Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F.

Castellani

Sumário TÍTULO I – PARTE GERAL CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS ............................................................................ CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA ............................................................................... CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO .................................................................................. CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO .......................................................................................... CAPÍTULO V – DOS BENS ............................................................................................. TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .............................................................. CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS .................................................. CAPÍTULO III – CONTRATOS EM ESPÉCIE ................................................................ CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................ TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS CAPÍTULO I – POSSE ...................................................................................................... CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS .................................................................................. CAPÍTULO III – PROPRIEDADE .................................................................................... CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA ...................................... CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA ..................................................... TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO ......................................................................................... CAPÍTULO II – PARENTESCO ....................................................................................... CAPÍTULO III – FILIAÇÃO ............................................................................................. CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL ............................................................................... CAPÍTULO V – ALIMENTOS ......................................................................................... 87 97 99 103 105 71 73 75 79 83 31 49 53 67 3 9 15 25 27

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Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA ...................................................................... 107 CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES .............................................................. 111

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO I - PARTE GERAL

CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS

1. Conceito de personalidade jurídica A personalidade jurídica é um atributo essencial para ser sujeito de direito (art. 1º do CC). Para a teoria geral do direito civil a personalidade é uma aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações. Todavia, a noção de aptidão, ou seja, qualidade para ser sujeito de direito, conceito aplicável tanto às pessoas físicas como às pessoas jurídicas não é o único sentido técnico de personalidade. Num sentido valorativo, a personalidade traduz o “conjunto de características e atributos da pessoa humana, considerada objeto de proteção privilegiada por parte do ordenamento, bem jurídico representado pela afirmação da dignidade humana” (Gustavo Tepedino, Heloisa Helena Barbosa, Maria Celina Bodin de Morais. Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Rio de Janeiro: Revonar, 2004, p.04). Resumindo os dois sentidos técnicos que envolvem o conceito de personalidade jurídica podemos afirmar que: a) ela significa a possibilidade de alguém ser titular de relações jurídicas, como forma de expressão da dignidade da pessoa humana e, b) objeto de tutela privilegiada pela ordem jurídica constitucional. 2. Início da personalidade jurídica da pessoa natural O início da personalidade é marcado pelo nascimento com vida, conforme dicção do art. 2º do CC. Clinicamente o nascimento é aferível pelo exame de docimasia hidrostática de Galeno. Em consonância com o texto do art. 2º do CC, a doutrina majoritária defende que o Direito Civil positivo adotou a teoria natalista para o início da personalidade jurídica. Nessa linha, o nascituro, ente concebido, mas não nascido, não passa de uma potencialidade de direitos. Em sentido contrário, por influência do Direito francês, surge a teoria concepcionista pela qual o nascituro adquiriria personalidade jurídica desde a concepção, sendo, assim, considerado pessoa. Aqui o nascimento não é condição para que a personalidade exista, mas para que se consolide. 3. Proteção jurídica do nascituro Nascituro é o ente já concebido, mas ainda não nascido. Deixando de lado as discussões teóricas sobre o início da personalidade jurídica, é certo que a segunda parte do art. 2º do CC expressamente “põe à salvo os seus direitos”. Assim, pode-se afirmar que na legislação em vigor o nascituro: a) É titular de direitos personalíssimos (como o direito à vida); b) Pode receber doação, conforme dispõe o art. 542 do CC: “A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita por seu representante legal”; c) Pode ser beneficiado por legado e herança (art. 1798 do CC); d) Pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses (arts. 877 e 878 do CPC); e) O Código Penal tipifica o crime de aborto;

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ou seja. e não apenas o patrimônio do -4- . afirmou que “a proteção que o Código Defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos de personalidade. De acordo com o art. Personalidade e capacidade jurídica são as duas faces de uma mesma moeda. I) – Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no. Todo ente com personalidade jurídica possui também capacidade de direito. aprovado na Jornada de Direito Civil. também chamada de capacidade de exercício. é exatamente o patrimônio da família. É bom lembrar que o enunciado 01. sem a interferência de terceiros na qualidade de representantes ou assistentes. II). tendo em vista que não se nega ao indivíduo a qualidade para ser sujeito de direito. c) Os que por causa transitória não puderem exprimir sua vontade (art. já que o que se protege. Esta é uma forma específica de exercício de determinados atos da vida civil. A capacidade de fato. prevista nos artigos 1. tais como o nome. 4º.177 ao artigo 1186 do CPC. a qual se refere à aptidão para a prática em geral. também conhecida como capacidade de gozo ou capacidade de aquisição. 3º do CC são considerados absolutamente incapazes: a) Os menores de 16 anos (art. IV) – Esta modalidade de incapacidade deve ser decretada judicialmente por requisição do cônjuge ou familiar. Ele distingue duas modalidades de incapacidade. a saber: a incapacidade em absoluta e a relativa. c) Os deficientes mentais que tenham o discernimento reduzido (art. com a incapacidade do pródigo. Trata-se de um divisor quantitativo de compreensão do indivíduo. Entretanto. b) Os ébrios habituais e os viciados em tóxico (art. ao contrário da capacidade de direito possui estágios definidos no próprio Código Civil. Nesta hipótese a incapacidade deve ser reconhecida por meio da ação de interdição. Da capacidade de fato distingue-se a legitimidade (ou legitimação). 8069/90). seus direitos civis. 4º. os adolescentes até os 16 também são reputados absolutamente incapazes. 4º. d) Os excepcionais sem desenvolvimento mental completo (art. os quais deverão ser verificados cumulativamente. II) – Trata-se de uma hipótese que o indivíduo é atormentado por uma patologia que o impede de praticar atos no comércio jurídico. De acordo com o art. ao contrário da capacidade. 4º do CC são considerados relativamente incapazes: a) Os maiores de 16 e menores de 18 anos (art. 4º. 3º. III) – São elementos para a configuração dessa forma de incapacidade o caráter temporário e a impossibilidade total de expressão da vontade. A capacidade de direito não se confunde com a capacidade de fato. b) Aqueles que sofrem de doença ou deficiência mental (art. III) – A previsão da incapacidade relativa dos excepcionais tem como propósito proteger os atos praticados pelos agentes nessas situações. 3º. pode ser entendida como a medida da intensidade da personalidade. Ela nada mais é do que a habilidade para praticar de forma autônoma. até os 12 anos de idade incompletos considera-se a pessoa criança. (ex. promovida pelo CEJ (Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal). sem prejuízo de sua salutar inserção no meio social. Capacidade de direito e capacidade de fato Por capacidade de direito. coma). 4. tendo em vista o comprometimento do seu quadro cognitivo. 3º. 4º.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI f) Tem direito a alimentos. e) Os pródigos (art. imagem e sepultura”. Este conceito se relaciona com as condições pessoais que determinado indivíduo reúne para exercer pessoalmente seus direitos. II). em 2002. I).

sem curador. 7º do CC.Estabelecimento civil ou comercial. Todavia é possível cogitar de uma presunção de morte. cuja prova se faz através da certidão extraída do assento de óbito. na hipótese de um menor posto sob tutela. sob a forma de instrumento público. hipotecar. ressalvada a hipótese de a senectude gerar um estado patológico. 77 e 78 da Lei no. emprestar. b) Emancipação judicial – Realiza-se mediante uma sentença judicial. 9º. A segunda hipótese trata dos desaparecidos em campanha de guerra ou feito prisioneiro. Trata-se de ato irrevogável. demandar ou ser demandado. 4º. (CC art. ressalvada a possibilidade de suas testemunhas o fazerem se faltar o especialista. I. 5º.015/73 (Lei de Registros Públicos).Coordenadores: Marcelo T. de acordo com o nível social em que está inserida. sendo o fato levado a registro. 7º. 6. parágrafo único. ou um deles na falta do outro. A morte deverá ser atestada por profissional de medicina. 3. Nesse caso. ou a existência de relação de emprego. 1782 do CC “a interdição do pródigo só o privará de. É bom lembrar que a senilidade não é causa de restrição da capacidade. nos termos dos arts. Castellani pródigo. A expressão economia própria deve ser entendida no sentido de caracterização de renda suficiente por meio do estabelecimento ou do emprego para a sobrevivência da pessoa. alienar. necessariamente. desde que o menor haja completado 16 anos (CC art. e praticar. II). 5º do CC nos traz as seguintes situações: 1. a exemplo da arteriosclerose. 7º. primeira parte). em geral. o juiz deverá comunicar a emancipação ao oficial de registro civil. Emancipação Trata-se de um uma hipótese de antecipação da aquisição da capacidade civil plena antes da idade legal. desde que. I). conforme se depreende da leitura do art. parágrafo único. segunda parte). independentemente de homologação judicial. se não constar dos autos haver sido efetuado este em oito dias. 6. transigir. O art. dar quitação. os atos que não sejam de mera administração”. Extinção da personalidade jurídica da pessoa natural A morte é o momento no qual a personalidade se extingue. de ofício.Colação de grau em curso de ensino superior. Sobre a capacidade dos índicos está será regulada pela Lei no.O Casamento. caso não seja encontrado até 02 dois anos após o término da guerra (CC art. em função deles. O referido dispositivo trata de duas hipóteses de morte presumida. parágrafo único). Para surtir os efeitos legais a escritura pública de emancipação deverá ser registrada no Cartório de Registro das Pessoas Naturais (CC art. De acordo com o art. 2. c) Emancipação legal – Ocorre em razão de situações descritas na lei.Exercício de emprego efetivo. Não se admite no ordenamento pátrio a hipótese de morte civil ou qualquer outro modo de perda da personalidade sem vida. ouvido pelo magistrado (Código Civil art. tendo em vista que o código civil remete a matéria para a legislação especial (art. 5º. 6. 5.001/73 (Estatuto do Índio). Cometti Fernando F. Antes da sentença o tutor será.. 4. Três são as formas de emancipação: a) Emancipação voluntária – É aquela concedida por ato unilateral dos pais em pleno exercício do poder parental. o menor tenha economia própria. II). A primeira trata da probabilidade extrema de morte daquele que se encontre em perigo de vida. -5- . I.

Portanto. sem deixar notícias. na transmissão dos direitos entre os sucessores e sucedidos. companheiro. 23 do mesmo diploma. 8º trata da hipótese de morte simultânea. a requerimento dos interessados na administração (cônjuge. enfim. o Poder Judiciário reconhecerá tal circunstância. os credores de obrigações vencidas e não pagas. -6- .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Por força do estabelecido no art. ou. parente sucessível) ou do Ministério Público. nem representante ou procurador. os que tiverem sobre os bens do ausente direito pendente de sua morte. O interesse no tratamento do tema justifica-se pela implicância de tal fato na ordem de vocação no plano da sucessão. podendo ser ilidida por prova que estabeleça a precedência da morte de um dos envolvidos. parágrafo 2º do CC). Assim. ou seja. poderão os interessados requerer que se abra provisoriamente a sucessão. se ele deixou representante ou procurador. Consideram-se interessados na abertura o cônjuge ou companheiro. 2) pais do ausente (genitores). a saber: 1) o cônjuge (também o companheiro). garantia pignoratícia ou hipotecária de restituí-los (art. 1160 do CPC). conhecida também como comoriência. o CC no art. conforme a menor possibilidade de reaparecimento do ausente: a) Declaração da ausência e curadoria dos bens: Com o desaparecimento de uma pessoa. mediante arrecadação de seus bens (art. Este processo tem três estágios. que passará a gerir os negócios do ausente até o seu eventual retorno. quem tem a posição de herdeiro do outro. A nomeação não é discricionária. as quais. Atente-se que não caberá nomeação de curador se não houver bens para administrar. Finalmente. 1728 e seguintes do CC). estabelecendo uma ordem legal estrita e sucessiva. preferindo os mais próximos aos mais remotos. Ausência das pessoas naturais Ausente é aquele que desaparece de seu domicílio. Cuida-se de uma presunção juris tantum. Por fim. Na nomeação o juiz deverá fixar os poderes e obrigações do curador. ou de fato por mais de dois anos antes da declaração de ausência. b) Sucessão provisória: De acordo com o art. A ausência é um processo no qual a proteção dos bens do desaparecido dá lugar à proteção dos interesses dos sucessores. dando. nomeando curador. 30. hipótese que se limita à previsão do art. 7. sem linhas gerais.. se não tiver separado judicialmente. 4) Qualquer pessoa à escolha do magistrado. 9º. 30 do CC). em se passando 03 anos. do CC a sentença declaratória de morte presumida deverá ser inscrita em registro público. segundo a qual se determina a morte simultânea daqueles que falecem na mesma ocasião. de forma a dar publicidade ao acontecimento. sem que dele se tenha notícias. em relação aos ascendentes. descendentes e o cônjuge. legítimos ou testamentários. surge uma massa de bens de bens sem que tenha alguém para administrá-la. em regra. com a declaração de ausência. os herdeiros presumidos. 26 do CC decorrido 01 ano da arrecadação dos bens do ausente. 1819 e seguintes do CC). 3) descendente. para caracterizar a ausência a não-presença do sujeito deve somar-se com a falta de notícias. IV. O sucessor provisório recebe os bens que caibam no seu quinhão. seguirão os princípios a respeito dos tutores e curadores (arts. observa-se que a curadoria dos bens do ausente não se confunde com a curadoria da herança jacente (arts. uma vez provada sua condição de herdeiro (art. Essa cautela de exigência de garantia é excepcionada. porém.

os bens serão entregues no estado em que se acharem. Mas a propriedade assim adquirida considera-se resolúvel. -7- . como forma de sanção ao comportamento negligente daquele.Coordenadores: Marcelo T. 33. se não regressar e nenhum herdeiro tiver promovido a sucessão definitiva. o que não acontecerá com os demais sucessores. c) Sucessão definitiva: Decorridos 10 anos do trânsito em julgado da sentença que concedeu a abertura da sucessão provisória. Depois desse período proceder-se-á à abertura do testamento. ou quando o ausente completar 80 anos de idade. 33. Porém. de acordo com o art. Cometti Fernando F. ou ao inventário e partilha dos bens. caso existente. 1845 do CC) terão direito subjetivo a todos os frutos e rendimentos dos bens que lhes couberem. os herdeiros necessários empossados (art. serão os bens arrecadados como vagos passando à propriedade do Município. Porém. os o preço de sua alienação. se de 05 datam suas últimas notícias. ou os que se sub-rogarem neles. capitalizar metade desses bens acessórios. Reversamente. o ausente perde direito ao montante acumulado em favor dos sucessores (art. Seja qual for o caso os direitos de terceiros são respeitados. se a ausência foi voluntária e injustificada. parágrafo único do CC). Na forma do art. como se o ausente tivesse falecido. 37 e 38 do CC). 28 do Código Civil. se o ausente regressar depois de passados os 10 anos nada recebe. Castellani A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeitos 180 após sua publicação e trânsito em julgado. não se desfazendo as aquisições realizadas. ou quando houver certeza da morte do ausente (arts. que deverão. do Distrito Federal ou da União. necessariamente. Se o ausente aparecer nos dez seguintes à abertura da sucessão definitiva. poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e levantamento das cauções. com prestação anual de contas ao juiz competente.

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Surgimento e início da personalidade da pessoa jurídica O surgimento da pessoa jurídica de direito privado se dá em dois estágios distintos. inclusive. deve emitir-se na conformidade do que prescreve o direito positivo. 2. para garantir a subsistência e realizar seus propósitos. como um animus. operar-se a suspensão legal de seus efeitos. análoga à pessoa física. Castellani CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA 1. podendo se revestir -9- . que não seria objetiva. manifestada nas associações e nas sociedades pela vontade do grupo componente e nas fundações pela de seu criador. b) Teoria orgânica ou da realidade objetiva – Seus partidários entendem que a pessoa jurídica é uma realidade viva. ou seja. recebe do ordenamento personalidade jurídica. inclusive de natureza social e antropológica. podendo. com vistas à realização de seus objetivos. Caracteres gerais da pessoa jurídica Por diversas razões. que é a idéia dominante. as quais refletem a evolução deste instituto ao longo da história. Para esta teoria as pessoas jurídicas possuem tanto um corpus. pois a personificação dos grupos se opera por construção jurídica. por meio da desconsideração. vontade eminentemente criadora que. Teorias sobre a natureza da pessoa jurídica Diversas são as teorias que tentam explicar a caracterização das pessoas jurídicas. O grupo. para ser eficaz. Contudo. O primeiro ocorre com a exteriorização da manifestação de vontade que permite a criação e a elaboração do ato de constituição. que administra e mantém a entidade em contato com o mundo. c) Teoria da realidade técnica – Esta teoria situa a pessoa jurídica como produto da técnica jurídica. A melhor doutrina entende que a teoria da realidade técnica é a que melhor explica o tratamento dispensado à pessoa jurídica por nosso ordenamento. 45 do CC permite afirmar que a personificação da pessoa jurídica é. A análise do art. daí porque a liceidade é imprescindível à vida da pessoa jurídica. As principais são: a) Teoria da ficção – Segundo essa concepção o direito concebe a pessoa jurídica como uma criação artificial. é simplesmente uma ficção. construção da técnica jurídica. cuja existência.Por óbvio não é possível reconhecer validade a um ente que atue em descompasso com o ordenamento jurídico que possibilitou seu surgimento. o ato de atribuir personalidade não seria arbitrário. de fato. com exceção dos casos especiais tratados no CC. O ato deverá ser escrito. c) Liceidade de seu propósito . o homem tende a agrupar-se. assim. 3. franqueando aos indivíduos a adoção de instrumento particular ou exigindo o instrumento público.Coordenadores: Marcelo T. independentemente de qualquer autorização estatal. para a constituição ou o nascimento da pessoa jurídica é necessária a conjunção de três requisitos: a) Vontade humana criadora . rejeitando a tese ficcional para considerar os entes coletivos como uma realidade. em situações excepcionais admitidas por lei. mas à vista de uma situação concentra. viabilizando a sua atuação autônoma e funcional. Cometti Fernando F. por isso mesmo.È a vontade gregária que marca o surgimento das pessoas jurídicas. b) Observância das condições legais – É a lei que determina a forma a que obedece aquela declaração de vontade.

aos legítimos interessados cabe o direito potestativo de anular a constituição da pessoa jurídica. seria aquela organizada por escrito. diferentemente do registro civil de nascimento da pessoa natural. se houver. nem formalização desta. desprovida de personalidade. A situação configura o instituto da herança jacente. 45 do CC. testamento ou herdeiro legítimo notoriamente conhecido. O art. o patrimônio deverá ser incorporado aos bens da União. salvo nas hipóteses das fundações. como destaca o próprio texto do parágrafo único do art. carecendo. mas com capacidade para se obrigar perante terceiros. Em segundo lugar. incluindo a representação junto às esferas judicial e extrajudicial. por ser atributivo de personalidade. a sociedade irregular. cuja titularidade é exercida pela figura do inventariante. c) Herança jacente e vacante – O CC no art. pois. f) às condições gerais na hipótese de extinção. seja ele formal ou substancial. já adquirida no instante do nascimento com vida. inclusive a destinação do patrimônio. 45 do CC exige o registro do ato de constituição. É preciso pôr em sinal a existência de outras entidades despersonalizadas. b) Espólio – Este consiste no patrimônio deixado pelo de cujus e compreensivo do conjunto de direitos e obrigações. todavia. O registro tem natureza constitutiva. O condomínio não chega a ser uma pessoa jurídica. Na doutrina do direito comercial a sociedade de fato seria aquela que funciona sem que houvesse sido reduzido a termo o seu estatuto ou contrato social. d) ao esclarecimento se o ato constitutivo é passível de modificação no que concerne à administração e ao seu modo de atuar. uma vez que a ordem jurídica o instrumentaliza com os recursos jurídicos suficientes à administração de seus interesses. O prazo é decadencial. em primeiro lugar pela desnecessidade. eminentemente declaratório da condição de pessoa. 1819 prevê a hipótese de alguém vir a falecer. por sua vez. local da sede. Os bens permanecerão nesta condição até a sua entrega aos herdeiros que vierem a se habilitar ou à declaração de sua vacância. b) aos nomes e qualificações dos fundadores ou instituidores e dos diretores. . No caso de defeito no ato constitutivo. deixando acervo de bens sem. O fato jurídico que faz surgir é o evento morte e a sua extinção se opera com o fato jurídico da partilha de bens entre os herdeiros. d) Condomínio – Dá-se a figura do condomínio quando mais de uma pessoa possui a titularidade do domínio de um bem. c) às normas básicas de administração.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI de forma pública ou particular. que requerem instrumento público ou testamento. Entre esses dois momentos – morte e partilha – impõe-se administração do acervo de direitos e obrigações. e) à informação se os membros da pessoa jurídica respondem subsidiariamente pelas obrigações sociais. além das chamadas sociedades de fato ou irregulares: a) Massa Falida – Se refere ao acervo patrimonial que pertencia à empresa declarada judicialmente falida.10 - . 46 do CC dispõe sobre os dados a serem anotados na inscrição. mas sem a necessária inscrição dos atos constitutivos no registro peculiar. Ocorrendo esta. A falta do registro implica no surgimento de entidades de fato ou irregulares. É com a sentença declaratória de falência que surge a massa falida. porquanto o art. porque não há manifestação de vontade neste sentido. Abre-se o segundo estágio em razão da adoção do sistema das disposições normativas. Este se refere: a) identificação da pessoa jurídica segundo a sua denominação e fins. de affectio societatis. do Estado ou do Distrito Federal. tempo de duração e fundo social.

Cometti Fernando F. decidir pela aplicação da sanção. por ato inter vivos ou mortis causa. que passará à condição de associado. Na falta dessas. e. por deliberação dos associados. Note-se que. Capacidade e representação da pessoa jurídica A capacidade da pessoa jurídica é. havendo autorização estatutária. p. e na estrita forma do estatuto social (art. 2º) destituir os adminitradores. do Distrito Federal ou da União (art. Vol I. 56 do CC). Castellani 4. o titular de quota ou fração ideal do patrimônio poderá transmitir. omisso este. exige órgãos de representação para poder atuar na órbita social. § 2º do CC). os bens remanescentes serão devolvidos à Fazenda do Estado. São Paulo: Saraiva. faz-se presente. eventualmente. os seus direitos a um terceiro (adquirente ou herdeiro). 59 do CC estabeleceu-lhe competências absolutas: 1º) eleger os administradores. portanto. A receita gerada deve ser revertida em benefício da própria associação visando à melhoria de sua atividade. Ocorrendo a dissolução da associação. nos estatutos ou na própria lei. dada a sua estrutura. por não poder atuar por si mesma. São elas: a) Associações: São entidades formadas pela união de indivíduos com o propósito de realizarem fins nãoeconômicos. a sociedade ou a associação age. pelo fato de não perseguir escopo lucrativo. o patrimônio líquido. prevê o § 1º do art. por deliberação dos associados. Não deve. O estatuto social das associações deverá observar para a sua validade os requisitos indicados no art. A lei considerou intransmissível a qualidade de associado (art. Por cláusula do estatuto ou. especial. Em verdade.Coordenadores: Marcelo T. A assembléia geral é o órgão máximo das associações. Isto é.11 - . sem existência biológica ou orgânica. será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto. esse ente social não poderá. mais técnico seria falar em presentação da pessoa jurídica. 3º) aprovar contas. 61. por meio das pessoas jurídicas que compõem os seus órgãos sociais e conselhos deliberativos. Todavia. Essas pessoas praticam atos como se fosse o próprio ente social. antes da destinação do remanescente a .208). a associação não está impedida de gerar renda. Ela possui poderes deliberativos e o art. especialmente convocada. Trata-se de um conteúdo mínimo que poderá ser. em deliberação fundamentada e por maioria absoluta dos presentes. Novo Curso de Direito Civil. Considerando sua estrutura organizacional. Por se tratar de um ente cuja personificação é decorrência da técnica legal. “O seu campo de atuação jurídica encontra-se delimitado no contrato social. e 4º) alterar o estatuto. 57 do CC). de fins idênticos ou semelhantes. é permitido aos respectivos membros. 61. por óbvio. por sua própria natureza. poderá apreciar a existência de motivos graves. praticar atos ou celebrar negócios que extrapolem da sua finalidade social. A exclusão do associado só ocorre ocorrendo justa causa. ou. a pessoa jurídica. moldada a partir da técnica jurídica. como ocorre entre os sócios nas sociedades civis e empresárias. praticar todos os atos jurídicos admitidos para a pessoa natural. estadual ou federal. 54 do CC. Espécies de pessoas jurídicas de direito privado O art. 2004. a assembléia geral. Mesmo não cuidando o estatuto de elencar as condutas que entende passíveis de exclusão do associado. ampliado. 44 do CC prevê cinco espécies de pessoa jurídica de direito privado. no silêncio deste. à instituição municipal. Rodolfo Pamplona Filho. sob pena de ineficácia” (Pablo Stolze Gagliano. 5. porém os seus membros não pretendem partilhar lucros ou dividendos.

28. organização e funcionamento. ou simples desvio de função. Do art. 3) Elaboração dos estatutos (Há duas formas de instituição da fundação: a direta. As formas societárias previstas no nosso ordenamento são: 1) sociedade em nome coletivo.096/95. 2) sociedade em comandita simples. receber em restituição. em caso de fraude. a qual pode ser entendida como um mecanismo que pretende a supressão temporária da personalidade jurídica da sociedade. c) Fundações: São entidades resultantes de uma afetação patrimonial. b) Sociedades: São as entidades formadas pela união de pessoas que exercem atividade econômica e buscam o lucro como objetivo. que passam a ter responsabilidade pessoal pelo ilícito causado. com recurso ao juiz competente. sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos. há uma série ordenada de etapas que devem ser observadas. 50 do CC prevê a desconsideração. Contudo.12 - . 44 do CC estabelece que os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto na Lei n. que faz o seu instituidor. 9. 17 da CF). objetivando a satisfação do terceiro lesado junto ao patrimônio dos próprios sócios. abuso. e) sociedade em comandita por ações. e) Organizações religiosas: São entidades que muito se assemelham às associações. tendo autonomia para definir sua estrutura interna. 4) Aprovação dos estatutos (É o órgão do Ministério Público que deverá aprovar os estatutos da fundação. especificando o fim para o qual se destina. a saber: 1) Afetação de bens livres por meio do ato de dotação patrimonial. Dependendo do tipo de atividade realizada. organização. O § 3º do art. em caso de divergência). o § 1º. as contribuições que houverem prestado ao patrimônio da entidade. 2) Instituição por escritura pública ou testamento. quando o próprio instituidor o faz. ou a fiduciária. devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidária (art. 5) Realização do registro civil. Norma de teor semelhante existe também no CDC no art. por testamento ou escritura pública. estruturação interna. quando confia a terceiro a organização da entidade). 3) sociedade limitada. as sociedades podem ser simples ou empresárias. . O art. d) Partidos Políticos: São entidades com liberdade de criação. 4) sociedade anônima. Para a criação de uma fundação. Outras espécies como as cooperativas e as entidades desportivas não foram previstas neste dispositivo 6. 44 do CC garante-lhes liberdade de criação. 44 do CC não é um rol taxativo. em valor atualizado.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI entidades congêneres. pessoalmente. Desconsideração da personalidade jurídica O art.

o resultado será a extinção da pessoa jurídica. . em primeiro lugar. ou de sócio que tenha exercitado o direito de pedi-la na forma da lei. A dissolução das pessoas poderá ser: a) Convencional – A mesma liberdade que permitiu aos sócios a criação da pessoa jurídica pode levá-los à extinção desta. que dispõem do prazo de trinta dias contado da perda da autorização. c) Judicial – A iniciativa para a dissolução da pessoa jurídica. Extinção da pessoa jurídica O fim da pessoa jurídica poderá ocorrer por causas diversas.Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. é dos administradores. seguir-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. b) Administrativa – Ocorre quando a autorização para o funcionamento da pessoa jurídica é cancelada. mas em qualquer hipótese a personalidade subsistirá até que se ultime a liquidação e se proceda a anotação devida. Castellani 7. uma vez encerrada a liquidação. Para tanto devem ser observadas as normas previstas no estatuto ou contrato social. A dissolução deverá ser averbada no registro respectivo e. d) Fato natural – Ocorrendo o fato jurídico morte dos membros de uma sociedade. e não prevendo o seu ato constitutivo o prosseguimento das atividades por intermédio dos herdeiros.13 - .

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2003.Coordenadores: Marcelo T. p. Um exemplo é a fase de tratativas para celebração de um contrato. Cometti Fernando F. no sentido de mudar as relações anteriores a eles e de configurar novas situações. conservativos e extintivos do fato jurídico 1) Aquisição de direitos – Ocorre quando se dá sua conjunção com seu titular. aqueles fatos a que o direito atribui relevância jurídica. constitui o ponto de confluência entre a norma e o dever ser da realidade: é o modo pelo qual o ordenamento jurídico encontra real atuação. Por fim.15 - . b) Gratuita ou onerosa – de acordo com a existência ou não de uma contraprestação para a aquisição do direito. portanto. uma vez que ainda não foi incorporada ao patrimônio jurídico da pessoa. Renan. Conceito de fato jurídico lato sensu Os acontecimentos. ou historicamente. que. Assim. que geram direitos subjetivos são chamados. em relação à expectativa de direito. 2) Conservação de direitos – Atos praticados para o resguardo (defesa) de direitos. A título de complementação. em que não há falar. caso estes sejam ameaçados por quem quer que seja. Assim. “Fatos jurídicos são. Como exemplo. seria todo o acontecimento natural ou humano capaz de criar. São Paulo: RT. podemos lembrar o direito à sucessão legítima. à realização da avença. do direito eventual e do direito condicional. A expectativa de direito é mera possibilidade de sua aquisição. não estando amparada pela legislação em geral. conservar ou extinguir relações jurídicas. fato jurídico. 199). sem interposição ou transferência de outra pessoa. O direito eventual. Essas medidas. A aquisição de direitos tem sido analisada das seguintes formas: a) Originária ou derivada – de acordo com a existência ou não de uma relação jurídica anterior com o direito ou bem objeto da relação. O ordenamento atribui a um fato uma qualificação e uma disciplina. surge a propriedade quando o bem se subordina a um dominus. embora protegido pelo ordenamento jurídico. indistintamente considerados. por sua vez. Castellani CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO 1. modificar. 2. c) A título universal ou singular – se o adquirente substitui o sucedido na totalidade (ou em quota-parte) de seus direitos ou apenas de uma ou algumas coisas determinadas. por si só. em sentido amplo (lato sensu). o direito condicional é aquele que somente se perfaz se ocorrer determinado acontecimento futuro e incerto. Curso Avançado de Direito Civil: Vol 1. [coordenação Everaldo Augusti Cambler]. podem ser sistematizadas da seguinte forma: . a que correspondem novas qualificações jurídicas” (LOTUFO. de caráter muitas vezes acautelatório. modificativos. de tal sorte que ocorrendo concretamente o fato. só se consolida com a morte do autor da herança. porém. de fatos jurídicos ou fatos jurígenos. de um direito adquirido. refere-se a situações em que o interesse do titular ainda não se encontra completo. ainda. d) Simples ou complexa – Se o fato gerador da relação jurídica se constituir em um único ato ou numa necessária simultaneidade ou sucessividade de fatos. Efeitos aquisitivos. é importante distinguir os direitos futuros. em sentido amplo. pelo fato de não se terem realizado todos os elementos básicos exigidos pela norma jurídica.

para apreender sistematicamente o tema faz-se mister analisá-lo sob os três planos em que o negócio jurídico pode ser visualizado: a) Plano de existência – Um negócio jurídico não surge do nada. Os fatos jurídicos em sentido estrito subdividem-se em: a) Ordinários – São fatos da natureza de ocorrência comum. ou. 3. 1210.. da CF). uma enchente. por exemplo). para tanto que seja considerado como tal. a ordem jurídica admite. sempre excepcionalmente. dentro do campo da autonomia privada. exigindo-se. o decurso do tempo. 5º. Orlando. a decadência. que determina a produção de efeitos legalmente previstos. de acordo com a lei. b) Extraordinários – São fatos inesperados. o caso fortuito e a força maior. d) Ocorrida a violação. como é o caso do interdito proibitório. 280. 3) Extinção de direitos – Como tudo na vida. a ação de vontade. no ato de fixação do domicílio. XXXV.). também os direitos podem extinguir-se.C. o abandono. modificar ou extinguir uma relação jurídica” (GOMES. o atendimento a certos requisitos mínimos. Introdução ao estudo do direito civil. Ato jurídico em sentido estrito O ato jurídico em sentido estrito. às vezes imprevisíveis: um terremoto. os efeitos jurídicos pretendidos pelo agente (como no negócio jurídico). o desforço incontinenti (art. turbação ou esbulho de seu direito. como se dá no negócio jurídico (um contrato. Com efeito. 112 do C.16 - . Neste tipo de ato. costumeira. c) Atos de defesa preventiva – Antes mesmo da violação (mas diante da sua ameaça evidente) é possível o ajuizamento de procedimentos próprios para uma defesa preventiva. não existe propriamente um declaração de vontade manifestada com o propósito de atingir. etc. o ajuizamento de ações cognitivas ou executivas. refletindo-se no art. mas sim um simples comportamento humano deflagrador de efeitos previamente estabelecidos por lei. Note-se que o elemento caracterizador dessa categoria reside na circunstância de que o agente não goza de ampla liberdade de escolha na determinação dos efeitos resultantes de seu comportamento. como é o caso do perecimento do objeto. por exemplo. parágrafo 1º do CC).) como uma “declaração de vontade dirigida à provocação de determinados efeitos jurídicos. b) Atos de defesa do direito lesado – Tendo ocorrido a violação ao direito. como. constitui simples manifestação de vontade. por exemplo. 5. no exercício do direito constitucional de ação (art. a prática de atos de autotutela. cotidiana: o nascimento. Rio de Janeiro: Forense. Negócio jurídico O negócio jurídico é entendido pela corrente voluntarista (dominante no direito brasileiro. que se dirige. 10ª. sem conteúdo negocial. Fato jurídico em sentido estrito São todos os acontecimentos naturais que determinam efeitos na órbita jurídica. na definição do Código da Saxônia. a morte. a constituir.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI a) Atos de conservação – Atos praticados pelo titular do direito para evitar o perecimento. 4. 1993. Neste plano “não . p. É o que ocorre.

ao tempo que foi celebrado. a própria executoriedade da avença. A modalidade suspensiva provoca a aquisição do . isto não importa em produção imediata de efeitos. podem ser realizados de acordo com a conveniência da forma preferida pelas partes. a realidade da existência. como se vê do art. o objeto ser determinado ou. a exemplo do testamento e dos contratos constitutivos ou translativos de direitos reais imóveis acima do valor consignado em lei. Além do campo da licitude. Por fim. determinado ou determinável. ou seja. celebrar consigo mesmo. por exemplo. no art. quando o valor do contrato exceder o décuplo do maior salário mínimo vigente no país. trouxe à tona um capítulo inteiramente dedicado ao instituto da representação. traduzindo em uma forma especial ou em uma indispensável solenidade. figura outra importante categoria: a dos negócios ad probationem. apesar de a forma não preponderar sobre o fundo. ou seja. 117: “Art. do princípio da liberdade da formas. dando ensejo à incidência” (MELLO. portanto. como regra geral. c) Plano de eficácia – Ainda que um negócio jurídico existente seja considerado válido. com isso. A lei civil dispõe sobre três tipos de elementos acidentais: 1) Condição – Elemento voluntário que subordina o nascimento ou extinção do direito subjetivo a acontecimento futuro e incerto. ao negócio jurídico consigo mesmo. sob pena de se prejudicar não apenas a validade. seja perfeitamente válido. a alienação de um imóvel situado na lua. importa. Sobre o tema da capacidade o C. 2000. para que o negócio jurídico. Sobre o tema.” A licitude para a validade do negócio jurídico traduz a idéia de estar o objeto dentro do campo de permissibilidade normativa. com preceitos genéricos aplicáveis tanto à representação legal. como forma de manifestação de vontade do representado através do representante deve produzir plenamente seus efeitos. Todavia. nos termos do art. que os negócios jurídicos. ainda. o objeto deve. é anulável o negócio jurídico que o representante. ser observada. por força da adoção no C. vale observar a restrição legal sobre o autocontrato.C. Cometti Fernando F. uma vez que não se poderia reconhecer validade a um negócio que tivesse por objeto uma prestação naturalmente irrealizável. ainda.C. 104 enumera os pressupostos de validade do negócio jurídico: a) agente capaz. 116 do C. Castellani se cogita de invalidade ou eficácia do fato jurídico. perfeito para o sistema que o concebeu.) b) Plano de validade – O C. ao menos. Teoria do Fato Jurídico (Plano da Existência). Ao lado do negócio ad solemnitatem. apenas.C. diz-se que o negócio é ad solemnitatem. Há que ser.17 - . em último plano. aqui. Assim. suprindo omissão da legislação civil anterior. quanto à voluntária. A representação. b) objeto lícito. 117 – Salvo se o permitir a lei ou o representado. outrossim. como. quando a norma legal impõe determinado revestimento para o ato. Parágrafo único – Para esse efeito. para efeitos probatórios. Todo objeto deve. São Paulo: Saraiva. Nesses. Deve. tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido substabelecidos. pois estes podem estar limitados por elementos acidentais de declaração. no seu interesse ou por conta de outrem.. Observa-se.Coordenadores: Marcelo T. fisicamente possível. deverá. na forma deduzida no art. Tudo. Marcos Bernardes de. p. conter elementos mínimos de individualização que permitam caracterizá-lo. também. respeitar as leis naturais. possível. mas. deve revestir a forma adequada. para efeito de prova do ato jurídico. fica circunscrito a se saber se o suporte fático suficiente se compôs. pois. por não ser essencial. 83. o que significa dizer não ser proibido pelo direito e pela moral. determinável. 401 do CPC. a prova escrita é necessária. uma vez que a forma pública é indispensável para a validade do ato. c) forma prescrita ou não defesa em lei.C.

de terceiro ou do interesse público. A doutrina registra ainda o termo de graça. Pode ser legal ou convencional. A conseqüência do ato ilícito é a do surgimento do dever de reparar o dano causado. 187 do C. Honeste vivere. O termo pode ser suspensivo ou resolutivo. Finalmente. Defeitos do negócio jurídico Trata-se dos defeitos dos negócios jurídicos. suum cuique tribuere (viver honestamente. Dizem alguns. já a resolutiva. também denominado inicial (dies a quo) é o dia a partir de quando os efeitos de um negócio jurídico começam a produzir. que se classificam em vícios de consentimento –aqueles em que a vontade não é expressada de maneira absolutamente livre – e vícios sociais – em que a vontade manifestada não tem. O C. simplificadamente e generalizando. por seu art. e não uma prestação correspectiva sinalagmática. 1923. não prejudicar outrem. pela boa-fé ou pelos bons costumes. na realidade.C. ao passo que a ignorância é um estado de espírito negativo. que já existe. portanto. que ilícito é tudo aquilo que é contrário ao direito. de cláusula contratual. que transgride um dever jurídico. O segundo corresponde ao dia em que cessam os efeitos do ato negocial. O primeiro. 7.. São vícios de consentimento: a) Erro ou ignorância – Trata-se de uma falsa percepção da realidade. 188 do CC). Neste sentido é a regra do art. 3) Encargo ou modo – É a cláusula geradora de obrigação para a parte beneficiária em negócio jurídico gratuito e em favor do disponente. que exceda manifestamente os limites impostos pela finalidade econômica ou social.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI direito. ou pode ser uma obrigação imposta àquele que é beneficiário. uma vez realizado o negócio. 131.C. bastando. a legítima defesa e o estado de necessidade são causas excludentes de ilicitude. 6. vale observar que o exercício regular do direito. o total desconhecimento do declarante a respeito . Ele não instaura a relação jurídica. O primeiro decorre da lei o segundo. até porque se deve entender o direito como proteção do que é lícito. conclui-se não ser imprescindível para o reconhecimento do abuso que o agente tenha a intenção de prejudicar terceiro. a qual informa que o termo inicial suspende o exercício. 2) Termo – É o marco temporal que define o começo ou o fim dos efeitos jurídicos de um negócio jurídico. a intenção pura e de boa fé que enuncia. que é concedido pelo juiz no curso dos processos mediante dilação de prazo. de estrutura obrigacional. Ato ilícito Trata-se de um ato voluntário e consciente do ser humano. permite a extinção de seus efeitos na eventualidade de o fato previsto vir a acontecer. Adotou-se. É um peso atrelado a uma vantagem (uma restrição). Analisando o art. não a aquisição do direito. alterum non laedere.18 - . prevê a hipótese de legado a termo inicial ou suspensivo. O termo se caracteriza pela futuridade e certeza. o critério finalístico para a identificação do abuso de direito. atribuir-se o que é seu). O encargo pode ser uma restrição no uso da coisa. Ao lado e muito próximo do ato ilícito existe a figura do abuso de direito. previstas em nosso direito positivo (art. segundo a dicção legal.

a quem não resta outra alternativa senão praticar o ato. decorrente do desenvolvimento teórico da cláusula rebus sic stantibus. O acidental leva a distorções comportamentais que podem alterar o resultado final do negócio. todavia. que tem seu equilíbrio rompido pela superveniência de circunstância imprevista e imprevisível. imprevisíveis pelas partes e a elas não-imputáveis. A expressão “meu reino por um cavalo”. Castellani das circunstâncias do negócio. diante da inexperiência ou necessidade. 3) a desproporção deve ser considerável. e b) escusável (perdoável). uma vez que este se mancomuna de livre vontade para atingir fins espúrios. d) Lesão – Trata-se de um vício que permite a deformação da declaração de vontade por fatores pessoais do contratante. empregado para induzir alguém à prática de um ato jurídico que o prejudica. o consilium fraudis (o conluio fraudulento) e o eventus damni (o prejuízo causado ao credor). da obra de Shakespeare.Coordenadores: Marcelo T. por sua vez. aproveitando ao autor do dolo ou a terceiro. e 2) subjetivo. imaterial ou anímico (a premente necessidade. O erro. São vícios sociais: a) Simulação – È uma declaração enganosa de vontade. O principal é quando a causa determinante do negócio. Importante notar. São dois tipos de coação: física (vis absoluta) e moral (vis compulsiva). É um defeito que não vicia a vontade do declarante. daí a possibilidade de sua anulação. Dois elementos compõem a fraude. é aplicável quando a ocorrência de acontecimentos novos. o primeiro de natureza subjetiva e o segundo objetiva. que a doutrina entende que a vis absoluta neutraliza completamente a manifestação de vontade. e não simplesmente anulável. exploradas indevidamente pelo locupletante. só é considerado como causa de anulabilidade do negócio jurídico se for: a) essencial (substancial). em detrimento da lei ou da própria sociedade. b) Fraude contra credores – Consiste no ato de alienação ou oneração de bens. . e) Estado de perigo . b) Dolo – Trata-se de um artifício ou expediente astucioso.19 - . autorizarem a sua resolução ou revisão. visando produzir efeito do ostensivamente indicado. Cometti Fernando F. 2) a desproporção entre as prestações deve verificar-se no momento do contrato e não posteriormente. refletindo sobre a economia ou na execução do contrato. Suas características são: 1) a lesão só é admissível nos contratos comutativos. A lesão se compõe de dois requisitos: 1) objetivo ou material (desproporção das prestações avençadas). para ajustá-lo às circunstâncias supervenientes. tornando o negócio jurídico inexistente. ou à beira da insolvência. São eles. entretanto. respectivamente. Esta última. com o propósito de prejudicar credor preexistente. Pode-se classificar o dolo em principal e acidental. em virtude da diminuição experimentada pelo seu patrimônio. pressupõe negócio válido. já a teoria da imprevisão. pode ser um exemplo para esse vício. praticado pelo devedor insolvente. Importante observar que a simulação deixou de ser uma causa de anulabilidade e passou a figurar entre as hipóteses de nulidade do ato jurídico. A lesão é vício que surge concomitantemente com o negócio. com a aplicação da teoria da imprevisão. Não se confunde a lesão.Identifica-se como uma hipótese de inexigibilidade de conduta diversa. ante a iminência de dano por que passa o agente. assim como de remissão de dívidas. a inexperiência ou a leviandade da parte lesada e o dolo de aproveitamento da parte beneficiada). A distinção tem relevo para fins que o principal enseja a anulação do negócio e o acidental só pode levar às perdas e danos. c) Coação – Trata-se da violência apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar.

A anulabilidade somente pode ser a qualquer tempo. Prescrição Direito subjetivo é o poder que o ordenamento jurídico reconhece a alguém de ter. É. em que ao poder de uma das partes corresponde ao dever da outra. 3.A ação anulatória é decidida por decidida por sentença de natureza sentença de natureza desconstitutiva declaratória. 3. A pretensão revela-se.20 - . denominada ação pauliana. Nasce. Representa a estrutura da relação poder-dever.O ato nulo atinge interesse público 1. enquanto aquele é estático e. A esse direito de exigir chama a doutrina de pretensão. NULIDADE ABSOLUTA NULIDADE RELATIVA 1. causando lesão no direito subjetivo. de natureza cogente. Invalidade do negócio jurídico A previsibilidade doutrinária e normativa da teoria das nulidades impede a proliferação de atos jurídicos ilegais ou portadores de vícios. Dentro dessa perspectiva. 2. fazer ou exigir de outrem determinado comportamento. um dano para o titular do direito subjetivo. não se sujeitando ao argüida. Da infração desse dever resulta. assim. por influência do direito alemão. então. decadenciais de quatro (regra geral) ou dois (regra supletiva) anos. 6. uma situação jurídica subjetiva.O ato anulável atinge interesses superior. 6. pelo MP. 5. 4.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A anulação do ato praticado em fraude contra credores dá-se por meio de uma ação revocatório. para outros.A ação declaratória de nulidade é 5. e esta não é cumprida. ainda. o ato anulável (nulidade relativa). sinônimo de direito subjetivo. viola norma de ordem pública. segundo o CC. .Opera-se de pleno direito. a depender da natureza do interesse jurídico violado. embora com conotação dinâmica. é correto dizer-se que o ato nulo (nulidade absoluta). pela via judicial.Pode ser reconhecida. contaminado de vício menos grave.Somente pode ser argüida pelos terceiro interessado. portanto. em prazos prazo prescricional ou decadencial. e carrega em si vício considerado grave.Admite confirmação expressa ou tácita. ou ainda. como um poder de exigir de outrem uma ação ou omissão. 8. Por sua vez. para esse titular. 2. por 4. mesmo. pronunciada pelo juiz. a existência de um crédito. pressupõe. o poder de exigir do devedor uma ação ou omissão. 9.Pode ser argüida pelas partes.Não admite confirmação. que permite a composição do dano verificado. particulares. para alguns. decorre de infringência de norma jurídica protetora de interesses eminentemente privados. com a qual não se confunde. A pretensão que nasce no momento em que o credor pode exigir a prestação. Sendo assim. é um poder concedido ao indivíduo para realizar seus interesses. até legítimos interessados. nas relações jurídicas patrimoniais.Não se opera de pleno direito. salvo norma específica em sentido contrário. É verdadeira permissão jurídica. ou. legalmente tutelados. é possível afirmar que o reconhecimento desses estados são formas de proteção e defesa do ordenamento jurídico vigente.

Cometti Fernando F.Coordenadores: Marcelo T. pois. A argüição não se restringe. a soma do tempo corrido contra o credor ao que flui contra o seu sucessor (art. afirmando que a prescritibilidade é a regra e a imprescritibilidade a exceção. c) as de exercício facultativo (ou potestativo). antes que se tenha consumado. é nas obrigações que ele encontra a sua natural aplicação. 193 que a prescrição pode ser alegada “pela parte a quem aproveita”. Registre-se que os “relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes legais. Pode-se dizer. c) o decurso do prazo fixado em lei. 208 do CC. regra que deve ser acolhida pela doutrina e jurisprudência. b) as que se prendem ao estado das pessoas (estado de filiação. abdicar do direito de alegar esta defesa indireta de mérito (a prescrição) em face de seu credor. 189 e art. 22 do CPC. Importante observar que existem pretensões imprescritíveis. b) que não prejudique terceiro. deixando para fazê-lo somente em grau de apelação. como as destinadas a extinguir o condomínio.167). é permitida.). não prescrevem: a) as que protegem os direitos da personalidade. art. pois a renúncia à possibilidade de alegar a prescrição pode acarretar a diminuição do patrimônio do devedor. 196). que a prescrição tem como requisitos: a) a violação do direito. a condição conjugal). regra também aplicável à decadência por força do art. O Código Civil agrupou as causas que suspendem e impedem a prescrição em uma mesma seção. consumado o prazo prescricional e sem prejuízo a terceiro. se este deixou de alegar a prescrição de imediato. f) as pretensões de reaver bens confiados à guarda de outrem. que derem causa à prescrição. nos termos do art. em virtude da inércia de seu titular. Diz o mencionado art. b) a inércia do titular. . As mesmas causas ora impedem. em que não existe direito violado. Castellani Embora a pretensão seja um conceito técnico jurídico aplicável às várias espécies de relações jurídicas. E com o principal prescrevem os direitos acessórios (art. A pretensão e a exceção prescrevem no mesmo prazo (art. entendendo que estão subordinadas a uma unidade fundamental. 189 do C. isto é. 195).21 - . requer a capacidade do agente. também. Renunciar à prescrição consiste na possibilidade de o devedor de uma dívida prescrita. Assim. A única conseqüência da tardia alegação da prescrição diz respeito aos ônus de sucumbência: são indevidos honorários advocatícios em favor do réu. ora suspendem a prescrição.C. Em se tratando de ato jurídico. dois são os requisitos para a validade da renúncia: a) que a prescrição já esteja consumada. a qualidade de cidadania. no prazo previsto pela lei (art. na oportunidade da contestação. penhor ou mandato. 190). com o nascimento da pretensão. mas se estende a terceiros favorecidos por ela. Finalmente. O art. O prazo. em tese. desse modo. d) as referentes a bens públicos de qualquer natureza. a de pedir meação no muro vizinho. Assim. ao prescribente. o que a relaciona intimamente com o direito processual civil. 167 do CC/16). isto é. 1. e) as que protegem o direito de propriedade. A sua função mais importante é a de traduzir uma legitimação material para exigir uma prestação determinada. A prescrição é a perda da pretensão. Terceiros eventualmente prejudicados são os credores. a accessio praescriptionis. que são imprescritíveis. não se inicia novamente. que é perpétuo (reivindicatória). 191 não admite a renúncia prévia da prescrição. g) as destinadas a anular inscrição do nome empresarial feita com violação de lei ou do contrato (CC. pois. ou não a alegarem oportunamente” (art. dependendo do momento em que surgem. a título de depósito.

não prejudica os demais coobrigados (art. Decadência Existem direitos subjetivos que não fazem nascer pretensões.22 - .A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros. porque destituídos dos respectivos deveres. antes do seu início. Cessando as causas suspensivas. se o prazo ainda não começou a fluir. Qualquer ato de exercício ou proteção ao direito interrompe a prescrição. de um comportamento ativo do credor. que decorre de certos fatos previstos na lei. não há o seu descumprimento. aproveitando-se o tempo anteriormente decorrido. inutilizando o já decorrido A interrupção depende. o do doador revogar a doação simples. 3. 202. São direitos potestativos o do patrão dispensar o empregado. Desse modo. entretanto. significa extinção de direitos em . essa vantagem para o titular do direito subjetivo ofendido corresponde às desvantagens para o prescribente. Se. constituindo. São efeitos da interrupção da prescrição: 1. em sentido amplo. 202. para não se eternizarem as interrupções da prescrição. O art. diversamente da suspensão da prescrição. ou seu herdeiro. extinguindo o tempo já decorrido. instantâneo: “A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu. assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros (CC. o de aceitar ou não a proposta de contratar. que volta a correr por inteiro. não há lesão. a interrupção operada contra o co-devedor. o de aceitar ou não herança. A restrição é benéfica. Consequentemente. começando a correr novo prazo. como foi mencionada. ou do último ato do processo para a interromper” (art. portanto. dá-se a suspensão. aproveita aos outros. a causa ou obstáculo impede que comece. parágrafo único). ela se verificará pela maneira mais favorável ao devedor. igualmente. modificando ou extinguindo uma situação subjetiva sem que esta possa fazer alguma coisa se não sujeitar-se. que vê retardado o benefício que lhe poderia advir da prescrição. cujo prazo volta a fluir somente pelo tempo restante. expressamente declara que a interrupção da prescrição “somente poderá ocorrer uma vez”. Interrupção da prescrição é o fato que impede o fluxo normal do prazo. a prescrição continua a correr. em regra. A interrupção por um dos credores solidários. O tempo limita o exercício dos direitos potestativos pela inércia do respectivo titular. E não havendo dever. Assim. diferentemente da suspensão. a suspensão é a cessação temporária do curso do prazo prescricional sem prejuízo do tempo já decorrido. 10. O lado passivo da relação jurídica limita-se a sujeitar-se ao exercício de vontade da outra parte.Inutiliza-se todo o tempo prescricional decorrido. 2. art. Sempre que possível a opção. 204. São direitos potestativos. 204 do CC).O direito subjetivo atingido é beneficiado pela interrupção. § 1º). Constitui-se em um fato que não permite comece o prazo prescricional a correr. O direito potestativo é o poder que o agente tem de influir na esfera jurídica de outrem. Esta. caput. O efeito da interrupção da prescrição é. dilatando-se o período para composição do dano.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Impedimento da prescrição é o obstáculo ao curso do respectivo prazo. a qual recebe o nome de caducidade. o obstáculo surge após o prazo ter iniciado. não há pretensão.

simultaneamente. portanto. surgindo. Prescreve o art. direito e termo inicial do prazo. ser válida a renúncia à decadência estabelecida em negócio jurídico pelas partes. A decadência é estabelecida em lei ou pela vontade das partes em negócio jurídico. Cometti Fernando F. a decadência não é “suscetível de oposição. os prazos decadenciais são fatais e peremptórios.Coordenadores: Marcelo T. Enquanto a prescrição deve ser alegada pela parte interessada. própria da prescrição. 210). pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição. suspendem ou interrompem a prescrição. nem se interrompem. o exercício do direito potestativo. sendo de admitir-se. sem possibilidade de interrupção ou suspensão. mas o juiz não pode suprir a alegação. e também menor do que o da prescrição. isto é. . Aplica-se às relações que contêm obrigações. como meio de defesa”. A decadência traduz-se. O respectivo prazo é rigidamente fixado.23 - . Em princípio. O que se tem em mira é. em que este só corre da lesão do direito subjetivo. art. desde que se trate de matéria de direito disponível e não haja fraude às regras legais. perda dos direitos potestativos quando toma o nome de decadência. não a sua exigibilidade. a parte a quem aproveita. não se aplicam à decadência as normas que impedem. pois. No caso de decadência convencional. Seu fundamento é o princípio da inadmissibilidade de conduta contraditória. a contrario sensu. 207 que salvo disposição legal em contrário. deve o juiz conhece-la de ofício (CC. portanto. bem como de esclarecer que não são revogados os casos de um eventual dispositivo especial. em uma limitação que a lei estabelece para o exercício de um direito. art. o prazo começa a correr no momento em que o direito nasce. dispõe a lei (CC. e em sentido restrito. No caso de decadência legal. o que não ocorre na prescrição. ainda. pois não se suspendem. 209) que é nula a renúncia à decadência fixada em lei. o interessado. Na decadência. extinguindo-o e pondo a termo ao estado de sujeição existente. A inserção da expressão “salvo disposição em contrário” no aludido dispositivo tem a finalidade de definir que tal regra não é absoluta. Sendo matéria de ordem pública. sendo objeto de ação constitutiva. Castellani geral.

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uma sede estável da pessoa. 70. onde será aberta a sucessão hereditária (art. não possuam o requisito material do domicílio. inclusive com uma técnica para destacar a pluralidade domiciliar residencial (art. habitualmente. Rio de Janeiro: Forense. Instituições de Direito Civil – Introdução ao direito civil.). em habitação. Fala-se também. Noção Geral A noção de domicílio desempenha papel relevante para o Direito. É o lugar onde a pessoa natural se estabelece habitualmente. tendo em vista que todas as situações descrevem um tipo de relação que uma pessoa natural estabelece com um lugar. convertendo-o. ciganos.) e ainda. Diante disso. O ordenamento jurídico brasileiro adota o conceito da pluralidade domiciliar. Confunde-se com a noção de estadia que é a mais tênue relação de fato entre uma pessoa e um lugar tomada em consideração pela lei.Coordenadores: Marcelo T. elaborou-se a teoria do domicílio aparente ou ocasional. b) Residência – Trata-se de um lugar que pressupõe mais estabilidade. 2. é ainda o domicílio que determina o local onde a pessoa. Todavia. Cometti Fernando F. ou se tais declarações não fizer. 1785 do C. Segundo o art. segundo a qual aquele que cria aparências de um domicílio em um lugar pode ser considerado pelo terceiro como tendo aí seu domicílio (ex. 70 do CC o domicílio da pessoa natural é o lugar onde estabelece residência com ânimo definitivo. A mudança de domicílio opera-se com a transferência da residência aliada à intenção manifesta de alterá-lo. terá de cumprir suas obrigações (art. Em ambos os casos é mister a concorrência dos requisitos do ânimo (psíquico) e da residência (material). dispensando-se aos que tenham interesse em encontrá-lo o esforço e a incerteza de andarem à sua procura por caminhos instáveis” (Caio Mario da Silva Pereira. ou seja. deve estar ou presume-se que esteja. a) Morada – É o lugar onde a pessoa se estabelece provisoriamente. a indicação de um lugar onde o indivíduo está. profissionais de circo. no sentido da exigibilidade.C. a capacidade e os direitos de família”. conclui-se. Castellani CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO 1. ou seja. 73 do CC e no art.) A aplicação legal desta teoria encontra-se no art. Aspectos gerais do domicílio da pessoa natural O domicílio é o lugar de exercício dos direitos e cumprimento das obrigações.C.25 - . 2004. 72 do CC). em regra. 373). e para onde vai. 71 do CC) da pluralidade domiciliar profissional (art. parágrafo 2º do CPC. Noção de residência e morada Não se confundem com o domicílio a morada e a residência. 327 do C. da LICC a “lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. para caracterizar esta relação transitória de fato. 94. andarilhos. 3. p. em centro principal de seus negócios jurídicos ou de sua atividade profissional. que o domicílio importa em traduzir “o elemento de fixação espacial do indivíduo. o nome. da . o fato de localização para efeito das relações jurídicas. Nos termos do art. A prova da intenção resulta do que declarar a pessoa às municipalidades do lugar que deixa. a exata compreensão desses conceitos é fundamental para esclarece a matéria de maneira apropriada. Para as pessoas que não tenham residência certa. etc.

Se não houver essa fixação. o militar que responderá civilmente no lugar onde serva. Vale notar que na dinâmica do CDC considera-se ilegal a cláusula contratual que estabelece o foro de eleição em benefício do fornecedor. do CC). finalmente. “cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados” (art. É o seu domicílio especial. poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve (art. a que ela corresponder” (art. do CC). 76 do CC. será considerado seu domicílio. “o lugar do estabelecimento. com as circunstâncias que a determinaram. que fixa residência em um determinado local. Não sofre interferência legal este tipo de domicílio. a lei atua supletivamente. Se a administração ou diretoria da pessoa jurídica de direito privado tiver sede no estrangeiro. 75. Vale destacar. Aliás. sendo elas: o do menor que terá o domicílio do seu representante legal. sito no Brasil. O agente diplomático. o do marítimo que é lugar onde o navio estiver matriculado. em atenção à condição especial de determinadas pessoas. por violar o disposto no art. ou do estabelecimento. no tocante às obrigações contraídas por qualquer de suas agências. ao considerar como seu domicílio “o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações”. 51. contrato social ou ato constitutivo equivalente. 4.26 - . ou. o Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento no sentido de que “a pessoa jurídica de direito privado pode ser demandada no domicílio da agência. b) De eleição ou especial – Decorre do ajuste entre as partes de um contrato. se possuir filiais em diversos lugares. IV e parágrafo 1º. o do preso que é o lugar onde estiver cumprindo pena. Tal regra encontra assento no art. Aspectos gerais do domicílio da pessoa jurídica O domicílio da pessoa jurídica de direito privado é a sua sede. do CDC. parágrafo 2º. 74 do CC. alegar extraterritorialidade sem designar onde tem. Espécies de domicílio O domicílio poderá ser: a) Voluntário – Decorre do ato de livre vontade do sujeito. 77 do CC). Trata-se de norma jurídica imperfeita. o servidor público cujo domicílio é o lugar em que exerce permanentemente suas funções.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI própria mudança. porém. c) Necessário ou legal – Decorre de mandamento da lei. no país. IV. indicada em seu estatuto. citado no estrangeiro. sendo da Marinha ou da Aeronáutica. e. a sede do comando a que se encontra imediatamente subordinado. Suas hipóteses estão descritas no parágrafo único do art. e. então. uma vez que a falta de declaração não acarreta sanção alguma ao omitente. . 75. com ânimo definitivo. que este dispositivo somente pode ser invocado em relações jurídicas em que prevaleça o princípio da igualdade dos contratantes e de sua correspondente autonomia de vontade. 5. o seu domicílio. em que praticou o ato” (súmula 363). que. por sua vez.

Em síntese. Introdução ao Direito Civil.. ou seja. são considerados bens apenas as utilidades com valor pecuniário. Introdução Sob um prisma de técnica legislativa das expressões. direitos autorais). 10ª. Ed. 2. infelizmente a doutrina nem sempre está acorde sobre o conceito de bem correspondente ao de coisa.835/04 que trata da renda básica de cidadania. é possível afirmar que a expressão “bem” utilizada pelo legislador na parte geral tem significado amplo e pode ser utilizada em diferentes acepções. as quais têm como objeto os bens. introduzida expressamente no ordenamento pátrio pela Lei 10. um complexo de direitos e obrigações entrelaçados por relações jurídicas. Cometti Fernando F. a qual alicerça a noção de piso vital ou mínimo existencial. se é mais ou menos amplo do que esse. 1990. Classificação dos bens Os bens se classificam. pela própria lei. p.bens considerados em si mesmos: a) Corpóreos são aqueles que têm existência física (material). Castellani CAPÍTULO V – DOS BENS 1. pode-se considerar como bem a utilidade física material ou imaterial que pode servir de objeto de uma relação jurídica. bens de composição obrigatória em seu patrimônio para garantir alimentação. excluídas aquelas que não podem merecer a qualificação patrimonial. exige a reunião de três qualidade: a) economicidade. ficando de lado todos os outros que não têm valor pecuniário. e limitatividade. perceptível pelos sentidos (móveis. . por meio de comparação com outros bens. noutras palavras. Orlando Gomes (ORLANDO GOMES. as coisas. Modernamente a noção de patrimônio está ligada diretamente à personalidade do indivíduo.27 - . incorpóreos são aqueles que têm existência meramente abstrata. mediante uma individualização existencial criado por um critério econômico-social. imóveis). ou através da consideração do bem isoladamente. Ed.. a “representação econômica da pessoa”. Para efeitos jurídicos. ex. Já num enfoque dogmático. Nesta idéia. educação e a saúde como projeção concreta do fundamento da dignidade da pessoa humana. quando trata de propriedade e de seus desdobramentos. jurídica (p. sob três aspectos: de acordo com sua titularidade. fala em coisa. escassez empregado por outros doutrinadores. Tal renda básica de cidadania nada mais é do que uma projeção do patrimônio mínimo dos indivíduos. suscetíveis de avaliação econômica. Na parte especial. 10ª. Rio de Janeiro. Para explicar o conceito de bem. os débitos. ão ao Direito Civil. como os direitos de família e os direitos puros de personalidade. ideal.Coordenadores: Marcelo T. deixando de utilizar-se do termo “bem”. os créditos. 1. Patrimônio Numa acepção clássica o patrimônio é a constituição econômica da pessoa natural ou jurídica. cunhando alguns autores a expressão “patrimônio moral” e também a teoria do patrimônio mínimo desenvolvida por Edson Fachin. como feito na parte geral. a possibilidade de transito jurídico através de relação estabelecidas entre os seus titulares (posse e domínio). num sentido de raridade. 207). permutabilidade. ou seja. nem podem ser cedidos. está englobado o complexo de direitos reais e obrigacionais de uma pessoa. ou seja. No sentido econômico.

28 - .Outro aspecto da distinção reside no tipo de direito real de garantia que poderá ser constituído sobre o bem: em regra. 93). Não existe a possibilidade de aquisição de bens incorpóreos por meio de usucapião. a lei opta por tratar determinados bens como imóveis. Os imóveis. em princípio. de acordo com o art. os imateriais por cessão. etc. é possível que sejam tratados num determinado negócio como bens fungíveis.). espaço aéreo. Pelo novo CC são chamados de pertenças (art.Quanto à necessidade de autorização do cônjuge: Via de regra as negociações relacionadas aos bens imóveis exige anuência do cônjuge. de sua substância. Móveis são. embora não se pudesse falar.Por sua própria natureza: são aqueles que podem ser transportados sem deterioração de sua substância. 81 não perdem o caráter de imóveis as edificações que.Por determinação legal: Também há bens que são considerados móveis em razão da vontade do legislador. Trata-se das hipóteses previstas no art. árvores. separadas do solo.Quanto à forma de alienação: é livre em relação aos móveis. 2. 82. c) Fungíveis são os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie. quanto aos bens móveis a exigência não existe. mas conservando sua unidade. b) Imóveis (ou bens de raiz). os bens móveis podem ser oferecidos em penhor. sem alteração de sua substância ou da destinação econômico-social”. 2. armários embutidos). ar-condicionado. qualidade e quantidade. 1647. Os bens móveis. embora ainda incorporados ao solo são destinados a ser destacados e convertidos em móveis. embora sejam bens incorpóreos.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A importância da distinção reside no fato de haver diferença para a transmissão. por sua vez. 1. 80. ou de remoção por força alheia. edifícios). 2. construções. industrial ou artificial: é tudo que o homem incorporar permanentemente ao solo (sementes.por acessão física. mas em relação aos imóveis exige escritura pública para os bens de valor superior a 30 salários mínimos. Os bens materiais são transferidos por meio de contrato de compra e venda ou doação. maquinários agrícolas. A importância da distinção entre bens móveis e imóveis é verificada em vários aspectos.Por natureza: solo e tudo que nele se incorporar naturalmente (subsolo.Por antecipação: São aqueles bens que. Exemplo: árvores destinadas a corte. podem ser classificados em: 1. Porém. forem removidas para outro lugar (ex. casa de madeira) e os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele reempregarem. 4. com a ressalva de que a autorização não será exigida se o regime de bens for de separação absoluta). serão sempre considerados bens infungíveis. De acordo com o art. 79 do CC são “o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente”. segundo o art. são considerados imóveis para efeitos legais: os direitos reais sobre imóveis e as ações que os assegurem e o direito à sucessão aberta. “os bens suscetíveis de movimento próprio (semoventes).Por determinação legal: Por imperativo de segurança jurídica. em razão de sua natureza. Os imóveis podem ser: 1. sob pena de anulabilidade do ato (art.Por acessão intelectual ou por destinação do proprietário. 3. Infungíveis são os insubtituíveis. em bens móveis ou imóveis. A doutrina esclarece que são aqueles que não se podem transportar sem alteração de sua essência. Nos termos do art. escada de emergência. 3. por força própria ou externa. Ex. e em relação aos imóveis poderão ser objeto de hipoteca. 3. . que constituem uma categoria de bens acessórios. 83 do CC.

a ordem jurídica atribui caráter unitário (espólio.bens quanto à titularidade do domínio: A lei classifica os bens de acordo com sua titularidade. massa falida). melhorá-la (benfeitorias úteis) ou embelezá-la (benfeitorias voluptuárias). patrimônio. estadual. ou as universalidades. pó um acaso. será chamado de quase-usufruto ou usufruto impróprio. o usufruto for instituído sobre bens consumíveis. quando suas partes componentes encontramse ligadas naturalmente. ainda que haja possibilidade de sua destruição em decorrência do tempo. que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público. Os bens de uso comum e os de uso especial são inalienáveis. 4. Os bens singulares podem ser: simples. São os bens públicos que não são afetados a uma atividade pública específica. ruas e praças. com o propósito de conservá-la (benfeitorias necessárias). . universais. Os bens coletivos. É indiferente para a caracterização dos bens de uso comum que o uso seja gratuito ou retribuído.Coordenadores: Marcelo T. Existem três classes de bens públicos (art.29 - . petróleo) 3. quando seus elementos são unidos por ato humano. Se. dotadas de valor econômico e que por isso. o solo). tais como rios. 99): 1. já os dominicais podem ser alienados. Acessório é aqueles cuja existência supõe a do principal. metais. os quais podem ser públicos ou particulares.Benfeitorias: São obras ou despesas realizadas pelo homem na estrutura da coisa principal. Cometti Fernando F. 93). estradas. Etc. A universalidade pode ser de fato. ou de direito. que é um direito real de gozo ou fruição que só pode recair sobre bens inconsumíveis. Castellani d) Consumíveis são os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância. compostos. sem destruição imediata de sua substância. sem que sejam considerados suas partes integrantes (art.Frutos: São as utilidades que a coisa principal periodicamente produz e cuja percepção não diminui a sua substância. inclusive os de suas autarquias. A presente classificação não se confunde com aquela que consta do art. serviço ou aformoseamento de outro bem. 92) é aquele que existe por si mesmo. Bens reciprocamente considerados: De acordo com esta classificação os bens podem ser principais ou acessórios. mares.Produtos: São as utilidades que se retiram da coisa. e) divisíveis e indivisíveis f) Singulares são os bens que. independente dos demais. e que não se renovam (pedras. diminuindo-lhe a quantidade. São aqueles bens públicos que se destinam especialmente à execução dos serviços públicos e são utilizados exclusivamente pelo poder público. 26 do CDC (bens duráveis e não duráveis) e que envolve tempo maior ou menor do consumo de determinado bem. tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal. que tem existência própria (ex. considerados em conjunto. se consideram de per si. nos termos da lei. são. 3. formam um todo homogêneo. aqueles que são compostos por vários bens singulares. bem como aqueles que são destinados à alienação. embora reunidos. que. por sua vez. O bem principal (art. que é a pluralidade de bens singulares com destinação unitária.Pertenças: São os bens móveis que são afetados de forma duradoura ao uso.Os dominicais.Os de uso especial. Os bens acessórios podem ser de vários tipos: 1. 2. 3. 2. A importância desta classificação encontra-se no usufruto. Costuma-se dizer que são as utilidades que nascem e renascem. que é o complexo de relações jurídicas de uma pessoa. territorial ou municipal. Inconsumíveis são aqueles que admitem uso reiterado.Os de uso comum do povo.

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o objeto e o vínculo jurídico. Crédito e débito Em toda obrigação existem um lado positivo – o crédito – e um lado negativo – o débito. 3. Assim. para uma ou para as diferentes partes interessadas. Cometti Fernando F. a relação jurídica existente cria apenas uma obrigação para o mutuário. assim. O crédito é o direito visto sob o prisma do sujeito ativo da relação jurídica. Já. num contrato de compra e venda. se não for satisfeita espontaneamente. . vínculos obrigacionais que se limitam a criar uma obrigação e outros que criam diversas obrigações derivadas do mesmo negócio jurídico. num mútuo sem juros. O vendedor deve entregar a coisa e responder no caso de evicção. Conceito e elementos Obrigação é a relação jurídica em virtude da qual uma ou mais pessoas determinadas devem. O direito alemão conserva expressões distintas para indicar a relação de débito – Schuldverhältnis – e os direitos de crédito – Forderungsrechte. Por outras palavras: Obrigação é o vínculo jurídico temporário pelo qual a parte credora (uma ou mais pessoas) pode exigir da parte devedora (uma ou mais pessoas) uma prestação patrimonial e agir judicialmente ou mediante instauração de juízo arbitral sobre o seu patrimônio. Mesmo no campo do direito. 2. A prestação deve ter conteúdo patrimonial e ser lícita. Acepções da obrigação Em sentido lato. possível e determinada ou determinável. social. os juristas utilizam. 4. existem várias obrigações de ambas as partes. olvidando a sua significação técnica e dogmática.Coordenadores: Marcelo T. na forma estabelecida pelas cláusulas contratuais. a obrigação se identifica com qualquer espécie de dever moral. O débito é o dever jurídico de pagar. que recai sobre o sujeito passivo da relação jurídica. religioso ou jurídico. Os sujeitos são: a parte credora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas) e a parte devedora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas). a palavra “obrigação” como sinônimo de dever jurídico. algumas vezes. ao contrário. Seus elemento são: os sujeitos. O objeto é a prestação (dar. O comprador deve pagar o preço. uma prestação de caráter patrimonial. fazer ou não fazer alguma coisa). Há.31 - . Castellani TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 1. que é a de devolver a quantia emprestada. Vínculo obrigacional Um vínculo obrigacional pode criar uma ou diversas obrigações. em favor de outra ou de outras.

e o credor pode ir a juízo. a responsabilidade é derivada do inadimplemento de dever jurídico e autoriza a ação do credor. que recai sobre uma pessoa. embora lícitas. Características da prestação Definida a obrigação em sentido técnico como um vínculo jurídico de caráter patrimonial. com as mesmas características da obrigação. consistindo na obrigação de realizar a prestação e dependente de ação ou omissão do devedor. Ademais. podemos afirmar que o conteúdo da obrigação deve ser uma prestação possível. que. absoluta e objetiva ou relativa e subjetiva. após a condenação. O dever de prestar surge do débito. constituindo a violação ou o descumprimento de um dever jurídico. pois já afirmavam os romanos que ad impossibilia nemo tenetur. lícita. que discriminou. física e legalmente. determinada ou determinável e possuindo expressão econômica. A impossibilidade é objetiva ou absoluta quando existe para todos os membros da . 6. originária ou superveniente. e o da responsabilidade (Haftung). sobre os bens do devedor. Enquanto a obrigação é originária e depende de ato do devedor para a sua extinção. por ser dever jurídico. não pagar ou já tendo o credor um título. que denominamos responsabilidade. posteriormente. relativamente a um bem (coisa ou serviço) que se encontra no patrimônio do devedor. desde que estabelecida cláusula compromissória entre as partes. A impossibilidade pode ser física ou jurídica. A distinção entre obrigação e responsabilidade foi feita por Brinz na Alemanha. na relação obrigacional. por intermédio do Estado ou mediante instauração de juízo arbitral. implica a criação de uma relação jurídica secundária ou derivada. dois momentos distintos: o do débito (Schuld). A prestação é o comportamento do devedor que aproveita ao credor e por este pode ser exigido. na qual se faculta ao credor atacar e executar o patrimônio do devedor a fim de obter o pagamento devido ou uma quantia equivalente acrescida das perdas e danos. pode pedir ao juiz que execute tantos bens do devedor quantos forem necessários para a satisfação do seu débito. Não ocorrendo o pagamento voluntário. e se. ou recorrer à máquina judiciária do Estado. da indenização pelos prejuízos causados em virtude do inadimplemento da obrigação originária na forma previamente estabelecida. 814 do Código Civil A obrigação natural confere hoje juridicidade à obrigação moral e ao dever de consciência reconhecidos e cumpridos pelo devedor. surge a responsabilidade. a ação judicial sobre o patrimônio surge da responsabilidade ou da garantia.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 5.32 - . A prestação deve ser possível. não pode reaver o pagamento feito conscientemente. agora tratadas no art. e um fim secundário: sujeitar o patrimônio do devedor que não a satisfaz. Obrigações naturais São as que não podem ser reclamadas em juízo. ou seja. Débito e responsabilidade A obrigação tem um fim primário: a prestação. em benefício de outra.A idéia de obrigação imperfeita ou natural também é válida para as dívidas de jogo e de aposta. a questão poderá ser resolvida por arbitragem. recaindo sobre pessoa determinada (direito relativo) e de caráter patrimonial. 7. O inadimplemento da obrigação. para obter a condenação do devedor ao pagamento.

e importa o dever. sem culpa do devedor. Embora a doutrina entenda imprescindível o conteúdo econômico. salvo convenção em contrário das partes (art. 233 do CC). A obrigação de dar coisa certa surge quando a prestação é de objeto específico e individualizado A lei esclarece que o credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber outra. e não pode exigir do devedor outra coisa. por motivos físicos ou em virtude de lei. 8.33 - . havendo autores que condenam a distinção. em muitos casos surgem dúvidas quanto à natureza da obrigação. mas não para todas as pessoas. denominada novação objetiva (do objeto).Coordenadores: Marcelo T. que só ocorre havendo consentimento de ambas as partes. A importância prática da classificação decorre da regulamentação legal tradicionalmente diferente com referência às obrigações de fazer e às obrigações de dar. qualquer lesão de direito pode ser avaliada em dinheiro. mesmo sendo de valor inferior. extinguindo-se todos os seus efeitos. A coisa deve ser entregue com os seus acessórios. com a aceitação do dano material ou moral. Até a tradição. É o princípio romano que encontramos em sentença de Paulo. Embora. Cometti Fernando F. ou seja. atualmente. uma vez que não se considera obrigação o dever jurídico que. Se a coisa certa devida se perder. antes da tradição e sem culpa do devedor. em não praticar algum ato. se são obrigações de dar ou de fazer a de lavrar escritura definitiva de um imóvel e a de justificar o pagamento de certos impostos que em virtude de contrato são da responsabilidade do locatário. Quando a impossibilidade objetiva é superveniente ou posterior à relação jurídica. a impossibilidade relativa ou subjetiva é a que só ocorre para o sujeito passivo da relação jurídica. de acordo com o qual aliud pro alio invito creditore solvi non potest. à primeira vista. A obrigação negativa importa numa abstenção. não podendo ficar ao exclusivo arbítrio do devedor. fixados em dinheiro. cabe notar que. Ao contrário. para o inadimplente. os contornos de cada uma sejam perfeitamente definidos. hipótese na qual ele responde pelas perdas e danos. que ainda é feita pelo CC. . e os casos fortuitos ou de força maior em que. 313 do CC). no caso de inadimplemento. ainda que mais valiosa (art. Obrigações de dar coisa certa e coisa incerta A obrigação de dar pode abranger coisa certa ou coisa incerta. todos os riscos correm por conta do tradens que tem a propriedade do bem. fazer e não fazer. é preciso destacar o caso em que houve mora do devedor. A prestação deve ser determinada ou determinável. A obrigação de dar consiste em transferir a posse ou transmitir a propriedade de um objeto ao credor. Obrigações positivas e negativas As obrigações são positivas quando a prestação do devedor implica dar ou fazer alguma coisa e negativas quando importam numa abstenção. de ressarcir os danos decorrentes do não-cumprimento da obrigação assumida. enquanto a obrigação de fazer importa na realização de atos ou serviços no interesse do credor. Tal impossibilidade importa em nulidade da obrigação. a obrigação se resolve para os interessados. Castellani coletividade. excluindo-se pois a sua responsabilidade. Indaga-se. É tradicional a distinção entre obrigações de dar. A entrega de objeto diverso do prometido importa em modificação da obrigação. 9. não se possa resolver em perdas e danos. a obrigação se tornou impossível ou ilícita. assim.

resolvendo a obrigação se o credor não anuir (art. por força do contrato ou em razão de reputação profissional ou de habilidades pessoais. Nas obrigações de dar coisa incerta. Entre as obrigações de dar coisa certa. o credor tem direito real sobre o bem que está legalmente em poder do devedor. o devedor poderá exigir um aumento do preço. 237. nem sendo obrigado a dar as melhores unidades (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se a perda ou destruição da coisa for oriunda de culpa do devedor. ao devedor. abatendo do seu preço o valor que perdeu. ainda que por força maior. parágrafo único. todavia. com direito a reclamar. O CC prevê a possibilidade de o credor valer-se de execução da obrigação por terceiro (execução in natura).). num non facere. 247 do CC). não lhe sendo lícito. e art. seguindo a sistemática do Código de 1916. importando numa abstenção. mas determinação genericamente feita. 236 do CC). A incerteza da coisa não significa indeterminação. à custa do devedor. em virtude da qual a escolha caberá ao devedor. do CC). existe uma norma supletiva. Na obrigação de dar. 237 do CC). se a prestação não for realizada. 238 e s. passando os frutos pendentes à propriedade do credor (art. quando for possível e desde que ela não seja personalíssima. As partes têm a mais ampla liberdade de atribuir seja a um dos contratantes. Se a coisa sofrer melhoramentos ou passar a ter acrescidos até a tradição. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. cabem ao devedor. sem culpa do devedor. A obrigação de dar coisa incerta consiste em fornecer certa quantidade de unidades de determinado gênero e não uma coisa especificada. Nada impede que as partes convencionem a obrigação do devedor de ressarcir os danos. 10. o credor pode exigir o equivalente em dinheiro ou aceitar o objeto com abatimento do preço. Havendo culpa do devedor. ou caso fortuito”. o credor dele poderá exigir o valor em dinheiro do objeto acrescido das perdas e danos (art. na obrigação de restituir. embora haja diferença na situação do credor nos dois casos. trata da obrigação de restituir (art. 246 do CC esclarece que. em ambos os casos. escolher a pior qualidade. 11. parte final. desde que só ele possa realizá-la. Na falta de cláusula contratual. mesmo na hipótese de destruição ou perda do objeto em virtude de caso fortuito ou força maior. indenização pelas perdas e danos (art. Como regra geral. Dando a coisa frutos antes da tradição.34 - . 244 do CC). A aplicação desta hipótese pressupõe urgência para que possa ser realizada independentemente de autorização judicial. a escolha dos exemplares que deverão ser fornecidos. Obrigações de não fazer As obrigações ainda podem ser omissivas. ou de ordem psíquica. Em caso de deterioração do objeto. o CC. 234 do CC. 627 do CPC). O art. . tem o credor uma opção entre solver a obrigação ou aceitar a coisa. “antes da escolha. seja a terceiro. o primeiro problema que surge é o referente à escolha das unidades a serem entregues. até a tradição ou a transcrição. O conteúdo da obrigação definirá o grau de pessoalidade que o credor tenha desejado. enquanto. em sentido estrito. a propriedade do bem pertence. Obrigações de fazer A prestação de fazer pode ser um ato de ordem física. o devedor indenizar o credor por perdas e danos (art.

e o cumprimento de uma única prestação extingue a obrigação. ou de condições impostas em ato unilateral. parágrafo único). ou seja. mediante ação própria. Nas primeiras. A escolha da prestação que será cumprida. Nas obrigações alternativas. infringe a obrigação de não fazer e pratica o ato vedado. salvo se se tratar de prestações periódicas nas quais se admite a renovação da opção para cada período (entrega mensal alternativa de determinados alimentos ou de certa quantia em dinheiro). 251. do CC. em virtude de cláusulas contratuais. em virtude de cláusulas contratuais. Quando a obrigação abrange uma única prestação. A finalidade da prestação alternativa é dar maior liberdade de escolha ao devedor. existe pluralidade de pretensões. aumentando as garantias e as perspectivas de cumprimento da obrigação para o credor. no caso de obrigações alternativas. uma pessoa. por conta do devedor. se obriga a deixar de praticar algum ato. O negócio jurídico indica normalmente. o credor pode exigir do devedor que desfaça a construção levantada além do mencionado gabarito e pague as perdas e danos. a obrigação contém mais de uma prestação. desfazer ou mandar desfazer.Coordenadores: Marcelo T. em casos de urgência. deve ressarcir o dano causado ao credor. existem duas ou mais formas pelas quais a obrigação pode ser satisfeita. a abstenção se torna impossível. mas pode pedir uma indenização e. Cometti Fernando F. independente de autorização judicial. Obrigações cumulativas e alternativas Nas obrigações compostas. 252. Se a obrigação consiste em não vender determinados artigos. obrigar o credor a receber parte de uma prestação e parte de outra (art. deve ser realizada no prazo estabelecido pela convenção. nos termos do art. O CC permitir ao credor. todas as prestações abrangidas pela obrigação devem ser executadas. 252. o credor pode mandar destruir a obra. é denominada composta ou complexa. 13.35 - . por uma prestação única escolhida na forma do contrato ou da lei (plures res sunt in obligatione. que concede o direito de escolha ao devedor. sem culpa do devedor. Se o devedor. 251 do CC). Se. Assim. 12. cabendo ao devedor cumprilas conjuntamente (obrigações conjuntivas ou cumulativas) ou alternativamente (obrigações alternativas). Castellani Em certos casos. O devedor não pode. Obrigações simples e compostas A obrigação pode ter um ou vários objetos. Não existindo prazo. culposamente. é considerada simples (por exemplo: o vendedor se obriga a entregar ao comprador o livro vendido). a quem cabe escolher a prestação a ser executada (in solutione) entre as diversas possíveis (in obligatione). 642 a 645 do CPC). fixar uma multa que o devedor será obrigado a pagar enquanto infringir a obrigação por ele assumida (arts. restringindo a sua própria liberdade e os direitos que a lei lhe assegura. 252. devendo ser posteriormente ressarcido do devido (art. Quando. a concentração. § 2º. 250 do CC). na execução. o credor ou devedor a quem couber a . todavia. No silêncio das partes. do CC). o credor não pode desfazer as vendas realizadas. podendo ainda este exigir que o devedor desfaça à sua custa o ato praticado. aplica-se a norma supletiva existente no CC. art. § 1º. extingue-se a obrigação (art. una autem in solutione). A sua opção deve ser total. Se o devedor se recusar. enquanto nas segundas a pluralidade das prestações existentes na obrigação é substituída. ao contrário. se a sua natureza o permitir (art. tratando-se de obrigações de não construir além de certo gabarito.

em vez de pagar o que deve. A alternatividade da obrigação não decorre apenas da vontade individual. o juiz deverá decidir o impasse (art. de motivos de ordem econômica ou dada a razão determinante do negócio jurídico (art. o art. não pode o credor ser obrigado a receber. se houver a pluralidade de optantes. como ocorre com relação à ação das sociedades anônimas. É o que ocorre no caso. erradamente chamadas obrigações facultativas.234 do CC estabelece.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI escolha deverá ser notificado a fim de incorrer em mora pela ausência de escolha. sub-rogando-se nos direitos do credor. 257 do CC). da vontade das partes. 14. pois o que é facultativo não é obrigatório e o que é obrigatório não é facultativo. O art. . Assim. Na obrigação com faculdade de solução.404. a impossibilidade em relação a uma das prestações importa em obrigação de cumprir a outra. A distinção com as obrigações alternativas se faz atendendo ao fato de nestas haver diversas prestações na obrigação. havendo uma possibilidade de substituição para o devedor. a impossibilidade em relação à prestação principal extingue o vínculo jurídico. cada um deles será obrigado pela dívida total. mas não o consenso entre eles sobre a escolha dentro de determinado prazo. 252.36 - . de incorporação de uma sociedade por outra. 259 do CC). todavia. o abandono da coisa perdida. É a faculdade de solução ou substituição. uma recompensa mínima de 5% (cinco por cento) e uma indenização pelas despesas que houver feito com a conservação e transporte da coisa. É a prestação que o descobridor da coisa pode exigir. para o proprietário da coisa perdida. abandonar o objeto. Obrigações com faculdade de substituição Têm uma estrutura parecida com as obrigações alternativas as obrigações com faculdade de solução ou com faculdade de substituição. 6. Se a prestação não for divisível e houver pluralidade de devedores. a lei presume a divisão da obrigação. Conforme o CC. a quem a achou. A indivisibilidade pode decorrer da natureza da prestação. e. não podendo o credor exigir a prestação facultativa. de 15-12-1976 (Lei das Sociedades Anônimas). por exemplo. 1. havendo pluralidade de credores ou de devedores. O mesmo artigo admite. o que tiver pago a dívida (art. 258 do CC). 314 do CC estabelece uma presunção de indivisibilidade da prestação no tempo quando afirma: “Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. Por outro lado. em relação aos outros. nem o devedor a pagar. enquanto na obrigação com faculdade de solução ou de substituição a obrigação é de prestar determinado fato ou entregar certa coisa. assim. que para a companhia é considerada indivisível ex vi do art. 15. de determinações legais. resultando em alguns casos das próprias disposições legais. a obrigação de pagar. Não poderia haver obrigações facultativas. por partes. conforme possam ou não ser fracionadas em prestações parciais homogêneas. § 3º). na qual os acionistas dissidentes têm direito de retirar-se da companhia mediante pagamento do reembolso ou então de receber ações da incorporadora. se assim não se ajustou”. desde que o objeto seja divisível (art. Obrigações divisíveis e indivisíveis As obrigações são divisíveis ou indivisíveis. A própria lei apresenta casos de obrigações com faculdade de solução. A própria lei pode considerar um bem indivisível. Na obrigação alternativa. 28 da Lei n. o proprietário pode.

em dinheiro.). As obrigações reais. em latim) são as que derivam da vinculação de alguém a certos bens. este responderá pelas perdas e danos (art. constituir o devedor em mora e interromper a prescrição. Sendo a culpa de um só. fichas de bar etc. Obrigações “propter rem” ou reais Chamam-se obrigações ambulatórias (de ambulare = andar) aquelas obrigações que podem ser transferidas sem formalidades. Sendo a pluralidade de credores. Em geral. sabendo-se quem é o titular. No caso da confusão só se extingue a parte do crédito ou do débito pertencente ao credor ou devedor solidário (art. as obrigações de dar são consideradas divisíveis. sabe-se quem é o devedor. podendo promover as medidas assecuratórias do seu direito. passam a pesar sobre quem se torne titular da coisa. A solidariedade nunca se presume (art. a obrigação não fica extinta em relação aos outros credores. Obrigações solidárias Obrigações solidárias são aquelas com pluralidade de credores ou devedores. 261 do CC). A incapacidade de . 16. transação. São exemplos de solidariedade ativa as contas bancárias conjuntas e os depósitos conjuntos em caixas-fortes. é mista. os outros exigirão dele. O pagamento total do débito a um dos credores extingue a obrigação (art. 263. As obrigações de fazer.). § 2º. São exemplos os títulos ao portador. 262 do CC). descontada a quota do credor que perdoou a dívida ou em relação ao qual ocorreu a transação. os títulos de legitimação (bilhetes de cinema. resultando da lei ou da vontade das partes. Obrigações ambulatórias. cada um com um direito ou obrigado ao total. Castellani Se a pluralidade for de credores.). independentemente de autorização dos outros credores ou de caução (art. seguro obrigatório. que poderão exigir a prestação. salvo quando em virtude de lei ou de convenção houver indivisibilidade. Se um dos credores receber a prestação inteira. podendo qualquer dos credores movimentar a conta ou utilizar a caixa-forte. ao contrário do que acontece em outras legislações que admitem a presunção de solidariedade a) Solidariedade ativa Solidariedade ativa é a de vários credores. do CC). confusão ou compensação da dívida por parte de um dos credores. 260 do CC). bem como deveres decorrentes da necessidade de manter-se a coisa (despesas de condomínio. teatro. quando fungíveis. mas o devedor ou os devedores só se desobrigam pagando a todos conjuntamente ou a um dos credores. cada um destes pode exigir a dívida inteira. Cada um dos credores solidários tem o direito de exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. conservação de divisas etc. a parte que lhes couber (art. Cometti Fernando F. Logo. (art. Não cumprida a obrigação. surge a responsabilidade que reveste a forma de indenização em dinheiro. sobre os quais incidem ônus reais (imposto imobiliário. seja por ser divisível o seu objeto. sendo cada um dos devedores responsável apenas pela sua quota. 383 do CC). Sendo de credores e devedores. 265 do CC).Coordenadores: Marcelo T. passando de um titular a outro. novação. foro etc. como se houvesse um só credor ou devedor.37 - . 17. 267 do CC). seja por admitir a divisão deste em quotas ideais. Nos casos de remissão. Chamam-se também de obrigações propter rem ou ob rem. ou propter rem. dando este caução de ratificação dos outros (art. são divisíveis. Já as obrigações reais (de res = coisa. trem. confusão etc. sendo de devedores é passiva. a solidariedade é ativa. 269 do CC).

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um dos co-credores não prejudica os direitos dos outros. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar (art. 268 do CC). A mora accipiendi por parte de um dos credores prejudica a todos os outros, ressalvando o direito à ação regressiva. Falecendo um dos credores solidários, cada um dos seus herdeiros só terá direito a exigir a quota do crédito correspondente ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a prestação (art. 270 do CC). Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste a solidariedade para todos os efeitos, inclusive para fins do pagamento de juros de mora e demais encargos dela decorrentes (art. 271 do CC). O credor que recebe o pagamento ou faz a remissão da dívida ou que a extingue em virtude de novação, compensação ou transação responde, perante os outros, pela parte que lhes couber (art. 272 do CC). Há assim o direito de regresso em virtude do qual cada um dos credores recebe a sua quota, presumindo-se juris tantum, na falta de disposições diversas no título, que a divisão seja igual, impondo-se o rateio quando recebido o montante do total do débito ou uma parte dele. b) Solidariedade passiva Ocorre solidariedade passiva quando, havendo multiplicidade de devedores, o credor pode exigir de qualquer destes o pagamento integral do débito, a qual resulta de disposições legais ou de declaração de vontade das partes interessadas. Na obrigação solidária, o credor tem o direito de exigir e receber de um ou alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum. Sendo o pagamento parcial, poderá exigir dos demais devedores o saldo. O devedor acionado não pode alegar o benefício da divisão, nem limitar o seu pagamento à quota do débito total que lhe cabe, nem mesmo exigir que sejam acionados, no mesmo processo ou em outro, os demais coobrigados. Uma vez feito o pagamento por um dos devedores, o crédito se extingue na relação externa, sendo feito o rateio na relação jurídica interna. Se o credor, tendo executado os bens de alguns devedores, não recebeu o débito total, subsiste a solidariedade, e, portanto, pode acionar os outros a fim de receber o saldo. Falecendo um dos devedores solidários, deixando herdeiros, a obrigação entre os herdeiros é conjunta, mas não solidária. Cada um deles não será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a obrigação. Em relação aos demais devedores, os herdeiros serão considerados como um devedor solidário (art. 276 do CC). A remissão concedida a um dos coobrigados extingue a dívida na parte a ele correspondente, de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida (art. 388 do CC). A remissão, sendo liberalidade, é interpretada restritivamente, aplicando-se tão-somente à quota do devedor, mantido o dever solidário dos coobrigados pelo total do montante do débito, descontada a parte do devedor que obteve remissão. Qualquer dos devedores solidários pode estipular condições especiais para o pagamento do seu débito, não podendo, todavia, agravar a posição dos coobrigados sem consentimento destes (art. 278 do CC). A interrupção da prescrição efetuada contra o devedor solidário ou o reconhecimento da dívida por este envolve os demais coobrigados e seus herdeiros. A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis (art. 204, §§ 1º e 2º, do CC).

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

No caso de impossibilidade de cumprir a obrigação decorrente de força maior, a obrigação se extingue. Se houver culpa de um dos devedores, cada um dos coobrigados deve pagar o valor da coisa ou da prestação (aestimatio rei), respondendo pelas perdas e danos o devedor culpado (art. 280 do CC). Se um dos devedores já estava em mora quando a impossibilidade se verificou, responde pelos danos dela decorrentes, mesmo na hipótese de força maior ou de caso fortuito, salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano sobreviria ainda se a obrigação fosse oportunamente executada (art. 399 do CC). Quanto ao credor, na relação jurídica externa, todos os devedores respondem pelos juros de mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um, mas o culpado responde perante os outros, na relação interna, pela obrigação acrescida (art. 280 do novo Código Civil). Os princípios aplicados em relação às perdas e danos e aos juros não são os mesmos. Quanto à indenização pelas perdas e danos, o credor só pode cobrá-la do devedor culpado. Quanto aos juros, são exigíveis de qualquer coobrigado, embora este tenha ação regressiva contra o culpado. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores (art. 282 do CC). Pode, assim, transformar a obrigação solidária em obrigação conjunta ou fracionária, na qual, em vez de responder, na relação externa, pelo total do débito, só responde cada devedor pela sua quota. O devedor demandado pelo credor pode opor as exceções comuns a todos os devedores e as exceções que lhe forem pessoais, não lhe aproveitando porém as pessoais de outro codevedor. Assim, qualquer devedor pode alegar a ilicitude do objeto, a extinção da dívida por pagamento já feito, ou seja, as defesas ou exceções comuns a todos os devedores. São consideradas exceções pessoais as que só podem ser alegadas pelo interessado, por exemplo, os vícios de consentimento e as causas de anulabilidades dos negócios jurídicos em geral (arts. 171 e 177 do CC). A novação entre um dos devedores e o credor, modificando o conteúdo da obrigação originária, exonera os devedores solidários de qualquer responsabilidade (art. 365 do CC). 18. Execução da obrigação O dever jurídico imposto ao devedor, em favor do credor, na relação obrigacional pode ser cumprido direta ou indiretamente, voluntária ou involuntariamente. O cumprimento da obrigação, também denominado pagamento ou solução do débito, é a execução da prestação pelo devedor na forma estabelecida no ato jurídico ou na lei, de acordo com as normas fixadas quanto ao modo, tempo e lugar de sua realização. O pagamento pressupõe a existência de uma dívida e a vontade de extingui-la (animus solvendi), devendo em tese ser feito pelo devedor ao credor. Na falta de uma relação jurídica, o pagamento configura-se como indevido, dando margem a uma ação do devedor para reaver o que pagou sem justo motivo (arts. 876 e seguintes do CC). A obrigação se extingue independentemente de pagamento no caso de realização de condição resolutiva ou advento de termo extintivo. A impossibilidade de cumprimento do dever jurídico em virtude de caso fortuito ou força maior constitui outra hipótese de extinção da obrigação. No caso de inadimplemento injustificado, o credor pode recorrer ao procedimento judicial ou arbitral para exigir a execução forçada da obrigação. A sentença garante ao credor o que lhe era devido acrescido das perdas e danos pelo atraso, ou o equivalente (id quod interest),

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abrangendo o ressarcimento do dano causado e do lucro não auferido (damnum emergens e lucrum cessans). 19. Pagamento Pagamento todo cumprimento de obrigação, importando em dar, fazer ou não fazer. O pagamento é feito na forma estipulada, não podendo o credor ser obrigado a receber parcialmente o débito, salvo em casos especiais previstos pela lei, como na substituição do devedor por seus herdeiros, que só são responsáveis pelo débito na proporção dos seus quinhões (art. 1.997 do CC). O dever de cumprir a obrigação incumbe ao devedor e aos seus herdeiros, se o débito não for personalíssimo. Os sucessores se substituem ao falecido em todas as vantagens e deveres de caráter patrimonial que tenha, salvo se existir um vínculo de intuito pessoal. Qualquer pessoa pode pagar uma dívida, sua ou de outrem. Mas o Código Civil distingue: o pagamento pode ser feito por terceiro interessado ou por terceiro não interessado. O termo interessado aí tem sentido técnico: é aquele que pode ser responsabilizado pelo débito, como, por exemplo, o avalista ou um terceiro garantidor da dívida. No entanto, se alguém é parente ou amigo do devedor e deseja auxiliá-lo, também pode pagar, mas os efeitos são diversos. A obrigação se extingue pelo pagamento da dívida por qualquer interessado (devedor, coobrigado, fiador, herdeiro do devedor, adquirente do imóvel hipotecado) a quem é lícito fazê-lo em nome próprio, sub-rogando-se no direito do credor. Em virtude do estabelecido no art. 346 do CC, ocorre a sub-rogação de pleno direito em favor: “I – do credor que paga a dívida do devedor comum; II – do adquirente do imóvel hipotecado que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; III – do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte”. O pagamento também pode ser feito por terceiro não interessado. Se o fizer em nome próprio, o terceiro pode tão-somente obter o reembolso do que pagou, mas não se sub-roga nos direitos do credor (art. 305 do CC). Havendo oposição do devedor ao pagamento do seu débito por outrem ou não tendo conhecimento da ação de terceiro, este não terá direito ao reembolso do que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação (art. 306 do CC). O devedor não se pode opor ao pagamento por terceiros, ou melhor, a sua oposição não invalida ou impede o pagamento, importando apenas em restringir os direitos do pagador contra ele. Não pode, todavia, o terceiro, piorar a posição do devedor. Assim, se pagar o débito antes do vencimento, somente após este poderá exigir do devedor o reembolso da quantia despendida (art. 305, parágrafo único, do CC). Se o devedor tinha a possibilidade de compensar débito e crédito com o credor, o terceiro não interessado, que pagou, só poderá exigir do devedor o pagamento da quantia não sujeita à compensação. O pagamento deve ser feito ao credor, aos seus sucessores, ou ao seu representante legal, judicial ou convencional. Nos casos de incapacidade do credor, o pagamento deverá ser feito a quem de direito. Havendo dúvida de quem pode receber, incumbe ao devedor consignar judicialmente o pagamento, cabendo ao juiz finalmente decidir a quem o pagamento deverá ser feito (art. 895 do CPC). Considera válido o pagamento feito ao credor putativo, ou seja, àquele que tem todas as características de credor, embora não o seja. É credor putativo aquele que se apresenta com um título aparentemente válido, embora posteriormente seja o mesmo julgado nulo.

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da natureza das obrigações. salvo convenção em contrário. 310 do CC). ou seja. decorrentes da própria lei. no momento do vencimento da obrigação. se houver motivo grave que impeça a realização do pagamento no lugar acordado. São quérables ou quesíveis quando pagáveis no domicílio do devedor. das circunstâncias ou de convenção entre as partes. 325 do CC). 323 do CC). podendo. desde que haja prejuízo para o credor. 884 do CC). todavia. no prazo de sessenta dias. presume-se que corram por conta do devedor as despesas com o pagamento e a quitação. pode o devedor exigir. declaração do credor que inutilize o título desaparecido (art. 319 do CC). 327 do CC. A entrega do título ao devedor firma a presunção juris tantum de pagamento. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que é devida.Coordenadores: Marcelo T. Salvo convenção em contrário. ficando ao seu exclusivo critério aceitar ou não ordem de pagamento ou cheques. todavia. presume-se juris tantum que o recebimento do pagamento da prestação posterior implique a quitação das prestações anteriores. O devedor poderá. desde que o credor prove. Existem várias exceções ao princípio fixado no referido art. 329 e estabelece que. 330 ao prever que. O CC duas regras especiais referentes ao lugar do pagamento. cabe a opção ao credor. cuja quitação consiste na devolução do título (por exemplo: nota promissória). tendo o devedor ciência dessa incapacidade. A norma geral. A segunda está aposta em seu art. com o pagamento reiterado em outro local.41 - . Quem paga mal paga duas vezes. 324 do CC). enquanto lhe for recusada a quitação (art. reaver daquele a quem pagou indevidamente o montante pago. sem incorrer em mora. do CC) e da vedação do enriquecimento sem causa (art. todavia. . É o que se dá na hipótese de pagamento de aluguéis na locação e das duplicatas sucessivas na venda de um objeto em prestações. O pagamento é feito na forma estabelecida pela lei ou pelo negócio jurídico e. Cometti Fernando F. perdido este. 327 do CC considera. far-se-á em moeda corrente no lugar do cumprimento da obrigação (art. podendo reter o pagamento. No que diz respeito ao lugar do pagamento as dívidas são portables ou portáveis quando devem ser pagas no domicílio do credor ou onde ele indicar. todavia. A primeira está prevista em seu art. que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor. a quitação ser impugnada. Castellani Se o pagamento é feito ao credor incapaz de quitar. 322 do CC). ainda que mais valiosa. tratando-se de obrigações pecuniárias. Os débitos. à prova do pagamento feito. Assim. Tal presunção extingue-se. também não está obrigado o credor a receber pagamento que não seja em moeda corrente. retendo o pagamento. A quitação do capital. Havendo pagamentos periódicos. o devedor poderá fazê-lo em outro local. O devedor que paga tem direito à quitação regular. a prova contrária. 315 do CC). visados ou não. faz presumir o pagamento dos juros (art. devendo ser escrita desde que o montante da dívida seja superior ao décuplo do maior salário mínimo (art. caso em que a despesa acrescida será por conta do credor (art. 876 e s. 401 do CPC). 321 do CC). sem ressalva. O pagamento feito indevidamente obriga o devedor a pagar novamente. fundamentando-se nas regras sobre pagamento indevido (arts. tendo a quitação sido obtida pelo devedor fraudulentamente (art. que pode consistir na ressalva existente no próprio recibo ou em outros documentos ou mesmo na correspondência entre as partes (art. presume-se que o credor renunciou ao lugar previamente acordado no contrato. estabelecida no art. que não ocorreu o pagamento. A quitação admite qualquer forma. Havendo pluralidade de domicílios ou mais de um lugar indicado para o pagamento. se ocorrer aumento por fato do credor. Admite-se. só valerá nos limites em que reverteu em favor do beneficiado (art.

Pode. A mora debitoris pressupõe uma dívida líquida e certa. Neste caso.42 - . 397 do CC). do CC). fidejussórias. sem necessidade de qualquer interpelação judicial. A destruição da coisa e a ilicitude do negócio jurídico. mas o foi posteriormente. e o devedor. quer por parte do devedor (mora debitoris ou mora solvendi). a responsabilidade do inadimplente. por exemplo. quando a prestação ainda é útil para o credor. as garantias do débito. casos em que o prazo será fixado de acordo com os usos e costumes locais. a antecipação de vencimento relativa a um dos devedores não importa em vencimento do débito dos coobrigados solidários (art. cabal e definitivo pode ser fortuito ou culposo. como as mencionadas no art. Há mora do credor quando este se recusa a receber o que lhe é devido. dependendo de notificação prévia feita pelo credor ao devedor. como se tradição tivesse havido. 333. 332 do CC). ensejando. No caso de silêncio das partes e desde que não exista disposição legal em sentido contrário. forem penhorados em execução por outro credor. em virtude de lei nova. ter havido um simples atraso no adimplemento da obrigação. intimado. Esse atraso ou retardamento importa num inadimplemento temporário. III – se cessarem. 333 do CC: “I – no caso de falência do devedor. se houver solidariedade passiva entre os devedores.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sobre o tempo do pagamento.425 do CC. As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição. É o princípio dies interpellat pro homine (art. parágrafo único. na forma contratual ou legal (art. devendo o credor ressarcir o devedor pelas despesas que teve. O inadimplemento total. 20. a deterioração e o perecimento da coisa dada em garantia (incisos I e IV. vencida e não paga em virtude de culpa do devedor. diversamente. quer por parte do credor (mora creditoris ou mora accipiendi). o devedor responde também pela impossibilidade da prestação resultante de caso fortuito ou força maior. na última hipótese. que não foi cumprida no tempo fixado. se este oscilar . ou exigir tempo. se negar a reforçá-las”. A lei concede ao credor o direito de cobrar a dívida antes do seu vencimento em algumas hipóteses especiais. cabendo ao credor a prova de que o devedor teve ciência do advento da mesma (art. 394 do CC). pela conservação do bem e sujeitando-se ainda a recebê-lo pelo seu maior valor. 331 do CC). Uma vez que haja mora. pelo simples advento do termo ou decurso do prazo. ou reais. Os efeitos da mora creditoris importam em transferir a responsabilidade pela conservação da coisa ao credor. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso. que são. depois da mora. Mora é o retardamento culposo no cumprimento da obrigação. ou de concurso de credores. que revelam a insolvência do devedor. §§ 1º e 2º). Inadimplemento e mora O inadimplemento ou não-cumprimento da obrigação na maneira estipulada pode revestir formas diversas. salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano ainda sobreviria se a obrigação fosse oportunamente desempenhada. II – se os bens. 1. hipotecados ou empenhados. A constituição em mora se realiza de pleno direito. o negócio jurídico criador da obrigação estabelece a época de sua realização. ou seja. importam em impedir de modo definitivo o cumprimento da obrigação. o credor pode exigir o pagamento imediatamente (art. Também são causas de vencimento antecipado dos débitos as hipóteses elencadas no art. ou se se tornarem insuficientes.

Ocorre. ou títulos da dívida pública.Coordenadores: Marcelo T. É legal quando independe do consentimento do devedor ou do credor. Pagamento em consignação Pagamento em consignação é o depósito judicial da coisa devida ou depósito em estabelecimento bancário. 22. 334 do CC). que é substituído pelo outro ou pelos títulos ou pela caderneta vinculada (art. e considerando-se pagamento o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida. e convencional quando ocorre explicitamente a transferência dos direitos de devedor ou do credor ao terceiro. completa e incondicional. porque esta se faz antes do pagamento e a sub-rogação se faz por causa do pagamento. interrompendo. b) por força de contrato ou de recibo com tal fim. ou mantiver depósito em poupança vinculada. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos. 400 do CC). Distingue-se da cessão de crédito. que fica em lugar daquela. do CC – passando a ser exigida autorização judicial – e Decreto-lei n. ações. A consignação em pagamento se aplica a todos os casos de obrigação de dar coisa certa ou incerta. pelo pagamento (art. de valor semelhante. 349 do CC).43 - . privilégios e garantias do primitivo em relação à dívida contra o devedor principal e os fiadores (art. para liberar o devedor. A consignação deve ser efetiva. numa relação jurídica. Sub-rogação real é a substituição de uma coisa gravada por outra. de 8-8-1944). 347 do CC). Castellani entre o tempo do vencimento e o do pagamento. poderá vender o imóvel. com todas as suas características e atributos. Mas. móvel ou imóvel. somente podendo depender de prova da qualidade do credor por parte de quem pretende receber o pagamento. mediante transferência dos direitos que o credor tinha contra o devedor. Exemplo: um bem da herança gravada com cláusula de inalienabilidade não pode ser vendido.911. Os casos de sub-rogação legal são aqueles em que o pagamento é feito por um terceiro interessado na relação jurídica. A sub-rogação convencional se dá por cessão do credor ou do devedor. se for débito em dinheiro. o curso dos juros (art.777. A sub-rogação pode ser legal (de pleno direito) ou convencional. 334 do CC) A consignação é regulada pelo CC nos arts. nos casos e forma legais (art. 1. se o herdeiro indicar outro bem. só não cabendo tal ação na hipótese de obrigação de fazer ou de não fazer. Pagamento com sub-rogação A sub-rogação é a substituição de uma pessoa ou de uma coisa por outra pessoa ou coisa. nos casos legais (art. parágrafo único. de valor equivalente. a sub-rogação legal em favor do terceiro que paga letra de câmbio ou do segurador que indeniza o dano causado à pessoa ou coisa segurada. 334 a 345 e no Código de Processo Civil nos arts. Sub-rogação pessoal pode ser: a) por força de lei. 346 do CC). 6. que efetua o pagamento ou empresta o dinheiro necessário para tal fim. 890 a 900. 21. a transferência do crédito próprio ou alheio. O terceiro se subroga nos direitos do credor quando paga o débito. outrossim. Cometti Fernando F. . a transferência do crédito ao pagador de dívida alheia (casos do art. também. O sub-rogado assume assim a posição do sub-rogante.

c) a vontade de realizar novação (animus novandi) extinguindo a obrigação anterior. ou seja. 353 do CC). A imputação pode decorrer de acordo entre os interessados ou de determinações legais. Não caracteriza a novação a simples modificação . deve ser imputado primeiramente nos juros e depois no capital (art. 359 do CC). ou seja. 25. garante a lei ao devedor o direito de indicar quais os débitos que pretende pagar (art. salvo provando a existência de dolo ou violência (art. Não declarando o devedor qual das dívidas pretende pagar e aceitando a quitação de uma delas. havendo capital e juros. 352 do CC). a novação extingue os acessórios e garantias da dívida primitiva. Novação A novação é a transformação de uma obrigação em outra. b) uma obrigação nova que extingue a anterior. embora possa ser simples obrigação natural. não mais poderá apresentar reclamação posterior contra a imputação. com assentimento do credor e visando à extinção da obrigação. A novação é objetiva ou real quando há modificação da prestação e subjetiva quando ocorre mudança do credor ou do devedor. pois. 354 do CC). Assim sendo. 364 a 366 do CC). na falta de declaração do devedor. ou melhor. pouco importando que a coisa dada em pagamento tenha valor maior ou menor do que a prestação originariamente devida. e d) capacidade das partes para novar e para dispor.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 23. todos líquidos e vencidos. ficando sem efeito a quitação dada. Imputação do pagamento Imputação é a escolha da parcela a ser quitada num pagamento parcial do devedor que tem vários débitos em relação a um só credor. fica ao arbítrio do credor imputar o pagamento da maneira que preferir. seja por modificação do credor ou do devedor. Supletivamente. Os elementos necessários da dação em pagamento são. Havendo diversos débitos. a extinção de uma obrigação mediante a constituição de uma obrigação nova que se substitui à anterior. Dação em pagamento Quando o credor consente em receber coisa diversa da que lhe é devida ocorre a datio in solutum ou dação em pagamento. a existência de uma dívida e o pagamento desta pela entrega de uma coisa diferente da prometida. condicional ou anulável. com relação a que débitos o pagamento deve ser imputado. ressalvados os direitos de terceiros (art. o legislador estabeleceu um sistema de preferência considerando que. no silêncio das partes. seja pelo valor ou natureza da prestação. Salvo estipulação em contrário. desonerando os coobrigados que nela não intervieram (arts. Quando o devedor tem vários débitos em relação ao mesmo credor e paga quantia insuficiente para a liquidação de todos.44 - . ou seja. reintegrando-se terceiro na propriedade da coisa dada em pagamento ao credor. na falta de declaração de vontade dos interessados. o problema que surge é o de saber quais os débitos que devem ser considerados pagos. 24. Havendo evicção. A dação em pagamento extingue a obrigação. distinguindo-se a prestação antiga da nova. Para que haja novação são elementos necessários: a) uma obrigação anterior. em virtude da criação da obrigação nova. o pagamento. determina o Código que se restabelece a obrigação primitiva.

depósito ou alimentos ou se uma dívida for de coisa insuscetível de penhora (art. Castellani das modalidades (condições. A compensação é voluntária quando as partes a realizam em virtude de convenção. 368 do CC). A compensação judicial é aquela realizada pelo juiz. 5. quando os créditos são de valor diverso. em virtude da liquidação judicial de um crédito anteriormente ilíquido.Coordenadores: Marcelo T.172/66). quando a novação se realiza independentemente do consentimento do devedor originário. 373 do CC). ou convencional. 27. 375 do novo Código Civil). salvo se um dos créditos decorrer de esbulho. ou parcial. furto ou roubo. 384 do CC). Mesmo as coisas fungíveis só se compensam quando forem da mesma qualidade. por acordo entre o credor e um novo devedor que assume a obrigação do anterior (art. são credora e devedora uma da outra até o limite da existência do crédito recíproco (art. quando depende de decisão do magistrado. termo ou encargo) ou das garantias dadas ao credor. Não impede a compensação a diferença de causa nas dívidas. Cometti Fernando F. 382 do CC). quando decorre de declaração de vontade das partes interessadas. com a extinção de ambas as dívidas. havendo reciprocidade entre os créditos e débitos. ou da expromissão. a confusão só pode ser alegada entre credor e devedor. comodato. A confusão extingue a obrigação principal e as obrigações acessórias. extinguindo-se um e mantendo-se o outro na parte excedente ao crédito compensado. Também não se admite a compensação nas dívidas fiscais. judicial. A compensação só se efetua entre dívidas líquidas. 26. . É parcial quando tão-somente uma parte do crédito se extingue pela confusão. A compensação pode ser automática ou de pleno direito. A novação é subjetiva quando o antigo devedor é substituído por um devedor novo. extinguindo-se a dívida do devedor para com o primeiro e mantendo-se para com o novo credor. sem que existam os requisitos estabelecidos pela lei para a compensação de pleno direito. As partes podem renunciar à compensação ou excluí-la por mútuo acordo (art.45 - . É também denominada compensação facultativa. ao mesmo tempo. 362 do CC). 381 do CC). ou quando o credor primitivo é substituído por outro. 170 da Lei n. A confusão pode ser parcial ou total (art. podendo ainda ser total. ficando exonerado da responsabilidade o antigo. É total quando importa na extinção da obrigação. vencidas e de coisas fungíveis (art. sendo necessária uma substituição do objeto da obrigação (prestação) ou da causa debendi. A novação deriva de delegação quando há consentimento de todos os interessados e extinção do débito para o substituído. mas a confusão na obrigação acessória (confusão do fiador e do credor) não importa em extinção da obrigação principal (art. Como a compensação. Compensação A compensação é meio de extinguir as dívidas de pessoas que. Confusão A confusão é a extinção da obrigação decorrente da identificação numa mesma pessoa das qualidades de credor e devedor (art. a não ser em virtude de lei específica (art. 369 do CC).

mas pode ser revogada até o momento em que o devedor aceita a remissão. a transação far-se-á por escritura pública. que todavia só poderão exigi-la descontada a parte correspondente ao credor que perdoou a dívida (art. não as substituindo normalmente por outras. descontando a quota que for objeto da remissão (art. Pela transação. Se houver transação entre um dos devedores solidários e o credor. 844. será feita por escritura pública ou por termo nos autos. conforme vise a terminar um processo ou evitar o seu início. do CC). § 1º. Cláusula penal A cláusula penal é um pacto acessório. por convenção expressa. como aliás ocorre em matéria de novação (art. seja perdoando uma dívida. o acordo de vontades do credor e do devedor. nas em que ela o admite. A multa é convencionada no momento da realização do ato jurídico ou posteriormente. A cláusula penal se apresenta geralmente sob a forma de pagamento de determinada quantia em dinheiro. se recair sobre direitos contestados em juízo. 30. revertendo em favor da parte inocente ou de terceiro (v. como ocorre na novação. é o negócio jurídico bilateral pelo qual os interessados. 844. 388 do CC). obra beneficente). 840 do CC). Se a dívida for solidária. poderá ser feita por termo nos autos. significa qualquer espécie de negócio. 408 a 416 do CC). só podendo o credor cobrar dos coobrigados solidários o débito remanescente. No primeiro caso.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 28. Pode ser judicial ou extrajudicial. 842 do CC. Em sentido restrito. submetem o devedor que descumprir a obrigação a uma pena ou multa no caso de mora (cláusula penal moratória) ou de inadimplemento (cláusula penal compensatória). evitam ou terminam um litígio (art. assinado pelos transigentes e devidamente homologado pelo juiz ou por escritura pública.46 - . A simples declaração do credor importa em extinção da dívida. do CC). Quando se transige. A transação concluída entre o credor e o devedor desobriga o fiador. Na acepção mais ampla e menos técnica. regulamentado pela lei civil (arts. a obrigação não se extingue para os outros. seja trazendo-lhe uma doação. O valor da . a remissão feita a um dos devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente. assinado pelos transigentes e homologado pelo juiz. ou por instrumento particular. pelo qual as partes. Se a obrigação for indivisível e um dos credores fizer a remissão da dívida. g. A transação também se distingue do ato de liberalidade em que uma das partes quer beneficiar a outra. nas obrigações em que a lei o exige. Transação A palavra “transação” é utilizada em sentidos diversos. § 3º.. admitindo-se todavia a cláusula cujo conteúdo seja a prática de ato ou mesmo uma abstenção por parte do inadimplente. há sempre uma dúvida ou um litígio que as partes pretendem eliminar a fim de obter maior segurança nas suas relações jurídicas. 262 do novo Código Civil). Nos termos do art. 29. para se tornar irrevogável. necessitando. as partes extinguem obrigações. por concessões mútuas. a dívida se extingue para os co-devedores solidários (art. Remissão de dívida Remissão das dívidas é a renúncia do credor ao crédito que existe em seu favor.

A cláusula penal é moratória quando se aplica em virtude de mora do devedor e sem prejuízo da exigência da prestação principal. de 18-10-1991). e não de mora. que foi cedido). Transmissão das obrigações A transmissão das obrigações pode apresentar-se sob a forma ativa (cessão de crédito) ou passiva (assunção de dívida ou cessão de débito). como complemento pela infração contratual. O segundo atribui ao juiz o dever de reduzir a cláusula eqüitativamente. 8. 417. ou acrescer-se a elas.47 - . haverá restituição do equivalente ao valor dado como arras. enquanto na cláusula penal a parte inadimplente se compromete condicionalmente (na hipótese de inadimplemento ou de mora) a pagar certa quantia previamente fixada. devem ser devolvidas quando o contrato é executado ou desfeito independentemente de culpa. num contrato de locação por tempo determinado. podendo ser a título universal. ainda. O CC tem dois artigos que impõem limites para a estipulação da cláusula penal. No silêncio do contrato. a cláusula penal se aplica no caso de infração do contrato. tendo em vista a natureza e a finalidade do negócio (art. Nesta hipótese. 32. não devendo mais nada (art. Ressalta-se que. se as partes convencionam a possibilidade de arrependimento. a cláusula penal é compensatória e não representa um acréscimo às perdas e danos. se as arras não constituem início do pagamento. O legislador determinou.Coordenadores: Marcelo T. 4º da Lei n.. podendo então substituir-se às perdas e danos. O primeiro é o art. não haverá a restituição do sinal para aquele que o deu ou. 31. em garantia da conclusão de um contrato. Funcionando ambos os institutos como limitações da indenização na hipótese de inadimplemento. o locatário abandona o prédio antes do termo fixado e existe no contrato uma multa na hipótese de infração contratual. quando abrange todos os bens ou uma fração da totalidade dos bens do cedente (como ocorre em relação ao herdeiro). Assim. por antecipação mediante entrega real da quantia. Cometti Fernando F. Arras ou sinal As arras constituem quantia ou coisa móvel dada por uma das partes à outra. entre pessoas vivas (inter vivos) ou em virtude de falecimento (mortis causa). As arras se distinguem da cláusula penal pois. no momento da celebração do contrato. nesta. as arras são consideradas penitenciais e terão função unicamente indenizatórias. Nos termos do art. 412 que veda ter a cláusula penal valor superior ao da obrigação principal. Se houver a execução do contrato. entende-se que no caso de inadimplemento. quando só se refere a um crédito específico (v. 420 do CC. funcionando como verdadeira cláusula compensatória. que não poderá ser exigida indenização suplementar. parte final. 413). o sinal poderá ser restituído ou computado como parte do pagamento do devido (art. . recorrendo-se eventualmente a vários fatores para a fixação definitiva do seu montante. há promessa de pagamento. Castellani multa deve ser determinável. se o arrependimento for da outra parte. enquanto naquela o pagamento é feito desde logo. nas arras penitenciais o pagamento é prévio.245. As arras podem ser em dinheiro ou em outros bens fungíveis. do CC). ou a título singular. um crédito contratual. O locatário pode pagar a multa. independentemente de qualquer infração. g. quando a obrigação tiver sido parcialmente cumprida ou na hipótese de a penalidade ser manifestamente excessiva. Outras vezes.

ficando exonerado o devedor primitivo. era insolvente e o credor o ignorava” (art. sendo notificado. em princípio. o silêncio será interpretado como a reprovação da respectiva cessão de débito. o banco não é obrigado a aceitar qualquer devedor. dependendo dos rendimentos. com ou sem aceite deste. Neste caso. 299 e s. salvo se aquele. pois concede crédito a alguém que. Além disso. se não o faz. emprego e outros fatores.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A assunção de dívida é um negócio jurídico pelo qual um terceiro assume a dívida em lugar do devedor.. conforme o seu art. ao tempo da assunção. O CC diz que o credor. Como aplicações específicas da assunção de dívida. 299 trata da manifestação do credor sobre o negócio realizado e determina que pode ficar estipulado um prazo para que ele consinta na assunção da dívida. e. caso não o faça. 303. O CC admite expressamente a assunção de dívida nos arts. o CC se refere ao caso do adquirente do imóvel hipotecado que se responsabiliza pelo pagamento do débito hipotecário. poderá pagar. .48 - . 299). com o consentimento expresso do credor. tornando inequívoco que: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. o parágrafo único do art. “entender-se-á dado o assentimento”. deve impugnar a transferência em trinta dias.

em virtude da elaboração de uma série de normas legislativas fixando princípios mínimos que os contratos não podem afastar (salário mínimo. 1. 422. uma das partes pode pretender apenas obter informações. É o caso do art. o oblato torna-se aceitante. denominada policitação. cujo texto depende de aprovação prévia de organismos governamentais. fixação de percentagens de juros). Quando há aceitação. se o possuidor ignora o vício. analisa-se o conhecimento ou a ignorância de determinada situação. modificar ou extinguir obrigações (direitos relativos de conteúdo patrimonial). tabelamento de gênero. . visando criar. troca de cartas para esclarecimentos. isto é. portanto. não vinculam as partes. como acordo de vontades. Assim. contas.Coordenadores: Marcelo T. Relaciona-se com fatores do sujeito e com os cuidados que deve ter nas suas relações com terceiros. visitas. pressupõe uma proposta. Os dois elementos imprescindíveis para a formação do contrato são a solicitação ou proposta e a aceitação. a liberdade contratual só sofre restrições em virtude da ordem pública. . que não se iguala ao sentido dado à boa-fé subjetiva. ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. ainda. Formação do contrato O contrato. Cometti Fernando F. Na boa-fé subjetiva. 3. representa algo psicológico que presume a ignorância da real situação jurídica. 2. A liberdade no plano contratual tem sofrido amplas restrições. a cláusula geral fornece um ponto de partida para se alcançar resultados justos e adequados. pois depende de no mínimo duas declarações de vontade. O contrato poderá ou não se realizar. O Código Civil. em seu art. Antes de aceitar.201 do CC: “É de boa-fé a posse. indagações.49 - . Noção de contrato O contrato é um negócio jurídico bilateral. É preciso ressaltar. possibilitando a existência de um sistema jurídico aberto com constantes adaptações das normas legais às exigências do mundo de relações e da alteração dos seus valores com o tempo. minutas. que representa a projeção do interesse social nas relações interindividuais. feita por uma das partes – o policitante ou proponente – à outra – o oblato ou solicitado. pois muitos contratos são hoje verdadeiros contratos de adesão. A primeira se refere à possibilidade de realizar ou não um negócio. tanto na conclusão do contrato quanto na sua execução. Princípios básicos do direito contratual Liberdade de contratar é a faculdade de realizar ou não determinado contrato. que implica um estado de conhecimento do sujeito. especialmente no tocante à faculdade de fixar o conteúdo do contrato (liberdade contratual). apontamentos. também denominada pela doutrina de boa-fé objetiva. Assim. levando em conta os deveres de diligência que se espera de um homem mediano. A regra de boa-fé objetiva configura-se como cláusula geral e. Castellani CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS 1. enquanto a liberdade contratual é a possibilidade de estabelecer o conteúdo do contrato. corresponde a uma técnica legislativa que busca garantir a relação entre o direito e a realidade social. O dirigismo contratual diminuiu e restringiu a autonomia da vontade. enquanto a segunda importa na fixação das modalidades de sua realização. adotou a cláusula geral de boa-fé. para saber se interessa ou não o contrato. Em tese.

Decreto-lei n. 439 do CC admite explicitamente a possibilidade de ser prometido fato de terceiro. na hipótese de inadimplemento. A promessa não vincula. 4. ela pode ser revogada pela mesma via da sua divulgação. não há exigência legal quanto à forma. esta não responder dentro do prazo estipulado ou de prazo razoável. . “para qualificar e reger as obrigações. Quando. no fundo. aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem”. se o contrário não resultar dos seus termos. salvo declaração de vontade deste. Promessa pelo fato de terceiro O art. reputa-se celebrado o contrato onde foi proposto (art. O problema se reveste da maior importância em direito privado. feita a pessoa ausente. Havendo contraproposta. O CC estabeleceu regra específica para a oferta destinada ao público em geral. 429. 5. todavia. passando a ser o instrumento público essencial para a validade do negócio jurídico (art. 9º e § 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. que. não for aceita imediatamente ou se. com ou sem conhecimento ou consentimento deste. desde que a própria oferta mencione essa faculdade (parágrafo único do art. chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente (arts. o contrato é res inter alios acta. De acordo com o seu art. da natureza do negócio ou das circunstâncias do caso. Deixa também de obrigar o proponente a policitação quando. resolvendo-se em perdas e danos que o promitente deverá pagar ao outro contratante. pode o contrato tanto ser verbal como escrito. 109 do CC). abrangendo tanto o dano emergente como o lucro cessante. será considerado o lugar em que foi feita. realizando-se por documento particular ou público. 435 do novo Código Civil). Quanto ao lugar. Geralmente os contratos não tenham formas solenes. relação jurídica entre as partes contratantes. autorização para sublocar na sistemática da Lei do Inquilinato). cessionários). assim como seus sucessores (herdeiros. Para o não contratante que não sucede ao contratante. sem nenhum efeito sobre o patrimônio do terceiro. todavia.50 - . que são os sujeitos ativos e passivos da relação jurídica. como toda declaração unilateral de vontade.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Essas são as chamadas negociações preliminares. algumas vezes há necessidade de escritura pública (venda de imóvel de valor superior a certa quantia). de 4-9-1942). Nesta hipótese. pois. 4.657. equiparando-se a aceitação condicional. a oferta ao público equivale à proposta. Entretanto. se contiver todos os requisitos essenciais do contrato e desde que as circunstâncias e os usos não estabeleçam o contrário. deixando todavia a policitação de ser vinculatória se feita sem prazo a pessoa presente. não podendo todavia prejudicar ou beneficiar terceiros sem declaração de vontade por parte destes de que aceitam os efeitos contratuais sobre o seu patrimônio. o terceiro. antes ou simultaneamente com ela. a indenização deve ser ampla. e “a obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente” (art. A proposta de contrato obriga o proponente. 427 e 428 do CC). Efeitos dos contratos Os contratos alcançam as partes interessadas. 429). ou de documento escrito (doação que não seja de pequeno valor. constitui nova proposta.

cabe o exercício da ação redibitória. Os direitos e deveres oriundos da estipulação surgem independentemente da aceitação do terceiro. Na estipulação existem três sujeitos. por sua natureza. o contrato somente produzirá efeitos entre os contratantes originários (arts. não intentando as ações próprias. não poderão os contratantes fazer o distrato sem intervenção do terceiro. não pode ser atribuída a responsabilidade ao vendedor. pessoa determinada ou determinável. em favor de quem a prestação deve ser executada. em certos casos.Coordenadores: Marcelo T. § 1o. começando a correr a partir da entrega ou da tradição do objeto ao adquirente. e finalmente o terceiro. mas. ou seja. por outro. sendo o estipulante.O vício redibitório se distingue do defeito visível. Estipulação em favor de terceiro A estipulação em favor de terceiro é o contrato pelo qual se cria. para terceiro. indicar outra pessoa que irá adquirir direitos ou assumir obrigações nele previstas. do CC estabelece que. se a pessoa indicada for insolvente ou incapaz no momento da indicação. e existente no momento da execução do contrato e subsistente na época do exercício da ação própria. 8. 467 a 469 do CC). vício da vontade. mediante cláusula contratual ou aditamento ao contrato. 7. por sua própria conta. as reformas ou consertos necessários para corrigir os defeitos existentes. há obrigatoriedade desta. nem sendo suscetíveis de interrupção. mas as partes podem alterar a convenção de comum acordo. nem poderão. pois. quando o vício. por um lado. O vício redibitório é. ignorado pelo adquirente. o promitente. dois certos e um condicional. Castellani 6. Se o vício vier a surgir depois da execução do contrato. modificar a identidade do beneficiário ou as modalidades da prestação. A renúncia à garantia pelos vícios redibitórios pode ser expressa. um direito novo e próprio. como também à doação onerosa (art. uma vez que o terceiro tenha manifestado a sua aceitação. 445. em virtude de caso fortuito ou culpa do comprador. uma das partes tem a faculdade de. desde o momento em que foi celebrado (arts. Os prazos para o exercício da ação redibitória são de decadência. caso não haja indicação de terceira pessoa ou a indicação não seja aceita por ela ou. Vícios redibitórios Vício redibitório é o defeito oculto que desvaloriza ou torna a coisa imprópria ao uso. Contrato com pessoa a declarar Neste tipo de contrato. oculto. 441 e parágrafo único do CC). Enquanto o terceiro não aceita os efeitos da estipulação. aparente ou ostensivo. Contudo. que se obriga a realizar a prestação em favor de terceiro. Exemplo: seguro de vida. Cometti Fernando F. impedindo o uso normal da coisa. àqueles em que há equivalência das prestações das partes.51 - . este não pode acionar o vendedor. só puder . prefere realizar. Se ao contrário o desaparecimento do objeto for conseqüência do vício. ainda. e do erro. sem o seu consentimento. Entretanto. o art. ou tácita. salvo se o comprador puder provar que decorre de outro defeito já existente por ocasião do contrato. que estipula em favor de terceiro. nos termos estipulados no instrumento contratual ou na lei. A teoria da responsabilidade pelos vícios redibitórios se aplica atualmente a todos os contratos comutativos. quando o adquirente. 470 e 471). não se suspendendo. Perecendo a coisa.

em contrato oneroso. quando. 445. em virtude de sentença judicial. 447 do CC). e um ano. As garantias do adquirente podem ser reforçadas mediante uma caução ou fiança ou mesmo por garantia hipotecária a fim de assegurar. O terceiro que realiza a evicção é o evictor. § 2º. ao contrário. pois sofre a evicção. Em relação aos vícios ocultos nos negócios de compra e venda de animais. Para que haja evicção é preciso que: 1. o pagamento da indenização devida na hipótese de evicção.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI ser conhecido mais tarde. perdendo o direito que acreditava ter legitimamente adquirido. 2. haja sentença. 9. para os imóveis. diminuir ou excluir a responsabilidade decorrente da lei (art. quando não houver lei específica. a posse ou o domínio da coisa alienada. se esta não existir. que as atribui a terceiro. em virtude de sentença judicial. mas consideramos que se equipara aos móveis. a evicção é total. o prazo será contado da data da ciência da sua existência até o máximo de cento e oitenta dias. ela é parcial. A lei dá assim maior liberdade às partes para a ampliação da garantia legal no caso de evicção. 448 do CC). mediante cláusula contratual. A garantia do alienante pelos prejuízos decorrentes da evicção existe nos contratos onerosos. ou seja. 3. essa garantia subsiste mesmo em casos de aquisição em hasta pública (art. titular legítimo do direito. do CC.52 - . O adquirente é o evicto. pelo adquirente. com um patrimônio de terceiro ou com certos bens específicos pertencentes ao alienante. um direito alheio. reforçar. nem regra consuetudinária. Este dispositivo determina a aplicação do prazo especificado no seu § 1º – 180 dias para bens móveis e um ano para bens imóveis. pois transmitiu um direito inexistente ou viciado. ou. Ademais. O alienante é o responsável pelos prejuízos decorrentes da evicção. seja o vício anterior à alienação. Quando o objeto da evicção se identifica completamente com o da alienação. transitada em julgado. devendo os contratantes fixar as garantias suplementares no instrumento em que estabelecem as condições do negócio jurídico ou em ato posterior. exista um vício no direito do alienante transferido ao adquirente. para bens móveis. a evicção a perda da posse ou da propriedade de um bem. nos termos do art. em virtude da qual o adquirente perdeu o uso. Caracteriza. reconhecendo que o alienante não era titular legítimo do direito que transferiu. na qual se declara que o alienante não tinha qualidade para realizar a alienação. Evicção A evicção é o fato em virtude do qual o adquirente perde a posse ou a propriedade de determinado objeto. podendo as partes. a evicção só recai sobre uma parte do objeto da alienação. considerar-se-ão os usos e costumes locais. pois. . o prazo de garantia deve ser especificado em lei especial.

venha ou não a haver safra – emptio spei) ou quanto ao valor dela (emptio rei speratae. podendo ser comutativo ou aleatório. legitimação. 497 do CC. sendo ato de disponibilidade. embora possa esta ser exigida para a transferência da propriedade. dos protótipos ou dos modelos. a fim de evitar que a doação seja simulada em compra e venda. O CC define a compra e venda como o contrato pelo qual um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. testamenteiros.CONTRATOS EM ESPÉCIE 1. 484). Além disso. do preço e das modalidades de pagamento. prevalecem estas últimas (parágrafo único do art. 482 do CC. se houver contradição ou diversidade entre a descrição da coisa no contrato e as características das amostras. 497.747 e 1. A compra e venda é um contrato bilateral (cria obrigações para ambas as partes). na hipótese de surgir dúvida quanto à existência de uma das prestações (venda de mercadoria que se encontra em navio que pode ter naufragado. que na venda dos ascendentes para os descendentes haja o consentimento expresso dos outros descendentes e do cônjuge (art.750 do CC). protótipos ou modelos. São elementos essenciais da venda a existência do objeto (res). Da compra e venda e da troca A compra e venda distinguiu-se da troca ou permuta por importar na transferência de mercadorias de uma parte contratante para a outra. o falido não pode alienar os seus bens. embora tenha a capacidade geral. A compra e venda não requer forma especial.691. em alguns casos. se incapazes. a fim de evitar conluios ou fraudes. venda de colheita desde que haja safra. administradores a aquisição dos bens confiados à sua guarda ou administração. venda de colheita futura. Excepcionalmente.53 - . Esses elementos estão perfeitamente especificados no art. oneroso (não importa em liberalidade). havendo equivalência aproximada das prestações e certeza quanto ao valor de ambas. Para evitar litígios na família exige-se. 2.Coordenadores: Marcelo T. 481). 1. curadores. mediante o pagamento de determinada quantia de moedas. do preço (pretium) e do consenso (consensus). aos juízes. Geralmente é comutativo. e mesmo a pessoa solvente não pode alienar bens arrestados. exige autorização do juiz quando o alienante é incapaz (arts. O contrato de compra e venda pressupõe a capacidade geral. demais serventuários e auxiliares da Justiça e aos leiloeiros. 484 do CC). o vendedor garante ao comprador que a mercadoria alienada tem as qualidades correspondentes às da amostra (art. Castellani CAPÍTULO III . nos casos expressamente mencionados no art. A venda. seqüestrados ou penhorados. 496 do CC). devendo tanto o comprador como o vendedor ser capazes de fato ou. A lei também veda. o novo Código deixa claro que. estendendo tal proibição aos funcionários públicos. 1. parágrafo único). Assim. estar devidamente assistidos ou representados. O contrato se torna perfeito com a combinação entre as partes do objeto da venda. aos tutores. exigindo. Hipóteses especiais de compra e venda (cláusulas especiais) a) Venda por Amostra Na venda por amostras. sob pena de anulação do negócio. O legislador ressaltou ainda que essa proibição estende-se aos casos de cessão de crédito (art. . sob pena de nulidade. qualquer que seja o seu valor). e o outro a pagar-lhe certo preço em dinheiro (art. pode ser aleatório. Cometti Fernando F.

510). valendo inclusive contra terceiros.). c) Retrovenda A cláusula de retrovenda consiste na faculdade que se reserva o vendedor de reaver o imóvel vendido devolvendo ao comprador o preço. O direito de preferência é intransferível por ato mortis causa ou inter vivos. 511 do CC). sendo apenas enunciativa ou descritiva a referência às dimensões. o comprador fica obrigado a pagar o preço nas condições ofertadas ou ajustadas. na hipótese de revenda do bem.359 do CC). não se admitindo exercício parcial do direito de preferência que viria cindir a venda. b) Venda “ad corpus” e “ad mensuram” Há duas modalidades na venda de terras ou terrenos: a venda ad corpus é a alienação de imóvel. ou de dois anos. só poderá ser exercido em relação à totalidade do objeto. se imóvel (art. parágrafo único). O CC estipulou um prazo máximo para o exercício do direito de preferência. .54 - . pois. Existindo preferência em favor de mais de uma pessoa. 513.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Trata-se. como ocorre na retrovenda. ainda que a coisa já tenha sido entregue. 505 do CC). se o comprador transferiu o seu direito dentro do prazo de exercício da retrovenda. funcionando como verdadeira cláusula resolutória da propriedade (art. perfumes. importando apenas na criação de um direito obrigacional. promessa irretratável de venda etc. 1. ou seja. de uma espécie de venda condicional que somente se torna perfeita e acabada comprovando-se a identidade da mercadoria ou do objeto entregue com a amostra que deu margem ao pedido. sendo de cento e oitenta dias. três anos a partir da data da venda (art. Até a aceitação da venda. as despesas feitas pelo adquirente (custas de escritura e impostos). e extinguindo todos os direitos de terceiros posteriores à alienação primitiva (hipoteca. na medida em que também se presume feita sob condição suspensiva de que a coisa tenha as qualidades asseguradas pelo vendedor e seja idônea para o fim a que se destina (art. A retrovenda tem efeitos reais. funcionando esta como condição suspensiva para a efetivação do negócio. adquirindo o bem. incluindo aquelas efetuadas com a sua autorização escrita no período de resgate ou para a realização de benfeitorias necessárias (art. o comprador é equiparado ao comodatário (art. e não num direito real. Distingue-se da retrovenda por ser aplicável tanto a móveis como a imóveis. Na hipótese de exercício do direito de preferência. Ciente da venda que está para ser realizada. d) Venda a contento e venda sujeita a prova (arts. situação em que a mesma passa a ser condição essencial ao contrato efetivado. anticrese. tanto na venda a contento quanto na venda sujeita a prova. o titular do direito de preferência pode notificar o alienante de sua vontade de exercê-la. que se resolve em perdas e danos. se a coisa for móvel. livros e alimentos em geral. 509 a 512 do novo Código Civil) Venda a contento é a alienação que depende de aprovação do comprador. e) Preferência ou preempção A preferência ou preempção é uma faculdade pessoal que se assegura ao vendedor para readquirir a coisa vendida em igualdade de condições com um terceiro comprador. que se assemelha à venda a contento. à coisa em seu todo. no máximo. 505 do CC). O CCl trouxe a figura da venda sujeita a prova. Já a venda “ad mensuram” faz-se o preço por medida de extensão. como coisa certa e discriminada. É muito conhecida tal espécie de venda no tocante a vinhos. A retrovenda só se aplica aos imóveis e pode ser exercida durante um prazo de caducidade de.

o animus donandi. uma vez que a documentação esteja em ordem. caso o contrato nada mencione.242/91) lhe dá efeitos reais (art. em que se prova o embarque das mercadorias. mas pela entrega do seu título representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato. o pagamento deverá ser efetuado na data e no lugar da entrega dos documentos (art. assegurando-se. salvo sendo remuneratórias. caso pague preço igual ao do melhor comprador encontrado no prazo de exercício do pacto. 529. Castellani A preferência tem sido assegurada. Também se considera válida a doação feita ao nascituro quando aceita pelo seu representante legal (art. 530). salvo se absolutamente incapaz. admite-se que os absolutamente incapazes possam receber doações puras. por exemplo. pelos usos. a atualidade da atribuição patrimonial e a irrevogabilidade. de bens comuns ou dos que possam integrar futura meação. ressalvados os casos em que o defeito tiver sido comprovado (parágrafo único do art. O Código Civil deixou de disciplinar o pacto de melhor comprador. seguro e frete incluídos) ou FOB (free on board = livre a bordo). 8. pelo contrato. Vale o pacto de melhor comprador como verdadeira condição resolutiva. A pessoa casada não pode fazer doações sem o consentimento do outro cônjuge. a aceitação quando o doador fixou prazo para que o donatário o aceitasse. Salvo estipulação em contrário. aplicandose somente aos imóveis. tratando-se de doação sem encargo e o donatário não se manifestou nesse período (art. todavia. de modo que se caracteriza não pela tradição da coisa. Ao comprador não cabe recusar o pagamento alegando vício ou estado da coisa vendida. Entretanto. Doação Doação é o negócio jurídico pelo qual alguém se obriga a transferir. bens ou vantagens do seu patrimônio para outra pessoa.647 do CC). É preciso distinguir no caso a doação da dação em . ou até. por liberalidade. observado o regime dos negócios jurídicos. Cometti Fernando F. ou seja. f) Pacto de melhor comprador e pacto comissório O pacto de melhor comprador é a faculdade concedida ao vendedor. 543 do CC). não vale se os cônjuges forem casados em regime de separação absoluta (art.55 - . resolvendo-se em perdas e danos. Usa-se tal modalidade no comércio internacional. ao primeiro comprador a preferência para manter a venda feita em seu favor. 529). ao locatário para aquisição do imóvel residencial alugado. 542 do CC). sob a justificativa do desuso dessa figura contratual tipificada pelo Código de 1916. estipulem de forma similar. 3. g) Venda sobre documentos A definição desse instituto é dada pelo art. nada impede que as partes. em condições de igualdade com qualquer terceiro interessado na compra do prédio. A Lei do Inquilinato (Lei n. por lei. As doações remuneratórias são aquelas que visam uma compensação do donatário por serviços prestados ou por ato praticado. entretanto. freight = custo. em geral contendo as cláusulas CIF (cost. pelo conhecimento marítimo.Coordenadores: Marcelo T. Essa proibição. insurance. Atendendo-se ao interesse do donatário. de rescindir a venda já realizada se dentro de certo prazo aparecer melhor comprador. usando da sua autonomia da vontade. sem a necessidade da sua aceitação (art. todavia. 539 do CC). 1. tendo todavia efeitos pessoais. 33). A lei presume. É preciso que o donatário aceite a doação. Os caracteres essenciais da doação são o enriquecimento do donatário.

a empreitada. inclusive. não havendo nem mesmo um direito do credor de exigir judicialmente o pagamento de uma prestação fixa.56 - . salvo outra indicação do doador. Pode fazer-se em dinheiro ou outra utilidade. que tinha três modalidades: locatio rei (ou rerum): locação de coisas. porque não se exige a entrega da coisa para aperfeiçoar o contrato. sendo considerada nula qualquer estipulação pela qual o doador previamente renuncie à possibilidade de revogação nos casos de ingratidão do donatário. Mas a evolução do direito alterou a classificação romana. aluguer ou renda. 549 do CC). A remuneração ou o preço pago diz-se aluguel. só são devidas enquanto ele estiver vivo e não poderão subsistir após a morte do donatário. É oneroso porque. Locação é o contrato em que uma das partes se obriga a ceder à outra o uso e gozo de coisa infungível.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI pagamento. A locação é contrato bilateral. extinguindo-se a liberalidade. Da locação No direito romano. passando a ser considerada como inexistente desde o início e desaparecendo todos os seus efeitos e. isto é. Esta existe havendo preço combinado para uma prestação de serviços e pagando o devedor com um objeto determinado. senhorio ou arrendador. É consensual porque basta o acordo de vontades. da qual o doador poderia dispor em testamento no momento da liberalidade. quando as partes estipulam que. o contrato de trabalho. o de expedição. consensual. podendo ser nula ou anulável. Assim. mediante remuneração. os Códigos mais recentes disciplinam o contrato de prestação de serviços. com um regime especial para os imóveis. que. o contrato de aprendizagem. terá ela efeitos retroativos. o de agência. As doações podem ser reversíveis. A redução das doações se justifica quando o valor destas ultrapassa a parte disponível. A revogação ocorre na hipótese de ingratidão do donatário. constituindo faculdade que o doador poderá exercer na forma dos arts. comutativo. anulando as alienações feitas pelo donatário e fazendo os bens reverterem livres de quaisquer ônus ao doador. constitui comodato (empréstimo de coisa não fungível). vários contratos foram abrangidos pela denominação de locatio conductio. Nesta hipótese. . se for gratuito. locatio operis faciendi: locação de obra. mesmo antes da entrega o contrato já está perfeito. ferindo assim os direitos dos seus herdeiros necessários (art. os eventuais direitos de terceiros. ou empreitada. impessoal e de duração. quando revestem a forma de pagamento em períodos sucessivos. oneroso. ou de execução sucessiva. pois a resolução do direito fundamental importa em caducidade dos direitos derivados. voltarão os bens doados ao doador se ainda estiver vivo. inquilino ou arrendatário. 555 do CC). 557 a 564 do CC. a que recebe a coisa chama-se locatário. A revogação deve respeitar os direitos de terceiros e pode decorrer também da inexecução de encargos (art. Não é contrato real. o de trabalho doméstico. como figuras autônomas. A resolução da doação decorre da existência de condição resolutiva ou termo final. É bilateral porque acarreta obrigações interdependentes de ambas as partes. e locatio operarum: locação de serviços. em virtude da morte do donatário. A locação ficou restrita à de coisas. A parte que cede o uso e gozo diz-se locador. operando tal cláusula como resolutória do contrato. A doação é ineficaz quando realizada em desobediência às normas legais. 4. As doações ainda podem ser continuadas. o de transporte e outros. A doação surge quando não existe essa proporção exata entre as prestações. mediante acordo nesse sentido entre as partes.

Coordenadores: Marcelo T. bilateral. Mesmo sendo lei especial. Não o podem ser também os bens públicos de uso comum. em que trouxe inovações quanto às ações de despejo. Nesse sentido é o art. infungíveis e não consumíveis. realizado intuitu personae ou livremente transferível (art. Da locação predial urbana As leis de locação predial foram chamadas de Leis do Inquilinato. A lei se refere aos contratos em shopping centers. O dever primordial do empreiteiro é realizar a obra ou serviço no prazo e nas condições convencionadas ou de acordo com os usos locais. Na hipótese de mora do empreiteiro ou de defeitos na obra. o dono pode optar entre receber a obra e exigir abatimento do preço ou rescindir o contrato pedindo perdas e danos (arts. por motivos supervenientes ou razões de ordem técnica. como o fundo de comércio e patente de invenção. conforme o caso. Podem ser locadas coisas móveis e imóveis. A lei sistematizou melhor a matéria. Entretanto. a Lei n. 626 do CC). deverá ser assinado documento escrito determinando as alterações.245/91 foi além e regulou melhor e com alterações alguns processos referentes às locações de imóveis. aplica-se o Código Civil. em tese. 6. 8. respondendo pela sua solidez. como se vê da ementa. 90). Castellani É impessoal porque não se leva em conta a pessoa do contratante. consignação. 621 do CC. Da empreitada A empreitada costuma ser definida como o contrato pelo qual alguém se obriga a fazer determinada obra para outrem. tratando-se de um instituto de alta relevância não apenas no direito civil. que passam a incluir-se na locação. assim como das regras técnicas peculiares aos trabalhos da mesma natureza. alterando e extinguindo a Lei de Luvas e outras leis especiais (art. mas também no direito empresarial e no direito administrativo. porque supostamente pretendiam defender ou proteger o inquilino. e b) quando as alterações forem de pouca monta. ressalvada a unidade estética da obra projetada. é válida a locação de coisa alheia. aplicáveis a todas as locações de imóveis urbanos. podendo. editou-se a Lei n. ser de execução imediata ou contínua. porque se prolonga no tempo. 615 e 616 do CC). começando pelas disposições gerais. o mesmo dispositivo legal traz duas exceções e permite modificações quando: a) fique demonstrada a inconveniência ou excessiva onerosidade da execução do projeto original. Havendo qualquer modificação do plano inicial por parte do dono da obra.57 - . a cessão. Em virtude do contrato de empreitada pode ocorrer a modificação de um bem móvel ou imóvel ou a realização de um trabalho científico. 8. Em 18-10-1991.245. mediante retribuição. revisional e renovatória. pois neste caso o contrato se transforma em mútuo oneroso. tudo dependendo das circunstâncias peculiares do contrato e da convenção das partes. que. Tal como em parte ocorria nas anteriores. com a locação residencial e a não residencial e cuidando da parte processual. supletivamente. intelectual ou artístico. Admite-se que certos bens incorpóreos também possam ser locados. oneroso e comutativo. Não podem ser locadas as coisas fungíveis. . passando para as especiais. Considera-se imperfeita a obra quando o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados. A coisa pode ser do locador ou não. É contrato de duração. sendo admitida. 5. se for omissa. Cometti Fernando F. “dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os procedimentos a elas pertinentes”. O contrato de empreitada é consensual.

O perecimento do objeto. é de quatro anos (art. donde se segue que é personalíssimo (ou intuitu personae) 8. tem direito a receber por inteiro a retribuição vencida e a metade do que faltar até o fim do contrato (art. qualquer das partes. a força maior e o caso fortuito são outras tantas causas de extinção da empreitada. no Código Civil de 1916. assim estabelecendo no art. de locação de serviços e que hoje se considera mais adequado chamar de prestação de serviços. nem se podendo inferir da natureza do contrato. no capítulo das locações. devolvê-la ao legítimo proprietário. os riscos referentes a este correrão por conta do empreiteiro até a entrega da obra a quem a encomendou. 593 a 609 ao admitir que se contrate qualquer serviço. 626 do CC). a segunda (locação de obra) é o que se chama de empreitada. mas inova ao acrescentar: “Art. 7. em caráter eventual e autônomo. havia três figuras com nomes começando pela palavra locatio: locatio rerum. O contrato só admite transferência com acordo da outra parte. A prestação de serviço. Se houver inadimplemento ou culpa por parte do empreiteiro. justificando então a rescisão a pedido do empreiteiro. podem realizar um distrato. Do empréstimo O empréstimo é a convenção pela qual uma das partes recebe coisa alheia para utilizá-la e. como ocorre nas coisas infungíveis. não se pode mandar alguém em lugar da parte (art.58 - . 599: “Não havendo prazo estipulado. se não fixado. aplicável a todos os contratos bilaterais. terminologia adotada pelo novo Código Civil. assiste ao dono da obra o direito de rescindir o contrato. mantendo-se. se quiser. 602 do CC). ou seja. Distingue-se assim o a) comodato. locatio operis e locatio operarum. no direito romano. a seu arbítrio. 1. As partes que convencionaram a empreitada. Já vimos. O tempo máximo do contrato. o que se chamou. de coisas infungíveis para utilização pelo comodatário. reger-se-á pelas disposições deste Capítulo. Neste caso. ou do costume do lugar. pode resolver o contrato”. ocorrendo assim a extinção por vontade das partes. como acontece nos bens fungíveis. por comum acordo. O novo Código Civil corrigiu o termo “rescindir” (do art. empréstimo gratuito. mediante prévio aviso. material ou imaterial. Em caso de prazo certo. só deve o prestador despedir-se por justa causa (art. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito. 603). A primeira é a locação de coisas. pode ser contratada mediante retribuição”. Art. o mesmo acontecendo na hipótese de inadimplemento por parte do dono da obra. Da prestação de serviço É aquele pelo qual uma pessoa estipula uma atividade lícita. que. 605 do CC). 598 do CC). A finalidade do empréstimo pode ser o simples uso. em seguida. qualquer das partes pode rompê-lo. Se o prestador de serviços for despedido sem justa causa. 594. a terceira. o falecimento de uma das partes sendo o contrato intuitu personae (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo a empreitada de mão-de-obra e de material. sem subordinação do prestador e mediante remuneração. . a desapropriação do bem. que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial.221) por “resolver”. com aviso prévio (como no direito do trabalho). ou o consumo. O CC regula a matéria nos arts. A conclusão da obra com o respectivo pagamento é a forma normal de extinção do contrato de empreitada. 593. de acordo com a cláusula resolutiva tácita.

a possibilidade de utilizar por certo prazo um crédito limitado ou ilimitado. depósito obrigatório é o realizado em desempenho de obrigação legal (depósito legal) ou em virtude de calamidade pública (depósito miserável). mesmo quando devidamente autorizado pelo depositante. Depósito voluntário é o decorrente da vontade das partes. e só pode ser realizado pelo proprietário da coisa mutuada. O mútuo também é chamado empréstimo de consumo. do CC) especificou ainda a responsabilidade do depositário. Ao contrário do mútuo. O legislador (art. cuja obrigação de restituir perdura. podendo usá-la e consumi-la. a abertura de crédito é contrato consensual. O mútuo em que as partes estipulam o pagamento de juros é denominado mútuo feneraticio. Do depósito O contrato de depósito importa na guarda temporária de um bem móvel pelo depositário até o momento em que o depositante o reclame (art. por haver no primeiro uma função relativamente passiva de vigilância. 640 do CC). que têm a mesma razão de ser. Ressalta-se que. o depositário não pode utilizar a coisa depositada. podendo ser gratuito ou oneroso. denominando-se então . conhecemos o contrato de abertura de crédito ou promessa de mútuo. Castellani todavia. se agir com culpa na escolha do terceiro para quem o bem será dado em depósito. pela qual se assegura a alguém. parágrafo único. 627 do CC). Caracteriza-se o mútuo pela translação do domínio. 171. § 2º. embora sendo onerosa. I). Normalmente. salvo convenção em contrário das partes ou em decorrência da própria natureza do negócio (depósitos bancários). O depósito. distingue-se do comodato. sendo ato de administração. pois res perit domino (o risco pelo perecimento da coisa corre por conta do proprietário). as regras do novo Código Civil seguem quase que completamente as já existentes no Código de 1916. O depósito. a sua substância inalterada e devolvendo-se as coisas recebidas ao comodante. art. mandatário). em que o comodatário recebe a coisa para a sua utilização. Também se diferencia o depósito do mandato. pela sua finalidade básica de custódia da coisa. em que o mutuário se torna um verdadeiro proprietário da coisa mutuada. sendo a identificação genérica e não individual. 9. O depósito ainda pode ser de coisa litigiosa a fim de evitar que o desvio dos bens litigiosos venha prejudicar as partes em conflito. sem a autorização expressa do depositante. em virtude da qual os riscos da coisa se transferem para o mutuário. 640. Ao lado do contrato típico de mútuo. segundo a melhor doutrina. com traços peculiares. obrigando-o a restituir ao mutuante o que dele recebeu. Já o mútuo consiste na transferência da propriedade da coisa mutuada. mediante determinada comissão. enquanto. quantidade e qualidade. implica responder o depositário por perdas e danos (art. pode ser contratado não apenas pelo proprietário do objeto. empréstimo de coisas fungíveis.Coordenadores: Marcelo T. e o gênero presumidamente nunca perece. comodatário. mesmo na hipótese de destruição da coisa por força maior ou em virtude de caso fortuito. no segundo. Cometti Fernando F. mas por qualquer pessoa que tenha a posse dele (locatário. O comodato consiste na cessão gratuita e temporária da utilização de coisa infungível. do b) mútuo. e da locação de coisa. em coisa do mesmo gênero. convencionando-se juros para o financiamento. em relação ao comodato. cabendo-lhe restituir objeto de igual qualidade e valor. A utilização indevida da coisa depositada ou a sua entrega em depósito a terceiro. para consumo.59 - . o mandatário tem deveres ativos para defender os interesses do mandante. sob pena de importar em ato nulo para o direito civil e ilícito penal punido como se estelionato fosse (CP.

somente passando a ser imperfeitamente bilateral quando o mandatário. embora se admita o mandato para.542 do novo Código Civil). sendo absoluta a incapacidade. é remunerado. a relação entre o representante e principal perante o terceiro. o mandatário age em nome e por conta do mandante. ou pelos seus assistentes.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI seqüestro. A procuração é o instrumento do mandato. art.015/73. 654 do CC. O mandato só é admissível para os atos que não têm natureza personalíssima. embora no interesse e por conta do comitente. 1. O mandato é considerado como contrato unilateral. pois. do Código de Processo Civil). praticar atos ou administrar interesses (art. Em alguns casos especiais. só cria obrigações para o mandatário. casar com pessoa determinada (art. trabalho. Ocorre que. Todas as pessoas capazes podem outorgar mandato mediante instrumento particular por elas assinado. assim dispondo a lei em relação aos conflitos trabalhistas (art. 6. O primeiro decorre de convenção e o segundo de . a faculdade de apresentar queixa-crime (Código de Processo Penal. Este pode ser de prestação de serviços. Também se diferencia da prestação de serviços. quando somente os primeiros são da alçada do mandatário. 171 a 177 do CC). como exige o art. sendo admissível tanto em relação a móveis como a imóveis e funcionando como medida preparatória ou conservatória regulada pela lei processual civil (arts. compra e venda. em seu nome. Ademais. admite-se a procuração dada pelo relativamente incapaz. entre dezesseis e dezoito anos. 653 do CC). enquanto o mandato se apresenta como presumidamente gratuito. mas neste caso o mandante não terá ação contra ele. 822 e s. O analfabeto só pode outorgar procuração por instrumento público. não há identidade entre procuração e mandato. 166. O mandato pode ser expresso ou tácito. normalmente. uma vez que não pode assinar o instrumento particular. e que abrange negócios jurídicos e atos materiais. fiduciária. Os incapazes podem outorgar mandato. corretagem etc. decorrente da confiança existente entre os contratantes. Há um lado interno (o negócio entre as partes) – subjacente – e o lado externo – a representação. devendo a procuração ser dada pelos seus representantes legais. 10. § 3º). sendo a incapacidade relativa.60 - . 792 da Consolidação das Leis do Trabalho). enquanto no mandato. O mandato se distingue da comissão porque o comissário atua em nome próprio. para a doutrina. em nome do mandante. pessoa física ou jurídica. por exemplo. salvo em decorrência das regras gerais e princípios aplicáveis às obrigações contraídas pelos menores (art. Do mandato O mandato é o contrato pelo qual alguém recebe de outrem poderes para. em verdade. pois. 34 e 50) e de requerer o registro de nascimento (Lei n. independentemente de qualquer intervenção do seu assistente. A base do mandato é. atendendo-se à personalidade do mandatário. tratando-se inequivocamente de um contrato realizado intuitu personae. Freqüentemente é o mandato. 50. Quando os incapazes outorgarem mandato sem representação ou assistência. aplicam-se as normas sobre obrigações contraídas por menores (arts. que é sempre onerosa. em virtude da convenção ou por tratar-se de ato profissional. A procuração é um negócio jurídico pelo qual se constitui o poder de representação voluntária. conceder mandato para fazer testamento. o relativamente incapaz pode figurar como mandatário. não se podendo. 666 do CC). arts.

§ 1º. 5º. equivalendo a procuração à venda ou cessão de direito. se presume oneroso quando praticado profissionalmente pelo mandatário. Cliente é aquele que contrata o corretor para realizar o negócio. salvo nos processos criminais e trabalhistas. da Lei n. inclusive para transferir para si bens móveis e imóveis objeto do mandato. 658. por conseqüência. Trata-se de mandato irrevogável e que subsiste e produz efeitos após a morte do mandante. em tese. conseqüentemente. sem subordinação e mediante remuneração. mas não afetando as pessoas jurídicas. O contrato classifica-se como bilateral. 1. caducando o mandato com a morte. Este pode ser pessoa física ou jurídica. admitindo-se em todas as hipóteses que as partes livremente convencionem uma remuneração pelo exercício do mandato.Coordenadores: Marcelo T. Se o mandato for oneroso. a remuneração será determinada pelos usos e costumes do lugar e. caso seja efetivado o negócio pretendido. como a que considera os cônjuges autorizados a comprar as coisas necessárias à economia doméstica independentemente de autorização um do outro (art. Quando não houver previsão. . É também chamado de mediação. Nem sempre o corretor é um profissional. do CC). parágrafo único. não tem a obrigação de pagar a comissão. que. podendo desempenhar a função apenas esporadicamente. deve remunerar o corretor. Extingue-se o mandato em virtude de renúncia do mandatário. O mandato. revogação pelo mandante. naturalmente gratuito.906/94 – Estatuto da OAB). A outra parte. Cometti Fernando F. caberá ao mandatário a retribuição prevista em lei ou no contrato. que certos corretores exigem. 682 do CC). em que a simples indicação do advogado em audiência pode ser suficiente. que é aproximada. O mandato em causa própria é. outorgado no interesse do mandatário.61 - . O mandato deve ser escrito. 8. morte ou interdição de uma das partes. 37 do Código de Processo Civil e art. não se configura como cliente no contrato de corretagem e. São irrevogáveis os mandatos a) com cláusula de irrevogabilidade. 658 do CC). incapacidade ou mudança de estado de um dos contratantes. São partes no contrato de corretagem o interessado (cliente) e o corretor (mediador). Castellani presunção legal. pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio (art. O mandato judicial é concedido a advogado devidamente registrado na Ordem dos Advogados (OAB) para patrocinar uma causa. podendo esta ser global ou paga parceladamente durante o tempo em que for exercido o mandato (art. na falta destes. meio de cumprir uma obrigação contratada. qualquer das partes possa sempre rescindi-lo. Esse contratante. É muito usada na cessão de títulos de clube e na alienação de bens imóveis. quando se trata de pessoa física. 11. porque acarreta obrigações para ambas as partes.643 do CC). Do contrato de corretagem É o contrato pelo qual uma parte se obriga para com outra a aproximar interessados e obter a conclusão de negócios. conforme indicado. Admite-se excepcionalmente que o advogado funcione sem procuração e comprometendose a apresentá-la dentro de certo prazo (art. recebendo duplamente. fica isento de prestar contas. por arbitramento (art. b) dados como condição do contrato bilateral ou c) com cláusula “em causa própria”. mudança do estado que inabilite o mandante a conferir os poderes ou o mandatário a exercê-los. tem poderes amplos. A natureza personalíssima e fiduciária do contrato faz com que.

Do Seguro O seguro é concebido como promessa condicional de indenização na hipótese de ocorrência do sinistro (acontecimento futuro e incerto causador de prejuízo). Se causar danos. e consensual. o STJ. 12. as condições. inexatas ou omitir informações relevantes. O contrato de seguro se fundamenta na boa-fé das partes e na sua lealdade. existe. No seguro obrigatório de veículos terrestres. os dados sobre o prazo de vigência do contrato e as obrigações assumidas pelas partes. se o segurado prestar declarações falsas. conforme o caso. tanto na sua formação quanto na sua execução (art. ou não. Muitas vezes. todavia. tendo como contraprestação o pagamento do prêmio pelo segurado. Há também a proposta. por dolo ou culpa. conforme decidido pelos nossos tribunais. que fica com a seguradora. deve por eles responder. O contrato de seguro é dirigido. pois o segurado não tem a possibilidade de discutir as cláusulas contratuais com o segurador. 765 do CC). pois depende da aprovação do seu texto pelas autoridades administrativas (SUSEP – Superintendência de Seguros Privados). 766. não sendo exigida necessariamente a sua formalização por escrito. podendo apenas aceitá-las ou deixar de contratar. entretanto. os documentos recebidos devem ser restituídos. englobando o seguro de vida. os riscos e as especificidades do negócio. Concluindo-se ou não os negócios. 723 do CC. que. porque implica remuneração. oneroso. O Decreto-lei n. condicional. Uma das prestações (a indenização a ser paga pelo segurador) é. já tendo. 766 do CC). basta a declaração do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito) de que foi pago o prêmio (anexa ao Certificado de . O contrato de seguro é bilateral. nem a liberdade de contratar. aleatório e consensual. enquanto a apólice fica com o segurado. porque depende do fator sorte (realização do negócio). 73/66 permite a emissão de bilhete de seguro a pedido verbal do interessado (art. devendo conter a enumeração dos riscos transferidos ao segurador. As operações de seguros agrupam-se em: a) seguros de ramos elementares ou de dano. se pronunciado pela sua caracterização como obrigação de resultado. porque basta o acordo de vontades. O seguro tem como instrumentos a apólice e o bilhete de seguros. oneroso. 10). A apólice ou o bilhete de seguro são os instrumentos probatórios do contrato. que depende da existência de prejuízo em virtude da ocorrência do sinistro no período de vigência do contrato. sempre prestando informações e esclarecimentos ao cliente sobre o andamento. O legislador ressalvou. o segurador pode optar pela resolução do contrato ou cobrança da diferença do prêmio (art. de trânsito e outros). enquanto a do outro contratante (o pagamento do prêmio pelo segurado) é certa e independe de condição. aleatório. Diante desse princípio. é um contrato de adesão e um contrato dirigido. nos termos do art. do CC). O corretor tem o dever de desempenhar a sua função de intermediação com diligência e prudência que o negócio exige.62 - . b) seguros de pessoa.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI acessório. O elemento aleatório consiste justamente na incerteza referente ao pagamento da indenização. podendo o cliente exigir prestação de contas. que possam influir na aceitação da proposta ou especificação do valor do prêmio pela seguradora. parágrafo único. inclusive. assim. se a inexatidão ou a omissão não resultar de má-fé do segurado. e é de adesão. pois a lei impõe a determinadas classes de pessoas o seguro obrigatório (acidentes de trabalho. a obrigação do pagamento do prêmio vencido (art. subsistindo. porque tem por fim a conclusão de outro contrato (o principal). ele perderá o direito à garantia objeto do seguro.

Em determinados seguros-saúde. sem que o primeiro possa exigir qualquer compensação do segundo. Esta costuma ser fiança. Fiança convencional é a que decorre de vontade das partes. A fiança pode ser mais restrita do que a obrigação principal (as obrigações do locatário se referem à conservação do prédio. a denominação de caução fidejussória.Coordenadores: Marcelo T. A fiança se caracteriza pela fé depositada no fiador. basta um simples bilhete ou cartão numerado. em contrato próprio ou no contrato principal. Os elementos essenciais da fiança são a existência de uma obrigação principal válida (obrigação do afiançado) e de uma obrigação acessória com caráter de garantia. 693. Por exemplo. Cometti Fernando F.. também podendo constar de simples carta ou declaração na qual seja inequívoca a vontade do fiador de garantir o pagamento de dívida alheia. as pessoas jurídicas cujos estatutos proíbem a concessão de fiança e os mandatários que não tenham competência explícita para esse fim. art. Trata-se de um contrato acessório. o proprietário tem direito a exigir do proprietário ou possuidor do prédio vizinho a demolição ou a reparação necessária. Castellani Propriedade).981 de 19-10-1932. A lei usa o termo caução. ser mais ampla do que a obrigação garantida. basta um simples cartão com os dados do segurado. A acessoriedade decorre de seguir a obrigação do fiador o destino da obrigação principal. em virtude do art. não valendo todavia como fiança as simples referências à idoneidade do devedor ou as informações comerciais sobre ele. Nos estacionamentos pagos de veículos. nem mesmo as cartas de recomendação ou aquelas em que um terceiro promete fazer o melhor esforço para que o devedor pague a dívida (comfort letter). Fiança judicial é aquela exigida por uma das partes no processo. Da fiança Ocorre fiança quando alguém se obriga a pagar dívida alheia. assim. dando o nome e o período da garantia. garantia específica dos títulos cambiais. Esta pode ser: real (quando há uma coisa dada em garantia) ou fidejussória. e. É unilateral. pelo seu caráter liberal não se presume. unilateral e gratuito. e o fiador pode limitar-se a garantir o pagamento dos aluguéis). necessariamente manifestada por escrito. A fiança. . 1. extinguindo-se e anulando-se com esta. Outras vezes. na falta deles.280. salvo tendo dado poderes especiais para tanto por instrumento público (art. não devendo. sob pena de ser reduzida às suas justas proporções (art. simples indicação nos extratos mensais. o contrato de fiança é gratuito. fornecido por meios eletrônicos. disciplinada no Código Civil a partir do art. podendo todavia as partes livremente convencionar uma compensação para os riscos corridos pelo fiador. Fiança legal é a que decorre de imposição de lei. Em princípio. 823 do CC). pois cria dever para o fiador em relação ao credor. comprovando o estacionamento. 30). todavia. 13. pagamento dos aluguéis etc. por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio”. cujas obrigações se garantem. Não podem prestar fiança os analfabetos. os leiloeiros (Decreto n. A fiança se distingue do aval. Nos seguros de viagem. certas seguradoras fornecem um cartão com a espécie de seguro.63 - . 758: “O contrato de seguro provase com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro. como ocorre com os seguros de cartão de crédito. explicando-se. O Código Civil estabelece em seu art. só respondendo o fiador pelas obrigações explicitamente assumidas. 21. 819 do CC). assim como da comissão “del credere”. bem como que lhe preste caução pelo dano iminente. quando este ameace ruína. salvo se a procuração contiver poderes expressos. não admitindo outrossim interpretação extensiva.

pessoas ou coisas”. como se vê. 7. Também devem ser observadas as disciplinas especiais sobre o tema e os tratados e convenções internacionais (art. O benefício de ordem decorre da natureza normalmente subsidiária ou complementar da responsabilidade do fiador. correndo todas as despesas por conta do transportador. assume o fiador a responsabilidade por todos os acessórios (juros. a evolução realizada pretende equiparar o fiador ao devedor solidário.565/86. Na prática. No transporte de pessoas. sem prejuízo. Não é parte o destinatário das coisas. 8. de outro. custas. ou misto. o transporte deverá ser concluído em outro veículo da mesma categoria ou em modalidade diferente. admitindo-se também a concessão de fiança ao fiador. obedecendo aos horários e aos itinerários. art.374/91. aquático (marítimo. em seus arts. Como legislação específica relacionada com o contrato de transporte. 730: “Pelo contrato de transporte alguém se obriga. abrangendo dívidas certas ou incertas. Em relação ao regime jurídico aplicável. dependentes de condição ou de termo (art. que dispõe sobre o seguro de cargas. até a contestação da lide. mediante retribuição. incidindo também regras do Código de Defesa do Consumidor. o transporte pode ser terrestre (rodoviário ou ferroviário). quando o credor renunciou expressamente a esse benefício. o passageiro ou usuário (no transporte de pessoas) ou o expedidor ou remetente (no transporte de coisas). fluvial e lacustre) e aéreo.64 - . 8º. 10). 820 do CC). As partes do contrato de transporte são: de um lado. até o lugar previsto. aliás. presentes ou futuras. Se ocorrer evento alheio à vontade do transportador que interrompa a viagem. entende-se que são solidários salvo se limitaram a responsabilidade de cada um ou convencionaram a divisão das responsabilidades. 9. tendo o novo Código Civil disciplinado estas duas espécies de forma diversa. O benefício de ordem consiste na possibilidade dada ao fiador de.411/2000. cláusulas penais).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A fiança pode ser estipulada sem consentimento do devedor ou contra sua vontade (art. a fim de evitar a execução dos seus próprios bens. 827 e 828 do CC). das normas do Código Civil (art. todavia. sem mencionar qualquer restrição. . 821 do CC). com segurança. podem-se citar o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei n. deslocando a pessoa e a sua bagagem. 732). o transportador obriga-se a cumprir o contrato. 734 a 742 e 743 a 756. a Lei n. líquidas ou ilíquidas. § 2º. sem danos. desde que haja a anuência do usuário. o transportador (ou condutor) e. regulamentada pelo Decreto n. permissão ou concessão são aplicadas as regras dos regulamentos específicos. Obrigando-se pela obrigação principal. ou se obrigou como principal pagador e devedor solidário ou ainda sendo o afiançado pessoa insolvente ou falida (arts. abrangendo sucessivamente as várias modalidades. Do transporte O Código Civil define o contrato de transporte em seu art. mediante o pagamento do valor da passagem pelo usuário. 3. art. a transportar. 14. Pode haver vários fiadores para um único débito. todavia. desaparecendo. 731). o legislador ressalvou que ao transporte exercido em virtude de autorização. Quanto ao meio. respectivamente. a Lei n.611/98. de um lugar para outro. indicar bens do devedor livres e desembaraçados existentes no município suficientes para solver o débito. Pode haver transporte de pessoas e transporte de coisas. No caso de pluralidade de fiadores para um mesmo débito. que trata do transporte multimodal. na legislação estrangeira.

O passageiro tem a obrigação de observar as normas estabelecidas pelo transportador. ficando uma parte integrante do conhecimento (art. inclusive. hipótese na qual há o prazo de dez dias para reclamar (art. salvo se a avaria não for perceptível desde logo. Castellani O transportador não pode recusar passageiros. mas somente receberá a restituição do trecho não utilizado se demonstrar que outra pessoa foi transportada em seu lugar na continuação da viagem.Coordenadores: Marcelo T. sob pena de decadência de tal direito. dentro do prazo contratado ou previsto. A conferência das condições da mercadoria deve ser feita no ato de entrega pelo destinatário ou por pessoa que apresentar o conhecimento de transporte endossado. 754 do CC). dificultar ou impedir a prestação do serviço (art. Mesmo que a viagem já tenha começado. No transporte de coisas. salvo se existir justificativa em regulamentos ou o motivo decorrer das condições de saúde ou de higiene do interessado (art. Ao manter a coisa a ser transportada em seus armazéns. devendo tomar todas as providências e os cuidados para manter o seu bom estado. exigir do expedidor uma relação dos bens devidamente assinada. em duas vias. . o transportador tem a obrigação de levar o bem que lhe foi entregue ao destino solicitado. bem como de se comportar de maneira a não incomodar ou prejudicar os demais passageiros. podendo. a não danificar o veículo. O transportador é obrigado a emitir documento especificando as características que identifiquem a coisa a ser transportada. 739 do CC). O passageiro pode rescindir o contrato antes de iniciada a viagem e. 738 do CC). A falsidade das informações ou a sua inexatidão implica o dever de o remetente indenizar o transportador pelos danos causados por tal ato. 751 do Código Civil. o passageiro pode rescindir o contrato de transporte. As eventuais reclamações deverão ser feitas. especificadas nos bilhetes ou que de outra forma lhe tenha sido dado conhecimento. o transportador submete-se à disciplina legal do depósito. em virtude do art. se comunicado ao transportador em tempo hábil para a revenda do bilhete. 744 e seu parágrafo único do CC). neste momento. Cometti Fernando F.65 - . terá direito à restituição do valor pago.

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932.Coordenadores: Marcelo T. que não devem ficar irressarcidas. deve ser ele ressarcido integralmente pelo seu causador. 936: independe da prova de culpa. objetiva (expressa disposição do art. tenha agido com dolo. dentre os co-responsáveis. não se perquire qual deles deve ser chamado como responsável direto ou principal. merecer censura ou reprovação do direito. 942 do CC o direito positivo brasileiro instituiu um “nexo causal plúrimo”. a vítima permite-lhe eleger. leve e levíssima. Se existiu no caso em apreciação dano somente por força de uma circunstância acidental. portanto. A responsabilidade por ato de terceiro é hipótese de responsabilidade solidária (art. provado o dano.A obrigação de indenizar não existe. utilizado no art. o dano não se verifica. pessoalmente. pela sua atuação ou em virtude de danos provocados por pessoas ou coisas dele dependentes. Assim. a culpa pode ser grave. só porque o agente causador do dano procedeu obejtivamente mal. para suportar o encargo ressarcitório. para a caracterização de culpa. A responsabilidade por danos causados por animais e coisas que estejam sob a guarda do agente é. b) Culpa ou dolo do agente . e. Agir com culpa significa atuar o agente em termos de. em regra. mais uma vez. c) Relação de Causalidade . Elementos da responsabilidade civil São elementos estruturais da responsabilidade civil: a) Ação ou omissão do agente . Castellani CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL A responsabilidade civil é definida como a situação de quem sofre as conseqüências da violação de uma norma. 942).– É a relação de causa e efeito entre a ação ou omissão do agente e o dano verificado. Isto se deve ao aumento do número de acidentes e de vítimas. diz-se que a causa não era adequada. Com relação aos graus. Beneficiando. entretanto. ocorre a solidariedade não só no caso de concorrer uma pluralidade de agentes. para fins de reparação do dano. suprimida uma delas. As principais teoria sobre a relação de causalidade são: 1) Teoria da equivalência das condições – toda e qualquer circunstância que haja concorrido para produzir o dano é considerada uma causa. O ato do autor do dano era condição sine qua non para que o dano se verificasse. 1. é o da comparação de seu comportamento com o do homo medius. 2) Teoria da causalidade adequada – Somente considera como causadora do dano a condição por si só apta a produzi-lo. Vem expressa no verbo “causar”. (Primeira parte do art. como também entre as pessoas designadas no art. Como excludente de responsabilidade o agente deve provar que o dano foi causado por culpa exclusiva da vítima ou força maior. do homem ideal. Com o art. 927 do CC) O critério para aferição da diligência exigível do agente. que diligentemente prevê o mal e precavidament evita o perigo. culpa grave ou mesmo levíssima. Cometti Fernando F. A sua equivalência resulta de que. É essencial que ele tenha agido com culpa.A responsabilidade pode derivar de ato próprio. não faz nenhuma distinção entre dolo e culpa. . e ainda de danos causados por coisas e animais que lhe pertençam. Em havendo mais de um agente causador do dano. de ato de terceiro que esteja sob a guarda do agente. Assim.67 - . aquele de maior resistência econômica.. O CC. nem entre os graus da culpa. em regra. 186. ou como a obrigação que incumbe a alguém de reparar o prejuízo causado a outrem.

Responsabilidade contratual e extracontratual A responsabilidade contratual ocorre quando determinada pessoa causar prejuízo a outrem por descumprir uma obrigação contratual. O parágrafo único do art. integralmente. ou seja. A responsabilidade subjetiva subsiste como regra necessária. a) Responsabilidade subjetiva . Logo. em toda a sua extensão deve abranger aquilo que efetivamente se perdeu e aquilo que se deixou de lucrar. portanto. a procuração ou a promessa de recompensa) ou da lei (como a obrigação de alimentos) Já a responsabilidade extracontratual é aquela derivada de ilícito extracontratual.68 - . representa risco para os direitos de outrem. Se possível restaurando o statu quo ante. que seria conseqüência indireta do inadimplemento. a matéria do dano prende-se à da indenização.Nesta concepção a culpa é pressuposto da responsabilidade civil. Indenizar significa reparar o dano causado à vitima. ainda que provenientes de um negócio unilateral (como o testamento. Nela o agente descumpre o avençado. de modo que só interessa o estudo do dano indenizável.Sem a prova do dano. Esta modalidade funda-se no risco. 186 que erigiu o dolo e a culpa como fundamentos da obrigação de reparar. Responsabilidade civil nas relações de consumo No CDC. Nela o agente infringe um dever legal. A responsabilidade contratual abrange também o inadimplemento ou mora relativos a qualquer obrigação. por sua natureza. também chamada aquiliana (art. b) Responsabilidade objetiva – Nesta hipótese a lei impõe a reparação de um dano causado sem a concorrência do elemento culpa. 967 do CC admite a responsabilidade sem culpa pelo exercício da atividade que. 4. em não havendo culpa não há responsabilidade. O dano pode ser material ou simplesmente moral Dano é uma lesão a um bem jurídico. as quais se diferenciam pela consideração da culpa como elemento da obrigação de reparar o dano. Responsabilidade subjetiva e objetiva Convivem hoje no ordenamento jurídico brasileiro duas teorias que fundamentam a responsabilidade civil. Aprecia-se o dano tendo em vista a diminuição sofrida no patrimônio. Não há nenhum vínculo jurídico existente entre a vítima e o causador do dano. ninguém pode ser responsabilizado civilmente. 186 do CC).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI d) Dano . O CC filiou-se à teoria subjetiva. indenizável o chamado dano remoto. o dano. conforme se verifica da leitura do art. Não é. . 2. O CC disciplinou genericamente esta espécie de responsabilidade nos art. envolvendo lucros cessantes para cuja efetiva configuração tivessem de concorrer outros fatores apenas a execução a que o devedor faltou. Assim. 395 e seguintes e 389 e seguintes. sem prejuízo da adoção da responsabilidade objetiva. tanto a responsabilidade pelo fato do produto ou serviço como a oriunda do vício do produto ou serviço são de natureza objetiva. 3. prescindindo do elemento culpa a obrigação de indenizar atribuída ao fornecedor. tornando-se inadimplente.

É convencional quando decorre de entendimento prévio entre as partes. a lei determina que seja paga uma indenização cabal de todas as despesas incorridas pela vítima e dos lucros não auferidos. quando quem sofreu o dano tiver colaborado com a ocorrência do fato. No caso de lesão ou ofensa à saúde.69 - . Caso tenha se perdido o bem. Em relação ao homicídio. Os arts. 948 a 954 do CC esclarecem o modus faciendi da liquidação da reparação civil no caso de atos ilícitos. na realidade. Castellani 5. Quer seja convencional ou legal. Ao magistrado é dado excepcionalmente o poder de reduzir o montante da indenização. 950 do CC). deverá ser reembolsado ao prejudicado valor equivalente (art. Quantificação e liquidação do dano Indenizar é. . sob pagamento em apenas uma parcela (arts. amigável ou judicial. 953 e 954 do CC tratam da reparação do dano material e do dano moral nos casos de injúria. A reparação ideal consiste na efetiva reposição. dentro da medida do possível. assim como nas ofensas à liberdade pessoal (cárcere privado e prisão ilegal ou não motivada). 944. conforme a natureza do dano. pode realizar-se sem litígio (composição amigável) ou em virtude de decisão judicial (composição judicial). 949 do CC). o valor da indenização levará em conta a gravidade da sua culpa em confronto com a do autor do dano (art. além dos lucros cessantes. se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano causado (art. São excludentes de responsabilidade civil subjetiva: a) legítima defesa. A formação da palavra indica o seu sentido: in + dano + izar. Os arts. bem como de eventuais outros prejuízos (art. Significa desfazer o dano. o luto de sua família e o pagamento dos alimentos às pessoas a quem o defunto os devia. Essa liquidação pode ser convencional ou legal. Quando houver impossibilidade ou diminuição da capacidade de trabalho da vítima. a reparação consiste na sua devolução e no pagamento de suas deteriorações. 944 do novo Código Civil especifica que: “A indenização mede-se pela extensão do dano”. A avaliação do dano faz-se pela liquidação. restabelecer a situação anterior ao dano. determina a lei que sejam abrangidas as despesas com o tratamento e funeral da vítima. sob a forma de pensão ou. considerando-se a duração provável da vida da vítima (art. podendo a cláusula penal funcionar como uma prefixação das perdas e danos. difamação ou calúnia. Quando impossível deve a indenização ser paga em dinheiro. Cometti Fernando F.Coordenadores: Marcelo T. o lesado o direito de receber perdas e danos (dano emergente e lucro cessante). deverá ser concedida indenização correspondente. parágrafo único). 948 do CC). assim. sem excluir outras reparações. Excludentes de responsabilidade civil As excludentes de responsabilidade civil são situações jurídicas descritas pela lei que exoneram ao agente o dever jurídico de reparação do dano. se o prejudicado preferir. que consiste na fixação do montante pecuniário da indenização. o art. dizendo em que consiste a indenização pelos diversos casos. c) o exercício regular do direito. a indenização poderá ser paga sob a forma de entrega de um capital ou de uma renda (art. No caso de usurpação de bens. b) o estado de necessidade. 952 do CC). 945). tendo. 947). 6. Nesse sentido. Além disso. É legal quando realizada na forma da lei.

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

d) o estrito cumprimento do dever legal; e) o caso fortuito; e f) a força maior. Legítima defesa própria é a repulsa a mal injusto, grave e atual ou iminente à pessoa da vítima ou aos seus bens. A legítima defesa pressupõe, assim, a existência de uma agressão ilícita, pelo agente, e a vontade de defesa, por parte do ofendido.A repulsa deve ser proporcional e imediata. O ofendido responderá pelo excesso de legítima defesa, pouco importando se cometeu o excesso por dolo ou culpa. Estado de necessidade próprio é a situação em que o sujeito viola direito alheio, com a finalidade de remover perigo iminente de um direito seu. Não se confunde a legítima defesa com o estado de necessidade, pois aquela se refere aos direitos da personalidade, enquanto este se relaciona com o patrimônio do indivíduo. O estado de necessidade pressupõe aquele que o pratica não ter provocado ou facilitado o seu próprio dano. Exercício regular de direito é o desenvolvimento de atividade humana em conformidade com o ordenamento jurídico. Somente deixa de ser considerado regular o exercício do direito, pelo excesso na atividade humana, conhecido como abuso de direito. Estrito cumprimento do dever legal é a observância de um dever jurídico anteriormente estabelecido por lei. Caso o sujeito venha a ultrapassar os limites fixados pelo ordenamento jurídico, no cumprimento do dever legal, ele poderá ser responsabilizado pelo excesso ou abuso de poder ou de autoridade. Caso fortuito é um evento imprevisível, do qual o homem médio não possui controle. Já a força maior é todo evento inevitável e, por vezes, imprevisível, que prejudica os interesses patrimoniais ou morais da vítima. São excludentes de responsabilidade civil objetiva: a) a culpa exclusiva da vítima; b) a culpa exclusiva de terceiro; c) a força maior; e d) o caso fortuito. Além das excludentes de responsabilidade civil subjetiva e objetiva, há duas outras hipóteses frequentemente lembradas, que não são causas de exoneração da responsabilidade por força de lei, mas sim motivos que levam à não responsabilização do agente na prática porque dependem da vontade humana. São elas: a renúncia da vítima à indenização e a cláusula de não indenizar. Renúncia da vítima à indenização é ato jurídico unilateral irrevogável e informal por meio do qual o próprio titular extingue, por abdicação, o direito subjetivo que tem à reparação por perdas e danos. Somente se torna possível a renúncia à indenização por quem é plenamente capaz. Cláusula de não indenizar é o dispositivo integrante de um negócio jurídico por meio do qual há a exoneração total ou parcial do dever de reparar o prejuízo patrimonial, nos limites acordados pelas partes.

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS

CAPÍTULO I – POSSE 1. Conceito e teorias A doutrina, na sua quase totalidade, alerta a dificuldade do enquadramento jurídico do instituto da posse. Na idéia de posse há, pois, uma coisa e uma vontade, traduzindo a relação de fruição. Mas, nem todo estado de fato, relativamente à coisa ou à sua utilização, é juridicamente posse. Muito próximo deste instituto temos a detenção (art. 1.198 do CC) que, embora semelhante na aparência, muito se difere na essência, como nos efeitos. Aí é que surge a doutrina, com os elementos de caracterização, e com os pressupostos que autorizam estremar uma de outra. Savigny, responsável pelo desenvolvimento da teoria subjetiva da posse, considerava-a como o poder de uma pessoa sobre uma determinada coisa. Assim, era preciso, a conjugação de dois elementos para a sua caracterização: o corpus (poder físico sobre a coisa) e o animus (intenção de agir como dono). Por sua vez, Jhering definia a posse como exteriorização da propriedade. O elemento material da posse para o autor é a conduta externa da pessoa, que se apresenta numa relação semelhante ao procedimento normal de proprietário. O elemento psíquico (animus) nesta teoria não se situa na intenção de dono, mas tão-somente na vontade de proceder como procede habitualmente o proprietário (affectio tenendi) independentemente de querer ser dono. Partindo de que, normalmente, o proprietário é possuidor, Jhering entendeu que é possuidor quem procede com a aparência de dono, o que permite definir, como já se tem feito: posse é a visibilidade do domínio. O Código Civil, no art. 1.196, adotou a teoria desenvolvida pela referido autor, a qual foi denominada de objetiva, justamente por ser mais conveniente e satisfatória. Com efeito, na relação possessória não se revela o animus domini, nem facilmente se prova. Essas novas teorias, que dão ênfase ao caráter econômico e à função social da posse, aliadas à nova concepção do direito de propriedade, que também deve exercer uma função social, como prescreve a Constituição Federal, constituem instrumento jurídico de fortalecimento da posse, permitindo que, em alguns casos e diante de certas circunstâncias, venha a preponderar sobre o direito de propriedade.

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Em conseqüência. No dizer de Silvio Rodrigues. Características dos direitos reais Os direitos reais se apóiam na relação entre homem e coisa.73 - . tal não significa que só são direitos reais os apontados no referido dispositivo. prevalecendo com a exclusão de concorrência de quem quer que seja. Por fim a aderência do direito real à coisa não é senão a constatação do fato de que o direito real permanece incidindo sobre o bem. A taxatividade (numerus clausus) releva que não há direitos reais quando a lei não os declara. sendo que esta deve possuir valor econômico e suscetível de apropriação. 1. para sobre ela exercer o seu direito. ainda que este circule de mão em mão e se transmita a terceiros. Todavia. a tutela do direito real é sempre mais enérgica e eficaz que a do direito de crédito.514/97). o direito de seqüela ou jus persequendi. o direito de seqüela é o que tem o titular de direito real de seguir a coisa em poder de todo e qualquer detentor ou possuidor. .225 do CC é a referência para os que proclamam a taxatividade do número dos direitos reais. daí. Cometti Fernando F. de perseguir a coisa e de reivindicá-la em poder de quem quer que esteja (ação real). Segundo a lição de Orlando Gomes. seqüela e aderência. Castellani CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS 1. isto é. mas também outros disciplinados de modo esparso no mesmo diploma e os constituídos em diversas leis especiais. As características principais dos direitos reais são: taxatividade. independendo para o seu exercício da colaboração de outrem e conferindo ao seu titular a possibilidade de ir buscar a coisa onde quer que ela se encontre. bem como o jus praeferendi ou direito de preferência. são os direitos que se prende à coisa.Coordenadores: Marcelo T. oponibilidade “erga omnes”. em poder de quem quer que ela se encontre. pois o aludido direito segue a coisa (jus persequendi). Entre os direitos reais previstos em lei esparsa é bom lembrar a alienação fiduciária (Lei 9. O art. os direitos reais permitem que seu titular não seja molestado por ninguém. Surge. Quanto à oponibilidade.

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Daí decorre que quando uma certa propriedade não cumpre a sua função social. na caracterização deste fenômeno aquisitivo o princípio segundo o qual a coisa acessória segue a principal (acessorium sequitur suum principale). b) o caráter acessório de uma dessas coisas. Função social da propriedade Propriedade é o direito que outorga ao seu titular a faculdade de usar. de qualquer modo. Todo esse conjunto. Restrições ao direito de propriedade Inúmeras leis impõem restrições ao direito de propriedade (Código de Mineração. de tal modo que. Tais poderes. Percebe-se. . Modernamente. necessariamente. impenhorabilidade e incomunicabilidade. até uma certa demarcação. cujos confins são definidos externamente. uma configuração mais flexível. como inalienabilidade. dependerá de centros de interesses extraproprietários.C). mas também os de consumo possuem uma função social. sem nenhuma referência ao aspecto funcional do instituto. etc. aluvião e álveo abandonado) ou industruais (construções ou plantações).Coordenadores: Marcelo T. acaba traçando o perfil atual do direito de propriedade no direito brasileiro. nitidamente. As acessões podem ser físicas ou naturais (formação de ilhas. os quais são tendencialmente plenos. a determinação do conteúdo da propriedade. Há ainda limitações decorrentes do direito de vizinhança e de cláusulas impostas voluntariamente nas liberalidades. ou. 1253 do C. Castellani CAPÍTULO III – PROPRIEDADE 1. os possua. Cometti Fernando F. sendo por esta conformados em seu conteúdo – modos de aquisição e de utilização. que não somente os bens de produção. gozar e dispor reivindicar. ela sempre dependerá do concurso de dois requisitos: a) a conjugação entre duas coisas. a propriedade não pode ser vista apenas como a reunião das faculdades usar. até então separadas. injustamente. Lei de Proteção ao Meio Ambiente. compõem o aspecto estrutural do direito de propriedade. o proprietário teria espaço livre para suas atividades e para a emanação de sua senhoria sobre o bem. 2. Contudo hoje. Seja qual for a modalidade de acessão. não pode ser tutelada pelo ordenamento jurídico. em caráter predominantemente negativo. gozar e dispor dos bens e de reavê-los do poder de quem quer que. Tal conclusão oferece suporte teórico para a correta compreensão da função social da propriedade. em confronto com a outra. os quais vão ser regulados no âmbito da relação jurídica de propriedade. que deixou de apresentar as características de direito absoluto e ilimitado. que terá. expressão do núcleo interno ou econômico do domínio e do núcleo externo ou jurídico. Aquisição da propriedade imóvel a) Usucapião b) Acessão: É uma forma de aquisição de propriedade imóvel que resulta de um processo de incorporação de um determinado bem ao solo. ao contrário.75 - . para se transformar em um direito de finalidade social.). no entanto. avulsão. Vale dizer. Seja ela qual for presume-se que a acessão existente em um determinado terreno foi feita pelo proprietário e à sua custa (art.

de apreendê-la possuindo-a como própria. 2. pois. pois que pertencem a alguém. Não é razoável presumir que alguém.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. consignando que se consideram abandonados os objetos não procurados num prazo determinado. Aquisição da propriedade móvel a) Ocupação Na apropriação de cada coisa sem dono inseriu-se uma idéia que o tempo amadureceu e sistematizou. A “novidade” é encarada em sentido econômico e não filosófico. Indaga-se da liceidade da cláusula adjecta a talões de empresas de serviço (lavanderia. que os sistemas modernos o adotam ao definir o princípio da aquisição da propriedade móvel: quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade. A coisa sem dono pertence por direito natural ao ocupante. manifeste com isso. anteriormente apropriados se o dono da respectiva colméia os não reclamar imediatamente (decadência instantânea de direito). ou em tabuleta na loja.76 - . . 3a ancianidade. reputam-se também sem dono os enxames de abelhas. a ocupação como modalidade aquisitiva ficou hoje muito reduzida.C. deixando um objeto para sofrer reparações. mas para que assim se configure. torna-se mister a ocorrência de um fator psíquico. No segundo estão os animais mansos ou domesticados. acrescenta-se. Tendo em vista que não são freqüentes as coisas sem dono. ser antigo e tão antigo que se haja perdido a memória de quem seja o proprietário. A essência da ocupação reside. que o interessado tem a intenção de conservar. Elementos para caracterização: 1. categoria preenchida pelas espécies que a natureza inesgotavelmente produz. promovido por mão humana.ser um depósito de coisas móveis preciosas ou moedas. diz-se que não tem dono aquela que nunca foi objeto de assenhoramento (res nullius). não sendo essa ocupação defesa por lei (art. isto é. Com efeito. transportadora). b) Especificação Especificação é a transformação definitiva da matéria-prima em espécie nova. de cujo dono não haja memória. salvo se os donos estiverem ainda à sua procura. e o locador do serviço pagar-se do custo deste. pesca e tesouro – são as hipóteses mais comuns. mediante o trabalho ou indústria do especificador. se perderem o hábito de retornar ao lugar onde costuma recolher-se. Tesouro: É o depósito antigo de moedas ou coisas preciosas. numa res derelicta pelo fato de haver excedido um prazo determinado no cupão de sua identificação. a pintura em relação à tela). enterrado ou oculto. escultura. não assinalados ou marcados. na apropriação de coisa sem dono pelo simples fato. tendo-se em vista a capacidade criadora do homem.estar o depósito enterrado ou oculto. a intenção não revelada de e ele renunciar. Estes não são res nullius. Para que se opere a aquisição da propriedade é mister a transformação se dê pela ação humana. Considera-se ainda sem dono a coisa abandonada (res derelicta). A importância social desta modalidade aquisitiva é muito grande. sapataria. e que não seja possível retornar à espécie anterior. como aquela que já o teve e não mais o tem (res derelicta). As poucas hipóteses remanescentes – caça. O que não é lícito é forçar no proprietário uma intenção de abandonar e converter a coisa. A primeira classe (res nullius) é preenchida. que se não confundem com os animais selvagens capturados. vale dizer que a nova species há de resultar de alteração dotada de importância (ex. contido na intenção de renunciálas. em primeiro lugar pelos animais bravios enquanto entregues à sua natural liberdade.). como limite de sua validade de seu direito de dono. 1263 do C. É aceitável mandato para vender.

quando se limita a determinadas coisas ou frutos. são de utilidade em comum dos condôminos. Também poderá o condômino alugar a sua vaga de garagem a qualquer pessoa. ou seja. . universal e particular. todavia. inclusive frutos e rendimentos. quando sua origem é estranha à vontade dos condôminos. estrutura do prédio. Simbólica se diz a tradição que se não realiza pela entrega e apreensão material da coisa. Voluntário ou convencional. É a hipótese dos bens deixados por herança a mais de um herdeiro ou doação de uma coisa a mais de uma pessoa. A adjunção consiste na justaposição de uma a outra coisa. a aquisição da propriedade com o princípio fundamental do respeito ao direito alheio. quando abranger a coisa integralmente. inclusive o acesso ao logradouro público. Condomínio Dá-se o condomínio.337. Vale ressaltar que a Lei 4. transformando a declaração translatícia de vontade em direito real. aos condomínios e a possibilidade de se aplicar multa ao condômino que tiver conduta anti-social de forma reiterada (art.864/65 continua vigendo subsidiariamente ao novo Código Civil nas implicações que este não disciplinou. Particular. do telhado. 1. ao mesmo tempo. obtiver espécie nova. dando preferência aos demais condôminos. A grande novidade do Código. parágrafo único do CC). Castellani O CC ao fixar o princípio da especificação. 1269 que “aquele que. impossibilitando destacar-se a acessória da principal. Universal. mas não de fato (cada condômino já se situou numa parte determinada da coisa). permanecendo os demais fora do condomínio. ou seja. quando o condomínio existe de direito. Num e noutro caso.Coordenadores: Marcelo T. e as demais partes comuns. e adjunção São hipóteses de coisas de diversos donos mesclarem-se. mistura ou comistão se forem coisas secas. se não puder restituir à forma anterior” Conciliando. exerce o direito de propriedade sobre determinada coisa. e. quando mais de uma pessoa.358 do CC) com as alterações da Lei 4.331 a 1. Divisível. esgoto. c) quanto à forma. emerge de contrato ou convenção. ordinariamente resulta num condomínio. quando for ela voluntariamente obtida. não podendo ser alienados separadamente ou divididos. a rede geral de distribuição de água. 1. desta será proprietário. ou seja. trabalhando em matéria-prima em parte alheia. resultando que o dono da primeira adquire a segunda. porém mediante a de algo que a represente 4. o prejudicado com a especificação irredutível terá direito ao ressarcimento. Diz-se haver confusão quando se acharem sem estado líquido. O novo Código deixou claro que o solo. gás e eletricidade. b) quanto ao objeto. comistão. calefação e refrigeração centrais. Cometti Fernando F. d) Usucapião e) Tradição Trata-se de um ato de entrega da coisa ao adquirente. voluntário e eventual.591/64 condomínio edilício (arts. (art 1.77 - . salvo se se tratar de especificação de má-fé.338 do CC). divisível e indivisível. com a observância das regras de acessão. quando surge do acordo de vontades. O condomínio pode ser classificado sob três formas: a) quanto à origem. Eventual ou acidental. Diz-se tradição real a que consiste na efetiva entrega ou entrega material da coisa ao adquirente que a recebe e apreende. conseguintemente. regulados os direitos pelo disposto no título ou na convenção. c) Misturas: Confusão. dispõe no art.

1.78 - . porque se mantém indivisa e nenhum se situou em uma parte. de toda coisa. em comum.314 a 1.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Indivisível. Cumpre apenas ressaltar que o assunto referente a condomínio é tratado nos arts. quando tanto existe de fato como de direito. . Todos os condôminos são donos.322 do CC.

Castellani CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA 1. Não perde entretanto. Das servidões Servidão é um encargo que suporta um prédio denominado serviente. A servidão é um direito acessório. em benefício de um outro prédio chamado dominante. por tempo determinado. a substância. a terceiros. A servidão é composta dos seguintes elementos: a) Trata-se de uma relação entre dois prédios. Com efeito. porém. 2. conservando a condição de proprietário. o direito de superfície pode ser transferido. 1410. 1369 do CC o direito de superfície é definido como a faculdade que o proprietário tem de conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno.Temporário: não excede à vida do usufrutuário (art. Pode recair sobre bens móveis ou imóveis e sobre um patrimônio (como um todo). eis que fica tolhido no exercício integral dos poderes inerente à propriedade. O proprietário perde. responde pelos encargos e tributos que sobre ele incidem. Como se trata de direito concedido ao dono do prédio dominante. conferindo ao titular o uso e gozo do direito ou faculdade. seria contrário ao próprio conceito de servidão admitir sua constituição em favor de quem não fosse dono do prédio dominante. sem alterar-lhe a substância (Art. Da superfície Trata-se de direito real de fruição ou gozo sobre coisa alheia. O Estatuto da Cidade antecipou-se ao novo Código Civil. b) A servidão envolve uma obrigação negativa. de origem romana. 1410 CC). temporariamente. IV. enquanto este cuida do urbano e também do rural.Coordenadores: Marcelo T. posto que desfruta dos proveitos do imóvel. a imóvel urbano. Como direito real que se prende ao imóvel.Oponível erga omnes: daí também decorre o direito de seqüela. Cometti Fernando F. Se bens móveis. Nunca perpétuo. pois necessário conservar a substância da coisa. limitado. da coisa alheia os frutos e utilidades que ela produz. Surgiu da necessidade prática de se permitir edificação sobre bens públicos. CC). c) A existência da servidão implica a idéia de que os prédios pertencem a donos diversos 3. no sentido de que é irresgatável sem a anuência do proprietário do prédio dominante. No art. 2. 1225. . seu titular há que ser proprietário daquele prédio. temporariamente. A servidão é perpétua. não podem ser fungíveis. o direito ao uso e aos frutos.79 - . Do usufruto Trata-se de um direito real sobre coisa alheia conferido a alguém de retirar. mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis A concessão da superfície pode ser onerosa ou gratuita. porque implica a existência de um direito principal. pelo superficiário. inclusive a seus herdeiros. por morte daquele. disciplinando o direito de superfície. I CC) ou trinta anos se for pessoa jurídica (art. Daí o termo nu proprietário. Suas principais características são: 1. Pode-se estabelecer uma condição (graduação universitária). Em ambos os casos o superficiário. pertencendo o solo em poder do Estado.

desde que tenha expressão econômica. mas não alugá-la nem emprestá-la. desde que o imóvel da família seja o único residencial a inventariar. dá ao sobrevivente o direito real de habitação (art. distinguindo-se dele pela intensidade ou profundidade do direito. salvo morte anterior. A penhora recai sobre os frutos e utilidades do bem (Art. bem como o lugar onde vive.Termo de sua duração – prazo. nada devendo às demais a título de aluguel. sobre uma universalidade de bens (ou parte dela) e pode abranger os frutos e utilidades. art. No que diz respeito às necessidades pessoais. 4. 1393 CC é possível ceder o exercício a título gratuito (comodato) ou oneroso (RT 412/208). enquanto permanecer em estado de viuvez. A Lei no.Renúncia ou morte do usufrutuário. Mesmo que o cônjuge sobrevivente seja herdeiro ou legatário. 3.121. residindo nela. 2. Como direito real. no todo ou em parte. n. dispondo sobre a união estável. 5. 1412). mas seu exercício sim.Quanto à origem pode ser legal (estabelecido por lei em benefício de determinadas pessoas).Quanto à duração pode ser temporário (prazo preestabelecido) ou vitalício (até a morte do usufrutuário).7).Extinção da pessoa jurídica ou decurso do prazo de 30 anos. o direito real de uso não se diferencia substancialmente do usufruto. não perde o direito de habitação.Quanto à extensão é possível afirmar que este direito recai sobre bens individualizados. parágrafo único). 167. 716 CPC – usufruto em execução) O usufruto pode ser classificado de três formas: 1. imprescindível se torna o registro do respectivo título no Cartório de Registro de Imóveis (LRP.Intransferível e inalienável: Não se transfere por herança ou por alienação.É impenhorável: o direito real não pode ser objeto de penhora. 4. A extinção do usufruto ocorre pela: 1. 3. Da habitação A habitação pode ser entendida como uma modalidade especial de uso à moradia. convencional. quando o exigirem as necessidades pessoais suas e de sua família (art. criou o direito de habitação em favor do cônjuge sobrevivente. 4. qualquer delas que a ocupar estará no exercício de direito próprio. . diz que a dissolução. de 10 de maio de 1996. 6. O titular desse direito pode usar a cada para si. Do uso O usuário usará da coisa e perceberá os seus frutos.Destruição da coisa. E se for conferido a mais de uma pessoa. resultante de usucapião.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. por morte de um dos conviventes. 9278. Não ocorre com a morte do nu proprietário (aqui a nua propriedade é transmitida aos herdeiros). 2. Em verdade. de 27 de agosto de 1962. item I. de acordo como o art. O direito real de habitação é concedido sem prejuízo da participação da viúva ou do viúvo na herança. 5. deve-se ter em consideração a condição social do usuário. A Lei no.Cessação do motivo de origem. Perante terceiro só tem validade se devidamente registrado (RT 520/212). Todavia. 7º.80 - .Consolidação 4.

58/37. nesses contratos. condições e modos convencionados. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança. da seqüela. com a faculdade de reclamar a outorga da escritura pública definitiva. O art. também. por não escrita. Desfruta. 58/37. 25 da referida lei declara irretratáveis e irrevogáveis os compromissos de compra e venda de imóveis loteados. desde que levado ao registro imobiliário. por sua vez. O instituto passou por uma série de fases de evolução em nosso direito. Pode. ter-se-á. lícito afigura-se convencionar o arrependimento. 1. que hoje se aplica somente aos loteamentos rurais. conferindo direito real ao comprador.81 - . O promitente comprador não recebe o domínio da coisa. 6. direito real sobre o imóvel. “ao cônjuge sobrevivente. O compromissário comprador. pelo preço. afastando-se. obriga-se a pagar o preço e cumprir todas as condições estipuladas na avença. os adquirentes não podiam reivindicar o imóvel. mas passa a ter direitos reais sobre ela. Qualquer cláusula de arrependimento.766/79 veio derrogar o Decreto-Lei n. ou sua adjudicação compulsória havendo recusa por parte do promitente vendedor. em conseqüência. porém. Em se tratando. será assegurado. a constituição do direito real. havendo oponibilidade erga omnes. com base no seu art. prevalece a irretratabilidade. A Lei n.831 do Código Civil. qualquer que seja o regime de bens. . adquirindo. Como o direito era de natureza pessoal. Cuida-se de direito real. com isso.088. Castellani Dispõe ainda o art. o compromisso tornou-se irretratável.Coordenadores: Marcelo T. que. de imóvel não loteado. ainda. 6. Do direito do promitente comprador Consiste a promessa irretratável de compra e venda no contrato pelo qual o promitente vendedor obriga-se a vender ao compromissário comprador determinado imóvel. opor-se à ação de terceiros que coloquem obstáculos ao exercício do direito. Cometti Fernando F. no capítulo concernente à ordem da vocação hereditária. Inexistindo cláusula nesse sentido. mas apenas o pagamento de perdas e danos. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. 1. se arrependesse antes de celebrado o contrato definitivo. podendo reivindicar a coisa em poder de quem quer que a detenha. Com o advento do Decreto-Lei n. desde que seja o único daquela natureza a inventariar”. outorgando-lhe a escritura definitiva quando houver o adimplemento da obrigação. porque o adquirente tem a utilização da coisa e pode dispor do direito mediante cessão. pois. O sistema do Código Civil de 1916 permitia que o promitente.

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Aspectos Gerais O Código Civil brasileiro contempla as seguintes modalidades de garantia real: penhor. mas apenas a sua ineficácia. Não existe regra idêntica para os companheiros. anticrese ou hipoteca. vinculando somente as partes que intervieram na convenção. Para Orlando Gomes. e não quem o praticou. a qual é alcançada pela especialização (art. A publicidade é dada pelo registro do título constitutivo no Registro de Imóveis (hipoteca. direito real de garantia é o que confere ao credor a pretensão de obter o pagamento da dívida com o valor do bem aplicado exclusivamente à sua satisfação. porém. fica o credor privado da seqüela. 2. Para validade da garantia real exige a lei. Em conseqüência. 1. A Lei n.420 dispõe que somente os bens dentro do comércio poderão ser dados em penhor. Além desta prioridade. os direitos reais de garantia geram os seguintes efeitos: a) direito de preferência ou prelação. se houver. d) indivisibilidade. 1. na sua primeira parte. do prazo fixado para pagamento e da taxa de juros. anticrese e penhor rural) ou no Registro de Títulos e Documentos (penhor convencional). Da hipoteca É o direito real de garantia que tem por objetivo bens imóveis. por um deles. 1. tornam o negócio nulo. 1. que “só aquele que pode alienar poderá empenhar. preferencialmente. ou a constituição de direito real. O direito do credor concentra-se sobre determinado elemento patrimonial do devedor. Valerá apenas como direito pessoal. segundo dispõe o art. Sua função é garantir ao credor o recebimento da dívida. . Faz-se mister que. Não basta. ilaqueando a boa-fé do terceiro.728/65. do bem dado em garantia. hipotecar ou dar em anticrese”. E especialização é a descrição pormenorizada. o recebimento de seu crédito. Os bens fora do comércio dados em garantia. pois não produz os efeitos próprios de um direito real. embora não entregues ao credor. navio ou avião pertencentes ao devedor ou a terceiro e que. restando-lhe apenas o direito de participar do concurso de credores. É importante observar que a ausência desses requisitos não acarreta. podendo suceder a alienação unilateral de um bem. a falta de vênia conjugal torna anulável o ato praticado. hipoteca e anticrese. Castellani CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA 1. na condição de quirografário. com efeito. podendo o outro cônjuge. pois. Em regra. essa qualidade. Criado o direito real de garantia.649 do CC. Cometti Fernando F. a observância de formalidades para que os contratos de penhor. disciplinada no Código Civil como propriedade fiduciária. criou uma nova modalidade: a alienação fiduciária.83 - . o art. além da capacidade geral para os atos da vida civil.Coordenadores: Marcelo T. A lei impõe. a nulidade do contrato. somente o proprietário pode dar bens em garantia. b) direito de seqüela. c) direito de excussão. 4.424) e pela publicidade. Desse modo. da preferência e da ação real. além do domínio.422 permite a separação deste bem do patrimônio do devedor. A segunda parte do art.420 do CC. Os atributos de seqüela e preferência atestam sua natureza substantiva real. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. ainda. asseguram-lhe. fica o bem afetado ao pagamento prioritário de determinada obrigação. Dispõe. todavia. do valor do crédito. anticrese e hipoteca tenham eficácia perante terceiros. pleitear-lhe a anulação. por estar vinculado determinado bem ao seu pagamento. a especial para alienar. tenha ainda a livre disposição da coisa. porquanto o art. 1. no contrato.

adere à coisa. a qual ficará obrigada a devolvê-la. Envolve este o título constitutivo. A transferência da coisa para as mãos do credor tem a vantagem de impedir a alienação fraudulenta do objeto da garantia. 9. termo de quitação.424 do CC) e o registro no Cartório de Imóveis (art. mediante financiamento de entidade autorizada. pois é nulo o penhor de coisa alheia. sob pena de multa em favor deste. 1. .84 - . no prazo de 30 dias. Do penhor É o direito real que submete coisa móvel ou mobilizável ao pagamento de uma dívida (art. Uma vez registrada. a contar da liquidação da dívida. Assim. com a finalidade de garantir o cumprimento de uma obrigação. o credor pode opor seu direito ao adquirente do imóvel dado em garantia. A validade da hipoteca depende da observância do requisito concernente à forma de sua constituição. 1. ao credor. querendo adquirir imóvel em construção ou construído.514/97. O contrato de alienação será necessariamente registrado no Registro de Imóveis. ou fração. 4. 3. extingue-se a propriedade fiduciária do imóvel retornando o bem à plena propriedade do fiduciante. é negócio jurídico pelo qual o devedor.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo condição natural da hipoteca a acessoriedade. da dívida que visa garantir. para o fiduciário ou credor. fiduciante. da propriedade resolúvel e a posse indireta da coisa imóvel. salvo as hipóteses de domínio superveniente e de garantia oferecida por terceira pessoa. 1.514/97. Da anticrese É direito real de garantia que o credor recebe a posse de coisa frigífera. contrata a transferência ao credor. pressupõe ela a existência de uma dívida. à qual adere e busca assegurar. sobre o valor do contrato. Desse modo. acompanhando-a em caso de transmissão inter vivos ou mortis causa. regulada pela Lei no. daí constituir-se. 24 da Lei n. O fiduciário é obrigado a entregar ao fiduciante. permanecendo o fiduciante com a posse direta. alguém. equivalente a 0. para o cancelamento da propriedade fiduciária. transferir os direitos de que seja titular sobre o imóvel objeto da alienação fiduciária em garantia. Para que tenha validade a constituição do penhor é necessário que a coisa oferecida em garantia pertença ao próprio devedor. com anuência do fiduciário. O termo de quitação será levado a registro. realizará contrato pelo qual transferirá a propriedade a esta entidade. Com o pagamento da dívida e seus encargos. uma vez paga a dívida. com os requisitos previstos no art. ficando autorizado a perceber-lhe os frutos e imputa-los no pagamento da dívida.5% ao mês. 9. ou fiduciário.492 do CC). A publicidade é reforçada pelo registro do título no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Da alienação fiduciária A alienação fiduciária em garantia de imóveis. Remição da hipoteca é a liberação ou resgate do imóvel hipotecado mediante o pagamento. O fiduciante poderá. 5. em propriedade resolúvel.431 do CC). além de dar publicidade ao negócio jurídico. a especialização (art. assumindo o adquirente as respectivas obrigações.

º e 2.º da Med.220.Coordenadores: Marcelo T. Prov. no art.481/2007. por cinco anos. II – destinado a projeto de urbanização. ininterruptamente e sem oposição. desde que não seja proprietário ou concessionário.º da referida Medida Provisória). 6.º em outro local na hipótese de ocupação de imóvel: I – de uso comum do povo. ou V – situado em via de comunicação". pouco. como se vê. 183 da CF e no art. tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da posse. um título específico sobre esse direito. editada como diploma substitutivo ao veto dos arts. 5. Pela MP n. a qualquer título.015/73). ao contrário dos demais direitos reais. possuiu como seu. Isso porque não foi inserido no CC. 1. Castellani 6. 2. da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas naturais. IV – reservado à construção de represas e obras congêneres. até duzentos e cinqüenta metros quadrados de imóvel público situado em área urbana. praticamente nada acrescentou sobre o instituto.240 do CC. 1. nada mais é do que contrato administrativo pelo qual a Administração faculta ao particular a utilização privativa de bem público. Há. n. 2. a concessão de uso especial para fins de moradia compõe o rol dos direitos reais. O art. o direito à concessão de uso especial para fins de moradia só será outorgado àquele “que. 11. . O que era faculdade. 2. Não se trata propriamente de um direito real novo. utilizando-o para sua moradia ou de sua família. Das Concessões A lei 11. ou melhor. n. com o registro no Registro Predial (art.257/2001). A concessão exige praticamente os mesmos requisitos do usucapião urbano previsto no art. ao contrário do usucapião. de caráter declaratório. o qual continua submetido ao conteúdo e contornos normativos da Med. 10. 1. Desde a edição da Medida Provisória n. responsável pela introdução do instituto no CC. que "O direito de concessão de uso especial para fins de moradia é transferível por ato inter vivos ou causa mortis". 7. porém. 167.85 - . de 4 de setembro de 2001. n. de outro imóvel urbano ou rural” (art.220/2001. da Lei n. e a Administração não pode recusar o contrato. Cometti Fernando F. III – de interesse da defesa nacional. até 30 de junho de 2001.220/2001. a saber: a concessão de uso especial para fins de moradia e a concessão de direito real de uso. buscando outorgar-lhe títulos de direito real. 37. I. para que a exerça conforme a sua destinação. Ocorre que a concessão. passa a ser direito do possuidor. tentativa de trazer essa camada desfavorecida da população ao mundo legalizado. inclusive dispondo.220/2001.º da MP estabelece que "É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito de que tratam os arts.481/07 introduziu dois novos direitos reais no Código Civil brasileiro. Prov. O direito de concessão de uso especial para fins de moradia pode ser reconhecido por ato administrativo ou por decisão judicial e tem publicidade. Ocorre que a Lei n. 15 a 20 do Estatuto da Cidade (Lei n. 2.

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Decorre da mais tradicional e inquebrável postura do mundo ocidental. fundamentais e lapidares do casamento. VI).Coordenadores: Marcelo T. c) O companheirismo – Calcado num projeto comum. por fim. capaz de atender e satisfazer ideais e interesses de ambos os cônjuges. b) Monogamia . explicita os modos pelos quais se alcançam os efeitos civis: a) Habilitação Prévia – Os nubentes apresentam-se ao oficial do registro civil e habitam-se ao ato posterior. resultando numa certidão a ser apresentada ao ministro religioso. Castellani TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO 1. no art. Casamento religioso com efeitos civis O casamento religioso equipara-se ao civil. Na realidade. 3. 2. atração mútua e afinidades pessoais. quem é casado está proibido de contrair novas núpcias ( C. instituição (estatuto imperativo pré organizado) no conteúdo. a inscrição do casamento no registro público. A habilitação aqui descrita é a mesma exigida para o casamento civil e o procedimento visa declarar e certificar que os interessados não possuem impedimentos. cumplicidade. Estes são os elementos básicos. 4. Princípios do casamento a) Liberdade de União – O casamento só se justifica e legitima quando decorre da livre manifestação de vontade dos parceiros. b) Amor – Que independe de mera atração sexual e encontra sua manifestação mais veemente na afeição.. Cometti Fernando F. feita de acordo com a lei. trata-se de uma instituição em que os cônjuges ingressam pela manifestação de sua vontade. O legislador. Natureza jurídica do casamento O casamento seria um instituto de natureza híbrida: contrato na formação. .C. primeiro é realizada a cerimônia religiosa com posterior competente habilitação e. art. Conceito de casamento Casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher que se unem material e espiritualmente para constituírem uma família.87 - . b) Habilitação Posterior – Nesse caso. solidariedade. 1. Encerrado o procedimento de habilitação (num prazo de noventa dias) é extraída uma “sentença”.515 do C. 5. Finalidades do casamento a) Intenção de viverem juntos – É a chamada affectio maritalis que é o elemento decisivo na indissolubilidade do vínculo. O registro funciona como uma espécie de convalidação. 1521. estando aptos para o casamento.

6. e emissão do certificado da habilitação – arts. Casamento celebrado perante autoridade incompetente (perante prefeito municipal ou delegado de polícia) não é nulo. 1517 comporta. confirmando-se a idéia de que a prole não é finalidade do casamento. Impotentia Generandi (de gerar. A lei soleniza-o. 1519).(nesta fase ocorre a apreciação dos documentos e apuração da capacidade dos nubentes e a inexistência dos impedimentos matrimoniais). prescrevendo formalidades de observância obrigatória para a sua regularidade. independentemente do sexo do nubente. a) Formalidades Preliminares – São as que antecedem o casamento. c) Sanidade – O CC não previu a sanidade dos nubentes como condição necessária à validade do casamento. mas não como modalidade de casamento. III).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI c) Comunhão de Vida . será necessária a autorização dos pais ou dos seus representantes legais para a celebração do ato. parto eminente. 1520). mas simplesmente inexistente. O exame pré-nupcial não é obrigatório. viagem inadiável) e também no caso de casamento nuncupativo). que é ato jurídico eminentemente formal. . b) Consentimento – A falta de consentimento torna inexistente o casamento.200 de 1941. Havendo divergência entre os pais.(a dispensa dos editais é possível nas seguintes hipóteses: se ficar comprovada a urgência (grave enfermidade. Desse modo. 1557. 7. de procriar) – Não justifica a anulação do casamento. Elas são de três ordens: habilitação – arts. desde que interesse a um dos cônjuges anulá-lo (art. conforme disposto no Decreto-lei 3. 1517). Fora as exceções legais (casamento de anciãos e casamento in extremis – art. 1540) os nubentes devem ter aptidão para a vida sexual. 1525 e 1526 . salvo no caso de casamento de colaterais de 3º grau (tios e sobrinhos). A regra do art. c) Celebração por Autoridade Competente – Inexiste casamento se o consentimento é manifestado perante quem não tem competência para celebrar o ato matrimonial. As uniões estáveis de natureza homossexual podem ter relevância jurídica em outros planos e sob outras formar. 1517 o legislador fixou idade núbil aos 16 anos. o interessado poderá obter do juiz o suprimento judicial correspondente (parágrafo único do art.88 - . Pressupostos de validade a) Puberdade – No art. ou. uma exceção: admissibilidade do casamento para evitar cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez (art. Pressupostos de existência jurídica do casamento a) Diversidade de Sexo – Nesse sentido a lei é clara e não abre espaço a qualquer exegese extensiva (art. renunciando os instintos egoísticos e personalistas. em função de um bem maior que é a família. a capacidade matrimonial não se confunde com a capacidade civil (18 anos). a publicação dos editais – art 1527 . porém. 1533 a 1538 – (o oficial extrairá o certificado de habilitação durando a eficácia da habilitação por 90 dias). Dois são os tipos de impotência que interessam ao direito matrimonial: Impotentia Coeundi (de concepção ou de cópula) – Pode gerar a anulação do casamento. 1517 c/c o art.Os nubentes comungam os mesmos ideais. Pressupostos de regularidade São os que se referem às formalidades do casamento. 8. b) Potência – É a aptidão para conjunção carnal. se um ou ambos os pretendentes não tiverem atingido a maioridade civil. Todavia.

o outro consorte. pessoa casada. Acarretam como efeito uma mera sanção. Os impedimentos são classificados da seguinte forma: a) Impedimentos dirimentes públicos (ou absolutos) – São examinados nos incisos I a VII do art. b) Impedimentos Dirimentes Relativos .No atual CC passam a ser. Importante notar que sua inobservância determina-lhe a nulidade do ato. impedimentos resultante de vínculo (art. 9. isto é. 7º. em seu nome. Acarretam como efeito a nulidade do casamento. 1521. e impedimentos resultante de crime (art. VI). Desde já é importante observar a diferença entre incapacidade e impedimento matrimonial. 1521. O impedimento matrimonial é relativo. Celebração do casamento Dada a importância que se reveste o casamento. não podem casar os irmãos (art.Dispõe o art. Estes impedimentos dividem-se em três categoriais: impedimentos resultantes do parentesco (art. Esta procuração é um ato eminentemente revogável até o momento da celebração do casamento. IV). a pessoa considerada não pode casar com determinada pessoa.550). Ex. é a ausência de requisito ou ausência de qualidade que a lei articulou entre as condições que invalidam ou apenas proíbem a união civil. Dos impedimentos matrimoniais São as circunstâncias que impossibilitam a realização de determinado casamento. Castellani b) Formalidades Concomitantes – São as que acompanham a cerimônia e vêem detalhadamente previstas nos art. 1. agora. 1542 – é imprescindível a escritura pública para a sua validade. parágrafo segundo da LICC: “o casamento de estrangeiros poderá ser celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes”.A lei permite a celebração do ato por procuração cuja eficácia não ultrapassará noventa dias. As disposições constantes nos incisos I a IV do art. o legislador reveste-o de toda a solenidade possível. . Podem demandar a anulação o cônjuge prejudicado. Ex. Mas se os cônjuges (ou interessados na anulabilidade) silenciarem.Passaram a ser as causas de anulabilidade do casamento (art. em decorrência de disposição legal expressa – art. Hoje. desde que o nubente impossibilitado outorgue poderes especiais a alguém para comparecer em seu lugar e receber. a proteção da prole anterior. 1533 ao art. 1533 a 1538. b) Casamento perante autoridade diplomática ou consular . 1523 têm por escopo.89 - . 1538. 1521. É o que se depreende da leitura dos arts. a confusão de patrimônios e a proteção do nubente por influência dos representantes legais. VII). 1523. tanto na ordem pública como na ordem privada. causas suspensivas (art. A incapacidade é geral. a) Casamento por procuração . 10. I a IV) a infração destas causas não gera nem nulidade. nem anulação. 1521.Coordenadores: Marcelo T. a pessoa considerada incapaz não pode casar com quem quer que seja. representantes legais ou ascendentes. noutras palavras. evitar a confusão de consangüinidade (turbatio sanguinis). I a V). 1521. Cometti Fernando F. mas tão somente uma sanção (imposição do regime obrigatório da separação de bens). Considerando o interesse público neles estampados podem ser argüídos por qualquer interessado e pelo Ministério Público. c) Impedimentos impedientes (ou proibitivos) . o casamento convalida do vício originário.

os nubentes figurarão como celebrantes e realizarão oralmente o casamento. O art. homem e mulher. preliminarmente. dê a certidão de habilitação. companheiros e responsáveis pelos encargos da família. E para . perante seis testemunhas. 1525 e independentemente de edital de proclamas. Neste caso. dispensando o processo regular. chancelando a dimensão do afeto em detrimento do puro formalismo. ou. mediante despacho da autoridade competente. cessa a competência da autoridade consular. A eficácia do ato. A prova supletória só se torna admissível quando. feito ao tempo de sua celebração. quando há dúvida quanto à existência do ato constitutivo do vínculo conjugal. privada e publicamente como marido e mulher e que. A regra do in dúbio pro matrimonio (art. in articulo mortis. quando um dos contraentes se encontra em iminente perigo de vida. quando do retorno dos nubentes ao país. a validade do casamento celebrado no estrangeiro. 1547 do CC) é utilizada quando há dúvida sobre a prova do casamento. Se o casamento for realizado no Brasil. O art. Após o retorno dos brasileiros ao território nacional. deverá ser registrado em 180 dias. depoimento de testemunhas. 1565 do CC. conforme dispõe o art. para a comunidade. O artigo consagra os efeitos da retroação sentencial. ou seja. 11. à vista dos documentos exigidos no art. É válido no Brasil desde que registrado. que nada mais é do que a situação de duas pessoas que sempre se comportaram. se encontram no gozo recíproco da situação de esposos. pelo casamento. c) Casamento nuncupativo . assumem mutuamente a condição de consortes. está submetida ao requisito de que ambos os nubentes sejam brasileiros. 7º. 1543. a realização de seu registro em território nacional. passaporte. no consulado brasileiro. Segundo a disposição legal. 1546 prevê a retroatividade dos efeitos do registro da sentença que reconhece o casamento à data de sua celebração. a concessão feita pelo art. que não tenham parentesco em linha reta. se justifica a falta ou a perda do registro (ex. Das provas do casamento O casamento realizado no Brasil. da LICC).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No caso de um dos nubentes ser brasileiro e o outro estrangeiro. deve o julgador inclinar pela sua existência. Instaura-se o regime da co-gestão na sociedade familiar. em absoluta igualdade de direitos e deveres. prova-se pela certidão do registro. Mas a lei chega mesmo a permitir a dispensa da autoridade competente se os contraentes não lograrem obter sua presença. na colateral. c) Que a prole comum prove que o é. no Brasil. não havendo assim tempo para a celebração do casamento com todo o formalismo previsto na lei civil. etc. será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos e às formalidades do casamento (Art. qual seja. parágrafo 1º.. ou. Da eficácia do casamento Pelo art. d) Que não se apresente certidão do registro civil provando a ocorrência de casamento.) O CC. b) Que ambos os pais tenham vivido naquele estado. 1545 fica subordinada a quatro pressupostos: a) Que ambos os pais tenham falecido. é forma especial de celebração de casamento. Em assim sendo. 1540 do CC permite que o oficial do Registro Civil. a posse do estado de casados. prevista pelo CC.90 - . certidão de proclamas. admite uma prova indireta. a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges. está submetida à condição suspensiva. até segundo grau. 12.Também chamado in extremis vitae momentis.

d) Sustento. 3. A sentença de nulidade do casamento tem caráter declaratório.A palavra assistência (apoio.Na convivência sob o mesmo teto (domicílio conjugal). A decretação da nulidade pode ser promovida pelo Ministério Público. próprios do companheirismo). ou por qualquer interessado (art. não adquirindo existência. 1549). e) Respeito e consideração mútuos . O dever de convivência sexual não é da essência do casamento nos casos de casamento in extremis bem como nos casos de consortes separados em razão de doença ou da profissão. 1.Coordenadores: Marcelo T.O art.Segundo o disposto no art. uma vez assumidas. Afora as hipóteses de recusa legítima ou justa. desvelo. ou com suprimento judicial – art. socorro) não pode ser tomada num sentido amplo. no parágrafo 1º. em linhas gerais.O casamento é inexistente quando lhe faltam um ou mais elementos essenciais à sua formação. 1548 nulo é o casamento contraído pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil (por não estar em seu juízo perfeito) e por infringência de impedimentos (previstos no CC.. querendo. Os efeitos que produz o casamento podem ser encarados como restrições que cada um dos cônjuges impôs voluntariamente à sua liberdade pessoal e que. o legislador estatui. . nenhum efeito pode produzir. 13. depois de atingi-la. arrola as hipóteses caracterizadoras daquele erro. os outrora denominados impedimentos dirimentes relativos. 1521. Não existem outras. ou seja. 1533. na mesma casa. c) Mútua assistência . não autorizado pelo seu representante legal: mas. o dever de coabitação no domicílio conjugal é indeclinável. São elas: a) o que diz respeito à sua identidade. os quais dão origem aos chamados deveres conjugais. São eles (art. é que se estabelece o convívio sexual. como o moral (apoio.566 do CC): a) Fidelidade recíproca .O desaparecimento do respeito e da consideração mútuos é prova evidente que a união conjugal se encontra fragilizada. poderá confirmar seu casamento.Quem não completou a idade mínima para casar (A regra comporta as exceções dos arts. 1520 e 1551). Seis são as hipóteses legais de anulação do casamento. b) Casamento nulo . trata-se de uma enumeração taxativa e não exemplificativa. b) Vida em comum no domicílio conjugal . incisos I a VII). que englobe tanto o aspecto material (econômico).O menor em idade núbil. do citado art que.A jurisprudência e a doutrina sempre encararam essa questão como o dever de abster-se cada consorte de praticar relações sexuais com terceiro. uma vez que reconhece apenas o fato que o invalida. relativamente aos filhos menores e não emancipados. acarreta a suspensão ou destituição do poder parental (art. em seguida.91 - . qualquer dos nubentes. 2. II).A ocorrência de vício de vontade: Nos arts. guarda e educação dos filhos . São elas: 1. Da invalidade do casamento a) Casamento inexistente . devem ser respeitadas enquanto durar a união. 1563). produzindo efeitos ex tunc (art. O ato. 1550 o CC trata dos casos de casamento anulável que substituem. c) Casamento anulável . Castellani reafirmar a recepção do princípio constitucional da igualdade. art. com a autorização de seus representantes legais.A infração deste dever. poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro. E. honra e boa fama. sob pena de adultério. 1638. 1556 e 1557 o legislador trata da complexa matéria da ocorrência de erro essencial de um dos nubentes quanto à pessoa do outro. logo. ou. Cometti Fernando F.

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI b) a ignorância de crime anterior ao casamento. anterior ao casamento.O incapaz de consentir ou manifestar de modo inequívoco. Atendendo a boa-fé e o princípio da equidade. Toda separação depende da homologação para surtir efeitos. 6. conforme vimos. d) a ignorância. ascendente ou irmão – No mesmo sentido em relação ao divórcio (art. perduram as obrigações decorrentes do casamento (art. A separação pode ser judicial e extrajudicial. A incompetência ratione materiae. para que o erro essencial quanto à pessoa do outro nubente seja causa de anulabilidade do casamento é preciso a ocorrência de três pressupostos: a) anterioridade do defeito do casamento. então. 1554..92 - . Declarado putativo o casamento ganha validade e produz todos os efeitos que produziria o casamento válido. 4. seu consentimento: Os surdos-mudos sem educação adequada que lhes possibilite manifestar sua vontade não podem casar. foi contraído de boa-fé. até a data da sentença que o invalidou. por contágio ou herança. O termo vem do latim. anterior ao casamento. b) desconhecimento do defeito pelo cônjuge enganado. de igual modo. por um só ou por ambos os cônjuges.. A putatividade pode ocorrer na própria ação anulatória ou em processo autônomo promovido pelo(s) cônjuges(s) enganado(s). b) A tentativa de conciliação – obrigatória na Lei do Divórcio art. ou. 1576). c) a ignorância. parágrafo único). Com efeito. 14. 1571 do CC. salvo na hipótese do art. 1582. putare.Por incompetência da autoridade celebrante: O legislador está aqui se referindo à incompetência ratione loci (em razão do lugar da celebração). reconhecendo-lhe efeitos a ordem jurídica. ou de moléstia grave e transmissível. 3º. mas era de ordem pública e sua ausência justificava a nulidade do processo.. 1576. ou anulável. Casamento putativo Diz-se putativo o casamento que. ratione personarum (em razão das pessoas dos nubentes. parágrafo único). embora nulo. não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. parágrafo 2º. pelos filhos ou por terceiros que tenham interesse na declaração. pela separação judicial ou pelo divórcio. todos os efeitos – aos filhos e ao cônjuge de boa-fé – do casamento válido. Dissolução da sociedade conjugal Segundo o disposto no art. de defeito físico irremediável. gera inexistência do casamento. se a sentença foi omissa a esse respeito.Pelo mandatário. toxicômano não podem casar. c) Enquanto perdura o processo judicial de separação. 15. o ordenamento jurídico reconhece ao casamento nulo. quanto a seus domicílios). sem que ele ou outro contratante soubesse da revogação do mandato. . ou anulável. 5. mas. que significa “imaginar”. a sociedade conjugal termina: pela morte de um dos cônjuges. – deixa de constar no novo C. Entre suas principais características temos: a) A ação de separação judicial é personalíssima (art.C. de doença mental grave. pela nulidade ou anulação do casamento. e c) insuportabilidade da vida em comum. pessoa portadora de enfermidade mental ou física. em caso de incapacidade a lei admite a propositura da ação por curador.

na lei divorcista. No art. quando a separação é consensual.). A separação de corpos. face à indecisão ou irredutibilidade dos cônjuges. parágrafo 1º. Em se tratando de separação litigiosa. Preliminarmente. da Ldi ressurge. O lapso temporal é um requisito objetivo e comprova-se pela certidão.). até a maioridade. na hipótese de cautelar preparatória. O divórcio indireto (ou via conversão) dá-se quando do transcurso do lapso temporal de 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença de separação. em havendo filhos.93 - . na ausência do registro. Anteriormente prevista no art. 1580. no caso de comprovada separação de fato por mais de 2 (dois) anos. Mas. uns entendendo que a separação não importava em término dos deveres matrimoniais e outros. 6515/77 e pelos arts.C. se foi deferida a medida cautelar de separação de corpos. agora. c) Separação Litigiosa como Remédio: Ocorre quando um dos cônjuges está acometido de grave doença mental de cura improvável (art. Com o atual dispositivo encerra-se a controvertida polêmica: a separação judicial põe termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca. 1576 o legislador enfrentou a questão tormentosa que sempre dividiu a jurisprudência nacional. encarando a concessão da separação como termo das obrigações oriundas do casamento. 1572. O processo é disciplinado pelo art. não constará referência à causa que a determinou – parágrafo 1º. será pelo juiz decidida. 1574 trata da separação judicial consensual. parágrafo 2º. 34 da Lei no. do STJ. Quanto à partilha de bens. constantes na Lei do Divórcio permanecem presentes no novo Código Civil: a) Separação Litigiosa como Sanção: Ocorre quando um dos cônjuges imputar ao outro conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres conjugais. passa. e 3º. de dois para um ano.). No caso de conversão em divórcio da separação judicial. que dispensa a partilha em se tratando de divórcio direto. no art. b) Separação Litigiosa como Falência: Ocorre quando qualquer um dos cônjuges prova a ruptura da vida em comum há mais de 01 (um) ano consecutivo e a impossibilidade de sua recoonstituição (art. permite a concessão do divórcio sem que haja partilha de bens. 5º. 1566 do C. . 1120 a 1124 do CPC. tudo parece indicar que a postura do legislador atual decorra da Sumula 197.Coordenadores: Marcelo T. e em caráter de justificação. que o disposto no art. reduzindo o prazo mínimo de casamento. agora. que se refere à grave violação dos deveres do casamento e à insuportabilidade da vida em comum (Os deveres conjugais são aqueles arrolados no atual art. O art. O divórcio direto poderá ser requerido por um ou ambos os cônjuges. poderá ser feita mediante proposta dos cônjuges e homologada pelo juiz. além de reafirmar as duas hipóteses de divórcio (direto ou via conversão) refere-se aos prazos da ruptura da sociedade conjugal. ou da concessão da medida cautelar de separação de corpos. O prazo de duração da doença para a obtenção da separação que. como a lei deixa claro. 1572. pode confirmar a medida deferida liminarmente no processo cautelar. O art. contrariamente. É dado importante na matéria da dissolução da sociedade conjugal porque. 1581 que. 1575 dispõe sobre a separação de corpos e a partilha de bens. Castellani As três espécies de separação litigiosa. Cometti Fernando F. era de cinco anos. em manifesta incoerência e quebra de sistema. a mútua assistência mantém-se na forma de alimentos e. Há decisões que aceitam justificação para comprovar a existência do casamento. O consentimento é suficiente a determinar a validade da decisão. guarda e educação. é efeito fundamental da separação. a ser de dois anos. 1572. o dever de sustento. O art. Importante notar. o prazo para conversão em divórcio é contado da data da concessão daquela medida e não do decreto da separação judicial.

O cônjuge “culpado” perde o direito de usar o sobrenome do outro. A liberdade dos cônjuges no exercício da escolha é total. d) Pode dar origem à indenização por perdas e danos se ocorrerem prejuízos morais ou patrimoniais. b) Substitui o dever de sustento pela obrigação alimentar. d) Autoriza a conversão em divórcio. d) Faz cessar o direito sucessório. pois.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 16. c) Impossibilita a realização de novas núpcias. 1640 c/c art. Regime de bens entre os cônjuges Regime de bens é. 1639. 1640. em matéria de regime de bens. portanto. mas a lei impõe a necessidade da convenção – pacto antenupcial – sempre que a opção exercida difere do padrão ofertado pela lei. por isso fala-se em efeitos pessoais e efeitos patrimoniais. Efeitos Pessoais: a) Põe termo aos deveres recíprocos do casamento. parágrafo segundo) mediante a ocorrência de três requisitos cumulativos: . aceitando em bloco o regime da comunhão parcial de bens – art. pena que se concretizará se não ocorrer alguma das hipóteses previstas no art. e) Não admite reconciliação entre os cônjuges. inderrogáveis pelos cônjuges. 17. c) Extingue o direito sucessório entre os cônjuges. c) Extingue o regime matrimonial. o legislador criou duas hipóteses de incidência de regras em matéria de regime de bens: a) Os cônjuges escolhem o que lhes aprouver – materializando sua escolha em documento próprio (pacto antenupcial – art. b) Impede a mulher de continuar a usar o nome do marido (regra geral). permitindo aos cônjuges estipular o que lhes aprouver. Na realidade. cumprido o prazo de um ano de vigência da separação. Todavia.evidente prejuízo para sua identificação.94 - . A sentença de divórcio produz os seguintes efeitos: a) Dissolve definitivamente o vínculo matrimonial. Estas normas são de ordem pública e.manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida. Importante ressaltar que o regime de bens começa a vigorar desde a data do casamento. f) Possibilita novo casamento aos divorciados. 1639 do CC. 1578: I.dano grave reconhecido na decisão judicial. Efeitos Patrimoniais: a) Põe fim ao regime matrimonial de bens. III. diz o parágrafo 1º do art. b) Os cônjuges aderem ao regime legal – sem convenção. o complexo de normas que disciplina as relações econômicas entre marido e mulher durante o casamento. Efeitos da separação e do divórcio Os efeitos da separação judicial atingem tanto a pessoa dos cônjuges quanto o seu patrimônio. II. g) Mantém inalterado os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos. 1639 do CC resgata o princípio da autonomia da vontade. b) Põe fim aos deveres conjugais. 1653). esse regime é passível de modificação (art. O art.

1641) não há que se invocar a revogabilidade estampada na nova lei. para que produza os efeitos perante terceiros. Logo. 1653). o regime da comunhão parcial faz surgir três massas distintas de bens. estipular que o pacto produzirá efeitos diversos daqueles previstos pela norma jurídica.Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. quais sejam. naquelas hipóteses específicas desconheceu a aplicação do princípio da autonomia da vontade. a não anuência de um não só compromete o deferimento. a ocorrência da sociedade conjugal não anula a individualidade e autonomia dos cônjuges em matéria patrimonial). por doação ou sucessão e os sub-rogados em seu lugar.95 - . No art. O registro imobiliário competente é o do domicílio dos cônjuges devendo os mesmos levar ao registro imobiliário a escritura pública do pacto antenupcial e a certidão do casamento. Castellani a) A autorização judicial. ou herdado). quanto aos bens. previsto em lei e legítimo (típico). o regime da comunhão parcial. não realizado o casamento. salvo reversão em proveito do casal. 5-Os bens de uso pessoal.Os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares. . passa a ser comum a ambos os cônjuges. e os bens comuns do casal. O limite da sub-rogação é o valor do bem particular (adquirido antes do casamento. Ou seja. b) O pedido motivado de ambos os cônjuges. não havendo convenção. 2. Todavia. como também não poderá ser suprida pelo juiz. o casamento é condição suspensiva necessária para que o pacto produza os seus reais efeitos. o pacto torna-se ineficaz. vigorará. Se o bem sub-rogado é mais valioso que o alienado. alterou o então vigente art. os bens particulares do marido. e c) A ressalva dos direitos de terceiros. Desse modo. Regime da comunhão parcial de bens Introduzido no Brasil pela Lei do Divórcio (Lei 6515/1977). consequentemente. isto é. 4. em se tratando de regime obrigatório de separação de bens (art. sendo indispensável a escritura pública (art.Os bens que cada cônjuge possuir ao casar e os que lhe sobrevierem. 1659 estão arrolados os bens que não entram na comunhão: 1. Acrescenta o art. para determinar que.As obrigações anteriores ao casamento – obrigações negociais. A eficácia a que se refere o texto legal. os livros e os instrumentos de profissão. em ação própria. 258 (CC/16). Assim como o casamento é objeto de registro público. se não foi paga com recursos próprios e particulares do cônjuge. na constância do casamento. ou sendo nula. O pedido motivado de ambos os cônjuges cerca o pedido de maior garantia. Se o legislador impõe a separação nas três hipóteses do art. 3. 1653 que o pacto é nulo se não lhe seguir o casamento. O pacto antenupcial é um ato jurídico pessoal. 6. uma vez que a admissão daquela mudança implicaria em esvaziar o conteúdo da previsão legal. Cometti Fernando F.Coordenadores: Marcelo T.As obrigações provenientes de atos ilícitos. O pacto antenupcial só terá efeito perante terceiros – art. ou doado. pois os nubentes têm a sua autonomia limitada pela lei e não podem. a lei também exige o registro do pacto antenupcial no registro de imóveis. a diferença do valor. os bens particulares da mulher. nominado. é porque. O pedido de alteração é dirigido ao juiz competente. 18. que só o deferirá quando convicto da motivação relevante e do não prejuízo dos interesses de terceiros. 1641. formal. 1657 – depois de registrado. O regime de comunhão parcial limita o patrimônio comum aos bens adquiridos na constância do casamento a título oneroso (ou seja. diz respeito tão somente aos bens imóveis.

Os bens que participam da comunhão são aqueles descritos no art. mas. 1673 só admita a alienação dos bens móveis. 1660 do CC. mas que se tornam comuns no momento da dissolução do mesmo. No art. Durante o casamento. passam a constituir um só massa. 1668 do C. 1673 delimita o que é patrimônio comum dispondo. igualmente.C. associa cada cônjuge aos ganhos do outro. pois que insuscetível de divisão antes da dissolução da sociedade conjugal. montepios e outras rendas semelhantes.96 - . Regime da separação de bens O regime de separação de bens é aquele em que cada cônjuge conserva o domínio e a administração de seus bens presentes e futuros. os bens que são excluídos do regime de comunhão universal. 21. passando. móveis e imóveis. logo. se forem móveis. Regime da comunhão universal de bens Segundo o art. 1656). desde que a hipótese tenham sido objeto de cláusula no pacto antenupcial (art. 1667 do CC o regime da comunhão universal importa na comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas. que a administração dos bens é exclusiva de cada cônjuge. Com a exclusão das exceções previstas no art. responsabilizando-se individualmente pelas dívidas anteriores e posteriores ao casamento. direitos e ações. 1668. no seu parágrafo único. 19. que os poderá livremente alienar. 20. valor este a ser levantado na dissolução da sociedade conjugal. Todos os bens. Regime da participação final nos aqüestos Na participação final nos aqüestos há formação de massas de bens particulares incomunicáveis durante o casamento.As pensões. em cinco incisos. embora o parágrafo único do art. aos bens imóveis. que permanece indivisível até a dissolução da sociedade conjugal. O regime de separação é legal (quando decorre da lei) ou convencional (decorre de convenção estabelecida em pacto antenupcial). marido e mulher. ao mesmo tempo. por isso. Vale ressaltar que. diz-se que o cônjuge é “meeiro”.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 7. . como ocorre na separação de bens. Cada um dos cônjuges tem direito à metade ideal desta massa. diz a lei. os patrimônios dos cônjuges se fundem em um só. a possibilidade estende-se. O art. cada um dos cônjuges goza de liberdade total na administração e na disposição dos seus bens. meios-soldos. quando ressurge a idéia da comunhão. o legislador arrola. a figurar como condôminos de um condomínio peculiar.

parágrafo 6º. o art. até o quarto grau. com efeito. . São afins na linha na linha reta descendente: genro. as pessoas provenientes de um só tronco. 227. Dispõe. Efeitos do parentesco As relações de parentesco afetam os mais diversos campos do Direito. mas tão somente da lei. 3. comporta duas linhas: a reta e a colateral.). d) O vínculo sócio-afetivo . 1595. Espécies de parentesco a) Parentesco natural – É o que se origina da consangüinidade. É por força de uma ficção legal que se estabelece este parentesco. o parentesco. Castellani CAPÍTULO II – PARENTESCO Toda pessoa se enquadra numa família por quatro ordens de relações: o vínculo conjugal. na colateral. inexiste impedimento de o viúvo (ou divorciado) casar-se com a cunhada. Cometti Fernando F. entre si. 1594 “Contam-se. 1592 do CC. Em assim sendo. Marido e mulher são. A afinidade. desde os impedimentos que se traduzem em inelegibilidade da constituição até os impedimentos para o casamento. embora procedendo de um tronco ancestral comum. isto é. sem descenderem uma da outra”. os graus de parentesco pelo número de gerações e. mas a afinidade colateral (ou cunhadio) extingue-se com o término do casamento. nora. da CF. o adotado tem os mesmos direitos do filho consangüíneo. São afins em linha reta ascendente: sogro. Dispõe a respeito o art. não visualizada pelo C/C 1916 e que ganha legítimo reconhecimento na singela fórmula do art. padrasto e madrasta (no mesmo grau que pai e mãe). enteada (no mesmo grau que filho e filha). Embora haja simetria com a contagem dos graus no parentesco.: “ São parentes em linha colateral ou transversal. a afinidade. simplesmente. A afinidade na linha reta é sempre mantida (art. o vínculo legal que se estabelece à semelhança da filiação consangüínea. 1. a afinidade não decorre da natureza. parágrafo 2º. Em decorrência do art. e o vínculo sócio-afetivo. 2. na linha reta. enteado. mas independente dos laços de sangue. b) Parentesco civil – É o decorrente da adoção.Coordenadores: Marcelo T. Os graus são o meio de que se dispõe para determinar a proximidade ou remoticidade do parentesco. Existem duas espécies de linhas: reta (quando as pessoas descendem umas das outras) e colateral ou transversal (quando as pessoas.É a proposta inédita. no atual sistema codificado. também pelo número delas.97 - . c) Parentesco por afinidade . Contagem do parentesco O parentesco é contado através de linhas e graus. subindo de um dos parentes até ao ascendente comum.Inicialmente vale ressaltar que o casamento não cria nenhum parentesco entre o homem e a mulher. não descendem uma das outras. sogra. 1593 quando se refere ao parentesco que resulta de outra origem. afins. assim como o parentesco por consangüinidade. nem do sangue. e descendo até encontrar o outro parente”.

No direito penal. ao estabelecer impedimentos para o casamento.. ou servidor investido em cargo de direção e de assessoramento. os efeitos do parentesco fazem-se sentir com mais intensidade. bem como de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. III . em Tribunais ou Juízos diversos. de cargos de provimento em comissão. em circunstâncias que caracterizem ajuste para burlar a regra do inciso anterior mediante reciprocidade nas nomeações ou designações.98 - . no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. deduções ou o nível de tributação. No direito fiscal. colateral ou por afinidade. dos respectivos membros ou juízes vinculados. até o terceiro grau. companheiro ou parente em linha reta. de servir como tutor etc. até o terceiro grau. inclusive. IV . na classe dos colaterais. colateral ou por afinidade.o exercício de cargo de provimento em comissão ou de função gratificada. além do cônjuge da parte. do CPC). de dois ou mais magistrados.. . por cônjuge.a contratação. seu ascendente ou descendente em qualquer grau. colateral ou por afinidade. 405. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. de pessoa jurídica da qual sejam sócios cônjuge.) No direito de família.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No processo civil. por cônjuges. seja consangüíneo ou afim (art. 07 do CNJ – art. companheiros ou parentes em linha reta. parágrafo 2º. dentre outras: I. Constituem prática de nepotismo. companheiro ou parente em linha reta. ou de funções gratificadas. por cônjuge. estão impedidos de depor como testemunha. de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. o parentesco pode definir isenções.o exercício de cargo em provimento de comissão ou de função gratificada. estabelecer o dever de prestar alimentos. em casos excepcionais de dispensa ou inexigibilidade de licitação. ou de servi dor es investidos em cargos de direção ou de assessoramento. V .o exercício. dos respectivos membros ou juízes vinculados. há restrições de parentesco para ocupar certos cargos: Resolução no.. inclusive.a contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. o parentesco estabelece as classes de herdeiros que podem concorrer à herança. colateral ou por afinidade. àqueles até o quarto grau. companheiro ou parente em linha reta ou colateral até o terceiro grau. dos respectivos membros ou juízes vinculados. inclusive. companheiro ou parente em linha reta. inclusive. 2º. até o terceiro grau. limitando-se. de cônjuge. há crimes cujo parentesco entre o agente causador e a vítima agrava a intensidade da pena. No direito constitucional e no direito administrativo. inclusive. até o terceiro grau. I. (. II. No direito sucessório. assim como o colateral até o terceiro grau.

358/92. O código não define a partir de quando se considera embrião. por meio de técnicas especiais. terá fundamento moral. 1. . apenas que seja “prévia”. desde que o cedente seja parente colateral até o segundo da mãe genética. do Conselho Federal de Medicina. de gametas da mãe e do pai. Apenas é admitida a concepção de embriões excedentários “se estes derivam de fecundação homóloga. A fecundação ou inseminação artificial post mortem é realizada com embrião ou sêmen conservado. terão os mesmos direitos e qualificações. “a partir de 14 dias. A fecundação ou inseminação homóloga é realizada com sêmen originário do marido. A lei não exige que haja autorização escrita. A paternidade. após a morte do doador.) estabeleceu absoluta igualdade entre todos os filhos. em primeiro grau e em linha reta. A presunção de paternidade é prevista no art. não possa procriar. Se a mãe for casada. Por conseqüência. sejam casados ou companheiros de união estável”. Ocorre tal modalidade de inseminação quando é utilizado “sêmen de outro homem. respectivamente. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação”. privilegiando-se a relação socioafetiva. parágrafo 6o. O vocábulo fecundação indica a fase de reprodução assistida consistente na fertilização do óvulo pelo espermatozóide. in casu. ou seja. esta circunstância estabelece. Já diziam os romanos: mater semper certa est.Neste dispositivo três hipóteses de presunção de filhos concebidos na constância do casamento. ou a receberam como se a tivesse gerado. Cometti Fernando F. 1. razão por que pode ser verbal e comprovada em juízo como tal. O inciso V do art. a paternidade.597 do CC. A resolução no. 226. o consentimento de ambos.99 - . A CF (art.Coordenadores: Marcelo T. todas elas vinculadas à reprodução assistida. A lei não exige que o marido seja estéril ou. indica que. desde que tenha prévia autorização do marido”. e não o do marido. 1. Essa distinção é aceita em vários direitos estrangeiros. que enfatiza: “Os filhos. ou vida humana. Castellani CAPÍTULO III – FILIAÇÃO Filiação é a relação de parentesco. Em regra. sem fins lucrativos.358/92 do Conselho Federal de Medicina admite a cessão temporária do útero. não admitindo mais a retrógrada distinção entre filiação legítima e ilegítima. pressupondo-se.596 do CC. especialmente na Europa”. O princípio da igualdade dos filhos é reiterado no art.597 presume concebido no casamento os filhos “havidos por inseminação artificial heteróloga. havidos ou não da relação do casamento. mas a resolução 1. Neste caso o óvulo e o sêmen pertecem ao marido e à mulher. neste caso. automaticamente. ou por adoção. por qualquer razão física ou psíquica. normalmente doador anônimo. A única exigência é que tenha o marido previamente autorizado a utilização de sêmen estranho ao seu.1. apesar de não ter componente genético. para a fecundação do óvulo da mulher. Presunção de paternidade Presume-se filho o concebido na constância do casamento: pater is est quem iustae nuptiae demonstrant. 1. está proibida a utilização de embrião excedêntário por homem e mulher que não sejam os pais genéticos ou por outra mulher titular da entidade monoparental. o simples fato do nascimento estabelece o vínculo jurídico entre a mãe e o filho. que liga uma pessoa àquelas que a geraram. tem-se propriamente o embrião.

induzidos a erro por falta de cuidado de hospitais e maternidades. para afastar a condição de . devido ao segredo profissional médico e ao anonimato do doador do sêmen inoculado na mulher. 1..Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se o marido anuiu na inseminação artificial heteróloga.604.100 - . Em regra. que é imprescritível (art. 1. também. A primeira tem por objeto negar o status de filho ao que goza de presunção decorrente da concepção na constância do casamento. provando a falsidade do termo. 1. ou mais. mas. à época da concepção. ou pelo filho da mulher casada contra o seu verdadeiro pai. que a prova de impotência do cônjuge para gerar.597 é júris tantum. por ter sido efetuado o registro pela mãe – e porque se objetiva desconstituir um ato jurídico. retirando do registro civil o nome que figura como pai -. pois.601). parágrafo único).601 do CC). salvo se provar que. pois. que visa à proteção da família constituída pelo casamento. a mãe só poderá contestá-la. na posição de ré. mesmo adulterina. 2. admitindo a prova em contrário. distinguir a ação negatória de paternidade ou maternidade daquela destinada a impugnar a paternidade ou maternidade. sem qualquer restrição. com base no art. ouvido o Ministério Público. 8o. a retificação. 1. A segunda visa negar o fato da própria concepção.608 do CC: “quando a maternidade constar do termo do nascimento do filho. Assim. e por permitir. não podendo voltar atrás.601. no art. se ele vier a falecer durante o seu curso. mediante ação negatória de paternidade. Importante observar. ser elidida pelo marido. indisponível e imprescritível.560/92. passa a seus herdeiros (art. por decisão judicial. Só ele tem a titularidade.599). a ação deve ser movida contra seus herdeiros (normalmente a mãe é a herdeira). observado o segredo de justiça”. Dispõe o art. Mesmo que o marido não tenha ajuizado a negatória de paternidade. Pode. Legitimado passivamente para esta ação é o filho. dos “registros de nascimento anteriores à data da presente lei”. A impugnação da paternidade conduzirá o filho a uma paternidade incerta. Nesse sentido. elaborada com o intuito de conferir maior proteção aos filhos. deve ela também integrar a lide. também é o ECA: (art.ou das declarações nele contidas”. aquele bebê adveio da infidelidade da mulher (CC. entende a doutrina que nem mesmo o curado do marido interdito poderia ajuizar tal ação. mas. A legitimidade ativa é privativa do marido (CC. seja proposta contra o homem casado. 27): “O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros. ou provar a suposição de parto. a iniciativa da ação. uma vez iniciada. O importante é que a patologia tenha ocorrido depois de estabelecida a convivência conjugal e no prazo legal atribuído ao momento da concepção. Deve-se. 8. Tal dispositivo abre exceção à presunção mater in jure semper certa est. A falsidade do termo de nascimento pode ser atribuída ao próprio oficial de registro civil ou à declaração da mãe ou do pai.602). na verdade. a ação negatória destina-se a excluir a presunção legal de paternidade. tem sido reconhecido ao filho o direito de impugnar a paternidade. como ocorre nos casos de troca de bebês. 1.600 e 1. 1. Mais se evidenciou essa possibilidade com o advento da Lei n. ilide a presunção de paternidade (art. Se o filho é falecido. arts. 1. Ação negatória de paternidade e de maternidade Conhecida também como ação de contestação de paternidade. art. a presunção de paternidade do art. por permitir que a investigação da paternidade. dos trezentos que houverem precedido ao nascimento do filho. 1. será o pai legal da criança assim concebida. traduzido nos cento e vinte e um dias.

Os efeitos da sentença que declara a paternidade são os mesmos do reconhecimento voluntário e também ex tunc: retroagem à data do nascimento (CC. que deve conter os dados exigidos no art. e este só nasce com o reconhecimento. os efeitos patrimoniais do estado da pessoa prescrevem. Reconhecimento judicial da filiação: investigação de paternidade e maternidade. discriminando em 09 itens. É de se admitir o litisconsórcio ativo facultativo dos filhos da mesma mãe na investigação de paternidade do mesmo suposto genitor. representado pela mãe. prova não só o nascimento como também a filiação. O registro. 1. consagrada na própria CF.609 do CC como modos voluntários de reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento. A de impugnação da paternidade ou da maternidade pode ser ajuizada pelo próprio filho. intentar em nome do filho a ação investigatória de paternidade”. Se já tiver sido iniciada.101 - . seus herdeiros e sucessores ficarão inibidos para o ajuizamento. 205).Coordenadores: Marcelo T. É que o prazo de prescrição somente se inicia quando surge o direito à ação. de simulação de parto e introdução maliciosa na família da pessoa portadora do status de filho e de falsidade ideológica do assento de nascimento. por meio da ação de investigação de paternidade. a ação é privativa dele. que zela pelos interesses do incapaz. mas não o é a de petição de herança”.609 do CC. “representa-o nos atos da vida civil e pode. 54 da Lei dos Registros Públicos. Por essa razão. ou por tutor nomeado especialmente para o ato. que é ação de estado. . salvo se julgado extinto o processo” (art. ou ainda por quem demonstre legítimo interesse.604 do CC e provando erro ou falsidade do registro. assistida por seu pai. Se a mãe do investigante é menor.616). O filho não reconhecido voluntariamente pode obter o reconhecimento judicial. Embora a ação seja imprescritível. Prova-se também a filiação pelos meios de prova elencados no art. com citação dos pais presumidos. como também por se tratar de pretensão que se insere no rol dos direitos da personalidade e na idéia de proteção integral à criança. A moderna doutrina. mas do momento em que foi reconhecida a paternidade.606). a contar não da morte do suposto pai. parágrafo único). ainda que menor. Castellani filho. poderá ser representada ou assistida por um dos seus genitores. salvo se “ele morrer menor e incapaz” (CC art. art.603 do CC que a filiação prova-se pela certidão do termo de nascimento registrada no Registro Civil. tem reconhecido legitimidade ao nascituro para a sua propositura. 1. Dispõe o art. fazendo-o com base no art. forçado ou coativo. relativa ou absolutamente incapaz. destarte. têm eles legitimação para “continuá-la. 1. não só em face do que dispõe o parágrafo único do art. a pedido do Ministério Público. de caráter declaratório e satisfativo do seu interesse pessoal. preceitua a Súmula 149 do STF: “É imprescritível a ação de investigação de paternidade. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. 1. como os irmãos da pessoa registrada como filho. art. 1. Cometti Fernando F. Esta prescreve em dez anos (CC. Somente a ação negatória é privativa do marido ou da mulher. A legitimidade ativa para o ajuizamento da ação de investigação de paternidade é do filho. será representado pela mãe ou tutor. 1. Não há empecilho para que o filho adotivo intente ação de investigação de paternidade em face do pai biológico. secundada pela jurisprudência. pois.606. como nas hipóteses de troca de criança em maternidades. Se o filho morrer antes de iniciá-la. A mãe natural. exerce o poder familiar de filho menor não reconhecido pelo pai e. de natureza declaratória e imprescritível. 1. por isso. por interesse moral ou até mesmo de natureza sucessória. Se menor.

se não concorrer com estes à herança. o cônjuge do falecido não participará da ação. art. Havendo descendentes ou ascendentes.829. quando o oficial do Registro Civil encaminhar ao juiz os dados sobre o suposto pai. para que dele venham a constar os dados atualizados sobre sua ascendência. ainda que o registro de nascimento tenha sido lavrado anteriormente à sua promulgação. salvo como representante do filho menor. são. ficando os pais submetidos ao dever de sustentá-lo. 1. mas poderá ordenar que o filho se crie e eduque fora da companhia dos pais ou daqueles que lhe contestou essa qualidade”.696) e à sucessão (art. ser apresentada pela mulher do investigado. Efeitos do reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento O reconhecimento produz efeitos de natureza patrimonial e de cunho moral. assim. O art. a ação deverá ser dirigida contra seus herdeiros. O reconhecimento é incondicional:não se pode subordiná-lo a condição. retroativos ou retrooperantes (ex tunc). O dispositivo permite. 1. Entre o pai e o filho reconhecido há direitos recíprocos aos alimentos (CC. 1. pelos filhos havidos no casamento ou filhos reconhecidos anteriormente.8. O principal deles é estabelecer a relação jurídica de parentesco entre pai e filho. na defesa dos interesses do investigando. I e II). mas retroagindo “até o dia do nascimento do filho. todavia. de tê-lo sob sua guarda e de educá-lo (CC. Com o reconhecimento. art. não da data do ato. sempre que for herdeira. art.829.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A lei n. assim. não passando de um acervo de bens. III). parágrafo 4o. que. 27 do ECA menciona expressamente “os herdeiros” do suposto pai. 3. ou a termo (CC. gerando as suas conseqüências. I e II). Não é correto mover a ação contra o espólio do finado pai. em nome do melhor interesse da criança. o filho ingressa na família do genitor e passa a usar o sobrenome deste.829. 1. 1. Trata-se de legitimação extraordinária deferida aos membros do parquet. 1. pois. art. na qualidade de parte. O espólio não tem personalidade jurídica. 1. 2o. portanto. 1.566. Embora se produzam a partir do momento de sua realização. O registro de nascimento deve ser. É vedado ao pai subordinar a eficácia do reconhecimento à determinada data ou a determinado período. Deverá a viúva ser citada como parte. mas a ação pode ser contestada por qualquer pessoa “que justo interesse tenha” (CC. afastando-se. Se o demandado já for falecido. a temporariedade do ato. mas pode atingir terceiros. A legitimidade passiva recai no suposto pai ou na suposta mãe. A defesa. pode. Se menor. se isto condisser com seus interesses”. uma vez que a declaração do estado de filho repercute não apenas na relação entre as partes. seja por inexistirem descendentes e ascendentes (CC. dependendo de quem está sendo investigado.616 do CC que “a sentença que julgar procedente a ação de investigação produzirá os mesmos efeitos do reconhecimento. Se não houver herdeiros sucessíveis conhecidos. se sujeita ao poder familiar.). a ação deverá ser movida contra eventuais herdeiros incertos e desconhecidos citados por editais. alterado. porém. bem como outros parentes sucessíveis. havendo elementos suficientes.613).560/92 permite que a referida ação seja ajuizada pelo Ministério Público.102 - . fornecidos pela mãe ao registrar o filho (art. art. IV). ou mesmo de sua concepção. Dispõe o art. . seja por concorrer com eles à herança (art.615). como aquele que se considera o verdadeiro genitor. ela possa permanecer na companhia de quem a acolheu e criou.

como se fossem marido e mulher. porque naquele há sempre impedimento.103 - .Coordenadores: Marcelo T. um amplo (lato sensu) e um restrito (stricto sensu). união livre). o convívio. de homem e mulher. desde a posse do estado de casados. tudo se incluiria na noção maior de concubinato. empregado pelo constituinte de 1988 refere-se à união livre. união entre homem e mulher não inquinada de impedimento. 226. entre homem e mulher desimpedidos. parágrafo 3º refere-se à possibilidade de conversão em casamento. Castellani CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL O termo “união estável” admite dois sentidos. ou seja. até a união adulterina. enquanto nesta a convivência pode ser convertida em casamento. é a convivência more uxorio. No sentido restrito. No sentido amplo. com notoriedade de longos anos. Só se converte em casamento. . O concubinato não se confunde com a união estável (ou. Cometti Fernando F. tanto é que o texto constitucional – art. O termo união estável.

.

germanos como unilaterais (art. numerus clausus. etc. vestuário. alimentação. sempre em decorrência da variação financeira das partes interessadas (art. uns em falta de outros. porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos. 1696 do CC que o direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos. isto é. portanto. inderrogáveis por convenção entre as partes. a) Princípio da reciprocidade – Dispõe o art. c) Princípio da complementaridade – Se o parente convocado não estiver habilitado a cumprir a obrigação totalmente (art. b) Princípio da preferência – Na falta de ascendente cabe a obrigação aos descendentes e. as regras que disciplinam a matéria são de ordem pública. sempre que o binômio se alterar produzirá efeitos imediatos sobre a pensão provocando exoneração. O direito de escolha. Desse modo. extingue-se a obrigação alimentar decorrente do parentesco. não se pode renunciar ao direito de exigir alimentos (art. ela é mutável podendo ser modificada a qualquer tempo. Castellani CAPÍTULO V – ALIMENTOS Alimentos. pois o parágrafo único do artigo confere ao juiz. recaindo a obrigação nos mais próximos em grau. Cometti Fernando F. o dispositivo legal prescreve uma obrigação alternativa. saúde. respondendo cada herdeiro proporcionalmente à parte que lhe couber na herança. que não pode ser reduzida à noção de mero sustento (alimentação) mas envolve. redução ou majoração. Assim. e) Princípio da transmissibilidade – Os alimentos poderão ser cobrados do espólio. se as circunstâncias o exigirem. mas sempre no limite das forças do monte. na linguagem jurídica. 1701 do CC confere ao devedor de alimentos a faculdade de optar entre o cumprimento da pensão em espécie. Importante notar. habitação. O art. porém. não se pode estabelecer condição contrária ao disposto na lei. podemos afirmar que alimentos são os auxílios prestados a uma pessoa para prover as necessidades da vida. 1699 do CC). em faltando alguma das categorias citadas. a reciprocidade da obrigação alimentar ocorre tanto entre ascendentes como entre descendentes. também. educação. não se pode ajustar que seu montante jamais será alterado. Se o quantum da pensão alimentícia subordina-se a um critério de proporcionalidade entre as necessidades do alimentado e os recursos do alimentante. de modo que. 1707 do CC). O CC limita a obrigação na linha colateral ao segundo grau (irmãos).Coordenadores: Marcelo T. o poder de fixar a forma do cumprimento da prestação. Logo.105 - . 1697). ou em dinheiro. ou de cada herdeiro. aos irmãos. mediante o pagamento da prestação pecuniária. vestuário. tem uma conotação amplíssima. 1707). de grau imediato para concorrer no cumprimento da dívida alimentar. Princípios da obrigação alimentar Como se trata de um munus público. 1. profissionalização. entende-se que a revisão é da essência da obrigação alimentar. lazer. que o elenco previsto pela lei é taxativo. logo tios ou sobrinhos (parentes em 3º grau) escapam da previsão legal. f) Princípio da alternatividade – Os alimentos podem ser pagos em espécie (moradia.) ou em dinheiro. isto é. mas não material. 1698 do CC) poderá chamar outros parentes. . Isto é. não é absoluto. g) Princípio da irrenunciabilidade – Não podem as partes pactuarem de modo diverso. e extensivo a todos os ascendentes. d) Princípio da mutabilidade (ou da variabilidade da prestação) – A decisão judicial sobre alimentos faz coisa julgada formal. O texto legal é claro e não deve gerar maiores questionamentos: o credor pode não exercer. faltando estes. quer por contrato ou convenção (art.

948.106 - . 1694). Atualização da dívida alimentar No art. É o que decorre do disposto no art. na qual o marido (ou a mulher) convenciona a pensão a ser paga ao outro cônjuge. sem risco de perda de parâmetro oficial quando da desvalorização da moeda nacional. Também pode derivar de disposição testamentária (art. são suficientes a justificar a cessação do pagamento da dívida alimentar. II. d) Ato Ilícito – Quando o causador do dano fica obrigado a reparar o prejuízo mediante pagamento de uma indenização. . 1708 do CC (casamento. Da mesma forma. Cessa o dever de prestar alimento em caráter definitivo por que o credor se encontra vinculado a outra pessoa. Exoneração da obrigação alimentar As três hipóteses arroladas no caput do art. 3. aos filhos compete sustentar os pais.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 2. Fontes da obrigação alimentar A dívida de alimentos pode provir de várias fontes: a) Vontade das partes – Embora hipótese rara ela pode se materializar nos casos de separação consensual. por decorrência jurídica. c) Casamento e União Estável – Por força do princípio constitucional que inseriu as uniões estáveis como espécie do gênero maior entidades familiares. a pensão alimentar decorre da responsabilidade civil. união estável ou o concubinato) na medida em que acarretam o vínculo do credor da pensão. O parágrafo único do referido art. introduz a hipótese de ingratidão do alimentário como causa extintiva da obrigação do devedor. b) Parentesco – A lei impõe aos pais o encargo de prover a mantença da família e. os companheiros também podem pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver (art. 1710 do CC a atualização monetária é feita por fórmula mais ampla (índice oficial regularmente estabelecido) que subsiste por tempo indeterminado. 1920). à outra pessoa. a eles compete sustentar e educar os filhos. 4. na velhice e quando necessitam de auxílio.

incapacidade. no caso de morte. Três são os tipos de tutela reconhecidos pela ordem civil brasileira: a) Tutela testamentária .737 a lei arrola mais uma hipótese de escusa. o art. e que os outros lhe sucederão pela ordem de nomeação. no art. devendo-se considerar. o munus é direcionado a pessoa estranha ao grupo familiar (art. não estão obrigados a aceitar a tutela. porque somente ocorrerá quando inexistir tutor testamentário ou legítimo. São posto sob tutela Os menores cujos pais falecem Os menores cujos pais foram destituídos ou suspensos do poder parental São postos sob curatela Os Deficientes mentais Os excepcionais Os pródigos Os nascituros 1. Aí reside o divisor de águas entre os dois institutos. o maior interesse do menor. se mais de um tutor foi nomeado em disposição testamentária. Dispõe.107 - . em conjunto. Se existir apenas um dos genitores a este competirá a nomeação do tutor.Na falta de nomeação a lei estabelece a ordem de preferência dos eventuais tutores (art. 1730). 1738). ambos os institutos objetivam proteger pessoas incapazes. Cometti Fernando F. 1732). a administração de seus bens e sua representação para os atos e negócios da vida civil. que necessitam da presença de outrem que aja em nome delas. 1736 é taxativo. No art. A tutela dativa tem caráter subsidiário. aos maiores incapazes. Da escusa dos tutores Tratando-se de um encargo público a tutela. Todavia. O rol do art. quanto a curatela representam um munus (encargo) público. Tanto a tutela. de fato e de direito. 2. 1739 – o nomeado exercerá a tutela. em princípio. por conseguinte. O Código Civil manteve a distinção do direito antigo: a tutela dirige-se aos menores e a curatela.O art. . sempre. ainda. daqueles que não forem parentes do menor e que. de caráter personalíssimo e. 1733. Se o juiz admitir a escusa – art. sob pena de entender-se renunciado o direito de alegá-la (art. não pode ser recusada. 1731) ordem que não é inflexível. 1729 restringe aos pais.Na falta ou na impossibilidade dos consangüíneos. escusa ou qualquer outro impedimento. própria da tutela dativa. entende-se que a tutela foi atribuída ao primeiro. a nomeação do tutor. Ambos devem estar no exercício do poder parental (art. 1. b) Tutela legítima . 1736 estão arrolados os casos específicos em que se justifica a escusa. somente aqueles casos são excludentes da tutela. c) Tutela dativa . Castellani CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA A tutela e a curatela têm um ponto em comum. até a decisão do recurso interposto. isto é. A escusa deve ser apresentada no lapso temporal de 10 (dez) dias subseqüentes à designação.Coordenadores: Marcelo T. que. em princípio irrenunciável. Da tutela A tutela possui três finalidades específicas: os cuidados com a pessoa do menor.

ausência. que a tutela e a curatela são institutos muito próximos e com fins idênticos. O CC (art. Ao final da cada ano de administração. 1767. 1756) e prestarão contas de 2 (dois) em 2 (dois) anos quando. o tutor fica obrigado a prestar contas (art. . Sob o prisma do tutor. dos dezesseis aos 18 anos de idade. quando necessário. ao expirar o termo. com a maioridade ou emancipação do menor. a quitação do menor só produzirá efeito depois de aprovadas as contas pelo juiz (art. Do exercício da tutela O art. 1735 do Código Civil).108 - . pelos cônjuges ou outro parente e pelo Ministério Público – art. ao sobrevir escusa legítima ou ao ser removido (art. prevaricador (é o que descumpre o dever a que está obrigado. no art. 1765). 1774. 1766 a possibilidade de destituição do tutor quando negligente (isto é. manda aplicar-se à curatela as disposições concernentes à tutela. por exemplo). etc. descaso ou falta de zelo no exercício de suas funções). por improbidade ou má-fé) ou incurso em incapacidade (todas as vezes em que o tutor se encontrar em qualquer das hipóteses do art. mediante justificativa em juízo. Da curatela Quem exerce a curatela cuida dos interesses das pessoas arroladas no art. o tutor se compromete a exercer gratuitamente o cargo.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. 1768.743) previu a ocorrência de tutor subrogado sempre que o vulto e a complexidade do patrimônio e exigir e. a responsabilidade do tutor. 1758) subsistindo inteira. 1755) ainda que o contrário tenham dispostos os pais do tutelado. Incumbe ao tutor. sob inspeção do Poder Judiciário. por qualquer motivo. 1752 prevê a remuneração do tutor proporcionalmente à importância dos bens administrados. 1764). Visualiza o art. 1742. 1. ou ao cair o menor sob o poder familiar (caso de adoção. Da cessação da tutela A tutela cessa. em que era obrigado a servir (dois anos. o Código admite a figura do protutor (pessoa encarregada de fiscalizar o tutor) no art. b) Providenciar a correção do menor. Finda a tutela. 1759). os tutores submeterão ao juiz o balanço respectivo (art. tanto isso é verdade que o legislador. 5. c) Adimplir os demais deveres que normalmente competem aos pais. A interdição dessas pessoas pode ser promovida pelos pais ou tutores. Da prestação de contas do tutor Como administrador da pessoa do menor e de seu eventual patrimônio. 6. conforme prevê o art. porém. Da mesma forma. defendê-lo e prestar-lhe alimentos. Em qualquer hipótese de impossibilidade do tutor prestar contas (morte. Se.) as contas serão prestadas por seus herdeiros ou representantes (art. deixarem o exercício da tutela ou toda vez que o juiz achar conveniente (art. Quanto ao patrimônio do menor compete ao tutor administrar os bens do tutelado em proveito do mesmo. até então. 4. sob o prisma do tutelado. 1757). Importante notar. não poderá reclamar qualquer remuneração. O tutor também deve representar o menor até os dezesseis anos assisti-lo. quanto à pessoa do menor: a) Dirigir-lhe a educação.

Castellani 7. se estiver a mulher grávida.Coordenadores: Marcelo T. mas ainda não nascido. Duas são as condições necessárias para materializar a curatela de seus bens: falecimento do pai ou perda do poder parental e. 1779) é o ser humano já concebido. a substituição e a supressão do parto. . Curatela dos nascituros Nascituro (art. Cometti Fernando F. A finalidade dessa curadoria é zelar pelos interesses do nascituro e impedir. mas não tendo o poder parental. em favor do feto e de terceiros.109 - .

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parágrafo único. o foro de seu último domicílio no Brasil (art. será competente o lugar onde ocorreu o óbito. do CPC) 4. I. 1.784 do CC). 1. da manifestação de vontade do testador que. 1788 do CC). O direito brasileiro consagrou o sistema da limitada liberdade de testar. Ocorre sempre que o autor da herança morre sem deixar disposição de última vontade. Castellani CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES 1. e c) Falecimento no estrangeiro – Será competente para processar o inventário e a partilha. com as ações intentadas pelo de cujus. Espécies de sucessão Existem duas formas de sucessão no direito brasileiro (art.845) diz o art. b) Pluralidade de domicílios – Se o de cujus possuía bens em diversos lugares. Deriva do testamento.846 do CC. também chamado de de cujus) em decorrência de sua morte para uma outra (chamado genericamente de sucessor). e c) o herdeiro pode prosseguir. isto é.111 - . A nomeação obedece às preferências ditadas pela lei (art. além da legítima. diz-se sucessão ad intestato (art. 1. Imediatamente a posse e a propriedade de seus bens transmitem-se aos seus herdeiros legítimos e testamentários. Com a morte do de cujus abre-se a sucessão. 96. Lugar da abertura da sucessão A sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido (art. sem solução de continuidade. 2º) . prestando compromisso formal no processo e assumindo total responsabilidade pela guarda e conservação dos bens. 1. havendo herdeiros necessários (art. 1. Trata-se da aplicação do princípio de saisine. Aspectos gerais A sucessão em sentido restrito designa a transmissão de bens de uma pessoa (autor da herança. 96. 3. 1. do CPC). b) A testamentária – Resultante da vontade do testador. É o que deflui do disposto nos arts.797 do CC): 1º) o cônjuge ou companheiro.789 c/c 1. abre espaço à vontade soberana do testador. quanto à cota disponível. b) o herdeiro pode socorrer-se dos interditos possessórios na proteção de sua posse. Representação legal na sucessão O inventariante é o representante legal do espólio.785).789 que o testador só pode dispor da metade da herança. 1. caput. Com efeito. Porém a lei prevê outras situações: a) Ausência de domicílio certo – Será competente o foro da situação do imóvel (art.786 do CC): a) A legítima – Resultante de lei. representa o espólio judicial e extrajudicialmente. Nomeado pelo juiz. sendo aí o foro competente para que se promovam o inventário e a partilha dos bens. ativa e passivamente. sem qualquer necessidade de manifestação dos mesmos (art. Deste princípio resultam as seguintes conseqüências: a) a capacidade para suceder é a do tempo da abertura da sucessão (art.Coordenadores: Marcelo T.787 do CC). Cometti Fernando F. 1. 2.

O estado de indivisão. 1805). 6. Trata-se de uma preferência legal e real. a responsabilidade da herança pelas dívidas do defunto limita-se às suas forças. 30 dias da data da abertura da sucessão. minucioso e exato. esta é pessoal e intransmissível. ele não responde pelos encargos superiores às forças da herança. Instauração do inventário O CC (art. 1. mas silenciou sobre o respectivo término. depositado o preço no prazo de 180 dias.799. ou seja. A aceitação tácita é a que resulta de atos compatíveis com o caráter dos herdeiros. O direito de preferência dos co-herdeiros tem de ser exercido. Capacidade para suceder São capazes de herdar as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros) no momento da abertura da sucessão. I) e as pessoas jurídicas (de direito público e privado). ou fração ideal. ou seja. 1. Característica da herança A herança é uma universalidade de direito. decorrente da abertura da sucessão. desaparece via inventário que. que só se materializará (ou concretizará) no momento da partilha. Até a partilha todos os herdeiros encontram-se frente ao espólio como condôminos. Já a aceitação presumida é a prevista . Ele também deverá respeitar o direito de preferência dos demais co-herdeiros. abstrata. embora o prazo de encerramento esteja previsto no CPC que é de 6 meses. 5. Mas a lei ainda previu a possibilidade de sucessão aos não concebidos (prole eventual – art. após a transmissão. O art. do cedente para o cessionário. Ele garante a igualdade de quinhões. contudo estas hipóteses são restritas à sucessão testamentária. Aceitação da herança A aceitação da herança pode ser expressa.112 - . jamais bem singular do acervo. Cessão de direitos hereditários O CC admitiu a cessão dos direitos hereditários mediante escritura pública e da anuência dos demais co-herdeiros. (Ex. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial. 4º) a pessoa de confiança do juiz (inventariante judicial). Essa possibilidade existe desde a abertura da sucessão.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI o herdeiro (na posse e administração do espólio). o fato do herdeiro outorgar procuração ao advogado para acompanhar o inventário). o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios na eventualidade de substituição ou direito de acrescer. 8. 9. 3º) o testamenteiro. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo de cujus aos herdeiros. 7. Em outras palavras. Não se trata de uma hipótese freqüente. Através da cessão transfere-se. 1. o direito sobre a herança indivisa.792 ainda precisa que o herdeiro nunca responde ultra vires hereditatis. ou sobre o seu quinhão. Assim.796) estabeleceu o prazo de instauração do inventário. A expressa é a manifestada por escrito (art. possuidores e proprietários de uma cota ideal. Não se transfere a qualidade de herdeiro. tácita ou presumida. O co-herdeiro só cede parte indivisa.

chamado à sucessão. 11. b) A cota do renunciante acresce à dos outros herdeiros (art. b) Tenha sido pura e simples (sem termo ou condição). Transcorrido todo o prazo prescritivo. tratando-se de ato jurídico unilateral. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. ou que. O ente público somente adquire a propriedade dos bens hereditários após a declaração de vacância. O período que medeia entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do de cujus chama-se jacência. . No direito pátrio jamais ocorre a aquisição imediata da herança pelo Estado. Cometti Fernando F.820). quanto na sucessão testamentária. da mesma forma que a renúncia. retroagindo ao momento da abertura da sucessão o renunciante é considerado como se jamais tivesse existido. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. Castellani no art. devolvendo-se esta ao Estado. 1810). sem a habilitação de qualquer herdeiro.Coordenadores: Marcelo T. d) Os descendentes do de cujus não podem representar o renunciante na sucessão do ascendente.113 - . Se em 30 (trinta) dias não se pronunciar o herdeiro. sendo conhecidos renunciaram à herança. Qualquer interessado (credor. eventual herdeiro) pode requerer a notificação do herdeiro silente. Renúncia da herança É o ato pelo qual um herdeiro. admissível um ano após a conclusão do inventário (art. Para que se caracterize é fundamental a ocorrência de três condições: a) Tenha sido gratuita. e e) Se o renunciante for o único de sua classe ou se todos os outros da mesma classe renunciarem os filhos poderão herdar por direito próprio e por cabeça A renúncia é irretratável. e c) Tenha sido feita em favor de todos os co-herdeiros. 1. Os bens do de cujus. não admite revogação pois. mediante devida habilitação. O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. aperfeiçoa-se desde o momento da declaração soberana de vontade. 1807 do CC. Importante observar que a aceitação não admite parcialidade. Herança jacente Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. condição ou termo. 10. Localizados no Distrito Federal sãolhe devolvidos e se encontrarem-se nos territórios revertem em favor da União. sem herdeiros passam a pertencer ao Município no qual se encontram. Os efeitos da renúncia são: a) A renúncia afasta o renunciante da sucessão. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. declara que não a aceita. devolve-se a herança aos herdeiros da classe subseqüente. A jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. presumirse-á aceitação da herança. c) Se o renunciante é o único herdeiro da classe. Evitando-se que o patrimônio caia no vazio a lei indica o Estado para recolher a herança vaga.

os ascendentes. com ofensa ao seu direito de herdeiro. quando herdam em nome próprio. a lei deixa de reconhecer vocação hereditária ao cônjuge.846). São eles: os descendentes.824 do CC. recebem uma cota igual da herança. em igualdade com os descendentes ou ascendentes do falecido. sem os contemplar. A petição de herança tem um duplo objetivo: a) O reconhecimento judicial da qualidade de herdeiro. não estivesse separado judicialmente de de cujus. em sua totalidade.829) como sucessores. qualquer herdeiro pode intentar a ação. Herdeiros legítimos São as pessoas indicadas na lei (art. Nesta categoria incluem-se os colaterais até o quarto grau. Da petição de herança Trata-se do meio judicial de que se serve o herdeiro excluído para garantir sua qualidade sucessória e natural acesso aos bens herediários. Os herdeiros legítimos facultativos são os herdeiros que podem vir a herdar. legítima ou testamentariamente. Sucessão dos descendentes A sucessão dos descendentes ocorre por cabeça (quando os herdeiros se encontram no mesmo grau de parentesco do de cujus) ou por estirpe (quando herdeiros de graus diferentes). A existência de herdeiros legítimos necessários impede a disposição testamentária dos bens constitutivos da legítima (art. atribuindo a herança.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 12. Conforme dispõe o art. o cônjuge sobrevivente concorre à divisão da legítima. e . b) A restituição dos bens que compõem o seu acervo hereditário. neste caso. conforme prevê o inciso I do art. 16. a quem se transmite a totalidade ou cota parte da herança. na data do óbito. 1. 1. os herdeiros mais próximos excluem os mais remotos (salvo hipótese de representação) e os herdeiros de grau igual. na sucessão legal. “salvo prova. e o cônjuge sobrevivente (concorrendo com as duas categorias. 1. Assim. quando faltarem herdeiros necessários. 1829) e o companheiro. Ordem de vocação hereditária O critério da vocação é a proximidade do vínculo familiar. nem deste separado de fato há mais de dois anos. 1.830 o chamamento do cônjuge está condicionado a que. pode pedir a herança se outrem a possui. de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente”. 13. Assim: a) Herdeiros de grau igual: herdam por cabeça b) Herdeiros de grau diferente: herdam por estirpe 14. Em três hipóteses. quem quer que herde. Sucessão do cônjuge De acordo com o art. Para excluí-los da sucessão basta que o testador disponha dos bens.114 - . 15. Agora. aos descendentes: a) Se o regime de bens do casal era o da comunhão universal. b) Se o regime de bens era o da separação obrigatória. todavia.

mas ainda vivos seu avô paterno C e seus avós maternos E e F. Castellani c) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. Não havendo descendentes do falecido. apenas sobre o patrimônio comum). do ECA).831). como se dividirá a herança? C receberá metade da herança cabendo a outra metade a E e F conjuntamente (art. a saber: a) Adoção plena . aquele livremente adotado pelos cônjuges mediante pacto antenupcial válido. ao mesmo tempo. c) Se o regime de bens era o da participação final nos aqüestos. mas não se admite a representação. em concorrência com os outros . também. Neste montante incluem-se os bens particulares. Também aqui haverá herança e meação. ainda.C. o direito real de habitação sobre o imóvel residencial familiar para o cônjuge sobrevivente (art. isto é. Sucessão dos ascendentes Não havendo descendentes.Coordenadores: Marcelo T. essa última situação se equipara à primeira (de comunhão universal) e. 1. herdeiro e meeiro. 18. obviamente. o convivente concorrerá à herança com os outros parentes porventura existentes. 17. tendo direito a no mínimo 1/3 (um terço) da herança.). sem que o falecido tenha deixado bens particulares. 19. A nova lei previu. 1. o princípio da proximidade é a regra. E no caso dos pais do de cujus estarem mortos. Se concorrer com descendentes só do falecido receberá metade do que cada descendente receber. incidindo a meação. será irrelevante o regime de bens. ao último caberá participar da sucessão em três hipóteses: a) Se o regime de bens do casal era o da separação convencional. A sucessão do filho adotivo por seus ascendentes cria duas situações distintas. com maior extensão. Do direito de representação Trata-se de ficção porque. do C. são chamados os seus descendentes. ficando excluído os bens particulares deixados pelo de cujus. Aqui. 1790 do CC. b) Se o regime de bens era o da comunhão parcial.836. Sua participação está limitada aos bens adquiridos onerosamente na constância da convivência. e o de cujus tinha bens particulares (caso em que o cônjuge será. a sucessão devolve-se aos ascendentes. portanto. O convivente somente irá receber a totalidade da herança caso o falecido não tenha deixado nenhum parente suscetível de receber a herança. Diante de tais exceções à regra da concorrência entre descendentes e cônjuge. deve merecer igual tratamento. parágrafo 2o. parágrafo 2o. b) Adoção Simples – A herança beneficiará os ascendentes naturais. Sucessão na união estável A sucessão do convivente está prevista no art. A ausência de patrimônio particular do de cujus importa serem comuns todos os seus bens: por uma circunstância fática. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. Concorrendo com descendentes comuns receberá quota igual a que for paga ao descendente. Quando o cônjuge concorrer com ascendentes. 41. Cometti Fernando F.A herança do filho adotivo devolve-se aos seus pais adotivos (art.115 - .

parágrafo único do CC). 1.867) devem usar este tipo de testamento. parágrafo único). 1. São eles: a) O testamento público: É o ditado pelo testador e lavrado pelo tabelião em livro de notas. b) O testamento cerrado: É escrito e assinado pelo próprio testador ou por alguém ao seu rogo. sendo o seu efeito retroativo à data da abertura da sucessão.860. Decorre de imposição legal.875 do CC).859). 1. Como a indignidade é de natureza estritamente privativa. há. 21.116 - . Finalmente dispõe o art. c) O testamento particular: É escrito e assinado pelo testador e lido na presença de três testemunhas que o subscrevem (art. logo.853). A indignidade é declarada por sentença em ação ordinária (art. A sentença que declara a indignidade não é título constitutivo.852) só ocorre na linha reta descendente. o surdo (art. Na linha descendente. 1. 1. pois. 1. A substituição é própria da sucessão testamentária . 1.867 do CC).815 do CC). A determinação da capacidade é a da feitura do testamento. 1.876 ao art. 20. Podem testar os maiores de 16 anos (1.815.816 do CC). É de 05 anos o prazo para impugnar a validade do testamento (art. A pretensão por indignidade pode ser proposta pelo legítimo interessado dentro do prazo de 4 (quatro) anos. a partir da abertura da sucessão (art. 1. indefinição dos representantes que só se conhecerão no momento da abertura da sucessão. 1. Em se tratando de colaterais (linha transversal) só ocorre direito de representação em favor dos filhos de irmãos do falecido. Embora a representação (também chamada substituição legal) tenha muitos pontos em comum com a substituição. substituindo-o. completando por instrumento de aprovação lavrado pelo tabelião em presença de duas testemunhas (art. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. a representação é sem limites. Da indignidade Trata-se da destituição do direito hereditário que a lei impõe ao herdeiro ou legatário que se conduziu mal em relação à pessoa do de cujus. Testamento Testamento é o ato unilateral e revogável pelo que uma pessoa dispõe. quando com irmãos deste concorrerem (art. 1. 1.880 do CC). 1. pois trata-se de um direito potestativo. A representação (art.864 ao art. O analfabeto (art. iniciada ou não a ação extinguese com o falecimento do herdeiro ameaçado (art.866 do CC) e o cego (art. de todos os seus bens ou de parte deles. 1. Os ordinários são os facultados a todas as pessoas capazes.868 ao art. Os testamentos se dividem em ordinários e especiais. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas (art. A representação é própria da sucessão legítima. Na ascendente não há que se falar em representação. 1. 1. O prazo é decadencial. com ela não se confunde. . mesmo antes de aberta a sucessão já se conhece a titularidade do substituto.865 do CC). mas nunca na ascendente.856 que o renunciante à herança de uma pessoa não está impedido de representá-la na sucessão de outra. Decorre da vontade pessoal do testador. para depois de sua morte.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI descendentes mais próximos do autor da herança. mas apenas declarativo da incapacidade para suceder.

1.888 ao art.919 do CC). d) Indignidade. Codicilo Trata-se de um ato de última vontade pelo qual o disponente traça diretrizes sobre assuntos pouco importantes. 22. despesas e dádivas de pequeno valor. b) De coisa comum (art. Os legados podem perder sua eficácia. b) O testamento aeronáutico: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de aeronaves militares ou comerciais (art. 23.912 do CC). . roupas de pouco valor e de uso pessoal. b) Alienação da coisa legada.916 do CC). 1. jóias. destinada a conceder a alguém uma determinada vantagem econômica.896 do CC). 1. Trata-se da caducidade dos legados. b) O legatário (a quem o legado beneficia). Contém disposições sobre: enterro.920 do CC). ou em praça sitiada ou com as comunicações interrompidas (art. 1. e) Pré-morte do legatário. legado de móveis.922 do CC). i) De imóvel (art. 1.892 do CC). 1.117 - . 1. Cometti Fernando F. Três são as pessoas que figuram no legado: a) O testador (legante). São eles: a) O testamento marítimo: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de navios de guerra ou mercantes. Realizados com as formalidades da lei se apresenta com forma similar ao testamento público ou ao testamento cerrado (art.888 ao art. dentro ou fora do país. 1. c) O testamento militar: Feito por militares e demais pessoas a serviço das Forças Armadas. Quanto ao objeto os legados são: a) De coisa certa (art. 1. Só pode ser objeto de legado bem que pertence ao testador. c) De coisa singularizada (art. Castellani Os testamentos especiais são os facultados a certas e determinadas pessoas que se encontram em situações excepcionais. 1. Legado Trata-se da disposição testamentária a título particular.914 do CC).Coordenadores: Marcelo T. 1. d) De coisa localizada (art.921 do CC). e) De crédito (art. f) De quitação de dívida (art. 1. 1.917 do CC).918 do CC).893 ao art. 1. 1. c) O herdeiro (incumbido de cumprir o legado).892 do CC). h) De usufruto (art. g) De alimentos (art. c) Perecimento ou evicção da coisa legada. Cinco são os motivos geradores: a) Modificação da coisa legada. esmolas de pouco monta a determinadas pessoas ou aos pobres de certo lugar.

em testamento com declaração de causa. O testador só poderá perdoar o deserdado por meio da revogação testamentária. Três são as características constitutivas da substituição fideicomissária: 1ª) a dupla disposição testamentária. a deserdação é mais ampla que esta última. e será plural ou coletiva se vários forem os substitutos convocados simultaneamente.962 do CC. Além das causas enumeradas no art. Só o testamento (art. Trata-se de um instituto específico da sucessão testamentária. Além disso. 26. com a obrigação de que esse transfira para um segundo beneficiário (fideicomissário). na forma de arrolamento sumário. b) Substituição recíproca: Ocorre quando os co-herdeiros. 2ª) a obrigação de conservar e restituir os bens. consistindo este na boa partição . A substituição recíproca pode ser geral (quando todos substituem ao herdeiro ou legatário que faltar) ou particular (quando uns herdeiros ou legatários determinados substituem outros determinados. Constitui-se numa simples troca de titulares. instituindo vários herdeiros ou legatários. não poder ou não querer assumir a herança ou o legado é que surgiu o instituto da substituição. Das substituições Prevendo a hipótese do herdeiro. ou. Do inventário O inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros. Trata-se de um instituto exclusivo da sucessão testamentária.964 do CC) tem o poder de gerar a deserdação. e 3ª) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário). A figura da substituição hereditária apresenta várias modalidades: a) Substituição vulgar: Ocorre quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. pode ocorrer quando todos os herdeiros forem capazes e estiverem acordados sobre a partilha dos bens deixados pelo de cujus. deve ser atendido o princípio da igualdade na partilha.814 também autorizam a deserdação as hipóteses descritas no art. O inventário. 25. 1. se só tiver um substituto ao herdeiro ou legatário instituído. 1. Mediante fideicomisso (confiança) o testador (fideicomitente) transmite a propriedade resolúvel da coisa a um primeiro beneficiário (fiduciário). os declara substitutos uns dos outros. 1.965 do CC) cabendo ao herdeiro provala no lapso temporal de quatro anos.118 - . Da deserdação É a privação dos herdeiros necessários à legítima e à sucessão testamentária realizada pelo de cujus. 1. Neste caso. condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança. o legislador exige a prova da veracidade da causa (art. Essa modalidade admite duas formas: será singular. como meio de dar continuidade à cadeia sucessória. Todavia. porém guarda estreita ligação com a indignidade. c) Substituição fideicomissária: É a substituição quando ocorre a transmissão concomitante e sucessiva a duas pessoas. quando o testador. ou do legatário. ou co-legatários são substituídos uns pelos outros. e reciprocamente).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 24.

por não constituírem doação. porém foi ciente e conscientemente omitido na descrição dos bens pelo inventariante.010 e art. b) Existência de co-herdeiros necessários descendentes. formando-se quinhões em partes iguais. uma soma de valores correspondentes a seu direito hereditário. 1. determinando-se que outra seja feita. 2. Os bens sujeitos à colação são: a) Doações e dotes constituídos pelos ascendentes. contado nos termos do disposto no parágrafo único do art.029 do CPC. Da colação Colacionar é conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima. sob pena de ser a partilha anulada. 2. Trata-se de um ato anulável e a invalidação deve ser promovida através de ação anulatória. com prazo prescricional de 1 (um) ano. c) Ocorrência de uma liberalidade em vida. ou doado a herdeiro e não trazido à colação pelo beneficiário com a liberalidade. .018 do CC). 2. c) Outros recursos fornecidos pelo ascendente em favorecimento do descendente.Coordenadores: Marcelo T. 2.119 - . Dos sonegados Sonegado é tudo aquilo que deveria entrar na partilha. 28. Da partilha É o ato pelo qual o partidor procede à divisão de um patrimônio entre os interessados. Os gastos ordinários do ascendente para com o descendente não são colacionáveis. A partilha em vida é possível e ela não se confunde com a doação (art.004 do CC. De acordo com o disposto no art. 2. em inventário causa mortis e a ser homologado pelo juiz. Cometti Fernando F. o valor da colação é o que lhe for atribuído no ato de liberalidade e.016 do CC). 29. os bens doados serão avaliados com base no que valiam ao tempo da liberalidade. na falta desse valor.011 do CC). b) Venda de bens ou doações feitas por interposta pessoa. São pressupostos da colação: a) Ocorrência de sucessão legítima. Castellani da herança. Tem como objetivo restabelecer a igualdade entre herdeiros legitimários. dando-se em bens. Sendo incapazes ou inexistindo composição entre os herdeiros. nem liberalidade (art. a cada um dos herdeiros. 27. a partilha será sempre judicial (art. não restituído pelo mesmo ou por sucessor universal.

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