Dina Fernandes

Contencioso Tributário

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Introdução

O presente trabalho versa sobre contencioso tributário, e tem por base as lições de contencioso fiscal que foram ministradas no Curso de Pós-Graduação em Direito Fiscal, pelo ilustre docente Senhor Conselheiro Almeida Lopes . Pesou na minha decisão para escolha deste tema, as alterações introduzidas pela Lei nº. 13/2002 de 19/02 no Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais, e o facto de com a entrada em vigor do Dec. Lei nº. 325/2003 de 29/12, publicado na sequência da Lei 15/2001 de 5/06, se ter operado uma verdadeira revolução no contencioso administrativo e tributário, com profundas alterações a nível da tutela Governativa, da Jurisdição territorial dos Tribunais, e ordenamento processual, embora este ainda não se encontre concluído, já que se torna necessário ainda, harmonizar o Código de Procedimento e Processo Tributário, ao novo regime processual nos tribunais Administrativos e Fiscais. Pesou também, na minha decisão, o especial interesse que suscitaram nos meus colegas de curso, as prelecções do Senhor Conselheiro onde pude verificar que alguns deles sentiam verdadeira dificuldade em alguns assuntos desta matéria e se sentiram verdadeiramente agradados por lhes ter sido ministrado um módulo de Contencioso Tributário, de cariz eminentemente objectivo e prático na forma de abordar as diferentes temas do programa acrescido dos sábios conselhos que conjuntamente foram transmitidos, sobre a forma a observar nas relações com os tribunais tributários e juízes, nomeadamente na elaboração de petições e demais peças processuais de forma a identificar as questões essenciais e as leis infringidas, sem longos enredos desnecessários de forma a não fazer perder tempo aos meritíssimos juízes, e de certa forma ajudá-los a atingir mais depressa uma sábia resolução das questões a decidir. O trabalho seguirá de perto o programa porque nos foram ministrados os temas leccionados, tendo por base, o que consegui captar das referidas lições, complementadas pelo estudo a que depois procedi de forma a completar os apontamentos que ao longo 1

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das aulas fui tomando. Quero aqui fazer notar a pena que eu e os meus colegas sentimos, por não nos ter sido facultado um manual, que ainda que sucintamente contivesse um resumo dos temas abordados. Este trabalho não pretende ser exaustivo, nem tem a veleidade de grandes concepções teóricas, pretendendo apenas fornecer uma óptica eminentemente prática das questões de Contencioso Fiscal abordadas. Além de fazer uma abordagem sobre a natureza do contencioso fiscal, as garantias gerais dos contribuintes, o princípio da tutela jurisdicional efectiva, e as especificidades da jurisdição administrativa e fiscal, vou apenas debruçar-me sobre o processo de impugnação judicial fiscal, por ser aquele a que mais se recorre para defesa de actos ilegais da administração, e a fim de não tornar muito extenso o presente trabalho, de forma a respeitar as instrução que sobre o mesmo nos foram transmitidas, deixando talvez, para outra ocasião os restantes meios processuais.

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A Natureza do Contencioso Fiscal
A palavra Contencioso pressupõe um conflito de interesses, entre duas ou mais partes que leva à discussão da legalidade de determinados actos, ou apuramento de responsabilidades, perante órgãos independentes imparciais com competência para proferirem decisões tendentes a converte-se em coisa julgada. 1 O Contencioso Fiscal de que nos vamos ocupar é o conjunto de espécies processuais (processos), definidas pelas leis tributárias dirigidas aos tribunais fiscais e através das quais os contribuintes exercem os seus direitos contra actos ilegais da administração fiscal. É um contencioso de anulação. Resulta de um pedido formulado jurisdicionalmente, para anulação de um acto jurídico da administração. Corresponde a um exame da legalidade dos actos administrativos, definitivos e executórios. O acto anulado deixa de existir na ordem jurídica – o juiz anula o acto, não se substitui à administração, proferindo um outro acto legal em lugar daquele. O direito fiscal tem diversas fontes, podendo esta expressão (fontes) ser empregue em diversas acepções, (históricas, consuetudinárias, objectivas, subjectivas, jurídicas, etc.) conforme ensina o Professor Nuno Sá Gomes2, mas as que aqui nos interessam, serão sobretudo as fontes de direito fiscal objectivo, no sentido técnicojurídico. “A fonte de obrigação tributária é sempre o facto objectivo da previsão das normas de incidência tributária.”.3 O Sistema Fiscal Português (conjunto de leis que informam e prevêem as fontes da obrigação tributária) seguindo os princípios constitucionais, visa a satisfação das necessidades financeiras do Estado e outras entidades públicas e uma repartição justa da riqueza (art. 103 da Constituição). Ora as necessidades financeiras do Estado tem vindo a aumentar exponencialmente devido às suas funções sociais cada vez maiores. Contudo, ninguém pode ser obrigado a pagar impostos que não tenham sido criados nos termos da constituição, nem superiores à sua capacidade contributiva.

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Dicionário de conceitos e princípios jurídicos – Marcelo Caetano - Dir. Constitucional, 1979-2ª. -392 e Manual de Dir. Administrativo, 1980-2ª. -1213 e 1214. 2 Manual de Direito Fiscal (Volume II) – Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal nº. 174 fl. 14 e segs. 3 Manual de Direito Fiscal (Volume II) – Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal nº. 174.

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Há tendência para que os serviços públicos se socorrerem de taxas para se financiarem que por vezes são verdadeiros impostos e excessivos, porque vão para além do serviço prestado, e por vezes a fronteira entre imposto e taxa é bastante ténue, obrigando as pessoas a pagar por serviços públicos, mais do que a sua capacidade contributiva permite. Os impostos são criados por lei ( da competência da Assembleia da República) que determina a incidência, a taxa, os benefícios fiscais e as garantias dos contribuintes (artº. 165º. al i) da C.R.P.) Em matéria de impostos, existe portanto, reserva de lei, da Assembleia de República, revestindo as normas fiscais a forma de lei, só podendo legislar nessa matéria o poder executivo, com autorização legislativa expressa. Segundo a divisão de poderes existente, (artº.111 da CRP) cabe, portanto, ao poder legislativo definir “o quê, o quando e o quanto” dos impostos. Quanto a incidência, taxas e benefícios fiscais, que se nos apresentam nos diversos códigos fiscais, vamos abster-nos agora de comentários, e vamos debruçar-nos sobretudo nas garantias dos contribuintes que se nos apresentam de duas espécies: graciosas – aquelas que se desenrolam perante a administração – e contenciosas, as que se desenrolam perante o poder judicial.

AS GARANTIAS DOS CONTRIBUINTES

Toda a Administração Pública, incluindo, portanto, a Administração Tributária, deve, nas suas actuações face aos administrados, respeitar os direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos. Isso mesmo resulta do artigo 266.º, n.º 1 da C.RP. No âmbito fiscal, esses direitos e interesses são tutelados através das chamadas garantias dos contribuintes, que nos aparecem, desde logo, como uma decorrência do princípio da legalidade da tributação, consagrado n.º 2 do artigo 103.º da C.R.P. Ao nível do direito tributário, a expressão garantias dos contribuintes surge-nos no artigo 54.º da L.G.T., bem como nos Capítulos VIII do C.I.RS. e do C.I.RC. e VII do C.I.V.A., onde se enumeram alguns dos meios ao alcance do contribuinte quando pretende reagir face a actos da Administração Tributária lesivos dos seus direitos. Concretizando o comando constitucional expresso no n.º 2 do artigo 268.º, a lei 4

54º. sem carácter de sanção). coactiva. ao nível do direito não escrito. legislativo e administrativo e a actuações ilegítimas da A. o direito interno positivo não esgota a previsão das garantias dos contribuintes.P. direito a juros indemnizatórios e moratórios. quer das pessoas jurídicas. do CPPT) estabelece as garantias essenciais que a Administração Tributária deverá assegurar nas suas relações com os sujeitos passivos. 4 Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal nº.. reagindo face a arbítrios do poder tributário. liberdades e garantias.º.”4 Direito Fiscal e Direito Tributário Aplicamos a designação “direito fiscal” sobretudo para designar o conjunto de leis que regulam os impostos propriamente ditos. as garantias e direitos dos administrados e. e ainda ao nível da constituição formal. Contudo. administrativo. e segs. de impugnação. quer na criação. finalmente. nos termos dos artigos 8. direito de reclamação.º. podemos afirmar que as garantias dos contribuintes mais não são do que “todos os meios legislativos” judiciais e administrativos que permitem ao cidadão-contribuinte tutelar os seus direitos e interesses legalmente protegidos. imposta por lei. e 55. na medida em que há que atender aos princípios jurídicos de direito internacional. os quais fazem parte integrante do direito português. e 16. da LGT e 97º. à fundamentação e à notificação de todos os actos praticados em matéria tributária que afectem direitos e interesses. de recurso hierárquico. e das leis fiscais. 5 .Dina Fernandes Contencioso Tributário fiscal (nomeadamente artº. “. financeiro e fiscal. T. 169º. “Sintetizando as diferentes posições doutrinais. os direitos fundamentais das pessoas e os direitos.R. da C. quer na aplicação dos tributos. os direitos específicos dos contribuintes} – Nuno Sá Gomes – Estudos sobre a Segurança Jurídica na Tributação das Garantias dos Contribuintes. 414. Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal nº. processual. dos princípios gerais do Direito de cada país. fls. os decorrentes dos princípios fundamentais do Estado de Direito. dos princípios gerais do direito penal. 174 e segs. Pp. de audição e de oposição. unilateral. quer das pessoas individuais. (definindo imposto como a prestação pecuniária. Esta noção ampla abrange “direitos de natureza muito diversificada designadamente.53 e54. a saber: o direito à informação. entre outros.

) – artº 3 da Lei Geral Tributária (decreto-lei 398/98. e o Código de Processo Civil. o Código do Procedimento Administrativo. do CPPT). da LGT.que define a competência e hierarquia dos Tribunais Administrativos e Fiscais. e demais leis tributárias. direitos aduaneiros. de 17 /12). contribuindo para uma maior segurança das relações entre a Administração Fiscal e os contribuintes.Geral de Informática e Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros. para o direito Civil. o Código do Procedimento e Processo Tributário. ( artº. para além da Direcção-Geral dos Impostos. a Direcção. consubstanciando os princípios jurídicos fundamentais do sistema fiscal português. o Código de Processo nos Tribunais Administrativos. o Código Civil e O Código de Processo Civil (cfr. as entidades públicas incumbidas da liquidação e cobrança de tributos. a Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo. A Lei Geral Tributária pretende clarificar e sintetizar num único diploma. são essenciais à resolução dos conflitos que se geram nas relações jurídico-tributárias entre a Administração Tributária e os contribuintes. Integram a Administração Tributária. Podemos dizer. o Ministro das Finanças e os membros do Governo com competências tributárias. o Código do procedimento administrativo. e artº. englobamos para além das leis fiscais dos impostos. que a Lei Geral Tributária está para o direito tributário. como o Código Civil. 1º. o Código de Processo nos Tribunais Administrativos e Fiscais. 3 da LGT). bem como os órgãos competentes dos Governos Regionais e das Autarquias locais. quer pelas autarquias) e outras prestações financeiras a favor de entidades públicas (propinas. o Código Civil. toda a legislação sobre taxas (prestação como contrapartida de um serviço prestado. 2º. de acordo com a sua natureza. quer pelo estado.Lei 13/2002 de 19/02 . contribuições da segurança social. Nº. 2º. artº. as regras fundamentais do sistema fiscal. 6 . a Lei Geral Tributária. e supletivamente.Dina Fernandes Contencioso Tributário Na designação de “direito tributário” ou dos tributos. No edifício legislativo que rege o “Direito Tributário”. o Código de Procedimento e Processo Tributário. Às relações jurídico-tributárias. aplicam-se sucessivamente a Lei Geral Tributária. com um certo grau de afinidade. e uniformizando os critérios de aplicação do direito tributário. o Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais . etc. o Código do Procedimento Administrativo.

Nela encontramos – citando Casalta Nabais 5 – “ um conjunto de princípios jurisdicionais disciplinadores quer de quem. portanto. supletivamente. quer do que (é que) e do quanto se tributa. e de carácter material os segundos. aplicando-se em primeiro lugar ao processo judicial tributário e aos recursos jurisdicionais. em Matéria Fiscal 1 – Direito de acesso aos tribunais A Constituição Portuguesa assegura a existência de tribunais administrativos e fiscais artº 212 da Constituição.Dina Fernandes Contencioso Tributário O Código de Procedimento e Processo Tributário. ao procedimento e processo Tributário. estabelecendo assim toda uma teia de limites à tributação de carácter formal. os primeiros. cedendo apenas. As normas sobre organização. Do CPPT) : .As normas de natureza procedimental ou processual dos códigos e demais leis tributárias ( CIRS. e em estreita consonância com a Lei Geral Tributária. Nela encontramos 5 Casalta Nabais – Revista Fisco nº. O primeiro documento que garante uma tutela jurisdicional em matéria fiscal é. 8º. aprovado pelo Dec. 111/112 fls. hierarquia e funcionamento da administração tributária (Leis orgânicas das respectivas direcções gerais que compõem a administração tributária). 15/2001. As normas sobre organização e processo nos tribunais administrativos e tributários (ETAF e CPTA). O Principio da Tutela Jurisdicional Efectiva. à hierarquia das normas aplicáveis do direito comunitário e internacional (artº. (artº. 12º. da Lei nº. de como e de quando tributar. para outras disposições legais. em caso de lacuna. O Código de Processo Civil.). da Constituição da República Portuguesa).Lei. O Código de Procedimento Administrativo e . CIVA. 2º. a própria Constituição. 4 7 . de 5/06. CIRC. etc. é a principal base legal do contencioso tributário. remetendo apenas subsidiariamente. nº. de acordo com os casos omissos. de 26/10. 433/99. com as substanciais alterações introduzidas pelo artº. Aplicam-se.

.O direito de não ser renunciável. . 9º. a promoção da igualdade e o respeito pelos princípios do Estado de Direito – artº. . etc. o CPPT e o CPTA. ainda que inseridos num procedimento . 8 .artº.C. da LGT. da não retroactividade dos impostos e da proibição do referendo fiscal. da LGT. lesivos. 95º.Dina Fernandes Contencioso Tributário os princípios da legalidade fiscal. segundo o princípio constitucional do direito de acesso aos tribunais (artº 20 da constituição) o processo tem de ser um meio idóneo de conferir a tutela jurisdicional efectiva correspondente ao conteúdo do direito ou interesse legalmente protegido. A redacção desse artigo visa garantir o direito dos administrados a uma tutela jurisdicional dos seus direitos e interesses legalmente protegidos e a indicar a título exemplificativo alguns desses direitos cuja tutela afirma garantir . mas também a fixação de valores patrimoniais. 2 do artº. Esta significação do princípio encontra-se bem explicita no texto dos números 4 e 5 do artº 268 da Constituição. não só o acto liquidação. da segurança jurídica fiscal. 96º. Este princípio vem desde há muito tempo sendo afirmado no direito positivo no que toca no direito processual civil (cfr.São também impugnáveis os actos com eficácia externa. sob pena de não o havendo o sistema jurídico se transformar numa ficção. artº 2 do C. dos actos lesivos consignados no nº. Da LGT. A todo o direito ou interesse legalmente reconhecido pela ordem jurídica tem de corresponder um meio de o fazer valer em juízo. esse direito foi sempre entendido como implicando também a exigência da conformação do processo por forma a que possa obter-se através dele a tutela jurídica efectiva e eficaz que corresponda ao conteúdo dos direitos e interesses legalmente protegidos (principio da tipicidade dos meios processuais). e os princípios da igualdade fiscal. Por isso. do respeito pelos direitos fundamentais e do estado social..O direito de impugnação ou recurso. 51 do CPTA. enunciam algumas regras fundamentais do processo judicial tributário. no domínio dos segundos. em defesa desses direitos como sejam: . Também a Lei Geral Tributária.) Os direitos fundamentais são portadores da máxima garantia de tutela jurídica possível.” Além disso. no domínio dos primeiros. da capacidade contributiva. em regra o direito de impugnar –artº. .A garantia dos direitos e liberdades fundamentais.P.podem consubstanciar actos lesivos na LGT.

do CPTA. . 99º. fixa em dois anos para o processo judicial tributário e em 90 dias para os processos urgentes. ao lado da obrigação principal.Dina Fernandes Contencioso Tributário . disciplinares. Na verdade. e não têm qualquer sanção. artº 20 da Constituição. O CPPT.artº.a forma do processo afere-se pelo pedido que se faz ao Tribunal – artº. Princípio da igualdade efectiva – artº. não deve terminar o processo por meros aspectos formais. quer o seu controlo a posteriori.artº.Actos lesivos interlocutórios. do CPTA . Contudo. Mas os contribuintes não têm apenas direitos. -a regra da verdade material. o sistema fiscal português assenta. da L. estes prazos são. tendentes a permitir quer a liquidação do imposto. da Convenção dos Direito do Homem.São impugnáveis actos destacáveis de um procedimento quando a lei o disser. o qual. 6º. num dever de cooperação dos sujeitos passivos. da LGT. 2º. 96º. 13º.. 54º.(o pagamento do imposto) inúmeras obrigações acessórias aos contribuintes e a terceiros. artº 6º. são impugnáveis com a decisão final. quando estas não chegam para formular a sua convicção sobre a verdade dos factos.G. É também garantia de tutela efectiva o facto de a decisão ter de ser obtida em prazo razoável – artº. 98ºnº. 4. Isso mesmo ressalta do artigo 31º. e um dos deveres que está presente. não raras vezes. LGT.princípio do inquisitório artº. entra em tensão dialéctica com os seus direitos e garantias enquanto cidadãos. 98º. São também garantias de tutela jurisdicional efectiva o direito à convolação em caso de erro na forma do processo . a legislação fiscal impõe. Do CPPT. 97º. em grande parte. De facto. (artº. O Juiz deve tudo fazer para conhecer do mérito da causa.artº. da LGT. o Juiz deve averiguar e pedir outras provas além das indicadas pelas partes. do CPPT. nessas duas fases é o dever de 9 . do CPPT) o prazo considerado razoável para obtenção de uma decisão. meramente. embora com dimensões diferentes. continuando a ser largamente ultrapassados (vejam-se as pendências nos actuais Tribunais Administrativos e Fiscais).T. do CPPT. . do CPTA e princípio da igualdade das partes -artº. 7º. artº..

P. e sobre determinado território. ao nível da comprovação dos elementos declarados.) o Juiz julga. 110º. o dever de cooperação é um corolário do dever de contribuir para a captação dos meios financeiros necessários ao desenvolvimento económico e social (artigo 101º. No Texto da Lei. 2 – Jurisdição administrativa e fiscal Jurisdição é o poder abstracto de julgar.P.. de conteúdo não directamente pecuniário.. Em contencioso Tributário. (artº. e cada juiz tem jurisdição dentro de determinadas matérias. compreende um dever de cooperação recíproco entre os órgãos da Administração Tributária e os contribuintes. Do CPTA) Artº 664 do CPC – O Juiz é livre na interpretação da Lei e do direito.G. com o objectivo de permitir à Administração a investigação e determinação dos factos fiscalmente relevantes". Com entrada em vigor do decreto-lei nº 325/2003 de 29/12 os Tribunais Tributários de primeira instância deixaram de estar dependentes do Ministério das Finanças e passaram a integrar a jurisdição administrativa e fiscal do Ministério da Justiça.R. “O princípio da colaboração.R. Relativamente a estes últimos. com total independência. 6 J. que Saldanha Sanches6 define como “o conjunto de deveres de comportamento resultantes de obrigações que têm por objecto prestações de facto. na fase de determinação da matéria colectável. 3º.T.Saldanha Sanches “A Qualificação da Obrigação Tributária. Autoavaliação e Avaliação Administrativa” – Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal nº. uma vez que boa parte do nosso sistema fiscal assenta em deveres declarativos a cargo do S. vigora também o princípio da separação de poderes. segundo princípios jurídicos e não de oportunidade ou conveniência (artº. esse dever traduz-se no «cumprimento das obrigações acessórias previstas na lei e a prestação dos esclarecimentos que esta [Administração Tributária] lhes solicitar sobre a sua situação tributária. 173 Centro de 10 . A jurisdição dos Tribunais Administrativos e Fiscais. de que nos fala o artigo 59. posteriormente. e.P. da C.º da L...Dina Fernandes Contencioso Tributário cooperação. em primeiro lugar.». Deveres de Cooperação. L . Da C.) e assume relevância.

45º. Beja. Assim os critérios para definição da competência territorial passam pela conjugação dos arts. desdobrado em Tribunal Central Administrativo Norte e Tribunal Central Administrativo Sul. Leiria. O Tribunal Central Administrativo Norte tem sede no Porto e a sua área de jurisdição abrange as áreas jurisdicionais dos tribunais administrativos e fiscais de Braga. nº 1 do Dec.. Por sua vez. A competência dos Tribunais é fixada no momento da propositura da causa art. e 1º. A área jurisdicional dos Tribunais Tributários de 1ª Instancia criados e instalados em regime de agregação com os tribunais administrativos de círculo – está definida no mapa anexo do decreto-lei 325/2003 de 29/12. encontrando-se hierarquizados. Estudos Fiscais – Lisboa 1995 fls. tendo na base os Tribunais Administrativos de Circulo e os Tribunais Tributários. 2º. Funchal. e 1º. Lei nº 325/2003. Porto e Viseu.L 325/03 de 29/12. 2º do Dec. 37. 1º do ETAF e 1º nº1 o D. A competência destes tribunais está prevista no ETAF. Castelo Branco. Mirandela. Quanto à competência territorial. nº. 26. Ponta Delgada e Sintra – arts. 24. o Supremo Tribunal Administrativo tem sede em Lisboa e a sua competência jurisdicional estende-se a todo o território nacional (arts. O artº 9 do ETAF prevê a agregação dos Tribunais Administrativos de Círculo e dos Tribunais Tributários que tomam a designação de Tribunais Administrativos e Fiscais.Dina Fernandes Contencioso Tributário Os tribunais da jurisdição administrativa e fiscal são órgãos de soberania que administram a justiça com as competências genéricas previstas no artº 4 do ETAF – Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais . seguindo-se-lhe o Tribunal Central Administrativo. 50º e 39º do ETAF e 12º do C PTA. em três graus de jurisdição numa estrutura encabeçada. artºs. pelo Supremo Tribunal Administrativo. 71 11 . 5º do ETAF.2-b) da Portaria nº 1418/2003. 44 e 49º. Coimbra. Lisboa. Loulé. nº 2-a) da Portaria nº 1418/2003.Lei nº 13 /2002 de 19/ 02. Loures. arts. Lei Nº 325/2003. o Tribunal Central Administrativo Sul tem sede em Lisboa e a sua área de jurisdição abrange as áreas jurisdicionais dos tribunais administrativos e fiscais de Almada.

julga em 1º. sobre a questão prejudicial de matéria comunitária. e nos conflitos de competência entre Tribunais Tributários. Dos actos da administração em geral reclama-se para o mesmo órgão que produziu o acto ou hierarquicamente superior. Pode também haver recurso para o Tribunal de Justiça das Comunidades. contudo funciona em segundo grau de jurisdição no caso deste recurso “per saltum” e nas causas intentadas directamente no Tribunal Central Administrativo desdobrado. quando o STA. e em primeiro grau de jurisdição nos recursos dos actos do Conselho de Ministro. 6º e 27º-b) ETAF e 105º da LGT. e quando há oposição de acórdãos sobre a mesma matéria. Dos actos dos juízes recorre-se para tribunais superiores. e ao princípio da uniformidade – o direito comunitário. a que se juntam os documentos necessários à causa a decidir. tem de fazer o reenvio ao Tribunal de Justiça. 6. 280º. Pode recorrer-se do Tribunal Administrativo e Fiscal para o STA se a matéria for apenas de direito – recurso “per saltum” arts. A administração produz actos públicos que podem assumir as mais diversas formas. 5º. de 13/01). 12 . como terceiro grau de jurisdição. o juiz também produz actos públicos.Dina Fernandes Contencioso Tributário A competência em razão do valor é determinada pela alçada que nos Tribunais Tributários é igual à quarta parte da fixada para os tribunais judiciais de 1ª instância – art. pedido ao Tribunal. deve ser interpretado da mesma maneira em todos os países da Comunidade. do ETAF. nº1 ETAF o que corresponde a € 935. que tomam a designação de sentenças. como tribunal superior. a alçada do Tribunal Central Administrativo é igual à da Relação. o Tribunal que julga em última instância.º. No conflito de competências artº. Cabe recurso para o Pleno. 24 nº 1 da Lei nº3/99. pode ainda recorrer-se para o Tribunal de Estrasburgo dos Direitos do Homem.25. art. mas em relação de dependência.94. O decreto-lei 325/03 introduziu profundas alterações no contencioso tributário mas ainda não foram introduzidas as alterações necessárias no código de processo tributário de forma a adapta-lo ao novo processo nos tribunais administrativos e fiscais. Neste caso. ou seja €14 963. valor abaixo do qual não há recurso (cfr. Em matéria fiscal. Grau de jurisdição. independentes entre si. O STA funciona. e é feito através de impresso próprio. do CPPT. prevalece a decisão do STA. face ao primado do direito comunitário sobre o direito interno.

145º. 13 . de uma lista exaustiva. vem regulado no Título IV da LGT. 1 do artº. nem todos os processos podem ser urgentes. enquanto a sua enunciação e regulamentação. 97º. que não impliquem a apreciação do acto de liquidação. .artº. 144º.-artº. nomeadamente: . porém.101º. . dos actos praticados na execução fiscal (artº.O recurso no próprio processo. 146º. São processos judiciais tributários. da LGT. A 142º. em que se abre a possibilidade de enquadrar no conceito de processo judicial tributário. do CPPT) .A impugnação das providências cautelares adoptadas pela Administração Tributária ( artº. e a referir algumas formas admissíveis. do CPPT . 97º. como se depreende da alínea q) do nº. Não se trata.A impugnação judicial ( artº. -A intimação para um comportamento (artigo 147º.A acção para reconhecimento de direito ou interesse legítimo em matéria tributária ( artº.A produção antecipada de prova. do CPPT). porque nem todos os direitos merecem a mesma protecção. do CPPT. 135º. e 278º. . 99 e seguintes do CPPT) .Os procedimentos cautelares de arrolamento e arresto ( artº. do CPPT.Dina Fernandes Contencioso Tributário Âmbito do Contencioso Fiscal: os vários processos fiscais O Processo Tributário de natureza judicial. adequados à tutela plena e efectiva dos direito e interesses legítimos dos contribuintes em matéria tributária.O recurso contencioso (actual acção administrativa especial) dos actos denegadores de isenções ou benefícios fiscais ou de outros actos relativos a questões tributárias. é feita no CPPT.s 276º. Do CPPT. e no Título III do CPPT. do CPPT). .Os meios acessórios de intimação para consulta de processos ou documentos administrativos e passagem de certidões (artº. “outros meios processuais previstos na lei”… Não há apenas um só processo. A Lei Geral Tributária limita-se a enumerar alguns princípios orientadores do processo.A oposição. 204º. os embargos de terceiro e outros incidentes e a verificação e graduação de créditos na execução fiscal – artº. do CPPT .

impugnação de liquidação de tributos. São também regulados pelas normas sobre processo nos tribunais administrativos. para a distinguir da acção administrativa comum. Também nem todos os tipos de processos indicados têm uma tramitação regulada neste Código. já tem a designação de reclamação. . do mesmo código.impugnação dos actos administrativos que comportem apreciação da legalidade da liquidação. 276º. embora os seus termos decorram perante A administração Fiscal (artº. 99 a 130º. do Código. passa a ter a mesma tramitação que o processo de impugnação. a alínea p) do artº. Nem todos os tipos de processos enunciados. 1 do artº. É o caso das diversas impugnações indicadas no artº. 103º. do 14 .. bem como alínea n) ao referir “recurso” no próprio processo dos actos praticados pela administração tributária na execução fiscal. Embora neste artigo não se referira a execução fiscal. pois há vários que têm tramitação comum. actualmente designado acção administrativa especial. uma vez que a designação de reclamação é usualmente utilizada para os pedidos de reapreciação de um acto perante a própria entidade que o proferiu (artº. os conflitos de competência entre tribunais tributários. 145º. . como é o caso do recurso contencioso. do CPPT: . que no actual CPTA. após a notificação para contestação pelo RFP.impugnação do agravamento à colecta. prevista nos artº. quando não dê origem a liquidação. designação decerto mais adequada. de 19/02. . ainda não foi adaptado à nova jurisdição administrativa provocada pelo Decreto-Lei nº.Dina Fernandes Contencioso Tributário Porque o CPPT. entre órgãos da Administração tributária.bem como a oposição à execução fiscal. encontra-se desfasada com actual designação do recurso contencioso. têm autonomia. . nº2 alínea a) do CPA). reservando-se a designação de recurso para o caso de se recorrer de um tribunal para outro superior. (artº. como já referimos. que tem tramitação regulada pelo CPTA. 211º. . Nº. 158º. 97º. 97º. Da LGT). este é um processo judicial. que no artº. que de acordo com o nº. do CPPT. . 325/2003.acções para reconhecimento de direitos ou interesses legítimos. passou a designar-se “acção administrativa especial”.impugnação da fixação da matéria colectável. 4) que têm tramitação comum.impugnação de indeferimentos de reclamações graciosas.

o que 15 .e a impugnação de normas regulamentares fiscais ou aduaneiras. dos Governos Regionais e das autarquias locais. é mais um desfasamento do CPPT. princípio também referido no CPPT. 3 deste artº. 30-E/2000) Princípios informadores do processo judicial tributário Destacam-se em sede dos princípios informadores do processo judicial tributário. o princípio da igualdade das partes. (nº. vendo-se obrigada. e passou a ser da competência dos serviços da segurança social (Lei nº. o princípio do inquisitório e o princípio da colaboração. o princípio da celeridade processual. 139º. em prazo razoável. contados desde a data da instauração e a data da decisão proferida em 1ª. os embargos de terceiro. bem como. Da LGT). Habilitação de Herdeiros (artº. referindo também. é meramente disciplinar. do CPPT nem na LGT. O princípio da celeridade processual. com força de caso julgado. uma decisão que aprecie. se o prazo for superior a três anos.) e do arrolamento (art. uma vez que deixou de ser concedido pelos tribunais. Instância. já poderemos ver aí uma sanção para a Administração fiscal. a anulação de venda e a verificação e graduação de créditos. 127º. parcialmente. por infracção ao princípio da celeridade processual. de produção antecipada de prova. 128º. Outros meios processuais são regulados pelo código de processo civil. 97º. significa que o direito de impugnar ou de recorrer contenciosamente. já antes referido. prazo que como já referimos. não deverá ter duração acumulada superior a dois anos. implica o direito de obter. é um processo judicial tributário. porque não lhe é cominada nenhuma sanção directa. 96º.bem como os processos relativos aos meios processuais acessórios de intimação para consulta de documentos e passagem de certidões. 127º. e os incidentes da Assistência. Do CPPT). 97º.. a pretensão regularmente deduzida em juízo. 183-A do CPPT. de execução de julgados ( artº.Dina Fernandes Contencioso Tributário Governo Central. e a possibilidade da sua execução (artº. como é o caso do arresto (artº. (artº. 146º. Nº1 do CPPT). e o artº.). 97º. Da LGT. e 129º. 142º.do CPPT) O incidente de Apoio Judiciário ainda referido no artº. a indemnizar os contribuintes pelo encargos suportados com a prestação de garantia. quando esta tenha sido prestada. Contudo. 53º. com tramitação regulada pelo CPTA. que o processo judicial tributário. que embora não referida no artº. afirmando que o processo judicial tributário tem por função a tutela plena e em tempo útil dos direitos e interesses legalmente protegidos em matéria tributária. face ao que dispõe o artº.).

104º. podendo ser qualquer uma das entidades referidas no artº. sempre que se pretende a suspensão da execução. as partes dispõem de iguais faculdade e meios de defesa como refere o artº. mesmo quando sujeitas ao dever de sigilo profissional ( artº. não devendo terminar o processo. e o Juiz. o caso de condenação em litigância de má fé artº. tudo deve fazer para conhecer do mérito da causa. 99º. da LGT . até à decisão do processo judicial. todas as diligências que considere úteis para conhecer a verdade material. e o desaparecimento da presunção (“juris et juri”). de modo a remetê-la. por meros aspectos formais. E 59º. Veja-se o caso de sujeição a custas no actual Código das Custas Judiciais. (artº. 50/2005. face aos factos alegados. 98º. 3 da LGT. também já referido. Da LGT. 1º. já que de um lado está a Administração fiscal. que são os poderes atribuídos à Administração tributária para o desempenho das suas atribuições. têm vindo a ser retiradas prerrogativas à fazenda pública. e as garantias atribuídas aos contribuintes para a defesa dos seus direitos e interesses em matéria tributária. 64º. são obrigadas a prestar as informações que o Juiz entender necessárias. e impostas obrigações. nomeadamente obrigados ao 16 . pressupõe. as Autoridades e Serviços de Finanças. 2º. O processo tributário. também já abordado. oficiosamente. Do CPPT. de 30 de Agosto. Da LGT). do CPTA. 13º. impõe que o tribunal realize ou ordene. em rigor. artº. artº. Quanto ao princípio do inquisitório. São. Existe a preocupação de equilibrar as duas realidades distintas mas complementares entre si. 74º. Da LGT). ( pessoas singulares ou colectivas ou entidades legalmente equiparadas a estas). na defesa do seu interesse próprio e egoístico. sem admissão de prova em contrário.. não é um processo de partes. 7º. De ETAF) e do outro. Nº. Na prossecução deste princípio. ou de que oficiosamente deva conhecer (artº. ao estádio de igualdade com o contribuinte. a repartição do ónus da prova artº. e que actua debaixo de um espartilho legal. na realização da justiça.da LGT. 4 e 15º. colaborem com os tribunais. e 54º. o contribuinte. as decisões dos tribunais são obrigatórias para todas as outras autoridades. norteada pela prossecução do interesse público. (artº.). que todas as partes envolvidas. Do CCPT). O princípio da igualdade das partes. em grande parte dos casos. sendo representada em juízo pelo Representante da Fazenda Pública (artºs 9 nº. Já o princípio da colaboração. Da LGT na actual redacção dada pela Lei nº. implica que em processo tributário. 73º.Dina Fernandes Contencioso Tributário acontece.

do CPPT).59º.. 4º. O contencioso tributário. 4 do artº. é possível a anulação parcial. Instância. mas em contencioso tributário. A impugnação judicial é um processo judicial a decidir pelo Tribunal Tributário de 1ª. é de mera apreciação da legalidade e não de AC – Ver acórdão do Supremo Tribunal Administrativo nº. Do C.AC A IMPUGNAÇÂO JUDICIAL A impugnação judicial. (artº. (artº. 100º. e quando tal não aconteça. (artº.61º.Dina Fernandes Contencioso Tributário dever de colaboração. 17 . e tem por função. em tempo útil. em caso de procedência de processo judicial. a tutela plena e efectiva.com o consequente pagamento de juros indemnizatórios. no todo ou em parte. na sequência de um acto tributário.e segs. al. 43º. o dever da administração tributária. Da LGT).(artº. nos termos do nº. 43º. é o processo judicial tributário. e os particulares. 96º. o particular. da LGT). c) do CPC. proceder à imediata e plena reconstituição da legalidade do acto objecto do litígio. do artº. e são devidos. e através dele o contribuinte procura obter a anulação total ou parcial do acto tributário que considera ilegal.da LGT. em regra. 0671/05 de 14/07/2005 – tribunal competente para execução de sentenças. em cumprimento de decisão administrativa ou executando as sentenças do Tribunal (artº. com o qual o contribuinte não está de acordo. da LGT) Em contencioso administrativo não é possível em muitos casos anular parcialmente actos administrativos. e condenatória no pagamento de juros. 61º. 157º. e artº. por excelência. surgindo.que não têm que ser requeridos. os Magistrados. 519º. tem noventa dias para proceder à plena reposição da situação legal. por considerar ter ocorrido uma ilegalidade( mas pode também surgir no caso em que está apenas em causa a determinação do quantum do imposto – ( matéria colectável ou valores patrimoniais). do CPPT). do CPPT). A administração Fiscal. dos direitos e interesses legalmente protegidos em matéria tributária (artº. pode exigir o seu cumprimento nos termos do código de processo administrativo. constitutiva nos termos do artº. A impugnação é uma acção de anulação.C. as entidades administrativas.P. do CPTA Deve também entender-se como baseado neste princípio. 8º. sempre que o contribuinte tiver pago o imposto (artº. do CPTA).

A acção administrativa especial. reside na de saber qual a tutela que se demanda ao tribunal. que foram constitutivamente verificados na ordem jurídica pelo acto tributário.” “Ao invés.nº. Nº.s 99º. se ter cometido alguma ilegalidade. ou parcialmente. a acção administrativa especial. 201 e segs. o acto de liquidação deixa de existir na ordem jurídica. mais tarde. da acção administrativa especial em matéria tributária (designada anteriormente por recurso contencioso artº.) A impugnação encontra-se regulada nos artº. do CPPT. do CPTA. 191 do CPTA remissão do recurso contencioso.1 al. É o meio judicial que propicia a obtenção da tutela própria do direito à anulação do acto de liquidação de impostos ou de fixação de valores patrimoniais (artº. 389 (fls. o legislador destrinçou-os. anula-o. A forma do processo. porque no procedimento que culminou na liquidação do montante a pagar. 46º. relativa a questões fiscais. e segs. mas que são lesivos de direitos ou interesses legalmente protegidos reconhecidos nas leis tributárias”. emprega-se quando não implica apreciação da liquidação. pelo pedido que se faz ao Tribunal.. 97º. 21718. e qual a causa de pedir em que se fundamenta.)6 A questão de saber qual a forma de processo que se ajusta ao petitório. eventualmente pela restituição do indevidamente pago. acrescido de eventuais juros. o meio processual 6 CTF nº. Se se pretende a anulação do imposto. ou então pela anulação de um acto predeterminado a produzir. “No processo de impugnação judicial a obtenção de uma tutela eficaz e efectiva passa pela anulação. A impugnação comporta a apreciação da legalidade da liquidação. O Juiz não reforma o acto tributário. 191 do CPTA). exigia a conformação de diferentes processos. (Acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de 17/12 de 1997 Procº. ainda que com a integração de um outro acto aqueles efeitos jurídicos cominatórios. e segs. . afere-se. total. Há alguma dificuldade em diferenciar a impugnação judicial.) 18 . a acção administrativa especial nos artº. porque a diferente natureza dos direito cuja tutela visam propiciar. visa apenas a anulação de actos que não se apresentam como imediata ou mediatamente lesivos do património do contribuinte. (artº.Dina Fernandes Contencioso Tributário substituição da administração. e. ou dos efeitos cominatórios de pagamento de certa quantia. A) e b) do CPPT). “Não obstante ambos os processos pertencerem à categoria dos recursos contenciosos de anulação.

A impugnação é o meio processual adequado a obter a anulação de um acto praticado pela Administração. nº. A Administração fiscal tem poderes vinculados em matéria tributária. é anulação do despacho que recusou a isenção. Fundamentos da Impugnação Constitui fundamento da impugnação qualquer ilegalidade. artº. nomeadamente quando os elementos do contribuinte não lhe merecem crédito. enunciando o artº. pode ocorrer uma errónea qualificação e quantificação de rendimentos. No caso do indeferimento de isenções que dependem de reconhecimento da Administração Tributária.AC O erro sobre os pressupostos de facto pode ser evitado. por errada aplicação da norma. 58º. que leva à liquidação de um imposto. Pode haver violação de lei. ou por actuação contrária à norma. a não ser que tenha por base as declarações do contribuinte. do CPPT).f)). é a acção administrativa especial. AC – Ver Acórdão do S. com fundamento. No procedimento administrativo. o processo adequado de atacar o acto. e artº. porque o que se pretende é a anulação do impostos. da LGT. 56º. ou a declaração da sua nulidade ou existência (artº. do CPPT. valores patrimoniais ou outros factos tributários. 19 .Dina Fernandes Contencioso Tributário próprio é a impugnação. ou mesmo a inexistência de facto tributário. e o seu não pagamento. por errada interpretação da norma. Há violação de lei por erro nos pressupostos de direito. de 22/06/2005. no direito à isenção. porque o que se pretende. em princípio. (artº. só quando houver liquidação é possível intentar a impugnação judicial da liquidação. 01259/04. Já nas isenção automáticas. porque a administração tem o dever de indagar os factos subjacentes ao facto tributário em questão. Nº2 al. mas pode utilizar critérios de discricionariedade técnica segundo juízos e regras de natureza técnica. por erro nos pressupostos de facto ou erro nos pressupostos de direito. algumas delas. do CPPT. 99º. que são tidas. e tem que recorrer a métodos indirectos.A. como verdadeiras. lucros. 95º.T. 124º. quando não dá lugar a liquidação.

97º. As ilegalidades exemplificadas no artº. provocada talvez pelo escasso tempo que tem para a sua feitura.. do CPPT. de 22/06/2005 20 . 1 al. provocado pelas inúmeras interpretações das normas e da sua aplicação. que regula a ordem pela qual o Juiz deve conhecer dos vícios do acto. muitas vezes de difícil destrinça entre planeamento fiscal (ou engenharia contabilística) e fraude fiscal.97. Nº. . do CPPT). AC – Ver acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo nº. 134º. 91.Dina Fernandes Contencioso Tributário Já o erro nos pressupostos de direito.AC A impugnação com base em mero erro na quantificação da matéria tributável. a) do CPPT.impugnação de providências cautelares adoptadas pela Administração tributária (artº. 124º. . e artº. 143 do CPPT). Nº1 al. . quando na sua formulação seja cometida alguma ilegalidade.actos que decidam agravamentos à colecta por falta de fundamento razoável de reclamação ou recurso hierárquico (como os previstos nos artº. retenção na fonte e pagamento por conta (art. por parte dos agentes envolvidos. 3 do CPPT. do CPPT).. . como se deduz da finalidade do processo de impugnação. da LGT: . em que houve prejuízo) . do CPPT. a) da LGT.actos de liquidação de tributos. sobretudo de linguagem. são apenas as que afectem a validade ou existência do acto.actos administrativos que comportem a apreciação da legalidade de actos de liquidação. 99º. os seguintes actos a que se referem os artº. quando não haja lugar a liquidação.actos de apreensão de bens (artº. 037/05 de 15/06/2005 e nº. 117º. 97 e 144º. 95º. a quantidade diluviana de produção de leis a que está sujeito. 0204/05. do CPPT. 97.actos de fixação de valores patrimoniais (artº. d). (caso por exemplo. definida no artº.1 al.actos de fixação da matéria colectável.actos de indeferimento total ou parcial de reclamação graciosa de actos tributários. a velocidade a que a realidade se altera. nºs 9 e 10 da LGT e 77 nº. 95º. . incluindo a autoliquidação. do CPPT. artº. (artº. é mais comum. e artº 95º. . depende de prévia apresentação de pedido de revisão ou reclamação para a administração tributária. e a forma astuciosa encontrada por parte dos contribuintes para fugir à sua incidência. nº.Podem ser objecto de impugnação judicial.1 al. nº. e art.. dada a falta de rigor. d) da LGT. . -. do legislador.

a prescrição. cujos fundamentos são taxativos sendo apenas os ali enumerados e não quaisquer outros. de o processo de impugnação judicial visar apenas apreciar a legalidade ou ilegalidade do acto de liquidação. não podendo. vem sendo no sentido. etc. que deve ser apreciado. e o meio próprio é a oposição à execução fiscal. 492 21 . e). mas que possam afectar a exigibilidade da obrigação tributária.. é ilegal. é um acto posterior e exterior a esta. mas não podem ser objecto autónomo de apreciação em processo de impugnação judicial. Nº. A jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Administrativo. quando a notificação é condição de validade do acto de liquidação. pois o próprio acto de liquidação é feito com violação de lei. 7 CPPT anotado por Juiz Conselheiro Jorge Lopes de Sousa. são questões que poderão ser conhecidas em processo de execução fiscal.7 Não é assim. mas deficientemente notificada. factos que não afectem a validade dos actos. Não podem. Neste caso. do CPPT. ser utilizados como fundamento da impugnação judicial. por ser intempestivo. não assume relevância autónoma. em regra. a falta de notificação dentro do prazo. 77 nº.Dina Fernandes Contencioso Tributário As circunstâncias posteriores à prática do um acto que não afectem a sua validade. e não conhecer de tudo o que tiver a haver com a exigibilidade da obrigação. 204º. Nos termos do artº. da LGT. nos termos do artº. existe apenas uma condição de exigibilidade. então não é passível de impugnação. mas apenas tenham a ver com a sua eficácia. 1 al. em regra. são fundamento de oposição à execução fiscal. caduca se a liquidação não for validamente notificada ao contribuinte no prazo de quatro anos. 204º. nota 4 Fls. e por isso os vícios que afectam o acto de notificação não afectam o acto notificado. em sede de oposição à execução. Já se a liquidação tiver sido feita no prazo legal. 45º. (artº. como a caducidade. A notificação de uma liquidação.( ou no que estiver fixado na lei conforme os tributos). nos termos do artº. como é o caso da falta ou irregularidade da notificação. e que se prendem com a possibilidade de o acto produzir efeitos em relação ao destinatário. As questões que tenham a ver com a eficácia ou ineficácia do acto. ser objecto de impugnação. 6 da LGT) posteriores à sua prática. o direito de liquidar os tributos.

108º. Devem também ser logo oferecidos os documentos de que se disponha para prova dos factos alegados. . . do CPPT e por força do nº2 do mesmo Código e também os do artº. e 108º.redigida em língua Portuguesa ( artº. 101 do CPPT. do CPC) através do nome ou designação social.( o artº. ou da liquidação . valor esse que vai servir de base ao cálculo da taxa de justiça inicial a efectuar nos termos do Código da Custas Judiciais (regras sobre a determinação do valor da causa no artº. Instância competente. e a apreciação das impugnação. os identificados no artº. 45º e 46º.nº.nela devem identificar-se correctamente.A impugnação. De CCJ). (artº. ou a forma como se pretende que a administração proceda à sua determinação.o acto impugnado.( os actos tributários consideram-se praticados na área do domicílio ou sede do contribuinte . morada ou sede. normalmente é efectuada muito tempo depois do ano a que respeitam os factos tributários impugnados.indicar quais os vícios praticados no procedimento administrativo que culminou na liquidação. do CPC: .Dina Fernandes Petição inicial de impugnação Contencioso Tributário São requisitos da petição inicial de impugnação. 124º. .2 e 103 do CPPT ) artº. transcrevendo mesmo a própria lei. . 1 do CPC ). é formulada em petição articulada.artº. do ETAF.artº. Do CPTA) e da distribuição no Tribunal. 22 .e indicar-se as normas violadas. do CPPT). . a melhor formar a sua convicção sobre os factos. Isso vai ajudar o Juiz a situar-se no tempo. 73º. e numero de identificação fiscal. nos termos do artº. o impugnante.dirigida ao Juiz do Tribunal Tributário de 1ª. O não pagamento da taxa de justiça inicial. 19 nº.expor os factos e as razões de direito que fundamentam o pedido. dá lugar à recusa da petição (artº. do CPPT e 467º. arrolar testemunhas.deve também indicar-se o valor da acção. . do CPPT enuncia a ordem pela qual o Juiz deve conhecer dos vícios) . 193º. normalmente no diploma do Orçamento Geral do Estado. .. e caso necessário requerer outras provas. e a decidir. 474º. porque há normas legais que são alteradas todos os anos pelo legislador. 27º. 1 da LGT -da situação dos bens. 10 nº. 80º. .a entidade que o praticou.

C. aparece. do CPPT). têm de ser arguidas. data e entidade emitente do respectivo bilhete de identidade ou documento equivalente emitido em país da União Europeia ou do passaporte – art. corresponde à falta de assinatura art-. Pode também ser utilizada assinatura electrónica avançada. 6º. do D. Dada a complexidade da legislação e do contencioso tributário. mas se não for certificada ou com certificado não válido. subscrita por advogado.9 As nulidades processuais que não sejam de conhecimento oficioso.Lei nº. não contenha a indicação da causa de pedir ou seja ininteligível. 2º.L. 176 23 . começa por invocar como nulidade processual insanável. pode levar ao indeferimento liminar. bem como nos processos da competência do Tribunal Central Administrativo e do Supremo Tribunal Administrativo (artº. ou seja 9 352. qualquer delas. Do C. 62/2003 de 3/04.) e esta ocorre sempre que não contenha o pedido. 193º. o numero. 98º do CPPT. A petição deverá ser subscrita por advogado se o valor da impugnação exceder o décuplo da alçada do Tribunal Tributário de 1ª. mas abaixo do valor indicado. deve indicar-se logo o objecto da perícia. em relação ao formalismo processual prescrito na lei. antes de o acto terminar. nº. ou este seja ininteligível. n~. se ele estiver 8 Não carecem de reconhecimento notarial as assinaturas de quem indique no próprio documento. que o pedido e a causa de pedir estejam em contradição. do D. 569º. que equivale à assinatura autografa. e que a verificarse. 290-D/99. Estas são nulidades designadas de secundárias. a ineptidão da petição inicial (artº. pág.6º. Instância. perante o tribunal . 2 do mesmo artº. só se podem conhecer na sequência de arguição por parte do interessado. porque dela começa por depender o bom andamento do processo. 9 Manuel de Andrade.Dina Fernandes Contencioso Tributário Se for requerida prova pericial. de 02 /08.L. e a que esta faça corresponder – embora não de modo expresso – uma invalidação mais ou menos extensa dos actos processuais”. 250/96 de 24/02. Nulidades Processuais As nulidades processuais “são quaisquer desvios do formalismo processual seguido.46 Euros.P. ou se cumulem pedidos ou causas de pedir substancialmente incompatíveis. normalmente. com as alterações do D. O artº. E 7º. do CPC).. a maior parte dos processos de impugnação. indicando os elementos do bilhete de identidade ou documento equivalente8 Deve ter-se especial atenção na elaboração da petição inicial. 2º. Noções elementares de processo civil 1979. e identificar –se o perito da parte (artº. a petição pode ser subscrita pelo próprio impugnante nos termos do nº.

e se pode também ver no artº. As inconstitucionalidades. podendo ser conhecidas oficiosamente ou na sequência da sua arguição. e artº. sempre que possível. São nulos os actos que careçam de forma legal. 5 do artº. os actos são anuláveis.Dina Fernandes Contencioso Tributário presente. não geram nulidades. O nº. os actos são ilegais.AC Como para a reclamação graciosa. poderão ser sanadas. Regras sobre nulidades vêm indicadas no artº. quando não for possível suprir a respectiva irregularidade processual .Isso mesmo se confirma pelo nº. sob pena de ficarem sanadas com o decurso do prazo em que podem ser arguidas. 133º. (artº. nº. Nº. 01259/04. meros factos instrumentais. 98º.). do Código do Procedimento Administrativo. de 22/06/2005. ou em determinado prazo a contar do conhecimento. e os actos consequentes. que na realidade não existe. Por isso. 88º. praticando nos termos legais. só sendo totalmente adequada a qualificação de insanável. o que significa que tudo se passa como se elas não tivessem sido praticadas A regra em matéria de irregularidades processuais. o acto omitido. ou irregularmente praticado. 202 e 205 do C.2 e 3 do CPPT) a violação da norma de incidência tributária. 24 .P. mas apenas que elas não ficam sanadas pelo mero decurso do tempo. as leis é que são inconstitucionais. erros de escrita etc. até ao trânsito em julgado da decisão final. anteriormente revogados ou anulados. e dentro de determinado prazo. AC – Ver acórdão do Supremo Tribunal Administrativo – Pleno da Secção do CT nº. é um acto nulo ou inexistente é uma aparência de acto. se for reconhecida a inconstitucionalidade. 3 deste mesmo artigo. do CPPT.A qualificação de nulidades insanáveis do artº. 99º do CPPT. não inconstitucionais. . não significa que tais deficiências processuais não se possam sanar. que ofendam o caso julgado.C. são de conhecimento oficioso. 70º. sem arguição. a todo o tempo. entendida com o sentido de inadmissibilidade de sanação. As outras nulidades qualificadas como nulidades principais. do CPTA . indica alguns erros desculpáveis. estas nulidades. factos que explicitam os factos essenciais (correcta identificação do autor. é a de que elas só podem ser conhecidas na sequência de arguição pelos interessados. 2 do artº. 99º.

esta pode ser deduzida a todo o tempo. Se o prazo de impugnação judicial.AC A impugnação é tempestiva. . mas que só poderá ser efectuada no prazo de um ano). o seu termo transfere-se para o primeiro dia útil subsequente a este. 2 do CIVA. e peremptório. designadamente. de 06/05/2005 25 .Dina Fernandes Contencioso Tributário Se o fundamento da Impugnação for a nulidade. ou da notificação dos actos tributários que não dêem origem a liquidação. documento ou sentença superveniente.quando se tratar de impugnar liquidações que ainda sejam susceptíveis de correcção nos termos do CIVA(artº. 20º. Nem sempre. 279º. Se a impugnação surge na sequência de um indeferimento de uma reclamação graciosa. o prazo para impugnar. desde a data em que se tornou possível obter o documento ou transitou em julgado a sentença. é de natureza substantiva. mas normalmente. do Código Civil. que é facultativa. conta-se nos termos do disposto no artº. quando resultar imposto a favor do sujeito passivo. o prazo é de 15 dias tratando-se de indeferimento expresso. 102 nº. e de 90 dias. conforme estabelece o artº. 585/05. 3 do CPPT) . tratando-se de indeferimento AC – Ver acórdão do STA. porém. O prazo para deduzir impugnação judicial. é de 90 dias. Secção. 102º. 90º. De notar que o prazo de 90 dias é contado: . 37º.no caso de invocar como prova de um dos fundamentos alegados. do termo do prazo para pagamento voluntário dos impostos e das receitas parafiscais. dentro do prazo de caducidade ou prescrição (artº. terminar em período de férias judiciais. Nº.(Artº. 2ª. nº. do CPPT).no caso do contribuinte ter requerido a notificação dos fundamentos omitidos na notificação da decisão em matéria tributável ou a passagem de uma certidão de uma certidão que inclua esses fundamentos. . o prazo só começa a contar-se a partir do dia imediato ao final do período mencionado nesse Código. do CPPT). do CPPT.(exemplo da correcção de erros materiais nas declarações periódicas de IVA. se for apresentada no prazo de 90 dias a contar de determinados factos. Prazos de apresentação da impugnação. a partir da notificação ou da entrega da certidão que tenha sido requerida (artº.

este tem cinco dias para a remeter ao tribunal competente. d) do CPPT). Nº.. ou no serviço periférico local. Nos casos de autoliquidação. e esta não se pronuncie no prazo de 90 dias (artº. que não sendo indeferidas expressamente.1 Al. com a excepção das reclamações relativas a pagamentos por conta. Do CPPT). a impugnação deverá ser interposta no prazo de 30 dias a contar da decisão proferida na reclamação graciosa (que precede. A data da primeira apresentação é a que releva para verificação da tempestividade da impugnação. considerar-se praticado o acto.(10) Se a petição for apresentada no serviço de finanças. 102º. do ETAF. onde tiver sido praticado o acto impugnado artºs. mas também com prévia reclamação à administração para a sua correcção. 132º. por entrega directa. 12 e 108º. 133º. 134º.. esse prazo de 30 dias é contado da data em que se considera ter ocorrido um indeferimento tácito. com as alterações do D. Nº. 106 do CPPT) (artº. 4 do CPPT). É também de 30 dias o prazo de impugnação das incorrecções nas inscrições matriciais dos valores patrimoniais. ou por via electrónica – correio electrónico ou transmissão electrónica de dados. obrigatoriamente a impugnação) (artº. 290-D/99 de 2/08. Nº. Nº1 e 5 da LGT e artº. 103º. Nº. 62/2003 de 3 de Abril 26 . 12º. Nº. se estiver em causa um acto de apreensão de bens praticado pela administração. contados da entrada da reclamação no serviço competente .Dina Fernandes Contencioso Tributário tácito (a reclamação não é apreciada no prazo de seis meses pela administração tributária. no prazo de 90 dias. e conta-se a partir do levantamento do auto de apreensão. 50º.Lei nº. A apresentação por via electrónica requer a utilização de assinatura electrónica avançada do signatário da petição. consideram-se tacitamente deferidas (artº. por telecópia. É competente o Tribunal que tenha jurisdição sobre o serviço periférico local. podendo também ser remetida a estes serviços pelo correio. 5 e 133º. e nesse caso será relevante a data do respectivo registo postal. não faz qualquer apreciação 10 Decreto-Lei nº. O processo inicia-se. legalmente. onde tenha sido praticado ou deve.artº. Não existindo decisão expressa em sede de reclamação graciosa. A petição pode ser apresentada no Tribunal. 143º. e pagamentos por conta. Nº. retenção na fonte. 1 todos do CPPT. 57º. após a sua apresentação. 3 do CPPT) O prazo é de 15 dias (artº. e é um mero transmissor. 3 do CPPT). por via postal registada. com a apresentação da petição no Tribunal competente.

de 5/07. ao Acórdão do STA de 10/03/2004 nº. 366 e segs. 15/2001. porém. 1911/03 in Ciência e Técnica Fiscal.Dina Fernandes Contencioso Tributário do documento apresentado. com as alterações introduzidas pelo D. justifica-se pela economia de meios que proporciona. que afasta a possibilidade de aplicação subsidiária da lei processual administrativa sobre cumulação de pedidos. e coligar-se autores em caso de identidade da natureza dos tributos. Face à obrigatoriedade da remessa da petição ao tribunal competente. na impugnação judicial. Existe alguma polémica na interpretação deste artigo e até da sua razão de ser.Lei nº. coligação de autores e apensação de impugnações Segundo o artº. limita-se a verificar se se encontra autoliquidada a taxa de justiça inicial nos termos do Código da Custas Judiciais. actualmente. ou se existe pedido de apoio judiciário. no prazo de 5 dias.(que deverá vir a ser revogada) sendo apenas ao Tribunal que caberá providenciar no sentido da sanação de deficiências ou irregularidades. Esta possibilidade de cumulações. 414 fls. E 15º. 11 Veja-se Anotação de Isabel Marques da Silva. e por contribuir para a uniformidade de decisões. 19º. não tendo. do CPPT. provenientes de idêntica natureza de tributos. sejam idênticos os fundamentos de facto e de direito e seja o mesmo o Tribunal competente para a decisão. a cumulação de pedidos relativa a mais que um acto da administração tributária. 27 . artºs 14º. como podia fazer antes das alterações introduzidas pela Lei nº. Cumulação de pedidos. 324/2003 de 27 /12. reconhecendo o Supremo Tribunal Administrativo que este artigo é uma norma especial para o processo de impugnação judicial. nos termos legais. aqui aplicação a norma do artº. Do CPPT. deve concluir-se que a administração tributária. 110º. e do Tribunal competente para a decisão. como se prevê. portanto. quando estes se reportem a um mesmo tributo. 4º.11 No processo de impugnação judicial. nº. A cumulação de aqui se trata é a relativa a mais que um acto tributário. e 47º . 104º. não pode providenciar no sentido de sanar deficiências ou irregularidades..do CPTA. constante actualmente dos artºs. no nº. podem. cumular-se pedidos. do CPPT. dos fundamentos de facto e de direito invocados. só pode acontecer. 2 do artº.

Não é necessário para ser viável a cumulação e a coligação que haja uma identidade absoluta de situações fácticas. como é o caso de além do pedido de anulação do acto tributário se pedir também a condenação da Fazenda Nacional no pagamento de juros indemnizatórios. E 121º. e os outros sobre a despesa. Não é o caso. quando se verifiquem as mesmas condições em que é permitida a cumulação de pedidos e a coligação de autores. todos do mesmo CPPT)..13 apensando-se os seguintes ao que 12 13 Ver acórdãos do STA de 26/03/2003 rec. o que pressupõe que seja possível nesse processo formular um pedido de condenação em juros.12 Nesse caso. 414 fls. e os processos se encontrem na mesma fase processual. de se pretender impugnar no mesmo processo uma liquidação adicional de IRC. a do conhecimento inicial do pedido (artºs. 105º. ainda que do mesmo ano fiscal. A apensação de impugnações é possível. 122 e 124º. sendo também totalmente diferentes as regras do seu apuramento para efeitos de liquidação. 120º. Porém já é permitida a cumulação de pedidos relativa a um mesmo facto tributário. quando ainda lhes é facultada a possibilidade de impugnar as liquidações exequendas (artº. e o caso dos revertidos em processo de execução fiscal responsáveis subsidiários e solidários pelas dívidas da sociedade executada. uns são directos sobre o rendimento ou o património. 28 . e outra de IVA. Nº. artº. 43º.Dina Fernandes Contencioso Tributário Será o caso de se impugnar vários actos de liquidação do mesmo imposto relativo a vários anos. onde se estabelece que são devidos juros indemnizatórios quando se determine em impugnação judicial. 131/03-03 e de 10/03/2004 in CTF nº. 22º. 4 da LGT). como não seria o caso de se pretender impugnar a liquidação de um Imposto de Selo sobre transmissões gratuitas e um IMT referente a tornas originadas pela partilha da herança. Esta possibilidade está mesmo pressuposta no artº. basta que seja idêntica a questão jurídicofiscal a apreciar. que houve erro imputável aos serviços. como tem vindo a entender o Supremo Tribunal Administrativo. originadas por correcções em acção de fiscalização ao lucro tributável de uma empresa.) e a da sentença (artº. 118º.s 114º. Como fases distintas do processo de impugnação.) a das alegações e visto final (artº. E 119º.110 e 111º.1 12º e 113º. deverão considerar-se a da contestação (artº. os tributos não são os mesmos. 366 e segs. Da LGT.) a da instrução (artº. do CPPT. caso dos herdeiros no IS s/ transmissões. A 116º. A coligação também é possível quando sejam vários os sujeitos responsáveis pelo pagamento do imposto liquidado.CPPT anotado nota 4. nem de idêntica natureza.

110º. 1 do Artº. 110º. sendo o artº. .Dina Fernandes Contencioso Tributário tiver sido instaurado em primeiro lugar. que. licenciado em direito. (nº.) ou despacho de recebimento e ordenar a notificação do Representante da Fazenda Pública para contestação(nº. Cabe ao juiz aferir da oportunidade e necessidade da apensação. que determina a quem essa representação se defere. em defesa da Fazenda. este pode proferir despacho liminar de indeferimento. ao respectivo Director do órgão periférico Regional. As competências do Representante da Fazenda. e convidar o autor a suprir qualquer deficiência ou irregularidade.do CPC) despacho de aperfeiçoamento. não é a Administração Fiscal. no TCA. normalmente. ficando todas as impugnações a formar um processo único em cumprimento do princípio da economia processual (artº. podendo recusá-la. que se proceda à baixa na distribuição relativamente aos juízes que deixaram de intervir nos processos. 476º. bastando para isso. Normalmente. e nesse caso o autor tem 10 dias para apresentar nova petição devidamente regularizada. A Fazenda Pública defende os seus interesses nos tribunais tributários através do Representante da Fazenda Pública. estas nomearão licenciado em direito ou advogado que as represente. passarão a constituir um só processo de impugnação. A Fazenda Pública. é um elemento da própria Administração Fiscal. vêm genericamente enunciadas no artº. Estando em causa receitas fiscais das autarquias locais. do CPPT. cada um deles delega essas competências em funcionário qualificado dos serviços. Do CPPT). do CPPT. 54º. Recebimento do processo pelo Juiz Quando o processo de impugnação é presente ao Juiz a quem foi distribuído. o que 29 . e a este incumbe. 2 do Artº. A apensação pode ter lugar ainda que nem todos os processos tenham sido distribuídos ao mesmo juiz. e nos tribunais tributários. e apreciar os inconvenientes que a tramitação conjunta possa acarretar. 105º. ( artº. 15º. já que todos eles apensados. ao respectivo Subdirector-Geral. normalmente. No STA a representação cabe ao respectivo Director-Geral de cada uma das Direcções-Gerais que compõem a Administração Fiscal. do CPPT. do ETAF. é constituída pelo património e as receitas do Estado.

o processo prossegue. Ainda que o Representante da Fazenda não apresente contestação. solicitar ao serviço periférico local a remessa do processo administrativo. No mesmo prazo. para promover a extinção do processo. 2do CPPT). apreciando livremente a falta de contestação. 111º. Se tiver sido apresentada reclamação graciosa ainda que posterior à impugnação. se dispuser dos elementos necessários. pode o dirigente do órgão periférico local revogar total ou parcialmente o acto impugnado. mas limitado pelas instruções. consequentemente organizar o processo administrativo. para dizer se se conforma ou pretende o prosseguimento do processo. e se o valor do processo não exceder o quíntuplo da alçada do tribunal tributário de 1ª. às orientações dos seus superiores hierárquicos. ainda assim a Administração fiscal pode revogar no todo ou em parte o acto. Deve instrui-lo com os diversos elementos de que disponha. do CPPT. ou seja 4 676. se a questão for de manifesta simplicidade. sendo. o órgão periférico local. Logo que lhe é solicitado.25 euros (artº. ou já apreciada). No silêncio do contribuinte. isso não representa a confissão dos factos articulados. dimanados dos órgãos superiores da Administração. sendo neste caso também notificado o Representante da Fazenda para 30 . mas neste caso será o órgão hierarquicamente superior ao serviço periférico local. deve juntá-la também. deve. caso seja parcial . sobre interpretação das normas fiscais. Se o valor do processo for superior. deve ser notificado o impugnante para se pronunciar no prazo de dez dias. Instância. e solicitar a produção de prova que entenda necessária. por isso. uma actividade vinculada.Dina Fernandes Contencioso Tributário genericamente incumbe ao mandatário judicial. Havendo revogação total do acto. regulamentos internos. mas verificando-se os anteriores condicionalismos. O representante da Fazenda Pública tem 90 dias para contestar o pedido. no estado em que se encontrar (pendente de apreciação. designadamente com informação da inspecção tributária sobre a matéria de facto e informação dos serviços da administração tributária sobre os elementos oficiais que digam respeito ao acto impugnado. ou seja o órgão periférico regional ( director de finanças ou delegação em funcionário qualificado). Deverá no prazo de três dias solicitar ao serviço periférico local competente o processo administrativo que este organizará nos termos do artº. prazo este que não interfere com o da contestação. e política fiscal. deverá ser notificado o Representante da Fazenda. e remetê-lo ao Representante da Fazenda Pública no prazo de 30 dias. 112º. e o Juiz pode a todo o tempo. Nº.

do C.( artº. e após vista do Ministério Público. ser logo apresentada com a petição inicial no caso do impugnante. 1 do CPPT ). do CC e 523º. têm por função a demonstração da realidade dos factos (art. inicia-se a fase de instrução. Fase de Instrução e Produção da Prova Se o Juiz não puder conhecer logo do pedido.C. (Artº. que o Representante juntará aos autos. 352º. o processo volta ao Juiz. 1 da LGT e artº.C. se a questão for apenas de direito. 76º. do CPC. em princípio. mas são permitidos os meios gerais de prova. 115º. ou de que pode conhecer (artº.s 99º. As provas. Do CPPT) remetendo-lhe o serviço periférico local o respectivo processo administrativo. e 552º.) por confissão (artº. conhece do pedido. 116º.5 do artº. do CPPT e 568 a 591º. deve. pericial (artº.P. As informações oficiais.C. apenas de 30 dias. 114º. 113º. do CPPT). ordenando a realização das diligências probatórias requeridas. ou sendo também de facto. Para além das diligências requeridas pelas partes. 76º. se devidamente fundamentadas com critérios objectivos ( artº. A 361º. Quando não existir disposição legal que exija determinado tipo de prova. 341º.P.(nº. o processo contiver elementos suficientes. a 567º.C.). podem os interessados servir-se de qualquer meio legal de prova. da LGT) 31 . do CPPT. do C. a não ser que haja impossibilidade por não estar na posse do impugnante. 362 a 387º. 112º. A 551º. também constituem prova documental. aqui.) prova por inspecção etc.. o Juiz deve ordenar oficiosamente todas as diligências que se lhe afigurem úteis para conhecer a verdadeira realidade dos factos alegados. ou por ser superveniente. ou decorrido o respectivo prazo. do C. Se o processo tiver que prosseguir. e as consideradas úteis à demonstração da verdade dos factos (Artº. do C. 13º. e com a contestação no caso do Representante da Fazenda Pública. serão ordenadas as diligências de produção de prova que considerar necessárias. Nº. Junta a contestação do Representante da Fazenda Pública. Nº. do CPPT). e profere sentença. Da LGT. A prova documental. que.) A prova por documentos e a testemunhal são na grande maioria dos casos as mais utilizadas.Dina Fernandes Contencioso Tributário contestar no prazo.

mas que bem se compreende. 73º.14 “Em contencioso tributário.L.a) e b) do CPPT) De qualquer forma o Juiz pode sempre ordenar a junção de documentos de que tenha conhecimento.172 e 173 veja-se a este propósito “ O ónus da prova no processo fiscal “ J. que embora se inverta o ónus da prova a favor de quem a presunção é invocada. o princípio da investigação.1 da LGT e artº. 111º. da mesma Lei prescreve que as presunções consagradas nas normas de incidência tributária. às partes cabe alegar e carrear para os autos as provas necessárias à comprovação dos factos alegados. ou solicitar informações a órgãos oficias. o ónus da prova dos factos constitutivos dos direitos da administração tributária ou dos contribuintes. Saldanha Sanches CTF 340/342 fls. terão que girar em torno do facto tributário que está subjacente ao pedido”15. recai sobre quem os invoque. “Ora o princípio da verdade material. ”. já que neste.(artº. e não segundo o princípio do dispositivo”. e o artº. o Juiz não está limitado às provas carreadas para os autos pelas partes. relativamente aos factos que lhe seja lícito conhecer. vigora o princípio do inquisitório por contraposição ao princípio do dispositivo que vigora em contencioso civil. 340/342 fls. e a autoridades e repartições públicas que prestem as informações consideradas úteis para o apuramento da verdade. ainda que não se defina quais são “os factos que lhe seja lícito conhecer”. 13º. 74º. significando isso. ou de forma mais exacta. cabe-lhe também a iniciativa de ordenar às partes.L. vai tornar indispensável que todo o processo se estruture segundo o princípio do inquisitório. mas o Juiz 14 15 “O ónus da prova no processo fiscal” J. da LGT. È certo. que nos termos do artº. 76º. admitem sempre prova em contrário. do CPPT). erigido em finalidade do processo fiscal. “ A obtenção da verdade material é o fim do processo fiscal”.Sadanha Sanches in CTF nº. 182 e segs. 32 . são as prestadas pela inspecção tributária sobre a matéria de facto pertinente e as prestadas pelo serviço da administração tributária sobre os elementos oficiais que digam respeito à liquidação impugnada e restante matéria do pedido (artº. Nº. sob pena de também aqui poder ter aplicação o princípio do processo civil segundo o qual “ o que não existe no processo não existe no mundo”.Dina Fernandes Contencioso Tributário As informações oficiais. O Ónus da Prova Cabe aqui falar um pouco do ónus da prova em contencioso tributário.2 al. Nº.

porque. além dos princípios específicos da legalidade fiscal. o dever de imparcialidade. prevista pelo nº. Abril-Junho 1987 Fls.Rec. porque é à administração fiscal que cabe o ónus da prova da existência do facto tributário que está na origem da liquidação.AC 16 J.”16 Contudo.115/02 de 9/10/02.caso de facturas falsas e de sociedades fantasma). À parte contrária apenas cabe a contraprova dessa existência. 340/342. Saldanha Sanches “O Ónus da Prova no Processo Fiscal”. a verdade é que muitas vezes a Administração apenas pode presumir determinadas situações. O juiz fiscal não está assim. Rec. A Jurisprudência tem afirmado que quando a administração recolher indícios sérios da inexistência de operações tituladas por facturas. para além de referir no seu relatório determinados factos que para si são evidentes. ou porque não dispõe dos meios necessários à sua obtenção. AC Acórdãos do STA.2 do artº. e como deve a prova dos factos competir a quem os invoque. “A Administração Tributária participa no processo tributário em nome não de um interesse financeiro autónomo.Dina Fernandes Contencioso Tributário do Tribunal Tributário não está limitado às provas apresentadas pelas partes. 33 . limitado pelas alegações fácticas das partes nem pelos vícios do acto por estas alegados. deverá também. ou nem isso. mas de realização de um interesse público de cumprimento exacto de uma obrigação fiscal criada por lei. não é um processo de partes no sentido da expressão processual de interesses contrapostos. 102/02 de 23/10/02. Caso julgue necessário pode ordenar que seja diligenciada a obtenção de outras provas. Muitas vezes. sabendo da verdadeira situação factual. 266º. não deixando ao juiz outra solução que não seja a sua absolvição. 324 § 6º. o funcionário fiscalizador. 241/03 de 14/01/04 etc. isto é a proibição de se assumir como parte. ou porque não existem mesmo elementos de que possa socorrer-se . facilmente a contorna. da CRP. CTF nº. e da falta de provas da administração. Rec. Sobre si impende. tirando ilações dos elementos que se lhe apresentam. nem se apercebe que. de maximização ou cobrança de receitas. cabe ao contribuinte o ónus da prova de que tais operações se realizaram efectivamente. (ou por o tempo entretanto decorrido já não o permitir. O processo tributário. sempre que possível juntar provas inequívocas das suas afirmações.L. mas cuja comprovação por vezes não é possível fazer.

C). consagrado no artº. Nº. em audiência contraditória. não é motivo de adiamento. através de teleconferência. sem exceder o máximo de 10 testemunhas por cada acto tributário impugnado. A prova por testemunhas O impugnante deverá arrolar as testemunhas na petição inicial. no prazo subsequente à notificação da junção ou apresentação de informações oficiais (artº. da LGT. 34 . no tribunal tributário onde corre o processo. devendo constar de acta (artº. 1 e 116º. O impugnante não precisa de estar presente na audiência de inquirição das testemunhas. 98º. 1 e 3 do CPPT). e segs. ou a pedido do Representante da fazenda pública. em regra solicitando-se o depoimento de parte. do Código Civil) é feita em juízo e só vale no processo em que seja produzida. 552 e 554º. sendo o depoimento gravado. 352º. reduzido a escrito. do C. A 591º. podem interrogar directamente as testemunhas. o Juiz pode ordenar a convocação das testemunhas excedentes no âmbito dos poderes que detém nos termos das disposições do artº. (artº. formulado na petição inicial. mas se for indicado um numero superior. 114º. 2 e 119º. (artº. ou no tribunal tributário da área de residência da testemunha. Nºs. do CPPT e artº. indicando-se logo se é singular ou colegial. As testemunhas prestam depoimento. à luz do princípio da igualdade de meios processuais. do CPC). Na impugnação cada parte só pode arrolar até 3 testemunhas por cada facto articulado. realiza-se por determinação do juiz do processo. do Representante da Fazenda ou do advogado. e o Representante da Fazenda. O impugnante ou o seu mandatário. ou a requerimento da parte. Do CPPT. oficiosamente quando entenda carecer de parecer de técnicos especializados. Da LGT. Nº. e 116º. do CPPT). cabendo a sua redacção ao juiz. formulado na contestação. no articulado da contestação. 108 nº3 110º. 118º. 99º.P. e identificando o perito da parte. ou ainda. e a falta de alguma testemunha. a pedido de qualquer destes.Dina Fernandes Prova por confissão e prova pericial Contencioso Tributário A prova por confissão (artº. A prova pericial. podendo ser espontânea ou provocada. 568º. e 13º. ou não sendo isso possível.

Junta a resposta das partes. 6º. pode haver recurso. Se for suscitada alguma questão que obste ao conhecimento do pedido. (artº. são as partes notificadas para alegações. nos termos do artº. no prazo que lhes tenha sido estipulado. ou nada dizendo. hora e local onde deverão comparecer. Da sentença proferida em processo de impugnação. Alegações e posteriores trâmites Após a fase de instrução e produção de prova. como sejam promover a regularização da petição. arguir nulidades e requerer a realização de diligências. por escrito. por quem as indicou. São admitidos no processo de impugnação os incidentes da Assistência. no prazo máximo de 30 dias. As que não forem residentes na área de jurisdição do Tribunal serão apresentadas na audiência. como em todos os meios processuais do contencioso tributário. após o que juntas as alegações ou decorrido o respectivo prazo. 280º. para se pronunciarem. 127º. os quais são processados e julgados como o recurso de agravo em processo civil. do artº. sanação de irregularidades processuais. Nº1 do Estatuto do Ministério Público. são notificadas por carta registada do dia. XXXXXXX 35 . do CPPT. deduzir excepções. Do CPPT. vão os autos ao Ministério Público para parecer. 121 do CPPT) O Ministério Público poderá pronunciar-se sobre as questões de legalidade suscitadas no processo. a não ser que por motivos justificados se tenha requerido a sua notificação. (excepções dilatórias ou peremptórias) terão de ser notificadas as partes. ou outras nos termos das suas competências legais. impugnante e Representante da Fazenda Pública. e Habilitação de Herdeiros.Dina Fernandes Contencioso Tributário As testemunhas residentes na área de jurisdição do tribunal tributário onde corre o processo. como lhe é permitido pelo artº. que são processados e julgados nos termos do Código de Processo Civil. serão os autos conclusos ao Juiz para proferir sentença. e segs.

do CPPT. é que um mesmo facto tributário. caso não se conforme com a decisão da administração fiscal. nem com o processo de verificação e graduação de créditos. isto só esporadicamente deveria acontecer. quer para o contribuinte. coima. sem contar com uma eventual anulação de venda caso os embargos sejam indeferidos. prossegue com penhora. É verdade que em princípio. é que por vezes. porque a verdade. pode dar origem a que corram em simultâneo vários processo judiciais fiscais. que entretanto foi instaurado com base na certidão extraída dessa liquidação. limitei o meu trabalho à impugnação judicial. e à qual o contribuinte se pode opor. mas não posso deixar de referir alguns aspectos que se prendem com outras formas processuais. que de um despacho proferido na execução com o qual o executado não se conforme. em simultâneo. estas garantias são o meio de que os contribuintes menos cumpridores lançam mão. e lá temos mais um processo para o Tribunal resolver. A execução fiscal. o recebimento por parte de determinado contribuinte. caso também não de conforme com a liquidação do imposto. Ao mesmo tempo. e de manifesta desconformidade entre o acto administrativo efectuado e o acto legalmente prescrito.Dina Fernandes Contencioso Tributário Conclusão Final Como já referi. ou impugnar judicialmente para o Tribunal. para retardarem o pagamento 36 . porque a abordar outros processos do contencioso tributário o tornaria muito extenso. que eventualmente possa ter lugar. bem como as interpostas impugnação e oposição fiscais. mas que não suspende o processo de execução fiscal. mas a verdade. caso se discuta a posse dos bens objecto da mesma. com todos os inconvenientes e custos que isso implica. para o Tribunal Tributário. 276º. a correr. de determinados rendimentos. O contribuinte incorre em infracção. contando ainda. pela qual lhe será levantado um processo de contra-ordenação para pagamento de uma. quer para os cofres do Estado. E aqui temos. pode reclamar para a administração fiscal. Vejamos o caso de uma liquidação adicional de IRS. da qual pode o contribuinte recorrer. através do processo de oposição fiscal. em casos pontuais. pode reclamar nos termos do artº. não mencionados na sua declaração anual de rendimentos. a qual pode ser embargada. e porque não foi prestada garantia pelo contribuinte. por se ter detectado em fiscalização cruzada. seis processos judicias. que lhe foi efectuada.

para defesa de alguns. nem a solução passa por envolver mais funcionários. antes pelo contrário. sem possibilidade de recurso . como seja o caso de determinados litígios abaixo desse valor serem resolvidos definitivamente dentro da escala hierárquica da Administração. e nem por isso as pendências são mantidas em níveis equilibrados. mas se contabilizar-mos os custos suportados pelo Estado e a sua influência na economia geral do País. Não é por desleixo dos funcionários envolvidos. mas limitado a um certo valor económico. sobretudo. talvez seja necessário repensar estas garantias. suportados pelos impostos. é uma pessoa de bem. 37 . talvez assegurassem uma maior justiça. por um lado. e acaso se detecte algum desvio. custos de correio e custos administrativos. que mereçam efectivamente tutela judicial. é verdade. A justiça não tem preço. são normalmente.Dina Fernandes Contencioso Tributário dos seus impostos. estão em causa interesses económicos. e que as garantias enunciadas visam essa defesa. É verdade que aos contribuintes devem ser assegurados meios de defesa contra actos ilegais da administração. pelo decurso do tempo. ( e dentro do Estado a Administração). em função do valor desses mesmos interesses económicos. determinadas restrições. ou até se desonerarem deles. E também os Tribunais Tributários acumulam cada vez mais pendências. para que seja reposta a conformidade com a lei. por outro. e reservando-se ao poder judicial a resolução de valores mais elevados. em que. que a defesa intransigente de todo e qualquer valor económico. ou colocandose em posição de insolvência. que todos pagamos. e custos do próprio contribuinte. já que todos acabamos por perder com os gastos do Estado. As secções de contencioso dos serviços locais de finanças. cada vez se acumulam mais processos à espera de decisão. para assegurar a tramitação de todos estes processos. Tem de aceitar-se que o Estado. sem prejuízo de se assegurar um direito de defesa efectivo. conformando a sua actuação dentro dos limites da lei. honorários de advogados envolvidos. deve ter meios de se auto fiscalizar. aquelas que maior número de funcionários envolve. face ao elevado número de processos que todos os dias entram nesses serviços. chegamos à conclusão que por vezes a defesa desses interesses sai demasiado cara. mas numa área. nomeadamente no valor das horas de trabalho dos funcionários e juízes.

ou deve estar sim. ciente de que os items abordados o foram apenas nos seus contornos mais ligeiros. e não se pode assacar só responsabilidade à má actuação da Administração fiscal. que possam coactivamente ser esgrimidos face a investigados sujeitos a especiais deveres de cooperação. conhecimentos especializados que permitam a realização regular de auditorias. Termino aqui a minha exposição sobre contencioso tributário. inspecções e investigações. pagaremos menos. e exagerada elaboração de leis em matéria fiscal. ininteligível.Dina Fernandes Contencioso Tributário Não se pode conceber. A verdade é que os tribunais e a Administração fiscal estão atulhados de processos. nas suas variadas vertentes. a favor do bem público e isso pode implicar algum sacrifício económico. (como se tem entendido) que a Administração está sempre contra o contribuinte. XXXXXXX 38 . e que o que é eticamente correcto não é a fuga. mas é este o meu contributo possível. sobretudo. e todos devemos colaborar na sua resolução. Na era da globalização. para que os Tribunais se possam ocupar dos verdadeiros e grandes conflitos tributários que a actual sociedade cada vez mais nos coloca. Ela está. mas a colaboração. e que muito falta ainda abordar para uma verdadeira panorâmica do contencioso tributário. para benefício de todos. porque mais facilmente dissimulável. nem à intencional evasão dos contribuintes. Deixemos a resolução dos pequenos conflitos tributários à administração. devendo também imputar-se essa responsabilidade à deficiente. É necessário que as pessoas interiorizem que se todos pagarmos. da sociedade da informação e de uma grande especialização tecnológica. tornou-se ainda mais tentadora. o que equivale a dizer que todos temos responsabilidades na actual situação. para as quais deverão as autoridades estar investidas de poderes específicos. A eficácia no combate a este tipo de criminalidade exige o agravamento das sanções a ela associadas e. a fraude.

Artigo AT – Administração Tributária CC – Código Civil CPC – Código de Processo Civil CPPT – Código do Procedimento e Processo Tributário CPA – Código do Procedimento Administrativo CPTA – Código de Processo nos Tribunais Administrativos CRP – Constituição da República Portuguesa CT – Contencioso Tributário CTF – Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal CIRS – Código do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares CIRC – Código do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas CIVA – Código do Imposto do IVA ETAF – Estatuto dos Tribunais Administrativos e Fiscais IRS – Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares IRC – Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas IVA – Imposto sobre o Valor Acrescentado IS – Imposto de Selo IMT – Imposto Municipal sobre Transmissões LGT – Lei Geral Tributária SP – Sujeito Passivo STA – Supremo Tribunal Administrativo 39 . .Dina Fernandes Contencioso Tributário Siglas utilizadas: AC – Acórdão Art.

Coligação de Autores e apensação de impugnações Recebimento da Impugnação pelo Juiz Fase da Instrução e Produção de Prova O Ónus da Prova Prova por Confissão e Prova Pericial A Prova Por Testemunhas Alegações e posteriores trâmites Conclusão Final Siglas utilizadas 7 10 13 15 15 15 16 16 17 19 21 23 25 27 29 31 32 34 34 35 36 39 40 .Dina Fernandes Contencioso Tributário ÍNDICE Página 1 2 4 5 Introdução A Natureza do Contencioso Fiscal As Garantias dos Contribuintes Direito Fiscal e Direito Tributário O Princípio da Tutela Jurisdicional Efectiva em matéria Fiscal 1 – Direito de Acesso aos Tribunais 2 – Jurisdição Administrativa e Fiscal Âmbito do Contencioso Fiscal: os vários processos fiscais Princípios informadores do processo judicial tributário O Princípio da Celeridade Processual O Princípio da igualdade O Princípio do Inquisitório O princípio da Colaboração A Impugnação Judicial Fundamentos da Impugnação Requisitos da Petição Inicial Nulidades Processuais Prazos de Apresentação da Impugnação Cumulação de Pedidos.

Dina Fernandes Contencioso Tributário Bibliografia consultada Casalta Nabais – O Dever Fundamental de Pagar Impostos.dgsi. L. Noções Elementares de Processo Civil. Centro de Estudos Fiscais. Saldanha Sanches – O Ónus da prova no Processo Fiscal. 1980-2ª.pt . Centro de Estudos Fiscais. Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal nº.pt 41 . Endereços na Internet www.A Qualificação da Obrigação Tributária – Deveres de Cooperação.dgci. 173. Dezembro de 2001 Centro de Estudos Fiscais Direcção Geral dos Impostos Código do Procedimento e Processo Tributário. Juiz Conselheiro da Secção de Contencioso Tributário do Supremo Tribunal Administrativo Conceitos e Princípios Jurídicos de João Melo Franco e Herlander Antunes Martins. L. nº. edição Nuno Sá Gomes – Manual de Direito Fiscal (Volume II). Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal. 340 /342 Centro de Estudos Fiscais J. anotado por Jorge Lopes de Sousa. Centro de Estudos Fiscais. Saldanha Sanches . Lisboa 1993 Manuel de Andrade. 1997 Cadernos de Jurisprudência do Ministério da Justiça Gomes. 2ª. 414 Julho.min-financas. DGCI Lisboa 1996 J. 174. Nuno de Sá – Estudos sobre a Segurança Jurídica na Tributação e as Garantias dos Contribuintes.acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo www. Lisboa 1995 José Manuel Cardoso da Costa – Curso de Direito Fiscal. Edição Coimbra 1972 Acórdão do STA de 10 de Março de 2004 – (Cumulação de Pedidos na Impugnação da Liquidação de IVA e IRS ). Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal nº. nº. Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal nº. Coimbra. 169. 1979 Marcelo Caetano – Manual de Direito Administrativo. anotação de Isabel Marques da Silva . Cadernos de Ciência e Técnica Fiscal.

Dina Fernandes 42 .Dina Fernandes Contencioso Tributário Pós-Graduação em Direito Fiscal Universidade de Direito do Porto Trabalho elaborado por: .

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