OS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA Paulo José da Costa Junior no seu livro comentários ao Código Penal, 7ª edição ± Editora Saraiva

± 2002, página 771 e seguintes, faz oportunas considerações sobre esses crimes trazendo à colação a Exposição de Motivos ao Código Italiano, de autoria de Alfredo Rocco, na parte referente aos crimes contra a família, nos seguintes termos: ³O Estado deve dirigir, constantemente, e com o máximo interesse, a sua atenção sobre a instituição ético-jurídica da família, centro de irradiação de toda vida civil. No seio da comunidade familiar, os pais, por suas palavras e mais ainda pelo seu exemplo, modelam a alma do filho, que será o cidadão de amanhã. Segundo o ambiente moral, saudável ou viciado, que encontrar no lar paterno, verá ele crescer em si próprio a planta do homem de bem, ou, ao contrário, nele deitará raízes a triste e envenenada planta do futuro delinqüente. Deve o legislador, por todos os meios ao seu alcance, procurar resguardar na sua existência física e na sua composição moral o organismo familiar: e a tal fim servem também as sanções punitivas com a sua ameaça contra os atentados ao instituto do matrimônio, que representa o fulcro de toda sociedade bem constituída, e ao organismo familiar´. Transcreve também trecho de Arturo Rocco , sobre o tema: ³a família a primeira, a mais elementar e universal forma de comunhão social, fundada sobre vínculos de afeto e de sangue, na qual o homem vai encontrar as condições naturais para o seu desenvolvimento físico, intelectual e moral; e o Estado uma das bases sociais para seu desenvolvimento´. Ney Moura Teles, por sua vez, no seu livro Direito Penal, Parte especial, volume III, Editora Atlas, 2004, página 133 e seguintes comenta: ³A família é a base da sociedade. Nela o ser humano nasce, dá seus primeiros passos, começa a conhecer o mundo em que vai viver , recebe a proteção indispensável a seu desenvolvimento e os primeiros conceitos acerca da sociedade em que vive, incorporando no seu íntimo os valores importantes que deve cultivar e respeitar pelo resto de sua vida. É bem jurídico importantíssimo. A Constituição Federal de 1988 sobre ela estendeu seu manto tutelar, no art. 226, obrigando o Estado a conferir-lhe proteção especial. Mencionou o casamento como instrumento de formação da família, mas também reconheceu, como entidade familiar, a união estável entre homem e mulher e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. Determinou que o Estado criasse mecanismos para coibir a violência no âmbito das relações familiares.´ O nosso Código Penal, dedicou o Título VII aos crimes contra a família, com quatro capítulos: I contra o casamento; II contra o estado de

filiação; III contra a assistência familiar; IV contra o pátrio poder,a tutela e a curatela. Tendo o instituto da família recebido total consagração, vez que, conforme a nossa Constituição vigente no seu artigo 226 estabelece: ³ A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado ´. Já o § 3º estabelece que: Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como unidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. O § 4º estende o conceito de família afirmando: ³Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes ´ O § 5º estabelece que: ³Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher´. O título VII do nosso Código Penal trata: Dos Crimes contra a família, tipificados nos artigos 235 ao 249 podendo acrescentar o artigo 136 que cuida dos maus tratos por sai vez agravado quando realizado por parente ou cônjuge, o mesmo acontecendo com os demais crimes contra a vida, contra a pessoa, contra os costumes e contra o patrimônio 7.1. Dos crimes contra o casamento. 7.1.1.Bigamia Art. 235. Contrair alguém, sendo casado, novo casamento: Pena ± reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. § 1º. Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos. § 2º. Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo que não a bigamia, considera -se inexistente o crime. Cabe a suspensão condicional do processo no § 1º (L.9099/95, art.89) Objeto jurídico: A organização da família. Sujeito ativo: A pessoa casada que contrai novo matrimônio, na bigamia própria do caput. A pessoa solteira, viúva ou divorciada, que se casa com pessoa que sabe ser casada, é sujeito ativo do crime de bigamia imprópria na figura mais branda do § 1º deste artigo 235 do nosso Diploma Penal. Sujeito passivo: O Estado, o cônjuge do primeiro matrimônio e o do segundo, se de boa-fé. Tipo objetivo: É pressuposto deste crime a existência formal e a vigência de anterior casamento. Se for anulado o primeiro matrimônio, por qualquer razão, ou o posterior, por motivo diverso da bigamia, considera -se inexistente o crime (§ 2º do artigo 235 -CP). Tratando-se de casamento inexistente, ou seja, entre pessoas do mesmo sexo ou sem o consentimento válido de uma delas, não há crime pela inexistência jurídica do matrimônio

É a nosso ver. desde que vigente o casamento anterior´ (TJSP. Predomina o entendimento que a bigamia absorve o de falsidade. Termo inicial da prescrição: O artigo 111 inciso IV-CP faz referencia direta ao início do prazo prescricional dos crimes de bigamia e de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil determinando ser a partir da data em que o fato se tornou conhecido. viúvo ou divorciado). não pode contrair novo matrimônio enquanto não se divorciar. pois não se pode puni-lo com sanção superior à cominada para o próprio agente. RT 557/301). nos termos amplos do art. A celebração de mais de um casamento configura crimes autônomos. em relação ao segundo casamento. auxilie o agente que comete a figura do caput. casa com pessoa casada. 20 ou de proibição art. Consuma-se no momento e lugar em que se efetiva o casamento (crime instantâneo e de efeitos perma nentes). Assim. Pena: (caput) Reclusão. 235. Tipo subjetivo: O dolo. conhecendo esta circunstância. podendo ser excluído por erro quanto à vigência do casamento anterior (de tipo art. por exemplo. C. Comentado. ³Haverá o crime. ciente da circunstância. 21 -CP). P.501). não isenta o agente do delito de bigamia´ (TJSP. ainda que o partícipe. A pessoa separada judicialmente ou desquitada como era anteriormente designada. Delmanto [et al. entendendo -se. a pena do concurso de pessoas deve relacionar -se com o art. ³O divórcio obtido posteriormente.anterior (crime impossível). quando aceita que o casamento começa com os atos de celebração excluindo -se a habilitação Concurso de pessoas: ³Pode haver participação de terceiros. 2002 p. que. de 1 (um) a 3 (três) anos. 235 contém (caput e § 1º). Casamento de pessoa não casada com outra casada (§ 1º): No § 1º está a incriminação contra quem não sendo casado (solteiro. RJTJSP 110/503) . entendemos que o partícipe fica sujeito à pena mais branda do § 1º (e não à do caput). O casame nto religioso com exceção do que produz efeitos civis não serve de pressuposto para o crime de bigamia. Entretanto. não sendo casado. em vista das duas figuras que o art. É duvidosa a admissibilidade da tentativa. Ação penal: Pública incondicionada. de dois a seis anos. 29 do CP. Tipo subjetivo: Em face da expressão ³conhecendo´ o tipo requer o dolo direto não bastando o dolo eventual Pena: Do § 1º é alternativa a pena privativa de liberdade: reclusão ou detenção.] Renovar 6 ª. contrai casamento com pessoa já casada. a única solução permitida pela estrutura das duas figuras deste artigo´ (C.

557 do novo Código Civil: ³I ± o que diz respeito a sua identidade. ³Configura o crime de bigamia o fato de brasileiro. sua honra e boa fama. Contrair casamento.Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento Art. j. capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência. que. Sujeito passivo: O Estado e o cônjuge enganado. Pena ± detenção. Tendo sido incluída pelo novo diploma civil nova hipótese de erro essencial: ³a ignorância. ³A prescrição. anterior ao casam ento. levando-o a casar com alguém em erro essencial referente a pessoa como ocultação de crime anterior ao casamento. II ± a ignorância de crime. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.Civil de 1916/2002 e 1. ignorado pelo marido (inciso IV do artigo 219 do antigo Código Civil. ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior. AASP n° 1.11. anterior ao casamento. A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode se intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que. tendo havido extinção da punibilidade retroativa a todas as condutas anteriormente praticadas.2. Tipo objetivo: Contrair casamento: a) induzindo em erro essencial o outro cônjuge. por motivo de erro ou impedimento. se contrair novo casamento antes de divorciar se´ (TJPR. já casado no Brasil.1. anule o casamento. induzindo em erro essencial o outro contraente. por sua natureza. 236. contrai novo matrimônio no Paraguai. 7. que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. começa a correr da data em que o crime se tornou conhecido da autoridade pública´ (TJSP. anterior ao casamento. RT 549/351). . caso em que não mais se configura o tipo do artigo 236-CP. III ± a ignorância.329-3. Parágrafo único. pois ambos os países punem a bigamia. in bol. não mais se considera erro essencial o defloramento da mulher. de defeito físico irremediável ou de moléstia grave e transmissível. o que preenche o requisito da extraterritorialidade do Código Penal´ (TJSP. torne insuportável a vida em comum do cônjuge enganado´. 523/374). anterior ao casamento. RT 516/287. por sua natureza torne insuportável a vida conjugal. Objeto jurídico: A regular formação da família. transação e suspensão condicional do processo. 13. consoante o artigo 219 do antigo C. antes de transitar em julgado a sentença final. É possível: composição.962). SER 189. Sujeito ativo: O cônjuge que induziu em erro ou ocultou impedimento.³Pratica bigamia. sendo esse erro tal. Por conseguinte. de d oença mental grave que. pelo contágio ou herança.95. IV ± a ignorância.

Consuma-se no momento da celebração do casamento. VI ± as pessoas casadas. que tivesse sido julgado definitivamente por sentença.de doença mental grave que. O impedimento não pode ser relativo a casamento anterior (inciso VI do artigo 1. . A tentativa é juridicamente inadmissível face à condição de procedibilidade imposta pelo parágrafo único do comentado artigo 236 da lei punitiva pátria. a vontade livre e consciente de contrair matrimônio. havendo no caso bigamia (artigo 235. Penal). I a XVI. IV ± os irmãos. ou sejam os incisos VII e IX a XVI do artigo 183 da lei anterior em questão. Civil e artigo 218 do antigo. Inaplicável sucessão queixosos do § 4º do art. e demais colaterais. não encontrando dispositivo correspondente na nova legislação restando os sete i ncisos do artigo 1. pois se exigia que a mulher ignorasse a existência de crime inafiançável. I a VII do CC 2002: ³Não podem casar: I ± os ascendentes com os descendentes. não se tipificando o ato de simplesmente não declarar o impedimento e carece também que o outro cônjuge seja enganado. a extinção da punibilidade retroativa a todas as condutas anteriormente praticadas. sendo 16 impedimentos que até então configuravam o delito. até o terceiro grau inclusive. Significando disfarçar. III ± o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante. Tais impedimentos são os dispostos no artigo 1. Foram operadas modificações no inciso II do artigo 219 do CC -1916. por sua natureza. Tipo subjetivo: O dolo. nove casos. b) ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior . seja o parentesco natural ou civil. anule o casamento. unilaterais ou bilaterais. Tendo ocorrido abolitio criminis com relação a essas situações.521. anterior ao casamento. Segundo a maioria da doutrina a ocultação deve ser comissiva. Desapareceram. havendo. É imprescindível que o contraente desconheça os defeitos do outro cônjuge. induzindo a erro essencial ou ocultando impedimento. ficando o casamento realizado nestas condições anulável nos termos do artigo 1.100 -CP (direito personalíssimo) A contagem do período prescricional inicia-se no dia do trânsito em julgado da sentença que. VII ± o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra seu consorte . torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado´. CC-2002. esconder. por motivo de erro ou impedimento.521. do CC1916. V ± o adotado com o filho do adotante. segundo o disposto no parágrafo único. havendo aí novatio legis incriminadora.521-CC 2002).556 do novo C.´ Esses impedimentos constavam do artigo 183. portanto. ou seja. Ação penal: privada. encobrir. do contrário não há induzimento em erro essencial. C. II ± os afins em linha reta. devendo o direito de queixa ser exercido pelo cônjuge enganado e após o trânsito em julgado da sentença que anule o casamento por erro ou impedimento. portanto.

Ambos os nubentes sabendo dos impedimentos são co -autores. absolutos ou públicos estão arrolados no artigo 1. Devido a expressão ³conhecendo´. ou seja. CC-1916) Tratando-se de mais uma abolitio criminis. portanto o próprio crime (Art. VII.099/95). Basta que não declare o obstáculo à assunção do matrimônio para configuração com a simples omissão do agente desnecessária qualquer ação dele no sentido de ocultar o impedimento. Objeto jurídico: A regular formação da família. que retroage em benefício dos agentes. 183. A iniciativa pública da ação decorre do fato de que ambos os cônjuges podem ser co-autores do delito. 21 -CP). conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta: Pena ± detenção. ³Ação penal: é crime de ação penal pública incondicionada. Cabem transação e suspensão condicional do processo (Lei 9. independe de representação do ofendido ou de seu representante legal.7. Sujeito passivo: O Estado e o cônjuge desconhecedor do impedimento. Sujeito ativo: O cônjuge (ou ambos os cônjuges) que contrai matrimônio sabendo da existência de impedimento absoluto. 237. 236. 235-CP). Conhecimento prévio de impedimento Art. ou seja. de três meses a um ano. O novo Código Civil não repetiu a hipótese do impedimento de casamento entre o cônjuge adúltero com o co-réu condenado por esse crime (Art.3. não é necessária a prévia decretação de nulidade do casamento por sentença transitada em julgado. Tipo objetivo: O agente se casa sabendo da existência de impedimento que cause ao ato nulidade absoluta (norma penal em branco cujo conteúdo carece de complementação por outra lei). na vontade livre e consciente de contrair casamento. com o consentimento formal dos nubentes. ocorrerá o erro de tipo que exclui o dolo e. não se admite dolo eventual.549 do novo Código . Ao contrário do delito do art. conhecendo a existência de impedimento que lhe cause nulidade. Havendo erro quanto à existência de impedimento. Contrair casamento. Tipo subjetivo: É o dolo direto. a persecução penal estaria inviabilizada. 1. Se dependesse de queixa ou representação desses. Trata-se de crime instantâneo de efeitos permanente s. excluído o inciso VI (pessoas casadas). Nos termos do art. Consuma-se com a realização do casamento. pois sua ocorrência implica no crime de bigamia (art.521. 20 -CP). I a VII do CC-2002.1. Tais impedimentos dirimentes. Engano quanto ao alcance legal do impedimento reflete na culpabilidade (Art.

do antigo Código). Elemento subjetivo: O dolo consistente na vontade livre e consciente de atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento. É necessário o efetivo conhecimento da falta de atribuição para presidir o ato.4. 98. ³a justiça de paz. Sujeito ativo: Qualquer pessoa ou mesmo o funcionário público sem atribuição para celebrar casamento. II. é composta de cidadãos eleitos pelo voto direto. II. 238. Consoante o disposto no art. se for praticado visando obtenção de vantagem. bem como o cônjuge de boa fé. Assim. de ofício em face de impugnação apresentada. Consuma-se com o simples ato de o agente atribuir -se falsa autoridade. Erro quanto a tal circunstância exclui o dolo. mais grave. nada impede que o Ministério Público proponha ação civil para obter a declaração de nulidade do casamento. portanto. com mandato de quatro anos e competência para. independentemente da efetiva realização do casamento. verificar. Sujeito passivo: O Estado. universal e secret o.1. parágrafo único. . Se um dos cônjuges tiver falecido. Ação penal: Pública incondicionada inexige condição procedibilidade. 7.127. ob. Simulação de autoridade para celebração de casamento Art.099/95). não se afastando. Objeto jurídico: A disciplina jurídica do casamento. antes ou concomitantemente à propositura da ação penal. É de natureza subsidiária. Cabe a suspensão condicional do processo (Artigo 89 da Lei 9. O agente fingindo ser juiz de paz. Não existe forma culposa. na forma da lei. sem caráter jurisdicional. (crime subsidiário). o órgão ministerial estará proibido de propor a ação de nulidade. da Constituição Federal. O crime em comento é uma forma específica do delito de usurpação de função pública (Art.cit. de 1 (um) a 3 (três) anos. 208.Civil (art. se o fato não constitui crime mais grave. Tipo objetivo: Delito formal cuja conduta é atribuir -se falsamente competência para celebração de casamento. o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias. sua legitimidade para propor a ação penal contra o cônjuge sobrevivente que omitiu o impedimento´ Capez. a figura incidente será a do artigo 328 cuja pena é de reclusão. além de outras previstas na legislação´. contudo. para presidir casamento civil etc. 328 -CP). remunerada. celebrar casamentos. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento: Pena ± detenção. somente incidindo se o fato não constituir delito mais grave.p.

§ 3º. . Admite -se tentativa. II ± pelo cônjuge que consentiu no adultério ou o perdoou. com engano de outra pessoa. 240. Simulação de casamento Art. 215). Tipo subjetivo: O dolo ínsito na vontade livre e consciente de simular casamento. 89 da Lei 9.´ ( Delmanto. 7. devendo esta ser o nubente enganado ou seus responsáveis.1. A ação penal não pode ser intentada: I ± pelo cônjuge desquitado. § 1º. expressa ou tacitamente.504). testemunhas ou outras pessoas.6. ³Tipo objetivo: O núcleo é simular (fingir.7. Direito Penal Comentado p. o contraente ou seu representante legal iludido Consuma-se com a efetiva simulação. § 2º.099/95) Objeto jurídico: A disciplina jurídica do casamento Sujeito ativo: Qualquer pessoa. Sujeito passivo: Estado. O agente simula casamento mediante engano de outra pessoa . (subsidiário meio para outro mais grave). na hipótese de ser necessário o consentimento destes. testemunhas ou outras pessoas. se o fato não constitui elemento de crime mais grave. O juiz pode deixar de aplicar a pena: I ± se havia cessado a vida em comum dos cônjuges. representar). Se nenhum deles é enganado. Poderão ser partícipes o escrivão. escrivão. Cometer adultério: Pena ± detenção. § 4º.1. A ação penal somente pode ser intentada pelo cônjuge ofendido. inexiste o delito.5. Poderão ser partícipes o juiz. Ação penal: pública incondicionada. 239. Adultério (ad alterum thorum ire. Inexiste modalidade culposa. de 1 (um) a 3 (três) anos. e dentro de um mês após o con hecimento do fato. Consuma-se com a efetiva simulação e a dmite-se a tentativa. ir para outro leito) Art. portanto. Este delito do artigo 239-CP é expressamente tipificado como subsidiário sendo excluído quando constituir meio ou elemento empregado para a prática de delito maior como para a posse sexual fraudulenta (art. Cabível a suspensão condicional do processo (Art. É necessário. de quinze dias a seis meses. Incorre na mesma pena o co -réu. que o casamento seja simulado mediante (por meio de) engano de outra pessoa. Simular casamento mediante engano de outra pessoa: Pena ± detenção.

c. 165. É pressuposto da infração a existência formal e a vigência de anterior matrimônio. No entender da maioria dos autores o adultério não deveria mais figurar como crime. al. há. ainda que uma delas aja sem conhecimento ou seja penalmente irresponsáv el. v.573. Ação penal: Privada personalíssima não se transmite aos sucessores. Romão Côrtes de Lacerda. transação e a suspensão condicional do processo. O crime não se extingue Magalhães Noronha. 1959. Código Penal Brasileiro Comentado. . III. 530/367). continuando na esfera civil. Comentários ao Código Penal. excluído para o co-réu pela ignorância quanto ao estado de casado do outro-20 Consuma-se com a efetiva relação sexual. ³Tipo objetivo: Trata-se de delito de concurso necessário. 1965. Fragoso. conforme a regra do art. porquanto só pode ser cometido por duas pessoas (de sexos opostos). de 26. Quanto à significação do que seja o adultério que o código menciona. p. como causa de separação judicial (Art. I. VIII. 1965.] ob. 317 do Código Civil. 1959. v. p.cit. computando -se o dia do começo e excluindo-se o dia final. Projeto de lei em curso pretende revogar este artigo 240. 3. Lições de Direito Penal. Só o caracteriza o coito vagínico (Bento de Faria. III. § 3º. 198. v. há posições diversas na doutrina brasileira. sendo inaplicável o artigo 798. a. Não subsiste o crime (Romão Côrtes de Lacerda. 714). Fragoso. A primeira corrente (a) é a mais acertada e tem a seu favor a jurisprudência recente. p. devendo a queixa ser oferecida no prazo decadencial de um mês. p. Lições de Direito Penal ± Parte Especial.II ± se o querelante havia praticado qualquer dos atos previstos no art. Direito Penal.1977 e art. feriado e férias. Admite -se a tentativa. entendimentos diversos sobre seus efeitos: a. pelo cônjuge desquitado (separado judicialmente e divorciado). 381). do CPP (RT. 714). 5º da Lei do divórcio Nº 6. Também o configura o coito anormal ou qualquer ato sexual inequívoco (Damásio de Jesus.311)´. também. 1995. Tipo subjetivo: O dolo na vontade livre e consciente de adulterar. Delmanto [et. p. Sujeito passivo: Somente o cônjuge traído. v. Direito Penal.12.v. 505). Cabíveis: Conciliação. com apoio em Hungria. 1996. p. § 3º A ação não pode ser intentada: I. p. v. Direito Penal.515. Objeto jurídico: Disciplina jurídica da família e do casamento. VIII. 1959. III. Sujeito ativo: O cônjuge (réu) que tem relação sexual fora do casamento no caput. 1. Extingue o crime se este não tiver sido julgado definitivamente (H. 382). Quanto à anulação do casamento. 310. v. e pessoa (co-réu) que tem tal relação com a casada (§ 1º). b. Não se prorroga em face de domingo. Magalhães Noronha. H. (C. p. 10 do CP. Comentários ao Código Penal. p. VI. b. 1995. v III. do novo Código Civil).

aquiesceu. sevícia ou injúria grav e. RTJ 93/532). Julgados 79/285) ³A ação penal por adultério somente pode ser exercida dentro de um mês após o conhecimento do fato.IX). Objeto jurídico: O estado de filiação. . cujo prazo é fatal e peremptório´ (TACrSP. RT 435/382. texto já substituído pelos artigos 1. que tornem evidente a impossibilidade da vida em comum. no inquérito policial. não impede a decadência.572 e 1. I. II. de tal forma a sugerir a prevaricação conjugal´ (TACrSP. o ingresso tardio em juízo. RT 783/653). se o querelante havia praticado qualquer dos atos previstos no revogado artigo 317-CC 1916 ( adultério.II. 241.2.573 do novo Código Civil: adultério. sevícia. tentativa de morte. per dão está implícito na coabitação. devido ao retardamento do inquérito. condenação por crime infamante. injúria grave ou abandono do lar durante dois anos consecutivos) ou os equivalentes do artigo 5º da Lei 6. se havia cessado a vida em comum dos cônjuges.1. é suficiente que haja. Quanto a natureza do perdão judicial é causa extintiva da punibilidade (107. RTJ 120/191). constitui direito subjetivo do réu e não faculdade do juiz). e outros. ³Para recebimento da queixa.515/77 (conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres do casamento e tornem insuportável a vida em comum). tentativa de morte. ³Conta-se do conhecimento certo e seguro´ (TACrSP. de 2 (dois) a 6 (seis) anos. o que se pode traduzir pelas circunstâncias em que o casal é encontrado. se anuiu. 531/352). Dos Crimes contra o estado de filiação 7. ³O inquérito policial não é elemento indispensável para a propositura da ação penal por adultério´ (STF. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. indícios razoáveis de que o delito tenha ocorrido. O Juiz pode conceder o perdão (preenchidos os requisitos legais para concessão. pelo cônjuge que consentiu no adultério ou perdoou expressa ou tacitamente. Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexiste: Pena ± reclusão. não se considerando como tal meras suspeitas´ (STF. ³Conta-se o prazo decadencial a partir do conhecimento inequívoco do fato. Registro de nascimento inexistente Art. abandono do lar durante um ano contínuo. conduta desonrosa.

Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: Pena ± detenção. suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: Pena ± reclusão. DJU 22. 812. Inexiste for ma culposa. Consuma-se com a inscrição no registro civil. ou seja a partir da data em que o fato se tornou conhecido (H.9. que simulou gravidez e o nascimento durante a sua ausê ncia (TJSP. requerer. RT 381/152). a fim de obter permanência no País´ (TRF da 2ª R. 111. Parágrafo único. Sujeito ativo: Só mulher Sujeito passivo: Os herdeiros prejudicados. de um a dois anos.³Compete à Justiça Federal julgar o crime do art.Sujeito passivo: O Estado e pessoa prejudicada pelo registro. registrar como seu filho de outrem. de 2 (dois) a 6 (seis) anos.Parto suposto (1ª figura do caput): Objeto jurídico: Estado de filiação. b) obedece a regra geral cujo início é a partir da data da ocorrência do fato.3. 53139).94. Tipo subjetivo: O dolo consistente na vontade livre e consciente de promover a inscrição no nascimento inexistente. A conduta deve objetivar a inscrição falsa. Admite-se a tentativa. o registro do nascimento de uma criança não concebida ou de um natimorto. ³Fica isento de pena o réu que promoveu o registro enganado pela co-ré. IV -CP. 241.2. Ação penal: Pública incondicionada. O crime de falsidade ideológica (art.299) fica absorvido por este por ser o falso elemento do crime deste artigo 241 do nosso Código Penal. Ap.099/95). Caput e parágrafo único com redação dada pela Lei 6.1.2.2. ou seja. quando perpetrado para uso perante o Governo Federal. 7. Sobre o termo inicial da contagem do prazo prescricional há duas orientações na doutrina: a) o termo inicial segue a regra do art.2. Fragoso e Magalhães Noronha). Tipo objetivo: Dar parto alheio como próprio (não incluindo o oposto: dar o próprio parto como alheio) É necessário que haja a criação de situação em que prenhez e parto são simulados e apresentado recém - . Cabem no caso do parágrafo único: Transação penal e a suspensão condicional do processo (Artigos 87 e 89 da Lei 9. 7. p. provocar.81. supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido. ocultar recém-nascido ou substituí-lo. podendo o juiz deixar de aplicar a pena.. Tipo objetivo: Trata-se de promover dar causa. de 30.898. Dar parto alheio com próprio. Parto suposto.

316. os Costumes e a Família. ou seja a partir da data em que o fato se tornou conhecido (H. ou com a supressão ou alteraç ão dos direitos. também as duas primeiras (parto suposto e registro de filho alheio). A ação incriminada é registrar como seu filho de outrem. p. Crimes contra a Religião. Objeto jurídico: O estado de filiação. Direito Penal. 1995. Admite-se tentativa. p. Tipo subjetivo: O dolo. Romão Côrtes de Lacerda. III. Consuma-se com a situação que altera efetivamente a filiação da criança. Duas correntes: a) A finalidade é exigida para todas as figuras do art.4. 1943.113.2. parentes ou não Este crime absorve a eventual falsa inscrição no registro civil. Fragoso e Magalhães Noronha). Tipo objetivo: Registrar com o sentido de declarar o nascimento.nascido alheio como se fosse próprio. VIII. Consuma-se com o efetivo registro (ou com a supressão ou alteração.87. ou então o parto real com nat imorto substituído por filho de outrem independentemente do falso registro civil. 111. v. Não existe punição a título de culpa. mas não descaracteriza o crime´ (TFR. 1959. Declarar-se pai ou mãe de uma criança que na verdade n ão é seu filho. b) obedece a regra geral cujo início é a partir da data da ocorrência do fato. p. Admite-se a co-autoria e participação de outras pessoas.2. p. 7. providenciar sua inscrição no registro civil. mas de uma terceira pessoa. 391). Com respeito ao elemento subjetivo do tipo discute-se quanto à finalidade inscrita no final do artigo (suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil) refere -se tão só às duas últimas figuras (ocultação e substituição) ou alcança.2. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. hipótese em que sobre o termo inicial da contagem do prazo prescricional há duas orientações na doutrina: a) o termo inicial segue a regra do art. b) a finalidade só se refere às figuras de ocultar e substituir (Magalhães Noronha. . Tipo objetivo: É o dolo na vontade livre e consciente de registrar. Admite-se tentativa. na hipótese de reconhecer -se o elemento subjetivo do tipo).Registro de filho alheio (adoção à brasileira) 2ª figura do caput. Houve o nascimento. v. 355). Comentários ao Código Penal. a criança existe. IV-CP. 5639). RCr 1. DJU 2. porém sua filiação é diferente da que é oficializada. ³O fato de ser nobre o motivo do parto suposto ameniza a pena e permite a aplicação do perdão judicial. 242 (Beni Carvalho. Ação penal: Pública incondicionada. Sujeito passivo: O Estado e as pessoas prejudicadas pelo registro. consistente na vontade livre e consciente de dar parto alheio como próprio.

³Absolve-se quem registra filho alheio como seu com a intenção de salvar a criança. 242 não é mais benigna. Tipo objetivo: Ocultar. e agindo sem o intuito de alterar a verdade nem de prejudicar direito ou criar obrigação´ (TACrSP. Desnecessária à configuração. Em qualquer das figuras deste crime ocorrendo a prática motivada por reconhecida nobreza (generosidade.2. a troca de recémnascido. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. RJTJSP 80/395). TJSP.A retroatividade ou irretroatividade depende de que seja considerada a nova figura deste artigo que substitui o falso da adoção à brasileira. 7. 7. suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil. Urge a ocultação c om a privação dos direitos do recém-nascido. ³A nova redação do art. Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo relativo ao especial fim de agir para alterar ou suprimir. RT 698/337.2. esconder. Consuma-se com a efetiva supressão ou alteração dos direitos. RT 600/355. ou seja. TJSP. despreendimento. 7. RJTJSP 162/303). Substituição do recém-nascido (4ª figura do caput). Objeto jurídico: O estado de filiação. Consuma-se com a supressão ou alteração dos direitos. RT 591/410. Figura privilegiada (parágrafo único do art. solidariedade etc). A troca pode ser por criança viva ou natimorta. Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo para supressão ou alteração. incrimina agora quando antes ficava atípico pela falta do elemento subjetivo do tipo quando era em benefício da criança.4. o registro de nascimento das crianças substituídas. de modo que não pode ser aplicada aos registros ocorridos antes de sua vigência´ (STF. humanidade. o juiz poderá aplicar a pena de detenção. de um a dois . Admite-se tentativa.2. 242). atribuindo-se a um os direitos de estado civil do outro. Na escola tradicional: dolo específico.2. beneficia o agente ou.3.5. se ao contrário.2. Tipo objetivo: É punida a substituição. na doutrina tradicional é o dolo específico do tipo. Ocultação de recém-nascido (3ª figura do Caput do art. sonegar o recém-nascido no sentido comum e não restrito ao conceito científico.2. Admite -se tentativa. 242 -CP). Objeto jurídico: O estado de filiação. Sujeito ativo: Qualquer pessoa.

³O crime do art.3. criar e educar os filhos menores. Art. 10810).anos.2.099/95). Tipo objetivo: Filho próprio ou alheio de forma outras pessoas fora os pais podem ser autoras do crime.1. Objeto jurídico: O estado de filiação. aplicando o perdão judicial conforme Lei 6. 30. 4. terão os mesmos direitos e qualificações. com o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil: Pena ± reclusão. e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice. § 6º: ³Os filhos. O abandono deve vir acompanhado da ocultação da filiação ou atribuição de filiação diferente da real.038. A vítima deve ser abandonada em instituição pública ou particular. (dolo específico). Sujeito ativo: Qualquer pessoa. Cabe a suspensão condicional do processo (Art. 89 da Lei 9. ou por adoção. não se enquadrando no tipo a ação de largar em outro local.. Constituição Federal: Art. carência ou enfermidade´. 242´ (TFR. RT 542/341).81. Admite -se a tentativa. havidos ou não da relação do casamento. 7. Abandono material .3. Ação penal: Pública incondicionada. DJU 29.3. de acordo com o a tual parágrafo único do art. Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio. ³Ficando reconhecido que agiu com fim nobre. p. Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo no especial fim de agir para prejudicar direito inerente ao estado civil. 7. deixa -se de aplicar a pena. 7. 243. 229: ³Os pais têm o dever de assistir.1081.3. 227. Consuma-se com o abandono de que resulte ocultação ou alteração do estado de filiação. seja a criança registrada ou não. ou deixar de fixá-la. proibidas quaisquer designações discriminatória s relativas à filiação´. de 1 (um) a 5 (cinco) anos. Dos Crimes contra a assistência familiar (244 a 247). Ap. e multa. Sonegação de estado de filiação Art. 243 do CP só pode ser reconhecido se houver intenção de prejudicar direitos relativos ao estado civil´ (TJSP.898. ocultando -lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra..

frustra ou ilide. ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho. Objeto jurídico: A proteção da família.099/95).* de qualquer modo. correto: ³elide´ ). habitação. fixada ou majorada. não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. fixada ou majorada. atender à subsistência: a) do cônjuge. sem justa causa. faltar ao pagamento da pensão ou deixa r de socorrer. como os alimentos.741/2003 (DOU 03. fixada ou majorada. b) de filho menor de 18 anos ou inapto para o trabalho c) de ascendente inválido ou maior de 60 anos. de socorrer descendente ou ascendente. Tipo objetivo: Trata-se de três figuras típicas em que a falta de justa causa é elemento normativo: 1) deixar. e multa. . 244. de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no país. Sujeito ativo: Somente os cônjuges. 2) faltar (sem justa causa) ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada . deixar sem justa causa. 3) deixar de socorrer. (* conforme original. Sujeito passivo: As mesmas pessoas acima. sendo solvente. sem justa causa. vestuário. de prover a subsistência do cônjuge. gravemente enfermo: Pena ± detenção.10. descendente ou ascendente. (Subsistência. etc. de prover.2003) em vigor decorridos 90 (noventa) dias de sua publicação. ou seja. injustificadamente. gravemente enfermo. Observação: Caput com redação determinada pela Lei 10. meios necessários à vida. Há justa causa no caso do pai desempregado que não possui o dinheiro suficiente para o próprio sustento. 89 da Lei 9. ascendentes ou descendentes. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos. pais. inclusive por abandono injustificado de emprego ou função. Cuida-se aqui da falta de cuidados pessoais.Art. o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. Parágrafo único. Consuma -se com a efetivação das condutas incriminadas. respeitados os prazos processuais civis eventualmente cabíveis. Cabe a suspensão condicional do processo (art. Tipo subjetivo: O dolo expresso pela vontade livre e consciente de deixar de prover à subsistência. Deixar. Nas mesmas penas incide quem. da falta de assistência (recursos médicos) para com o portador de enfermidade grave. medicamentos. Não há forma culposa.

A disposição inclusa no parágrafo único pune. prevista expressamente no art. não o faz por absoluta hipossuficiência econômico financeira´ (TJGO.2003 (Estatuto do idoso) : (. ³Estando a prisão civil condicionada ao inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia´ (art. RJDTACr 16/56). TACrSP. obrigado por decisão judicial a prestar alimentos.5º. Omissivo permanente. quem. com as mesmas penas do caput . se houve alteração em sua situação econômica ou dos filhos. elimina). 19 da Lei nº 5. sendo solvente.478/68 (Lei de Alimentos) sobre a possibilidade de o juiz decretar a prisão civil pelo não pagamento de dívida de alimentos. § 1º. tornando impossível. LXVII. injustificadamente. RT 764/632. Dispõem o art. RJDTACr 12/133-4). de qualquer modo. Julgados 77/356. a vontade livre e consciente de não prover a subsistência´ (TACrSP.741.. prover a subsistência dos dependentes´ TACrSP. deve providenciar a exoneração ou redução da obrigação´ (T ACrSP. sob comento. da Constituição Federal. ³O delito de abandono material exige o dolo . 5º. o pagamento de pensão alimentícia a que é obrigado judicialmente. com mais razão há de se ressaltar essa perspectiva no Direito Penal. ³Reconciliado o casal.10.) . burla) ou elide (suprime. ³É irrelevante a alegação de que não lhe era permitido visitar os filhos e. ³Em tese. 733. e passando a família a conviver novamente no lar comum. 244 do Código Penal. RT 381/284). isto é. frustra (engana. Lei 10. pode configurar o ato de quem abandona emprego para. perde a ação penal a situação antecedente e. 95/78). Pago o débito alimentar e revogada a prisão civil nada interfere na configuração do art. do CPC e o art. de 01. RTJ 88/402).É controvertida a possibilidade de tentativa. pois é notório que o cidadão com antecedentes criminais tem grande dificuldade de encontrar ocupação lícita. frustrar o pagamento de pensão alimentícia judicialmente fixada´ (STF. durante o processo. LXVII). ³Não comete o crime o agente que. a condenação de acusado de parcos recursos milita contra o desiderato do legislador penal. 244. Tem o objetivo de forçar o devedor a cumprir a obrigação e será imediatamente revogada quando o débito for pago. Ação penal: Pública incondicionada. na prática.. inclusive por abandono de emprego ou função. o delito não é considerado caracterizado´ (TACrSP. que já se consumou com o não pagamento das pensões. RT 786/663). nada tem com a sanção criminal contra aqueles que cometem o crime pr evisto no art.

95. Capítulo II ± Dos Crimes em espécie Art. Discriminar pessoa idosa.099. ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado: Pena ± detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa. (Lei da Ação Civil Pública) Art. Na mesma pena incorre quem desdenhar. ou não prover suas necessidades básicas. impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias. ou não pedir. retardar ou dificultar sua assistência à saúde. § 1º. e. 181 e 182 do Código Penal. ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania. aos meios de transporte. não lhe aplicando os arts.Título VI ± Dos Crimes Capítulo I . ou congêneres.347. quando obrigado por lei ou mandado: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 3 (três) anos e multa. . se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave. Aos crimes previstos nesta Lei. quando possível fazê-lo sem risco pessoal. Parágrafo único. submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis. Se resulta a morte: Pena ± reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. Art. Os crimes definidos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada. Deixar de prestar assistência ao idoso. quando obrigado a fazê-lo. Art. Art. o socorro de autoridade pública: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. de 26 de setembro de 1995. em situação de iminente perigo. Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena ± reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos. § 2º. cuja pena máxima privativa de liberdade não ultrapasse 4 (quatro) anos. § 2º. nesses casos. casas de saúde. 97. 98. Art. A pena será aumentada de 1/3 (um terço) se a vítima se encontrar sob os cuidados ou responsabilidade do agente. as disposições da Lei 7. A pena é aumentada de metade. § 1º. e triplicada. física e psíquica. Aplicam-se subsidiariamente. Expor a perigo a integridade e a saúde. por motivo de idade: Pena ± reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. subsid iariamente.Disposições gerais Art. se resulta morte. 96. Abandonar o idoso em hospitais. 99. sem justa causa. 94. de 24 de julho de 1985 . as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal. humilhar. ou recusar. 93. entidade de longa permanência. por qualquer motivo. do idoso. no que couber. no que couber. aplica -se o procedimento previsto na Lei 9. menosprezar ou discriminar pessoa idosa.

retardar ou omitir dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil objeto desta Lei. proventos. Negar o acolhimento ou a permanência do idoso. Art. Art. Deixar de cumprir. retardar ou frustrar. Art. dando -lhe aplicação diversa da de sua finalidade: Pena ± reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa. testar ou outorgar procuração: Pena ± reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. por recusa deste em outorgar procuração à entidade de atendimento: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. Lavrar ato notarial que envolva pessoa idosa sem discernimento de seus atos. 100.Art. 105. Induzir pessoa idosa sem discernimento de seus atos a outorgar procuração para fins de a dministração de bens ou deles dispor livremente: Pena ± reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. a pessoa idosa. Art. Apropriar-se de ou desviar bens. retardar ou dificultar atendimento ou deixar de prestar assistência à saúde. Art. sem justo motivo. emprego ou trabalho. pensão ou qualquer outro rendimento do idoso.´ . IV ± deixar de cumprir. a exec ução de ordem judicial expedida na ação civil a que alude esta lei. III ± recusar. Coagir. retardar ou frustrar. 104. Exibir ou veicular. sem a devida representação legal: Pena ± reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. 106. 103. Art. proventos ou pensão do idoso. 107 . 101. sem justo motivo. Art. informações ou imagens depreciativas ou injuriosas à pessoa do idoso: Pena ± detenção de 1 (um) a 3 (três) anos e multa. Reter o cartão magnético de conta bancária relativa a benefícios. por motivo de idade. contratar. 108. de qualquer modo. II ± negar a alguém. V ± recusar. quando requisitados pelo Ministério Público. Constitui crime punível com reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa: I ± obstar o acesso de alguém a qualquer cargo público por motivo de idade. a execução de ordem judicial expedida nas ações em que for parte ou interveniente o idoso: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. por qualquer meio de comu nicação. 102. Art. o idoso a doar. bem como qualquer outro documento com objetivo de assegurar recebimento ou ressarcimento de dívida Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa. c omo abrigado. sem justa causa.

´ (Delmanto ob.2. PIDCP. Sujeito passivo: O filho menor de 18 anos. 76 e 89 da Lei 9.7.3. art. pois. 20 do CP. CP. 514 e 515). não se podendo punir o agente quando o perigo só se revelou depois da entrega. fl. CADH. Embora a rubrica se refira a pessoa inidônea. Não se pode interpretar a locução verbal ³deva saber´ como indicadora de culpa. como o material. A Lei 7. 1. Quanto ao risco moral. de 19.11. independentemente da natureza da filiação. 15. na pena do parágrafo anterior quem. também. insalubres. Incorre. embora excluído o perigo moral ou material. Levando tal interpretação à violação do princípio da reserva legal (CR/88. se o agente pratica delito para obter lucro. A pena é de um a quatro anos de reclusão. crime. contravenções de jogo ou de mendicância etc. II e parágrafo único). XXXIX. § 2º. 5º. ³Tipo objetivo: Entende-se entregar como deixar sob a guarda ou cuidado. art. a cuja companhia o filho é entregue. seria insólito cominar -se idêntica sanção tanto a quem age por dolo como culposamente. 1º). O erro quanto ao perigo deve ser avaliado de acordo com o art. lembramos os que podem conduzir a atividades arriscadas. ou se o menor é enviado para o exterior.090/95). Tipo subjetivo: É o dolo direto (³saiba´) ou dolo eventual (³deve saber´). 9º. Sujeito ativo: No caput e § 1º somente os pais (naturais ou adotivos). Objeto jurídico: A assistência aos filho menores. pois o tipo não contém referência expressa a culpa (cf. § 1º. art. Além disso. as pessoas que se dedicam à prostituição. Entregar filho menor de dezoito anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo: Pena ± detenção. É necessário. auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior. possa colocá -lo em perigo moral ou material. . 18. que essa pessoa. Entrega de filho menor a pessoa inidônea Art. Basta a situação de perigo abstrato. Cabem: a transação penal no caput e suspensão condicional do processo no caput e §§ 1º e 2º (arts.251. temerárias etc. com o fito de obter lucro. a nova redação do dispositivo alcança não só o perigo moral. Como exemplos de pessoas capazes de colocar o menor em risco material. CP art.84 deu nova redação ao caput e introduziu os dois parágrafos. cit. 245. Incrimina -se a entrega do filho menor de 18 anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo. art. Embora não se requeira que a entrega seja por maior tempo. de um a dois anos. É necessário que o perigo seja anterior ou concomitante à entrega. esse lapso deve ser juridicamente relevante.

Admite-se tentativa.94. Ação penal: Pública incondicionada. Sujeito passivo: O filho menor de 18 anos. embarque etc. de 1 (um) a 2 (dois) anos.740. Participação autônoma (§ 2º do art. 239 do Estatuto da Criança e do Adolescente transcrito. através do Decreto nº 2. compra de passagem. sem dependência de efetivo dano moral ou material pois trata-se de crime de perigo. e o Governo Federal. 1ª forma ± fim de lucro: Incide o § 1º quando a entrega do filho menor é praticada para obter lucro (bastando a finalidade mesmo sem o efetivo lucro). ³Questão prejudicial: Não tendo o juízo cível apreciado o tema da falsidade das adoções.98. não há mais de se discutir sobre a competência da Justiça Federal em casos de tráfico internacional´ (STJ. de 20. ao menos culposamente (preterdolo). RT 748/570). 238 (ECA). Sujeito ativo: Qualquer pessoa.Consuma-se com a entrega do filho. Figuras qualificadas do § 1º do artigo 246 -CP: O Presidente da República.29 CP). . através do Decreto Legislativo nº 28/90. após a sua devida ratificação pelo Poder Legislativo. Pena do caput: Detenção. determinou o cumprimento em nosso País da Convenção Interamericana sobre Tráfico Internacional de Menores. vide art. 2ª forma ± enviado para o exterior: Mais gravemente é punida a entrega do filho menor quando é enviado para o exterior com o resultado imputado ao agente por dolo ou.3. Exemplos: preparação de papéis ou passaporte. RT 748/570). ³Tendo o Congresso Nacional. mediante paga ou recompensa´.8. independentemente da natureza da filiação. Se não chega a sair do nosso país não incide esta figura qualificada. assinada na Cidade do México em 18. Embora delito próprio pode haver participação de terceiros (art. Se o agente ³promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro´.710/90. incorporado ao direito pátrio os preceitos contidos na Convenção Interamericana sobre os Direitos da Criança. por força do Decreto nº 99. vide art. não faz coisa julgada na esfera penal a decisão cível que deferiu a adoção de menor a casal estrangeiro´ (STJ. 245 -CP). Tipo objetivo: Pune-se quem auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior . Se o agente ³prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro.

[et al]. o agente revela. ³Tipo objetivo: Deixar de prover tem a significação de não tomar as providências necessárias. em companhia dos genitores ( C. penúria da família e.. também a instrução rudimentar dos pais ( Lições de Direito PenalParte especial. de prover à instrução primária de filho em idade escolar: Pena ± detenção. 227. Führer assevera que o § 2º deste artigo 245-CP foi revogado tacitamente pelo artigo 239 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8. O delito configura-se independentemente da legitimidade do filho (CR/88. Ação penal: Pública incondicionada. que neste caso o agente não são os pais. distâncias a percorrer. 745).1990): ³Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior. ou não. 205. de 13. segundo Heleno Fragoso. Como causas justas podem ser lembradas a falta de escolas ou vagas. Abandono intelectual Art. § 6º) e de viver ele. 1965. com consciência do destino do jovem e o elemento subjetivo do tipo ou seja o fito de obter lucro. desde já. 2002 p. 6ª ed. Para a tipificação impõe-se que a conduta seja sem justa causa (elemento normativo).07. Delmanto. v. sua vontade . mas terceiro que promove ou auxilia o envio do menor ao exterior.3. I. independentemente da saída do adolescente para o exterior ou da obtenção do lucro pois é crime formal. Consuma-se com o ato de auxílio.P. CR/88: Sobre o dever de educar: Arts.069. Renovar.Tipo subjetivo: O dolo representado na vontade de auxiliar a prática nefasta do ato. 208.3.Comentado. C. Assim. ou multa. Tipo subjetivo: O dolo detectado na vontade livre e consciente de não cumprir o dever de dar educação. Ressalte-se. Admite-se a tentativa.514). sem justa causa. Cabem: a transação e a suspensão condicional do processo (76 e 89). com inobservância das formalidades legais ou com o fito de lucro: Pena ± reclusão de 4 (quatro) a 6 (seis) anos. ³Consumação: Entendemos que se consuma o delito quando.. art. inequivocamente. 246. 7. o agente omite -se nas medidas que podem propiciar instrução primária (de 1º grau) de filho em idade escolar. de quinze dias a um mês. indiferentemente que ha ja ou não risco moral ou material para o adolescente. p. Deixar. e multa. Pena da forma qualificada: 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão.III. após os 7 anos de idade do filho. e 229.

apesar de sua oposição. Sujeito passivo: O jovem de idade inferior a 18 anos. tenha qualquer dos comportamentos indicados nos incisos. televisiva ou película cinematográfica. Cabem: a transação e a suspensão condicional do processo (76/89 L. física e mentalmente. III ± resida ou trabalhe em casa de prostituição. ³Para a tipificação do delito do art. ou multa. É. com utilização de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica. o que não ocorre nos casos em que a pobreza é causa determinante da situação´ (TACrSP. Não pode ser punido o agente se o adolescente assim se comporta.´ Tipo subjetivo: O dolo. a vontade livre e consciente de permitir aquelas condutas do adolescente. ou seja. sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância: I ± freqüente casa de jogo ou mal-afamada. sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda. resida e mendigue . Pena: É alternativa: detenção. pois seria absurdo puni -la por não deixar o filho. Art. 229 do CP) entende-se aquela em que o meretrício é exercido e não a casa onde a prostituta mora.de não cumprir o seu dever (delito omissivo permanente)´. ver art. de quinze dias a um mês. ³É mister o dolo. necessário. não basta a conduta ocasional. Ação penal: Pública incondicionada. Quanto aos verbos freqüente. 240 da Lei nº 8. na hipótese do inciso IV. II ± freqüente espetáculo capaz de pervertê -lo ou de ofender-lhe o pudor.9099) Objeto jurídico: A preservação moral do adolescente.069/90 (ECA). ainda. sendo necessária a habitualidade. Permitir alguém que menor de dezoito anos. 7. Julgados 70/290). 247. . ³Tipo objetivo: A conduta prevista é permitir alguém (expressa ou tacitamente) que menor de 18 anos.4. Sujeito ativo: Os pais ou qualquer pessoa responsável legal pelo adolescente. conviva. IV ± mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública: Pena ± detenção. ou participe de representação de igual natureza. ou multa. de um a três meses.3. 246 do CP é necessário que o agente esteja capacitado. Não se admite a tentativa. o elemento subjetivo do tipo referente ao especial fim de agir (³para excitar a comise ração pública´). Julgados 95/78). Por casa de prostituição (vide art. No caso de produção ou direção de representação teatral. Inexiste forma culposa. a praticar os deveres inerentes ao pátrio poder´ (TACrSP. Abandono moral. ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida.

em virtude de lei ou de ordem judicial. assim. a) ³induzir menor de 18 anos. sem ordem do pai.1. pois. ou interdito. entrega arbitrária ou sonegação de incapazes. sem consentimento tácito ou expresso dos responsáveis. haverá só o crime do art.783. utilizar o próprio filho ou pessoa a ele confiada. Ação penal: Pública incondicionada. 7. auferindo. todos do novo C. . tutela e curatela. competindo. e multa. IV. menor de 18 anos. ou interdito. Art. persuadir. de entregá -lo a quem legitimamente o reclame: Pena ± detenção. Cabem: transação e suspensão condicional do processo (76 e 89 L. primeira parte. 7. no momento da conduta proibida. confiar a outrem.767 a 1.638-CC-2002).069/90. Induzimento a fuga. Consumação: Se a permissão for dada antes.630 a 1. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. A fuga deve ser clandestina. no ato desta. O termo ³pátrio poder´ foi substituído por ³poder familiar´ (arts. de 1 (um) mês a 1 (um) ano. em virtude de lei ou de ordem judicial. 1. Não basta o induzimento. Civil. a ambos os genitores o exercício dos direitos e deveres relativos à prole.9099). punido com reclusão de quatro a seis anos. Objeto jurídico: Os direitos do poder familiar. mediante a entrega de bilhetes em que só solicita auxílio financeiro.728 a 1. ou deixar. e ter duração expressiva. algum menor de dezoito anos. RJDTACr 22/41). ou multa. quanto ao local ou atividade.³Absorção: Na hipótese do produtor ou diretor de representação teatral. induzir é aconselhar. 247. A tutela encontra-se atualmente prevista nos artigos 1. de um a três meses. se posterior a permissão. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. mas inadmissível na posterior. o agente que dá permissão aos filhos menores de 18 anos para mendigar. televisiva ou película cinematográfica. 240 de Lei 8. Induzir menor de dezoito anos. Pena: É alternativa: detenção. sendo necessária a efetiva fuga (afastamento) do menor ou interdito. proveito próprio´ (TACrSP. ou interdito.4.4.´ ³Incorre no art. 248. Erro: O eventual engano do agente. incitar. do tutor ou do curador. 20 do CP. Dos Crimes contra o pátrio poder. sem justa causa. tutela ou curatela. deve ser avaliado à luz do art. Tentativa: Admissível na permissão anterior. ou multa. em cena de sexo explícito ou pornográfica.766 e a curatela nos artigos 1.

RT 500/346). Se o agente. leva a ação para o artigo 249 do CP. c) Ou deixar. ³No art. Subtrair menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judicial: Pena ± detenção.2. sonegar. A presença de justa causa (ex. subtrai. obra citada. sem autorização expressa ou tácita dos responsáveis. RT 638/329). É a entrega arbitrária. O consentimento do menor é penalmente irrelevante. ao invés do art. com a efetiva fuga. p. 248 do CP por reter.4. fiar. confia r ou deixar de entregar. mas nós entendemos que tal artigo refere -se à decisão penal e não civil´. na ³c´. com o ato de confiar. ou multa. III. Pena: Alternativa: detenção. de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos. privado do pátrio poder. Tipo subjetivo: O dolo consistente na vontade livre e consciente de induzir. enquanto no art. 1965. 7. em vez de induzir. ou interdito. ³Não estando o acusado. 248 há recusa na entrega. não há falar em infração do art. v. algum menor de 18 anos. RF 262/287).´ (Delmanto. de um mês a um ano. 248 o menor é levado a sair. Se o pai ou responsável deixa de entregar o menor ou interdito a terceiro. 518). 249 ele é tirado´ (TJSP. os filhos que lhe foram confiados para visita´ (TACrSP. A expressão legitimamente significa em conformidade com as leis. Confiar tem a significação de entregar. Deixar de entregar é reter. Subtração de incapazes Art. do tutor ou do curador. Ação penal: Pública incondicionada.. ³No art. desobedecendo mandado judicial. . além do prazo convencionado. 359 do CP ( Lições de Direito Penal ± Parte especial.b) Confiar a outrem. sem ordem do pai. 249. a quem o reclame legitimamente. de entregá-lo (o menor ou interdito) a quem legitimamente o reclame. 756). 249 em que o menor é subtraído´ (TAMG. se o fato não constitui elemento de outro crime. Tentativa: Nas figuras ³a´ e ³b´ é admissível.: risco para a saúde do menor) afasta a tipicidade. com a demonstração inequívoca de não querer entregar. na ³c´ não.. p. na ³b´. transmitir. sem justa causa. segundo Heleno Fragoso o crime seria o do art. Consuma-se: na figura ³a´. sem embargo de desquitado. Inexiste forma culposa. sem justa causa.

se destituídos ou temporariamente privados do pátrio poder. art. eventualmente. Se houver apenas induzimento à fuga. se este . Pena: Detenção. art. o delito será do art. § 2º. se o fato não constitui elemento de outro crime (infração expressamente subsidiária). Se o agente ³subtrai criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. curadores e. Admite-se a tentativa. tutela ou guarda (§ 1º). retirar. 248 do Código Penal. os próprios menores. Não há forma culposa. sem ter sua guarda em razão de lei ou determinação judicial. tutores ou curadores. art. Se a finalidade for a obtenção de resgate. Cabem: transação e suspensão condicional do processo (L.§ 1º. No caso de restituição do menor ou do interdito. 10259-9099) Objeto jurídico: A guarda de menores ou interditos. a conduta não se enquadrará neste delito do art. A subtração é feita de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial . de dois meses a dois anos.069/90 (Estatuto d a Criança e do Adolescente). ou seja. 248 do CP. 148 do CP. com o fim de colocação em lar substituto´. curatela ou guarda. A pessoa que se subtrai é menor de 18 anos ou interdito (submetido judicialmente à curatela). 159 do CP. tutores. o crime será contra os costumes. art. o juiz pode deixar de aplicar pena. O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito não o exime de pena. 237 da Lei nº 8. se destituído ou temporariamente privado do pátrio poder. É cabível o perdão judicial (§ 2º) no caso de restituição voluntária ou espontânea do menor ou interdito. Sujeito passivo: Pais. Tipo subjetivo: O dolo. inclusive pais. tutela. Se o fim for a privação da liberdade. a vontade livre e consciente de subtrair o menor ou interdito. Ação penal: Pública incondicionada. se este não sofreu maus-tratos ou privações. Inexistirá o crime se o menor fugir sozinho e depois for ter com o agente. caso haja induzimento para a fuga e não subtração. 249 do CP. Consuma-se com a efetiva subtração à guarda do responsável. Portanto. Tipo objetivo: O núcleo subtrair significa tirar. Se a subtração for com fim libidinoso. se o menor é tirado de quem apenas o cria.

conforme art. ou deixar. a fugir do local em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. a fim de proteger o organismo familiar.não sofreu maus-tratos ou privações. ³Se a restituição não foi espontânea. isto é o agente introduz no pensamento do incapaz a idéia de fugir do local em que se encontra por ordem de quem sobre ele exerce autoridade. Induzir menor de 18 (dezoito) anos. 249 do CP o pai desquitado que subtrai filho.OBJETIVIDADE JURÍDICAO objeto jurídico desse delito é o pátrio poder a tutela e a curatela. se o menor aquiesceu e houve concordância de seu genitor´ (TACrSP. ou interdito.A) INDUZIMENTO A FUGA. . ENTREGA ARBITRÁRIA OU SONEGAÇÃO DE INCAPAZESArt. o pátrio poder passou a ter a denominação de poder de família e é igualmente exercido pelos genitores (artigos 1. Julgados 95/289). ³Não se tipifica. ³Comete o delito do art.(Causa de extinção da punibilidade. CAPITULO IV DOS CRIMES CONTRA O PATRIO PODER. em virtude de lei ou ordem judicial. ³Mãe que subtrai filhos que se encontravam sob a guarda de terceiros pode ser sujeito ativo´ (TACrSP. ou multa.630 a 1. havendo seu efetivo afastamento espacial por um período juridicamente relevante. RJTAMG 29/306). A lei tutela os direitos e deveres dos genitores. 248. RT 524/407). mas sim forçada em razão da apreensão do menor. é inaplicável o § 2º do art.Insta salientar que com o advento do Código Civil de 2002. 249´ (TACRrSP. TUTELA E CURATELA1. confiar a outrem sem ordem do pai. deentregá -lo a quem legitimamente o reclamePena detenção de 1 (u m) mês a 1 (um) ano.638). bem como os interesses destes. tutores e curadores sobre os menores e os incapazes.Para caracterizar a fuga. cuja guarda cabia à mãe em razã o do desquite por mútuo consentimento´ (TACrSP.ELEMENTO OBJETIVO DO TIPOO dispositivo legal prevê três figuras típicasa) Induzimento a fuga: prevista na primeira parte do dispositivo sob o texto Induzir menor de dezoito anos. IX-CP) ³O que se pune é a subtração. RT 520/416). o incapaz deve abandonar o local. e não a sonegação ou recusa em entregar o menor´ (TAMG.107.Aqui a conduta típica é induzir que significa incutir. do tutor ou do curador algum menor de 18 (dezoito) anos ou interdito. RJDTACr 22/400). incitar. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. sem justa causa. ou interdito. em virtud e de lei ou de ordem judicial.b) Entrega .

Assim. o menorde 18 anos e o interdito.Também não poderão ser sujeitos passivos do delito o menor de 18 anos que não esteja sujeito ao pátrio poder ou a tutela. também. Nesse caso.A terceira figura típica. quando apesar do induzimento o menor não consegue concretizar a fuga. a curatela refere-se apenas a gestão de seus bens. caracterizada com sua saída da esfera de vigilância do responsável. os tutores e os curadores. Também podem ser sujeitos ativos os pais que es tejam privados temporariamente ou impedidos de exercer o pátrio poder. o que torna a conduta do agente atípicaFORMA TENTADAAprimeira figura típica se consuma com a realização da fuga pelo incapaz. o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa.A . deixando de entregá-lo a seu genitor após ter conhecimento de que o menor estaria sofrendo abusos sexuais por parte deste. tratando -se de crime comum. de entregá -lo (menor de 18 anos ou interdito) a quem legitimamente o reclame Para configurar o delito é necessário que o agente tenha a posse ou detenção do incapaz e se recuse a entregá-lo a quem de direito. Pode ser praticado.Aquele que recebe o incapaz também responde por este delito desde que ciente de que a entrega foi arbitrária. quando é im pedido por seu genitor no momento em que saía de casa com as malas nas mãos.arbitrária: É a segunda modalidade de conduta típica e consiste em Confiar a outrem sem ordem do pai. por exemplo. sonegação de incapaz.Sujeito Passivo são os genitores. A tentativa é admissível. falta o elemento normativo do tipo ( sem justa causa ). por exemplo. a tutela e a curatelaELEMENTO SUBJETIVOAs figuras típicas previstas no dispositivo são punidas a título de dolo. pelo diretor de um colégio. sem justa causa.Do mesmo modo. tutor ou curador.c) Sonegação de incapaz: terceira e última modalidade de conduta consiste em deixar. não há que se falar em crime. do tutor ou do curador algum menor de dezoito anos ou interdito. e. detentores do pátrio poder.O pródigo não pode ser sujeito passivo dos delitos. bem como a pessoa passível de interdição. eis que inobstante sua interdição. mas que não foi declarada interditada judicialmente Nesses casos. que consiste na vontade livre e consciente do agente em praticar qualquer das condutas descritas no tipo penal. estão ausentes o objeto jurídico do delito: o pátrio poder. permanecendo capaz para a pratica dos demais atos da vida civil.O tipo consiste na entrega do incapaz a outrem sem o consentimento do genitor. como.SUJEITOSEm todas as modalidades. sua conduta será atípica. contém elementos normativos do tipo que estão consubstanciados nas expressões sem justa causa e legitimamente . se o agente retém o menor de 18 anos. ainda. caso o agente deixe de entregar o menor a pessoa que não o reclame legitimamente.

se o fato não constitui elemento de outro crime1º A pena é de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão. fugindo com ele.ELEMENTO OBJETIVO DO TIPOO núcleo do tipo consiste em subtrair. for levado a sair do local em que se encontra para acompanhar o agente.OBJETIVIDADE JURÍDICAAqui a lei tutela a guarda do menor de 18 anos e do interdito.A sonegação de incapaz se consuma com o ato de recusa injustificado do agente em entregar o menor de18 anos ou o interdito a quem legitimamente o reclame.A conduta de induzir o incapaz à fuga difere do delito de subtração de incapazes previsto no artigo 249 do C. o menor de 18 anos ou o interdito do poder daquele que o tem sob sua guarda.Aqui a tentativa é inadmissível.O delito admite diversos modos de execução.CALSSIFICAÇÃO DO DELITOO delito é comum. fraude. tanto na modalidade de co-autoria quanto na de participaçãoCONCURSO DE CRIMESNa hipótese do genitor. quando.AÇÃO PENALA ação penal é pública incondicionada. da tutela ou da curatela. deixando de entregar o incapaz e pratica a conduta descrita no tipo penal ou entrega o incapaz não dando inicio a execução da conduta típica. ocorrerá o delito de subtração de incapazes e não o de induzimento a fuga. Assim.P. cuja pena é mais grave. se o agente pratica o delito para obter lucro. Se o menor de 18 anos ou interdito.. Subtrair menor de 18 (dezoito) anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judiciaPena detenção.A sonegação de incapazes é crime omissivo puro e unissubsistente. quando o agente não consegue realizar a entr ega por circunstâncias alheias a sua vontade.P. o tutor ou o curador que foi destituído ou estiver temporariamente privado de exercer os direitos do pátrio poder. 249. o agente induz o incapaz a sair do local em q ue se encontra para .Essa gua rda tem que ser decorrente de lei ou ordem judicial. eis que o delito é omiss ivo próprio e como tal é unissubsistente. Pode ser praticado mediante violência.B) SUBTRAÇÃO DE INCAPAZESArt. de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos. conforme salientamos no estudo do artigo anterior. sendo admitida a forma tentada. ameaça. se for apenas guarda de fato não haverá crimePara configurar o delito deverá haver o deslocamento espacial do incapaz.consumação do crime na hipótese da entrega arbitrária se dá no momento da entrega do incapaz aoutrem. pelo induzimento.1. ou se omenor é enviado para o exterior. que será retirado da esfera de proteção do guardião e colocado sob a esfera de proteção do agente. até pelo induzimento do menor a fugir.CONCURSO DE AGENTEÉ admissível o concurso de pessoas. isto é retirar. se r ecusar a entregar o incapaz estará desobedecendo a ordem judicial e cometerá o delito previsto no artigo 359 do C. ou o agente se omite. instantâneo.

O sujeito passivo do delito é aquele que tem a guarda do menor decorrente de lei ou determinação judicial. portanto.Assim. inclusive por aqueles que tenham sido destituídos do patrio poder. plurissubsistente e instantâneoPERDÃO JUDICIALArt. mas quando presentes os requisitos estará obrigado a deixar de aplicar a pena.AÇÃO PENALA ação penal é pública incondicionada.Se a finalidade do agente for colocar o menor em lar substituto responderá pelo delito previsto no artigo 237 da lei 8. como. Não é necessária a posse mansa e tranqüila do menor. Também é sujeito passivo o menor de 18 anos e o interdito. Já o consentimento do incapaz é irrelevantepara a configuração do delito. os pais.SUJEITOSO crime é comum e pode ser praticado por qualquer pessoa. se este não sofreu maus tratos ou privações. o crime de rapto. quando a intenção for o fim libidinoso e o sujeito passivo for mulher honesta.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). material. ou o crime de extorsão mediante seqüestro. 25 . por exemplo.Também é elemento objetivo do tipo é o dissenso do guardião. Não se trata de uma faculdade do juiz.FORMA TENTADAO crime se consuma com a efetiva retirada do menor do poder de vigilância de quem detém a sua guarda em virtude de lei ou determinação judicial. dependendo da finalidade do agente. 1º 2º No caso de restituição do menor ou do interdito. só vai subsistir quando não constituir elemento de crime mais grave.ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPOO dolo é a vontade livre e consciente de tirar o incapaz do poder daquele que detém sua guarda em virtude de lei ou decisão judicial. conforme esclarece o parágrafo primeiro do dispositivo em estudo.CLASSIFICAÇÃO DO DELITOTrata-se de delito de comum. o juiz pode deixar de aplicar a pena.O juiz deixará de aplicar a pena quando o meno r for devolvido ao guardião sem ter sofrido violência física ou moral. ou qualquer tipo de privação. o tutor ou curador. 245. sua conduta poderá configurar outros delitos.O iter criminis pode ser fracionado. da tutela ou da curatela ou tenham sido privados do seu exercício temporariamente. sendo perfeitamente admissível a tentativa.CONCURSO DE AGENTESÉ possível a co-autoria e a participaçãoCONCURSO DE CRIMESO delito é expressamente subsidiário e. quando a intenção for obter o preço do resgate.fugir com ele.

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