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OS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA

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OS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA Paulo José da Costa Junior no seu livro comentários ao Código Penal, 7ª edição ± Editora Saraiva

± 2002, página 771 e seguintes, faz oportunas considerações sobre esses crimes trazendo à colação a Exposição de Motivos ao Código Italiano, de autoria de Alfredo Rocco, na parte referente aos crimes contra a família, nos seguintes termos: ³O Estado deve dirigir, constantemente, e com o máximo interesse, a sua atenção sobre a instituição ético-jurídica da família, centro de irradiação de toda vida civil. No seio da comunidade familiar, os pais, por suas palavras e mais ainda pelo seu exemplo, modelam a alma do filho, que será o cidadão de amanhã. Segundo o ambiente moral, saudável ou viciado, que encontrar no lar paterno, verá ele crescer em si próprio a planta do homem de bem, ou, ao contrário, nele deitará raízes a triste e envenenada planta do futuro delinqüente. Deve o legislador, por todos os meios ao seu alcance, procurar resguardar na sua existência física e na sua composição moral o organismo familiar: e a tal fim servem também as sanções punitivas com a sua ameaça contra os atentados ao instituto do matrimônio, que representa o fulcro de toda sociedade bem constituída, e ao organismo familiar´. Transcreve também trecho de Arturo Rocco , sobre o tema: ³a família a primeira, a mais elementar e universal forma de comunhão social, fundada sobre vínculos de afeto e de sangue, na qual o homem vai encontrar as condições naturais para o seu desenvolvimento físico, intelectual e moral; e o Estado uma das bases sociais para seu desenvolvimento´. Ney Moura Teles, por sua vez, no seu livro Direito Penal, Parte especial, volume III, Editora Atlas, 2004, página 133 e seguintes comenta: ³A família é a base da sociedade. Nela o ser humano nasce, dá seus primeiros passos, começa a conhecer o mundo em que vai viver , recebe a proteção indispensável a seu desenvolvimento e os primeiros conceitos acerca da sociedade em que vive, incorporando no seu íntimo os valores importantes que deve cultivar e respeitar pelo resto de sua vida. É bem jurídico importantíssimo. A Constituição Federal de 1988 sobre ela estendeu seu manto tutelar, no art. 226, obrigando o Estado a conferir-lhe proteção especial. Mencionou o casamento como instrumento de formação da família, mas também reconheceu, como entidade familiar, a união estável entre homem e mulher e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. Determinou que o Estado criasse mecanismos para coibir a violência no âmbito das relações familiares.´ O nosso Código Penal, dedicou o Título VII aos crimes contra a família, com quatro capítulos: I contra o casamento; II contra o estado de

filiação; III contra a assistência familiar; IV contra o pátrio poder,a tutela e a curatela. Tendo o instituto da família recebido total consagração, vez que, conforme a nossa Constituição vigente no seu artigo 226 estabelece: ³ A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado ´. Já o § 3º estabelece que: Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como unidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. O § 4º estende o conceito de família afirmando: ³Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes ´ O § 5º estabelece que: ³Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher´. O título VII do nosso Código Penal trata: Dos Crimes contra a família, tipificados nos artigos 235 ao 249 podendo acrescentar o artigo 136 que cuida dos maus tratos por sai vez agravado quando realizado por parente ou cônjuge, o mesmo acontecendo com os demais crimes contra a vida, contra a pessoa, contra os costumes e contra o patrimônio 7.1. Dos crimes contra o casamento. 7.1.1.Bigamia Art. 235. Contrair alguém, sendo casado, novo casamento: Pena ± reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. § 1º. Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos. § 2º. Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo que não a bigamia, considera -se inexistente o crime. Cabe a suspensão condicional do processo no § 1º (L.9099/95, art.89) Objeto jurídico: A organização da família. Sujeito ativo: A pessoa casada que contrai novo matrimônio, na bigamia própria do caput. A pessoa solteira, viúva ou divorciada, que se casa com pessoa que sabe ser casada, é sujeito ativo do crime de bigamia imprópria na figura mais branda do § 1º deste artigo 235 do nosso Diploma Penal. Sujeito passivo: O Estado, o cônjuge do primeiro matrimônio e o do segundo, se de boa-fé. Tipo objetivo: É pressuposto deste crime a existência formal e a vigência de anterior casamento. Se for anulado o primeiro matrimônio, por qualquer razão, ou o posterior, por motivo diverso da bigamia, considera -se inexistente o crime (§ 2º do artigo 235 -CP). Tratando-se de casamento inexistente, ou seja, entre pessoas do mesmo sexo ou sem o consentimento válido de uma delas, não há crime pela inexistência jurídica do matrimônio

de dois a seis anos. Entretanto. casa com pessoa casada. Consuma-se no momento e lugar em que se efetiva o casamento (crime instantâneo e de efeitos perma nentes). RT 557/301). desde que vigente o casamento anterior´ (TJSP. não sendo casado. Casamento de pessoa não casada com outra casada (§ 1º): No § 1º está a incriminação contra quem não sendo casado (solteiro. não pode contrair novo matrimônio enquanto não se divorciar.501). 21 -CP). entendendo -se. em relação ao segundo casamento. 235 contém (caput e § 1º). de 1 (um) a 3 (três) anos. não isenta o agente do delito de bigamia´ (TJSP. C. nos termos amplos do art. Tipo subjetivo: Em face da expressão ³conhecendo´ o tipo requer o dolo direto não bastando o dolo eventual Pena: Do § 1º é alternativa a pena privativa de liberdade: reclusão ou detenção. P. quando aceita que o casamento começa com os atos de celebração excluindo -se a habilitação Concurso de pessoas: ³Pode haver participação de terceiros. 235. O casame nto religioso com exceção do que produz efeitos civis não serve de pressuposto para o crime de bigamia. ainda que o partícipe. entendemos que o partícipe fica sujeito à pena mais branda do § 1º (e não à do caput).] Renovar 6 ª. Termo inicial da prescrição: O artigo 111 inciso IV-CP faz referencia direta ao início do prazo prescricional dos crimes de bigamia e de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil determinando ser a partir da data em que o fato se tornou conhecido. A celebração de mais de um casamento configura crimes autônomos. por exemplo. A pessoa separada judicialmente ou desquitada como era anteriormente designada. que. a única solução permitida pela estrutura das duas figuras deste artigo´ (C. 2002 p. ³O divórcio obtido posteriormente. Comentado. contrai casamento com pessoa já casada. 20 ou de proibição art. É duvidosa a admissibilidade da tentativa. RJTJSP 110/503) . Tipo subjetivo: O dolo. Pena: (caput) Reclusão. É a nosso ver. conhecendo esta circunstância. pois não se pode puni-lo com sanção superior à cominada para o próprio agente. ³Haverá o crime. em vista das duas figuras que o art. ciente da circunstância. Ação penal: Pública incondicionada.anterior (crime impossível). Predomina o entendimento que a bigamia absorve o de falsidade. 29 do CP. auxilie o agente que comete a figura do caput. a pena do concurso de pessoas deve relacionar -se com o art. viúvo ou divorciado). Assim. Delmanto [et al. podendo ser excluído por erro quanto à vigência do casamento anterior (de tipo art.

³Configura o crime de bigamia o fato de brasileiro. Tipo objetivo: Contrair casamento: a) induzindo em erro essencial o outro cônjuge. começa a correr da data em que o crime se tornou conhecido da autoridade pública´ (TJSP. pois ambos os países punem a bigamia. ³A prescrição.95. 13. Objeto jurídico: A regular formação da família. j. por motivo de erro ou impedimento. Tendo sido incluída pelo novo diploma civil nova hipótese de erro essencial: ³a ignorância. anterior ao casamento.Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento Art. Pena ± detenção. III ± a ignorância. não mais se considera erro essencial o defloramento da mulher. 7. anterior ao casamento. ignorado pelo marido (inciso IV do artigo 219 do antigo Código Civil. RT 549/351). capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência. Sujeito ativo: O cônjuge que induziu em erro ou ocultou impedimento. anterior ao casamento. Contrair casamento. por sua natureza torne insuportável a vida conjugal.329-3. pelo contágio ou herança.962).1. ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior. por sua natureza. transação e suspensão condicional do processo. de defeito físico irremediável ou de moléstia grave e transmissível. Sujeito passivo: O Estado e o cônjuge enganado. IV ± a ignorância. AASP n° 1. sua honra e boa fama. antes de transitar em julgado a sentença final. sendo esse erro tal. SER 189. in bol. É possível: composição. Parágrafo único.557 do novo Código Civil: ³I ± o que diz respeito a sua identidade. anterior ao casam ento. se contrair novo casamento antes de divorciar se´ (TJPR. induzindo em erro essencial o outro contraente. que.³Pratica bigamia. consoante o artigo 219 do antigo C. RT 516/287. o que preenche o requisito da extraterritorialidade do Código Penal´ (TJSP. . tendo havido extinção da punibilidade retroativa a todas as condutas anteriormente praticadas. caso em que não mais se configura o tipo do artigo 236-CP. 236.11. torne insuportável a vida em comum do cônjuge enganado´. que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado.Civil de 1916/2002 e 1. anule o casamento. já casado no Brasil. levando-o a casar com alguém em erro essencial referente a pessoa como ocultação de crime anterior ao casamento. Por conseguinte. II ± a ignorância de crime.2. 523/374). contrai novo matrimônio no Paraguai. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode se intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que. de d oença mental grave que.

pois se exigia que a mulher ignorasse a existência de crime inafiançável. por motivo de erro ou impedimento. V ± o adotado com o filho do adotante. O impedimento não pode ser relativo a casamento anterior (inciso VI do artigo 1. não se tipificando o ato de simplesmente não declarar o impedimento e carece também que o outro cônjuge seja enganado. do contrário não há induzimento em erro essencial. A tentativa é juridicamente inadmissível face à condição de procedibilidade imposta pelo parágrafo único do comentado artigo 236 da lei punitiva pátria. segundo o disposto no parágrafo único. . sendo 16 impedimentos que até então configuravam o delito. devendo o direito de queixa ser exercido pelo cônjuge enganado e após o trânsito em julgado da sentença que anule o casamento por erro ou impedimento. do CC1916. anterior ao casamento. havendo no caso bigamia (artigo 235. ficando o casamento realizado nestas condições anulável nos termos do artigo 1. I a XVI. Foram operadas modificações no inciso II do artigo 219 do CC -1916.521. III ± o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante. esconder. nove casos. Civil e artigo 218 do antigo. II ± os afins em linha reta. seja o parentesco natural ou civil. a vontade livre e consciente de contrair matrimônio. Ação penal: privada. ou sejam os incisos VII e IX a XVI do artigo 183 da lei anterior em questão. b) ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior . Desapareceram. anule o casamento. IV ± os irmãos. C.100 -CP (direito personalíssimo) A contagem do período prescricional inicia-se no dia do trânsito em julgado da sentença que. Penal). Significando disfarçar. I a VII do CC 2002: ³Não podem casar: I ± os ascendentes com os descendentes. Tipo subjetivo: O dolo. Segundo a maioria da doutrina a ocultação deve ser comissiva. a extinção da punibilidade retroativa a todas as condutas anteriormente praticadas. torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado´. Tais impedimentos são os dispostos no artigo 1. induzindo a erro essencial ou ocultando impedimento.556 do novo C. havendo aí novatio legis incriminadora.521. encobrir. É imprescindível que o contraente desconheça os defeitos do outro cônjuge. ou seja. havendo. e demais colaterais. VI ± as pessoas casadas. VII ± o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra seu consorte . que tivesse sido julgado definitivamente por sentença. CC-2002.de doença mental grave que. Inaplicável sucessão queixosos do § 4º do art. Tendo ocorrido abolitio criminis com relação a essas situações. não encontrando dispositivo correspondente na nova legislação restando os sete i ncisos do artigo 1. portanto. Consuma-se no momento da celebração do casamento. até o terceiro grau inclusive. unilaterais ou bilaterais.521-CC 2002).´ Esses impedimentos constavam do artigo 183. por sua natureza. portanto.

Objeto jurídico: A regular formação da família. de três meses a um ano. não é necessária a prévia decretação de nulidade do casamento por sentença transitada em julgado. Sujeito passivo: O Estado e o cônjuge desconhecedor do impedimento. Trata-se de crime instantâneo de efeitos permanente s. ³Ação penal: é crime de ação penal pública incondicionada. ou seja. Tais impedimentos dirimentes. independe de representação do ofendido ou de seu representante legal. O novo Código Civil não repetiu a hipótese do impedimento de casamento entre o cônjuge adúltero com o co-réu condenado por esse crime (Art. 21 -CP).099/95). CC-1916) Tratando-se de mais uma abolitio criminis. Havendo erro quanto à existência de impedimento. 236. a persecução penal estaria inviabilizada. Ao contrário do delito do art. Basta que não declare o obstáculo à assunção do matrimônio para configuração com a simples omissão do agente desnecessária qualquer ação dele no sentido de ocultar o impedimento. ocorrerá o erro de tipo que exclui o dolo e.1. com o consentimento formal dos nubentes. Se dependesse de queixa ou representação desses. conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta: Pena ± detenção. ou seja. excluído o inciso VI (pessoas casadas). I a VII do CC-2002. Tipo objetivo: O agente se casa sabendo da existência de impedimento que cause ao ato nulidade absoluta (norma penal em branco cujo conteúdo carece de complementação por outra lei). Conhecimento prévio de impedimento Art. A iniciativa pública da ação decorre do fato de que ambos os cônjuges podem ser co-autores do delito. pois sua ocorrência implica no crime de bigamia (art. Ambos os nubentes sabendo dos impedimentos são co -autores. Nos termos do art. VII. Sujeito ativo: O cônjuge (ou ambos os cônjuges) que contrai matrimônio sabendo da existência de impedimento absoluto. na vontade livre e consciente de contrair casamento.7.3. 20 -CP). Cabem transação e suspensão condicional do processo (Lei 9. Consuma-se com a realização do casamento.549 do novo Código . 1.521. 183. 237. absolutos ou públicos estão arrolados no artigo 1. não se admite dolo eventual. Contrair casamento. Devido a expressão ³conhecendo´. Tipo subjetivo: É o dolo direto. que retroage em benefício dos agentes. portanto o próprio crime (Art. Engano quanto ao alcance legal do impedimento reflete na culpabilidade (Art. 235-CP). conhecendo a existência de impedimento que lhe cause nulidade.

É de natureza subsidiária. sem caráter jurisdicional. . Sujeito passivo: O Estado. Não existe forma culposa. Erro quanto a tal circunstância exclui o dolo. antes ou concomitantemente à propositura da ação penal. o órgão ministerial estará proibido de propor a ação de nulidade.127. com mandato de quatro anos e competência para. O crime em comento é uma forma específica do delito de usurpação de função pública (Art. 328 -CP).4. ob. celebrar casamentos.cit. Consoante o disposto no art. Sujeito ativo: Qualquer pessoa ou mesmo o funcionário público sem atribuição para celebrar casamento. contudo. II. somente incidindo se o fato não constituir delito mais grave. de ofício em face de impugnação apresentada. Ação penal: Pública incondicionada inexige condição procedibilidade. parágrafo único. sua legitimidade para propor a ação penal contra o cônjuge sobrevivente que omitiu o impedimento´ Capez. do antigo Código). se for praticado visando obtenção de vantagem. Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento: Pena ± detenção. O agente fingindo ser juiz de paz. É necessário o efetivo conhecimento da falta de atribuição para presidir o ato. independentemente da efetiva realização do casamento.099/95). Tipo objetivo: Delito formal cuja conduta é atribuir -se falsamente competência para celebração de casamento.1. verificar. (crime subsidiário). Elemento subjetivo: O dolo consistente na vontade livre e consciente de atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento. Assim. portanto. Objeto jurídico: A disciplina jurídica do casamento. mais grave. não se afastando. para presidir casamento civil etc. Simulação de autoridade para celebração de casamento Art. 238. de 1 (um) a 3 (três) anos. Cabe a suspensão condicional do processo (Artigo 89 da Lei 9. nada impede que o Ministério Público proponha ação civil para obter a declaração de nulidade do casamento.p. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. da Constituição Federal. remunerada.Civil (art. 208. se o fato não constitui crime mais grave. Consuma-se com o simples ato de o agente atribuir -se falsa autoridade. é composta de cidadãos eleitos pelo voto direto. bem como o cônjuge de boa fé. 98. o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias. Se um dos cônjuges tiver falecido. 7. a figura incidente será a do artigo 328 cuja pena é de reclusão. ³a justiça de paz. além de outras previstas na legislação´. universal e secret o. II. na forma da lei.

239. que o casamento seja simulado mediante (por meio de) engano de outra pessoa. portanto. ir para outro leito) Art.´ ( Delmanto. Poderão ser partícipes o escrivão. Incorre na mesma pena o co -réu.1. se o fato não constitui elemento de crime mais grave. É necessário. II ± pelo cônjuge que consentiu no adultério ou o perdoou. Simulação de casamento Art. § 2º. e dentro de um mês após o con hecimento do fato. devendo esta ser o nubente enganado ou seus responsáveis. testemunhas ou outras pessoas. Tipo subjetivo: O dolo ínsito na vontade livre e consciente de simular casamento. § 3º. expressa ou tacitamente. (subsidiário meio para outro mais grave).5. o contraente ou seu representante legal iludido Consuma-se com a efetiva simulação. na hipótese de ser necessário o consentimento destes. Consuma-se com a efetiva simulação e a dmite-se a tentativa. Cometer adultério: Pena ± detenção. § 1º.1. Admite -se tentativa. 89 da Lei 9. § 4º. representar). Adultério (ad alterum thorum ire. de 1 (um) a 3 (três) anos. Direito Penal Comentado p. Cabível a suspensão condicional do processo (Art. Inexiste modalidade culposa. Simular casamento mediante engano de outra pessoa: Pena ± detenção. Poderão ser partícipes o juiz. 240. testemunhas ou outras pessoas. Se nenhum deles é enganado. com engano de outra pessoa. 7.6. A ação penal somente pode ser intentada pelo cônjuge ofendido.7. de quinze dias a seis meses. 215). Este delito do artigo 239-CP é expressamente tipificado como subsidiário sendo excluído quando constituir meio ou elemento empregado para a prática de delito maior como para a posse sexual fraudulenta (art. O agente simula casamento mediante engano de outra pessoa . O juiz pode deixar de aplicar a pena: I ± se havia cessado a vida em comum dos cônjuges. . ³Tipo objetivo: O núcleo é simular (fingir. A ação penal não pode ser intentada: I ± pelo cônjuge desquitado. inexiste o delito. Sujeito passivo: Estado.504). Ação penal: pública incondicionada. escrivão.099/95) Objeto jurídico: A disciplina jurídica do casamento Sujeito ativo: Qualquer pessoa.

É pressuposto da infração a existência formal e a vigência de anterior matrimônio. Comentários ao Código Penal. Quanto à significação do que seja o adultério que o código menciona. A primeira corrente (a) é a mais acertada e tem a seu favor a jurisprudência recente. 1959. p. p. p. ainda que uma delas aja sem conhecimento ou seja penalmente irresponsáv el. Fragoso. ³Tipo objetivo: Trata-se de delito de concurso necessário. excluído para o co-réu pela ignorância quanto ao estado de casado do outro-20 Consuma-se com a efetiva relação sexual. Lições de Direito Penal ± Parte Especial. continuando na esfera civil. v. 1. Ação penal: Privada personalíssima não se transmite aos sucessores. VIII. como causa de separação judicial (Art. O crime não se extingue Magalhães Noronha. 530/367). 1959. porquanto só pode ser cometido por duas pessoas (de sexos opostos). H. Romão Côrtes de Lacerda. p. v. 382). pelo cônjuge desquitado (separado judicialmente e divorciado). I. c. 1965. 381). Objeto jurídico: Disciplina jurídica da família e do casamento.v. Magalhães Noronha. VIII. v. b. 1965. Cabíveis: Conciliação. entendimentos diversos sobre seus efeitos: a.cit. VI. § 3º A ação não pode ser intentada: I. Sujeito passivo: Somente o cônjuge traído. III. feriado e férias. p. Admite -se a tentativa. e pessoa (co-réu) que tem tal relação com a casada (§ 1º).II ± se o querelante havia praticado qualquer dos atos previstos no art. Código Penal Brasileiro Comentado.12. p. Sujeito ativo: O cônjuge (réu) que tem relação sexual fora do casamento no caput. v. v III. 3. do novo Código Civil). p. p. há. 317 do Código Civil. No entender da maioria dos autores o adultério não deveria mais figurar como crime. Não subsiste o crime (Romão Côrtes de Lacerda. 1959. há posições diversas na doutrina brasileira. Tipo subjetivo: O dolo na vontade livre e consciente de adulterar. conforme a regra do art. 198. 10 do CP. Extingue o crime se este não tiver sido julgado definitivamente (H. p. a. 1995.1977 e art. 165. Comentários ao Código Penal. transação e a suspensão condicional do processo. b.311)´. 5º da Lei do divórcio Nº 6. também. Direito Penal.] ob.573. 310. computando -se o dia do começo e excluindo-se o dia final. sendo inaplicável o artigo 798. Só o caracteriza o coito vagínico (Bento de Faria. Projeto de lei em curso pretende revogar este artigo 240. devendo a queixa ser oferecida no prazo decadencial de um mês. v. al. Lições de Direito Penal. v. de 26. Direito Penal. III. Delmanto [et. 505). 714). 1995. 1996. Também o configura o coito anormal ou qualquer ato sexual inequívoco (Damásio de Jesus. . Não se prorroga em face de domingo. (C. Quanto à anulação do casamento. Fragoso. Direito Penal. § 3º. 714). com apoio em Hungria.515. do CPP (RT. III.

tentativa de morte. que tornem evidente a impossibilidade da vida em comum. não impede a decadência. condenação por crime infamante. Dos Crimes contra o estado de filiação 7.572 e 1. indícios razoáveis de que o delito tenha ocorrido. texto já substituído pelos artigos 1. não se considerando como tal meras suspeitas´ (STF. se anuiu. conduta desonrosa. pelo cônjuge que consentiu no adultério ou perdoou expressa ou tacitamente. per dão está implícito na coabitação. O Juiz pode conceder o perdão (preenchidos os requisitos legais para concessão. se havia cessado a vida em comum dos cônjuges. Quanto a natureza do perdão judicial é causa extintiva da punibilidade (107. RT 435/382.573 do novo Código Civil: adultério. Julgados 79/285) ³A ação penal por adultério somente pode ser exercida dentro de um mês após o conhecimento do fato. Sujeito ativo: Qualquer pessoa.IX). ³Para recebimento da queixa. é suficiente que haja.515/77 (conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres do casamento e tornem insuportável a vida em comum). de 2 (dois) a 6 (seis) anos. constitui direito subjetivo do réu e não faculdade do juiz). Registro de nascimento inexistente Art. e outros. I. o que se pode traduzir pelas circunstâncias em que o casal é encontrado. tentativa de morte.II. 531/352). . RTJ 93/532).1. devido ao retardamento do inquérito. ³Conta-se do conhecimento certo e seguro´ (TACrSP. ³Conta-se o prazo decadencial a partir do conhecimento inequívoco do fato.2. sevícia. ³O inquérito policial não é elemento indispensável para a propositura da ação penal por adultério´ (STF. sevícia ou injúria grav e. 241. Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexiste: Pena ± reclusão. no inquérito policial. RT 783/653). se o querelante havia praticado qualquer dos atos previstos no revogado artigo 317-CC 1916 ( adultério. de tal forma a sugerir a prevaricação conjugal´ (TACrSP. Objeto jurídico: O estado de filiação. cujo prazo é fatal e peremptório´ (TACrSP. RTJ 120/191). II. aquiesceu. o ingresso tardio em juízo. injúria grave ou abandono do lar durante dois anos consecutivos) ou os equivalentes do artigo 5º da Lei 6. abandono do lar durante um ano contínuo.

2. 53139).2. quando perpetrado para uso perante o Governo Federal.3. podendo o juiz deixar de aplicar a pena.099/95). DJU 22. RT 381/152). o registro do nascimento de uma criança não concebida ou de um natimorto. de 2 (dois) a 6 (seis) anos.2. b) obedece a regra geral cujo início é a partir da data da ocorrência do fato. Tipo subjetivo: O dolo consistente na vontade livre e consciente de promover a inscrição no nascimento inexistente. de 30. Sujeito ativo: Só mulher Sujeito passivo: Os herdeiros prejudicados.898. Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: Pena ± detenção. IV -CP. Parto suposto. Sobre o termo inicial da contagem do prazo prescricional há duas orientações na doutrina: a) o termo inicial segue a regra do art. ³Fica isento de pena o réu que promoveu o registro enganado pela co-ré.9.299) fica absorvido por este por ser o falso elemento do crime deste artigo 241 do nosso Código Penal. Admite-se a tentativa. A conduta deve objetivar a inscrição falsa. 7.2. ou seja a partir da data em que o fato se tornou conhecido (H. registrar como seu filho de outrem.94. de um a dois anos. supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido.1. O crime de falsidade ideológica (art. Inexiste for ma culposa.Parto suposto (1ª figura do caput): Objeto jurídico: Estado de filiação. Cabem no caso do parágrafo único: Transação penal e a suspensão condicional do processo (Artigos 87 e 89 da Lei 9. Ap. 7. que simulou gravidez e o nascimento durante a sua ausê ncia (TJSP. requerer. provocar. Tipo objetivo: Dar parto alheio como próprio (não incluindo o oposto: dar o próprio parto como alheio) É necessário que haja a criação de situação em que prenhez e parto são simulados e apresentado recém - . Parágrafo único.Sujeito passivo: O Estado e pessoa prejudicada pelo registro. 241. p.81. Tipo objetivo: Trata-se de promover dar causa. Fragoso e Magalhães Noronha). 111. ou seja. Ação penal: Pública incondicionada.. suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: Pena ± reclusão. Dar parto alheio com próprio. 812. ocultar recém-nascido ou substituí-lo.³Compete à Justiça Federal julgar o crime do art. Caput e parágrafo único com redação dada pela Lei 6. Consuma-se com a inscrição no registro civil. a fim de obter permanência no País´ (TRF da 2ª R.

p.87. Tipo subjetivo: O dolo. Duas correntes: a) A finalidade é exigida para todas as figuras do art. Crimes contra a Religião.2. ou então o parto real com nat imorto substituído por filho de outrem independentemente do falso registro civil. . Comentários ao Código Penal. 242 (Beni Carvalho. b) obedece a regra geral cujo início é a partir da data da ocorrência do fato. parentes ou não Este crime absorve a eventual falsa inscrição no registro civil. 111. na hipótese de reconhecer -se o elemento subjetivo do tipo). 5639). a criança existe. v.Registro de filho alheio (adoção à brasileira) 2ª figura do caput. 1995. os Costumes e a Família.113. Ação penal: Pública incondicionada. 7. Tipo objetivo: Registrar com o sentido de declarar o nascimento. 391). ³O fato de ser nobre o motivo do parto suposto ameniza a pena e permite a aplicação do perdão judicial. hipótese em que sobre o termo inicial da contagem do prazo prescricional há duas orientações na doutrina: a) o termo inicial segue a regra do art. Objeto jurídico: O estado de filiação.4.2. VIII. 316.2. mas de uma terceira pessoa. 1943. providenciar sua inscrição no registro civil. consistente na vontade livre e consciente de dar parto alheio como próprio. porém sua filiação é diferente da que é oficializada. mas não descaracteriza o crime´ (TFR. ou seja a partir da data em que o fato se tornou conhecido (H. p. Sujeito passivo: O Estado e as pessoas prejudicadas pelo registro. Direito Penal. Fragoso e Magalhães Noronha). Consuma-se com o efetivo registro (ou com a supressão ou alteração. v. 355). Admite-se a co-autoria e participação de outras pessoas.nascido alheio como se fosse próprio. também as duas primeiras (parto suposto e registro de filho alheio). III. Com respeito ao elemento subjetivo do tipo discute-se quanto à finalidade inscrita no final do artigo (suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil) refere -se tão só às duas últimas figuras (ocultação e substituição) ou alcança. IV-CP. Houve o nascimento. Consuma-se com a situação que altera efetivamente a filiação da criança. p. A ação incriminada é registrar como seu filho de outrem. Declarar-se pai ou mãe de uma criança que na verdade n ão é seu filho. RCr 1. ou com a supressão ou alteraç ão dos direitos. DJU 2. b) a finalidade só se refere às figuras de ocultar e substituir (Magalhães Noronha. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. 1959. Tipo objetivo: É o dolo na vontade livre e consciente de registrar. Não existe punição a título de culpa. Romão Côrtes de Lacerda. p. Admite-se tentativa. Admite-se tentativa.

5. 7. 242 -CP). Urge a ocultação c om a privação dos direitos do recém-nascido. Consuma-se com a supressão ou alteração dos direitos. TJSP. 7.2. Tipo objetivo: É punida a substituição. de um a dois . Admite -se tentativa. o juiz poderá aplicar a pena de detenção. Objeto jurídico: O estado de filiação. suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil. solidariedade etc). A troca pode ser por criança viva ou natimorta. ³A nova redação do art. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. e agindo sem o intuito de alterar a verdade nem de prejudicar direito ou criar obrigação´ (TACrSP. humanidade. Figura privilegiada (parágrafo único do art. Ocultação de recém-nascido (3ª figura do Caput do art. esconder. a troca de recémnascido.2. Objeto jurídico: O estado de filiação. RJTJSP 162/303). Admite-se tentativa. incrimina agora quando antes ficava atípico pela falta do elemento subjetivo do tipo quando era em benefício da criança. se ao contrário. 242 não é mais benigna. na doutrina tradicional é o dolo específico do tipo. Consuma-se com a efetiva supressão ou alteração dos direitos. atribuindo-se a um os direitos de estado civil do outro.2. Em qualquer das figuras deste crime ocorrendo a prática motivada por reconhecida nobreza (generosidade. Tipo objetivo: Ocultar. Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo para supressão ou alteração.3.2.4. RJTJSP 80/395). o registro de nascimento das crianças substituídas.2. de modo que não pode ser aplicada aos registros ocorridos antes de sua vigência´ (STF. Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo relativo ao especial fim de agir para alterar ou suprimir.2. Substituição do recém-nascido (4ª figura do caput).A retroatividade ou irretroatividade depende de que seja considerada a nova figura deste artigo que substitui o falso da adoção à brasileira. Na escola tradicional: dolo específico. 7. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. ³Absolve-se quem registra filho alheio como seu com a intenção de salvar a criança. TJSP. ou seja. Desnecessária à configuração. sonegar o recém-nascido no sentido comum e não restrito ao conceito científico. RT 698/337. RT 600/355. beneficia o agente ou. despreendimento. 242). RT 591/410.

227. Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo no especial fim de agir para prejudicar direito inerente ao estado civil. A vítima deve ser abandonada em instituição pública ou particular.3. ou deixar de fixá-la.. deixa -se de aplicar a pena. Abandono material . Art. Objeto jurídico: O estado de filiação.2. 30.898.1. aplicando o perdão judicial conforme Lei 6. havidos ou não da relação do casamento. 7. criar e educar os filhos menores. não se enquadrando no tipo a ação de largar em outro local. 243 do CP só pode ser reconhecido se houver intenção de prejudicar direitos relativos ao estado civil´ (TJSP. e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice. 4. terão os mesmos direitos e qualificações. ³Ficando reconhecido que agiu com fim nobre. p. Cabe a suspensão condicional do processo (Art. O abandono deve vir acompanhado da ocultação da filiação ou atribuição de filiação diferente da real. (dolo específico). e multa. seja a criança registrada ou não. com o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil: Pena ± reclusão. Ação penal: Pública incondicionada. 89 da Lei 9.3. Ap. ou por adoção. § 6º: ³Os filhos. 229: ³Os pais têm o dever de assistir. ocultando -lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra. Dos Crimes contra a assistência familiar (244 a 247).038. ³O crime do art.3. 7. Constituição Federal: Art. de 1 (um) a 5 (cinco) anos. 243. carência ou enfermidade´.. 7. Sujeito ativo: Qualquer pessoa.81.3. proibidas quaisquer designações discriminatória s relativas à filiação´. Consuma-se com o abandono de que resulte ocultação ou alteração do estado de filiação.1081.099/95). 242´ (TFR. Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio. Sonegação de estado de filiação Art. 10810). DJU 29. Admite -se a tentativa.anos. RT 542/341). Tipo objetivo: Filho próprio ou alheio de forma outras pessoas fora os pais podem ser autoras do crime. de acordo com o a tual parágrafo único do art.

frustra ou ilide. ascendentes ou descendentes. atender à subsistência: a) do cônjuge. da falta de assistência (recursos médicos) para com o portador de enfermidade grave. etc. gravemente enfermo: Pena ± detenção. Cuida-se aqui da falta de cuidados pessoais.* de qualquer modo. 89 da Lei 9. habitação. b) de filho menor de 18 anos ou inapto para o trabalho c) de ascendente inválido ou maior de 60 anos. sem justa causa. respeitados os prazos processuais civis eventualmente cabíveis. descendente ou ascendente. Há justa causa no caso do pai desempregado que não possui o dinheiro suficiente para o próprio sustento. Tipo objetivo: Trata-se de três figuras típicas em que a falta de justa causa é elemento normativo: 1) deixar. de socorrer descendente ou ascendente. Tipo subjetivo: O dolo expresso pela vontade livre e consciente de deixar de prover à subsistência. sendo solvente. gravemente enfermo. ou seja. Não há forma culposa. (* conforme original. ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos. Nas mesmas penas incide quem. (Subsistência. de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no país.741/2003 (DOU 03. deixar sem justa causa. faltar ao pagamento da pensão ou deixa r de socorrer. . Objeto jurídico: A proteção da família. Observação: Caput com redação determinada pela Lei 10. vestuário. fixada ou majorada. 2) faltar (sem justa causa) ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada . não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. Parágrafo único. de prover a subsistência do cônjuge. pais. fixada ou majorada. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. e multa. sem justa causa.Art. como os alimentos. injustificadamente. ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho. correto: ³elide´ ).2003) em vigor decorridos 90 (noventa) dias de sua publicação. meios necessários à vida. inclusive por abandono injustificado de emprego ou função. Cabe a suspensão condicional do processo (art. Sujeito passivo: As mesmas pessoas acima. fixada ou majorada. 244. Consuma -se com a efetivação das condutas incriminadas. 3) deixar de socorrer.099/95). Deixar. Sujeito ativo: Somente os cônjuges. de prover. medicamentos.10.

RJDTACr 12/133-4). Ação penal: Pública incondicionada. deve providenciar a exoneração ou redução da obrigação´ (T ACrSP. pois é notório que o cidadão com antecedentes criminais tem grande dificuldade de encontrar ocupação lícita. TACrSP. 244 do Código Penal. burla) ou elide (suprime.. 19 da Lei nº 5. 733. a vontade livre e consciente de não prover a subsistência´ (TACrSP. da Constituição Federal. Lei 10. elimina). ³Em tese.2003 (Estatuto do idoso) : (. RJDTACr 16/56). Pago o débito alimentar e revogada a prisão civil nada interfere na configuração do art. isto é. frustra (engana. perde a ação penal a situação antecedente e.10. sendo solvente. RTJ 88/402). Julgados 77/356.É controvertida a possibilidade de tentativa. tornando impossível. frustrar o pagamento de pensão alimentícia judicialmente fixada´ (STF.) . ³Estando a prisão civil condicionada ao inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia´ (art. prover a subsistência dos dependentes´ TACrSP. sob comento. Omissivo permanente. inclusive por abandono de emprego ou função. Tem o objetivo de forçar o devedor a cumprir a obrigação e será imediatamente revogada quando o débito for pago. LXVII). 5º. com as mesmas penas do caput . de 01.478/68 (Lei de Alimentos) sobre a possibilidade de o juiz decretar a prisão civil pelo não pagamento de dívida de alimentos. RT 764/632. o pagamento de pensão alimentícia a que é obrigado judicialmente.5º. o delito não é considerado caracterizado´ (TACrSP. não o faz por absoluta hipossuficiência econômico financeira´ (TJGO. RT 786/663). ³O delito de abandono material exige o dolo . 95/78). ³É irrelevante a alegação de que não lhe era permitido visitar os filhos e. Dispõem o art.. ³Reconciliado o casal. e passando a família a conviver novamente no lar comum. do CPC e o art. na prática. de qualquer modo. § 1º. prevista expressamente no art. pode configurar o ato de quem abandona emprego para. que já se consumou com o não pagamento das pensões.741. injustificadamente. A disposição inclusa no parágrafo único pune. durante o processo. com mais razão há de se ressaltar essa perspectiva no Direito Penal. LXVII. nada tem com a sanção criminal contra aqueles que cometem o crime pr evisto no art. se houve alteração em sua situação econômica ou dos filhos. 244. ³Não comete o crime o agente que. RT 381/284). a condenação de acusado de parcos recursos milita contra o desiderato do legislador penal. quem. obrigado por decisão judicial a prestar alimentos.

93. A pena será aumentada de 1/3 (um terço) se a vítima se encontrar sob os cuidados ou responsabilidade do agente. o socorro de autoridade pública: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. no que couber. de 26 de setembro de 1995. de 24 de julho de 1985 . aos meios de transporte. § 2º.347. 98. § 1º. . física e psíquica. Na mesma pena incorre quem desdenhar. Expor a perigo a integridade e a saúde. ou não pedir. ou não prover suas necessidades básicas. por motivo de idade: Pena ± reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. sem justa causa. Aos crimes previstos nesta Lei. humilhar. 181 e 182 do Código Penal. se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave. quando obrigado a fazê-lo. 99. Discriminar pessoa idosa. e triplicada. entidade de longa permanência.099. Art. Os crimes definidos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada. se resulta morte. subsid iariamente. Deixar de prestar assistência ao idoso. as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal. 94. ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania. 97. Abandonar o idoso em hospitais. 95. ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado: Pena ± detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa. Art. quando possível fazê-lo sem risco pessoal. Art. A pena é aumentada de metade. as disposições da Lei 7. do idoso. nesses casos. e. menosprezar ou discriminar pessoa idosa. Art. Capítulo II ± Dos Crimes em espécie Art. não lhe aplicando os arts. quando obrigado por lei ou mandado: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 3 (três) anos e multa. Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena ± reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos. ou congêneres. casas de saúde. ou recusar. em situação de iminente perigo.Título VI ± Dos Crimes Capítulo I . no que couber. retardar ou dificultar sua assistência à saúde. § 1º. § 2º. aplica -se o procedimento previsto na Lei 9. 96. Parágrafo único. por qualquer motivo.Disposições gerais Art. cuja pena máxima privativa de liberdade não ultrapasse 4 (quatro) anos. Aplicam-se subsidiariamente. impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias. submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis. Se resulta a morte: Pena ± reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. (Lei da Ação Civil Pública) Art.

contratar. 105. Lavrar ato notarial que envolva pessoa idosa sem discernimento de seus atos. retardar ou frustrar. sem a devida representação legal: Pena ± reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. bem como qualquer outro documento com objetivo de assegurar recebimento ou ressarcimento de dívida Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa. de qualquer modo. proventos. retardar ou frustrar. Exibir ou veicular. sem justo motivo. retardar ou omitir dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil objeto desta Lei. Coagir. informações ou imagens depreciativas ou injuriosas à pessoa do idoso: Pena ± detenção de 1 (um) a 3 (três) anos e multa. Art. 102. sem justo motivo. 100. Constitui crime punível com reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa: I ± obstar o acesso de alguém a qualquer cargo público por motivo de idade. Induzir pessoa idosa sem discernimento de seus atos a outorgar procuração para fins de a dministração de bens ou deles dispor livremente: Pena ± reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. Art. por qualquer meio de comu nicação. 103. dando -lhe aplicação diversa da de sua finalidade: Pena ± reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa. quando requisitados pelo Ministério Público. retardar ou dificultar atendimento ou deixar de prestar assistência à saúde. Negar o acolhimento ou a permanência do idoso.´ . Art. Art. Reter o cartão magnético de conta bancária relativa a benefícios. Art. por motivo de idade. III ± recusar. Art. pensão ou qualquer outro rendimento do idoso. 101. 104. testar ou outorgar procuração: Pena ± reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. II ± negar a alguém. Art. Deixar de cumprir. IV ± deixar de cumprir. emprego ou trabalho. sem justa causa. por recusa deste em outorgar procuração à entidade de atendimento: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. 106. 107 . a pessoa idosa. proventos ou pensão do idoso. a execução de ordem judicial expedida nas ações em que for parte ou interveniente o idoso: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. a exec ução de ordem judicial expedida na ação civil a que alude esta lei. 108. Art. c omo abrigado.Art. V ± recusar. Apropriar-se de ou desviar bens. o idoso a doar.

245. art. CADH. Basta a situação de perigo abstrato.090/95). 5º. as pessoas que se dedicam à prostituição. independentemente da natureza da filiação. Entrega de filho menor a pessoa inidônea Art. a nova redação do dispositivo alcança não só o perigo moral. pois. contravenções de jogo ou de mendicância etc. possa colocá -lo em perigo moral ou material. cit. não se podendo punir o agente quando o perigo só se revelou depois da entrega. O erro quanto ao perigo deve ser avaliado de acordo com o art.7. como o material. 18. É necessário que o perigo seja anterior ou concomitante à entrega. a cuja companhia o filho é entregue. lembramos os que podem conduzir a atividades arriscadas. É necessário. Cabem: a transação penal no caput e suspensão condicional do processo no caput e §§ 1º e 2º (arts. . fl.3.251. 76 e 89 da Lei 9.84 deu nova redação ao caput e introduziu os dois parágrafos. pois o tipo não contém referência expressa a culpa (cf. art. Embora a rubrica se refira a pessoa inidônea. esse lapso deve ser juridicamente relevante. A Lei 7. CP art. 514 e 515). de um a dois anos. 1. Sujeito ativo: No caput e § 1º somente os pais (naturais ou adotivos). com o fito de obter lucro. XXXIX. art. também. 15. Como exemplos de pessoas capazes de colocar o menor em risco material.´ (Delmanto ob. 9º. Sujeito passivo: O filho menor de 18 anos. A pena é de um a quatro anos de reclusão. Além disso. Objeto jurídico: A assistência aos filho menores. seria insólito cominar -se idêntica sanção tanto a quem age por dolo como culposamente.11. Embora não se requeira que a entrega seja por maior tempo. Entregar filho menor de dezoito anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo: Pena ± detenção. Tipo subjetivo: É o dolo direto (³saiba´) ou dolo eventual (³deve saber´). 1º). embora excluído o perigo moral ou material. insalubres. Incrimina -se a entrega do filho menor de 18 anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo. ou se o menor é enviado para o exterior. PIDCP. que essa pessoa. Levando tal interpretação à violação do princípio da reserva legal (CR/88. Quanto ao risco moral. temerárias etc. se o agente pratica delito para obter lucro. ³Tipo objetivo: Entende-se entregar como deixar sob a guarda ou cuidado. Incorre. na pena do parágrafo anterior quem. 20 do CP.2. § 2º. Não se pode interpretar a locução verbal ³deva saber´ como indicadora de culpa. CP. art. de 19. auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior. crime. § 1º. II e parágrafo único).

238 (ECA). Tipo objetivo: Pune-se quem auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior . não faz coisa julgada na esfera penal a decisão cível que deferiu a adoção de menor a casal estrangeiro´ (STJ. independentemente da natureza da filiação. Sujeito passivo: O filho menor de 18 anos. RT 748/570).94. Pena do caput: Detenção. 1ª forma ± fim de lucro: Incide o § 1º quando a entrega do filho menor é praticada para obter lucro (bastando a finalidade mesmo sem o efetivo lucro). vide art. através do Decreto Legislativo nº 28/90. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. após a sua devida ratificação pelo Poder Legislativo. Figuras qualificadas do § 1º do artigo 246 -CP: O Presidente da República. assinada na Cidade do México em 18. RT 748/570).3. 239 do Estatuto da Criança e do Adolescente transcrito. Se o agente ³promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro´. embarque etc.8. 245 -CP).29 CP). Participação autônoma (§ 2º do art. de 1 (um) a 2 (dois) anos. 2ª forma ± enviado para o exterior: Mais gravemente é punida a entrega do filho menor quando é enviado para o exterior com o resultado imputado ao agente por dolo ou. determinou o cumprimento em nosso País da Convenção Interamericana sobre Tráfico Internacional de Menores.740. ³Questão prejudicial: Não tendo o juízo cível apreciado o tema da falsidade das adoções.Consuma-se com a entrega do filho. Se não chega a sair do nosso país não incide esta figura qualificada. Embora delito próprio pode haver participação de terceiros (art.98. de 20. ³Tendo o Congresso Nacional. compra de passagem. Admite-se tentativa. mediante paga ou recompensa´. não há mais de se discutir sobre a competência da Justiça Federal em casos de tráfico internacional´ (STJ. e o Governo Federal. por força do Decreto nº 99. Ação penal: Pública incondicionada. sem dependência de efetivo dano moral ou material pois trata-se de crime de perigo. através do Decreto nº 2.710/90. Se o agente ³prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro. . ao menos culposamente (preterdolo). vide art. Exemplos: preparação de papéis ou passaporte. incorporado ao direito pátrio os preceitos contidos na Convenção Interamericana sobre os Direitos da Criança.

indiferentemente que ha ja ou não risco moral ou material para o adolescente.[et al]. e 229. 208. ³Tipo objetivo: Deixar de prover tem a significação de não tomar as providências necessárias.3. de quinze dias a um mês. o agente revela.1990): ³Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior. Admite-se a tentativa. Como causas justas podem ser lembradas a falta de escolas ou vagas. sem justa causa. segundo Heleno Fragoso. Pena da forma qualificada: 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão. 745). ou não.. também a instrução rudimentar dos pais ( Lições de Direito PenalParte especial. inequivocamente. com inobservância das formalidades legais ou com o fito de lucro: Pena ± reclusão de 4 (quatro) a 6 (seis) anos. 227.3.III. p. Cabem: a transação e a suspensão condicional do processo (76 e 89). desde já. Deixar. Consuma-se com o ato de auxílio. C. Assim.07. CR/88: Sobre o dever de educar: Arts. após os 7 anos de idade do filho. ou multa. de prover à instrução primária de filho em idade escolar: Pena ± detenção. com consciência do destino do jovem e o elemento subjetivo do tipo ou seja o fito de obter lucro. e multa. 246. mas terceiro que promove ou auxilia o envio do menor ao exterior. I. de 13. v.Tipo subjetivo: O dolo representado na vontade de auxiliar a prática nefasta do ato. Para a tipificação impõe-se que a conduta seja sem justa causa (elemento normativo). 7. em companhia dos genitores ( C.069..514). Tipo subjetivo: O dolo detectado na vontade livre e consciente de não cumprir o dever de dar educação. o agente omite -se nas medidas que podem propiciar instrução primária (de 1º grau) de filho em idade escolar. § 6º) e de viver ele. independentemente da saída do adolescente para o exterior ou da obtenção do lucro pois é crime formal. art. 205. 6ª ed. penúria da família e. Führer assevera que o § 2º deste artigo 245-CP foi revogado tacitamente pelo artigo 239 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8. Abandono intelectual Art.P. ³Consumação: Entendemos que se consuma o delito quando. distâncias a percorrer. 1965. Delmanto. Ressalte-se. Ação penal: Pública incondicionada.Comentado. O delito configura-se independentemente da legitimidade do filho (CR/88. Renovar. 2002 p. que neste caso o agente não são os pais. sua vontade .

É. a vontade livre e consciente de permitir aquelas condutas do adolescente. conviva. Cabem: a transação e a suspensão condicional do processo (76/89 L. ou multa. o elemento subjetivo do tipo referente ao especial fim de agir (³para excitar a comise ração pública´).9099) Objeto jurídico: A preservação moral do adolescente. Ação penal: Pública incondicionada. 229 do CP) entende-se aquela em que o meretrício é exercido e não a casa onde a prostituta mora. de um a três meses. ³Para a tipificação do delito do art. ainda.4. na hipótese do inciso IV.´ Tipo subjetivo: O dolo. sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda. Pena: É alternativa: detenção. IV ± mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública: Pena ± detenção. Julgados 70/290). ³Tipo objetivo: A conduta prevista é permitir alguém (expressa ou tacitamente) que menor de 18 anos. Não pode ser punido o agente se o adolescente assim se comporta. pois seria absurdo puni -la por não deixar o filho. Por casa de prostituição (vide art. resida e mendigue . física e mentalmente. 240 da Lei nº 8. Não se admite a tentativa. II ± freqüente espetáculo capaz de pervertê -lo ou de ofender-lhe o pudor. tenha qualquer dos comportamentos indicados nos incisos. Art. apesar de sua oposição. sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância: I ± freqüente casa de jogo ou mal-afamada. ou multa. Inexiste forma culposa. Julgados 95/78). 247. ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida.de não cumprir o seu dever (delito omissivo permanente)´. Sujeito passivo: O jovem de idade inferior a 18 anos. Quanto aos verbos freqüente. a praticar os deveres inerentes ao pátrio poder´ (TACrSP.069/90 (ECA). ver art. 7. ou participe de representação de igual natureza. televisiva ou película cinematográfica. ou seja.3. . 246 do CP é necessário que o agente esteja capacitado. Permitir alguém que menor de dezoito anos. com utilização de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica. sendo necessária a habitualidade. No caso de produção ou direção de representação teatral. III ± resida ou trabalhe em casa de prostituição. necessário. de quinze dias a um mês. Sujeito ativo: Os pais ou qualquer pessoa responsável legal pelo adolescente. ³É mister o dolo. não basta a conduta ocasional. o que não ocorre nos casos em que a pobreza é causa determinante da situação´ (TACrSP. Abandono moral.

A tutela encontra-se atualmente prevista nos artigos 1. Art. tutela ou curatela. 1. menor de 18 anos. sendo necessária a efetiva fuga (afastamento) do menor ou interdito. IV. e ter duração expressiva. mas inadmissível na posterior.638-CC-2002). Erro: O eventual engano do agente. sem ordem do pai.4. do tutor ou do curador. Objeto jurídico: Os direitos do poder familiar. a) ³induzir menor de 18 anos.9099). televisiva ou película cinematográfica. de 1 (um) mês a 1 (um) ano. Consumação: Se a permissão for dada antes. ou multa.728 a 1. Ação penal: Pública incondicionada. no ato desta. o agente que dá permissão aos filhos menores de 18 anos para mendigar. quanto ao local ou atividade.783.1. tutela e curatela. sem justa causa. 247. primeira parte. assim. a ambos os genitores o exercício dos direitos e deveres relativos à prole. ou deixar. Induzimento a fuga. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. O termo ³pátrio poder´ foi substituído por ³poder familiar´ (arts. deve ser avaliado à luz do art. RJDTACr 22/41). Induzir menor de dezoito anos. em virtude de lei ou de ordem judicial. se posterior a permissão. de entregá -lo a quem legitimamente o reclame: Pena ± detenção. pois. induzir é aconselhar. competindo.´ ³Incorre no art. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade.069/90. 248. utilizar o próprio filho ou pessoa a ele confiada.³Absorção: Na hipótese do produtor ou diretor de representação teatral.766 e a curatela nos artigos 1. ou multa. mediante a entrega de bilhetes em que só solicita auxílio financeiro. proveito próprio´ (TACrSP.630 a 1. sem consentimento tácito ou expresso dos responsáveis. 7. . auferindo. incitar. Pena: É alternativa: detenção. ou interdito.767 a 1. ou interdito. Civil. persuadir. todos do novo C. no momento da conduta proibida. haverá só o crime do art. algum menor de dezoito anos. Tentativa: Admissível na permissão anterior. A fuga deve ser clandestina. de um a três meses.4. confiar a outrem. 240 de Lei 8. Cabem: transação e suspensão condicional do processo (76 e 89 L. em virtude de lei ou de ordem judicial. Não basta o induzimento. e multa. entrega arbitrária ou sonegação de incapazes. 20 do CP. em cena de sexo explícito ou pornográfica. 7. ou interdito. Dos Crimes contra o pátrio poder. punido com reclusão de quatro a seis anos.

com a efetiva fuga. sem justa causa. Tentativa: Nas figuras ³a´ e ³b´ é admissível. Deixar de entregar é reter. mas nós entendemos que tal artigo refere -se à decisão penal e não civil´.: risco para a saúde do menor) afasta a tipicidade. do tutor ou do curador. sem justa causa. na ³c´. 756). subtrai. Subtração de incapazes Art.´ (Delmanto. enquanto no art. com a demonstração inequívoca de não querer entregar. na ³b´. RT 500/346). A presença de justa causa (ex. sonegar. A expressão legitimamente significa em conformidade com as leis. ³No art.4. É a entrega arbitrária. de um mês a um ano.. privado do pátrio poder. ou multa. a quem o reclame legitimamente. RT 638/329). leva a ação para o artigo 249 do CP. Subtrair menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judicial: Pena ± detenção. sem ordem do pai. Confiar tem a significação de entregar. Inexiste forma culposa. na ³c´ não. se o fato não constitui elemento de outro crime. ³No art. 7. O consentimento do menor é penalmente irrelevante. 249. Ação penal: Pública incondicionada. Consuma-se: na figura ³a´. em vez de induzir. 249 ele é tirado´ (TJSP. Se o pai ou responsável deixa de entregar o menor ou interdito a terceiro. Pena: Alternativa: detenção.2. ao invés do art. 248 o menor é levado a sair. p. 1965. segundo Heleno Fragoso o crime seria o do art. 359 do CP ( Lições de Direito Penal ± Parte especial. ou interdito. não há falar em infração do art. ³Não estando o acusado. desobedecendo mandado judicial. . sem autorização expressa ou tácita dos responsáveis. 518). além do prazo convencionado. algum menor de 18 anos. de entregá-lo (o menor ou interdito) a quem legitimamente o reclame. 248 há recusa na entrega. os filhos que lhe foram confiados para visita´ (TACrSP. c) Ou deixar. obra citada. v. p. Se o agente. sem embargo de desquitado. III.. fiar.b) Confiar a outrem. RF 262/287). de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos. 248 do CP por reter. 249 em que o menor é subtraído´ (TAMG. transmitir. confia r ou deixar de entregar. Tipo subjetivo: O dolo consistente na vontade livre e consciente de induzir. com o ato de confiar.

Tipo subjetivo: O dolo. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. Cabem: transação e suspensão condicional do processo (L. Consuma-se com a efetiva subtração à guarda do responsável. se o fato não constitui elemento de outro crime (infração expressamente subsidiária). de dois meses a dois anos. se o menor é tirado de quem apenas o cria. com o fim de colocação em lar substituto´.§ 1º. 10259-9099) Objeto jurídico: A guarda de menores ou interditos. 248 do CP. Se a finalidade for a obtenção de resgate. curatela ou guarda. os próprios menores. art. art. se destituído ou temporariamente privado do pátrio poder. Ação penal: Pública incondicionada. § 2º. tutores. curadores e. Se a subtração for com fim libidinoso. tutela ou guarda (§ 1º). o juiz pode deixar de aplicar pena. 148 do CP. se destituídos ou temporariamente privados do pátrio poder. Se o fim for a privação da liberdade. art. Se houver apenas induzimento à fuga. sem ter sua guarda em razão de lei ou determinação judicial. tutores ou curadores. Sujeito passivo: Pais. Se o agente ³subtrai criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial. 249 do CP. Portanto. Pena: Detenção. Inexistirá o crime se o menor fugir sozinho e depois for ter com o agente.069/90 (Estatuto d a Criança e do Adolescente). a vontade livre e consciente de subtrair o menor ou interdito. a conduta não se enquadrará neste delito do art. É cabível o perdão judicial (§ 2º) no caso de restituição voluntária ou espontânea do menor ou interdito. retirar. o delito será do art. No caso de restituição do menor ou do interdito. A subtração é feita de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial . art. Não há forma culposa. eventualmente. se este . caso haja induzimento para a fuga e não subtração. ou seja. inclusive pais. 237 da Lei nº 8. A pessoa que se subtrai é menor de 18 anos ou interdito (submetido judicialmente à curatela). O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito não o exime de pena. o crime será contra os costumes. tutela. 248 do Código Penal. Admite-se a tentativa. 159 do CP. se este não sofreu maus-tratos ou privações. Tipo objetivo: O núcleo subtrair significa tirar.

b) Entrega . é inaplicável o § 2º do art. A lei tutela os direitos e deveres dos genitores. em virtud e de lei ou de ordem judicial. RJTAMG 29/306). ou interdito. confiar a outrem sem ordem do pai. Induzir menor de 18 (dezoito) anos. o pátrio poder passou a ter a denominação de poder de família e é igualmente exercido pelos genitores (artigos 1. a fugir do local em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. 249´ (TACRrSP. havendo seu efetivo afastamento espacial por um período juridicamente relevante. tutores e curadores sobre os menores e os incapazes. deentregá -lo a quem legitimamente o reclamePena detenção de 1 (u m) mês a 1 (um) ano. do tutor ou do curador algum menor de 18 (dezoito) anos ou interdito. sem justa causa. em virtude de lei ou ordem judicial. 248. ou multa. RT 520/416).107.630 a 1. ENTREGA ARBITRÁRIA OU SONEGAÇÃO DE INCAPAZESArt.ELEMENTO OBJETIVO DO TIPOO dispositivo legal prevê três figuras típicasa) Induzimento a fuga: prevista na primeira parte do dispositivo sob o texto Induzir menor de dezoito anos. ³Mãe que subtrai filhos que se encontravam sob a guarda de terceiros pode ser sujeito ativo´ (TACrSP. TUTELA E CURATELA1. 249 do CP o pai desquitado que subtrai filho.Aqui a conduta típica é induzir que significa incutir.OBJETIVIDADE JURÍDICAO objeto jurídico desse delito é o pátrio poder a tutela e a curatela. a fim de proteger o organismo familiar. ³Comete o delito do art.Para caracterizar a fuga. .não sofreu maus-tratos ou privações. ou interdito. incitar. isto é o agente introduz no pensamento do incapaz a idéia de fugir do local em que se encontra por ordem de quem sobre ele exerce autoridade. RJDTACr 22/400). bem como os interesses destes. cuja guarda cabia à mãe em razã o do desquite por mútuo consentimento´ (TACrSP.(Causa de extinção da punibilidade. ³Se a restituição não foi espontânea. mas sim forçada em razão da apreensão do menor. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade.A) INDUZIMENTO A FUGA. o incapaz deve abandonar o local. e não a sonegação ou recusa em entregar o menor´ (TAMG. ou deixar.Insta salientar que com o advento do Código Civil de 2002. CAPITULO IV DOS CRIMES CONTRA O PATRIO PODER.638). Julgados 95/289). IX-CP) ³O que se pune é a subtração. conforme art. se o menor aquiesceu e houve concordância de seu genitor´ (TACrSP. RT 524/407). ³Não se tipifica.

como. estão ausentes o objeto jurídico do delito: o pátrio poder. de entregá -lo (menor de 18 anos ou interdito) a quem legitimamente o reclame Para configurar o delito é necessário que o agente tenha a posse ou detenção do incapaz e se recuse a entregá-lo a quem de direito. permanecendo capaz para a pratica dos demais atos da vida civil. Pode ser praticado. quando é im pedido por seu genitor no momento em que saía de casa com as malas nas mãos. do tutor ou do curador algum menor de dezoito anos ou interdito. Também podem ser sujeitos ativos os pais que es tejam privados temporariamente ou impedidos de exercer o pátrio poder. pelo diretor de um colégio. os tutores e os curadores. a curatela refere-se apenas a gestão de seus bens. não há que se falar em crime. sonegação de incapaz. bem como a pessoa passível de interdição. caso o agente deixe de entregar o menor a pessoa que não o reclame legitimamente.Assim. também. se o agente retém o menor de 18 anos.SUJEITOSEm todas as modalidades.O pródigo não pode ser sujeito passivo dos delitos.A terceira figura típica. tutor ou curador.A . Nesse caso. contém elementos normativos do tipo que estão consubstanciados nas expressões sem justa causa e legitimamente .Aquele que recebe o incapaz também responde por este delito desde que ciente de que a entrega foi arbitrária. detentores do pátrio poder. quando apesar do induzimento o menor não consegue concretizar a fuga. mas que não foi declarada interditada judicialmente Nesses casos. por exemplo. por exemplo. o menorde 18 anos e o interdito.arbitrária: É a segunda modalidade de conduta típica e consiste em Confiar a outrem sem ordem do pai. que consiste na vontade livre e consciente do agente em praticar qualquer das condutas descritas no tipo penal.Também não poderão ser sujeitos passivos do delito o menor de 18 anos que não esteja sujeito ao pátrio poder ou a tutela. eis que inobstante sua interdição. o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. a tutela e a curatelaELEMENTO SUBJETIVOAs figuras típicas previstas no dispositivo são punidas a título de dolo.O tipo consiste na entrega do incapaz a outrem sem o consentimento do genitor.Do mesmo modo.Sujeito Passivo são os genitores. caracterizada com sua saída da esfera de vigilância do responsável. sem justa causa.c) Sonegação de incapaz: terceira e última modalidade de conduta consiste em deixar. e. sua conduta será atípica. falta o elemento normativo do tipo ( sem justa causa ). ainda. tratando -se de crime comum. A tentativa é admissível. deixando de entregá-lo a seu genitor após ter conhecimento de que o menor estaria sofrendo abusos sexuais por parte deste. o que torna a conduta do agente atípicaFORMA TENTADAAprimeira figura típica se consuma com a realização da fuga pelo incapaz.

A conduta de induzir o incapaz à fuga difere do delito de subtração de incapazes previsto no artigo 249 do C. cuja pena é mais grave. quando o agente não consegue realizar a entr ega por circunstâncias alheias a sua vontade. sendo admitida a forma tentada.OBJETIVIDADE JURÍDICAAqui a lei tutela a guarda do menor de 18 anos e do interdito. Pode ser praticado mediante violência. se for apenas guarda de fato não haverá crimePara configurar o delito deverá haver o deslocamento espacial do incapaz.consumação do crime na hipótese da entrega arbitrária se dá no momento da entrega do incapaz aoutrem. tanto na modalidade de co-autoria quanto na de participaçãoCONCURSO DE CRIMESNa hipótese do genitor. ocorrerá o delito de subtração de incapazes e não o de induzimento a fuga. o menor de 18 anos ou o interdito do poder daquele que o tem sob sua guarda. isto é retirar.A sonegação de incapazes é crime omissivo puro e unissubsistente. for levado a sair do local em que se encontra para acompanhar o agente..AÇÃO PENALA ação penal é pública incondicionada.CONCURSO DE AGENTEÉ admissível o concurso de pessoas. Subtrair menor de 18 (dezoito) anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judiciaPena detenção.Essa gua rda tem que ser decorrente de lei ou ordem judicial. se r ecusar a entregar o incapaz estará desobedecendo a ordem judicial e cometerá o delito previsto no artigo 359 do C. ameaça.1. eis que o delito é omiss ivo próprio e como tal é unissubsistente. que será retirado da esfera de proteção do guardião e colocado sob a esfera de proteção do agente. ou o agente se omite. Assim.A sonegação de incapaz se consuma com o ato de recusa injustificado do agente em entregar o menor de18 anos ou o interdito a quem legitimamente o reclame.P. instantâneo.ELEMENTO OBJETIVO DO TIPOO núcleo do tipo consiste em subtrair. quando. conforme salientamos no estudo do artigo anterior. Se o menor de 18 anos ou interdito. se o agente pratica o delito para obter lucro.Aqui a tentativa é inadmissível. 249. o agente induz o incapaz a sair do local em q ue se encontra para .P. ou se omenor é enviado para o exterior. pelo induzimento.O delito admite diversos modos de execução. fraude. o tutor ou o curador que foi destituído ou estiver temporariamente privado de exercer os direitos do pátrio poder. até pelo induzimento do menor a fugir. fugindo com ele.B) SUBTRAÇÃO DE INCAPAZESArt.CALSSIFICAÇÃO DO DELITOO delito é comum. se o fato não constitui elemento de outro crime1º A pena é de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão. da tutela ou da curatela. deixando de entregar o incapaz e pratica a conduta descrita no tipo penal ou entrega o incapaz não dando inicio a execução da conduta típica. de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos.

Assim. Também é sujeito passivo o menor de 18 anos e o interdito. ou o crime de extorsão mediante seqüestro. o crime de rapto. ou qualquer tipo de privação.AÇÃO PENALA ação penal é pública incondicionada. material.CLASSIFICAÇÃO DO DELITOTrata-se de delito de comum. Não é necessária a posse mansa e tranqüila do menor. dependendo da finalidade do agente.Se a finalidade do agente for colocar o menor em lar substituto responderá pelo delito previsto no artigo 237 da lei 8. quando a intenção for obter o preço do resgate.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente).O iter criminis pode ser fracionado.ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPOO dolo é a vontade livre e consciente de tirar o incapaz do poder daquele que detém sua guarda em virtude de lei ou decisão judicial. 245. quando a intenção for o fim libidinoso e o sujeito passivo for mulher honesta.O sujeito passivo do delito é aquele que tem a guarda do menor decorrente de lei ou determinação judicial. sendo perfeitamente admissível a tentativa. 1º 2º No caso de restituição do menor ou do interdito. como. mas quando presentes os requisitos estará obrigado a deixar de aplicar a pena. se este não sofreu maus tratos ou privações.fugir com ele.O juiz deixará de aplicar a pena quando o meno r for devolvido ao guardião sem ter sofrido violência física ou moral. Já o consentimento do incapaz é irrelevantepara a configuração do delito. sua conduta poderá configurar outros delitos.FORMA TENTADAO crime se consuma com a efetiva retirada do menor do poder de vigilância de quem detém a sua guarda em virtude de lei ou determinação judicial. inclusive por aqueles que tenham sido destituídos do patrio poder. por exemplo. conforme esclarece o parágrafo primeiro do dispositivo em estudo.SUJEITOSO crime é comum e pode ser praticado por qualquer pessoa. só vai subsistir quando não constituir elemento de crime mais grave.Também é elemento objetivo do tipo é o dissenso do guardião. plurissubsistente e instantâneoPERDÃO JUDICIALArt. da tutela ou da curatela ou tenham sido privados do seu exercício temporariamente. portanto. o juiz pode deixar de aplicar a pena. os pais. Não se trata de uma faculdade do juiz. 25 .CONCURSO DE AGENTESÉ possível a co-autoria e a participaçãoCONCURSO DE CRIMESO delito é expressamente subsidiário e. o tutor ou curador.

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