APOSTILA DE TORNO

Estudo Básico e Intermediário da disciplina de tornearia mecânica

2009

CAPÍTULO 1 TORNO MECÂNICO GENERALIDADES O torno mecânico é a mais importante das máquinas-ferramenta. É geralmente considerado como a máquina-ferramenta fundamental porque dela se tem derivado todas as outras máquinas e também porque pode executar maior número de obras do que qualquer outra máquina-ferramenta. O primeiro torno mecânico que se tem notícia foi feito na França por volta de 1740, sendo desconhecido o seu inventor (fig. 1.1). Era um pequeno torno de 4 a 5 polegadas de diâmetro, já possuía fuso para abrir roscas e era empregado na confecção de pequenas peças. Em 1797, Henry Mandslay, Inglês, construiu um pequeno torno mecânico para abrir roscas de 10 polegadas de diâmetro, com fuso engrenado à árvore. Quando este torno foi construído, a princípio era preciso um fuso diferente para cada passo de rosca que se quisesse abrir. Mais tarde, foi obtida a variação do passo por meio de engrenagens, permitindo este dispositivo, abrir roscas de mais de um passo, com um só fuso, no mesmo torno. Desta época até a atual, os aperfeiçoamentos introduzidos, fizeram do torno, a máquinaferramenta eficiente e engenhosa, com o auxílio da qual a indústria mecânica atingiu o desenvolvimento extraordinário dos nossos dias.

Fig. 1.1 Os tornos modernos apresentam inovações na sua construção com o fim de aumentar a capacidade produtiva e a precisão das máquinas.

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Atualmente, com o aumento das exigências de mercado e da concorrência para a produção em série, já se deixaram de lado “os velhos” e tradicionais tornos, substituindo-os, mesmo com sacrifício, por tornos revólveres e automáticos. 1.1 – CONCEITO E EMPREGO 1 1.1 - Conceito Torno mecânico é a máquina-ferramenta, destinada a trabalhar uma peça animada de movimento de rotação, por meio de uma ferramenta de corte (fig. 1.2). Esta ferramenta pode trabalhar deslocando-se paralela ou perpendicularmente ao eixo da peça. No primeiro caso a operação é denominada tornear e no segundo caso facear. As curvas geradas pelos movimentos combinados da peça e da ferramenta são: uma hélice, quando se torneia, e uma espiral, quando se faceia.

Fig. 1.2 1.1.2 - Emprego O torno executa qualquer espécie de superfície de revolução uma vez que a peça que se trabalha tem o movimento principal de rotação, enquanto a ferramenta possui o movimento de avanço e translação. O trabalho abrange obras como eixos, polias, pinos e toda espécie de peças roscadas. Além de tornear superfícies cilíndricas externas e internas, o torno poderá usinar superfícies planas no topo das peças (facear), abrir rasgos ou entalhes de qualquer forma, ressaltos, superfícies cônicas, esféricas e perfiladas.

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Qualquer tipo de peça roscada, interna ou externa, pode ser executada no torno. Além dessas operações primárias ou comuns, o torno pode ser usado para furar, alargar, recartilhar, enrolar molas, etc. O torno também pode ser empregado para polir peças usando-se lima fina, lixa ou esmeril. 1.2 - CLASSIFICAÇÃO A fim de atender às numerosas necessidades, a técnica moderna põe a nossa disposição uma grande variedade de tornos que diferem entre si pelas dimensões, características, formas construtivas, etc. A classificação mais simples é a seguinte: torno simples e torno de roscar. 1.2.1 - Torno Simples Neste torno pode-se tornear, facear, broquear e sangrar, porém não se pode abrir rosca (fig. 1.3)

Fig. 1.3 1.2.2 - Tornos de roscar Classificam-se em quatro (4) grupos: simples de roscar; aperfeiçoado de roscar; revólveres e especiais. a) Tornos simples de roscar São os de manejo mais simples, e é necessário calcular as engrenagens, para cada passo de rosca que se deseja abrir.

Fig. 1.4

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b) Tornos aperfeiçoados de roscar Estes tornos possuem um cabeçote fixo com caixa de mudança de marchas por meio de engrenagens denominadas monopolias. A caixa de engrenagens tipo “NORTON” é usada para abrir roscas dando de imediato o número de fios por polegadas ou milímetros, por meio de uma alavanca que corre ao longo da abertura da caixa. Realiza-se esta operação fazendo a ligação das rodas dentadas para o passo que se deseja obter, de acordo com uma tabela colocada ao lado da referida caixa e o eixo de ligação do comando automático do carro, e por meio de um dispositivo denominado fuso (fig. 1.5).

Fig. 1.5 c) Tornos revólveres Apresentam a característica fundamental, que é o emprego de várias ferramentas convenientemente dispostas e preparadas para realizar as operações em forma ordenada e sucessiva, e que obriga o emprego de dispositivos especiais, entre os quais o porta-ferramentas múltiplo, a torre-revólver, etc. É utilizado na confecção de peças em série. Os tornos revólveres classificam-se em: - Torno revólver horizontal; - Torno revólver vertical.

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os tornos semi-automáticos são apropriados especialmente para usinar peças de origem fundida. O “Stub de 6” com quatro esperas em posição inclinada também é um torno de grande produção.Fig. Tornos automáticos São máquinas nas quais todas as operações são realizadas sucessiva e automaticamente. O “mul-au-matic” é o mais surpreendente entre todas as máquinas-ferramenta convencionais que se conhece até o momento. etc. um com 1 1/2” e outro com 1”. sua capacidade de produção é muito grande e. Existem tornos que têm até quatro esperas num total de quinze ferramentas. 1. com o avanço automático depois de cada ciclo de operações. para termos uma noção. as quais exigem uma colocação manual nos dispositivos de montagem que as fixam.6 Os tornos revólveres horizontal e vertical podem ser: Tornos semi-automáticos Nesses tornos há necessidade do operário substituir uma peça acabada por outra em estado bruto. gastam-se aproximadamente 2 minutos. Há tornos que usinam rodas para vagões que são notáveis pelo seu grande diâmetro e que são torneadas fixadas nos próprios eixos.. vergalhões. Extraordinário também é o torno programador. d) Tornos especiais A grande produção de peças em série tem desenvolvido os tornos de um modo extraordinário. podendo cada um trabalhar com peças diferentes. na confecção de um eixo de comprimento com dois diâmetros. cada uma com movimento diferente e independente. Este tipo de torno é capaz de produzir várias peças em poucos minutos. 6 . É um torno vertical com 6 a 8 eixos. Existem vários tipos de máquinas que realizam operações incríveis. como barras. no final da série de operações realizadas sucessivamente de forma automática. Todos esses tornos trabalham com grande velocidade usando ferramentas especiais. Este torno só é usado em grandes oficinas ou fábricas de automóveis. A diferença fundamental entre eles e os automáticos é a seguinte: Os tornos automáticos produzem peças partindo da matéria-prima. forjadas ou estampadas.

para compreensão. No torno de produção moderna quase todos os órgãos em movimento não estão à vista. Na parte superior do barramento existem guias com perfis trapezoidais que. os carros. servindo de guia para o carro e cabeçote móvel no deslizamento longitudinal. o barramento. os chamados tornos CNC (Comando Numérico Computadorizado). o copiador para cones. 1.Atualmente.7 1. segundo as normas contra acidentes e para dar à máquina. onde são programadas e executadas peças em série. os cabeçotes.Barramento São superfícies planas e paralelas que suportam as partes principais do torno.1 .NOMENCLATURA DO TORNO MECÂNICO E SEUS ACESSÓRIOS O torno é formado por diversas partes que são unidas por muitos órgãos de ligação. a vara.Pés (base) Solidamente fixados no solo da oficina. servem também para o perfeito alinhamento entre os cabeçotes.2 . o esbarro para movimento automático etc.7). suas partes sejam abordadas com a exata nomenclatura.3 . a espera. as partes principais são: os pés. sustentam todas as peças do torno. o fuso. 1. o estado da arte já contempla tornos de última geração. além de resistirem à pressão de trabalho do carro. o indicador de quadrantes.3. Assim. (fig. 1. Fig. um perfil estético funcional. mas são protegidos por caixas para preservar o operador de acidentes. fixo e móvel.3. Há dois tipos de barramento: o liso e o prismático. 7 . 1. É obvio que. as grades.

8 . tendo as extremidades apoiadas sobre mancais e uma das extremidades.Cabeçote fixo É a parte mais importante do torno. 1.Carro transversal Situado sobre o carro longitudinal. através de um parafuso central que nos permite girá-la para direita ou esquerda. que recebe o movimento do fuso e da vara. que serve para prender as ferramentas e os suportes porta-ferramentas. alavancas e volantes.3. 1. O porta-ferramentas. Alguns tornos possuem no barramento uma abertura chamada “cava”. fixado ao barramento.3. Existe ainda. Sua peça principal chama-se “árvore” e é constituída por um eixo oco retificado em toda a sua extensão.3. que nos permitem regular a profundidade do corte. sendo para isto necessário a retirada do “calço da cava”. Esses comandos. através da cremalheira. O movimento do fuso é transmitido ao carro por meio de uma porca bipartida que é utilizada na operação de abrir rosca.3 . ao fuso e à vara. tem como finalidade principal. Na parte posterior do carro há o avental que serve para alojar as alavancas e volantes.5 . composto de engrenagens.6 . servem para executar os movimentos dos carros longitudinal e transversal.3.4 .Espera (luneta composta) Situada sobre o carro transversal recebe o suporte para ferramentas e tem na base um círculo graduado que nos dá o ângulo desejado para o torneamento cônico manual. a espera e o porta-ferramentas. transmitir movimento de rotação à peça.Na parte inferior do barramento existe a cremalheira para o movimento manual do carro longitudinal. manualmente.Carro longitudinal É uma das partes principais do torno que se desloca ao longo do barramento conduzindo o carro transversal. manual ou automaticamente. que serve para aumentar a capacidade do torno no torneamento de peças de grandes diâmetros. pode movimentar-se manual ou automaticamente no sentido transversal. no interior do avental. Na espera temos: O volante e o colar micrométrico. 1. geralmente. o mecanismo automático dos carros. 1. roscada onde é colocada a placa.

este movimento resulta da transformação de rotação de um fuso apoiado 9 . provido de uma porca que se desloca axialmente dentro do cabeçote. É composto de base. Esta ajustagem é realizada por meio de parafusos laterais entre a base e o corpo. que permite reduzir a velocidade do eixo do cabeçote (árvore) aumentando assim a sua potência. canhão ou mangote com volante e dispositivo de fixação (fig. 1. c) Canhão ou mangote É um tubo cilíndrico. Parafuso de fixação do barramento 6. permite o torneamento de peças de grandes comprimentos. 1. permite adaptação de pontos. em alguns casos.7 .Cabeçote móvel É um conjunto de peças que desliza sobre o barramento.A árvore. Corpo do cabeçote 2.8 a) Base É uma placa de ferro fundido que assenta nas guias do barramento. Alavanca de fixação do canhão Fig. mandris e pinças. 1. Geralmente no cabeçote fixo existe o mecanismo da dobra. 1. prender e conduzir ferramentas de corte como brocas. devido a sua forma oca. Volante 5. e por possuir a parte frontal cônica. Ponta 4. etc.3. destinado a apoiar peças. Parafuso de deslocação lateral do corpo 9. por meio de pontos e. principalmente quando entre pontos. corpo. Base 7. Sapata 8.8). O corpo desloca-se transversalmente sobre a base. que se encontra rigorosamente alinhado com a árvore do cabeçote fixo. Canhão 3. b) Corpo É um suporte de construção sólida para o alojamento de um cilindro. Ajusta-se sua posição em alinhamento com a árvore ou desalinha-se em caso de torneamento cônico. alargadores. hastes de ferramentas.

em tornos pesados.8 .3. de perfil trapezoidal ou quadrado.no mancal na extremidade e movido por meio de um volante. Há cabeçotes. etc. geralmente. montada no interior do carro. Tal uso permanente resultava em desgaste relativamente rápido da rosca do fuso e da porca bipartida prejudicando a precisão das roscas que eram abertas. 1.3. um rasgo de chaveta.12 .Grade Conhecida ainda pelos nomes de Viola e Lira.Fuso É um vergalhão cilíndrico.3.9 . também chamada de “Trem de Rodas”. a qual corresponde ao curso útil do carro longitudinal. o fuso deve ser utilizado exclusivamente para abrir roscas. É o segundo elemento para conduzir a rotação da caixa de mudanças rápidas para o carro.3.Indicador de quadrantes É um dispositivo que serve para facilitar o trabalho na abertura de roscas. Permite o desengate da porca bipartida ao terminar o corte. A rotação do fuso é transmitida a uma porca bipartida. fazendo com que a ferramenta coincida exatamente no interior do perfil da rosca.11 . d) Dispositivo de fixação É composto por um ou mais parafusos com sapatas que servem para a fixação em qualquer parte do barramento. buchas. Assim. voltando-se o carro manualmente ao ponto inicial e engatando-se novamente no momento preciso. todos os movimentos de avanços do carro realizavam-se pelo fuso. existe um cone interno para colocação de pontos. a qual se encontra no interior do carro. onde o próprio mangote é o fuso. enquanto o volante faz o papel de porca. permite a colocação de uma série de engrenagens. em um movimento longitudinal do carro sobre o barramento. Nos tornos antigos. 1.Avental Onde ficam localizados os acionamentos automáticos. provido de rosca em quase toda sua extensão. Esta chaveta serve para movimentar o carro durante o torneamento automático.Vara Substitui o fuso para a realização dos avanços necessários ao torneamento liso. sendo para isto. 10 . Esta rosca é. 1. Esta conicidade é de 3º. É constituída de um vergalhão cilíndrico liso que tem em quase todo o seu comprimento.3.10 . Na extremidade do canhão ou mangote. e serve para transformar o movimento rotativo do fuso. 1. 1.

permitindo que durante a usinagem de peças em série sejam padronizadas as suas dimensões. aperta-se a porca bipartida em qualquer linha numerada do indicador. Para fios de roscas incluindo quartos de fração (5 3/4. para os fios de roscas ímpar. 7 1/4. 1. que tem uma abertura central onde se adapta a obra. 1.3. para o engate dos vários fios de roscas. As pinças são apropriadas para obras de 1/16” a 3/4”. quadradas. 1.13 . A superfície externa é cônica e se adapta à bucha cônica do furo da árvore. A outra extremidade da pinça é roscada para permitir sua adaptação à barra de aperto que atravessa toda a árvore do torno.Pinças: Pinça é uma peça de aço temperado e retificada com precisão.necessário o uso correto dos números existentes no mostrador. aperta-se a porca bipartida em qualquer linha do indicador.) aperta-se a porca bipartida sempre no ponto em que iniciamos o corte.). Fios por polegadas par ímpar Engate o fuso em qualquer divisão em qualquer divisão numerada ímpar ou par com ½ filete na divisão inicial ou oposta à inicial com oitavos ou quartos Fig.15 .Esbarros São dispositivos que. em cada polegada. fixados em determinados pontos do barramento. existindo pinças especiais para diâmetros maiores. O indicador de quadrante não pode ser usado com engrenagens de transposição para roscas métricas (fig. Existem pinças para obras cilíndricas. Obs. Rasgos longitudinais permitem uma mobilidade das extremidades da pinça que se fecham sobre a obra para fixá-la. 11 1/2.Copiador para cones É um dispositivo anexado atrás do carro do torno com a finalidade de copiar e usinar cones com precisão. principalmente os de grandes comprimentos. aperta-se a porca bipartida em qualquer linha numerada impar do indicador.3. etc.9 1. procede-se do seguinte modo: para os fios de roscas par.9). limitam o curso do carro longitudinal.3. etc. 1. hexagonais e somente na divisão inicial 11 . Para fios de roscas incluindo metade de um fio.14 . (4 1/2. A barra de aperto é furada longitudinalmente para permitir a passagem de barras compridas que devem ser usadas com pinças. Para o uso correto do quadrante.

FIXAÇÃO DAS PLACAS DO TORNO E CENTRAGEM DE PEÇAS NOS DIVERSOS TIPOS DE PLACAS. 1.11). As pinças constituem o sistema de fixação de peças mais preciso e permitem rápida produção seriada.Trabalham com grampo arrastador (cavalinho).16 – Placas: São dispositivos fixados à árvore que servem para prender peças no torno.11 AS PLACAS PODEM SER: a) UNIVERSAIS . Fig. têm três castanhas que se movem em conjunto. d) DE PINO OU DE ARRASTO .procedem da mesma maneira que a placa universal e a com castanhas independentes.Fixação das placas 12 .3. I .São as mais comuns.octogonais. 1. 1. c) COMBINADAS .Podem trabalhar com peças irregulares. b) CASTANHAS INDEPEDENTES .

de modo a evitar demasiados esforços no momento de se colocar a placa. 1. 13 . dobra-se o mesmo. automaticamente. coloca-se um calço de madeira ou um vergalhão de aço entre as castanhas. II . é conveniente colocar uma tábua sobre as guias do barramento junto à árvore. principalmente quando for razoavelmente pesada.13) Fig. dá-se um puxão no sentido da rotação normal da placa. 1. o que se consegue das seguintes maneiras: a) Para colocar uma placa.13 NOTA: Quando se tratar de placa muito pesada. porque as três castanhas movem-se em conjunto. é necessário primeiramente saber colocá-las e retirá-las da árvore do torno. OBS: Este método é aplicado para qualquer tipo de placa.Antes do uso das placas. centralizando a peça com alguns milésimos da polegada ou milímetro de tolerância (fig. adaptável a tornos de árvore roscada. (fig. em seguida. deve-se inicialmente proceder a sua limpeza total e colocar um pouco de óleo lubrificante em sua rosca. igual procedimento deve ser feito com relação à rosca da parte da árvore do torno. A seguir.Centragem de peças nas placas a) Placa universal Peças cilíndricas e hexagonais podem ser centradas nas placas universais. b) Para retirar a placa da árvore do torno. o que fará desatarraxá-la da árvore do torno. 1. devem ser usadas duas pessoas para tal operação.12 Fig. com um movimento rápido. bem como quaisquer danos ao torno por uma eventual queda da placa. 1.14).12 e 1.

pára-se o torno. fig.14 OBS: Nestes tipos de placas não se consegue precisão máxima. usando broca de centro. a seguir colocamos outro ponto no cabeçote móvel que serve de contraponto ajustando a peça entre os pontos.16 c) Placa combinada Neste tipo de placa procede-se da mesma maneira que com a placa universal e a de castanhas independentes. b) Placa de castanhas independentes Os recortes concêntricos traçados na face da placa.18. a castanha que fica ao lado oposto à marca é apertada. 1. em primeiro lugar. coloca-se no furo oco da árvore do torno uma bucha de redução. A operação acima é repetida até que a peça fique centrada com precisão. d) Placa de pino ou de arrasto (Centragem entre pontos) É necessário.15) Para iniciar a centragem. 1. que se encaixa sobre pressão e que possui um furo cônico para receber o ponto.17 e 1. OBS: Todas as quatro castanhas precisam estar bem apertadas antes de a peça começar a ser trabalhada (usinada). que por sua vez recebe um grampo ou cavalinho que faz a adaptação da peça à placa. é dado movimento ao torno e. toca-se levemente na peça que se está girando (fig. permitem centralizar aproximadamente peças sem auxílio do graminho ou de outro dispositivo qualquer. sempre que possível. Em seguida. que sejam feitos centros nas extremidades da peça e. 1. 1. 14 . (fig.1. Para que a peça gire é necessário que no fuso da árvore do torno tenha uma placa de pino ou arrasto. Fig. Feito isto.16). com um pedaço de giz.15 Fig.1. fazendo com que aquela gire acompanhando a rotação da placa.Fig.

utilizando broca de centro. USANDO ARRASTADORES E LUNETAS 1) . I I I .CENTRAGEM DE PEÇAS ENTRE PONTOS. 3) . Nesse torneamento também pode ser usado uma luneta para maior firmeza da peça.19). ajustando-o à peça de maneira que fique girando. principalmente em sua extremidade (fig.Centragem de peças entre pontos São trabalhos feitos em hastes e vergalhões. para se evitar nova centragem. 15 . Quando a peça é comprida e delgada usamos a luneta móvel ou acompanhadora para evitar o flexionamento devido à pressão de corte. usamos a luneta fixa para apoiá-la.Quando a peça é comprida e não pode ser apoiada pelo contraponto.Centragem entre placa e ponto Quando a peça é longa para o torneamento apenas pela placa. II) Colocar um ponto no cabeçote móvel. Em casos especiais é necessário o uso simultâneo da luneta fixa e móvel. que são centrados e presos por um grampo ou cavalinho em uma placa de pino ou arrasto. 2) . e III) A peça somente deve ser retirada da placa depois de terminada. a) Fases de execução: I) Fazer furo de centro em uma das extremidades do material. utilizamos o ponto para apoiá-la.Centragem entre placa e luneta móvel É também empregada quando desejamos trabalhar com peças cilíndricas de grande comprimento. 1.

1.Grampos arrastadores (cavalinhos) São dispositivos usados para arrastar peças entre pontos (fig. utilize o contraponto para facilitar a centragem. use uma tira de couro para protegê-lo.Fig. de modo que o material se apóie o mais próximo do extremo a tornear. como também para torneamento externo e interno.19 a) Fases da execução: I) Fixe a luneta no barramento.21). a fim de obter bom apoio e centragem. 16 .17 .20/1. deslocando a ponta da luneta. 2) Se a peça possui furo de centro. 1.3. e 3) Lubrifique a superfície do material em contato com as pontas da luneta e. III) Apóie o material sobre as pontas da lunetas e coloque o outro extremo na placa. II) Limpe a base da luneta e o barramento. se possível. 1. ajustando levemente as castanhas. e IV) Centre o material. e verifique a centragem com graminho ou relógio comparador. NOTAS: 1) Esse processo é utilizado para abrir roscas em tubos de grandes comprimentos.

Pontos Servem para apoiar peças nas extremidades.Lunetas São acessórios que servem para apoiar peças de maiores comprimentos.3.CARACTERÍSTICAS DO TORNO MECÂNICO 1.4 .1. 1.21 Graminhos São instrumentos empregados para traçar linhas em superfícies horizontais e verticais. transportar alturas e centrar peças no torno (Fig. Fig. 17 .1.21 São acessórios usados para fixar peças nas placas lisas.3. 1.22) Fig.3.20 1. 1.22 1.19 . 1. permitindo um torneamento paralelo (fig.23 1.1 . principalmente no torneamento entre centros. 1.4. quando este está na extremidade do barramento.Fig.23).20 .1.18 .Cantoneiras Fig.Distância entre pontos É a distância máxima que o torno pode pegar de um ponto localizado na árvore ao contraponto do cabeçote móvel.3.

4. para se obter formas cilíndricas definitivas (eixos e buchas) como também preparar o material para outras operações (fig.OPERAÇÕES FUNDAMENTAIS NO TORNO 1.Diâmetro máximo a tornear É a capacidade que possui o torno de poder tornear uma peça em seu maior diâmetro. 18 .1 . a altura do “calço da cava”. O torneamento paralelo pode ser: 1) Torneamento paralelo externo É uma das operações mais executadas no torno mecânico.4.5. que é a altura do fundo da cava à face superior do barramento.3 . 1.2 . 1. ou seja.4 . 1. Fig.24). 1.5 .Altura do ponto É a distância da face superior do barramento ao centro do ponto.Comprimento do torno É compreendido pelo comprimento total do barramento. 1. Obs: Nos “tornos de cava”.Tornear É desbastar a superfície externa ou interna de um sólido.4.1.24 A maneira mais simples de ser executada é quando a peça está presa na placa universal ou na de castanhas independentes. o diâmetro da peça a tornear é aumentado da altura da “cava”. Esta operação é obtida pelo deslocamento da ferramenta paralelamente ao eixo de rotação da peça TORNEAMENTO PARALELO É a operação que consiste em dar forma cilíndrica a um material em rotação submetida à ação de uma ferramenta de corte.

29). deixando para fora das castanhas um comprimento maior que a parte a usinar (fig. 1. Fig.30). 1. 1. 1. para isso.27. Fig. 1. 19 . 1. usa-se o contraponto do cabeçote móvel como referência (fig. 1. III) Marcar o comprimento a ser torneado usando-se compasso. escala ou paquímetro (fig.27 Fig.a) Principais fases de execução: I) Prender e centrar a peça.25). aproximar a ponta da ferramenta até colocá-la em contato com a peça (fig. e 1.26 NOTA: A ponta da ferramenta deverá estar na altura do centro da peça. 1.28 Fig. 1.28.26) Fig.25 II) Prender a ferramenta verificando seu alinhamento e altura (fig.28).29 IV) Ligar o torno. 1.1.

c) Não trabalhar no torno usando camisas de mangas cumpridas. furos roscados. É executado no torneamento de buchas.30 V) Iniciar a operação. 1.Fig. A peça para tal operação. de engrenagens. furos e polias. deslocando-se esta paralelamente ao eixo da peça. 2) Torneamento paralelo interno Consiste em construir uma superfície cilíndrica interna pela ação da ferramenta. 20 . a) Principais fases de execução: I) Prender e centrar a peça. 1. principalmente relógio e pulseira e e) Nunca usar o calibre vernier com o torno em movimento.31). deixando a face da mesma afastada da placa para saída da ponta da ferramenta e dos cavacos (fig. Segurança do mecânico É a maneira pela qual o torneiro pode precaver-se de prováveis acidentes. geralmente é presa na placa universal ou na de castanhas independentes. d) Evitar o uso de jóias. Esta operação é conhecida também como BROQUEAR. b) Não deixar de usar óculos de proteção. etc. PRECAUÇÕES DE SEGURANÇA NA OPERAÇÃO COM O TORNO MECÂNICO: a) Evitar pôr a mão na placa com o torno em movimento.

OBS: Antes de iniciar o torneamento interno.32 III) Ligar o torno e iniciar a operação. (Fig. 1. e se possível 2 mm aproximadamente menor que o diâmetro nominal. a) Principais fases de execução: I) Prender a peça na placa. deixando para fora um comprimento igual ou menor que o diâmetro do material. Fig. 1.33 Faceamento: É a primeira operação a ser executada numa peça. Sua finalidade é preparar uma face de referência para marcar um comprimento e permitir a furação sem desvio da broca.2 .1. 21 . a peça deverá ser furada com broca. 1. 1.5.32). Esta operação é obtida pelo deslocamento da ferramenta perpendicularmente ao eixo de rotação da peça.33). 1.Fig.31 II) Prender e centrar a ferramenta com comprimento suficiente para broquear (fig.Facear É desbastar a superfície plana que constitui a base de um sólido. Fig.

37) Fig. 1. 1.5.36) Fig.4 . (Fig.34/1.5 . 22 . 1.Rosquear (Roscar) Fig.38).3 . 1.Sangrar (Cortar) É a operação que consiste em cortar (seccionar) uma peça no torno.1. 1.5.5.35) Fig. 1. que penetra no material perpendicularmente ao eixo do torno (fig.35 É a operação que consiste em abrir rosca (hélice profunda) em uma superfície externa ou interna de um cilindro ou de um cone. (Fig.Broquear É desbastar a superfície interna de um sólido de revolução utilizando ferramenta ou broca. com uma ferramenta especial chamada bedame.37 OPERAÇÃO DE SANGRAR NO TORNO MECÂNICO É uma operação que consiste em seccionar (cortar) uma determinada peça no torno mecânico com uma ferramenta especial denominada BEDAME.34 1.36 1. 1.1. (Fig.

1. partir-se A altura da ferramenta deve estar na altura do eixo do torno. O eixo da ferramenta deve ficar perpendicularmente ao eixo do torno (fig. b) Prender a ferramenta observando os seguintes cuidados: O comprimento da ferramenta (B) deve ser o suficiente para seccionar o material.38 1 . 23 .Fig. 1. ou até mesmo causar a ruptura da ferramenta.39). 1. Fig. com isto evitar que a peça flexione ou trepide.41 e 1. 1. mprimento porque se a mesma for muito comprida poderá partir se (fig. perpendicularmente Fig. 1.39 c) Marque o comprimento da peça.40 e) Ligue o torno e execute as seguintes operações: Avance a ferramenta até tocar no material.40).1.Fases de execução na operação de sangrar: a) Prender o material de modo que o canal por fazer fique o mais próximo possível da placa. d) Determine a rotação adequada.42). e nce Entre com a ferramenta cuidadosamente conservando sempre uma folga entre a peça e a ferramenta até que a peça se desprenda do material (fig.

1. 1.Perfilar É o torneamento de superfície de revolução num formato especial.7 . 1.6 .6 .Tornear cônico Operação obtida pelo deslocamento da ferramenta obliquamente ao eixo da peça.FERRAMENTAS DE CORTE DO TORNO MECÂNICO Ferramenta é tudo que serve para cortar o material no decorrer da usinagem. (fig. Exemplo: Abrir furos de lubrificação em buchas usando encostos.43 1.43) Fig. Fig. tornear usando mandril. (fig. reabrir furos com alargadores.5. 24 .41 Fig.42 1. abrir roscas com tarrachas. 1. 1. 1.44 Existem certos tipos de trabalhos feitos no torno que podem ser classificados como “especiais”.44).Fig.5. 1. uso da recartilha etc.

(fig.6. o termo ferramenta.FINALIDADES DAS FERRAMENTAS USADAS NO TORNO MECÂNICO As principais finalidades das ferramentas usadas no torno mecânico podem ser apresentadas da seguinte maneira: 1) Desbastar à esquerda 2) Desbastar para ambos os lados 3) Facear à direita 4) Sangrar e cortar 5) Facear à esquerda 6) Desbastar à esquerda 7) Alisar para ambos os lados 8) Desbastes de acabamento 9) Sangrar 10) Cortar com acabamento à direita Fig. significa ferramenta de corte com que se ataca o material. (fig. 1.Ferramentas para tornear externamente. sem outras quaisquer indicações.46 25 .Ferramentas para tornear internamente.46) Fig. 1.47) Fig. 1. que em tornearia.Entende-se.7.45 1.7 .1 . 1. portanto.46 1. 1. 1.2 .PRINCIPAIS GRUPOS DE FERRAMENTAS E TIPOS DE SUPORTES As ferramentas de corte do torno mecânico podem ser classificadas em quatro (4) grupos: 1.1 .7.

saber quais os valores dos ângulos que devem ser dados às suas ferramentas. 1. por isso se torna indispensável que o torneiro aprenda como construir sua própria ferramenta. Finda estas operações a ferramenta estará pronta para ser afiada no esmeril. Saber construir uma ferramenta de corte é da máxima importância para o torneiro. dando o formato adequado ao serviço de torno. elas são forjadas ou puxadas.Ferramentas para roscar Fig. mas nas pequenas oficinas. 1.7. revenidas e afiadas pelo próprio torneiro. Entretanto as mais comuns devem ser construídas pelo próprio torneiro.4 .3 .1.CONSTRUÇÃO E AFIAÇÃO DAS FERRAMENTAS DE CORTE Existe uma variedade de ferramentas usadas pelo torneiro. não será possível. 1. Esta construção é realizada na seção de ferraria. muitas delas são encontradas no comércio prontas para serem afiadas. principalmente os bites. temperar e revenir. Nas oficinas modernas a construção das ferramentas de corte é feita por operários especiais. se as ferramentas empregadas não tiverem forma e ângulo apropriados. Esta construção envolve uma série de tarefas.50 1.Ferramentas de forma (Perfis especiais) Fig. variar. 26 . conseguir-se um bom resultado. como: selecionar o material. Mesmo sendo o torno bem projetado e ajustado. temperadas.7. Cada operação exige um tipo diferente de ferramenta.48 Externamente Fig. devendo ele. a fim de não distrair o torneiro dos trabalhos. por isso.49 Internamente 1. limadas. viradas. que é o nosso caso.8 .

Quanto ao material de que são feitas. etc.52) Fig.TIPOS DE SUPORTES: Suportes são dispositivos que permitem fixar rigidamente pequenas barras de seção e perfil constantes (Bites) ou ainda barras de metais duros.Para trabalhos comuns (Porta bits) para tornear. o carbuloy. facear e roscar externamente (fig. As ferramentas especiais são as de unha que têm somente a parte de corte em aço ou liga especial. Fig. previamente preparadas e afiadas. sendo o corpo de aço carbono ou de aço comum. a fim de serem adaptadas aos tornos para a execução de diferentes trabalhos.9. 1.9 .1 . o carbureto de tungstênio. A grande dificuldade que têm o forjado e a têmpera de alguns tipos de ferramentas é a necessidade de aproveitar melhor o material sempre caro das mesmas. 1. Os materiais mais comuns das unhas das ferramentas de corte do torno mecânico são a vídia. o que tem aberto o caminho a diversos tipos de suporte para ferramentas.51 1.52 27 . 1. a stelite. Os tipos principais são: 1. as ferramentas classificam-se em comuns e especiais: As ferramentas comuns são feitas de aço carbono ou de aço rápido e podem ser construídas pelo próprio torneiro ou adquiridas prontas como é o caso dos “Bits” comuns.

Fig.9.9. 1. 1.Suporte elástico ou de mola.53 Os suportes podem ser: 1.9.54 1. 1 28 .1.4 .Para cortar (Sangrar) Este tipo.9.2 .55 1. Fig. que substitui com vantagem a ferramenta de mola.3 .Suporte para recartilhar. em vez de bites.5 . 1. fixa lâmina de bedame e por isso tem o nome de portabedame.Para broquear e/ ou abrir rosca interna Fig. Fig.

contudo.2 .É necessário a ferramenta ter forma adequada para facilitar a penetração.Fig. .10.O material da ferramenta precisa ser mais duro que o atacado. A única forma geométrica que satisfaz a esta condição é a cunha. Localizando a cunha dentro deste quadrante.1 . porém menor é a sua própria resistência.CARACTERÍSTICAS E UTILIDADES DAS FERRAMENTAS DE CORTE 1.Perfil As ferramentas possuem uma variedade de perfis. variam de acordo com a necessidade do trabalho. convexo. podemos falar em ferramenta de perfil quadrado.A cunha de uma ferramenta pode assumir várias posições em relação à superfície da peça.10. 1. Assim sendo. maior sua capacidade de penetração no material.Quanto mais fina. .56 1.57 1. côncavo. formado pelo eixo da peça (Plano Horizontal) e pela tangente ao ponto de ataque (Plano Vertical). 1. triangular. Fig.Ângulos As ferramentas para penetrarem no material a ser atacado necessitam satisfazer duas condições: . sem. etc.10 . redondo. a ferramenta atua geralmente no espaço de um ângulo reto. Na tornearia. se partir sob a resistência do material atacado. a saber: 29 . trapezoidal. e . formam-se mais quatro (4) ângulos característicos para a ferramenta.

58). o que pode alterar suas propriedades. (ver “x” da fig. 1.1. 1.58 Fig. erros de medidas. deformação.58). por se formar entre duas superfícies da ferramenta.59 1.59) Fig.35 e 1. d) Ângulo de Corte É o ângulo formado pela soma dos dois ângulos.a) Ângulo de incidência ou folga frontal: É o ângulo formado entre a parte frontal da ferramenta e o plano de tangência com a peça. 1.11 . (ver “y” da fig. (ver z da fig. ou seja. como também a resistência e a dureza do material da peça. 1. b) Ângulo de saída É o ângulo formado entre a face superior da cunha e o plano horizontal da ferramenta. o qual resulta da ruptura do material pela ação da ferramenta e do atrito constante entre os cavacos arrancados e a superfície da mesma. (ver “z” da fig. 30 . O calor assim produzido apresenta dois inconvenientes: Aumenta a temperatura da peça provocando dilatação.FLUIDOS DE CORTE E PROCESSOS DE RESFRIAMENTO EMPREGADOS NA TORNEARIA A usinagem de qualquer metal produz sempre calor.36) mais o da cunha. Dele depende não só a capacidade de penetração. c) Ângulo de cunha ou folga lateral É o único ângulo do gume da ferramenta que se pode medir diretamente. Aumenta a temperatura da parte temperada da ferramenta. 1. etc. o frontal (ver “x” das figuras 1.59).

líquido e sólido. c) Fluidos refrigerantes-lubrificantes Estes fluidos são. 1.2 . a) Processo a seco Refrigerante: ar Materiais refrigerantes a seco: ferro fundido. ao mesmo tempo. de aspecto leitoso. nas máquinas-ferramenta.11. 31 . celeron. O fluido mais utilizado é uma mistura. Em vista da alta temperatura nestas áreas.11. o óleo forma uma película entre a ferramenta e o material.Processos de resfriamento Os processos de resfriamento classificam-se em: a seco.1. b) Fluidos lubrificantes Os mais empregados são os óleos. estanho. enxofre. O uso dos fluidos de corte na usinagem dos metais concorre para maior produção. impedindo quase totalmente o contato direto entre os mesmos. por causa da oxidação das peças. bronze. quando se deseja dar passes pesados e profundos nos quais a ação da ferramenta contra a peça produz calor. geralmente. as partículas de metal podem soldar-se à peça ou à ferramenta. Não é recomendável o uso de água como refrigerante. em vista de conterem grande proporção de água. melhor acabamento e maior conservação da ferramenta e da máquina. por motivo da deformação e do atrito da apara (cavaco) sobre a ferramenta. lubrificantes e refrigerantes. de preferência. cloro ou outros produtos químicos.Fluidos de Corte Os fluidos de corte geralmente empregados são: a) Fluidos refrigerantes Usam-se de preferência: I) Ar insuflado ou ar comprimido. etc. Para evitar isto se adicionam ao fluido. de metal com metal. contendo água (como refrigerante) e 5 a 10% de óleo solúvel (como lubrificante). São aplicados. II) Função anti-soldante Algum contato. São usados. sempre existe em áreas reduzidas. mais usados nas afiações de ferramentas nos esmeris. prejudicando o seu corte. em trabalhos leves. I) Função lubrificante: Durante o corte. latão. II) Água pura ou misturada com sabão comum.1 . mais usados nos trabalhos de rebolos. agindo. porém muito mais como refrigerante.

1. aumentando a vida útil da mesma. Óleo vegetal para cobre. Se você trabalha com uma grande velocidade de corte e profundidade de corte pequena (penetração da ferramenta). então tanto a ferramenta como a peça devem ser resfriadas.11. c) Processo sólido Refrigerante: sebo de vela. conseqüentemente.b) Processo líquido Refrigerante: Solução de água saponificada ou uma mistura de 5 a 10% de óleo solúvel com água. Se o caso é contrário (baixa velocidade de corte e grande penetração da ferramenta).Evitar o superaquecimento da ferramenta e perda de tempo ao parar a máquina.3 . . querosene ou aguarrás para o alumínio.Permitir maiores velocidades de corte. pois facilita a saída da fita do cavaco e deixa a superfície da peça mais lisa. 1. Material: ferro e aço. . . a ação do refrigerante nesse caso será mais no sentido de resfriar ou diminuir o calor na ponta da ferramenta.Objetivos do resfriamento . o fluido de corte deverá ter sua ação mais no sentido de lubrificação. Observe a fita de cavaco tirada pela ferramenta. Se a fita do cavaco sai quebradiça.Evitar que o calor concorra para dar falsas indicações na precisão das medidas das peças.Proporcionar melhores acabamentos nas superfícies das peças. maiores avanços e profundidades de corte. 32 .11. Se essa fita sai continuamente (pouco rompimento) é porque se trata de um material tenaz e a ação do lubrificante na ponta da ferramenta é importante. Materiais: Chumbo e Ebonite.Instruções para o uso de refrigerantes e lubrificantes na usinagem das peças.4. para afiá-la ou temperá-la novamente.

quando se vai executar qualquer trabalho num torno pela primeira vez.CAPÍTULO 2 TRABALHOS SIMPLES DO TORNEIRO 2. c) Folga dos mancais Logo que o torno esteja nivelado e alinhado. ajustagem e lubrificação.Exame A fim de evitar avarias quando colocamos o torno em movimento. mede-se o vergalhão de aço com o micrômetro.1 . Depois de nivelar cuidadosamente o torno. com a ajuda do colar micrométrico dá-se passes iguais nos dois colares e. é sempre necessário fazer uma cuidadosa verificação.PREPARAÇÃO DO TORNO Constitui-se a preparação do torno em: exame. caso contrário acarretará mau funcionamento da máquina. Depois de centrado entre pontos. em seguida. o que causará entre outros. o que é comumente realizado com nível de bolha. deverão ser torneados dois colares de iguais diâmetros. ajusta-se o cabeçote móvel através do parafuso existente na sua base. verificando se está em perfeitas condições de uso. problemas de trepidação. porque o seu peso e o das peças a tornear concorrem para arriar o torno deste lado. pois os seus bronzes deverão estar justos e sem folgas. deve-se examiná-lo cuidadosamente.1. excentricidade da peça. distante entre si de três a quatro polegadas. etc. a) Nivelamento do torno O primeiro exame a ser processado no torno mecânico é a verificação do nivelamento. Deve-se iniciar a verificação pelo lado do cabeçote fixo. repetindo-se a operação até que os diâmetros dos colares coincidam na mesma medida. 33 . 2.1 . coloca-se na placa um vergalhão de aço de diâmetro igual ou maior que uma polegada. verificam-se os mancais. Caso as medidas sejam diferentes significa que o torno encontra-se desalinhado. aquecimento excessivo. A seguir. Para corrigir esta deficiência. deve-se verificar também o seguinte: Se o cabeçote móvel se movimenta sem folga ao longo do barramento. Além do exame das peças principais do torno. b) Alinhamento. e ajustá-lo se for preciso. pois das perfeitas condições da máquina dependerá a qualidade da obra a ser executada.

Em seguida é levada de encontro à superfície rotativa do rebolo e com movimentos de acordo com o perfil que se deseja obter (fig.Ajustagem É o trabalho feito para eliminar as folgas existentes em um torno. a seguir. 2. A ferramenta é segura por ambas as mãos ou por um suporte para ferramentas. e.1). A afiação das ferramentas de corte são processadas de duas maneiras: 2. Estas ajustagens devem ser feitas por profissionais competentes.Se o carro e a espera se deslocam também sem folgas. usando sempre óleo adequado e tendo cuidado para não colocar óleo em excesso. as operações de preparo da ferramenta. O ataque ao material da ferramenta realiza-se com rebolos abrasivos.1. 34 . O estado do gume é fator importante destas condições. uma só por dia. a) Diária Devemos lubrificar o torno duas (2) vezes por dia nas primeiras semanas de uso.2 . por isso. amolar ou afiar fazem parte do ofício de torneiro. 2.3 – AFIAÇÃO DE FERRAMENTAS DE CORTE DO TORNO MECÂNICO A qualidade e a quantidade do trabalho dependem essencialmente das condições de ataque das ferramentas.3 .3. principalmente quando ele é novo. A lubrificação pode ser diária ou periódica.Manual Consiste em prepararmos a ferramenta manualmente num esmeril.1. Não devemos deixar que se acumulem limalhas no barramento e no motor para evitar aquecimento excessivo deste e desgastes nos rolamentos. 2.Lubrificação É a maneira pela qual conservamos o torno em perfeitas condições de trabalho. 2. b) Periódica Devemos lubrificar todos os mancais de um torno.1 . e Verificação dos órgãos de transmissão de movimentos.

A finalidade é melhorar a qualidade de corte e concorrer para maior conservação do gume (fig. V) Dar pressão atenuada à ferramenta contra o rebolo.3. se não afetar a têmpera da ferramenta. 2. poderá concorrer. II) Colocar a espera ou apoio perto da superfície do rebolo para evitar que a ferramenta se prenda e com isso cause sérios acidentes. A técnica de afiar manualmente é pessoal e seu sucesso depende da habilidade do operador.5) 35 .2 NOTA: Os ângulos do gume das ferramentas de corte são verificados com calibre para ponta de ferramentas ou escantilhão. exige cuidado e atenção. por exemplo. 2.Automática É aquela realizada em máquinas especiais denominada retíficas.1 Para afiar uma ferramenta partindo-se de um bits. apoia-se o bits sobre o dedo médio da mão esquerda e faz-se leve pressão com o indicador da mão direita. O rápido aquecimento (caracterizado pela mudança de cor na área em contato com o rebolo) produz ainda dilatações superficiais das quais resultam fendas no aço da ferramenta. a) Precauções de segurança na operação de afiar ferramentas I) Usar óculos de proteção ou outro dispositivo protetor de vista.Fig 2. Fig. 2.2). entretanto. VI) Utilizar pedras de afiar com granulação adequada e untadas de óleo para remover as rebarbas produzidas pelo rebolo.2 . IV) Evitar que a ferramenta se aqueça demasiadamente durante a esmerilhação. 2. Grande pressão causa rápido aquecimento. Esta operação depende de paciência. Empregar rebolos limpos e retificados. III) Não trabalhar com o rebolo solto ou frouxo.3. transferidor e verificador (fig.4 e 2. para diminuir a duração de corte. 2.

automaticamente faz avanço da broca contra a face do rebolo e conseqüentemente o deslocamento da ferramenta segundo uma geração cônica (fig. 2. 36 . 2.5 2. produz um acabamento e um ajustamento à forma da broca muito mais perfeito do que o processo manual.6 b) Mecanicamente Este processo é o mais preciso. 2. 2. apoiando-se na mesa (encosto) do esmeril e movimentando-se o cabo com a ponta junto do rebolo (fig.6).Afiação de broca helicoidal A afiação de brocas helicoidais é processada de duas (2) maneiras: a) Manualmente É conseguido segurando-se a broca firmemente com as duas mãos.3 .Fig. automática ou semi . 2.3 Fig. Fig.7). Nesse processo usa-se um dispositivo que posiciona a broca segundo os ângulos desejados e. 2.3.4 Fig.

8) Fig. 2.9) 37 . 2. é necessário que na sua preparação sejam observadas as indicações técnicas em função do material da obra. uma para cada dorso. Durante a afiação deve-se dar à broca um movimento tal que o rebolo corte o dorso da ponta. O preparador (afiador) de ferramentas deverá ter especial cuidado com as seguintes características da ferramenta: I) O esmerilhamento do fundo dos sulcos junto a crista da broca (fig. 2. 2. devem possuir igual inclinação relativamente ao eixo da broca (fig.Fig. segundo a forma cônica da sua superfície. Para se obter um bom desempenho das brocas durante a furação.8 II) Os gumes principais que formam o ângulo da ponta.7 A afiação da broca deverá ser efetuada em duas etapas.

Esse número de voltas deverá ser calculado dividindo-se a distância percorrida pela circunferência da roda. sendo o diâmetro das rodas grandes igual a 1 metro e o das rodas pequenas.Fig.10 2.VELOCIDADE LINEAR DE CORTE Para definirmos “Velocidade linear de corte”. 2. 2.9 III) As arestas de corte ou gumes principais com o mesmo comprimento (fig. Sendo o diâmetro da roda representado pelo diâmetro da obra. pelo número de metros ou pés por minuto que a ferramenta tem a cortar. vamos tomar como base um carro de corrida que possui duas rodas grandes e duas pequenas. a velocidade de corte obedece ao mesmo princípio da velocidade linear. 2. 1 1 x 3. o número de voltas para cada tipo de roda será a distância percorrida dividida pela circunferência retificada da roda 3141 3141 = 1.4 . para atingir tal velocidade a roda menor deu o dobro de voltas da maior.1416 x 3.11). ½ metro.000 voltas para a pequena. ambas as rodas terão coberto a mesma distância.000 para a grande e = 2. Se por exemplo a distância percorrida pelo carro for de 3141 metros.1416 2 No final do percurso foi observado que ambas as rodas desenvolveram a mesma velocidade linear. porém. em um tempo determinado (fig. 38 . mas é óbvio que para fazê-lo a pequena deverá ter dado muito mais voltas que a grande. No final do percurso. Daí se conclui que a velocidade de corte é o espaço percorrido por uma ferramenta para cortar certo material. Na tornearia. 2.10) Fig. e o espaço percorrido.

tanto maior será a velocidade de corte. o resfriamento. ou PÉS/min. são elementos primordiais na determinação da velocidade de corte.1 . quanto maior o passe. π. tanto menor será a velocidade de corte. a afiação da ferramenta.4.Unidade de medida A unidade de medida utilizada para determinarmos a velocidade de corte é expressa em METROS/min. RPM 1000 VC = Velocidade de corte D = Diâmetro do material a usinar π = Constante (3.4.1416) RPM = Rotação por minuto 2. 2. b) Quanto mais resistente e dura for a ferramenta. 39 .Fatores dos quais depende a velocidade de corte a) Quanto mais resistente for o material a usinar.4. a habilidade do operador etc.2 . 2. isto é.3 .Fórmula VC = D.Fig. tanto menor será a velocidade de corte. c) Quanto mais pesado o desbaste.11 2. NOTA: A capacidade da máquina.

graduar a penetração da ferramenta na operação de roscar. π) a ser torneada. pela circunferência retificada da peça (D . 2. que pode ser em MILÍMETRO ou POLEGADA (fig. VC Dxπ 2. por 100 se for medido em centímetros e assim por diante.13 40 . que é o valor de um pé em polegadas. Entretanto. 2.000 se o diâmetro for medido em milímetros. multiplica-se VC por 12. 2. b) Sendo o problema dado pelo sistema inglês.12 Na periferia do colar há graduação com valores que variam de acordo com o passo do fuso.As rotações por minuto da máquina (RPM) nos é dada dividindo-se a velocidade de corte (VC) indicada na tabela.COLAR MICROMÉTRICO É um anel ou dial graduado existente no carro transversal e na espera com a finalidade de determinar e controlar a profundidade de corte (fig. multiplica-se a velocidade de corte (VC) por 1. 2. B Fig. quando o problema for dado pelo sistema métrico. principalmente.5 . Fig.13). Assim temos a fórmula RPM = OBSERVAÇÕES: a) Para encontrar a RPM. para marcar um ponto de referência no caso da ferramenta ter sido deslocada durante determinada operação e. pode ser usado. ou seja em polegada.12).

5. 2.5.5. na maioria das vezes utilizamos o colar micro . para êxito da operação faz-se necessário que o colar esteja aferido e sem nenhuma folga no seu conjunto (porca e parafuso).métrico. Fórmula: Pr = D-d 2 Pr = penetração radial da ferramenta D = diâmetro do material antes do passe d = diâmetro do material depois do passe Exemplo: Quantos traços devemos deslocar no colar micrométrico para facear uma determinada peça de 200mm de material bruto para deixá-la com 190mm de 41 .4. b) O passo do parafuso do comando do carro transversal ou espera.Nos trabalhos realizados no torno mecânico.Formulário O passo do fuso é representado pela letra “P”. 2.e Pa = penetração axial da ferramenta E = espessura ou comprimento do material antes do passe e = espessura ou comprimento do material depois do passe II) Radial É quando o material é usinado em relação ao diâmetro.1 . Fórmula: Pa = E . N N V 2.A penetração da ferramenta no material a usinar pode ser: I) Axial É quando o material é usinado em relação a espessura ou comprimento.Penetração da ferramenta utilizando o colar micrométrico O operador (torneiro) tem que calcular quantas divisões deve avançar no colar micrométrico para fazer penetrar a ferramenta ou deslocar a peça na medida desejada. Para encontrar o valor de cada divisão (V) divide-se o passo (P) pelo número de divisões (N) V= P P donde se conclui que N = e que P = V. o número de divisões existente no colar “N” e o valor de cada divisão do colar “V”. Para isso terá que conhecer: a) A penetração da ferramenta. e c) O número de divisões do colar micrométrico. Porém.3 .

pontas de eixo da lanchas. Os mesmos permitem um tipo de ajustagem cuja característica especial é de poder proporcionar enérgico aperto entre peças que devem ser montadas com certa freqüência. nas fixações de ferramentas rotativas.02 2. sabendo-se que o colar possui 200 divisões e o passo do parafuso da espera. O desbaste grosso e o alisamento realizam-se sob as mesmas condições e com as mesmas ferramentas que se empregam no torneamento cilíndrico.190mm = 10mm c) Cálculo do número de traços a deslocar no colar Pa 10 NT = = = 500 VD 0.02mm N 200 b) Cálculo da penetração axial da ferramenta Pa = E . punhos de pontos usados em tornos.comprimento. confecções de machos.6.e = 200mm . em conjuntos desmontáveis como engrenagens montadas em eixos dos quais seja indispensável rigorosa concentricidade. No torneamento cônico a ferramenta se desloca obliquamente ao eixo da peça.Finalidade e emprego As peças cônicas desempenham funções de grande importância nos conjuntos ou dispositivos mecânicos.TORNEAMENTO CÔNICO O torneamento cônico externo e interno difere do torneamento paralelo apenas pela posição da peça ou direção do curso da ferramenta. é importante que a ferramenta esteja colocada rigorosamente na altura da linha de eixo para não alterar a forma do cone torneado. 2.2 . No entanto.1 .6 .Características fundamentais dos cones e troncos de cones Os elementos característicos do torneamento cônico resumem-se em três (3) pontos: 42 . Os cones são utilizados principalmente.6. 4mm? Dados: E = 200 e = 190 N = 200 P=4 a) Cálculo do valor de cada divisão do colar P 4 VD = = = 0. 2. como por exemplo: punhos de brocas.

3 .14 2. e c) Processos de medição e fabricação de cones. A inclinação é igual à metade da conicidade.Métodos de torneamentos cônicos a) Inclinação da espera Este é o método mais prático e usado. 2. Através dele. NOTA: Para executar os cálculos necessários à execução do torneamento cônico é preciso.18-A b) Desvio do cabeçote móvel 43 . três (3) indicações no desenho (fig. 2. Este método só permite trabalhar com avanço manual.a) Cálculos referentes a conicidade ou dimensões do cone. pelo menos.14).6. 2. torneiam-se normalmente os cones curtos internos e externos com bastante inclinação.3º× D−d 2H tg â = D−d 2H Fig. â = 57. D Diâmetro maior d Diâmetro menor H Altura Fig. b) Processo de preparo do torno. onde aplicamos as seguintes fórmulas para cálculo da tg â e â.

III) Os troncos de cones terão que ser de pouca inclinação ou pouca conicidade.(fig. Permite trabalhar com avanços automáticos e manuais.18-B Este método se processa desviando o cabeçote móvel. II) Só poder-se -á fazer troncos de cones externos. (fig. Fig. OBSERVAÇÃO: Não é possível usar este método para construção de troncos de cones de muita conicidade. roscas e peças em série. Permite trabalhar com avanços automáticos e manuais. III) Os troncos de cones terão que ser de pouca inclinação ou pouca conicidade. onde D = diâmetro maior 2 d = diâmetro menor  c) Copiador para cones Este método é utilizado para confecção de cones e troncos de cones precisos. pois o deslocamento lateral é limitado.18-B). Neste tipo de torneamento são necessárias as seguintes condições: I) A peça deverá ser trabalhada entre pontos. externos e internos. 2. Fórmula prática: e = excentricidade D−d  e= .Através deste método são construídos troncos de cones longos e de pequena inclinação.2.18-C) OBSERVAÇÃO: Este método constrói cones e troncos de cones precisos. Neste tipo de torneamento são necessárias as seguintes condições: I) A peça deverá ser trabalhada entre pontos. . II) Só poder-se -á fazer troncos de cones externos. 2. elimina a necessidade de ajustar o contraponto e não interfere no uso do torno para o torneamento paralelo. Este método se processa desviando o cabeçote móvel.

Fases de execução para o torneamento cônico externo a) Torneia-se o cilindro. o que se consegue desapertando o parafuso que prende a porca do fuso do carro transversal. O movimento dado a espera deve ser contínuo.Fases de execução para o torneamento cônico interno . girando a manivela da espera. levando em consideração o seu comprimento. considerando o diâmetro maior do cone. e H. b) Fixa-se a espera no ângulo de inclinação desejado do seguinte modo: c) Solta-se os parafusos de fixação da base giratória. 2. com passes pequenos. f) Consultar a tabela de velocidade de corte e determinar a RPM.4 . observando a graduação angular. em pés. d) Gira-se a espera no ângulo desejado. II) TELESCÓPICO – Difere do simples por possuir o parafuso telescópico transversal. Fig. em polegadas. g) Inicia-se o torneamento pelo extremo “B” da peça. e) Apertam-se os parafusos de fixação da espera. que elimina a necessidade de desligar o avanço transversal. o que possibilitará um melhor acabamento da peça. até deixá-lo no diâmetro maior. temos: I= (D − d )×12 H I = inclinação D = diâmetro maior d = diâmetro menor H = altura Os copiadores para cones podem ser simples ou telescópicos. I) SIMPLES – Quando precisamos usá-lo é necessário desligar o avanço transversal.6.17 2.Fórmula prática: I= D−d H Quando D e d.6.5 . 2.

Exemplos III) Calcular um cone a ser construído pelo método da inclinação da espera com as dimensões abaixo: D = 43 mm d = 27 mm H = 65 mm IV) Qual o valor da inclinação a ser dada na espera para construir um tronco de cone pela fórmula prática com os dados abaixo? 7" 8 3" d= 4 H = 1" D= . sem a necessidade de consultar a tabela trigonométrica. levando em consideração o comprimento do cone. deixando o furo no diâmetro menor do cone. no final da operação volta a ferramenta (A para B) sem dar profundidade. esse será o valor da inclinação a ser dada na espera. c) Inicia-se a operação pelo extremo “B”. D−d 2× H Fórmula Prática â = 57. veremos que o valor encontrado nos cálculos acima (0.3º× Através desta fórmula pode-se construir cones e troncos de cones de até 10º de inclinação. d) Fórmula utilizada para o torneamento cônico pela inclinação da espera. tan â = D−d 2×H Exemplos: I) Um tronco de cone tem 25 cm de altura.0454) corresponderá a 2 graus e 40 minutos (2º 40’). d = 23mm e H = 55mm? Consultando a TABELA TRIGONOMÉTRICA. tendo como base a coluna da tangente. o diâmetro maior 70mm e o diâmetro menor 50mm. b) Fixa-se a espera no ângulo de inclinação desejado. Qual será a inclinação? II) Qual a tangente de inclinação para confeccionarmos um cônico com as seguintes dimensões: D = 28mm. tal procedimento melhora o acabamento do cone.a) Torneia-se o cilindro internamente.

2. 2.21).OPERAÇÃO DE ABRIR CANALETES (ESTRIAS) EM SUPERFÍCIES CILÍNDRICAS Esta operação tem como finalidade produzir sulcos paralelos ou cruzados em determinadas peças.7.Finalidade da recartilha Preparar uma superfície rugosa que possibilite segurá-la com firmeza. Fig.18 Os tipos de roletes ou roldanas mais utilizadas nas recartilhas são os de passos paralelos e cruzados (fig.2. 2.21 2. Eis uma pequena tabela para servir de parâmetro para tal operação.7 . 2. tais como: botão de micrômetro. manípulos.2 . . 2. para se dar uma boa aparência ao recartilhado.7. etc.19 e 2.19 Fig. 2. Fig.1 .20). 2. (fig.Tabela para recartilhar É preciso levar em conta o material e as dimensões das peças. com uma ferramenta denominada RECARTILHA. Fig.2.20 As roldanas ou roletes são classificadas de acordo com o passo dos canaletes desejado na peça (fig.18).

e d) Ligar o torno e iniciar a operação. .6 0.8 1 1. entre pontos. se possível.5 ou 0.8 1 0.6 0. 2.6 0.Observações: a) Usar querosene para remover todas as partículas do material proveniente do corte. 2.8 .6 0.7.8 1 1. b) Após o corte.7.5 0.5 ou 0.6 0.8 0.2 0.b) Deve ser levada em consideração a dureza do material.8 0.8 1 1.6 DIÂMETRO DA PEÇA Até 8mm 8 a 16mm De 16mm a 32mm De 32mm a 64mm (Qualquer material) 0. Alumínio Fibra 0. 2.2 P(mm) Aço 0.8 0.3 Fases de execução: a) Tornear a peça deixando-a com o diâmetro ligeiramente menor que a medida final.MEDIDAS DE PEÇAS (mm) RECARTILHADO SIMPLES P (mm) RECARTILHADO CRUZADO P(mm) Latão.4 .6 0.2 1.22).8 1 De 64mm a 100mm 0. a fim de evitar o perigo de soltar-se da placa e com isso a sua danificação e perda. 2.8 1 1.6 0.OPERAÇÃO DE FURAR NO TORNO MECÂNICO Furar no torno mecânico é uma operação realizada com broca helicoidal no início da usinagem tanto nas partes internas ou externas de peças em geral (fig. que poderá não ser apropriado para recartilhagem.5 0.Precauções de segurança a) A peça deve estar bem fixada e.3 .5 0. c) Consultar a tabela e determinar o avanço e a rotação (RPM) a ser empregado. afaste a recartilha e limpe as aparas que ainda ficaram untadas aos canaletes.8 1 0. b) Prender a recartilha e centrá-la de modo que fique perpendicular à linha de eixo da peça.8 0.

basta introduzi-lo diretamente ao mangote. neste caso a de punho cilíndrico. 2.Usando a broca presa no suporte para ferramentas de broquear Coloca-se a broca no suporte. 2. a) Preparação do torno mecânico para furação: I) Determinar a rotação através da tabela. se for preciso usar bucha de redução.24).2 .8.Usando a broca presa na placa Centra-se a broca na placa caso possua punho cilíndrico ou diretamente no furo da árvore se for de punho cônico. Fig.22 Esta operação pode ser realizada de três maneiras: 2. 2. NOTA: Esta operação só é admitida caso não exista mandril que calce a broca. etc. OBSERVAÇÃO: Se a broca possuir o punho cônico. .1 . em seguida encosta-se um contraponto na extremidade da mesma com o objetivo de centrá-la em relação ao furo de centro da peça.24 2. 2. Este processo é o mais utilizado.23 Fig.3 . Para tal centragem faz-se necessário a utilização de calços.Usando a broca presa no cabeçote móvel Coloca-se o mandril para brocas (bucha universal) no cone do mangote e em seguida prenda a broca pelo punho. II) Limpar e lubrificar as guias do barramento.8. 2. prende-se a peça a ser furada no contraponto do cabeçote móvel através do encosto ou no próprio carro transversal ou da espera (fig.8.23 e 2.Fig. em seguida.

Tais como polias. Fig.III) Aproximar o cabeçote móvel de modo que a ponta da broca fique mais ou menos 10mm da peça a ser furada (fig.27) Fig.OPERAÇÃO DE TORNEAMENTO COM A UTILIZAÇÃO DE MANDRIS 2. temperados e retificados sob medidas certas. Os mandris são.10 .26e 2. geralmente.2mm aproximadamente (fig.10. 2. a peça fique solidamente presa. a ligeira conicidade faz com que.26 Fig. IV) Fixar o cabeçote móvel e ligar o torno mecânico V) iniciar a operação. habitualmente são usados. 2. 2. Para satisfazer aos diversos tamanhos de furos. uma diferença de 0.27 Introduzindo-se o mandril sob pressão no furo.Mandril O emprego do mandril no torno mecânico tem por finalidade obter o torneamento externo de peças concêntricas em relação ao furo central já existente.26). pode começar com 3/8 “e acabar com 1 ¼”. Geralmente uma série normal vai de 10 até 25 ou 32 milímetros. 2. Classificação dos Mandris: a) Cilíndrico É o mais empregado. o corpo principal entretanto não é completamente cilíndrico.28) . escalonamento igual a 1/32”.25 2. 2. apresentando de uma extremidade para outra. sem precisar de outro processo de fixação. atendendo aos diâmetros que. escalonados de meio milímetro. No sistema da polegada. engrenagens. 2. b) Expansão Com a finalidade de reduzir o número de mandris necessários e melhor atender a diversidade de tamanhos dos furos foi construído o tipo de mandril ajustável ou de expansão (fig.1 . em determinada posição. a oficina de tornearia deve possuir uma série completa de mandris. buchas e peças de fabricação em série.

2. a pressão necessária se fará através de uma rosca de topo com porca e arruela que assim prendem a peça pelas faces. As fendas da bucha permitem esta variação de diâmetro sem que a bucha se rache (fig. internamente cônica. 2. para exercer a pressão lateral. No fim da parte cilíndrica há um ressalto faceado perpendicularmente ao corpo onde a peça é apoiada. sobre ele. 2. o seu diâmetro externo aumenta ou diminui. Fig.29). 2. externamente cilíndrica. com fendas longitudinais. sobre as faces das peças colocadas. com diâmetro externo pouco menor do que o corpo. que deixam uma pequena margem nas extremidades. Na outra extremidade do mandril há uma rosca. por meio de porca e arruela.Bucha. sem folga sensível. Conforme a localização da bucha no corpo cônico. As faces da peça se encostam ao ressalto do mandril e. de modo que as peças deslizam.28 O mais simples desses mandris compõe-se de duas peças: 1 -Corpo ligeiramente cônico.29 c) Encosto com rosca de topo Para torneamento de pequenas séries de peças idênticas emprega-se de preferência o mandril de encosto. . O respectivo corpo é completamente cilíndrico.Fig.

sem no entanto ultrapassar o limite de elasticidade do material. o que se consegue das seguintes maneiras: I) Por meio de pressão superficial O mandril. a peça é aparafusada sobre a rosca do mandril. II) Por meio de pressão facial O corpo do mandril serve apenas de guia para orientar a peça sem exercer pressão periférica. por ser ligeiramente cônico (cilíndrico). A pressão resultante entre a peça e o mandril faz com que a união seja suficientemente firme para resistir ao momento de torção provocado pelo corte. de modo que encoste no ressalto que se encontra no fim do faceado. a peça deve ser aparafusada sem folga sensível. O encosto no fim da rosca proporciona à peça o apoio necessário para não fugir da pressão de corte. Fixação de Peças no Mandril: A peça montada no mandril precisa girar com ele e resistir à pressão do corte. . pois provocará o afrouxamento da montagem. força o cubo da peça. perpendicularmente ao eixo. por isso. OBSERVAÇÃO: Uma peça montada sobre mandril de rosca nunca deve ser torneada em sentido contrário ao da rosca. 30 d) O mandril de rosca Emprega-se exclusivamente para tornear peças cujos furos já têm uma rosca pela qual uma parte externa tem que se orientar. A rosca do mandril serve apenas de guia e não exerce pressão periférica. III) Por meio de uma rosca Quando o furo da peça a ser trabalhada possui rosca. Como esta pressão apresenta tendência para apertar a rosca direita quando o torno gira normalmente. a peça mantêm-se firmemente na posição inicial .Fig. deve ficar bem presa.

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