Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F.

Castellani

Sumário TÍTULO I – PARTE GERAL CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS ............................................................................ CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA ............................................................................... CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO .................................................................................. CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO .......................................................................................... CAPÍTULO V – DOS BENS ............................................................................................. TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .............................................................. CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS .................................................. CAPÍTULO III – CONTRATOS EM ESPÉCIE ................................................................ CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................ TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS CAPÍTULO I – POSSE ...................................................................................................... CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS .................................................................................. CAPÍTULO III – PROPRIEDADE .................................................................................... CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA ...................................... CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA ..................................................... TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO ......................................................................................... CAPÍTULO II – PARENTESCO ....................................................................................... CAPÍTULO III – FILIAÇÃO ............................................................................................. CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL ............................................................................... CAPÍTULO V – ALIMENTOS ......................................................................................... 87 97 99 103 105 71 73 75 79 83 31 49 53 67 3 9 15 25 27

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Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA ...................................................................... 107 CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES .............................................................. 111

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO I - PARTE GERAL

CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS

1. Conceito de personalidade jurídica A personalidade jurídica é um atributo essencial para ser sujeito de direito (art. 1º do CC). Para a teoria geral do direito civil a personalidade é uma aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações. Todavia, a noção de aptidão, ou seja, qualidade para ser sujeito de direito, conceito aplicável tanto às pessoas físicas como às pessoas jurídicas não é o único sentido técnico de personalidade. Num sentido valorativo, a personalidade traduz o “conjunto de características e atributos da pessoa humana, considerada objeto de proteção privilegiada por parte do ordenamento, bem jurídico representado pela afirmação da dignidade humana” (Gustavo Tepedino, Heloisa Helena Barbosa, Maria Celina Bodin de Morais. Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Rio de Janeiro: Revonar, 2004, p.04). Resumindo os dois sentidos técnicos que envolvem o conceito de personalidade jurídica podemos afirmar que: a) ela significa a possibilidade de alguém ser titular de relações jurídicas, como forma de expressão da dignidade da pessoa humana e, b) objeto de tutela privilegiada pela ordem jurídica constitucional. 2. Início da personalidade jurídica da pessoa natural O início da personalidade é marcado pelo nascimento com vida, conforme dicção do art. 2º do CC. Clinicamente o nascimento é aferível pelo exame de docimasia hidrostática de Galeno. Em consonância com o texto do art. 2º do CC, a doutrina majoritária defende que o Direito Civil positivo adotou a teoria natalista para o início da personalidade jurídica. Nessa linha, o nascituro, ente concebido, mas não nascido, não passa de uma potencialidade de direitos. Em sentido contrário, por influência do Direito francês, surge a teoria concepcionista pela qual o nascituro adquiriria personalidade jurídica desde a concepção, sendo, assim, considerado pessoa. Aqui o nascimento não é condição para que a personalidade exista, mas para que se consolide. 3. Proteção jurídica do nascituro Nascituro é o ente já concebido, mas ainda não nascido. Deixando de lado as discussões teóricas sobre o início da personalidade jurídica, é certo que a segunda parte do art. 2º do CC expressamente “põe à salvo os seus direitos”. Assim, pode-se afirmar que na legislação em vigor o nascituro: a) É titular de direitos personalíssimos (como o direito à vida); b) Pode receber doação, conforme dispõe o art. 542 do CC: “A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita por seu representante legal”; c) Pode ser beneficiado por legado e herança (art. 1798 do CC); d) Pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses (arts. 877 e 878 do CPC); e) O Código Penal tipifica o crime de aborto;

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e não apenas o patrimônio do -4- . Este conceito se relaciona com as condições pessoais que determinado indivíduo reúne para exercer pessoalmente seus direitos. aprovado na Jornada de Direito Civil. 4º. c) Os que por causa transitória não puderem exprimir sua vontade (art. IV) – Esta modalidade de incapacidade deve ser decretada judicialmente por requisição do cônjuge ou familiar. já que o que se protege. II) – Trata-se de uma hipótese que o indivíduo é atormentado por uma patologia que o impede de praticar atos no comércio jurídico. Esta é uma forma específica de exercício de determinados atos da vida civil. 4º do CC são considerados relativamente incapazes: a) Os maiores de 16 e menores de 18 anos (art. também chamada de capacidade de exercício. I). 3º do CC são considerados absolutamente incapazes: a) Os menores de 16 anos (art. prevista nos artigos 1. I) – Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no. 3º. Entretanto. e) Os pródigos (art. III) – São elementos para a configuração dessa forma de incapacidade o caráter temporário e a impossibilidade total de expressão da vontade. seus direitos civis. A capacidade de direito não se confunde com a capacidade de fato. Ele distingue duas modalidades de incapacidade. d) Os excepcionais sem desenvolvimento mental completo (art. a saber: a incapacidade em absoluta e a relativa. Nesta hipótese a incapacidade deve ser reconhecida por meio da ação de interdição. ou seja. Personalidade e capacidade jurídica são as duas faces de uma mesma moeda. sem a interferência de terceiros na qualidade de representantes ou assistentes. III) – A previsão da incapacidade relativa dos excepcionais tem como propósito proteger os atos praticados pelos agentes nessas situações. sem prejuízo de sua salutar inserção no meio social. 8069/90).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI f) Tem direito a alimentos. tendo em vista que não se nega ao indivíduo a qualidade para ser sujeito de direito. coma). Trata-se de um divisor quantitativo de compreensão do indivíduo. até os 12 anos de idade incompletos considera-se a pessoa criança. é exatamente o patrimônio da família. também conhecida como capacidade de gozo ou capacidade de aquisição. b) Os ébrios habituais e os viciados em tóxico (art.177 ao artigo 1186 do CPC. b) Aqueles que sofrem de doença ou deficiência mental (art. imagem e sepultura”. c) Os deficientes mentais que tenham o discernimento reduzido (art. tais como o nome. Capacidade de direito e capacidade de fato Por capacidade de direito. os adolescentes até os 16 também são reputados absolutamente incapazes. os quais deverão ser verificados cumulativamente. tendo em vista o comprometimento do seu quadro cognitivo. em 2002. ao contrário da capacidade de direito possui estágios definidos no próprio Código Civil. 3º. De acordo com o art. 4º. II). Ela nada mais é do que a habilidade para praticar de forma autônoma. 4º. 3º. ao contrário da capacidade. com a incapacidade do pródigo. 4º. pode ser entendida como a medida da intensidade da personalidade. 4. promovida pelo CEJ (Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal). 4º. É bom lembrar que o enunciado 01. II). Da capacidade de fato distingue-se a legitimidade (ou legitimação). Todo ente com personalidade jurídica possui também capacidade de direito. a qual se refere à aptidão para a prática em geral. afirmou que “a proteção que o Código Defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos de personalidade. A capacidade de fato. De acordo com o art. (ex.

Três são as formas de emancipação: a) Emancipação voluntária – É aquela concedida por ato unilateral dos pais em pleno exercício do poder parental.Estabelecimento civil ou comercial. se não constar dos autos haver sido efetuado este em oito dias. 5. Castellani pródigo. Todavia é possível cogitar de uma presunção de morte. ressalvada a hipótese de a senectude gerar um estado patológico. primeira parte). 6. o juiz deverá comunicar a emancipação ao oficial de registro civil. em função deles. necessariamente.O Casamento. dar quitação. emprestar. o menor tenha economia própria. Trata-se de ato irrevogável. cuja prova se faz através da certidão extraída do assento de óbito. de acordo com o nível social em que está inserida. II).001/73 (Estatuto do Índio). A primeira trata da probabilidade extrema de morte daquele que se encontre em perigo de vida. b) Emancipação judicial – Realiza-se mediante uma sentença judicial. 6. 77 e 78 da Lei no. nos termos dos arts. sendo o fato levado a registro. demandar ou ser demandado. A segunda hipótese trata dos desaparecidos em campanha de guerra ou feito prisioneiro. caso não seja encontrado até 02 dois anos após o término da guerra (CC art. ressalvada a possibilidade de suas testemunhas o fazerem se faltar o especialista. segunda parte). sob a forma de instrumento público. 3. O referido dispositivo trata de duas hipóteses de morte presumida. Antes da sentença o tutor será. Emancipação Trata-se de um uma hipótese de antecipação da aquisição da capacidade civil plena antes da idade legal. É bom lembrar que a senilidade não é causa de restrição da capacidade. em geral. c) Emancipação legal – Ocorre em razão de situações descritas na lei. 7º do CC. Para surtir os efeitos legais a escritura pública de emancipação deverá ser registrada no Cartório de Registro das Pessoas Naturais (CC art. 5º do CC nos traz as seguintes situações: 1.Coordenadores: Marcelo T. -5- .. (CC art.Exercício de emprego efetivo. parágrafo único). Cometti Fernando F. ouvido pelo magistrado (Código Civil art. 5º. 5º. A morte deverá ser atestada por profissional de medicina. 7º. a exemplo da arteriosclerose. 4º. na hipótese de um menor posto sob tutela. 4.Colação de grau em curso de ensino superior. ou um deles na falta do outro. parágrafo único. II). Sobre a capacidade dos índicos está será regulada pela Lei no. de ofício. Extinção da personalidade jurídica da pessoa natural A morte é o momento no qual a personalidade se extingue. tendo em vista que o código civil remete a matéria para a legislação especial (art. parágrafo único. 1782 do CC “a interdição do pródigo só o privará de. Não se admite no ordenamento pátrio a hipótese de morte civil ou qualquer outro modo de perda da personalidade sem vida. A expressão economia própria deve ser entendida no sentido de caracterização de renda suficiente por meio do estabelecimento ou do emprego para a sobrevivência da pessoa. De acordo com o art. conforme se depreende da leitura do art. hipotecar. e praticar. O art. I. sem curador. desde que. independentemente de homologação judicial. 7º. desde que o menor haja completado 16 anos (CC art. 6. I. I). transigir. os atos que não sejam de mera administração”. ou a existência de relação de emprego. Nesse caso. alienar.015/73 (Lei de Registros Públicos). 9º. 2.

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Por força do estabelecido no art. 3) descendente. 4) Qualquer pessoa à escolha do magistrado. -6- . 9º. se ele deixou representante ou procurador. enfim. 30. 30 do CC). a saber: 1) o cônjuge (também o companheiro). ou seja. Por fim. a requerimento dos interessados na administração (cônjuge. descendentes e o cônjuge. em se passando 03 anos. com a declaração de ausência. o Poder Judiciário reconhecerá tal circunstância. garantia pignoratícia ou hipotecária de restituí-los (art. ou de fato por mais de dois anos antes da declaração de ausência. companheiro. conforme a menor possibilidade de reaparecimento do ausente: a) Declaração da ausência e curadoria dos bens: Com o desaparecimento de uma pessoa. quem tem a posição de herdeiro do outro. A ausência é um processo no qual a proteção dos bens do desaparecido dá lugar à proteção dos interesses dos sucessores. O interesse no tratamento do tema justifica-se pela implicância de tal fato na ordem de vocação no plano da sucessão. preferindo os mais próximos aos mais remotos. de forma a dar publicidade ao acontecimento. sem linhas gerais. sem que dele se tenha notícias. os que tiverem sobre os bens do ausente direito pendente de sua morte. Atente-se que não caberá nomeação de curador se não houver bens para administrar. que passará a gerir os negócios do ausente até o seu eventual retorno.. 7. sem deixar notícias. 26 do CC decorrido 01 ano da arrecadação dos bens do ausente. surge uma massa de bens de bens sem que tenha alguém para administrá-la. para caracterizar a ausência a não-presença do sujeito deve somar-se com a falta de notícias. poderão os interessados requerer que se abra provisoriamente a sucessão. Cuida-se de uma presunção juris tantum. na transmissão dos direitos entre os sucessores e sucedidos. ou. parente sucessível) ou do Ministério Público. Assim. Este processo tem três estágios. em relação aos ascendentes. observa-se que a curadoria dos bens do ausente não se confunde com a curadoria da herança jacente (arts. Finalmente. o CC no art. A nomeação não é discricionária. b) Sucessão provisória: De acordo com o art. hipótese que se limita à previsão do art. 1819 e seguintes do CC). nomeando curador. mediante arrecadação de seus bens (art. IV. seguirão os princípios a respeito dos tutores e curadores (arts. Ausência das pessoas naturais Ausente é aquele que desaparece de seu domicílio. Essa cautela de exigência de garantia é excepcionada. Consideram-se interessados na abertura o cônjuge ou companheiro. porém. parágrafo 2º do CC). 8º trata da hipótese de morte simultânea. 1728 e seguintes do CC). legítimos ou testamentários. estabelecendo uma ordem legal estrita e sucessiva. podendo ser ilidida por prova que estabeleça a precedência da morte de um dos envolvidos. 2) pais do ausente (genitores). dando. segundo a qual se determina a morte simultânea daqueles que falecem na mesma ocasião. uma vez provada sua condição de herdeiro (art. Na nomeação o juiz deverá fixar os poderes e obrigações do curador. os credores de obrigações vencidas e não pagas. do CC a sentença declaratória de morte presumida deverá ser inscrita em registro público. 23 do mesmo diploma. O sucessor provisório recebe os bens que caibam no seu quinhão. 1160 do CPC). se não tiver separado judicialmente. os herdeiros presumidos. conhecida também como comoriência. Portanto. em regra. as quais. nem representante ou procurador.

como forma de sanção ao comportamento negligente daquele. Se o ausente aparecer nos dez seguintes à abertura da sucessão definitiva. o que não acontecerá com os demais sucessores. serão os bens arrecadados como vagos passando à propriedade do Município. os o preço de sua alienação. c) Sucessão definitiva: Decorridos 10 anos do trânsito em julgado da sentença que concedeu a abertura da sucessão provisória. os bens serão entregues no estado em que se acharem. Reversamente. Porém. 1845 do CC) terão direito subjetivo a todos os frutos e rendimentos dos bens que lhes couberem. Castellani A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeitos 180 após sua publicação e trânsito em julgado.Coordenadores: Marcelo T. Seja qual for o caso os direitos de terceiros são respeitados. com prestação anual de contas ao juiz competente. necessariamente. os herdeiros necessários empossados (art. que deverão. 37 e 38 do CC). o ausente perde direito ao montante acumulado em favor dos sucessores (art. ou quando o ausente completar 80 anos de idade. 33. Porém. Mas a propriedade assim adquirida considera-se resolúvel. se o ausente regressar depois de passados os 10 anos nada recebe. 33. caso existente. de acordo com o art. se a ausência foi voluntária e injustificada. Cometti Fernando F. como se o ausente tivesse falecido. não se desfazendo as aquisições realizadas. ou ao inventário e partilha dos bens. se não regressar e nenhum herdeiro tiver promovido a sucessão definitiva. capitalizar metade desses bens acessórios. ou os que se sub-rogarem neles. 28 do Código Civil. Depois desse período proceder-se-á à abertura do testamento. poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e levantamento das cauções. parágrafo único do CC). Na forma do art. ou quando houver certeza da morte do ausente (arts. se de 05 datam suas últimas notícias. -7- . do Distrito Federal ou da União.

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A melhor doutrina entende que a teoria da realidade técnica é a que melhor explica o tratamento dispensado à pessoa jurídica por nosso ordenamento. de fato. O ato deverá ser escrito. Caracteres gerais da pessoa jurídica Por diversas razões. pois a personificação dos grupos se opera por construção jurídica. Para esta teoria as pessoas jurídicas possuem tanto um corpus. mas à vista de uma situação concentra. deve emitir-se na conformidade do que prescreve o direito positivo. Castellani CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA 1. assim. ou seja. manifestada nas associações e nas sociedades pela vontade do grupo componente e nas fundações pela de seu criador. podendo se revestir -9- . b) Observância das condições legais – É a lei que determina a forma a que obedece aquela declaração de vontade. por meio da desconsideração. A análise do art. Cometti Fernando F. com vistas à realização de seus objetivos. b) Teoria orgânica ou da realidade objetiva – Seus partidários entendem que a pessoa jurídica é uma realidade viva. inclusive. para garantir a subsistência e realizar seus propósitos.Por óbvio não é possível reconhecer validade a um ente que atue em descompasso com o ordenamento jurídico que possibilitou seu surgimento. O grupo. viabilizando a sua atuação autônoma e funcional. em situações excepcionais admitidas por lei. recebe do ordenamento personalidade jurídica. 2. para ser eficaz. vontade eminentemente criadora que. o ato de atribuir personalidade não seria arbitrário. daí porque a liceidade é imprescindível à vida da pessoa jurídica. independentemente de qualquer autorização estatal. c) Liceidade de seu propósito . Teorias sobre a natureza da pessoa jurídica Diversas são as teorias que tentam explicar a caracterização das pessoas jurídicas. 45 do CC permite afirmar que a personificação da pessoa jurídica é. 3. podendo. as quais refletem a evolução deste instituto ao longo da história. c) Teoria da realidade técnica – Esta teoria situa a pessoa jurídica como produto da técnica jurídica. que não seria objetiva. que administra e mantém a entidade em contato com o mundo. Surgimento e início da personalidade da pessoa jurídica O surgimento da pessoa jurídica de direito privado se dá em dois estágios distintos. por isso mesmo. rejeitando a tese ficcional para considerar os entes coletivos como uma realidade. operar-se a suspensão legal de seus efeitos. As principais são: a) Teoria da ficção – Segundo essa concepção o direito concebe a pessoa jurídica como uma criação artificial.Coordenadores: Marcelo T. é simplesmente uma ficção. O primeiro ocorre com a exteriorização da manifestação de vontade que permite a criação e a elaboração do ato de constituição. construção da técnica jurídica. o homem tende a agrupar-se. que é a idéia dominante.È a vontade gregária que marca o surgimento das pessoas jurídicas. franqueando aos indivíduos a adoção de instrumento particular ou exigindo o instrumento público. como um animus. inclusive de natureza social e antropológica. cuja existência. para a constituição ou o nascimento da pessoa jurídica é necessária a conjunção de três requisitos: a) Vontade humana criadora . análoga à pessoa física. com exceção dos casos especiais tratados no CC. Contudo.

45 do CC. Na doutrina do direito comercial a sociedade de fato seria aquela que funciona sem que houvesse sido reduzido a termo o seu estatuto ou contrato social. b) aos nomes e qualificações dos fundadores ou instituidores e dos diretores.10 - . O registro tem natureza constitutiva. O prazo é decadencial. de affectio societatis. cuja titularidade é exercida pela figura do inventariante. O fato jurídico que faz surgir é o evento morte e a sua extinção se opera com o fato jurídico da partilha de bens entre os herdeiros. 45 do CC exige o registro do ato de constituição. É com a sentença declaratória de falência que surge a massa falida. c) Herança jacente e vacante – O CC no art. deixando acervo de bens sem. do Estado ou do Distrito Federal. aos legítimos interessados cabe o direito potestativo de anular a constituição da pessoa jurídica. d) ao esclarecimento se o ato constitutivo é passível de modificação no que concerne à administração e ao seu modo de atuar. eminentemente declaratório da condição de pessoa. 1819 prevê a hipótese de alguém vir a falecer. . já adquirida no instante do nascimento com vida. O condomínio não chega a ser uma pessoa jurídica. que requerem instrumento público ou testamento. além das chamadas sociedades de fato ou irregulares: a) Massa Falida – Se refere ao acervo patrimonial que pertencia à empresa declarada judicialmente falida. salvo nas hipóteses das fundações. nem formalização desta. se houver. d) Condomínio – Dá-se a figura do condomínio quando mais de uma pessoa possui a titularidade do domínio de um bem. Abre-se o segundo estágio em razão da adoção do sistema das disposições normativas. Ocorrendo esta. c) às normas básicas de administração. porquanto o art. b) Espólio – Este consiste no patrimônio deixado pelo de cujus e compreensivo do conjunto de direitos e obrigações. por ser atributivo de personalidade. todavia. seja ele formal ou substancial. Os bens permanecerão nesta condição até a sua entrega aos herdeiros que vierem a se habilitar ou à declaração de sua vacância. No caso de defeito no ato constitutivo. Este se refere: a) identificação da pessoa jurídica segundo a sua denominação e fins. Em segundo lugar. incluindo a representação junto às esferas judicial e extrajudicial. porque não há manifestação de vontade neste sentido. como destaca o próprio texto do parágrafo único do art. pois. É preciso pôr em sinal a existência de outras entidades despersonalizadas. local da sede. a sociedade irregular. uma vez que a ordem jurídica o instrumentaliza com os recursos jurídicos suficientes à administração de seus interesses. 46 do CC dispõe sobre os dados a serem anotados na inscrição. O art. A situação configura o instituto da herança jacente. o patrimônio deverá ser incorporado aos bens da União. mas com capacidade para se obrigar perante terceiros. seria aquela organizada por escrito. inclusive a destinação do patrimônio. mas sem a necessária inscrição dos atos constitutivos no registro peculiar. Entre esses dois momentos – morte e partilha – impõe-se administração do acervo de direitos e obrigações. diferentemente do registro civil de nascimento da pessoa natural. por sua vez. tempo de duração e fundo social. testamento ou herdeiro legítimo notoriamente conhecido.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI de forma pública ou particular. em primeiro lugar pela desnecessidade. e) à informação se os membros da pessoa jurídica respondem subsidiariamente pelas obrigações sociais. A falta do registro implica no surgimento de entidades de fato ou irregulares. f) às condições gerais na hipótese de extinção. carecendo. desprovida de personalidade.

os bens remanescentes serão devolvidos à Fazenda do Estado. 57 do CC). o patrimônio líquido. por óbvio. São elas: a) Associações: São entidades formadas pela união de indivíduos com o propósito de realizarem fins nãoeconômicos. 61.11 - . por sua própria natureza. por ato inter vivos ou mortis causa. especial. A exclusão do associado só ocorre ocorrendo justa causa. omisso este. Na falta dessas. à instituição municipal. Trata-se de um conteúdo mínimo que poderá ser. por não poder atuar por si mesma. como ocorre entre os sócios nas sociedades civis e empresárias. 2004. 3º) aprovar contas. Considerando sua estrutura organizacional. exige órgãos de representação para poder atuar na órbita social. Cometti Fernando F. o titular de quota ou fração ideal do patrimônio poderá transmitir. a sociedade ou a associação age. São Paulo: Saraiva. Em verdade. estadual ou federal. e na estrita forma do estatuto social (art. e. § 2º do CC). p. especialmente convocada. A lei considerou intransmissível a qualidade de associado (art. de fins idênticos ou semelhantes. portanto. Isto é.208). 56 do CC). A receita gerada deve ser revertida em benefício da própria associação visando à melhoria de sua atividade. porém os seus membros não pretendem partilhar lucros ou dividendos. 2º) destituir os adminitradores. sem existência biológica ou orgânica. “O seu campo de atuação jurídica encontra-se delimitado no contrato social. decidir pela aplicação da sanção. a pessoa jurídica. Por se tratar de um ente cuja personificação é decorrência da técnica legal. a associação não está impedida de gerar renda. faz-se presente. antes da destinação do remanescente a . 44 do CC prevê cinco espécies de pessoa jurídica de direito privado. no silêncio deste. eventualmente. A assembléia geral é o órgão máximo das associações. será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto. por deliberação dos associados. Castellani 4. Espécies de pessoas jurídicas de direito privado O art. 5. Por cláusula do estatuto ou. esse ente social não poderá. 54 do CC. e 4º) alterar o estatuto. sob pena de ineficácia” (Pablo Stolze Gagliano. prevê o § 1º do art. 59 do CC estabeleceu-lhe competências absolutas: 1º) eleger os administradores. é permitido aos respectivos membros. Essas pessoas praticam atos como se fosse o próprio ente social. pelo fato de não perseguir escopo lucrativo. mais técnico seria falar em presentação da pessoa jurídica.Coordenadores: Marcelo T. dada a sua estrutura. Capacidade e representação da pessoa jurídica A capacidade da pessoa jurídica é. nos estatutos ou na própria lei. os seus direitos a um terceiro (adquirente ou herdeiro). Ocorrendo a dissolução da associação. praticar atos ou celebrar negócios que extrapolem da sua finalidade social. moldada a partir da técnica jurídica. Não deve. Rodolfo Pamplona Filho. por deliberação dos associados. Note-se que. a assembléia geral. 61. Novo Curso de Direito Civil. O estatuto social das associações deverá observar para a sua validade os requisitos indicados no art. poderá apreciar a existência de motivos graves. do Distrito Federal ou da União (art. por meio das pessoas jurídicas que compõem os seus órgãos sociais e conselhos deliberativos. Todavia. Ela possui poderes deliberativos e o art. Vol I. em deliberação fundamentada e por maioria absoluta dos presentes. praticar todos os atos jurídicos admitidos para a pessoa natural. havendo autorização estatutária. ou. ampliado. Mesmo não cuidando o estatuto de elencar as condutas que entende passíveis de exclusão do associado. que passará à condição de associado.

44 do CC estabelece que os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto na Lei n. o § 1º. sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos. 4) sociedade anônima. Norma de teor semelhante existe também no CDC no art. Contudo. 5) Realização do registro civil. abuso. ou simples desvio de função. 4) Aprovação dos estatutos (É o órgão do Ministério Público que deverá aprovar os estatutos da fundação. tendo autonomia para definir sua estrutura interna. quando o próprio instituidor o faz. a saber: 1) Afetação de bens livres por meio do ato de dotação patrimonial. 2) Instituição por escritura pública ou testamento. em caso de divergência). Para a criação de uma fundação. Dependendo do tipo de atividade realizada. com recurso ao juiz competente. as contribuições que houverem prestado ao patrimônio da entidade. especificando o fim para o qual se destina. 3) Elaboração dos estatutos (Há duas formas de instituição da fundação: a direta. ou a fiduciária. objetivando a satisfação do terceiro lesado junto ao patrimônio dos próprios sócios. 9. e) sociedade em comandita por ações. 44 do CC não é um rol taxativo. Desconsideração da personalidade jurídica O art. pessoalmente. 3) sociedade limitada. O art. em caso de fraude. 2) sociedade em comandita simples. há uma série ordenada de etapas que devem ser observadas. Do art. 50 do CC prevê a desconsideração. devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidária (art. as sociedades podem ser simples ou empresárias. receber em restituição. . em valor atualizado. Outras espécies como as cooperativas e as entidades desportivas não foram previstas neste dispositivo 6. a qual pode ser entendida como um mecanismo que pretende a supressão temporária da personalidade jurídica da sociedade. que faz o seu instituidor. quando confia a terceiro a organização da entidade). b) Sociedades: São as entidades formadas pela união de pessoas que exercem atividade econômica e buscam o lucro como objetivo.12 - . que passam a ter responsabilidade pessoal pelo ilícito causado.096/95. organização. d) Partidos Políticos: São entidades com liberdade de criação. As formas societárias previstas no nosso ordenamento são: 1) sociedade em nome coletivo. 28. 17 da CF). 44 do CC garante-lhes liberdade de criação. O § 3º do art. organização e funcionamento.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI entidades congêneres. e) Organizações religiosas: São entidades que muito se assemelham às associações. estruturação interna. por testamento ou escritura pública. c) Fundações: São entidades resultantes de uma afetação patrimonial.

. que dispõem do prazo de trinta dias contado da perda da autorização. A dissolução das pessoas poderá ser: a) Convencional – A mesma liberdade que permitiu aos sócios a criação da pessoa jurídica pode levá-los à extinção desta. Castellani 7. A dissolução deverá ser averbada no registro respectivo e. e não prevendo o seu ato constitutivo o prosseguimento das atividades por intermédio dos herdeiros. o resultado será a extinção da pessoa jurídica. Para tanto devem ser observadas as normas previstas no estatuto ou contrato social.Coordenadores: Marcelo T. ou de sócio que tenha exercitado o direito de pedi-la na forma da lei. seguir-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. d) Fato natural – Ocorrendo o fato jurídico morte dos membros de uma sociedade. mas em qualquer hipótese a personalidade subsistirá até que se ultime a liquidação e se proceda a anotação devida.13 - . b) Administrativa – Ocorre quando a autorização para o funcionamento da pessoa jurídica é cancelada. é dos administradores. Cometti Fernando F. em primeiro lugar. Extinção da pessoa jurídica O fim da pessoa jurídica poderá ocorrer por causas diversas. c) Judicial – A iniciativa para a dissolução da pessoa jurídica. uma vez encerrada a liquidação.

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aqueles fatos a que o direito atribui relevância jurídica. de fatos jurídicos ou fatos jurígenos. uma vez que ainda não foi incorporada ao patrimônio jurídico da pessoa. podemos lembrar o direito à sucessão legítima. é importante distinguir os direitos futuros.Coordenadores: Marcelo T. c) A título universal ou singular – se o adquirente substitui o sucedido na totalidade (ou em quota-parte) de seus direitos ou apenas de uma ou algumas coisas determinadas. por si só. ou historicamente. constitui o ponto de confluência entre a norma e o dever ser da realidade: é o modo pelo qual o ordenamento jurídico encontra real atuação. conservativos e extintivos do fato jurídico 1) Aquisição de direitos – Ocorre quando se dá sua conjunção com seu titular. em sentido amplo (lato sensu). 2) Conservação de direitos – Atos praticados para o resguardo (defesa) de direitos. O direito eventual. conservar ou extinguir relações jurídicas. A título de complementação. surge a propriedade quando o bem se subordina a um dominus. 199). fato jurídico. em relação à expectativa de direito. de caráter muitas vezes acautelatório. Curso Avançado de Direito Civil: Vol 1. Como exemplo. que. Essas medidas. Renan. modificar. 2. Castellani CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO 1. portanto. a que correspondem novas qualificações jurídicas” (LOTUFO. Efeitos aquisitivos. em que não há falar. de um direito adquirido. A aquisição de direitos tem sido analisada das seguintes formas: a) Originária ou derivada – de acordo com a existência ou não de uma relação jurídica anterior com o direito ou bem objeto da relação. p. que geram direitos subjetivos são chamados. d) Simples ou complexa – Se o fato gerador da relação jurídica se constituir em um único ato ou numa necessária simultaneidade ou sucessividade de fatos. Por fim. embora protegido pelo ordenamento jurídico. em sentido amplo. Conceito de fato jurídico lato sensu Os acontecimentos. 2003. “Fatos jurídicos são. caso estes sejam ameaçados por quem quer que seja. no sentido de mudar as relações anteriores a eles e de configurar novas situações. [coordenação Everaldo Augusti Cambler]. do direito eventual e do direito condicional. por sua vez. o direito condicional é aquele que somente se perfaz se ocorrer determinado acontecimento futuro e incerto. ainda. podem ser sistematizadas da seguinte forma: . O ordenamento atribui a um fato uma qualificação e uma disciplina.15 - . seria todo o acontecimento natural ou humano capaz de criar. refere-se a situações em que o interesse do titular ainda não se encontra completo. modificativos. de tal sorte que ocorrendo concretamente o fato. São Paulo: RT. A expectativa de direito é mera possibilidade de sua aquisição. Assim. b) Gratuita ou onerosa – de acordo com a existência ou não de uma contraprestação para a aquisição do direito. à realização da avença. não estando amparada pela legislação em geral. Assim. sem interposição ou transferência de outra pessoa. pelo fato de não se terem realizado todos os elementos básicos exigidos pela norma jurídica. indistintamente considerados. Um exemplo é a fase de tratativas para celebração de um contrato. Cometti Fernando F. porém. só se consolida com a morte do autor da herança.

uma enchente. o atendimento a certos requisitos mínimos. para tanto que seja considerado como tal. a decadência. parágrafo 1º do CC). constitui simples manifestação de vontade. por exemplo. modificar ou extinguir uma relação jurídica” (GOMES. o decurso do tempo. o abandono. 5. costumeira. mas sim um simples comportamento humano deflagrador de efeitos previamente estabelecidos por lei. também os direitos podem extinguir-se. 112 do C. 5º. b) Atos de defesa do direito lesado – Tendo ocorrido a violação ao direito. a ação de vontade. que determina a produção de efeitos legalmente previstos. 10ª. Neste plano “não . a constituir.16 - .). sempre excepcionalmente. 3) Extinção de direitos – Como tudo na vida. no exercício do direito constitucional de ação (art. Ato jurídico em sentido estrito O ato jurídico em sentido estrito. Introdução ao estudo do direito civil. para apreender sistematicamente o tema faz-se mister analisá-lo sob os três planos em que o negócio jurídico pode ser visualizado: a) Plano de existência – Um negócio jurídico não surge do nada. por exemplo). sem conteúdo negocial. como. de acordo com a lei. ou. 4. Neste tipo de ato. c) Atos de defesa preventiva – Antes mesmo da violação (mas diante da sua ameaça evidente) é possível o ajuizamento de procedimentos próprios para uma defesa preventiva.C. os efeitos jurídicos pretendidos pelo agente (como no negócio jurídico). no ato de fixação do domicílio. b) Extraordinários – São fatos inesperados. o ajuizamento de ações cognitivas ou executivas. como é o caso do perecimento do objeto. Orlando. Rio de Janeiro: Forense. É o que ocorre. Note-se que o elemento caracterizador dessa categoria reside na circunstância de que o agente não goza de ampla liberdade de escolha na determinação dos efeitos resultantes de seu comportamento. Os fatos jurídicos em sentido estrito subdividem-se em: a) Ordinários – São fatos da natureza de ocorrência comum. como se dá no negócio jurídico (um contrato. Fato jurídico em sentido estrito São todos os acontecimentos naturais que determinam efeitos na órbita jurídica. às vezes imprevisíveis: um terremoto. como é o caso do interdito proibitório. a prática de atos de autotutela. da CF). 280.) como uma “declaração de vontade dirigida à provocação de determinados efeitos jurídicos.. d) Ocorrida a violação. não existe propriamente um declaração de vontade manifestada com o propósito de atingir. cotidiana: o nascimento. exigindo-se. refletindo-se no art. Com efeito. na definição do Código da Saxônia. XXXV.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI a) Atos de conservação – Atos praticados pelo titular do direito para evitar o perecimento. dentro do campo da autonomia privada. 1993. Negócio jurídico O negócio jurídico é entendido pela corrente voluntarista (dominante no direito brasileiro. a ordem jurídica admite. que se dirige. p. o desforço incontinenti (art. 3. turbação ou esbulho de seu direito. o caso fortuito e a força maior. a morte. por exemplo. etc. 1210.

Nesses. ao tempo que foi celebrado. quando a norma legal impõe determinado revestimento para o ato. Todo objeto deve. A lei civil dispõe sobre três tipos de elementos acidentais: 1) Condição – Elemento voluntário que subordina o nascimento ou extinção do direito subjetivo a acontecimento futuro e incerto. ser observada. o objeto ser determinado ou. em último plano. respeitar as leis naturais. p. ao negócio jurídico consigo mesmo. deverá. no art. figura outra importante categoria: a dos negócios ad probationem.C. como. celebrar consigo mesmo. nos termos do art.17 - . é anulável o negócio jurídico que o representante. A modalidade suspensiva provoca a aquisição do .Coordenadores: Marcelo T. quando o valor do contrato exceder o décuplo do maior salário mínimo vigente no país. fisicamente possível. 2000. Castellani se cogita de invalidade ou eficácia do fato jurídico. que os negócios jurídicos. do princípio da liberdade da formas. ao menos. podem ser realizados de acordo com a conveniência da forma preferida pelas partes. também. Deve. na forma deduzida no art. a alienação de um imóvel situado na lua. Sobre o tema da capacidade o C. por exemplo. Sobre o tema. Tudo. São Paulo: Saraiva. a exemplo do testamento e dos contratos constitutivos ou translativos de direitos reais imóveis acima do valor consignado em lei. apesar de a forma não preponderar sobre o fundo. 116 do C.C. apenas. como forma de manifestação de vontade do representado através do representante deve produzir plenamente seus efeitos. uma vez que não se poderia reconhecer validade a um negócio que tivesse por objeto uma prestação naturalmente irrealizável. para efeito de prova do ato jurídico. Teoria do Fato Jurídico (Plano da Existência). aqui. c) Plano de eficácia – Ainda que um negócio jurídico existente seja considerado válido. pois. vale observar a restrição legal sobre o autocontrato. trouxe à tona um capítulo inteiramente dedicado ao instituto da representação. Além do campo da licitude. Ao lado do negócio ad solemnitatem. importa. suprindo omissão da legislação civil anterior. por não ser essencial. a própria executoriedade da avença. diz-se que o negócio é ad solemnitatem.. a prova escrita é necessária. tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido substabelecidos. Marcos Bernardes de. b) objeto lícito. dando ensejo à incidência” (MELLO. conter elementos mínimos de individualização que permitam caracterizá-lo. sob pena de se prejudicar não apenas a validade. possível. com isso. ou seja. mas. 117 – Salvo se o permitir a lei ou o representado. 401 do CPC. outrossim. ainda. por força da adoção no C. para efeitos probatórios. Observa-se.C. 83. Cometti Fernando F. ou seja. Há que ser. seja perfeitamente válido. a realidade da existência.) b) Plano de validade – O C. isto não importa em produção imediata de efeitos. ainda. Por fim.” A licitude para a validade do negócio jurídico traduz a idéia de estar o objeto dentro do campo de permissibilidade normativa. como regra geral. com preceitos genéricos aplicáveis tanto à representação legal. determinável. Assim. uma vez que a forma pública é indispensável para a validade do ato. traduzindo em uma forma especial ou em uma indispensável solenidade. A representação. determinado ou determinável. portanto. quanto à voluntária. deve revestir a forma adequada.C. perfeito para o sistema que o concebeu. o que significa dizer não ser proibido pelo direito e pela moral. 104 enumera os pressupostos de validade do negócio jurídico: a) agente capaz. para que o negócio jurídico. Parágrafo único – Para esse efeito. fica circunscrito a se saber se o suporte fático suficiente se compôs. o objeto deve. Todavia. no seu interesse ou por conta de outrem. c) forma prescrita ou não defesa em lei. 117: “Art. como se vê do art. pois estes podem estar limitados por elementos acidentais de declaração.

conclui-se não ser imprescindível para o reconhecimento do abuso que o agente tenha a intenção de prejudicar terceiro. que é concedido pelo juiz no curso dos processos mediante dilação de prazo. ao passo que a ignorância é um estado de espírito negativo. que já existe. Dizem alguns. a qual informa que o termo inicial suspende o exercício. 188 do CC). já a resolutiva. 131. atribuir-se o que é seu). A conseqüência do ato ilícito é a do surgimento do dever de reparar o dano causado. O encargo pode ser uma restrição no uso da coisa. não a aquisição do direito. por seu art. e não uma prestação correspectiva sinalagmática. permite a extinção de seus efeitos na eventualidade de o fato previsto vir a acontecer. Defeitos do negócio jurídico Trata-se dos defeitos dos negócios jurídicos.C. Ato ilícito Trata-se de um ato voluntário e consciente do ser humano. também denominado inicial (dies a quo) é o dia a partir de quando os efeitos de um negócio jurídico começam a produzir. de estrutura obrigacional. na realidade. pela boa-fé ou pelos bons costumes. 1923. ou pode ser uma obrigação imposta àquele que é beneficiário. O C. Analisando o art. que ilícito é tudo aquilo que é contrário ao direito. A doutrina registra ainda o termo de graça. Ao lado e muito próximo do ato ilícito existe a figura do abuso de direito. segundo a dicção legal. vale observar que o exercício regular do direito. O segundo corresponde ao dia em que cessam os efeitos do ato negocial. O termo pode ser suspensivo ou resolutivo.C. Honeste vivere. até porque se deve entender o direito como proteção do que é lícito. O primeiro. previstas em nosso direito positivo (art. a intenção pura e de boa fé que enuncia. 2) Termo – É o marco temporal que define o começo ou o fim dos efeitos jurídicos de um negócio jurídico. É um peso atrelado a uma vantagem (uma restrição). 187 do C. bastando. 7. Ele não instaura a relação jurídica. O termo se caracteriza pela futuridade e certeza. que se classificam em vícios de consentimento –aqueles em que a vontade não é expressada de maneira absolutamente livre – e vícios sociais – em que a vontade manifestada não tem. a legítima defesa e o estado de necessidade são causas excludentes de ilicitude. simplificadamente e generalizando. que exceda manifestamente os limites impostos pela finalidade econômica ou social. Pode ser legal ou convencional. o total desconhecimento do declarante a respeito .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI direito.18 - . 3) Encargo ou modo – É a cláusula geradora de obrigação para a parte beneficiária em negócio jurídico gratuito e em favor do disponente. prevê a hipótese de legado a termo inicial ou suspensivo. que transgride um dever jurídico. o critério finalístico para a identificação do abuso de direito.. suum cuique tribuere (viver honestamente. alterum non laedere. de terceiro ou do interesse público. 6. O primeiro decorre da lei o segundo. de cláusula contratual. Finalmente. não prejudicar outrem. Adotou-se. Neste sentido é a regra do art. uma vez realizado o negócio. São vícios de consentimento: a) Erro ou ignorância – Trata-se de uma falsa percepção da realidade. portanto.

exploradas indevidamente pelo locupletante. em virtude da diminuição experimentada pelo seu patrimônio. Castellani das circunstâncias do negócio. decorrente do desenvolvimento teórico da cláusula rebus sic stantibus. empregado para induzir alguém à prática de um ato jurídico que o prejudica. praticado pelo devedor insolvente. daí a possibilidade de sua anulação. uma vez que este se mancomuna de livre vontade para atingir fins espúrios. c) Coação – Trata-se da violência apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar. A distinção tem relevo para fins que o principal enseja a anulação do negócio e o acidental só pode levar às perdas e danos. para ajustá-lo às circunstâncias supervenientes. o consilium fraudis (o conluio fraudulento) e o eventus damni (o prejuízo causado ao credor). diante da inexperiência ou necessidade. é aplicável quando a ocorrência de acontecimentos novos. visando produzir efeito do ostensivamente indicado. Suas características são: 1) a lesão só é admissível nos contratos comutativos. tornando o negócio jurídico inexistente. Pode-se classificar o dolo em principal e acidental. já a teoria da imprevisão. São eles. autorizarem a sua resolução ou revisão. ante a iminência de dano por que passa o agente. O principal é quando a causa determinante do negócio. O erro. 3) a desproporção deve ser considerável. 2) a desproporção entre as prestações deve verificar-se no momento do contrato e não posteriormente. Importante observar que a simulação deixou de ser uma causa de anulabilidade e passou a figurar entre as hipóteses de nulidade do ato jurídico. e) Estado de perigo . Cometti Fernando F. São vícios sociais: a) Simulação – È uma declaração enganosa de vontade. É um defeito que não vicia a vontade do declarante. Importante notar. imaterial ou anímico (a premente necessidade. que tem seu equilíbrio rompido pela superveniência de circunstância imprevista e imprevisível.Coordenadores: Marcelo T. A lesão é vício que surge concomitantemente com o negócio. A lesão se compõe de dois requisitos: 1) objetivo ou material (desproporção das prestações avençadas). em detrimento da lei ou da própria sociedade. com a aplicação da teoria da imprevisão. Dois elementos compõem a fraude. pressupõe negócio válido. d) Lesão – Trata-se de um vício que permite a deformação da declaração de vontade por fatores pessoais do contratante. Esta última.19 - . A expressão “meu reino por um cavalo”. refletindo sobre a economia ou na execução do contrato. só é considerado como causa de anulabilidade do negócio jurídico se for: a) essencial (substancial). São dois tipos de coação: física (vis absoluta) e moral (vis compulsiva). assim como de remissão de dívidas. ou à beira da insolvência. aproveitando ao autor do dolo ou a terceiro.Identifica-se como uma hipótese de inexigibilidade de conduta diversa. respectivamente. com o propósito de prejudicar credor preexistente. todavia. entretanto. a inexperiência ou a leviandade da parte lesada e o dolo de aproveitamento da parte beneficiada). e não simplesmente anulável. O acidental leva a distorções comportamentais que podem alterar o resultado final do negócio. Não se confunde a lesão. pode ser um exemplo para esse vício. que a doutrina entende que a vis absoluta neutraliza completamente a manifestação de vontade. a quem não resta outra alternativa senão praticar o ato. por sua vez. e b) escusável (perdoável). e 2) subjetivo. o primeiro de natureza subjetiva e o segundo objetiva. b) Dolo – Trata-se de um artifício ou expediente astucioso. b) Fraude contra credores – Consiste no ato de alienação ou oneração de bens. da obra de Shakespeare. . imprevisíveis pelas partes e a elas não-imputáveis.

particulares. 6.Somente pode ser argüida pelos terceiro interessado. Representa a estrutura da relação poder-dever. viola norma de ordem pública. ou. sinônimo de direito subjetivo. 2.O ato nulo atinge interesse público 1. e carrega em si vício considerado grave.Não admite confirmação. de natureza cogente. por 4. 8. para esse titular. 5. Nasce. . Invalidade do negócio jurídico A previsibilidade doutrinária e normativa da teoria das nulidades impede a proliferação de atos jurídicos ilegais ou portadores de vícios. 2. que permite a composição do dano verificado. A esse direito de exigir chama a doutrina de pretensão.Admite confirmação expressa ou tácita. para outros. é possível afirmar que o reconhecimento desses estados são formas de proteção e defesa do ordenamento jurídico vigente. segundo o CC. A pretensão revela-se. 4. decadenciais de quatro (regra geral) ou dois (regra supletiva) anos. decorre de infringência de norma jurídica protetora de interesses eminentemente privados. 6.Pode ser reconhecida. 3. fazer ou exigir de outrem determinado comportamento.20 - . A pretensão que nasce no momento em que o credor pode exigir a prestação.A anulabilidade somente pode ser a qualquer tempo. 3. o ato anulável (nulidade relativa). Da infração desse dever resulta. por influência do direito alemão. pela via judicial. NULIDADE ABSOLUTA NULIDADE RELATIVA 1. pronunciada pelo juiz. É verdadeira permissão jurídica. Dentro dessa perspectiva. denominada ação pauliana.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A anulação do ato praticado em fraude contra credores dá-se por meio de uma ação revocatório. é um poder concedido ao indivíduo para realizar seus interesses.A ação declaratória de nulidade é 5. um dano para o titular do direito subjetivo.Opera-se de pleno direito. enquanto aquele é estático e. assim. até legítimos interessados. ainda. pelo MP. pressupõe. não se sujeitando ao argüida. Sendo assim. a existência de um crédito. contaminado de vício menos grave. em prazos prazo prescricional ou decadencial. o poder de exigir do devedor uma ação ou omissão. em que ao poder de uma das partes corresponde ao dever da outra.O ato anulável atinge interesses superior. embora com conotação dinâmica. é correto dizer-se que o ato nulo (nulidade absoluta).Pode ser argüida pelas partes. com a qual não se confunde. legalmente tutelados. Por sua vez. Prescrição Direito subjetivo é o poder que o ordenamento jurídico reconhece a alguém de ter. É. e esta não é cumprida. mesmo. como um poder de exigir de outrem uma ação ou omissão. 9. uma situação jurídica subjetiva. nas relações jurídicas patrimoniais.Não se opera de pleno direito. ou ainda.A ação anulatória é decidida por decidida por sentença de natureza sentença de natureza desconstitutiva declaratória. a depender da natureza do interesse jurídico violado. então. para alguns. salvo norma específica em sentido contrário. portanto. causando lesão no direito subjetivo.

Importante observar que existem pretensões imprescritíveis. Assim. não se inicia novamente. 189 do C. isto é. que é perpétuo (reivindicatória). a qualidade de cidadania. Finalmente. se este deixou de alegar a prescrição de imediato. com o nascimento da pretensão. a accessio praescriptionis.21 - . entendendo que estão subordinadas a uma unidade fundamental. E com o principal prescrevem os direitos acessórios (art. o que a relaciona intimamente com o direito processual civil. O Código Civil agrupou as causas que suspendem e impedem a prescrição em uma mesma seção. no prazo previsto pela lei (art. 22 do CPC. na oportunidade da contestação. pois. A argüição não se restringe. Pode-se dizer. 191 não admite a renúncia prévia da prescrição. Diz o mencionado art. A prescrição é a perda da pretensão. a condição conjugal). em que não existe direito violado. 1. 189 e art. g) as destinadas a anular inscrição do nome empresarial feita com violação de lei ou do contrato (CC. As mesmas causas ora impedem. que são imprescritíveis. em tese. pois a renúncia à possibilidade de alegar a prescrição pode acarretar a diminuição do patrimônio do devedor. mas se estende a terceiros favorecidos por ela. ao prescribente. Cometti Fernando F.C. 196). b) que não prejudique terceiro. c) as de exercício facultativo (ou potestativo). b) as que se prendem ao estado das pessoas (estado de filiação.Coordenadores: Marcelo T. b) a inércia do titular. 167 do CC/16). Renunciar à prescrição consiste na possibilidade de o devedor de uma dívida prescrita. art. em virtude da inércia de seu titular. A pretensão e a exceção prescrevem no mesmo prazo (art. regra também aplicável à decadência por força do art. afirmando que a prescritibilidade é a regra e a imprescritibilidade a exceção. a soma do tempo corrido contra o credor ao que flui contra o seu sucessor (art. . nos termos do art. 193 que a prescrição pode ser alegada “pela parte a quem aproveita”. O art. a título de depósito. isto é. é permitida. regra que deve ser acolhida pela doutrina e jurisprudência. e) as que protegem o direito de propriedade. O prazo. 195). d) as referentes a bens públicos de qualquer natureza. penhor ou mandato. c) o decurso do prazo fixado em lei. f) as pretensões de reaver bens confiados à guarda de outrem. A única conseqüência da tardia alegação da prescrição diz respeito aos ônus de sucumbência: são indevidos honorários advocatícios em favor do réu. A sua função mais importante é a de traduzir uma legitimação material para exigir uma prestação determinada. a de pedir meação no muro vizinho. abdicar do direito de alegar esta defesa indireta de mérito (a prescrição) em face de seu credor. dependendo do momento em que surgem. consumado o prazo prescricional e sem prejuízo a terceiro. que a prescrição tem como requisitos: a) a violação do direito. dois são os requisitos para a validade da renúncia: a) que a prescrição já esteja consumada. 208 do CC. Registre-se que os “relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes legais. que derem causa à prescrição. não prescrevem: a) as que protegem os direitos da personalidade. desse modo. pois. Castellani Embora a pretensão seja um conceito técnico jurídico aplicável às várias espécies de relações jurídicas. Assim. antes que se tenha consumado. Em se tratando de ato jurídico. como as destinadas a extinguir o condomínio. Terceiros eventualmente prejudicados são os credores. requer a capacidade do agente. também. ora suspendem a prescrição.). 190). ou não a alegarem oportunamente” (art. é nas obrigações que ele encontra a sua natural aplicação.167). deixando para fazê-lo somente em grau de apelação.

não há pretensão. em regra. o de aceitar ou não a proposta de contratar. ou seu herdeiro. ela se verificará pela maneira mais favorável ao devedor. dilatando-se o período para composição do dano. não há o seu descumprimento. a interrupção operada contra o co-devedor. A interrupção por um dos credores solidários. porque destituídos dos respectivos deveres. se o prazo ainda não começou a fluir. significa extinção de direitos em .22 - . 3. extinguindo o tempo já decorrido. assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros (CC. não há lesão. 2. instantâneo: “A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu. a qual recebe o nome de caducidade. Esta. começando a correr novo prazo. Decadência Existem direitos subjetivos que não fazem nascer pretensões. § 1º). a causa ou obstáculo impede que comece.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Impedimento da prescrição é o obstáculo ao curso do respectivo prazo. O efeito da interrupção da prescrição é. constituindo.A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros. como foi mencionada. o do doador revogar a doação simples. aproveita aos outros. O lado passivo da relação jurídica limita-se a sujeitar-se ao exercício de vontade da outra parte. caput. antes do seu início. art. que decorre de certos fatos previstos na lei. Se. Desse modo. que vê retardado o benefício que lhe poderia advir da prescrição. 10. O art. 204. que volta a correr por inteiro. de um comportamento ativo do credor. Sempre que possível a opção. essa vantagem para o titular do direito subjetivo ofendido corresponde às desvantagens para o prescribente. a prescrição continua a correr. o obstáculo surge após o prazo ter iniciado. O direito potestativo é o poder que o agente tem de influir na esfera jurídica de outrem.Inutiliza-se todo o tempo prescricional decorrido. a suspensão é a cessação temporária do curso do prazo prescricional sem prejuízo do tempo já decorrido. entretanto. A restrição é benéfica. para não se eternizarem as interrupções da prescrição.O direito subjetivo atingido é beneficiado pela interrupção. Constitui-se em um fato que não permite comece o prazo prescricional a correr. 202. ou do último ato do processo para a interromper” (art. o de aceitar ou não herança. expressamente declara que a interrupção da prescrição “somente poderá ocorrer uma vez”. portanto. dá-se a suspensão. diferentemente da suspensão. 204 do CC). São efeitos da interrupção da prescrição: 1. 202. inutilizando o já decorrido A interrupção depende. Assim. aproveitando-se o tempo anteriormente decorrido. Consequentemente. São direitos potestativos. O tempo limita o exercício dos direitos potestativos pela inércia do respectivo titular. igualmente. Cessando as causas suspensivas. parágrafo único). Qualquer ato de exercício ou proteção ao direito interrompe a prescrição. modificando ou extinguindo uma situação subjetiva sem que esta possa fazer alguma coisa se não sujeitar-se. E não havendo dever. não prejudica os demais coobrigados (art. em sentido amplo. Interrupção da prescrição é o fato que impede o fluxo normal do prazo. São direitos potestativos o do patrão dispensar o empregado. diversamente da suspensão da prescrição. cujo prazo volta a fluir somente pelo tempo restante.

nem se interrompem. simultaneamente. extinguindo-o e pondo a termo ao estado de sujeição existente. dispõe a lei (CC. . A decadência é estabelecida em lei ou pela vontade das partes em negócio jurídico. pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição. como meio de defesa”. ainda. não se aplicam à decadência as normas que impedem. Castellani geral. surgindo. Na decadência. Em princípio. perda dos direitos potestativos quando toma o nome de decadência. suspendem ou interrompem a prescrição. sem possibilidade de interrupção ou suspensão. e também menor do que o da prescrição. art. desde que se trate de matéria de direito disponível e não haja fraude às regras legais. sendo objeto de ação constitutiva. o prazo começa a correr no momento em que o direito nasce. O respectivo prazo é rigidamente fixado. a decadência não é “suscetível de oposição. No caso de decadência convencional. deve o juiz conhece-la de ofício (CC. bem como de esclarecer que não são revogados os casos de um eventual dispositivo especial. Prescreve o art. pois não se suspendem. não a sua exigibilidade. o interessado. A decadência traduz-se. O que se tem em mira é.Coordenadores: Marcelo T.23 - . portanto. própria da prescrição. os prazos decadenciais são fatais e peremptórios. a contrario sensu. isto é. 207 que salvo disposição legal em contrário. 210). 209) que é nula a renúncia à decadência fixada em lei. Cometti Fernando F. No caso de decadência legal. A inserção da expressão “salvo disposição em contrário” no aludido dispositivo tem a finalidade de definir que tal regra não é absoluta. art. ser válida a renúncia à decadência estabelecida em negócio jurídico pelas partes. o que não ocorre na prescrição. Sendo matéria de ordem pública. e em sentido restrito. Aplica-se às relações que contêm obrigações. em uma limitação que a lei estabelece para o exercício de um direito. portanto. direito e termo inicial do prazo. a parte a quem aproveita. em que este só corre da lesão do direito subjetivo. Seu fundamento é o princípio da inadmissibilidade de conduta contraditória. mas o juiz não pode suprir a alegação. Enquanto a prescrição deve ser alegada pela parte interessada. o exercício do direito potestativo. sendo de admitir-se. pois.

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73 do CC e no art. Para as pessoas que não tenham residência certa. habitualmente. 2. Diante disso.) A aplicação legal desta teoria encontra-se no art. 3. ciganos. em habitação. Noção de residência e morada Não se confundem com o domicílio a morada e a residência. a capacidade e os direitos de família”. onde será aberta a sucessão hereditária (art.C. A mudança de domicílio opera-se com a transferência da residência aliada à intenção manifesta de alterá-lo. Cometti Fernando F.Coordenadores: Marcelo T. b) Residência – Trata-se de um lugar que pressupõe mais estabilidade. ou seja. Castellani CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO 1. dispensando-se aos que tenham interesse em encontrá-lo o esforço e a incerteza de andarem à sua procura por caminhos instáveis” (Caio Mario da Silva Pereira. não possuam o requisito material do domicílio. a) Morada – É o lugar onde a pessoa se estabelece provisoriamente. profissionais de circo. 373). em regra. A prova da intenção resulta do que declarar a pessoa às municipalidades do lugar que deixa. Aspectos gerais do domicílio da pessoa natural O domicílio é o lugar de exercício dos direitos e cumprimento das obrigações. segundo a qual aquele que cria aparências de um domicílio em um lugar pode ser considerado pelo terceiro como tendo aí seu domicílio (ex. 70. Todavia. É o lugar onde a pessoa natural se estabelece habitualmente. da LICC a “lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. tendo em vista que todas as situações descrevem um tipo de relação que uma pessoa natural estabelece com um lugar. em centro principal de seus negócios jurídicos ou de sua atividade profissional. O ordenamento jurídico brasileiro adota o conceito da pluralidade domiciliar. Fala-se também. no sentido da exigibilidade. Noção Geral A noção de domicílio desempenha papel relevante para o Direito. etc. convertendo-o. para caracterizar esta relação transitória de fato. ou seja. a indicação de um lugar onde o indivíduo está. 70 do CC o domicílio da pessoa natural é o lugar onde estabelece residência com ânimo definitivo. deve estar ou presume-se que esteja. Nos termos do art. que o domicílio importa em traduzir “o elemento de fixação espacial do indivíduo. 72 do CC). p. elaborou-se a teoria do domicílio aparente ou ocasional. Rio de Janeiro: Forense. Segundo o art. 1785 do C. 327 do C. 2004.25 - . parágrafo 2º do CPC. e para onde vai. 94. Instituições de Direito Civil – Introdução ao direito civil. inclusive com uma técnica para destacar a pluralidade domiciliar residencial (art. uma sede estável da pessoa. Confunde-se com a noção de estadia que é a mais tênue relação de fato entre uma pessoa e um lugar tomada em consideração pela lei. terá de cumprir suas obrigações (art. a exata compreensão desses conceitos é fundamental para esclarece a matéria de maneira apropriada. Em ambos os casos é mister a concorrência dos requisitos do ânimo (psíquico) e da residência (material). andarilhos.). ou se tais declarações não fizer. conclui-se. o fato de localização para efeito das relações jurídicas.) e ainda. é ainda o domicílio que determina o local onde a pessoa. o nome. 71 do CC) da pluralidade domiciliar profissional (art. da .C.

por violar o disposto no art. porém. Trata-se de norma jurídica imperfeita. É o seu domicílio especial. no país. no tocante às obrigações contraídas por qualquer de suas agências. c) Necessário ou legal – Decorre de mandamento da lei. citado no estrangeiro. sendo da Marinha ou da Aeronáutica. finalmente. com as circunstâncias que a determinaram. sito no Brasil. contrato social ou ato constitutivo equivalente. em atenção à condição especial de determinadas pessoas. b) De eleição ou especial – Decorre do ajuste entre as partes de um contrato.26 - . sendo elas: o do menor que terá o domicílio do seu representante legal. do CC). 74 do CC. “o lugar do estabelecimento. O agente diplomático. Não sofre interferência legal este tipo de domicílio. 75. 77 do CC). uma vez que a falta de declaração não acarreta sanção alguma ao omitente.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI própria mudança. 5. alegar extraterritorialidade sem designar onde tem. a lei atua supletivamente. 75. ou do estabelecimento. 4. . poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve (art. por sua vez. se possuir filiais em diversos lugares. Tal regra encontra assento no art. indicada em seu estatuto. Se a administração ou diretoria da pessoa jurídica de direito privado tiver sede no estrangeiro. que este dispositivo somente pode ser invocado em relações jurídicas em que prevaleça o princípio da igualdade dos contratantes e de sua correspondente autonomia de vontade. IV e parágrafo 1º. do CDC. a que ela corresponder” (art. o do preso que é o lugar onde estiver cumprindo pena. Vale notar que na dinâmica do CDC considera-se ilegal a cláusula contratual que estabelece o foro de eleição em benefício do fornecedor. Suas hipóteses estão descritas no parágrafo único do art. “cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados” (art. Se não houver essa fixação. com ânimo definitivo. o servidor público cujo domicílio é o lugar em que exerce permanentemente suas funções. que fixa residência em um determinado local. ao considerar como seu domicílio “o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações”. em que praticou o ato” (súmula 363). ou. Espécies de domicílio O domicílio poderá ser: a) Voluntário – Decorre do ato de livre vontade do sujeito. e. Aspectos gerais do domicílio da pessoa jurídica O domicílio da pessoa jurídica de direito privado é a sua sede. será considerado seu domicílio. o militar que responderá civilmente no lugar onde serva. IV. e. do CC). o do marítimo que é lugar onde o navio estiver matriculado. que. Aliás. Vale destacar. então. 51. o Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento no sentido de que “a pessoa jurídica de direito privado pode ser demandada no domicílio da agência. a sede do comando a que se encontra imediatamente subordinado. o seu domicílio. parágrafo 2º. 76 do CC.

Em síntese. 10ª. 10ª. a qual alicerça a noção de piso vital ou mínimo existencial. por meio de comparação com outros bens. ou seja. exige a reunião de três qualidade: a) economicidade. os créditos. 2. ão ao Direito Civil. Nesta idéia. Castellani CAPÍTULO V – DOS BENS 1. Cometti Fernando F. direitos autorais). a “representação econômica da pessoa”. deixando de utilizar-se do termo “bem”. Ed.bens considerados em si mesmos: a) Corpóreos são aqueles que têm existência física (material). pode-se considerar como bem a utilidade física material ou imaterial que pode servir de objeto de uma relação jurídica. ou através da consideração do bem isoladamente. cunhando alguns autores a expressão “patrimônio moral” e também a teoria do patrimônio mínimo desenvolvida por Edson Fachin. um complexo de direitos e obrigações entrelaçados por relações jurídicas. pela própria lei. Na parte especial. suscetíveis de avaliação econômica. está englobado o complexo de direitos reais e obrigacionais de uma pessoa. noutras palavras. se é mais ou menos amplo do que esse. como os direitos de família e os direitos puros de personalidade. fala em coisa. incorpóreos são aqueles que têm existência meramente abstrata. No sentido econômico. Introdução ao Direito Civil. os débitos.Coordenadores: Marcelo T. Orlando Gomes (ORLANDO GOMES. são considerados bens apenas as utilidades com valor pecuniário. Patrimônio Numa acepção clássica o patrimônio é a constituição econômica da pessoa natural ou jurídica. ou seja. ou seja. ideal. p. a possibilidade de transito jurídico através de relação estabelecidas entre os seus titulares (posse e domínio). quando trata de propriedade e de seus desdobramentos. sob três aspectos: de acordo com sua titularidade. e limitatividade. as quais têm como objeto os bens. infelizmente a doutrina nem sempre está acorde sobre o conceito de bem correspondente ao de coisa. permutabilidade. as coisas. educação e a saúde como projeção concreta do fundamento da dignidade da pessoa humana. jurídica (p. introduzida expressamente no ordenamento pátrio pela Lei 10. excluídas aquelas que não podem merecer a qualificação patrimonial. ficando de lado todos os outros que não têm valor pecuniário. ex. Introdução Sob um prisma de técnica legislativa das expressões.27 - . num sentido de raridade. bens de composição obrigatória em seu patrimônio para garantir alimentação. como feito na parte geral... 1990. 1. Ed. Modernamente a noção de patrimônio está ligada diretamente à personalidade do indivíduo. escassez empregado por outros doutrinadores. Para explicar o conceito de bem. . Já num enfoque dogmático. nem podem ser cedidos.835/04 que trata da renda básica de cidadania. Rio de Janeiro. Tal renda básica de cidadania nada mais é do que uma projeção do patrimônio mínimo dos indivíduos. mediante uma individualização existencial criado por um critério econômico-social. Para efeitos jurídicos. Classificação dos bens Os bens se classificam. perceptível pelos sentidos (móveis. é possível afirmar que a expressão “bem” utilizada pelo legislador na parte geral tem significado amplo e pode ser utilizada em diferentes acepções. 207). imóveis).

80. etc. Ex.Por antecipação: São aqueles bens que. segundo o art. serão sempre considerados bens infungíveis. embora sejam bens incorpóreos. e em relação aos imóveis poderão ser objeto de hipoteca. sem alteração de sua substância ou da destinação econômico-social”.Por determinação legal: Também há bens que são considerados móveis em razão da vontade do legislador. ar-condicionado. ou de remoção por força alheia. 93). 2.Outro aspecto da distinção reside no tipo de direito real de garantia que poderá ser constituído sobre o bem: em regra. os bens móveis podem ser oferecidos em penhor. quanto aos bens móveis a exigência não existe. em bens móveis ou imóveis. armários embutidos). a lei opta por tratar determinados bens como imóveis. Os bens móveis.Quanto à necessidade de autorização do cônjuge: Via de regra as negociações relacionadas aos bens imóveis exige anuência do cônjuge. 2. .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A importância da distinção reside no fato de haver diferença para a transmissão. Exemplo: árvores destinadas a corte. c) Fungíveis são os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie.Por determinação legal: Por imperativo de segurança jurídica. Infungíveis são os insubtituíveis. em razão de sua natureza. de acordo com o art. 81 não perdem o caráter de imóveis as edificações que. podem ser classificados em: 1. Pelo novo CC são chamados de pertenças (art. embora ainda incorporados ao solo são destinados a ser destacados e convertidos em móveis. por força própria ou externa.28 - . 3. Porém. 79 do CC são “o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente”. 2. sob pena de anulabilidade do ato (art. Nos termos do art. Não existe a possibilidade de aquisição de bens incorpóreos por meio de usucapião. com a ressalva de que a autorização não será exigida se o regime de bens for de separação absoluta). casa de madeira) e os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele reempregarem.Quanto à forma de alienação: é livre em relação aos móveis. escada de emergência. de sua substância. Móveis são. qualidade e quantidade. os imateriais por cessão.Por sua própria natureza: são aqueles que podem ser transportados sem deterioração de sua substância. espaço aéreo. A doutrina esclarece que são aqueles que não se podem transportar sem alteração de sua essência. maquinários agrícolas. por sua vez. 3. 4.Por natureza: solo e tudo que nele se incorporar naturalmente (subsolo. 83 do CC. que constituem uma categoria de bens acessórios. separadas do solo. 82. forem removidas para outro lugar (ex. Trata-se das hipóteses previstas no art. edifícios). De acordo com o art. b) Imóveis (ou bens de raiz). A importância da distinção entre bens móveis e imóveis é verificada em vários aspectos. é possível que sejam tratados num determinado negócio como bens fungíveis. mas em relação aos imóveis exige escritura pública para os bens de valor superior a 30 salários mínimos. embora não se pudesse falar. Os bens materiais são transferidos por meio de contrato de compra e venda ou doação. 1. “os bens suscetíveis de movimento próprio (semoventes). são considerados imóveis para efeitos legais: os direitos reais sobre imóveis e as ações que os assegurem e o direito à sucessão aberta. em princípio.Por acessão intelectual ou por destinação do proprietário. mas conservando sua unidade. Os imóveis podem ser: 1.). industrial ou artificial: é tudo que o homem incorporar permanentemente ao solo (sementes. 3. 1647. árvores. construções.por acessão física. Os imóveis.

independente dos demais. 3.Frutos: São as utilidades que a coisa principal periodicamente produz e cuja percepção não diminui a sua substância. Cometti Fernando F. ainda que haja possibilidade de sua destruição em decorrência do tempo. São aqueles bens públicos que se destinam especialmente à execução dos serviços públicos e são utilizados exclusivamente pelo poder público. Se. ou de direito. considerados em conjunto. por sua vez. 99): 1. É indiferente para a caracterização dos bens de uso comum que o uso seja gratuito ou retribuído. que. diminuindo-lhe a quantidade. A importância desta classificação encontra-se no usufruto. estadual. que tem existência própria (ex.bens quanto à titularidade do domínio: A lei classifica os bens de acordo com sua titularidade. mares. tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal.Benfeitorias: São obras ou despesas realizadas pelo homem na estrutura da coisa principal. Inconsumíveis são aqueles que admitem uso reiterado. o usufruto for instituído sobre bens consumíveis. Existem três classes de bens públicos (art. Os bens acessórios podem ser de vários tipos: 1. O bem principal (art. metais. dotadas de valor econômico e que por isso. serviço ou aformoseamento de outro bem. ruas e praças. 4. que é um direito real de gozo ou fruição que só pode recair sobre bens inconsumíveis. os quais podem ser públicos ou particulares. quando seus elementos são unidos por ato humano. 93). 3. Os bens singulares podem ser: simples.Coordenadores: Marcelo T. 92) é aquele que existe por si mesmo. melhorá-la (benfeitorias úteis) ou embelezá-la (benfeitorias voluptuárias).Produtos: São as utilidades que se retiram da coisa. se consideram de per si. 2. e) divisíveis e indivisíveis f) Singulares são os bens que.29 - . Costuma-se dizer que são as utilidades que nascem e renascem. quando suas partes componentes encontramse ligadas naturalmente. que é a pluralidade de bens singulares com destinação unitária. Acessório é aqueles cuja existência supõe a do principal. Os bens coletivos. são. pó um acaso. petróleo) 3.Os de uso especial. que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público. nos termos da lei. que é o complexo de relações jurídicas de uma pessoa. 2. A universalidade pode ser de fato. e que não se renovam (pedras. sem destruição imediata de sua substância. 26 do CDC (bens duráveis e não duráveis) e que envolve tempo maior ou menor do consumo de determinado bem. estradas. sem que sejam considerados suas partes integrantes (art. São os bens públicos que não são afetados a uma atividade pública específica. Etc. já os dominicais podem ser alienados. o solo). massa falida).Pertenças: São os bens móveis que são afetados de forma duradoura ao uso. a ordem jurídica atribui caráter unitário (espólio.Os de uso comum do povo. Castellani d) Consumíveis são os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância. formam um todo homogêneo. Bens reciprocamente considerados: De acordo com esta classificação os bens podem ser principais ou acessórios. inclusive os de suas autarquias. ou as universalidades. com o propósito de conservá-la (benfeitorias necessárias). territorial ou municipal. bem como aqueles que são destinados à alienação. compostos. tais como rios. aqueles que são compostos por vários bens singulares. A presente classificação não se confunde com aquela que consta do art. embora reunidos. . será chamado de quase-usufruto ou usufruto impróprio. universais.Os dominicais. patrimônio. Os bens de uso comum e os de uso especial são inalienáveis.

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assim. 4. Os sujeitos são: a parte credora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas) e a parte devedora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas). possível e determinada ou determinável. 2. Cometti Fernando F. O crédito é o direito visto sob o prisma do sujeito ativo da relação jurídica. uma prestação de caráter patrimonial. O objeto é a prestação (dar. que recai sobre o sujeito passivo da relação jurídica. Acepções da obrigação Em sentido lato. O comprador deve pagar o preço. O débito é o dever jurídico de pagar. . social. a obrigação se identifica com qualquer espécie de dever moral. Crédito e débito Em toda obrigação existem um lado positivo – o crédito – e um lado negativo – o débito. O vendedor deve entregar a coisa e responder no caso de evicção. olvidando a sua significação técnica e dogmática. Há. a relação jurídica existente cria apenas uma obrigação para o mutuário. os juristas utilizam. num mútuo sem juros. Conceito e elementos Obrigação é a relação jurídica em virtude da qual uma ou mais pessoas determinadas devem. Mesmo no campo do direito. o objeto e o vínculo jurídico. vínculos obrigacionais que se limitam a criar uma obrigação e outros que criam diversas obrigações derivadas do mesmo negócio jurídico. Por outras palavras: Obrigação é o vínculo jurídico temporário pelo qual a parte credora (uma ou mais pessoas) pode exigir da parte devedora (uma ou mais pessoas) uma prestação patrimonial e agir judicialmente ou mediante instauração de juízo arbitral sobre o seu patrimônio.Coordenadores: Marcelo T.31 - . O direito alemão conserva expressões distintas para indicar a relação de débito – Schuldverhältnis – e os direitos de crédito – Forderungsrechte. existem várias obrigações de ambas as partes. para uma ou para as diferentes partes interessadas. Seus elemento são: os sujeitos. na forma estabelecida pelas cláusulas contratuais. fazer ou não fazer alguma coisa). em favor de outra ou de outras. Assim. que é a de devolver a quantia emprestada. religioso ou jurídico. a palavra “obrigação” como sinônimo de dever jurídico. 3. Já. num contrato de compra e venda. se não for satisfeita espontaneamente. A prestação deve ter conteúdo patrimonial e ser lícita. Castellani TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 1. Vínculo obrigacional Um vínculo obrigacional pode criar uma ou diversas obrigações. ao contrário. algumas vezes.

sobre os bens do devedor. A impossibilidade é objetiva ou absoluta quando existe para todos os membros da . Obrigações naturais São as que não podem ser reclamadas em juízo. Características da prestação Definida a obrigação em sentido técnico como um vínculo jurídico de caráter patrimonial. Enquanto a obrigação é originária e depende de ato do devedor para a sua extinção.32 - . não pode reaver o pagamento feito conscientemente. e o credor pode ir a juízo. física e legalmente. não pagar ou já tendo o credor um título. lícita. embora lícitas. absoluta e objetiva ou relativa e subjetiva. da indenização pelos prejuízos causados em virtude do inadimplemento da obrigação originária na forma previamente estabelecida. na relação obrigacional. A impossibilidade pode ser física ou jurídica.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 5. 7. posteriormente. Não ocorrendo o pagamento voluntário. em benefício de outra. A prestação é o comportamento do devedor que aproveita ao credor e por este pode ser exigido. a responsabilidade é derivada do inadimplemento de dever jurídico e autoriza a ação do credor. Ademais. 6. que denominamos responsabilidade. recaindo sobre pessoa determinada (direito relativo) e de caráter patrimonial. ou seja. a questão poderá ser resolvida por arbitragem. implica a criação de uma relação jurídica secundária ou derivada. que recai sobre uma pessoa. relativamente a um bem (coisa ou serviço) que se encontra no patrimônio do devedor. desde que estabelecida cláusula compromissória entre as partes. constituindo a violação ou o descumprimento de um dever jurídico. que discriminou. e um fim secundário: sujeitar o patrimônio do devedor que não a satisfaz. originária ou superveniente. a ação judicial sobre o patrimônio surge da responsabilidade ou da garantia. ou recorrer à máquina judiciária do Estado. O dever de prestar surge do débito. podemos afirmar que o conteúdo da obrigação deve ser uma prestação possível. e se. 814 do Código Civil A obrigação natural confere hoje juridicidade à obrigação moral e ao dever de consciência reconhecidos e cumpridos pelo devedor. para obter a condenação do devedor ao pagamento. dois momentos distintos: o do débito (Schuld). A prestação deve ser possível. determinada ou determinável e possuindo expressão econômica. e o da responsabilidade (Haftung). por ser dever jurídico. que. agora tratadas no art. na qual se faculta ao credor atacar e executar o patrimônio do devedor a fim de obter o pagamento devido ou uma quantia equivalente acrescida das perdas e danos.A idéia de obrigação imperfeita ou natural também é válida para as dívidas de jogo e de aposta. consistindo na obrigação de realizar a prestação e dependente de ação ou omissão do devedor. pode pedir ao juiz que execute tantos bens do devedor quantos forem necessários para a satisfação do seu débito. Débito e responsabilidade A obrigação tem um fim primário: a prestação. surge a responsabilidade. após a condenação. com as mesmas características da obrigação. A distinção entre obrigação e responsabilidade foi feita por Brinz na Alemanha. pois já afirmavam os romanos que ad impossibilia nemo tenetur. O inadimplemento da obrigação. por intermédio do Estado ou mediante instauração de juízo arbitral.

mas não para todas as pessoas. antes da tradição e sem culpa do devedor. A obrigação negativa importa numa abstenção. os contornos de cada uma sejam perfeitamente definidos. qualquer lesão de direito pode ser avaliada em dinheiro. se são obrigações de dar ou de fazer a de lavrar escritura definitiva de um imóvel e a de justificar o pagamento de certos impostos que em virtude de contrato são da responsabilidade do locatário. ainda que mais valiosa (art. Obrigações positivas e negativas As obrigações são positivas quando a prestação do devedor implica dar ou fazer alguma coisa e negativas quando importam numa abstenção. Ao contrário. não se possa resolver em perdas e danos. à primeira vista. atualmente.Coordenadores: Marcelo T. e os casos fortuitos ou de força maior em que. Se a coisa certa devida se perder. a impossibilidade relativa ou subjetiva é a que só ocorre para o sujeito passivo da relação jurídica. A coisa deve ser entregue com os seus acessórios. uma vez que não se considera obrigação o dever jurídico que. de acordo com o qual aliud pro alio invito creditore solvi non potest. Embora. 8. para o inadimplente. Quando a impossibilidade objetiva é superveniente ou posterior à relação jurídica. A obrigação de dar coisa certa surge quando a prestação é de objeto específico e individualizado A lei esclarece que o credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber outra. A importância prática da classificação decorre da regulamentação legal tradicionalmente diferente com referência às obrigações de fazer e às obrigações de dar. É tradicional a distinção entre obrigações de dar. 9. é preciso destacar o caso em que houve mora do devedor. não podendo ficar ao exclusivo arbítrio do devedor. fixados em dinheiro. excluindo-se pois a sua responsabilidade. 313 do CC). É o princípio romano que encontramos em sentença de Paulo. Embora a doutrina entenda imprescindível o conteúdo econômico. A entrega de objeto diverso do prometido importa em modificação da obrigação. sem culpa do devedor. hipótese na qual ele responde pelas perdas e danos. de ressarcir os danos decorrentes do não-cumprimento da obrigação assumida. no caso de inadimplemento.33 - . . extinguindo-se todos os seus efeitos. Cometti Fernando F. 233 do CC). enquanto a obrigação de fazer importa na realização de atos ou serviços no interesse do credor. ou seja. em muitos casos surgem dúvidas quanto à natureza da obrigação. fazer e não fazer. que ainda é feita pelo CC. Até a tradição. cabe notar que. Castellani coletividade. a obrigação se tornou impossível ou ilícita. Tal impossibilidade importa em nulidade da obrigação. com a aceitação do dano material ou moral. em não praticar algum ato. Obrigações de dar coisa certa e coisa incerta A obrigação de dar pode abranger coisa certa ou coisa incerta. salvo convenção em contrário das partes (art. assim. e importa o dever. denominada novação objetiva (do objeto). e não pode exigir do devedor outra coisa. por motivos físicos ou em virtude de lei. a obrigação se resolve para os interessados. que só ocorre havendo consentimento de ambas as partes. A prestação deve ser determinada ou determinável. havendo autores que condenam a distinção. A obrigação de dar consiste em transferir a posse ou transmitir a propriedade de um objeto ao credor. Indaga-se. mesmo sendo de valor inferior. todos os riscos correm por conta do tradens que tem a propriedade do bem.

na obrigação de restituir. O CC prevê a possibilidade de o credor valer-se de execução da obrigação por terceiro (execução in natura). passando os frutos pendentes à propriedade do credor (art. Como regra geral. cabem ao devedor. em sentido estrito.34 - . “antes da escolha. 10. sem culpa do devedor. indenização pelas perdas e danos (art. o primeiro problema que surge é o referente à escolha das unidades a serem entregues. O conteúdo da obrigação definirá o grau de pessoalidade que o credor tenha desejado. . A incerteza da coisa não significa indeterminação. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. o CC. 234 do CC. o credor pode exigir o equivalente em dinheiro ou aceitar o objeto com abatimento do preço. Obrigações de fazer A prestação de fazer pode ser um ato de ordem física. todavia. Se a coisa sofrer melhoramentos ou passar a ter acrescidos até a tradição. importando numa abstenção. tem o credor uma opção entre solver a obrigação ou aceitar a coisa. existe uma norma supletiva. abatendo do seu preço o valor que perdeu. parágrafo único. o devedor indenizar o credor por perdas e danos (art. em virtude da qual a escolha caberá ao devedor. ao devedor. ainda que por força maior. com direito a reclamar. Nas obrigações de dar coisa incerta. escolher a pior qualidade. O art. 246 do CC esclarece que. trata da obrigação de restituir (art. e art. Na obrigação de dar. seja a terceiro. 627 do CPC). nem sendo obrigado a dar as melhores unidades (art. 247 do CC). Em caso de deterioração do objeto.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se a perda ou destruição da coisa for oriunda de culpa do devedor.). a propriedade do bem pertence. não lhe sendo lícito. Entre as obrigações de dar coisa certa. embora haja diferença na situação do credor nos dois casos. por força do contrato ou em razão de reputação profissional ou de habilidades pessoais. enquanto. do CC). em ambos os casos. parte final. As partes têm a mais ampla liberdade de atribuir seja a um dos contratantes. ou caso fortuito”. desde que só ele possa realizá-la. resolvendo a obrigação se o credor não anuir (art. o credor tem direito real sobre o bem que está legalmente em poder do devedor. até a tradição ou a transcrição. mas determinação genericamente feita. 238 e s. o credor dele poderá exigir o valor em dinheiro do objeto acrescido das perdas e danos (art. o devedor poderá exigir um aumento do preço. Dando a coisa frutos antes da tradição. se a prestação não for realizada. Nada impede que as partes convencionem a obrigação do devedor de ressarcir os danos. A obrigação de dar coisa incerta consiste em fornecer certa quantidade de unidades de determinado gênero e não uma coisa especificada. mesmo na hipótese de destruição ou perda do objeto em virtude de caso fortuito ou força maior. num non facere. Na falta de cláusula contratual. a escolha dos exemplares que deverão ser fornecidos. 237. Havendo culpa do devedor. 237 do CC). seguindo a sistemática do Código de 1916. à custa do devedor. Obrigações de não fazer As obrigações ainda podem ser omissivas. 236 do CC). quando for possível e desde que ela não seja personalíssima. 11. 244 do CC). ou de ordem psíquica. A aplicação desta hipótese pressupõe urgência para que possa ser realizada independentemente de autorização judicial.

642 a 645 do CPC). O devedor não pode. Assim. 252. O CC permitir ao credor. existe pluralidade de pretensões. o credor pode exigir do devedor que desfaça a construção levantada além do mencionado gabarito e pague as perdas e danos. por conta do devedor. enquanto nas segundas a pluralidade das prestações existentes na obrigação é substituída. o credor pode mandar destruir a obra. a abstenção se torna impossível. em virtude de cláusulas contratuais. se a sua natureza o permitir (art. por uma prestação única escolhida na forma do contrato ou da lei (plures res sunt in obligatione. Se a obrigação consiste em não vender determinados artigos. No silêncio das partes. aplica-se a norma supletiva existente no CC. ou de condições impostas em ato unilateral. devendo ser posteriormente ressarcido do devido (art. culposamente. em casos de urgência. todavia. Não existindo prazo. Se o devedor se recusar. 250 do CC).35 - . Se. Obrigações simples e compostas A obrigação pode ter um ou vários objetos. fixar uma multa que o devedor será obrigado a pagar enquanto infringir a obrigação por ele assumida (arts. O negócio jurídico indica normalmente. 252. aumentando as garantias e as perspectivas de cumprimento da obrigação para o credor. se obriga a deixar de praticar algum ato. § 1º. a quem cabe escolher a prestação a ser executada (in solutione) entre as diversas possíveis (in obligatione). salvo se se tratar de prestações periódicas nas quais se admite a renovação da opção para cada período (entrega mensal alternativa de determinados alimentos ou de certa quantia em dinheiro). independente de autorização judicial. § 2º. 251 do CC). extingue-se a obrigação (art. deve ressarcir o dano causado ao credor. a concentração. deve ser realizada no prazo estabelecido pela convenção. ou seja. art. sem culpa do devedor. nos termos do art. mas pode pedir uma indenização e. o credor não pode desfazer as vendas realizadas. ao contrário. restringindo a sua própria liberdade e os direitos que a lei lhe assegura. é considerada simples (por exemplo: o vendedor se obriga a entregar ao comprador o livro vendido). A sua opção deve ser total. Quando a obrigação abrange uma única prestação. obrigar o credor a receber parte de uma prestação e parte de outra (art. A finalidade da prestação alternativa é dar maior liberdade de escolha ao devedor. parágrafo único). 12. todas as prestações abrangidas pela obrigação devem ser executadas. tratando-se de obrigações de não construir além de certo gabarito. cabendo ao devedor cumprilas conjuntamente (obrigações conjuntivas ou cumulativas) ou alternativamente (obrigações alternativas). Quando. A escolha da prestação que será cumprida. em virtude de cláusulas contratuais. do CC. no caso de obrigações alternativas. 252. 13. e o cumprimento de uma única prestação extingue a obrigação. existem duas ou mais formas pelas quais a obrigação pode ser satisfeita. Obrigações cumulativas e alternativas Nas obrigações compostas. Nas primeiras. Nas obrigações alternativas. Castellani Em certos casos. é denominada composta ou complexa. infringe a obrigação de não fazer e pratica o ato vedado. uma pessoa. a obrigação contém mais de uma prestação. 251. na execução. mediante ação própria. una autem in solutione). Se o devedor. o credor ou devedor a quem couber a . podendo ainda este exigir que o devedor desfaça à sua custa o ato praticado. Cometti Fernando F. do CC). que concede o direito de escolha ao devedor. desfazer ou mandar desfazer.Coordenadores: Marcelo T.

a quem a achou. não pode o credor ser obrigado a receber. mas não o consenso entre eles sobre a escolha dentro de determinado prazo. enquanto na obrigação com faculdade de solução ou de substituição a obrigação é de prestar determinado fato ou entregar certa coisa. A própria lei apresenta casos de obrigações com faculdade de solução. nem o devedor a pagar. sub-rogando-se nos direitos do credor. todavia. de determinações legais. em vez de pagar o que deve. A indivisibilidade pode decorrer da natureza da prestação. para o proprietário da coisa perdida. o abandono da coisa perdida. uma recompensa mínima de 5% (cinco por cento) e uma indenização pelas despesas que houver feito com a conservação e transporte da coisa. erradamente chamadas obrigações facultativas. assim. 257 do CC). Obrigações divisíveis e indivisíveis As obrigações são divisíveis ou indivisíveis. § 3º). de 15-12-1976 (Lei das Sociedades Anônimas). 258 do CC). 15. abandonar o objeto. Na obrigação alternativa. na qual os acionistas dissidentes têm direito de retirar-se da companhia mediante pagamento do reembolso ou então de receber ações da incorporadora. não podendo o credor exigir a prestação facultativa. de incorporação de uma sociedade por outra. Não poderia haver obrigações facultativas. 6. o que tiver pago a dívida (art. . 314 do CC estabelece uma presunção de indivisibilidade da prestação no tempo quando afirma: “Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. como ocorre com relação à ação das sociedades anônimas. 14. havendo uma possibilidade de substituição para o devedor. cada um deles será obrigado pela dívida total. havendo pluralidade de credores ou de devedores. A alternatividade da obrigação não decorre apenas da vontade individual. por exemplo. de motivos de ordem econômica ou dada a razão determinante do negócio jurídico (art. Se a prestação não for divisível e houver pluralidade de devedores. É a prestação que o descobridor da coisa pode exigir. Assim. o art. O art. por partes. e. A distinção com as obrigações alternativas se faz atendendo ao fato de nestas haver diversas prestações na obrigação. da vontade das partes. o juiz deverá decidir o impasse (art. O mesmo artigo admite. Por outro lado. Obrigações com faculdade de substituição Têm uma estrutura parecida com as obrigações alternativas as obrigações com faculdade de solução ou com faculdade de substituição. desde que o objeto seja divisível (art. pois o que é facultativo não é obrigatório e o que é obrigatório não é facultativo. 259 do CC). se houver a pluralidade de optantes. 28 da Lei n. Na obrigação com faculdade de solução. conforme possam ou não ser fracionadas em prestações parciais homogêneas. em relação aos outros. a impossibilidade em relação à prestação principal extingue o vínculo jurídico. A própria lei pode considerar um bem indivisível. É o que ocorre no caso. se assim não se ajustou”. É a faculdade de solução ou substituição.404. Conforme o CC. a obrigação de pagar. a impossibilidade em relação a uma das prestações importa em obrigação de cumprir a outra. 252.36 - . que para a companhia é considerada indivisível ex vi do art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI escolha deverá ser notificado a fim de incorrer em mora pela ausência de escolha. o proprietário pode. a lei presume a divisão da obrigação. 1. resultando em alguns casos das próprias disposições legais.234 do CC estabelece.

Já as obrigações reais (de res = coisa. resultando da lei ou da vontade das partes. Se um dos credores receber a prestação inteira. Obrigações ambulatórias. 261 do CC). podendo promover as medidas assecuratórias do seu direito. salvo quando em virtude de lei ou de convenção houver indivisibilidade. seguro obrigatório. As obrigações reais. 383 do CC). (art. No caso da confusão só se extingue a parte do crédito ou do débito pertencente ao credor ou devedor solidário (art. sobre os quais incidem ônus reais (imposto imobiliário. constituir o devedor em mora e interromper a prescrição. que poderão exigir a prestação. novação. como se houvesse um só credor ou devedor. transação. ou propter rem. sendo de devedores é passiva. 17. Chamam-se também de obrigações propter rem ou ob rem. do CC). bem como deveres decorrentes da necessidade de manter-se a coisa (despesas de condomínio. Nos casos de remissão. Obrigações solidárias Obrigações solidárias são aquelas com pluralidade de credores ou devedores. Cada um dos credores solidários tem o direito de exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro.37 - . As obrigações de fazer. Obrigações “propter rem” ou reais Chamam-se obrigações ambulatórias (de ambulare = andar) aquelas obrigações que podem ser transferidas sem formalidades. este responderá pelas perdas e danos (art. sendo cada um dos devedores responsável apenas pela sua quota. independentemente de autorização dos outros credores ou de caução (art. mas o devedor ou os devedores só se desobrigam pagando a todos conjuntamente ou a um dos credores. 262 do CC). passando de um titular a outro. sabendo-se quem é o titular. Em geral. em dinheiro. A incapacidade de . Cometti Fernando F. passam a pesar sobre quem se torne titular da coisa. os outros exigirão dele.). são divisíveis. trem. conservação de divisas etc.). descontada a quota do credor que perdoou a dívida ou em relação ao qual ocorreu a transação. Logo. a solidariedade é ativa. as obrigações de dar são consideradas divisíveis. em latim) são as que derivam da vinculação de alguém a certos bens. São exemplos os títulos ao portador. cada um destes pode exigir a dívida inteira. Castellani Se a pluralidade for de credores. 267 do CC). Sendo a pluralidade de credores.). 260 do CC). seja por ser divisível o seu objeto. podendo qualquer dos credores movimentar a conta ou utilizar a caixa-forte. cada um com um direito ou obrigado ao total. ao contrário do que acontece em outras legislações que admitem a presunção de solidariedade a) Solidariedade ativa Solidariedade ativa é a de vários credores. surge a responsabilidade que reveste a forma de indenização em dinheiro. § 2º. fichas de bar etc. O pagamento total do débito a um dos credores extingue a obrigação (art. Não cumprida a obrigação. os títulos de legitimação (bilhetes de cinema. a obrigação não fica extinta em relação aos outros credores. confusão etc. 265 do CC). Sendo a culpa de um só. teatro. quando fungíveis. seja por admitir a divisão deste em quotas ideais. confusão ou compensação da dívida por parte de um dos credores. é mista. dando este caução de ratificação dos outros (art. a parte que lhes couber (art. 263. foro etc. São exemplos de solidariedade ativa as contas bancárias conjuntas e os depósitos conjuntos em caixas-fortes. A solidariedade nunca se presume (art. 16. Sendo de credores e devedores. sabe-se quem é o devedor.Coordenadores: Marcelo T. 269 do CC).

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um dos co-credores não prejudica os direitos dos outros. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar (art. 268 do CC). A mora accipiendi por parte de um dos credores prejudica a todos os outros, ressalvando o direito à ação regressiva. Falecendo um dos credores solidários, cada um dos seus herdeiros só terá direito a exigir a quota do crédito correspondente ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a prestação (art. 270 do CC). Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste a solidariedade para todos os efeitos, inclusive para fins do pagamento de juros de mora e demais encargos dela decorrentes (art. 271 do CC). O credor que recebe o pagamento ou faz a remissão da dívida ou que a extingue em virtude de novação, compensação ou transação responde, perante os outros, pela parte que lhes couber (art. 272 do CC). Há assim o direito de regresso em virtude do qual cada um dos credores recebe a sua quota, presumindo-se juris tantum, na falta de disposições diversas no título, que a divisão seja igual, impondo-se o rateio quando recebido o montante do total do débito ou uma parte dele. b) Solidariedade passiva Ocorre solidariedade passiva quando, havendo multiplicidade de devedores, o credor pode exigir de qualquer destes o pagamento integral do débito, a qual resulta de disposições legais ou de declaração de vontade das partes interessadas. Na obrigação solidária, o credor tem o direito de exigir e receber de um ou alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum. Sendo o pagamento parcial, poderá exigir dos demais devedores o saldo. O devedor acionado não pode alegar o benefício da divisão, nem limitar o seu pagamento à quota do débito total que lhe cabe, nem mesmo exigir que sejam acionados, no mesmo processo ou em outro, os demais coobrigados. Uma vez feito o pagamento por um dos devedores, o crédito se extingue na relação externa, sendo feito o rateio na relação jurídica interna. Se o credor, tendo executado os bens de alguns devedores, não recebeu o débito total, subsiste a solidariedade, e, portanto, pode acionar os outros a fim de receber o saldo. Falecendo um dos devedores solidários, deixando herdeiros, a obrigação entre os herdeiros é conjunta, mas não solidária. Cada um deles não será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a obrigação. Em relação aos demais devedores, os herdeiros serão considerados como um devedor solidário (art. 276 do CC). A remissão concedida a um dos coobrigados extingue a dívida na parte a ele correspondente, de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida (art. 388 do CC). A remissão, sendo liberalidade, é interpretada restritivamente, aplicando-se tão-somente à quota do devedor, mantido o dever solidário dos coobrigados pelo total do montante do débito, descontada a parte do devedor que obteve remissão. Qualquer dos devedores solidários pode estipular condições especiais para o pagamento do seu débito, não podendo, todavia, agravar a posição dos coobrigados sem consentimento destes (art. 278 do CC). A interrupção da prescrição efetuada contra o devedor solidário ou o reconhecimento da dívida por este envolve os demais coobrigados e seus herdeiros. A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis (art. 204, §§ 1º e 2º, do CC).

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

No caso de impossibilidade de cumprir a obrigação decorrente de força maior, a obrigação se extingue. Se houver culpa de um dos devedores, cada um dos coobrigados deve pagar o valor da coisa ou da prestação (aestimatio rei), respondendo pelas perdas e danos o devedor culpado (art. 280 do CC). Se um dos devedores já estava em mora quando a impossibilidade se verificou, responde pelos danos dela decorrentes, mesmo na hipótese de força maior ou de caso fortuito, salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano sobreviria ainda se a obrigação fosse oportunamente executada (art. 399 do CC). Quanto ao credor, na relação jurídica externa, todos os devedores respondem pelos juros de mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um, mas o culpado responde perante os outros, na relação interna, pela obrigação acrescida (art. 280 do novo Código Civil). Os princípios aplicados em relação às perdas e danos e aos juros não são os mesmos. Quanto à indenização pelas perdas e danos, o credor só pode cobrá-la do devedor culpado. Quanto aos juros, são exigíveis de qualquer coobrigado, embora este tenha ação regressiva contra o culpado. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores (art. 282 do CC). Pode, assim, transformar a obrigação solidária em obrigação conjunta ou fracionária, na qual, em vez de responder, na relação externa, pelo total do débito, só responde cada devedor pela sua quota. O devedor demandado pelo credor pode opor as exceções comuns a todos os devedores e as exceções que lhe forem pessoais, não lhe aproveitando porém as pessoais de outro codevedor. Assim, qualquer devedor pode alegar a ilicitude do objeto, a extinção da dívida por pagamento já feito, ou seja, as defesas ou exceções comuns a todos os devedores. São consideradas exceções pessoais as que só podem ser alegadas pelo interessado, por exemplo, os vícios de consentimento e as causas de anulabilidades dos negócios jurídicos em geral (arts. 171 e 177 do CC). A novação entre um dos devedores e o credor, modificando o conteúdo da obrigação originária, exonera os devedores solidários de qualquer responsabilidade (art. 365 do CC). 18. Execução da obrigação O dever jurídico imposto ao devedor, em favor do credor, na relação obrigacional pode ser cumprido direta ou indiretamente, voluntária ou involuntariamente. O cumprimento da obrigação, também denominado pagamento ou solução do débito, é a execução da prestação pelo devedor na forma estabelecida no ato jurídico ou na lei, de acordo com as normas fixadas quanto ao modo, tempo e lugar de sua realização. O pagamento pressupõe a existência de uma dívida e a vontade de extingui-la (animus solvendi), devendo em tese ser feito pelo devedor ao credor. Na falta de uma relação jurídica, o pagamento configura-se como indevido, dando margem a uma ação do devedor para reaver o que pagou sem justo motivo (arts. 876 e seguintes do CC). A obrigação se extingue independentemente de pagamento no caso de realização de condição resolutiva ou advento de termo extintivo. A impossibilidade de cumprimento do dever jurídico em virtude de caso fortuito ou força maior constitui outra hipótese de extinção da obrigação. No caso de inadimplemento injustificado, o credor pode recorrer ao procedimento judicial ou arbitral para exigir a execução forçada da obrigação. A sentença garante ao credor o que lhe era devido acrescido das perdas e danos pelo atraso, ou o equivalente (id quod interest),

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abrangendo o ressarcimento do dano causado e do lucro não auferido (damnum emergens e lucrum cessans). 19. Pagamento Pagamento todo cumprimento de obrigação, importando em dar, fazer ou não fazer. O pagamento é feito na forma estipulada, não podendo o credor ser obrigado a receber parcialmente o débito, salvo em casos especiais previstos pela lei, como na substituição do devedor por seus herdeiros, que só são responsáveis pelo débito na proporção dos seus quinhões (art. 1.997 do CC). O dever de cumprir a obrigação incumbe ao devedor e aos seus herdeiros, se o débito não for personalíssimo. Os sucessores se substituem ao falecido em todas as vantagens e deveres de caráter patrimonial que tenha, salvo se existir um vínculo de intuito pessoal. Qualquer pessoa pode pagar uma dívida, sua ou de outrem. Mas o Código Civil distingue: o pagamento pode ser feito por terceiro interessado ou por terceiro não interessado. O termo interessado aí tem sentido técnico: é aquele que pode ser responsabilizado pelo débito, como, por exemplo, o avalista ou um terceiro garantidor da dívida. No entanto, se alguém é parente ou amigo do devedor e deseja auxiliá-lo, também pode pagar, mas os efeitos são diversos. A obrigação se extingue pelo pagamento da dívida por qualquer interessado (devedor, coobrigado, fiador, herdeiro do devedor, adquirente do imóvel hipotecado) a quem é lícito fazê-lo em nome próprio, sub-rogando-se no direito do credor. Em virtude do estabelecido no art. 346 do CC, ocorre a sub-rogação de pleno direito em favor: “I – do credor que paga a dívida do devedor comum; II – do adquirente do imóvel hipotecado que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; III – do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte”. O pagamento também pode ser feito por terceiro não interessado. Se o fizer em nome próprio, o terceiro pode tão-somente obter o reembolso do que pagou, mas não se sub-roga nos direitos do credor (art. 305 do CC). Havendo oposição do devedor ao pagamento do seu débito por outrem ou não tendo conhecimento da ação de terceiro, este não terá direito ao reembolso do que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação (art. 306 do CC). O devedor não se pode opor ao pagamento por terceiros, ou melhor, a sua oposição não invalida ou impede o pagamento, importando apenas em restringir os direitos do pagador contra ele. Não pode, todavia, o terceiro, piorar a posição do devedor. Assim, se pagar o débito antes do vencimento, somente após este poderá exigir do devedor o reembolso da quantia despendida (art. 305, parágrafo único, do CC). Se o devedor tinha a possibilidade de compensar débito e crédito com o credor, o terceiro não interessado, que pagou, só poderá exigir do devedor o pagamento da quantia não sujeita à compensação. O pagamento deve ser feito ao credor, aos seus sucessores, ou ao seu representante legal, judicial ou convencional. Nos casos de incapacidade do credor, o pagamento deverá ser feito a quem de direito. Havendo dúvida de quem pode receber, incumbe ao devedor consignar judicialmente o pagamento, cabendo ao juiz finalmente decidir a quem o pagamento deverá ser feito (art. 895 do CPC). Considera válido o pagamento feito ao credor putativo, ou seja, àquele que tem todas as características de credor, embora não o seja. É credor putativo aquele que se apresenta com um título aparentemente válido, embora posteriormente seja o mesmo julgado nulo.

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323 do CC).Coordenadores: Marcelo T. Salvo convenção em contrário. também não está obrigado o credor a receber pagamento que não seja em moeda corrente. a quitação ser impugnada. devendo ser escrita desde que o montante da dívida seja superior ao décuplo do maior salário mínimo (art. a prova contrária. A entrega do título ao devedor firma a presunção juris tantum de pagamento. sem ressalva. tratando-se de obrigações pecuniárias. O pagamento feito indevidamente obriga o devedor a pagar novamente. presume-se que o credor renunciou ao lugar previamente acordado no contrato. enquanto lhe for recusada a quitação (art. cuja quitação consiste na devolução do título (por exemplo: nota promissória). sem incorrer em mora. desde que o credor prove. à prova do pagamento feito. O devedor poderá. ficando ao seu exclusivo critério aceitar ou não ordem de pagamento ou cheques. todavia. perdido este. faz presumir o pagamento dos juros (art. o devedor poderá fazê-lo em outro local. que não ocorreu o pagamento. todavia. no momento do vencimento da obrigação. declaração do credor que inutilize o título desaparecido (art. 327 do CC. tendo a quitação sido obtida pelo devedor fraudulentamente (art. cabe a opção ao credor. 884 do CC). Admite-se. desde que haja prejuízo para o credor. todavia. com o pagamento reiterado em outro local. São quérables ou quesíveis quando pagáveis no domicílio do devedor. O pagamento é feito na forma estabelecida pela lei ou pelo negócio jurídico e. salvo convenção em contrário. ou seja.41 - . ainda que mais valiosa. A quitação do capital. É o que se dá na hipótese de pagamento de aluguéis na locação e das duplicatas sucessivas na venda de um objeto em prestações. reaver daquele a quem pagou indevidamente o montante pago. A segunda está aposta em seu art. das circunstâncias ou de convenção entre as partes. da natureza das obrigações. do CC) e da vedação do enriquecimento sem causa (art. que pode consistir na ressalva existente no próprio recibo ou em outros documentos ou mesmo na correspondência entre as partes (art. A quitação admite qualquer forma. 325 do CC). 327 do CC considera. 321 do CC). 329 e estabelece que. tendo o devedor ciência dessa incapacidade. decorrentes da própria lei. se houver motivo grave que impeça a realização do pagamento no lugar acordado. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que é devida. Existem várias exceções ao princípio fixado no referido art. só valerá nos limites em que reverteu em favor do beneficiado (art. visados ou não. 324 do CC). A primeira está prevista em seu art. A norma geral. todavia. No que diz respeito ao lugar do pagamento as dívidas são portables ou portáveis quando devem ser pagas no domicílio do credor ou onde ele indicar. O devedor que paga tem direito à quitação regular. podendo. far-se-á em moeda corrente no lugar do cumprimento da obrigação (art. 319 do CC). O CC duas regras especiais referentes ao lugar do pagamento. 315 do CC). que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor. Havendo pluralidade de domicílios ou mais de um lugar indicado para o pagamento. estabelecida no art. Castellani Se o pagamento é feito ao credor incapaz de quitar. fundamentando-se nas regras sobre pagamento indevido (arts. Cometti Fernando F. Tal presunção extingue-se. Havendo pagamentos periódicos. podendo reter o pagamento. Assim. 876 e s. presume-se juris tantum que o recebimento do pagamento da prestação posterior implique a quitação das prestações anteriores. Os débitos. caso em que a despesa acrescida será por conta do credor (art. Quem paga mal paga duas vezes. presume-se que corram por conta do devedor as despesas com o pagamento e a quitação. se ocorrer aumento por fato do credor. 401 do CPC). . no prazo de sessenta dias. 330 ao prever que. 310 do CC). retendo o pagamento. pode o devedor exigir. 322 do CC).

como se tradição tivesse havido. vencida e não paga em virtude de culpa do devedor. por exemplo. Também são causas de vencimento antecipado dos débitos as hipóteses elencadas no art. O inadimplemento total. se este oscilar . 333 do CC: “I – no caso de falência do devedor.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sobre o tempo do pagamento. Neste caso. importam em impedir de modo definitivo o cumprimento da obrigação. a responsabilidade do inadimplente. Uma vez que haja mora. É o princípio dies interpellat pro homine (art. ter havido um simples atraso no adimplemento da obrigação. a deterioração e o perecimento da coisa dada em garantia (incisos I e IV. Pode. A constituição em mora se realiza de pleno direito. quando a prestação ainda é útil para o credor. as garantias do débito. devendo o credor ressarcir o devedor pelas despesas que teve. se houver solidariedade passiva entre os devedores. em virtude de lei nova. ensejando. cabal e definitivo pode ser fortuito ou culposo. a antecipação de vencimento relativa a um dos devedores não importa em vencimento do débito dos coobrigados solidários (art. se negar a reforçá-las”. 20. sem necessidade de qualquer interpelação judicial. que revelam a insolvência do devedor. 1. ou se se tornarem insuficientes. o credor pode exigir o pagamento imediatamente (art. Os efeitos da mora creditoris importam em transferir a responsabilidade pela conservação da coisa ao credor. diversamente. ou de concurso de credores. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso. mas o foi posteriormente. No caso de silêncio das partes e desde que não exista disposição legal em sentido contrário. que não foi cumprida no tempo fixado. §§ 1º e 2º). que são. fidejussórias. dependendo de notificação prévia feita pelo credor ao devedor. 331 do CC). Mora é o retardamento culposo no cumprimento da obrigação. o devedor responde também pela impossibilidade da prestação resultante de caso fortuito ou força maior. pela conservação do bem e sujeitando-se ainda a recebê-lo pelo seu maior valor. A lei concede ao credor o direito de cobrar a dívida antes do seu vencimento em algumas hipóteses especiais. Há mora do credor quando este se recusa a receber o que lhe é devido. forem penhorados em execução por outro credor. o negócio jurídico criador da obrigação estabelece a época de sua realização. quer por parte do credor (mora creditoris ou mora accipiendi). II – se os bens. hipotecados ou empenhados. 394 do CC). A mora debitoris pressupõe uma dívida líquida e certa. depois da mora. ou seja. ou exigir tempo. salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano ainda sobreviria se a obrigação fosse oportunamente desempenhada. ou reais. do CC). quer por parte do devedor (mora debitoris ou mora solvendi).42 - . casos em que o prazo será fixado de acordo com os usos e costumes locais. cabendo ao credor a prova de que o devedor teve ciência do advento da mesma (art. 332 do CC). na forma contratual ou legal (art. 333. As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição. pelo simples advento do termo ou decurso do prazo. Esse atraso ou retardamento importa num inadimplemento temporário. e o devedor. Inadimplemento e mora O inadimplemento ou não-cumprimento da obrigação na maneira estipulada pode revestir formas diversas. 397 do CC). A destruição da coisa e a ilicitude do negócio jurídico. parágrafo único. III – se cessarem. na última hipótese. como as mencionadas no art. intimado.425 do CC.

numa relação jurídica. ou títulos da dívida pública. 347 do CC). . Castellani entre o tempo do vencimento e o do pagamento. a transferência do crédito ao pagador de dívida alheia (casos do art.43 - . Ocorre. só não cabendo tal ação na hipótese de obrigação de fazer ou de não fazer. É legal quando independe do consentimento do devedor ou do credor. 6. Sub-rogação pessoal pode ser: a) por força de lei. outrossim. se for débito em dinheiro. 890 a 900. privilégios e garantias do primitivo em relação à dívida contra o devedor principal e os fiadores (art. Pagamento em consignação Pagamento em consignação é o depósito judicial da coisa devida ou depósito em estabelecimento bancário. porque esta se faz antes do pagamento e a sub-rogação se faz por causa do pagamento. Mas. Cometti Fernando F. também. somente podendo depender de prova da qualidade do credor por parte de quem pretende receber o pagamento. de valor equivalente. 21. se o herdeiro indicar outro bem. A sub-rogação pode ser legal (de pleno direito) ou convencional. nos casos e forma legais (art. móvel ou imóvel. que fica em lugar daquela. poderá vender o imóvel. a sub-rogação legal em favor do terceiro que paga letra de câmbio ou do segurador que indeniza o dano causado à pessoa ou coisa segurada.777.911. O terceiro se subroga nos direitos do credor quando paga o débito. interrompendo. que é substituído pelo outro ou pelos títulos ou pela caderneta vinculada (art. e convencional quando ocorre explicitamente a transferência dos direitos de devedor ou do credor ao terceiro. 346 do CC). 334 a 345 e no Código de Processo Civil nos arts. completa e incondicional. Pagamento com sub-rogação A sub-rogação é a substituição de uma pessoa ou de uma coisa por outra pessoa ou coisa. o curso dos juros (art. A consignação em pagamento se aplica a todos os casos de obrigação de dar coisa certa ou incerta. a transferência do crédito próprio ou alheio.Coordenadores: Marcelo T. A sub-rogação convencional se dá por cessão do credor ou do devedor. 349 do CC). Distingue-se da cessão de crédito. com todas as suas características e atributos. parágrafo único. 22. 334 do CC) A consignação é regulada pelo CC nos arts. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos. mediante transferência dos direitos que o credor tinha contra o devedor. A consignação deve ser efetiva. de 8-8-1944). de valor semelhante. do CC – passando a ser exigida autorização judicial – e Decreto-lei n. nos casos legais (art. 334 do CC). ou mantiver depósito em poupança vinculada. 400 do CC). Exemplo: um bem da herança gravada com cláusula de inalienabilidade não pode ser vendido. ações. Os casos de sub-rogação legal são aqueles em que o pagamento é feito por um terceiro interessado na relação jurídica. que efetua o pagamento ou empresta o dinheiro necessário para tal fim. 1. Sub-rogação real é a substituição de uma coisa gravada por outra. b) por força de contrato ou de recibo com tal fim. para liberar o devedor. e considerando-se pagamento o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida. O sub-rogado assume assim a posição do sub-rogante. pelo pagamento (art.

25. A imputação pode decorrer de acordo entre os interessados ou de determinações legais. não mais poderá apresentar reclamação posterior contra a imputação. 24. em virtude da criação da obrigação nova. desonerando os coobrigados que nela não intervieram (arts. 352 do CC). Havendo diversos débitos. reintegrando-se terceiro na propriedade da coisa dada em pagamento ao credor. e d) capacidade das partes para novar e para dispor. garante a lei ao devedor o direito de indicar quais os débitos que pretende pagar (art. com assentimento do credor e visando à extinção da obrigação. no silêncio das partes. na falta de declaração do devedor. ou seja. Havendo evicção. fica ao arbítrio do credor imputar o pagamento da maneira que preferir. 354 do CC). a extinção de uma obrigação mediante a constituição de uma obrigação nova que se substitui à anterior. 359 do CC). c) a vontade de realizar novação (animus novandi) extinguindo a obrigação anterior. Quando o devedor tem vários débitos em relação ao mesmo credor e paga quantia insuficiente para a liquidação de todos. deve ser imputado primeiramente nos juros e depois no capital (art. ficando sem efeito a quitação dada. ou melhor. Supletivamente. ou seja.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 23. A dação em pagamento extingue a obrigação. Dação em pagamento Quando o credor consente em receber coisa diversa da que lhe é devida ocorre a datio in solutum ou dação em pagamento. Para que haja novação são elementos necessários: a) uma obrigação anterior. a novação extingue os acessórios e garantias da dívida primitiva. seja por modificação do credor ou do devedor. Não declarando o devedor qual das dívidas pretende pagar e aceitando a quitação de uma delas. Novação A novação é a transformação de uma obrigação em outra. b) uma obrigação nova que extingue a anterior. pouco importando que a coisa dada em pagamento tenha valor maior ou menor do que a prestação originariamente devida. o pagamento. A novação é objetiva ou real quando há modificação da prestação e subjetiva quando ocorre mudança do credor ou do devedor. o problema que surge é o de saber quais os débitos que devem ser considerados pagos. condicional ou anulável. todos líquidos e vencidos.44 - . Salvo estipulação em contrário. 364 a 366 do CC). o legislador estabeleceu um sistema de preferência considerando que. seja pelo valor ou natureza da prestação. Assim sendo. Imputação do pagamento Imputação é a escolha da parcela a ser quitada num pagamento parcial do devedor que tem vários débitos em relação a um só credor. salvo provando a existência de dolo ou violência (art. pois. havendo capital e juros. 353 do CC). na falta de declaração de vontade dos interessados. distinguindo-se a prestação antiga da nova. determina o Código que se restabelece a obrigação primitiva. com relação a que débitos o pagamento deve ser imputado. embora possa ser simples obrigação natural. Não caracteriza a novação a simples modificação . a existência de uma dívida e o pagamento desta pela entrega de uma coisa diferente da prometida. ou seja. Os elementos necessários da dação em pagamento são. ressalvados os direitos de terceiros (art.

sendo necessária uma substituição do objeto da obrigação (prestação) ou da causa debendi. A compensação é voluntária quando as partes a realizam em virtude de convenção. quando os créditos são de valor diverso. A compensação só se efetua entre dívidas líquidas. comodato. A compensação judicial é aquela realizada pelo juiz. A compensação pode ser automática ou de pleno direito. a não ser em virtude de lei específica (art. quando depende de decisão do magistrado. Também não se admite a compensação nas dívidas fiscais. 373 do CC). podendo ainda ser total. ou parcial. havendo reciprocidade entre os créditos e débitos. sem que existam os requisitos estabelecidos pela lei para a compensação de pleno direito. ficando exonerado da responsabilidade o antigo. ao mesmo tempo.172/66). são credora e devedora uma da outra até o limite da existência do crédito recíproco (art. por acordo entre o credor e um novo devedor que assume a obrigação do anterior (art. Não impede a compensação a diferença de causa nas dívidas. 27. furto ou roubo. Mesmo as coisas fungíveis só se compensam quando forem da mesma qualidade. 382 do CC). 362 do CC). extinguindo-se a dívida do devedor para com o primeiro e mantendo-se para com o novo credor. É parcial quando tão-somente uma parte do crédito se extingue pela confusão. Castellani das modalidades (condições. mas a confusão na obrigação acessória (confusão do fiador e do credor) não importa em extinção da obrigação principal (art. 26. 369 do CC). 375 do novo Código Civil). salvo se um dos créditos decorrer de esbulho. Cometti Fernando F. A confusão pode ser parcial ou total (art. a confusão só pode ser alegada entre credor e devedor.45 - . em virtude da liquidação judicial de um crédito anteriormente ilíquido. 368 do CC). É também denominada compensação facultativa. A confusão extingue a obrigação principal e as obrigações acessórias. 381 do CC). É total quando importa na extinção da obrigação. depósito ou alimentos ou se uma dívida for de coisa insuscetível de penhora (art. A novação deriva de delegação quando há consentimento de todos os interessados e extinção do débito para o substituído. ou quando o credor primitivo é substituído por outro. quando decorre de declaração de vontade das partes interessadas. com a extinção de ambas as dívidas. ou convencional. As partes podem renunciar à compensação ou excluí-la por mútuo acordo (art.Coordenadores: Marcelo T. judicial. extinguindo-se um e mantendo-se o outro na parte excedente ao crédito compensado. ou da expromissão. Confusão A confusão é a extinção da obrigação decorrente da identificação numa mesma pessoa das qualidades de credor e devedor (art. vencidas e de coisas fungíveis (art. quando a novação se realiza independentemente do consentimento do devedor originário. 5. 384 do CC). 170 da Lei n. . Como a compensação. Compensação A compensação é meio de extinguir as dívidas de pessoas que. termo ou encargo) ou das garantias dadas ao credor. A novação é subjetiva quando o antigo devedor é substituído por um devedor novo.

nas obrigações em que a lei o exige. No primeiro caso. 844. § 3º. como ocorre na novação. pelo qual as partes. descontando a quota que for objeto da remissão (art. há sempre uma dúvida ou um litígio que as partes pretendem eliminar a fim de obter maior segurança nas suas relações jurídicas. Pode ser judicial ou extrajudicial. a obrigação não se extingue para os outros. conforme vise a terminar um processo ou evitar o seu início. Transação A palavra “transação” é utilizada em sentidos diversos. as partes extinguem obrigações. assinado pelos transigentes e devidamente homologado pelo juiz ou por escritura pública. por convenção expressa. A simples declaração do credor importa em extinção da dívida. o acordo de vontades do credor e do devedor. evitam ou terminam um litígio (art. 844. que todavia só poderão exigi-la descontada a parte correspondente ao credor que perdoou a dívida (art. necessitando. Se houver transação entre um dos devedores solidários e o credor. A cláusula penal se apresenta geralmente sob a forma de pagamento de determinada quantia em dinheiro. A transação concluída entre o credor e o devedor desobriga o fiador. ou por instrumento particular.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 28. nas em que ela o admite. 408 a 416 do CC). Remissão de dívida Remissão das dívidas é a renúncia do credor ao crédito que existe em seu favor. § 1º. Nos termos do art. só podendo o credor cobrar dos coobrigados solidários o débito remanescente. mas pode ser revogada até o momento em que o devedor aceita a remissão. a transação far-se-á por escritura pública. significa qualquer espécie de negócio. O valor da . 30. 842 do CC. 29. 840 do CC). Na acepção mais ampla e menos técnica.46 - . do CC). é o negócio jurídico bilateral pelo qual os interessados. A multa é convencionada no momento da realização do ato jurídico ou posteriormente. Pela transação. a dívida se extingue para os co-devedores solidários (art. obra beneficente). seja perdoando uma dívida. Se a obrigação for indivisível e um dos credores fizer a remissão da dívida. admitindo-se todavia a cláusula cujo conteúdo seja a prática de ato ou mesmo uma abstenção por parte do inadimplente. por concessões mútuas. será feita por escritura pública ou por termo nos autos. 262 do novo Código Civil). seja trazendo-lhe uma doação. não as substituindo normalmente por outras. Em sentido restrito. Se a dívida for solidária. poderá ser feita por termo nos autos. se recair sobre direitos contestados em juízo. Cláusula penal A cláusula penal é um pacto acessório. A transação também se distingue do ato de liberalidade em que uma das partes quer beneficiar a outra. do CC). regulamentado pela lei civil (arts. como aliás ocorre em matéria de novação (art.. 388 do CC). para se tornar irrevogável. revertendo em favor da parte inocente ou de terceiro (v. g. assinado pelos transigentes e homologado pelo juiz. submetem o devedor que descumprir a obrigação a uma pena ou multa no caso de mora (cláusula penal moratória) ou de inadimplemento (cláusula penal compensatória). a remissão feita a um dos devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente. Quando se transige.

se as arras não constituem início do pagamento. em garantia da conclusão de um contrato. se as partes convencionam a possibilidade de arrependimento. 417. 420 do CC. que foi cedido). quando só se refere a um crédito específico (v. por antecipação mediante entrega real da quantia. não devendo mais nada (art. O CC tem dois artigos que impõem limites para a estipulação da cláusula penal. ou acrescer-se a elas. enquanto naquela o pagamento é feito desde logo. quando a obrigação tiver sido parcialmente cumprida ou na hipótese de a penalidade ser manifestamente excessiva. um crédito contratual.Coordenadores: Marcelo T. tendo em vista a natureza e a finalidade do negócio (art. podendo ser a título universal. O locatário pode pagar a multa. funcionando como verdadeira cláusula compensatória. o locatário abandona o prédio antes do termo fixado e existe no contrato uma multa na hipótese de infração contratual. e não de mora. independentemente de qualquer infração. entre pessoas vivas (inter vivos) ou em virtude de falecimento (mortis causa). O legislador determinou. podendo então substituir-se às perdas e danos. Cometti Fernando F. Se houver a execução do contrato. g. Outras vezes. nas arras penitenciais o pagamento é prévio. no momento da celebração do contrato. quando abrange todos os bens ou uma fração da totalidade dos bens do cedente (como ocorre em relação ao herdeiro). O primeiro é o art. se o arrependimento for da outra parte. as arras são consideradas penitenciais e terão função unicamente indenizatórias.. Castellani multa deve ser determinável. As arras podem ser em dinheiro ou em outros bens fungíveis. como complemento pela infração contratual. O segundo atribui ao juiz o dever de reduzir a cláusula eqüitativamente. . Nos termos do art. o sinal poderá ser restituído ou computado como parte do pagamento do devido (art. de 18-10-1991). Nesta hipótese. 32. As arras se distinguem da cláusula penal pois. 4º da Lei n. 412 que veda ter a cláusula penal valor superior ao da obrigação principal. Transmissão das obrigações A transmissão das obrigações pode apresentar-se sob a forma ativa (cessão de crédito) ou passiva (assunção de dívida ou cessão de débito). recorrendo-se eventualmente a vários fatores para a fixação definitiva do seu montante. Arras ou sinal As arras constituem quantia ou coisa móvel dada por uma das partes à outra. parte final. A cláusula penal é moratória quando se aplica em virtude de mora do devedor e sem prejuízo da exigência da prestação principal. haverá restituição do equivalente ao valor dado como arras. Funcionando ambos os institutos como limitações da indenização na hipótese de inadimplemento. que não poderá ser exigida indenização suplementar. ainda.47 - . 413). entende-se que no caso de inadimplemento.245. do CC). não haverá a restituição do sinal para aquele que o deu ou. a cláusula penal é compensatória e não representa um acréscimo às perdas e danos. enquanto na cláusula penal a parte inadimplente se compromete condicionalmente (na hipótese de inadimplemento ou de mora) a pagar certa quantia previamente fixada. 31. num contrato de locação por tempo determinado. devem ser devolvidas quando o contrato é executado ou desfeito independentemente de culpa. ou a título singular. No silêncio do contrato. a cláusula penal se aplica no caso de infração do contrato. há promessa de pagamento. Assim. Ressalta-se que. nesta. 8.

48 - . deve impugnar a transferência em trinta dias. caso não o faça. em princípio. o silêncio será interpretado como a reprovação da respectiva cessão de débito. Neste caso. se não o faz. o banco não é obrigado a aceitar qualquer devedor. conforme o seu art. tornando inequívoco que: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. 299 trata da manifestação do credor sobre o negócio realizado e determina que pode ficar estipulado um prazo para que ele consinta na assunção da dívida. e. dependendo dos rendimentos. sendo notificado. Como aplicações específicas da assunção de dívida. pois concede crédito a alguém que. . poderá pagar. O CC admite expressamente a assunção de dívida nos arts.. 303. era insolvente e o credor o ignorava” (art. salvo se aquele. 299). ficando exonerado o devedor primitivo. o CC se refere ao caso do adquirente do imóvel hipotecado que se responsabiliza pelo pagamento do débito hipotecário. com o consentimento expresso do credor. o parágrafo único do art. ao tempo da assunção. emprego e outros fatores.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A assunção de dívida é um negócio jurídico pelo qual um terceiro assume a dívida em lugar do devedor. com ou sem aceite deste. 299 e s. “entender-se-á dado o assentimento”. O CC diz que o credor. Além disso.

feita por uma das partes – o policitante ou proponente – à outra – o oblato ou solicitado. que representa a projeção do interesse social nas relações interindividuais. representa algo psicológico que presume a ignorância da real situação jurídica. para saber se interessa ou não o contrato. 3. É preciso ressaltar. O contrato poderá ou não se realizar. enquanto a segunda importa na fixação das modalidades de sua realização. Antes de aceitar. em virtude da elaboração de uma série de normas legislativas fixando princípios mínimos que os contratos não podem afastar (salário mínimo. Assim. Assim. visando criar. minutas. modificar ou extinguir obrigações (direitos relativos de conteúdo patrimonial). a liberdade contratual só sofre restrições em virtude da ordem pública. troca de cartas para esclarecimentos. pressupõe uma proposta. . que não se iguala ao sentido dado à boa-fé subjetiva. em seu art. isto é. 422. Os dois elementos imprescindíveis para a formação do contrato são a solicitação ou proposta e a aceitação. Na boa-fé subjetiva. também denominada pela doutrina de boa-fé objetiva. A primeira se refere à possibilidade de realizar ou não um negócio. 1. denominada policitação. O dirigismo contratual diminuiu e restringiu a autonomia da vontade. . como acordo de vontades. o oblato torna-se aceitante. pois muitos contratos são hoje verdadeiros contratos de adesão. enquanto a liberdade contratual é a possibilidade de estabelecer o conteúdo do contrato. Relaciona-se com fatores do sujeito e com os cuidados que deve ter nas suas relações com terceiros. Cometti Fernando F.201 do CC: “É de boa-fé a posse. corresponde a uma técnica legislativa que busca garantir a relação entre o direito e a realidade social. especialmente no tocante à faculdade de fixar o conteúdo do contrato (liberdade contratual). pois depende de no mínimo duas declarações de vontade. possibilitando a existência de um sistema jurídico aberto com constantes adaptações das normas legais às exigências do mundo de relações e da alteração dos seus valores com o tempo. não vinculam as partes. apontamentos. contas. É o caso do art. 2. Castellani CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS 1. Quando há aceitação. cujo texto depende de aprovação prévia de organismos governamentais. levando em conta os deveres de diligência que se espera de um homem mediano. portanto. analisa-se o conhecimento ou a ignorância de determinada situação. a cláusula geral fornece um ponto de partida para se alcançar resultados justos e adequados. ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”.49 - . se o possuidor ignora o vício. Princípios básicos do direito contratual Liberdade de contratar é a faculdade de realizar ou não determinado contrato. tabelamento de gênero. adotou a cláusula geral de boa-fé.Coordenadores: Marcelo T. fixação de percentagens de juros). A liberdade no plano contratual tem sofrido amplas restrições. ainda. uma das partes pode pretender apenas obter informações. Em tese. Noção de contrato O contrato é um negócio jurídico bilateral. tanto na conclusão do contrato quanto na sua execução. Formação do contrato O contrato. que implica um estado de conhecimento do sujeito. visitas. O Código Civil. indagações. A regra de boa-fé objetiva configura-se como cláusula geral e.

“para qualificar e reger as obrigações. 429). aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem”. Promessa pelo fato de terceiro O art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Essas são as chamadas negociações preliminares. se o contrário não resultar dos seus termos. passando a ser o instrumento público essencial para a validade do negócio jurídico (art. 427 e 428 do CC). pois. constitui nova proposta. Quando. 5. de 4-9-1942).657. Decreto-lei n. Deixa também de obrigar o proponente a policitação quando. algumas vezes há necessidade de escritura pública (venda de imóvel de valor superior a certa quantia). pode o contrato tanto ser verbal como escrito. não for aceita imediatamente ou se. ou de documento escrito (doação que não seja de pequeno valor. De acordo com o seu art. o contrato é res inter alios acta. autorização para sublocar na sistemática da Lei do Inquilinato). a indenização deve ser ampla. Geralmente os contratos não tenham formas solenes. o terceiro. ela pode ser revogada pela mesma via da sua divulgação. 4. da natureza do negócio ou das circunstâncias do caso. que são os sujeitos ativos e passivos da relação jurídica. todavia. 429. esta não responder dentro do prazo estipulado ou de prazo razoável. equiparando-se a aceitação condicional. que. sem nenhum efeito sobre o patrimônio do terceiro. feita a pessoa ausente. desde que a própria oferta mencione essa faculdade (parágrafo único do art. abrangendo tanto o dano emergente como o lucro cessante. Havendo contraproposta. 109 do CC). Quanto ao lugar. salvo declaração de vontade deste.50 - . na hipótese de inadimplemento. 9º e § 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. O CC estabeleceu regra específica para a oferta destinada ao público em geral. A proposta de contrato obriga o proponente. cessionários). se contiver todos os requisitos essenciais do contrato e desde que as circunstâncias e os usos não estabeleçam o contrário. 435 do novo Código Civil). realizando-se por documento particular ou público. chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente (arts. todavia. antes ou simultaneamente com ela. e “a obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente” (art. O problema se reveste da maior importância em direito privado. como toda declaração unilateral de vontade. a oferta ao público equivale à proposta. 4. Efeitos dos contratos Os contratos alcançam as partes interessadas. não podendo todavia prejudicar ou beneficiar terceiros sem declaração de vontade por parte destes de que aceitam os efeitos contratuais sobre o seu patrimônio. Entretanto. . assim como seus sucessores (herdeiros. com ou sem conhecimento ou consentimento deste. Nesta hipótese. no fundo. 439 do CC admite explicitamente a possibilidade de ser prometido fato de terceiro. não há exigência legal quanto à forma. deixando todavia a policitação de ser vinculatória se feita sem prazo a pessoa presente. resolvendo-se em perdas e danos que o promitente deverá pagar ao outro contratante. Para o não contratante que não sucede ao contratante. será considerado o lugar em que foi feita. A promessa não vincula. relação jurídica entre as partes contratantes. reputa-se celebrado o contrato onde foi proposto (art.

Os direitos e deveres oriundos da estipulação surgem independentemente da aceitação do terceiro. e finalmente o terceiro. em virtude de caso fortuito ou culpa do comprador. não poderão os contratantes fazer o distrato sem intervenção do terceiro. mediante cláusula contratual ou aditamento ao contrato. Entretanto. por outro. § 1o. e existente no momento da execução do contrato e subsistente na época do exercício da ação própria. para terceiro. um direito novo e próprio. nem poderão. A teoria da responsabilidade pelos vícios redibitórios se aplica atualmente a todos os contratos comutativos. não pode ser atribuída a responsabilidade ao vendedor. quando o vício. Se o vício vier a surgir depois da execução do contrato. 445. oculto. cabe o exercício da ação redibitória. ainda. mas as partes podem alterar a convenção de comum acordo. O vício redibitório é. Castellani 6. em certos casos. 7. Estipulação em favor de terceiro A estipulação em favor de terceiro é o contrato pelo qual se cria. não intentando as ações próprias. as reformas ou consertos necessários para corrigir os defeitos existentes. 470 e 471). o art. uma vez que o terceiro tenha manifestado a sua aceitação. nos termos estipulados no instrumento contratual ou na lei.Coordenadores: Marcelo T. só puder . quando o adquirente. em favor de quem a prestação deve ser executada. o promitente. modificar a identidade do beneficiário ou as modalidades da prestação. pois. impedindo o uso normal da coisa. que estipula em favor de terceiro. caso não haja indicação de terceira pessoa ou a indicação não seja aceita por ela ou.O vício redibitório se distingue do defeito visível. uma das partes tem a faculdade de. Enquanto o terceiro não aceita os efeitos da estipulação. Os prazos para o exercício da ação redibitória são de decadência. Contrato com pessoa a declarar Neste tipo de contrato. por sua natureza. se a pessoa indicada for insolvente ou incapaz no momento da indicação. Exemplo: seguro de vida. Se ao contrário o desaparecimento do objeto for conseqüência do vício. e do erro. mas. ou seja. 8. ignorado pelo adquirente. desde o momento em que foi celebrado (arts. Vícios redibitórios Vício redibitório é o defeito oculto que desvaloriza ou torna a coisa imprópria ao uso. indicar outra pessoa que irá adquirir direitos ou assumir obrigações nele previstas. não se suspendendo. este não pode acionar o vendedor. àqueles em que há equivalência das prestações das partes. Contudo. dois certos e um condicional. nem sendo suscetíveis de interrupção. 467 a 469 do CC). aparente ou ostensivo. como também à doação onerosa (art. do CC estabelece que. 441 e parágrafo único do CC). sendo o estipulante. prefere realizar. por um lado. por sua própria conta. o contrato somente produzirá efeitos entre os contratantes originários (arts. Perecendo a coisa. vício da vontade. A renúncia à garantia pelos vícios redibitórios pode ser expressa. Cometti Fernando F. que se obriga a realizar a prestação em favor de terceiro. ou tácita. Na estipulação existem três sujeitos. pessoa determinada ou determinável. salvo se o comprador puder provar que decorre de outro defeito já existente por ocasião do contrato.51 - . começando a correr a partir da entrega ou da tradição do objeto ao adquirente. há obrigatoriedade desta. sem o seu consentimento.

Em relação aos vícios ocultos nos negócios de compra e venda de animais. haja sentença. O adquirente é o evicto. 445. pois transmitiu um direito inexistente ou viciado. transitada em julgado. reconhecendo que o alienante não era titular legítimo do direito que transferiu. em virtude de sentença judicial. pelo adquirente. As garantias do adquirente podem ser reforçadas mediante uma caução ou fiança ou mesmo por garantia hipotecária a fim de assegurar. devendo os contratantes fixar as garantias suplementares no instrumento em que estabelecem as condições do negócio jurídico ou em ato posterior. 2. ou. um direito alheio. na qual se declara que o alienante não tinha qualidade para realizar a alienação. 9. Quando o objeto da evicção se identifica completamente com o da alienação. considerar-se-ão os usos e costumes locais. a evicção só recai sobre uma parte do objeto da alienação. em contrato oneroso. perdendo o direito que acreditava ter legitimamente adquirido. em virtude de sentença judicial. nos termos do art. O alienante é o responsável pelos prejuízos decorrentes da evicção. pois. do CC. reforçar. 3. . ou seja. quando. nem regra consuetudinária. para bens móveis. 447 do CC). que as atribui a terceiro. Este dispositivo determina a aplicação do prazo especificado no seu § 1º – 180 dias para bens móveis e um ano para bens imóveis. o prazo será contado da data da ciência da sua existência até o máximo de cento e oitenta dias. § 2º. mediante cláusula contratual. titular legítimo do direito. a evicção a perda da posse ou da propriedade de um bem. e um ano. em virtude da qual o adquirente perdeu o uso. Para que haja evicção é preciso que: 1. Ademais. podendo as partes. essa garantia subsiste mesmo em casos de aquisição em hasta pública (art. se esta não existir. o prazo de garantia deve ser especificado em lei especial. ao contrário. exista um vício no direito do alienante transferido ao adquirente. A lei dá assim maior liberdade às partes para a ampliação da garantia legal no caso de evicção. a posse ou o domínio da coisa alienada. com um patrimônio de terceiro ou com certos bens específicos pertencentes ao alienante. o pagamento da indenização devida na hipótese de evicção.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI ser conhecido mais tarde. A garantia do alienante pelos prejuízos decorrentes da evicção existe nos contratos onerosos. O terceiro que realiza a evicção é o evictor. mas consideramos que se equipara aos móveis. diminuir ou excluir a responsabilidade decorrente da lei (art. Caracteriza. para os imóveis. a evicção é total. quando não houver lei específica.52 - . Evicção A evicção é o fato em virtude do qual o adquirente perde a posse ou a propriedade de determinado objeto. ela é parcial. seja o vício anterior à alienação. 448 do CC). pois sofre a evicção.

482 do CC. a fim de evitar conluios ou fraudes. venha ou não a haver safra – emptio spei) ou quanto ao valor dela (emptio rei speratae. o novo Código deixa claro que.Coordenadores: Marcelo T. parágrafo único). estar devidamente assistidos ou representados. Cometti Fernando F. administradores a aquisição dos bens confiados à sua guarda ou administração. protótipos ou modelos. São elementos essenciais da venda a existência do objeto (res).750 do CC). seqüestrados ou penhorados. 484 do CC). venda de colheita futura. dos protótipos ou dos modelos. A compra e venda é um contrato bilateral (cria obrigações para ambas as partes).747 e 1. A lei também veda. Para evitar litígios na família exige-se. pode ser aleatório. sob pena de nulidade.691. sendo ato de disponibilidade. 1. 1. venda de colheita desde que haja safra. A compra e venda não requer forma especial. 497. legitimação. que na venda dos ascendentes para os descendentes haja o consentimento expresso dos outros descendentes e do cônjuge (art. Castellani CAPÍTULO III . exige autorização do juiz quando o alienante é incapaz (arts. 497 do CC. prevalecem estas últimas (parágrafo único do art. e o outro a pagar-lhe certo preço em dinheiro (art. 481). se incapazes. Da compra e venda e da troca A compra e venda distinguiu-se da troca ou permuta por importar na transferência de mercadorias de uma parte contratante para a outra. Geralmente é comutativo. embora tenha a capacidade geral. embora possa esta ser exigida para a transferência da propriedade. O CC define a compra e venda como o contrato pelo qual um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. do preço e das modalidades de pagamento. a fim de evitar que a doação seja simulada em compra e venda. o falido não pode alienar os seus bens. aos tutores. e mesmo a pessoa solvente não pode alienar bens arrestados. mediante o pagamento de determinada quantia de moedas. Além disso. O legislador ressaltou ainda que essa proibição estende-se aos casos de cessão de crédito (art. devendo tanto o comprador como o vendedor ser capazes de fato ou. . Excepcionalmente. 496 do CC). aos juízes. podendo ser comutativo ou aleatório. exigindo. curadores. em alguns casos. 2. Hipóteses especiais de compra e venda (cláusulas especiais) a) Venda por Amostra Na venda por amostras. qualquer que seja o seu valor). 484). havendo equivalência aproximada das prestações e certeza quanto ao valor de ambas. demais serventuários e auxiliares da Justiça e aos leiloeiros. O contrato se torna perfeito com a combinação entre as partes do objeto da venda. o vendedor garante ao comprador que a mercadoria alienada tem as qualidades correspondentes às da amostra (art. Esses elementos estão perfeitamente especificados no art. Assim. oneroso (não importa em liberalidade). estendendo tal proibição aos funcionários públicos. A venda. do preço (pretium) e do consenso (consensus). na hipótese de surgir dúvida quanto à existência de uma das prestações (venda de mercadoria que se encontra em navio que pode ter naufragado. testamenteiros.53 - .CONTRATOS EM ESPÉCIE 1. nos casos expressamente mencionados no art. sob pena de anulação do negócio. se houver contradição ou diversidade entre a descrição da coisa no contrato e as características das amostras. O contrato de compra e venda pressupõe a capacidade geral.

359 do CC). perfumes. 510). parágrafo único). A retrovenda só se aplica aos imóveis e pode ser exercida durante um prazo de caducidade de. promessa irretratável de venda etc. que se assemelha à venda a contento. d) Venda a contento e venda sujeita a prova (arts. três anos a partir da data da venda (art. É muito conhecida tal espécie de venda no tocante a vinhos. de uma espécie de venda condicional que somente se torna perfeita e acabada comprovando-se a identidade da mercadoria ou do objeto entregue com a amostra que deu margem ao pedido. Na hipótese de exercício do direito de preferência. funcionando esta como condição suspensiva para a efetivação do negócio. b) Venda “ad corpus” e “ad mensuram” Há duas modalidades na venda de terras ou terrenos: a venda ad corpus é a alienação de imóvel. no máximo. 509 a 512 do novo Código Civil) Venda a contento é a alienação que depende de aprovação do comprador. adquirindo o bem. o comprador fica obrigado a pagar o preço nas condições ofertadas ou ajustadas. 505 do CC). Até a aceitação da venda. se imóvel (art. c) Retrovenda A cláusula de retrovenda consiste na faculdade que se reserva o vendedor de reaver o imóvel vendido devolvendo ao comprador o preço. à coisa em seu todo. como ocorre na retrovenda. o titular do direito de preferência pode notificar o alienante de sua vontade de exercê-la. e) Preferência ou preempção A preferência ou preempção é uma faculdade pessoal que se assegura ao vendedor para readquirir a coisa vendida em igualdade de condições com um terceiro comprador. livros e alimentos em geral. pois. sendo apenas enunciativa ou descritiva a referência às dimensões. como coisa certa e discriminada. 1.). que se resolve em perdas e danos. 505 do CC). Distingue-se da retrovenda por ser aplicável tanto a móveis como a imóveis. funcionando como verdadeira cláusula resolutória da propriedade (art. na medida em que também se presume feita sob condição suspensiva de que a coisa tenha as qualidades asseguradas pelo vendedor e seja idônea para o fim a que se destina (art. 511 do CC). se a coisa for móvel. se o comprador transferiu o seu direito dentro do prazo de exercício da retrovenda. A retrovenda tem efeitos reais. O CC estipulou um prazo máximo para o exercício do direito de preferência. tanto na venda a contento quanto na venda sujeita a prova. sendo de cento e oitenta dias. 513. na hipótese de revenda do bem. Ciente da venda que está para ser realizada. situação em que a mesma passa a ser condição essencial ao contrato efetivado. ou seja.54 - . as despesas feitas pelo adquirente (custas de escritura e impostos). importando apenas na criação de um direito obrigacional. e não num direito real. . incluindo aquelas efetuadas com a sua autorização escrita no período de resgate ou para a realização de benfeitorias necessárias (art. Existindo preferência em favor de mais de uma pessoa. não se admitindo exercício parcial do direito de preferência que viria cindir a venda. anticrese. O direito de preferência é intransferível por ato mortis causa ou inter vivos. o comprador é equiparado ao comodatário (art. O CCl trouxe a figura da venda sujeita a prova. Já a venda “ad mensuram” faz-se o preço por medida de extensão. só poderá ser exercido em relação à totalidade do objeto.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Trata-se. valendo inclusive contra terceiros. e extinguindo todos os direitos de terceiros posteriores à alienação primitiva (hipoteca. ou de dois anos. ainda que a coisa já tenha sido entregue.

Castellani A preferência tem sido assegurada. salvo sendo remuneratórias. tendo todavia efeitos pessoais. É preciso distinguir no caso a doação da dação em . todavia. A pessoa casada não pode fazer doações sem o consentimento do outro cônjuge.242/91) lhe dá efeitos reais (art. estipulem de forma similar. freight = custo. Cometti Fernando F. de modo que se caracteriza não pela tradição da coisa. ou seja. 542 do CC).647 do CC). nada impede que as partes. o animus donandi. assegurando-se. pelo conhecimento marítimo. caso pague preço igual ao do melhor comprador encontrado no prazo de exercício do pacto. mas pela entrega do seu título representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato. por lei. salvo se absolutamente incapaz. O Código Civil deixou de disciplinar o pacto de melhor comprador. insurance. As doações remuneratórias são aquelas que visam uma compensação do donatário por serviços prestados ou por ato praticado. em que se prova o embarque das mercadorias. A Lei do Inquilinato (Lei n. resolvendo-se em perdas e danos. Vale o pacto de melhor comprador como verdadeira condição resolutiva. observado o regime dos negócios jurídicos. É preciso que o donatário aceite a doação. em condições de igualdade com qualquer terceiro interessado na compra do prédio. Ao comprador não cabe recusar o pagamento alegando vício ou estado da coisa vendida. todavia. 1. Salvo estipulação em contrário. admite-se que os absolutamente incapazes possam receber doações puras. pelos usos. usando da sua autonomia da vontade. 543 do CC).55 - . por exemplo. sem a necessidade da sua aceitação (art. Essa proibição. g) Venda sobre documentos A definição desse instituto é dada pelo art. Também se considera válida a doação feita ao nascituro quando aceita pelo seu representante legal (art. sob a justificativa do desuso dessa figura contratual tipificada pelo Código de 1916. 8. não vale se os cônjuges forem casados em regime de separação absoluta (art. entretanto. a aceitação quando o doador fixou prazo para que o donatário o aceitasse. uma vez que a documentação esteja em ordem. ressalvados os casos em que o defeito tiver sido comprovado (parágrafo único do art. Doação Doação é o negócio jurídico pelo qual alguém se obriga a transferir. bens ou vantagens do seu patrimônio para outra pessoa. em geral contendo as cláusulas CIF (cost. aplicandose somente aos imóveis. de rescindir a venda já realizada se dentro de certo prazo aparecer melhor comprador. ou até. pelo contrato.Coordenadores: Marcelo T. f) Pacto de melhor comprador e pacto comissório O pacto de melhor comprador é a faculdade concedida ao vendedor. Os caracteres essenciais da doação são o enriquecimento do donatário. ao primeiro comprador a preferência para manter a venda feita em seu favor. 33). por liberalidade. seguro e frete incluídos) ou FOB (free on board = livre a bordo). 539 do CC). Usa-se tal modalidade no comércio internacional. de bens comuns ou dos que possam integrar futura meação. o pagamento deverá ser efetuado na data e no lugar da entrega dos documentos (art. 530). Entretanto. ao locatário para aquisição do imóvel residencial alugado. A lei presume. a atualidade da atribuição patrimonial e a irrevogabilidade. caso o contrato nada mencione. 529). 3. tratando-se de doação sem encargo e o donatário não se manifestou nesse período (art. Atendendo-se ao interesse do donatário. 529.

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI pagamento. o de transporte e outros. 557 a 564 do CC. porque não se exige a entrega da coisa para aperfeiçoar o contrato. A locação é contrato bilateral. impessoal e de duração. passando a ser considerada como inexistente desde o início e desaparecendo todos os seus efeitos e. locatio operis faciendi: locação de obra. o de expedição. mediante acordo nesse sentido entre as partes. Da locação No direito romano. comutativo. a empreitada. pois a resolução do direito fundamental importa em caducidade dos direitos derivados. As doações ainda podem ser continuadas. que. operando tal cláusula como resolutória do contrato. 4. Esta existe havendo preço combinado para uma prestação de serviços e pagando o devedor com um objeto determinado. sendo considerada nula qualquer estipulação pela qual o doador previamente renuncie à possibilidade de revogação nos casos de ingratidão do donatário. É oneroso porque. isto é. Locação é o contrato em que uma das partes se obriga a ceder à outra o uso e gozo de coisa infungível. podendo ser nula ou anulável. Não é contrato real. os eventuais direitos de terceiros. o de trabalho doméstico. A remuneração ou o preço pago diz-se aluguel. os Códigos mais recentes disciplinam o contrato de prestação de serviços. aluguer ou renda. o contrato de aprendizagem. não havendo nem mesmo um direito do credor de exigir judicialmente o pagamento de uma prestação fixa. o contrato de trabalho. anulando as alienações feitas pelo donatário e fazendo os bens reverterem livres de quaisquer ônus ao doador. A redução das doações se justifica quando o valor destas ultrapassa a parte disponível. inquilino ou arrendatário. se for gratuito. Nesta hipótese. A doação é ineficaz quando realizada em desobediência às normas legais. voltarão os bens doados ao doador se ainda estiver vivo. senhorio ou arrendador. A revogação ocorre na hipótese de ingratidão do donatário. A revogação deve respeitar os direitos de terceiros e pode decorrer também da inexecução de encargos (art. constituindo faculdade que o doador poderá exercer na forma dos arts. A doação surge quando não existe essa proporção exata entre as prestações. vários contratos foram abrangidos pela denominação de locatio conductio. e locatio operarum: locação de serviços. ferindo assim os direitos dos seus herdeiros necessários (art. . em virtude da morte do donatário. Mas a evolução do direito alterou a classificação romana. como figuras autônomas. 555 do CC). mediante remuneração. oneroso. quando as partes estipulam que. 549 do CC). Assim. É bilateral porque acarreta obrigações interdependentes de ambas as partes.56 - . quando revestem a forma de pagamento em períodos sucessivos. que tinha três modalidades: locatio rei (ou rerum): locação de coisas. A parte que cede o uso e gozo diz-se locador. As doações podem ser reversíveis. ou empreitada. mesmo antes da entrega o contrato já está perfeito. com um regime especial para os imóveis. extinguindo-se a liberalidade. A resolução da doação decorre da existência de condição resolutiva ou termo final. terá ela efeitos retroativos. É consensual porque basta o acordo de vontades. a que recebe a coisa chama-se locatário. A locação ficou restrita à de coisas. da qual o doador poderia dispor em testamento no momento da liberalidade. consensual. o de agência. ou de execução sucessiva. constitui comodato (empréstimo de coisa não fungível). inclusive. salvo outra indicação do doador. Pode fazer-se em dinheiro ou outra utilidade. só são devidas enquanto ele estiver vivo e não poderão subsistir após a morte do donatário.

o dono pode optar entre receber a obra e exigir abatimento do preço ou rescindir o contrato pedindo perdas e danos (arts. se for omissa. 621 do CC. 90). É contrato de duração. assim como das regras técnicas peculiares aos trabalhos da mesma natureza. 8.Coordenadores: Marcelo T. oneroso e comutativo. O contrato de empreitada é consensual. Entretanto. ser de execução imediata ou contínua. Da empreitada A empreitada costuma ser definida como o contrato pelo qual alguém se obriga a fazer determinada obra para outrem. editou-se a Lei n. o mesmo dispositivo legal traz duas exceções e permite modificações quando: a) fique demonstrada a inconveniência ou excessiva onerosidade da execução do projeto original. como se vê da ementa. a Lei n. Podem ser locadas coisas móveis e imóveis. tudo dependendo das circunstâncias peculiares do contrato e da convenção das partes. A lei se refere aos contratos em shopping centers. e b) quando as alterações forem de pouca monta. Não o podem ser também os bens públicos de uso comum. 5. supletivamente. realizado intuitu personae ou livremente transferível (art. aplicáveis a todas as locações de imóveis urbanos. Tal como em parte ocorria nas anteriores. ressalvada a unidade estética da obra projetada. porque se prolonga no tempo. 6. por motivos supervenientes ou razões de ordem técnica. Nesse sentido é o art. Da locação predial urbana As leis de locação predial foram chamadas de Leis do Inquilinato. mediante retribuição. conforme o caso. mas também no direito empresarial e no direito administrativo. Na hipótese de mora do empreiteiro ou de defeitos na obra. deverá ser assinado documento escrito determinando as alterações. bilateral. tratando-se de um instituto de alta relevância não apenas no direito civil. Considera-se imperfeita a obra quando o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados. intelectual ou artístico. com a locação residencial e a não residencial e cuidando da parte processual.245/91 foi além e regulou melhor e com alterações alguns processos referentes às locações de imóveis. em que trouxe inovações quanto às ações de despejo. Em 18-10-1991. que. “dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os procedimentos a elas pertinentes”. sendo admitida. O dever primordial do empreiteiro é realizar a obra ou serviço no prazo e nas condições convencionadas ou de acordo com os usos locais. Cometti Fernando F. infungíveis e não consumíveis. 615 e 616 do CC). respondendo pela sua solidez. é válida a locação de coisa alheia. começando pelas disposições gerais. que passam a incluir-se na locação. podendo. Admite-se que certos bens incorpóreos também possam ser locados. Não podem ser locadas as coisas fungíveis. em tese. alterando e extinguindo a Lei de Luvas e outras leis especiais (art. A lei sistematizou melhor a matéria.57 - . revisional e renovatória. pois neste caso o contrato se transforma em mútuo oneroso. Em virtude do contrato de empreitada pode ocorrer a modificação de um bem móvel ou imóvel ou a realização de um trabalho científico. . Mesmo sendo lei especial. a cessão. consignação. Castellani É impessoal porque não se leva em conta a pessoa do contratante. 8. 626 do CC). A coisa pode ser do locador ou não. Havendo qualquer modificação do plano inicial por parte do dono da obra. porque supostamente pretendiam defender ou proteger o inquilino. aplica-se o Código Civil. passando para as especiais.245. como o fundo de comércio e patente de invenção.

os riscos referentes a este correrão por conta do empreiteiro até a entrega da obra a quem a encomendou.221) por “resolver”. 598 do CC). Em caso de prazo certo. Da prestação de serviço É aquele pelo qual uma pessoa estipula uma atividade lícita. em seguida. justificando então a rescisão a pedido do empreiteiro. em caráter eventual e autônomo. donde se segue que é personalíssimo (ou intuitu personae) 8. é de quatro anos (art. qualquer das partes pode rompê-lo. pode ser contratada mediante retribuição”. reger-se-á pelas disposições deste Capítulo. Distingue-se assim o a) comodato. o que se chamou. com aviso prévio (como no direito do trabalho). por comum acordo. Art. 602 do CC). só deve o prestador despedir-se por justa causa (art. a seu arbítrio. Se houver inadimplemento ou culpa por parte do empreiteiro. O CC regula a matéria nos arts. Neste caso. mantendo-se. O contrato só admite transferência com acordo da outra parte. A conclusão da obra com o respectivo pagamento é a forma normal de extinção do contrato de empreitada. sem subordinação do prestador e mediante remuneração. que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial. de acordo com a cláusula resolutiva tácita. material ou imaterial. ou o consumo. O tempo máximo do contrato. mediante prévio aviso. Do empréstimo O empréstimo é a convenção pela qual uma das partes recebe coisa alheia para utilizá-la e. terminologia adotada pelo novo Código Civil. 626 do CC). Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito. aplicável a todos os contratos bilaterais. assim estabelecendo no art. A primeira é a locação de coisas. ocorrendo assim a extinção por vontade das partes.58 - . Se o prestador de serviços for despedido sem justa causa. a segunda (locação de obra) é o que se chama de empreitada. havia três figuras com nomes começando pela palavra locatio: locatio rerum. Já vimos. 594. A prestação de serviço. podem realizar um distrato. não se pode mandar alguém em lugar da parte (art. a desapropriação do bem. tem direito a receber por inteiro a retribuição vencida e a metade do que faltar até o fim do contrato (art. 605 do CC). se não fixado. como ocorre nas coisas infungíveis. nem se podendo inferir da natureza do contrato. locatio operis e locatio operarum. no Código Civil de 1916. A finalidade do empréstimo pode ser o simples uso. a terceira. que. no capítulo das locações. 593 a 609 ao admitir que se contrate qualquer serviço. a força maior e o caso fortuito são outras tantas causas de extinção da empreitada. 603).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo a empreitada de mão-de-obra e de material. 1. assiste ao dono da obra o direito de rescindir o contrato. empréstimo gratuito. 593. mas inova ao acrescentar: “Art. O perecimento do objeto. o mesmo acontecendo na hipótese de inadimplemento por parte do dono da obra. ou do costume do lugar. pode resolver o contrato”. . ou seja. de coisas infungíveis para utilização pelo comodatário. se quiser. como acontece nos bens fungíveis. O novo Código Civil corrigiu o termo “rescindir” (do art. qualquer das partes. 599: “Não havendo prazo estipulado. As partes que convencionaram a empreitada. 7. no direito romano. o falecimento de uma das partes sendo o contrato intuitu personae (art. de locação de serviços e que hoje se considera mais adequado chamar de prestação de serviços. devolvê-la ao legítimo proprietário.

§ 2º. em que o mutuário se torna um verdadeiro proprietário da coisa mutuada. a sua substância inalterada e devolvendo-se as coisas recebidas ao comodante. A utilização indevida da coisa depositada ou a sua entrega em depósito a terceiro. embora sendo onerosa. mediante determinada comissão. O depósito ainda pode ser de coisa litigiosa a fim de evitar que o desvio dos bens litigiosos venha prejudicar as partes em conflito. o mandatário tem deveres ativos para defender os interesses do mandante. Depósito voluntário é o decorrente da vontade das partes. obrigando-o a restituir ao mutuante o que dele recebeu. conhecemos o contrato de abertura de crédito ou promessa de mútuo. pela sua finalidade básica de custódia da coisa. do CC) especificou ainda a responsabilidade do depositário. por haver no primeiro uma função relativamente passiva de vigilância. Caracteriza-se o mútuo pela translação do domínio. em virtude da qual os riscos da coisa se transferem para o mutuário. mas por qualquer pessoa que tenha a posse dele (locatário. O legislador (art. pois res perit domino (o risco pelo perecimento da coisa corre por conta do proprietário). O mútuo também é chamado empréstimo de consumo. em que o comodatário recebe a coisa para a sua utilização. sob pena de importar em ato nulo para o direito civil e ilícito penal punido como se estelionato fosse (CP. 171. I). sendo a identificação genérica e não individual. convencionando-se juros para o financiamento. sem a autorização expressa do depositante. se agir com culpa na escolha do terceiro para quem o bem será dado em depósito. implica responder o depositário por perdas e danos (art. 9. quantidade e qualidade. Castellani todavia. podendo ser gratuito ou oneroso. Ao contrário do mútuo. e o gênero presumidamente nunca perece. 627 do CC). art. mesmo quando devidamente autorizado pelo depositante. Ressalta-se que. depósito obrigatório é o realizado em desempenho de obrigação legal (depósito legal) ou em virtude de calamidade pública (depósito miserável). Já o mútuo consiste na transferência da propriedade da coisa mutuada. podendo usá-la e consumi-la. a abertura de crédito é contrato consensual. o depositário não pode utilizar a coisa depositada. salvo convenção em contrário das partes ou em decorrência da própria natureza do negócio (depósitos bancários). e da locação de coisa. que têm a mesma razão de ser. pode ser contratado não apenas pelo proprietário do objeto. com traços peculiares. enquanto. Do depósito O contrato de depósito importa na guarda temporária de um bem móvel pelo depositário até o momento em que o depositante o reclame (art.Coordenadores: Marcelo T. Também se diferencia o depósito do mandato. comodatário. para consumo. O depósito. mesmo na hipótese de destruição da coisa por força maior ou em virtude de caso fortuito. parágrafo único. e só pode ser realizado pelo proprietário da coisa mutuada. 640 do CC). empréstimo de coisas fungíveis. em coisa do mesmo gênero. O comodato consiste na cessão gratuita e temporária da utilização de coisa infungível. O mútuo em que as partes estipulam o pagamento de juros é denominado mútuo feneraticio. as regras do novo Código Civil seguem quase que completamente as já existentes no Código de 1916. O depósito. a possibilidade de utilizar por certo prazo um crédito limitado ou ilimitado. denominando-se então . sendo ato de administração. segundo a melhor doutrina. Cometti Fernando F. Normalmente. em relação ao comodato. pela qual se assegura a alguém. mandatário). cuja obrigação de restituir perdura.59 - . distingue-se do comodato. Ao lado do contrato típico de mútuo. do b) mútuo. cabendo-lhe restituir objeto de igual qualidade e valor. no segundo. 640.

o mandatário age em nome e por conta do mandante. não se podendo. decorrente da confiança existente entre os contratantes. tratando-se inequivocamente de um contrato realizado intuitu personae. embora no interesse e por conta do comitente. em nome do mandante. 654 do CC. somente passando a ser imperfeitamente bilateral quando o mandatário. A procuração é um negócio jurídico pelo qual se constitui o poder de representação voluntária. Todas as pessoas capazes podem outorgar mandato mediante instrumento particular por elas assinado. Ademais.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI seqüestro. 792 da Consolidação das Leis do Trabalho). Os incapazes podem outorgar mandato. devendo a procuração ser dada pelos seus representantes legais. em seu nome. atendendo-se à personalidade do mandatário. O mandato só é admissível para os atos que não têm natureza personalíssima. 653 do CC). aplicam-se as normas sobre obrigações contraídas por menores (arts. para a doutrina.60 - . quando somente os primeiros são da alçada do mandatário. é remunerado. admite-se a procuração dada pelo relativamente incapaz. 166. 666 do CC). embora se admita o mandato para. A base do mandato é. pois. 6. e que abrange negócios jurídicos e atos materiais. O primeiro decorre de convenção e o segundo de . 50. trabalho. 34 e 50) e de requerer o registro de nascimento (Lei n. casar com pessoa determinada (art. pessoa física ou jurídica. 1. mas neste caso o mandante não terá ação contra ele. como exige o art. praticar atos ou administrar interesses (art. entre dezesseis e dezoito anos. Freqüentemente é o mandato. Do mandato O mandato é o contrato pelo qual alguém recebe de outrem poderes para. por exemplo. arts. O analfabeto só pode outorgar procuração por instrumento público. normalmente. Em alguns casos especiais. sendo a incapacidade relativa. não há identidade entre procuração e mandato. assim dispondo a lei em relação aos conflitos trabalhistas (art. em verdade. Há um lado interno (o negócio entre as partes) – subjacente – e o lado externo – a representação. Quando os incapazes outorgarem mandato sem representação ou assistência. O mandato se distingue da comissão porque o comissário atua em nome próprio. fiduciária. corretagem etc. enquanto no mandato. art.542 do novo Código Civil). enquanto o mandato se apresenta como presumidamente gratuito. independentemente de qualquer intervenção do seu assistente. o relativamente incapaz pode figurar como mandatário. pois. só cria obrigações para o mandatário. ou pelos seus assistentes. sendo absoluta a incapacidade. que é sempre onerosa. Ocorre que. A procuração é o instrumento do mandato. uma vez que não pode assinar o instrumento particular. O mandato pode ser expresso ou tácito. Também se diferencia da prestação de serviços. 10. O mandato é considerado como contrato unilateral. do Código de Processo Civil). salvo em decorrência das regras gerais e princípios aplicáveis às obrigações contraídas pelos menores (art. 822 e s. conceder mandato para fazer testamento. Este pode ser de prestação de serviços. sendo admissível tanto em relação a móveis como a imóveis e funcionando como medida preparatória ou conservatória regulada pela lei processual civil (arts. a relação entre o representante e principal perante o terceiro. 171 a 177 do CC). compra e venda. § 3º).015/73. a faculdade de apresentar queixa-crime (Código de Processo Penal. em virtude da convenção ou por tratar-se de ato profissional.

mudança do estado que inabilite o mandante a conferir os poderes ou o mandatário a exercê-los. outorgado no interesse do mandatário. pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio (art.Coordenadores: Marcelo T. 1. A natureza personalíssima e fiduciária do contrato faz com que. equivalendo a procuração à venda ou cessão de direito. 658. Castellani presunção legal. da Lei n. O mandato em causa própria é. tem poderes amplos. Trata-se de mandato irrevogável e que subsiste e produz efeitos após a morte do mandante. não se configura como cliente no contrato de corretagem e. caso seja efetivado o negócio pretendido. 11. em tese. 682 do CC). § 1º. . podendo desempenhar a função apenas esporadicamente. recebendo duplamente. caberá ao mandatário a retribuição prevista em lei ou no contrato. que.61 - . deve remunerar o corretor.906/94 – Estatuto da OAB). São irrevogáveis os mandatos a) com cláusula de irrevogabilidade. parágrafo único. A outra parte. não tem a obrigação de pagar a comissão. É também chamado de mediação. Cliente é aquele que contrata o corretor para realizar o negócio. por conseqüência. Quando não houver previsão. caducando o mandato com a morte. naturalmente gratuito. qualquer das partes possa sempre rescindi-lo. O contrato classifica-se como bilateral. 5º. mas não afetando as pessoas jurídicas.643 do CC). 8. porque acarreta obrigações para ambas as partes. do CC). que é aproximada. por arbitramento (art. quando se trata de pessoa física. 658 do CC). Do contrato de corretagem É o contrato pelo qual uma parte se obriga para com outra a aproximar interessados e obter a conclusão de negócios. meio de cumprir uma obrigação contratada. Se o mandato for oneroso. se presume oneroso quando praticado profissionalmente pelo mandatário. incapacidade ou mudança de estado de um dos contratantes. que certos corretores exigem. 37 do Código de Processo Civil e art. O mandato judicial é concedido a advogado devidamente registrado na Ordem dos Advogados (OAB) para patrocinar uma causa. É muito usada na cessão de títulos de clube e na alienação de bens imóveis. Cometti Fernando F. na falta destes. admitindo-se em todas as hipóteses que as partes livremente convencionem uma remuneração pelo exercício do mandato. São partes no contrato de corretagem o interessado (cliente) e o corretor (mediador). b) dados como condição do contrato bilateral ou c) com cláusula “em causa própria”. Esse contratante. conseqüentemente. como a que considera os cônjuges autorizados a comprar as coisas necessárias à economia doméstica independentemente de autorização um do outro (art. revogação pelo mandante. Admite-se excepcionalmente que o advogado funcione sem procuração e comprometendose a apresentá-la dentro de certo prazo (art. a remuneração será determinada pelos usos e costumes do lugar e. Extingue-se o mandato em virtude de renúncia do mandatário. morte ou interdição de uma das partes. Este pode ser pessoa física ou jurídica. salvo nos processos criminais e trabalhistas. fica isento de prestar contas. podendo esta ser global ou paga parceladamente durante o tempo em que for exercido o mandato (art. inclusive para transferir para si bens móveis e imóveis objeto do mandato. Nem sempre o corretor é um profissional. sem subordinação e mediante remuneração. em que a simples indicação do advogado em audiência pode ser suficiente. O mandato deve ser escrito. O mandato. conforme indicado.

O contrato de seguro é bilateral. e é de adesão. todavia. que possam influir na aceitação da proposta ou especificação do valor do prêmio pela seguradora. No seguro obrigatório de veículos terrestres. oneroso. se pronunciado pela sua caracterização como obrigação de resultado. Se causar danos. os riscos e as especificidades do negócio. As operações de seguros agrupam-se em: a) seguros de ramos elementares ou de dano. 766. tanto na sua formação quanto na sua execução (art. O elemento aleatório consiste justamente na incerteza referente ao pagamento da indenização. tendo como contraprestação o pagamento do prêmio pelo segurado. Do Seguro O seguro é concebido como promessa condicional de indenização na hipótese de ocorrência do sinistro (acontecimento futuro e incerto causador de prejuízo). porque basta o acordo de vontades. Há também a proposta. é um contrato de adesão e um contrato dirigido. subsistindo. pois o segurado não tem a possibilidade de discutir as cláusulas contratuais com o segurador. assim. 766 do CC). Muitas vezes. de trânsito e outros).62 - . o segurador pode optar pela resolução do contrato ou cobrança da diferença do prêmio (art. A apólice ou o bilhete de seguro são os instrumentos probatórios do contrato. que depende da existência de prejuízo em virtude da ocorrência do sinistro no período de vigência do contrato. inclusive. existe. devendo conter a enumeração dos riscos transferidos ao segurador. podendo apenas aceitá-las ou deixar de contratar. condicional. aleatório e consensual. os documentos recebidos devem ser restituídos. nos termos do art. ou não. pois depende da aprovação do seu texto pelas autoridades administrativas (SUSEP – Superintendência de Seguros Privados). 10). englobando o seguro de vida. os dados sobre o prazo de vigência do contrato e as obrigações assumidas pelas partes. 765 do CC).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI acessório. oneroso. porque implica remuneração. O corretor tem o dever de desempenhar a sua função de intermediação com diligência e prudência que o negócio exige. as condições. 73/66 permite a emissão de bilhete de seguro a pedido verbal do interessado (art. não sendo exigida necessariamente a sua formalização por escrito. a obrigação do pagamento do prêmio vencido (art. já tendo. o STJ. que fica com a seguradora. deve por eles responder. pois a lei impõe a determinadas classes de pessoas o seguro obrigatório (acidentes de trabalho. conforme o caso. inexatas ou omitir informações relevantes. O legislador ressalvou. porque tem por fim a conclusão de outro contrato (o principal). nem a liberdade de contratar. do CC). por dolo ou culpa. enquanto a do outro contratante (o pagamento do prêmio pelo segurado) é certa e independe de condição. basta a declaração do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito) de que foi pago o prêmio (anexa ao Certificado de . entretanto. se a inexatidão ou a omissão não resultar de má-fé do segurado. que. O Decreto-lei n. e consensual. 12. sempre prestando informações e esclarecimentos ao cliente sobre o andamento. O seguro tem como instrumentos a apólice e o bilhete de seguros. enquanto a apólice fica com o segurado. parágrafo único. O contrato de seguro se fundamenta na boa-fé das partes e na sua lealdade. 723 do CC. podendo o cliente exigir prestação de contas. Uma das prestações (a indenização a ser paga pelo segurador) é. ele perderá o direito à garantia objeto do seguro. conforme decidido pelos nossos tribunais. O contrato de seguro é dirigido. se o segurado prestar declarações falsas. porque depende do fator sorte (realização do negócio). Concluindo-se ou não os negócios. b) seguros de pessoa. aleatório. Diante desse princípio.

fornecido por meios eletrônicos. 1. comprovando o estacionamento. como ocorre com os seguros de cartão de crédito. não valendo todavia como fiança as simples referências à idoneidade do devedor ou as informações comerciais sobre ele. por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio”. nem mesmo as cartas de recomendação ou aquelas em que um terceiro promete fazer o melhor esforço para que o devedor pague a dívida (comfort letter). Os elementos essenciais da fiança são a existência de uma obrigação principal válida (obrigação do afiançado) e de uma obrigação acessória com caráter de garantia. Trata-se de um contrato acessório. unilateral e gratuito. as pessoas jurídicas cujos estatutos proíbem a concessão de fiança e os mandatários que não tenham competência explícita para esse fim. . Fiança legal é a que decorre de imposição de lei. Nos estacionamentos pagos de veículos. Esta pode ser: real (quando há uma coisa dada em garantia) ou fidejussória. pelo seu caráter liberal não se presume. Em determinados seguros-saúde. também podendo constar de simples carta ou declaração na qual seja inequívoca a vontade do fiador de garantir o pagamento de dívida alheia. podendo todavia as partes livremente convencionar uma compensação para os riscos corridos pelo fiador.63 - . salvo se a procuração contiver poderes expressos. necessariamente manifestada por escrito. extinguindo-se e anulando-se com esta. 30). quando este ameace ruína. assim. na falta deles. O Código Civil estabelece em seu art. Fiança judicial é aquela exigida por uma das partes no processo. não admitindo outrossim interpretação extensiva. A fiança se caracteriza pela fé depositada no fiador. A lei usa o termo caução. Fiança convencional é a que decorre de vontade das partes. Nos seguros de viagem.Coordenadores: Marcelo T. Outras vezes. dando o nome e o período da garantia. 21. a denominação de caução fidejussória. disciplinada no Código Civil a partir do art. 693. pagamento dos aluguéis etc. Cometti Fernando F. A fiança. bem como que lhe preste caução pelo dano iminente. Castellani Propriedade). basta um simples bilhete ou cartão numerado. o contrato de fiança é gratuito. os leiloeiros (Decreto n. art. A acessoriedade decorre de seguir a obrigação do fiador o destino da obrigação principal. ser mais ampla do que a obrigação garantida. explicando-se. sob pena de ser reduzida às suas justas proporções (art. Não podem prestar fiança os analfabetos.981 de 19-10-1932. e. certas seguradoras fornecem um cartão com a espécie de seguro. 758: “O contrato de seguro provase com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro. 819 do CC). salvo tendo dado poderes especiais para tanto por instrumento público (art.280. É unilateral. Por exemplo. Em princípio. Da fiança Ocorre fiança quando alguém se obriga a pagar dívida alheia. 823 do CC). não devendo. sem que o primeiro possa exigir qualquer compensação do segundo. garantia específica dos títulos cambiais. 13. pois cria dever para o fiador em relação ao credor. cujas obrigações se garantem. simples indicação nos extratos mensais. só respondendo o fiador pelas obrigações explicitamente assumidas. Esta costuma ser fiança. e o fiador pode limitar-se a garantir o pagamento dos aluguéis). todavia. em virtude do art. basta um simples cartão com os dados do segurado. o proprietário tem direito a exigir do proprietário ou possuidor do prédio vizinho a demolição ou a reparação necessária. assim como da comissão “del credere”.. em contrato próprio ou no contrato principal. A fiança pode ser mais restrita do que a obrigação principal (as obrigações do locatário se referem à conservação do prédio. A fiança se distingue do aval.

até o lugar previsto. das normas do Código Civil (art. Obrigando-se pela obrigação principal. como se vê. podem-se citar o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei n. 14. o legislador ressalvou que ao transporte exercido em virtude de autorização. 734 a 742 e 743 a 756. entende-se que são solidários salvo se limitaram a responsabilidade de cada um ou convencionaram a divisão das responsabilidades. com segurança. indicar bens do devedor livres e desembaraçados existentes no município suficientes para solver o débito. na legislação estrangeira. incidindo também regras do Código de Defesa do Consumidor. sem prejuízo. de outro. desde que haja a anuência do usuário. mediante o pagamento do valor da passagem pelo usuário. líquidas ou ilíquidas. Do transporte O Código Civil define o contrato de transporte em seu art. que dispõe sobre o seguro de cargas. 821 do CC). Se ocorrer evento alheio à vontade do transportador que interrompa a viagem. quando o credor renunciou expressamente a esse benefício. a Lei n. obedecendo aos horários e aos itinerários. Como legislação específica relacionada com o contrato de transporte. 7. todavia. respectivamente. tendo o novo Código Civil disciplinado estas duas espécies de forma diversa. Não é parte o destinatário das coisas. presentes ou futuras. Pode haver transporte de pessoas e transporte de coisas. permissão ou concessão são aplicadas as regras dos regulamentos específicos. 8. 10). 9. ou se obrigou como principal pagador e devedor solidário ou ainda sendo o afiançado pessoa insolvente ou falida (arts. admitindo-se também a concessão de fiança ao fiador. de um lugar para outro. Quanto ao meio. No caso de pluralidade de fiadores para um mesmo débito.565/86. o transporte deverá ser concluído em outro veículo da mesma categoria ou em modalidade diferente. a transportar. art. abrangendo dívidas certas ou incertas. As partes do contrato de transporte são: de um lado. pessoas ou coisas”. a evolução realizada pretende equiparar o fiador ao devedor solidário. O benefício de ordem consiste na possibilidade dada ao fiador de. desaparecendo. 3. o transporte pode ser terrestre (rodoviário ou ferroviário). 8º. a fim de evitar a execução dos seus próprios bens. Na prática. a Lei n. abrangendo sucessivamente as várias modalidades. Pode haver vários fiadores para um único débito.64 - . em seus arts. 732). o transportador obriga-se a cumprir o contrato. que trata do transporte multimodal. 731). art. todavia. Também devem ser observadas as disciplinas especiais sobre o tema e os tratados e convenções internacionais (art. correndo todas as despesas por conta do transportador. o passageiro ou usuário (no transporte de pessoas) ou o expedidor ou remetente (no transporte de coisas). No transporte de pessoas. 820 do CC). cláusulas penais).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A fiança pode ser estipulada sem consentimento do devedor ou contra sua vontade (art. . o transportador (ou condutor) e. ou misto.411/2000. aliás. sem danos. fluvial e lacustre) e aéreo. assume o fiador a responsabilidade por todos os acessórios (juros. aquático (marítimo. 827 e 828 do CC). § 2º. dependentes de condição ou de termo (art. 730: “Pelo contrato de transporte alguém se obriga. regulamentada pelo Decreto n.611/98. mediante retribuição.374/91. Em relação ao regime jurídico aplicável. sem mencionar qualquer restrição. deslocando a pessoa e a sua bagagem. até a contestação da lide. O benefício de ordem decorre da natureza normalmente subsidiária ou complementar da responsabilidade do fiador. custas.

738 do CC). sob pena de decadência de tal direito. As eventuais reclamações deverão ser feitas. salvo se a avaria não for perceptível desde logo. O passageiro tem a obrigação de observar as normas estabelecidas pelo transportador. Cometti Fernando F. terá direito à restituição do valor pago. em virtude do art. Castellani O transportador não pode recusar passageiros. 754 do CC). inclusive. 744 e seu parágrafo único do CC). dificultar ou impedir a prestação do serviço (art. o transportador tem a obrigação de levar o bem que lhe foi entregue ao destino solicitado. o passageiro pode rescindir o contrato de transporte. podendo. No transporte de coisas. hipótese na qual há o prazo de dez dias para reclamar (art. exigir do expedidor uma relação dos bens devidamente assinada.65 - . bem como de se comportar de maneira a não incomodar ou prejudicar os demais passageiros. A falsidade das informações ou a sua inexatidão implica o dever de o remetente indenizar o transportador pelos danos causados por tal ato. O transportador é obrigado a emitir documento especificando as características que identifiquem a coisa a ser transportada. dentro do prazo contratado ou previsto. devendo tomar todas as providências e os cuidados para manter o seu bom estado. . salvo se existir justificativa em regulamentos ou o motivo decorrer das condições de saúde ou de higiene do interessado (art.Coordenadores: Marcelo T. Ao manter a coisa a ser transportada em seus armazéns. 739 do CC). em duas vias. ficando uma parte integrante do conhecimento (art. mas somente receberá a restituição do trecho não utilizado se demonstrar que outra pessoa foi transportada em seu lugar na continuação da viagem. a não danificar o veículo. especificadas nos bilhetes ou que de outra forma lhe tenha sido dado conhecimento. Mesmo que a viagem já tenha começado. A conferência das condições da mercadoria deve ser feita no ato de entrega pelo destinatário ou por pessoa que apresentar o conhecimento de transporte endossado. O passageiro pode rescindir o contrato antes de iniciada a viagem e. o transportador submete-se à disciplina legal do depósito. se comunicado ao transportador em tempo hábil para a revenda do bilhete. 751 do Código Civil. neste momento.

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suprimida uma delas. diz-se que a causa não era adequada. em regra. como também entre as pessoas designadas no art.A obrigação de indenizar não existe. mais uma vez. culpa grave ou mesmo levíssima. que não devem ficar irressarcidas. tenha agido com dolo. portanto. em regra. o dano não se verifica. é o da comparação de seu comportamento com o do homo medius.– É a relação de causa e efeito entre a ação ou omissão do agente e o dano verificado. para fins de reparação do dano. Cometti Fernando F. Em havendo mais de um agente causador do dano. ou como a obrigação que incumbe a alguém de reparar o prejuízo causado a outrem. 942). objetiva (expressa disposição do art. pela sua atuação ou em virtude de danos provocados por pessoas ou coisas dele dependentes. do homem ideal. a culpa pode ser grave. Vem expressa no verbo “causar”. não faz nenhuma distinção entre dolo e culpa. Elementos da responsabilidade civil São elementos estruturais da responsabilidade civil: a) Ação ou omissão do agente . só porque o agente causador do dano procedeu obejtivamente mal. É essencial que ele tenha agido com culpa. Como excludente de responsabilidade o agente deve provar que o dano foi causado por culpa exclusiva da vítima ou força maior. Com o art. pessoalmente. Agir com culpa significa atuar o agente em termos de. c) Relação de Causalidade . As principais teoria sobre a relação de causalidade são: 1) Teoria da equivalência das condições – toda e qualquer circunstância que haja concorrido para produzir o dano é considerada uma causa. para a caracterização de culpa. b) Culpa ou dolo do agente . Se existiu no caso em apreciação dano somente por força de uma circunstância acidental. 942 do CC o direito positivo brasileiro instituiu um “nexo causal plúrimo”. (Primeira parte do art. dentre os co-responsáveis. Assim. 927 do CC) O critério para aferição da diligência exigível do agente. ocorre a solidariedade não só no caso de concorrer uma pluralidade de agentes. para suportar o encargo ressarcitório. 186. 932. A responsabilidade por danos causados por animais e coisas que estejam sob a guarda do agente é.A responsabilidade pode derivar de ato próprio. O CC.67 - . merecer censura ou reprovação do direito.Coordenadores: Marcelo T. provado o dano. a vítima permite-lhe eleger. O ato do autor do dano era condição sine qua non para que o dano se verificasse. entretanto. e. deve ser ele ressarcido integralmente pelo seu causador. e ainda de danos causados por coisas e animais que lhe pertençam. Beneficiando. que diligentemente prevê o mal e precavidament evita o perigo. 1. não se perquire qual deles deve ser chamado como responsável direto ou principal.. . leve e levíssima. Assim. nem entre os graus da culpa. aquele de maior resistência econômica. Isto se deve ao aumento do número de acidentes e de vítimas. Castellani CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL A responsabilidade civil é definida como a situação de quem sofre as conseqüências da violação de uma norma. Com relação aos graus. 2) Teoria da causalidade adequada – Somente considera como causadora do dano a condição por si só apta a produzi-lo. 936: independe da prova de culpa. de ato de terceiro que esteja sob a guarda do agente. A responsabilidade por ato de terceiro é hipótese de responsabilidade solidária (art. A sua equivalência resulta de que. utilizado no art.

ninguém pode ser responsabilizado civilmente. em toda a sua extensão deve abranger aquilo que efetivamente se perdeu e aquilo que se deixou de lucrar. tanto a responsabilidade pelo fato do produto ou serviço como a oriunda do vício do produto ou serviço são de natureza objetiva. 186 do CC). ou seja. O CC disciplinou genericamente esta espécie de responsabilidade nos art. a matéria do dano prende-se à da indenização. por sua natureza. indenizável o chamado dano remoto. Não há nenhum vínculo jurídico existente entre a vítima e o causador do dano. a procuração ou a promessa de recompensa) ou da lei (como a obrigação de alimentos) Já a responsabilidade extracontratual é aquela derivada de ilícito extracontratual. 4. Responsabilidade contratual e extracontratual A responsabilidade contratual ocorre quando determinada pessoa causar prejuízo a outrem por descumprir uma obrigação contratual. Nela o agente infringe um dever legal. que seria conseqüência indireta do inadimplemento. Nela o agente descumpre o avençado. a) Responsabilidade subjetiva . tornando-se inadimplente. 2. O CC filiou-se à teoria subjetiva. 395 e seguintes e 389 e seguintes. Se possível restaurando o statu quo ante. O parágrafo único do art. A responsabilidade contratual abrange também o inadimplemento ou mora relativos a qualquer obrigação. representa risco para os direitos de outrem. prescindindo do elemento culpa a obrigação de indenizar atribuída ao fornecedor. . Assim. também chamada aquiliana (art. as quais se diferenciam pela consideração da culpa como elemento da obrigação de reparar o dano. Responsabilidade civil nas relações de consumo No CDC.Sem a prova do dano. em não havendo culpa não há responsabilidade. o dano. O dano pode ser material ou simplesmente moral Dano é uma lesão a um bem jurídico. de modo que só interessa o estudo do dano indenizável. sem prejuízo da adoção da responsabilidade objetiva. Indenizar significa reparar o dano causado à vitima. Logo. envolvendo lucros cessantes para cuja efetiva configuração tivessem de concorrer outros fatores apenas a execução a que o devedor faltou. Responsabilidade subjetiva e objetiva Convivem hoje no ordenamento jurídico brasileiro duas teorias que fundamentam a responsabilidade civil. ainda que provenientes de um negócio unilateral (como o testamento.Nesta concepção a culpa é pressuposto da responsabilidade civil.68 - . Esta modalidade funda-se no risco. 3. integralmente. 186 que erigiu o dolo e a culpa como fundamentos da obrigação de reparar.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI d) Dano . Aprecia-se o dano tendo em vista a diminuição sofrida no patrimônio. b) Responsabilidade objetiva – Nesta hipótese a lei impõe a reparação de um dano causado sem a concorrência do elemento culpa. 967 do CC admite a responsabilidade sem culpa pelo exercício da atividade que. A responsabilidade subjetiva subsiste como regra necessária. Não é. conforme se verifica da leitura do art. portanto.

considerando-se a duração provável da vida da vítima (art. se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano causado (art. Em relação ao homicídio. Ao magistrado é dado excepcionalmente o poder de reduzir o montante da indenização. 944 do novo Código Civil especifica que: “A indenização mede-se pela extensão do dano”. parágrafo único). 6. além dos lucros cessantes. Quando impossível deve a indenização ser paga em dinheiro. b) o estado de necessidade. 948 do CC). Cometti Fernando F. c) o exercício regular do direito. Caso tenha se perdido o bem. Nesse sentido. tendo. pode realizar-se sem litígio (composição amigável) ou em virtude de decisão judicial (composição judicial). a reparação consiste na sua devolução e no pagamento de suas deteriorações. sem excluir outras reparações. Além disso. bem como de eventuais outros prejuízos (art. dentro da medida do possível. A reparação ideal consiste na efetiva reposição. conforme a natureza do dano. No caso de lesão ou ofensa à saúde. Significa desfazer o dano. dizendo em que consiste a indenização pelos diversos casos. Quer seja convencional ou legal. A avaliação do dano faz-se pela liquidação. 948 a 954 do CC esclarecem o modus faciendi da liquidação da reparação civil no caso de atos ilícitos. deverá ser reembolsado ao prejudicado valor equivalente (art. o luto de sua família e o pagamento dos alimentos às pessoas a quem o defunto os devia. assim como nas ofensas à liberdade pessoal (cárcere privado e prisão ilegal ou não motivada). 950 do CC). Quando houver impossibilidade ou diminuição da capacidade de trabalho da vítima. É legal quando realizada na forma da lei. Os arts.Coordenadores: Marcelo T. a lei determina que seja paga uma indenização cabal de todas as despesas incorridas pela vítima e dos lucros não auferidos. 944.69 - . 947). Castellani 5. Essa liquidação pode ser convencional ou legal. sob pagamento em apenas uma parcela (arts. No caso de usurpação de bens. 949 do CC). que consiste na fixação do montante pecuniário da indenização. amigável ou judicial. assim. deverá ser concedida indenização correspondente. sob a forma de pensão ou. podendo a cláusula penal funcionar como uma prefixação das perdas e danos. restabelecer a situação anterior ao dano. o lesado o direito de receber perdas e danos (dano emergente e lucro cessante). 945). na realidade. Excludentes de responsabilidade civil As excludentes de responsabilidade civil são situações jurídicas descritas pela lei que exoneram ao agente o dever jurídico de reparação do dano. o valor da indenização levará em conta a gravidade da sua culpa em confronto com a do autor do dano (art. quando quem sofreu o dano tiver colaborado com a ocorrência do fato. É convencional quando decorre de entendimento prévio entre as partes. Quantificação e liquidação do dano Indenizar é. A formação da palavra indica o seu sentido: in + dano + izar. determina a lei que sejam abrangidas as despesas com o tratamento e funeral da vítima. 953 e 954 do CC tratam da reparação do dano material e do dano moral nos casos de injúria. . difamação ou calúnia. se o prejudicado preferir. São excludentes de responsabilidade civil subjetiva: a) legítima defesa. 952 do CC). a indenização poderá ser paga sob a forma de entrega de um capital ou de uma renda (art. o art. Os arts.

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d) o estrito cumprimento do dever legal; e) o caso fortuito; e f) a força maior. Legítima defesa própria é a repulsa a mal injusto, grave e atual ou iminente à pessoa da vítima ou aos seus bens. A legítima defesa pressupõe, assim, a existência de uma agressão ilícita, pelo agente, e a vontade de defesa, por parte do ofendido.A repulsa deve ser proporcional e imediata. O ofendido responderá pelo excesso de legítima defesa, pouco importando se cometeu o excesso por dolo ou culpa. Estado de necessidade próprio é a situação em que o sujeito viola direito alheio, com a finalidade de remover perigo iminente de um direito seu. Não se confunde a legítima defesa com o estado de necessidade, pois aquela se refere aos direitos da personalidade, enquanto este se relaciona com o patrimônio do indivíduo. O estado de necessidade pressupõe aquele que o pratica não ter provocado ou facilitado o seu próprio dano. Exercício regular de direito é o desenvolvimento de atividade humana em conformidade com o ordenamento jurídico. Somente deixa de ser considerado regular o exercício do direito, pelo excesso na atividade humana, conhecido como abuso de direito. Estrito cumprimento do dever legal é a observância de um dever jurídico anteriormente estabelecido por lei. Caso o sujeito venha a ultrapassar os limites fixados pelo ordenamento jurídico, no cumprimento do dever legal, ele poderá ser responsabilizado pelo excesso ou abuso de poder ou de autoridade. Caso fortuito é um evento imprevisível, do qual o homem médio não possui controle. Já a força maior é todo evento inevitável e, por vezes, imprevisível, que prejudica os interesses patrimoniais ou morais da vítima. São excludentes de responsabilidade civil objetiva: a) a culpa exclusiva da vítima; b) a culpa exclusiva de terceiro; c) a força maior; e d) o caso fortuito. Além das excludentes de responsabilidade civil subjetiva e objetiva, há duas outras hipóteses frequentemente lembradas, que não são causas de exoneração da responsabilidade por força de lei, mas sim motivos que levam à não responsabilização do agente na prática porque dependem da vontade humana. São elas: a renúncia da vítima à indenização e a cláusula de não indenizar. Renúncia da vítima à indenização é ato jurídico unilateral irrevogável e informal por meio do qual o próprio titular extingue, por abdicação, o direito subjetivo que tem à reparação por perdas e danos. Somente se torna possível a renúncia à indenização por quem é plenamente capaz. Cláusula de não indenizar é o dispositivo integrante de um negócio jurídico por meio do qual há a exoneração total ou parcial do dever de reparar o prejuízo patrimonial, nos limites acordados pelas partes.

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS

CAPÍTULO I – POSSE 1. Conceito e teorias A doutrina, na sua quase totalidade, alerta a dificuldade do enquadramento jurídico do instituto da posse. Na idéia de posse há, pois, uma coisa e uma vontade, traduzindo a relação de fruição. Mas, nem todo estado de fato, relativamente à coisa ou à sua utilização, é juridicamente posse. Muito próximo deste instituto temos a detenção (art. 1.198 do CC) que, embora semelhante na aparência, muito se difere na essência, como nos efeitos. Aí é que surge a doutrina, com os elementos de caracterização, e com os pressupostos que autorizam estremar uma de outra. Savigny, responsável pelo desenvolvimento da teoria subjetiva da posse, considerava-a como o poder de uma pessoa sobre uma determinada coisa. Assim, era preciso, a conjugação de dois elementos para a sua caracterização: o corpus (poder físico sobre a coisa) e o animus (intenção de agir como dono). Por sua vez, Jhering definia a posse como exteriorização da propriedade. O elemento material da posse para o autor é a conduta externa da pessoa, que se apresenta numa relação semelhante ao procedimento normal de proprietário. O elemento psíquico (animus) nesta teoria não se situa na intenção de dono, mas tão-somente na vontade de proceder como procede habitualmente o proprietário (affectio tenendi) independentemente de querer ser dono. Partindo de que, normalmente, o proprietário é possuidor, Jhering entendeu que é possuidor quem procede com a aparência de dono, o que permite definir, como já se tem feito: posse é a visibilidade do domínio. O Código Civil, no art. 1.196, adotou a teoria desenvolvida pela referido autor, a qual foi denominada de objetiva, justamente por ser mais conveniente e satisfatória. Com efeito, na relação possessória não se revela o animus domini, nem facilmente se prova. Essas novas teorias, que dão ênfase ao caráter econômico e à função social da posse, aliadas à nova concepção do direito de propriedade, que também deve exercer uma função social, como prescreve a Constituição Federal, constituem instrumento jurídico de fortalecimento da posse, permitindo que, em alguns casos e diante de certas circunstâncias, venha a preponderar sobre o direito de propriedade.

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o direito de seqüela é o que tem o titular de direito real de seguir a coisa em poder de todo e qualquer detentor ou possuidor. a tutela do direito real é sempre mais enérgica e eficaz que a do direito de crédito. Cometti Fernando F. As características principais dos direitos reais são: taxatividade. Surge. os direitos reais permitem que seu titular não seja molestado por ninguém.Coordenadores: Marcelo T. independendo para o seu exercício da colaboração de outrem e conferindo ao seu titular a possibilidade de ir buscar a coisa onde quer que ela se encontre. ainda que este circule de mão em mão e se transmita a terceiros. O art. A taxatividade (numerus clausus) releva que não há direitos reais quando a lei não os declara. sendo que esta deve possuir valor econômico e suscetível de apropriação. prevalecendo com a exclusão de concorrência de quem quer que seja. 1. Segundo a lição de Orlando Gomes. em poder de quem quer que ela se encontre.514/97).73 - . mas também outros disciplinados de modo esparso no mesmo diploma e os constituídos em diversas leis especiais. bem como o jus praeferendi ou direito de preferência.225 do CC é a referência para os que proclamam a taxatividade do número dos direitos reais. Todavia. . pois o aludido direito segue a coisa (jus persequendi). oponibilidade “erga omnes”. tal não significa que só são direitos reais os apontados no referido dispositivo. isto é. de perseguir a coisa e de reivindicá-la em poder de quem quer que esteja (ação real). Quanto à oponibilidade. para sobre ela exercer o seu direito. No dizer de Silvio Rodrigues. Em conseqüência. Características dos direitos reais Os direitos reais se apóiam na relação entre homem e coisa. Castellani CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS 1. são os direitos que se prende à coisa. Por fim a aderência do direito real à coisa não é senão a constatação do fato de que o direito real permanece incidindo sobre o bem. o direito de seqüela ou jus persequendi. daí. seqüela e aderência. Entre os direitos reais previstos em lei esparsa é bom lembrar a alienação fiduciária (Lei 9.

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não pode ser tutelada pelo ordenamento jurídico. aluvião e álveo abandonado) ou industruais (construções ou plantações). ao contrário. no entanto. Todo esse conjunto. Tais poderes. Aquisição da propriedade imóvel a) Usucapião b) Acessão: É uma forma de aquisição de propriedade imóvel que resulta de um processo de incorporação de um determinado bem ao solo. os possua. ou. b) o caráter acessório de uma dessas coisas.Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. de tal modo que. em confronto com a outra. Lei de Proteção ao Meio Ambiente. uma configuração mais flexível. sem nenhuma referência ao aspecto funcional do instituto. Seja ela qual for presume-se que a acessão existente em um determinado terreno foi feita pelo proprietário e à sua custa (art. gozar e dispor reivindicar. mas também os de consumo possuem uma função social. compõem o aspecto estrutural do direito de propriedade.75 - . Castellani CAPÍTULO III – PROPRIEDADE 1. os quais são tendencialmente plenos. Contudo hoje. necessariamente. Vale dizer. que não somente os bens de produção. sendo por esta conformados em seu conteúdo – modos de aquisição e de utilização. em caráter predominantemente negativo. etc. expressão do núcleo interno ou econômico do domínio e do núcleo externo ou jurídico. que deixou de apresentar as características de direito absoluto e ilimitado. injustamente. para se transformar em um direito de finalidade social. a determinação do conteúdo da propriedade. de qualquer modo. acaba traçando o perfil atual do direito de propriedade no direito brasileiro. Daí decorre que quando uma certa propriedade não cumpre a sua função social.C). que terá. Modernamente. como inalienabilidade. Restrições ao direito de propriedade Inúmeras leis impõem restrições ao direito de propriedade (Código de Mineração. avulsão. Há ainda limitações decorrentes do direito de vizinhança e de cláusulas impostas voluntariamente nas liberalidades. impenhorabilidade e incomunicabilidade. até então separadas. ela sempre dependerá do concurso de dois requisitos: a) a conjugação entre duas coisas. até uma certa demarcação. As acessões podem ser físicas ou naturais (formação de ilhas. Função social da propriedade Propriedade é o direito que outorga ao seu titular a faculdade de usar. o proprietário teria espaço livre para suas atividades e para a emanação de sua senhoria sobre o bem. cujos confins são definidos externamente. . Tal conclusão oferece suporte teórico para a correta compreensão da função social da propriedade. gozar e dispor dos bens e de reavê-los do poder de quem quer que.). os quais vão ser regulados no âmbito da relação jurídica de propriedade. a propriedade não pode ser vista apenas como a reunião das faculdades usar. 2. dependerá de centros de interesses extraproprietários. Percebe-se. 1253 do C. Seja qual for a modalidade de acessão. na caracterização deste fenômeno aquisitivo o princípio segundo o qual a coisa acessória segue a principal (acessorium sequitur suum principale). nitidamente.

vale dizer que a nova species há de resultar de alteração dotada de importância (ex. não assinalados ou marcados. pois que pertencem a alguém.ser um depósito de coisas móveis preciosas ou moedas. transportadora). isto é. consignando que se consideram abandonados os objetos não procurados num prazo determinado. Tendo em vista que não são freqüentes as coisas sem dono. A “novidade” é encarada em sentido econômico e não filosófico. ser antigo e tão antigo que se haja perdido a memória de quem seja o proprietário. 2. a ocupação como modalidade aquisitiva ficou hoje muito reduzida. que os sistemas modernos o adotam ao definir o princípio da aquisição da propriedade móvel: quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade. na apropriação de coisa sem dono pelo simples fato. Com efeito. acrescenta-se. em primeiro lugar pelos animais bravios enquanto entregues à sua natural liberdade. de cujo dono não haja memória. 3a ancianidade. 1263 do C.76 - . mas para que assim se configure.). reputam-se também sem dono os enxames de abelhas. a intenção não revelada de e ele renunciar. diz-se que não tem dono aquela que nunca foi objeto de assenhoramento (res nullius). e o locador do serviço pagar-se do custo deste. deixando um objeto para sofrer reparações. anteriormente apropriados se o dono da respectiva colméia os não reclamar imediatamente (decadência instantânea de direito). Considera-se ainda sem dono a coisa abandonada (res derelicta). como aquela que já o teve e não mais o tem (res derelicta). como limite de sua validade de seu direito de dono. sapataria. A essência da ocupação reside. que o interessado tem a intenção de conservar. numa res derelicta pelo fato de haver excedido um prazo determinado no cupão de sua identificação. salvo se os donos estiverem ainda à sua procura. categoria preenchida pelas espécies que a natureza inesgotavelmente produz. Estes não são res nullius. mediante o trabalho ou indústria do especificador. torna-se mister a ocorrência de um fator psíquico. b) Especificação Especificação é a transformação definitiva da matéria-prima em espécie nova. No segundo estão os animais mansos ou domesticados.C. promovido por mão humana. escultura. enterrado ou oculto. Indaga-se da liceidade da cláusula adjecta a talões de empresas de serviço (lavanderia. É aceitável mandato para vender. de apreendê-la possuindo-a como própria. A importância social desta modalidade aquisitiva é muito grande.estar o depósito enterrado ou oculto. ou em tabuleta na loja. A primeira classe (res nullius) é preenchida. pesca e tesouro – são as hipóteses mais comuns. tendo-se em vista a capacidade criadora do homem. O que não é lícito é forçar no proprietário uma intenção de abandonar e converter a coisa. não sendo essa ocupação defesa por lei (art. As poucas hipóteses remanescentes – caça. pois. . a pintura em relação à tela). contido na intenção de renunciálas. que se não confundem com os animais selvagens capturados.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. Não é razoável presumir que alguém. manifeste com isso. e que não seja possível retornar à espécie anterior. Para que se opere a aquisição da propriedade é mister a transformação se dê pela ação humana. Tesouro: É o depósito antigo de moedas ou coisas preciosas. A coisa sem dono pertence por direito natural ao ocupante. Aquisição da propriedade móvel a) Ocupação Na apropriação de cada coisa sem dono inseriu-se uma idéia que o tempo amadureceu e sistematizou. Elementos para caracterização: 1. se perderem o hábito de retornar ao lugar onde costuma recolher-se.

Coordenadores: Marcelo T. Particular. e adjunção São hipóteses de coisas de diversos donos mesclarem-se. quando sua origem é estranha à vontade dos condôminos. quando o condomínio existe de direito. b) quanto ao objeto. voluntário e eventual. c) quanto à forma. 1. comistão. e. divisível e indivisível. resultando que o dono da primeira adquire a segunda. trabalhando em matéria-prima em parte alheia. A grande novidade do Código. 1269 que “aquele que. Castellani O CC ao fixar o princípio da especificação. mas não de fato (cada condômino já se situou numa parte determinada da coisa). quando se limita a determinadas coisas ou frutos. calefação e refrigeração centrais. impossibilitando destacar-se a acessória da principal. gás e eletricidade. quando abranger a coisa integralmente.864/65 continua vigendo subsidiariamente ao novo Código Civil nas implicações que este não disciplinou. e as demais partes comuns. Cometti Fernando F. d) Usucapião e) Tradição Trata-se de um ato de entrega da coisa ao adquirente. (art 1. Num e noutro caso. do telhado. esgoto. Vale ressaltar que a Lei 4. permanecendo os demais fora do condomínio. emerge de contrato ou convenção. são de utilidade em comum dos condôminos. O condomínio pode ser classificado sob três formas: a) quanto à origem. O novo Código deixou claro que o solo. com a observância das regras de acessão. Diz-se haver confusão quando se acharem sem estado líquido. se não puder restituir à forma anterior” Conciliando. a aquisição da propriedade com o princípio fundamental do respeito ao direito alheio.591/64 condomínio edilício (arts. quando mais de uma pessoa. universal e particular. dispõe no art. quando surge do acordo de vontades. não podendo ser alienados separadamente ou divididos. desta será proprietário. Voluntário ou convencional. É a hipótese dos bens deixados por herança a mais de um herdeiro ou doação de uma coisa a mais de uma pessoa. Eventual ou acidental. todavia. porém mediante a de algo que a represente 4. ao mesmo tempo. parágrafo único do CC). 1. A adjunção consiste na justaposição de uma a outra coisa. inclusive o acesso ao logradouro público. ou seja.331 a 1. dando preferência aos demais condôminos. a rede geral de distribuição de água.358 do CC) com as alterações da Lei 4. ou seja. Simbólica se diz a tradição que se não realiza pela entrega e apreensão material da coisa.338 do CC). aos condomínios e a possibilidade de se aplicar multa ao condômino que tiver conduta anti-social de forma reiterada (art. salvo se se tratar de especificação de má-fé. Divisível. Também poderá o condômino alugar a sua vaga de garagem a qualquer pessoa. ou seja. ordinariamente resulta num condomínio. mistura ou comistão se forem coisas secas.77 - . inclusive frutos e rendimentos. Diz-se tradição real a que consiste na efetiva entrega ou entrega material da coisa ao adquirente que a recebe e apreende. estrutura do prédio. o prejudicado com a especificação irredutível terá direito ao ressarcimento. c) Misturas: Confusão. Universal. exerce o direito de propriedade sobre determinada coisa. conseguintemente.337. regulados os direitos pelo disposto no título ou na convenção. quando for ela voluntariamente obtida. Condomínio Dá-se o condomínio. transformando a declaração translatícia de vontade em direito real. . obtiver espécie nova.

de toda coisa. Todos os condôminos são donos. quando tanto existe de fato como de direito. Cumpre apenas ressaltar que o assunto referente a condomínio é tratado nos arts. . 1.314 a 1. em comum. porque se mantém indivisa e nenhum se situou em uma parte.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Indivisível.322 do CC.78 - .

eis que fica tolhido no exercício integral dos poderes inerente à propriedade. Pode recair sobre bens móveis ou imóveis e sobre um patrimônio (como um todo). CC). responde pelos encargos e tributos que sobre ele incidem. Como se trata de direito concedido ao dono do prédio dominante. a substância. por tempo determinado.79 - . I CC) ou trinta anos se for pessoa jurídica (art. pelo superficiário. seu titular há que ser proprietário daquele prédio. Do usufruto Trata-se de um direito real sobre coisa alheia conferido a alguém de retirar. conservando a condição de proprietário.Oponível erga omnes: daí também decorre o direito de seqüela. conferindo ao titular o uso e gozo do direito ou faculdade. Da superfície Trata-se de direito real de fruição ou gozo sobre coisa alheia. A servidão é composta dos seguintes elementos: a) Trata-se de uma relação entre dois prédios. pertencendo o solo em poder do Estado. sem alterar-lhe a substância (Art. temporariamente. c) A existência da servidão implica a idéia de que os prédios pertencem a donos diversos 3. em benefício de um outro prédio chamado dominante. Das servidões Servidão é um encargo que suporta um prédio denominado serviente. . Daí o termo nu proprietário. no sentido de que é irresgatável sem a anuência do proprietário do prédio dominante. inclusive a seus herdeiros. Nunca perpétuo. 1225. Não perde entretanto. de origem romana. da coisa alheia os frutos e utilidades que ela produz. mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis A concessão da superfície pode ser onerosa ou gratuita. Surgiu da necessidade prática de se permitir edificação sobre bens públicos. seria contrário ao próprio conceito de servidão admitir sua constituição em favor de quem não fosse dono do prédio dominante. disciplinando o direito de superfície. posto que desfruta dos proveitos do imóvel. Cometti Fernando F. Castellani CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA 1.Coordenadores: Marcelo T. Suas principais características são: 1. O Estatuto da Cidade antecipou-se ao novo Código Civil. porém. temporariamente. o direito de superfície pode ser transferido.Temporário: não excede à vida do usufrutuário (art. O proprietário perde. Pode-se estabelecer uma condição (graduação universitária). Como direito real que se prende ao imóvel. 2. 1410 CC). 1410. A servidão é perpétua. IV. A servidão é um direito acessório. por morte daquele. o direito ao uso e aos frutos. pois necessário conservar a substância da coisa. Com efeito. não podem ser fungíveis. No art. Em ambos os casos o superficiário. a terceiros. limitado. 1369 do CC o direito de superfície é definido como a faculdade que o proprietário tem de conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno. enquanto este cuida do urbano e também do rural. porque implica a existência de um direito principal. 2. b) A servidão envolve uma obrigação negativa. Se bens móveis. a imóvel urbano.

167. dispondo sobre a união estável. mas não alugá-la nem emprestá-la. mas seu exercício sim. Em verdade. 5. quando o exigirem as necessidades pessoais suas e de sua família (art. distinguindo-se dele pela intensidade ou profundidade do direito. 9278. . de 10 de maio de 1996.Consolidação 4. no todo ou em parte.Destruição da coisa. de 27 de agosto de 1962.Quanto à duração pode ser temporário (prazo preestabelecido) ou vitalício (até a morte do usufrutuário).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. 7º. resultante de usucapião. Perante terceiro só tem validade se devidamente registrado (RT 520/212). item I. deve-se ter em consideração a condição social do usuário.Renúncia ou morte do usufrutuário. A penhora recai sobre os frutos e utilidades do bem (Art. convencional. 1412). imprescindível se torna o registro do respectivo título no Cartório de Registro de Imóveis (LRP. A extinção do usufruto ocorre pela: 1. 3. 2. Como direito real. nada devendo às demais a título de aluguel.121. Mesmo que o cônjuge sobrevivente seja herdeiro ou legatário.80 - .Extinção da pessoa jurídica ou decurso do prazo de 30 anos. 6. parágrafo único). n. Todavia. No que diz respeito às necessidades pessoais. 5. 3. O direito real de habitação é concedido sem prejuízo da participação da viúva ou do viúvo na herança. desde que o imóvel da família seja o único residencial a inventariar. dá ao sobrevivente o direito real de habitação (art. qualquer delas que a ocupar estará no exercício de direito próprio. desde que tenha expressão econômica. sobre uma universalidade de bens (ou parte dela) e pode abranger os frutos e utilidades.Quanto à extensão é possível afirmar que este direito recai sobre bens individualizados.7). Da habitação A habitação pode ser entendida como uma modalidade especial de uso à moradia. A Lei no. O titular desse direito pode usar a cada para si.Quanto à origem pode ser legal (estabelecido por lei em benefício de determinadas pessoas). 1393 CC é possível ceder o exercício a título gratuito (comodato) ou oneroso (RT 412/208). o direito real de uso não se diferencia substancialmente do usufruto.Intransferível e inalienável: Não se transfere por herança ou por alienação. art. não perde o direito de habitação. Do uso O usuário usará da coisa e perceberá os seus frutos. 716 CPC – usufruto em execução) O usufruto pode ser classificado de três formas: 1. residindo nela. enquanto permanecer em estado de viuvez. 2. Não ocorre com a morte do nu proprietário (aqui a nua propriedade é transmitida aos herdeiros). A Lei no. diz que a dissolução. por morte de um dos conviventes.Cessação do motivo de origem. criou o direito de habitação em favor do cônjuge sobrevivente. E se for conferido a mais de uma pessoa. de acordo como o art. 4.É impenhorável: o direito real não pode ser objeto de penhora. bem como o lugar onde vive.Termo de sua duração – prazo. salvo morte anterior. 4. 4.

Em se tratando. 25 da referida lei declara irretratáveis e irrevogáveis os compromissos de compra e venda de imóveis loteados. Como o direito era de natureza pessoal. 6. de imóvel não loteado. que hoje se aplica somente aos loteamentos rurais. O art. Cometti Fernando F. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. ter-se-á. Pode. nesses contratos. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança.831 do Código Civil. afastando-se. com base no seu art. obriga-se a pagar o preço e cumprir todas as condições estipuladas na avença. outorgando-lhe a escritura definitiva quando houver o adimplemento da obrigação. adquirindo. ainda. O sistema do Código Civil de 1916 permitia que o promitente. Inexistindo cláusula nesse sentido. podendo reivindicar a coisa em poder de quem quer que a detenha. Com o advento do Decreto-Lei n. qualquer que seja o regime de bens. da seqüela. os adquirentes não podiam reivindicar o imóvel. também. desde que levado ao registro imobiliário. 1. no capítulo concernente à ordem da vocação hereditária. Desfruta. . O compromissário comprador. havendo oponibilidade erga omnes. pois. o compromisso tornou-se irretratável. 58/37. desde que seja o único daquela natureza a inventariar”. mas passa a ter direitos reais sobre ela. Qualquer cláusula de arrependimento. porque o adquirente tem a utilização da coisa e pode dispor do direito mediante cessão. que.Coordenadores: Marcelo T. a constituição do direito real. porém. pelo preço. 58/37.766/79 veio derrogar o Decreto-Lei n. se arrependesse antes de celebrado o contrato definitivo. lícito afigura-se convencionar o arrependimento.088. O instituto passou por uma série de fases de evolução em nosso direito. prevalece a irretratabilidade. com isso. opor-se à ação de terceiros que coloquem obstáculos ao exercício do direito. por não escrita. “ao cônjuge sobrevivente. com a faculdade de reclamar a outorga da escritura pública definitiva. ou sua adjudicação compulsória havendo recusa por parte do promitente vendedor. 6. mas apenas o pagamento de perdas e danos. O promitente comprador não recebe o domínio da coisa. condições e modos convencionados. em conseqüência. Cuida-se de direito real. será assegurado. Do direito do promitente comprador Consiste a promessa irretratável de compra e venda no contrato pelo qual o promitente vendedor obriga-se a vender ao compromissário comprador determinado imóvel. A Lei n.81 - . por sua vez. direito real sobre o imóvel. conferindo direito real ao comprador. 1. Castellani Dispõe ainda o art.

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Além desta prioridade. É importante observar que a ausência desses requisitos não acarreta. ilaqueando a boa-fé do terceiro. segundo dispõe o art. hipotecar ou dar em anticrese”. d) indivisibilidade. 1.424) e pela publicidade. por um deles. que “só aquele que pode alienar poderá empenhar. Criado o direito real de garantia. 1. Os bens fora do comércio dados em garantia. b) direito de seqüela. vinculando somente as partes que intervieram na convenção. tenha ainda a livre disposição da coisa. Da hipoteca É o direito real de garantia que tem por objetivo bens imóveis. Em regra. restando-lhe apenas o direito de participar do concurso de credores. com efeito. ainda. a especial para alienar. a qual é alcançada pela especialização (art. direito real de garantia é o que confere ao credor a pretensão de obter o pagamento da dívida com o valor do bem aplicado exclusivamente à sua satisfação. porquanto o art. o recebimento de seu crédito. além do domínio. A lei impõe. 4. a nulidade do contrato.420 do CC. navio ou avião pertencentes ao devedor ou a terceiro e que.83 - . Valerá apenas como direito pessoal. podendo o outro cônjuge. E especialização é a descrição pormenorizada. por estar vinculado determinado bem ao seu pagamento. pleitear-lhe a anulação. na condição de quirografário. 1. os direitos reais de garantia geram os seguintes efeitos: a) direito de preferência ou prelação. Aspectos Gerais O Código Civil brasileiro contempla as seguintes modalidades de garantia real: penhor. A segunda parte do art. a observância de formalidades para que os contratos de penhor. no contrato. se houver. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal.422 permite a separação deste bem do patrimônio do devedor. todavia. hipoteca e anticrese. Faz-se mister que. e não quem o praticou. 2. fica o credor privado da seqüela. da preferência e da ação real. tornam o negócio nulo. Sua função é garantir ao credor o recebimento da dívida. O direito do credor concentra-se sobre determinado elemento patrimonial do devedor. Em conseqüência. criou uma nova modalidade: a alienação fiduciária. Os atributos de seqüela e preferência atestam sua natureza substantiva real. Não basta. na sua primeira parte. 1. disciplinada no Código Civil como propriedade fiduciária. Não existe regra idêntica para os companheiros. do valor do crédito.420 dispõe que somente os bens dentro do comércio poderão ser dados em penhor.728/65. Cometti Fernando F. o art. Desse modo. mas apenas a sua ineficácia. preferencialmente. pois não produz os efeitos próprios de um direito real.Coordenadores: Marcelo T. asseguram-lhe. anticrese ou hipoteca. Dispõe. porém. anticrese e hipoteca tenham eficácia perante terceiros. Para validade da garantia real exige a lei. embora não entregues ao credor. essa qualidade. pois. . c) direito de excussão. Castellani CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA 1. a falta de vênia conjugal torna anulável o ato praticado. anticrese e penhor rural) ou no Registro de Títulos e Documentos (penhor convencional). A publicidade é dada pelo registro do título constitutivo no Registro de Imóveis (hipoteca. A Lei n.649 do CC. podendo suceder a alienação unilateral de um bem. somente o proprietário pode dar bens em garantia. 1. Para Orlando Gomes. ou a constituição de direito real. do bem dado em garantia. fica o bem afetado ao pagamento prioritário de determinada obrigação. além da capacidade geral para os atos da vida civil. do prazo fixado para pagamento e da taxa de juros.

termo de quitação.431 do CC).84 - .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo condição natural da hipoteca a acessoriedade. 9.514/97. Assim.514/97.5% ao mês. sobre o valor do contrato. contrata a transferência ao credor.424 do CC) e o registro no Cartório de Imóveis (art. adere à coisa. realizará contrato pelo qual transferirá a propriedade a esta entidade. daí constituir-se. a especialização (art. querendo adquirir imóvel em construção ou construído. pressupõe ela a existência de uma dívida. 4. Da alienação fiduciária A alienação fiduciária em garantia de imóveis. equivalente a 0. permanecendo o fiduciante com a posse direta. ou fração. 3. Da anticrese É direito real de garantia que o credor recebe a posse de coisa frigífera. 1. Do penhor É o direito real que submete coisa móvel ou mobilizável ao pagamento de uma dívida (art. com anuência do fiduciário. da propriedade resolúvel e a posse indireta da coisa imóvel. com a finalidade de garantir o cumprimento de uma obrigação. assumindo o adquirente as respectivas obrigações. 1. ao credor. para o cancelamento da propriedade fiduciária. a contar da liquidação da dívida. O termo de quitação será levado a registro. 1. em propriedade resolúvel. 24 da Lei n. Remição da hipoteca é a liberação ou resgate do imóvel hipotecado mediante o pagamento. além de dar publicidade ao negócio jurídico. O contrato de alienação será necessariamente registrado no Registro de Imóveis. extingue-se a propriedade fiduciária do imóvel retornando o bem à plena propriedade do fiduciante. Envolve este o título constitutivo. com os requisitos previstos no art. o credor pode opor seu direito ao adquirente do imóvel dado em garantia. transferir os direitos de que seja titular sobre o imóvel objeto da alienação fiduciária em garantia. uma vez paga a dívida. acompanhando-a em caso de transmissão inter vivos ou mortis causa. alguém. é negócio jurídico pelo qual o devedor. A publicidade é reforçada pelo registro do título no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Desse modo. Com o pagamento da dívida e seus encargos. A transferência da coisa para as mãos do credor tem a vantagem de impedir a alienação fraudulenta do objeto da garantia. fiduciante. mediante financiamento de entidade autorizada. no prazo de 30 dias. ou fiduciário. Uma vez registrada. O fiduciante poderá. sob pena de multa em favor deste. à qual adere e busca assegurar. da dívida que visa garantir. O fiduciário é obrigado a entregar ao fiduciante. salvo as hipóteses de domínio superveniente e de garantia oferecida por terceira pessoa.492 do CC). regulada pela Lei no. A validade da hipoteca depende da observância do requisito concernente à forma de sua constituição. 9. . para o fiduciário ou credor. Para que tenha validade a constituição do penhor é necessário que a coisa oferecida em garantia pertença ao próprio devedor. a qual ficará obrigada a devolvê-la. 5. pois é nulo o penhor de coisa alheia. ficando autorizado a perceber-lhe os frutos e imputa-los no pagamento da dívida.

ininterruptamente e sem oposição.257/2001). passa a ser direito do possuidor. da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas naturais.220/2001. nada mais é do que contrato administrativo pelo qual a Administração faculta ao particular a utilização privativa de bem público. 7. 10. 15 a 20 do Estatuto da Cidade (Lei n. de 4 de setembro de 2001. Pela MP n. ao contrário do usucapião. 1. 1. . Prov. desde que não seja proprietário ou concessionário. IV – reservado à construção de represas e obras congêneres. III – de interesse da defesa nacional.Coordenadores: Marcelo T. n. Isso porque não foi inserido no CC. n. a qualquer título. 6. I. utilizando-o para sua moradia ou de sua família.220/2001. e a Administração não pode recusar o contrato.240 do CC. 1. de caráter declaratório. A concessão exige praticamente os mesmos requisitos do usucapião urbano previsto no art. O que era faculdade. possuiu como seu. Não se trata propriamente de um direito real novo. 2. Prov. pouco. da Lei n. responsável pela introdução do instituto no CC. o direito à concessão de uso especial para fins de moradia só será outorgado àquele “que.º da MP estabelece que "É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito de que tratam os arts. n. II – destinado a projeto de urbanização. ou melhor. o qual continua submetido ao conteúdo e contornos normativos da Med. tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da posse. porém. Castellani 6. como se vê. por cinco anos. um título específico sobre esse direito. até duzentos e cinqüenta metros quadrados de imóvel público situado em área urbana. inclusive dispondo. 2. 11. no art.º em outro local na hipótese de ocupação de imóvel: I – de uso comum do povo. Há. que "O direito de concessão de uso especial para fins de moradia é transferível por ato inter vivos ou causa mortis". Ocorre que a Lei n. de outro imóvel urbano ou rural” (art.481/07 introduziu dois novos direitos reais no Código Civil brasileiro.º da referida Medida Provisória). 2. praticamente nada acrescentou sobre o instituto.220. 5. O art.85 - . Cometti Fernando F.015/73). ou V – situado em via de comunicação".481/2007. a concessão de uso especial para fins de moradia compõe o rol dos direitos reais.º da Med. tentativa de trazer essa camada desfavorecida da população ao mundo legalizado. buscando outorgar-lhe títulos de direito real. a saber: a concessão de uso especial para fins de moradia e a concessão de direito real de uso. 167. 2.220/2001.º e 2. Desde a edição da Medida Provisória n. 37. até 30 de junho de 2001. com o registro no Registro Predial (art. editada como diploma substitutivo ao veto dos arts. O direito de concessão de uso especial para fins de moradia pode ser reconhecido por ato administrativo ou por decisão judicial e tem publicidade. 183 da CF e no art. Ocorre que a concessão. Das Concessões A lei 11. ao contrário dos demais direitos reais. para que a exerça conforme a sua destinação.

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no art. O registro funciona como uma espécie de convalidação.515 do C. 1. Cometti Fernando F. b) Amor – Que independe de mera atração sexual e encontra sua manifestação mais veemente na afeição. Casamento religioso com efeitos civis O casamento religioso equipara-se ao civil. c) O companheirismo – Calcado num projeto comum. Encerrado o procedimento de habilitação (num prazo de noventa dias) é extraída uma “sentença”. estando aptos para o casamento. O legislador. . 5. Natureza jurídica do casamento O casamento seria um instituto de natureza híbrida: contrato na formação. Finalidades do casamento a) Intenção de viverem juntos – É a chamada affectio maritalis que é o elemento decisivo na indissolubilidade do vínculo.Decorre da mais tradicional e inquebrável postura do mundo ocidental. 3. Conceito de casamento Casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher que se unem material e espiritualmente para constituírem uma família. por fim. Princípios do casamento a) Liberdade de União – O casamento só se justifica e legitima quando decorre da livre manifestação de vontade dos parceiros. primeiro é realizada a cerimônia religiosa com posterior competente habilitação e. b) Monogamia . fundamentais e lapidares do casamento. explicita os modos pelos quais se alcançam os efeitos civis: a) Habilitação Prévia – Os nubentes apresentam-se ao oficial do registro civil e habitam-se ao ato posterior. A habilitação aqui descrita é a mesma exigida para o casamento civil e o procedimento visa declarar e certificar que os interessados não possuem impedimentos.Coordenadores: Marcelo T. quem é casado está proibido de contrair novas núpcias ( C. capaz de atender e satisfazer ideais e interesses de ambos os cônjuges. resultando numa certidão a ser apresentada ao ministro religioso.. instituição (estatuto imperativo pré organizado) no conteúdo. Castellani TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO 1. Estes são os elementos básicos.87 - . art. cumplicidade. trata-se de uma instituição em que os cônjuges ingressam pela manifestação de sua vontade. Na realidade. 2. solidariedade. b) Habilitação Posterior – Nesse caso. VI). 1521.C. a inscrição do casamento no registro público. atração mútua e afinidades pessoais. 4. feita de acordo com a lei.

se um ou ambos os pretendentes não tiverem atingido a maioridade civil. Desse modo. uma exceção: admissibilidade do casamento para evitar cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez (art. 1557. desde que interesse a um dos cônjuges anulá-lo (art. mas não como modalidade de casamento. e emissão do certificado da habilitação – arts. Havendo divergência entre os pais.(nesta fase ocorre a apreciação dos documentos e apuração da capacidade dos nubentes e a inexistência dos impedimentos matrimoniais). Elas são de três ordens: habilitação – arts. b) Consentimento – A falta de consentimento torna inexistente o casamento. a capacidade matrimonial não se confunde com a capacidade civil (18 anos). de procriar) – Não justifica a anulação do casamento. mas simplesmente inexistente. 1520). A lei soleniza-o. ou. 1519). a) Formalidades Preliminares – São as que antecedem o casamento. renunciando os instintos egoísticos e personalistas.88 - . conforme disposto no Decreto-lei 3. 8. salvo no caso de casamento de colaterais de 3º grau (tios e sobrinhos). O exame pré-nupcial não é obrigatório. parto eminente.(a dispensa dos editais é possível nas seguintes hipóteses: se ficar comprovada a urgência (grave enfermidade. As uniões estáveis de natureza homossexual podem ter relevância jurídica em outros planos e sob outras formar. 6. 1533 a 1538 – (o oficial extrairá o certificado de habilitação durando a eficácia da habilitação por 90 dias). porém. Impotentia Generandi (de gerar. independentemente do sexo do nubente. A regra do art. 1517). 1517 comporta. Fora as exceções legais (casamento de anciãos e casamento in extremis – art. c) Sanidade – O CC não previu a sanidade dos nubentes como condição necessária à validade do casamento. será necessária a autorização dos pais ou dos seus representantes legais para a celebração do ato. 1540) os nubentes devem ter aptidão para a vida sexual. prescrevendo formalidades de observância obrigatória para a sua regularidade. Casamento celebrado perante autoridade incompetente (perante prefeito municipal ou delegado de polícia) não é nulo. a publicação dos editais – art 1527 . 7. Pressupostos de regularidade São os que se referem às formalidades do casamento. b) Potência – É a aptidão para conjunção carnal. Todavia. Pressupostos de validade a) Puberdade – No art. Pressupostos de existência jurídica do casamento a) Diversidade de Sexo – Nesse sentido a lei é clara e não abre espaço a qualquer exegese extensiva (art. .200 de 1941. que é ato jurídico eminentemente formal. c) Celebração por Autoridade Competente – Inexiste casamento se o consentimento é manifestado perante quem não tem competência para celebrar o ato matrimonial. o interessado poderá obter do juiz o suprimento judicial correspondente (parágrafo único do art. 1517 o legislador fixou idade núbil aos 16 anos. 1525 e 1526 . III). confirmando-se a idéia de que a prole não é finalidade do casamento. Dois são os tipos de impotência que interessam ao direito matrimonial: Impotentia Coeundi (de concepção ou de cópula) – Pode gerar a anulação do casamento. em função de um bem maior que é a família.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI c) Comunhão de Vida . 1517 c/c o art.Os nubentes comungam os mesmos ideais. viagem inadiável) e também no caso de casamento nuncupativo).

a pessoa considerada incapaz não pode casar com quem quer que seja. As disposições constantes nos incisos I a IV do art. 1521. A incapacidade é geral. tanto na ordem pública como na ordem privada.A lei permite a celebração do ato por procuração cuja eficácia não ultrapassará noventa dias. noutras palavras. 1. agora.Passaram a ser as causas de anulabilidade do casamento (art.89 - . 1521. a) Casamento por procuração . Hoje. Estes impedimentos dividem-se em três categoriais: impedimentos resultantes do parentesco (art. pessoa casada. o outro consorte. O impedimento matrimonial é relativo. 1521. evitar a confusão de consangüinidade (turbatio sanguinis). em decorrência de disposição legal expressa – art. o casamento convalida do vício originário.550). a confusão de patrimônios e a proteção do nubente por influência dos representantes legais. desde que o nubente impossibilitado outorgue poderes especiais a alguém para comparecer em seu lugar e receber. Considerando o interesse público neles estampados podem ser argüídos por qualquer interessado e pelo Ministério Público. a proteção da prole anterior. Acarretam como efeito a nulidade do casamento. Celebração do casamento Dada a importância que se reveste o casamento. Cometti Fernando F. b) Casamento perante autoridade diplomática ou consular . IV). 1533 a 1538. Castellani b) Formalidades Concomitantes – São as que acompanham a cerimônia e vêem detalhadamente previstas nos art. não podem casar os irmãos (art. mas tão somente uma sanção (imposição do regime obrigatório da separação de bens). . Ex. 9. 7º. I a IV) a infração destas causas não gera nem nulidade. Mas se os cônjuges (ou interessados na anulabilidade) silenciarem. b) Impedimentos Dirimentes Relativos . causas suspensivas (art. representantes legais ou ascendentes. I a V). 1523. em seu nome. Acarretam como efeito uma mera sanção. impedimentos resultante de vínculo (art. Podem demandar a anulação o cônjuge prejudicado. 1533 ao art. isto é. É o que se depreende da leitura dos arts.Coordenadores: Marcelo T. Desde já é importante observar a diferença entre incapacidade e impedimento matrimonial. o legislador reveste-o de toda a solenidade possível. Esta procuração é um ato eminentemente revogável até o momento da celebração do casamento. 1521. 1538. c) Impedimentos impedientes (ou proibitivos) . Importante notar que sua inobservância determina-lhe a nulidade do ato. Os impedimentos são classificados da seguinte forma: a) Impedimentos dirimentes públicos (ou absolutos) – São examinados nos incisos I a VII do art. VI). é a ausência de requisito ou ausência de qualidade que a lei articulou entre as condições que invalidam ou apenas proíbem a união civil. 1521. parágrafo segundo da LICC: “o casamento de estrangeiros poderá ser celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes”. 1523 têm por escopo. VII).Dispõe o art.No atual CC passam a ser. e impedimentos resultante de crime (art. 1542 – é imprescindível a escritura pública para a sua validade. Ex. nem anulação. a pessoa considerada não pode casar com determinada pessoa. 10. Dos impedimentos matrimoniais São as circunstâncias que impossibilitam a realização de determinado casamento.

da LICC). 1547 do CC) é utilizada quando há dúvida sobre a prova do casamento. 1525 e independentemente de edital de proclamas. deve o julgador inclinar pela sua existência. na colateral. que não tenham parentesco em linha reta.90 - . se justifica a falta ou a perda do registro (ex. A eficácia do ato. no Brasil. 1546 prevê a retroatividade dos efeitos do registro da sentença que reconhece o casamento à data de sua celebração. os nubentes figurarão como celebrantes e realizarão oralmente o casamento. Mas a lei chega mesmo a permitir a dispensa da autoridade competente se os contraentes não lograrem obter sua presença. Segundo a disposição legal. é forma especial de celebração de casamento. O art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No caso de um dos nubentes ser brasileiro e o outro estrangeiro. O art. perante seis testemunhas. A regra do in dúbio pro matrimonio (art. admite uma prova indireta. feito ao tempo de sua celebração. quando um dos contraentes se encontra em iminente perigo de vida. ou. A prova supletória só se torna admissível quando. para a comunidade. passaporte. 12. 1565 do CC.Também chamado in extremis vitae momentis. 1545 fica subordinada a quatro pressupostos: a) Que ambos os pais tenham falecido. Da eficácia do casamento Pelo art. Se o casamento for realizado no Brasil. É válido no Brasil desde que registrado. depoimento de testemunhas. será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos e às formalidades do casamento (Art. está submetida à condição suspensiva. ou. companheiros e responsáveis pelos encargos da família.) O CC. conforme dispõe o art. a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges. a posse do estado de casados. está submetida ao requisito de que ambos os nubentes sejam brasileiros. a concessão feita pelo art. b) Que ambos os pais tenham vivido naquele estado. E para . 1540 do CC permite que o oficial do Registro Civil. c) Que a prole comum prove que o é. 11. etc. homem e mulher. d) Que não se apresente certidão do registro civil provando a ocorrência de casamento. certidão de proclamas. à vista dos documentos exigidos no art. prevista pelo CC. parágrafo 1º. pelo casamento. 1543. dispensando o processo regular. a realização de seu registro em território nacional. ou seja. Das provas do casamento O casamento realizado no Brasil. prova-se pela certidão do registro. chancelando a dimensão do afeto em detrimento do puro formalismo.. c) Casamento nuncupativo . Instaura-se o regime da co-gestão na sociedade familiar. dê a certidão de habilitação. Após o retorno dos brasileiros ao território nacional. O artigo consagra os efeitos da retroação sentencial. se encontram no gozo recíproco da situação de esposos. quando há dúvida quanto à existência do ato constitutivo do vínculo conjugal. 7º. in articulo mortis. Em assim sendo. assumem mutuamente a condição de consortes. quando do retorno dos nubentes ao país. preliminarmente. privada e publicamente como marido e mulher e que. mediante despacho da autoridade competente. qual seja. que nada mais é do que a situação de duas pessoas que sempre se comportaram. Neste caso. cessa a competência da autoridade consular. até segundo grau. não havendo assim tempo para a celebração do casamento com todo o formalismo previsto na lei civil. deverá ser registrado em 180 dias. a validade do casamento celebrado no estrangeiro. em absoluta igualdade de direitos e deveres. no consulado brasileiro.

Na convivência sob o mesmo teto (domicílio conjugal).A palavra assistência (apoio. querendo. ou. em seguida. e) Respeito e consideração mútuos . 1556 e 1557 o legislador trata da complexa matéria da ocorrência de erro essencial de um dos nubentes quanto à pessoa do outro. E. Da invalidade do casamento a) Casamento inexistente . 1638. Afora as hipóteses de recusa legítima ou justa.Segundo o disposto no art. não autorizado pelo seu representante legal: mas. ou seja. O dever de convivência sexual não é da essência do casamento nos casos de casamento in extremis bem como nos casos de consortes separados em razão de doença ou da profissão.O menor em idade núbil. poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro.566 do CC): a) Fidelidade recíproca . São elas: 1. desvelo. Não existem outras. ou por qualquer interessado (art. não adquirindo existência. A sentença de nulidade do casamento tem caráter declaratório. 1533. incisos I a VII). O ato. Os efeitos que produz o casamento podem ser encarados como restrições que cada um dos cônjuges impôs voluntariamente à sua liberdade pessoal e que. os outrora denominados impedimentos dirimentes relativos. sob pena de adultério. relativamente aos filhos menores e não emancipados. do citado art que. o legislador estatui. 1.A infração deste dever. Castellani reafirmar a recepção do princípio constitucional da igualdade.A jurisprudência e a doutrina sempre encararam essa questão como o dever de abster-se cada consorte de praticar relações sexuais com terceiro. c) Casamento anulável .A ocorrência de vício de vontade: Nos arts. depois de atingi-la. como o moral (apoio. 1550 o CC trata dos casos de casamento anulável que substituem. ou com suprimento judicial – art. Cometti Fernando F. art. 13.Quem não completou a idade mínima para casar (A regra comporta as exceções dos arts. poderá confirmar seu casamento. trata-se de uma enumeração taxativa e não exemplificativa. é que se estabelece o convívio sexual. 1549).91 - . que englobe tanto o aspecto material (econômico). 1563). Seis são as hipóteses legais de anulação do casamento. socorro) não pode ser tomada num sentido amplo. os quais dão origem aos chamados deveres conjugais.Coordenadores: Marcelo T.O casamento é inexistente quando lhe faltam um ou mais elementos essenciais à sua formação. no parágrafo 1º. em linhas gerais. 3. próprios do companheirismo). 1521. 1548 nulo é o casamento contraído pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil (por não estar em seu juízo perfeito) e por infringência de impedimentos (previstos no CC. 1520 e 1551). produzindo efeitos ex tunc (art. guarda e educação dos filhos . acarreta a suspensão ou destituição do poder parental (art. logo. II). 2.. qualquer dos nubentes. b) Vida em comum no domicílio conjugal . São elas: a) o que diz respeito à sua identidade. arrola as hipóteses caracterizadoras daquele erro. uma vez que reconhece apenas o fato que o invalida. o dever de coabitação no domicílio conjugal é indeclinável. com a autorização de seus representantes legais.O art. na mesma casa. d) Sustento. b) Casamento nulo . devem ser respeitadas enquanto durar a união. A decretação da nulidade pode ser promovida pelo Ministério Público. São eles (art.O desaparecimento do respeito e da consideração mútuos é prova evidente que a união conjugal se encontra fragilizada. . nenhum efeito pode produzir. uma vez assumidas. honra e boa fama. c) Mútua assistência .

Com efeito. 5. de doença mental grave. ou anulável. O termo vem do latim. Atendendo a boa-fé e o princípio da equidade. c) Enquanto perdura o processo judicial de separação. anterior ao casamento. em caso de incapacidade a lei admite a propositura da ação por curador. parágrafo 2º.92 - . seu consentimento: Os surdos-mudos sem educação adequada que lhes possibilite manifestar sua vontade não podem casar. 1582. b) A tentativa de conciliação – obrigatória na Lei do Divórcio art. parágrafo único). ratione personarum (em razão das pessoas dos nubentes.Pelo mandatário. todos os efeitos – aos filhos e ao cônjuge de boa-fé – do casamento válido. por contágio ou herança. não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. 3º. – deixa de constar no novo C. gera inexistência do casamento. salvo na hipótese do art. a sociedade conjugal termina: pela morte de um dos cônjuges. toxicômano não podem casar. mas. 14.O incapaz de consentir ou manifestar de modo inequívoco. o ordenamento jurídico reconhece ao casamento nulo. ascendente ou irmão – No mesmo sentido em relação ao divórcio (art. parágrafo único). quanto a seus domicílios). pela nulidade ou anulação do casamento. ou anulável. A separação pode ser judicial e extrajudicial. de igual modo. 1571 do CC. até a data da sentença que o invalidou. Dissolução da sociedade conjugal Segundo o disposto no art. Toda separação depende da homologação para surtir efeitos.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI b) a ignorância de crime anterior ao casamento.. para que o erro essencial quanto à pessoa do outro nubente seja causa de anulabilidade do casamento é preciso a ocorrência de três pressupostos: a) anterioridade do defeito do casamento. d) a ignorância. b) desconhecimento do defeito pelo cônjuge enganado. c) a ignorância. 1554. mas era de ordem pública e sua ausência justificava a nulidade do processo. pelos filhos ou por terceiros que tenham interesse na declaração. de defeito físico irremediável. por um só ou por ambos os cônjuges. pessoa portadora de enfermidade mental ou física. Casamento putativo Diz-se putativo o casamento que. que significa “imaginar”. se a sentença foi omissa a esse respeito. Declarado putativo o casamento ganha validade e produz todos os efeitos que produziria o casamento válido. A putatividade pode ocorrer na própria ação anulatória ou em processo autônomo promovido pelo(s) cônjuges(s) enganado(s). Entre suas principais características temos: a) A ação de separação judicial é personalíssima (art. foi contraído de boa-fé. ou. reconhecendo-lhe efeitos a ordem jurídica. A incompetência ratione materiae. 1576. sem que ele ou outro contratante soubesse da revogação do mandato. conforme vimos. perduram as obrigações decorrentes do casamento (art. então. . anterior ao casamento. putare. embora nulo. pela separação judicial ou pelo divórcio. ou de moléstia grave e transmissível.. 6.. 4. e c) insuportabilidade da vida em comum.C. 1576).Por incompetência da autoridade celebrante: O legislador está aqui se referindo à incompetência ratione loci (em razão do lugar da celebração). 15.

do STJ. 1572. que dispensa a partilha em se tratando de divórcio direto. 1572. reduzindo o prazo mínimo de casamento. 1574 trata da separação judicial consensual. encarando a concessão da separação como termo das obrigações oriundas do casamento. 1580. até a maioridade. O art.). no art. na ausência do registro. como a lei deixa claro. Importante notar. uns entendendo que a separação não importava em término dos deveres matrimoniais e outros. a mútua assistência mantém-se na forma de alimentos e. de dois para um ano. e em caráter de justificação. que se refere à grave violação dos deveres do casamento e à insuportabilidade da vida em comum (Os deveres conjugais são aqueles arrolados no atual art. O divórcio direto poderá ser requerido por um ou ambos os cônjuges. Cometti Fernando F.C. constantes na Lei do Divórcio permanecem presentes no novo Código Civil: a) Separação Litigiosa como Sanção: Ocorre quando um dos cônjuges imputar ao outro conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres conjugais. pode confirmar a medida deferida liminarmente no processo cautelar. No caso de conversão em divórcio da separação judicial. agora. contrariamente. Quanto à partilha de bens. guarda e educação. No art. 1581 que. no caso de comprovada separação de fato por mais de 2 (dois) anos. o prazo para conversão em divórcio é contado da data da concessão daquela medida e não do decreto da separação judicial. ou da concessão da medida cautelar de separação de corpos. O processo é disciplinado pelo art. em manifesta incoerência e quebra de sistema. poderá ser feita mediante proposta dos cônjuges e homologada pelo juiz. O lapso temporal é um requisito objetivo e comprova-se pela certidão. se foi deferida a medida cautelar de separação de corpos. era de cinco anos. e 3º.). Há decisões que aceitam justificação para comprovar a existência do casamento. 1576 o legislador enfrentou a questão tormentosa que sempre dividiu a jurisprudência nacional. 1572. tudo parece indicar que a postura do legislador atual decorra da Sumula 197. da Ldi ressurge. O art. face à indecisão ou irredutibilidade dos cônjuges. 1575 dispõe sobre a separação de corpos e a partilha de bens. 1566 do C. permite a concessão do divórcio sem que haja partilha de bens. c) Separação Litigiosa como Remédio: Ocorre quando um dos cônjuges está acometido de grave doença mental de cura improvável (art. é efeito fundamental da separação. O consentimento é suficiente a determinar a validade da decisão. além de reafirmar as duas hipóteses de divórcio (direto ou via conversão) refere-se aos prazos da ruptura da sociedade conjugal.). agora. que o disposto no art. na hipótese de cautelar preparatória. a ser de dois anos. 6515/77 e pelos arts. b) Separação Litigiosa como Falência: Ocorre quando qualquer um dos cônjuges prova a ruptura da vida em comum há mais de 01 (um) ano consecutivo e a impossibilidade de sua recoonstituição (art. É dado importante na matéria da dissolução da sociedade conjugal porque. Em se tratando de separação litigiosa. parágrafo 2º. Preliminarmente. em havendo filhos.93 - . O art. . na lei divorcista. parágrafo 1º. 5º. quando a separação é consensual. O divórcio indireto (ou via conversão) dá-se quando do transcurso do lapso temporal de 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença de separação. será pelo juiz decidida. O prazo de duração da doença para a obtenção da separação que. passa. 1120 a 1124 do CPC. 34 da Lei no.Coordenadores: Marcelo T. Com o atual dispositivo encerra-se a controvertida polêmica: a separação judicial põe termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca. o dever de sustento. Castellani As três espécies de separação litigiosa. Mas. Anteriormente prevista no art. não constará referência à causa que a determinou – parágrafo 1º. A separação de corpos.

f) Possibilita novo casamento aos divorciados. A liberdade dos cônjuges no exercício da escolha é total. cumprido o prazo de um ano de vigência da separação. Regime de bens entre os cônjuges Regime de bens é. 1640 c/c art. aceitando em bloco o regime da comunhão parcial de bens – art. d) Autoriza a conversão em divórcio. 1578: I. O art. inderrogáveis pelos cônjuges. III. Efeitos Pessoais: a) Põe termo aos deveres recíprocos do casamento. b) Os cônjuges aderem ao regime legal – sem convenção. Todavia. 1639 do CC resgata o princípio da autonomia da vontade. A sentença de divórcio produz os seguintes efeitos: a) Dissolve definitivamente o vínculo matrimonial. c) Extingue o direito sucessório entre os cônjuges. 1639 do CC. c) Impossibilita a realização de novas núpcias. esse regime é passível de modificação (art. b) Substitui o dever de sustento pela obrigação alimentar. Efeitos da separação e do divórcio Os efeitos da separação judicial atingem tanto a pessoa dos cônjuges quanto o seu patrimônio. II.manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida. b) Põe fim aos deveres conjugais. pois. diz o parágrafo 1º do art. Estas normas são de ordem pública e. Na realidade. 17. b) Impede a mulher de continuar a usar o nome do marido (regra geral). d) Pode dar origem à indenização por perdas e danos se ocorrerem prejuízos morais ou patrimoniais.94 - . o legislador criou duas hipóteses de incidência de regras em matéria de regime de bens: a) Os cônjuges escolhem o que lhes aprouver – materializando sua escolha em documento próprio (pacto antenupcial – art.evidente prejuízo para sua identificação. e) Não admite reconciliação entre os cônjuges. c) Extingue o regime matrimonial. Importante ressaltar que o regime de bens começa a vigorar desde a data do casamento. mas a lei impõe a necessidade da convenção – pacto antenupcial – sempre que a opção exercida difere do padrão ofertado pela lei. 1639. g) Mantém inalterado os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos. pena que se concretizará se não ocorrer alguma das hipóteses previstas no art. portanto. por isso fala-se em efeitos pessoais e efeitos patrimoniais. d) Faz cessar o direito sucessório. Efeitos Patrimoniais: a) Põe fim ao regime matrimonial de bens. 1653). permitindo aos cônjuges estipular o que lhes aprouver.dano grave reconhecido na decisão judicial. em matéria de regime de bens. 1640.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 16. parágrafo segundo) mediante a ocorrência de três requisitos cumulativos: . o complexo de normas que disciplina as relações econômicas entre marido e mulher durante o casamento. O cônjuge “culpado” perde o direito de usar o sobrenome do outro.

quais sejam. A eficácia a que se refere o texto legal. Cometti Fernando F. estipular que o pacto produzirá efeitos diversos daqueles previstos pela norma jurídica. como também não poderá ser suprida pelo juiz. nominado. Se o legislador impõe a separação nas três hipóteses do art. passa a ser comum a ambos os cônjuges. na constância do casamento. diz respeito tão somente aos bens imóveis. 1641. b) O pedido motivado de ambos os cônjuges.95 - .Os bens que cada cônjuge possuir ao casar e os que lhe sobrevierem. 1653). Se o bem sub-rogado é mais valioso que o alienado. . o regime da comunhão parcial faz surgir três massas distintas de bens. é porque. uma vez que a admissão daquela mudança implicaria em esvaziar o conteúdo da previsão legal. O pedido de alteração é dirigido ao juiz competente. O pacto antenupcial só terá efeito perante terceiros – art. O limite da sub-rogação é o valor do bem particular (adquirido antes do casamento. 1657 – depois de registrado.As obrigações anteriores ao casamento – obrigações negociais. a lei também exige o registro do pacto antenupcial no registro de imóveis. ou herdado). o casamento é condição suspensiva necessária para que o pacto produza os seus reais efeitos. a diferença do valor. para determinar que. Regime da comunhão parcial de bens Introduzido no Brasil pela Lei do Divórcio (Lei 6515/1977). em ação própria. 258 (CC/16).Os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares. No art. alterou o então vigente art. 1641) não há que se invocar a revogabilidade estampada na nova lei.Coordenadores: Marcelo T. 5-Os bens de uso pessoal. em se tratando de regime obrigatório de separação de bens (art. a ocorrência da sociedade conjugal não anula a individualidade e autonomia dos cônjuges em matéria patrimonial). previsto em lei e legítimo (típico). vigorará. e os bens comuns do casal. O registro imobiliário competente é o do domicílio dos cônjuges devendo os mesmos levar ao registro imobiliário a escritura pública do pacto antenupcial e a certidão do casamento. o regime da comunhão parcial. sendo indispensável a escritura pública (art. não havendo convenção. 18. e c) A ressalva dos direitos de terceiros. a não anuência de um não só compromete o deferimento. 4. 1653 que o pacto é nulo se não lhe seguir o casamento. Acrescenta o art. ou doado. isto é.Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. por doação ou sucessão e os sub-rogados em seu lugar. para que produza os efeitos perante terceiros. não realizado o casamento. ou sendo nula. O regime de comunhão parcial limita o patrimônio comum aos bens adquiridos na constância do casamento a título oneroso (ou seja. Castellani a) A autorização judicial. salvo reversão em proveito do casal.As obrigações provenientes de atos ilícitos. os livros e os instrumentos de profissão. consequentemente. 1659 estão arrolados os bens que não entram na comunhão: 1. Logo. os bens particulares da mulher. se não foi paga com recursos próprios e particulares do cônjuge. os bens particulares do marido. O pedido motivado de ambos os cônjuges cerca o pedido de maior garantia. formal. Desse modo. o pacto torna-se ineficaz. pois os nubentes têm a sua autonomia limitada pela lei e não podem. O pacto antenupcial é um ato jurídico pessoal. naquelas hipóteses específicas desconheceu a aplicação do princípio da autonomia da vontade. Todavia. Ou seja. 3. Assim como o casamento é objeto de registro público. quanto aos bens. 2. 6. que só o deferirá quando convicto da motivação relevante e do não prejuízo dos interesses de terceiros.

ao mesmo tempo. marido e mulher. logo. responsabilizando-se individualmente pelas dívidas anteriores e posteriores ao casamento. quando ressurge a idéia da comunhão. diz-se que o cônjuge é “meeiro”.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 7. meios-soldos. . móveis e imóveis. O art. em cinco incisos. Regime da comunhão universal de bens Segundo o art. 1656). diz a lei. desde que a hipótese tenham sido objeto de cláusula no pacto antenupcial (art. os patrimônios dos cônjuges se fundem em um só. 1660 do CC. Durante o casamento. no seu parágrafo único. mas que se tornam comuns no momento da dissolução do mesmo. 1673 delimita o que é patrimônio comum dispondo.As pensões. passando. que permanece indivisível até a dissolução da sociedade conjugal. a figurar como condôminos de um condomínio peculiar.C. Todos os bens. mas. os bens que são excluídos do regime de comunhão universal. se forem móveis. pois que insuscetível de divisão antes da dissolução da sociedade conjugal. O regime de separação é legal (quando decorre da lei) ou convencional (decorre de convenção estabelecida em pacto antenupcial). o legislador arrola. No art. Regime da participação final nos aqüestos Na participação final nos aqüestos há formação de massas de bens particulares incomunicáveis durante o casamento. 1668 do C. por isso. valor este a ser levantado na dissolução da sociedade conjugal. passam a constituir um só massa.96 - . Regime da separação de bens O regime de separação de bens é aquele em que cada cônjuge conserva o domínio e a administração de seus bens presentes e futuros. 1667 do CC o regime da comunhão universal importa na comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas. associa cada cônjuge aos ganhos do outro. como ocorre na separação de bens. igualmente. 19. que os poderá livremente alienar. cada um dos cônjuges goza de liberdade total na administração e na disposição dos seus bens. Cada um dos cônjuges tem direito à metade ideal desta massa. montepios e outras rendas semelhantes. Com a exclusão das exceções previstas no art. aos bens imóveis. embora o parágrafo único do art. a possibilidade estende-se. 1673 só admita a alienação dos bens móveis. que a administração dos bens é exclusiva de cada cônjuge. 20. Vale ressaltar que. Os bens que participam da comunhão são aqueles descritos no art. 1668. direitos e ações. 21.

Em decorrência do art. os graus de parentesco pelo número de gerações e. parágrafo 2º.: “ São parentes em linha colateral ou transversal. na linha reta. desde os impedimentos que se traduzem em inelegibilidade da constituição até os impedimentos para o casamento. São afins em linha reta ascendente: sogro. . também pelo número delas. mas tão somente da lei. nora. A afinidade na linha reta é sempre mantida (art. 1. Em assim sendo. É por força de uma ficção legal que se estabelece este parentesco. parágrafo 6º. e descendo até encontrar o outro parente”. na colateral.Coordenadores: Marcelo T. Espécies de parentesco a) Parentesco natural – É o que se origina da consangüinidade. o adotado tem os mesmos direitos do filho consangüíneo. 227. sogra. o parentesco. no atual sistema codificado. afins. Embora haja simetria com a contagem dos graus no parentesco. Existem duas espécies de linhas: reta (quando as pessoas descendem umas das outras) e colateral ou transversal (quando as pessoas. Dispõe. enteada (no mesmo grau que filho e filha). e o vínculo sócio-afetivo. a afinidade. 3. Contagem do parentesco O parentesco é contado através de linhas e graus. São afins na linha na linha reta descendente: genro. assim como o parentesco por consangüinidade. Marido e mulher são. enteado. 1593 quando se refere ao parentesco que resulta de outra origem. sem descenderem uma da outra”. mas independente dos laços de sangue. não visualizada pelo C/C 1916 e que ganha legítimo reconhecimento na singela fórmula do art. embora procedendo de um tronco ancestral comum. Efeitos do parentesco As relações de parentesco afetam os mais diversos campos do Direito. 1594 “Contam-se. 1592 do CC. 2. não descendem uma das outras. c) Parentesco por afinidade .É a proposta inédita. Cometti Fernando F. padrasto e madrasta (no mesmo grau que pai e mãe).97 - . d) O vínculo sócio-afetivo . inexiste impedimento de o viúvo (ou divorciado) casar-se com a cunhada. as pessoas provenientes de um só tronco. A afinidade. o art. até o quarto grau. mas a afinidade colateral (ou cunhadio) extingue-se com o término do casamento. Castellani CAPÍTULO II – PARENTESCO Toda pessoa se enquadra numa família por quatro ordens de relações: o vínculo conjugal.Inicialmente vale ressaltar que o casamento não cria nenhum parentesco entre o homem e a mulher. simplesmente. subindo de um dos parentes até ao ascendente comum. isto é. 1595. com efeito. comporta duas linhas: a reta e a colateral. da CF. entre si. Dispõe a respeito o art. o vínculo legal que se estabelece à semelhança da filiação consangüínea. a afinidade não decorre da natureza. b) Parentesco civil – É o decorrente da adoção. nem do sangue.). Os graus são o meio de que se dispõe para determinar a proximidade ou remoticidade do parentesco.

de cargos de provimento em comissão. No direito constitucional e no direito administrativo. 405. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. dos respectivos membros ou juízes vinculados. inclusive. em circunstâncias que caracterizem ajuste para burlar a regra do inciso anterior mediante reciprocidade nas nomeações ou designações. do CPC). ou servidor investido em cargo de direção e de assessoramento. colateral ou por afinidade. ao estabelecer impedimentos para o casamento. de dois ou mais magistrados.o exercício. na classe dos colaterais. III . Constituem prática de nepotismo. seu ascendente ou descendente em qualquer grau. o parentesco pode definir isenções. até o terceiro grau. há restrições de parentesco para ocupar certos cargos: Resolução no. colateral ou por afinidade. IV . bem como de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. I. há crimes cujo parentesco entre o agente causador e a vítima agrava a intensidade da pena. 2º...o exercício de cargo de provimento em comissão ou de função gratificada.) No direito de família. de pessoa jurídica da qual sejam sócios cônjuge. ou de servi dor es investidos em cargos de direção ou de assessoramento. companheiros ou parentes em linha reta. ou de funções gratificadas. deduções ou o nível de tributação. em casos excepcionais de dispensa ou inexigibilidade de licitação. seja consangüíneo ou afim (art. àqueles até o quarto grau.98 - . No direito sucessório. inclusive.a contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. 07 do CNJ – art. inclusive. assim como o colateral até o terceiro grau. os efeitos do parentesco fazem-se sentir com mais intensidade. de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. até o terceiro grau. além do cônjuge da parte. II. o parentesco estabelece as classes de herdeiros que podem concorrer à herança. companheiro ou parente em linha reta. colateral ou por afinidade. companheiro ou parente em linha reta. (. dentre outras: I. parágrafo 2º. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No processo civil. No direito penal. companheiro ou parente em linha reta. inclusive. inclusive. estabelecer o dever de prestar alimentos.. por cônjuge. dos respectivos membros ou juízes vinculados. por cônjuge.o exercício de cargo em provimento de comissão ou de função gratificada. dos respectivos membros ou juízes vinculados. colateral ou por afinidade. de servir como tutor etc. até o terceiro grau. . estão impedidos de depor como testemunha. No direito fiscal. de cônjuge. até o terceiro grau. em Tribunais ou Juízos diversos.a contratação. por cônjuges. limitando-se. V . companheiro ou parente em linha reta ou colateral até o terceiro grau.

1. Já diziam os romanos: mater semper certa est. apenas que seja “prévia”. pressupondo-se. ou vida humana. . Cometti Fernando F. automaticamente. Castellani CAPÍTULO III – FILIAÇÃO Filiação é a relação de parentesco. 1.358/92 do Conselho Federal de Medicina admite a cessão temporária do útero. de gametas da mãe e do pai. A presunção de paternidade é prevista no art. do Conselho Federal de Medicina. desde que o cedente seja parente colateral até o segundo da mãe genética. sejam casados ou companheiros de união estável”. não admitindo mais a retrógrada distinção entre filiação legítima e ilegítima.Neste dispositivo três hipóteses de presunção de filhos concebidos na constância do casamento. O princípio da igualdade dos filhos é reiterado no art. mas a resolução 1. e não o do marido. sem fins lucrativos. O inciso V do art. após a morte do doador. A lei não exige que o marido seja estéril ou. apesar de não ter componente genético. não possa procriar. tem-se propriamente o embrião. o simples fato do nascimento estabelece o vínculo jurídico entre a mãe e o filho. Apenas é admitida a concepção de embriões excedentários “se estes derivam de fecundação homóloga. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação”. “a partir de 14 dias. Por conseqüência. ou por adoção. ou a receberam como se a tivesse gerado. Em regra. A paternidade. Neste caso o óvulo e o sêmen pertecem ao marido e à mulher. todas elas vinculadas à reprodução assistida. Essa distinção é aceita em vários direitos estrangeiros. desde que tenha prévia autorização do marido”. razão por que pode ser verbal e comprovada em juízo como tal. privilegiando-se a relação socioafetiva.Coordenadores: Marcelo T. ou seja. A fecundação ou inseminação homóloga é realizada com sêmen originário do marido.358/92.) estabeleceu absoluta igualdade entre todos os filhos. A única exigência é que tenha o marido previamente autorizado a utilização de sêmen estranho ao seu. para a fecundação do óvulo da mulher. normalmente doador anônimo. esta circunstância estabelece.597 presume concebido no casamento os filhos “havidos por inseminação artificial heteróloga. Se a mãe for casada. respectivamente. indica que. in casu. havidos ou não da relação do casamento. parágrafo 6o. A fecundação ou inseminação artificial post mortem é realizada com embrião ou sêmen conservado. A CF (art.99 - . está proibida a utilização de embrião excedêntário por homem e mulher que não sejam os pais genéticos ou por outra mulher titular da entidade monoparental.596 do CC. Presunção de paternidade Presume-se filho o concebido na constância do casamento: pater is est quem iustae nuptiae demonstrant.1. neste caso. especialmente na Europa”. o consentimento de ambos.597 do CC. por meio de técnicas especiais. terão os mesmos direitos e qualificações. A resolução no. O código não define a partir de quando se considera embrião. por qualquer razão física ou psíquica. em primeiro grau e em linha reta. a paternidade. A lei não exige que haja autorização escrita. terá fundamento moral. 1. que enfatiza: “Os filhos. O vocábulo fecundação indica a fase de reprodução assistida consistente na fertilização do óvulo pelo espermatozóide. 1. que liga uma pessoa àquelas que a geraram. 226. Ocorre tal modalidade de inseminação quando é utilizado “sêmen de outro homem.

1.600 e 1. A segunda visa negar o fato da própria concepção.599). A falsidade do termo de nascimento pode ser atribuída ao próprio oficial de registro civil ou à declaração da mãe ou do pai. induzidos a erro por falta de cuidado de hospitais e maternidades.100 - . por decisão judicial. na posição de ré. admitindo a prova em contrário. ouvido o Ministério Público. traduzido nos cento e vinte e um dias. 27): “O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. arts. pois. se ele vier a falecer durante o seu curso. Tal dispositivo abre exceção à presunção mater in jure semper certa est. Se o filho é falecido. na verdade. retirando do registro civil o nome que figura como pai -.ou das declarações nele contidas”. podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros. 8.602). como ocorre nos casos de troca de bebês. Pode. por ter sido efetuado o registro pela mãe – e porque se objetiva desconstituir um ato jurídico.597 é júris tantum. mas. aquele bebê adveio da infidelidade da mulher (CC. 1. passa a seus herdeiros (art. indisponível e imprescritível. que é imprescritível (art. não podendo voltar atrás. ou provar a suposição de parto. ou mais. ou pelo filho da mulher casada contra o seu verdadeiro pai. Nesse sentido. Dispõe o art. por permitir que a investigação da paternidade. Mesmo que o marido não tenha ajuizado a negatória de paternidade. 1. distinguir a ação negatória de paternidade ou maternidade daquela destinada a impugnar a paternidade ou maternidade. entende a doutrina que nem mesmo o curado do marido interdito poderia ajuizar tal ação. observado o segredo de justiça”. Legitimado passivamente para esta ação é o filho. a ação negatória destina-se a excluir a presunção legal de paternidade. pois.601. sem qualquer restrição. 1. O importante é que a patologia tenha ocorrido depois de estabelecida a convivência conjugal e no prazo legal atribuído ao momento da concepção.608 do CC: “quando a maternidade constar do termo do nascimento do filho. Mais se evidenciou essa possibilidade com o advento da Lei n. mas. mediante ação negatória de paternidade. dos trezentos que houverem precedido ao nascimento do filho. 8o. também é o ECA: (art. a retificação. 1. a presunção de paternidade do art. salvo se provar que. também. a iniciativa da ação. com base no art. dos “registros de nascimento anteriores à data da presente lei”. e por permitir. Em regra. 1. 1. uma vez iniciada. mesmo adulterina. devido ao segredo profissional médico e ao anonimato do doador do sêmen inoculado na mulher. a mãe só poderá contestá-la. deve ela também integrar a lide. ser elidida pelo marido. tem sido reconhecido ao filho o direito de impugnar a paternidade.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se o marido anuiu na inseminação artificial heteróloga. Assim. Só ele tem a titularidade. à época da concepção. Ação negatória de paternidade e de maternidade Conhecida também como ação de contestação de paternidade.. que visa à proteção da família constituída pelo casamento.601). Importante observar.601 do CC). no art. A impugnação da paternidade conduzirá o filho a uma paternidade incerta. ilide a presunção de paternidade (art. provando a falsidade do termo. elaborada com o intuito de conferir maior proteção aos filhos. 2. a ação deve ser movida contra seus herdeiros (normalmente a mãe é a herdeira). A legitimidade ativa é privativa do marido (CC.604. seja proposta contra o homem casado. Deve-se. A primeira tem por objeto negar o status de filho ao que goza de presunção decorrente da concepção na constância do casamento. será o pai legal da criança assim concebida.560/92. que a prova de impotência do cônjuge para gerar. art. para afastar a condição de . parágrafo único). 1.

É que o prazo de prescrição somente se inicia quando surge o direito à ação.604 do CC e provando erro ou falsidade do registro. Reconhecimento judicial da filiação: investigação de paternidade e maternidade. 54 da Lei dos Registros Públicos. têm eles legitimação para “continuá-la. de caráter declaratório e satisfativo do seu interesse pessoal. Embora a ação seja imprescritível. por meio da ação de investigação de paternidade. fazendo-o com base no art. A mãe natural. como os irmãos da pessoa registrada como filho. Se já tiver sido iniciada.606). 1. consagrada na própria CF. intentar em nome do filho a ação investigatória de paternidade”. será representado pela mãe ou tutor. 1. a ação é privativa dele. os efeitos patrimoniais do estado da pessoa prescrevem. O registro. de natureza declaratória e imprescritível. forçado ou coativo. tem reconhecido legitimidade ao nascituro para a sua propositura. que zela pelos interesses do incapaz. a contar não da morte do suposto pai. “representa-o nos atos da vida civil e pode. exerce o poder familiar de filho menor não reconhecido pelo pai e. e este só nasce com o reconhecimento. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. por isso. Somente a ação negatória é privativa do marido ou da mulher. 205). art. Castellani filho. art. Não há empecilho para que o filho adotivo intente ação de investigação de paternidade em face do pai biológico. assistida por seu pai. prova não só o nascimento como também a filiação. mas do momento em que foi reconhecida a paternidade. salvo se “ele morrer menor e incapaz” (CC art. O filho não reconhecido voluntariamente pode obter o reconhecimento judicial. A moderna doutrina.609 do CC. a pedido do Ministério Público. 1. 1. que é ação de estado. Cometti Fernando F. salvo se julgado extinto o processo” (art. que deve conter os dados exigidos no art. A de impugnação da paternidade ou da maternidade pode ser ajuizada pelo próprio filho. ou por tutor nomeado especialmente para o ato. relativa ou absolutamente incapaz. de simulação de parto e introdução maliciosa na família da pessoa portadora do status de filho e de falsidade ideológica do assento de nascimento. Se menor. Por essa razão.609 do CC como modos voluntários de reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento. 1. A legitimidade ativa para o ajuizamento da ação de investigação de paternidade é do filho.606. É de se admitir o litisconsórcio ativo facultativo dos filhos da mesma mãe na investigação de paternidade do mesmo suposto genitor. 1.Coordenadores: Marcelo T. por interesse moral ou até mesmo de natureza sucessória. Dispõe o art. discriminando em 09 itens. Os efeitos da sentença que declara a paternidade são os mesmos do reconhecimento voluntário e também ex tunc: retroagem à data do nascimento (CC.616). poderá ser representada ou assistida por um dos seus genitores. Prova-se também a filiação pelos meios de prova elencados no art. parágrafo único). representado pela mãe. destarte.603 do CC que a filiação prova-se pela certidão do termo de nascimento registrada no Registro Civil.101 - . não só em face do que dispõe o parágrafo único do art. Esta prescreve em dez anos (CC. com citação dos pais presumidos. como também por se tratar de pretensão que se insere no rol dos direitos da personalidade e na idéia de proteção integral à criança. pois. ainda que menor. Se o filho morrer antes de iniciá-la. 1. seus herdeiros e sucessores ficarão inibidos para o ajuizamento. secundada pela jurisprudência. Se a mãe do investigante é menor. preceitua a Súmula 149 do STF: “É imprescritível a ação de investigação de paternidade. como nas hipóteses de troca de criança em maternidades. mas não o é a de petição de herança”. . ou ainda por quem demonstre legítimo interesse.

se sujeita ao poder familiar. 3.829. que. assim. Dispõe o art. Efeitos do reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento O reconhecimento produz efeitos de natureza patrimonial e de cunho moral. É vedado ao pai subordinar a eficácia do reconhecimento à determinada data ou a determinado período. Se menor. 1. parágrafo 4o. III). IV). havendo elementos suficientes. Entre o pai e o filho reconhecido há direitos recíprocos aos alimentos (CC. art. quando o oficial do Registro Civil encaminhar ao juiz os dados sobre o suposto pai. Embora se produzam a partir do momento de sua realização. ser apresentada pela mulher do investigado. dependendo de quem está sendo investigado. a ação deverá ser dirigida contra seus herdeiros. ou mesmo de sua concepção. mas a ação pode ser contestada por qualquer pessoa “que justo interesse tenha” (CC.102 - . retroativos ou retrooperantes (ex tunc). Não é correto mover a ação contra o espólio do finado pai. bem como outros parentes sucessíveis. se não concorrer com estes à herança. mas retroagindo “até o dia do nascimento do filho. O principal deles é estabelecer a relação jurídica de parentesco entre pai e filho. ela possa permanecer na companhia de quem a acolheu e criou. 1. A defesa. A legitimidade passiva recai no suposto pai ou na suposta mãe.829. O art.829. Se o demandado já for falecido. na qualidade de parte. em nome do melhor interesse da criança.). sempre que for herdeira. se isto condisser com seus interesses”.560/92 permite que a referida ação seja ajuizada pelo Ministério Público. art. porém. não passando de um acervo de bens. . assim.566. para que dele venham a constar os dados atualizados sobre sua ascendência.696) e à sucessão (art. alterado. Com o reconhecimento. portanto. afastando-se. mas pode atingir terceiros. a ação deverá ser movida contra eventuais herdeiros incertos e desconhecidos citados por editais. a temporariedade do ato. 1. ainda que o registro de nascimento tenha sido lavrado anteriormente à sua promulgação. Deverá a viúva ser citada como parte. Trata-se de legitimação extraordinária deferida aos membros do parquet. art. art.616 do CC que “a sentença que julgar procedente a ação de investigação produzirá os mesmos efeitos do reconhecimento. seja por inexistirem descendentes e ascendentes (CC. O registro de nascimento deve ser. pelos filhos havidos no casamento ou filhos reconhecidos anteriormente. gerando as suas conseqüências. 2o. I e II). 1. ficando os pais submetidos ao dever de sustentá-lo. Se não houver herdeiros sucessíveis conhecidos. 1. na defesa dos interesses do investigando. como aquele que se considera o verdadeiro genitor. pois. mas poderá ordenar que o filho se crie e eduque fora da companhia dos pais ou daqueles que lhe contestou essa qualidade”. ou a termo (CC. 1. 1. pode. todavia. não da data do ato. fornecidos pela mãe ao registrar o filho (art. o filho ingressa na família do genitor e passa a usar o sobrenome deste.8. o cônjuge do falecido não participará da ação.613). 1. O dispositivo permite. uma vez que a declaração do estado de filho repercute não apenas na relação entre as partes. seja por concorrer com eles à herança (art. de tê-lo sob sua guarda e de educá-lo (CC.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A lei n. são. 27 do ECA menciona expressamente “os herdeiros” do suposto pai. art. salvo como representante do filho menor. O reconhecimento é incondicional:não se pode subordiná-lo a condição.615). Havendo descendentes ou ascendentes. I e II). O espólio não tem personalidade jurídica.

Só se converte em casamento. de homem e mulher. Cometti Fernando F. o convívio. enquanto nesta a convivência pode ser convertida em casamento. parágrafo 3º refere-se à possibilidade de conversão em casamento. ou seja. é a convivência more uxorio. . porque naquele há sempre impedimento.Coordenadores: Marcelo T. 226. tudo se incluiria na noção maior de concubinato. com notoriedade de longos anos. No sentido restrito. até a união adulterina.103 - . união entre homem e mulher não inquinada de impedimento. como se fossem marido e mulher. entre homem e mulher desimpedidos. No sentido amplo. um amplo (lato sensu) e um restrito (stricto sensu). O concubinato não se confunde com a união estável (ou. O termo união estável. tanto é que o texto constitucional – art. desde a posse do estado de casados. união livre). empregado pelo constituinte de 1988 refere-se à união livre. Castellani CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL O termo “união estável” admite dois sentidos.

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1701 do CC confere ao devedor de alimentos a faculdade de optar entre o cumprimento da pensão em espécie. 1. Assim. sempre em decorrência da variação financeira das partes interessadas (art.) ou em dinheiro. 1707 do CC). Se o quantum da pensão alimentícia subordina-se a um critério de proporcionalidade entre as necessidades do alimentado e os recursos do alimentante. Castellani CAPÍTULO V – ALIMENTOS Alimentos. não se pode renunciar ao direito de exigir alimentos (art. e extensivo a todos os ascendentes. . porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos. ou em dinheiro.Coordenadores: Marcelo T. Isto é. entende-se que a revisão é da essência da obrigação alimentar. aos irmãos. lazer. também. etc. habitação. Princípios da obrigação alimentar Como se trata de um munus público. faltando estes. mas sempre no limite das forças do monte. O CC limita a obrigação na linha colateral ao segundo grau (irmãos). 1697). vestuário. O art. em faltando alguma das categorias citadas. mediante o pagamento da prestação pecuniária. e) Princípio da transmissibilidade – Os alimentos poderão ser cobrados do espólio. se as circunstâncias o exigirem. de grau imediato para concorrer no cumprimento da dívida alimentar. Logo. que não pode ser reduzida à noção de mero sustento (alimentação) mas envolve. 1696 do CC que o direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos. ela é mutável podendo ser modificada a qualquer tempo. tem uma conotação amplíssima. f) Princípio da alternatividade – Os alimentos podem ser pagos em espécie (moradia. portanto. porém. b) Princípio da preferência – Na falta de ascendente cabe a obrigação aos descendentes e. respondendo cada herdeiro proporcionalmente à parte que lhe couber na herança. alimentação. O direito de escolha. as regras que disciplinam a matéria são de ordem pública. germanos como unilaterais (art. numerus clausus. não é absoluto. não se pode estabelecer condição contrária ao disposto na lei. g) Princípio da irrenunciabilidade – Não podem as partes pactuarem de modo diverso. uns em falta de outros. extingue-se a obrigação alimentar decorrente do parentesco. vestuário. Desse modo. O texto legal é claro e não deve gerar maiores questionamentos: o credor pode não exercer. redução ou majoração. a) Princípio da reciprocidade – Dispõe o art. pois o parágrafo único do artigo confere ao juiz. quer por contrato ou convenção (art. que o elenco previsto pela lei é taxativo. 1707). o poder de fixar a forma do cumprimento da prestação. 1698 do CC) poderá chamar outros parentes. o dispositivo legal prescreve uma obrigação alternativa. isto é. c) Princípio da complementaridade – Se o parente convocado não estiver habilitado a cumprir a obrigação totalmente (art. logo tios ou sobrinhos (parentes em 3º grau) escapam da previsão legal. inderrogáveis por convenção entre as partes. Importante notar. ou de cada herdeiro. na linguagem jurídica. profissionalização. a reciprocidade da obrigação alimentar ocorre tanto entre ascendentes como entre descendentes. recaindo a obrigação nos mais próximos em grau. 1699 do CC). saúde. mas não material. Cometti Fernando F. podemos afirmar que alimentos são os auxílios prestados a uma pessoa para prover as necessidades da vida. sempre que o binômio se alterar produzirá efeitos imediatos sobre a pensão provocando exoneração. de modo que. d) Princípio da mutabilidade (ou da variabilidade da prestação) – A decisão judicial sobre alimentos faz coisa julgada formal. isto é. não se pode ajustar que seu montante jamais será alterado. educação.105 - .

Exoneração da obrigação alimentar As três hipóteses arroladas no caput do art. na qual o marido (ou a mulher) convenciona a pensão a ser paga ao outro cônjuge. 1694). 1710 do CC a atualização monetária é feita por fórmula mais ampla (índice oficial regularmente estabelecido) que subsiste por tempo indeterminado.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 2. aos filhos compete sustentar os pais. Cessa o dever de prestar alimento em caráter definitivo por que o credor se encontra vinculado a outra pessoa. Da mesma forma. d) Ato Ilícito – Quando o causador do dano fica obrigado a reparar o prejuízo mediante pagamento de uma indenização. 3. a eles compete sustentar e educar os filhos. 4. Também pode derivar de disposição testamentária (art. sem risco de perda de parâmetro oficial quando da desvalorização da moeda nacional. os companheiros também podem pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver (art. 1708 do CC (casamento. . É o que decorre do disposto no art. a pensão alimentar decorre da responsabilidade civil. introduz a hipótese de ingratidão do alimentário como causa extintiva da obrigação do devedor. Fontes da obrigação alimentar A dívida de alimentos pode provir de várias fontes: a) Vontade das partes – Embora hipótese rara ela pode se materializar nos casos de separação consensual.106 - . Atualização da dívida alimentar No art. c) Casamento e União Estável – Por força do princípio constitucional que inseriu as uniões estáveis como espécie do gênero maior entidades familiares. 948. II. na velhice e quando necessitam de auxílio. 1920). por decorrência jurídica. são suficientes a justificar a cessação do pagamento da dívida alimentar. à outra pessoa. O parágrafo único do referido art. b) Parentesco – A lei impõe aos pais o encargo de prover a mantença da família e. união estável ou o concubinato) na medida em que acarretam o vínculo do credor da pensão.

que necessitam da presença de outrem que aja em nome delas. . em princípio. de caráter personalíssimo e. Se existir apenas um dos genitores a este competirá a nomeação do tutor. o munus é direcionado a pessoa estranha ao grupo familiar (art. não pode ser recusada. Da tutela A tutela possui três finalidades específicas: os cuidados com a pessoa do menor. A tutela dativa tem caráter subsidiário. escusa ou qualquer outro impedimento. 2. A escusa deve ser apresentada no lapso temporal de 10 (dez) dias subseqüentes à designação. o maior interesse do menor. 1739 – o nomeado exercerá a tutela. 1. Ambos devem estar no exercício do poder parental (art. e que os outros lhe sucederão pela ordem de nomeação. em conjunto. 1730). no caso de morte. porque somente ocorrerá quando inexistir tutor testamentário ou legítimo. a nomeação do tutor. ambos os institutos objetivam proteger pessoas incapazes. que. incapacidade. sob pena de entender-se renunciado o direito de alegá-la (art. Da escusa dos tutores Tratando-se de um encargo público a tutela. Castellani CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA A tutela e a curatela têm um ponto em comum.Coordenadores: Marcelo T. São posto sob tutela Os menores cujos pais falecem Os menores cujos pais foram destituídos ou suspensos do poder parental São postos sob curatela Os Deficientes mentais Os excepcionais Os pródigos Os nascituros 1.Na falta de nomeação a lei estabelece a ordem de preferência dos eventuais tutores (art. 1732). Cometti Fernando F.107 - . somente aqueles casos são excludentes da tutela. devendo-se considerar. a administração de seus bens e sua representação para os atos e negócios da vida civil.737 a lei arrola mais uma hipótese de escusa. isto é. no art. Se o juiz admitir a escusa – art. até a decisão do recurso interposto. de fato e de direito. 1736 é taxativo. Dispõe. 1731) ordem que não é inflexível.Na falta ou na impossibilidade dos consangüíneos. em princípio irrenunciável.O art. o art. por conseguinte. No art. b) Tutela legítima . ainda. O rol do art. 1729 restringe aos pais. aos maiores incapazes. Aí reside o divisor de águas entre os dois institutos. sempre. Todavia. própria da tutela dativa. 1736 estão arrolados os casos específicos em que se justifica a escusa. Três são os tipos de tutela reconhecidos pela ordem civil brasileira: a) Tutela testamentária . Tanto a tutela. 1733. não estão obrigados a aceitar a tutela. daqueles que não forem parentes do menor e que. entende-se que a tutela foi atribuída ao primeiro. se mais de um tutor foi nomeado em disposição testamentária. O Código Civil manteve a distinção do direito antigo: a tutela dirige-se aos menores e a curatela. c) Tutela dativa . quanto a curatela representam um munus (encargo) público. 1738).

por improbidade ou má-fé) ou incurso em incapacidade (todas as vezes em que o tutor se encontrar em qualquer das hipóteses do art. tanto isso é verdade que o legislador. o tutor se compromete a exercer gratuitamente o cargo. mediante justificativa em juízo. sob o prisma do tutelado. prevaricador (é o que descumpre o dever a que está obrigado. o tutor fica obrigado a prestar contas (art. descaso ou falta de zelo no exercício de suas funções). 1768. por exemplo). Visualiza o art. não poderá reclamar qualquer remuneração. a responsabilidade do tutor. Se. 1755) ainda que o contrário tenham dispostos os pais do tutelado. O tutor também deve representar o menor até os dezesseis anos assisti-lo. 1764). 1742. quanto à pessoa do menor: a) Dirigir-lhe a educação. 1758) subsistindo inteira. em que era obrigado a servir (dois anos. a quitação do menor só produzirá efeito depois de aprovadas as contas pelo juiz (art. 1766 a possibilidade de destituição do tutor quando negligente (isto é. os tutores submeterão ao juiz o balanço respectivo (art. Da cessação da tutela A tutela cessa. 1767. que a tutela e a curatela são institutos muito próximos e com fins idênticos. Em qualquer hipótese de impossibilidade do tutor prestar contas (morte. o Código admite a figura do protutor (pessoa encarregada de fiscalizar o tutor) no art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3.743) previu a ocorrência de tutor subrogado sempre que o vulto e a complexidade do patrimônio e exigir e. Do exercício da tutela O art. O CC (art.) as contas serão prestadas por seus herdeiros ou representantes (art. . manda aplicar-se à curatela as disposições concernentes à tutela. Da prestação de contas do tutor Como administrador da pessoa do menor e de seu eventual patrimônio. 1774. 1735 do Código Civil). 1756) e prestarão contas de 2 (dois) em 2 (dois) anos quando. Incumbe ao tutor. ausência. 5. Quanto ao patrimônio do menor compete ao tutor administrar os bens do tutelado em proveito do mesmo. Finda a tutela. até então. A interdição dessas pessoas pode ser promovida pelos pais ou tutores. Sob o prisma do tutor. quando necessário. pelos cônjuges ou outro parente e pelo Ministério Público – art. deixarem o exercício da tutela ou toda vez que o juiz achar conveniente (art. no art. c) Adimplir os demais deveres que normalmente competem aos pais. 1765). conforme prevê o art. 1. porém. defendê-lo e prestar-lhe alimentos. ou ao cair o menor sob o poder familiar (caso de adoção. Ao final da cada ano de administração. Importante notar. por qualquer motivo. b) Providenciar a correção do menor. etc.108 - . 6. sob inspeção do Poder Judiciário. Da mesma forma. com a maioridade ou emancipação do menor. 4. 1752 prevê a remuneração do tutor proporcionalmente à importância dos bens administrados. 1757). ao sobrevir escusa legítima ou ao ser removido (art. Da curatela Quem exerce a curatela cuida dos interesses das pessoas arroladas no art. ao expirar o termo. dos dezesseis aos 18 anos de idade. 1759).

em favor do feto e de terceiros. Curatela dos nascituros Nascituro (art. mas não tendo o poder parental.109 - . 1779) é o ser humano já concebido. a substituição e a supressão do parto. Duas são as condições necessárias para materializar a curatela de seus bens: falecimento do pai ou perda do poder parental e. Castellani 7. se estiver a mulher grávida. .Coordenadores: Marcelo T. mas ainda não nascido. Cometti Fernando F. A finalidade dessa curadoria é zelar pelos interesses do nascituro e impedir.

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96. Com efeito. Lugar da abertura da sucessão A sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido (art.111 - .789 c/c 1. caput. com as ações intentadas pelo de cujus.846 do CC. e c) Falecimento no estrangeiro – Será competente para processar o inventário e a partilha. Deriva do testamento. Porém a lei prevê outras situações: a) Ausência de domicílio certo – Será competente o foro da situação do imóvel (art. Castellani CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES 1. Espécies de sucessão Existem duas formas de sucessão no direito brasileiro (art. Deste princípio resultam as seguintes conseqüências: a) a capacidade para suceder é a do tempo da abertura da sucessão (art. b) A testamentária – Resultante da vontade do testador. Ocorre sempre que o autor da herança morre sem deixar disposição de última vontade. representa o espólio judicial e extrajudicialmente. o foro de seu último domicílio no Brasil (art. 1.Coordenadores: Marcelo T. Imediatamente a posse e a propriedade de seus bens transmitem-se aos seus herdeiros legítimos e testamentários.789 que o testador só pode dispor da metade da herança. isto é. abre espaço à vontade soberana do testador. I. será competente o lugar onde ocorreu o óbito. e c) o herdeiro pode prosseguir.787 do CC). O direito brasileiro consagrou o sistema da limitada liberdade de testar. Aspectos gerais A sucessão em sentido restrito designa a transmissão de bens de uma pessoa (autor da herança. Com a morte do de cujus abre-se a sucessão. 3. 96. quanto à cota disponível. do CPC) 4.784 do CC). além da legítima. É o que deflui do disposto nos arts. 1. A nomeação obedece às preferências ditadas pela lei (art. 1788 do CC).785). b) o herdeiro pode socorrer-se dos interditos possessórios na proteção de sua posse. 1. havendo herdeiros necessários (art. Cometti Fernando F. parágrafo único.786 do CC): a) A legítima – Resultante de lei. ativa e passivamente. 1. sem qualquer necessidade de manifestação dos mesmos (art. b) Pluralidade de domicílios – Se o de cujus possuía bens em diversos lugares. sem solução de continuidade.797 do CC): 1º) o cônjuge ou companheiro. Trata-se da aplicação do princípio de saisine. também chamado de de cujus) em decorrência de sua morte para uma outra (chamado genericamente de sucessor). 2. Representação legal na sucessão O inventariante é o representante legal do espólio. diz-se sucessão ad intestato (art. sendo aí o foro competente para que se promovam o inventário e a partilha dos bens. 1. 2º) . Nomeado pelo juiz. 1. da manifestação de vontade do testador que.845) diz o art. prestando compromisso formal no processo e assumindo total responsabilidade pela guarda e conservação dos bens. do CPC). 1. 1.

1. ou seja. 7. esta é pessoal e intransmissível. Capacidade para suceder São capazes de herdar as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros) no momento da abertura da sucessão. o direito sobre a herança indivisa. Essa possibilidade existe desde a abertura da sucessão. 5. O art. ele não responde pelos encargos superiores às forças da herança. 1. A aceitação tácita é a que resulta de atos compatíveis com o caráter dos herdeiros. depositado o preço no prazo de 180 dias. Já a aceitação presumida é a prevista . ou seja. minucioso e exato. possuidores e proprietários de uma cota ideal. 1805). desaparece via inventário que. O direito de preferência dos co-herdeiros tem de ser exercido. embora o prazo de encerramento esteja previsto no CPC que é de 6 meses. contudo estas hipóteses são restritas à sucessão testamentária. Não se transfere a qualidade de herdeiro. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo de cujus aos herdeiros. 9. ou sobre o seu quinhão. Através da cessão transfere-se. Até a partilha todos os herdeiros encontram-se frente ao espólio como condôminos. mas silenciou sobre o respectivo término. abstrata. 3º) o testamenteiro.799. I) e as pessoas jurídicas (de direito público e privado). Assim. (Ex. Característica da herança A herança é uma universalidade de direito. O co-herdeiro só cede parte indivisa. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios na eventualidade de substituição ou direito de acrescer. Não se trata de uma hipótese freqüente. 8.112 - . A expressa é a manifestada por escrito (art. Trata-se de uma preferência legal e real. 6. tácita ou presumida. Em outras palavras. Instauração do inventário O CC (art. do cedente para o cessionário. 4º) a pessoa de confiança do juiz (inventariante judicial). O estado de indivisão. decorrente da abertura da sucessão. Mas a lei ainda previu a possibilidade de sucessão aos não concebidos (prole eventual – art. a responsabilidade da herança pelas dívidas do defunto limita-se às suas forças. ou fração ideal.796) estabeleceu o prazo de instauração do inventário. Ele garante a igualdade de quinhões. 30 dias da data da abertura da sucessão.792 ainda precisa que o herdeiro nunca responde ultra vires hereditatis. prepara a partilha e põe fim ao estado condominial. o fato do herdeiro outorgar procuração ao advogado para acompanhar o inventário). Aceitação da herança A aceitação da herança pode ser expressa. Cessão de direitos hereditários O CC admitiu a cessão dos direitos hereditários mediante escritura pública e da anuência dos demais co-herdeiros. que só se materializará (ou concretizará) no momento da partilha. jamais bem singular do acervo. Ele também deverá respeitar o direito de preferência dos demais co-herdeiros. 1. após a transmissão.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI o herdeiro (na posse e administração do espólio).

Cometti Fernando F. da mesma forma que a renúncia. c) Se o renunciante é o único herdeiro da classe. Qualquer interessado (credor. Os bens do de cujus. ou que. sendo conhecidos renunciaram à herança. A jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. aperfeiçoa-se desde o momento da declaração soberana de vontade. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. No direito pátrio jamais ocorre a aquisição imediata da herança pelo Estado. O período que medeia entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do de cujus chama-se jacência. devolve-se a herança aos herdeiros da classe subseqüente. Localizados no Distrito Federal sãolhe devolvidos e se encontrarem-se nos territórios revertem em favor da União. O ente público somente adquire a propriedade dos bens hereditários após a declaração de vacância. mediante devida habilitação. 1807 do CC. 11.113 - . a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. devolvendo-se esta ao Estado. e c) Tenha sido feita em favor de todos os co-herdeiros. Herança jacente Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. chamado à sucessão. sem herdeiros passam a pertencer ao Município no qual se encontram. O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens.Coordenadores: Marcelo T. e e) Se o renunciante for o único de sua classe ou se todos os outros da mesma classe renunciarem os filhos poderão herdar por direito próprio e por cabeça A renúncia é irretratável. não admite revogação pois. . declara que não a aceita. Os efeitos da renúncia são: a) A renúncia afasta o renunciante da sucessão. Evitando-se que o patrimônio caia no vazio a lei indica o Estado para recolher a herança vaga. sem a habilitação de qualquer herdeiro. tratando-se de ato jurídico unilateral. eventual herdeiro) pode requerer a notificação do herdeiro silente. 1. Renúncia da herança É o ato pelo qual um herdeiro. 1810). retroagindo ao momento da abertura da sucessão o renunciante é considerado como se jamais tivesse existido. presumirse-á aceitação da herança. quanto na sucessão testamentária. b) A cota do renunciante acresce à dos outros herdeiros (art. d) Os descendentes do de cujus não podem representar o renunciante na sucessão do ascendente. b) Tenha sido pura e simples (sem termo ou condição).820). É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. Se em 30 (trinta) dias não se pronunciar o herdeiro. admissível um ano após a conclusão do inventário (art. condição ou termo. Importante observar que a aceitação não admite parcialidade. 10. Transcorrido todo o prazo prescritivo. Castellani no art. Para que se caracterize é fundamental a ocorrência de três condições: a) Tenha sido gratuita.

Assim: a) Herdeiros de grau igual: herdam por cabeça b) Herdeiros de grau diferente: herdam por estirpe 14. b) A restituição dos bens que compõem o seu acervo hereditário. aos descendentes: a) Se o regime de bens do casal era o da comunhão universal. A petição de herança tem um duplo objetivo: a) O reconhecimento judicial da qualidade de herdeiro. A existência de herdeiros legítimos necessários impede a disposição testamentária dos bens constitutivos da legítima (art. 1. Herdeiros legítimos São as pessoas indicadas na lei (art. a lei deixa de reconhecer vocação hereditária ao cônjuge. quem quer que herde. não estivesse separado judicialmente de de cujus. na sucessão legal. e . Da petição de herança Trata-se do meio judicial de que se serve o herdeiro excluído para garantir sua qualidade sucessória e natural acesso aos bens herediários. Sucessão dos descendentes A sucessão dos descendentes ocorre por cabeça (quando os herdeiros se encontram no mesmo grau de parentesco do de cujus) ou por estirpe (quando herdeiros de graus diferentes). o cônjuge sobrevivente concorre à divisão da legítima. 13. a quem se transmite a totalidade ou cota parte da herança. legítima ou testamentariamente. 1. 1. os ascendentes. atribuindo a herança.829) como sucessores. os herdeiros mais próximos excluem os mais remotos (salvo hipótese de representação) e os herdeiros de grau igual. 1829) e o companheiro.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 12. Sucessão do cônjuge De acordo com o art. em sua totalidade. Ordem de vocação hereditária O critério da vocação é a proximidade do vínculo familiar. Assim. recebem uma cota igual da herança. 16.114 - . Conforme dispõe o art. quando faltarem herdeiros necessários. neste caso. na data do óbito.824 do CC.830 o chamamento do cônjuge está condicionado a que. 15. Para excluí-los da sucessão basta que o testador disponha dos bens. b) Se o regime de bens era o da separação obrigatória. pode pedir a herança se outrem a possui. qualquer herdeiro pode intentar a ação. de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente”. Agora.846). São eles: os descendentes. nem deste separado de fato há mais de dois anos. “salvo prova. Em três hipóteses. conforme prevê o inciso I do art. com ofensa ao seu direito de herdeiro. sem os contemplar. quando herdam em nome próprio. 1. Os herdeiros legítimos facultativos são os herdeiros que podem vir a herdar. e o cônjuge sobrevivente (concorrendo com as duas categorias. todavia. Nesta categoria incluem-se os colaterais até o quarto grau. em igualdade com os descendentes ou ascendentes do falecido.

será irrelevante o regime de bens. obviamente. A sucessão do filho adotivo por seus ascendentes cria duas situações distintas. Aqui. E no caso dos pais do de cujus estarem mortos. aquele livremente adotado pelos cônjuges mediante pacto antenupcial válido. 19. 1790 do CC. e o de cujus tinha bens particulares (caso em que o cônjuge será. Sucessão dos ascendentes Não havendo descendentes. Do direito de representação Trata-se de ficção porque. mas não se admite a representação. Não havendo descendentes do falecido. Sucessão na união estável A sucessão do convivente está prevista no art. b) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. portanto. ao mesmo tempo. mas ainda vivos seu avô paterno C e seus avós maternos E e F. O convivente somente irá receber a totalidade da herança caso o falecido não tenha deixado nenhum parente suscetível de receber a herança. como se dividirá a herança? C receberá metade da herança cabendo a outra metade a E e F conjuntamente (art. Também aqui haverá herança e meação. também. 17. A nova lei previu. Concorrendo com descendentes comuns receberá quota igual a que for paga ao descendente. com maior extensão. Quando o cônjuge concorrer com ascendentes. c) Se o regime de bens era o da participação final nos aqüestos. a saber: a) Adoção plena . parágrafo 2o. Neste montante incluem-se os bens particulares. 1.115 - . Se concorrer com descendentes só do falecido receberá metade do que cada descendente receber. incidindo a meação. são chamados os seus descendentes.A herança do filho adotivo devolve-se aos seus pais adotivos (art. Diante de tais exceções à regra da concorrência entre descendentes e cônjuge. ao último caberá participar da sucessão em três hipóteses: a) Se o regime de bens do casal era o da separação convencional.836. 1. 18. do C. isto é. Sua participação está limitada aos bens adquiridos onerosamente na constância da convivência.).C. em concorrência com os outros . tendo direito a no mínimo 1/3 (um terço) da herança. essa última situação se equipara à primeira (de comunhão universal) e. o princípio da proximidade é a regra. ainda. deve merecer igual tratamento. o direito real de habitação sobre o imóvel residencial familiar para o cônjuge sobrevivente (art. Cometti Fernando F.831). do ECA). Castellani c) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. 41. sem que o falecido tenha deixado bens particulares. a sucessão devolve-se aos ascendentes. herdeiro e meeiro. apenas sobre o patrimônio comum). A ausência de patrimônio particular do de cujus importa serem comuns todos os seus bens: por uma circunstância fática. ficando excluído os bens particulares deixados pelo de cujus. parágrafo 2o. b) Adoção Simples – A herança beneficiará os ascendentes naturais. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor.Coordenadores: Marcelo T. o convivente concorrerá à herança com os outros parentes porventura existentes.

1. 1. a partir da abertura da sucessão (art. com ela não se confunde. 21. Decorre da vontade pessoal do testador.816 do CC).815. Como a indignidade é de natureza estritamente privativa. 1.875 do CC).864 ao art. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas (art.867 do CC). indefinição dos representantes que só se conhecerão no momento da abertura da sucessão.859). a representação é sem limites. 1.876 ao art. 1. Na ascendente não há que se falar em representação. parágrafo único).860. de todos os seus bens ou de parte deles. 1.867) devem usar este tipo de testamento. Finalmente dispõe o art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI descendentes mais próximos do autor da herança. Podem testar os maiores de 16 anos (1. Os testamentos se dividem em ordinários e especiais. sendo o seu efeito retroativo à data da abertura da sucessão.852) só ocorre na linha reta descendente. Na linha descendente.815 do CC). 1. Embora a representação (também chamada substituição legal) tenha muitos pontos em comum com a substituição. 1. Testamento Testamento é o ato unilateral e revogável pelo que uma pessoa dispõe. quando com irmãos deste concorrerem (art. completando por instrumento de aprovação lavrado pelo tabelião em presença de duas testemunhas (art. A indignidade é declarada por sentença em ação ordinária (art.116 - . É de 05 anos o prazo para impugnar a validade do testamento (art. a ocupar o lugar do presumido herdeiro.856 que o renunciante à herança de uma pessoa não está impedido de representá-la na sucessão de outra. c) O testamento particular: É escrito e assinado pelo testador e lido na presença de três testemunhas que o subscrevem (art. parágrafo único do CC). Os ordinários são os facultados a todas as pessoas capazes. mas apenas declarativo da incapacidade para suceder. São eles: a) O testamento público: É o ditado pelo testador e lavrado pelo tabelião em livro de notas. Em se tratando de colaterais (linha transversal) só ocorre direito de representação em favor dos filhos de irmãos do falecido. o surdo (art. A sentença que declara a indignidade não é título constitutivo. 1. logo. 1. pois trata-se de um direito potestativo. 1. substituindo-o.853). há.866 do CC) e o cego (art. 20. Da indignidade Trata-se da destituição do direito hereditário que a lei impõe ao herdeiro ou legatário que se conduziu mal em relação à pessoa do de cujus. 1. A substituição é própria da sucessão testamentária . para depois de sua morte. A pretensão por indignidade pode ser proposta pelo legítimo interessado dentro do prazo de 4 (quatro) anos. mas nunca na ascendente. 1. 1. A representação (art.868 ao art. iniciada ou não a ação extinguese com o falecimento do herdeiro ameaçado (art. A determinação da capacidade é a da feitura do testamento. A representação é própria da sucessão legítima. O prazo é decadencial. 1. pois. 1.865 do CC). b) O testamento cerrado: É escrito e assinado pelo próprio testador ou por alguém ao seu rogo. O analfabeto (art.880 do CC). . Decorre de imposição legal. mesmo antes de aberta a sucessão já se conhece a titularidade do substituto.

b) Alienação da coisa legada. destinada a conceder a alguém uma determinada vantagem econômica.893 ao art. Três são as pessoas que figuram no legado: a) O testador (legante).117 - . d) De coisa localizada (art. f) De quitação de dívida (art. Trata-se da caducidade dos legados. 1. 23. 22. Cinco são os motivos geradores: a) Modificação da coisa legada.892 do CC). Os legados podem perder sua eficácia. 1. g) De alimentos (art. i) De imóvel (art.914 do CC). 1.922 do CC). 1. roupas de pouco valor e de uso pessoal. jóias. legado de móveis. esmolas de pouco monta a determinadas pessoas ou aos pobres de certo lugar. . c) O herdeiro (incumbido de cumprir o legado). ou em praça sitiada ou com as comunicações interrompidas (art. b) O testamento aeronáutico: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de aeronaves militares ou comerciais (art. 1. 1.920 do CC). Legado Trata-se da disposição testamentária a título particular. Castellani Os testamentos especiais são os facultados a certas e determinadas pessoas que se encontram em situações excepcionais. h) De usufruto (art.918 do CC). despesas e dádivas de pequeno valor. 1. 1. Quanto ao objeto os legados são: a) De coisa certa (art. 1. 1.919 do CC). c) O testamento militar: Feito por militares e demais pessoas a serviço das Forças Armadas. 1. Codicilo Trata-se de um ato de última vontade pelo qual o disponente traça diretrizes sobre assuntos pouco importantes. 1. d) Indignidade. 1. c) De coisa singularizada (art. Contém disposições sobre: enterro.892 do CC).896 do CC). b) O legatário (a quem o legado beneficia). Só pode ser objeto de legado bem que pertence ao testador. e) Pré-morte do legatário. São eles: a) O testamento marítimo: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de navios de guerra ou mercantes.912 do CC).917 do CC). dentro ou fora do país.Coordenadores: Marcelo T.921 do CC). Realizados com as formalidades da lei se apresenta com forma similar ao testamento público ou ao testamento cerrado (art.888 ao art.916 do CC). b) De coisa comum (art. c) Perecimento ou evicção da coisa legada. 1. e) De crédito (art.888 ao art. 1. Cometti Fernando F.

1. Além das causas enumeradas no art.118 - . A substituição recíproca pode ser geral (quando todos substituem ao herdeiro ou legatário que faltar) ou particular (quando uns herdeiros ou legatários determinados substituem outros determinados. Neste caso. Trata-se de um instituto específico da sucessão testamentária. quando o testador. na forma de arrolamento sumário. O testador só poderá perdoar o deserdado por meio da revogação testamentária. 26. condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança. ou. A figura da substituição hereditária apresenta várias modalidades: a) Substituição vulgar: Ocorre quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. O inventário.962 do CC. como meio de dar continuidade à cadeia sucessória. 2ª) a obrigação de conservar e restituir os bens. Todavia. c) Substituição fideicomissária: É a substituição quando ocorre a transmissão concomitante e sucessiva a duas pessoas. não poder ou não querer assumir a herança ou o legado é que surgiu o instituto da substituição. Essa modalidade admite duas formas: será singular.964 do CC) tem o poder de gerar a deserdação. 1. 25. em testamento com declaração de causa.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 24. Trata-se de um instituto exclusivo da sucessão testamentária. instituindo vários herdeiros ou legatários. a deserdação é mais ampla que esta última. porém guarda estreita ligação com a indignidade. deve ser atendido o princípio da igualdade na partilha. e 3ª) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário). e será plural ou coletiva se vários forem os substitutos convocados simultaneamente. Além disso. 1. ou do legatário. 1. Três são as características constitutivas da substituição fideicomissária: 1ª) a dupla disposição testamentária. ou co-legatários são substituídos uns pelos outros. Constitui-se numa simples troca de titulares. Só o testamento (art. Da deserdação É a privação dos herdeiros necessários à legítima e à sucessão testamentária realizada pelo de cujus. Do inventário O inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros. Mediante fideicomisso (confiança) o testador (fideicomitente) transmite a propriedade resolúvel da coisa a um primeiro beneficiário (fiduciário). Das substituições Prevendo a hipótese do herdeiro.814 também autorizam a deserdação as hipóteses descritas no art. os declara substitutos uns dos outros. com a obrigação de que esse transfira para um segundo beneficiário (fideicomissário). se só tiver um substituto ao herdeiro ou legatário instituído. consistindo este na boa partição . pode ocorrer quando todos os herdeiros forem capazes e estiverem acordados sobre a partilha dos bens deixados pelo de cujus. b) Substituição recíproca: Ocorre quando os co-herdeiros. e reciprocamente).965 do CC) cabendo ao herdeiro provala no lapso temporal de quatro anos. o legislador exige a prova da veracidade da causa (art.

Da partilha É o ato pelo qual o partidor procede à divisão de um patrimônio entre os interessados. A partilha em vida é possível e ela não se confunde com a doação (art. 27. c) Ocorrência de uma liberalidade em vida. Castellani da herança. 1. 2. Sendo incapazes ou inexistindo composição entre os herdeiros. Os gastos ordinários do ascendente para com o descendente não são colacionáveis. Dos sonegados Sonegado é tudo aquilo que deveria entrar na partilha. 2.016 do CC). De acordo com o disposto no art.011 do CC). a cada um dos herdeiros. Trata-se de um ato anulável e a invalidação deve ser promovida através de ação anulatória. c) Outros recursos fornecidos pelo ascendente em favorecimento do descendente. formando-se quinhões em partes iguais. por não constituírem doação. com prazo prescricional de 1 (um) ano. São pressupostos da colação: a) Ocorrência de sucessão legítima. 29. b) Existência de co-herdeiros necessários descendentes. Cometti Fernando F. o valor da colação é o que lhe for atribuído no ato de liberalidade e.004 do CC.010 e art.029 do CPC. os bens doados serão avaliados com base no que valiam ao tempo da liberalidade. a partilha será sempre judicial (art. . Da colação Colacionar é conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima. b) Venda de bens ou doações feitas por interposta pessoa. não restituído pelo mesmo ou por sucessor universal.Coordenadores: Marcelo T. ou doado a herdeiro e não trazido à colação pelo beneficiário com a liberalidade. Tem como objetivo restabelecer a igualdade entre herdeiros legitimários. em inventário causa mortis e a ser homologado pelo juiz. Os bens sujeitos à colação são: a) Doações e dotes constituídos pelos ascendentes. na falta desse valor. contado nos termos do disposto no parágrafo único do art. determinando-se que outra seja feita. 2. dando-se em bens. nem liberalidade (art.119 - . sob pena de ser a partilha anulada. uma soma de valores correspondentes a seu direito hereditário.018 do CC). 2. porém foi ciente e conscientemente omitido na descrição dos bens pelo inventariante. 28. 2.