Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F.

Castellani

Sumário TÍTULO I – PARTE GERAL CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS ............................................................................ CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA ............................................................................... CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO .................................................................................. CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO .......................................................................................... CAPÍTULO V – DOS BENS ............................................................................................. TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES .............................................................. CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS .................................................. CAPÍTULO III – CONTRATOS EM ESPÉCIE ................................................................ CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................ TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS CAPÍTULO I – POSSE ...................................................................................................... CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS .................................................................................. CAPÍTULO III – PROPRIEDADE .................................................................................... CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA ...................................... CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA ..................................................... TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO ......................................................................................... CAPÍTULO II – PARENTESCO ....................................................................................... CAPÍTULO III – FILIAÇÃO ............................................................................................. CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL ............................................................................... CAPÍTULO V – ALIMENTOS ......................................................................................... 87 97 99 103 105 71 73 75 79 83 31 49 53 67 3 9 15 25 27

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Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA ...................................................................... 107 CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES .............................................................. 111

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO I - PARTE GERAL

CAPÍTULO I – PESSOAS NATURAIS

1. Conceito de personalidade jurídica A personalidade jurídica é um atributo essencial para ser sujeito de direito (art. 1º do CC). Para a teoria geral do direito civil a personalidade é uma aptidão genérica para titularizar direitos e contrair obrigações. Todavia, a noção de aptidão, ou seja, qualidade para ser sujeito de direito, conceito aplicável tanto às pessoas físicas como às pessoas jurídicas não é o único sentido técnico de personalidade. Num sentido valorativo, a personalidade traduz o “conjunto de características e atributos da pessoa humana, considerada objeto de proteção privilegiada por parte do ordenamento, bem jurídico representado pela afirmação da dignidade humana” (Gustavo Tepedino, Heloisa Helena Barbosa, Maria Celina Bodin de Morais. Código Civil interpretado conforme a Constituição da República. Rio de Janeiro: Revonar, 2004, p.04). Resumindo os dois sentidos técnicos que envolvem o conceito de personalidade jurídica podemos afirmar que: a) ela significa a possibilidade de alguém ser titular de relações jurídicas, como forma de expressão da dignidade da pessoa humana e, b) objeto de tutela privilegiada pela ordem jurídica constitucional. 2. Início da personalidade jurídica da pessoa natural O início da personalidade é marcado pelo nascimento com vida, conforme dicção do art. 2º do CC. Clinicamente o nascimento é aferível pelo exame de docimasia hidrostática de Galeno. Em consonância com o texto do art. 2º do CC, a doutrina majoritária defende que o Direito Civil positivo adotou a teoria natalista para o início da personalidade jurídica. Nessa linha, o nascituro, ente concebido, mas não nascido, não passa de uma potencialidade de direitos. Em sentido contrário, por influência do Direito francês, surge a teoria concepcionista pela qual o nascituro adquiriria personalidade jurídica desde a concepção, sendo, assim, considerado pessoa. Aqui o nascimento não é condição para que a personalidade exista, mas para que se consolide. 3. Proteção jurídica do nascituro Nascituro é o ente já concebido, mas ainda não nascido. Deixando de lado as discussões teóricas sobre o início da personalidade jurídica, é certo que a segunda parte do art. 2º do CC expressamente “põe à salvo os seus direitos”. Assim, pode-se afirmar que na legislação em vigor o nascituro: a) É titular de direitos personalíssimos (como o direito à vida); b) Pode receber doação, conforme dispõe o art. 542 do CC: “A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita por seu representante legal”; c) Pode ser beneficiado por legado e herança (art. 1798 do CC); d) Pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses (arts. 877 e 878 do CPC); e) O Código Penal tipifica o crime de aborto;

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a saber: a incapacidade em absoluta e a relativa. 4º. afirmou que “a proteção que o Código Defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos de personalidade. já que o que se protege. III) – São elementos para a configuração dessa forma de incapacidade o caráter temporário e a impossibilidade total de expressão da vontade. tendo em vista que não se nega ao indivíduo a qualidade para ser sujeito de direito. a qual se refere à aptidão para a prática em geral. pode ser entendida como a medida da intensidade da personalidade. b) Os ébrios habituais e os viciados em tóxico (art. com a incapacidade do pródigo. Todo ente com personalidade jurídica possui também capacidade de direito. b) Aqueles que sofrem de doença ou deficiência mental (art. Entretanto. em 2002. 4º. Trata-se de um divisor quantitativo de compreensão do indivíduo. 4º. Ele distingue duas modalidades de incapacidade. 4. tais como o nome. II). aprovado na Jornada de Direito Civil. coma). II) – Trata-se de uma hipótese que o indivíduo é atormentado por uma patologia que o impede de praticar atos no comércio jurídico. até os 12 anos de idade incompletos considera-se a pessoa criança. 4º do CC são considerados relativamente incapazes: a) Os maiores de 16 e menores de 18 anos (art. 3º. prevista nos artigos 1. 8069/90). ao contrário da capacidade. 4º. Capacidade de direito e capacidade de fato Por capacidade de direito. tendo em vista o comprometimento do seu quadro cognitivo. e) Os pródigos (art. Esta é uma forma específica de exercício de determinados atos da vida civil. sem a interferência de terceiros na qualidade de representantes ou assistentes. Nesta hipótese a incapacidade deve ser reconhecida por meio da ação de interdição. os quais deverão ser verificados cumulativamente. os adolescentes até os 16 também são reputados absolutamente incapazes. 4º.177 ao artigo 1186 do CPC. 3º do CC são considerados absolutamente incapazes: a) Os menores de 16 anos (art. IV) – Esta modalidade de incapacidade deve ser decretada judicialmente por requisição do cônjuge ou familiar. É bom lembrar que o enunciado 01. também chamada de capacidade de exercício. II). é exatamente o patrimônio da família. ou seja. promovida pelo CEJ (Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal). ao contrário da capacidade de direito possui estágios definidos no próprio Código Civil. também conhecida como capacidade de gozo ou capacidade de aquisição. I) – Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no. 3º. A capacidade de direito não se confunde com a capacidade de fato. c) Os que por causa transitória não puderem exprimir sua vontade (art. De acordo com o art. seus direitos civis. sem prejuízo de sua salutar inserção no meio social. A capacidade de fato. c) Os deficientes mentais que tenham o discernimento reduzido (art. Ela nada mais é do que a habilidade para praticar de forma autônoma.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI f) Tem direito a alimentos. Este conceito se relaciona com as condições pessoais que determinado indivíduo reúne para exercer pessoalmente seus direitos. d) Os excepcionais sem desenvolvimento mental completo (art. (ex. e não apenas o patrimônio do -4- . Personalidade e capacidade jurídica são as duas faces de uma mesma moeda. I). III) – A previsão da incapacidade relativa dos excepcionais tem como propósito proteger os atos praticados pelos agentes nessas situações. Da capacidade de fato distingue-se a legitimidade (ou legitimação). De acordo com o art. imagem e sepultura”. 3º.

sem curador. parágrafo único). De acordo com o art. o menor tenha economia própria. em função deles. tendo em vista que o código civil remete a matéria para a legislação especial (art. Sobre a capacidade dos índicos está será regulada pela Lei no. 2.Exercício de emprego efetivo. 3. O referido dispositivo trata de duas hipóteses de morte presumida. ouvido pelo magistrado (Código Civil art. Três são as formas de emancipação: a) Emancipação voluntária – É aquela concedida por ato unilateral dos pais em pleno exercício do poder parental. alienar. 6. necessariamente. o juiz deverá comunicar a emancipação ao oficial de registro civil. desde que o menor haja completado 16 anos (CC art. 77 e 78 da Lei no. a exemplo da arteriosclerose. em geral.Coordenadores: Marcelo T. 5º. nos termos dos arts. I. desde que. 7º. 4.Estabelecimento civil ou comercial. dar quitação. de acordo com o nível social em que está inserida. ou a existência de relação de emprego. A primeira trata da probabilidade extrema de morte daquele que se encontre em perigo de vida. cuja prova se faz através da certidão extraída do assento de óbito. sob a forma de instrumento público. conforme se depreende da leitura do art. segunda parte).001/73 (Estatuto do Índio). 9º. 5. Extinção da personalidade jurídica da pessoa natural A morte é o momento no qual a personalidade se extingue. 4º. 5º. Castellani pródigo. Para surtir os efeitos legais a escritura pública de emancipação deverá ser registrada no Cartório de Registro das Pessoas Naturais (CC art. demandar ou ser demandado. os atos que não sejam de mera administração”. Antes da sentença o tutor será. A segunda hipótese trata dos desaparecidos em campanha de guerra ou feito prisioneiro. de ofício. Trata-se de ato irrevogável. se não constar dos autos haver sido efetuado este em oito dias. I). parágrafo único. Emancipação Trata-se de um uma hipótese de antecipação da aquisição da capacidade civil plena antes da idade legal. Cometti Fernando F. e praticar. transigir. 5º do CC nos traz as seguintes situações: 1. 1782 do CC “a interdição do pródigo só o privará de. b) Emancipação judicial – Realiza-se mediante uma sentença judicial. ressalvada a possibilidade de suas testemunhas o fazerem se faltar o especialista. sendo o fato levado a registro. caso não seja encontrado até 02 dois anos após o término da guerra (CC art. ou um deles na falta do outro. É bom lembrar que a senilidade não é causa de restrição da capacidade. -5- . A expressão economia própria deve ser entendida no sentido de caracterização de renda suficiente por meio do estabelecimento ou do emprego para a sobrevivência da pessoa. Todavia é possível cogitar de uma presunção de morte. (CC art. II). A morte deverá ser atestada por profissional de medicina. II). primeira parte).Colação de grau em curso de ensino superior. O art. I.O Casamento.. independentemente de homologação judicial. ressalvada a hipótese de a senectude gerar um estado patológico. hipotecar. Nesse caso. na hipótese de um menor posto sob tutela. 6. emprestar. 7º.015/73 (Lei de Registros Públicos). 6. c) Emancipação legal – Ocorre em razão de situações descritas na lei. 7º do CC. parágrafo único. Não se admite no ordenamento pátrio a hipótese de morte civil ou qualquer outro modo de perda da personalidade sem vida.

Ausência das pessoas naturais Ausente é aquele que desaparece de seu domicílio. hipótese que se limita à previsão do art. os herdeiros presumidos. Na nomeação o juiz deverá fixar os poderes e obrigações do curador. legítimos ou testamentários. quem tem a posição de herdeiro do outro. ou de fato por mais de dois anos antes da declaração de ausência. a saber: 1) o cônjuge (também o companheiro). que passará a gerir os negócios do ausente até o seu eventual retorno. Consideram-se interessados na abertura o cônjuge ou companheiro. sem deixar notícias. podendo ser ilidida por prova que estabeleça a precedência da morte de um dos envolvidos.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Por força do estabelecido no art. segundo a qual se determina a morte simultânea daqueles que falecem na mesma ocasião. se ele deixou representante ou procurador. o Poder Judiciário reconhecerá tal circunstância. 1819 e seguintes do CC). estabelecendo uma ordem legal estrita e sucessiva. O interesse no tratamento do tema justifica-se pela implicância de tal fato na ordem de vocação no plano da sucessão. porém. a requerimento dos interessados na administração (cônjuge. conhecida também como comoriência. Portanto. garantia pignoratícia ou hipotecária de restituí-los (art. com a declaração de ausência. em se passando 03 anos. Por fim. b) Sucessão provisória: De acordo com o art. parente sucessível) ou do Ministério Público. ou. se não tiver separado judicialmente. -6- . observa-se que a curadoria dos bens do ausente não se confunde com a curadoria da herança jacente (arts. 1160 do CPC). os credores de obrigações vencidas e não pagas. 2) pais do ausente (genitores). O sucessor provisório recebe os bens que caibam no seu quinhão. Este processo tem três estágios. enfim. do CC a sentença declaratória de morte presumida deverá ser inscrita em registro público. Finalmente. mediante arrecadação de seus bens (art. em relação aos ascendentes. 26 do CC decorrido 01 ano da arrecadação dos bens do ausente. sem que dele se tenha notícias. IV. 4) Qualquer pessoa à escolha do magistrado. sem linhas gerais. para caracterizar a ausência a não-presença do sujeito deve somar-se com a falta de notícias. Atente-se que não caberá nomeação de curador se não houver bens para administrar. A ausência é um processo no qual a proteção dos bens do desaparecido dá lugar à proteção dos interesses dos sucessores. nem representante ou procurador. parágrafo 2º do CC). o CC no art. 30. conforme a menor possibilidade de reaparecimento do ausente: a) Declaração da ausência e curadoria dos bens: Com o desaparecimento de uma pessoa. 7. poderão os interessados requerer que se abra provisoriamente a sucessão. Essa cautela de exigência de garantia é excepcionada. 9º. 3) descendente. Assim. os que tiverem sobre os bens do ausente direito pendente de sua morte. 1728 e seguintes do CC). uma vez provada sua condição de herdeiro (art. seguirão os princípios a respeito dos tutores e curadores (arts. as quais. companheiro. preferindo os mais próximos aos mais remotos. na transmissão dos direitos entre os sucessores e sucedidos. descendentes e o cônjuge.. ou seja. Cuida-se de uma presunção juris tantum. em regra. surge uma massa de bens de bens sem que tenha alguém para administrá-la. 23 do mesmo diploma. A nomeação não é discricionária. dando. de forma a dar publicidade ao acontecimento. 8º trata da hipótese de morte simultânea. nomeando curador. 30 do CC).

poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e levantamento das cauções. ou ao inventário e partilha dos bens. do Distrito Federal ou da União. se não regressar e nenhum herdeiro tiver promovido a sucessão definitiva. capitalizar metade desses bens acessórios. 33. Porém. Mas a propriedade assim adquirida considera-se resolúvel. ou quando o ausente completar 80 anos de idade. Porém. como forma de sanção ao comportamento negligente daquele. se a ausência foi voluntária e injustificada. necessariamente. Castellani A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeitos 180 após sua publicação e trânsito em julgado. caso existente. 1845 do CC) terão direito subjetivo a todos os frutos e rendimentos dos bens que lhes couberem. parágrafo único do CC). ou os que se sub-rogarem neles. com prestação anual de contas ao juiz competente. 33. -7- . Se o ausente aparecer nos dez seguintes à abertura da sucessão definitiva. como se o ausente tivesse falecido. de acordo com o art. c) Sucessão definitiva: Decorridos 10 anos do trânsito em julgado da sentença que concedeu a abertura da sucessão provisória. se de 05 datam suas últimas notícias. os o preço de sua alienação. se o ausente regressar depois de passados os 10 anos nada recebe. Reversamente. que deverão. Na forma do art. os bens serão entregues no estado em que se acharem. os herdeiros necessários empossados (art. 28 do Código Civil.Coordenadores: Marcelo T. não se desfazendo as aquisições realizadas. 37 e 38 do CC). ou quando houver certeza da morte do ausente (arts. Depois desse período proceder-se-á à abertura do testamento. o que não acontecerá com os demais sucessores. Cometti Fernando F. o ausente perde direito ao montante acumulado em favor dos sucessores (art. serão os bens arrecadados como vagos passando à propriedade do Município. Seja qual for o caso os direitos de terceiros são respeitados.

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45 do CC permite afirmar que a personificação da pessoa jurídica é. O grupo. A análise do art. para garantir a subsistência e realizar seus propósitos. como um animus. podendo se revestir -9- . com vistas à realização de seus objetivos. para a constituição ou o nascimento da pessoa jurídica é necessária a conjunção de três requisitos: a) Vontade humana criadora . b) Teoria orgânica ou da realidade objetiva – Seus partidários entendem que a pessoa jurídica é uma realidade viva. As principais são: a) Teoria da ficção – Segundo essa concepção o direito concebe a pessoa jurídica como uma criação artificial. podendo. que não seria objetiva. inclusive.Por óbvio não é possível reconhecer validade a um ente que atue em descompasso com o ordenamento jurídico que possibilitou seu surgimento. mas à vista de uma situação concentra. manifestada nas associações e nas sociedades pela vontade do grupo componente e nas fundações pela de seu criador. Contudo. que é a idéia dominante. de fato. por meio da desconsideração. que administra e mantém a entidade em contato com o mundo. as quais refletem a evolução deste instituto ao longo da história. 3. vontade eminentemente criadora que. Cometti Fernando F. Castellani CAPÍTULO II – PESSOA JURÍDICA 1. b) Observância das condições legais – É a lei que determina a forma a que obedece aquela declaração de vontade. operar-se a suspensão legal de seus efeitos. O primeiro ocorre com a exteriorização da manifestação de vontade que permite a criação e a elaboração do ato de constituição. c) Liceidade de seu propósito . construção da técnica jurídica. daí porque a liceidade é imprescindível à vida da pessoa jurídica. por isso mesmo. o ato de atribuir personalidade não seria arbitrário. análoga à pessoa física. O ato deverá ser escrito. viabilizando a sua atuação autônoma e funcional. com exceção dos casos especiais tratados no CC. Caracteres gerais da pessoa jurídica Por diversas razões. para ser eficaz. inclusive de natureza social e antropológica. recebe do ordenamento personalidade jurídica. é simplesmente uma ficção. Surgimento e início da personalidade da pessoa jurídica O surgimento da pessoa jurídica de direito privado se dá em dois estágios distintos. rejeitando a tese ficcional para considerar os entes coletivos como uma realidade. franqueando aos indivíduos a adoção de instrumento particular ou exigindo o instrumento público. ou seja. assim. Para esta teoria as pessoas jurídicas possuem tanto um corpus.Coordenadores: Marcelo T. cuja existência.È a vontade gregária que marca o surgimento das pessoas jurídicas. em situações excepcionais admitidas por lei. o homem tende a agrupar-se. Teorias sobre a natureza da pessoa jurídica Diversas são as teorias que tentam explicar a caracterização das pessoas jurídicas. 2. c) Teoria da realidade técnica – Esta teoria situa a pessoa jurídica como produto da técnica jurídica. independentemente de qualquer autorização estatal. A melhor doutrina entende que a teoria da realidade técnica é a que melhor explica o tratamento dispensado à pessoa jurídica por nosso ordenamento. pois a personificação dos grupos se opera por construção jurídica. deve emitir-se na conformidade do que prescreve o direito positivo.

d) Condomínio – Dá-se a figura do condomínio quando mais de uma pessoa possui a titularidade do domínio de um bem. O condomínio não chega a ser uma pessoa jurídica. É preciso pôr em sinal a existência de outras entidades despersonalizadas. por ser atributivo de personalidade. carecendo. mas sem a necessária inscrição dos atos constitutivos no registro peculiar. e) à informação se os membros da pessoa jurídica respondem subsidiariamente pelas obrigações sociais. É com a sentença declaratória de falência que surge a massa falida. c) às normas básicas de administração. por sua vez. O fato jurídico que faz surgir é o evento morte e a sua extinção se opera com o fato jurídico da partilha de bens entre os herdeiros. porque não há manifestação de vontade neste sentido. O registro tem natureza constitutiva. Ocorrendo esta. Este se refere: a) identificação da pessoa jurídica segundo a sua denominação e fins. de affectio societatis. 46 do CC dispõe sobre os dados a serem anotados na inscrição. já adquirida no instante do nascimento com vida. tempo de duração e fundo social. b) aos nomes e qualificações dos fundadores ou instituidores e dos diretores. desprovida de personalidade. todavia.10 - .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI de forma pública ou particular. seja ele formal ou substancial. pois. c) Herança jacente e vacante – O CC no art. como destaca o próprio texto do parágrafo único do art. em primeiro lugar pela desnecessidade. salvo nas hipóteses das fundações. se houver. eminentemente declaratório da condição de pessoa. testamento ou herdeiro legítimo notoriamente conhecido. Na doutrina do direito comercial a sociedade de fato seria aquela que funciona sem que houvesse sido reduzido a termo o seu estatuto ou contrato social. Abre-se o segundo estágio em razão da adoção do sistema das disposições normativas. inclusive a destinação do patrimônio. deixando acervo de bens sem. além das chamadas sociedades de fato ou irregulares: a) Massa Falida – Se refere ao acervo patrimonial que pertencia à empresa declarada judicialmente falida. cuja titularidade é exercida pela figura do inventariante. O art. 1819 prevê a hipótese de alguém vir a falecer. local da sede. 45 do CC. porquanto o art. aos legítimos interessados cabe o direito potestativo de anular a constituição da pessoa jurídica. nem formalização desta. o patrimônio deverá ser incorporado aos bens da União. No caso de defeito no ato constitutivo. que requerem instrumento público ou testamento. seria aquela organizada por escrito. Os bens permanecerão nesta condição até a sua entrega aos herdeiros que vierem a se habilitar ou à declaração de sua vacância. a sociedade irregular. A falta do registro implica no surgimento de entidades de fato ou irregulares. f) às condições gerais na hipótese de extinção. Em segundo lugar. do Estado ou do Distrito Federal. d) ao esclarecimento se o ato constitutivo é passível de modificação no que concerne à administração e ao seu modo de atuar. incluindo a representação junto às esferas judicial e extrajudicial. diferentemente do registro civil de nascimento da pessoa natural. mas com capacidade para se obrigar perante terceiros. Entre esses dois momentos – morte e partilha – impõe-se administração do acervo de direitos e obrigações. O prazo é decadencial. b) Espólio – Este consiste no patrimônio deixado pelo de cujus e compreensivo do conjunto de direitos e obrigações. 45 do CC exige o registro do ato de constituição. uma vez que a ordem jurídica o instrumentaliza com os recursos jurídicos suficientes à administração de seus interesses. . A situação configura o instituto da herança jacente.

prevê o § 1º do art. mais técnico seria falar em presentação da pessoa jurídica. Em verdade. Castellani 4. 2004. praticar atos ou celebrar negócios que extrapolem da sua finalidade social.11 - . p. porém os seus membros não pretendem partilhar lucros ou dividendos. por sua própria natureza. 5. de fins idênticos ou semelhantes.Coordenadores: Marcelo T. Considerando sua estrutura organizacional. Espécies de pessoas jurídicas de direito privado O art. Mesmo não cuidando o estatuto de elencar as condutas que entende passíveis de exclusão do associado. Novo Curso de Direito Civil.208). 44 do CC prevê cinco espécies de pessoa jurídica de direito privado. decidir pela aplicação da sanção. o patrimônio líquido. 54 do CC. 2º) destituir os adminitradores. e. a assembléia geral. no silêncio deste. “O seu campo de atuação jurídica encontra-se delimitado no contrato social. os bens remanescentes serão devolvidos à Fazenda do Estado. Vol I. 59 do CC estabeleceu-lhe competências absolutas: 1º) eleger os administradores. moldada a partir da técnica jurídica. 61. A receita gerada deve ser revertida em benefício da própria associação visando à melhoria de sua atividade. que passará à condição de associado. faz-se presente. ou. esse ente social não poderá. § 2º do CC). 57 do CC). a sociedade ou a associação age. é permitido aos respectivos membros. por ato inter vivos ou mortis causa. A exclusão do associado só ocorre ocorrendo justa causa. 56 do CC). antes da destinação do remanescente a . Trata-se de um conteúdo mínimo que poderá ser. pelo fato de não perseguir escopo lucrativo. omisso este. Isto é. portanto. havendo autorização estatutária. e na estrita forma do estatuto social (art. a pessoa jurídica. Essas pessoas praticam atos como se fosse o próprio ente social. Rodolfo Pamplona Filho. Na falta dessas. eventualmente. São Paulo: Saraiva. 61. Não deve. e 4º) alterar o estatuto. o titular de quota ou fração ideal do patrimônio poderá transmitir. do Distrito Federal ou da União (art. Cometti Fernando F. exige órgãos de representação para poder atuar na órbita social. como ocorre entre os sócios nas sociedades civis e empresárias. Ela possui poderes deliberativos e o art. nos estatutos ou na própria lei. poderá apreciar a existência de motivos graves. sem existência biológica ou orgânica. à instituição municipal. Capacidade e representação da pessoa jurídica A capacidade da pessoa jurídica é. 3º) aprovar contas. por deliberação dos associados. em deliberação fundamentada e por maioria absoluta dos presentes. estadual ou federal. será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto. praticar todos os atos jurídicos admitidos para a pessoa natural. A assembléia geral é o órgão máximo das associações. especial. A lei considerou intransmissível a qualidade de associado (art. São elas: a) Associações: São entidades formadas pela união de indivíduos com o propósito de realizarem fins nãoeconômicos. a associação não está impedida de gerar renda. especialmente convocada. sob pena de ineficácia” (Pablo Stolze Gagliano. O estatuto social das associações deverá observar para a sua validade os requisitos indicados no art. por não poder atuar por si mesma. ampliado. por deliberação dos associados. Ocorrendo a dissolução da associação. por meio das pessoas jurídicas que compõem os seus órgãos sociais e conselhos deliberativos. Por se tratar de um ente cuja personificação é decorrência da técnica legal. Todavia. Note-se que. os seus direitos a um terceiro (adquirente ou herdeiro). Por cláusula do estatuto ou. dada a sua estrutura. por óbvio.

quando o próprio instituidor o faz. 3) Elaboração dos estatutos (Há duas formas de instituição da fundação: a direta. Desconsideração da personalidade jurídica O art. 2) Instituição por escritura pública ou testamento. em valor atualizado. Dependendo do tipo de atividade realizada. As formas societárias previstas no nosso ordenamento são: 1) sociedade em nome coletivo. 50 do CC prevê a desconsideração. 4) sociedade anônima. devendo seus estatutos estabelecer normas de fidelidade e disciplina partidária (art. 2) sociedade em comandita simples.096/95. organização. que passam a ter responsabilidade pessoal pelo ilícito causado. . Outras espécies como as cooperativas e as entidades desportivas não foram previstas neste dispositivo 6. a qual pode ser entendida como um mecanismo que pretende a supressão temporária da personalidade jurídica da sociedade. 5) Realização do registro civil. Para a criação de uma fundação. ou a fiduciária. em caso de divergência). pessoalmente. Do art. receber em restituição. 4) Aprovação dos estatutos (É o órgão do Ministério Público que deverá aprovar os estatutos da fundação. com recurso ao juiz competente. que faz o seu instituidor.12 - . organização e funcionamento. ou simples desvio de função. e) Organizações religiosas: São entidades que muito se assemelham às associações. Contudo. tendo autonomia para definir sua estrutura interna. 44 do CC garante-lhes liberdade de criação. 44 do CC estabelece que os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto na Lei n. o § 1º. e) sociedade em comandita por ações. 9. as sociedades podem ser simples ou empresárias.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI entidades congêneres. Norma de teor semelhante existe também no CDC no art. quando confia a terceiro a organização da entidade). sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos. por testamento ou escritura pública. objetivando a satisfação do terceiro lesado junto ao patrimônio dos próprios sócios. 44 do CC não é um rol taxativo. 28. as contribuições que houverem prestado ao patrimônio da entidade. a saber: 1) Afetação de bens livres por meio do ato de dotação patrimonial. estruturação interna. abuso. O art. em caso de fraude. especificando o fim para o qual se destina. b) Sociedades: São as entidades formadas pela união de pessoas que exercem atividade econômica e buscam o lucro como objetivo. 17 da CF). 3) sociedade limitada. d) Partidos Políticos: São entidades com liberdade de criação. c) Fundações: São entidades resultantes de uma afetação patrimonial. há uma série ordenada de etapas que devem ser observadas. O § 3º do art.

. em primeiro lugar. que dispõem do prazo de trinta dias contado da perda da autorização. Castellani 7. A dissolução das pessoas poderá ser: a) Convencional – A mesma liberdade que permitiu aos sócios a criação da pessoa jurídica pode levá-los à extinção desta. b) Administrativa – Ocorre quando a autorização para o funcionamento da pessoa jurídica é cancelada. uma vez encerrada a liquidação. Extinção da pessoa jurídica O fim da pessoa jurídica poderá ocorrer por causas diversas. A dissolução deverá ser averbada no registro respectivo e. mas em qualquer hipótese a personalidade subsistirá até que se ultime a liquidação e se proceda a anotação devida. é dos administradores.13 - . ou de sócio que tenha exercitado o direito de pedi-la na forma da lei. d) Fato natural – Ocorrendo o fato jurídico morte dos membros de uma sociedade. c) Judicial – A iniciativa para a dissolução da pessoa jurídica. seguir-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. Para tanto devem ser observadas as normas previstas no estatuto ou contrato social. e não prevendo o seu ato constitutivo o prosseguimento das atividades por intermédio dos herdeiros. Cometti Fernando F.Coordenadores: Marcelo T. o resultado será a extinção da pessoa jurídica.

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2. sem interposição ou transferência de outra pessoa. de um direito adquirido. podemos lembrar o direito à sucessão legítima. Conceito de fato jurídico lato sensu Os acontecimentos. O ordenamento atribui a um fato uma qualificação e uma disciplina. em relação à expectativa de direito. modificar. uma vez que ainda não foi incorporada ao patrimônio jurídico da pessoa. no sentido de mudar as relações anteriores a eles e de configurar novas situações. seria todo o acontecimento natural ou humano capaz de criar. pelo fato de não se terem realizado todos os elementos básicos exigidos pela norma jurídica. Assim. é importante distinguir os direitos futuros. c) A título universal ou singular – se o adquirente substitui o sucedido na totalidade (ou em quota-parte) de seus direitos ou apenas de uma ou algumas coisas determinadas. 2) Conservação de direitos – Atos praticados para o resguardo (defesa) de direitos. à realização da avença. a que correspondem novas qualificações jurídicas” (LOTUFO. Renan.Coordenadores: Marcelo T. que geram direitos subjetivos são chamados. Curso Avançado de Direito Civil: Vol 1. do direito eventual e do direito condicional. “Fatos jurídicos são. ou historicamente. ainda. indistintamente considerados. fato jurídico. Por fim. em sentido amplo (lato sensu). 199). não estando amparada pela legislação em geral. de caráter muitas vezes acautelatório. por sua vez. São Paulo: RT. podem ser sistematizadas da seguinte forma: . Assim. o direito condicional é aquele que somente se perfaz se ocorrer determinado acontecimento futuro e incerto. p. portanto. Castellani CAPÍTULO III – FATO JURÍDICO 1. por si só. conservar ou extinguir relações jurídicas. Cometti Fernando F. de tal sorte que ocorrendo concretamente o fato. Um exemplo é a fase de tratativas para celebração de um contrato. d) Simples ou complexa – Se o fato gerador da relação jurídica se constituir em um único ato ou numa necessária simultaneidade ou sucessividade de fatos. O direito eventual. Efeitos aquisitivos. A expectativa de direito é mera possibilidade de sua aquisição. modificativos. A aquisição de direitos tem sido analisada das seguintes formas: a) Originária ou derivada – de acordo com a existência ou não de uma relação jurídica anterior com o direito ou bem objeto da relação. conservativos e extintivos do fato jurídico 1) Aquisição de direitos – Ocorre quando se dá sua conjunção com seu titular. b) Gratuita ou onerosa – de acordo com a existência ou não de uma contraprestação para a aquisição do direito. de fatos jurídicos ou fatos jurígenos. refere-se a situações em que o interesse do titular ainda não se encontra completo. embora protegido pelo ordenamento jurídico. que. A título de complementação.15 - . caso estes sejam ameaçados por quem quer que seja. [coordenação Everaldo Augusti Cambler]. Como exemplo. porém. surge a propriedade quando o bem se subordina a um dominus. Essas medidas. aqueles fatos a que o direito atribui relevância jurídica. em sentido amplo. 2003. só se consolida com a morte do autor da herança. em que não há falar. constitui o ponto de confluência entre a norma e o dever ser da realidade: é o modo pelo qual o ordenamento jurídico encontra real atuação.

no ato de fixação do domicílio. constitui simples manifestação de vontade. cotidiana: o nascimento. b) Extraordinários – São fatos inesperados. a morte. Orlando. uma enchente. turbação ou esbulho de seu direito. não existe propriamente um declaração de vontade manifestada com o propósito de atingir. c) Atos de defesa preventiva – Antes mesmo da violação (mas diante da sua ameaça evidente) é possível o ajuizamento de procedimentos próprios para uma defesa preventiva. Negócio jurídico O negócio jurídico é entendido pela corrente voluntarista (dominante no direito brasileiro.16 - . 1993.) como uma “declaração de vontade dirigida à provocação de determinados efeitos jurídicos. o desforço incontinenti (art. p. Ato jurídico em sentido estrito O ato jurídico em sentido estrito. 5. como é o caso do perecimento do objeto. que determina a produção de efeitos legalmente previstos. que se dirige. às vezes imprevisíveis: um terremoto.). 5º. Note-se que o elemento caracterizador dessa categoria reside na circunstância de que o agente não goza de ampla liberdade de escolha na determinação dos efeitos resultantes de seu comportamento. parágrafo 1º do CC). ou. sempre excepcionalmente. o decurso do tempo. 4. no exercício do direito constitucional de ação (art. etc. para tanto que seja considerado como tal. Neste plano “não . 3. como se dá no negócio jurídico (um contrato. na definição do Código da Saxônia. modificar ou extinguir uma relação jurídica” (GOMES. a ação de vontade.. a constituir. Neste tipo de ato. 3) Extinção de direitos – Como tudo na vida. b) Atos de defesa do direito lesado – Tendo ocorrido a violação ao direito.C. o atendimento a certos requisitos mínimos. sem conteúdo negocial. 10ª. exigindo-se. 280. da CF). por exemplo. Rio de Janeiro: Forense. d) Ocorrida a violação. também os direitos podem extinguir-se. Introdução ao estudo do direito civil. os efeitos jurídicos pretendidos pelo agente (como no negócio jurídico). 112 do C. É o que ocorre. a prática de atos de autotutela. o caso fortuito e a força maior. Os fatos jurídicos em sentido estrito subdividem-se em: a) Ordinários – São fatos da natureza de ocorrência comum. de acordo com a lei. por exemplo). para apreender sistematicamente o tema faz-se mister analisá-lo sob os três planos em que o negócio jurídico pode ser visualizado: a) Plano de existência – Um negócio jurídico não surge do nada. Com efeito. 1210. costumeira. a decadência. XXXV. como. Fato jurídico em sentido estrito São todos os acontecimentos naturais que determinam efeitos na órbita jurídica. a ordem jurídica admite. o abandono. o ajuizamento de ações cognitivas ou executivas. como é o caso do interdito proibitório.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI a) Atos de conservação – Atos praticados pelo titular do direito para evitar o perecimento. refletindo-se no art. mas sim um simples comportamento humano deflagrador de efeitos previamente estabelecidos por lei. por exemplo. dentro do campo da autonomia privada.

do princípio da liberdade da formas.Coordenadores: Marcelo T. Nesses. c) forma prescrita ou não defesa em lei. o objeto deve. ser observada. isto não importa em produção imediata de efeitos. Parágrafo único – Para esse efeito. Todavia. deverá. com isso. Ao lado do negócio ad solemnitatem. Assim. para efeitos probatórios. o objeto ser determinado ou. a realidade da existência. determinável. vale observar a restrição legal sobre o autocontrato. celebrar consigo mesmo. traduzindo em uma forma especial ou em uma indispensável solenidade. no seu interesse ou por conta de outrem. tem-se como celebrado pelo representante o negócio realizado por aquele em quem os poderes houverem sido substabelecidos. como forma de manifestação de vontade do representado através do representante deve produzir plenamente seus efeitos. o que significa dizer não ser proibido pelo direito e pela moral. Tudo. suprindo omissão da legislação civil anterior. quando a norma legal impõe determinado revestimento para o ato. no art. podem ser realizados de acordo com a conveniência da forma preferida pelas partes. Sobre o tema da capacidade o C. determinado ou determinável. com preceitos genéricos aplicáveis tanto à representação legal.17 - . 117: “Art. figura outra importante categoria: a dos negócios ad probationem. em último plano. perfeito para o sistema que o concebeu. 104 enumera os pressupostos de validade do negócio jurídico: a) agente capaz. sob pena de se prejudicar não apenas a validade. portanto. a própria executoriedade da avença.C. nos termos do art. na forma deduzida no art. ainda..C. Observa-se. diz-se que o negócio é ad solemnitatem. ainda. respeitar as leis naturais. pois. ao tempo que foi celebrado. Marcos Bernardes de. para efeito de prova do ato jurídico. a prova escrita é necessária. por força da adoção no C. é anulável o negócio jurídico que o representante. uma vez que não se poderia reconhecer validade a um negócio que tivesse por objeto uma prestação naturalmente irrealizável. Há que ser. Cometti Fernando F. São Paulo: Saraiva. trouxe à tona um capítulo inteiramente dedicado ao instituto da representação. importa. ou seja. possível. apesar de a forma não preponderar sobre o fundo. quanto à voluntária. A modalidade suspensiva provoca a aquisição do . Castellani se cogita de invalidade ou eficácia do fato jurídico. Deve. outrossim. por exemplo.) b) Plano de validade – O C. Além do campo da licitude. 116 do C. fisicamente possível. apenas. a alienação de um imóvel situado na lua.C. Teoria do Fato Jurídico (Plano da Existência). fica circunscrito a se saber se o suporte fático suficiente se compôs. 83. como. 2000. aqui. Todo objeto deve. Por fim. conter elementos mínimos de individualização que permitam caracterizá-lo. uma vez que a forma pública é indispensável para a validade do ato. seja perfeitamente válido. como se vê do art. a exemplo do testamento e dos contratos constitutivos ou translativos de direitos reais imóveis acima do valor consignado em lei. A representação. ou seja. c) Plano de eficácia – Ainda que um negócio jurídico existente seja considerado válido.C. ao menos. deve revestir a forma adequada. Sobre o tema. como regra geral. ao negócio jurídico consigo mesmo. também.” A licitude para a validade do negócio jurídico traduz a idéia de estar o objeto dentro do campo de permissibilidade normativa. 117 – Salvo se o permitir a lei ou o representado. b) objeto lícito. A lei civil dispõe sobre três tipos de elementos acidentais: 1) Condição – Elemento voluntário que subordina o nascimento ou extinção do direito subjetivo a acontecimento futuro e incerto. quando o valor do contrato exceder o décuplo do maior salário mínimo vigente no país. que os negócios jurídicos. dando ensejo à incidência” (MELLO. pois estes podem estar limitados por elementos acidentais de declaração. para que o negócio jurídico. mas. 401 do CPC. p. por não ser essencial.

187 do C. também denominado inicial (dies a quo) é o dia a partir de quando os efeitos de um negócio jurídico começam a produzir. Ato ilícito Trata-se de um ato voluntário e consciente do ser humano. suum cuique tribuere (viver honestamente. Neste sentido é a regra do art. 2) Termo – É o marco temporal que define o começo ou o fim dos efeitos jurídicos de um negócio jurídico. já a resolutiva. não prejudicar outrem. permite a extinção de seus efeitos na eventualidade de o fato previsto vir a acontecer. São vícios de consentimento: a) Erro ou ignorância – Trata-se de uma falsa percepção da realidade. Dizem alguns. o critério finalístico para a identificação do abuso de direito. que já existe. alterum non laedere. Pode ser legal ou convencional. A conseqüência do ato ilícito é a do surgimento do dever de reparar o dano causado. e não uma prestação correspectiva sinalagmática. segundo a dicção legal.18 - . vale observar que o exercício regular do direito. A doutrina registra ainda o termo de graça. que exceda manifestamente os limites impostos pela finalidade econômica ou social. atribuir-se o que é seu).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI direito.C. por seu art. a legítima defesa e o estado de necessidade são causas excludentes de ilicitude. Finalmente. O termo se caracteriza pela futuridade e certeza. O segundo corresponde ao dia em que cessam os efeitos do ato negocial. Analisando o art. que é concedido pelo juiz no curso dos processos mediante dilação de prazo. não a aquisição do direito. prevê a hipótese de legado a termo inicial ou suspensivo. que ilícito é tudo aquilo que é contrário ao direito. ou pode ser uma obrigação imposta àquele que é beneficiário. previstas em nosso direito positivo (art. O encargo pode ser uma restrição no uso da coisa. uma vez realizado o negócio. o total desconhecimento do declarante a respeito . 131. 188 do CC). É um peso atrelado a uma vantagem (uma restrição). O termo pode ser suspensivo ou resolutivo. Honeste vivere. conclui-se não ser imprescindível para o reconhecimento do abuso que o agente tenha a intenção de prejudicar terceiro. que transgride um dever jurídico. 3) Encargo ou modo – É a cláusula geradora de obrigação para a parte beneficiária em negócio jurídico gratuito e em favor do disponente. Ele não instaura a relação jurídica. Defeitos do negócio jurídico Trata-se dos defeitos dos negócios jurídicos. O primeiro decorre da lei o segundo. O primeiro. simplificadamente e generalizando.C.. O C. a qual informa que o termo inicial suspende o exercício. 1923. até porque se deve entender o direito como proteção do que é lícito. a intenção pura e de boa fé que enuncia. Adotou-se. pela boa-fé ou pelos bons costumes. 6. na realidade. de terceiro ou do interesse público. de cláusula contratual. portanto. que se classificam em vícios de consentimento –aqueles em que a vontade não é expressada de maneira absolutamente livre – e vícios sociais – em que a vontade manifestada não tem. Ao lado e muito próximo do ato ilícito existe a figura do abuso de direito. ao passo que a ignorância é um estado de espírito negativo. 7. bastando. de estrutura obrigacional.

que tem seu equilíbrio rompido pela superveniência de circunstância imprevista e imprevisível. o primeiro de natureza subjetiva e o segundo objetiva. para ajustá-lo às circunstâncias supervenientes. diante da inexperiência ou necessidade. tornando o negócio jurídico inexistente. a inexperiência ou a leviandade da parte lesada e o dolo de aproveitamento da parte beneficiada). A lesão é vício que surge concomitantemente com o negócio. Suas características são: 1) a lesão só é admissível nos contratos comutativos. O acidental leva a distorções comportamentais que podem alterar o resultado final do negócio. São eles. da obra de Shakespeare. em detrimento da lei ou da própria sociedade. com o propósito de prejudicar credor preexistente. com a aplicação da teoria da imprevisão. Não se confunde a lesão.Coordenadores: Marcelo T. A expressão “meu reino por um cavalo”. já a teoria da imprevisão. assim como de remissão de dívidas. e b) escusável (perdoável). Pode-se classificar o dolo em principal e acidental. A distinção tem relevo para fins que o principal enseja a anulação do negócio e o acidental só pode levar às perdas e danos. em virtude da diminuição experimentada pelo seu patrimônio. exploradas indevidamente pelo locupletante. autorizarem a sua resolução ou revisão. ante a iminência de dano por que passa o agente. pode ser um exemplo para esse vício. daí a possibilidade de sua anulação. refletindo sobre a economia ou na execução do contrato. Dois elementos compõem a fraude.Identifica-se como uma hipótese de inexigibilidade de conduta diversa. Esta última. que a doutrina entende que a vis absoluta neutraliza completamente a manifestação de vontade. respectivamente. pressupõe negócio válido. O principal é quando a causa determinante do negócio. Castellani das circunstâncias do negócio. São dois tipos de coação: física (vis absoluta) e moral (vis compulsiva). a quem não resta outra alternativa senão praticar o ato. Importante notar. b) Fraude contra credores – Consiste no ato de alienação ou oneração de bens. todavia. entretanto. ou à beira da insolvência. O erro. 3) a desproporção deve ser considerável. e) Estado de perigo . d) Lesão – Trata-se de um vício que permite a deformação da declaração de vontade por fatores pessoais do contratante. Cometti Fernando F. aproveitando ao autor do dolo ou a terceiro. decorrente do desenvolvimento teórico da cláusula rebus sic stantibus. uma vez que este se mancomuna de livre vontade para atingir fins espúrios. Importante observar que a simulação deixou de ser uma causa de anulabilidade e passou a figurar entre as hipóteses de nulidade do ato jurídico. o consilium fraudis (o conluio fraudulento) e o eventus damni (o prejuízo causado ao credor). 2) a desproporção entre as prestações deve verificar-se no momento do contrato e não posteriormente.19 - . é aplicável quando a ocorrência de acontecimentos novos. por sua vez. visando produzir efeito do ostensivamente indicado. c) Coação – Trata-se da violência apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar. b) Dolo – Trata-se de um artifício ou expediente astucioso. . imaterial ou anímico (a premente necessidade. e 2) subjetivo. praticado pelo devedor insolvente. só é considerado como causa de anulabilidade do negócio jurídico se for: a) essencial (substancial). É um defeito que não vicia a vontade do declarante. empregado para induzir alguém à prática de um ato jurídico que o prejudica. imprevisíveis pelas partes e a elas não-imputáveis. São vícios sociais: a) Simulação – È uma declaração enganosa de vontade. A lesão se compõe de dois requisitos: 1) objetivo ou material (desproporção das prestações avençadas). e não simplesmente anulável.

Invalidade do negócio jurídico A previsibilidade doutrinária e normativa da teoria das nulidades impede a proliferação de atos jurídicos ilegais ou portadores de vícios. que permite a composição do dano verificado. Dentro dessa perspectiva. 6. como um poder de exigir de outrem uma ação ou omissão. Sendo assim. É. até legítimos interessados.O ato anulável atinge interesses superior. é correto dizer-se que o ato nulo (nulidade absoluta). embora com conotação dinâmica. NULIDADE ABSOLUTA NULIDADE RELATIVA 1. 5. 9.Opera-se de pleno direito. 2.Não se opera de pleno direito. 2. ou ainda. o poder de exigir do devedor uma ação ou omissão. de natureza cogente. 3.Pode ser argüida pelas partes. decadenciais de quatro (regra geral) ou dois (regra supletiva) anos. e esta não é cumprida. legalmente tutelados. A pretensão revela-se. causando lesão no direito subjetivo.A ação declaratória de nulidade é 5. em prazos prazo prescricional ou decadencial. pela via judicial. e carrega em si vício considerado grave. portanto. pronunciada pelo juiz. não se sujeitando ao argüida. com a qual não se confunde. particulares. É verdadeira permissão jurídica. A pretensão que nasce no momento em que o credor pode exigir a prestação. um dano para o titular do direito subjetivo.20 - .Pode ser reconhecida. por influência do direito alemão. contaminado de vício menos grave. salvo norma específica em sentido contrário. fazer ou exigir de outrem determinado comportamento.A anulabilidade somente pode ser a qualquer tempo. para alguns. uma situação jurídica subjetiva.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A anulação do ato praticado em fraude contra credores dá-se por meio de uma ação revocatório.Somente pode ser argüida pelos terceiro interessado. assim. 4.Admite confirmação expressa ou tácita. então. 8. sinônimo de direito subjetivo. 3. é um poder concedido ao indivíduo para realizar seus interesses. pelo MP.A ação anulatória é decidida por decidida por sentença de natureza sentença de natureza desconstitutiva declaratória. para esse titular. mesmo.Não admite confirmação. segundo o CC. em que ao poder de uma das partes corresponde ao dever da outra. é possível afirmar que o reconhecimento desses estados são formas de proteção e defesa do ordenamento jurídico vigente. a existência de um crédito. decorre de infringência de norma jurídica protetora de interesses eminentemente privados. ainda. Representa a estrutura da relação poder-dever. pressupõe. nas relações jurídicas patrimoniais. Da infração desse dever resulta. Nasce. A esse direito de exigir chama a doutrina de pretensão. para outros. Por sua vez. Prescrição Direito subjetivo é o poder que o ordenamento jurídico reconhece a alguém de ter. denominada ação pauliana. por 4. 6. enquanto aquele é estático e. ou. o ato anulável (nulidade relativa). viola norma de ordem pública.O ato nulo atinge interesse público 1. a depender da natureza do interesse jurídico violado. .

b) que não prejudique terceiro. O Código Civil agrupou as causas que suspendem e impedem a prescrição em uma mesma seção. 1. como as destinadas a extinguir o condomínio. em tese. b) a inércia do titular. na oportunidade da contestação. 195). é nas obrigações que ele encontra a sua natural aplicação. Castellani Embora a pretensão seja um conceito técnico jurídico aplicável às várias espécies de relações jurídicas.Coordenadores: Marcelo T. Renunciar à prescrição consiste na possibilidade de o devedor de uma dívida prescrita. não se inicia novamente. ou não a alegarem oportunamente” (art. c) o decurso do prazo fixado em lei. A sua função mais importante é a de traduzir uma legitimação material para exigir uma prestação determinada. ora suspendem a prescrição. As mesmas causas ora impedem. A prescrição é a perda da pretensão. nos termos do art.). isto é.21 - . pois a renúncia à possibilidade de alegar a prescrição pode acarretar a diminuição do patrimônio do devedor. desse modo. . f) as pretensões de reaver bens confiados à guarda de outrem. antes que se tenha consumado. 208 do CC. o que a relaciona intimamente com o direito processual civil. e) as que protegem o direito de propriedade. a accessio praescriptionis. dois são os requisitos para a validade da renúncia: a) que a prescrição já esteja consumada. c) as de exercício facultativo (ou potestativo). Finalmente. não prescrevem: a) as que protegem os direitos da personalidade. também.167). entendendo que estão subordinadas a uma unidade fundamental. Registre-se que os “relativamente incapazes e as pessoas jurídicas têm ação contra os seus assistentes ou representantes legais. regra também aplicável à decadência por força do art. regra que deve ser acolhida pela doutrina e jurisprudência. a soma do tempo corrido contra o credor ao que flui contra o seu sucessor (art. afirmando que a prescritibilidade é a regra e a imprescritibilidade a exceção. abdicar do direito de alegar esta defesa indireta de mérito (a prescrição) em face de seu credor. Cometti Fernando F. A argüição não se restringe. em virtude da inércia de seu titular. Importante observar que existem pretensões imprescritíveis. b) as que se prendem ao estado das pessoas (estado de filiação. Terceiros eventualmente prejudicados são os credores. Assim. art. pois. no prazo previsto pela lei (art. 189 do C. 189 e art. mas se estende a terceiros favorecidos por ela. O prazo. se este deixou de alegar a prescrição de imediato. a condição conjugal). com o nascimento da pretensão. A única conseqüência da tardia alegação da prescrição diz respeito aos ônus de sucumbência: são indevidos honorários advocatícios em favor do réu.C. 196). penhor ou mandato. isto é. d) as referentes a bens públicos de qualquer natureza. Diz o mencionado art. 191 não admite a renúncia prévia da prescrição. Pode-se dizer. ao prescribente. a qualidade de cidadania. a de pedir meação no muro vizinho. que é perpétuo (reivindicatória). deixando para fazê-lo somente em grau de apelação. em que não existe direito violado. 190). E com o principal prescrevem os direitos acessórios (art. consumado o prazo prescricional e sem prejuízo a terceiro. que a prescrição tem como requisitos: a) a violação do direito. dependendo do momento em que surgem. 22 do CPC. Assim. requer a capacidade do agente. g) as destinadas a anular inscrição do nome empresarial feita com violação de lei ou do contrato (CC. Em se tratando de ato jurídico. que derem causa à prescrição. O art. é permitida. que são imprescritíveis. a título de depósito. pois. 193 que a prescrição pode ser alegada “pela parte a quem aproveita”. A pretensão e a exceção prescrevem no mesmo prazo (art. 167 do CC/16).

instantâneo: “A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu. Interrupção da prescrição é o fato que impede o fluxo normal do prazo. dilatando-se o período para composição do dano. extinguindo o tempo já decorrido. O efeito da interrupção da prescrição é.A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros. o de aceitar ou não herança. não há pretensão. em regra.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Impedimento da prescrição é o obstáculo ao curso do respectivo prazo. dá-se a suspensão. inutilizando o já decorrido A interrupção depende. não há lesão. para não se eternizarem as interrupções da prescrição. Decadência Existem direitos subjetivos que não fazem nascer pretensões. o obstáculo surge após o prazo ter iniciado. expressamente declara que a interrupção da prescrição “somente poderá ocorrer uma vez”. 10. São efeitos da interrupção da prescrição: 1. igualmente. Se. modificando ou extinguindo uma situação subjetiva sem que esta possa fazer alguma coisa se não sujeitar-se. a prescrição continua a correr. diferentemente da suspensão. se o prazo ainda não começou a fluir. aproveitando-se o tempo anteriormente decorrido. essa vantagem para o titular do direito subjetivo ofendido corresponde às desvantagens para o prescribente. o do doador revogar a doação simples. 2. 202. a interrupção operada contra o co-devedor. ou seu herdeiro. Sempre que possível a opção. entretanto. não há o seu descumprimento. Esta. como foi mencionada. O art. assim como a interrupção efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros (CC. aproveita aos outros. São direitos potestativos o do patrão dispensar o empregado.O direito subjetivo atingido é beneficiado pela interrupção. § 1º). que volta a correr por inteiro. Consequentemente. Desse modo. portanto.Inutiliza-se todo o tempo prescricional decorrido. O tempo limita o exercício dos direitos potestativos pela inércia do respectivo titular. 3. 204 do CC). que decorre de certos fatos previstos na lei. art. constituindo. não prejudica os demais coobrigados (art. a suspensão é a cessação temporária do curso do prazo prescricional sem prejuízo do tempo já decorrido. que vê retardado o benefício que lhe poderia advir da prescrição. ela se verificará pela maneira mais favorável ao devedor. caput. Qualquer ato de exercício ou proteção ao direito interrompe a prescrição. E não havendo dever. 202. antes do seu início. Cessando as causas suspensivas. começando a correr novo prazo. porque destituídos dos respectivos deveres. 204. ou do último ato do processo para a interromper” (art. São direitos potestativos. o de aceitar ou não a proposta de contratar. Assim. em sentido amplo. A restrição é benéfica. parágrafo único). a causa ou obstáculo impede que comece. de um comportamento ativo do credor. diversamente da suspensão da prescrição. significa extinção de direitos em . O lado passivo da relação jurídica limita-se a sujeitar-se ao exercício de vontade da outra parte. O direito potestativo é o poder que o agente tem de influir na esfera jurídica de outrem. a qual recebe o nome de caducidade. cujo prazo volta a fluir somente pelo tempo restante. A interrupção por um dos credores solidários. Constitui-se em um fato que não permite comece o prazo prescricional a correr.22 - .

o exercício do direito potestativo. e em sentido restrito. isto é. o que não ocorre na prescrição. sendo objeto de ação constitutiva. O que se tem em mira é. ser válida a renúncia à decadência estabelecida em negócio jurídico pelas partes. art. nem se interrompem. surgindo. No caso de decadência legal. perda dos direitos potestativos quando toma o nome de decadência. pois. . art. Cometti Fernando F. Em princípio. Na decadência. O respectivo prazo é rigidamente fixado. própria da prescrição. os prazos decadenciais são fatais e peremptórios. a parte a quem aproveita. Sendo matéria de ordem pública. mas o juiz não pode suprir a alegação. como meio de defesa”. portanto. direito e termo inicial do prazo. a contrario sensu. Aplica-se às relações que contêm obrigações. o interessado. pois não se suspendem. deve o juiz conhece-la de ofício (CC. No caso de decadência convencional. não a sua exigibilidade. Enquanto a prescrição deve ser alegada pela parte interessada. extinguindo-o e pondo a termo ao estado de sujeição existente.Coordenadores: Marcelo T. A decadência é estabelecida em lei ou pela vontade das partes em negócio jurídico. o prazo começa a correr no momento em que o direito nasce. e também menor do que o da prescrição. desde que se trate de matéria de direito disponível e não haja fraude às regras legais. pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição. A inserção da expressão “salvo disposição em contrário” no aludido dispositivo tem a finalidade de definir que tal regra não é absoluta. 210). bem como de esclarecer que não são revogados os casos de um eventual dispositivo especial. em uma limitação que a lei estabelece para o exercício de um direito. suspendem ou interrompem a prescrição.23 - . sendo de admitir-se. não se aplicam à decadência as normas que impedem. a decadência não é “suscetível de oposição. 209) que é nula a renúncia à decadência fixada em lei. A decadência traduz-se. sem possibilidade de interrupção ou suspensão. Prescreve o art. simultaneamente. Seu fundamento é o princípio da inadmissibilidade de conduta contraditória. em que este só corre da lesão do direito subjetivo. ainda. 207 que salvo disposição legal em contrário. portanto. Castellani geral. dispõe a lei (CC.

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73 do CC e no art. inclusive com uma técnica para destacar a pluralidade domiciliar residencial (art. em centro principal de seus negócios jurídicos ou de sua atividade profissional. Castellani CAPÍTULO IV – DOMICÍLIO 1. Noção de residência e morada Não se confundem com o domicílio a morada e a residência. tendo em vista que todas as situações descrevem um tipo de relação que uma pessoa natural estabelece com um lugar. Em ambos os casos é mister a concorrência dos requisitos do ânimo (psíquico) e da residência (material).Coordenadores: Marcelo T. elaborou-se a teoria do domicílio aparente ou ocasional. ou se tais declarações não fizer. Todavia.C. Aspectos gerais do domicílio da pessoa natural O domicílio é o lugar de exercício dos direitos e cumprimento das obrigações. em regra. ou seja. dispensando-se aos que tenham interesse em encontrá-lo o esforço e a incerteza de andarem à sua procura por caminhos instáveis” (Caio Mario da Silva Pereira.) A aplicação legal desta teoria encontra-se no art. Cometti Fernando F. da LICC a “lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. 3. não possuam o requisito material do domicílio. 70. Confunde-se com a noção de estadia que é a mais tênue relação de fato entre uma pessoa e um lugar tomada em consideração pela lei. no sentido da exigibilidade. Nos termos do art. 327 do C. Noção Geral A noção de domicílio desempenha papel relevante para o Direito. em habitação. terá de cumprir suas obrigações (art. b) Residência – Trata-se de um lugar que pressupõe mais estabilidade. a exata compreensão desses conceitos é fundamental para esclarece a matéria de maneira apropriada. a indicação de um lugar onde o indivíduo está.) e ainda. deve estar ou presume-se que esteja. p. A mudança de domicílio opera-se com a transferência da residência aliada à intenção manifesta de alterá-lo. habitualmente. andarilhos. 373). é ainda o domicílio que determina o local onde a pessoa. Instituições de Direito Civil – Introdução ao direito civil. o nome. uma sede estável da pessoa. e para onde vai.). convertendo-o. profissionais de circo. Para as pessoas que não tenham residência certa. a) Morada – É o lugar onde a pessoa se estabelece provisoriamente. conclui-se. 2. a capacidade e os direitos de família”. da . É o lugar onde a pessoa natural se estabelece habitualmente. etc. Fala-se também. onde será aberta a sucessão hereditária (art. Rio de Janeiro: Forense. segundo a qual aquele que cria aparências de um domicílio em um lugar pode ser considerado pelo terceiro como tendo aí seu domicílio (ex. Diante disso. 1785 do C. ciganos. 94. o fato de localização para efeito das relações jurídicas. parágrafo 2º do CPC. O ordenamento jurídico brasileiro adota o conceito da pluralidade domiciliar. 72 do CC). 71 do CC) da pluralidade domiciliar profissional (art. A prova da intenção resulta do que declarar a pessoa às municipalidades do lugar que deixa. ou seja. Segundo o art. que o domicílio importa em traduzir “o elemento de fixação espacial do indivíduo. 2004. 70 do CC o domicílio da pessoa natural é o lugar onde estabelece residência com ânimo definitivo.25 - . para caracterizar esta relação transitória de fato.C.

e. que fixa residência em um determinado local.26 - . a lei atua supletivamente. 74 do CC. então. o do marítimo que é lugar onde o navio estiver matriculado. 5. parágrafo 2º. Suas hipóteses estão descritas no parágrafo único do art. em que praticou o ato” (súmula 363). sito no Brasil. 75. ou. a que ela corresponder” (art. Aspectos gerais do domicílio da pessoa jurídica O domicílio da pessoa jurídica de direito privado é a sua sede. 75. finalmente. sendo elas: o do menor que terá o domicílio do seu representante legal. Se não houver essa fixação. do CC). do CC). o servidor público cujo domicílio é o lugar em que exerce permanentemente suas funções. Aliás. por sua vez. “cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados” (art. a sede do comando a que se encontra imediatamente subordinado. com ânimo definitivo. poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve (art. É o seu domicílio especial. IV. 77 do CC). que. indicada em seu estatuto. b) De eleição ou especial – Decorre do ajuste entre as partes de um contrato. o Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento no sentido de que “a pessoa jurídica de direito privado pode ser demandada no domicílio da agência. o seu domicílio. Não sofre interferência legal este tipo de domicílio. do CDC. citado no estrangeiro. será considerado seu domicílio. Trata-se de norma jurídica imperfeita. IV e parágrafo 1º. com as circunstâncias que a determinaram. 76 do CC. uma vez que a falta de declaração não acarreta sanção alguma ao omitente. no país. Se a administração ou diretoria da pessoa jurídica de direito privado tiver sede no estrangeiro. alegar extraterritorialidade sem designar onde tem. . O agente diplomático. sendo da Marinha ou da Aeronáutica. que este dispositivo somente pode ser invocado em relações jurídicas em que prevaleça o princípio da igualdade dos contratantes e de sua correspondente autonomia de vontade. no tocante às obrigações contraídas por qualquer de suas agências. o do preso que é o lugar onde estiver cumprindo pena. “o lugar do estabelecimento. Tal regra encontra assento no art. c) Necessário ou legal – Decorre de mandamento da lei. e. 51. porém. Espécies de domicílio O domicílio poderá ser: a) Voluntário – Decorre do ato de livre vontade do sujeito.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI própria mudança. ao considerar como seu domicílio “o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações”. Vale notar que na dinâmica do CDC considera-se ilegal a cláusula contratual que estabelece o foro de eleição em benefício do fornecedor. o militar que responderá civilmente no lugar onde serva. 4. Vale destacar. se possuir filiais em diversos lugares. ou do estabelecimento. contrato social ou ato constitutivo equivalente. por violar o disposto no art. em atenção à condição especial de determinadas pessoas.

ex. excluídas aquelas que não podem merecer a qualificação patrimonial. como feito na parte geral. ou seja. Para explicar o conceito de bem. bens de composição obrigatória em seu patrimônio para garantir alimentação. . 10ª. 207). p. Ed. e limitatividade. Tal renda básica de cidadania nada mais é do que uma projeção do patrimônio mínimo dos indivíduos. ão ao Direito Civil. por meio de comparação com outros bens. direitos autorais). como os direitos de família e os direitos puros de personalidade.835/04 que trata da renda básica de cidadania. ou seja. Patrimônio Numa acepção clássica o patrimônio é a constituição econômica da pessoa natural ou jurídica. ficando de lado todos os outros que não têm valor pecuniário. Nesta idéia. introduzida expressamente no ordenamento pátrio pela Lei 10.27 - . quando trata de propriedade e de seus desdobramentos. Na parte especial. perceptível pelos sentidos (móveis. 1. Classificação dos bens Os bens se classificam. permutabilidade. No sentido econômico. a possibilidade de transito jurídico através de relação estabelecidas entre os seus titulares (posse e domínio). cunhando alguns autores a expressão “patrimônio moral” e também a teoria do patrimônio mínimo desenvolvida por Edson Fachin. incorpóreos são aqueles que têm existência meramente abstrata. pela própria lei. se é mais ou menos amplo do que esse. os débitos. nem podem ser cedidos. 10ª. Cometti Fernando F. Rio de Janeiro.Coordenadores: Marcelo T. os créditos. um complexo de direitos e obrigações entrelaçados por relações jurídicas. as quais têm como objeto os bens. Ed. 1990. as coisas. Em síntese. Já num enfoque dogmático. noutras palavras. Orlando Gomes (ORLANDO GOMES. pode-se considerar como bem a utilidade física material ou imaterial que pode servir de objeto de uma relação jurídica. suscetíveis de avaliação econômica. Introdução Sob um prisma de técnica legislativa das expressões. a qual alicerça a noção de piso vital ou mínimo existencial. está englobado o complexo de direitos reais e obrigacionais de uma pessoa. jurídica (p. ou seja. infelizmente a doutrina nem sempre está acorde sobre o conceito de bem correspondente ao de coisa.. escassez empregado por outros doutrinadores. fala em coisa. a “representação econômica da pessoa”. Para efeitos jurídicos. sob três aspectos: de acordo com sua titularidade. Modernamente a noção de patrimônio está ligada diretamente à personalidade do indivíduo. num sentido de raridade. imóveis). 2.. Introdução ao Direito Civil. ideal. é possível afirmar que a expressão “bem” utilizada pelo legislador na parte geral tem significado amplo e pode ser utilizada em diferentes acepções.bens considerados em si mesmos: a) Corpóreos são aqueles que têm existência física (material). são considerados bens apenas as utilidades com valor pecuniário. ou através da consideração do bem isoladamente. educação e a saúde como projeção concreta do fundamento da dignidade da pessoa humana. deixando de utilizar-se do termo “bem”. Castellani CAPÍTULO V – DOS BENS 1. exige a reunião de três qualidade: a) economicidade. mediante uma individualização existencial criado por um critério econômico-social.

em princípio. Os bens materiais são transferidos por meio de contrato de compra e venda ou doação. edifícios). Trata-se das hipóteses previstas no art. 93). A doutrina esclarece que são aqueles que não se podem transportar sem alteração de sua essência. são considerados imóveis para efeitos legais: os direitos reais sobre imóveis e as ações que os assegurem e o direito à sucessão aberta. por sua vez. . Exemplo: árvores destinadas a corte. mas em relação aos imóveis exige escritura pública para os bens de valor superior a 30 salários mínimos. Não existe a possibilidade de aquisição de bens incorpóreos por meio de usucapião. de acordo com o art. industrial ou artificial: é tudo que o homem incorporar permanentemente ao solo (sementes. Infungíveis são os insubtituíveis. 81 não perdem o caráter de imóveis as edificações que. 79 do CC são “o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente”. Os imóveis. “os bens suscetíveis de movimento próprio (semoventes). em bens móveis ou imóveis. podem ser classificados em: 1. Nos termos do art. 2.Por determinação legal: Por imperativo de segurança jurídica. 80. mas conservando sua unidade. e em relação aos imóveis poderão ser objeto de hipoteca. quanto aos bens móveis a exigência não existe. ou de remoção por força alheia. construções.Quanto à forma de alienação: é livre em relação aos móveis. forem removidas para outro lugar (ex.). Ex.Por determinação legal: Também há bens que são considerados móveis em razão da vontade do legislador. 2.Por acessão intelectual ou por destinação do proprietário. armários embutidos). que constituem uma categoria de bens acessórios. etc. por força própria ou externa. de sua substância. Porém. com a ressalva de que a autorização não será exigida se o regime de bens for de separação absoluta). c) Fungíveis são os bens móveis que podem ser substituídos por outros da mesma espécie. Pelo novo CC são chamados de pertenças (art. 1. a lei opta por tratar determinados bens como imóveis. os bens móveis podem ser oferecidos em penhor.Outro aspecto da distinção reside no tipo de direito real de garantia que poderá ser constituído sobre o bem: em regra. embora ainda incorporados ao solo são destinados a ser destacados e convertidos em móveis. 3.por acessão física.Por sua própria natureza: são aqueles que podem ser transportados sem deterioração de sua substância.Por natureza: solo e tudo que nele se incorporar naturalmente (subsolo. 4. maquinários agrícolas. casa de madeira) e os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele reempregarem. 2. embora não se pudesse falar. escada de emergência. embora sejam bens incorpóreos.Quanto à necessidade de autorização do cônjuge: Via de regra as negociações relacionadas aos bens imóveis exige anuência do cônjuge. 1647. 83 do CC. A importância da distinção entre bens móveis e imóveis é verificada em vários aspectos. os imateriais por cessão. serão sempre considerados bens infungíveis. Os imóveis podem ser: 1. ar-condicionado. espaço aéreo. De acordo com o art. árvores. é possível que sejam tratados num determinado negócio como bens fungíveis. Móveis são. Os bens móveis. em razão de sua natureza. 82. sob pena de anulabilidade do ato (art.28 - . 3. sem alteração de sua substância ou da destinação econômico-social”.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A importância da distinção reside no fato de haver diferença para a transmissão. qualidade e quantidade. separadas do solo.Por antecipação: São aqueles bens que. segundo o art. 3. b) Imóveis (ou bens de raiz).

São aqueles bens públicos que se destinam especialmente à execução dos serviços públicos e são utilizados exclusivamente pelo poder público. que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público. inclusive os de suas autarquias. 93). compostos. 3. diminuindo-lhe a quantidade. Se. quando seus elementos são unidos por ato humano. petróleo) 3. metais.Benfeitorias: São obras ou despesas realizadas pelo homem na estrutura da coisa principal. serviço ou aformoseamento de outro bem. estradas. Os bens acessórios podem ser de vários tipos: 1. A presente classificação não se confunde com aquela que consta do art. A importância desta classificação encontra-se no usufruto. embora reunidos. melhorá-la (benfeitorias úteis) ou embelezá-la (benfeitorias voluptuárias). se consideram de per si. Os bens singulares podem ser: simples. tais como rios. ou as universalidades. São os bens públicos que não são afetados a uma atividade pública específica. ainda que haja possibilidade de sua destruição em decorrência do tempo. que é a pluralidade de bens singulares com destinação unitária. 3. já os dominicais podem ser alienados. considerados em conjunto. que é um direito real de gozo ou fruição que só pode recair sobre bens inconsumíveis. massa falida).Pertenças: São os bens móveis que são afetados de forma duradoura ao uso. territorial ou municipal. estadual.Os dominicais. será chamado de quase-usufruto ou usufruto impróprio. mares. que é o complexo de relações jurídicas de uma pessoa. nos termos da lei. quando suas partes componentes encontramse ligadas naturalmente. . 2. formam um todo homogêneo. Cometti Fernando F. patrimônio.Os de uso especial. Costuma-se dizer que são as utilidades que nascem e renascem. 92) é aquele que existe por si mesmo. Inconsumíveis são aqueles que admitem uso reiterado. Os bens coletivos. a ordem jurídica atribui caráter unitário (espólio. É indiferente para a caracterização dos bens de uso comum que o uso seja gratuito ou retribuído. 2. o solo).Frutos: São as utilidades que a coisa principal periodicamente produz e cuja percepção não diminui a sua substância. universais.Os de uso comum do povo. A universalidade pode ser de fato. Acessório é aqueles cuja existência supõe a do principal. sem destruição imediata de sua substância. Bens reciprocamente considerados: De acordo com esta classificação os bens podem ser principais ou acessórios. sem que sejam considerados suas partes integrantes (art. e que não se renovam (pedras. independente dos demais. Etc.29 - .Produtos: São as utilidades que se retiram da coisa. Existem três classes de bens públicos (art. 4. Os bens de uso comum e os de uso especial são inalienáveis. aqueles que são compostos por vários bens singulares. ou de direito. com o propósito de conservá-la (benfeitorias necessárias). dotadas de valor econômico e que por isso. O bem principal (art. o usufruto for instituído sobre bens consumíveis. são. que. ruas e praças. que tem existência própria (ex. os quais podem ser públicos ou particulares. pó um acaso. e) divisíveis e indivisíveis f) Singulares são os bens que. 26 do CDC (bens duráveis e não duráveis) e que envolve tempo maior ou menor do consumo de determinado bem. Castellani d) Consumíveis são os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância. bem como aqueles que são destinados à alienação.bens quanto à titularidade do domínio: A lei classifica os bens de acordo com sua titularidade. tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal.Coordenadores: Marcelo T. por sua vez. 99): 1.

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num mútuo sem juros. Há. Por outras palavras: Obrigação é o vínculo jurídico temporário pelo qual a parte credora (uma ou mais pessoas) pode exigir da parte devedora (uma ou mais pessoas) uma prestação patrimonial e agir judicialmente ou mediante instauração de juízo arbitral sobre o seu patrimônio. assim. O débito é o dever jurídico de pagar.31 - . social. 3. a obrigação se identifica com qualquer espécie de dever moral. em favor de outra ou de outras. O objeto é a prestação (dar. se não for satisfeita espontaneamente. 2. algumas vezes. o objeto e o vínculo jurídico. num contrato de compra e venda. a palavra “obrigação” como sinônimo de dever jurídico. existem várias obrigações de ambas as partes. 4. Castellani TÍTULO II – PARTE ESPECIAL CAPÍTULO I – DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 1. religioso ou jurídico. Mesmo no campo do direito.Coordenadores: Marcelo T. A prestação deve ter conteúdo patrimonial e ser lícita. vínculos obrigacionais que se limitam a criar uma obrigação e outros que criam diversas obrigações derivadas do mesmo negócio jurídico. possível e determinada ou determinável. Acepções da obrigação Em sentido lato. Vínculo obrigacional Um vínculo obrigacional pode criar uma ou diversas obrigações. . Seus elemento são: os sujeitos. que é a de devolver a quantia emprestada. Assim. Já. ao contrário. na forma estabelecida pelas cláusulas contratuais. a relação jurídica existente cria apenas uma obrigação para o mutuário. Os sujeitos são: a parte credora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas) e a parte devedora (uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas). Cometti Fernando F. olvidando a sua significação técnica e dogmática. O crédito é o direito visto sob o prisma do sujeito ativo da relação jurídica. que recai sobre o sujeito passivo da relação jurídica. os juristas utilizam. fazer ou não fazer alguma coisa). Conceito e elementos Obrigação é a relação jurídica em virtude da qual uma ou mais pessoas determinadas devem. O vendedor deve entregar a coisa e responder no caso de evicção. O direito alemão conserva expressões distintas para indicar a relação de débito – Schuldverhältnis – e os direitos de crédito – Forderungsrechte. Crédito e débito Em toda obrigação existem um lado positivo – o crédito – e um lado negativo – o débito. para uma ou para as diferentes partes interessadas. O comprador deve pagar o preço. uma prestação de caráter patrimonial.

Obrigações naturais São as que não podem ser reclamadas em juízo. embora lícitas. por intermédio do Estado ou mediante instauração de juízo arbitral. O inadimplemento da obrigação. não pagar ou já tendo o credor um título. que denominamos responsabilidade. física e legalmente. Enquanto a obrigação é originária e depende de ato do devedor para a sua extinção. da indenização pelos prejuízos causados em virtude do inadimplemento da obrigação originária na forma previamente estabelecida. A prestação é o comportamento do devedor que aproveita ao credor e por este pode ser exigido. pode pedir ao juiz que execute tantos bens do devedor quantos forem necessários para a satisfação do seu débito. ou seja. 7. Não ocorrendo o pagamento voluntário. 814 do Código Civil A obrigação natural confere hoje juridicidade à obrigação moral e ao dever de consciência reconhecidos e cumpridos pelo devedor. O dever de prestar surge do débito. que discriminou. originária ou superveniente. surge a responsabilidade. dois momentos distintos: o do débito (Schuld). na relação obrigacional. consistindo na obrigação de realizar a prestação e dependente de ação ou omissão do devedor. implica a criação de uma relação jurídica secundária ou derivada. agora tratadas no art. A impossibilidade pode ser física ou jurídica. com as mesmas características da obrigação. não pode reaver o pagamento feito conscientemente. em benefício de outra. a ação judicial sobre o patrimônio surge da responsabilidade ou da garantia. determinada ou determinável e possuindo expressão econômica. posteriormente.32 - . A impossibilidade é objetiva ou absoluta quando existe para todos os membros da . e o da responsabilidade (Haftung). A distinção entre obrigação e responsabilidade foi feita por Brinz na Alemanha. lícita. a responsabilidade é derivada do inadimplemento de dever jurídico e autoriza a ação do credor. e o credor pode ir a juízo. relativamente a um bem (coisa ou serviço) que se encontra no patrimônio do devedor. e um fim secundário: sujeitar o patrimônio do devedor que não a satisfaz. para obter a condenação do devedor ao pagamento. por ser dever jurídico. absoluta e objetiva ou relativa e subjetiva. Características da prestação Definida a obrigação em sentido técnico como um vínculo jurídico de caráter patrimonial. Débito e responsabilidade A obrigação tem um fim primário: a prestação. que.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 5. ou recorrer à máquina judiciária do Estado. pois já afirmavam os romanos que ad impossibilia nemo tenetur. que recai sobre uma pessoa. a questão poderá ser resolvida por arbitragem. e se. desde que estabelecida cláusula compromissória entre as partes. Ademais. A prestação deve ser possível. podemos afirmar que o conteúdo da obrigação deve ser uma prestação possível. sobre os bens do devedor. constituindo a violação ou o descumprimento de um dever jurídico. recaindo sobre pessoa determinada (direito relativo) e de caráter patrimonial. após a condenação. na qual se faculta ao credor atacar e executar o patrimônio do devedor a fim de obter o pagamento devido ou uma quantia equivalente acrescida das perdas e danos.A idéia de obrigação imperfeita ou natural também é válida para as dívidas de jogo e de aposta. 6.

e não pode exigir do devedor outra coisa. A entrega de objeto diverso do prometido importa em modificação da obrigação. não podendo ficar ao exclusivo arbítrio do devedor. extinguindo-se todos os seus efeitos. Indaga-se. atualmente. ou seja. fixados em dinheiro. mesmo sendo de valor inferior. A obrigação negativa importa numa abstenção. com a aceitação do dano material ou moral. é preciso destacar o caso em que houve mora do devedor. . se são obrigações de dar ou de fazer a de lavrar escritura definitiva de um imóvel e a de justificar o pagamento de certos impostos que em virtude de contrato são da responsabilidade do locatário. os contornos de cada uma sejam perfeitamente definidos.Coordenadores: Marcelo T. cabe notar que. Cometti Fernando F. de acordo com o qual aliud pro alio invito creditore solvi non potest. havendo autores que condenam a distinção. 313 do CC). em muitos casos surgem dúvidas quanto à natureza da obrigação. denominada novação objetiva (do objeto). A obrigação de dar coisa certa surge quando a prestação é de objeto específico e individualizado A lei esclarece que o credor de coisa certa não pode ser obrigado a receber outra. e importa o dever. sem culpa do devedor. a impossibilidade relativa ou subjetiva é a que só ocorre para o sujeito passivo da relação jurídica.33 - . antes da tradição e sem culpa do devedor. de ressarcir os danos decorrentes do não-cumprimento da obrigação assumida. enquanto a obrigação de fazer importa na realização de atos ou serviços no interesse do credor. Castellani coletividade. Obrigações positivas e negativas As obrigações são positivas quando a prestação do devedor implica dar ou fazer alguma coisa e negativas quando importam numa abstenção. É tradicional a distinção entre obrigações de dar. à primeira vista. excluindo-se pois a sua responsabilidade. que ainda é feita pelo CC. fazer e não fazer. Se a coisa certa devida se perder. 233 do CC). Tal impossibilidade importa em nulidade da obrigação. salvo convenção em contrário das partes (art. hipótese na qual ele responde pelas perdas e danos. 8. a obrigação se resolve para os interessados. para o inadimplente. qualquer lesão de direito pode ser avaliada em dinheiro. a obrigação se tornou impossível ou ilícita. que só ocorre havendo consentimento de ambas as partes. Embora a doutrina entenda imprescindível o conteúdo econômico. A prestação deve ser determinada ou determinável. todos os riscos correm por conta do tradens que tem a propriedade do bem. A obrigação de dar consiste em transferir a posse ou transmitir a propriedade de um objeto ao credor. mas não para todas as pessoas. no caso de inadimplemento. em não praticar algum ato. 9. uma vez que não se considera obrigação o dever jurídico que. A coisa deve ser entregue com os seus acessórios. assim. e os casos fortuitos ou de força maior em que. por motivos físicos ou em virtude de lei. ainda que mais valiosa (art. Quando a impossibilidade objetiva é superveniente ou posterior à relação jurídica. Ao contrário. Até a tradição. Obrigações de dar coisa certa e coisa incerta A obrigação de dar pode abranger coisa certa ou coisa incerta. não se possa resolver em perdas e danos. A importância prática da classificação decorre da regulamentação legal tradicionalmente diferente com referência às obrigações de fazer e às obrigações de dar. Embora. É o princípio romano que encontramos em sentença de Paulo.

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se a perda ou destruição da coisa for oriunda de culpa do devedor. o devedor poderá exigir um aumento do preço. mesmo na hipótese de destruição ou perda do objeto em virtude de caso fortuito ou força maior. 237. o credor dele poderá exigir o valor em dinheiro do objeto acrescido das perdas e danos (art. resolvendo a obrigação se o credor não anuir (art. não lhe sendo lícito. enquanto. em virtude da qual a escolha caberá ao devedor.34 - . o primeiro problema que surge é o referente à escolha das unidades a serem entregues. por força do contrato ou em razão de reputação profissional ou de habilidades pessoais. 11. O art. 236 do CC). passando os frutos pendentes à propriedade do credor (art. indenização pelas perdas e danos (art. Nada impede que as partes convencionem a obrigação do devedor de ressarcir os danos. seguindo a sistemática do Código de 1916. mas determinação genericamente feita. Obrigações de fazer A prestação de fazer pode ser um ato de ordem física. do CC). A aplicação desta hipótese pressupõe urgência para que possa ser realizada independentemente de autorização judicial. 237 do CC). “antes da escolha. sem culpa do devedor. As partes têm a mais ampla liberdade de atribuir seja a um dos contratantes. 10. Entre as obrigações de dar coisa certa. seja a terceiro. com direito a reclamar. 234 do CC. O conteúdo da obrigação definirá o grau de pessoalidade que o credor tenha desejado. e art. importando numa abstenção. ou caso fortuito”. o devedor indenizar o credor por perdas e danos (art. Nas obrigações de dar coisa incerta. embora haja diferença na situação do credor nos dois casos. todavia. quando for possível e desde que ela não seja personalíssima. Havendo culpa do devedor. na obrigação de restituir. a propriedade do bem pertence. em sentido estrito. a escolha dos exemplares que deverão ser fornecidos. ainda que por força maior. trata da obrigação de restituir (art. em ambos os casos. 627 do CPC). parágrafo único. Obrigações de não fazer As obrigações ainda podem ser omissivas. Se a coisa sofrer melhoramentos ou passar a ter acrescidos até a tradição. . 247 do CC). Como regra geral. se a prestação não for realizada. escolher a pior qualidade.). A incerteza da coisa não significa indeterminação. O CC prevê a possibilidade de o credor valer-se de execução da obrigação por terceiro (execução in natura). o credor tem direito real sobre o bem que está legalmente em poder do devedor. abatendo do seu preço o valor que perdeu. Dando a coisa frutos antes da tradição. tem o credor uma opção entre solver a obrigação ou aceitar a coisa. à custa do devedor. 246 do CC esclarece que. parte final. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. 238 e s. 244 do CC). Na falta de cláusula contratual. desde que só ele possa realizá-la. o CC. cabem ao devedor. existe uma norma supletiva. num non facere. ou de ordem psíquica. Na obrigação de dar. Em caso de deterioração do objeto. ao devedor. até a tradição ou a transcrição. A obrigação de dar coisa incerta consiste em fornecer certa quantidade de unidades de determinado gênero e não uma coisa especificada. nem sendo obrigado a dar as melhores unidades (art. o credor pode exigir o equivalente em dinheiro ou aceitar o objeto com abatimento do preço.

A sua opção deve ser total. Se o devedor se recusar.Coordenadores: Marcelo T. cabendo ao devedor cumprilas conjuntamente (obrigações conjuntivas ou cumulativas) ou alternativamente (obrigações alternativas). que concede o direito de escolha ao devedor. fixar uma multa que o devedor será obrigado a pagar enquanto infringir a obrigação por ele assumida (arts. o credor pode exigir do devedor que desfaça a construção levantada além do mencionado gabarito e pague as perdas e danos. todavia. art. Obrigações simples e compostas A obrigação pode ter um ou vários objetos. tratando-se de obrigações de não construir além de certo gabarito. 252. mediante ação própria.35 - . no caso de obrigações alternativas. a obrigação contém mais de uma prestação. No silêncio das partes. independente de autorização judicial. 252. Obrigações cumulativas e alternativas Nas obrigações compostas. Se. obrigar o credor a receber parte de uma prestação e parte de outra (art. § 2º. o credor pode mandar destruir a obra. mas pode pedir uma indenização e. o credor ou devedor a quem couber a . desfazer ou mandar desfazer. O devedor não pode. por uma prestação única escolhida na forma do contrato ou da lei (plures res sunt in obligatione. extingue-se a obrigação (art. A escolha da prestação que será cumprida. Quando a obrigação abrange uma única prestação. ao contrário. devendo ser posteriormente ressarcido do devido (art. 13. ou de condições impostas em ato unilateral. em virtude de cláusulas contratuais. O CC permitir ao credor. a abstenção se torna impossível. se a sua natureza o permitir (art. em casos de urgência. sem culpa do devedor. Não existindo prazo. aumentando as garantias e as perspectivas de cumprimento da obrigação para o credor. Se a obrigação consiste em não vender determinados artigos. do CC. una autem in solutione). Se o devedor. a concentração. Nas primeiras. 251 do CC). parágrafo único). o credor não pode desfazer as vendas realizadas. uma pessoa. a quem cabe escolher a prestação a ser executada (in solutione) entre as diversas possíveis (in obligatione). existe pluralidade de pretensões. Assim. salvo se se tratar de prestações periódicas nas quais se admite a renovação da opção para cada período (entrega mensal alternativa de determinados alimentos ou de certa quantia em dinheiro). ou seja. 251. aplica-se a norma supletiva existente no CC. Nas obrigações alternativas. Quando. restringindo a sua própria liberdade e os direitos que a lei lhe assegura. Castellani Em certos casos. deve ressarcir o dano causado ao credor. § 1º. é denominada composta ou complexa. todas as prestações abrangidas pela obrigação devem ser executadas. 252. nos termos do art. existem duas ou mais formas pelas quais a obrigação pode ser satisfeita. se obriga a deixar de praticar algum ato. deve ser realizada no prazo estabelecido pela convenção. enquanto nas segundas a pluralidade das prestações existentes na obrigação é substituída. na execução. é considerada simples (por exemplo: o vendedor se obriga a entregar ao comprador o livro vendido). culposamente. e o cumprimento de uma única prestação extingue a obrigação. A finalidade da prestação alternativa é dar maior liberdade de escolha ao devedor. podendo ainda este exigir que o devedor desfaça à sua custa o ato praticado. 12. infringe a obrigação de não fazer e pratica o ato vedado. O negócio jurídico indica normalmente. Cometti Fernando F. do CC). por conta do devedor. em virtude de cláusulas contratuais. 250 do CC). 642 a 645 do CPC).

234 do CC estabelece. 314 do CC estabelece uma presunção de indivisibilidade da prestação no tempo quando afirma: “Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. Na obrigação alternativa. não podendo o credor exigir a prestação facultativa.36 - . Não poderia haver obrigações facultativas. A própria lei apresenta casos de obrigações com faculdade de solução. de incorporação de uma sociedade por outra. havendo uma possibilidade de substituição para o devedor. erradamente chamadas obrigações facultativas. em vez de pagar o que deve. o juiz deverá decidir o impasse (art. desde que o objeto seja divisível (art. resultando em alguns casos das próprias disposições legais. todavia. de determinações legais. cada um deles será obrigado pela dívida total. 1. se assim não se ajustou”. de 15-12-1976 (Lei das Sociedades Anônimas). Por outro lado. § 3º). o abandono da coisa perdida. A própria lei pode considerar um bem indivisível. Obrigações com faculdade de substituição Têm uma estrutura parecida com as obrigações alternativas as obrigações com faculdade de solução ou com faculdade de substituição. que para a companhia é considerada indivisível ex vi do art. a lei presume a divisão da obrigação. assim. Se a prestação não for divisível e houver pluralidade de devedores. Conforme o CC. 14. abandonar o objeto. o art. mas não o consenso entre eles sobre a escolha dentro de determinado prazo. enquanto na obrigação com faculdade de solução ou de substituição a obrigação é de prestar determinado fato ou entregar certa coisa. o proprietário pode. por partes. A distinção com as obrigações alternativas se faz atendendo ao fato de nestas haver diversas prestações na obrigação. a impossibilidade em relação a uma das prestações importa em obrigação de cumprir a outra. . 257 do CC). Obrigações divisíveis e indivisíveis As obrigações são divisíveis ou indivisíveis. 28 da Lei n. Na obrigação com faculdade de solução. Assim. havendo pluralidade de credores ou de devedores. uma recompensa mínima de 5% (cinco por cento) e uma indenização pelas despesas que houver feito com a conservação e transporte da coisa. e. A alternatividade da obrigação não decorre apenas da vontade individual. O mesmo artigo admite. nem o devedor a pagar. 259 do CC). 15. a obrigação de pagar. 252. da vontade das partes. pois o que é facultativo não é obrigatório e o que é obrigatório não é facultativo. o que tiver pago a dívida (art. É a prestação que o descobridor da coisa pode exigir. 6. O art. É o que ocorre no caso. como ocorre com relação à ação das sociedades anônimas. sub-rogando-se nos direitos do credor. de motivos de ordem econômica ou dada a razão determinante do negócio jurídico (art. a quem a achou. na qual os acionistas dissidentes têm direito de retirar-se da companhia mediante pagamento do reembolso ou então de receber ações da incorporadora.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI escolha deverá ser notificado a fim de incorrer em mora pela ausência de escolha. a impossibilidade em relação à prestação principal extingue o vínculo jurídico. conforme possam ou não ser fracionadas em prestações parciais homogêneas. em relação aos outros. se houver a pluralidade de optantes. A indivisibilidade pode decorrer da natureza da prestação. 258 do CC).404. É a faculdade de solução ou substituição. não pode o credor ser obrigado a receber. por exemplo. para o proprietário da coisa perdida.

261 do CC). que poderão exigir a prestação. como se houvesse um só credor ou devedor.Coordenadores: Marcelo T. 267 do CC). 269 do CC). Castellani Se a pluralidade for de credores. a parte que lhes couber (art. Obrigações ambulatórias. seguro obrigatório. fichas de bar etc. 17. Chamam-se também de obrigações propter rem ou ob rem. 263. sabe-se quem é o devedor. é mista. salvo quando em virtude de lei ou de convenção houver indivisibilidade.37 - . sendo de devedores é passiva. cada um destes pode exigir a dívida inteira. as obrigações de dar são consideradas divisíveis. Logo. (art.). confusão etc. 262 do CC).). § 2º. O pagamento total do débito a um dos credores extingue a obrigação (art. foro etc. passam a pesar sobre quem se torne titular da coisa. 16. São exemplos os títulos ao portador. resultando da lei ou da vontade das partes. surge a responsabilidade que reveste a forma de indenização em dinheiro. mas o devedor ou os devedores só se desobrigam pagando a todos conjuntamente ou a um dos credores. seja por ser divisível o seu objeto. a solidariedade é ativa. novação. 260 do CC). independentemente de autorização dos outros credores ou de caução (art. em dinheiro. ao contrário do que acontece em outras legislações que admitem a presunção de solidariedade a) Solidariedade ativa Solidariedade ativa é a de vários credores. Cometti Fernando F. são divisíveis. São exemplos de solidariedade ativa as contas bancárias conjuntas e os depósitos conjuntos em caixas-fortes. 265 do CC). A incapacidade de . os outros exigirão dele. constituir o devedor em mora e interromper a prescrição. sendo cada um dos devedores responsável apenas pela sua quota. seja por admitir a divisão deste em quotas ideais. A solidariedade nunca se presume (art. trem. a obrigação não fica extinta em relação aos outros credores. Sendo de credores e devedores. confusão ou compensação da dívida por parte de um dos credores. sabendo-se quem é o titular. conservação de divisas etc. do CC).). Nos casos de remissão. podendo promover as medidas assecuratórias do seu direito. Já as obrigações reais (de res = coisa. Não cumprida a obrigação. Sendo a pluralidade de credores. descontada a quota do credor que perdoou a dívida ou em relação ao qual ocorreu a transação. sobre os quais incidem ônus reais (imposto imobiliário. dando este caução de ratificação dos outros (art. Em geral. Obrigações solidárias Obrigações solidárias são aquelas com pluralidade de credores ou devedores. As obrigações de fazer. passando de um titular a outro. ou propter rem. os títulos de legitimação (bilhetes de cinema. 383 do CC). em latim) são as que derivam da vinculação de alguém a certos bens. Sendo a culpa de um só. podendo qualquer dos credores movimentar a conta ou utilizar a caixa-forte. quando fungíveis. cada um com um direito ou obrigado ao total. este responderá pelas perdas e danos (art. transação. bem como deveres decorrentes da necessidade de manter-se a coisa (despesas de condomínio. No caso da confusão só se extingue a parte do crédito ou do débito pertencente ao credor ou devedor solidário (art. Obrigações “propter rem” ou reais Chamam-se obrigações ambulatórias (de ambulare = andar) aquelas obrigações que podem ser transferidas sem formalidades. Se um dos credores receber a prestação inteira. teatro. Cada um dos credores solidários tem o direito de exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. As obrigações reais.

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um dos co-credores não prejudica os direitos dos outros. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar (art. 268 do CC). A mora accipiendi por parte de um dos credores prejudica a todos os outros, ressalvando o direito à ação regressiva. Falecendo um dos credores solidários, cada um dos seus herdeiros só terá direito a exigir a quota do crédito correspondente ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a prestação (art. 270 do CC). Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste a solidariedade para todos os efeitos, inclusive para fins do pagamento de juros de mora e demais encargos dela decorrentes (art. 271 do CC). O credor que recebe o pagamento ou faz a remissão da dívida ou que a extingue em virtude de novação, compensação ou transação responde, perante os outros, pela parte que lhes couber (art. 272 do CC). Há assim o direito de regresso em virtude do qual cada um dos credores recebe a sua quota, presumindo-se juris tantum, na falta de disposições diversas no título, que a divisão seja igual, impondo-se o rateio quando recebido o montante do total do débito ou uma parte dele. b) Solidariedade passiva Ocorre solidariedade passiva quando, havendo multiplicidade de devedores, o credor pode exigir de qualquer destes o pagamento integral do débito, a qual resulta de disposições legais ou de declaração de vontade das partes interessadas. Na obrigação solidária, o credor tem o direito de exigir e receber de um ou alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum. Sendo o pagamento parcial, poderá exigir dos demais devedores o saldo. O devedor acionado não pode alegar o benefício da divisão, nem limitar o seu pagamento à quota do débito total que lhe cabe, nem mesmo exigir que sejam acionados, no mesmo processo ou em outro, os demais coobrigados. Uma vez feito o pagamento por um dos devedores, o crédito se extingue na relação externa, sendo feito o rateio na relação jurídica interna. Se o credor, tendo executado os bens de alguns devedores, não recebeu o débito total, subsiste a solidariedade, e, portanto, pode acionar os outros a fim de receber o saldo. Falecendo um dos devedores solidários, deixando herdeiros, a obrigação entre os herdeiros é conjunta, mas não solidária. Cada um deles não será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo sendo indivisível a obrigação. Em relação aos demais devedores, os herdeiros serão considerados como um devedor solidário (art. 276 do CC). A remissão concedida a um dos coobrigados extingue a dívida na parte a ele correspondente, de modo que, ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida (art. 388 do CC). A remissão, sendo liberalidade, é interpretada restritivamente, aplicando-se tão-somente à quota do devedor, mantido o dever solidário dos coobrigados pelo total do montante do débito, descontada a parte do devedor que obteve remissão. Qualquer dos devedores solidários pode estipular condições especiais para o pagamento do seu débito, não podendo, todavia, agravar a posição dos coobrigados sem consentimento destes (art. 278 do CC). A interrupção da prescrição efetuada contra o devedor solidário ou o reconhecimento da dívida por este envolve os demais coobrigados e seus herdeiros. A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores senão quando se trate de obrigações e direitos indivisíveis (art. 204, §§ 1º e 2º, do CC).

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

No caso de impossibilidade de cumprir a obrigação decorrente de força maior, a obrigação se extingue. Se houver culpa de um dos devedores, cada um dos coobrigados deve pagar o valor da coisa ou da prestação (aestimatio rei), respondendo pelas perdas e danos o devedor culpado (art. 280 do CC). Se um dos devedores já estava em mora quando a impossibilidade se verificou, responde pelos danos dela decorrentes, mesmo na hipótese de força maior ou de caso fortuito, salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano sobreviria ainda se a obrigação fosse oportunamente executada (art. 399 do CC). Quanto ao credor, na relação jurídica externa, todos os devedores respondem pelos juros de mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um, mas o culpado responde perante os outros, na relação interna, pela obrigação acrescida (art. 280 do novo Código Civil). Os princípios aplicados em relação às perdas e danos e aos juros não são os mesmos. Quanto à indenização pelas perdas e danos, o credor só pode cobrá-la do devedor culpado. Quanto aos juros, são exigíveis de qualquer coobrigado, embora este tenha ação regressiva contra o culpado. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores (art. 282 do CC). Pode, assim, transformar a obrigação solidária em obrigação conjunta ou fracionária, na qual, em vez de responder, na relação externa, pelo total do débito, só responde cada devedor pela sua quota. O devedor demandado pelo credor pode opor as exceções comuns a todos os devedores e as exceções que lhe forem pessoais, não lhe aproveitando porém as pessoais de outro codevedor. Assim, qualquer devedor pode alegar a ilicitude do objeto, a extinção da dívida por pagamento já feito, ou seja, as defesas ou exceções comuns a todos os devedores. São consideradas exceções pessoais as que só podem ser alegadas pelo interessado, por exemplo, os vícios de consentimento e as causas de anulabilidades dos negócios jurídicos em geral (arts. 171 e 177 do CC). A novação entre um dos devedores e o credor, modificando o conteúdo da obrigação originária, exonera os devedores solidários de qualquer responsabilidade (art. 365 do CC). 18. Execução da obrigação O dever jurídico imposto ao devedor, em favor do credor, na relação obrigacional pode ser cumprido direta ou indiretamente, voluntária ou involuntariamente. O cumprimento da obrigação, também denominado pagamento ou solução do débito, é a execução da prestação pelo devedor na forma estabelecida no ato jurídico ou na lei, de acordo com as normas fixadas quanto ao modo, tempo e lugar de sua realização. O pagamento pressupõe a existência de uma dívida e a vontade de extingui-la (animus solvendi), devendo em tese ser feito pelo devedor ao credor. Na falta de uma relação jurídica, o pagamento configura-se como indevido, dando margem a uma ação do devedor para reaver o que pagou sem justo motivo (arts. 876 e seguintes do CC). A obrigação se extingue independentemente de pagamento no caso de realização de condição resolutiva ou advento de termo extintivo. A impossibilidade de cumprimento do dever jurídico em virtude de caso fortuito ou força maior constitui outra hipótese de extinção da obrigação. No caso de inadimplemento injustificado, o credor pode recorrer ao procedimento judicial ou arbitral para exigir a execução forçada da obrigação. A sentença garante ao credor o que lhe era devido acrescido das perdas e danos pelo atraso, ou o equivalente (id quod interest),

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abrangendo o ressarcimento do dano causado e do lucro não auferido (damnum emergens e lucrum cessans). 19. Pagamento Pagamento todo cumprimento de obrigação, importando em dar, fazer ou não fazer. O pagamento é feito na forma estipulada, não podendo o credor ser obrigado a receber parcialmente o débito, salvo em casos especiais previstos pela lei, como na substituição do devedor por seus herdeiros, que só são responsáveis pelo débito na proporção dos seus quinhões (art. 1.997 do CC). O dever de cumprir a obrigação incumbe ao devedor e aos seus herdeiros, se o débito não for personalíssimo. Os sucessores se substituem ao falecido em todas as vantagens e deveres de caráter patrimonial que tenha, salvo se existir um vínculo de intuito pessoal. Qualquer pessoa pode pagar uma dívida, sua ou de outrem. Mas o Código Civil distingue: o pagamento pode ser feito por terceiro interessado ou por terceiro não interessado. O termo interessado aí tem sentido técnico: é aquele que pode ser responsabilizado pelo débito, como, por exemplo, o avalista ou um terceiro garantidor da dívida. No entanto, se alguém é parente ou amigo do devedor e deseja auxiliá-lo, também pode pagar, mas os efeitos são diversos. A obrigação se extingue pelo pagamento da dívida por qualquer interessado (devedor, coobrigado, fiador, herdeiro do devedor, adquirente do imóvel hipotecado) a quem é lícito fazê-lo em nome próprio, sub-rogando-se no direito do credor. Em virtude do estabelecido no art. 346 do CC, ocorre a sub-rogação de pleno direito em favor: “I – do credor que paga a dívida do devedor comum; II – do adquirente do imóvel hipotecado que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel; III – do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte”. O pagamento também pode ser feito por terceiro não interessado. Se o fizer em nome próprio, o terceiro pode tão-somente obter o reembolso do que pagou, mas não se sub-roga nos direitos do credor (art. 305 do CC). Havendo oposição do devedor ao pagamento do seu débito por outrem ou não tendo conhecimento da ação de terceiro, este não terá direito ao reembolso do que pagou, se o devedor tinha meios para ilidir a ação (art. 306 do CC). O devedor não se pode opor ao pagamento por terceiros, ou melhor, a sua oposição não invalida ou impede o pagamento, importando apenas em restringir os direitos do pagador contra ele. Não pode, todavia, o terceiro, piorar a posição do devedor. Assim, se pagar o débito antes do vencimento, somente após este poderá exigir do devedor o reembolso da quantia despendida (art. 305, parágrafo único, do CC). Se o devedor tinha a possibilidade de compensar débito e crédito com o credor, o terceiro não interessado, que pagou, só poderá exigir do devedor o pagamento da quantia não sujeita à compensação. O pagamento deve ser feito ao credor, aos seus sucessores, ou ao seu representante legal, judicial ou convencional. Nos casos de incapacidade do credor, o pagamento deverá ser feito a quem de direito. Havendo dúvida de quem pode receber, incumbe ao devedor consignar judicialmente o pagamento, cabendo ao juiz finalmente decidir a quem o pagamento deverá ser feito (art. 895 do CPC). Considera válido o pagamento feito ao credor putativo, ou seja, àquele que tem todas as características de credor, embora não o seja. É credor putativo aquele que se apresenta com um título aparentemente válido, embora posteriormente seja o mesmo julgado nulo.

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desde que haja prejuízo para o credor. também não está obrigado o credor a receber pagamento que não seja em moeda corrente. caso em que a despesa acrescida será por conta do credor (art. ainda que mais valiosa. tendo o devedor ciência dessa incapacidade. 329 e estabelece que. cuja quitação consiste na devolução do título (por exemplo: nota promissória). 323 do CC). todavia. que o pagamento deve ser feito no domicílio do devedor. só valerá nos limites em que reverteu em favor do beneficiado (art. podendo. cabe a opção ao credor. A norma geral. retendo o pagamento. devendo ser escrita desde que o montante da dívida seja superior ao décuplo do maior salário mínimo (art. sem incorrer em mora. ou seja. 876 e s. 327 do CC considera. declaração do credor que inutilize o título desaparecido (art. Tal presunção extingue-se. enquanto lhe for recusada a quitação (art. Havendo pluralidade de domicílios ou mais de um lugar indicado para o pagamento. salvo convenção em contrário. Havendo pagamentos periódicos. 310 do CC). a prova contrária. visados ou não. o devedor poderá fazê-lo em outro local. 884 do CC). fundamentando-se nas regras sobre pagamento indevido (arts. Cometti Fernando F. 322 do CC). podendo reter o pagamento. 321 do CC). O devedor poderá. A segunda está aposta em seu art. A primeira está prevista em seu art. A quitação do capital. São quérables ou quesíveis quando pagáveis no domicílio do devedor. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que é devida. 315 do CC). O pagamento é feito na forma estabelecida pela lei ou pelo negócio jurídico e. sem ressalva.41 - . no prazo de sessenta dias. Existem várias exceções ao princípio fixado no referido art. 330 ao prever que. Admite-se. reaver daquele a quem pagou indevidamente o montante pago. far-se-á em moeda corrente no lugar do cumprimento da obrigação (art. 324 do CC). O CC duas regras especiais referentes ao lugar do pagamento. Assim. a quitação ser impugnada. decorrentes da própria lei. da natureza das obrigações. 319 do CC). Castellani Se o pagamento é feito ao credor incapaz de quitar. no momento do vencimento da obrigação. pode o devedor exigir. ficando ao seu exclusivo critério aceitar ou não ordem de pagamento ou cheques. que não ocorreu o pagamento. 325 do CC). 327 do CC. O pagamento feito indevidamente obriga o devedor a pagar novamente. todavia. estabelecida no art.Coordenadores: Marcelo T. O devedor que paga tem direito à quitação regular. perdido este. presume-se que o credor renunciou ao lugar previamente acordado no contrato. com o pagamento reiterado em outro local. presume-se juris tantum que o recebimento do pagamento da prestação posterior implique a quitação das prestações anteriores. todavia. A entrega do título ao devedor firma a presunção juris tantum de pagamento. A quitação admite qualquer forma. . tratando-se de obrigações pecuniárias. Quem paga mal paga duas vezes. que pode consistir na ressalva existente no próprio recibo ou em outros documentos ou mesmo na correspondência entre as partes (art. das circunstâncias ou de convenção entre as partes. 401 do CPC). Salvo convenção em contrário. todavia. faz presumir o pagamento dos juros (art. desde que o credor prove. se houver motivo grave que impeça a realização do pagamento no lugar acordado. É o que se dá na hipótese de pagamento de aluguéis na locação e das duplicatas sucessivas na venda de um objeto em prestações. à prova do pagamento feito. No que diz respeito ao lugar do pagamento as dívidas são portables ou portáveis quando devem ser pagas no domicílio do credor ou onde ele indicar. Os débitos. do CC) e da vedação do enriquecimento sem causa (art. tendo a quitação sido obtida pelo devedor fraudulentamente (art. presume-se que corram por conta do devedor as despesas com o pagamento e a quitação. se ocorrer aumento por fato do credor.

As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição. do CC). 333. por exemplo. É o princípio dies interpellat pro homine (art. cabal e definitivo pode ser fortuito ou culposo. ou se se tornarem insuficientes.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sobre o tempo do pagamento. II – se os bens. sem necessidade de qualquer interpelação judicial.425 do CC. a deterioração e o perecimento da coisa dada em garantia (incisos I e IV. o negócio jurídico criador da obrigação estabelece a época de sua realização. o devedor responde também pela impossibilidade da prestação resultante de caso fortuito ou força maior. pelo simples advento do termo ou decurso do prazo. dependendo de notificação prévia feita pelo credor ao devedor. quer por parte do credor (mora creditoris ou mora accipiendi). Pode. a responsabilidade do inadimplente. 20. 394 do CC). ou seja. casos em que o prazo será fixado de acordo com os usos e costumes locais. o credor pode exigir o pagamento imediatamente (art. Uma vez que haja mora. 333 do CC: “I – no caso de falência do devedor. na forma contratual ou legal (art. que revelam a insolvência do devedor. se este oscilar . se houver solidariedade passiva entre os devedores. Mora é o retardamento culposo no cumprimento da obrigação. A constituição em mora se realiza de pleno direito. na última hipótese. depois da mora. ou reais. A mora debitoris pressupõe uma dívida líquida e certa. salvo se provar a isenção de culpa ou que o dano ainda sobreviria se a obrigação fosse oportunamente desempenhada. se negar a reforçá-las”. O inadimplemento total. diversamente. hipotecados ou empenhados. 332 do CC). que são. intimado. devendo o credor ressarcir o devedor pelas despesas que teve. No caso de silêncio das partes e desde que não exista disposição legal em sentido contrário. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso. fidejussórias. Há mora do credor quando este se recusa a receber o que lhe é devido. parágrafo único. como as mencionadas no art. vencida e não paga em virtude de culpa do devedor. Esse atraso ou retardamento importa num inadimplemento temporário. §§ 1º e 2º). quer por parte do devedor (mora debitoris ou mora solvendi). as garantias do débito. A lei concede ao credor o direito de cobrar a dívida antes do seu vencimento em algumas hipóteses especiais. Também são causas de vencimento antecipado dos débitos as hipóteses elencadas no art. ou exigir tempo. pela conservação do bem e sujeitando-se ainda a recebê-lo pelo seu maior valor. 331 do CC). Os efeitos da mora creditoris importam em transferir a responsabilidade pela conservação da coisa ao credor. a antecipação de vencimento relativa a um dos devedores não importa em vencimento do débito dos coobrigados solidários (art. ou de concurso de credores. em virtude de lei nova. mas o foi posteriormente. Neste caso. que não foi cumprida no tempo fixado. cabendo ao credor a prova de que o devedor teve ciência do advento da mesma (art. quando a prestação ainda é útil para o credor.42 - . como se tradição tivesse havido. 397 do CC). ensejando. A destruição da coisa e a ilicitude do negócio jurídico. forem penhorados em execução por outro credor. III – se cessarem. Inadimplemento e mora O inadimplemento ou não-cumprimento da obrigação na maneira estipulada pode revestir formas diversas. e o devedor. ter havido um simples atraso no adimplemento da obrigação. 1. importam em impedir de modo definitivo o cumprimento da obrigação.

Castellani entre o tempo do vencimento e o do pagamento. Os casos de sub-rogação legal são aqueles em que o pagamento é feito por um terceiro interessado na relação jurídica. 349 do CC).Coordenadores: Marcelo T. 334 do CC) A consignação é regulada pelo CC nos arts. O sub-rogado assume assim a posição do sub-rogante. Distingue-se da cessão de crédito. numa relação jurídica. outrossim. mediante transferência dos direitos que o credor tinha contra o devedor. . porque esta se faz antes do pagamento e a sub-rogação se faz por causa do pagamento. completa e incondicional. parágrafo único. com todas as suas características e atributos. o curso dos juros (art. nos casos legais (art. 6. A sub-rogação convencional se dá por cessão do credor ou do devedor. ou títulos da dívida pública. móvel ou imóvel. do CC – passando a ser exigida autorização judicial – e Decreto-lei n. A sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos. 347 do CC). privilégios e garantias do primitivo em relação à dívida contra o devedor principal e os fiadores (art. Mas. A sub-rogação pode ser legal (de pleno direito) ou convencional. 22. ou mantiver depósito em poupança vinculada. 21. somente podendo depender de prova da qualidade do credor por parte de quem pretende receber o pagamento. b) por força de contrato ou de recibo com tal fim. 334 do CC). ações.43 - . a transferência do crédito próprio ou alheio. poderá vender o imóvel. Pagamento com sub-rogação A sub-rogação é a substituição de uma pessoa ou de uma coisa por outra pessoa ou coisa. Pagamento em consignação Pagamento em consignação é o depósito judicial da coisa devida ou depósito em estabelecimento bancário. para liberar o devedor. interrompendo. que efetua o pagamento ou empresta o dinheiro necessário para tal fim. que é substituído pelo outro ou pelos títulos ou pela caderneta vinculada (art. Ocorre. Sub-rogação real é a substituição de uma coisa gravada por outra. se for débito em dinheiro. a transferência do crédito ao pagador de dívida alheia (casos do art. A consignação em pagamento se aplica a todos os casos de obrigação de dar coisa certa ou incerta. 334 a 345 e no Código de Processo Civil nos arts. Exemplo: um bem da herança gravada com cláusula de inalienabilidade não pode ser vendido. 346 do CC). se o herdeiro indicar outro bem. e convencional quando ocorre explicitamente a transferência dos direitos de devedor ou do credor ao terceiro. de valor equivalente. também. O terceiro se subroga nos direitos do credor quando paga o débito. pelo pagamento (art.777. de valor semelhante. 890 a 900. de 8-8-1944). Cometti Fernando F. Sub-rogação pessoal pode ser: a) por força de lei. que fica em lugar daquela. só não cabendo tal ação na hipótese de obrigação de fazer ou de não fazer.911. a sub-rogação legal em favor do terceiro que paga letra de câmbio ou do segurador que indeniza o dano causado à pessoa ou coisa segurada. A consignação deve ser efetiva. 1. nos casos e forma legais (art. 400 do CC). É legal quando independe do consentimento do devedor ou do credor. e considerando-se pagamento o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida.

e d) capacidade das partes para novar e para dispor. condicional ou anulável. Não declarando o devedor qual das dívidas pretende pagar e aceitando a quitação de uma delas. Para que haja novação são elementos necessários: a) uma obrigação anterior. Havendo diversos débitos. todos líquidos e vencidos. b) uma obrigação nova que extingue a anterior. havendo capital e juros. o legislador estabeleceu um sistema de preferência considerando que. deve ser imputado primeiramente nos juros e depois no capital (art. o problema que surge é o de saber quais os débitos que devem ser considerados pagos. 24. ressalvados os direitos de terceiros (art. determina o Código que se restabelece a obrigação primitiva. ou seja. Salvo estipulação em contrário. 354 do CC). Dação em pagamento Quando o credor consente em receber coisa diversa da que lhe é devida ocorre a datio in solutum ou dação em pagamento. não mais poderá apresentar reclamação posterior contra a imputação. Supletivamente. fica ao arbítrio do credor imputar o pagamento da maneira que preferir. ficando sem efeito a quitação dada. 25. Assim sendo. 359 do CC). Os elementos necessários da dação em pagamento são. desonerando os coobrigados que nela não intervieram (arts. Quando o devedor tem vários débitos em relação ao mesmo credor e paga quantia insuficiente para a liquidação de todos. ou seja. seja pelo valor ou natureza da prestação. reintegrando-se terceiro na propriedade da coisa dada em pagamento ao credor. Novação A novação é a transformação de uma obrigação em outra. a extinção de uma obrigação mediante a constituição de uma obrigação nova que se substitui à anterior. 352 do CC). distinguindo-se a prestação antiga da nova. A novação é objetiva ou real quando há modificação da prestação e subjetiva quando ocorre mudança do credor ou do devedor. na falta de declaração de vontade dos interessados. seja por modificação do credor ou do devedor. pois. salvo provando a existência de dolo ou violência (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 23. A dação em pagamento extingue a obrigação. no silêncio das partes. embora possa ser simples obrigação natural. garante a lei ao devedor o direito de indicar quais os débitos que pretende pagar (art. em virtude da criação da obrigação nova. A imputação pode decorrer de acordo entre os interessados ou de determinações legais. ou seja. na falta de declaração do devedor. pouco importando que a coisa dada em pagamento tenha valor maior ou menor do que a prestação originariamente devida. o pagamento. ou melhor. com assentimento do credor e visando à extinção da obrigação. a existência de uma dívida e o pagamento desta pela entrega de uma coisa diferente da prometida. Imputação do pagamento Imputação é a escolha da parcela a ser quitada num pagamento parcial do devedor que tem vários débitos em relação a um só credor. a novação extingue os acessórios e garantias da dívida primitiva.44 - . Não caracteriza a novação a simples modificação . 353 do CC). Havendo evicção. c) a vontade de realizar novação (animus novandi) extinguindo a obrigação anterior. com relação a que débitos o pagamento deve ser imputado. 364 a 366 do CC).

judicial. comodato. A compensação é voluntária quando as partes a realizam em virtude de convenção. 373 do CC).172/66). são credora e devedora uma da outra até o limite da existência do crédito recíproco (art. As partes podem renunciar à compensação ou excluí-la por mútuo acordo (art. salvo se um dos créditos decorrer de esbulho. ao mesmo tempo. em virtude da liquidação judicial de um crédito anteriormente ilíquido. mas a confusão na obrigação acessória (confusão do fiador e do credor) não importa em extinção da obrigação principal (art. 384 do CC). É total quando importa na extinção da obrigação. a confusão só pode ser alegada entre credor e devedor. 381 do CC). ou convencional. Castellani das modalidades (condições. ficando exonerado da responsabilidade o antigo. 5. com a extinção de ambas as dívidas. Como a compensação. Cometti Fernando F. Confusão A confusão é a extinção da obrigação decorrente da identificação numa mesma pessoa das qualidades de credor e devedor (art. quando depende de decisão do magistrado. Também não se admite a compensação nas dívidas fiscais. 27. quando os créditos são de valor diverso. A novação deriva de delegação quando há consentimento de todos os interessados e extinção do débito para o substituído. 362 do CC). sem que existam os requisitos estabelecidos pela lei para a compensação de pleno direito. podendo ainda ser total. extinguindo-se a dívida do devedor para com o primeiro e mantendo-se para com o novo credor. sendo necessária uma substituição do objeto da obrigação (prestação) ou da causa debendi. vencidas e de coisas fungíveis (art. a não ser em virtude de lei específica (art.45 - . havendo reciprocidade entre os créditos e débitos. ou da expromissão. Não impede a compensação a diferença de causa nas dívidas. 26. quando decorre de declaração de vontade das partes interessadas. 170 da Lei n. quando a novação se realiza independentemente do consentimento do devedor originário. É também denominada compensação facultativa. É parcial quando tão-somente uma parte do crédito se extingue pela confusão. A confusão pode ser parcial ou total (art. Compensação A compensação é meio de extinguir as dívidas de pessoas que. A compensação judicial é aquela realizada pelo juiz. Mesmo as coisas fungíveis só se compensam quando forem da mesma qualidade. termo ou encargo) ou das garantias dadas ao credor. ou parcial. ou quando o credor primitivo é substituído por outro. depósito ou alimentos ou se uma dívida for de coisa insuscetível de penhora (art. furto ou roubo. A compensação pode ser automática ou de pleno direito. 375 do novo Código Civil). . A confusão extingue a obrigação principal e as obrigações acessórias. 382 do CC). A novação é subjetiva quando o antigo devedor é substituído por um devedor novo. por acordo entre o credor e um novo devedor que assume a obrigação do anterior (art. A compensação só se efetua entre dívidas líquidas.Coordenadores: Marcelo T. 369 do CC). extinguindo-se um e mantendo-se o outro na parte excedente ao crédito compensado. 368 do CC).

O valor da . revertendo em favor da parte inocente ou de terceiro (v. seja perdoando uma dívida. 842 do CC. só podendo o credor cobrar dos coobrigados solidários o débito remanescente. 29. o acordo de vontades do credor e do devedor. como ocorre na novação. 388 do CC). do CC). A simples declaração do credor importa em extinção da dívida. por concessões mútuas. por convenção expressa. se recair sobre direitos contestados em juízo. A cláusula penal se apresenta geralmente sob a forma de pagamento de determinada quantia em dinheiro. g. Nos termos do art. submetem o devedor que descumprir a obrigação a uma pena ou multa no caso de mora (cláusula penal moratória) ou de inadimplemento (cláusula penal compensatória). as partes extinguem obrigações. como aliás ocorre em matéria de novação (art. 840 do CC). ou por instrumento particular. No primeiro caso. Pode ser judicial ou extrajudicial. Quando se transige. a remissão feita a um dos devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente. Transação A palavra “transação” é utilizada em sentidos diversos. admitindo-se todavia a cláusula cujo conteúdo seja a prática de ato ou mesmo uma abstenção por parte do inadimplente. 262 do novo Código Civil). a dívida se extingue para os co-devedores solidários (art. Cláusula penal A cláusula penal é um pacto acessório. 844. Na acepção mais ampla e menos técnica. poderá ser feita por termo nos autos. nas em que ela o admite.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 28. Se houver transação entre um dos devedores solidários e o credor. obra beneficente). seja trazendo-lhe uma doação. A multa é convencionada no momento da realização do ato jurídico ou posteriormente. A transação também se distingue do ato de liberalidade em que uma das partes quer beneficiar a outra. conforme vise a terminar um processo ou evitar o seu início. Se a dívida for solidária. Se a obrigação for indivisível e um dos credores fizer a remissão da dívida. significa qualquer espécie de negócio. a transação far-se-á por escritura pública. que todavia só poderão exigi-la descontada a parte correspondente ao credor que perdoou a dívida (art. § 1º. Remissão de dívida Remissão das dívidas é a renúncia do credor ao crédito que existe em seu favor. 844. regulamentado pela lei civil (arts. do CC). 408 a 416 do CC). a obrigação não se extingue para os outros. para se tornar irrevogável. assinado pelos transigentes e homologado pelo juiz. assinado pelos transigentes e devidamente homologado pelo juiz ou por escritura pública.46 - . descontando a quota que for objeto da remissão (art. mas pode ser revogada até o momento em que o devedor aceita a remissão. nas obrigações em que a lei o exige. § 3º. 30. evitam ou terminam um litígio (art. Pela transação.. A transação concluída entre o credor e o devedor desobriga o fiador. há sempre uma dúvida ou um litígio que as partes pretendem eliminar a fim de obter maior segurança nas suas relações jurídicas. Em sentido restrito. não as substituindo normalmente por outras. necessitando. será feita por escritura pública ou por termo nos autos. é o negócio jurídico bilateral pelo qual os interessados. pelo qual as partes.

haverá restituição do equivalente ao valor dado como arras. o sinal poderá ser restituído ou computado como parte do pagamento do devido (art. Arras ou sinal As arras constituem quantia ou coisa móvel dada por uma das partes à outra. Castellani multa deve ser determinável. 8. quando abrange todos os bens ou uma fração da totalidade dos bens do cedente (como ocorre em relação ao herdeiro). Outras vezes.47 - . quando a obrigação tiver sido parcialmente cumprida ou na hipótese de a penalidade ser manifestamente excessiva.. g. Ressalta-se que. se as arras não constituem início do pagamento. ou a título singular. e não de mora. em garantia da conclusão de um contrato. O primeiro é o art. podendo ser a título universal. o locatário abandona o prédio antes do termo fixado e existe no contrato uma multa na hipótese de infração contratual.245. 420 do CC. no momento da celebração do contrato. nas arras penitenciais o pagamento é prévio. como complemento pela infração contratual. recorrendo-se eventualmente a vários fatores para a fixação definitiva do seu montante. Nesta hipótese. Transmissão das obrigações A transmissão das obrigações pode apresentar-se sob a forma ativa (cessão de crédito) ou passiva (assunção de dívida ou cessão de débito). podendo então substituir-se às perdas e danos. entende-se que no caso de inadimplemento. 412 que veda ter a cláusula penal valor superior ao da obrigação principal. a cláusula penal se aplica no caso de infração do contrato. 413). que foi cedido). não devendo mais nada (art. O CC tem dois artigos que impõem limites para a estipulação da cláusula penal. ou acrescer-se a elas. a cláusula penal é compensatória e não representa um acréscimo às perdas e danos. entre pessoas vivas (inter vivos) ou em virtude de falecimento (mortis causa). A cláusula penal é moratória quando se aplica em virtude de mora do devedor e sem prejuízo da exigência da prestação principal. por antecipação mediante entrega real da quantia. Cometti Fernando F. 4º da Lei n. Nos termos do art. funcionando como verdadeira cláusula compensatória. enquanto naquela o pagamento é feito desde logo. de 18-10-1991). No silêncio do contrato. nesta. .Coordenadores: Marcelo T. 417. 32. um crédito contratual. tendo em vista a natureza e a finalidade do negócio (art. O locatário pode pagar a multa. Assim. se as partes convencionam a possibilidade de arrependimento. devem ser devolvidas quando o contrato é executado ou desfeito independentemente de culpa. As arras se distinguem da cláusula penal pois. ainda. Se houver a execução do contrato. as arras são consideradas penitenciais e terão função unicamente indenizatórias. O legislador determinou. quando só se refere a um crédito específico (v. Funcionando ambos os institutos como limitações da indenização na hipótese de inadimplemento. 31. independentemente de qualquer infração. se o arrependimento for da outra parte. do CC). há promessa de pagamento. As arras podem ser em dinheiro ou em outros bens fungíveis. enquanto na cláusula penal a parte inadimplente se compromete condicionalmente (na hipótese de inadimplemento ou de mora) a pagar certa quantia previamente fixada. que não poderá ser exigida indenização suplementar. num contrato de locação por tempo determinado. parte final. O segundo atribui ao juiz o dever de reduzir a cláusula eqüitativamente. não haverá a restituição do sinal para aquele que o deu ou.

O CC admite expressamente a assunção de dívida nos arts. 299 trata da manifestação do credor sobre o negócio realizado e determina que pode ficar estipulado um prazo para que ele consinta na assunção da dívida. tornando inequívoco que: “É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. e. com ou sem aceite deste. o banco não é obrigado a aceitar qualquer devedor. caso não o faça. . com o consentimento expresso do credor.48 - . Neste caso. o parágrafo único do art. ficando exonerado o devedor primitivo. em princípio.. 303. emprego e outros fatores. Além disso. deve impugnar a transferência em trinta dias. se não o faz. O CC diz que o credor.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A assunção de dívida é um negócio jurídico pelo qual um terceiro assume a dívida em lugar do devedor. pois concede crédito a alguém que. salvo se aquele. o silêncio será interpretado como a reprovação da respectiva cessão de débito. “entender-se-á dado o assentimento”. dependendo dos rendimentos. 299). conforme o seu art. 299 e s. poderá pagar. Como aplicações específicas da assunção de dívida. sendo notificado. era insolvente e o credor o ignorava” (art. o CC se refere ao caso do adquirente do imóvel hipotecado que se responsabiliza pelo pagamento do débito hipotecário. ao tempo da assunção.

adotou a cláusula geral de boa-fé. pois muitos contratos são hoje verdadeiros contratos de adesão. Antes de aceitar. indagações. Em tese. . pois depende de no mínimo duas declarações de vontade. O dirigismo contratual diminuiu e restringiu a autonomia da vontade. não vinculam as partes. ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa”. visando criar. em seu art. se o possuidor ignora o vício. a liberdade contratual só sofre restrições em virtude da ordem pública. que não se iguala ao sentido dado à boa-fé subjetiva. enquanto a liberdade contratual é a possibilidade de estabelecer o conteúdo do contrato. apontamentos. A regra de boa-fé objetiva configura-se como cláusula geral e. contas. possibilitando a existência de um sistema jurídico aberto com constantes adaptações das normas legais às exigências do mundo de relações e da alteração dos seus valores com o tempo. como acordo de vontades. Quando há aceitação. É o caso do art. 2. Princípios básicos do direito contratual Liberdade de contratar é a faculdade de realizar ou não determinado contrato.201 do CC: “É de boa-fé a posse. minutas. Os dois elementos imprescindíveis para a formação do contrato são a solicitação ou proposta e a aceitação. 3. Castellani CAPÍTULO II – TEORIA GERAL DOS CONTRATOS 1. pressupõe uma proposta. 422. corresponde a uma técnica legislativa que busca garantir a relação entre o direito e a realidade social. representa algo psicológico que presume a ignorância da real situação jurídica. Noção de contrato O contrato é um negócio jurídico bilateral. Assim. feita por uma das partes – o policitante ou proponente – à outra – o oblato ou solicitado. modificar ou extinguir obrigações (direitos relativos de conteúdo patrimonial). para saber se interessa ou não o contrato. especialmente no tocante à faculdade de fixar o conteúdo do contrato (liberdade contratual). que representa a projeção do interesse social nas relações interindividuais. ainda. Relaciona-se com fatores do sujeito e com os cuidados que deve ter nas suas relações com terceiros. . também denominada pela doutrina de boa-fé objetiva. a cláusula geral fornece um ponto de partida para se alcançar resultados justos e adequados. troca de cartas para esclarecimentos. denominada policitação. É preciso ressaltar. Formação do contrato O contrato. Cometti Fernando F. A liberdade no plano contratual tem sofrido amplas restrições. tanto na conclusão do contrato quanto na sua execução. enquanto a segunda importa na fixação das modalidades de sua realização. levando em conta os deveres de diligência que se espera de um homem mediano. Na boa-fé subjetiva.Coordenadores: Marcelo T. Assim. que implica um estado de conhecimento do sujeito. o oblato torna-se aceitante. uma das partes pode pretender apenas obter informações. isto é. tabelamento de gênero. fixação de percentagens de juros). visitas. cujo texto depende de aprovação prévia de organismos governamentais.49 - . O contrato poderá ou não se realizar. em virtude da elaboração de uma série de normas legislativas fixando princípios mínimos que os contratos não podem afastar (salário mínimo. A primeira se refere à possibilidade de realizar ou não um negócio. portanto. O Código Civil. analisa-se o conhecimento ou a ignorância de determinada situação. 1.

a oferta ao público equivale à proposta. Deixa também de obrigar o proponente a policitação quando. Efeitos dos contratos Os contratos alcançam as partes interessadas. autorização para sublocar na sistemática da Lei do Inquilinato).50 - . chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente (arts. aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem”. todavia. O problema se reveste da maior importância em direito privado. que são os sujeitos ativos e passivos da relação jurídica. 429. Para o não contratante que não sucede ao contratante. reputa-se celebrado o contrato onde foi proposto (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Essas são as chamadas negociações preliminares. . salvo declaração de vontade deste. pois.657. De acordo com o seu art. passando a ser o instrumento público essencial para a validade do negócio jurídico (art. A proposta de contrato obriga o proponente. Decreto-lei n. O CC estabeleceu regra específica para a oferta destinada ao público em geral. resolvendo-se em perdas e danos que o promitente deverá pagar ao outro contratante. antes ou simultaneamente com ela. se o contrário não resultar dos seus termos. todavia. 109 do CC). abrangendo tanto o dano emergente como o lucro cessante. e “a obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente” (art. como toda declaração unilateral de vontade. o terceiro. 4. 435 do novo Código Civil). Geralmente os contratos não tenham formas solenes. A promessa não vincula. realizando-se por documento particular ou público. será considerado o lugar em que foi feita. cessionários). “para qualificar e reger as obrigações. relação jurídica entre as partes contratantes. Havendo contraproposta. constitui nova proposta. que. algumas vezes há necessidade de escritura pública (venda de imóvel de valor superior a certa quantia). Quando. sem nenhum efeito sobre o patrimônio do terceiro. 439 do CC admite explicitamente a possibilidade de ser prometido fato de terceiro. 5. não for aceita imediatamente ou se. 4. equiparando-se a aceitação condicional. se contiver todos os requisitos essenciais do contrato e desde que as circunstâncias e os usos não estabeleçam o contrário. com ou sem conhecimento ou consentimento deste. 429). 9º e § 2º da Lei de Introdução ao Código Civil. ou de documento escrito (doação que não seja de pequeno valor. na hipótese de inadimplemento. Entretanto. da natureza do negócio ou das circunstâncias do caso. no fundo. deixando todavia a policitação de ser vinculatória se feita sem prazo a pessoa presente. o contrato é res inter alios acta. assim como seus sucessores (herdeiros. Promessa pelo fato de terceiro O art. pode o contrato tanto ser verbal como escrito. esta não responder dentro do prazo estipulado ou de prazo razoável. a indenização deve ser ampla. feita a pessoa ausente. não há exigência legal quanto à forma. de 4-9-1942). ela pode ser revogada pela mesma via da sua divulgação. 427 e 428 do CC). Nesta hipótese. Quanto ao lugar. não podendo todavia prejudicar ou beneficiar terceiros sem declaração de vontade por parte destes de que aceitam os efeitos contratuais sobre o seu patrimônio. desde que a própria oferta mencione essa faculdade (parágrafo único do art.

ou seja. 467 a 469 do CC). não intentando as ações próprias. por um lado. começando a correr a partir da entrega ou da tradição do objeto ao adquirente. quando o adquirente. 441 e parágrafo único do CC). nem poderão. Os prazos para o exercício da ação redibitória são de decadência. sendo o estipulante. sem o seu consentimento. Estipulação em favor de terceiro A estipulação em favor de terceiro é o contrato pelo qual se cria. desde o momento em que foi celebrado (arts. salvo se o comprador puder provar que decorre de outro defeito já existente por ocasião do contrato. Na estipulação existem três sujeitos. ou tácita. A renúncia à garantia pelos vícios redibitórios pode ser expressa. Enquanto o terceiro não aceita os efeitos da estipulação. Se ao contrário o desaparecimento do objeto for conseqüência do vício. vício da vontade.Coordenadores: Marcelo T. e do erro. Os direitos e deveres oriundos da estipulação surgem independentemente da aceitação do terceiro. se a pessoa indicada for insolvente ou incapaz no momento da indicação. para terceiro. como também à doação onerosa (art. indicar outra pessoa que irá adquirir direitos ou assumir obrigações nele previstas. prefere realizar. não pode ser atribuída a responsabilidade ao vendedor. por sua natureza. 8. àqueles em que há equivalência das prestações das partes. cabe o exercício da ação redibitória. Castellani 6. Se o vício vier a surgir depois da execução do contrato. as reformas ou consertos necessários para corrigir os defeitos existentes. quando o vício. o promitente. o contrato somente produzirá efeitos entre os contratantes originários (arts. que se obriga a realizar a prestação em favor de terceiro. não se suspendendo. Exemplo: seguro de vida. não poderão os contratantes fazer o distrato sem intervenção do terceiro. do CC estabelece que. 445. 470 e 471). Vícios redibitórios Vício redibitório é o defeito oculto que desvaloriza ou torna a coisa imprópria ao uso. O vício redibitório é. nem sendo suscetíveis de interrupção. Entretanto. aparente ou ostensivo. pois. e existente no momento da execução do contrato e subsistente na época do exercício da ação própria. Contrato com pessoa a declarar Neste tipo de contrato. oculto. ignorado pelo adquirente. mas as partes podem alterar a convenção de comum acordo. por outro. uma vez que o terceiro tenha manifestado a sua aceitação. este não pode acionar o vendedor. Cometti Fernando F. impedindo o uso normal da coisa. um direito novo e próprio. há obrigatoriedade desta.O vício redibitório se distingue do defeito visível. 7.51 - . em favor de quem a prestação deve ser executada. modificar a identidade do beneficiário ou as modalidades da prestação. o art. dois certos e um condicional. Contudo. A teoria da responsabilidade pelos vícios redibitórios se aplica atualmente a todos os contratos comutativos. por sua própria conta. Perecendo a coisa. ainda. e finalmente o terceiro. só puder . que estipula em favor de terceiro. mas. caso não haja indicação de terceira pessoa ou a indicação não seja aceita por ela ou. § 1o. uma das partes tem a faculdade de. em certos casos. mediante cláusula contratual ou aditamento ao contrato. nos termos estipulados no instrumento contratual ou na lei. em virtude de caso fortuito ou culpa do comprador. pessoa determinada ou determinável.

Quando o objeto da evicção se identifica completamente com o da alienação. . o prazo de garantia deve ser especificado em lei especial. § 2º. ao contrário. 9. considerar-se-ão os usos e costumes locais. ela é parcial. para bens móveis. pois transmitiu um direito inexistente ou viciado. 2. A garantia do alienante pelos prejuízos decorrentes da evicção existe nos contratos onerosos. a posse ou o domínio da coisa alienada. Em relação aos vícios ocultos nos negócios de compra e venda de animais. nem regra consuetudinária.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI ser conhecido mais tarde. 448 do CC). em virtude de sentença judicial. um direito alheio. ou. essa garantia subsiste mesmo em casos de aquisição em hasta pública (art. 445. exista um vício no direito do alienante transferido ao adquirente. do CC. Ademais. a evicção a perda da posse ou da propriedade de um bem. em virtude da qual o adquirente perdeu o uso. se esta não existir. O adquirente é o evicto. titular legítimo do direito. 447 do CC). Evicção A evicção é o fato em virtude do qual o adquirente perde a posse ou a propriedade de determinado objeto. em contrato oneroso. podendo as partes. nos termos do art. reconhecendo que o alienante não era titular legítimo do direito que transferiu. 3. e um ano. pelo adquirente. a evicção só recai sobre uma parte do objeto da alienação. para os imóveis. a evicção é total. com um patrimônio de terceiro ou com certos bens específicos pertencentes ao alienante. na qual se declara que o alienante não tinha qualidade para realizar a alienação. Este dispositivo determina a aplicação do prazo especificado no seu § 1º – 180 dias para bens móveis e um ano para bens imóveis. transitada em julgado. quando não houver lei específica. Para que haja evicção é preciso que: 1. que as atribui a terceiro. quando. o pagamento da indenização devida na hipótese de evicção. O terceiro que realiza a evicção é o evictor. As garantias do adquirente podem ser reforçadas mediante uma caução ou fiança ou mesmo por garantia hipotecária a fim de assegurar.52 - . perdendo o direito que acreditava ter legitimamente adquirido. o prazo será contado da data da ciência da sua existência até o máximo de cento e oitenta dias. em virtude de sentença judicial. O alienante é o responsável pelos prejuízos decorrentes da evicção. haja sentença. pois sofre a evicção. mediante cláusula contratual. A lei dá assim maior liberdade às partes para a ampliação da garantia legal no caso de evicção. devendo os contratantes fixar as garantias suplementares no instrumento em que estabelecem as condições do negócio jurídico ou em ato posterior. mas consideramos que se equipara aos móveis. reforçar. diminuir ou excluir a responsabilidade decorrente da lei (art. pois. Caracteriza. ou seja. seja o vício anterior à alienação.

Excepcionalmente. mediante o pagamento de determinada quantia de moedas. o vendedor garante ao comprador que a mercadoria alienada tem as qualidades correspondentes às da amostra (art. O contrato de compra e venda pressupõe a capacidade geral. Assim.CONTRATOS EM ESPÉCIE 1. 1.53 - . o falido não pode alienar os seus bens. em alguns casos. exige autorização do juiz quando o alienante é incapaz (arts. na hipótese de surgir dúvida quanto à existência de uma das prestações (venda de mercadoria que se encontra em navio que pode ter naufragado. sob pena de nulidade. parágrafo único). O contrato se torna perfeito com a combinação entre as partes do objeto da venda. A compra e venda é um contrato bilateral (cria obrigações para ambas as partes). do preço (pretium) e do consenso (consensus). administradores a aquisição dos bens confiados à sua guarda ou administração. oneroso (não importa em liberalidade). prevalecem estas últimas (parágrafo único do art. devendo tanto o comprador como o vendedor ser capazes de fato ou. o novo Código deixa claro que. sendo ato de disponibilidade. . embora tenha a capacidade geral. sob pena de anulação do negócio. qualquer que seja o seu valor). e o outro a pagar-lhe certo preço em dinheiro (art. A venda. exigindo. 497. a fim de evitar que a doação seja simulada em compra e venda. O legislador ressaltou ainda que essa proibição estende-se aos casos de cessão de crédito (art. 1. 484 do CC). testamenteiros. 481). protótipos ou modelos. venda de colheita desde que haja safra. 496 do CC). nos casos expressamente mencionados no art. venha ou não a haver safra – emptio spei) ou quanto ao valor dela (emptio rei speratae. Esses elementos estão perfeitamente especificados no art. legitimação. Da compra e venda e da troca A compra e venda distinguiu-se da troca ou permuta por importar na transferência de mercadorias de uma parte contratante para a outra. Hipóteses especiais de compra e venda (cláusulas especiais) a) Venda por Amostra Na venda por amostras. 484). 482 do CC. pode ser aleatório. a fim de evitar conluios ou fraudes. Além disso. dos protótipos ou dos modelos. e mesmo a pessoa solvente não pode alienar bens arrestados. embora possa esta ser exigida para a transferência da propriedade. que na venda dos ascendentes para os descendentes haja o consentimento expresso dos outros descendentes e do cônjuge (art. São elementos essenciais da venda a existência do objeto (res). seqüestrados ou penhorados. do preço e das modalidades de pagamento. 2. se houver contradição ou diversidade entre a descrição da coisa no contrato e as características das amostras.750 do CC). Geralmente é comutativo. O CC define a compra e venda como o contrato pelo qual um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa. curadores. havendo equivalência aproximada das prestações e certeza quanto ao valor de ambas. Para evitar litígios na família exige-se. Cometti Fernando F. aos juízes. estar devidamente assistidos ou representados. aos tutores. A compra e venda não requer forma especial. 497 do CC. Castellani CAPÍTULO III .Coordenadores: Marcelo T.691. demais serventuários e auxiliares da Justiça e aos leiloeiros. A lei também veda. venda de colheita futura.747 e 1. podendo ser comutativo ou aleatório. estendendo tal proibição aos funcionários públicos. se incapazes.

e) Preferência ou preempção A preferência ou preempção é uma faculdade pessoal que se assegura ao vendedor para readquirir a coisa vendida em igualdade de condições com um terceiro comprador. só poderá ser exercido em relação à totalidade do objeto. livros e alimentos em geral. perfumes. O CCl trouxe a figura da venda sujeita a prova. A retrovenda só se aplica aos imóveis e pode ser exercida durante um prazo de caducidade de. se imóvel (art. o comprador é equiparado ao comodatário (art. que se resolve em perdas e danos.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Trata-se. 505 do CC). que se assemelha à venda a contento. c) Retrovenda A cláusula de retrovenda consiste na faculdade que se reserva o vendedor de reaver o imóvel vendido devolvendo ao comprador o preço. e não num direito real. parágrafo único). à coisa em seu todo. o titular do direito de preferência pode notificar o alienante de sua vontade de exercê-la. Já a venda “ad mensuram” faz-se o preço por medida de extensão. ou seja. se o comprador transferiu o seu direito dentro do prazo de exercício da retrovenda. 511 do CC). como ocorre na retrovenda. . ainda que a coisa já tenha sido entregue. 1. Ciente da venda que está para ser realizada. ou de dois anos. 513. Distingue-se da retrovenda por ser aplicável tanto a móveis como a imóveis. promessa irretratável de venda etc. É muito conhecida tal espécie de venda no tocante a vinhos. as despesas feitas pelo adquirente (custas de escritura e impostos). adquirindo o bem. no máximo. Na hipótese de exercício do direito de preferência.). d) Venda a contento e venda sujeita a prova (arts. três anos a partir da data da venda (art. situação em que a mesma passa a ser condição essencial ao contrato efetivado. valendo inclusive contra terceiros. de uma espécie de venda condicional que somente se torna perfeita e acabada comprovando-se a identidade da mercadoria ou do objeto entregue com a amostra que deu margem ao pedido. na medida em que também se presume feita sob condição suspensiva de que a coisa tenha as qualidades asseguradas pelo vendedor e seja idônea para o fim a que se destina (art. O CC estipulou um prazo máximo para o exercício do direito de preferência. 510). funcionando esta como condição suspensiva para a efetivação do negócio. sendo apenas enunciativa ou descritiva a referência às dimensões. se a coisa for móvel. importando apenas na criação de um direito obrigacional. 509 a 512 do novo Código Civil) Venda a contento é a alienação que depende de aprovação do comprador. tanto na venda a contento quanto na venda sujeita a prova. 505 do CC). funcionando como verdadeira cláusula resolutória da propriedade (art. Existindo preferência em favor de mais de uma pessoa.359 do CC). não se admitindo exercício parcial do direito de preferência que viria cindir a venda.54 - . na hipótese de revenda do bem. e extinguindo todos os direitos de terceiros posteriores à alienação primitiva (hipoteca. sendo de cento e oitenta dias. anticrese. o comprador fica obrigado a pagar o preço nas condições ofertadas ou ajustadas. pois. O direito de preferência é intransferível por ato mortis causa ou inter vivos. incluindo aquelas efetuadas com a sua autorização escrita no período de resgate ou para a realização de benfeitorias necessárias (art. Até a aceitação da venda. b) Venda “ad corpus” e “ad mensuram” Há duas modalidades na venda de terras ou terrenos: a venda ad corpus é a alienação de imóvel. A retrovenda tem efeitos reais. como coisa certa e discriminada.

todavia. o pagamento deverá ser efetuado na data e no lugar da entrega dos documentos (art.647 do CC). por lei. O Código Civil deixou de disciplinar o pacto de melhor comprador. Vale o pacto de melhor comprador como verdadeira condição resolutiva. 33).242/91) lhe dá efeitos reais (art.55 - . 529. em que se prova o embarque das mercadorias. A pessoa casada não pode fazer doações sem o consentimento do outro cônjuge. freight = custo.Coordenadores: Marcelo T. aplicandose somente aos imóveis. É preciso distinguir no caso a doação da dação em . pelo contrato. Castellani A preferência tem sido assegurada. caso pague preço igual ao do melhor comprador encontrado no prazo de exercício do pacto. usando da sua autonomia da vontade. insurance. É preciso que o donatário aceite a doação. Doação Doação é o negócio jurídico pelo qual alguém se obriga a transferir. Atendendo-se ao interesse do donatário. o animus donandi. seguro e frete incluídos) ou FOB (free on board = livre a bordo). sem a necessidade da sua aceitação (art. A Lei do Inquilinato (Lei n. nada impede que as partes. estipulem de forma similar. 8. f) Pacto de melhor comprador e pacto comissório O pacto de melhor comprador é a faculdade concedida ao vendedor. observado o regime dos negócios jurídicos. 539 do CC). pelo conhecimento marítimo. Usa-se tal modalidade no comércio internacional. 1. 542 do CC). pelos usos. Essa proibição. 530). 3. ao locatário para aquisição do imóvel residencial alugado. salvo sendo remuneratórias. ressalvados os casos em que o defeito tiver sido comprovado (parágrafo único do art. tendo todavia efeitos pessoais. As doações remuneratórias são aquelas que visam uma compensação do donatário por serviços prestados ou por ato praticado. de rescindir a venda já realizada se dentro de certo prazo aparecer melhor comprador. não vale se os cônjuges forem casados em regime de separação absoluta (art. por exemplo. todavia. tratando-se de doação sem encargo e o donatário não se manifestou nesse período (art. em condições de igualdade com qualquer terceiro interessado na compra do prédio. ou até. Salvo estipulação em contrário. de modo que se caracteriza não pela tradição da coisa. A lei presume. Ao comprador não cabe recusar o pagamento alegando vício ou estado da coisa vendida. Os caracteres essenciais da doação são o enriquecimento do donatário. bens ou vantagens do seu patrimônio para outra pessoa. uma vez que a documentação esteja em ordem. mas pela entrega do seu título representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato. resolvendo-se em perdas e danos. 543 do CC). 529). admite-se que os absolutamente incapazes possam receber doações puras. g) Venda sobre documentos A definição desse instituto é dada pelo art. por liberalidade. assegurando-se. sob a justificativa do desuso dessa figura contratual tipificada pelo Código de 1916. ou seja. a aceitação quando o doador fixou prazo para que o donatário o aceitasse. a atualidade da atribuição patrimonial e a irrevogabilidade. caso o contrato nada mencione. em geral contendo as cláusulas CIF (cost. de bens comuns ou dos que possam integrar futura meação. Cometti Fernando F. Entretanto. Também se considera válida a doação feita ao nascituro quando aceita pelo seu representante legal (art. salvo se absolutamente incapaz. entretanto. ao primeiro comprador a preferência para manter a venda feita em seu favor.

inclusive. os Códigos mais recentes disciplinam o contrato de prestação de serviços. constituindo faculdade que o doador poderá exercer na forma dos arts.56 - . sendo considerada nula qualquer estipulação pela qual o doador previamente renuncie à possibilidade de revogação nos casos de ingratidão do donatário. Da locação No direito romano. A remuneração ou o preço pago diz-se aluguel. Locação é o contrato em que uma das partes se obriga a ceder à outra o uso e gozo de coisa infungível. Pode fazer-se em dinheiro ou outra utilidade. A locação ficou restrita à de coisas. . senhorio ou arrendador. A revogação deve respeitar os direitos de terceiros e pode decorrer também da inexecução de encargos (art. constitui comodato (empréstimo de coisa não fungível). vários contratos foram abrangidos pela denominação de locatio conductio. É oneroso porque. oneroso. o de agência. Mas a evolução do direito alterou a classificação romana. porque não se exige a entrega da coisa para aperfeiçoar o contrato. em virtude da morte do donatário. a que recebe a coisa chama-se locatário. com um regime especial para os imóveis. A redução das doações se justifica quando o valor destas ultrapassa a parte disponível. quando revestem a forma de pagamento em períodos sucessivos. A resolução da doação decorre da existência de condição resolutiva ou termo final. Assim. ferindo assim os direitos dos seus herdeiros necessários (art. ou de execução sucessiva. consensual. Nesta hipótese. isto é.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI pagamento. se for gratuito. a empreitada. A revogação ocorre na hipótese de ingratidão do donatário. A parte que cede o uso e gozo diz-se locador. quando as partes estipulam que. que. terá ela efeitos retroativos. 4. só são devidas enquanto ele estiver vivo e não poderão subsistir após a morte do donatário. 549 do CC). os eventuais direitos de terceiros. É bilateral porque acarreta obrigações interdependentes de ambas as partes. o contrato de trabalho. o de transporte e outros. É consensual porque basta o acordo de vontades. o de expedição. salvo outra indicação do doador. A locação é contrato bilateral. e locatio operarum: locação de serviços. impessoal e de duração. não havendo nem mesmo um direito do credor de exigir judicialmente o pagamento de uma prestação fixa. extinguindo-se a liberalidade. inquilino ou arrendatário. voltarão os bens doados ao doador se ainda estiver vivo. que tinha três modalidades: locatio rei (ou rerum): locação de coisas. mediante acordo nesse sentido entre as partes. As doações ainda podem ser continuadas. o de trabalho doméstico. Não é contrato real. 557 a 564 do CC. A doação surge quando não existe essa proporção exata entre as prestações. passando a ser considerada como inexistente desde o início e desaparecendo todos os seus efeitos e. Esta existe havendo preço combinado para uma prestação de serviços e pagando o devedor com um objeto determinado. o contrato de aprendizagem. locatio operis faciendi: locação de obra. A doação é ineficaz quando realizada em desobediência às normas legais. pois a resolução do direito fundamental importa em caducidade dos direitos derivados. anulando as alienações feitas pelo donatário e fazendo os bens reverterem livres de quaisquer ônus ao doador. 555 do CC). mediante remuneração. ou empreitada. comutativo. podendo ser nula ou anulável. As doações podem ser reversíveis. aluguer ou renda. como figuras autônomas. mesmo antes da entrega o contrato já está perfeito. operando tal cláusula como resolutória do contrato. da qual o doador poderia dispor em testamento no momento da liberalidade.

626 do CC). É contrato de duração. 615 e 616 do CC). supletivamente. por motivos supervenientes ou razões de ordem técnica. assim como das regras técnicas peculiares aos trabalhos da mesma natureza.Coordenadores: Marcelo T. tudo dependendo das circunstâncias peculiares do contrato e da convenção das partes. alterando e extinguindo a Lei de Luvas e outras leis especiais (art. mas também no direito empresarial e no direito administrativo. Admite-se que certos bens incorpóreos também possam ser locados. com a locação residencial e a não residencial e cuidando da parte processual. Na hipótese de mora do empreiteiro ou de defeitos na obra. Da locação predial urbana As leis de locação predial foram chamadas de Leis do Inquilinato. 6. Castellani É impessoal porque não se leva em conta a pessoa do contratante. 90). Tal como em parte ocorria nas anteriores. se for omissa. Nesse sentido é o art. Em virtude do contrato de empreitada pode ocorrer a modificação de um bem móvel ou imóvel ou a realização de um trabalho científico. Podem ser locadas coisas móveis e imóveis.245/91 foi além e regulou melhor e com alterações alguns processos referentes às locações de imóveis. em que trouxe inovações quanto às ações de despejo. tratando-se de um instituto de alta relevância não apenas no direito civil. Havendo qualquer modificação do plano inicial por parte do dono da obra. o mesmo dispositivo legal traz duas exceções e permite modificações quando: a) fique demonstrada a inconveniência ou excessiva onerosidade da execução do projeto original. Não o podem ser também os bens públicos de uso comum. realizado intuitu personae ou livremente transferível (art.245. 5. bilateral.57 - . ser de execução imediata ou contínua. a Lei n. intelectual ou artístico. e b) quando as alterações forem de pouca monta. O contrato de empreitada é consensual. ressalvada a unidade estética da obra projetada. Considera-se imperfeita a obra quando o empreiteiro se afastou das instruções recebidas e dos planos dados. Da empreitada A empreitada costuma ser definida como o contrato pelo qual alguém se obriga a fazer determinada obra para outrem. Cometti Fernando F. mediante retribuição. consignação. 8. Em 18-10-1991. oneroso e comutativo. sendo admitida. que. “dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os procedimentos a elas pertinentes”. A lei sistematizou melhor a matéria. . a cessão. passando para as especiais. é válida a locação de coisa alheia. que passam a incluir-se na locação. Não podem ser locadas as coisas fungíveis. aplica-se o Código Civil. pois neste caso o contrato se transforma em mútuo oneroso. Mesmo sendo lei especial. 621 do CC. A lei se refere aos contratos em shopping centers. infungíveis e não consumíveis. podendo. começando pelas disposições gerais. respondendo pela sua solidez. como o fundo de comércio e patente de invenção. conforme o caso. porque supostamente pretendiam defender ou proteger o inquilino. em tese. Entretanto. A coisa pode ser do locador ou não. editou-se a Lei n. o dono pode optar entre receber a obra e exigir abatimento do preço ou rescindir o contrato pedindo perdas e danos (arts. porque se prolonga no tempo. 8. deverá ser assinado documento escrito determinando as alterações. O dever primordial do empreiteiro é realizar a obra ou serviço no prazo e nas condições convencionadas ou de acordo com os usos locais. como se vê da ementa. revisional e renovatória. aplicáveis a todas as locações de imóveis urbanos.

tem direito a receber por inteiro a retribuição vencida e a metade do que faltar até o fim do contrato (art. Se o prestador de serviços for despedido sem justa causa. O tempo máximo do contrato. havia três figuras com nomes começando pela palavra locatio: locatio rerum. mantendo-se. 1. terminologia adotada pelo novo Código Civil. Se houver inadimplemento ou culpa por parte do empreiteiro. de coisas infungíveis para utilização pelo comodatário. devolvê-la ao legítimo proprietário. de acordo com a cláusula resolutiva tácita. se não fixado. 602 do CC). Do empréstimo O empréstimo é a convenção pela qual uma das partes recebe coisa alheia para utilizá-la e. ou seja. material ou imaterial. a terceira. Em caso de prazo certo. no Código Civil de 1916. em seguida. é de quatro anos (art. reger-se-á pelas disposições deste Capítulo. . O CC regula a matéria nos arts. A conclusão da obra com o respectivo pagamento é a forma normal de extinção do contrato de empreitada. como acontece nos bens fungíveis. Neste caso. 626 do CC). a desapropriação do bem. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito. a seu arbítrio. só deve o prestador despedir-se por justa causa (art. como ocorre nas coisas infungíveis.58 - . pode ser contratada mediante retribuição”. 599: “Não havendo prazo estipulado. 605 do CC). qualquer das partes. sem subordinação do prestador e mediante remuneração. no direito romano. assiste ao dono da obra o direito de rescindir o contrato. no capítulo das locações. de locação de serviços e que hoje se considera mais adequado chamar de prestação de serviços. 594. mediante prévio aviso. ou do costume do lugar. ou o consumo. A finalidade do empréstimo pode ser o simples uso. podem realizar um distrato. 603). que não estiver sujeita às leis trabalhistas ou a lei especial. O perecimento do objeto. por comum acordo. Já vimos. a segunda (locação de obra) é o que se chama de empreitada. justificando então a rescisão a pedido do empreiteiro. 593 a 609 ao admitir que se contrate qualquer serviço. As partes que convencionaram a empreitada. A primeira é a locação de coisas. donde se segue que é personalíssimo (ou intuitu personae) 8. O contrato só admite transferência com acordo da outra parte. O novo Código Civil corrigiu o termo “rescindir” (do art. Da prestação de serviço É aquele pelo qual uma pessoa estipula uma atividade lícita. locatio operis e locatio operarum. mas inova ao acrescentar: “Art. ocorrendo assim a extinção por vontade das partes. A prestação de serviço.221) por “resolver”. 7. o falecimento de uma das partes sendo o contrato intuitu personae (art. se quiser. a força maior e o caso fortuito são outras tantas causas de extinção da empreitada. nem se podendo inferir da natureza do contrato. qualquer das partes pode rompê-lo. não se pode mandar alguém em lugar da parte (art. o mesmo acontecendo na hipótese de inadimplemento por parte do dono da obra. os riscos referentes a este correrão por conta do empreiteiro até a entrega da obra a quem a encomendou. Art. que. em caráter eventual e autônomo. o que se chamou. Distingue-se assim o a) comodato. com aviso prévio (como no direito do trabalho). aplicável a todos os contratos bilaterais. pode resolver o contrato”. 593.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo a empreitada de mão-de-obra e de material. empréstimo gratuito. 598 do CC). assim estabelecendo no art.

Ao lado do contrato típico de mútuo. se agir com culpa na escolha do terceiro para quem o bem será dado em depósito. a abertura de crédito é contrato consensual. por haver no primeiro uma função relativamente passiva de vigilância. depósito obrigatório é o realizado em desempenho de obrigação legal (depósito legal) ou em virtude de calamidade pública (depósito miserável). 171. do CC) especificou ainda a responsabilidade do depositário. Cometti Fernando F. O legislador (art. implica responder o depositário por perdas e danos (art. as regras do novo Código Civil seguem quase que completamente as já existentes no Código de 1916. em que o comodatário recebe a coisa para a sua utilização. Castellani todavia. que têm a mesma razão de ser. a sua substância inalterada e devolvendo-se as coisas recebidas ao comodante. 640 do CC). O mútuo também é chamado empréstimo de consumo. em relação ao comodato. cuja obrigação de restituir perdura. obrigando-o a restituir ao mutuante o que dele recebeu. Também se diferencia o depósito do mandato. O mútuo em que as partes estipulam o pagamento de juros é denominado mútuo feneraticio. I). podendo ser gratuito ou oneroso. pela sua finalidade básica de custódia da coisa. Já o mútuo consiste na transferência da propriedade da coisa mutuada. denominando-se então . o mandatário tem deveres ativos para defender os interesses do mandante. e da locação de coisa. comodatário. sem a autorização expressa do depositante. O depósito. convencionando-se juros para o financiamento. A utilização indevida da coisa depositada ou a sua entrega em depósito a terceiro. e só pode ser realizado pelo proprietário da coisa mutuada. pela qual se assegura a alguém. § 2º. Ressalta-se que. o depositário não pode utilizar a coisa depositada. em coisa do mesmo gênero. parágrafo único. em que o mutuário se torna um verdadeiro proprietário da coisa mutuada. Normalmente. empréstimo de coisas fungíveis. a possibilidade de utilizar por certo prazo um crédito limitado ou ilimitado. mesmo na hipótese de destruição da coisa por força maior ou em virtude de caso fortuito. podendo usá-la e consumi-la. Depósito voluntário é o decorrente da vontade das partes. 627 do CC). quantidade e qualidade.Coordenadores: Marcelo T. O depósito ainda pode ser de coisa litigiosa a fim de evitar que o desvio dos bens litigiosos venha prejudicar as partes em conflito. distingue-se do comodato. Caracteriza-se o mútuo pela translação do domínio. no segundo. enquanto. Do depósito O contrato de depósito importa na guarda temporária de um bem móvel pelo depositário até o momento em que o depositante o reclame (art. mediante determinada comissão. 640. 9. embora sendo onerosa. para consumo. sob pena de importar em ato nulo para o direito civil e ilícito penal punido como se estelionato fosse (CP. e o gênero presumidamente nunca perece. mesmo quando devidamente autorizado pelo depositante. mandatário). cabendo-lhe restituir objeto de igual qualidade e valor. segundo a melhor doutrina. pois res perit domino (o risco pelo perecimento da coisa corre por conta do proprietário). Ao contrário do mútuo. com traços peculiares. O depósito. em virtude da qual os riscos da coisa se transferem para o mutuário.59 - . pode ser contratado não apenas pelo proprietário do objeto. sendo ato de administração. do b) mútuo. O comodato consiste na cessão gratuita e temporária da utilização de coisa infungível. art. conhecemos o contrato de abertura de crédito ou promessa de mútuo. sendo a identificação genérica e não individual. mas por qualquer pessoa que tenha a posse dele (locatário. salvo convenção em contrário das partes ou em decorrência da própria natureza do negócio (depósitos bancários).

ou pelos seus assistentes. normalmente. O mandato se distingue da comissão porque o comissário atua em nome próprio. admite-se a procuração dada pelo relativamente incapaz. embora se admita o mandato para.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI seqüestro. Freqüentemente é o mandato. corretagem etc. só cria obrigações para o mandatário.015/73. Do mandato O mandato é o contrato pelo qual alguém recebe de outrem poderes para. casar com pessoa determinada (art. em verdade. § 3º). sendo a incapacidade relativa. que é sempre onerosa. 166. O mandato só é admissível para os atos que não têm natureza personalíssima. em nome do mandante. quando somente os primeiros são da alçada do mandatário. em seu nome. enquanto no mandato. 10. é remunerado. para a doutrina. 1. não há identidade entre procuração e mandato. Os incapazes podem outorgar mandato. O mandato é considerado como contrato unilateral. como exige o art. aplicam-se as normas sobre obrigações contraídas por menores (arts. 822 e s. 171 a 177 do CC). trabalho. o mandatário age em nome e por conta do mandante. e que abrange negócios jurídicos e atos materiais. arts. assim dispondo a lei em relação aos conflitos trabalhistas (art. embora no interesse e por conta do comitente. pessoa física ou jurídica. pois. por exemplo. 654 do CC. 792 da Consolidação das Leis do Trabalho). independentemente de qualquer intervenção do seu assistente. O mandato pode ser expresso ou tácito. Este pode ser de prestação de serviços. 34 e 50) e de requerer o registro de nascimento (Lei n. 666 do CC). Também se diferencia da prestação de serviços. a relação entre o representante e principal perante o terceiro. a faculdade de apresentar queixa-crime (Código de Processo Penal. Todas as pessoas capazes podem outorgar mandato mediante instrumento particular por elas assinado.60 - . somente passando a ser imperfeitamente bilateral quando o mandatário. A procuração é um negócio jurídico pelo qual se constitui o poder de representação voluntária. em virtude da convenção ou por tratar-se de ato profissional. sendo admissível tanto em relação a móveis como a imóveis e funcionando como medida preparatória ou conservatória regulada pela lei processual civil (arts. compra e venda. não se podendo. 653 do CC). mas neste caso o mandante não terá ação contra ele. devendo a procuração ser dada pelos seus representantes legais. O analfabeto só pode outorgar procuração por instrumento público. A procuração é o instrumento do mandato. Ademais. O primeiro decorre de convenção e o segundo de . 6. 50. pois. enquanto o mandato se apresenta como presumidamente gratuito. do Código de Processo Civil). conceder mandato para fazer testamento. Há um lado interno (o negócio entre as partes) – subjacente – e o lado externo – a representação. uma vez que não pode assinar o instrumento particular. atendendo-se à personalidade do mandatário. o relativamente incapaz pode figurar como mandatário. salvo em decorrência das regras gerais e princípios aplicáveis às obrigações contraídas pelos menores (art. Quando os incapazes outorgarem mandato sem representação ou assistência. entre dezesseis e dezoito anos. art. fiduciária. sendo absoluta a incapacidade. tratando-se inequivocamente de um contrato realizado intuitu personae. Ocorre que.542 do novo Código Civil). decorrente da confiança existente entre os contratantes. praticar atos ou administrar interesses (art. Em alguns casos especiais. A base do mandato é.

recebendo duplamente. não se configura como cliente no contrato de corretagem e. por arbitramento (art. O mandato deve ser escrito. por conseqüência. O mandato judicial é concedido a advogado devidamente registrado na Ordem dos Advogados (OAB) para patrocinar uma causa. porque acarreta obrigações para ambas as partes. admitindo-se em todas as hipóteses que as partes livremente convencionem uma remuneração pelo exercício do mandato. Castellani presunção legal. podendo desempenhar a função apenas esporadicamente. meio de cumprir uma obrigação contratada.Coordenadores: Marcelo T. pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio (art. 682 do CC). caducando o mandato com a morte. São irrevogáveis os mandatos a) com cláusula de irrevogabilidade. parágrafo único. Nem sempre o corretor é um profissional. da Lei n. mudança do estado que inabilite o mandante a conferir os poderes ou o mandatário a exercê-los. 11. b) dados como condição do contrato bilateral ou c) com cláusula “em causa própria”. caso seja efetivado o negócio pretendido. Esse contratante. outorgado no interesse do mandatário. A natureza personalíssima e fiduciária do contrato faz com que. Se o mandato for oneroso. conseqüentemente.643 do CC). 37 do Código de Processo Civil e art. qualquer das partes possa sempre rescindi-lo.906/94 – Estatuto da OAB). A outra parte. naturalmente gratuito. 1. O contrato classifica-se como bilateral. mas não afetando as pessoas jurídicas. morte ou interdição de uma das partes. inclusive para transferir para si bens móveis e imóveis objeto do mandato. quando se trata de pessoa física. a remuneração será determinada pelos usos e costumes do lugar e. do CC). É também chamado de mediação. tem poderes amplos. Admite-se excepcionalmente que o advogado funcione sem procuração e comprometendose a apresentá-la dentro de certo prazo (art. 5º. Quando não houver previsão. sem subordinação e mediante remuneração. O mandato. Este pode ser pessoa física ou jurídica. equivalendo a procuração à venda ou cessão de direito. incapacidade ou mudança de estado de um dos contratantes. podendo esta ser global ou paga parceladamente durante o tempo em que for exercido o mandato (art. em tese. Do contrato de corretagem É o contrato pelo qual uma parte se obriga para com outra a aproximar interessados e obter a conclusão de negócios. conforme indicado.61 - . O mandato em causa própria é. . como a que considera os cônjuges autorizados a comprar as coisas necessárias à economia doméstica independentemente de autorização um do outro (art. que é aproximada. 658 do CC). Cliente é aquele que contrata o corretor para realizar o negócio. que certos corretores exigem. Cometti Fernando F. não tem a obrigação de pagar a comissão. caberá ao mandatário a retribuição prevista em lei ou no contrato. São partes no contrato de corretagem o interessado (cliente) e o corretor (mediador). que. em que a simples indicação do advogado em audiência pode ser suficiente. 8. revogação pelo mandante. salvo nos processos criminais e trabalhistas. É muito usada na cessão de títulos de clube e na alienação de bens imóveis. deve remunerar o corretor. § 1º. fica isento de prestar contas. 658. se presume oneroso quando praticado profissionalmente pelo mandatário. Extingue-se o mandato em virtude de renúncia do mandatário. na falta destes. Trata-se de mandato irrevogável e que subsiste e produz efeitos após a morte do mandante.

a obrigação do pagamento do prêmio vencido (art. porque implica remuneração. inclusive. que possam influir na aceitação da proposta ou especificação do valor do prêmio pela seguradora. deve por eles responder. inexatas ou omitir informações relevantes. 766. conforme decidido pelos nossos tribunais. assim. O seguro tem como instrumentos a apólice e o bilhete de seguros. oneroso. parágrafo único. todavia. O contrato de seguro é bilateral. Se causar danos. que. tendo como contraprestação o pagamento do prêmio pelo segurado. aleatório e consensual. não sendo exigida necessariamente a sua formalização por escrito. e consensual. enquanto a do outro contratante (o pagamento do prêmio pelo segurado) é certa e independe de condição. O elemento aleatório consiste justamente na incerteza referente ao pagamento da indenização. condicional. entretanto. O legislador ressalvou. podendo apenas aceitá-las ou deixar de contratar. pois o segurado não tem a possibilidade de discutir as cláusulas contratuais com o segurador. os riscos e as especificidades do negócio. 766 do CC). No seguro obrigatório de veículos terrestres. pois depende da aprovação do seu texto pelas autoridades administrativas (SUSEP – Superintendência de Seguros Privados). é um contrato de adesão e um contrato dirigido. Concluindo-se ou não os negócios. aleatório. Do Seguro O seguro é concebido como promessa condicional de indenização na hipótese de ocorrência do sinistro (acontecimento futuro e incerto causador de prejuízo). os dados sobre o prazo de vigência do contrato e as obrigações assumidas pelas partes. já tendo. O contrato de seguro é dirigido.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI acessório. oneroso. que depende da existência de prejuízo em virtude da ocorrência do sinistro no período de vigência do contrato. 73/66 permite a emissão de bilhete de seguro a pedido verbal do interessado (art. 765 do CC). 723 do CC. 10). conforme o caso. existe. podendo o cliente exigir prestação de contas. O Decreto-lei n. porque tem por fim a conclusão de outro contrato (o principal). enquanto a apólice fica com o segurado. nem a liberdade de contratar. As operações de seguros agrupam-se em: a) seguros de ramos elementares ou de dano. sempre prestando informações e esclarecimentos ao cliente sobre o andamento. que fica com a seguradora. englobando o seguro de vida. o segurador pode optar pela resolução do contrato ou cobrança da diferença do prêmio (art. ele perderá o direito à garantia objeto do seguro. nos termos do art.62 - . Uma das prestações (a indenização a ser paga pelo segurador) é. por dolo ou culpa. Muitas vezes. os documentos recebidos devem ser restituídos. O corretor tem o dever de desempenhar a sua função de intermediação com diligência e prudência que o negócio exige. se o segurado prestar declarações falsas. se pronunciado pela sua caracterização como obrigação de resultado. as condições. se a inexatidão ou a omissão não resultar de má-fé do segurado. porque depende do fator sorte (realização do negócio). pois a lei impõe a determinadas classes de pessoas o seguro obrigatório (acidentes de trabalho. Há também a proposta. ou não. o STJ. Diante desse princípio. A apólice ou o bilhete de seguro são os instrumentos probatórios do contrato. b) seguros de pessoa. basta a declaração do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito) de que foi pago o prêmio (anexa ao Certificado de . O contrato de seguro se fundamenta na boa-fé das partes e na sua lealdade. e é de adesão. do CC). 12. tanto na sua formação quanto na sua execução (art. porque basta o acordo de vontades. devendo conter a enumeração dos riscos transferidos ao segurador. de trânsito e outros). subsistindo.

o proprietário tem direito a exigir do proprietário ou possuidor do prédio vizinho a demolição ou a reparação necessária. assim. Castellani Propriedade).981 de 19-10-1932. É unilateral. bem como que lhe preste caução pelo dano iminente. necessariamente manifestada por escrito. também podendo constar de simples carta ou declaração na qual seja inequívoca a vontade do fiador de garantir o pagamento de dívida alheia.63 - .280. 13. O Código Civil estabelece em seu art. Em princípio. Trata-se de um contrato acessório. todavia. Nos estacionamentos pagos de veículos. basta um simples bilhete ou cartão numerado. pelo seu caráter liberal não se presume. simples indicação nos extratos mensais. A fiança se caracteriza pela fé depositada no fiador. Em determinados seguros-saúde. e. ser mais ampla do que a obrigação garantida. Não podem prestar fiança os analfabetos. 30). 21. a denominação de caução fidejussória. 823 do CC). salvo se a procuração contiver poderes expressos. quando este ameace ruína. 693. 819 do CC). salvo tendo dado poderes especiais para tanto por instrumento público (art. Esta costuma ser fiança. o contrato de fiança é gratuito. não admitindo outrossim interpretação extensiva. Por exemplo. Fiança legal é a que decorre de imposição de lei. os leiloeiros (Decreto n. Outras vezes. . Fiança judicial é aquela exigida por uma das partes no processo. pagamento dos aluguéis etc. explicando-se. Os elementos essenciais da fiança são a existência de uma obrigação principal válida (obrigação do afiançado) e de uma obrigação acessória com caráter de garantia. como ocorre com os seguros de cartão de crédito. Da fiança Ocorre fiança quando alguém se obriga a pagar dívida alheia. só respondendo o fiador pelas obrigações explicitamente assumidas. e o fiador pode limitar-se a garantir o pagamento dos aluguéis). em virtude do art. unilateral e gratuito. não valendo todavia como fiança as simples referências à idoneidade do devedor ou as informações comerciais sobre ele.Coordenadores: Marcelo T. A acessoriedade decorre de seguir a obrigação do fiador o destino da obrigação principal. 758: “O contrato de seguro provase com a exibição da apólice ou do bilhete do seguro. sob pena de ser reduzida às suas justas proporções (art.. A fiança se distingue do aval. fornecido por meios eletrônicos. basta um simples cartão com os dados do segurado. cujas obrigações se garantem. certas seguradoras fornecem um cartão com a espécie de seguro. Fiança convencional é a que decorre de vontade das partes. A fiança. A fiança pode ser mais restrita do que a obrigação principal (as obrigações do locatário se referem à conservação do prédio. 1. Esta pode ser: real (quando há uma coisa dada em garantia) ou fidejussória. pois cria dever para o fiador em relação ao credor. garantia específica dos títulos cambiais. Cometti Fernando F. por documento comprobatório do pagamento do respectivo prêmio”. na falta deles. sem que o primeiro possa exigir qualquer compensação do segundo. art. assim como da comissão “del credere”. disciplinada no Código Civil a partir do art. em contrato próprio ou no contrato principal. as pessoas jurídicas cujos estatutos proíbem a concessão de fiança e os mandatários que não tenham competência explícita para esse fim. não devendo. podendo todavia as partes livremente convencionar uma compensação para os riscos corridos pelo fiador. comprovando o estacionamento. nem mesmo as cartas de recomendação ou aquelas em que um terceiro promete fazer o melhor esforço para que o devedor pague a dívida (comfort letter). dando o nome e o período da garantia. extinguindo-se e anulando-se com esta. A lei usa o termo caução. Nos seguros de viagem.

732). mediante retribuição. até o lugar previsto. Se ocorrer evento alheio à vontade do transportador que interrompa a viagem. respectivamente. o transporte pode ser terrestre (rodoviário ou ferroviário). custas. mediante o pagamento do valor da passagem pelo usuário. sem danos. permissão ou concessão são aplicadas as regras dos regulamentos específicos. As partes do contrato de transporte são: de um lado. com segurança.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A fiança pode ser estipulada sem consentimento do devedor ou contra sua vontade (art. .611/98. presentes ou futuras. 9. em seus arts. ou se obrigou como principal pagador e devedor solidário ou ainda sendo o afiançado pessoa insolvente ou falida (arts. correndo todas as despesas por conta do transportador. art. a evolução realizada pretende equiparar o fiador ao devedor solidário. o legislador ressalvou que ao transporte exercido em virtude de autorização. o transportador obriga-se a cumprir o contrato. Em relação ao regime jurídico aplicável. O benefício de ordem consiste na possibilidade dada ao fiador de. admitindo-se também a concessão de fiança ao fiador.411/2000. assume o fiador a responsabilidade por todos os acessórios (juros. art. desaparecendo. 8.565/86. 10). abrangendo sucessivamente as várias modalidades. a Lei n. que dispõe sobre o seguro de cargas. abrangendo dívidas certas ou incertas. das normas do Código Civil (art. a transportar. Na prática. cláusulas penais). todavia. Como legislação específica relacionada com o contrato de transporte. o transporte deverá ser concluído em outro veículo da mesma categoria ou em modalidade diferente. aquático (marítimo. Pode haver transporte de pessoas e transporte de coisas. quando o credor renunciou expressamente a esse benefício. até a contestação da lide. ou misto. que trata do transporte multimodal. o passageiro ou usuário (no transporte de pessoas) ou o expedidor ou remetente (no transporte de coisas). podem-se citar o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei n. regulamentada pelo Decreto n. a Lei n. de outro. No caso de pluralidade de fiadores para um mesmo débito. sem mencionar qualquer restrição.374/91. deslocando a pessoa e a sua bagagem. 731). 7. 821 do CC). Obrigando-se pela obrigação principal. desde que haja a anuência do usuário. 730: “Pelo contrato de transporte alguém se obriga. Também devem ser observadas as disciplinas especiais sobre o tema e os tratados e convenções internacionais (art. Quanto ao meio. Pode haver vários fiadores para um único débito. Não é parte o destinatário das coisas. indicar bens do devedor livres e desembaraçados existentes no município suficientes para solver o débito. na legislação estrangeira. No transporte de pessoas. 734 a 742 e 743 a 756. 820 do CC). todavia. o transportador (ou condutor) e. a fim de evitar a execução dos seus próprios bens. obedecendo aos horários e aos itinerários. 8º. como se vê. pessoas ou coisas”. fluvial e lacustre) e aéreo. entende-se que são solidários salvo se limitaram a responsabilidade de cada um ou convencionaram a divisão das responsabilidades. sem prejuízo. dependentes de condição ou de termo (art. Do transporte O Código Civil define o contrato de transporte em seu art. 3. aliás. líquidas ou ilíquidas. incidindo também regras do Código de Defesa do Consumidor. § 2º. O benefício de ordem decorre da natureza normalmente subsidiária ou complementar da responsabilidade do fiador. tendo o novo Código Civil disciplinado estas duas espécies de forma diversa. 827 e 828 do CC). de um lugar para outro.64 - . 14.

inclusive. O passageiro tem a obrigação de observar as normas estabelecidas pelo transportador.Coordenadores: Marcelo T. salvo se a avaria não for perceptível desde logo. Castellani O transportador não pode recusar passageiros. o transportador submete-se à disciplina legal do depósito. Ao manter a coisa a ser transportada em seus armazéns. sob pena de decadência de tal direito. No transporte de coisas. Mesmo que a viagem já tenha começado. exigir do expedidor uma relação dos bens devidamente assinada. dificultar ou impedir a prestação do serviço (art. A conferência das condições da mercadoria deve ser feita no ato de entrega pelo destinatário ou por pessoa que apresentar o conhecimento de transporte endossado. 739 do CC). A falsidade das informações ou a sua inexatidão implica o dever de o remetente indenizar o transportador pelos danos causados por tal ato. hipótese na qual há o prazo de dez dias para reclamar (art. devendo tomar todas as providências e os cuidados para manter o seu bom estado. . dentro do prazo contratado ou previsto. Cometti Fernando F. o transportador tem a obrigação de levar o bem que lhe foi entregue ao destino solicitado. 751 do Código Civil. ficando uma parte integrante do conhecimento (art. em duas vias. 744 e seu parágrafo único do CC). terá direito à restituição do valor pago. bem como de se comportar de maneira a não incomodar ou prejudicar os demais passageiros. em virtude do art. a não danificar o veículo. salvo se existir justificativa em regulamentos ou o motivo decorrer das condições de saúde ou de higiene do interessado (art. 738 do CC). podendo. As eventuais reclamações deverão ser feitas. mas somente receberá a restituição do trecho não utilizado se demonstrar que outra pessoa foi transportada em seu lugar na continuação da viagem. 754 do CC).65 - . O passageiro pode rescindir o contrato antes de iniciada a viagem e. neste momento. se comunicado ao transportador em tempo hábil para a revenda do bilhete. o passageiro pode rescindir o contrato de transporte. O transportador é obrigado a emitir documento especificando as características que identifiquem a coisa a ser transportada. especificadas nos bilhetes ou que de outra forma lhe tenha sido dado conhecimento.

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Isto se deve ao aumento do número de acidentes e de vítimas. para a caracterização de culpa. o dano não se verifica. Beneficiando. para suportar o encargo ressarcitório.A obrigação de indenizar não existe. Castellani CAPÍTULO IV – RESPONSABILIDADE CIVIL A responsabilidade civil é definida como a situação de quem sofre as conseqüências da violação de uma norma. dentre os co-responsáveis. O CC. 186. mais uma vez. diz-se que a causa não era adequada. provado o dano. Assim. A sua equivalência resulta de que. 942 do CC o direito positivo brasileiro instituiu um “nexo causal plúrimo”. O ato do autor do dano era condição sine qua non para que o dano se verificasse. que não devem ficar irressarcidas. como também entre as pessoas designadas no art. em regra. b) Culpa ou dolo do agente . é o da comparação de seu comportamento com o do homo medius. utilizado no art. Cometti Fernando F. A responsabilidade por danos causados por animais e coisas que estejam sob a guarda do agente é. em regra. objetiva (expressa disposição do art. para fins de reparação do dano. 2) Teoria da causalidade adequada – Somente considera como causadora do dano a condição por si só apta a produzi-lo. pela sua atuação ou em virtude de danos provocados por pessoas ou coisas dele dependentes. e ainda de danos causados por coisas e animais que lhe pertençam. a culpa pode ser grave. Em havendo mais de um agente causador do dano. merecer censura ou reprovação do direito.67 - . Como excludente de responsabilidade o agente deve provar que o dano foi causado por culpa exclusiva da vítima ou força maior. ou como a obrigação que incumbe a alguém de reparar o prejuízo causado a outrem. (Primeira parte do art. 932. As principais teoria sobre a relação de causalidade são: 1) Teoria da equivalência das condições – toda e qualquer circunstância que haja concorrido para produzir o dano é considerada uma causa. leve e levíssima. e. de ato de terceiro que esteja sob a guarda do agente. aquele de maior resistência econômica. ocorre a solidariedade não só no caso de concorrer uma pluralidade de agentes. Se existiu no caso em apreciação dano somente por força de uma circunstância acidental. culpa grave ou mesmo levíssima. suprimida uma delas.. 1. . Com relação aos graus. A responsabilidade por ato de terceiro é hipótese de responsabilidade solidária (art. Agir com culpa significa atuar o agente em termos de. só porque o agente causador do dano procedeu obejtivamente mal. 942). Com o art. não se perquire qual deles deve ser chamado como responsável direto ou principal. tenha agido com dolo. Assim. pessoalmente. É essencial que ele tenha agido com culpa. 936: independe da prova de culpa. Elementos da responsabilidade civil São elementos estruturais da responsabilidade civil: a) Ação ou omissão do agente . que diligentemente prevê o mal e precavidament evita o perigo. entretanto. c) Relação de Causalidade . nem entre os graus da culpa.– É a relação de causa e efeito entre a ação ou omissão do agente e o dano verificado. não faz nenhuma distinção entre dolo e culpa. portanto.A responsabilidade pode derivar de ato próprio. 927 do CC) O critério para aferição da diligência exigível do agente. do homem ideal. a vítima permite-lhe eleger.Coordenadores: Marcelo T. deve ser ele ressarcido integralmente pelo seu causador. Vem expressa no verbo “causar”.

Aprecia-se o dano tendo em vista a diminuição sofrida no patrimônio. 395 e seguintes e 389 e seguintes. em toda a sua extensão deve abranger aquilo que efetivamente se perdeu e aquilo que se deixou de lucrar. Logo. de modo que só interessa o estudo do dano indenizável. Nela o agente descumpre o avençado. 186 que erigiu o dolo e a culpa como fundamentos da obrigação de reparar. em não havendo culpa não há responsabilidade. por sua natureza. a) Responsabilidade subjetiva . sem prejuízo da adoção da responsabilidade objetiva. tanto a responsabilidade pelo fato do produto ou serviço como a oriunda do vício do produto ou serviço são de natureza objetiva. 3. Nela o agente infringe um dever legal. Responsabilidade contratual e extracontratual A responsabilidade contratual ocorre quando determinada pessoa causar prejuízo a outrem por descumprir uma obrigação contratual.68 - . b) Responsabilidade objetiva – Nesta hipótese a lei impõe a reparação de um dano causado sem a concorrência do elemento culpa. ainda que provenientes de um negócio unilateral (como o testamento. envolvendo lucros cessantes para cuja efetiva configuração tivessem de concorrer outros fatores apenas a execução a que o devedor faltou. a matéria do dano prende-se à da indenização. Indenizar significa reparar o dano causado à vitima. representa risco para os direitos de outrem. o dano. que seria conseqüência indireta do inadimplemento. O dano pode ser material ou simplesmente moral Dano é uma lesão a um bem jurídico. Responsabilidade civil nas relações de consumo No CDC. prescindindo do elemento culpa a obrigação de indenizar atribuída ao fornecedor. conforme se verifica da leitura do art. O parágrafo único do art. integralmente. Se possível restaurando o statu quo ante. Assim. portanto. também chamada aquiliana (art. 4. O CC filiou-se à teoria subjetiva. a procuração ou a promessa de recompensa) ou da lei (como a obrigação de alimentos) Já a responsabilidade extracontratual é aquela derivada de ilícito extracontratual. . 967 do CC admite a responsabilidade sem culpa pelo exercício da atividade que. A responsabilidade contratual abrange também o inadimplemento ou mora relativos a qualquer obrigação. Não é. 186 do CC). A responsabilidade subjetiva subsiste como regra necessária.Nesta concepção a culpa é pressuposto da responsabilidade civil.Sem a prova do dano. Esta modalidade funda-se no risco. Não há nenhum vínculo jurídico existente entre a vítima e o causador do dano. indenizável o chamado dano remoto. tornando-se inadimplente. ou seja. 2. Responsabilidade subjetiva e objetiva Convivem hoje no ordenamento jurídico brasileiro duas teorias que fundamentam a responsabilidade civil.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI d) Dano . as quais se diferenciam pela consideração da culpa como elemento da obrigação de reparar o dano. O CC disciplinou genericamente esta espécie de responsabilidade nos art. ninguém pode ser responsabilizado civilmente.

Quando houver impossibilidade ou diminuição da capacidade de trabalho da vítima. 947). bem como de eventuais outros prejuízos (art. 950 do CC). restabelecer a situação anterior ao dano. Quantificação e liquidação do dano Indenizar é. amigável ou judicial. 944. Os arts. Cometti Fernando F. assim como nas ofensas à liberdade pessoal (cárcere privado e prisão ilegal ou não motivada). 948 do CC). 6. determina a lei que sejam abrangidas as despesas com o tratamento e funeral da vítima. se houver excessiva desproporção entre a gravidade da culpa e o dano causado (art. sob a forma de pensão ou. 944 do novo Código Civil especifica que: “A indenização mede-se pela extensão do dano”.Coordenadores: Marcelo T. É legal quando realizada na forma da lei. além dos lucros cessantes. No caso de lesão ou ofensa à saúde. Nesse sentido. a lei determina que seja paga uma indenização cabal de todas as despesas incorridas pela vítima e dos lucros não auferidos. Excludentes de responsabilidade civil As excludentes de responsabilidade civil são situações jurídicas descritas pela lei que exoneram ao agente o dever jurídico de reparação do dano. b) o estado de necessidade. que consiste na fixação do montante pecuniário da indenização. 948 a 954 do CC esclarecem o modus faciendi da liquidação da reparação civil no caso de atos ilícitos. o valor da indenização levará em conta a gravidade da sua culpa em confronto com a do autor do dano (art. Significa desfazer o dano. Castellani 5. podendo a cláusula penal funcionar como uma prefixação das perdas e danos. deverá ser reembolsado ao prejudicado valor equivalente (art. o lesado o direito de receber perdas e danos (dano emergente e lucro cessante). pode realizar-se sem litígio (composição amigável) ou em virtude de decisão judicial (composição judicial). A avaliação do dano faz-se pela liquidação.69 - . considerando-se a duração provável da vida da vítima (art. dentro da medida do possível. Caso tenha se perdido o bem. É convencional quando decorre de entendimento prévio entre as partes. dizendo em que consiste a indenização pelos diversos casos. 953 e 954 do CC tratam da reparação do dano material e do dano moral nos casos de injúria. Além disso. parágrafo único). assim. difamação ou calúnia. 952 do CC). Ao magistrado é dado excepcionalmente o poder de reduzir o montante da indenização. A formação da palavra indica o seu sentido: in + dano + izar. na realidade. Os arts. Quer seja convencional ou legal. Essa liquidação pode ser convencional ou legal. Em relação ao homicídio. A reparação ideal consiste na efetiva reposição. quando quem sofreu o dano tiver colaborado com a ocorrência do fato. sob pagamento em apenas uma parcela (arts. . c) o exercício regular do direito. o art. o luto de sua família e o pagamento dos alimentos às pessoas a quem o defunto os devia. a reparação consiste na sua devolução e no pagamento de suas deteriorações. conforme a natureza do dano. tendo. Quando impossível deve a indenização ser paga em dinheiro. 945). São excludentes de responsabilidade civil subjetiva: a) legítima defesa. sem excluir outras reparações. No caso de usurpação de bens. se o prejudicado preferir. 949 do CC). a indenização poderá ser paga sob a forma de entrega de um capital ou de uma renda (art. deverá ser concedida indenização correspondente.

Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI

d) o estrito cumprimento do dever legal; e) o caso fortuito; e f) a força maior. Legítima defesa própria é a repulsa a mal injusto, grave e atual ou iminente à pessoa da vítima ou aos seus bens. A legítima defesa pressupõe, assim, a existência de uma agressão ilícita, pelo agente, e a vontade de defesa, por parte do ofendido.A repulsa deve ser proporcional e imediata. O ofendido responderá pelo excesso de legítima defesa, pouco importando se cometeu o excesso por dolo ou culpa. Estado de necessidade próprio é a situação em que o sujeito viola direito alheio, com a finalidade de remover perigo iminente de um direito seu. Não se confunde a legítima defesa com o estado de necessidade, pois aquela se refere aos direitos da personalidade, enquanto este se relaciona com o patrimônio do indivíduo. O estado de necessidade pressupõe aquele que o pratica não ter provocado ou facilitado o seu próprio dano. Exercício regular de direito é o desenvolvimento de atividade humana em conformidade com o ordenamento jurídico. Somente deixa de ser considerado regular o exercício do direito, pelo excesso na atividade humana, conhecido como abuso de direito. Estrito cumprimento do dever legal é a observância de um dever jurídico anteriormente estabelecido por lei. Caso o sujeito venha a ultrapassar os limites fixados pelo ordenamento jurídico, no cumprimento do dever legal, ele poderá ser responsabilizado pelo excesso ou abuso de poder ou de autoridade. Caso fortuito é um evento imprevisível, do qual o homem médio não possui controle. Já a força maior é todo evento inevitável e, por vezes, imprevisível, que prejudica os interesses patrimoniais ou morais da vítima. São excludentes de responsabilidade civil objetiva: a) a culpa exclusiva da vítima; b) a culpa exclusiva de terceiro; c) a força maior; e d) o caso fortuito. Além das excludentes de responsabilidade civil subjetiva e objetiva, há duas outras hipóteses frequentemente lembradas, que não são causas de exoneração da responsabilidade por força de lei, mas sim motivos que levam à não responsabilização do agente na prática porque dependem da vontade humana. São elas: a renúncia da vítima à indenização e a cláusula de não indenizar. Renúncia da vítima à indenização é ato jurídico unilateral irrevogável e informal por meio do qual o próprio titular extingue, por abdicação, o direito subjetivo que tem à reparação por perdas e danos. Somente se torna possível a renúncia à indenização por quem é plenamente capaz. Cláusula de não indenizar é o dispositivo integrante de um negócio jurídico por meio do qual há a exoneração total ou parcial do dever de reparar o prejuízo patrimonial, nos limites acordados pelas partes.

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Coordenadores: Marcelo T. Cometti Fernando F. Castellani

TÍTULO III – DIREITO DAS COISAS

CAPÍTULO I – POSSE 1. Conceito e teorias A doutrina, na sua quase totalidade, alerta a dificuldade do enquadramento jurídico do instituto da posse. Na idéia de posse há, pois, uma coisa e uma vontade, traduzindo a relação de fruição. Mas, nem todo estado de fato, relativamente à coisa ou à sua utilização, é juridicamente posse. Muito próximo deste instituto temos a detenção (art. 1.198 do CC) que, embora semelhante na aparência, muito se difere na essência, como nos efeitos. Aí é que surge a doutrina, com os elementos de caracterização, e com os pressupostos que autorizam estremar uma de outra. Savigny, responsável pelo desenvolvimento da teoria subjetiva da posse, considerava-a como o poder de uma pessoa sobre uma determinada coisa. Assim, era preciso, a conjugação de dois elementos para a sua caracterização: o corpus (poder físico sobre a coisa) e o animus (intenção de agir como dono). Por sua vez, Jhering definia a posse como exteriorização da propriedade. O elemento material da posse para o autor é a conduta externa da pessoa, que se apresenta numa relação semelhante ao procedimento normal de proprietário. O elemento psíquico (animus) nesta teoria não se situa na intenção de dono, mas tão-somente na vontade de proceder como procede habitualmente o proprietário (affectio tenendi) independentemente de querer ser dono. Partindo de que, normalmente, o proprietário é possuidor, Jhering entendeu que é possuidor quem procede com a aparência de dono, o que permite definir, como já se tem feito: posse é a visibilidade do domínio. O Código Civil, no art. 1.196, adotou a teoria desenvolvida pela referido autor, a qual foi denominada de objetiva, justamente por ser mais conveniente e satisfatória. Com efeito, na relação possessória não se revela o animus domini, nem facilmente se prova. Essas novas teorias, que dão ênfase ao caráter econômico e à função social da posse, aliadas à nova concepção do direito de propriedade, que também deve exercer uma função social, como prescreve a Constituição Federal, constituem instrumento jurídico de fortalecimento da posse, permitindo que, em alguns casos e diante de certas circunstâncias, venha a preponderar sobre o direito de propriedade.

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Em conseqüência. Características dos direitos reais Os direitos reais se apóiam na relação entre homem e coisa. Todavia.73 - . 1. de perseguir a coisa e de reivindicá-la em poder de quem quer que esteja (ação real). são os direitos que se prende à coisa. o direito de seqüela é o que tem o titular de direito real de seguir a coisa em poder de todo e qualquer detentor ou possuidor. No dizer de Silvio Rodrigues. independendo para o seu exercício da colaboração de outrem e conferindo ao seu titular a possibilidade de ir buscar a coisa onde quer que ela se encontre. A taxatividade (numerus clausus) releva que não há direitos reais quando a lei não os declara. tal não significa que só são direitos reais os apontados no referido dispositivo. isto é. bem como o jus praeferendi ou direito de preferência. pois o aludido direito segue a coisa (jus persequendi). para sobre ela exercer o seu direito. . a tutela do direito real é sempre mais enérgica e eficaz que a do direito de crédito.514/97). daí. sendo que esta deve possuir valor econômico e suscetível de apropriação. seqüela e aderência. O art. ainda que este circule de mão em mão e se transmita a terceiros.Coordenadores: Marcelo T. prevalecendo com a exclusão de concorrência de quem quer que seja. Cometti Fernando F. Entre os direitos reais previstos em lei esparsa é bom lembrar a alienação fiduciária (Lei 9. Quanto à oponibilidade.225 do CC é a referência para os que proclamam a taxatividade do número dos direitos reais. Segundo a lição de Orlando Gomes. o direito de seqüela ou jus persequendi. Castellani CAPÍTULO II – DIREITOS REAIS 1. em poder de quem quer que ela se encontre. As características principais dos direitos reais são: taxatividade. oponibilidade “erga omnes”. Por fim a aderência do direito real à coisa não é senão a constatação do fato de que o direito real permanece incidindo sobre o bem. Surge. os direitos reais permitem que seu titular não seja molestado por ninguém. mas também outros disciplinados de modo esparso no mesmo diploma e os constituídos em diversas leis especiais.

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As acessões podem ser físicas ou naturais (formação de ilhas. acaba traçando o perfil atual do direito de propriedade no direito brasileiro. uma configuração mais flexível.). ou. ao contrário. dependerá de centros de interesses extraproprietários. a determinação do conteúdo da propriedade. Há ainda limitações decorrentes do direito de vizinhança e de cláusulas impostas voluntariamente nas liberalidades. de qualquer modo. necessariamente. os quais vão ser regulados no âmbito da relação jurídica de propriedade. b) o caráter acessório de uma dessas coisas. que deixou de apresentar as características de direito absoluto e ilimitado. 1253 do C. Restrições ao direito de propriedade Inúmeras leis impõem restrições ao direito de propriedade (Código de Mineração. em confronto com a outra. Cometti Fernando F. expressão do núcleo interno ou econômico do domínio e do núcleo externo ou jurídico. até então separadas. que terá. até uma certa demarcação. o proprietário teria espaço livre para suas atividades e para a emanação de sua senhoria sobre o bem. Seja qual for a modalidade de acessão. Seja ela qual for presume-se que a acessão existente em um determinado terreno foi feita pelo proprietário e à sua custa (art. injustamente.C). cujos confins são definidos externamente. como inalienabilidade. Vale dizer. não pode ser tutelada pelo ordenamento jurídico. Aquisição da propriedade imóvel a) Usucapião b) Acessão: É uma forma de aquisição de propriedade imóvel que resulta de um processo de incorporação de um determinado bem ao solo. Castellani CAPÍTULO III – PROPRIEDADE 1. a propriedade não pode ser vista apenas como a reunião das faculdades usar. para se transformar em um direito de finalidade social. . Tal conclusão oferece suporte teórico para a correta compreensão da função social da propriedade. os possua. ela sempre dependerá do concurso de dois requisitos: a) a conjugação entre duas coisas. na caracterização deste fenômeno aquisitivo o princípio segundo o qual a coisa acessória segue a principal (acessorium sequitur suum principale). que não somente os bens de produção. Modernamente. impenhorabilidade e incomunicabilidade.Coordenadores: Marcelo T. etc. Percebe-se. mas também os de consumo possuem uma função social. gozar e dispor reivindicar. Lei de Proteção ao Meio Ambiente. os quais são tendencialmente plenos. de tal modo que. Tais poderes. sem nenhuma referência ao aspecto funcional do instituto. Contudo hoje. 2. Todo esse conjunto. Função social da propriedade Propriedade é o direito que outorga ao seu titular a faculdade de usar.75 - . sendo por esta conformados em seu conteúdo – modos de aquisição e de utilização. no entanto. avulsão. aluvião e álveo abandonado) ou industruais (construções ou plantações). compõem o aspecto estrutural do direito de propriedade. Daí decorre que quando uma certa propriedade não cumpre a sua função social. nitidamente. em caráter predominantemente negativo. gozar e dispor dos bens e de reavê-los do poder de quem quer que.

. Com efeito. A essência da ocupação reside. mas para que assim se configure. 1263 do C. tendo-se em vista a capacidade criadora do homem. escultura. não sendo essa ocupação defesa por lei (art. deixando um objeto para sofrer reparações. reputam-se também sem dono os enxames de abelhas. sapataria. vale dizer que a nova species há de resultar de alteração dotada de importância (ex. pois que pertencem a alguém.estar o depósito enterrado ou oculto. torna-se mister a ocorrência de um fator psíquico. e que não seja possível retornar à espécie anterior. A coisa sem dono pertence por direito natural ao ocupante. que se não confundem com os animais selvagens capturados. No segundo estão os animais mansos ou domesticados. e o locador do serviço pagar-se do custo deste. O que não é lícito é forçar no proprietário uma intenção de abandonar e converter a coisa. em primeiro lugar pelos animais bravios enquanto entregues à sua natural liberdade. 3a ancianidade. que os sistemas modernos o adotam ao definir o princípio da aquisição da propriedade móvel: quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade. A “novidade” é encarada em sentido econômico e não filosófico. ser antigo e tão antigo que se haja perdido a memória de quem seja o proprietário.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. enterrado ou oculto. transportadora). se perderem o hábito de retornar ao lugar onde costuma recolher-se. que o interessado tem a intenção de conservar. As poucas hipóteses remanescentes – caça. A importância social desta modalidade aquisitiva é muito grande. Para que se opere a aquisição da propriedade é mister a transformação se dê pela ação humana. salvo se os donos estiverem ainda à sua procura. b) Especificação Especificação é a transformação definitiva da matéria-prima em espécie nova. Indaga-se da liceidade da cláusula adjecta a talões de empresas de serviço (lavanderia. Aquisição da propriedade móvel a) Ocupação Na apropriação de cada coisa sem dono inseriu-se uma idéia que o tempo amadureceu e sistematizou. de apreendê-la possuindo-a como própria. Estes não são res nullius. como aquela que já o teve e não mais o tem (res derelicta). categoria preenchida pelas espécies que a natureza inesgotavelmente produz. contido na intenção de renunciálas.C. Não é razoável presumir que alguém.76 - . mediante o trabalho ou indústria do especificador. 2. pesca e tesouro – são as hipóteses mais comuns. consignando que se consideram abandonados os objetos não procurados num prazo determinado. na apropriação de coisa sem dono pelo simples fato. anteriormente apropriados se o dono da respectiva colméia os não reclamar imediatamente (decadência instantânea de direito). a intenção não revelada de e ele renunciar. promovido por mão humana. de cujo dono não haja memória. É aceitável mandato para vender. pois. como limite de sua validade de seu direito de dono. acrescenta-se. Tesouro: É o depósito antigo de moedas ou coisas preciosas.). numa res derelicta pelo fato de haver excedido um prazo determinado no cupão de sua identificação. manifeste com isso. Elementos para caracterização: 1. não assinalados ou marcados. ou em tabuleta na loja. Tendo em vista que não são freqüentes as coisas sem dono. diz-se que não tem dono aquela que nunca foi objeto de assenhoramento (res nullius). a pintura em relação à tela). A primeira classe (res nullius) é preenchida. Considera-se ainda sem dono a coisa abandonada (res derelicta). isto é. a ocupação como modalidade aquisitiva ficou hoje muito reduzida.ser um depósito de coisas móveis preciosas ou moedas.

Condomínio Dá-se o condomínio. conseguintemente. Simbólica se diz a tradição que se não realiza pela entrega e apreensão material da coisa. e. Voluntário ou convencional. mistura ou comistão se forem coisas secas. 1269 que “aquele que. emerge de contrato ou convenção. Cometti Fernando F. e as demais partes comuns. com a observância das regras de acessão. permanecendo os demais fora do condomínio. 1. (art 1. mas não de fato (cada condômino já se situou numa parte determinada da coisa). calefação e refrigeração centrais. voluntário e eventual. c) Misturas: Confusão. a rede geral de distribuição de água. inclusive o acesso ao logradouro público.331 a 1. Particular. Num e noutro caso. esgoto. quando for ela voluntariamente obtida. quando se limita a determinadas coisas ou frutos. quando o condomínio existe de direito. parágrafo único do CC). resultando que o dono da primeira adquire a segunda. A adjunção consiste na justaposição de uma a outra coisa. quando abranger a coisa integralmente. inclusive frutos e rendimentos. ou seja. É a hipótese dos bens deixados por herança a mais de um herdeiro ou doação de uma coisa a mais de uma pessoa. porém mediante a de algo que a represente 4. O novo Código deixou claro que o solo. d) Usucapião e) Tradição Trata-se de um ato de entrega da coisa ao adquirente. exerce o direito de propriedade sobre determinada coisa. transformando a declaração translatícia de vontade em direito real. desta será proprietário. ao mesmo tempo.591/64 condomínio edilício (arts. Castellani O CC ao fixar o princípio da especificação. universal e particular. dando preferência aos demais condôminos. e adjunção São hipóteses de coisas de diversos donos mesclarem-se.77 - .337. salvo se se tratar de especificação de má-fé. c) quanto à forma.864/65 continua vigendo subsidiariamente ao novo Código Civil nas implicações que este não disciplinou. não podendo ser alienados separadamente ou divididos. quando surge do acordo de vontades. Divisível. b) quanto ao objeto. ordinariamente resulta num condomínio. Eventual ou acidental. regulados os direitos pelo disposto no título ou na convenção. aos condomínios e a possibilidade de se aplicar multa ao condômino que tiver conduta anti-social de forma reiterada (art. .358 do CC) com as alterações da Lei 4. Universal. O condomínio pode ser classificado sob três formas: a) quanto à origem. ou seja. a aquisição da propriedade com o princípio fundamental do respeito ao direito alheio. gás e eletricidade.338 do CC). estrutura do prédio. quando sua origem é estranha à vontade dos condôminos. obtiver espécie nova. Diz-se tradição real a que consiste na efetiva entrega ou entrega material da coisa ao adquirente que a recebe e apreende. ou seja. Vale ressaltar que a Lei 4. comistão. o prejudicado com a especificação irredutível terá direito ao ressarcimento. Diz-se haver confusão quando se acharem sem estado líquido. divisível e indivisível. se não puder restituir à forma anterior” Conciliando. todavia. A grande novidade do Código. quando mais de uma pessoa. impossibilitando destacar-se a acessória da principal. do telhado. são de utilidade em comum dos condôminos. dispõe no art.Coordenadores: Marcelo T. Também poderá o condômino alugar a sua vaga de garagem a qualquer pessoa. 1. trabalhando em matéria-prima em parte alheia.

em comum. de toda coisa. porque se mantém indivisa e nenhum se situou em uma parte.322 do CC. 1. Todos os condôminos são donos. quando tanto existe de fato como de direito.314 a 1.78 - .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Indivisível. Cumpre apenas ressaltar que o assunto referente a condomínio é tratado nos arts. .

Pode-se estabelecer uma condição (graduação universitária).79 - . 1410. A servidão é um direito acessório. porém. 2. de origem romana. no sentido de que é irresgatável sem a anuência do proprietário do prédio dominante. não podem ser fungíveis. a imóvel urbano. I CC) ou trinta anos se for pessoa jurídica (art. temporariamente. A servidão é perpétua. enquanto este cuida do urbano e também do rural. 1225. limitado. Das servidões Servidão é um encargo que suporta um prédio denominado serviente. responde pelos encargos e tributos que sobre ele incidem. Pode recair sobre bens móveis ou imóveis e sobre um patrimônio (como um todo). c) A existência da servidão implica a idéia de que os prédios pertencem a donos diversos 3. seria contrário ao próprio conceito de servidão admitir sua constituição em favor de quem não fosse dono do prédio dominante. em benefício de um outro prédio chamado dominante. Castellani CAPÍTULO IV – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA 1. Surgiu da necessidade prática de se permitir edificação sobre bens públicos. a terceiros. Do usufruto Trata-se de um direito real sobre coisa alheia conferido a alguém de retirar. Se bens móveis.Coordenadores: Marcelo T. sem alterar-lhe a substância (Art. da coisa alheia os frutos e utilidades que ela produz. porque implica a existência de um direito principal. Como se trata de direito concedido ao dono do prédio dominante. Cometti Fernando F. A servidão é composta dos seguintes elementos: a) Trata-se de uma relação entre dois prédios. Da superfície Trata-se de direito real de fruição ou gozo sobre coisa alheia. disciplinando o direito de superfície. 1369 do CC o direito de superfície é definido como a faculdade que o proprietário tem de conceder a outrem o direito de construir ou de plantar em seu terreno.Oponível erga omnes: daí também decorre o direito de seqüela. IV. posto que desfruta dos proveitos do imóvel. . 1410 CC). conservando a condição de proprietário. o direito ao uso e aos frutos. No art. Suas principais características são: 1. b) A servidão envolve uma obrigação negativa. a substância. pelo superficiário. temporariamente. Em ambos os casos o superficiário. O proprietário perde. Com efeito. mediante escritura pública devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis A concessão da superfície pode ser onerosa ou gratuita. inclusive a seus herdeiros. o direito de superfície pode ser transferido. pois necessário conservar a substância da coisa. por tempo determinado. por morte daquele. conferindo ao titular o uso e gozo do direito ou faculdade. 2. Como direito real que se prende ao imóvel. Não perde entretanto. seu titular há que ser proprietário daquele prédio. pertencendo o solo em poder do Estado. CC). eis que fica tolhido no exercício integral dos poderes inerente à propriedade. O Estatuto da Cidade antecipou-se ao novo Código Civil. Nunca perpétuo.Temporário: não excede à vida do usufrutuário (art. Daí o termo nu proprietário.

80 - . 4. salvo morte anterior. A extinção do usufruto ocorre pela: 1. 3. 167.Extinção da pessoa jurídica ou decurso do prazo de 30 anos.É impenhorável: o direito real não pode ser objeto de penhora. 716 CPC – usufruto em execução) O usufruto pode ser classificado de três formas: 1. Em verdade. criou o direito de habitação em favor do cônjuge sobrevivente. 1412). distinguindo-se dele pela intensidade ou profundidade do direito. convencional. 1393 CC é possível ceder o exercício a título gratuito (comodato) ou oneroso (RT 412/208).Consolidação 4. O direito real de habitação é concedido sem prejuízo da participação da viúva ou do viúvo na herança. n. residindo nela. No que diz respeito às necessidades pessoais. deve-se ter em consideração a condição social do usuário.7). enquanto permanecer em estado de viuvez. por morte de um dos conviventes. . Do uso O usuário usará da coisa e perceberá os seus frutos. O titular desse direito pode usar a cada para si. de 10 de maio de 1996. 9278. nada devendo às demais a título de aluguel. o direito real de uso não se diferencia substancialmente do usufruto. de 27 de agosto de 1962.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. resultante de usucapião. Como direito real.Renúncia ou morte do usufrutuário. qualquer delas que a ocupar estará no exercício de direito próprio. 6.121.Quanto à extensão é possível afirmar que este direito recai sobre bens individualizados. 4. item I. mas não alugá-la nem emprestá-la. 5.Termo de sua duração – prazo. 5. A Lei no. A Lei no. 3. quando o exigirem as necessidades pessoais suas e de sua família (art.Quanto à duração pode ser temporário (prazo preestabelecido) ou vitalício (até a morte do usufrutuário). Da habitação A habitação pode ser entendida como uma modalidade especial de uso à moradia. sobre uma universalidade de bens (ou parte dela) e pode abranger os frutos e utilidades. Todavia. bem como o lugar onde vive. Mesmo que o cônjuge sobrevivente seja herdeiro ou legatário.Cessação do motivo de origem. dá ao sobrevivente o direito real de habitação (art. Perante terceiro só tem validade se devidamente registrado (RT 520/212). art.Quanto à origem pode ser legal (estabelecido por lei em benefício de determinadas pessoas). Não ocorre com a morte do nu proprietário (aqui a nua propriedade é transmitida aos herdeiros). 4. diz que a dissolução. E se for conferido a mais de uma pessoa.Intransferível e inalienável: Não se transfere por herança ou por alienação. A penhora recai sobre os frutos e utilidades do bem (Art. desde que o imóvel da família seja o único residencial a inventariar.Destruição da coisa. 7º. desde que tenha expressão econômica. parágrafo único). não perde o direito de habitação. 2. no todo ou em parte. mas seu exercício sim. dispondo sobre a união estável. imprescindível se torna o registro do respectivo título no Cartório de Registro de Imóveis (LRP. de acordo como o art. 2.

os adquirentes não podiam reivindicar o imóvel. com base no seu art. O sistema do Código Civil de 1916 permitia que o promitente. ou sua adjudicação compulsória havendo recusa por parte do promitente vendedor. em conseqüência. “ao cônjuge sobrevivente. Com o advento do Decreto-Lei n. O promitente comprador não recebe o domínio da coisa. condições e modos convencionados. 1. prevalece a irretratabilidade. Pode. 58/37. 6. ter-se-á. Em se tratando. direito real sobre o imóvel. adquirindo. lícito afigura-se convencionar o arrependimento. ainda. a constituição do direito real. com isso. no capítulo concernente à ordem da vocação hereditária.766/79 veio derrogar o Decreto-Lei n. também. outorgando-lhe a escritura definitiva quando houver o adimplemento da obrigação. sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança. Cuida-se de direito real.088. Como o direito era de natureza pessoal. porém.81 - . 25 da referida lei declara irretratáveis e irrevogáveis os compromissos de compra e venda de imóveis loteados. 6. desde que levado ao registro imobiliário. nesses contratos. por sua vez.Coordenadores: Marcelo T. afastando-se. porque o adquirente tem a utilização da coisa e pode dispor do direito mediante cessão. de imóvel não loteado. 1. qualquer que seja o regime de bens. O art. o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família. por não escrita. . será assegurado. havendo oponibilidade erga omnes. mas apenas o pagamento de perdas e danos. o compromisso tornou-se irretratável. da seqüela. O instituto passou por uma série de fases de evolução em nosso direito. Castellani Dispõe ainda o art. Desfruta. 58/37. pelo preço. Inexistindo cláusula nesse sentido. se arrependesse antes de celebrado o contrato definitivo. Cometti Fernando F. Do direito do promitente comprador Consiste a promessa irretratável de compra e venda no contrato pelo qual o promitente vendedor obriga-se a vender ao compromissário comprador determinado imóvel. obriga-se a pagar o preço e cumprir todas as condições estipuladas na avença. podendo reivindicar a coisa em poder de quem quer que a detenha. opor-se à ação de terceiros que coloquem obstáculos ao exercício do direito. Qualquer cláusula de arrependimento.831 do Código Civil. O compromissário comprador. com a faculdade de reclamar a outorga da escritura pública definitiva. desde que seja o único daquela natureza a inventariar”. que hoje se aplica somente aos loteamentos rurais. pois. que. mas passa a ter direitos reais sobre ela. A Lei n. conferindo direito real ao comprador.

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a especial para alienar. podendo suceder a alienação unilateral de um bem. os direitos reais de garantia geram os seguintes efeitos: a) direito de preferência ou prelação. Da hipoteca É o direito real de garantia que tem por objetivo bens imóveis. por um deles. E especialização é a descrição pormenorizada. tornam o negócio nulo. embora não entregues ao credor. Sua função é garantir ao credor o recebimento da dívida.420 do CC. na condição de quirografário. Valerá apenas como direito pessoal. asseguram-lhe. ou a constituição de direito real. Castellani CAPÍTULO V – DIREITOS REAIS DE GARANTIA 1. d) indivisibilidade. porquanto o art. criou uma nova modalidade: a alienação fiduciária. Faz-se mister que. 1. disciplinada no Código Civil como propriedade fiduciária. com efeito. o art. e não quem o praticou. do bem dado em garantia. segundo dispõe o art. Em conseqüência. A lei impõe.422 permite a separação deste bem do patrimônio do devedor. do prazo fixado para pagamento e da taxa de juros. pois não produz os efeitos próprios de um direito real.424) e pela publicidade. além da capacidade geral para os atos da vida civil. pleitear-lhe a anulação. 4. por estar vinculado determinado bem ao seu pagamento. É importante observar que a ausência desses requisitos não acarreta. A Lei n. Para validade da garantia real exige a lei. A publicidade é dada pelo registro do título constitutivo no Registro de Imóveis (hipoteca. Não basta. Os atributos de seqüela e preferência atestam sua natureza substantiva real. mas apenas a sua ineficácia. . na sua primeira parte. que “só aquele que pode alienar poderá empenhar. navio ou avião pertencentes ao devedor ou a terceiro e que. 2. fica o bem afetado ao pagamento prioritário de determinada obrigação. essa qualidade. Cometti Fernando F. do valor do crédito. ilaqueando a boa-fé do terceiro. a observância de formalidades para que os contratos de penhor. somente o proprietário pode dar bens em garantia. até dois anos depois de terminada a sociedade conjugal. a falta de vênia conjugal torna anulável o ato praticado. ainda. 1. anticrese e penhor rural) ou no Registro de Títulos e Documentos (penhor convencional). se houver. restando-lhe apenas o direito de participar do concurso de credores. podendo o outro cônjuge. A segunda parte do art. Em regra.Coordenadores: Marcelo T. Os bens fora do comércio dados em garantia.420 dispõe que somente os bens dentro do comércio poderão ser dados em penhor. da preferência e da ação real. Não existe regra idêntica para os companheiros. vinculando somente as partes que intervieram na convenção. Dispõe. no contrato. Criado o direito real de garantia. além do domínio. b) direito de seqüela. preferencialmente. porém. direito real de garantia é o que confere ao credor a pretensão de obter o pagamento da dívida com o valor do bem aplicado exclusivamente à sua satisfação. O direito do credor concentra-se sobre determinado elemento patrimonial do devedor. c) direito de excussão. anticrese e hipoteca tenham eficácia perante terceiros. a nulidade do contrato. todavia. Para Orlando Gomes. 1. pois. anticrese ou hipoteca. tenha ainda a livre disposição da coisa. hipotecar ou dar em anticrese”. 1. hipoteca e anticrese.649 do CC.83 - .728/65. Além desta prioridade. Desse modo. fica o credor privado da seqüela. a qual é alcançada pela especialização (art. Aspectos Gerais O Código Civil brasileiro contempla as seguintes modalidades de garantia real: penhor. 1. o recebimento de seu crédito.

a especialização (art. mediante financiamento de entidade autorizada. Do penhor É o direito real que submete coisa móvel ou mobilizável ao pagamento de uma dívida (art. 9. é negócio jurídico pelo qual o devedor. permanecendo o fiduciante com a posse direta.514/97. O termo de quitação será levado a registro. salvo as hipóteses de domínio superveniente e de garantia oferecida por terceira pessoa. 1. Com o pagamento da dívida e seus encargos. 3. sobre o valor do contrato. uma vez paga a dívida. termo de quitação. Da anticrese É direito real de garantia que o credor recebe a posse de coisa frigífera. pressupõe ela a existência de uma dívida. A publicidade é reforçada pelo registro do título no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. em propriedade resolúvel. com a finalidade de garantir o cumprimento de uma obrigação. sob pena de multa em favor deste.84 - . à qual adere e busca assegurar. O fiduciante poderá. regulada pela Lei no. da dívida que visa garantir. acompanhando-a em caso de transmissão inter vivos ou mortis causa. realizará contrato pelo qual transferirá a propriedade a esta entidade. Da alienação fiduciária A alienação fiduciária em garantia de imóveis. Assim. 4. fiduciante. o credor pode opor seu direito ao adquirente do imóvel dado em garantia. 1.514/97.431 do CC). assumindo o adquirente as respectivas obrigações. ou fiduciário. 5. Desse modo. ficando autorizado a perceber-lhe os frutos e imputa-los no pagamento da dívida. extingue-se a propriedade fiduciária do imóvel retornando o bem à plena propriedade do fiduciante. no prazo de 30 dias. alguém. O contrato de alienação será necessariamente registrado no Registro de Imóveis. a qual ficará obrigada a devolvê-la. além de dar publicidade ao negócio jurídico. com anuência do fiduciário. a contar da liquidação da dívida. 1. Envolve este o título constitutivo. com os requisitos previstos no art. A validade da hipoteca depende da observância do requisito concernente à forma de sua constituição. querendo adquirir imóvel em construção ou construído. da propriedade resolúvel e a posse indireta da coisa imóvel. equivalente a 0. Remição da hipoteca é a liberação ou resgate do imóvel hipotecado mediante o pagamento. Uma vez registrada.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Sendo condição natural da hipoteca a acessoriedade. ou fração. 9. para o fiduciário ou credor. Para que tenha validade a constituição do penhor é necessário que a coisa oferecida em garantia pertença ao próprio devedor. O fiduciário é obrigado a entregar ao fiduciante. 24 da Lei n. A transferência da coisa para as mãos do credor tem a vantagem de impedir a alienação fraudulenta do objeto da garantia. contrata a transferência ao credor.424 do CC) e o registro no Cartório de Imóveis (art. pois é nulo o penhor de coisa alheia. ao credor. para o cancelamento da propriedade fiduciária.492 do CC).5% ao mês. daí constituir-se. . transferir os direitos de que seja titular sobre o imóvel objeto da alienação fiduciária em garantia. adere à coisa.

85 - . de 4 de setembro de 2001. inclusive dispondo. no art. 7. III – de interesse da defesa nacional.481/2007. n. Há. responsável pela introdução do instituto no CC. Ocorre que a concessão. ou V – situado em via de comunicação". 10. ao contrário dos demais direitos reais. um título específico sobre esse direito. possuiu como seu. praticamente nada acrescentou sobre o instituto. por cinco anos. 37. 2. 167. 15 a 20 do Estatuto da Cidade (Lei n. A concessão exige praticamente os mesmos requisitos do usucapião urbano previsto no art.257/2001). desde que não seja proprietário ou concessionário. Isso porque não foi inserido no CC. para que a exerça conforme a sua destinação. 5.220/2001. Cometti Fernando F. a saber: a concessão de uso especial para fins de moradia e a concessão de direito real de uso. tem o direito à concessão de uso especial para fins de moradia em relação ao bem objeto da posse. O que era faculdade. ao contrário do usucapião. de outro imóvel urbano ou rural” (art. ininterruptamente e sem oposição. tentativa de trazer essa camada desfavorecida da população ao mundo legalizado. Desde a edição da Medida Provisória n. 2.220/2001. 6.º da referida Medida Provisória). buscando outorgar-lhe títulos de direito real.º da MP estabelece que "É facultado ao Poder Público assegurar o exercício do direito de que tratam os arts. IV – reservado à construção de represas e obras congêneres.220. Ocorre que a Lei n. e a Administração não pode recusar o contrato. que "O direito de concessão de uso especial para fins de moradia é transferível por ato inter vivos ou causa mortis". editada como diploma substitutivo ao veto dos arts. até duzentos e cinqüenta metros quadrados de imóvel público situado em área urbana.220/2001. nada mais é do que contrato administrativo pelo qual a Administração faculta ao particular a utilização privativa de bem público. Das Concessões A lei 11. II – destinado a projeto de urbanização. passa a ser direito do possuidor. até 30 de junho de 2001.481/07 introduziu dois novos direitos reais no Código Civil brasileiro.015/73).º da Med. Prov. 1. Pela MP n.º e 2. de caráter declaratório. a concessão de uso especial para fins de moradia compõe o rol dos direitos reais. da preservação ambiental e da proteção dos ecossistemas naturais. 11. n. ou melhor. 1. 1. 2. I. o direito à concessão de uso especial para fins de moradia só será outorgado àquele “que. pouco. . a qualquer título. 183 da CF e no art. com o registro no Registro Predial (art. Prov. da Lei n. 2. O direito de concessão de uso especial para fins de moradia pode ser reconhecido por ato administrativo ou por decisão judicial e tem publicidade. como se vê. Não se trata propriamente de um direito real novo. utilizando-o para sua moradia ou de sua família. o qual continua submetido ao conteúdo e contornos normativos da Med.240 do CC. Castellani 6. n. O art. porém.º em outro local na hipótese de ocupação de imóvel: I – de uso comum do povo.Coordenadores: Marcelo T.

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art. Finalidades do casamento a) Intenção de viverem juntos – É a chamada affectio maritalis que é o elemento decisivo na indissolubilidade do vínculo. O registro funciona como uma espécie de convalidação. primeiro é realizada a cerimônia religiosa com posterior competente habilitação e. cumplicidade. a inscrição do casamento no registro público. b) Amor – Que independe de mera atração sexual e encontra sua manifestação mais veemente na afeição. quem é casado está proibido de contrair novas núpcias ( C. feita de acordo com a lei. Princípios do casamento a) Liberdade de União – O casamento só se justifica e legitima quando decorre da livre manifestação de vontade dos parceiros. O legislador. trata-se de uma instituição em que os cônjuges ingressam pela manifestação de sua vontade. . no art. Conceito de casamento Casamento é o vínculo jurídico entre o homem e a mulher que se unem material e espiritualmente para constituírem uma família. c) O companheirismo – Calcado num projeto comum. estando aptos para o casamento. b) Monogamia . Natureza jurídica do casamento O casamento seria um instituto de natureza híbrida: contrato na formação.Coordenadores: Marcelo T. Casamento religioso com efeitos civis O casamento religioso equipara-se ao civil. 5. Estes são os elementos básicos. atração mútua e afinidades pessoais. Cometti Fernando F. VI). fundamentais e lapidares do casamento. 1521. b) Habilitação Posterior – Nesse caso. 4. por fim.C. explicita os modos pelos quais se alcançam os efeitos civis: a) Habilitação Prévia – Os nubentes apresentam-se ao oficial do registro civil e habitam-se ao ato posterior. A habilitação aqui descrita é a mesma exigida para o casamento civil e o procedimento visa declarar e certificar que os interessados não possuem impedimentos.87 - . Castellani TÍTULO IV – DIREITO DE FAMÍLIA CAPÍTULO I – CASAMENTO 1. capaz de atender e satisfazer ideais e interesses de ambos os cônjuges. 1. Na realidade. instituição (estatuto imperativo pré organizado) no conteúdo. Encerrado o procedimento de habilitação (num prazo de noventa dias) é extraída uma “sentença”.Decorre da mais tradicional e inquebrável postura do mundo ocidental. solidariedade. resultando numa certidão a ser apresentada ao ministro religioso. 3. 2.515 do C..

c) Sanidade – O CC não previu a sanidade dos nubentes como condição necessária à validade do casamento. prescrevendo formalidades de observância obrigatória para a sua regularidade. A regra do art. uma exceção: admissibilidade do casamento para evitar cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez (art. As uniões estáveis de natureza homossexual podem ter relevância jurídica em outros planos e sob outras formar. será necessária a autorização dos pais ou dos seus representantes legais para a celebração do ato. 1520). e emissão do certificado da habilitação – arts. 1525 e 1526 .Os nubentes comungam os mesmos ideais. Pressupostos de existência jurídica do casamento a) Diversidade de Sexo – Nesse sentido a lei é clara e não abre espaço a qualquer exegese extensiva (art. Pressupostos de regularidade São os que se referem às formalidades do casamento. 1517). c) Celebração por Autoridade Competente – Inexiste casamento se o consentimento é manifestado perante quem não tem competência para celebrar o ato matrimonial. mas não como modalidade de casamento. salvo no caso de casamento de colaterais de 3º grau (tios e sobrinhos). desde que interesse a um dos cônjuges anulá-lo (art. se um ou ambos os pretendentes não tiverem atingido a maioridade civil. 8. em função de um bem maior que é a família.88 - . porém. Havendo divergência entre os pais. parto eminente. Impotentia Generandi (de gerar. 1517 o legislador fixou idade núbil aos 16 anos. 7. o interessado poderá obter do juiz o suprimento judicial correspondente (parágrafo único do art. que é ato jurídico eminentemente formal. ou. 1517 c/c o art. viagem inadiável) e também no caso de casamento nuncupativo).200 de 1941. de procriar) – Não justifica a anulação do casamento. Todavia. . conforme disposto no Decreto-lei 3. Pressupostos de validade a) Puberdade – No art. Elas são de três ordens: habilitação – arts. b) Consentimento – A falta de consentimento torna inexistente o casamento. Desse modo. independentemente do sexo do nubente. III). Fora as exceções legais (casamento de anciãos e casamento in extremis – art. A lei soleniza-o. mas simplesmente inexistente. confirmando-se a idéia de que a prole não é finalidade do casamento. 1517 comporta. a) Formalidades Preliminares – São as que antecedem o casamento.(a dispensa dos editais é possível nas seguintes hipóteses: se ficar comprovada a urgência (grave enfermidade. b) Potência – É a aptidão para conjunção carnal. O exame pré-nupcial não é obrigatório. Casamento celebrado perante autoridade incompetente (perante prefeito municipal ou delegado de polícia) não é nulo. 1540) os nubentes devem ter aptidão para a vida sexual.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI c) Comunhão de Vida . 1519). Dois são os tipos de impotência que interessam ao direito matrimonial: Impotentia Coeundi (de concepção ou de cópula) – Pode gerar a anulação do casamento. 6. a capacidade matrimonial não se confunde com a capacidade civil (18 anos).(nesta fase ocorre a apreciação dos documentos e apuração da capacidade dos nubentes e a inexistência dos impedimentos matrimoniais). a publicação dos editais – art 1527 . renunciando os instintos egoísticos e personalistas. 1557. 1533 a 1538 – (o oficial extrairá o certificado de habilitação durando a eficácia da habilitação por 90 dias).

a pessoa considerada incapaz não pode casar com quem quer que seja. 1523. Acarretam como efeito uma mera sanção. Celebração do casamento Dada a importância que se reveste o casamento.Dispõe o art. O impedimento matrimonial é relativo. a) Casamento por procuração . VII). Esta procuração é um ato eminentemente revogável até o momento da celebração do casamento. É o que se depreende da leitura dos arts. a pessoa considerada não pode casar com determinada pessoa. b) Impedimentos Dirimentes Relativos . mas tão somente uma sanção (imposição do regime obrigatório da separação de bens).Passaram a ser as causas de anulabilidade do casamento (art. 1538. 10. pessoa casada. I a IV) a infração destas causas não gera nem nulidade. IV). 1533 ao art. em decorrência de disposição legal expressa – art. tanto na ordem pública como na ordem privada. 9. Castellani b) Formalidades Concomitantes – São as que acompanham a cerimônia e vêem detalhadamente previstas nos art. 1521. Acarretam como efeito a nulidade do casamento. . agora. 1542 – é imprescindível a escritura pública para a sua validade. Estes impedimentos dividem-se em três categoriais: impedimentos resultantes do parentesco (art. 7º. causas suspensivas (art. 1521. impedimentos resultante de vínculo (art. 1533 a 1538. VI). parágrafo segundo da LICC: “o casamento de estrangeiros poderá ser celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes”. Mas se os cônjuges (ou interessados na anulabilidade) silenciarem. o casamento convalida do vício originário. Considerando o interesse público neles estampados podem ser argüídos por qualquer interessado e pelo Ministério Público. Ex. nem anulação. noutras palavras. Cometti Fernando F. representantes legais ou ascendentes.A lei permite a celebração do ato por procuração cuja eficácia não ultrapassará noventa dias. Desde já é importante observar a diferença entre incapacidade e impedimento matrimonial. Hoje.Coordenadores: Marcelo T. c) Impedimentos impedientes (ou proibitivos) . 1521. I a V). b) Casamento perante autoridade diplomática ou consular . o legislador reveste-o de toda a solenidade possível. o outro consorte. Dos impedimentos matrimoniais São as circunstâncias que impossibilitam a realização de determinado casamento. desde que o nubente impossibilitado outorgue poderes especiais a alguém para comparecer em seu lugar e receber. não podem casar os irmãos (art.No atual CC passam a ser.550). em seu nome. e impedimentos resultante de crime (art. 1521. A incapacidade é geral. a proteção da prole anterior. é a ausência de requisito ou ausência de qualidade que a lei articulou entre as condições que invalidam ou apenas proíbem a união civil. 1. Podem demandar a anulação o cônjuge prejudicado. isto é. Ex. evitar a confusão de consangüinidade (turbatio sanguinis).89 - . a confusão de patrimônios e a proteção do nubente por influência dos representantes legais. Os impedimentos são classificados da seguinte forma: a) Impedimentos dirimentes públicos (ou absolutos) – São examinados nos incisos I a VII do art. 1523 têm por escopo. As disposições constantes nos incisos I a IV do art. Importante notar que sua inobservância determina-lhe a nulidade do ato. 1521.

no Brasil. a validade do casamento celebrado no estrangeiro. preliminarmente. até segundo grau. A prova supletória só se torna admissível quando. quando um dos contraentes se encontra em iminente perigo de vida. em absoluta igualdade de direitos e deveres. admite uma prova indireta. passaporte. 12. Segundo a disposição legal. 1565 do CC. prova-se pela certidão do registro. Neste caso. ou seja. será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos e às formalidades do casamento (Art. pelo casamento. in articulo mortis. Após o retorno dos brasileiros ao território nacional. b) Que ambos os pais tenham vivido naquele estado. O artigo consagra os efeitos da retroação sentencial. E para . 1547 do CC) é utilizada quando há dúvida sobre a prova do casamento. etc. c) Que a prole comum prove que o é. Em assim sendo. Instaura-se o regime da co-gestão na sociedade familiar. A eficácia do ato. qual seja. mediante despacho da autoridade competente. Da eficácia do casamento Pelo art.. c) Casamento nuncupativo . O art. não havendo assim tempo para a celebração do casamento com todo o formalismo previsto na lei civil. quando do retorno dos nubentes ao país. quando há dúvida quanto à existência do ato constitutivo do vínculo conjugal. O art. Mas a lei chega mesmo a permitir a dispensa da autoridade competente se os contraentes não lograrem obter sua presença. a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges. d) Que não se apresente certidão do registro civil provando a ocorrência de casamento. prevista pelo CC.90 - . que não tenham parentesco em linha reta. deve o julgador inclinar pela sua existência. dê a certidão de habilitação. 11. à vista dos documentos exigidos no art. os nubentes figurarão como celebrantes e realizarão oralmente o casamento. depoimento de testemunhas. 1545 fica subordinada a quatro pressupostos: a) Que ambos os pais tenham falecido. a concessão feita pelo art. na colateral. parágrafo 1º. feito ao tempo de sua celebração. ou.) O CC. da LICC). está submetida à condição suspensiva. É válido no Brasil desde que registrado. certidão de proclamas. se encontram no gozo recíproco da situação de esposos. privada e publicamente como marido e mulher e que. conforme dispõe o art. homem e mulher. 1525 e independentemente de edital de proclamas. dispensando o processo regular. perante seis testemunhas. deverá ser registrado em 180 dias. que nada mais é do que a situação de duas pessoas que sempre se comportaram. chancelando a dimensão do afeto em detrimento do puro formalismo. 1540 do CC permite que o oficial do Registro Civil. está submetida ao requisito de que ambos os nubentes sejam brasileiros. 1543. a posse do estado de casados. se justifica a falta ou a perda do registro (ex. Se o casamento for realizado no Brasil. 7º. a realização de seu registro em território nacional. 1546 prevê a retroatividade dos efeitos do registro da sentença que reconhece o casamento à data de sua celebração. no consulado brasileiro. é forma especial de celebração de casamento. Das provas do casamento O casamento realizado no Brasil. cessa a competência da autoridade consular.Também chamado in extremis vitae momentis. ou. assumem mutuamente a condição de consortes. companheiros e responsáveis pelos encargos da família. A regra do in dúbio pro matrimonio (art.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No caso de um dos nubentes ser brasileiro e o outro estrangeiro. para a comunidade.

como o moral (apoio. 13. honra e boa fama. A sentença de nulidade do casamento tem caráter declaratório. qualquer dos nubentes. depois de atingi-la.O art. não adquirindo existência. em linhas gerais. Cometti Fernando F. O dever de convivência sexual não é da essência do casamento nos casos de casamento in extremis bem como nos casos de consortes separados em razão de doença ou da profissão. nenhum efeito pode produzir. Castellani reafirmar a recepção do princípio constitucional da igualdade. não autorizado pelo seu representante legal: mas.O casamento é inexistente quando lhe faltam um ou mais elementos essenciais à sua formação. 1521.A jurisprudência e a doutrina sempre encararam essa questão como o dever de abster-se cada consorte de praticar relações sexuais com terceiro.Quem não completou a idade mínima para casar (A regra comporta as exceções dos arts. em seguida.O desaparecimento do respeito e da consideração mútuos é prova evidente que a união conjugal se encontra fragilizada. 1563). uma vez assumidas. b) Casamento nulo . logo. incisos I a VII). E. 1520 e 1551). do citado art que. desvelo. produzindo efeitos ex tunc (art. 1556 e 1557 o legislador trata da complexa matéria da ocorrência de erro essencial de um dos nubentes quanto à pessoa do outro. trata-se de uma enumeração taxativa e não exemplificativa. art. que englobe tanto o aspecto material (econômico). II). poderá confirmar seu casamento.A palavra assistência (apoio. o legislador estatui. b) Vida em comum no domicílio conjugal .. Da invalidade do casamento a) Casamento inexistente . querendo. São elas: 1. 2. . o dever de coabitação no domicílio conjugal é indeclinável. Não existem outras. 1. São elas: a) o que diz respeito à sua identidade. arrola as hipóteses caracterizadoras daquele erro. ou.Coordenadores: Marcelo T. com a autorização de seus representantes legais.91 - . Seis são as hipóteses legais de anulação do casamento. ou com suprimento judicial – art. 3. Afora as hipóteses de recusa legítima ou justa. os outrora denominados impedimentos dirimentes relativos. 1550 o CC trata dos casos de casamento anulável que substituem.A infração deste dever. sob pena de adultério. poderá acrescer ao seu o sobrenome do outro. no parágrafo 1º. os quais dão origem aos chamados deveres conjugais.A ocorrência de vício de vontade: Nos arts. 1533.566 do CC): a) Fidelidade recíproca . d) Sustento. c) Casamento anulável . uma vez que reconhece apenas o fato que o invalida. Os efeitos que produz o casamento podem ser encarados como restrições que cada um dos cônjuges impôs voluntariamente à sua liberdade pessoal e que. próprios do companheirismo). é que se estabelece o convívio sexual. A decretação da nulidade pode ser promovida pelo Ministério Público. relativamente aos filhos menores e não emancipados. acarreta a suspensão ou destituição do poder parental (art. na mesma casa. São eles (art. e) Respeito e consideração mútuos . guarda e educação dos filhos . socorro) não pode ser tomada num sentido amplo.Segundo o disposto no art. c) Mútua assistência .O menor em idade núbil. 1638. ou seja.Na convivência sob o mesmo teto (domicílio conjugal). O ato. 1549). ou por qualquer interessado (art. devem ser respeitadas enquanto durar a união. 1548 nulo é o casamento contraído pelo enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil (por não estar em seu juízo perfeito) e por infringência de impedimentos (previstos no CC.

d) a ignorância.Pelo mandatário. mas. – deixa de constar no novo C. perduram as obrigações decorrentes do casamento (art. de igual modo. Casamento putativo Diz-se putativo o casamento que. pela nulidade ou anulação do casamento. Com efeito. pela separação judicial ou pelo divórcio. não sobrevindo coabitação entre os cônjuges. por um só ou por ambos os cônjuges. A putatividade pode ocorrer na própria ação anulatória ou em processo autônomo promovido pelo(s) cônjuges(s) enganado(s). . 6. Toda separação depende da homologação para surtir efeitos.92 - . ou anulável. até a data da sentença que o invalidou.. b) desconhecimento do defeito pelo cônjuge enganado. anterior ao casamento. salvo na hipótese do art. Entre suas principais características temos: a) A ação de separação judicial é personalíssima (art. pessoa portadora de enfermidade mental ou física. reconhecendo-lhe efeitos a ordem jurídica. A incompetência ratione materiae. putare. foi contraído de boa-fé. anterior ao casamento. pelos filhos ou por terceiros que tenham interesse na declaração. 1582. 1571 do CC. 3º. então. de doença mental grave. b) A tentativa de conciliação – obrigatória na Lei do Divórcio art. seu consentimento: Os surdos-mudos sem educação adequada que lhes possibilite manifestar sua vontade não podem casar.C. o ordenamento jurídico reconhece ao casamento nulo. gera inexistência do casamento. em caso de incapacidade a lei admite a propositura da ação por curador. parágrafo 2º.. c) Enquanto perdura o processo judicial de separação. O termo vem do latim. a sociedade conjugal termina: pela morte de um dos cônjuges. 1576. se a sentença foi omissa a esse respeito. embora nulo. ou de moléstia grave e transmissível. ou. 14. 4. parágrafo único). 5. sem que ele ou outro contratante soubesse da revogação do mandato. conforme vimos. de defeito físico irremediável. Declarado putativo o casamento ganha validade e produz todos os efeitos que produziria o casamento válido. c) a ignorância. ratione personarum (em razão das pessoas dos nubentes. que significa “imaginar”. por contágio ou herança. parágrafo único). quanto a seus domicílios).Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI b) a ignorância de crime anterior ao casamento.O incapaz de consentir ou manifestar de modo inequívoco. e c) insuportabilidade da vida em comum. Dissolução da sociedade conjugal Segundo o disposto no art. para que o erro essencial quanto à pessoa do outro nubente seja causa de anulabilidade do casamento é preciso a ocorrência de três pressupostos: a) anterioridade do defeito do casamento. ascendente ou irmão – No mesmo sentido em relação ao divórcio (art. todos os efeitos – aos filhos e ao cônjuge de boa-fé – do casamento válido. toxicômano não podem casar.. A separação pode ser judicial e extrajudicial.Por incompetência da autoridade celebrante: O legislador está aqui se referindo à incompetência ratione loci (em razão do lugar da celebração). Atendendo a boa-fé e o princípio da equidade. 1554. ou anulável. 15. 1576). mas era de ordem pública e sua ausência justificava a nulidade do processo.

1572.). a ser de dois anos. c) Separação Litigiosa como Remédio: Ocorre quando um dos cônjuges está acometido de grave doença mental de cura improvável (art. parágrafo 2º. guarda e educação. No art. em manifesta incoerência e quebra de sistema. No caso de conversão em divórcio da separação judicial. Cometti Fernando F. tudo parece indicar que a postura do legislador atual decorra da Sumula 197. pode confirmar a medida deferida liminarmente no processo cautelar.93 - . 1572. O art. o dever de sustento. 1120 a 1124 do CPC. na lei divorcista. O divórcio direto poderá ser requerido por um ou ambos os cônjuges. É dado importante na matéria da dissolução da sociedade conjugal porque.Coordenadores: Marcelo T. é efeito fundamental da separação. A separação de corpos. Castellani As três espécies de separação litigiosa. parágrafo 1º. 1575 dispõe sobre a separação de corpos e a partilha de bens. Há decisões que aceitam justificação para comprovar a existência do casamento. 5º. contrariamente. que se refere à grave violação dos deveres do casamento e à insuportabilidade da vida em comum (Os deveres conjugais são aqueles arrolados no atual art. que o disposto no art. será pelo juiz decidida.C. encarando a concessão da separação como termo das obrigações oriundas do casamento. Importante notar. que dispensa a partilha em se tratando de divórcio direto. a mútua assistência mantém-se na forma de alimentos e. no art. O consentimento é suficiente a determinar a validade da decisão. da Ldi ressurge. Mas. e em caráter de justificação. Em se tratando de separação litigiosa. do STJ. 1574 trata da separação judicial consensual. 1581 que. quando a separação é consensual. Quanto à partilha de bens. O art. na hipótese de cautelar preparatória. O art. 1566 do C. O lapso temporal é um requisito objetivo e comprova-se pela certidão.). Com o atual dispositivo encerra-se a controvertida polêmica: a separação judicial põe termo aos deveres de coabitação e fidelidade recíproca. Preliminarmente. de dois para um ano. no caso de comprovada separação de fato por mais de 2 (dois) anos. na ausência do registro. não constará referência à causa que a determinou – parágrafo 1º. até a maioridade. em havendo filhos. O divórcio indireto (ou via conversão) dá-se quando do transcurso do lapso temporal de 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença de separação. 1576 o legislador enfrentou a questão tormentosa que sempre dividiu a jurisprudência nacional. 6515/77 e pelos arts. e 3º. como a lei deixa claro. 1580. era de cinco anos. 34 da Lei no. O processo é disciplinado pelo art. além de reafirmar as duas hipóteses de divórcio (direto ou via conversão) refere-se aos prazos da ruptura da sociedade conjugal. b) Separação Litigiosa como Falência: Ocorre quando qualquer um dos cônjuges prova a ruptura da vida em comum há mais de 01 (um) ano consecutivo e a impossibilidade de sua recoonstituição (art. agora. o prazo para conversão em divórcio é contado da data da concessão daquela medida e não do decreto da separação judicial. se foi deferida a medida cautelar de separação de corpos. poderá ser feita mediante proposta dos cônjuges e homologada pelo juiz. ou da concessão da medida cautelar de separação de corpos. agora. uns entendendo que a separação não importava em término dos deveres matrimoniais e outros. passa. . reduzindo o prazo mínimo de casamento. permite a concessão do divórcio sem que haja partilha de bens. face à indecisão ou irredutibilidade dos cônjuges. O prazo de duração da doença para a obtenção da separação que. constantes na Lei do Divórcio permanecem presentes no novo Código Civil: a) Separação Litigiosa como Sanção: Ocorre quando um dos cônjuges imputar ao outro conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres conjugais. Anteriormente prevista no art. 1572.).

por isso fala-se em efeitos pessoais e efeitos patrimoniais. Efeitos Patrimoniais: a) Põe fim ao regime matrimonial de bens. c) Impossibilita a realização de novas núpcias. 1639 do CC resgata o princípio da autonomia da vontade. pena que se concretizará se não ocorrer alguma das hipóteses previstas no art. O art. 1640. Importante ressaltar que o regime de bens começa a vigorar desde a data do casamento. A liberdade dos cônjuges no exercício da escolha é total. d) Pode dar origem à indenização por perdas e danos se ocorrerem prejuízos morais ou patrimoniais.94 - .Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 16. b) Impede a mulher de continuar a usar o nome do marido (regra geral). cumprido o prazo de um ano de vigência da separação. A sentença de divórcio produz os seguintes efeitos: a) Dissolve definitivamente o vínculo matrimonial. Efeitos Pessoais: a) Põe termo aos deveres recíprocos do casamento. diz o parágrafo 1º do art. inderrogáveis pelos cônjuges. e) Não admite reconciliação entre os cônjuges.dano grave reconhecido na decisão judicial. b) Põe fim aos deveres conjugais. 1653). pois. 1639 do CC. esse regime é passível de modificação (art. o legislador criou duas hipóteses de incidência de regras em matéria de regime de bens: a) Os cônjuges escolhem o que lhes aprouver – materializando sua escolha em documento próprio (pacto antenupcial – art. c) Extingue o regime matrimonial. em matéria de regime de bens. II. f) Possibilita novo casamento aos divorciados. aceitando em bloco o regime da comunhão parcial de bens – art. III. Estas normas são de ordem pública e. 17. permitindo aos cônjuges estipular o que lhes aprouver.manifesta distinção entre o seu nome de família e o dos filhos havidos da união dissolvida. parágrafo segundo) mediante a ocorrência de três requisitos cumulativos: . 1640 c/c art. b) Os cônjuges aderem ao regime legal – sem convenção.evidente prejuízo para sua identificação. portanto. g) Mantém inalterado os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos. Na realidade. 1639. O cônjuge “culpado” perde o direito de usar o sobrenome do outro. Efeitos da separação e do divórcio Os efeitos da separação judicial atingem tanto a pessoa dos cônjuges quanto o seu patrimônio. mas a lei impõe a necessidade da convenção – pacto antenupcial – sempre que a opção exercida difere do padrão ofertado pela lei. Todavia. Regime de bens entre os cônjuges Regime de bens é. c) Extingue o direito sucessório entre os cônjuges. d) Faz cessar o direito sucessório. d) Autoriza a conversão em divórcio. o complexo de normas que disciplina as relações econômicas entre marido e mulher durante o casamento. 1578: I. b) Substitui o dever de sustento pela obrigação alimentar.

passa a ser comum a ambos os cônjuges.As obrigações provenientes de atos ilícitos. naquelas hipóteses específicas desconheceu a aplicação do princípio da autonomia da vontade. 1641. 1641) não há que se invocar a revogabilidade estampada na nova lei. para que produza os efeitos perante terceiros. 5-Os bens de uso pessoal. a lei também exige o registro do pacto antenupcial no registro de imóveis. sendo indispensável a escritura pública (art. quanto aos bens. 1653). O pedido motivado de ambos os cônjuges cerca o pedido de maior garantia. diz respeito tão somente aos bens imóveis.Os bens que cada cônjuge possuir ao casar e os que lhe sobrevierem. Logo.As obrigações anteriores ao casamento – obrigações negociais. O pedido de alteração é dirigido ao juiz competente. como também não poderá ser suprida pelo juiz. O limite da sub-rogação é o valor do bem particular (adquirido antes do casamento. o regime da comunhão parcial faz surgir três massas distintas de bens. os livros e os instrumentos de profissão. 3. 1657 – depois de registrado. vigorará. nominado.Coordenadores: Marcelo T. ou sendo nula. b) O pedido motivado de ambos os cônjuges. 6. 1653 que o pacto é nulo se não lhe seguir o casamento. alterou o então vigente art. que só o deferirá quando convicto da motivação relevante e do não prejuízo dos interesses de terceiros. é porque. a diferença do valor. isto é. Assim como o casamento é objeto de registro público. 18. quais sejam. e os bens comuns do casal. não havendo convenção. No art. na constância do casamento. Cometti Fernando F. Desse modo. Se o bem sub-rogado é mais valioso que o alienado.Os bens adquiridos com valores exclusivamente pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos bens particulares. a não anuência de um não só compromete o deferimento. o regime da comunhão parcial. consequentemente. 2. O pacto antenupcial só terá efeito perante terceiros – art. uma vez que a admissão daquela mudança implicaria em esvaziar o conteúdo da previsão legal. Ou seja. O regime de comunhão parcial limita o patrimônio comum aos bens adquiridos na constância do casamento a título oneroso (ou seja. a ocorrência da sociedade conjugal não anula a individualidade e autonomia dos cônjuges em matéria patrimonial). 1659 estão arrolados os bens que não entram na comunhão: 1. por doação ou sucessão e os sub-rogados em seu lugar. em ação própria. Castellani a) A autorização judicial.95 - . Se o legislador impõe a separação nas três hipóteses do art. em se tratando de regime obrigatório de separação de bens (art. O pacto antenupcial é um ato jurídico pessoal. ou doado. os bens particulares da mulher. não realizado o casamento. Todavia. estipular que o pacto produzirá efeitos diversos daqueles previstos pela norma jurídica.Os proventos do trabalho pessoal de cada cônjuge. ou herdado). o casamento é condição suspensiva necessária para que o pacto produza os seus reais efeitos. e c) A ressalva dos direitos de terceiros. . 4. se não foi paga com recursos próprios e particulares do cônjuge. A eficácia a que se refere o texto legal. para determinar que. o pacto torna-se ineficaz. 258 (CC/16). O registro imobiliário competente é o do domicílio dos cônjuges devendo os mesmos levar ao registro imobiliário a escritura pública do pacto antenupcial e a certidão do casamento. salvo reversão em proveito do casal. formal. previsto em lei e legítimo (típico). os bens particulares do marido. Regime da comunhão parcial de bens Introduzido no Brasil pela Lei do Divórcio (Lei 6515/1977). pois os nubentes têm a sua autonomia limitada pela lei e não podem. Acrescenta o art.

embora o parágrafo único do art. 21. desde que a hipótese tenham sido objeto de cláusula no pacto antenupcial (art. como ocorre na separação de bens. associa cada cônjuge aos ganhos do outro. os bens que são excluídos do regime de comunhão universal. . 1668. ao mesmo tempo. igualmente. Os bens que participam da comunhão são aqueles descritos no art. cada um dos cônjuges goza de liberdade total na administração e na disposição dos seus bens. No art.As pensões. por isso. Todos os bens. em cinco incisos. 1667 do CC o regime da comunhão universal importa na comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas. a possibilidade estende-se. 1668 do C. logo. 19. o legislador arrola. 1673 só admita a alienação dos bens móveis. passam a constituir um só massa. Cada um dos cônjuges tem direito à metade ideal desta massa. responsabilizando-se individualmente pelas dívidas anteriores e posteriores ao casamento. mas. diz-se que o cônjuge é “meeiro”. os patrimônios dos cônjuges se fundem em um só. O regime de separação é legal (quando decorre da lei) ou convencional (decorre de convenção estabelecida em pacto antenupcial). que os poderá livremente alienar. O art. a figurar como condôminos de um condomínio peculiar. 1656). no seu parágrafo único. passando. diz a lei. mas que se tornam comuns no momento da dissolução do mesmo. Regime da comunhão universal de bens Segundo o art. Regime da separação de bens O regime de separação de bens é aquele em que cada cônjuge conserva o domínio e a administração de seus bens presentes e futuros. que a administração dos bens é exclusiva de cada cônjuge.C. Vale ressaltar que.96 - . quando ressurge a idéia da comunhão. 1660 do CC. montepios e outras rendas semelhantes. marido e mulher. valor este a ser levantado na dissolução da sociedade conjugal. que permanece indivisível até a dissolução da sociedade conjugal. aos bens imóveis. 20. Regime da participação final nos aqüestos Na participação final nos aqüestos há formação de massas de bens particulares incomunicáveis durante o casamento. se forem móveis. móveis e imóveis. Com a exclusão das exceções previstas no art. pois que insuscetível de divisão antes da dissolução da sociedade conjugal. meios-soldos. 1673 delimita o que é patrimônio comum dispondo. direitos e ações. Durante o casamento.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 7.

na linha reta. padrasto e madrasta (no mesmo grau que pai e mãe). da CF. 1. mas a afinidade colateral (ou cunhadio) extingue-se com o término do casamento. parágrafo 6º. Os graus são o meio de que se dispõe para determinar a proximidade ou remoticidade do parentesco. . Contagem do parentesco O parentesco é contado através de linhas e graus. Dispõe. enteado. 2. c) Parentesco por afinidade . inexiste impedimento de o viúvo (ou divorciado) casar-se com a cunhada. e descendo até encontrar o outro parente”. d) O vínculo sócio-afetivo . Efeitos do parentesco As relações de parentesco afetam os mais diversos campos do Direito. mas independente dos laços de sangue. a afinidade. Espécies de parentesco a) Parentesco natural – É o que se origina da consangüinidade. b) Parentesco civil – É o decorrente da adoção. não visualizada pelo C/C 1916 e que ganha legítimo reconhecimento na singela fórmula do art. isto é. São afins na linha na linha reta descendente: genro. até o quarto grau. Dispõe a respeito o art. não descendem uma das outras. parágrafo 2º.Inicialmente vale ressaltar que o casamento não cria nenhum parentesco entre o homem e a mulher. 1592 do CC. sogra. simplesmente. Em assim sendo. a afinidade não decorre da natureza.: “ São parentes em linha colateral ou transversal. Marido e mulher são.). nora.Coordenadores: Marcelo T. desde os impedimentos que se traduzem em inelegibilidade da constituição até os impedimentos para o casamento. na colateral. o parentesco. o adotado tem os mesmos direitos do filho consangüíneo. 3. comporta duas linhas: a reta e a colateral. e o vínculo sócio-afetivo.97 - . subindo de um dos parentes até ao ascendente comum. Cometti Fernando F. entre si. 1593 quando se refere ao parentesco que resulta de outra origem. A afinidade.É a proposta inédita. nem do sangue. Castellani CAPÍTULO II – PARENTESCO Toda pessoa se enquadra numa família por quatro ordens de relações: o vínculo conjugal. também pelo número delas. 1595. mas tão somente da lei. 227. os graus de parentesco pelo número de gerações e. Em decorrência do art. É por força de uma ficção legal que se estabelece este parentesco. com efeito. A afinidade na linha reta é sempre mantida (art. no atual sistema codificado. as pessoas provenientes de um só tronco. afins. Existem duas espécies de linhas: reta (quando as pessoas descendem umas das outras) e colateral ou transversal (quando as pessoas. o vínculo legal que se estabelece à semelhança da filiação consangüínea. assim como o parentesco por consangüinidade. o art. sem descenderem uma da outra”. embora procedendo de um tronco ancestral comum. São afins em linha reta ascendente: sogro. 1594 “Contam-se. Embora haja simetria com a contagem dos graus no parentesco. enteada (no mesmo grau que filho e filha).

estabelecer o dever de prestar alimentos. em Tribunais ou Juízos diversos. colateral ou por afinidade. companheiro ou parente em linha reta. companheiro ou parente em linha reta ou colateral até o terceiro grau. dos respectivos membros ou juízes vinculados. seu ascendente ou descendente em qualquer grau. IV . na classe dos colaterais. até o terceiro grau. Constituem prática de nepotismo. 2º.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI No processo civil.. I.o exercício de cargo de provimento em comissão ou de função gratificada. dos respectivos membros ou juízes vinculados. colateral ou por afinidade.a contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. os efeitos do parentesco fazem-se sentir com mais intensidade. em circunstâncias que caracterizem ajuste para burlar a regra do inciso anterior mediante reciprocidade nas nomeações ou designações. limitando-se. 405. por cônjuges. de dois ou mais magistrados. III . em casos excepcionais de dispensa ou inexigibilidade de licitação. deduções ou o nível de tributação. No direito sucessório. inclusive. de cargos de provimento em comissão. inclusive. No direito penal. No direito constitucional e no direito administrativo. inclusive. de cônjuge. de pessoa jurídica da qual sejam sócios cônjuge. estão impedidos de depor como testemunha. de servir como tutor etc. companheiro ou parente em linha reta.o exercício de cargo em provimento de comissão ou de função gratificada. há crimes cujo parentesco entre o agente causador e a vítima agrava a intensidade da pena. seja consangüíneo ou afim (art. No direito fiscal. 07 do CNJ – art. até o terceiro grau. por cônjuge. até o terceiro grau. companheiro ou parente em linha reta. dentre outras: I.. V .98 - . o parentesco pode definir isenções. bem como de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo. dos respectivos membros ou juízes vinculados. inclusive.a contratação. II. (. do CPC). ou servidor investido em cargo de direção e de assessoramento.. por cônjuge. assim como o colateral até o terceiro grau. parágrafo 2º. ou de servi dor es investidos em cargos de direção ou de assessoramento. até o terceiro grau. de qualquer servidor investido em cargo de direção ou de assessoramento. àqueles até o quarto grau.o exercício. colateral ou por afinidade. há restrições de parentesco para ocupar certos cargos: Resolução no. inclusive. . no âmbito da jurisdição de cada Tribunal ou Juízo.) No direito de família. colateral ou por afinidade. ou de funções gratificadas. o parentesco estabelece as classes de herdeiros que podem concorrer à herança. companheiros ou parentes em linha reta. ao estabelecer impedimentos para o casamento. além do cônjuge da parte.

desde que tenha prévia autorização do marido”. Ocorre tal modalidade de inseminação quando é utilizado “sêmen de outro homem. ou por adoção. Se a mãe for casada.358/92. razão por que pode ser verbal e comprovada em juízo como tal. que enfatiza: “Os filhos.Neste dispositivo três hipóteses de presunção de filhos concebidos na constância do casamento. todas elas vinculadas à reprodução assistida. A resolução no. do Conselho Federal de Medicina.1. Castellani CAPÍTULO III – FILIAÇÃO Filiação é a relação de parentesco. sejam casados ou companheiros de união estável”. por meio de técnicas especiais. 1. que liga uma pessoa àquelas que a geraram. tem-se propriamente o embrião. normalmente doador anônimo. O vocábulo fecundação indica a fase de reprodução assistida consistente na fertilização do óvulo pelo espermatozóide. ou vida humana. o simples fato do nascimento estabelece o vínculo jurídico entre a mãe e o filho. não possa procriar. de gametas da mãe e do pai. Presunção de paternidade Presume-se filho o concebido na constância do casamento: pater is est quem iustae nuptiae demonstrant. A lei não exige que haja autorização escrita. Por conseqüência.597 presume concebido no casamento os filhos “havidos por inseminação artificial heteróloga. A fecundação ou inseminação homóloga é realizada com sêmen originário do marido. Em regra. após a morte do doador. está proibida a utilização de embrião excedêntário por homem e mulher que não sejam os pais genéticos ou por outra mulher titular da entidade monoparental. in casu. respectivamente. “a partir de 14 dias. terá fundamento moral. em primeiro grau e em linha reta. automaticamente. 1. sem fins lucrativos. não admitindo mais a retrógrada distinção entre filiação legítima e ilegítima. neste caso. A presunção de paternidade é prevista no art. O código não define a partir de quando se considera embrião. 226. Essa distinção é aceita em vários direitos estrangeiros. privilegiando-se a relação socioafetiva. terão os mesmos direitos e qualificações. apesar de não ter componente genético. 1. mas a resolução 1. 1. A fecundação ou inseminação artificial post mortem é realizada com embrião ou sêmen conservado. o consentimento de ambos. Já diziam os romanos: mater semper certa est. apenas que seja “prévia”. Neste caso o óvulo e o sêmen pertecem ao marido e à mulher. pressupondo-se. e não o do marido. esta circunstância estabelece. havidos ou não da relação do casamento. O inciso V do art. ou a receberam como se a tivesse gerado. A CF (art. ou seja.358/92 do Conselho Federal de Medicina admite a cessão temporária do útero. por qualquer razão física ou psíquica. Apenas é admitida a concepção de embriões excedentários “se estes derivam de fecundação homóloga. A lei não exige que o marido seja estéril ou.597 do CC.) estabeleceu absoluta igualdade entre todos os filhos. a paternidade.99 - .596 do CC. desde que o cedente seja parente colateral até o segundo da mãe genética.Coordenadores: Marcelo T. O princípio da igualdade dos filhos é reiterado no art. A única exigência é que tenha o marido previamente autorizado a utilização de sêmen estranho ao seu. especialmente na Europa”. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação”. A paternidade. parágrafo 6o. . indica que. para a fecundação do óvulo da mulher. Cometti Fernando F.

seja proposta contra o homem casado. 27): “O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. Tal dispositivo abre exceção à presunção mater in jure semper certa est. O importante é que a patologia tenha ocorrido depois de estabelecida a convivência conjugal e no prazo legal atribuído ao momento da concepção. com base no art. a iniciativa da ação. a ação deve ser movida contra seus herdeiros (normalmente a mãe é a herdeira). pois. Deve-se. ou provar a suposição de parto.601 do CC). ilide a presunção de paternidade (art.608 do CC: “quando a maternidade constar do termo do nascimento do filho. não podendo voltar atrás. devido ao segredo profissional médico e ao anonimato do doador do sêmen inoculado na mulher. mesmo adulterina. 1. Pode. 2. ou pelo filho da mulher casada contra o seu verdadeiro pai. também é o ECA: (art. dos “registros de nascimento anteriores à data da presente lei”.100 - . tem sido reconhecido ao filho o direito de impugnar a paternidade. 1. por ter sido efetuado o registro pela mãe – e porque se objetiva desconstituir um ato jurídico. que visa à proteção da família constituída pelo casamento.597 é júris tantum. arts. 8. traduzido nos cento e vinte e um dias. à época da concepção. Importante observar. parágrafo único). A segunda visa negar o fato da própria concepção. será o pai legal da criança assim concebida. A impugnação da paternidade conduzirá o filho a uma paternidade incerta. A falsidade do termo de nascimento pode ser atribuída ao próprio oficial de registro civil ou à declaração da mãe ou do pai. A primeira tem por objeto negar o status de filho ao que goza de presunção decorrente da concepção na constância do casamento. dos trezentos que houverem precedido ao nascimento do filho. uma vez iniciada. ou mais. se ele vier a falecer durante o seu curso. que é imprescritível (art. passa a seus herdeiros (art. a retificação. na posição de ré. a mãe só poderá contestá-la.ou das declarações nele contidas”.560/92. 1. entende a doutrina que nem mesmo o curado do marido interdito poderia ajuizar tal ação. na verdade. Em regra.601. provando a falsidade do termo. 1. induzidos a erro por falta de cuidado de hospitais e maternidades. ser elidida pelo marido.. mas. sem qualquer restrição. Legitimado passivamente para esta ação é o filho. por decisão judicial. por permitir que a investigação da paternidade. Dispõe o art. indisponível e imprescritível. 1. como ocorre nos casos de troca de bebês. mediante ação negatória de paternidade.599). 8o. art. Assim. deve ela também integrar a lide.602). distinguir a ação negatória de paternidade ou maternidade daquela destinada a impugnar a paternidade ou maternidade. também. Se o filho é falecido. para afastar a condição de . pois. observado o segredo de justiça”. que a prova de impotência do cônjuge para gerar.601). aquele bebê adveio da infidelidade da mulher (CC.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI Se o marido anuiu na inseminação artificial heteróloga. e por permitir. a ação negatória destina-se a excluir a presunção legal de paternidade. A legitimidade ativa é privativa do marido (CC. salvo se provar que. podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros. Só ele tem a titularidade. no art.604. a presunção de paternidade do art. ouvido o Ministério Público. elaborada com o intuito de conferir maior proteção aos filhos. Ação negatória de paternidade e de maternidade Conhecida também como ação de contestação de paternidade. 1. Mesmo que o marido não tenha ajuizado a negatória de paternidade. retirando do registro civil o nome que figura como pai -. admitindo a prova em contrário. Nesse sentido. mas. Mais se evidenciou essa possibilidade com o advento da Lei n.600 e 1. 1. 1.

Castellani filho. poderá ser representada ou assistida por um dos seus genitores. É de se admitir o litisconsórcio ativo facultativo dos filhos da mesma mãe na investigação de paternidade do mesmo suposto genitor. que deve conter os dados exigidos no art. A moderna doutrina. 54 da Lei dos Registros Públicos. Não há empecilho para que o filho adotivo intente ação de investigação de paternidade em face do pai biológico. não só em face do que dispõe o parágrafo único do art. mas não o é a de petição de herança”. salvo se julgado extinto o processo” (art. 205). a pedido do Ministério Público. que é ação de estado. a contar não da morte do suposto pai.603 do CC que a filiação prova-se pela certidão do termo de nascimento registrada no Registro Civil.609 do CC como modos voluntários de reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento. pois. Reconhecimento judicial da filiação: investigação de paternidade e maternidade. preceitua a Súmula 149 do STF: “É imprescritível a ação de investigação de paternidade. O filho não reconhecido voluntariamente pode obter o reconhecimento judicial.604 do CC e provando erro ou falsidade do registro. Prova-se também a filiação pelos meios de prova elencados no art. relativa ou absolutamente incapaz. A legitimidade ativa para o ajuizamento da ação de investigação de paternidade é do filho. 1. O registro. mas do momento em que foi reconhecida a paternidade. 1. como os irmãos da pessoa registrada como filho. têm eles legitimação para “continuá-la. consagrada na própria CF. ou por tutor nomeado especialmente para o ato. de simulação de parto e introdução maliciosa na família da pessoa portadora do status de filho e de falsidade ideológica do assento de nascimento. ainda que menor. forçado ou coativo. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo. discriminando em 09 itens. Por essa razão. exerce o poder familiar de filho menor não reconhecido pelo pai e. por isso. por interesse moral ou até mesmo de natureza sucessória. Cometti Fernando F. ou ainda por quem demonstre legítimo interesse. 1. A mãe natural.606). É que o prazo de prescrição somente se inicia quando surge o direito à ação. assistida por seu pai. Se o filho morrer antes de iniciá-la. e este só nasce com o reconhecimento. Se já tiver sido iniciada. intentar em nome do filho a ação investigatória de paternidade”. a ação é privativa dele. como nas hipóteses de troca de criança em maternidades. parágrafo único). Se menor. salvo se “ele morrer menor e incapaz” (CC art. será representado pela mãe ou tutor. A de impugnação da paternidade ou da maternidade pode ser ajuizada pelo próprio filho. por meio da ação de investigação de paternidade. como também por se tratar de pretensão que se insere no rol dos direitos da personalidade e na idéia de proteção integral à criança.606.101 - . Embora a ação seja imprescritível. Se a mãe do investigante é menor. . destarte. tem reconhecido legitimidade ao nascituro para a sua propositura. Esta prescreve em dez anos (CC. 1.Coordenadores: Marcelo T.616). Dispõe o art. art. 1. “representa-o nos atos da vida civil e pode.609 do CC. art. representado pela mãe. Os efeitos da sentença que declara a paternidade são os mesmos do reconhecimento voluntário e também ex tunc: retroagem à data do nascimento (CC. com citação dos pais presumidos. Somente a ação negatória é privativa do marido ou da mulher. que zela pelos interesses do incapaz. seus herdeiros e sucessores ficarão inibidos para o ajuizamento. secundada pela jurisprudência. prova não só o nascimento como também a filiação. os efeitos patrimoniais do estado da pessoa prescrevem. de caráter declaratório e satisfativo do seu interesse pessoal. de natureza declaratória e imprescritível. 1. fazendo-o com base no art. 1.

todavia. se isto condisser com seus interesses”.696) e à sucessão (art. não da data do ato. o cônjuge do falecido não participará da ação.613). 1. seja por concorrer com eles à herança (art. o filho ingressa na família do genitor e passa a usar o sobrenome deste. assim. Se não houver herdeiros sucessíveis conhecidos.615). . O principal deles é estabelecer a relação jurídica de parentesco entre pai e filho. havendo elementos suficientes. Se menor. Não é correto mover a ação contra o espólio do finado pai. 1. pois. IV). 1.8. se sujeita ao poder familiar. não passando de um acervo de bens. sempre que for herdeira. seja por inexistirem descendentes e ascendentes (CC. porém. I e II).). 1. I e II). 1. ela possa permanecer na companhia de quem a acolheu e criou.102 - . Dispõe o art. retroativos ou retrooperantes (ex tunc). bem como outros parentes sucessíveis. pelos filhos havidos no casamento ou filhos reconhecidos anteriormente. A defesa. a ação deverá ser movida contra eventuais herdeiros incertos e desconhecidos citados por editais. dependendo de quem está sendo investigado. a temporariedade do ato. art. mas retroagindo “até o dia do nascimento do filho. O registro de nascimento deve ser.566. Com o reconhecimento.616 do CC que “a sentença que julgar procedente a ação de investigação produzirá os mesmos efeitos do reconhecimento. A legitimidade passiva recai no suposto pai ou na suposta mãe. ou a termo (CC. Deverá a viúva ser citada como parte. mas a ação pode ser contestada por qualquer pessoa “que justo interesse tenha” (CC. como aquele que se considera o verdadeiro genitor. alterado. para que dele venham a constar os dados atualizados sobre sua ascendência. se não concorrer com estes à herança. portanto.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI A lei n. Embora se produzam a partir do momento de sua realização. são.829. salvo como representante do filho menor. em nome do melhor interesse da criança. pode. O reconhecimento é incondicional:não se pode subordiná-lo a condição. 27 do ECA menciona expressamente “os herdeiros” do suposto pai. ser apresentada pela mulher do investigado. quando o oficial do Registro Civil encaminhar ao juiz os dados sobre o suposto pai. a ação deverá ser dirigida contra seus herdeiros. O art. 1. na defesa dos interesses do investigando. ou mesmo de sua concepção. art. fornecidos pela mãe ao registrar o filho (art. art. 2o. 1. III). uma vez que a declaração do estado de filho repercute não apenas na relação entre as partes. na qualidade de parte. Se o demandado já for falecido. O espólio não tem personalidade jurídica. parágrafo 4o. Entre o pai e o filho reconhecido há direitos recíprocos aos alimentos (CC. ficando os pais submetidos ao dever de sustentá-lo. afastando-se. que. 3.829. Havendo descendentes ou ascendentes. ainda que o registro de nascimento tenha sido lavrado anteriormente à sua promulgação. É vedado ao pai subordinar a eficácia do reconhecimento à determinada data ou a determinado período. 1.829. gerando as suas conseqüências. art. Efeitos do reconhecimento dos filhos havidos fora do casamento O reconhecimento produz efeitos de natureza patrimonial e de cunho moral.560/92 permite que a referida ação seja ajuizada pelo Ministério Público. assim. de tê-lo sob sua guarda e de educá-lo (CC. art. mas poderá ordenar que o filho se crie e eduque fora da companhia dos pais ou daqueles que lhe contestou essa qualidade”. O dispositivo permite. Trata-se de legitimação extraordinária deferida aos membros do parquet. mas pode atingir terceiros.

226. porque naquele há sempre impedimento. parágrafo 3º refere-se à possibilidade de conversão em casamento. No sentido amplo.103 - . como se fossem marido e mulher.Coordenadores: Marcelo T. com notoriedade de longos anos. empregado pelo constituinte de 1988 refere-se à união livre. é a convivência more uxorio. tanto é que o texto constitucional – art. tudo se incluiria na noção maior de concubinato. Castellani CAPÍTULO IV – UNIÃO ESTÁVEL O termo “união estável” admite dois sentidos. união livre). O concubinato não se confunde com a união estável (ou. o convívio. de homem e mulher. um amplo (lato sensu) e um restrito (stricto sensu). O termo união estável. . Só se converte em casamento. enquanto nesta a convivência pode ser convertida em casamento. ou seja. Cometti Fernando F. até a união adulterina. união entre homem e mulher não inquinada de impedimento. desde a posse do estado de casados. No sentido restrito. entre homem e mulher desimpedidos.

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saúde. e) Princípio da transmissibilidade – Os alimentos poderão ser cobrados do espólio. aos irmãos. 1699 do CC). profissionalização. educação. a) Princípio da reciprocidade – Dispõe o art. o poder de fixar a forma do cumprimento da prestação. não se pode ajustar que seu montante jamais será alterado. g) Princípio da irrenunciabilidade – Não podem as partes pactuarem de modo diverso. habitação. quer por contrato ou convenção (art. sempre em decorrência da variação financeira das partes interessadas (art. podemos afirmar que alimentos são os auxílios prestados a uma pessoa para prover as necessidades da vida.Coordenadores: Marcelo T. pois o parágrafo único do artigo confere ao juiz. que o elenco previsto pela lei é taxativo. tem uma conotação amplíssima. isto é. na linguagem jurídica. 1701 do CC confere ao devedor de alimentos a faculdade de optar entre o cumprimento da pensão em espécie. não se pode estabelecer condição contrária ao disposto na lei. 1. porém. ela é mutável podendo ser modificada a qualquer tempo. d) Princípio da mutabilidade (ou da variabilidade da prestação) – A decisão judicial sobre alimentos faz coisa julgada formal. . vestuário. lazer. ou de cada herdeiro. Princípios da obrigação alimentar Como se trata de um munus público. uns em falta de outros. que não pode ser reduzida à noção de mero sustento (alimentação) mas envolve. mas sempre no limite das forças do monte. não se pode renunciar ao direito de exigir alimentos (art. e extensivo a todos os ascendentes. 1696 do CC que o direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos. Importante notar. O art. 1707 do CC). vestuário. Assim. a reciprocidade da obrigação alimentar ocorre tanto entre ascendentes como entre descendentes. recaindo a obrigação nos mais próximos em grau. inderrogáveis por convenção entre as partes.105 - . 1707). O texto legal é claro e não deve gerar maiores questionamentos: o credor pode não exercer. germanos como unilaterais (art. ou em dinheiro.) ou em dinheiro. numerus clausus. etc. Desse modo. 1698 do CC) poderá chamar outros parentes. portanto. não é absoluto. extingue-se a obrigação alimentar decorrente do parentesco. 1697). também. Castellani CAPÍTULO V – ALIMENTOS Alimentos. faltando estes. porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos. respondendo cada herdeiro proporcionalmente à parte que lhe couber na herança. as regras que disciplinam a matéria são de ordem pública. de modo que. Logo. se as circunstâncias o exigirem. entende-se que a revisão é da essência da obrigação alimentar. c) Princípio da complementaridade – Se o parente convocado não estiver habilitado a cumprir a obrigação totalmente (art. mas não material. de grau imediato para concorrer no cumprimento da dívida alimentar. redução ou majoração. o dispositivo legal prescreve uma obrigação alternativa. Isto é. f) Princípio da alternatividade – Os alimentos podem ser pagos em espécie (moradia. logo tios ou sobrinhos (parentes em 3º grau) escapam da previsão legal. O direito de escolha. Se o quantum da pensão alimentícia subordina-se a um critério de proporcionalidade entre as necessidades do alimentado e os recursos do alimentante. isto é. alimentação. Cometti Fernando F. em faltando alguma das categorias citadas. sempre que o binômio se alterar produzirá efeitos imediatos sobre a pensão provocando exoneração. O CC limita a obrigação na linha colateral ao segundo grau (irmãos). mediante o pagamento da prestação pecuniária. b) Princípio da preferência – Na falta de ascendente cabe a obrigação aos descendentes e.

106 - . introduz a hipótese de ingratidão do alimentário como causa extintiva da obrigação do devedor. II. Também pode derivar de disposição testamentária (art. são suficientes a justificar a cessação do pagamento da dívida alimentar. à outra pessoa. na qual o marido (ou a mulher) convenciona a pensão a ser paga ao outro cônjuge. 3. Exoneração da obrigação alimentar As três hipóteses arroladas no caput do art. sem risco de perda de parâmetro oficial quando da desvalorização da moeda nacional. c) Casamento e União Estável – Por força do princípio constitucional que inseriu as uniões estáveis como espécie do gênero maior entidades familiares. a pensão alimentar decorre da responsabilidade civil. . a eles compete sustentar e educar os filhos. 1694). por decorrência jurídica. d) Ato Ilícito – Quando o causador do dano fica obrigado a reparar o prejuízo mediante pagamento de uma indenização. 4.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 2. 1708 do CC (casamento. 948. Fontes da obrigação alimentar A dívida de alimentos pode provir de várias fontes: a) Vontade das partes – Embora hipótese rara ela pode se materializar nos casos de separação consensual. 1710 do CC a atualização monetária é feita por fórmula mais ampla (índice oficial regularmente estabelecido) que subsiste por tempo indeterminado. O parágrafo único do referido art. Cessa o dever de prestar alimento em caráter definitivo por que o credor se encontra vinculado a outra pessoa. na velhice e quando necessitam de auxílio. união estável ou o concubinato) na medida em que acarretam o vínculo do credor da pensão. É o que decorre do disposto no art. os companheiros também podem pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver (art. Atualização da dívida alimentar No art. aos filhos compete sustentar os pais. b) Parentesco – A lei impõe aos pais o encargo de prover a mantença da família e. 1920). Da mesma forma.

entende-se que a tutela foi atribuída ao primeiro. Tanto a tutela. 1731) ordem que não é inflexível. Cometti Fernando F. de caráter personalíssimo e.Na falta ou na impossibilidade dos consangüíneos. 1732). Castellani CAPÍTULO VI – TUTELA E CURATELA A tutela e a curatela têm um ponto em comum. porque somente ocorrerá quando inexistir tutor testamentário ou legítimo. No art. 1736 estão arrolados os casos específicos em que se justifica a escusa. sempre. em conjunto. Da tutela A tutela possui três finalidades específicas: os cuidados com a pessoa do menor. quanto a curatela representam um munus (encargo) público. escusa ou qualquer outro impedimento. a nomeação do tutor. o munus é direcionado a pessoa estranha ao grupo familiar (art. isto é. por conseguinte. em princípio. não estão obrigados a aceitar a tutela.Na falta de nomeação a lei estabelece a ordem de preferência dos eventuais tutores (art. 2. ambos os institutos objetivam proteger pessoas incapazes. Ambos devem estar no exercício do poder parental (art. o maior interesse do menor. sob pena de entender-se renunciado o direito de alegá-la (art. Se existir apenas um dos genitores a este competirá a nomeação do tutor. de fato e de direito. até a decisão do recurso interposto. Aí reside o divisor de águas entre os dois institutos. própria da tutela dativa. incapacidade.107 - . que necessitam da presença de outrem que aja em nome delas. 1739 – o nomeado exercerá a tutela. O Código Civil manteve a distinção do direito antigo: a tutela dirige-se aos menores e a curatela.737 a lei arrola mais uma hipótese de escusa. 1736 é taxativo. e que os outros lhe sucederão pela ordem de nomeação. que. 1730). aos maiores incapazes. 1. A tutela dativa tem caráter subsidiário. não pode ser recusada. São posto sob tutela Os menores cujos pais falecem Os menores cujos pais foram destituídos ou suspensos do poder parental São postos sob curatela Os Deficientes mentais Os excepcionais Os pródigos Os nascituros 1. Três são os tipos de tutela reconhecidos pela ordem civil brasileira: a) Tutela testamentária . Dispõe. 1733. no art. . daqueles que não forem parentes do menor e que. O rol do art. a administração de seus bens e sua representação para os atos e negócios da vida civil. 1729 restringe aos pais. devendo-se considerar. b) Tutela legítima . ainda. A escusa deve ser apresentada no lapso temporal de 10 (dez) dias subseqüentes à designação. o art.O art. no caso de morte. se mais de um tutor foi nomeado em disposição testamentária. 1738). c) Tutela dativa . Todavia. Se o juiz admitir a escusa – art. Da escusa dos tutores Tratando-se de um encargo público a tutela. em princípio irrenunciável. somente aqueles casos são excludentes da tutela.Coordenadores: Marcelo T.

Da mesma forma. Do exercício da tutela O art. em que era obrigado a servir (dois anos. deixarem o exercício da tutela ou toda vez que o juiz achar conveniente (art. 1. com a maioridade ou emancipação do menor. a responsabilidade do tutor. Ao final da cada ano de administração. por qualquer motivo. manda aplicar-se à curatela as disposições concernentes à tutela. Importante notar.743) previu a ocorrência de tutor subrogado sempre que o vulto e a complexidade do patrimônio e exigir e. mediante justificativa em juízo. 1766 a possibilidade de destituição do tutor quando negligente (isto é. por improbidade ou má-fé) ou incurso em incapacidade (todas as vezes em que o tutor se encontrar em qualquer das hipóteses do art. ausência. Visualiza o art. A interdição dessas pessoas pode ser promovida pelos pais ou tutores. 1735 do Código Civil). defendê-lo e prestar-lhe alimentos. 6. 1757). 1756) e prestarão contas de 2 (dois) em 2 (dois) anos quando. c) Adimplir os demais deveres que normalmente competem aos pais. tanto isso é verdade que o legislador. Da cessação da tutela A tutela cessa. O CC (art. 1758) subsistindo inteira. não poderá reclamar qualquer remuneração. 1752 prevê a remuneração do tutor proporcionalmente à importância dos bens administrados. ou ao cair o menor sob o poder familiar (caso de adoção. sob o prisma do tutelado. 5. . 1768. 1774. que a tutela e a curatela são institutos muito próximos e com fins idênticos. porém. O tutor também deve representar o menor até os dezesseis anos assisti-lo. os tutores submeterão ao juiz o balanço respectivo (art. quando necessário. 4. sob inspeção do Poder Judiciário.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 3. conforme prevê o art. descaso ou falta de zelo no exercício de suas funções). Quanto ao patrimônio do menor compete ao tutor administrar os bens do tutelado em proveito do mesmo. Da curatela Quem exerce a curatela cuida dos interesses das pessoas arroladas no art. 1742. ao sobrevir escusa legítima ou ao ser removido (art. 1764). quanto à pessoa do menor: a) Dirigir-lhe a educação. pelos cônjuges ou outro parente e pelo Ministério Público – art. Em qualquer hipótese de impossibilidade do tutor prestar contas (morte. dos dezesseis aos 18 anos de idade. até então. Se. 1765). ao expirar o termo. Finda a tutela.) as contas serão prestadas por seus herdeiros ou representantes (art. 1767. 1755) ainda que o contrário tenham dispostos os pais do tutelado. Sob o prisma do tutor. por exemplo).108 - . o Código admite a figura do protutor (pessoa encarregada de fiscalizar o tutor) no art. Da prestação de contas do tutor Como administrador da pessoa do menor e de seu eventual patrimônio. a quitação do menor só produzirá efeito depois de aprovadas as contas pelo juiz (art. o tutor se compromete a exercer gratuitamente o cargo. Incumbe ao tutor. o tutor fica obrigado a prestar contas (art. 1759). b) Providenciar a correção do menor. etc. no art. prevaricador (é o que descumpre o dever a que está obrigado.

se estiver a mulher grávida. Duas são as condições necessárias para materializar a curatela de seus bens: falecimento do pai ou perda do poder parental e. Cometti Fernando F. 1779) é o ser humano já concebido.Coordenadores: Marcelo T. A finalidade dessa curadoria é zelar pelos interesses do nascituro e impedir. Curatela dos nascituros Nascituro (art. mas não tendo o poder parental. em favor do feto e de terceiros. Castellani 7. mas ainda não nascido. .109 - . a substituição e a supressão do parto.

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b) A testamentária – Resultante da vontade do testador. 96. Deste princípio resultam as seguintes conseqüências: a) a capacidade para suceder é a do tempo da abertura da sucessão (art. será competente o lugar onde ocorreu o óbito.797 do CC): 1º) o cônjuge ou companheiro. prestando compromisso formal no processo e assumindo total responsabilidade pela guarda e conservação dos bens. 1. Ocorre sempre que o autor da herança morre sem deixar disposição de última vontade. I. Espécies de sucessão Existem duas formas de sucessão no direito brasileiro (art. 1788 do CC).789 que o testador só pode dispor da metade da herança. diz-se sucessão ad intestato (art. sendo aí o foro competente para que se promovam o inventário e a partilha dos bens. 1. havendo herdeiros necessários (art. abre espaço à vontade soberana do testador. do CPC). caput. Deriva do testamento.Coordenadores: Marcelo T. b) Pluralidade de domicílios – Se o de cujus possuía bens em diversos lugares.846 do CC. 1. 96. o foro de seu último domicílio no Brasil (art. 1. Cometti Fernando F. Aspectos gerais A sucessão em sentido restrito designa a transmissão de bens de uma pessoa (autor da herança. A nomeação obedece às preferências ditadas pela lei (art.785). 3. Castellani CAPÍTULO VII – DIREITO DAS SUCESSÕES 1.111 - . 1. É o que deflui do disposto nos arts. representa o espólio judicial e extrajudicialmente. isto é. e c) Falecimento no estrangeiro – Será competente para processar o inventário e a partilha. 2. Com a morte do de cujus abre-se a sucessão.845) diz o art.784 do CC). 1. Com efeito.789 c/c 1.786 do CC): a) A legítima – Resultante de lei. também chamado de de cujus) em decorrência de sua morte para uma outra (chamado genericamente de sucessor). Porém a lei prevê outras situações: a) Ausência de domicílio certo – Será competente o foro da situação do imóvel (art. sem qualquer necessidade de manifestação dos mesmos (art. quanto à cota disponível. sem solução de continuidade. do CPC) 4. O direito brasileiro consagrou o sistema da limitada liberdade de testar. além da legítima. e c) o herdeiro pode prosseguir. parágrafo único. Imediatamente a posse e a propriedade de seus bens transmitem-se aos seus herdeiros legítimos e testamentários. 1. b) o herdeiro pode socorrer-se dos interditos possessórios na proteção de sua posse.787 do CC). Representação legal na sucessão O inventariante é o representante legal do espólio. ativa e passivamente. Lugar da abertura da sucessão A sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido (art. da manifestação de vontade do testador que. 1. com as ações intentadas pelo de cujus. Nomeado pelo juiz. 2º) . Trata-se da aplicação do princípio de saisine.

Essa possibilidade existe desde a abertura da sucessão. Em outras palavras. ou seja. Ele também deverá respeitar o direito de preferência dos demais co-herdeiros. ou sobre o seu quinhão. que só se materializará (ou concretizará) no momento da partilha. faz conhecer o complexo de bens transmitido pelo de cujus aos herdeiros. 5. ou fração ideal. desaparece via inventário que.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI o herdeiro (na posse e administração do espólio). decorrente da abertura da sucessão. após a transmissão. Cessão de direitos hereditários O CC admitiu a cessão dos direitos hereditários mediante escritura pública e da anuência dos demais co-herdeiros. A expressa é a manifestada por escrito (art. Capacidade para suceder São capazes de herdar as pessoas nascidas ou já concebidas (nascituros) no momento da abertura da sucessão. o direito sobre a herança indivisa. 6. Trata-se de uma preferência legal e real. a responsabilidade da herança pelas dívidas do defunto limita-se às suas forças. Até a partilha todos os herdeiros encontram-se frente ao espólio como condôminos. minucioso e exato. Mas a lei ainda previu a possibilidade de sucessão aos não concebidos (prole eventual – art. Instauração do inventário O CC (art. O co-herdeiro só cede parte indivisa. A aceitação tácita é a que resulta de atos compatíveis com o caráter dos herdeiros. Ele garante a igualdade de quinhões. Característica da herança A herança é uma universalidade de direito. tácita ou presumida. 9. ele não responde pelos encargos superiores às forças da herança. o cedente continua herdeiro para efeitos sucessórios na eventualidade de substituição ou direito de acrescer. Aceitação da herança A aceitação da herança pode ser expressa. 8. depositado o preço no prazo de 180 dias. 4º) a pessoa de confiança do juiz (inventariante judicial). o fato do herdeiro outorgar procuração ao advogado para acompanhar o inventário). (Ex. possuidores e proprietários de uma cota ideal. O art. 1. Assim. jamais bem singular do acervo. O estado de indivisão. abstrata. Não se trata de uma hipótese freqüente. 3º) o testamenteiro.792 ainda precisa que o herdeiro nunca responde ultra vires hereditatis. do cedente para o cessionário. contudo estas hipóteses são restritas à sucessão testamentária. 1805). embora o prazo de encerramento esteja previsto no CPC que é de 6 meses. ou seja.799.796) estabeleceu o prazo de instauração do inventário. Já a aceitação presumida é a prevista . O direito de preferência dos co-herdeiros tem de ser exercido. esta é pessoal e intransmissível. 30 dias da data da abertura da sucessão. Através da cessão transfere-se.112 - . prepara a partilha e põe fim ao estado condominial. I) e as pessoas jurídicas (de direito público e privado). Não se transfere a qualidade de herdeiro. mas silenciou sobre o respectivo término. 7. 1. 1.

O ente público somente adquire a propriedade dos bens hereditários após a declaração de vacância. declara que não a aceita. não admite revogação pois. O período que medeia entre a abertura da sucessão e a aquisição pelo Estado dos bens do de cujus chama-se jacência. a posse exercida pela Fazenda transforma-se em propriedade. e c) Tenha sido feita em favor de todos os co-herdeiros. quanto na sucessão testamentária. No direito pátrio jamais ocorre a aquisição imediata da herança pelo Estado. Transcorrido todo o prazo prescritivo.820). Renúncia da herança É o ato pelo qual um herdeiro. Os bens do de cujus. retroagindo ao momento da abertura da sucessão o renunciante é considerado como se jamais tivesse existido. aperfeiçoa-se desde o momento da declaração soberana de vontade. A jacência pode ocorrer tanto na sucessão legítima. Cometti Fernando F. Castellani no art. devolve-se a herança aos herdeiros da classe subseqüente. b) A cota do renunciante acresce à dos outros herdeiros (art. É sempre lícito aos herdeiros comparecerem e pedirem a entrega dos bens. sem herdeiros passam a pertencer ao Município no qual se encontram. c) Se o renunciante é o único herdeiro da classe. Se em 30 (trinta) dias não se pronunciar o herdeiro. sendo conhecidos renunciaram à herança. Importante observar que a aceitação não admite parcialidade.113 - . devolvendo-se esta ao Estado. sem a habilitação de qualquer herdeiro. da mesma forma que a renúncia. chamado à sucessão. 11. O juiz manda a Fazenda Pública arrecadar os bens. e e) Se o renunciante for o único de sua classe ou se todos os outros da mesma classe renunciarem os filhos poderão herdar por direito próprio e por cabeça A renúncia é irretratável. 10. . 1810). eventual herdeiro) pode requerer a notificação do herdeiro silente. Evitando-se que o patrimônio caia no vazio a lei indica o Estado para recolher a herança vaga. tratando-se de ato jurídico unilateral. b) Tenha sido pura e simples (sem termo ou condição). presumirse-á aceitação da herança. que ficam em seu poder por um período de 5 (cinco) anos. Herança jacente Herança jacente é aquela cujos herdeiros não são conhecidos. Localizados no Distrito Federal sãolhe devolvidos e se encontrarem-se nos territórios revertem em favor da União. ou que. Qualquer interessado (credor. mediante devida habilitação. condição ou termo. 1807 do CC. 1. admissível um ano após a conclusão do inventário (art. Para que se caracterize é fundamental a ocorrência de três condições: a) Tenha sido gratuita.Coordenadores: Marcelo T. d) Os descendentes do de cujus não podem representar o renunciante na sucessão do ascendente. Os efeitos da renúncia são: a) A renúncia afasta o renunciante da sucessão.

Em três hipóteses. na data do óbito. a lei deixa de reconhecer vocação hereditária ao cônjuge. 1829) e o companheiro.114 - . 16. quem quer que herde. de que essa convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente”.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 12. sem os contemplar. os ascendentes. os herdeiros mais próximos excluem os mais remotos (salvo hipótese de representação) e os herdeiros de grau igual. Nesta categoria incluem-se os colaterais até o quarto grau. qualquer herdeiro pode intentar a ação. A petição de herança tem um duplo objetivo: a) O reconhecimento judicial da qualidade de herdeiro. recebem uma cota igual da herança. Ordem de vocação hereditária O critério da vocação é a proximidade do vínculo familiar. São eles: os descendentes.824 do CC. 1. Para excluí-los da sucessão basta que o testador disponha dos bens. 1. pode pedir a herança se outrem a possui. “salvo prova. quando herdam em nome próprio. Assim. b) A restituição dos bens que compõem o seu acervo hereditário. 15. com ofensa ao seu direito de herdeiro. e o cônjuge sobrevivente (concorrendo com as duas categorias. na sucessão legal. 1. atribuindo a herança. neste caso. em igualdade com os descendentes ou ascendentes do falecido.846). A existência de herdeiros legítimos necessários impede a disposição testamentária dos bens constitutivos da legítima (art. 13.830 o chamamento do cônjuge está condicionado a que. todavia. conforme prevê o inciso I do art. o cônjuge sobrevivente concorre à divisão da legítima. Sucessão do cônjuge De acordo com o art. em sua totalidade. a quem se transmite a totalidade ou cota parte da herança. Da petição de herança Trata-se do meio judicial de que se serve o herdeiro excluído para garantir sua qualidade sucessória e natural acesso aos bens herediários. aos descendentes: a) Se o regime de bens do casal era o da comunhão universal. e . Agora. Os herdeiros legítimos facultativos são os herdeiros que podem vir a herdar. Conforme dispõe o art. Sucessão dos descendentes A sucessão dos descendentes ocorre por cabeça (quando os herdeiros se encontram no mesmo grau de parentesco do de cujus) ou por estirpe (quando herdeiros de graus diferentes). Herdeiros legítimos São as pessoas indicadas na lei (art.829) como sucessores. nem deste separado de fato há mais de dois anos. quando faltarem herdeiros necessários. 1. Assim: a) Herdeiros de grau igual: herdam por cabeça b) Herdeiros de grau diferente: herdam por estirpe 14. não estivesse separado judicialmente de de cujus. legítima ou testamentariamente. b) Se o regime de bens era o da separação obrigatória.

parágrafo 2o. O convivente somente irá receber a totalidade da herança caso o falecido não tenha deixado nenhum parente suscetível de receber a herança. Não havendo descendentes do falecido. aquele livremente adotado pelos cônjuges mediante pacto antenupcial válido. deve merecer igual tratamento. incidindo a meação. Do direito de representação Trata-se de ficção porque. Sucessão dos ascendentes Não havendo descendentes. Se concorrer com descendentes só do falecido receberá metade do que cada descendente receber. ao mesmo tempo. A nova lei previu. sem que o falecido tenha deixado bens particulares. parágrafo 2o. Castellani c) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. essa última situação se equipara à primeira (de comunhão universal) e. a sucessão devolve-se aos ascendentes. 17. será irrelevante o regime de bens. b) Adoção Simples – A herança beneficiará os ascendentes naturais.831). Concorrendo com descendentes comuns receberá quota igual a que for paga ao descendente. A ausência de patrimônio particular do de cujus importa serem comuns todos os seus bens: por uma circunstância fática. ficando excluído os bens particulares deixados pelo de cujus. Neste montante incluem-se os bens particulares. ao último caberá participar da sucessão em três hipóteses: a) Se o regime de bens do casal era o da separação convencional.C. o princípio da proximidade é a regra. são chamados os seus descendentes. c) Se o regime de bens era o da participação final nos aqüestos.115 - . em concorrência com os outros . 18. 19. A sucessão do filho adotivo por seus ascendentes cria duas situações distintas. Sua participação está limitada aos bens adquiridos onerosamente na constância da convivência.836. com maior extensão.A herança do filho adotivo devolve-se aos seus pais adotivos (art. o direito real de habitação sobre o imóvel residencial familiar para o cônjuge sobrevivente (art. o convivente concorrerá à herança com os outros parentes porventura existentes. do C. b) Se o regime de bens era o da comunhão parcial. a saber: a) Adoção plena . isto é. apenas sobre o patrimônio comum). Quando o cônjuge concorrer com ascendentes. obviamente. do ECA). também. e o de cujus tinha bens particulares (caso em que o cônjuge será. E no caso dos pais do de cujus estarem mortos. 41. 1. Também aqui haverá herança e meação. 1. mas ainda vivos seu avô paterno C e seus avós maternos E e F. mas não se admite a representação. Diante de tais exceções à regra da concorrência entre descendentes e cônjuge. morrendo o presumido herdeiro antes da abertura da sucessão em seu favor. Cometti Fernando F. portanto. tendo direito a no mínimo 1/3 (um terço) da herança. Sucessão na união estável A sucessão do convivente está prevista no art. herdeiro e meeiro. ainda. como se dividirá a herança? C receberá metade da herança cabendo a outra metade a E e F conjuntamente (art.Coordenadores: Marcelo T. Aqui. 1790 do CC.).

quando com irmãos deste concorrerem (art. pois. A determinação da capacidade é a da feitura do testamento.852) só ocorre na linha reta descendente. 20. a representação é sem limites. Decorre da vontade pessoal do testador. Testamento Testamento é o ato unilateral e revogável pelo que uma pessoa dispõe. perante o mesmo oficial e na presença de duas testemunhas (art. Na ascendente não há que se falar em representação. 1. o surdo (art. para depois de sua morte.116 - . Como a indignidade é de natureza estritamente privativa. O analfabeto (art. Da indignidade Trata-se da destituição do direito hereditário que a lei impõe ao herdeiro ou legatário que se conduziu mal em relação à pessoa do de cujus. 21. 1. substituindo-o. 1.815.860. São eles: a) O testamento público: É o ditado pelo testador e lavrado pelo tabelião em livro de notas. 1. há.880 do CC). É de 05 anos o prazo para impugnar a validade do testamento (art. Os ordinários são os facultados a todas as pessoas capazes. A pretensão por indignidade pode ser proposta pelo legítimo interessado dentro do prazo de 4 (quatro) anos. Podem testar os maiores de 16 anos (1. pois trata-se de um direito potestativo. 1. 1. 1. Na linha descendente.815 do CC). . com ela não se confunde. iniciada ou não a ação extinguese com o falecimento do herdeiro ameaçado (art. completando por instrumento de aprovação lavrado pelo tabelião em presença de duas testemunhas (art. Decorre de imposição legal.859). 1.856 que o renunciante à herança de uma pessoa não está impedido de representá-la na sucessão de outra. 1.816 do CC). 1. a ocupar o lugar do presumido herdeiro. logo. Os testamentos se dividem em ordinários e especiais. 1.867) devem usar este tipo de testamento.868 ao art. parágrafo único). 1. 1.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI descendentes mais próximos do autor da herança.867 do CC). c) O testamento particular: É escrito e assinado pelo testador e lido na presença de três testemunhas que o subscrevem (art. Em se tratando de colaterais (linha transversal) só ocorre direito de representação em favor dos filhos de irmãos do falecido.865 do CC). parágrafo único do CC). A substituição é própria da sucessão testamentária .866 do CC) e o cego (art. mas apenas declarativo da incapacidade para suceder. mas nunca na ascendente. b) O testamento cerrado: É escrito e assinado pelo próprio testador ou por alguém ao seu rogo. A representação é própria da sucessão legítima.875 do CC). sendo o seu efeito retroativo à data da abertura da sucessão. 1. Finalmente dispõe o art. A indignidade é declarada por sentença em ação ordinária (art.864 ao art.876 ao art. mesmo antes de aberta a sucessão já se conhece a titularidade do substituto. O prazo é decadencial. de todos os seus bens ou de parte deles.853). A representação (art. Embora a representação (também chamada substituição legal) tenha muitos pontos em comum com a substituição. A sentença que declara a indignidade não é título constitutivo. 1. a partir da abertura da sucessão (art. indefinição dos representantes que só se conhecerão no momento da abertura da sucessão. 1.

1. 1. Trata-se da caducidade dos legados. jóias. esmolas de pouco monta a determinadas pessoas ou aos pobres de certo lugar. Três são as pessoas que figuram no legado: a) O testador (legante). 1. d) Indignidade. c) De coisa singularizada (art. d) De coisa localizada (art.892 do CC). c) O testamento militar: Feito por militares e demais pessoas a serviço das Forças Armadas. Castellani Os testamentos especiais são os facultados a certas e determinadas pessoas que se encontram em situações excepcionais. Cometti Fernando F. 1. 1. ou em praça sitiada ou com as comunicações interrompidas (art.922 do CC).918 do CC). b) O legatário (a quem o legado beneficia). b) Alienação da coisa legada.912 do CC). g) De alimentos (art. legado de móveis. roupas de pouco valor e de uso pessoal.888 ao art. Cinco são os motivos geradores: a) Modificação da coisa legada. Os legados podem perder sua eficácia. c) Perecimento ou evicção da coisa legada. 1. b) O testamento aeronáutico: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de aeronaves militares ou comerciais (art.919 do CC).Coordenadores: Marcelo T. e) De crédito (art. i) De imóvel (art. c) O herdeiro (incumbido de cumprir o legado). Quanto ao objeto os legados são: a) De coisa certa (art. 1. 1. h) De usufruto (art. dentro ou fora do país. 1. 22. . 1.892 do CC).917 do CC). São eles: a) O testamento marítimo: Facultado às pessoas que se encontram a bordo de navios de guerra ou mercantes. 1. f) De quitação de dívida (art. 1. 1. Só pode ser objeto de legado bem que pertence ao testador. 1.117 - .920 do CC). despesas e dádivas de pequeno valor. 1.893 ao art. Contém disposições sobre: enterro. Codicilo Trata-se de um ato de última vontade pelo qual o disponente traça diretrizes sobre assuntos pouco importantes.916 do CC).896 do CC). e) Pré-morte do legatário. Realizados com as formalidades da lei se apresenta com forma similar ao testamento público ou ao testamento cerrado (art. Legado Trata-se da disposição testamentária a título particular. destinada a conceder a alguém uma determinada vantagem econômica. 23. b) De coisa comum (art.888 ao art.914 do CC).921 do CC).

Além das causas enumeradas no art. ou do legatário. se só tiver um substituto ao herdeiro ou legatário instituído. a deserdação é mais ampla que esta última. b) Substituição recíproca: Ocorre quando os co-herdeiros. 26. os declara substitutos uns dos outros. Só o testamento (art. Mediante fideicomisso (confiança) o testador (fideicomitente) transmite a propriedade resolúvel da coisa a um primeiro beneficiário (fiduciário). consistindo este na boa partição . 1.814 também autorizam a deserdação as hipóteses descritas no art. c) Substituição fideicomissária: É a substituição quando ocorre a transmissão concomitante e sucessiva a duas pessoas. não poder ou não querer assumir a herança ou o legado é que surgiu o instituto da substituição. e reciprocamente). e será plural ou coletiva se vários forem os substitutos convocados simultaneamente. Trata-se de um instituto exclusivo da sucessão testamentária. ou.962 do CC. quando o testador. Três são as características constitutivas da substituição fideicomissária: 1ª) a dupla disposição testamentária. 1. 25. O testador só poderá perdoar o deserdado por meio da revogação testamentária. A figura da substituição hereditária apresenta várias modalidades: a) Substituição vulgar: Ocorre quando o substituído é chamado para assumir a posição do nomeado anterior. instituindo vários herdeiros ou legatários. Além disso. 1. Do inventário O inventário é feito para descrever e avaliar os bens possibilitando a posterior divisão do acervo entre os herdeiros. Da deserdação É a privação dos herdeiros necessários à legítima e à sucessão testamentária realizada pelo de cujus. A substituição recíproca pode ser geral (quando todos substituem ao herdeiro ou legatário que faltar) ou particular (quando uns herdeiros ou legatários determinados substituem outros determinados. pode ocorrer quando todos os herdeiros forem capazes e estiverem acordados sobre a partilha dos bens deixados pelo de cujus. porém guarda estreita ligação com a indignidade. 2ª) a obrigação de conservar e restituir os bens. Todavia. deve ser atendido o princípio da igualdade na partilha. com a obrigação de que esse transfira para um segundo beneficiário (fideicomissário).965 do CC) cabendo ao herdeiro provala no lapso temporal de quatro anos. Trata-se de um instituto específico da sucessão testamentária. e 3ª) a ordem sucessiva (execução da obrigação ou da substituição fideicomissária deferida ao tempo da morte do fiduciário). 1. Neste caso.118 - . o legislador exige a prova da veracidade da causa (art. Constitui-se numa simples troca de titulares. O inventário.Direito Civil BRUNNO PANDORI GIANCOLI 24. como meio de dar continuidade à cadeia sucessória.964 do CC) tem o poder de gerar a deserdação. ou co-legatários são substituídos uns pelos outros. na forma de arrolamento sumário. em testamento com declaração de causa. Essa modalidade admite duas formas: será singular. Das substituições Prevendo a hipótese do herdeiro. condicionada ao primeiro herdeiro instituído ou legatário não assumir sua condição na herança.

porém foi ciente e conscientemente omitido na descrição dos bens pelo inventariante. com prazo prescricional de 1 (um) ano.010 e art. Da partilha É o ato pelo qual o partidor procede à divisão de um patrimônio entre os interessados. determinando-se que outra seja feita. Dos sonegados Sonegado é tudo aquilo que deveria entrar na partilha. 28. Trata-se de um ato anulável e a invalidação deve ser promovida através de ação anulatória. por não constituírem doação. dando-se em bens. 27. c) Outros recursos fornecidos pelo ascendente em favorecimento do descendente. nem liberalidade (art. A partilha em vida é possível e ela não se confunde com a doação (art. a partilha será sempre judicial (art. São pressupostos da colação: a) Ocorrência de sucessão legítima.016 do CC). Cometti Fernando F. b) Existência de co-herdeiros necessários descendentes. os bens doados serão avaliados com base no que valiam ao tempo da liberalidade. .018 do CC). b) Venda de bens ou doações feitas por interposta pessoa. ou doado a herdeiro e não trazido à colação pelo beneficiário com a liberalidade. 2. De acordo com o disposto no art. sob pena de ser a partilha anulada. contado nos termos do disposto no parágrafo único do art. 2.029 do CPC. c) Ocorrência de uma liberalidade em vida.119 - .011 do CC). Tem como objetivo restabelecer a igualdade entre herdeiros legitimários. na falta desse valor. formando-se quinhões em partes iguais. o valor da colação é o que lhe for atribuído no ato de liberalidade e.Coordenadores: Marcelo T. a cada um dos herdeiros. em inventário causa mortis e a ser homologado pelo juiz. uma soma de valores correspondentes a seu direito hereditário. Os gastos ordinários do ascendente para com o descendente não são colacionáveis. 1. 2. 2. não restituído pelo mesmo ou por sucessor universal. Da colação Colacionar é conferir os bens e valores recebidos antes da abertura da sucessão de forma a garantir a igualdade da legítima. 2.004 do CC. 29. Sendo incapazes ou inexistindo composição entre os herdeiros. Os bens sujeitos à colação são: a) Doações e dotes constituídos pelos ascendentes. Castellani da herança.