OS CRIMES CONTRA A FAMÍLIA Paulo José da Costa Junior no seu livro comentários ao Código Penal, 7ª edição ± Editora Saraiva

± 2002, página 771 e seguintes, faz oportunas considerações sobre esses crimes trazendo à colação a Exposição de Motivos ao Código Italiano, de autoria de Alfredo Rocco, na parte referente aos crimes contra a família, nos seguintes termos: ³O Estado deve dirigir, constantemente, e com o máximo interesse, a sua atenção sobre a instituição ético-jurídica da família, centro de irradiação de toda vida civil. No seio da comunidade familiar, os pais, por suas palavras e mais ainda pelo seu exemplo, modelam a alma do filho, que será o cidadão de amanhã. Segundo o ambiente moral, saudável ou viciado, que encontrar no lar paterno, verá ele crescer em si próprio a planta do homem de bem, ou, ao contrário, nele deitará raízes a triste e envenenada planta do futuro delinqüente. Deve o legislador, por todos os meios ao seu alcance, procurar resguardar na sua existência física e na sua composição moral o organismo familiar: e a tal fim servem também as sanções punitivas com a sua ameaça contra os atentados ao instituto do matrimônio, que representa o fulcro de toda sociedade bem constituída, e ao organismo familiar´. Transcreve também trecho de Arturo Rocco , sobre o tema: ³a família a primeira, a mais elementar e universal forma de comunhão social, fundada sobre vínculos de afeto e de sangue, na qual o homem vai encontrar as condições naturais para o seu desenvolvimento físico, intelectual e moral; e o Estado uma das bases sociais para seu desenvolvimento´. Ney Moura Teles, por sua vez, no seu livro Direito Penal, Parte especial, volume III, Editora Atlas, 2004, página 133 e seguintes comenta: ³A família é a base da sociedade. Nela o ser humano nasce, dá seus primeiros passos, começa a conhecer o mundo em que vai viver , recebe a proteção indispensável a seu desenvolvimento e os primeiros conceitos acerca da sociedade em que vive, incorporando no seu íntimo os valores importantes que deve cultivar e respeitar pelo resto de sua vida. É bem jurídico importantíssimo. A Constituição Federal de 1988 sobre ela estendeu seu manto tutelar, no art. 226, obrigando o Estado a conferir-lhe proteção especial. Mencionou o casamento como instrumento de formação da família, mas também reconheceu, como entidade familiar, a união estável entre homem e mulher e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. Determinou que o Estado criasse mecanismos para coibir a violência no âmbito das relações familiares.´ O nosso Código Penal, dedicou o Título VII aos crimes contra a família, com quatro capítulos: I contra o casamento; II contra o estado de

filiação; III contra a assistência familiar; IV contra o pátrio poder,a tutela e a curatela. Tendo o instituto da família recebido total consagração, vez que, conforme a nossa Constituição vigente no seu artigo 226 estabelece: ³ A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado ´. Já o § 3º estabelece que: Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como unidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. O § 4º estende o conceito de família afirmando: ³Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes ´ O § 5º estabelece que: ³Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher´. O título VII do nosso Código Penal trata: Dos Crimes contra a família, tipificados nos artigos 235 ao 249 podendo acrescentar o artigo 136 que cuida dos maus tratos por sai vez agravado quando realizado por parente ou cônjuge, o mesmo acontecendo com os demais crimes contra a vida, contra a pessoa, contra os costumes e contra o patrimônio 7.1. Dos crimes contra o casamento. 7.1.1.Bigamia Art. 235. Contrair alguém, sendo casado, novo casamento: Pena ± reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. § 1º. Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada, conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos. § 2º. Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo que não a bigamia, considera -se inexistente o crime. Cabe a suspensão condicional do processo no § 1º (L.9099/95, art.89) Objeto jurídico: A organização da família. Sujeito ativo: A pessoa casada que contrai novo matrimônio, na bigamia própria do caput. A pessoa solteira, viúva ou divorciada, que se casa com pessoa que sabe ser casada, é sujeito ativo do crime de bigamia imprópria na figura mais branda do § 1º deste artigo 235 do nosso Diploma Penal. Sujeito passivo: O Estado, o cônjuge do primeiro matrimônio e o do segundo, se de boa-fé. Tipo objetivo: É pressuposto deste crime a existência formal e a vigência de anterior casamento. Se for anulado o primeiro matrimônio, por qualquer razão, ou o posterior, por motivo diverso da bigamia, considera -se inexistente o crime (§ 2º do artigo 235 -CP). Tratando-se de casamento inexistente, ou seja, entre pessoas do mesmo sexo ou sem o consentimento válido de uma delas, não há crime pela inexistência jurídica do matrimônio

Termo inicial da prescrição: O artigo 111 inciso IV-CP faz referencia direta ao início do prazo prescricional dos crimes de bigamia e de falsificação ou alteração de assentamento do registro civil determinando ser a partir da data em que o fato se tornou conhecido.] Renovar 6 ª. não isenta o agente do delito de bigamia´ (TJSP. ³O divórcio obtido posteriormente. conhecendo esta circunstância. Entretanto. ³Haverá o crime. Casamento de pessoa não casada com outra casada (§ 1º): No § 1º está a incriminação contra quem não sendo casado (solteiro. RJTJSP 110/503) . 2002 p. não sendo casado. Consuma-se no momento e lugar em que se efetiva o casamento (crime instantâneo e de efeitos perma nentes). É duvidosa a admissibilidade da tentativa. Tipo subjetivo: Em face da expressão ³conhecendo´ o tipo requer o dolo direto não bastando o dolo eventual Pena: Do § 1º é alternativa a pena privativa de liberdade: reclusão ou detenção. de 1 (um) a 3 (três) anos. C. Tipo subjetivo: O dolo. contrai casamento com pessoa já casada. não pode contrair novo matrimônio enquanto não se divorciar. pois não se pode puni-lo com sanção superior à cominada para o próprio agente. 235. em vista das duas figuras que o art.anterior (crime impossível). Predomina o entendimento que a bigamia absorve o de falsidade. É a nosso ver. entendendo -se. P. desde que vigente o casamento anterior´ (TJSP. Comentado. a única solução permitida pela estrutura das duas figuras deste artigo´ (C. a pena do concurso de pessoas deve relacionar -se com o art. viúvo ou divorciado). Ação penal: Pública incondicionada. Delmanto [et al. de dois a seis anos. que. ciente da circunstância. RT 557/301). 29 do CP. por exemplo. 21 -CP). Pena: (caput) Reclusão. A pessoa separada judicialmente ou desquitada como era anteriormente designada. podendo ser excluído por erro quanto à vigência do casamento anterior (de tipo art. entendemos que o partícipe fica sujeito à pena mais branda do § 1º (e não à do caput). auxilie o agente que comete a figura do caput. Assim. nos termos amplos do art.501). O casame nto religioso com exceção do que produz efeitos civis não serve de pressuposto para o crime de bigamia. casa com pessoa casada. em relação ao segundo casamento. 20 ou de proibição art. 235 contém (caput e § 1º). quando aceita que o casamento começa com os atos de celebração excluindo -se a habilitação Concurso de pessoas: ³Pode haver participação de terceiros. ainda que o partícipe. A celebração de mais de um casamento configura crimes autônomos.

anterior ao casamento. sendo esse erro tal. anterior ao casamento. anterior ao casam ento.2. Parágrafo único. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. 13. j. por sua natureza. Sujeito passivo: O Estado e o cônjuge enganado. RT 549/351). pelo contágio ou herança. Tipo objetivo: Contrair casamento: a) induzindo em erro essencial o outro cônjuge. 7. Tendo sido incluída pelo novo diploma civil nova hipótese de erro essencial: ³a ignorância.³Pratica bigamia. Pena ± detenção. in bol. 523/374). SER 189.557 do novo Código Civil: ³I ± o que diz respeito a sua identidade. consoante o artigo 219 do antigo C. IV ± a ignorância. Objeto jurídico: A regular formação da família. Sujeito ativo: O cônjuge que induziu em erro ou ocultou impedimento. anule o casamento. 236.962). se contrair novo casamento antes de divorciar se´ (TJPR. já casado no Brasil.95. II ± a ignorância de crime.11. que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado. ³A prescrição. induzindo em erro essencial o outro contraente.Civil de 1916/2002 e 1. ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior. . A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode se intentada senão depois de transitar em julgado a sentença que. o que preenche o requisito da extraterritorialidade do Código Penal´ (TJSP. levando-o a casar com alguém em erro essencial referente a pessoa como ocultação de crime anterior ao casamento. sua honra e boa fama. anterior ao casamento. capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência. Contrair casamento. RT 516/287. ignorado pelo marido (inciso IV do artigo 219 do antigo Código Civil. por motivo de erro ou impedimento. transação e suspensão condicional do processo. por sua natureza torne insuportável a vida conjugal. AASP n° 1. antes de transitar em julgado a sentença final.1. não mais se considera erro essencial o defloramento da mulher. que. tendo havido extinção da punibilidade retroativa a todas as condutas anteriormente praticadas. Por conseguinte. torne insuportável a vida em comum do cônjuge enganado´. de defeito físico irremediável ou de moléstia grave e transmissível.329-3. pois ambos os países punem a bigamia.Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento Art. III ± a ignorância. começa a correr da data em que o crime se tornou conhecido da autoridade pública´ (TJSP. caso em que não mais se configura o tipo do artigo 236-CP. ³Configura o crime de bigamia o fato de brasileiro. contrai novo matrimônio no Paraguai. É possível: composição. de d oença mental grave que.

devendo o direito de queixa ser exercido pelo cônjuge enganado e após o trânsito em julgado da sentença que anule o casamento por erro ou impedimento. I a VII do CC 2002: ³Não podem casar: I ± os ascendentes com os descendentes. ou seja. Desapareceram. seja o parentesco natural ou civil.521.100 -CP (direito personalíssimo) A contagem do período prescricional inicia-se no dia do trânsito em julgado da sentença que. torne insuportável a vida em comum ao cônjuge enganado´. portanto. II ± os afins em linha reta. Tendo ocorrido abolitio criminis com relação a essas situações. unilaterais ou bilaterais. não encontrando dispositivo correspondente na nova legislação restando os sete i ncisos do artigo 1. por motivo de erro ou impedimento. Consuma-se no momento da celebração do casamento. anterior ao casamento.521-CC 2002). não se tipificando o ato de simplesmente não declarar o impedimento e carece também que o outro cônjuge seja enganado. Significando disfarçar. que tivesse sido julgado definitivamente por sentença. induzindo a erro essencial ou ocultando impedimento. ficando o casamento realizado nestas condições anulável nos termos do artigo 1. portanto. sendo 16 impedimentos que até então configuravam o delito. esconder. nove casos. encobrir. havendo. Civil e artigo 218 do antigo. e demais colaterais. C. b) ou ocultando-lhe impedimento que não seja casamento anterior . por sua natureza. do CC1916. Ação penal: privada. havendo no caso bigamia (artigo 235. segundo o disposto no parágrafo único. Inaplicável sucessão queixosos do § 4º do art. a vontade livre e consciente de contrair matrimônio. Foram operadas modificações no inciso II do artigo 219 do CC -1916. V ± o adotado com o filho do adotante. A tentativa é juridicamente inadmissível face à condição de procedibilidade imposta pelo parágrafo único do comentado artigo 236 da lei punitiva pátria. a extinção da punibilidade retroativa a todas as condutas anteriormente praticadas. pois se exigia que a mulher ignorasse a existência de crime inafiançável. anule o casamento. Tipo subjetivo: O dolo.de doença mental grave que. I a XVI. O impedimento não pode ser relativo a casamento anterior (inciso VI do artigo 1.556 do novo C.´ Esses impedimentos constavam do artigo 183. É imprescindível que o contraente desconheça os defeitos do outro cônjuge. VI ± as pessoas casadas. IV ± os irmãos. CC-2002. Penal). do contrário não há induzimento em erro essencial. até o terceiro grau inclusive. ou sejam os incisos VII e IX a XVI do artigo 183 da lei anterior em questão. Tais impedimentos são os dispostos no artigo 1. . VII ± o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra seu consorte .521. Segundo a maioria da doutrina a ocultação deve ser comissiva. III ± o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante. havendo aí novatio legis incriminadora.

1. A iniciativa pública da ação decorre do fato de que ambos os cônjuges podem ser co-autores do delito. Engano quanto ao alcance legal do impedimento reflete na culpabilidade (Art. 235-CP). não se admite dolo eventual. de três meses a um ano. ou seja. 21 -CP).1. com o consentimento formal dos nubentes. Tipo objetivo: O agente se casa sabendo da existência de impedimento que cause ao ato nulidade absoluta (norma penal em branco cujo conteúdo carece de complementação por outra lei). Nos termos do art. a persecução penal estaria inviabilizada. 237. Ambos os nubentes sabendo dos impedimentos são co -autores. Se dependesse de queixa ou representação desses. independe de representação do ofendido ou de seu representante legal.549 do novo Código .521. ocorrerá o erro de tipo que exclui o dolo e.7. 183. O novo Código Civil não repetiu a hipótese do impedimento de casamento entre o cônjuge adúltero com o co-réu condenado por esse crime (Art. conhecendo a existência de impedimento que lhe cause nulidade. Cabem transação e suspensão condicional do processo (Lei 9. Ao contrário do delito do art.099/95). Conhecimento prévio de impedimento Art. Tais impedimentos dirimentes. não é necessária a prévia decretação de nulidade do casamento por sentença transitada em julgado. excluído o inciso VI (pessoas casadas). Contrair casamento. Devido a expressão ³conhecendo´. VII. 20 -CP). 236. pois sua ocorrência implica no crime de bigamia (art. ou seja. ³Ação penal: é crime de ação penal pública incondicionada. na vontade livre e consciente de contrair casamento. que retroage em benefício dos agentes.3. Consuma-se com a realização do casamento. Tipo subjetivo: É o dolo direto. Sujeito passivo: O Estado e o cônjuge desconhecedor do impedimento. conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta: Pena ± detenção. Basta que não declare o obstáculo à assunção do matrimônio para configuração com a simples omissão do agente desnecessária qualquer ação dele no sentido de ocultar o impedimento. portanto o próprio crime (Art. Trata-se de crime instantâneo de efeitos permanente s. Objeto jurídico: A regular formação da família. Sujeito ativo: O cônjuge (ou ambos os cônjuges) que contrai matrimônio sabendo da existência de impedimento absoluto. I a VII do CC-2002. CC-1916) Tratando-se de mais uma abolitio criminis. absolutos ou públicos estão arrolados no artigo 1. Havendo erro quanto à existência de impedimento.

Erro quanto a tal circunstância exclui o dolo. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. Consoante o disposto no art. portanto.p. O agente fingindo ser juiz de paz. a figura incidente será a do artigo 328 cuja pena é de reclusão. (crime subsidiário). mais grave. É de natureza subsidiária. além de outras previstas na legislação´. ob. antes ou concomitantemente à propositura da ação penal. Sujeito passivo: O Estado. de 1 (um) a 3 (três) anos.099/95). 7. Assim. Atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento: Pena ± detenção. Cabe a suspensão condicional do processo (Artigo 89 da Lei 9. 98. sua legitimidade para propor a ação penal contra o cônjuge sobrevivente que omitiu o impedimento´ Capez. O crime em comento é uma forma específica do delito de usurpação de função pública (Art. verificar. para presidir casamento civil etc. Elemento subjetivo: O dolo consistente na vontade livre e consciente de atribuir-se falsamente autoridade para celebração de casamento. com mandato de quatro anos e competência para. somente incidindo se o fato não constituir delito mais grave.4. Objeto jurídico: A disciplina jurídica do casamento. se o fato não constitui crime mais grave. . universal e secret o.127. É necessário o efetivo conhecimento da falta de atribuição para presidir o ato. Não existe forma culposa. na forma da lei. bem como o cônjuge de boa fé. Ação penal: Pública incondicionada inexige condição procedibilidade. Simulação de autoridade para celebração de casamento Art.1. Consuma-se com o simples ato de o agente atribuir -se falsa autoridade. Se um dos cônjuges tiver falecido. não se afastando. 208. 238. 328 -CP).Civil (art. Tipo objetivo: Delito formal cuja conduta é atribuir -se falsamente competência para celebração de casamento. parágrafo único. é composta de cidadãos eleitos pelo voto direto. da Constituição Federal. contudo. nada impede que o Ministério Público proponha ação civil para obter a declaração de nulidade do casamento. sem caráter jurisdicional.cit. o processo de habilitação e exercer atribuições conciliatórias. II. celebrar casamentos. remunerada. II. se for praticado visando obtenção de vantagem. Sujeito ativo: Qualquer pessoa ou mesmo o funcionário público sem atribuição para celebrar casamento. ³a justiça de paz. do antigo Código). o órgão ministerial estará proibido de propor a ação de nulidade. independentemente da efetiva realização do casamento. de ofício em face de impugnação apresentada.

´ ( Delmanto. . Sujeito passivo: Estado. ³Tipo objetivo: O núcleo é simular (fingir. inexiste o delito. Cometer adultério: Pena ± detenção. O agente simula casamento mediante engano de outra pessoa . Tipo subjetivo: O dolo ínsito na vontade livre e consciente de simular casamento.1. Se nenhum deles é enganado. Simular casamento mediante engano de outra pessoa: Pena ± detenção. o contraente ou seu representante legal iludido Consuma-se com a efetiva simulação. portanto. 239. escrivão.6. É necessário. de quinze dias a seis meses. § 2º. A ação penal somente pode ser intentada pelo cônjuge ofendido. Incorre na mesma pena o co -réu. O juiz pode deixar de aplicar a pena: I ± se havia cessado a vida em comum dos cônjuges. Consuma-se com a efetiva simulação e a dmite-se a tentativa. se o fato não constitui elemento de crime mais grave. Este delito do artigo 239-CP é expressamente tipificado como subsidiário sendo excluído quando constituir meio ou elemento empregado para a prática de delito maior como para a posse sexual fraudulenta (art. na hipótese de ser necessário o consentimento destes. Adultério (ad alterum thorum ire. e dentro de um mês após o con hecimento do fato. de 1 (um) a 3 (três) anos. testemunhas ou outras pessoas. § 4º.1. Ação penal: pública incondicionada. 215). 240. § 1º. Admite -se tentativa. ir para outro leito) Art. Simulação de casamento Art. (subsidiário meio para outro mais grave). Direito Penal Comentado p. que o casamento seja simulado mediante (por meio de) engano de outra pessoa.099/95) Objeto jurídico: A disciplina jurídica do casamento Sujeito ativo: Qualquer pessoa. testemunhas ou outras pessoas. Poderão ser partícipes o juiz. Inexiste modalidade culposa. § 3º.7.504). Cabível a suspensão condicional do processo (Art. 89 da Lei 9. A ação penal não pode ser intentada: I ± pelo cônjuge desquitado. 7. Poderão ser partícipes o escrivão. II ± pelo cônjuge que consentiu no adultério ou o perdoou. representar).5. com engano de outra pessoa. expressa ou tacitamente. devendo esta ser o nubente enganado ou seus responsáveis.

Não se prorroga em face de domingo. Código Penal Brasileiro Comentado. Magalhães Noronha. III.573. a. Também o configura o coito anormal ou qualquer ato sexual inequívoco (Damásio de Jesus. Cabíveis: Conciliação. III.12.v. § 3º A ação não pode ser intentada: I.1977 e art.II ± se o querelante havia praticado qualquer dos atos previstos no art.515. A primeira corrente (a) é a mais acertada e tem a seu favor a jurisprudência recente. 714). I. Romão Côrtes de Lacerda. 1995. 1959. e pessoa (co-réu) que tem tal relação com a casada (§ 1º). 198. 310. Delmanto [et. 382). Lições de Direito Penal. 1. Projeto de lei em curso pretende revogar este artigo 240. VIII. sendo inaplicável o artigo 798. v III. É pressuposto da infração a existência formal e a vigência de anterior matrimônio. Extingue o crime se este não tiver sido julgado definitivamente (H. 1965. ³Tipo objetivo: Trata-se de delito de concurso necessário. 3. 1995. Só o caracteriza o coito vagínico (Bento de Faria. . porquanto só pode ser cometido por duas pessoas (de sexos opostos). do CPP (RT. § 3º. p. p. Fragoso. VI. devendo a queixa ser oferecida no prazo decadencial de um mês. b. do novo Código Civil). Direito Penal. Direito Penal. Admite -se a tentativa. v. Sujeito passivo: Somente o cônjuge traído. III. há posições diversas na doutrina brasileira. v. p. (C.] ob. há. computando -se o dia do começo e excluindo-se o dia final. Ação penal: Privada personalíssima não se transmite aos sucessores. 381). continuando na esfera civil. VIII. Tipo subjetivo: O dolo na vontade livre e consciente de adulterar. também. Comentários ao Código Penal. ainda que uma delas aja sem conhecimento ou seja penalmente irresponsáv el.311)´. 1959. 1996. Direito Penal. Quanto à significação do que seja o adultério que o código menciona. v. conforme a regra do art. feriado e férias. H. p. 1959. O crime não se extingue Magalhães Noronha. Quanto à anulação do casamento. p. No entender da maioria dos autores o adultério não deveria mais figurar como crime. p. Não subsiste o crime (Romão Côrtes de Lacerda. como causa de separação judicial (Art. Sujeito ativo: O cônjuge (réu) que tem relação sexual fora do casamento no caput. 317 do Código Civil. transação e a suspensão condicional do processo. de 26. p. p. 505). com apoio em Hungria. Comentários ao Código Penal. 530/367). Lições de Direito Penal ± Parte Especial. excluído para o co-réu pela ignorância quanto ao estado de casado do outro-20 Consuma-se com a efetiva relação sexual. 714). v. b. 1965. v. Fragoso. Objeto jurídico: Disciplina jurídica da família e do casamento. v. 10 do CP. 5º da Lei do divórcio Nº 6. p. 165. al. entendimentos diversos sobre seus efeitos: a. pelo cônjuge desquitado (separado judicialmente e divorciado).cit. c.

IX). abandono do lar durante um ano contínuo. é suficiente que haja. se havia cessado a vida em comum dos cônjuges. sevícia. RTJ 120/191). Promover no registro civil a inscrição de nascimento inexiste: Pena ± reclusão. de tal forma a sugerir a prevaricação conjugal´ (TACrSP. sevícia ou injúria grav e. aquiesceu. pelo cônjuge que consentiu no adultério ou perdoou expressa ou tacitamente. Sujeito ativo: Qualquer pessoa.573 do novo Código Civil: adultério. condenação por crime infamante. . no inquérito policial. não impede a decadência. 241. 531/352). Quanto a natureza do perdão judicial é causa extintiva da punibilidade (107. e outros. tentativa de morte. o que se pode traduzir pelas circunstâncias em que o casal é encontrado. ³Conta-se o prazo decadencial a partir do conhecimento inequívoco do fato.II. per dão está implícito na coabitação. cujo prazo é fatal e peremptório´ (TACrSP. Dos Crimes contra o estado de filiação 7. I. devido ao retardamento do inquérito. texto já substituído pelos artigos 1. RT 435/382. que tornem evidente a impossibilidade da vida em comum. Registro de nascimento inexistente Art. constitui direito subjetivo do réu e não faculdade do juiz).572 e 1. ³Conta-se do conhecimento certo e seguro´ (TACrSP. se anuiu. ³Para recebimento da queixa.1. tentativa de morte. O Juiz pode conceder o perdão (preenchidos os requisitos legais para concessão. Objeto jurídico: O estado de filiação. se o querelante havia praticado qualquer dos atos previstos no revogado artigo 317-CC 1916 ( adultério.515/77 (conduta desonrosa ou qualquer ato que importe em grave violação dos deveres do casamento e tornem insuportável a vida em comum). RT 783/653). de 2 (dois) a 6 (seis) anos. injúria grave ou abandono do lar durante dois anos consecutivos) ou os equivalentes do artigo 5º da Lei 6. conduta desonrosa. indícios razoáveis de que o delito tenha ocorrido. II. não se considerando como tal meras suspeitas´ (STF.2. Julgados 79/285) ³A ação penal por adultério somente pode ser exercida dentro de um mês após o conhecimento do fato. RTJ 93/532). o ingresso tardio em juízo. ³O inquérito policial não é elemento indispensável para a propositura da ação penal por adultério´ (STF.

Tipo objetivo: Trata-se de promover dar causa.Parto suposto (1ª figura do caput): Objeto jurídico: Estado de filiação. suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil: Pena ± reclusão. Fragoso e Magalhães Noronha). O crime de falsidade ideológica (art.2. 111. 241. Caput e parágrafo único com redação dada pela Lei 6. ou seja a partir da data em que o fato se tornou conhecido (H. quando perpetrado para uso perante o Governo Federal.94.099/95).81.³Compete à Justiça Federal julgar o crime do art. o registro do nascimento de uma criança não concebida ou de um natimorto. de 30. a fim de obter permanência no País´ (TRF da 2ª R. 53139). RT 381/152). Sujeito ativo: Só mulher Sujeito passivo: Os herdeiros prejudicados. Tipo objetivo: Dar parto alheio como próprio (não incluindo o oposto: dar o próprio parto como alheio) É necessário que haja a criação de situação em que prenhez e parto são simulados e apresentado recém - . registrar como seu filho de outrem. supressão ou alteração de direito inerente ao estado civil de recém-nascido. ocultar recém-nascido ou substituí-lo.2. 7.9. provocar. Parágrafo único. Se o crime é praticado por motivo de reconhecida nobreza: Pena ± detenção. 812. Tipo subjetivo: O dolo consistente na vontade livre e consciente de promover a inscrição no nascimento inexistente.Sujeito passivo: O Estado e pessoa prejudicada pelo registro. que simulou gravidez e o nascimento durante a sua ausê ncia (TJSP. Cabem no caso do parágrafo único: Transação penal e a suspensão condicional do processo (Artigos 87 e 89 da Lei 9.1. ³Fica isento de pena o réu que promoveu o registro enganado pela co-ré. Inexiste for ma culposa.299) fica absorvido por este por ser o falso elemento do crime deste artigo 241 do nosso Código Penal.898. requerer. Admite-se a tentativa. ou seja.. podendo o juiz deixar de aplicar a pena. Parto suposto. 7.2.3. Consuma-se com a inscrição no registro civil. de 2 (dois) a 6 (seis) anos.2. de um a dois anos. Dar parto alheio com próprio. DJU 22. Ap. b) obedece a regra geral cujo início é a partir da data da ocorrência do fato. Ação penal: Pública incondicionada. Sobre o termo inicial da contagem do prazo prescricional há duas orientações na doutrina: a) o termo inicial segue a regra do art. A conduta deve objetivar a inscrição falsa. IV -CP. p.

A ação incriminada é registrar como seu filho de outrem. 391). b) obedece a regra geral cujo início é a partir da data da ocorrência do fato. na hipótese de reconhecer -se o elemento subjetivo do tipo). Admite-se tentativa. também as duas primeiras (parto suposto e registro de filho alheio). Direito Penal. Comentários ao Código Penal. ou com a supressão ou alteraç ão dos direitos. porém sua filiação é diferente da que é oficializada.2. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. . b) a finalidade só se refere às figuras de ocultar e substituir (Magalhães Noronha. p. Fragoso e Magalhães Noronha). 1959. IV-CP. 1943. 316.2. os Costumes e a Família. Consuma-se com o efetivo registro (ou com a supressão ou alteração. Ação penal: Pública incondicionada. parentes ou não Este crime absorve a eventual falsa inscrição no registro civil. p. a criança existe.Registro de filho alheio (adoção à brasileira) 2ª figura do caput. ou então o parto real com nat imorto substituído por filho de outrem independentemente do falso registro civil.nascido alheio como se fosse próprio. 1995. v. Duas correntes: a) A finalidade é exigida para todas as figuras do art. Consuma-se com a situação que altera efetivamente a filiação da criança. Declarar-se pai ou mãe de uma criança que na verdade n ão é seu filho. p. Tipo objetivo: É o dolo na vontade livre e consciente de registrar.2. consistente na vontade livre e consciente de dar parto alheio como próprio. Crimes contra a Religião. v. Objeto jurídico: O estado de filiação.87. Sujeito passivo: O Estado e as pessoas prejudicadas pelo registro. 7. hipótese em que sobre o termo inicial da contagem do prazo prescricional há duas orientações na doutrina: a) o termo inicial segue a regra do art.4. Tipo objetivo: Registrar com o sentido de declarar o nascimento. Admite-se a co-autoria e participação de outras pessoas. Tipo subjetivo: O dolo. Admite-se tentativa. 111. 242 (Beni Carvalho. mas não descaracteriza o crime´ (TFR. ³O fato de ser nobre o motivo do parto suposto ameniza a pena e permite a aplicação do perdão judicial.113. III. VIII. Com respeito ao elemento subjetivo do tipo discute-se quanto à finalidade inscrita no final do artigo (suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil) refere -se tão só às duas últimas figuras (ocultação e substituição) ou alcança. providenciar sua inscrição no registro civil. mas de uma terceira pessoa. RCr 1. 5639). ou seja a partir da data em que o fato se tornou conhecido (H. Não existe punição a título de culpa. Romão Côrtes de Lacerda. DJU 2. Houve o nascimento. 355). p.

RT 600/355. Tipo objetivo: Ocultar.2. Em qualquer das figuras deste crime ocorrendo a prática motivada por reconhecida nobreza (generosidade. Tipo objetivo: É punida a substituição. despreendimento. TJSP. TJSP. Ocultação de recém-nascido (3ª figura do Caput do art. RT 591/410. ³Absolve-se quem registra filho alheio como seu com a intenção de salvar a criança. 242). Sujeito ativo: Qualquer pessoa. Objeto jurídico: O estado de filiação. 242 -CP). RT 698/337. o juiz poderá aplicar a pena de detenção. Na escola tradicional: dolo específico. atribuindo-se a um os direitos de estado civil do outro.2.5. 7. 242 não é mais benigna. Consuma-se com a efetiva supressão ou alteração dos direitos. suprimindo ou alterando direito inerente ao estado civil.4. de modo que não pode ser aplicada aos registros ocorridos antes de sua vigência´ (STF. de um a dois . beneficia o agente ou. ou seja. Substituição do recém-nascido (4ª figura do caput). A troca pode ser por criança viva ou natimorta. o registro de nascimento das crianças substituídas. sonegar o recém-nascido no sentido comum e não restrito ao conceito científico. 7. a troca de recémnascido. e agindo sem o intuito de alterar a verdade nem de prejudicar direito ou criar obrigação´ (TACrSP. se ao contrário. Desnecessária à configuração. Objeto jurídico: O estado de filiação. 7. Figura privilegiada (parágrafo único do art. ³A nova redação do art. Admite-se tentativa. RJTJSP 80/395).2. incrimina agora quando antes ficava atípico pela falta do elemento subjetivo do tipo quando era em benefício da criança. Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo para supressão ou alteração. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. RJTJSP 162/303). solidariedade etc).3. Admite -se tentativa. Urge a ocultação c om a privação dos direitos do recém-nascido. esconder. na doutrina tradicional é o dolo específico do tipo.A retroatividade ou irretroatividade depende de que seja considerada a nova figura deste artigo que substitui o falso da adoção à brasileira.2. humanidade.2.2. Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo relativo ao especial fim de agir para alterar ou suprimir. Consuma-se com a supressão ou alteração dos direitos.

O abandono deve vir acompanhado da ocultação da filiação ou atribuição de filiação diferente da real. de 1 (um) a 5 (cinco) anos. Consuma-se com o abandono de que resulte ocultação ou alteração do estado de filiação. 242´ (TFR. seja a criança registrada ou não.3. Dos Crimes contra a assistência familiar (244 a 247). 227.3. § 6º: ³Os filhos. criar e educar os filhos menores. havidos ou não da relação do casamento. Sonegação de estado de filiação Art. e multa. Deixar em asilo de expostos ou outra instituição de assistência filho próprio ou alheio. ou por adoção. ³Ficando reconhecido que agiu com fim nobre.099/95).81. 89 da Lei 9. Objeto jurídico: O estado de filiação. 7. e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice.3. A vítima deve ser abandonada em instituição pública ou particular. 243 do CP só pode ser reconhecido se houver intenção de prejudicar direitos relativos ao estado civil´ (TJSP. 7.1. aplicando o perdão judicial conforme Lei 6. ocultando -lhe a filiação ou atribuindo-lhe outra. RT 542/341). proibidas quaisquer designações discriminatória s relativas à filiação´. Abandono material . 30. 4. carência ou enfermidade´. com o fim de prejudicar direito inerente ao estado civil: Pena ± reclusão. Tipo subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do tipo no especial fim de agir para prejudicar direito inerente ao estado civil. deixa -se de aplicar a pena.038. Ação penal: Pública incondicionada.1081. 7. Art.. 10810).anos.3. Tipo objetivo: Filho próprio ou alheio de forma outras pessoas fora os pais podem ser autoras do crime.2. DJU 29. (dolo específico).898. Constituição Federal: Art. Admite -se a tentativa. não se enquadrando no tipo a ação de largar em outro local. Ap. 243. ³O crime do art. ou deixar de fixá-la. 229: ³Os pais têm o dever de assistir.. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. p. terão os mesmos direitos e qualificações. Cabe a suspensão condicional do processo (Art. de acordo com o a tual parágrafo único do art.

descendente ou ascendente. (* conforme original. atender à subsistência: a) do cônjuge. de uma a dez vezes o maior salário mínimo vigente no país. inclusive por abandono injustificado de emprego ou função. (Subsistência. gravemente enfermo. Não há forma culposa. faltar ao pagamento da pensão ou deixa r de socorrer. 2) faltar (sem justa causa) ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada . como os alimentos. . fixada ou majorada. Deixar. Parágrafo único. ou de filho menor de 18 (dezoito) anos ou inapto para o trabalho. frustra ou ilide. Sujeito passivo: As mesmas pessoas acima. Sujeito ativo: Somente os cônjuges.741/2003 (DOU 03. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. etc. o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. Cabe a suspensão condicional do processo (art.* de qualquer modo. respeitados os prazos processuais civis eventualmente cabíveis.Art. não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando o pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada. correto: ³elide´ ).2003) em vigor decorridos 90 (noventa) dias de sua publicação. Tipo objetivo: Trata-se de três figuras típicas em que a falta de justa causa é elemento normativo: 1) deixar. de socorrer descendente ou ascendente. da falta de assistência (recursos médicos) para com o portador de enfermidade grave. Observação: Caput com redação determinada pela Lei 10. gravemente enfermo: Pena ± detenção. Consuma -se com a efetivação das condutas incriminadas.099/95). ou seja. Há justa causa no caso do pai desempregado que não possui o dinheiro suficiente para o próprio sustento. Cuida-se aqui da falta de cuidados pessoais. fixada ou majorada. 244. sem justa causa. 3) deixar de socorrer. de prover. pais. ou de ascendente inválido ou maior de 60 (sessenta) anos. 89 da Lei 9. sendo solvente. Nas mesmas penas incide quem. de prover a subsistência do cônjuge. sem justa causa. injustificadamente. e multa. fixada ou majorada.10. Objeto jurídico: A proteção da família. deixar sem justa causa. ascendentes ou descendentes. habitação. medicamentos. b) de filho menor de 18 anos ou inapto para o trabalho c) de ascendente inválido ou maior de 60 anos. meios necessários à vida. vestuário. Tipo subjetivo: O dolo expresso pela vontade livre e consciente de deixar de prover à subsistência.

§ 1º. o pagamento de pensão alimentícia a que é obrigado judicialmente. LXVII. RT 764/632. RJDTACr 12/133-4). ³Não comete o crime o agente que. pois é notório que o cidadão com antecedentes criminais tem grande dificuldade de encontrar ocupação lícita. prover a subsistência dos dependentes´ TACrSP. perde a ação penal a situação antecedente e. obrigado por decisão judicial a prestar alimentos. 733. tornando impossível. do CPC e o art. de 01. durante o processo.2003 (Estatuto do idoso) : (. com as mesmas penas do caput . RT 786/663). ³É irrelevante a alegação de que não lhe era permitido visitar os filhos e. TACrSP. não o faz por absoluta hipossuficiência econômico financeira´ (TJGO. Dispõem o art. Julgados 77/356. na prática. LXVII). nada tem com a sanção criminal contra aqueles que cometem o crime pr evisto no art. 19 da Lei nº 5. 244 do Código Penal. pode configurar o ato de quem abandona emprego para. se houve alteração em sua situação econômica ou dos filhos.741. a vontade livre e consciente de não prover a subsistência´ (TACrSP. burla) ou elide (suprime.5º.. da Constituição Federal. 244. ³Reconciliado o casal. que já se consumou com o não pagamento das pensões. a condenação de acusado de parcos recursos milita contra o desiderato do legislador penal. e passando a família a conviver novamente no lar comum. Lei 10. A disposição inclusa no parágrafo único pune. RJDTACr 16/56). ³Estando a prisão civil condicionada ao inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia´ (art. frustrar o pagamento de pensão alimentícia judicialmente fixada´ (STF. o delito não é considerado caracterizado´ (TACrSP. sob comento. Ação penal: Pública incondicionada.É controvertida a possibilidade de tentativa. prevista expressamente no art. Pago o débito alimentar e revogada a prisão civil nada interfere na configuração do art. inclusive por abandono de emprego ou função. deve providenciar a exoneração ou redução da obrigação´ (T ACrSP. 95/78). Omissivo permanente. de qualquer modo. ³Em tese. quem. ³O delito de abandono material exige o dolo . com mais razão há de se ressaltar essa perspectiva no Direito Penal. 5º. frustra (engana. injustificadamente. isto é. sendo solvente.. Tem o objetivo de forçar o devedor a cumprir a obrigação e será imediatamente revogada quando o débito for pago.478/68 (Lei de Alimentos) sobre a possibilidade de o juiz decretar a prisão civil pelo não pagamento de dívida de alimentos. RT 381/284).) .10. elimina). RTJ 88/402).

no que couber. Art. o socorro de autoridade pública: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. Art. ou recusar. Aos crimes previstos nesta Lei.347. 95.Título VI ± Dos Crimes Capítulo I . em situação de iminente perigo. (Lei da Ação Civil Pública) Art. Deixar de prestar assistência ao idoso. nesses casos. aplica -se o procedimento previsto na Lei 9. por motivo de idade: Pena ± reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. aos meios de transporte. se resulta morte. ou congêneres. 98. § 1º. no que couber. ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado: Pena ± detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa. humilhar. as disposições da Lei 7. impedindo ou dificultando seu acesso a operações bancárias. Se resulta a morte: Pena ± reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. física e psíquica. retardar ou dificultar sua assistência à saúde. Aplicam-se subsidiariamente. 97. Capítulo II ± Dos Crimes em espécie Art. Art. A pena é aumentada de metade. Art. as disposições do Código Penal e do Código de Processo Penal. Parágrafo único. 94. menosprezar ou discriminar pessoa idosa. ao direito de contratar ou por qualquer outro meio ou instrumento necessário ao exercício da cidadania.Disposições gerais Art. por qualquer motivo. Os crimes definidos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada.099. § 2º. de 26 de setembro de 1995. e triplicada. ou não pedir. Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena ± reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos. quando obrigado a fazê-lo. não lhe aplicando os arts. A pena será aumentada de 1/3 (um terço) se a vítima se encontrar sob os cuidados ou responsabilidade do agente. ou não prover suas necessidades básicas. do idoso. cuja pena máxima privativa de liberdade não ultrapasse 4 (quatro) anos. Discriminar pessoa idosa. § 2º. quando possível fazê-lo sem risco pessoal. § 1º. quando obrigado por lei ou mandado: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 3 (três) anos e multa. submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis. se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave. Expor a perigo a integridade e a saúde. 93. 99. de 24 de julho de 1985 . sem justa causa. casas de saúde. subsid iariamente. 96. Na mesma pena incorre quem desdenhar. Abandonar o idoso em hospitais. 181 e 182 do Código Penal. . entidade de longa permanência. e.

Art. proventos. retardar ou frustrar. retardar ou dificultar atendimento ou deixar de prestar assistência à saúde. pensão ou qualquer outro rendimento do idoso. Exibir ou veicular.Art. c omo abrigado. sem a devida representação legal: Pena ± reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. sem justa causa. Art. Coagir. a execução de ordem judicial expedida nas ações em que for parte ou interveniente o idoso: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. II ± negar a alguém. V ± recusar. Art. dando -lhe aplicação diversa da de sua finalidade: Pena ± reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa. Apropriar-se de ou desviar bens. III ± recusar. por qualquer meio de comu nicação. sem justo motivo. informações ou imagens depreciativas ou injuriosas à pessoa do idoso: Pena ± detenção de 1 (um) a 3 (três) anos e multa. retardar ou frustrar. o idoso a doar. Art. Induzir pessoa idosa sem discernimento de seus atos a outorgar procuração para fins de a dministração de bens ou deles dispor livremente: Pena ± reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos. de qualquer modo. Deixar de cumprir. 107 . por motivo de idade. retardar ou omitir dados técnicos indispensáveis à propositura da ação civil objeto desta Lei. proventos ou pensão do idoso. a pessoa idosa.´ . Art. a exec ução de ordem judicial expedida na ação civil a que alude esta lei. por recusa deste em outorgar procuração à entidade de atendimento: Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa. Reter o cartão magnético de conta bancária relativa a benefícios. 106. 105. Art. contratar. 103. 102. 101. Art. 104. quando requisitados pelo Ministério Público. Negar o acolhimento ou a permanência do idoso. testar ou outorgar procuração: Pena ± reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. emprego ou trabalho. IV ± deixar de cumprir. sem justo motivo. bem como qualquer outro documento com objetivo de assegurar recebimento ou ressarcimento de dívida Pena ± detenção de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa. Lavrar ato notarial que envolva pessoa idosa sem discernimento de seus atos. 100. 108. Art. Constitui crime punível com reclusão de 6 (seis) meses a 1 (um) ano e multa: I ± obstar o acesso de alguém a qualquer cargo público por motivo de idade.

embora excluído o perigo moral ou material. Objeto jurídico: A assistência aos filho menores. Embora a rubrica se refira a pessoa inidônea. 1. as pessoas que se dedicam à prostituição. CP. possa colocá -lo em perigo moral ou material. Sujeito passivo: O filho menor de 18 anos. crime. com o fito de obter lucro. pois o tipo não contém referência expressa a culpa (cf. É necessário que o perigo seja anterior ou concomitante à entrega. § 2º. se o agente pratica delito para obter lucro. 15. Tipo subjetivo: É o dolo direto (³saiba´) ou dolo eventual (³deve saber´).251. lembramos os que podem conduzir a atividades arriscadas.´ (Delmanto ob.11. Sujeito ativo: No caput e § 1º somente os pais (naturais ou adotivos). . art. Levando tal interpretação à violação do princípio da reserva legal (CR/88. CADH. na pena do parágrafo anterior quem. 9º. art. como o material. 245. Entrega de filho menor a pessoa inidônea Art. CP art. 20 do CP. art. art. Cabem: a transação penal no caput e suspensão condicional do processo no caput e §§ 1º e 2º (arts.84 deu nova redação ao caput e introduziu os dois parágrafos.2. insalubres. auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior. § 1º. Não se pode interpretar a locução verbal ³deva saber´ como indicadora de culpa.090/95). a cuja companhia o filho é entregue. 514 e 515). Como exemplos de pessoas capazes de colocar o menor em risco material. 1º). 18. pois. 5º.3. Embora não se requeira que a entrega seja por maior tempo. que essa pessoa. Incrimina -se a entrega do filho menor de 18 anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo. ³Tipo objetivo: Entende-se entregar como deixar sob a guarda ou cuidado. Incorre. A pena é de um a quatro anos de reclusão. fl. É necessário. 76 e 89 da Lei 9. de 19. XXXIX. A Lei 7. contravenções de jogo ou de mendicância etc. O erro quanto ao perigo deve ser avaliado de acordo com o art. a nova redação do dispositivo alcança não só o perigo moral. não se podendo punir o agente quando o perigo só se revelou depois da entrega. ou se o menor é enviado para o exterior. Quanto ao risco moral. PIDCP. II e parágrafo único). Entregar filho menor de dezoito anos a pessoa em cuja companhia saiba ou deva saber que o menor fica moral ou materialmente em perigo: Pena ± detenção.7. Basta a situação de perigo abstrato. de um a dois anos. cit. independentemente da natureza da filiação. esse lapso deve ser juridicamente relevante. também. seria insólito cominar -se idêntica sanção tanto a quem age por dolo como culposamente. temerárias etc. Além disso.

239 do Estatuto da Criança e do Adolescente transcrito. ³Tendo o Congresso Nacional. mediante paga ou recompensa´. por força do Decreto nº 99. Exemplos: preparação de papéis ou passaporte. vide art. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. RT 748/570). Figuras qualificadas do § 1º do artigo 246 -CP: O Presidente da República. ao menos culposamente (preterdolo). 2ª forma ± enviado para o exterior: Mais gravemente é punida a entrega do filho menor quando é enviado para o exterior com o resultado imputado ao agente por dolo ou. 238 (ECA). compra de passagem. de 20. Se o agente ³promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro´. Sujeito passivo: O filho menor de 18 anos.8. vide art. ³Questão prejudicial: Não tendo o juízo cível apreciado o tema da falsidade das adoções.94. RT 748/570). Ação penal: Pública incondicionada. embarque etc. Embora delito próprio pode haver participação de terceiros (art.3.Consuma-se com a entrega do filho. Se o agente ³prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro. e o Governo Federal. Admite-se tentativa. não faz coisa julgada na esfera penal a decisão cível que deferiu a adoção de menor a casal estrangeiro´ (STJ. através do Decreto nº 2. sem dependência de efetivo dano moral ou material pois trata-se de crime de perigo. Tipo objetivo: Pune-se quem auxilia a efetivação de ato destinado ao envio de menor para o exterior . independentemente da natureza da filiação. incorporado ao direito pátrio os preceitos contidos na Convenção Interamericana sobre os Direitos da Criança.29 CP). não há mais de se discutir sobre a competência da Justiça Federal em casos de tráfico internacional´ (STJ. . após a sua devida ratificação pelo Poder Legislativo.740.710/90. Se não chega a sair do nosso país não incide esta figura qualificada. determinou o cumprimento em nosso País da Convenção Interamericana sobre Tráfico Internacional de Menores. 1ª forma ± fim de lucro: Incide o § 1º quando a entrega do filho menor é praticada para obter lucro (bastando a finalidade mesmo sem o efetivo lucro).98. Pena do caput: Detenção. Participação autônoma (§ 2º do art. através do Decreto Legislativo nº 28/90. de 1 (um) a 2 (dois) anos. 245 -CP). assinada na Cidade do México em 18.

745).Comentado. Para a tipificação impõe-se que a conduta seja sem justa causa (elemento normativo). em companhia dos genitores ( C. ou não. Tipo subjetivo: O dolo detectado na vontade livre e consciente de não cumprir o dever de dar educação. 2002 p.514). mas terceiro que promove ou auxilia o envio do menor ao exterior. de quinze dias a um mês. também a instrução rudimentar dos pais ( Lições de Direito PenalParte especial. de 13. v. Führer assevera que o § 2º deste artigo 245-CP foi revogado tacitamente pelo artigo 239 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8. inequivocamente. o agente revela. ³Tipo objetivo: Deixar de prover tem a significação de não tomar as providências necessárias. Ação penal: Pública incondicionada.[et al]. após os 7 anos de idade do filho. Delmanto. Renovar. 7. Abandono intelectual Art. 205. Como causas justas podem ser lembradas a falta de escolas ou vagas. O delito configura-se independentemente da legitimidade do filho (CR/88.P. C. 227.069. Admite-se a tentativa. indiferentemente que ha ja ou não risco moral ou material para o adolescente. p. ³Consumação: Entendemos que se consuma o delito quando. com inobservância das formalidades legais ou com o fito de lucro: Pena ± reclusão de 4 (quatro) a 6 (seis) anos. desde já. Assim.3. I. § 6º) e de viver ele.07. que neste caso o agente não são os pais. Cabem: a transação e a suspensão condicional do processo (76 e 89).Tipo subjetivo: O dolo representado na vontade de auxiliar a prática nefasta do ato. 208. e multa. Pena da forma qualificada: 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão.3.. 6ª ed. penúria da família e. independentemente da saída do adolescente para o exterior ou da obtenção do lucro pois é crime formal. segundo Heleno Fragoso. art.1990): ³Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior. o agente omite -se nas medidas que podem propiciar instrução primária (de 1º grau) de filho em idade escolar. CR/88: Sobre o dever de educar: Arts. 246. Ressalte-se. com consciência do destino do jovem e o elemento subjetivo do tipo ou seja o fito de obter lucro. distâncias a percorrer. ou multa. sem justa causa.. 1965.III. Deixar. sua vontade . de prover à instrução primária de filho em idade escolar: Pena ± detenção. Consuma-se com o ato de auxílio. e 229.

a vontade livre e consciente de permitir aquelas condutas do adolescente. pois seria absurdo puni -la por não deixar o filho. ou multa. É. Não pode ser punido o agente se o adolescente assim se comporta. física e mentalmente.de não cumprir o seu dever (delito omissivo permanente)´. Quanto aos verbos freqüente. com utilização de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica. II ± freqüente espetáculo capaz de pervertê -lo ou de ofender-lhe o pudor. o que não ocorre nos casos em que a pobreza é causa determinante da situação´ (TACrSP. Por casa de prostituição (vide art. ³Para a tipificação do delito do art. Julgados 95/78). ou seja. IV ± mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública: Pena ± detenção. conviva. Permitir alguém que menor de dezoito anos. apesar de sua oposição. necessário.4.´ Tipo subjetivo: O dolo. 246 do CP é necessário que o agente esteja capacitado. ou participe de representação de igual natureza. Cabem: a transação e a suspensão condicional do processo (76/89 L. ou conviva com pessoa viciosa ou de má vida. ver art. de quinze dias a um mês.3. Ação penal: Pública incondicionada. ou multa. Inexiste forma culposa. ³É mister o dolo. na hipótese do inciso IV. Julgados 70/290). 247. Sujeito ativo: Os pais ou qualquer pessoa responsável legal pelo adolescente. Não se admite a tentativa. Abandono moral. Sujeito passivo: O jovem de idade inferior a 18 anos. 229 do CP) entende-se aquela em que o meretrício é exercido e não a casa onde a prostituta mora. ³Tipo objetivo: A conduta prevista é permitir alguém (expressa ou tacitamente) que menor de 18 anos.069/90 (ECA). . o elemento subjetivo do tipo referente ao especial fim de agir (³para excitar a comise ração pública´). sendo necessária a habitualidade. não basta a conduta ocasional. sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda ou vigilância: I ± freqüente casa de jogo ou mal-afamada. a praticar os deveres inerentes ao pátrio poder´ (TACrSP. resida e mendigue . III ± resida ou trabalhe em casa de prostituição. No caso de produção ou direção de representação teatral. Pena: É alternativa: detenção. televisiva ou película cinematográfica.9099) Objeto jurídico: A preservação moral do adolescente. ainda. sujeito a seu poder ou confiado à sua guarda. 7. 240 da Lei nº 8. tenha qualquer dos comportamentos indicados nos incisos. Art. de um a três meses.

em cena de sexo explícito ou pornográfica.766 e a curatela nos artigos 1. A tutela encontra-se atualmente prevista nos artigos 1. 248. se posterior a permissão. Não basta o induzimento.4. Dos Crimes contra o pátrio poder. tutela e curatela. sendo necessária a efetiva fuga (afastamento) do menor ou interdito. no ato desta. de um a três meses. sem ordem do pai. 7. Induzir menor de dezoito anos. ou deixar. auferindo. Art.9099). incitar. a) ³induzir menor de 18 anos. e ter duração expressiva. sem justa causa. . ou interdito.630 a 1. ou multa. de entregá -lo a quem legitimamente o reclame: Pena ± detenção. sem consentimento tácito ou expresso dos responsáveis. primeira parte.638-CC-2002). proveito próprio´ (TACrSP.4.´ ³Incorre no art. menor de 18 anos. todos do novo C. do tutor ou do curador. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. 1.1. Erro: O eventual engano do agente. confiar a outrem. no momento da conduta proibida. haverá só o crime do art. persuadir. punido com reclusão de quatro a seis anos. algum menor de dezoito anos. mas inadmissível na posterior. assim.783. 20 do CP.³Absorção: Na hipótese do produtor ou diretor de representação teatral. competindo. Induzimento a fuga.728 a 1. entrega arbitrária ou sonegação de incapazes. deve ser avaliado à luz do art. Civil. Cabem: transação e suspensão condicional do processo (76 e 89 L. ou interdito. em virtude de lei ou de ordem judicial.069/90. A fuga deve ser clandestina. Tentativa: Admissível na permissão anterior. Consumação: Se a permissão for dada antes. de 1 (um) mês a 1 (um) ano. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. quanto ao local ou atividade. 7. pois. 247. O termo ³pátrio poder´ foi substituído por ³poder familiar´ (arts. induzir é aconselhar. mediante a entrega de bilhetes em que só solicita auxílio financeiro. 240 de Lei 8. Pena: É alternativa: detenção. a ambos os genitores o exercício dos direitos e deveres relativos à prole. IV. ou multa. RJDTACr 22/41). utilizar o próprio filho ou pessoa a ele confiada. o agente que dá permissão aos filhos menores de 18 anos para mendigar.767 a 1. Objeto jurídico: Os direitos do poder familiar. Ação penal: Pública incondicionada. tutela ou curatela. em virtude de lei ou de ordem judicial. ou interdito. e multa. televisiva ou película cinematográfica.

os filhos que lhe foram confiados para visita´ (TACrSP.. RF 262/287). em vez de induzir. mas nós entendemos que tal artigo refere -se à decisão penal e não civil´. na ³c´ não. subtrai. se o fato não constitui elemento de outro crime. 248 há recusa na entrega. 249 em que o menor é subtraído´ (TAMG. a quem o reclame legitimamente. Se o agente. obra citada. sem autorização expressa ou tácita dos responsáveis. ³No art.b) Confiar a outrem. ³No art. desobedecendo mandado judicial. p. 249 ele é tirado´ (TJSP. Deixar de entregar é reter. Pena: Alternativa: detenção. Se o pai ou responsável deixa de entregar o menor ou interdito a terceiro. fiar. Consuma-se: na figura ³a´. p. 249. de um mês a um ano. do tutor ou do curador. Inexiste forma culposa. 1965. 756). 248 do CP por reter. privado do pátrio poder. além do prazo convencionado. com a demonstração inequívoca de não querer entregar.: risco para a saúde do menor) afasta a tipicidade. Confiar tem a significação de entregar. Ação penal: Pública incondicionada. Tentativa: Nas figuras ³a´ e ³b´ é admissível. 7. com o ato de confiar. sem justa causa. c) Ou deixar. ou interdito. de entregá-lo (o menor ou interdito) a quem legitimamente o reclame.. segundo Heleno Fragoso o crime seria o do art. RT 500/346). na ³b´. sem justa causa. 518).4. transmitir. algum menor de 18 anos.2. 359 do CP ( Lições de Direito Penal ± Parte especial. É a entrega arbitrária. Subtração de incapazes Art. A expressão legitimamente significa em conformidade com as leis. 248 o menor é levado a sair. Tipo subjetivo: O dolo consistente na vontade livre e consciente de induzir. RT 638/329). ou multa. de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos. enquanto no art. sem embargo de desquitado. na ³c´.´ (Delmanto. ao invés do art. não há falar em infração do art. v. leva a ação para o artigo 249 do CP. III. com a efetiva fuga. Subtrair menor de dezoito anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judicial: Pena ± detenção. confia r ou deixar de entregar. sonegar. sem ordem do pai. O consentimento do menor é penalmente irrelevante. . A presença de justa causa (ex. ³Não estando o acusado.

Se o agente ³subtrai criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial. eventualmente. Se houver apenas induzimento à fuga. se destituído ou temporariamente privado do pátrio poder.069/90 (Estatuto d a Criança e do Adolescente). A pessoa que se subtrai é menor de 18 anos ou interdito (submetido judicialmente à curatela). de dois meses a dois anos. se este . Inexistirá o crime se o menor fugir sozinho e depois for ter com o agente.§ 1º. 248 do CP. retirar. os próprios menores. § 2º. Se a subtração for com fim libidinoso. se o menor é tirado de quem apenas o cria. art. É cabível o perdão judicial (§ 2º) no caso de restituição voluntária ou espontânea do menor ou interdito. Portanto. o delito será do art. Se a finalidade for a obtenção de resgate. Tipo objetivo: O núcleo subtrair significa tirar. o crime será contra os costumes. com o fim de colocação em lar substituto´. A subtração é feita de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial . Se o fim for a privação da liberdade. tutela ou guarda (§ 1º). 10259-9099) Objeto jurídico: A guarda de menores ou interditos. a conduta não se enquadrará neste delito do art. art. sem ter sua guarda em razão de lei ou determinação judicial. 159 do CP. Tipo subjetivo: O dolo. curatela ou guarda. caso haja induzimento para a fuga e não subtração. Consuma-se com a efetiva subtração à guarda do responsável. tutores ou curadores. Ação penal: Pública incondicionada. Sujeito passivo: Pais. inclusive pais. 148 do CP. tutores. ou seja. o juiz pode deixar de aplicar pena. a vontade livre e consciente de subtrair o menor ou interdito. Sujeito ativo: Qualquer pessoa. 249 do CP. O fato de ser o agente pai ou tutor do menor ou curador do interdito não o exime de pena. Admite-se a tentativa. tutela. art. se destituídos ou temporariamente privados do pátrio poder. se o fato não constitui elemento de outro crime (infração expressamente subsidiária). Cabem: transação e suspensão condicional do processo (L. art. Pena: Detenção. se este não sofreu maus-tratos ou privações. Não há forma culposa. No caso de restituição do menor ou do interdito. 237 da Lei nº 8. 248 do Código Penal. curadores e.

RJDTACr 22/400). Julgados 95/289).não sofreu maus-tratos ou privações.A) INDUZIMENTO A FUGA. ENTREGA ARBITRÁRIA OU SONEGAÇÃO DE INCAPAZESArt.Aqui a conduta típica é induzir que significa incutir. em virtud e de lei ou de ordem judicial. sem justa causa. deentregá -lo a quem legitimamente o reclamePena detenção de 1 (u m) mês a 1 (um) ano. conforme art. Induzir menor de 18 (dezoito) anos. CAPITULO IV DOS CRIMES CONTRA O PATRIO PODER. tutores e curadores sobre os menores e os incapazes. ³Não se tipifica.OBJETIVIDADE JURÍDICAO objeto jurídico desse delito é o pátrio poder a tutela e a curatela.b) Entrega . ou interdito. 248. A lei tutela os direitos e deveres dos genitores. ou interdito. ou deixar. havendo seu efetivo afastamento espacial por um período juridicamente relevante. .630 a 1. IX-CP) ³O que se pune é a subtração.ELEMENTO OBJETIVO DO TIPOO dispositivo legal prevê três figuras típicasa) Induzimento a fuga: prevista na primeira parte do dispositivo sob o texto Induzir menor de dezoito anos. incitar. bem como os interesses destes. ou multa. confiar a outrem sem ordem do pai. e não a sonegação ou recusa em entregar o menor´ (TAMG. isto é o agente introduz no pensamento do incapaz a idéia de fugir do local em que se encontra por ordem de quem sobre ele exerce autoridade. o pátrio poder passou a ter a denominação de poder de família e é igualmente exercido pelos genitores (artigos 1. 249´ (TACRrSP. o incapaz deve abandonar o local. cuja guarda cabia à mãe em razã o do desquite por mútuo consentimento´ (TACrSP.Para caracterizar a fuga. é inaplicável o § 2º do art. ³Comete o delito do art.(Causa de extinção da punibilidade. a fugir do lugar em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. RT 520/416). TUTELA E CURATELA1.107. do tutor ou do curador algum menor de 18 (dezoito) anos ou interdito. a fim de proteger o organismo familiar. a fugir do local em que se acha por determinação de quem sobre ele exerce autoridade. ³Mãe que subtrai filhos que se encontravam sob a guarda de terceiros pode ser sujeito ativo´ (TACrSP.638). RT 524/407). RJTAMG 29/306). ³Se a restituição não foi espontânea. mas sim forçada em razão da apreensão do menor. 249 do CP o pai desquitado que subtrai filho.Insta salientar que com o advento do Código Civil de 2002. em virtude de lei ou ordem judicial. se o menor aquiesceu e houve concordância de seu genitor´ (TACrSP.

Sujeito Passivo são os genitores.Aquele que recebe o incapaz também responde por este delito desde que ciente de que a entrega foi arbitrária. a curatela refere-se apenas a gestão de seus bens. e. os tutores e os curadores. de entregá -lo (menor de 18 anos ou interdito) a quem legitimamente o reclame Para configurar o delito é necessário que o agente tenha a posse ou detenção do incapaz e se recuse a entregá-lo a quem de direito. tutor ou curador.SUJEITOSEm todas as modalidades. permanecendo capaz para a pratica dos demais atos da vida civil. o menorde 18 anos e o interdito.O pródigo não pode ser sujeito passivo dos delitos. o sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. ainda. o que torna a conduta do agente atípicaFORMA TENTADAAprimeira figura típica se consuma com a realização da fuga pelo incapaz. sua conduta será atípica. estão ausentes o objeto jurídico do delito: o pátrio poder. a tutela e a curatelaELEMENTO SUBJETIVOAs figuras típicas previstas no dispositivo são punidas a título de dolo. quando apesar do induzimento o menor não consegue concretizar a fuga.A terceira figura típica.O tipo consiste na entrega do incapaz a outrem sem o consentimento do genitor. também. como. Pode ser praticado.A . mas que não foi declarada interditada judicialmente Nesses casos. bem como a pessoa passível de interdição. quando é im pedido por seu genitor no momento em que saía de casa com as malas nas mãos.Do mesmo modo. que consiste na vontade livre e consciente do agente em praticar qualquer das condutas descritas no tipo penal. se o agente retém o menor de 18 anos. eis que inobstante sua interdição.Assim. Também podem ser sujeitos ativos os pais que es tejam privados temporariamente ou impedidos de exercer o pátrio poder. pelo diretor de um colégio.arbitrária: É a segunda modalidade de conduta típica e consiste em Confiar a outrem sem ordem do pai. não há que se falar em crime.c) Sonegação de incapaz: terceira e última modalidade de conduta consiste em deixar. Nesse caso. detentores do pátrio poder. A tentativa é admissível. contém elementos normativos do tipo que estão consubstanciados nas expressões sem justa causa e legitimamente .Também não poderão ser sujeitos passivos do delito o menor de 18 anos que não esteja sujeito ao pátrio poder ou a tutela. do tutor ou do curador algum menor de dezoito anos ou interdito. sonegação de incapaz. por exemplo. por exemplo. caso o agente deixe de entregar o menor a pessoa que não o reclame legitimamente. caracterizada com sua saída da esfera de vigilância do responsável. falta o elemento normativo do tipo ( sem justa causa ). sem justa causa. tratando -se de crime comum. deixando de entregá-lo a seu genitor após ter conhecimento de que o menor estaria sofrendo abusos sexuais por parte deste.

quando o agente não consegue realizar a entr ega por circunstâncias alheias a sua vontade. ou se omenor é enviado para o exterior. isto é retirar. se for apenas guarda de fato não haverá crimePara configurar o delito deverá haver o deslocamento espacial do incapaz. Pode ser praticado mediante violência. eis que o delito é omiss ivo próprio e como tal é unissubsistente. tanto na modalidade de co-autoria quanto na de participaçãoCONCURSO DE CRIMESNa hipótese do genitor. cuja pena é mais grave. o tutor ou o curador que foi destituído ou estiver temporariamente privado de exercer os direitos do pátrio poder. sendo admitida a forma tentada. Se o menor de 18 anos ou interdito.A sonegação de incapaz se consuma com o ato de recusa injustificado do agente em entregar o menor de18 anos ou o interdito a quem legitimamente o reclame. de 2 (dois) meses a 2 (dois) anos. fugindo com ele.O delito admite diversos modos de execução. se r ecusar a entregar o incapaz estará desobedecendo a ordem judicial e cometerá o delito previsto no artigo 359 do C. ameaça. pelo induzimento. ocorrerá o delito de subtração de incapazes e não o de induzimento a fuga. fraude.P. se o fato não constitui elemento de outro crime1º A pena é de 1 (um) a 4 (quatro) anos de reclusão. o menor de 18 anos ou o interdito do poder daquele que o tem sob sua guarda.A sonegação de incapazes é crime omissivo puro e unissubsistente.A conduta de induzir o incapaz à fuga difere do delito de subtração de incapazes previsto no artigo 249 do C.1. quando. até pelo induzimento do menor a fugir.CONCURSO DE AGENTEÉ admissível o concurso de pessoas.OBJETIVIDADE JURÍDICAAqui a lei tutela a guarda do menor de 18 anos e do interdito. se o agente pratica o delito para obter lucro. o agente induz o incapaz a sair do local em q ue se encontra para . instantâneo.B) SUBTRAÇÃO DE INCAPAZESArt. conforme salientamos no estudo do artigo anterior. for levado a sair do local em que se encontra para acompanhar o agente. ou o agente se omite.CALSSIFICAÇÃO DO DELITOO delito é comum. Subtrair menor de 18 (dezoito) anos ou interdito ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou de ordem judiciaPena detenção. da tutela ou da curatela.ELEMENTO OBJETIVO DO TIPOO núcleo do tipo consiste em subtrair. Assim. que será retirado da esfera de proteção do guardião e colocado sob a esfera de proteção do agente.consumação do crime na hipótese da entrega arbitrária se dá no momento da entrega do incapaz aoutrem.Essa gua rda tem que ser decorrente de lei ou ordem judicial.P. 249.. deixando de entregar o incapaz e pratica a conduta descrita no tipo penal ou entrega o incapaz não dando inicio a execução da conduta típica.Aqui a tentativa é inadmissível.AÇÃO PENALA ação penal é pública incondicionada.

ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPOO dolo é a vontade livre e consciente de tirar o incapaz do poder daquele que detém sua guarda em virtude de lei ou decisão judicial.Também é elemento objetivo do tipo é o dissenso do guardião. ou qualquer tipo de privação. quando a intenção for obter o preço do resgate. só vai subsistir quando não constituir elemento de crime mais grave. dependendo da finalidade do agente. por exemplo. sendo perfeitamente admissível a tentativa. 245.O juiz deixará de aplicar a pena quando o meno r for devolvido ao guardião sem ter sofrido violência física ou moral.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). Não é necessária a posse mansa e tranqüila do menor. Não se trata de uma faculdade do juiz.FORMA TENTADAO crime se consuma com a efetiva retirada do menor do poder de vigilância de quem detém a sua guarda em virtude de lei ou determinação judicial. o tutor ou curador. ou o crime de extorsão mediante seqüestro. conforme esclarece o parágrafo primeiro do dispositivo em estudo. material.AÇÃO PENALA ação penal é pública incondicionada.Assim. os pais. inclusive por aqueles que tenham sido destituídos do patrio poder.CONCURSO DE AGENTESÉ possível a co-autoria e a participaçãoCONCURSO DE CRIMESO delito é expressamente subsidiário e. Também é sujeito passivo o menor de 18 anos e o interdito.O iter criminis pode ser fracionado.fugir com ele. o crime de rapto. da tutela ou da curatela ou tenham sido privados do seu exercício temporariamente. 25 . como. mas quando presentes os requisitos estará obrigado a deixar de aplicar a pena.O sujeito passivo do delito é aquele que tem a guarda do menor decorrente de lei ou determinação judicial. portanto.SUJEITOSO crime é comum e pode ser praticado por qualquer pessoa. 1º 2º No caso de restituição do menor ou do interdito. o juiz pode deixar de aplicar a pena.Se a finalidade do agente for colocar o menor em lar substituto responderá pelo delito previsto no artigo 237 da lei 8. se este não sofreu maus tratos ou privações. plurissubsistente e instantâneoPERDÃO JUDICIALArt. sua conduta poderá configurar outros delitos.CLASSIFICAÇÃO DO DELITOTrata-se de delito de comum. Já o consentimento do incapaz é irrelevantepara a configuração do delito. quando a intenção for o fim libidinoso e o sujeito passivo for mulher honesta.