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Direito das Obrigações

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Direito das Obrigações http://www.investidura.com.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/154223-dodireito-obrigacional.

html SCRITO POR RICARDO MACELLARO VEIGA 06 DE MARÇO DE 2010 20:57 Do Direito Obrigacional Edição nº 5 ± Ano I DA OBRIGAÇÃO EM GERAL A obrigação é um vínculo jurídico por intermédio do qual o credor pode exigir uma prestação do devedor; recaindo, sobre esse último, a pena de invasão no patrimônio, no caso de não cumprimento. No dizer de Silvio Rodrigues: ³É o vínculo de direito por meio do qual alguém (sujeito passivo) se propõe a dar, fazer ou não fazer qualquer coisa (objeto da obrigação), em favor de outrem (sujeito ativo)´ (p. 4, 2002). Trazida do direito romano, onde as Institutas de Justiniano apregoavam: ³tratar-se de um vínculo de direito que compele alguém (devedor) a fornecer uma prestação, segundo o direito do país´. Note-se que, no texto justinianeu, alude-se que, no contexto ³obrigação´, é importante realçar a importância social e não apenas a relação individual. DOS SEUS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS 1. O VÍNCULO JURÍDICO é assim chamado porque, sendo disciplinado pela lei, acompanha sanção. Cumpre explanar, nesse primeiro momento, a crítica desencadeada. Vejamos. Se na obrigação ³há um vínculo jurídico´, há, por decorrência, a prisão do devedor mediante a imposição da prestação, ou seja, o devedor torna-se um prisioneiro. Todavia, com a ideia de defesa do mais fraco, analisar-se-á motivos de desequilíbrio, que podem impedir a prestação do serviço, ³não sendo simples a simples prisão de alguém por uma relação obrigacional´. Busca-se o maior equilíbrio entre as partes, a fim de que se cumpra a prestação dignamente e mantenha o contrato, visto que há essa necessidade de segurança jurídica. Pois bem. A lei abre a porta dos pretórios ao credor, para que este, por meio da execução patrimonial do inadimplente, obtenha a satisfação do seu crédito. Se espontaneamente se recusa, o devedor, a colaborar, vê o credor recorrer ao Poder Judiciário, que ordenará a penhora de seus bens para, com o produto por eles alcançado em praça, satisfazer o seu crédito. Em linhas gerais, há dois elementos caracterizadores do vínculo jurídico: a dívida e a responsabilidade. Dívida é um pressuposto de que o devedor, espontaneamente, irá cumprir o seu dever; responsabilidade, por outro lado, é uma prerrogativa que goza o credor, de executar o patrimônio do devedor, ocorrendo inadimplência. Da maneira que o devedor se obriga, seu patrimônio responde (ALFREDO BUZAID, p. 26, ³Do concurso contra credores no processo de execução´, 1952). 2. AS PARTES NA RELAÇÃO OBRIGACIONAL SÁBADO,

Sempre há no direito obrigacional alguém capaz de exigir determinado comportamento de outrem; v.g., colocar o nome do devedor no Serasa, reparar veículo danificado culposamente (imprudência, imperícia e negligência). Melhor dizendo: em toda relação obrigacional existe duas partes, determinadas ou determináveis: um sujeito ativo e um sujeito passivo. Note-se que na espécie surge a limitação da liberdade do devedor, que deve dar, fazer ou não fazer alguma coisa. Mas tal limitação ou adveio de sua vontade, ou de seu comportamento equivocado (ato ilícito que exigem reparação), ou derivou de imposição legal. Em qualquer das três hipóteses, mostra-se ele vinculado; na ocorrência de inadimplemento, pode o credor recorrer à justiça para dirimir o conflito e receber a prestação devida. A solução oferecida pela lei, nos primeiros tempos do direito romano, era mais severa que a atual. O credor não pago de seu crédito fazia recair a execução na própria pessoa do devedor, podendo reduzi-lo à escravidão, ou até mesmo a matá-lo (ALFREDO BUZAID, op. cit.). Tal regime perdurou até o período pré-clássico, posteriormente pondo como objeto de execução os bens do devedor. Essa é a solução ainda vigente. 3. PRESTAÇÃO Antigamente, pessoa que assinasse sem ler, sem tomar ciência, não redimira-se de cumprir: cumpria a prestação, pois se se obrigou, há que se cumprir o acordo. Diversamente disso, contemporaneamente o direito não conta com essa estática obrigacional, visto que há circunstâncias que alteram o contrato, alterando, por conseguinte, o equilíbrio entre as partes. Em assonância ao texto justinianeu, já aludido, há que se levar em conta não o cunho econômico da avença, da obrigação, mas sim o aspecto social que assume. Esse poder de exigir algo do outro não advém da propriedade (³só porque é dono´), mas porque há uma relação obrigacional. Há quem fale que ³só existe obrigação quando houver expressão patrimonial´; não há que se olvidar, porém, que numa ação na qual o filho exige o dever de afeto do pai não há o suposto semblante patrimonial (econômico); logo: existem obrigações não-patrimoniais. Há uma corrente unitária, que explana que prestação (dever de dar, fazer ou não fazer) só existe pois há responsabilidade (sanção prevista), pois não há cumprimento obrigacional somente pela dívida. A teoria dualista, por outro lado, supõe tal prerrogativa (de existir o cumprimento voluntário), logo, prestação é uma coisa que não decorre porque há sanção prevista, mas decorre da vontade única duma pessoa (que assumiu ou contraiu a dívida) que pode cumpri-la voluntariamente. DOS DIREITOS REAIS E DOS DIREITOS PESSOAIS. Diz-se real o direito que recai diretamente sobre a coisa; pessoal, o que depende de uma prestação do devedor. Pois bem, o direito pessoal é, portanto, o objeto da obrigação. O direito obrigacional atinge os bens (a coisa), mas dá-se, num primeiro momento, entre dois sujeitos. O direito real, diversamente disso, é o que afeta a coisa direta e imediatamente. O direito das obrigações cuida dos direitos pessoais, isto é, do vínculo ligando um sujeito ativo (credor) a um sujeito passivo (devedor), por força do qual o primeiro pode exigir do segundo o fornecimento de uma prestação consistente em dar, fazer ou não fazer alguma coisa.

DA FONTE DAS OBRIGAÇÕES (ORIGEM DAS OBRIGAÇÕES) De remota origem, tem considerável relevância e constitui objeto de insuperável controvérsia. Em suma. No direito romano encontram-se textos de Gaio, constantes de suas Institutas, onde se reconhecem, num primeiro momento, duas fontes: o delito (ato ilícito) e o contrato. Posteriormente, recorre a uma expressão genérica, ex variis causarum figuris, capa de abranger todas as possíveis causas de obrigações; disso decorre, portanto, três fontes: o contrato, o delito e qualquer outra cousa. Também houve textos justinianeus que apregoaram estas fontes: o contrato, o delito, o quase-contrato e o quase-delito. Resumidamente, contrato seria qualquer avença entre as partes, capaz de gerar um liame entre elas (no mútuo, que há a promessa de devolução; na compra e venda, que há a promessa de dação); o delito nada mais é que uma obrigação gerada de um dano causado intencionalmente (roubo, furto, injúria); a figura do quase-contrato surge dos atos humanos que ³quase podem se considerar contratos´ (a gestão de negócios, onde uma pessoa deliberadamente trata de matérias do interesse de outra, ou seja, se alguém morre no exterior, o companheiro de viagem manda os documentos para família e tem direito de ingressar com o pedido dos dispêndios cartorários, postais etc., ainda que não haja o contrato solene); o quase-delito, por fim, afigura a ideia de culpa (no delito há o dolo), aqui, o prejuízo causado à vítima decorreu de imprudência, imperícia ou negligência (acontece com aquela pessoa que, descuidadamente, deixa cair de sua casa, na rua, algum objeto que fere outrem ou o bem alheio). Pothier adiciona outra fonte àquelas constantes nos manuais de Justiniano, i.e., a lei. O nosso Código Civil contempla declaradamente três fontes: o contrato, a declaração unilateral da vontade e o ato ilícito. Porém, há que se pensar na lei sempre como fonte das obrigações, ora é mediata, ora é imediata. Disso decorre a seguinte classificação, obrigações que: a) têm por fonte imediata a vontade humana; b) têm por fonte imediata o ato ilícito; c) têm por fonte direta a lei. a) Obrigações que têm por fonte direta a vontade humana. Há, nesse pregão, uma divisão, qual seja: as que provêm do contrato (conjunção de vontades) e as que decorrem da manifestação unilateral de vontade (título ao portador ou promessa de recompensa); b) as fontes derivadas dos atos ilícitos são as que se constituem mediante uma ação ou omissão, culposa ou dolosa do agente; promanam diretamente dum ato humano, infringente de um dever legal ou social; c) finalmente, as que decorrem diretamente da lei; como a obrigação de prestar alimentos (os parentes devem uns aos outros alimentos) ou o mister de reparar prejuízo causado, teoria do risco (danos causados por aeronaves à pessoa em terra); também aos cônjuges cumpre manter a família. Em todos os casos analisados, entretanto, a lei é a fonte remota da obrigação, pois ela é que impõe ao devedor o mister de fornecer sua prestação e comina sanção para o caso de inadimplemento. DAS OBRIGAÇÕES DE DAR A obrigação de dar consiste na entrega de alguma coisa, i.e., a tradição de alguma coisa pelo devedor ao credor. Desdobra-se em dar coisa certa ou incerta, também em obrigação de dar propriamente dita e obrigação de restituir. A relevância dessa última distinção advém da circunstância de que na obrigação de restituir o credor é dono da coisa e, por outro lado, na obrigação dar isso não acontece, pois o credor ainda não á o dono legítimo. Impõe-se ao legislador diferentes soluções, no que cerne ao problema dos riscos incidentes

³eles grudam´ na coisa principal (aderem de forma indissolúvel). 233). respondendo. antes dessa a coisa pertence ao devedor. Em vez considerar a coisa em si. responde o proprietário. ou seja. Pois bem. com perdas e danos. DOS ACESSÓRIOS DA COISA Ressaltando que o domínio só se transfere com a tradição. por exemplo. 1. inclusive. por exemplo. nesse caso. ou seja. 237. visto que esses bens supõem a existência do bem principal. Logo. respondendo pela perda ou deterioração da coisa. por desídia. salvo se agiu com culpa ou dolo. mas apenas titular da prerrogativa de reclamar sua entrega. Se na restituição de coisa certa há deterioração ou perda da coisa. pois demanda o consentimento do credor (arts. ele se enquadrará no art. salvo se o contrário resultar do título. 1. um cavalo de corridas. por exemplo. é deteriorado/roubado. visto que o sistema brasileiro assumiu que ³é a tradição e não o contrato o elemento que transfere o domínio.267. Naturalmente que a obrigação de dar coisa certa abrange-lhe os acessórios. segundo o art. De certo modo óbvio. O credor escolhe se. Segundo o art. por mais perdas e danos. o proprietário é o devedor (que dará a coisa). Quando o dar coisa certa abranger a transferência do bem. empresta-se o carro e esse. A liberação mediante dação de coisa diversa da aventada. 235). A obrigação de dar coisa certa compromete entregar ou restituir ao credor um objeto perfeitamente determinado. mediante eventual incidente (deterioração do bem. por outro lado. se o proprietário não agiu com culpa. seguem-lhe o destino. por evento fortuito.245): tradição solene. quem emprestou-o. Há que se peculiarizar a coisa em apreço. A obrigação de dar coisa incerta. Exime-se. conforme a legislação. de modo . restitui-se o credor (dono). numa e na outra hipótese. se destinam. reajustando o preço (art. entre nós. a obrigação do comerciante que vendeu duzentas sacas de açúcar de determinada marca. responsabilizar-se-á pela perda o verdadeiro proprietário. a coisa será mencionada pela referência a esse gênero e à quantidade. ³Até a tradição pertence ao devedor (quem entrega) a coisa. tem por objeto a entrega de coisa não considerada em sua individualidade. poderá o devedor resolver a obrigação´. 313 e 863). o indivíduo que encontra-se na posse.ex. posto não mencionados. pelos quais poderá exigir aumento no preço´. ³a propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição´. depende de novo acordo entre as partes. enquanto para a transferência dos bens móveis basta a tradição. não constituindo partes integrantes. O credor adquire o título de proprietário mediante a entrega (tradição). 1ª parte. além do valor da coisa. individualizála. Por fim. responderá pelo equivalente e mais eventuais perdas e danos (art. 239. São pertenças os bens que.). como acessórios que são. até o momento da entrega da coisa. uma peça de mobiliário. conforme o art. uma joia. Todos os melhoramentos e acrescidos. o preceito dizia que. para o credor exonerar-se da obrigação. ou das circunstâncias do caso (art. Assim. A mercadoria é encarada em seu gênero: açúcar de dada marca. incorporando ao patrimônio do titular. ela é considerada genericamente. na transferência de bens imóveis a lei exige a formalidade do registro do translativo no Registro de Imóveis (art. Assim. parado com os vidros abertos). devia entregar o objeto ajustado. e completa: ³se o credor não anuir.sobre a coisa. perde somente o valor do bem. se o carro foi perdido por culpa (deixar. o contrato de compra e venda não torna o adquirente dono da coisa comprada. Mostra-se livre dessa obrigação após entregue a quantidade certa e a qualidade avençada. Assim. 234). senão. Convém distinguir que. Assim. com os seus melhoramentos e acrescidos. 238. p. o título de dono dá-se só mediante a entrega da coisa fisicamente considerada. perante a tradição. ficará com a coisa. como. se. ainda que mais valiosa.

quer . úteis ou necessárias. ou melhoramento. antes da devolução.g. exigindo perdas e danos. No que tange as obrigações. Por último. DO MELHORAMENTO ACRESCIDO À COISA PRINCIPAL Reza o artigo 242 que se para aumento. vejamos: O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. segundo o art. 1. de mero deleite ou recreio. quais sejam: 1. quando se vende uma escola. 241 apregoa que. se não lhe forem pagas. enquanto os frutos percebidos pertencem ao devedor. se o bem não tem determinados acessórios no momento da avença e posteriormente. art. tem ele o poder de resolver o contrato ou pagar o acréscimo das benfeitorias (exemplo da vaca que. não aumentam o uso habitual do bem.221. exercer o direito de retenção pelo valor dessas benfeitorias. reclamando a composição do prejuízo. poderá ele.. 234. assim.: jardim paisagístico). tem a prerrogativa de levantá-las (levá-las consigo). Deteriorando-se (estrago) a coisa. Tal preceito abrange quaisquer acessórios e.e. serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias. Segundo o art. responderá ele pelo respectivo valor e mais perdas e danos. e só obrigam ao ressarcimento se ao tempo da evicção ainda existirem´. não terá o direito de exigir ressarcimento.: conserto de um vazamento). se perecem. não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas. i. 2ª parte. ofendículas). os tem. a Lei estipula que será obrigado a repassar. a obrigação se desfaz. se. por conseguinte. as benfeitorias que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. o titular da propriedade (devedor) pode exigir o aumento do preço. São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem (v.: edícula. o devedor empregou trabalho ou dispêndio o caso regular-se-á pelos artigos atinentes às benfeitorias. cobertura de garagem. DESTINO DA OBRGAÇÃO SE HAVIDA A DETERIORAÇÃO OU PERECIMENTO DA COISA Grosso modo. No rastro do legislador de 1916. As benfeitorias podem ser voluptuárias. após vendida. fica a critério do adquirente (credor) a decisão de aceitar ou não.duradouro. os frutos. por culpa do devedor.g. resulta que. ainda que o tornem mais agradável (p. quando dar-se-á a tradição.e. Assim. fica grávida: tem o devedor o direito de requerer o pagamento pelos bezerros).g. os pendentes competem ao credor. por culpa do devedor.219 a 1. tem o direito ao jus retentionis(direito de retenção) ou de ser indenizado. quem faz a benfeitoria útil. poderá o credor (que a receberia) ou resolver o contrato. podemos realçar o destino da obrigação. ao uso.. há que se entregá-la com as cadeiras. são necessárias. São obrigatoriamente indenizáveis (e. quer seja de dar. ³As benfeitorias compensam-se com os danos. ou aceitá-lo da forma que se encontra. Vejamos mais algumas peculiaridades que o artigo 242 nos remete. se ele acresce benfeitorias que. em face do perecimento ou deterioração da coisa: Perecendo (se perder) a coisa. nem o de levantar as voluptuárias. ao serviço ou ao aformoseamento de outro (carteiras da faculdade). Perecendo a coisa sem culpa do devedor. 237. Quanto ao possuidor de má-fé.221. quando o puder sem detrimento da coisa. Se voluptuárias.ex. Se o acessório está vinculado à coisa principal. todavia as benfeitorias sejam voluptuárias. o nosso art. por essas razões.

DAS ATRIBUIÇÕES DOS RISCOS NA OBRIGAÇÃO DE DAR FRUSTRADA Esse é. essa. Portanto. pois determina quem. ou pode aceitar a coisa. pode o credor considerar resolvida a obrigação. foi baleado e morto por desconhecido.seja de restituir (art. quiçá. pois o credor só pode reclamar a coisa deteriorada. antes da entre. quem sofre o prejuízo é o dono. 1ª parte). PERDA DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO A coisa se perdeu sem culpa do devedor. Deteriorando-se a coisa sem culpa do devedor. DA OBRIGAÇÃO DE DAR. ou seja. a coisa se deteriorou antes da tradição. art. Num contrato de empréstimo de coisa infungível. apresenta avarias. 235. ainda. DA OBRIGAÇÃO DE DAR. o dono da coisa. Afasta-se desde logo a hipótese de culpa do devedor. PERDA DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO O depositário que recebeu o objeto para guardar deve devolvê-lo. uma vez. o prejuízo decorrente do perecimento da coisa. quem sofre o prejuízo é o credor. o . pelo depositante. Logo. A lei abre ao adquirente (credor) uma alternativa: defere-lhe o direito de resolver o negócio ou aceitar a coisa. deve sofrer o prejuízo ocorrido antes da tradição. O credor é o depositante. o devedor ou credor. A obrigação se desfaz. Dado animal vendido. art. o tema mais importante tratado no presente capítulo. 235). 238 do CC determina que sofrerá o credor a perda. antes da tradição. 2. o art. por conseguinte. 238. independentemente do consentimento da parte interessada ± vale dizer: do devedor). a obrigação se altera. por conseguinte. abatido ao preço o valor que perdeu (CC. art. como ocorreu na primeira. o sujeita à responsabilidade pelas perdas e danos ocasionados. O vendedor devolve ao comprador o preço e sofre. ocorrida. DETERIORAÇÃO DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO Um exemplo ilustrará a hipótese. DA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR. no estado em que se encontre. mister distinguir: 1. sem culpa do devedor (depositário). se a obrigação era dar. abatido no preço o valor do estrago (caso em que a relação jurídica se altera. Automóvel vendido é envolvido num acidente ou apresenta defeitos no mecanismo. 234. ao lhe ser demandada a coisa. também nesta segunda hipótese. para ser substituída por outra. DETERIORAÇÃO DA COISA OBJETO DA PRESTAÇÃO Aqui. e a obrigação resolverá. se a obrigação era de restituir e a coisa se deteriorou sem culpa do devedor. DA OBRIGAÇÃO DE RESTITUIR. Se essa coisa perece antes da devolução.

também consiste em exceção à regra quando a obrigação de dar coisa incerta se restringe a determinado universo de bens e. o primeiro. animal que entra em extinção. A solução esboçada se estriba no fato de que. mas da ação pessoal. NOÇÕES SOBRE AS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA INCERTA Consiste na obrigação cujo objeto. Assim. O credor é o dono da coisa. não se pode cogitar dos riscos derivados de seu perecimento ou deterioração. não tem o comprador legitimação para reivindicar). Visto que nem sempre isso é possível. 240. sempre que possível. no estado em que se encontra. impõe-se a execução específica. deve a vontade da Justiça se sobrepor à sua e forçar-se a execução direta.g. 1ª parte ordena ao credor receber a coisa. poderá obter alhures as mercadorias.869. acrescido da indenização pelos prejuízos oriundos do inadimplemento do devedor. obter o próprio objeto da prestação. pois podem surgir embaraços de ordem legal ou de fato. por veto de lei ou impossibilidade. Pois bem. 246). o art. senão o sucedâneo das perdas e danos. Em verdade. Seria inconcebível uma prestação indeterminável. proporcionando ao credor exatamente aquilo que foi avençado. quando o devedor apenas recalcitra em não entregar a coisa certa. quando o procedimento do devedor torna impossível a execução específica ± deixar perecer o animal a ser entregue ±.comodatário deve devolver ao comodante. carro que para de fabricar. a fim de proceder à entrega a que se comprometeu. pelo gênero e pela quantidade´. não há recurso. é determinável. só se reservando às perdas e danos quando a ação direta for impossível ou envolver sério constrangimento físico à pessoa do devedor.. em tese. Logo. deve atuar no sentido de que as obrigações sejam cumpridas na forma como foram convencionadas. não se trata aqui da ação real. Dessarte. NOÇÕES SOBRE AS OBRIGAÇÕES DE DAR COISA CERTA O ordenamento jurídico. em regra. não perece (art. o art. 243 sana qualquer indagação: ³A coisa incerta será indicada. o art. não sendo ainda proprietário. tendo como pano de fundo a tradição. 621 e s. se a coisa certa a ser entregue for móvel. de 11 de janeiro de 1973) soa categórico ao dar o instrumento da imissão na posse ao credor de bem imóvel e da busca e apreensão. se bem que indeterminado. Esse. por um act of . quando a lei veda a execução. ao fim do prazo. o objeto emprestado. o comodante. ao menos. dentro do possível. pois é referido pelo gênero a que pertence e pela quantidade que é devida. Enquanto a obrigação é dar coisa incerta. Sempre o credor (dono da coisa). compete ao credor. Por outro lado. almeja obter a entrega do objeto e não o seu valor. Quando alguém compra determinada coisa. sofre ele o prejuízo pela deterioração. sem direito à indenização. Em remate. Ora. 5. do CPC (Lei n. só permitindo a solução mediante indenização em última análise. o gênero. Quando a entrega consistir em dar coisa impossível. é quem sofre os prejuízos pela perda ou deterioração da coisa. baseada no domínio. ou seja. Aliás. Na obrigação de dar coisa certa. nas obrigações de dar coisa certa. visto que o devedor não poderia cumpri-la. Não há falar-se no impedimento da cobrança por falta da tradição (isto é. reclamando o cumprimento preciso de uma obrigação. Com efeito. Também neste caso a lei verifica que o dono da coisa é quem sofre o prejuízo. A exceção a essa regra existe: se toda a espécie em questão desaparece: e. no exemplo figurado.

por acaso. porém. isto é. Tal solução só vige quando silente o contrato. permitindo que receba o que de melhor encontrar. A 2ª parte do mesmo artigo. com características intermediárias. obrigação de não fazer.. num contrato preliminar. ou a pessoa que propõe-se. Assim.God. ao menos em tese. se tem ele de realizar algum ato. há que se ir mais longe que isso e afirmar que a obrigação de fazer consiste no mister imposto ao devedor de manter dado comportamento. assume a obrigação de fazer o empreiteiro que ajusta a construção. Por vezes se entrelaçam e. Impõe-se que. dizendo que ao proceder à escolha não poderá o devedor da a coisa pior. Assim. entre várias teorias. como já aludido. se as partes decidiram ilidir a incidência de lei supletiva (lei supletiva: admite alteração pelas partes. 245). ou o escritor que promete a um jornal uma série de artigos. nem será obrigado a prestar a pior. nas obrigações de fazer encontra-se uma prestação de fato. por outro lado. as máquinas situadas num barracão que. Assim. admitem também um bem mediano. se. QUAL É A MANEIRA DE SE PROCEDER À SELEÇÃO Pois bem. não obstante. 244 determina pertencer ao devedor. fugindo tanto de dar o pior quanto de prestar o melhor. como também de um ato jurídico. Podem elas constar de um trabalho físico ou intelectual. limita a liberdade da escolha. segundo a qual: ³O substractum da diferenciação está em verificar se o dar ou o entregar é ou não consequência do fazer. pois. isto é. em um momento. Se não o fizerem. Isso porque. quando a obrigação é de dar e fazer. decerto. previamente. primeiramente.g. donde decorre uma vantagem para o credor. o legislador que o devedor escolhesse pela média. para depois entregá-la. não tendo. pois. tecnicamente a obrigação é de fazer´. se o devedor tem de dar ou de entregar alguma coisa. essa atitude adveio para favorecer o credor. DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER OU NÃO FAZER As obrigações de dar ou de não fazer consiste num ato humano realizado. incendiou-se. a obrigação de dar coisa certa é fugaz e transitória. se outro fosse o desejo. a obrigação é de dar. altera-se a coisa incerta para coisa certa (art. trata-se obrigatoriamente como obrigação de fazer. no seu curso de Direito Civil. de fazê-la. de individualizem as coisas que serão entregues pelo devedor ao credor. para alterar a competência de escolha. visto que nessa há prestação de coisa. a outorgar um contrato definitivo. o momento de concentração do contrato é o momento que se cientifica a outra parte. Isso desemboca em dois problemas: A QUEM COMPETE A ESCOLHA Incumbe às partes estipular a quem compete a escolha. Consequência disso resulta que. ter ele de confeccionar a coisa. há a lúcida de Washington de Barros Monteiro. daí transformando-se num comportamento passivo. desaparecem: v. atitude humana ativa. p. Pretendeu. pode esse comportamento constar de uma abstenção. ao admitir a coisa incerta. não utilizariam tal cláusula. . do qual será mero corolário o de dar. Se distinguem das obrigações de dar. 99. lei de ordem pública: não admite a alteração pela simples avença entre as partes). a 1ª parte do art. Assim. todavia.

o negócio se estabelece intuitu personae. Mas o devedor. A primeira hipótese se dá quando o fato que tornou impossível a prestação é alheio a um comportamento censurável do devedor (ou seja. se alguém contrata com pintor célebre a confecção de um retrato. requer-se menção expressa. o caso da prestação tornar-se impossível e.e. do artista. ou insubstituíveis ±. DAS CONSEQUÊNCIAS DO DESCUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER Distingui. Por vezes o intuitu personae não se funda em qualidades pessoais. Com efeito. da impossibilidade. De sorte que o devedor se desincumbe da obrigação ou realizando o a tarefa prometida ou mandando que outrem a faça em seu lugar. Em tese. o de a obrigação ser descumprida pelo devedor. cujas qualidades pessoais são queridas pelo credor. Pois bem. e as em que isso não ocorre ± fungíveis. não é obrigado a aceitar substituto. 85 do Código Civil) para distinguir duas espécies diferentes de obrigações de fazer: aquelas em que a pessoa do devedor constitui preocupação essencial do credor ± infungíveis. Nessa hipótese o legislador distingue as obrigações infungíveis das fungíveis. depois. se ele. de certo modo. responsabilizando-se pelo cumprimento da obrigação do abonado ± do locatário for determinado capitalista de honradez e reputação. ocorre quando a prestação se torna irrealizável. que se não tornou impossível. poder-se-á reconhecer a infungibilidade da prestação. v. ou seja.. se culpado. de modo que a lei só considera adimplido o ajuste se a prestação for cumprida por aquele devedor. ele é o causador do impedimento. 248 do Código em apreço.DAS ESPÉCIES DE OBRIGAÇÃO A doutrina lançou mão da noção de fungibilidade (também exposta sob outro prisma no art. se. temos o exemplo do artista que adoece às vésperas do evento. se mantém no estrangeiro. No mesmo caso. Ao dono do automóvel que encomendou sua limpeza é. as cifras porventura já embolsadas. no dia de sua apresentação. Se inocente o devedor.g. de início. o artista. Nas primeiras. para que se considere infungível a obrigação de fazer. a intenção das partes é gritante ao considerar no contrato as condições peculiaridades de determinada pessoa. O legislador considera também a hipótese do inadimplemento voluntário da obrigação. mesmo em caso onde não haja convenção expressa. tidas no art. a obrigação se resolve. Nesse sentido. A segunda hipótese da impossibilidade dá-se quando essa (impossibilidade) decorre de culpa do devedor. pois a prestação avençada só terá validade de fato se prestada por aquele devedor. apenas não o faz por não lhe convir.. Quanto às obrigações fungíveis. deve compor o prejuízo. Assim. pode-se dizer que são aquelas em que a pessoa do devedor não figura com relevância. indiferente que o veículo seja lavado por um ou outro oficial. Logo. Nessa hipótese o negócio se desfaz e as partes são reconduzidas ao estado em que se encontravam antes da avença. mas em condições particulares. que poderia cumpri-lo. i. se o fiador ± alguém que abona. nas obrigações infungíveis. Quanto ao primeiro caso. que o impedirá de realizá-lo dado ato necessário para o cumprimento da obrigação). Quem anui em contrato de locação. devolve. em virtude das circunstâncias que rodearam o negócio. supõe-se que o faz em vista das qualidades do artista. . Todavia.

transformando a obrigação de fazer em obrigação pecuniária de dar. desde a petição inicial cominada pelo juiz. essa é. 632 e s. Inspira-se. para que fique comprovada a recusa do devedor e se alcance aprovação da substituição pretendida. preferindo ater-se à sistemática do Código Civil. mediante sucedâneo das perdas e danos (art. e. Faculta-lhe o pedido de perdas e danos. Assim. 634 e seguintes disciplinam o procedimento judicial indispensável. pleiteando indenização. em regra. Indubitável é que o juiz. inadimplida. em assonâncias às Constituições modernas. sob pena de pagar multa.as que dependem unicamente do devedor e as que podem ser indiferentemente realizadas pelo devedor ou por outrem. os arts. do Código de Processo Civil atual. hipótese em que a obrigação converte-se em indenização. Por conseguinte. em que o inadimplemento se resolvia. para tanto. o devedor assume um compromisso de abster-se de um fato que poderia praticar. Quando infungível. 11. num interesse do credor. essa obrigação. não pode o credor. ou então pode requerer que a obrigação de fazer. 639 a 641 do CPC (revogados pela Lei n. à custa do faltoso (art. negativa. por outro lado. ou obter a execução do empreendimento por terceiro. Todavia. obter sua execução direta. ata-se a tal espécie a pessoa que promete não vender uma casa a não ser ao credor. compromete-se a não abrir outro congênere na mesma rua ou quadra. DAS OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER Aqui. cumpre-lhe recorrer à via judicial. Escolhendo essa última maneira. 633). o remédio que remanesce ao credor é obter a reparação do prejuízo experimentado. por óbvio. Confere-lhe a prerrogativa de requerer. Hipótese igualmente comum é a do comerciante que. nos casos de justificação do devedor. Quando fungível e o devedor for moroso ou inadimplente. grosso modo. seja executada à custa do devedor (art. 247). a lei abre ao credor uma alternativa. Estipula o . tinha apenas conhecimento sumário do processo e nem sequer havia ouvido a outra parte. que vinha exposto nos arts.232 de 22-12-2005). deferida ao credor para compelir o devedor a cumprir a obrigação. Assim. Se a obrigação de fazer é positiva. Como a jurisprudência se distanciava desse procedimento. em regra. 249). que seja o devedor condenado a reparar as perdas e danos. ao ordenar o mandado inicial em que cominava multa. DA EXECUÇÃO DIRETA DE PRESTAR DECLARAÇÃO DE VONTADE Fora revogado todo esse teor. o feito tomava o rito ordinário. compete ao contratante ou resolver o contrato. abre a lei ao credor uma alternativa. no pagamento das perdas e danos. a quem assusta a ocorrência do fato avençado. alienando seu comércio. dava remédio à multa cominada ab ovo. ou o industrial que promete vender toda sua produção a um determinado consumidor. não fosse o vínculo que o prende. nos mesmos autos. Nos arts. visto que isso envolveria odioso agravo à liberdade individual. então. DA EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER No Código de Processo Civil de 1939 encontrava-se a ação cominatória. confere-lhe também a possibilidade de mandar executar o fato por terceiro.

Um exemplo exagerado marcará a hipótese: imagine-se que o infrator que prometeu não construir em seu lote. só para atender ao deleite do vizinho credor que teria sua visão embaraçada. O segundo remédio decorre da regra contida no art. Mostra-se impossível desfazer o efeito lesivo. nesses casos. ademais. Se. como são duas ou mais prestações e só uma delas deve ser cumprida. podendo variar entre dar coisa certa e fazer. se a obrigação for de dar coisa incerta. DAS OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS A obrigação é alternativa quando. ao credor. a obrigação se extingue (art. vê-se obrigado a construir muro onde havia prometido. em função de lei municipal. dois remédios assistem ao credor: no art. Tomemos o exemplo do devedor que. Esse elemento escolhaaproxima a obrigação alternativa da obrigação de dar coisa incerta. a meu ver. na primeira circunscreve um universo de coisas determinadas. Todavia. disso decorre que decerto para alguns casos a lei não dá guarida. porém. se todos os objetos perecerem. se a urgência mostrar-se necessária para evitar perda ou deterioração do bem. há culpa no comportamento do devedor. 250). Em derradeiro. Mas diferenças são nítidas. Os mesmos princípios que informam as obrigações de fazer aplicam-se às de não fazer. confere autotutela ao credor.contrato. 389 do CC. que deve o juiz hesitar em aplicar a regra geral. que poderá abrir mão da concessão judiciária. que defere ao prejudicado direito de perdas e danos. Caso que exemplifica é a publicação de notícia que prejudicaria a venda de determinado produto. transformando a obrigação complexa (de múltiplos objetos) em obrigação simples. não trabalhar etc. a segunda. 251. como avenças de não casar. ressarcindo o culpado as perdas e danos. portanto. A obrigação de não fazer será lícita sempre que não envolva a liberdade individual. portanto. quando colidente com o maior interesse social. Se a abstenção prometida se tornou impossível sem culpa do devedor. Assim. se refere a todo um gênero. Daí decorre importante corolário. todavia. Por vezes não há como desfazer os efeitos funestos do ato praticado. Ademais. o devedor se exonera satisfazendo uma das prestações. aí tenha erguido um prédio de vários andares. momento chega em que se impõe selecionar o objeto ou serviço a ser prestado. Contudo. DO INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES DE NÃO FAZER Ocorre com a pratica do ato que o devedor prometeu abster-se. vejamos. que por negligência ou interesse preferiu desprezá-la. não há falar-se em extinção da obrigação. Deve o juiz. a obrigação negativa do devedor. indenizado por perdas e danos pela conduta culposa. embora múltiplo seu objeto. faz com que a prestação se concentre no remanescente. São bens específicos para se escolher um. aplicar a segunda solução aqui mencionada. visto que o devedor poderá buscar alhures o objeto . Há que se distinguir se derivou ou não de culpa do devedor. A primeira é que. que será. no sentido de realizá-la por conta própria. parece. a obrigação se extingue. sob pena de o desfazer à sua custa (às expensas do devedor). O perecimento de um dos objetos in obligatione. não fazê-lo. O juiz poderá deferir o pedido do credor. só remanesce ao credo a possibilidade de obter perdas e danos. Seria antissocial demoli-lo. na obrigação alternativa. exigir que o desfaça. porém. No parágrafo único.

O preceito não se aplica se a obrigação for de prestações periódicas. 252. porém. o juiz a fará. não se propõe. Mostra-se vantajosa para ambas as partes. Há que se interpretar este parágrafo com o caput. art. Há duas outras possibilidades que o direito de escolha. O § 1º do art. A lei.da obrigação para oferecer ao credor. Apenas em caso de silêncio do contrato supre-lhes a omissão. É a regra do artigo 252. se não fora estipulado o contrário na avença. Se. Ora. 1ª parte). . acrescida das perdas e danos (art. art. a escolha deve ser unânime. Dois pontos mostram-se de maior relevo: a escolha. a estipulação em contrário. 255. a escolha competir ao credor e uma das prestações se tornar impossível por culpa do devedor. o problema de seu comportamento. ao credor ou a terceiros. em cada período. de mostrar interesse somente pela prestação perdida. 571). vejamos: para o devedor é vantajosa pois lhe permite selecionar. em tese. quando a escolha é deferida ao devedor. por sentença judicial. nessa hipótese. porém. devolver-se-á ao exequente (o credor) o direito de escolha (CPC. entretanto. 253. por força de lei (extracontratualmente) muda de mãos: 1. fixa que. Melhormente falando. DIREITO DE ESCOLHA. o credor poderia. deixado de oferecer qualquer das obrigações. pois ele não é obrigado a receber por partes aquilo que ajustou receber por inteiro. o perecimento de uma das coisa não extingue o liame (como na obrigação simples. poderá intimar o devedor para que. ele somente não poderá furtar-se a esse dever alegando a perda de alternativa. Mostra-se vantajosa ao credor. cumpra uma das obrigações. no § 4º. Quanto aos demais parágrafos deste artigo. se firmada a obrigação deferindo escolha a terceiro e este não a faz. § 2º). 252 proíbe a mistura de alternativas. é indiferente tratar-se da culpa. sob cominação de perder sua prerrogativa e ser depositada a coisa que o credor escolher (CC. conferindo a capacidade de escolha. atendendo a tal possibilidade. se o executado naquele prazo deixar de oferecer uma das prestações. havendo pluralidade de optantes. isto é o que dispõe o art. TITULARIDADE E DECADÊNCIA. mudam-se os termos do problema. senão será deferia ao juiz. entendendo competir ao devedor. e a obrigação se concentra na prestação remanescente. ao devedor. o devedor o citará para tal fim. o que for menos oneroso à época do cumprimento. não perece. se competia ao devedor. o gênero. qual demandará menor sacrifício. se ao devedor cabe a opção e este não solve a obrigação. 2. vítima da negligência do devedor. pois. que tem só um objeto). não pode este forçar o credor a receber parte em uma parte em outra prestação. e o que acontece mediante o perecimento do objeto da obrigação. dentre os vários objetos em apreço. e tinha a prerrogativa. Trata-se de preceito com caráter supletivo. Ora. visto que ele escolheria uma ou outra. escolhe qual a obrigação é menos pesada. o 3º estipular que. culposo ou inocente. O legislador confere às partes liberdade para estipular a quem cabe o direito de escolha. o credor. nada impedindo. 342). tanto devedor como credor. confere ao credor. ou seja. em dez dias. se o direito de escolha foi conferido ao credor e este não o exerceu. art. pois melhor assegurará o adimplemento do contrato. quem pode escolher. DA IMPOSSIBILIDADE OU INEXEQUIBILIDADE DE UMA DAS PRESTAÇÕES Se a escolha competir ao devedor. a prerrogativa ou de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. o direito à opção é conferido para ser exercido em cada período (CC.

a circunstância de a escolha caber ou não ao devedor ou ao credor. em que o credor fica com os bens para. Ora. fixando um rol de materiais para o fazimento dela (mogno. Vale dizer. por culpa do devedor. Assim. QUANTO AO OBJETO DA PRESTAÇÃO Em derradeiro. devolver um. porque o perecimento antecipado de uma fez com que a obrigação se concentrasse na outra. agora com prestação única. impossibilitada por culpa do devedor. sem culpa. Se todas as prestações tornarem-se impossíveis. DA IMPOSSIBILIDADE DE TODAS AS PRESTAÇÕES Ainda aqui convém distinguir a existência de culpa ou não do devedor. nesta última. cabendo a escolha ao credor. é melhor manterem-se firmes os negócios jurídicos. DA DIFERENÇA ENTRE OBRIGAÇÕES FACULTATIVAS E OBRIGAÇÕES ALTERNATIVAS Nas alternativas. o devedor experimenta o prejuízo.Cumpre ressaltar importante questão. cabendo-lhe a escolha..104. maçaranduba etc. Se umas das prestações guardar objeto ilícito. então simples. se danificou. qual seja. o mínimo que se lhe pode deferir é o direito de pleito o valor de qualquer delas. responde à regra do artigo 389. Finalmente. Essa derradeira regra é absolutamente lógica. a terceira hipótese de impossibilidade. pelo mesmo valor. é o que revela o artigo 255. tendo em vista. há o princípio que. ficará obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou. Dessa forma. aplicasse a regra anteriormente vista.e. cumprir nenhuma. Se. por sua culpa. Por outro lado. 254). concentrando a prestação na que for lícita. pode este último reclamar o valor de qualquer delas. torna-se obrigação de dar coisa certa. ao término do prazo estipulado. exemplificando: o credor que encomenda uma mesa. Como vimos. tem ele a prerrogativa de manter-se com o bem não danificado. pois não é obrigação independente. Assim. estipula obrigação facultativa. adicionado de perdas e danos. é indiferente ao cumprimento da obrigação. se. acrescido das perdas e danos (CC. aplica-se a regra geral: a obrigação se extingue. contrariando o disposto no art. mais indenização pelo prejuízo experimentado. sem culpa do devedor. se dado ajuste fora celebrado mediante uma alternativa que. o devedor se exonera com a entrega da mesa. é o que apregoa o artigo 256. como visto. art. nas obrigações facultativas há uma alternativa de substituição.). levaria um objeto melhor sem NF ou outro menos melhor com NF. por outro lado. um dos bens que encontrava-se sob sua posse. escolhendo-se uma. a doutrina concentrará a obrigação neste último. não puder o devedor. o credor tinha legítima expectativa de eleger qualquer delas. ele devolve o bem que lhe aprouver. DAS OBRIGAÇÕES DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS . i. em tese. Se as prestações se impossibilitaram. que não é passível de escolha. passando a constituir o objeto único da obrigação. 2ª parte. a jurisprudência afasta essa alternativa. por segurança jurídica. pura e simplesmente. há obrigações independentes.

poderá cobrar a totalidade de cada um dos codevedores. ou não. vemos que não é divisível. a obrigação de não fazer. O diamante. são múltiplos. Quanto às obrigações de fazer. assim procedendo.Agora. ou de ambas. eles são obrigados a prestar a integralidade da prestação. valor proporcional ao todo. No caso da indivisibilidade a prestação é exigida por inteiro. pois não cumpre a execução de meia tarefa. A obrigação é indivisível quando indivisível for o seu objeto. PODEM SER INDIVISÍVEIS Quanto às obrigações de dar. No caso da solidariedade. se vários os credores. A indivisibilidade decorre da natureza do objeto. se vários são os devedores. talvez não conserve. Da mesma forma. O caso da indivisibilidade da prestação só se propõe mediante a pluralidade de uma das partes. Ou seja. Assim. Decorre da lei quando esta assim o determina. EFEITOS DA INDIVISIBILIDADE . nada obstante não deverem o todo. não satisfaz o credor o recebimento apenas da quota-parte (parte ideal) de apenas um deles. Não há como fracionar. Cumpre indagar se ele divide. porque não há que falar-se nesse característico em obrigação simples. não se pode cumpri-la ou descumpri-la por parte. que assim avençaram. 28 da Lei das Sociedades Anônimas. Decorre da vontade das partes quando estas convencionam. de cada qual dos devedores. este pode pagar integralmente a prestação. 6404. prossegue-se a concurso segmentando o montante da prestação. em virtude da natureza do objeto. ou ambos. excepcionalmente decorre da lei ou das vontades. Aqui encontra-se expediente que lança mão o credor para aumentar suas garantias. o credor pode exigir. se termos como exemplo a compra de uma pintura. por regra lógica. regra exposta no artigo 257 do CC. correspondente ao débito. como também representa sensível diminuição de seu valor. nos fragmentos resultantes. embora partível sem alteração de sua substância. visto que. Pode-se chamar de indivisível a obrigação quando o fracionamento do objeto devido não só altera sua substância. Nesses casos. TANTO AS OBRIGAÇÕES DE FAZER. o pagamento integral. É o caso do art. cada um tem o dever de pagar uma fração. Mister acentuar esse aspecto. estudaremos aquelas obrigações cujo sujeito passivo ou sujeito ativo. ilidindo a concursu partes fiunt. cada qual tem direito a receber uma parte da prestação. em partes. ordinariamente se estabelece a divisão em tantas obrigações independentes quantas forem as partes. Com efeito. COMO AS DE DAR. é tendo em vista o objeto da prestação que se classificam em divisíveis ou indivisíveis. firmada com dois negociantes. assim procedendo libera-se da dívida. sendo vários os credores de um devedor. Essa regra sofre exceção em duas hipóteses: no caso de indivisibilidade e no de solidariedade. a resposta também é afirmativa porque. se termos como exemplo a obrigação de projetar um aparelho. Seguindo a esteira do princípio concusu partes fiunt. ora. a exigibilidade da prestação integral advém da lei ou da vontade das partes. n.

concursu partes fiunt. A um. a prova da primeira encontra-se no parágrafo único do art. se pagasse a um só. 267). em virtude do objeto. que encontram na caução uma maneira de satisfazer a sua parte do crédito. um só tenha culpa pelo dano causado. Figure-se que pagasse a dívida a credor insolvente. o outros cocredores poderiam ficar privados da garantia representada pelo devedor solvável. caso contrário. somente em virtude do objeto. A solidariedade passiva destaca-se porque o credor tem direito de exigir. visto que. havendo vários credores. experimenta o devedor o lucro. se resolvida em perdas e danos. Cumpre ressaltar duas circunstâncias relevantes: cada um dos devedores só deve parte da dívida. são indivisíveis. formulado pelo próprio legislador. não à quitação de suas cotas. cumpre oferece-la por inteiro. garante-se o direito dos demais credores. Se são vários os credores e um deles perdoa a dívida. no art. pode ser compelido a fazer por inteiro. porém. dando este caução de ratificação dos outros. ou a um. Portanto. portanto. de um só. A derradeira consequência figurada pela lei. . há a solidariedade passiva. cada um tem o direito de exigir do devedor a prestação por inteiro (art. Na hipótese de pluralidade de credores. Se a culpa adveio de todos os devedores. através dela. ou devendo cada um dos vários devedores pagar ao credor comum a dívida integral. o mune com as garantias que o credor original tinha. Se. de resto. Tais regras vêm expostas no artigo 261. é visto como um. novação e compensação. mais frequente e proveitosa hoje em dia. pois os efeitos são idênticos. cada um será obrigado pela dívida toda (art. haverá igualdade entre eles no que se refere ao pagamento da indenização. a ele. ao devedor. se houve liberalidade para o devedor. Ora. ainda que sejam responsáveis por frações distintas do bem. não há. cada um dos vários credores exigir. porque. a prestação será indivisível. Alei. denomina-se solidariedade ativa. Desse modo. continua enfeixada num todo. caso contrário. é a da remissão. 259). além de deferir o direito de cobrança. mostra-se incapaz de ser prestado por partes. Ora. os outros deverão exigir o adimplemento descontada a quota do credor remitente. pois a reparação pecuniária é sempre suscetível de divisão. 257. DAS OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS Por regra. 259 que dispõe ao devedor que a pagou a prerrogativa de sub-rogar-se no direito do credor. cada um deles pode exigir a dívida por inteiro. transação.Na hipótese de serem vários os devedores. haveria empobrecimento sem causa do devedor e enriquecimento injustificado dos demais credores. a solidariedade constitui exceção à regra do art. por outro lado. todavia. do devedor comum. responderá sozinho pelas perdas e danos. exonerando-se os demais apenas no tocante às perdas e danos. Aquela ocorre quando. Tal conceito vêm. pois. Há a existência de vários em um lado que. adquire o caráter de divisível. É compelido a prestá-la inteiramente porque o artigo 263 fixa. Assim. tratemos de uma apenas. dando caução de ratificação dos outro. que furtasse de prestar contas aos cocredores. 264. de vários devedores. para a outra parte. em caso de pluralidade de credores. em vez de se dividir em tantos quantos forem os sujeitos. A todos os credores conjuntamente porque. podendo. a totalidade da prestação. cumpre observar duas ressalvas: ele só se desobrigará se: pagar a todos conjuntamente. caso contrário a obrigação do devedor se dividiria em tantas obrigações autônomas quantos fossem os credores. este tornou-se devedor de menos que originalmente devia. Na hipótese de vários credores. mediante a natureza do objeto. na segunda hipótese fixada pelo artigo. a totalidade ou parcialidade da dívida em comum.

O que se admite nesse dispositivo é que haja distinção de tratamento aos credores ou devedores solidários. O problema teórico. Nesta. sem que as razões determinantes da solidariedade sejam abaladas. não há que se falar em pagamento integral da dívida) deve ser suportada pelos demais credores. mesmo havendo vários credores ou vários devedores. pois representa arma eficiente para garantir o interesse do credor. 263).Por conseguinte. que no caso brasileiro seguiu a orientação tradicional . nas prestações indivisíveis. insuscetível de ser repartido sem perdas de valor ou sacrifício de sua substância. por outro lado. DISTINÇÃO CRUCIAL ENTRE OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA E INDIVISÍVEL Em tese. visto que. embora solidária. Peculiaridades relacionadas a cada um podem autorizar a essa distinção de tratamento. a solidariedade não se presume. amarrados neste liame solidário. de maneira que a obrigação torna-se divisível e segmenta-se entre as partes (art. ativos e passivos. decorre da lei ou da vontade das partes (art. Enquanto a indivisibilidade decorre de um elemento natural. Em remate. Por fim. FONTES DA SOLIDARIEDADE De acordo com a sistemática do direito brasileiro. Se o devedor não solidário torna-se insolvente. deve ser rateado por todos os sujeitos ativos. ora. perde o credor. é irrelevante a insolvência de qualquer deles. da lei ou das partes. a obrigação pode ser pura e simples para alguns (não-solidária) e sujeita a termo ou condição para outros. Conforme o art. para alcançar o efeito do liame jurídico. a solidariedade fora convenção. Se. decerto seleciona o melhor. 265). a solidariedade se representa de um artifício a que recorrem as partes ou o legislador. onde o pagamento parcial feito a um dos credores. a situação individual de cada um pode ser diversa da tida com os outros. Diferente é a conclusão da obrigação solidária. ela perde esse caráter. não sendo solidária. A comprovante desta afirmativa se encontra no confronto entres as regras concernindo à conversão de ambas em perdas e danos. 266. se outro se mantiver solvente. em uma só. passando a seguir o princípio do artigo 257. há solidariedade passiva. em vez de acionar cada qual. a indivisibilidade decorre da natureza do objeto. visto não poder reclamar esta parte (do insolvente) aos demais. Revela-se aqui a vantagem da obrigação solidária passiva. para lhe endereçar o seu pedido. a solidariedade persiste. e não da natureza do objeto. de relações jurídicas autônomas. caminho diametralmente oposto do caso em que há solidariedade. onde os devedores são condenados em perdas e danos. pelo insolvente. pois promove a reunião. se a possibilidade da prestação a converte em perdas e danos. a insolvência do devedor após ter pago parcialmente um dos credores (parcialmente porque. CONSEQUÊNCIA DA SOLIDARIEDADE Inocorrendo solidariedade ativa. com efeito. enquanto a solidariedade decorre da vontade das partes ou da lei. a solidariedade altera a feição das obrigações com pluralidade de sujeitos. grosso modo.

deve-se entender que a obrigação se divide em tantas outras obrigações autônomas quantas quantos sejam eles. se o accipiens. Se o credor que não tem patrimônio suficiente. visto que o desaparecimento da personalidade extingue a solidariedade. ou os credores. ademais. à época em que tiver remitido a dívida. o resgate do débito. cai um característico do instituto junto com ela. o princípio da fidúcia que permeia a obrigação deste tipo (art. de sorte que não lhes cabe exigir e receber a totalidade da prestação. o faz. interprete a vontade silente das partes (art. que noutros resulte punição para o autor ou cúmplice de ato ilícito (art. v. capaz de suspender ou anular o mérito (o pedido. torna-se insolvente. A exceção consiste numa defesa que tem a parte demandada (no caso. pois carecem de ação contra o devedor original. onde o pagamento dá-se mediante caução dos demais credores. desse modo.(diversamente do Código alemão e também do Código italiano). enquadra-se no artigo 158. É possível que nalguns casos a lei. só a se admite se expressamente manifestada pelas partes. quando assim é florescida. não eram seus. aos outros credores. se o objeto for divisível (a outra exceção). Depositam importância movimentada por ambos os titulares ou por qualquer deles. DA SOLIDARIEDADE ATIVA Aqui.I). 585. dentro do possível. o alvo do legislador é. no caso. Assim como o que recebe a dívida inteira. que determina a solidariedade entre os comodatários para com o comodante). precipuamente. ou determinada pela lei. essa. a cobrança). porém. não merece ela uma atenção maior. Convém insistir que cada um só é titular de parte da dívida e. Ora. a meu ver. parágrafo único. antes de prestar contas. que fixa a fraude contra credores. dispôs de bens que. aumentar as garantias do credor. nesta a quitação dá-se sem essa exigência. não havia como responder por seu ato. diversamente da obrigação indivisível. 270). não há validade neste último. que considera solidários os autores e cúmplices de ato ilícito). Quando a solidariedade for convencional. a solidariedade tem por escopo principal. o devedor se exime do pagamento. indiretamente. Posto isso. Cabe ação pauliana. guarda obrigação com os demais credores o que a perdoa. qualquer deles pode quitá-la. é extremamente raro na vida fática. 269. ³pode considerá-lo como um instituto extinto´ (Doutrina e prática das obrigações. deve oferecer aos demais cocredores. Tal instituto. 273 e 274. o devedor). emergindo. orientação encontrada em Pothier. não perdurando mais. cabe a prerrogativa de cobrá-lo. em assonância ao artigo 272. O pagamento a um ou a outro é válido e extingue a dívida. por sua manifesta inconveniência para o credor. Solidariedade representa exceção ao princípio geral. Talvez se possa entender como solidariedade ativa a das contas conjuntas. reforçar as possibilidades de solução da obrigação. Há uma pluralidade de teorias que tratam da solidariedade derivada da vontade do legislador. Se falecer um dos credores solidários. deve-se revelar de maneira a que não remanesça qualquer dúvida. por conseguinte. a fim de anular tais atos. Em qualquer caso. art. Em derradeiros. mas que só diz respeito . MENDONÇA. Ora. Nesse caso. propõe o seguinte termo: sendo múltiplos os devedores. Não se transmite a relação com os demais credores. 942. impondo solidariedade. assegurando. em que o legislador francês se foi inspirar. a figura em análise. o devedor se libera da dívida efetuando o pagamento a qualquer dos credores. logo. se a recebe por inteiro. em estabelecimentos bancários. cada um de seus herdeiros recebe apenas uma fração do direito creditório. o prejuízo experimentado pelos demais cocredores é inexorável. temos o ponto alto da solidariedade ativa. qual seja. os arts.

ao devedor demandado. A regra encontra-se no artigo 278 do Código Civil. ele estendeu a decisão. ignorando a coação. 154. O Parágrafo único fixa que a solidariedade perdura. mas outro moveu ação de cobrança contra o devedor. se o julgamento revela-se favorável. em virtude disso. será demandado. o artigo 274 expõe que se o credor ganhou ação com base em exceção pessoal . Como pode decidir cobrar parte de um (pagamento parcial). se o credor aciona um devedor. é o art. encontram-se vários devedores cujas relações são relevantes. não corre prazo prescricional (art. visto que. cobrando de um dos devedores. uns responsáveis para com os outros. pode acionar os demais. conforme a exposição.e. que separa os lados internos e externos da obrigação. para pagar a totalidade da dívida. II) -. somente será descontada a cota-parte prescrita. se estes últimos agiram com boa fé. Nessa ideia de autonomia que se justifica a regra do artigo 281 do CC. mas o restante. mas se encontram enfeixadas numa relação unitária´.g. como já aludido. que remanescem ligados pela solidariedade (art. que veda. Essa problemática de autonomia talvez seja melhor compreendido com a explicação de Ruggiero e Maroi. Quanto à regra do artigo 274. de pendência de condição etc. ainda legítimo. no julgamento. não pode esse último opor essa exceção. 273). todavia. se após estabelecimento da relação jurídica um deles estipular cláusula aumentando taxa de juros ou abreviando termo de vencimento. a circunstância de na solidariedade se encontrarem várias obrigações autônomas faz com que a ação do credor. encarado o problema sob seu ângulo interno. o que constitui exceção à regra. ou pessoal do excipiente. Vale dizer. 198. assim. que é autônoma. se a dívida está prescrita para um dos credores.a um dos credores (art. estendeu a coisa julgada..´. 275). Todavia. numa só. não se estende aos demais cocredores. é evidente que um destes não pode agravar a posição dos demais. Se encararmo-la do lado de fora. logo. À guisa de exemplo. ganhou ação porque o credor solidário é incapaz e. DA EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO POR UM DOS DEVEDORES SOLIDÁRIOS . ³as obrigações são individuais e autônomas. só possa ser sustada por exceção comum a todos. a fim de obter os restante. a ação que um dos credores solidários moveu frustrou-se não atinge a cota-parte dos demais. A exceção é um meio de defesa de que lança mão o réu para ilidir ou suspender os efeitos da ação. não renunciou o restante. o conjunto de devedores se apresenta como um só. pode acionar o credor que utilizou-se da coação. vale dizer. Também a dívida contraída através de coação de um dos credores.). embora sujeita à solidariedade. continuando credor do restante. assim. a possibilidade de opor exceções pessoais dos outros. vejamo-la. em virtude disso. se obteve setenta por cento do valor. pois é incapaz de incidir sobre a obrigação de outrem. o credor pode escolher qualquer um dos devedores para cobrar-se. dispõe o seguinte: ³o julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais. aproveitará a todos. Ora. In fine. O que lhe cabe (ao devedor). com essa prerrogativa. os outros não ficam vinculados a tal ajuste. externo. a prescrição dos demais será deduzida do montante da sentença. tantas obrigações autônomas quantos forem os devedores. Vale lembrar que a obrigação solidária reúne. DA SOLIDARIEDADE PASSIVA Com ela. que trata da coação exercida por terceiro. embora podendo opor as próprias (compensação ± cancelamento de débitos recíprocos) e as comuns a todos (falsidade do título. não será alegada contra os demais. vez que a regra é ³a decisão não vai além das partes´.

283 vem estabelecer que ³(. a solidariedade persiste vinculando os demais coobrigados. ora. RENÚNCIA À SOLIDARIEDADE O credor que apenas renuncia à solidariedade continua credor. o art. e assim por diante. Ademais. a obrigação se extingue. a relação jurídica biparte.) tem o direito de exigir de cada um dos codevedores a sua quota. dividindo-se igualmente por todos a do insolvente (. se um devedor não pode agravar a situação do outro (art. não possa este receber de cada um a quota correspondente. entre os vários devedores. ficou reduzido. é possível que a prestação se impossibilite. podendo o credor cobrar de qualquer um dos devedores restantes o saldo remanescente. a lei confere ao devedor que pagou o direito de exigir de cada coobrigado a sua quota. 284 invoca também os já exonerados de solidariedade pelo credor. No primeiro caso. por haver exonerado apenas algum dos devedores. 278).. 2. Pode ocorrer que. na segunda. é o que apregoa o art. não o permitindo fazê-lo por meio de ato ilícito.. 282. decerto que a lei isso previu. para demandar os demais devedores. prendendo os demais devedores. A relação jurídica interna. DO INADIMPLEMENTO DA OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA Pode o credor que sem êxito exigiu de um devedor o pagamento voltar-se contra outro para cobrá-la integralmente. em virtude de um deles ter caído em insolvência. Isso ocorre quando o credor só exige ou só recebe do escolhido uma parte da prestação. ele. aimpossibilidade derivar de força maior. volta a militar a regra concusu partes fiunt.. Ora. acrescido de perdas e danos. se por força da solidariedade o fiador.Embora só deva parte da prestação. seja apenas um o interessado na dívida. e só . apresentam-se duas hipóteses: 1. no art. é o que trouxe o legislador.)´. O montante inicial abrangido pela obrigação se reduz. o art. o inquilino e o fiador são solidários pelo pagamento dos aluguéis. como se dá na fiança anexa a uma locação. Entretanto. continuando o credor com a prerrogativa de exigir de qualquer um deles a totalidade do valor da prestação. deve abater no débito a importância daquele que foi exonerado. resultar de culpa de um dos obrigados. ainda que despido das prerrogativas já referidas. transforma-se em obrigação simples. para recompor tal desequilíbrio. embora não a devam. Na segunda hipótese. Quando há execução parcial da obrigação solidária por um dos devedores (art. 275. o devedor. Tal preceito é defendido pelo parágrafo único do art. após ser paga a dívida de todos por um dos devedores. O crédito. persiste a solidariedade. A fim de que não fique desembolsado de seu quinhão e da quota do insolvente. obviamente. a despeito da solidariedade. porquanto um deles se liberou da dívida pessoal e só continua responsável pela quota-parte do eventual insolvente. Por sorte. ficando liberados os devedores. Sujeita todos ao rateio da cota do insolvente. obviamente. mas é evidente que a dívida só interessa ao inquilino. O valor dela é por todos devido. pode ser compelido a prestá-la por inteiro. Mas as perdas e danos o são por culpa de apenas um. Se a renúncia for total. paga os aluguéis. constituída pelo exonerado. da mesma sorte. mudou. Um derradeiro problema. Primeira. o credor tem o direito de receber o valor da prestação.. 285. É possível que. 277). a lei o defere o direito de reclamar o reembolso de toda prestação paga. mediante inadimplência do inquilino. Se a renúncia for parcial. em que o fiador assume o encargo principal do pagador. como vimos.

o artigo 290 fixa que tem validade a cessão que fira notificada ao devedor. não há como alegar ignorância à cessão. ora. ou também revestir a modalidade de notificação presumida. podendo o credor deles cobrar a totalidade da dívida. EFEITOS DA MORTE DO DEVEDOR SOLIDÁRIO Todos os herdeiros. se. ou a convenção com o devedor (crédito inalienável). são considerados um só devedor. incapacidade etc. é a regra. como um devedor solidário. englobadamente. de um ato ilícito. O legislador. segundo o art. 279 do Código Civil. vinda de um contrato. tempo e forma convencionados. só é obrigado a uma quota-parte do débito. de maneira que. veremos a maneira de transmiti-la de uma das partes para um terceiro. é quem deve compor o prejuízo resultante. mister se faz encarar a possibilidade de simples mora. enfim. quiser vender os alimentos já devidos. no qual o devedor manifesta a sua ciência. Poderá o devedor opor contra o cessionário todas as formas de defesa de que dispunha contra o cedente. É a troca de um credor para outro. cai a prerrogativa. Do momento em que foi notificado em diante. reunidos todos os herdeiros. transfere. não há escusa. DA TRASMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES Aqui. que assim se considera a que resulta de qualquer escrito público ou particular. Ao lado do inadimplemento absoluto.ele. a lei (créditos já penhorados). Se está expresso no contrato a inalienabilidade do crédito. Depara-se com problema quando a não se pode transferir o crédito. como também particular. de sorte que. embora defira o direito de pleiteála do culpado. DA CESSÃO DE CRÉDITO É o negócio pelo qual o credor transfere a terceiro a sua posição na relação obrigacional. O cedido poderá invocar pagamento. o mesmo ocorre na ideia de espólio. Mas cada herdeiro é devedor de uma fração. ninguém poderá alegar desconhecimento. Portando. É a regra do artigo 276 do Código Civil. ³troca subjetiva da obrigação´. ao receber a notificação. Quanto ao artigo 286. Assim. O artigo 294 estabelece que o devedor.. pode. defeitos do negócio jurídico. aqui. todavia. se não alegá-las à época da notificação. A principal razão pela qual o devedor pode invocar a ineficácia da transmissão apoiase no fato de que ele deve saber a quem deve. sujeita todos os devedores ao pagamento dos juros. a obrigação ³já está viva´. afirma a possibilidade de cessão do crédito. A saber. prescrição. se a isso não se opuser a natureza da obrigação (pensão alimentícia ± se. talvez pensando nos interesses tutelados dos credor. adotou solução diversa do artigo anterior. compensação. nesse sentido o art. deverá notificar o novo credor (cessionário) de todas as exceções que possui contra o antigo credor (o cedente). não poderá apresentá- . pode a cessão ser notificada por via judicial. sucedem o de cujus na mesma posição que este ocupava. 280. pois já sobreviveu sem). separadamente. essa se caracteriza quando o devedor não efetua o pagamento no lugar. correspondente à sua participação na herança. porém. num documento se tem a confissão de dívida e noutro tem-se a proibição de sua transferência subjetiva (a cessão do crédito). podendo alegar ignorância à proibição.

transfiram. afirmamos que nos casos em que há escritura pública. prevista no artigo 171. A anulabilidade. caso o devedor não pague o valor da execução. salvo. No caso de cessão de crédito gratuita. Nada impede que se penhore um crédito. ao cessionário a cobrança do crédito pago ao cedente (ressaltando-se.. o cedente. o juiz. ao cessionário que lhe apresentar o título da obrigação cedida. que se tiver valor de até 10 salários mínimos. O artigo 293 não traz questão tão complexa. se foi notificado mais de uma vez. então cedido. assim. ineficaz contra terceiros. acompanha. que todas as prerrogativas que eram do cedente passam de logo ao cessionário. deverá se atentar à anterioridade da notificação (paga ao primeiro que lhe apresentar a notificação). se decorrer a dívida de escritura pública. paga certo. hipotecas irão permanecer. É válido o ato de cessão verbal. Se a fez de má-fé. que a cessão de crédito se afasta do endosso. Em remate. inclusive. Cumpre destacar. P. Tal artigo vem reforçar essa convicção. Segundo o artigo 298. o devedor deve pagar a quem se apresentar como portador do instrumento de notificação juntamente ao título do crédito (então cedido). porém. em vez de pagar ao credor. cedente e cessionário. será válido o pagamento efetuado pelo devedor até a notificação da penhora (penhora é o ato pelo qual o juiz vincula bens do devedor ao valor da causa. visto que a escritura pública que representa a dívida não circula (não sai do cartório). segundo o qual ela não terá eficácia contra terceiros se não a fizerem por instrumento público ou revestila com outras solenidades. 813 do CPC). o obrigando a. O artigo 287 fixa que a cessão do crédito transfere o crédito e todos os seus acessórios. mesmo que o devedor não tenha conhecimento. deve garanti-la. ele vale por si só. podendo obrigar-se o devedor a pagar novamente. sendo assim. modifiquem ou renunciem os direitos reais sobre imóveis. assegurar que o crédito é válido´. Sendo. não vale contra o cedido. porém. depois disso. O artigo 292 é bem claro ao afirmar que o cedido deve pagar. Assim. se houver garantia real.. este consiste na transferência da propriedade dum título nominativo. fianças. ou seja. depositar em juízo. porém. A cessão de crédito produz efeito imediatamente nas relações entre os credores. Se o cedido paga ao cedente de transmissão verbal. também é motivo de invalidade.las mais tarde. assim procedendo. acompanha-no. porém. manda uma ordem de penhora para o devedor. assim. não cabendo essa regra do artigo 294. ³pagar nos autos´. o cedente não deve cobrir a falta do cedido (não deverá pagar). visto que a escritura pública é essencial à validade dos negócios que constituam. esse artigo não vale. se há juros ou cláusula de multa etc. pois admite que o cessionário tome as medidas antes da eficácia do negócio jurídico perante o devedor. há uma ressalva no artigo 288.ex. O artigo 291 afirma que será cessionário o que receber o documento original que representa a dívida. visto que ele nada recebeu pela cessão. hipótese em que o devedor. Se o bem for imóvel. Caberá. Vemos. ao cessionário assiste a prerrogativa de ajuizar ação cautelar de arresto para conservar o patrimônio do devedor que pretenda cair em situação de insolvência (art. vende o bem e a paga). o pagamento é tido como fraude à execução. Um exemplo de crédito inválido é o negócio jurídico celebrado com um absolutamente incapaz. O artigo 295 fixa que o cedente deve garantir a existência do crédito na época da transferência. Assim. há que haver na escritura pública as garantias que lhe são anexas. Logo. não poderá exigir-se do cedente o crédito. pode-se provar por testemunhas). Porém. ³deve. ocorrendo isso. Quem faz cessão de crédito não fica obrigado a garantir a solvência do devedor. porém. DA ASSUNÇÃO DE DÍVIDA . A cessão pode ser feita verbalmente.

É o modo pelo qual o titular da dívida a repassa. em alguns casos. Neste caso. a assunção. O problema de fundo consiste na anuência do devedor e. é claro ao dizer que o novo devedor não oporá as exceções pessoais do devedor anterior. 300 traz. Art. logo. pode valer-se dos meios de defesa derivados da relação estabelecida entre ele próprio e o credor. Num primeiro momento. que veda a aceitação tácita. mostra-se como requisito a solvência do atual devedor. o imóvel é a garantia da dívida. Pois bem. 303 afirma que. se nele mais confiar que terá seu crédito satisfeito. nesses casos. tal consentimento deve vir expresso na transferência. logo. Contudo. porém. disso decorre a expressa anuência do devedor primitivo e. transfere-se tudo ao novo devedor. que permanece na relação. o credor hipotecário ingressará. via de regra. se credor hipotecário nada disser. salvo se ele tinha conhecimento do defeito que inquinava o negócio. estranho à relação obrigacional. as garantias especiais não são da essência da dívida e foram prestadas em atenção à pessoa do devedor (fiança. também do terceiro que tiver prestado a garantia. que subsiste com seus acessórios.). 299 fortifica a ideia de que se o credor notificado permanecer silente. no caso que a garantia for hipotecária. do momento em que se celebra a cessão. com causa distinta da dívida estabelecida entre as partes (a compensação. a primeira hipótese. Quanto ao artigo 302. consiste numa relação trilateral: devedor. porque lhe interessa a solvência do devedor). não confere-lhe a prerrogativa de garantias.. salvo se não impugnar em trinta dias. com aceitação tácita. nessa assunção de dívida. notadamente. Tudo isso vem exposto nas breves palavras do caput do artigo 299. exceto aqueles que derivarem posteriormente à assunção ou que lhe forem personalíssimos. de terceiros garantidores. Neste caso. tal ideia inexiste. inadimplementos etc. o credor deve anuir. cumulativa ou liberatória. Diferente da cessão. Caso ele ache que a garantia da dívida é menor que o . pois o passado é apagado. na assunção.. por exemplo). 301 há o caso de a anulação do contrato de assunção. assuntor e credor. No art. aval. Contudo. em prejuízo do terceiro. apesar da transferência tratar da parte devedora. como todos os seus privilégios e garantias. mas considera-se. É o negócio jurídico pelo qual um terceiro. O art.e. com liame de solidariedade. Os meios de defesa do antigo devedor transferem-se ao assuntor. responsabilizando-se pela dívida. sem que ocorra a liberação do antigo devedor. visto que estas garantias especiais. ocorre o ressarcimento da obrigação para o devedor originário. aquelas que são diretamente ligada à pessoa do devedor. pode expressamente dispor o contrário. salvo aquelas que tiverem sido prestadas por terceiros. por óbvio que é (i. opera-se a assunção da dívida automaticamente. o credor pode aceitar o novo devedor insolvente. aqui. dá-se o ingresso do terceiro no pólo passivo. não podem ser restauradas. hipoteca de terceiro). Porém. Pode ser. pois aquelas que tiverem origem na própria dívida assumida deverão ser admitidas (pagamentos. Na assunção. Nesta hipótese. o mesmo crédito será exigido do novo devedor que assumiu a responsabilidade por ele. Logo. Consiste numa exceção àquela regra. ocorre a liberação do primitivo devedor. Se o devedor ignorava a insolvência do novo devedor. sem extinção da obrigação. assume a posição de devedor. ele fixa que. Na cumulativa. por vezes. a diferenciação entre cessão de crédito e assunção de débito. onde os argumentos podem ser apresentados ao novo credor. todas as garantias tidas pelo devedor originário desaparecem.e. i. A aceitação do credor não implica uma nova relação obrigacional. permanecerá. não fica desvinculado o antigo devedor. será tal ato entendido como recusa. o código civil veda apenas aquelas exceções pessoais. que haviam sido exoneradas pela assunção. Na assunção de dívida interessa saber sobre o patrimônio do devedor. O Parágrafo único do art.

visto que está garantido pela hipoteca. investe na qualidade de locatário DO ADIMPLEMENTO E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DO PAGAMENTO DE QUEM DEVE PAGAR Conforme o art. ao credor não caberá a prerrogativa de recusar. O art. outrossim. salvo se outras forem as objeções. O terceiro do art. 304 é o terceiro juridicamente interessado. o credor não tem porque não aceitar a assunção. há que se provar. sem justificativa. não podendo o credor. são as vantagens que o antigo credor tinha. Paga por interesse afetivo. se dada pessoa adquire uma imóvel. Todavia. recusar o pagamento. celebrou pagamento com recibo nominal à Maria: ³recebi de Maria o pagamento da dívida´ . se João tenta firmar o seguinte recibo com o credor: ³recebi de João o pagamento referente a dívida de Maria´. por este ato. comprometendo-se paga a respectiva dívida. Consiste numa maneira pela qual há a transferência das obrigações. o credor tem o direito de recusar. que nos interessa de perto. CESSÃO DA POSIÇÃO CONTRATUAL Também chama de cessão do contrato. então hipotecária. não poderá. se o fez em nome e à conta de Maria. é a transferência da parte ativa e da parte passiva de um contrato já ultimado. 304. liberando Maria da dívida.seu valor. visto que aceitou o pagamento em nome de Maria. Ilustradoramente. somente . o qual. pode transferir a inteira posição contratual a seu sucessor. com opção de compra do imóvel. há doutrina que apregoa que atos gratuitos não se presumem. Pois bem. todavia. A única diferença. seu novo credor. mas de execução ainda não concluída. que não poderão ser arbitrárias. é a consagração do parágrafo único do artigo 304. onde uma pessoa que deseja a outrem seus créditos e débitos o faça sem necessidade de que se celebre um novo contrato. ilide a assunção. melhormente falando. visto que o parágrafo único contempla esse fato. não está fixada no código. Neste caso. porém. José celebrou o pagamento em nome e à conta de Maria. se o locatário. ³Maria estava abatida. cabe ao credor a ação de consignação.e.. 305 trata do terceiro que não é juridicamente interessado. O credor pode se recusar recebimento advindo do terceiro não interessado juridicamente. Em melhores palavras. do pagamento. José se mune de todas as garantias que o antigo credor tinha contra Maria. haverá dois caminhos: a doação. José não se sub-roga na posição credora. desfazer com o seu cocontratante o primeiro negócio e conseguir que ele o refizesse com o terceiro interessado na transferência. vejamos. o terceiro tem direito de pagar. Assim. mas. caso que o legislador lhe deferiu trinta dias para impugná-las. paguei para reanimá-la. Caso recuse. vindo o artigo 305 lhe subsidiar. No caso de sub-rogação. moral. haverá a sub-rogação em favor de José. Tal figura apresenta uma vantagem prática. mas quero meu dinheiro de volta´. onde deposita a quantia em juízo. intervindo. Pois bem. se o terceiro efetuar o pagamento em nome e à conta do devedor. ou o pleito da dívida. e este imóvel é a garantia. Há doutrina que se presume a doação. Se. transferindo a divida de Maria para José. só não é jurídico. i. Caso o credor aceite.

Todavia. que era o verdadeiro proprietário.ex. O artigo 307 traz a regra do pagamento feito com propriedade alheia. notadamente. o pagamento é válido. Se.. Se o paga por intermédio do seu representante. se fez o pagamento ignorando o fato da incapacidade e não havia meios como saber. i. mas não é o único. com recibo. cabendo ao terceiro. 208. entrega de um bem imóvel ao credor. Há hipóteses que não é-lhe pago diretamente. adimplindo sua dívida. buscar as reparações cabíveis do devedor que entregou o que não lhe pertencia. habitualmente. o incapaz que age naturalmente. Se for fungível. mister se faz. O credor putativo. Neste último caso. ainda que haja culpa do dono. e tal bem é infungível. notadamente. se for terceiro interessado.. 310 trata do credor incapaz. mas se o credor real contribuiu para que assim parecesse. há um credor putativo. 309. se notório for o abuso do direito. A sub-rogação se reveste com o interesse jurídico. Se determinado devedor entrega. o respectivo artigo impõe ao devedor que prove que o pagamento se reverteu em benefício do credor. ou contra sua vontade. poderá. DO OBJETO DO PAGAMENTO Consiste na entrega da prestação. assumiu um risco. se resolverá em perdas e danos. a quantia para o irmão do verdadeiro credor. ou seja. 306 trata do pagamento feito com desconhecimento do devedor.poderá cobrar o montante e a respectiva atualização monetária. ao pagar absolutamente incapaz. o credor putativo não é o verdadeiro. visto que. e é claro ao afirmar isso.e. esse dispositivo não valerá. protege-se a boa-fé. O artigo 311. P. se o dono do posto de abastecimento combina o fornecimento de álcool mensalmente a uma frota de táxis. porém. o fato e o comportamento aparentaram. ainda que mais valiosa. O artigo 313 fixa que não se pode receber coisa alheia à aventada. a ponto de tornar válido os pagamentos.e. quem recebe é o credor. pois. faz pagamento válido. pelo credor. sem ônus nem bônus para . e fornecimento do objeto torna-se impossível. considera-se a dívida paga. a quitação revela-se como autorização válida para pagamento. fez pagamento regular. se se provar que tinha interesse jurídico se sub-roga nos direito do credor. coação etc. Apresentará os motivos de resistência ao terceiro que efetuou o pagamento. nesses casos. O devedor pode não querer pagar porque tem interesse no não pagamento. DAQUELES A QUEM SE DEVE PAGAR Segundo o art. que demostre a representação regularmente. ou seja. pode ter sido vítima de assinatura falsa. a aparência deve ser suficiente e o credor verdadeiro deve ter contribuído para tal suposição. exposto no art. fixando que o devedor não ficará obrigado a reembolsá-lo. é aquela pessoa que se apresenta como legítima credora. a prestação pecuniária é o principal objeto de pagamento.. O art. o credor deverá devolvê-lo. denota pagamento válido. ainda que não se revista de solenidades. Notese: a habitualidade influiu. sendo substituído pela mesma quantidade. autorizado. mas a um representante. opor as suas exceções pessoais. pagou diretamente ao incapaz. Se dada pessoa entrega o que não é seu como forma de pagamento. Se considerar-se de fato. O art. não tendo procuração. via de regra. Há dois tipos de credor que são tratado pela lei: o putativo e o incapaz. i. não poderá reclamá-la ao credor que a recebeu de boa-fé. admite que o representante se mostre como tal com a apresentação da quitação.

O artigo 320 estipula o conteúdo do instrumento de quitação (relaciona-se com o terceiro interessado. art. que reclamam juntamente o pagamento. é válido nessa circunstância. se tomarmos como problema de fundo as circunstância que levam ao pagamento fracionado. ressalvando-se. que inutilize o título perdido´. deverá fazer o depósito em juízo. paga-se no domicílio do devedor. prova-se com testemunhas. dessa forma. 304). até em sentenças. Porém. qual seja. Podendo. e. a aposentada que. uma dívida certa com parcelas regulares. com a perda do título de crédito. Ora. como correspondências físicas ou eletrônicas. nesses casos. 321 trata da perda do título particular. V. Ora. feito em outro lugar. sob pena de incorrer no art. se pagar errado. diverso do aventado.. Se o pagamento efetuado. enriquecimento ilícito. da reserva condominial. O art. esse preceito trata daquelas prestações que foram assumidas juntamente. e este for cientificado. O art. que não passa duma presunção.g. 187 do CC (abuso de direito). o devedor. faz presunção do pagamento das anteriores. que se prolongue no tempo. DO LUGAR DO PAGAMENTO Fica ao alvedrio das partes. como é o exemplo das letras de câmbio. afastando-se. O artigo 318 veda qualquer avença feita com índice ou moedas estrangeiras. Pois bem. visto que. a equidade.. as exceções previstas em lei extravagante. porém em gasolina. in fine: ³poderá exigir declaração do credor. se se depositar o dinheiro na conta do credor no dia de chuva que impossibilitou a locomoção até o domicílio do credor. Não há que se pormenorizar os artigos seguintes do objeto do pagamento. Se aplica em qualquer obrigação que perdure. se houve impossibilidade de efetuar o pagamento no local aventado. desde que justificada. 314 deve ser analisado sob o mesmo prisma. o que aventou na integralidade. for inferior a dez salários mínimos. dever pagar duas vezes. Denomina-se ³dívida portável´ se houver estipulação de que competirá .. O pagamento. onde a cada mês surge uma nova dívida. Destacando-se. o recibo. 322 admite que o pagamento da última prestação.. por fim. A correção monetária é presenta na lei brasileira. em partes.nenhuma das partes. se o locador falece e o locatário se vê frente à viúva e os herdeiros. tornou-se desproporcional. de prestações periódicas. No art. por exemplo. não há motivos para recusa da frota. temos a ³dívida quesível´. Consiste na possibilidade reequilibrar o contrato que. foi acertado alhures. portanto. sob pena de. O art. que soam claros. 319 temos a exigência do instrumento que quita a prestação. No 317 enxerga-se a teoria da onerosidade excessiva. ele apregoa que ninguém será obrigado a receber.g. deferindo ao juiz a prerrogativa de descobrir a quem pertence de direito. Se silentes. orçamentos etc. não podem as partes alterar. salvo caso fortuito. reter o pagamento até o momento que lhe for oferecido a quitação. soa clara a solução do art. No art. assim. por motivos imprevisíveis. impossibilita-se de pagar conta de luz. porém.ex. mediante pagamento de remédios. Vejamos o artigo 312. 316 permite a estipulação de variação incidente sobre o pagamento. há que haver início de prova. há que se verificar o uso do direito. Se. P. Havendo mais de um interessado no pagamento do devedor. há que se aceitar. porém. há que se depositar em juízo. mediante ação de consignação. são aplicadas as respectivas correções. Caso contrário. sem recibo. cabendo aos credores provar o contrário.

ou em estabelecimento bancário (consignação extrajudicial) da coisa devida. nos casos em que o devedor se vê impossibilitado de pagar ou o credor. Por outro lado. quando o comportamento é capaz de induzir a um local costumeiro. que não há como consignar obrigações de fazer e não fazer. B deverá pagar a diferença (R$ 500. Da mesma forma. b) o credor for incapaz de receber. em verdade. devedor que se obrigou a pagar à vista. porém. A irá levantar a quantia e a obrigação estará extinta. Melhormente especulado nos arts. do CPC. o devedor pode depositar em juízo a parte que oferecerá.ao devedor oferecer pagamento em lugar aventado. Casos legais de consignação: a) houver mora accipiendi (do credor) (dívida portável ou quesível).ex. que ratificará o fato justo: o não recebimento por parte do credor ou o pagamento por parte do devedor. isto é..: B deposita judicialmente dez mil reais. 890 e s. vejamos. sem justa causa. porém. O artigo 335 traz o rol de cabimentos para a ação de consignação. ³é o querer pagar´. se recuse a receber.00) acrescido de juros contados desde o dia em que B depositou em juízo. O depósito judicial é relativo a quantias ou coisas certas ou incertas devidas. d) pender litígio sobre o objeto do pagamento entre credor e terceiro. Consignação é um dispositivo oferecido ao devedor que quer pagar. Seis meses depois o magistrado decide que o valor depositado por B estava correto. a consignação dá-se no momento em que se disponibiliza ao credor o bem. se o magistrado decide que B deveria ter pago dez mil e quinhentos reais. c) ocorrer dúvida sobre quem seja o legítimo credor. O que nos importa.g. a disponibiliza-se em juízo. apesar de acordarem que o devedor levaria o pagamento ao domicílio do credor este o busca todo mês no domicílio do devedor. DO TEMPO DO PAGAMENTO Conforme o estabelecido entre as partes. 314 (supra). DO PAGAMENTO EM CONSIGNAÇÃO Do art. exonerar-se do liame obrigacional. 334 ao 345 tratamos do pagamento em consignação. suspende-se os efeitos da mora. onde o magistrado nomeará um depositário para aguardar a sentença. Ora. o feito em estabelecimento bancário é atinente a quantias pecuniárias. não havendo anuência do credor. . vale dizer. em caso de mora do credor. que o efeito fica suspenso até a emissão da sentença. ferindo a subsistência do devedor. sendo uma etapa prévia à consignatária. e. Um exemplo claro. Caso em que. se houver mudança tácita do local de pagamento. cumpre ressaltar. Neste caso. Se.. Ela serve para suspender os efeitos da mora. é o já referido no art. a justificativa deve ser expressamente justificável. ilidindo a regra do 314. é saber o que é consignação e para o que serve. Dessa maneira. consistente no depósito judicial (consignação judicial). Porém. p. É o meio indireto de o devedor. Cumpre ressaltar. Pois bem. vendo-se impossibilitado. Se for bem móvel. oferece pagamento parcelado. nos casos e forma legal. Ex. em poucas palavras.

Vale dizer. que passa a ter por credor. O art. que outra pessoa pague sua dívida. A hipoteca vincula determinado bem como garantia de uma obrigação. para o inquilino não correr o risco dessa execução. se o terceiro que negocia a compra do imóvel com o devedor descontando o valor da dívida. consta que o bem foi hipotecado. Na sub-rogação legal não há manifestação de vontade. mesmo porque. confere-a a outrem. Logo. i. subsiste para o devedor. in fine. que garantiu o pagamento. ele fica vinculado ao pagamento da dívida. no registro público. onde. nada pode o devedor fazer se o seu credor vendeu o crédito (na hipótese em apreço trata-se da circulação de crédito). as duas formas de sub-rogação. Note-se. II. não há maiores entraves. se determinada pessoa pagou somente para não executarem o . 348. o locatário pode pagar a dívida e evitar o risco da execução. convenciona a sub-rogação com o proprietário do imóvel. quando o locador dum imóvel é devedor. paga o credor. O inciso II do art. sub-rogando-se na posição credora.. visto que paga o que couber a cada um. em vez de ser hipotecado. Ilustrando: o credor executa o locador (este é o devedor da obrigação). aquele que lhe pagou ou lhe permitiu pagar a dívida´. tornando-se titular da posição credora. o importante e interessante encontramos aqui. Em decorrência disso. terceiro. 346 traz a hipótese do bem imóvel com garantia hipotecária. o inadimplemento do devedor ameaça a propriedade do imóvel. nada obstante ter pagado ³menos do que devia´ (mas quitou a dívida com o credor). mediante inadimplência do inquilino inadimplente. poderá ser penhorado (apreensão do bem para o pagamento da respectiva dívida). mas não o é. por um juiz). ou emprestou o necessário para solvê-la. 346. O artigo 350 é taxativo ao fixa que o assuntor da sub-rogação legal só poderá exigir (cobrar) o valor gasto. como vê-se o art. A obrigação pelo pagamento extingue-se. Todavia. poderá convencionar qualquer outra prestação com o devedor. diferentemente da cessão. ³contrata-se o pagamento de uma dívida´. este imóvel. se resume assim: sendo a sub-rogação feita de maneira legal. da mesma forma que pode recusar doação. sendo ela (a sub-rogação) feita convencionalmente. 347 trata da sub-rogação convencional. o sub-rogado só pedirá o que desembolsou para a respectiva prestação. vale dizer. visto que. em virtude da sub-rogação. em poucas palavras. faculta a possibilidade de sub-rogar. Se a mediadora. o comprador do imóvel pode pagá-la.DA SUB-ROGAÇÃO Substituição de uma pessoa por outra na relação obrigacional. paga-o de fato. Porém.e. Ou seja. remetemos ao art. poder-se-á convencionar que. ou seja. Sub-rogação é o modo pelo qual. penhora-se o bem em questão (hipoteca resulta de um contrato. ocorrendo inadimplemento. a legal e a convencional. penhor resulta de uma execução determinada..e. Ocorrendo isso. na cessão. notadamente. Da mesma forma. este bem pode ser vendido. o legislador dispõe que aplicam-se as regras pertinentes à cessão. a lei dispõe sobre a transferência. que. Vejamos. Lembra cessão de crédito. investe-se nos direitos do antigo credor. O terceiro pode impedir. mas. se ele inadimple. tratando de sub-rogação convencional. extinta para o credor originário. a dívida. Pois bem. assume a posição credora. sub-rogando-se nas garantias do antigo credor. i. investido nas mesmas garantias. Na clássica lição de Clóvis Beviláqua. aqui o dispositivo da sub-rogação legal entra em cena. vale dizer. 350. portanto. que pagou satisfatoriamente o credor. portanto. De início. a respectiva parcela do devedor (de quem comprou o imóvel) e a do seu credor (que tinha o imóvel como garantia). foge à alçada do art. é ³a transferência dos direitos do credor para aquele que solveu a obrigação. a sub-rogação é também forma de alterar a pessoa. portanto.

Se há dívida vincenda que incide juros. sem ter extinto os deste.. eliminando. DA DAÇÃO EM PAGAMENTO . 352 e s. 352). afinal. admite-se que ele anuiu à imputação feita pelo credor. utilizando-se do dispositivo do 347. por regra. visto que. a lei considera que foi paga a mais gravosa (conforme o art. vejamos. R$ 1. por mês. se não limitarem os direitos do sub-rogado na sub-rogação convencional..imóvel. Em face dessas duas formas de escolhas expostas acima (devedor. Também o significado de ³vencido´ nos interessa. O primeiro critério fixa que. só recebe o que foi gasto. sem obste de pagamento (pronta para pagar)´. só terá disponibilidade de cobrar o valor desembolsado.e. figura um credor de duas dívidas vencidas do mesmo devedor. dessa maneira. conforme o exposto. floresce-se uma terceira.000 referente alimentos e R$ 1. ³passível de ser exigida´. atenta que tal dispositivo fixa que. papel secundário em relação ao segurado (credor originário). soa óbvio. o causador não terá que pagar para a seguradora. tendo esse preferência em relação ao sub-rogado. primeiramente o juros. que teve seu veículo danificado. fixado nos arts. De início. Esses artigos servem exatamente para isso. DA IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO ³É a escolha de qual dívida pagará quando houver mais de duas já vencidas´. o devedor pagará qualquer uma delas. Em vista do parágrafo anterior. na hora que se prove do ³recibo´ mantém-se silente. prerrogativa esta que. 350. não sendo o pagamento total (i. em outras palavras. considera paga a prestação de pensão alimentícia. tendo. Ilustrando a hipótese. escolher na hora em que emite o recibo. romperia a intenção da respectiva cláusula contratada. no capital que incide juros e.e. na existência de duas dívidas do jeito supracitado. ou credor. assumiu a subrogação. se o devedor somente oferece o valor e. paga-se primeiro o juros. que quer significar ³prestação que já sabemos o valor exato. se não objetou (contrapôs-se). O caso em apreço. cumpre destacar a significação da palavras ³liquidez´. pode-se convencionar com o devedor. transfere-se para o mutuante direitos de extensão igual ao do credor originário. contraiu empréstimo para pagar parcela da dívida). se transfere com sub-rogação convencional. em virtude de sua natureza mais gravosa (incide prisão sobre dívida de alimentos). O artigo 354. em seu Código Civil Comentado. quita-se. pois esta foi sub-rogada. I. vale dizer. não legal. para saber-se qual será a primeira a ser paga. se recebeu a dívida e nenhum deles estipulou o que recebia/pagava. e a seguradora também o fez (reembolsou os prejuízos do vitimado). o capital. porém. A título de exemplo.000 respeitante ao aluguel do apartamento que é da ex-esposa. Grosso modo. por decorrência). 351. em tais circunstâncias. pela lei. vemos que o primeiro pagamento é feito ao credor originário. 355 do CC). o artigo 355 soa categórico. qual seja. Em remate. Beviláqua. Assim. Na hipótese do art.. em decorrência. que pode. vale dizer. o devedor escolherá qual deve ser paga (regra do art. e deposita somente um mil reais. Com isso. o devedor tem a prerrogativa de escolha. escusando-se da regra do art. se o causador do acidente de trânsito paga a vítima. i. 353). é considerada como anuência à imputação feita pelo credor. se um marido deve pagar. por fim. se elimina-se nalguma hora. ³ele abriu mão do direito de escolha (art.

que fica pendente (pagamento financiado). Terceiro requisito evidencia-se com o animus de novar. O primeiro requisito para a novação é que a dívida deve ser válida. i. pode utilizar-se deste outro modo de adimplemento. segundo o art. A primeira obrigação desaparece.Dação é derivação do verbo dar. 206). 172 (de acordo com a súmula 296. Por fim. O vício redibitório é o vício ou defeito oculto da coisa recebida. é. sob o prisma do art. qual seja. porém. Se faz-se novo acordo.ex. pode-se efetuar a novação. de anulável. extingue-se o vínculo entre elas. Quando há prestação em aberto (dinheiro. em razão de contrato comutativo. desfaz-se o liame obrigacional integralmente. se pode se pagar uma dívida prescrita. Isto é. cabe novação. 169. entretanto. a nova dívida deve ser válida também. ela (a dação) se desfaz..). após a venda. e. em virtude disso. sobre o artigo 367). é aquela que ³não se pode pagar. tornando-o. 357). qual seja. Frise-se. v. já vista. Todavia. vale dizer. em verdade. Pois bem.. a novação. a evicção. pelo adquirente (comprador que recebeu a garantia da evicção). se se aplica tal procedimento à compra e venda. Há. A dação livra as partes reciprocamente consideradas.e. a novação subjetiva e a mista. Anulidade dum negócio jurídico não prescreve. 171). resultou em perda da coisa. considera-se novação. ainda que mais valioso. conforme a jurisprudência deste instituto. entra em cena a dação. um negócio válido. que continuará pendente. em face disso.g. temos a novação. Um segundo requisito. se o negócio é anulável (art.g. expressa ou tacitamente considerado. pode constatá-lo implicitamente no instrumento pelo qual se deu. é a garantia que o vendedor dá. é convencionado que assim será (quitação da dívida anterior com outro objeto de prestação). extinguindo o anterior. casos em que mantém-se a mesma prestação. caminho diametralmente oposto da dação. ainda que com outro vínculo). ao financiar pagamento atrasado. reforçar juros ou garantias não caracteriza novação. então. com outra prestação (objeto)´.. temo-la prevista nos art. se. Quanto à dívida prescrita. ele é nulo para sempre. o ato de financiar é o animus que caracteriza a novação: a troca de um dívida (pagamento à vista) por outra. A simples refixação de cláusulas no contrato não caracteriza novação. se não vier expresso. DA NOVAÇÃO Substituição de dívida não cumprida por outra obrigação igualmente não cumprida. total ou parcial. recai sobre a dívida vindoura. firmado novo prazo para cumprir. que extingue o vínculo entre as partes (a dação é satisfatória. vejamos cada uma delas. considera-se quite o pagamento. Numa novação subjetiva há a alteração de uma das partes. Nos dois casos se desfaz a dação. Regra consagrada. substituída por uma nova. visto que se estaria convalidando um negócio nulo. No caso da evicção. Ora. se ele o evidenciar. que caracteriza evicção ou vício redibitório.g. vale dizer. já existente antes da celebração do negócio jurídico. que a impede que seja utilizada ou a torna desvalorizada (art. se as partes foram silentes (não estipularem os valores remanescentes).) e ela é trocada pelo bem dado (imóvel. Se faz dação com vício (imóvel com pendência). ora. visto que contraiu processo judicial do qual. a troca de um dívida por outra. um negócio celebrado por incapaz é nulo para sempre. p. não cabe novação sob negócio nulo. embora de forma diferente. Até agora vimos a novação objetiva. a novação perdura. tanto para um como para outro (art. há que se aplicar à dação. Ora. 356 a 359 do CC. vende-se o bem e perde-o por decisão judicial. i. e. não cumprirá de imediato. Daqui surgi importante consideração. em consonância com o primeiro. há confusão ..e.

Se determinada pessoa contrai empréstimo com uma pessoa que. Há dívidas que não são compensáveis. compensando-se de pleno direito. trazidas pelo art. a destina seu patrimônio (herança). A compensação opera-se até o valor que se aniquilam. visto que o herdeiro pagará para si mesmo. A automática está fixada no art. art. Uma dívida anula a outra. Sem maiores complexidades.g. Se a garantia envolve terceira pessoa. arts. o art. portanto. Esta caracteriza-se quando as posições de devedor e credor recaírem sobre a mesma pessoa. Por fim. A compensação convencional se dá através dum contrato entre as partes. DA CONFUSÃO. desaparecem. em seus incisos. São requisitos da compensação a reciprocidade das obrigações (duas pessoas devedoras uma da outra. 369. 363 exige a má-fé do devedor antigo para que se tenha direito à ação de regressão. em verdade. O inciso II obriga o contraente de comodato a devolver a coisa. art. perdura. O art. não se compensa. a fim de compensar) e a fungibilidade dos créditos (as dívidas devem ter a mesma natureza. não permitindo compensar dívida se obteve o dinheiro para quitação subtraindo-o do credor. a herança pagará a própria dívida. manifesto quanto a sua existência e delimitado quanto a sua extensão) e a exigibilidade das dívidas (vencidas. ressalvando-se seus requisitos. e. não há que se falar em pagamento. Há duas espécies de compensação. compensar empréstimo com indenização). DA REMISSÃO Do verbo remitir. que depende do acordo entre as partes. A dívida se extingue com a confusão. 364 estabelece que os acessórios e garantias. simultaneamente). pois que sua finalidade é a subsistência duma das partes. Na novação mista. frise-se. fundada na confiança. frise-se que o 372 admite o estabelecimento de novo prazo. Novação. 368.. Entretanto. e a convencional. que se dá automaticamente.com a assunção de dívida e com a cessão de crédito. É inútil adentrar no estudo do art. a troca do objeto da prestação e de uma das partes. se houver remanescente. há. visto que a garantia é dada tendo a pessoa do devedor como pano de fundo. é objetiva (alteração do objeto da prestação) ou mista (alteração do objeto e de uma das partes. 299 possibilita a mesma ação (de regressão). 373. consiste no perdão da dívida. é inócuo. O inciso I trata do dinheiro advindo de ato ilícito. sem a exigibilidade da má-fé. . a liquidez (valor certo. Equipara-se à doação. salvo no caso que as partes estipularem contrariamente. mister se faz que haja a aceitação do devedor. 381 e s. O art. na novação. simultaneamente. a legal. DA COMPENSAÇÃO Consiste no meio de extinção das obrigações pelo encontro de dois créditos recíprocos entre as mesmas pessoas. 368. 363. após a morte. somente requerendo que o credor ignore o estado de insolvência do atual devedor. esta deverá anuir. Se umas das obrigações é de alimento. não imperando o dispositivo da compensação.

estendidos a todas as despesas. fica vedada a compensação desde o momento que o objeto adquirido pelo devedor tenha sido penhorado contra o seu devedor. O absoluto pode se caracterizar pela não entrega dum imóvel pronto e o relativo pela não entrega dum imóvel que está sendo feito. se construir acima do limite que aventou não fazê-lo incorreu em mora. ³Correção monetária´ significa ³corrigir o valor da moeda´. for objeto de penhora por terceiro. vem no art. inclusive. A regra contida no 391 não é absoluta. por intermédio do juiz. se o comprador. que não recebeu o imóvel. mas não descaracteriza o descumprimento: descumpriu. mas se estende a todos os gastos havidos com a ação e aqueles honorários oriundos do contrato. visto que.e. acrescido das respectivas incidências decorridas do descumprimento. Contratos benéficos significa ³negócio jurídico gratuito. exequente. ainda que leve. Inadimplemento é um gênero: não entregar a coisa devida. visto que fora aviltado pela inflação. vedam a possibilidade de compensar). ainda que por erro leve (tapar o retrovisor. pois. paga-se os valores com o acordo. dada pessoa dá carona a outrem que.ex. sendo admitida previamente à anunciação da compensação (antes de celebrarem) ou se de outra forma convencionaram (no momento do contrato. Lei 8009/90. p. 380 veda a compensação que seja prejudicial a terceira pessoa. por vezes. o beneficiário (o . estaria prejudicado. 392 traz a ³regra do carona´. O art. agora. Divide-se em duas espécies. quais sejam. O art. invade os bens do devedor..o inciso III remete ao art. a fim de adimplir a dívida. 375. o dinheiro gera riquezas (frutos civis). por gentileza. P. Vale dizer. é caracterizada a inadimplência no momento que o faz. p. Frise-se. frise-se. em face da penhora.g.ex. embora. para compensar a dívida com seu credor. P. os bens de família. Este instituto fixa que o Estado. DO INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES Em caso de descumprimento da obrigação o inadimplente deve indenizar. paga-se o uso do patrimônio alheio. v. por o atrapalhar a atenção. não se restringe ao valor da sucumbência.. às manifestações de vontade que afetam o mundo jurídico. inadimplemento absoluto. O art. por exemplo. quando uma pessoa aumenta seu patrimônio sem nenhuma contrapartida. se. 649. essa interpretação dos honorários advocatícios. Segundo o 392. por sua vez. assim como outros bens. A lei que estabelece os bens de família. ³Juros´ quer significar o ³fruto do capital´. não poderá efetuar o pagamento ao seu credor nem opor a compensação ao exequente. e o inadimplemento relativo. como. o faz envolver-se em acidente. sendo obrigação de não fazer. Em suma. que fixa um rol de coisas incompensáveis. ³Honorários de advogado´.ex. 392 e s. vale dizer. 390 traz a hipótese da obrigação negativa. 389. Se o beneficiário causa a lesão. varia o tratamento para com cada uma das partes (doador / recebedor). Fixa o artigo que. ou ela não mais interessa ao credor. os objetos de trabalho (a sua finalidade é sustentar o indivíduo) etc. onde o devedor fica em situação de descumprimento. segundo o qual não há mais como satisfazer a obrigação. se não houve gastos com advogado. i. porque o adimplemento da obrigação ainda interessa o credor.).ex. Os arts. é exemplo clássico da exceção à regra do 391. e desfazê-lo somente suspende a mora. aplicam-se ao negócios jurídicos. o devedor inadimplente deverá torná-lo indene. Quanto à renúncia... visto que o terceiro. é sustentada pela jurisprudência do art. Quem descumpriu com o dever irá recompor o prejuízo experimentado injustificadamente pelo outro. Veja. responderá ele por perdas e danos. teve dispêndios com aluguéis. se o bem adquirido pelo devedor. havendo dano em negócio jurídico gratuito. não há que se vigorar isso.

carona) terá o dever de indenizar. depende da comprovação da oferta.. 2 oferta de pagamento pelo devedor. a mora do devedor é o não cumprimento/cumprimento imperfeito culposo. Em remate. porém. DA MORA O artigo 394 abre o capítulo da mora. agora. responde. 2 inexecução culposa (note-se que aqui os pressupostos se afastam. ou de força maior. também chamada de mora solvendi. independentemente de culpa. no dia do cumprimento. para justificar a mora. conforme o art. Mora. ver-se-á que não há que se indenizar. e. nexo causal (entre conduta e o resultado. Posto isso. quanto para o devedor. embora. pois enquadra-se. O credor não precisa incorrer em culpa para se caracterizar a mora. e 3 recusa injusta no recebimento (recusar pagamento parcelado não é mora. com comprovada interpelação do devedor. e 4. 3. frise-se. força que modifica o mundo exterior). porque a inexecução não culposa o isenta da mora). aquele fato criado por terceiro. Somos acostumados a dizer que ³mora´ é o mesmo que ³atraso´.e. se não estivesse em mora. Se o devedor encontra-se em mora. i. pois ao credor ainda interessa o pagamento. vejamos. hoje sendo dia quinze. 393. Enxergando caso fortuito. chamada de mora accipiendi. Pois bem. tanto do credor. 3 interpelação (aviso ou advertência ao credor de que se deseja adimplir a obrigação) judicial ou extrajudicial quando a dívida não for a termo. porém. conduta (ação ou omissão. envolve-se em acidente que causa lesões ao carona. a mora do credor é o não recebimento. acrescido das respectivas incidências. impedindo a execução da obrigação. dano (prejuízo injustificável). qual seja.. qual seja. o dano). o credor não pode invocar caso fortuito ou caso fortuito. 1. Portanto. A leitura do art. 399. Quanto ao art. que retarda ou cumpri imperfeitamente. caso seja determinado pelo juiz que o fará. 394 fixa que mora é descumprimento da obrigação que ainda pode ser satisfeita. É inegável. a culpa é requisito indispensável para o estabelecimento da mora. vale dizer. não incorreu em mora). O dever de indenizar decorre de quatro requisitos. está ele em mora. Isso vem consagrado na súmula 145. 2. Há diferenças em relação à mora de cada um (devedor/credor). culpa (na maioria dos casos a conduta deve ser culposa.. ele prevê a exclusão do dever de indenizar. visto que ao credor ainda interessa o pagamento. dependendo das circunstâncias. Os pressupostos para a mora do devedor. Se não se pagar o aluguel com vencimento para o dia dez. por exemplo. Quem estabelece a exclusão do requisito culpa é a lei. está-se em mora. . nas obrigações de fazer: se se avença com um marceneiro que lhe entregue uma mesa de mogno com três pés e. no direito civil não. mas este é o elemento ³dispensável´ em determinados casos). Há determinados pressupostos para se caracterizar a mora. que a boa vontade do devedor não pode vencer. decorrente de forças naturais ininteligentes. não terá o dever de indenizar. a tempestade etc. para o devedor. lhe entrega uma com quatro. Por outro lado. o inadimplemento pode ser superado. ainda que por motivo de caso fortuito ou força maior. como o furacão. que se recusa a receber injustamente. são: 1 dívida líquida (com valor determinado) e vencida (exigível).g. dos quais três são absolutamente indispensáveis. Os pressupostos para a mora do credor. se o motorista. o acidente que não podia ser razoavelmente previsto. pelo perecimento do objeto. que ofereceu carona. não é limitada ao conceito de atraso. são: 1 dívida líquida e vencida. em tais circunstâncias falta um dos elementos indispensáveis ao dever de indenizar. o nexo causal entre a conduta e o resultado (dano). como acontece no assalto.

não indeniza). nas obrigações negativas. que deveria entregar a máquina. que ³no caso de mora o caso fortuito ou de força maior não escusa. se o credor encontra-se em mora. seja porque teve aumento em seu passivo (não recebeu a casa na data prevista e. os juros de mora incorrem desde a citação. a data da quitação. se molhou e apodreceu). Segundo o art. 404 fixa que juros são pagos independentemente de prejuízo. que é a diminuição potencial do patrimônio do credor. aqui. que. o que ele gastar para a sua conservação (da coisa). que figura o prejuízo injustificado. salvo se o devedor provar que não teve culpa no atraso da prestação ou que o dano ocorreria. somado à atualização monetária. serlhe-á ressarcido. O art. a mora é tida desde o fazimento da respectiva abstenção que fora prometida. Em suma. caso em que a constituição da mora é automática. todavia. 397 traz a figura da dívida positiva ± dia certo ± e líquida ± com valor determinado. o devedor não responderá pelo caso fortuito ou força maior.não teria mais obrigação de dar. por conta de chuva. Há. há que falar-se em indenização complementar. salvo se haver cláusula penal. dado o inadimplemento do devedor. ou a positividade. os lucros cessantes só são devidos se previsíveis no momento em que a obrigação foi contraída (se o dono da gráfica aventa o recebimento duma nova máquina que substituiria uma que falhara há lucros cessantes se ocorrer o inadimplemento do devedor. ocorrendo mora. teve que refazer o forro. que integram o valor correspondente às perdas e danos. tudo bem. a partir deste momento. em virtude disso. pois não houve lucro. 404 inova ao permitir que o juiz conceda indenização suplementar. visto que. porque. aquilo que ele efetivamente perdeu. dívidas que não têm liquidez. Até. porém. gastou com aluguel). porém. trazidos no art. não tendo a liquidez. em virtude disso. não há falar-se em lucro cessante. O parágrafo único do art. como havia a máquina anterior. dá-se a mora do ato ilícito desde a conduta causadora de dano. Ressalta Beviláqua. Dano emergente é uma conta de subtração. se os juros revelam-se insuficientes ao reestabelecimento do statu quo ante. incide contra o moroso juros de mora. Por lucros cessantes entende-se o bloqueio duma soma. os juros de mora incorrem sobre o inadimplente desde a citação. data pré-estabelecida. a título de juros. se aconteceu depois da mora. onde se arbitra o valor. O art. valor determinado. seja porque teve seu patrimônio depreciado (não fora colocado o telhado duma casa e. 400. 402. 402 ao 405 tratamos das perdas e danos. E os honorários advocatícios são indenizados também quando há inadimplemento de obrigação pecuniária. qual seja. . salvo disposição contrária da avença. A atualização monetária corrige o poder de compra da moeda. tendo como juros a remuneração sobre o capital em questão. têm só o aspecto positivo. Geralmente. 398. frise-se. Segundo o art. ademais. DAS PERDAS E DANOS Do art. a mora é caracterizada desde a citação (interpelação. Cumpre destacar. não se paga além do 1%. é lucro hipotético. ainda quando a obrigação fosse desempenhada oportunamente´. nas obrigações positivas. já vimos. 407. é possível se calcular os lucros não auferidos a partir do momento que não a recebeu. para o correto cumprimento. Há que se saber quando iniciou a mora. judicial ou extrajudicial) ou termo final. comprovando que o juros de mora não são suficientes à cobertura dos prejuízos. se o comprador iria inaugurar a loja. conforme o art. pelo lucro que deixou de auferir. de não fazer. a figura do dano emergente e do lucro cessante. é a diminuição patrimonial experimentada injustificadamente pelo credor.

A súmula 596 exclui a incidência deste instituto. 161 do Código Tributário. Há neles a distinção no que tange obrigação indivisível e divisível. 410 transfigura a relação obrigacional em alternativa. A leitura do art. que traz somada nela a taxa de juros e a atualização monetária. 413 dá uma arma para o juiz. pois só existe em virtude de outra avença. a taxa Selic deve ser usada sozinha. ao tratar da obrigação indivisível. é mal redigido. 407 fixa que o juros satisfazem o lesado e punem o inadimplente. se se cobrar atualização monetária há que se somar aos juros trazidos pelo art. e a segunda maneira é a cláusula penal moratória. prevista no art. a partir do momento que se transforma em perdas e danos a .. já se tenha pago 80 prestações. acrescida das respectivas incidências (multa e atualização monetária). o estabelecimento de uma suspensão de fornecimento.DOS JUROS LEGAIS O artigo 406. 411 temos a figura da cláusula penal moratória. que pré-estabelece perdas e danos. A regra que fixa os juros correspondentes àqueles cobrados pela Fazenda Nacional (a União) é tormentosa. ou se exigirá o cumprimento da obrigação original. O art. porque é clara. em prestações consecutivas. mas não é a única. p. para haver multa superior ao valor da obrigação há que ser justificada. No art. ou o cumprimento imperfeito. a primeira é o caso previsto no art. segundo a imposição do art. é uma pena convencional. o critério de redução. A multa é uma forma de cláusula penal. prevista no art. 161 do CTN acrescido de atualização monetária. cabe-lhes ação de regresso. e pré-fixar a indenização. Há duas formas pelas quais a cláusula penal se manifesta: cláusula penal compensatória. afirma que cada devedor responderá proporcionalmente à sua parte pela cláusula penal. porque. Assim. caso a mora seja do devedor. soa injusto fazer o inadimplente pagar 180% do real valor da obrigação). não excederá o valor da obrigação principal. que deve intervir no valor da multa. A cláusula punirá e preverá a indenização. 410. ou a entrega de maior quantidade. três hipóteses são possíveis. ainda que dentro destes limites impostos pelo art. Para tanto. que abre este capítulo. Pois bem. por exemplo. O art. a terceira maneira de intervenção do juiz é em todos aqueles casos que a multa for manifestamente desproporcional. pode incidir sobre prestações futuras. pois. que traz-nos uma somatória. vale dizer. caracterizando-se um pacto acessório. portanto. 412. exagerada. DA CLÁUSULA PENAL A finalidade da cláusula penal é a prevenção do inadimplemento. se cobrá-la com o acréscimo da atualização monetária há dupla cobrança desta. totalizadas em cem prestações. fixados em 1 %. houve cumprimento parcial da obrigação (se. tem duas finalidades. como. quando a multa ultrapassar o valor da obrigação principal. revelando-se abusiva. consistente na soma da obrigação principal acrescida da penalidade cominada pelo contrato. Ora. para os casos que há imperfeição no pagamento ou descumprimento relativo da obrigação. instituto da usura. 412. sobre as instituições financeiras. 411. O art. assim. A União cobra a taxa Selic. qual seja. punir o descumprimento. malgrado ter respeitado os limites do 412. quais sejam. Por fim. portanto. Vejamos. tida a título de compensação. sendo culpado um só. A cláusula penal. A segunda maneira é quando. 412. ou se exigirá a cláusula penal.ex. O valor da cláusula penal. Frise-se. é o quantum a obrigação já foi cumprida. tanto a taxa Selic quanto o art. em caso de mora do credor. 414 e 415 é fácil. que é fixada nos casos de total inadimplemento da obrigação. incorre na previsão do 413. O 414. o STJ já utilizou-se das duas maneiras de cobrança.

não estão sujeito à penalidade da cláusula penal. quando ele é parte do pagamento. fixando a cláusula penal como o mínimo da indenização. portanto. fixando exatamente o valor da indenização. celebrado em contrato. Os arts. na 2ª parte. portanto. mas também o caráter punitivo nela embutido a efetiva. Há dois tipos de sinais. o confirmatório e o penitencial. nos casos de descumprimento. é vetado ao contraente exigir indenização suplementar. qual seja. se do mesmo gênero da prestação final. mas não são equivalentes. com a prestação original firmada em dinheiro. qual seja. o sinal confirmatório. visto que o prejuízo não é seu único elemento de validade. 418. disso é a entrega. a cláusula penal só é paga no caso de descumprimento. O sinal confirmatório. a parte prejudicada preiteará indenização suplementar. o sinal é idêntico ao objeto que será entregue no final. com o objetivo de assegurar o cumprimento da obrigação. é um valor mínimo que pode ser complementado por indenização. qual seja. além do recebimento das arras. No sinal confirmatório. 419. O sinal é tido no mesmo contrato. confere o direito de arrependimento. Em seu parágrafo único trata da hipótese contrária. exigindo. de uma motocicleta. cada um indeniza proporcionalmente à sua quota correspondente. a título de compensação do maior prejuízo. portanto. isso o diferencia da cláusula penal. O sinal. fixa que a inexecução por parte da pessoa que deu arras a sujeita à perda destas. 417. poderá exigir a indenização suplementar que tem como mínimo o valor das arras. que. Nada impede que as partes convencionem a indenização complementar. 418. é um ato ilegal. O art. O sinal penitencial. ou outra coisa fungível. A parte que desfaz o negócio é punida porque usufruiu dum direito. Nesse sentido o art. temos a hipótese do sinal penitencial (punitivo). finalmente. quem as deu poderá ter o negócio como desfeito. pois só se caracteriza se houver a entrega da coisa no primeiro momento. Por outro lado. O fundamento das arras ou sinal é a confirmação do negócio em questão. conforme a leitura do art. não é exercício dum direito. vale dizer. que é um direito pessoal. o descumprimento do contrato. além da devolução das arras. frise-se. o credor deverá devolver a motocicleta com o adimplemento da obrigação. tem outro aspecto. provados maiores prejuízos. ou. é. fixa o mínimo de indenização no eventual descumprimento. aqui. No art. Sinal ou arras se aproximam da cláusula penal. não há como cobrar mais. Frise-se. vale dizer. por isso. em sua 1ª parte. 419 fixa a possibilidade de pedir indenização . fixa a hipótese da inexecução pela pessoa que recebeu as arras. da execução do contrato. com as respectivas reincidências. 418 e 419 trazem a hipótese das arras confirmatórias. Em remate. pois os outros obviamente cumpriram e. a título de arras. que confere o direito de arrependimento às partes. O sinal consiste num direito real. O 415 fixa que. por outro lado. nestes casos. 420. O artigo 416 estabelece que não é necessária a existência de prejuízo para exigir-se a cláusula penal. nos casos de obrigação divisível só incorre em pena o devedor inadimplente. se não for provado maior prejuízo.obrigação é divisível. DAS ARRAS OU SINAL É a quantia dada em dinheiro. aquela hipótese que o valor da cláusula penal é inferior ao prejuízo. Ex. no cumprir a obrigação. porém. deverão as arras serem restituídas ou. o recebimento das arras. É o que diz o art. é pago antecipadamente. o art. não com a entrega dum bem. fixando que. Sendo assim. in fine. se preferir. que surge do contrato entre as partes. aquela que firma o negócio. o acréscimo do valor equivalente. Neste caso. em caso de execução. O mesmo artigo. serem computadas a esta. não havendo disposição expressa.

tal submissão do devedor ao credor só veio a cessar com a Lex Poetelia Papiria que no século IV a. 30 DE Apostila de Direito das obrigações 1. regula as relações da infra-estrutura social de relevância política. as de produção e as de troca. Segundo Clóvis não faz a distinção entre obrigação e qualquer dever juridicamente exigível. são absolutamente aproximadas. Dentro de nosso C. conforme o art. não o corpo do devedor deveriam responder pelas suas dívidas. Podem designar-lhe o lado ativo. o vocábulo primitivo empregado para externar o vínculo obrigacional. denominado débito. como vimos. Também é nos direitos das obrigações que percebemos as limitações impostas à liberdade deação dos particulares retratando a estrutura econômica da sociedade. Dotado de grande influência na vida econômica. A mais antiga definição remonta das Institutas primando ser um vínculo jurídico que necessita adstringir o devedor a cumprir a prestação ao credor. mas evidencia os seus elementos: sujeitos prestação e vínculo jurídico. O vocábulo obligatio é recente tanto que não foi utilizado na Lei das XII Tábuas. Integrante do corpo discente da UPM. Obrigação é o crédito considerado sob ponto de vista jurídico.C. É através de tal definição que podemos abalisadamente estabelecer a contraprestação entre direitos reais e direitos obrigacionais. * Ricardo Macellaro Veiga. cabendo analogia. ESCRITO POR GISELE AGOSTO DE 2009 23:02 LEITE DOMINGO.suplementar.. certo ostracismo do credor. enquadrando-se as mesmas possibilidades tidas para com a cláusula penal. . Linhas gerais do direito das obrigações. A obligatio caracterizava-se como direito de garantia sobre a pessoa física do obrigado. destacando o conteúdo como uma prestação e externar-lhe também a sua peculiar coercibilidade. crédito é a obrigação sob ponta de vista econômico. também chamado crédito. o juiz deve intervir no valor da indenização. A importância dos direitos das obrigações compreende as relações jurídicas que constituem as mais desenvoltas projeções da autonomia privada na esfera patrimonial. vincular). Há uma ressalva exagerada do devedor e. revela a essência ou substância da obrigação (vínculo entre duas pessoas). Em qualquer caso. Já a definição de Paulo não chega a definir obrigação. era nexum (advindo do verbo nectere significando atar. 413. substituiu o vínculo corporal pela responsabilidade patrimonial onde os bens e. porque. Destaca que a obrigação é uma relação jurídica entre o credor e o devedor caracterizada pelo vínculo jurídico. descreve com maior exatidão o conteúdo e o objeto do vínculo.C. unir. a palavra obrigação comporta vários sentidos. e o lado passivo.

quer amigavelmente. À obligatio sempre se contrapõe. já o Código Civil (BGB) Alemão prefere conceituar a obrigação pelo lado oposto. que nos constrange a dar. 2 º § 1º). Não há obrigações perpétuas nem mesmo as de direito família puro que quando muito poderão perdurar enquanto vida tiver o alimentado. O caráter provisório evidencia que uma vez cumprida e satisfeita a prestação.399 CC/1916 vide art. o devedor resta liberado e ao credor cabe a extinção de seu direito.´ Não alude tal definição ao elemento responsabilidade Washington de Barros Monteiro assim definiu: obrigação é a relação jurídica. 241). positiva ou negativa. 1. . estabelecido entre devedor e credor e. garantindo-lhe adimplemento através de seu patrimônio. A obrigação corresponde a uma relação pessoal que induz a responsabilidade patrimonial.033 do NCC). mas seria exagero concordar com Gaudemet e Polacco que vislumbraram na obrigação um vínculo entre dois patrimônios sob uma ótica despersonalizada do vínculo. a solutio( do verbo solvere. Apreciemos algumas das definições sobre obrigações fornecidas pelos nossos melhores doutrinadores: Clóvis: ³Obrigação é a relação transitória de direito. quer pelos meios jurídicos disponíveis ao credor. que.220 CC/1916 vide art. Radbruch afirma que o direito do crédito traz em si o germe de sua morte. desatar. cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica. a fazer ou não fazer alguma coisa economicamente apreciável em proveito de alguém. do credor em relação ao devedor (art. ou seja. extingue-se com esta. adquiriu o direito de exigir de nós essa ação ou omissão. O usufruto instituído para pessoa jurídica. a exoneração do devedor através do pagamento. 1. devida pelo 1 º ao 2 º.E o Novo Código Civil Brasileiro não ousou quebrar a tradição anterior. O Código Civil Brasileiro escudou-se da tarefa definitória assim como o Código Civil Francês. por ato nosso ou de alguém conosco juridicamente relacionado. soltar). ou em virtude de lei. tanto assim que a lei fixa-lhe a duração máxima (art. ata e a solutio desata.Alguns Códigos definiram obrigação como o Código de Obrigações da Polônia (art. Desta forma. ou seja. tal definição exagera pleonasticamente ao caracterizar a prestação tendo em vista que deverá ser sempre economicamente apreciável ainda que tal fato só advenha da vontade das partes. Como relação jurídica. Apesar de impecável. libera. de caráter transitório. a locação indefinida degenera em servidão. 1.598 do NCC) mesmo o contrato de sociedade chega por alguns motivos legais de dissolução (art. exaure-se a obrigação. A obligatio liga. o direito obrigacional sedia-se no campo jurídico e seu adimplemento é devido à espontaneidade do agente que não pode ser compelido a qualquer prestação.

Quanto à distinção entre os reais e pessoais podemos dizer que os primeiros incidem diretamente sobre a coisa. A patrimonialidade constitui assim o caráter específico da obrigação. Silvio Rodrigues ensaia uma definição de obrigação é o vínculo de direito pelo qual um sujeito passivo fica adstrito a dar. A idéia da obrigação encerra três elementos conceituais o vínculo jurídico. é erga omnes. O elemento responsabilidade (haftung) é representado pela prerrogativa conferida ao credor ocorrendo inadimplência. Processualistas como Alfredo Buzaid fundados nesta diferença. isto é.Trabucchi assinalava que nos últimos tempos. Ou seja. fazer ou não fazer. sustentam que o elemento dívida (schuld) é de direito privado e o elemento responsabilidade (haftung) é instituto do direito processual. fazer ou não fazer alguma coisa em favor de um sujeito ativo. de proceder à execução do patrimônio do devedor. para obter a satisfação de seu crédito. um objeto da prestação que é devido por uma parte à outra. Da maneira que o devedor se obriga. A prestação consiste em dar. Emilio Betti aduz que o direito real propõe um problema de atribuição. No direito moderno destacam-se dois elementos: a dívida e a responsabilidade. Quanto ao objeto da prestação. e a segue em poder de quem quer que a detenha (seqüela). é visível a aproximação entre os direitos reais e os direitos obrigacionais. Vínculo é qualificado como jurídico por ser disciplinado por lei e acompanhado de sanção. Dentre as inúmeras evoluções sofridas pelo direito das obrigações podemos destacar em especial a que corresponde à viabilidade de indenização para o dano moral ainda que dele não advenham prejuízos materiais em face da Constituição Federal de 1988. credor e devedor. as partes na relação obrigatória. . O elemento dívida (Schuld) consiste no dever que incumbe ao sujeito passivo de presta aquilo que se compromete. o direito pessoal propõe um problema de cooperação (ou de reparação se advier obrigação de ato ilícito). seu patrimônio responder pelo equivalente. espontaneamente. numa prestação de serviço ou numa omissão ou abstenção. entrega de um bem. quanto a essa tutela judicial. seu patrimônio responde. pode este ser positivo ou negativo que constitui a coisa ou o fato devido pelo obrigado ao credor. é perpétua enquanto que os segundos dependem de uma prestação de um devedor. sob pena de se não o fizer.

o débito e a responsabilidade. outros elementos despontam como causa imediata dos vínculos. ocorrendo o vínculo e a sanção comprometendo o grupo inteiro. Gaio. em benefício de pessoa determinada ou determinável. Caio Mário sucinto definiu a obrigação como o vínculo jurídico em virtude do qual uma pessoa pode exigir de outra a prestação economicamente apreciável. no direito romano diz que a obrigação vem do delito ou surge do contrato e. ela se individualiza e surge o nexo obrigacional e sobrevive a punição do infrator dirigida ao seu . Nela está caracterizado o requisito objetivo (a prestação) que deverá ser dotada de patrimonialidade.A sistemática civil brasileira declaradamente nomeia três fontes de obrigações. embora esta apareça como fonte mediata. vínculo que o Professor Serpa Lopes assinalava que não é de subordinação e. Justiniano enumera fontes. Toda obrigação há um liame. a saber: contrato. A causa genitrix da obligatio tanto pode ser autodeterminada como pode provir de uma heterodeterminação. o contrato. e ainda é de vislumbrar a dualidade de aspectos. A etimologia da obrigação advém do latim ob + ligatio contém uma idéia de vinculação. Nela está caracterizado o requisito objetivo (prestação) que deverá ser dotada de patrimonialidade. e ainda é de vislumbrar a dualidade de aspectos. um laço entre os sujeitos. obrigações que têm fonte imediata o ato ilícito e as obrigações que têm fonte direta à lei. o quase-contrato (atos lícitos tais como gestão de negócios) e o quasedelito. recorrem as possíveis causas genéricas das obrigações.Fontes das obrigações são atos ou fatos nos quais estas encontram nascedouro. ainda. sendo que nalguns casos. a declaração unilateral da vontade e o ato ilícito. como por exemplo. A formula das Institutas vai ser acolhida por Pothier que adiciona a lei às demais fontes. Savigny: A obrigação consiste na dominação sobre uma pessoa estranha. o delito (atos ilícitos). de cerceamento de liberdade de ação. Dentro do quadro evolutivo histórico da obrigação ela ocorreu primeiramente com caráter coletivo. sim de coordenação porque respeita a essência da liberdade humana. o débito e a responsabilidade. Silvio Rodrigues classifica as obrigações como as que têm fonte imediata à vontade humana. Bem mais tarde. não sobre toda pessoa (pois que importaria em absorção da personalidade). a vontade humana ou o ato ilícito. de liame. As obrigações sempre derivam da lei.

Por amor à palavra empenhada que os canonistas e os teólogos instituíram o pacta sunt servanda o respeito aos compromissos assumidos. ou seja. aboliu a execução sobre a pessoa do devedor.próprio corpo. É relevante a questão da determinação subjetiva. No direito moderno atribui-se a vontade plena como força geradora do vínculo e também a impessoalidade da obrigação. . nem que seja no momento da solutio (do pagamento) como é o caso do título ao portador ou título à ordem. O direito obrigacional moderno já inova as concepções dominantes e registra a predominância do princípio de ordem pública. A relação obrigacional é entre pessoas e. projetando-se a responsabilidade sobre seus bens ± e constitui uma autêntica revolução no conceito obrigacional. Somente na execução da obrigação que se atinge o patrimônio do devedor. Na passagem da obrigação coletiva para individual conservou-se ainda o sentido criminal. O direito obrigacional romano é de extremado formalismo. A sacramentalidade jamais abandonou o direito romano. sendo mesmo a determinabilidade indisponível. como garantia geral do cumprimento. objeto e vínculo jurídico. e condenada toda quebra de fé jurada. Quanto ao elemento subjetivo este há de ser duplo e distinto (não-coincidente).C. compatível com a redução do obrigado à escravidão. recheado de cerimônias e rituais que prevaleciam completamente sobre a manifestação de vontade. A obrigações decompõem-se em três elementos distintos: sujeitos. O nexum e o manus iniectio em razão da pessoalidade do vínculo estabelecia o poder do credor sobre o devedor. Barassi salienta que a atividade pessoal ocupa o centro ativo do patrimônio mesmo. A Lex Poetelia Papiria 428 a. delitual de responsabilidade. não entre pessoa e bens. O direito medieval dotado de maior espiritualidade via mesmo a falta de execução de obrigação como se fosse peccatum equiparada à mentira.

Toda obrigação há de ter um objeto que é a prestação do devedor. Não confundi-la com a coisa em que a prestação se especializa. A prestação é sempre um fato humano, uma atividade do homem, se é um facere consistirá numa prestação de serviço, se for um non-facere será uma omissão, uma abstenção e se, for um dare será de efetuar a entrega daquele bem (tradição). O objeto da obrigação poderá variar, será positivo quando for um dare ou um facere e, será negativo quando se fala que há obrigação negativa implica num não-fazer. Exige-se da prestação que tenha possibilidade, liceidade, determinabilidade e a patrimonialidade que são características essenciais à própria integração jurídica da obligatio. Finalmente, o objeto há de ter caráter patrimonial, revestida de cunho patrimonial, seja por conter em si mesmo um dado valor, seja por estipularem as partes uma pena convencional para o caso do descumprimento que é antecipação estimativa das perdas e danos.

Desta forma, a patrimonialidade se inscreve como qualidade essencial para Savigny, Dernburg, Kohler, Brinz, Endemann, Oser, Giorgi, Ruggiero, Salvat, Mazeaud, Bevilácqua, Orozimbo Nonato. Já na trincheira oposta encontram-se Windscheid, von Ihering, Demogue, Ferrara, Alfredo Colmo, Barassi, Saleilles e Eduardo Espínola. Em prol da patrimonialidade erguemos dois fortes argumentos; o primeiro por que a lei o admite implícito tanto assim que o converte em equivalente pecuniário, o devedor que culposamente falta a cumprir a prestação. Como argumento em contrário, invoca-se que a reparação do dano moral. Como fato voluntário gera obrigações da prestação patrimonial, também o delito cria o dever de prestar pecuniariamente (sem que se possa tecnicamente definir obrigação) de objeto patrimonial, senão preexistia o dever negativo de respeitar a integridade jurídica alheia (o principio de não lesar a ninguém). Para alguns doutrinadores italianos como Pacchioni a patrimonialidade pode não significar o valor de troca ou economicamente intrínseco. Porém subsiste o valor de afeição (o pretium affectionis) e, nem por isso inábil a configuração da obrigação. Apesar de se admitir que o interesse do credor possa ser apatrimonial, a prestação deve ser

suscetível de avaliação em dinheiro. O débito (schuld) é o dever de prestar e que não deve ser confundido com o objetivo da obrigação. O schuld é o dever que tem o sujeito passivo na relação obrigacional poderá ser um facere ou um dare ou um non facere. Haftung há um princípio de responsabilidade e que permite ao credor carrear uma sanção sobre o devedor, sanção sobre o devedor, sanção que outrora ameaçava a sua pessoa e, hoje tem sentido puramente patrimonial. Betti ensina que a responsabilidade é um estado potencial de dupla função: preventiva visto que cria uma situação de coerção, e a outra é de garantia, para assegurar a efetiva satisfação do credor. Haftung é o fiador; debitum é o afiançado. A obrigação natural é um débito sem responsabilidade, isto é, é um dever sem garantia. Diferentemente da obrigação civil, pois temos de um lado o sujeito ativo, ou credor, e, de outro lado o sujeito passivo, o devedor, como objeto à prestação e o estabelecimento de um liame entre os sujeitos que contém uma garantia, o vínculo jurídico, que faculta aos reus credendi a mobilizar o aparelho do Estado para perseguir a prestação, com a projeção no patrimônio do reus debendi.

A obrigação natural é um tertium genus, uma entidade intermediária entre o mero dever de consci6encia e a obrigação juridicamente exigível, por isto, no meio do caminho entre moral e o direito. É mais que um dever moral e menos que uma obrigação civil. Falta-lhe o poder de exigibilidade. O traço de distinção mais visível entre a civilis e a naturalis era a actio, presente na primeira e, ausente na segunda, e isto lhe retirava a qualidade de vínculo jurídico. É uma obrigação civil degenerada. Era uma obrigação civil que perdia a actio e se convertia em natural. Mas em compensação, o direito lhe conferia a soluti retentio, cujo principal efeito era a retenção do pagamento não credenciando o devedor requerer a restituição. O débito está contraído, mas não existe o haftung, porém, se o sujeito voluntariamente solve, reconhecendo-lhe, portanto a responsabilidade, o outro (credor) é protegido pela soluti retentio que não dá origem à obrigação, porém, consolida o seu efeito.

As obrigações propriamente ditas chamadas indevidamente de pessoais.É intruncada a questão quanto a categorias de direitos para uns como Demogue (que negam uma diferenciação fundamental entre os direitos de crédito e os direitos reais, afirmando ser uma só natureza de todos os direitos, só distintos entre si, pela intensidade (direitos fracos e direitos fortes). E outros, como Thon e Scholossman que entendem que a diversificação é artificial). Outros, no entanto, filiados à corrente clássica (Vittorio Polacco) enxergam nos direitos uma relação de subordinação da coisa mesma ao seu titular, traduzindo um assenhoreamento ou dominação direta. Alguns como Windscheid e Planiol situam a diferença respectiva da noção de relatividade dos direitos de créditos e absolutismo dos direitos reais. Já a teoria personalista situa a diferença na caracterização do sujeito passivo ± o devedor: o direito de crédito implica numa relação que se estabelece entre o sujeito ativo e passivo criando uma faculdade para aquele de exigir uma prestação positiva ou negativa. Ao revés, o direito real, com o sujeito ativo determinado tem por sujeito passivo uma generalidade anônima de pessoas (pois é erga omnes). A situação jurídica-creditória é oponível a um devedor enquanto que a situação jurídica-real é oponível a todos (erga omnes). O direito de crédito realiza-se mediante a exigibilidade de um fato, a que o devedor é obrigado: o direito real efetiva-se mediante a imposição de uma abstenção, a que todos se subordinam. Na relação creditória, o objeto é um fato. Na relação real, o objeto é uma coisa. A obrigação ius in re é devida pelo labor dos juristas canonistas conforme assinala Rigaud que erige uma terceira categoria que corresponde à obrigação stricto sensu ou propter rem. Situamos assim como uma obrigação acessória mista. Quando a um direito real acende uma faculdade de reclamar prestações certas de uma pessoa determinada. Há uma relação jurídicoreal em que se insere, adjeto à faculdade de não ser molestado, o direito a uma prestação específica. Tem caráter acessória e mista, pois dotada de prestação especifica incrustada em um direito real. São as chamadas obrigações híbridas (uma mistura de direito pessoal com direito real) podem ser incluídas as com ônus reais e as com eficácia real. É também denominada de obrigação ambulatorial.

o justamente oposto. temos aí a indivisibilidade jurídica. . e indivisíveis as que somente podem cumprir-se na sua integralidade. dizer que são divisíveis as obrigações suscetíveis de cumprimento fracionado. a de condomínio. em regra. A classificação das obrigações em divisíveis e indivisíveis não tem em vista o objeto. É bom lembrar que em nosso direito só se efetiva a transferência inter vivos da propriedade com a tradição quando for coisa móvel. O que se fraciona é prestação. constituindo direitos reais sobre coisas alheias. Na restituição. resultante da impropriedade da coisa ao preenchimento de sua finalidade natural e sua destinação econômica. ocorre em todos os casos em que o detentor deve recambiar ao dono coisa havida temporariamente em seu poder como se dá na locação ou no penhor. Casos há em que o imóvel. O legislador francês destacou. oponíveis erga omnes. já que seu interesse somente se manifesta quando ocorre pluralidade subjetiva (Clóvis Beviláqua. é o caso do art. A obrigação de restituir é. a conservação de tapumes divisórios. Obrigação de dar consiste na tradição constitutiva de direito.As normas de direito de vizinhança. E quando as partes em que se fracione não percam as características essenciais do todo e nem sofrem depreciação acentuada. a efetiva entrega da coisa com a transferência de domínio.197 CC. não obstante a divisibilidade material. salvo se nisto consentir. ou um deles. A indivisibilidade material e a jurídica. 1. indivisível já que o credor não pode ser compelido a receber pro parte a coisa que se achava na posse alheia. Já as de eficácia real transmitem-se e são oponíveis a terceiros que adquire o direito sobre determinado bem. o IPTU. A divisibilidade jurídica corre em paralelo com o fracionamento que o objeto pode suportar. e indivisível. os ônus reais são obrigações que limitam o uso e gozo da propriedade. contrariamente a opinião de Colmo para quem toda a indivisibilidade é material. a exemplo do módulo rural não pode suporte divisibilidade em razão de lei. ou através da inscrição do imóvel (que é uma tradição solene) quando se tratar de imóvel. Hudelot et Metmann). em linhas gerais. porém este em atenção aos sujeitos. ou seja. onde exista a fixação de um mínimo. Pode-se. no entanto apenas duas indivisibilidades.

dependendo se a realização do trabalho é por si mesmo friccionável. A fórmula de partilhar entre eles a responsabilidade é prescrita no título. Mas é admissíveis a divisibilidade da prestação negativa. a par desta exteriorização comum. É lícita a convenção no sentido de tornar a indivisibilidade juridicamente divisível. não sendo cabível ser parcelada. pois que numa e noutra a solutio pro parte não pode fazer-se. Se há. Consubstanciando que solidariedade (é expediente técnico) não se presume. e recebendo cada credor do devedor comum. a prestação reparte-se pro numero virorum. o devedor solvente fica sub-rogado no direito do credor. deve-a por inteiro. Na pluralidade de sujeitos. quando o objeto consiste num conjunto de omissões que não guardem entre si relação orgânica. a sua cota-parte ± concursi partes fiunt. pois sendo o devedor obrigado a uma abstenção.Também a obrigação de fazer poderá ser divisível ou indivisível. criando obrigações distintas. Indivisibilidade e solidariedade substancialmente muito diferem. todavia. Qualquer credor tem o poder de demandar o devedor pela totalidade da dívida (devedores solidários). A regra. quer ativa ou passivamente. pluralidade de sujeitos. é a indivisibilidade da prestação ex vi o art. Cada devedor se exonera pagando a sua parte. em relação aos demais coobrigados. A obrigação de não fazer é. a não ser que as partes tenham ajustados o contrário. decompõem-se a obrigação em tantas outras iguais e distintas. intimamente diversificam-se: . mediante divisão em partes iguais. indivisível. é o que chamamos de indivisibilidade convencional (e Barassi denomina de teleológica). a prestação é insuscetível de fracionamento. Para restabelecer o princípio de justiça que a solutio integral desequilibrou. segundo o Código Civil de 1916. Porém. a prestação é realizada na integralidade. não tem qualquer devedor o direito de solver pro parte. mas a prestação da dívida inteira. Ou viveversa. ou pagando cada devedor ao credor comum. Na unidade de devedor e de credor. 890CC vide art. quanto os credores ou os devedores. se ao contrário. 889CC (vide 314 do NCC). se a obrigação for divisível (o art. e conseguitnemente da obligatio non faciendi.257 do NCC) o caso de não haver estipulação em contrário. e no silêncio deste. ou advém do contrato ou da lei. via de regra.

não provém da incindibilidade do objeto. A indivisibilidade que se opõe ao parcelamento da solutio. porque deve por inteiro. 2º na solidariedade cada devedor pago por inteiro. ou de mais de um devedor. em razão da impossibilidade jurídica de repartir em cotas a coisa devida. mas possui origem . e a da indivisibilidade é (normalmente) a natureza da prestação. às vezes. 3ºa solidariedade é uma relação subjetiva. Aponta-se a unidade. enquanto a indivisibilidade assegura a unidade da prestação. porém. enquanto que a solidariedade é sempre de origem técnica. quando o objeto é em si mesmo insuscetível de fracionamento. mas a indivisibilidade subsiste enquanto a prestação suportar. 4º a indivisibilidade justifica-se. ou de vários credores e vários devedores simultaneamente. enquanto que na indivisibilidade solve a totalidade. resultado ou da lei ou da vontade das partes.1º a causa da solidariedade é o título. a solidariedade visa facilitar a exação do crédito e o pagamento do débito. e indivisibilidade objetiva em razão de que. cada credor pode receber a dívida inteira e cada um dos devedores tem a obrigação de solvê-la integralmente. Não há solidariedade sempre que for incompatível com o fracionamento do objeto Pluralidade subjetiva e unidade objetiva é a essência da solidariedade que numa obrigação em que concorram vários sujeitos ativos e passivos e haja uma unidade de prestação. 6º a indivisibilidade termina quando a obrigação se converte em perdas e danos enquanto que a solidariedade conserva este atributo. ou seja. 5º a solidariedade cessa com a morte dos devedores. enquanto que a solidariedade não decorre ex re (da coisa). nunca um dado real e concreto. com a própria natureza da prestação. A solidariedade para se vislumbrar é mister que haja concorrência de mais de um credor.

com. Merece a preferência àquele que tomou à iniciativa de perseguir a solutio. colocando-as. pois somente se ocorre antes da prevenção judicial. de tal modo que uma esteja na situação de poder exigir a prestação. Alguns sistemas como o francês e o belga. admitem uma extensão da solidariedade afora legalmente previstos. A presente apostila pretende apenas expor modestamente o vasto campo do direito obrigacional na seara cível e. como credora e devedora.html> Direito Das Obrigações ± Parte I Direito Das Obrigações ± Parte I Otávio Goulart Minatto * Introdução ao direito das obrigações Conceito e âmbito do direito das obrigações: O direito das obrigações compreende os vínculos de conteúdo patrimonial. Características principais do direito das obrigações: . Mas há doutrinadores que entendem pela pluralidade de vínculos. a obrigação solidária possui uma só natureza: uma obrigação com unidade objetiva. a qual recebeu a denominação de solidariedade jurisprudencial ou costumeira.investidura. sentida estritamente interpretada não pode ser ampliada para fora do âmbito literal do dispositivo. Perdura a prevenção judicial enquanto permanecem os efeitos jurídicos da demanda ajuizada. O princípio consursu partes fiunt não se presume. * Gisele Leite. Na solidariedade existe unidade de prestação e unidade de vínculos. a solidariedade convencional deve ser expressamente ajustada. e não se acha acolhida pelo sistema pátrio. professora de Direito Civil <http://www. na contingência de cumpri-la.puramente técnica. Para nós. uma em face da outra. que se estabelecem de pessoa a pessoa. Não é a qualquer tempo que o pagamento feito ao credor solidário exonera o devedor. A prevenção judicial tem sentido de exceção. carece sem dúvida. pode ser imposta pela lei ou pela vontade das partes. sobretudo de bons conhecimentos dos princípios jurídicos aplicáveis ao direito privado.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/4278-apostilade-direito-das-obrigacoes. senso crítico e. e a outra. de análise.

A ação real é exercida contra quem quer que detenha a coisa. O direito obrigacional exige uma figura intermediária. sendo. Já o direito real incide diretamente sobre a coisa. A prestação da obrigação deve ser sempre suscetível de avaliação em dinheiro. a ação é dirigida somente contra quem figura na relação jurídica como sujeito passivo. São elementos essenciais dos direitos reais: a) Sujeito ativo b) A coisa c) Relação do sujeito ativo sobre a coisa. O direito das obrigações configura exercício da autonomia privada. e o devedor. chamado domínio Distinção entre direitos obrigacionais ou pessoais e direitos reais: Os direitos obrigacionais exigem cumprimento de determinada prestação enquanto que os reais incidem sobre a coisa. que resultam de um vínculo jurídico estabelecido entre o credor. O interesse do credor pode até ser apatrimonial. No direito obrigacional. ou por outros meios. O sujeito passivo do direito obrigacional é determinado ou determinável. uma vez que se dirigem contra pessoas determinadas. não sendo oponíveis erga omnes. mas a prestação não. sendo sua criação ilimitada (numerus apertus). que é o devedor. limitado (numerus clausus). pela inexistência de vícios. Figuras híbridas: Obrigações propter rem: .O direito das obrigações tem por objeto direitos de natureza pessoal. Direitos reais e direitos obrigacionais: Direito real é aquele que afeta a coisa direta e imediatamente. na posição de sujeito passivo. e a segue em poder de quem quer que a detenha. São direito relativos. A duração do direito obrigacional é transitória e se extingue assim que se dá o cumprimento da prestação. Já o do direito real é indeterminado. limitada esta apenas pela licitude do objeto. enquanto que o direito real só pode ser criado por lei. não se extinguindo com o uso. sob todos ou sob certos respeitos. Os direitos reais são perpétuos. como sujeito ativo. pelos bons costumes e pela ordem pública. vinculando sujeito ativo e passivo. pela moral. Quanto à formação: O direito obrigacional resulta da vontade das partes. logo. Já o direito pessoal consiste num vínculo jurídico pela qual o sujeito ativo pode exigir do sujeito passivo determinada prestação. pois os indivíduos têm ampla liberdade em externar a sua vontade.

Obrigação propter rem é a que recai sobre uma pessoa. a ação cabível é de natureza real (in rem scriptae). Há uma obrigação dessa espécie sempre que o dever de prestar vincule quem for titular de um direito sobre determinada coisa. 1277). transmitem-se e são oponíveis a terceiro que adquira direito sobre determinado bem. enquanto que os do ônus real extinguem-se com o perecimento do objeto Os ônus reais sempre implicam numa prestação positiva. obrigação de dar caução pelo dano iminente quando o prédio vizinho estiver ameaçado de ruína (art. pelo fato de ter a obligatio in personam objeto consistente em uma prestação específica. São exemplos as obrigações imposta aos proprietários e inquilinos de um prédio de não prejudicarem a segurança. Exemplo de eficácia real é a que resulta de compromisso de compra e venda. A obrigação propter rem pode tanto ser prestação positiva quanto negativa. A obrigação propter rem é de caráter misto. Distinção entre ônus real e obrigação propter rem: A responsabilidade pelo ônus real é limitada ao bem onerado. 1280). 1219). Na obrigação propter rem. 1417 e 1418). a substituição do titular passivo opera-se por via indireta. 1315). em favor do promitente comprador. Obrigações com eficácia real: Obrigações com eficácia real são as que. Já na obrigação propter rem o devedor responde com todos os seus bens. sendo a prestação imposta precisamente por causa dessa titularidade da coisa. obrigação imposta ao condômino de concorrer para as despesas de conservação da coisa comum (art. enquanto que nas obrigações propter rem. quando não se pactua o arrependimento e o instrumento é registrado no Cartório de Registro de Imóveis. 1234). ilimitadamente. constituindo gravames ou direitos oponíveis erga omnes. Noções gerais de obrigação . é de índole pessoal. arts. não respondendo o proprietário além dos limites do respectivo valor. sem perder seu caráter de direito a uma prestação. e obrigação de indenizar benfeitorias (art. adquirindo este direito real à aquisição do imóvel e à sua adjudicação compulsória (CC. Os efeitos da obrigação propter rem permanecem em qualquer circunstância. por força de determinado direito real. obrigação do dono de coisa perdida de recompensar e indenizar o descobridor (art. e como a obligatio in re estar sempre incrustada no direito real. com a aquisição do direito sobre a coisa a que o dever de prestar se encontra ligado. o sossego e a saúde dos vizinhos (art. Ônus reais: São as obrigações que limitam o uso e gozo da propriedade. Nos ônus reais.

contudo. Elementos constitutivos da obrigação a) Subjetivo: sujeitos da relação obrigacional. Tem ele. A prestação (dar. d) Possibilidade do objeto: Quando o objeto é impossível. mas a prestação deve ser suscetível de avaliação em dinheiro. ou ainda não existentes. cujo objeto consiste numa prestação economicamente aferível. O interesse do credor pode até ser apatrimonial. determinados ou. fazer e não fazer) é o objeto imediato. A impossibilidade deve ser real e absoluta para causar a nulidade da obrigação.Conceito de obrigação: Obrigação é o vínculo jurídico que confere ao credor (sujeito ativo) o direito de exigir do devedor (sujeito passivo) o cumprimento de determinada prestação. Ela deve obedecer certos requisitos para a obrigação ser considerada válida: c) Licitude do objeto: O objeto não deve atentar contra a lei. "A impossibilidade inicial do objeto não invalida a condição a que ele estiver subordinado" (art. como nascituros e pessoas em formação. aquele em favor de quem o devedor prometeu determinada prestação. A obrigação abrange a relação globalmente considerada. A impossibilidade é física quando atenta contra as "leis da natureza". Caso não haja relação econômica com a prestação. e) Determinação do objeto: O objeto deve ser determinado ou. f) Apreciação econômica do objeto: As prestações que não possuem conteúdo patrimonial são excluídas do direito das obrigações. determináveis. incluindo tanto o lado ativo (o direito à prestação) como o lado passivo (o dever de prestar correlativo). 106). O objeto da obrigação é sempre uma conduta ou ato humano: dar. O objeto mediato é sobre no que recai essa prestação. A jurisprudência não tem condenado as obrigações com objeto que atenta a moral. O sujeito ativo pode ser individual ou coletivo. bem como as sociedades de fato. ao menos. conforme a obrigação seja simples ou solidária e conjunta. o direito de exigir o cumprimento desta. utilizando-se do princípio de que ninguém pode valer-se da própria torpeza (nemo auditur propriam turpitudinem allegans). o juiz determinará valor equivalente em caso de reparação de danos. b) Objetivo: objeto da relação obrigacional. como titular daquela. Pode a obrigação também existir em favor de pessoas ou entidades futuras. a obrigação é nula. Em contrapartida. de crédito e débito. fazer ou não fazer. . determinável. de caráter transitório (extingue-se pelo cumprimento). Corresponde a uma relação de natureza pessoal. a jurídica ocorre quando o ordenamento jurídico proíbe certo ato. no mínimo. de qualquer natureza. Os sujeitos da obrigação. O sujeito ativo é o credor da obrigação. tanto o ativo como o passivo. a moral ou os bons costumes. podem ser pessoa natural ou jurídica. Devem ser.

que representa o vínculo material. * Acadêmico de Direito da UFSC. manifestação unilateral da vontade (título ao portador. como as obrigações do casamento. praticado involuntariamente sem a intenção de causar dano. . abstrato ou imaterial. que é o vínculo espiritual. Recentemente. O caso da fiança é exemplo de responsabilidade sem obrigação. pois representa a obrigação moral (na consciência do devedor) de satisfazer pontualmente a obrigação. Na nova classificação. assim como o contrato. Responsabilidade é a conseqüência jurídica patrimonial do descumprimento da relação obrigacional. Gaio dividiu as fontes das obrigações em quatro espécies: contrato (obligatio ex contractu). Contrato é o acordo de vontade convencionado pelas partes. O quase-contrato é. ato lícito. as obrigações ou resultam da vontade do Estado (por intermédio da lei). etc. É composto por dois elementos. Delito é ato ilícito doloso. Exemplo de obrigação natural: dívida de jogo. praticado com a intenção de causar dano a alguém. Pode haver obrigação sem responsabilidade e responsabilidade sem obrigação. promessa de recompensa) ou atos ilícitos (noção generalizada de delitos e quase-delitos). delito (obligatio ex delicto) e quase-delito (obligatio quase ex delicto). conferindo ao credor não satisfeito o direito de exigir judicialmente o cumprimento da obrigação. quais sejam: Débito. A lei sempre atua como fonte imediata da obrigação. Fez-se isto pela constatação de que certas obrigações emanam diretamente da lei. A vontade das partes (representada pelo contrato ou pela declaração unilateral) é fonte mediata da obrigação. Concepção moderna das fontes das obrigações: Na modernidade abandonaram-se os critérios romanos. pois o fiador pode ser responsabilizado pela obrigação de terceiro (o devedor). ou pela vontade humana. as obrigações podem decorrer de: Manifestação bilateral ou plurilateral da vontade (contrato). da tutela e curatela. porém não se deriva da vontade das partes. dívida prescrita. pois uma vez paga extinguem-se. Pothier acrescentou à lista de fontes tradicionais a lei. quase-contrato (obligatio quase ex contractu). Elas existem. e responsabilidade. mas não podem ser exigidas judicialmente. Fontes das obrigações Fontes no direito romano e em outras legislações contemporâneas: No período clássico do direito romano.g) Vínculo jurídico É o liame existente entre o sujeito ativo e o sujeito passivo e que confere ao primeiro o direito de exigir do segundo o cumprimento da prestação. Segundo a nova concepção. Exemplo: gestão de negócios. As obrigações naturais são exemplo de obrigação sem responsabilidade. Quase-delito é o ato ilícito culposo.

b) Simbólica: Envolve uma "cerimônia" que representa a tradição. também será afetada a transferência de domínio. o devedor se compromete a entregar ou restituir. com os seus melhoramentos e acrescidos. como a entrega das chaves de um veículo. mesmo que menos valiosa. caso o credor não tenha ainda o domínio da coisa. A tradição pode ocorrer de três maneiras: a) Real: Ocorre com a entrega efetiva e material da coisa. 313) Como o objeto da obrigação é algo certo. o credor não pode exigir outra coisa do devedor a não ser o pactuado. ao credor. c) Ficta: É o caso do constituto possessório. Contudo. pois seu direito pessoal não tem efeito erga omnes. Confere ao credor simples direito pessoal (jus ad rem) e não real (jus in re). se o credor não anuir. poderá o devedor resolver a . só resta perdas e danos ao credor. mesmo que mais valiosa. pode haver a dação em pagamento.com. Impossibilidade de entrega de coisa diversa: "O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. e não somente perdas e danos. em si. (nos móveis) ou registro (nos imóveis) que o faz.investidura. se o objeto foi transferido de domínio para terceiro de boa-fé. É somente a sua tradição.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/454dtoobrpti. que transfere o domínio do objeto. Com o consentimento do credor. pelos quais poderá exigir aumento no preço. que é a entrega de um objeto para sanar dívida em dinheiro.<http://www.html> Direito Das Obrigações ± Parte II Direito Das Obrigações ± Parte II Otávio Goulart Minatto * Obrigação de dar coisa certa: Noção e conteúdo: Nessa obrigação. A obrigação é apenas o comprometimento de realizar essa transferência de domínio. Essa novação só pode ser feita com o consentimento de ambas as partes. Atualmente é possível o credor exigir o objeto. Tradição como transferência dominial: Caso a obrigação seja afetada. Não é a obrigação. Direito aos melhoramentos e acréscimos: "Até a tradição pertence ao devedor a coisa. Da mesma forma. o objeto perfeitamente determinado. ainda que mais valiosa" (art. o credor não é obrigado a receber outra coisa.

fica resolvida a obrigação para ambas as partes. feitos pelo devedor de obrigação de restituir. "Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos. Às vezes. Esse inadimplemento pode advir do perecimento ou deterioração da coisa. sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa. quanto às voluptuárias. Perecimento é a perda total do bem. Obrigação de entregar: Conceito e características É aquela de dar coisa. Isto somente se aplica às partes integrantes. "O possuidor de boa-fé tem direito. desobrigado de indenização" (art. o caso se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé" (art. sem culpa do devedor. nem o de levantar as voluptuárias" (art. Os antecipadamente colhidos também não podem ser cobrados. 1214. a coisa se perder. se a perda resultar de culpa do devedor. Quando a obrigação é de restituir. até aqueles que deixou de colher. obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé. como um contrato de compra e venda. Já "os frutos naturais e industriais reputamse colhidos e percebidos. responderá este pelo . aos frutos percebidos" (art. devem ter sido realizados através de seu trabalho para serem indenizados. "Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias. por culpa ou sem do devedor. e não às pertenças. Já o devedor de má-fé responde por todos os frutos. e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis" (art. 241). ao possuidor de boa-fé indenizará pelo valor atual" (art. caput). 1222). 237. "Se para o melhoramento. Abrangência dos acessórios: "A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados. depois de deduzidas as despesas de produção e custeio. parágrafo único). lucrará o credor. 1219). os civis reputam-se percebidos dia por dia" (art. ou aumento. enquanto ela durar. se não lhe forem pagas. 1215). não lhe assiste o direito de retenção pela importância destas. no caso do art. a levantá-las. "Se. parágrafo único). sem despesa ou trabalho do devedor. Os frutos civis tornam-se percebidos diariamente. empregou o devedor trabalho ou dispêndio. "O reinvidicante. devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação" (art. "O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis. logo que são separados. a obrigação de dar não é cumprida. todos os frutos devem ser devolvidos. 233). bem como. no caso do artigo antecedente. 237. antes da tradição. "Se. caput). salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso" (art. 242. Os melhoramentos. cabendo ao credor os pendentes" (art. 1220). 1214.obrigação" (art. caput). ou pendente a condição suspensiva. "Os frutos percebidos são do devedor. 238. As benfeitorias também são consideradas como acessórios. quando o puder sem detrimento da coisa. tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo.

poderá o juiz corrigi-lo. bens dados em penhor. Obrigação de restituir: Conceito e características: Caracteriza-se pela existência de coisa alheia em porte do devedor. observar-se-á o disposto no art. "Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor. o credor (res perit domino). 240). etc. Deterioração é a perda parcial do bem. A única diferença é que pode o credor escolher por receber o objeto tendo abatido do preço o valor estimulado da deterioração. mesmo que não tenha o causado. "Se a coisa se perder por culpa do devedor. se perder antes da tradição. Caso o devedor esteja em mora. recebimento de dívida não vencida em detrimento de outros credores quirografários. Se não houver culpa do devedor. "Sendo culpado o devedor.equivalente e mais perdas e danos" (art. ou aceitar a coisa no estado em que se acha. 236). 238). em um ou em outro caso indenização das perdas e danos" (art. "Deteriorada a coisa. sem culpa do devedor. responderá este pelo equivalente. a resolução é a mesma do perecimento. recebê-la-á o credor. que deve devolvê-la ao dono (credor). se por culpa do devedor. as partes voltam à situação primitiva (statu quo ante). ou seja. porque é este que tem o domínio do objeto (res perit domino). não sendo o devedor culpado. 235). Caso haja deterioração. 239" (art. . "Quando. que ainda persiste ao credor. com direito a reclamar. 234). a pedido da parte. poderá o credor resolver a obrigação. salvo o disposto nos artigos subseqüentes" (art. sinal dado. 239). Exemplo de obrigação de restituir na lei civil: coisa achada. sofrerá o credor a perda. "As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento. tal qual se ache. Obrigação pecuniária: Conceito e características: Obrigação pecuniária é a de entregar dinheiro. responderá pelo perecimento. Ocorre a extinção da obrigação. sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e o do momento de sua execução. adicionadas cláusulas de escala móvel que cobrem as variações de inflação. como se a obrigação não tivesse sido contraída. e a obrigação se resolverá. O devedor não possui o domínio da coisa. poderá o credor exigir o equivalente. e esta. ressalvados os seus direitos até o dia da perda" (art. O prejuízo aqui fica a cargo de quem tinha o domínio. mais perdas e danos" (art. ou aceitar a coisa. Quem sofre é o credor. O pagamento é feito com a mesma moeda do contrato. com culpa ou sem. O devedor tem o direito apenas de usar a coisa. por motivos imprevisíveis. sem direito a indenização. Permite-se o uso de moeda estrangeira nos contratos de importação e exportação de mercadorias e os que envolvem pessoas residentes no estrangeiro. "Se a obrigação for de restituir coisa certa. 315). em moeda corrente e pelo valor nominal. abatido de seu preço o valor que perdeu" (art.

"Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade. 245). A partir do momento em que há a concentração. pois o gênero não se deteriora. 243). podem-se alegar perdas e danos. Diferentemente é a dívida de valor. sob pena de perder esse direito. ao menos. não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. definida apenas pelo seu gênero e quantidade.de modo que assegure. A escolha pode ser feita por terceiro. Obrigação de fazer: Conceito: Constituem uma prestação de fato. . Ela deve buscar o meio termo. 317). Após o momento da escolha da qualidade. Evita-se assim que se escolha a pior qualidade. Porém. "A coisa incerta será indicada. que pode ser tanto trabalho físico ou intelectual. ainda que por força maior ou caso fortuito" (art. a obrigação torna-se de dar coisa certa. Chama-se isto de concentração. pelo gênero e pela quantidade" (art. A dívida é considerada de dinheiro quando tem por objeto o próprio dinheiro. Se certa qualidade pereceu antes dele ter feito sua escolha. se o contrário não resultar do título da obrigação. 246). o devedor é livre para escolher qualquer uma das duas. que acontece na medida em que o sujeito exterioriza sua escolha. O que se falta definir é apenas a qualidade. o credor pode não aceitar o cumprimento feito por terceiros. este será citado. acontecerá apenas o suprimento do direito do devedor de escolher sobre aquela qualidade. pois a obrigação tornou-se de dar coisa certa. "Antes da escolha. Entretanto não basta que o devedor tenha feito sua escolha. mas não poderá dar a coisa pior. Nas obrigações de fazer (obligatio faciendi). o valor real da prestação" (art. nem será obrigado a prestar a melhor" (art. na qual o objeto é algo que é representado pelo dinheiro. 244). a escolha pertence ao devedor. vigorará o disposto na Seção antecedente" (art. nada impede que o devedor escolha a melhor qualidade. Se for feita pelo credor. Escolha e concentração: "Cientificado da escolha o credor. Caso haja somente duas variações. Obrigação de dar coisa incerta: Conceito: Coisa incerta é a determinável. A escolha do devedor não é totalmente livre. O devedor não pode alegar perda ou deterioração do objeto antes de ter feito a escolha. como trabalho determinado pelo produto/resultado. ele deve exteriorizá-la. seguindo suas ordens. quanto possível. já que na maioria das vezes a obrigação deu-se em decorrência das características especiais do devedor.

A impossibilidade deve ser absoluta. como multa diária pelo inadimplemento. Caso a declaração esteja incompleta pode a parte exigir o complemento judicialmente. Entretanto. 247). exigir perdas e danos. . sendo depois ressarcido" (art. em pessoa. parágrafo único). desde que tenha influído nesta de modo relevante" (art. Contudo. A parte pode exigir do juiz tal sentença sempre que provar que faz jus a ela. do ponto de vista jurídico são fungíveis. a obrigação pessoal. Este só se exonerará cumprindo ele próprio o estabelecido. não pode se negar a atender uma autoridade competente por ter se comprometido a não fazer certa prestação. independentemente de autorização judicial. não sendo obrigado a aceitá-la. por exemplo. 249. Obrigação de não fazer: Noção e alcance: A obrigação de não fazer. mas demora para ser finalizada. há dispositivos que forçam a pessoa a cumprir a obrigação que não se realizou. Isto pode ser feito também quando a prestação já tenha começado a ser realizada. inciso II). ou negativa. 139. pois podem ser substituídas por sentença judicial que produzirá os mesmos efeitos. Mesmo obrigando o devedor a cumprir a obrigação o credor pode. resolver-se-á a obrigação. "Se o fato puder ser executado por terceiro. já que "concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade. 248). não a declaração em si. "Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. pode o credor. Quando não se é necessário os atos de pessoa específica. Atualmente. As obrigações de emitir declaração de vontade são infungíveis. Inadimplemento: "Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta. O devedor. pois só podem ser feitas pela determinada pessoa. havendo recusa ou mora deste. 249. Não pode delegar para terceiro o cumprimento do contrato. prestar o serviço. A delegação feita é erro substancial. sem prejuízo da indenização cabível" (art. É também obrigação negativa quando o devedor é obrigado a tolerar ou permitir certo ato. caput). "Em caso de urgência. não podendo ser meramente relativa. ou só por ele exeqüível" (art.Espécies: A obrigação de fazer é personalíssima. Efeitos estes que são visados nessa obrigação. responderá por perdas e danos" (art. será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. Não se pode exigir sacrifício excessivo da liberdade do devedor ou algo que atente contra os direitos fundamentais da pessoa humana. infungível ou imaterial (intuitu personae) se houver cláusula que obrigue o devedor. fungível ou material. executar ou mandar executar o fato. cumulativamente. se por culpa dele. é a que impõe ao devedor um dever de abstenção. o credor deve ser esclarecido sobre quem cumprirá a prestação. sendo apenas a mora da outra parte motivo suficiente para que esta seja emitida.

250. Direito de escolha: "Nas obrigações alternativas. a obrigação extinguese. Subdividem-se em cumulativa ou conjuntiva. sem culpa do devedor. . a mora se caracteriza com o simples descumprimento do dever de se abster. Inadimplemento da obrigação negativa: "Praticado pelo devedor o ato. Assemelha-se à obrigação de dar coisa incerta devido ao fato de haver indeterminação quanto ao objeto. se outra coisa não se estipulou" (art. mas se extingue com a prestação de apenas um deles. a escolha recai sobre a qualidade do único objeto existente. Quando se é impossível retornar ao statu quo ante o que resta ao credor é apenas exigir as perdas e danos. sem prejuízo do ressarcimento devido" (art. 251. Na obrigação alternativa. No inadimplemento da obrigação negativa. sendo devido somente o que se foi escolhido. Já na obrigação alternativa. caput). poderá o credor desfazer ou mandar desfazer. parágrafo único). Cumulativa ou conjuntiva: Conceito: É a obrigação que possui multiplicidade de prestações e o seu adimplemento só se dá com a satisfação de todas elas. "Em caso de urgência. na obrigação de dar coisa incerta. Caso não haja culpa do devedor. ressarcindo o culpado perdas e danos" (art. se lhe torne impossível abster-se do ato. Obrigações complexas ou compostas: Conceito: São aquelas nas quais há pluralidade de prestações. a cuja abstenção se obrigara. sob pena de se desfazer à sua custa. Feita a escolha. 250). a escolha cabe ao devedor. o credor pode exigir dele que o desfaça. uma das partes faz a escolha de qual dos objetos possíveis quer ela prestar. independentemente de autorização judicial. Contudo."Extingue-se a obrigação de não fazer. que se obrigou a não praticar" (art. a obrigação torna-se simples. a escolha é a respeito dos vários objetos in obligatione. alternativa e facultativa. desde que. Alternativa Conceito: É a obrigação que compreende vários objetos.

É uma espécie sui generes de obrigação. ou não puder exercê-la. "se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor. pois é simples para o credor e alternativa . (art. por culpa do devedor. "Se o título deferir a opção à terceiro. § 4°). mas faculta ao devedor a possibilidade de quitar a dívida realizando outra prestação. e este não quiser. subsistirá o débito quanto à outra". 252. § 3°). por culpa do devedor. extinguir-se-á a obrigação" (art. 252. "No caso de pluralidade de optantes. não competindo ao credor a escolha. não havendo acordo unânime entre eles. 252. ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou. não se puder cumprir nenhuma das prestações. dá-se a concentração.252. Não é exigida forma especial para se exteriorizar a escolha feita. o credor terá o direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. "Quando a obrigação for de prestações periódicas. Contudo. "Se. não podendo nenhuma das prestações ser exigida. 253). Caso a parte que possui o direito de escolher ultrapasse o prazo estabelecido. além da indenização por perdas e danos" (art. Neste caso. Impossibilidade das prestações: "Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível. "Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra" (art. A concentração dá-se automaticamente. Porém é obrigado a aceitar a outra prestação caso o devedor opte por ela. toda a obrigação é contaminada pela nulidade. caput). Entretanto. constituir-se-á em mora. independente da vontade das partes. 252. decidirá o juiz. "Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor. findo o prazo por este assinado para a deliberação" (art. O direito de escolha não é irrestrito. § 2°). Ela deve recair inteiramente sobre apenas um objeto. pois essa foi uma liberdade concedida pelo credor. O credor não tem o direito de exigir a prestação facultativa. 256). 255). podendo a outra entrar ação para que se faça a concentração judicialmente. a faculdade de opção poderá ser exercida em cada período" (art. poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas. O direito de escolha se transmite aos herdeiros. mais as perdas e danos que o caso determinar" (art. caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes" (art. Concentração: Feita a escolha. pois a obrigação tem por objeto algo certo. § 1°). o direito de escolha se renova a cada prestação. Basta a simples declaração unilateral da vontade. com perdas e danos. se uma das prestações não puder ser feita por impossibilidade jurídica. 254). Facultativa Conceito: Ocorre quando o credor exige o cumprimento de coisa certa. ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis. reduzindo-se as prestações a uma só. Deve haver prazo estabelecido no contrato para se fazer a escolha. se.

Cada sujeito responde apenas por sua quota na obrigação divisível. Exemplo: dívidas de alimento. etc. diferentemente da natural. "Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível. por sua natureza. A obrigação é indivisível quando o objeto da prestação não admite divisão. a indivisibilidade dá-se por determinação legal. este pode escolher entre realizar a prestação facultada. a obrigação se extingue. . o devedor simplesmente perde o direito de escolha. Caso a impossibilidade ocorra devido culpa do devedor. Se houver apenas um credor e um devedor não há no que se falar em obrigação divisível ou indivisível. Obrigações divisíveis e indivisíveis: Conceito e distinção entre obrigação divisível e indivisível: Tanto as obrigações divisíveis. hipoteca. pois ainda sim não pode o credor exigir a prestação facultativa. não cabe ao credor o direito de escolha. Esta também é uma indivisibilidade relativa. por motivo de ordem econômica. são compostas por multiplicidade de sujeitos. Características: Como o credor só pode exigir uma das prestações. pois não há nada absoluto que a barre. quantos os credores ou devedores" (art. A divisibilidade ou indivisibilidade é característica da obrigação. Esta é uma indivisibilidade absoluta A indivisibilidade pode decorrer também da vontade das partes. não há necessidade do devedor exteriorizar sua escolha. Há apenas uma obrigação simples. Surge. ou pagar o valor da que se impossibilitou. esta presume-se dividida em tantas obrigações. Se a impossibilidade recair sobre a prestação facultada. Isso acontece quando estas acertam na impossibilidade de se fracionar o objeto. quanto as indivisíveis. sem culpa do devedor. "A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão. Se houver impossibilidade da única prestação exigível pelo credor. O credor é obrigado a aceitar qualquer uma que o devedor venha a cumprir. tanto ativos quanto passivos. sendo obrigado a realizar a outra. Embora haja outros entendimentos. Essa indivisibilidade. acrescidas as perdas e danos. Porém esta será determina conforme for o seu objeto. 257). Espécies de indivisibilidade: A indivisibilidade é natural quando não se pode fracionar o objeto da prestação sem que haja prejuízo na sua substância ou valor. relativa. ou dada a razão determinante do negócio jurídico" art. lotes urbanos. 258). mesmo que a sua natureza permita. então.para o devedor. se assim não foi acertado entre as partes. iguais e distintas. não podendo ser exigido a pagar a de outro devedor. A obrigação é divisível quando o objeto da prestação admite divisão. uma obrigação natural. Quando o judiciário se manifesta pela impossibilidade de fracionar o objeto.

que paga a dívida. 263. a prestação não for divisível. o credor que recebeu a prestação dará aos outros credos uma quantia estimulada das suas quotas partes. ou serviço. "O devedor. 259. já que não é possível fazer a divisão. b) Inciso II: "a um. Obrigação negativa geralmente é indivisível. caput) a) Inciso I: "a todos conjuntamente". os credores restituirão os devedores no valor remetido. a obrigação não ficará extinta para com os outros. Se a coisa certa é fungível. 263. Se a pluralidade for de credores.Divisibilidade em relação às modalidades de obrigações: Obrigação de dar coisa certa é divisível se o seu objeto for. pois não se pode dividir a escolha. Efeitos da divisibilidade: "Se. dar e fazer são geralmente indivisíveis. mas estes só poderão exigir. mas nada impede que sejam divisíveis. parágrafo único). a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total" (art. cada um será obrigado pela dívida toda" (art. "O mesmo critério se observará no caso de transação. por uma nova obrigação que seja divisível. "Se um dos credores remitir a dívida. simultaneamente. dando este caução de ratificação dos outros credores". após o pagamento do todo. sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados" (art. responderão todos por partes iguais" (art. A obrigação também pode se tornar divisível se houver novação. Obrigação de fazer é divisível quando o trabalho. para efeito do disposto neste artigo. caput). houver culpa de todos os devedores. descontada a quota do credor remitente" (art. a obrigação sempre é divisível. "Se. "Se for de um só a culpa. havendo dois ou mais devedores. "Se um só dos credores receber a prestação por inteiro. Caso não haja nenhum proveito extra com a remissão de um dos credores. . compensação ou confusão" (art. 262. respondendo só esse pelas perdas e danos" (art. novação. § 2°). caput). não representar unidade. 262. 263. parágrafo único). Perda da indivisibilidade: "Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos" (art. ficarão exonerados os outros. mas o devedor ou devedores se desobrigarão. As obrigações de. 261). por todos os sujeitos. Obrigações alternativas e de dar coisa incerta são indivisíveis. Como cada sujeito responde pela sua quota na obrigação divisível. Se a dívida for indivisível. pagando:" (art. O credor pode exigir a prestação indivisível por inteiro de qualquer um dos devedores a sua escolha. poderá cada um destes exigir a dívida inteira. a insolvência de um nada interfere nos outros. caput). os demais não precisam restituir nada. 260. 259. Se a obrigação for indivisível. § 1°).

quando na mesma obrigação concorre mais de um credor. Observa-se isto na medida em que pode haver uma obrigação solidária com diferentes características para cada parte. ou a prazo. cada um só deve ao outro a sua quota parte. Obrigações solidárias: Conceito e características: "Há solidariedade. A solidariedade assemelha-se da indivisibilidade porque o devedor pode ser compelido a pagar a divida toda. Há a possibilidade da solidariedade ser de modalidades diferentes para cada um dos co-devedores ou co-credores. o defeito do ato para um dos devedores se propaga aos demais. 266). e condicional. Princípios comuns à solidariedade: "A solidariedade não se presume. resulta da lei ou da vontade das partes" (art. Porém. 264). Porém. 265). os vícios a uns não se transmitem aos outros Caso a obrigação seja indivisível. cada devedor só responde por sua quota. ou mais de um devedor. isso ocorre devido as características do objeto. cada um responde apenas pela sua quota-parte. pois ela é característica da prestação e não do objeto. que ainda respondem pela dívida inteira. A solidariedade é provada com a simples manifestação inequívoca das partes. Por isso. o mesmo está excluído da obrigação. Não há representação. ou seja. Apesar de cada sujeito poder ser chamado para saldar toda a dívida. Caso uma condição seja imposta a um devedor e esta não se concretizar. O credor pode exigir o pagamento total da dívida por qualquer um dos devedores. Feito isto.Os co-devedores não são representantes uns dos outros. Exemplo de solidariedade na lei: relação pai e filho e empregado patrão. quem sofre são os demais devedores. para o outro" (art. O parentesco próximo não induz solidariedade. na medida em que este se torna divisível. ou pagável em lugar diferente. responde por ela em caso de insolvência dos co-devedores. cada um com direito. Espécies de solidariedades: Solidariedade ativa Conceito: . à dívida toda" (art. "A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores. a unidade de cobrança se mantém. na indivisibilidade. todos os demais devedores estarão livres da responsabilidade frente este credor. Entre os devedores. Já na solidariedade. tornando todo o ato nulo. ou obrigado. Se um dos devedores torna-se insolvente. como quando transforma-se em perdas e danos.

salvo se a obrigação for indivisível" (art.É a obrigação na qual existem vários credores. O devedor é obrigado a pagar a este. Qualquer um dos credor pode tomar medidas assecutórias de conservação dos direitos. não podendo escolher outro. que possuem direitos próprios e diversos para com o devedor. A dívida extingue-se totalmente quando o devedor paga a sua totalidade a um dos credores. O devedor deve pagar àquele que lhe primeiro cobrar. ou todos agirem conjuntamente. Todos os devedores se aproveitam de exceções gerais opostas. o devedor tem liberdade de escolher a quem pagar. Se pagar outro credor que não o credor-autor. Se todos os credores entrarem com ação. o devedor fica livre somente da quota parte que foi indiretamente paga. estes poderão cobrar a totalidade da dívida. "Convertendo-se a prestação em perdas e danos. 270). novação. Caso haja remissão. solicitada por um. não se exonera da obrigação e corre o risco de pagar mal. Se um dos credores é incapaz. 273). "Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros. . "Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro" (art. não podendo os demais exigir a divisão. "o julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais. porém só o específico pode aproveitar-se da sua pessoal. 271). a sentença contrária a um dos credores não prejudica o direito dos outros. Se pagar ainda para segundo. entre um dos credor e o devedor. Se houver apenas um herdeiro. Características: "Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro" (art. Qualquer credor pode ingressar em juízo com uma ação para obter o cumprimento da ação. a todos os demais credores aproveitam seus efeitos. o julgamento favorável aproveita-lhes. Se um dos credores constituir o devedor em mora. estende-se aos demais. Da mesma forma. correrá o risco de pagar em dobro a dívida. bem como ficar insolvente. Se a compensação. subsiste. "A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros" (art. pois o credor pode não pagar os demais co-credores. a menos que se funde em exceção pessoal do credor que o obteve" (art. 267). Se o devedor pagou a mais que a dívida. 274). "Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum. Extinção da obrigação solidária e direito de regresso: "O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago" (art. As quotas de cada credor se presumem iguais. todos podendo cobrar da dívida por inteiro. esta parte fica para aquele credor. 267). Não existe muito esse tipo de solidariedade. a qualquer daqueles poderá este pagar" (art. cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário. de nada influencia no direito dos outros. A interrupção da prescrição. a solidariedade" (art. transação ou compensação. Somente o credor-autor que entrou com ação adequada pode executá-la. 268). Exemplo desse tipo é a conta corrente com mais de um titular. para todos os efeitos. 269). Como a obrigação solidária se desdobra em várias.

a dívida será diminuída na sua parcela. 276). mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores" (art. o credor pode escolher qual executar. pretendendo pagar apenas sua quota-parte. todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto" (art. Caso haja remissão de um dos devedores. parágrafo único). O credor que receber toda a dívida fará a divisão das quotas.novação. a dívida comum. ou pode ainda cobrá-la parcialmente de cada um. Se um dos credores não puder receber sua parte (a obrigação é considerada nula quanto a ele). O credor pode cobrar a totalidade da dívida de qualquer um dos devedores. A obrigação solidária passiva se assemelha à fiança. Se a prestação tornar-se impossível por culpa de um ou de alguns dos devedores. se o pagamento tiver sido parcial. 284). Com isto. senão até a concorrência da quantia paga ou relevada" (art. O credor que entra com ação contra um dos devedores. contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor. o rateio deverá acontecer proporcionalmente para cada co-credor. Efeitos da morte de um dos devedores solidários: "Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros. "Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores" (art. 276). condição ou obrigação adicional. o rateio acontece do mesmo jeito. 275. haverá desconto da quota parte excluída para o devedor. não poderá agravar a posição dos outros sem consentimento destes" (art. condição ou obrigação adicional: "Qualquer cláusula. são estes quem bancarão as perdas e danos. salvo se a obrigação for indivisível. nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário. mesmo que tenha sido a sua quota parte. 272). pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente" (art. transação ou remissão foi da dívida toda. só que o excluindo. Se o credor cobrou apenas uma parte da dívida. 275. parcial ou totalmente. . ainda pode cobrar dos restantes. Se forem vários os devedores condenados. Solidariedade passiva: Conceito e características: "O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores. Cláusula. "No caso de rateio entre os co-devedores. Conseqüência do pagamento parcial e da remissão: "O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores. "O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba" (art. O pagamento dessas não se dá solidariamente. então o devedor exonera-se dela. estipulada entre um dos devedores solidários e o credor. com a diferença que esta é um contrato acessório. caput). O remetido ainda é solidário com os demais em caso de insolvência de algum. O devedor escolhido não pode invocar o beneficium divisionis.

Porém. parágrafo único). "Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores. Exemplos: nulidade absoluta do negócio jurídico. Contudo. subsistirá a dos demais" (art. A renúncia de somente parte é a relativa. Cabe ao devedor provar que o ocorrido deveu-se à caso fortuito ou força maior.278). deve ser inequívoca. mas pelas perdas e danos só responde o culpado" (art. Ninguém pode ser obrigado a mais do que consentiu. ou seja. não cabendo a relativa. no final. A insolvência. do devedor renunciado quanto a sua quota. A renúncia da solidariedade não é presumida. 281). e a dos demais. 282. pois afeta somente um dos devedores. Meios de defesa dos devedores: "O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos. em ambos os casos. mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida" (art. A renúncia pode ser tanto expressa quanto tácita. porém. O inadimplemento é sempre presumido como sendo culposo. A impossibilidade. A renúncia total é a absoluta e extingue a solidariedade. não responderá pelos prejuízos. na hora do rateio entre os devedores. Impossibilidade da prestação: "Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários. 282). 280). que aproveitam todos os devedores. Responsabilidade pelos juros: "Todos os devedores respondem pelos juros da mora. resultante da incapacidade de todos os co- . Os juros não seguem a mesma sorte das perdas e danos porque são acessórios da obrigação final. Os renunciados ainda respondem pela solidariedade no caso de insolvência de algum. prendem-se aos vícios primitivos da origem. o culpado terá que bancar com este valor extra. Com ela surgem duas obrigações: a individual. subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente. sem o consentimento destes. dividem-se em dois ramos: a) Resultantes da natureza da obrigação: baseiam-se nos fundamentos da obrigação. 279). Nenhum devedor tem o poder de estipular cláusulas em nome dos outros devedores. é relativa. ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um. Qualquer cláusula estipulada entre um dos devedores e o credor não se transmitirá aos demais. somente o culpado é responsabilizado. sendo os outros ainda obrigados. para invalidar deve ser absoluta. anulabilidade do negócio jurídico. descontada a parcela a qual foi renunciada. que persistem com a solidariedade. não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-devedor" (art. Renúncia da solidariedade: "O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um. Cada um responde por sua parte individualmente. de alguns ou de todos os devedores" (art. A impossibilidade de pagar a prestação é bancada pelo culpado. Caso assim seja provado. por exemplo. As exceções comuns. Todos os devedores podem ser exigidos a pagar os juros.

contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor. Na hora do rateio entre os devedores. b) Causas de extinção da obrigação: Exemplos: pagamento. segundo o art. etc. Em relação à confusão. nos contratos bilaterais. mas que acaba aproveitando os demais devedores indiretamente. impossibilidade da prestação decorrente de caso fortuito ou força maior. pois ainda é solidário com seus codevedores. pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente" (art. ou de um vício do consentimento experimentado por todos os co-devedores. dividindo-se igualmente por todos a do insolvente. 284). Exemplo: remissão subjetiva.devedores. dentre outros. renúncia da solidariedade feita pelo credor a favor de um dos devedores. Em ambos os casos a parte é repartida entre todos os outros devedores solidários. salvo prova em contrário. coação. Caso a insolvência seja extinta. terá que pagar a dívida toda. etc. O credor que sucumbiu em ação movida contra um dos devedores solidários não fica inibido de formular novo pedido contra os demais coobrigados. no débito. Quanto à novação. o art. renunciado. dação em pagamento. o devedor remitido. Aquele que pagou parcialmente a dívida também pode exigir o rateio. dolo. b) Pessoais a outro co-devedor: são aquelas que só aproveitam o devedor em específico. que presumem ter parcelas iguais. A insolvência de um dos devedores pode acontecer antes ou depois do pagamento da dívida. dentre outros. As quotas de cada devedor. a obrigação é divisível. inadimplemento da obrigação pelo credor. falso motivo (nos termos do art. não implemento de condição suspensiva ou não esgotamento do termo. O pagamento do rateio é exigido através da ação regressiva (I). compensação. transação. este segundo é que terá direito de cobrar o rateio. somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferências e garantias do crédito novado. Exemplo: incapacidade relativa do agente. presumindo-se iguais. presumem-se iguais. se o houver. as partes de todos os co-devedores" (art. Caso um devedor pague toda a dívida. . que não podem argüir coisa julgada. O primeiro arcará sozinho com sua negligência. 283). "No caso de rateio entre os co-devedores. Caso todos os demais devedores estejam insolventes. Os outros devedores solidários ficam por esse fato exonerados". mas não tenha avisado os demais e segundo também efetue o pagamento. 365 leciona que "operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários. pagamento em consignação. cada co-devedor pode exigir a parcela a mais que pagou. ou na dívida. que tem como pressuposto a liquidação total da dívida. confusão. 140). subsistindo quanto ao mais a solidariedade". As exceções pessoais dividem-se em: a) Simplesmente pessoais: são as que o devedor demandado invoca pessoalmente. dentre outros. Relação entre os co-devedores: "O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota. 383. "a confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito. novação. prescrição. vício resultante de erro. compensado.

a ela. Como a solidariedade mista é a junção da solidariedade ativa com a passiva. porém o descumprimento da obrigação não gera a responsabilidade. o devedor paga com o seu patrimônio. É um dever moral sem respaldo jurídico. Características: O Código Civil não regula tal matéria. não haverá ação regressiva. Há respaldo no direito positivo. pois o dever de pagar existe. Obrigação civil. O não cumprimento gera a responsabilidade. podem dividir e estipular entre si o quanto da dívida é de responsabilidade de cada um. O devedor interessado somente é obrigado a pagar toda a dívida na hora do rateio. quando na figura de fiadores. mas adquire eficácia jurídica quando no seu adimplemento (soluti retentio). Não havendo responsabilidade. Isso acontece nos casos em que os co-devedores são apenas avalistas necessários para a concessão de crédito. Estando isso no acordo. que incide no patrimônio do devedor. considera a obrigação natural imperfeita. perfeita ou comum: É aquela a qual o cumprimento da obrigação a extingue. não cumprindo a obrigação. Se o único interessado paga a dívida ao credor. 285). mesmo que não seja interessado. mas ele é meramente de ordem moral ou social. responderá este por toda ela para com aquele que pagar" (art. as regras quanto a essas duas outras modalidades. não há no que se falar em cobrança judicial. não de direito. O credor pode exigir o pagamento tanto deste quanto de qualquer outro devedor. aplicam-se. não podendo ser exigido judicialmente. Solidariedade mista: Conceito: É quando há pluralidade tanto de credores quanto de devedores. Natureza jurídica da obrigação natural: A teoria clássica ou tradicional. nem em respaldo no direito positivo. Obrigação natural: Conceito e características: O cumprimento da obrigação a extingue. Os coobrigados não interessados. O credor pode exigir judicialmente o cumprimento da responsabilidade. justamente por carecer de ação judicial. Se o devedor paga aquilo que deve. Ou seja. Constitui relação de fato."Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores. Não possui relação jurídica (não existe responsabilidade). cada qual não pode ser exigido a mais que sua parte. o credor têm o direito de reter o pagamento. a mais aceita pela doutrina. A partir do momento que há o . através de ação.

há autores que entendem que somente a compensação legal não pode ser efetuada. sendo. Efeitos da obrigação natural: O principal efeito da obrigação natural é que. A novação de obrigação natural é assunto muito controvertido. a natural equipara-se com a civil. O credor de obrigação natural que portar título de crédito ou cheque. nos empréstimos sem fins financeiros (muito raros). a obrigação é civil. O devedor não pode repetir o pagamento. caput). como corrida de cavalos. portanto. ao prescreverem. Toda obrigação que não permitir a repetição do que foi pago é obrigação natural. que voluntariamente se pagou. Porém.cumprimento da obrigação. vencidas e de coisas fungíveis (art. Entretanto. logo. Os juros pagos. devendo esta. ou se o perdente é menor ou interdito" (art. Outros. As dívidas (obrigações civis). O CC só disciplina os efeitos das dívidas de jogo e das prescritas. não cabe a repetição (soluti retentio). Por isso. Exemplos de obrigações naturais: São exemplos de obrigações naturais as dívidas de jogo e dívidas prescritas. que se as partes assim concordarem. "Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita. 814. "As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento. não pode exigir a restituição. aquele que empresta dinheiro. o que não ocorre nas obrigações naturais Mais uma vez. 369). Obrigação de meio: . mas não se pode recobrar a quantia. assim como o penhor. sendo que a convencional (estipulada entre as partes) é permitida (pacta sunt servanda). dado o seu pagamento. salvo se foi ganha por dolo. que não deveriam ser. São chamadas de obrigações civis degeneradas. a doutrina admite a existência de efeitos secundários. pois a inexistência de responsabilidade persiste. Contudo. A compensação não é permitido na obrigação natural. A obrigação natural pode ser cumprida pela dação em pagamento. porque está só pode ser feita entre dívidas líquidas. o pagamento de juros é obrigação natural. obrigações civis. 882). não há porque negar (pacta sunt servanda). pois são obrigações acessórias que seguem o destino da principal. ou exigi-lo de volta alegando que só cumpriu a obrigação por achar que ela era civil. A característica vencida significa que ela deve poder ser exigida. A execução parcial da obrigação natural não permite ao credor cobrar o restante. podem ser recobrados. Alguns entendem que não é possível. não podem ser feitos. se portar tais títulos. ou cumprir obrigação judicialmente inexigível" (art. O CC admite a extensão da classificação de obrigação natural para todos os casos análogos aos inscritos nele. a posteriore. pode exigir o dinheiro. ser válida e exigível. Aquele que empresta dinheiro no ato em que o devedor participa de jogo ilícito carece de suporte jurídico. Nos jogos regulamentados pela lei. terceiro dotado de boa-fé pode. tornam-se obrigações naturais. As gorjetas e proprinas são doações remuneratórias por serviço prestado. A fiança. para o devedor saldar suas dívidas de jogo.

mas sim o fazer com segurança. transporte de táxi ou ônibus. Obrigação de garantia: É a obrigação em que o devedor se compromete a eliminar os riscos que recaem sobre o credor. Obrigação de resultado: Quando a obrigação visa atingir um resultado específico. O diferemento pode ser tanto do comprador (paga num prazo futuro). não importando sua natureza. Um transportador é um exemplo. É o compromisso de arcar com as conseqüências. sem solução de continuidade. A simples aceitação do devedor de assumir os riscos já demonstra o adimplemento para com a prestação. Obrigação de execução diferida: É também executada num ato só. O advogado. Obrigação de execução continuada: É tanto a obrigação com prestação que se prolonga no tempo.Exemplo: compra e venda à vista. como do vendedor (entregar coisa certa num prazo futuro). mas este tem seu tempo num momento futuro. Encaixam-se nessa classificação as obrigações que são prestadas num período curto de tempo. não se responsabilizando pelo resultado alcançado. receberá seus honorários mesmo que a causa tenha sido perdida. O devedor não se exonera da obrigação por ter ocorrido caso fortuito ou força maior. cabendo ao terceiro ação regressiva. São exemplos: segurador e fiador. justamente porque a característica da obrigação é a de assumir todos os riscos. culpa da vítima. se trabalhar com empenho provado. Sua obrigação não é somente de transportar os passageiros ou a carga. O devedor de obrigação de resultado só se exonera de um resultado não pretendido se provar efetivamente a ocorrência de força maior. dando-lhe maior segurança. tão pequeno que é. etc.Obrigação de meio é aquela a qual o devedor está obrigado a empregar seus conhecimentos e meios com diligência. Da mesma forma. diz-se que ela é de resultado. o devedor responde perante seu credor. o médico. . Obrigação de execução instantânea ou momentânea: É aquela que se esgota num ato realizado na seqüência de sua constituição (quae unico actu perficiuntur). etc. até chegar ao destino prometido. Caso o inadimplemento aconteça por culpa de terceiro. entrega de coisa certa. É exemplo o trabalho do advogado e do médico. Esta prestação geralmente protege bens suscetíveis de aferição econômica.reduzido a um instante. garantias bancárias. ou caso fortuito. na prática.

Classificação conforme os elementos acidentais que cada obrigação possui. a termo e modais: Elementos constitutivos do negócio jurídico: O negócio jurídico é formado por elementos essenciais (essentialia negotii). a sentença as incluirá na condenação.como aquela mediante prestações periódicas ou reiteradas. que formam a existência do ato. 121). como por exemplo as condições. subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto" (art. etc. são aquelas nas quais a prestação é dividida em várias prestações menores singulares. Ela estende-se indefinidamente pelo tempo. etc. Obrigações puras e simples. a obrigação também é chamada como sendo de trato sucessivo. das partes. Exemplo: não é condição uma cláusula que exige a morte de uma pessoa para que se cumpra seu testamento. Não é condição aquilo imposto por lei (conditio iuris). os termos e os encargos. criadas pelas partes e adicionadas facultativamente ao negócio. Obrigação pura e simples: É aquela que não está sujeita a nenhum elemento acidental. correspondendo as conseqüências ou efeitos decorrentes da natureza do negócio. pagamento de aluguel. No primeiro caso a prestação não tem um fim premeditado. independentemente de declaração expressa do autor. 290. já os acidentais. no curso do processo. CPC). Obrigações condicionais: Conceito: São aquelas nas quais a ocorrência de determinado evento futuro e incerto acarreta no nascimento ou na extinção do direito. que são executadas periodicamente. do representante judicial. "Quando a obrigação consistir em prestações periódicas. se o devedor. Os elementos acidentais são cláusulas de auto-limitação do negócio que modificam sua eficácia. "Considera-se condição a cláusula que. Quando há prestações periódicas. . derivando exclusivamente da vontade das partes. As prestações periódicas cumpridas não serão afetadas pelo inadimplemento de prestações futuras. e os elementos acidentais (accidentalia negotii). É o que acontece com o fornecedor de energia. condicionais. os elementos acidentais têm tanto valor quanto os demais. considerar-se-ão elas incluídas no pedido. enquanto durar a obrigação" (art. Na medida em que são adicionados ao negócio. deixar de pagá-las ou de consigná-las. sendo as estipulações acessórias. Exemplo é a compra e venda a prazo. os elementos naturais (naturalia negotii). Os elementos essenciais e naturais advêm da lei. O evento futuro não pode ser decorrente da natureza do próprio negócio para que seja considerada condição.

Exemplo: darei algo caso se cases com tal pessoa. todas as condições não contrárias à lei. se decorrer da vontade de uma das partes. Se a vontade da parte for a única coisa a qual a condição depende. as que sujeitem a parte ao puro arbítrio da outra (puramente potestativas). 124). Quando não houver nenhum problema em sua existência. enquanto que na mista. Caso a pessoa venha a ficar paraplégica. pelo fato de que. e física quando a obrigação implica em algo que não pode ser humanamente cumprido. Esta é proibida. ao acaso. Classificação das condições: "São lícitas. Se o bilhete não foi premiado a declaração é ineficaz. a obrigação é promíscua. Se ocorrer algum evento. a condição cessa o direito a partir do evento condicional. a vontade do terceiro é algo definido. não basta que as partes acreditem que o evento seja incerto.O evento deve ser obrigatoriamente futuro. a ordem pública e os bons costumes. em geral. o que há é um termo. Se. Exemplo: darei algo caso viajes a Roma. ela é resolutiva. "Se for resolutiva a condição. Diz-se que tais condições são impróprias. Quando a condição depende tanto da vontade quanto de um eventual acaso. ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes" (art. a condição é tida por possível. as que sejam fisicamente ou juridicamente impossíveis e as incompreensíveis ou contraditórias. as que privem de todo efeito o ato (perplexas). podendo . ela é impossível. Se houver. a obrigação é simples e pura. ela é classificada como sendo simplesmente potestativa. Se a condição impede a aquisição do direito até que ela se suceda. à ordem pública ou aos bons costumes. Quando a condição depende exclusivamente do acaso. quando resolutivas. São ilícitas as que contrariam a lei. que dificulte a realização de uma condição puramente potestativa diz-se que a mesma tornou-se prosmícua. Se o bilhete foi. a que ele visa" (art. Caso seja certo. enquanto esta se não realizar. não se terá adquirido o direito. vigorará o negócio jurídico. ela é casual. duas situações podem ocorrer. A incerteza deve ser absoluta. o acaso é elemento não proposital. ela é potestativa. "Tem se por inexistentes as condições impossíveis. ela é suspensiva. 125). Entretanto. Exemplo: se a pessoa promete certa quantia se seu bilhete foi premiado num concurso passado. Exemplo: dar algo caso chova. no entanto. Exemplo: darei algo se eu quiser. 122). As condições que dependem tanto da vontade da parte quanto a de terceiro são tidas como mistas. a mesma é chamada de puramente potestativa. O evento deve ser incerto. ele realmente deve ser. não havendo nenhuma condição. nestas. isto é. e as de não fazer coisa impossível" (art. enquanto esta se não verificar. entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico. "Subordinando-se a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva. Exemplo: darei algo caso escales essa montanha. Também são as cláusulas que afetem a liberdade das pessoas de modo absoluto. A impossibilidade é jurídica quando a obrigação esbarra no ordenamento jurídico. Diferem-se das simplesmente potestativas.

mas não a aquisição do direito" (art. nos casos de condição suspensiva ou resolutiva. não tem eficácia quanto aos atos já praticados. Nos negócios de execução periódica. considerando-se. Porém. ao contrário. Quando o tempo do termo é fixado numa data ou num lapso de tempo determinado. o termo se equipara à condição. 128). 123. Este se difere da condição da condição suspensiva porque não suspende a aquisição do direito. ela precisa ser judicialmente pronunciada. b) Inciso II: "as condições ilícitas. Exemplo: darei tal coisa quando tal pessoa morrer. Obrigação a termo: Conceito: É a subordinação da obrigação a evento futuro e certo. é permitido praticar os atos destinados a conservá-lo" (art. no que couber. desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé" (art. também chamado de obrigação à prazo. O que ocorre é apenas a protelação de seu exercício até que o seu uso seja possível. A não realização acarreta na frustação. "O termo inicial suspende o exercício. O termo inicial ou suspensivo (dies a quo) quando indica o início do exercício do direito. "Reputa-se verificada. Exemplo: darei algo quando for 6 de junho. Características e disposições legais: "Invalidam os negócios jurídicos que lhes são subordinados" (art. o termo é incerto. "Sobrevindo a condição resolutiva. se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica. as disposições relativas à condição suspensiva e resolutiva". o mesmo é certo.130). a menos que incompatível com a natureza do objeto. 130). extingue-se. Classificação do termo: Quando o período do termo é apenas determinável. Como o termo é algo certo. salvo disposição em contrário. 135 aplica ao termo as mesmas disposições das condições: "Ao termo inicial e final aplicam-se. A condição resolutiva pode ser expressa ou tácita. a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer. A condição não verificada ou frustada denomina-se pendente. não verificada a condição maliciosamente levada a efeito por aquele a quem aproveita o seu implemento" (art. porém não precisa ser determinado. para todos os efeitos. apenas o seu exercício. mas. . o direito a que ela se opõe. c) Inciso III: "as condições incompreensíveis ou contraditórias". quanto aos efeitos jurídicos. 131). quando suspensivas". em ambos os casos.exercer-se desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido" (art. caput): a) Inciso I: "as condições física ou juridicamente impossíveis. Ele é algo certo. a aquisição também é. Quando ocorre a verificação há o implemento. a resolução não tem eficácia quanto aos atos já praticados. Termo é o dia em que começa ou acaba a eficácia do negócio. sendo que a data de sua verificação não é precisa. apenas determinável. Tanto são que o art. "Ao titular do direito eventual. 127). Retirando a característica da certeza. ou de fazer coisa ilícita". a sua realização.

pelo disponente. o devedor só estará em mora após a sua notificação. se o prazo foi estabelecido a favor do credor. considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil". esta limitação do direito de exercício do bem. Conceito de prazo: Prazo é o intervalo de tempo entre o termo inicial e o final. ou de ambos os contratantes" (art. salvo se a execução tiver de ser feita em lugar diverso ou depender de tempo" (art. nos contratos. ou no imediato. em qualquer mês. 133). para evitar juros. ou de ambos. se do teor do instrumento. se faltar exata correspondência". salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico. em proveito do devedor. Efeitos e disposições legais: Sendo o prazo fixado. 136). Contudo. sem prazo. tendo tais que ainda respeitar o encargo imposto. Regras sobre a contagem do prazo: "Salvo disposição legal ou convencional em contrário. ele pode antecipar o pagamento do negócio. e incluindo o do vencimento" (art. quanto a esses. nos contratos a seu favor. Encargo é este ônus. "Os negócios jurídicos entre vivos. Exemplo: dou esse terreno ao município para que ele construa uma escola. 132. ou das circunstâncias. o descumprimento deste pelo devedor caracteriza automaticamente a mora do mesmo. salvo. caput). excluindo o dia do começo. são exeqüíveis desde logo. § 1°: "Se o dia do vencimento cair em feriado. Aos herdeiros transmite-se a obrigação modal. presume-se o prazo em favor do herdeiro. e. O contrato de empreitada para a construção de uma casa é um exemplo de negócio entre vivos que tem sua execução a prazo. o seu décimo quinto dia". Características e disposições legais: "O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. ele é final ou resolutivo (dies ad quem). "Nos testamentos. como condição suspensiva" (art. Geralmente caracteriza-se pela imposição de um modo de usufruir tal direito ou fim a atingir. tal renúncia não pode ser feita sem o consentimento do outro. Obrigações modais ou com encargo: Conceito: São as obrigações nas quais existe certa cláusula que impõe um ônus ao detentor do direito adquirido na resolução jurídica. resultar que se estabeleceu a benefício do credor. § 4°: "Os prazos fixados por hora contar-se-ão de minuto a minuto". computam-se os prazos. por exemplo. § 3°: "Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início. Se o devedor quiser abdicar do prazo. .Já quando o termo indica o término do direito. § 2°: "Meado considera-se. 134). Se a data não for determinada.

devendo-se. CC). depois da morte do doador. Somente o instituidor pode propor ação revogatória pela inexecução do encargo. Para que se possa solver a obrigação ilíquida. ou do interesse geral" (art. 553. isso não impede que o credor reproponha a liquidação. cabendo esta somente ao MP. apurar o valor da condenação. procede-se à sua liquidação" (art. CPC). 475-A. o devedor sabe que tem que pagar. 562). de terceiro. Arbitramento é quando o juiz nomeia um perito com conhecimento técnico para apurar a avaliação de uma coisa. então. é preciso que ocorra a sua avaloração. porém seu valor é incerto. 553). Liquidação por artigo é quando fato novo é alegado em processo sentenciado. caput. "A doação onerosa pode ser revogada por inexecução do encargo. serviço ou prejuízo. 397. 397. O rito dessa nova liquidação respeita a do processo anterior que a gerou. Quando tratar de coisa certa é o próprio objeto. caput). Porém. É a mora ex persona. constitui de pleno direito em mora o devedor" (art. Não havendo prazo para o cumprimento. se este não tiver feito" (art. se o donatário incorrer em mora. Aplicação da distinção nos dispositivos legais: "O inadimplemento da obrigação. o juiz julgará não provados os artigos de liquidação. seus herdeiros só podem exigir o cumprimento do encargo. Não havendo termo. não podendo propor ação revogatória. As obrigações ilíquidas são as que têm existência certa. Porém ele não sabe qual é a quantia. O devedor é obrigado a pagar os juros da mora desde que este seja líquido. ou seja. Ela pode se dar por arbitramento ou por artigos. Obrigações líquidas e ilíquidas: Conceito: São consideradas líquidas as obrigações que tenham sua existência certa e o seu objeto avalorado. A dívida ilíquida é certa."O donatário é obrigado a cumprir os encargos da doação. no seu termo. a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial (art. o que o impossibilita de cumprir com a obrigação Características da liquidação: A liquidação visa apurar o quantum devido. "Quando a sentença não determinar o valor devido. Quando ela for . Porém. O credor deve provar os rendimentos do falecido. As partes podem formular quesitos e indicar assistência técnica. A sentença também não terá efeito retroativo. Isso impossibilita ao devedor solvê-la. caso forem a benefício do doador. o doador poderá notificar judicialmente o donatário. esta não é obrigatória. Na morte do instituidor. positiva e líquida. Exemplo de liquidação por artigo: Pedido de dano material pela morte de chefe de família à réu condenado em sentença penal. parágrafo único). Se o credor não conseguir provar os fatos novos. A liquidação é processo autônomo da sentença. cabendo apelação com efeito dedutivo. Quando se trata de dinheiro. a avaloração é dada em cifras. assinando-lhe prazo razoável para que cumpra a obrigação assumida" (art. Isso ocorre através do processo de liquidação. parágrafo único. "Se desta última espécie for o encargo. o Ministério Público poderá exigir sua execução. bem como a dependência da família para requisitar a pensão.

Obrigação acessória é a que tem existência subordinada à obrigação principal e. Exemplo de obrigação acessória: fiança.com. 233). mesmo não mencionados. segunda parte). cláusula penal. o fiador só responde a obrigação quando esta se tornar líquida. mas a destas não induz a da obrigação principal" (art. Obrigações principais e acessórias: Conceito: Obrigação principal é aquela que existe por si só. A transferência de sujeito pode dar-se por mortis causa. A compensação só pode ser feita se as dívidas forem líquidas. O caráter acessório ou principal é atribuído pela vontade das partes ou pela lei Quando pelas partes. O ato que determina a transmissão chama-se cessão. não dependendo de qualquer outra.ilíquida. juros. 184.html> Direito Das Obrigações ± Parte III Direito Das Obrigações ± Parte III Otávio Goulart Minatto* Transmissão das obrigações (disposições gerais): Noções gerais: As relações obrigacionais admitem alterações no conteúdo do seu objeto e nos seus sujeitos (ativos e passivos). penhor. Cessão do crédito: Conceito: . Efeitos: "A invalidade da obrigação principal implica a das obrigações acessórias. pode ter sido convencionada em conjunto com a obrigação principal ou posteriormente. etc. 405). <http://www. Elas se preservam como se nada tivesse acontecido. Da mesma forma.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/455dtoobrptii. como na sucessão hereditária. "A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios. salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso" (art. "contam-se os juros de nora desde a citação inicial" (art. A mudança de sujeitos não acarreta nenhuma alteração nas características objetivas da obrigação. ou por atos inter vivo. segue a sorte deste. logo. * Acadêmico de Direito da UFSC.investidura.

O devedor (cedido) não participa necessariamente da cessão. A cessão do crédito pode abranger a totalidade da dívida ou não. O crédito cedido a mais de um cessionário é independente para cada um. Na cessão onerosa. na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios" (art. Sua anuência é dispensada. Quando a cessão é gratuita. a mesma responsabilidade lhe cabe nas cessões por título gratuito. Na cessão parcial do crédito. preservando todos seus acessórios. Em alguns casos. Não há animus novandi. diz-se que ela foi total. "Salvo disposição em contrário. se tiver procedido de má-fé" (art. Nos créditos envolvendo direito real de garantia. o cedente persiste com parte do crédito. ainda que não se responsabilize. preservados os do devedor. Responder pela existência é garantir que o crédito não seja prejudicado por exceções ou qualquer outro tipo de impugnação. Não se pode transmitir as obrigações de caráter personalíssimo e de direito de família. fica responsável ao cessionário pela existência do crédito ao tempo em que lhe cedeu. com a diferença de que o objeto é um bem incorpóreo. O cessionário de ser pessoa plenamente capaz. 287). a capacidade não é requisito suficiente para se ter a legitimação. O tutor e o curador.É a mudança do sujeito ativo da obrigação. É como uma venda. O cedente pode ainda transmitir a sua parcela do crédito para pessoa diversa. 295). ressarcindo o cessionário caso o haja. Quando sim. O cedente deve ser pessoa capaz e legitimada para praticar atos de alienação. 286). Ele tem apenas o direito de ser informado da cessão. o que há é a substituição da obrigação por outra. mas não pode ser alegada para anular a cessão ao cessionário de boa-fé caso não esteja constado no instrumento da obrigação. Acontece entre o credor e terceiro. prévia autorização judicial (art. Na novação. a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé. estando incluso ainda na obrigação. se a isso não se opuser a natureza da obrigação. Da mesma forma. por exemplo. a lei. . respectivamente. O crédito transmitido sub-existe. alheio ao negócio jurídico inicial. se não constar do instrumento da obrigação" (art. A cessão do crédito transmite apenas os direitos do credor. ao administrar os bens dos filhos menores. não podem cedê-los se. o cedente é responsável pela existência e titularidade do crédito no momento da transferência. 1691). A cessão de crédito pode ser feita gratuitamente ou onerosamente (mais comum). ou a convenção com o devedor. Diferença com institutos afins: A cessão de crédito se diferencia da novação subjetiva ativa porque nela as características objetivas da obrigação permanecem. não podem ser cessionários de créditos contra seus pupilos e curatelados. o que acarreta na mudança de todas as características. O cedente é excluído da obrigação por não fazer mais parte dela. A convenção das partes pode impedir que se faça uma cessão de crédito. este só será responsável se tiver agido de má-fé. Características e requisitos: "O credor pode ceder o seu crédito. o cedente. deve haver consentimento do cônjuge. os pais. Espécies de cessão de crédito: "Na cessão por título oneroso.

"O cedente. as cessões dos acessórios (art. 654" (art. inc. o cedente não responde pela solvência do devedor" (art. por exemplo. A cessão do crédito é legal quando ocorre por determinação da lei (ipso juri). senão quando a este notificada.000 que possui com terceiro para o cessionário no valor de R$ 8. mas por notificado se tem o devedor que. Sendo assim. se o cedente. Se o devedor foi notificado e mesmo assim paga ao credor primitivo não se desobrigará quanto ao cessionário. paga duas vezes. podem as partes convencionar que o cedente deve responder pela quantia total do crédito. caso esta aconteça. nunca podendo ser presumida. 292). Ela o é sempre que for determinada pelo juiz. A notificação pode ser expressa ou presumida. com o título de cessão. 288). Porém. A expressa é a comunicada pelo credor. seria ilógico obrigá-lo por algo que não foi feito por ele. o mandante. 287). Caso a obrigação seja solidária. II. em favor de quem são transferidos os créditos adquiridos pelo mandatário (art. não se exige forma especial. deve cobrir a dívida em caso de insolvência do devedor. acrescidas as despesas. 831). e não somente a negociada. A cessão legal e a judicial não necessitam de nenhuma exigência a mais do que as que naturalmente dispõe. Notificação do devedor: "A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor.A cessão pode constituir-se pelo simples acordo entre as partes. ou que. prevalecerá a prioridade da notificação" (art. em escrito público ou particular. responsável ao cessionário pela solvência do devedor. quando o crédito constar de escritura pública. além de responder pela existência. paga ao credor primitivo. 296). não responde por mais do que daquele recebeu. Tanto o cedente quanto o cesionário podem notificar o devedor. 290). pois ele não concorreu com a transferência. A situação do cedente não se confunde. a cessão é pro solvendo. Porém. a cessão é chamada de pro soluto. o cedente não responde pela existência do crédito. 283). pois quem paga mal. o devedor solidário que paga toda a dívida (art. Quando a cessão é legal. o da obrigação cedida. 346. antes de ter conhecimento da cessão. A cessão pode ainda ser judicial. no caso de mais de uma cessão notificada. São exemplos de cessão legal: as sub-rogações do art. etc. pelo princípio do pacta sunt servanda. paga ao cessionário que lhe apresenta. A presumida é a que resulta da espontânea declaração de ciência do devedor. o cedente irá reembolsar o cessionário em R$ 8. 668). porém. em relação a terceiros. com os respectivos juros. responsabilizando-se pela insolvência. Esse tipo de cessão deve estar expressamente estipulada no contrato. O que se indeniza é apenas o interesse contratual negativo. "é ineficaz. "Fica desobrigado o devedor que. e não o crédito do cessionário.000. Esta foi imposta pela lei. 297). "Salvo estipulação em contrário. Para valer entre as partes. Entretanto. se não se celebrar mediante instrumento público. Alguns crédito não exigem . Quando o cedente responde apenas pela existência do crédito e não pela solvência do devedor. Exemplo: se o cedente vende um crédito de R$ 10. o fiador que também paga toda a dívida (art. se declarou ciente da cessão feita" (art. com a do fiador ou a do devedor solidário. todos os co-devedores dever ser notificados. Isto não significa. a transmissão de um crédito.000. Nestes casos a cessão é convencional. salvo se o objeto tiver por substância do ato escritura pública. mas tem de ressarcir-lhe as despesas da cessão e as que o cessionário houver feito com a cobrança" (art. ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1° do art. que a notificação seja elemento essencial.

tinha contra o cedente" (art. entender-se-á dado o assentimento" (art. não tendo notificação dela. Características: Só pode ser feita com a anuência expressa do credor. pois sua transmissão dá-se de forma especial. também conhecida como assunção de dívida. 294). ao tempo da assunção. no momento em que veio a ter conhecimento da cessão. Já as exceções cabíveis ao cessionário ou à natureza da obrigação podem ser opostas a qualquer momento. como os títulos ao portador. sendo repassados para o novo devedor. "É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor. ficando exonerado o devedor primitivo. se o credor. preservando. A anuência do credor é indispensável. Se nada opôs na hora contra o cedente. Num contrato bilateral. a qual presume o consentimento do devedor. mas o devedor que o pagar. mesmo que não tenham sido feitas na altura da notificação. 298). Cessão do débito: Conceito: É a alteração do sujeito passivo da obrigação. A citação inicial para ação de cobrança equivale à notificação. para ele. do mesmo modo. exceto as que devem ser cumpridas pessoalmente pelo devedor. caso o cedente não tenha cumprido a obrigação. A assunção da dívida acarreta somente na mudança do polo passivo obrigacional. a segurança do negócio. "Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida. não pode ser objeto de cessão. com o consentimento expresso do credor. pois se presume que ele vê na figura do devedor a certeza de que este tem idoneidade patrimonial para solver a dívida. Todos os encargos e acessórios são mantidos. não impugnar em trinta dias a transferência do débito. Por isso. Somente no caso do adquirente de imóvel hipotecado é que o silêncio do credor interpreta-se como sua anuência. "O crédito. não poderá mais fazer. notificado. Uma troca de devedor pode representar. fica exonerado. subsistindo somente contra o credor os direitos de terceiros" (art. inclusive os acessórios. "O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido. o crédito deixa de fazer parte do patrimônio da pessoa. 299. não pode mais ser transferido pelo credor que tiver conhecimento da penhora. uma vez penhorado. interpretando-se o seu silêncio como recusa" (art. parágrafo único). caput). Uma vez penhorado. pode o devedor exigir o cumprimento pelo cessionário para que. pois dispensa a homologação do credor de forma direta. então. 299. responde pelos encargos obrigacionais. O terceiro. Qualquer dívida pode ser objeto de assunção. que recebe a dívida. "O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem. Esse artigo torna mais fácil a venda de imóveis hipotecados. 303). . bem como as que. salvo se aquele. uma incerteza quanto ao seu cumprimento. era insolvente e o credor o ignorava" (art. efetue o pagamento.notificação da cessão. Torna mais rápida a transferência.

também conhecida como assunção de cumprimento: Na promessa de liberação do devedor. d) Assunção da dívida e estipulação em favor de terceiro: Na estipulação em favor de terceiro. extinguindo-se a antiga. uma obrigação subsidiária. pois é o próprio que participa na alteração. entretanto. Espécies de assunção da dívida: Quando há acordo entre o devedor primário e o terceiro. quando ocorre a insolvência do novo devedor. Contudo se ocorrer acordo entre terceiro e o credor. O fiador que paga a dívida integralmente subroga-se credor do devedor primário. O antigo devedor ainda responde por uma parcela.Semelhança com institutos afins: a) Assunção da dívida e promessa de liberação do devedor. Efeitos da assunção da dívida: "O novo devedor não pode opor ao credor as exceções pessoais que competiam ao devedor . na novação. mediante a obrigação contraída pelo promitente. Isto significa que o credor não tem direito de cobrar deste terceiro o cumprimento da promessa. Quando o terceiro assume totalmente a dívida. Não há no que se falar em anuência do credor na expromissão. Essa exoneração é extinta. apesar de haver mudança do devedor. Exemplo: Pai assume dívida do filho. no entanto. o credor é o delegatário e o terceiro é o delegado. com a anuência do credor. mas que ele o fez sua. pois tudo que fez foi pagar sua própria dívida. na promessa de liberação. a assunção é cumulativa. acontece a criação de nova obrigação. que possibilita a identificação da categoria. diz-se que ela é imperfeita. Se o novo devedor assume apenas uma parte da dívida. a assunção é feita por delegação. a assunção é liberatória. sem a participação do devedor primário. O fiador responde por dívida alheia. Não há necessidade da anuência do devedor primário na expromissão. c) Assunção da dívida e fiança: A fiança é. O assuntor não. desonerando-o da mesma. muitas vezes. pois a obrigação se extinguiu. na verdade. É a interpretação do contrato. Já na assunção. a assunção é por expromissão. Na assunção. acertar que os riscos da insolvência correm por conta do credor (pacta sunt servanda). elas continuam. Nas duas há alguém que paga a dívida de terceiro. Como essa assunção não exclui totalmente a responsabilidade do devedor primitivo. tendo em vista que a obrigação persiste. o terceiro consente em apenas efetuar o pagamento. o benefício do antigo devedor resulta imediatamente da sua liberação da dívida. Já na assunção de dívida. Já o assuntor responde por dívida própria que era alheia. recaindo a obrigação ainda sobre o devedor. Contudo. e não mediante a atribuição de um novo direito a uma prestação. b) Assunção da dívida e novação subjetiva por substituição do devedor: Nas duas há na figura do devedor. A diferença é que. o estipulante ou promissário cria a favor do terceiro beneficiário o direito a uma nova prestação. O antigo deve arcar com a dívida. alguém se obriga a efetuar a prestação no lugar do devedor. O devedor primário é o delegante. exonerando o devedor primário. a obrigação persiste. As partes podem. A conseqüência prática dessa distinção é que na novação as garantias e os acessórios se extinguem.

300). A outra parte que não participa. que essa solidariedade não pode ser presumida. se agisse de má-fé. exceto se este conhecia o vício que inquinava a obrigação" (art. não há nada que defina qual dos dois (cedente ou cessionário) deve ser cobrado primeiro. 302). é imprescindível a anuência deste. A fiança. é extinta. De qualquer forma. Como não existe algo expresso na legislação brasileira a respeito. quando o contrato já prevê a hipótese de cessão. O terceiro que recebe é o cessionário. só acontece de um deles separadamente. A anuência pode ser dada previamente. as garantias especiais por ele originalmente dadas ao credor" (art. consideram-se extintas. Só pode opor aquelas que dizem respeito ao vínculo obrigacional. É o caso da cessão do comprador de um imóvel loteado numa relação de compra e venda. Só poderá ser se o devedor primitivo tiver conhecimento prévio do vício que anularia a cessão. Características e efeitos: Como o cessionário se tornará o novo devedor do cedido. impor. tendo que cumpri-la caso o cessionário não o faça. podendo o cedido argüir contra qualquer um. Se uma garantia especial dada pelo devedor primitivo (como a fiança). cada parte possui direitos e deveres recíprocos. Desta forma. restaura-se o débito. "Salvo assentimento expresso do devedor primitivo. . O cedido pode consentir com a cessão e. Cessão de contrato: Conceito: É a cessão da inteira posição contratual de um negócio bilateral ou sinalagmático. ao mesmo tempo. ou seja. A jurisprudência tem estendido esse entendimento para os imóveis não loteados. Cada parte é tanto credor quanto devedor. A diferença para uma cessão de crédito ou débito é que na cessão contratual é transferido para terceiro um complexo de créditos e débitos conjuntos. Nesses casos ocorre uma cessão imprópria do contrato ou uma sub-rogação legal na relação contratual. mas que deve declarar a sua anuência é o cedido. Somente o credor pode escolher por desconsiderá-las. hipoteca) são mantidas. ou posteriormente na forma de ratificação. Aquele que cede é o cedente. não apenas um deles. a não liberação do cedente. Em tais negócios. a partir da assunção da dívida. é a interpretação do disposto pelo cedido que tornará possível saber quais são as características da cessão. no momento em que se celebra a substituição. este figura na obrigação também. essa garantia não pode ser restaurada caso haja a anulação da cessão. salvo as garantias prestadas por terceiros.primitivo" (art. "Se a substituição do devedor vier a ser anulada. 301). A transferência dessas características conjuntas é a cessão do contrato. Venosa entende diferente. O fiador não é obrigado a garantir devedor que não conhece (o assuntor) As garantias reais (penhor. com todas as suas garantias. Há certos casos em que a lei dispensa o consentimento do cedido. foi extinguida com a cessão da dívida. por exemplo. enquanto que nas outras modalidades. pois dizem respeito ao objeto e não aos sujeitos.

A dificuldade de classificá-lo é reflexo das diversas formas que existem para se efetuar o pagamento. O devedor não se obriga somente ao estipulado no contrato. não há cumprimento quando a realização é feita por meios coercitivos. estabelecendo que a prestação deve ser cumprida em tempo e de forma completa. somente aquelas relacionadas ao objeto. o contrato é o mesmo. cada uma representa uma prestação diferente. A cessão do contrato não se confunde com o contrato derivado ou subcontrato. Quando não há pagamento. Dessa forma. As exceções pessoais do cedente não se transmitem ao cessionário. não poderá o cessionário protestar a anulação. o cessionário quanto ao cedido. A obrigação é cumprida quando é realizada espontaneamente pelo devedor ou voluntariamente quando interpelado. . que o pagamento é um ato jurídico em sentido amplo. mas a obrigação se extingue. o que há é a criação de um novo contrato da mesma natureza com terceiro. nulidade. como de forma indireta. a obrigação deve ser de execução duradoura. podendo variar entre ato jurídico strictu sensu e negócio jurídico bilateral ou unilateral. novação. Pagamento: Noção e espécies de pagamentos: Pagamento é o cumprimento da obrigação. As obrigações de execução instantânea só podem ser objeto de cessão quando o cumprimento foi apenas parcial. Dar. como na prestação do contrato. Natureza jurídica do pagamento: A natureza jurídica é um assunto muito debatido doutrinariamente.Para ser objeto de cessão. porém. Esta noção é empregada em sentido técnico-jurídico. que extingue a mesma. Pode haver pagamento de forma direta. Como a cessão do contrato não está disciplinado no Código Civil. Se aquele descobre que foi vítima de vício depois da cessão. não-fazer. etc. que implica em que as partes ajam de forma correta. diz-se que ela a foi por meios anormais. somente o cedente. pois se extinguem na hora. O pagamento é norteado por dois princípios. podendo o pagamento ser tanto efetuado em dinheiro. fazer. O cedido não pode alegar ao cessionário nenhuma exceção pessoal do cedente. ou quando há ainda conseqüências jurídicas a serem produzidas. Neste. Não pode nem impor aquelas fundadas no contrato de cessão. mas em tudo aquilo mais conseqüente aos seus atos. O segundo princípio é o da pontualidade. como na prestação de um serviço. O primeiro é o princípio da boa-fé. O cedente responde pela existência da relação contratual cedida sempre que a cessão for onerosa ou quando o mesmo age de má-fé na cessão gratuita. enquanto que na cessão. seja interessado ou não (art. Ele representa a realização voluntária da prestação pelo devedor ou por terceiro. faz-se analogia com a cessão do crédito quanto à responsabilização pela existência. É consenso. Ex: impossibilidade de execução sem culpa do devedor. 304). como no pagamento por consignação e na dação em pagamento. Da mesma forma. muda-se apenas a parte. As instantâneas não podem ser objeto de cessão.

247). Quem deve pagar: "Qualquer interessado na extinção da dívida pode pagá-la.00. salvo oposição deste" (art. que paga a dívida em seu próprio nome. Contudo. sendo obrigado pelo resto. caput). 306). 334 e seguintes) o credor que não aceita o pagamento. "O pagamento feito por terceiro. estando o credor livre para aceitar o pagamento. "O terceiro não interessado. dos meios conducentes à exoneração do devedor" (art. parágrafo único). como os fiadores. e) Intenção de solvê-lo (animus solvendi). ou seja. subrogam-se como credores (art. pode o credor alegar motivo justo para não aceitar o pagamento. b) Cumprimento da prestação. não obriga a reembolsar aquele que pagou. III). tem direito a reembolsar-se do que pagar. Contudo. Quando a obrigação é contraída intuitu personae. Se o devedor não quiser que o terceiro pague sua dívida. Caso o devedor se oponha ao pagamento do terceiro. aqueles que se interessam pelo cumprimento da obrigação. c) Pessoa que recebe o pagamento (accipiens). Porém. Ex: o devedor devia R$ 100. mas não se sub-roga nos direitos do credor" (art. entende-se o jurídico. 304. Este terceiro pode até consignar (art. d) Pessoa que efetua o pagamento (solvens).00. Terceiro não interessado judicialmente pode também realizar o pagamento em nome e à conta do devedor. se o fizer em nome e à conta do devedor. com todos os privilégios e garantias do negócio (art. Não há nada que obste. caput). não precisará reembolsar o montante que lhe aproveita. podem pagar a dívida. sendo que a dívida caiu para R$ 30. esta oposição do devedor não configura proibição. pode ser cumprido por incapaz.00. Têm. ou não envolve ato de disposição. Quando o conteúdo do cumprimento não é um negócio jurídico. se o devedor ilidir apenas parcialmente a ação do credor. se o credor se opuser. por exemplo. adquirentes de imóvel hipotecado. só o mesmo pode cumpri-la (art. desde que aja em nome e à conta do devedor. se o devedor tinha meios para ilidir a ação" (art. o direito de cobrar a dívida do devedor. Por interesse. só o foi graças às características do devedor. 346.Requisitos essenciais de validade do pagamento: a) Existência de vínculo obrigacional. etc. 304. Houve compensação entre as partes. Exemplo: terceiro possui interesse moral na resolução da obrigação. então. usando. decadência. O principal interessado é o devedor.00. o devedor terá que reembolsá-lo apenas na quantia de R$ 30. como um pai que paga a conta do filho. com desconhecimento ou oposição do devedor. quando feito por . 305. como quando o devedor alega compensação. "Igual direito cabe ao terceiro não interessado. que o incapaz faça a entrega de um imóvel seu negociado por seu tutor. Fazendo isto. nunca em nome próprio. Se o terceiro pagou a dívida inicial de R$ 100. Pagamento efetuado mediante transmissão da propriedade: "Só terá eficácia o pagamento que importar transmissão da propriedade. 349). Ilidir a ação é provar que não se devia ela. avalistas. só há uma maneira de impedi-lo: efetuar o pagamento antes dele.

O representante convencional é a figura do adjectus solutionis causa. ainda que o solvente não tivesse o direito de aliená-la" (art. Pode o credor. no entanto. contudo. o pagamento só pode ser destinado a esta pessoa. b) Judicial: é o nomeado pelo juiz. "Se se der em pagamento coisa fungível. Essa ratificação retroage até o dia do pagamento a terceiro para produzir todos os efeitos do mandato. ou seja. pois o devedor não teve a prudente cautela. a recebeu e consumiu. ou outra coisa. há um mal pagamento. Quando a representação é legal ou judicial.quem possa alienar o objeto em que ele consistiu" (art. 308). o legatário. aquele que é titular do direito real. sendo irrevogável pelo credor e não se extinguindo com a morte do mesmo. aquele que possui a titularidade do direito de crédito no momento da cobrança. caput). salvo se as circunstâncias contrariarem a presunção daí resultante" (art. 307. o pagamento pode ser dado tanto ao representante quanto ao credor original. o negócio é uma estipulação em favor de terceiro. podendo ser totalmente desfeita se. ou seja. optar por não ratificar se esse proveito lhe tolher a liberdade . O credor não é somente o originário. caso contrário só valerá a partir da ratificação deste" (art. Quando é feita a dação em pagamento. o cessionário. 1268. síndico da falência. de boafé. etc. paga em dobro. se for ratificado pelo credor. podendo ser revogado pelo credor. 307. Pode ser o herdeiro. a transferência se convalidará. A quem se deve pagar: "O pagamento deve ser feito ao credor ou qualquer um que o represente. como o inventariante. não se poderá mais reclamar do credor que. com o objetivo de facilitar a execução do pagamento às partes. tutores e curadores. administrador da empresa penhorada. se o credor estiver de boa-fé (art. Existem 3 tipos de representantes do credor: a) Legal: é o que decorre da lei. Ex: Um tutor não pode dar em pagamento o imóvel do tutelado sem autorização judicial (art. 311). como no seguro de vida. Nesse caso. parágrafo único). se o alienante (o devedor) efetuar a dação. Validade do pagamento efetuado a terceiro que não o credor: Se o solvens pagar alguém que não o credor. O pagamento a terceiro será válido. como os pais. Contudo. porém as cláusulas do contrato são em favor do próprio adjectus. Caso seja convencional. pois quem paga mal. § 1°). este ainda terá o direito de exigir o pagamento. Essa presunção é relativa. 1748. "Considera-se autorizado a receber o pagamento o portador da quitação. IV). caberá ao verdadeiro proprietário da coisa fungível somente voltar-se contra o devedor. O credor ratifica o pagamento quando obtiver proveito direto (o terceiro lhe dá a quantia) ou indireto (o terceiro utiliza o dinheiro a favor do credor) deste ato. deve-se ter a específica. Quando. Não basta ter capacidade genérica. mas só receber o domínio da coisa dada posteriormente ao pagamento. a mesma só pode ser realizada por aquele que possa alienar o objeto. houver vários indícios que o portador da quitação é um ladrão. Nesse caso. c) Convencional: é o estipulado pelo credor. no caso.

313). Sendo assim. ou seja. por partes. Pagamento efetuado ao credor putativo: "O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é valido. se nada foi estipulado no contrato. o credor putativo. 309). o mesmo deve devolver ao devedor o valor pago. se assim não se ajustou" (art. "Presumem-se a cargo do devedor as despesas com o pagamento e a quitação. como a compra de imóvel. pois não se justifica proteger aquele que agiu com negligência. não sendo o devedor forçado a pagá-la em partes. na sua invalidação. nem o devedor a pagar. "O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida. A substituição da prestação só pode ser feita com a anuência do credor. mas que na verdade não o é. 314). se o devedor desconhecer da incapacidade do credor por erro escusável ou por dolo daquele (ocultar a idade. é requerido a escusabilidade do erro. 310) O pagamento será válido. se o devedor não provar que em benefício dele efetivamente reverteu" (art. Para que não haja enriquecimento ilícito do credor. 312) Quando o título é penhorado ou impugnado. Se a obrigação é complexa. é proveitoso. ou da impugnação a ele oposta por terceiros. Pagamento sem débito gera obrigação de restituir o que foi indevidamente pago. ou aquele que gera enriquecimento patrimonial daquele. Do objeto do pagamento: O pagamento só existirá se houver um débito. Qualquer ato que aumente o patrimônio do incapaz. Pagamento ao credor incapaz: "Não vale o pagamento cientemente feito ao credor incapaz de quitar. O devedor não se exonera da obrigação prestando algo diverso. ficando-lhe ressalvado o regresso contra o credor" (art. A prestação deve ser cumprida por inteiro. . ainda provado depois que não era credor" (art.de decisão sobre o pagamento da dívida. o devedor é notificado e instruído a depositar em juízo. por exemplo). se ocorrer aumento por fato do credor. logo. apesar de intimado da penhora feita sobre o crédito. o pagamento não valerá contra estes. o pagamento feito ao credor demonstra o não seguimento com o que foi estabelecido. Nesses casos. O objeto do pagamento deve ser estipulado na prestação. Exemplo de credor putativo é o único sobrinho de um falecido rico que se presume ser o herdeiro. que poderão constranger o devedor a pagar de novo. etc. "Ainda que a obrigação tenha por objeto prestação divisível. só será extinta com o cumprimento na íntegra do débito. o que implica. 325). o que resta ao credor é se voltar contra o accipiens. nem o credor a assim aceitá-la. Pagamento efetuado ao credor cujo crédito foi penhorado: "Se o devedor pagar ao credor. que se intitula como sendo o proprietário do imóvel. Revertido é o pagamento que chega ao poder do representante do credor. pois o devedor exonera-se da obrigação. ainda que mais valiosa" (art. Além da boa-fé do devedor. suportará este a despesa acrescida" (art. contudo. não pode o credor ser obrigado a receber. Outro exemplo é o do locador aparente.

320. em moeda corrente e pelo valor nominal. É o vulgo recibo. porém. 320. mas ele representa o valor monetário deste. É o caso do art. "Se o pagamento se houver de fazer por medida. "A quitação. uma desvalorização ou valorização não são levadas em conta na hora do pagamento. 318 e estabelece as exceções em que se pode usar a moeda estrangeira. designará o valor e a espécie da dívida quitada. Isto significa que o valor a ser pago é a quantidade em moedas estipulada. "quando. Retira-se . É a compensação da inflação. quanto possível.Pagamento em dinheiro e o princípio do nominalismo: "As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento. "Ainda que sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação. dívida de valor é aquela em que o dinheiro não é o objeto. "O devedor que paga tem direito a quitação regular. o tempo e o lugar do pagamento"(art. 318). ou peso. por motivos imprevisíveis. O Código Civil adotou o princípio nominalista no pagamento de dívida de dinheiro. 315). b) Contrato de compra e venda de câmbio. Contudo. que prevê o reajuste da prestação conforme os índices de custo de vida. ou quem por este pagou. "São nulas as convenções de pagamento em ouro ou em moeda estrangeira. inscritos no próprio CC. c) Contrato de importação e exportação. e não aquilo que elas poderiam ser convertidas na época. enquanto não lhe seja dada" (art. o valor real da prestação". 326). 315 abre a possibilidade de disposições em contrário ao princípio do nominalismo. 319). A Lei n. ou seja. só se pode pagar com a moeda interna. se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida" (art. O Brasil adotou o curso forçado da moeda para o pagamento em dinheiro. não pode ter periodicidade menor que 1 ano. sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação devida e do momento de sua execução. 316 que permite "convencionar o aumento progressivo das prestações sucessivas". que aceitaram os do lugar da execução" (art. e pode reter o pagamento. Este reajuste. entender-se-á. que sempre poderá ser dada por instrumento particular. poderá o juiz corrigi-lo. como quando se faz um empréstimo. 317 permite que. de modo que assegure. quais sejam: a) Contratos em que o devedor ou o credor seja domiciliado e residente no exterior. a pedido da parte. Quitação é a declaração unilateral escrita pelo credor declarando que a prestação foi efetuada. excetuados os casos previstos na legislação especial" (art. 315). Da mesma forma o art.192 vai ao encontro do estipulado no art. Sendo assim. ao dispor que o pagamento deve ser feito na data do vencimento no valor nominal estipulado no contrato (art. o nome do devedor. o próprio art. A dívida de dinheiro é aquela que tem por objeto o próprio dinheiro. no silêncio das partes. 10. Prova do pagamento: O pagamento exonera o devedor e lhe atribui o direito de exigir a quitação da dívida pelo credor. Diferentemente. bem como para compensar a diferença entre o valor desta e o da moeda nacional. salvo o disposto nos artigos subseqüentes" (art. É o caso da indenização. parágrafo único). Esta é a chamada cláusula de escala móvel. caput).

Isto porque o natural é que se o credor aceitou o último pagamento é porque tenha recebido os anteriores. estes presumem-se pagos" (art.desse parágrafo único. até prova em contrário. "Se o pagamento constituir na tradição de um imóvel. parágrafo único). declaração do credor que inutilize o título desaparecido" (art. ou uma construção no imóvel. que o título foi furtado. perdido este. a quitação da última estabelece. 324. a falta do pagamento" (ar. Porém. Esse tipo de presunção é relativa. por exemplo. 323) A quitação do capital presume a dos juros. mas entra em ação para discutir outras contas anteriores. diz-se que a dívida é quesível. de forma indireta. Por motivos óbvios. Como os juros são obrigação acessória. Caso este contenha valor menor do que a da prestação. da natureza da obrigação ou das circunstâncias" (art. nas quais consta expressamente que a quitação da última não faz presumir a quitação de contas anteriores. 327. 324. Esta situação é usual nos contratos de locação. ou qualquer outro motivo. cuja quitação consista na devolução do título. 322). a presunção de estarem solvidas as anteriores" (art. nos quais se estabelece o domicílio das duas partes como local do pagamento. ela é portável. em sessenta dias. respondendo ainda pelo restante. a saída mais utilizada é a entrada das partes com uma ação de anulação e substituição de títulos ao portador. retendo o pagamento. estes só . o do condômino que paga as despesas do último mês do condomínio. o devedor só fica livre desta parte. c) "Sendo a quitação do capital sem reserva de juros. ou em prestações relativas a imóvel. cabe ao credor escolher entre eles" (art. Sendo assim. Prestação relativa ao imóvel é a execução de um serviço. "ficará sem efeito a quitação assim operada se o credor provar. Outro exemplo é o caso das contas de fornecimento de energia elétrica. Local do pagamento: "Efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor. caput). no prazo legal. Presunções do pagamento: Há 3 casos especiais em que a extinção da dívida dá-se por presunção. parágrafo único). far-se-á no lugar onde situado o bem" (art. pois pode o credor provar. O devedor não se exonera de uma obrigação só porque o credor lhe aferiu um recibo. 328). É a reiteração do pagamento num dos lugares que acaba definindo qual das opções é a escolhida. salvo se as partes convencionarem diversamente. 321) Essa solução é pouco usual. como uma reparação. contudo. "Quando o pagamento for em quotas periódicas. Caso seja no domicílio do credor. Essa presunção é relativa. invalidando assim o suposto pagamento. o princípio da relativização do recibo. Há casos como. presume-se que esta foi paga quando a principal foi. pois não é oponível ao terceiro de boa-fé que detenha o título. tornando ineficaz o título perdido. Quando o pagamento segue a regra e é feito no domicílio do devedor. "Designados dois ou mais lugares. poderá o devedor exigir. dispensando-se a quitação: a) "A entrega do título ao devedor firma a presunção do pagamento" (art. caput). b) "Nos débitos. ou se o contrário resultar da lei. 327.

ou de concurso de credores". pode o credor exigi-lo imediatamente" (art. o devedor deve ser informado (judicialmente ou extrajudicialmente) da intenção do credor de cobrá-lo para que ele fique caracterizado em mora. sendo então exeqüíveis na medida do possível (art. não pode ser paga a qualquer hora do dia. sendo permitido ao devedor satisfazer a obrigação em tempo razoável. poderá o mesmo abrir mão desse direito. O bom senso. b) Inciso II: "Se os bens. 333 estabelece os 3 casos em que há antecipação do vencimento. Há ameaça à possibilidade de se receber o crédito pela diminuição das garantias que ele possuía. do CDC). daí a necessidade de antecipá-lo para cobrálo: a) Inciso I: "No caso de falência do devedor. por exemplo.podem ser feitos no local o qual se situa o imóvel. ou se se tornarem insuficientes. pode o credor optar por manter o antigo local para o pagamento. e o devedor. pode este não aceitar o pagamento antecipado. nesses casos. 133). ou reais. poderá o devedor fazê-lo em outro. o devedor não tem todas as horas do dia para pagar. Nos contratos. Os atos sem prazo podem ser praticados desde logo. § 2°. 134). Há a antecipação para que o credor possa se juntar aos outros. A interpretação do art. se o contrato for regido pelo CDC. "Ocorrendo motivo grave para que se não efetue o pagamento no lugar determinado. as garantias do débito. hipotecados ou empenhados. não lhe cabe tal direito (art. Deverá aceitar o pagamento com a redução proporcional dos juros. pelos mesmos motivos (que para ele interessa). Tempo do pagamento: O tempo do pagamento é observado em relação ao estabelecimento a ser debitado. mas sim somente aquelas nas quais o estabelecimento encontra-se em funcionamento. c) Inciso III: "Se cessarem. como no comodato. é aplicado. Ou seja. forem penhorados em execução por outro credor". a identificação do mesmo cabe ao juiz. Quando não há prazo. a não ser que sua execução esteja subordinada a determinado local ou tempo. geralmente o prazo é estipulado em favor do devedor (art. por exemplo. o devedor é constituído em mora. para que assim possa evitar algum juro. Há certos prazos especiais para o pagamento. Caso não sejam. Nos 3 casos o que há é uma ameaça ao credor de não receber seu crédito. A jurisprudência tem trabalhado com o entendimento de que se isso acontecer. como taxas bancárias. 52. Caso seja impossível e o pagamento tiver que ser feito no novo domicílio do devedor. este terá que cobrir todas as despesas relativas à essa mudança. O CC não se posiciona sobre a hipótese de mudança de domicílio do devedor. sem prejuízo para o credor" (art. não tendo sido ajustada época para o pagamento. Uma dívida com o banco. 331). A garantia real corre o risco de não encontrar mais o objeto. se negar a reforçá-las". etc. Se o prazo for a favor do credor. 397 permite inferir que as obrigações puras com estipulação de data para pagamento devem ser solvidas na ocasião. sem que fique constituído em mora. no qual o tempo será . "Salvo disposição legal em contrário. 329). Sempre que assim for. Contudo. fidejussórias. intimado. antecipando o pagamento. Como o CC não definiu precisamente o que seria essa "motivo grave". O art.

"Se a coisa devida for imóvel ou corpo certo que deva ser entregue no mesmo lugar onde está. O depósito só é possível nas obrigações de dar. * Acadêmico de Direito da UFSC. pois essa recusa caracteriza que o devedor não esta apto para se exonerar da obrigação. O mesmo não se observa na condição resolutiva. ela só cabe quando não é possível fazer o mesmo de forma direta. Se a recusa do credor é justa não se pode consignar o pagamento. 334). A consignação consiste no depósito da coisa devida pelo devedor. sendo a sua extinção condicionada. poderá o devedor citar o credor para vir ou mandar recebê-la. pois o credor irá aceitar o pagamento quando lhe oferecido. pois isto o interessa na medida em que o exonera da obrigação. 334 não especifica o que se pode depositar ou não. "As obrigações condicionais cumprem-se na data do implemento da condição. feita de forma indireta. A consignação é forma indireta de pagamento. o que não acontece quando a recusa é justa. com o objetivo de liberar o devedor da obrigação quando o credor age em mora. É ilógico pensar neste instituto nas obrigações de fazer e de não fazer. o depósito judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida. Quando o credor rejeita o pagamento sem justificativa aceitável. O devedor não só tem o dever de pagar como tem o direito de fazê-lo. O disposto refere-se às condições suspensivas. sob . nos casos e forma legais" (art. Sendo assim. cabendo ao credor a prova de que deste teve ciência o devedor" (art. sob pena de ser depositada" (art. cobrindo-se dos efeitos que o efetivo pagamento lhe causaria. Se não houver recusa não há no que se falar em consignação. "Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor. "Considera-se pagamento. entende-se que pode ser tanto dinheiro quanto bens móveis ou imóveis. será ele citado para esse fim.html> Direito Das Obrigações ± Parte IV Direito Das Obrigações ± Parte IV Otávio Goulart Minatto* Pagamento em consignação: Conceito: O pagamento em consignação é uma espécie de pagamento especial. 341). 581). já que o adimplemento é feito desde já. pode o devedor consigná-lo. Objeto da consignação: O art. A consignação comprova a mora accipiendi.o necessário para o uso concedido (art. Por isso.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/456-direito-dasobrigacoes-parte-iii. O objeto pode ser ainda certo ou incerto. 332).com. e extingue a obrigação. por ele mesmo ou em seu nome. judicialmente ou extrajudicialmente. <http://www.investidura.

pois tal instituto só pode ser decretado por sentença. b) Inciso II: "se o credor não for. não comparecendo nenhum pretendente. o juiz declarará efetuado o depósito e extinta a obrigação. d) Inciso IV: "Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento". nem mandar receber a coisa no lugar. ou dar quitação na devida forma". em relação às pessoas. "Quando a consignação se fundar em dúvida sobre quem deva legitimamente receber. basta o devedor apenas demonstrar que o credor não foi em busca de seu pagamento. art. e) Inciso V: "se pender litígio sobre o objeto do pagamento". Deve ser impossível também efetuar o pagamento ao representante do credor. modo e tempo. fica comprovada a impossibilidade de se pagar diretamente. quando a dívida é portável. Só assim é possível a consignação. fará ele a mesma. o devedor não é prejudicado por não se saber quem é o verdadeiro credor.cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher. o juiz decidirá de plano. Se a residência do credor é em local perigoso ou desconhecido. Estando as partes disputando em juízo o objeto do pagamento é ilógico pensar que uma delas pode se exonerar da obrigação em disputa. Este inciso refere-se à hipótese de obrigação portável. caso em que se observará o procedimento ordinário" (CPC. declarado ausente. nesse caso. o juiz fará o indeferimento da petição inicial. Existindo um curador não há porque não fazer o pagamento diretamente para ele. tempo e condição devidos". O caso da ausência é difícil de ser observado. sem justa causa. Neste caso. ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil". o devedor não tem a obrigação de arriscar a sua vida para efetuar o pagamento. A simples incapacidade não é motivo suficiente para que se faça a consignação. não ficará o devedor eternamente a espera da escolha. converter-se-á o depósito em arrecadação de bens de ausentes. proceder-se-á como no artigo antecedente" (art. recusar receber o pagamento. pois. feita a escolha pelo devedor. 898). 342). cabe apresentar causa justa para a recusa. Requisitos de validade da consignação: "Para que a consignação tenha força de pagamento. continuando o processo a correr unicamente entre os credores. Este inciso refere-se à dívida quesível. que estabelece um curador para o ausente. Nas três hipóteses. por falta de interesse de agir do autor. 335 enumera os fatos que autorizam a consignação: a) Inciso I: "Se o credor não puder. comparecendo mais de um. . por sua vês. ao objeto. Cabe ao devedor provar que efetivamente ofertou o pagamento. 336). c) Inciso III: "Se o credor for incapaz de receber. não participando da discussão sobre quem receberá seu pagamento Se a dúvida quanto quem é o credor não for razoável. Seu depósito é suficiente para que seja exonerado da obrigação. comparecendo apenas um. for desconhecido. todos os requisitos sem os quais não é válido o pagamento" (art. Fatos que autorizam a consignação: O art. Ao credor. será mister concorram. ou. Se o credor não determina o objeto do pagamento. Não é lógico prejudicar o devedor pela mora accipiendi.

A legitimidade passiva (réu da ação consignatória) recai sobre aquele que pode receber o pagamento e exonerar o devedor. Se esta pessoa for desconhecida. bem como terceiro interessado. legitimamente. 337). o levantamento do pagamento só poderá ser feito . ou referente ao objeto: O pagamento deve ser efetuado em sua integralidade. salvo se for julgado improcedente" (art. 337). Modo do pagamento: O modo será o mesmo que o estabelecido. 9°. Tem legitimidade ativa para a ação consignatória o devedor. Tempo do pagamento: O tempo do depósito respeitará o fixado no contrato. Se o deposito for de entrega de coisa. também capaz. aquiescer no levantamento. recusar a consignação. Se o devedor oferecer objeto que não seja o devido. se a obrigação poderia ser paga em várias prestações. Levantamento do depósito: "Enquanto o credor não declarar que aceita o depósito. 231. também poderá o seu depósito. ficando para logo desobrigados os co-devedores e fiadores que não tenham anuído" (art. a seu favor. "O credor que. ou seja. Se ela não tiver causado nenhuma conseqüência irreversível. Requisito objetivo. de curador especial (CPC. art. frutos e produtos que o credor tem direito A jurisprudência tem admitido a discussão em torno do valor depositado. perderá a preferência e a garantia que lhe competiam com respeito à coisa consignada. a consignação não poderá mais ser feita. Se o prazo foi estipulado a favor do devedor. poderá o devedor requerer o levantamento. II). só pode ser feito após o vencimento da dívida. ou não impugnar. 332) A mora do devedor não impede a consignação do pagamento por si só. ou descumprir alguma cláusula contratual. para o depositante. Isto significa que o princípio de que o depósito deve ser líquido e certo não é mais válido. poderá o credor. os juros da dívida e os riscos. que o faz em nome do devedor. art. ou seja. ou não. pagando as respectivas despesas. 333). "O depósito requerer-se-á no lugar do pagamento. pode o credor efetuar o depósito (art. será citada por edital (CPC. e subsistindo a obrigação para todas as conseqüências de direito" (art.Requisito pessoal ou subjetivo para a validade da consignação: O pagamento deve ser feito pelo devedor capaz ao verdadeiro credor. Porém. Se o credor recusar o depósito e contestar a ação. poderá este retirar o depósito a qualquer momento (art. tanto que se efetue. Verificada a condição a que o débito estava subordinado. devem ser entregues também os acessórios. I) com intervenção. poderá o devedor fazer o depósito. cessando. O devedor deve incluir no depósito a correção monetária referente ao período entre o vencimento da dívida e o efetivo depósito. pelas partes. depois de contestar a lide ou aceitar o depósito. Lugar do pagamento: O depósito será feito no lugar o qual foi estabelecido para ser o do pagamento (art. 338). 340). se neste período o credor tiver demandado o devedor.

a ação é proposta no foro do domicílio do credor. II . caput e § 1°). parágrafo único). O depósito judicial deverá ser feito no prazo de cinco dias. Isso só pode ser feito até o deferimento da sentença. no do devedor. o credor extingue a dívida. Um levantamento posterior da quantia depositada pelo devedor representa. o devedor responde pelos juros do curso da lide. Sendo a obrigação nova. que têm interesse em ver a obrigação extinta. . 896. 891. O julgamento da procedência do depósito implica na afirmação da exoneração da parte ativa. pois se caracteriza o seu retardamento culposo. não pode o devedor aproveitar-se da sentença. A alegação de que o valor não é o integral não impede que o credor levante o pagamento parcial e libere o devedor neste montante (CPC. Se se tratar de prestações periódicas. Se o credor alegar que o valor depositado não é integral. bem como demonstrar a recusa do credor. senão de acordo com os outros devedores e fiadores" (art. será proposta no foro de eleição e. art. 339). III . o devedor já não poderá levantá-lo embora o credor consinta. as demais não precisam seguir toda a formalidade. o devedor tem duas alternativas: a) Efetuar o depósito extrajudicial em banco aceito pelo credor: No depósito extrajudicial. Como tal ato afeta os codevedores e fiadores. Se a ação tratar de aluguéis e encargos. 896. Se assim aceitar. parágrafo único). da mesma forma. no lugar da situação do imóvel (CPC. o levantamento só pode ser feito com suas anuências. ficam desobrigados dela todos aqueles que não compactaram com sua criação.o depósito não se efetuou no prazo ou no lugar do pagamento. ele confirmou com a outra parte nova obrigação.foi justa a recusa. Quando a dívida é portável. exonerando todas as partes. Quando querível. Se a ação é improcedente. art. pode o devedor depositar o restante no prazo de dez dias (CPC. não incidindo os juros moratórios do período da ação. art. 899. Essa possibilidade só se estende até a prolação da sentença. IV . "Julgado procedente o depósito. A procedente da ação reputa efetuado o pagamento.não houve recusa ou mora em receber a quantia ou coisa devida. o levantamento corresponderá a um novo crédito. como os codevedores e os fiadores. art. caput). Os depósitos futuros não estão sujeitos ao decidido.com a sua anuência. pois o credor permitiu que a quantia lhe fosse tomada após ter sido assegurado o resgate do seu crédito. Por isso um levantamento da quantia depositada representaria a volta da obrigação em questão. Ou seja. mesmo com a sentença proferida obrigando-o a aceitar aquelas que foram depositadas. devendo ajuizar nova demanda O prazo de resposta do credor é de quinze dias. tendo apenas que ser feitas no prazo de cinco dias do vencimento de cada uma. uma nova obrigação assumida. O credor pode alegar que: "I . Disposições processuais: Quando o credor recusa-se a receber o pagamento. b) Ajuizar ação de consignação em pagamento: Essa ação é de natureza declaratória. não o havendo.o depósito não é integral (CPC. sendo a primeira consignada. o devedor deverá apenas comprovar o depósito do pagamento. podendo ser feita mesmo quando houver dúvida sobre o valor exato a ser depositado. Caso o credor recuse as novas prestações. Aceitando o depósito.

. Essa hipótese não se restringe ao caso da hipoteca. que paga a credor hipotecado. A sub-rogação pode ser real ou pessoal. O novo toma o lugar do antigo. Ocorre quando este terceiro solve a dívida do devedor para com o credor. geralmente. A jurisprudência tem ampliado esse entendimento para os casos de anticrese e aos adquirentes de coisa móvel. mas preserva a obrigação ao devedor. mas sim livrar o devedor primário da obrigação com o credor. pois caso o imóvel seja executado. já que não há nenhum outro para receber. Apesar de ser instituto semelhante à cessão de crédito. o valor pago é diverso. Acontece geralmente quando este credor tem menos garantias que os demais. o detentor do direito de ser ressarcido da quantia paga. Para que isso não aconteça. 346 define as hipóteses nas quais ocorre a sub-rogação legal: a) Inciso I: "do credor que paga a dívida do devedor comum". Quando há mais de uma hipoteca. pelo devedor. que não pode mais exigir nada do devedor depois de ter recebido o pagamento do terceiro. bem como do terceiro que efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre o imóvel". Na cessão. Terceiro interessado é aquele que tem seu patrimônio afetado caso a dívida não seja paga pelo devedor. "Comprando" todas as dívidas do devedor ele tem certeza de que irá receber seu pagamento preferencialmente.Pagamento com sub-rogação: Conceito: Sub-rogação é a substituição de uma parte da obrigação. pois extingue a obrigação para o credor. o adquirente do mesmo não o perderá para outro. Já na sub-rogação. Por isso. pelo devedor. c) Inciso III: "do terceiro interessado. O art. preservando todos os ônus e atributos deste primeiro. sendo que esta nova preserva todas as características da antiga. negociando-o. que passa a dever ao terceiro. há certas diferenças para com este. pois o objetivo é transformar o crédito em patrimônio. aquela estabelecida primeiro terá preferência numa eventual execução. Por isto. é interessante para aquele que se utiliza do imóvel comprar a primeira hipoteca. tornando-se. corre o risco de não acontecer. O inciso cita também qualquer relação contratual que dê ao credor qualquer direito sobre o imóvel. Espécies: A sub-rogação pode ser legal ou convencional: A legal decorre da lei. assim. Por isso. O terceiro que toma o lugar do credor preserva todos os direitos daquele. A sub-rogação pessoal é uma figura jurídica anômala. é independente da concordância da vontade de ambas as partes. Já a pessoal ocorre com a substituição do credor por terceiro. que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado. São os casos em que o credor percebe que o seu devedor também é sujeito passivo de outras obrigações e que se estes outros credores executarem seu crédito. ele pode exonerar o devedor e. da dívida. o adimplemento da sua prestação. b) Inciso II: "do adquirente do imóvel hipotecado. ocorre a exata proporção entre o pagamento efetuado e o valor da dívida. como os acessórios da obrigação e suas garantias. no todo ou em parte". visa-se o lucro. pois o objetivo não é lucrar. É real quando a substituição é do objeto. Exemplo: Substituição da coisa gravada pelo testador ou doador com vínculo de inalienabilidade.

do devedor solidário. a si mesmo. já que a cessão cuida de uma transferência de crédito. 349. "Na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do credor. e não sobre a integralidade do valor. segundo o qual "a sub-rogação transfere ao novo credor todos os direitos. mas assim quiseram as partes. em relação à dívida. este efeito pode ser limitado. entretanto. do co-devedor de dívida indivisível. 350). sub-existindo o restante. b) Inciso II: "Quando terceiro empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida. do fiador. 347 define as hipóteses nas quais ocorre a sub-rogação convencional: a) Inciso I: "Quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus direitos". pois as partes podem estipular de forma diversa. graças à autonomia especulativa das partes. tal subrogação não precisa obedecer nenhuma das hipóteses legais. privilégios e garantias do primitivo. contra o devedor principal e os fiadores". O terceiro não interessado que paga a dívida não se sub-roga como credor. Entretanto não são a mesma coisa. surgem dois credores: o antigo e o novo sub-rogado. pois a quando o é pela interessado. "O credor originário. O art. Por ter essas características. vigorará o disposto quanto à cessão do crédito". pagando a dívida. É muito semelhante à cessão do crédito. na cobrança da dívida restante. O efeito translativo aplica-se às duas modalidades de sub-rogação (legal e convencional). ocorrendo nos casos nos quais essa mudança não poderia ser feita. Devem ser preenchidos os seguintes requisitos: 1) Haja transferência expressa dos direitos. 348 estabelece que "na hipótese do inciso I do artigo antecedente. terá preferência ao sub-rogado. Sub-rogação parcial: Pode haver casos em que o terceiro paga apenas uma parte da dívida. etc. enquanto a sub-rogação está relacionada ao pagamento. pois não tem ele como impedir que o terceiro empreste o valor da prestação. ações. Os financiamentos regulados pelo sistema financeiro de habilitação são exemplos deste tipo de sub-rogação. É a opção do devedor de trocar de credor. Se o sub-rogado pagou apenas uma parcela da dívida. Não precisa haver anuência do credor. Os fins são os mesmos. a sub-rogação o é legal. só em parte reembolsado. 2) A transferência seja feita até a hora do pagamento. Na convencional. Esse caso ocorre somente quando o pagamento é feito por terceiro não é interessado. se os bens .conseqüentemente. A manifestação dessa sub-rogação deve ser expressa. Efeitos da sub-rogação: A sub-rogação produz dois efeitos: a) Liberatório: exonera o devedor para com o antigo credor b) Translativo: é o efeito contido no art. terá direito sobre esta. mas os meios não. pois se não a dívida é extinta. tanto que o art. A transferência é feita sem a anuência do devedor. Na sub-rogação convencional essa limitação não ocorre. É o caso do avalista. A sub-rogação é chamada de convencional quando é estipulada entre as partes. Sendo assim. senão até a soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor" (art. sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito". apenas tem o direito ao reembolso.

As dívidas ainda devem ser líquidas (certas. pois se não há opção de escolha não há no que se falar sobre impugnação. O devedor deverá pagar a menor dívida. a única que ele pode saldar . Somente é cabível a imputação em dívida única quando ela se desdobrar. como quando há juros. quanto aos seus objetos) e vencidas (exigível pelo advento do termo prefixado). O CC nada fala sobre quem tem preferência quando há mais de um sub-rogado. mas apenas uma ou algumas delas. ou seja. Requisitos: a) Pluralidade de débitos. compete escolher qual dos débitos será pago. Entre o capital e os juros. Pode ocorrer que este devedor não tenha dinheiro suficiente para pagar todas as dívidas. quando mais de um terceiro pagou parcialmente a dívida. pois não pode o credor ser constrangido a receber pagamento parcial de dívida se assim não foi estipulado. Elas devem ser fungíveis entre si. primeiramente. porém. Imputação do pagamento: Conceito: Imputação do pagamento é quando o devedor possui mais de uma dívida com o mesmo credor. a figura do devedor e do credor deve ser a mesma para todas as obrigações. não importando a data. deve-se pagar obrigatoriamente os juros primeiro. Não há imputação quando uma das dívidas é de entregar dinheiro e a outra é de realizar uma prestação. Não há imputação quando uma das dívidas é de entregar dinheiro e a outra de entregar sacas de café. origem ou montante de cada um. Dá-se o nome de impugnação à escolha de quais dívidas serão pagas. Apesar dos dois objetos das prestações serem fungíveis. e determinadas. Esse requisito é um tanto quanto inútil. não podendo o devedor escolher qual quer pagar. porém. já que a maioria das dívidas é estipulada em favor do devedor. pois os dois débitos são de naturezas diferentes. 351). Se este somente puder saldar a menor dívida não há no que se falar em imputação. d) Possibilidade de o pagamento resgatar mais de um débito. tem o direito de indicar a qual deles oferece pagamento. Mesmo assim. Os objetos devem ser fungíveis de idêntica espécie e qualidade. homogêneas. "A pessoa obrigada. todos sujeitam-se à regra de igualdade de credores. neste caso. ou seja. por exemplo. Estas figuras. É ao devedor que. nesse caso.do devedor não chegarem para saldar inteiramente o que a um e outro dever" (art. Não basta a simples fungibilidade das prestações. Sobre todos estes. 352). os juros seriam pagos por primeiro. ou seja. quanto às suas existências. por dois ou mais débitos da mesma natureza. Pode haver pluralidade. não precisam ser uma pessoa só. Entende-se que. a um só credor. Deve o pagamento poder saldar mais de uma dívida (separadamente) para que o devedor possa escolher sobre qual delas incidirá o pagamento. eles não o são entre si. se todos forem líquidos e vencidos" (art. A lei permite a imputação do débito vincendo e do ilíquido se assim o credor assentiu. como no caso da solidariedade. c) Igual natureza das dívidas. b) Identidade das partes. ainda prevalece o credor originário. podendo este antecipar o vencimento a bel prazer.

Imputação por indicação do devedor: O art. Nesses casos. 352. pode ser cobrada pelo rito executivo ou é garantida por cláusula penal. e depois no capital. Não caracteriza dação em pagamento o depósito bancário para pagar dívida de dinheiro. O CC não esclarece o procedimento quando todas as dívidas são onerosas no mesmo grau. Pode. quanto mais conseqüências negativas resultarem do não adimplemento de uma dívida. Porém. 352 assegura ao devedor o direito de impugnar seu pagamento. o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos. 354. a impugnação far-se-á na mais onerosa" (art. b) Não se pode pagar parcialmente uma dívida se o credor assim não consentiu. 354).inteiramente. faz-se analogia ao art. ou se a tiver sob violência e não havendo dolo. não terá direito a reclamar contra a impugnação feita pelo credor. A dívida é onerosa ao credor quando. rende juros. IV. A dação pode ser feita. 353). como estipula o art. do Código Comercial. . porém. dividindo o pagamento proporcionalmente entre todas as dívidas. Impugnação em virtude da lei: "Se o devedor não fizer a indicação do art. há algum gravame. Dação em pagamento: Conceito e características: Dação em pagamento é o acordo feito entre as partes no qual o credor aceita em receber prestação diversa da que lhe é devida. essa escolha sofre algumas limitações: a) Não pode a dívida vincenda ser paga se o prazo foi estipulado em favor do credor. As prestações devem ter natureza diferente. b) Sendo todas as dívidas da mesma natureza. Se as dívidas forem todas líquidas e vencidas ao mesmo tempo. paga-se a mais onerosa primeiro. e a quitação for omissa quanto à impugnação. ou se o credor passar a quitação por conta do capital" (art. mas onerosa ela é. se o credor assentir. liberando assim o devedor. A ordem para o pagamento das dívidas quando nenhuma das partes se manifesta é esta: a) Havendo capital e juros. primeiro se paga os juros. 433. primeiro são pagas as líquidas e vencidas. se aceitar a quitação de uma delas. salvo estipulação em contrário. 355). por exemplo. para a quitação parcial. desde que não tenha aceitado a quitação. Ou seja. salvo provando haver ele cometido violência ou dolo" (art. Impugnação por vontade do credor: "Não tendo o devedor declarado em qual das dívidas líquidas e vencidas quer imputar o pagamento. esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. c) Se todas forem líquidas e vencidas. o devedor se opor a esta escolha. "Havendo capital e juros.

Disposições legais: "Determinado o preço da coisa dada em pagamento. c) De coisa por prestação de fato (rem pro facto). 367). a transferência importará em cessão" (art. o art. Nesse caso. O direito de terceiro que age de boa-fé é preservado. ficando sem efeito a quitação dada. não se aplicariam as regras da compra e venda. que quando o preço não é determinado. É. Porém. As obrigações anuláveis têm existências. o credor deve esclarecer o débito remanescente. é de caráter imediato. A novação não produz satisfação imediata do crédito. pois o credor não recebe a prestação devida. Requisitos da novação: Existência de obrigação anterior (obligatio novanda). "Salvo as obrigações simplesmente anuláveis. sendo liberado no registro de imóveis. pela extinção da dívida por dação em pagamento não é prejudicado se essa dívida é restabelecida. Neste caso. modo extintivo não satisfatório. na verdade. "Se o credor for evicto da coisa recebida em pagamento. É um contrato liberatório. b) De coisa por outra (rem pro re). no entanto. enquanto não rescindida judicialmente. configura-se a datio pro solvendo. Pode o credor. Não precisa haver coincidência exata entre o valor da dívida e o do objeto da dação. não podem ser objeto de novação obrigações nulas ou extintas" (art. Sendo uma cessão de crédito. receber valor superior ao da dívida sem ter que reembolsar o devedor. 358). mas sim adquire outro direito de crédito. Contudo. A extinção da obrigação. a medida em que os títulos vão sendo pagos. como quando o devedor não era o dono da coisa dada. Novação: Conceito: Novação é a criação de obrigação nova para extinguir uma anterior. Aquele que comprou imóvel que se livrou da hipoteca. o objeto retorna ao seu verdadeiro dono e a obrigação volta a existir. Espécies: a) Substituição de dinheiro por bem móvel ou imóvel (rem pro pecunia). as relações entre as partes regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda" (art. a dação do título deve ser notificada ao cedido. 359). 357). "Se for título de crédito a coisa dada em pagamento. A novação representa a renúncia ao direito de pleitear a anulação.quando o objeto oferecido é de menor valor que a dívida. As obrigações nulas ou extintas não podem ser novadas porque não se pode novar o que não existe. logo. a contrario sensu. restabelecer-se-á a obrigação primitiva. ressalvados os direitos de terceiros" (art. A dação em pagamento é uma forma indireta de pagamento. Evicção ocorre quando o credor perde a coisa em virtude de sentença judicial. Poderia-se interpretar. Nesses casos. etc. instituto este que protege as . 533 estabelece que nesses casos também se aplicam tais regras. pela dação em pagamento. pode o credor estipular a extinção mediata.

partes em particular em certas ocasiões. Há grande discussão se as obrigações naturais podem ser novadas. Alguns entendem que não, pois ela não pode ser exigida compulsoriamente. Outros vêem que sim, pois a obrigação natural ganha substrato jurídico na medida em que é cumprida. A obrigação sujeita a termo ou a condição existe, logo pode ser novada. A nova dívida pode ser pura e simples ou também condicionada. Sendo pela segunda opção, a novação dá-se com o implemento da condição estabelecida A grande maioria dos doutrinadores permite a novação da dívida prescrita. Constituição de nova dívida (aliquid novi). A inovação pode recair tanto sobre o objeto quanto sobre o sujeito passivo ou ativo. Alterações secundárias na dívida, como exclusão de garantia, alongamento do prazo, estipulação de juros, etc; não constituem novação. Intenção de inovar (animus novandi). O credor deve ter a intenção de novar, pois renuncia o crédito e todos os seus acessórios. Sendo assim, a novação não é presumida. "Não havendo ânimo de novar, expresso ou tácito mas inequívoco, a segunda obrigação confirma simplesmente a primeira" (art. 361). A novação tácita é observada sempre que a nova obrigação for diversa na substância ou na forma da obrigação anterior. Espécies de novação: a) Novação objetiva ou real: Ocorre novação objetiva ou real "quando o devedor contrai com o credor nova dívida para substituir a anterior" (art. 360, I). A mudança incide sobre a dívida. A novação objetiva pode decorrer da mudança no objeto principal da obrigação, na natureza desse objeto ou na sua causa jurídica. É necessário o animus novandi, caso contrário o que ocorre é a dação em pagamento. b) Novação subjetiva ou pessoal: Ocorre "quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor" (art. 360, II). A novação do devedor pode ocorrer sem a anuência deste, ou seja, num acordo entre o credor e terceiro. Este caso denomina-se expromissão. Quando há ordem ou consentimento do devedor, denomina-se delegação. Pode o credor, na delegação, aceitar o novo devedor, mas não abrir mão de seus direitos para com o devedor primitivo. Neste caso a delegação é imperfeita e não há novação. Também se dá "quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor quite com este" (art. 360, III). c) Novação mista: Novação mista é quando ocorre, ao mesmo tempo, mudança do objeto da prestação e dos sujeitos da obrigação. Efeitos da novação: "Se o novo devedor for insolvente, não tem o credor, que o aceitou, ação regressiva contra o primeiro, salvo se este obteve por má-fé a substituição" (art. 363). Como a nova obrigação extinguiu a antiga não há no que se falar em se voltar contra o antigo devedor que se encontra totalmente exonerado. Somente far-se-á isto se este devedor agiu de má-fé, pois ninguém pode se aproveitar de sua torpeza. "Operada a novação entre o credor e um dos devedores solidários, somente sobre os bens do que contrair a nova obrigação subsistem as preferência e garantias do crédito novado. Os

outros devedores solidários ficam por este fato exonerados" (art. 365). Como a novação extingue a obrigação anterior, todos os co-devedores são exonerados. O acordo feito entre um dos co-devedores e o credor não se estende aos demais que não consentiram. "A novação extingue os acessórios e garantias da dívida, sempre que não houver estipulação em contrário, Não aproveitará, contudo, ao credor ressalvar o penhor, a hipoteca e a anticrese, se os bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação" (art. 364). A extinção da obrigação antiga atinge suas garantias e seus acessórios. "Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal" (art. 366). Compensação: Conceito: "Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguem-se, até onde se compensarem" (art. 368). A compensação acontece quando duas pessoas são credoras e devedoras entre si de obrigações diferentes. Uma obrigação é paga pela outra, e as duas são então extintas. Espécies de compensação: A compensação é total quando o valor das dívidas for igual. Nesses casos, as duas dívidas se compensam mutuamente por inteiro, não restando nada após. Quando o valor das dívidas for desigual, a compensação é parcial. A dívida maior irá compensar a dívida menor, que não existirá mais. Porém, a parcela da maior excedente continua sendo devida pela outra parte. A compensação é legal quando decorre da lei. Ela produz efeitos ipso iure. Opera de forma automática, de pleno direito. O juiz apenas a reconhece, declarando sua configuração, desde que provocado, pois não pode proclamar de ofício. Os efeitos retroagirão ao momento em que foi constituída a segunda obrigação. São requisitos da compensação legal: a) Reciprocidade dos créditos: As duas pessoas devem ser credoras e devedoras entre si. "O devedor somente pode compensar com o credor o que este lhe deve; mas o fiador pode compensar sua dívida com a de seu credor ao afiançado" (art. 371). Como o patrimônio do fiador corre o risco de ser afetado caso o devedor não pague a dívida, é permitido que ele efetue compensação com este débito que não é seu. Terceiro não interessado que paga em nome do devedor não pode compensar uma dívida sua com a do devedor nem com a do credor, pois são partes diversas. Aquele que se obriga em favor de terceiro também não pode compensar esta dívida com uma que tenha com o devedor, pois a obrigação que contraiu foi com o credor, pessoa diferente. Ele pode compensar essa obrigação com uma que tenha com o credor, pois são dívidas entre as mesmas partes. b) Liquidez das dívidas: "A compensação efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de

coisas fungíveis" (art. 369). c) Exigibilidade das prestações: Todas as obrigações devem ser exigíveis, ou seja, devem estar vencidas. Isto porque só assim pode o credor impor a realização coativa do contracrédito. Dívidas prescritas não podem ser alvo de compensação, a menos que a parte beneficiada não a tenha alegado, pois assim a dívida é exigível. As dívidas condicionais só podem ser compensadas com o implemento da condição. As à termo, só após o vencimento deste. "Os prazos de favor, embora consagrados pelo uso geral, não obstam a compensação" (art. 372). As obrigações alternativas só podem ser compensadas caso a escolha feita pelo devedor cumpra os requisitos. d) Fungibilidade dos débitos: Os débitos devem ser fungíveis entre si, ou seja, devem ser coisas fungíveis de mesma espécie. Exemplo: dívida de sacas de café não se compensa com de sacas de milho. Se o contrato especificar a qualidade, a compensação só pode se dar entre produtos da mesma. "Embora sejam do mesmo gênero as coisas fungíveis, objeto das duas prestações, não se compensarão, verificando-se que diferem na qualidade, quando especificada no contrato" (art. 370). É convencional quando estipulada pelas partes. Conceito e características da compensação convencional: A compensação convencional ocorre quando as partes concordam em fazê-la, dispensando certos requisitos para que a mesma seja legal. Podem as partes, por exemplo, compensar dívidas ilíquidas ou de diferente qualidade, conforme pactuarem. Pode a compensação resultar da vontade de apenas uma das partes, como no caso de o devedor compensar uma dívida vincenda sua. Ocorre, aí, a compensação facultativa. O limite da compensação convencional é quando este ato contrariar o fim econômico-social do contrato, a boa-fé e os bons costumes. Conceito de compensação judicial: A compensação judicial ocorre, principalmente, nas hipóteses nas quais há procedência da ação e da reconvenção, ou seja, ambas as partes vencem e são vencidas ao mesmo tempo. O juiz determina que o pagamento final seja compensado pelo o que cada parte ganhou Dívidas não compensáveis: "Não haverá compensação quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia prévia de uma delas" (art. 375). É a chamada exclusão bilateral. Pode haver renúncia unilateral do direito de compensar. Porém, esta só pode ser feita após o surgimento do crédito que seria compensado e antes de todos os requisitos da compensação estarem presentes. De qualquer forma, os direitos de terceiros são preservados da renúncia. Não havendo interesse público envolvido, nada impede que a renúncia seja feita previamente. A renúncia não precisa ter fórmula específica, basta apenas ser clara, podendo tanto ser expressa quanto tácita. A diversidade de causa devendi (o por quê de ter se constituído o crédito) não é motivo para a incompatibilidade de compensação. "A diferença de causa nas dívidas não impede a compensação, exceto:" (art. 373, caput). a) Inciso I: "Se provier de esbulho, furto ou roubo". Como constituem atos ilícitos, não podem ser objeto de compensação. Exemplo: aquele que empresta dinheiro a terceiro não compensa

Se a penhora tiver sido feita após a constituição dos créditos recíprocos. 377). "Sendo a mesma pessoa obrigada por várias dívidas compensáveis. 379). este se tornar credor daquele. no compensá-las. Confusão: Conceito e características: "Extingue-se a obrigação. Como o novo Código nada fala sobre o assunto. 638 permiti a compensação do depósito somente se for compensado com outro depósito. poderia causar a não alimentação da outra. pois já teria o terceiro consciência da situação do crédito. "Quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar. serão observadas. 378). "Não se admite compensação em prejuízo do direito de terceiro. a cessão lhe não tiver sido notificada. não pode opor ao cessionário a compensação. O devedor que se torne credor do seu credor. entende-se que quando as dívidas são pagas no mesmo lugar. o mesmo entendimento é utilizado. o desconto dessas despesas é permitido. A dívida de alimento não pode ser compensada porque seu pagamento presume a sobrevivência da outra parte. Depois não há compensação porque não existe reciprocidade entre o cedido e o cessionário. pode a vítima de tais atos optar por uma compensação do que pela devolução do valor subtraído. pois o dever de restituir permanece. fim este que a dívida de alimentos tenta impedir. A impossibilidade de se penhorar significa que o objeto não pode ser alienado. 380). "O devedor que. Manter o objeto não é compensar o pagamento.seu crédito roubando a mesma quantia deste. a compensação poderá ser feita. de que contra o próprio credor disporia" (art. Se após o credor tiver penhorado seu crédito para com o devedor. poderá opor ao cessionário compensação do crédito que antes tinha contra o cedente" (art. b) Inciso II: "Se uma se originar de comodato. depósito ou alimentos". não pode opor ao exeqüente a compensação. chamado de princípio da reciprocidade. O comodato e o depósito representam a confiança mútua. Se a pessoa pudesse compensar tal dívida. É a garantia de que o pagamento será feito com a restituição da coisa. O art. Isto porque o terceiro que se envolveu na penhora sairia prejudicado. desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e . que antes da cessão teria podido opor ao cedente. até ao equivalente da parte deste na dívida comum". as regras estabelecidas quanto à imputação do pagamento" (art. A compensação de tal objeto resultaria justamente na sua alienação à outra parte. no caso. A não possibilidade poderia beneficiar o autor do ato infracional. pois cessa a dívida principal. A contrariu sensu. c) Inciso III: "Se uma for coisa não suscetível de penhora". Outras regras sobre a compensação: O efeito extintivo estende-se aos acessórios. Se. notificado. O art. Contudo. não se podem compensar sem dedução das despesas necessárias à operação" (art. porém. 1020 do CC de 1916 dispunha que "o devedor solidário só pode compensar com o credor o que este deve a seu coobrigado. nada opõe à cessão que o credor faz a terceiros dos seus direitos. não poderá ser feita a compensação. depois de penhorado o crédito deste.

Qualquer crédito. Se for parcial. "A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito. "A remissão da dívida. Exemplo de cessão da confusão: o credor torna-se ausente. As partes podem convencionar a não produção dos efeitos da confusão. ou só de parte dela" (art.devedor" (art. de adquirir. 384). a confusão é total ou própria para este. desde que não contrarie o interesse público ou de terceiro. dando início à sucessão provisória e depois reaparece. mas apenas uma neutralização ou paralisação. aceita pelo devedor. 381). Cessação da confusão: "Cessando a confusão. A confusão age sobre a figura do sujeito ativo e passivo. que não precisará pagar nada a si mesmo. somente vale entre elas. A natureza da remissão é contratual. que é livre para se opor e efetuar o pagamento. se um deles morrer. Caso haja pluralidade de credores. 386 impõe como requisitos para a remissão a capacidade do remitente (credor) de alienar e a do remitido (devedor). ou na dívida. pois. a confusão será parcial ou imprópria. só libera o devedor no montante da quota. subsistindo quanto ao mais a solidariedade" (art. diferente desta. Já no caso de pluralidade de devedores. como na compensação. Pode ocorrer confusão parcialmente ou de modo total. Isso. mas sem prejuízo de terceiro" (art. 383). extingue a obrigação. a garantia da dívida se extinguirá. Espécies de confusão: ³A confusão pode verificar-se a respeito de toda a dívida. O art. a obrigação anterior" (art. 385). Remissão de dívidas: Conceito e natureza jurídica: A remissão de dívidas ocorre quando o credor exonera o devedor do cumprimento da obrigação. tendo o devedor que pagar a quota parte dos outros co-credores. Nesses casos. mas a recíproca não é verdadeira. Pode decorrer de ato inter vivos. tendo agora que pagar esse devedor que se tornou credor. se o credor morrer. não se estendendo a terceiros. Porém. 392). Espécies de remissão: . tendo o devedor agora que pagar para seu antigo fiador. Entretanto os outros co-devedores continuam a dever. A remissão é espécie do gênero renúncia. porém. constituindo um impedimentum praestandi. para logo se restabelece. é suscetível à remissão. Se o credor morrer e o herdeiro for o fiador. sendo o herdeiro o devedor. ou mortis causa. Efeitos da confusão: A confusão da dívida principal extingue seus acessórios. não houve uma extinção da obrigação. Advêm da vontade unilateral do credor de remitir o devedor. necessita da aceitação do devedor. É de ato inter vivos quando há cessão do crédito ao próprio devedor ou quando o devedor se casa com o credor com comunhão universal de bens. Decorre de mortis causa quando o devedor é herdeiro do credor falecido. sendo um dos co-devedores o único herdeiro. com todos os seus acessórios. é condicionada à aceitação expressa ou tácita do devedor. mas a mesma permanecerá.

Não há necessidade de se provar de que o credor entregou-lhe o título. 324).br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/457dtoobrptiv. Após o pagamento. A mera inércia ou tolerância do credor. de modo que. a remissão de um não desobriga os outros. e o devedor capaz de adquirir" (art.html> Direito Das Obrigações ± Parte V Direito Das Obrigações ± Parte V Otávio Goulart Minatto* Inadimplemento das obrigações (disposições gerais) . extinguindo a dívida completamente. não faz presumir a remissão. presume-se que assim foi feito (art. com pluralidade de devedores. a menos que contrarie a natureza da obrigação. 387).A remissão é considerada total quando exonera o devedor por completo. É tácita quando o comportamento do credor demonstra que o mesmo não pretende receber o pagamento. não a extinção da dívida" (art. Presunções legais: "A devolução voluntária do título da obrigação. A remissão é presumida quando deriva de expressa previsão legal. Se o devedor estiver com a posse do escrito da dívida e alega que a pagou. A remissão é expressa quando resulta de declaração do credor. apenas transforma a garantia real do credor em pessoal. Nessas hipóteses. 388). ainda reservando o credor a solidariedade contra os outros. 386). que continuarão a ter que a pagar toda a dívida. <http://www. se o credor for capaz de alienar. já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida" (art.investidura. A entrega do objeto penhorado ao devedor não faz com que este fique desobrigado a pagar a dívida. a extinção dá-se no complemento do estipulado.com. os co-devedores que não foram remitidos poderão exigir a restituição do correspondente à cota do remitido. Quando exonera o devedor de somente uma parcela da dívida. quando por escrito particular. se o devedor alega que a dívida foi remitida. Não basta a simples entrega. Se a dívida for indivisível. A remissão pode ser concedida sob condição ou a termo inicial. deve provar a entrega espontânea do título pelo credor. Agora. diz-se que a remissão foi parcial. * Acadêmico de Direito da UFSC. "A restituição voluntária do objeto empenhado prova a renúncia do credor à garantia real. prova desoneração do devedor e seus coobrigados. deve haver a efetiva e voluntária devolução do título. contudo. Remissão em casos de pluralidade de devedores: "A remissão concedida a um dos co-devedores extingue a dívida na parte a ele correspondente.

a responsabilidade contratual só atinge essa figura. indo a dimensões muito mais amplas. Cabe ao inadimplente provar a ocorrência de caso fortuito ou força maior para se eximir da culpabilidade. as obrigações são cumpridas voluntariamente. como no caso de mora. o inadimplemento é fortuito. Na responsabilidade contratual. se a obrigação assumida no contrato for de meio. e honorários de advogado" (art. Por isso. diz-se que houve o inadimplemento da obrigação. mesmo a responsabilidade sendo contratual. Em ambas as situações. Os absolutamente capazes são os únicos que podem ser partes de um contrato. O inadimplemento é relativo quando o cumprimento da obrigação é imperfeito. Sendo assim. Responsabilidade contratual e extracontratual: O art. A absolutividade é total quando atinge todo o objeto. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. Por exemplo: O pedestre que é atropelado deve provar que o motorista que o atropelou agiu com culpa para exigir indenização. mas sim do dever legal. cabendo ao credor o direito de acionar os mecanismos para pleitear o cumprimento forçado. Por exemplo: O passageiro de um ônibus não precisa provar a negligência do motorista para exigir indenização caso haja acidente envolvendo o mesmo. Perdas e danos: O não cumprimento da obrigação. Porém. 389). a culpa deve ser provada pelo lesado. ou o cumprimento não é mais útil ao credor. a responsabilidade extracontratual também atinge tais figuras. É o motorista que deve alegar motivo maior para se livrar da culpa. o inadimplemento presume-se culposo. aquiliana ou delitual. Já a extracontratual tem origem na inobservância do dever genérico de não lesar outrem (neminem laedere). Inadimplemento absoluto: O inadimplemento é absoluto quando o cumprimento não poderá mais ser feito. A responsabilidade contratual tem origem na convenção. não precisando o motorista provar que não. ou seu cumprimento imperfeito gera a obrigação de . 389 é o fundamento legal da responsabilidade civil contratual. responde o devedor por perdas e danos. Absolutividade parcial ocorre quando a obrigação abrange vários objetos e somente uma parcela deles é atingida. Quando a inexecução decorre de evento impossível de evitar ou impedir. Quando a inexecução da obrigação advém de culpa latu sensu do devedor. Na extracontratual é o lesado que deve provar a culpa do causador do dano. diz-se que o inadimplemento é culposo. É a responsabilidade extracontratual. A graduação da responsabilidade delitual é muito maior que a contratual. "Não cumprida a obrigação. É a responsabilidade que deriva do contrato.Obrigatoriedade dos contratos: Em regra. o inadimplemento pode gerar a obrigação de restituir perdas e danos. seja pelo devedor ou por terceiro. Quando a prestação devida não é efetuada. Já o dever genérico de não lesar a outrem pode ser inobservado tanto por capazes quanto por incapazes. Há também a responsabilidade que não deriva do contrato.

seria escusável nesse caso. 251).indenizar as perdas e danos. cabendo a outra apenas os deveres. a quem o contrato aproveite. responde por simples culpa contratante. O ressarcimento das perdas e danos tem o objetivo de recompor o patrimônio da parte lesada. isto é. Quando as perdas e danos são decretadas e o pagamento não é feito. fora do alcance do devedor. salvo as exceções previstas em lei" (art. o que se deixou de lucrar. o não cumprimento doloso gera indenização. no qual o caso fortuito ligado à coisa ou à pessoa. o credor pode mover ação de cunho cominatório para impedir o reiteramento do devedor de uma dessas abstenções. Contratos benéficos e onerosos: "Nos contratos benéficos. Por isso. advindo de fenômeno natural. deve ser proporcional ao prejuízo sofrido. Inadimplemento fortuito da obrigação: "O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior. Em qualquer dos casos. ou seja. c) A impossibilidade seja irresistível. ou seja. exceto o depositário infiel e o devedor de pensão de direito de família. Nas obrigações constituídas por uma série de abstenções. exigir o desfazimento do que foi realizado (art. podem ser provocadas por ato de terceiro. como a chuva. Porém. com direitos e deveres recíprocos. Aquele que não se aproveita em nada com o contrato não deve ser penalizado por agir culposamente. como a quebra de uma peça do caminhão que bate. a exoneração da culpa depende de que: a) A impossibilidade seja objetiva. tem-se adotado a teoria do exercício da atividade perigosa. 391). as duas partes estão em igualdade. além das perdas e danos. ninguém pode ser preso por dívida civil. porém. pois ninguém pode descumprir deliberadamente uma obrigação contraída livremente. pois era ciente das condições do mesmo. do credor. como a doação. estabelecer a responsabilização do devedor mesmo que o inadimplemento ocorra sem sua culpa (pacta sunt servanda). Responsabilidade patrimonial: "Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor" (art. "Nas obrigações negativas o devedor é havido por inadimplemento desde o dia em que executou o ato de que se devia abster" (art. Somente o "fortuito externo". é de responsabilidade do devedor. A contagem do prejuízo inclui. sendo que todos os bens do devedor respondem pelo inadimplemento. por caso fortuito ou força maior ou por até mesmo ato do devedor. do que se perdeu. No contrato oneroso. 390). Contrato benéfico é o gratuito. As partes podem. pode o credor. . somente a uma parte este é vantajoso. caput). quando não houver culpa do mesmo. Contudo. além. ambos respondem da mesma forma pela culpa e pelo dolo. Nos contratos onerosos. b) A impossibilidade seja superveniente e inevitável. e por dolo aquele a quem não favoreça. responde cada uma das partes por culpa. se expressamente não se houver por eles responsabilizado" (art. a execução será forçada. Por exemplo: Aquele que celebra uma obrigação de fazer um show em local que está em guerra não pode alegar que não cumpriu a obrigação devido aos perigos da situação do local. 392). Se a obrigação for de prestação única. Sendo assim. Modernamente. 393. uma eventual penhora pode recair sobre qualquer bem do devedor. As circunstâncias que causaram a impossibilidade de prestação pela parte do devedor.

Mora e inadimplemento absoluto: Quando o retardamento da prestação torna a mesma inútil ao credor. Há três casos nos quais a mora é ex re. entretanto "contam-se os juros de mora desde a citação inicial" (art. não há mais mora. este não será responsabilizado pelas perdas e danos.Mora: Conceito: "Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo no tempo. mas sim o inadimplemento absoluto. ele é notificado pelo credor. A súmula 54 do STJ dispõe que "os juros moratórios fluem a partir do evento danoso. não incorre este em mora" (art. mesmo sem sua culpa. Tanto no inadimplemento absoluto quanto na mora. é sempre de sua responsabilidade. Todo inadimplemento e mora do devedor presumem-se culposos. pois "o devedor é havido por inadimplemento desde o dia em que executou o ato de que se devia abster" (art. Embora a mora também se constitua quando o devedor tenta pagar de forma diferente do estipulado. lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer" (art. Nas obrigações de não fazer. as circunstâncias devem demonstrar isto. Não basta que o credor alegue que a prestação não lhe é mais útil. A mora accipiendi não requer a noção de culpa porque se o credor pudesse afastar sua responsabilidade. O cometimento de infração à lei também a caracteriza. "não havendo fato ou omissão imputável ao devedor. surge a obrigação de restituir as perdas e danos quando tais são provocadas pela culpa do devedor. para que esteja ciente da sua situação e possa purgá-la. não há o instituto da mora. também não haverá responsabilização deste. Quando o devedor está em mora. Espécies de mora do devedor: Mora ex re: É a declarada pela lei (o credor não precisa fazer nada para caracterizá-la). Porém pode o devedor afastá-la provando que o infortuito não se originou por culpa sua. o mesmo não vale. Na contratual. já que o cumprimento da obrigação é inviável. 396). o seu retardamento é o modo mais comum no qual ela se dá. Contudo. São elas: . Se a mora deu-se por caso fortuito ou força maior. Nos demais. Não é só pelo descumprimento da convenção que a mora acontece. Exemplo: de nada adianta ao credor receber o bolo que encomendou para seu casamento um dia depois da festa. 390). não havendo culpa do devedor. No inadimplemento absoluto a notificação não é necessária. 405). Já para o credor. A mora deste em receber o pagamento. Se a obrigação tornar-se impossível sem a culpa do devedor. ela é ex persona. isto é. em caso de responsabilidade extracontratual. 394). A prestação que não interessa mais ao credor é tida como impossível. o devedor seria obrigado a correr com os riscos de reter o pagamento por fato que não foi ocasionado por ele.

397. no seu termo. pois depende de providência do credor. tem entendido que a citação feita na própria causa principal produz mesmo efeito. pois nos casos ex re. não haverá mora. presumida. Além disso. parágrafo único). 395). mesmo que a parcela seja positiva e líquida. Mora do devedor: São requisitos da mora solvendi: a) Exigibilidade da prestação: A dívida deve ser líquida e certa. 14. O decreto lei n. dispõe que só incorrerão em mora tais pessoas depois de serem notificadas com o prazo de trinta dias. pois. b) "Nas obrigações provenientes de ato ilícito. A interpelação ou notificação da mora nas relações regidas pela lei civil pode ser feita desde a demanda judicial até por uma simples carta. atualização dos valores monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. pois não se pode afirmar se o devedor efetivamente devia ou o que devia. 297. ou seja. mesmo que haja cláusula resolutiva expressa. 58/37. a realização tardia deve ainda ser proveitosa ao credor Caso a condição que sujeitava a obrigação não se verificou. Mora ex persona: Quando o credor deve acionar os dispositivos cabíveis para caracterizá-la. no entanto. é necessária a interpelação judicial. "Não havendo termo. Tanto no caso do decreto n. positiva e líquida. ou não houve a escolha a qual o pagamento da obrigação dependesse. mais juros. 745. a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial" (art. a simples citação não é suficiente para constituir a mora. A jurisprudência. pois a indenização é evidente. art. tendo apenas que resultar de documento escrito. 745/69 impede a rescisão do compromisso de compra e venda de imóvel não loteado.a) "O inadimplemento da obrigação. a notificação deve ser feita judicialmente ou pelo cartório de registros de imóveis. É desnecessária a notificação. e honorários de advogado" (art. desde que o praticou" (art. b) Inexecução culposa por fato imputável ao devedor. Efeitos da mora do devedor: "Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa. protegendo as pessoas que adquirem imóveis loteados em prestações. c) Quando o devedor declarar por escrito não pretender cumprir a prestação. É caso que se refere o parágrafo único do art. A mora é. O decreto lei n. c) Constituição em mora: Este requisito é somente para os casos de mora ex persona. a mora já é constituída desde o fato. Nessas hipóteses. Todavia. constitui de pleno direito em mora o devedor" (art. considera-se o devedor em mora. 297 é de mora ex persona. 58 quanto no n. É o legislador transformando uma mora ex re em mora ex persona. haja o inadimplemento absoluto. caput). que dependem da ação do credor. 398). reclamando as perdas e . o credor pode exigir a rescisão do contrato. sem a notificação no prazo de 15 dias. com termo certo. Caso a prestação torne-se inútil ao credor.

exigindo-o de forma diferente da estipulada. A parte do artigo que isenta o devedor caso ele prove não ter culpa é ilógico. abandonando a coisa. Deve-se ter claro que o pagamento foi oferecido. 400). A mora accipiendi supõe que o devedor fez o que lhe competia. o devedor oferece quantia menor que a estipulada. se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento e o da sua efetivação" (art. previstas no art. Esta solução é tomada porque o direito que o devedor tem de abandonar a coisa colide com o interesse da comunidade. Ninguém pode exigir da outra parte perdas e danos. sendo preferível exigir que este cuide da coisa. por exemplo. Efeitos: "A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa. b) Oferta da prestação: É através dela que fica revelada a tentativa do devedor de satisfazer a obrigação. Para haver mora. embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou força maior. Se o devedor agir com dolo. o motivo para a não aceitação do pagamento deve ser injustificável legitimamente. Mora de ambos os contratantes: A mora simultânea de ambos as partes (nem o devedor comparece ao local para efetuar o pagamento. obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la. As despesas que o credor deve ressarcir são somente as necessárias. A lei exige que o devedor tenha o mínimo de cuidado com a coisa que forçadamente deve reter. na mora. § 3°. mas o credor o recusou ou não prestou a necessária colaboração para a sua efetivação. nem o credor vai para recebê-lo) faz com que a situação permaneça como se nada tivesse ocorrido. salvo se provar isenção de culpa. "O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação. 399).danos. por exemplo. c) Recusa injustificada em receber: O credor pode se recusar a receber o pagamento com fundamento legítimo. mesmo que por motivo alheio à sua vontade. quando. Requisitos: a) Vencimento da obrigação: É somente então que ela é exigível. pois se assim provar não haverá mora em si. e o sujeita a recebêla pela estimação mais favorável ao devedor. se estes ocorrerem durante o atraso. . Mora do credor: Conceito: É quando o credor recusa receber o pagamento no tempo e modo indicado. responderá pela deteriorização desta. o devedor responde por todos os riscos da coisa. ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada" (art. Há o cancelamento mútuo das moras. Isto significa que. d) Constituição em mora: Ocorre mediante a consignação em pagamento. 96.

Ela decorre da extinção da obrigação. II . o que razoavelmente deixou de lucrar" (art. Perdas e danos Conceito: É toda a lesão de qualquer bem jurídico. além do que ele efetivamente perdeu. A apuração do dano. não tendo o que se falar em mora. Já a de dano moral é arbitrada judicialmente. pois afasta os já produzidos. ou prejuízo. Os danos de cada mora não se cancelam. A finalidade da liquidação é tornar prático e possível a efetiva reparação do prejuízo. Dano emergente e lucro cessante: "Salvo as exceções expressamente previstas em lei.Se as moras são sucessivas (primeiro o credor não quer receber e depois é o devedor que se rejeita em pagar. O dano é moral quando atinge bem jurídico. este ato não significa propriamente a purgação da mora. desde que não tenha causado dano à outra parte. Dano emergente é a efetiva diminuição patrimonial sofrida pela vítima para restaurar o bem ao seu estado anterior. Segundo o art. renunciando-os. 402). mas não os apaga."Por parte do devedor. 946). caso o credor não tenha extraído os efeitos jurídicos de tal atraso. A cessação da mora é diferente da purgação. contabilizados separadamente. ou vice-versa) os prejuízos de cada mora. mas que não tenha repercussão na órbita financeira. é feita por meio da liquidação determinada na lei processual (art. A purgação produz efeitos futuros que neutraliza os produzidos. O dano é material quando atinge e diminui o patrimônio do lesado. "purga-se a mora" nas seguintes hipóteses: I . serão de responsabilizadade das respectivas partes. oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da mora até a mesma data". oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes do dia da oferta". A expressão efetiva perda significa que a mesma não pode ser . as perdas e danos devidas ao credor abrangem. haverá inadimplemento absoluto. o efeito não depende daquele que agiu em mora. O devedor em mora pode até consignar o pagamento. pois se não for. mais sim da outra parte. Porém. As partes podem aceitar a oferta sem a incidência dos juros da mora. seja o dano material ou moral. Nela."Por parte do credor. Entende-se. hoje. que a purgação pode dar-se a qualquer momento da mora. Ela só é possível se a prestação ainda for proveitosa ao credor. porém nada impede que ocorra uma compensação convencional das perdas e danos. Purgação e cessação da mora: Purgar ou emendar a mora é neutralizar seus efeitos. A indenização de dano material mede-se pelo prejuízo ao patrimônio da parte. A cessação produz efeitos pretéritos. 400.

além de pagar as custas do atraso. "provado que os juros da mora não cobrem o prejuízo. 404. remuneratórios ou juros-frutos. Representam o pagamento pela utilização do capital alheio. não podendo ultrapassar os limites impostos pela Fazenda Nacional (art. Aquilo que dependia do bem lesado. devendo ser cumpridamente provada. parágrafo único). O STJ decidiu que os juros remuneratórios praticados nos contratos de mútuo dos agentes financeiros do Sistema Financeiro Nacional não estão sujeitos à limitação do art. CPC). Quando os juros são previstos ou impostos pela lei. Os juros são chamados de compensatórios. serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. Espécies: Os juros são considerados convencionais quando são ajustados pelas partes. Quando os juros incidem nos caso de retardamento da restituição ou descumprimento de obrigação. Quando a responsabilidade é contratual. 20. São os frutos civis da coisa. 591. 591). sem prejuízo do disposto na lei processual" (art. caput). de comum acordo. A teoria dos danos diretos e imediatos afasta a possibilidade de se indenizar os chamados "danos remotos". pode o juiz conceder ao credor indenização suplementar" (art. o devedor deve pagar as custas do processo (art. contudo. geralmente. que possam derivar da lei ou da jurisprudência. 405). abrangendo juros. Devem estar previstos no contrato. Os juros moratórios podem ser tanto convencionais quanto legais. Lucro cessante é a frustração da expectativa de lucro. sem prejuízo da pena convencional" (art. nas obrigações de pagamento em dinheiro. eles são denominados moratórios. Se o credor teve que ingressar em juízo. Quando legais. quando representam a compensação pela utilização de capital alheio. A dificuldade jurídica existe na definição precisa do que foi afetado direta e imediatamente. são chamados de legais. "contam-se os juros de mora desde a citação inicial" (art. e não havendo pena convencional. 403). As perdas e danos têm como objetivo restituir o dano causado pela lesão do bem. Nada impede. mas também dependia de uma série de outros fatores não pode ter sua inexecução atribuída unicamente à lesão do bem em questão. O dano indenizável deve ser certo e atual. Obrigações de pagamento em dinheiro: "As perdas e danos. A razoabilidade do lucro é o que o bom senso indica que a atividade lucraria. 404. logo. as perdas e danos só incluem os prejuízos efetivos e os lucros cessantes por efeito dela direto e imediato. "Ainda que a inexecução resulte de dolo do devedor. são . do que se esperava ganhar com o bem lesado. Juros legais Conceito: Juros são os rendimentos do capital. convencionais. Os juros compensatórios são. custas e honorários de advogado.presumida.

já que além de determinar os juros trás embutida a correção monetária. pois a sua existência depende da de uma obrigação . Natureza jurídica: É um pacto secundário e acessório. Regulamentação legal: Segundo o art. o STJ não aceita a utilização da taxa SELIC não para esse fim. 12% ao ano. podem assumir qualquer valor. 591 do novo CC permite os juros compostos. Essa lei também proíbe a cobrança dos juros compostos. ou quando provierem de determinação da lei. É o chamado juros sobre juros. "Quando os juros moratórios não forem convencionados. Entende-se que o novo CC. Já os juros compostos são capitalizados anualmente. n. Contudo. culposamente. "Incorre de pleno direito o devedor na cláusula penal. é obrigado o devedor aos juros da mora que se contarão assim às dívida em dinheiro. O art. 407). "Ainda que se não alegue prejuízo. Os juros moratórios são incluídos também na liquidação. mas sim variável. conforme o estabelecido pela Fazenda Nacional. A Fazenda vem adotando a taxa SELIC como meio de aferição dos juros legais. Juros simples são os que são sempre calculados sobre o capital inicial. desde que. em caso de responsabilidade extracontratual" (Súmula 54 do STJ). arbitramento. juntamente com o estabelecido no Código Tributário Nacional. Quando convencionais. nos casos de responsabilidade contratual. "Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso.definidos pela Fazenda Nacional. 408). não revoga a lei especial anterior (Lei da Usura). 405. o art. Representa reforço ao pacto obrigacional através da ameaça de uma sanção civil. 22. caso a obrigação não seja cumprida. "contam-se os juros de mora desde a citação inicial". serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazendo Nacional" (art. pois ela não é juridicamente segura. ou acordo entre as partes" (art. A Lei de Usura (Dec. integrando o capital. 406 estipula que a taxa máxima não mais fixa. ou o forem sem taxa estipulada. por ser lei geral posterior. uma vez que lhes esteja fixado o valor pecuniário por sentença judicial.626/33) limita os juros a 1% ao mês. O entendimento dominante da jurisprudência é de que deve ser imposto o determinado na Lei da Usura. na qual se estipula uma pena ou multa com o objetivo de evitar o inadimplemento da obrigação principal. nunca superior ao limite legal. porém. 406). ou seja. Porém. deixe de cumprir a obrigação ou se constitua em mora" (art. Cláusula Penal Conceito: É uma obrigação acessória. Chama-se também de pena convencional ou multa contratual. como às prestações de outra natureza.

"A penalidade deve ser reduzida eqüitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte. O devedor não pode eximir-se da pena alegando ser ela excessiva. cabe ao credor provar o valor das perdas para ser indenizado. Espécies: "A cláusula penal estipulada conjuntamente com a obrigação.jurídica. bem como livrar-se de sua liquidação. o juiz observa os limites especiais fixados. caput). O juízo é de ponderação. "Ainda que o prejuízo exceda ao previsto na cláusula penal. 409). o juiz determinará a redução do valor. Contudo. tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio" (art. a pena vale como mínimo da indenização. Aplica-se. 416 fala dos casos em que a cláusula não é suficiente para cobrir todos os prejuízos. a recíproca não é verdadeira. O caput do artigo 416 mostra porque a cláusula penal é utilizada. pois assim foi fixado o acordo. "Para exigir a pena convencional. Se o tiver feito. Redução da cláusula penal: "O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal" (art. A cláusula penal constitui modo de cobrir os prejuízos que dificilmente poderiam ser provados. competindo ao credor provar o prejuízo excedente" (art. Quando a prestação foi cumprida em parte. o credor apenas demonstra que houve o inadimplemento da obrigação. ou em ato posterior. 416. O valor dessa segunda é descontado no da primeira. Caso haja excesso. Nessas hipóteses. reduzindo-se proporcionalmente o valor. parágrafo único). Tal disposição é de ordem pública. Sem ter o ônus de provar o prejuízo sofrido. Contudo. logo. usa-se o princípio da eqüidade. não pode o credor exigir indenização suplementar se assim não foi convencionado. também será a cláusula penal. e não um enriquecimento ilícito do credor. 413). podendo a redução ser determinada de ofício pelo juiz. Isto quer dizer que se a obrigação principal é inválida ou nula. Funções da cláusula penal: A cláusula penal é meio de coerção para que o devedor cumpra a obrigação É também meio de ressarcimento dos danos causados pelo inadimplemento da obrigação. . o princípio de que o acessório segue a sorte do principal. ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo. à de alguma cláusula especial ou simplesmente à mora" (art. ou desproporcional com o dano causado. pois se busca apenas o ressarcimento dos danos. A invalidez da cláusula penal não implica na da obrigação principal. Há diversas leis que estipulam o valor máximo da cláusula penal em situações específicas. 416. não é necessário que o credor alegue prejuízo" (art. para se chegar ao valor final. não chegando a declarar a ineficácia absoluta da cláusula. Nesses casos. 412). pode referir-se à inexecução completa da obrigação. O parágrafo único do art. A redução do excesso não possui uma medição fixa. essa indenização não é imposta em conjunto com a cláusula penal. observando-se fatores subjetivos como a natureza e a finalidade do negócio.

"quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora. Em se tratando de cláusula moratória. o art. o credor tem seu patrimônio preservado. decorrente de título judicial para garantir a efetividade do processo. terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada. ou moratória. A mora pode ser tanto o atraso da prestação. O dispositivo da a oportunidade para o credor escolher entre pleitear a pena compensatória. ou em segurança especial de outra cláusula determinada. 412 do CC. Tanto a cláusula penal quanto o ressarcimento das perdas e danos tem como objetivo impedir que o credor saia prejudicado com o inadimplemento. Por isso só é permitido ao credor escolher uma das soluções. o modo para ele não sair prejudicado dessa relação obrigacional. Quando não há certeza sobre qual é a hipótese estipulada no contrato. uma mesma obrigação pode ter até 3 cláusula penais diferentes (1 compensatória e 2 moratórias. com o objetivo de ressarcir o prejuízo do credor. Nos casos de cláusulas penais moratórias o valor da multa é geralmente pequeno. pois representa a recompensa do grande prejuízo que é o não cumprimento da prestação. Distinção com institutos afins: Há certa distinção entre pena convencional (imposta na cláusula penal) e multa cominatória ou astreinte: Na pena convencional. Por isso. exigir o ressarcimento das perdas e danos ou exigir o cumprimento da prestação. porém. quando aplicada nos casos de mora do devedor. esta se converterá em alternativa a benefício do credor" (art. às vezes não representa o exato ressarcimento dos prejuízos do credor. uma para o caso de atraso e outra para o caso de cumprimento de forma diversa). na cláusula penal. Sendo assim. costuma-se observar o valor da cláusula para relaciona-la à hipótese provavelmente correspondente. instituindo que não há limite para o valor da cominação A cláusula penal também se aproxima do instituto de perdas e danos. o valor a ser pago é estipulado anteriormente e. É. como o cumprimento de forma diversa da estipulada. quando estipulada na hipótese de inadimplemento da obrigação. Em qualquer uma das hipóteses. pois os prejuízos são referentes a um pequeno atraso.A cláusula penal pode ser compensatória. Já na multa cominatória em obrigação de fazer. 644 é que a regula. 410). na verdade. enquanto que as perdas e danos são decretadas pelo juiz. 411). A diferença entre a cláusula penal e a multa simples é que a cláusula penal é uma importância a ser paga caso haja uma infração. A escolha de mais de uma representaria um enriquecimento ilícito do credor. Por isso a aplicação da multa conjuntamente com a exigência da prestação da obrigação não caracteriza enriquecimento ilícito do credor. objetivo este que não é o da multa simples. baseado nos prejuízos alegados e provados. representa a exata restituição dos prejuízos. o juiz condena a parte ao pagamento da multa da cláusula penal observado o limite do art. . por isso. A cláusula penal compensatória geralmente possui valor elevado. não ao total inadimplemento. juntamente com o desempenho da obrigação principal´ (art. "Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação.

irá pagar tal multa. 414).A multa penitencial se aproxima da cláusula penal. 414. Têm caráter real. Espécies: As arras são confirmatórias quando sua função é apenas confirmar o contrato pactuado. assegurando o não prejuízo de uma das partes pelo direito de arrepender que a outra tem. retendo-as. Cabe apenas nos contratos bilaterais. o arraz não. já as arras são pagas por antecipação. arcam com o valor da multa. todos os devedores. mas esta só poderá demandar integralmente do culpado. Entretanto. se a inexecução for de quem recebeu as arras. 415). A cláusula penal é exigível apenas no inadimplemento ou na mora. Dessa forma. acrescido as perdas e danos (somente no caso da multa por mora). é somente o devedor culpado que arca com as conseqüências de sua falta. dividida na quota de cada um. ao invés de cumprir a obrigação. enquanto que as arras facilita o descumprimento da avença. Há várias distinções entre cláusula penal e arras penitenciais. A cláusula penal pode ser reduzida pelo juiz quando em excesso. e exigir sua devolução mais o equivalente. Cláusula penal e pluralidade de devedores: "Sendo indivisível a obrigação. 418). Caso contrário o credor sairia prejudicado pela infração cometida. Entretanto. É necessária a entrega de quantia de dinheiro ou objeto. pois as partes sabem qual será a conseqüência do inadimplemento: perda do valor dado. respondendo cada um dos outros somente pela sua quota" (art. É o pacto acessório. Nesses casos. A cláusula penal existe apenas pela estipulação no instrumento. ou sua restituição em dobro dependendo do caso. poderá a outra tê-lo por desfeito. parágrafo único). em certos casos. É impossível imaginar a existência das arras isoladas. "só incorre na pena o devedor ou o herdeiro do devedor que a infringiu. "aos não-culpados fica reservada a ação regressiva contra aquele que deu causa à aplicação da pena (art. poderá quem as deu haver o contrato por desfeito. enquanto que as arras necessitam da entrega de dinheiro ou objeto. caindo em falta um deles. Já a multa penitencial é estipulada em favor do devedor. juros e honorários de advogado" (art. pois o simples acordo entre as partes não é suficiente para caracterizá-lo. Todos os devedores. com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. A cláusula penal é uma coerção para se evitar o inadimplemento. Este escolhe se quer acioná-la ou prefere o adimplemento da obrigação. mesmo não sendo culpados. Se a obrigação for divisível. "se a parte que deu as arras não executar o contrato. a cláusula penal é atribuída em favor do credor. após pagar o credor. dependendo da existência de um principal. e proporcionalmente à sua parte na obrigação" (art. É quando se permite que ele. Arras ou sinal Conceito: É a quantia ou coisa entregue por uma parte a outra simbolizando a confirmação do acordo entre as partes e. . incorrerão na pena.

<http://www. e quem as recebeu devolvê-las-á. as arras funcionam como princípio do pagamento. 420). se provar maior prejuízo.investidura. achando que não foi totalmente ressarcido.com. A devolução em dobro é imposta porque se a devolução fosse simples. mas sim representar uma pequena punição pelo descumprimento da outra. 419). Restituição das arras em caso de cumprimento da obrigação: "Se. estar-se-ia apenas restabelecendo o statu quo ante. ou pode ainda "exigir a execução do contrato. sem nenhuma punição à parte que descumpriu com a obrigação. O objetivo não é ressarcir os prejuízos da parte afetada. pode "pedir indenização suplementar. por ocasião da conclusão do contrato. 417). "Se nos contratos for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes. É apenas uma quantia estipulada inicialmente que ajudará no ressarcimento de eventual prejuízo. deverão as arras. * Acadêmico de Direito da UFSC. b) Quando a não efetivação do contrato decorre de caso fortuito ou força maior. as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. em caso de execução.html> . com as perdas e danos. uma das partes der à outra. ser restituídas ou computadas na prestação devida. Percebe-se que as arras não têm nenhuma função específica quando confirmatória. são elas: a) Quando há acordo nesse sentido. não é necessário a prova do prejuízo real para que possam ser exigidos. sem o arrependimento de nenhuma das partes. dinheito ou outro bem móvel. e não dupla. Neste caso.br/biblioteca-juridica/doutrina/obrigacoes/458dtoobrptv.Caso a parte prejudicada não se contentar com o valor recebido. A jurisprudência estabeleceu certas hipóteses nas quais a devolução das arras é apenas simples. valendo as arras como o mínimo de indenização" (art. As arras são chamadas de penitenciais quando têm por função resguardar o direito de arrependimento das partes. Em ambos os casos não haverá direito a indenização complementar" (art. quem as deu perdê-las-á" em benefício da outra parte. Quando a obrigação se dá normalmente. Pode a parte infratora decidir por liberar esse valor à outra ao invés do cumprimento da obrigação. valendo as arras como taxa mínima". se do mesmo gênero da principal" (art. Como a função das arras penitencial não é de ressarcir os prejuízos. mais o equivalente. a título de arras.

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