P. 1
O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS COMO FERRAMENTA PARA PROJETO DE MALHAS DE ATERRAMENTO DE SUBESTAÇÕES

O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS COMO FERRAMENTA PARA PROJETO DE MALHAS DE ATERRAMENTO DE SUBESTAÇÕES

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Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

Departamento de Energia e Automação Elétrica



O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS COMO FERRAMENTA PARA
PROJETO DE MALHAS DE ATERRAMENTO DE SUBESTAÇÕES



DANILO AUGUSTO SALGADO
MARCELO PEREIRA PINTO








São Paulo
Junho de 2009

Danilo Augusto Salgado
Marcelo Pereira Pinto

















O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS COMO FERRAMENTA PARA
PROJETO DE MALHAS DE ATERRAMENTO DE SUBESTAÇÕES








Trabalho de formatura apresentado à Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo para
a obtenção do grau de graduado em Engenharia
Elétrica.

Área de Concentração:
Sistemas de Potência

Orientadores:
Prof. Dr. José Roberto Cardoso
Profª. Drª. Viviane Cristine Silva







São Paulo
2009

Danilo Augusto Salgado
Marcelo Pereira Pinto

















O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS COMO FERRAMENTA PARA
PROJETO DE MALHAS DE ATERRAMENTO DE SUBESTAÇÕES









Trabalho de formatura apresentado à Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo para
a obtenção do grau de graduado em Engenharia
Elétrica.

Área de Concentração:
Sistemas de Potência

Orientadores:
Prof. Dr. José Roberto Cardoso
Profª. Drª. Viviane Cristine Silva







São Paulo
2009

DANILO AUGUSTO SALGADO
MARCELO PEREIRA PINTO

















O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS COMO FERRAMENTA PARA
PROJETO DE MALHAS DE ATERRAMENTO DE SUBESTAÇÕES

















_________________________________________________
PROF. DR. JOSÉ ROBERTO CARDOSO




_________________________________________________
PROF. DRA. VIVIANE CRISTINE SILVA







































FICHA CATOLOGRÁFICA
SALGADO, DANILO AUGUSTO
PINTO, MARCELO PEREIRA
CÁLCULO DE SISTEMAS DE ATERRAMENTO ELÉTRICO ATRAVÉS DE ELEMENTOS FINITOS / D.
A. SALGADO E M. P. PINTO – SÃO PAULO, 2009.
TRABALHO DE FORMATURA (GRADUAÇÃO) – ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE
SÃO PAULO. DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE ENERGIA E AUTOMAÇÃO ELÉTRICAS.
1. ELETROMAGNETISMO 2. MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS 3. ATERRAMENTO 4.
SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA I. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. ESCOLA
POLITÉCNICA. DEPARTAMENTO DE ENERGIA E AUTOMAÇÃO ELÉTRICAS.

i

AGRADECIMENTOS
Ao Prof. Dr. José Roberto Cardoso, orientador deste trabalho, professor de didática
inigualável, pela amizade e por ter demonstrado a centenas de alunos, inclusive os autores,
a grandeza do eletromagnetismo de maneira clara e por nos lembrar constantemente da
nobreza da profissão do engenheiro.
À Profª. Drª. Viviane Cristine Silva, orientadora deste trabalho, pela atenção e dedicação,
por fornecer os subsídios para a construção desta pesquisa e pela paciência.
Aos professores da graduação do Departamento de Energia e Automação Elétricas, pelo
esforço em manter a excelência do ensino na Escola Politécnica. Estas pessoas foram
fundamentais na formação de centenas de engenheiros que hoje contribuem para o
desenvolvimento do nosso país. Apesar de todas as dificuldades, seus esforços não foram
em vão.
Aos ex-alunos e professores que contribuíram pelas melhorias realizadas neste
departamento nos últimos anos. O trabalho realizado por eles tornou este departamento
referência dentro de nossa escola.
Às amizades que construímos dentro da escola, muitas das quais serão carregadas por toda
a vida. Estiveram sempre presentes nos momentos felizes e nos apoiaram nos momentos de
dificuldade.
Aos amigos da Keep Flying, uma equipe de competição da Escola Politécnica que os
autores deste trabalho participaram ativamente. Na Keep Flying fizemos grandes amigos e
aprendemos a aplicar a engenharia na prática, tendo a oportunidade de levar o nome da
nossa escola ao topo ao alçar o primeiro lugar geral em uma competição de engenharia
aeronáutica de âmbito mundial promovida nos Estados Unidos da América.
Aos nossos avôs, que não tiveram a oportunidade de estudar, mas que deram condições a
seus filhos e netos para que o tivessem, apesar da vida árdua. A eles somos eternamente
gratos.
ii

DEDICATÓRIA













Às nossas famílias e
às nossas namoradas




iii


















“If I have seen further it is by standing on the shoulders of giants”
Isaac Newton
iv

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo demonstrar aplicações práticas do método numérico de
elementos finitos no projeto e análise de sistemas reais de aterramento, em regime
permanente. A principal preocupação é comparar os resultados numéricos obtidos com os
cálculos analíticos e semi-empíricos e com as medições feitas em campo para verificar a
validade e aplicabilidade do método dos elementos finitos para sistemas de aterramento.
O trabalho não se resume somente ao método dos elementos finitos, mas também
discorre brevemente sobre o solo e sua resistividade, os sistemas de aterramento mais
comuns e seus cálculos analíticos ou semi-empíricos através da norma mais utilizada no
setor (IEEE Std 80). Essa introdução ao tema do aterramento se fez necessária para que as
posteriores comparações pudessem ser feitas.
O método dos elementos finitos é descrito em detalhes, desde sua formulação até os
aspectos práticos de implantação, como geração de geometrias e malhas para simulação.
Para essas etapas citadas, utilizou-se um aplicativo livremente distribuído, o GMSH,
ferramenta que facilitou imenso o desenrolar deste trabalho.
Utilizou-se também uma técnica moderna para minimizar os erros devido ao
truncamento do domínio, o PML, e para as simulações utilizou-se o solver do GROUND
3D do laboratório de eletromagnetismo aplicado (LMAG).
Os autores se utilizaram de dados de subestações elétricas reais, tanto dados de projeto,
como também experimentais, obtidos em medições em campo para realizar as comparações
entre os métodos de projeto. Ao final, discute-se a validade e a aplicabilidade do método
dos elementos finitos no projeto de aterramento de subestações elétricas.
Palavras chaves: Eletromagnetismo. Método dos Elementos Finitos. Aterramento.
Sistemas Elétricos de Potência.

v

ABSTRACT

The goal of this work is to demonstrate practical applications of the finite element method
applied to the design and analysis of real grounding systems in steady-state conditions. The
numerical results were compared to the analytical and semi-empirical methods and the in-
locus measurements in order to study the feasibility and applicability of the finite element
method to grounding systems.
This work also addresses the soil and its resistivity, the most simple grounding techniques
and its formulation, analytical, semi-empirical and accordingly to the IEEE Std 80
Standard. This brief introduction is necessary due to the comparisons done in the further
chapters.
The finite element method is explained in details, from its formulation to its practical
applications, for example, the geometry and mesh generation. These steps were
accomplished with free software called GMSH.
A modern technique (PML, Perfectly Matched Layer) was employed to minimize the errors
due to the domain truncation. The simulations were carried with the GROUND 3D solver
from the LMAG Laboratory.
The authors used data from real substations, from design data to in-locus measurements, in
order to compare the design methods described in this work. At the end, the feasibility of
the finite element method applied to grounding systems is discussed.
Keywords: Electromagnetism, Finite Element Method, Grounding, Power Systems.

vi

SUMÁRIO
1. Introdução................................................................................................................................................... 1
2. Solo............................................................................................................................................................. 5
2.1 A resistividade do solo......................................................................................................................... 5
2.2 Medida de Resistividade e Estratificação do Solo ............................................................................... 9
3. Métodos Analíticos................................................................................................................................... 12
3.1 Resistência de Hastes Verticais.......................................................................................................... 13
3.2 Resistência de condutores dispostos horizontalmente........................................................................ 15
3.3 Resistência de uma malha de aterramento segundo a IEEE Std 80.................................................... 18
4. Método dos Elementos Finitos ................................................................................................................. 20
4.1 Métodos Numéricos para Eletromagnetismo ..................................................................................... 20
4.2 Aplicação do MEF em Sistemas de Aterramento............................................................................... 24
4.2.1 Formulação Matemática ........................................................................................................... 24
4.2.2 Divisão do Domínio de Estudo................................................................................................. 27
4.2.3 Funções Interpoladoras e Funções de Forma............................................................................ 29
4.2.4 Formulação Matricial do Problema .......................................................................................... 31
4.2.5 A Matriz Global e a Potência Dissipada................................................................................... 33
4.2.6 A Solução do Sistema............................................................................................................... 34
4.2.7 Resistência do Sistema de Aterramento.................................................................................... 35
4.3 PML (Perfectly Matched Layers)....................................................................................................... 36
4.4 GMSH................................................................................................................................................ 40
5. Aplicações e Resultados ........................................................................................................................... 44
5.1 Comparação com Métodos Analíticos ............................................................................................... 45
5.2 Comparação com o Método da Norma IEEE Std 80.......................................................................... 49
5.3 Comparação com uma Malha Real .................................................................................................... 52
5.4 Resumo das Comparações.................................................................................................................. 55
6. Conclusões................................................................................................................................................ 57
7. Bibliografia............................................................................................................................................... 61

vii

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Ilustração 2-1 – principais grupos minerais – fonte: Wikipedia (www.wikipedia.org)...................................... 6
Ilustração 2-2 – Método de Wenner ................................................................................................................... 9
Ilustração 3-1 – distribuição das equipotenciais em uma haste simples ........................................................... 13
Ilustração 3-2 – condutor disposto horizontalmente......................................................................................... 15
Ilustração 3-3 condutores dispostos em L e em cruz........................................................................................ 16
Ilustração 3-4 – parâmetros geométricos de uma malha retangular.................................................................. 18
Ilustração 4-1 domínio de estudo truncado....................................................................................................... 25
Ilustração 4-2 elementos típicos para o método dos elementos finitos............................................................. 28
Ilustração 4-3 truncamento do domínio por material absorvedor anisotrópico PML....................................... 37
Ilustração 4-4 – geração da geometria.............................................................................................................. 41
Ilustração 4-5 – geração da malha .................................................................................................................... 41
Ilustração 4-6 – adensamento de volumes nos pólos e no entreferro ............................................................... 41
Ilustração 4-7 – distribuição de pressão nas palhetas de um estágio de uma turbina para geração
termoelétrica. .................................................................................................................................................... 42
Ilustração 4-8 – geometria criada no Gmsh e sua malha de elementos finitos ................................................. 43
Ilustração 5-1 – distribuição do potencial elétrico para o caso da haste delgada de 32 m, ρ = 450 Ω.m e r = 4
mm.................................................................................................................................................................... 46
Ilustração 5-2 – distribuição de potencial elétrico para quarto casos que possuem solução analítica .............. 48
Ilustração 5-3 – geometria da malha utilizada na comparação do MEF com a norma IEEE Std 80 ............... 49
Ilustração 5-4– distribuição de potencial para os seis perfis de solo para a malha 16 x 16 m.......................... 51
Ilustração 5-5 - geometria da malha de aterramento simulada neste trabalho.................................................. 52
Ilustração 5-6 – distribuição de potencial elétrico na malha............................................................................. 54
Ilustração 5-7 – distribuição de potencial ao longo de uma diagonal da malha ............................................... 54

LISTA DE TABELAS

Tabela 2-1 – Resistividade para alguns tipos de solo......................................................................................... 7
Tabela 2-2 – resistividade de um solo arenoso para diversos índices de umidade ............................................. 7
Tabela 2-3 – resitividade de um solo arenoso úmido para diversas temperaturas .............................................. 7
Tabela 3-1 – comparação entre geometrias ...................................................................................................... 17
Tabela 4-1– Equações para o eletromagnetismo geral e eletrocinética nas suas formas diferenciais............... 24
Tabela 5-1 comparação de métodos para uma haste de 32 m de comprimento, ρ
a
= 450 Ω.m e r = 4 mm...... 45
Tabela 5-2 – comparação de métodos para quatro casos analíticos.................................................................. 48
Tabela 5-3 – comparação do MEF com a norma IEEE Std 80 para a malha 16 x 16 m................................... 50
Tabela 5-4 – comparação de métodos para a malha de uma subestação típica, ρ
a
= 450 Ω.m e r = 4 mm....... 53


viii

LISTA DE SÍMBOLOS

a parâmetro do PML R
h
resistência de terra da haste [Ω]
A
m
área ocupada pela malha [m²] R
m
resistência de terra da malha [Ω]
B densidade de fluxo magnético [Wb/m²] ou [T] r raio do condutor [m]
d distância até a haste [m] s parâmetro de “esticamento” das coordenadas
D deslocamento [C/m²] t tempo [s]
E campo elétrico [V/m] V
ei
potencial no nó i do elemento e
G matriz global V potencial elétrico [V]
G
ij
coeficiente da matriz global x,y,z coordenadas cartesianas
H campo magnético [A/m] ρ
a
resistividade aparente do solo [Ω.m]
h
m
profundidade da malha [m] ρ
1
resistividade da primeira camada [Ω.m]
I corrente de defeito [A] ρ
2
resistividade da segunda camada [Ω.m]
J densidade de corrente de condução [A/m²] ρ densidade volumétrica de carga [C/m³]
L comprimento da haste [m] σ condutividade elétrica [S/m]
L
t
comprimento total de cabos da malha [m] Ω domínio de estudo
n número de nós do elemento Г
D
fronteira sujeita à condição de Dirichlet
N número de elementos da malha Г
N
fronteira sujeita à condição de von Neumann
n vetor normal à superfície α
i
função de forma do elemento
p profundidade [m] σ tensor de condutividade elétrica [S/m]
P
e
potência dissipada no elemento e [W] Λ matriz de transformação do domínio
p
e
densidade de potência dissipada no elemento e
[W/m³]


Índices:

e - elemento

ABREVIATURAS

GMSH programa gerador de malhas de elementos finitos
ICCG Incomplete Cholesky Conjugated Gradients – Método dos Gradientes Conjugados por
Decomposição Incompleta de Cholesky
LMAG Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado Prof. Dr. Áurio Gilberto Falcone
MEF Método dos Elementos Finitos
MDF Método das Diferenças Finitas
MRT Monofásico com Retorno pela Terra
PML Perfect Matched Layers
TLM Transmission Line Method (Método das Linhas de Transmissão)

1

1. INTRODUÇÃO


Os sistemas elétricos de potência têm por principal função conduzir largas quantidades
de energia das usinas de geração até os grandes centros consumidores sob a forma de
eletricidade. Em razão da resistividade dos condutores que transportam essa energia, há
perdas no sistema de transmissão e distribuição e para reduzi-las os níveis de tensão elétrica
que os sistemas operam são elevadíssimos.
Os níveis de tensão, mesmo os mais baixos como o do sistema de distribuição,
representam uma ameaça à vida humana e essa é a principal razão da existência dos
sistemas de aterramento. Tais sistemas permitem a condução adequada das correntes de
falta ao solo, fazendo com que os seres humanos fiquem sujeitos a distribuições de
potenciais elétricos aceitáveis, que não lhes causem danos. Porém, essa não é a única razão
que justifica a necessidade do aterramento. Há muitos outros motivos que justificam sua
necessidade, como a proteção de equipamentos elétricos, conduzir as descargas
atmosféricas para a terra, prover caminho para as correntes de falta, prover um caminho de
retorno de corrente nos sistemas MRT e, também, melhorar a sensibilidade dos
equipamentos de proteção de forma a melhor proteger os circuitos.
Há tempos, os projetos das malhas de aterramento têm sido calculados de acordo com
normas específicas, utilizando-se de modelos bem simplificados do solo, tabelas e equações
semi-empíricas que foram compiladas ao longo dos anos. Tais modelos não prevêem a real
distribuição de potencial ao longo do solo, não lidam com geometrias complexas e por
muitas vezes, em virtude das simplificações assumidas, provêem resultados de acuracidade
duvidosa. Contudo, isso não significa, necessariamente, que esses métodos não sejam
aplicáveis, porém há de se reconhecer suas severas limitações e buscar outros métodos que
a complementem. Surge então a idéia do método numérico.
O vertiginoso crescimento da capacidade computacional nas últimas décadas
possibilitou a resolução numérica de muitos problemas práticos de engenharia, e não foi
diferente com os sistemas de aterramento. Há cerca de duas décadas, o Laboratório de
2

Eletromagnetismo Aplicado (LMAG) da Escola Politécnica da USP, deu um grande passo
ao criar ferramentas computacionais para a resolução de problemas eletromagnéticos. Em
particular, esse laboratório foi pioneiro na aplicação de métodos numéricos para sistemas
de aterramento, tendo contribuído com inúmeros artigos de relevância internacional.
O método numérico permite que qualquer geometria seja tratada, simples ou complexa,
desde que não se extrapole o limite da memória do computador. Essa limitação ocorre em
virtude da natureza do método, pois é impossível retratar computacionalmente um domínio
de estudo infinito. Adicionalmente, o método numérico resolve os campos elétricos e
magnéticos em inúmeros pontos do domínio de estudo, o que é de especial interesse para os
problemas de aterramento. Nesses sistemas, a distribuição de potencial elétrico na
superfície do solo determina a máxima diferença de potencial que estaria sujeita uma
pessoa na subestação quando da ocorrência de uma falta a terra. Por exemplo, os potenciais
de toque e de passo são parâmetros de segurança importantíssimos que tomam parte no
projeto de uma subestação. Essas duas vantagens tornam atrativo o emprego do método
numérico na análise e projeto de um sistema de aterramento.
Ainda que os métodos numéricos sejam mais generalistas, eles possuem limitações que
restringem a sua aplicação indiscriminada. A capacidade de memória talvez seja a maior
limitação do modelo numérico, pois quanto mais pontos forem analisados dentro de um
domínio, menores serão os erros de discretização. Além disso, a memória limita o tamanho
do domínio de estudo, causando erros de truncamento. Outra grande limitação é a
capacidade de processamento, pois as equações são geralmente muito complexas e tomam
muito tempo para serem resolvidas. Há ainda o fato da maioria das rotinas serem iterativas,
o que aumenta ainda mais o tempo de processamento. Não é de se estranhar que, por muitas
vezes, se leve muitas horas até uma simulação ser concluída.
Alguns métodos numéricos, como o de elementos finitos, exigem que o domínio de
estudo seja dividido em pequenos volumes, dentro dos quais serão resolvidas as equações
diferenciais que regem o modelo. O processo dessa divisão, dita criação da malha de
elementos finitos, toma um tempo considerável, mesmo que gerada automaticamente. As
características dessa malha podem influenciar significativamente os resultados, a ponto de
uma malha ruim gerar resultados inutilizáveis. Este é outro ponto importantíssimo a ser
3

levado em consideração: a ferramenta numérica por si só não é eficiente na solução dos
problemas, cabe ao usuário saber utilizá-la adequadamente e também cabe a ele interpretar
os resultados e julgar se são aplicáveis ou não.
Nestes últimos parágrafos pretendeu-se mostrar que não há método e nem modelo
perfeito, cada qual com suas vantagens e limitações. Apesar deste trabalho se concentrar
nos modelos numéricos, em momento algum se pode afirmar que eles são superiores aos
métodos analíticos e experimentais. A justificativa deste trabalho é demonstrar que o
método numérico é aplicável e conveniente a síntese e a análise de sistemas de aterramento,
principalmente aqueles com geometrias complexas.
Neste trabalho, nos próximos capítulos, também se demonstra que há outros parâmetros
importantíssimos em um bom projeto, como a determinação da faixa de valores que a
resistividade do solo pode assumir. Pode-se até dizer que de nada servem os melhores
métodos sem os melhores modelos. O solo é complexo e seu modelo é por demasiado
simplificado e, apesar de não ser o foco deste trabalho, um capítulo inteiro foi dedicado ao
seu estudo, sua modelagem e a sua medição.
O capítulo 3 trata muito brevemente dos métodos analíticos e semi-empíricos que são
utilizados nos projetos de aterramento, para que o método numérico possa ser validado. De
certa forma, todo modelo numérico deve ser calibrado, testado e comparado com modelos
exatos, para que se tenha o mínimo de confiança nos resultados. As equações analíticas
serão listadas sem alguma demonstração formal, pois não faz parte do escopo.
O capítulo 4 discorre sobre os quatro principais métodos numéricos utilizados na
solução de problemas eletromagnéticos e demonstra-se, brevemente e sem muita
formalidade, que o método dos elementos finitos (MEF) é o mais adequado para o estudo
do aterramento em regime estacionário, representativo para baixas freqüências. Nota-se que
quase todos os estudos numéricos de sistemas de aterramento elétrico se utilizam do MEF,
salvo exceções de estudos em altas-freqüências ou transientes no domínio do tempo.
Depois, retoma-se o método dos elementos finitos, demonstrando sua fundamentação
matemática e sua implantação sob a forma de rotinas de computador. Além disso, comenta-
4

se também da otimização do processamento, tomando partido da esparsidade da matriz
global. Então se aborda a aplicação do PML – Perfect Matched Layer – um artifício
matemático que reduz drasticamente os erros devido ao truncamento do domínio. Discute-
se também a utilização do GMSH, aplicativo livre para geração de malhas, pré e pós-
processamento dos resultados.
No capítulo 5 o MEF é validado com modelos analíticos e então aplicado a malhas de
aterramento reais de subestações de grandes indústrias e usinas hidroelétricas. Comparam-
se então os resultados obtidos numericamente com os cálculos analíticos e semi-empíricos.
Neste capítulo procura-se demonstrar a validade do método numérico na síntese e na
análise de sistemas de aterramento.
Por fim, o capítulo 6 traz as conclusões e comentários finais sobre a aplicação do MEF,
resume os resultados obtidos, indica possíveis complementações a este trabalho, discorre
sobre as dificuldades encontradas na implementação do método e pondera sobre a possível
utilização de softwares de otimização acoplados com o MEF para geração de malhas de
aterramento ótimas.
5

2. SOLO

2.1 A RESISTIVIDADE DO SOLO

A estrutura do solo afeta significativamente um sistema de aterramento elétrico. Além
disso, sua composição varia muito com o tempo e com o clima, fazendo com que os
parâmetros elétricos do aterramento se modifiquem. Um bom projeto deve levar essas
questões em consideração, para que todos os critérios de segurança sejam satisfeitos.
O tipo de solo, a umidade e a temperatura podem fazer com que sua resistividade
assuma valores tão baixos quanto alguns ohms-metro e cresça até valores tão altos quanto
dezenas de milhares de ohms-metro. Essa constante incerteza na resistividade do solo é um
dos grandes problemas no projeto de um sistema de aterramento elétrico e, mesmo através
de ensaios em campo, não se assegura que ela se manterá estável com o decorrer do tempo.
Soma-se a isso a natureza complexa do estudo dos campos eletromagnéticos e a ausência de
modelos bem representativos da condução elétrica no solo e tem-se então uma noção da
dificuldade de se projetar uma malha de aterramento. Portanto, para compreender como o
solo afeta o projeto de um sistema de aterramento elétrico, precisa-se compreender o que
vem a ser o solo em si. Neste capítulo, busca-se entender como é sua estrutura e
composição e, principalmente, entender os mecanismos de condução elétrica através dele.
Para as aplicações de engenharia elétrica, entende-se por solo como tudo o que está
abaixo do plano da terra, vulgarmente, tudo o que está debaixo de nossos pés. Porém, em
geologia, o solo se refere apenas à camada de material que se situa acima das rochas
consolidadas. Essas rochas surgiram a milhões de anos, e a ação da chuva e do vento da
atmosfera primitiva as lixiviaram causando um acúmulo de material, formando assim um
solo primitivo argiloso. O processo natural de lixiviação, decomposição, acumulação e
sedimentação fizeram com que a profundidade do solo aumentasse com o passar do tempo.
Formaram-se diversas camadas, cada qual com suas características químicas e físicas, como
a resistividade elétrica.
6

O solo contém três grupos minerais: a argila, que é composta por grãos muito finos e
que consegue reter muita água, o silte (ou limo) que é composto por grãos menos finos e
que retém pouca água e a areia, que são grãos espessos e que retém quase nada de água.
Como a água é o principal responsável pela condução elétrica no solo, é de se esperar que a
resistividade de um solo argiloso seja significativamente menor do que a de um solo siltoso
ou arenoso. Pedregulhos, seixos, cascalhos e brita, por exemplo, não conseguem reter água
alguma e por isso são utilizados em subestações para isolar as pessoas do contato direto
com o solo mais úmido. Além disso, as rochas consolidadas são praticamente impermeáveis
e conduzem quase nada. A Ilustração 2-1 mostra os grupos mineirais. A
Tabela 2-1 provê resistividades representativas para alguns tipos de solos com suas
umidades típicas.


Argila

Silte

Areia

Brita
Ilustração 2-1 – principais grupos minerais – fonte: Wikipedia (www.wikipedia.org)

7



Tabela 2-1 – Resistividade para alguns tipos de solo
Tipo de Solo Resistividade (Ω.m)
Lama 5 a 100
Terra de jardim com 50% de umidade 140
Terra de jardim com 20% de umidade 480
Argila seca 1 500 a 5 000
Argila com 40% de umidade 80
Argila com 20% de umidade 330
Areia seca 3 000 a 5 000
Calcário compacto 1 000 a 5 000
Granito 1 500 a 10 000
Fonte: Kindermann e Campagnolo [1]
A água presente no solo favorece a condução da corrente elétrica, pois os sais oriundos
das rochas e presentes no solo acabam por se dissolver, formando íons, um meio eletrolítico
favorável à condução da corrente iônica. Portanto é de se esperar que quanto maior a
umidade presente no solo, maior será a sua capacidade de condução de corrente elétrica. De
fato, qualquer tipo de solo conduz corrente alguma quando perfeitamente seco, porém
conduz razoavelmente quando um mínimo de umidade está presente.
A temperatura também influi significativamente na resistividade do solo, pois determina
a dispersão das ligações iônicas entre os grânulos de terra no solo. Quando a água congela a
resistividade cresce vertiginosamente com o decréscimo de temperatura. Para se ter uma
noção do efeito da umidade e da temperatura, toma-se como exemplo o solo arenoso, como
os dados apresentados na Tabela 2-2 e Tabela 2-3.

Tabela 2-2 – resistividade de um solo arenoso
para diversos índices de umidade
Umidade
(% do peso)
Resistividade (Ω.m)
de um solo arenoso
0,0 10 000 000
2,5 1 500
5,0 430
10,0 185
15,0 105
20,0 63
30,0 42
Fonte: Kindermann e Campagnolo [1]
Tabela 2-3 – resitividade de um solo arenoso
úmido para diversas temperaturas
Temperatura
(ºC)
Resistividade (Ω.m)
de um solo arenoso
20 72
10 99
0 (água) 138
0 (gelo) 300
-5 790
-15 3 300
Fonte: Kindermann e Campagnolo [1]

8

As tabelas Tabela 2-2 e Tabela 2-3 podem sugerir que a
Tabela 2-1 não tem utilidade alguma na previsão da resistividade do solo a ser estudado.
Em verdade, cada tipo de solo tem uma faixa de umidade e consequentemente uma faixa de
valores possíveis para a sua resitividade. Por exemplo, a argila é tão fina que naturalmente
sempre haverá um mínimo de umidade, ainda mais por estar localizada mais
profundamente, onde a variação de umidade e temperatura é menor, e sempre haverá um
máximo de umidade, pois além de certa quantidade de água esse solo saturaria. E isso
ocorre com todos os horizontes mais profundos. Porém, a concentração de água (umidade)
dos solos mais superficiais e sua temperatura variam significativamente com o clima, as
chuvas e o período do ano. Se o solo superficial tiver baixa capacidade de retenção de água,
como um solo arenoso, essas variações serão ainda maiores.
Esse capítulo procura demonstrar que sempre haverá uma grande incerteza quanto à
resistividade do solo e que o modelo de solo homogêneo, perfeitamente estratificado e
contínuo não tem correspondência real. Por melhor que seja o método aplicado a análise de
um sistema de aterramento, seja ele numérico ou analítico, ele jamais representará
fielmente o fenômeno físico e carregará consigo grandes incertezas que devem ser
enfatizadas. Contudo, até o presente momento não há outras modelos para o solo, pelo
menos que sejam implantáveis, e o modelo de camadas homogêneas, contínuas e
perfeitamente estratificadas satisfazem a necessidade dos projetos de aterramento, dando-
lhos uma visão qualitativa e, por vezes, quantitativa com ressalvas.
9

2.2 MEDIDA DE RESISTIVIDADE E ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO

Conhecer a resistividade do solo para várias profundidades é extremamente importante
para um bom projeto de um sistema de aterramento. As medições devem ser feitas na
região a ser construído o sistema, ao longo de várias direções e tomando-se várias medidas
de resistência, para obter uma média representativa e com o menor desvio possível.
Existem três experimentos largamente divulgados para se medir a resistividade do solo para
diversas profundidades: o método de Lee, o de Schlumberger-Palmer e o de Wenner. Este
último é sem dúvida alguma o mais utilizado, por ser muito prático e simples.
Para o método de Wenner, são necessárias quatro hastes com cerca de meio metro de
comprimento e de 10 a 15 mm de diâmetro, de material condutor, isenta de gordura ou
oxidação que possa atrapalhar o bom contato elétrico com o solo. Estas hastes devem ser
dispostas em linha reta ao longo do solo a ser estudado, enterradas à mesma profundidade,
entre 20 e 30 cm, e espaçadas de uma distância a, conforme mostrado na Ilustração 2-2.

Ilustração 2-2 – Método de Wenner
10

Injetando-se uma corrente através das hastes externas, mede-se a diferença de potencial
entre as duas hastes internas, e a partir da relação tensão por corrente injetada surge uma
resistência elétrica que é proporcional à resistividade do solo. Existem aparelhos próprios
para executar esse procedimento, os terrômetros, sendo o mais famoso deles o Megger.
A referência [1], demonstram a fórmula de Palmer para um solo homogêneo (de
resistividade constante), que relaciona os parâmetros geométricos e a resistência medida
com a resistividade do solo. A mesma referência simplifica a fórmula de Palmer para casos
em que o espaçamento é muito grande frente ao comprimento da hastes, que resulta na
Equação 2-1.
R a π ρ 2 = Equação 2-1
O método de Wenner não contempla apenas o caso de solo homogêneo. Na prática, solo
algum é dessa forma. Segundo [1], a resistividade obtida pelo método de Wenner é
representativa da resistividade do solo a uma profundidade igual ao espaçamento entre
hastes:
O método [de Wenner] considera que praticamente 58% da distribuição de corrente que passa entre
as hastes externas ocorre a uma profundidade igual ao espaçamento entre as hastes... A corrente
atinge uma profundidade maior, com uma área de dispersão grande, tendo, em conseqüência, um
efeito que pode ser desconsiderado. Portanto, para efeito do Método de Wenner, considera-se que o
valor da resistência elétrica lida no aparelho [terrômetro] é relativa a uma profundidade a do solo.
(Ref. [1], 1995, p. 21)

Para efeito de modelagem do sistema de aterramento, tanto analítica quanto numérica,
uma distribuição contínua e variável de resistividade em função da profundidade, como a
obtida através do método de Wenner, não se mostra prática. Costuma-se, então, a dividir o
solo em camadas de resistividade constante, representativas de certa faixa de profundidade.
O solo pode ser estratificado em quantas camadas forem necessárias, em geral não mais que
duas ou três, pois as camadas muito mais profundas que o sistema de aterramento tem
pouca influência sobre a resistividade aparente. A referência [1] demonstra vários métodos
de estratificação, os de duas camadas usando curvas, usando técnicas de otimização,
métodos de camada dupla simplificados, o método de Yokogawa e métodos para várias
camadas como o de Pirson. Não é escopo desse trabalho demonstrar algum método de
11

estratificação, basta apenas o leitor estar ciente de que é possível, adequado e recomendável
representar o solo em camadas de resistividade constante.
Em suma, conclui-se que a resistividade do solo depende de sua composição, da
temperatura e principalmente de sua umidade. Além disso, mesmo que a resistividade varie
ao longo da profundidade, é adequado modelar o solo em duas ou três camadas
representativas das profundidades de interesse.
12

3. MÉTODOS ANALÍTICOS


É muito comum na ciência construírem-se modelos complexos a partir de modelos
muito mais simples, bem conhecidos e validados. Com o advento da análise numérica, os
programas de cálculo de engenharia sempre são comparados com casos simples para que
possam ser validados. Se o cálculo numérico submetido às mesmas condições de contorno
que um cálculo analítico apresentar resultados totalmente diversos a este, então, nem ao
menos se pode confiar no método numérico. Portanto, comparar resultados numéricos com
os analíticos é um passo importante na validação de qualquer método numérico.Tendo isso
em vista, esse capítulo se dedica a apresentar os principais elementos de sistemas de
aterramento elétrico que possuem soluções analíticas, contudo, sem demonstrações formais.
Em geral, os sistemas de aterramentos são compostos por fios ou cabos condutores
dispostos horizontalmente ou verticalmente no solo. O comprimento, o diâmetro e a
disposição destes cabos no solo são parâmetros determinantes na dispersão das correntes e,
conseqüentemente, na resistência do sistema a terra e na distribuição de potencial ao longo
do solo. Em aterramentos de maiores dimensões, vários cabos são ligados entre si de forma
a construir uma malha de aterramento, uma geometria de cálculo significativamente mais
complexa. Os casos mais simples a serem abordados são:
Haste simples disposta verticalmente
Condutor enterrado horizontalmente
Dois condutores em ângulo reto dispostos horizontalmente
Dois condutores em cruz dispostos horizontalmente no solo
As soluções analíticas são deduzidas através da aplicação das leis de Maxwell e toma-se
vantagem da simetria dos casos analisados. Assume-se que as geometrias são compostas de
condutores cilíndricos, cujos comprimentos são significativamente maiores que seus
diâmetros. Além disso, os modelos analíticos supõem que através do sistema de
aterramentos é vista uma resistividade aparente do solo, como se o solo fosse homogêneo.
Esta simplificação é razoável quando o sistema de aterramento está todo contido dentro de
uma única camada de resistividade constante. Nestes modelos, pode-se levar em conta a
13

estratificação do solo em camadas corrigindo-se o valor da resistividade aparente para uma
profundidade de interesse. Em outras palavras, a resistividade aparente é unicamente um
artifício matemático para modelar o solo em questão
1
. Essas assunções são válidas, pois
grande parte da energia é dissipada muito proximamente ao sistema de aterramento, onde a
resistividade pode ser considerada constante.
3.1 RESISTÊNCIA DE HASTES VERTICAIS

Uma haste delgada enterrada verticalmente no solo é o sistema de aterramento mais
simples que existe. Este tipo de sistema é largamente utilizado em residências e em postes
para aterrar o neutro do secundário dos transformadores de distribuição.


Ilustração 3-1 – distribuição das equipotenciais em uma haste simples


1
Existem diversas formas para se encontrar a resistividade aparente do solo. Cita-se, por exemplo, a fórmula
de Hummel (Ref. [1]) para um solo estratificado em duas camadas.
14

A corrente injetada no topo da haste desce, se espalha pela superfície do condutor e se
propaga através do solo, formando superfícies equipotenciais elípticas que ao se
distanciarem da haste tornam-se cada vez mais esféricas. Nota-se que o campo elétrico
decresce muito rapidamente ao se distanciar da haste, isso reitera a afirmação de que grande
parte da energia dissipada se dá muito próximo da haste. As referências 1 e 2 descrevem a
equação para a resistência de uma única haste como:

− |
¹
|

\
|
= 1
4
2 r
L
n
L
R
a
h
l
π
ρ

Equação 3-1
Onde:
a
ρ é a resistividade aparente do solo [Ω.m]
L é o comprimento da haste [m]
r é o raio da haste [m]
A partir da Equação 3-1, nota-se que conforme se aumenta o comprimento da haste,
diminui-se sua resistência de aterramento. Porém, chega-se a um ponto que aumentar o
comprimento da haste já não é mais vantajoso, pois mesmo aumentando-se bastante o
comprimento da haste, a redução da resistência será muito pequena. Portanto há um
tamanho de haste economicamente ótimo para a maioria dos casos. Em geral, as hastes
comerciais têm entre 2,4 e 3,0 m de comprimento e de ½ a ¾ de polegada de diâmetro.
O caso da haste delgada também possui solução analítica para a distribuição de
potencial no solo, conforme mostra a equação 3-2.
( )
d
L d L
n
L
I
r V
a
+ +
=
2 2
2
l
π
ρ

Equação 3-2
Onde:
I é a corrente de defeito a fluir pela haste [A]
a
ρ é a resistividade aparente do solo [Ω.m]
L é o comprimento da haste [m]
d é a distância da haste [m]
15

3.2 RESISTÊNCIA DE CONDUTORES DISPOSTOS HORIZONTALMENTE

Várias hastes verticais podem ser interligadas de forma a reduzir a resistência do
sistema de aterramento. Em geral, essa ligação entre hastes é feita através de condutores
dispostos horizontalmente no solo a uma dada profundidade. Estes condutores de fato
contribuem ainda mais para a redução da resistência do sistema.
A interação mútua entre os condutores horizontais e os verticais é extremamente
complexa e não há solução analítica que contemple esse caso até o presente momento.
Porém, ainda assim, é interessante estudar o caso de condutores horizontais enterrados para
os fins de validação dos programas e para alguns casos práticos como a resistência de cabos
contra-peso de torres de transmissão.


Ilustração 3-2 – condutor disposto horizontalmente

16

Em [1], apresenta-se a seguinte equação para um condutor singelo enterrado no solo:

− + −
|
|
¹
|

\
|
= L l
L
p
rp
L
n
L
R
a
2 2
2
2
π
ρ

Equação 3-3
Onde:
a
ρ é a resistividade aparente do solo [Ω.m]
L é o comprimento do condutor [m]
r é o raio do condutor [m]
p é a profundidade [m]

Há também outras formas de se dispor condutores no solo. Por exemplo, dois
condutores formando um ângulo reto, ou então uma cruz. Como nas figuras abaixo. A
referência [1] propõe solução analítica para estes casos (Equação 3-4 e Equação 3-5).


Ilustração 3-3 condutores dispostos em L e em cruz


17

Equação para dois condutores enterrados horizontalmente em ângulo reto:

+ + −
|
|
¹
|

\
|
= L l
L
p
rp
L
n
L
R
a
4292 , 0 2373 , 0
4
2
π
ρ

Equação 3-4
Equação para dois condutores enterrados horizontalmente em cruz:

+ − +
|
|
¹
|

\
|
= L l
L
p
rp
L
n
L
R
a
284 , 4 526 , 1
4
2
π
ρ

Equação 3-5

A referência [1] ainda mostra que, dado um comprimento de cabo para ser enterrado
horizontalmente, a configuração de menor resistência é a do condutor singelo, seguido pelo
ângulo reto e depois pela cruz. Isso se explica em razão da interferência e da redução do
comprimento efetivo das pontas. De acordo com o exemplo da referência, dispõe-se de 60
m de um condutor com 6 mm de diâmetro, a ser enterrado a 60 cm de profundidade em um
solo com resistividade aparente de 1000 Ω.m. A Tabela 3-1 mostra os resultados.

Tabela 3-1 – comparação entre geometrias
Configuração Resistência [Ω.m]
Um único condutor 35,0
Dois condutores em ângulo reto 64,8
Dois condutores em cruz 73,2

Estes quatro sistemas de aterramento que possuem solução analítica serão utilizados
como base para a validação do programa de elementos finitos no final deste trabalho.
18

3.3 RESISTÊNCIA DE UMA MALHA DE ATERRAMENTO SEGUNDO A
IEEE STD 80

Em sistemas de potência, exige-se uma baixíssima resistência de terra, tanto por
critérios técnicos, relacionados à proteção do sistema, como também por critérios de
segurança a vida. Os sistemas de aterramento devem ser dimensionados de tal maneira que
a distribuição de potencial elétrico causado pela falta não torne um operador próximo
sujeito a tensões elevadas. Em outras palavras, a diferença de potencial entre suas
extremidades como mãos e pés, etc, não pode ultrapassar um valor crítico, acima do qual
causaria fibrilação do coração.
Para satisfazer as duas condições, a baixa resistência a terra e baixos potenciais de toque
e de passo, as subestações elétricas costumam utilizar uma malha de terra composta de
cabos horizontais em quadriculados e hastes verticais conectadas a alguns (ou todos) os nós
da malha. A Ilustração 3-4 ilustra uma típica malha de terra e seus parâmetros geométricos.
As malhas de terra são muito eficientes e econômicas, e são utilizadas em quase todas as
subestações.

Ilustração 3-4 – parâmetros geométricos de uma malha retangular.

19

Para a malha de terra não há solução analítica. Mesmo que se compusesse a malha
como a resistência paralela de vários condutores enterrados horizontalmente e hastes
verticais, o resultado seria significativamente menor do que o real em razão do desprezo
das intereferências. Logo, não há modelo analítico que possa representá-la. O que se faz
desde há muito tempo é utilizar uma fórmula semi-empírica, descrita na norma IEEE Std 80
[2]. De fato, as malhas das subestações utilizadas como exemplo neste trabalho foram
calculadas de acordo com esta norma. A norma cita a fórmula de Sverak para uma primeira
estimativa da resistência da malha.
Fórmula de Sverak:

|
|
¹
|

\
|
+
+ + =
m m m
t
a m
A h A
L
R
/ 20 1
1
1
20
1 1
ρ Equação 3-6
Onde:
R
m
é a resistência da malha
ρ
a
é a resistência aparente do solo
L
t
é o comprimento total de cabos e hastes
A
m
é a área ocupada pela malha
h
m
é a profundidade da malha

Neste capítulo, demonstraram-se as soluções analíticas para alguns sistemas simples de
aterramento feitos por condutores e hastes e o método proposto pela norma IEEE Std 80
para malhas de subestações. Várias páginas deste trabalho foram dedicadas a estas soluções
analíticas e semi-empíricas para que depois os resultados numéricos do programa possam
ser validados.
Aqui se encerram as discussões sobre métodos analíticos, semi-empíricos,
estratificação, medida e modelagem do solo, para dar lugar ao cerne deste trabalho: a
utilização dos métodos numéricos para o cálculo de sistemas de aterramento elétricos.
20

4. MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS


4.1 MÉTODOS NUMÉRICOS PARA ELETROMAGNETISMO

Os problemas de aterramento são típicos problemas de eletromagnetismo, que é uma
ciência regida por equações diferenciais vetoriais, e eles têm sido resolvidos
numericamente por três tipos de métodos [3]: os baseados em teoria de circuitos e linhas de
transmissão, aqueles baseados no cálculo de campos eletromagnéticos e os híbridos.
O método que se baseia na teoria de circuitos é o Método das Linhas de Transmissão ou
TLM (Transmission Line Method), que se utiliza da analogia existente entre as equações
que regem os campos eletromagnéticos e as equações de propagação de ondas em uma
linha de transmissão. Este método cria correspondência física ao substituir o domínio de
estudo por um reticulado de linhas de transmissão onde as correntes e tensões nos seus nós
representam os campos magnético e elétrico, respectivamente. As linhas de transmissão
podem ser a parâmetros concentrados ou distribuídos e o sistema é resolvido da mesma
forma que os sistemas elétricos de potência, através de matrizes de rede.
O TLM se baseia, também, no modelo de propagação de onda de Huygens. Dada uma
perturbação em um ponto qualquer do domínio de estudo, leva um tempo até que os outros
pontos tomem ciência. Isto aproxima ainda mais este modelo da realidade física. O TLM é
vantajoso ao lidar com situações que envolvam fenômenos de propagação (alta freqüência),
como uma descarga atmosférica, por exemplo. Porém, em baixas freqüências, o método
tende a ficar impreciso. O TLM tem algumas desvantagens, por exemplo, sua implantação
não é trivial. Além disso, é muito difícil de modelar meios anisotrópicos, o que torna muito
trabalhosa a implantação de PMLs. Este método foi utilizado raramente para simulação de
sistemas de aterramento em regime estacionário.
21

Os métodos com base na teoria eletromagnética são mais robustos que aqueles baseados
na teoria de circuitos, pois admitem menos hipóteses aproximadoras [3] e também há
também o fato de que são mais adequados a problemas em baixa frequência. Ainda assim,
há muitos métodos baseados na teoria eletromagnética e este trabalho discorrerá muito
brevemente sobre eles e suas aplicações.
Podem-se dividir os métodos numéricos para resolução de problemas de equações
diferenciais parciais, ou problemas de contorno, em duas grandes classes: métodos
integrais, ou de fronteira, e os métodos diferenciais, ou de domínio.
Os métodos de fronteira são voltados para a solução de equações integrais e tratam de
encontrar condições de contorno para estas equações que se adequem às condições de
contorno na fronteira. Numa etapa posterior, de pós-processamento, a distribuição interna
dos campos é determinada analiticamente através das equações integrais. Essa característica
peculiar dos métodos de fronteira faz com que eles sejam capazes de lidar com geometrias
infinitas ou semi-infinitas e, por essa razão, têm sido largamente utilizados em problemas
de antenas. O Método dos Momentos e o Método dos Elementos de Fronteira (ou
Contorno) são exemplos clássicos de métodos integrais.
Há dois grandes inconvenientes nestes métodos de fronteira que limitam a sua
aplicação. Um deles é a limitação a problemas cujos meios são homogêneos, isotrópicos e
lineares e o outro é que esses métodos levam a matrizes cheias. Essas matrizes crescem
com o quadrado do tamanho do problema e passam a exigir grandes quantidades de
memória para problemas relativamente pequenos. Já os métodos de domínio levam a
matrizes esparsas, normalmente de bandas, que crescem quase que linearmente com o
tamanho do problema. Por essa razão os métodos de domínio são geralmente muito mais
eficientes que os de fronteira para problemas relativamente grandes e, portanto, têm mais
aplicações a estudos eletromagnéticos, em especial ao estudo do aterramento.
Os métodos diferenciais partem da discretização do domínio de estudo em uma malha
para então discretizar as equações diferenciais que regem o problema, de forma que elas
possam ser escritas como equações algébricas lineares, passíveis de serem resolvidas por
um computador. Essas equações lineares podem ser solucionadas iterativamente, como
22

pelos métodos de Gauss-Seidel, ou então deterministicamente como pelo método da
Eliminação de Gauss com pivotamento, etc.
Dos diversos métodos de domínio aplicáveis a problemas eletromagnéticos, dois são de
grande interesse para o estudo de aterramentos: o Método das Diferenças Finitas (MDF) e o
Método dos Elementos Finitos (MEF).
O Método das Diferenças Finitas divide o domínio a ser estudado em uma malha
estruturada de nós, aproxima a equação diferencial que rege o fenômeno e as condições de
contorno em equações lineares algébricas mais simples (chamadas equações de diferenças
finitas) e então resolve esse sistema algébrico de equações aproximadas. Se o número de
nós da malha for suficientemente grande, isto é, se a distância entre os nós for muito
pequena, no limite a solução das equações algébricas tenderá a ser a mesma das equações
diferenciais.
Quando se trata de métodos numéricos para eletromagnetismo, o MDF é geralmente
utilizado para se resolver problemas no domínio do tempo, o tão chamado FDTD (Finite
Difference Time Domain). É um método direto, de formulação muito simples e fácil de ser
implantado. As equações de Maxwell são discretizadas a partir de aproximações de
diferenças centrais em relação às derivadas no tempo e no espaço. Logo, essas equações
algébricas de diferenças finitas (não mais equações parciais diferenciais), são resolvidas
progressivamente para cada instante de tempo, partindo-se de um instante zero e condições
iniciais conhecidas. Por exemplo, para um dado instante de tempo, num primeiro momento
resolve-se o campo elétrico ao longo do domínio de estudo e num segundo momento
resolve-se então o campo magnético. Então, parte-se para o próximo instante de tempo.
Repetem-se os cálculos até que o período a ser analisado se complete ou então até que o
sistema atinja o regime permanente.
Um dos pontos mais fortes do FDTD é que ele pode abranger uma gama de freqüências
muito grande, desde freqüências muito baixas da ordem de alguns Hertz a freqüências
elevadíssimas da ordem dos GHz. Esse método tem sido utilizado com sucesso na
resolução de problemas de aterramento onde se está interessado no transitório, como a
condução de uma descarga atmosférica para a terra. Porém, quando freqüências muito altas
23

estão presentes, o espaçamento entre os nós, tanto no espaço quanto no tempo, deve ser
consideravelmente pequeno, para que pequenos comprimentos de onda possam ser
devidamente representados. Isso cria malhas de tamanhos exorbitantes, muito pesadas
computacionalmente e que pode levar a tempos proibitivos de simulação.
Outra grande desvantagem do MDF é que para facilitar a aproximação por diferenças
finitas, normalmente adota-se uma malha espacial reticulada (estruturada), feita através
cubos. Este tipo de malha não é conveniente para algumas geometrias curvas, que são
muito comuns, como cilindros (modelo de um condutor, por exemplo). Esse é o fato
gerador de muitos erros do método, exigindo uma discretização consideravelmente mais
fina para tentar acompanhar os contornos mais curvos. Apesar disso, o MDF em especial o
FDTD, tem sido utilizado para simulação de transitórios eletromagnéticos em sistemas de
aterramento.
O método dos elementos finitos (MEF) baseia-se na discretização do domínio de estudo
em diversos subdomínios menores (ou elementos), onde os parâmetros a serem analisados
em seu interior, como tensões, temperaturas, potenciais, etc., são aproximados por alguma
função interpoladora a partir dos valores em seus nós. Há formulações mais avançadas do
MEF que utiliza elementos de arestas, ao invés de elementos de nós, que têm sido
empregados com muito sucesso por [3] em problemas de altas frequencias que envolvem
propagação. Neste trabalho, limitar-se-á apenas ao MEF nodal.
Ainda que o MEF seja mais complexo, menos intuitivo, conceitualmente mais
elaborado e significativamente mais difícil de ser implantado que o MDF, ele é
consideravelmente mais versátil que este, pois os elementos finitos não precisam ser
necessariamente iguais. Isto faz com que domínios de estudo com geometrias complexas
possam ser analisados com maior precisão. Além disso, podem-se estabelecer mais
elementos em regiões de interesse, onde os campos variam rapidamente ou o raio de
curvatura é pequeno, e diminuir o número de elementos em regiões distantes.
24

4.2 APLICAÇÃO DO MEF EM SISTEMAS DE ATERRAMENTO



4.2.1 Formulação Matemática

Nos jargões do eletromagnetismo, o estudo do aterramento elétrico em regime
permanente se caracteriza como um problema de eletrocinética. De outra maneira, trata-se
de um problema em que cargas elétricas em movimento constante geram campos elétricos e
magnéticos invariantes no tempo.
As equações que regem a eletrocinética podem ser facilmente derivadas a partir das
equações de Maxwell ao se levar suas derivadas parciais com relação ao tempo a zero e
assumir que a carga líquida em um ponto é nula. A tabela X abaixo resume as equações de
Maxwell em sua forma geral e para o caso particular da eletrocinética.

Tabela 4-1– Equações para o eletromagnetismo geral e eletrocinética nas suas formas diferenciais
Forma Geral Eletrocinética
Lei de Faraday
t
B
E


− = × ∇
r
r
0 = × ∇ E
r

Lei de Ampère
t
D
J H


+ = × ∇
r
r r
J H
r r
= × ∇
Lei de Gauss
ρ = ⋅ ∇ D
r

0 = ⋅ ∇ D
r

Lei de Gauss para o Magnetismo
0 = ⋅ ∇ B
r
0 = ⋅ ∇ B
r

Lei da Continuidade
t
J


− = ⋅ ∇
ρ
r

0 = ⋅ ∇ J
r

Relação Constitutiva
E J
r r
σ = E J
r r
σ =
25

A lei da continuidade assume a indestrutibilidade da carga, pois se o fluxo líquido de
cargas em um dado ponto do espaço não for nulo, então este ponto estará acumulando
cargas elétricas. Porém, no regime eletrocinético, a quantidade de carga em um ponto não
varia com o tempo, em outras palavras, não há acumulo de cargas. Por sua vez, a equação
constitutiva relaciona uma propriedade física do material a variáveis elétricas.
A partir da lei da continuidade e da relação constitutiva deduz-se a equação do
problema deste estudo. Para tanto, relaciona-se o campo elétrico com o potencial elétrico V:
( ) V E J ∇ − = = σ σ
r r

( ) 0
2
= ∇ − = ∇ − ⋅ ∇ = ⋅ ∇ V V J σ σ
r

Destas relações, fica claro que a equação que rege o aterramento elétrico em regime
permanente é a equação conservativa de Laplace. Há também outras condições de fronteira
que devem ser obedecidas para garantir a unicidade à solução. A superfície fechada
N D
Γ + Γ = Γ que delimita o domínio de estudo Ω é dividida em duas fronteiras, onde se
aplicam diferentes condições de contorno, como mostrado na Ilustração 4-1.

Γ
N
Γ
D
Γ
D

Ilustração 4-1 domínio de estudo truncado

26

A fronteira
D
Γ , que foi truncada, deve representar o ponto de terra remoto (infinito) e,
portanto, nela se impõe potencial elétrico nulo. Em tese, o potencial elétrico a uma
distância finita da fonte de campo tem um valor finito não nulo, porém é razoável assumir
que o potencial
0
V neste ponto de fronteira seja praticamente zero desde que ele esteja a
uma distância razoável da fonte de campo. A essa imposição denomina-se condição de
Dirichlet.
Quanto à fronteira
N
Γ , que representa a superfície da subestação, deve-se impor a
condição de von Neumann, pois se assume que não há corrente elétrica atravessando-a. É
uma aproximação muito conveniente e adequada, pois se considera que o ar é um isolante
perfeito. Essa hipótese também é muito razoável, já que a condutividade do ar é
significativamente menor do que a do solo comum.
Em suma, as equações X, Y e Z resumem a formulação matemática que governa o
aterramento elétrico em regime estacionário.
0
2
= ∇ V σ em Ω Equação 4-1
0
V V = em
D
Γ Equação 4-2
0 ˆ = ⋅ n J
r
, ou 0 ˆ = ⋅ ∇ n V , ou ainda 0
ˆ
=


n
V
em
N
Γ Equação 4-3
Onde nˆ é um vetor normal à fronteira de superfície.
Então o método dos elementos finitos é usado para se resolver estas equações
simultaneamente e este processo se inicia pela divisão do domínio de estudo.

27

4.2.2 Divisão do Domínio de Estudo

O primeiro passo na implantação do MEF para se resolver um problema consiste na
divisão do domínio de estudo em regiões menores, em elementos, de tal forma que eles
sejam conectados em seus vértices (nós). O MEF calculará o potencial elétrico nos nós da
malha criada, e o aproximará dentro de um elemento através de uma função que será
discutida mais adiante. O importante neste primeiro momento é que a malha seja adequada
ao tipo de problema a ser resolvido. Isso significa que deve haver mais elementos em
regiões com maior variação (gradiente) de potencial e elementos menores nas regiões de
pequeno raio de curvatura para se conformarem melhor ao perímetro, de forma melhorar a
precisão numérica. No caso do estudo de aterramento, isso significa que deve haver muitos
elementos no entorno dos condutores, tanto pelo fato geométrico quanto pela magnitude do
campo elétrico.
O processo de divisão do domínio de estudo pode ser feito manualmente, o que é muito
trabalhoso para geometrias muito grandes e complexas, ou, como é mais comum, através de
um gerador de malha que divide automaticamente o domínio a ser estudado. Neste trabalho,
os autores utilizaram o GMSH [7], um software livre, para criar as malhas, que será citado
mais adiante.
Há diversos tipos de malhas, como as malhas estruturadas, que possuem regularidade na
formação de seus elementos e as malhas não estruturadas, muito irregulares, mas que se
conformam melhor em geometrias mais complexas. Podem-se utilizar os mais diversos
elementos para se discretizar o domínio, cada qual com suas características. O tipo de
elemento influi no tempo de processamento do problema e na precisão dos resultados. A
Ilustração 4-2 mostra alguns elementos.
28

Elementos bidimensionais
Elementos tridimensionais
Elemento unidimensional

Ilustração 4-2 elementos típicos para o método dos elementos finitos

O GROUND-3D utiliza elementos de uma, duas e três dimensões. Os elementos
unidimensionais são usados para representar os condutores da malha, já que seus
comprimentos são muito mais significativos que seus diâmetros. Os elementos
bidimensionais são triângulos usados para representar camadas cuja espessura são
insignificantes frente ao tamanho do domínio de estudo, como a camada superficial de brita
da subestação. Por fim, os elementos tridimensionais são prismas de base triangular usados
para representar o solo em si.
29

4.2.3 Funções Interpoladoras e Funções de Forma

Depois de se ter definido a malha, define-se uma equação que aproxime o potencial
elétrico ao longo de um elemento. Essas equações são tipicamente funções polinomiais, que
são mais simples de derivar. Essas funções interpolam o valor do potencial elétrico dentro
do elemento a partir dos potenciais em seus nós. Dessa forma, ao se somar as funções
interpoladoras de todos os elementos do domínio têm-se uma aproximação do parâmetro de
estudo (potencial elétrico) ao longo de todo o domínio (solo).
Então, se N for o número total de elementos no domínio, ( ) z y x V
e
, , for uma função
interpoladora do potencial elétrico para o elemento e, tendo um valor qualquer dentro desse
elemento e valendo zero fora dele, então se pode escrever que o potencial elétrico em
qualquer ponto do domínio ( ) z y x V , , como:
( ) ( )

=

N
e
e
z y x V z y x V
1
, , , , Equação 4-4

A função interpoladora ( ) z y x V
e
, , pode assumir diversas formas. Ela define em boa
parte a precisão da simulação e para cada tipo de elemento há uma função interpoladora
adequada. Por exemplo, para um elemento tetraédrico que possui apenas 4 nós (em seus
vértices), uma função interpoladora típica é:
( ) dz cy bx a y x V
e
+ + + = ,
Equação 4-5
A Equação 4-5 é chamada de função interpoladora de primeira ordem e é utilizada em
elementos de primeira ordem, porque os parâmetros x, y e z são elevados à unidade. O
triângulo de três nós e o quadrilátero de quatro nós da Ilustração 4-2 são exemplos de
elementos de primeira ordem.
Em algumas aplicações, onde se exige maior precisão dos cálculos, elementos de
segunda ordem são utilizados, como o triângulo de seis nós e o quadrilátero de oito nós da
Ilustração 4-2. Nestes elementos são utilizadas funções interpoladoras que possuem termos
30

quadráticos de forma a possibilitar uma melhor interpolação. Porém, em razão do maior
número de nós na malha, o tempo de simulação aumenta consideravelmente, a despeito da
maior precisão obtida.
Para os elementos lineares, que possuem uma função interpoladora como a da Equação
4-5, o gradiente de potencial ao longo do elemento é constante, isto é, o campo elétrico ao
longo do elemento é constante:
z d y c x b V ˆ ˆ ˆ + + = ∇
Equação 4-6
z E y E x E E
z y x
ˆ ˆ ˆ + + =
r

Equação 4-7
Os coeficientes de interpolação para um elemento qualquer são determinados em função
dos potenciais elétricos nos nós deste mesmo elemento. Por um artifício matemático, pode-
se escrever a interpolação no interior do elemento como um somatório dos potenciais
elétricos nodais ponderados por uma função ( ) z y x
i
, , α . Mais adiante, essas funções serão
úteis para simplificar o problema de se unir os elementos em uma única equação global.
( ) ( )

=
=
n
i
ei i e
V z y x y x V
1
, , , α
Equação 4-8
A esses fatores de ponderação denominam-se funções de forma do elemento (element
shape function) e eles nada mais são que funções de interpolação de ordem igual à do
elemento. Essas funções de forma têm algumas características especiais, que reforçam a sua
natureza ponderadora: elas assumem a unidade quando o ponto de interesse (x,y,z) coincide
com o nó a que ela se refere e assume zero nos outros nós.
31

4.2.4 Formulação Matricial do Problema

O método de Rayleigh-Ritz, que se baseia no cálculo variacional, por esta razão também
é conhecido como método variacional, resolve um problema de contorno ao aproximar a
solução com uma combinação linear finita de funções mais simples. O cálculo variacional
tem por objetivo otimizar (normalmente minimizar) uma classe especial de funções
denomidas funcionais.
A equação de Laplace, que governa o problema do aterramento elétrico no regime
estacionário, é conservativa e sua solução representa um estado de mínima energia para o
sistema. O problema então pode ser resolvido se houver uma forma algébrica de se
representar a energia do sistema em função dos potenciais nodais e, então, determinar a
combinação de potenciais que minimiza essa energia, mas que também satisfaça as
condições de contorno.
Um funcional para a equação de Laplace que rege o problema é aquele que descreve a
energia como aquela dissipada por efeito Joule no solo devido à circulação de corrente.
Partindo-se da interpretação física desse funcional, escreve-se a densidade volumétrica de
potência dissipada como função da condutividade do solo e do quadrado da magnitude do
campo elétrico local.
2
e e e e e e
E E E E J p
r r r r r
σ σ = ⋅ = ⋅ =
Equação 4-9
Integrando-se a densidade volumétrica de potência dissipada por efeito Joule ao longo
de todo o elemento, encontra-se a potência dissipada pelo próprio elemento:
∫∫ ∫∫
∇ = = dS V dS E P
e e e
2
2
σ σ
r

Equação 4-10
Calculando-se o gradiente do potencial V, obtém-se o campo elétrico para qualquer
ponto de interesse e, dessa forma, a potência dissipada por efeito Joule. Partindo-se das
aproximações para o potencial elétrico no domínio de estudo, vem:
32

( ) ( )
∑ ∑
= =
∇ =

∇ = ∇ =
3
1
3
1
, , , ,
i
i ei
i
i ei e e
z y x V z y x V V E α α
r

Equação 4-11
Substituindo-se a Equação 4-11 na Equação 4-10, encontra-se uma forma de se
expressar a potência dissipada no interior do elemento como uma função dos potenciais
nodais.
[ ]
ej
i j
j i ei e
V dS V P
∑∑

= =
∇ ⋅ ∇ =
3
1
3
1
α α σ
Equação 4-12
Definindo-se o termo entre colchetes como:
( )

∇ ⋅ ∇ = dS G
j i
e
ij
α α σ
Equação 4-13
Pode-se representar a potência dissipada por efeito Joule no interior de um elemento na
forma matricial, como função das tensões nodais:
[ ]
( )
[ ][ ]
e
e t
e e
V G V P =
Equação 4-14
Onde t denota a transposição do vetor de potenciais elétricos e
( )
[ ]
e
G é a matriz dos
coeficientes do elemento, também conhecida como matriz de rigidez, devido à aplicação
pioneira do MEF em análises estruturais. A ordem (tamanho) dessa matriz depende do tipo
de elemento usado e sua ordem é igual ao número de nós do elemento.
Os gradientes das funções de forma, por serem polinômios, são fáceis de calcular e
implantar computacionalmente. Logo, tem-se a potência dissipada em um elemento em
função dos potenciais nodais V
e
. O próximo passo é montar os elementos finitos num
processo conhecido como assemblagem (do inglês assembly), relacionando as equações de
todos os elementos em um único sistema global. Por conta disso, a matriz desse sistema é
denominada matriz global, e é dela que se trata a próxima seção.

33

4.2.5 A Matriz Global e a Potência Dissipada

Assim que os coeficientes das matrizes de todos os elementos forem calculados,
prossegue-se para a montagem da matriz global. A partir deste ponto, todas as numerações
dos nós serão globais e não mais locais, como havia sido feito até então. A matriz global
[ ] G é obtida a partir do fato que a distribuição de potencial elétrico deve ser contínua entre
as fronteiras dos elementos. Demonstra-se que um coeficiente qualquer
ij
G é soma das
contribuições de
( ) e
pq
G de cada elemento onde os nós locais p e q são os mesmos que os nós
globais i e j.
A matriz global também é conhecida como matriz de condutâncias, pois a unidade de
seus coeficientes é de condutância (Siemens). Existe uma interpretação física da matriz
global, ela pode ser enxergada como a matriz de rede de um sistema puramente resistivo,
onde os nós dos elementos são os nós dos circuitos elétricos e as arestas dos elementos são
condutâncias que ligam os nós.
Com a matriz global montada, calcula-se a potência dissipada pelo sistema:
[ ] [ ][ ] V G V P P
t
N
e
e
= =

=1

Equação 4-15
Onde [V] é o vetor de potenciais nodais com referência global:
[ ]

=
n
V
V
V
V
V
M
3
2
1

Equação 4-16
Há algumas características muito interessantes que a matriz global possui que acabam
tornando o MEF apelativo. Primeiramente, a matriz global é simétrica, isto é,
ji ij
G G = . A
simetria traz algumas vantagens em operações matriciais, como o cálculo de determinantes.
34

Em segundo lugar, a matriz global é largamente esparsa para sistemas grandes e pode se
tornar uma matriz de bandas se os nós forem cuidadosamente numerados. Essas
características de esparsidade e banda favorecem enormemente os cálculos e reduz
significativamente o tempo de computação. Por fim, a matriz é singular, de modo que é
impossível invertê-la numericamente, tornando o problema de natureza iterativa.

4.2.6 A Solução do Sistema

O sistema é resolvido utilizando-se o método dos gradientes conjugados, um método
iterativo que resolve o sistema através da minimização de um funcional quadrático. Para
tratar do mau condicionamento do sistema utiliza-se uma técnica de pré-condicionamento
denominada Decomposição Incompleta por Cholesky. A associação desses dois métodos
forma o ICCG (Incomplete Cholesky Conjugate Gradientes) ou Método dos Gradientes
Conjugados pré-condicionado por Decomposição Incompleta da Cholesky.
O método dos gradientes conjugados é muito eficiente para sistemas com matrizes
simétricas com termos positivos. Basicamente, o método opera gerando seqüências de
vetores de soluções aproximadas, vetores de resíduos e vetores de direções de procura, que
são usados para atualizar os próximos vetores solução aproximada e resíduos. Esse método
é muito interessante do ponto de vista dos requisitos computacionais, pois exige o
armazenamento na memória de apenas três vetores, além dos termos não nulos da matriz
global.
O pré-condicionamento de Cholesky trata-se de uma transformação matricial que
aproxima a matriz do sistema à matriz identidade, que continua altamente esparsa,
acelerando a convergência do método dos gradientes conjugados.
O ICCG é um método muito eficiente e rápido, que se mostrou muito adequado para a
solução de problemas de aterramento.

35

4.2.7 Resistência do Sistema de Aterramento

Após a solução do problema pelo ICCG, conhece-se o potencial elétrico em cada nó da
malha de elementos finitos. Substituindo-se o vetor potencial elétrico V na equação 4-15
obtém-se a potência dissipada no solo por efeito Joule. A partir da elevação de potencial no
ponto de defeito V
d
e da potência dissipada no solo é possível avaliar a resistência aparente
do aterramento.
P
V
R
d
2
=
Equação 4-17
Na realidade, as versões mais recentes do GROUND-3D, como a utilizada pelos autores
para a realização deste trabalho, não se utilizam mais da alimentação do sistema em tensão
e sim em corrente, logo:
2
I
P
R =
Equação 4-18
Com a solução do problema (distribuição de potencial elétrico) também é possível
prever o potencial de passo máximo a que estaria sujeito um operador dentro da subestação
quando da ocorrência de uma falta. Este trabalho não se preocupou em analisar o potencial
de passo, pois os autores julgaram que a resistência a terra do sistema já é um parâmetro
representativo da precisão da simulação.
36

4.3 PML (PERFECTLY MATCHED LAYERS)


No início deste capítulo foi citado que há um erro inerente aos métodos numéricos
devido à discretização do domínio. Porém, este não é o único erro inerente ao método
numérico, pelo menos quando o problema a ser resolvido trata de eletromagnetismo.
Uma carga elétrica produz um campo elétrico e, se em movimento, um campo
magnético que se estendem ad infinitum. Em tese, o domínio de estudo deveria ser infinito
para contemplar esse fato. Ainda que seja impossível representar um domínio de estudo
infinito computacionalmente pelo método dos elementos finitos, pode-se truncar o domínio
a uma distância razoável da região de interesse e assumir que o erro devido ao truncamento
é muito pequeno e aceitável.
Os campos elétricos e magnéticos a uma grande distância de suas fontes decaem com o
inverso da distância porque podem as fontes podem ser vistas como uma única fonte
pontual. Logo, é razoável truncar o domínio de estudo se ele for dezenas a centenas de
vezes maiores que a região de interesse, pois os campos elétricos e magnéticos nas suas
extremidades serão muito próximos de zero.
A princípio, pode parecer que mais exata será a solução numérica ao se aumentar o
domínio de estudo. Porém, a memória computacional é limitada e o aumento do domínio
exigirá que a discretização seja menor, isto é, que os elementos finitos sejam maiores.
O truncamento traz consigo outro problema ainda mais grave, denominado reflexão
numérica, que surge devido à descontinuidade na interface, isto é, na fronteira artificial.
Uma maneira de se contornar isso é adequar as condições de contorno na fronteira ou então
utilizar o método dos elementos finitos com formulação significativamente diferente e
específica. Por exemplo, há uma formulação híbrida conhecida como MEF-MEC (Método
dos Elementos de Contorno), porém esta reduz substancialmente a esparsidade da matriz
global, que é uma das grandes vantagens do MEF original [3].
37

Os problemas oriundos do truncamento, tanto o elevado tamanho do domínio do estudo
como a reflexão numérica, podem ser significativamente atenuados com uma solução
proposta em 1994 por Bérenger [9], denominada PML – Perfectly Matched Layers, ou
camadas perfeitamente casadas.
O PML foi derivado a partir das equações de Maxwell modificadas com a aplicação de
uma transformação de coordenadas que “esticam” os eixos cartesianos. Essa abordagem,
demonstrada em [8], é muito pouco intuitiva. Há outra abordagem, mais simples e com uma
correspondência física.
O PML pode ser considerado como uma camada ou mais de material anisotrópico de
altas perdas que absorve completamente qualquer campo incidente na interface entre o
PML e o domínio de estudo, independentemente de sua freqüência, magnitude, polarização
ou ângulo de incidência.

Ilustração 4-3 truncamento do domínio por material absorvedor anisotrópico PML



Sendo o PML anisotrópico, as propriedades do material, como a condutividade elétrica,
σ , dependem do sentido do vetor densidade de corrente, mais especificamente, da posição
da camada PML em relação à região de interesse. Ao se escrever as equações de Maxwell
em sua forma diferencial se inclui a anisotropicidade do material através de um tensor para
a condutividade elétrica, σ , na equação da continuidade.
38

E J ⋅ = σ
Equação 4-19
Onde o tensor de condutividade é escrito como:

=
zz
yy
xx
σ
σ
σ
σ
0 0
0 0
0 0

Equação 4-20
Como já mencionado, o PML foi deduzido através de uma transformação de
coordenadas que esticavam ou contraiam os eixos cartesianos dentro da camada
absorvedora e que encontrou uma correspondência física em um material anisotrópico.
Então, o tensor da condutividade elétrica pode ser escrito em função de um único tensor
Λ que contempla a transformação de coordenadas.
Λ =σ σ
Equação 4-21
Onde σ representa a condutividade elétrica do material da fronteira que está em contato
direto com o PML. Por fim, o tensor Λ é escrito em função de “esticadores de
coordenadas”,
xx
s ,
yy
s e
zz
s , para o caso cartesiano.

= Λ
zz
yy
xx
s
s
s
0 0
0 0
0 0

Equação 4-22
Esses parâmetros “esticadores de coordenadas”, por sua vez, dependem do plano em
que o PML está localizado, em outras palavras, dependem da direção normal deste plano
que atenuará com máxima intensidade as correntes incidentes. No caso das simulações
realizadas neste trabalho, as camadas de PML são sempre ortogonais às direções
cartesianas xˆ , yˆ e zˆ . Por exemplo, se a camada de PML for ortogonal ao eixo z, a
transformação de coordenadas poderia ser feita através das relações [3]:
a s s
yy xx
= =
Equação 4-23
a
s
zz
1
=
Equação 4-24
39

No limite, se as dimensões dos elementos tendessem a zero, o PML funcionaria
perfeitamente. Intuitivamente, quão menores forem as dimensões dos elementos próximos à
interface do PML, melhor serão as propriedades de absorção. Isto traz alguns reveses, como
o aumento do número total de elementos. Além disso, o coeficiente de reflexão na interface
é inversamente proporcional à espessura do PML. Uma espessura muito pequena pode não
atenuar os campos suficientemente, mas uma espessura muito grande pode comprometer o
tamanho da malha. Não fez parte do escopo deste trabalho determinar as melhores
dimensões e parâmetros para o PML e preferiu-se utilizar os valores propostos em [3].

40

4.4 GMSH


Como já discutido, a geração de malha se faz necessária em um grande número de
métodos numéricos, inclusive o dos elementos finitos. As características das malhas afetam
significativamente os resultados obtidos, logo é muito importante que elas sejam elaboradas
com cuidado, com melhor discretização aonde se esperam maiores gradientes, com os tipos
e números de elementos mais adequados para o estudo em questão. Criar boas malhas é
pré-requisito para simulações representativas, e criá-las se tornou uma especialização da
engenharia. Surgiram no mercado inúmeros aplicativos de geração de malhas, cada qual
com suas capacidades e limitações.
Há quase uma década, surgiu o GMSH, um aplicativo de distribuição livre capaz de
gerar malhas tridimensionais automaticamente ou de forma assistida, com recursos de pré e
pós-processamento. Isso significa que a definição da geometria, a geração da malha e as
apresentações dos resultados podem ser feitas através deste mesmo programa. A Ilustração
4-4 e a Ilustração 4-5 mostram a utilização do GMSH para a definição da geometria de uma
máquina síncrona de pólos salientes e a Ilustração 4-6 mostra a geração sua malha.
O GMSH é constituído por quatro módulos principais: descrição geométrica, geração da
malha de elementos finitos, resolução do método numérico e pós-processamento. Todos os
comandos envolvendo estes módulos são prescritos ou com a interface gráfica para o
usuário (GUI – Graphical User Interface) ou através de arquivos de dados que utilizem a
linguagem de programação própria do GMSH. Contudo, o LMAG possui o seu próprio
programa para resolução de problemas tridimensionais de aterramento, o GROUND 3D, e
para manter a comunicação entre este e o GMSH, optou-se pela programação em arquivos
de dados. Essa escolha mostrou-se vantajosa, pois facilita as possíveis alterações nos
códigos de definição da geometria e de geração da malha.
41


Ilustração 4-4 – geração da geometria

Ilustração 4-5 – geração da malha

Ilustração 4-6 – adensamento de volumes nos pólos e no entreferro


42

Há algum tempo atrás, quando o GROUND 3D ainda não era ligado ao GMSH, a
definição da geometria e a geração da malha se dava manualmente, o que consumia muito
tempo. A utilização do GMSH possibilitou a definição da geometria por parametrização,
através de scripts, dessa forma consegue-se a geração automática dos domínios de estudos e
suas malhas de elementos finitos.

Ilustração 4-7 – distribuição de pressão nas palhetas de um
estágio de uma turbina para geração termoelétrica.

Assim que a simulação é concluída pelo GROUND 3D, a interpretação dos resultados é
feita através do módulo de pós-processamento do GMSH. Ele associa a cada nó da malha
variáveis, escalares ou um vetoriais, como o potencial e campo elétrico, por exemplo.
Dessa forma, o programa é capaz de gerar gráficos de forte apelo visual que facilitam
bastante o entendimento e a interpretação dos resultados. Por exemplo, podem-se gerar
mapas de cores, mapas de campo, curvas de valor constante, linhas equipotenciais, linhas
de corrente, etc. A Ilustração 4-7 provê um exemplo das capacidades do programa.
43

Para os casos analisados neste trabalho, primeiramente geraram-se as geometrias a
serem analisadas e dividiram-se as regiões do domínio. Num próximo passo, o GMSH fez a
discretização do domínio de estudo de acordo com parâmetros especificados pelos autores.
Todas as malhas de elementos finitos possuem apenas elementos prismáticos de base
triangular para modelar o solo e unidimensionais para modelar os condutores. Isto porque o
GROUND 3D só está habilitado a trabalhar com estes tipos de elementos, pois tipos
diferentes exigiriam funções de forma diferentes.
A Ilustração 4-8 mostra, do lado esquerdo, a geração da geometria onde se pode ver os
subdomínios e, do lado direito, o domínio já discretizado em elementos prismáticos.

Ilustração 4-8 – geometria criada no Gmsh e sua malha de elementos finitos

A utilização do GMSH viabilizou este trabalho, pois dispensou os autores de se
preocuparem com a programação de um gerador de malhas e de um pós-processador para
se preocuparem tão somente com a aplicação do método numérico aos sistemas de
aterramento. Cabe notar que o próprio GMSH levou muitos anos até amadurecer. Maiores
informações sobre este programa podem ser encontradas na referência [7].

44

5. APLICAÇÕES E RESULTADOS



Este capítulo sintetiza de maneira sucinta os resultados obtidos ao longo deste projeto
de formatura. Quatro casos que possuem solução analítica, seis casos de uma mesma malha
de aterramento padrão e um caso de uma malha real de subestação foram ensaiados
utilizando-se a ferramenta de elementos finitos Ground 3D.
Os casos que possuem solução analítica foram simulados para que se pudesse validar o
programa. É vital que se obtenha resultados próximos aos analíticos nesta etapa para que o
modelo seja validado e para que possa haver o mínimo de confiança para simular casos
mais complexos que não possuem solução analítica, tomando o resultado do MEF como
próximo do esperado.
Uma malha padrão de 16 x 16 m foi ensada para seis perfis de solo diferentes. Os
resultados numéricos obtidos foram comparados com os previstos pela norma IEEE Std 80,
já que não há solução analítica para este caso. O solo foi estratificado em duas camadas e
cada caso considerava resistividades diferentes, para que se pudesse averiguar a
sensibilidade do resultado à estratificação.
O último caso analisado foi o da malha de aterramento de uma subestação de uma usina
hidroelétrica. Esta malha foi escolhida por ser representativa dos sistemas aterramentos de
subestações existentes no sistema elétrico brasileiro. Sua geometria e perfil do solo vieram
de plantas e memoriais de cálculos obtidos pelos autores junto ao lugar que trabalham.
Os onze casos simulados neste trabalho foram exaustivamente testados até que se
chegasse aos resultados aqui apresentados. É muito comum, durante uma campanha de
simulação, que os resultados sejam descartados por conta de discretizações não muito
adequadas, não convergência do método, travamento do computador por falta de memória
disponível, solução espúria sem significado físico, etc. Em razão disso, tomou-se bastante
tempo realizar estas simulações. Os resultados aqui apresentados foram os melhores que se
puderam obter com os recursos computacionais disponíveis.


45

5.1 COMPARAÇÃO COM MÉTODOS ANALÍTICOS


Os quatro casos de aterramento que possuem solução analítica, citados no capítulo 3,
foram simulados no GROUND 3D com o propósito de se validar o programa. Para todos os
casos, supôs-se que havia disponível 32 m de condutor de 4 mm de raio, a resistividade
aparente do solo considerada foi de 450 Ω.m e que os sistemas horizontais seriam
enterrados a 0,8 m de profundidade.
O primeiro caso analisado foi o de uma haste delgada de 32 m de comprimento,
enterrada verticalmente em um solo homogêneo, com uma corrente de defeito de 1 kA. De
acordo com a equação 3.1 esse aterramento deveria oferecer uma resistência de 20,98 Ω.
Ω =

− |
¹
|

\
| ⋅
=

− |
¹
|

\
|
= 98 , 20 1
004 , 0
32 4
32 2
450
1
4
2
n
r
L
n
L
R
a
h
l l
π π
ρ

Equação 5-1
A haste foi simulada no Ground 3D, com uma malha de elementos finitos de 140 mil
nós (24 Mb) que levou cerca de cinco minutos para convergir. Neste caso, para diminuir o
tamanho da malha e, conseqüentemente, o tempo de convergência, tirou-se partido da
simetria do problema e simulou-se apenas um quadrante do domínio.
O MEF forneceu uma resistência de 21,84 Ω, muito próxima do valor teórico, com
desvio de apenas 4,1%. O mesmo ocorreu com a elevação de potencial. Como a resistência
é calculada a partir desta última, espera-se o mesmo desvio. A comparação é resumida na
Tabela 5-1.

Tabela 5-1 comparação de métodos para uma haste de 32 m de comprimento, ρ
a
= 450 Ω.m e r = 4 mm
Analítico Numérico Diferença
Resistência 20,98 Ω 21,84 Ω 4,1%
Elevação de Potencial 20,98 kV 21,84 kV 4,1%


46

O caso da haste delgada também possui solução analítica para a distribuição de
potencial ao longo do solo a partir da distância da haste. A figura X mostra essa
distribuição e o gráfico da Ilustração 5-1 compara o resultado analítico e o numérico obtido
com o Ground 3D. O Método dos Elementos Finitos se mostrou muito capaz de calcular a
distribuição de potencial com precisão, mesmo próximo do condutor, aonde o gradiente
(campo elétrico) é muito intenso.
0
5000
10000
15000
20000
25000
0 5 10 15 20 25
P
o
t
e
n
c
i
a
l

E
l
é
t
r
i
c
o

[
V
]
Distância (m)
Comparação de resultados para uma
haste de 32 m de comprimento
Analítico
Ground 3D

Ilustração 5-1 – distribuição do potencial elétrico para o caso
da haste delgada de 32 m, ρ = 450 Ω.m e r = 4 mm.


Em uma próxima etapa comparou-se o MEF com três casos mais elaborados que
possuem solução analítica. Para estes casos compararam-se apenas os valores das
resistências, por ser um parâmetro representativo da precisão da simulação.
Como já esclarecido, nestes casos pressupôs-se um comprimento total de condutores de
32 m, com raio de 4 mm, em solo de resistividade 450 Ω.m e enterrados a uma
profundidade de 0,8 m. O interessante em se fixar o comprimento de cabo é permitir uma
comparação entre os sistemas de aterramento.
47

Aplicando-se as equações 3.3, 3.4 e 3.5 para as geometrias já citadas, encontram-se as
resistências de terra das três configurações estudadas.

Para o condutor disposto horizontalmente:
Ω =

− + −
|
|
¹
|

\
|

= 00 , 24
32
8 , 0
2 2
8 , 0 004 , 0
32
32 2
450
2
L ln R
π

Equação 5-2
Para o condutor disposto em L:
Ω =

+ + −
|
|
¹
|

\
|

= 78 , 24
16
8 , 0
4292 , 0 2373 , 0
8 , 0 004 , 0
16
16 4
450
2
L ln R
π

Equação 5-3
Para o condutor disposto em cruz:
Ω =

+ − +
|
|
¹
|

\
|

= 20 , 28
16
8 , 0
284 , 4 526 , 1
8 , 0 004 , 0
16
16 4
450
2
L ln R
π

Equação 5-4

A Tabela 5-2 resume os resultados obtidos analiticamente e numericamente e estabelece
a comparação e a Ilustração 5-2 demonstra a distribuição de potencial ao longo do plano do
solo. Para os quatro casos estudados, o erro não ultrapassa 7,4%. Isso sugere que o MEF
sempre erra para cima, em razão das reflexões numéricas. Os valores dos desvios são
aceitáveis e os autores deste trabalho tomaram o programa GROUND-3D como validado,
ainda mais se considerando o ótimo desempenho da ferramenta ao calcular a distribuição de
potencial, mesmo nas proximidades dos condutores, onde a magnitude dos campos elétricos
é muito intensa.
Esta etapa foi muito importante porque os resultados aqui obtidos deram segurança aos
autores para que prosseguissem com simulações de geometrias mais complexas. Além
disso, os parâmetros PML, a discretização e tamanhos de domínio sugeridos pela referência
[3] se mostraram muito convenientes levando a resultados bem coerentes com tempos de
simulação relativamente baixos.
48

Tabela 5-2 – comparação de métodos para quatro casos analíticos
Configuração
Tamanho do
arquivo [Mb]
Tempo de
simulação [min]
R [Ω]
numérico
R [Ω]
analítico
Diferença
(a) Haste vertical 24 5 21,84 20,98 4,1%
(b) Condutor enterrado 140 20 25,78 24,00 7,4%
(c) Condutores em L 195 20 26,52 24,78 7,0%
(d) Condutores em cruz 141 35 29,14 28,20 3,3%


(a) (b)

(c) (d)


Ilustração 5-2 – distribuição de potencial elétrico para quarto casos que possuem solução analítica
49

5.2 COMPARAÇÃO COM O MÉTODO DA NORMA IEEE STD 80


Uma malha de 16 x 16 m reticulada em 16 quadrados de 4 m de lado foi utilizada na
comparação do MEF com a norma IEEE Std 80 e sua geometria é dada pela Ilustração 5-3.
A malha não possui hastes em seus nós, é constituída por 160 m de condutor de 120 mm
2
e
se situa a uma profundidade de 0,6 m.
Seus parâmetros para a fórmula de Sverak são: L
t
= 160 m, A
m
= 256 m
2
, h
m
= 0,6.


16 m
16 m


Ilustração 5-3 – geometria da malha utilizada na comparação
do MEF com a norma IEEE Std 80

Esta malha foi simulada para seis perfis de solo, estratificados em duas camadas de
resistividades distintas. A fórmula de Sverak é escrita em termos da resistividade aparante
na profundidade da malha e, por conta disso, ela foi determinada para uma profundidade p
a partir das duas camadas de cada perfil de solo através da fórmula de Schlumberger [2]:
( )

+
+ =
2
1
1
2 1
2
1
p h
K
a
ρ ρ
Equação 5-5
Sendo:
1 2
1 2
ρ ρ
ρ ρ
+

= K
Equação 5-6

50

Onde:

K é o coeficiente de reflexão do solo
h
1
é a profundidade da primeira cada [m]
p é a profundidade para a resistividade aparente [m]
ρ
1
é a resisitividade da primeira camada [Ω.m]
ρ
2
é a resisitividade da segunda camada [Ω.m]


Através da fórmula de Sverak, pode-se escrever a resistência da malha 16 x 16 m em
função da resistividade aparente na profundidade de 0,6 m:
a a m
R ρ ρ 032194 , 0
256 / 20 6 , 0 1
1
1
256 20
1
160
1
=

|
|
¹
|

\
|
+
+

+ =
Equação 5-7

As malhas 16 x 16 m nos seis perfis de solo foram simuladas numericamente e
calculadas pelo método proposto na norma IEEE Std 80. Os resultados são sumarizados na
Tabela 5-3. A malha de elemento finitos possui 400 mil nós (cerca de 48 Mb) e os tempos
de simulação foram de cerca de 10 minutos para cada caso.

Tabela 5-3 – comparação do MEF com a norma IEEE Std 80 para a malha 16 x 16 m
caso
ρ
1

[Ω.m]
h
1

[m]
ρ
2

[Ω.m]
K
ρ
a

[Ω.m]
R [Ω] IEEE
Std 80
R [Ω]
numérico
diferença
(a) 200 4,0 800 0,60 218 7,0 11,0 57%
(b) 3.000 4,0 100 -0,94 2.580 83,1 41,8 -50%
(c) 3.000 4,0 1.200 -0,43 2.808 90,4 61,7 -32%
(d) 3.000 4,0 10.000 0,54 3.232 104,4 151,9 46%
(e) 3.000 1,2 100 -0,94 1.639 52,8 20,9 -60%
(f) 3.000 0,6 100 -0,94 490 15,8 9,2 -41%


Há uma grande discrepância entre o resultado numérico e o calculado pela norma,
porém os valores se situam na mesma ordem de grandeza. Isto já era esperado pelo fato do
modelo da norma ser semi-empírico, isto é, não é exato, pois há muitas hipóteses
simplificadoras. Para estas simulações, a distribuição de potencial elétrico está mostrada na
Ilustração 5-4.
51


(a) (d)

(b) (e)


(c) (f)


Ilustração 5-4– distribuição de potencial para os seis perfis de solo para a malha 16 x 16 m

52

5.3 COMPARAÇÃO COM UMA MALHA REAL


Com o fim de se ensaiar o método dos elementos finitos como ferramenta de projeto de
malhas maiores e mais complexas, como as encontradas nos sistemas de potência, os
autores deste trabalho simularam a malha da subestação do pátio de 230 kV de uma
importante usina hidroelétrica brasileira, cujos dados foram obtidos mediante autorização
da empresa em que trabalham os autores.
A malha dessa usina é irregular, tem 81 m de comprimento por 49,5 m de largura, sendo
os condutores espaçados de maneira não-simétrica. Sua geometria é dada pela Ilustração
5-5, as dimensões estão todas em metros.


81 m
49,5 m
1
1
,
5










1
1
,
5














1
2
,
0












1
1
,
5






3
,
0
16,0 17,0 15,0 16,0 17,0

Ilustração 5-5 - geometria da malha de aterramento simulada neste trabalho

O memorial de cálculo desta malha se utiliza da norma IEEE Std 80 para estimar o
valor de sua resistência de terra. Mesmo não sendo regular e simétrica, a malha satisfaz as
hipóteses e premissas da fórmula de Sverak viabilizando a utilização do método. Os
parâmetros da fórmula para esta geometria são: L
t
= 783 m, A
m
= 4.009,5 m
2
, h
m
= 0,3. A
resistividade aparante do solo, para a profundidade da malha é de ρ
a
= 2.113 Ω.m.

53

Logo, para esta malha, a resistência da tomada de terra pelo IEEE Std 80 vale:
Ω =

|
|
¹
|

\
|
+
+

+ = 46 , 17
5 , 4009 / 20 3 , 0 1
1
1
5 , 4009 20
1
783
1
2113
m
R
Equação 5-8

Quanto à simulação numérica, inicialmente surgiram muitas dificuldades em virtude do
tamanho da malha de elementos finitos. A malha com a discretização típica chega a ter
quatro milhões de nós e ocupar 630 Mb de memória. Em razão da impossibilidade de se
simular um caso tão grande, houve a necessidade de se reduzir a discretização do domínio
com o aumento do tamanho dos elementos, levando a 1,6 milhões de nós. Entretanto, o
baixo valor do potencial elétrico calculado na fronteira que representa o ponto remoto
garantiu que o resultado final era coerente, mesmo com uma malha menos refinada. Para
esta simulação utilizou-se um computador dual-core de 2,8 GHz e com 2 GB de memória
RAM. A malha final resultou em um arquivo de nós e elementos de 245 Mb e levou 1 hora
e 55 minutos para atingir a convergência.
A resistência de aterramento numérica resultou em 8,45 Ω frente a 17,46 Ω previsto
pelo IEEE Std 80. Novamente, o fato é explicado pelas hipóteses simplificadoras da norma.
Os resultados foram comparados na Tabela 5-4.

Tabela 5-4 – comparação de métodos para a malha de uma subestação típica, ρ
a
= 450 Ω.m e r = 4 mm.
número de
elementos
tamanho da
malha
tempo de
simulação
numérico IEEE Std 80 diferença
1,6 milhões 245 Mb 115 min 8,45 Ω 17,46 Ω 51,6%


Quanto à distribuição do potencial elétrico, através da Ilustração 5-6 percebe-se que
a malha cumpre bem o seu papel de equalização de potencial, ao menos dentro da
subestação, minimizando os riscos a um operador transeunte quando do surgimento de uma
falta a terra. Porém, nas extremidades da malha há um grande gradiente de potencial, que
corresponde a campos elétricos intensos. O pior caso é ilustrado na Ilustração 5-7, onde se
traça o perfil de potencial elétrico ao longo da diagonal de uma extremidade da malha para
o caso de uma corrente de defeito de 25 kA. Nota-se que há pontos ao longo da diagonal
aonde o gradiente chega a quase 4 kV/m.

54



Ilustração 5-6 – distribuição de potencial elétrico na malha

180
185
190
195
200
205
0 5 10 15 20 25
P
o
t
e
n
c
i
a
l

E
l
é
t
r
i
c
o

[
k
V
]
distância percorrida na diagonal sobre o solo [m]
Distribuição de potencial entre dois condutores
para uma corrente de defeito de 25 kA


Ilustração 5-7 – distribuição de potencial ao longo de uma diagonal da malha
55

5.4 RESUMO DAS COMPARAÇÕES

Neste trabalho, foram simulados quatro casos de aterramento que possuem solução
analítica, seis malhas de terra regulares para comparação com a norma IEEE Std 80 e um
caso real, a malha da subestação de uma usina hidroelétrica.
A utilização do MEF nos casos que possuem solução analítica forneceu os subsídios
para a validação do programa Ground 3D, já que os resultados obtidos numericamente
foram muito próximos daqueles analíticos, tanto para a distribuição de potencial elétrico
quanto para a resistência de terra.
Em uma próxima etapa, utilizou-se de uma malha regular, de 16 x 16 m, para avaliar o
desempenho do MEF na simulação de malhas de terra e compararam-se os resultados
obtidos com aqueles calculados através da norma IEEE Std 80. Como o método da norma é
semi-empírico, oriundo de muitas simplificações e hipóteses como a resistividade aparente,
tomam-se esses valores com cautela e já se espera que eles sejam apenas uma previsão. O
desvio do resultado numérico do previsto pela norma é de cerca de 50%, em média.
Admitindo-se que resultado numérico seja provavelmente mais próximo do real do que
o método aproximado da norma, aparentemente o método da norma erra para cima quando
a resistividade da primeira camada é maior do que a da segunda (K negativos) e para baixo
quando a resistividade da primeira camada é menor do que a da segunda (K positivos). Isso
sugere que a fórmula de Sverak subestima a influência da segunda camada, porém esse fato
não pode ser afirmado sem que mais investigações sejam feitas.
Por fim, simulou-se a malha da subestação de uma usina hidroelétrica com o intuito de
se testar a ferramenta de elementos finitos (Ground 3D) em uma malha significativamente
maior e mais complexa e, por conta disso, surgiram inúmeras dificuldades. O primeiro
empecilho foi o tamanho da malha de elementos finitos, que consumia praticamente toda a
memória do computador. A solução foi simular em um computador pessoal de alto
desempenho, porém, mesmo assim, os tamanhos de malhas ficavam intratáveis quando se
utilizava a discretização proposta por [3]. Neste caso, houve a necessidade de se engrossar
um pouco a malha, perdendo ligeiramente em precisão, porém os resultados obtidos foram
aceitáveis e coerentes.
56

Outro problema que surgiu foi a dificuldade na manipulação dos arquivos que serviam
como dados de entrada. Os autores tiveram que desenvolver programas computacionais em
linguagem C para gerar arquivos de condição de contorno, arquivos de parâmetros PML,
etc. Mais tarde, parte desses problemas foi resolvida ao se utilizar uma versão mais nova do
Ground 3D, que possui uma melhor interface com o GMSH. Também foi elaborada uma
planilha em Excel para que se pudesse ler o valor do potencial elétrico nos nós da malha e
gerar gráficos de distribuição de potencial ao longo de caminhos traçados no solo.
Superadas as dificuldades, foi possível simular a malha da usina em um computador
pessoal de alto desempenho, com tempo convergência de 1 hora e 55 minutos. Os
resultados obtidos demonstraram ser coerentes, tanto pela inspeção visual da distribuição de
potencial elétrico, quando pelo seu valor na fronteira, aonde foi bem amortecido. Além
disso, o valor da resistência de terra está em uma faixa condizente com o esperado. Julgou-
se, então, que a simulação foi válida e representativa.


57

6. CONCLUSÕES



Há mais de vinte anos, o Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado Prof. Dr. Áurio
Gilberto Falcone (LMAG) tem sido pioneiro na aplicação do método dos elementos finitos
(MEF) em sistemas de aterramento. Este laboratório desenvolveu inúmeras ferramentas
computacionais para estudos de eletromagnetismo, em particular o GROUND 3D, que foi
utilizado neste trabalho. Porém, as malhas de aterramento estudadas até então se tratavam,
em sua maioria, de casos acadêmicos. Este trabalho teve um viés prático, voltado para as
malhas de aterramento.
Ainda que se tenha feito muitos progressos no desenvolvimento destas ferramentas e a
capacidade computacional crescido consideravelmente neste par de décadas, pouquíssimos
são os casos de malhas de aterramento de subestações que foram projetadas por métodos
numéricos. Ainda hoje frequentemente se utiliza a norma IEEE Std 80, que se baseia em
modelos semi-empíricos, para este tipo de projeto.
Contudo, com o advento das subestações compactas com equipamentos isolados a SF
6
e
a tendência de se trazer as subestações para próximo dos consumidores, em meio a grandes
cidades, soluções não convencionais para a dissipação da corrente de falta têm sido
adotadas. Por essa razão espera-se que o método numérico seja cada vez mais utilizado,
face à inexistência de uma metodologia de projeto adequada para estes casos que não a
experimental. Esses fatos foram a motivação necessária para que os autores prosseguissem
seu trabalho neste tema.
A comparação de resultados com os casos que possuem solução analítica provaram que
o MEF, em particular sob a forma do programa GROUND 3D, é uma ferramenta muito
capaz na previsão acurada da distribuição de potencial elétrico e na estimação da resistência
a terra. A confiança adquirida em razão dos excelentes resultados obtidos nesta etapa deu
subsídio para que análises mais complexas pudessem ser feitas.


58

Em um segundo momento, comparou-se a resistência prevista pela norma IEEE Std 80
com os resultados numéricos de uma malha simples, reticulada, para diversas configurações
de solo. Como não há solução analítica para uma malha de terra, confiou-se no resultado
numérico e admitiu-se que ele seria muito próximo da solução exata, pois a inspeção visual
da distribuição de campos se mostrou muito coerente, o método convergiu e o potencial no
ponto remoto era sempre muito pequeno. Logo se concluiu que a previsão da fórmula de
Sverak, que é o método da norma já citada, é um pouco distante do resultado exato e isso já
era esperado por conta da natureza semi-empírica do método. Porém, ainda assim a fórmula
de Sverak provê uma primeira estimativa da resistência de uma malha de aterramento, pelo
menos da sua ordem de grandeza.
Talvez esse resultado justifique a utilização quase que unânime da norma IEEE Std 80
no projeto de subestações. Soma-se a isso o fato da resistividade aparente do solo ser uma
variável ainda mais sujeita a erros, sendo uma função da umidade, da temperatura e do
tempo, e então o projeto de uma malha passa a ser praticamente heurístico.
Porém, este método semi-empírico não provê a distribuição de potencial ao longo do
solo, apenas algumas fórmulas semi-empíricas para estimar os potenciais máximos de toque
e passo presentes, que também podem não ser muito precisos. Por sua vez, um método
numérico, como o MEF, possibilita a visualização dessa distribuição e os potenciais
máximos podem ser estimados com muito mais precisão.
Por conta dessas vantagens intrínsecas aos métodos numéricos, os autores propuseram a
simulação de uma malha de aterramento real, representativa daquelas existentes em
qualquer grande sistema de potência. Dessa forma, foi possível analisar o desempenho do
MEF, em particular do GROUND 3D, como ferramenta de projeto de malhas maiores e
mais complexas.
No início houve muita dificuldade em gerar uma malha com uma discretização
adequada à simulação. O tamanho do domínio do estudo frente ao tamanho da malha de
terra e de seus condutores fez com que o número de elementos necessários aumentasse
significativamente, a ponto de exigir muita memória do computador e, por muitas vezes,
causando a instabilidade do sistema operacional. Mesmo utilizando-se um computador
pessoal de alto desempenho, foi necessário que a malha desse caso fosse engrossada um
pouco para que houvesse uma diminuição do número de elementos.
59

Boa parte dos problemas de falta de memória poderiam ter sido resolvidos se os autores
tivessem utilizado outros sistemas operacionais baseados em Linux ou Unix ao invés do
Windows XP. Estes outros sistemas possuem um gerenciamento de memória muito
superior, podendo alocar memória de maneira mais eficiente, além deles próprios ocuparem
pouca memória RAM. Algumas estações de trabalho de alto desempenho do LMAG já
possuem esses sistemas alternativos.
Surgiram muitas outras dificuldades, principalmente com os arquivos de dados, e os
autores foram obrigados a construir programas para automatizar a manipulação desses
arquivos. Superados os problemas, a simulação ocorreu de forma tranqüila, demorando
cerca de duas horas para atingir a convergência. Os resultados obtidos foram muito
satisfatórios e coerentes com o que era esperado. Conseguiu-se traçar a distribuição de
potencial ao longo da diagonal de um dos reticulados da malha, o mais próximo à borda,
aonde os campos elétricos eram mais intensos. Esse tipo de traçado pode ser utilizado para
estimar com maior precisão o potencial de passo da malha. Fica como sugestão de trabalho
futuro utilizar o MEF para comparar os potenciais de passo numéricos com aqueles obtidos
através da norma e de medições em campo, se for aplicável.
Ainda assim, o projeto de um sistema de aterramento através do MEF deve ser cercado
de uma série de cuidados. Principalmente, a malha deve ser muito bem preparada,
discretizada convenientemente para que não fique muito pesada e ainda assim permita uma
precisão adequada. A utilização da ferramenta per se não garante bons resultados. Cabe ao
usuário discernimento para interpretar os dados e julgar a qualidade do resultado.
O MEF se mostrou uma ferramenta muito capaz na resolução de problemas
eletromagnéticos, notadamente os de aterramento, e deve ser uma ferramenta muito
utilizada em projetos futuros de subestações, mais complexas, em meio a grandes cidades,
com aterramentos naturais próximos, como encanamentos, além da possibilidade de haver
potenciais transferidos de outras malhas próximas. Tudo isso é passível de ser analisado em
um programa como o GROUND 3D, bastando apenas pequenas modificações em seu
código fonte, caso seja necessário.


60

É importante lembrar que ao longo destes últimos vinte anos, muitos avanços foram
feitos sobre o programa original. Devido ao trabalho de muitas pessoas, surgiram versões
mais modernas, como a implantação do MEF de arestas, melhorias na biblioteca de solução
do sistema linear, a abordagem do elemento unidimensional com salto de potencial, a
utilização do PML para redução do erro de truncamento, a alimentação do sistema em
corrente ao invés de tensão, o estudo do problema de aterramento em regime harmônico
através da formulação A-V, a utilização do GMSH para geração da geometria, da malha de
elementos finitos e do pós-processamento, etc. Há muito campo para desenvolvimento
nesta área e num futuro próximo, como o avanço dos sistemas computacionais, as
possibilidades serão praticamente ilimitadas.
Ao longo deste último par de décadas, o amadurecimento dos computadores e do
programa de elementos finitos para aterramento implantado no LMAG viabilizou a
simulação de uma grande malha de subestação, o que não era possível naqueles primeiros
anos de desenvolvimento. Este trabalho atingiu o seu objetivo ao demonstrar que, no estado
atual, é possível o estudo de complexos sistemas de aterramento em regime estacionário
através do MEF a partir de modestos recursos computacionais.

61

7. BIBLIOGRAFIA



[1] G. Kindermann, J. M. Campagnolo. Aterramento Elétrico 4º edição, Sagra
Luzatto, 1998, Porto Alegre.
[2] ANSI/IEEE Std 80 – 2000 – IEEE Guide for safety in AC substation grounding –
Pub. by IEEE. New York, John Wiley, 2000.
[3] SILVA, V. C. Método dos Elementos Finitos aplicado à solução de problemas de
aterramento elétrico. São Paulo, 2006. 89p. Tese (Livre Docência) – Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo.
[4] J. R. Cardoso, Ground-3D: Uma Contribuição à Análise dos Sistemas de
Aterramento pelo Método dos Elementos Finitos. São Paulo, 1993. 71p. Tese (Livre
Docência) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.
[5] J. R. Cardoso, Problemas de campos eletromagnéticos estáticos e dinâmicos : uma
abordagem pelo método dos elementos finitos, 1985. 159p. Tese (Doutorado) – Escola
Politécnica da Universidade de São Paulo.
[6] J. R. Cardoso, Introdução ao Método dos Elementos Finitos para Engenheiros
Eletricistas, Publicação Independente, 1ª Edição, 1995, São Paulo.
[7] Ch. Geuzaine, J. F. Remacle, Gmsh© A three-dimensional finite element mesh
generator with built-in pre-and-post-processing facilities, Version 2.0.8, Agosto 2007,
http://www.geuz.org/gmsh/
[8] J. Jin, The Finite Element Method in Electromagnetics, 2
nd
edition, 2002, John
Wiley & Sons Inc. NY.
[9] J. P. Bérenger, “A perfectly matched layer for the absorption of electromagnetic
waves”, J. Comp. Phys., Vol. 114, Oct. 1994, 185-200.
[10] P. P. Silvester, R. L. Ferrari, Finite Elements for Electrical Engineers,
Cambridge University Press, 1996, 3ª edição.
[11] Matthew N. O. Sadiku, Numerical Techniques in Electromagnetics, Boca Raton,
CRC Press, 1992

Danilo Augusto Salgado Marcelo Pereira Pinto

O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS COMO FERRAMENTA PARA PROJETO DE MALHAS DE ATERRAMENTO DE SUBESTAÇÕES

Trabalho de formatura apresentado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para a obtenção do grau de graduado em Engenharia Elétrica. Área de Concentração: Sistemas de Potência Orientadores: Prof. Dr. José Roberto Cardoso Profª. Drª. Viviane Cristine Silva

São Paulo 2009

Danilo Augusto Salgado Marcelo Pereira Pinto

O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS COMO FERRAMENTA PARA PROJETO DE MALHAS DE ATERRAMENTO DE SUBESTAÇÕES

Trabalho de formatura apresentado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para a obtenção do grau de graduado em Engenharia Elétrica. Área de Concentração: Sistemas de Potência Orientadores: Prof. Dr. José Roberto Cardoso Profª. Drª. Viviane Cristine Silva

São Paulo 2009

VIVIANE CRISTINE SILVA . DRA.DANILO AUGUSTO SALGADO MARCELO PEREIRA PINTO O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS COMO FERRAMENTA PARA PROJETO DE MALHAS DE ATERRAMENTO DE SUBESTAÇÕES _________________________________________________ PROF. JOSÉ ROBERTO CARDOSO _________________________________________________ PROF. DR.

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. PINTO – SÃO PAULO. SALGADO E M. DANILO AUGUSTO PINTO. DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA DE ENERGIA E AUTOMAÇÃO ELÉTRICAS. SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA I. MARCELO PEREIRA CÁLCULO DE SISTEMAS DE ATERRAMENTO ELÉTRICO ATRAVÉS DE ELEMENTOS FINITOS / D. 1. .FICHA CATOLOGRÁFICA SALGADO. P. A. TRABALHO DE FORMATURA (GRADUAÇÃO) – ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. ATERRAMENTO 4. ESCOLA POLITÉCNICA. MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS 3. 2009. ELETROMAGNETISMO 2. DEPARTAMENTO DE ENERGIA E AUTOMAÇÃO ELÉTRICAS.

pela atenção e dedicação. Estas pessoas foram fundamentais na formação de centenas de engenheiros que hoje contribuem para o desenvolvimento do nosso país. muitas das quais serão carregadas por toda a vida. por fornecer os subsídios para a construção desta pesquisa e pela paciência. pela amizade e por ter demonstrado a centenas de alunos. O trabalho realizado por eles tornou este departamento referência dentro de nossa escola. tendo a oportunidade de levar o nome da nossa escola ao topo ao alçar o primeiro lugar geral em uma competição de engenharia aeronáutica de âmbito mundial promovida nos Estados Unidos da América. Estiveram sempre presentes nos momentos felizes e nos apoiaram nos momentos de dificuldade. Drª. Na Keep Flying fizemos grandes amigos e aprendemos a aplicar a engenharia na prática. Viviane Cristine Silva. orientador deste trabalho. seus esforços não foram em vão. Aos amigos da Keep Flying. Aos ex-alunos e professores que contribuíram pelas melhorias realizadas neste departamento nos últimos anos. À Profª. orientadora deste trabalho. Às amizades que construímos dentro da escola. professor de didática inigualável. a grandeza do eletromagnetismo de maneira clara e por nos lembrar constantemente da nobreza da profissão do engenheiro. . pelo esforço em manter a excelência do ensino na Escola Politécnica. uma equipe de competição da Escola Politécnica que os autores deste trabalho participaram ativamente. mas que deram condições a seus filhos e netos para que o tivessem. José Roberto Cardoso. inclusive os autores. Apesar de todas as dificuldades. Dr.i AGRADECIMENTOS Ao Prof. Aos nossos avôs. A eles somos eternamente gratos. que não tiveram a oportunidade de estudar. Aos professores da graduação do Departamento de Energia e Automação Elétricas. apesar da vida árdua.

ii DEDICATÓRIA Às nossas famílias e às nossas namoradas .

iii “If I have seen further it is by standing on the shoulders of giants” Isaac Newton .

discute-se a validade e a aplicabilidade do método dos elementos finitos no projeto de aterramento de subestações elétricas. mas também discorre brevemente sobre o solo e sua resistividade. como também experimentais. os sistemas de aterramento mais comuns e seus cálculos analíticos ou semi-empíricos através da norma mais utilizada no setor (IEEE Std 80). Método dos Elementos Finitos. Para essas etapas citadas. Os autores se utilizaram de dados de subestações elétricas reais. como geração de geometrias e malhas para simulação. obtidos em medições em campo para realizar as comparações entre os métodos de projeto. Palavras chaves: Eletromagnetismo. Essa introdução ao tema do aterramento se fez necessária para que as posteriores comparações pudessem ser feitas. o GMSH. O trabalho não se resume somente ao método dos elementos finitos. Sistemas Elétricos de Potência. ferramenta que facilitou imenso o desenrolar deste trabalho. em regime permanente. A principal preocupação é comparar os resultados numéricos obtidos com os cálculos analíticos e semi-empíricos e com as medições feitas em campo para verificar a validade e aplicabilidade do método dos elementos finitos para sistemas de aterramento. Aterramento. O método dos elementos finitos é descrito em detalhes. Ao final. e para as simulações utilizou-se o solver do GROUND 3D do laboratório de eletromagnetismo aplicado (LMAG). desde sua formulação até os aspectos práticos de implantação. . o PML.iv RESUMO Este trabalho tem como objetivo demonstrar aplicações práticas do método numérico de elementos finitos no projeto e análise de sistemas reais de aterramento. Utilizou-se também uma técnica moderna para minimizar os erros devido ao truncamento do domínio. tanto dados de projeto. utilizou-se um aplicativo livremente distribuído.

Keywords: Electromagnetism. . Grounding. from its formulation to its practical applications. analytical. Perfectly Matched Layer) was employed to minimize the errors due to the domain truncation. the geometry and mesh generation. in order to compare the design methods described in this work. The finite element method is explained in details.v ABSTRACT The goal of this work is to demonstrate practical applications of the finite element method applied to the design and analysis of real grounding systems in steady-state conditions. semi-empirical and accordingly to the IEEE Std 80 Standard. This brief introduction is necessary due to the comparisons done in the further chapters. At the end. from design data to in-locus measurements. The authors used data from real substations. The simulations were carried with the GROUND 3D solver from the LMAG Laboratory. the most simple grounding techniques and its formulation. for example. Finite Element Method. The numerical results were compared to the analytical and semi-empirical methods and the inlocus measurements in order to study the feasibility and applicability of the finite element method to grounding systems. Power Systems. This work also addresses the soil and its resistivity. These steps were accomplished with free software called GMSH. the feasibility of the finite element method applied to grounding systems is discussed. A modern technique (PML.

...............2.............................................................................................. 24 4..................................................................................................................................................................................................................6 A Solução do Sistema.3 Comparação com uma Malha Real ...................................................2 Divisão do Domínio de Estudo......3 Resistência de uma malha de aterramento segundo a IEEE Std 80......................... Conclusões...........................................................................................................................................................1 Formulação Matemática ......... 49 5.....................................2...................... 5 2.................................................... Métodos Analíticos. 31 4. 2. 24 4...2............................................................................................2................................... 9 3.................................................vi SUMÁRIO 1........................................... 1 Solo........................... 61 ................................. 35 4..............2............................................................................................................................................7 Resistência do Sistema de Aterramento.................................................................................................................. 40 5.......................... 36 4..................................1 Comparação com Métodos Analíticos ........................................ 52 5......................................... 20 4..............................................................................................................2 Resistência de condutores dispostos horizontalmente....................................................................................................................4 Formulação Matricial do Problema ... 20 4.................................................... 44 5............................................................................................ Método dos Elementos Finitos ..........................2 Medida de Resistividade e Estratificação do Solo ......... 34 4.....................................2..................................... 55 6....................1 A resistividade do solo ..................................... 33 4. 45 5....................1 Métodos Numéricos para Eletromagnetismo .................................................................................................................................................2 Aplicação do MEF em Sistemas de Aterramento....................................... Bibliografia..3 Funções Interpoladoras e Funções de Forma....................................................................................................................... 27 4...................2 Comparação com o Método da Norma IEEE Std 80................................ Aplicações e Resultados ..........................................3 PML (Perfectly Matched Layers)........................................................................................................ 29 4.................. 57 7.......................................................... Introdução....... 18 4....................................2.................. 13 3............ 12 3.....................................4 GMSH ..........1 Resistência de Hastes Verticais..............................................................................................................................................................5 A Matriz Global e a Potência Dissipada..4 Resumo das Comparações... 5 2............................... 15 3..........................................

....... 17 Tabela 4-1– Equações para o eletromagnetismo geral e eletrocinética nas suas formas diferenciais............................................ 52 Ilustração 5-6 – distribuição de potencial elétrico na malha................................................. ρa = 450 .................................................................................................................................. 15 Ilustração 3-3 condutores dispostos em L e em cruz ...........................................................m e r = 4 mm ............ 7 Tabela 2-3 – resitividade de um solo arenoso úmido para diversas temperaturas .................. 18 Ilustração 4-1 domínio de estudo truncado.................................................... 48 Tabela 5-3 – comparação do MEF com a norma IEEE Std 80 para a malha 16 x 16 m.................. 41 Ilustração 4-5 – geração da malha ................................................ 49 Ilustração 5-4– distribuição de potencial para os seis perfis de solo para a malha 16 x 16 m .......................................................................................................................................................................... 16 Ilustração 3-4 – parâmetros geométricos de uma malha retangular... 42 Ilustração 4-8 – geometria criada no Gmsh e sua malha de elementos finitos .... 7 Tabela 2-2 – resistividade de um solo arenoso para diversos índices de umidade ..........................................................................................................................................................................................................vii LISTA DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 2-1 – principais grupos minerais – fonte: Wikipedia (www.................. 7 Tabela 3-1 – comparação entre geometrias .................................. ρa = 450 ..................................................................................................... 54 Ilustração 5-7 – distribuição de potencial ao longo de uma diagonal da malha .............................................................................................. 46 Ilustração 5-2 – distribuição de potencial elétrico para quarto casos que possuem solução analítica ...........................geometria da malha de aterramento simulada neste trabalho .......................... 6 Ilustração 2-2 – Método de Wenner ..........m e r = 4 mm........................................................................ 28 Ilustração 4-3 truncamento do domínio por material absorvedor anisotrópico PML .............. 41 Ilustração 4-6 – adensamento de volumes nos pólos e no entreferro ............................ 25 Ilustração 4-2 elementos típicos para o método dos elementos finitos.............................. 48 Ilustração 5-3 – geometria da malha utilizada na comparação do MEF com a norma IEEE Std 80 .................................................................... 13 Ilustração 3-2 – condutor disposto horizontalmente............................................................................ ρ = 450 ......................................................................... 51 Ilustração 5-5 .............................................................m e r = 4 mm........................................................... 24 Tabela 5-1 comparação de métodos para uma haste de 32 m de comprimento..............................org).............................................................wikipedia........................................................ 37 Ilustração 4-4 – geração da geometria........ 53 ........ 45 Tabela 5-2 – comparação de métodos para quatro casos analíticos........ 41 Ilustração 4-7 – distribuição de pressão nas palhetas de um estágio de uma turbina para geração termoelétrica....................................... 9 Ilustração 3-1 – distribuição das equipotenciais em uma haste simples ................................................................... 50 Tabela 5-4 – comparação de métodos para a malha de uma subestação típica.............................................. 54 LISTA DE TABELAS Tabela 2-1 – Resistividade para alguns tipos de solo .................... 43 Ilustração 5-1 – distribuição do potencial elétrico para o caso da haste delgada de 32 m.........

z ρa ρ1 ρ2 ρ σ ГD ГN αi σ Λ resistência de terra da haste [ ] resistência de terra da malha [ ] raio do condutor [m] parâmetro de “esticamento” das coordenadas tempo [s] potencial no nó i do elemento e potencial elétrico [V] coordenadas cartesianas resistividade aparente do solo [ .m] densidade volumétrica de carga [C/m³] condutividade elétrica [S/m] domínio de estudo fronteira sujeita à condição de Dirichlet fronteira sujeita à condição de von Neumann função de forma do elemento tensor de condutividade elétrica [S/m] matriz de transformação do domínio Índices: e . Áurio Gilberto Falcone Método dos Elementos Finitos Método das Diferenças Finitas Monofásico com Retorno pela Terra Perfect Matched Layers Transmission Line Method (Método das Linhas de Transmissão) .elemento ABREVIATURAS GMSH ICCG programa gerador de malhas de elementos finitos Incomplete Cholesky Conjugated Gradients – Método dos Gradientes Conjugados por Decomposição Incompleta de Cholesky LMAG MEF MDF MRT PML TLM Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado Prof.m] resistividade da segunda camada [ . Dr.m] resistividade da primeira camada [ .y.viii LISTA DE SÍMBOLOS a Am B d D E G Gij H hm I J L Lt n N n p Pe pe parâmetro do PML área ocupada pela malha [m²] densidade de fluxo magnético [Wb/m²] ou [T] distância até a haste [m] deslocamento [C/m²] campo elétrico [V/m] matriz global coeficiente da matriz global campo magnético [A/m] profundidade da malha [m] corrente de defeito [A] densidade de corrente de condução [A/m²] comprimento da haste [m] comprimento total de cabos da malha [m] número de nós do elemento número de elementos da malha vetor normal à superfície profundidade [m] potência dissipada no elemento e [W] densidade de potência dissipada no elemento e [W/m³] Rh Rm r s t Vei V x.

provêem resultados de acuracidade duvidosa. como a proteção de equipamentos elétricos. Há muitos outros motivos que justificam sua necessidade. Surge então a idéia do método numérico.1 1. Há tempos. mesmo os mais baixos como o do sistema de distribuição. o Laboratório de . melhorar a sensibilidade dos equipamentos de proteção de forma a melhor proteger os circuitos. Tais modelos não prevêem a real distribuição de potencial ao longo do solo. fazendo com que os seres humanos fiquem sujeitos a distribuições de potenciais elétricos aceitáveis. O vertiginoso crescimento da capacidade computacional nas últimas décadas possibilitou a resolução numérica de muitos problemas práticos de engenharia. Tais sistemas permitem a condução adequada das correntes de falta ao solo. porém há de se reconhecer suas severas limitações e buscar outros métodos que a complementem. essa não é a única razão que justifica a necessidade do aterramento. isso não significa. representam uma ameaça à vida humana e essa é a principal razão da existência dos sistemas de aterramento. Contudo. Há cerca de duas décadas. conduzir as descargas atmosféricas para a terra. Porém. os projetos das malhas de aterramento têm sido calculados de acordo com normas específicas. que não lhes causem danos. INTRODUÇÃO Os sistemas elétricos de potência têm por principal função conduzir largas quantidades de energia das usinas de geração até os grandes centros consumidores sob a forma de eletricidade. há perdas no sistema de transmissão e distribuição e para reduzi-las os níveis de tensão elétrica que os sistemas operam são elevadíssimos. que esses métodos não sejam aplicáveis. prover caminho para as correntes de falta. não lidam com geometrias complexas e por muitas vezes. tabelas e equações semi-empíricas que foram compiladas ao longo dos anos. utilizando-se de modelos bem simplificados do solo. em virtude das simplificações assumidas. Em razão da resistividade dos condutores que transportam essa energia. prover um caminho de retorno de corrente nos sistemas MRT e. necessariamente. e não foi diferente com os sistemas de aterramento. Os níveis de tensão. também.

a memória limita o tamanho do domínio de estudo. causando erros de truncamento. Em particular. Este é outro ponto importantíssimo a ser . Essa limitação ocorre em virtude da natureza do método. o que é de especial interesse para os problemas de aterramento. o método numérico resolve os campos elétricos e magnéticos em inúmeros pontos do domínio de estudo. desde que não se extrapole o limite da memória do computador. eles possuem limitações que restringem a sua aplicação indiscriminada.2 Eletromagnetismo Aplicado (LMAG) da Escola Politécnica da USP. Não é de se estranhar que. exigem que o domínio de estudo seja dividido em pequenos volumes. tendo contribuído com inúmeros artigos de relevância internacional. Há ainda o fato da maioria das rotinas serem iterativas. As características dessa malha podem influenciar significativamente os resultados. menores serão os erros de discretização. Alguns métodos numéricos. a ponto de uma malha ruim gerar resultados inutilizáveis. O processo dessa divisão. deu um grande passo ao criar ferramentas computacionais para a resolução de problemas eletromagnéticos. Outra grande limitação é a capacidade de processamento. se leve muitas horas até uma simulação ser concluída. pois é impossível retratar computacionalmente um domínio de estudo infinito. Por exemplo. pois quanto mais pontos forem analisados dentro de um domínio. Adicionalmente. dita criação da malha de elementos finitos. Além disso. Nesses sistemas. Ainda que os métodos numéricos sejam mais generalistas. toma um tempo considerável. mesmo que gerada automaticamente. pois as equações são geralmente muito complexas e tomam muito tempo para serem resolvidas. como o de elementos finitos. simples ou complexa. Essas duas vantagens tornam atrativo o emprego do método numérico na análise e projeto de um sistema de aterramento. A capacidade de memória talvez seja a maior limitação do modelo numérico. o que aumenta ainda mais o tempo de processamento. dentro dos quais serão resolvidas as equações diferenciais que regem o modelo. por muitas vezes. os potenciais de toque e de passo são parâmetros de segurança importantíssimos que tomam parte no projeto de uma subestação. a distribuição de potencial elétrico na superfície do solo determina a máxima diferença de potencial que estaria sujeita uma pessoa na subestação quando da ocorrência de uma falta a terra. esse laboratório foi pioneiro na aplicação de métodos numéricos para sistemas de aterramento. O método numérico permite que qualquer geometria seja tratada.

cada qual com suas vantagens e limitações. como a determinação da faixa de valores que a resistividade do solo pode assumir. Apesar deste trabalho se concentrar nos modelos numéricos. retoma-se o método dos elementos finitos. testado e comparado com modelos exatos. nos próximos capítulos. A justificativa deste trabalho é demonstrar que o método numérico é aplicável e conveniente a síntese e a análise de sistemas de aterramento.3 levado em consideração: a ferramenta numérica por si só não é eficiente na solução dos problemas. Neste trabalho. todo modelo numérico deve ser calibrado. As equações analíticas serão listadas sem alguma demonstração formal. um capítulo inteiro foi dedicado ao seu estudo. representativo para baixas freqüências. para que o método numérico possa ser validado. principalmente aqueles com geometrias complexas. para que se tenha o mínimo de confiança nos resultados. em momento algum se pode afirmar que eles são superiores aos métodos analíticos e experimentais. Além disso. De certa forma. demonstrando sua fundamentação matemática e sua implantação sob a forma de rotinas de computador. Pode-se até dizer que de nada servem os melhores métodos sem os melhores modelos. pois não faz parte do escopo. que o método dos elementos finitos (MEF) é o mais adequado para o estudo do aterramento em regime estacionário. também se demonstra que há outros parâmetros importantíssimos em um bom projeto. cabe ao usuário saber utilizá-la adequadamente e também cabe a ele interpretar os resultados e julgar se são aplicáveis ou não. Nota-se que quase todos os estudos numéricos de sistemas de aterramento elétrico se utilizam do MEF. apesar de não ser o foco deste trabalho. Nestes últimos parágrafos pretendeu-se mostrar que não há método e nem modelo perfeito. O solo é complexo e seu modelo é por demasiado simplificado e. salvo exceções de estudos em altas-freqüências ou transientes no domínio do tempo. brevemente e sem muita formalidade. O capítulo 4 discorre sobre os quatro principais métodos numéricos utilizados na solução de problemas eletromagnéticos e demonstra-se. comenta- . Depois. sua modelagem e a sua medição. O capítulo 3 trata muito brevemente dos métodos analíticos e semi-empíricos que são utilizados nos projetos de aterramento.

No capítulo 5 o MEF é validado com modelos analíticos e então aplicado a malhas de aterramento reais de subestações de grandes indústrias e usinas hidroelétricas. Neste capítulo procura-se demonstrar a validade do método numérico na síntese e na análise de sistemas de aterramento. Por fim. .4 se também da otimização do processamento. o capítulo 6 traz as conclusões e comentários finais sobre a aplicação do MEF. indica possíveis complementações a este trabalho. discorre sobre as dificuldades encontradas na implementação do método e pondera sobre a possível utilização de softwares de otimização acoplados com o MEF para geração de malhas de aterramento ótimas. resume os resultados obtidos. tomando partido da esparsidade da matriz global. aplicativo livre para geração de malhas. pré e pósprocessamento dos resultados. Discutese também a utilização do GMSH. Comparamse então os resultados obtidos numericamente com os cálculos analíticos e semi-empíricos. Então se aborda a aplicação do PML – Perfect Matched Layer – um artifício matemático que reduz drasticamente os erros devido ao truncamento do domínio.

Formaram-se diversas camadas. acumulação e sedimentação fizeram com que a profundidade do solo aumentasse com o passar do tempo. Para as aplicações de engenharia elétrica. Além disso. para que todos os critérios de segurança sejam satisfeitos. O tipo de solo. cada qual com suas características químicas e físicas. para compreender como o solo afeta o projeto de um sistema de aterramento elétrico. Essa constante incerteza na resistividade do solo é um dos grandes problemas no projeto de um sistema de aterramento elétrico e. Essas rochas surgiram a milhões de anos. principalmente. sua composição varia muito com o tempo e com o clima. como a resistividade elétrica. SOLO 2. a umidade e a temperatura podem fazer com que sua resistividade assuma valores tão baixos quanto alguns ohms-metro e cresça até valores tão altos quanto dezenas de milhares de ohms-metro. precisa-se compreender o que vem a ser o solo em si. busca-se entender como é sua estrutura e composição e. fazendo com que os parâmetros elétricos do aterramento se modifiquem. formando assim um solo primitivo argiloso. Soma-se a isso a natureza complexa do estudo dos campos eletromagnéticos e a ausência de modelos bem representativos da condução elétrica no solo e tem-se então uma noção da dificuldade de se projetar uma malha de aterramento. vulgarmente.1 A RESISTIVIDADE DO SOLO A estrutura do solo afeta significativamente um sistema de aterramento elétrico. o solo se refere apenas à camada de material que se situa acima das rochas consolidadas.5 2. tudo o que está debaixo de nossos pés. Um bom projeto deve levar essas questões em consideração. entender os mecanismos de condução elétrica através dele. e a ação da chuva e do vento da atmosfera primitiva as lixiviaram causando um acúmulo de material. decomposição. Portanto. mesmo através de ensaios em campo. Porém. Neste capítulo. . não se assegura que ela se manterá estável com o decorrer do tempo. entende-se por solo como tudo o que está abaixo do plano da terra. O processo natural de lixiviação. em geologia.

que é composta por grãos muito finos e que consegue reter muita água. Além disso. que são grãos espessos e que retém quase nada de água. por exemplo.org) . é de se esperar que a resistividade de um solo argiloso seja significativamente menor do que a de um solo siltoso ou arenoso. não conseguem reter água alguma e por isso são utilizados em subestações para isolar as pessoas do contato direto com o solo mais úmido. as rochas consolidadas são praticamente impermeáveis e conduzem quase nada. seixos. A Tabela 2-1 provê resistividades representativas para alguns tipos de solos com suas umidades típicas. Pedregulhos. Como a água é o principal responsável pela condução elétrica no solo.6 O solo contém três grupos minerais: a argila. cascalhos e brita.wikipedia. A Ilustração 2-1 mostra os grupos mineirais. Argila Silte Areia Brita Ilustração 2-1 – principais grupos minerais – fonte: Wikipedia (www. o silte (ou limo) que é composto por grãos menos finos e que retém pouca água e a areia.

0 185 15.0 42 Fonte: Kindermann e Campagnolo [1] Tabela 2-3 – resitividade de um solo arenoso úmido para diversas temperaturas Temperatura Resistividade ( . De fato. Para se ter uma noção do efeito da umidade e da temperatura. Portanto é de se esperar que quanto maior a umidade presente no solo.5 1 500 5. formando íons. qualquer tipo de solo conduz corrente alguma quando perfeitamente seco.m) Lama 5 a 100 Terra de jardim com 50% de umidade 140 Terra de jardim com 20% de umidade 480 Argila seca 1 500 a 5 000 Argila com 40% de umidade 80 Argila com 20% de umidade 330 Areia seca 3 000 a 5 000 Calcário compacto 1 000 a 5 000 Granito 1 500 a 10 000 Fonte: Kindermann e Campagnolo [1] A água presente no solo favorece a condução da corrente elétrica. porém conduz razoavelmente quando um mínimo de umidade está presente.7 Tabela 2-1 – Resistividade para alguns tipos de solo Tipo de Solo Resistividade ( . maior será a sua capacidade de condução de corrente elétrica. Quando a água congela a resistividade cresce vertiginosamente com o decréscimo de temperatura. pois determina a dispersão das ligações iônicas entre os grânulos de terra no solo.m) (% do peso) de um solo arenoso 0. um meio eletrolítico favorável à condução da corrente iônica. como os dados apresentados na Tabela 2-2 e Tabela 2-3. toma-se como exemplo o solo arenoso. pois os sais oriundos das rochas e presentes no solo acabam por se dissolver. Tabela 2-2 – resistividade de um solo arenoso para diversos índices de umidade Umidade Resistividade ( .m) (ºC) de um solo arenoso 20 72 10 99 0 (água) 138 0 (gelo) 300 -5 790 -15 3 300 Fonte: Kindermann e Campagnolo [1] . A temperatura também influi significativamente na resistividade do solo.0 10 000 000 2.0 105 20.0 63 30.0 430 10.

dandolhos uma visão qualitativa e. por vezes. ainda mais por estar localizada mais profundamente. Esse capítulo procura demonstrar que sempre haverá uma grande incerteza quanto à resistividade do solo e que o modelo de solo homogêneo. E isso ocorre com todos os horizontes mais profundos. Porém. Contudo. até o presente momento não há outras modelos para o solo. as chuvas e o período do ano. essas variações serão ainda maiores. . a concentração de água (umidade) dos solos mais superficiais e sua temperatura variam significativamente com o clima. cada tipo de solo tem uma faixa de umidade e consequentemente uma faixa de valores possíveis para a sua resitividade. a argila é tão fina que naturalmente sempre haverá um mínimo de umidade. quantitativa com ressalvas. como um solo arenoso. e sempre haverá um máximo de umidade. pois além de certa quantidade de água esse solo saturaria. Se o solo superficial tiver baixa capacidade de retenção de água. ele jamais representará fielmente o fenômeno físico e carregará consigo grandes incertezas que devem ser enfatizadas. seja ele numérico ou analítico. onde a variação de umidade e temperatura é menor. e o modelo de camadas homogêneas. pelo menos que sejam implantáveis. contínuas e perfeitamente estratificadas satisfazem a necessidade dos projetos de aterramento. Por exemplo. Em verdade.8 As tabelas Tabela 2-2 e Tabela 2-3 podem sugerir que a Tabela 2-1 não tem utilidade alguma na previsão da resistividade do solo a ser estudado. Por melhor que seja o método aplicado a análise de um sistema de aterramento. perfeitamente estratificado e contínuo não tem correspondência real.

entre 20 e 30 cm. Ilustração 2-2 – Método de Wenner . e espaçadas de uma distância a. de material condutor. Este último é sem dúvida alguma o mais utilizado. ao longo de várias direções e tomando-se várias medidas de resistência. o de Schlumberger-Palmer e o de Wenner. conforme mostrado na Ilustração 2-2. As medições devem ser feitas na região a ser construído o sistema. por ser muito prático e simples. são necessárias quatro hastes com cerca de meio metro de comprimento e de 10 a 15 mm de diâmetro. para obter uma média representativa e com o menor desvio possível. Para o método de Wenner.2 MEDIDA DE RESISTIVIDADE E ESTRATIFICAÇÃO DO SOLO Conhecer a resistividade do solo para várias profundidades é extremamente importante para um bom projeto de um sistema de aterramento. enterradas à mesma profundidade. isenta de gordura ou oxidação que possa atrapalhar o bom contato elétrico com o solo.9 2. Existem três experimentos largamente divulgados para se medir a resistividade do solo para diversas profundidades: o método de Lee. Estas hastes devem ser dispostas em linha reta ao longo do solo a ser estudado.

usando técnicas de otimização. com uma área de dispersão grande. representativas de certa faixa de profundidade.. então. Na prática. p. métodos de camada dupla simplificados. Segundo [1]. Existem aparelhos próprios para executar esse procedimento. não se mostra prática. O solo pode ser estratificado em quantas camadas forem necessárias. pois as camadas muito mais profundas que o sistema de aterramento tem pouca influência sobre a resistividade aparente. (Ref. A referência [1]. [1]. sendo o mais famoso deles o Megger. os terrômetros. em conseqüência.10 Injetando-se uma corrente através das hastes externas. 1995. o método de Yokogawa e métodos para várias camadas como o de Pirson. A corrente atinge uma profundidade maior. que relaciona os parâmetros geométricos e a resistência medida com a resistividade do solo. Não é escopo desse trabalho demonstrar algum método de . tendo. e a partir da relação tensão por corrente injetada surge uma resistência elétrica que é proporcional à resistividade do solo. demonstram a fórmula de Palmer para um solo homogêneo (de resistividade constante). como a obtida através do método de Wenner. Portanto.. Costuma-se. uma distribuição contínua e variável de resistividade em função da profundidade. solo algum é dessa forma. um efeito que pode ser desconsiderado. mede-se a diferença de potencial entre as duas hastes internas. considera-se que o valor da resistência elétrica lida no aparelho [terrômetro] é relativa a uma profundidade a do solo. A referência [1] demonstra vários métodos de estratificação. que resulta na Equação 2-1. os de duas camadas usando curvas. A mesma referência simplifica a fórmula de Palmer para casos em que o espaçamento é muito grande frente ao comprimento da hastes. a dividir o solo em camadas de resistividade constante. em geral não mais que duas ou três. a resistividade obtida pelo método de Wenner é representativa da resistividade do solo a uma profundidade igual ao espaçamento entre hastes: O método [de Wenner] considera que praticamente 58% da distribuição de corrente que passa entre as hastes externas ocorre a uma profundidade igual ao espaçamento entre as hastes. 21) Para efeito de modelagem do sistema de aterramento. ρ = 2π a R Equação 2-1 O método de Wenner não contempla apenas o caso de solo homogêneo. para efeito do Método de Wenner. tanto analítica quanto numérica.

mesmo que a resistividade varie ao longo da profundidade. conclui-se que a resistividade do solo depende de sua composição. é adequado modelar o solo em duas ou três camadas representativas das profundidades de interesse. adequado e recomendável representar o solo em camadas de resistividade constante. . da temperatura e principalmente de sua umidade.11 estratificação. Em suma. Além disso. basta apenas o leitor estar ciente de que é possível.

cujos comprimentos são significativamente maiores que seus diâmetros. uma geometria de cálculo significativamente mais complexa. sem demonstrações formais. nem ao menos se pode confiar no método numérico. como se o solo fosse homogêneo. os programas de cálculo de engenharia sempre são comparados com casos simples para que possam ser validados. Esta simplificação é razoável quando o sistema de aterramento está todo contido dentro de uma única camada de resistividade constante. vários cabos são ligados entre si de forma a construir uma malha de aterramento. MÉTODOS ANALÍTICOS É muito comum na ciência construírem-se modelos complexos a partir de modelos muito mais simples. então. os modelos analíticos supõem que através do sistema de aterramentos é vista uma resistividade aparente do solo. bem conhecidos e validados. na resistência do sistema a terra e na distribuição de potencial ao longo do solo. conseqüentemente. Assume-se que as geometrias são compostas de condutores cilíndricos. Em aterramentos de maiores dimensões. Nestes modelos. o diâmetro e a disposição destes cabos no solo são parâmetros determinantes na dispersão das correntes e. os sistemas de aterramentos são compostos por fios ou cabos condutores dispostos horizontalmente ou verticalmente no solo. Além disso.12 3. Em geral. Os casos mais simples a serem abordados são: Haste simples disposta verticalmente Condutor enterrado horizontalmente Dois condutores em ângulo reto dispostos horizontalmente Dois condutores em cruz dispostos horizontalmente no solo As soluções analíticas são deduzidas através da aplicação das leis de Maxwell e toma-se vantagem da simetria dos casos analisados.Tendo isso em vista. O comprimento. comparar resultados numéricos com os analíticos é um passo importante na validação de qualquer método numérico. esse capítulo se dedica a apresentar os principais elementos de sistemas de aterramento elétrico que possuem soluções analíticas. Se o cálculo numérico submetido às mesmas condições de contorno que um cálculo analítico apresentar resultados totalmente diversos a este. Com o advento da análise numérica. Portanto. contudo. pode-se levar em conta a .

Ilustração 3-1 – distribuição das equipotenciais em uma haste simples Existem diversas formas para se encontrar a resistividade aparente do solo. pois grande parte da energia é dissipada muito proximamente ao sistema de aterramento. por exemplo. [1]) para um solo estratificado em duas camadas. onde a resistividade pode ser considerada constante. 1 . a resistividade aparente é unicamente um artifício matemático para modelar o solo em questão1.1 RESISTÊNCIA DE HASTES VERTICAIS Uma haste delgada enterrada verticalmente no solo é o sistema de aterramento mais simples que existe. 3.13 estratificação do solo em camadas corrigindo-se o valor da resistividade aparente para uma profundidade de interesse. a fórmula de Hummel (Ref. Este tipo de sistema é largamente utilizado em residências e em postes para aterrar o neutro do secundário dos transformadores de distribuição. Essas assunções são válidas. Em outras palavras. Cita-se.

4 e 3. a redução da resistência será muito pequena. V (r ) = Onde: I ρa L2 + d 2 + L ln 2πL d Equação 3-2 I é a corrente de defeito a fluir pela haste [A] ρ a é a resistividade aparente do solo [ . Porém. isso reitera a afirmação de que grande parte da energia dissipada se dá muito próximo da haste. nota-se que conforme se aumenta o comprimento da haste.m] L é o comprimento da haste [m] d é a distância da haste [m] . Em geral. diminui-se sua resistência de aterramento. formando superfícies equipotenciais elípticas que ao se distanciarem da haste tornam-se cada vez mais esféricas. O caso da haste delgada também possui solução analítica para a distribuição de potencial no solo. conforme mostra a equação 3-2. as hastes comerciais têm entre 2. Nota-se que o campo elétrico decresce muito rapidamente ao se distanciar da haste. chega-se a um ponto que aumentar o comprimento da haste já não é mais vantajoso. Portanto há um tamanho de haste economicamente ótimo para a maioria dos casos.14 A corrente injetada no topo da haste desce. pois mesmo aumentando-se bastante o comprimento da haste.0 m de comprimento e de ½ a ¾ de polegada de diâmetro. se espalha pela superfície do condutor e se propaga através do solo. As referências 1 e 2 descrevem a equação para a resistência de uma única haste como: Rh = ρ a   4L   ln  − 1 2πL   r     Equação 3-1 Onde: ρ a é a resistividade aparente do solo [ .m] L é o comprimento da haste [m] r é o raio da haste [m] A partir da Equação 3-1.

ainda assim.2 RESISTÊNCIA DE CONDUTORES DISPOSTOS HORIZONTALMENTE Várias hastes verticais podem ser interligadas de forma a reduzir a resistência do sistema de aterramento. Em geral. A interação mútua entre os condutores horizontais e os verticais é extremamente complexa e não há solução analítica que contemple esse caso até o presente momento. é interessante estudar o caso de condutores horizontais enterrados para os fins de validação dos programas e para alguns casos práticos como a resistência de cabos contra-peso de torres de transmissão.15 3. essa ligação entre hastes é feita através de condutores dispostos horizontalmente no solo a uma dada profundidade. Ilustração 3-2 – condutor disposto horizontalmente . Porém. Estes condutores de fato contribuem ainda mais para a redução da resistência do sistema.

Por exemplo.m] L é o comprimento do condutor [m] r é o raio do condutor [m] p é a profundidade [m] Há também outras formas de se dispor condutores no solo. Como nas figuras abaixo. Ilustração 3-3 condutores dispostos em L e em cruz . apresenta-se a seguinte equação para um condutor singelo enterrado no solo:  ρ a   L2  p ln  − 2 + 2 − L  rp  2πL    L  R= Equação 3-3 Onde: ρ a é a resistividade aparente do solo [ .16 Em [1]. ou então uma cruz. A referência [1] propõe solução analítica para estes casos (Equação 3-4 e Equação 3-5). dois condutores formando um ângulo reto.

17 Equação para dois condutores enterrados horizontalmente em ângulo reto:  ρ a   L2  p ln  − 0. a ser enterrado a 60 cm de profundidade em um solo com resistividade aparente de 1000 . A Tabela 3-1 mostra os resultados. Isso se explica em razão da interferência e da redução do comprimento efetivo das pontas. .m. De acordo com o exemplo da referência. dado um comprimento de cabo para ser enterrado horizontalmente.m] Um único condutor Dois condutores em ângulo reto Dois condutores em cruz 35. a configuração de menor resistência é a do condutor singelo.284 + L L 4πL   rp     Equação 3-5 A referência [1] ainda mostra que. Tabela 3-1 – comparação entre geometrias Configuração Resistência [ .2373 + 0.8 73.4292 + L  rp  4πL    L  R= Equação 3-4 Equação para dois condutores enterrados horizontalmente em cruz:  ρ a   L2  p R= ln  + 1.526 − 4.0 64. dispõe-se de 60 m de um condutor com 6 mm de diâmetro.2 Estes quatro sistemas de aterramento que possuem solução analítica serão utilizados como base para a validação do programa de elementos finitos no final deste trabalho. seguido pelo ângulo reto e depois pela cruz.

Em outras palavras. exige-se uma baixíssima resistência de terra.3 RESISTÊNCIA DE UMA MALHA DE ATERRAMENTO SEGUNDO A IEEE STD 80 Em sistemas de potência. A Ilustração 3-4 ilustra uma típica malha de terra e seus parâmetros geométricos. Ilustração 3-4 – parâmetros geométricos de uma malha retangular. tanto por critérios técnicos. Os sistemas de aterramento devem ser dimensionados de tal maneira que a distribuição de potencial elétrico causado pela falta não torne um operador próximo sujeito a tensões elevadas. acima do qual causaria fibrilação do coração. a baixa resistência a terra e baixos potenciais de toque e de passo. a diferença de potencial entre suas extremidades como mãos e pés. como também por critérios de segurança a vida. etc.18 3. Para satisfazer as duas condições. relacionados à proteção do sistema. as subestações elétricas costumam utilizar uma malha de terra composta de cabos horizontais em quadriculados e hastes verticais conectadas a alguns (ou todos) os nós da malha. . e são utilizadas em quase todas as subestações. não pode ultrapassar um valor crítico. As malhas de terra são muito eficientes e econômicas.

descrita na norma IEEE Std 80 [2]. medida e modelagem do solo. Mesmo que se compusesse a malha como a resistência paralela de vários condutores enterrados horizontalmente e hastes verticais. semi-empíricos. as malhas das subestações utilizadas como exemplo neste trabalho foram calculadas de acordo com esta norma. . o resultado seria significativamente menor do que o real em razão do desprezo das intereferências. para dar lugar ao cerne deste trabalho: a utilização dos métodos numéricos para o cálculo de sistemas de aterramento elétricos. Logo. estratificação. A norma cita a fórmula de Sverak para uma primeira estimativa da resistência da malha. demonstraram-se as soluções analíticas para alguns sistemas simples de aterramento feitos por condutores e hastes e o método proposto pela norma IEEE Std 80 para malhas de subestações. O que se faz desde há muito tempo é utilizar uma fórmula semi-empírica.19 Para a malha de terra não há solução analítica. Fórmula de Sverak: 1 1 Rm = ρ a  + 20 Am  Lt  Onde: Rm é a resistência da malha ρa é a resistência aparente do solo  1 1 +  1 + h 20 / A m m      Equação 3-6 Lt é o comprimento total de cabos e hastes Am é a área ocupada pela malha hm é a profundidade da malha Neste capítulo. não há modelo analítico que possa representá-la. Aqui se encerram as discussões sobre métodos analíticos. Várias páginas deste trabalho foram dedicadas a estas soluções analíticas e semi-empíricas para que depois os resultados numéricos do programa possam ser validados. De fato.

por exemplo. sua implantação não é trivial. O TLM se baseia. como uma descarga atmosférica. também. leva um tempo até que os outros pontos tomem ciência. através de matrizes de rede. é muito difícil de modelar meios anisotrópicos. o que torna muito trabalhosa a implantação de PMLs. Além disso. Porém. O TLM é vantajoso ao lidar com situações que envolvam fenômenos de propagação (alta freqüência). o método tende a ficar impreciso.20 4. O TLM tem algumas desvantagens. . Dada uma perturbação em um ponto qualquer do domínio de estudo. respectivamente. MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS 4. em baixas freqüências. Este método cria correspondência física ao substituir o domínio de estudo por um reticulado de linhas de transmissão onde as correntes e tensões nos seus nós representam os campos magnético e elétrico. por exemplo. e eles têm sido resolvidos numericamente por três tipos de métodos [3]: os baseados em teoria de circuitos e linhas de transmissão. que se utiliza da analogia existente entre as equações que regem os campos eletromagnéticos e as equações de propagação de ondas em uma linha de transmissão. que é uma ciência regida por equações diferenciais vetoriais. no modelo de propagação de onda de Huygens. Isto aproxima ainda mais este modelo da realidade física. As linhas de transmissão podem ser a parâmetros concentrados ou distribuídos e o sistema é resolvido da mesma forma que os sistemas elétricos de potência. Este método foi utilizado raramente para simulação de sistemas de aterramento em regime estacionário. O método que se baseia na teoria de circuitos é o Método das Linhas de Transmissão ou TLM (Transmission Line Method). aqueles baseados no cálculo de campos eletromagnéticos e os híbridos.1 MÉTODOS NUMÉRICOS PARA ELETROMAGNETISMO Os problemas de aterramento são típicos problemas de eletromagnetismo.

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Os métodos com base na teoria eletromagnética são mais robustos que aqueles baseados na teoria de circuitos, pois admitem menos hipóteses aproximadoras [3] e também há também o fato de que são mais adequados a problemas em baixa frequência. Ainda assim, há muitos métodos baseados na teoria eletromagnética e este trabalho discorrerá muito brevemente sobre eles e suas aplicações. Podem-se dividir os métodos numéricos para resolução de problemas de equações diferenciais parciais, ou problemas de contorno, em duas grandes classes: métodos integrais, ou de fronteira, e os métodos diferenciais, ou de domínio. Os métodos de fronteira são voltados para a solução de equações integrais e tratam de encontrar condições de contorno para estas equações que se adequem às condições de contorno na fronteira. Numa etapa posterior, de pós-processamento, a distribuição interna dos campos é determinada analiticamente através das equações integrais. Essa característica peculiar dos métodos de fronteira faz com que eles sejam capazes de lidar com geometrias infinitas ou semi-infinitas e, por essa razão, têm sido largamente utilizados em problemas de antenas. O Método dos Momentos e o Método dos Elementos de Fronteira (ou Contorno) são exemplos clássicos de métodos integrais. Há dois grandes inconvenientes nestes métodos de fronteira que limitam a sua aplicação. Um deles é a limitação a problemas cujos meios são homogêneos, isotrópicos e lineares e o outro é que esses métodos levam a matrizes cheias. Essas matrizes crescem com o quadrado do tamanho do problema e passam a exigir grandes quantidades de memória para problemas relativamente pequenos. Já os métodos de domínio levam a matrizes esparsas, normalmente de bandas, que crescem quase que linearmente com o tamanho do problema. Por essa razão os métodos de domínio são geralmente muito mais eficientes que os de fronteira para problemas relativamente grandes e, portanto, têm mais aplicações a estudos eletromagnéticos, em especial ao estudo do aterramento. Os métodos diferenciais partem da discretização do domínio de estudo em uma malha para então discretizar as equações diferenciais que regem o problema, de forma que elas possam ser escritas como equações algébricas lineares, passíveis de serem resolvidas por um computador. Essas equações lineares podem ser solucionadas iterativamente, como

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pelos métodos de Gauss-Seidel, ou então deterministicamente como pelo método da Eliminação de Gauss com pivotamento, etc. Dos diversos métodos de domínio aplicáveis a problemas eletromagnéticos, dois são de grande interesse para o estudo de aterramentos: o Método das Diferenças Finitas (MDF) e o Método dos Elementos Finitos (MEF). O Método das Diferenças Finitas divide o domínio a ser estudado em uma malha estruturada de nós, aproxima a equação diferencial que rege o fenômeno e as condições de contorno em equações lineares algébricas mais simples (chamadas equações de diferenças finitas) e então resolve esse sistema algébrico de equações aproximadas. Se o número de nós da malha for suficientemente grande, isto é, se a distância entre os nós for muito pequena, no limite a solução das equações algébricas tenderá a ser a mesma das equações diferenciais. Quando se trata de métodos numéricos para eletromagnetismo, o MDF é geralmente utilizado para se resolver problemas no domínio do tempo, o tão chamado FDTD (Finite Difference Time Domain). É um método direto, de formulação muito simples e fácil de ser implantado. As equações de Maxwell são discretizadas a partir de aproximações de diferenças centrais em relação às derivadas no tempo e no espaço. Logo, essas equações algébricas de diferenças finitas (não mais equações parciais diferenciais), são resolvidas progressivamente para cada instante de tempo, partindo-se de um instante zero e condições iniciais conhecidas. Por exemplo, para um dado instante de tempo, num primeiro momento resolve-se o campo elétrico ao longo do domínio de estudo e num segundo momento resolve-se então o campo magnético. Então, parte-se para o próximo instante de tempo. Repetem-se os cálculos até que o período a ser analisado se complete ou então até que o sistema atinja o regime permanente. Um dos pontos mais fortes do FDTD é que ele pode abranger uma gama de freqüências muito grande, desde freqüências muito baixas da ordem de alguns Hertz a freqüências elevadíssimas da ordem dos GHz. Esse método tem sido utilizado com sucesso na resolução de problemas de aterramento onde se está interessado no transitório, como a condução de uma descarga atmosférica para a terra. Porém, quando freqüências muito altas

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estão presentes, o espaçamento entre os nós, tanto no espaço quanto no tempo, deve ser consideravelmente pequeno, para que pequenos comprimentos de onda possam ser devidamente representados. Isso cria malhas de tamanhos exorbitantes, muito pesadas computacionalmente e que pode levar a tempos proibitivos de simulação. Outra grande desvantagem do MDF é que para facilitar a aproximação por diferenças finitas, normalmente adota-se uma malha espacial reticulada (estruturada), feita através cubos. Este tipo de malha não é conveniente para algumas geometrias curvas, que são muito comuns, como cilindros (modelo de um condutor, por exemplo). Esse é o fato gerador de muitos erros do método, exigindo uma discretização consideravelmente mais fina para tentar acompanhar os contornos mais curvos. Apesar disso, o MDF em especial o FDTD, tem sido utilizado para simulação de transitórios eletromagnéticos em sistemas de aterramento. O método dos elementos finitos (MEF) baseia-se na discretização do domínio de estudo em diversos subdomínios menores (ou elementos), onde os parâmetros a serem analisados em seu interior, como tensões, temperaturas, potenciais, etc., são aproximados por alguma função interpoladora a partir dos valores em seus nós. Há formulações mais avançadas do MEF que utiliza elementos de arestas, ao invés de elementos de nós, que têm sido empregados com muito sucesso por [3] em problemas de altas frequencias que envolvem propagação. Neste trabalho, limitar-se-á apenas ao MEF nodal. Ainda que o MEF seja mais complexo, menos intuitivo, conceitualmente mais elaborado e significativamente mais difícil de ser implantado que o MDF, ele é consideravelmente mais versátil que este, pois os elementos finitos não precisam ser necessariamente iguais. Isto faz com que domínios de estudo com geometrias complexas possam ser analisados com maior precisão. Além disso, podem-se estabelecer mais elementos em regiões de interesse, onde os campos variam rapidamente ou o raio de curvatura é pequeno, e diminuir o número de elementos em regiões distantes.

trata-se de um problema em que cargas elétricas em movimento constante geram campos elétricos e magnéticos invariantes no tempo.1 Formulação Matemática Nos jargões do eletromagnetismo. A tabela X abaixo resume as equações de Maxwell em sua forma geral e para o caso particular da eletrocinética. Tabela 4-1– Equações para o eletromagnetismo geral e eletrocinética nas suas formas diferenciais Forma Geral Eletrocinética Lei de Faraday Lei de Ampère Lei de Gauss r r ∂B ∇× E = − ∂t r r r ∂D ∇× H = J + ∂t r ∇⋅D = ρ r ∇⋅B = 0 r ∂ρ ∇⋅J = − ∂t r r J =σ E r ∇× E = 0 r r ∇× H = J r ∇⋅D = 0 r ∇⋅B = 0 Lei de Gauss para o Magnetismo Lei da Continuidade r ∇⋅J = 0 r r J =σ E Relação Constitutiva .24 4.2 APLICAÇÃO DO MEF EM SISTEMAS DE ATERRAMENTO 4. As equações que regem a eletrocinética podem ser facilmente derivadas a partir das equações de Maxwell ao se levar suas derivadas parciais com relação ao tempo a zero e assumir que a carga líquida em um ponto é nula.2. De outra maneira. o estudo do aterramento elétrico em regime permanente se caracteriza como um problema de eletrocinética.

Porém. relaciona-se o campo elétrico com o potencial elétrico V: r r J = σE = σ (− ∇V ) r ∇ ⋅ J = ∇ ⋅ σ (− ∇V ) = −σ ∇ 2V = 0 Destas relações. a quantidade de carga em um ponto não varia com o tempo. ΓN ΓD ΓD Ilustração 4-1 domínio de estudo truncado . onde se aplicam diferentes condições de contorno. no regime eletrocinético. não há acumulo de cargas. Por sua vez. fica claro que a equação que rege o aterramento elétrico em regime permanente é a equação conservativa de Laplace. então este ponto estará acumulando cargas elétricas. em outras palavras. a equação constitutiva relaciona uma propriedade física do material a variáveis elétricas. Para tanto. Há também outras condições de fronteira que devem ser obedecidas para garantir a unicidade à solução.25 A lei da continuidade assume a indestrutibilidade da carga. pois se o fluxo líquido de cargas em um dado ponto do espaço não for nulo. A superfície fechada Γ = ΓD + ΓN que delimita o domínio de estudo Ω é dividida em duas fronteiras. como mostrado na Ilustração 4-1. A partir da lei da continuidade e da relação constitutiva deduz-se a equação do problema deste estudo.

pois se considera que o ar é um isolante perfeito. A essa imposição denomina-se condição de Dirichlet. Essa hipótese também é muito razoável. o potencial elétrico a uma distância finita da fonte de campo tem um valor finito não nulo. . Y e Z resumem a formulação matemática que governa o aterramento elétrico em regime estacionário. É uma aproximação muito conveniente e adequada. pois se assume que não há corrente elétrica atravessando-a.26 A fronteira ΓD . nela se impõe potencial elétrico nulo. deve representar o ponto de terra remoto (infinito) e. as equações X. σ ∇ 2V = 0 V = V0 r ∂V ˆ ˆ J ⋅ n = 0 . Em suma. deve-se impor a condição de von Neumann. ou ainda =0 ˆ ∂n ˆ Onde n é um vetor normal à fronteira de superfície. porém é razoável assumir que o potencial V0 neste ponto de fronteira seja praticamente zero desde que ele esteja a uma distância razoável da fonte de campo. em em em Ω ΓD ΓN Equação 4-1 Equação 4-2 Equação 4-3 Então o método dos elementos finitos é usado para se resolver estas equações simultaneamente e este processo se inicia pela divisão do domínio de estudo. já que a condutividade do ar é significativamente menor do que a do solo comum. que representa a superfície da subestação. que foi truncada. Quanto à fronteira ΓN . ou ∇V ⋅ n = 0 . Em tese. portanto.

em elementos. Isso significa que deve haver mais elementos em regiões com maior variação (gradiente) de potencial e elementos menores nas regiões de pequeno raio de curvatura para se conformarem melhor ao perímetro.2. como é mais comum.2 Divisão do Domínio de Estudo O primeiro passo na implantação do MEF para se resolver um problema consiste na divisão do domínio de estudo em regiões menores. Podem-se utilizar os mais diversos elementos para se discretizar o domínio. Há diversos tipos de malhas. para criar as malhas. O tipo de elemento influi no tempo de processamento do problema e na precisão dos resultados. que será citado mais adiante. tanto pelo fato geométrico quanto pela magnitude do campo elétrico. A Ilustração 4-2 mostra alguns elementos.27 4. ou. . O MEF calculará o potencial elétrico nos nós da malha criada. No caso do estudo de aterramento. como as malhas estruturadas. Neste trabalho. O importante neste primeiro momento é que a malha seja adequada ao tipo de problema a ser resolvido. O processo de divisão do domínio de estudo pode ser feito manualmente. de tal forma que eles sejam conectados em seus vértices (nós). cada qual com suas características. mas que se conformam melhor em geometrias mais complexas. muito irregulares. que possuem regularidade na formação de seus elementos e as malhas não estruturadas. de forma melhorar a precisão numérica. e o aproximará dentro de um elemento através de uma função que será discutida mais adiante. os autores utilizaram o GMSH [7]. um software livre. através de um gerador de malha que divide automaticamente o domínio a ser estudado. o que é muito trabalhoso para geometrias muito grandes e complexas. isso significa que deve haver muitos elementos no entorno dos condutores.

os elementos tridimensionais são prismas de base triangular usados para representar o solo em si. Os elementos unidimensionais são usados para representar os condutores da malha.28 Elemento unidimensional Elementos bidimensionais Elementos tridimensionais Ilustração 4-2 elementos típicos para o método dos elementos finitos O GROUND-3D utiliza elementos de uma. duas e três dimensões. já que seus comprimentos são muito mais significativos que seus diâmetros. . Os elementos bidimensionais são triângulos usados para representar camadas cuja espessura são insignificantes frente ao tamanho do domínio de estudo. como a camada superficial de brita da subestação. Por fim.

y . como o triângulo de seis nós e o quadrilátero de oito nós da Ilustração 4-2. Ela define em boa parte a precisão da simulação e para cada tipo de elemento há uma função interpoladora adequada. onde se exige maior precisão dos cálculos. z ) pode assumir diversas formas. y e z são elevados à unidade. Ve ( x. z ) e =1 N Equação 4-4 A função interpoladora Ve ( x. O triângulo de três nós e o quadrilátero de quatro nós da Ilustração 4-2 são exemplos de elementos de primeira ordem. y.2. então se pode escrever que o potencial elétrico em qualquer ponto do domínio V ( x. z ) como: V ( x. Essas equações são tipicamente funções polinomiais. y. para um elemento tetraédrico que possui apenas 4 nós (em seus vértices). elementos de segunda ordem são utilizados. Em algumas aplicações. Dessa forma. define-se uma equação que aproxime o potencial elétrico ao longo de um elemento. y. Nestes elementos são utilizadas funções interpoladoras que possuem termos . que são mais simples de derivar. Por exemplo. y. uma função interpoladora típica é: Ve ( x.3 Funções Interpoladoras e Funções de Forma Depois de se ter definido a malha. Essas funções interpolam o valor do potencial elétrico dentro do elemento a partir dos potenciais em seus nós. z ) ≅ ∑Ve ( x. ao se somar as funções interpoladoras de todos os elementos do domínio têm-se uma aproximação do parâmetro de estudo (potencial elétrico) ao longo de todo o domínio (solo). se N for o número total de elementos no domínio. Então.29 4. z ) for uma função interpoladora do potencial elétrico para o elemento e. tendo um valor qualquer dentro desse elemento e valendo zero fora dele. y ) = a + bx + cy + dz Equação 4-5 A Equação 4-5 é chamada de função interpoladora de primeira ordem e é utilizada em elementos de primeira ordem. porque os parâmetros x.

y ) = ∑ α i ( x. z ) . y. Essas funções de forma têm algumas características especiais. o campo elétrico ao longo do elemento é constante: ˆ ˆ ˆ ∇V = bx + cy + dz Equação 4-6 r ˆ ˆ ˆ E = Ex x + E y y + Ez z Equação 4-7 Os coeficientes de interpolação para um elemento qualquer são determinados em função dos potenciais elétricos nos nós deste mesmo elemento. em razão do maior número de nós na malha.z) coincide com o nó a que ela se refere e assume zero nos outros nós. Ve ( x. z )Vei i =1 n Equação 4-8 A esses fatores de ponderação denominam-se funções de forma do elemento (element shape function) e eles nada mais são que funções de interpolação de ordem igual à do elemento. Porém. Mais adiante.y. o tempo de simulação aumenta consideravelmente. Por um artifício matemático. Para os elementos lineares. que reforçam a sua natureza ponderadora: elas assumem a unidade quando o ponto de interesse (x. que possuem uma função interpoladora como a da Equação 4-5.30 quadráticos de forma a possibilitar uma melhor interpolação. o gradiente de potencial ao longo do elemento é constante. y. . isto é. essas funções serão úteis para simplificar o problema de se unir os elementos em uma única equação global. a despeito da maior precisão obtida. podese escrever a interpolação no interior do elemento como um somatório dos potenciais elétricos nodais ponderados por uma função α i ( x.

2. por esta razão também é conhecido como método variacional.4 Formulação Matricial do Problema O método de Rayleigh-Ritz. determinar a combinação de potenciais que minimiza essa energia. encontra-se a potência dissipada pelo próprio elemento: r 2 2 Pe = ∫∫ σ E e dS = ∫∫ σ ∇Ve dS Equação 4-10 Calculando-se o gradiente do potencial V. vem: . obtém-se o campo elétrico para qualquer ponto de interesse e. então. Um funcional para a equação de Laplace que rege o problema é aquele que descreve a energia como aquela dissipada por efeito Joule no solo devido à circulação de corrente. A equação de Laplace. escreve-se a densidade volumétrica de potência dissipada como função da condutividade do solo e do quadrado da magnitude do campo elétrico local. r r r r r p e = J e ⋅ Ee = σ E e ⋅ E e = σ E e 2 Equação 4-9 Integrando-se a densidade volumétrica de potência dissipada por efeito Joule ao longo de todo o elemento. a potência dissipada por efeito Joule. Partindo-se das aproximações para o potencial elétrico no domínio de estudo. mas que também satisfaça as condições de contorno. é conservativa e sua solução representa um estado de mínima energia para o sistema. O cálculo variacional tem por objetivo otimizar (normalmente minimizar) uma classe especial de funções denomidas funcionais.31 4. O problema então pode ser resolvido se houver uma forma algébrica de se representar a energia do sistema em função dos potenciais nodais e. que se baseia no cálculo variacional. Partindo-se da interpretação física desse funcional. dessa forma. resolve um problema de contorno ao aproximar a solução com uma combinação linear finita de funções mais simples. que governa o problema do aterramento elétrico no regime estacionário.

Por conta disso. Logo. por serem polinômios. z ) = ∑ Vei ∇α i ( x. como função das tensões nodais: Pe = [Ve ] G (e ) [Ve ] t [ ] Equação 4-14 Onde t denota a transposição do vetor de potenciais elétricos e G (e ) é a matriz dos coeficientes do elemento. relacionando as equações de todos os elementos em um único sistema global. z )  i =1  i =1 Equação 4-11 Substituindo-se a Equação 4-11 na Equação 4-10. y. Os gradientes das funções de forma. O próximo passo é montar os elementos finitos num processo conhecido como assemblagem (do inglês assembly). Pe = ∑∑ Vei σ ∫ ∇α i ⋅ ∇α j dS Vej i =1 j =1 3 3 [ ] Equação 4-12 Definindo-se o termo entre colchetes como: ( Gije ) = ∫ σ∇α i ⋅ ∇α j dS Equação 4-13 Pode-se representar a potência dissipada por efeito Joule no interior de um elemento na forma matricial. [ ] . y.32 r  3  3 Ee = ∇Ve = ∇ ∑Veiα i ( x. tem-se a potência dissipada em um elemento em função dos potenciais nodais Ve. devido à aplicação pioneira do MEF em análises estruturais. e é dela que se trata a próxima seção. A ordem (tamanho) dessa matriz depende do tipo de elemento usado e sua ordem é igual ao número de nós do elemento. encontra-se uma forma de se expressar a potência dissipada no interior do elemento como uma função dos potenciais nodais. a matriz desse sistema é denominada matriz global. também conhecida como matriz de rigidez. são fáceis de calcular e implantar computacionalmente.

onde os nós dos elementos são os nós dos circuitos elétricos e as arestas dos elementos são condutâncias que ligam os nós. pois a unidade de seus coeficientes é de condutância (Siemens). A matriz global [G ] é obtida a partir do fato que a distribuição de potencial elétrico deve ser contínua entre as fronteiras dos elementos. prossegue-se para a montagem da matriz global. como o cálculo de determinantes. . Com a matriz global montada. Demonstra-se que um coeficiente qualquer G ij é soma das e contribuições de G (pq) de cada elemento onde os nós locais p e q são os mesmos que os nós globais i e j.33 4. Existe uma interpretação física da matriz global. a matriz global é simétrica. Gij = G ji .5 A Matriz Global e a Potência Dissipada Assim que os coeficientes das matrizes de todos os elementos forem calculados.2. A matriz global também é conhecida como matriz de condutâncias. Primeiramente. todas as numerações dos nós serão globais e não mais locais. isto é. ela pode ser enxergada como a matriz de rede de um sistema puramente resistivo. calcula-se a potência dissipada pelo sistema: P = ∑ Pe = [V ] [G ][V ] t e =1 N Equação 4-15 Onde [V] é o vetor de potenciais nodais com referência global: V1  V   2 [V ] = V3    M Vn    Equação 4-16 Há algumas características muito interessantes que a matriz global possui que acabam tornando o MEF apelativo. A simetria traz algumas vantagens em operações matriciais. como havia sido feito até então. A partir deste ponto.

Basicamente. 4. que continua altamente esparsa. O pré-condicionamento de Cholesky trata-se de uma transformação matricial que aproxima a matriz do sistema à matriz identidade. Essas características de esparsidade e banda favorecem enormemente os cálculos e reduz significativamente o tempo de computação. tornando o problema de natureza iterativa.6 A Solução do Sistema O sistema é resolvido utilizando-se o método dos gradientes conjugados. acelerando a convergência do método dos gradientes conjugados. Esse método é muito interessante do ponto de vista dos requisitos computacionais. vetores de resíduos e vetores de direções de procura. .2. a matriz é singular. Por fim. o método opera gerando seqüências de vetores de soluções aproximadas. que se mostrou muito adequado para a solução de problemas de aterramento. um método iterativo que resolve o sistema através da minimização de um funcional quadrático. que são usados para atualizar os próximos vetores solução aproximada e resíduos.34 Em segundo lugar. de modo que é impossível invertê-la numericamente. O método dos gradientes conjugados é muito eficiente para sistemas com matrizes simétricas com termos positivos. pois exige o armazenamento na memória de apenas três vetores. a matriz global é largamente esparsa para sistemas grandes e pode se tornar uma matriz de bandas se os nós forem cuidadosamente numerados. Para tratar do mau condicionamento do sistema utiliza-se uma técnica de pré-condicionamento denominada Decomposição Incompleta por Cholesky. O ICCG é um método muito eficiente e rápido. além dos termos não nulos da matriz global. A associação desses dois métodos forma o ICCG (Incomplete Cholesky Conjugate Gradientes) ou Método dos Gradientes Conjugados pré-condicionado por Decomposição Incompleta da Cholesky.

conhece-se o potencial elétrico em cada nó da malha de elementos finitos. não se utilizam mais da alimentação do sistema em tensão e sim em corrente. Este trabalho não se preocupou em analisar o potencial de passo. Substituindo-se o vetor potencial elétrico V na equação 4-15 obtém-se a potência dissipada no solo por efeito Joule. logo: R= P I2 Equação 4-18 Com a solução do problema (distribuição de potencial elétrico) também é possível prever o potencial de passo máximo a que estaria sujeito um operador dentro da subestação quando da ocorrência de uma falta. . as versões mais recentes do GROUND-3D. pois os autores julgaram que a resistência a terra do sistema já é um parâmetro representativo da precisão da simulação.35 4.2.7 Resistência do Sistema de Aterramento Após a solução do problema pelo ICCG. A partir da elevação de potencial no ponto de defeito Vd e da potência dissipada no solo é possível avaliar a resistência aparente do aterramento. como a utilizada pelos autores para a realização deste trabalho. R= Vd2 P Equação 4-17 Na realidade.

Os campos elétricos e magnéticos a uma grande distância de suas fontes decaem com o inverso da distância porque podem as fontes podem ser vistas como uma única fonte pontual. um campo magnético que se estendem ad infinitum. que os elementos finitos sejam maiores.36 4. pode parecer que mais exata será a solução numérica ao se aumentar o domínio de estudo.3 PML (PERFECTLY MATCHED LAYERS) No início deste capítulo foi citado que há um erro inerente aos métodos numéricos devido à discretização do domínio. O truncamento traz consigo outro problema ainda mais grave. há uma formulação híbrida conhecida como MEF-MEC (Método dos Elementos de Contorno). é razoável truncar o domínio de estudo se ele for dezenas a centenas de vezes maiores que a região de interesse. Ainda que seja impossível representar um domínio de estudo infinito computacionalmente pelo método dos elementos finitos. este não é o único erro inerente ao método numérico. A princípio. porém esta reduz substancialmente a esparsidade da matriz global. Uma carga elétrica produz um campo elétrico e. Em tese. a memória computacional é limitada e o aumento do domínio exigirá que a discretização seja menor. Porém. isto é. pelo menos quando o problema a ser resolvido trata de eletromagnetismo. o domínio de estudo deveria ser infinito para contemplar esse fato. se em movimento. pode-se truncar o domínio a uma distância razoável da região de interesse e assumir que o erro devido ao truncamento é muito pequeno e aceitável. isto é. Uma maneira de se contornar isso é adequar as condições de contorno na fronteira ou então utilizar o método dos elementos finitos com formulação significativamente diferente e específica. que é uma das grandes vantagens do MEF original [3]. Por exemplo. que surge devido à descontinuidade na interface. na fronteira artificial. denominado reflexão numérica. . Porém. Logo. pois os campos elétricos e magnéticos nas suas extremidades serão muito próximos de zero.

Há outra abordagem. dependem do sentido do vetor densidade de corrente. polarização ou ângulo de incidência.37 Os problemas oriundos do truncamento. σ . Ilustração 4-3 truncamento do domínio por material absorvedor anisotrópico PML Sendo o PML anisotrópico. denominada PML – Perfectly Matched Layers. na equação da continuidade. Ao se escrever as equações de Maxwell em sua forma diferencial se inclui a anisotropicidade do material através de um tensor para a condutividade elétrica. O PML pode ser considerado como uma camada ou mais de material anisotrópico de altas perdas que absorve completamente qualquer campo incidente na interface entre o PML e o domínio de estudo. mais especificamente. as propriedades do material. Essa abordagem. como a condutividade elétrica. independentemente de sua freqüência. . demonstrada em [8]. ou camadas perfeitamente casadas. mais simples e com uma correspondência física. é muito pouco intuitiva. podem ser significativamente atenuados com uma solução proposta em 1994 por Bérenger [9]. magnitude. σ . O PML foi derivado a partir das equações de Maxwell modificadas com a aplicação de uma transformação de coordenadas que “esticam” os eixos cartesianos. tanto o elevado tamanho do domínio do estudo como a reflexão numérica. da posição da camada PML em relação à região de interesse.

o PML foi deduzido através de uma transformação de coordenadas que esticavam ou contraiam os eixos cartesianos dentro da camada absorvedora e que encontrou uma correspondência física em um material anisotrópico. No caso das simulações realizadas neste trabalho. s yy e s zz . a transformação de coordenadas poderia ser feita através das relações [3]: s xx = s yy = a s zz = 1 a Equação 4-23 Equação 4-24 . σ = σΛ Equação 4-21 Onde σ representa a condutividade elétrica do material da fronteira que está em contato direto com o PML. Por exemplo. por sua vez. Por fim. para o caso cartesiano.38 J =σ ⋅E Equação 4-19 Onde o tensor de condutividade é escrito como: σ xx σ = 0   0  0 σ yy 0 0  0   σ zz   Equação 4-20 Como já mencionado. o tensor Λ é escrito em função de “esticadores de coordenadas”. em outras palavras. as camadas de PML são sempre ortogonais às direções ˆ ˆ ˆ cartesianas x . y e z . se a camada de PML for ortogonal ao eixo z.  s xx Λ= 0  0  0 s yy 0 0 0  s zz   Equação 4-22 Esses parâmetros “esticadores de coordenadas”. s xx . dependem do plano em que o PML está localizado. dependem da direção normal deste plano que atenuará com máxima intensidade as correntes incidentes. Então. o tensor da condutividade elétrica pode ser escrito em função de um único tensor Λ que contempla a transformação de coordenadas.

quão menores forem as dimensões dos elementos próximos à interface do PML. o coeficiente de reflexão na interface é inversamente proporcional à espessura do PML. Isto traz alguns reveses. Intuitivamente. . se as dimensões dos elementos tendessem a zero.39 No limite. como o aumento do número total de elementos. melhor serão as propriedades de absorção. o PML funcionaria perfeitamente. Não fez parte do escopo deste trabalho determinar as melhores dimensões e parâmetros para o PML e preferiu-se utilizar os valores propostos em [3]. Além disso. mas uma espessura muito grande pode comprometer o tamanho da malha. Uma espessura muito pequena pode não atenuar os campos suficientemente.

inclusive o dos elementos finitos.4 GMSH Como já discutido. e para manter a comunicação entre este e o GMSH. Todos os comandos envolvendo estes módulos são prescritos ou com a interface gráfica para o usuário (GUI – Graphical User Interface) ou através de arquivos de dados que utilizem a linguagem de programação própria do GMSH. com melhor discretização aonde se esperam maiores gradientes. O GMSH é constituído por quatro módulos principais: descrição geométrica. A Ilustração 4-4 e a Ilustração 4-5 mostram a utilização do GMSH para a definição da geometria de uma máquina síncrona de pólos salientes e a Ilustração 4-6 mostra a geração sua malha. cada qual com suas capacidades e limitações. logo é muito importante que elas sejam elaboradas com cuidado. o LMAG possui o seu próprio programa para resolução de problemas tridimensionais de aterramento. o GROUND 3D. surgiu o GMSH. . Criar boas malhas é pré-requisito para simulações representativas. Essa escolha mostrou-se vantajosa. Há quase uma década. Surgiram no mercado inúmeros aplicativos de geração de malhas. um aplicativo de distribuição livre capaz de gerar malhas tridimensionais automaticamente ou de forma assistida. Contudo. pois facilita as possíveis alterações nos códigos de definição da geometria e de geração da malha.40 4. com recursos de pré e pós-processamento. Isso significa que a definição da geometria. optou-se pela programação em arquivos de dados. As características das malhas afetam significativamente os resultados obtidos. resolução do método numérico e pós-processamento. e criá-las se tornou uma especialização da engenharia. a geração de malha se faz necessária em um grande número de métodos numéricos. a geração da malha e as apresentações dos resultados podem ser feitas através deste mesmo programa. com os tipos e números de elementos mais adequados para o estudo em questão. geração da malha de elementos finitos.

41 Ilustração 4-4 – geração da geometria Ilustração 4-5 – geração da malha Ilustração 4-6 – adensamento de volumes nos pólos e no entreferro .

o que consumia muito tempo. podem-se gerar mapas de cores. por exemplo. Assim que a simulação é concluída pelo GROUND 3D. mapas de campo. linhas de corrente. a interpretação dos resultados é feita através do módulo de pós-processamento do GMSH. o programa é capaz de gerar gráficos de forte apelo visual que facilitam bastante o entendimento e a interpretação dos resultados. Por exemplo. dessa forma consegue-se a geração automática dos domínios de estudos e suas malhas de elementos finitos. Dessa forma. a definição da geometria e a geração da malha se dava manualmente. . escalares ou um vetoriais. curvas de valor constante. A utilização do GMSH possibilitou a definição da geometria por parametrização.42 Há algum tempo atrás. como o potencial e campo elétrico. quando o GROUND 3D ainda não era ligado ao GMSH. Ilustração 4-7 – distribuição de pressão nas palhetas de um estágio de uma turbina para geração termoelétrica. linhas equipotenciais. através de scripts. A Ilustração 4-7 provê um exemplo das capacidades do programa. etc. Ele associa a cada nó da malha variáveis.

do lado esquerdo. do lado direito. . A Ilustração 4-8 mostra. Maiores informações sobre este programa podem ser encontradas na referência [7]. a geração da geometria onde se pode ver os subdomínios e. Isto porque o GROUND 3D só está habilitado a trabalhar com estes tipos de elementos. o GMSH fez a discretização do domínio de estudo de acordo com parâmetros especificados pelos autores. Cabe notar que o próprio GMSH levou muitos anos até amadurecer. o domínio já discretizado em elementos prismáticos. pois tipos diferentes exigiriam funções de forma diferentes. Num próximo passo.43 Para os casos analisados neste trabalho. Ilustração 4-8 – geometria criada no Gmsh e sua malha de elementos finitos A utilização do GMSH viabilizou este trabalho. pois dispensou os autores de se preocuparem com a programação de um gerador de malhas e de um pós-processador para se preocuparem tão somente com a aplicação do método numérico aos sistemas de aterramento. Todas as malhas de elementos finitos possuem apenas elementos prismáticos de base triangular para modelar o solo e unidimensionais para modelar os condutores. primeiramente geraram-se as geometrias a serem analisadas e dividiram-se as regiões do domínio.

Sua geometria e perfil do solo vieram de plantas e memoriais de cálculos obtidos pelos autores junto ao lugar que trabalham. para que se pudesse averiguar a sensibilidade do resultado à estratificação. etc.44 5. O último caso analisado foi o da malha de aterramento de uma subestação de uma usina hidroelétrica. não convergência do método. É vital que se obtenha resultados próximos aos analíticos nesta etapa para que o modelo seja validado e para que possa haver o mínimo de confiança para simular casos mais complexos que não possuem solução analítica. O solo foi estratificado em duas camadas e cada caso considerava resistividades diferentes. seis casos de uma mesma malha de aterramento padrão e um caso de uma malha real de subestação foram ensaiados utilizando-se a ferramenta de elementos finitos Ground 3D. APLICAÇÕES E RESULTADOS Este capítulo sintetiza de maneira sucinta os resultados obtidos ao longo deste projeto de formatura. já que não há solução analítica para este caso. Os resultados numéricos obtidos foram comparados com os previstos pela norma IEEE Std 80. Em razão disso. . tomando o resultado do MEF como próximo do esperado. tomou-se bastante tempo realizar estas simulações. travamento do computador por falta de memória disponível. Uma malha padrão de 16 x 16 m foi ensada para seis perfis de solo diferentes. É muito comum. solução espúria sem significado físico. Os casos que possuem solução analítica foram simulados para que se pudesse validar o programa. que os resultados sejam descartados por conta de discretizações não muito adequadas. Os onze casos simulados neste trabalho foram exaustivamente testados até que se chegasse aos resultados aqui apresentados. Quatro casos que possuem solução analítica. Os resultados aqui apresentados foram os melhores que se puderam obter com os recursos computacionais disponíveis. durante uma campanha de simulação. Esta malha foi escolhida por ser representativa dos sistemas aterramentos de subestações existentes no sistema elétrico brasileiro.

conseqüentemente.98 Rh = .8 m de profundidade. O MEF forneceu uma resistência de 21. Tabela 5-1 comparação de métodos para uma haste de 32 m de comprimento. O mesmo ocorreu com a elevação de potencial. enterrada verticalmente em um solo homogêneo.45 5. com desvio de apenas 4.004     Equação 5-1 A haste foi simulada no Ground 3D.m e r = 4 mm Diferença 4. para diminuir o tamanho da malha e. com uma malha de elementos finitos de 140 mil nós (24 Mb) que levou cerca de cinco minutos para convergir.98Ω ln 2πL   r   2π 32   0. citados no capítulo 3. Para todos os casos.84 21.84 . a resistividade aparente do solo considerada foi de 450 enterrados a 0. Como a resistência é calculada a partir desta última. o tempo de convergência.1%.98 20. O primeiro caso analisado foi o de uma haste delgada de 32 m de comprimento.1% 4. supôs-se que havia disponível 32 m de condutor de 4 mm de raio. .1 COMPARAÇÃO COM MÉTODOS ANALÍTICOS Os quatro casos de aterramento que possuem solução analítica. A comparação é resumida na Tabela 5-1.84 kV . ρa = 450 Analítico Resistência Elevação de Potencial 20. espera-se o mesmo desvio.98 kV Numérico 21. Neste caso.m e que os sistemas horizontais seriam ρ a   4 L   450   4 ⋅ 32   ln  − 1 =  − 1 = 20. muito próxima do valor teórico. tirou-se partido da simetria do problema e simulou-se apenas um quadrante do domínio. De acordo com a equação 3.1 esse aterramento deveria oferecer uma resistência de 20. com uma corrente de defeito de 1 kA. foram simulados no GROUND 3D com o propósito de se validar o programa.1% .

em solo de resistividade 450 . A figura X mostra essa distribuição e o gráfico da Ilustração 5-1 compara o resultado analítico e o numérico obtido com o Ground 3D. ρ = 450 . por ser um parâmetro representativo da precisão da simulação. Como já esclarecido.m e enterrados a uma profundidade de 0. O Método dos Elementos Finitos se mostrou muito capaz de calcular a distribuição de potencial com precisão. Para estes casos compararam-se apenas os valores das resistências. aonde o gradiente (campo elétrico) é muito intenso.m e r = 4 mm.46 O caso da haste delgada também possui solução analítica para a distribuição de potencial ao longo do solo a partir da distância da haste. . Comparação de resultados para uma haste de 32 m de comprimento 25000 20000 Potencial Elétrico [V] 15000 10000 Analítico 5000 0 0 5 10 15 20 25 Distância (m) Ground 3D Ilustração 5-1 – distribuição do potencial elétrico para o caso da haste delgada de 32 m.8 m. mesmo próximo do condutor. O interessante em se fixar o comprimento de cabo é permitir uma comparação entre os sistemas de aterramento. Em uma próxima etapa comparou-se o MEF com três casos mais elaborados que possuem solução analítica. nestes casos pressupôs-se um comprimento total de condutores de 32 m. com raio de 4 mm.

a discretização e tamanhos de domínio sugeridos pela referência [3] se mostraram muito convenientes levando a resultados bem coerentes com tempos de simulação relativamente baixos. 3.8 ln  0.8 ln  0. os parâmetros PML. onde a magnitude dos campos elétricos é muito intensa. .47 Aplicando-se as equações 3. Isso sugere que o MEF sempre erra para cima.8  32    Equação 5-2 Para o condutor disposto em L: R=   450   16 2 0.284 16 + L = 28.4%. Esta etapa foi muito importante porque os resultados aqui obtidos deram segurança aos autores para que prosseguissem com simulações de geometrias mais complexas. Os valores dos desvios são aceitáveis e os autores deste trabalho tomaram o programa GROUND-3D como validado.00 Ω ln 2π 32   0.8  + 1.004 ⋅ 0.78 Ω  4π 16     Equação 5-3 Para o condutor disposto em cruz: R=   450   16 2 0.5 para as geometrias já citadas. mesmo nas proximidades dos condutores. Para o condutor disposto horizontalmente: R=   450   32 2 0. em razão das reflexões numéricas.004 ⋅ 0. Além disso. o erro não ultrapassa 7. ainda mais se considerando o ótimo desempenho da ferramenta ao calcular a distribuição de potencial. Para os quatro casos estudados.3.4292 16 + L = 24.2373 + 0.004 ⋅ 0. encontram-se as resistências de terra das três configurações estudadas.20 Ω  4π 16     Equação 5-4 A Tabela 5-2 resume os resultados obtidos analiticamente e numericamente e estabelece a comparação e a Ilustração 5-2 demonstra a distribuição de potencial ao longo do plano do solo.8  − 0.526 − 4.8 −2+2 − L = 24.4 e 3.

0% 3.78 (c) Condutores em L (d) Condutores em cruz 195 141 20 35 26.20 Diferença 4.4% 7.52 29.98 24.1% 7.00 24.48 Tabela 5-2 – comparação de métodos para quatro casos analíticos Tamanho do Tempo de R[ ] Configuração arquivo [Mb] simulação [min] numérico (a) Haste vertical 24 5 21.84 (b) Condutor enterrado 140 20 25.3% (a) (b) (c) (d) Ilustração 5-2 – distribuição de potencial elétrico para quarto casos que possuem solução analítica .78 28.14 R[ ] analítico 20.

hm = 0. é constituída por 160 m de condutor de 120 mm2 e se situa a uma profundidade de 0. Seus parâmetros para a fórmula de Sverak são: Lt = 160 m.2 COMPARAÇÃO COM O MÉTODO DA NORMA IEEE STD 80 Uma malha de 16 x 16 m reticulada em 16 quadrados de 4 m de lado foi utilizada na comparação do MEF com a norma IEEE Std 80 e sua geometria é dada pela Ilustração 5-3. Am = 256 m2.6 m. por conta disso. estratificados em duas camadas de resistividades distintas.49 5. A fórmula de Sverak é escrita em termos da resistividade aparante na profundidade da malha e. A malha não possui hastes em seus nós.6. ela foi determinada para uma profundidade p a partir das duas camadas de cada perfil de solo através da fórmula de Schlumberger [2]:      2 1 + (2h1 p )   2K ρ a = ρ1 1 + Sendo: K= Equação 5-5 ρ 2 − ρ1 ρ 2 + ρ1 Equação 5-6 . 16 m 16 m Ilustração 5-3 – geometria da malha utilizada na comparação do MEF com a norma IEEE Std 80 Esta malha foi simulada para seis perfis de solo.

2 diferença 57% -50% -32% 46% -60% -41% Há uma grande discrepância entre o resultado numérico e o calculado pela norma.2 0.0 1.000 3. . pode-se escrever a resistência da malha 16 x 16 m em função da resistividade aparente na profundidade de 0.000 100 100 0.6 m:  1   1 1 1 + Rm = ρ a  +  1 + 0.8 15. porém os valores se situam na mesma ordem de grandeza.8 11.032194ρ a  20 ⋅ 256   160 Equação 5-7 As malhas 16 x 16 m nos seis perfis de solo foram simuladas numericamente e calculadas pelo método proposto na norma IEEE Std 80.580 2.43 0. isto é.4 52.94 -0. A malha de elemento finitos possui 400 mil nós (cerca de 48 Mb) e os tempos de simulação foram de cerca de 10 minutos para cada caso.m] [ .m] ρ2 é a resisitividade da segunda camada [ .8 61.200 10.m] [m] [ .54 -0.0 4.60 -0.94 -0.50 Onde: K é o coeficiente de reflexão do solo h1 é a profundidade da primeira cada [m] p é a profundidade para a resistividade aparente [m] ρ1 é a resisitividade da primeira camada [ .0 41.m] Através da fórmula de Sverak.9 9. pois há muitas hipóteses simplificadoras.m] Std 80 numérico (a) (b) (c) (d) (e) (f) 200 3. Os resultados são sumarizados na Tabela 5-3. Tabela 5-3 – comparação do MEF com a norma IEEE Std 80 para a malha 16 x 16 m ρ1 h1 ρ2 ρa R [ ] IEEE R[ ] caso K [ .232 1.000 3. não é exato.0 4.4 104. a distribuição de potencial elétrico está mostrada na Ilustração 5-4.1 90.0 83. Para estas simulações.808 3.7 151.000 4.639 490 7.6 800 100 1.94 218 2.0 4. Isto já era esperado pelo fato do modelo da norma ser semi-empírico.000 3.000 3.9 20.6 20 / 256  = 0.

51 (a) (d) (b) (e) (c) (f) Ilustração 5-4– distribuição de potencial para os seis perfis de solo para a malha 16 x 16 m .

A resistividade aparante do solo. cujos dados foram obtidos mediante autorização da empresa em que trabalham os autores.5 3. A malha dessa usina é irregular.geometria da malha de aterramento simulada neste trabalho O memorial de cálculo desta malha se utiliza da norma IEEE Std 80 para estimar o valor de sua resistência de terra. tem 81 m de comprimento por 49.009. para a profundidade da malha é de ρa = 2. .m. sendo os condutores espaçados de maneira não-simétrica. 49.5 m de largura. Sua geometria é dada pela Ilustração 5-5.0 15.5 16.0 81 m 16. a malha satisfaz as hipóteses e premissas da fórmula de Sverak viabilizando a utilização do método.5 12.0 11.0 17.5 m2. Mesmo não sendo regular e simétrica. hm = 0. os autores deste trabalho simularam a malha da subestação do pátio de 230 kV de uma importante usina hidroelétrica brasileira.0 11.0 Ilustração 5-5 .113 . como as encontradas nos sistemas de potência.3 COMPARAÇÃO COM UMA MALHA REAL Com o fim de se ensaiar o método dos elementos finitos como ferramenta de projeto de malhas maiores e mais complexas.3.0 17.52 5. as dimensões estão todas em metros.5 m 11. Am = 4. Os parâmetros da fórmula para esta geometria são: Lt = 783 m.

onde se traça o perfil de potencial elétrico ao longo da diagonal de uma extremidade da malha para o caso de uma corrente de defeito de 25 kA. Os resultados foram comparados na Tabela 5-4. para esta malha.53 Logo.46 .45 17. Em razão da impossibilidade de se simular um caso tão grande.6% Quanto à distribuição do potencial elétrico. A malha com a discretização típica chega a ter quatro milhões de nós e ocupar 630 Mb de memória.45 frente a 17. mesmo com uma malha menos refinada. ao menos dentro da subestação. Tabela 5-4 – comparação de métodos para a malha de uma subestação típica. Novamente. nas extremidades da malha há um grande gradiente de potencial. Porém. através da Ilustração 5-6 percebe-se que a malha cumpre bem o seu papel de equalização de potencial. que corresponde a campos elétricos intensos. A malha final resultou em um arquivo de nós e elementos de 245 Mb e levou 1 hora e 55 minutos para atingir a convergência. inicialmente surgiram muitas dificuldades em virtude do tamanho da malha de elementos finitos. minimizando os riscos a um operador transeunte quando do surgimento de uma falta a terra. levando a 1.5      Equação 5-8 Quanto à simulação numérica.8 GHz e com 2 GB de memória RAM. o fato é explicado pelas hipóteses simplificadoras da norma.m e r = 4 mm. Entretanto.6 milhões de nós. ρa = 450 número de tamanho da tempo de numérico IEEE Std 80 elementos malha simulação 1. O pior caso é ilustrado na Ilustração 5-7. A resistência de aterramento numérica resultou em 8. Para esta simulação utilizou-se um computador dual-core de 2. Nota-se que há pontos ao longo da diagonal aonde o gradiente chega a quase 4 kV/m.5  1 + 0. . o baixo valor do potencial elétrico calculado na fronteira que representa o ponto remoto garantiu que o resultado final era coerente.3 20 / 4009. a resistência da tomada de terra pelo IEEE Std 80 vale:  1   1 1 1 +  = 17.46 previsto pelo IEEE Std 80.6 milhões 245 Mb 115 min 8. houve a necessidade de se reduzir a discretização do domínio com o aumento do tamanho dos elementos.46 Ω Rm = 2113  + 783 20 ⋅ 4009. diferença 51.

54 Ilustração 5-6 – distribuição de potencial elétrico na malha Distribuição de potencial entre dois condutores para uma corrente de defeito de 25 kA 205 200 Potencial Elétrico [kV] 195 190 185 180 0 5 10 15 20 25 distância percorrida na diagonal sobre o solo [m] Ilustração 5-7 – distribuição de potencial ao longo de uma diagonal da malha .

seis malhas de terra regulares para comparação com a norma IEEE Std 80 e um caso real. aparentemente o método da norma erra para cima quando a resistividade da primeira camada é maior do que a da segunda (K negativos) e para baixo quando a resistividade da primeira camada é menor do que a da segunda (K positivos). tanto para a distribuição de potencial elétrico quanto para a resistência de terra. simulou-se a malha da subestação de uma usina hidroelétrica com o intuito de se testar a ferramenta de elementos finitos (Ground 3D) em uma malha significativamente maior e mais complexa e. que consumia praticamente toda a memória do computador. tomam-se esses valores com cautela e já se espera que eles sejam apenas uma previsão. houve a necessidade de se engrossar um pouco a malha. surgiram inúmeras dificuldades. já que os resultados obtidos numericamente foram muito próximos daqueles analíticos. de 16 x 16 m. por conta disso. oriundo de muitas simplificações e hipóteses como a resistividade aparente. Isso sugere que a fórmula de Sverak subestima a influência da segunda camada. os tamanhos de malhas ficavam intratáveis quando se utilizava a discretização proposta por [3].55 5. Neste caso. foram simulados quatro casos de aterramento que possuem solução analítica. em média. A solução foi simular em um computador pessoal de alto desempenho. Como o método da norma é semi-empírico. perdendo ligeiramente em precisão. para avaliar o desempenho do MEF na simulação de malhas de terra e compararam-se os resultados obtidos com aqueles calculados através da norma IEEE Std 80. a malha da subestação de uma usina hidroelétrica. Por fim. O primeiro empecilho foi o tamanho da malha de elementos finitos.4 RESUMO DAS COMPARAÇÕES Neste trabalho. Em uma próxima etapa. A utilização do MEF nos casos que possuem solução analítica forneceu os subsídios para a validação do programa Ground 3D. mesmo assim. porém. Admitindo-se que resultado numérico seja provavelmente mais próximo do real do que o método aproximado da norma. . porém esse fato não pode ser afirmado sem que mais investigações sejam feitas. O desvio do resultado numérico do previsto pela norma é de cerca de 50%. utilizou-se de uma malha regular. porém os resultados obtidos foram aceitáveis e coerentes.

Mais tarde. arquivos de parâmetros PML. que a simulação foi válida e representativa. foi possível simular a malha da usina em um computador pessoal de alto desempenho. que possui uma melhor interface com o GMSH. com tempo convergência de 1 hora e 55 minutos. aonde foi bem amortecido. parte desses problemas foi resolvida ao se utilizar uma versão mais nova do Ground 3D. etc. o valor da resistência de terra está em uma faixa condizente com o esperado. Os resultados obtidos demonstraram ser coerentes. Superadas as dificuldades.56 Outro problema que surgiu foi a dificuldade na manipulação dos arquivos que serviam como dados de entrada. Julgouse. Além disso. Os autores tiveram que desenvolver programas computacionais em linguagem C para gerar arquivos de condição de contorno. . quando pelo seu valor na fronteira. Também foi elaborada uma planilha em Excel para que se pudesse ler o valor do potencial elétrico nos nós da malha e gerar gráficos de distribuição de potencial ao longo de caminhos traçados no solo. então. tanto pela inspeção visual da distribuição de potencial elétrico.

Ainda que se tenha feito muitos progressos no desenvolvimento destas ferramentas e a capacidade computacional crescido consideravelmente neste par de décadas. face à inexistência de uma metodologia de projeto adequada para estes casos que não a experimental. voltado para as malhas de aterramento. pouquíssimos são os casos de malhas de aterramento de subestações que foram projetadas por métodos numéricos. que se baseia em modelos semi-empíricos. com o advento das subestações compactas com equipamentos isolados a SF6 e a tendência de se trazer as subestações para próximo dos consumidores. em particular o GROUND 3D. em particular sob a forma do programa GROUND 3D. o Laboratório de Eletromagnetismo Aplicado Prof. A confiança adquirida em razão dos excelentes resultados obtidos nesta etapa deu subsídio para que análises mais complexas pudessem ser feitas. para este tipo de projeto. de casos acadêmicos. Este trabalho teve um viés prático. que foi utilizado neste trabalho. Áurio Gilberto Falcone (LMAG) tem sido pioneiro na aplicação do método dos elementos finitos (MEF) em sistemas de aterramento. Contudo. Esses fatos foram a motivação necessária para que os autores prosseguissem seu trabalho neste tema. Este laboratório desenvolveu inúmeras ferramentas computacionais para estudos de eletromagnetismo. Por essa razão espera-se que o método numérico seja cada vez mais utilizado. A comparação de resultados com os casos que possuem solução analítica provaram que o MEF. em meio a grandes cidades. é uma ferramenta muito capaz na previsão acurada da distribuição de potencial elétrico e na estimação da resistência a terra. Ainda hoje frequentemente se utiliza a norma IEEE Std 80. as malhas de aterramento estudadas até então se tratavam.57 6. em sua maioria. Porém. soluções não convencionais para a dissipação da corrente de falta têm sido adotadas. CONCLUSÕES Há mais de vinte anos. . Dr.

Soma-se a isso o fato da resistividade aparente do solo ser uma variável ainda mais sujeita a erros. da temperatura e do tempo. Como não há solução analítica para uma malha de terra. a ponto de exigir muita memória do computador e. pelo menos da sua ordem de grandeza. No início houve muita dificuldade em gerar uma malha com uma discretização adequada à simulação. o método convergiu e o potencial no ponto remoto era sempre muito pequeno. O tamanho do domínio do estudo frente ao tamanho da malha de terra e de seus condutores fez com que o número de elementos necessários aumentasse significativamente. um método numérico. os autores propuseram a simulação de uma malha de aterramento real. apenas algumas fórmulas semi-empíricas para estimar os potenciais máximos de toque e passo presentes. ainda assim a fórmula de Sverak provê uma primeira estimativa da resistência de uma malha de aterramento. sendo uma função da umidade. Mesmo utilizando-se um computador pessoal de alto desempenho. comparou-se a resistência prevista pela norma IEEE Std 80 com os resultados numéricos de uma malha simples. que também podem não ser muito precisos. que é o método da norma já citada. foi necessário que a malha desse caso fosse engrossada um pouco para que houvesse uma diminuição do número de elementos. Por sua vez. foi possível analisar o desempenho do MEF. este método semi-empírico não provê a distribuição de potencial ao longo do solo.58 Em um segundo momento. para diversas configurações de solo. Talvez esse resultado justifique a utilização quase que unânime da norma IEEE Std 80 no projeto de subestações. e então o projeto de uma malha passa a ser praticamente heurístico. . em particular do GROUND 3D. pois a inspeção visual da distribuição de campos se mostrou muito coerente. confiou-se no resultado numérico e admitiu-se que ele seria muito próximo da solução exata. representativa daquelas existentes em qualquer grande sistema de potência. Por conta dessas vantagens intrínsecas aos métodos numéricos. possibilita a visualização dessa distribuição e os potenciais máximos podem ser estimados com muito mais precisão. é um pouco distante do resultado exato e isso já era esperado por conta da natureza semi-empírica do método. causando a instabilidade do sistema operacional. Dessa forma. Logo se concluiu que a previsão da fórmula de Sverak. Porém. reticulada. como ferramenta de projeto de malhas maiores e mais complexas. como o MEF. Porém. por muitas vezes.

. caso seja necessário. Esse tipo de traçado pode ser utilizado para estimar com maior precisão o potencial de passo da malha. a simulação ocorreu de forma tranqüila. aonde os campos elétricos eram mais intensos. Algumas estações de trabalho de alto desempenho do LMAG já possuem esses sistemas alternativos. notadamente os de aterramento. e os autores foram obrigados a construir programas para automatizar a manipulação desses arquivos.59 Boa parte dos problemas de falta de memória poderiam ter sido resolvidos se os autores tivessem utilizado outros sistemas operacionais baseados em Linux ou Unix ao invés do Windows XP. e deve ser uma ferramenta muito utilizada em projetos futuros de subestações. o projeto de um sistema de aterramento através do MEF deve ser cercado de uma série de cuidados. Estes outros sistemas possuem um gerenciamento de memória muito superior. mais complexas. a malha deve ser muito bem preparada. Fica como sugestão de trabalho futuro utilizar o MEF para comparar os potenciais de passo numéricos com aqueles obtidos através da norma e de medições em campo. com aterramentos naturais próximos. Os resultados obtidos foram muito satisfatórios e coerentes com o que era esperado. Surgiram muitas outras dificuldades. O MEF se mostrou uma ferramenta muito capaz na resolução de problemas eletromagnéticos. Principalmente. Cabe ao usuário discernimento para interpretar os dados e julgar a qualidade do resultado. além da possibilidade de haver potenciais transferidos de outras malhas próximas. Ainda assim. Superados os problemas. além deles próprios ocuparem pouca memória RAM. A utilização da ferramenta per se não garante bons resultados. Conseguiu-se traçar a distribuição de potencial ao longo da diagonal de um dos reticulados da malha. discretizada convenientemente para que não fique muito pesada e ainda assim permita uma precisão adequada. principalmente com os arquivos de dados. como encanamentos. bastando apenas pequenas modificações em seu código fonte. em meio a grandes cidades. se for aplicável. Tudo isso é passível de ser analisado em um programa como o GROUND 3D. demorando cerca de duas horas para atingir a convergência. podendo alocar memória de maneira mais eficiente. o mais próximo à borda.

a utilização do PML para redução do erro de truncamento. as possibilidades serão praticamente ilimitadas. o estudo do problema de aterramento em regime harmônico através da formulação A-V. Há muito campo para desenvolvimento nesta área e num futuro próximo. a alimentação do sistema em corrente ao invés de tensão. etc. o que não era possível naqueles primeiros anos de desenvolvimento. o amadurecimento dos computadores e do programa de elementos finitos para aterramento implantado no LMAG viabilizou a simulação de uma grande malha de subestação. melhorias na biblioteca de solução do sistema linear. a abordagem do elemento unidimensional com salto de potencial. Devido ao trabalho de muitas pessoas. . muitos avanços foram feitos sobre o programa original. no estado atual.60 É importante lembrar que ao longo destes últimos vinte anos. surgiram versões mais modernas. é possível o estudo de complexos sistemas de aterramento em regime estacionário através do MEF a partir de modestos recursos computacionais. a utilização do GMSH para geração da geometria. Ao longo deste último par de décadas. como a implantação do MEF de arestas. Este trabalho atingiu o seu objetivo ao demonstrar que. como o avanço dos sistemas computacionais. da malha de elementos finitos e do pós-processamento.

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