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  • O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA
  • TEMA 1 O SER HUMANO, A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO
  • MAPA CONCEITUAL
  • ESTUDOS DE CASO
  • EXERCÍCIOS PROPOSTOS
  • TEMA 2 REGISTRO E SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO
  • CONTEÚDO 1 MÉTODO E ESTRATÉGIA DE ESTUDO E APRENDIZAGEM
  • CONTEÚDO 2 LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS
  • CONTEÚDO 3 TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO I
  • CONTEÚDO 4 TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO II
  • ESTUDO DE CASO
  • A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO
  • TEMA 3 ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS
  • CONTEÚDO 2 METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS I
  • CONTEÚDO 3 METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS II
  • CONTEÚDO 4 METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS III
  • TEMA 4 A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES
  • CONTEÚDO 1 CONCEITO, FINALIDADES E REQUISITOS DA PESQUISA CIENTÍFICA
  • CONTEÚDO 2 PESQUISA CIENTÍFICA E MÉTODO
  • CONTEÚDO 3 PROJETO, RELATÓRIO E MONOGRAFIA
  • CONTEÚDO 4 PORTFÓLIO, PESQUISA E DOCÊNCIA
  • GABARITO DAS QUESTÕES
  • GLOSSÁRIO
  • REFERÊNCIAS

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO
Patrícia Mota Sena

COLEÇÃO FORMANDO EDUCADORES EDITORA NUPRE 2009

Xchng IMAGENS Hugo Mansur Márcio Melo Paula Rios REVISÃO COPYRIGHT © REDE FTC Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.Faculdade de Tecnologia e Ciências. sem autorização prévia. por quaisquer meios. por escrito.br .REDE DE ENSINO FTC William Oliveira PRESIDENTE Reinaldo Borba VICE-PRESIDENTE DE INOVAÇÃO E EXPANSÃO Fernando Castro VICE-PRESIDENTE EXECUTIVO João Jacomel COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO Cristiane de Magalhães Porto EDITORA CHEFE Francisco França Souza Júnior CAPA Mariucha Silveira Ponte PROJETO GRÁFICO Patrícia Mota Sena AUTORIA Amanda Rodrigues DIAGRAMAÇÃO Mariucha Silveira Ponte Amanda Rodrigues ILUSTRAÇÕES Corbis/Image100/Imagemsource/Stock.610 de 19/02/98. da REDE FTC . www.ftc. É proibida a reprodução total ou parcial.

2.4 CONTEÚDO 1..1.........................1........................................................11 1.......... TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO I ................ A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO....11 1.... LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS ...1 CONTEÚDO 1........................... 147 .........................3 1........................................................................................3 CONTEÚDO 3.......................... 96 2................SUMÁRIO 1 O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA ........ 54 CONTEÚDO 3................................. TIPOS DE CONHECIMENTO ..................................113 2...................................................1 CONTEÚDO 1..2......................................................................2.......................2........... METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS I .....4 CONTEÚDO 4.... 40 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ................................... PROJETO.............. TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO II .......... 134 2.. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS II ..............................2...............2....................................... A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES................................................39 ESTUDOS DE CASO .......2 CONTEÚDO 2............... 19 1................. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO: APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA ..... REGISTRO E SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO ............ 111 ESTUDO DE CASO .79 2 A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO........102 2.................... FINALIDADES E REQUISITOS DA PESQUISA CIENTÍFICA ..................1.................................. 45 CONTEÚDO 2.........................................................................85 2. 41 1..................106 MAPA CONCEITUAL............................................2 TEMA 2.......................... A TEORIA DO CONHECIMENTO ....3 CONTEÚDO 3................ PESQUISA CIENTÍFICA E MÉTODO...77 ESTUDO DE CASO ....120 2...........1....................1.......................................................................................................2.......... O SER HUMANO........ 117 2.................................................. 9 1...1 TEMA 1............................ 117 2.. 66 MAPA CONCEITUAL............................................................................................................. CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA ................................................................. PESQUISA E DOCÊNCIA...................................................................................................83 2........2.......... RELATÓRIO E MONOGRAFIA .......1 1.......4 CONTEÚDO 4.............................1..........................85 2......................3 CONTEÚDO 3...........................................................1 CONTEÚDO 1...............4 CONTEÚDO 4........2 CONTEÚDO 2....................................27 1...........2 1........63 CONTEÚDO 4....................................................................................78 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ........................................................................112 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ..... 45 1...................... A LINGUAGEM CIENTÍFICA E AS REGRAS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) .............. CONCEITO.... METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS III.........................2 TEMA 4.............................................33 MAPA CONCEITUAL.... ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS.......................................................1..1 TEMA 3....2 CONTEÚDO 2... MÉTODO E ESTRATÉGIA DE ESTUDO E APRENDIZAGEM.....................................1.................... PORTFÓLIO...............................................................141 MAPA CONCEITUAL....................

................................................................................................................................................159 .........................................................................................................................ESTUDO DE CASO .......155 REFERÊNCIAS .................................................148 EXERCÍCIOS PROPOSTOS ..............................................................................................................................................154 GLOSSÁRIO ........................................................................................................................148 GABARITO DAS QUESTÕES...........

enfatizando que todos nós podemos construir habilidades que favoreçam a produção de conhecimento. a observação acurada e a ação consciente sobre a realidade. o espírito científico e o exercício da pesquisa. A nossa maior preocupação é inserir o estudante no contexto do Ensino Superior.APRESENTAÇÃO Quem acaba de entrar para a faculdade percebe que muita coisa mudou. para tirar o maior proveito possível da excelente oportunidade de crescimento cultural que a faculdade lhe oferece (RUIZ. É importante ressaltar que a Metodologia não possui o seu horizonte limitado às tarefas didáticas ou à normatização de trabalhos acadêmicos. Este livro discute os principais aspectos que compõem a Metodologia do Trabalho Científico. Ela é uma disciplina que se preocupa com o contexto de construção de conhecimento. p. tais como o senso crítico. Patrícia Mota Sena . do que há de mais atual na bibliografia da disciplina. o planejamento. métodos de estudo. na autodisciplina e na maneira de conduzir sua vida de estudos. especialmente na responsabilidade. estudante-leitor. 2008. para as necessidades da sociedade que nos cerca e para o contexto da Educação. e deve perceber que também ele precisa mudar. fornecendo-lhe as bases para que possa caminhar com sucesso na vida acadêmica. trazendo textos selecionados a respeito de temas como pesquisa. 20). com as condições da produção científica e com o papel do sujeito na transformação da realidade. epistemologia e educação como forma de aproximar você. apresentamos discussões acompanhando as análises dos autores que se especializaram em Metodologia do Trabalho Científico e em questões pertinentes a essa disciplina. Portanto. considerando suas possibilidades e desafios no Ensino Superior. a sistematização. atenta para a condição de ser humano. Para tanto. Acreditamos que um dos maiores méritos da Metodologia é estimular a autonomia. para as suas inquietações e questionamentos.

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BLOCO TEMÁTICO O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA 1 .

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com base em conhecimentos científicos assimilados em um processo de reelaboração da ciência [. mas também no debate e no cultivo à pluralidade de pensamento. Como afirma Antônio Joaquim Severino (apud BARROS E LEHFELD. O espaço no qual se constrói o Ensino Superior é um local de excelência no desenvolvimento de um pensamento. de análise crítica.1 CONTEÚDO 1.O CONHECIMENTO HUMANO E A CIÊNCIA 1. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO: APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA A Metodologia do Trabalho Científico é uma disciplina que perpassa todo o contexto do Ensino Superior.] competência técnicoprofissional. isto é. o Ensino Superior é também um espaço de contradição e de rupturas que deve proporcionar [. de ambiente acadêmico.. 2006.1. precisamos evitar o tecnicismo.] e comprometidos com uma nova consciência social. mas são instrumentos a serviço da produção de conhecimento. 11 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .. A SOCIEDADE E O CONHECIMENTO 1.1 TEMA 1.. pois as regras. O SER HUMANO. E isso pode ser observado não somente por meio da atuação dos profissionais egressos do Ensino Superior. Ela fornece instrumentos para a construção de uma proposta de Universidade. formando profissionais competentes no domínio técnico de suas habilitações de trabalho. Desta forma. XIII e XIV). competência científica e competência política. técnicas e normas são importantes.. de reflexão sobre a realidade e de ação sobre ela. p. da comunicação de ideias com o mundo. da socialização do conhecimento.

Vamos lá? MÉTODO é derivado do grego methodos. ciência e transformação da realidade.. ao associarmos conhecimento e prática profissional. 30). “pesquisa” (LAVILLE. de suas temáticas e..ou seja. percebemos que a Metodologia do Trabalho Científico não se limita aos afazeres didático-pedagógicos. de acordo com Odília Fachin (2006. No contexto de produção científica. É a aplicação do método que confere validade e credibilidade aos resultados de uma pesquisa científica. traduzir a palavra por “caminho para” ou. então. Nesse sentido. Mas isso é fruto de um preconceito oriundo do desconhecimento acerca do significado dessa disciplina. pesquisa e sistematização: atividades que acompanham o estudante por toda a trajetória na academia. arrefecida pelo encontro inicial com a disciplina de Metodologia do Trabalho Científico. então. outra agir e outra fazer. consiste na “maneira de se proceder ao longo de um caminho”. formado por meta. por vezes. Então. especialmente. da sua importância para o desenvolvimento e êxito das atividades de estudo. a expectativa de entrar em contato diretamente com as disciplinas e conteúdos mais específicos da área escolhida é. abrangendo aspectos como a condição de ser humano. essa disciplina integra teoria e prática.] voltado para a transformação qualitativa dessa mesma sociedade no seu todo. Ainda segundo essa autora: Todo trabalho científico deve ser baseado em procedimentos metodológicos. Ao se debruçar sobre o estudo do método e das condições da própria produção científica. “para” e hodos. os quais conduzem a um modo pelo qual se realiza uma operação denominada conhecer. Tais operações são desempe- 12 PATRÍCIA MOTA SENA . “prosseguimento”. 1999. seguindo critérios previamente definidos pela comunidade acadêmica. a educação e o contexto acadêmico. 11). DIONNE. é imprescindível trabalhar com método e agir com rigor. Desta forma. Poder-se-ia. Ele orienta os rumos de uma investigação e. p. passaremos a discutir os significados de método e metodologia. “caminho”. tendo em vista a compreensão da disciplina de Metodologia do Trabalho Científico. as relações sociais. o que é metodologia? Qual a relevância da Metodologia Científica para o estudante do Ensino Superior? E o método? Qual o seu significado e a sua Função dentro da academia? Diante desses questionamentos. capazes de compreender e reavaliar sua existência e sua atuação na sociedade a partir de um projeto [. p.

Vejamos: Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos.nhadas pelo ser humano a fim de desenvolver adequadamente um estudo (FACHIN. estudo e pesquisa. 83) fazem uma ressalva muito importante quando analisam o conceito de método ao afirmarem que toda ciência se caracteriza pela utilização de métodos. que é a aplicação de métodos que confere cientificidade ao conhecimento construído. (BARROS E LEHFELD. então. ele define o que deve ser feito nos processos de investigação. De maneira geral. mas não há ciência sem o emprego de métodos científicos. porém nem todo conhecimento que os aplica pode ser considerado científico. 2006. 03). p. Para tanto. em contrapartida. Essa escolha tem relação direta com a área específica da ciência na qual o objeto de estudo está inserido. Quanto à afirmação das autoras a respeito de se tratar de um conhecimento verdadeiro. Dessas afirmações podemos concluir que a utilização de métodos científicos não é da alçada exclusiva da ciência. é preciso considerar a natureza do objeto e o objetivo da investigação. 2006. Como podemos operacionalizar um método? Veja o quadro a seguir: 13 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Conjunto de processos ou fases empregadas na investigação na busca do conhecimento. Método . É responsável pela abordagem de um problema a partir da análise sistemática das suas possíveis soluções. Desta forma. Isso significa que não existe um único método universalmente aplicável a todas as áreas científicas. discutiremos mais adiante a relação entre conhecimento e verdade. 29. Grifos da autora). O método é a organização. Marconi e Lakatos (2009. Para complementar essa discussão. Percebemos.Forma ordenada de proceder ao longo de um caminho. nem todos os ramos de estudo que empregam estes métodos são ciências. p. de maneira a ordenar as etapas e as atividades a serem desenvolvidas com o objetivo de construir conhecimento. p. as reflexões da área de Educação não são fundamentadas nos mesmos métodos em que se apoiam os estudos da História ou da Química. o planejamento do ato de pesquisar. A escolha do método (ou dos métodos) que será aplicado em uma pesquisa varia de acordo com a natureza de cada problema que se deseja investigar.

sistemati- 14 PATRÍCIA MOTA SENA . verificando constantemente a sua validade na resolução de novos problemas científicos. devemos levar em conta que o método refere-se ao atendimento de um objetivo. podemos dizer que é a ação planejada e praticada a partir da união entre métodos. Os métodos aplicados nas ciências humanas não são estanques. 2006. destinadas a realizar e a antecipar uma atividade na busca de uma realidade. 2006. Para melhor entender a distinção entre método e técnica. isto é. estão relacionadas à coleta de dados. METODOLOGIA corresponde a um conjunto de procedimentos a serem utilizados na obtenção do conhecimento. p. “O método pode ser considerado como uma visão abstrata da ação. 02). Já a Metodologia do Trabalho Científico é uma disciplina relacionada à epistemologia. social e culturalmente. por sua vez. sistematização do conhecimento e autoavaliação do aprendizado. ela avalia os métodos disponíveis no campo das ciências. 2006. técnicas e o corpo teórico que pauta a investigação. à tática. fazendo-a transcorrer de forma mais hábil. mais perfeita. que garante a legitimidade do saber obtido (BARROS & LEHFELD. uma vez que se posiciona diante do conhecimento mediante a aplicação dos métodos disponíveis. p. política. e a técnica. É através da Metodologia Científica que o aluno é confrontado com a realidade. análise crítica. 31) Quanto à metodologia. já a técnica está ligada ao modo de realizar a atividade. do questionamento e da expressão do saber construído contextualizado histórica. ela oferece os instrumentos intelectuais necessários à aprendizagem. 01). eles devem ser adequados a cada tipo de pesquisa. e a Metodologia. a visão concreta da operacionalização” (BARROS & LEHFELD. através de processos e técnicas. focalizando o aluno como um sujeito capaz de construir habilidades de pesquisa. em geral. formado por um conjunto de etapas ordenadamente dispostas. à parte prática”. ou seja. ao modo como compreendemos. As técnicas de pesquisa. É a aplicação do método. descrevemos e lançamos o nosso olhar sobre o mundo. Desta forma. Para além da aplicação de técnicas e normas. enquanto a técnica operacionaliza o método. p.MÉTODO E TÉCNICA “O método é um plano de ação. O método está relacionado à estratégia. (FACHIN. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO é uma disciplina instrumental e reflexiva que se propõe a desenvolver habilidades de observação.

b) análise das condições em que o conhecimento é cientificamente construído abordando o significado de postulados e atitudes da Ciência hoje. Para muitos. d) capacitação do aluno para que ele leia criticamente a realidade e produza conhecimentos.. minimizando suas dificuldades e apreensões quanto às formas de estudar e. monografias. Estamos falando da Antiguidade Clássica. coletando dados para responder aos questionamentos. no qual os paradigmas científicos estão sendo pensados com o objetivo de responder aos novos problemas da contemporaneidade. e) vetor de informações e referenciais para a montagem formal e substantiva de trabalhos científicos: resenhas. 07) elencam os principais objetivos dessa disciplina: a) “análise das características essenciais que permitem distinguir Ciência de outras formas de conhecer. artigos científicos etc. Vamos lá? As primeiras universidades surgiram no contexto da Idade Média. enfatizando o método científico e não o resultado. • Metodologia do Trabalho Científico e Universidade Para que possamos compreender melhor as relações entre a Metodologia e o Ensino Superior na atualidade. p. período em que a Igreja Católica exercia papel preponderante na construção e preservação do conhecimento construído até então. consequentemente. Mas muito antes da institucionalização formal do Ensino Superior. vivemos a era da informação. 15 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . c) oportunidades especiais para o aluno comportar-se cientificamente. f) fornecimento de processos facilitadores à adaptação do aluno. Barros e Lehfeld (2006. Atualmente vivemos um momento de transição. de encontrar os meios de extrair o maior proveito do estudo”. levantando e formulando problemas. Reflita sobre como a disciplina de Metodologia do Trabalho Científico contribui para produção do conhecimento na contemporaneidade e de que modo podemos significar a informação nesse contexto. convido você para um passeio pela história no qual conheceremos um pouco mais sobre o surgimento das primeiras universidades e o seu papel na construção de conhecimento científico. analisando e interpretando-os e comunicando resultados.zação e seleção de informações e dados na busca do entendimento da realidade. podemos identificar núcleos de circulação de saberes e conhecimentos. integrando-o à universidade.

Esse período compreende a Idade Média. FONTE: BIBLIOTECA ALEXANDRINA. De modo semelhante. Foi entre os séculos XI e XV que surgiram as primeiras universidades no Ocidente.ORG/ENGLISH/OVERVIEW/OVERVIEW. pres- 16 PATRÍCIA MOTA SENA . havia também centros de estudos. Na Antiguidade.] Na época.BIBALEX. Segundo esses estudos. inaugurada em 16 de outubro de 2002. fundada no século III a. tendo o projeto se inspirado na antiga Biblioteca de Alexandria. na qual os arqueólogos descobriram treze salas de leitura com capacidade para cerca de cinco mil estudantes. mas locais de leitura. que lhes transmitia seus conhecimentos. pautados na verdade da fé e nos estudos filosóficos da Antiguidade. A concepção da biblioteca como centro de convergência de culturas diversas e abertura ao conhecimento foi retomada nos anos 80 pelo projeto de construção da Biblioteca Alexandrina. DISPONÍVEL EM: <HTTP://WWW. no Egito.Na Grécia e Roma antigas havia escolas para formar especialistas em Direito. físicos e matemáticos.HTM>. inclusive autonomia. Abriga um planetário. no Egito. [. Essas universidades eram corporações. Filosofia e Retórica. tais como geógrafos. não nos moldes como conhecemos hoje. no qual a Igreja Católica foi responsável pela unificação do ensino em virtude da preocupação em formar o clero e prepará-lo para a ação política e religiosa. 2009. a Biblioteca de Alexandria chegou a ter 400 mil volumes e abrigava um museu que funcionava como centro de pesquisa – mantido pelo governo – onde trabalhavam profissionais de várias áreas. A universidade medieval construía conhecimentos dogmáticos. como a Biblioteca de Alexandria. com apoio da UNESCO. formando as escolas. admitiase como indiscutível que as universidades deviam se concentrar na transmissão do conhecimento e não em sua descoberta.C. astrônomos. Tinham privilégios legais. por exemplo. mas já se podia perceber o hábito das discussões abertas e dos debates públicos. três museus e quatro galerias de arte. e cada uma reconhecia os graus conferidos pelas demais.. Os aprendizes – chamados de discípulos – se reuniam em torno de um mestre. o monopólio da educação superior em suas regiões. ACESSO EM: 16 AGO..

. a autonomia e a liberdade da administração da instituição e da ciência que ela produz. porém autônoma. pois “foram os homens da indústria que reconheceram que a aplicação do conhecimento científico aos seus inventos seria fator diferencial no desenvolvimento. Para Rohden. Humboldt – no documento mencionado – faz observações sobre o dimensionamento do estudo científico que parecem direcionar os estudos na Universidade apenas para a investigação científica. a relação integrada.supunha-se que as opiniões e interpretações dos grandes pensadores e filósofos do passado não podiam ser igualadas ou refutadas pela posteridade. 2003. p. tendo-os como verdades constituídas. A partir de suas ideias. A definição da forma como a Universidade e as descobertas científicas poderiam atender às necessidades da sociedade capitalista industrial veio com a criação da Universidade de Berlim.. mas resguardando todo o conhecimento produzido anteriormente. harmonia e beleza intrínsecas”. fundada em 1808 pela iniciativa do linguista Wilhelm von Humboldt. Os princípios formulados por Humboldt fundam a universidade moderna e especificam as suas principais características adotadas até hoje. Assim. a universidade se tornou centro de pesquisa. 2008. a Universidade passou a integrar pesquisa e ensino. p. como a Matemática e a Lógica. “Compreender” e “conhecer” devem ser atraentes “não por meio de circunstâncias exteriores.] da precisão. p. 38). No contexto da Renascença e da Reforma Religiosa que caracterizaram a Idade Moderna. 31). para que cada pessoa 17 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . o autor explica que.. mas por meio [. presentes no texto “Sobre a Organização Interna e Externa das Instituições Científicas Superiores em Berlim” (1809). que contestou tal prática e deu uma conotação profissional às universidades. na organização e na produção industrial” (BRETAS. 2009. no século XVIII. para Humboldt. a complementaridade do ensino fundamental e médio com o universitário (PEREIRA. a contraposição dos segmentos burgueses e a expansão do comércio diversificaram o ensino. No século XIX. o objetivo é a formação de uma motivação própria.] (BURKE. O “pupilo” deverá ser estimulado para a “criação intelectual”. trazendo para a Universidade matérias mais empíricas. ainda sob a influência do pensamento iluminista. entre Estado e Universidade. Foi o Iluminismo. de tal forma que a tarefa dos professores se limitava a expor as posições das autoridades [.. tais como: a unidade entre ensino e pesquisa. 205). concretizando a associação entre o desenvolvimento industrial e ciência. Ao comentar a relação entre estudo e pesquisa. a interdisciplinaridade. com objetivos práticos capazes de aliar conhecimento e pesquisa.

que. em 1808. (FONTE: DISPONÍVEL EM: < HTTP://WWW. as primeiras universidades foram criadas no Brasil. 18 PATRÍCIA MOTA SENA . os brasileiros estudavam na Universidade de Coimbra e eram. Em 1854 foram criadas as faculdades de Direito de São Paulo e de Recife. a partir de 1937. a junção de três ou mais faculdades legalmente estabelecidas se chamava Universidade. p. O mesmo aconteceu com a Universidade de Brasília (UNB). foi responsável pela promulgação da Lei nº 5. 2002. A ditadura varguista. em sua maioria. Ainda em 1808. Naquele mesmo período. sob influência do modelo norte-americano. foi criada a Faculdade de Medicina. ACESSO EM: 16 AGO. a Universidade de São Paulo (USP) foi fundada e a de Minas Gerais foi reestruturada.possa aspirar ao conhecimento e à compreensão a partir da sua iniciativa própria (ROHDEN. NA ITÁLIA. homens que desejavam seguir a carreira religiosa. que foi fechada com o golpe de 1964.BR/~REGINALDO/HISTORIA/SEMIN1/ UNIVERSIDADES/UNIVERSIDADES. A redefinição do conceito de Universidade aconteceu em 1968 em decorrência da Reforma Universitária. Grifos da autora).540/68.USP.HTM>. O CONCEITO DE UNIVERSIDADE NASCEU NAQUELE MOMENTO. já que as ditaduras são incompatíveis com os debates livres. INSTITUTO DE ANATOMIA DA FACULDADE DE MEDICINA DE BOLONHA. pesquisa e extensão. No século XX. Antes da chegada da Família Real.IFSC. NO PERÍODO MEDIEVAL AS ESCASSAS BIBLIOTECAS PERTENCIAM À IGREJA CATÓLICA. na Bahia. a partir de 1930. 23. 2009). Em 1934. rompeu com o processo ascendente de expansão das universidades. que trazia para a Universidade a ideia da integração entre ensino.

a utilização do termo epistemologia adquiriu conotação direcionada ao estudo das condições de produção do conhecimento científico sob olhar crítico quanto ao método. uma análise crítica a respeito da produção científica e de seus elementos constitutivos. 2009. 160). 06. Porém alguns autores. Promove. outra definição para epistemologia é trazida por Barros e Lehfeld. ciência). 19 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . + logos = teoria.2 CONTEÚDO 2. então. passaremos a examinar o próprio conhecimento. LEHFELD. conhecimento. estuda e avalia os fundamentos e a validade das ciências. pois consiste no exercício da reflexão e da análise da ciência sobre si mesma (BARROS. pois é preciso entender a realidade em que vivemos. explicação. analisa e avalia a sua construção tendo como ponto de partida o ser humano. A TEORIA DO CONHECIMENTO Agora que já estudamos um pouco sobre a Metodologia e a construção do conhecimento na formação da universidade ao longo do tempo. ressaltam que uma epistemologia abrangente se preocupará antes em estudar e elucidar a “categoria geral do conhecimento” como condição inicial para o entendimento dos elementos que compõem a produção dos diversos tipos de conhecimento. estuda os elementos que constituem o conhecimento. aspectos relacionados à Teoria do Conhecimento. ramo da Filosofia que problematiza essas e outras questões relativas ao ato de conhecer.1. ela está associada ao modo como compreendemos e descrevemos a realidade. a teoria do conhecimento também é chamada de gnosiologia (palavra derivada do grego gnose. (MOSER. Dessa maneira. que significa conhecimento) e de epistemologia (do grego episteme. a partir de agora. Para essa autora. Veremos. como Moser. p. p. E o ser humano é entendido como um ser cognoscente: um ser que CONHECE! PROBLEMATIZANDO O CONCEITO DE EPISTEMOLOGIA Epistemologia _________ episteme = ciência. 2006. p. à validade das conclusões e à pertinência das hipóteses (ARANHA. Para ele.1. 40).) De acordo com Maria Lúcia Aranha. pode ser entendida como uma “Ciência da Ciência”. inclusive caracterizando-os conforme seus domínios. Qual a sua natureza? Como nós – indivíduos social e historicamente constituídos – nos relacionamos com o conhecimento? Veremos que conhecer o mundo é próprio do ser humano. discutindo os postulados das reflexões e da objetividade nos variados métodos aplicados. que sugerem que a epistemologia. ao disponibilizar “instrumentos de crítica aos princípios e às elaborações do fato científico”. 2006. Coadunando-se com essa abordagem. orientando a ação e a reflexão dos investigadores na construção do conhecimento científico.

b) Desenvolvimento descontínuo do conhecimento científico: a história das ciências é marcada por rupturas. e Paulo Abrantes retoma seus principais aspectos. que são o conhecimento científico. 2009.. considerando a diversidade das ciências. p. fruto de um consenso provisório e instável’ (LEBRUN. o conhecimento comum pela percepção. 28). 13). por exemplo. o conhecimento ético e o conhecimento religioso. de suas condições de produção” (LAVILLE. ao passo que se nega. historiador da Filosofia: a) Pluralidade das ciências: a epistemologia considera cada ciência em particular como ‘um território autônomo. uma epistemologia abrangente lançaria luz sobre todos os domínios potenciais do conhecimento. Sob esse aspecto. o conhecimento matemático. epistemologia não poderia ser confundida com uma teoria geral do conhecimento. embora ela seja necessária e funcione como fundamento ao estudo epistemológico. O autor ressalta. conforme as ideias de Gerard Lebrun. DIONNE. mudanças radicais no consenso.[. em certo período.. Ao realizar o estudo da ciência como uma das possibilidades de conhecer a realidade. p. mas não dar contribuição alguma à compreensão de qualquer outro domínio potencial de conhecimento” (p. que é necessária a compreensão do significado do conhecimento como pressuposto para a discussão de um domínio particular de conhecimento. dessa maneira. nas normas. nas estratégias que caracterizam o trabalho científico numa determinada área. que deve se dedicar ao estudo do conhecimento científico. O sentido de epistemologia como área da Filosofia voltada para a compreensão dos métodos em ciência é parte de uma discussão originada entre filósofos e historiadores da ciência franceses. observando que “uma epistemologia de pouca envergadura pode lançar luz sobre a categoria do conhecimento perceptivo. a ideia de que há uma universalidade do método (ABRANTES. 69). o científico. o autor faz a crítica de que os epistemólogos contemporâneos têm se preocupado com a elucidação de um único domínio do conhecimento. de seus limites. 20 PATRÍCIA MOTA SENA . p.] idealmente. que rejeitam a utilização da denominação História da Ciência ou Filosofia da Ciência – com a palavra ciência utilizada no singular – como modo de afirmar a pluralidade dos campos científicos existentes. Desta forma. a epistemologia pode ser entendida como “estudo da natureza e dos fundamentos do saber. A ressalva feita por Paul Moser só pode ser entendida se localizada no centro dos debates sobre a ciência contemporânea. dessa forma. Tal noção de epistemologia pressupõe uma revisão da relação entre ciência e Filosofia. particularmente de sua validade. uma epistemologia ideal seria abrangente e maximamente explicativa (MOSER. 1999. 30). 2002. regido por normas intrínsecas. Nesse sentido. 1977).

70-71). Converte então a dúvida em método e começa duvidando de tudo. INATISMO E EMPIRISMO A questão que se coloca na teoria do conhecimento é. se faz necessária a análise de algumas questões que permeiam o entendimento do significado do próprio conhecimento. Assim. Questões essas que são essenciais como objetos de reflexão da epistemologia: O que é conhecimento? Como podemos conhecer? Qual (is) a(s) fonte(s) de conhecimento? Como conhecemos o que conhecemos? Por que conhecer? Para quê conhecer? Como o ser humano se relaciona com o conhecimento? Na época moderna. 2002. na busca de uma verdade primeira que não pudesse ser posta em dúvida. visa a exibir uma estratégia. desse modo. antes de estudar especificamente o conhecimento científico. das verdades deduzidas pelo raciocínio. em um primeiro momento. que. fruto de escolhas e decisões tomadas num trabalho coletivo) (ABRANTES. do testemunho dos sentidos. Percebemos. uma investigação histórica (os produtos teóricos das ciências sendo tratados como acontecimentos) e filológica (a análise de tais produtos. passaram a investigar as origens do conhecimento respondendo de duas maneiras as questões mencionadas. surgiram as correntes inatista e empirista. dos argumentos de autoridade. p.c) Dissolução da imagem tradicional do conhecimento científico enquanto conjunto de verdades: as ciências passam a ser vistas como ‘aventuras contingentes’ legitimando. da realidade do mundo exterior e até do seu próprio corpo. então. enquanto textos. Chega 21 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . filósofos. a seguinte: De onde vêm nossas ideias? A grande novidade introduzida por Descartes foi iniciar sua filosofia pela teoria do conhecimento. das afirmações do senso comum. como René Descartes e John Locke. Leia o texto de Maria Lúcia de Arruda Aranha e reflita sobre as questões que seguem.

Subjetivismo. termo cuja origem é a palavra grega empeiría. que significa ‘experiência’. enquanto a reflexão é a percepção que a alma tem daquilo que nela ocorre. sempre sujeita a enganos”. não poderemos saber se o que conhecemos é verdadeiro ou falso se não tivermos um critério seguro. Também podemos dizer que se trata de um idealismo e um subjetivismo. uma cera na qual não há nenhuma impressão. como ideias inatas. logo existo’ (cogito. Segundo Locke. Maria Lúcia de A. Por isso sua teoria ficou conhecida como empirismo. a reflexão se reduz apenas à experiência interna e resulta da experiência externa produzida pela sensação. mas já se encontram no espírito humano. Em resumo. Filosofia da Educação. na razão. E esse critério está em nosso espírito. uma tábua sem inscrições. Tampouco significa que o racionalismo exclua a experiência sensível. que já nascem com o sujeito. uma intuição primeira. como as ideias mudam? . não sujeitas a erro. constatamos que. 2006. diante dos polos sujeito – objeto. porque o conhecimento só começa após a experiência sensível. 160-161). Isso não significa que o empirismo despreze a razão. Ao compararmos essa concepção empirista com o racionalismo. Daí em diante. p. enquanto Locke destaca o papel do objeto. A corrente empirista. no sujeito e se apresenta na forma de ideias. ergo sum). porque para ele a realidade se encontra em primeiro lugar no espírito. ARANHA. qual seja a existência de um ser que duvida e que. Portanto. idealismo. isto é. São Paulo: Moderna. A sensação é o resultado da modificação feita na mente por meio dos sentidos. mas sim que a subordina ao trabalho anterior da experiência. há duas fontes possíveis para as nossas ideias: a sensação e a reflexão.então a uma verdade indubitável. Descartes enfatiza o papel do sujeito. racionalismo. se o conhecimento é uma maneira de entrarmos em contato com a realidade. a partir das quais podemos conhecer todo o resto: por isso sua filosofia é dita racionalista. o filósofo descobre ideias claras e distintas.A razão pode mudar ideias que eram consideradas universais e verdadeiras? 22 PATRÍCIA MOTA SENA . porém. numa série de intuições. que. mas criticou as ideias inatas de Descartes ao afirmar que a alma é como uma tabula rasa. inatismo. segue outro caminho. São ideias verdadeiras. .Se as ideias inatas são verdadeiras e não estão sujeitas ao erro porque vêm da razão. apriorismo são conceitos que designam a teoria do conhecimento cartesiana. pois vêm da razão. mas apenas a considera ocasião do conhecimento. pensa: ‘penso. ideias gerais que não derivam da experiência. para os aprioristas. [John] Locke foi influenciado pelo pensamento cartesiano. se duvida. privilegia o primeiro.

• O ser humano e o conhecimento Vamos começar refletindo sobre o que é o ser humano? Vamos pedir um auxílio a alguns intelectuais. tanto social como historicamente. para que possamos buscar entender um pouco mais essa questão! A partir do século XIX. que é igualmente transposto para a ciência). transformando-a em benefício de suas necessidades. p. Para complementar essa discussão podemos retomar os questionamentos que mencionamos anteriormente e nos perguntar: O que nos faz querer conhecer? Conhecer é uma ação arbitrária. transformando o próprio homem e alterando. Ele pode criar sua própria vida. E tal relação somente é possível na medida em que o ser humano se relaciona com outros indivíduos. passaram a considerar o ser humano como um ser social. eventual. ela se caracteriza como social (ANDERY et alli. Mas o ser humano não se constrói apenas na relação que estabelece com o mundo. 2004. é um ser de consciência e ação. Não podemos perder de vista o aspecto histórico dessa relação entre os seres humanos (homens e mulheres) ao longo do tempo. e mesmo quando a atividade humana imediata é individual. nesse sentido. transforma-se. embora distintos. inclusive. 407). mantendo uma forte relação com sua realidade material e concreta. a sociedade e o homem. constrói conhecimento e se reconstrói permanentemente. Vamos lá: Além da relação entre homens ser fundamental para se poder falar de homem. capaz de refletir sobre sua própria condição e melhorar suas condições de vida. produzem-se reciprocamente. as suas necessidades: essas necessidades são tão mais humanas quanto mais o homem (mesmo mantendo a sua individualidade) for capaz de se reconhecer no coletivo. isto é. entenda a aplicação do termo “homem” como ser humano universal. constituem uma unidade. homens e mulheres. estamos em constante transformação.. uma vez que ele universaliza e generaliza o ser humano a partir de um referencial masculino. é no processo de satisfação das necessidades materiais que o ser humano transforma o meio em que vive. Desta forma. filósofos. estudiosos da condição humana. com a natureza. essa relação é histórica. ou é resultado de uma escolha? Conhecemos para quê? 23 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . o ser humano também se constrói na relação que estabelece consigo mesmo.. como Karl Marx. (Gostaria de ressaltar que estudos de gênero têm problematizado a utilização desse termo nas discussões científicas e na linguagem como um todo. com o surgimento do materialismo histórico. que pode praticar atividades livres e conscientes: o ser humano como processo de seus atos. que. Pois é. Segundo Marx. pois ela se transforma! Na citação a seguir e na subsequente.

80 apud PASSOS. pergunta: “Qual o sentido que essas coisas têm para nós?” O homem não só tem uma mente e necessita de um sistema de orientação que lhe permita compreender e estruturar o mundo que o rodeia. finalidade e razão de ser. Desse modo. p. o ser humano possui duas dimensões: a “mente” e o “coração”. não como um ser isolado.] Para Ruiz. Para ele. ou seja. 24 PATRÍCIA MOTA SENA . E para que possamos compreender um pouco mais a dimensão dos sentidos na busca do conhecimento pelo ser humano. ele também tem um coração e um corpo que precisam ser ligados emocionalmente ao mundo – ao homem e à natureza (FROMM. que é a totalidade das coisas conhecidas pelo sujeito. 2005. É através desses laços que o ser humano constrói a sua individualidade. Conhecer. 2002). precisa também estabelecer laços com aqueles que o cercam. o homem torna-se o ser verdadeiro capaz de olhar o mundo e vê-lo. que é o aspecto racional. 79-80).. vamos acompanhar o pensamento de Eric Fromm. Por COISA. com reconhecimento do que vê e com atribuição de significado aos seres e às coisas” (TEIXEIRA. no cenário da vida. possui faculdades intrínsecas e extrínsecas que lhes possibilitam conhecer e pensar no atendimento às suas necessidades humanas básicas. Entende-se por SER tudo aquilo que existe ou que se supõe existir. COMO CONHECEMOS O MUNDO? O ser humano. que é a dimensão sensorial. Diferentemente dos outros animais. saber e ter conhecimento é apreender os seres e as coisas. A mente. p. a apropriação da realidade. seja ele qual for. questiona: “Qual a natureza das coisas?” e o coração. e o IDEAL.. 1977. representa. tudo aquilo que existe ou poderia existir.Bem. Assim é que a apropriação da realidade inclui o REAL. O ser humano precisa compreender de que se trata a vida humana e. o ser humano também necessita de uma dimensão individual que permita que ele seja capaz de sentir e significar o mundo que o cerca. mas como um ser que conhece a partir de suas relações com o outro. o ser humano não se preocupa apenas em garantir as suas necessidades físicas e sua sobrevivência. o que existe realmente independente do nosso pensamento. [. conhecer e pensar colocam o universo ao nosso alcance e lhes dão sentido. aquilo que existe apenas em nosso pensamento de modo imaginário ou fictício. em sua plenitude. O conhecimento. ou seja. Ambas ligam o ser humano à realidade. para tanto.

uma vez que pode se transformar em consciência social. trazer à luz a realidade. que quem conhece consegue se apropriar do objeto que conheceu? Bem. Para Barros e Lehfeld (2006. buscando o sentido das coisas. 48). o conhecimento pode ser compreendido como “a manifestação da consciência-de-conhecer. RESULTADO: é o conhecimento propriamente dito. eliminando o conformismo. Essa luz é a luz da inteligência. p. conhecer pode ser entendido como elucidar a realidade. do ponto de vista da origem da palavra. que significa trazer à luz. podemos nos perguntar: O que é conhecimento? Em geral. que nos facilite e nos melhore o modo de viver. O sujeito é capaz de se apropriar. Nesse sentido. pois nos diz apenas onde obtemos conhecimento. Desse modo. Essa palavra vem acompanhada do prefixo reforçativo “e”. o conhecimento se configura como um instrumento de mudança. de explicar o mundo exterior. 25 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . A palavra “elucidar” deriva do latim lucere. mas é insatisfatória. a esse ser que conhece chamaremos de sujeito! • Elementos do processo do conhecimento SUJEITO: é o ser humano que construiu inteligibilidades que permitem compreender um fenômeno da realidade. O ato de conhecer como elucidar é o esforço de entender a realidade. iluminar com intensidade.. iluminar. explicando-o”. De forma mais simplificada. elucidar significa trazer à luz muito fortemente.] é produto de um enfrentamento do mundo realizado pelo ser humano que só faz plenamente sentido na medida em que o produzimos e o retemos como um modo de entender a realidade. que pode tornar a realidade clara e cristalina. 30). diz-se que o conhecimento existe quando a pessoa ultrapassa o “dado” vivido. Podemos dizer. p. então. Esse dado vivido pode ser uma parcela do real. ATO DE CONHECER: é o processo de interação entre sujeito e objeto. com nossos professores e com os pais. OBJETO: é o mundo exterior ao sujeito. pensamos que conhecimento é tudo o que aprendemos nos livros. o conhecimento [. um fenômeno ou acontecimento que passaremos a chamar de objeto. favorecendo a autonomia e o senso crítico. Podemos entender conhecimento como elucidação da realidade.Já que estamos falando de conhecer o mundo. Então.. Essa resposta não é equivocada. Para Luckesi (1996.

. compreensível. com o mundo exterior.A existência do sujeito e do objeto é relacional. que se constitui na relação que estabelece com o sujeito. Essa interação pode acontecer por meio da investigação. 55). contudo. O resultado é o conhecimento propriamente dito. Pessoas diversas podem observar no mesmo fato fenômenos diferentes. acaba por formular concepções e referenciais sobre as relações de homem e mundo e sobre a existência humana percebida em sua dinâmica (. Os conceitos não nascem de dentro do sujeito. A partir da relação sujeito – objeto o ser humano pode transformar o meio em que vive. O mesmo é válido para o objeto.). Os fatos acontecem na realidade. quando existe um observador. Cabe ao pesquisador eleger uma parcela da realidade a qual deseja desvendar. isto é. o conhecimento. dependendo de seu paradigma que..) de mútua e constante transformação” (BARROS e LEHFELD. Mas a realidade pode ser compartimentalizada? Vejamos como Barros e Lehfeld apreendem as diversas instâncias do real.. explicitar o que é fato e fenômeno dentro da perspectiva a ser considerada para a aplicação dos métodos científicos (. A compreensão de um determinado fato ou fenômeno estudado (objeto) e que já pode ser exposto.. O ato de conhecer é o processo de interação entre sujeito e objeto. a percepção que ele tem do fato é que se chama fenômeno. “É necessário. reelaborado e reavaliado.. 26 PATRÍCIA MOTA SENA . p. pode ser revisto. comunicado. Mas esse produto. 2000. de uma ou de outra forma. compartilhado. independentemente de haver ou não quem os conheça.. da utilização de vários recursos que visam dar forma e conferir sentido ao objeto: compreendê-lo. mas. FATOS E FENÔMENOS A realidade se apresenta de maneira multifacetada e possui variados aspectos que podem se constituir em objeto de investigação científica. mas da relação que ele mantém com o objeto. o sujeito só existe na sua relação com o objeto. pois a construção de conhecimento é um processo dinâmico e crítico. É a explicação sintética produzida pelo sujeito por meio de um esforço de análise metodológica da realidade que a torna inteligível.

TIPOS DE CONHECIMENTO O ser humano se relaciona com o mundo de diferentes formas e. • Conhecimento popular ou senso comum (FONTE: JARDIM DA FILOSOFIA. É construído a partir das experiências que todo ser humano acumula em sua vida.HTML .1. Ninguém precisa estudar lógica e aprofundar-se nas teorias sobre a validade científica da indução ou nas leis formais do raciocínio dedutivo para ser natural e vulgarmente lógico. a seguir.COM/2008 _ 08_01_ARCHIVE. ninguém precisa devotar-se aos estudos mais avançados da psicologia para inte- 27 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . da cultura e dos saberes que obteve pessoalmente ou por meio do contato com outros indivíduos. Tais experiências atingem a aparência dos fatos sem análise crítica ou demonstrações. decorrente das tradições.. alguns tipos de conhecimento que permeiam as relações entre os indivíduos e a realidade.BLOGSPOT. sendo superficial e assistemático porque é produto de ações não planejadas e não se organiza a partir da sistematização das ideias.3 CONTEÚDO 3. ACESSO EM 17 AGO. para tanto. Veremos. aplica e constrói diversos tipos de conhecimento por meio dos quais interage e contribui para a construção social do meio em que vive.1.] para qualquer homem. É aquele que resulta do modo espontâneo de conhecer e que obtemos no cotidiano. Como afirma Ruiz [. mas nós mesmos o organizamos de acordo com as nossas experiências. 2009) Também é denominado de conhecimento vulgar ou de conhecimento empírico. a porção maior de seus conhecimentos pertence à classe do conhecimento vulgar.. DISPONÍVEL EM: HTTP://DUVIDA-METODICA.

p. Esse tipo de conhecimento não busca as causas dos fenômenos e não se constitui como produto de uma reflexão. 78-79) também consideram que o conhecimento filosófico não pode ser submetido à experimentação por ser caracterizado “pelo esforço da razão pura para questionar os problemas humanos e poder discernir entre o certo e o errado. 2009). que se transformam lentamente de acordo com os acontecimentos casuais com os quais ele se depara. constituindo um conjunto de enunciados relacionados logicamente. A compreensão filosófica pretende construir conhecimentos que orientem a ação humana. Dizemos que o conhecimento filosófico é valorativo porque. na sociedade. • Conhecimento Filosófico Este tipo de conhecimento utiliza procedimentos racionais e reflexivos na elaboração de críticas da realidade. ao contrário do que ocorre no campo da ciência.grar-se na família. unicamente recorrendo às luzes da própria razão humana”. 78). p.] uma vez que as convicções são subjetivas e se traduzem por uma firme adesão da mente a enunciados evidentes ou não. 96). p. LAKATOS. verdadeiros ou não (RUIZ. 2008.. não podem ser confirmados nem refutados” (MARCONI. Por exemplo: o homem do campo sabe plantar e colher de acordo com os ensinamentos e os costumes locais. Marconi e Lakatos (2009. no trabalho. pois nasce da tentativa dos indivíduos de resolver problemas da vida diária. e “os enunciados das hipóteses filosóficas.WORDPRESS. (FONTE: DISPONÍVEL EM: <HTTP://FILOSOFIAUNICO. A Filosofia contribui para o ser humano adquirir consciência de si mesmo. na medida em que questiona e reflete sobre a condição humana. ninguém precisa ser teólogo para adotar uma religião [. da reflexão. 28 PATRÍCIA MOTA SENA . isto é. ADOTAR UMA ATITUDE QUESTIONADORA ANTE A REALIDADE E NÃO SE CONFORMAR COM A APARÊNCIA DAS COISAS SÃO PASSOS IMPORTANTES PARA A SUPERAÇÃO DO SENSO COMUM. 2009.. ele distingue os valores que norteiam as ações humanas. Dizemos que é um conhecimento não verificável porque nasce do exercício do pensamento sobre si mesmo. ACESSO EM: 18 AGO.COM/2009/04/20/DO-SENSO-COMUM-A-FILOSOFIA>.

resolvesse investigar: O que é a quantidade? O que é a qualidade? E se. quisesse saber: O que é o sonho? A loucura? A razão? Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente suas perguntas. jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. nossa existência. alguém que tomasse uma decisão muito estranha e começasse a fazer perguntas inesperadas. Em vez de "que horas são?" ou "que dia é hoje?". em vez de afirmar que gosta de alguém porque possui as mesmas ideias. E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas. inquirisse: O que é o amor? O que é o desejo? O que são os sentimentos? Se. teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam. Ao tomar essa distância. perguntasse: O que é o tempo? Em vez de dizer "está sonhando" ou "ficou maluca". por: O que é a objetividade? O que é a subjetividade?. os valores. a um filósofo: “Para que Filosofia?”. Assim. sem maiores considerações”. as mesmas preferências e os mesmos valores. por: O que é “mais”? O que é “menos”? O que é o belo? Em vez de gritar “mentiroso!”. agora. uma primeira resposta à pergunta “O que é Filosofia?” poderia ser: A decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas. “Esta casa é mais bonita do que a outra”. por: O que é causa? O que é efeito?. as ideias. há fogo”. ou “eles são muito subjetivos”.A ATITUDE FILOSÓFICA Imaginemos. preferisse analisar: O que é um valor? O que é um valor moral? O que é um valor artístico? O que é a moral? O que é a vontade? O que é a liberdade? Alguém que tomasse essa decisão estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo. estaria interrogando a si mesmo. as situações. em lugar de discorrer tranquilamente sobre “maior” e “menor” ou “claro” e “escuro”. Esse alguém estaria começando a adotar o que chamamos de atitude filosófica. os mesmos gostos. “seja objetivo”. por que sentimos o que sentimos e o que são nossas crenças e nossos sentimentos. suas afirmações por outras: “Onde há fumaça. ou “não saia na chuva para não ficar resfriado”. Perguntaram. certa vez. silenciosamente. questionasse: O que é a verdade? O que é o falso? O que é o erro? O que é a mentira? Quando existe verdade e por quê? Quando existe ilusão e por quê? Se. os comportamentos de nossa existência cotidiana. desejando conhecer por que cremos no que cremos. os fatos. 29 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . em vez de falar na subjetividade dos namorados.

O que Deus falou. possuindo um caráter inspiracional. é natural que não se procure a evidência dos conteú- 30 PATRÍCIA MOTA SENA .pop. a relação que o indivíduo estabelece com o conhecimento religioso “passa a ser um ato de fé. e são suficientemente claros e explícitos para que possamos entender hoje quanto foi escrito a dois. Os textos bíblicos são autênticos. então. Deus tem poder infinito e. com. a toda a Humanidade. constitui uma verdade inconteste. Disponível em: <http://www. A característica fundamental desse tipo de conhecimento é a aceitação do dogma. 7. 2009. por seu próprio conceito. pois a visão sistemática do mundo é interpretada como decorrente do ato de um criador divino. Por isso.br/03_filosofia/03_01_convite_a_filosofia/convite_a_filosofia. p. 79). tem o poder de se comunicar com os homens.htm>. 2.CHAUI. Acesso em: 16 ago. não foram adulterados. Veja o quadro a seguir com algumas premissas do conhecimento teológico. pelos profetas. 4. Deus existe. considerando a tradição judaico-cristã: PASSOS DO CONHECIMENTO TEOLÓGICO 1. Deus falou de fato aos profetas e.. 8. a revelação direta a alguns profetas e hagiógrafos que se comunicariam depois com outros homens. reveladas. Marilena. Se tudo o que está na Bíblia encerra a própria ciência divina comunicada por Deus aos homens. 5. cujas evidências não são postas em dúvida nem sequer verificáveis”. 3. se Deus merece todo crédito e exige que os homens recebam a sua palavra e aceitem como condição de salvação. quatro ou mais milênios. fazendo-os participantes de seus conhecimentos. Entre as diversas maneiras de se comunicar com os homens poderia escolher a revelação direta a cada um. Convite à Filosofia. Segundo Marconi e Lakatos (2009. a todo o seu povo e. • Conhecimento Religioso O conhecimento religioso também é denominado de teológico e se fundamenta na autoridade divina. Deus tem ciência infinita.pfilosofia. ou parte do que Deus falou. pelo seu Filho Jesus Cristo. falando ou escrevendo sob inspiração divina. está escrito nos textos das escrituras sagradas do antigo e novo testamentos [. 6. que. no sobrenatural. portanto. Apoia-se em doutrinas sagradas. ou. fornecendo um conhecimento sistemático e objetivo acerca do mundo.. dizemos que suas verdades são infalíveis e indiscutíveis.].

pode-se questioná-lo quanto à sua origem e destino. deve ser comprovado. 6. 2009).BR / DADOS1/MATERIAS/4451.SAOBERNARDO.GOV. por exemplo.JPG. uma vez que novas proposições e o desenvolvimento de novas técnicas podem reformular os postulados científicos já existentes. ACESSO EM: 18 AGO. Importante considerar a ressalva que Marconi e Lakatos fazem quanto aos tipos de conhecimento. assim como quanto à sua liberdade. ed. o conhecimento científico requer um planejamento rigoroso. É um conjunto organizado de conhecimentos sobre determinado objeto. É importante destacar que essa não é a única forma válida de conhecer a realidade.SP. Ele nasce da dúvida e é factual. É verificável.dos da revelação divina. e possui uma relativa capacidade de previsão. Apesar da separação ‘metodológica’ entre os tipos de conhecimento popular. através de investigação experimental. • Conhecimento Centífico RESTAURAÇÃO DE DOCUMENTOS ANTIGOS. pois não se constitui em um tipo de conhecimento absoluto. filosófico. as relações existentes entre determinados órgãos e sua funções. no processo de apreensão da realidade do objeto. (RUIZ. porque lida com a ocorrência dos fatos e fenômenos. baseada no senso comum ou na experiência cotidiana. FONTE: DISPONÍVEL EM: HTTP://WWW. São Paulo: Atlas. que não exige sistematização porque nasce da experiência. religioso e científico. mas que se aceite o dogma “porque assim foi divinamente revelado. pode-se observá-lo como ser criado pela 31 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . pode-se tirar uma série de conclusões sobre sua atuação na sociedade. finalmente. João Álvaro. verificando. Para essas autoras. pode-se analisá-lo como um ser biológico. Distintamente do conhecimento popular. p. sendo obtido a partir da observação dos fatos e da investigação. isto é. 105). o sujeito cognoscente pode penetrar nas diversas áreas: ao estudar o homem. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. 2008.

enquanto o conhecimento vulgar normalmente gera certezas desde o seu nascimento. 32 PATRÍCIA MOTA SENA . cabe acrescentar que a divisão apresentada neste livro é composta pelas análises dos diversos autores que a utilizam como estratégia didática de compreensão das formas com as quais o ser humano lida com o conhecimento. metódico. o singular. no sentido de não exigir demonstração. enquanto o conhecimento vulgar não questiona. O conhecimento vulgar associa analogias globais e. com os outros e consigo mesmo. não procede com vigor de método ou de linguagem. não analisa. enquanto o conhecimento vulgar é comum e possível a todo ser humano [.. 2008. João Álvaro. ed. está mais sujeito ao erro nas deduções e nos prognósticos. 6. enquanto o conhecimento científico justifica e demonstra os motivos e fundamentos de sua certeza.divindade.. objetivo. LAKATOS.]. portanto. O conhecimento vulgar gera certezas intuitivas e pré-críticas. não raro se trata de certezas ingênuas de um realismo pré-crítico [. O conhecimento científico é crítico. p. por isso. O conhecimento vulgar atinge o fato... O conhecimento científico é programado. CARACTERÍSTICAS QUE CONTRAPÕEM O CONHCIMENTO CIENTÍFICO AO CONHECIMENTO VULGAR O conhecimento científico é privilégio de especialistas das diversas áreas das ciências. O conhecimento científico nasce da dúvida e se consolida na certeza das leis demonstradas. enquanto o conhecimento científico procura as relações entre os componentes do fenômeno para enunciar as leis gerais e constantes que regem estas relações. está menos sujeito ao erro nas deduções e prognósticos. ametódico. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. Vale dizer que o conhecimento vulgar atinge as coisas. enquanto o conhecimento científico estabelece leis válidas para todos os casos da mesma espécie que venham a ocorrer nas mesmas condições. assistemático. e meditar sobre o que dele dizem os textos sagrados (MARCONI. e. o fenômeno e. p.]. (RUIZ. 97). sistemático. 2009. rigoroso. que consideram a coexistência dos tipos de conhecimento estudados em um mesmo indivíduo como produto das relações que estabelece com o mundo. orgânico. Dessa maneira. enquanto o conhecimento vulgar é ocasional. São Paulo: Atlas. e é mais fiducial e de aceitação passiva que objetivo. à sua imagem e semelhança. portanto. enquanto o conhecimento científico estuda sua constituição íntima e suas causas. 80). e não concatena a congérie fragmentária de conhecimentos em corpo ordenado de enunciados logicamente interrelacionados e subordinados uns aos outros.

Antes do surgimento do pensamento filosófico.C. as explicações mitológicas do mundo predominavam. cada período da História forneceu explicações diferenciadas de ciência e métodos próprios de cada período. buscando a melhor maneira de superar os desafios. o mito apresenta uma espécie de comunicação de um sentimento coletivo. seja de partes dessa realidade. os seres humanos passaram a investigar. Veremos. a origem. Desta forma. pois os deuses eram antropomórficos (possuíam qualidades e defeitos humanos). buscando conhecer o POR QUÊ e o PARA QUÊ com o objetivo de compreender a natureza das coisas e do ser humano. O QUE É UM MITO? O mito é uma narrativa que pretende explicar. ao contrário. de fé. não é objeto de crítica. ao longo do processo histórico. até século XVI) Os gregos foram os primeiros a buscar um conhecimento que não tivesse relação imediata com a resolução de problemas diretamente cotidianos. como a ciência foi vista na Antiguidade. Como as crenças e a mitologia passaram a não responder a todos os questionamentos humanos. buscando respostas por caminhos que pudessem ser comprovados. é transmitido por meio de gerações como forma de explicar o mundo. Assim nasceu o método em ciência. ela une e canaliza as emoções cole- 33 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Além disso. por meio de forças ou seres considerados superiores aos humanos. ela é objeto de crença.4 CONTEÚDO 4. O aparecimento dos filósofos na Grécia foi responsável pela contestação e pelo questionamento dessa visão de mundo. explicar a natureza que o cerca e a sua própria natureza. Debruçaram-se sobre o próprio pensamento. na Idade Moderna e na Idade Contemporânea. Assim. conseguiu dar respostas e avançar na compreensão do mundo. O entendimento do ser humano sobre o mundo passou da temeridade e do espanto para a tentativa de explicar a realidade por meio do pensamento mitológico e da crença no sobrenatural. seja de uma realidade completa como o cosmos. • A concepção grega (século VIII a. a seguir. Tal narrativa não é questionada.1.1. As ações de homens e mulheres eram explicadas pela interferência divina. pretende também explicar os efeitos provocados pela interferência desses seres ou forças. CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA O ser humano. explicação que não é objeto de discussão. sempre se esforçou em compreender a realidade.

porque. para eles. pois. Atenas passou a receber mestres e filósofos de outras cidades-estado. pois ele passara a expressar a individualidade do seu pensamento. havia uma lei que regia todos os fenômenos. pois não poderiam fornecer explicações concretas. A passagem do mito à razão e a presença dos filósofos da natureza constituíram processos que foram acompanhados de outras transformações. Os sofistas. a Filosofia libertou o conhecimento da religião e deu o primeiro passo em direção a uma forma científica de pensar. Os filósofos surgiram em Atenas. tranquilizando o homem num mundo que o ameaça. na medida em que fixa a palavra. Para tanto. p.tivas. Sem poder explicá-las. mas queriam descobrir os mistérios e as causas dos fenômenos naturais a partir da observação. Essa foi uma forma de questionar a mitologia como explicação das relações humanas. as pessoas recebiam uma educação que incluía a arte de falar bem. 2004. não analisavam a vida material sob o ponto de vista da mitologia. O surgimento da escrita possibilita a prática de uma maior abstração. estimulando o pensamento crítico. É indispensável na vida social. nem mesmo a Filosofia. a Retórica. A invenção da moeda – que é a representação abstrata de um valor – e o nascimento da pólis conferiram maior autonomia ao homem. Quando Protágoras afirmou que “o homem é a medida de todas as coisas”. Para que essa participação fosse exercida. com o exercício de uma democracia participativa praticada nos tribunais e assembleias. A Filosofia surgiu como uma discussão da realidade que não era questionada pelos mitos. da medição e da comprovação. que se mantinham lecionando para os cidadãos atenienses. para eles. Essa cidade-estado possuía uma vida política e cultural muito intensa. em geral. poderia encontrar respostas realmente seguras sobre as transformações da natureza. leva os indivíduos a refletirem sobre ela e isso modificou a estrutura do pensamento. eles partiram para o estudo do ser humano e da vida em sociedade. A principal característica dos sofistas era a visão crítica que eles possuíam sobre a mitologia. ele sugeria que os valores deveriam ser avaliados em relação às necessidades do homem. A escrita exige maior clareza e rigor. centro cultural do mundo grego. uma vez que permitia a retomada daquilo que foi escrito. O homem do Renascimento contestava a ideia grega de que o conhecimento poderia ser atingido apenas por meio da reflexão e passou a in- 34 PATRÍCIA MOTA SENA . nada. pois. Desta forma. 20). especialmente os sofistas. na medida em que fixa modelos da realidade e das atividades humanas (ANDERY. • A concepção moderna (século XVII até o século XX) A concepção moderna de ciência propõe a conquista do conhecimento por meio da experimentação.

Essa ruptura foi motivada pela retomada dos resultados obtidos por cientistas como Galileu e Newton. A ciência moderna realizou uma ruptura com a Filosofia e com a religião. se deixaram levar pelo deslumbramento e fizeram com que a ciência e a técnica se desviassem da sua destinação de aprimorar a qualidade da vida humana. impondo seus dogmas como verdadeiros. Encostando cuidadosamente as bolas ao parapeito. na presença de toda a universidade e de populares. no instante seguinte. Esse era o método empírico.vestigar a natureza aplicando a observação e a experimentação. maravilhados com a eficácia da técnica. dominou a produção e o acesso ao conhecimento. O cientificismo é a confiança total na ciência. em grande medida. Ele declarou que o peso nada tinha a ver com o assunto e que […] dois corpos com peso diferente […] cairiam no chão ao mesmo tempo. por muito tempo. As demais formas de entendimento da realidade. medir e comprovar na tentativa de entender e transformar a natureza. uma com um peso de cinquenta quilos e outra com um peso de meio quilo. ilustradas pelos corpos em queda livre. a desdenhar a preocupação dos filósofos medievais com a preservação da obra dos grandes filósofos clássicos. que. foram desprezadas e consideradas formas menores de conhecimento. Na manhã do dia combinado. Convidou toda a universidade para testemunhar a experiência que ele estava prestes a realizar a partir da torre inclinada. ele resolveu submetê-la a um teste público. Na Idade Moderna. Ninguém parece ter questionado a correção dessa regra. com um grande estrondo. viram-nas cair uniformemente e. A primeira prova de força de Galileu com os professores universitários esteve ligada às suas pesquisas sobre as leis do movimento. esses estudiosos levaram os filósofos da época a exaltar o valor da experimentação e. a ciência passou a ser vista como sobreposta às diversas outras formas de conhecer. com o rigor do saber e com o avanço nas descobertas científicas. como se ela fosse a resposta correta e única para os problemas humanos. O método empírico pressupõe que o conhecimento advém da experiência e o Renascimento trouxe experimentos sistemáticos com os quais os homens podiam experimentar. atin- 35 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Aceitava-se o axioma de Aristóteles segundo o qual a velocidade dos corpos em queda livre era regulada pelos seus pesos respectivos: assim. Galileu. uma pedra que pesasse um quilo cairia duas vezes mais depressa que uma pedra que só pesasse meio quilo e assim por diante. largou-as juntas. Tal ponto de vista deu origem a dois mitos da ciência: o cientificismo e a neutralidade científica. a Filosofia e o senso comum. Como os professores zombavam da afirmação de Galileu. Considerados grandes experimentadores. Esses mitos atingiram leigos e cientistas que. até Galileu a ter rejeitado. foi para o topo da torre levando consigo duas bolas. valorizando a racionalidade científica. tais como a religião.

Se perguntarmos a um professor o que ele considera importante fazer para que seu aluno aprenda de fato. Embora o cientista tente produzir conhecimento desvinculado de ideologias.2006. política ou econômica. político e cultural que a rodeia.criticanarede.giram o solo ao mesmo tempo. tinha marcado a sua posição. Atualmente. Uma perspectiva de senso comum amplamente defendida sobre a ciência. Disponível em: CHALMERS.com/cienciaefactos. como foi o caso das pesquisas que levaram à bomba atômica. • Concepção contemporânea (século XXI) A ciência contemporânea pauta-se na incerteza e rompe com o cientificismo. Disponível em: www. Por isso vamos dar alguns exemplos. de acordo com o ramo ao qual pertencem. A ideia da neutralidade científica é extremamente nociva porque pode gerar uma postura passiva e não questionadora no cientista em relação a sua profissão e às implicações éticas da produção científica. A velha tradição era falsa e a ciência moderna. Muitos pensavam que a ciência era um saber neutro e que as pesquisas científicas não deveriam sofrer influência social. a humanidade corre riscos com as pesquisas tecnológicas. pois a produção científica não se realiza fora do contexto social. Alem disso. F. na pessoa do jovem investigador. existem instituições e empresas que financiam investigações que mais lhe interessam. Uma das possibilidades da ciência hoje é articular a produção científica com a ação pedagógica de forma a transformar a práxis de acordo com as referências epistemológicas da atualidade. ele poderá dar as seguintes respostas: 36 PATRÍCIA MOTA SENA . A. Leia atentamente o texto a seguir: A EPISTEMOLOGIA E A PRÁXIS PEDAGÓGICA Talvez o leitor ainda não esteja muito convencido da ligação intrínseca entre as questões epistemológicas e a práxis educativa em sala de aula. O discurso da neutralidade científica permitiu que o conhecimento científico fosse apropriado com fins altamente destrutivos. A neutralidade científica é outro mito da ciência moderna.html Acesso em: 01 de ago. Reflexões posteriores demonstraram que não é bem assim que ocorre. pois a perspectiva crítica e autoavaliativa da ciência contemporânea questiona a que fins se destinam as suas descobertas sem alegar isenção. ela adota a indução para se certificar e confirmar seus estudos. a teoria da neutralidade científica não se sustenta. Ao contrário da concepção moderna.

2. 6. 5. ele enfatiza o aspecto pessoal e dinâmico do processo de conhecer. É importante que o professor saiba transmitir bem o conhecimento acumulado na cultura a que pertence. ao considerar o gosto de conhecer um elemento inato. nos dois primeiros exemplos. O bom professor é capaz de despertar no aluno o gosto pelo estudo. Filosofia da educação. O esforço do professor é irrelevante diante de alunos carentes. 3 e 4 fundamentam-se na tendência empirista. O professor deve premiar quem trabalha bem e punir com nota baixa quem não se esforça.165. Maria Lúcia de Arruda. São Paulo: Editora Moderna. 2. O aluno precisa estudar bastante. determinado pelo meio em que se insere. 37 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . p. vindos de famílias sem tradição cultural. Expressões como transmitir e treinar. que precisaria ser revelado. assim como ao se referir a algo em potência que pode vir à tona. em que o ensino se baseia em reforços positivos e negativos que modelam os reflexos condicionados. O terceiro exemplo é empirista também porque reforça a passividade do sujeito. a fim de criar situações para que ele aprenda por si próprio. fruto de um mundo externo hostil no qual ele está mal alimentado e mal informado. mas se faz por estágios. O professor deve desenvolver as potencialidades que todo aluno tem. 7. na medida em que parte do pressuposto de que o conhecimento do aluno não é o mesmo para todos nem é estático. 3. Os exemplos 1. Já o quinto e o sétimo exemplos se caracterizam pelo apriorismo. são bastante reveladoras do caráter externo do processo. porque partem do pressuposto de que o conhecimento é algo que vem de fora e o sujeito o recebe de maneira mais ou menos passiva. O professor precisa saber qual é o estágio de desenvolvimento intelectual do aluno com o qual vai trabalhar. treinando o suficiente para fixar o que aprendeu. conforme o caso.1. além disso. 2006. ARANHA. mal alimentados. 4. O sexto exemplo revela uma tentativa de superação das duas posições. O empirismo do quarto exemplo apresenta ainda características típicas do behaviorismo.

38 PATRÍCIA MOTA SENA .

MAPA CONCEITUAL 39 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

seja na forma como as pessoas lidam com ele. Comece o seu estudo de caso resumindo as principais características de cada tipo de conhecimento estudado: Resumo: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Tipo de conhecimento escolhido: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Problema: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Dados Obtidos na Observação: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 40 PATRÍCIA MOTA SENA .ESTUDOS DE CASO A proposta deste caso para ensino é investigar como os diversos tipos de conhecimento ocorrem na comunidade onde você vive. Formule uma questãoproblema de maneira interrogativa: seu objetivo será tentar respondê-la e propor sugestões de solução para o problema levantado. Dentre os tipos que estudamos neste tema. Caso o tipo escolhido por você não seja observável na sua cidade. identifique as causas disso e aponte soluções para fomentar a expressão desse conhecimento. escolha um e observe como ele se expressa na sua cidade. Identifique uma dificuldade seja na forma como ele é praticado.

separando-os de outros semelhantes ou diferentes. o texto acima coloca diversos objetos diferentes para a investigação científica.com/mcrost02/>. 2007). geocities. porém. a técnica e os fenômenos da realidade. e permitam a previsão de fatos novos a partir dos já conhecidos: esses são os pré-requisitos para a constituição de uma ciência e as exigências da própria ciência. Acesso em: 11 out. b) A ciência deve possuir um único objeto de estudo. elaborar um conjunto sistemático de conceitos que formem a teoria geral dos fenômenos estudados. Marilena. 41 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . como a metodologia. d) A busca do ser humano pela compreensão da realidade foi responsável pela criação desse modo particular de conhecimento. Com base na leitura do texto acima e características da atividade científica. racional. pois estabelece uma cadeia de causas e efeitos logicamente determinados. c) O texto acima compreende a dimensão lógica do conhecimento científico. deixando de lado os aspectos metodológicos e materiais. construir instrumentos técnicos e condições de laboratório específicas para a pesquisa. sistemático e planejado. Convite à Filosofia.” (CHAUÍ. reconhecido de acordo com as características apresentadas desde a Antiguidade. o científico. que controlem e guiem o andamento da pesquisa. além de ampliá-la com novas investigações.Respostas/Soluções para o Problema: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 “Delimitar ou definir os fatos a investigar. experimentação e verificação dos fatos. é correto afirmar: a) O texto retrata a ciência como um todo integrado no qual interagem as implicações metodológicas e contextuais na produção de um saber pelas causas. estabelecer os procedimentos metodológicos para observação. Disponível em: <http://br.

apenas: a) I e II.] Na ciência. que sujeitos encarnados lutam. ou pelo menos percebem. d) III e IV. lutam. possibilitam a criação de novos objetos. e muito. sem a preocupação em definir as causas que geraram os fenômenos. IV. valores e expectativas do dia a dia.] os cientistas definem aquilo que percebem em seus laboratórios.QUESTÃO 02 “[. [. II. Das proposições acima. um dia morrem”.. [. criado artificialmente de modo a tornar possível certas práticas e ações. por sua vez.. associado aos estudos sobre o conhecimento popular e conhecimento científico. p. sofrem. analise as proposições a seguir: I.. como todos os mortais. que a linguagem científica difere. e assim vivem. 195).. originando um conhecimento superficial e não causal. As estratégias dos sujeitos mencionadas no texto correspondem à vivência cotidiana na qual o conhecimento popular é construído sem sistematização e sem a aplicação de métodos. QUESTÃO 03 “No mundo de hoje. pois os objetos formais de investigação devem ser isentos de conflitos. No entanto.. transmitidos e modificados de geração para geração.. no cotidiano. definir não significa apenas dar um nome. da linguagem comum [. c) II e III.. aspectos que o caracterizam... resistem. Com base no fragmento acima. se organizam para sobreviver. são explorados. isto é. A experiência cotidiana dos indivíduos é inadequada para a realização de estudos científicos.. (GARCIA.. estão corretas. as quais. os locais que sintetizam suas práticas. Mas como chegam os cientistas a criar esses termos estranhos e difíceis? [.]. [.] o cotidiano é a hora da verdade. sobrevivem e. A definição de um conceito científico seria relevante para que os objetos da prática cotidiana pudessem ser conhecidos.. No cotidiano. usam astúcias para se defender das estratégias dos poderosos. subalternizados. já que eles não são perceptíveis se não nos comportarmos como cientistas.] É ali. b) I e IV. definir é o mesmo que criar. 2003. Conhecimento popular e conhecimento científico se aproximam. III. Uma das mais importantes atividades 42 PATRÍCIA MOTA SENA .] O laboratório é um lugar diferente. construindo instrumentos capazes de explicar fenômenos da natureza e do cotidiano. já que ambos realizam reflexões aprofundadas. são muitas as pessoas que sabem. o conhecimento popular se constrói a partir da experiência.

O que é vida? Para entender a Biologia do século XXI.A.dos cientistas é a elaboração de teorias científicas. particulares e universais”. e estabelece o grau de responsabilidade para sua implementação por parte do poder público ou da iniciativa privada. p. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. contradizendo o princípio de que sua finalidade seja a descoberta dos fenômenos naturais. Neidson. nos planos individuais e coletivos. 17-29). Das proposições acima. Com base no texto acima e na relação entre conhecimento e educação.P. C. nos fins e meios para todas as atividades educacionais nas sociedades modernas e se constituem em instrumentos fundamentais a serem possuídos por cada indivíduo na sociedade. b) I e II. O modo de aquisição e de distribuição desses conhecimentos e habilidades se constituiu em paradigma que organiza todos os processos educativos. uma das características que mais sobressaem é a construção de uma teia entre os conceitos” (VIDEIRA. O texto evidencia a indissociabilidade das dimensões compreensiva e metodológica da ciência: só se pode construir conhecimentos (conteúdo) com a utilização de métodos apropriados de construção de discursos. Nessas últimas. II. analise as proposições a seguir: 43 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . v. analise as proposições a seguir: I. ao afirmar que os objetos do cotidiano são imperceptíveis se o sujeito deixar de se comportar como cientista.. 232-257. Educação & Sociedade. apenas: a) I. (RODRIGUES. 2000. n. 76. O autor quer dizer que não se conhece os fenômenos em profundidade sem uma postura investigativa. d) II e III. Antonio Augusto Passos. 12. ao longo dos últimos dois séculos.N. p. c) III. O autor afirma que o objeto formal da ciência em geral é a linguagem ao invés da natureza. Educação: da formação humana à construção do sujeito ético. Para que servem as definições? IN: EL-HANI. estão corretas. 2001). VIDEIRA. QUESTÃO 04 “A aquisição de conhecimentos e a sua utilização prática na forma de habilidades tornaram-se. A. III. Com base no texto acima e nos conhecimentos sobre as características da ciência.

c) filosófico. classifica-se o assunto abordado como sendo de caráter: a) empírico. sendo infalíveis e não verificáveis. b) científico. ao basear-se no exercício da razão instrumental que valoriza excessivamente a eficácia da ação humana. b) I e II. II. c) I e III. a educação dos últimos dois séculos iguala-se à ciência por se pautar pelo cientificismo. sendo valorativo. QUESTÃO 05 Leia atentamente o texto a seguir: A discussão levantada pela tirinha ultrapassa gerações de estudos por toda a humanidade. por sua natureza questionadora e por lidar com ocorrências ou fatos. pois é passado de geração a geração. apenas. II e III.I. fundamentando-se numa seleção operada com base em estados de ânimo e emoções. III. tendo sido reveladas pelo inspiracional. Segundo o autor. Desta forma. d) II e III. d) teológico. estão corretas a) I. por apoiar-se em doutrinas que contêm proposições sagradas. apenas. quando dissociado da crítica e criação do conhecimento. apenas. Das proposições acima. 44 PATRÍCIA MOTA SENA . O autor afirma que a educação tem privilegiado o uso do conhecimento. sendo demonstrável e falível em virtude de não ser definitivo. caracteriza a postura de estar simplesmente no mundo. pois seu ponto de partida consiste em hipóteses que deverão ser submetidas à observação e validação. A metodologia científica insere-se no novo paradigma educacional por proporcionar aos estudantes instrumentos para adquirir conhecimentos por meio da prática. O uso.

Outras análises perceberam que os estudantes do ensino superior que obtêm maior êxito na aprendizagem são aqueles que aplicam o método com habilidade. com algumas estratégias capazes de torná-la mais organizada e planejada. óbvio: o método de estudar. à quantidade de leituras e atividades e. REGISTRO E SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO 1. pois. especialmente. que contribuem para o êxito na aprendizagem. Não se engane. O que faremos é trabalhar aqui as principais características que envolvem a atividade de estudo. acertos e erros. p. caro aluno (a). Mesmo porque não existem tantos métodos de estudo quanto poderíamos pensar ou que gostaríamos que houvesse. que isso ocorre. Algumas pesquisas na área mostram que os hábitos de estudo se formam logo cedo e se consolidam através de tentativas. trata-se de indicar meios práticos para que o estudante possa avaliar a sua prática de estudo. é possível que uma seja mais eficiente que a outra. com frequência. as exigências se aprofundam quanto ao entendimento de conteúdos mais complexos. construindo uma prática alterada apenas quando há intervenção por parte de programas executados pelo professor ao constatar problemas na aprendizagem de seus alunos. no Ensino Superior. não é mesmo? Mas é justamente por saber disso que pensamos ser necessário trazer algumas técnicas que possibilitem a potencialização dessa atividade. Não 45 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 2008.1 CONTEÚDO 1.2. Você não verá aqui neste texto uma fórmula mágica para a realização eficiente da atividade de estudo.1. quanto à atitude responsável do estudante. também. criando um hábito planejado de estudar com o qual possa obter maior rendimento. E o motivo me parece. Délcio Salomon questiona: Entre duas pessoas que tenham [. MÉTODO E ESTRATÉGIA DE ESTUDO E APRENDIZAGEM A partir de agora você verá algumas reflexões a respeito da atividade de estudo e terá acesso a procedimentos detalhados de registro e sistematização de conteúdos. 35-36).] processos cognitivos semelhantes e o mesmo grau de escolaridade.. recuperando as possíveis deficiências detectadas. Nesse momento você também pode estar se perguntando a respeito da importância de abordar essa temática. Já os que utilizam de maneira inadequada ou simplesmente agem com indiferença à aplicação de métodos de estudo não conquistam sucesso semelhante (SALOMON. nem uma receita capaz de garantir que a sua atividade de estudo desembocará na aprendizagem automática.2 TEMA 2. uma vez que pratica a atividade de estudo desde a infância.. Por isso. no estudo? Acredito que sim e tenho constatado.

através dos seus próprios recursos. Isto é. 16). 40. 2008. tais como a motivação. p. Esse mesmo autor apresenta algumas características fundamentais do estudo eficiente sobre as quais diversos autores concordam: a) finalidade: desenvolver hábitos de estudo eficientes que não se restrinjam apenas a determinado setor de atividade ou matéria específica. considerando o que o leva a estudar e como isso é feito. o estudante precisa se conscientizar que o Ensino Superior exige muito mais que a simples frequência às aulas. com a profissão e com seus objetivos de vida. Mas o que é estudar? Para Barros e Lehfeld (2006. A eficiência do estudo depende de método. p. Dessa maneira. a observar e interpretar fenômenos da realidade e só obterá sucesso na medida do seu esforço e da postura que assuma diante da condução de sua atividade de estudo. c) processamento: ser global – parcial – global. Essa atividade contribui para o desenvolvimento de aspectos cognitivos e atitudinais.é o único fator da diferença de rendimento. que se movimentam em obtenção de informes e conclusões que vão do dado quantitativo ao qualitativo”. à disposição em aprender. Mas o método depende de quem o aplica (2008. No novo contexto. ele será instado a refletir de maneira contingente. podendo aperfeiçoar-se à medida que o indivíduo progride. à disposição de ler e 46 PATRÍCIA MOTA SENA . Grifos da autora). estudar contribui para a construção e utilização de conhecimentos considerando dados mensuráveis e de interpretação por parte do sujeito. ao domínio de métodos mais eficientes adequados à natureza dos trabalhos teóricos ou práticos. p. “estudar é um processo investigatório do qual resulta a aprendizagem e modos de conhecimento. Com isso. 38. No Ensino Superior o perfil do aluno recém-chegado é ainda impregnado de impressões do senso comum. O universitário tem de estar ciente de que os objetivos de seu curso superior referem-se: à instrumentalização para o trabalho científico. e eficientes para o transcurso da vida. o princípio geral que rege a evolução biológica: o do desenvolvimento “difusoanalítico-sintético” (SALOMON. passando a envolver o modo de lidar com a ciência. assim. Grifos da autora). seguindo. pelo processo de transferência de aprendizagem. a autonomia e a autodisciplina. para as demais situações. à aquisição da competência e método para empreender pesquisas e solucionar problemas. Mas é um fator sempre presente e tenho alguma base para acreditar que seja o principal. mas hábitos que sejam válidos. b) abrangência: servir de instrumento a todos os que tenham as mesmas necessidades e interesses. em qualquer fase de desenvolvimento e escolaridade. estudar constitui um esforço para aprender conteúdos que devem ser praticados para que o estudante consiga alcançar seus objetivos profissionais.

p. novamente.analisar textos e obras considerados específicos e gerais. através de métodos ou técnicas de estudo (BARROS E LEHFELD. Observe e procure praticá-las! 47 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . parcial – como fase de detalhamento e análises do conteúdo e. 2006. 40-41) que detalha atitudes que o estudante precisa desenvolver para obter êxito na atividade de estudo. original. p. 17). consideramos pertinente colocar aqui uma tabela de Délcio Vieira Salomon (2008. global – como uma etapa se síntese e significado. ao aprender a pensar e a planejar as atividades de aprendizagem. à obtenção de bons resultados em seus empreendimentos acadêmicos de maneira inteligente e. Por todos esses aspectos. tanto quanto possível. considerando as fases global – como uma etapa geral de contato com o conteúdo –.

48 PATRÍCIA MOTA SENA .

tais como: livros de texto.] redobrará sua atenção. pois. essa leitura será feita em poucos minutos e aumentará o rendimento das várias horas de aula que o professor utilizará para seu desenvolvimento em classe.Outra forma de conquistar a qualidade do estudo é realizando com paciência e perseverança as suas etapas (síncrese. bem como seu material de estudo. com trabalho prévio de meia hora. Ora. com simples sinal de interrogação.. muito bem. bloco para anotações. apostilas ou fontes indicadas para leitura e aprofundamento.. se é possível conseguir. [.] à medida que o desenvolvimento da aula caminha para passagens anotadas [. aumentar o rendimento de várias horas de trabalho posterior. por uma série de razões. em primeiro lugar. esta leitura prévia permitirá que se assinalem à margem do texto. um bom dicionário. Estas anotações permitirão uma espécie de regulagem da atenção. Veja o quadro que segue: HORÁRIO DE PREPARAÇÃO PARA A AULA O estudante deve ter à mão o programa.. problemas que exigirão entendimento durante a aula. Se tudo ficou claro agora. essa leitura prévia representa economia e eficiência no trabalho. Além disso. eis o momento de formular sua dúvida inteligente. caso contrário. E os proble- 49 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . análise e síntese). Quem não preparou sua aula não pode distribuir convenientemente a intensidade de sua atenção e pode não fazer perguntas. O estudante deverá ler previamente a matéria que será desenvolvida durante a aula. as quais são semelhantes às fases do método do estudo eficiente.. porque nem sabe que não entendeu.

. tendo nas proximidades todos os materiais que serão necessários. é necessário que o ambiente seja arejado. fixar o hábito e sentir de perto as vantagens de tal disciplina de trabalho. h) fazer exercícios de fixação. o mais utilizado para a realização de atividades de estudo. c) memorizar os conceitos imprescindíveis à compreensão da matéria. além da atenção e da associação de ideias. reler e compreender detalhes significativos e que em aula não foram suscitados ou bem destacados. Citando o trabalho de Vicente Keller e Cleverson Bastos. É importante fazer a ressalva quanto ao termo “memorizar” aplicado pelas autoras. com frequência. 24-25. b) ler. Quem tem muito tempo pode proceder dessa forma. Barros e Lehfeld (2006.] [acadêmica]. que se tornará antieconômico e reduzirá sensivelmente o rendimento escolar. pois representa extraordinária economia de tempo.mas mais difíceis irão avolumando enormemente seu trabalho extra-aula. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. iluminado e ofereça condições para a manutenção de uma postura saudável. O ambiente doméstico é. João Álvaro. organizar e/ou reorganizar os apontamentos feitos durante as aulas. e é fator de eficiência na vida [. Na leitura do texto você pôde perceber que a preparação anterior às aulas é fundamental. g) fazer leituras de textos complementares. seja sozinho ou acompanhado por seus colegas de turma. p. quem tem pouco tempo deve agir deste modo. Para tanto.] Entender isso parece muito fácil. para a concentração. É preciso decidir-se a começar. [... e) decodificar termos e vocábulos técnicos inseridos nos textos que dificultam a sua análise. não é tão fácil agir dessa forma. f) rever. especialmente nas revisões.. Memorizar é diferente de decorar. Mas não é só isso! Existem outros métodos que podem (e devem!) ser aplicados no que diz respeito à construção de conhecimentos. 19) afirmam que estudar em casa deve ser um momento para: a) repensar sobre os tópicos desenvolvidos em aula. p. Elizabeth Teixeira destaca a memorização como um dos três aspectos principais que os estudantes precisam exercitar. RUIZ. 2008. São Paulo: Atlas. d) complementar o conteúdo de aula com o que já se conhece e com pesquisas complementares. a autora retoma a diferença que existe entre decorar e memorizar: 50 PATRÍCIA MOTA SENA . Aprendendo a Aprender.

1. 2. pois o intercâmbio promove a comunicação e a discussão de ideias. o grupo deve reunir-se o mais rapidamente possível para programar suas reuniões e proceder a uma primeira distribuição de tarefas preparatórias à primeira sessão de trabalho. como geralmente acontece.Decorar é reter a forma material e não o conteúdo inteligível de determinado conhecimento. Mas o estudo em grupo só funcionará se todos os colegas foram para o estudo coletivo tendo conhecimento prévio do assunto.] Entretanto. Além de estudar em casa. 31-32) que devem ser atendidos para que haja um bom aproveitamento do tempo destinado às reuniões de grupos de estudo. [. o coordenador passará a palavra àqueles que se encarregaram de pesquisar generalidades em dicionários... o primeiro passo é providenciar a bibliografia. Esta primeira reunião não deverá encerrar-se sem que estejam bem esclarecidos o local. a data e o horário do próximo encontro. O coordenador anotará estes compromissos e os solicitará ordenadamente na reunião seguinte. Em primeiro lugar.. o primeiro trabalho consistirá na busca de fontes. Sempre que se tratar de pesquisa bibliográfica. exigindo de cada um dos participantes a sua parcela de responsabilidade em contribuir e participar ativamente. 26).]. p. também é bastante proveitoso o estudo em grupo.. enciclopédias e manuais didáti- 51 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Todos deverão providenciar os textos pelos quais se responsabilizaram. e deverão estudá-los [. A memorização possibilita o refraseamento de algo conhecido e não sua simples repetição. p. Leia a seguir alguns critérios descritos por Ruiz (2008. quando há material. cada participante não só se responsabilizará por providenciar determinado texto. reter a sua compreensão. há por aí grupos que se reúnem sem material conveniente ou. A memorização dá condições de reestruturar o conteúdo a partir de dados da memória. Se o tema já estiver definido e a bibliografia já tiver sido apresentada pela cadeira [pelo professor da disciplina]. os livros e os textos. e por breve tempo (BASTOS. Pode funcionar como complemento para o estudo realizado individualmente. ou seja. KELLER apud TEIXEIRA. enquanto o ter decorado somente possibilita a repetição. 3. 2005. pois será útil para a resolução de dúvidas e para o confronto de pontos de vista a respeito de um mesmo tema. como também deverá lê-lo e esclarecer suas dificuldades antes da reunião da equipe. Ao receber um tema para o trabalho. ao passo que memorizar é reter a forma significativa de um conteúdo inteligível. fazem a primeira leitura durante a reunião de equipe. ainda limitadamente. Há uma ordem para que os participantes apresentem os textos pelos quais se responsabilizaram e comuniquem brevemente seu conteúdo. A leitura prévia é necessária para o bom andamento dos trabalhos.

caminhem além do texto numa reabordagem crítica de sua tese e de seus argumentos. solicitará a contribuição daqueles que se responsabilizaram pela análise prévia de segmentos do texto básico. espera-se que os debates. para discutir suas ideias principais. se programou seu trabalho e distribuiu previamente atribuições limitadas e específicas a cada participante. quer para elaboração de monografias de caráter didático-pedagógico.... a atividade de estudo exige dedicação. Só depois deste primeiro passo é que se deve voltar ao início para um contato mais íntimo com o texto para levantar seu esquema. 5.]. a organização é fundamental para que o estudante possa agregar suas atividades acadêmicas às profissionais. ele apresenta um “fluxograma da vida de estudo” que permite visualizar como fica o nosso cotidiano depois que entramos na faculdade. 4. para avaliar a coerência interna destas ideias. 6. pois cada grupo criará uma dinâmica que os encontros deverão moldar. se escolheu seu coordenador. É evidente que os passos elencados por João Álvaro Ruiz podem não ser seguidos à risca. como qualquer outro trabalho. Por isso. considerar a natureza da atividade solicitada pelo professor. 52 PATRÍCIA MOTA SENA . quer para desenvolver itens do programa em seminários. e exige um planejamento do cotidiano em função da inserção das demandas do Ensino Superior. De acordo com o nível do grupo ou de sua familiaridade com o assunto em pauta. a experiência tem demonstrado que as reuniões de grupos de estudo são de extraordinária eficiência. ultrapassem o texto. ou seja. p. ao final. quer para revisões gerais para provas ou exames [.] se o grupo se organizou convenientemente. Em seguida.. uma vez que muitos estudantes já exercem uma profissão. para ponderar o vigor dos argumentos. Como você viu até aqui. 31).].. as etapas mencionadas devem ser tomadas como guia capaz de orientar as reuniões de equipe em busca do aproveitamento do tempo dedicado a tal tarefa. ainda. Não se devem alongar debates antes que se chegue ao final de uma primeira apresentação de generalidades da leitura do texto básico. a perfeição da análise.. e assim por diante [.cos. Dessa maneira. [. sendo necessário. Para Antônio Joaquim Severino (2002.

53 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .FLUXOGRAMA DA VIDA DE ESTUDO Observe atentamente a imagem a seguir e reflita sobre o papel do estudante no contexto do ensino superior a distância.

Estes critérios. do conhecimento sobre as formas da expressão escrita. unicidade e coerência.2. precisam ser companheiros da percepção de contexto. Relata rapidamente as ideias entender a frase. repassar Raramente sabe por que lê. Se livro vagarosamente. científico para guardar detalhes. Só tem um ritmo de leitura. da apropriação do ato de ler e escrever. Lê sem finalidade. encontradas numa frase ou num parágrafo. num relance.1. da aplicação de itens como clareza. responder a questões. p. o sentido de um grupo Esforça-se para juntar os termos para poder de palavras. Lê unidades de pensamento. 3. 2. emissão de significado do que foi lido). 28). Frequentemente tem de reler as palavras. Abarca. Tem habilidades e hábitos como: o que lê. a leitura se tornaria uma atividade vazia ou pura decodificação de símbolos. Lê palavra por palavra. lê mais devagar para entender bem. Tem hábitos como: 1. bem como de produção textual envolve critérios variados. é rápido.2 CONTEÚDO 2. Pega o sentido da palavra isoladamente.: aprender certo assunto. LEITURA E ANÁLISE DE TEXTOS O desempenho da atividade de leitura. Ex. 2. Lê com objetivo determinado. a exemplo das informações linguísticas e gramaticais. ao contrário. 2005. 3. A decodificação é uma das etapas da leitura e consiste na tradução dos sinais gráficos em palavras. 1. lê sempre Ajusta a velocidade da leitura com o assunto Seja qual for que lê. 54 PATRÍCIA MOTA SENA . interpretação (apreensão das ideias e estabelecimento de relações entre o texto e o contexto) e aplicação (função prática da leitura. Tem vários padrões de velocidade. de acordo com os objetivos que se propôs) (AMORIM. As outras etapas são: intelecção (percepção do assunto. por sua vez. Se lê uma novela. detalhes. BOM LEITOR MAU LEITOR O bom leitor lê rapidamente e entende bem o O mau leitor lê vagarosamente e entende mal que lê. coesão. o assunto.

4. Avalia o que lê. Pergunta-se frequentemente: Que sentido tem isso para mim? Está o autor qualificado para escrever sobre tal assunto? Está ele apresentando apenas um ponto de vista do problema? Qual é a ideia principal deste trecho? Quais seus fundamentos?

4. Acredita em tudo o que lê. Para ele, tudo o que é impresso é verdadeiro. Raramente confronta o que lê com suas próprias experiências ou com outras fontes. Nunca julga criticamente o escritor ou seu ponto de vista.

5. Possui vocabulário limitado. 5. Possui bom vocabulário. Sabe o que muitas palavras significam. É capaz de perceber o sentido das palavras novas pelo contexto. Sabe usar dicionários e o faz frequentemente para esclarecer o sentido de certos termos, no momento oportuno. Sabe o sentido de poucas palavras. Nunca relê uma frase para pegar o sentido de uma palavra difícil ou nova. Raramente consulta o dicionário. Quando o faz, atrapalha-se em achar a palavra. Tem dificuldade de entender a definição das palavras e em escolher o sentido exato.

6.Nâo possui nenhum critério técnico para 6. Tem habilidades para conhecer o valor do conhecer o valor do livro. livro. Nunca ou raramente lê a página de rosto do Sabe que a primeira coisa a fazer quando se livro, o índice, o prefácio, a bibliografia etc., toma um livro é indagar de que trata, através antes de iniciar a leitura. Começa a ler a partir do título, dos subtítulos encontrados na do primeiro capítulo. É comum até ignorar o página de rosto e não apenas na capa. Em autor, mesmo depois de terminada a leitura. seguida lê os títulos do autor. Edição do livro. Jamais seria capaz de decidir entre leitura e Índice, “Orelha do livro”. Prefácio. simples consulta. Não consegue selecionar o Bibliografia citada. Só depois é que se vê em que vai ler. Deixa-se sugestionar pelo aspecto condições de decidir pela conveniência ou não material do livro. da leitura. Sabe selecionar o que lê. Sabe quando consultar e quando ler.

7. Sabe quando deve ler um livro até o fim, 7. Não sabe decidir se é conveniente ou não quando interromper a leitura definitivamente interromper uma leitura. ou periodicamente. Ou lê todo o livro ou o interrompe sem Sabe quando e como retomar a leitura, sem critério objetivo, apenas por questões subjetivas. perda de tempo e da continuidade.

8. Discute frequentemente o que lê com colegas. 8. Raramente discute com colegas o que lê. Sabe distinguir entre impressões subjetivas e Quando o faz, deixa-se levar por impressões subjetivas e emocionais para defender um valor objetivo durante as discussões. ponto de vista. Seus argumentos, geralmente,

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derivam da autoridade do autor, da moda, dos lugares-comuns, das tiradas eloquentes, dos preconceitos. 9. Adquire livros com frequência e cuida de ter 9. Não possui biblioteca particular. sua biblioteca particular. Às vezes é capaz de adquirir “metros de livro” Quando é estudante procura os livros de texto para decorar a casa. É frequentemente levado indispensáveis e se esforça em possuir os a adquirir livros secundarios em vez dos chamados clássicos e fundamentais. Tem fundamentais. Quando estudante, só lê e interesse em fazer assinaturas de periódicos adquire compêndios de aula. Formado, não científicos. Formado, continua alimentando sabe o que representa o hábito das “boas sua biblioteca e restringe a aquisição dos aquisições” de livro. chamados “compêndios”. Tem o hábito de ir direto às fontes; de ir além dos livros de texto.

10. Lê assuntos vários. Lê livros, revistas, jornais. Em áreas diversas: ficção, ciência, história etc. Habitualmente nas áreas de seu interesse ou especialização.

10. Está condicionado a ler sempre a mesma espécie de assunto.

11. Lê pouco e não gosta de ler. 11. Lê muito e gosta de ler. Acha que ler é, ao mesmo tempo, um trabalho Acha que ler traz informações e causa prazer. e um sofrimento. Lê sempre que pode. 12. O MAU LEITOR não se revela apenas no 12. O BOM LEITOR é aquele que não é só bom ato da leitura, seja silenciosa ou oral. É na hora de leitura. constantemente mau leitor porque se trata de uma atitude de resistência ao hábito de saber É bom leitor porque desenvolve uma atitude ler. de vida: é constantemente bom leitor. Não só lê, mas sabe ler.
(FONTE: SALOMON, DÉLCIO. COMO FAZER UMA MONOGRAFIA. SÃO PAULO: MARTINS FONTES, 2008, P. 52-53. GRIFOS DA AUTORA).

A palavra escrita, quando articulada em um tecido social, é necessária para o processo de interpretação da realidade, favorecendo o movimento reflexivo do olhar, exercitando o potencial crítico e propositivo. Palavras registram um modo de percepção da realidade. Importa considerar que o referido modo de percepção da realidade é passível às abordagens novas, devido ao caráter transformador próprio da formação e trajetória humana ao longo das organizações sociais, sendo mister questionar: Afinal, quais os elementos fundamentais que precisam ser contemplados para conquistar o exercício crítico e criativo de leitura/escrita?

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PATRÍCIA MOTA SENA

É imprescindível identificar os objetivos almejados pelo autor ou pela autora do texto, identificando também o modo pelo qual fundamenta a sua proposta e, sobretudo, buscar em si o contínuo despertar do gosto pela leitura na qualidade de quem lê o mundo, apreciando o caráter polissêmico, a diversidade de sentidos, as diferenças entre informação e saber e o compromisso subjacente à escolha de ser/se tornar profissional em educação.

O caráter dialético da leitura e a conquista da leitura proveitosa

“A palavra é metade de quem a pronuncia e metade de quem a escuta”. (Montaigne) Dada a incompletude do ser humano, cada um constrói a si mesmo mediante o conjunto de experiências e perspectivas que vivencia. Sabendo que as experiências são diferenciadas, também o modo de percepção da realidade ocorrerá de modo distinto, no qual você desenvolve um olhar próprio sobre o mundo e o comunica por meio da linguagem. O texto, portanto, apresenta o modo de percepção do seu autor e, no mesmo instante, estabelece diálogo com o modo de percepção do leitor, favorecendo a multiplicidade de sentidos, a incompletude do discurso e a produção de sentidos, uma vez que está sujeito às interpretações e significações múltiplas. O caráter dialético da leitura é atestado nesse movimento de polissemia, ou seja, nesse movimento de multiplicidade de sentidos. De tal forma que o empenho para desenvolver a capacidade leitora, conquistando a leitura proveitosa, é indispensável! Amorim (2005, p. 28-33) informa alguns passos necessários para a leitura proveitosa (atenção, intenção, reflexão, espírito crítico, análise e síntese) e, por assim dizer, classifica a leitura de acordo com a modalidade e a finalidade. Quanto à modalidade, pode ser técnica, literária e informativa. Quanto à finalidade pode ser também informativa (leitura de estudo e de temáticas gerais) e formativa (aquisição ou ampliação de conhecimentos). Importa ainda ponderar os “textos” sem palavras, ou seja, a capacidade leitora compreende a significação e compreensão da realidade. Para além da palavra escrita, a compreensão da linguagem não verbal e a significação da realidade. A conquista da leitura proveitosa requer também que os saberes pré-existentes sejam contemplados e estabeleçam diálogo com os novos saberes, transcendendo as barreiras da pura informação para, então, transformá-las em conhecimento, contribuindo com o desenvolvimento da capacidade inventiva, visto que a leitura não é um dado pronto e estático, ela é produzida. Prefiro afirmar: histórica, humana e prazerosamente produzida! Afinal...

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

REFLEXÃO 4. Assim concebida. análise interpretativa. onde experiências diferentes se defrontam. p. UMA LEITURA PROVEITOSA PRECISA DE.. ANÁLISE 6.. intencionalidade. problematização e síntese.] Neste sentido. a leitura se constitui em rico subsídio para a realização de pesquisas. FASES DA ANÁLISE DE TEXTO Análise textual . 1.Interpretação Problematização . através do enfrentamento das posições assumidas pelo autor.. INTENÇÃO 3. ESPÍRITO CRÍTICO 5...Visão global Análise temática ..121).Reflexão e reelaboração 58 PATRÍCIA MOTA SENA . SÍNTESE • Principais elementos e fases da análise do texto As principais etapas da análise de texto são: análise textual. O quadro abaixo indica a característica principal de cada etapa.Compreensão Análise interpretativa . O leitor. 2005. na qualidade de proveitosa. busca encontrar pistas que o auxiliem no desvendamento de sua realidade.Discussão Síntese . da perspectiva de quem se sente problematizado por ele [. análise temática. que é possível a compreensão e interpretação de textos..A leitura de um texto pressupõe objetivos.] (CARVALHO. está preocupado em responder às questões suscitadas pelo seu mundo e. ao se dirigir ao texto. ATENÇÃO 2.. compreender o texto é tomá-lo a partir de um determinado horizonte. [. É somente neste encontro histórico.

identificando termos. 54). O estudante-leitor pode perguntar: “Como o assunto está problematizado? Qual dificuldade deve ser resolvida? Qual o problema a ser solucionado?” (SEVERINO. Por isso. A esse item denominamos de tese. isto é.A partir de agora veremos cada uma delas e seus principais aspectos. mas nem sempre conhecido do leitor” (SEVERINO. A conclusão da análise pode ser feita com a elaboração de um esquema no qual seja apresentada uma visão de conjunto do texto lido. a parte do texto que concentra o seu sentido. p. cujo sentido no texto é pressuposto pelo autor. 54). sobre sua vida e obra. 52). O terceiro item a identificar na análise temática é qual a resposta que o autor sugere para atender ao problema levantado. dicionários. Identificados estes elementos. é preciso identificar o tema ou o assunto do texto – e nem sempre isso pode ser feito pelo o título. o que provocou a argumentação e a apresentação de ideias. monografias especializadas etc. considerando-se que “o texto pode fazer referências a fatos históricos. palavras desconhecidas que sejam fundamentais para o entendimento dos argumentos. para conseguir alguns dados que influenciem na compreensão das ideias apresentadas. especialmente. 2002. de um fato determinado. 2002. O problema é a questão motivadora das reflexões do autor. “o tema tem determinada estrutura: o autor está falando não de um objeto. o estudante deve ler o texto de maneira atenta. configurando uma preparação para a leitura propriamente dita. para ter contato geral com a linguagem que o autor emprega e obter uma visão de conjunto do seu raciocínio. o estudante deve buscar informações sobre o autor. a outras doutrinas. conceitos. A Análise Temática é uma etapa imediatamente seguinte. mas não muito detida. Depois de identificar a unidade de leitura. p. 59 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . qual o principal argumento que está sendo defendido. Ainda nesse primeiro contato. sugere-se que o estudante realize anotações e proceda a uma pesquisa para buscar esses esclarecimentos em textos historiográficos. Depois de identificar o tema do texto é preciso encontrar qual a problemática que o autor busca compreender. o estudante-leitor pode levantar as dúvidas de vocabulário. que representa a posição assumida pelo autor. A Análise Textual consiste no contato preliminar com o texto. Para Severino (2002. dizemos que o tema é o assunto que perpassa todo o texto e sobre o qual todos os argumentos estão relacionados de forma direta ou indireta. p. Após essa etapa. a outros autores e. mas de relações variadas entre vários elementos”. Está relacionado a uma questão que se deseja compreender ou resolver e em torno da qual giram as análises do autor na busca de soluções. na qual se procura saber: De que trata o texto? Quais são suas ideias mais importantes? Inicialmente. o que ele está demonstrando.

o que possibilitará estabelecer um diálogo entre o texto lido e as análises de textos anteriores. Em seguida. Isso se tornará mais fácil à medida que o estudante-leitor adotar a leitura como uma constante na vida acadêmica. identificar de que maneira o autor demonstra a sua tese. é dialogar com o autor. fazendo uma apreciação das ideias expostas. requerendo que o estudante perceba elementos como coerência. as condições de produção de toda a sua obra e especificamente do texto analisado. procurando caracterizá-las do ponto de vista teórico-metodológico.] tomar uma posição própria a respeito das ideias enunciadas. obtendo maiores informações sobre o autor. agora com mais detalhes: 60 PATRÍCIA MOTA SENA . Para realizar a análise interpretativa é necessário buscar conhecer o contexto em que se insere a publicação. pois permitirá ao leitor conhecer e reconhecer pressupostos filosóficos distintos e aproximar as ideias expressas no texto que está em análise de ideias encontradas em outros textos. Veja. como a própria denominação afirma. é ler nas entrelinhas. que é responsável pela atribuição de significado ao que foi lido. pois. São os assuntos que o autor aborda de forma paralela à ideia principal.O quarto elemento é a ideia central. é cotejá-las com outras. um quadro muito interessante. Além das análises textual. Por último.. caberá ao leitor-estudante levantar as ideias secundárias. Dessa maneira. E. que argumentos utilizou para comprovar a tese proposta. para Severino (2002. é explorar toda a fecundidade das ideias expostas. a seguir. e a síntese. que gravitam em torno dela exemplificando. qual o raciocínio que construiu para defender a tese.. entrará em contato com textos de temáticas semelhantes. 56). originalidade e validade dos argumentos apresentados. ilustrando. é superar a estrita mensagem do texto. fundamentando. é forçar o autor a um diálogo. situando o texto historicamente. isto é. Já a Análise Interpretativa pressupõe interpretação. A análise interpretativa possibilita que o estudante emita avaliações a respeito do texto. ao realizar leituras variadas. é importante associar as argumentações feitas com a(s) corrente(s) epistemológica(s) que fundamentam as ideias do autor. p. temática e interpretativa. enfim. profundidade nas análises e obtenção de conclusões. que representa uma discussão do texto – na qual o leitor deve apontar os pontos polêmicos do debate. interpretar é: [. A análise interpretativa também exige o exercício da crítica. será mais proveitosa a leitura. há a problematização. que nos fornece uma visão geral das etapas da análise de texto. de autoria de Antônio Joaquim Severino. assim como questões relacionadas ao tema –.

à qual emprestasse uma força mágica. procurando apenas memorizar as afirmações do autor. Para as considerações finais das questões até aqui discutidas. Se se deixa 'invadir' pelo que afirma o autor. 'domesticamente'. 61). 61 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 2002..(FONTE: SEVERINO. leia atentamente o texto a seguir: [. Se se comporta passivamente. Se se transforma numa 'vasilha' que deve ser enchida pelos conteúdos que ele retira do texto para pôr dentro de si mesmo. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO. P. SÃO PAULO: CORTEZ.] é impossível um estudo sério se o que estuda se põe em face do texto como se estivesse magnetizado pela palavra do autor.. ANTÔNIO JOAQUIM.

pode estar mais além de sua capacidade de resposta. estudando. alienar-se ao texto. Exige trabalho paciente de quem por ele se sente problematizado. a insistência na busca de seu desvelamento. o leitor crítico irá surpreendendo todo um conjunto temático. Um texto estará tão melhor estudado quando.Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem. O retorno ao livro para esta delimitação aclara a significação de sua globalidade. [. Neste caso. em sua relação com os precedentes e com os que a ele se seguem. Assim é que. Estudar é uma forma de reinventar. de reescrever – tarefa de sujeito e não de objeto. o que deve fazer é reconhecer a necessidade de melhor instrumentar-se para voltar ao texto em condições de entendê-lo. não se sente diminuído se encontra dificuldades. este sujeito leitor pode ser despertado por um trecho que lhe provoca uma série de reflexões em torno de uma temática que o preocupa e que não é necessariamente a de que trata o livro em apreço. Se o que estuda assume realmente uma posição humilde. pelo contrário.. sabe que o texto. assim. delimitando suas dimensões parciais. numa tal perspectiva. nem sempre explicitado no índice da obra. Não adianta passar a página de um livro se sua compreensão não foi alcançada. Nem sempre o texto se dá facilmente ao leitor. Desta maneira.. na razão mesma em que é um desafio.] O ato de estudar demanda humildade. evitando. da existência. o escreveu. Humilde e crítico. renunciando assim à sua atitude crítica em face dele. não é possível a quem estuda. A demarcação destes temas deve atender também ao referencial de interesse do sujeito leitor. coerente com a atitude crítica. 62 PATRÍCIA MOTA SENA . Impõese-lhe uma exigência: analisar o conteúdo do trecho em questão. A atitude crítica no estudo é a mesma que deve ser tomada diante do mundo. constituem sua unidade. em sua interação. de fixar-se na análise do texto. Uma atitude de adentramento com a qual se vá alcançando a razão de ser dos fatos cada vez mais lucidamente. é o caso. Suspeitada a possível relação entre o trecho lido e sua preocupação. Impõe-se. a ele se volte. diante de um livro. às vezes grandes. É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões do conhecimento. trair o pensamento do autor em sua totalidade. Estudar não é um ato de consumir ideias. A compreensão de um texto não é algo que se recebe de presente. então. mas de criá-las e recriá-las. É perceber o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento. Não se mede o estudo pelo número de páginas lidas numa noite ou pela quantidade de livros lidos num semestre. de recriar. da realidade. na medida em que dele se tenha uma visão global. buscando o nexo entre seu conteúdo e o objeto de estudo sobre que se encontra trabalhando. para penetrar na significação mais profunda do texto. Ao exercitar o ato de delimitar os núcleos centrais do texto que.

voltamos o olhar para a análise da obra.mec. 2006. observando as orientações metodológicas fundamentais à eficiência do ato de sublinhar. p. 33).proinfo. Sublinhar a partir da releitura (proveitosa) do texto.FREIRE. Sinalizar. criando uma legenda pessoal que contribua para a localização da ideia-mestra. TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO I • Sublinhar A não aprendizagem para a leitura sinaliza a não aprendizagem para a compreensão. por exemplo. Na releitura. a seguir. p. elaborando resumos e sinalizando a relação entre as afirmações que se apresentam no texto. 25). Ter clareza do significado de cada grifo ou sublinha. termos técnicos e outras. conforme Amorim (2005. Apresentamos. Parra Filho e Santos (2003.br/estudar. a adequada ação de sublinhar possibilita a compreensão da temática. Paulo. identificando seus principais elementos. 133): • • • • • • • • Realizar a leitura integral do texto a fim do reconhecimento geral da sua temática. visto que a primeira leitura remete ao reconhecimento geral do texto. discordâncias. Estabelecer uma hierarquia de sinais ou símbolos. Disponível em: <http://pontodeencontro. com o sinal de interrogação à margem de parágrafos que apresentem dúvidas. Utilizar linhas verticais na margem para trechos longos e/ou para ressaltar afirmações já sublinhadas.gov. por exemplo. Medeiros (2005. 63 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Nesse processo. Sublinhar a ideia central de cada parágrafo. aprendemos progressivamente a ler.htm#exp>. 1. Considerações em torno do ato de estudar. bem como o seu posterior registro. p. Esclarecer as possíveis dúvidas de vocabulário. por exemplo. algumas orientações gerais para sublinhar com eficiência. pouca clareza das ideias e/ou argumentos. Para sublinhar corretamente o texto é preciso identificar a ideia-mestra e seus fundamentos. por sua vez.2. Portanto.3 CONTEÚDO 3. A releitura é condição indispensável para esse movimento. distinguindo seus argumentos e comentários. precisa ser desvinculado do ato de grifar aleatoriamente as palavras ou expressões. Para superar as possíveis dificuldades importa lembrar que a leitura não nasceu pronta. O ato de sublinhar. Acesso em 04 ago. é importante estabelecer sinais hierárquicos que podem ser criados pelo próprio leitor.

]. e que a releitura mais rápida confirma como tais.Independente das orientações anteriores. foram identificadas como principais. Nada melhor que um traço vertical à margem do texto para tal identificação. b) Não sublinhar por ocasião da primeira leitura – As pessoas mais experimentadas. sabemos que cada estudante pode adotar a simbologia que lhe convier. paralogismos. mas é bom agir de tal maneira que as ideias principais se mantenham destacadas. Devemos registrar o fato mediante uma interrogação à margem do texto em apreço (RUIZ. a leitura das palavras sublinhadas. p. r) Sublinhar com dois traços as palavras-chave da ideia principal. p. os pontos de discordância – Podemos não concordar com as posições assumidas pelo autor. c) Reconstituir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas – É supérfluo esclarecer esta norma que traduz a natureza e a finalidade do ato de sublinhar. a ideia principal retorna em diversos parágrafos e em diversos contextos. à margem do texto. como também perceber incoerências. E há passagens em que o autor atinge uma espécie de clímax. embora pertencentes a frases diferentes e até distanciadas. d) Ler o texto sublinhado com a continuidade e plenitude de sentido de um telegrama – Por ocasião das revisões imediatas ou posteriores. e retornem para sublinhar aquelas palavras ou frases essenciais que. e com um único traço os pormenores importantes – Devemos sublinhar tanto as ideias principais como os detalhes importantes. desde a primeira leitura. 2008. interpretações tendenciosas de fontes e uma série de falhas ou de colocações que julgamos insustentáveis.. por outro lado. g) Assinalar com um sinal de interrogação. devem ser identificadas para futuras buscas. João Álvaro Ruiz (2008. f) Assinalar com linha vertical. os textos sublinhados de acordo com esta norma permitirão uma leitura rapidíssima. Não sublinhar longos períodos. mas recomenda-se aos principiantes que não o façam. as passagens mais significativas – Não raro. 64 PATRÍCIA MOTA SENA . dignas de reparos ou passíveis de críticas. sublinham inteligentemente por ocasião da primeira leitura. que poderíamos transcrever em nossas fichas de documentação pessoal. basta sublinhar palavras-chave [. terá um sentido fluente e concatenado. à margem. 39-40. desde que crie códigos utilizados constantemente nas diversas leituras que realizar. que examinam textos pertinentes à sua área de especialização. os textos posteriores.. 39-40) apresenta alguns métodos de maneira ainda mais detalhada. apoiada nos pilares das palavras sublinhadas. Grifos da autora). essas passagens. leiam primeiro um ou mais parágrafos. que contribuem ainda mais para a aplicação da técnica para sublinhar: a) Sublinhar apenas as ideias principais e os detalhes importantes – Não se deve sublinhar em demasia.

Distribuir gráfica. utilizando símbolos que evidenciem a relação entre as ideias. p. Indicar as ideias principais e secundárias. 124-125): • • • • • • • Manter a fidelidade ao texto.• Esquematizar Esquemas são formas de representação e registro que permitem a visualização gráfica ou diagramática da situação ou texto em questão. identificando os argumentos e conduzindo à compreensão da temática. há também o caráter dialético do estudo. Para que essas orientações conduzam à excelência na produção de esquemas. 34) e Carvalho (2005. aula. Sinalizar o tema. uma vez que requer movimento de interpretação e a constante revisão da própria aprendizagem. Relacionar as ideias que fazem parte do argumento. Condensar as ideias em palavras-chave ou em frases-mestras coerentes e concisas. Orientações metodológicas para produzir esquemas eficientes. com clareza e relação causal. lógica e organizadamente o conteúdo. conforme Amorim (2005. com atenção às orientações básicas que cito a seguir. tais como: filme. identificando a proposta central e a fundamentação da obra ou de circunstâncias outras. Identificar títulos e subtítulos. p. como há o caráter dialético da leitura. estabelecendo relações hierárquicas entre as ideias. compreendendo que. palestra ou conferência. É um importante instrumento de sistematização da aprendizagem e confere organização ao estudo. É possível e interessante que você desenvolva sua própria forma de elaboração dos esquemas. 65 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Um esquema eficiente estabelece ordenação lógica das ideias. é necessário que cada estudante esteja disposto à aprendizagem real das temáticas.

o título próximo.2. ou na primeira disciplina cursada? É preciso “decorar” todas as leituras que realizamos? Quando a aprendizagem é instaurada entre os objetivos da leitura não é preciso “decorar”. p.4 CONTEÚDO 4. o estudante passa a desenvolver o costume de ler para aprimorar seus saberes e atender às múltiplas demandas de sua formação humano-estudantil-profissional. por exemplo. Além de ser útil enquanto recurso didático e metodológico para o estudo e a pesquisa. Realizadas de modo criterioso e cuidadoso as fichas organizam informações variadas sobre obras lidas. conforme explica Amorim (2005. no caso mais específico das leituras desempenhadas. P. sinalizando a fonte dessas informações que poderá ser buscada futuramente pelo próprio autor do fichamento. todas em ordem alfabética”. para consulta do público. os fichamentos são pertinentes em situações outras. O título genérico corresponde ao título do livro ou do trabalho utilizado na pesquisa. localizar os conteúdos estudados. Entretanto.144-145): Cabeçalho: representa a identificação do fichamento. o esquecimento total das questões estudadas não é desejável! Nesse caminho entre aprender e recorrer ao já aprendido. DE ACORDO COM PARRA FILHO E SANTOS (2003. o título específico (opcional) e a letra indicativa da sequência (quando se utiliza mais de uma ficha). a sistematização dos estudos é indispensável e. onde.1. então. de títulos. a elaboração de fichas é um poderoso recurso. existem fichas de autores. ELEMENTOS ESTRUTURAIS DA FICHA. compreende o título genérico. conforme citado a seguir. informo que todos eles atendem a uma estrutura específica com cinco elementos indispensáveis. TÉCNICAS PARA SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO II • Fichar Ao compreender a importância e as condições básicas da leitura proveitosa. de séries e de assuntos. Nesse percurso a quantidade de obras lidas ou consultadas vai sendo acumulada. De acordo com o objetivo pretendido. há dois anos. Como.35) “o sistema de fichas é atualmente utilizado nas mais diversas instituições para serviços administrativos e nas bibliotecas. 66 PATRÍCIA MOTA SENA . a ficha obedece a determinados critérios de elaboração e organização do conteúdo caracterizando cada tipo de fichamento. Antes de apresentar os tipos de ficha.

Referência bibliográfica: deve sempre seguir normas da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. também conhecida por ficha de indicação bibliográfica. a. que é encontrado no sumário e destina-se ao fichamento. descreve. pois é possível que. como: esse livro. a obra precise ser consultada novamente. esta obra. p. p. • Utilizar verbos ativos. é “identificar o objetivo da obra. esboço e comentário ou analítica. apresenta. Portanto é necessário que o estudante tenha de maneira clara a sua intenção. 36-37) e Parra Filho e Santos (2003. Os principais tipos de ficha são: bibliográfica. sugere. p. bem como a metodologia utilizada e a sua contribuição para o aumento do conhecimento do assunto abordado”. registra. a ficha utilizada é a de citação. • Ser breve: a ficha bibliográfica é a mais breve de todas. o tipo de ficha é a de comentário. Para proceder-se corretamente é importante consultar também a Ficha Catalográfica da obra. conforme Amorim (2005. tais como: analisa. pois qualquer conhecimento adicional poderá ser obtido com outras modalidades de fichamento. na ausência dela. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha bibliográfica. que traz todos os elementos necessários e. 150-151): • Indicar as fontes utilizadas. o autor. resumo ou conteúdo. este artigo. Por exemplo. se o propósito é a transcrição de fragmentos da obra. O título específico (se necessário) corresponde ao desdobramento do título próximo. citação. • Evitar repetições desnecessárias. examina. a finalidade da ficha bibliográfica. os resultados obtidos. • Tipos de ficha O corpo ou texto da ficha é redigido de acordo com o objetivo a ser alcançado. os problemas a que a obra pretende responder. define. Corpo: o conteúdo que constitui o corpo ou texto das fichas varia segundo o tipo e a finalidade da ficha. a folha de rosto e outras partes do livro. 150). 67 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .O título próximo é um desdobramento do título genérico. revisa. se é pretendido emitir juízos de valor sobre a obra. depois de fichada. compara. até obter as informações completas. contém. critica. Local: onde pode ser encontrado o livro. Indicação da obra: indica o público ao qual se destina a obra conforme a área de interesse. Ficha Bibliográfica Conforme Parra Filho e Santos (2003.

É necessário escolher os fragmentos que revelem e. 148-149): • Sinalizar a citação e/ou transcrição: toda e qualquer citação deve vir entre aspas. 36-37) e Parra Filho e Santos (2003. contribuindo para o esclarecimento de dúvidas. 2009. conforme Amorim (2005. 68 PATRÍCIA MOTA SENA . 60) b. evitando que as ideias apresentadas na ficha sejam atribuídas ao fichador e respeitando a real autoria. • Informar o número da página de onde foi extraída a citação e/ou transcrição. p. • Indicar a supressão da parte inicial ou final do texto. P. de certa forma. quando for a parte central do parágrafo. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha de citação. utilizando no local da supressão reticências no início e no final e. p. o tipo de fichamento adequado é o de citação. Ficha de Citação Quando o objetivo é indicar com citações e/ou transcrições a temática central da obra e outras considerações relevantes para a compreensão do texto. permitindo a posterior utilização do trabalho. LAKATOS. com a correta indicação bibliográfica e a localização do contexto originário do fragmento transcrito ou citado.MODELO DE FICHA DE BIBLIOGRÁFICA (MARCONI. respeitando os direitos autorais. justifiquem a questão central da obra fichada. utilizar reticências entre parênteses. • Manter os erros de grafia para que a citação seja a reprodução fiel do texto e evidenciá-los com o termo ‘sic’ entre parênteses.

mas a ideia é a apresentada pelo (a) autor(a) da obra. é necessário indicar entre parênteses a referencia bibliográfica da obra da qual foi extraída a citação. MODELO DE FICHA DE CITAÇÃO (MARCONI. conforme Amorim (2005. 38) e Parra Filho e Santos (2003. nem transcrição).• Indicar a supressão de um ou mais parágrafos utilizando uma linha completa de pontos. • Apontar entre colchetes possíveis acréscimos. Orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. p. • Utilizar as próprias palavras (não é citação. A utilização de colchetes sinaliza que as palavras nele comportadas não são do autor da obra. 2009. 69 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . P. sem negligenciar a identificação dos seus elementos fundamentais e atendendo às orientações a seguir. Ficha de Resumo A ficha de resumo objetiva apresentar o conteúdo da obra de modo sucinto. 61) c. LAKATOS. 147): • Apresentar síntese clara das principais ideias do autor. • Sinalizar quando o pensamento transcrito não é do autor da obra fichada: quando o autor cita outros autores. mas daquele que elabora o fichamento. p. • Ser fiel ao texto: as palavras são daquele que escreve a ficha de resumo.

P. 36). mas não detalha como ocorre na ficha de esboço. ser sucinto. então. É. a ficha de esboço “assemelha-se à ficha de resumo. Mas a ficha de resumo também apresenta as ideias centrais da obra. preferencialmente página por página.• Cuidar da extensão: a ficha de resumo apresenta mais informações do que a ficha bibliográfica. a ficha de esboço e a de resumo se aproximam. intermediária entre a bibliográfica e a de esboço. Seguem algumas orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. portanto. • Detalhar sem perder a fidelidade ao texto e com as próprias palavras do fichador. ao passo que a segunda. MODELO DE FICHA DE RESUMO (MARCONI. p. p. a ficha a ser utilizada é a de esboço. 62) d. pois a primeira permite espaço para detalhamentos. contudo. porém de forma detalhada”. Ficha de Esboço No momento em que o estudante ou pesquisador tem por objetivo apresentar as ideias principais da obra sem. se descaracteriza. 70 PATRÍCIA MOTA SENA . • Apresentar uma síntese das ideias do autor. são sinônimos? A resposta a essa questão é negativa. no que tange à ocupação com as ideias centrais da obra. Portanto. pois apresenta as ideias principais do autor. 2009. se o fizer. conforme Parra Filho e Santos (2003. 151-152): • Fazer anotações das ideias principais do autor de forma detalhada. LAKATOS. e se diferenciam. Conforme Amorim (2005.

2009. LAKATOS. LAKATOS. P.• Anotar à esquerda da ficha o número da página correspondente à ideia ou posicionamento sinalizado. MODELO DE FICHA DE ESBOÇO-FRENTE (MARCONI. 2009. 63) MODELO DE FICHA DE ESBOÇO-FRENTE (MARCONI. 64) 71 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . P.

65) 72 PATRÍCIA MOTA SENA . é sobre a obra fichada e requer fundamentação coerente. o comentário interroga seu autor.. ao posicionamento do leitor. mas esse posicionamento não é aleatório. Orientações metodológicas para elaborar ficha de resumo. o comentário parte do texto e não se restringe a ele. para além da ideia central do texto. a explicação parte do texto e se restringe ao texto. MODELO DE FICHA DE COMENTÁRIO (MARCONI.. • Fazer uma avaliação da obra. estudantes e pesquisadores que objetivam registrar. 51). 36) e Medeiros (2005. • Apresentar a interpretação e crítica pessoal sobre a obra. conforme Amorim (2005. sim. o posicionamento próprio sobre o pensamento do(a) autor(a) encontram na ficha de comentário um excelente recurso de sistematização da obra e da interpretação sobre ela. p.e. no qual o potencial crítico e interpretativo se torna elemento fundamental. P. por vezes o estudante ou pesquisador acaba por se desvincular da questão central do texto.129 -130): • Identificar os elementos centrais da obra sem limitar-se a essa identificação. É indispensável ter a devida atenção para não fugir do assunto. uma vez que o comentário remete. p. Deste modo. p. há um compromisso maior. “a explicação está a serviço de um texto.”. Conforme Folscheid e Wunenburger (2002. • Realizar a análise crítica do conteúdo. LAKATOS. 2009. Ficha de Comentário No sentido de compreensão da obra. Para realizar com eficiência a ficha de comentário. importa compreender que explicar e comentar são situações diferenciadas. Como o caráter do comentário requer interpretação pessoal.

ressaltando a progressão e a articulação delas. (MEDEIROS. • • • • • • Respeitar a ordem de apresentação das ideias e fatos. p. 142). conforme Amorim (2005. 73 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . indicando tipos diferenciados de resumos. descobrir o plano da obra a ser resumida.. 2005. 38-39). 2005. não dispensa a leitura do original (MEDEIROS. Em segundo lugar. Resumo descritivo ou indicativo Esse tipo de resumo diz respeito aos aspectos mais importantes do texto de modo apenas indicativo. Nele devem aparecer as principais ideias do autor do texto”. no resumo. 2005. da problemática e das fundamentações (dados qualitativos). a duas perguntas: o que o autor pretende demonstrar? De que trata o texto? Em terceiro lugar.143). Suprimir os elementos redundantes e supérfluos ou irrelevantes.• Resumir Para Medeiros (2005. Medeiros (2005. a pessoa que o está realizando deve responder.]. deve-se ater às ideias principais do texto e a sua articulação [. do objetivo. Apresentar o conteúdo da obra de maneira sucinta.. 143). em primeiro lugar. conforme citação a seguir. o objetivo pretendido pelo(a) autor(a) e suas conclusões. sua constituição e conceitos (dados quantitativos) e à ocupação com a identificação e análise da hipótese. Selecionar as ideias principais. Os principais são: descritivo ou indicativo. informativo ou analítico e crítico. Construir frases que incluam várias ideias expostas no texto.142 -153) e Siqueira (1990. p. Os procedimentos para realizar um resumo incluem. Entre os aspectos que integram todos os modos de resumir constam a necessidade de planejamento e a identificação de elementos tais como: a questão discutida no texto. p. apud MEDEIROS. Orientações metodológicas para elaboração de resumos. Os resumos são redigidos conforme o objetivo que se pretende alcançar. p. “resumo é uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto. p. Identificar e agrupar as ideias que se relacionam entre si. Portanto.151): Evitar começar a resumir antes de esquematizar o texto ou de preparar as anotações de leitura. f. seus argumentos. e fazê-lo de forma sintética. no qual são eliminadas a ocupação quanto à extensão do texto. p.

p. através do estudo. g. Maria Thereza Fraga. as frases feitas. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em maio de 1981. São Paulo: Mestre Jou. 184 p. 184 p.Veja. um exemplo de resumo descritivo ou indicativo proposto por Medeiros (2005. 2005. escola. a seguir. ressaltam-se a carência de nexos. o nonsense. 1981.143-144). particularmente desses indivíduos. os resultados e as conclusões. Examina 1. Veja. os métodos e as técnicas utilizados.8% dos vestibulandos demonstraram incapacidade de domínio dos termos relacionais.2% dos textos. cultura. Chegou à conclusão de que 34. uma teoria do texto. os clichês. 16. obtidas da FUVEST. Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. Sua hipótese inicial é a da existência de uma possível crise na linguagem e. (MEDEIROS. um exemplo de resumo informativo ou analítico proposto por Medeiros (2005. 143). São Paulo: Mestre Jou. A redundância ocorreu em 15. informações sobre o candidato. Examina os textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem.9% apresentaram problemas de contradições lógicas evidentes. Um dos critérios utilizados para a análise é a utilização do conceito de coesão. evitando juízos de valor (MEDEIROS. Crise na linguagem: a redação no vestibular. fatores sociais e econômicos. Crise na linguagem: a redação no vestibular. a seguir. esse tipo de resumo pode dispensar a leitura do texto original quanto às conclusões. o ‘nãotexto’ e o discurso indefinido. ROCCO. Resumo informativo ou analítico Realizado com eficiência. de continuidade e quantidade de informações. p. ausência de originalidade. 144). 143). com o discurso tautológico. p. que buscam erigir uma gramática do texto. 500 redações de candidatos a vestibulares (1978). Entre os problemas. 2005. apresenta os critérios para a análise. Parte de conjecturas e indagações. Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise na linguagem escrita. a frase feita. p. ROCCO. Escolheu redações de vestibulandos pela oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo. A autora preocupa-se ainda com a progressão discursiva. O uso excessivo de clichês e frases feitas apa- 74 PATRÍCIA MOTA SENA . São objetos de seu estudo a coesão. o texto e a farta exemplificação. Também foram objeto de análise condições externas como a família. Salienta o objetivo da obra. o clichê. 1981. estabelecer relações entre os textos e o nível de estruturação mental de seus produtores. Maria Thereza Fraga. as contradições lógicas evidentes.

do desenvolvimento (da lógica utilizada na demonstração). Somente em 40 textos verificou-se a presença de linguagem criativa. conforme Amorim (2005.0% dois textos. e da técnica de apresentação das ideias principais”. h.rece em 69. pois. além de apresentar as ideias centrais do texto. pretensamente de efeito. em um segundo momento. p. p. requer a elaboração de juízos de valor sobre essas ideias. “permite opiniões e comentários do autor do resumo sobre o trabalho e não sobre o autor. 75 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . O resumo crítico. em um primeiro momento o(a) estudante ou pesquisador(a) precisa identificar os elementos constituintes da obra e. 39). 144). do conteúdo (análise do teor em si do trabalho). Às vezes o discurso estrutura-se com frases bombásticas. reúne esses elementos lançando o olhar crítico e criativo sobre eles. 2005. Recomenda a autora que uma das formas de combater a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a originalidade. de tal forma que. (MEDEIROS. pode se centrar na forma (com relação aos aspectos metodológicos). Resumo crítico Favorece de modo significativo a construção de saberes. valorizando o devaneio.

76 PATRÍCIA MOTA SENA .

MAPA CONCEITUAL 77 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

2. o que posso fazer para adquirir?”. Sugerimos que você: 1. Pesquise para conhecer um pouco mais sobre os métodos e estratégias de estudo e aprendizagem e. dos pontos positivos e dos seus objetivos de estudo. Resultado das pesquisas sobre métodos de estudo ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 78 PATRÍCIA MOTA SENA . 4. 1. Observe a sua prática de estudo por uma semana e faça o registro das deficiências. por exemplo: “Ainda não tenho familiaridade com a tecnologia. 5. de um roteiro de pesquisa. de uma tabela com aspectos que deseja aprimorar ou do registro dos pontos positivos que você já pratica e que não deve deixar de exercitar. Esse registro deve ser feito aqui mesmo no seu material em forma de tópicos esquemáticos. Problema ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3. Aponte alternativas para solucionar o problema.ESTUDO DE CASO A proposta deste caso para ensino é aprimorar o seu método de estudo. em seguida. Escolha a que considerar mais adequada para a obtenção de êxito no estudo e na aprendizagem e aplique no seu cotidiano acadêmico. formulando um problema como. 3. faça o registro das informações obtidas aqui mesmo no material. Aponte uma deficiência ou algum aspecto que você deseja melhorar para obter maior êxito na sua aprendizagem. Isso pode ser feito por meio da elaboração de um cronograma de estudos. Resultado da observação ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 2.

22). De alguma maneira. apenas. pois do contrário não há a intencionalidade capaz de motivar o estudante. quando o leitor se transforma em sujeito atuante. Segundo o texto. a prática necessária para a boa leitura é vivenciada no cotidiano: já que a leitura de mundo se faz automaticamente. sendo esta a etapa primeira e mais importante do ato de ler. analise as proposições a seguir: I. c) I e IV. quer dizer de transformá-lo através de nossa prática consciente” (FREIRE. Segundo o texto. A leitura de um texto. Alternativas de solução para o problema ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 5. Das proposições listadas. d) I e II. Freire chama a atenção para o fato de que leitura proveitosa envolve necessariamente a ação prática. b) II e III. nas leituras proveitosas o conteúdo deve ser aplicado desde o início. p. mas por uma certa forma de ‘escrevê-lo’.4. podemos ir mais longe e dizer que a leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo. 1984. Com base na citação acima e estudos sobre leitura. II. 79 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . o aperfeiçoamento da capacidade leitora acompanha naturalmente o amadurecimento. seja como repertório para atribuição de significados ao que foi lido ou como parâmetro para determinação de suas finalidades. porém. Aplicação ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 “Refiro-me a que a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele. estão corretas. a) III e IV. é um manancial de significações e implicações que vão sendo descobertas a cada releitura. IV. III.

] os conteúdos de aprendizagem não se reduzem unicamente às contribuições das disciplinas ou matérias tradicionais.] Portanto. procedimentais ou atitudinais. Das diferentes formas de classificar esta diversidade de conteúdos.QUESTÃO 02 “[. com o fim de alcançar as capacidades propostas nas finalidades educacionais” (ZABALA. técnicas. bem como as técnicas de estudo e de elaboração de trabalhos... 30-31). ao responder à pergunta ‘o que se deve aprender?’ devemos falar de conteúdos de natureza muito variada: dados. já que preparam e antecedem a aquisição dos conteúdos apontados no texto. atitudes. habilidades. Com base no texto acima. enquanto que a Metodologia do Trabalho Científico se ocupa especificamente da prática de pesquisa na academia. e sobre as contribuições da Metodologia do Trabalho Científico para a aprendizagem dos conteúdos discutidos. elaboração de trabalhos e pesquisas e discutir conceitos QUESTÃO 03 A partir dos conhecimentos sobre as técnicas de sistematização do conhecimento. é correto afirmar: a) A Metodologia. ‘o que se deve saber fazer?’ e ‘como se deve ser?’... oferecer instrumentos para o estudo. p. não se encaixam na classificação proposta. conceitos etc. [. como estudo dos caminhos do saber. Antoni. as demais questões são tratadas nas disciplinas que abordam as teorias e conhecimentos da área específica de formação. d) A Metodologia do Trabalho Científico contribui para o aprendizado dos conteúdos discutidos ao estimular a postura crítica. b) A facilitação da aprendizagem dos conteúdos citados no texto é desempenhada pela metacognição.. Coll (1986) propõe uma que [.. Porto Alegre: ArtMed. relacione as colunas de acordo com as finalidades da técnica abordada e sua aplicação: 80 PATRÍCIA MOTA SENA . c) O controle sobre a própria aprendizagem. A prática educativa: como ensinar. responde à pergunta “o que se deve saber fazer?”.] agrupa os conteúdos segundo sejam conceituais. 1998. Esta classificação corresponde respectivamente às perguntas ‘o que se deve saber?’.

sendo mais proveitosa quando o estudante pratica esta técnica habitualmente. “o texto-linguagem significa. A condição histórica. contribuindo para que o leitor assuma uma postura transformadora. pensá-la. o autor (o emissor) codifica sua mensagem que. que reflete tanto a compreensão do leitor quanto a organi-zação das ideias do autor. discordâncias e outras impres-sões. o meio intermediário pelo qual duas consciências se comunicam. para.I. já tenha sido pensada. Ele é o código que cifra a mensagem. compreendendo-a: assim se completa a comunicação”. A leitura só tem valor quando consegue realizar a comunicação de ideias. 81 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . estabelecendo a relação entre experiências diferenciadas próprias do autor e do leitor. ( ) Organiza os materiais de estu-do e pesquisa. possibilitando reaver informações importantes identificadas ao longo de leituras diversas. Consiste na sistematização das anotações de leitura. é a) III – I – II b) I – II – III c) II – III – I d) II – I – III QUESTÃO 04 Para Antônio Joaquim Severino (2002. já que apenas as passa-gens essenciais são sinalizadas de ma-neira a preservar o sentido. depreende-se que: I. decodifica a mensagem do autor. Ao escrever um texto. Resulta em uma representação gráfica do texto. de cima para baixo. Culmina na simplificação da leitura do texto. ( ) Leva o estudante a se apropriar efetivamente das ideias principais do texto e assinalar. política e cultural do leitor pode influenciar na significação da mensagem codificada pelo autor. p. ( ) Esta técnica é utilizada como etapa preparatória para a elaboração de resumos e para fixação do conteúdo integral do texto. ao ler um texto. por sua vez. A partir da leitura do texto acima. II. apresentadas hierarquicamente. traduzindo os sinais gráficos em palavras. III. III. associada aos estudos sobre leitura e análise de textos. social. assimilá-la e personalizá-la. portanto. 49). A interpretação de um texto-linguagem acontece quando a decodificação da mensagem é realizada pelo leitor. então. A sequência correta encontrada. dúvidas. antes de tudo. concebida e o leitor (o receptor). II. por meio de sinais.

com alternativas de leitura e movida por um processo de transformação concreta da realidade. II . III .Torna-se necessário o desenvolvimento da reflexão crítica do leitor em função da velocidade e do intenso fluxo de informações. pois a era da informação. nos dias de hoje. que o acesso à informação garante o amadurecimento de reflexões e a construção de conhecimento. exigindo que a formação do leitor contemple sensibilidade e coerência. está(ão) correta(s) apenas a) I b) I e III c) II d) II e III 82 PATRÍCIA MOTA SENA . considerando as proposições referentes às posturas do leitor na atualidade: I . valorizando-se a ferramenta da informática e ampliando seu acesso na escola de forma livre e espontânea. permitindo que a tecnologia forneça o correto direcionamento para a leitura. Das proposições acima. na formação do leitor. construindo uma formação crítica. A possibilidade de personalizar a mensagem do autor sugere que cada leitor deve significá-la de acordo com seus instrumentos intelectuais. característica dos dias atuais.Deve-se considerar.IV. Das proposições acima.Forma-se o leitor. vem marcada pela sua ampla possibilidade de veiculação. independente das condições objetivas que originaram o texto. a partir da articulação e das práticas de leitura na sociedade. estão corretas apenas a) II e IV b) II e III c) I eIV d) I e III QUESTÃO 05 Associe a leitura do texto a seguir à importância do ato de ler no processo de formação.

BLOCO TEMÁTICO A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO 2 .

.

1 TEMA 3. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS 2. CARACTERÍSTICAS DA LINGUAGEM CIENTÍFICA Clareza na Expressão: Vários autores apresentam um conselho extremamente importante: “leia cuidadosamente o que escreveu como se você fosse o seu leitor”. pois é assim que a pesquisa exerce a sua função social. Como toda atividade que precisa de métodos. Veremos alguns princípios básicos da redação científica.1. A LINGUAGEM CIENTÍFICA E AS REGRAS DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) Para Laville. devemos atender a algumas características que facilitem o intercâmbio de conhecimentos e de informações. Dionne (1999. 238-239). No caso específico da redação acadêmica. p. E esta é uma opinião compartilhada por todo o ambiente científico. permitindo que outros cientistas possam desenvolver novos estudos e melhorar a qualidade de vida da sociedade. a comunicação científica pressupõe o uso de normas para uniformizar os procedimentos e guiar a sua execução.A COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A CONSTRUÇÃO ACADÊMICA DO CONHECIMENTO 2. “a pesquisa só tem valor quando comunicada”. Desta maneira 85 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .1 CONTEÚDO 1.

cenas e aspectos já descritos. contribuindo para a ampliação do conhecimento. gráficos. de um estilo direto de empregar as palavras essenciais à compreensão das ideias. Para tanto. A clareza na expressão é a transmissão do pensamento por meio de uma linguagem clara. Precisão na Linguagem: utilizar uma linguagem precisa é empregar cada palavra de acordo com o que se deseja expressar.será possível perceber criticamente o texto. 86 PATRÍCIA MOTA SENA . brincadeiras com o título e com texto. pois este deve ser compreensível e claro para o leitor. percebendo que a sua compreensão está intimamente relacionada à aprendizagem da ciência. Conforme vimos no tema anterior. Na linguagem científica a escolha de termos deve ser criteriosa. Desta forma. Tais características foram estabelecidas ao longo do tempo através da realização de pesquisas e de crítica metodológica capazes de estabelecer critérios específicos para o registro de processos científicos. pois as palavras e os recursos visuais apresentados. o dicionário é um elemento indispensável no ambiente de estudo e a sua consulta deve ser feita sempre que necessário. tabelas precisam ser compreendidos pelo leitor. A linguagem científica possui características próprias que a diferem da linguagem coloquial. avaliando se as sentenças estão construídas de maneira clara. tais como figuras. não devem ser utilizados jogos de palavras. palavras e expressões supérfluas. piadas. deve-se evitar expressões informais. “se define pelo emprego de frases. é necessária também a utilização de uma linguagem concisa. Associada à clareza na expressão. cristalina e inteligível. isto é. A noção de concisão é oposta à de prolixidade que. a ignorância quanto ao emprego de palavras. A precisão da linguagem visa transmitir o pensamento com exatidão e clareza. Utilização Correta das Regras da Língua Portuguesa: A escrita exige que o autor assuma uma postura respeitosa diante dos leitores. Além disso. que não deve ter nenhuma dificuldade para entender o conteúdo explanado. Para tanto. torna-se necessário conhecer os elementos que pautam a linguagem científica. Objetividade na Apresentação: implica na seleção das informações para que sejam apresentados os conteúdos mais relevantes. que podem ser os membros de uma banca examinadora. e pelo uso de orações subordinadas”. ambíguas ou que sugiram trocadilhos. pela repetição de fatos. para que o texto siga um raciocínio lógico e coerente. se as ideias estão concatenadas e se há uma sequência lógica na apresentação dos argumentos. Frases longas e repetição de palavras também podem ser apontadas como elementos que comprometem a significação das ideias do texto e a sua estrutura estética. segundo Cardoso (2001). construção de orações e ortografia não pode ser admitida como justificativa para a construção de trabalhos sem a correção gramatical.

Caso seja indispensável o uso de palavras em outro idioma. Os trabalhos científicos devem ser elaborados de acordo com algumas normas estabelecidas e devem apresentar originalidade. Para Ângelo Salvador (apud MARCONI e LAKATOS. Podem ser elaborados de diversas maneiras. ampliando a compreensão sobre determina-dos campos do conhecimento e sobre questões científicas. Em geral. • Características dos trabalhos científicos A pesquisa não deve ser confidencial. repetir as observações e julgar as conclusões do autor. o autor o leia cuidadosamente como se fosse seu próprio leitor para que possa verificar se a linguagem está limpa e clara. permitem que outro pesquisador julgue as conclusões do autor e as utilize como subsídio para seus próprios estudos. resultados e etapas de estudos experimentais que submetam fenômenos a experiências controladas. o texto se torna mais acessível a leitores de outras culturas ou de futuras gerações. b. à medida que se utiliza uma linguagem objetiva e precisa. pois estes precisam ser divulgados para que outros pesquisadores saibam qual a trajetória percorrida. estes trabalhos apresentam observações e análises acerca de fenômenos naturais ou sociais. em termos de espaço e de conjuntura histórica. 1999: 238-239. Grifos da autora). considerar uma outra. uma vez que contribuem para que o texto se contextualize fortemente pela linguagem. às conclusões obtidas e aos dados utilizados. Aliás. é com esse espírito que se espera receber as informações que permitam acompanhar seu encaminhamento. com a mesma precisão e sem ultrapassar a margem de erro indicada pelo autor. Conforme Laville. as conclusões tiradas de sua verificação. É necessário atentar também para expressões estrangeiras ou de cunho regionalista. 87 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . mas assumir uma perspectiva de transparência quanto aos métodos aplicados. 1999: 221). os trabalhos científicos devem permitir: “a. Embora seja impossível escapar totalmente à vinculação contextual. elas devem ser apresentadas entre aspas ou em itálico. para toda pesquisa. dispondo dessas informações.. [.] o que hoje importa é conhecer a hipótese formulada. reproduzir as experiências e obter os resultados descritos. para poder. indagando se seria possível proceder de outra forma e chegar a outra coisa (LAVILLE. mas obedecendo a metodologias específicas para cada finalidade a que se destinam.. e eventualmente refutar o conhecimento produzido. quais fatores foram considerados e julguem o valor da investigação ou reproduzam as etapas para chegar aos mesmos resultados. depois de escrito o texto.É importante que. suas coordenadas e suas modalidades de construção. Desta forma.

CARACTERÍSTICAS DO TRABALHO CIENTÍFICO . • Mas como podemos dizer que um trabalho é mesmo científico? Luiz Rey (apud MARCONI e LAKATOS. podemos citar a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD). composto por entidades privadas e públicas que atuam na área científica. . teorias etc. . com a publicação: 88 PATRÍCIA MOTA SENA . Sistema Nacional de Metrologia. Trabalhos experimentais cobrindo os mais variados campos e representando uma das mais férteis modalidades de investigação.Ser inéditos ou originais. verificar a exatidão das análises e deduções que permitiram ao autor chegar às conclusões”. As normas que veremos aqui estão relacionadas. . . levando à produção de conceitos novos por via indutiva ou dedutiva. b. sendo o único órgão responsável pela normalização.Oferecer subsídios para trabalhos posteriores.Contribuir para ampliação de conhecimentos. Dentre eles.c. 1999: 221-222) relaciona como trabalhos científicos aqueles que apresentam: “a. apresentação de hipóteses. por submeter o fenômeno estudado às condições controladas da experiência. Trabalhos teóricos de análise ou síntese de conhecimentos. • Regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) Existem alguns institutos que estabelecem normas gerais que são seguidas por todos aqueles que se dedicam à pesquisa científica no Brasil. . Normalização e Qualidade Industrial.Permitir a reprodução das experiências e a obtenção dos resultados descritos.”. especificamente. mutações e variações. espécies novas. A ABNT faz parte do Sinmetro. c. ela é a referência mais segura e comum a que se pode recorrer na elaboração de trabalhos científicos. Por isso.Verificar a exatidão das análises. dados ecológicos etc.Obedecer às normas pré-estabelecidas. Observações ou descrições originais de fenômenos naturais. estruturas e funções.

89 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Deve ser elaborado com base em investigação original. estudo independente. constituindo-se em real contribuição para a especialidade em questão. TESE: “Documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico de tema único e bem delimitado. analisar e interpretar informações. visando a obtenção do título de mestre”. TRABALHO ACADÊMICO (esta categoria inclui trabalhos de conclusão de curso – TCC – e de especialização): “Documento que representa o resultado de estudo. ou similar”. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor) e visa a obtenção do título de doutor. Deve evidenciar o conhecimento de literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização do candidato. devendo expressar conhecimento do assunto escolhido. A ABNT apresenta definições que são importantes para a significação de alguns trabalhos científicos: DISSERTAÇÃO: “Documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um estudo científico retrospectivo. As normas da ABNT são elaboradas e atualizadas por um comitê formado por consumidores.Trabalhos Acadêmicos. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor). NBR 10520 – Citações. produtores e membros da comunidade científica. módulo. • NBR 14724: Informação e documentação — trabalhos acadêmicos — apresentação – Definições de Apresentação 1. Deve ser feito sob a coordenação de um orientador”. Forma Geral • Elementos pré-textuais: Capa: Elemento obrigatório que deve conter os dados indispensáveis para a identificação do autor e especificação do trabalho.• • • Norma Brasileira Registrada (NBR) 14724 . de tema único e bem delimitado em sua extensão. que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina. com o objetivo de reunir. NBR 6023 – Referências. programa e outros ministrados. curso. Veremos as principais normas que ela define para a elaboração de trabalhos científicos.

São informações não essenciais. • Elementos pós-textuais: Anexos: Servem para complementar o texto com informações difíceis de incluir no desenvolvimento do texto. • Elementos textuais: Introdução: Deve apresentar a ideia principal do texto para que se possa desdobrá-la no desenvolvimento. Folha de Rosto: Possui em sua estrutura o nome do autor. Natureza do trabalho (especificar se é dissertação. a bibliografia e o glossário.7 cm) Tipo de Fonte: Arial ou Times New Roman Tamanho da Fonte: 12 Margens: Superior 3. Ano de entrega. de modo a construir uma lógica de pensamento coerente. O desenvolvimento deve estar encaixado hierarquicamente entre a introdução e a conclusão. retomando a tese defendida no desenvolvimento. Cidade e Ano em que foi entregue o trabalho. do aluno que elaborou o trabalho. isto é. mas que fornecem elementos adicionais à compreensão do assunto tratado. testemunhos.0 cm Direita: 2.). ampliando o tema a partir da explicação das ideias. os apêndices. Nº do volume. Co-orientador. Desenvolvimento: Discute o tema central exposto na introdução em parágrafos articulados. Podem ser tabelas. Local (cidade) da instituição. Subtítulo se houver.0 cm Inferior: 2. Conclusão: Encerra a argumentação e oferece respostas para as questões feitas ao longo do texto. defendendo os pontos de vista. nome da instituição (opcional). Orientador. Título. também são considerados elementos pós-textuais as notas.0 cm Esquerda: 3. monografia ou trabalho de conclusão de curso etc. 2. gráficos. documentos históricos. registros. Subtítulo.Estrutura da Capa: Nome do autor. Forma Gráfica Papel: branco A4 (21 cm x 29. Além destes. fotografias. Título. ficando a critério do leitor se ele quer ou não tomar conhecimento de tais informações.0 cm 90 PATRÍCIA MOTA SENA .

Depois. Espacejamento: 1. ESTRUTURA DA CAPA FOLHA DE ROSTO 91 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .Siglas: quando se referir pela primeira vez usar o nome completo seguido da sigla. Paginação: pode ser no canto superior ou inferior da página na borda direita da folha (2 cm x 2 cm). somente a sigla.5 entre linhas MARGENS .

Nome. As referências devem ser alinhadas à esquerda e separadas entre si por espaço duplo. RJ: Vozes. Nome de. Antônio Marcos. Petrópolis. Nome. Ano. A relação das referências deve ser organizada em ordem alfabética considerando o último sobrenome da autoria. Nome. 1998. Sobrenome com partículas: SOBRENOME. Local: Editora. Nome. FILHO. Novela e sociedade no Brasil. Sobrenomes de Parentesco: SOBRENOME NETO. Nome. Edição. SOBRENOME. Sobrenomes Compostos: SOBRENOME COMPOSTO. da. Nome et al. Nome. Exemplo: GOMES. Nome do livro. Nome. SOBRENOME. ou et allii.• NBR 6023 – Referências As referências bibliográficas devem conter os dados essenciais para a identificação da publicação. Referências de livros SOBRENOME. institutos e entidades. Sem autor: A entrada deve ser feita pelo título Entidades coletivas: NOME de associações. 1. Mais de três autores: SOBRENOME. Até três autores: SOBRENOME. 92 PATRÍCIA MOTA SENA . – Normas para a apresentação de referências Norma Geral: SOBRENOME. quando falamos em público devemos falar “e colaboradores”.

numeração do fascículo. p. Ano. Partes de revista. História dos jovens 2: a época contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras. SOBRENOME.). número. 1943-1978. SCHIMIDT. Capítulo de Livro (Autor é também o organizador do livro) SOBRENOME. Exemplo: SANTOS. 5. In: LEVI. 1994. datas de início e de encerramento da publicação. Mês/Ano. Local: Editora. Periódico como um todo (referência de toda a coleção) NOME DO PERIÓDICO. n. Nome. p. (Org. Artigo ou matéria de revista. A expressão “IN” – deve ser em itálico (língua estrangeira).. J. volume e/ou ano. Imagens da Juventude na era moderna. XX-XX. Nome da revista. Título do capítulo. Nome. 48. 6. nunca duas ou três ao mesmo tempo! 4. Local: Editora. G. Mas atenção! Só podemos utilizar uma OU outra forma. Local: Editora. XX-XX. 28 jun. p. São Paulo: Três. F. Nome do livro. Observe que o grifo continua no título da obra geral. Nome do livro. Ed. p. numeração do ano e/ou volume. 93 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . In:______. Local: Editora.S. Ano. negrito ou sublinhado. 7-16. Local. Macapá: Valcan. 1996. e não no título do capítulo. Exemplo: DINHEIRO: revista semanal de negócios. Giovanni. Nome do autor do capítulo. boletim etc. Título do capítulo. Capítulo de Livro (autor diferente do organizador do livro) SOBRENOME. dos. In:_____. A colonização da terra dos Tucujus. Rio de Janeiro: IBGE. Exemplo: ROMANO. O título do livro deve estar sempre destacado em itálico. Título do artigo ou matéria. 2000. Nome do autor do livro. 3. p. 15-24. Cap. Exemplo: BOLETIM GEOGRÁFICO. XX-XX.2. se houver. In: SOBRENOME. NOME DA PUBLICAÇÃO. e que se deve colocar a paginação. informações de períodos e datas de publicação. boletim etc. 2.3. História do Amapá.

3. 1983. set. 28 jun. Navio negreiro. Nome do jornal. 15-21. p. 8. A própria natureza da pesquisa pressupõe a inspiração em outras obras.. Material eletrônico SOBRENOME. P. buscando nelas o apoio necessário para fundamentar pontos de vista. Imagem em movimento TÍTULO de filme. 13.org. videocassete ou DVD. Exemplo: OS PERIGOS DO USO DE TÓXICOS. Título da obra. devemos apresentar os seguintes sinais para indicar: Supressões: [. com. 0000.Exemplo: GURGEL. X. p. Seção. Data. Produção de Jorge Ramos de Andrade. São Paulo. No texto. C. Nome do diretor e/ou produtor. Rio de Janeiro. podemos usar citações literais (textuais). Artigo e/ou matéria de jornal SOBRENOME. Folha Turismo. Local: Produtora.. São Paulo: CEVARI. caderno ou parte do jornal. caderno 8. 9. isto é. acréscimos ou comentários: [ ] 94 PATRÍCIA MOTA SENA . Reforma do estado e segurança pública. Política e administração. quando transcrevemos as palavras de um texto incorporando-as ao nosso ou citações livres (paráfrases). Nome. 1999. Desta forma. Elas podem ser transcrições do texto original ou referências que nem sempre precisam ser cópias. 2005. quando retiramos do texto a ideia que nos interessa e apresentamos com nossas próprias palavras. Exemplo: NAVES. Nome. Local. Título do artigo. Castro. Lagos andinos dão banho de beleza. Acesso em: 00 mês.abnt. n. Disponível em: <http://www. • NBR 10520 – Citações em Documentos As citações se justificam quando queremos nos referir às ideias de outros autores. v. 1997. p. 7.br>.] Interpolações. 2. a frases específicas e conclusões de outros autores/trabalhos.br/>. Acesso em: 04 abr. Disponível em: <http://www. Exemplo: ALVES.sitedeconsulta. data. Folha de São Paulo. elaborar exemplos e ilustrações.

2001.. Como a citação possui menos de 3 linhas. 2004.. mas não é necessário o uso de aspas. p. devemos recuar 4 cm à margem esquerda... 2001). p. 26. 403). Veja o exemplo: A concepção materialista de Marx carrega em sua base uma concepção de natureza e da relação do homem com essa natureza. com mais de 3 linhas.] já que usa a natureza transformando-a conscientemente segundo suas necessidades e. Por outro lado.. – Citações diretas no texto (mais de três linhas) Para as citações mais longas. por meio da expressão “grifo nosso” ou “grifo do autor”. Observe o exemplo abaixo: Para Piaget (2001. Para Marx. devemos mantê-las dentro do parágrafo. Os colchetes com reticências indicam que uma parte do texto foi suprimida. porque depende da natureza. indicando. – Grifo em citação Deve-se utilizar itálico ou negrito para destacar a parte fundamental da citação. fazse homem (ANDERY. 26) “a escola deve atender as necessidades básicas do aluno [. grifo nosso). nesse processo. a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [. incorporadas ao texto.] o homem é um ser natural porque foi criado pela própria natureza... OU 95 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .] (PIAGET. – Citação indireta no texto A escola deve perceber o educando e suas necessidades (PIAGET. [. da sua transformação para sobreviver. – Citar no texto o nome do autor Piaget (2001) considera que a escola deve atender as necessidades do educando. p.. ela deve dar continuidade ao parágrafo.Ênfase ou destaque: grifo ou negrito ou itálico – Citações diretas no texto (até três linhas) No caso das citações que possuam até 3 linhas. Veja os exemplos: Sendo assim.]”. o homem não se confunde com a natureza. [.

a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [. afirma que a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [. mas sim um resumo ampliado.2 CONTEÚDO 2. Não uma simples apresentação. 2001. citado por Zabala. grifo do autor). p. Paper e Memorial. acrescido da referência a outras obras da mesma área e da formulação de um conceito de valor que o resenhista faz sobre o livro. Nosso objetivo será compreender o processo de construção... como no exemplo a seguir: Para Piaget (apud ZABALA.. vamos abordar como elaborar alguns dos trabalhos científicos que vão fazer parte do seu cotidiano acadêmico.Resenha. Palestra e Conferência.1.Estudo de Caso.. 2002..Sendo assim.]. – Citação de Citação (Apud) Aplicamos a citação de citação quando queremos fazer referência a uma ideia à qual não tivemos acesso direto. Artigo Científico. Veja o exemplo: Piaget. A expressão “citado por” pode ser substituída pela expressão latina apud. 57). Vamos estudar: . já que você passou a integrar a comunidade científica. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS I A partir de agora. elaboração e divulgação destes trabalhos. É a descrição detalhada de uma obra.. Painel e Mesa-redonda. • Resenha A resenha é a apresentação do conteúdo de uma obra feita por meio da sua apreciação. 26. 96 PATRÍCIA MOTA SENA . . Dentre as principais características. p. podemos destacar que a resenha: • • É mais abrangente que um resumo crítico. Ela só pode ser utilizada se for muito difícil ou impossível entrar em contato com o texto original. mas por intermédio de outro texto.] (PIAGET. . a escola deve atender as necessidades básicas do aluno levando em consideração seu conhecimento [.Seminário.]. 2.

É importante que seja avaliada a abordagem do autor. A resenha admite que se façam elogios. juízos de valor e avaliação da obra em relação a outras. lembrando que a resenha deve ser escrita na forma de um texto dissertativo. A resenha admite que sejam feitos comentários e sejam emitidas opiniões acerca das ideias explanadas no texto. no entendimento de novas questões. ao texto. É preciso que seja feito também um apontamento das possíveis falhas do autor. devemos apresentar o tema e a abordagem que o autor traz. filmes. peças. as obras iniciam com um balanço bibliográfico de todos os textos que já foram publicados sobre o tema.• Permite comentários. destacando as suas contribuições. 97 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . As resenhas podem ser classificadas quanto aos elementos que contêm. Apresentamos aqui algumas questões que podem lhe orientar na construção das resenhas. Em geral. congressos. validade e relevância? Inicialmente. opinião. tratam de reuniões. É importante observar se o autor se restringe a analisar esses trabalhos ou se ele supera a simples retomada de ideias anteriores. desde que sinceros e ponderados. Analisar se o texto apresenta consistência nas ideias e se seus argumentos se sustentam. características e abordagens desenvolvidas? Que contribuições a obra apresenta? O autor atinge os objetivos propostos? Há profundidade na exposição das ideias? O texto supera a pura retomada de texto de outros autores? Qual o grau de acessibilidade e originalidade do texto? Qual a utilidade. agradável e interessante. podendo ser reais – analisam eventos. Algumas questões podem servir de orientação para a construção da resenha: • • • • • • • Qual o assunto. O resenhista deve observar se o texto é bem construído. palestras – ou textuais – tratam de livros. encontros. artigos. se é inovadora e se traz novos conhecimentos e teorias que possam ser utilizados em outras pesquisas. se possui uma linguagem acessível na qual a erudição ou a linguagem científica/técnica não comprometa a sua compreensão. comparando e avaliando a relevância da obra em relação a outras do mesmo gênero. • Exige conhecimentos de outras obras a fim de estabelecer relações. indicando erros de informação encontrados.

especialmente após a Segunda Guerra Mundial. quais as conclusões que ele chegou. fazer sua crítica sobre o texto lido. Resumo da obra.000 revistas científicas. 6. sua formação. assim como qual a autoridade dele no campo científico. se o autor alcança alguma conclusão e qual é ela. 4. Indicações do resenhista. Segundo Laville e Dionnne (1999). pois os computadores dinamizam a produção das revistas e a internet divulga mundialmente. título da obra. isto é. o ritmo de disseminação tem se tornado cada vez mais intenso em virtude do avanço na tecnologia das comunicações.Estrutura da resenha 1. titulação e demais obras publicadas. 2. Credenciais do autor são informações gerais sobre o autor. Em 1981. na qual deve expor sua opinião. Crítica do resenhista. 3. Resumo da obra destaca as principais ideias expressas pelo autor. nacionalidade. analisando os principais assuntos tratados nos capítulos ou seções do texto. 4. data e número de páginas. evidenciando o método utilizado. a Lista Mundial de Periódicos Científicos (World List of Scientific Periodical) registrou a existência de cerca de 100. Referência Bibliográfica. • Artigos científicos Nas revistas científicas os artigos são os principais instrumentos de comunicação de uma pesquisa. conforme as normas da ABNT estudadas. Neste item. Conclusões do autor identifica. elas surgiram em meados do século XVII e a partir do século XX expandiram o ritmo de crescimento. 5. 2. Credenciais do autor. 1. a quem o livro pode ser indicado? Estudantes de que área? Ponderar se as ideias do autor servem de embasamento para outras pesquisas. editora. 6. inicialmente. Crítica do resenhista. podemos indicar os resultados que o autor obteve. A referência bibliográfica deve conter autor. Indicações do resenhista. Conclusões do autor. 3. local. 98 PATRÍCIA MOTA SENA . 5. Atualmente.

porém completos. Não requer necessariamente uma revisão de literatura retrospectiva. destacando a contribuição e a originalidade do conhecimento construído. tais como a pertinência do tema escolhido. uma vez que o autor do artigo deve comunicar com objetividade e clareza a problemática analisada. p. é comum que esse periódico estabeleça normas próprias para apresentação. que tratam de uma questão verdadeiramente científica. tendo em vista a facilidade das modernas técnicas de difusão de textos? • Mas o que são os artigos científicos? Eles comunicam ideias e informações. 261). A estrutura se modifica de acordo com o periódico: cada vez que se submete um trabalho à publicação numa revista científica. o impacto do seu estudo para o ambiente acadêmico. as conclusões e. Entretanto a NBR 6022 apresenta elementos que servem de orientação para os conselhos editoriais de revistas científicas e seus colaboradores. a partir da análise sistemática da bibliografia pertinente. Observe o quadro abaixo: 99 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . “os artigos científicos são pequenos estudos. Devem ser originais e inéditos. o grau de profundidade da revisão e a importância da bibliografia revista. as etapas da investigação. Segundo Lakatos (2009. OS ARTIGOS PODEM SER: Artigo de divulgação: São voltados para a divulgação dos resultados de uma pesquisa científica. os métodos empregados. Deve apresentar conclusões abrangendo conhecimentos sobre um determinado tema disponíveis na comunidade científica.É nos periódicos que a comunidade científica pode avaliar a validade da pesquisa realizada. Artigo de revisão: São trabalhos que fazem uma avaliação crítica da literatura existente sobre determinado assunto. mas que não se constituem em matéria de um livro”. A explosão de publicações científicas pode constituir motivo de preocupação para os pesquisadores? Para você. Os artigos de revisão com enfoque histórico devem obedecer a uma ordem cronológica de pensamento e de publicação das obras analisadas Alguns aspectos devem ser observados. principalmente. existe o risco de diminuição da qualidade dos artigos científicos. É o relato analítico de informações atualizadas sobre um tema de interesse para determinada especialidade. A estrutura de um artigo se modifica de uma revista para a outra.

Referências 1. artigos e outros documentos científicos mencionados ao longo do texto. colegas e pesquisadores acabam por se envolver com pesquisas de seus colegas. 2. discorre sobre uma pesquisa científica. Professores. 3. 5. Possui a quantidade de linhas. Sinopse 4. trata-se de um resumo descritivo que apresenta o conteúdo total do texto. • Paper 100 PATRÍCIA MOTA SENA . construído a partir de uma análise dos aspectos relevantes do trabalho. instituição à qual ele pertence e um contato. o texto propriamente dito. nome.ESTRUTURA Temos aqui a estrutura do artigo. que. que geralmente é o e-mail. A consecução de uma pesquisa científica requer o empenho de muitas pessoas. o tamanho da fonte e a quantidade de caracteres definidos previamente pelo órgão editor do periódico. As palavras-chave são termos. Aqui as credenciais do autor são os seus dados. O corpo do artigo é o desenvolvimento. dando opiniões. em geral. precisa e gramaticalmente correta. O item dos agradecimentos serve para que esses nomes sejam mencionados como uma forma de demonstrar gratidão e gentileza. Corpo do artigo 6. Neste caso. Por último. orientadores. fornecendo sugestões e indicações de documentação. Agradecimentos 7. as referências bibliográficas consistem na listagem dos livros. lendo os textos escritos. Título 2. Ele deve descrever a essência do artigo de forma lógica. A sinopse é também conhecida como resumo. Credenciais do autor 3. expressões simples ou compostas que caracterizam os domínios em que o texto se inscreve. Primeiro vamos falar do título. realçando os aspectos mencionados. 1. 7. 4. Palavras-chave 5. Vamos comentar cada um destes itens separadamente. 6.

O paper é um artigo menos abrangente, um pequeno artigo. De acordo com Souza (apud TEIXEIRA, 2005, p. 45), as características desse trabalho acadêmico “podem convencionalmente consistir em atividade acadêmica, servindo usualmente como um trabalho escrito para a avaliação do desempenho em seminários, cursos e disciplinas. Devem possuir a mesma estrutura formal de um artigo”. Ainda conforme essa autora, as principais características do paper são: “a) estudo sobre um autor; b) estudo de um tema num autor; c) estudo de uma obra de um autor; e d) estudo de um tema/questão/problema em diversos autores” (SOUZA apud TEIXEIRA, 2005, p. 45).

Memorial

Todos nós construímos uma trajetória acadêmica que envolve debates, leituras e reflexões. O memorial é uma narração autobiográfica que analisa uma etapa da vida acadêmica que está relacionada com a pesquisa. E esta caminhada está também vinculada à nossa vida pessoal. Conforme sugere a letra da música no fragmento a seguir:

Ando devagar Porque já tive pressa E levo esse sorriso Porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte Mais feliz quem sabe Eu só levo a certeza de que Muito pouco eu sei, eu nada sei (...) Todo mundo ama um dia todo mundo chora, Um dia a gente chega, no outro vai embora Cada um de nós compõe a sua história, E cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, E ser feliz. (Tocando em Frente. Almir Sater. Composição: Almir Sater e Renato Teixeira) Cada um de nós possui uma história diferenciada, seja acadêmica ou pessoal, e ela pode ser abordada dentro da comunidade científica através dos memoriais, pois é um documento científico no qual escrevemos sobre nós mesmos. Dentre suas características podemos destacar que os memoriais configuram uma espécie de autobiografia acadêmica, profissional e intelectual do autor que deve ser escrito na primeira pessoa do singular.

101
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

Esta autobiografia descreve, analisa acontecimentos e a trajetória acadêmicoprofissional e intelectual do autor, avaliando cada etapa da sua experiência. Destaca as fases mais importantes e significativas, evidenciando relações entre a vida pessoal e a profissional do autor. Atividades artístico-culturais importantes podem ser mencionadas, desde que sejam relevantes. Traz uma perspectiva histórica e analítica da carreira do autor, retomando e analisando o curriculum do pesquisador, permitindo a autoavaliação e a reflexão acerca da sua trajetória acadêmico-profissional. Reflete sobre seus momentos mais importantes dentro de uma perspectiva histórica, isto é, de transformação, avanços e recuos em sua trajetória. Sua estrutura deve conter capa e folha de rosto, sumário e corpo.

2.1.3

CONTEÚDO 3. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS II

Seminário

O seminário é uma das técnicas mais eficientes de aprendizagem, porque estimula a pesquisa e a discussão. Caracterizado como técnica de dinâmica de grupo, o seminário pode ser apresentado em eventos científicos, como congressos, encontros e simpósios, assim como constitui uma das atividades mais praticadas nos cursos de graduação e pós-graduação. O seminário pode ocorrer pautado na discussão de textos ou de temas pesquisados, fomentando a reflexão através do debate.

Dentre as suas principais características, destacamos que o seminário:

Inclui pesquisa, discussão e debate;

102
PATRÍCIA MOTA SENA

Não é apenas um resumo ou síntese de estudo, mas um momento de divulgação e partilha da investigação realizada; • É uma forma de comunicação mais restrita; • Assemelha-se a um grupo de estudo, mas também pode ser feito individualmente; • Integra ensino, pesquisa e debate. O primeiro passo é a pesquisa bibliográfica, requisito indispensável. Mas este trabalho de pesquisa deve ser planejado e orientado pelo professor, que, se baseando nos conteúdos da disciplina, define os critérios e os objetivos que os participantes devem alcançar. E a pesquisa conduz à discussão do material coletado, fomentando o debate. Os seminários aprofundam o estudo e o conhecimento sobre determinado assunto, desenvolvem a capacidade de pesquisa e análise, preparando para a elaboração clara e objetiva dos trabalhos científicos. O seminário fortalece o sentimento de comunidade intelectual. Os seminários possuem etapas quanto à sua expressão escrita e uma estrutura específica de apresentação oral. Vejamos:

ETAPAS 1. Introdução 2. Conteúdo 3. Conclusão 4. Bibliografia

ESTRUTURA 1. Introdução 2. Conteúdo 3. Conclusão 4. Bibliografia

A introdução é uma breve exposição do tema central selecionado para a pesquisa. O conteúdo corresponde ao desenvolvimento e deve ser apresentado seguindo uma sequência organizada, tornando claros os objetivos do seminário. A conclusão traz a síntese do seminário e a bibliografia relaciona todos os documentos científicos que foram utilizados e citados.

Quanto à estrutura, vamos saber quem são os participantes da apresentação:

1. O coordenador é o professor que orienta a pesquisa. 2. O relator (ou relatores) expõe os resultados obtidos. Pode ser um só elemento, vários ou todos do grupo, cada um apresentando um aspecto do conteúdo. 3. O comentador pode ser um estudante de outro grupo ou um grupo diferente do responsável pelo seminário. O comentador se compromete em estudar com antecedência o tema para fazer críticas e questionamentos adequados à exposição, antes de iniciar o debate. A figura do comentador só aparece quando o coordenador deseja um aprofundamento crítico dos trabalhos.

103
METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

é o debate que “caracteriza o seminário como uma técnica geradora de novas ideias. os critérios de tamanho e legibilidade das ilustrações devem ser igualmente observados. Os debatedores correspondem a todos os alunos da classe. Ana Paula Amorim (2005. Adequação da extensão do relato ao tempo disponível.. No entanto. 03) adverte que as informações e legendas devem aparecer em contraste com a cor do papel utilizado. Seleção qualitativa e quantitativa do material coletado. o seminário segue normas gerais de elaboração dos trabalhos acadêmicos. 03) destaca que alguns elementos devem ser respeitados pelos participantes do seminário: • • • • • Domínio do assunto por todos os componentes do grupo. a todos os ouvintes do seminário. Existem algumas normas que devem pautar as apresentações oral e escrita de um seminário. pedindo esclarecimentos. Nos seminários realizados em grupo pode haver a necessidade de um organizador. os debatedores devem participar fazendo perguntas. tais como cartazes. responsável pela distribuição das tarefas. Como destaca Elisabete de Pádua. observando o tamanho da fonte para que a leitura não seja comprometida pelos alunos mais afastados da exposição. Exposição clara dos conceitos.” 104 PATRÍCIA MOTA SENA . proporciona o confronto de opiniões e fomenta a crítica. Quando se tratar de imagens ou desenhos. Amorim (2005. levando a novas indagações sobre o assunto [. Sequência no discurso explanado e encadeamento das partes.. retroprojeções e projeções de slides. Depois da exposição e da crítica do comentador (se houver). Quanto à sua apresentação escrita. despertando a curiosidade dos participantes. enfim.]. colocando objeções. O debate é o momento mais importante do seminário! Conduz à reflexão. reforçando argumentos ou dando alguma contribuição. levando a um aprofundamento do conteúdo e à construção da aprendizagem. Para a apresentação oral podem ser utilizados materiais de ilustração.4. Quanto à apresentação oral.

Os participantes. • Mesa-Redonda A Mesa-redonda apresenta pontos de vista variados acerca de um mesmo tema. Após a exposição os demais participantes apresentam os seus comentários críticos. Em geral. Consiste na reunião de vários interessados que expõem suas ideias sobre determinado assunto. Os painéis podem ser: De interrogação: Os participantes responderão questões básicas indicadas pelo professor. os participantes também questionam as ideias dos demais. no máximo seis. que realizam o debate sob a coordenação de um moderador. que poderá concedê-la à plateia. Apresentação de um tema sob pontos de vista diferentes e até mesmo divergentes. o que possibilita uma troca de ideias e conduz ao conhecimento aprofundado do tema. seguida de uma sessão de perguntas e debates. De debate: Além de expressar ideias.• Painel Ao contrário do que imaginamos. A participação é espontânea. conhecem previamente o texto dos outros expositores e podem apresentar questionamentos aos membros da mesa. A palavra retorna ao expositor. Além disso. 105 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . de maneira informal e dialogada. participam da exposição de três a cinco especialistas em um determinado assunto. organizando a discussão. o painel é uma atividade de divulgação científica que necessariamente não precisa apresentar cartazes. Fundamentadas sobre um tema específico. ele deve coordenar a apresentação de cada um. A função do moderador é inaugurar os trabalhos. Os participantes conhecem previamente o texto do expositor. apresentar o tema e os debatedores aos ouvintes.

esta técnica exercita a capacidade de tomada de decisão uma vez que sempre haverá mais de uma resposta adequada para o problema e será necessário discernir qual a mais adequada. na qual deve ser aplicado o conhecimento teórico já construído. p. Desta forma. Procedimento: O educador propõe uma situação-problema real ou fictícia. Veremos. 04). Conforme Ana Paula Amorim (2005. Retomando Chizotti. a expressão “estudo de caso” surgiu no contexto do desenvolvimento de pesquisas médicas e psicológicas para fazer referência à análise detalhada de um caso buscando explicar patologias. requer leitura cuidadosa. a seguir. Segundo Barros e Lehfeld (2006. acentuando-se o desenvolvimento da habilidade de decisão pessoal. seja individualmente ou em grupo. o pesquisador deve estar atento à participação em eventos de divulgação científica específicos do seu campo de atuação. na busca de uma solução comum ou aceita por todos”. Entretanto. palestras. essas autoras definem o estudo de caso como 106 PATRÍCIA MOTA SENA . o que são estudos de caso. aliando o estudo com a capacidade de intervenção. conferências e mesasredondas. fazendo uso da investigação. esta técnica também pode ser aplicada de modo individual. 95). • Estudo de caso O estudo de caso é uma técnica que possibilita a construção do conhecimento em conjunto.4 CONTEÚDO 4. Aplicação: É importante para avaliação do aproveitamento dos educandos. METODOLOGIA E ESTRUTURA DOS TRABALHOS ACADÊMICOS III O conhecimento científico se constrói em proporções dinâmicas constantes. é necessário que o cientista compartilhe dessas mudanças para que possa desenvolver um trabalho de pesquisa pertinente aos assuntos discutidos na área científica à qual pertence.2. Além disso. 134) aponta algumas características: Objetivos: Desenvolver a capacidade de análise de situações concretas e de síntese de conhecimentos apreendidos. Maria Cecília de Carvalho (2005. Ajuda o estudante a solucionar problemas científicos não habituais. além de conhecimentos e argumentos que permitam convencer os demais membros. o estudo de caso requer que todos tenham “compreensão clara da questão. Neste processo.1. Para tanto. em decorrência das atualizações e próprias da natureza do conhecimento. funcionando como exercício de motivação e aplicação dos conhecimentos.

com base nos elementos envolvidos. elaborando relatórios críticos organizados e avaliados. .Implantação: Aponte. . que se volta à coleta e ao registro de informações sobre um ou vários casos particularizados. . intuições. dando margem a decisões e intervenções sobre o objeto escolhido para a investigação (uma comunidade. que podem ser apontadas como: .Identificação das alternativas de solução para o problema: Não se preocupe em encontrar de imediato uma solução.Identificação dos fatos: Deve-se reunir os principais elementos contidos no caso. LEHFELD.Avaliação dos fatos: Em função da relevância dos fatos reunidos.uma modalidade de estudo nas Ciências Sociais. 95). . mas. 107 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .) (CHIZOTTI. O Estudo de Caso envolve algumas etapas básicas na solução do problema. 1991 apud BARROS. . uma organização. . sentimentos. Por isso. importa indicar os fatos de maior e menor importância através de alguma indicação ou sinalização. . é claro. habitualmente. assim como os elementos subjetivos. além. separe-os deixando de lado aqueles que não têm importância para o caso. os elementos objetivos. uma proposta para implantação da alternativa escolhida. tem nexos com situações do cotidiano. de modo sistematizado. que podem esconder ou distorcer fatos que realmente ocorreram. por escrito. verificando se são claras para você as razões de tal escolha. nesse momento. dos seus possíveis desdobramentos.Respeite suas percepções e sentimentos: Não se deixe levar por preconceitos ou juízos de valor: ouse também considerar algo baseado no seu sentimento para com o caso trabalhado. busque diversas soluções embasadas em fatos. representado pelo problema a ser resolvido.Identificação do problema: Parte mais delicada do estudo e que pressupõe a clara compreensão do caso e do elemento central do mesmo.Leitura cuidadosa do caso: O caso.Escolha da alternativa mais adequada: Pressupõe a escolha de uma das alternativas que melhor se aplique à situação. relatando todas as alternativas e seus desdobramentos no presente e no futuro. podendo já considerar as opiniões. uma empresa etc. p. incluindo fatos e opiniões congruentes ou divergentes. 2006.

por ser temática. ou seja. Neide Aparecida de S.TIPOS DE ESTUDO DE CASO Os estudos de caso podem ser: “a) Históricos organizacionais. utilizando em alta escala a observação. BARROS. pode ser apresentada no contexto de um evento mais abrangente. 95). evidenciando a importância destes estudos e experiências. Nela estão presentes ouvintes que têm interesse em um determinado tema científico ou literário. ed. São Paulo: Pearson Makron Books. como congressos. simpósios e encontros científicos. LEHFELD.. Fundamentos de metodologia científica: um guia para a iniciação científica. Mas o que é uma palestra? A palestra é uma exposição oral sobre um tema. o pesquisador pode participar da palestra como “palestrante – de modo a colocar em discussão suas ideias. do presente e das aspirações futuras. • Palestra Estamos habituados a assistir palestras inseridas em eventos de maior abrangência ou em locais onde elas ocorrem isoladamente. Contudo. seja do passado. c) O estudo de caso denominado Histórias de Vida é uma técnica de pesquisa realizada através da avaliação de dados coletados em documentos e depoimentos orais registrados pelo pesquisador ou pelo próprio entrevistado. 2006 (p. p. 2. A história de vida deve englobar as experiências no percurso de toda uma vida. Pode ser ainda um documento escrito pelo próprio pesquisado. bem como com outros depoimentos de pessoas ligadas ao sujeito entrevistado. Conforme salienta Parra Filho e Santos (1998. e. 159). O palestrante desenvolve sua apresentação de modo metódico e estruturado sem aprofundar. b) Observacionais ligados à pesquisa qualitativa e participante. o pesquisador pode participar de duas maneiras. nestas ocasiões. e para tanto deve estruturar tecnicamente o discurso a ser proferido – ou como 108 PATRÍCIA MOTA SENA . quando se trata de uma instituição que se deseja examinar. se constituir em uma autobiografia com interpretações e ampliações do pesquisador. Aidil Jesus da S. pois o objetivo maior da palestra é a troca de conhecimentos. mas de forma objetiva e clara. as histórias de vida devem ser complementadas com outras fontes de pesquisa. A palestra. Deve-se estimular a expressão espontânea e livre do pesquisado”.

na qual o palestrante deve informar. 1994). A PALESTRA É. Difusão científica refere-se a 'todo e qualquer processo usado para a comunicação da informação científica e tecnológica' (BUENO. que lança questionamentos ao conferencista para que ele possa esclarecer pontos que não ficaram claros. Uma exposição oral individual. e neste caso deve se preparar. é sinônimo de disseminação científica). a difusão científica pode ser orientada tanto para especialistas (neste caso. quanto para o público leigo em geral (aqui tem o mesmo significado de divulgação). • Ao final. divulgação supõe a tradução de uma linguagem especializada para uma leiga.. em média. É uma exposição científica sobre um tema. Possui. mas isso não é uma regra.ouvinte. Pode ou não permitir a participação da plateia. Boa leitura! “A DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA Popularização da ciência ou divulgação científica (termo mais frequentemente utilizado na literatura) pode ser definida como 'o uso de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral' (BUENO. • Conferência Modalidade de comunicação oral que ocorre na comunidade científica São apresentações mais curtas que as palestras. para conseguir um bom aproveitamento”. esclarecer e divulgar um tema relacionado ao seu trabalho. a duração de uma hora. O texto a seguir foi extraído do artigo intitulado “Divulgação científica: informação científica para a cidadania?”. da professora e pesquisadora Sarita Albagli (UFRJ). Divulgação científica é um conceito mais restrito do que difusão científica e um conceito mais amplo do que comunicação científica. Foram feitas algumas adaptações. Ou seja.. Leia atentamente e reflita sobre a importância da Metodologia como instrumento de divulgação e significação de conhecimento. poderá ser reservado um tempo para indagações dos participantes. realizada por um especialista na área. Já comunicação da ciência e tecnologia sig- 109 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . • Exposição oral mais breve que a palestra. Nesse sentido. visando a atingir um público mais amplo. estudando o tema. Pode limitar-se à exposição de ideias do expositor. 1994).

Trata-se. 1985): . 1994). Divulgação científica: informação científica para a cidadania? Disponível em: < http://revista. visando a estimular-lhes a curiosidade científica enquanto atributo humano.php/ciinf/article/view/465/424>. para um público seleto formado de especialistas' (BUENO. Pode estar orientada para diferentes objetivos. no debate relativo às alternativas energéticas). políticos e ideológicos. portanto.Cívico. variam também os públicos-alvo dessas atividades. divulgação científica podese confundir com educação científica. Sarita. Esse conjunto de conceitos e definições. Dependendo da ênfase em cada um desses aspectos e objetivos. populações letradas e iletradas. . com o objetivo de esclarecer os indivíduos sobre o desvendamento e a solução de problemas relacionados a fenômenos já cientificamente estudados.Mobilização popular. particularmente em áreas críticas do processo de tomada de decisões. Acesso em: 08 ago. ampliação da possibilidade e da qualidade de participação da sociedade na formulação de políticas públicas e na escolha de opções tecnológicas (por exemplo. econômicas e ambientais associadas ao desenvolvimento científico e tecnológico. sejam estudantes. Trata-se de transmitir informação científica que instrumentalize os atores a intervir melhor no processo decisório. acompanhando o próprio desenvolvimento da ciência e tecnologia. O papel da divulgação científica vem evoluindo ao longo do tempo. ALBAGLI. quanto com um caráter cultural. Neste caso. proporciona uma ideia das amplas possibilidades das atividades de divulgação científica. agentes formuladores de políticas públicas e até os próprios cientistas e tecnólogos”. transcrita em códigos especializados.br/index. quer dizer. o desenvolvimento de uma opinião pública informada sobre os impactos do desenvolvimento científico e tecnológico sobre a sociedade. trata-se de transmitir informação científica tanto com um caráter prático. 2009 110 PATRÍCIA MOTA SENA . ora culturais. . enfatizando ora aspectos educacionais. ou seja.nifica 'comunicação de informação científica e tecnológica.ibict. de transmitir informação científica voltada para a ampliação da consciência do cidadão a respeito de questões sociais. isto é. tais como (ANANDAKRISHNAN. Nesse caso.Educacional. a ampliação do conhecimento e da compreensão do público leigo a respeito do processo científico e sua lógica.

MAPA CONCEITUAL 111 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

Vale a pena tentar responder a um deles. Sugerimos que você escolha um assunto relacionado à Educação. Pode ser algum aspecto de uma situação que você saiba que acontece nas escolas. 37) propõe alguns exercícios bastante interessantes para a inicialização do estudante das Ciências Sociais Aplicadas na prática do estudo de caso. p. Determine um tema que você acredite que valha a pena pesquisar em um estudo de caso. Como você justificaria a um colega a importância de suas descobertas? Teria dado continuidade a alguma teoria especial? Teria descoberto algum aspecto raro. talvez devesse pensar em redefinir as questões principais de seu caso). Parta do princípio de que você pudesse responder de fato a essas questões com evidências suficientes (ou seja. inédito? (Se você não está satisfeito com suas respostas. Agora. identifique as três questões principais a que seu estudo de caso tentaria responder. Vamos lá? O exercício será definir questões significativas para um estudo de caso. que você tivesse conduzido com sucesso seu estudo de caso).ESTUDO DE CASO Robert Yin. ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 112 PATRÍCIA MOTA SENA . no seu livro Estudo de Caso: Planejamento e métodos (2007.

precisam vir acompanhadas da referência. que podem estar presentes no corpo do texto. mesmo as citações diretas de até três linhas. retirados de um artigo científico (vide referência a seguir) e associe-os às das funções dos trabalhos acadêmicos indicadas na coluna da direita. deixa de exigir que seja feita a referência. b) As citações servem para justificar ideias. o que não é o caso das frases mencionadas por Mafalda. c) As produções acadêmicas que utilizam citações estão isentas de mencionar a referência do texto original porque são trabalhos de circulação limitada. QUESTÃO 02 Analise os fragmentos de texto na coluna da esquerda. sustentar argumentações e.EXERCÍCIOS PROPOSTOS QUESTÃO 01 Associe a leitura do texto a seguir à utilização das citações em textos acadêmicos e. pois todos os pesquisadores já conhecem. em seguida. assinale a alternativa correta: a) O fragmento de um texto. podem ser citados sem mencionar a referência do site consultado. 113 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . quando utilizado como citação por vários pesquisadores. independente de terem registro ou não. d) O comentário da Mafalda em relação aos direitos autorais das frases também se aplica aos textos citados da internet que.

consideram as suas particularidades. “Especificamente em relação ao ambiente acadêmico. numa época apropriadamente chamada de ‘Era da Informação’. GESTÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO: PROPOSTA DE UM MODELO CONCEITUAL COM BASE EM PROCESSOS DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA. capacitarão o pesquisador para trabalhar por conta própria mais tarde. ou seja. ( ) Os trabalhos científicos apresentam resultados de pesquisas observacionais. [. A arte da pesquisa. é: a) I – III – II b) I – II – III c) III – II – I d) II – I – III QUESTÃO 03 “A longo prazo. em nível conceitual.. P.” III. coletar informações. as técnicas de pesquisa e redação. SELY MARIA DE SOUZA. WILLIAMS.” (BOOTH. 2005.I. CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO. COSTA. Joseph M. o esforço de um pesquisador parte daquilo que foi construído anteriormente por outros pesquisadores. uma vez assimiladas. 3).” ( ) A elaboração de um trabalho científico deve permitir a reprodução da pesquisa comunicada e a avaliação dos métodos e resultados. Gregory G.. assinale a alternativa que relaciona corretamente a modalidade e a habilidade mais exigidas do pesquisador na formulação de trabalhos acadêmicos: 114 PATRÍCIA MOTA SENA . V. entre a gestão do conhecimento e os processos de comunicação científica. A sequência correta encontrada. 1. investigar a relação. COLOMB. os estudos ou os modelos de gestão do conhecimento que. de cima para baixo.. 92-107. pois.. Wayne C.. Com base na citação acima e nos conhecimentos.] parecem ser poucas as iniciativas.” II. experimentais ou teóricas. 36. ( ) Os trabalhos científicos devem ser inéditos.] no início da criação de um novo conhecimento. São Paulo: Martins Fontes. tendo em vista as peculiaridades do contexto acadêmico e do conhecimento científico. organizá-las de modo coerente e apresentálas de maneira confiável são habilidades indispensáveis.. de fato. “O objetivo foi. não podem ser publicados repetidamente. “[. portanto. 2007. N. p. FONTE: LEITE. FERNANDO CÉSAR LIMA. afinal. e contribuir para a ampliação do conhecimento.

O médico que nos emprestou o livro fez um comentário interessante. em inglês. Disse que o organizador convidava especialistas para que escrevessem os capítulos de sua área e antes de fazer a arte final seguia dois protocolos obrigatórios. 115 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . Acesso em: 11 jul. para verificarem se as alterações não comprometiam as informações técnicas” (LACAZ-RUIZ. Rogério. o pesquisador precisará de estratégias de argumentação e apresentação para que consiga constituir um consenso em torno do assunto apresentado. b) A linguagem científica deve despertar no leitor imagens e sensações que o façam compreender melhor as informações. evitando maiores discussões. pudemos extrair todas as informações necessárias.htm. b) Nos estudos de caso. sem praticamente recorrer ao dicionário. 2006). a saber: i) enviava todo material a um romancista para tornar a linguagem mais fácil e ii) devolvia o material aos autores.hottopos. para isso.br/vidlib2/Notas. associada às características da redação científica. comprometa a objetividade na apresentação dos conteúdos. pois o organizador atendeu ao planejamento lógico da apresentação que independe da precisão da linguagem e dos instrumentos intelectuais que o leitor possui para compreendê-lo. d) A habilidade mais importante na elaboração de resenhas é a capacidade de síntese. Disponível em: http://www. o pesquisador precisará aprimorar sua linguagem para estruturar um texto detalhado em que o assunto é colocado para reflexão.com. mesmo que. QUESTÃO 04 “Quando foi diagnosticada uma doença grave em um amigo. pois o pesquisador necessitará apresentar informações de maneira objetiva e breve. Da leitura do tratado. recorremos a um manual médico para saber mais sobre a doença. exige-se do pesquisador grande habilidade para resolver problemas e discernimento para propor soluções baseadas no levantamento e análise das informações relevantes para o caso em questão. permite afirmar: a) A leitura do tratado foi de fácil compreensão. sem que seja apresentada uma conclusão que possa ser contestada pelo leitor. evitando expandir a análise para além do trabalho enfocado.a) Nos seminários. Notas e reflexões sobre redação científica. A leitura da citação acima. O texto estava completo e sua leitura agradável. c) No artigo científico.

.c) A clareza da expressão deve refletir a clareza do pensamento.. Das proposições acima. da qual o ensino e a educação assumem papel fundamental. 2008). admitindo a construção de parágrafos longos e frases complexas. na qual a humanidade caminha rumo ao progresso científico. envolvendo referenciais culturais compartilhados pela sociedade no âmbito de suas necessidades e de sua formação e atuação críticas. para proporcionar a compreensão das ideias por parte do leitor.. a ideia de que o processo que envolve o desenvolvimento científico é um processo cultural. a) I e II b) II e IV c) II e III d)I. para o estabelecimento das relações críticas necessárias entre o cidadão e os valores culturais. Carlos. II e III .comciencia. Disponível em: http://www. O significado de cultura científica está atrelado à percepção tanto do processo de comunicação científica dentro da academia quanto à divulgação da ciência para a população. A partir da leitura do texto e do tema comunicação científica. A Espiral da cultura científica. capazes de expressar o domínio da técnica.] a expressão cultura científica tem a vantagem de englobar [. IV. d) A redação científica deve privilegiar a forma literária de escrever. que se reflete na transformação material da vida em sociedade e na dinâmica de sua comunicação. QUESTÃO 05 “[. tornando lineares as ideias de tempo. cultura e cidadania e justificando a importância da comunicação científica nesse processo.. apenas. quer seja ele considerado do ponto de vista de sua produção. de seu tempo e de sua história”. de sua difusão entre pares ou na dinâmica social do ensino e da educação.shtml. III. II. O texto considera a dimensão histórica do conhecimento científico. A expressão “desenvolvimento científico” aparece no texto com o objetivo de explicitar uma concepção evolucionista de ciência. (VOGT. resultando na construção de um texto com frases escritas na ordem direta. a expressão “cultura científica” se refere a um conjunto de conhecimentos que caracterizam uma época como resultado de sua produção tecnológica e de suas necessidades como um fenômeno específico daquela conjuntura. como um todo. ou ainda do ponto de vista de sua divulgação na sociedade.br/reportagens/cultura/cultura01.] em seu campo de significações. Acesso em: 12 Ago. estão corretas. é correto afirmar: I.

políticas. A partir dessa imensidão de objetos do nosso conhecimento. CONCEITO. a realidade é o mundo exterior a nós mesmos. AFINAL? Se tomarmos como ponto de partida para entender o conceito de pesquisa aquelas discussões sobre o ser humano e o conhecimento. muitas vezes ouvimos notícias a respeito de pesquisas realizadas no âmbito científico. podemos inferir que existem diversos aspectos da realidade que despertam o nosso interesse em compreendê-los e desvendá-los. e crítico 117 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . é controlado. pois avalia a todo o momento sua própria realização. é possível pensar em critérios científicos responsáveis por guiar a pesquisa. tendo em vista que consiste na observação de características específicas de um fenômeno em um dado contexto. Tais aspectos constituem objetos de investigação e pesquisa. A PESQUISA CIENTÍFICA E SUAS FASES 2. culturais e nos aspectos naturais. sujeitos cognoscentes. Estamos falando. O que você pensa sobre isto? Será que a pesquisa científica é reservada apenas a indivíduos com habilidades e capacidades especiais? E a pesquisa. opinião. Mas a realidade é múltipla. então. sendo veiculadas pelos mais diversos meios de comunicação.1 CONTEÚDO 1. físicos e químicos que permeiam a interação entre os seres humanos e a natureza. da pesquisa científica. Como vimos no Capítulo 1. diversa nas relações sociais. biológicos. Trata-se de um processo que é reflexivo. Novas descobertas estão sendo constantemente objetos de informação.2. Dessa maneira. uma vez que se organiza de acordo com um sistema de pensamento e ação. que integram a realidade em que vivemos. visão de mundo e das relações. será que só existe pesquisa científica? Onde e quando devemos começar a pesquisar? Qualquer um de nós pode realizar pesquisas? De que forma? O QUE É PESQUISA.2. acabam por influenciar na mudança de hábitos e contribuem também para alterações em formas de comportamento. Esses resultados são frequentemente vinculados a uma pseudoinfalibilidade da ciência e a realização da pesquisa científica é atrelada a profissionais especializados que possuem capacidades diferenciadas para ler a realidade.2 TEMA 4. e representa o principal objeto de nossa curiosidade. é sistemático. FINALIDADES E REQUISITOS DA PESQUISA CIENTÍFICA Em nosso cotidiano.

o levantamento de hipóteses para indicar as possibilidades de solução para o problema. a formulação e delimitação do problema/questão para o qual se pretende buscar uma (ou várias) resposta(s). a pesquisa não se conforma com as aparências. Como elaborar projetos de pesquisa. d) integridade intelectual. GIL. a coleta e análise de dados e a elaboração de um documento científico capaz de comunicar os resultados da pesquisa realizada. por ser um “ato dinâmico de questionamento. QUALIDADES PESSOAIS DO PESQUISADOR O êxito de uma pesquisa depende fundamentalmente de certas qualidades intelectuais e sociais do pesquisador. g) imaginação disciplinada. entre as quais estão: a) conhecimento do assunto a ser pesquisado. mas pergunta o porquê. i) confiança na experiência”. indagação e aprofundamento” (BARROS. analisa. ed. interpreta. está relacionada à necessidade de obter respostas para um problema específico. e) atitude autocorretiva. teóricos e as implicações de suas ações na interpretação dos resultados (ANDER-EGG 1978:28 apud MARCONI. p. c) criatividade. Entretanto. Como alguns de seus principais elementos encontram-se: a seleção do assunto que se deseja investigar. explica. especialmente na disci- 118 PATRÍCIA MOTA SENA . São Paulo: Atlas. LAKATOS 2003). 67). aprofundando o entendimento da realidade ao estabelecer relações mais profundas. 4. Esta atividade deve ser realizada com rigor e critério. a atividade de pesquisa. f) sensibilidade social. examina.porque pressupõe o conhecimento dos fundamentos lógicos. Mas que habilidades são essas e onde elas são construídas? • A Pesquisa na Graduação É no Ensino Superior que o estudante deve iniciar seu contato com a pesquisa e com os pressupostos metodológicos exigidos em uma investigação científica. LEHFELD. h) perseverança e paciência. 2000. desenvolvendo capacidades já existentes e construindo habilidades para gerir uma investigação. Antônio C. Desta forma. As qualidades mencionadas por Antônio Carlos Gil são características que os pesquisadores devem possuir. 2006. b) curiosidade.

integrado a um universo de outros pesquisadores igualmente experientes. porém. O Plano Nacional de Educação (PNE) compreende que a pesquisa é fundamental tanto para as universidades.] saber o que é uma pesquisa científica e habilitar-se a aplicar seus conhecimentos sobre metodologia na realização de pesquisas que gradualmente lhe serão solicitadas durante o curso são condições indispensáveis a quem se propõe conduzir com eficiência seus estudos (RUIZ. p. a pesquisa não deve ser realizada apenas pelos cientistas já constituídos.. pois. no entanto. pesquisa e extensão que a caracteriza. p. 49) nos apresenta uma distinção bastante pertinente quanto a esse aspecto: A diferença entre os trabalhos de pesquisa dos cientistas e dos estudantes universitários não deveria residir no método. 68). quanto para os demais centros de ensino superior.plina de Metodologia. Como objetivo do Ensino Superior.. inclusive com a participação de alunos no desenvolvimento da pesquisa (PNE. Ainda compartilhando das análises de João Ruiz. os estudantes universitários ainda estão trabalhando para o crescimento de sua ciência. p. Cabe ressaltar que o estudante do Ensino Superior não seria. como vimos no primeiro capítulo. mas sujeitos capacitados para seguir os caminhos de um conhecimento científico estabelecido e construído ao longo da história da humanidade. habilitando-se para trabalhar de acordo com os critérios da ciência.. Como alerta João Álvaro Ruiz. devem trabalhar cientificamente. 2008. Para que isso seja feito com êxito. [. 119 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .] incentivar a generalização da prática da pesquisa como elemento integrante e modernizador dos processos de ensino-aprendizagem em toda a educação superior. Os cientistas já estão trabalhando com o intuito de promover o avanço da ciência para a Humanidade.. 48). vamos conhecer as principais características do método científico. mas também se habilitam a reconstituir. Os estudantes trabalham cientificamente quando realizam pesquisas dentro dos princípios estabelecidos pela metodologia científica. um cientista com práticas e reflexões amadurecidas. esta disciplina contribui para a inserção do estudante nos códigos da academia. mas nos propósitos. integrando os processos de ensino e aprendizagem capazes de habilitar o estudante a prosseguir seus estudos trilhando os caminhos do conhecimento científico já construído. Dessa maneira. pois possibilita a união entre ensino. Ambos. o PNE afirma a necessidade de [. a refazer as diversas etapas do caminho percorrido pelos cientistas. podemos afirmar que a pesquisa na graduação possui caráter didático-pedagógico. 2001. Ruiz (2008. quando adquirem a capacidade não só de conhecer as conclusões que lhes foram transmitidas.

destinado à busca de explicações e à construção de conhecimento.2. Mas o que é o Método Científico? Podemos dizer que é um conjunto de critérios definidos pela comunidade científica. “ou talvez o objetivo seja 120 PATRÍCIA MOTA SENA . Leia atentamente o texto a seguir para que possamos refletir um pouco mais sobre isso: ENTENDENDO O MUNDO COMO UMA PARTIDA DE FUTEBOL Vamos nos permitir alguma liberdade criativa e imaginar que um alienígena recém chegado à Terra.2 CONTEÚDO 2. A compreensão do significado do método fica um pouco mais complexa se tomarmos como referencia a pesquisa em ciências humanas. as ilusões dos sentidos. percebendo que alguns lances se repetem e têm sempre o mesmo desfecho (por exemplo.2. interessado em conhecer nossos costumes. a ciência necessita de critérios precisos que sejam capazes de perceber criticamente os preconceitos. Mas ao longo da partida. vendo todas aquelas pessoas correndo atrás de uma bola. ele talvez pensasse após assistir um infeliz chute de fora da área. a partida é sempre interrompida quando a bola sai dos limites traçados no campo). decide ir ao Maracanã assistir a uma partida de futebol. Certamente no início da partida o ET ficaria bastante confuso. e muito intrigado ao ver como alguns jogadores ficam tão sensíveis quando ela se aproxima demais daquelas redes localizadas nas extremidades do campo. É por isso que todos que querem estudar e fazer ciência precisam conhecer os métodos específicos da investigação científica: eles representam o percurso a ser seguido nessa viagem rumo à construção do saber. a superficialidade da aparência dos fatos. ele provavelmente formularia algumas hipóteses sobre o jogo: “será que o objetivo é enviar a bola o mais distante possível?”. PESQUISA CIENTÍFICA E MÉTODO Na tentativa de compreender a realidade.

Os cientistas sociais buscaram uma metodologia diferente para as ciências humanas. os cientistas começaram a questionar se o método de investigação utilizado pelas ciências naturais e físicas deveria continuar sendo aplicado no entendimento de fenômenos sociais. 31).. com graus de complexidade distintos. pensaria ao ver um zagueiro aplicando uma tesoura na altura do pescoço de um outro jogador. para que se possa determinar sua ou suas causas. 121 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . p.. ainda que nossa metáfora seja didática. nas palavras do físico Richard Feynmann. que supunha [. Esse procedimento é realizado com a esperança de determinar.. REIS. os métodos de investigação eram orientados pela perspectiva positivista. não somos meros espectadores da natureza. devem ser submetidos à experimentação. Mas nem sempre foi assim. DIONNE.. tomando uma medida precisa das modificações causadas pela experimentação. Estamos imersos no grande “jogo” da natureza tentando entender suas “regras”: será que tudo o que sobe desce? Por que as coisas têm cor? Será que a posição que os corpos celestes ocupavam no instante de nosso nascimento pode afetar nossa personalidade? Em outras palavras. No entanto.html>. em seguida. por outro lado. no campo do humano. acreditando que ela poderia ser aplicada com sucesso a todos os objetos de conhecimento. principalmente. podemos interagir com ela realizando experimentos [. 2009.matar o humanóide que carrega a bola”. mas participamos dela. não tardou a acontecer. No início do século XX. org/ ferramentas_metodo_2. fatos que. depois. ela não é completa. Pois nós somos como este alienígena. as leis naturais que o regem (LAVILLE. fatos que começam a ser observados tais quais. Método científico.]. Disponível em: <http://www. da natureza do objeto de estudo. fossem naturais ou sociais/humanos. Acesso em 20 ago. 1999. sem ideias pré-concebidas. 'Entender a natureza é como aprender a jogar xadrez somente assistindo à partida'. Os métodos empregados variam entre as ciências em função. Nós. daí tirar explicações tão gerais quanto possível. o visitante extraterrestre fosse capaz de compreender a maior parte das regras do nosso futebol. Widson Porto. A produção científica do século XIX entendia a construção da ciência a partir da abordagem positivista. Porém.] que os fatos humanos são como os da natureza. ou melhor.projetoockham. Pois nela o ET assiste passivamente ao desenrolar dos lances na partida e propõe hipóteses que somente tem como verificar esperando que se repitam. Até então. É quase certo que após algum tempo observando a partida e depois de vários palpites errados. a percepção de que se tratava de objetos de naturezas diferenciadas.

DIONNE. está hoje no centro do método científico (LAVILLE. possui valores. o pesquisador já pode divulgá-la para a comunidade científica. o pesquisador levanta possíveis respostas ou explicações lógicas capazes de fornecer uma solução para o questionamento inicial: as hipóteses. como as percebeu. Importa saber que as ciências em geral se distanciaram da perspectiva positivista e construíram uma orientação que representa o seu principal método de construção de conhecimento: o método hipotéticodedutivo. Em linhas gerais. O debate acerca da metodologia mais adequada para os diversos objetos de pesquisa. Ao definir este problema. 1999. Desta forma. 46. que busca conhecer a partir da interpretação dos significados de um texto. o que impossibilita o estabelecimento de leis gerais. opiniões e capacidade de agir de maneira autônoma. Para tanto. Desse modo. nas discussões sobre objetividade/subjetividade e nos debates sobre pesquisa qualitativa/pesquisa quantitativa. Caberá ao pesquisador testar as suas hipóteses e conservar aquela que ele pensa ser mais adequada para a compreensão do problema. Com base nessas especificidades. por exemplo. cada um poderá julgar os saberes produzidos e sua credibilidade. permaneceu ativo até a década de 1980 e ainda hoje se reflete. Ao definir um objeto de investigação. o problema que ele deseja solucionar. a prioridade das ciências sociais deveria se voltar para a compreensão dos significados das ações dos sujeitos e dos significados que eles atribuem às suas próprias ações. Confira o quadro a seguir: 122 PATRÍCIA MOTA SENA . é necessário colocar essas ações dentro de um contexto de relações. Sobre isso. pois o ser humano é sujeito. comumente aplicadas nos estudos da física ou da biologia. o que faz suas ações serem imprevisíveis e impossíveis de se encaixar em leis gerais que sirvam para compreendê-las.considerando a dinâmica das relações e dos fenômenos que envolvem o comportamento dos seres humanos. como a concentração em um problema. esboça-se um caminho que se caracteriza pela definição de um problema. que pode ser entendido como a própria realidade. isto é. verificação da(s) hipótese(s) e conclusão.. o pesquisador precisa delimitar e estabelecer uma questão que lhe inquieta. Quando considerar a explicação obtida por meio da hipótese como satisfatória e válida. considerar que a natureza humana é diferente. por que sua hipótese é legítima e o procedimento de verificação empregado justificado. houve uma valorização da abordagem metodológica pautada na hermenêutica. Essa operação de objetivação. fossem eles de natureza física ou social. levantamento de hipótese(s). veremos mais adiante. Para isso. p.] dirá quais são as delimitações do problema.. Grifos da autora). [.

43. 47. COLUMBUS (OHIO): CHARLES E. levante algumas hipóteses que podem funcionar como respostas possíveis para a solução do problema levantado. 123 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . APUD LAVILLE. TEACHING IN SOCIAL STUDIES. que tal escolher um tema do seu cotidiano para formular um problema? A partir da elaboração de uma questão do seu dia a dia. P. MERRIL. Vamos praticar? Agora que você já possui noções gerais de como funciona o método hipotéticodedutivo. DIONNE.FONTE: INSPIRADO EM BARRY BEYER. P. 1979. 1999.

Delimitação da pesquisa. p. Organização dos recursos. 4. 10. Coleta de dados. 9. 1 – Seleção do Tema O tema da pesquisa é o assunto que se deseja estudar. 5. o pesquisador deve se perguntar: O que será explorado? A escolha do tema deve levar em consideração a formação intelectual do pesquisador. a relevância teórica e/ou prática do assunto para o grupo ao qual pertence o pesqui- 124 PATRÍCIA MOTA SENA . Construção de hipóteses. resumos. Sistematização e análise de dados. pesquisar. 2. As peculiaridades de seu método diferenciam a ciência das muitas formas de conhecimento humano. E uma de suas particularidades é aceitar que nada é eternamente verdadeiro. 11. Ao selecionar o tema. 7. Formulação do problema. compreender. João Bosco. 2005. 8. Comunicação dos resultados. 3. O dogma não encontra na ciência lugar nenhum. resenhas. Definição dos Métodos. São Paulo: Atlas. 1. Interpretação dos dados. 7ª ed. Levantamento de dados. 6. MEDEIROS. Redação científica: a prática de fichamentos. 29. Seleção do tema da pesquisa. a afinidade pessoal com o assunto.• Fases da Pesquisa Científica Um primeiro conceito de ciência diz que ela se identifica com um conjunto de procedimentos que permite a distinção entre aparência e essência dos fenômenos perceptíveis pela inteligência humana.

os dados são esclarecimentos. informações sobre uma situação. 160).sador e a existência de material e bibliografia sobre o assunto. Contrariamente ao que poderia fazer crer a definição do Dicionário Aurélio transcrita [elemento ou quantidade conhecida que serve de base à resolução de um problema]. mas que é preciso ir procurar com o auxílio de técnicas e de instrumentos. na verdade. financeiros para a execução da investigação e o tempo que será dedicado ao estudo. p. que não é evidente. conhecendo as discussões a respeito do assunto escolhido. um fenômeno. Porém. “dada”. Para Marconi e Lakatos (2009. Levantar dados sobre o assunto é buscar informações em documentos e na bibliografia já publicada sobre o tema. Além disso. as possibilidades. deve analisar questões como recursos materiais. algo que não é dado. É necessário investigar aplicando esforços específicos fornecidos pelo método científico. os dados constituem um dos ingredientes que fundamentam a pesquisa. ao contrário da denominação. b) encontrar um objeto que mereça ser investigado cientificamente e tenha condições de ser formulado e delimitado em função da pesquisa. um acontecimento. que é a delimitação do problema da pesquisa. a matéria de base que permite construir a demonstração. as aptidões e as tendências de quem se propõe a elaborar um trabalho científico. ele designa. A verificação da hipótese apoia-se sobre tais informações. Para os pesquisadores. busca que demanda esforços e precauções. 125 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 2 – Levantamento de Dados A fase de levantamento de dados serve de subsídio para a etapa seguinte. O QUE É UM DADO? O termo revela-se um pouco enganador. Escolher o tema significa: a) selecionar um assunto de acordo com as inclinações. o dado não é uma informação que está pronta. nesse sentido.

documentos que foram produzidos no momento em que os fatos/fenômenos se desenrolaram. O problema deve ser formulado de maneira interrogativa ou na forma de uma questão clara. mais tranquila será a condução da investigação. de documentos científicos produzidos por autores como resultado de seus estudos. 2009. Assim. mas que podem ser usadas em novas investigações. senão de grande parte. concisa e objetiva. Marinho (apud MARCONI. 132) O levantamento de dados pode ser feito de duas maneiras: por meio de pesquisa bibliográfica e de pesquisa documental. a pesquisa documental se diferencia pela natureza das fontes pesquisadas. 161) alerta para a complexidade que envolve a proposição do problema. Enquanto a pesquisa bibliográfica se caracteriza pela busca de fontes secundárias. Esta fase é uma das mais importantes. conferindo-lhes uma abordagem distinta. isto é. Viabilidade 126 PATRÍCIA MOTA SENA . ou seja. Pesquisa bibliográfica: Busca o reconhecimento da área de pesquisa na qual está incluído o tema selecionado. 1999. 3 – Formulação do problema A formulação do problema implica na definição de uma dificuldade na compreensão do tema escolhido para a qual será encontrada uma solução. artigos científicos e textos. que depende dos objetivos e implica na abrangência da pesquisa: se o problema for abrangente. Desenvolve-se a partir da busca de todo material já elaborado que trate do mesmo tema. pois ela contribui para que o pesquisador construa um domínio sobre o tema. quanto maior for a delimitação da questão proposta. Essas fontes são chamadas de fontes secundárias. p. a pesquisa documental investiga as fontes primárias. de tudo o que já foi escrito acerca do seu tema de investigação. A pesquisa bibliográfica é pré-requisito para pesquisas em qualquer área. especialmente de livros. pois dela dependerá o sucesso das etapas seguintes: um problema de pesquisa formulado adequadamente confere segurança ao pesquisador para o levantamento dos caminhos que serão percorridos na busca das possíveis soluções e/ou respostas. As fontes primárias são materiais que ainda não foram utilizados como objeto de análise ou documentos que já receberam tratamento analítico. a pesquisa será mais complexa. a partir do conhecimento de todo.(LAVILLE. difícil de ser executada. p. Pesquisa documental: Embora pareça com a pesquisa bibliográfica. A FORMULAÇÃO DO PROBLEMA CONSIDERA: 1. LAKATOS. DIONNE.

ou ainda o desenvolvimento intelectual do adolescente –. 1999. A soma dos conhecimentos assim obtidos lhe permite desenvolver progressivamente um conhecimento integrado sobre o conjunto da questão. é sobre um problema específico que se debruça. com isso. DIONNE. um pesquisador que trabalhe com o problema ou o tema geral da evasão escolar poderá estudar a cada vez diversos problemas específicos relativos à evasão escolar.2. por sua vez. por exemplo. Novidade 4. o populismo no Brasil. dizer que tal ou tal pesquisador estuda tal ou tal tema de pesquisa – o nacionalismo no Quebec. Relevância 3. Oportunidade TEMA E PROBLEMA Ouve-se. ele pode construir um conhecimento mais geral. Exeqüibilidade 5. preocupa-se de modo global. mas quotidianamente. É que o pesquisador profissional já circunscreveu. no decorrer de sua prática. muitas vezes no quadro de um programa de pesquisa. por exemplo. Um pesquisador menos experiente vai se dedicar. por vezes. 86) 4 – Construção de hipóteses 127 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . um conjunto de problemas que se inscrevem em um mesmo tema de pesquisa. p. a problemas bem delimitados e de amplitude mais restrita. Ele. (LAVILLE. Desse modo. ao invés de se falar sobre o problema preciso sobre o qual trabalha.

p. caracterizado como hipotético-dedutivo. construídas com embasamento teórico e conhecimento do tema da pesquisa. Tais limites são estabelecidos de acordo com critérios que o pesquisador considerar mais adequados à investigação. econômico.. guiando a consecução das etapas seguintes. 5 – Delimitação da pesquisa Para Marconi e Lakatos (2009. LAKATOS. a hipótese sempre conduz a uma verificação empírica (MARCONI. p.] suposição que antecede a constatação dos fatos e tem como característica uma formulação provisória: deve ser testada para determinar sua validade. político.As hipóteses são as possíveis soluções ou respostas para o problema da pesquisa. propondo explicações de maneira fundamentada para que possa orientar a busca por mais dados relativos ao tema. 164).. também pode se delimitar por um recorte cronológico. O método em ciências humanas. 163). concentra na elaboração das hipóteses seu elemento central. desde que tal escolha seja justificada. As hipóteses precisam ser enunciadas de maneira clara. pois ela consiste na [. 128 PATRÍCIA MOTA SENA . A construção dessas hipóteses auxilia no direcionamento da investigação. 2009. de acordo ou contrária ao senso comum. dentre outros. A pesquisa pode ser delimitada quanto ao assunto. Correta ou errada. indicando o que deve ser feito para resolver o questionamento proposto. geográfico. tendo como pressuposto o arcabouço teórico e o conhecimento de outras pesquisas já realizadas sobre o tema. “delimitar a pesquisa é estabelecer limites para a investigação”.

168). Os métodos e as técnicas são utilizados para coletar dados da pesquisa. o pesquisador pode organizar um arquivo. p. É o momento de organizar os materiais que fazem parte dos processos de investigação. Isso deve ser feito tendo em vista cumprir os prazos estipulados e o cronograma de atividades definido no planejamento da investigação para que haja melhor aproveitamento dos esforços e do tempo e recursos disponíveis. entrevistas. que pode ser também digital. tais como anotações de leitura da bibliografia pertinente. formulários. questionários. precisam ser organizados e classificados sistematicamente. será possível registrar apenas as informações pertinentes. criando categorias e atribuindo códigos ou inscrições. fichários. A sistematização dos dados selecionados pode ocorrer por meio de codificação ou tabulação (MARCONI. a observação. Dessa maneira. Na codificação agrupam-se os dados que se relacionam. evitando o acúmulo de dados imprecisos sem vinculação com o tema estudado. 8 – Coleta de dados Já vimos que os dados de uma pesquisa devem ser procurados pelo pesquisador. contendo os materiais da pesquisa e o seu acervo bibliográfico. textos extraídos de periódicos científicos. técnicas merca-dológicas. questionários. LAKATOS. Para Marconi e Lakatos (2009. Já a tabulação consiste na organização dos dados em tabelas. 129 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . sistematizando os dados obtidos de processos estatísticos criando uma representação gráfica ou diagramática. 7 – Organização dos Recursos Esta é uma etapa fundamental da pesquisa que pressupõe planejamento e estratégia. medidas de opiniões e atitudes. 169). testes e histórias de vida. é necessário avaliar criticamente os dados coletados. tendo em vista o problema em questão. dentre outros. 2009. com resumos de leituras. levando em conta o tema da investigação e as técnicas de pesquisa selecionadas. p. 9 – Sistematização e análise de dados Os dados. roteiros de entrevistas. tais como recursos materiais e humanos envolvidos na pesquisa. depois de coletados. Dessa maneira. algumas das técnicas mais utilizadas e que permitem a coleta de dados são: a coleta documental. É uma fase que exige paciência por parte do pesquisador e cuidado no registro dos dados obtidos. Inicialmente. formulários que são aplicados no decorrer da pesquisa.6 – Definição dos métodos A seleção dos métodos e das técnicas aplicadas deve ser feita de acordo com a natureza do objeto ou com questões de ordem prática.

Como essas autoras mostram. 11 – Comunicação dos resultados A fase de comunicação é a última. sendo responsável pela exposição das conclusões obtidas.10 – Interpretação dos dados A fase de interpretação dos dados está relacionada com as operações de análise e de interpretação. há vários esquemas de classificação na bibliografia. • Tipos de Pesquisa A classificação que trazemos abaixo é uma modificação das classificações discutidas por Marconi & Lakatos (1999. Comunicar os resultados de uma implica contribuir na ampliação de conhecimentos a respeito de determinado tema. 23-25). Deve ser feita por meio de um relatório. contribuindo para que novos estudos e descobertas sejam feitos pela comunidade científica. Tais operações permitem conhecer as diversas relações que constituem o fenômeno estudado e fornecer um significado às respostas obtidas à luz dos conhecimentos relacionados ao tema. 130 PATRÍCIA MOTA SENA . p. mas também são utilizados outros textos científicos. como os artigos.

PESQUISAS EXPLORATÓRIAS: Têm como principal finalidade desenvolver. do método experimental. Procedimentos de amostragem e técnicas quantitativas de coleta de dados não são costumeiramente aplicados nestas pesquisas. porque quase sempre constituem etapa prévia indispensável para que se possam obter explicações científicas. tem-se uma pesquisa descritiva que se aproxima da explicativa. posto que a identificação dos fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja suficientemente descrito e detalhado.Classificação quanto ao nível de explicação: podemos distinguir as pesquisas de acordo com o nível de compreensão acerca de um fenômeno a que se deseja estudar. Este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade. Pesquisas que se propõem a estudar o nível de atendimento dos órgãos públicos de uma comunidade. descritivas ou explicativas. sobretudo ao observacional. São inúmeros os estudos que podem ser classificados sob este título e uma de suas características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados. com vistas à formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos posteriores. Este tipo de pesquisa é realizado especialmente quando o tema escolhido é pouco explorado e torna-se difícil sobre ele formular hipóteses precisas e operacionalizáveis. pois explica o porquê das coisas. PESQUISAS EXPLICATIVAS: Têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. nível de escolaridade. PESQUISAS DESCRITIVAS: Têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. de tipo aproximativo. Isto não significa. Tais pesquisas são desenvolvidas com o objetivo de proporcionar visão geral. pretendendo determinar a natureza dessa relação. esclarecer e modificar conceitos e ideias. estado de saúde etc. Dessa maneira. As pesquisas explicativas nas ciências naturais valem-se. Por isso mesmo é o tipo mais complexo e delicado. estas são as que apresentam menor rigidez no planejamento. De todos os tipos [e níveis] de pesquisa. Uma pesquisa explicativa pode ser a continuação de outra descritiva. as condições de habitação de seus habitantes etc. sexo. já que o risco de cometer erros aumenta consideravelmente. Dentre as pesquisas descritivas salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade. procedência. Nas ciências sociais. Habitualmente envolvem levantamento bibliográfico e documental. quase que exclusivamente. que as pesquisas exploratórias e descritivas tenham menos valor. elas podem ser exploratórias. Nem sempre se torna possível a realização de pesquisas rigidamente explicativas em 131 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . acerca de determinado fato. recorre-se a outros métodos. entrevistas não padronizadas e estudos de caso. em virtude das dificuldades já comentadas. Pode-se dizer que o conhecimento científico está assentado nos resultados oferecidos pelos estudos explicativos. porém. Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações entre variáveis. Neste caso.

que pode ser uma instituição. demonstrando a cientificidade dos dados colhidos e dos conhecimentos produzidos. chegando mesmo a ser designadas “quase-experimentais”. impressões em relação a um referencial. porém. sexo e escolaridade e dificuldades de leitura?). pesquisaação. mas. um produto. expor e validar os meios e técnicas adotados. d)qual a incidência (qual o número de casos de repetência na primeira série em Belém. Classificação quanto ao tipo de método: Quanto ao método. análise de conteúdo e estudo de caso. (TEIXEIRA. PESQUISA QUANTITATIVA – Este tipo de pesquisa é aplicado quando se deseja conferir abordagem estatística ao objeto de estudo. 2005. as pesquisas podem ser quantitativas ou qualitativas. PESQUISA QUALITATIVA – A pesquisa qualitativa privilegia algumas técnicas que contribuem para a descoberta de fenômenos. 136137). c)qual o efeito ou consequência (qual o efeito da técnica expositiva sobre o aprendizado entre crianças de 4 e 6 anos?). pois a pesquisa é entendida como uma criação que mobiliza a acuidade inventiva do pesquisador e sua perspicácia para elaborar a metodologia adequada ao campo de pesquisa. as pesquisas revestem-se de elevado grau de controle. entendida por amostragem. p. por exemplo. 136). dentre outros. 136) e deve ser aplicada quando o objetivo for conhecer: a)qual a relação entre variáveis (qual a relação entre idade.ciências sociais. a estatística possui o papel fundamental de “estabelecer a relação entre o modelo teórico proposto e os dados observados no mundo real” (TEIXEIRA. em algumas áreas. 132 PATRÍCIA MOTA SENA . aos problemas que ele enfrenta com as pessoas que participam da investigação. identificando e compreendendo aspectos que podem caracterizar hábitos. comportamentos. dentre outros. A pesquisa qualitativa pressupõe que a utilização dessas técnicas não deve construir um modelo único. sobretudo da Psicologia. p. aplicam-se questionários como instrumento de coleta de dados. 2005. Para tanto. as relações entre as variáveis que compõem um mesmo fenômeno e as análises das causas que geraram o objeto. Em geral. p. b)qual a causa (o que causa a evasão?). O pesquisador deverá. a pesquisa quantitativa “utiliza a descrição matemática como uma linguagem” na busca por evidenciar. opiniões. Seus resultados podem refletir as ocorrências ou o perfil de uma dada população ou grupo social. entre janeiro e junho de 2000?). tais como a observação participante. Para Elizabeth Teixeira (2005.

. A pesquisa de espírito positivista aprecia números. Quando se trata do real humano. a conjugar suas abordagens conforme as necessidades. A partir do momento em que a pesquisa centra-se em um problema específico. de observações clínicas etc. Inútil. 133 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . porque os pesquisadores aprenderam. Pode-se verificá-los principalmente na oposição entre pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa. É. mesmo se dificilmente quantificáveis. E alguns gostam de afirmar que são as exigências estritas desse rigor que afastam os pesquisadores qualitativos (o que infelizmente parece. esse debate. que para construir suas quantificações. desse modo. com o objetivo de daí tirar. há muito tempo. Para os adversários desse método. qualitativo. sobretudo. é em virtude desse problema específico que o pesquisador escolherá o procedimento quantitativo. testado e preciso. o melhor possível. do real estudado. Vê-se agora pesquisadores de abordagem positivista deixar de lado seus aparelhos de quantificação de entrevistas. então. para ela. consideremos os valores. sobretudo em vista do saber matemático e do estatístico necessário!). Inútil. afastando numerosos aspectos essenciais à compreensão. de pouca validade. inversamente. e. Mas é verdade que o que resta é assegurado por um procedimento muito rigoroso. porque realmente é querer se situar frente a uma altura estéril. Esquecem. correto. e não o contrário. os saberes desejados. Os defensores da quantificação apenas das características objetivamente mensuráveis respondem. Pretende tomar a medida exata dos fenômenos humanos e do que os explica. Esses debates continuam ainda hoje. tentemos conhecer as motivações.QUANTITATIVO VERSUS QUALITATIVO O desmoronamento da perspectiva positivista não se deu sem debates entre seus defensores e adversários. Consequentemente. que esse encontro incontrolado de subjetividades que se adicionam só pode conduzir ao saber “mole”. corre-se o risco de não ter restado grande substância. O essencial permanecerá: que a escolha da abordagem esteja a serviço do objeto de pesquisa. uma das principais chaves da objetividade e da validade dos saberes construídos. ainda que muito presente. tiveram que afastar inúmeros fatores e aplicar inúmeras convenções estatísticas que. trata-se de truncar o real. deve escolher com precisão o que será medido e apenas conservar o que é mensurável de modo preciso. às vezes. vê-se pesquisadores adversários da perspectiva positivista que não procedem de outro modo quando é possível tratar numericamente alguns de seus dados para melhor garantir a sua generalização. afirmam. as representações. deixemos falar o real a seu modo e o escutemos. Na realidade. ou uma mistura de ambos. Os adversários propõem respeitar mais o real. parece frequentemente inútil e até falso.

Nesse sentido, centralizar a pesquisa em um problema convida a conciliar abordagens preocupadas com a complexidade do real, sem perder o contato com os aportes anteriores. (LAVILLE; DIONNE, 1999, p. 43)

2.2.3

CONTEÚDO 3. PROJETO, RELATÓRIO E MONOGRAFIA

O projeto de pesquisa

O projeto serve para planejar o trabalho de pesquisa e constitui parte integrante do processo de execução de uma investigação, pois é responsável por integrar o corpo teórico definido para a compreensão dos dados e a interpretação dos mesmos na discussão da metodologia a ser utilizada para alcançar os objetivos delimitados. A finalidade do projeto é planejar com rigor a pesquisa para que o estudante/pesquisador saiba exatamente quais procedimentos deverá adotar diante dos dados. Por isso, o projeto tem como característica definir e apresentar o tema, os objetivos, a metodologia, a justificativa quanto à pertinência da investigação proposta, planejar os critérios de coleta e de análise dos dados e projetar possíveis soluções para o problema da pesquisa. Tudo isso articulado ao tempo disponível, isto é, ao prazo estipulado em um cronograma de atividades. Um auxílio e tanto para o pesquisador, não? Trata-se, dessa maneira, de um instrumento que confere segurança e disciplina à tarefa de pesquisa. Os projetos de pesquisa podem variar na forma de apresentação, de acordo com o público ao qual se destina. Eles podem ser destinados a agências de fomento à pesquisa, podem ser entregues como requisito para aprovação em componentes curriculares ou apresentados em processos seletivos de iniciação científica e pós-graduação. Apesar disso, os projetos precisam conter a delimitação de um objeto de estudo, um problema que deve ser solucionado e objetivos que deverão ser alcançados (MEDEIROS, 2009, p. 191). Além disso, cumprem duas funções: científica e administrativa, como afirma Belchior (1972 apud RUDIO, 1986, p. 56). Para esse autor, o projeto consiste na
[...] mobilização de recursos para a consecução de um objetivo prédeterminado, justificado econômica ou socialmente, em prazo também de-

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PATRÍCIA MOTA SENA

terminado, com o equacionamento da origem dos recursos e detalhamento das diversas fases a serem efetivadas até a sua execução.

Veja a seguir a estrutura de um projeto de pesquisa, que pode variar de acordo com o destinatário, como você já viu anteriormente. No entanto, os projetos precisam, no seu desenvolvimento, responder às seguintes perguntas:

O QUE FAZER? POR QUE FAZER? PARA QUE FAZER? PARA QUEM FAZER? ONDE FAZER? COMO FAZER? QUANDO? COM QUANTO? QUEM VAI FAZER?

A Estrutura de um Projeto

1. Capa: É um elemento obrigatório, pois identifica o projeto ao apresentar dados como título (e subtítulo, se houver) do projeto, o(s) autores, a instituição a qual pertencem, local e ano de entrega. Veja nas normas para elaboração de trabalhos acadêmicos as orientações para sua apresentação. 2. Folha de rosto: Também é obrigatório e apresenta a natureza do projeto. Veja nas normas para elaboração de trabalhos acadêmicos as orientações para sua apresentação. 3. Lista de ilustrações: relação de imagens, tabelas, gráficos apresentados no projeto.

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METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO

4. Lista de abreviaturas: contém as expressões e suas respectivas siglas. 5. Sumário: Listagem numerada das principais seções do projeto apresentadas na ordem que aparecem no texto. 6. Introdução: nesta seção, o autor do projeto deve apresentar o tema da pesquisa, delimitando o problema que interessa estudar. Deve-se fazer uma revisão da bibliografia sobre o tema, caracterizando-o e distinguindo a abordagem quanto aos estudos já realizados sobre o assunto. A introdução deve também mencionar o nome dos envolvidos no projeto, como coordenador ou orientador, além de explicar a origem das preocupações científicas que serão investigadas por meio de um histórico do projeto. No entanto, a discussão do tema e a formulação e delimitação do problema devem ser os eixos centrais da introdução. Estes são tratados considerando a contextualização teórica do problema, fundamentando a pertinência da pesquisa e as contribuições advindas de publicações anteriores. No entanto, essa revisão da bibliografia deve ser articulada à delimitação do problema, posicionando-o no campo de investigações já realizadas e “não pode ser constituída apenas por referências ou sínteses dos estudos feitos, mas por discussão crítica do ‘estado atual da questão’” (GIL, 2006, p. 162). 7. Objetivos: nesta seção, o pesquisador deve apresentar o objetivo geral da pesquisa e os objetivos específicos. Os objetivos são apresentados como hipóteses, considerando as possibilidades de resposta que se procura alcançar com a investigação. Antônio Carlos Gil recomenda que a linguagem utilizada para listar os objetivos seja feita com verbos que indiquem ação “como identificar, verificar, descrever e analisar” (GIL, 2006, p. 162). O objetivo geral é uma visão global sobre o tema, explicitada com uma hipótese abrangente. Já os objetivos específicos consistem na aplicação do objetivo geral a situações particulares, descrevendo aspectos que merecem ser detalhados e verificados cientificamente. 8. Justificativa: Nesta seção é necessário explicitar qual a relevância da investigação proposta para a comunidade científica e para o aprofundamento das discussões sobre o tema. Deve justificar a pertinência de se compreender o problema apresentado, demonstrando quais as contribuições que o estudo poderá trazer para a ciência e para a sociedade como um todo. Neste item também se deve evidenciar as origens da escolha do tema, destacar as motivações do autor do projeto em compreendê-lo, focalizando a importância do estudo em relação a outros realizados anteriormente, seja distinguindo a abordagem, seja ressaltando as suas contribuições. Segundo Fachin (2006, p. 111), a justificativa “é uma fase que leva o pesquisador a repensar a escolha do assunto e a razão de sua escolha”. 9. Metodologia: Nesta seção, devem ser descritos os procedimentos, técnicas, estratégias, métodos que serão seguidos durante a pesquisa para a coleta e análise de dados. Esclarece-se qual o tipo de pesquisa adotado e quais serão os referenciais teóricos que auxiliarão na compreensão dos dados obtidos. É importante ressaltar que os referenciais epistemológicos que fundamentam os métodos diferem entre si, o que exige acuidade do pesquisador em per-

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Cumpre também um papel administrativo. 3. enfim. • O relatório de pesquisa Os relatórios de pesquisa são documentos científicos que cumprem a função de apresentar os resultados obtidos em uma investigação relacionada a um projeto específico. questionários). O projeto se distingue do trabalho final. É normal e até positivo que o projeto possa ser alterado durante a investigação. que 137 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . quadros) que servem para corroborar as afirmações contidas no texto do projeto ou fornecer informações adicionais. A estrutura do projeto não é estanque e seus elementos devem ser distribuídos de acordo com as exigências da pesquisa. as fontes de informação citadas no projeto. 163-164) faz observações quanto ao desenvolvimento do projeto. textos. pois revela aprofundamento das ideias do autor. p. capítulos. pois justifica para os orientadores ou agências de fomento à pesquisa científica a aplicação dos recursos e do tempo disponibilizados. dentre as quais cumpre destacar: 1. que deverá enfocar os resultados obtidos na concretização do projeto. Esse documento se diferencia do texto final. Cronograma: Aqui são distribuídas as atividades de pesquisa com relação ao prazo estabelecido. podem ser requeridos relatórios parciais. com a finalidade de planejar a atividade de pesquisa. como no projeto. Já os apêndices são documentos elaborados pelo autor do projeto. Plano de trabalho e projeto de pesquisa são diferentes. indicando o tempo necessário para o desenvolvimento de cada fase da investigação. 11.ceber a compatibilidade entre eles e sua contribuição para o entendimento do problema proposto. O projeto detalha os caminhos da investigação e as estratégias. Referências: Item obrigatório em que são listados os livros. 12. disponibilizados para aprofundamento ou melhor compreensão das ideias do projeto (roteiros de entrevistas. 10. Anexos e/ou apêndices: Os anexos são materiais elaborados por outros autores ou documentos científicos (gráficos. que deve ser uma monografia ou tese. 2. comunicando os resultados alcançados. 4. pois o plano encarrega-se de estruturar o plano do trabalho escrito e não as ações da investigação. relatos de observações. Antônio Joaquim Severino (2006. tabelas. Durante a investigação.

p. A seguir. As autoras mencionadas sugerem que a interpretação dos resultados seja feita em uma seção dis- 138 PATRÍCIA MOTA SENA . “já que a pesquisa bibliográfica não se encerra com a elaboração do projeto” (MARCONI. Introdução: Apresenta os mesmos elementos da introdução do projeto. os demais deverão vir em apêndice” (MARCONI. os relatórios podem ser solicitados como parte de processos avaliativos em componentes curriculares como forma de exercitar a habilidade de demonstração dos estudantes. Apresentação e análise dos dados: A ordem de apresentação dos dados deve estar em conformidade com as hipóteses e as afirmações que propõem. ao término da pesquisa. LAKATOS. 1. 5. 3.apresentam fases do andamento dos trabalhos e. 230-231). Apesar de essas autoras indicarem que a revisão bibliográfica deve ser feita em uma seção diferenciada. p. 233).Folha de Rosto. os quadros. 6. os gráficos e outras ilustrações estritamente necessárias à compreensão do desenrolar do raciocínio. propomos que isso seja feito ainda na introdução. possui entre 20 linhas e uma página. p. LAKATOS.Resumo ou sinopse: trata-se de um resumo descritivo sobre o conteúdo do relatório. No relatório podem ser incorporadas novas publicações. 2. pois a retomada das principais obras sobre o tema contribuem para fundamentar a apresentação do problema. 232). 9. 8. p. porém acrescidos dos objetivos e da justificativa. Nesta seção. • Estrutura do relatório A estrutura dos relatórios varia de acordo com a finalidade para a qual são produzidos. Sumário. em geral. 4.Lista de Abreviaturas.Listas de Tabelas ou Ilustrações. “incorporando as modificações realizadas depois de aplicada a pesquisa-piloto” (MARCONI. Para as seções que não estão descritas. deve-se apresentar as evidências obtidas por meio de análises “incorporando no texto apenas as tabelas. 232). Além disso. Deve ser objetivo e. LAKATOS. 2009. propomos uma estrutura geral. 2009. o relatório deve apresentar a metodologia empregada e os resultados finais. 2009.Capa. para que você use como guia. 7. modificada a partir da orientação de Marconi & Lakatos (2009. Metodologia: Nesta seção descrevem-se as estratégias utilizadas na coleta e análise dos dados e a eficácia da aplicação dos métodos escolhidos. considere as mesmas orientações oferecidas nas explicações sobre o projeto.

255). 11. • A monografia A monografia é o estudo aprofundado de uma questão específica. bem como as questões que surgiram com o seu desenvolvimento. Anexos ou Apêndices. a redução da abordagem a um só assunto. Esse mesmo autor atribui dois sentidos à aplicação do termo monografia: pode ser uma tese. a um só problema. Retrata o significado da pesquisa realizada. Referências. ou seja. Dessa maneira. que o pesquisador identifique “as questões que não puderam ser respondidas pela pesquisa. o pesquisador encerra o seu texto com sínteses e recomendações. o alcance das abordagens e a contribuição dos resultados obtidos. porém pensamos que essa interpretação pode ser feita junto à análise dos dados coletados. originada de pesquisa científica que contribua com conhecimentos originais à ciência. 10. ou pode ser todo trabalho originado de pesquisas. o tratamento escrito aprofun- 139 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 12. 190). como as dissertações de mestrado e as monografias no “sentido acadêmico. Délcio Salomon conceitua a monografia da seguinte maneira: Localizamos na origem histórica da monografia aquilo que até hoje caracteriza essencialmente esse tipo de trabalho científico: a especificação. sejam empíricas ou não. p. ou seja. p. Conclusões: As conclusões são parte final da pesquisa. buscando confirmar ou rejeitar as hipóteses levantadas. Mantémse assim o sentido etimológico: mónos (um só) e graphein (escrever): dissertação a respeito de um assunto único (SALOMON. nesta seção. seguidas de sugestões quanto a pesquisas futuras que possam respondê-las” (GIL.tinta. como produto dos processos desenvolvidos na investigação. 2008. 2006. É possível ainda.

sistemático e completo. procurando suprimir o ambíguo ou obscuro. Vejamos a estrutura da monografia. Estudo pormenorizado e exaustivo. p. 237). o desenvolvimento da monografia precisa conter: • Explicação [. Desenvolvimento: Para Marconi e Lakatos (2009. 2. Lista de Tabelas ou Ilustrações. de maneira descritiva e analítica. mas não em alcance [. pois apresenta considerações metodológicas e uma breve revisão bibliográfica sobre o tema. implica o exercício do raciocínio. delimitando o problema analisado.]. devem obedecer a uma sequência lógica. contextualizando-o. para atingirem o objetivo formal do trabalho e não se afastarem do tema. Sumário. 4. fundamenta e enuncia as proposições. o desenvolvimento é o espaço da “fundamentação lógica do trabalho de pesquisa. Contribuição importante. 256). Capa. é analisar e compreender. Lista de Abreviaturas. 8. De acordo com Marconi & Lakatos (2009.. • Discussão é o exame. 7. considere as mesmas orientações oferecidas na elaboração dos projetos e relatórios.dado de um só assunto. Quando a seção não estiver descrita. a argumentação e a explicação da pesquisa: explica. 6. 3. Folha de Rosto. p.] explicar é apresentar o sentido de uma noção.. A introdução da monografia se assemelha à do relatório. abordando vários aspectos e ângulos do caso. 5. Para essas autoras. discute.. cuja finalidade é expor e demonstrar”. em que a reflexão é a tônica” (SALOMON. 238). original e pessoal para a ciência. p. • Demonstração é a dedução lógica do trabalho. Tema específico ou particular de uma ciência ou parte dela. Resumo em língua vernácula. Introdução: Deve apresentar de maneira objetiva o tema da pesquisa. as características da monografia são: • • • • • • Trabalho escrito. 140 PATRÍCIA MOTA SENA .. 1. Tratamento extenso em profundidade. Metodologia específica. Demonstra que as proposições. 2008.

Referências. considerando a interdisciplinaridade e aliança entre teoria e prática. com um resumo das principais argumentações com o objetivo de atribuir significado ao estudo realizado. Conclusões: Apresenta uma síntese do trabalho.9. monografias e. Há instituições de Ensino Superior que solicitam artigos científicos. organiza aprendizagens conquistadas nas disciplinas específicas do curso de graduação.4 CONTEÚDO 4. mas tem em comum seu objetivo: sistematizar práticas exercidas ao longo da graduação. PESQUISA E DOCÊNCIA Os trabalhos de conclusão dos cursos de graduação têm sido cada vez mais variados na forma de apresentação. ainda. tem sido cada vez mais usual um novo tipo de trabalho: o Portfólio. Como explicita o Guia Institucional de Trabalho de Conclusão do Curso Letras Português/ Inglês da FTC EAD – Faculdade de Tecnologia e Ciência – Educação a Distância (2008): O portfólio acadêmico consiste em um trabalho de sistematização. Segundo Marconi e Lakatos (2009. 2. “da conclusão devem constar a relação existente entre as diferentes partes da argumentação e a união das ideias e. Dessa maneira. 10 Anexos e/ou Apêndices. conter o fecho da introdução ou síntese de toda reflexão”. 238). O Portfólio possui aplicações diversas. reflexão e auto-avaliação da práxis pedagógica desenvolvida no per- 141 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . 11. registro. PORTFÓLIO. p.2.

Objetivos: A construção de um objetivo precisa ser efetuada de forma clara e concisa. devendo dar conta da sua totalidade. visando a sua autonomia no processo de aprendizagem. por isso deve ser elaborado com um verbo de precisão. como e por que as limitações foram encontradas. expressando apenas uma ideia. 2. elaborado de forma clara e precisa. Dialogando sobre os temas transversais: Você deverá construir um texto relacionando os conhecimentos significativos (importantes para o seu processo de formação do- 142 PATRÍCIA MOTA SENA . 1. acadêmica e profissional. aprofundar essas questões. ainda. por exemplo. sem. Fundamentação teórica: Trata-se da literatura pertinente aos temas abordados no Portfólio. habilidades e atitudes pautadas na práxis pedagógica crítica e reflexiva. Objetivos Específicos: Detalham o enunciado do objetivo geral e/ou cada atividade que será desenvolvida. 2. analisar. Isso você fará no desenvolvimento do portfólio. levando-o a perceber claramente o que será analisado. a metodologia utilizada na sua construção. Esse mesmo documento destaca. considerando as competências das disciplinas por períodos.2. Apresentação: Texto inicial. Deve situar o leitor no contexto do trabalho acadêmico. A partir de agora você verá a estrutura do portfólio acadêmico. capaz de possibilitar a você estudante a reconstrução crítica da sua formação pessoal. conforme as exigências racionais da sistematização própria do trabalho científico” (SEVERINO. o alcance da investigação e suas bases teóricas gerais. Objetivo Geral: Deve ser direcionado ao portfólio. contudo. identificar). Devem ser construídos com o verbo no infinitivo (diagnosticar.1. 2000. 81-82). 3. Os elementos relacionados compõem os critérios exigidos pela FTC EAD. dos campos de estudos/escolas pesquisadas e outros dados gerais sobre o portfólio. os temas transversais e as experiências em Estágio Supervisionado dos cursos de Licenciatura. É um trabalho criterioso e crítico que requer muita leitura para possibilitar a ”construção lógica do pensamento ou síntese que é a coordenação inteligente das ideias. através da apropriação de conhecimentos. como objetivo do portfólio acadêmico: a capacidade de criar as condições e os meios necessários para que os graduandos desenvolvam competências. p. Considere a estrutura apresentada a seguir acompanhada dos elementos pré-textuais comuns aos trabalhos acadêmicos. como. 2.curso dessas disciplinas. no qual devem constar dados de identificação do autor. 3. análise da realidade educacional e produções acadêmicas relevantes.1.

1 Produção das atividades das disciplinas PPP I. II.2 Relatório da disciplina Estágio Supervisionado II. 4. pelo menos. (Guia Institucional de Trabalho de Conclusão do Curso Letras Português/ Inglês da Faculdade de Tecnologia e Ciência – Educação a Distância. apontando possíveis soluções para as dificuldades apontadas. 2008. 7. bem como a prática vivenciada no contexto escolar no Ensino Fundamental (5ª a 8ª série) e no Ensino Médio. 5.1 Documento que julgar pertinente para compor o portfólio. IV. V e VI. Anexos 8. apresentamos um texto que faz parte de um artigo de Menga Lüdke e Giseli Barreto da Cruz. Refletindo sobre as teorias estudadas: Nesse texto você precisa se posicionar criticamente sobre a articulação das Teorias Educacionais e das disciplinas específicas de letras. coparticipação. Referências 7. 3. no qual discutem as possibilidades da pesquisa e a sua contribuição para a formação docente. Você pode também fazer recomendações e/ou sugestões que devem ser explanadas de forma ética.1. 6. Observe os questionamentos propostos pelas autoras no final do texto e pesquise outras leituras que discutam essas e outras questões relacionadas à articulação entre pesquisa e docência! 143 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .1. regência durante estágio) com fundamentos teóricos que os explicam e ampliam suas conceituações.2.cente) que foram construídos em cada período com cada tema transversal. 8. • Pesquisa e educação Concluindo as reflexões sobre as possibilidades da pesquisa científica.2 Documento que julgar pertinente para compor o portfólio. III. 7. 12 -13).1 Apêndices obrigatórios: 7. Considerações Finais: Posicionamento pessoal quanto aos resultados em função dos conhecimentos construídos durante o curso. observações.2 Apêndices Complementares: 7.2.1 Relatório da disciplina Estágio Supervisionado I. 7. Seu texto deverá estar respaldado por. dois autores que serviram de referência para a compreensão do tema transversal de cada período.2. p. A seguir.2. convido você a estabelecer uma relação entre pesquisa e educação. Apêndices 7. Discussão dos resultados: Trata-se de uma análise cuidadosa dos dados coletados nos momentos de atividades práticas na Escola (entrevistas.

1989. e do conhecimento tácito. baseada no princípio de que o professor precisa assumir-se como pesquisador da própria prática. mas. com base em Dewey. em que o sujeito posiciona-se em uma atitude de análise. produção e criação a respeito da sua ação ao enfrentar situações desafiadoras. Zeichner. 1997.A PESQUISA E O PROFESSOR DA EDUCAÇÃO BÁSICA A possível articulação entre ensino e pesquisa no trabalho do professor da educação básica é algo que há algum tempo tem merecido atenção de nossa parte e de outros colegas que se dedicam ao seu estudo. Para Stenhouse. Stenhouse (1975). durante e depois dela. Giroux. As ideias de Schön. sobretudo. Pouco se sabe entre nós. bem como os de vários outros autores (Elliott. tem impulsionado uma série de trabalhos voltados para a ideia de um professor mais autônomo. Essa perspectiva é apontada por diversos autores. Desde a década de 90 o tema ‘professor pesquisador’ tem ganhado espaço no cenário de discussão acadêmica. Schön (1983) sobre o reflective practitioner. Contreras. De acordo com o que propunha Stenhouse. acabaram atraindo uma imensa atenção no meio docente e impulsionando uma gama variada de produções sobre a importância de o professor refletir sobre a sua prática. como já mencionamos. 1996). com a repercussão que teve entre nós o trabalho de D. que fazem de suas salas de aula típicos laboratórios de ensino. as reformas precisariam incluir em seu interior o desenvolvimento profissional dos professores como pesquisadores de suas próprias práticas. tem valorizado cada vez mais a perspectiva da pesquisa na formação e na atuação do professor. ao centrarem-se na valorização da reflexão na experiência. como algo importante para o preparo e o trabalho do professor e por isso deve ser introduzida na formação inicial e continuada dos professores da educação básica. 1992. 1990. Contrapondo-se à racionalidade técnica. Tal perspectiva. todavia. O alcance desses pensamentos entre nós. não abordaram diretamente o professor. encaminhando crítica e sistematicamente sua atividade para identificar os eixos estruturantes de cada situação de ensino. tendo como foco central o currículo. sobre o que ocorre de fato a esse respeito entre os professores desse nível de ensino. a pesquisa deveria ser a base do ensino dos professores. Como concebem eles o papel da pesquisa em suas escolas? Que formação receberam e de que condições dispõem para realizá-la? Que tipo de pesquisas de fato realizam? Onde as divulgam? É possível e viável ao professor investigar a sua própria prática? 144 PATRÍCIA MOTA SENA . inicialmente. antes. com base em Polanyi. Perrenoud. Schön defende um tipo de epistemologia da prática. aliada àquela anteriormente proposta por L. e mesmo pela legislação. uma vez que é por seu intermédio que se transmite o conhecimento na escola.

php?pid=S0100-1574200 5000200006&script=sci_arttext&tlng=pt. Menga.LÜDKE. Aproximando universidade e escola de educação básica pela pesquisa. 145 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .scielo. 2009.br/scielo. Giseli B. CRUZ. Disponível em: http://www. da. Acesso em: 25 set.

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MAPA CONCEITUAL

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ESTUDO DE CASO
Sabemos que a escola abriga sujeitos com experiências sociais, culturais, pessoais diversas. Considere que você está lecionando em uma instituição escolar em que há alunos de diferentes expressões de religiosidade. Em uma das turmas que você leciona, imagine que um (a) estudante precisa se ausentar por alguns dias e fornece uma justificativa vinculada ao exercício da sua religiosidade. Buscando ser compreensivo (a) diante dos motivos de ordem pessoal apresentados e ciente das atividades que devem ser realizadas por todos da turma no período em que a ausência foi solicitada pelo (a) estudante, como você solucionaria este problema, uma vez que a direção da escola concede permissões para ausência apenas para alunos que apresentam atestado médico? A questão do multiculturalismo e da diversidade na escola atualmente está sendo muito debatida nos meios educacionais. Sugerimos que, antes de você procurar soluções para o problema apresentado, realize uma pesquisa sobre o tema. A seguir, aponte soluções e escolha a mais adequada entre elas. Você também pode criar uma proposta de intervenção. Bom trabalho! ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________

EXERCÍCIOS PROPOSTOS
QUESTÃO 01
“Seja qual for o modelo de ciência que se trabalhe, a escolha do problema de pesquisa é um momento crucial da atividade científica. Essa escolha decide o que vai ser esclarecido e isso é fundamental. Alguém já observou que uma forma de ver é também uma forma de não ver. Isso porque a focalização no objeto "A" implica um descarte ou esquecimento com relação ao objeto "B". A escolha do problema de pesquisa guarda, pois, implicações sobre o que deve ser conhecido”

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A Pesquisa e o Problema de Pesquisa: quem os determina? Disponível em: <http://www22. O texto apresenta uma ideia equivocada: o objetivo do pesquisador ao delimitar o problema deve ser abarcar o fenômeno em sua totalidade. Acesso em: 11 mai. tais detalhes. causas. usos e possibilidades. afinidade científica e dedicação. Há problemas e situações cuja análise pode ser feita sem quantificação de certos detalhes. 149 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . [. 2009. originando o tema que se deseja conhecer.pdf#search=%22pesquisa%20documental %22>. delimitação precisa do tempo em que ocorreram. A formulação do problema deve considerar também os aspectos pessoais do pesquisador.embrapa. estão corretas.ead. pois a atividade de pesquisa exige motivação. IV. etc. seriam de pouca utilidade” NEVES. outras informações seriam prescindíveis. analise as proposições a seguir: I. o que implica na análise de um objeto de maneira profunda e na seleção das informações. etc. Ivan Sergio Freire de.fea.br/ unidades/uc/sge/texto1. sem descartar ou esquecer nenhum aspecto.. os métodos qualitativos se assemelham a procedimentos de interpretação dos fenômenos que empregamos no nosso dia a dia. o caminhão pode ser entendido como símbolo de velocidade e força. O texto traz um alerta para o pesquisador: é preciso formular o problema de forma clara e objetiva.] para não atravessar uma rua basta que vejamos se aproximar um caminhão.br/cad-pesq/arquivos/C03art06. não é necessário saber seu peso exato. Pesquisa Qualitativa – características. Disponível em: <http://www. b) II e III.]. Das proposições acima.sede. embora obteníveis. além da oportunidade científica do estudo. 2009). Acesso em: 08 mai. lugar. responsável por definir e delimitar o objeto da investigação.. [. Nessa situação.pdf>. a velocidade a que corre. c) I e IV. A escolha do problema é a primeira fase da pesquisa.. d) I e II. descartando aquelas que não tenham relação direta com o problema em questão. procedência dos agentes.usp. apenas: a) III e IV. QUESTÃO 02 “Em certa medida. para a finalidade de atravessar a rua. II. e.SOUSA. Associando o texto acima aos conhecimentos sobre a definição de um problema de pesquisa. de onde vem. III.. José L.

Daí se tornar fundamental a modalidade de trabalho didático-pedagógico representado pela prática efetiva da Iniciação Científica. pois os objetos submetidos à análise quantitativa diferem daqueles que utilizam a abordagem qualitativa. As proposições a seguir tratam do papel da pesquisa no ensino superior. d) I e III.Correlacionando o trecho acima com a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa. quais as questões que deseja investigar a partir dos dados necessários para compreender seu problema científico. processo de iniciação à pesquisa. c) I e IV. já que ocorre mediante o processo de construção do conhecimento”. A leitura do texto permite inferir que a utilização de métodos quantitativos ou qualitativos depende do objetivo do pesquisador.unicaieiras. O texto valoriza a interpretação na construção de uma pesquisa qualitativa. IV. analise as proposições a seguir: I. apenas: a) II e IV. Leia-as atentamente: 150 PATRÍCIA MOTA SENA .htm>. Acesso em: 29 out.] ensino e aprendizagem só serão motivadores se seu processo se der como processo de pesquisa.com. b) II e III. Das proposições acima. é impossível compreender um objeto na sua totalidade. Os métodos quantitativos e qualitativos se excluem mutuamente.. [. na qual os dados quantitativos podem ser dispensados para a atribuição do significado das relações contextuais em que se insere o objeto. Trata-se de procedimento o mais adequado possível para se instaurar o ensino e a aprendizagem de forma efetivamente significativa. SEVERINO. no contexto da formação graduada. II. 2008). Disponível em: <http://www. III. forma privilegiada de aprendizagem. A metáfora entre objeto de pesquisa qualitativa e o ato de atravessar a rua evidencia que. Antônio J. QUESTÃO 03 Para Severino.. A prática da metodologia científica no ensino superior e a relevância da pesquisa na aprendizagem universitária.br/revista1/artigos Severino/ ArtigoSeverino. como mencionado no texto. sem a utilização de métodos qualitativos e quantitativos. estão corretas.

[. Implicações e perspectivas da pesquisa educacional no Brasil contemporâneo.. [.] é se há um domínio consistente de métodos e técnicas de investigação. B. p. A respeito de como se realiza a escolha da metodologia adotada pelos pesquisadores. A prática da iniciação científica mencionada no texto corresponde à pesquisa formal. está(ão) correta(s) a) apenas I b) apenas II c) apenas II e III d ) apenas I e III QUESTÃO 04 Analise o texto a seguir: Questão que não se acha suficientemente discutida e trabalhada pelos pesquisadores é a tendência a não se aprofundar nas implicações do uso de certas técnicas.. II... A pesquisa na graduação é uma forma privilegiada de aprendizagem porque posiciona o estudante como sujeito do conhecimento. n.] Aqui se enquadra a questão das opções pelo uso de modelos quantitativos de coleta e análise de dados ou pelos chamados modelos qualitativos. 65-81. e mesmo da propriedade e adequação desse uso e de sua apropriação de forma consistente. 2001). cuja função primordial é a publicação de trabalhos para garantir o reconhecimento dos autores. qualquer que seja a abordagem em que o pesquisador se situa (GATTI. aliando teoria e prática no exercício de trabalhos acadêmicos e na participação em eventos científicos. tornando-o capaz de dialogar com outros sujeitos acerca do tema pesquisado e proceder de maneira sistemática e crítica na busca da elucidação das questões propostas. Cadernos de Pesquisa. assinale a alternativa correta: a) Ao considerarmos o objeto da pesquisa. 113.. a escolha dos métodos e abordagens da pesquisa torna-se trivial.I. praticada sob a orientação de um professor que supervisiona rigorosamente os procedimentos aplicados. Das proposições acima. ou seja. A. visto que os fenômenos humanos e sociais só podem ser estudados qualitativamente e os demais a partir de métodos quantitativos.] A pergunta que nos colocamos ao examinarmos atentamente as vertentes de pesquisa [. 151 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . A atividade de pesquisa contribui para a integração do estudante a uma área específica do conhecimento. III. aquelas metodologias que não se apoiam em medidas operacionais cuja intensidade é traduzida em números..

sem status de ciência por carecer de originalidade. por isso mesmo. que representam a formalização do planejamento dos procedimentos a serem adotados. d) documental. que servem como matéria-prima para que o pesquisador possa fazer sua análise. d) As questões discutidas pela autora referem-se à necessidade de elaboração dos projetos de pesquisa. sendo criadas condições adequadas para o seu manuseio e tratamento. colocando-o em condições técnicas de observação e manipulação. na mesma pesquisa. é correto afirmar que Manolito realizará uma pesquisa a) experimental. que devem se coadunar aos métodos escolhidos e orientar todas as etapas da pesquisa. b) bibliográfica. como registros das entrevistas. QUESTÃO 05 De acordo com o texto a seguir. mas de naturezas diversas. c) A autora explicita a incompatibilidade de serem utilizados. por valer-se da utilização de documentos não só impressos. c) de campo. em que o pesquisador coleta os dados nas condições naturais de ocorrência dos fenômenos. sendo observados sem manuseio e/ou interferência no ambiente em que esse fenômeno se encontra. por ser aquela que é decorrente de outras pesquisas anteriores publicadas em documentos científicos impressos e. 152 PATRÍCIA MOTA SENA .b) A consistência discutida no texto se refere à compreensão dos fundamentos teóricometodológicos adotados e de suas implicações. métodos quantitativos e qualitativos: os pesquisadores devem optar por um deles e se manterem fiéis para evitar contradições. pois se utiliza de um objeto como fonte.

153 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO .

GABARITO DAS QUESTÕES 154 PATRÍCIA MOTA SENA .

307). dentre outros. tais como consumidores. CONHECIMENTO: processo de elucidação da realidade. um fenômeno. que tratam de uma questão verdadeiramente científica. 43). que é a conclusão. p. favorecendo a autonomia e o senso crítico. Fornece um conhecimento sistemático e objetivo acerca da realidade. um acontecimento obtidas por meio de processos investigativos. DADOS: são esclarecimentos e/ou informações sobre uma situação. produtores. realizada a partir de uma consciência crítica” (BARROS. porém completos. p. 1994 apud ALBAGLI. CIENTIFICISMO: é a confiança total na ciência. p. inferida necessariamente das premissas”. uma vez que pode se transformar em consciência social. p. Suas verdades são infalíveis e indiscutíveis.GLOSSÁRIO ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas: É uma instituição sem fins lucrativos fundada em 1940 com o objetivo de proceder a normatização técnica para regulamentar as descobertas científicas e tecnológicas do país. transcrita em códigos especializados. 397). As normas brasileiras são construídas por comissões cujos membros representam vários setores. um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar” (MARCONI e LAKATOS 2009. 80). ATO DE CONHECER: é o processo de interação entre sujeito e objeto. 155 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . valorizando a racionalidade científica como única resposta correta para os problemas humanos. possuindo um caráter inspiracional. Constitui um instrumento de mudança. COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA: significa "comunicação de informação científica e tecnológica. 261) “os artigos científicos são pequenos estudos. sobrepondo a ciência às demais formas de conhecimento. reveladas. ARTIGO CIENTÍFICO: segundo Marconi e Lakatos (2009. DIALÉTICA: concepção na qual a “ciência é definida como sendo o ato de se conhecer a análise do processo do fenômeno como uma parte do processo do conhecimento. 2006. 2006. DECODIFICAÇÃO: é uma das etapas da leitura e consiste na tradução dos sinais gráficos em palavras. mas que não se constituem em matéria de um livro”. LEHFELD. DEDUÇÃO: “Operação lógica na qual se passa de uma ou mais proposições a uma outra. pesquisadores. CIÊNCIA: “sistematização de conhecimentos. para um público seleto formado de especialistas" (BUENO. CONHECIMENTO RELIGIOSO: apóia-se em doutrinas sagradas. p. (ARANHA.

DIFUSÃO CIENTÍFICA – Refere-se a "todo e qualquer processo usado para a comunicação da informação científica e tecnológica" (BUENO. sistematização e seleção de informações e dados na busca do entendimento da realidade. MÉTODO: Forma ordenada de proceder ao longo de um caminho. ESQUEMAS – É uma técnica de sistematização que constitui formas de representação e registro de conteúdos de leituras que permitem a visualização gráfica ou diagramática da situação ou texto em questão. considerando um contexto de relações e outras informações já existentes no repertório do sujeito. Constitui um exercício de reflexão e análise da ciência sobre si mesma. 156 PATRÍCIA MOTA SENA . independentemente de haver ou não quem os conheça. EMPIRISMO – Teoria que defende a construção de conhecimento e a formação de ideias por meio da experiência. influenciam ou definem. a palavra é composta por dois radicais gregos. FILOSOFIA – Etimologicamente. analisando-o a partir de um contexto no qual se devem considerar aspectos econômicos. 397). DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA – "O uso de processos e recursos técnicos para a comunicação da informação científica e tecnológica ao público em geral" (BUENO. INATISMO – Teoria que defende a existência de ideias inatas. política ou econômica. INTERPRETAÇÃO – Apreensão das ideias e estabelecimento de relações entre o texto e o contexto. 1994 apud ALBAGLI. sociais e culturais que o constituem. NEUTRALIDADE CIENTÍFICA – É um mito da ciência moderna que defendia ser a ciência um saber neutro e que as pesquisas científicas não deveriam sofrer influência social. 397). EPISTEMOLOGIA – Adquiriu conotação direcionada ao estudo das condições de produção do conhecimento científico sob olhar crítico quanto ao método. politicos. LINGUAGEM CIENTÍFICA – Critérios específicos para o registro de processos científicos. que significam: filo – amigo + sofia – sabedoria. METODOLOGIA – Corresponde a um conjunto de procedimentos a serem utilizados na obtenção de conhecimento. 1994 apud ALBAGLI. p. METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO – Disciplina instrumental e reflexiva que se propõe a desenvolver habilidades de observação. contribuindo para a comunicação do conhecimento. FATOS – Acontecem na realidade. FENÔMENO – é a percepção que o observador tem do fato. HERMENÊUTICA – Área da Filosofia que se debruça sobre a interpretação e a compreensão a partir da linguagem. que já nascem com o indivíduo. p. análise crítica. INFORMAÇÃO – Conjunto de dados que assume um significado para quem a obtém.

2000. valorizando a observação. TEORIA DO CONHECIMENTO – Área da Filosofia que estuda as condições de construção do conhecimento humano a respeito da realidade. Nele devem aparecer as principais ideias do autor do texto. de explicar o mundo exterior.OBJETO – É o mundo exterior ao sujeito.] Em oposição ao senso comum. curso. 314).. a teoria é uma etapa do método científico. LEHFELD. SENSO COMUM – Modo espontâneo de conhecer e que se obtém no cotidiano.. [. SUJEITO – É o ser humano que construiu inteligibilidades que permitem compreender um fenômeno da realidade. p. POSITIVISMO – Teoria iniciada por Auguste Comte no século XIX que defende a compreensão da realidade por meio da aplicação de métodos cientificamente validados. O sujeito é capaz de se apropriar. 2006. estudo independente. 67). devendo expressar conhecimento sobre o assunto escolhido. programa e outros ministrados (ABNT). TÉCNICA – Operacionaliza o método. ressaltando a progressão e a articulação entre elas. RESENHA – Trabalho acadêmico que consiste na apresentação do conteúdo de uma obra feita por meio da sua apreciação. É construído a partir das experiências. PESQUISA – “Ato dinâmico de questionamento. p. considerando a interpretação do resumista. TEORIA – “Construção intelectual para justificar ou explicar alguma coisa. módulo. TRABALHOS CIENTÍFICOS – Documento que representa o resultado de um estudo. indagação e aprofundamento” (BARROS. uma concepção metódica e sistematicamente organizada sobre determinado assunto” (ARANHA. 157 METODOLOGIA DO TRABALHO CIENTÍFICO . RESUMO – É uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto. que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina.

158 PATRÍCIA MOTA SENA .

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