alterações. . ser de execução imediata ou contínua. Não podem ser locadas as coisas fungíveis. 90). Cometti Fernando F. 621 do CC. mediante retribuição. O dever primordial do empreiteiro é realizar a obra ou serviço no prazo e nas condições convencionadas ou de acordo com os usos locais. aplicáveis a todas as locações de imóveis urbanos. intelectual ou artístico. Da empreitada A empreitada costuma ser definida como o contrato pelo qual alguém se obriga a fazer determinada obra para outrem. em tese. é válida a locação de coisa alheia. Em 18-10-1991. aplica-se o Código Civil. o mesmo dispositivo legal traz duas exceções e permite modificações quando: a) fique demonstrada a inconveniência ou excessiva onerosidade da execução do projeto original. A lei se refere aos contratos em shopping centers.

a desapropriação do bem. nem se podendo inferir da natureza do contrato. Neste caso. a segunda (locação de obra) é o que se chama de empreitada. assiste ao dono da obra o direito de rescindir o contrato. assim estabelecendo no art. As partes que convencionaram a empreitada. 594. O perecimento do objeto.221) por “resolver”. como ocorre nas coisas infungíveis. 626 do CC). O contrato só admite transferência com acordo da outra parte. os riscos referentes a este correrão por conta do empreiteiro até a entrega da obra a quem a encomendou. 1. que. em caráter eventual e autônomo. A primeira é a locação de coisas.58 - . terminologia adotada pelo novo Código Civil. como acontece nos bens fungíveis. havia três figuras com nomes começando pela palavra locatio: locatio rerum. pode ser contratada mediante retribuição”. por comum acordo. A finalidade do empréstimo pode ser o simples uso. no direito romano. a seu arbítrio. é de quatro anos (art. mantendo-se.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo a empreitada de mão-de-obra e de material. ocorrendo assim a extinção por vontade das partes. só deve o prestador despedir-se por justa causa (art. aplicável a todos os contratos bilaterais. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito. mediante prévio aviso. 605 do CC). Do empréstimo O empréstimo é a convenção pela qual uma das partes recebe coisa alheia para utilizá-la e. a terceira. material ou imaterial. A prestação de serviço. de coisas infungíveis para utilização pelo comodatário. devolvê-la ao legítimo proprietário. tem direito a receber por inteiro a retribuição vencida e a metade do que faltar até o fim do contrato (art. reger-se-á pelas disposições deste Capítulo. de acordo com a cláusula resolutiva tácita. no Código Civil de 1916. que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial. 598 do CC). Se houver inadimplemento ou culpa por parte do empreiteiro. empréstimo gratuito. 602 do CC). 593 a 609 ao admitir que se contrate qualquer serviço. se não fixado. locatio operis e locatio operarum. não se pode mandar alguém em lugar da parte (art. no capítulo das locações. Distingue-se assim o a) comodato. mas inova ao acrescentar: “Art. o que se chamou. de locação de serviços e que hoje se considera mais adequado chamar de prestação de serviços. se quiser. O tempo máximo do contrato. . o falecimento de uma das partes sendo o contrato intuitu personae (art. podem realizar um distrato. ou do costume do lugar. justificando então a rescisão a pedido do empreiteiro. em seguida. O CC regula a matéria nos arts. ou seja. sem subordinação do prestador e mediante remuneração. qualquer das partes pode rompê-lo. 603). A conclusão da obra com o respectivo pagamento é a forma normal de extinção do contrato de empreitada. ou o consumo. Da prestação de serviço É aquele pelo qual uma pessoa estipula uma atividade lícita. com aviso prévio (como no direito do trabalho). a força maior e o caso fortuito são outras tantas causas de extinção da empreitada. pode resolver o contrato”. qualquer das partes. O novo Código Civil corrigiu o termo “rescindir” (do art. Se o prestador de serviços for despedido sem justa causa. Art. o mesmo acontecendo na hipótese de inadimplemento por parte do dono da obra. donde se segue que é personalíssimo (ou intuitu personae) 8. Em caso de prazo certo. Já vimos. 599: “Não havendo prazo estipulado. 7. 593.

e da locação de coisa. em relação ao comodato. O depósito ainda pode ser de coisa litigiosa a fim de evitar que o desvio dos bens litigiosos venha prejudicar as partes em conflito. sem a autorização expressa do depositante. do b) mútuo. § 2º. Ao lado do contrato típico de mútuo. O mútuo em que as partes estipulam o pagamento de juros é denominado mútuo feneraticio. Castellani todavia. salvo convenção em contrário das partes ou em decorrência da própria natureza do negócio (depósitos bancários). O depósito. as regras do novo Código Civil seguem quase que completamente as já existentes no Código de 1916. O depósito. pela qual se assegura a alguém. mandatário). podendo ser gratuito ou oneroso. mediante determinada comissão. para consumo. A utilização indevida da coisa depositada ou a sua entrega em depósito a terceiro. quantidade e qualidade. Do depósito O contrato de depósito importa na guarda temporária de um bem móvel pelo depositário até o momento em que o depositante o reclame (art. mesmo quando devidamente autorizado pelo depositante. podendo usá-la e consumi-la. Normalmente. cuja obrigação de restituir perdura.59 - . 627 do CC). a abertura de crédito é contrato consensual. a possibilidade de utilizar por certo prazo um crédito limitado ou ilimitado. 171. convencionando-se juros para o financiamento. obrigando-o a restituir ao mutuante o que dele recebeu. em virtude da qual os riscos da coisa se transferem para o mutuário. comodatário. em coisa do mesmo gênero. embora sendo onerosa. I). o mandatário tem deveres ativos para defender os interesses do mandante. parágrafo único. empréstimo de coisas fungíveis. pode ser contratado não apenas pelo proprietário do objeto. O mútuo também é chamado empréstimo de consumo.Coordenadores: Marcelo T. Também se diferencia o depósito do mandato. a sua substância inalterada e devolvendo-se as coisas recebidas ao comodante. com traços peculiares. Cometti Fernando F. por haver no primeiro uma função relativamente passiva de vigilância. Ressalta-se que. Ao contrário do mútuo. denominando-se então . sendo ato de administração. mesmo na hipótese de destruição da coisa por força maior ou em virtude de caso fortuito. Já o mútuo consiste na transferência da propriedade da coisa mutuada. e só pode ser realizado pelo proprietário da coisa mutuada. se agir com culpa na escolha do terceiro para quem o bem será dado em depósito. mas por qualquer pessoa que tenha a posse dele (locatário. sendo a identificação genérica e não individual. em que o mutuário se torna um verdadeiro proprietário da coisa mutuada. 640. O legislador (art. art. depósito obrigatório é o realizado em desempenho de obrigação legal (depósito legal) ou em virtude de calamidade pública (depósito miserável). distingue-se do comodato. segundo a melhor doutrina. sob pena de importar em ato nulo para o direito civil e ilícito penal punido como se estelionato fosse (CP. conhecemos o contrato de abertura de crédito ou promessa de mútuo. o depositário não pode utilizar a coisa depositada. cabendo-lhe restituir objeto de igual qualidade e valor. O comodato consiste na cessão gratuita e temporária da utilização de coisa infungível. implica responder o depositário por perdas e danos (art. do CC) especificou ainda a responsabilidade do depositário. pois res perit domino (o risco pelo perecimento da coisa corre por conta do proprietário). no segundo. 9. que têm a mesma razão de ser. pela sua finalidade básica de custódia da coisa. enquanto. Caracteriza-se o mútuo pela translação do domínio. em que o comodatário recebe a coisa para a sua utilização. 640 do CC). e o gênero presumidamente nunca perece. Depósito voluntário é o decorrente da vontade das partes.

em verdade. Este pode ser de prestação de serviços. quando somente os primeiros são da alçada do mandatário. e que abrange negócios jurídicos e atos materiais. não há identidade entre procuração e mandato. o mandatário age em nome e por conta do mandante. decorrente da confiança existente entre os contratantes. para a doutrina. Quando os incapazes outorgarem mandato sem representação ou assistência. assim dispondo a lei em relação aos conflitos trabalhistas (art. corretagem etc. como exige o art. em nome do mandante.542 do novo Código Civil).60 - . arts. § 3º). fiduciária. O mandato se distingue da comissão porque o comissário atua em nome próprio. Ocorre que. O mandato pode ser expresso ou tácito. praticar atos ou administrar interesses (art. enquanto o mandato se apresenta como presumidamente gratuito. 50. O primeiro decorre de convenção e o segundo de . em seu nome. 166. 654 do CC. Também se diferencia da prestação de serviços. somente passando a ser imperfeitamente bilateral quando o mandatário. do Código de Processo Civil). 6. Ademais. pessoa física ou jurídica.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI seqüestro. uma vez que não pode assinar o instrumento particular. 653 do CC). casar com pessoa determinada (art. devendo a procuração ser dada pelos seus representantes legais. tratando-se inequivocamente de um contrato realizado intuitu personae. A procuração é um negócio jurídico pelo qual se constitui o poder de representação voluntária. 666 do CC). 792 da Consolidação das Leis do Trabalho). 10. enquanto no mandato. entre dezesseis e dezoito anos. Os incapazes podem outorgar mandato. compra e venda. O mandato só é admissível para os atos que não têm natureza personalíssima. Em alguns casos especiais. atendendo-se à personalidade do mandatário. Todas as pessoas capazes podem outorgar mandato mediante instrumento particular por elas assinado. independentemente de qualquer intervenção do seu assistente. admite-se a procuração dada pelo relativamente incapaz. conceder mandato para fazer testamento. O mandato é considerado como contrato unilateral. salvo em decorrência das regras gerais e princípios aplicáveis às obrigações contraídas pelos menores (art. Há um lado interno (o negócio entre as partes) – subjacente – e o lado externo – a representação. A procuração é o instrumento do mandato. 34 e 50) e de requerer o registro de nascimento (Lei n. aplicam-se as normas sobre obrigações contraídas por menores (arts. ou pelos seus assistentes. só cria obrigações para o mandatário. a faculdade de apresentar queixa-crime (Código de Processo Penal. a relação entre o representante e principal perante o terceiro. 1. o relativamente incapaz pode figurar como mandatário. 171 a 177 do CC). O analfabeto só pode outorgar procuração por instrumento público. embora no interesse e por conta do comitente. normalmente. não se podendo. Do mandato O mandato é o contrato pelo qual alguém recebe de outrem poderes para. que é sempre onerosa. sendo admissível tanto em relação a móveis como a imóveis e funcionando como medida preparatória ou conservatória regulada pela lei processual civil (arts. 822 e s. pois. trabalho. sendo absoluta a incapacidade. sendo a incapacidade relativa. mas neste caso o mandante não terá ação contra ele. art. Freqüentemente é o mandato. A base do mandato é. em virtude da convenção ou por tratar-se de ato profissional. embora se admita o mandato para.015/73. por exemplo. pois. é remunerado.

658. É muito usada na cessão de títulos de clube e na alienação de bens imóveis. caducando o mandato com a morte. porque acarreta obrigações para ambas as partes. 37 do Código de Processo Civil e art. salvo nos processos criminais e trabalhistas. que certos corretores exigem. 8. O mandato em causa própria é. Extingue-se o mandato em virtude de renúncia do mandatário. conforme indicado. Se o mandato for oneroso. Este pode ser pessoa física ou jurídica. incapacidade ou mudança de estado de um dos contratantes. admitindo-se em todas as hipóteses que as partes livremente convencionem uma remuneração pelo exercício do mandato. Castellani presunção legal. É também chamado de mediação. fica isento de prestar contas. sem subordinação e mediante remuneração. como a que considera os cônjuges autorizados a comprar as coisas necessárias à economia doméstica independentemente de autorização um do outro (art. da Lei n. inclusive para transferir para si bens móveis e imóveis objeto do mandato. A outra parte. em que a simples indicação do advogado em audiência pode ser suficiente. 682 do CC).61 - . parágrafo único. 658 do CC). Cometti Fernando F. podendo desempenhar a função apenas esporadicamente. Nem sempre o corretor é um profissional. na falta destes. São irrevogáveis os mandatos a) com cláusula de irrevogabilidade. por arbitramento (art. por conseqüência. b) dados como condição do contrato bilateral ou c) com cláusula “em causa própria”. em tese. 1. § 1º. caberá ao mandatário a retribuição prevista em lei ou no contrato. conseqüentemente. Do contrato de corretagem É o contrato pelo qual uma parte se obriga para com outra a aproximar interessados e obter a conclusão de negócios. Trata-se de mandato irrevogável e que subsiste e produz efeitos após a morte do mandante. Esse contratante.Coordenadores: Marcelo T. se presume oneroso quando praticado profissionalmente pelo mandatário. não tem a obrigação de pagar a comissão. O contrato classifica-se como bilateral. . que é aproximada. equivalendo a procuração à venda ou cessão de direito. quando se trata de pessoa física. mas não afetando as pessoas jurídicas. revogação pelo mandante. Quando não houver previsão. Admite-se excepcionalmente que o advogado funcione sem procuração e comprometendose a apresentá-la dentro de certo prazo (art. 11. podendo esta ser global ou paga parceladamente durante o tempo em que for exercido o mandato (art.906/94 – Estatuto da OAB). naturalmente gratuito. O mandato. A natureza personalíssima e fiduciária do contrato faz com que. pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio (art. recebendo duplamente. que. meio de cumprir uma obrigação contratada. 5º. O mandato deve ser escrito. mudança do estado que inabilite o mandante a conferir os poderes ou o mandatário a exercê-los. caso seja efetivado o negócio pretendido. qualquer das partes possa sempre rescindi-lo. morte ou interdição de uma das partes. a remuneração será determinada pelos usos e costumes do lugar e. O mandato judicial é concedido a advogado devidamente registrado na Ordem dos Advogados (OAB) para patrocinar uma causa.643 do CC). Cliente é aquele que contrata o corretor para realizar o negócio. do CC). São partes no contrato de corretagem o interessado (cliente) e o corretor (mediador). outorgado no interesse do mandatário. não se configura como cliente no contrato de corretagem e. deve remunerar o corretor. tem poderes amplos.

inexatas ou omitir informações relevantes. que fica com a seguradora. O seguro tem como instrumentos a apólice e o bilhete de seguros. No seguro obrigatório de veículos terrestres. Se causar danos. oneroso. O contrato de seguro se fundamenta na boa-fé das partes e na sua lealdade. existe. o segurador pode optar pela resolução do contrato ou cobrança da diferença do prêmio (art. 10). O contrato de seguro é bilateral. parágrafo único. os documentos recebidos devem ser restituídos. do CC). enquanto a apólice fica com o segurado. O elemento aleatório consiste justamente na incerteza referente ao pagamento da indenização. O legislador ressalvou. e é de adesão. englobando o seguro de vida. não sendo exigida necessariamente a sua formalização por escrito. Muitas vezes. se a inexatidão ou a omissão não resultar de má-fé do segurado. sempre prestando informações e esclarecimentos ao cliente sobre o andamento. 723 do CC. devendo conter a enumeração dos riscos transferidos ao segurador. os dados sobre o prazo de vigência do contrato e as obrigações assumidas pelas partes. de trânsito e outros). podendo o cliente exigir prestação de contas. ou não. se pronunciado pela sua caracterização como obrigação de resultado. aleatório e consensual. conforme o caso. podendo apenas aceitá-las ou deixar de contratar. já tendo. conforme decidido pelos nossos tribunais. que. Do Seguro O seguro é concebido como promessa condicional de indenização na hipótese de ocorrência do sinistro (acontecimento futuro e incerto causador de prejuízo). porque depende do fator sorte (realização do negócio). enquanto a do outro contratante (o pagamento do prêmio pelo segurado) é certa e independe de condição. as condições. o STJ. a obrigação do pagamento do prêmio vencido (art. 766 do CC). nem a liberdade de contratar.62 - . e consensual. Diante desse princípio. O contrato de seguro é dirigido. pois depende da aprovação do seu texto pelas autoridades administrativas (SUSEP – Superintendência de Seguros Privados). oneroso. Uma das prestações (a indenização a ser paga pelo segurador) é. se o segurado prestar declarações falsas. basta a declaração do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito) de que foi pago o prêmio (anexa ao Certificado de . Concluindo-se ou não os negócios. deve por eles responder. que possam influir na aceitação da proposta ou especificação do valor do prêmio pela seguradora. ele perderá o direito à garantia objeto do seguro. os riscos e as especificidades do negócio.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI acessório. O Decreto-lei n. é um contrato de adesão e um contrato dirigido. porque tem por fim a conclusão de outro contrato (o principal). nos termos do art. entretanto. Há também a proposta. assim. A apólice ou o bilhete de seguro são os instrumentos probatórios do contrato. pois o segurado não tem a possibilidade de discutir as cláusulas contratuais com o segurador. porque basta o acordo de vontades. inclusive. pois a lei impõe a determinadas classes de pessoas o seguro obrigatório (acidentes de trabalho. O corretor tem o dever de desempenhar a sua função de intermediação com diligência e prudência que o negócio exige. tendo como contraprestação o pagamento do prêmio pelo segurado. condicional. porque implica remuneração. 766. As operações de seguros agrupam-se em: a) seguros de ramos elementares ou de dano. 73/66 permite a emissão de bilhete de seguro a pedido verbal do interessado (art. subsistindo. 12. 765 do CC). por dolo ou culpa. todavia. b) seguros de pessoa. que depende da existência de prejuízo em virtude da ocorrência do sinistro no período de vigência do contrato. aleatório. tanto na sua formação quanto na sua execução (art.

e o fiador pode limitar-se a garantir o pagamento dos aluguéis). 13. A fiança se caracteriza pela fé depositada no fiador. Da fiança Ocorre fiança quando alguém se obriga a pagar dívida alheia. salvo se a procuração contiver poderes expressos. sob pena de ser reduzida às suas justas proporções (art. as pessoas jurídicas cujos estatutos proíbem a concessão de fiança e os mandatários que não tenham competência explícita para esse fim. Cometti Fernando F.280. explicando-se. pois cria dever para o fiador em relação ao credor. o contrato de fiança é gratuito. 1. basta um simples cartão com os dados do segurado. 758: “O contrato de seguro provase com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro. Em princípio. 823 do CC). 819 do CC). Outras vezes. Nos seguros de viagem. pagamento dos aluguéis etc.981 de 19-10-1932. Esta costuma ser fiança.. como ocorre com os seguros de cartão de crédito. necessariamente manifestada por escrito. Fiança convencional é a que decorre de vontade das partes. salvo tendo dado poderes especiais para tanto por instrumento público (art.63 - . assim como da comissão “del credere”. o proprietário tem direito a exigir do proprietário ou possuidor do prédio vizinho a demolição ou a reparação necessária. também podendo constar de simples carta ou declaração na qual seja inequívoca a vontade do fiador de garantir o pagamento de dívida alheia. não devendo. podendo todavia as partes livremente convencionar uma compensação para os riscos corridos pelo fiador. Esta pode ser: real (quando há uma coisa dada em garantia) ou fidejussória. sem que o primeiro possa exigir qualquer compensação do segundo.Coordenadores: Marcelo T. extinguindo-se e anulando-se com esta. por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio”. só respondendo o fiador pelas obrigações explicitamente assumidas. certas seguradoras fornecem um cartão com a espécie de seguro. bem como que lhe preste caução pelo dano iminente. disciplinada no Código Civil a partir do art. A fiança se distingue do aval. dando o nome e o período da garantia. não admitindo outrossim interpretação extensiva. em contrato próprio ou no contrato principal. A fiança pode ser mais restrita do que a obrigação principal (as obrigações do locatário se referem à conservação do prédio. A lei usa o termo caução. cujas obrigações se garantem. art. fornecido por meios eletrônicos. Nos estacionamentos pagos de veículos. Fiança legal é a que decorre de imposição de lei. não valendo todavia como fiança as simples referências à idoneidade do devedor ou as informações comerciais sobre ele. Os elementos essenciais da fiança são a existência de uma obrigação principal válida (obrigação do afiançado) e de uma obrigação acessória com caráter de garantia. assim. É unilateral. 693. nem mesmo as cartas de recomendação ou aquelas em que um terceiro promete fazer o melhor esforço para que o devedor pague a dívida (comfort letter). todavia. em virtude do art. na falta deles. 21. . Trata-se de um contrato acessório. Fiança judicial é aquela exigida por uma das partes no processo. simples indicação nos extratos mensais. quando este ameace ruína. A acessoriedade decorre de seguir a obrigação do fiador o destino da obrigação principal. Castellani Propriedade). pelo seu caráter liberal não se presume. unilateral e gratuito. Não podem prestar fiança os analfabetos. 30). e. ser mais ampla do que a obrigação garantida. basta um simples bilhete ou cartão numerado. Por exemplo. comprovando o estacionamento. garantia específica dos títulos cambiais. Em determinados seguros-saúde. O Código Civil estabelece em seu art. os leiloeiros (Decreto n. A fiança. a denominação de caução fidejussória.

deslocando a pessoa e a sua bagagem. o transportador (ou condutor) e. sem danos. As partes do contrato de transporte são: de um lado. mediante retribuição. fluvial e lacustre) e aéreo. Pode haver transporte de pessoas e transporte de coisas. Se ocorrer evento alheio à vontade do transportador que interrompa a viagem. líquidas ou ilíquidas. incidindo também regras do Código de Defesa do Consumidor. Em relação ao regime jurídico aplicável. como se vê. abrangendo dívidas certas ou incertas. aliás. correndo todas as despesas por conta do transportador. sem mencionar qualquer restrição. 734 a 742 e 743 a 756. art.411/2000. tendo o novo Código Civil disciplinado estas duas espécies de forma diversa. 731).64 - . permissão ou concessão são aplicadas as regras dos regulamentos específicos. O benefício de ordem consiste na possibilidade dada ao fiador de. O benefício de ordem decorre da natureza normalmente subsidiária ou complementar da responsabilidade do fiador. 3. obedecendo aos horários e aos itinerários. até o lugar previsto. Também devem ser observadas as disciplinas especiais sobre o tema e os tratados e convenções internacionais (art. 14. mediante o pagamento do valor da passagem pelo usuário. ou misto. 10). Pode haver vários fiadores para um único débito. 730: “Pelo contrato de transporte alguém se obriga. que trata do transporte multimodal. entende-se que são solidários salvo se limitaram a responsabilidade de cada um ou convencionaram a divisão das responsabilidades. aquático (marítimo. sem prejuízo. presentes ou futuras. o passageiro ou usuário (no transporte de pessoas) ou o expedidor ou remetente (no transporte de coisas). 821 do CC). em seus arts. respectivamente. 827 e 828 do CC). No caso de pluralidade de fiadores para um mesmo débito. das normas do Código Civil (art. até a contestação da lide.374/91. 8. regulamentada pelo Decreto n.565/86. a evolução realizada pretende equiparar o fiador ao devedor solidário. custas.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A fiança pode ser estipulada sem consentimento do devedor ou contra sua vontade (art. que dispõe sobre o seguro de cargas. com segurança. abrangendo sucessivamente as várias modalidades. . pessoas ou coisas”. Obrigando-se pela obrigação principal. 9. 732). dependentes de condição ou de termo (art. Como legislação específica relacionada com o contrato de transporte. Quanto ao meio. a transportar. cláusulas penais). art. desde que haja a anuência do usuário. desaparecendo. de outro. ou se obrigou como principal pagador e devedor solidário ou ainda sendo o afiançado pessoa insolvente ou falida (arts. o legislador ressalvou que ao transporte exercido em virtude de autorização. a Lei n. Na prática. 8º. a Lei n. todavia. indicar bens do devedor livres e desembaraçados existentes no município suficientes para solver o débito. admitindo-se também a concessão de fiança ao fiador. podem-se citar o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei n. § 2º. de um lugar para outro.611/98. o transportador obriga-se a cumprir o contrato. a fim de evitar a execução dos seus próprios bens. 7. Não é parte o destinatário das coisas. 820 do CC). todavia. quando o credor renunciou expressamente a esse benefício. na legislação estrangeira. No transporte de pessoas. o transporte deverá ser concluído em outro veículo da mesma categoria ou em modalidade diferente. assume o fiador a responsabilidade por todos os acessórios (juros. Do transporte O Código Civil define o contrato de transporte em seu art. o transporte pode ser terrestre (rodoviário ou ferroviário).

A falsidade das informações ou a sua inexatidão implica o dever de o remetente indenizar o transportador pelos danos causados por tal ato. bem como de se comportar de maneira a não incomodar ou prejudicar os demais passageiros. em duas vias. A conferência das condições da mercadoria deve ser feita no ato de entrega pelo destinatário ou por pessoa que apresentar o conhecimento de transporte endossado. 744 e seu parágrafo único do CC). O passageiro tem a obrigação de observar as normas estabelecidas pelo transportador. sob pena de decadência de tal direito. salvo se a avaria não for perceptível desde logo. Cometti Fernando F. O transportador é obrigado a emitir documento especificando as características que identifiquem a coisa a ser transportada. O passageiro pode rescindir o contrato antes de iniciada a viagem e. dentro do prazo contratado ou previsto. o transportador tem a obrigação de levar o bem que lhe foi entregue ao destino solicitado. . o transportador submete-se à disciplina legal do depósito. em virtude do art. mas somente receberá a restituição do trecho não utilizado se demonstrar que outra pessoa foi transportada em seu lugar na continuação da viagem. Castellani O transportador não pode recusar passageiros. 738 do CC). a não danificar o veículo. se comunicado ao transportador em tempo hábil para a revenda do bilhete. As eventuais reclamações deverão ser feitas. neste momento. Ao manter a coisa a ser transportada em seus armazéns. inclusive. ficando uma parte integrante do conhecimento (art. Mesmo que a viagem já tenha começado. exigir do expedidor uma relação dos bens devidamente assinada. No transporte de coisas. terá direito à restituição do valor pago. salvo se existir justificativa em regulamentos ou o motivo decorrer das condições de saúde ou de higiene do interessado (art. hipótese na qual há o prazo de dez dias para reclamar (art. devendo tomar todas as providências e os cuidados para manter o seu bom estado. especificadas nos bilhetes ou que de outra forma lhe tenha sido dado conhecimento. 739 do CC).Coordenadores: Marcelo T. 751 do Código Civil. dificultar ou impedir a prestação do serviço (art. podendo. 754 do CC). o passageiro pode rescindir o contrato de transporte.65 - .

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a vítima permite-lhe eleger. A responsabilidade por ato de terceiro é hipótese de responsabilidade solidária (art. nem entre os graus da culpa. Assim. o dano não se verifica. aquele de maior resistência econômica. Agir com culpa significa atuar o agente em termos de. pessoalmente. Beneficiando. diz-se que a causa não era adequada. leve e levíssima. é o da comparação de seu comportamento com o do homo medius. para a caracterização de culpa. e. ou como a obrigação que incumbe a alguém de reparar o prejuízo causado a outrem. entretanto. mais uma vez. A sua equivalência resulta de que. 186. tenha agido com dolo. (Primeira parte do art. provado o dano. Castellani CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL A responsabilidade civil é definida como a situação de quem sofre as conseqüências da violação de uma norma. 942 do CC o direito positivo brasileiro instituiu um “nexo causal plúrimo”. Isto se deve ao aumento do número de acidentes e de vítimas. . As principais teoria sobre a relação de causalidade são: 1) Teoria da equivalência das condições – toda e qualquer circunstância que haja concorrido para produzir o dano é considerada uma causa. para fins de reparação do dano.Coordenadores: Marcelo T. Elementos da responsabilidade civil São elementos estruturais da responsabilidade civil: a) Ação ou omissão do agente . 936: independe da prova de culpa. Com o art. 942).67 - . 1. c) Relação de Causalidade . em regra. culpa grave ou mesmo levíssima. para suportar o encargo ressarcitório. em regra. 2) Teoria da causalidade adequada – Somente considera como causadora do dano a condição por si só apta a produzi-lo. ocorre a solidariedade não só no caso de concorrer uma pluralidade de agentes. Com relação aos graus. objetiva (expressa disposição do art. deve ser ele ressarcido integralmente pelo seu causador. só porque o agente causador do dano procedeu obejtivamente mal. O CC.A responsabilidade pode derivar de ato próprio. não faz nenhuma distinção entre dolo e culpa. O ato do autor do dano era condição sine qua non para que o dano se verificasse. Se existiu no caso em apreciação dano somente por força de uma circunstância acidental.A obrigação de indenizar não existe.– É a relação de causa e efeito entre a ação ou omissão do agente e o dano verificado. portanto. utilizado no art. É essencial que ele tenha agido com culpa. que não devem ficar irressarcidas. 932. 927 do CC) O critério para aferição da diligência exigível do agente. Assim. Como excludente de responsabilidade o agente deve provar que o dano foi causado por culpa exclusiva da vítima ou força maior. b) Culpa ou dolo do agente . a culpa pode ser grave. não se perquire qual deles deve ser chamado como responsável direto ou principal. dentre os co-responsáveis. como também entre as pessoas designadas no art. de ato de terceiro que esteja sob a guarda do agente. suprimida uma delas. merecer censura ou reprovação do direito. Vem expressa no verbo “causar”. que diligentemente prevê o mal e precavidament evita o perigo. do homem ideal. e ainda de danos causados por coisas e animais que lhe pertençam.. Cometti Fernando F. Em havendo mais de um agente causador do dano. pela sua atuação ou em virtude de danos provocados por pessoas ou coisas dele dependentes. A responsabilidade por danos causados por animais e coisas que estejam sob a guarda do agente é.

tanto a responsabilidade pelo fato do produto ou serviço como a oriunda do vício do produto ou serviço são de natureza objetiva. que seria conseqüência indireta do inadimplemento. indenizável o chamado dano remoto. ninguém pode ser responsabilizado civilmente. ou seja. O CC filiou-se à teoria subjetiva. Assim. em não havendo culpa não há responsabilidade. portanto. a) Responsabilidade subjetiva . prescindindo do elemento culpa a obrigação de indenizar atribuída ao fornecedor. em toda a sua extensão deve abranger aquilo que efetivamente se perdeu e aquilo que se deixou de lucrar. sem prejuízo da adoção da responsabilidade objetiva. Responsabilidade contratual e extracontratual A responsabilidade contratual ocorre quando determinada pessoa causar prejuízo a outrem por descumprir uma obrigação contratual. a matéria do dano prende-se à da indenização. de modo que só interessa o estudo do dano indenizável. integralmente.Sem a prova do dano. 395 e seguintes e 389 e seguintes. 186 que erigiu o dolo e a culpa como fundamentos da obrigação de reparar. Logo. as quais se diferenciam pela consideração da culpa como elemento da obrigação de reparar o dano. Indenizar significa reparar o dano causado à vitima. 4. b) Responsabilidade objetiva – Nesta hipótese a lei impõe a reparação de um dano causado sem a concorrência do elemento culpa. O parágrafo único do art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI d) Dano . Não é. 967 do CC admite a responsabilidade sem culpa pelo exercício da atividade que. Responsabilidade civil nas relações de consumo No CDC. por sua natureza. Nela o agente infringe um dever legal. 2. tornando-se inadimplente. . Aprecia-se o dano tendo em vista a diminuição sofrida no patrimônio. Se possível restaurando o statu quo ante. representa risco para os direitos de outrem. a procuração ou a promessa de recompensa) ou da lei (como a obrigação de alimentos) Já a responsabilidade extracontratual é aquela derivada de ilícito extracontratual. O CC disciplinou genericamente esta espécie de responsabilidade nos art. 186 do CC). Responsabilidade subjetiva e objetiva Convivem hoje no ordenamento jurídico brasileiro duas teorias que fundamentam a responsabilidade civil. Não há nenhum vínculo jurídico existente entre a vítima e o causador do dano. também chamada aquiliana (art. Nela o agente descumpre o avençado. envolvendo lucros cessantes para cuja efetiva configuração tivessem de concorrer outros fatores apenas a execução a que o devedor faltou. O dano pode ser material ou simplesmente moral Dano é uma lesão a um bem jurídico. Esta modalidade funda-se no risco. A responsabilidade contratual abrange também o inadimplemento ou mora relativos a qualquer obrigação. 3.Nesta concepção a culpa é pressuposto da responsabilidade civil. conforme se verifica da leitura do art. A responsabilidade subjetiva subsiste como regra necessária. ainda que provenientes de um negócio unilateral (como o testamento.68 - . o dano.

na realidade. São excludentes de responsabilidade civil subjetiva: a) legítima defesa. considerando-se a duração provável da vida da vítima (art. determina a lei que sejam abrangidas as despesas com o tratamento e funeral da vítima. No caso de lesão ou ofensa à saúde. deverá ser concedida indenização correspondente. Além disso. Ao magistrado é dado excepcionalmente o poder de reduzir o montante da indenização. É convencional quando decorre de entendimento prévio entre as partes. No caso de usurpação de bens. 947). quando quem sofreu o dano tiver colaborado com a ocorrência do fato. sem excluir outras reparações. o valor da indenização levará em conta a gravidade da sua culpa em confronto com a do autor do dano (art. Quando impossível deve a indenização ser paga em dinheiro. assim como nas ofensas à liberdade pessoal (cárcere privado e prisão ilegal ou não motivada). o lesado o direito de receber perdas e danos (dano emergente e lucro cessante). 953 e 954 do CC tratam da reparação do dano material e do dano moral nos casos de injúria. A avaliação do dano faz-se pela liquidação. 948 a 954 do CC esclarecem o modus faciendi da liquidação da reparação civil no caso de atos ilícitos. Caso tenha se perdido o bem. Cometti Fernando F. sob pagamento em apenas uma parcela (arts. c) o exercício regular do direito. o art. deverá ser reembolsado ao prejudicado valor equivalente (art. o luto de sua família e o pagamento dos alimentos às pessoas a quem o defunto os devia. a reparação consiste na sua devolução e no pagamento de suas deteriorações. podendo a cláusula penal funcionar como uma prefixação das perdas e danos. bem como de eventuais outros prejuízos (art. . 944. É legal quando realizada na forma da lei. 950 do CC). além dos lucros cessantes. 6. difamação ou calúnia. Quantificação e liquidação do dano Indenizar é. a lei determina que seja paga uma indenização cabal de todas as despesas incorridas pela vítima e dos lucros não auferidos. 949 do CC). restabelecer a situação anterior ao dano. A reparação ideal consiste na efetiva reposição. sob a forma de pensão ou. 952 do CC). Quando houver impossibilidade ou diminuição da capacidade de trabalho da vítima.Coordenadores: Marcelo T. parágrafo único). amigável ou judicial. 948 do CC). Significa desfazer o dano. dentro da medida do possível. tendo. que consiste na fixação do montante pecuniário da indenização. A formação da palavra indica o seu sentido: in + dano + izar. assim. se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano causado (art. Nesse sentido. 945). Excludentes de responsabilidade civil As excludentes de responsabilidade civil são situações jurídicas descritas pela lei que exoneram ao agente o dever jurídico de reparação do dano. b) o estado de necessidade. dizendo em que consiste a indenização pelos diversos casos. Essa liquidação pode ser convencional ou legal. a indenização poderá ser paga sob a forma de entrega de um capital ou de uma renda (art. Em relação ao homicídio. Quer seja convencional ou legal. 944 do novo Código Civil especifica que: “A indenização mede-se pela extensão do dano”. conforme a natureza do dano. Castellani 5.69 - . pode realizar-se sem litígio (composição amigável) ou em virtude de decisão judicial (composição judicial). Os arts. se o prejudicado preferir. Os arts.

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

d) o estrito cumprimento do dever legal; e) o caso fortuito; e f) a força maior. Legítima defesa própria é a repulsa a mal injusto, grave e atual ou iminente à pessoa da vítima ou aos seus bens. A legítima defesa pressupõe, assim, a existência de uma agressão ilícita, pelo agente, e a vontade de defesa, por parte do ofendido.A repulsa deve ser proporcional e imediata. O ofendido responderá pelo excesso de legítima defesa, pouco importando se cometeu o excesso por dolo ou culpa. Estado de necessidade próprio é a situação em que o sujeito viola direito alheio, com a finalidade de remover perigo iminente de um direito seu. Não se confunde a legítima defesa com o estado de necessidade, pois aquela se refere aos direitos da personalidade, enquanto este se relaciona com o patrimônio do indivíduo. O estado de necessidade pressupõe aquele que o pratica não ter provocado ou facilitado o seu próprio dano. Exercício regular de direito é o desenvolvimento de atividade humana em conformidade com o ordenamento jurídico. Somente deixa de ser considerado regular o exercício do direito, pelo excesso na atividade humana, conhecido como abuso de direito. Estrito cumprimento do dever legal é a observância de um dever jurídico anteriormente estabelecido por lei. Caso o sujeito venha a ultrapassar os limites fixados pelo ordenamento jurídico, no cumprimento do dever legal, ele poderá ser responsabilizado pelo excesso ou abuso de poder ou de autoridade. Caso fortuito é um evento imprevisível, do qual o homem médio não possui controle. Já a força maior é todo evento inevitável e, por vezes, imprevisível, que prejudica os interesses patrimoniais ou morais da vítima. São excludentes de responsabilidade civil objetiva: a) a culpa exclusiva da vítima; b) a culpa exclusiva de terceiro; c) a força maior; e d) o caso fortuito. Além das excludentes de responsabilidade civil subjetiva e objetiva, há duas outras hipóteses frequentemente lembradas, que não são causas de exoneração da responsabilidade por força de lei, mas sim motivos que levam à não responsabilização do agente na prática porque dependem da vontade humana. São elas: a renúncia da vítima à indenização e a cláusula de não indenizar. Renúncia da vítima à indenização é ato jurídico unilateral irrevogável e informal por meio do qual o próprio titular extingue, por abdicação, o direito subjetivo que tem à reparação por perdas e danos. Somente se torna possível a renúncia à indenização por quem é plenamente capaz. Cláusula de não indenizar é o dispositivo integrante de um negócio jurídico por meio do qual há a exoneração total ou parcial do dever de reparar o prejuízo patrimonial, nos limites acordados pelas partes.

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS

CAPÍTULO I – POSSE 1. Conceito e teorias A doutrina, na sua quase totalidade, alerta a dificuldade do enquadramento jurídico do instituto da posse. Na idéia de posse há, pois, uma coisa e uma vontade, traduzindo a relação de fruição. Mas, nem todo estado de fato, relativamente à coisa ou à sua utilização, é juridicamente posse. Muito próximo deste instituto temos a detenção (art. 1.198 do CC) que, embora semelhante na aparência, muito se difere na essência, como nos efeitos. Aí é que surge a doutrina, com os elementos de caracterização, e com os pressupostos que autorizam estremar uma de outra. Savigny, responsável pelo desenvolvimento da teoria subjetiva da posse, considerava-a como o poder de uma pessoa sobre uma determinada coisa. Assim, era preciso, a conjugação de dois elementos para a sua caracterização: o corpus (poder físico sobre a coisa) e o animus (intenção de agir como dono). Por sua vez, Jhering definia a posse como exteriorização da propriedade. O elemento material da posse para o autor é a conduta externa da pessoa, que se apresenta numa relação semelhante ao procedimento normal de proprietário. O elemento psíquico (animus) nesta teoria não se situa na intenção de dono, mas tão-somente na vontade de proceder como procede habitualmente o proprietário (affectio tenendi) independentemente de querer ser dono. Partindo de que, normalmente, o proprietário é possuidor, Jhering entendeu que é possuidor quem procede com a aparência de dono, o que permite definir, como já se tem feito: posse é a visibilidade do domínio. O Código Civil, no art. 1.196, adotou a teoria desenvolvida pela referido autor, a qual foi denominada de objetiva, justamente por ser mais conveniente e satisfatória. Com efeito, na relação possessória não se revela o animus domini, nem facilmente se prova. Essas novas teorias, que dão ênfase ao caráter econômico e à função social da posse, aliadas à nova concepção do direito de propriedade, que também deve exercer uma função social, como prescreve a Constituição Federal, constituem instrumento jurídico de fortalecimento da posse, permitindo que, em alguns casos e diante de certas circunstâncias, venha a preponderar sobre o direito de propriedade.

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No dizer de Silvio Rodrigues. A taxatividade (numerus clausus) releva que não há direitos reais quando a lei não os declara. bem como o jus praeferendi ou direito de preferência.Coordenadores: Marcelo T. Quanto à oponibilidade. oponibilidade “erga omnes”. daí.73 - . o direito de seqüela ou jus persequendi. sendo que esta deve possuir valor econômico e suscetível de apropriação. Características dos direitos reais Os direitos reais se apóiam na relação entre homem e coisa. seqüela e aderência. isto é. 1. tal não significa que só são direitos reais os apontados no referido dispositivo. para sobre ela exercer o seu direito. O art. de perseguir a coisa e de reivindicá-la em poder de quem quer que esteja (ação real). pois o aludido direito segue a coisa (jus persequendi). Castellani CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS 1. em poder de quem quer que ela se encontre. a tutela do direito real é sempre mais enérgica e eficaz que a do direito de crédito.514/97). . ainda que este circule de mão em mão e se transmita a terceiros. mas também outros disciplinados de modo esparso no mesmo diploma e os constituídos em diversas leis especiais. Todavia. Por fim a aderência do direito real à coisa não é senão a constatação do fato de que o direito real permanece incidindo sobre o bem. Segundo a lição de Orlando Gomes. são os direitos que se prende à coisa. Entre os direitos reais previstos em lei esparsa é bom lembrar a alienação fiduciária (Lei 9. As características principais dos direitos reais são: taxatividade.225 do CC é a referência para os que proclamam a taxatividade do número dos direitos reais. prevalecendo com a exclusão de concorrência de quem quer que seja. os direitos reais permitem que seu titular não seja molestado por ninguém. Cometti Fernando F. o direito de seqüela é o que tem o titular de direito real de seguir a coisa em poder de todo e qualquer detentor ou possuidor. independendo para o seu exercício da colaboração de outrem e conferindo ao seu titular a possibilidade de ir buscar a coisa onde quer que ela se encontre. Surge. Em conseqüência.

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no entanto. Percebe-se. acaba traçando o perfil atual do direito de propriedade no direito brasileiro. nitidamente. gozar e dispor dos bens e de reavê-los do poder de quem quer que. a determinação do conteúdo da propriedade. o proprietário teria espaço livre para suas atividades e para a emanação de sua senhoria sobre o bem. aluvião e álveo abandonado) ou industruais (construções ou plantações). a propriedade não pode ser vista apenas como a reunião das faculdades usar. ao contrário.75 - .C). para se transformar em um direito de finalidade social. Cometti Fernando F. em caráter predominantemente negativo. até então separadas. Modernamente. 2. Restrições ao direito de propriedade Inúmeras leis impõem restrições ao direito de propriedade (Código de Mineração. As acessões podem ser físicas ou naturais (formação de ilhas. os quais vão ser regulados no âmbito da relação jurídica de propriedade. dependerá de centros de interesses extraproprietários. sem nenhuma referência ao aspecto funcional do instituto. cujos confins são definidos externamente. Daí decorre que quando uma certa propriedade não cumpre a sua função social. os quais são tendencialmente plenos. injustamente. Aquisição da propriedade imóvel a) Usucapião b) Acessão: É uma forma de aquisição de propriedade imóvel que resulta de um processo de incorporação de um determinado bem ao solo. gozar e dispor reivindicar. Vale dizer. compõem o aspecto estrutural do direito de propriedade. impenhorabilidade e incomunicabilidade. expressão do núcleo interno ou econômico do domínio e do núcleo externo ou jurídico. Todo esse conjunto.). não pode ser tutelada pelo ordenamento jurídico. Há ainda limitações decorrentes do direito de vizinhança e de cláusulas impostas voluntariamente nas liberalidades. Contudo hoje. de tal modo que. ou.Coordenadores: Marcelo T. Tais poderes. os possua. até uma certa demarcação. que não somente os bens de produção. etc. . sendo por esta conformados em seu conteúdo – modos de aquisição e de utilização. Função social da propriedade Propriedade é o direito que outorga ao seu titular a faculdade de usar. Tal conclusão oferece suporte teórico para a correta compreensão da função social da propriedade. uma configuração mais flexível. 1253 do C. Seja ela qual for presume-se que a acessão existente em um determinado terreno foi feita pelo proprietário e à sua custa (art. que terá. que deixou de apresentar as características de direito absoluto e ilimitado. como inalienabilidade. mas também os de consumo possuem uma função social. em confronto com a outra. b) o caráter acessório de uma dessas coisas. de qualquer modo. necessariamente. Seja qual for a modalidade de acessão. Castellani CAPÍTULO III – PROPRIEDADE 1. Lei de Proteção ao Meio Ambiente. ela sempre dependerá do concurso de dois requisitos: a) a conjugação entre duas coisas. avulsão. na caracterização deste fenômeno aquisitivo o princípio segundo o qual a coisa acessória segue a principal (acessorium sequitur suum principale).

ser antigo e tão antigo que se haja perdido a memória de quem seja o proprietário. de cujo dono não haja memória. consignando que se consideram abandonados os objetos não procurados num prazo determinado. enterrado ou oculto. b) Especificação Especificação é a transformação definitiva da matéria-prima em espécie nova. Não é razoável presumir que alguém. . Com efeito. e que não seja possível retornar à espécie anterior. que se não confundem com os animais selvagens capturados. não sendo essa ocupação defesa por lei (art. diz-se que não tem dono aquela que nunca foi objeto de assenhoramento (res nullius).ser um depósito de coisas móveis preciosas ou moedas. Tendo em vista que não são freqüentes as coisas sem dono. transportadora). A coisa sem dono pertence por direito natural ao ocupante. na apropriação de coisa sem dono pelo simples fato. a pintura em relação à tela). Estes não são res nullius. O que não é lícito é forçar no proprietário uma intenção de abandonar e converter a coisa. É aceitável mandato para vender. promovido por mão humana. Aquisição da propriedade móvel a) Ocupação Na apropriação de cada coisa sem dono inseriu-se uma idéia que o tempo amadureceu e sistematizou. As poucas hipóteses remanescentes – caça. em primeiro lugar pelos animais bravios enquanto entregues à sua natural liberdade. escultura. pois. que os sistemas modernos o adotam ao definir o princípio da aquisição da propriedade móvel: quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade. sapataria. numa res derelicta pelo fato de haver excedido um prazo determinado no cupão de sua identificação. A importância social desta modalidade aquisitiva é muito grande. torna-se mister a ocorrência de um fator psíquico. como limite de sua validade de seu direito de dono.).estar o depósito enterrado ou oculto. isto é. Indaga-se da liceidade da cláusula adjecta a talões de empresas de serviço (lavanderia. deixando um objeto para sofrer reparações. A primeira classe (res nullius) é preenchida. não assinalados ou marcados. Considera-se ainda sem dono a coisa abandonada (res derelicta). tendo-se em vista a capacidade criadora do homem. reputam-se também sem dono os enxames de abelhas.C. e o locador do serviço pagar-se do custo deste. categoria preenchida pelas espécies que a natureza inesgotavelmente produz. contido na intenção de renunciálas. pesca e tesouro – são as hipóteses mais comuns.76 - . A “novidade” é encarada em sentido econômico e não filosófico. que o interessado tem a intenção de conservar. mas para que assim se configure. vale dizer que a nova species há de resultar de alteração dotada de importância (ex. Tesouro: É o depósito antigo de moedas ou coisas preciosas. 1263 do C. como aquela que já o teve e não mais o tem (res derelicta). 2. salvo se os donos estiverem ainda à sua procura. a intenção não revelada de e ele renunciar. pois que pertencem a alguém.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. anteriormente apropriados se o dono da respectiva colméia os não reclamar imediatamente (decadência instantânea de direito). acrescenta-se. Para que se opere a aquisição da propriedade é mister a transformação se dê pela ação humana. manifeste com isso. 3a ancianidade. a ocupação como modalidade aquisitiva ficou hoje muito reduzida. se perderem o hábito de retornar ao lugar onde costuma recolher-se. A essência da ocupação reside. de apreendê-la possuindo-a como própria. No segundo estão os animais mansos ou domesticados. Elementos para caracterização: 1. ou em tabuleta na loja. mediante o trabalho ou indústria do especificador.

. resultando que o dono da primeira adquire a segunda. ou seja. A adjunção consiste na justaposição de uma a outra coisa. Simbólica se diz a tradição que se não realiza pela entrega e apreensão material da coisa. dando preferência aos demais condôminos. ou seja. divisível e indivisível. parágrafo único do CC). o prejudicado com a especificação irredutível terá direito ao ressarcimento. 1. Universal. quando surge do acordo de vontades. transformando a declaração translatícia de vontade em direito real. Vale ressaltar que a Lei 4. gás e eletricidade.358 do CC) com as alterações da Lei 4. exerce o direito de propriedade sobre determinada coisa. voluntário e eventual. comistão. mistura ou comistão se forem coisas secas.338 do CC). quando o condomínio existe de direito. calefação e refrigeração centrais. Particular. a rede geral de distribuição de água. inclusive frutos e rendimentos. estrutura do prédio. Divisível. Também poderá o condômino alugar a sua vaga de garagem a qualquer pessoa. a aquisição da propriedade com o princípio fundamental do respeito ao direito alheio. Num e noutro caso. com a observância das regras de acessão. Diz-se tradição real a que consiste na efetiva entrega ou entrega material da coisa ao adquirente que a recebe e apreende. regulados os direitos pelo disposto no título ou na convenção. porém mediante a de algo que a represente 4. c) Misturas: Confusão. são de utilidade em comum dos condôminos.331 a 1. salvo se se tratar de especificação de má-fé.Coordenadores: Marcelo T. Eventual ou acidental. c) quanto à forma. mas não de fato (cada condômino já se situou numa parte determinada da coisa). ordinariamente resulta num condomínio. Castellani O CC ao fixar o princípio da especificação. b) quanto ao objeto. conseguintemente. do telhado. não podendo ser alienados separadamente ou divididos. impossibilitando destacar-se a acessória da principal. todavia.77 - . quando mais de uma pessoa. O condomínio pode ser classificado sob três formas: a) quanto à origem. quando for ela voluntariamente obtida. quando se limita a determinadas coisas ou frutos. se não puder restituir à forma anterior” Conciliando. aos condomínios e a possibilidade de se aplicar multa ao condômino que tiver conduta anti-social de forma reiterada (art. quando abranger a coisa integralmente. universal e particular. e as demais partes comuns. inclusive o acesso ao logradouro público. Condomínio Dá-se o condomínio. d) Usucapião e) Tradição Trata-se de um ato de entrega da coisa ao adquirente. 1269 que “aquele que. esgoto. É a hipótese dos bens deixados por herança a mais de um herdeiro ou doação de uma coisa a mais de uma pessoa. permanecendo os demais fora do condomínio. Cometti Fernando F. A grande novidade do Código. ao mesmo tempo. e adjunção São hipóteses de coisas de diversos donos mesclarem-se.337. obtiver espécie nova.591/64 condomínio edilício (arts. ou seja. e. quando sua origem é estranha à vontade dos condôminos.864/65 continua vigendo subsidiariamente ao novo Código Civil nas implicações que este não disciplinou. dispõe no art. O novo Código deixou claro que o solo. emerge de contrato ou convenção. 1. trabalhando em matéria-prima em parte alheia. Voluntário ou convencional. (art 1. desta será proprietário. Diz-se haver confusão quando se acharem sem estado líquido.

de toda coisa.322 do CC. .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Indivisível. 1.314 a 1. Cumpre apenas ressaltar que o assunto referente a condomínio é tratado nos arts. Todos os condôminos são donos. porque se mantém indivisa e nenhum se situou em uma parte.78 - . em comum. quando tanto existe de fato como de direito.

sem alterar-lhe a substância (Art. conservando a condição de proprietário. 1410. Não perde entretanto. Do usufruto Trata-se de um direito real sobre coisa alheia conferido a alguém de retirar. de origem romana. posto que desfruta dos proveitos do imóvel. inclusive a seus herdeiros. Como se trata de direito concedido ao dono do prédio dominante. I CC) ou trinta anos se for pessoa jurídica (art. a terceiros.Temporário: não excede à vida do usufrutuário (art. temporariamente. Da superfície Trata-se de direito real de fruição ou gozo sobre coisa alheia. 2. o direito ao uso e aos frutos. Castellani CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA 1. o direito de superfície pode ser transferido. Em ambos os casos o superficiário. CC). pelo superficiário. 1369 do CC o direito de superfície é definido como a faculdade que o proprietário tem de conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno. temporariamente. Daí o termo nu proprietário.79 - .Oponível erga omnes: daí também decorre o direito de seqüela. Suas principais características são: 1. da coisa alheia os frutos e utilidades que ela produz. Se bens móveis. seria contrário ao próprio conceito de servidão admitir sua constituição em favor de quem não fosse dono do prédio dominante. Pode-se estabelecer uma condição (graduação universitária). No art. no sentido de que é irresgatável sem a anuência do proprietário do prédio dominante. c) A existência da servidão implica a idéia de que os prédios pertencem a donos diversos 3. A servidão é composta dos seguintes elementos: a) Trata-se de uma relação entre dois prédios. A servidão é perpétua. mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis A concessão da superfície pode ser onerosa ou gratuita. 1410 CC). 1225. eis que fica tolhido no exercício integral dos poderes inerente à propriedade. por morte daquele. a imóvel urbano. limitado. b) A servidão envolve uma obrigação negativa. Cometti Fernando F. em benefício de um outro prédio chamado dominante. IV. a substância. . O proprietário perde. 2. porém. enquanto este cuida do urbano e também do rural. disciplinando o direito de superfície.Coordenadores: Marcelo T. Das servidões Servidão é um encargo que suporta um prédio denominado serviente. conferindo ao titular o uso e gozo do direito ou faculdade. Como direito real que se prende ao imóvel. Com efeito. porque implica a existência de um direito principal. Surgiu da necessidade prática de se permitir edificação sobre bens públicos. pois necessário conservar a substância da coisa. seu titular há que ser proprietário daquele prédio. A servidão é um direito acessório. O Estatuto da Cidade antecipou-se ao novo Código Civil. não podem ser fungíveis. Nunca perpétuo. responde pelos encargos e tributos que sobre ele incidem. Pode recair sobre bens móveis ou imóveis e sobre um patrimônio (como um todo). por tempo determinado. pertencendo o solo em poder do Estado.

quando o exigirem as necessidades pessoais suas e de sua família (art. convencional. não perde o direito de habitação. o direito real de uso não se diferencia substancialmente do usufruto. 2. de 27 de agosto de 1962. item I. bem como o lugar onde vive. deve-se ter em consideração a condição social do usuário. Em verdade. distinguindo-se dele pela intensidade ou profundidade do direito. 6. 2.Destruição da coisa. qualquer delas que a ocupar estará no exercício de direito próprio. salvo morte anterior. A extinção do usufruto ocorre pela: 1. criou o direito de habitação em favor do cônjuge sobrevivente.80 - .Cessação do motivo de origem. Da habitação A habitação pode ser entendida como uma modalidade especial de uso à moradia.Consolidação 4. No que diz respeito às necessidades pessoais. 7º. art. de acordo como o art. diz que a dissolução. Como direito real. 1412). desde que tenha expressão econômica. A Lei no. residindo nela.Quanto à duração pode ser temporário (prazo preestabelecido) ou vitalício (até a morte do usufrutuário). dispondo sobre a união estável.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. imprescindível se torna o registro do respectivo título no Cartório de Registro de Imóveis (LRP. n. mas não alugá-la nem emprestá-la. resultante de usucapião. Todavia. 167. nada devendo às demais a título de aluguel. 716 CPC – usufruto em execução) O usufruto pode ser classificado de três formas: 1. O direito real de habitação é concedido sem prejuízo da participação da viúva ou do viúvo na herança. 5. enquanto permanecer em estado de viuvez. de 10 de maio de 1996. Do uso O usuário usará da coisa e perceberá os seus frutos. parágrafo único). Não ocorre com a morte do nu proprietário (aqui a nua propriedade é transmitida aos herdeiros). mas seu exercício sim. sobre uma universalidade de bens (ou parte dela) e pode abranger os frutos e utilidades. Perante terceiro só tem validade se devidamente registrado (RT 520/212). desde que o imóvel da família seja o único residencial a inventariar.É impenhorável: o direito real não pode ser objeto de penhora.Extinção da pessoa jurídica ou decurso do prazo de 30 anos. 4. 5. A Lei no. Mesmo que o cônjuge sobrevivente seja herdeiro ou legatário. 4.Termo de sua duração – prazo.Quanto à origem pode ser legal (estabelecido por lei em benefício de determinadas pessoas). 3. no todo ou em parte.Intransferível e inalienável: Não se transfere por herança ou por alienação. por morte de um dos conviventes. A penhora recai sobre os frutos e utilidades do bem (Art.Quanto à extensão é possível afirmar que este direito recai sobre bens individualizados.7). E se for conferido a mais de uma pessoa. 1393 CC é possível ceder o exercício a título gratuito (comodato) ou oneroso (RT 412/208). dá ao sobrevivente o direito real de habitação (art.121. 9278. O titular desse direito pode usar a cada para si.Renúncia ou morte do usufrutuário. . 4. 3.

por não escrita. podendo reivindicar a coisa em poder de quem quer que a detenha. com base no seu art. Qualquer cláusula de arrependimento. o compromisso tornou-se irretratável. se arrependesse antes de celebrado o contrato definitivo. 6. 58/37.766/79 veio derrogar o Decreto-Lei n. 25 da referida lei declara irretratáveis e irrevogáveis os compromissos de compra e venda de imóveis loteados. ainda. Desfruta.Coordenadores: Marcelo T. mas apenas o pagamento de perdas e danos. por sua vez. mas passa a ter direitos reais sobre ela. “ao cônjuge sobrevivente. 6. qualquer que seja o regime de bens. ou sua adjudicação compulsória havendo recusa por parte do promitente vendedor. Em se tratando. os adquirentes não podiam reivindicar o imóvel. O instituto passou por uma série de fases de evolução em nosso direito. nesses contratos. 58/37. da seqüela. O art. porque o adquirente tem a utilização da coisa e pode dispor do direito mediante cessão. também. porém. lícito afigura-se convencionar o arrependimento. obriga-se a pagar o preço e cumprir todas as condições estipuladas na avença. conferindo direito real ao comprador. prevalece a irretratabilidade. A Lei n. de imóvel não loteado. com isso. O sistema do Código Civil de 1916 permitia que o promitente. adquirindo. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança. Inexistindo cláusula nesse sentido. havendo oponibilidade erga omnes. condições e modos convencionados. O compromissário comprador. em conseqüência. Com o advento do Decreto-Lei n. pois.831 do Código Civil. Cuida-se de direito real. direito real sobre o imóvel. a constituição do direito real. ter-se-á. pelo preço. Do direito do promitente comprador Consiste a promessa irretratável de compra e venda no contrato pelo qual o promitente vendedor obriga-se a vender ao compromissário comprador determinado imóvel. no capítulo concernente à ordem da vocação hereditária. 1. desde que levado ao registro imobiliário.088. opor-se à ação de terceiros que coloquem obstáculos ao exercício do direito. . Cometti Fernando F. afastando-se. desde que seja o único daquela natureza a inventariar”. outorgando-lhe a escritura definitiva quando houver o adimplemento da obrigação. Castellani Dispõe ainda o art.81 - . com a faculdade de reclamar a outorga da escritura pública definitiva. que hoje se aplica somente aos loteamentos rurais. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. que. Como o direito era de natureza pessoal. O promitente comprador não recebe o domínio da coisa. Pode. será assegurado. 1.

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422 permite a separação deste bem do patrimônio do devedor. 2. d) indivisibilidade. Desse modo. por estar vinculado determinado bem ao seu pagamento.83 - . Da hipoteca É o direito real de garantia que tem por objetivo bens imóveis. a nulidade do contrato.424) e pela publicidade. Sua função é garantir ao credor o recebimento da dívida. disciplinada no Código Civil como propriedade fiduciária. mas apenas a sua ineficácia. Além desta prioridade. c) direito de excussão. Valerá apenas como direito pessoal. pois não produz os efeitos próprios de um direito real. do prazo fixado para pagamento e da taxa de juros. Em conseqüência. 1. na condição de quirografário. o art. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. A lei impõe. fica o credor privado da seqüela. A publicidade é dada pelo registro do título constitutivo no Registro de Imóveis (hipoteca. por um deles. Não basta. b) direito de seqüela. segundo dispõe o art. criou uma nova modalidade: a alienação fiduciária. A segunda parte do art. o recebimento de seu crédito. com efeito. se houver. do bem dado em garantia. e não quem o praticou. no contrato. restando-lhe apenas o direito de participar do concurso de credores. da preferência e da ação real. podendo suceder a alienação unilateral de um bem. a falta de vênia conjugal torna anulável o ato praticado. A Lei n.649 do CC. Os bens fora do comércio dados em garantia. Para validade da garantia real exige a lei. Faz-se mister que. anticrese ou hipoteca. na sua primeira parte. a qual é alcançada pela especialização (art. Em regra. essa qualidade. tornam o negócio nulo. Castellani CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA 1. fica o bem afetado ao pagamento prioritário de determinada obrigação. Criado o direito real de garantia. Os atributos de seqüela e preferência atestam sua natureza substantiva real. E especialização é a descrição pormenorizada. do valor do crédito. É importante observar que a ausência desses requisitos não acarreta. além da capacidade geral para os atos da vida civil. preferencialmente. pleitear-lhe a anulação. anticrese e penhor rural) ou no Registro de Títulos e Documentos (penhor convencional). navio ou avião pertencentes ao devedor ou a terceiro e que. pois. ilaqueando a boa-fé do terceiro. Aspectos Gerais O Código Civil brasileiro contempla as seguintes modalidades de garantia real: penhor. 1. ainda.Coordenadores: Marcelo T. porém. os direitos reais de garantia geram os seguintes efeitos: a) direito de preferência ou prelação. que “só aquele que pode alienar poderá empenhar. ou a constituição de direito real. direito real de garantia é o que confere ao credor a pretensão de obter o pagamento da dívida com o valor do bem aplicado exclusivamente à sua satisfação. vinculando somente as partes que intervieram na convenção. somente o proprietário pode dar bens em garantia. 4. tenha ainda a livre disposição da coisa.420 dispõe que somente os bens dentro do comércio poderão ser dados em penhor.420 do CC.728/65. Cometti Fernando F. . embora não entregues ao credor. anticrese e hipoteca tenham eficácia perante terceiros. a especial para alienar. Dispõe. 1. Não existe regra idêntica para os companheiros. 1. hipoteca e anticrese. todavia. porquanto o art. O direito do credor concentra-se sobre determinado elemento patrimonial do devedor. além do domínio. asseguram-lhe. Para Orlando Gomes. 1. podendo o outro cônjuge. a observância de formalidades para que os contratos de penhor. hipotecar ou dar em anticrese”.

sob pena de multa em favor deste. extingue-se a propriedade fiduciária do imóvel retornando o bem à plena propriedade do fiduciante. ou fração. A transferência da coisa para as mãos do credor tem a vantagem de impedir a alienação fraudulenta do objeto da garantia.514/97. Para que tenha validade a constituição do penhor é necessário que a coisa oferecida em garantia pertença ao próprio devedor. permanecendo o fiduciante com a posse direta. alguém. a especialização (art. uma vez paga a dívida. Da alienação fiduciária A alienação fiduciária em garantia de imóveis. Com o pagamento da dívida e seus encargos. 4. Desse modo. para o cancelamento da propriedade fiduciária.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo condição natural da hipoteca a acessoriedade. 1. a qual ficará obrigada a devolvê-la. realizará contrato pelo qual transferirá a propriedade a esta entidade. equivalente a 0. 3. A validade da hipoteca depende da observância do requisito concernente à forma de sua constituição. 1. a contar da liquidação da dívida. com a finalidade de garantir o cumprimento de uma obrigação. com os requisitos previstos no art. adere à coisa. da propriedade resolúvel e a posse indireta da coisa imóvel. o credor pode opor seu direito ao adquirente do imóvel dado em garantia. acompanhando-a em caso de transmissão inter vivos ou mortis causa. salvo as hipóteses de domínio superveniente e de garantia oferecida por terceira pessoa.5% ao mês. termo de quitação.84 - . Da anticrese É direito real de garantia que o credor recebe a posse de coisa frigífera.431 do CC). em propriedade resolúvel. transferir os direitos de que seja titular sobre o imóvel objeto da alienação fiduciária em garantia. ao credor. O termo de quitação será levado a registro. com anuência do fiduciário. querendo adquirir imóvel em construção ou construído.492 do CC). contrata a transferência ao credor. é negócio jurídico pelo qual o devedor. à qual adere e busca assegurar.424 do CC) e o registro no Cartório de Imóveis (art. 9. Remição da hipoteca é a liberação ou resgate do imóvel hipotecado mediante o pagamento. daí constituir-se. 9. assumindo o adquirente as respectivas obrigações. O contrato de alienação será necessariamente registrado no Registro de Imóveis. da dívida que visa garantir. ou fiduciário. O fiduciante poderá. 24 da Lei n. no prazo de 30 dias. ficando autorizado a perceber-lhe os frutos e imputa-los no pagamento da dívida. além de dar publicidade ao negócio jurídico. Assim. 1. mediante financiamento de entidade autorizada. Envolve este o título constitutivo. sobre o valor do contrato. regulada pela Lei no. . O fiduciário é obrigado a entregar ao fiduciante. 5. Do penhor É o direito real que submete coisa móvel ou mobilizável ao pagamento de uma dívida (art. para o fiduciário ou credor. pois é nulo o penhor de coisa alheia. Uma vez registrada. A publicidade é reforçada pelo registro do título no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. pressupõe ela a existência de uma dívida. fiduciante.514/97.

6. um título específico sobre esse direito. desde que não seja proprietário ou concessionário. da Lei n. O art. n. de outro imóvel urbano ou rural” (art. n. pouco. 7. da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas naturais. ao contrário dos demais direitos reais.220/2001.481/07 introduziu dois novos direitos reais no Código Civil brasileiro. no art. a concessão de uso especial para fins de moradia compõe o rol dos direitos reais. responsável pela introdução do instituto no CC.240 do CC. 2. Castellani 6. ou melhor.º da referida Medida Provisória). porém. 1. 167. Ocorre que a concessão.220/2001. ininterruptamente e sem oposição.º em outro local na hipótese de ocupação de imóvel: I – de uso comum do povo. o direito à concessão de uso especial para fins de moradia só será outorgado àquele “que.481/2007. 2.º da MP estabelece que "É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito de que tratam os arts. 15 a 20 do Estatuto da Cidade (Lei n. tentativa de trazer essa camada desfavorecida da população ao mundo legalizado. Prov. IV – reservado à construção de represas e obras congêneres. 11. buscando outorgar-lhe títulos de direito real. de 4 de setembro de 2001. Há.º e 2. Cometti Fernando F. Não se trata propriamente de um direito real novo. I. O que era faculdade.85 - .015/73). de caráter declaratório. por cinco anos. tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da posse. utilizando-o para sua moradia ou de sua família.220. 37. Ocorre que a Lei n. nada mais é do que contrato administrativo pelo qual a Administração faculta ao particular a utilização privativa de bem público. a saber: a concessão de uso especial para fins de moradia e a concessão de direito real de uso. Desde a edição da Medida Provisória n. 2. II – destinado a projeto de urbanização. . 183 da CF e no art. Das Concessões A lei 11. 10. possuiu como seu. 1.º da Med. 2. III – de interesse da defesa nacional. com o registro no Registro Predial (art. o qual continua submetido ao conteúdo e contornos normativos da Med. e a Administração não pode recusar o contrato.257/2001). como se vê.Coordenadores: Marcelo T. até duzentos e cinqüenta metros quadrados de imóvel público situado em área urbana. 5. 1.220/2001. praticamente nada acrescentou sobre o instituto. até 30 de junho de 2001. para que a exerça conforme a sua destinação. ao contrário do usucapião. ou V – situado em via de comunicação". A concessão exige praticamente os mesmos requisitos do usucapião urbano previsto no art. inclusive dispondo. Pela MP n. passa a ser direito do possuidor. n. que "O direito de concessão de uso especial para fins de moradia é transferível por ato inter vivos ou causa mortis". a qualquer título. O direito de concessão de uso especial para fins de moradia pode ser reconhecido por ato administrativo ou por decisão judicial e tem publicidade. Prov. Isso porque não foi inserido no CC. editada como diploma substitutivo ao veto dos arts.

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b) Amor – Que independe de mera atração sexual e encontra sua manifestação mais veemente na afeição. cumplicidade.Coordenadores: Marcelo T. A habilitação aqui descrita é a mesma exigida para o casamento civil e o procedimento visa declarar e certificar que os interessados não possuem impedimentos. 3. Cometti Fernando F. O registro funciona como uma espécie de convalidação. 2. 5. Encerrado o procedimento de habilitação (num prazo de noventa dias) é extraída uma “sentença”. b) Monogamia . atração mútua e afinidades pessoais. Casamento religioso com efeitos civis O casamento religioso equipara-se ao civil. solidariedade. fundamentais e lapidares do casamento.Decorre da mais tradicional e inquebrável postura do mundo ocidental. Natureza jurídica do casamento O casamento seria um instituto de natureza híbrida: contrato na formação. . estando aptos para o casamento. c) O companheirismo – Calcado num projeto comum. a inscrição do casamento no registro público. capaz de atender e satisfazer ideais e interesses de ambos os cônjuges. Estes são os elementos básicos. resultando numa certidão a ser apresentada ao ministro religioso. 1.. b) Habilitação Posterior – Nesse caso. trata-se de uma instituição em que os cônjuges ingressam pela manifestação de sua vontade. Conceito de casamento Casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher que se unem material e espiritualmente para constituírem uma família. explicita os modos pelos quais se alcançam os efeitos civis: a) Habilitação Prévia – Os nubentes apresentam-se ao oficial do registro civil e habitam-se ao ato posterior. feita de acordo com a lei.515 do C.C. por fim. Na realidade. primeiro é realizada a cerimônia religiosa com posterior competente habilitação e. instituição (estatuto imperativo pré organizado) no conteúdo. VI). Princípios do casamento a) Liberdade de União – O casamento só se justifica e legitima quando decorre da livre manifestação de vontade dos parceiros. 4. Castellani TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO 1. Finalidades do casamento a) Intenção de viverem juntos – É a chamada affectio maritalis que é o elemento decisivo na indissolubilidade do vínculo. 1521. no art.87 - . quem é casado está proibido de contrair novas núpcias ( C. art. O legislador.

Havendo divergência entre os pais. a) Formalidades Preliminares – São as que antecedem o casamento. que é ato jurídico eminentemente formal.88 - . . a capacidade matrimonial não se confunde com a capacidade civil (18 anos). As uniões estáveis de natureza homossexual podem ter relevância jurídica em outros planos e sob outras formar. III). mas não como modalidade de casamento.200 de 1941.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI c) Comunhão de Vida . porém. a publicação dos editais – art 1527 . Pressupostos de validade a) Puberdade – No art. 1517 o legislador fixou idade núbil aos 16 anos. ou. O exame pré-nupcial não é obrigatório.Os nubentes comungam os mesmos ideais. Pressupostos de regularidade São os que se referem às formalidades do casamento. Pressupostos de existência jurídica do casamento a) Diversidade de Sexo – Nesse sentido a lei é clara e não abre espaço a qualquer exegese extensiva (art. mas simplesmente inexistente. renunciando os instintos egoísticos e personalistas. 1517). Desse modo. 1525 e 1526 . 6. Todavia. b) Consentimento – A falta de consentimento torna inexistente o casamento. A lei soleniza-o. Fora as exceções legais (casamento de anciãos e casamento in extremis – art. se um ou ambos os pretendentes não tiverem atingido a maioridade civil.(a dispensa dos editais é possível nas seguintes hipóteses: se ficar comprovada a urgência (grave enfermidade. Casamento celebrado perante autoridade incompetente (perante prefeito municipal ou delegado de polícia) não é nulo. o interessado poderá obter do juiz o suprimento judicial correspondente (parágrafo único do art. parto eminente.(nesta fase ocorre a apreciação dos documentos e apuração da capacidade dos nubentes e a inexistência dos impedimentos matrimoniais). 1533 a 1538 – (o oficial extrairá o certificado de habilitação durando a eficácia da habilitação por 90 dias). 1517 comporta. uma exceção: admissibilidade do casamento para evitar cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez (art. 1540) os nubentes devem ter aptidão para a vida sexual. c) Celebração por Autoridade Competente – Inexiste casamento se o consentimento é manifestado perante quem não tem competência para celebrar o ato matrimonial. em função de um bem maior que é a família. A regra do art. confirmando-se a idéia de que a prole não é finalidade do casamento. prescrevendo formalidades de observância obrigatória para a sua regularidade. 1520). viagem inadiável) e também no caso de casamento nuncupativo). 1517 c/c o art. c) Sanidade – O CC não previu a sanidade dos nubentes como condição necessária à validade do casamento. 8. 1519). e emissão do certificado da habilitação – arts. conforme disposto no Decreto-lei 3. 1557. 7. de procriar) – Não justifica a anulação do casamento. Impotentia Generandi (de gerar. desde que interesse a um dos cônjuges anulá-lo (art. independentemente do sexo do nubente. Dois são os tipos de impotência que interessam ao direito matrimonial: Impotentia Coeundi (de concepção ou de cópula) – Pode gerar a anulação do casamento. b) Potência – É a aptidão para conjunção carnal. será necessária a autorização dos pais ou dos seus representantes legais para a celebração do ato. salvo no caso de casamento de colaterais de 3º grau (tios e sobrinhos). Elas são de três ordens: habilitação – arts.

impedimentos resultante de vínculo (art. 1521. desde que o nubente impossibilitado outorgue poderes especiais a alguém para comparecer em seu lugar e receber. 1521. Estes impedimentos dividem-se em três categoriais: impedimentos resultantes do parentesco (art. b) Impedimentos Dirimentes Relativos . É o que se depreende da leitura dos arts. VI). 1538. 10. noutras palavras. Celebração do casamento Dada a importância que se reveste o casamento. b) Casamento perante autoridade diplomática ou consular . O impedimento matrimonial é relativo. o legislador reveste-o de toda a solenidade possível. Esta procuração é um ato eminentemente revogável até o momento da celebração do casamento. Acarretam como efeito a nulidade do casamento. 1521. a pessoa considerada incapaz não pode casar com quem quer que seja. Mas se os cônjuges (ou interessados na anulabilidade) silenciarem.Coordenadores: Marcelo T. parágrafo segundo da LICC: “o casamento de estrangeiros poderá ser celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes”. a pessoa considerada não pode casar com determinada pessoa. o casamento convalida do vício originário.A lei permite a celebração do ato por procuração cuja eficácia não ultrapassará noventa dias. 1523 têm por escopo. tanto na ordem pública como na ordem privada. I a V). é a ausência de requisito ou ausência de qualidade que a lei articulou entre as condições que invalidam ou apenas proíbem a união civil. 1533 a 1538. As disposições constantes nos incisos I a IV do art. representantes legais ou ascendentes. agora.Dispõe o art.No atual CC passam a ser. Cometti Fernando F. IV). a proteção da prole anterior. 1542 – é imprescindível a escritura pública para a sua validade. 1533 ao art. 7º. Castellani b) Formalidades Concomitantes – São as que acompanham a cerimônia e vêem detalhadamente previstas nos art.89 - . a) Casamento por procuração . Importante notar que sua inobservância determina-lhe a nulidade do ato. nem anulação. Ex. em seu nome. Os impedimentos são classificados da seguinte forma: a) Impedimentos dirimentes públicos (ou absolutos) – São examinados nos incisos I a VII do art. c) Impedimentos impedientes (ou proibitivos) . 1521. a confusão de patrimônios e a proteção do nubente por influência dos representantes legais.Passaram a ser as causas de anulabilidade do casamento (art.550). 9. em decorrência de disposição legal expressa – art. evitar a confusão de consangüinidade (turbatio sanguinis). Ex. Considerando o interesse público neles estampados podem ser argüídos por qualquer interessado e pelo Ministério Público. 1523. isto é. não podem casar os irmãos (art. o outro consorte. e impedimentos resultante de crime (art. 1521. Dos impedimentos matrimoniais São as circunstâncias que impossibilitam a realização de determinado casamento. . 1. A incapacidade é geral. Acarretam como efeito uma mera sanção. Desde já é importante observar a diferença entre incapacidade e impedimento matrimonial. VII). mas tão somente uma sanção (imposição do regime obrigatório da separação de bens). pessoa casada. I a IV) a infração destas causas não gera nem nulidade. Podem demandar a anulação o cônjuge prejudicado. Hoje. causas suspensivas (art.

quando há dúvida quanto à existência do ato constitutivo do vínculo conjugal. Em assim sendo. 1545 fica subordinada a quatro pressupostos: a) Que ambos os pais tenham falecido. no consulado brasileiro. E para . que não tenham parentesco em linha reta. parágrafo 1º. homem e mulher. Neste caso. a posse do estado de casados. Mas a lei chega mesmo a permitir a dispensa da autoridade competente se os contraentes não lograrem obter sua presença. até segundo grau. c) Que a prole comum prove que o é. que nada mais é do que a situação de duas pessoas que sempre se comportaram. b) Que ambos os pais tenham vivido naquele estado. 12. ou. prova-se pela certidão do registro. 1543. a realização de seu registro em território nacional. dê a certidão de habilitação. prevista pelo CC. pelo casamento. in articulo mortis. preliminarmente. O artigo consagra os efeitos da retroação sentencial. O art. é forma especial de celebração de casamento. privada e publicamente como marido e mulher e que. não havendo assim tempo para a celebração do casamento com todo o formalismo previsto na lei civil.90 - . dispensando o processo regular. os nubentes figurarão como celebrantes e realizarão oralmente o casamento. conforme dispõe o art. em absoluta igualdade de direitos e deveres. Das provas do casamento O casamento realizado no Brasil. se encontram no gozo recíproco da situação de esposos. será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos e às formalidades do casamento (Art. a concessão feita pelo art. Instaura-se o regime da co-gestão na sociedade familiar. quando um dos contraentes se encontra em iminente perigo de vida. à vista dos documentos exigidos no art. 1546 prevê a retroatividade dos efeitos do registro da sentença que reconhece o casamento à data de sua celebração. 1565 do CC. a validade do casamento celebrado no estrangeiro. para a comunidade. mediante despacho da autoridade competente.) O CC. no Brasil. 1525 e independentemente de edital de proclamas. A prova supletória só se torna admissível quando. chancelando a dimensão do afeto em detrimento do puro formalismo. quando do retorno dos nubentes ao país. deverá ser registrado em 180 dias. É válido no Brasil desde que registrado. certidão de proclamas. qual seja.Também chamado in extremis vitae momentis. 1547 do CC) é utilizada quando há dúvida sobre a prova do casamento. ou. na colateral. admite uma prova indireta.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No caso de um dos nubentes ser brasileiro e o outro estrangeiro. O art. 11. feito ao tempo de sua celebração. depoimento de testemunhas.. A eficácia do ato. d) Que não se apresente certidão do registro civil provando a ocorrência de casamento. A regra do in dúbio pro matrimonio (art. assumem mutuamente a condição de consortes. perante seis testemunhas. Segundo a disposição legal. Se o casamento for realizado no Brasil. cessa a competência da autoridade consular. está submetida à condição suspensiva. passaporte. Da eficácia do casamento Pelo art. 1540 do CC permite que o oficial do Registro Civil. etc. se justifica a falta ou a perda do registro (ex. c) Casamento nuncupativo . da LICC). 7º. companheiros e responsáveis pelos encargos da família. está submetida ao requisito de que ambos os nubentes sejam brasileiros. ou seja. Após o retorno dos brasileiros ao território nacional. a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges. deve o julgador inclinar pela sua existência.

depois de atingi-la. Castellani reafirmar a recepção do princípio constitucional da igualdade. em seguida. d) Sustento. em linhas gerais.91 - . 1638. A sentença de nulidade do casamento tem caráter declaratório. que englobe tanto o aspecto material (econômico). poderá confirmar seu casamento. 1548 nulo é o casamento contraído pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil (por não estar em seu juízo perfeito) e por infringência de impedimentos (previstos no CC. art.O casamento é inexistente quando lhe faltam um ou mais elementos essenciais à sua formação. O ato. b) Casamento nulo . São elas: 1.A jurisprudência e a doutrina sempre encararam essa questão como o dever de abster-se cada consorte de praticar relações sexuais com terceiro. ou com suprimento judicial – art. com a autorização de seus representantes legais. nenhum efeito pode produzir. 1521. honra e boa fama. 1556 e 1557 o legislador trata da complexa matéria da ocorrência de erro essencial de um dos nubentes quanto à pessoa do outro. produzindo efeitos ex tunc (art. trata-se de uma enumeração taxativa e não exemplificativa. o dever de coabitação no domicílio conjugal é indeclinável. 1533. não autorizado pelo seu representante legal: mas. os outrora denominados impedimentos dirimentes relativos. como o moral (apoio. São eles (art. E. . querendo. guarda e educação dos filhos . e) Respeito e consideração mútuos . II). 3. Os efeitos que produz o casamento podem ser encarados como restrições que cada um dos cônjuges impôs voluntariamente à sua liberdade pessoal e que. 1520 e 1551). não adquirindo existência. São elas: a) o que diz respeito à sua identidade.O desaparecimento do respeito e da consideração mútuos é prova evidente que a união conjugal se encontra fragilizada. ou. sob pena de adultério. 1549). ou seja. o legislador estatui.A palavra assistência (apoio. devem ser respeitadas enquanto durar a união.566 do CC): a) Fidelidade recíproca . poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.Na convivência sob o mesmo teto (domicílio conjugal). Não existem outras. relativamente aos filhos menores e não emancipados. os quais dão origem aos chamados deveres conjugais. c) Mútua assistência . 1. 1550 o CC trata dos casos de casamento anulável que substituem. A decretação da nulidade pode ser promovida pelo Ministério Público. Cometti Fernando F.. acarreta a suspensão ou destituição do poder parental (art.Segundo o disposto no art. Afora as hipóteses de recusa legítima ou justa.A infração deste dever. O dever de convivência sexual não é da essência do casamento nos casos de casamento in extremis bem como nos casos de consortes separados em razão de doença ou da profissão. incisos I a VII). c) Casamento anulável . 13. na mesma casa. ou por qualquer interessado (art. b) Vida em comum no domicílio conjugal .O art. 1563). Seis são as hipóteses legais de anulação do casamento.A ocorrência de vício de vontade: Nos arts. no parágrafo 1º. próprios do companheirismo). logo. desvelo. uma vez assumidas.Quem não completou a idade mínima para casar (A regra comporta as exceções dos arts. é que se estabelece o convívio sexual.Coordenadores: Marcelo T. arrola as hipóteses caracterizadoras daquele erro. socorro) não pode ser tomada num sentido amplo. 2. qualquer dos nubentes. do citado art que.O menor em idade núbil. Da invalidade do casamento a) Casamento inexistente . uma vez que reconhece apenas o fato que o invalida.

c) Enquanto perdura o processo judicial de separação. parágrafo único). parágrafo único). 1582. embora nulo. todos os efeitos – aos filhos e ao cônjuge de boa-fé – do casamento válido. gera inexistência do casamento. 3º. pelos filhos ou por terceiros que tenham interesse na declaração. A putatividade pode ocorrer na própria ação anulatória ou em processo autônomo promovido pelo(s) cônjuges(s) enganado(s). Dissolução da sociedade conjugal Segundo o disposto no art. a sociedade conjugal termina: pela morte de um dos cônjuges. foi contraído de boa-fé. 1576). 1571 do CC. 1554. Com efeito. pela nulidade ou anulação do casamento. parágrafo 2º. pessoa portadora de enfermidade mental ou física. A incompetência ratione materiae. mas era de ordem pública e sua ausência justificava a nulidade do processo. perduram as obrigações decorrentes do casamento (art. reconhecendo-lhe efeitos a ordem jurídica.O incapaz de consentir ou manifestar de modo inequívoco. Casamento putativo Diz-se putativo o casamento que. A separação pode ser judicial e extrajudicial. 1576. por contágio ou herança. e c) insuportabilidade da vida em comum. então. sem que ele ou outro contratante soubesse da revogação do mandato. mas. .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI b) a ignorância de crime anterior ao casamento. O termo vem do latim. ou anulável. de igual modo.. seu consentimento: Os surdos-mudos sem educação adequada que lhes possibilite manifestar sua vontade não podem casar. ou. pela separação judicial ou pelo divórcio. quanto a seus domicílios). toxicômano não podem casar. putare. o ordenamento jurídico reconhece ao casamento nulo. que significa “imaginar”. 5. Declarado putativo o casamento ganha validade e produz todos os efeitos que produziria o casamento válido. anterior ao casamento. 15. salvo na hipótese do art. ou de moléstia grave e transmissível. por um só ou por ambos os cônjuges.. até a data da sentença que o invalidou. c) a ignorância. ascendente ou irmão – No mesmo sentido em relação ao divórcio (art. 4. Entre suas principais características temos: a) A ação de separação judicial é personalíssima (art. b) A tentativa de conciliação – obrigatória na Lei do Divórcio art.C. para que o erro essencial quanto à pessoa do outro nubente seja causa de anulabilidade do casamento é preciso a ocorrência de três pressupostos: a) anterioridade do defeito do casamento. de defeito físico irremediável. em caso de incapacidade a lei admite a propositura da ação por curador. conforme vimos.Pelo mandatário.Por incompetência da autoridade celebrante: O legislador está aqui se referindo à incompetência ratione loci (em razão do lugar da celebração). – deixa de constar no novo C. Toda separação depende da homologação para surtir efeitos. Atendendo a boa-fé e o princípio da equidade.. 6. anterior ao casamento. b) desconhecimento do defeito pelo cônjuge enganado. 14. não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. se a sentença foi omissa a esse respeito. de doença mental grave. d) a ignorância. ratione personarum (em razão das pessoas dos nubentes.92 - . ou anulável.

No art. o prazo para conversão em divórcio é contado da data da concessão daquela medida e não do decreto da separação judicial. no caso de comprovada separação de fato por mais de 2 (dois) anos.). Castellani As três espécies de separação litigiosa. como a lei deixa claro.Coordenadores: Marcelo T. agora. parágrafo 2º. encarando a concessão da separação como termo das obrigações oriundas do casamento. c) Separação Litigiosa como Remédio: Ocorre quando um dos cônjuges está acometido de grave doença mental de cura improvável (art. da Ldi ressurge.C. na lei divorcista. O lapso temporal é um requisito objetivo e comprova-se pela certidão. passa.93 - . guarda e educação. reduzindo o prazo mínimo de casamento. tudo parece indicar que a postura do legislador atual decorra da Sumula 197. 6515/77 e pelos arts. que dispensa a partilha em se tratando de divórcio direto. parágrafo 1º. 1572. será pelo juiz decidida. até a maioridade. O prazo de duração da doença para a obtenção da separação que. 1575 dispõe sobre a separação de corpos e a partilha de bens. Anteriormente prevista no art. poderá ser feita mediante proposta dos cônjuges e homologada pelo juiz. era de cinco anos. de dois para um ano. O consentimento é suficiente a determinar a validade da decisão. Cometti Fernando F. a ser de dois anos. Preliminarmente. a mútua assistência mantém-se na forma de alimentos e. pode confirmar a medida deferida liminarmente no processo cautelar. na ausência do registro. agora. permite a concessão do divórcio sem que haja partilha de bens. 1580. Com o atual dispositivo encerra-se a controvertida polêmica: a separação judicial põe termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca. que o disposto no art. além de reafirmar as duas hipóteses de divórcio (direto ou via conversão) refere-se aos prazos da ruptura da sociedade conjugal. em havendo filhos. Importante notar. é efeito fundamental da separação. uns entendendo que a separação não importava em término dos deveres matrimoniais e outros. 1576 o legislador enfrentou a questão tormentosa que sempre dividiu a jurisprudência nacional. O art. na hipótese de cautelar preparatória.). e em caráter de justificação. Quanto à partilha de bens. 1574 trata da separação judicial consensual. Em se tratando de separação litigiosa. do STJ. É dado importante na matéria da dissolução da sociedade conjugal porque. face à indecisão ou irredutibilidade dos cônjuges.). O divórcio indireto (ou via conversão) dá-se quando do transcurso do lapso temporal de 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença de separação. em manifesta incoerência e quebra de sistema. no art. . e 3º. Mas. 34 da Lei no. 1572. ou da concessão da medida cautelar de separação de corpos. quando a separação é consensual. Há decisões que aceitam justificação para comprovar a existência do casamento. que se refere à grave violação dos deveres do casamento e à insuportabilidade da vida em comum (Os deveres conjugais são aqueles arrolados no atual art. não constará referência à causa que a determinou – parágrafo 1º. 1581 que. O processo é disciplinado pelo art. No caso de conversão em divórcio da separação judicial. o dever de sustento. O divórcio direto poderá ser requerido por um ou ambos os cônjuges. O art. se foi deferida a medida cautelar de separação de corpos. 1566 do C. 1572. constantes na Lei do Divórcio permanecem presentes no novo Código Civil: a) Separação Litigiosa como Sanção: Ocorre quando um dos cônjuges imputar ao outro conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres conjugais. 1120 a 1124 do CPC. O art. 5º. b) Separação Litigiosa como Falência: Ocorre quando qualquer um dos cônjuges prova a ruptura da vida em comum há mais de 01 (um) ano consecutivo e a impossibilidade de sua recoonstituição (art. A separação de corpos. contrariamente.

Regime de bens entre os cônjuges Regime de bens é.dano grave reconhecido na decisão judicial.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 16. Importante ressaltar que o regime de bens começa a vigorar desde a data do casamento. 1578: I. b) Os cônjuges aderem ao regime legal – sem convenção. O cônjuge “culpado” perde o direito de usar o sobrenome do outro. 1640 c/c art. b) Impede a mulher de continuar a usar o nome do marido (regra geral). O art.evidente prejuízo para sua identificação. Na realidade. d) Autoriza a conversão em divórcio. parágrafo segundo) mediante a ocorrência de três requisitos cumulativos: . mas a lei impõe a necessidade da convenção – pacto antenupcial – sempre que a opção exercida difere do padrão ofertado pela lei. III. g) Mantém inalterado os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos. Efeitos Patrimoniais: a) Põe fim ao regime matrimonial de bens. aceitando em bloco o regime da comunhão parcial de bens – art. f) Possibilita novo casamento aos divorciados. d) Pode dar origem à indenização por perdas e danos se ocorrerem prejuízos morais ou patrimoniais. c) Extingue o direito sucessório entre os cônjuges.94 - . Estas normas são de ordem pública e. 1639. cumprido o prazo de um ano de vigência da separação. 1640. c) Extingue o regime matrimonial. o legislador criou duas hipóteses de incidência de regras em matéria de regime de bens: a) Os cônjuges escolhem o que lhes aprouver – materializando sua escolha em documento próprio (pacto antenupcial – art. inderrogáveis pelos cônjuges. Efeitos Pessoais: a) Põe termo aos deveres recíprocos do casamento. d) Faz cessar o direito sucessório. portanto. pena que se concretizará se não ocorrer alguma das hipóteses previstas no art. b) Substitui o dever de sustento pela obrigação alimentar. 1653). permitindo aos cônjuges estipular o que lhes aprouver. A liberdade dos cônjuges no exercício da escolha é total. Efeitos da separação e do divórcio Os efeitos da separação judicial atingem tanto a pessoa dos cônjuges quanto o seu patrimônio. e) Não admite reconciliação entre os cônjuges. em matéria de regime de bens. II. por isso fala-se em efeitos pessoais e efeitos patrimoniais. diz o parágrafo 1º do art. c) Impossibilita a realização de novas núpcias. b) Põe fim aos deveres conjugais. 1639 do CC resgata o princípio da autonomia da vontade.manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida. o complexo de normas que disciplina as relações econômicas entre marido e mulher durante o casamento. 1639 do CC. Todavia. 17. esse regime é passível de modificação (art. pois. A sentença de divórcio produz os seguintes efeitos: a) Dissolve definitivamente o vínculo matrimonial.

1657 – depois de registrado. formal. 258 (CC/16). Desse modo. nominado. o regime da comunhão parcial faz surgir três massas distintas de bens. o pacto torna-se ineficaz. a diferença do valor. e c) A ressalva dos direitos de terceiros.Coordenadores: Marcelo T. previsto em lei e legítimo (típico). 1653 que o pacto é nulo se não lhe seguir o casamento. 3. . isto é. Castellani a) A autorização judicial.Os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares. 4. Logo. passa a ser comum a ambos os cônjuges. O pedido motivado de ambos os cônjuges cerca o pedido de maior garantia.95 - . o regime da comunhão parcial. b) O pedido motivado de ambos os cônjuges.Os bens que cada cônjuge possuir ao casar e os que lhe sobrevierem. ou sendo nula. O regime de comunhão parcial limita o patrimônio comum aos bens adquiridos na constância do casamento a título oneroso (ou seja. é porque. alterou o então vigente art. Regime da comunhão parcial de bens Introduzido no Brasil pela Lei do Divórcio (Lei 6515/1977). O pacto antenupcial só terá efeito perante terceiros – art. vigorará. como também não poderá ser suprida pelo juiz. para que produza os efeitos perante terceiros. em se tratando de regime obrigatório de separação de bens (art. O pedido de alteração é dirigido ao juiz competente. Ou seja. 1641) não há que se invocar a revogabilidade estampada na nova lei. na constância do casamento. pois os nubentes têm a sua autonomia limitada pela lei e não podem. A eficácia a que se refere o texto legal.Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. consequentemente. ou herdado). em ação própria. se não foi paga com recursos próprios e particulares do cônjuge.As obrigações provenientes de atos ilícitos. uma vez que a admissão daquela mudança implicaria em esvaziar o conteúdo da previsão legal. os bens particulares do marido. diz respeito tão somente aos bens imóveis. Se o bem sub-rogado é mais valioso que o alienado. os livros e os instrumentos de profissão. naquelas hipóteses específicas desconheceu a aplicação do princípio da autonomia da vontade. sendo indispensável a escritura pública (art. Todavia.As obrigações anteriores ao casamento – obrigações negociais. para determinar que. a ocorrência da sociedade conjugal não anula a individualidade e autonomia dos cônjuges em matéria patrimonial). a não anuência de um não só compromete o deferimento. não realizado o casamento. a lei também exige o registro do pacto antenupcial no registro de imóveis. O limite da sub-rogação é o valor do bem particular (adquirido antes do casamento. o casamento é condição suspensiva necessária para que o pacto produza os seus reais efeitos. quais sejam. Cometti Fernando F. ou doado. 1659 estão arrolados os bens que não entram na comunhão: 1. O registro imobiliário competente é o do domicílio dos cônjuges devendo os mesmos levar ao registro imobiliário a escritura pública do pacto antenupcial e a certidão do casamento. os bens particulares da mulher. Acrescenta o art. salvo reversão em proveito do casal. não havendo convenção. No art. 5-Os bens de uso pessoal. 1641. por doação ou sucessão e os sub-rogados em seu lugar. 1653). que só o deferirá quando convicto da motivação relevante e do não prejuízo dos interesses de terceiros. 6. estipular que o pacto produzirá efeitos diversos daqueles previstos pela norma jurídica. O pacto antenupcial é um ato jurídico pessoal. e os bens comuns do casal. Se o legislador impõe a separação nas três hipóteses do art. 18. 2. quanto aos bens. Assim como o casamento é objeto de registro público.

20. 1668. associa cada cônjuge aos ganhos do outro. Regime da separação de bens O regime de separação de bens é aquele em que cada cônjuge conserva o domínio e a administração de seus bens presentes e futuros. responsabilizando-se individualmente pelas dívidas anteriores e posteriores ao casamento. logo. diz a lei. ao mesmo tempo. montepios e outras rendas semelhantes. a possibilidade estende-se. 1673 delimita o que é patrimônio comum dispondo. 1673 só admita a alienação dos bens móveis. O art. que os poderá livremente alienar. meios-soldos. Cada um dos cônjuges tem direito à metade ideal desta massa. Com a exclusão das exceções previstas no art. que a administração dos bens é exclusiva de cada cônjuge. Durante o casamento. passam a constituir um só massa. pois que insuscetível de divisão antes da dissolução da sociedade conjugal. passando. desde que a hipótese tenham sido objeto de cláusula no pacto antenupcial (art. 1660 do CC. Regime da participação final nos aqüestos Na participação final nos aqüestos há formação de massas de bens particulares incomunicáveis durante o casamento. se forem móveis. por isso.96 - . cada um dos cônjuges goza de liberdade total na administração e na disposição dos seus bens. os bens que são excluídos do regime de comunhão universal. diz-se que o cônjuge é “meeiro”.As pensões. Todos os bens. Vale ressaltar que. aos bens imóveis. Regime da comunhão universal de bens Segundo o art.C. O regime de separação é legal (quando decorre da lei) ou convencional (decorre de convenção estabelecida em pacto antenupcial). direitos e ações. quando ressurge a idéia da comunhão. 21. 19. valor este a ser levantado na dissolução da sociedade conjugal. mas que se tornam comuns no momento da dissolução do mesmo. móveis e imóveis. o legislador arrola. marido e mulher. Os bens que participam da comunhão são aqueles descritos no art. em cinco incisos. como ocorre na separação de bens. igualmente. . que permanece indivisível até a dissolução da sociedade conjugal. 1656). No art. embora o parágrafo único do art. 1667 do CC o regime da comunhão universal importa na comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas. os patrimônios dos cônjuges se fundem em um só.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 7. a figurar como condôminos de um condomínio peculiar. no seu parágrafo único. mas. 1668 do C.

d) O vínculo sócio-afetivo . parágrafo 6º. na linha reta.Coordenadores: Marcelo T. b) Parentesco civil – É o decorrente da adoção. São afins em linha reta ascendente: sogro. enteada (no mesmo grau que filho e filha).). padrasto e madrasta (no mesmo grau que pai e mãe). o parentesco.É a proposta inédita. 1595. mas independente dos laços de sangue. Dispõe a respeito o art. da CF. inexiste impedimento de o viúvo (ou divorciado) casar-se com a cunhada. enteado. Em decorrência do art. os graus de parentesco pelo número de gerações e. o vínculo legal que se estabelece à semelhança da filiação consangüínea. Embora haja simetria com a contagem dos graus no parentesco. Contagem do parentesco O parentesco é contado através de linhas e graus. c) Parentesco por afinidade .: “ São parentes em linha colateral ou transversal. mas tão somente da lei. não visualizada pelo C/C 1916 e que ganha legítimo reconhecimento na singela fórmula do art. nem do sangue. sem descenderem uma da outra”. as pessoas provenientes de um só tronco. e descendo até encontrar o outro parente”. até o quarto grau. 227. entre si. 1593 quando se refere ao parentesco que resulta de outra origem. o art. subindo de um dos parentes até ao ascendente comum.97 - . Marido e mulher são. . sogra. Existem duas espécies de linhas: reta (quando as pessoas descendem umas das outras) e colateral ou transversal (quando as pessoas. com efeito. no atual sistema codificado. também pelo número delas. desde os impedimentos que se traduzem em inelegibilidade da constituição até os impedimentos para o casamento. na colateral. afins. não descendem uma das outras. São afins na linha na linha reta descendente: genro. nora. comporta duas linhas: a reta e a colateral. assim como o parentesco por consangüinidade. a afinidade não decorre da natureza. Dispõe. o adotado tem os mesmos direitos do filho consangüíneo. Em assim sendo. A afinidade. A afinidade na linha reta é sempre mantida (art. simplesmente. Efeitos do parentesco As relações de parentesco afetam os mais diversos campos do Direito. Espécies de parentesco a) Parentesco natural – É o que se origina da consangüinidade. isto é. mas a afinidade colateral (ou cunhadio) extingue-se com o término do casamento. 1594 “Contam-se. Castellani CAPÍTULO II – PARENTESCO Toda pessoa se enquadra numa família por quatro ordens de relações: o vínculo conjugal. a afinidade. Os graus são o meio de que se dispõe para determinar a proximidade ou remoticidade do parentesco. 1. e o vínculo sócio-afetivo. 1592 do CC.Inicialmente vale ressaltar que o casamento não cria nenhum parentesco entre o homem e a mulher. embora procedendo de um tronco ancestral comum. 3. parágrafo 2º. É por força de uma ficção legal que se estabelece este parentesco. Cometti Fernando F. 2.

além do cônjuge da parte. ou de funções gratificadas. dos respectivos membros ou juízes vinculados. No direito sucessório. companheiro ou parente em linha reta. . assim como o colateral até o terceiro grau. até o terceiro grau. em casos excepcionais de dispensa ou inexigibilidade de licitação. III . de servir como tutor etc. por cônjuge. seja consangüíneo ou afim (art. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. limitando-se. colateral ou por afinidade. há crimes cujo parentesco entre o agente causador e a vítima agrava a intensidade da pena. por cônjuges. 405. os efeitos do parentesco fazem-se sentir com mais intensidade.o exercício de cargo de provimento em comissão ou de função gratificada.. ou de servi dor es investidos em cargos de direção ou de assessoramento.. 07 do CNJ – art. até o terceiro grau. o parentesco estabelece as classes de herdeiros que podem concorrer à herança. deduções ou o nível de tributação.o exercício. àqueles até o quarto grau.) No direito de família. No direito fiscal. em Tribunais ou Juízos diversos. companheiros ou parentes em linha reta. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. (. bem como de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No processo civil. colateral ou por afinidade. inclusive. ao estabelecer impedimentos para o casamento. na classe dos colaterais. V . até o terceiro grau. de cargos de provimento em comissão. companheiro ou parente em linha reta. Constituem prática de nepotismo. do CPC). companheiro ou parente em linha reta. parágrafo 2º. II. IV . há restrições de parentesco para ocupar certos cargos: Resolução no. por cônjuge. companheiro ou parente em linha reta ou colateral até o terceiro grau. No direito constitucional e no direito administrativo.. seu ascendente ou descendente em qualquer grau. inclusive. o parentesco pode definir isenções. I. de dois ou mais magistrados. de pessoa jurídica da qual sejam sócios cônjuge.98 - . inclusive. colateral ou por afinidade. No direito penal. 2º. ou servidor investido em cargo de direção e de assessoramento.a contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. colateral ou por afinidade. de cônjuge. inclusive.o exercício de cargo em provimento de comissão ou de função gratificada. em circunstâncias que caracterizem ajuste para burlar a regra do inciso anterior mediante reciprocidade nas nomeações ou designações.a contratação. dentre outras: I. dos respectivos membros ou juízes vinculados. estabelecer o dever de prestar alimentos. inclusive. até o terceiro grau. estão impedidos de depor como testemunha. dos respectivos membros ou juízes vinculados.

O código não define a partir de quando se considera embrião. O inciso V do art. tem-se propriamente o embrião. do Conselho Federal de Medicina. todas elas vinculadas à reprodução assistida. A paternidade. Por conseqüência. “a partir de 14 dias. neste caso. para a fecundação do óvulo da mulher. Em regra. 1. A lei não exige que haja autorização escrita. terão os mesmos direitos e qualificações. 1. normalmente doador anônimo. apesar de não ter componente genético. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação”. in casu. em primeiro grau e em linha reta. O princípio da igualdade dos filhos é reiterado no art. que liga uma pessoa àquelas que a geraram. por meio de técnicas especiais. desde que tenha prévia autorização do marido”. indica que. Ocorre tal modalidade de inseminação quando é utilizado “sêmen de outro homem. por qualquer razão física ou psíquica.Neste dispositivo três hipóteses de presunção de filhos concebidos na constância do casamento. A única exigência é que tenha o marido previamente autorizado a utilização de sêmen estranho ao seu. privilegiando-se a relação socioafetiva. o simples fato do nascimento estabelece o vínculo jurídico entre a mãe e o filho. automaticamente.358/92. ou vida humana.597 presume concebido no casamento os filhos “havidos por inseminação artificial heteróloga. ou seja. Apenas é admitida a concepção de embriões excedentários “se estes derivam de fecundação homóloga. A lei não exige que o marido seja estéril ou. mas a resolução 1. está proibida a utilização de embrião excedêntário por homem e mulher que não sejam os pais genéticos ou por outra mulher titular da entidade monoparental. . sejam casados ou companheiros de união estável”. Presunção de paternidade Presume-se filho o concebido na constância do casamento: pater is est quem iustae nuptiae demonstrant. terá fundamento moral. Essa distinção é aceita em vários direitos estrangeiros.) estabeleceu absoluta igualdade entre todos os filhos. o consentimento de ambos. Se a mãe for casada. A resolução no. de gametas da mãe e do pai. sem fins lucrativos. desde que o cedente seja parente colateral até o segundo da mãe genética. não admitindo mais a retrógrada distinção entre filiação legítima e ilegítima. A CF (art. A fecundação ou inseminação homóloga é realizada com sêmen originário do marido. 226. não possa procriar. Castellani CAPÍTULO III – FILIAÇÃO Filiação é a relação de parentesco.596 do CC. Já diziam os romanos: mater semper certa est. ou por adoção. 1.Coordenadores: Marcelo T. razão por que pode ser verbal e comprovada em juízo como tal. especialmente na Europa”. respectivamente. 1. O vocábulo fecundação indica a fase de reprodução assistida consistente na fertilização do óvulo pelo espermatozóide. A presunção de paternidade é prevista no art. apenas que seja “prévia”. Cometti Fernando F. esta circunstância estabelece.358/92 do Conselho Federal de Medicina admite a cessão temporária do útero. que enfatiza: “Os filhos. após a morte do doador. A fecundação ou inseminação artificial post mortem é realizada com embrião ou sêmen conservado. havidos ou não da relação do casamento.1. parágrafo 6o.99 - . Neste caso o óvulo e o sêmen pertecem ao marido e à mulher. pressupondo-se. ou a receberam como se a tivesse gerado.597 do CC. a paternidade. e não o do marido.

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se o marido anuiu na inseminação artificial heteróloga. na verdade. ou pelo filho da mulher casada contra o seu verdadeiro pai. 1. Ação negatória de paternidade e de maternidade Conhecida também como ação de contestação de paternidade. provando a falsidade do termo. Em regra. Só ele tem a titularidade.602). 1. elaborada com o intuito de conferir maior proteção aos filhos. Importante observar. mas. mesmo adulterina.597 é júris tantum. que é imprescritível (art. 8o. parágrafo único).600 e 1. pois. mas. distinguir a ação negatória de paternidade ou maternidade daquela destinada a impugnar a paternidade ou maternidade. devido ao segredo profissional médico e ao anonimato do doador do sêmen inoculado na mulher. O importante é que a patologia tenha ocorrido depois de estabelecida a convivência conjugal e no prazo legal atribuído ao momento da concepção. indisponível e imprescritível. na posição de ré. a retificação. 1. ou mais. ilide a presunção de paternidade (art.100 - . 1. pois. e por permitir. Dispõe o art. a iniciativa da ação. A impugnação da paternidade conduzirá o filho a uma paternidade incerta.. Tal dispositivo abre exceção à presunção mater in jure semper certa est.604. também. 1. que visa à proteção da família constituída pelo casamento.601. se ele vier a falecer durante o seu curso. sem qualquer restrição. por permitir que a investigação da paternidade. tem sido reconhecido ao filho o direito de impugnar a paternidade. não podendo voltar atrás. Deve-se. A legitimidade ativa é privativa do marido (CC. será o pai legal da criança assim concebida. a ação deve ser movida contra seus herdeiros (normalmente a mãe é a herdeira). que a prova de impotência do cônjuge para gerar. Se o filho é falecido. 2. deve ela também integrar a lide. 1. induzidos a erro por falta de cuidado de hospitais e maternidades.599). seja proposta contra o homem casado.601 do CC).608 do CC: “quando a maternidade constar do termo do nascimento do filho. Nesse sentido.601). passa a seus herdeiros (art. A segunda visa negar o fato da própria concepção. Mesmo que o marido não tenha ajuizado a negatória de paternidade. por ter sido efetuado o registro pela mãe – e porque se objetiva desconstituir um ato jurídico. para afastar a condição de . dos “registros de nascimento anteriores à data da presente lei”. admitindo a prova em contrário. por decisão judicial. uma vez iniciada. entende a doutrina que nem mesmo o curado do marido interdito poderia ajuizar tal ação. A primeira tem por objeto negar o status de filho ao que goza de presunção decorrente da concepção na constância do casamento. 1. 8. como ocorre nos casos de troca de bebês. art. no art. ouvido o Ministério Público. arts. ou provar a suposição de parto. mediante ação negatória de paternidade. a mãe só poderá contestá-la. observado o segredo de justiça”. a ação negatória destina-se a excluir a presunção legal de paternidade. 27): “O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. à época da concepção. dos trezentos que houverem precedido ao nascimento do filho. com base no art.560/92. Mais se evidenciou essa possibilidade com o advento da Lei n. a presunção de paternidade do art. 1. traduzido nos cento e vinte e um dias.ou das declarações nele contidas”. também é o ECA: (art. Assim. A falsidade do termo de nascimento pode ser atribuída ao próprio oficial de registro civil ou à declaração da mãe ou do pai. ser elidida pelo marido. Pode. salvo se provar que. aquele bebê adveio da infidelidade da mulher (CC. retirando do registro civil o nome que figura como pai -. podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros. Legitimado passivamente para esta ação é o filho.

604 do CC e provando erro ou falsidade do registro. 1. a contar não da morte do suposto pai. por isso. de simulação de parto e introdução maliciosa na família da pessoa portadora do status de filho e de falsidade ideológica do assento de nascimento. Prova-se também a filiação pelos meios de prova elencados no art. por meio da ação de investigação de paternidade. Os efeitos da sentença que declara a paternidade são os mesmos do reconhecimento voluntário e também ex tunc: retroagem à data do nascimento (CC. Se o filho morrer antes de iniciá-la. que é ação de estado.606.609 do CC como modos voluntários de reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento. preceitua a Súmula 149 do STF: “É imprescritível a ação de investigação de paternidade. como nas hipóteses de troca de criança em maternidades. A de impugnação da paternidade ou da maternidade pode ser ajuizada pelo próprio filho. 1. art. prova não só o nascimento como também a filiação. de caráter declaratório e satisfativo do seu interesse pessoal. parágrafo único). Dispõe o art. Embora a ação seja imprescritível. discriminando em 09 itens. Somente a ação negatória é privativa do marido ou da mulher. A moderna doutrina. com citação dos pais presumidos. secundada pela jurisprudência. pois. mas do momento em que foi reconhecida a paternidade. os efeitos patrimoniais do estado da pessoa prescrevem. 1. salvo se “ele morrer menor e incapaz” (CC art.Coordenadores: Marcelo T. será representado pela mãe ou tutor. . representado pela mãe. fazendo-o com base no art.101 - . assistida por seu pai.606). 1. Se a mãe do investigante é menor. É de se admitir o litisconsórcio ativo facultativo dos filhos da mesma mãe na investigação de paternidade do mesmo suposto genitor. Por essa razão. têm eles legitimação para “continuá-la. a pedido do Ministério Público. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. mas não o é a de petição de herança”. como os irmãos da pessoa registrada como filho. consagrada na própria CF. tem reconhecido legitimidade ao nascituro para a sua propositura.616). que deve conter os dados exigidos no art. relativa ou absolutamente incapaz. 1. 205). não só em face do que dispõe o parágrafo único do art. Cometti Fernando F. salvo se julgado extinto o processo” (art. destarte. 54 da Lei dos Registros Públicos. intentar em nome do filho a ação investigatória de paternidade”. de natureza declaratória e imprescritível. O filho não reconhecido voluntariamente pode obter o reconhecimento judicial. como também por se tratar de pretensão que se insere no rol dos direitos da personalidade e na idéia de proteção integral à criança. ou ainda por quem demonstre legítimo interesse. Se já tiver sido iniciada. seus herdeiros e sucessores ficarão inibidos para o ajuizamento. que zela pelos interesses do incapaz. Esta prescreve em dez anos (CC. Não há empecilho para que o filho adotivo intente ação de investigação de paternidade em face do pai biológico. por interesse moral ou até mesmo de natureza sucessória. Castellani filho. O registro. A mãe natural. “representa-o nos atos da vida civil e pode. 1. Reconhecimento judicial da filiação: investigação de paternidade e maternidade. poderá ser representada ou assistida por um dos seus genitores. Se menor. É que o prazo de prescrição somente se inicia quando surge o direito à ação. exerce o poder familiar de filho menor não reconhecido pelo pai e. art.609 do CC. a ação é privativa dele. A legitimidade ativa para o ajuizamento da ação de investigação de paternidade é do filho. ainda que menor.603 do CC que a filiação prova-se pela certidão do termo de nascimento registrada no Registro Civil. 1. ou por tutor nomeado especialmente para o ato. forçado ou coativo. e este só nasce com o reconhecimento.

8. que. na qualidade de parte. como aquele que se considera o verdadeiro genitor. O art. A legitimidade passiva recai no suposto pai ou na suposta mãe. O espólio não tem personalidade jurídica. Com o reconhecimento. Entre o pai e o filho reconhecido há direitos recíprocos aos alimentos (CC.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A lei n. dependendo de quem está sendo investigado. 1. .566. alterado.102 - . pois. ficando os pais submetidos ao dever de sustentá-lo. ou a termo (CC. Dispõe o art. art. portanto.613). 1. o cônjuge do falecido não participará da ação. porém. Se menor. 1. pelos filhos havidos no casamento ou filhos reconhecidos anteriormente. art.560/92 permite que a referida ação seja ajuizada pelo Ministério Público. a temporariedade do ato. de tê-lo sob sua guarda e de educá-lo (CC. todavia. fornecidos pela mãe ao registrar o filho (art. seja por inexistirem descendentes e ascendentes (CC. o filho ingressa na família do genitor e passa a usar o sobrenome deste. Se não houver herdeiros sucessíveis conhecidos.829. ainda que o registro de nascimento tenha sido lavrado anteriormente à sua promulgação. mas a ação pode ser contestada por qualquer pessoa “que justo interesse tenha” (CC. seja por concorrer com eles à herança (art. ser apresentada pela mulher do investigado. quando o oficial do Registro Civil encaminhar ao juiz os dados sobre o suposto pai.). a ação deverá ser dirigida contra seus herdeiros. O principal deles é estabelecer a relação jurídica de parentesco entre pai e filho. parágrafo 4o. art. Havendo descendentes ou ascendentes. na defesa dos interesses do investigando.829. afastando-se. I e II). O registro de nascimento deve ser. salvo como representante do filho menor. sempre que for herdeira. 1. 1. não passando de um acervo de bens. Efeitos do reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento O reconhecimento produz efeitos de natureza patrimonial e de cunho moral. O reconhecimento é incondicional:não se pode subordiná-lo a condição. ou mesmo de sua concepção. se isto condisser com seus interesses”. em nome do melhor interesse da criança. Se o demandado já for falecido. mas poderá ordenar que o filho se crie e eduque fora da companhia dos pais ou daqueles que lhe contestou essa qualidade”.696) e à sucessão (art. Embora se produzam a partir do momento de sua realização. 1. 3. 2o. ela possa permanecer na companhia de quem a acolheu e criou. pode.829. Não é correto mover a ação contra o espólio do finado pai. É vedado ao pai subordinar a eficácia do reconhecimento à determinada data ou a determinado período.616 do CC que “a sentença que julgar procedente a ação de investigação produzirá os mesmos efeitos do reconhecimento. bem como outros parentes sucessíveis. 27 do ECA menciona expressamente “os herdeiros” do suposto pai. assim. uma vez que a declaração do estado de filho repercute não apenas na relação entre as partes. são. havendo elementos suficientes. I e II). III). IV). gerando as suas conseqüências. art. 1.615). 1. mas retroagindo “até o dia do nascimento do filho. a ação deverá ser movida contra eventuais herdeiros incertos e desconhecidos citados por editais. Trata-se de legitimação extraordinária deferida aos membros do parquet. art. para que dele venham a constar os dados atualizados sobre sua ascendência. O dispositivo permite. mas pode atingir terceiros. A defesa. assim. Deverá a viúva ser citada como parte. não da data do ato. se não concorrer com estes à herança. retroativos ou retrooperantes (ex tunc). se sujeita ao poder familiar.

226. parágrafo 3º refere-se à possibilidade de conversão em casamento. de homem e mulher. entre homem e mulher desimpedidos.Coordenadores: Marcelo T. . o convívio. ou seja. união entre homem e mulher não inquinada de impedimento. empregado pelo constituinte de 1988 refere-se à união livre. desde a posse do estado de casados. No sentido restrito. com notoriedade de longos anos. porque naquele há sempre impedimento. O concubinato não se confunde com a união estável (ou. como se fossem marido e mulher. um amplo (lato sensu) e um restrito (stricto sensu). até a união adulterina. tudo se incluiria na noção maior de concubinato. O termo união estável. Cometti Fernando F. é a convivência more uxorio. enquanto nesta a convivência pode ser convertida em casamento.103 - . No sentido amplo. Castellani CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL O termo “união estável” admite dois sentidos. Só se converte em casamento. tanto é que o texto constitucional – art. união livre).

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que não pode ser reduzida à noção de mero sustento (alimentação) mas envolve. inderrogáveis por convenção entre as partes. não se pode ajustar que seu montante jamais será alterado. porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos. sempre em decorrência da variação financeira das partes interessadas (art. etc. as regras que disciplinam a matéria são de ordem pública. extingue-se a obrigação alimentar decorrente do parentesco. 1698 do CC) poderá chamar outros parentes. de grau imediato para concorrer no cumprimento da dívida alimentar. Importante notar. logo tios ou sobrinhos (parentes em 3º grau) escapam da previsão legal. não é absoluto. lazer. também. habitação. não se pode renunciar ao direito de exigir alimentos (art. Isto é. recaindo a obrigação nos mais próximos em grau. podemos afirmar que alimentos são os auxílios prestados a uma pessoa para prover as necessidades da vida. vestuário. 1697). Assim. Se o quantum da pensão alimentícia subordina-se a um critério de proporcionalidade entre as necessidades do alimentado e os recursos do alimentante. O art. d) Princípio da mutabilidade (ou da variabilidade da prestação) – A decisão judicial sobre alimentos faz coisa julgada formal. a) Princípio da reciprocidade – Dispõe o art.) ou em dinheiro. quer por contrato ou convenção (art. . tem uma conotação amplíssima. o dispositivo legal prescreve uma obrigação alternativa. mas sempre no limite das forças do monte. germanos como unilaterais (art. isto é. Castellani CAPÍTULO V – ALIMENTOS Alimentos. de modo que. O texto legal é claro e não deve gerar maiores questionamentos: o credor pode não exercer. Logo. 1707). 1. sempre que o binômio se alterar produzirá efeitos imediatos sobre a pensão provocando exoneração. e extensivo a todos os ascendentes. faltando estes. 1701 do CC confere ao devedor de alimentos a faculdade de optar entre o cumprimento da pensão em espécie. f) Princípio da alternatividade – Os alimentos podem ser pagos em espécie (moradia. alimentação. redução ou majoração. entende-se que a revisão é da essência da obrigação alimentar. a reciprocidade da obrigação alimentar ocorre tanto entre ascendentes como entre descendentes.Coordenadores: Marcelo T. ou em dinheiro. mas não material. saúde. ou de cada herdeiro. educação. O CC limita a obrigação na linha colateral ao segundo grau (irmãos). pois o parágrafo único do artigo confere ao juiz. não se pode estabelecer condição contrária ao disposto na lei. isto é. se as circunstâncias o exigirem. o poder de fixar a forma do cumprimento da prestação. Desse modo. c) Princípio da complementaridade – Se o parente convocado não estiver habilitado a cumprir a obrigação totalmente (art. respondendo cada herdeiro proporcionalmente à parte que lhe couber na herança.105 - . na linguagem jurídica. Cometti Fernando F. vestuário. 1707 do CC). O direito de escolha. 1699 do CC). uns em falta de outros. numerus clausus. portanto. b) Princípio da preferência – Na falta de ascendente cabe a obrigação aos descendentes e. 1696 do CC que o direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos. porém. e) Princípio da transmissibilidade – Os alimentos poderão ser cobrados do espólio. g) Princípio da irrenunciabilidade – Não podem as partes pactuarem de modo diverso. Princípios da obrigação alimentar Como se trata de um munus público. aos irmãos. ela é mutável podendo ser modificada a qualquer tempo. profissionalização. que o elenco previsto pela lei é taxativo. mediante o pagamento da prestação pecuniária. em faltando alguma das categorias citadas.

Atualização da dívida alimentar No art. 1710 do CC a atualização monetária é feita por fórmula mais ampla (índice oficial regularmente estabelecido) que subsiste por tempo indeterminado. . por decorrência jurídica. Também pode derivar de disposição testamentária (art. à outra pessoa. O parágrafo único do referido art. na velhice e quando necessitam de auxílio. c) Casamento e União Estável – Por força do princípio constitucional que inseriu as uniões estáveis como espécie do gênero maior entidades familiares. aos filhos compete sustentar os pais. na qual o marido (ou a mulher) convenciona a pensão a ser paga ao outro cônjuge. Exoneração da obrigação alimentar As três hipóteses arroladas no caput do art. Cessa o dever de prestar alimento em caráter definitivo por que o credor se encontra vinculado a outra pessoa.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 2. 3. 948. Fontes da obrigação alimentar A dívida de alimentos pode provir de várias fontes: a) Vontade das partes – Embora hipótese rara ela pode se materializar nos casos de separação consensual. II. d) Ato Ilícito – Quando o causador do dano fica obrigado a reparar o prejuízo mediante pagamento de uma indenização. a pensão alimentar decorre da responsabilidade civil. introduz a hipótese de ingratidão do alimentário como causa extintiva da obrigação do devedor. 1708 do CC (casamento. os companheiros também podem pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver (art. sem risco de perda de parâmetro oficial quando da desvalorização da moeda nacional. Da mesma forma. 1694). a eles compete sustentar e educar os filhos.106 - . são suficientes a justificar a cessação do pagamento da dívida alimentar. 4. É o que decorre do disposto no art. 1920). b) Parentesco – A lei impõe aos pais o encargo de prover a mantença da família e. união estável ou o concubinato) na medida em que acarretam o vínculo do credor da pensão.

que. escusa ou qualquer outro impedimento. somente aqueles casos são excludentes da tutela. c) Tutela dativa . b) Tutela legítima . 1739 – o nomeado exercerá a tutela. 1738). Castellani CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA A tutela e a curatela têm um ponto em comum. quanto a curatela representam um munus (encargo) público. de caráter personalíssimo e. 2. isto é. por conseguinte. Se o juiz admitir a escusa – art. Ambos devem estar no exercício do poder parental (art. A escusa deve ser apresentada no lapso temporal de 10 (dez) dias subseqüentes à designação. entende-se que a tutela foi atribuída ao primeiro. em princípio. Três são os tipos de tutela reconhecidos pela ordem civil brasileira: a) Tutela testamentária . 1730). São posto sob tutela Os menores cujos pais falecem Os menores cujos pais foram destituídos ou suspensos do poder parental São postos sob curatela Os Deficientes mentais Os excepcionais Os pródigos Os nascituros 1. Se existir apenas um dos genitores a este competirá a nomeação do tutor. e que os outros lhe sucederão pela ordem de nomeação. 1733. ambos os institutos objetivam proteger pessoas incapazes. 1729 restringe aos pais. o maior interesse do menor. no caso de morte. a nomeação do tutor. O rol do art. 1736 estão arrolados os casos específicos em que se justifica a escusa. Cometti Fernando F. no art. No art. Da escusa dos tutores Tratando-se de um encargo público a tutela. em conjunto. 1736 é taxativo. até a decisão do recurso interposto. . incapacidade.Na falta de nomeação a lei estabelece a ordem de preferência dos eventuais tutores (art. aos maiores incapazes. A tutela dativa tem caráter subsidiário. daqueles que não forem parentes do menor e que. o art. se mais de um tutor foi nomeado em disposição testamentária. a administração de seus bens e sua representação para os atos e negócios da vida civil. Aí reside o divisor de águas entre os dois institutos. Tanto a tutela. Todavia. 1732).Na falta ou na impossibilidade dos consangüíneos. em princípio irrenunciável. própria da tutela dativa.737 a lei arrola mais uma hipótese de escusa. 1731) ordem que não é inflexível. de fato e de direito. 1. Da tutela A tutela possui três finalidades específicas: os cuidados com a pessoa do menor.O art. devendo-se considerar. sob pena de entender-se renunciado o direito de alegá-la (art. não estão obrigados a aceitar a tutela. o munus é direcionado a pessoa estranha ao grupo familiar (art. que necessitam da presença de outrem que aja em nome delas. sempre. O Código Civil manteve a distinção do direito antigo: a tutela dirige-se aos menores e a curatela. não pode ser recusada. porque somente ocorrerá quando inexistir tutor testamentário ou legítimo.Coordenadores: Marcelo T.107 - . Dispõe. ainda.

6. Ao final da cada ano de administração. c) Adimplir os demais deveres que normalmente competem aos pais. A interdição dessas pessoas pode ser promovida pelos pais ou tutores. prevaricador (é o que descumpre o dever a que está obrigado. quando necessário. no art. 5.108 - . sob o prisma do tutelado. ausência. Sob o prisma do tutor. Quanto ao patrimônio do menor compete ao tutor administrar os bens do tutelado em proveito do mesmo. descaso ou falta de zelo no exercício de suas funções). O tutor também deve representar o menor até os dezesseis anos assisti-lo. defendê-lo e prestar-lhe alimentos. 1767. 1. 1742. Importante notar. 1759). 1757). deixarem o exercício da tutela ou toda vez que o juiz achar conveniente (art. em que era obrigado a servir (dois anos. que a tutela e a curatela são institutos muito próximos e com fins idênticos. 1766 a possibilidade de destituição do tutor quando negligente (isto é. ao sobrevir escusa legítima ou ao ser removido (art. 1768. 1764). Da prestação de contas do tutor Como administrador da pessoa do menor e de seu eventual patrimônio. tanto isso é verdade que o legislador. 1735 do Código Civil). O CC (art. por exemplo). 4. não poderá reclamar qualquer remuneração. manda aplicar-se à curatela as disposições concernentes à tutela. a quitação do menor só produzirá efeito depois de aprovadas as contas pelo juiz (art. dos dezesseis aos 18 anos de idade. com a maioridade ou emancipação do menor.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. conforme prevê o art. Da mesma forma. Se. Da curatela Quem exerce a curatela cuida dos interesses das pessoas arroladas no art. mediante justificativa em juízo. o tutor fica obrigado a prestar contas (art. Visualiza o art. 1758) subsistindo inteira. Em qualquer hipótese de impossibilidade do tutor prestar contas (morte. ou ao cair o menor sob o poder familiar (caso de adoção. os tutores submeterão ao juiz o balanço respectivo (art. . sob inspeção do Poder Judiciário. até então. 1774. etc. por qualquer motivo. Finda a tutela. o tutor se compromete a exercer gratuitamente o cargo. pelos cônjuges ou outro parente e pelo Ministério Público – art. Da cessação da tutela A tutela cessa. 1752 prevê a remuneração do tutor proporcionalmente à importância dos bens administrados. ao expirar o termo.) as contas serão prestadas por seus herdeiros ou representantes (art. porém. quanto à pessoa do menor: a) Dirigir-lhe a educação. Do exercício da tutela O art. a responsabilidade do tutor. 1755) ainda que o contrário tenham dispostos os pais do tutelado. b) Providenciar a correção do menor. 1756) e prestarão contas de 2 (dois) em 2 (dois) anos quando.743) previu a ocorrência de tutor subrogado sempre que o vulto e a complexidade do patrimônio e exigir e. Incumbe ao tutor. por improbidade ou má-fé) ou incurso em incapacidade (todas as vezes em que o tutor se encontrar em qualquer das hipóteses do art. o Código admite a figura do protutor (pessoa encarregada de fiscalizar o tutor) no art. 1765).

Coordenadores: Marcelo T. Castellani 7. Curatela dos nascituros Nascituro (art. a substituição e a supressão do parto. . Duas são as condições necessárias para materializar a curatela de seus bens: falecimento do pai ou perda do poder parental e. 1779) é o ser humano já concebido. Cometti Fernando F. se estiver a mulher grávida. mas ainda não nascido.109 - . A finalidade dessa curadoria é zelar pelos interesses do nascituro e impedir. mas não tendo o poder parental. em favor do feto e de terceiros.

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diz-se sucessão ad intestato (art. Porém a lei prevê outras situações: a) Ausência de domicílio certo – Será competente o foro da situação do imóvel (art. I. ativa e passivamente. representa o espólio judicial e extrajudicialmente. 2. Ocorre sempre que o autor da herança morre sem deixar disposição de última vontade. sem solução de continuidade.784 do CC). e c) o herdeiro pode prosseguir.111 - . 96. O direito brasileiro consagrou o sistema da limitada liberdade de testar. 1. será competente o lugar onde ocorreu o óbito.785). Deriva do testamento. A nomeação obedece às preferências ditadas pela lei (art. o foro de seu último domicílio no Brasil (art. prestando compromisso formal no processo e assumindo total responsabilidade pela guarda e conservação dos bens. 1. Com a morte do de cujus abre-se a sucessão. b) A testamentária – Resultante da vontade do testador. com as ações intentadas pelo de cujus. Castellani CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES 1.Coordenadores: Marcelo T. 96. Imediatamente a posse e a propriedade de seus bens transmitem-se aos seus herdeiros legítimos e testamentários. 1788 do CC). caput. 2º) . Com efeito. Espécies de sucessão Existem duas formas de sucessão no direito brasileiro (art. parágrafo único. Deste princípio resultam as seguintes conseqüências: a) a capacidade para suceder é a do tempo da abertura da sucessão (art. 1. 3. Cometti Fernando F. 1. quanto à cota disponível. Nomeado pelo juiz. Trata-se da aplicação do princípio de saisine.789 que o testador só pode dispor da metade da herança.789 c/c 1. sendo aí o foro competente para que se promovam o inventário e a partilha dos bens. e c) Falecimento no estrangeiro – Será competente para processar o inventário e a partilha. b) Pluralidade de domicílios – Se o de cujus possuía bens em diversos lugares. b) o herdeiro pode socorrer-se dos interditos possessórios na proteção de sua posse.787 do CC). Representação legal na sucessão O inventariante é o representante legal do espólio.845) diz o art. Lugar da abertura da sucessão A sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido (art. isto é. Aspectos gerais A sucessão em sentido restrito designa a transmissão de bens de uma pessoa (autor da herança. É o que deflui do disposto nos arts. do CPC) 4.786 do CC): a) A legítima – Resultante de lei. sem qualquer necessidade de manifestação dos mesmos (art. além da legítima. abre espaço à vontade soberana do testador. 1.846 do CC. do CPC). havendo herdeiros necessários (art. 1. da manifestação de vontade do testador que. 1. também chamado de de cujus) em decorrência de sua morte para uma outra (chamado genericamente de sucessor).797 do CC): 1º) o cônjuge ou companheiro. 1.

(Ex. abstrata. contudo estas hipóteses são restritas à sucessão testamentária. a responsabilidade da herança pelas dívidas do defunto limita-se às suas forças. mas silenciou sobre o respectivo término. Assim. possuidores e proprietários de uma cota ideal. ou seja. Mas a lei ainda previu a possibilidade de sucessão aos não concebidos (prole eventual – art. Trata-se de uma preferência legal e real. Aceitação da herança A aceitação da herança pode ser expressa. 5.799. 1. 1. Já a aceitação presumida é a prevista . Característica da herança A herança é uma universalidade de direito. 6.792 ainda precisa que o herdeiro nunca responde ultra vires hereditatis. 30 dias da data da abertura da sucessão. 1805). Ele também deverá respeitar o direito de preferência dos demais co-herdeiros. ou sobre o seu quinhão. depositado o preço no prazo de 180 dias. O direito de preferência dos co-herdeiros tem de ser exercido. O co-herdeiro só cede parte indivisa. Essa possibilidade existe desde a abertura da sucessão.796) estabeleceu o prazo de instauração do inventário. Não se trata de uma hipótese freqüente. tácita ou presumida. desaparece via inventário que. A expressa é a manifestada por escrito (art. que só se materializará (ou concretizará) no momento da partilha. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial. Em outras palavras.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI o herdeiro (na posse e administração do espólio). embora o prazo de encerramento esteja previsto no CPC que é de 6 meses. O art.112 - . Capacidade para suceder São capazes de herdar as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros) no momento da abertura da sucessão. 1. o fato do herdeiro outorgar procuração ao advogado para acompanhar o inventário). esta é pessoal e intransmissível. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo de cujus aos herdeiros. 9. o direito sobre a herança indivisa. ou fração ideal. do cedente para o cessionário. O estado de indivisão. Até a partilha todos os herdeiros encontram-se frente ao espólio como condôminos. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios na eventualidade de substituição ou direito de acrescer. 7. após a transmissão. minucioso e exato. 8. 4º) a pessoa de confiança do juiz (inventariante judicial). 3º) o testamenteiro. Não se transfere a qualidade de herdeiro. Através da cessão transfere-se. I) e as pessoas jurídicas (de direito público e privado). Cessão de direitos hereditários O CC admitiu a cessão dos direitos hereditários mediante escritura pública e da anuência dos demais co-herdeiros. decorrente da abertura da sucessão. Ele garante a igualdade de quinhões. A aceitação tácita é a que resulta de atos compatíveis com o caráter dos herdeiros. ele não responde pelos encargos superiores às forças da herança. ou seja. Instauração do inventário O CC (art. jamais bem singular do acervo.

113 - . não admite revogação pois. No direito pátrio jamais ocorre a aquisição imediata da herança pelo Estado. O ente público somente adquire a propriedade dos bens hereditários após a declaração de vacância. Transcorrido todo o prazo prescritivo. mediante devida habilitação. b) Tenha sido pura e simples (sem termo ou condição). admissível um ano após a conclusão do inventário (art. d) Os descendentes do de cujus não podem representar o renunciante na sucessão do ascendente.820). sendo conhecidos renunciaram à herança. Importante observar que a aceitação não admite parcialidade. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. Cometti Fernando F. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade.Coordenadores: Marcelo T. Os efeitos da renúncia são: a) A renúncia afasta o renunciante da sucessão. eventual herdeiro) pode requerer a notificação do herdeiro silente. e c) Tenha sido feita em favor de todos os co-herdeiros. e e) Se o renunciante for o único de sua classe ou se todos os outros da mesma classe renunciarem os filhos poderão herdar por direito próprio e por cabeça A renúncia é irretratável. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. Se em 30 (trinta) dias não se pronunciar o herdeiro. Castellani no art. O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. da mesma forma que a renúncia. Herança jacente Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. sem a habilitação de qualquer herdeiro. . quanto na sucessão testamentária. chamado à sucessão. condição ou termo. Os bens do de cujus. 10. Evitando-se que o patrimônio caia no vazio a lei indica o Estado para recolher a herança vaga. sem herdeiros passam a pertencer ao Município no qual se encontram. declara que não a aceita. 1. retroagindo ao momento da abertura da sucessão o renunciante é considerado como se jamais tivesse existido. Renúncia da herança É o ato pelo qual um herdeiro. ou que. b) A cota do renunciante acresce à dos outros herdeiros (art. Para que se caracterize é fundamental a ocorrência de três condições: a) Tenha sido gratuita. tratando-se de ato jurídico unilateral. 11. devolve-se a herança aos herdeiros da classe subseqüente. 1807 do CC. c) Se o renunciante é o único herdeiro da classe. O período que medeia entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do de cujus chama-se jacência. 1810). Qualquer interessado (credor. presumirse-á aceitação da herança. aperfeiçoa-se desde o momento da declaração soberana de vontade. A jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. Localizados no Distrito Federal sãolhe devolvidos e se encontrarem-se nos territórios revertem em favor da União. devolvendo-se esta ao Estado.

1. 15. b) A restituição dos bens que compõem o seu acervo hereditário. São eles: os descendentes. todavia. Conforme dispõe o art. a lei deixa de reconhecer vocação hereditária ao cônjuge.114 - . Sucessão dos descendentes A sucessão dos descendentes ocorre por cabeça (quando os herdeiros se encontram no mesmo grau de parentesco do de cujus) ou por estirpe (quando herdeiros de graus diferentes). a quem se transmite a totalidade ou cota parte da herança. Para excluí-los da sucessão basta que o testador disponha dos bens. de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente”. Ordem de vocação hereditária O critério da vocação é a proximidade do vínculo familiar. na data do óbito. qualquer herdeiro pode intentar a ação.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 12. 1829) e o companheiro. Nesta categoria incluem-se os colaterais até o quarto grau. quem quer que herde. Assim: a) Herdeiros de grau igual: herdam por cabeça b) Herdeiros de grau diferente: herdam por estirpe 14. os herdeiros mais próximos excluem os mais remotos (salvo hipótese de representação) e os herdeiros de grau igual. Da petição de herança Trata-se do meio judicial de que se serve o herdeiro excluído para garantir sua qualidade sucessória e natural acesso aos bens herediários. recebem uma cota igual da herança. atribuindo a herança. em sua totalidade. em igualdade com os descendentes ou ascendentes do falecido. 16. Agora. aos descendentes: a) Se o regime de bens do casal era o da comunhão universal. o cônjuge sobrevivente concorre à divisão da legítima. legítima ou testamentariamente.830 o chamamento do cônjuge está condicionado a que. “salvo prova. sem os contemplar. os ascendentes. 1. Assim. Os herdeiros legítimos facultativos são os herdeiros que podem vir a herdar. e o cônjuge sobrevivente (concorrendo com as duas categorias. com ofensa ao seu direito de herdeiro. 1. Sucessão do cônjuge De acordo com o art. A petição de herança tem um duplo objetivo: a) O reconhecimento judicial da qualidade de herdeiro. nem deste separado de fato há mais de dois anos. Em três hipóteses. pode pedir a herança se outrem a possui. Herdeiros legítimos São as pessoas indicadas na lei (art. quando herdam em nome próprio. neste caso.846). A existência de herdeiros legítimos necessários impede a disposição testamentária dos bens constitutivos da legítima (art. na sucessão legal.829) como sucessores. 13. quando faltarem herdeiros necessários.824 do CC. b) Se o regime de bens era o da separação obrigatória. conforme prevê o inciso I do art. não estivesse separado judicialmente de de cujus. 1. e .

em concorrência com os outros . herdeiro e meeiro. incidindo a meação. Não havendo descendentes do falecido. como se dividirá a herança? C receberá metade da herança cabendo a outra metade a E e F conjuntamente (art. o princípio da proximidade é a regra. Cometti Fernando F. 19. a saber: a) Adoção plena . b) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. do ECA). Do direito de representação Trata-se de ficção porque. Diante de tais exceções à regra da concorrência entre descendentes e cônjuge. 1. Quando o cônjuge concorrer com ascendentes.). E no caso dos pais do de cujus estarem mortos. apenas sobre o patrimônio comum). A nova lei previu. Aqui. Sucessão na união estável A sucessão do convivente está prevista no art. tendo direito a no mínimo 1/3 (um terço) da herança.A herança do filho adotivo devolve-se aos seus pais adotivos (art. do C. são chamados os seus descendentes. O convivente somente irá receber a totalidade da herança caso o falecido não tenha deixado nenhum parente suscetível de receber a herança. também. 1. A sucessão do filho adotivo por seus ascendentes cria duas situações distintas. Castellani c) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. o convivente concorrerá à herança com os outros parentes porventura existentes. parágrafo 2o. mas não se admite a representação. Concorrendo com descendentes comuns receberá quota igual a que for paga ao descendente.C.836. e o de cujus tinha bens particulares (caso em que o cônjuge será. com maior extensão. ao mesmo tempo. obviamente. A ausência de patrimônio particular do de cujus importa serem comuns todos os seus bens: por uma circunstância fática.Coordenadores: Marcelo T. sem que o falecido tenha deixado bens particulares. ficando excluído os bens particulares deixados pelo de cujus. isto é. deve merecer igual tratamento. aquele livremente adotado pelos cônjuges mediante pacto antenupcial válido. 18. a sucessão devolve-se aos ascendentes. 1790 do CC. mas ainda vivos seu avô paterno C e seus avós maternos E e F. 41. Sua participação está limitada aos bens adquiridos onerosamente na constância da convivência. portanto. será irrelevante o regime de bens. o direito real de habitação sobre o imóvel residencial familiar para o cônjuge sobrevivente (art. b) Adoção Simples – A herança beneficiará os ascendentes naturais. parágrafo 2o. Se concorrer com descendentes só do falecido receberá metade do que cada descendente receber. Também aqui haverá herança e meação. Sucessão dos ascendentes Não havendo descendentes.831). ao último caberá participar da sucessão em três hipóteses: a) Se o regime de bens do casal era o da separação convencional.115 - . essa última situação se equipara à primeira (de comunhão universal) e. ainda. 17. c) Se o regime de bens era o da participação final nos aqüestos. Neste montante incluem-se os bens particulares. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor.

Na linha descendente. parágrafo único do CC).880 do CC). 21. A substituição é própria da sucessão testamentária .860. A representação (art. 1. Embora a representação (também chamada substituição legal) tenha muitos pontos em comum com a substituição.815 do CC).865 do CC). 1. É de 05 anos o prazo para impugnar a validade do testamento (art. Finalmente dispõe o art. 1. Testamento Testamento é o ato unilateral e revogável pelo que uma pessoa dispõe. Os ordinários são os facultados a todas as pessoas capazes. a representação é sem limites. 1. 1. para depois de sua morte.868 ao art. pois trata-se de um direito potestativo. O analfabeto (art. o surdo (art. A representação é própria da sucessão legítima.856 que o renunciante à herança de uma pessoa não está impedido de representá-la na sucessão de outra. mesmo antes de aberta a sucessão já se conhece a titularidade do substituto.867 do CC). Decorre da vontade pessoal do testador. 1. Podem testar os maiores de 16 anos (1.815. indefinição dos representantes que só se conhecerão no momento da abertura da sucessão. Os testamentos se dividem em ordinários e especiais. c) O testamento particular: É escrito e assinado pelo testador e lido na presença de três testemunhas que o subscrevem (art. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas (art. 1. Na ascendente não há que se falar em representação. pois. b) O testamento cerrado: É escrito e assinado pelo próprio testador ou por alguém ao seu rogo. 1. 1.864 ao art.867) devem usar este tipo de testamento. mas nunca na ascendente. 1. parágrafo único). com ela não se confunde. substituindo-o. Como a indignidade é de natureza estritamente privativa. . de todos os seus bens ou de parte deles. 1. A determinação da capacidade é a da feitura do testamento.866 do CC) e o cego (art.816 do CC). A indignidade é declarada por sentença em ação ordinária (art. Da indignidade Trata-se da destituição do direito hereditário que a lei impõe ao herdeiro ou legatário que se conduziu mal em relação à pessoa do de cujus.853). A pretensão por indignidade pode ser proposta pelo legítimo interessado dentro do prazo de 4 (quatro) anos. 1.859). a ocupar o lugar do presumido herdeiro. Em se tratando de colaterais (linha transversal) só ocorre direito de representação em favor dos filhos de irmãos do falecido.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI descendentes mais próximos do autor da herança. 1.852) só ocorre na linha reta descendente. 20. 1. logo.876 ao art. quando com irmãos deste concorrerem (art. 1.875 do CC). O prazo é decadencial. completando por instrumento de aprovação lavrado pelo tabelião em presença de duas testemunhas (art. 1. São eles: a) O testamento público: É o ditado pelo testador e lavrado pelo tabelião em livro de notas. a partir da abertura da sucessão (art.116 - . mas apenas declarativo da incapacidade para suceder. há. iniciada ou não a ação extinguese com o falecimento do herdeiro ameaçado (art. A sentença que declara a indignidade não é título constitutivo. Decorre de imposição legal. sendo o seu efeito retroativo à data da abertura da sucessão.

c) Perecimento ou evicção da coisa legada. 1. c) De coisa singularizada (art. b) O testamento aeronáutico: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de aeronaves militares ou comerciais (art. roupas de pouco valor e de uso pessoal. i) De imóvel (art. legado de móveis. 1.117 - .Coordenadores: Marcelo T.892 do CC).920 do CC).921 do CC). e) Pré-morte do legatário.893 ao art.912 do CC). Castellani Os testamentos especiais são os facultados a certas e determinadas pessoas que se encontram em situações excepcionais.918 do CC).892 do CC). São eles: a) O testamento marítimo: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de navios de guerra ou mercantes. 1. 1. b) Alienação da coisa legada. 1. b) De coisa comum (art. Cometti Fernando F. c) O testamento militar: Feito por militares e demais pessoas a serviço das Forças Armadas.922 do CC).914 do CC). Cinco são os motivos geradores: a) Modificação da coisa legada. 1.888 ao art. 1. d) De coisa localizada (art. despesas e dádivas de pequeno valor. jóias. 1. ou em praça sitiada ou com as comunicações interrompidas (art. esmolas de pouco monta a determinadas pessoas ou aos pobres de certo lugar. f) De quitação de dívida (art. Codicilo Trata-se de um ato de última vontade pelo qual o disponente traça diretrizes sobre assuntos pouco importantes. b) O legatário (a quem o legado beneficia). Contém disposições sobre: enterro. Três são as pessoas que figuram no legado: a) O testador (legante). Os legados podem perder sua eficácia. Legado Trata-se da disposição testamentária a título particular. 23. Realizados com as formalidades da lei se apresenta com forma similar ao testamento público ou ao testamento cerrado (art.919 do CC). 1. 1. d) Indignidade. c) O herdeiro (incumbido de cumprir o legado). 1. h) De usufruto (art. .917 do CC). 1. g) De alimentos (art. Trata-se da caducidade dos legados. 1. 1. Quanto ao objeto os legados são: a) De coisa certa (art.916 do CC). Só pode ser objeto de legado bem que pertence ao testador. dentro ou fora do país. e) De crédito (art. destinada a conceder a alguém uma determinada vantagem econômica.896 do CC).888 ao art. 1. 22.

condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança. 1.814 também autorizam a deserdação as hipóteses descritas no art. quando o testador.964 do CC) tem o poder de gerar a deserdação. Todavia. pode ocorrer quando todos os herdeiros forem capazes e estiverem acordados sobre a partilha dos bens deixados pelo de cujus. e será plural ou coletiva se vários forem os substitutos convocados simultaneamente. Trata-se de um instituto exclusivo da sucessão testamentária. c) Substituição fideicomissária: É a substituição quando ocorre a transmissão concomitante e sucessiva a duas pessoas. instituindo vários herdeiros ou legatários. 25. Trata-se de um instituto específico da sucessão testamentária. Além disso. Só o testamento (art. se só tiver um substituto ao herdeiro ou legatário instituído.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 24.118 - . Constitui-se numa simples troca de titulares. 26. os declara substitutos uns dos outros. A substituição recíproca pode ser geral (quando todos substituem ao herdeiro ou legatário que faltar) ou particular (quando uns herdeiros ou legatários determinados substituem outros determinados. e reciprocamente). A figura da substituição hereditária apresenta várias modalidades: a) Substituição vulgar: Ocorre quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. 1. porém guarda estreita ligação com a indignidade. consistindo este na boa partição . não poder ou não querer assumir a herança ou o legado é que surgiu o instituto da substituição. b) Substituição recíproca: Ocorre quando os co-herdeiros. como meio de dar continuidade à cadeia sucessória.962 do CC. Das substituições Prevendo a hipótese do herdeiro. 2ª) a obrigação de conservar e restituir os bens. Neste caso. Do inventário O inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros. deve ser atendido o princípio da igualdade na partilha. 1. o legislador exige a prova da veracidade da causa (art. Mediante fideicomisso (confiança) o testador (fideicomitente) transmite a propriedade resolúvel da coisa a um primeiro beneficiário (fiduciário).965 do CC) cabendo ao herdeiro provala no lapso temporal de quatro anos. ou do legatário. O inventário. com a obrigação de que esse transfira para um segundo beneficiário (fideicomissário). na forma de arrolamento sumário. Três são as características constitutivas da substituição fideicomissária: 1ª) a dupla disposição testamentária. a deserdação é mais ampla que esta última. ou co-legatários são substituídos uns pelos outros. ou. em testamento com declaração de causa. O testador só poderá perdoar o deserdado por meio da revogação testamentária. 1. Da deserdação É a privação dos herdeiros necessários à legítima e à sucessão testamentária realizada pelo de cujus. Além das causas enumeradas no art. e 3ª) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário). Essa modalidade admite duas formas: será singular.

b) Venda de bens ou doações feitas por interposta pessoa. Sendo incapazes ou inexistindo composição entre os herdeiros. por não constituírem doação.119 - . a partilha será sempre judicial (art. Os gastos ordinários do ascendente para com o descendente não são colacionáveis. Trata-se de um ato anulável e a invalidação deve ser promovida através de ação anulatória. 29.010 e art. Dos sonegados Sonegado é tudo aquilo que deveria entrar na partilha. a cada um dos herdeiros. não restituído pelo mesmo ou por sucessor universal. 1. b) Existência de co-herdeiros necessários descendentes. 2. 2. em inventário causa mortis e a ser homologado pelo juiz. Da colação Colacionar é conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima.016 do CC). formando-se quinhões em partes iguais. c) Ocorrência de uma liberalidade em vida. 28. Tem como objetivo restabelecer a igualdade entre herdeiros legitimários. porém foi ciente e conscientemente omitido na descrição dos bens pelo inventariante. nem liberalidade (art.004 do CC. Da partilha É o ato pelo qual o partidor procede à divisão de um patrimônio entre os interessados. 2. A partilha em vida é possível e ela não se confunde com a doação (art. Os bens sujeitos à colação são: a) Doações e dotes constituídos pelos ascendentes. o valor da colação é o que lhe for atribuído no ato de liberalidade e. Cometti Fernando F. com prazo prescricional de 1 (um) ano. uma soma de valores correspondentes a seu direito hereditário. 2. determinando-se que outra seja feita.Coordenadores: Marcelo T. ou doado a herdeiro e não trazido à colação pelo beneficiário com a liberalidade. sob pena de ser a partilha anulada. De acordo com o disposto no art. os bens doados serão avaliados com base no que valiam ao tempo da liberalidade.029 do CPC. 27. c) Outros recursos fornecidos pelo ascendente em favorecimento do descendente. 2. São pressupostos da colação: a) Ocorrência de sucessão legítima. na falta desse valor. .018 do CC). dando-se em bens. contado nos termos do disposto no parágrafo único do art.011 do CC). Castellani da herança.

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