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A Bíblia

Estudo do Antigo Testamento

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Conteúdo
Páginas
Bíblia 1
Arqueologia bíblica 10
Anexo:Lista de lugares bíblicos 32
Tradução da Bíblia 34
Tribos de Israel 37
Rubem (filho de Jacó) 41
Tribo de Levi 41
Tribo de Judá 43
Tribo de Dã 44
Tribo de Naftali 45
Tribo de Gade 46
Aser 47
Tribo de Issacar 48
Zebulom 49
Tribo de Manassés 51
Tribo de Efraim 52
Tribo de Benjamim 52
Terra prometida 53
Canaã 53

Judaismo 55
Tanakh 55
Torá 58
Neviim 61
Ketuvim 63

Cristianismo 65
Antigo Testamento 65

Personagens 68
Adão e Eva 68
Caim 74
Abel 77
Sete (Bíblia) 78
Baal 81
Abraão 82
Sara (Bíblia) 92
Agar (bíblia) 93
Ismael 94
Isaac 95
Esaú 97
Jacó 97
Rebeca 98
Moisés 100

Os Livros do Antigo Testamento 105


Pentateuco 105
Gênesis 107
Arca de Noé 114
Livro do Êxodo 122
Levítico 128
Livro dos Números 129
Deuteronômio 131
Livros históricos do Antigo Testamento 132
Livro de Josué 134
Livro dos Juízes 137
Livro de Rute 139
I Samuel 140
II Samuel 142
I Reis 144
II Reis 145
I Crônicas 147
II Crônicas 149
Livro de Esdras 151
Neemias 154
Livro de Tobias 156
Livro de Judite 158
Livro de Ester 160
I Macabeus 163
II Macabeus 164
Livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento 165
Livro de Jó 166
Livro de Salmos 167
Livro dos Provérbios 171
Eclesiastes 173
Cântico dos Cânticos 174
Livro da Sabedoria 175
Eclesiástico 176
Livros proféticos do Antigo Testamento 177

Profetas Maiores 179


Livro de Isaías 179
Livro de Jeremias 184
Livro das Lamentações 190
Baruque 191
Ezequiel 193
Daniel (profeta) 193

Profetas Menores 209


Oseias 209
Livro de Joel 210
Amós 210
Obadias 210
Jonas (profeta) 211
Livro de Jonas 213
Miqueias 214
Naum 215
Habacuque 215
Sofonias 216
Ageu 217
Livro de Zacarias 217
Livro de Malaquias 219

Outros 221
Livros apócrifos 221
Pseudepigrafia 223
Profeta 224
Elias (profeta) 226
Doze profetas de Aleijadinho 236
Aleijadinho 241
Criacionismo 266

Referências
Fontes e Editores da Página 277
Fontes, licenças e editores da imagem 281

Licenças das páginas


Licença 284
Bíblia 1

Bíblia
Série sobre a

Bíblia

Bíblia (do grego βίβλια, plural de βίβλιον, transl. bíblion, "rolo" ou "livro"[1] ) é o texto religioso central do
cristianismo.
Foi São Jerónimo, tradutor da Vulgata latina, que chamou pela primeira vez ao conjunto dos livros do Antigo
Testamento e Novo Testamento de "Biblioteca Divina". A Bíblia é uma coleção de livros catalogados, considerados
como divinamente inspirados pelas três grandes religiões dos filhos de Abraão (além do cristianismo e do judaísmo,
o islamismo). São, por isso, conhecidas como as "religiões do Livro". É sinónimo de "Escrituras Sagradas" e
"Palavra de Deus".
As diversas igrejas cristãs possuem algumas divergências quanto aos seus cânones sagrados. Inclusive protestantes
entre protestantes, que contem cânon contendo os deuterocanônicos.
As igrejas cristãs protestantes possuem 39 livros no Antigo Testamento como parte do cânone de suas Bíblias, e
outra 46 Livros.
A Igreja Católica possui 46 livros no Antigo Testamento como parte de seu cânone bíblico (os livros de Tobias,
Judite, Sabedoria, Eclesiástico (ou Sirácides), Baruque, I Macabeus e II Macabeus, e alguns trechos nos livros de
Ester e de Daniel). Estes textos são chamados deuterocanônicos (ou "do segundo cânon") pela Igreja Católica.
Importante dizer que uma parcela grande judeus, cerca de quatro quintos destes tem em seu cânon os
deuterocanônicos, diferente da minoria farisaica palestinence. E foi dessa minoria que alguns Protestantes do século
XX, finalmente retificaram seu cânon, com os aprecimentos das primeiras Sociedades Bíblicas.
As igrejas cristãs ortodoxas, e as outras igrejas orientais, aceitam, além de todos estes já citados, outros dois livros de
Esdras, outros dois dos Macabeus, a Oração de Manassés, e alguns capítulos a mais no final do livro dos Salmos (um
nas Bíblias das igrejas de tradição grega, cóptica, eslava e bizantina, e cinco nas Bíblias das igrejas de tradição
siríaca).[2]
As igrejas cristãs protestantes, consideraram os textos deuterocanônicos como apócrifos, mas os reconhecem como
leitura proveitosa e moralizadora, além do valor histórico dos livros dos Macabeus e outros os tem como literamente
canônicos. Varias e importantes Bíblias protestantes, como a Bíblia do Rei Tiago e a Bíblia espanhola Reina-Valera,
contêm nas suas edições os deuterocanônicos.
Quanto ao Novo Testamento, os cristãos são unânimes em aceitar o Novo Testamento com seus 27 escritos.
Bíblia 2

Conceitos sobre a Bíblia


A Bíblia é um livro muito antigo. Ela é o resultado de longa
experiência religiosa do povo de Israel. É o registro de várias pessoas,
em diversos lugares, em contextos diversos. Acredita-se que tenha sido
escrita ao longo de um período de 1.600 anos por cerca de 40 homens
das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais.
Os cristãos acreditam que estes homens escreveram a Bíblia inspirados
por Deus e por isso consideram a Bíblia como a Escritura Sagrada. No
entanto, nem todos os seguidores da Bíblia a interpretam de forma
literal, e muitos consideram que muitos dos textos da Bíblia são
metafóricos ou que são textos datados que faziam sentido no tempo em
que foram escritos, mas foram perdendo seu sentido dentro do contexto
da atualidade.

Para a maior parcela do cristianismo a Bíblia é a Palavra de Deus,


portanto ela é mais do que apenas um bom livro, é a vontade de Deus
escrita para a humanidade. Para esses cristãos, nela se encontram,
acima de tudo, as respostas para os problemas da humanidade e a base
para princípios e normas de moral.
Não-cristãos de um modo geral veem a Bíblia como um livro comum,
Edição da Bíblia. com importância histórica e que reflete a cultura do povo que os
escreveu. Em regra os não-cristãos recusam qualquer origem divina
para a Bíblia e a consideram como de pouca ou de nenhuma importância na vida moderna, ainda que na generalidade
se reconheça a sua importância na formação da civilização ocidental (apesar de a Bíblia ter origem no Médio
Oriente).

A comunidade científica tem defendido a Bíblia como um importante documento histórico, narrado na perspectiva
de um povo e na sua fé religiosa. Muito da sua narrativa foi de máxima importância para a investigação e
descobertas arqueológicas dos últimos séculos. Mas os dados existentes são permanentemente cruzados com outros
documentos contemporâneos, uma vez que, a história religiosa do povo de Israel singra em função da soberania de
seu povo que se diz o "escolhido" de Deus e, inclusive, manifesta essa atitude nos seus registros.
Independente da perspectiva que um determinado grupo tem da Bíblia, o que mais chama a atenção neste livro é a
sua influência em toda história da sociedade ocidental e mesmo mundial, face ao entendimento dela nações nasceram
(Estados Unidos etc.), povos foram destruídos (Incas, Maias, etc), o calendário foi alterado (Calendário Gregoriano),
entre outros fatos que ainda nos dias de hoje alteram e formatam nosso tempo. Sendo também o livro mais lido, mais
pesquisado e mais publicado em toda história da humanidade, boa parte das línguas e dialetos existentes já foram
alcançados por suas traduções. Por sua inegável influência no mundo ocidental, cada grupo religioso oferece a sua
interpretação, cada qual com compreensão peculiar.

Os idiomas originais
Foram utilizados três idiomas diferentes na escrita dos diversos livros da Bíblia: o hebraico, o grego e o aramaico.
Em hebraico consonantal foi escrito todo o Antigo Testamento, com excepção dos livros chamados
deuterocanônicos, e de alguns capítulos do livro de Daniel, que foram redigidos em aramaico. Em grego comum,
além dos já referidos livros deuterocanônicos do Antigo Testamento, foram escritos praticamente todos os livros do
Novo Testamento. Segundo a tradição cristã, o Evangelho de Mateus teria sido primeiramente escrito em hebraico,
visto que a forma de escrever visava alcançar os judeus.
Bíblia 3

O hebraico utilizado na Bíblia não é todo igual. Encontramos em alguns livros o hebraico clássico (por ex. livros de
Samuel e Reis), em outros um hebraico mais rudimentar e em outros ainda, nomeadamente os últimos a serem
escritos, um hebraico elaborado, com termos novos e influência de outras línguas circunvizinhas. O grego do Novo
Testamento, apesar das diferenças de estilo entre os livros, corresponde ao chamado grego koiné (isto é, o grego
"comum" ou "vulgar", por oposição ao grego clássico), o segundo idioma mais falado no Império Romano.
A primeira tradução latina da Bíblia foi a Vetus Latina, baseado na Septuaginta, e, portanto, livros não incluídos na
Bíblia hebraica. O Papa Dâmaso I montaria a primeira lista de livros da Bíblia, no Concílio de Roma em 382 d.C.
Ele a encomendou de São Jerónimo que produzisse um texto confiável e consistente, traduzindo os textos originais
em grego e hebraico para o latim. Esta tradução ficou conhecida como a Bíblia Vulgata Latina, antes disso havia
grande confusão e divergência sobre os textos bíblicos a serem aceitos pelos cristãos e, em 1546, o Concílio de
Trento declara que é a única Bíblia autêntica e oficial no rito latino da Igreja Católica.

Inspirado por Deus


O apóstolo Paulo afirma que "toda a Escritura é inspirada por Deus" [literalmente, "soprada por Deus", que é a
tradução da palavra grega θεοπνευστος, theopneustos] (2 Timóteo 3:16). Na ocasião, os livros que hoje compõem a
Bíblia não estavam todos escritos e a Bíblia não havia sido compilada, entretanto alguns cristãos crêem que Paulo se
referia à Bíblia que seria posteriormente canonizada. O apóstolo Pedro diz que "nenhuma profecia foi proferida pela
vontade dos homens. Inspirados pelo Espírito Santo é que homens falaram em nome de Deus." (2 Pedro 1:21). O
apóstolo Pedro atribui aos escritos de Paulo a mesma autoridade do Antigo Testamento: "E tende por salvação a
longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que
lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os
indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição" (2 Pedro 3:15-16).
Veja também os artigos Cânon Bíblico e Apócrifos.
Os cristãos creem que a Bíblia foi escrita por homens sob Inspiração Divina, mas essa afirmação é considerada
subjetiva na perspectiva de uma pessoa não-cristã ou não-religiosa. A interpretação dos textos bíblicos, ainda que
usando o mesmo Texto-Padrão, varia de religião para religião. Verifica-se que a compreensão e entendimento a
respeito de alguns assuntos pode variar de teólogo para teólogo, e mesmo de um crente para outro dependendo do
idealismo e da filosofia religiosa defendida, entretanto, quanto aos fatos e às narrações históricas, existe uma
unidade.
A fé dos leitores religiosos da Bíblia baseia-se na premissa de que "Deus está na Bíblia e Ele não fica em silêncio",
como declara repetidamente o renomado teólogo presbiteriano e filósofo, o Pastor Francis Schaeffer, dando a
entender que a Bíblia constitui uma carta de Deus para os homens. Para os cristãos, o Espírito Santo de Deus atuou
de uma forma única e sobrenatural sobre os escritores. Seguindo este raciocínio, Deus é o verdadeiro autor da bíblia,
e não os seus escritores, por si mesmos. Segundo este pensamento Deus usou as suas personalidades e talentos
individuais, para registrar por escrito os seus pensamentos e a revelação progressiva dos seus propósitos em suas
palavras. Para os crentes, a sua postura diante da Bíblia determinará o seu destino eterno.
Bíblia 4

A interpretação bíblica
Diferente das várias mitologias, os assuntos narrados na Bíblia são geralmente ligados a datas, a personagens ou a
acontecimentos históricos (de fato, vários cientistas têm reconhecido a existência de personagens e locais narrados
na Bíblia, que até há poucos anos eram desconhecidos ou considerados fictícios), apesar de não confirmarem os fatos
nela narrados, por outro lado, comprovando que aconteceram de alguma forma.[3]
Os judeus acreditam que todo o Velho Testamento foi inspirado por Deus e, por isso, constitui não apenas parte da
Palavra Divina, mas a própria palavra. Os cristãos, por sua vez, incorporam também a tal entendimento os livros do
Novo Testamento. Os ateus e agnósticos possuem concepção inteiramente diferente, descrendo por completo dos
ensinamentos religiosos. Tal descrença ocorre face ao entendimento de que existem personagens cuja real existência
e/ou atos praticados são por eles considerados fantásticos ou exagerados, tais como os relatos de Adão e Eva, da
narrativa da sociedade humana ante-diluviana, da Arca de Noé, o Dilúvio, Jonas engolido por um "grande peixe",
etc. A hermenêutica, uma ciência que trata da interpretação dos textos, tem sido utilizada pelos teólogos para se
conseguir entender os textos bíblicos. Entre as regras principais desta ciência encontramos:
1. O texto deve ser interpretado no seu contexto e nunca isoladamente;
2. Deve-se buscar a intenção do escritor, e não interpretar a intenção do autor;
3. A análise do idioma original (hebraico, aramaico, grego comum) é importante para se captar o melhor sentido do
termo ou as suas possíveis variantes;
4. O intérprete jamais pode esquecer os fatos históricos relacionados com o texto ou contexto, bem como as
contribuições dadas pela geografia, geologia, arqueologia, antropologia, cronologia, biologia, etc.

Sua estrutura interna


A Bíblia é um conjunto de pequenos livros ou uma biblioteca. Foi escrita ao longo de um período de cerca de 1600
anos por 40 homens das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais, segundo a tradição judaico
cristã. No entanto, exegetas cristãos divergem sobre a autoria e a datação das obras.
A sua divisão em capítulos e versículos que conhecemos hoje surgiu em momentos diferentes da história. A primeira
divisão (em capítulos) credita-se a autoria ao arcebispo Stephen Langton da Cantuária, no século XIII, que fez as
marcações dos mesmos através de uma sequência numérica em algarismos romanos nas margens dos manuscritos. A
divisão em versículos foi realizada em 1551 numa edição em grego do Novo Testamento pelo humanista e impressor
Robert Stephanus. Pequenas diferenças nas divisões e numerações de capítulos e versículos adotadas podem ser
observadas quando se comparam as edições da Bíblia católica, protestante ou judaica (Tanakh).

Origem do termo "Testamento"


Este vocábulo não se encontra na Bíblia como designação de uma de suas partes.
A palavra portuguesa "testamento" corresponde à palavra hebraica berith (que significa aliança, pacto, convênio,
contrato), e designa a aliança que Deus fez com o povo de Israel no Monte Sinai, tal como descrito no livro de
Êxodo (Êxodo 24:1-8 e Êxodo 34:10-28). Tendo sido esta aliança quebrada pela infidelidade do povo, Deus
prometeu uma nova aliança (Jeremias 31:31-34) que deveria ser ratificada com o sangue de Cristo (Mateus 26:28).
Os escritores neotestamentários denominam a primeira aliança de antiga (Hebreus 8:13), em contraposição à nova (2
Coríntios 3:6-14).
Os tradutores da Septuaginta traduziram berith para diatheke, embora não haja perfeita correspondência entre as
palavras, já que berith designa "aliança" (compromisso bilateral) e diatheke tem o sentido de "última disposição dos
próprios bens", "testamento" (compromisso unilateral).
As respectivas expressões "antiga aliança" e "nova aliança" passaram a designar a coleção dos escritos que contém
os documentos respectivamente da primeira e da segunda aliança.
Bíblia 5

O termo testamento veio até nós através do latim quando a primeira versão latina do Velho Testamento grego
traduziu diatheke por testamentum. São Jerônimo, revisando esta versão latina, manteve a palavra testamentum,
equivalendo ao hebraico berith — aliança, concerto, quando a palavra não tinha essa significação no grego. Afirmam
alguns pesquisadores que a palavra grega para "contrato", "aliança" deveria ser suntheke, por traduzir melhor o
hebraico berith.
As denominações "Antigo Testamento" e "Novo Testamento", para as duas coleções dos livros sagrados, começaram
a ser usadas no final do século II, quando os evangelhos e outros escritos apostólicos foram considerados como parte
do cânon sagrado.

Livros do Antigo Testamento


• O Antigo Testamento é composto de 46 livros: 39 conhecidos como protocanônicos e 7 conhecidos como
deuterocanônicos. Os livros deuterocanônicos fazem parte apenas da Bíblia Católica, não sendo incluídos na
Bíblia Protestante ou no Tanakh judaico.

Livros Protocanônicos

Pentateuco
Gênesis - Êxodo - Levítico - Números - Deuteronômio

Históricos
Josué - Juízes - Rute - I Samuel - II Samuel - I Reis - II Reis - I Crônicas - II Crônicas - Esdras - Neemias - Ester

Poéticos e Sapienciais
Jó - Salmos - Provérbios - Eclesiastes (ou Coélet) - Cântico dos Cânticos de Salomão

Proféticos
Profetas Maiores
A designação “Maiores” não se trata porém da relevância histórica destes personagens na história de Israel, mas tão
somente ao tamanho de seus livros, maiores se comparados aos livros dos Profetas “Menores”.
Isaías - Jeremias - Lamentações de Jeremias - Ezequiel - Daniel
Profetas Menores
Como referido acima, a designação “Menores” não se trata da relevância histórica destes personagens na história de
Israel, mas tão somente ao tamanho de seus livros.
Oséias - Joel - Amós - Obadias - Jonas - Miquéias - Naum - Habacuque - Sofonias - Ageu - Zacarias - Malaquias

Textos Deuterocanônicos
Históricos
Tobias - Judite - Adições em Ester (Ester 10:4 a 16:24) - I Macabeus - II Macabeus.
Poéticos e Sapienciais
Sabedoria - Eclesiástico (ou Sirácides).
Proféticos
Baruque - Adições em Daniel (Daniel 3:24-90, e Capítulos 13 e 14).
Segundo a visão protestante, os textos deuterocanônicos (chamados "apócrifos" pelos protestantes) foram,
supostamente, escritos entre Malaquias e Mateus, numa época em que segundo o historiador judeu Flávio Josefo, a
Revelação Divina havia cessado porque a sucessão dos profetas era inexistente ou imprecisa. O parecer de Josefo
Bíblia 6

não é aceito pelos cristãos católicos, ortodoxos e por alguns protestantes, e igualmente pensam assim uma maioria
judaica não faraisica, porque Jesus afirma que durou até João Batista, "A lei e os profetas duraram até João"(cf.
Lucas 16:16; Mateus 11:13).
No período entre o século III e o século I a.C. ocorre a Diáspora judaica helenística, numa época em que os judeus já
estavam, em partes, dispersos pelo mundo. Uma colônia judaica destaca-se, esta se localiza em Alexandria no Egito,
onde se falava muito a língua grega. A Bíblia foi então traduzida do hebraico para o grego. Alguns escritos recentes
foram-lhe acrescentados sem que os judeus de Jerusalém os reconhecessem como inspirados. Somente no final do
século I d.C. foi tentado fixar o cânon (=medida) hebraico, portanto numa época em que a diferenciação entre
judaísmo e cristianismo já era bem acentuada. E os escritos acrescentados não foram aceitos no cânon hebraico
farisaico, não antes de gerar discussões que perduraram por pelo menos três ou quatro séculos, discussões não só
sobre os Deuterocanônicos, mas inclusive sobre livros hoje por eles reconhecido como canônicos como Daniel,
Ester, Cânticos dos Cânticos, para citar apenas esses, lembrando que os judeus Samaritanos, tem apenas como
canônicos os livros do Pentateuco.
Quando Jerônimo traduziu a Bíblia para o latim (a famosa Vulgata), no início do Século IV, incluiu os
deuterocanônicos como os mesmos o eram desde o século I, e a Igreja Católica os rerratificou como inspirados da
mesma forma que os outros livros. No século XVI, com o surgimento da Reforma Protestante, é novamente colocada
em dúvida a canonicidade dos deuterocanônicos pelo fato de não fazerem parte da Bíblia hebraica farisaica. No
Concílio de Trento, em 8 de abril de 1546, no Decretum de libris sacris et de traditionibus recipiendis (DH 1501), a
Igreja Católica novamente os reafirma, após alguns grupos de Protestantismo os considerarem apócrifos, diante de
outros do Protestantismo que permaneciam considerando-os como inspirados, permanecendo essa discussão no meio
protestante até o inicio século XX, deixando então de fazer parte da maioria das Bíblias protestantes, por força maior
das Sociedades Bíblicas.

Livros do Novo Testamento


• O Novo Testamento é composto de 27 livros.

Livros Protocanônicos

Evangelhos
Mateus - Marcos - Lucas - João.

Livros de Atos
Atos dos Apóstolos (abreviado "Atos").

Cartas Apostólicas
Romanos - I Coríntios - II Coríntios - Gálatas - Efésios - Filipenses - Colossenses - I Tessalonicenses - II
Tessalonicenses - I Timóteo - II Timóteo - Tito - Filémon - I Pedro.

Tratados Doutrinais
I João.

Textos Deuterocanônicos
Através dos séculos, desde o começo da era cristã, e inclusive em contextos protestantes durante os surgimento da
Reforma Protestante do século XVI, os textos deuterocanônicos do Novo Testamento foram tão debatidos como os
textos deuterocanônicos do Antigo Testamento. Finalmente, os reformistas protestantes decidiram rejeitar
sistematicamente todos os textos deuterocanônicos do Antigo Testamento, e aceitar sistematicamente todos os textos
deuterocanônicos do Novo Testamento.
Bíblia 7

Trechos Evangélicos
Marcos 16:9-20 - Lucas 22:43-44 - João 5:3'-4, 7:53 a 8:11, e todo o Capítulo 21.

Cartas Apostólicas
Tiago - II Pedro - II João - III João - Judas.

Tratados Doutrinais
Hebreus.

Apocalipses
Apocalipse de João (abreviado "Apocalipse").

Versões e traduções bíblicas


Apesar da antiguidade dos livros bíblicos, os manuscritos mais antigos
que possuímos datam a maior parte do III e IV Século d.C.. Tais
manuscritos são o resultado do trabalho de copistas (escribas) que,
durante séculos, foram fazendo cópias dos textos, de modo a serem
transmitidos às gerações seguintes. Transmitido por um trabalho desta
natureza o texto bíblico, como é óbvio, está sujeito a erros e
modificações, involuntários ou voluntários, dos copistas, o que se
traduz na coexistência, para um mesmo trecho bíblico, de várias
versões que, embora não afectem grandemente o conteúdo, suscitam
diversas leituras e interpretações dum mesmo texto. O trabalho
desenvolvido por especialistas que se dedicam a comparar as diversas
versões e a seleccioná-las, denomina-se Crítica Textual. E o resultado
de seu trabalho são os Textos-Padrão.

A grande fonte hebraica para o Antigo Testamento é o chamado Texto


Massorético. Trata-se do texto hebraico fixado ao longo dos séculos Livro do Gênesis, Bíblia em Tamil de 1723.

por escolas de copistas, chamados Massoretas, que tinham como


particularidade um escrúpulo rigoroso na fidelidade da cópia ao original. O trabalho dos massoretas, de cópia e
também de vocalização do texto hebraico (que não tem vogais, e que, por esse motivo, ao tornar-se língua morta,
necessitou de as indicar por meio de sinais), prolongou-se até ao Século VIII d.C.. Pela grande seriedade deste
trabalho, e por ter sido feito ao longo de séculos, o Texto Massorético (sigla TM) é considerado a fonte mais
autorizada para o texto hebraico bíblico original.

No entanto, outras versões do Antigo Testamento têm importância, e permitem suprir as deficiências do Texto
Massorético. É o caso do Pentateuco Samaritano (os samaritanos eram uma comunidade étnica e religiosa separada
dos judeus, que tinham culto e templo próprios, e que só aceitavam como livros sagrados os do Pentateuco), e
principalmente a Septuaginta Grega (sigla LXX).
A Versão dos Setenta ou Septuaginta Grega, designa a tradução grega do Antigo Testamento, elaborada entre os
séculos IV e II a.C., feita em Alexandria, no Egipto. O seu nome deve-se à lenda que referia ter sido essa tradução
um resultado milagroso do trabalho de 70 eruditos judeus, e que pretende exprimir que não só o texto, mas também a
tradução, fora inspirada por Deus. A Septuaginta Grega é a mais antiga versão do Antigo Testamento que
conhecemos. A sua grande importância provém também do facto de ter sido essa a versão da Bíblia utilizada entre os
cristãos, desde o início, versão que continha os Deuterocanônicos, e a que é de maior citadação do Novo Testamento,
mais do que o Texto Massorético.
Bíblia 8

Da Septuaginta Grega fazem parte, além da Bíblia Hebraica, os Livros Deuterocanônicos (aceites como canónicos
apenas pela Igreja Católica, Ortodoxa, e da maioria judaica da diasporá), e alguns escritos apócrifos (não aceites
como inspirados por Deus por nenhuma das religiões cristãs ocidentais).
Encontram-se 4 mil manuscritos em grego do Novo Testamento, que apresentam variantes. Diferentemente do
Antigo Testamento, não há para o Novo Testamento uma versão a que se possa chamar, por assim dizer, normativa.
Há contudo alguns manuscritos mais importantes, pelas sua antiguidade ou credibilidade, e que são o alicerce da
Crítica Textual.
Uma outra versão com importância é a chamada Vulgata Latina, ou seja, a tradução latim por São Jerónimo, em 404
d.C., e que foi utilizada durante muitos séculos pelas Igrejas Cristãs do Ocidente como a versão bíblica autorizada.
De acordo com as Sociedades Bíblicas Unidas, a Bíblia já foi traduzida, até 31 de dezembro de 2007, para pelo
menos 2.454 línguas e dialectos[4] , sendo o livro mais traduzido do mundo.

Distribuição mundial de traduções da Bíblia


Continente/Região Porções Testamentos Bíblias Total

África 218 322 163 703

Ásia e Oceania 363 495 171 1029

Europa 112 39 61 212

América 153 312 42 507

Línguas artificiais 2 0 1 3

Total 848 1168 438 2454

Língua portuguesa
Os primeiros registros da tradução de trechos da Bíblia para o português remontam ao final do século XIII, por Dom
Dinis. Mas a primeira Bíblia completa em língua portuguesa foi publicada somente em 1753, na tradução de João
Ferreira de Almeida (1628-1691).
O missionário e tradutor João Ferreira de Almeida foi o principal
tradutor da Bíblia para a língua portuguesa.
Ele já conhecia a Vulgata, já que seu tio era padre. Após converter-se
ao protestantismo aos 14 anos, Almeida partiu para a Batávia. Aos 16
anos traduziu um resumo dos evangelhos do espanhol para o
português, que nunca chegou a ser publicado. Em Malaca traduziu
partes do Novo Testamento também do espanhol.
Aos 17, traduziu o Novo Testamento do latim, da versão de Theodore
Uma cópia da Bíblia de Gutenberg, de
propriedade do Congresso norte-americano Beza, além de ter se apoiado nas versões italiana, francesa e espanhola.
Aos 35 anos, iniciou a tradução diretamente dos originais, embora seja
um mistério como ele aprendeu os idiomas originais. É certo que ele usou como base o Texto Massorético para o
Antigo Testamento, o Textus Receptus, editado em 1633 pelos irmãos Elzevir, e alguma tradução da época, como a
Reina-Valera. A tradução do Novo Testamento ficou pronta em 1676.
O texto foi enviado para a Holanda para revisão. O processo de revisão durou 5 anos, sendo publicado em 1681, e
teve mais de mil erros. A razão é que os revisores holandeses queriam harmonizar a tradução com a versão holandesa
publicada em 1637. A Companhia das Índias Orientais ordenou que se recolhesse e destruísse os exemplares
defeituosos. Os que foram salvos foram corrigidos e utilizados em igrejas protestantes no Oriente, sendo que um
deles está exposto no Museu Britânico. Após sua morte foram detectados vários erros de tradução, e as sucessivas
Bíblia 9

edições por que passou ao longo dos anos tornou o atual texto das Bíblias de Almeida bastante diferente do texto da
primeira edição, mantendo, contudo, o estilo clássico do vocabulário.

Bibliografia
• LIMA, Alessandro. O Cânon Bíblico - A Origem da Lista dos Livros Sagrados. São José dos Campos-SP: Editora
COMDEUS, 2007.
• PASQUERO, Fedele. O Mundo da Bíblia, Autores Vários. São Paulo: Paulinas, 1986.
• ROST, Leonard. Introdução aos Livros Apócrifos e Pseudo-Epígrafos do Antigo Testamento. São Paulo:
Paulinas, 1980.
[1] No latim medieval biblìa passou a ser usado como uma palavra singular — uma colecção de livros, ou "a Bíblia".
[2] Estes dados são do domínio público nos países de maioria populacional aderente à fé cristã ortodoxa, e ham sido retomados e recompilados de
numerosas fontes bibliográficas sérias em grego, russo, alemão, inglês e espanhol.
[3] Time (http:/ / www. time. com/ time/ world/ article/ 0,8599,1645738,00. html) "A Boost for the Book of Jeremiah". Descoberta de tablete
confirma episódio bíblico (21 de julho de 2007)
[4] Sumário estatístico de idiomas com traduções das Escrituras (http:/ / www. ubs-translations. org/ about_us/ ) (em inglês). Sociedades
Bíblicas Unidas. Página visitada em 27 de março de 2009.

Ver também
• Antigo Testamento
• Novo Testamento
• Apócrifos
• Arqueologia bíblica
• Cânon Bíblico
• Cronologia Bíblica
• Versões e traduções bíblicas
• Nova Versão Internacional (NVI)
• Bíblia Sagrada - Almeida Revista e Atualizada
• Bíblia Sagrada - Almeida Revista e Corrigida
• Bíblia Sagrada - Almeida
• Bíblia Sagrada - Ave Maria
• Bíblia Sagrada - Edição Pastoral
• Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas
• Manuscritos do Mar Morto
• Manuscritos do Novo Testamento
• Manuscritos do Antigo Testamento
• Tradição
• Revelação divina
• Revelação divina, Tradição e Bíblia na doutrina católica
Bíblia 10

Ligações externas
• Bíblia Católica Online (http://www.bibliacatolicaonline.com/)
• Bíblia online comparativa (cerca de 50 versões, entre traduções e linguagens diferentes) (http://www.
bibliaonline.com.br/)
• Bíblia Web (http://www.bibliaweb.com.br/)
• História da tradução bíblica (http://www.sbb.org.br/interna.asp?areaID=118)
• Origem e Formação da Bíblia Católica (http://www.bibliacatolica.com.br/historia_biblia/3.php)
• Constitutio Apostólica Qua Nova Vulgata Bibliorum Sacrorum Editio “Typica” Declaratur Et Promulgatur (http://
www.vatican.va/archive/bible/nova_vulgata/documents/nova-vulgata_jp-ii_apost_const_lt.html) (em latim)

Arqueologia bíblica
A arqueologia bíblica é uma ciência social[1] que faz parte da arqueologia especializada em estudos dos restos
materiais relacionados direta ou indiretamente com os relatos bíblicos e com a história das religiões judaico-cristãs.
A região mais estudada pela arqueologia bíblica, na perspectiva ocidental, é a denominada Terra Santa,[2] localizada
no Médio Oriente.
Os principais elementos desta ciência arqueológica são, em sua maioria, referências teológicas e religiosas, sendo
considerada uma ciência em toda a sua dimensão metodológica. Assim como se dá com os registros históricos de
outras civilizações, os manuscritos descobertos devem ser comparados com outras sociedades contemporâneas da
Europa, Mesopotâmia e África.
As técnicas científicas empregadas são as mesmas da arqueologia em geral, com escavações[3] e datação
radiométrica,,[4] entre outras. Em contraste, a arqueologia do antigo Médio Oriente é mais ampla e generalizada,
tratando simplesmente do Antigo Oriente sem tentar estabelecer uma relação específica entre as descobertas e a
Bíblia.

A "alta crítica"

Série sobre a

Bíblia

A historicidade e autenticidade dos registros bíblicos tem sido alvo de controvérsia por parte de estudiosos críticos,
cuja forma de pensar é usualmente chamada de alta crítica.[5] Nestes estudos junto com a crítica textual, várias vezes
são proferidas declarações polémicas sobre o que a autoridade escriturística exige e o que ela implica. Este
cepticismo em relação à confiabilidade das Escrituras iniciou-se no Século XIX e subsiste em muitos círculos
acadêmicos. Esta alta crítica acabou por incentivar pesquisas arqueológicas mais extensas por parte de muitos
historiadores e arqueólogos. O principal objetivo da ciência arqueológica não é provar ou desacreditar a Bíblia em
sentido teológico. Neste sentido, o artigo arqueologia bíblica se concentra primariamente em pesquisas e descobertas
arqueológicas relacionadas com os relatos bíblicos. Ainda assim, a arqueologia bíblica é uma matéria de estudo
polémica, com várias perspectivas sobre qual o seu propósito e as suas metas. Analisando os comentários de
historiadores e de destacados arqueólogos,[6] podem encontrar-se os mais variados pontos de vista.
Arqueologia bíblica 11

A arqueologia
Veja-se também: Teoria arqueológica

O estandarte de Ur: A «Cara da Guerra». Descoberto por Leonard Woolley nos 1920anos 1920, encontra-se atualmente no Museu
Britânico de Londres.

Para compreender plenamente o objectivo da arqueologia bíblica é necessário entender a arqueologia como método
científico e a Bíblia como objeto de investigação.
A arqueologia é ao mesmo tempo técnica e ciência. Como técnica, busca os restos materiais das civilizações antigas
e trata de reconstruir, na medida do possível, o ambiente e as civilizações de uma ou várias épocas históricas.
Trata-se de uma ciência moderna, ainda considerada recente, com apenas duzentos anos.
Poder-se-ia pensar que a arqueologia tende a omitir os dados oferecidos pelas religiões e por muitos sistemas
filosóficos. No entanto, além dos artefactos e locais arqueológicos tais como lugares de culto, relíquias e outros
elementos de ordem sagrada bem como outros objectos cientificamente observáveis, existem aspectos que são
igualmente importantes para a investigação científica arqueológica. Entre estes estão conceitos imateriais como os
ritos, livros sagrados e a cultura. O mito é usualmente utilizado na arqueologia e na história como uma pista da
verdade que poderá esconder. Esta nova percepção contemporânea do mito motivou a ciência arqueológica a buscar
novos dados nos territórios descritos nos relatos bíblicos.

Arqueologia bíblica
Arqueologia bíblica 12

A arqueologia bíblica é a disciplina que se


ocupa da recuperação e investigação
científica dos restos materiais de culturas
passadas que podem iluminar os períodos e
descrições da Bíblia. Usa-se como base de
tempo, um amplo período entre o ano 2000
a.C. e 100 d.C.. Outros preferem falar de
arqueologia da Palestina,[7] referindo-se
aos territórios situados ao leste e oeste do
Rio Jordão. Esta designação expressa o
facto da arqueologia bíblica estar Museu de Israel, em Jerusalém, conserva tesouros apreciados para a investigação e
especialmente circunscrita aos territórios a exploração científica e bíblica.

que serviram de cenário aos relatos


bíblicos.[8]

A função da arqueologia bíblica não é confirmar ou desmentir os eventos bíblicos, nem pretende influenciar
determinadas doutrinas teológicas, tal como a da salvação. Limita-se ao plano científico e não entra no terreno da fé.
Ainda assim, alguns resultados da arqueologia bíblica podem e têm contribuído para:
• Aumentar o conhecimento sobre alguns dados históricos descritos nos relatos bíblicos envolvendo governantes,
personagens, batalhas e cidades.
• Descrever alguns detalhes concretos referidos nos livros bíblicos tais como o Túnel de Ezequias, a piscina de
Siloé, o Gólgota, entre outros.
• Fornecer dados que prestam uma ajuda fundamental aos estudos exegéticos.

Espaço
O espaço geográfico da arqueologia bíblica envolve as terras bíblicas chamadas, no sentido religioso, de "Terra
Santa". Assim sendo, os trabalhos de pesquisa centralizam-se especialmente em Israel, Palestina e Jordânia. Também
existem outros cenários mencionados pelos relatos bíblicos com grande importância tais como o Egito, Assíria, Síria,
Mesopotâmia e o Império medo-persa. Outras regiões como a Ásia Menor, Macedônia, Grécia e Roma estão
particularmente relacionadas com os relatos do Novo Testamento.
Arqueologia bíblica 13

Tempo
Da mesma maneira que os critérios de
espaço variam segundo os diversos
pontos de vista de autores diferentes, o
mesmo acontece com os critérios do
tempo, ou seja, do período temporal
sobre o qual as pesquisas devem
incidir. Peter Kaswalder,[9] professor
de arqueologia do Antigo Testamento
em Jerusalém, define esse tempo como
um período que vai desde o Século IX
a.C., que corresponde às primeiras
datações de Jericó,[10] até o ano 700
d.C. que marca o início das invasões
muçulmanas. Este período de tempo é
O Médio Oriente - cenário de acontecimentos que inspiraram os escritores bíblicos.
muito discutido por alguns autores.
Um segundo período ainda maior e
também referido nos relatos bíblicos tem início na Idade do Bronze, por volta do ano 2000 a.C. que corresponde
desde os Patriarcas (Abraão, Isaque e Jacó), até finais do Século I, com a morte do último apóstolo, João, o
Evangelista, e o fim da chamada Igreja Apostólica. Estes termos, igreja primitiva ou dos apóstolos, refere-se à época
de vida das primeiras pessoas que se identificavam como cristãs, tempo em que teriam vivido os apóstolos de Jesus,
incluindo Paulo de Tarso. Este período apostólico terá terminado com a morte de João, o Evangelista, numa data
desconhecida que se presume rondar o ano 110 d.C..

História
A história[11] da arqueologia bíblica é tão recente como a da arqueologia em geral. O seu desenvolvimento
despontou com a descoberta de achados de primeira importância para a mesma. Alistam-se em seguida alguns dos
achados arqueológicos bíblicos mais importantes das últimas décadas segundo a compilação do Centro de Estudos
Ratisbone de Jerusalém.[12]

Algumas descobertas relevantes


Arqueologia bíblica 14

• O Papiro P52:[13]
O Papyrus P52 da Biblioteca de
Rylands é o texto mais antigo
que se conhece do Novo
Testamento. Foi descoberto em
1920, no deserto do Médio
Egito, e tornou-se público em
1935.[14]

• As cavernas de Qumrán[15]
descobertas em 1947 por beduínos e
cujas escavações iniciaram-se em
1950.
• Entre 1962 e 1963 foi encontrado o
Uma reconstrução de Jerusalém do Século I, possivelmente graças à arqueologia Bíblica.
Papiro[16] de Wadi Daliyyat,
conhecido pelo Papiro de Samaria,
da época persa.
• Em 1964 foi descoberto o Papiro de Ketej-Jericó da época persa-helenística.[17]
• Em 1991 foi descoberta a chamada Tumba de Caifás[18]
• Em 1993 foi descoberta a Estela de Tel Dan:Trata-se duma pedra de basalto escuro que menciona a "Casa de
Davi", com a inscrição bytdwd, (byt casa dwd Davi).[19]
• Em 1996 foi descoberta a inscrição de Ecrom (Tel Mikné [20]) contendo o nome da cidade filistéia de Ecrom e
uma lista dos seus reis.
• Em 1997 foi descoberto o antigo monastério de Katisma.
• Em 1998 foi descoberta a Sinagoga de Jericó datada do ano 75 a.C. (Ehud Netzer).
• Em 2001 foi descoberta a Estela de Joás, rei de Judá.[21]
• Em 2007 foi encontrado o túmulo de Herodes.
A arqueologia bíblica é também objecto de célebres falsificações motivadas por múltiplos interesses. Uma das mais
conhecidas surgiu em 2002 quando se publicou o suposto achado de um túmulo (ossário) com uma inscrição que
dizia "Tiago, filho de José e irmão de Jesus". Na realidade, o artefacto havia sido construído apenas vinte anos antes,
portanto numa época muitíssimo posterior. As características do objecto encontrado não correspondiam ao padrão do
Século I,[22] revelando a sua falsidade e expondo as estranhas circunstâncias relacionadas com a sua posse e
descoberta.

Etapas da arqueologia bíblica


O desenvolvimento da arqueologia bíblica tem sido marcado por diferentes períodos da história da humanidade,
entre os quais se referem os seguintes:
• Antiguidade: Ainda que se considere a arqueologia como uma ciência moderna, é necessário reconhecer que
muitos autores, ao longo da história, têm contribuído com documentos valiosos que são hoje elementos de
trabalho imprescindíveis. Entre muitos destes elos históricos, os mais importantes são Flávio Josefo, Orígenes,
Eusébio de Cesaréia e o Diário de Etheria.
• Mandato Britânico da Palestina: As primeiras explorações arqueológicas começaram no Século XIX, primeiro
por parte de europeus e depois por israelenses (ou israelitas, em português europeu). Nessa época, um dos
arqueólogos bíblicos de renome foi Edward Robinson que encontrou várias cidades antigas. Em 1865,
patrocinado pela Rainha Victoria, surgiu o Fundo para a Exploração da Palestina (Palestine Exploration
Fund).[23] Em 1867 realizaram-se importantes trabalhos ao redor do Templo de Jerusalém por parte de Charles
Warren e Charles Wilson. Em 1870 fundaram a Sociedade Americana de Exploração da Palestina (American
Arqueologia bíblica 15

Palestine Exploration Society).[24] Um jovem francês de apenas 21 anos, Charles Clermont-Ganneau, chegou à
Terra Santa para estudar inscrições notáveis, tais como a Estela de Mesha na Jordânia e a inscrição do Templo de
Jerusalém. Em 1890 entraria em cena outro génio, que passaria para a história como o "pai da arqueologia
palestina", Sir Flinder Petrie, que lançou as bases para uma exploração metodológica e deu uma grande
colaboração em tornar a análise da cerâmica numa importante pista arqueológica. Em 1889, os dominicanos
abriram em Jerusalém um centro de estudos que chegou a ocupar um plano de primeira ordem na arqueologia
bíblica, a École Biblique et Archéologique Française[25] (Escola Bíblica e Arqueológica Francesa), na qual se
destacaram M. J. Lagrance e L. H. Vincent. Guilherme II da Alemanha inaugurou em 1898 a Deutsche Orient
Geselschaft que contribuiu para o progresso arqueológico como uma disciplina emergente e entusiasta ainda que,
naquela fase inicial, as investigações estivessem dirigidas apenas a demonstrações de passagens bíblicas.
• Durante o domínio Britânico da Palestina (1922 - 1948): A investigação e exploração da Terra Santa aumentou
consideravelmente neste período que veio a ser grandemente influenciado pela genialidade de pesquisadores
como William Foxwell Albright, George Ernest Wright, C. S. Fischer, os jesuítas, os dominicanos e muitos
outros. Esta época de tanta actividade e avanço para a arqueologia bíblica encerrou com chave de ouro, a
descoberta de Qumrán em 1947, cujas escavações foram dirigidas, em especial, pelo francês Roland de Vaux.[26]
• Depois do domínio Britânico: O ano de 1948 marcou o início de uma nova época política e social para Terra
Santa com a fundação do Estado de Israel. Com isso, entraram em cena os arqueólogos israelenses. Numa
primeira fase, as escavações iniciaram-se especialmente no território de Israel mas, depois da Guerra dos Seis
Dias, estenderam-se também aos territórios ocupados da Judéia e Samaria. Destaca-se o nome de Kathleen
Kenyon,[27] que dirigiu as escavações de Jericó e de Jerusalém. Chrystall Bennet conduziu as escavações de Petra
e da cidadela de Amã. Destacam-se ainda os museus arqueológicos dos franciscanos e dos dominicanos de
Jerusalém.

Escolas arqueológicas
A arqueologia bíblica é matéria de permanente debate. Um dos assuntos de maior disputa tem sido o período da
História do antigo Reino de Israel. Também, de um modo geral, a historicidade da Bíblia tornou-se motivo de
controvérsias, dividindo os estudiosos em diferentes correntes ou escolas de pensamento, tais como o minimalismo e
maximalismo. Também, o método não-histórico de ler a Bíblia difere da sua tradicional leitura religiosa.

Minimalismo bíblico
O minimalismo bíblico, segundo a chamada Escola de Copenhague ou Copenhaga, enfatiza que a Bíblia deve ser lida
e analisada, no seu todo, como um conjunto de narrativas e não como uma detalhada colecção histórica da
pré-história do Médio Oriente. Em 1968, Niels Peter Lemche e Heike Friis escreveram ensaios nos quais efectuaram
uma revisão completa do modo de se ler a Bíblia por forma a tirar conclusões históricas dela.[28]
G. Garbini, com a sua História e ideologia do Israel antigo, T.L. Thompson com a sua "História antiga dos
israelitas: de fontes escritas e arqueológicas"[29] e P.R. Davies com a sua obra "Em busca do "Antigo Israel",[30]
construíram as bases do que se considera ser o minimalismo bíblico. Davies, por exemplo, afirma que o Israel
histórico só pode ser encontrado nos restos arqueológicos, sendo que o Israel bíblico se percebe somente nas
Escrituras e o Israel antigo numa amálgama de ambos. Thomson e Davies vêem o Antigo Testamento como uma
criação imaginária de uma minoritária comunidade de judeus em Jerusalém depois do período descrito na Bíblia
como o retorno do Cativeiro de Babilônia (após 539 a.C. em diante). Para esta escola de pensamento, nenhum dos
primitivos relatos bíblicos tem solidez histórica e só alguns dos mais recentes possuem fragmentos de uma genuína
memória, sendo estes eventos os únicos apoiados pelas descobertas arqueológicas. Em consequência, os relatos
acerca dos patriarcas bíblicos são tidos como ficção, assim como as Tribos de Israel, que nunca teriam existido,
tampouco os reis David e Saul ou a unidade da monarquia de David e Salomão.
Arqueologia bíblica 16

Maximalismo bíblico
O termo "maximalismo" pode gerar confusão, visto que alguns o relacionam com a "infalibilidade bíblica", doutrina
que sustenta que a Bíblia é sem erro desde a sua forma original, o que inclui os trechos que abordam temáticas
históricas e científicas. Alguns associam todos os maximalistas com essa doutrina. A maioria dos maximalistas
bíblicos aceita as descobertas da arqueologia e os modernos estudos bíblicos, no entanto, sustentam que todo o
conjunto de relatos bíblicos são na realidade referências históricas sendo que os mais recentes livros possuem maior
solidez histórica que os mais primitivos.
A arqueologia marca eras históricas e reinos, modos de vida e comércio, crenças e estruturas sociais. No entanto,
apenas em pouquíssimos relatos, os estudos arqueológicos apresentam informações sobre famílias individuais não
sendo possível, portanto, esperar tais elos a partir da arqueologia. Por exemplo, actualmente não se espera que a
arqueologia apresente qualquer prova que assegure ou negue a existência dos patriarcas.
Os maximalistas estão divididos quanto a alguns temas:
• Uns sustentam que os patriarcas foram na realidade personagens históricos apesar dos relatos bíblicos sobre eles
não serem sempre precisos, mesmo num sentido amplo.
• Outros afirmam que alguns ou até mesmo todos os patriarcas podem ser classificados como personagens fictícios
que terão uma pequena relação com distantes personagens históricos.
Os maximalistas bíblicos estão de acordo que as doze tribos de Israel existiram, mesmo que isso não signifique
necessariamente que os relatos bíblicos sobre elas correspondam à realidade histórica. Também estão de acordo com
a existência de grandes figuras como David, Saul, Salomão, a monarquia do Reino de Israel e Jesus.
Arqueologia bíblica 17

Sítios arqueológicos
Na atualidade, os territórios bíblicos estão cheios de
escavações, sítios arqueológicos e museus abertos ao
público em geral. Entre os mais destacados podem-se
encontrar:
*A Igreja do Santo Sepulcro:[31]
Um complexo de sítios que compreende no alegado
túmulo de Jesus e o Calvário.
Sua identificação leva em conta achados arqueológicos,
mas baseia-se na maior parte em tradição do século IV
d.C., devido a evidências de tumbas judaicas, artefatos
romanos, construções constantinas e influências
otomanas.[32] [33] A identificação continua sendo
conjectura.

*O Museu Israel:[34]
Reúne objetos de valor universal, para estudos bíblicos, a
história e pré-história do chamado Oriente Médio. Este
museu é conhecido como um dos mais importantes
museus relacionados à arqueologia bíblica.[35]
*O Túnel de Ezequias:[36]
Passando por baixo da Cidade Antiga de Jerusalém e
seus Muros, é um dos elementos declarados na bíblia
As Cavernas de Qumrán onde encontraram o sítio arqueológico
tanto nas Escrituras Hebraicas como nas Escrituras
bíblico mais importante de todos os tempos, no vale do Mar morto.
Gregas Cristãs.[37]
*O Barco da Galiléia:[38] [39] [40]
Em 1986, um dos últimos achados foi um barco enterrado perto do Mar da Galiléia, perto da antiga Cafarnaum e
com surpresa, datado do Século I, portanto do tempo de Jesus. Por esta razão, “O barco da Galiléia” tem sido
chamado de “O Barco de Pedro”, porque se permite ter uma idéia do tipo de navios que os pescadores que
conheceram Jesus, usavam.[41] O barco da Galiléia mede cerca de 8 metros de comprimento e 2,3 metros de largura.
*Qumrán:[42]
Para muitos, este é um dos achados mais importantes de todos os tempos. Embora haja controvérsias se teria sido o
local de uma seita judaica (essênios), com ruínas dum possível mosteiro, estas cavernas são de grande importância
para a arqueologia bíblica, devido ao grande número de achados, como papiros, códices da Tanak, do Novo
Testamento, e muitos outros elementos para a história dos estudos bíblicos.[43]
Arqueologia bíblica 18

Construções bíblicas confirmadas


• A cidade de Gibeão .[44]
• O Túnel de Ezequias:[45]
• Um túnel de 533 metros foi construído para
prover a Jerusalém, água subterrânea, em
prevenção da invasão assíria de 701 a.C.[46]
• As Muralhas de Jericó:[10]
• Uma destruição das “Muralhas de Jericó” data
aproximada do ano 1550 a.C., tendo como a
causa um cerco ou um terremoto no contexto de
extrato denominado Destrucción Ciudad IV.
Existem discussões sobre se a dita destruição Escavação arqueológica.
corresponde à descrição bíblica ou não. De
acordo com o relato bíblico, os israelitas destruíram a cidade depois que suas muralhas caíram, por volta de
1407 a.C.. As escavações de John Garstang,[47] em 1930, datam a destruição de Jericó em 1400 a.C., mas após
escavações de Kathleen Kenyon, em 1950, sua datação foi de 1550 a.C.. Bryant G. Wood crítico do trabalho
de Kenyon, observou ambigüidades nas investigações com o carbono 14 que deram como resultado o ano de
1410 a.C., com 40 anos de diferença. Assim, Wood confirmou as conclusões de Garstang. Infelizmente, a dita
prova de carbono teria sido resultado de uma má calibração. Em 1995, Hendrik J. Bruins e Johannes van der
Plicht utilizaram uma prova de radiocarbono de alta precisão para 18 amostras de Jericó, incluindo seis
amostras de cereal carbonizado, que deram como resultado uma antiguidade superior – 1562 a.C, com uma
margem de 38 anos[48]

• O Segundo Templo:
• Confirmado pelo parecer ocidental. Construído por Herodes I o Grande;
• A Rampa do sitio de Laquis:[49] A cidade de Laquis foi capturada pelo rei assírio Senaqueribe em 701 a.C.[50]
• O Reservatório de Siloé:[51]
• Uma piscina, ao sudeste das muralhas da cidade, e receptora das águas do Túnel de Ezequias.[52]
• O Templo de Siquém,:[53] Mencionado em Juízes capítulo 9.
• Em 1910, arqueólogos encontraram ali cacos de cerâmica com inscrições, registrando despachos de vinho e de
azeite de oliva e pagamento de impostos. Mas muitos dos nomes próprios inscritos neles continham o
componente bá•al (Baal). Os arqueólogos também descobriram fragmentos em painéis de marfim.[54]
• Túmulos:
• No Iraque, o arqueólogo Sir Leonard Wooley
descobriu 16 túmulos de reis no cemitério da
antiga Ur[55] foi uma extraordinária descoberta “A
riqueza nesses túmulos, que continua sem igual
na arqueologia mesopotâmica, incluía algumas
das mais famosas peças da arte sumeriana que
agora embelezam as salas do ‘’Museu Britânico e
do Museu da Universidade da Pensilvânia”.[56]
• Dezenove túmulos localizados ao ocidente de
Jerusalém têm sido datados sem dúvida, ao tempo
da Monarquia da Judéia, mas é possível que
Foto aérea do Herodium onde se localiza a Tumba de Herodes.
Arqueologia bíblica 19

representem sítios em memória dos reis mencionados em II Crônicas 16:14; 21:19; 32:33 e no Livro de
Jeremias 34: 5.
• A Tumba de Herodes:[57]
• Em Maio 2007, arqueólogos da Universidade Hebraica de Jerusalém anunciaram a descoberta da tumba onde
teria sido enterrado o rei Herodes I o Grande, perto de Jerusalém. Herodes, que reinou no fim Século I a.C.,
teria vivido na época de Jesus. Foi enterrado em um mausoléu retangular de 2,5 metros de comprimento com
um teto em forma de triângulo.[58]

Objetos de escavações documentadas


• Estela de Merenptah:[59]
• Contém a mais antiga referência por egípcios sobre os
israelitas na terra de Canaã. Foi encontrada nas ruínas do
templo funerário do Faraó Merenptah (1236 a.C. a 1223
Fragmento da estela de Merenptah: mencionando
a.C.) em Tebas.
Israel.

• A cidade de Ebla.:[60]
• Foi uma antiga cidade localizada no norte da Síria, cerca de
60 km, a sudoeste de Aleppo. Foi uma importante
cidade-estado em dois períodos: em inícios do Terceiro
milênio a.C., e novamente entre 1800 e 1650 a.C. O lugar é
atualmente conhecido como Tell Mardikh, e é famoso
principalmente pelas 15.000 tabuinhas ali encontradas. As
tabuinhas cuneiformes, formam escritas datadas por volta de
2.250 a.C., em língua suméria e eblaíta; uma língua semítica
até então desconhecida .[61] Ruínas de Ebla.
• Incluem arquivos cuneiformes de Ebla (Tell Mardikh) que
foram descobertos em 1975, com o nome de três personagens relacionados com os patriarcas bíblicos,[62] entre
eles o de Ebrum, que alguns identificam com o patriarca bíblico Éber.[63]
• A inscrição de Ecron: Encontrada em 1993 em Tell Mique;
• O Cilindro de Ciro:[64]
• O Cilindro de Ciro II da Pérsia é feito de argila, e registra um
importante decreto do rei persa, encontra-se exposto no Museu
Britânico, em Londres. A conquista de Babilônia, de um modo
rápido e sem batalha pelo Império medo-persa, descrita em
Daniel 5:30-31, é confirmada no relato do Cilindro de Ciro.[65]
• O Cilindro de Nabonido[66] Cilindro de Ciro, Museu Britânico.

• Trata-se de um cilindro de argila do rei Ciro o Grande,


conquistador de Babilônia. Foi encontrado no Templo de Shamash em Sippar, perto de Bagdá. A conquista de
Ciro é também descrita na Crônica de Nabonido.[67] Em escrita cuneiforme, na Língua acádia, encontra-se o
nome de Belsazar como o filho de Nabonido, último rei de Babilônia. O Livro de Daniel capítulos 5, 7, e 8
menciona Belsazar como um rei conhecido; nota-se também que Belsazar oferece o terceiro lugar em seu reino
como um grande prêmio.[68]
• A ostraca de Gath:
Arqueologia bíblica 20

• A Ostraca (pedaços de cerâmica contendo escrita) de Gath, foi encontrada por A. Maeir quando realizava
escavações em Tel es-Safi, 2005.
• Texto inciso, de nove letras, que representa os nomes (‫ )תלו תולא‬etimologicamente relacionados com Golias
(‫)תילג‬.
• Os textos de Balaão:
• Tinta sobre gesso, encontrados em Deir ´Alla na Jordânia - (Números 22 - 24).
• Asas de vasilha GBON (‫)ןעבג‬:
• Foram recuperadas da piscina de Gibeão[69] e teriam algumas inscrições:
• Algumas com a inscrição: "Hananiah" que pode ter relação com a pessoa mencionada em Jeremias 28:1.
• Outros nomes inscritos são: Amariah, Azariah, Domla, Geder, Hananiah, Neri, Shebuel.
• A ostraca de Arad (Israel)[70].
• Selo de Gemariah ben Shaphan:
• Impresso em bula, foi encontrado durante as escavações de Yigal Shiloh en 1983, provavelmente pertencente à
pessoa mencionada em Jeremias 36:10.
• Inscrição da Casa de David e na Estela de Tell Dan:
• A inscrição Consiste em três fragmentos: o primeiro e mais extenso foi descoberto em 1993 e os fragmentos
menores em 1994.
• Ostraca Izbet Sartah:
• Dois fragmentos encontrados numa escavação de 1976, com cinco linhas incisas de 80 a 83 letras (as leituras
dos editores variam) onde a última linha corresponde a um abecedário.[71]
• Selo de Jaazaniah:, servo do rei (‫)ךלמה דבע והינזאיל‬:
• Encontrada no túmulo 19 em Tel en-Nasbeh (Mispá).
• Possivelmente pertencente ao capitão do exercito em Mispá, mencionado em II Reis 25: 23.
• O túmulo de Caifás[72] descoberto em Jerusalém em 1990.
• Selo de Jehucal ben Shelemia ben Shobi (‫)יבש ןב והימלש ןב לכוהי‬:
• estampado em bula, encontrado nas escavações de Eilat Mazar num suposto palácio do Rei David em 2005.
Provavelmente se refere ao mencionado relato do Livro de Jeremias 37,:3 e 38: 1[73]
• As Ostracas de Laquis:[74]
• Textos encontrados em 1930, que descrevem acontecimentos do final do século VII a.C., pouco depois da
conquista dos caldeus.
• Carta No. 3 menciona uma advertência do profeta.
• Carta No. 4 menciona Laquis y Azekah como os últimos lugares conquistados, tal como registra Jeremias 34:7.
• Carta No. 6 descreve uma conspiração descrita em Jeremias 38:19 e 39: 9, utilizando uma fraseologia quase
idêntica a Jeremias 38:4.
• As Talas de Laquis:[75]
• No palácio de Senaqueribe em Nínive, descrevendo a conquista da cidade;
• Pim de peso:
• Os primeiros pesos foram encontradas por R.A.S. Macalister en Gezer. Foram encontrados desde então, muitos
outros;
• A Inscrição de Pôncio Pilatos[76] encontrada no teatro romano de Cesaréia:
• O prefeito da Judéia, Pôncio Pilatos, erigiu o Tibérium em honra de Tibério César.
• Texto atual da terceira linha da inscrição:[77]
TIBERIEUM
PONTIUS PILATUS
PRAEFECTUS IUDAEAE
Arqueologia bíblica 21

• A conquista de Samaria por Sargão II da Assíria:


• Inscrição (ANET 284) encontrada por Paul-Émile Botta e Dur-Sharrukin no ano 1843: "sitiei e conquistei
Samaria, deportei 27.290 habitantes desta. Reconstruí o melhor e estabeleci ali povos de outros países que eu
mesmo conquistei." ( II Reis 17: 23-24).[78]
• O Obelisco Negro [79]
[80]

• O Obelisco Negro de Salmaneser, em Acádia, alista Jeú, rei


de Israel (c. 905-876 a.C.) pagando tributo ao monarca
assírio, numa escultura em relevo, descrito em II Reis
cap.8-10.
• Selo de Ben Immer (‫)]?[רמא ]ןב[ והיל‬
• Selo estampado em bula, encontrado em 27 de setembro de
2005, quando se analisaram cuidadosamente escombros
Jeú aos pés de Salmanasar III no Obelisco Negro.
provenientes do Monte do Templo em Jerusalém.
• Possivelmente se relaciona com um sacerdote que serviu no Templo de Salomão segundo Jeremias 20:1.
• As Inscrições de Tiglat-Piléser III encontradas por A.H. Layard na antiga Nínive:
• ANET 282: "Recebi o tributo de. Jehohaz Joacaz de Judá" (incidente não mencionado na Bíblia).
• ANET 283: “. Quanto à Menaém eu derrotei,. pus a Oséias como rei sobre eles". (perspectiva descrita em II
Reis 15, 19 e 17:3).
• A Pedra de Zayit.:[81]
• Uma pedra calcária arredondada, a Pedra de Zayit é um pedregulho de calcário de 19 quilos, descoberto em
15 de Julho de 2005 durante uma escavação em tel Zayit (Laquis), Israel. Possui uma inscrição em abecedário
páleo-hebreu, junto com restos de diversas outras inscrições datado do Século X a.C.[82]
• A Tabuleta de Nebo-Sarsequim:[83]
• A Tabuleta de Nebo-Sarserquim é uma inscrição cuneiforme de argila (5,5 cm) que faz parte da coleção do
Museu Britânico, cuja inscrição foi decifrada em 2007, e faz referência a um oficial[84] na corte de
Nabucodonosor II, rei de Babilônia.

Objetos de procedência conhecida, mas não provêem de escavações


Os seguintes objetos vêem de estudos do Século XIX e coleções não documentadas cuja procedência não é relevante
apesar da natureza genuína de seu conteúdo. Em outras palavras foram descobertos num tempo em que o
conhecimento era limitado e não há razões para crer que tenham sido falsificados.
• Estela de Merenptah:
• Contém a mais antiga referência egípcia sobre os israelitas na terra de Canaã;
• Os Papiros de Elefantina:
• Datados do período persa de um arquivo duma comunidade judaica de Elefantina, Egito.
• Um destes papiros, foi escrito em Jerusalém por Ananias que pode ser a pessoa mencionada em Neemias 7:2.
• A Inscrição Monolítica[85] de Salmanáser III[86]:
• Encontrado por J.E. Taylor[87], cônsul britânico em Diyarbekir em 1861, na qual se mencionam "2,000
carros, 10.000 soldados de infantaria de Ahab o israelita" (incidente não mencionado na Biblia);
• Inscrição de Nazaré [88]
[89]

• Tábua de mármore com um edito de César proscrevendo a pena capital aos violadores de túmulos, datada do
Século I d.C.. A Frohner Collection assegura que a adquiriu em Nazaré em 1878;
Arqueologia bíblica 22

• A Pedra Moabita (Estela de Mesha):


• Uma pedra de basalto, com uma inscrição sobre Mesa, Rei de Moabe encontrada em Dhiban, Jordânia em
1868 e que menciona o rei israelita, Omri. Esta inscrição completa confirma o relato bíblico em II Reis 3:4-27.
A estela teria sido feita, aproximadamente, por volta de 830 a.C.. Nela também se encontram inscrições como
um tributo a YHWH. É um documento de grande importância relativo ao estudo da linguística hebraica;[90]
• A Inscrição de Siloé:[91]
• Situada originalmente na saída do túnel de Ezequias, retirada
de Jerusalém em 1880, a inscrição registra a construção do
túnel no século VIII a.C.. Encontra-se entre os registros mais
antigos escritos na língua hebraica Inscrição de Siloé.

Objetos de procedência desconhecida, discutida ou reprovada


Os objetos na lista a seguir, em geral são de coleções privadas por meio de antigos mercados. Sua autenticidade é
altamente controvertida e em alguns casos pode-se demonstrar sua falsidade:
• A Arca do Pacto:
• A Igreja ortodoxa etíope em Aksum, Etiópia, assegura a posse. A tradição local sustenta que esta foi trazida a
Etiópia por Menelik I depois de uma visita ao Rei Salomão;
• Objetos originários de "antiguidades" do traficante Oded Golan. Em dezembro de 2004 ele foi acusado pela
polícia israelita, junto com outros cúmplices, por fraudar os seguintes objetos:
• O túmulo de Tiago, o Justo com a inscrição: “Jacob filho de José, irmão de Jesus”, inscrito num genuíno
túmulo antigo.
• O túmulo de Joás de Judá (Jehoash) registrando restaurações no Templo de Jerusalém, suspeitas de terem sido
talhadas em autênticas pedras antigas;
• Várias ostracas mencionando o Templo e nomes bíblicos;
• Um candelabro de pedra de sete braços com decorações do Templo;
• Um selo de pedra com bordas de ouro, atribuído ao rei Manassés da Judéia;
• Um prato de quartzo com uma inscrição na antiga língua egípcia indicando que o ministro de guerra do rei
Shishek teria conquistado a antiga cidade de Megido;
• Uma granada de marfim com uma inscrição que diz: “propriedade dos sacerdotes do Templo”, gravada numa
autêntica e antiga pedra de marfim;
• Numerosas bulas incluindo algumas que mencionam figuras bíblicas como o rei Ezequias da Judéia, o escriba
Baruque, e o profeta Isaías;
Arqueologia bíblica 23

• Restos da Arca de Noé teriam sido


localizados por numerosos grupos de
arqueólogos e indivíduos. Muitos
estudiosos consideram que ditos achados
pertencem a pseudo-arqueologia;
• O arqueólogo Ron Wyatt assegurou
ter localizado a Arca no último ponto
onde esta teria repousado. [92] Desde
sua morte tem sido aclamado por
muitos religiosos. Muitas páginas da
internet sobre o suposto achado tem
surgido, e muitos têm acrescentado
Monte Ararat (39°42′N, 44°17′E),-- imagem de satélite —-- O Estratovulcão,
outras mais informações sobre tais
5.137 metros (16,854 ft) acima do nível do mar, promeminência 3.611 metros. O
descobrimentos; ** Um grupo pico principal no centro. Local de inúmeras buscas da Arca de Noé.
criacionista italiano, de nome La
Narkas, é o mais recente dos numerosos grupos que asseguram conhecer o ponto exato da localização dos
restos da Arca de Noé, sobre o Monte Ararat, fronteira entre Turquia e Armênia.[93]
• No entanto, em 2004, uma expedição foi ao Monte Ararat, na Turquia, com a intenção de localizar a Arca.
Amostras do lugar foram submetidas a prova por geólogos e cientistas nucleares. Um instituto oficial do
governo da Nova Zelândia, encontrou o que se tratava de rochas vulcânicas e não madeira petrificada.
• O Sudário de Turim:[94]
• Críticos asseguram que esta contém uma pintura de Jesus realizada na Idade Média. Outros sustentam que a
imagem foi formada por um energético que obscureceu as fibras (tal como raios de luz no momento da
ressurreição). Provas de radiocarbono o levam ao período da Idade Média, mas alguns analistas sugerem que
as provas são errôneas devido a contaminações às quais as fibras teriam ficado expostas;
• O pilar de Jacó:
• Por séculos esta rocha tem sido parte integrante da cerimônia de coroação de reis britânicos. Acredita-se que
foi a rocha sobre a qual Jacó (depois chamado Israel), recebeu uma visão, e a fissura nesta mesma rocha, teria
sido resultado dos golpes de Moisés, com o objetivo de tirar água da mesma;
• O antigo manto de Santa Verônica:[95]
• Trata-se de uma tela com o rosto de um homem impresso. Alguns religiosos crêem que foi o pano utilizado por
Verônica para limpar o rosto de Jesus na Via Dolorosa, caminho do Calvário. Os críticos, porém, dizem que se
assemelha mais a uma pintura.

Disciplinas relacionadas
Assim como todas as ciências, a arqueologia, no seu ramo de pesquisas bíblicas tem suas próprias especializações
assim como seu trabalho interdisciplinar. A arqueologia bíblica tem como prioridade, o trabalho de equipe com
disciplinas como a antropologia, a geologia e outras ciências que permitem ter-se una Idéia do mundo antigo. Outras
disciplinas como a filosofia, a teologia, a exegese, a hermenêutica, servem-se dos resultados científicos da
arqueologia.
Por exemplo, algumas vezes a Bíblia utiliza uma linguagem simbólica, menção que pertence ao plano estritamente
teológico, e não necessariamente verificável. No entanto, a maioria das passagens bíblicas deverá ser verificável, e
graças à arqueologia, tem-se achado uma explicação concreta para estas.
Por exemplo, junto com estudos de outros arqueólogos, em 1981 o professor John J. Bimson[96] examinou a questão
da destruição dos muros de Jericó.[97] Atualmente, sabe-se, que o relato bíblico mencionado no Livro de Josué sobre
Arqueologia bíblica 24

a destruição de Jericó e a imigração israelita à Terra Prometida coincide com os estudos arqueológicos das ruínas
escavadas, que puderam ser datadas ao mesmo período mencionado na Bíblia, em meados do século XV a.C..

Papirologia
A papirologia tem uma relação especial
com a arqueologia em geral, sendo uma
das maiores autoridades em terreno
bíblico. Graças aos papirólogos e seu
paciente labor de busca, reconstrução e
investigação, tem sido possível
determinar a datação de numerosos
documentos antigos, e a originalidade
ou não de seus autores.

Muitos dos livros bíblicos que são


O Papiro de Turim, fragmentos de um antigo mapa de egípcio. Os papiros são os
atualmente publicados em modernas
documentos mais antigos e as mais importantes provas da antiguidade e originalidade de
um texto. imprensas[98] ou por meios digitais,
foram escritos inicialmente em rolos de
papiro. Obviamente, a grande maioria desses originais se perdeu, e tem-se apenas cópias de cópias.
Qumrán, junto ao mar Morto, se converteu na principal fonte de papiros sobre os livros bíblicos canônicos e
apócrifos. Perto de Qumrán há muitas cavernas onde foram encontrados cerca de 800 documentos que estavam
guardados no interior de jarros de argila, sendo que 98 % deles referentes a temas religiosos, como livros bíblicos, e
um papiro do Novo Testamento conhecido como (7Q5).[99]
• Outros lugares que contribuíram por prover papiros antigos são os seguintes:
• As genitzas de antigas sinagogas:
• Genitza é um espaço onde se guardam livros antigos, que já não são utilizados pela comunidade, mas pelos
quais não se perdeu o respeito pelo seu conteúdo. Esta tradição de respeito pelo material escrito como
sagrado, tem permitido que tais documentos sejam conservados por séculos em tais lugares.
• Os Mosteiros:[100]
• Em 1975, foram descobertas, no Monte Sinai, debaixo do muro norte de S. Catarina, 47 caixas com ícones e
pergaminhos. Entre esses havia mais de uma dúzia de folhas perdidas do Códice Sinaítico. Os mosteiros
têm sido uma fonte valiosa para a conservação de manuscritos antigos.
Os papiros são normalmente identificados pelo nome do arqueólogo que o identificou, o sítio, ou numerações
convencionadas pela especialidade da comunidade científica. Entre os papiros bíblicos mais célebres temos o Papiro
P52 que corresponde a um texto do Evangelho de João 18, 31-33, 37, 38, encontrado no Egito, e datado do ano 125
EC. O Papiro Bodmer P66, P72-75[101] contém fragmentos dos livros de Lucas e João. O Papiro Chester Beatty,
encontrado no Egito, contém textos da Tanak em grego e está datado entre o Século II e o Século IV.
Arqueologia bíblica 25

Fragmentos de cerâmica e pergaminhos


De igual importância para a arqueologia é
uma ostraca, uma forma muito popular na
antiguidade e usada como alternativa de
escrita em papiro (planta que cresce no delta
do Nilo e facilmente encontrada) e em
pergaminho, que eram mais custosos. O uso
destes pedaços de cerâmica contendo
escrita, encontra-se em pinturas que revelam
a cultura e a antropologia dos povos antigos.

Outro material muito buscado e apreciado


pelos arqueólogos é o pergaminho, feito a
partir da peles de animais, especialmente os [102]
Ostraca de Cimon , mostrando seu nome, 486 ou 461 a.C. Museu de
domésticos. Foi em Pérgamo que esta Antiguidades em Atenas.
técnica teve um grande florescimento, sendo
esta a origem do seu nome, mas a verdadeira origem do pergaminho remonta a 1500 a.C., mas sendo amplamente
usado a partir de 190 a.C. Assim como sucedia com o papiro, o pergaminho era um material caro, restringido a quem
tinha a capacidade de comprá-lo.

Comentários de arqueólogos e historiadores


• George Ernest Wright:
“Neste campo, raras vezes podemos trabalhar com certezas. Antes, é necessário elaborar hipóteses, as quais
sempre possuem maior ou menor grau de probabilidade. A verdade nelas baseia-se na habilidade dos
arqueólogos de interpretar e conjugar uma variedade de dados discrepantes, mas, a qualquer momento, uma
informação nova pode tornar necessário mudar determinada hipótese, ou fazer o perito expressá-la de modo
um pouco diferente.” — Shechem, The Biography of a Biblical City (Siquém, a Biografia Duma Cidade
Bíblica), 1965, prefácio, p. xvi.(it-1 p. 611 Cronologia);
• J.K. Eakins num ensaio de 1977:
"O propósito da arqueologia bíblica é iluminar os textos bíblicos e seus conteúdos através da investigação
arqueológica do mundo bíblico." - J.K. Eakins[103]
• Bryant G. Wood escreveu:
‘'"O propósito da arqueologia bíblica é aumentar nossa compreensão da Bíblia e por tanto, seu grande legado,
do meu ponto de vista, tem sido a extraordinária iluminação do período da monarquia israelita".[104]
• I. Bradshaw [105] comentou numa declaração sobre a arqueologia bíblica:
"É universalmente aceito que o propósito da arqueologia bíblica não é provar a Bíblia, no entanto,. a
arqueologia lança luz na história, e por isso é tão importante para os estudos bíblicos"[106]
• William Dever, arqueólogo norte-americano professor de arqueologia do Oriente, contribuiu no artigo
"Arqueologia" no The Anchor Bible Dictionary. O mesmo reitera sua percepção dos efeitos negativos da estreita
relação que tem existido entre a arqueologia sírio-Palestina e a arqueologia bíblica da Terra Santa, o que tem
levado especialmente os arqueólogos estadunidenses que atuam neste campo, a se retirarem frente "à nova
arqueologia processual, . (dos anos 1970 e 80), antes que pudessem compreendê-la"[107] (p. 357). William Dever
descobriu que a arqueologia sírio-Palestina tem sido tratada nos institutos estadunidenses como uma subdisciplina
de estudos bíblicos. Esperava-se que os arqueólogos estadunidenses tratassem de "prover evidências históricas
válidas dos episódios da tradição bíblica" nesta região. De acordo com Dever, "o mais ingênuo (sobre a
Arqueologia bíblica 26

arqueologia sírio-palestina), é que a razão e o propósito desta, seria simplesmente a de elucidar a Bíblia nas terras
da Bíblia “[108] (p. 358).
• William Dever, escreveu:
"Já faz uma geração que os arqueólogos bíblicos falam com confiança da "revolução arqueológica" de
William F. Albright. Esta seguramente realizaria nossa compreensão e apreciação da Bíblia e sua mensagem
atemporal - a qual foi pensada para ser absolutamente essencial a nossa querida condição cultural ocidental.
A Bíblia e a "Cultura Ocidental" como foram concebidas anteriormente, lutam por suas vidas. A arqueologia
moderna não só pode ajudar a confirmar a tradição antiga, mas pelo que parece, também trata de miná-la.
Este é um segredo, bem guardado, dos arqueólogos profissionais. A "revolução arqueológica" em sua
moderna critica, tem como objetivo trabalhar tanto o extremo cepticismo como a ingênua credulidade. Não se
pode voltar ao tempo na qual a arqueologia presumia "provar a Bíblia". A arqueologia como se pratica na
atualidade deve ter a capacidade de desafiar, e confirmar, os relatos bíblicos. Esta moderna arqueologia
crítica, afirma que as narrações bíblicas sobre Abraão, Moisés, Josué e Salomão provavelmente refletem
alguns personagens históricos que fizeram parte de povos e lugares passados, mas segundo eles, os "grandes
personagens" da Bíblia seriam irreais e contraditos pelas evidencias arqueológicas. Afirmam que alguns
antecessores dos israelitas teriam escapado a escravidão do Egito, mas não teria ocorrido uma conquista
militar de Canaã, e que muitos, senão quase todos os israelitas, nos tempos da monarquia, seriam politeístas.
O monoteísmo teria sido apenas um ideal dos escritores bíblicos. Na verdade, a arqueologia não pode
explicar o significado dos supostos eventos descritos na Bíblia. Essa é uma decisão inteiramente pessoal.. A
arqueologia não pode responder a esta pergunta. Esta só pode dar sua visão."[109] (Dever, 2006).
• Biblical Archaeology Review:
“A evidência arqueológica, infelizmente, é fragmentária, e, portanto, limitada.” – Biblical Archaeology
Review[110]
• Yohanan Aharoni, professor de Arqueologia, presidente do Departamento de Arqueologia e Estudos do Oriente e
presidente do Instituto de Arqueologia da Universidade de Tel-Aviv, escreveu seis livros, e participou das
descobertas da Caverna de Bar-Kochba, durante as escavações na região do Mar Vermelho, em 1953.[111]
• Yohanan Aharoni explica:
“Quando se trata de interpretação histórica ou histórico-geográfica, o arqueólogo sai do domínio das ciências
exatas, e precisa depender de critérios e hipóteses para chegar a um quadro histórico compreensivo. Sempre
devemos lembrar, portanto, que nem todas as datas são absolutas e são em variados graus suspeitas”.[112]
• A Enciclopédia Arqueológica da Terra Santa cita o valor da arqueologia:
“A arqueologia provê uma amostra de antigas ferramentas e vasos, muros e prédios, armas e adornos. A
maioria destes pode ser posta em ordem cronológica, e com segurança identificada com termos apropriados e
contextos contidos na Bíblia. Neste sentido, a Bíblia preserva com exatidão, em forma escrita, seu antigo
ambiente cultural. Os pormenores das histórias bíblicas não são o produto fantasioso da imaginação dum
autor, mas, antes, são reflexos autênticos do mundo no qual ocorreram os eventos registrados, desde os
mundanos até os miraculosos.” —[113]
• William Foxwell Albright representava uma escola de pensamento quando escreveu:
"Tem havido um retorno geral ao apreço da exatidão da história religiosa de Israel, tanto no aspecto geral
como nos pormenores factuais. . . . Em suma, agora podemos novamente tratar a Bíblia do começo ao fim
como documento autêntico de história religiosa."[114] “Não é exagero enfatizar-se fortemente que, a bem
dizer, não há nenhuma evidência, no antigo Oriente Próximo, de falsificação documentária ou literária.”[115]
• Historiador Will Durant:
"No entusiasmo de suas descobertas, a Alta Crítica tem aplicado ao Novo Testamento testes de autenticidade
tão severos que por meio deles uma centena de antigas pessoas ilustres — e.g., Hamurábi, Davi, Sócrates —
Arqueologia bíblica 27

virariam lendas."[116]

Ver também
• Arqueologia
• Arqueologia de Israel
• Flávio Josefo
• Museu Israel
• Ostraca
• Papiro P52
• Pergaminhos do Mar Morto
• Qumrán
• Reino de Israel
• Reino de Judá
• Santo Sepulcro
• Teoria arqueológica
• Túmulo de Herodes Fragmento dos Pergaminhos do Mar Morto, Museu Arqueológico de
Ammán.
• 7Q5

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[1] Biblioteca Virtual da Ciência Social (http:/ / www. dialogical. net/ socialsciences/ index. html)
[2] Palestine Exploration Fund (http:/ / www. pef. org. uk/ )
[3] The MoLAS archaeological site manual MoLAS, London 1994. ISBN 0-904818-40-3. Rb 128pp. bl/wh
[4] A determinação da idade das rochas (http:/ / www. ige. unicamp. br/ terraedidatica/ v1n1/ t_didatica_2005_v01n01_p006-035_carneiro. pdf)
CDR Carneiro, AMP Mizusaki, FFM de Almeida - ige.unicamp.br
[5] O Cristianismo Ocidental no Século XX (http:/ / www. monergismo. com/ textos/ historia/ Cristianismo_Ocidental_XX_Alan. pdf) ou Crítica
textual
[6] (http:/ / www. historiaehistoria. com. br/ arquivos/ His_arq_br. pdf)
[7] J.M. Vernet, "Curso Básico de Arqueología Bíblica", Teologado Salesiano Internacional de Ratisbonne, Jerusalém, 2001 (em italiano), p. 5
[8] Arqueólogo en:Peter Kaswalder, professor de exegese e arqueologia do Antigo Testamento no Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém
[9] (http:/ / www. christusrex. org/ www1/ ofm/ mag/ TSmgenA4. html)
[10] (http:/ / www. biblicalchronologist. org/ answers/ bryantwood. php)
[11] www.historiaehistoria.com.br (http:/ / www. historiaehistoria. com. br/ arquivos/ His_arq_br. pdf)
[12] El Teologado Salesiano Ratisbone é um centro de estudos bíblicos localizado na cidade de Jerusalém afiliado a Universidade Pontifícia
Salesiana (UPS) de Roma
[13] Conhecido também como o fragmento de São João, é um fragmento de papiro exposto na Biblioteca de John Rylands, Manchester, Reino
Unido.
[14] Biblioteca de John Rylands: Um fragmento do quarto Evangelho (http:/ / rylibweb. man. ac. uk/ data1/ dg/ text/ fragment. htm)
[15] Spatial Approach to the Ruins of Khirbet Qumran at the Dead Sea (http:/ / www. isprs. org/ istanbul2004/ comm5/ papers/ 616. pdf)
University of Helsinki, Finlândia (em ingles)
[16] Um papiro é um manuscrito feito da planta do Papiro, um dos mais antigos materiais de escrita. Os textos mais antigos e conservados da
Bíblia, foram escritos em papiro.
[17] O professor de línguas semíticas da Universidade de Harvard, EUA, Frank M. Cross, reconstruiu e traduziu fragmentos de rolos do papiro
encontrados numa caverna ao norte de Jericó. Diz-se que datam do Século IX a.C.
[18] (http:/ / www. abu. nb. ca/ courses/ NTIntro/ images/ CaiaphasOss. htm) Imagens do ossário de Caifás;
[19] Revista Biblical Archaeology Review, de março/abril de 1994 (http:/ / www. airtonjo. com/ blog/ 2005/ 12/ inscrio-de-tel-dan-analisada-por.
html)
[20] http:/ / www. israel-mfa. gov. il/ MFA/ History/ Early%20History%20-%20Archaeology/ Ekron%20-%20A%20Philistine%20City
[21] (http:/ / www. albaiges. com/ religion/ hermanosjesus. htm)
[22] Notícia (http:/ / www. 4buenasnoticias. com/ hoy/ urna2. html)
[23] The Palestine Exploration Fund (http:/ / www. pef. org. uk/ )
[24] IngentaConnect The American Palestine Exploration Society (http:/ / www. ingentaconnect. com/ content/ maney/ peq/ 2005/ 00000137/
00000001/ art00006)
[25] [PDF] L'École biblique et archéologique française de Jérusalem (http:/ / www. clio. fr/ bibliotheque/ pdf/
pdf_lecole_biblique_et_archeologique_francaise_de_jerusalem. pdf)
[26] Biografia de Roland de Vaux (http:/ / www. biografiasyvidas. com/ biografia/ v/ vaux. htm).
[27] (http:/ / www. archaeowiki. org/ Kathleen_Kenyon)
[28] Livro e autor = Athas, George, Título = The Copenhagen School of Thought in Biblical Studies, 1999, publicado pela Universidade de
Sydney
[29] Early History of the Israelite People: From the Written & Archaeological Sources, Thomas L. Thomson, 1992
Arqueologia bíblica 29

[30] In Search of Ancient Israel, P. R. Davies, 1992.


[31] Igreja do Santo Sepulcro (com fotografias) (http:/ / www. trekker. co. il/ english/ church-holy-sepulchre. htm)
[32] (http:/ / www. geocities. com/ Athens/ Oracle/ 1631/ cohs_history. html) James E. Lancaster, A brief history of the Church of the Holy
Sepulchre
[33] A Biblical Archaeology Review (maio/junho de 1986, p. 38) declara: “Talvez não possamos ter certeza absoluta de que o lugar da Igreja do
Santo Sepulcro seja o local do sepultamento de Jesus, mas certamente não temos nenhum outro lugar que possa reivindicar isso com mais peso
do que este.” - it-2 p. 243 Gólgota
[34] (http:/ / www. imj. org. il/ ) The Israel Museum in Jerusalem
[35] Jerusalem Photo Portal — Israel Museum (http:/ / www. gojerusalem. com/ SitePage. aspx?siteID=210& FirstCat=Sights&
SecCat=Museums& FirstCatVal=120& SecCatVal=27')
[36] (http:/ / www. jewishencyclopedia. com/ view. jsp?artid=1673& letter=A& search=Siloam conduit#4964)#] O Túnel de Ezequias, incluindo
imagem - Enciclopédia Judaica
[37] (http:/ / www. newadvent. org/ cathen/ 13792a. htm) Enciclopédia Católica: Siloé
[38] Shelley Wachmann, “The Galilee Boat”, Biblical Archaeology Review 14:5 (1988), págs. 18-33; e Claire Peachey, “Model Building in
Nautical Archaeology; The Kinnereth Boat”, Biblical Archaeologist 53:1 (1990), págs. 46-53.
[39] Despertai! g 8/06 p.15 O barco da Galiléia — nos tempos bíblicos -
[40] Israel Antiquities Authority The Yigal Allon Center, Ginosar,
[41] O relato de Mateus diz sobre Pedro e André: Abandonando imediatamente as redes, seguiram-no. Quanto a Tiago e a João: Deixando
imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no. — Mateus 4:18-22.
[42] (http:/ / www. isprs. org/ istanbul2004/ comm5/ papers/ 616. pdf) Spatial Approach to the Ruins of Khirbet Qumran at the Dead Sea
University of Helsinki, Finlândia
[43] MARTINEZ, Florentino Garcia. Textos de Qumran. Petrópolis: Vozes.
[44] Josué 9:3-27.
[45] Os relatos deste rei, em II Reis 18-20 e II Crônicas 29-32.
[46] (http:/ / www. jewishencyclopedia. com/ view. jsp?artid=1673& letter=A& search=Siloam conduit#4964) O Túnel de Ezequias, incluindo
imagem Enciclopédia Judaica
[47] The Story of Jericho, de John Garstang, 1948, pp. 135, 141, 146, 186.
[48] Radiocarbon Vol. 37, Number 2, 1995.
[49] Ussishkin, David; Gabriella Bachi and Jared L. Miller (2004). The Renewed Archaeological Excavations at Lachish (1973 – 1994) Volumes
1 and 4. Tel Aviv, Israel: Institute of Archaeology, Tel Aviv University.
[50] (http:/ / ebibletools. com/ israel/ lakish/ index. html) Photo gallery of Lachish (Tell ed-Duweir)
[51] (http:/ / www. kchanson. com/ ANCDOCS/ westsem/ siloam. html) Imagem do texto da Inscrição de Siloé
[52] Hershel Shanks, O Reservatório de Siloé e a cura do homem cego, Biblical Archaeology Review:31:5 (September-October 2005), pp. 16-23.
clique para abrir o artigo em html (http:/ / www. bib-arch. org/ bswbOOnews. html#siloam) ou este artigo em Arqueologia bíblica sobre siloé
(http:/ / www. bib-arch. org/ siloam. pdf) pdf
[53] Recentemente, nas proximidades do monte Ebal (Veja Dt 27.13), foi encontrada uma estrutura que sugere identificar um altar israelita.
Datado do 13° ou 12° século a.C., o altar pode ser considerado como contemporâneo de Josué, indicando a possibilidade de ter sido construído
pelo próprio líder hebreu, conforme é descrito em Deuteronômio 27 e 28. (Horn, Siegfried H, Biblical archaeology: a generation of discovery,
Andrews University, Berrien Springs, Michigan,1985, p.40).
[54] Arqueologia e História (http:/ / paginas. terra. com. br/ religiao/ chamadivina/ arqueologia2. htm)A Sentinela1990 1/11 pp. 16-17 Samaria
— capital das capitais setentrionais
[55] O estandarte de Ur: A «Cara da Guerra». Encontrado por Leonard Woolley nos anos 1920, se encontra atualmente no Museu Britânico de
Londres
[56] Paul Bahn - Tombs, Graves and Mummies (Túmulos, Sepulturas e Múmias).g05 8/12 p. 20 Túmulos — janelas para antigas crenças - (Near
Eastern History)
[57] (http:/ / noticias. terra. com. br/ ciencia/ interna/ 0,,OI1599722-EI295,00. html)
[58] IDG Now! - Pesquisadores israelenses descobrem tumba do rei Herodes (http:/ / idgnow. uol. com. br/ mercado/ 2007/ 05/ 08/ idgnoticia.
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[59] The Israel Stel (http:/ / members. tripod. com/ ~ib205/ israel_stela. html)
[60] Carol Miller, capsule history of Ebla. (http:/ / www. syriagate. com/ Syria/ about/ cities/ Idlib/ ebla-cm. htm)
[61] Capsule history. (http:/ / ragz-international. com/ ebla. htm); Carol Miller, capsule history of Ebla. (http:/ / www. syriagate. com/ Syria/
about/ cities/ Idlib/ ebla-cm. htm)
[62] Nomes de profetas que aparecem nas tábuas de Ebla, 1.500 anos mais antigos que a Tora (http:/ / www. webislam. com/ ?idn=2366), em
WebIslam, comunidade virtual.
[63] Mencionado em Gênesis 11, 15-17.
[64] Muhammad Dandamaev, "The Cyrus Cylinder" (http:/ / www. iranica. com/ newsite/ articles/ v6f5/ v6f5a026. html), in E. Yarshater (ed.)
Encyclopedia Iranica vol. VI, 1993, p. 521
[65] Por setenta anos, Jerusalém esteve destruída e somente depois da declaração de Ciro, os judeus exilados se reuniram e se prepararam para
uma expedição esgotadora desde Babilônia, atravessando o deserto, até chegar a terra de Israel. Esta declaração consta no cilindro de Ciro.
Arqueologia bíblica 30

[66] Our Bible and the Ancient Manuscripts, de Sir Frederic Kenyon, 1958, p. 50
[67] Archaeology of the Bible: Book by Book, p. 177.
[68] Nabonidus Cylinder from Ur(Tradução do referido documento (http:/ / www. livius. org/ na-nd/ nabonidus/ cylinder-ur. html) Paul-Alain
Beaulieu, The Reign of Nabonidus, King of Babylon 556-539 a.C. (1989)
[69] E. Stern (ed.), The New Encyclopedia of Archaeological Excavations in the Holy Land, article "Gibeon", Israel Exploration Society & Carta
(1993), Vol 2, pp511-514.
[70] http:/ / ebibletools. com/ israel/ arad/
[71] Confrontar o capítulo III de In the Beginning: A Short History of the Hebrew Language (No principio: uma breve história do idioma
hebraico), Hoffman 2004, para a importância do achado no idioma hebraico; também Wurthwein em seu Texto do Antigo Testamento(Text of
the Old Testament), 1995
[72] http:/ / www. abu. nb. ca/ courses/ NTIntro/ images/ CaiaphasOss. htm
[73] Foto publicada em Taipei Times, 5 de agosto de 2005.
[74] Lachish Ostracon IV, Ancient Near Eastern Texts, p. 322.
[75] (http:/ / www. lmlk. com/ research/ lmlk_reliefs. htm) Imagens das referências Assírias a Laquis
[76] Biblical Archaeology Review, Maio/Junho de 1982, pp. 30, 31.
[77] Imagem da Inscrição de Pilatos
[78] Great Inscription of Khorsaband. Babilonian and Assyrian Literature (http:/ / www. gutenberg. org/ etext/ 10887)
[79] http:/ / www. historiarte. net/ israel/ obelisco. html
[80] Confrontar História arte.net, Israel na Antiguidade: O Obelisco Negro de Salmanasar III.
[81] Tel Zayit fica no vale Beth Guvrin, a cerca de 50 quilômetros de Jerusalém, território que pertenceu ao Reino de Judá
[82] The Zeitah Excavations (http:/ / www. zeitah. net) Wilford, John Noble, A Is for Ancient, Describing an Alphabet Found Near Jerusalem;
The New York Times, November 9, 2005
[83] The Telegraph (http:/ / www. telegraph. co. uk/ news/ main. jhtml?xml=/ news/ 2007/ 07/ 11/ ntablet111. xml), sezione News, in data
13/07/2007;
[84] Jeremias 39:3: E todos os príncipes do rei de Babilônia passaram a entrar e a sentar-se no Portão do Meio, [a saber:] Nergal-Sarezer,
Sangar-Nebo, Sarsequim, Rabe-Saris, Nergal-Sarezer, o Rabe-Mague, e todos os demais príncipes do rei de Babilônia.
[85] http:/ / www. kchanson. com/ ANCDOCS/ meso/ meso. html
[86] http:/ / library. case. edu/ ksl/ ecoll/ books/ kinbro00/ kinbro00. html
[87] http:/ / www. gutenberg. org/ etext/ 10887
[88] http:/ / en. wikipedia. org/ wiki/ Nazareth_Inscription
[89] "A Inscrição de Nazaré: Prova da Ressurreição de Cristo?" (http:/ / abr. christiananswers. net/ articles/ article50. html) by Clyde E.
Billington, 2005
[90] Biblical History (http:/ / www. dinur. org/ resources/ resourceCategoryDisplay. aspx?categoryID=411& rsid=478) The Jewish History
Resource Center — Project of the Dinur Center for Research in Jewish History, The Hebrew University of Jerusalem
[91] Images of the Middle Bronze Age channel (http:/ / holylandphotos. org/ browse. asp?s=1,2,6,19,359,362& img=IJOTWSMB12)
[92] http:/ / www. mucheroni. hpg. ig. com. br/ religiao/ 96/ arqueologia/ noe1. htm
[93] Fotografias do mencionado sítio podem ser vistas na internet (http:/ / www. narkas. org/ )
[94] Committee for the Scientific Investigation of Claims of the Paranormal (http:/ / www. csicop. org/ articles/ 19990806-shroud/ )
[95] Seeing Salvation” Images of Christ in Art, Neil Macgregor, ISBN 0563551119.
[96] Arqueologia Bíblica: A cidade de Ramessés BIMSON, John J., Redating the exodus and conquest. Sheffield, England: The Almond Press,
1981. p. 33-34 10. PRITCHARD, James B., op. cit. p. 470-471. . [arqueologiabiblica.blogspot.com/2007/02/cidade-de-ramesss.html]
[97] E sucedeu que, assim que o povo ouviu o som da buzina e o povo começou a dar um grande grito de guerra, então a muralha começou a cair
rente ao chão. Após isso, o povo subiu à cidade, cada um diretamente na frente de si, e capturou a cidade: Bíblia, Livro de Josué: 6:20 b
[98] (http:/ / www. abio. com. br/ noticias/ artigos/ moderna. asp)
[99] Este é um debate atual que interessa especialmente aos estudiosos da Bíblia. A identificação de 7Q5 como o texto de Marcos 6:52-53 feita
pelo papirólogo Joset O’Callaghan Martinez iniciou uma discussão que ainda não teve uma conclusão
[100] No século passado, o erudito bíblico alemão Constantino von Tischendorf descobriu no Mosteiro de S. Catarina um manuscrito grego da
Bíblia, do quarto século, hoje chamado de Códice Sinaítico. Esse inclui a maior parte das Escrituras Hebraicas, na versão Septuaginta em
grego, e todas as Escrituras Gregas. O manuscrito é uma das mais antigas cópias completas das Escrituras Gregas que se conhece.g99 22/4 p.
18 O Monte Sinai: uma jóia no deserto
[101] Manuscritos bíblicos em grego - Papiro Bodmer P66, P72-75 (http:/ / www. escritosparalaconcordia. org/ manuscritos. htm)
[102] http:/ / www. gutenberg. org/ etext/ 7142
[103] J.K. Eakins num ensaio de 1977 em Benchmarks in Time and Cultura (http:/ / www. hccentral. com/ eakins. html).
[104] Bryant G. Wood ( em [[Biblical Archaeology Review (http:/ / www. ucgstp. org/ lit/ gn/ gn004/ gn004f05. htm)], Maio-Junho, 1995, p.
33)]
[105] http:/ / www. biblicalstudies. org. uk/ article_archaeology. htmlRobert
[106] Robert I. Bradshaw (http:/ / www. biblicalstudies. org. uk/ article_archaeology. html)
[107] The Anchor Bible Dictionary, Archaeology, W. Dever, p. 357
[108] op.cit. Dever, p.358
Arqueologia bíblica 31

[109] The Western Cultural Tradition Is at Risk (A cultura ocidental está em perigo), Dever, W., em Biblical Archaeology Review, Março/Abril,
2006, volume 32, No 2, pp. 26 - 76.
[110] Biblical Archaeology Review, Janeiro/Fevereiro de 1988, p. 54.
[111] (http:/ / www. erdos. com. br/ detalhe_pro2. php?id=1740), Atlas Bíblico, ISBN 85-263-0116-
[112] The Land of the Bible—A Historical Geography, de Yohanan Aharoni, 1979, p. 98.
[113] The Archaeological Encyclopedia of the Holy Land (A Enciclopédia Arqueológica da Terra Santa); gm Cap. 4 p. 44 Pode-se crer no
Antigo Testamento?
[114] gm cap. 4 p. 53 par. 32 Pode-se crer no Antigo Testamento?; History, Archaeology, and Christian Humanism, de William Foxwell
Albright, 1964, pp. 294-296.
[115] >(W. F. Albright, em From the Stone Age to Christianity)
[116] w86 15/6 p. 13 - Livro César e Cristo (em inglês)

Ligações externas
• Arqueologia Biblica Encontra prova de general citado na Bíblia (http://www.culture24.org.uk/history+&+
heritage/art48827) (em inglês)
• Biblical Archæologist (http://www.jstor.org/journals/00060895.html) (em inglês)
• Near Eastern Archæology (http://www.jstor.org/journals/10942076.html) (em inglês)
• Biblical Archæology Review (http://www.bib-arch.org/bswb_BAR/indexBAR.html) (em inglês)
• Robert I Bradshaw, "Archaeology & the Patriarchs" (http://www.biblicalstudies.org.uk/article_archaeology.
html) (em inglês)
• Biblical Archaeology Resources (http://www.BiblicalArcheology.Net/) (em inglês)
• The Biblical Archaeology Society (http://www.bib-arch.org/) (em inglês)
• UNASP - Análise paleográfica e interpretativa de uma inscrição Neo-Babilônica (http://www.unasp.edu.br/
kerygma/pdf/artigo_rodrigo.pdf) (em português)
• Arqueólogo encontra prova de existência de general babilônio citado na Bíblia (http://www.24horasnews.com.
br/index.php?mat=223124) (em português) - Redação 24HorasNews
Anexo:Lista de lugares bíblicos 32

Anexo:Lista de lugares bíblicos


Esta é uma lista lugares, terras e nações mencionadas na Bíblia sagrada. Alguns lugares podem estar repetidos, sob
nomes diferentes.

A
• Ararat, monte - 39° 43′ N 44° 16′ E [1]
O pecado de Adão e Eva introduziu o pecado na humanidade. Anos após a queda, o pecado se espalhou de tal forma
que Deus decidiu destruir a terra com uma grande enchente. Mas Noé, sua família e um casal de cada espécie animal
ficaram a salvo na arca. Quando as águas baixaram, a arca descansou sobre o Monte Ararat. Gênesis 8:4

B
• Babel - 32° 32′ N 44° 25′ E [2]
As pessoas nunca aprendem. O pecado voltou a abundar, e o orgulho das pessoas levou-as a contruir uma enorme
torre como um monumento à sua própria grandeza; Deus foi esquecido. Como castigo, Deus dispersou as pessoas,
dando-lhes idiomas diferentes. Gênesis 11:8,9.
• Berseba - 31° 15′ N 34° 47′ E [3]
O poço de Berseba foi objeto de conflito entre Abraão e o rei Abimeleque, e mais tarde tornou-se um sinal do
juramento que ali eles fizeram (21.31). Também nesse local Deus apareceu a Isaque e lhe transmitiu a promessa que
havia feito a seu pai, Abraão. Gênesis 26:23-25.
• Betel - 31° 56′ N 35° 13′ E [4]
Após enganar seu irmão, Jacó fugiu de Berseba e dirigiu-se a Harã. Durante a jornada, Deus se-lhe revelou em
sonho, reafirmando o pacto que havia firmado com Abraão e Isaque. Gênesis 28:10-22. Jacó viveu em Harã,
trabalhou para Labão e casou-se com Léia e Raquel. Gênesis 29:15-30. Após um tenso reencontro com Esaú,
retornou para Betel. Gênesis 35:1.

C
• Canaã - 32° 32′ N 35° 39′ E [5]
Local prometido por Deus a Abraão, também conhecido como Terra Santa.

E
• Egito - 26° 2′ N 29° 13′ E [6]
Jacó tinha 12 filhos, incluindo José, seu predileto. O ciúme dos irmãos mais velhos de José foi aumentando até que
um dia eles decidiram vendê-lo a mercadores ismaelitas que estavam a caminho do Egito. Por fim, José passou de
escravo a braço-direito de Faraó, salvando o Egito da fome. A família de José migrou de Canaã para o Egito. Gênesis
46:3-7.
Anexo:Lista de lugares bíblicos 33

H
• Harã - 36° 51′ N 39° 13′ E [7]
Tera, Abraão, Ló e Sara saíram de Ur e, seguindo a crescente fértil do Rio Eufrates, dirigiram-se para a terra de
Canaã. Durante a jornada, eles permaneceram na cidade de Harã por algum tempo Gênesis 11:31.
• Hebrom - 31° 32′ N 35° 5′ E [8]
Abraão seguiu para Hebrom, onde estabeleceu profundas raízes. Gênesis 13:18. Abraão, Isaque e Jacó ali viveram e
foram enterrados.

M
• Monte Ararat, ver Ararat, monte

S
• Siquém - 32° 12′ N 35° 18′ E [9]
Deus ordenou que Abraão saísse de Harã e fosse a um lugar onde se tornaria pai de uma grande nação. Gênesis
12:1,2. Então, Abraão, Ló e Sara viajaram para a terra de Canaã e se estabeleceram perto da cidade de Siquém.
Gênesis 12:6.

U
• Ur dos Caldeus - 30° 57′ N 46° 6′ E [10]
Abraão, descendente de Sem e pai da nação hebraica, nasceu nessa grande cidade. Gênesis 11:27,28.

Referências
[1] http:/ / toolserver. org/ ~geohack/ geohack. php?language=pt& pagename=Anexo%3ALista_de_lugares_b%C3%ADblicos&
params=39_43_00_N_44_16_00_E_type:Montanha
[2] http:/ / toolserver. org/ ~geohack/ geohack. php?language=pt& pagename=Anexo%3ALista_de_lugares_b%C3%ADblicos&
params=32_32_00_N_44_25_00_E_type:Cidade
[3] http:/ / toolserver. org/ ~geohack/ geohack. php?language=pt& pagename=Anexo%3ALista_de_lugares_b%C3%ADblicos&
params=31_15_00_N_34_47_00_E_type:Cidade
[4] http:/ / toolserver. org/ ~geohack/ geohack. php?language=pt& pagename=Anexo%3ALista_de_lugares_b%C3%ADblicos&
params=31_56_00_N_35_13_00_E_type:Cidade
[5] http:/ / toolserver. org/ ~geohack/ geohack. php?language=pt& pagename=Anexo%3ALista_de_lugares_b%C3%ADblicos&
params=32_32_00_N_35_39_00_E_type:Região
[6] http:/ / toolserver. org/ ~geohack/ geohack. php?language=pt& pagename=Anexo%3ALista_de_lugares_b%C3%ADblicos&
params=26_2_00_N_29_13_00_E_type:Cidade
[7] http:/ / toolserver. org/ ~geohack/ geohack. php?language=pt& pagename=Anexo%3ALista_de_lugares_b%C3%ADblicos&
params=36_51_00_N_39_13_00_E_type:Cidade
[8] http:/ / toolserver. org/ ~geohack/ geohack. php?language=pt& pagename=Anexo%3ALista_de_lugares_b%C3%ADblicos&
params=31_32_00_N_35_5_00_E_type:Cidade
[9] http:/ / toolserver. org/ ~geohack/ geohack. php?language=pt& pagename=Anexo%3ALista_de_lugares_b%C3%ADblicos&
params=32_12_00_N_35_18_00_E_type:Cidade
[10] http:/ / toolserver. org/ ~geohack/ geohack. php?language=pt& pagename=Anexo%3ALista_de_lugares_b%C3%ADblicos&
params=30_57_00_N_46_6_00_E_type:Cidade
Tradução da Bíblia 34

Tradução da Bíblia
A Bíblia tem sido traduzida em muitos idiomas a partir do hebraico e do grego. A primeira tradução da Bíblia
hebraica foi para o grego, a Septuaginta (LXX), que mais tarde se tornou o textus receptus do Antigo Testamento na
Igreja e na base do seu cânon. A Vulgata latina por São Jerônimo foi baseada no hebraico para esses livros da Bíblia
preservados no cânone judaico (o que se refletiu no Texto Massorético), e sobre o texto grego para o resto .
Outras traduções judéias antigas, tais como o Targum aramaico, escrito conforme o Texto Massorético da Bíblia
hebraica, e todas as traduções medievais e modernas judaicas são baseados nos mesmos. Traduções cristãs também
tendem a ser desenvolvidas com base no hebraico, embora algumas denominações prefiram a Septuaginta (ou citem
escritos variantes de ambos). Traduções bíblicas incorporando a crítica textual moderna geralmente começam com o
Texto Massorético, mas também levam em conta todas variáveis de todas as versões antigas. O texto original do
Novo Testamento cristão está em grego koiné, [1] e quase todas as traduções são baseadas mediante o texto grego.
A Vulgata latina era dominante no cristianismo através da Idade Média. Desde então, a Bíblia foi traduzida em
muitos mais idiomas. As traduções inglesas da Bíblia, em especial, têm uma história rica e variada de mais de um
milênio.

História

Antigüidade
Algumas das primeiras traduções da Torá judaica começaram durante o primeiro exílio na Babilônia, quando o
aramaico passou a ser a língua dos judeus. Com a maioria das pessoas falando aramaico e não compreendendo
hebraico, os Targumim foram criados para permitir que a pessoa comum compreendesse a Torá quando era lida nas
antigas sinagogas. O movimento mais conhecido de tradução dos livros da Bíblia apareceu no 3º século a.C. A
maioria dos Tanakh existia em hebraico, mas muitos reuniram-se no Egito, onde Alexandre o Grande tinha fundado
a cidade de Alexandria que ostenta o seu nome. De uma vez, um terço da população da cidade era judeu. No entanto,
não foram encontradas grandes traduções gregas (como a maioria dos judeus continua a falar o aramaico uns aos
outros) até Ptolomeu II Filadelfo contratar um grande grupo de judeus (entre 15 e 72 de acordo com diferentes
fontes) que tivesse uma capacidade fluente tanto em Koiné quanto em hebraico. Estas pessoas produziram a tradução
agora conhecida como a Septuaginta.
Orígenes e a Héxapla colocaram lado a lado, seis versões do Antigo Testamento, incluindo as traduções gregas do 2º
século de Áquila de Sinop e a do Símaco, o ebionita. A Bíblia cristã canônica foi formalmente estabelecida pelo
Bispo Cirilo de Jerusalém em 350 (embora tivesse sido geralmente aceita pela Igreja anteriormente), confirmada
pelo Concílio de Laodicéia em 363 (ambos ausente no livro de Apocalipse) e, posteriormente, estabelecido por
Atanásio de Alexandria em 367 (com o Apocalipse adicionado), e a tradução da Vulgata latina de Jerônimo datada
entre 382 e 420 d.C. Traduções latinas anteriores a de Jerome são coletivamente conhecidas como os textos Vetus
Latina.
Jerônimo começou por revisar as traduções latinas mais novas, mas finalizou voltando ao grego original,
perpassando por todas as traduções, e retornando ao Hebraico original aonde ele pudesse em vez de usar a
Septuaginta. O Novo Testamento foi traduzido para o gótico no 4º século por Úlfilas. No século 5º, Santo Mesrob
traduziu a Bíblia em armênio. Também datando do mesmo período são as traduções sírias, copta, etiópia e georgiana.
Tradução da Bíblia 35

Idade Média
Durante a Idade Média, a tradução, sobretudo do Antigo Testamento foi desencorajada. No entanto, existem alguns
fragmentos de antigas traduções inglesas, nomeadamente uma tradução perdida do Evangelho de João para o Inglês
pelo Venerável Beda, o qual escreveu um pouco antes de o seu óbito por volta do ano 735. Uma versão alemã antiga
do evangelho de Mateus datada de 748. Carlos Magno em ca. 800 cobrados Alcuíno de Iorque, com uma revisão da
Vulgata Latina. A tradução para a Igreja Velha eslovena data para do final do século 9.
Alfredo de Inglaterra tinha um número de passagens da Bíblia circulando no vernáculo, em cerca de 900. Estas
incluíam passagens a partir dos Dez Mandamentos e do Pentateuco, que ele prefixou a um código de leis
promulgadas por ele por volta deste tempo. Em cerca de 990, uma versão completa e independente dos quatro
Evangelhos, no idiomático inglês antigo apareceu no dialeto Wessex; estes são chamados de "evangelhos wessex".
O Papa Inocêncio III, em 1199 proibiu versões da Bíblia sem autorização como uma reação para as heresias do
Catarismo e Valdenses. Os sínodos de Toulouse e de Tarragona (1234) baniu a posse de tais escritos. Há indícios de
algumas traduções vernáculas terem sido permitidas, enquanto outras estavam a ser questionadas.
A mais notável tradução da Bíblia para o inglês médio é a Bíblia de Wycliffe (1383), baseada na Vulgata, foi
proibida pelo Sínodo de Oxford em 1408. Uma Bíblia hussita húngara surgiu em meados do século 15 e, em 1478,
uma tradução catalã no dialeto da Comunidade Valenciana.

Período das reformas e pré-moderno


Em 1521, Martin Luther foi posto sob o banimento do Império, e ele retirou-se para o de Castelo Wartburg. Durante
o seu tempo ali, traduziu o Novo Testamento do grego para o alemão. Ele foi impresso em setembro de 1522. A
primeira Bíblia completa neerlandêsa, foi parcialmente baseada em porções das traduçõe de Lutero existentes, foi
impressa na Antuérpia em 1526 por Jacob van Liesvelt.[2] ;
A tradução do novo testamento de Tyndale (1526, revista em 1534, 1535 e 1536) e sua tradução do Pentateuco
(1530, 1534) e do Livro de Jonas foram respondidas com pesadas sanções dada a convicção generalizada que
Tyndale tinha "mudado" a Bíblia enquanto tentava traduzí-la. A primeira Bíblia francesa completa foi uma tradução
por Jacques Lefèvre d'Étaples, publicada em 1530 na Antuérpia. [3] A Bíblia Froschauer de 1531 e a Bíblia Luther de
1534 (ambas aparecendo em partes durante a Década de 1520) foram parte importante da Reforma. As primeiras
traduções em Inglês dos Salmos (1530), Isaías (1531), Provérbios (1533), Eclesiastes (1533), Jeremias (1534) e
Lamentações (1534), foram executados pelo tradutor protestante George Joye na Antuérpia. Em 1535 Myles
Coverdale publicou a primeira Bíblia em inglês completa também na Antuérpia.[4] ;
Em 1584, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento foram traduzidos para o esloveno pelo escritor protestante e
teólogo Jurij Dalmatin. Os eslovenos, assim, passaram a ser a 12ª nação no mundo, com uma Bíblia completa em sua
língua.
A atividade missionária da ordem jesuíta levou a um grande número de traduções no 17o século para as línguas do
Novo Mundo.

Esforços de tradução na modernidade


A Bíblia continua a ser o livro mais traduzido no mundo. Os números seguintes são aproximados. Em 2005, pelo
menos um livro da Bíblia foi traduzido em 2400 dos 6900 idiomas listados pela SIL, [5] incluindo 680 línguas na
África, seguida a 590 na Ásia, 420 na Oceania, 420 na América Latina e das Caraíbas, 210 na Europa, e 75 na
América do Norte. A Sociedade da Bíblia Unida atualmente assiste na tradução da Bíblia em mais de 600 projetos. A
Bíblia está disponível em todo ou em parte, a cerca de 98 por cento da população do mundo em uma linguagem em
que eles são fluentes.
A Sociedade Bíblica Unida anunciou em 31 de dezembro de 2007[6] A Bíblia, com material deuterocanonical estava
disponível em 123 idiomas. O Tanakh e o Novo Testamento estavam disponíveis em 438 línguas. O Novo
Tradução da Bíblia 36

Testamento estava disponível em 1168 línguas, e porções da Bíblia estavam disponíveis em 848 línguas, para um
total de 2454 línguas.
Em 1999, os tradutores da Bíblia Wycliffe anunciaram a "Visão 2025". Este projeto pretende ver a tradução da
Bíblia começar em 2025 em todas as línguas restantes da comunidade que precisa dele. Eles estimam que atualmente
2251 idiomas, representando 193 milhões de pessoas, precisam de uma tradução da Bíblia.[7]

Abordagens modernas
Uma variedade de lingüística, filológica e ideológica de abordagens da tradução têm sido utilizadas, incluindo:
• Tradução de equivalência dinâmica
• equivalência formal (semelhante à tradução literal)
• Idiomática, ou por paráfrase, como usado por Kenneth Taylor
Uma grande parte do debate ocorre sobre qual a abordagem com maior precisão comunica a mensagem da bíblica
desejada nos textos originais nas línguas desejadas. Apesar destes debates, no entanto, muitos que estudam a Bíblia
intelectualmente ou de forma devocional acham que utilizar mais de uma tradução é útil na interpretação e aplicação
do que eles lêem. Por exemplo, uma tradução literal pode ser muito útil para cada palavra ou estudo de tópico, ao
mesmo tempo que uma paráfrase pode ser empregada para achar o significado original de uma passagem.
Além da lingüística, há também questões teológicas que permeiam as traduções bíblicas.
[1] Alguns estudiosos hipótetizam que certos livros (quer total ou parcialmente) podem ter sido escritos em aramaico antes de serem traduzidos
para divulgação generalizada. Um exemplo muito famoso disto é o Logos para o Evangelho de João, que alguns estudiosos afirmam ser uma
tradução grega de um hino aramaico.
[2] Paul Arblaster, Gergely Juhász, Testamento de Guido Latré (eds) Tyndale, Brepols 2002, ISBN 2-503-51411-1, p. 120.
[3] Paul Arblaster, Gergely Juhász, Testamento de Guido Latré (eds) Tyndale, Brepols 2002, ISBN 2-503-51411-1, pp. 134-135.
[4] Paul Arblaster, Gergely Juhász, Guido Latré (eds) Tyndale's Testamento, Brepols 2002, ISBN 2-503 -- 51411-1, pp. 143-145.
[5] " The Bible in the Renaissance - William Tyndale (http:/ / users. ox. ac. uk/ ~sben0056/ Tyndale. London. htm)", Dom Henry Wansbrough.
[6] United Bible Society (2008), Statistical Summary of languages with the Scriptures (http:/ / www. ubs-translations. org/ about_us/ #c165), ,
visitado em 20080322
[7] Wycliffe Bible Translators (2007), Progress Report (http:/ / www. wycliffe. net/ about/ Progress/ tabid/ 463/ Default. aspx), , visitado em
20080322
Tribos de Israel 37

Tribos de Israel
Tribo de Israel (do hebraico ‫ )לארשי יטבש‬é o nome dado às unidades tribais patriarcais do Antigo Povo de Israel e
que de acordo com a tradição judaico-cristã teriam se originado dos doze filhos de Yaacov (Jacó), neto de Abraham
(Abraão).
As doze tribos teriam o nome de dez dos filhos de Jacó. As outras duas tribos restantes receberam os nomes dos
filhos de Yossef (José) , abençoados por Yaacov como seus próprios filhos. Os nomes das tribos são: Rúben,
Simeão, Levi, Judá, Zebulom, Issacar, Dã, Gade, Aser, Naftali, Benjamim, Manassés e Efraim. Apesar desta suposta
irmandade as tribos não teriam sido sempre aliadas, o que ficaria manifesto na cisão do reino após a morte do rei
Salomão. Com a extinção do Reino de Israel ao norte, dez das tribos desapareceriam e a determinação do seu destino
até hoje é objeto de debate. As outras tribos restantes (Judá, Benjamin e Levi constituiriam o que hoje chama-se de
judeus e serviria de base para sua divisão comunitária (Yisrael, Levi e Cohen).

Origem das tribos


O livro de Gênesis conta da
descendência do patriarca Jacó, mais
tarde batizado por Deus como Israel, e
de suas duas mulheres e duas
concubinas. Jacó teve ao todo 12
filhos, cujos nomes estão acima
citados. Neste momento da narrativa, o
cronista bíblico concentra-se no relato
da história de José, de como ele foi
separado de seus irmãos, como obteve
importância política no Egito, e de
como voltou a reunir sua família. A
narração conta também que os 12
filhos de Jacó e suas famílias e criados
obtiveram permissão para habitar a
fértil região oriental do Delta do Nilo,
onde teriam se multiplicado
grandemente. Cada uma das 12 Mapa de 1759 com a divisão clássica das doze tribos de Israel

famílias teria mantido uma


individualidade cultural, de forma que se identificassem entre si como tribos separadas. A narrativa ainda destaca
que José teve 2 filhos, Manassés e Efraim, e seus descendentes seriam elevados ao status de tribos independentes,
embora fossem sempre referidos como meio-tribos (encerrando um número fixo de 12 tribos). Ao final de Gênesis,
Jacó, em sua velhice, abençoa a cada um de seus filhos, prenunciando o destino que aguardavam os seus
descendentes no futuro.

Em Êxodo, a Bíblia conta como Moisés, membro da tribo de Levi, e seu irmão Arão, lideraram os hebreus das 12
tribos em sua fuga do Egito. Durante a narrativa, as tribos são contadas, e seus líderes e representantes são
nomeados, demonstrando um forte senso de individualidade entre as tribos e as meio-tribos de José. À tribo de Levi
são designadas as tarefas sacerdotais e os direitos e deveres diferenciados que estas tarefas implicavam. As demais
mantiveram-se com os mesmos direitos e obrigações, embora, através do número de membros, algumas tribos já
pudessem gozar de alguma superioridade política.
Tribos de Israel 38

Hipóteses históricas
Para judeus e cristãos, não há dúvidas da veracidade do relato bíblico, e há pouco o que se discutir sobre a origem
das Tribos de Israel fora do contexto bíblico.
No entanto, arqueólogos, historiadores e estudiosos da Bíblia argumentam sobre a origem das tribos.
Há teorias que sugerem que apenas algumas das tribos teriam realmente saído do Egito, e se fixado por alguns anos
no entorno de Canaã, onde teriam encontrado outras tribos de origem hebraica autóctones da região. Sua afinidade
lingüística e racial, em contraste com as diferenças encontradas nos vizinhos cananeus teria encorajado as tribos a
agirem em regime de coexistência, e em algumas vezes, de cooperação, o que teria favorecido a conquista de Canaã
(uma miríade de cidades-estado e pequenos reinos independentes) pelos hebreus. Neste caso, as tribos do Êxodo
teriam sido aquelas de maior destaque na narrativa bíblica, ou seja, Judá, Levi, Simeão, Benjamim, e as meio-tribos
de Efraim e Manassés, o que enfraqueceria toda a base histórica da narrativa do Êxodo. Já os arqueólogos notam que
não há vestígios concretos da passagem de um povo, estimado em mais de 600000 pessoas, por 40 anos pelo deserto
entre o Egito e a Palestina. Assim, a narrativa de Gênesis e Êxodo não tem uma base histórica, embora alguns pontos
pudessem ter sido moldados para justificar com raízes familiares a união das 12 tribos.

As tribos como unidades geográficas


Moisés liderou as 12 tribos pelo deserto da Península do
Sinai, e seu sucessor Josué tomou para si a tarefa de
coordenar a tomada de Canaã. Para que ocorresse de
forma ordenada, a terra de Canaã foi dividida entre cada
uma das tribos e meias-tribos, que se encarregaram de
conquistá-las, na maior parte dos casos sem o auxílio das
demais. Uma das tribos, a de Levi, não recebeu uma
porção territorial fixa, mas sim algumas cidades
distribuídas por toda a Palestina.

O território de algumas das tribos, como Simeão e Aser,


correspondiam a áreas mais tarde dominadas por filisteus
e fenícios, respectivamente. Após a narrativa da
conquista de Canaã, os relatos acerca destas tribos se
tornam confusos, e as suas referências geográficas são
praticamente inexistentes, ou inconsistentes, dando a
entender que essas tribos deixaram de existir
geograficamente, e seu povo foi absorvido ou por povos
estrangeiros, ou por outras tribos israelitas, ou por ambos,
embora ainda fossem contados como parte das 12 tribos.

A tribos de Dã é outro exemplo de mudança ao longo da


Bíblia. Inicialmente, Dã é posicionada na metade sul da
Palestina, em um pequeno território posteriormente
conquistado pelos filisteus. Mas ao contrário de Simeão e
Aser, o território de Dã continuou existindo, mas muito mais ao norte, ao redor da cidade de mesmo nome. Algumas
interpretações colocam que Dã havia sido alocada desde o princípio em dois territórios disjuntos.
A meia-tribo de Manassés ocupou um vasto território nos dois lados do Rio Jordão, do Mar Mediterrâneo até a Síria,
próximo a Damasco. Efraim foi posicionada na região central, incluindo as importantes cidades de Siló, Gilgal e
Betel, cuja importância remete às histórias dos Patriarcas. Benjamim recebeu um territótio pequeno ao sul de Efraim,
porém incluindo cidades importantes, como Gibeá, Jericó e Jerusalém. Judá posicionou-se num vasto território
Tribos de Israel 39

montanhoso e fértil ao sul, entre o Mar Morto e o Mediterrâneo, tendo Hebrom e Belém como cidades mais
importantes. As demais tribos receberam territórios pequenos, ou com pequena importância na narrativa bíblica
subseqüente.

Período monárquico - União política


As tribos mantiveram certa estabilidade, independência e equilíbrio político durante o Período dos Juízes, visto que
são relatados feitos notáveis de herdeiros da maior parte das tribos, sem particular destaque a nenhuma delas. Mas no
final do século XI a.C., com o início do período monárquico e a coroação de Saul, as tribos se uniram pela primeira
vez sob um único líder.
Entretanto, apesar da identidade racial, lingüística e religiosa, e das histórias que as uniam desde a sua criação,
aparentemente havia uma certa cisão entre a tribo de Judá e as demais, visto que o profeta Samuel refere-se algumas
vezes a Israel e Judá como entidades independentes unidas apenas por um contexto histórico. O rei Saul pertencia à
tribo de Benjamim, e adquiriu inicialmente a simpatia de todas as tribos, mas um movimento em Judá, liderado por
Davi e apoiado pelos filisteus, terminou por vencer Saul. Davi foi coroado em Hebrom rei de Judá, enquanto o
restante de Israel deveu lealdade ao filho de Saul, Isbosete. Houve uma guerra civil, com vitória de Davi. Ao poupar
a Casa de Saul, Davi ganhou popularidade, e após vários feitos militares contra povos estrangeiros, viu as 12 tribos
se unirem firmemente sob seu cetro. Seu filho, Salomão, manteve sua autoridade sobre toda a ISRAEL até sua
morte.
Apesar desta união política, a própria narrativa deste período faz transparecer as profundas diferenças políticas e
mesmo culturais entre Judá (e ao final do reinado de Salomão, também de Benjamim, já que os reis de Judá reinaram
em Jerusalém, cidade benjaminita) e as demais tribos. Uma diferença marcante na carga de impostos aplicados a
Judá e às outras tribos, favorecendo a primeira, principalmente numa época de constante expansão territorial e
grandes obras, foi o estopim para a desunião que se seguiu.

Israel dividida
Com a morte de Salomão, uma facção liderada por Jeroboão viu nesta uma oportunidade para resgatar Israel do
poderio de Judá. A aclamação de Jeroboão significou a divisão indissolúvel entre Judá (e Benjamim) e as demais 10
tribos, uma vez que o filho de Salomão, Roboão, foi confirmado rei em Jerusalém. Formou-se assim os reinos de
Judá, ao sul, com sede em Jerusalém, e Israel, ao norte, com capital em Samaria.
Neste período, as tribos de Judá e Benjamim aparecem quase inteiramente fundidas entre si (ou seja, as referências a
Benjamim desaparecem, embora seu território e suas cidades estivessem no coração do território de Judá), e o
mesmo acontece com as outras 10 tribos do norte. Dentre as tribos do norte, ainda se observa traços de
individualidade na meia-tribo de Manassés, mas de maneira geral não há mais distinção física ou cultural entre elas.
A partir deste momento, as 12 Tribos de Israel passaram a ser uma alegoria, referindo-se ao seu estágio original de
união em nome de Deus, representando o ideal do povo hebreu, especialmente no Novo Testamento, e não mais
entidades políticas diversas.
De qualquer modo é possível que o sistema de tribos tenha permanecido, mesmo que apenas ao nível familiar devido
à tradição de traçar genealogias, remetendo indivíduos aos filhos de Jacó. O reino teve início com Roboão, que era
filho de Salomão e durou o periodo de 209 anos.Ele foi dividido por volta de 931 A.C e permaneceu assim ate o ano
de 722 A.C. Neste reino dividido temos:o REINO NORTE também chamado de ISRAEL que foi formado pelas 10
tribos: Rúben, Issacar, Zebulom,Dã,nafitali, Gade, Aser, Efraim, Manasses, Simeão. Essas são as 10 tribos do reino
Norte.
Tribos de Israel 40

O destino das Tribos de Israel


Um dos elementos que mais intrigam os estudiosos é o destino das Tribos de Israel, sobretudo as 10 tribos do norte,
cuja referência cessa completamente após as invasões da Assíria

As tribos perdidas
As conquistas assírias no século VIII a.C. abriram caminho para a conquista do reino do norte de Israel. A queda de
Samaria significou o fim do estado Israelita. Seu povo, ou aqueles que sobreviveram, foram deportados para a
Assíria e redistribuídos por todo seu território. Neste momento, as 10 tribos do norte desapareceram por completo do
relato bíblico. O mais provável é que qualquer traço de união tribal tenha desfalecido com a fragmentação das
comunidades israelitas, e que os hebreus que sobreviveram ao processo tenham se unido a estrangeiros e abandonado
suas tradições.

A tribo remanescente: Judá e os judeus


Apesar da queda de Jerusalém, menos de 2 séculos depois, os descendentes de Judá, ao serem levados ao exílio no
reino da Babilônia, mantiveram fortes laços culturais entre si. É possível que tivessem mantido esta união graças às
profecias do profeta Jeremias, que previu que o exílio duraria 70 anos, e que o povo seria libertado e mandado de
volta a Jerusalém ao final deste período; a fé conjunta na realização da profecia teria mantido a tradição da tribo de
Judá intacta, se não fortalecida. É no período de exílio que surge pela primeira vez de maneira consistente o termo
judeu, se referindo a todos os membros da tribo de Judá.
Passado o tempo previsto por Jeremias, Ciro, o Grande, conquistou a Babilônia, e enviou os judeus de volta à
Palestina, designando para eles a província de Yehud, de maneira geral, o mesmo território do antigo reino de Judá.
Os judeus ali habitaram até o século II da Era Cristã. Sua religião passou a se chamar "judaísmo", a prática religiosa
de Judá (distinta havia muito das práticas religiosas mais populares no Reino de Israel).
Entre o fim do exílio babilônico e a diáspora, os judeus nutriram um forte senso de união e resistência a dominação
estrangeira, tão forte que, mesmo após sua expulsão definitiva da Palestina pelos romanos, os judeus mantiveram
laços entre as distantes comunidades formadas por toda Ásia, norte da África e Europa, verdadeiras redes através das
quais sobreviveram suas tradições. Durante este período, o termo "judeu" significando um seguidor da religião
judaica suplantou o significado tribal do termo, e muitos estrangeiros de origem não semítica se declaravam judeus.
De toda forma, através dos judeus e do judaísmo, a tradição da tribo de Judá sobreviveu até os dias de hoje.
Rubem (filho de Jacó) 41

Rubem (filho de Jacó)


1. REDIRECIONAMENTO Rúben

Tribo de Levi
A Tribo de Levi (hebreu: ‫" יִוֵל‬devoto, unido"), é uma das Tribos de Israel que, segundo a Bíblia, foi fundada por
Levi, filho de Jacó e de Léia.

Teorias acerca da tribo


Aos que crêem nas Escrituras, é inegável que Levi tenha sido uma tribo como as outras, separada porém por Deus
para exercer o sacerdócio. Entretanto, a situação da tribo no momento em que o Pentateuco teria sido escrito, bem
como sua posição na sociedade judaica após o exílio na Babilônia geram discussão entre estudiosos.
Alguns acreditam que Levi tenha sido uma das tribos que teria fugido do Egito, e ao chegar a Canaã teriam se aliado
a outras tribos hebraicas autóctones, e, após a organização destas tribos e sua fusão em uma só nação, os levitas
teriam sido designados ao sacerdócio.
Outra corrente acredita que os levitas teriam sido uma casta à parte do sistema tribal existente, uma elite com
poderes políticos originados de sua relação de exclusividade com Deus. Essa não era uma postura incomum no
Oriente Médio antigo ou em outras regiões, e observava-se a existência de classes sacerdotais rígidas na
Mesopotâmia e na Índia fundamentadas no direito exclusivo destas classes em interferir junto a Deus pela ordem de
suas sociedades.

Levi na era pré-monárquica


A tribo de Levi assume grande importância na história de Israel desde seu princípio. Em Êxodo, os personagens de
Moisés e Arão são membros desta tribo, e lideram todo o povo de Israel mantido em regime de servidão no Egito,
rumo à terra de Canaã. Moisés se tornou líder espiritual e legislador de toda a nação durante sua peregrinação no
deserto, e teria recebido de Deus as tábuas com os Dez Mandamentos, além de instruções acerca das leis e das
normas de conduta que norteariam a nação israelita pelos séculos seguintes.
Moisés também nomeou seu irmão Arão como sumo-sacerdote, e designou seus descendentes, e apenas seus
descendentes, como aqueles que teriam a permissão de realizar sacrifícios e adentrar o tabernáculo, e entrar em
presença à Arca da Aliança. Suas funções sacerdotais eram intransferíveis, e, segundo consta, outros que tentaram
exercer as funções dos levitas foram punidos por Deus.
Quando da conquista de Canaã, a tribo de Levi foi a única a não receber parte da terra, um território específico e
delimitado. Ao contrário, os levitas receberam cidades isoladas, situadas nas regiões de todas as outras tribos.
A Arca da Aliança esteve sob os cuidados dos levitas até que um ataque filisteu resultou em sua captura. Os filisteus,
entretanto, permitiram que israelitas a levassem de volta, e ficou sob os cuidados dos levitas no tabernáculo da
cidade de Siló até que Davi ordenou que a trouxessem para Jerusalém.
O livro de Juízes conta como a esposa de um levita fora violentada por homens da tribo de Benjamim. Em face da
complacência dos benjamitas, as outras tribos se revoltaram e, após uma guerra civil, quase dizimaram a tribo de
Benjamim.
as divioes das tribos as tribos eram divididas em quatro a tribo de levi de juda beijaminefrain==Período monárquico,
intervenção de Davi==
Tribo de Levi 42

Pouco depois, apoiado pelo sacerdote levita e profeta Samuel, Saul ascendeu ao poder como primeiro rei de Israel.
Guerras contínuas e derrotas enfraqueceram Saul, e após sua morte, Davi, também com o apoio de Samuel, foi
coroado em seu lugar.
Davi era da tribo de Judá, e como tal, era proibido de exercer qualquer atividade sacerdotal. Entretanto, Davi
aparentemente possuía habilidades proféticas, e Deus lhe teria assegurado o direito de ser rei e sacerdote de seu
povo. Seu posto foi confirmado após realizar, com sucesso, um sacrifício a Deus sem a punição esperada pelos
levitas. Os judeus, posteriormente, usariam este evento como justificativa para ordenar sacerdotes em meio ao seu
próprio povo.
A ascensão de Davi abalou a estrutura existente, e a partir deste evento, não era mais vedado à tribo de Levi os
cuidados com sacrifícios, embora tivessem mantido exclusividade nos cuidados com o Tabernáculo e com o Grande
Templo.

Levi e a divisão do reino


Quando Israel tornou-se independente de Judá, dizia-se que o novo reino era representado pelas "10 tribos do norte".
As 2 tribos do sul eram Judá e Benjamim (onde ficava Jerusalém), portanto Levi deve ter sido contado como uma
das 10 restantes. Entretanto, os levitas continuaram a exercer suas funções junto ao Templo, no reino de Judá. Talvez
os levitas não ordenados como sacerdotes tenham se unido às demais tribos na revolta contra Jerusalém.-

O declínio dos levitas


De qualquer forma, é nítido deste ponto em diante no relato bíblico a infreqüência de menções aos levitas fora do
contexto do Templo, o que pode significar que sua influência tenha sido reduzida através da concentração de poder
nas mãos dos reis de Judá. Entretanto, os levitas mantiveram importância junto ao povo, e especializaram-se, criando
diversas classes internas derivadas de suas funções no Templo.
Em relação a Israel, visto como são citados constantemente atos religiosos não relacionados ao culto a Yahueh (em
vez disso, cultos semelhantes aos dos povos fenícios, arameus e assírios circundantes de Israel), é possível que os
levitas e seus sacerdotes, assim como as leis mosaicas que defendiam, tivessem perdido muito de sua influência
sobre o povo e a nobreza.
Quando Nabucodonosor, rei da Babilônia, conquistou Judá, os levitas praticamente desaparecem do relato bíblico,
vindo a ser mencionados apenas quando o Templo foi reconstruído, sob o comando de Neemias. Desde o período de
exílio, todos os membros da nação escolhida por Deus passaram a ser chamados judeus, devido a serem,
nominalmente, membros da tribo de Judá, inclusive qualquer levita que tenha sobrevivido à invasão babilônica. É
portanto incerto se os levitas citados no período do Segundo Templo tivessem sido descendentes de Arão, como seria
de se supor, e talvez tenham sido judeus nomeados entre o povo para exercerem funções sacerdotais.
A queda dos levitas como classe sacerdotal tornou-se evidente com o surgimento de sinagogas, onde as leis e os
costumes, bem como as normas de conduta de um sacerdote, eram ensinados a todos nas comunidades judaicas, e
não mais exclusivas àqueles designados para tal pela Lei de Moisés. Jesus Cristo reivindica para si autoridade
sacerdotal baseado nos atos de Davi, de quem teria sido descendente. Hoje, qualquer judeu pode ser ordenado rabino
após um período de estudos da lei judaica.
Tribo de Levi 43

Símbolo da tribo de Levi

Tribo de Judá
Segundo teólogos e alguns historiadores, por volta do século XV a.C. ocorreu o Êxodo dos hebreus do Egipto para a
terra de Canaã. A narração do livro do Êxodo descreve esta época, e posiciona a tribo de Judá como a mais numerosa
de todas as tribos de Israel (desconsiderando-se a tribo de José, tradicionalmente dividida entre as meia-tribos de
Efraim e Manassés). Em Números 1:24-25 contam-se 74600 integrantes desta tribo, refletindo a sua importância no
contexto da congregação israelita no seu princípio. Entretanto, este número pode ter sido mascarado pelo fato do
relato bíblico acerca do Êxodo ter sido compilado muito tempo depois, talvez já no período final dos Juízes ou na
monarquia unificada, quando Judá já era uma entidade de certa forma destacada do restante das tribos de Israel. De
toda forma, apesar da discussão sobre se todas as tribos emigraram do Egito ou se eram populações autóctones da
Palestina que, em dado momento, invadiram e povoaram a Palestina, é opinião da maioria que Judá, juntamente com
Levi, Efraim, Manassés, Benjamim e Simeão, teriam sido as tribos que vieram do Egito. A conquista de Canaã foi,
aparentemente, constituída de invasões independentes de cada uma das tribos a territórios pré-estabelecidos. A Judá
coube uma região ao sul, entre o deserto de Negueve e o Sefelá, o maior dos territórios partilhados. Cidades
importantes, como Belém, Hebrom, Arade, Bete-Semes, Laquis e Berseba foram incluídas nos seus domínios. A
tribo de Simeão, inicialmente posicionada ao sul de Judá, pode ter sido eventualmente absorvida por esta, visto que
sua localização (e sua própria identidade) se torna gradativamente mais incerta ao longo do Velho Testamento, mas
há hipóteses de que Simeão tenha sido também absorvida por povos vizinhos, especialmente Moabe.
A partir do livro de Rute, os cronistas bíblicos procuram traçar uma genealogia baseada na cidade de Belém, desde
Judá até o rei Davi, fazendo com que as palavras de Jacó sobre Judá se tornassem concretas, e sua dinastia se
afirmasse como aquela designada por Deus para governar Israel. Profetas posteriores, especialmente durante a
primeira diáspora, prediziam que um rei da linhagem de Davi viria para salvar Judá das mãos de seus inimigos. Mais
tarde, no Novo Testamento, os cronistas empenham-se em atribuir a Jesus descendência direta da Casa de Davi, mais
uma vez corroborando com a bênção de Jacó, uma vez que Jesus, para toda a cristandade, é rei sobre todos os
homens. No entanto, politicamente, Israel já não se identificava com as demais tribos no período relatado nos livros
de Samuel. O profeta Samuel, por volta de 1050 a.C., teria ungido Saul, da tribo de Benjamim, como rei de todo
Israel. Surpreendentemente, a soberania de Saul se afirmou em todas as tribos de maneira geral, e ele pôde assim
empreender guerras contra os Filisteus a oeste. Mas logo alguns eventos associados ao pecado e à ira de Deus
fizeram com que Saul perdesse gradativamente o controle sobre esta guerra, e Davi, de Judá, ungido também por
Samuel, tomou o poder. A separação de Judá e Israel ocorre na própria coroação de David, em Hebrom, como rei de
Judá, enquanto Isbosete, filho de Saul, era aclamado rei do restante de Israel. Após um período de guerra civil, Davi
venceu os partidários da Casa de Saul e foi aclamado como rei por todas as tribos. O reinado de Judá sobre as outras
tribos durou até o final do reinado de Salomão, filho de Davi, em 931 a.C. Neste período, as diferenças políticas
entre Judá e Israel acentuaram-se graças às diferenças no montante de tributos destinados a Judá e Israel. Em um
período de grandes obras, como as guerras expansionistas de Davi e a construção do Templo de Jerusalém, a carga
Tribo de Judá 44

de impostos deve ter provocado um profundo descontentamento em Israel. A morte de Salomão significou uma
oportunidade para uma revolta contra o governo de Jerusalém, liderada por Jeroboão, que proclamou a
independência das 10 tribos do norte (Judá e Benjamim permaneceram unidas. Simeão não era mais particularmente
mencionada como uma região geográfica, e é possível que fizesse parte das 10 tribos apenas como membros desta
tribo dispersos pelas terras do norte). O território correspondente a Judá e Benjamim, ao sul, permaneceu como um
reino à parte, liderado por Roboão, filho de Salomão e seus descendentes. Nascia o Reino de Judá.

Símbolo da tribo de Judá

Tribo de Dã
A Tribo de Dã (‫" ןָּד‬Juiz", Dan em hebraico standard, Dān em hebraico tiberiano) é uma das Tribos de Israel que
segundo a Bíblia foi fundada por Dã, filho de Jacó e de Bila, sua concubina (Genesis 30:4).
O símbolo de Dã é uma serpente, o que a diferencia das outra tribos de Israel. Visto que este animal é considerado
um símbolo do mal na tipologia bíblica, é aparentemente estranho que esteja como estandarte em uma tribo hebraica.
Diz antigo adágio popular: A pior cunha é aquela que sai da mesma madeira. Evidentemente a expressão "da mesma
madeira" indica uma boa madeira, utilizada para boa construção, e dela é que sai a "pior cunha".

Símbolo da tribo de Dã
Tribo de Naftali 45

Tribo de Naftali
A Tribo de Naftali(‫|יִלָּתְפַנ‬Naftali|Nap̄tālî|"Minha luta") foi uma das Tribos de Israel. Naftali ocupava o lado oriental
da Galiléia (logo ao lado ocidental do Mar da Galiléia), nas áreas hoje conhecidas como Baixa Galiléia, e Alta
Galiléia, e fazia fronteira a oeste com a Tribo de Aser, ao norte a Tribo de Dã, no sul Zebulão e o Rio Jordão no
leste. Sua cidade principal era Hazor. Nessa região, em torno do Mar da Galiléia, ficava a altamente fértil planície de
Genesaré, caracterizada como a ambição da natureza, um paraíso na Terra,[1] e com a porção sul da região atuando
como uma passagem natural entre as terras alts de Canaã, muitas estradas principais (como as de Damasco a Tiro e
Acre, passavam por ali.[2] A prosperidade que essa situação trouxe é parecidocom o profetizado na Bênção de
Moisés, embora a críticos textuais vejam isso como um caso de predição posterior ao acontecimento, datando o
poema para logo após de a tribo já ter se estabelecido na terra.[3] [4]

Cabala
Na Cabala, o nome Naftali é lido como duas palavras: nofet li, "doçura é para
mim". A mitsvá em Purim, de atingir o nível da "cabeça desconhecida" ao beber
vinho, etc., é expresso, nas palavras dos sábios como: A pessoa em Purim é
obrigada a tornar-se doce, até que seja incapaz de diferenciar entre 'maldito
seja Haman' e 'abençoado seja Mordechai'.
Esta é a expressão de júbilo e riso ao nível de Naftali – nofet li. O patriarca Jacó
abençoou seu filho Naftali: Naftali é um cervo enviado [mensageiro], que dá
[expressa] palavras eloqüentes. As "palavras eloqüentes" de Naftali provocam
júbilo e riso aos ouvidos de todos que escutam. Ao final da Torá, Moisés
abençoou Naftali: A vontade de Naftali está satisfeita. Na Chassidut é explicado
que vontade satisfeita (seva ratzon) refere-se ao nível da vontade na dimensão
interior de keter, onde toda experiência é puro deleite, o estado de ser no qual a
Símbolo da tribo de Naftali pessoa não deseja nada além de si mesma.

As três letras que compõem o nome Haman possui seis permutações. Haman =
95; 6 x 95 = 570 = rasha (perverso), razão pela qual Haman é chamado Haman, o perverso. 570 (também) Naftali,
que leva alegria e risos ao jogar o jogo de seis permutações de Haman. Na Cabala, está explicado que a "eloqüência"
de Naftali reflete sua sabedoria para permutar palavras em geral (bem como examinar gematriot, tais como arur
Haman - maldito seja Haman = 502 = baruch Mordechai - bendito seja Mordechai - o "jogo mais prazeroso"
(sha'ashu'a) do estudo de Torá.

Como foi explicado previamente, os meses de Tishrei e Cheshvan correspondem (segundo o Arizal) às duas tribos de
Efraim e Manassés, os dois filhos de José. Jacó abençoou seus dois netos Efraim e Manassés para serem como
peixes: E eles serão como peixes no meio da terra. Estas duas tribos (o início do ano a partir de Tishrei) refletem-se
em Adar e Naftali (o final do ano a partir de Nissan), pois Adar divide-se em dois (assim como José se divide em
dois) peixes (Efraim e Manassés). O apoio numérico para isso é que quando Efraim (331) e Manassés (395) se
combinam com Naftali (570): 331 mais 395 mais 570 = 1296 = 36 ao quadrado = 6 para o quarto poder.
[1] Este artigo incorpora texto da Jewish Encyclopedia de 1901–1906, uma publicação agora em domínio público.
[2] G. A. Smith, "The Historical Geography of the Holy Land,"
[3] Richard Elliott Friedman, Who Wrote The Bible
[4] Peake's commentary on the Bible
Tribo de Gade 46

Tribo de Gade
A tribo de Gade (ou Gad) era uma das doze tribos de Israel. O sétimo filho que Jacó teve de Zilpa, a serva de Leia e
irmão de Aser (Gn 30:11-13 e Gn 46:16,18). Em algumas versões, em Gn 30:11, as palavras: "Vem uma turba e
chamou o seu nome Gade" deveriam ser traduzidas por: "Com sorte ("afortunado") e chamou o seu nome Gade", ou
"Vem a sorte e chamou o seu nome Gade."
A tribo de Gade, durante a marcha pelo deserto, situava-se, juntamente com Simeão e Rúben, a sul do tabernáculo
(Ne 2:14). As tribos de Rúben e Gade, no seguimento da sua história, prosseguiram a actividade dos patriarcas (Ne
32:1,5).
A porção atribuída a Gade ficava a leste do Jordão e incluía metade de
Gileade, uma região de grande beleza e fertilidade (Dt 3:12), que a este fazia
fronteira com o deserto árabe, a oeste com o Jordão (Js 13:27) e a norte com
o rio Jaboque. Incluía, assim, todo o vale do Jordão até ao Mar da Galileia,
onde, então, estreitava.
Esta tribo era cruel e dada à guerra; eram "varões valentes, homens de guerra
para pelejar, armados com rodela e lança; e seus rostos eram como rostos de
leões e ligeiros como corças sobre os montes" (1Cr 12:8 e 1Cr 5:19-22).
Barzilai (2Sm 17:27) e Elias (1Rs 17:1) eram desta tribo. Foram levados em
cativeiro por Tiglath-Pileser III ao mesmo tempo que as outras tribos do
norte (1Cr 5:26) e no tempo de Jeremias (1Cr 49:1), os amonitas habitavam
nas suas cidades.

Símbolo da Tribo de Gade


Aser 47

Aser
Aser (em hebraico: ‫רֵׁשָא‬, hebraico moderno Ašer, hebraico tiberiano ʾĀšēr), segundo a Bíblia, é o um dos 12 filhos de Jacó,
resultado de sua união com Zilpa, criada de Lia. Aser também é o ancestral de uma das 12 Tribos de Israel, de
mesmo nome.
O personagem de Aser não possui grande destaque no livro de Gênesis, exceto por ter tomado parte na conspiração
junto a seus irmãos que levou José a ser vendido como escravo para uma caravana em direção ao Egito, e também ter
estado junto com seus irmãos no momento da reconciliação. Em I Crônicas 7:30-40 é traçada a descendência de Aser
e seus filhos Imna, Isvá, Isvi, Berias e Sera.
Aser, junto com seus irmãos, tomou residência na parte leste do Delta do Rio Nilo, onde sua descendência
multiplicou-se e originou a tribo de Aser. Segundo os livros do Pentateuco, Aser seguiu Moisés para a Terra
Prometida, embora alguns estudiosos afirmem que Aser já era uma tribo localizada provavelmente na costa sul da
Palestina antes do Êxodo, a região que, segundo o livro de Josué, ela teria conquistado quando da tomada de Canaã.
A região original de Aser coincidia com a terra da Filístia. Antes da ascensão do rei Davi, a terra de Aser já pertencia
aos filisteus, de modo que a tribo pode ter continuado a existir apenas como indivíduos ou famílias vivendo em
territórios de outras tribos, não mais como uma entidade individual e identificável entre as outras tribos de Israel. Os
aseritas teriam se unido a Jeroboão quando este reivindicou para si o trono de Israel, e Aser teria feito parte das 10
tribos do norte que permaneceram independentes do governo de Jerusalém. A tribo desapareceu definitivamente dos
registros quando Samaria foi tomada pela Assíria.

Símbolo da tribo de Aser

Filhos de Jacó, por esposa e ordem de nascimento

Lia Rubem (1) Simeão (2) Levi Judá Issacar (9) Zebulun Diná
(3) (4) (10)

Raquel José (11) Benjamim (12)

Bila (criada de Raquel) Dã (5) Naftali (6)

Zilpa (criada de Lia) Gade (7) Aser (8)


Aser 48

Genealogia de Adão até Davi segundo a Bíblia

Adão até Sem Adão Sete Enos Quenan Mahalalel Jarede Enoque Matusalém Lameque Noé Sem

Arpachade até Jacó Arpachade Selá Éber Pelegue Reú Serugue Nahor Terá Abraão Isaac Jacó
Judá até Davi Judá Perez Ezron Aram Aminadabe Naasom Salmom Boaz Obed Jessé Davi

Tribo de Issacar
Censo.
Na época da migração para o Egito, enquanto José ainda estava regendo o Egito, são relacionados quatro filhos de
Issacar; estes filhos fundaram as quatro principais famílias da tribo (Gn 46:13; Nm 26:23-25; 1 Cr 7:1). o número de
homens de guerra, quando o censo foi levantado no Sinai, era de 54.400, e pela ordem era a quinto tribo (Nm
1:28-29); no segundo censo o número tinha aumentado para 64.300 o que a colocou em terceiro (Nm 26:25). No
tempo de Davi foram contados 87.000 (1 Cr 7:5).

Posição.
Issacar estava no lado oriental do Tabernáculo, com os seus irmãos Judá e Zebulom (Nm 2:3-8)

Estandarte.
O lugar de Issacar no acampamento era com o estandarte da tribo de Judá (junto com Zebulom) os rabinos de . Os
rabinos dizem que este estandarte era de 3 cores, sárdio, topázio e carbúnculo no qual foi inscrito os nomes das 3
tribos e traz a figura do filhote de um leão (Tg, pseudo. Jon. em Nm 2:3).

Viajando.
"Todos os que foram contados do exército de Judá (Issacar e Zebulom), cento e oitenta e seis mil e quatrocentos,
segundo os seus esquadrões, estes marcharão primeiro." (Num 2:16).

Representantes.
Neste momento o capitão da tribo era Natanael o filho de Zuar (Nm 1:8). Ele teve como sucessor Jigeal o filho de
José que foi como um dos espias (Nm 13:7)

Notas interessantes.
Apesar de sua reputação por buscar conforto, a tribo lutou corajosamente contra Sísera (Jz. 5:15). Moisés profetizou
uma vida quieta e feliz para Issacar (Dt. 33:18). Paltiel (Nm 34:26), o juiz Tola (Jz. 10:1), Rei Baasa (I Rs 15:27), e
Onri (1 Cr. 27:18) eram todos desta tribo. Conforme Jacó abençoou, a tribo de Issacar mostrou uma perspicácia
incomum em situações políticas. A tribo trocou a submissão a Saul por Davi (1 Cr 12:32). embora a tribo era
integrante do Reino Do norte, seus integrantes participaram da Páscoa celebrada por Ezequias em Judá (2 Cr. 30:18).
Tribo de Issacar 49

A Divisão de Terra.
O território dividido a esta tribo foi conforntado ao norte por Zebulom e Naftali, no sul e ao ocidente por Manassés, e
no leste pelo Rio Jordão (Js 19:17-23). A maioria do Vale fértil de Jezreel, ou Esdraelom, estava dentro do território
de Issacar. Suas planícies férteis, planas eram bem apropriado para a criação de gado.

O Homem Issacar
Heb. Yis'akar; " ele dará uma recompensa ". O nono filho de Jacó e o quinto de Leia: Gen 30:17-18 "E ouviu Deus a
Leia, e concebeu, e deu à luz um quinto filho. Então disse Leia: Deus me tem dado o meu galardão, pois tenho dado
minha serva ao meu marido. E chamou-lhe Issacar." Ele nasceu em Padã-Arã, e nada é registrado da vida dele.

Símbolo da tribo de Issacar

Zebulom
Zebulom (também Zabulom, hebraico: ‫ ןּולֻבְז‬ou ‫ ןֻלּובְז‬ou ‫ ןּולּובְז‬, hebraico: Zəḇūlūn, Zəvulun "dádiva") foi um dos
doze filhos de Jacó, (o sexto de sua mulher Lea) e o fundador da Tribo de Zebulom. (Gênesis 46:14, Números
26:26).

Nome e origem
O significado do nome Zebulom é incerto. Parecer ser um jogo com "‫ דֶבֵ֣ז‬zḗḇeḏ" nas palavras de Lia no Gênesis
30:20, "'Deus me concedeu (‫ יִנַ֨דָבְז‬zəḇāḏáni) excelente dote (‫ דֶבֵ֣ז‬zḗḇeḏ); desta vez permanecerá comigo meu marido
(‫ יִנֵ֣לְּבְזִי‬yizbəlḗni), porque lhe dei seis filhos;' e lhe chamou Zebulom".
O nome aparece na forma ‫ ןּולֻבְז‬dezoito vezes, ‫ ןֻלּובְז‬vinte e seis vezes e ‫ ןּולּובְז‬uma vez. (Septuaginta) Na literatura
pós bíblica o nome aparece como Zabulom (Josephus, Antiquities II.7.4) e Zaboules. (Vulgata) Zabulom, a leitura do
Novo Testamento, é aquela da Septuaginta, originada da forma grega Ζαβουλών.
Nada é conhecido, em particular, a respeito de Zebulom, exceto que Serede, Elom e Jaleel foram seus filhos e chefes
de três famílias tribais (Gênesis 46:14).

História da tribo
A Tribo de Zebulom desempenhou um importante papel na história antiga de Israel. No censo das tribos no Deserto
do Sinai durante o segundo ano do Êxodo, a tribo de Zebulom contava com 57.400 homens capazes de pegar em
armas (Números 1:31). Este exército, sob o comando de Eliabe, filho de Helom, acamparam com os de Judá e de
Issacar a leste do Tabernáculo e com eles formaram a linha de frente da marcha (Números 2:3-9). Dentre os espiões
enviados por Moisés para avistarem a terra de Canaã, Gadiel, filho de Sodi representou Zebulom (Números 13:10).
Zebulom 50

Em Shittim, nas terras dos moabitas, depois que 24.000 homens foram mortos por seus crimes, um segundo censo foi
realizado; Zabulom contava com 60.500 homens prontos para a luta (Números 26:27). Elizafã, filho de Parna foi
escolhido para representar Zebulom na divisão da Terra Prometida (Números 34:25).
A tribo parece ter conquistado facilmente a sua porção. Durante o governo de Josué ela não recebe nenhuma menção
especial. Enquanto que no governo dos juízes, as suas façanhas foram dígnas de nota. No Cântico de Débora, a tribo
foi especialmente citada como tendo "oferecido suas vidas para morrer na região de Merom", (Juízes 5:18); e
louvados porque de "Zebulom vieram os comandantes do exército para a luta" (Juízes 5:14).
Na campanha de Baraque contra Sísera, o comandante das forças de Jabim, Rei de Canaã, participam também os
filhos de Zebulom (Juízes 4:10). Eles são convocados por Gideão e se juntam no combate aos midianitas (Juízes
6:35); e deu a Israel Elom, que a julgou por dez anos (Juízes 12:11). Dentre aqueles que seguiram David até Hebrom
para fazê-lo rei, estavam 50.000 homens de Zebulom providos com todas as armas de guerra com ânimo resoluto (I
Crônicas 12:33), que trouxeram com eles, como sinal de sua fidelidade, grande quantidade de provisões de carnes e
bebidas para comemorarem a ascensão de seu novo governante (I Crônicas 12:41). Quando Ezequias fez a reparação
pelas abominações de seu pai Acaz, ele convidou toda Israel para celebrarem o Pessach na casa do Senhor. Porém, os
emissários receberam risos e zombarias por onde passaram; alguns de Zebulom se humilharam e foram a Jerusalém,
destruíram os ídolos, e celebraram a festa dos pães ázimos (II Crônicas 30:10-23).

As divisões da terra
Nas divisões da terra de Israel entre as sete tribos, a de Zabulom foi a terceira a receber sua parte. O território da
tribo começava em Saride (Josué 19:10), que supostamente deva ter sido Tel Shadud,[1] cerca de cinco milhas a
sudoeste de Nazaré. As fronteiras de Zabulom não podem ser atualmente estabelecidas. Dos dezenove nomes
próprios que constam do Livro de Josué, apenas Belém (Beit lahm, sete milhas a noroeste de Nazaré) pode ser
identificado com precisão. O historiador Josephus atribui a Zebulom a terra próxima ao Monte Carmelo e o mar
Mediterrâneo, até o Lago de Genesaré.[2] A noroeste está a Tribo de Aser, a sudeste a Tribo de Issacar. Incluindo
parte do Vale de Jezreel.
A referência em Deuteronômio 33.19, "chuparão a abundância dos mares e os tesouros escondidos da areia" tem sido
interpretada no sentido de entregar-se mais tarde a respectiva tribo ao comércio, à pesca e à fundição de metais e do
vidro. O rio Belo, cuja areia se adaptava à fabricação do vidro, corre no território de Zebulom. As "saídas", a que se
refere o vers. 18 do cap. 33 do Deuteronômio, são as da planície do Aca; e o monte a que se refere o vers. 19 é a
eminência sagrada do Tabor, que Zebulom havia de repartir com Issacar. O "caminho do mar" (Is 9.1), a grande
estrada de Damasco ao Mediterrâneo, atravessava uma boa parte do território de Zebulom e devia ter o seu povo em
comunicação com os negociantes da Síria, Fenícia e Egito.
Dentro do território de Zebulom, Cristo foi educado, e fez e disse muito do que é narrado nos Evangelhos,
especialmente sinópticos, a cerca de Seu ministério na Galiléia.

Símbolo da tribo de Zebulom


Zebulom 51

Genealogia de Adão até Davi segundo a Bíblia

Adão até Sem Adão Sete Enos Quenan Mahalalel Jarede Enoque Matusalém Lameque Noé Sem

Arpachade até Jacó Arpachade Selá Éber Pelegue Reú Serugue Nahor Terá Abraão Isaac Jacó
Judá até Davi Judá Perez Ezron Aram Aminadabe Naasom Salmom Boaz Obed Jessé Davi

Referências
[1] Zabulom (http:/ / www. newadvent. org/ cathen/ 15739b. htm): acesso a Catholic Encyclopedia (http:/ / www. newadvent. org/ cathen/ index.
html)
[2] Josephus, Flavius, [[Antigüidades Judaicas (http:/ / www. earlyjewishwritings. com/ josephus. html)]], Livro V, Capítulo 1, Parág. 22, no
Early Jewish Writings (http:/ / www. earlyjewishwritings. com)

Tribo de Manassés
A Tribo de Manassés (em hebraico: ‫הֶּׁשַנְמ‬, hebraico moderno Mənašše, hebraico tiberiano Mənaššeh, de ‫ינשנ‬,
naššānî, "feito para esquecer") foi uma das Tribos de Israel; juntamente com a Tribo de Efraim, Manassés formou
também a Casa de José. No seu apogeu, seu território se espalhava ao longo do rio Jordão, formando duas metades,
uma em cada lado do rio.
A metade ocidental da tribo ocupou as terras imediatamente a norte de Efraim, no centro-oeste de Canaã, entre o rio
Jordão e a costa do Mar Mediterrâneo, fazendo limite ao norte com a Tribo de Issacar, a noroeste com o Monte
Carmelo; a metade oriental da tribo constituía a parte mais ao norte da tribo, a leste do rio Jordão, ocupando as terras
ao norte da Tribo de Gade, estendendo-se desde Maanaim ao sul até o Monte Hermon, ao norte, e incluindo todo o
do planalto de Basã. Esses territórios eram abundantes em água, uma preciosidade em Canaã, e por isso, constituía
uma das mais valiosas partes do país; apesar disso, a posição geográfica de Manassés impossibilitava-a de defender
duas importantes passagens nas montanhas - Esdraelon, localizada a oeste do rio Jordão e Hauran, a leste.
A tribo é representada pelo boi.
Tribo de Efraim 52

Tribo de Efraim
A Tribo de Efraim (em hebraico: ‫ םִיַרְפֶא‬ou ‫םִיָרְפֶא‬, transl. Efráyim, ʾEp̄ráyim ou ʾEp̄rāyim, "dupla fecundida") foi
uma das Tribos de Israel. Juntamente com a Tribo de Manassés, formou a Casa de José. Em seu auge, o território
ocupado pela tribo estava no centro de Canaã, a oeste da atual Jordânia, a sul do território de Manassés, e a norte da
Tribo de Benjamim; a região que foi chamada posteriormente de Samária (para distingui-la da Judéia e da Galiléia)
consistia em sua maior parte do território da Tribo de Efraim. A área era montanhosa, o que lhe dava proteção,
porém também era extremamente fértil, o que lhe trouxe prosperidade,[1] [2] [3] [4] e continha os centros mais antigos
da religião israelita - Shechem e Shiloh.[5] Estes fatores contribuíram para fazer de Efraim a mais dominante das
tribos do Reino de Israel, e levou o nome Efraim a se tornar um sinônimo de todo o reino.[5]
Havia uma evidente diferença linguística entre a Tribo de Efraim e os outros israelitas, já que quando os israelitas de
Gileade, sob a liderança de Jefté, lutaram contra a Tribo de Efraim, a pronúncia da palavra shibboleth como
sibboleth era considerada uma prova suficiente para identificar indivíduos pertencentes à tribo, para que fossem
condenados instantaneamente à morte.
[1] Oseias, 9:13
[2] Gênesis, 49:22
[3] Deuteronômio, 33:13-16
[4] Isaías, 28:1
[5] Jewish Encyclopedia

Bibliografia
• McConkie, Bruce R, The Millennial Messiah, 1982, cap. 16.

Tribo de Benjamim
A tribo de Benjamim era uma das doze tribos de Israel. Recebeu o nome do filho mais novo de Jacó (Israel) e
Raquel. As pessoas desta tribo eram chamados benjamitas.
Na altura da divisão de Canaan, ficou com o território entre Efraim a Norte e Judá a Sul. Embora fosse um território
pequeno e montanhoso, era fértil e incluía cidades importantes como Jerusalém, Jericó, Betel, Gibeon e Mispá entre
outras.
Um benjamita importante foi Eúd, o segundo juiz referenciado no Livro de Juízes. Saul, o primeiro rei de Israel
oficialmente reconhecido como tal, era benjamita, filho de Quis. A partir daí, a linhagem real passou a ser da Tribo
de Judá.
Quase que a tribo foi aniquilada pelas restantes tribos por ter protegido os habitantes de Gibea. A história encontra-se
no Livro de Juízes nos capítulos 19, 20 e 21.
Quando se deu a divisão do reino, Benjamim permaneceu fiel à casa de David e, portanto, formou um reino com a
Tribo de Judá, ao passo que as restantes dez tribos (também chamadas de Tribos do Norte) formavam um outro reino
Israel.
Juntamente com Israel, os benjamitas foram dos que mais engrossaram o número dos que regressaram.
Tribo de Benjamim 53

Símbolo da tribo de Benjamim

Terra prometida
A Terra Prometida é, de acordo com a Bíblia, a terra de Israel, que foi prometida por Deus aos descendentes dos
patriarcas hebraicos Abraão , Isaac, e Jacó. A região da terra prometida (Canaã) compreende os atuais territórios do
Estado de Israel, Palestina, Cisjordânia, Jordânia ocidental, sul da Síria e sul do Líbano.

Canaã
Canaã é a antiga denominação da região correspondente à
área do actual Estado de Israel, da Cisjordânia, da Jordânia
ocidental, sul da Síria e sul do Líbano.
A cidade canaanita de Ugarit foi redescoberta em 1928 e
muito do conhecimento moderno sobre os cananeus advém
das escavações arqueológicas naquela área. Ugarit era uma
cidade-estado, anteriormente vista como uma cidade fenícia
pelos historiadores. Esta certeza já não existe.[1] A partir da
descoberta naquelas ruínas do primeiro alfabeto que se tem
notícia e da vasta literaturam de Ugarit, descobriu-se que esta
era de origem cananéia e foi vassala do Egito durante longo
período, apesar de ter tido influência de vários povos,
principalmente mesopotâmicos. Um de seus deuses foi Baal,
muito citado na Bíblia.

Comparada aos desertos circundantes, a terra de Canaã era


uma terra de fartura, onde havia uvas e outras frutas,
azeitonas e mel, daí ter sido vista por Abraão - originário da
região do actual Iraque - como a "terra prometida", "onde
corre leite e mel".
Segundo a Bíblia, Canaã era a terra prometida por Deus ao
seu povo, desde o chamado de Abrão (ou Abraão), que
habitava a cidade caldéia de Ur, no sul da Mesopotâmia. De
Mapa de Canaã, nos "tempos patriarcais".
acordo com a tradição, Deus chamou Abrão e lhe ordenou
que fosse para a terra chamada Canaã, o que teria motivado o
Canaã 54

longo êxodo dos hebreus, que teria durado muitas décadas, até que os descendentes de Abraão a alcançaram. Canaã
passou então a ser por eles denominada terra de Israel.

Etimologia
Ainda de acordo com a Bíblia, o nome Canaã é alusivo ao filho de Cam e neto de Noé, ao qual se atribui a origem
dos cananeus, conforme relato de Gênesis capítulo 10. Canaã seria a duodécima geração depois de Adão: Adão >
Sete > Enos > Cainan > Mahalalel > Jarede > Enoque > Matusalém > Lameque > Noé > Cam > Canaã
Após o Dilúvio, Cam teria se deparado com Noé embriagado, tendo visto a sua nudez em sua tenda e contado o fato
a seus irmãos, em vez de cobrir o pai (Gênesis 9). Quando recobrou a consciência, Noé amaldiçoou o filho de Cam,
Canaã, referindo-se a ele como o "servo dos servos" (Gênesis 9:25) "e disse: Maldito seja Canaã; seja servo dos
servos de seus irmãos".
Segundo uma certa linha de interpretação, ao proferir tais palavras, Noé estaria profetizando que um dos
descendentes de Sem, Abraão, iria herdar a terra dos cananeus.
[1] Ugarit, Fenícia e Canaã - Universidade de Lisboa (http:/ / www. fl. ul. pt/ unidades/ centros/ c_historia/ Biblioteca/ Cadmo/ CAdmo 1/
UgaritFeniciaeCanaaquestoesdemetodologiaedelimitacahistoriografica. pdf)

Ligações externas
• Ugaritic writing (http://www.mazzaroth.com/ChapterThree/UgariticWriting.htm)
• Ugarit, Fenícia e Canaã - Universidade de Lisboa (http://www.fl.ul.pt/unidades/centros/c_historia/
Biblioteca/Cadmo/CAdmo 1/UgaritFeniciaeCanaaquestoesdemetodologiaedelimitacahistoriografica.pdf)
55

Judaismo

Tanakh
Série sobre a

Bíblia

Tanakh ou Tanach (em hebraico ‫ )ך״נת‬é um acrônimo utilizado dentro do judaísmo para denominar seu conjunto
principal de livros sagrados, sendo o mais próximo do que se pode chamar de uma Bíblia judaica.
O conteúdo do Tanakh é equivalente ao Antigo Testamento cristão, porém com outra divisão.
A palavra é formada pelas sílabas iniciais das três porções que a constituem, a saber:
• A Torá (‫)הרות‬, também chamado ‫( שמוח‬Chumash, isto é "Os cinco") refere-se aos cinco livros conhecidos como
Pentateuco, o mais importante dos livros do judaísmo.
• Neviim (‫" )םיאיבנ‬Profetas"
• Kethuvim (‫" )םיבותכ‬os Escritos"
O Tanakh é às vezes chamado de Mikrá (‫)ארקמ‬.

O Tanakh e o Antigo Testamento


A divisão refletida pelo acrônimo Tanakh está atestada em documentos do período do Segundo Templo e na
literatura rabínica. Durante aquele período, entretando, o acrônimo Tanakh não era usado, sendo que o termo
apropriado era Mikra ("Leitura"). Este termo continua sendo usado em nossos dias, junto com Tanakh, em referência
as escrituras hebraicas.
No hebraico moderno, o uso do termo Mikrá dá um tom mais formal do que o termo Tanakh.
De acordo com a tradição judaica, o Tanakh consiste de vinte e quatro livros. A Torá possui cinco livros, o Nevi'im
oito e o Ketuvim onze.
Esses vinte e quatro livros são os mesmos livros encontrados no Antigo Testamento protestante, mas sua ordem é
diferente. A enumeração também difere: os cristãos contam esses livros como trinta e nove, pois contam como vários
alguns livros que os judeus contam como um só.
O termo Velho Testamento, apesar de comum, é muitas vezes considerado pejorativo pelos judeus, pois pode ser
interpretado como inferior ou antiquado.
O termo Bíblia hebraica é adotado por alguns estudiosos para indicar que existe uma equivalência entre o Tanakh e o
Antigo Testamento, tentando evitar algum sectarismo.
Os Antigos Testamentos católico e ortodoxo contêm seis livros que não estão incluídos no Tanakh. Eles são
chamados "Deuterocanônicos", ou seja, foram canonizados em segundo ou mais tarde, mais precisamente durante a
contra-reforma. Todavia, tais livros sempre fizeram parte da literatura hebraica, sendo estudados nas sinagogas,
tendo um estimado valor dentro do judaísmo e para a história de Israel, como é o caso de I Macabeus e II Macabeus,
os quais narram a heróica resistência ao helenismo na Palestina.
Tanakh 56

Nas bíblias das Igrejas Católica Romana e Ortodoxas, Daniel e o Livro de Esther podem incluir material
deuterocanônico que não está na Tanakh ou no Antigo Testamento protestante.

Línguas
A maior parte dos livros do Tanakh estão escritos em hebraico. Partes de Daniel, Esdras,
uma sentença em Jeremias e um topônimo no Gênesis estão em aramaico, mas com
escrita hebraica.

Deuterocanônicos
O que aconteceu no Concílio de Trento foi apenas uma confirmação dos Livros aceitos
como pertencentes às Sagradas Escrituras que não é outra coisa senão a repetição da
mesma lista aprovada pelo Concílio de Hipona em 367 d.C. em seu canon nº. 36:
Cânon 36 – “Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na
Rolo de Torá
Igreja sob o nome 'Divinas Escrituras'. E as Escrituras canônicas são as seguintes:
• Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos(1),
• dois livros dos Paralipômenos(2)
• Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão(3),
• doze livros dos Profetas(4),
• Isaías, Jeremias(5),
• Daniel, Ezequiel, TOBIAS, JUDITE, Ester, dois livros de Esdras(6)
• e dois [livros] dos MACABEUS. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos(7),
• um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo (8), uma do mesmo aos Hebreus(9),
• duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João(10).
• Sobre a confirmação deste cânon se consultará a Igreja do outro lado do mar(11).
É também permitida a leitura das Paixões dos mártires na celebração de seus respectivos aniversários" (Concílio de
Hipona, 08.Out.393).
NOTA: Pelo que consta da lista acima e conforme anotações abaixo, estão contidos neste cânon os sete livros
DEUTEROCANÔNICOS alijados pelos rabinos e protestantes (destacados em MAIÚSCULAS).
1-Trata-se dos dois livros de Samuel (1Rs/2Rs) e os dois livros de Reis (3Rs/4Rs).
2-Isto é, os dois livros das Crônicas (1Cr/2Cr).
3-Ou seja: Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, SABEDORIA e ECLESIÁSTICO.
4-A saber: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e
Malaquias.
5-Incluindo as "Lamentações" e "BARUC", segundo a Septuaginta.
6-Isto é, o livro de Esdras e o livro de Neemias.
7-Mateus, Marcos, Lucas e João.
8-Aos Romanos, duas aos Coríntios, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, duas aos
Tessalonicenses, duas a Timóteo, a Tito e a Filemon.
9-Curiosa distinção resultada, provavelmente, dos escrúpulos que a Igreja Africana tinha a respeito da
autenticidade literária paulina dessa epístola.
10-Percebe-se, assim, que o cânon coincide perfeitamente com o cânon definido pelo Concílio de Trento.
11-Trata-se da Igreja de Roma.
Tanakh 57

Canon Judaico
De acordo coma tradição judaica (Midrash Rabbah 12:12) o Canon Judaico é composto de 24 livros que se agrupam
em 3 conjuntos: A Lei ou Instrução, Os Profetas e Os Escritos. Os livros de 1 e 2 Samuel, são reunidos em um só
livro, e 1 Reis e 2 Reis, também são considerados um só livro, assim como os 12 profetas "menores" estão em um só
livro - "Os 12 profetas". A ordem do Cânon é apresentada abaixo:

Torá ( ‫) הרות‬ Neviim ( ‫)םיאיבנ‬ Kethuvim (‫)םיבותכ‬


Instrução (Os 5 de Moisés) (5) Profetas (8) Escritos (11)
• Gênesis • Anteriores (4) • Livros da Verdade (Poéticos)
• Êxodo • Josué • Salmos
• Levítico • Juízes • Provérbios
• Números • 1 Samuel e 2 • Jó
• Deuteronómio Samuel • Os 5 Rolos
• 1 Reis e 2 Reis • Cantares
• Posteriores (4) • Rute
• Isaías • Lamentações
• Jeremias • Eclesiastes
• Ezequiel • Ester
• Os 12 Profetas • Profético
• Oséias • Daniel
• Naum • O Resto dos Escritos
• Joel • Esdras-Neemias
• Habacuque • Crônicas
• Amós
• Sofonias
• Obadias
• Ageu
• Jonas
• Miquéias
• Zacarias
• Malaquias

O historiador judeu Flávio Josefo descreve em sua obra Contra Ápion[1] , que o Canon possuía 22 livros. Algumas
escolas sugerem que ele considerou Rute como parte de Juízes, e Lamentações como parte de Jeremias. Jerônimo,
autor da célebre tradução da Bíblia para o latim conhecida como Vulgata, também fez essa mesma afirmação no
Prologus Galeatus.

Ver também
• Antigo Testamento
• Torá oral
• Talmud
[1] Project Gutenberg - Catálogo de Flávio Josefo (http:/ / www. gutenberg. org/ browse/ authors/ j#a1050).
Torá 58

Torá
Série sobre a

Bíblia

Torá | Neviim | Ketuvim


Livros da Torá

Bereshit Gênesis

Shemot Êxodo

Vayikrá Levítico

Bamidbar Números

Devarim Deuteronômio

Tóra (do hebraico ‫הָרֹוּת‬, significando instrução, apontamento, deleal) é o nome dado aos cinco primeiros livros do
Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah, ‫ הרות ישמוח השמח‬- as cinco partes da Torá) e que
constituem o texto central do judaísmo. Contém os relatos sobre a criação do mundo, da origem da humanidade, do
pacto de Deus com Abraão e seus filhos, e a libertação dos filhos de Israel do Egito e sua peregrinação de quarenta
anos até a terra prometida. Inclui também os mandamentos e leis que teriam sido dadas a Moisés para que entregasse
e ensinasse ao povo de Israel.
Chamado também de Lei de Moisés (Torat Moshê, ‫)הֶׁשֹמ־תַרֹוּת‬, hoje a maior parte dos estudiosos do Criticismo
Superior concordam que Moisés não é o autor do texto que possuímos, mas sim que se trate de uma compilação
posterior, enquanto os estudiosos do Criticismo Inferior acreditam que o texto foi escrito pelo próprio Moshê,
incluindo as partes que falam sobre sua morte. Por vezes o termo "Torá" é usado dentro do judaísmo rabínico para
designar todo o conjunto da tradição judaica, incluindo a Torá escrita, a Torá oral (ver Talmud) e os ensinamentos
rabínicos. O cristianismo baseado na tradução grega Septuaginta também conhece a Torá como Pentateuco, que
constitui os cinco primeiros livros da Bíblia cristã.

Divisão da Torá
As cinco partes que constituem a Torá são nomeadas de acordo com a primeira palavra de seu texto, e são assim
chamadas:
• ‫תישארב‬, Bereshit - No princípio conhecido pelo público não-judeu como Gênesis
• ‫תומש‬, Shemot - Os nomes ou Êxodo
• ‫ארקיו‬, Vaicrá - E chamou ou Levítico
• ‫רבדמב‬, Bamidbar- No ermo ou Números
• ‫םירבד‬, Devarim - Palavras ou Deuteronômio
Geralmente suas cópias feitas à mão, em rolos, e dentro de certas regras de composição, usadas para fins litúrgicos,
são conhecidas como Sefer Torá, enquanto suas versões impressas, em livro, são conhecidas como Chumash.
Torá 59

Origens e desenvolvimento da Torá


A tradição judaica mais antiga defende que a Torá existe desde antes da criação do mundo e foi usada como um
plano mestre do Criador para com o mundo, humanidade e principalmente com o povo judeu. No entanto, a Torá
como conhecemos teria sido entregue por Deus a Moisés, quando o povo de Israel, após sair do cativeiro no Egito,
peregrinou em direção à terra de Canaã. As histórias dos patriarcas, aliados ao conjunto de leis culturais, sociais,
políticas e religiosas serviram para imprimir sobre o povo um sentido de nação e de separação de outras nações do
mundo.
De acordo com algumas tradições, Moisés é o autor da Torá, e até mesmo a parte que discorre sobre sua morte
(Devarim Deuteronômio 32:50-52) teria sido fruto de uma visão antecipada dada por Deus. Outros defendem que,
ainda que a essência da Torá tenha sido trazida por Moisés, a compilação do texto final foi executada por outras
pessoas. Este problema surge devido ao fato de existirem leis e fatos repetidos, narração de fatos que não poderiam
ter sido escritos na época em que foram escritos e incoerência entre os eventos, que mostra a Torá como sendo fruto
de fusões e adaptações de diversas fontes de tradição. A Torá seria o resultado de uma evolução gradual da religião
israelita.
A primeira tentativa de sistematizar o estudo do desenvolvimento da Torá surgiu com o teólogo e médico francês Jan
Astruc. Ele é o pioneiro no desenvolvimento da teoria que a Torá é constituída por três fontes básicas, denominadas
jeovista, eloísta e código sacerdotal, e mais outras fontes além destas três. Deve-se enfatizar que, quando se fala
destas fontes, não se refere a autores isolados, mas sim a escolas literárias.
Um estudo sobre a história do antigo povo de Israel mostra que, apesar de tudo, não havia uma unidade de doutrina e
desconhecia-se uma lei escrita até os dias de Josias. As fontes jeovista e eloísta teriam sua forma plenamente
desenvolvida no período dos reinos divididos entre Judá e Israel (onde surgiria também a versão conhecida como
Pentateuco Samaritano). O livro de Deuteronômio só viria a surgir no reinado de Josias (621 a.C.). A Torá como
conhecemos viria a ser terminada nos tempos de Esdras, onde as diversas versões seriam finalmente fundidas.
Vemos então o início de práticas que eram desconhecidas da maioria dos antigos israelitas, e que só seriam aceitas
como mandamentos na época do Segundo Templo como a Brit milá, Pessach e Sucót por exemplo.

Conteúdo
Em Bereshit é narrada a criação do mundo e do homem sob o ponto de vista judaico, e segue linearmente até o pacto
de Deus com Abraão. São apresentados os motivos dos sofrimentos do mundo, a constante corrupção do gênero
humano e a aliança que Deus faz com Abraão e seus filhos, justificados pela sua fé monoteísta, em um mundo que se
torna mais idólatra e violento. Nos é apresentada a genealogia dos povos do Oriente Médio, e as histórias dos
descendentes de Abraão, até o exílio de Jacó e de seus doze filhos no Egito.
Em Shemot mostram-se os fatos ocorridos neste exílio, quando os israelitas tornam-se escravos na terra do Egito, e
Deus se manifesta a um israelita-egípcio, Moisés, e o utiliza como líder para libertação dos israelitas, que pretendem
tomar Canaã como a terra prometida aos seus ancestrais. Após eventos miraculosos, os israelitas fogem para o
deserto, e recebem a Torá dada por Deus. Aqui são narrados os primeiros mandamentos para Israel enquanto povo
(antes a Bíblia menciona que eram seguidos mandamentos tribais), e mostra as primeiras revoltas do povo israelita
contra a liderança de Moisés e as condições da peregrinação.
Em Vaicrá são apresentados os aspectos mais básicos do oferecimento das korbanot, das regras de cashrut e a
sistematização do ministério sacerdotal.
Em Bamidbar continuam-se as narrações da saga dos israelitas no deserto, as revoltas do povo no deserto e a
condenação de Deus à peregrinação de quarenta anos no deserto.
Em Devarim estão compilados os últimos discursos de Moisés antes de sua morte e da entrada na Terra de Israel.
Torá 60

Ver também
• Chumash
• Pentateuco
• Pentateuco samaritano
• Sefer Torá
• Visão islâmica da Torá
• Tanakh

Ligações externas
• União Sefardita Hispano-Portuguesa de Beneficência [1]
• Torá [2]
• Jewish Encyclopedia: Torah [3]
• Torah.Org [4]
• Torah Studies [5]
• Lidrosh Institute of Torah Education Aúdio em MP3 [6]
• YUTorah, Arquivo da Torá da Yeshiva University [7]

Referências
[1] http:/ / www. judaismo-iberico. org/ interlinear/ 0000. htm
[2] http:/ / www. chabad. org/ library/ article. asp?AID=145402
[3] http:/ / www. jewishencyclopedia. com/ view. jsp?artid=265& letter=T& search=Torah
[4] http:/ / www. torah. org
[5] http:/ / www. torahstudies. com
[6] http:/ / www. lidrosh. com
[7] http:/ / www. yutorah. org
Neviim 61

Neviim
Série sobre a

Bíblia

Torá | Neviim | Ketuvim
Livros de Neviim

Nevi'im Rishonim [‫]םינושאר םיאיבנ‬:

Yehoshua [‫]עשוהי‬

Shoftim [‫]םיטפוש‬

Shmu'el [‫]לאומש‬

Melakhim [‫]םיכלמ‬

Nevi'im Aharonim [‫םיאיבנ‬


‫]םינורחא‬:

Yeshayahu [‫]והיעשי‬

Yirmiyahu [‫]והימרי‬

Yehezq'el [‫]לאקזחי‬

Trei Asar [‫]רשע ירת‬


1. Hoshea [‫]עשוה‬
2. Yo'el [‫]לאוי‬
3. Amos [‫]סומע‬
4. Ovadyah [‫]הידבע‬
5. Yonah [‫]הנוי‬
6. Mikhah [‫]הכימ‬
7. Nakhum [‫]םוחנ‬
8. Habaquq [‫]קוקבח‬
9. Tsefania [‫]הינפצ‬
10. Haggai [‫]יגח‬
11. Zekharia [‫]הירכז‬
12. Malakhi [‫]יכאלמ‬

Neviim (do hebraico ‫ )םיאיבנ‬ou Profetas é o nome de uma das três seções do Tanakh, estando entre a Torá e
Kethuvim.
Neviim 62

Livros
Os livros em suas nomenclaturas hebraicas. A seção é geralmente é dividida em duas partes:
• Nevi'im Rishonim (Antigos Profetas) [‫]םינושאר םיאיבנ‬:
• Yehoshua - (Josué) - [‫]עשוהי‬
• Shoftim - (Juízes) - [‫]םיטפוש‬
• Shmu'el - (I Samuel e II Samuel) - [‫]לאומש‬
• Melakhim - (I Reis e II Reis) - [‫]םיכלמ‬
• Nevi'im Aharonim (Últimos Profetas) [‫]םינורחא םיאיבנ‬:
• Yeshayahu - (Isaías) - [‫]והיעשי‬
• Yirmiyahu - (Jeremias) - [‫]והימרי‬
• Yehezq'el - (Ezequiel) - [‫]לאקזחי‬
• Trei Asar (Doze Profetas Menores) [‫]רשע ירת‬
• Hoshea - (Oséias) - [‫]עשוה‬
• Yo'el - (Joel) - [‫]לאוי‬
• Amos - (Amós) - [‫]סומע‬
• Ovadyah - (Obadias) - [‫]הידבע‬
• Yonah - (Jonas) - [‫]הנוי‬
• Mikhah - (Miquéias) - [‫]הכימ‬
• Nakhum - (Naum) - [‫]םוחנ‬
• Habaquq - (Habacuque) - [‫]קוקבח‬
• Tsefania - (Sofonias) - [‫]הינפצ‬
• Haggai - (Ageu) - [‫]יגח‬
• Zekharia - (Zacarias) - [‫]הירכז‬
• Malakhi - (Malaquias) - [‫]יכאלמ‬
Ketuvim 63

Ketuvim
Série sobre a

Bíblia

Torá | Neviim | Ketuvim


Livros do Ketuvim

Os Três Livros Poéticos (Sifrei


Emet)

Tehillim ‫םילהת‬

Mishlei ‫ילשמ‬

`Iyyov ‫בויא‬

Os cinco rolos (Hamesh Megillot)

Shir ha-Shirim ‫( םירישה ריש‬Passover)

Rute ‫( תור‬Shavuot)

Eikhah ‫( הכיא‬Ninth of Av)

Kohelet ‫( תלהק‬Sukkot)

Ester ‫( רתסא‬Purim)

Outros livros históricos

Daniel ‫לאינד‬

Esdras ‫ארזע‬

Divrei ha-Yamim ‫םימיה ירבד‬

Ketuvim, é a terceira e última seção do Tanakh (a Bíblia hebraica), depois do Torah e do Nevi'im.
No hebraico, a palavra ‫( םיבותכ‬ketuvim) significa "escritos". Nas traduções da Bíblia Hebraica, esta secção é
normalmente intitulado "Escritos".
Na tradição judaica textual, os livros das crônicas são contado como um livro. Esdras e Neemias também são
contados como um único livro chamado "Esdras". Assim, existe um total de onze livros na seção denominada
Ketuvim (veja a enumeração na lista de livros abaixo).
Ketuvim 64

Ordem dos livros no Ketuvim


A lista seguinte apresenta os livros de 'Ketuvim', na ordem em que aparecem na maioria das edições impressas.
Grupo I: Os Três Livros Poéticos (Sifrei Emet)
• 1. Tehillim (Salmos) ‫םילהת‬
• 2. Mishlei (Provébios) ‫ילשמ‬
• 3. `Iyyov (Jó) ‫בויא‬
Group II: Os cinco rolos (Hamesh Megillot)
• 4. Shir ha-Shirim (Cântico dos Cânticos) ou (Cantares) ‫( םירישה ריש‬Passover)
• 5. Rute (Rute) ‫( תור‬Shavuot)
• 6. Eikhah (Lamentações) ‫( הכיא‬Ninth of Av) [Também chamado de Kinnot em hebreu.]
• 7. Kohelet (Eclesiastes) ‫( תלהק‬Sukkot)
• 8. Ester (Ester) ‫( רתסא‬Purim)
Group III: Outros livros históricos
• 9. Daniel (Daniel) ‫לאינד‬
• 10. Esdras (Esdras-Neemias) ‫ארזע‬
• 11. Divrei ha-Yamim (Crônicas) ‫םימיה ירבד‬
65

Cristianismo

Antigo Testamento
Série sobre a

Bíblia

O Antigo Testamento, também conhecido como Escrituras Hebraicas, constitui a primeira grande parte da Bíblia
cristã,[1] [2] e a totalidade da Bíblia hebraica. Foram compostos em hebraico ou aramaico.
Chama-se também Tanakh, acrônimo lembrando as grandes divisões dos escritos sagrados da Bíblia hebraica que
são os Livros da Lei (ou Torá), os livros dos profetas (ou Nevi'im), e os chamados escritos (Ketuvim). Entretanto, a
tradição cristã divide o antigo testamento em outras partes, e reordena os livros dividindo-os em categorias; Lei,
história, poesia (ou livros de sabedoria) e Profecias.

O Antigo testamento em hebraico


Muitos séculos antes de Cristo, escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas do povo hebreu mantiveram registros de
sua história e de seu relacionamento com Deus. Estes registros tinham grande significado e importância em suas
vidas e, por isso, foram copiados muitas e muitas vezes e passados de geração em geração.
Com o passar do tempo, esses relatos sagrados foram reunidos em coleções conhecidas por a Lei, os Profetas e os
Escritos. Esses três grandes conjuntos de livros, em especial o terceiro, não foram finalizados antes do Concílio de
Jamnia, que ocorreu no ínicio do século I, onde se pretendeu combater o crescimento do cristianismo, mas o cânon
do Antigo Testamento não foi fechado ainda nesse concilio, pois muitos livros ficaram de fora como o de Ester,
Daniel, Cântico dos Cânticos, e outros, perdurando até o século IV.
A Lei compreende os primeiros cinco livros, tais como na Bíblia cristã. Já os Profetas incluem: Isaías, Jeremias,
Ezequiel, os Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. Os escritos reúnem o grande livro de
poesia, os Salmos, além de Provérbios, Jó, Ester, Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Daniel,
Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas. Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos
confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas. Geralmente, cada um desses livros era
escrito em um pergaminho separado, embora a Lei ocupasse espaço maior era escrito em dois grandes pergaminhos.
O aramaico foi a língua original de algumas partes dos lívros de Daniel e de Esdras. Hoje se tem conhecimento de
que o pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico. Estima-se que foi escrito
durante o Século II a.C. e por isso, se assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na Sinagoga, em Nazaré.
Foi descoberto em 1947, juntamente com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar Morto.
Antigo Testamento 66

Diferentes composições do Antigo Testamento


Diferentes tradições cristãs possuem um diferente cânone para o Antigo Testamento. A Igreja Católica Romana
utilizou , a partir do século I, como canônica a versão chamada Septuaginta, que foi uma tradução dos escritos
hebraicos para o grego, feita antes mesmo do fechamento do cânone hebraico na tradição judaica. Assim, a
Septuaginta inclui material que não foi incluído na Bíblia Hebraica, de fontes diferentes e divergentes, inclusive
material original já escrito em grego. Os defensores da reforma protestante excluíram do cânone todos os livros ou
fragmentos que não correspondiam ao texto hebraico massorético, e como resposta a isso o Concílio de Trento em
1546 determinou que os livros de Judite, Tobias, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1° Macabeus e 2° Macabeus, os
capítulos 13 e 14 e os versículos 24 a 90 do capítulo 3 de Daniel, os capítulos 11 a 16 de Ester (todos existentes em
língua grega) deveriam ser tratados como canônicos, ao passo que os textos conhecidos como oração de Manassés e
os livros de 3 e 4 Esdras não mais o seriam. A Igreja Católica Ortodoxa acabou por decidir pela inclusão de Tobias,
Judite, Sirácida e Sabedoria.
Em outras tradições cristãs existe mais material adicional, como por exemplo na Bíblia Etíope e na Bíblia Copta. A
tradição reformada optou por seguir o cânone estabelecido pela tradição judaica, porém mantendo a diferente ordem
dos livros.

Temática do Antigo Testamento


O Antigo Testamento trata basicamente das relações entre Deus e o povo Israelita. Existem vários nexos temáticos
entre os livros de acordo com suas divisões (seja a cristã ou a hebraica). Única entre essas tradições é a primeira
divisão, a Torá ou Pentateuco, que trata da história sagrada do povo de Israel, a partir da criação do mundo até a
ocupação da Terra, passando pela legislação litúrgica e religiosa. Tradicionalmente, a Torá ou Lei é atribuída a
Moisés e, depois de sua morte, terminada por Josué; porém, muitos autores defendem que a formação da Torá foi um
processo longo passando por diversos grupos de autores até sua adoção uniforme pós-exílica.

Transmissão do texto
Quanto ao texto transmitido, não chegaram até nós nenhum rolo original de qualquer material bíblico. Atualmente os
documentos mais antigos que ainda exitem são oriundos do século II A.C, tais como o chamado Papíro Nash,
encontrado em 1902, no Egito, que contêm o decálogo e o texto da confissão de fé hebraica Shma Israel (Dt. 6:4), e
os manuscritos do Mar Morto encontrados em Qumran que incluem diversos fragmentos de textos de praticamente
todos os livros da Bíblia Hebraica com a exceção de Ester.
A partir de 100 d.C. a tradição fariseu-rabínica passou a dominar no judaísmo e desenvolveu-se um método de
auxílio na transmissão do texto, inclusive a correta vocalização. Os estudiosos que trabalharam para manter a
originalidade do texto, especialmente com o declínio do hebraico como língua falada, eram chamados de massoretas
e terminaram por elaborar um texto que passou a ganhar autoridade oficial entre os séculos VII e X, chamado de
texto masorético. Oriundos dessa tradição existem dois manuscritos importantes que baseiam as edições críticas do
texto atual: O códex Leningradensis e o Códex de Aleppo.
A subdivisão do texto em capítulos e versículos não vem do texto original. A primeira divisão existente foi a divisão
do texto da Torá (Pentateuco) em 54 parashot que são leituras semanais para o ano litúrgico judaico. A divisão por
capítulos foi introduzida pelos cristãos com o objetivo prático de auxiliar a referência a textos. Uma das atuais
divisões em capítulos foi realizada por Stephan Langton por volta de 1200 d.C. e foi adotada primeiramente num
manuscrito hebraico no século XIV. A divisão em versículos foi resultado de um processo que só chegou ao final no
século XVI. Por isso a tradição reformada, que rompeu com a tradição católica romana antes desse período, possui
diferenças na contagem de capítulos e versículos.
Antigo Testamento 67

Livros
Pentateuco Livros Históricos Livros Poéticos e Sapienciais Livros Proféticos
• Gênesis • Josué • Jó (ou Job) • Isaías
• Êxodo • Juízes • Salmos • Jeremias
• Levítico • Rute • Provérbios • Lamentações
• Números • I Samuel • Eclesiastes (Coélet) • Baruc
• Deuteronómio • II Samuel • Cânticos dos Cânticos • Ezequiel
• I Reis • Sabedoria • Daniel
• II Reis • Eclesiástico (Sirácida) • Oséias
• I Crônicas • Joel
• II Crônicas • Amós
• Esdras • Obadias (ou Abdias)
• Neemias • Jonas
• Tobias • Miquéias
• Judite • Naum
• Ester • Habacuque (ou
• I Macabeus Habacuc)
• II Macabeus • Sofonias
• Ageu
• Zacarias
• Malaquias

• Observação: Livros em itálico são deuterocanônicos

Ver também
• Bíblia Hebraica Stuttgartensia
• Pergaminhos do Mar Morto
• Novo Testamento
[1] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[2] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8

Ligações externas
• Biblia Hebraica Stuttgartensia (http://www.scripture4all.org/OnlineInterlinear/Hebrew_Index.htm) - Online
com transliteração para o inglês.
68

Personagens

Adão e Eva
Adão e Eva

Nome hebraico ‫ םדא‬e ‫הוח‬


ou grego

Pais Deus

Filhos Abel, Caim e Sete

Anos de vida 930 anos (Adão)

Livros Gênesis Cap. 1 a 3 ,,Outros: Alcorão 2:30-39, 7:11-25, 15:26-44, 17:61-65, 20:115-124, 38:71-85 , Livro de Mórmon : 2 Néfi
cap.2, Pérola de Grande Valor : Livro de Moisés cap. 2 a 5 , Livro de Abraão Cap. 3 a 4 .

Segundo a Bíblia e o Alcorão, Adão e Eva foram o primeiro casal criado por Deus. Adão (do hebraico ‫םדא‬
relacionado tanto a adamá, solo vermelho ou do barro vermelho, quanto a adom, "vermelho", e dam "sangue") é
considerado dentro da tradição judaico-cristã e islâmica como o primeiro ser humano, uma nova espécie criada
diretamente por Deus. Teria sido criado a partir da terra à imagem e semelhança de Deus para domínio sobre a
criação terrestre.
Tal como Adão, Eva também foi criada directamente por Deus da costela de Adão. Algumas pessoas consideram
que a palavra tsella foi erradamente traduzida por costela.[1] O nome Eva deriva do hebraico hav.váh, que significa
"vivente", e teria sido dado pelo próprio Adão. No grego, é vertido por zoé, que significa "vida", e não bios. Nisto
estará implícito a ideia da maternidade. O papel atribuído à mulher era de uma escrava submissa ao homem e a sua
vontade [carece de fontes?].
Eva, e mais tarde Adão, teriam comido o fruto proibido da árvore da ciência (do "conhecimento do bem e do mal")
criada por Deus, e após o ocorrido, de acordo com a tradição cristã toda a humanidade ficou privada da perfeição e
da perspectiva de vida infindável. Surgiria para os cristãos aqui a noção de pecado herdado - tendência inata de pecar
- e a necessidade de um resgate da humanidade condenada à morte. Após comerem do fruto proibido, Adão e Eva
tiveram ciência de que andavam nus e, por isso, esconderam-se ao notar a presença de Deus no Jardim do Éden.Deus
os expulsou do jardim do Éden, e os deu roupas de pele animal.
Adão e Eva foram pais de Caim, Abel, Sete, e mais outros filhos e filhas. Segundo Gênesis 5:5, Adão teria vivido
930 anos, alcançando até Lameque, pai de Noé, a oitava geração de sua descendência.

Etimologia
Adão (hebraico: ‫םָדָא‬, "Homem"; árabe: ‫ ;مدآ‬ge'ez: አዳም).
Eva' (hebraico: ‫הָּוַח‬, Ḥavva, "Vivente"; árabe: ‫ءاوح‬, Hawwaa; Ge'ez:( ሕይዋን, Hiywan)

Visão judaica
De acordo com a visão rabínica, o homem, ao ser criado à imagem e semelhança de Deus, estaria sendo assim um
microcosmo das forças da criação, argumento do qual se ocupa maior parte da Cabala. Para Maimônides, apenas o
homem apresenta livre-arbítrio um atributo considerado divino. Rashi explica que a imagem e semelhança trata-se de
um arquétipo conceitual, modelo ou plano que Deus teria feito para o homem e incorporado no que é chamado de
Adão e Eva 69

homem primordial Adam Kadmon.

Visão cristã
A Igreja Católica, assim como muitas outras religiões chamadas
cristãs, condena o poligenismo, ou seja, que teriam existido vários
casais humanos que deram origem a todo o resto da humanidade. A
Igreja não condena, entretanto, a teoria da evolução, pois a forma com
que surgiu a matéria corpórea não faz parte do depósito de fé da Igreja.
A Igreja deixa aberta esta discussão, segundo a Carta Encíclica
Humanis Generis, desde que o fiel creia que em algum momento Deus
concedeu ao homem uma alma, que o diferenciou dos outros animais.
Ainda segundo a Carta Encíclica Humanis Generis, o poligenismo não
está em discussão, visto que esta idéia não se harmoniza com a
explicação do pecado original, que foi cometido por apenas um
homem. Sendo assim, a Igreja ensina a todos os fiéis que Adão e Eva
são verdadeiramente os únicos primeiros pais da humanidade, criados
por Deus, a quem Ele concedeu uma alma, e que foram criados em
estado de graça, mas que havendo o desejo de tornarem-se como o seu
criador, pecaram por desobediência e foram destituídos da graça
santificante, fazendo com que toda humanidade caísse. Esta graça,
segundo o que ensina a Igreja Católica, foi concedida novamente Adão e Eva. Mabuse, Século XVI.

através do Batismo estabelecido por Cristo.

Ainda há outras correntes cristãs, que acreditam numa leitura mais literal da Bíblia, e portanto também crêem na
existência real dos personagens Adão e Eva, assim como mencionados no relato da criação

Adão e Eva como parábola


Alguns teólogos tem procurado conciliar a história de Adão e Eva com a Teoria da Evolução.
Teilhard de Chardin foi um padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês que logrou construir uma visão
integradora entre ciência e teologia. Através de suas obras, legou-nos uma filosofia que reconcilia a ciência do
mundo material com as forças sagradas do divino e sua teologia. Disposto a desfazer o mal entendido entre a ciência
e a religião, conseguiu ser mal visto pelos representantes de ambas. Muitos colegas cientistas negaram o valor
científico de sua obra, acusando-a de vir carregada de um misticismo e de uma linguagem estranha à ciência. Do
lado da Igreja Católica, por sua vez, foi proibido de lecionar, de publicar suas obras teológicas e submetido a um
quase exílio na China.
"Aparentemente, a Terra Moderna nasceu de um movimento anti-religioso. O Homem bastando-se a si mesmo. A
Razão substituindo-se à Crença. Nossa geração e as duas precedentes quase só ouviram falar de conflito entre Fé e
Ciência. A tal ponto que pôde parecer, a certa altura, que esta era decididamente chamada a tomar o lugar daquela.
Ora, à medida que a tensão se prolonga, é visivelmente sob uma forma muito diferente de equilíbrio – não
eliminação, nem dualidade, mas síntese – que parece haver de se resolver o conflito."
O Padre Ariel Álvarez Valdez sustenta que trata-se de uma parábola composta por um catequista hebreu, a quem os
estudiosos chamam de “yahvista”, escrita no século X AC, que não pretendia dar uma explicação científica sobre a
origem do homem, mas sim fornecer uma interpretação religiosa, e elegeu esta narração na qual cada um dos
detalhes tem uma mensagem religiosa, segundo a mentalidade daquela época[2] .
Adão e Eva 70

John F. Haught, filósofo americano criador do conceito de Teologia evolucionista, diz que "o retrato da vida
proposto por Darwin constitui um convite para que ampliemos e aprofundemos nossa percepção do divino. A
compreensão de Deus que muitos e muitas de nós adquirimos em nossa formação religiosa inicial não é grande o
suficiente para incorporar a biologia e a cosmologia evolucionistas contemporâneas. Além disso, o benigno designer
[projetista] divino da teologia natural tradicional não leva em consideração, como o próprio Darwin observou, os
acidentes, a aleatoriedade e o patente desperdício presentes no processo da vida”, e que “Uma teologia da evolução,
por outro lado, percebe todas as características perturbadoras contidas na explicação evolucionista da vida”, sobre as
idéias de Richard Dawkins, Haught declara que: “A crítica da crença teísta feita por Dawkins se equipara, ponto por
ponto, ao fundamentalismo que ele está tentando eliminar”[3] .
Ilia Delio, teóloga americana, sustenta que a teologia pode “tirar proveito” das aquisições de uma ciência que vê na
“mutação” o núcleo essencial da matéria[4] .
O Rabino Nilton Bonder sustenta que: "a Bíblia não tem pretensões de ser um manual eterno da ciência, e sim da
consciência. Sua grande revelação não é como funciona o Universo e a realidade, mas como se dá a interação entre
criatura e Criador"[5] .

Patriarcalismo hebreu

Eva como metáfora


Segundo Joseph Campbell a "metade da população mundial acha que as metáforas das suas tradições religiosas são
fatos. A outra metade afirma que não são fatos de forma alguma. O resultado é que temos indivíduos que se
consideram fiéis porque aceitam as metáforas como fatos, e outros que se julgam ateus porque acham que as
metáforas religiosas são mentiras".[6] Uma dessas grandes metáforas é a de Eva. Campbell expõe que o
Cristianismo, originalmente uma seita do judaísmo, abraçou a cultura e a história pagã e a metáfora da costela de
Adão exemplifica o distanciamento dos hebreus da religião cultuada entre os antigos—o do culto à Mãe Terra, Mãe
Cósmica ou Deusa mãe. Este culto insere-se dentro de um contexto social e religioso cujas raízes remontam aos
registros pré-históricos do Paleolítico ou ainda a uma fase informe do mundo. A arqueologia pré-histórica e a
mitologia pagã registram esta origem do culto à´Deusa mãe na medida em que as mais remotas descobertas de uma
religião humana remontam, inicialmente, ao culto aos mortos, e ao intenso culto da cor vermelha ou ocre associado
ao sangue menstrual. Na mitologia grega, a chamada mãe de todos os deuses, a deusa Réia (ou Cibele, entre os
romanos), exprime este culto na própria etimologia: réia significa terra ou fluxo.[7] Campbell argumenta que Adão
foi criado a partir do barro vermelho ou argila.
A identidade da religião com a Mãe Terra, a fertilidade, a origem da vida e da manutenção da mesma com a mulher,
seria, segundo Campbell, retratada também na Bíblia: …a santidade da terra, em si, porque ela é o corpo da Deusa.
Ao criar, Jeová cria o homem a partir da terra, do barro, e sopra vida no corpo já formado. Ele próprio não está
ali, presente, nessa forma. Mas a Deusa está ali dentro, assim como continua aqui fora. O corpo de cada um é feito
do corpo dela. Nessas mitologias dá se o reconhecimento dessa espécie de identidade universal.[8]
Adão e Eva 71

Segundo Campbell, o patriarcalismo surgido com os hebreus deve-se,


entre outras razões, à atividade belicosa de pastoreio de gado bovino e
caprino e às constantes perseguições religosas que desencadeavam o
nomadismo e a perda de identidade territorial.[9] Patriarcado é uma
palavra derivada do grego pater, e se refere a um território ou
jurisdição governado por um patriarca; de onde a palavra pátria. Pátria
relaciona-se ao conceito de país, do italiano paese, por sua vez
originário do latim pagus, aldeia, donde também vem pagão. Pátria,
patriarcado e pagão tem a mesma raiz.

Eva e a representação da mulher no Cristianismo


Devido ao fato de Eva ter partilhado com Adão o fruto da árvore
proibida, justificou-se por longos anos no Cristianismo e no Judaísmo
uma suposta inferioridade da mulher. Principalmente porque, após o
pecado original, Deus disse que a mulher seria governada pelo marido. Embora haja poucas informações na Bíblia
sobre a vida da personagem Eva, é a mulher quem se faz presente na maioria dos diálogos do livro de Gênesis sobre
a vida do primeiro casal da humanidade.

Após ser expulsa do Paraíso, Eva demonstra fé e gratidão a Deus nas palavras proferidas na ocasião do nascimento
do primeiro e do terceiro filho. Assim, quando Caim nasce, Eva diz: Adquiri um varão com o auxílio de Jeová.
(Gênesis 4:1)
As palavras de Eva, proferidas com o nascimento de Sete, demonstram fé e esperança, enquadrando a mulher no
papel de companheira auxiliadora do homem, que estabelece um relacionamento de proximidade com Deus.

Historia de Adão e Eva nos apócrifos


De acordo com o Livro dos Jubileus, Adão e Eva teriam passado sete anos no Paraíso, antes de serem tentados pela
serpente, e expulsos do Éden. E de acordo com O Primeiro Livro de Adão e Eva, eles quando saíram do jardim,
receberam a ordem de habitarem numa caverna, que foi chamada de A Caverna dos Tesouros. O livro diz que eles
sofreram muito após terem saído do jardim, principalmente no primeiro ano após a expulsão; por várias vezes
tentaram cometer suicídio ou retornar ao Paraíso, até que tiveram os primeiros filhos (Caim, Abel e suas irmãs - não
mencionadas na Bíblia).
Conforme O Primeiro Livro de Adão e Eva, o casal teria se arrependido amargamente, e alcançado perdão; e por
várias vezes receberam de Deus a promessa de um resgate, de um redentor que nasceria na semente humana, para
resgatar sua descendência, e essas promessas os consolavam.
Enfrentaram a hostilidade de Satã, que tentava matá-los, e os enganava transformando-se em anjo de luz, e
dizendo-lhes ser um mensageiro celestial, incubido de lhes trazer mensagens divinas. Mesmo estando fora do jardim,
Adão e Eva ouviam a voz de Deus, que sempre lhes enviava sua palavra, respondendo suas indagações. Os apócrifos
Vida de Adão e Eva e O Segundo Livro de Adão e Eva, dizem que o patriarca Adão morreu primeiro do que Eva ,
que continuou viva após a morte do primeiro homem. E o Livro "A História do Universo", diz que o jovem casal
eram perfeitos em beleza e formosura.
Bar Hebraeus, em sua Cronografia, sumariza várias informações sobre Adão e Eva: Adão foi criado em uma
sexta-feira, no sexto dia do mês Nisã, o primeiro mês do primeiro ano de existência do mundo[10] . Citando Anianus,
que se baseou no Livro de Enoch, Caim nasceu setenta anos após a explusão do paraíso, Abel sete (ou setenta) anos
apóis Caim, Abel foi morto com cinquenta e três anos e Sete nasceu cem anos depois (pois Adão e Eva passaram
cem anos de luto)[11] . Citando Methodius, Caim e sua irmã Klymia nasceram trinta (ou três) anos após a expulsão do
paraíso, Abel e sua irmã Labhudha trinta anos após Caim, Adão foi morto quando Adão tinha cento e trinta anos, e
Adão e Eva 72

Sete nasceu quando Adão tinha duzentos e trinta anos[12] .

Longevidade de Adão e dos patriarcas bíblicos


Segundo os versos de 3 a 5 do capítulo 5 de Gênesis, Adão teria sido pai de Sete aos 130 anos e viveu 800 anos
gerando filhos e filhas. Na tabela abaixo tem-se uma melhor noção da longevidade alcançada por Adão e os seus
descendentes:

Idades dos patriarcas


nome idade ao ser pai idade ao morrer

Adão 130 930

Sete 105 912

Enos 90 905

Cainan 70 910

Mahalalel 65 895

Jarede 162 962

Enoque 65 365

Matusalém 187 969

Lameque 182 777

Noé 500 950

Sem 100 600

Arpachade 35 438

Selá 30 433

Éber 34 464

Pelegue 30 239

Reú 32 239

Serugue 30 230

Naor 29 148

Terá 70 205 (assassinado)

Abraão 100 175

Isaque 60 180

Historicidade da Narrativa de Adão e Eva


A arqueologia, paleontologia e antropologia, estabelecem o aparecimento do Homo sapiens sapiens (o homem
moderno), há cerca de 160 mil anos, num período geológico muito recente, a partir da África, no Vale de Omo, no
Sudoeste da Etiópia. A evolução biológica da espécie humana seria o resultado da adaptação do Homo erectus (o
antepassado do homem moderno) ao meio em que vivia. Desde então, o Homo sapiens teria evoluído,
multiplicando-se cada vez mais, tornando-se na espécie dominante do Planeta.
[1] Psicanálise em curso (http:/ / www. psicanaliseemcurso. com. br/ index. php?option=com_content& view=article&
id=5:a-mulher-e-o-monoteismo& catid=1:artigos-em-revistas& Itemid=8)
[2] Adão e Eva: origem ou parábola? (http:/ / amaivos. uol. com. br/ amaivos09/ noticia/ noticia. asp?cod_noticia=9845& cod_canal=29),
acessado em 20 de julho de 2010
Adão e Eva 73

[3] Entrevista com John F. Haught: Uma teologia da evolução precisa mostrar que a fé bíblica não contradiz o caráter evolutivo do mundo (http:/
/ www. ihuonline. unisinos. br/ index. php?option=com_tema_capa& Itemid=23& task=detalhe& id=834), acessado em 20 de julho de 2010
[4] Fé e evolução, binômio possível (http:/ / www. ihu. unisinos. br/ index. php?option=com_noticias& Itemid=18& task=detalhe& id=16428),
traduzido a partir de entrevista publicada em 23 de agosto de 2008, acessado em 20 de julho de 2010
[5] Darwin e heresias (http:/ / www. ihu. unisinos. br/ index. php?option=com_noticias& Itemid=18& task=detalhe& id=20349), publicado no
jornal O Globo de 03 de março de 2009, acessado em 20 de julho de 2010
[6] Tu és Isso: A Religião como Metáfora (http:/ / www. duplipensar. net/ artigos/ 2006-Q4/
resenha-do-livro-tu-es-isso-religiao-como-metafora-joseph-campbell. html)
[7] Theoi, Rhea (http:/ / www. theoi. com/ Titan/ TitanisRhea. html)
[8] As máscaras de Deus,p. 104
[9] Desvendando a sexualidade (http:/ / books. google. com. br/ books?id=PGocizBPj0EC& pg=PA63& lpg=PA63& dq=hebreus+ origens+ do+
patriarcalismo& source=bl& ots=HlFBclvN_2& sig=sp2txiRqk-lYZIBhbR82T9msLF0& hl=pt-BR& ei=c4jTSYfXKJmEtgOBmrjxCw&
sa=X& oi=book_result& resnum=6& ct=result#PPA64,M1)
[10] Bar Hebraeus, Cronografia, Os Patriarcas, de Adão a Moisés, A primeira série de gerações, que começou com os Patriarcas, 1.3.1. Texto
traduzido para o inglês por Robert Bedrosian no seu site (http:/ / rbedrosian. com/ BH/ bh2. htm)
[11] Anianus, citado por Bar Hebraeus, Cronografia, Os Patriarcas, de Adão a Moisés, A primeira série de gerações, que começou com os
Patriarcas', 1.3.2'
[12] Methodius, citado por Bar Hebraeus, Cronografia, Os Patriarcas, de Adão a Moisés, A primeira série de gerações, que começou com os
Patriarcas, 1.3.3

Ver também
• Eva mitocondrial
• Bereshit
• Criacionismo
• Gênesis

Genealogia de Adão até Davi segundo a Bíblia

Adão até Sem Adão Sete Enos Quenan Mahalalel Jarede Enoque Matusalém Lameque Noé Sem

Arpachade até Jacó Arpachade Selá Éber Pelegue Reú Serugue Nahor Terá Abraão Isaac Jacó

Judá até Davi Judá Perez Ezron Aram Aminadabe Naasom Salmom Boaz Obed Jessé Davi

Profetas do islão no Alcorão

Adam Idris Nuh Hud Saleh Ibrahim Lut Ismail Ishaq Yaqub Yusuf Ayub
‫مدآ‬ ‫حون‬ ‫دوه‬ ‫حلاص‬ ‫ميهاربا‬ ‫طول‬ ‫ليعامسا‬ ‫ثيش‬ ‫قاحسا‬ ‫بوقعي‬ ‫فسوي‬ ‫بويأ‬

Adão Enoque Noé Éber Selá Abraão Ló Ismael Isaac Jacó José Jó

Shoaib Musa Harun Dhul-Kifl Daud Sulayman Ilyas Al-Yasa Yunus Zakariya Yahya Isa Muhammad
‫بيعش‬ ‫ىسوم‬ ‫نوراه‬ ‫لفكلا وذ‬ ‫دواد‬ ‫ناميلس‬ ‫سايلإ‬ ‫عسيلا‬ ‫سنوي‬ ‫ايركز‬ ‫ىيحي‬ ‫ىسيع‬ ‫دمحم‬

Jetro Moisés Aarão Ezequiel David Salomão Elias Eliseu Jonas Zacarias João Jesus Maomé
Batista
Caim 74

Caim
Caim

Nome hebraico ou grego ‫ןִיַק‬

Pais Adão e Eva

Filhos Enoque

Anos de vida Não informa

Livros Gênesis Cap. 4

Caim é um personagem do Antigo Testamento da Bíblia, sendo o filho primogênito de Adão e Eva. Era um lavrador.
Em hebraico, ‫ןִיַק‬, Caim significa lança, sendo que a sua transliteração seria Qayin. Este nome também é associado a
uma outra forma verbal, "Qanah", que pode significar "obter" ou "provocar ciúme". Algumas obras associam o nome
com a expressão "algo produzido"..

Narrativa Bíblica
Segundo a Bíblia, Caim teria sido um dos primeiros (não exclusivamente o primeiro) homem nascido de gravidez
normal na terra, resultado das relações sexuais de Adão e Eva. Gênesis 4:1 esclarece: "O homem conheceu Eva, sua
mulher; ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: 'Adquiri um varão com a ajuda de "Deus, o Senhor" (Bíblia de
Jerusalém).
Devido às palavras que Eva proferiu por ocasião do
nascimento do seu primogénito, alguns eruditos
bíblicos sugerem que Eva achava que Caim era o
"descendente ou semente" que destruiria a serpente,
conforme prometido por Deus nas palavras dirigidas à
serpente: "E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre
a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça e
tu lhe ferirás o calcanhar" (Gênesis 3:15 - Almeida) Se
Caim compartilhava esta crença, estavam ambos
equivocados, visto que aquelas palavras proféticas
acabariam por dirigir-se ao Messias.

Caim e Abel
Em determinada ocasião, Caim e o seu irmão mais
novo Abel apresentaram ofertas a Deus. Caim
apresentou frutas do solo e Abel ofereceu primícias do
seu rebanho. (Gênesis 4:3, 4). A oferta de Abel teria
agradado a Deus, enquanto que a de Caim não. Tudo
indica que o sacrifício de Abel foi oferecido com fé, em
face da declaração bíblica de que "Pela fé Abel Caim conduzindo Abel à morte,
quadro de James Tissot.
ofereceu a Deus um sacrifício superior ao de Caim.
Pela fé ele foi reconhecido como justo, quando Deus
aprovou as suas ofertas." (Hebreus 11:4), um sacrifício total.
Caim 75

Possuído por ciúmes, Caim armou uma emboscada para seu irmão. Sugeriu a Abel que ambos fossem ao campo e, lá
chegando, Caim matou seu irmão; este teria sido o primeiro homicídio da história da humanidade.
Respondendo ainda com arrogância ao ser interpelado por Deus, o Criador sentenciou-o ao banimento do solo, além
de ser condenado à condição de errante pelo mundo, que parte em busca de um futuro indefinido em um deserto de
homens. Caim lamentou a severidade da sua punição e mostrou ansiedade quanto à possibilidade de o assassinato de
Abel ser vingado nele, mas, ainda assim, não expressou nenhum arrependimento. O Criador "estabeleceu um sinal
para Caim", o signo protetor que designa a criatura de Deus, a marca do filho de Adão, para impedir que fosse morto,
mas o registo não diz que esse sinal ou marca fosse colocado de algum modo no próprio Caim.

Os descendentes de Caim
Após ter matado Abel, Caim teria partido para a "terra da Fuga (Nod ou Node), ao leste do Éden", levando consigo a
sua esposa, uma anónima filha de Adão e Eva. Após o nascimento de seu filho, Henoc (Enoque), Caim empenhou-se
em construir uma cidade, dando-lhe o nome do seu filho.
Os descendentes de Caim são alistados em parte, e
incluem homens que se distinguiram pela pecuária
nómada, por tocarem instrumentos musicais, por
forjarem ferramentas de metal, bem como alguns
conhecidos por praticarem a poligamia e a violência.
(Gênesis 4:17-24) Segundo a Bíblia, a descendência de
Caim terminou com o Dilúvio dos dias de Noé.

O texto bíblico de Gênesis deixa implícito que Caim


poderia ter sido assassinado por seu descendente
Lameque, quando fala sobre o castigo que este
enfrentaria:
E disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zilá, ouvi a
minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai o mei Caim em pintura anacrônica, assassinando Abel em manuscrito do
duto: porque eu matei um varão, por me ferir, e um Século XV.
jovem, por me pisar. Porque sete vezes Caim será
vingado; mas Lameque, setenta vezes sete. (Gênesis 4:23-24)

Outras informações não-bíblicas

Semente da serpente
Para alguns, o acto da sua concepção mantém-se um enigma, uma vez que defendem o facto de Caim ser o resultado
do relacionamento de Eva com a serpente.

Livro dos Jubileus


Segundo o livro dos Jubileus, (livro apócrifo, sem autoridade reconhecida), Caim casou-se com a sua irmã Avan
(Awan) e teve um filho chamado de Enoque cerca de 196 anos após Deus ter criado Adão. Quando Enoque nasceu
Caim fundou a primeira cidade com o mesmo nome de seu filho, nas terras de Nod. (Jubileu 4:9) Este mesmo livro
relata a morte de Caim quando o telhado da sua casa lhe caiu em cima.
Caim 76

Sinal de Caim
Há várias especulações sobre qual seria a marca de Caim. Segundo textos mórmons, esta marca estaria relacionada à
cor da pele de Caim (relatado em Pérola de Grande Valor), e que tenha sido ele o pai da raça negra africana[1] .
Na ficção de Vampiro: A Máscara, a marca de Caim é o vampirismo.

Caim na cultura popular e literatura


• No jogo de RPG Vampiro: A Máscara, Caim é o primeiro vampiro.
• O livro de José Saramago, "Caim", apresenta o Antigo Testamento sob o ponto de vista de Caim.[2]
[1] Livro de Moisés 7:22 (http:/ / scriptures. lds. org/ pt/ moses/ 7)
[2] Saramago volta-se a Caim (http:/ / br. noticias. yahoo. com/ s/ 27102009/ 11/ entretenimento-saramago-volta-se-caim. html), no Yahoo!
Noticias]

Referências Bíblicas
• Gênesis 4:1-17.
• Hebreus 11:4.
• 1 João 3:12.
• Judas 1:11.

Genealogia de Adão até Davi segundo a Bíblia

Adão até Sem Adão Sete Enos Quenan Mahalalel Jarede Enoque Matusalém Lameque Noé Sem

Arpachade até Jacó Arpachade Selá Éber Pelegue Reú Serugue Nahor Terá Abraão Isaac Jacó

Judá até Davi Judá Perez Ezron Aram Aminadabe Naasom Salmom Boaz Obed Jessé Davi
Abel 77

Abel
Abel

Nome hebraico ou grego ‫לבה‬

Pais Adão e Eva

Filhos Não teve

Anos de vida Não informa

Livros Gênesis Cap. 4, Hebreu


11:4.

Abel é uma personagem bíblico, segundo filho de


Adão e Eva, morto por seu irmão Caim. O
significado de seu nome é, provavelmente, algo
como fôlego, ou vapor, ou simplesmente nada.
Algo considerável perecível, como se fosse um
pre-aviso de seu destino, morto ainda bem jovem.
Foi chamado de "justo" (Herbreus 11:4).

Gênesis
Abel é primeiro mencionado em Gênesis 4:2, como
um pastor de ovelhas. Em seguida, a narrativa diz
que seu irmão mais velho, Caim, um agricultor,
ofereceu a Deus os "frutos da terra", enquanto Abel
teria oferecido o sacrifício de uma ovelha. Deus
teria se agradado mais com a oferta de Abel, pois
este teria oferecido a melhor parte do que tinha e
Caim ofereceu o que restava de seus bens.
Assim,Caim se enfureceu e matou-o com uma
pedra.

A Morte de Abel, gravura de Gustave Doré, (1832-1883).


Sacrifício da ovelha
A atitude de Abel ao sacrificar um animal de criação em nome de Deus aparece como um retrato da antiga prática
judaica subseqüente de sacrificar animais. A inclusão deste detalhe na narrativa de Gênesis pode ser, segundo
estudiosos, fruto de antigas tradições orais que serviriam de justificativa para as práticas tradicionais (que, no caso de
Abel, remontariam desde os primeiros tempos do homem na Terra, sendo, portanto, tradição inviolável). Abel
também é instrumento para a condenação do fratricídio na sociedade hebraica, visto que Deus condena Caim e seus
descedentes por seu crime.
Abel 78

Referências Bíblicas
• Gênesis 4:1-8.
• Mateus 23:35.
• Lucas 11:51.
• Hebreus 11:4 e 12:24.

Genealogia de Adão até Davi segundo a Bíblia

Adão até Sem Adão Sete Enos Quenan Mahalalel Jarede Enoque Matusalém Lameque Noé Sem

Arpachade até Jacó Arpachade Selá Éber Pelegue Reú Serugue Nahor Terá Abraão Isaac Jacó

Judá até Davi Judá Perez Ezron Aram Aminadabe Naasom Salmom Boaz Obed Jessé Davi

Sete (Bíblia)
Sete

Nome hebraico ou grego ‫תֵׁש‬

Pais Adão e Eva

Filhos Enos

Anos de vida 912

Livros Gênesis Cap. 4 e


5

Seth, Set, Shet ou Sete (do hebraico ‫ תֵׁש‬apontado, substituto) é um personagem do Antigo Testamento da Bíblia,
considerado como o terceiro filho de Adão e Eva e pai de Enos, sendo citado brevemente no livro de Gênesis.
Sete (Bíblia) 79

Depois da morte de Abel, Sete é indicado como justo pela teologia


judaico-cristã, em contraponto com Caim. No livro apócrifo de Zohar
1:36b, Sete é chamado de ancestral de todas as gerações dos justos. De
acordo com o Livro dos Jubileus, também apócrifo, Sete casou-se com sua
irmã mais jovem Azura e teve vários filhos, entre os quais Enos. No islão,
Sete é considerado um dos profetas islâmicos.

Embora em Gênesis não seja mencionada quem teria sido a esposa de Sete
e nem de Caim, é confirmado que o patriarca teve como filho Enos, aos
105 anos, e morreu aos 912 anos, gerando filhos e filhas. Pelos cálculos a
respeito da vida dos patriarcas, significa que Sete teria alcançado o
arrebatamento de Enoque e o nascimento de Noé.
Segundo Gênesis 4:26, com o nascimento de Enos, os homens passaram a
invocar a Deus, o que teria sido o nascimento da religião e indica que Sete
poderia ter sido um dos primeiros sacerdotes da humanidade.
O movimento dos Santos dos Últimos Dias diz que Sete foi ordenado com
a idade de 69 anos por Adão, e três anos antes de sua morte, Adão teria
abençoado Sete e sua descendência até o fim dos dias (D&C 107:42). É
importante esclarecer que Sete é também o nome de um personagem
jaredita do Livro de Éter.
Alguns estudiosos do século XIX identificaram Sete com Shitti, um epíteto
do deus Marduque[carece de fontes?].
Representação de Sete em mural de 1630.

Idades dos patriarcas


nome idade ao ser pai idade ao
morrer

Adão 130 930

Sete 105 912

Enos 90 905

Cainan 70 910

Mahalalel 65 895

Jarede 162 962

Enoque 65 365

Matusalém 187 969

Lameque 182 777

Noé 500 950

Sem 100 600

Arpachade 35 438

Selá 30 433

Éber 34 464

Pelegue 30 239
Sete (Bíblia) 80

Reú 32 239

Serugue 30 230

Naor 29 148

Terá 70 205

Abraão 100 175

Isaque 60 180

Ver também
• Seth (Santo Patriarca)
• Set (Bíblia)
• Pilares dos filhos de Set
• Setianismo

Genealogia de Adão até Davi segundo a Bíblia

Adão até Sem Adão Sete Enos Quenan Mahalalel Jarede Enoque Matusalém Lameque Noé Sem

Arpachade até Jacó Arpachade Selá Éber Pelegue Reú Serugue Nahor Terá Abraão Isaac Jacó

Judá até Davi Judá Perez Ezron Aram Aminadabe Naasom Salmom Boaz Obed Jessé Davi

Profetas do islão no Alcorão

Adam Idris Nuh Hud Saleh Ibrahim Lut Ismail Ishaq Yaqub Yusuf Ayub
‫مدآ‬ ‫حون‬ ‫دوه‬ ‫حلاص‬ ‫ميهاربا‬ ‫طول‬ ‫ليعامسا‬ ‫ثيش‬ ‫قاحسا‬ ‫بوقعي‬ ‫فسوي‬ ‫بويأ‬

Adão Enoque Noé Éber Selá Abraão Ló Ismael Isaac Jacó José Jó

Shoaib Musa Harun Dhul-Kifl Daud Sulayman Ilyas Al-Yasa Yunus Zakariya Yahya Isa Muhammad
‫بيعش‬ ‫ىسوم‬ ‫نوراه‬ ‫لفكلا وذ‬ ‫دواد‬ ‫ناميلس‬ ‫سايلإ‬ ‫عسيلا‬ ‫سنوي‬ ‫ايركز‬ ‫ىيحي‬ ‫ىسيع‬ ‫دمحم‬

Jetro Moisés Aarão Ezequiel David Salomão Elias Eliseu Jonas Zacarias João Jesus Maomé
Batista
Baal 81

Baal
Baal (em hebraico ‫ )לַעַּב‬é uma palavra semítica que significa Senhor, Lorde, Marido ou Dono (Don). Esta palavra
em Hebraico é cognata de outra em acádio Bel, com o mesmo significado. A forma feminina de Baal é Baalath, o
masculino plural é Baalin, e Balaoth no feminino plural. Esta palavra não tinha conotação exclusivamente religiosa,
podendo ser empregada em relações pai e filhos (por exemplo) não sendo obrigatória uma separação hierárquica.

Baal Bíblico

Comparação biblico-judaica com mitologia da região


A determinada altura na história dos antigos habitantes da zona da mesopotâmia começou a existir uma confusão
relativa à identificação dos deuses. Cada lugar adorava um mesmo deus, mas com um nome diferente e isto tudo
fomentou a dificuldade de hoje em identificar a diferença entre os deuses.
Mais tarde Baal deu origem a Beliel o qual vem grandemente referido até no novo testamento. Este personagem teve
a sua origem muito anteriormente como o principe do mundo epíteto que lhe garantia uma superioridade em relação
aos outros componentes da divindade desta época. Este deus era conhecido também por Enki - O Senhor da Terra
Na Bíblia se faz referência a Baal que poderia ser um epíteto de Hadad ou Adad que era uma divindade cananéia e
suméria. Um deus da fertilidade.
Este deus Adad dos sumérios viria a ser o deus Sin dos acádios mais tarde, pai da bíblica Astarte (filisteus) e do seu
irmão Camos ou Camoesh. Ambos também fizeram parte da mitologia Suméria e Acaádia, como Ishtar e Shamash.
Segundo Zecharia Sitchin (autoridade em cuneiforme), Baal (deus dos cananeus) era Shamash na Suméria, filho de
Nannar-Sin (deus de Ur), que em Canaã era El.

Relato bíblico
Em Canaã, os Hebreus viram no deus Baal uma ameaça especial. No Livro dos Juízes (da Bíblia Hebraica), o hebreu
Gideão destrói os altares de Baal e a árvore sagrada pertencente aos Midianitas.
Mais tarde, o profeta Elias, no século IX a.C., condenou o Rei Acabe por adorar Baal.

Outros homônimos
Mica, seu filho; Reaías, seu filho; Baal, seu filho; (1 Crónicas 5:5)

Referencias bíblicas
• Números 22:41 (Os Hebreus tinha Altares a Baal)
• Juízes 2:13 (o povo de Israel serviram Baal e Asteroth)
• Juízes 6:25 (Deus manda destruir o Altar de Baal)
• 1 Reis 16:31 (Jeroboão adora Baal)
• 1 Reis 18:19 (Desafio entre Yahweh, Baal e Asteroth)
• 1 Reis 22:54 (Acazias adora Baal)
• 2 Reis 10:19-28 (Jeú arma uma cilada aos sacerdotes de Baal)
• 2 Reis 11:18 (Destruição do Templo de Baal)
• 2 Reis 17:16 (Novamente adoração a Baal)
• 2 Reis 23:05 (Referência aos adoradores de Baal, da Lua, do Sol e de outros planetas.)
• 2 Crónicas 23:17 (A morte de Matã o sacerdote de Baal)
• Jeremias 2:8 (O profeta questiona o poder dos sacerdotes de Baal e outros deuses)
Baal 82

• Jeremias 7:9 (Adoração a Baal entre pecados como o furto e o assassinio?)


• Jeremias 11
• Jeremias 12:16 (Juras por Baal)
• Jeremias 19:05 (Sacrificios de Crianças a Baal)
• Jeremias 23:13 (Samaritanos Loucos profetas de Baal)
• Jeremias 32:29 (Os caldeus adoraram Baal)
• Jeremias 32:35 (Outra referência ao sacrificio de Crianças)
• Oseias 2:8 (Milagre)
• Oseias 13:1 (Efraim morre por ser culpado por Baal)
• Sofonias 1:4 (O profeta refere-se aos idolos)
• Romanos 11:14

Ver também
• Adad

Abraão

Abraão e os três Anjos as portas do purgatório, gravura de Gustave Doré


(1832-1883) segundo a concepção de Dante Alighieri relatada em Divina
comédia publicada em 1321.
Abraão 83

Abraão

Nome hebraico ou grego ‫םהרבא‬

Pais Terá

Filhos Ismael, Isaque

Anos de vida

Livros Gênesis, Livro de


Abraão

Abraão (em hebraico: ‫םהרבא‬, Avraham ou ’Abhrāhām) é um personagem bíblico citado no Livro do Gênesis a partir
do qual se desenvolveram três das maiores vertentes religiosas da humanidade: o judaísmo, o cristianismo e o
islamismo.

Identidade
Identidade

Nome: Abraão

Significado: Pai ou Líder de Muitos

Do Hebraico: ‫ םהרבא‬Avraham ou ’Abhrāhām

Raiz familiar: Raiz de Noé linhagem de Sem

Avô: Naor

Pai: Terá

Mãe: ---

Irmãos: Naor / Harã

Esposa: Sara / Quetura / (Agar)

Filhos: Ismael / Isaque / Zinrã / Jocsã / Medã / Midiã / Suá

Netos: Esaú / Jacó / Seba / Dedã / Efá / Efer / Enoque / Abida / Elda.

Sobrinhos: Ló / Uz / Buz / Quemuel / Quésede / Hazo / Pildas / Jidlafe / Betuel / Tebá / Gaã / Taás / Maaca.

Local de Nascimento: provavelmente Ur

Tempo de Vida:| 175


anos

Motivo de Morte: Velhice

Local de Morte:

Localização Temporal: Foi encontrado um contrato Babilónico em nome de Abraão. Este foi datado de 1800 - 2000AC. É provável a relação
com o patriarca.

Status social: Rico (Gênesis 13:2)


Abraão 84

Registros da história de Abraão


Abraão é citado no livro de Gênesis como a nona geração de Sem, o qual foi um dos filhos do patriarca Noé que
tinha sobrevivido às águas dilúvio.
Segundo a Bíblia, a mais provável procedência de Abraão seria a cidade de Ur dos caldeus, situada no sul da
Mesopotâmia, onde seus irmãos também teriam nascido. O final do capítulo 11 do primeiro livro da Torah, ao
descrever a genealogia do patriarca hebreu, assim informa, mencionando o nome anterior de Abraão:
E estas são as gerações de Tera: Terá gerou a Abraão, a Naor e a Harã; e Harã gerou a Ló. E morreu Harã,
estando seu pai Terá ainda vivo, na terra de seu nascimento, em Ur dos caldeus. (Gênesis 11: 27-28)
O Livro dos Jubileus, considerado como uma obra apócrifa entre os judeus e cristãos, diz que Abraão, já aos catorze
anos de idade, quando ainda residia em Ur dos caldeus com sua família, teria começado a compreender que os
homens da terra haviam se corrompido com a idolatria adorando as imagens de escultura. Então Abraão não aceitou
mais adorar ídolos com o seu pai Tera e começou a orar a Deus, pedindo-lhe que conservasse a sua alma pura do erro
dos filhos dos homens e também a de seus descendentes.
Diz também o livro de Jubileus, no seu capítulo 12:10, que Abraão casou-se com Sara, no ano 49 de sua vida. E,
quando o patriarca estava com 60 anos, ocorreu a morte trágica de seu irmão Harã, o pai de Ló.
Prossegue o texto bíblico informando que Terá, o pai de Abraão, após a morte de Harã, teria tomado sua família e
organizado uma expedição para fixar-se em Canaã. Contudo, ao chegar numa localidade que veio a receber o mesmo
nome do filho falecido, Terá permaneceu ali onde morreu com a idade de duzentos e cinco anos:
E tomou Terá a Abrão, seu filho, e a Ló, filho de Harã, filho de seu filho, e a Sarai, sua nora, mulher de seu filho
Abrão, e saiu com eles de Ur dos caldeus, para ir à terra de Canaã; e vieram até Harã e habitaram ali. E foram os
dias de Terá duzentos e cinco anos; e morreu Terá em Harã (Gênesis 11:31-32)
Segundo a Bíblia, no capítulo 12 do livro de Gênesis, Abrão recebeu uma promessa divina para deixar a sua terra e a
de sua família. Tal chamado de Deus pode ter ocorrido quando Abraão já se encontrava com sua família em Harã.
Estevão, em seu discurso registrado no livro bíblico de Atos, informa que Deus apareceu a Abraão ainda na
Mesopotâmia e Terá já havia falecido;
O Deus da glória apareceu a Abraão, nosso pai, estando na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã, e disse-lhe:
Sai da tua terra e dentre a tua parentela e dirige-te à terra que eu te mostrar. Então, saiu da terra dos caldeus e
habitou em Harã. E dali, depois que seu pai faleceu, Deus o trouxe para esta terra em que habitais agora. (Atos
7:2-4)

Viagem para Harã


Há suposições de que Abraão anuiu nesta jornada em direção a Salém, mas teria sido o seu irmão Naor, o qual não
tinha conhecimento dos ensinamentos de Melquisedeque, que os persuadiu a ficar em Haran.
No entanto, sabe-se que Harã, na Antigüidade, foi um importante ponto de passagem para as caravanas do Oriente
Próximo. E talvez a prosperidade do local tenha motivado a fixação da família de Abrão neste local em que
acredita-se que o clã deveria abastecer o povoado com seus rebanhos.
É provável que, em Harã, Abrão tenha recebido talvez um segundo chamado divino para deixar a terra de sua família
e se estabelecer na terra que Deus lhe indicasse. Nesta passagem, logo no começo do capítulo 12 de Gênesis, Deus
anuncia diretamente ao patriarca bíblico que ele se tornaria uma grande nação e não há nenhuma menção expressa de
que a terra prometida seria Canaã, muito embora esta teria sido o destino que o seu pai teria buscado e veio a ser
confirmado posteriormente.
Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te
mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engranderecei o teu nome, e tu serás uma bênção.
(Gênesis 12:1-2)
Abraão 85

Todavia, é provável que devido à profecia proferida por Noé, quando castigou a Cam dizendo que Canaã seria
escravo de Sem, existisse a ideia de que Abraão deveria seguir em direção à Canaã (Gn 9:25-27). Até mesmo porque
no verso 31 do capítulo 11 de Gênesis diz que Terá e sua família deixaram Ur destinados a chegar em Canaã.

A partida para Canaã


A Bíblia diz que Abrão, obedecendo as ordens de Deus, saiu com Ló de Harã, juntamente com sua esposa e seus
bens, indo em direção a Canaã. O texto informa que Abrão já teria setenta e cinco anos de idade e dá a entender que
já tivesse pessoas a seu serviço, embora nenhum filho.
Depois dessa longa jornada de Harã até Canaã, o primeiro local onde Abraão esteve teria sido em Siquém, no
carvalho de Moré, onde habitavam os cananeus. Ali Deus apareceu a Abraão e lhe confirmou a promessa de dar
aquela terra à sua descendência.
Tendo edificado um altar para Deus em Siquém, Abraão parte o Sul, fixando-se num lugar entre as cidades de Betel
e Ai onde se estabelece com as suas tendas e constrói um novo altar.
Depois, prossegue Abraão para o sul, não havendo informações na Bíblia onde seria esse terceiro local de sua
passagem, mas apenas diz que havia fome naquela terra.
Alguns, no entanto, interpretam que Abraão teria chegado a Salém, lugar que corresponderia hoje à Jerusalém.
Porém, a Bíblia não diz claramente onde teria sido.
Informações não bíblicas relatam que, após a morte de Terá (Taré), o rei de Salém teria enviado um mensageiro a
Abraão com o fim de lhe convidar a fazer parte do núcleo de estudantes/sacerdotes no seu reino. O mensageiro que
encarregado da mensagem chamava-se Jaram e o convite era extensivo a Naor também, mas que teria optado por
ficar, construindo naquele lugar uma poderosa fortificação. Abraão, contudo, partiu com o seu sobrinho de nome Ló.
Assim, ao chegarem a Salém, resolveram estabelecer o seu acampamento próximo da cidade e edificar guarnições
nas colinas adjacentes, de forma a protegerem-se contra os furtivos ataques dos hititas, dos filisteus e dos assírios
que privilegiavam estas zonas da Palestina nos seus ataques e saques. As visitas a Salém passaram a ser uma rotina
para estes dois personagens e o reflexo dos ensinamentos do sábio Melquisedec foi notório nos seus ensinamentos.
[carece de fontes?]

No entanto, deve-se considerar que se Terá gerou Abrão e seus irmãos aos setenta anos (Gênesis 11:26) e faleceu aos
duzentos e cinco anos (Gênesis 11:32), quando Abraão deixou Harã o seu pai certamente estava vivo com a idade de
cento e quarenta e cinco anos já que o início da viagem do patriarca para Canaã ele tinha uma idade de setenta e
cinco, ainda que naquela época a contagem de anos pudesse ser diferente.

A seca e a viagem para o Egito


A Bíblia diz que houve fome na terra prometida que Abraão havia se estabelecido em Canaã e que, por causa disso, o
patriarca e todo o seu acampamento retirou-se para o Egito.
Ao chegar no país, Abraão temeu que viesse a ser morto por causa da beleza de sua mulher e por isso combinou com
ela que dissesse aos egípcios que seria sua irmã, não esposa.
Assim, o faraó veio a apaixonar-se por Sara e a levou para o seu palácio, passando a favorecer Abraão. Porém, Deus
castigou o rei egípcio e este mandou chamar Abraão e lhe devolveu Sara, ordenando também que deixassem o país
com os seus bens.
Informações não bíblicas afirmam que, algum tempo depois de Abrãao ter se estabelecido nas proximidades de
Salém, houve uma seca nesta região, o que teria lhe obrigado, juntamente com o seu sobrinho, a caminharem pelo
vale do Nilo, levantando novos acampamentos. Foi nessa permanência no Egipto que Abraão teria encontrado-se
com um parente próximo que ocupava o trono do país de então e chegou a acompanhar duas expedições militares de
muito êxito ao serviço deste rei. E, na última parte da sua estada no Egito, Abraão e Sara teriam vivido no palácio
real do Egipto. Quando Abraão decidiu deixar as terras do Nilo, o rei lhe deu a sua parte nos despojos de guerra das
Abraão 86

suas expedições militares.[carece de fontes?]


Tal parentesco de Abraão com o faraó egípcio não teria fundamentos na Bíblia porque Abraão era semita enquanto
os egípcios teriam descendido de Cam, não de Sem, assim como os cananeus, os filisteus, os hititas e os amorreus.
De acordo com o livro apócrifo dos Jubileus, Deus quis provar o coração de Abraão, e permitiu que Sara fosse tirada
dele e levada ao palácio do faraó. Porém, a Bíblia nada diz a esse respeito.

Regresso à Canaã
A Bíblia narra que Abraão, juntamente com sua esposa e com seu sobrinho Ló, retornou do Egito para a terra de
Canaã, para o mesmo local onde havia se fixado ao Sul de Betel (provavelmente Salém). Tornou-se muito rico,
possuindo rebanhos de gado, prata e ouro.
Prossegue o texto de Gênesis dizendo que Abraão retornou para Betel onde procurou o altar que havia feito para
Deus e o invocou. Ali, no entanto, Abraão e Ló resolvem separar-se devido às contendas que havia entre os seus
pastores por causa do numeroso rebanho que possuíam.
Estudos não bíblicos explicam que Abraão, provavelmente, tinha interesse em se tornar um grande líder na Palestina
- almejava até ser um poderoso rei naquelas terras. O seu retorno a Salém só poderia ter este objetivo.
Melquisedeque teria recebido muito bem Abraão de volta a Salém. Assim, Abraão teria tornado-se carismático entre
esse povo e um líder conquistador.

A separação de Abraão e Ló
A Bíblia relata que Abrão resolveu evitar desavenças com o sobrinho por causa do rebanho e lhe deu a opção de
escolher planície que desejasse. Ló preferiu fixar-se na planície do rio Jordão, na região de Sodoma e Gomorra, que
antes de ser destruída era comparada com o Jardim do Éden e com o Egito. Porém, Abraão preferiu permanecer em
Canaã.
Habitou Abraão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma.
(Gênesis 13:12)
Acredita-se que Ló tinha uma personalidade diferente e se inclinava mais para assuntos materiais ligados a negócios
diversos, sendo esse o motivo pelo qual ambos se separaram, indo Ló para a rica cidade de Sodoma e se dedicando
ao comércio e à criação de animais.
Após a separação de Ló, Deus apareceu novamente a Abraão confirmando dar aquela terra à sua descendência,
ordenando-lhe que percorresse a região.
Dali, Abraão levanta novamente as suas tendas e se fixa junto aos carvalhais de manre, em Hebrom, onde edificou
um novo altar a Deus.

Relação com os povos vizinhos


A Bíblia narra que houve uma guerra ocorrida envolvendo nove reinos. Os reinos de Sodoma, de Gomorra, de
Admá, de Zeboim e de Zoar pagaram tributos a Quedorlaomer, rei do Elão, durante doze anos e haviam se rebelado.
Assim, houve então uma guerra em que Quedorlaomer e mais três reis aliados atacaram a Palestina, ferindo a vários
povos e confrontando-se finalmente com os reis de Sodoma e Gomorra que foram vencidos numa batalha em Sidim.
Com a derrota de Sodoma, Ló foi levado cativo com toda as suas riquezas. Sabendo disso, Abraão, com apenas
trezentos e dezoito homens, lutou contra os inimigos e os perseguiu até as proximidades de Damasco, libertando Ló,
sua família e o povo de Sodoma.
Provavelmente os povos vizinhos de Salém reverenciavam e respeitavam o Rei sábio Melquisedeque, mas de certa
forma temiam o grande líder militar Abraão. As suas batalhas e conquistas tornaram-se conhecidas em toda aquela
região, fazendo de Abraão um líder muito respeitado.
Abraão 87

O rei de Sodoma, Bera, como recompensa pela libertação, chegou a oferecer os bens que foram saqueados por
Quedorlaomer, mas Abraão recusou-se.
Melquisedeque partiu ao encontro de Abraão após a vitória em Sidim, já no seu triunfante regresso. A Bíblia diz que
o rei de Salém trouxe pão e vinho para Abraão e lhe abençoou. Abraão, por sua vez lhe deu o dízimo de tudo que
havia recobrado a Melquisedeque. Esta é a única parte no livro de Gênesis em que o personagem Melquisedeque é
citado:
E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e este era sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o e disse:
Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que
entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E deu-lhe o dízimo de tudo. (Gênesis 14:18-19)
Informações não bíblicas dizem que, após a batalha de Sidim, Abraão manteve-se fiel ao seu monarca e se tornou o
dirigente militar de mais onze tribos vizinhas de onde todos pagavam tributos – o chamado dízimo. Abraão fracassou
algumas tentativas de estabelecer alianças diplomáticas com o soberano de Sodoma. Porém, ao conseguir o
resultado, houve uma aliança militar estratégica entre o Rei de Sodoma e outros povos de Hebrom. Abraão tinha
mesmo intenção de formar um estado poderoso em toda a Canaã, o sábio rei de Salém convenceu Abraão a
abandonar a sua tentativa de formar um reino material e se tornar aquilo que hoje o seu nome é significado – o Pai
da Fé. Para persuadi-lo, utilizou a sua aliança, a promessa do seu reino, e tornou-o como sua própria descendência.

A Aliança de Abraão com Deus


No capítulo 15 de Gênesis, Deus aparece a Abraão. Tendo este oferecido um sacrifício a Deus, foi-lhe revelado sobre
o futuro de sua descendência que suportaria a escravidão por quatrocentos anos e que depois retornaria para a terra
prometida.
Então disse a Abrão: saibas, decerto, que peregrina será a tua semente em terra que não é sua; e servi-los-á e
afligi-la-ão quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente à qual servirão, e depois sairão com grande
fazenda. E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado. E a quarta geração tornará para cá; porque a
medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia. (Gênesis 15:13-16)
Informações não bíblicas falam de uma aliança entre Melquisedeque e Abraão. Tal aliança seria um reconhecimento
de Melquisedeque da soberania de Abraão e a cedência do seu trono a este líder e à sua descendência, uma vez que
este rei não tinha descendentes para o substituir. Esta referência também é mencionada na Bíblia no capítulo 7 da
epístola aos Hebreus, onde se refere à falta de descendência deste personagem sábio de Salém.
Todavia, o texto bíblico em Gênesis é claro em demonstrar que o diálogo de Abraão e a sua experiência foi
diretamente com Deus.

Nascimento de Ismael
Sendo Sara estéril e pretendendo dar um filho a seu marido, ofereceu sua serva egípcia Hagar para que gerasse o
primeiro filho a Abraão. Hagar então gerou a Ismael, considerado pelos muçulmanos como o ancestral dos povos
árabes.
O texto bíblico informa que Abraão teria sido pai pela primeira vez aos oitenta e seis anos. E, antes mesmo do
nascimento de Ismael, surgiram conflitos entre Hagar e Sara, culminando na sua fuga do acampamento de Abraão.
Tendo Hagar fugido da presença de Sara, o Anjo do Senhor apareceu-lhe quando se encontrava junto a uma fonte de
água, convencendo-a a retornar, sujeitar-se à sua senhora e lhe prometendo um futuro grandioso para seu filho.
Abraão 88

A mudança no nome de Abraão e a instituição da circuncisão


Aos noventa e nove anos, novamente Deus aparece a Abraão, confirmando-lhe a sua promessa. Deus ordena que
Abraão e todos os homens de sua casa fossem circuncidados. E que toda criança do sexo masculino que nascesse
receberia esse sinal ao oitavo dia.
O filho da … de oito dias, pois, será circuncidado; todo macho nas vossas gerações, o nascido na casa e o
comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua semente. (Gênesis 17:12)
É nesta ocasião que Deus muda também os nomes de Abraão e de Sara, os quais até então chamavam-se Abrão e
Sarai.
O nome Abraão significa pai de muitas nações.
Já a mudança do nome de Sarai para Sara é explicada na Bíblia com a promessa do nascimento de um filho, pondo
fim à sua esterilidade.

A visita dos três anjos e a confirmação sobre o nascimento de Isaque


Abraão foi circuncidado com noventa e nove anos após Deus ter anunciado que Sara daria à luz um filho - Isaque,
que seria o herdeiro da promessa. Isaque nasceu no ano seguinte a esse anúncio.
O capítulo 18 de Gênesis diz que mais uma vez Deus apareceu a Abraão quando este se encontrava nos carvalhais de
manre, à porta da tenda, e viu três varões celestiais (anjos). Estes confirmaram o nascimento de um filho a Sara e
estavam se dirigindo para Sodoma a fim de cumprirem a ordem divina de destruição da cidade.

A destruição de Sodoma e Gomorra


Temendo pela vida de seu sobrinho Ló e de sua família, Abraão intercede a Deus para que não destruisse Sodoma.
Deus então promete que se achasse pelo menos dez justos ali, pouparia a cidade.
Os anjos vão até Sodoma, entram na casa de Ló e o retiram da cidade junto com sua família antes que começasse a
destruição do lugar, permitindo que o sobrinho de Abraão se refugiasse nas montanhas.
E aconteceu que, destruindo Deus as cidades da Campina, Deus se lembrou de Abraão e tirou Ló do meio da
destruição, derribando aquelas cidades em que Ló habitara. (Gênesis 19:29)

Abraão peregrina em Gerar


No capítulo 20 de Gênesis, Abraão parte de Hebrom para Gerar, que estaria situada entre Cades e Sur, região que
corresponde á terra dos filisteus.
Temendo a Abimeleque, rei de Gerar, Abraão novamente comete o mesmo erro praticado quando esteve no Egito e
diz que Sara seria sua irmã. Abimeleque apaixona-se por Sara e a toma de Abraão.
Deus então aparece em sonhos a Abimeleque e lhe adverte para que restituísse Sara a seu esposo.
Obedecendo a Deus, Abimeleque trás Sara de volta a Abraão, entregando-lhe também bens e riquezas. Abraão então
ora por Abimeleque que é perdoado.
Fontes não bíblicas afirmam que, com o desaparecimento de Melquisedeque, Abraão modificou muito a sua forma
de agir. Mesmo alguns historiadores defendem a ideia que era um outro Abraão que ocupou o seu lugar. Mas poderá
ter sido apenas a tristeza pelo desaparecimento de Melquisedeque. Não há registro da morte de Melquisedeque e
mesmo o apóstolo Paulo faz menção a esse facto na Bíblia na carta aos Hebreus (cap.7). Abraão tornou-se mais
inactivo e temeroso. Tanto que ao chegar a Gerar, Abimeleque tomou-lhe a sua esposa Sara. Mas este período de
aparente covardia foi curto. E logo Abraão compreendeu a herança proposta pelo seu antecessor no trono e começou
a proclamar uma mensagem de um Deus único entre os povos filisteus e mesmo entre os súditos de Abimeleque.
Depois do nascimento de Isaque, Abraão e Abimeleque fizeram um pacto em Berseba, isto é, realizaram um
juramento de confiança.
Abraão 89

O nascimento de Isaque
O capítulo 21 de Gênesis diz que Abraão com a idade de cem anos quando tornou-se pai de Isaque.
Informações não bíblicas dizem que foi numa cerimónia pública e solene que Abraão teria apresentado em Salém
Isaque como o seu primogênito.
No entanto, a Bíblia relata que, quando Isaque deixou de mamar, Abraão teria promovido um grande banquete em
comemoração.

Abraão despede-se de Hagar e de Ismael


Mesmo com o nascimento de Isaque, os conflitos entre Hagar e Sara continuaram, ameaçando a paz de sua família.
Abraão então resolve despedir sua serva junto com o seu filho Ismael. A Bíblia diz que Deus amparou Hagar e seu
filho durante a peregrinação no deserto de Parã.

Deus prova a fé de Abraão


Mais uma vez Deus falou com Abraão e lhe pediu uma verdadeira prova de fé, determinando que levasse o seu filho
para oferecê-lo em holocausto no Monte Moriá que fica próximo a Salém.
Após ter viajado por três dias a partir de Berseba, Abraão avistou o local e subiu ao monte apenas na companhia de
Isaque. Porém, quando levantou a mão para sacrificar seu filho, foi impedido pelo Anjo do Senhor e encontrou no
mato um carneiro para ser oferecido em lugar de seu filho.
O Livro dos Jubileus, no verso 16 do seu capítulo 17, explica o sacrifício de Isaque dizendo que o diabo teria pedido
a Deus que provasse Abraão em relação a seu filho, o que se assemelha um pouco à história de Jó. Porém, a Bíblia
nada diz a esse respeito, mencionando o fato como uma prova de obediência a Deus.

A morte de Sara
Segundo a Bíblia, Sara morreu em Hebrom com cento e vinte e sete anos. Abraão então adquire de Efrom a Cova de
Macpela por quatrocentos siclos de prata, que é considerada a primeira aquisição de uma propriedade do patriarca
em canaã que sempre viveu como um peregrino em busca de melhores pastagens para o seu rebanho. A sepultura
adquirida é posteriormente utilizada pelo patriarca e por seus descendentes.

Abraão manda buscar uma noiva para Isaque


Narra o capítulo 24 de Gênesis que Abraão enviou o seu servo Eliezer para que fosse à Mesopotâmia e trouxesse
uma esposa para seu filho Isaque entre os seus parentes.
Ocorreu que Milca e Naor tiveram oito filhos e netos. Eliezer então, ao chegar na cidade de Naor, encontra a Rebeca,
filha de Betuel e irmã de Labão. Rebeca consente em ir com Eliezer e este a leva para Isaque.

A união de Abraão com Quetura


A Bíblia registra uma segunda núpcia de Abraão após a morte de Sara. Com a união de Abraão e Quetura, foram
gerados mais seis filhos, dando origem a outros povos, inclusive os midianitas.
E Abraão tomou outra mulher; o seu nome era Quetura. E gerou-lhe Zinrã, e Jocsã, e Medã, e Midiã, e Isbaque e
Suá. (Gênesis 25:1-2)
Indaga-se se Abraão teria mesmo se casado com Quetura ou se ela foi apenas uma segunda concubina depois de
Hagar. A Bíblia pouco fala a seu respeito, sendo possível apenas fazer a suposição de que ela teria vivido com o
patriarca as últimas décadas de sua vida.
De acordo com o livro apócrifo de Jubileus, em 19:11, Abraão teria escolhido a Quetura entre os servos de sua casa
porque Hagar falecera antes de Sara.
Abraão 90

A morte de Abraão
A morte de Abraão é comentada no capítulo 25 de Gênesis, o qual teria vivido cento e setenta e cinco anos e foi
sepultado na Cova de Macpela por Isaque e Ismael.
Tudo o que tinha deixou de herança para Isaque, guardando apenas presentes para os filhos de Hagar e de Quetura.
Os registros referem que todas as propriedades de Abraão foram para o seu filho Isaac, o filho de Sara que tinha o
status de esposa. Agar não foi esposa de Abraão, mas sim uma concubina. Quetura foi esposa de Abraão após a
morte de Sara.
Considerando que Isaque tornou-se o pai de Jacó e de Esaú aos sessenta anos, Abraão deve ter convivido com os
netos durante quinze anos, muito embora o livro de Gênesis não mencione sobre esses contatos.

Explicação contextual
Alguns acreditam que os ensinamentos de Melquisedeque teriam sido de grande importância para aquilo que a
religião tem transmitido hoje sobre Abraão. Porém, Melquisedeque é citado na Torah apenas uma vez e depois em
Hebreus. O que o Antigo Testamento registra são diálogos entre Abraão e Deus, mas há quem defenda a tese de que
Melquisedeque teria tido uma presença maior na vida de Abraão como um verdadeiro mensageiro de Deus na terra.
Posteriormente, os escribas encararam o termo Melquisedeque como sinónimo de Deus. Os registros de tantos
contatos de Abraão e Sara com o anjo do Senhor podem referir-se às suas numerosas entrevistas com
Melquisedeque.
Supõe-se que muita informação teria sido perdido pelo menos até a época em que os registros do Antigo Testamento
foram revisados em massa na Babilónia. Todavia, as narrativas dos escritos religiosos hebraicos sobre Isaque, Jacó e
José são fontes mais confiáveis do que aquelas sobre Abraão, embora elas contenham muitos pontos divergentes do
que é factual, nomeadamente com outras referências históricas.

Informações importantes sobre Abraão


Acredita-se que Abraão teria vivido mais provavelmente entre os séculos XXI e XVIII antes de Cristo. Uma vez que
não existe atualmente nenhum relato da sua vida independente das escrituras - especificamente, do Livro do Génesis
-, é preciso ter fé para acreditar que ele tenha sido uma figura histórica ou um personagem exaltado por Moisés a fim
de explicar a origem dos hebreus e motivar o êxodo de seu povo do Egito em direção à terra de Canaã para
concretizar as promessas de Deus.
Segundo o livro Génesis, que compõe o Pentateuco do Antigo Testamento, Deus disse a Abraão para deixar Ur com
a sua família em direcção à "terra que eu te indicar". Nesta terra, os seus descendentes formariam uma grande nação
e herdariam uma terra "onde corre leite e mel". Sendo o povo escolhido de Deus, os hebreus conquistariam a terra
prometida de Canaã, uma terra de fartura, em comparação com as que Abraão deixara para trás. Foi assim que
Abraão deixou a sua vida sedentária para viajar para Canaã. Esta migração é de significado histórico comparável à
epopéia de Moisés, mais tarde, trazendo os hebreus de regresso do Egipto, através do Mar Vermelho.
O Islão também considera a existência e a relevância de Abraão (com o nome de Ibrahim) como sendo o ancestral
dos Árabes, através de Ishmael. A data de 1812 é por vezes apontada. A tradição judaica também aponta que o
patriarca teria vivido entre 1812 a.C e 1637 a.C (175 anos). O Judaísmo, o Cristianismo e o Islão são por vezes
agrupados sob a designação de "religiões abraâmicas", numa referência á sua suposta descendência comum de
Abraão. Há registros que apontam para o seu nascimento em 2116 a.C..
Abraão era filho de Terah, 20 gerações depois de Adão e 10 depois de Noé. E, considerando que Noé ainda teria
vivido 350 anos após o dilúvio, Abraão poderia ter conhecido o seu ancestral e também a Sem.
O nome original de Abraão era Abram, uma brincadeira judaica com Ibrim, que significa "Hebreus", para soar como
"Excelso Pai". Abraão era o primeiro dos patriarcas bíblicos. Mais tarde, respondeu pelo nome de Abraham
Abraão 91

(Ibrahim), (‫ ميِهاَربا‬em árabe, ‫ םהרבא‬em hebraico), o que significa "pai de muitos" (ver Génesis 17:5).
A história de Abraão começa quando o patriarca deixa a terra de sua família na cidade de Ur dos Caldeus e segue em
direção a Canaã. A partir daí, a Bíblia relata diversas aventuras mais ou menos desconexas envolvendo Abraão, sua
esposa Sara, seu sobrinho Ló, sempre realçando a nobreza do personagem e a sua obediência a Deus.
Os episódios mais emblemáticos da narrativa são aqueles que contam de como Abraão se sujeitou ao rei do Egipto,
que tomou sua mulher como esposa, para salvá-la de qualquer punição. O segundo episódio marcante da vida de
Abraão ocorreu em sua velhice. Sara, sua esposa, já idosa ainda não havia lhe dado um filho (seu primeiro filho
Ismael, ou Ishmael, era filho de uma concubina - Agar), quando Deus teria lhe concedido esta graça, e assim nasceu
Isaque, ou Isaac, a quem Abraão mais amou. Porém, quando Isaque era ainda criança, Deus chamou Abraão e pediu
que ele trouxesse seu filho ao alto de um monte chamado de Moriá ou Moriah, informando a ele, no meio do
caminho, que gostaria que o velho patriarca o sacrificasse, para mostrar seu amor por Ele. Mesmo sendo Isaque o
filho amado que tanto desejara por toda a vida, Abraão não relutou em sacar uma adaga e posicioná-la sobre o
pescoço de seu filho. Deus então mandou um anjo para segurar o punho de Abraão, dizendo estar satisfeito com a
obediência de Abraão. Em recompensa, Deus poupou seu filho, e prometeu que sua linhagem produziria uma nação
numerosa que governaria toda a terra por onde Abraão havia caminhado em vida (Canaã, propriamente dita).

Genealogia de Adão até Davi segundo a Bíblia

Adão até Sem Adão Sete Enos Quenan Mahalalel Jarede Enoque Matusalém Lameque Noé Sem

Arpachade até Jacó Arpachade Selá Éber Pelegue Reú Serugue Nahor Terá Abraão Isaac Jacó

Judá até Davi Judá Perez Ezron Aram Aminadabe Naasom Salmom Boaz Obed Jessé Davi

Profetas do islão no Alcorão

Adam Idris Nuh Hud Saleh Ibrahim Lut Ismail Ishaq Yaqub Yusuf Ayub
‫مدآ‬ ‫حون‬ ‫دوه‬ ‫حلاص‬ ‫ميهاربا‬ ‫طول‬ ‫ليعامسا‬ ‫ثيش‬ ‫قاحسا‬ ‫بوقعي‬ ‫فسوي‬ ‫بويأ‬

Adão Enoque Noé Éber Selá Abraão Ló Ismael Isaac Jacó José Jó

Shoaib Musa Harun Dhul-Kifl Daud Sulayman Ilyas Al-Yasa Yunus Zakariya Yahya Isa Muhammad
‫بيعش‬ ‫ىسوم‬ ‫نوراه‬ ‫لفكلا وذ‬ ‫دواد‬ ‫ناميلس‬ ‫سايلإ‬ ‫عسيلا‬ ‫سنوي‬ ‫ايركز‬ ‫ىيحي‬ ‫ىسيع‬ ‫دمحم‬

Jetro Moisés Aarão Ezequiel David Salomão Elias Eliseu Jonas Zacarias João Jesus Maomé
Batista

Citações
«Eu sou Javé, que te fez sair de Ur dos Caldeus, para te dar esta terra como herança… Nesse dia, Javé estabeleceu
uma aliança com Abraão nestes termos: "À tua descendência darei esta terra, desde o rio do Egipto até ao grande rio,
o Eufrates"» (Gênesis 15, 7.18).

Bibliografia
• Bíblia.
• FEILER, Bruce. Abraão: uma jornada ao coração de três religiões. Sextante, 2003.
• HARPUR, James. Abraão e seus filhos. Manole, 1998.
• LAFON, Guy. Abraão: a invenção da fé. EDUSC, 1998.
• VOGELS, Walter. Abraão e sua lenda. São Paulo: Loyola, 2003.
Abraão 92

Ligações externas
• Abraão [1] (em português)
• Abraão, pai de todos os crentes [2] (em português)
• A História do Profeta Abraão [3] (em português)
• Historiografia de Israel em Português Br [4] (em português)

Referências
[1] http:/ / www. morasha. com. br/ conteudo/ artigos/ artigos_view. asp?a=186& p=0
[2] http:/ / www. vatican. va/ holy_father/ john_paul_ii/ homilies/ 2000/ documents/ hf_jp-ii_hom_20000223_abraham_po. html
[3] http:/ / www. arresala. org. br/ not_vis. php?op=101& data=0& cod=164
[4] http:/ / www. airtonjo. com

Sara (Bíblia)
Sara uma personagem do Antigo Testamento,
esposa de Abraão, teve um filho chamado Isaque
com idade avançada de 90 anos, se cumprindo
assim uma promessa de Deus.
Então caiu Abraão sobre o seu rosto, e riu-se, e
disse no seu coração: A um homem de cem anos há
de nascer um filho? E dará à luz Sara da idade de
noventa anos? Gênesis 17:17
E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará
um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e com ele
estabelecerei a minha aliança, por aliança perpétua
para a sua descendência depois dele. Gênesis 17:19
A palavra no hebraico quer dizer "princesa" ou
mandatária. Seu nome no original era Sarai, que
significa "Yahweh é príncipe". Seu nome foi
modificado quando Abrão foi mudado para
Abraão, quando foi estabelecida a circuncisão
como sinal do Pacto Abraâmico.

Em Gênesis 20.12. Abraão fala de Sara como sua


"irmã, a filha de meu pai, mas não a filha de minha O Enterro de Sara, gravura de Gustave Doré (1832-1883)
mãe". Alguns intérpretes entendem este texto de
forma liberal, querendo dizer sobrinha, sendo que Hara era talvez seu pai, meio-irmão de Abraão. Não há como
testar esta teoria. Sabe-se que os antigos no Oriente casavam até mesmo com irmãs, prática que mais tarde a
legislação de Moisés proibiu, por considerá-la incestuosa (ver Levítico 18.9).
Sara (Bíblia) 93

Ver também
• Antigo Testamento

Agar (bíblia)
Agar

Nome hebraico ou grego ‫רָגָה‬

Pais de origem
egípcia

Filhos Ismael

Anos de vida desconhecida

Livros Gênesis 16

Agar ou Hagar (do hebraico ‫ " רָגָה‬a estrangeira" , no árabe ‫) رجاه‬é o


nome da serva egípcia de Sara, esposa de Abraão de acordo com o
livro de Gênesis na Torá. Devido ao fato de ser estéril, Sara teria
permitido que Abraão coabitasse com Agar no sentido de gerar um
herdeiro. Desta união, foi gerado Ismael. De acordo com a tradição
judaico-cristã, Agar desprezou Sara já que esta não podia conceber; e
quando Sara concebeu milagrosamente a Isaque, Ismael passou a
perseguir e humilhar seu meio-irmão. Devido a este fato, Sara incitou
A expulsão de Agar , por Pieter Pietersz Lastman. Abraão para que expulsasse Agar e Ismael. Estes quase pereceram de
fome e sede no deserto, até serem socorridos milagrosamente por
Deus. Agar acabou cuidando de Ismael até que este crescesse e se casasse. A Torá não continua a descrever sua vida
além deste ponto.

Agar teve sua experiência com Deus. Apesar de escrava, Deus demonstrou amor para com ela e com seu filho
Ismael. Mesmo no deserto, ela foi amparada pelo Criador (Deus de abrãao). Por duas vezes, ela foi surpreendida pelo
anjo do Senhor que a ajudou dando-lhe água e também abençoando sua vida e decendência. A Bíblia diz que Deus
abriu os olhos de Agar para que ela visse um poço de água e ali no deserto ela e seu filho Ismael foram abençoados
e prósperos.

Ver também
• Eva, Sara, Rebeca, Lia, Bila, Raquel, Miriã, Débora, Rute, Ana, Abisag, Judite, Ester, Abigail (Bíblia), Agar,
Bate-Seba, Diná, Lea, Mical, Tamar, Zípora, Azenate, Zilpa, Joquebede, Helá, Naará, Ainoã, Maaca, Zeruia,
Eglá, Quézia, Ada, Besemate.
Ismael 94

Ismael
Ismael

Nome hebraico ou grego ‫לאֵעָמְׁשִי‬

Pais Abraão e Hagar

Filhos Nebaioth, Qedar, Midsam, Mishma, Dumah, Massa, Hadah, Tema, Jetur, Naphish e Kedemah

Anos de vida 137

Livros Gênesis Cap. 16 a 25 e Gálatas Cap. 4.

Ismael, Ishmael ou Yishma'el (do hebraico ‫לאֵעָמְׁשִי‬, em árabe ‫ )ليعامسإ‬personagem do Antigo Testamento e do
Alcorão.
Ao deparar-se na condição de não conseguir ter filhos, Sara sugere à Abrãao que ele tome por esposa sua escrava
egípicia Agar e que tivesse um filho com ela e que através disso ela seria mãe. "E disse Sarai a Abrão: Eis que o
SENHOR me tem impedido de gerar; entra pois à minha serva; porventura terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de
Sarai." Gênesis 16.2
Porém DEUS havia falado com Abrãao que seria Isaque e não Ismael que seria o filho da promessa, isso fica claro
em Gênesis 17.19 "E disse Deus: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e
com ele estabelecerei a minha aliança, por aliança perpétua para a sua descendência depois dele."
Com o nascimento de Isaque, surgem conflitos entre ele e Ismael e Sara impelida pelas provocações exige que
Abrãao mande embora Agar e Ismael. O conflito se torna claro em Gênesis 21.9-10 "E viu Sara que o filho de Agar,
a egípcia, o qual tinha dado a Abraão, zombava.E disse a Abraão: Ponha fora esta serva e o seu filho; porque o filho
desta serva não herdará com Isaque, meu filho."
Preocupado com isso, Abrãao consulta a DEUS que lhe garante a segurança do menino e da mãe e que dele também
fará uma nação. "E pareceu esta palavra muito má aos olhos de Abraão, por causa de seu filho. Porém Deus disse a
Abraão: Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a
sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência. Mas também do filho desta serva farei uma nação,
porquanto é tua descendência." Gênesis 21.11-13
Após isso Abraão enviou Agar e Ismael para o vale árido de Becá, ao sul.[] Ismael deu origem a nação árabe, e Isaac
origem a nação judaica."
No século VII, com as mensagens de Deus sendo enviadas ao profeta Maomé, a história de Ismael voltou a tona.[]
De acordo com o Espiritismo, Ismael é o mentor espiritual do Brasil, desde os tempos da descoberta do Brasil

Profetas do islão no Alcorão

Adam Idris Nuh Hud Saleh Ibrahim Lut Ismail Ishaq Yaqub Yusuf Ayub
‫مدآ‬ ‫حون‬ ‫دوه‬ ‫حلاص‬ ‫ميهاربا‬ ‫طول‬ ‫ليعامسا‬ ‫ثيش‬ ‫قاحسا‬ ‫بوقعي‬ ‫فسوي‬ ‫بويأ‬

Adão Enoque Noé Éber Selá Abraão Ló Ismael Isaac Jacó José Jó

Shoaib Musa Harun Dhul-Kifl Daud Sulayman Ilyas Al-Yasa Yunus Zakariya Yahya Isa Muhammad
‫بيعش‬ ‫ىسوم‬ ‫نوراه‬ ‫لفكلا وذ‬ ‫دواد‬ ‫ناميلس‬ ‫سايلإ‬ ‫عسيلا‬ ‫سنوي‬ ‫ايركز‬ ‫ىيحي‬ ‫ىسيع‬ ‫دمحم‬

Jetro Moisés Aarão Ezequiel David Salomão Elias Eliseu Jonas Zacarias João Jesus Maomé
Batista
Isaac 95

Isaac
Isaac, Isaque ou Yitzhak (do hebraico ‫קחצי‬, literalmente "ele
vai rir") é um personagem da Bíblia Hebraica, era filho de
Abraão com sua esposa Sara. Após seu nascimento, seu irmão
bastardo Ismael foi enviado ao sul e a história do povo judeu
segue então a linguagem do filho legítimo de Abraão.
Quando ainda pequeno, Isaac foi instrumento da maior prova
de fé de Abraão, quando Deus ordenou que ele levasse Isaac
ao alto de uma colina para sacrificá-lo. Ao ver que Abraão,
resignado e com uma faca pronta para degolar o seu filho,
Deus enviou um anjo a segurar sua mão, impedindo de
matá-lo.
Abraão prestes a matar seu filho, Isaac, pintura de
Caravaggio

As duas nações
Isaac casou-se com sua bela prima Rebeca, que foi sua única esposa. E
Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era
estéril; e o Senhor ouviu as suas orações. E o Senhor disse a Rebeca:
Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas
entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior
servirá ao menor (Gênesis 25;23). Rebeca assim, teve dois filhos, Jacó
e Esaú. O filho mais velho Esaú era o favorito do pai e teria o direito às
bênçãos de Deus por ser o primogênito. Mas após Jacó ter enganado
seu pai, que era muito velho e estava cego, se apresentou a Isaque
como fosse seu filho mais velho e o enganou recebendo assim a bênção
no lugar de seu irmão Esaú. Logo após os dois brigaram e ao se
separarem, Jacó, o favorito da mãe, ficou sendo o herdeiro da tradição
hebraica. Esaú por sua vez, daria início à história dos povos árabes.

A história de Isaac na Bíblia contém muitos eventos similares a outros


Isaque, e Jacó se apresentando como Esaú.ocorridos durante a vida de Abraão. Alguns estudiosos debatem se
Gravura de Gustave Doré
estas coincidências seriam fruto de um recurso estilístico com a
finalidade de fortalecer o laço entre ele e seu pai, ou se seriam
resultado do longo período de tradição oral desde o tempo em que Isaac foi vivo até o momento em que o livro de
Gênesis teria sido compilado.
Isaac 96

Ver também
• Rebeca
• Sacrifício de Isaac

Fontes
• Bíblia
• Antigo Testamento SBB-tradução de João Ferreira de Almeida
• Torah
• Midrash
• Alcorão

Genealogia de Adão até Davi segundo a Bíblia

Adão até Sem Adão Sete Enos Quenan Mahalalel Jarede Enoque Matusalém Lameque Noé Sem

Arpachade até Jacó Arpachade Selá Éber Pelegue Reú Serugue Nahor Terá Abraão Isaac Jacó

Judá até Davi Judá Perez Ezron Aram Aminadabe Naasom Salmom Boaz Obed Jessé Davi

Profetas do islão no Alcorão

Adam Idris Nuh Hud Saleh Ibrahim Lut Ismail Ishaq Yaqub Yusuf Ayub
‫مدآ‬ ‫حون‬ ‫دوه‬ ‫حلاص‬ ‫ميهاربا‬ ‫طول‬ ‫ليعامسا‬ ‫ثيش‬ ‫قاحسا‬ ‫بوقعي‬ ‫فسوي‬ ‫بويأ‬

Adão Enoque Noé Éber Selá Abraão Ló Ismael Isaac Jacó José Jó

Shoaib Musa Harun Dhul-Kifl Daud Sulayman Ilyas Al-Yasa Yunus Zakariya Yahya Isa Muhammad
‫بيعش‬ ‫ىسوم‬ ‫نوراه‬ ‫لفكلا وذ‬ ‫دواد‬ ‫ناميلس‬ ‫سايلإ‬ ‫عسيلا‬ ‫سنوي‬ ‫ايركز‬ ‫ىيحي‬ ‫ىسيع‬ ‫دمحم‬

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Batista
Esaú 97

Esaú
Esaú, personagem do Antigo Testamento, era filho de
Isaac e Rebeca e irmão gémeo de Jacó, com quem se
zangou por este lhe ter usurpado a primogenitura. Esaú
em hebraico,‫( וָׂשֵע‬peludo), foi também chamado de
Edom em hebraico ‫( םֹודֱא‬vermelho), o pai dos
Edomitas que habitaram um região que hoje é
conhecida por Aqaba.

Os Edomitas fundiram-se mais tarde como os


Nabateus porque Esaú casou com uma das irmãs de
Nebaiote. A sua descendência espalhou-se pelas terras
adjacentes ao Mar vermelho subindo para norte onde
também entraram em confrontos territoriais com os Nascimento de Jacob e Esaú, pintura de Benjamin West
Filisteus, acabando por se estabelecer mais tarde no
vale de Aqaba onde fundaram duas cidades muito importantes na rota do incenso, Bozra e Petra.

Outra figura importante ligado a Esaú foi o seu filho Elifaz que era conhecido como o Temanita, por habitar na
região mais a sul da península arábica (Teman), hoje conhecida como Iémen. Este, considerado um sábio, é
personagem importante no livro de Job.

Jacó
Jacó ou Jacob (em hebraico: ‫בקעי‬, transl. Yaʿaqov, em árabe: ‫بوقعي‬,
transl. Yaʿqūb; no texto grego da Septuaginta: Ἰακώβ; traduzido como
"aquele que segura pelo calcanhar"), também conhecido como Israel
(em hebraico: ‫לֵאָרְׂשִי‬, transl. Yisraʾel; em árabe: ‫ليئارسا‬, transl.
Isrāʾīl; no grego da Septuaginta: Ἰσραήλ; traduzido como "aquele que
luta com Deus"), foi o terceiro patriarca da bíblia. Jacó era filho de
Isaac e Rebeca, irmão gêmeo de Esaú e neto de Abraão. Sua história
ocupa vinte e cinco capítulos do livro de Gênesis.[1]

Jacó teve doze filhos e uma filha de suas duas mulheres, Léia e Raquel,
e de suas duas concubinas, Bila e Zilpa. Ele foi o antepassado das doze
tribos de Israel. Seus filhos são Rúben, Simeão, Levi, Judá, Dã,
Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, José e Benjamim e sua filha era
Diná.[2]
[1] Seu nascimento é descrito em Gênesis 25:19 e sua morte em Gênesis 50:13.
Jacó Lutando Com Um Anjo(Deus/Jesus) –
[2] Durante o Êxodo do Egito, a tribo de José foi dividida em duas, as tribos de
Gustave Doré, 1855 (Granger Collection, New
Manassés e Efraim (os dois filhos de José com a sua esposa egipicia Asenath, que
York).
José elevou ao estado de tribos).
Jacó 98

Profetas do islão no Alcorão

Adam Idris Nuh Hud Saleh Ibrahim Lut Ismail Ishaq Yaqub Yusuf Ayub
‫مدآ‬ ‫حون‬ ‫دوه‬ ‫حلاص‬ ‫ميهاربا‬ ‫طول‬ ‫ليعامسا‬ ‫ثيش‬ ‫قاحسا‬ ‫بوقعي‬ ‫فسوي‬ ‫بويأ‬

Adão Enoque Noé Éber Selá Abraão Ló Ismael Isaac Jacó José Jó

Shoaib Musa Harun Dhul-Kifl Daud Sulayman Ilyas Al-Yasa Yunus Zakariya Yahya Isa Muhammad
‫بيعش‬ ‫ىسوم‬ ‫نوراه‬ ‫لفكلا وذ‬ ‫دواد‬ ‫ناميلس‬ ‫سايلإ‬ ‫عسيلا‬ ‫سنوي‬ ‫ايركز‬ ‫ىيحي‬ ‫ىسيع‬ ‫دمحم‬

Jetro Moisés Aarão Ezequiel David Salomão Elias Eliseu Jonas Zacarias João Jesus Maomé
Batista

Rebeca
Rebeca (do hebraico ‫הָקְבִר‬, transl. Rivqá), personagem do Antigo Testamento, era filha de Betuel, irmã de Labão,
mulher de Isaque e mãe de Jacó e Esaú. É também a sobrinha de Sara, da qual teria herdado a beleza.

Eliezer
Rebeca foi descoberta por Eliezer, servo de
Abraão, que orou a Deus e pediu um sinal, no
qual aparecesse uma donzela de grande formosura
que dará de beber água a ele e aos seus camelos
antes de a si própria (Gênesis 24;43-46). Coisa
que não é normal até os dias de hoje. O dote de
Rebeca foi o de maior proporção e riquezas da
época. Foram oferecidos dez camelos (Gênesis
24;10) e vários utensílios de ouro. Após ter
saciada sua sede e a de seus camelos, Eliezer
imediatamente deu a Rebeca um pendente e duas
pulseiras de ouro (Gênesis 24;47), e o resto do
tesouro foi para o seu pai Betuel.

Talentos
Rebeca era ótima cozinheira, e ensinou tudo a seu
filho Jacó que por sua vez era muito parecido com
a mãe, e estava atento a todas as coisas que
Rebeca fazia.

Gustave Doré - Eliézer e Rebeca


Rebeca 99

Rebeca tinha certeza que Jacó era o verdadeiro herdeiro


da benção de Deus, pois soubera ela interpretar a
profecia " o maior servirá ao menor." (Gênesis 25;23)
Ora, Esaú de fato era o maior e mais forte, era grande
de estatura, e seu corpo era peludo (Gênesis 25;25), não
dava muita importância no valor da primogenitura e
chegou a trocá-la por um prato de lentilhas (Gênesis
25;34), tomava para si mulheres estrangeiras (Gênesis
23:34). Rebeca ensinou também a Jacó o valor de sua
parentela (Gênesis 26:35), no qual ele tomaria para si
somente mulheres entre o seu povo: (Que no futuro
seria sua sobrinha, a bela Raquel).

Bençãos
Rebeca tinha certeza que estava fazendo a vontade de
Deus quando aconselhou a Jacó a se passar por Esaú e
receber as bençãos de Deus (Gênesis 27;6-17). Jacó
então recebeu todas as bençãos de Deus, Jacó é o pai da
nação de Israel junto com a bela Raquel, a mãe, e
Isaque, e Jacó se apresentando como Esaú. Gravure de Gustave Doré
Rebeca, a avó.

Morte
Rebeca adoeceu durante o exílio de Jacó na casa de seu irmão Labão, e morreu durante o retorno de Jacó a Canaã
com sua grandiosa família, empregados, e possessões. Débora foi quem cuidou de Rebeca até o seu falecimento.
Rebeca morreu em um lugar que Jacó chama de Alon Bachut (hebraico: ‫)תוכב ןולא‬, “carvalho do pranto”. A Bíblia
só fala a respeito da morte de Débora, ama de Rebeca (Gênesis 35:8). De acordo com o Midrash, o formulário plural
da palavra Alon Bachut traduz uma "tristeza em dobro", indicando que Rebeca também teria morrido neste lugar.
Conforme a tradição, Rebeca foi enterrada na caverna dos Patriarcas, em Hebron.

Fontes
• Bíblia Sagrada; Antigo Testamento, Torá e a Midrash

Ver também
Eva, Sara, Rebeca, Lia, Bila, Raquel, Míriam, Débora, Rute, Ana, Abisag, Judite, Ester, Abigail (Bíblia), Agar,
Bate-Seba, Diná, Lea, Mical, Tamar, Zipora, Azenate, Zilpa, Joquebede, Helá, Naará, Ainoã, Maaca, Zeruia, Eglá,
Quézia, Ada, Besemate.
Moisés 100

Moisés
Moisés (1592 a.C. - 1472 a.C.[1] em hebraico, Moshe, ‫)השמ‬,
profeta israelita da Bíblia Hebraica (conhecida entre os cristãos
como Antigo Testamento), da Tribo de Levi. De acordo com a
tradição judaico-cristã, Moisés foi o autor dos 5 primeiros livros
do Antigo Testamento (veja também Pentateuco). É encarado
pelos judeus como o principal legislador e um dos principais
líderes religiosos. Para os muçulmanos, Moisés (em ár. Musa,
‫ )ىسوم‬foi um grande profeta.

Segundo o Livro do Êxodo, Moisés foi adotado pela filha do Faraó


Seth, Thermuthis, que o encontrou enquanto se banhava no rio
Nilo e o educou na corte como o princípe do Egito. Aos 40 anos
(1552 a.C.[1] ), após ter matado um feitor egípcio levado pela
"justa" cólera, é obrigado a partir para exílio, a fim de escapar à
pena de morte. Fixa-se na região montanhosa de Midiã, situada a
leste do Golfo de Acaba. Por lá acabou casando-se com Séfora e
com ela teve um filho chamado de Gérson. Quarenta anos depois
(1512 a.C.[1] ), no Monte de Horebe, ele depara-se com uma sarça Moisés com as Tábuas da Lei, por Rembrandt.

ardente que queimava mas não se consumia e assim é finalmente


"comissionado pelo Deus de Abraão" como o "Libertador de Israel".

Ele conduziu o povo de Israel até ao limiar de Canaã, a Terra Prometida a Abraão. No início da jornada,
encurralados pelo Faraó, que se arrependera de te-los deixado partir, ocorre um dos fatos mais conhecidos da Bíblia:
A divisão das águas do Mar Vermelho, para que o povo, por terra seca, fugisse dos egípcios, que tentando o mesmo,
se afogaram. Logo no início da jornada, no Monte de Horebe, na Península do Sinai, Moisés recebeu as Tábuas dos
Dez Mandamentos do Deus de Abraão, escritos "pelo dedo de Deus". As tábuas eram guardadas na Arca do
Concerto. Depois, o código de leis é ampliado para cerca de 600 leis. É comumente chamado de Lei Mosaica. Os
judeus, porém, a consideram como a Lei (em hebr. Toráh) de Deus dada a Israel por intermédio de Moisés. Em
seguida, os israelitas vaguearam pelo deserto durante 40 anos até chegarem a Canaã.
Moisés 101

Durante 40 anos (segundo a maioria dos historiadores,


no período entre 1250 a.C. e 1210 a.C.), conduz o povo
de Israel na peregrinação pelo deserto. Moisés morre
aos 120 anos (1472 a.C.<ref="Chronicon"/>), após
contemplar a terra de Canaã no alto do Monte Nebo, na
Planície de Moabe. Josué, o ajudante, sucede-lhe como
líder, chefiando a conquista de territórios na
Transjordânia e de Canaã.

No Cristianismo, Moisés prefigura o "Moisés Maior", o


prometido Messias (em grego, o Cristo). O relato do
Êxodo de Israel, sob a liderança por Moisés, prefigura a
libertação da escravidão do pecado, passando os
cristãos a usufruir a liberdade gloriosa pertencente aos
filhos de Deus.

Na Igreja Católica e Igreja Ortodoxa, é venerado como


santo, sendo a festa celebrada a 4 de setembro.
Segundo a Edição Pastoral da Bíblia seu nome é citado
894 vezes na Bíblia[2] .

Escultura de Moisés por Michelangelo Nome de Moisés


A origem do nome Moisés é controversa. As evidências
apontam para a origem egípcia do nome sem o elemento teofórico. Més (ou na forma grega, mais divulgada, Mósis),
deriva da raiz substantiva ms (criança ou filho), correlata da forma verbal msy, que significa "gerar" (note-se que na
língua egípcia, à semelhança de outras do Próximo Oriente, a escrita renunciava ao uso das vogais). Més significa
assim "gerado", "nascido" ou "filho". Tome-se como exemplo os nomes dos faraós Ahmés (Amósis), que significa
"filho de [deus] Amon-Rá", Tutmés (Tutmósis), significando ("filho de [deus] Tut), ou ainda Ramsés, com o
significado de "filho de [deus] Rá".

De acordo com Êxodo 2:10 (ALA), é explicado que "quando o menino era já grande, ela [a mãe natural] o trouxe à
filha de Faraó, a qual o adoptou; e lhe chamou Moisés, dizendo: Porque das águas o tirei." Para os judeus, o nome
Moisés, em hebr. Móshe (‫)הֶׁשֹמ‬, é associado homofonicamente ao verbo hebr. mashah, que têm o significado de
"tirar". Na etimologia judaica popular, têm o significado de "retirado [isto é, salvo]" da água. Veja também
Antiguidades Judaicas, Flávio Josefo, Livro II, Cap. 9 § 6.
Estudiosos da História acreditam que o período que Moisés passou entre os egípcios serviu para que ele aprendesse o
conceito do "Monoteísmo", criado pelo faraó Akhenaton, o faraó revolucionário, levando tal conceito ao povo judeu.

Família
Moisés era da Tribo de Levi[3] , mas seus filhos são contados como sendo da tribo de Davi[3] .
Árvore genealógica segundo a Bíblia [3] [4] [5] [6] [7] [8] :
Moisés 102

Levi

Gérsom Coate Merari

Joquebede Anrão Izar Hebrom Uziel Reuel

Miriam Aarão Moisés Zípora

Gérsom Eliézer

Visão de Moisés pelas religiões

Judaísmo
Há uma riqueza de histórias e informações adicionais sobre Moisés nos livros apócrifos judaicos e no gênero da
exegese rabínica conhecida como Midrash, bem como nos trabalhos antigos da lei oral judaica, a Mishná e o
Talmud.[9]
Historiadores judeus que viviam em Alexandria, como Eupolemus, atribuíram a Moisés a proeza de ter ensinado aos
fenícios o seu alfabeto,[10] semelhante a lendas de Toth. Artapanus de Alexandria explicitamente identificou Moisés
não só com Toth / Hermes, mas também com a figura grega Musaeus (a quem ele chama de "o professor de Orfeu"),
e atribuiu a ele a divisão do Egito em 36 distritos, cada um com sua própria liturgia. Ele nomeia a princesa que
adotou Moisés como Merris, esposa do faraó Chenefres.[11]
As fontes antigas mencionam uma Assunção de Moisés e um Testemunho de Moisés. Um texto em latim foi
encontrado em Milão no século XIX por Antonio Ceriani, que o chamou de Assunção de Moisés, embora não se
refira a uma assunção de Moisés ou contenha partes da assunção que são citadas por autores antigos, e parece que é
realmente o testemunho. O incidente que os autores antigos citam também é mencionado na Epístola de Judas.
Para os judeus ortodoxos, Moisés é realmente Moshe Rabbenu, `Eved HaShem, Avi haNeviim zya"a.[9] É chamado de
"Nosso Líder Moshe", "Servo de Deus", e "Pai de todos os Profetas".[9] Na sua opinião, Moisés não só recebeu a
Torá, mas também o revelado (de forma escrita e oral) e o oculto (os ensinamentos `hokhmat nistar, que deram ao
judaísmo o Zohar de Rashbi, a Torá de Ari haQadosh e tudo o que é discutido na Yeshivá Celestial entre Ramhal e
seus mestres).[9] Ele também é considerado o maior profeta.[12]
Decorrente em parte da sua idade, mas também porque 120 está em outro lugar indicado como a idade máxima para
os descendentes de Noé (uma interpretação de Gênesis 6:3), "que você viva até os 120" tornou-se uma benção
comum entre os judeus.[9]

Cristianismo
Para os cristãos, Moisés - mencionado mais vezes no Novo Testamento do que qualquer outro personagem do
Antigo Testamento - muitas vezes é um símbolo da lei de Deus, como reforçado e exposto nos ensinamentos de
Jesus.[9] Escritores do Novo Testamento muitas vezes compararam as palavras e feitos de Jesus com os Moisés para
explicar a missão de Jesus.[9] Em At 7:39-43, 51-53, por exemplo, a rejeição de Moisés pelos judeus que adoravam o
bezerro de ouro é comparada à rejeição de Jesus pelos judeus que continuavam no judaísmo tradicional.[9]
Moisés 103

Identidade de Moisés

Nome: Moisés

Significado: Mósis, em egípcio, significa "filho".


Para os judeus, significa "retirado" das àguas.

Avô: Coate, 2.º filho de Levi

Mãe: Joquebede, segundo livros apócrifos, tia de Anrão

Pai: Anrão, filho de Coate

Esposa: Ziporá,ou Seforá(em hebraico tzipora)

Sogro: Jetro

Irmãos: Miriã / Aarão

Filhos: Gersom / ElMoisés (em hebraico, Moshe, ‫)השמ‬, profeta israelita da Bíblia Hebraica (conhecida entre os cristãos como Antigo
Testamento), da Tribo de Levi.

Sobrinhos: Nadabe / Abíu / Eleazar / Itamar

Local de Nascimento: Egito

Localização Temporal: 1250 a.C.

Tempo de Vida: 120 anos

Motivo de Morte: Não há relatos específicos da morte

Local de Morte: Monte Nebo, Planíce de Moabe

Família:' Coaraixitas, da Tribo de Levi

Ver também
• Jetro, sogro de Moisés
• José - no tempo do qual judeus foram viver para o Egipto
• Aarão, irmão de Moisés, e 1.º Sumo Sacerdote de Israel
• 70 anciãos de Israel
[1] Cálculos de Jerónimo de Strídon no livro Chronicon (Jerônimo)
[2] Moisés (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ 42N. HTM), acessado em 22 de julho de 2010
[3] 1 Crônicas 23 (http:/ / www. tiosam. net/ Biblia/ biblia. asp?livro=13& capitulo=23). Versículos 6 (Coate filho de Levi), 12 (Anrão filho de
Coate), 13 (Moisés filho de Anrão), 14 (filhos de Moisés contados contados na tribo de Davi), 15 (Gérsom e Eliézer filhos de Moisés), 16
(Sebuel filho de Gérsom) e 17 (Rebuel filho de Eliézer)
[4] Êxodo, 6:16, Levi pai de Gérsom, Coate e Merari
[5] Êxodo, 6:18, Coate pai de Anrão, Izar, Hebrom e Uziel
[6] Êxodo 6:20, Joquebede tia de Anrão, Anrão e Joquebede pais de Aarão e Moisés
[7] Êxodo 15:20, Míriam irmã de Aarão
[8] Êxodo 2:18 e 21, Reuel pai de Zípora
[9] Religious views of Moses (http:/ / www. religioninsight. com/ 2007/ 03/ 02/ religious-views-of-moses. html).
[10] Eusebius, Præparatio Evangelica ix. 26
[11] Eusebius, l.c. ix. 27
[12] Judaism 101: Moses, Aaron and Miriam (http:/ / www. jewfaq. org/ moshe. htm). Jewfaq.org. Página visitada em 2010-03-02.
Moisés 104

Profetas do islão no Alcorão

Adam Idris Nuh Hud Saleh Ibrahim Lut Ismail Ishaq Yaqub Yusuf Ayub
‫مدآ‬ ‫حون‬ ‫دوه‬ ‫حلاص‬ ‫ميهاربا‬ ‫طول‬ ‫ليعامسا‬ ‫ثيش‬ ‫قاحسا‬ ‫بوقعي‬ ‫فسوي‬ ‫بويأ‬

Adão Enoque Noé Éber Selá Abraão Ló Ismael Isaac Jacó José Jó

Shoaib Musa Harun Dhul-Kifl Daud Sulayman Ilyas Al-Yasa Yunus Zakariya Yahya Isa Muhammad
‫بيعش‬ ‫ىسوم‬ ‫نوراه‬ ‫لفكلا وذ‬ ‫دواد‬ ‫ناميلس‬ ‫سايلإ‬ ‫عسيلا‬ ‫سنوي‬ ‫ايركز‬ ‫ىيحي‬ ‫ىسيع‬ ‫دمحم‬

Jetro Moisés Aarão Ezequiel David Salomão Elias Eliseu Jonas Zacarias João Jesus Maomé
Batista
105

Os Livros do Antigo Testamento

Pentateuco
Do grego, "os cinco rolos", o pentateuco é composto pelos cinco
primeiros livros da Bíblia[1] [2] . Entre os judeus é chamado de Torá,
uma palavra da língua hebraica com significado associado ao
ensinamento, instrução, ou especialmente Lei, uma referência à
primeira secção do Tanakh, i.e., os primeiros cinco livros da Bíblia
Hebraica, atribuído a Moisés. Os judeus também usam a palavra Torá
num sentido mais amplo, para referir o ensinamento judeu através da
história como um todo. Neste sentido, o termo abrange todo o Tanakh,
o Mishnah, o Talmud e a literatura midrash. Em seu sentido mais
amplo, os judeus usam a palavra Torá para referir-se a todo e qualquer
tipo de ensino ou filosofia.

Autoria
A Teologia tradicional atribui a autoria a Moisés, entretanto existem
outras teorias.
A Edição Pastoral da Bíblia sustenta que o Pentateuco tem origem na Rolo da Torá judaica
Tradição oral e foi escrito durante seis séculos, reformulando,
adaptando e atualizando tradições antigas e criando novas[3] .
Julius Wellhausen (1844-1918) sustenta que o Pentateuco é uma obra redacional, composta de quatro diferentes
tradições (documentos): a Javista com textos compostos na época da Monarquia (950 AC), a Eloísta com textos
posteriores ao ano 750 AC, a Deuteronomista com textos escritos aproximadamente no ano 600 AC e a Sacerdotal
com textos escritos no exílio babilônico (por volta do ano 500 AC)[4] [5] .

Livros do pentateuco (Torá)

Génesis
Primeiro livro da Bíblia. Narra acontecimentos, desde a criação do mundo, na perspectiva judaica (o chamado "relato
do Génesis"), passando pelos Patriarcas hebreus, até à fixação deste povo no Egipto, depois da história de José.
Génesis é o inicio´, é o principio da criação dos ceús, da terra, da humanidade e de tudo quanto existe vida, todos os
seres. Escrito por Moisés. Esse foi o livro que Deus soprou aos ouvidos de Moisés, que nos fala da perfeição da sua
criação de seus feitos das coisas do qual nos deu o conhecimento isso sabemos que Deus foi o criador dos céus fala
sobre Noé homem que seguindo sua instrução enviada por Deus
Pentateuco 106

Êxodo
O livro conta a história da saída do povo de Israel do Egito, onde foram escravos durante 400 anos. Narra o
nascimento, a vida e o ministério de Moisés diante do povo de Israel, bem como o estabelecimento da Lei e a
construção do Tabernáculo. Mostra o início de um relacionamento entre o povo recém-saído do Egito e Deus através
de uma aliança proposta pelo próprio Deus. É a organização do Judaísmo.
Como Moisés escreveu sobre o inicio da criação se ele nem era nascido? Resposta: por meio da comunicação oral,
informações passadas de pai pra filho, e recebeu revelações de Deus.

Levítico
Basicamente é um livro teocrático, isto é, tem caráter legislativo; apresenta em seu texto o ritual dos sacrifícios, as
normas que diferenciam o puro do impuro, a lei da santidade e o calendário religioso entre outras normas e
legislações que regulariam a religião.

Números
Este livro é de interesse histórico, pois fornece detalhes acerca da rota dos israelitas no deserto e de seus principais
acampamentos. Pode ser dividido em três partes:
• O recenseamento do povo no Sinai e os preparativos para retomar a marcha (1-10:10). O capítulo 6 relata o voto
de Nazireu.
• A história da jornada do Sinai até Moabe, o envio dos espiões e o relato que fizeram, e as murmurações (oito
vezes) do povo contra as dificuldades do caminho (10:11-21:20).
• Os eventos na planície de Moabe, antes da travessia do Jordão (21:21-cap. 36).

Deuteronômio
Contém os discursos de Moisés ao povo, no deserto, durante seu êxodo do Egito à Terra Prometida por Deus. Os
discursos contidos nesse livro, em geral, reforçam a idéia de que servir a Deus não é apenas seguir sua lei. O título
provém do grego e quer dizer: Segunda Lei, ou melhor, Repetição da Lei. Em Êxodo, Levítico e Números, as leis
foram dadas, conforme a necessidade da ocasião, a um povo acampado no deserto. Em Deuteronômio, essas leis
foram repetidas a uma geração que, dentro em breve, moraria nas casas, vilas e cidades da terra prometida.
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] Pentateuco (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P6. HTM), acessado em 20 de julho de 2010
[4] A “nova” hípotese documentária do Pentateuco (http:/ / teologiabiblica. wordpress. com/ 2008/ 04/ 23/
a-nova-hipotese-documentaria-do-pentateuco/ ), Padre Lucas Prazer, Centro Catequetico Diocesano Dom Gabriel Paulino Bueno Couto,
Jundiai SP, 1ª quinzena de Março 2005, acessado em 20 de julho de 2010
[5] Ler o Pentateuco (http:/ / www. airtonjo. com/ novidades2003b. htm), acessado em 20 de julho de 2010

• Dever, William G. Who were the early israelites ? (em inglês).  Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans
Publishing Co., 2003.
• Silberman, Neil A. et al. A Bíblia Desenterrada.  Nova Iorque: Simon e Schuster, 2001.
• Machado de Assis. Memórias Póstumas de Brás Cubas (em português).
Pentateuco 107

Ver também
• Tanakh
• Sefer Torá
• Bíblia
• Moisés

Gênesis
Gênesis (português brasileiro) ou Génesis (português europeu) (do grego Γένεσις,
"origem", "nascimento", "criação") é o primeiro livro da Bíblia.[1] [2]
Faz parte do Pentateuco, os cinco primeiros livros bíblicos, cuja autoria é
atribuída, pela tradição judaico-cristã, a Moisés. Gênesis é o nome dado pela
Septuaginta ao primeiro destes livros, ao passo que seu título hebraico
Bereshit ("No princípio") é tirado da primeira palavra de sua sentença inicial.
Narra acontecimentos, desde a criação do mundo, na perspectiva judaica,
passando pelos Patriarcas bíblicos, até à fixação deste povo no Egipto, depois
da história de José.
• Autor: Indeterminado (a tradição judaico-cristã sustenta ter sido Moisés);
• Data: 1450-1410 a.C.
• Significa: começo, princípio, origem; Adão e Eva de Dürer
• Primeiro livro da Bíblia e primeiro do Pentateuco;

• Possui 50 capítulos;
• Contém uma história da criação do mundo, da humanidade, da queda do homem e da escolha da nação de Israel
por Deus.
• Panorama: Região atualmente conhecida como Oriente Médio.

Torá | Neviim | Ketuvim


Livros da Torá

Bereshit Gênesis

Shemot Êxodo

Vayikrá Levítico

Bamidbar Números

Devarim Deuteronômio
Gênesis 108

Visão cristã tradicional

A história da criação
Na crença judaico-cristã, Deus criou o céu, os
mares e a terra. Ele criou as plantas, os animais, os
peixes e os pássaros. Os seres humanos, porém,
Ele os criou à Sua imagem. O homem difere dos
demais seres criados:
1. Ser criado a imagem e semelhança de Deus
(Gênesis 1.26). 2. Recebeu o "sopro" de Deus nas
suas narinas se tornando "alma vivente"(Gênesis
2:7).
A Criação de Adão, de Michelangelo
• Do nosso Universo, 1:1-25.
• Do Homem, 1:26-31; 2:18-24.
Alguns acreditam, utilizando como base trechos do Gênesis, em dois processos de criação do "homem": um que
deveria dominar a terra, outro que deveria cuidar da terra.

A história do homem primitivo


Quando Adão e Eva foram criados por Deus, eles eram sem pecado. Mas tornaram-se pecadores quando
desobedeceram a Deus e comeram o fruto da árvore proibida. Através de Adão e Eva aprendemos sobre o poder
destrutivo do pecado e suas amargas consequências, a perversidade crescente castigada pelo dilúvio[3] .
Noé foi poupado da destruição do dilúvio porque
obedeceu a Deus e construiu a arca . Assim como
Deus protegeu Noé e sua família, Ele protege
aqueles que Lhe são fiéis.
• Adão e Eva cap, 2-5.
• A tentação e a queda, a personalidade e o
caráter do tentador, o castigo do pecado, e a
promessa do Redentor vindouro, cap. 3.
• A história de Caim e Abel, cap. 4.
• A genealogia e morte dos patriarcas, cap. 5.
• Noé; o Dilúvio; repovoando a terra, cap. 6-11.
• Os sucessos relacionados ao dilúvio, caps. 6, 7 e
8.
• A aliança do arco-íris e o pecado de Noé, cap. 9.
• Os descendentes de Noé, cap. 10. A Arca de Noé segundo Edward Hicks.
• A confusão das línguas em Babel, cap. 11.
Gênesis 109

A história do povo escolhido (Patriarcas)

A vida de Abraão

Abraão recebeu instrução para deixar sua terra,


peregrinar em Canaã, esperar por um filho durante
anos, e então queimá-lo em sacrifício. Durante este
período de provações dolorosas, Abraão
permaneceu fiel a Deus. Seu exemplo nos ensina o
que significa viver uma vida de fé.

• Seu chamado divino, cap. 12.


• Deus promete uma nação a Abrão.
• A história de Abraão e Ló, caps. 13 e 14.
• As revelações divinas e as promessas a Abraão,
particularmente a promessa de um filho, da
posse da Terra Santa, e de uma grande
posteridade, caps. 15, 16 e 17. Sacrifício de Isaque.
• Sua intercessão em favor das cidades da
planície, e a destruição delas (Sodoma e Gomorra), caps. 18 e 19.
• Sua vida em Gerar, e o cumprimento da promessa de um filho no nascimento de Isaque, caps. 20 e 21.
• A prova da sua obediência por ocasião da ordem divina de sacrificar Isaque, cap. 22.
• Sua morte.

A vida de Isaque

Isaque não reclamou. Ele não resistiu quando


estava prestes a ser sacrificado, e prontamente
aceitou a esposa que outros escolheram para ele.
• Seu nascimento, 21:3.
• Seu casamento, cap. 24.
• O nascimento de seus filhos Jacó e Esaú,
25:20-26.
• Isaque e Abimeleque.
• Jacó toma a bênção de Isaque, no lugar de Esaú.
• Seus últimos anos, caps. 26 e 27.

A vida de Jacó

Jacó não desistia facilmente. Serviu com fidelidade


a Labão por mais de 14 anos. Mais tarde, lutou Isaque dando a bênção para Jacó.
com Deus. Embora Jacó tenha cometido muitos
erros, seu trabalho intenso nos ensina a como viver uma vida a serviço de Deus.
• Sua astúcia para adquirir o direito de primogenitura 27:1-29
• Sua visão da escada celestial, 28:10-22
• Os incidentes relacionados ao seu matrimônio e sua vida em Padã-Arã, caps. 29, 30 e 31
• Jacó constitui uma família, seus doze filhos são os antepassados das doze tribos de Israel.
• Jacó volta para casa.
Gênesis 110

A vida de Esaú
• Esaú perde a bênção, de Isaque, para o seu irmão Jacó.

A vida de José

José foi vendido como escravo por seus irmãos e


atirado injustamente na prisão por seu senhor.
Aprendemos com José que o sofrimento, não
importa quão injusto seja, pode desenvolver um
firme caráter em nós.
• A vida de José, os últimos dias de Jacó, e a
descida ao Egito da família escolhida, caps.
37-50
• José é vendido como escravo.
• Judá e Tamar
• José é atirado na prisão.
• José interpreta os sonhos de Faraó.
• José é chamado para administrar o Egito.
• José faz o Egito prosperar e resistir à fome.
• José e seus irmãos se encontram no Egito.
• A família de Jacó muda-se para o Egito.
• Jacó e José morrem no Egito.

Linha do tempo
• Criação
José vendido como escravo por seus irmãos.
• Adão e Eva
• Noé
• Nascimento de Abraão 2166 a.C. (2000 a.C.)
• Abraão entra em Canaã 2091 a.C. (1925 a.C.)
• Nascimento de Isaque 2066 a.C. (1900 a.C.)
• Nascimento de Jacó e Esaú 2006 a.C. (1840 a.C.)
• Jacó Foge para Harã 1929 a.C. (1764 a.C.)
• Nascimento de José 1915 a.C. (1750 a.C.)
• José é vendido como escravo 1898 a.C. (1733 a.C.)
• José governa o Egito 1885 a.C. (1720 a.C.)
• Morte de José 1805 a.C. (1640 a.C.)
Gênesis 111

Estudos e discussões
As discussões sobre a origem e a autoria dos textos bíblicos dependem da aceitação da premissa de que eles não
foram ditados por Deus aos escritores e que os relatos não são literais, e sim interpretações dos atos de Deus através
da história do povo de Israel. Partindo desse princípio, é difícil tratar do conteúdo de Gênesis como um texto escrito
por uma única pessoa num curto período de tempo.
Acredita-se que o livro de Gênesis tenha sido escrito por Moisés (embora ele viesse a morrer antes do final do
Pentateuco), ou por cronistas próximos a ele. Porém, as informações nele contidas podem ter sido transmitidas a
Moisés pela tradição oral. A longevidade atribuída aos homens daquele período explicaria o fato de que as
informações teriam sido transmitidas por Adão a Moisés através de apenas cinco elos humanos: Matusalém, Sem,
Isaque, Levi e Anrão.
Outra possibilidade é de que Moisés tenha obtido grande parte das informações relativas a Gênesis através de textos
ou documentos já existentes. Já no século XVIII, o erudito holandês Campegius Vitringa sustentava essa teoria
baseando sua conclusão nas freqüentes ocorrências, em Gênesis (10 vezes), da expressão (em KJ; Tr) "essas são as
gerações de", e uma vez "esse é o livro das gerações de". Nessa expressão, a palavra hebraica para "gerações" é
toh•le•dhóhth, mais bem traduzida por "histórias" ou "origens". Por exemplo, "gerações dos céus e da terra"
dificilmente se enquadraria aqui, enquanto que "histórias dos céus e da terra" faz sentido. (Gên 2:4) Em harmonia
com isso, a Bíblia alemã Elberfelder, a francesa Crampon e a espanhola Bover-Cantera são versões que usam o
termo "histórias", assim como faz a Tradução Novo Mundo.
Entretanto, para a crítica bíblica, há evidências no texto que demonstram que as tradições de Gênesis, especialmente
entre o final da narrativa do Dilúvio e a história de José, podem ter sido compiladas durante o período de dominação
babilônica: entre os séculos VII e VI a.C..
É postulado que Abraão tenha nascido na cidade de "Ur dos caldeus", termo repetido algumas vezes. No entanto, os
caldeus só surgiram na região de Ur, a leste da Mesopotâmia, por volta do século IX a.C., pelo menos 1000 anos
depois do tempo suposto para a história de Abraão. A própria diferença nos estilos literários e as histórias
aparentemente desconexas da vida de Abraão podem ser um indicativo de que tais histórias tenham sido compiladas
em diferentes momentos, ou por diferentes autores, a partir de uma tradição oral transmitida ao longo de muitas
gerações.
Alguns estudiosos acreditam que as histórias de Isaque, que em vários momentos são semelhantes às de Abraão,
sejam um recurso estilístico observado em outros pontos do relato bíblico (a recorrência da cidade de Belém
relacionada aos nascimentos de Davi e Jesus para ressaltar o parentesco entre este e aquele, por exemplo, embora
Jesus nunca fosse referido como belenense ou belemita, mas como nazareno, pois morava em Nazaré), para realçar a
ligação entre os dois personagens através de seus atos, fortalecendo a ligação entre Israel, filho de Isaque, e o
patriarca Abraão.
A narrativa da história de José, que visa explicar a origem das 12 Tribos de Israel, pode ter sido compilada por
cronistas de Israel no período em que os reinos de Israel e Judá estiveram divididos, durante o primeiro milênio antes
de Cristo, pois toda a narrativa realça a importância e a nobreza de José (pai das meias-tribos de Efraim e Manassés,
as tribos dominantes do Reino do Norte), em contrapartida com a indiferença e a inveja de Judá (a tribo
predominante do Reino do Sul), refletindo o rancor das tribos de José e da tribo de Judá naquele período. Ao final da
narrativa, quando Jacó chega ao Egito e abençoa seus filhos, é prometido à tribo de Judá que ela reinaria sobre todas
as outras, o que contradiz a finalidade do restante da narrativa.
Gênesis 112

Adão e Eva como parábola


Alguns teólogos tem procurado conciliar a história de Adão e Eva com a Teoria da Evolução.
Teilhard de Chardin foi um padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo francês que logrou construir uma visão
integradora entre ciência e teologia. Através de suas obras, legou-nos uma filosofia que reconcilia a ciência do
mundo material com as forças sagradas do divino e sua teologia. Disposto a desfazer o mal entendido entre a ciência
e a religião, conseguiu ser mal visto pelos representantes de ambas. Muitos colegas cientistas negaram o valor
científico de sua obra, acusando-a de vir carregada de um misticismo e de uma linguagem estranha à ciência. Do
lado da Igreja Católica, por sua vez, foi proibido de lecionar, de publicar suas obras teológicas e submetido a um
quase exílio na China.
"Aparentemente, a Terra Moderna nasceu de um movimento anti-religioso. O Homem bastando-se a si mesmo. A
Razão substituindo-se à Crença. Nossa geração e as duas precedentes quase só ouviram falar de conflito entre Fé e
Ciência. A tal ponto que pôde parecer, a certa altura, que esta era decididamente chamada a tomar o lugar daquela.
Ora, à medida que a tensão se prolonga, é visivelmente sob uma forma muito diferente de equilíbrio – não
eliminação, nem dualidade, mas síntese – que parece haver de se resolver o conflito."
O Padre Ariel Álvarez Valdez sustenta que trata-se de uma parábola composta por um catequista hebreu, a quem os
estudiosos chamam de “yahvista”, escrita no século X AC, que não pretendia dar uma explicação científica sobre a
origem do homem, mas sim fornecer uma interpretação religiosa, e elegeu esta narração na qual cada um dos
detalhes tem uma mensagem religiosa, segundo a mentalidade daquela época[4] .
John F. Haught, filósofo americano criador do conceito de Teologia evolucionista, diz que "o retrato da vida
proposto por Darwin constitui um convite para que ampliemos e aprofundemos nossa percepção do divino. A
compreensão de Deus que muitos e muitas de nós adquirimos em nossa formação religiosa inicial não é grande o
suficiente para incorporar a biologia e a cosmologia evolucionistas contemporâneas. Além disso, o benigno designer
[projetista] divino da teologia natural tradicional não leva em consideração, como o próprio Darwin observou, os
acidentes, a aleatoriedade e o patente desperdício presentes no processo da vida”, e que “Uma teologia da evolução,
por outro lado, percebe todas as características perturbadoras contidas na explicação evolucionista da vida”, sobre as
idéias de Richard Dawkins, Haught declara que: “A crítica da crença teísta feita por Dawkins se equipara, ponto por
ponto, ao fundamentalismo que ele está tentando eliminar”[5] .
Ilia Delio, teóloga americana, sustenta que a teologia pode “tirar proveito” das aquisições de uma ciência que vê na
“mutação” o núcleo essencial da matéria[6] .
O Rabino Nilton Bonder sustenta que: "a Bíblia não tem pretensões de ser um manual eterno da ciência, e sim da
consciência. Sua grande revelação não é como funciona o Universo e a realidade, mas como se dá a interação entre
criatura e Criador"[7] .

Como e quando o livro tornou-se canônico


Desde o começo, os primeiros cincos livros que compõem o Cânon como parte das Escrituras Hebraicas, foram
aceitos pelos judeus como documentos autênticos. Assim, no tempo de Davi, os eventos registrados de Gênesis a I
Samuel eram plenamente aceitos como a verdadeira história da nação e dos pactos entre Deus e o povo eleito.
No entanto, adversários das Escrituras Hebraicas têm atacado fortemente o Pentateuco, em particular no que tange à
sua autenticidade e autoria. Por outro lado, ironicamente, devido ao reconhecimento, por parte dos judeus, de que
Moisés é o autor do Pentateuco, podemos salientar o testemunho de antigos escritores, alguns dos quais eram
inimigos dos judeus. Hecateu de Abdera, o historiador egípcio Mâneto, Lisímaco de Alexandria, Eupolemo, Tácito e
Juvenal, todos atribuem a Moisés o estabelecimento do código de leis que distinguia os judeus das outras nações, e a
maioria deles menciona em especial que ele assentou suas leis por escrito. Numênio, o filósofo pitagórico, até
mesmo menciona Janes e Jambres como os sacerdotes egípcios que se opuseram a Moisés. (2 Tim. 3:8) Esses
autores abrangem um período que se estende do tempo de Alexandre (século IV a.C), quando os gregos se
Gênesis 113

interessaram pela história judaica pela primeira vez, até o tempo do Imperador Aureliano (século III d.C). Muitos
outros escritores antigos mencionam Moisés como líder, governante e legislador.
Apesar do estrito cuidado dos copistas dos manuscritos da Bíblia, foram introduzidos no texto alguns pequenos erros
e alterações de escribas. Como um todo, eles são insignificantes e não alteram a integridade geral das Escrituras;
foram descobertos e corrigidos por meio de cuidadosa colação erudita e/ou comparação crítica dos muitos
manuscritos e versões antigas existentes.
Quanto ao estudo crítico do texto hebraico, ele começou com os eruditos no século XVIII. Nos anos de 1776-80, em
Oxford, Benjamin Kennicott publicou variantes de mais de 600 manuscritos hebraicos. Daí, em 1784-98, em Parma,
o erudito italiano J. B. de Rossi publicou variantes de mais de 800 manuscritos. O hebraísta S. Baer, da Alemanha,
também produziu um texto-padrão. Mais recentemente, C. D. Ginsburg dedicou muitos anos à produção de um
texto-padrão crítico da Bíblia hebraica. Foi publicado pela primeira vez em 1894, passando por revisão final em
1926. Este fornece um estudo textual por meio de notas de rodapé, que comparam muitos manuscritos hebraicos do
texto massorético. O texto básico usado por ele foi o texto de Ben Chayyim. Mas, quando os textos mais antigos e
superiores massoréticos de Ben Asher se tornaram disponíveis, Kittel empreendeu a produção de uma terceira
edição, inteiramente nova, que após a sua morte foi completada por seus colegas. Joseph Rotherham usou a edição
de 1894 desse texto na produção da sua tradução inglesa, The Emphasised Bible (A Bíblia Enfatizada), em 1902, e o
Professor Max L. Margolis, junto com colaboradores, usou os textos de Ginsburg e de Baer na produção da sua
tradução das Escrituras Hebraicas, em 1917.
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[3] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 21
[4] Adão e Eva: origem ou parábola? (http:/ / amaivos. uol. com. br/ amaivos09/ noticia/ noticia. asp?cod_noticia=9845& cod_canal=29),
acessado em 20 de julho de 2010
[5] Entrevista com John F. Haught: Uma teologia da evolução precisa mostrar que a fé bíblica não contradiz o caráter evolutivo do mundo (http:/
/ www. ihuonline. unisinos. br/ index. php?option=com_tema_capa& Itemid=23& task=detalhe& id=834), acessado em 20 de julho de 2010
[6] Fé e evolução, binômio possível (http:/ / www. ihu. unisinos. br/ index. php?option=com_noticias& Itemid=18& task=detalhe& id=16428),
traduzido a partir de entrevista publicada em 23 de agosto de 2008, acessado em 20 de julho de 2010
[7] Darwin e heresias (http:/ / www. ihu. unisinos. br/ index. php?option=com_noticias& Itemid=18& task=detalhe& id=20349), publicado no
jornal O Globo de 03 de março de 2009, acessado em 20 de julho de 2010

Ver também
• Génesis de Viena Personagens Principais • Noé • Ismael
• Arqueologia bíblica • Adão e Eva • Enoque • Jacó
• Jesus • Caim • Abraão • José
• Arca de Noé • Abel • Isaque • Judá
• Tribos de Israel • Lameque • Ló
• Criacionismo
• Casamento religioso
• Lista de lugares bíblicos
Gênesis 114

Ligações externas
• Gênesis (http://www.bibliaonline.com.br/acf/gn/1), no site www.bibliaonline.com (em português)
• Estudos bíblicos do livro do Gênesis e vídeos sobre os mesmos temas (http://www.shalomhaverim.org) (em
português)
• Explicação do livro do Gênesis e outros textos da Torá (http://www.judaismovirtual.com) (em português)
• Livro do Gênesis (http://www.vatican.va/archive/bible/nova_vulgata/documents/
nova-vulgata_vt_genesis_lt.html) (em latim)

Arca de Noé
A Arca de Noé era, segundo a religião
abraâmica, um grande navio construído por
Noé, a mando de Deus, para salvar a si
mesmo, sua família e um casal de cada
espécie de animais do mundo, antes que
viesse o Grande Dilúvio da Bíblia. A
história é contada em Gênesis 6-12[1] [2] ,
assim como no Alcorão e em outras fontes.

Conforme a tradição bíblica, Deus decidiu


destruir o mundo por causa da perversidade
humana, mas poupou Noé, o único homem
justo da Terra em sua geração,
mandando-lhe construir uma arca para
salvar sua família e representantes de todos
os animais e aves. A certa altura, Deus se
lembrou de Noé e interrompeu o Dilúvio,
A Arca de Noé segundo Edward Hicks.
fazendo as águas recuarem e as terras
secarem. A história termina com um pacto
entre Deus e Noé, assim como com sua descendência.
Essa história tem sido amplamente discutida nas religiões abrâmicas, surgindo comentários que vão do prático (como
Noé teria eliminado os resíduos animais?) ao alegórico (a arca representa a Igreja como salvadora da Humanidade
em decadência). A partir do século I, vários detalhes da arca e da inundação foram examinados, questionados e até
colocados em dúvida por estudiosos cristãos e judeus.
Mas, no século XIX, o desenvolvimento da Geologia e da Biogeografia tornaram difícil sustentar uma interpretação
literal da história. A partir de então, os críticos da Bíblia mudaram sua atenção para a origem e os propósitos
seculares da arca; no entanto, os intérpretes literais da Bíblia continuam a ver a história narrada como chave para sua
compreensão da Bíblia e agora exploram a região das montanhas do Ararat, no nordeste da Turquia, onde a arca
estaria descansando.
Arca de Noé 115

Narrativa
A história de Arca de Noé, de acordo com os capítulos 6 a 9 do livro do Gênesis, começa com Deus observando o
mau comportamento da Humanidade e decidido a inundar a terra e destruir toda vida. Porém, Deus encontrou um
bom homem, Noé, "um virtuoso homem, inocente entre o povo de seu tempo", e decidiu que este iria preceder uma
nova linhagem do homem. Deus disse a Noé para fazer uma arca e levar com ele a esposa e seus filhos Shem, Ham e
Japheth, e suas esposas. E, de todas as espécies de seres vivos existentes então, levar para a arca dois exemplares,
macho e fêmea. A fim de fornecer seu sustento, disse para trazer e armazenar alimentos.
Noé, sua família e os animais entraram na arca e "no
mesmo dia foram quebrados todos os fundamentos da
grande profundidade e as janelas do céu foram abertas,
e a chuva caiu sobre a terra por quarenta dias e quarenta
noites". A inundação cobriu mesmo as mais altas
montanhas por mais de seis metros (20 pés), e todas as
criaturas morreram; apenas Noé e aqueles que com ele Obra O Dilúvio, Capela Sistina, de Michelangelo Buonarroti.
estavam sobre a arca ficaram vivos. A história do
Dilúvio é considerada por vários estudiosos modernos
como um sistema de dois contos ligeiramente diferentes, entrelaçados, daí a aparente incerteza quanto à duração da
inundação (quarenta ou cento e cinquenta dias) e o número de animais colocados a bordo da arca (dois de cada
espécie, ou sete pares de alguns tipos) .
Eventualmente, a arca veio a descansar sobre o Monte Ararat. As águas começaram a diminuir e os topos das
montanhas emergiram. Noé enviou um corvo, que "voou de um lado a outro até que as águas recuaram a partir da
terra". Em seguida, Noé enviou uma pomba, mas ela retornou à arca sem ter encontrado nenhum lugar para pousar.
Depois de mais sete dias, Noé novamente enviou a pomba e ela voltou com uma folha de oliva no seu bico e então
ele soube que as águas tinham abrandado.
Noé esperou mais sete dias e enviou a pomba mais uma vez, e desta vez ela não retornou. Em seguida, ele e sua
família e todos os animais saíram da arca e Noé fez um sacrifício a Deus, e Deus resolveu que nunca mais lançaria
maldição à terra por causa do homem, nem iria destruí-la novamente dessa maneira.
A fim de se lembrar dessa promessa, Deus colocou o Arco da Aliança nas nuvens, dizendo: "Sempre que houver
nuvens sobre a terra e o arco aparecer nas nuvens, eu me lembrarei da eterna aliança entre Deus e todos os seres
vivos de todas as espécies sobre a terra".

A arca nas tradições antigas


Na tradição rabínica
A história da Arca de Noé foi objecto de muita discussão na posterior literatura rabínica. A falha de Noé em advertir
outros sobre a inundação foi largamente vista como fonte de dúvidas sobre a sua bondade. Era ele o único virtuoso
em uma geração má? De acordo com uma tradição, ele passou adiante a advertência de Deus, plantando cedros por
cento e vinte anos antes do Dilúvio, a fim de que os pecadores pudessem ver e ser instados a alterar seu
comportamento.
Arca de Noé 116

A fim de proteger Noé e sua família, Deus colocou


leões e outros animais ferozes a guardá-los contra os
ímpios que escarneciam deles e causavam-lhes
violência. De acordo com um midrash, foi Deus, não os
anjos, que reuniu os animais para a arca, juntamente
com os seus alimentos. Como havia necessidade de
distinguir entre animais limpos e imundos, os animais
limpos se deram a conhecer através do rebaixamento
diante de Noé à medida que eles entravam na arca.
Uma opinião diferente sustenta que a própria arca
distinguia os puros de impuros, admitindo sete dos
primeiros e dois dos segundos.

Noé se encarregou dia e noite da alimentação e dos


cuidados para com os animais, e não teve sono pelo ano
inteiro a bordo da arca. Os animais foram os melhores
de suas espécies e assim comportavam-se com extrema
bondade. Eles se abstiveram de procriação a fim de que
o número de criaturas que desembarcassem fosse
exactamente igual ao número que embarcou. O corvo
criou problemas, recusando-se a sair quando a Arca de
Noé enviou-o primeiro e acusou o Patriarca de querer
destruir sua raça, mas, como os comentadores
salientaram, Deus quis salvar o corvo para que os seus Construção da arca
descendentes fossem destinados a alimentar o profeta
Elias.

Os refugos foram armazenados no mais baixo dos três pavimentos, seres humanos e animais limpos sobre o segundo,
e os pássaros e animais impuros no topo. Uma opinião diferente situou os refugos no pavimento mais alto, de modo
que podiam ser jogados ao mar através de um alçapão. Pedras preciosas, brilhantes como meio-dia, providenciaram
luz e Deus assegurou que os alimentos frescos fossem mantidos. O gigante Og, rei de Bashan, esteve entre os salvos,
mas, devido a seu tamanho, teve que permanecer fora, passando-lhe Noé alimentos através de um buraco na parede
da arca.

Na tradição cristã
Cedo no Cristianismo, escritores elaboraram significados alegóricos para Noé e a arca. Na primeira epístola de
Pedro, aqueles salvos pela arca das águas da inundação eram vistos como os precursores da salvação através do
batismo dos cristãos, e o rito do batismo anglicano ainda pede a Deus, "que de sua grande misericórdia salvou Noé",
que receba na Igreja as crianças levadas para batismo. Artistas freqüentemente retrataram Noé de pé em uma
pequena caixa sobre as ondas, simbolizando a salvação de Deus através da Igreja e sua perseverança através do
tumulto, e Santo Agostinho de Hipona (354-430), na obra Cidade de Deus, demonstrou que as dimensões da arca
correspondiam às dimensões do corpo humano, que é o corpo de Cristo, que é a Igreja. São Jerônimo (347-420)
chamou o corvo, que foi enviado adiante e não retornou, de "chula ave de abominação" expulsa pelo batismo;
enquanto a pomba e a folha de oliva vieram para simbolizar o Espírito Santo e a esperança de salvação e,
eventualmente, de paz.
Arca de Noé 117

Santo Hipólito de Roma (235-), procurando demonstrar


que "a arca era um símbolo de Cristo, que era
esperado", declarou que a embarcação teve sua porta na
parte oriental, que os ossos de Adão foram levados a
bordo juntamente com ouro, mirra e resina, e que a arca
foi lançada ao vaivém nas quatro direções sobre as
águas, fazendo o sinal da cruz, antes de eventualmente
parar no Monte Kardu, "a leste, na terra dos filhos de
Raban, e os orientais chamaram-na de Monte Godash;
os árabes e os persas chamaram-na de Ararat".

Em um plano mais prático, Hipólito explicou que a arca


Sacrifício de Noé foi construída em três pavimentos, o mais baixo para os
animais selvagens, o do meio para aves e animais
domésticos e o nível mais alto para seres humanos, e que os animais machos foram separados das fêmeas por
grandes estacas, para ajudar a manter a proibição contra a coabitação a bordo do navio. Do mesmo modo, Orígenes
(182-251), respondendo a um crítico que duvidava de que a arca pudesse conter todos os animais do mundo, e
seguindo uma discussão sobre cúbitos, sustentou que Moisés, o tradicional autor do livro do Gênesis, tinha sido
ensinado no Egito e, por isso, utilizava (no texto bíblico) os cúbitos egípcios, que eram maiores. Ele também fixou a
forma da arca como uma pirâmide truncada, retangular, em vez de quadrada em sua base, e afunilando-se em um
quadrado na lateral; não foi até o século XII que se veio a pensar na arca como uma caixa retangular com um teto
inclinado.

Na tradição islâmica
Noé (Nuh) é um dos cinco principais profetas do Islã, geralmente mencionado em conexão com o destino daqueles
que se recusam a ouvir a Palavra. As referências estão espalhadas através do Alcorão, com a máxima consideração à
surata 11:27-51, intitulada "Hud".
Em contraste com a tradição judaica, que usa um termo que pode ser traduzido como uma caixa ou um peito para
descrever a arca, a surata 29:14 refere-se a ela como um safina, um navio ordinário, e a surata 54:13 cita-a como
"uma coisa de tábuas e pregos". A surata 11:44 diz que ela foi parar no Monte Judi, identificado pela tradição como
uma colina perto da cidade de Jazirat ibn Umar, na margem oriental do Tigre, na província de Mosul, no norte do
Iraque.
Abd Allah ibn Abbas, contemporâneo de Maomé, escreveu que Noé estava em dúvida quanto a que forma dar a arca,
e que Deus revelou-lhe que era para ser modelada como uma barriga de ave e feita com madeira de teca. Noé então
plantou uma árvore, que em vinte anos havia crescido o suficiente para proporcionar-lhe toda a madeira de que ele
necessitava.
Arca de Noé 118

O historiador persa Abu Ja'far Muhammad ibn Jarir


al-Tabari, autor de História dos Profetas e Reis (915-),
incluiu inúmeros detalhes sobre a Arca de Noé, não
encontrados em nenhuma outra parte, por exemplo, ele
diz que a primeira criatura a bordo foi a formiga e a
última foi o burro, por meio dos quais Satanás veio a
bordo. Ele também diz que quando os apóstolos de
Jesus manifestaram o desejo de aprender sobre a arca
de uma testemunha ocular, ele respondeu com uma
ressurreição temporária de Ham, filho de Noé, dos
mortos, que lhes disse mais: para lidar com o excessivo
Mosteiro de Khor Virap, Armênia, à sombra do Monte Ararat, onde a
excremento, Noé criou milagrosamente um par de Arca de Noé supostamente encalhou após o Dilúvio.
porcos, que saíram da cauda do elefante, e, para lidar
com um rato clandestino, Noé criou um par de gatos a partir do nariz do leão.

Abu al-Hasan Ali ibn al-Husayn Masudi (956-) disse que o local onde ela veio a descansar poderia ser encontrado no
seu tempo. Masudi também disse que a arca começou sua viagem em Kufa, no Iraque central, e rumou para Meca,
onde ela marcou a Kaaba, antes de viajar finalmente para Judi. A surata 11:41 diz: "E ele disse, 'Ancore-a aqui; em
nome de Deus ela se moverá e permanecerá!’". Abdallah ibn Umar al-Baidawi, escrevendo no século XIII, disse que
Noé falava "Em Nome de Deus!" quando ele desejava que a Arca se movesse e o mesmo quando ele queria que ela
permanecesse no lugar.

A inundação foi enviada por Deus em resposta à oração de Noé, que aquela geração má deveria ser destruída; mas,
como Noé era justo, ele continuou a pregar e setenta idólatras foram convertidos e entraram na arca com ele,
elevando o total para setenta e oito pessoas a bordo (estes acrescidos de oito membros da própria família de Noé). Os
setenta não tiveram descendentes e todos os nascidos depois da inundação da Humanidade são descendentes dos três
filhos de Noé. Um quarto filho (ou um neto, de acordo com alguns), Canaã, estava entre os idólatras e foi um dos
afogados.
Baidawi deu o tamaho da arca em 300 cúbitos (157 m, 515 pés) de comprimento por 50 (26,2 m, 86 pés) de largura e
30 (15,7 m, 52 pés) de altura e explicou que, no primeiro dos três níveis, animais selvagens e domesticados foram
acomodados, no segundo os seres humanos e no terceiro as aves. Em cada tábua havia o nome de um profeta.
Faltavam três tábuas, simbolizando três profetas, elas foram trazidas do Egito por Og, filho de Anak, o único dos
gigantes que teve permissão de sobreviver à inundação. O corpo de Adão foi colocado no meio para dividir os
homens das mulheres.
Noé passou cinco ou seis meses a bordo da arca, no termo dos quais ele enviou um corvo. Mas o corvo parou para se
regozijar em Carrion e, por isso, Noé amaldiçoou-o e enviou a pomba, que desde então tem sido conhecida como a
amiga do homem. Masudi escreveu que Deus comandou a terra para absorver a água e algumas porções que foram
lentas em obediência receberam água salgada como castigo, e por isso se tornaram secas e áridas. A água que não foi
absorvida formou os mares, de modo que as águas da inundação ainda existem.
Noé deixou a arca aos dez dias do mês de Muharram, e ele e os seus familiares e companheiros construíram uma vila
no sopé do monte Judi, chamado Thamanin ("oitenta"), a partir de seu número. Noé então bloqueou a arca e confiou
as chaves a Shem. Yaqut al-Hamawi (1179-1229) mencionou uma mesquita construída por Noé, que poderia ser
vista em seu tempo, e Ibn Batutta atravessou a montanha nas suas viagens, no século XIV. Modernos muçulmanos,
embora geralmente não ativos na pesquisa da arca, acreditam que ela ainda existe no alto das encostas da montanha.
Em outras tradições
Os mandaeans, do sul do Iraque, praticam uma religião única, possivelmente influenciada em parte pelos seguidores
iniciais de João Batista. Eles respeitam Noé como um profeta, embora rejeitem Abraão (e Jesus) como falsos
Arca de Noé 119

profetas. Na versão dada em suas escrituras, a arca foi construída a partir de sândalo do Monte Hor e era de forma
cúbica, com comprimento, largura e altura de 30 gama (o comprimento de um braço); o seu local de descanso final
seria o Egito.
A religião dos yazidi, das montanhas Sinjar, no norte do Iraque, mistura crenças islâmicas e indígenas. De acordo
com as sua Mishefa Reş, o Dilúvio não ocorreu uma vez, mas duas vezes. No Dilúvio original, sobreviveu um certo
Na'umi, pai de Ham, cuja arca descansou em um lugar chamado Sifni Ain, na região de Mossul. Algum tempo
depois veio a segunda inundação, sobre os yezidis apenas, na qual sobreviveu Noé, cujo navio foi trespassado por
uma rocha, uma vez que flutuava sobre o Monte Sinjar, e depois passou à terra do Monte Judi como descrito na
tradição islâmica.
Segundo a mitologia irlandesa, Noé teve um filho chamado Bith, que não foi autorizado a entrar na arca, e que em
vez disso tentou colonizar a Irlanda com cinqüenta e quatro pessoas, as quais foram, então, todas aniquiladas no
Dilúvio.
A Fé Bahá'í, uma mistura do Islamismo, Hinduísmo e outras religiões, criada no século XIX, respeita a arca e as
inundações como figuras simbólicas. Na crença Bahá'í, apenas seguidores de Noé estavam espiritualmente vivos, e
foram preservados na arca por causa de seus ensinamentos, enquanto os outros estavam mortos espiritualmente. A
escritura Bahá'í Kitáb-i-Íqán subscreve a crença islâmica de que Noé tinha um grande número de companheiros,
quarenta ou setenta e dois, além de sua família, na arca, e que ele ensinou por novecentos e cinqüenta anos
(simbólicos) antes da inundação.

A arca em escolas científicas e críticas


A arca sob escrutínio
A Renascença viu uma especulação que poderia ter parecido familiar a Orígenes e Agostinho. Contudo, ao mesmo
tempo, uma nova classe de escola surgiu, uma que, embora nunca questionasse a verdade literal da história da arca,
começou a especular sobre o comportamento prático do Noé dentro de um navio, de um âmbito puramente
naturalista. Assim, no século XV, Alfonso Tostada deu uma descrição pormenorizada da logística da arca e
estabeleceu critérios para a eliminação de excrementos e a circulação de ar fresco; e o notável geômetra do século
XVI, Johannes Buteo, calculou as dimensões interiores do navio, que permitissem salas para moedores de moinhos e
fornos de fumo, um modelo amplamente adotado por outros comentadores.
No século XVII, era necessário conciliar a exploração
do Novo Mundo e a maior consciência da distribuição
global de espécies com a velha crença de que toda a
vida teve origem a partir de um único ponto nas
encostas do Monte Ararat. A resposta óbvia é que o
homem se havia espalhado ao longo dos continentes
após a destruição da Torre de Babel e levado animais
com ele, ainda que alguns dos resultados parecessem
peculiares: por que razão tinham os nativos da América
do Norte levado cascavéis, mas não cavalos, perguntou
Sir Thomas Browne, em 1646. "Como a América
abundava de bestas e animais nocivos, mas não
Estátua em homenagem a Noé, em Veneza continha criaturas necessárias como um cavalo, é muito
estranho".

Browne, que foi um dos primeiros a pôr em causa o conceito de geração espontânea, era um médico e cientista
amador que fez essa observação de passagem. Estudiosos da Bíblia da época, como Justus Lipsius (1547-1606) e
Atanásio Kircher (1601-80), também refizeram a história da arca sob uma análise rigorosa, na tentativa de
Arca de Noé 120

harmonizar a história bíblica com o conhecimento histórico e natural. As hipóteses resultantes foram um importante
impulso para o estudo da distribuição geográfica de plantas e animais, e indiretamente estimularam o surgimento da
Biogeografia no século XVIII.
Historiadores naturais começaram a desenhar conexões entre os climas e os animais e plantas adaptados a eles. Uma
influente teoria considerou que o bíblico Ararat tinha diferentes zonas climáticas e, como o clima mudou, os animais
migraram e eventualmente, espalharam-se e repovoaram o planeta. Havia também o problema de um cada vez maior
número de espécies conhecidas: para Kircher e anteriores historiadores naturais, havia pouco espaço para todas as
espécies animais conhecidas na arca, e, no tempo em que John Ray (1627-1705) estava trabalhando, apenas várias
décadas depois de Kircher, seu número tinha se expandido para além das proporções bíblicas. Incorporando todo o
leque de diversidade animal na arca, a história foi se tornando cada vez mais difícil, e em 1700 poucos historiadores
naturais poderiam justificar uma interpretação literal da narrativa da Arca de Noé.
A hipótese documentária
A narrativa bíblica da inundação, na qual aparece a Arca de Noé, parece ter sido sujeita a análise literária
considerável. A narrativa é muitas vezes apresentada como um test-case para a hipótese documentária, que propõe
que a narrativa da inundação era composta pela combinação de duas histórias independentes sobre o mesmo assunto.
Essa hipótese ainda tem muitos seguidores nos círculos académicos, mas já não pode ser chamada uma posição
consensual. Teorias alternativas sobre as origens do Pentateuco sustentam que a narrativa era o produto de uma lenta
acumulação de blocos de material ao longo do tempo, ou o resultado de extensas edições e adições a um texto
original. Existe um consenso geral de que a história da arca está incorporada dentro de um contexto sugestivo de
influências editorais paralelas que continuam a ser chamadas de jeovaístas e sacerdotais. O desacordo continua sobre
que passagens da narrativa pertencem a que fonte.
Escola bíblica e a arca no século vinte
A hipótese documentária ainda tem muitos seguidores nos círculos académicos, mas já não pode ser chamada de
uma posição consensual. Teorias alternativas sobre origens do Pentateuco sustentam que a Tora e a narrativa da arca
foram o produto de uma lenta acumulação de blocos de material ao longo do tempo, ou o resultado de extensas
edições e adições a um texto original, mas há um acordo geral de que existem duas vertentes distintas na narrativa da
arca história, que, independentemente de serem entendidas como documentos distintos, ou como uma seqüência de
camadas editoriais ou acréscimos autorais, continuam a ser chamadas de jeovaístas e sacerdotais.
Uma boa parte da atenção acadêmica foi dada ao significado teológico da história da arca para os antigos autores. O
respeitado estudioso evangélico Gordon Wenham fez notar a presença de uma elaborada palístrofe dentro da história:
a narrativa tem duas metades, cada uma espelhando a outra, com a frase "E Deus lembrou-se de Noé" em seu centro:
isso, de acordo com Wenham, identifica o seu núcleo teológico. Martin Norte identificou a arca história como o
elemento central de uma unidade narrativa que ele chamou de história primal: esta retoma Genesis 1-11 e conta a
história da criação da mundo, o surgimento do pecado, a decisão de Deus de destruir a sua primeira criação e
começar de novo com Noé. O resto da história primal narra o novo crescimento do pecado depois de Noé, que
culminou com a Torre de Babel.
As percepções de Wenham e Noht são largamente aceitas entre os estudiosos contemporâneos como a presença de
uma forte vertente dos mitos mesopotâmicos em Gênesis 1.11 (a história da criação, a Torre de Babel e muitos
elementos individuais dentro dessas histórias). Os sacredotes exilados do Templo de Jerusalém, confrontados com
histórias sobre deuses babilônicos que criam e controlam o mundo (incluindo Atrahasis, as inundações e o mito da
arca babilônica), reescreveram os mitos dos seus conquistadores para dar primazia a Javé e efetivamente negar o
poder de babilônicos e das suas divindades. Tal como a arca deles, os navios de Atrahasis e Noé são modelados nos
templos de suas respectivas culturas: as quatro faces de Atrahasis, as sete camadas do zigurate mesopotâmico, os sete
céus da crença babilônica, os três pavimentos retangulares do Templo de Salomão e os três céus da crença hebraica.
Arca de Noé 121

Interpretações literais
De acordo com uma sondagem telefônica conduzida pela ABCNEWS/Primetime, em 2004, 60% dos estadunidenses
acreditam que a história da Arca de Noé é literalmente verdadeira. Sítios literalistas como Answers in Genesis
discutem questões tais como a natureza da madeira, como a arca poderia ter acomodado representantes de todas as
espécies de animais, pássaros e insetos da terra, e de navegabilidade do navio em geral. O sítio Old Earth
Creationists, acreditando que uma inundação no mundo inteiro é uma impossibilidade de conciliar a fé com a
ciência, sugere que a inundação foi meramente local, e que a arca foi, portanto, uma barcaça, em vez de um navio.
As razões que levam ao literalismo têm sido manifestadas por John Morris, um dos principais criacionistas, como se
segue: "Se a inundação de Noé efetivamente aniquilou toda a raça humana e a sua civilização, como a Bíblia
ensina, então a arca constitui uma dos maiores ligações remanescentes com o Mundo Antediluviano. Nenhum
artefato significativo poderia ser de maior antiguidade ou importância .... [com] tremendo impacto potencial sobre
a controvérsia da criação-evolução (incluindo o evolucionismo teísta)". A procura pela Arca de Noé, por isso,
continua nas montanhas de Ararat, embora até agora sem sucesso.
[1] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[2] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8

• Bailey, Lloyd R.. Noah, the Person and the Story.  South Carolina:  ISBN 0-87249-637-6
• Best, Robert M.. Noah's Ark and the Ziusudra Epic.  Fort Myers, Florida:  ISBN 0-9667840-1-4
• Brenton, Sir Lancelot C.L.. The Septuagint with Apocrypha: Greek and English (reprint).  Peabody:  ISBN
0-913573-44-2
• Tigay, Jeffrey H.. The Evolution of the Gilgamesh Epic.  ISBN 0-8122-7805-4
• Woodmorappe, John. Noah's Ark: A Feasibility Study.  El Cajon, CA:  ISBN 0-932766-41-2
• Young, Davis A.. The Biblical Flood.  Grand Rapids, MI:  ISBN 0-8028-0719-4

Ligações externas
• Texto bíblico sobre a criação da Arca de Noé (http://www.biblialegal.com.br/lb.aspx?livro=1&capitulo=6&
versiculoinicio=11)
Livro do Êxodo 122

Livro do Êxodo

Moisés, obra de José de Ribera

Torá | Neviim | Ketuvim


Livros da Torá

Bereshit Gênesis

Shemot Êxodo

Vayikrá Levítico

Bamidbar Números

Devarim Deuteronômio

Êxodo (do latim tardio exŏdus do grego ἔξοδος, composto de ἐξ "fora" e ὁδός "via, caminho") é o segundo livro do
Antigo Testamento e do Pentateuco.[1] [2] A sua autoria é atribuída ao profeta Moisés pela tradição judaico-cristã.
Livro do Êxodo 123

Título
O termo "Êxodo" deriva da versão Septuaginta Grega (LXX), de procurava intitular os livros a partir do seu
conteúdo. O seu nome em hebraico é Shemôtht, que significa "Nomes", de acordo com o costume de judaico de
intitular os livros a partir das suas palavas iniciais. (Êxodo 1:1 - "Estes são os nomes …"; em língua hebraica We
élleh shemôtht)

Data
De acordo com a tradição, o Êxodo e os outros quatro livros da Torá foram escritos por Moisés na segunda metade
do 2º milênio a.C., entretanto estudiosos modernos divergem da autoria por Moisés.
A Edição Pastoral da Bíblia sustenta que os capítulos 25-31 e 35-40 foram acrescentados por sacerdotes após o exílio
na Babilônia[3] .
Ainda que a Bíblia não cita o faraó do Êxodo por seu nome, é dada a data exata do Êxodo. Em 1 Reis 6:1 se lê que
Salomão começou a construir o Templo no quarto ano de seu reinado, 480 anos depois que os filhos de Israel saíram
do Egito. A maioria dos estudiosos da Bíblia estimam que o quarto ano do reinado de Salomão foi o ano 967 a.C.
Logo a data do Êxodo foi 1447 a.C. (967 + 480), quando governava Tutmosis III, mas não há nenhum documento
nem resto arqueológico egípcio que confirme este excepcional acontecimento.
Por outro lado outros estudiosos apontam o ano de 1250 AC [3] [4] [5] .
A arqueologia indica a existência da escravidão dos hebreus no Egito e o Êxodo, textos egípcios testemunham que
Ramsés II utilizou hapirus (=hebreus) na construção de fortalezas no delta do Nilo em regime de trabalho forçado. A
Estela de Merneptah, Faraó sucessor de Ramsés II, comprova a existência de israelitas na terra de Canaã na segunda
metade do século XIII AC[4] [5] .

Estudo
Como em muitos outros livros históricos, a história que é narrada aqui está muito longe da definição científica
moderna, pois se trata de uma história religiosa e cultural e não bélica, diplomática ou política.

Objetivo
O principal propósito do Êxodo é manter vivo na memória do povo hebreu o feito da fundação de si mesmo como
nação: a saída do Egito e a consequente libertação da escravidão. Através de sua fuga e a busca da Terra Prometida,
o judeu adquire consciência de sua unidade étnica, filosófica, cultural e religiosa pela primeira vez.
O Êxodo estabelece também as bases da liturgia e do culto, e está dominado em toda sua extensão pela figura do
legislador e condutor, o patriarca Moisés.

Conteúdo
Êxodo dá continuidade à narrativa iniciada em Gênesis. Relata o início da escravidão do povo de Israel no Egipto,
sua posterior libertação e aliança com Deus no Monte Horebe,[6] na Península do Sinai, onde Deus entrega a Moisés
as duas tábuas de pedra contendo os Dez Mandamentos. Também narra o nascimento e a vida de Moisés.

A Escravidão e Moisés
Depois da morte de José e de toda a sua geração, subiu ao trono do Egipto um novo Faraó - e muito provavelmente
uma nova Dinastia - "que não sabia nada a respeito de José." (1:6,8 BLH) Segundo o relato bíblico, o Faraó disse ao
seu povo: "Ele disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte do que nós.
Vamos, usemos de astúcia para com ele, para que não se multiplique, e seja o caso que, vindo guerra, ele se ajunte
Livro do Êxodo 124

com os nossos inimigos, peleje contra nós e saia da terra." (1:9,10 ALA)
Com esse fim designaram sobre eles, chefes de trabalhos forçados com o objetivo de os oprimir; de tornar a sua vida
penosa. Segundo o relato bíblico, os israelitas trabalham na construção das cidades de Pitom (ou Pi-Atum, que
significa "Casa de [deus] Atum") e Ramsés (que significa "Casa do Filho de [deus] Rá"; ou Pi-Ramsés-Meri-Amon),
que seriam locais para armazenagem de cereais. Ambas cidades situavam-se na fronteira oriental do Delta do Nilo. A
cidade de Pi-Ramsés seria a Avaris mencionada no relato do sacerdote e historiador egípcio Manéto, citado pelo
historiador judeu Flávio Josefo.
Quanto mais os egípcios os oprimiam, tanto mais eles se multiplicavam, a ponto de os egípcios temerem uma
rebelião. (1:12-14) Para conter o preocupante aumento da população masculina entre os israelitas, o Faraó terá
ordenado que todo menino israelita recém nascido fosse morto. (1:15-22). É neste contexto que surge o nascimento
de Moisés. Uma mulher levita (da tribo de Levi) consegue salvar seu bebê o deixando sem rumo no rio Nilo em uma
arca de junco. Então a filha do Faraó acha o bebê, e dá a ele o nome de Moisés (traduzido como Salvado das águas).
Moisés cresceu dentro da sociedade egípcia, mas depois se solidariza com os israelitas, ao matar um egípcio que
estava batendo em um israelita.
Então foge do país e vai para Midiã.[7] Lá ele casa, e depois, converte-se em pastor do sacerdote Jetro (chamado
Reuel, em outra parte do Êxodo) e por sua vez Moisés chega a ser marido da filha de Jetro, Cífora. Enquanto
rebanhava o bando de ovelhas de seu sogro Jetro[8] no Monte Horebe,[6] encontra Deus na forma de um arbusto
queimando. Deus revela seu nome, Yahweh (ou Javé), a Moisés, e diz que ele deve voltar ao Egito e liderar a fuga
dos hebreus rumo à Terra Prometida de Abraão (Canaã).
Moisés retorna ao Egito, e Deus instrui ele a aparecer diante do faraó e informar ele da exigência de Deus de que ele
deixe o povo de Deus partir. Moisés e seu irmão Arão fazem isso, mas o faraó recusa o pedido e oprime ainda mais
os hebreus. Moisés fala a Deus e Deus diz que os hebreus conseguirão deixar o Egito.[9] Deus envia uma série de
pragas sobre o Egito, mas o faraó insiste em recusar.[10] Deus instrui Moisés a instituir o sacrifício da Passagem entre
os hebreus, e mata todos os primogênitos egípcios e seus gados, mas evita as casas dos israelitas, que haviam
marcado as portas de suas casas com sangue de cordeiro. O faraó reconhece sua derrota e então concorda em deixar
os hebreus partirem.[11]
Moisés explica o significado da Passagem: é para a salvação de Israel do Egito, então os hebreus não irão requerir o
sacrifício dos seus próprios filhos, mas para redimir eles.
Passaria exactamente 80 anos, até os israelitas serem libertados do Egipto.

O Êxodo e a Jornada a Israel


O Êxodo inicia. Os hebreus, 600,000 homens mais mulheres e crianças e uma multidão misturada, com suas
manadas e rebanhos, foram para a montanha de Deus.
O faraó persegue os hebreus, e Yahweh destrói o exército do faraó ao cruzar o Yam Suf (Mar Vermelho). Os hebreus
comemoram. Em Repidim, ele providencia água milagrosamente da rocha de Meribah (Massah). Os hebreus chegam
à montanha de Deus, onde o sogro de Moisés, Jetro, o visita; para ele Moisés aponta julgamentos sobre Israel.
O povo de Israel organiza o acampamento em Sucote, e dali caminha até ao Etão, no limite do deserto, onde
acamparam. (13:17,18,20) Sucote estava evidentemente a um dia de jornada (32 a 48 km) do Etão que é acreditado
que se estende ao longo do lado Norte da Península do Sinai.
Retrocedem e acampam diante de Pi-Hairote, entre Migdol e "o mar", à vista de Baal-Zefom [ou seja, a fronteira
Norte]. É o último lugar antes da travessia do mar Vermelho. (14:1-3) Crê-se que Migdol seja a pronúncia egipcia do
hebraico mighdal, que significa "torre", devendo referir-se a um posto militar ou torre de vigia na fronteira egipcia.
Numa das Cartas de Tell-Amarna é mencionado Maagdali.
Após a travessia do Mar Vermelho, entram no Ermo do Sur. Sur ou Shûr, significa "muro" ou 'muralha". Depois de
três dias de caminhada, chegam ao Oásis de Mara, em árabe Ani Hawarah, onde as águas eram amargas. Mara
Livro do Êxodo 125

significa "amarga", devido à sua água ser salobre e sulfurosa, não potável. Andando 24 quilômetros mais para Sul,
chegaram ao Oásis de Elim, em árabe Wadi Garandel, com doze fontes de água e setenta palmeiras. Elim significa
"árvores grandes [sagradas]". (15:22,23,27)
Atravessam o Ermo de Sim junto ao mar Vermelho, entre o Oásis de Elim e o Monte Horebe (Sinai), hoje a planíce
de El Kaa. Acamparam a Dofca, e depois em Alush, e finalmente, no oásis de Refidim. Dafca é actualmente chamada
em árabe de Serábit el-Chadem. Era um antigo centro egípcio de extração de cobre e de turquesas e onde havia
fornos de fundição. Segundo os filólogos, Dofca é um nome hebraico que equivale a "fornos de fundição". Alush é
um local não identificado entre Dofca e Refidim.
• A questão das codornizes como o maná, tal como descritos no texto bíblico, são um acontecimento local natural.
Somente as suas circunstâncias (tempo, duração, quantidade, etc …) que tornam estes factos em parte milagrosos
ou inexplicáveis. O mesmo se aplica ao fenómeno da "água brotar da rocha".
Foi em Refidim, a actual wadi Feiran dos árabes, a noroeste do Monte Horebe. Foi aqui que ocorreu o episódio de
"água brotar da rocha" (Números 20:11). Foi o local da batalha entre Israel e os amalequitas. Josué, ajudante de
Moisés, saí vitorioso. (17:1,6; Números 33:12-15) Por fim, o povo de Israel acampa junto do Monte Horebe, na
Península de Sinai. Em árabe, é chamado Jebel Musa que significa "Monte de Moisés".
Tal rota "oficial" do êxodo carece de comprovação arqueológica. Alguns autores questionam o êxodo bíblico; outros
apresentam rotas mais plausíveis com o texto bíblico; Existem trabalhos (como o de Ron Wyatt) que apontam a praia
de Nuweiba no Golfo de Aqaba como o provável local da travessia do mar Vermelho, e o monte sagrado situado na
Arábia Saudita, no local chamado em árabe de Jabel El Laws.

No Sinai: As Leis e o Tabernáculo


No terceiro mês, os israelitas chegam ao Monte Sinai, e seu Deus os anuncia, através de Moisés, que os israelitas
seriam seus filhos, porque ele os havia deixado partir com sua onipotência. Os israelitas aceitan este chamado, e
logo, com trovões, relâmpagos e com o som das trompetas, e Deus aparece no cume do Monte Sinai,[12] e as pessoas
viram a nuvem e "ouviram" a voz de Deus.[13] Então, Moisés e Arão supostamente subiram ao cume da
montanha.[14] Então Yahweh anuncia o Decálogo (os Dez Mandamentos)[15] na escuta de toda Israel.[16]
Depois anuncia um código mais detalhado, relacionado a rituais e leis civis;[17] e promete a terra de Canaã aos
israelitas se eles obedecerem,[18] mas os alerta sobre a presença do paganismo de seus habitantes.[18]
Yahweh chama Moisés no cume da montanha para receber um conjunto de tábuas de pedra contendo as leis e
instruções adicionais.[19] [20]
Então Yahweh dá a Moisés instruções para construir um tabernáculo no qual Deus poderá dormir permanentemente
entre os hebreus, assim como instruções para as vestimentas dos sacerdotes, o altar e seus pertences, o ritual a ser
usado para ordenar os sacerdotes, e os sacrifícios diários a serem oferecidos.[21] Arão é escolhido o primeiro
sacerdote.[22] E todos os futuros sacerdotes deveriam vir de sua linhagem.[23] Então Yahweh dá a Moisés as duas
tábuas de pedra com as instruções, escritas pelo próprio dedo de Deus. Enquanto Moisés se encontrava no cume da
montanha, o povo se impacienta e exige a Arão a construção de um bezerro de ouro. Deus informa Moisés que seu
povo tem se voltado contra ele, então ameaça em abandonar o povo de Israel, mas Moisés intercede por eles. No
entanto, quando ele se abaixa e vê o que foi feito, fica com raiva e destrói as tábuas da lei. Depois de pronunciar o
juízo contra Arão e seu povo, Moisés sobe novamente e implora a Elohim pelo perdão.[24] Em consequência, Elohim
ordena a Moisés fazer duas novas tábuas, onde ele pessoalmente escreve os mandamentos. Deus entrega a ele o
Decálogo, com os Dez Mandamentos. Então Moisés regressa com seu povo, e enquanto lê as leis, o povo o escuta
com respeito.
Moisés reúne a congregação, e impõe o descanso do Sabbath (sábado) e solicita oferendas para o santuário. A
totalidade da população responde afirmamente, e abaixo da direção de Besaleel e Aholiab, seguem todas as
instruções para fazer o Tabernáculo, seu conteúdo, e a vestimenta dos sacerdotes. Os israelitas juntam todo o
Livro do Êxodo 126

primeiro dia do segundo mês. Esta seção é quase uma cópia literal dos capítulos 25-31.
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[3] Êxodo (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P1M. HTM), acessado em 20 de julho de 2010
[4] A História de Israel no Debate Atual (http:/ / www. airtonjo. com/ historia_israel. htm), acessado em 20 de julho de 2010
[5] Arqueologia e Bíblia (http:/ / www. airtonjo. com/ resenhas05. htm), acessado em 20 de julho de 2010
[6] Também conhecido como Monte Sinai.
[7] Região desértica entre o Egito e o Negev.
[8] O sogro de Moisés é chamado de Reuel e Jetro na Torá, e Hobeb nos Julgamentos. Hobeb também aparece na Torá (nos Números), mas é
identificado como filho de Reuel.
[9] Êxodo 5-6
[10] Êxodo 7-10
[11] Êxodo 11-12
[12] Êxodo 19
[13] A palavra hebraica usada aqui normalmente significa voz, mas alguns versos antes (Êxodo 19:16) é usada como sendo "trovão", no contexto
do trovão e a luz da montanha. Portanto não está claro o que "beqol" significa nesta instância. A implicação de Êxodo 20:18-19 é que as
pessoas ouvem somente trovões e trombetas e é por esta razão que isso aponta Moisés como seu mediador com Deus: "E todo o povo viu os
trovões, e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso, retirou-se e pôs de longe. E disseram a Moisés:
Fala tu conosco, e ouviremos; e não fale Deus conosco, para que não morramos." Algumas traduções colocam o "trovão" junto da "voz".
[14] Não está totalmente claro quem subiu a montanha - no Êxodo 19:24 está escrito que Yahweh instruiu Moisés e Arão a ir ao cume enquanto
as pessoas e os padres permanecem abaixo, mas no Êxodo 19:22 os padres foram instruídos que eles podiam se aproximar de Yahweh depois
de se consagrarem.
[15] Êxodo 20
[16] Uma versão um pouco diferente dos Mandamentos é dada no Deuteronômio 5, a mais notável variação sendo a razão dada para manter o
Sabbath: no Êxodo, o Sabbath é mantido porque Deus fez os céus e a terra em seis dias e descansou no sétimo; no Deuteronômio, é um
memorial para a partida de Israel do Egito.
[17] Êxodo 21:1-23:19
[18] Êxodo 21-23
[19] Êxodo 24
[20] Oscar Mata Sosa, Gênesis -Em 7 Dias-, C. I, pode ser baixado de (http:/ / www. geocities. com/ licoscarmata/ Temas/ En_7_Dias. pdf)
[21] Êxodo 25-28
[22] Êxodo 28
[23] Levitas
[24] Êxodo 32-33

Bibliografia
• W. F. Albright From the Stone Age to Christianity (segunda edição) Doubleday/Anchor
• W. F. Albright Archaeology and the Religion of Israel (5th edition) 1969, Doubleday/Anchor
• Enciclopédia Judaica, Keter Publishing, entrada em "Population", volume 13, coluna 866.
• Humphreys, Colin J. The Miracles of Exodus: A Scientist’s Discovery of the Extraordinary Natural Causes of the
Biblical Stories 2003, HarperSanFrancisco
• Y. Shiloh, "The Population of Iron Age Palestine in the Light of a Sample Analysis of Urban Plans, Areas and
Population Density." Bulletin of the American Schools of Oriental Research (BASOR), 1980, 239:25-35
• Exploring Exodus: The Origins of Biblical Israel Nahum Sarna, Shocken Books, 1986 (first edition), 1996
(edição reimpresa), capítulo 5, "Six hundred thousand men on foot".
• " Those Amazing Biblical Numbers: Taking Stock of the Armies of Ancient Israel (http://www.infidels.org/
library/magazines/tsr/1995/1/1num95.html)" William Sierichs, Jr.
• "The Rise of Ancient Israel : Symposium at the Smithsonian Institution October 26, 1991" by Hershel Shanks,
William G. Dever, Baruch Halpern and P. Kyle McCarter, Biblical Archaeological Society, 1992.
• The Biblical Exodus in the Light of Recent Research: Is There Any Archaeological or Extra-Biblical Evidence?,
Hershel Shanks, Editor, Biblical Archaeological Society, 1997
Livro do Êxodo 127

Ver também
• Pentateuco
• Antigo Testamento
• Bíblia
• Torá

Ligações externas
• Carlos Blanco, O problema da história do relato do Êxodo, em egiptologia.com (http://www.egiptologia.com/
content/view/65/34/1/1/)

Traduções judaicas do Êxodo


• História completa do Êxodo (http://www.chabad.org/holidays/passover/pesach_cdo/aid/1850/jewish/
Passover.htm)
• Exodus at Mechon-Mamre (tradução da Sociedade de Publicação Judaica) (http://www.mechon-mamre.org/e/
et/et0201.htm)
• Exodus (The Living Torah) (Tradução do rabino Aryeh Kaplan e comentários de Ort.org) (http://bible.ort.org/
books/pentd2.asp?ACTION=displaypage&BOOK=2&CHAPTER=1)
• Shemot - Exodus (Judaica Press) (tradução com comentários de Rashi, do site Chabad.org) (http://www.chabad.
org/article.asp?aid=8161)
• Book of Exodus (Enciclopédia Judaica) (http://www.jewishencyclopedia.com/view.jsp?artid=551&letter=E&
search=Exodus)

Traduções cristãs do Êxodo


• O Êxodo na Wikisource em espanhol (http://es.wikisource.org/wiki/Éxodo)
• Exodus na Wikisource em inglês (Versão autorizada de King James) (http://en.wikisource.org/wiki/
Bible,_King_James,_Exodus)
• Shemot em hebraico e inglês (According to the Masoretic Text and the JPS 1917 Edition), do site
Mechon-Mamre.org (http://www.mechon-mamre.org/p/pt/pt0201.htm)
• O Êxodo na língua Árabe, do site St-Takla.org (http://st-takla.org/pub_oldtest/01_gen.html)
• O Êxodo em formato "btm" (http://www.biblioteca-tercer-milenio.com/LaBiblia/AntiguoTestamento/
Pentateuco/Exodo/Door.htm)
Levítico 128

Levítico
Levítico é o terceiro livro da Bíblia.[1] [2] Faz parte do Pentateuco,
os cinco primeiros livros bíblicos, cuja autoria é, tradicionalmente,
atribuída a Moisés. Recebe essa denominação porque contém a Lei
dos sacerdotes da Tribo de Levi[3] , a tribo de Israel que foi
escolhida para exercer a função sacerdotal no meio do seu povo[4]
.

É um dos livros do Antigo Testamento da Bíblia e possui 27


capítulos. Os judeus chamam-no Vayikrá ou Vaicrá. Basicamente
é um livro teocrático, isto é, seu caráter é legislativo; possui, ainda,
em seu texto, o ritual dos sacrifícios, as normas que diferenciam o
puro do impuro, a lei da santidade e o calendário litúrgico entre
outras normas e legislações que regulariam a religião.

Sobre
Terceiro livro do Pentateuco, contendo as leis de Deus sobre
sacrifícios, pureza e outros assuntos relacionados com a adoração
de YHVH.

Levita hebreu.
Escritor
Embora não haja evidência compatível com o rigor científico a respeito da autoria, a tradição judaica-cristã,
identifica Moisés como o escritor, assim como os demais livros do Pentateuco. Ele teria obtido as informações de
Javé (Levítico 26:46), entretanto a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que foi escrito depois do exílio na Babilônia[4] .

Leis e Regulamentos
Mediante as leis sanitárias e dietéticas, e os regulamentos sobre a Teologia Moral e sexual, proveram-se-lhes
proteção contra doenças. (Levítico, capítulos 11-15, 18) Tais leis os beneficiariam em sentido espiritual, porque os
habilitariam a familiarizar-se com os modos de agir do Deus Javé, e ajudaria-os a ajustar-se a tais. (11:44) Os
cristãos entendem que tais regulamentos como parte da Lei de Moisés, serviam como tutor para conduzir os judeus
ao Messias, que seria o grande Sumo Sacerdote de Deus, prefigurado pelos incontáveis sacrifícios oferecidos em
harmonia com a Lei. — Gálatas 3:19, 24; Hebreus 7:26-28; 9:11-14; 10:1-10.
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[3] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 21
[4] Levítico (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P2R. HTM), acessado em 20 de julho de 2010
Levítico 129

Ver também
• Abraão
• Números
• Moisés
• Génesis
• Êxodo
• Pentateuco
• Antigo Testamento
• Bíblia

Livro dos Números


Números (do hebraico ‫ רבדמב‬Bamidbar No Ermo;
em latim Numeri Vulgata, derivando de A·rith·moí da
LXX) é o quarto livro da Bíblia.[1] [2] Faz parte do
Pentateuco (conhecida pelos judeus como Torá), os
cinco primeiros livros bíblicos, cuja autoria é,
tradicionalmente, atribuída ao patriarca Moisés. Um
dos livros do Antigo Testamento da Bíblia, possui 36
capítulos e recebe esse nome por causa dos censos
relatados. A época da escrita, por volta de 1470 a.C..

Origem do nome
O quarto livro do Pentateuco deriva seu nome dos
dois censos de Israel mencionados no livro. Narra
eventos que ocorreram na região do monte Sinai,
durante as peregrinações dos israelitas no ermo e
"A Punição de Corá" (Sandro Botticelli)
Moabe. Este nome Números foi usado pela primeira
vez na tradução grega da versão LXX, sendo bastante
adequado, pois todo o livro esta repleto de números,.

Mais de uma vez explica que, Moisés se dedicou a registrar cada sitio onde os hebreus acampavam, todos os oásis e
cada acampamento, e as palavras concludentes do livro também indicam ser ele o escritor do relato. — 36:13. Estas
alusões explicam perfeitamente como estas antiquíssimas descrições puderam chegar a nós, intactas.
Livro dos Números 130

Conteúdo
A narrativa abrange um período de 38 anos, entre 1512 a 1473 a.C.
(Números 1:1; Deuteronômio 1:3, 4) Estas descrições incluem os
acampamentos das tribos (1:52, 53), a ordem de marcha (2:9, 16,
17, 24, 31) e os sinais de trombeta para a assembléia e o
acampamento (10:2-6). A lei sobre a quarentena. (5:2-4) Diversas
outras ordens são dadas: o uso de trombetas (10:9), a separação
das cidades para os levitas (35:2-8), a ação contra a idolatria e os
cananeus (33:50-56), a escolha das cidades de refúgio, instruções
sobre como lidar com homicidas acidentais (35:9-33), e leis sobre
heranças e o casamento. (27:8-11; 36:5-9). Moisés tira água da rocha (de Nicolas Poussin)

O agrupamento dos elementos do livro foi elaborado em torno dos


principais textos, tarefa esta extremamente difícil. Por isso historicamente tem-se buscado estabelecer uma divisão
mais simples, como por exemplo, segundo a região onde sucederam os acontecimentos.
Assim, pode-se dividir Números em três partes principais:
1. No Sinai: 1:1-10:10
2. No deserto de Cades-Barnéia: 10:11-22:1
3. Nas planícies de Moabe: 22:2-36:13

Natureza e organização
Como é habitual aos livros do Antigo Testamento, que pertencem a série de Livros históricos do Antigo Testamento,
sua história é descrever os tempos passados, Números é história, mas não história por si mesma, mas dedicada a
narrar os atos do Deus de Israel. Mesmo assim, a historicidade deste livro é suficientemente sólida para ser
tecnicamente aceito hoje em dia, inclusive em aspectos particulares como a chegada a Cades, que tem sido
confirmada pela arqueologia. A Respeito de Cades, nada se conta em Números sobre os 38 anos que passaram
naquele lugar. Em todo o livro, Moisés mantém a narração, apenas a interrompendo-a para inserir textos jurídicos.

Sentido religioso
O grande criador dos pesos e medidas é YHVH. Números conta como Deus organizou o seu povo em Doze tribos de
Israel, descendentes dos doze filhos varões de Jacó, e como este a transformou numa assembléia santificada.
Com o tempo, seriam reconhecidos como "filhos de Abraão" pela religião e a espiritualidade. A sociedade israelita e
o autor não faziam distinção entre os israelitas e imigrantes: todos os que viviam na Terra Prometida em obediência e
observação das leis de Deus deviam ser irmãos entre si.
As doze tribos de Israel são registradas e organizadas. Os israelitas recebem ordens relacionadas a sua adoração e
seus tratos com outros, mas há falta de respeito para com os representantes Deus e desobedecem às suas ordens.
YHVH abençoa Israel, mas insiste na adoração exclusiva ao passo que a nação se prepara para entrar em Canaã.
A Edição Pastoral da Bíblia destaca que o tempo em que o povo de Deus esteve no deserto foi um tempo de grande
disciplina e pedagogia para aquele povo aprender que não basta estar livre: é preciso aprender a viver a liberdade e
conquistá-la continuamente, para não voltar a ser escravo outra vez, e, que, no deserto o povo teve que superar
muitas tentações: acomodação, desânimo, vontade de voltar para trás, desconfiança de Javé e dos líderes, etc, e, que
foi no confronto com essas situações que ele descobriu o que significa ser livre para construir uma sociedade justa e
fraterna, alicerçada na liberdade e voltada para a vida, portanto, o Livro dos Números nos ensina que qualquer
transformação profunda exige um longo período de educação e amadurecimento[3] .
Livro dos Números 131

[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[3] Livro dos Números (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P3J. HTM), acessado em 22 de julho de 2010

Ver também
• Antigo Testamento
• Arão
• Bamidbar
• Bíblia
• Jacó
• Josué
• Moisés
• Nazireu
• Pentateuco
• Rio Jordão

Deuteronômio
Deuteronômio (português brasileiro) ou Deuteronómio (português europeu) é o quinto livro da Bíblia.[1] [2] Faz parte do
Pentateuco, os cinco primeiros livros bíblicos, cuja autoria é, tradicionalmente, atribuída a Moisés. É um dos livros
do Antigo Testamento da Bíblia e possui 34 capítulos.
Contém os discursos de Moisés ao povo, no deserto, durante seu êxodo do Egito à Terra Prometida por Deus. O
nome é de origem grega e quer dizer segunda lei ou repetição da lei (Dt 17,18 [3])[4] .
Os discursos contidos nesse livro, em geral, reforçam a idéia de que servir a Deus não é apenas seguir sua lei. Moisés
enfatiza a obediência em conseqüencia do amor: "Amarás a Jeová teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma,
e com todo o teu entendimento". Também é enfatizado o "caminho da bênção e da maldição", no qual Deus previne
o povo a seguir seus mandamentos, pelos quais o povo ou seria abençoado, ou receberia maldições (porém, caso se
arrependesse e voltasse a seguir de coração a Deus, ele se arrependeria e perdoaria o povo).

Nome hebraico
O nome hebraico deste quinto livro do Pentateuco é Deva•rím (Palavras), tirado da frase inicial do texto hebraico. O
nome "Deuteronômio" deriva do título grego na Septuaginta, Deu•te•ro•nó•mi•on, que significa literalmente
"segunda lei", "repetição da lei". Vem da tradução grega duma frase hebraica no Deuteronômio 17:18, mish•néh
hat•toh•ráh, corretamente traduzida por "cópia da lei".

Autenticidade
A autenticidade do Deuteronômio como livro do cânon da Bíblia e de Moisés ser o escritor dele acha-se bem
alicerçada no fato de que Deuteronômio sempre foi reputado pelos judeus como parte da Lei de Moisés. A evidência
da autenticidade do Deuteronômio, em geral, é a mesma que a dos outros quatro livros do Pentateuco.
No Novo Testamento cristão, Jesus é a principal autoridade que atesta a autenticidade de Deuteronômio, citando-o
três vezes ao repelir as tentações de Satanás, o Diabo. (Mateus 4:1-11; Deuteronômio 6:13,16, 8:3). Também, Jesus
respondeu à pergunta quanto a qual era o maior e o primeiro mandamento por citar Deuteronômio 6:5. (Marcos
12:30).
E Paulo cita Deuteronômio 30:12-14; 32:35, 36 (em Romanos 10:6-8 e Hebreus 10:30).
Deuteronômio 132

Entretanto, segundo a Edição Pastoral da Bíblia, trata-se de uma reapresentação e adaptação da Lei em vista da vida
de Israel na Terra Prometida, portanto, este livro nasceu muito tempo depois da situação histórica que relata
(discurso de Moisés antes da entrada na Terra), e passou por um longo período de formação[5] .

O tempo do Deuteronómio
O tempo abrangido pelo livro de Deuteronômio é um pouco superior a dois meses, no ano de 1473 a.C. Foi escrito
nas planícies de Moabe, e consiste em quatro discursos, um cântico e uma bênção, da parte de Moisés, enquanto
Israel acampava nas fronteiras de Canaã, antes de entrar nessa terra. (Deuteronômio 1:3; Josué 1:11, 4:19)

Objetivo
O objetivo central é a promoção da fidelidade à aliança com Deus[5] , também traz outra versão dos 10 mandamentos
(5,1-22 [6]) e mostra que o comportamento fundamental do homem para com Deus é o amor com todo o ser (6,4-9
[7]
).
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P51. HTM
[4] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 21
[5] Deuteronômio (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P4K. HTM), acessado em 21 de julho de 2010
[6] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P4P. HTM
[7] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P4Q. HTM

Livros históricos do Antigo Testamento


Maior parte do Antigo Testamento é formada por livros que os teólogos classificam sob a denominação de Livros
Históricos, pois eles contém relatos que vão desde a conquista da Terra Prometida até quase a época do Novo
Testamento, cabendo ressaltar que tais livros não se reduzem apenas a relatos cronísticos de fatos, pois contém uma
interpretação dos acontecimentos a partir da fé[1] , sendo possível dividi-los em quatro grupos:
1. Obra Histórica Deuteronomista[2] - Josué, Juízes, I Samuel, II Samuel, I Reis, II Reis: contém um relato mais ou
menos contínuo, apresentando a história do Povo de Deus desde a conquista da Terra Prometida até o exílio na
Babilônia. Tais livros enfatizam que a situação vivida depende da atitude que o povo toma na Aliança com Deus,
sendo que quando há fidelidade, Deus concede a bênção, mas quando há infidelidade, o povo atrai para si mesmo a
maldição[1] .
2. História do Cronista - I Crônicas, II Crônicas, que a Septuaginta e a Vulgata chamam de Paralipômenos, relatam
coisas coisas que foram deixadas de lado no relato contido em Reis e Samuel, ou seja são uma espécie de
complemento[3] [4] . Livro de Esdras e Neemias relatam o tempo do pós-exílio babilônico até meados do séc. III AC.
O objetivo principal destes dois últimos livros é fundamentar e organizar a comunidade depois do exílio na
Babilônia[1] .
3. Rute, Tobias, Judite, Ester. Mais do que história propriamente dita, esses livros são narrativas. Sua intenção é
apresentar modelos particulares de vivência e aplicação da fé dentro de situações difíceis, principalmente as
enfrentadas pelos judeus fora de sua terra[1] .
4. I Macabeus e II Macabeus - Relatam a resistência heróica de um grupo de judeus diante da dominação helenista
que ameaçava destruir a identidade cultural e religiosa da comunidade judaica[1] .
Cabendo observar que Tobias, Judite, I Macabeus e II Macabeus são livros deuterocanônicos, ou seja, não são
aceitos pelas Igrejas que adotam a Bíblia proposta por Lutero.
[1] Livros Históricos (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P5J. HTM), acessado em 22 de julho de 2010
Livros históricos do Antigo Testamento 133

[2] Literatura Deuteronomista 2009: o desafio (http:/ / blog. airtonjo. com/ 2009/ 02/ literatura-deuteronomista-2009-o. html), acessado em 22 de
julho de 2010
[3] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 546,
[4] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 1.439

Ver também
• Bíblia
• Antigo Testamento
Livro de Josué 134

Livro de Josué
Torá | Neviim | Ketuvim
Livros de Neviim

Nevi'im Rishonim [‫]םינושאר םיאיבנ‬:

Yehoshua [‫]עשוהי‬

Shoftim [‫]םיטפוש‬

Shmu'el [‫]לאומש‬

Melakhim [‫]םיכלמ‬

Nevi'im Aharonim [‫םיאיבנ‬


‫]םינורחא‬:

Yeshayahu [‫]והיעשי‬

Yirmiyahu [‫]והימרי‬

Yehezq'el [‫]לאקזחי‬

Trei Asar [‫]רשע ירת‬


1. Hoshea [‫]עשוה‬
2. Yo'el [‫]לאוי‬
3. Amos [‫]סומע‬
4. Ovadyah [‫]הידבע‬
5. Yonah [‫]הנוי‬
6. Mikhah [‫]הכימ‬
7. Nakhum [‫]םוחנ‬
8. Habaquq [‫]קוקבח‬
9. Tsefania [‫]הינפצ‬
10. Haggai [‫]יגח‬
11. Zekharia [‫]הירכז‬
12. Malakhi [‫]יכאלמ‬

O Livro de Josué ou Livro de Yehoshua (do hebraico Sefer Y'hoshua ‫ )עשוהי רפס‬é o sexto livro do Tanakh e do
Velho Testamento.[1] [2] Narra os acontecimentos posteriores a morte de Moshê (Moisés) e a subsequente invasão da
terra de Kanaam (Canaã), sob a liderança de Yehoshua (Josué).
Livro de Josué 135

Autoria
A tradição judaica atribui a autoria do texto
a Yehoshua (às vezes vertido como Josué)
que teria sido o sucessor de Mosheh
(Moisés) como dirigente do povo de Israel.
Algumas opiniões apresentadas no Talmud
apontam que o livro teria sido escrito por
Yehoshua, exceto os últimos versos
(24:29-33) que teriam sido adicionados pelo
sacerdote Pinkhas (Finéias).

O texto apresenta algumas vezes o autor


falando na primeira pessoa (o que
confirmaria a autoria de Yehoshua), mas por
outras vezes apresenta Yehoshua na terceira
pessoa. Há também diversos eventos que
ocorreram após a morte de Yehoshua, e que Josué e os israelitas cruzando o Rio Jordão

a tradição judaica atribui sua escrita a


Eleazar ou Pinkhas, seu filho. Outros autores têm opiniões diferentes sobre o assunto.
Na tradição cristã, principalmente católica e protestante, esta autoria tem sido considerada duvidosa desde os tempos
antigos.
Os estudiosos crêem que a versão que temos atualmente é obra da escola deuteronomista, que teria agregado
diversos tradições religiosas, buscando sistematizar a história da conquista de Canaã.

Argumento do livro
Yehoshua ou Josué é designado por Mosheh (Moisés) com a missão de introduzir o povo de Israel na terra
prometida. O livro narra como a terra de Kena'am (Canaã) foi conquistada (Jos. 1-12) e a posterior repartição da terra
entre as tribos (13-21). Seguem alguns apêndices (22-24) que dão conta da Assembléia de Sikhem e das disposições
finais de Yehoshua ao povo.

A conquista de Canaã
Conforme o relato do livro, após a morte de Moisés, Josué entra na terra de Canaã, atravessando milagrosamente o
rio Jordão. Sob a orientação divina, os israelitas conquistam a fortificada e temida cidade de Jericó, cujas muralhas
vieram a ser derrubadas enquanto o povo tocava as trombetas. A partir dessa vitória estratégica, ocorrem várias
batalhas nas quais, quase sempre, os israelitas saíam vencedores. Outras cidades importantes como Ai também são
tomadas e Josué vence a vários reis, demorando em torno de sete anos para ocupar parcialmente a terra prometida.
O livro relata acontecimentos situados no séc. XIII AC: a conquista (Js 1-12) e a partilha da Terra Prometida (Js
13-21), mas deve-se ressalvar que, embora, à primeira vista, o livro apresente a tomada global da Terra como feito de
uma geração, a conquista foi, de fato, um processo longo e lento, ora pacífico, ora violento, que só terminou dois
séculos mais tarde, com o rei David[3] .
Livro de Josué 136

Significado Religioso
O livro não se resume a uma crônica, pois contém uma interpretação dos fatos para mostrar o significado da
conquista de Canaã, por meio da qual Deus realizou a promessa feita a Moisés (Ex 3,7-8 [4]).
Portanto, deve-se compreender a mensagem do livro além das longas e minuciosas listas de lugares, e dar atenção ao
fato de que: o povo teve de conquistar a Terra que Deus lhe dera, ou seja, Deus concede o dom, mas não suprime a
liberdade e a iniciativa do homem. Pelo contrário, exige que o homem busque e conquiste o dom de Deus[3] .

Ligações externas
• ‫ ַעֻׁשֹוהְי‬Yehoshua - texto original [5] (em hebraico)
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[3] Josué (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P5K. HTM), acessado em 22 de julho de 2010
[4] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P1P. HTM
[5] http:/ / www. mechon-mamre. org/ p/ pt/ pt0601. htm
Livro dos Juízes 137

Livro dos Juízes


Torá | Neviim | Ketuvim
Livros de Neviim

Nevi'im Rishonim [‫]םינושאר םיאיבנ‬:

Yehoshua [‫]עשוהי‬

Shoftim [‫]םיטפוש‬

Shmu'el [‫]לאומש‬

Melakhim [‫]םיכלמ‬

Nevi'im Aharonim [‫םיאיבנ‬


‫]םינורחא‬:

Yeshayahu [‫]והיעשי‬

Yirmiyahu [‫]והימרי‬

Yehezq'el [‫]לאקזחי‬

Trei Asar [‫]רשע ירת‬


1. Hoshea [‫]עשוה‬
2. Yo'el [‫]לאוי‬
3. Amos [‫]סומע‬
4. Ovadyah [‫]הידבע‬
5. Yonah [‫]הנוי‬
6. Mikhah [‫]הכימ‬
7. Nakhum [‫]םוחנ‬
8. Habaquq [‫]קוקבח‬
9. Tsefania [‫]הינפצ‬
10. Haggai [‫]יגח‬
11. Zekharia [‫]הירכז‬
12. Malakhi [‫]יכאלמ‬

Shoftim ou Juízes (em hebraico: ‫ )םיִטְפֹּׁש‬é um livro dos Neviim e do Velho Testamento cristão[1] [2] que trata da
história dos israelitas entre a conquista da terra de Canaã no final da vida de Josué até o estabelecimento do primeiro
reinado.
Escrito originalmente em hebraico, sua autoria é até hoje incerta, embora alguns afirmem que poderia ter sido profeta
Samuel, durante o reinado de Saul, em torno de 1050 a.C.. Outros, porém, defendem a tese de que o livro teria sido
elaborado durante o exílio na Babilônia, depois de 586 a.C., por pessoas anônimas.
Juízes retrata um período entre 1200 e 1020 AC, descrevendo a continuação da conquista da Terra Prometida e a
vida das tribos até o início da monarquia, era um tempo de democracia tribal (Jz 17,6 [3]; Jz 21,25 [4]) e cheio de
dificuldades, as tribos são governadas por chefes que tinham um cargo vitalício (juízes menores); nos momentos de
grande dificuldade surgem chefes carismáticos (juízes maiores), que unem e lideram as tribos na luta contra os
inimigos. [5]
Entretanto, os israelitas, que se encontravam na terra prometida, desviaram-se dos mandamentos divinos praticando a
idolatria e que por isso chegaram a ser derrotados pelas nações vizinhas ou próxima que passavam a oprimir o povo.
Então os israelitas arrependiam-se e pediam a ajuda de Deus. Surgiam assim líderes, enviados por Deus, para
resgatarem o povo de Israel dos inimigos e restabelecerem a obediência à lei mosaica.
[6]
O primeiro juiz teria sido Otniel (Otoniel em algumas traduções), o qual teria libertado os israelitas do rei
Cusã-Risataim.
Livro dos Juízes 138

Após a morte de Otniel, os israelitas novamente afastam-se dos mandamentos de Deus e são dominados pelos
moabitas. Novamente é levantado um novo juiz, Eúde que livra o povo de seus opressores.
Assim, seguem novos períodos sob a liderança dos juízes em que, repetidamente, os israelitas voltam a adorar deuses
pagãos, são dominados por outros povos, arrependem-se e são mais uma vez libertos.
O último juiz da história do livro de juízes foi Sansão, o qual possuía uma força excepcional e teria liderado o povo
contra os filisteus, mas foi traído por Dalila ao lhe revelar que o segredo de sua força encontrava-se nos seus cabelos.
Após Sansão tivemos também como Juiz profeta Samuel(1sm 1-7), fechando assim o ciclo dos juízes sobre Israel.
Entre alguns juízes durante essa época que mais se destacam no livro estão Débora, Gideão e Sansão.
O livro termina relatando a decadência moral dos israelitas, assim concluindo no verso 6 do capítulo 17:
Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto.
O chave de leitura mais importante em Juízes é apresentada em Jz 2,10 [7]-Jz 3,6 [8] que é um alerta para a idolatria
(afastamento de Deus) que toma conta das pessoas quando a proteção de Deus não parece mais necessária, e quando
os favores de Deus são esquecidos[5] .

Lista dos juízes e suas tribos


Cronologicamente pode-se mencionar os seguintes líderes que teriam julgado Israel, com suas respectivas tribos de
origem e referências bíblicas:
• Otniel (Judá) - Jz 1:11-15; Jz 3:7-11
• Eúde (Benjamim) - Jz 3:12-30; Jz 4:1
• Sangar (desconhecido a origem) - Jz 3:31; Jz 5:6
• Débora (Efraim) - Jz 4:1; Jz 5:31
• Gideão (Manassés) - Jz 6:1-8; Jz 6:32
• Abimeleque (Manassés) - Jz 8:33-9:57
• Tola (Issacar) - Jz 10:1-2
• Jair (Manassés) - Jz 10:3-5
• Jafté (Manassés) - Jz 10:6-12; Jz 7
• Ibsã (Judá ou Zebulom) - Jz 12:8-9
• Elom (Zebulom) - Jz 12:11-12
• Abdom (Efraim) - Jz 12:13-15
• Sansão (Dã) - Jz 13:1-16 e Jz 31
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P6Q. HTM
[4] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P6U. HTM
[5] Juízes (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P69. HTM) acessado em 22 de julho de 2010
[6] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ 8ST. HTM
[7] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P6B. HTM
[8] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P6C. HTM
Livro de Rute 139

Livro de Rute
O livro de Rute, nas Bíblias Grega e Latina, é um dos livros históricos
do antigo testamento da Bíblia.[1] [2] , enquanto que na Bíblia Hebraica
se situa entre os "Ketubim" ou Escritos[3] . Possui 4 capítulos onde é
narrada uma história situada no período dos Juízes de Israel. O
momento histórico exato não se conhece; todavia, Josefo, historiador
judeu, opina que Rute é do tempo do sacerdote Eli (Antig. 5,9,1).

Este livro da Bíblia deriva seu nome de um dos seus personagens


principais, Rute (cujo nome significado "amizade"), a moabita. A
narrativa mostra como Rute se tornou uma ancestral de Davi por meio
do casamento de cunhado com Boaz, em favor de sua sogra, Noemi. O
Julius Schnorr von Carolsfeld: Rute e Boaz, 1828
apreço, a lealdade e a confiança em YHVH que Boaz, Noemi e Rute
demonstraram permeiam o relato. — Rute 1:8, 9, 16, 17; 2:4, 10-13,
19, 20; 3:9-13; 4:10.

Excetuando-se a lista genealógica (Rute 4:18-22), os eventos relatados no livro de Rute abrangem um período de
cerca de 11 anos no tempo dos juízes, embora não se declare exatamente quando ocorreram. — Rute 1:1, 4, 22; 2:23;
4:13.
A tradição judaica atribui a Samuel a escrita deste livro, e isto não discordaria da evidência interna. O fato de que o
relato conclui com a genealogia de Davi sugere que o escritor estava a par do propósito de Deus com respeito a Davi.
Isto se ajustaria a Samuel, pois foi ele quem ungiu a Davi para ser rei. Por isso, teria sido também apropriado que
Samuel fizesse um registro dos ancestrais de Davi (I Samuel 16:1, 13).
Por outro lado a Edição Pastoral da Bíblia indica que o livro foi escrito em Judá, depois do Exílio na Babilônia, na
metade do séc. V AC[4] .
A historicidade do livro de Rute fica confirmada pela genealogia de Jesus Cristo, apresentada por Mateus, a qual
alista Boaz, Rute e Obed na linhagem de ascendentes. (Evangelho segundo Mateus 1:5; compare com Ru 4:18-22; II
Crônicas 2:5, 9-15.) Ademais, é inconcebível que um escritor hebreu tivesse inventado deliberadamente um ancestral
materno estrangeiro para Davi, o primeiro rei da linhagem real de Judá.
O registro histórico fornece matéria de fundo que ilustra e esclarece outras partes da Bíblia. Apresenta-se de forma
vívida a aplicação das leis referentes à respiga (Levítico 19:9, 10; Deuteronômio 24:19-22; Rute 2:1, 3, 7, 15-17, 23)
e ao casamento de cunhado. (De 25:5-10; Ru 3:7-13; 4:1-13) Há evidência da orientação de Jeová na preservação da
linhagem que levava ao Messias, bem como na escolha dos indivíduos para essa linhagem. Às mulheres israelitas
casadas com um homem da tribo de Judá apresentava-se a possível perspectiva de contribuir para a linhagem
terrestre do Messias (Gênesis 49:10).
Também merece destaque o fato da protagonista do livro ser uma estrangeira, e isso mostra que a salvação não tem
fronteiras, e que o amor de Deus não é nacionalista, nem exclusivista[4] .
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[3] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 1.285
[4] Rute (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P6V. HTM), acessado em 27 de julho de 2010
Livro de Rute 140

Ver também
Eva, Sara (Bíblia), Rebeca, Lia, Bila, Raquel, Miriã, Débora (juíza), Rute, Ana, Abisag, Judite, Ester, Abigail
(Bíblia), Agar, Bate-Seba, Diná, Lea, Mical, Tamar, Zípora, Azenate, Zilpa, Joquebede, Helá, Naará, Ainoã, Maaca,
Zeruia, Eglá, Quézia, Ada, Besemate.

Genealogia de Adão até Davi segundo a Bíblia

Adão até Sem Adão Sete Enos Quenan Mahalalel Jarede Enoque Matusalém Lameque Noé Sem

Arpachade até Jacó Arpachade Selá Éber Pelegue Reú Serugue Nahor Terá Abraão Isaac Jacó

Judá até Davi Judá Perez Ezron Aram Aminadabe Naasom Salmom Boaz Obed Jessé Davi

I Samuel
I Samuel, também chamado "Primeiro Livro de Samuel" ou "1 Samuel". Trata-se do
primeiro de dois livros (1 e 2 Samuel) dos Livros históricos do Antigo Testamento da
Bíblia[1] [2] e um único livro na Bíblia Hebraica (Tanak), sendo que não estavam
separados no cânon hebraico original. Junto com II Samuel abrange um período de
aproximadamente 140 anos (cerca de 1180 a 1040 a.C.).

Divisão do livro original


Acredita-se que este livro formava originalmente uma só obra com II Samuel, I e II Reis.
A primeira parte teria sido escrita por Samuel, mas o restante por Natã e Gade. O enorme
tamanho deste único rolo, composto por um dos escritores, deve ter levado à sua divisão
arbitrária em quatro partes, num tamanho de mais fácil manuseio. Assim, tanto a Septuaginta grega como a Vulgata
latina, o chamam de I e II Samuel ,I e II Reis, respectivamente, e I e II, III e IV Reis, reconhecendo que trata-se de
uma divisão posterior.

Conteúdo
I Samuel conta a história de Samuel, um importante profeta, e do reinado do rei Saul até a sua morte, incluindo a
guerra dos filisteus contra Israel e a grande façanha do jovem pastor David (mais tarde rei de Israel), ao derrotar o
gigante Golias.
"Samuel falou então ao povo sobre a prerrogativa legítima do reinado, e escreveu-a num livro e depositou-o
perante YHVH." [3]
• Resumo de alguns destaques de I Samuel:
• YHVH escolhe Samuel como profeta em Israel. (1:1–7:17)
• Saul torna-se o primeiro rei de Israel. (8:1–15:35)
• Davi obtém destaque, irando a Saul. (16:1–20:42)
• Davi torna-se fugitivo. (21:1-27:12)
• O reinado de Saul chega ao fim. (28:1–31:13)
I Samuel 141

Interpretações modernas do contexto histórico


Para entender a parte histórica dos livros de Samuel, torna-se necessário conhecer a história bíblica desse período.
As Doze tribos de Israel achavam-se desorganizadas. No período relatado em I Samuel, o perigo em comum
obrigou-as a unirem-se. A conclusão lógica deste processo seria o estabelecimento de uma monarquia centralizada.
O livro relata a existência de duas visões opostas sobre o surgimento da autoridade política central: a primeira é
contrária e hostil à monarquia ([4] , [5] ), que era a visão mais democrática das tribos do Norte, que viviam em terras
mais produtivas, a segunda visão é favorável à monarquia [6] [7] e representa a visão da Tribo de Judá, que vivia em
terras menos produtivas. Considerando as duas versões, pode-se concluir que a autoridade é um mal necessário
(embora justificável, ela pode se absolutizar, explorar e oprimir o povo) e, ao mesmo tempo, um dom de Deus (uma
instituição mediadora, que deve re-presentar, isto é, tornar presente o próprio Deus, único rei que liberta e governa o
seu povo)[8] .
Por outro lado, Airton José da Silva sustenta que I Samuel 8:11-18 é um discurso colocado na boca de Samuel, por
um autor deuteronomista, após a falência da monarquia[9] .
Os inimigos territoriais de Israel — Moabe, Edom e Amon - também haviam se organizado em forma similar,
inclusive antes que os israelitas chegassem a Canaã, depois de sua grande peregrinação pelo deserto, após terem sido
libertos da escravidão Egito. Outro inimigo de Israel, Síria também tinha um governo monárquico.
Os Reis de Israel são retratados nestes livros como cabeças legais e visíveis dum estado nacional organizado. No
entanto, compreende-se que a transição não foi abrupta, mas seguiu-se de forma gradual. Logo depois do período dos
Juízes, Deus escolhe o rei de Israel: Saul. O apoio e a direção de Deus sobre este israelita leva-o a alcançar grandes
realizações. Esta nova instituição real aparece logo depois da vitória de Israel sobre Amom relatado em I Samuel.
Logo após, o reinado de Saul recebe reconhecimento como autoridade nacional[10] .
Apesar da direção teocrática que a Bíblia outorga aos Reis de Israel e Judá, percebe-se que houve um desvio de
proceder da parte de muitos destes, o que incluiu o rei Saul.

Aspectos religiosos
Assim como acontece com outros livros históricos do Antigo Testamento, mediante a mera leitura se evidencia que I
Samuel não foi escrito com mero objetivo histórico, mas sua narração está fortemente ligada ao interesse religioso
da antiga nação de Israel, e do seu Deus YHVH. Além disso, o registro está em completa harmonia com o restante
das Escrituras.
O objetivo da união das 12 tribos, para maior glória de YHVH teria fracassado se não fosse o êxito da escolha do
sucessor de Saul, Davi, monarca ideal do ponto de vista do cronista bíblico. Já Salomão e outros Reis posteriores
mereceram a reprovação dos escritores de Crónicas e Reis.
Depois da reprovação de Saul, chega a fidelidade de Davi, nome que foi eleito como modelo de liderança esperado
por YHVH. Sua autoridade não se compara com nada antes dele. De sua semente nasceria o Messias e esta promessa
de esperança messiânica se estende por todos os tempos, até se consolidar com a vinda do Messias (Jesus Cristo).
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] I Samuel 10:25
[4] I Samuel 6:1
[5] I Samuel 10:17-27
[6] I Samuel 9:1-16
[7] I Samuel 11:1
[8] Samuel (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P70. HTM), acessado em 22 de julho de 2010
[9] História de Israel (http:/ / www. airtonjo. com/ historia19. htm), acessado em 22 de julho de 2010
[10] I Samuel 11:1
I Samuel 142

Ver também
• Samuel
• II Samuel
• David
• Antigo Testamento
• Bíblia

Ligações externas
• I Samuel 1 (http://www.bibliaonline.com.br/acf/1sm/1), site www.bibliaonline.com.br (em português)
• I Samuel 1 (http://www.bibliacatolica.com.br/01/9/1.php), site www.bibliacatolica.com.br (em português)
• I Samuel (http://etext.virginia.edu/toc/modeng/public/Kjv1Sam.html), King James Version, site
etext.virginia.edu (em inglês)
• I Samuel 1-8 (http://www.conservapedia.com/1_Samuel_1-8_(Translated)), tradução da Conservapédia (em
inglês)

II Samuel
II Samuel, (hebraico: ' ‫ 'ב לֵאּומְׁש‬Shemuel Bet) também chamado "Segundo
Livro de Samuel" ou "2 Samuel". Trata-se do segundo de dois livros (1 e 2
Samuel) dos Livros históricos do Antigo Testamento da Bíblia,[1] [2] e um
único livro na Bíblia Hebraica (Tanak), sendo que não estavam separados no
cânon hebraico original. Junto com I Samuel abrange um período de
aproximadamente 140 anos (cerca de 1180 a 1040 a.C.). Possui 31 capítulos.

Divisão do livro original


Acredita-se que este livro formava originalmente uma só obra com I Samuel,
I e II Reis. A primeira parte teria sido escrita por Samuel, mas o restante por
Natã e Gade. O enorme tamanho deste único rolo, composto por um dos
escritores, deve ter levado à sua divisão arbitrária em quatro partes, num
tamanho de mais fácil manuseio. Assim, tanto a Septuaginta grega como a
Vulgata latina, o chamam de I e II Samuel ,I e II Reis, respectivamente, e I e
II, III e IV Reis, reconhecendo que trata-se de uma divisão posterior.

Conteúdo
II Samuel conta a história de Israel a partir da morte de Saul (II Sam. 1-20) e o subsequente reinado de Davi, com um
suplemento no final.(II Sam. 21-24). Em outras palavras, está centrado na figura de David, cuja história começa
propriamente em 1Sm 16 [3], e nas lutas dos pretendentes ao trono de Jerusalém[4] , e, abrange, com seu livro irmão
(I Samuel), o período que vai desde o estabelecimento de uma monarquia formal ate o fim do reinado de Davi.
Inclusive um período de guerra civil, o transporte da Arca da Aliança a Jerusalém, o relato do pecado de Davi, um
cântico de ação de graças, e a promessa de Deus sobre a descendência do rei. Digno de nota é a franqueza dos
escritores, que não passam por alto nem mesmo os pecados e as faltas do Rei Davi.
O ponto mais alto da sua história é a Profecia de Natã (2Sm 7 [5]), em que o profeta anuncia que o trono de
Jerusalém sempre será ocupado por um messias (= rei ungido) da família de Davi. É a criação da ideologia
II Samuel 143

messiânica: o povo será sempre governado por um messias descendente de Davi[4] :

A tua casa, porém, e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre.
— 2 Samuel
7:16:

Davi passou para a história como o modelo da autoridade política justa. Por isso, mesmo com o fim da realeza, os
judeus permaneceram confiantes no ideal messiânico e ficaram à espera do messias que iria reunir o povo,
defendê-lo dos inimigos e organizá-lo numa sociedade justa e fraterna. O Novo Testamento irá identificar Jesus
como descendente de Davi, como o Messias esperado, que veio para reunir todos os homens e levá-los à vida plena,
na justiça e fraternidade do Reino de Deus[4] .
Resumo de alguns destaques de II Samuel
• O início do reinado de Davi ( 1:1–4:12);
• Davi reina em Jerusalém (5:1–6:23);
• A aliança de Deus com Davi (7:1-29);
• O domínio de Davi se estende por todo Israel (8:1–10:19);
• O pecado de Davi contra YHVH (11:1–12:31);
• Graves problemas na família de Davi (13:1– 18:33);
• Os últimos dias do reinado de Davi (19:1–24:25);

Aspectos históricos
Assim como acontece com outros livros históricos do Antigo Testamento, mediante a mera leitura se evidencia que I
Samuel não foi escrito com mero objetivo histórico, mas sua narração está fortemente ligada ao interesse religioso
da antiga nação de Israel, e do seu Deus YHWH. Além disso, o registro está em completa harmonia com o restante
das Escrituras.
O objetivo da união das 12 tribos, para maior glória de YHWH teria fracassado se não fosse o êxito da escolha do
sucessor de Saul, Davi é apresentado como o rei ideal, que obedece a Deus e serve ao povo, graças à sua habilidade
política, ele que primeiro foi aclamado rei de Judá, sua tribo, e posteriormente consegue, aos poucos, conquistar a
simpatia das demais tribos, e depois ser rei também das tribos do Norte. Após ter conseguido reunir todo o povo,
Davi conquista Jerusalém que vai se tornar o centro do poder político e da religião de Israel[4] , portanto, Davi, é o
monarca ideal do ponto de vista do cronista bíblico. Já Salomão e outros Reis posteriores mereceram a reprovação
dos escritores de Crónicas e Reis.
Depois da reprovação de Saul, chega a fidelidade de Davi, nome que foi eleito como modelo de liderança esperado
por YHVH. Sua autoridade não se compara com nada antes dele. De sua semente nasceria o Messias e esta promessa
de esperança messiânica se estende por todos os tempos, até se consolidar com a vinda do Messias (Jesus Cristo).
Os seguintes versículos do Novo Testamento relacionam-se com II Samuel[6] :

Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo;
o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim — Lucas
1:31 a 33

.
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P7G. HTM
[4] Samuel (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P70. HTM), acessado em 22 de julho de 2010
[5] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P82. HTM
[6] Lucas I
II Samuel 144

Ver também
• Samuel
• I Samuel
• David
• Antigo Testamento
• Bíblia

I Reis
I Reis é um dos livros históricos do Antigo Testamento da Bíblia.[1] [2] É formado por 22 capítulos e sua narrativa dá
continuidade aos acontecimentos narrados em II Samuel, iniciando-se com a coroação do rei Salomão sobre todo
Israel até o final dos reinados de Acabe e Josafá, os quais, respectivamente governaram o Reino de Israel e o Reino
de Judá.
Assim, o livro trata do apogeu do reino de Israel, sua divisão em dois países entre as doze tribos após a morte de
Salomão, a perversão moral tanto dos governantes quanto do povo que abandonaram a fé num único Deus para
praticarem a idolatria aos deuses pagãos, mencionando os feitos do profeta Elias em seu ministério.
O livro contém uma teologia da autoridade política: o rei deve ser fiel a Deus (1Rs 2,3 [3]) e governar com sabedoria
e justiça, servindo ao povo (1Rs 12,7 [4]), que pertence unicamente a Deus (1Rs 3,8-9 [5])[6] .

Visão panorâmica
• Parte 1 - O Reinado de Salomão. Capítulo 1 ao Capítulo 11.
• Parte 2 - A Divisão do Reino: Israel e Judá. Capítulo 12 ao Capítulo 23.

Personagens Principais
• Salomão
• Jeroboão I
• Profeta Aías
• Roboão
• Asa
• Acabe e Jezabel
• Profeta Elias
• Josafá
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P8M. HTM
[4] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P8W. HTM
[5] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P8N. HTM
[6] Primeiro e Segundo Reis (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P8K. HTM), acessado em 22 de julho de 2010
II Reis 145

II Reis
II Reis é um dos livros históricos do antigo testamento da Bíblia.[1] [2] Possui 25 capítulos. Narra a história do
profeta Eliseu (sucessor do profeta Elias) e dos reis de Israel e Judá, dando prosseguimento aos acontecimentos
narrados no livro de I Reis. Menciona a destruição do Reino de Israel, com sede em Samaria, que caiu em poder da
Assíria em 722 AC[3] , e a milagrosa resistência do rei Ezequias ao cerco de Senaqueribe. Termina com a destruição
da cidade de Jerusalém por Nabucodonosor, rei da Babilônia, em 586 AC[3] , o qual leva os judeus como escravos
para a Mesopotâmia, conforme foi profetizado por Jeremias.
Mais do que uma relação pormenorizada de acontecimentos, estes livros fornecem uma reflexão crítica sobre a
história do povo e dos reis que o governaram: a fidelidade a Deus leva à bênção; a infidelidade leva à maldição, à
ruína e ao exílio (cf. 2Rs 17,7-23 [4])[3] .
O Templo e o profetismo têm um papel importante nessa história. O Templo é o lugar da reunião de todo o povo
para o encontro com Deus. A reforma de Josias procura reunir novamente todo o povo a partir do culto no Templo
(2Rs 22-23 [5]). Os profetas são aqueles que mantêm viva a consciência do povo, os vigias das relações sociais e os
grandes críticos da ação política dos reis. Sua intenção de fazer respeitar a justiça e o direito está sempre em primeiro
plano, e eles se ocupam tanto de religião como de moral e política, pois tudo deve estar submetido a Deus, o único
rei sobre o povo (cf. Is 6,5 [6]; Is 44,6 [7]; Zc 14,16 [8])[3] .
As decepções com a monarquia se multiplicaram e, com a queda dos reinos de Israel e de Judá, volta o antigo ideal
igualitário das tribos, formulado agora por Jeremias como Nova Aliança: uma sociedade sem mediações, na qual o
próprio povo governa a si mesmo, graças ao conhecimento de Deus (Jr 31,31-34 [9])[3] .

Resumo dos reis de Judá e Israel [10] [11]


• Saul (no começo bom, depois mau)
• Davi (bom)
• Salomão (bom)
• Reoboão (mau) – separação das tribos
• Abias (bom) – Judá
• Jeroboão (mau) – Israel - 931-910/9 AC - 21 anos
• Asa (bom) – Judá
• Nadab - Israel - 910-909 AC - 2 anos
• Baasa – Israel - 909/8-886 AC - 22 anos
• Jeosafá (bom) – Judá
• Ela – Israel - 886/5-885 AC - 2 anos
• Zimri – Israel - 885/4 AC - 7 dias
• Omri – Israel - 885/4-874 - 11 anos
• Acabe (mau) – Israel - 874/3-853 - 21 anos
• Jeorão (mau) – Judá
• Acazias (mau) – Israel - 853-852 - 2 anos
• Jorão – Israel - 852-841 - 11 anos
• Jeú – Israel - 841-813 - 28 anos
• Joacaz – Israel - 813-797 - 16 anos
• Joás – Israel - 797-782 - 15 anos
• Jeroboão II – Israel - 782/1-753 - 29 anos
• Zacarias – Israel - 753 - 6 meses
• Salum – Israel - 753/2 - 1 mês
• Menahem – Israel - 753/2-742 - 11 anos
II Reis 146

• Pecahia – Israel - 742/1-740 - 2 anos


• Pecah – Israel - 740/39-731 - 9 anos
• Oséias – Israel - 731-722 - 9 anos
• Joás (no começo bom, depois mau) – Judá
• Amazias (no começo bom, depois mau) – Judá
• Uzias (no começo bom, depois mau) – Judá
• Jotão (bom) – Judá
• Acaz (mau) – Judá
• Ezequias (bom) – Judá
• Manassés (no começo mau, depois bom) - Judá
• Amom (mau) – Judá
• Josias (bom) – Judá
• Jeoiaquim (mau) – Judá – cativeiro para a Babilônia
• Zedequias (mau) – Judá
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] Primeiro e Segundo Reis (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P8K. HTM), acessado em 22 de julho de 2010
[4] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P9N. HTM
[5] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P9S. HTM
[6] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PNN. HTM
[7] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _POP. HTM
[8] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PV0. HTM
[9] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PQ7. HTM
[10] http:/ / gracamaior. com. br/ biblia-online/ 2-reis. html
[11] PAVLOVSKY, V./VOGT, E., Die Jahre der Könige von Juda und Israel, em Biblica 45 (1964), Roma, pp. 321-347 apud O Reino de Israel
(http:/ / www. airtonjo. com/ historia21. htm), acessado em 23 de julho de 2010 (em relação as datas e tempo de duração dos Reis de Israel a
partir de Jerobão)
I Crônicas 147

I Crônicas
I Crônicas é um dos livros históricos do antigo testamento da Bíblia.[1] [2] Possui 29 capítulos.
De autoria incerta, a tradição judaica afirma que o livro de I Crônicas teria sido escrito por Esdras, por volta de 430
a.C., o qual tinha o propósito de resgatar os padrões de culto e de adoração a Deus no período após o cativeiro
babilônico, resgatando assim a história do seu povo.
A Edição Pastoral da Bíblia sustenta que os dois livros das Crônicas, juntamente com os livros de Esdras e Neemias,
formam um conjunto coerente elaborado provavelmente nos inícios do séc. IV AC, trata-se de um grande conjunto
narrativo, que vai desde Adão até a organização da comunidade judaica depois do Exílio na Babilônia (por volta de
400 AC)[3] .
A Bíblia de Jerusalém sustenta que o autor das Crônicas é um levita de Jerusalém, que escreveu numa época
sensivelmente posterior a Esdras e Neemias, pois parece combinar as fontes que se referem a eles, portanto, pouco
antes do ano 300 AC, parece ser a data mais verossímil. A obra teria recebido algumas adições posteriores,
especialmente em: I Cr 2-9 [4], I Cr 12 [5], I Cr 15 [6] e uma longa adição em I Cr 23,3 [7]-I Cr 27, 34 [8][9] .
A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que originalmente Crônicas I e II eram um único livro, sendo artificial sua
divisão em dois livros, e que haveria um único autor para Crônicas, Esdras e Neemias, e que sua redação não teria
ocorrido antes de 350 AC nem depois de 250 AC, mas haveria adições posteriores a 200 AC[10] . Esta edição
também considera viável a hipótese do autor das Crônicas ser um levita[11] .
Os primeiros nove capítulos (I Cr 1 [12]-I Cr 9 [13]) contém uma longa lista de genealogias dos israelitas, desde Adão
até os descendentes de Saul, os capítulos seguintes (I Cr 10 [14]-I Cr 29 [15]) narram a história do reinado de David,
num relato que omite aspectos negativos como o pecado com Betsabéia e a revolta de Absalão[16] [11] .
Com a morte de Saul, em torno de 1010 a.C., Davi torna-se rei sobre todo o Israel e conquista a cidade de Jerusalém
(1000 a.C.) que até então era uma fortaleza ocupada pelos jebuseus e se torna a capital de seu governo. Resolve
então trazer a Arca da Aliança para Jerusalém e decide construir um templo para Deus na cidade, mas recebe uma
mensagem do profeta Natã(satã dizendo que o santuário seria edificado após sua morte por seu filho.
No entanto, Davi começa a fazer os preparativos para a edificação do templo de Jerusalém, reunindo o material que
seria necessário para a futura obra. Faz de seu filho Salomão rei e lhe dá todas as orientações para que o templo
viesse a ser construído por seu sucessor dentro de certos padrões.
O livro termina, em seus últimos versos, informando sobre o falecimento de Davi (970 a.C.) que teria reinado sobre
Israel por quarenta anos e morreu, numa "boa velice, cheio de dias, riquezas e glória", sucedido no trono por seu
filho Salomão. A história continua no livro II Crônicas.

Relato Paralelo
Pode-se afirmar que ambos os Livros de Crônicas seria uma obra paralela a Reis e Samuel, sendo que a Septuaginta
e a Vulgata chamam estes livros de Paralipômenos, pois relatam coisas coisas que foram deixadas de lado no relato
contido em Reis e Samuel, ou seja são uma espécie de complemento[9] [17] , porém, cabe destacar que foram escritos
a partir de um enfoque sacerdotal, ou seja, com um enfoque maior na história religiosa dos israelitas.
Quando estes livros foram escritos já existia a Obra Histórica Deuteronomista[18] (Josué, Juízes, I Samuel, II
Samuel, I Reis, II Reis), mas haviam motivos que justificavam a construção de uma nova versão daquela história[3] .
O foco dessa nova versão está no Templo, nos sacerdotes e nos levitas que nele exerciam suas funções; os sacerdotes
com o culto e os levitas com a transmissão das legítimas tradições do povo. Nessa versão os reis são julgados a partir
de suas relações com o Templo e o culto de Javé. Além disso, toda a história do reino do Norte é omitida, pois no
tempo do autor os samaritanos eram inimigos acirrados da organização da comunidade judaica centrada em
Jerusalém[3] .
I Crônicas 148

Se reserva uma especial atenção aos levitas, nas listas genealógicas e na narrativa propriamente dita, os levitas têm
presença marcante também com sua palavra e ideologia, o que indica que o autor seria um um levita, que busca
recuperar as tradições das tribos do Norte, que conservado bem os ideais democráticos e igualitários[3] .
Os levitas eram muito ligados aos círculos proféticos do Norte, e, portanto, pode-se encontrar muitas menções de
profetas e o título de profeta é dado até mesmo ao levita (cf. 1Cr 25,1-5 [19]). Trata-se de uma diferença com a
história narrada nos livros dos Reis, onde o levita Abiatar e com ele certamente o levitismo foi expulso de Jerusalém
por Salomão (cf. 1Rs 2,26-27 [3], passagem que o autor das Crônicas omite)[3] .
Os livros das Crônicas, portanto, oferecem uma versão da história que defende a função do levita na liderança da
comunidade judaica. Graças a ele, os ideais do Êxodo e de uma sociedade igualitária permanecem vivos, à espera de
uma ocasião histórica propícia que torne possível a sua concretização[3] .

Ligações externas
• http://www bibliaonline com.br/acf/1cr/1 I Crônicas, no site www.bibliaonline.com (bloqueado pelo filtro de
SPAM) (em português)
• I Crônicas [20], no site www.bibliacatolica.com.br (em português)
• Liber Primus Paralipomenon (I Crônicas) [21] (em latim)
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] A História desde de Adão até a Fundação do Judaísmo (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P9W. HTM), acessado em 22 de julho de 2010
[4] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P9Y. HTM
[5] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PA8. HTM
[6] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PAB. HTM
[7] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PAJ. HTM
[8] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PAN. HTM
[9] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 546
[10] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, pp 1.439-1.440
[11] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit. , p 1.442
[12] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P9X. HTM
[13] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PA5. HTM
[14] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PA6. HTM
[15] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PAP. HTM
[16] Bíblia de Jerusalém, cit., p 547,
[17] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit. , p 1.439
[18] Literatura Deuteronomista 2009: o desafio (http:/ / blog. airtonjo. com/ 2009/ 02/ literatura-deuteronomista-2009-o. html), acessado em 22
de julho de 2010
[19] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PAL. HTM
[20] http:/ / www. bibliacatolica. com. br/ 01/ 13/ 1. php
[21] http:/ / www. vatican. va/ archive/ bible/ nova_vulgata/ documents/ nova-vulgata_vt_i-paralipomenon_lt. html
II Crônicas 149

II Crônicas
II Crônicas é um dos livros históricos do Antigo Testamento da Bíblia.[1] [2] Possui 36 capítulos e foi desmembrado
de I Crônicas com o qual formava originalmente um único livro. Narra acontecimentos de um período da história dos
judeus, desde o reinado de Salomão, por volta de 970 a.C., até a destruição do Reino de Judá por Nabucodonosor,
imperador da Babilônia, fato ocorrido em torno de 586 a.C..
Embora seja incerta a sua autoria, a tradição judaica afirma que o livro de II Crônicas teria sido escrito por Esdras,
por volta de 430 a.C., o qual tinha o propósito de resgatar os padrões de culto e de adoração a Deus no período após
o exílio babilônico, resgatando assim a história do seu povo.
A Edição Pastoral da Bíblia sustenta que os dois livros das Crônicas, juntamente com os livros de Esdras e Neemias,
formam um conjunto coerente elaborado provavelmente nos inícios do séc. IV AC, trata-se de um grande conjunto
narrativo, que vai desde Adão até a organização da comunidade judaica depois do Exílio na Babilônia (por volta de
400 AC)[3] .
A Bíblia de Jerusalém sustenta que o autor das Crônicas é um levita de Jerusalém, que escreveu numa época
sensivelmente posterior a Esdras e Neemias, pois parece combinar as fontes que se referem a eles, portanto, pouco
antes do ano 300 AC, parece ser a data mais verossímil. A obra teria recebido algumas adições posteriores,
especialmente em: I Cr 2-9 [4], I Cr 12 [5], I Cr 15 [6] e uma longa adição em I Cr 23,3 [7]-I Cr 27, 34 [8][4] .
A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que originalmente Crônicas I e II eram um único livro, sendo artificial sua
divisão em dois livros, e que haveria um único autor para Crônicas, Esdras e Neemias, e que sua redação não teria
ocorrido antes de 350 AC nem depois de 250 AC, mas haveria adições posteriores a 200 AC[5] . Esta edição também
considera viável a hipótese do autor das Crônicas ser um levita[6] .
Os nove primeiros capítulos deste segundo livro II Cr 1 [7]-II Cr 9 [8] contam a história do reinado de Salomão[9] ,
contendo um detalhado registro da construção do templo, cumprindo a promessa feita a seu pai, David, trata-se de
um relato que omite aspectos negativos como o luxo e a idolatria no final daquele reinado[10] .
Os capítulos seguintes II Cr 10 [11]-II Cr 36 [12] relatam a partir do cisma ocorrido após a morte de Salomão, em
torno de 930 a.C., no reinado de Roboão, e prossegue com a história dos outros reis que governaram Judá, os quais
muitas das vezes afastaram-se dos mandamentos divinos, tolerando ou introduzindo a idolatria entre o povo, o que
importava em castigos, sofrimentos e derrotas militares para as nações vizinhas.
A partir de então, os principais pontos de destaque do livro seriam os reinados de Asa e de Josafá, a morte de Acabe,
o reinado de Uzias, a destruição do Reino de Israel pelos assírios, o reinado de Ezequias e a resistência de Jerusalém
ao cerco de Senaqueribe, a idolatria de Manassés, o reinado de Josias, o achado do livro da lei mosaica e a derrota de
Judá pela Babilônia.

Relato Paralelo
Pode-se afirmar que ambos os Livros de Crônicas seria uma obra paralela a Reis e Samuel, sendo que a Septuaginta
e a Vulgata chamam estes livros de Paralipômenos, pois relatam coisas coisas que foram deixadas de lado no relato
contido em Reis e Samuel, ou seja são uma espécie de complemento[4] [13] , porém, cabe destacar que foram escritos
a partir de um enfoque sacerdotal, ou seja, com um enfoque maior na história religiosa dos israelitas.
Quando estes livros foram escritos já existia a Obra Histórica Deuteronomista[14] (Josué, Juízes, I Samuel, II
Samuel, I Reis, II Reis), mas haviam motivos que justificavam a construção de uma nova versão daquela história[3] .
O foco dessa nova versão está no Templo, nos sacerdotes e nos levitas que nele exerciam suas funções; os sacerdotes
com o culto e os levitas com a transmissão das legítimas tradições do povo. Nessa versão os reis são julgados a partir
de suas relações com o Templo e o culto de Javé. Além disso, toda a história do reino do Norte é omitida, pois no
tempo do autor os samaritanos eram inimigos acirrados da organização da comunidade judaica centrada em
II Crônicas 150

Jerusalém[3] .
Se reserva uma especial atenção aos levitas, nas listas genealógicas e na narrativa propriamente dita, os levitas têm
presença marcante também com sua palavra e ideologia, o que indica que o autor seria um um levita, que busca
recuperar as tradições das tribos do Norte, que conservado bem os ideais democráticos e igualitários[3] .
Os levitas eram muito ligados aos círculos proféticos do Norte, e, portanto, pode-se encontrar muitas menções de
profetas e o título de profeta é dado até mesmo ao levita (cf. 1Cr 25,1-5 [19]). Trata-se de uma diferença com a
história narrada nos livros dos Reis, onde o levita Abiatar e com ele certamente o levitismo foi expulso de Jerusalém
por Salomão (cf. 1Rs 2,26-27 [3], passagem que o autor das Crônicas omite)[3] .
Os livros das Crônicas, portanto, oferecem uma versão da história que defende a função do levita na liderança da
comunidade judaica. Graças a ele, os ideais do Êxodo e de uma sociedade igualitária permanecem vivos, à espera de
uma ocasião histórica propícia que torne possível a sua concretização[3] .
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] A História desde de Adão até a Fundação do Judaísmo (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P9W. HTM), acessado em 22 de julho de 2010
[4] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 546
[5] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, pp 1.439-1.440
[6] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit. , p 1.442
[7] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PAQ. HTM
[8] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PAY. HTM
[9] Bíblia de Jerusalém, cit., p 547,
[10] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., pp 1.441
[11] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PAZ. HTM
[12] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PBP. HTM
[13] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit. , p 1.439
[14] Literatura Deuteronomista 2009: o desafio (http:/ / blog. airtonjo. com/ 2009/ 02/ literatura-deuteronomista-2009-o. html), acessado em 22
de julho de 2010
Livro de Esdras 151

Livro de Esdras
O Livro de Esdras é um dos livros históricos do antigo testamento da Bíblia.[1] [2] Possui dez capítulos. Conta a
história repatriados, desde o retorno do exílio até o ano 400 AC [3] tendo por foco a vida de Esdras, copista das
Escrituras Hebraicas, a saída do retorno do exílio (cativeiro) de Babilônia.

Origem
Os livros de Esdras e Neemias formavam apenas um único Livro de Esdras[4] , composto antes de I Crônicas e II
Crônicas[5] , como se verifica na Bíblia Hebraica e na Bíblia dos Setenta, sendo que a Igreja Ortodoxa Grega)
também conta com um livro denominado Esdras I[6] , inexistente na Bíblia adotada pela Igreja Católica, que costuma
referir-se a este outro livro como Esdras III (apócrifo), enquanto que os livros de Esdras e de Neemias são reunidos,
na Bíblia dos Setenta, em um único livro chamado de Esdras II[7] .
A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que haveria um único autor para I Crônicas, II Crônicas, Esdras e
Neemias[4] , que seria provavelmente um levita[8] , e que sua redação não teria ocorrido antes de 350 AC nem depois
de 250 AC, mas haveria adições posteriores a 200 AC[9] .

Perpectiva Panorâmica (Sumário)[4]


• O Edito de Ciro - Esdras 1 [10]
• Lista dos deportados repatriados - Esdras 2 [11]
• Reestabelecimento do culto - Esdras 3 [12]
• Obstrução por parte dos inimigos de Judá - Esdras 4:1-5 [13]
• Troca de correspondências durante o reinado de Xerxes e Artaxerxes - Esdras 4:6-24 [13]
• Construção da Casa de Deus - Esdras 5:1-6,18 [14]
• A Páscoa - Esdras 6:19-22 [15]
• O escriba Esdras - Esdras 7:1-10 [16]
• A carta de Artaxerxes - Esdras 7:11-28 [16]
• Os companheiros de Esdras - Esdras 8:1-14 [17]
• Viagem de Esdras a Jerusalém - Esdras 8:15-36 [17]
• Oração de humilhação de Esdras - Esdras 9 [18]
• Despedida das mulheres estrangeiras - Esdras 10:1-17 [19]
• Lista dos culpados - Esdras 10:18-44 [19]

Perspectiva Teológica
Duas grandes mensagens emergem de Esdras: a fidelidade de Deus e a infidelidade do homem.
Deus havia prometido através do Profeta Jeremias (25.12) que o Cativeiro babilônico teria duração limitada. No
momento apropriado, cumpriu fielmente a sua promessa e induziu o espírito do rei Ciro II da Pérsia a publicar um
édito para o retorno dos exilados (1.1-4).
Fielmente, concedeu a liderança a Zorobabel e Esdras, e os exilados são enviados com despojos, incluindo itens que
haviam sido saqueados do templo de Salomão (1.5-10)
Quando o povo desanimou por causa da zombaria dos inimigos, Deus fielmente levantou Ageu e Zacarias para
encorajar o povo a completar a obra. O estímulo dos profetas trouxe resultados (5.1,2).
Livro de Esdras 152

Finalmente, quando o povo se desviou das verdades da sua palavra, Deus fielmente enviou um sacerdote dedicado
que habilidosamente instruiu o povo na verdade, chamando-o à confissão de pecado e ao arrependimento dos seus
caminhos perversos (caps. 9-10).
A fidelidade de Deus é contrastada com a infidelidade do povo. Apesar do seu retorno e das promessas divinas, o
povo se deixou influenciar pelos seus inimigos e desistiu temporariamente (4.24).
Posteriormente, depois de completada a obra, de forma que pudesse adora a Deus em seu próprio templo (6.16.18), o
povo se tornou desobediente aos mandamentos de Deus; desenvolve-se uma geração inteira cujas “iniqüidades se
multiplicaram sobre as vossas cabeças” (9.6). Contudo, como foi dito acima, a fidelidade de Deus triunfa em cada
situação.

Perspectiva Histórica[20]
• 586 AC: Exílio na Babilônia
• 539 AC: Ciro II da Pérsia derrota a Babilônia
• 538 AC: Edito de Ciro II da Pérsia, permitindo a repatriação dos exilados Esd 1 [10]
• 537 AC: Primeiro grupo de repatriados com Sasabassar; recomeça o culto Esd 2 [11]-Esd 3 [12]
• 536 AC: Preparativos para a reconstrução do Templo; obstáculos internos e externos Esd 4 [13]-Esd 5 [14]
• 520 AC: Atividade dos profetas Ageu e Zacarias
• 518 AC: Obras do Templo interrompidas e retomadas Esd 5 [14]-Esd 6 [15]
• 515 AC: Dedicação do Templo Esd 6 [15]
• 448 AC: Uma colônia de judeus muda para Jerusalém Esd 4,8-22 [13]
• 429 AC: Artaxerxes autoriza Esdras a promulgar a Lei Esd 7 [16]-Esd 8 [17]
• 428 AC: Reformas de Esdras Esd 9 [18]-Esd 10 [19].
• 423-404 AC: Os Samaritanos constroem um templo no Monte Garizim.

Perspectiva Política
A obra procura mostrar a reconstrução da comunidade judaica, reunida em Jerusalém e centrada no culto e na lei.
Sob o domínio persa, foi concedida aos judeus uma oportunidade para recuperar e preservar a sua identidade como
povo: a tradição religiosa dos antepassados, que agora se transforma em lei. No contexto pós-exílico, o Templo passa
a ser o centro da vida da comunidade, como lugar de culto e da transmissão da lei, que fornecem a estrutura social da
comunidade[3] .
A obra não se resume a uma narrativa, pois pretende discutir e abrir perspectivas sobre a estrutura da própria
comunidade judaica, sendo que a questão central é determinar qual a liderança que vai governar, nesse contexto,
quando se propõe reestruturar a sociedade a partir da religião, a primeira conclusão é que os sacerdotes devem liderar
o povo, no entanto, resta determinar o sacerdócio legítimo[3] .
No exílio, os sacerdotes tinham elaborado complicadas genealogias para ligar Sadoc a Aarão, o que indicava a
legitimidade dos descendentes de Sadoc, no entanto, restava resolver a questão da legitimidade dos levitas, que
também seriam descendentes diretos de Aarão[3] .
Desde o tempo de Salomão, os levitas tinham sido expulsos do Reino de Judá 1Rs 2,26-27 [3] e passaram a exercer
suas atividades entre as tribos do Norte, que formaram o Reino de Israel Setentrional. Ligados aos profetas, eles
preservaram e produziram tradições que formaram o Livro do Deuteronômio, o qual influenciou grandes reformas no
Reino de Judá, entretanto, depois do exílio, esses levitas se viram reduzidos a meros empregados dos sacerdotes[3] .
O autor dessa obra, que provavelmente era um levita, busca reabilitar historicamente a figura do levita e, assim,
reivindicar sua importância ao lado do sacerdócio para o governo da comunidade, mas seu objetivo não se resume a
Livro de Esdras 153

defender o interesse dos levitas, o que se pretende é resgatar a tradição profética, conservada pelos levitas, a fim de
que a comunidade judaica não fique reduzida ao culto formal, mas seja capaz de se organizar socialmente, segundo o
projeto de Javé, dentro da legítima tradição do Livro do Êxodo[3] .
Essa tradição fora transmitida pelos levitas, que procuravam atualizá-la e aplicá-la às situações concretas, visando
sempre em primeiro lugar à causa do povo e à defesa de uma sociedade justa e igualitária, pode-se, portanto, dizer
que essa obra histórica é uma grande reivindicação para a reabilitação daqueles que se colocam como defensores dos
interesses do povo, protegendo-o de possíveis arbitrariedades, tanto internas como externas[3] .
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] A História desde de Adão até a Fundação do Judaísmo (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P9W. HTM), acessado em 24 de julho de 2010
[4] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, pp 1.399
[5] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 548
[6] Qual a verdadeira Bíblia? (http:/ / www. servosdejave. org. br/ qual_a_verdadeira_biblia. htm), acessado em 25 de julho de 2010
[7] Bíblia de Jerusalém, cit., p 547
[8] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 1.442
[9] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., pp 1.439-1.440
[10] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PBR. HTM
[11] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PBS. HTM
[12] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PBT. HTM
[13] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PBU. HTM
[14] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PBV. HTM
[15] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PBW. HTM
[16] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PBX. HTM
[17] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PBY. HTM
[18] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PBZ. HTM
[19] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PC0. HTM
[20] Esdras e Neemias (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PBQ. HTM), acessado em 24 de julho de 2010

Ligações externas
• Líber Esdræ - Nova Vulgata (http://www.vatican.va/archive/bible/nova_vulgata/documents/
nova-vulgata_vt_esdrae_lt.html) (em latim)
Neemias 154

Neemias
Neemias (em hebraico: ‫הָיְמֶחְנ‬, hebraico padrão Nəḥemya, hebraico tiberiano Nəḥemyāh, /ˌniəˈmaɪə/, "conforto de
(ou "confortado por") Deus (YHWH)") é um personagem bíblico, figura importante na história pós-exilo dos judeus,
tal como registrada na Bíblia, e que, acredita-se, teria sido o autor primordial do Livro de Neemias. Era filho de
Hacalias (Ne, 2:3), e provavelmente pertencia à Tribo de Judá; seus ancestrais residiam em Jerusalém antes de seu
serviço na Pérsia (Ne, 2:3).
Fez erigir os muros de Jerusalém e realizou importantes reformas religiosas exercendo papel fundamental na fixação
da lei mosaica. O livro bíblico que traz seu nome, Livro de Neemias, redigido pouco antes dos 300 anos, juntamente
com o livro de Crônicas e o livro de Esdras, relata a obra de restauração de Neemias.[1] [2]

História pessoal
Neemias viveu durante o período em que Judá era uma província do Império Persa,[3] e havia sido designado copeiro
real no palácio de Shushan; o rei, Artaxerxes I (Artaxerxes Longimanus), parece ter tido um bom relacionamento
com seu funcionário, como evidencia a longa licença que lhe foi concedida durante a restauração de Jerusalém.[4]
Através de seu irmão Hanani (Ne, 1:2; 2:3), Neemias ouviu sobre a condição lamentável de Jerusalém, e encheu-se
de tristeza; por muitos dias ficou em jejum, em luto, orando pelo local do sepulcro de seus pais. Finalmente, o rei
percebeu a tristeza em sua expressão, e perguntou-lhe o seu motivo; Neemias explicou-o ao rei, que lhe concedeu
permissão de ir à cidade e agir lá como um tirshatha, ou governador, da Judeia.[5]
Neemias chegou em Jerusalém no 20.º ano do reinado de Artaxerxes I (445/444 a.C.)[5] com um forte séquito que lhe
fora fornecido pelo próprio rei, e com cartas para todos os paxás das províncias pelas quais passaria, assim como
para Asaf, o mantenedor das florestas reais, ordenando-os a ajudá-lo.
Embora nem todos os acadêmicos concordem a respeito do tema, existem evidências, incusive textuais, de que
Neemias teria sido um eunuco. Ele certamente parece ter sido visto como tal nos textos posteriores do judaísmo - a
Septuaginta, tradução grega da Bíblia hebraica, o descreve como um eunochos ("eunuco"), e não como um
oinochoos ("copeiro"). Além disso, ele servia tanto na presença do rei como da rainha, o que aumenta a possibilidade
de ter sido castrado. De acordo com a lei judaica, nenhum cujos testículos tenham sido esmagados ou seu pênis
decepado será admitido à Assembleia do Senhor; desta maneira, Neemias não podia entrar em certas partes do
Templo, o que seu inimigo, Semaías, tentou enganá-lo para que fizesse, inadvertidamente.
Sem filhos que o lembrassem em sua posteridade, Neemias orava repetidamente: "Para o meu bem lembre-se, ó meu
Deus, de tudo o que fiz por este povo". As tradições posteriores judaicas relaxaram as proibições deuteronômicas, e
legaram a posteridade aos eunucos na memória divina. O serviço de Neemias a seu povo e à sua nação - apesar dos
preconceitos e de sua condição de inferioridade social e religiosa - fez de fato uma diferença à acomodação - ainda
que não à afirmação - de uma minoria sexual denegrida.
Quando de sua chegada em Jerusalém, Neemias estudou secretamente a cidade à noite, formando um plano para a
sua restauração; o plano foi executado com tamanha habilidade e ímpeto que todas as suas muralhas teriam sido
finalizadas num período assombroso de cinquenta e dois dias.[6]

Reconstrução de Jerusalém
Neemias reconstruiu as muralhas da cidade desde a Porta das Ovelhas, a norte, passando pela Torre de Hananel, no
canto noroeste, a Porta dos Peixes, a oeste, a Torre das Fornalhas, no canto sudoeste do Monte do Templo, o Portão
do Estrume, no sul, até a Porta Leste e o portão além da Ponte Dourada, a leste. O arqueólogo israelense Eilat Mazar
e Ephraim Stern, coordenador do Conselho Arqueológico de Israel e professor emérito de arqueologia na
Universidade Hebraica, alegam que seções destes muros teriam sido descobertos - uma afirmação que é contestada
Neemias 155

por Israel Finkelstein, professor de arqueologia na Universidade de Tel Aviv.[7]


Neemias permaneceu na Judeia por treze anos atuando como governador, realizando diversas reformas, apesar da
oposição que encontrou (Ne, 13:11). Construiu o Estado seguindo o que vinha sendo feito, "implementando e
complementado a obra de Ezra", e fazendo todos os arranjos visando a segurança e o bom governo da cidade. Ao fim
deste período importante de sua vida pública, retornou à Pérsia a serviço de seu senhor real em Shushan ou Ecbátana.
Alguns estudiosos acreditam que teria sido nessa época que Malaquias teria surgido, em meio ao povo, com palavras
sisudas e solenes, de reprovação e alerta;[8] e quando Neemias novamente retornou da Pérsia, após uma ausência de
cerca de dois anos, sofreu profundamente com a degeneração moral que havia se instaurado enquanto estivera fora.
Empenhou-se com vigor para retificar os abusos flagrantes que haviam surgido, e restaurou a administração
ordenada dos cultos públicos e a observância externa da Lei de Moisés (Ne, 13:6-31).
Sobre sua história subsequente, pouco se sabe. Uma das especulações é de que teria permanecido em seu cargo de
governador até sua morte, por volta de 413 a.C., já com idade avançada. O local de sua morte e de seu enterro é
desconhecido.
Neemias foi o último dos governadores enviados pela corte persa à Judeia; logo depois a província foi anexada à
satrapia de Cele-Síria, e passou a ser governado por um sumo sacerdote (kohen gadol) indicado pelos sírios.[4]

Livro de Neemias
O Livro de Neemias põe o registro histórico da missão de Neemias num contexto teológico. Sob um ponto de vista
político, seus atos foram o resultado do desejo persa de aumentar a segurança do Levante, e ampliar o controle do
império sobre a região.[9]
A realidade do século V a.C. teria envolvido o prosseguimento de uma revolta egípcia,[10] em meio a uma crescente
presença militar grega. As preocupações de segurança do Império Persa exigiam algumas reformas estratégicas,
como a refortificação de Jerusalém e a categorização apropriada das pessoas que viviam no Levante; daí a
reconstrução das muralhas, e o banimento em casamentos interétnicos. (Esdras 10: 1-3, Ne. 13:23-25)
Alguns acadêmicos, no entanto, consideram que isto teria sido altamente improvável; como notaram Christian Hauer
e William Young, "Neemias, Ezra e profetas como Malaquias ficaram atônitos com os casamentos de israelitas com
mulheres estrangeiras. Os dois reformistas obrigaram os cidadãos de Jerusalém a se livrarem de suas esposas
estrangeiras, numa política que não envolvia questões raciais - já que as mulheres que incomodavam estes
reformistas eram apenas aquelas que voluntariamente permaneceram pagãs e, portanto, "estrangeiras". Mulheres que
se convertiam ao judaísmo não mais eram vistas como tal."[11]

Literatura rabínica
Neemias é identificado, em um hagadá, com Zerubabel, nome considerado como um epíteto de Neemias, e
indicativo de que ele teria nascido na Babilônia ("Zera' + Babel"; Sanh. 38a). Juntamente com Esdras ele marca a
primavera da história nacional do Judaísmo (Cant. R. ii. 12). Um certo mishná teria sido declarado pelas autoridades
rabínicas como originário da escola de Neemias (Shab. 123b). Ainda assim, Neemias recebe a culpa dos rabinos por
sua expressão aparentemente arrogante, "Lembra-te de mim para bem, ó meu Deus, e de tudo quanto fiz a este povo"
(Ne. 5:19), e pela maneira depreciativa com que se refere a seus predecessores (ib. 5:15), entre os quais estava
Daniel. Os rabinos acreditam que estas duas falhas são a razão pela qual este livro não foi mencionado por seu
próprio nome, e sim formam partes do Livro de Esdras (Sanh. 93b). De acordo com B. B. 15a, Neemias teria
terminado o Livro de Crônicas, escrito por Esdras.
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] Ackroyd, Peter R. (1968), Exile And Restoration, p. 141, SCM Press Ltd., Library of Congress Catalog card No. 68-27689
[4] Easton's Bible Dictionary, verbete "Nehemiah" (http:/ / www. sacred-texts. com/ bib/ ebd/ ebd269. htm)
Neemias 156

[5] Blenkinsopp, Joseph (1988), Ezra-Nehemiah, A Commentary, pp. 212-213, 140, The Westminster Press, ISBN 0-664-21294-8
[6] "Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco do mês de Elul, em cinqüenta e dois dias." (Ne, 6:15).
[7] Archaeologists May Have Found Biblical Wall (http:/ / www. foxnews. com/ story/ 0,2933,314361,00. html) - [[Fox News|FOXNews.com],
30 de novembro de 2007.
[8] "The Book of Malachi," (http:/ / www. ibs. org/ niv/ studybible/ malachi. php) Introduction to the Books of the Bible, da NIV Study Bible
(http:/ / www. ibsdirect. com/ pc-26-14-niv-hardcover-study-bible. aspx)
[9] Persia (http:/ / www. studylight. org/ dic/ hbd/ view. cgi?number=T4925), Holman Bible Dictionary (http:/ / www. studylight. org/ dic/ hbd/ )
[10] The Persians (http:/ / history-world. org/ persians. htm), International World History Project (http:/ / history-world. org/ )
[11] Hauer, Christian E., e William A. Young (2008), An Introduction to the Bible: A Journey into Three Worlds 7.ª ed., p. 201, Pearson/Prentice
Hall, ISBN 0-13-615530-8

Este artigo incorpora texto do Easton's Bible Dictionary, obra em domínio público, publicada originalmente em
1897.

Ligações externas
• Neemias (http://jewishencyclopedia.com/view.jsp?artid=169&letter=N&search=Nehemiah) - Jewish
Encyclopedia (em inglês)
• A muralha construída por Neemias (http://www.bib-arch.org/e-features/nehemiah.asp) - Biblical Archaeology
Review (em inglês)

Livro de Tobias
O livro de Tobias (grego: τωβιτ, hebreu:
‫ יבוט‬Tobih "meu Deus"), é uma narração
antiga de origem judaica, é um dos livros
deuterocanônicos do antigo testamento da
Bíblia católica e possui 14 capítulos.
O livro de Tobias foi considerado canônico
pelo Concílio de Cartago em 397 e
confirmado pela Igreja Católica Apostólica
Romana no Concílio de Trento em 1546.
Assim como os outros livros
deuterocanônicos, o livro de Tobias não foi
incluído na Bíblia Hebraica, ou Tanakh
como também é conhecida. Apesar de não
estarem na Bíblia Hebraica, tanto o livro de
Tobias, removendo as entranhas do peixe que o atacou, o seu cão e o anjo Rafael
Tobias quanto os outros livros
deuterocanônicos sempre fizeram parte da
literatura hebraica, sendo eles estudados nas sinagogas, tendo um estimado valor dentro do judaísmo e para a história
de Israel.

A Bíblia de Jerusalém relata que numa gruta em Qumrã (Manuscritos do Mar Morto) foram encontrados restos de
quatro manuscritos em aramaico e de um manuscritos em hebraico do Livro de Tobias, e que ele figura no Cânon, no
ocidente a partir do sínodo romano de 382, e no oriente a partir do Concílio de Constantinopla, denominado "in
Trullo", em 692[1] .
Por outro lado, nem a Bíblia Hebraica, nem a bíblia protestante não incluem o livro de Tobias e os outros livros
deuterocanônicos.
Livro de Tobias 157

Conteúdo
Há estudos que indicam que o Livro de Tobias foi escrito por volta do ano 200 AC e que não relata uma história real,
pois os acontecimentos aí descritos dificilmente se enquadram na história desse período. O livro pertence ao gênero
sapiencial e é uma espécie de romance ou novela, destinado a transmitir ensinamentos[2] .
O livro conta a história de duas família judaicas aparentadas deportadas em Nínive, na Mesopotâmia e em Ecbátana
na (Pérsia), Tobit chefe da família de Nínive fica cego e envia seu filho Tobias para cobrar uma dívida em uma
cidade distante, durante a viagem, protegido pelo Anjo Rafael, Tobias encontra e casa com Sara, sua prima em
Ecbátana, que era atormentada por um demônio que antes matara sete noivos na véspera do casamento. No retorno
Tobit é curado[3] .
O protagonista é um judeu justo e fiel a Deus, mostrando que a verdadeira sabedoria, o caminho para a fidelidade,
consiste em amar a Deus e obedecer à sua vontade (mandamentos), independentemente das circunstâncias[2] .
O livro foi escrito na época da dominação decorrente das conquistas de Alexandre que tentava impor a cultura, a
religião e costumes helenistas, ameaçando a identidade do povo judeu, logo o livro busca reafirmar esta identidade
ameaçada[2] .
Entre os ensinamentos do livro, destacam-se a descoberta da providência divina na vida cotidiana (Arcanjo Rafael), a
fidelidade à vontade de Deus (Lei), a prática da esmola, o amor aos pais, a oração e o jejum, a integridade do
matrimônio e o respeito pelos mortos. O autor mostra, sobretudo, que o homem justo não vive sozinho: está sempre
acompanhado e protegido por Deus[2] .

Ensinamentos
Dentre os ensinamentos destacam-se[4] :
• Os conselhos dados por Tobit a seu filho Tobias (4,21;14:8-11)
• A importância da família (1:8; 3:10.15; 4:3-4.19; 6:15; 14:3.8-9.12-13)
• As boas obras e a fidelidade a Deus (1:8.12.16-17; 2:2.10; 3,15; 4:5.7-11.16; 14:8-11)
• Justa retribuição (4,14; 5:3.7.10.15; 12:1)
• Sepultar os mortos (1:17-18; 2:3-8)
• Oração, nas mais diversas circunstâncias: (4,19; desespero 3:1-6.11-15; inquietude 8:5-8; alegria/gratidão
8:15-17, 14:3-7; louvor 3:2.11)
[1] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 661
[2] Tobias (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PCF. HTM) Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 28 de julho de 2010
[3] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, pp 1.581
[4] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., pp 1.582-1.583
Livro de Judite 158

Livro de Judite
Judite é um dos livros deuterocanônicos do antigo testamento da Bíblia católica[1] [2] . Possui 16 capítulos.
A Edição Pastoral da Bíblia sustenta que trata-se de uma história fictícia composta para encorajar o povo a resistir e
lutar, escrita provavelmente em meados do séc. II AC, durante a resistência dos Macabeus ou logo após. O livro
apresenta a situação difícil do povo, oprimido por uma grande potência. Por trás de Nabucodonosor e seu império,
podemos entrever a figura de qualquer dominador com seu sistema de opressão[3] .
Por outro lado, a Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que o livro teria sido escrito no final do século II AC, ou
mais tarde, e que se baseia em fatos reais que teriam ocorrido durante a Dominação Persa, trata-se de um Midrash,
no qual um núcleo que pode ser real é tratado com muita liberdade, amplificado por novos episódios fictícios,
fecundado por alusões a textos bíblicos. Sendo que no caso do Livro de Judite cogita-se que o autor teria se
inspirado: na astúcia de Tamar (Gn 38 [4]), no assassinato de Eglon [5] por Ehud [6] (Jz 3:12-30 [8]), e de Siserá [7] por
Iael [8] (Jz 4 [9]-Jz 5 [10]), no combate entre David e Golias (I Sm 17 [11]), na intervenção de Abigáil junto a David
(http://www.paulus.com.br/BP/_P7P.HTM I Sm 25), entre outros [12] .

Canonicidade
Numerosas citações atestam que havia um uso difundido do Livro de Judite entre os primeiros cristãos, que foi
incluído em uma lista de livros canônicos que é atribuída ao Papa Inocêncio I e data de 405. O Novo Testamento não
cita o Livro de Judite, mas há semelhanças de pensamento que indicam que o livro era conhecido pela primeira
geração de cristãos, tais como: Jt 1,11 [13] e Lc 20, 11 [14]; Jt 8,6 [15], Lc 2,37 [16] e I Tm 5,5 [17]; Jt 8,14 [15] e I Cor
2,11 [18]; Jt 8,25 [15] e Tg 1,2 [19]; Jt 13,18 [20] e Lc 1,42 [21]; Jt 13,19 [20] e Mt 26,13 [22][23] .

Conteúdo
O livro relata a história de uma piedosa viúva sai da cidade cercada e dirige-se ao acampamento do exército inimigo,
com sua beleza envolve o comandante Holofernes [24], que se embriaga durante um banquete e tem sua cabeça
cortada pela heroína desta história[25] .
Os três primeiros capítulos (Jt 1 [13]-Jt 3 [26] descrevem os mecanismos de dominação das grandes potências: aparato
militar, demonstração de força, intimidação, e também mostram como os pequenos países, intimidados, se submetem
a tais pressões. A prepotência se torna verdadeiro ídolo, que exige adoração[3] .
Nos 4 capítulos (Jt 4 [27] - Jt 7 [28]), é apresentado um país pequeno que, apesar de dominado, se prepara para reagir,
através de uma fé prática, e por outro lado, descreve a irritação do opressor, que não admite insubmissão e despreza
o Deus libertador presente na história. O oprimido se vê tentado a fazer as pazes e a se conformar com a
escravidão[3] .
Nos capítulos 8 [15] e 9 [29], a figura de Judite [30] sugere dois símbolos que se complementam: a mulher corajosa que
sai em defesa de seu povo oprimido e o próprio povo que renova sua força e fé, liderado por gente que enfrenta a
covardia das autoridades e sai à luta[3] .
Nos capítulos 10 [31] a 13 [20], a beleza e artimanhas de Judite [30] simbolizam a fé, que não dispensa os meios
políticos na luta para eliminar os mecanismos centrais de repressão (cabeça de Holofernes [24]). Diante de uma
primeira vitória, os outros (Aquior [32]) se unem porque começam a ter fé no Deus que liberta. Por fim, a vitória
comemorada reacende o ideal de liberdade e o prazer de louvar o Deus verdadeiro, que vence os ídolos opressores[3]
.
Diante da opressão, surge a questão do como proceder, havendo a alternativa de refugiar-se na fé, esperando que
Deus resolva a situação ou entrar no jogo da história, combatendo os poderosos com as mesmas armas. Cabendo
refletir até que ponto Deus está presente na passividade ou na atividade histórica do seu povo[3] .
Livro de Judite 159

Nesse contexto, o Livro de Judite indica que a fé autêntica é aquela que encarna a fidelidade a Deus e ao seu projeto
dentro da situação histórica concreta em que o povo está vivendo. Deus estará sempre aliado com aqueles que lutam
para conquistar a liberdade e a vida, procurando destruir toda e qualquer forma de escravidão e morte. Tal luta,
porém, não deve realizar-se de forma temerária. É preciso agir com discernimento, para realizar ação
verdadeiramente eficaz, coerente com a fé que leva para a vida[3] .
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] Judite (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PCU. HTM) Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 29 de julho de 2010
[4] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P19. HTM
[5] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ 8PJ. HTM
[6] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ 3B0. HTM
[7] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ 963. HTM
[8] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ 96F. HTM
[9] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P6D. HTM
[10] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P6E. HTM
[11] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P7H. HTM
[12] Tradução Ecumênica da Bíblia Ed. Loyola, São Paulo, 1994, pp 1.559-1.560
[13] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PCV. HTM
[14] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PX0. HTM
[15] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PD2. HTM
[16] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PWI. HTM
[17] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P110. HTM
[18] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PZ4. HTM
[19] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _P11S. HTM
[20] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PD7. HTM
[21] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PWH. HTM
[22] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PVW. HTM
[23] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 1.561
[24] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ DS1. HTM
[25] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., 1994, p 1.559
[26] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PCX. HTM
[27] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PCY. HTM
[28] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PD1. HTM
[29] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PD3. HTM
[30] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ 91. HTM
[31] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PD4. HTM
[32] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ DS2. HTM
Livro de Ester 160

Livro de Ester
O Livro de Ester é um dos livros históricos do antigo
testamento da Bíblia.[1] [2] Possui 10 capítulos (ou 16
na Vulgata que reuniu as adições ao texto em hebraico
encontrados na Septuaginta em seis capítulos ao final[3]
).
Conta como Ester [4], uma jovem judia entre os
deportados, se tornou a rainha da Pérsia e como seu
primo e tutor Mordekai/Mordoqueu descobriu um
complô contra a vida do rei; como o Grão-vizir Haman
[5]
(Amã) procurou liquidar os judeus; como Ester
interveio, arriscando a própria vida; como Haman foi
enforcado e os judeus autorizados a fazer um
Rolo de Ester, museu judaico em Göttingen, Alemanha
contra-Pogrom, cujo aniversário celebram com a festa
dos Purim[6] .

O título deriva do nome de seu principal personagem. Os judeus o chamam de Meghil-láth És-tér, ou simplesmente
de o Meghil-láh, que significa "rolo", "rolo escrito", porque constitui para eles um rolo muito estimado.
Uma forte evidência da autenticidade do livro é a Festividade de Purim, ou de Sortes, comemorada pelos judeus até
o dia de hoje; no seu aniversário, o livro inteiro é lido nas suas sinagogas. Diz-se que uma inscrição cuneiforme,
evidentemente de Borsipa, menciona um oficial persa de nome Mardukâ (Mordecai?), que estava em Susa (Susã) no
fim do reinado de Dario I ou no começo do reinado de Xerxes I. — Zeitschrift für die alttestamentliche Wissenschaft
(Revista de Ciência do Velho Testamento), 1940/41, Vol. 58, pp. 243, 244; 1942/43, Vol. 59, p. 219.
O Livro de Ester está de pleno acordo com o restante das Escrituras e complementa os relatos de Esdras e de
Neemias por contar o que aconteceu com o exilado povo de Deus na Pérsia.

Autoria e data
O autor do Livro de Ester é desconhecido. Pelas pistas deixadas no livro, podemos deduzir que se trata de um judeu
persa, possivelmente residente na cidade de Susa. Também se lê neste livro o seu nacionalismo intenso e
preocupação com a festa do Purim, acredita-se que seja Mordecai ou Esdras.
Os estudiosos situam a composição deste livro algures entre os séculos IV e I a.C.. A maioria dos teólogos prefere
uma data no final do século V ou no século IV devido a determinadas características da linguagem utilizada e à
atitude favorável em relação ao rei persa, as adições em grego (consideradas deuterocanônicas) surgiram em meados
do séc. II AC[7] .
Por outro lado, a Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que a versão em hebraico foi escrita no final do Séc. II AC,
por um autor que vivia na Mesopotâmia, e que haveria adições já no texto em hebraico (Est 9:20 [8]-Est 10:3 [9])[6] .
Livro de Ester 161

Objetivo do Livro
O objetivo central do Livro de Ester é justificar a observância da festa do Purim. Isto era muito importante já que se
trata de uma festividade que não fazia parte das ordenanças mosaicas (do Pentateuco, livros de Moisés). Conta a
história de como, pela Providência, o povo foi salvo dos intentos destrutivos dos seus inimigos.
O Purim é uma festa anual judaica e o seu nome deriva de Pur. A festa enquadra-se dentro do conjunto de práticas
judaicas de jejum e lamentação. É celebrada nos 14º e 15º dias do mês de Adar (geralmente em Março).
A Edição Pastoral da Bíblia sustenta que não se trata de uma narrativa histórica propriamente dita, sendo uma
espécie de conto que analisa a situação da comunidade judaica espalhada entre as nações estrangeiras[7] .
A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que a rainha da época se chamava Amestris e que nunca houve o
anti-Pogrom narrado no livro[6] .
A Bíblia de Jerusalém sustenta o decreto de extermínio dos judeus não seria compatível com a política tolerante do
Império Aquemênida, e que seria ainda menos verossímil a autorização para o massacre de seus próprios súditos e
que setenta e cinco mil persas tenham se deixado matar sem resistência, além disso se Mardoqueu fora deportado no
tempo de [[Nabucodonosor] (Est 2,6 [10]), teriam mais o menos 150 anos no reinado de Assuero (transcrição
hebraica de Xerxes), e também que Xerxes seria casado com Amestris[11] .
O livro reflete um contexto histórico em que era necessário criar condições de sobrevivência e espaços no sistema
vigente, já que as circunstâncias históricas não permitiam transformações mais profundas. Neste livro, não se pensa
em tomar, mas apenas influenciar o poder, desmascarando o abuso dos privilegiados, reformulando em favor do
povo a legislação, e valorizando as celebrações populares[7] .
Ester nos ajuda a pensar numa política que une transformações locais e nacionalistas a uma política global e mundial,
na qual a luta pela justiça ganhe espaços e os oprimidos da terra recuperem a esperança de viver. É assim que se
torna possível, pouco a pouco, uma sociedade alternativa, na qual reinem a justiça, a liberdade e a partilha[7] .

Versões do Livro
Como dito, o livro tem duas versões: Uma menor (com 167 versículos[6] ), usada nas bíblias hebraicas e outra, bem
mais extensa (com 260 versículos[6] ), que era usada pelos judeus gregos (Septuaginta).
As Adições do em Ester buscam dar maior religiosidade ao escrito, que encontrava dificuldades de canonização[6] ,
esta versão maior contém orações de Mordecai e Ester, além de um sonho de Mordecai, onde previa tudo o que iria
acontecer, e mais os decretos lançados pelo rei Assuero (tanto o da morte dos judeus quanto o da morte dos que
intentavam contra estes). Contém também os detalhes do encontro de Ester com Assuero, no capítulo 5 e um epílogo,
relacionando o sonho de Mardoqueu a tudo o que tinha acontecido.
A versão menor é usada hoje em dia pelos judeus, pelos protestantes e pelas denominações cristãs de cunho
pentecostal. A versão maior é usada pelos católicos e ortodoxos.
Naquela época, Hamã, funcionário da corte, vira um homem de confiança de Assuero. Entretanto, ao recusar-se a
prestar-lhe as honras que o rei havia decretado que lhe pertenciam, Mordecai ganha o ódio de Hamã que, daí em
diante, decide destruir Mordecai e todo o seu povo. É neste contexto que Hamã consulta o Pur para decidir qual seria
a melhor data para o extermínio dos judeus. Logo depois, Hamã vai até a presença do rei para convencê-lo do
massacre, usando o falso argumento de que os judeus eram um grande povo que não respeitava os decretos do rei. O
rei, então, é enganado, e lança o decreto (cujo texto só é encontrado na versão grega) para o extermínio dos judeus,
que cairia no dia 13 de Adar, o duodécimo e último mês do calendário hebraico. É a partir daqui que se cria uma
grande tensão.
Ester e Mordecai então começam a ficar desesperados, e fazem duas belíssimas orações a Deus, implorando pela
vida do povo santo exilado (estas orações só se encontram na versão grega). Então, a rainha Ester, atendendo ao
pedido de Mordecai, inicia a sua intervenção junto do rei onde pede pela sua vida e pela do seu povo, denunciando
Livro de Ester 162

Hamã como o terrível inimigo. Num ato de desespero e durante a breve ausência de Assuero que se retirara por
instantes, Hamã pede perdão a Ester e cai sobre ela no divã onde se esta se encontrava. Assuero, que entra nesse
momento, imaginando que se tratava de uma tentativa de assédio, manda enforcar Hamã na forca que este preparara
para Mordecai.
Um dado importante: as leis decretadas e seladas com o selo do rei não podiam ser revogadas. Por isso, Assuero dá a
Mordecai e Ester liberdade para decretarem e selarem com o seu selo e em seu nome, uma lei que se possa opôr à
primeira. Assim, é editada uma lei que indicava que todos os judeus do império deviam-se juntar no dia 13 de Adar
(o mesmo dia em que estava decretado o extermínio dos judeus), e assim matar todos os que intentassem contra as
suas vidas e as suas posses. A pedido de Ester, foi concedido mais um dia para que os judeus perseguissem e
matassem os seus inimigos. Assim, nos dias 13 e 14 do mês de Adar, foram mortos, só em Susa, 800 homens e
enforcados os dez filhos de Hamã. Nas províncias restantes, o número de mortos chegou aos 75.000. No dia
seguinte, este acontecimento foi celebrado com banquetes.

Polêmica Sobre Canonicidade do Livro


A inclusão de Ester no Cânon bíblico é polêmica, dividindo muitos teólogos, tanto cristãos como judeus, devido a
estar ausente de algumas das mais antigas listas dos livros canônicos, por nunca ser mencionado nos livros do Novo
Testamento, por não possuir referências claras a Deus e a práticas religiosas, pelo seu excessivo nacionalismo
judaico e espírito de vingança.
Nem Esdras, nem Neemias nem o Sirácida mencionam esta história[6] , em Qumran (Manuscritos do Mar Morto) não
foram encontrados fragmentos deste livro, enquanto que foram encontrados manuscritos de todos os demais livros da
Septuaginta, inclusive de todos os deuterocanônicos[12] [6] .
A favor de sua canonicidade, verifica-se que II Macabeus 15,36 [13] se refere ao Dia de Mardoqueu [14][6] e existem
os argumentos de que Ester dá testemunho da invisível Providência em favor do Seu povo, assim como da situação
particular vivida no contexto do livro (os judeus encontravam-se sob uma ameaça de extermínio e, de acordo com o
relato, muitos inimigos estavam preparados para os matar e saquear).
Uma versão mais extensa deste livro foi descoberta e adotada pelos judeus gregos, que a incluíram em sua
Septuaginta. Passagens como uma profecia de Mordecai e orações, tanto de Mordecai como de Ester pelo livramento
do povo amenizaram a polêmica em cima do livro. Esta versão também é usada atualmente na Igreja Católica.
Entretanto, com a Reforma Protestante, as denominações cristãs que surgiram dessa divisão escolheram a versão
primitiva para integrar as suas Bíblias.
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[3] Tradução Ecumênica da Bíblia Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 1.539
[4] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ 93. HTM
[5] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ E32. HTM
[6] Tradução Ecumênica da Bíblia cit., p 1.343
[7] Ester (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PDB. HTM), Edição Pastoral da Bíblia, acessado de 01 de agosto de 2010
[8] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PDK. HTM
[9] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PDL. HTM
[10] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PDD. HTM
[11] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 662
[12] Os Essênios (http:/ / www. airtonjo. com/ historia38. htm), acessado em 01 de agosto de 2010
[13] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PEI. HTM
[14] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ CY8. HTM
Livro de Ester 163

Ver também
Eva, Sara, Rebeca, Lia, Bila, Raquel, Miriã, Débora, Rute, Ana, Abisag, Judite, Ester, Abigail (Bíblia), Agar,
Bate-Seba, Diná, Lea, Mical, Tamar, Zípora, Azenate, Zilpa, Joquebede, Helá, Naará, Ainoã, Maaca, Zeruia, Eglá,
Quézia, Ada, Besemate.

I Macabeus
I Macabeus é um dos livros deuterocanônicos do antigo testamento da Bíblia católica.[1] [2] Possui 16 capítulos.
Os dois livros dos Macabeus são assim denominados por causa do apelido do mais ilustre filho de Matatias, Judas
chamado o Macabeu (I Mc 2,4 [3])[4] ("Martelo").
Tais livros não constam na Bíblia Hebraica e são considerados apócrifos pelos judeus e pelas Igrejas protestantes. Na
Igreja Católica, porém, foram incluídos nas listas dos sete livros deuterocanônicos.
Ambos os livros foram transmitidos em grego, mas o Primeiro Livro dos Macabeus teria sido originalmente escrito
em hebraico por no início do séc. I AC, mas o original se perdeu[4] . Tal datação tem como base as últimas linhas do
livro (I Mc 16:23-24 [5]), que indicariam que o livro não foi escrito antes do final do reinado de João Hicarno, mas
provavelmente pouco depois de sua morte, por volta de 100 AC[6] .
O tema geral dos dois livros é o mesmo: descrevem as lutas dos judeus, liderados por Matatias e seus filhos, contra
os reis sírios (selêucidas) e seus aliados judeus, pela libertação religiosa e política da nação, opondo-se aos valores
do helenismo.
O Primeiro Livro dos Macabeus ocupa-se de um período mais amplo da guerra de libertação do que o Segundo Livro
dos Macabeus. Começa com a perseguição de Antíoco Epífanes (175 a.C.) e vai até a morte de Simão (134 a.C.), o
último dos filhos de Matatias.
Depois de uma breve introdução sobre os governos de Alexandre Magno e seus sucessores (1,1-9), o autor passa a
mostrar como Antíoco Epífanes tenta introduzir à força os costumes gregos na Judéia (1,10-63). Descreve a revolta
de Matatias (2,1-70), cuja bandeira da libertação passa primeiro a Judas Macabeu (3,1-9,22), depois a seu irmão
Jônatas (9,23-12,53) e por fim a Simão (13,1-16,24).
Graças a estes três líderes, a liberdade religiosa é recuperada, o país torna-se independente por um breve período e o
povo torna a gozar de paz e tranqüilidade.
Embora não faça parte da Bíblia Hebraica, os dois livros são muito estimados dentro do judaísmo e de grande valor
para a história dos israelitas, além de serem utilizados como fontes de consulta pelos teólogos protestantes, sendo
considerado uma prova do cumprimento das profecias do livro de Daniel.
O livro identifica religião e patriotismo, descrevendo a revolta como verdadeira guerra santa, abençoada pelo próprio
Deus, que não abandona os que lutam para ser fiéis a ele (2,61 [3]; 4,10 [7]). É um convite para encarnar a fé em ação
política e revolucionária. Ao invés de ser concebida como refúgio seguro fora do mundo, a fé se torna fermento
libertador, que provoca transformações dentro da história e da sociedade. Sobretudo, mostra que um povo, por mais
fraco que pareça, jamais deve se conformar diante da prepotência dos poderosos[4] .
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PDO. HTM
[4] Primeiro Livro dos Macabeus (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PDM. HTM), Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 01 de agosto de
2010
[5] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PE2. HTM
[6] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 716
[7] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PDQ. HTM
I Macabeus 164

Ver também
• Profecia da estátua de Nabucodonosor
• Profecia dos quatro animais
• Profecia das 70 semanas

II Macabeus
II Macabeus é um dos livros deuterocanônicos do antigo testamento da Bíblia.[1] [2] Possui 15 capítulos.
O Segundo livro dos Macabeus não é a continuação do primeiro.
É em parte paralelo a ele, iniciando a narração dos acontecimentos um pouco antes, no fim do reinado de Seleuco IV,
predecessor de Antíoco IV Epifânio, mas acompanhando-os apenas até a derrota de Nicanor, antes da morte de Judas
Macabeu. Isto não representa mais do que quinze anos e corresponde somente ao conteúdo dos capítulos I a VII do
primeiro livro[3] .

Estilo
O gênero literário é diferente e o livro foi escrito originalmente em grego, apresentando-se como um resumo da obra
de Jasão de Cirene (II Mc II, 23) e se inicia com duas cartas dos judeus de Jerusalém (II Mc I, 2-18). O estilo é de
escritor helenístico e de historiador medíocre, embora seus conhecimentos das instituições gregas e das personagens
da época sejam superiores ao do autor de I Mc[3] .
O autor escreveu para os judeus de Alexandria e seu desígnio é despertar o sentimento de comunhão deles com os
irmãos da Palestina e o interesse pela sorte do Templo[3] .
As duas cartas no começo do livro são convites dirigidos pelos judeus de Jerusalém a seus irmãos do Egito para
celebrar com eles a festa da purificação do Templo, a Dedicação[3] .
O valor histórico do livro não deve ser subestimado. É verdade que o compendiador incorporou as narrativas
apócrifas contidas nas cartas I, 1-2 e II, 1-18 e reproduziu as histórias fantasiosas de Heliodoro, do martírio de
Eleazar e do martírio dos sete irmãos que encontrou em Jasão, mas a concordância geral com I Mc assegura a
historicidade dos fatos relatados por duas fontes independentes[3] .

Objetivo
O objetivo do autor é reapresentar parte dos fatos narrados em I Macabeus, sob uma nova perspectiva, para mostrar
que a luta em defesa do povo se enraíza na atitude de fé, que confia plenamente no auxílio de Deus. Desse modo, a
resistência contra o opressor implica fé e ação, mística e prática ou, na visão do autor, lutar com as mãos e rezar com
o coração. Trata-se, portanto, de releitura por dentro do movimento revolucionário, cuja eficácia repousa na força de
Deus, presente na ação do povo. Nessa perspectiva de fé, nem mesmo a morte se apresenta como obstáculo ou sinal
de derrota. Pelo contrário, o testemunho dos mártires, coroado pela fé na ressurreição, mostra que não há limites para
a resistência, pois Deus gera a vida onde os opressores produzem a morte. Confiando nesse Deus, o povo nada mais
tem a temer, pois em qualquer circunstância tem certeza da vitória[4] .
II Macabeus 165

Importância Teológica
O livro é importante pelas afirmações que contém sobre a ressurreição dos mortos (7,9 [5];14,46 [6]), as sanções de
além-túmulo (6,26 [7]), o mérito dos mártires (6,18 [7]-7,41 [5]), a intercessão dos dos santos (15,12-16 [13]))[3] a
prece pelos defuntos (II Mc XII, 45), (embora o texto como temos hoje seja uma harmonização, pois no manuscrito
mais antigo em latim a Vetus Latina lê-se: "porque ele esperava que os que haviam tombado ressuscitariam (é
supérfluo e vão orar pelos mortos), considerando que uma belíssima recompensa está reservada para os que
adormeceram na piedade (santo e salutar pensamento)", o mérito dos mártires e a intercessão dos santos. Estes
ensinamentos, referentes a pontos que os outros escritos do Antigo Testamento deixavam incertos, explicam sua
aceitação pela a Igreja Católica[3] .
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[3] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 717
[4] Segundo Livro dos Macabeus (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PE3. HTM), Edição Pastoral da Bíblia
[5] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PEA. HTM
[6] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PEH. HTM
[7] http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PE9. HTM

Livros poéticos e sapienciais do Antigo


Testamento
Os Livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento são: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos
Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico. Foram escritos, em sua maioria, em linguagem poética, fazendo uso de
metáforas, e têm um caráter de ensinamento sobre a Sabedoria. Eclesiástico e Sabedoria, são deuterocanônicos, e por
isso não constam na Bíblia Protestante, embora estejam presentes na Bíblia Católica. Esses livros apresentam a
sabedoria e a espiritualidade de Israel[1] .
Em Israel, a sabedoria não é a cultura conseguida graças à acumulação de conhecimentos, mas o bom senso e o
discernimento das situações, adquiridos através da meditação e reflexão sobre a experiência concreta da vida.
Trata-se de algo que se aprende na prática e que leva à arte de viver bem. Assim, nos livros sapienciais encontramos
reflexões que brotam dos muitos problemas que povoam o dia-a-dia da vida de qualquer pessoa que busca o caminho
da realização e felicidade[1] .
A sabedoria de cunho mais popular que encontramos no livro dos Provérbios e no Eclesiástico apresenta-se em
forma de coleção de frases curtas, sentenças que ajudam a compreender e a encontrar uma saída nas diversas
situações enfrentadas pelo homem comum. Já os livros de Jó, Eclesiastes e Sabedoria são estudos sobre problemas
mais profundos e globais, como o sentido da vida, a morte, a justiça, a vida social, o mal, a natureza da sabedoria etc.
O Cântico dos Cânticos trata da experiência mais fundamental da vida: o amor humano, símbolo do amor de Deus
para com o seu povo[1] .
A espiritualidade de Israel é apresentada no livro dos Salmos, uma coleção de 150 orações que refletem as mais
diversas situações da vida do indivíduo e do povo. São verdadeiros modelos para aprendermos a fazer a nossa
oração[1] .
Os livros sapienciais mostram que a experiência comum do povo também é lugar da manifestação de Deus e da
revelação do seu projeto: Deus fala através da experiência do povo. Estes livros, portanto, trazem o convite para
também hoje darmos atenção a nossa vida cotidiana, a fim de aprendermos a articular nossa experiência da vida e da
história[1] .
Livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento 166

Ver também
• Bíblia
• Antigo Testamento
[1] Livros Sapienciais (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PEJ. HTM), Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 07 de agosto de 2010

Livro de Jó
O Livro de Jó ou Job é um dos livros sapienciais do Antigo Testamento e da Tanakh. É considerado a obra prima da
literatura do movimento de Sabedoria. Também é considerada uma das mais belas histórias de prova e fé.
As inúmeras exegeses presentes neste livro são tentativas clássicas para conciliar a coexistência do mal e de Deus
(teodicéia). A época em que se desenrolam os fatos, ou quando este livro foi redigido, é controverso. Existe uma
famosa discussão no Talmud a este respeito.
A autoria de Jó é incerta. Alguns eruditos atribuem o livro a Moisés. Outros atribuem a um dos antigos sábios, cujos
escrito podem se encontrados em Provérbios ou Eclesiastes. Talvez o próprio Salomão tenha sido seu autor. O livro
de Jó também é considerado o livro mais antigo da Bíblia, mais até que o livro de Gênesis.
Por outro lado, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que o livro provavelmente foi redigido, em sua maior parte,
durante o exílio, no século VI AC[1] .
A Bíblia de Jerusalém sustenta que o livro é posterior a Jeremias e Ezequiel, ou seja, escrito em uma época posterior
ao Exílio na Babilônia, considerando provável sua composição no início do séc. V AC[2] .
A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que a obra foi composta em várias etapas[3] :
• O prólogo (1:1-2:13) e o epílogo (42:7-17), seriam um conto folclórico que originalmente narrava a paciência
exemplar de um homem da terra de Us (talvez em Edom, a sudeste do Mar Morto). Este conto circulava entre os
sábios do Oriente Médio de formal oral desde o fim do Segundo Milênio AC, e foi recontado em hebraico na
época de Samuel, David e Salomão (sécs. XI e X AC).
• Servindo-se da bem conhecida história do infeliz Jó (Ez 14:14.20), um poeta da segunda geração do Exílio na
Babilônia (aprox. 575 AC) compôs o poema (3:1-31:40; 38:1-42:6).
• Os discursos de Elihu (32:1-37:24), que tratam do valor educador do sofrimento, seria uma adição posterior de
outro autor.
• Muitos pensam que o Elogio da Sabedoria (28:1-28) seria uma adição posterior.

Temática
O tema central do livro de Jó não é o problema do mal, nem o sofrimento do justo e inocente, e muito menos o da
"paciência de Jó", mas a natureza da relação entre o homem e Deus, em oposição à teologia da retribuição[1] .
Como Jó, na época do Exílio na Babilônia, o povo de Judá tinha perdido tudo: família, propriedades, instituições e a
própria liberdade, o que exigia uma revisão da teologia da retribuição[1] .
Para conseguir sua intenção, o autor usa uma antiga lenda sobre a retribuição (1,1-2,13; 42,7-17), omitindo o final
(42,7-17) e substituindo-o por uma série de debates que mostram o absurdo da teologia da retribuição, incapaz de
atender à nova situação (3,1-42,6)[1] .
Aspecto importante do livro é que Jó faz a sua experiência de Deus na pobreza e marginalização. A confissão final
de Jó - "Eu te conhecia só de ouvir. Agora, porém, meus olhos te vêem" (42,5) - é o ponto de chegada de todo o
livro, transformando a vida do pobre em lugar da manifestação e experiência de Deus. A partir disso, podemos dizer
que o livro de Jó é a proclamação de que somente o pobre é apto para fazer tal experiência e, por isso, é capaz de
anunciar a presença e ação de Deus dentro da história[1] .
Livro de Jó 167

O livro é um convite para nos libertar da prisão das idéias feitas e continuamente repetidas, a fim de entrar na trama
da vida e da história, onde Deus se manifesta ao pobre e se dispõe a caminhar com ele para construir um mundo
novo. Tal solidariedade de Deus se transforma em desafio: abandonar nossas tradições teológicas para nos
solidarizar com o pobre e fazer com ele a experiência de Deus[1] .
[1] Jó (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PEK. HTM), Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 07 de agosto de 2010
[2] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 801
[3] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, pp 1.165-1.166

Ligações externas
• Liber Iob - Livro de Jó (Nova Vulgata) (http://www.vatican.va/archive/bible/nova_vulgata/documents/
nova-vulgata_vt_iob_lt.html) (em latim)

Livro de Salmos
Salmos ou Tehilim( do hebraico ‫םיליהת‬, Louvores) é um livro do Tanakh (fazendo parte dos escritos ou Ketuvim) e
da Bíblia Cristã.[1] [2] Constitui-se de 150 (ou 151 segundo a Igreja Ortodoxa) cânticos e poemas que são o coração
do Antigo Testamento, é a grande síntese que reúne todos os temas e estilos dessa parte da Bíblia[3] , utilizados pelo
antigo Israel como hinário no Templo de Jerusalém, e hoje são utilizados como orações ou louvores, no Judaísmo, no
Cristianismo e também no Islamismo (o Corão refere os salmos como "um bálsamo"). Tal fato, comum aos três
monoteísmos semitas, não tem paralelo, dado que judeus, cristãos e muçulmanos acreditam nos Salmos.

Origens
A autoria da maioria dos salmos é atribuída ao rei Davi, o qual teria escrito pelo menos 73 poemas. Asafe é
considerado o autor de 12 salmos. Os filhos de Corá escreveram uns nove e o rei Salomão ao menos dois. Hemã,
com os filhos de Corá, bem como Etã e Moisés, escreveram no mínimo um cada. Todavia, 51 salmos seriam tidos de
autoria anônima.
O período em que os salmos foram compostos varia muito, representando um lapso temporal de aproximadamente
um milênio, desde a data aproximada de 1440 a.C., quando houve o êxodo dos Israelitas do Egito até o cativeiro
babilônico, sendo que muitas vezes esses poemas permitem traçar um paralelo com os acontecimentos históricos,
principalmente com a vida de Davi, quando, por exemplo, havia fugido da perseguição promovida pelo rei Saul ou
quanto ao arrependimento pelo seu pecado com Bate-Seba.
Poemas de louvor, os salmos foram inicialmente transmitidos através da tradição oral e a fixação por escrito teve
lugar sobretudo através do movimento de recolha das tradições israelitas, iniciado no exílio babilônico pelo profeta
Ezequiel (séculos VII-VI a.C.). Como tal, muitos destes textos serão muito anteriores, sendo bastante difícil a sua
crítica do ponto de vista literário estrito. Ainda assim, tendo em conta a comparação com a literatura poética coeva
do Egito, da Assíria e da Babilônia, pode-se afirmar que estes poemas de Israel são um dos expoentes da poesia
universal.
Os salmos, em termos de conteúdo, possuem estrutura coerente, o que também pode ser observado em passagens do
Antigo Testamento e em obras literárias do Oriente Médio da Antiguidade.[4]
Tal como em outras tradições culturais, também a poesia hebraica andava estreitamente associada à música. Assim,
embora não seja de se excluir para os salmos a possível recitação em forma de leitura, "todavia, dado o seu gênero
literário, com razão são designados em hebraico pelo termo Tehillim, isto é, «cânticos de louvor», e, em grego
psalmói, ou seja, «cânticos acompanhados ao som do saltério», ou ainda: oração cantada e acompanhada com
instrumentos musicais[3] .
Livro de Salmos 168

De fato, todos os salmos possuem um certo caráter musical, que determina o modo como devem ser executados. E
assim, mesmo quando o salmo é recitado sem canto, ou até individualmente ou em silêncio, a sua recitação terá de
conservar este caráter musical[5]
Os salmos acabaram por constituir um hinário litúrgico para uso no templo de Jerusalém, do qual transitaram quer
para a sinagoga judaica, quer para as liturgias cristãs.
Na Igreja Católica, os 150 salmos formam o núcleo da oração cotidiana: a chamada Liturgia das Horas, também
conhecida por Ofício Divino e cuja organização remonta a São Bento de Núrsia. A oração conhecida por rosário,
com as suas 150 Ave Marias, formou-se por analogia com os 150 salmos do Ofício.
Os salmos são também poesia, que é a forma mais apropriada para expressar os sentimentos diante da realidade da
vida permeada pelo mistério de Deus, o aliado que se compromete com o homem para com ele construir a história. É
Deus participando da luta pela vida e liberdade. Dessa forma, os salmos convidam para que também nós nos
voltemos com atenção para a vida e a história. Nelas descobrimos o Deus sempre presente e disposto a se aliar, para
caminhar na luta pela construção do mundo novo[3] .
Os salmos supõem o contexto maior de uma fé que nasce da história e constrói história. Seu ponto de partida é o
Deus libertador que ouve o clamor do povo e se torna presente, dando eficácia à sua luta pela liberdade e vida (Ex
3,7-8). Por isso, os salmos são as orações que manifestam a fé que os pobres e oprimidos têm no Deus aliado. Como
esse Deus não aprova a situação dos desfavorecidos, o povo tem a ousadia de reivindicar seus direitos, denunciar a
injustiça, resistir aos poderosos e até mesmo questionar o próprio Deus. São orações que nos conscientizam e
engajam na luta dentro dos conflitos, sem dar espaço para o pieguismo, o individualismo ou a alienação[3] .
O livro dos Salmos é um dos mais citados pelos escritores do Novo Testamento. O próprio Jesus rezava os salmos, e
sua vida e ação trouxeram significado pleno para o sentido que essas orações já possuíam. Depois dele, os salmos se
tornaram a oração do novo povo de Deus, comprometido com Jesus Cristo para a transformação do mundo, em vista
da construção do Reino[3] .
Vários salmos são considerados pelos teólogos como proféticos ou messiânicos, pois referem-se à vinda do Cristo e,
por isso, existem muitas citações de versos dos salmistas no Novo Testamento com o propósito de provar o
cumprimento das profecias na pessoa de Jesus.[6]
O Salmo 150 constituiria uma doxologia, ou arremate de louvor do livro. [7]

Variações entre as traduções


O livro dos Salmos chegou até nós em suas versões grega (Septuaginta) e hebraica. A versão grega deste livro, como
de toda a bíblia, foi utilizada pelos cristãos convertidos e por São Jerônimo na confecção de sua edição "Vulgata",
tradução latina dos livros inspirados. Na Reforma Protestante é que se buscou os manuscritos originais hebraicos
para fazer novas traduções e foi constatada a diferença que havia entre as duas traduções: as versões, apesar de terem
o texto completo, diferem na numeração de capítulos e versículos.
Versículos
A versão grega costuma apresentar, na maioria dos salmos, um versículo de introdução, em que são atribuídas
autorias e apontados instrumentos que deveriam ser utilizados ao se cantar os textos. Este versículo faz com que a
versão hebraica tenha, nesses casos, um versículo a menos, uma vez que essas informações não são consideradas
inspiradas por essa versão.
Capítulos
Em suma, pode-se dizer que entre os Salmos 10 e 148, a numeração da Bíblia Hebraica está uma unidade à frente da
numeração seguida na Septuaginta e na Vulgata, que juntam: os Salmos 9 e 10 no Salmo 9 (da Septuaginta/Vulgata),
e, os Salmos 114 e 115 no Salmo 113 (da Septuaginta/Vulgata); e dividem: o Salmo 116 nos Salmos 114 e 115 (da
Septuaginta/Vulgata), e, o o Salmo 147 nos Salmos 146 e 147 (da Septuaginta/Vulgata)[8] .
Livro de Salmos 169

Veja a tabela abaixo:

1a8 1a8

9-10 9

11 a 113 10 a 112

114-115 113

116 114-115

117 a 146 116 a 145

147 146-147

148 a 150 148 a 150

Aplicação
No Judaísmo e no Protestantismo, a numeração usada sempre foi a hebraica.
A Igreja Católica, considerando oficial a tradução da "Vulgata", por muito tempo usou a numeração grega em suas
bíblias. Porém, estudiosos consideram essa numeração errada, uma vez que certos salmos, que parecem ser um só,
estão separados, enquanto outros, de assuntos bem diferentes, estão juntos. Vendo que a Vulgata era falha ao se
basear somente num texto (Septuaginta), e no ínterim de novas descobertas das Escrituras (Manuscritos do Mar
Morto), a Igreja permitiu a tradução das Escrituras diretamente dos originais (Constituição Dogmática Dei Verbum)
e promoveu uma nova tradução e revisão da Bíblia (Neovulgata), que, desta vez, trouxe a numeração dos salmos a
partir da versão hebraica, mas não resolveu a questão dos versículos introdutórios. A despeito desta nova tradução
católica, é possível encontrar bíblias católicas que ainda se baseiam na Vulgata, por seu tradicionalismo, como é o
caso da bíblia da Editora Ave Maria.

Salmos Proféticos
Alguns salmos são considerados proféticos ou messiânicos pela Teologia cristã, pois apontam para a vinda do
Messias, sendo com freqüência citados no Novo Testamento da Bíblia com o objetivo de identificar Jesus Cristo
como o cumpridor da promessa.
No Salmo 2, que fala do reinado do Ungido de Deus, verificam-se algumas citações no livro de Atos e na Epístola
aos Hebreus.
Já o Salmo 8 que fala da glória divina e da dignidade do Filho do Homem é citado no Evangelho de Mateus, bem
como em algumas epístolas de Paulo.
Por sua vez, o Salmo 16 é uma referência à ressurreição de Cristo em seu verso 10, quando Davi assim profetiza:
"Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção."
Por sua vez, o Salmo 22 fala do sofrimento e da vitória do Messias que se entende cumprido na crucificação de
Jesus, principalmente devido aos versos 7 e 18 que, respectivamente, coincidem com a zombaria experimentada
durante o martírio e a repartição das vestes pelos soldados.
Todos esses salmos foram proferidos pelo rei Davi, que teria governado Israel um milênio antes do ministério de
Jesus.
Importante destacar que tais salmos referem-se à numeração da Bíblia protestante, o que deve ser observado pelo
leitor ao consultar a Bíblia católica, cujo conteúdo é o mesmo.
Livro de Salmos 170

Os Salmos e a história de Davi


Vários salmos relacionam-se com os acontecimentos que marcaram a vida do rei Davi.
O Salmo 59 tem a ver com a ocasião em que Saul teria enviado homens à casa de Davi para prendê-lo. Já os Salmos
34 e 56 referem-se à sua fuga de Saul. Por sua vez, o Salmo 142 foi composto quando DDavi encontrava-se
escondido na caverna de Adulão, na região do mar Morto.
Ao terminar a perseguição de Saul, Davi compõe o Salmo 18, ressaltando a fidelidade de Deus.
Quando é confrontado pelo profeta Natã sobre o seu adultério com Bate-Seba e a morte de Urias, Davi compõe o
Salmo 51, demonstrando o seu verdadeiro arrependimento.
Novamente ao ser perseguido, agora por seu filho Absalão, Davi ainda escreve os Salmos 3 e 7, o que revela sua
confiança no livramento de Deus.
Além destes citados acima, outros Salmos que se relacionam com passagens da vida de Davi seriam o 52 (depois que
Doengue assassinou os 85 sacerdotes e suas famílias), o 54 (quando os zifeus tentaram traí-lo), o 57 (enquanto se
escondia em uma caverna) e o 63 (enquanto escondia-se no deserto de En-Gedi).
Importante alertar novamente que tais Salmos referem-se à numeração da Bíblia protestante, o que deve ser
observado pelo leitor ao consultar a Bíblia católica, cujo conteúdo permanece o mesmo.

O tratamento musical dos Salmos na liturgia cristã


A história do canto do salmo na liturgia cristã corre paralela à história da liturgia, da música e das Igrejas cristãs.
Após o desenvolvimento do salmo responsorial no século IV, a função do salmista acaba por se transformar num
ministério próprio, mais tarde incluído até no clero local. No entanto, este ministério acaba por cair em desuso com a
especialização crescente dos cantores e com a instituição das scholae, ao mesmo tempo que a participação do povo
se reduz.
Na missa, o salmo vê-se limitado a um único versículo, nas versões extraordinariamente elaboradas do gradual
gregoriano, assim chamado por ser cantado dos degraus do altar. No Ofício Divino, o canto dos salmos recebe
também o desvelo de gerações de compositores, que expressamente compõem algumas das obras-primas da música
ocidental, em particular para o solene canto de Vésperas, como, por exemplo, Vespro della Beata Vergine Maria, de
1610, de Claudio Monteverdi, ou as Vesperae Solennes de Confessore, KV 339, de Wolfgang Amadeus Mozart),
mas onde muitas vezes, na prática, a oração cede lugar ao concerto.
Na Igreja Católica, o motu proprio Tra le Solecitudine de 1903, do Papa Pio X, exclui da liturgia os salmos "de
concerto". Após o Concílio Vaticano II, é restaurado o salmo responsorial na missa, através da Instrução Geral do
Missal Romano de 1969.
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[3] Salmos (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PFR. HTM), Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 08 de agosto de 2010
[4] Mackenzie, John L. Dicionário Bíblico. São Paulo, Paulinas, 1983, p.829.
[5] Liturgia das Horas - Ofício Divino (http:/ / liturgiadashoras. org/ ) (em português). liturgiadashoras.org. Página visitada em 4 de julho de
2009.
[6] Salmos Bíblicos (http:/ / www. salmosbiblicos. com. br/ ) (em português). www.salmosbiblicos.com.br. Página visitada em 4 de julho de
2009.
[7] Salmos (http:/ / www. salmododia. com. br/ ) (em português). www.salmododia.com.br. Página visitada em 6 de abril de 2010.
[8] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 858
Livro de Salmos 171

Bibliografia
• Mackenzie, John L. Dicionário Bíblico. São Paulo, Paulinas, 1983, 3a. edição.
• A Bíblia de Jerusalém. São Paulo, Paulinas, 1981.

Livro dos Provérbios


O livro de Provérbios é um dos livros sapienciais do Antigo Testamento da Bíblia.[1] [2] Conforme declara a sua
introdução, tem como propósito ensinar a alcançar sabedoria, a disciplina e uma vida prudente e a fazer o que é
correto, justo e digno. Em suma, ensina a aplicar e fornecer instrução moral.
Provérbio é uma frase curta, bem construída, que expressa uma verdade adquirida através da experiência e que se
impõe pela forma breve e pela agudez das observações. Os provérbios são ensinamentos deduzidos da experiência
que o povo tem da vida, e sua finalidade é instruir, esclarecendo situações de perplexidade e fornecendo orientações
para a vida humana, como as setas de uma estrada (1,1-7)[3] .
O livro todo é um convite para valorizar não só a cultura popular mas também, e principalmente, a percepção
religiosa que o povo tem de uma Sabedoria que vem de Deus e é seu dom aos pequeninos; sabedoria que nem
sempre é captada e compreendida pelos sábios e doutores (Mt 11,25)[3] .
O título do livro vem originalmente de sua forma hebraica Míshlê Shelomoh ("Provérbios de Salomão"). Como é
comum na Bíblia Hebraica, o título hebraico do livro é simplesmente um conjunto de palavras do primeiro verso do
livro. Na Septuaginta esse livro se chama Paroimiai, que significa "provérbios, parábolas". O Livro de Provérbios
ocupa o terceiro lugar na ordem dos Hagiógrafos no Cânon Judaico, e foi um dos que foram discutidos no Sínodo de
Jâmnia. A tendência não era excluí-lo do Cânon Sagrado, mas da leitura pública, na sinagoga. A questão básica
girava em torno de Pv. 26.4,5, pois alguns rabinos viam contradições nessas passagens; a conclusão deles é que o
primeiro versículo diz respeito à Lei e o segundo fala sobre a vida secular.

Características

Autoria
A autoria do livro de Provérbios não é algo fácil de determinar. Contudo estudiosos apontam que foi Salomão aquele
que escreveu a maior parte. Agur e Lemuel contribuíram nas últimas seções.
Por outro lado, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que não foram escritos por um único autor e não pertencem à
mesma época. A maioria deles nasceu da experiência popular, que foi depois coletada, burilada e editada por sábios
profissionais desde o tempo de Salomão (950 AC) até dois séculos depois do exílio (400 AC). Foram atribuídos ao
rei Salomão por causa de sua fama de sábio (1Rs 3-5) mas, quando se observa atentamente os vários subtítulos que
aparecem no livro, pode-se facilmente distinguir nove coleções, provindas de tempos e mãos diferentes[3] .
A Bíblia de Jerusalém sustenta que o livro se formou em torno de duas coleções principais "Provérbio de Salomão"
(10:1-22:16), com 375 sentenças, e Provérbios de Salomão transcritos de pelos homens de Ezequias" (caps. 25 a 29),
com 128 sentenças, precedidos por uma longa introdução (caps. 1 a 9). Além disso duas pequenas coleções
(22:17-24:22 e 24:23-24) foram juntadas como apêndices da primeira coleção principal, e três outras pequenas
coleções (Palavras de Agur 30:1-14, provérbios numéricos 30:15-33, as palavras de Lamuel 31:1-9) e um poema
alfabético que louva a mulher perfeita 31:10-31 foram juntadas como apêndices da segunda coleção principal[4] .
Os nomes dos dois sábios árabes (Agur e Lamuel) são fictícios e não pertencem a personagens reais, mas atestam o
valor que se dava à sabedoria estrangeira[4] .
Pode-se dizer com segurança que os caps. 10 a 29 são anteriores ao Exílio na Babilônia, enquanto que a introdução é
posterior ao exílio, provavelmente escrita no séc. V AC[4] .
Livro dos Provérbios 172

Nas duas coleções principais predomina uma sabedoria humana e profana que desconcerta o leitor cristão[5] .

Formas literárias
Podemos encontrar diversas formas literárias no livro de provérbios: poemas, pequenas parábolas, lições de vida.
Entre as figuras literárias mais comuns, podemos citar as antíteses, as comparações e personificações.

Caracteristicas adicionais
O livro de Provérbios também é considerado um livro poético, assim como, filosófico, que juntamente com o livro
de Jó e Eclesiastes formam os três livros filosoficos da Bíblia. "Todo homem prudente age com base no
conhecimento" (Pv. 13.16). O homem sábio é poderoso e quem tem conhecimento aumenta sua força…" (Pv. 24.5,
Biblia Nova Versão Internacioal). Outra peculiaridade é o fato do seu conteúdo ser prático, baseado em conceitos da
vida cotidiana. Salomão era muito observador, e transformou suas experiências pessoais em conceitos simples para
ajudar as gerações futuras nas mais diversas situações da vida cotidiana. Não foi em vão, pois, quando lhe fora dado
o direito de pedir qualquer coisa, por Deus, pediu sabedoria… (1Rs 3.1-15)

Ligações externas
• Bíblia Online (Varias versões e linguas) [6]
• Bíblia Católica «On Line» [7] (em português, em grego e em latim)
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[3] Provérbios (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PJY. HTM)Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 08 de agosto de 2010
[4] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.020
[5] Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.021
[6] http:/ / www. bibliaonline. com. br
[7] http:/ / www. bibliacatolica. com. br
Eclesiastes 173

Eclesiastes
O livro de Eclesiastes faz parte dos livros poéticos e sapienciais do
Antigo Testamento da Bíblia cristã e judaica[1] [2] . O Livro tem seu
nome emprestado da Septuaginta, e na Bíblia hebraica é chamado
Kohelet. Embora tenha seu significado considerado como incerto, a
palavra tem sido traduzida para o português como pregador ou
preletor. Faz parte dos escritos atribuídos tradicionalmente ao Rei
Salomão, por narrar fatos que coincidiriam com aqueles de sua vida.

Por outro lado, Bíblia de Jerusalém sustenta que a atribuição a


Salomão não passa de mera ficção literária do autor, a linguagem do
livro, e sua doutrina, permitem concluir que foi escrito após o Exílio na
Babilônia[3] .
Muitos questionam a unicidade do autor, e defendido que foi escrito
por duas, três, quatro e até oito mãos distintas[3] .
O principal tema do livro é a vaidade das coisas humanas, dando a
lição de desapego dos bens terrestres, negando a felicidade dos ricos e Eclesiastes
preparando o povo para entender que "bem-aventurados são os pobres"
(Lc 6, 20)[4] .
Por sua vez, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que trata-se de um livro profundamente crítico, lúcido e realista
sobre a condição do povo, por volta do século III AC, quando a Palestina era então colônia da dinastia macedônica
dos Ptolomeus, ao qual devia pagar pesados tributos, que eram arrecadados pela família dos Tobíadas, que
controlava o comércio, a economia e a política interna[5] .
O autor escreveu durante esse tempo de exploração interna e externa, que não deixava esperanças de futuro melhor
para o povo. Num mundo sem horizontes, ele fez um balanço sobre a condição humana, buscando apaixonadamente
uma perspectiva de realização[5] .
Para ensinar os caminhos para realizar a vida e a felicidade, o autor desmonta as ilusões que um determinado sistema
de sociedade apresenta como ideal (riqueza, poder, ciência, prazeres, status social, trabalho para enriquecer etc.) e
coloca uma pergunta fundamental: «Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do
sol?» (1,3)[5] .
Em vez de cair no desespero, o autor descobre duas grandes perspectivas: Primeiro, descobre Deus como Senhor
absoluto do mundo e da história, devolvendo a Deus a realidade de ser Deus. Depois, descobre o Deus sempre
presente, fazendo o dom concreto da vida para o homem, a cada instante e continuamente. Isso leva o homem a
descobrir que a própria realização é viver intensamente o momento presente, percebendo-o como lugar de relação
com o Deus que dá a vida. Intensamente vivido, o momento presente se torna experiência da eternidade, saciando a
sede que o homem tem da vida. Todavia, para que se possa de fato viver o presente é preciso usufruir o fruto do
próprio trabalho (2,10; 2,24; 3,13.22; 5,18-20; 9,9)[5] .
O Eclesiastes ou Coélet denuncia portanto as conseqüências de uma estrutura social injusta. O povo não tem
presente, quando é impedido de usufruir do fruto do próprio trabalho. Conseqüentemente, fica sem vida, que lhe foi
roubada não por esta ou aquela pessoa, mas por todo um sistema social dependente que, para privilegiar uma
minoria, acaba espoliando a nação inteira. E aqui, o autor mostra que isso se trata, em primeiro lugar, de um pecado
teológico: Deus dá a vida para todos; se ela é roubada, o roubo é um desvio na própria fonte da vida[5] .
O Eclesiastes é convite para destruir e construir. Destruir uma falsa concepção a respeito de Deus e da vida, muitas
vezes justificada por concepções teológicas profundamente arraigadas. Depois, construir uma nova concepção de
Eclesiastes 174

vida, que é dom gratuito de Deus, para que todos a partilhem com justiça e fraternidade. Só então todos poderão ter
acesso à felicidade, que consiste em usufruir a vida presente que, intensamente vivida, é a própria eternidade[5] .
[1] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[2] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[3] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.070
[4] Bíblia de Jerusalém, cit., pp 1.070-1.071
[5] Eclesiástes (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PKU. HTM), Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 08 de agosto de 2010

Ligações externas
• Bíblia Católica On Line (http://www.bibliacatolica.com.br) (em português, em grego e em latim)
• Sociedade Bíblica do Brasil (http://www.sbb.org.br/) (em português)

Cântico dos Cânticos


O livro de Cântico dos Cânticos, também chamado de Cantares , Cântico Superlativo, ou Cântico de Salomão, faz
parte dos livros poéticos do Antigo Testamento. Representa, em hebraico, uma fórmula de superlativo; significa o
mais belo dos cânticos, Cântico por Excelência[1] ou o cântico maior.[2] [3]

Autoria
De acordo com o título em 1.1, o cântico dos cânticos pertence a Salomão, filho do Rei Davi. A expressão hebraica
"de Salomão"(1.1) pode ser traduzida "de" Salomão (como o seu autor) ou "para Salomão (como a pessoa à qual o
livro é dedicado). A opinião tradicional entre judeus é a de que Salomão foi o seu autor (Cf. 1Rs.4.32), para os
católicos este livro pertence ao agrupamento dos Sapienciais, que condensam a sabedoria infundida por Iahweh no
povo de Israel, como pertence ao grupo dos sapienciais recebe como autor a figura simbólica de Salomão, o modelo
da sabedoria em Israel, tem sua escrita estimada por volta do ano 400 a.C, e constitui-se de uma coletânea de hinos
nupciais.
Segundo a Edição Pastoral da Bíblia, o livro é uma coleção de cantos populares de amor, usados talvez em festas de
casamento, em que noivo e noiva eram chamados de rei e rainha, que foram reunidos, formando uma espécie de
drama poético, e atribuídos ao rei Salomão, reconhecido em Israel como patrono da literatura sapiencial. A forma
final do livro, remonta ao século V ou IV AC[1] .
A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que seu autor certamente não é Salomão[4] .

Estrutura
Cânticos dos Cânticos é um livro curto com apenas oito capítulos. Apesar de sua brevidade, apresenta uma estrutura
complexa que, por vezes, pode confundir o Leitor. Diferentes personagens têm voz, ou falam, nesse poema lírico.
Em muitas traduções da Bíblia,[2] [3] esses emissores alternam sua fala de modo inesperado, sem indicação ao leitor,
dificultando, assim, sua leitura. Algumas versões, como a Almeida Revista e Atualizada e a Bíblia de Jerusalém,
eliminam o problema com a indicação de quem está falando.
Os três participantes principais do poema são: (1) o noivo, o Rei (1,4.12)[5] Salomão, isto é, "o Pacífico" (3,7.9)[5] ;
(2); a noiva, mulher mencionada como "Sulamita" (6.13), a Pacificada[5] , aquela que encontro a paz (8,10)[5] ; e as
"filhas de Jerusalém"(2.7). Tais mulheres devem ter sido escravas da realeza que serviam como criadas da noiva do
rei Salomão. No poema, servem como coro para ecoar os sentimentos da Sulamita, enfatizando seu amor e afeição
pelo noivo.
Cântico dos Cânticos 175

Além dos personagens principais, são mencionados os irmãos da Sulamita (8.8-9), que devem ter sido seus
meio-irmãos. O poema indica que ela trabalhava, por ordem dos irmãos, como "guarda de vinhas" (1.6).
Essa canção de amor divide-se praticamente em duas seções principais com mais ou menos o mesmo tamanho. O
início do Amor (Cap.1-4) e seu Amadurecimento (cap.5-8).
Por ser um poema escrito em uma linguagem considerada sensual, sua validade como texto bíblico já foi questionada
ao longo dos tempos. O poema fala do amor entre o noivo e sua noiva. O nome de Iahweh só aparece nele de forma
abreviada, em 8,6, "uma chama de Iah(weh)"[5] .
A interpretação alegórica, segundo a qual o amor de Deus por Israel e o do povo por seu Deus são representados
como as relações entre dois esposos, tornou-se comum entre os judeus a partir do séc. II DC, tal interpretação tem
paralelo no tema da alegria nupcial que os profetas desenvolveram a partir de Oséias[5] .
Orígenes seguia essa mesma linha, mas via as núpcias de Cristo com a Igreja, ou a união mística da alma com
Deus[5] , São João da Cruz teria o mesmo entendimento[6] .
O poeta parece retomar a linguagem profética da aliança, como na expressão "procurar, encontrar" (3:1-2), além
disso a obra teria contatos com o Salmo 45[5] .
Outros exegetas entendem que o livro celebra o amor mútuo e fiel, que sela o matrimônio abençoado por Deus[7] .
[1] Cântico dos Cânticos (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PL7. HTM),Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 08 de agosto 2010
[2] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[3] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[4] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 1.294
[5] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.086
[6] Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.088
[7] Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.087

Livro da Sabedoria
O Livro da Sabedoria (ou Sabedoria de Salomão) é um dos livros deuterocanônicos da Bíblia.[1] [2] Possui 19
capítulos. É normalmente atribuído a Salomão, porém estudos indicam que foi escrito por um judeu de Alexandria.
Segundo tais estudos, seu autor foi um judeu de Alexandria que escreveu o livro nos últimos decênios do séc I AC,
foi o último livro do Antigo Testamento a ser escrito, sendo, portanto, fictícia a atribuição a Salomão[3] [4] .
Alexandria era um importante centro político e cultural grego, e contava com cerca de 200.000 judeus entre seus
habitantes. A cultura grega, com suas filosofias, costumes e cultos religiosos, além da hostilidade que, às vezes,
incluía perseguição aberta, constituíam uma ameaça constante à fé e à cultura do povo judaico que habitava no Egito.
Para não serem marginalizados da sociedade, muitos deixavam os costumes e até mesmo a fé, perdendo a própria
identidade para se conformar a uma sociedade idólatra e injusta[4] .
O autor, profundamente alimentado pelas Escrituras e pela consciência histórica do seu povo, enfrenta a situação,
escrevendo um livro que procura de todos os modos reforçar a fé e ativar a esperança, relembrando o patrimônio
histórico-religioso dos antepassados. Ele ensina a verdadeira sabedoria que conduz a uma vida justa e à felicidade.
Não se trata da cultura que se conquista pelo pensamento, mas da sabedoria que vem de Deus, opondo-se à idolatria
e à vida injusta que nasce dela. Esta sabedoria divina guiou magistralmente a história do povo de Deus, revelando
que a verdadeira felicidade pertence aos amigos de Deus. Em outras palavras, o autor quer mostrar que a sabedoria
ou senso de realização da vida não é apenas um fruto do esforço do homem, mas é em primeiro lugar um dom que
Deus concede gratuitamente aos seus aliados[4] .
O livro todo poderia ser resumido em 1,15: A justiça é imortal. De fato, o autor identifica a sabedoria com a justiça
e, depois de mostrar que ela é o guia da vida (1,16-5,23) e apresentar a sua natureza (6,1-9,18), faz uma longa
meditação sobre o êxodo (10,1-19,21). No êxodo, Israel descobriu a justiça de Deus, a qual comunica ao povo a
Livro da Sabedoria 176

verdadeira sabedoria. Doravante, toda sabedoria implica exercício da justiça, e este, se for verdadeiro, produz a
libertação[4] .
O livro pode ser dividido em três grandes seções[5] :
• O destino humano segundo Deus (caps. 1 a 5);
• Elogio à Sabedoria (6:1-11:3);
• Meditação sobre o Êxodo (11:4-19:22).
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, pp 1.103-1.104
[4] Sabedoria (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PLG. HTM), Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 08 de agosto de 2010
[5] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, pp 1.681-1.682

Eclesiástico
Eclesiástico ou Sirácida[1] é um dos livros deuterocanônicos da Bíblia,[2] [3] de composição atribuída a Jesus filho
de Sirach (Jesus Ben Sirac ou Ben Sirá, ou, em grego Sirácida [4] ). O livro, formado por reflexões pessoais do autor,
era comumente lido em templos cristãos, alías o nome Eclesiástico (Livro da Igreja ou da Assembléia[5] ) provém do
uso oficial que a Igreja faz desse livro, em contraposição à Sinagoga judaica, que não o aceita como Palavra de
Deus[6] , tal designação vem desde da época de São Cipriano de Catargo[5] . O livro foi originalmente escrito em
hebraico, entre 190 e 124 AC[6] [7] , possui 51 capítulos e, posteriormente, foi traduzido para o grego por um neto de
Jesus filho de Sirach, em 123 AC[6] .
O Eclesiástico é tido como sagrado pela maioria dos grupos cristãos, como a Igreja Católica e a Igreja Ortodoxa
Etíope. O Eclesiástico é reconhecido no judaismo pelo seu valor histórico; porém, não é parte do Tanakh, o
compêndio de livros sagrados da religião. Por esta razão, grupos protestantes não o incluem em seu cânone.
No início do séc. II AC, a Palestina passou do domínio dos Ptolomeus (Egito) para o dos Selêucidas (Síria). A fim de
unificar o império, exposto a conflitos internos, os selêucidas promoveram uma política de assimilação, e
procuraram impor aos povos dominados a cultura, a religião e os costumes gregos - um imperialismo cultural que
ameaçava destruir a identidade cultural e religiosa dos dominados[6] .
Parte dos judeus aceitava adaptar o judaísmo a uma civilização mais universal, entretanto outra parte buscava
preservar a identidade e salvaguardar a fé e a vocação de Israel, testemunha do Deus vivo para todas as nações. Ben
Sirac escreveu então este livro, uma espécie de longa meditação sobre a fidelidade hebraica. Ele procura reavivar a
memória e a consciência histórica do seu povo, a fim de mostrar sua identidade própria e o valor perene de suas
tradições. O autor, porém, não é intransigente, pois em seu livro mostra ter já assimilado diversos aspectos da cultura
grega, iniciando o caminho de uma síntese que culminará no Livro da Sabedoria[6] , ou seja, o livro dirige-se a todo
aquele que queria se comportar como judeus em um mundo que mudava, trata-se de uma obra de um conservador
lúcido, que quer preservar o essencial, sabendo que não se deve ignorara as situações novas[8] .
O centro do livro está no cap. 24, em que o autor identifica a Sabedoria com a Lei de Moisés (24,23). Não se trata
das leis (= legislação), e sim dos cinco livros do Pentateuco que, em hebraico, se chamam Torá = Lei. Esta, na visão
do autor, constitui a Sabedoria de Israel. Com efeito, a narração toda do Pentateuco mostra a experiência básica de
todo homem e de qualquer povo: a sabedoria que nasce da experiência concreta e conduz à vida[6] .
Eclesiástico 177

Existência do texto em hebraico


São Jerônimo afirmava tê-lo conhecido em sua língua original, aproximadamente dois terços de uma antiga cópia do
texto em hebraico provenientes de uma Sinagoga no Cairo foram encontrados em 1896, alguns fragmentos foram
encontrados nas grutas de Qumrã (Manuscritos do Mar Morto) e outros fragmentos foram encontrados em
Massada[4]
[1] A Tradução Ecumênica da Bíblia Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 1.711, denomina esse livro como Sirácida
[2] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[3] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[4] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.139
[5] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 1.711
[6] Eclesiástico (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PM0. HTM), Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 09 de agosto de 2010
[7] A Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 1.711-1.712 diz que o livro foi escrito aproximadamente em 180 AC, e antes de 167 AC
[8] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 1.712

Ver também
• Antigo Testamento
• Livros deuterocanônicos

Livros proféticos do Antigo Testamento


Os Livros Proféticos do Antigo Testamento subdividem em dois grupos na Bíblia cristã, o dos primeiros profetas
(maiores) e o dos profetas menores.
Em graus diversos e sob formas variadas, as grandes religiões da antiguidade tiveram pessoas inspiradas que
pretendiam falar em nome de seu deus[1] . O sentido original da palavra profeta (nabî) em hebraico deriva de uma
raiz que significa "Chamar, anunciar", portanto, o profeta seria aquele que é chamado ou que anuncia, um
mensageiro e um intérprete da palavra divina, conforme se pode verificar em (Jr 1,9)[2] .
Pela sua coragem de questionar a situação presente e vislumbrar um futuro diferente para o seu povo, os profetas
sempre exerceram atração fascinante. Muitos chegam até a confundir profeta com adivinhador do futuro. Outros
chegam a pensar que eles ensinavam coisas absolutamente novas. O verdadeiro profeta, no entanto, é aquele que
preserva a tradição autêntica do seu povo, perdida ou deformada em meio a tantas tradições criadas para defender
interesses, legitimar poderes e sustentar sistemas[3] .
O núcleo central da tradição autêntica é a lembrança da libertação contada no Livro do Êxodo, ou seja, o reencontro
com o verdadeiro Deus revelado a Moisés: Eu sou Javé seu Deus, que fiz você sair da terra do Egito, da casa da
escravidão (Ex 20,2; Dt 5,6). Portanto, profeta é aquele que se inspira na ação libertadora do Deus do Êxodo e, a
partir daí, analisa a situação presente e mostra o projeto de Deus para o futuro do seu povo[3] .
As atividades do profeta variam de acordo com seus ouvintes e com o momento histórico em que ele vive. Cada
profeta tem o seu estilo próprio, e pronuncia anúncios e denúncias diante de situações bem determinadas. No
entanto, podemos perceber duas grandes vertentes na atividade dos profetas:
- Exigência de conversão, para mudar o sistema social, a fim de que o julgamento de Deus não recaia sobre o povo.
Esse tema é predominante nos profetas que exerceram sua atividade antes do exílio na Babilônia.
- Anúncio de esperança, para encorajar e estimular o povo, que tinha perdido sua terra e corria o perigo de perder a
própria identidade. Esse anúncio fazia retomar a caminhada da reconstrução, recuperando a fé em Javé e os valores
históricos alcançados em nome dessa mesma fé[3] .
Os livros proféticos testemunham a vida e atividade de homens que possuem fé profunda e vigorosa; homens que
procuram levar o povo a um relacionamento sempre renovado e responsável com o Deus que julga e salva[3] .
Livros proféticos do Antigo Testamento 178

A literatura profética pode ser dividida de várias maneiras. A mais tradicional e comum, entre os cristãos, é a divisão
em profetas maiores e profetas menores. Não porque uns sejam mais importantes que outros, mas simplesmente pela
extensão de seus escritos. Os profetas maiores são quatro: Isaías, Jeremias (que também teria escrito Lamentações),
Ezequiel, Daniel. Os menores são treze: Baruc, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque,
Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias[3] , cabendo observar que o Livro de Baruc é Deuterocanônico, ou seja, não
são aceitos pelas Igrejas que adotam a Bíblia proposta por Lutero.
Por sua vez, a Bíblia Hebraica agrupa os livros de Isaías, Jeremias, Ezequiel e os dos doze profetas sob o título de
"Profetas Posteriores" e os coloca após os "Profetas Anteriores": (Josué, Juízes, I Samuel, II Samuel, I Reis, II Reis),
enquanto que a Septuaginta (tradução do Antigo Testamento para o Grego Koiné, cuja a estrutura é utilizada por
maior parte das Igrejas Cristãs) apresenta os livros proféticos depois dos Livros Históricos, destacando-se que a
Bíblia Hebraica não incluí o Lamentações e Daniel entre os "Profetas Posteriores", mas entre os "Escritos"
(Kethuvim)[1] .
[1] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.230
[2] Bíblia de Jerusalém, cit., pp 1.230-1.231
[3] Livros Proféticos (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PNG. HTM) Edição Pastoral da Bíblia
179

Profetas Maiores

Livro de Isaías
O Livro de Isaías é um livro profético do Antigo Testamento. É uma
peça central da literatura profética do VT, na Bíblia.[1] [2] Sua
importância é refletida também no Novo Testamento, considerando-se
que há mais de 400 referências diretas ao livro, feitas pelos
evangelistas e apóstolos.
O forte caráter e ênfase messiânicos percebidos em toda a extensão do
documento, muito provavelmente colaboraram para conceder ao livro
tamanha proporção referencial entre os autores do Novo Testamento. Paz, 1896 Gravura a água-forte:por William
Strutt, baseado em Isaías 11:6,7
Por causa disto também, Isaías recebeu o epíteto de "o quarto
evangelista".
Em seus dias, Isaías viveu e narrou a tensão política e militar que o território de Israel experimentava, com eventos
decorrentes principalmente de um panorama marcado por intensas e contínuas atividades bélicas e expansionistas
que estavam sendo realizadas pela monarquia egípcia, ao sul, e pelos caldeus, ao Leste.
O início do ministério profético de Isaías situa-se em 754 A.C., coincidindo com 2 datas históricas precisas: a morte
do rei Uzias de Judá, e a fundação de Roma.

O autor
Isaías, filho de Amos (não Amoz, o profeta vaqueiro), nasceu por volta de 765 AC[3] e viveu na corte dos reis de
Judá. Há indicações de que talvez fosse primo de Uzias. Escriba e relator dos anais históricos da casa davídica, tinha
preeminência e liberdade suficiente para transitar próximo ao poder político e tomar conhecimento, em primeira
mão, das políticas e estratégias do Estado monarca judeu.
Letrado, culto e politicamente privilegiado, pode ter feito parte da casta sacerdotal de Jerusalém.
Em 740 AC, ano da morte do Rei Ozias (ou Azarias), ele recebeu sua vocação profética, e exerceu seu ministério por
quarenta anos, numa época de crescente ameaça que a Assíria fazia pesar sobre os Reinos de Israel e Judá[3] , durante
os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias, e provavelmente também, durante seus últimos oito anos de vida, sob a
opressão maligna do reinado de Manassés, que mandou serrar Isaías ao meio quando o profeta tinha 92 anos de
idade, segundo um livro apócrifo do século I DC, Vidas dos Profetas, escrito por um anônimo judeu da Palestina[4] .

Pluraridade de autores
Embora a teologia tradicional judaico-cristã defenda a existência de um único autor, respaldada por Eclesiástico
48:24-25, existem fortes evidências de que o livro foi obra de mais de um autor, merecendo destaque o início do
capítulo 40, onde se verifica a descontinuidade entre o Primeiro e o Segundo Isaías, pois ocorre uma mudança
abrupta do séc. VIII AC para o período do Exílio na Babilônia (séc. VI AC), não se fala mais uma única vez de
Isaías e a Assíria é substituída pela Babilônia, cujo nome é mencionado com frequência, assim como o nome de
Ciro, rei dos medos e persas[5] . Havendo estudos que indicam que dos 66 capítulos do livro, menos de 20 foram
escritos pelo profeta do século VIII AC que viveu durante os governos dos reis Joatão (739-734 AC), Acaz (734 ou
733 - 716 AC) e Ezequias (716 ou 715 - 699 ou 698 AC), estando tais capítulos concentrados na primeira parte do
livro, que engloba os caps. 1 a 39, também conhecida como Proto-Isaías ou Primeiro Isaías[4] .
Livro de Isaías 180

Portanto, o Livro de Isaías é uma coletânea de oráculos proféticos de épocas bem diferentes, cuja redação final deve
ter acontecido por volta de 400 AC, ou mesmo mais posteriormente. Trezentos anos depois da morte de Isaías ainda
se atualizavam suas palavras, pois mesmo os oráculos da época dele foram relidos na perspectiva pós-exílica. O
horizonte de leitura do livro completo de Isaías é o da época persa e da comunidade judaica pós-exílica[4] .

Plano da obra
O livro que traz o nome de Isaías pode ser dividido em três grandes partes[6] :

Primeiro Isaías
Os capítulos 1 a 39 contêm a mensagem do profeta chamado Isaías, cuja preocupação central é a santidade de Deus,
ou seja, só Deus é absoluto. Em meio a grandes mudanças políticas internacionais, Isaías condena a aliança com as
grandes potências, mostrando que a nação só será salva se permanecer fiel a Deus e ao seu projeto, no qual a justiça é
o valor supremo. Assim, uma espiritualidade baseada na santidade de Deus conduz o profeta a uma fé política, que
combate os ídolos presentes na sociedade. Ele fala também do Emanuel (7,14), no qual o Novo Testamento viu Jesus
Cristo, que veio ao mundo para salvar o seu povo[6] , mais especificamente, pode-se subdividir esta parte em quatro
etapas cronológicas[3] :
• os capítulos 1 a 5 têm como foco a corrupção moral que a prosperidade tinha provocado em Judá e refletem o
período até a subida de Acaz ao trono em 736 AC;
• no período seguinte o rei de Damasco: Rason e o rei do Reino de Israel Setentrional: Facéia chama o jovem Acaz
a se aliar com eles contra o rei da Assíria: Teglat III, Acaz se alia à Assíria e é atacado;
• Judá sob a tutela da Assíria, destruição do Reino de Israel Setentrional em 721 AC, Ezequias sucede Acaz em 716
AC, aliança com o Egito contra a Assíria;
• revolta contra a Assíria, Senaquerib arrasa a Palestina em 701 AC, Jerusalém resiste.
Mesmo essa primeira parte não pode ser atribuída inteiramente ao Isaías histórico: os óraculos contra as
nações estrangeiras (caps. 13 e 23), incorporam trechos posteriores, em particular os caps. 13 e 14 que são do
tempo do Exílio na Babilônia, também são de composição posterior o Apocalipse de Isaías (caps 24 a 27), que
não é anterior ao séc. V AC, e os caps 33 a 39[7] .
Outra possível subdivisão destes primeiros 39 capítulos seria na forma do seguinte sumário[8] :
• cap. 1 - Introdução ao conjunto do livro;
• caps. 2 a 12 - Profecias sobre Israel e Judá;
• caps. 13 a 23 - Oráculos sobre as nações estrangeiras;
• caps. 24 a 27 - Apocalipse de Isaías;
• caps. 28 a 33 - Oráculos de promessas e ameaças sobre Israel e Judá; (semelhante aos caps. 02 a 12);
• caps. 34 a 35 - Outros fragmentos apocaliptícos,que provavelmente foram escritos pelo Segundo Isaías, no tempo
do Exílio na Babilônia[5] ;
• caps. 36 a 39 - Relatos sobre a atividade de Isaías no momento da campanha de Senaquerib contra Jerusalém.

Contra a falsa religião


Na época de Isaías, as pessoas frequentavam o Templo, mas para o profeta isso não basta, pois encher o Templo com
iniquidade e solenidade é um erro enorme (1:10-20), isso porque as pessoas que levam oferendas para Iahweh são as
mesmas que não se importam em fazer o direito (mishpât) funcionar, que não fazem justiça ao desprotegido órfão e à
abandonada viúva. Isaías, em um dos textos proféticos mais violentos contra um culto que funciona só para mascarar
as injustiças que se cometem no dia-a-dia, pede aos príncipes de [Sodoma_e_Gomorra[Sodoma e ao povo de - na
verdade, de Jerusalém - para ouvirem a palavra de Iahweh[4] :
Livro de Isaías 181

10 Escutem a palavra de Javé, chefes de Sodoma; preste atenção ao ensinamento do nosso Deus, ó povo de
Gomorra:
11 Que me interessa a quantidade dos seus sacrifícios? - diz Javé. Estou farto dos holocaustos de carneiros e
da gordura de novilhos. Não gosto do sangue de bois, carneiros e cabritos.
12 Quando vocês vêm à minha presença e pisam meus átrios, quem exige algo da mão de vocês?
13 Parem de trazer ofertas inúteis. O incenso é coisa nojenta para mim; luas novas, sábados, assembléias...
não suporto injustiça junto com solenidade. (1:10-13).
16 Lavem-se, purifiquem-se, tirem da minha vista as maldades que vocês praticam. Parem de fazer o mal,
17 aprendam a fazer o bem: busquem o direito, socorram o oprimido, façam justiça ao órfão, defendam a
causa da viúva. (1:16-17)

Crítica à injustiça social


O profeta denuncia o comportamento dos ricos e latifundiários, dos que vivem em grandes festas custeadas pelo
trabalho dos pobres, dos que exploram o povo negando-lhe a justiça e dos que se fazem grandes e importantes
vivendo em grandes banquetes (5:8-24).
Ai daqueles que juntam casa com casa e emendam campo a campo, até que não sobre mais espaço e sejam os
únicos a habitarem no meio do país. (5:8)
Nesse aspecto destaca-se sua semelhança com o profeta Amós, até porque eles são quase contemporâneos: Amós é
de 760 AC e Isaías inicia sua atividade em 740 AC. A problemática social era a mesma para ambos, embora Amós
fosse um camponês e Isaías um homem culto ligado à corte, ambos atacam os grupos dominantes da sociedade:
autoridades, magistrados, latifundiários, políticos.
Isaías é duro e irônico com as damas da classe alta de Jerusalém (3:16-24), assim como Amós o fora com as
madames de Samaria em Am 4:1-3, além disso Isaías defende, com paixão, órfãos, viúvas, oprimidos, o povo
explorado e desgovernado pelos governantes, denuncia igualmente a máscara da religião que encobre a injustiça
(1:10-20), do mesmo modo que Amós em (2:6-16), (4:4-5) e 5:21-27[4] .

Época de Acaz
Nessa época ocorreu uma grande crise política e militar em Judá, provocada pela crescente ameaça do Império
Assírio e pelos muitos erros do governo de Judá. Era o tempo da política expansionista do rei Teglat-Falasar III,
iniciada em 745 AC, que implicava numa grave ameaça para os pequenos reinos da região. Israel Setentrional,
Damasco e outros da região tornaram-se tributários da Assíria. Golpes de Estado em Israel, alianças contra ou a favor
da Assíria faziam parte da política internacional da época[4] .
Facéia, um rei golpista , de Israel, fez uma aliança com o Damasco e ambos decidiram invadir Judá, derrubar Acaz e
colocar um estrangeiro em seu lugar, para usar o reino do sul numa coalizão militar contra a Assíria, trata-se da
Guerra Siro-efraimita, iniciada em 734 AC. Acaz pede o auxílio da Assíria e Teglat-Falasar III tomou Damasco e 3/4
de Israel, restando apenas a Samaria que, posteriormente (em 722 AC), foi tomada pelas tropas assírias de
Salmanasar V e de Sargão II[4] .
Como preço pelo auxílio da Assíria, Judá perdeu sua independência, Acaz viu-se obrigado a reconhecer os deuses
assírios como seus libertadores e a prestar-lhes culto, apresentar-se a Teglat-Falasar III para prestar-lhe obediência e
pagar pesados tributos, o que resultou num aumento os impostos pagos pelo povo, aumentando as injustiças que
antes já eram denunciadas por Isaías. Nesse contexto, a religião oficial procurava encobrir os problemas com grandes
festas[4] .
Livro de Isaías 182

Esperança em Ezequias
Alguns teólogos denominam a parte do Livro de Isaías compreendida entre o início do cap. 7 até o sexto vers. do
cap. 12 (7:1-12:6) como Livro do Emanuel (7:14), estima-se que essa parte da obra foi escrita e, portanto, deve ser
interpretada no contexto da Guerra Siro-efraimita e da conseqüente dependência da Assíria. São seis capítulos
organizados pelo redator do livro de Isaías em torno de três temas[4] :
• os sinais, como o do menino que vai nascer (7:14-15);
• o binômio invasão/libertação, que aparece em vários textos;
• o significado de nomes próprios.
O início do cap. 7 (7:1-17), revela a esperança do profeta em Ezequias. É um texto que deve ser lido considerando-se
a existência de dois blocos diatintos[4] :
O primeiro bloco (7:1-9), relata o encontro de Isaías com Acaz, às vésperas da Guerra Siro-efraimita, em 734 ou 733
AC. Quando os reis de Damasco e de Samaria planejam invadir Judá para depor Acaz e no seu lugar colocar um rei
não-davídico - o filho de Tabeel - que envolveria o país na coalizão contra o Império Assírio, Isaías vai ao encontro
de Acaz, que está cuidando das defesas de Jerusalém.
O segundo bloco (7:10-17) relata novo encontro de Isaías com Acaz, desta vez, talvez, no palácio, no qual o profeta
oferece ao rei um sinal de que tudo se arranjará diante da ameaça siro-efraimita. Com a recusa do rei em pedir um
sinal a Iahweh, Isaías muda de tom e relata a Acaz que Iahweh, por própria iniciativa, dar-lhe-á um sinal, que
consiste no seguinte: a jovem mulher dará à luz um filho, seu nome será Emanuel (Deus-conosco) e ele comerá
coalhada e mel até que chegue ao uso da razão.
É razoável concluir que a jovem mulher seja jovem rainha, mãe de Ezequias, considerando-se que Isaías falou a
Acaz nos primeiros meses de 733 AC, e Ezequias teria nascido no inverno de 733-32 AC.
Isaías volta a falar de Ezequias no início do cap. 9 (8:23b-9:6), pois este início de capítulo deve compreendido em
conjunto com o final do cap. 8, no qual menciona as três regiões de Israel conquistadas entre 734 e 732 AC por
Teglat-Falasar III, que são: Zabulon (caminho do mar), Neftali (o além-Jordão) e a Galiléia (o território das nações).
Isaías fala destas regiões para despertar a esperança: Iahweh, que humilhou estas terras, as cobrirá de glória. E o
povo, que vivia nas trevas e na tristeza, viverá na luz e na alegria. Uma alegria enorme, que é causada pelo fim da
opressão (o jugo, a canga e o bastão do opressor foram quebrados), pelo fim da guerra (a bota e o uniforme militar
foram queimados) e, principalmente, pelo nascimento de um menino em Judá.
Este menino é um personagem da casa real, de acordo com os quatro títulos que lhe são atribuídos em 9:5, títulos que
parecem ser características sobre-humanas e messiânicas, mas que podem caber bem aos reis, segundo a mentalidade
da época: a sabedoria do rei na administração (Conselheiro), sua capacidade militar (Deus-forte), zelo pela
prosperidade do povo (Pai), preocupação com a felicidade do povo (Príncipe-da-paz), além disso 9:6 esclarece que
este menino é da "casa de David" e caracteriza suas ações: governará com direito e justiça, e, por isso, deve tratar-se
de Ezequias[4] .
Isaías volta a referir-se a Ezequias no início do cap. 11 (11:1-9), pois o ponto de referência do profeta continua sendo
um rei da época, descendente de David, que salvaria o país da catástrofe. O texto fala de um personagem régio
(11:1), de suas qualidades (11:2), de sua atuação (11:3b-5), da instauração de uma nova realidade (11:6-8) para
concluir que então haverá em Israel conhecimento de Iahweh.
Este personagem esperado, fiel a Iahweh, vai instaurar um reino de justiça e paz, onde o pobre e o oprimido serão
protegidos contra a prepotência dos poderosos. Justiça e paz que são simbolizadas, no poema, pela convivência
harmoniosa de animais selvagens e domésticos. A identificação deste personagem da família davídica é
problemática. Alguns acreditam que o poema trata da utopia profética de Isaías por ocasião da coroação de Ezequias
como rei em 716 ou 715 AC. Outros defendem que se Ezequias fora o objeto da esperança de Isaías de tirar o país da
crise, como aparece em 7:1-17 e 8:23b-9:6, agora, decepcionado com sua política pró-egípcia que acaba provocando
a invasão do assírio Senaquerib, pensa em alguém que no futuro possa resgatar Israel.
Livro de Isaías 183

Ezequias tomou posse como rei em em 716 ou 715 AC, após a morte de seu pai Acaz, e aproveitou a pouca
vigilância assíria para fazer uma reforma em Judá. Foi uma reforma religiosa, social e econômica, na qual defendeu
os artesãos dos exploradores, com a criação de associações profissionais, retirou do Templo de Jerusalém os
símbolos idolátricos e construiu um novo bairro em Jerusalém, para abrigar os refugiados de Israel. Entretanto, em
701 AC Senaquerib destruiu 46 cidades fortificadas de Judá e sitiou Jerusalém[4] .

Segundo Isaías
Os capítulos 40 a 55 foram escritos por profeta anônimo, comumente chamado Segundo Isaías ou Dêutero Isaías,
que iniciou a pregação após 550 AC, no final da época do Exílio na Babilônia, quando ocorriam as primeiras vitórias
de Ciro[7] , apresentando uma mensagem de esperança e consolação. O fim do exílio, de sete semanas de anos
(587AC - 538AC)[9] , é visto como um novo êxodo e, como no primeiro, Javé será o condutor e a garantia dessa
nova libertação. O povo de Deus convertido, mas oprimido, é denominado Servo de Javé, ou o próprio Segundo
Isaías segundo outra interpretação[10] . O Novo Testamento, a partir de uma interpretação do judaísmo messiânico,
atribui esse título a Jesus, o justo que sofreu e morreu para nos libertar. A comunidade, depois de convertida e
libertada, se tornará missionária, luz para que as nações se voltem para o verdadeiro Deus[6] .
O Segundo Isaías, pode ser subdividido em duas partes[9] :
• Caps. 40-48 - Queda da Babilônia, libertação por Ciro;
• Caps. 49-55 - Restauração de Sião, insistência no universalismo da salvação.
Servo de Deus - o Segundo Isaías emprega a palavra servo dezenove vezes no sentido de Servo de Deus, em
catorze casos, este servo recebe como nome próprio: Israel ou Jacó, como forma de referir-se ao povo de Israel
em seu conjunto[11] .

Terceiro Isaías
Os capítulos 56 a 66 são atribuídos ao Terceiro Isaías ou Trito-Isaías[10] . Apresentam uma coleção de oráculos
anônimos que procuram estimular a comunidade que veio do Exílio na Babilônia e se reuniu em Jerusalém com os
que estavam dispersos. Condena os abusos que começam de novo a aparecer e mostra qual é o verdadeiro jejum
(58,1-12) necessário para que haja novos céus e nova terra[6] .
O Terceiro Isaías não é um autor único, esta parte é uma coletânea diversificada: o Salmo de 63:7-64:11
parece anterior ao fim do Exílio na Babilônia, enquanto que o oráculo de 66:1-4 é contemporâneo da
reconstrução do Templo, aproximadamente em 520 AC, os caps. 60 a 62 aparentam-se com o Segundo Isaías,
os caps 56-59 devem datar do séc. V AC, os caps. 65 e 66, com exceção de 66:1-4, poderiam datar da época
grega ou da época imediatamente posterior ao Exílio[10] .
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
[3] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.237
[4] Perguntas mais Frequentes sobre o Profeta Isaías (http:/ / www. airtonjo. com/ faq_isaias. htm), acessado em 14 de agosto de 2010
[5] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 589
[6] Isaías (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PNH. HTM), Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 09 de julho de 2010
[7] Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.238
[8] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 590
[9] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 592
[10] Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.239
[11] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 593
Livro de Isaías 184

Ver também
• Pergaminhos do Mar Morto

Ligações externas
• Liber Isaiae (http://www.vatican.va/archive/bible/nova_vulgata/documents/nova-vulgata_vt_isaiae_lt.html)
(em latim)

Livro de Jeremias
O Livro de Jeremias é o segundo dos livros dos principais profetas da Bíblia. Os capítulos 1 a 24 registram muitas
das suas profecias. Os capítulos 24 a 44 relatam suas experiências. Os remanescentes contém Profecias contra as
nações. É provável que seu auxiliar, Baruque, tenha reunido e organizado grande parte do livro. Na história de Babel,
foi usado o método Atbash de criptografia.

O autor
Ver também: Jeremias
Jeremias (em hebraico: ‫ּוהָיְמְרִי‬, Yirməyāhū) foi um profeta hebreu conhecido por sua integridade e discursos duros
contra o pecado.
Filho do sacerdote Hilquias (ou Helcias), da Tribo de Benjamim[1] [2] , nasceu entre 650 a.C. e 640 AC[3] em
Anadote da Tribo de Benjamim[3] , um pequeno povoado a nordeste de Jerusalém, e morreu no Egito, em 580 a.C..
Foi sacerdote[4] do povoado de Anadote e previu, segundo a Bíblia,[5] [6] entre outras coisas, a invasão babilônica -
Nabucodonosor atacou Israel em 597 a.C. e novamente em 586 a.C. (ou 607 a.C., segundo a cronologia dos
Testemunhas de Jeová), quando os caldeus destruíram Jerusalém e queimaram o Templo.
O significado do nome é incerto, existindo duas teses aceitáveis: "Iahweh exalta", "Iahweh é sublime" ou "Iahweh
abre (=faz nascer)", era um nome bastante comum nos tempos bíblicos, são conhecidos pelo menos sete personagens
com este nome[3] que é empregado 158 vezes na Bíblia[7] .
Embora de família sacerdotal, está ligado às tradições proféticas do Norte, principalmente a Oséias[3] , e não às
tradições do sacerdócio e da corte de Jerusalém. Como Miquéias, ele pertence ao mundo camponês. De maneira
crítica, ele traz consigo a visão dos camponeses sobre a situação do país[1] .

Atividade
Acredita-se que o livro tenha começado a ser escrito por volta de 605 a.C., quando Jeremias, preso, começa a ditá-lo
a seu secretário Baruc (36:1.2.4)[8] , no quarto ano do reinado de Jeoaquim, quando iniciou-se efetivamente o
ministério do profeta, e Deus teria lhe ordenado que escrevesse suas experiências num rolo. Contudo, a obra só foi
completada após a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor, sendo que os acontecimentos narrados não se acham
em ordem cronológica no livro.
Por outro lado, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que a atividade profética de Jeremias se iniciou entre os anos de
626 ou 627 AC[3] (1:2; 25:3), quando ele ainda era jovem (1:6)[9] e prosseguiu até 586 AC, e pode ser dividida em
quatro períodos[1] [3] :
Livro de Jeremias 185

Primeiro período: durante o reinado de Josias (627 a 609 AC)


Com apenas oito anos de idade, Josias foi nomeado rei pelo "povo da terra", expressão que indica a camada rural da
sociedade[1] . No início deste reinado, Jeremias proclamou um julgamento contra Israel e Judá por causa de sua
infidelidade a Iahweh e sua adesão a outros deuses (idolatria), especialmente os deuses que garantiam a fertilidade da
natureza, os chamados baalim[3] .
No âmbito internacional, a situação política está mudando rapidamente: a Assíria, grande potência da época, se
enfraquece cada vez mais. Josias, já maior de idade, aproveita esse enfraquecimento para realizar ampla reforma e
procura tomar o território que antes era do Reino de Israel Setentrional, e que pertencia à Assíria desde a queda de
Samaria em 722 AC[1] .
Josias deixa de pagar os impostos cobrados pelos dominadores e promove a reforma religiosa (cf. 2Rs 22,1-23,27),
na qual tenta eliminar todos os ídolos do país e estabelecer novo relacionamento social centrado na Lei[1] .
Estranhamente Jeremias não faz nenhuma alusão a esta reforma social e religiosa[3] .
Foi um período de prosperidade e otimismo, por isso Jeremias emite bom conceito sobre Josias (Jr 22,15-16)[1] .
Foram escritos neste período: 2:1-4:4 e 30:1-31:37[3] .

Segundo período: durante o reinado de Joaquim (609 a 598 AC)


Com a decadência da Assíria (queda de Nínive em 612 AC[10] ), outros povos entram no cenário: citas, medos,
babilônios e também os egípcios que tentam ressurgir depois de um período decadente. Com isso, a Palestina volta a
ser palco de disputas políticas e militares. Josias morre em Meguido[10] , em 609 AC (2Rs 23:29), quando tenta
impedir a incursão do Faraó Necao, que procura deter o avanço da Babilônia.
Necao depõe Joacaz, que sucedera Josias, e coloca no trono de Judá o despótico Joaquim. O povo detestava Joaquim,
e Jeremias critica violentamente esse rei (Jr 22,13-19). É dessa época o famoso Discurso sobre o Templo (Jr 7,1-15;
cf. cap. 26), que quase custou a vida do profeta[1] .
O Discurso contra o Templo, que foi conservado em duas versões: 7,1-15 e 26,1-24. O primeiro destaca o
conteúdo, o segundo as circunstâncias do discurso. Ocorreu entre setembro de 609 e abril de 608 AC, quando
Jeremias colocou-se no pátio do Templo e denuncia a confiança da população judaíta no Templo de Iahweh
como falsa e previu a destruição do santuário, tal qual outrora acontecera com Silo.
Na opinião dos sacerdotes do Templo, Jeremias cometera uma dupla blasfêmia: falara em nome de Iahweh e
falara contra a casa de Iahweh. Jeremias confirmou suas palavras perante o tribunal e só não morreu porque
alguém se lembrou do profeta Miquéias, que, um século antes, pregara destino parecido para o Templo e para
a cidade e nada sofrera.
No começo de seu governo, Joaquim preocupa-se em construir um novo palácio, exatamente no momento em que a
crise econômica se agravava, pois Judá estava obrigado a pagar tributos ao Egito. Jeremias denuncia o governo de
Joaquim como ganancioso, assassino e violento (22:13-19), pois não cumpre sua função real de exercer a justiça e o
direito e de proteger os mais fracos, e vai dizer ao rei que ele, quando morrer, nem merece ser sepultado, mas como
um jumento deverá ser jogado para fora das muralhas de Jerusalém, pois, ao contrário de seu pai, Joaquim "não
conhece Iahweh".
A Babilônia surge como grande potência, sob o reinado de Nabucodonosor. Jeremias adverte os israelitas que os
babilônios, em breve, invadirão o país (4:5-6:30; 5:15-17; 8:13-17). Possivelmente por volta de 605 AC, quando
Nabucodonosor venceu o Faraó Necao II e ameaçou Judá, o profeta foi ao pátio do Templo e anunciou a destruição
de Jerusalém (19:14-20,6), e, por isso, foi preso por Fassur, chefe da guarda do Templo, surrado e colocado no
tronco por uma noite. Depois disso, foi-lhe proibida (36,5), a entrada no Templo[3] .
Assim mesmo, Jeremias continua denunciando o povo que se esqueceu de Deus, por falsear o culto, pela falsa
segurança, pelas idolatrias e pelas injustiças sociais. E aponta os principais responsáveis: são as pessoas importantes
que detêm o poder em Jerusalém (rei, ministros, falsos profetas, sacerdotes)[1] , para isso convoca o escriba Baruc e
Livro de Jeremias 186

dita-lhe os oráculos de julgamento contra a nação (36:1-32), no quarto ano do governo de Joaquim, em 605 AC.
Em dezembro de 604 AC Jeremias manda Baruc ler o livro, em um momento em que Nabucodonosor atacava a
cidade filistéia de Ascalon, vizinha de Judá, é o momento em que o profeta alerta: O "inimigo do norte" está às
portas, ou a conversão ou a destruição.
Joaquim mandou queimar o escrito e prender Jeremias e Baruc (36:21-26), que se esconderam e não foram achados.
Posteriormente, Jeremias manda que Baruc escrever tudo de novo e ainda acrescenta ao livro outras palavras
(36,27-32).
Jeremias também luta para desmascarar os falsos profetas (14:13-16; 23:13-40) que, segundo o profeta: falam em seu
próprio interesse, fortalecem as mãos dos perversos, para que ninguém se converta de sua maldade, seduzem o povo
com suas mentiras e seus enganos, roubando um do outro a palavra de Iahweh[3] .
O profeta estava com a razão, e sua visão realista se confirmou: em 598 AC, o exército babilônio estava às portas de
Jerusalém. Nessa época, o rei Joaquim morreu, provavelmente assassinado. Seu filho e substituto Jeconias, não teve
tempo para nada: após três meses Jerusalém era invadida. Então o profeta, juntamente com parte da elite judaica, foi
levado para o Exílio na Babilônia em 597 AC. Sedecias, tio de Jeconias, foi instalado por Nabucodonosor, para
reinar em Jerusalém[1] .
Jeremias apregoara que este castigo seria decorrente ruptura da aliança. Em Judá, Jeremias só via rebeldia contra
Iahweh, levando o povo a maldades e crimes sem conta. Não havia o mínimo "conhecimento de Deus", que só é
possível através da prática do direito, da justiça, da solidariedade. Os poderosos tramam sistematicamente contra o
povo, todos buscam desesperadamente a riqueza e não há paz. A mentira domina, desde o ensinamento dos profetas
à lei dos sacerdotes, levando o país ao caos. Todos se tornam inimigos de todos. Impera a idolatria. O fim será
trágico, segundo os capítulos 8 e 9 de Jeremias.
Jeremias constata a ausência do direito e da verdade entre as pessoas comuns (5:1), mas maior corrupção encontra
entre os grandes e poderosos, que não agem mal por ignorância, senão por determinação consciente e persistente
(5:4-5). Quanto mais a crise nacional se aprofunda, mais os líderes se recusam a encontrar soluções. Só procuram
satisfazer seus interesses imediatos e deixam o país afundar: "Eles cuidam da ferida do meu povo superficialmente,
dizendo: 'Paz! Paz!', quando não há paz", (6:14).
Em 5:26-28 são descritos os poderosos e suas armadilhas para apanhar o povo e escravizá-lo impunemente[3] .

Terceiro período: durante o reinado de Sedecias (597 a 586 AC)


Sedecias assume o trono com 21 anos de idade, para dirigir um Judá arruinado, com várias cidades destruídas e uma
economia desorganizada[3] , se submete aos babilônios e se mostra indeciso. Nesse momento surge uma disputa para
determinar a identidade do Povo de Deus entre aqueles que foram para o Exílio na Babilônia e aqueles que ficaram
em Judá[1] .
O profeta se nega a participar de uma visão simplista (cap. 24) e coloca o assunto dentro da política realista: Sedecias
e a corte de Jerusalém são incapazes de salvar o povo do desastre. Por isso os deportados ainda são os que podem
trazer esperança, pois estão aprendendo uma dura lição. Essa idéia leva Jeremias novamente para a prisão[1] .
Pressionado por seus oficiais, Sedecias tenta armar uma revolta contra a Babilônia, que, fracassa, conforme previsto
por Jeremias. Jerusalém é sitiada pelos babilônios, nesse momento, Jeremias também vê nos camponeses uma luz
salvadora (32,15). Em 587 AC ocorre a segunda deportação[1] .
Livro de Jeremias 187

Quarto período: depois da queda de Jerusalém (a partir de 586 AC)


Em 586 AC, Nabucodonosor resolve destruir Jerusalém totalmente: incendeia o Templo, o palácio, as casas e
derruba as muralhas. Mas permite que Jeremias fique no país, então, o profeta vai viver com Godolias, novo
governador da Judéia[1] .
Nesse mesmo ano, Godolias é assassinado por um grupo antibabilônico, que se vê forçado a fugir para o Egito,
obrigando Jeremias a ir com eles. Esse grupo passa a residir na cidade de Táfnis, cidade situada a leste do Delta do
Nilo, onde passa a repreender a idolatria que seus conterrâneos ali praticavam (40,7-44,30).
Segundo o apócrifo Vida dos Profetas, escrito por um judeu da Palestina no séc. I DC Jeremias foi apedrejado e
morto por seus conterrâneos quando residia no Egito[3] .

Balanço
Pode-se dizer que a missão de Jeremias fracassou em querer que seu povo retornasse à genuína aliança com Deus.
Ele se tornou uma espécie de Moisés fracassado, que viu seu povo perder suas instituições e a própria terra[1] . Se
apresenta como um grande solitário (15:17), incompreendido e perseguido até pelos membros de sua família (12:6;
20:10; 16:5-9), nunca chegou a ser pai (16:1-4), foi arrastado contra a sua vontade para o Egito, nenhum vestígio
restará de sua tumba[11] .
No entanto, sua confiança no Deus que é sempre fiel lhe deu a capacidade de mostrar, ao povo e a nós, que esse
mesmo Deus manterá seu relacionamento conosco, sem precisar de instituições mediadoras (31,31-34)[1] . Ao
colocar em primeiro plano os valores espirituais, destacando o relacionamento íntimo que a alma deve ter com Deus,
ele antecipou elementos da Nova Aliança; e sua vida de sofrimentos a serviço de Deus, pode ter inspirado o Segundo
Isaías na construção da Imagem do Servo (Isaías 53)[10] .

Características literárias
Há quatro tipos de textos no livro de Jeremias[3] :
• Oráculos em forma de poesia, como 4:5-6:30;
• Relatos autobiográficos ou Confissões de Jeremias, em verso ou prosa, como 1:4-19; 11:18-12:6; 15:10-21;
17:14-18; 18:18-23 e 20:7-18, que não chegam a ser uma autobiografia, mas um testemunho comovente, com o
estilo empregado no Livro das Lamentações[12] .
• Relatos biográficos em terceira pessoa, atribuídos a Baruc, que não se encontram em ordem cronológica,
entretanto, por meio da seguinte sequência de trechos: 19:1-20:6; 26; 45; 28-29; 51:59-64; 34:8-22; 37-44,
pode-se fazer uma leitura destes na ordem cronológica[12] .;
• Discursos em prosa, em número de 10, de autoria incerta, mas que muitos atribuem aos mesmos autores de Josué,
Juízes, I Samuel, II Samuel, I Reis, II Reis, a chamada Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr), possivelmente
composta por levitas, como 7:1-8.
As longas seções em prosa que ora estão na forma de diálogo e em outras ocasiões como narrativa, embora grande
parte da obra esteja esteticamente formatada com forte presença das então denominadas metáforas vivas,
utilizando-se com muita habilidade o idioma hebraico.
Segundo alguns estudiosos, o simbolismo utilizado pelo profeta serviria para personificar a sua mensagem, conforme
se vê em várias passagens, como a do cinto estragado[13] ou na aquisição de uma propriedade em Anatote.[14]
Livro de Jeremias 188

Adições
• a obra contém discursos em prosa com estilo semelhante ao Deuteronômio cuja a redação pode ser uma obra de
discípulos posterior ao Exílio na Babilônia, no séc. VII AC ou começo do séc. VI AC[10] ;
• o longo Óraculo contra a Babilônia (caps. 50 e 51) também data do final do Exílio[8] ;
• o cap. 52 é um apêndice histórico paralelo a 2Rs 24:18-25:30[8] .

Plano da Obra[15]
• 1:1-24:14 - Oráculos contra Judá;
• 26:1-45:5 - Oráculos de Salvação para Israel e Judá e relatos biográficos (provavelmente redigidos por Baruc[16]
);
• 25:15-38 (Introdução) e 46:1-51:64 - Oráculos contra as nações estrangeiras; (na Septuaginta não há
descontinuidade entre a introdução e o restante desta parte da obra, pois todo o corpo dos "Oráculos contra as
nações estrangeiras" inicia-se no cap 25 e é anterior aos "Oráculos de Salvação para Israel e Judá";
• 52:1-34 - Anexo baseado em 2Rs 24:18-25:30.

Processo de Composição
O livro de Jeremias passou por um longo e complicado processo de formação. Oráculos (= palavras proféticas)
isolados foram sendo reunidos ao longo dos anos, de modo que temos hoje uma antologia da pregação de Jeremias e
não uma obra perfeitamente planejada. Mais precisamente, pode-se dizer que temos uma antologia de antologias, em
um processo que começou ainda durante a vida de Jeremias e prosseguiu ao longo da época pós-exílica[3] .
A Septuaginta tem um texto de Jeremias bem mais curto do que o Texto Massorético, além de colocar vários
oráculos noutra ordem. Isso permite supor que existiram dois textos independentes de Jeremias: um mais antigo e
mais curto, que se perdeu, e que serviu de base para a Septuaginta; outro, mais recente, que recolheu vários
acréscimos, e que nos foi transmitido pelos massoretas (= os rabinos "transmissores" do texto hebraico)[3] .

Confissões de Jeremias [3]


As "confissões" são diálogos com Iahweh, lamentos, orações, disputas, que ocorreram durante o governo de
Joaquim, quando que Jeremias mais sentiu o peso de sua missão. Obrigado a ser do contra, a pregar a desgraça para
o seu povo, a remar contra a corrente, ameaçado, rejeitado, caluniado, desprezado, ele se lamenta, amaldiçoando até
mesmo o dia em que nasceu.
É possível que tenham sido escritos em 605 AC como um desabafo, podem ser lidos como uma síntese das crises
vividas pelo profeta desde o começo de sua atividade. São 5 trechos:
• Jr 11:18-12:6 - Lamenta que seus conterrâneos e familiares tentaram matá-lo em Anatot, quando jovem e
questiona porque persiste a prosperidade dos ímpios e a paz dos apóstatas, daqueles que vivem falando em
Iahweh, mas na verdade estão muito longe dele, daqueles que têm uma fachada de piedade, mas não estão, de
fato, com Iahweh.
• Jr 15:10-11.15-21 - Questiona se vale a pena ser profeta e confessa estar sendo tentado a desistir, aceitar a
cooptação, "ser normal", passar para o lado daqueles a quem ele critica para sair da solidão a que é obrigado a
viver.
• Jr 17:14-18 - Apela a Iahweh contra os seus perseguidores que lhe cobram a realização da palavra por ele
pregada, se sente desacreditado perante seus ouvintes, porque as desgraças prometidas não acontecem.
• Jr 18:18-23 - Denuncia nova trama contra a sua vida, seus adversários argumentam que podem tranqüilamente
eliminá-lo, já que tem apoio dos sacerdotes, dos sábios e dos profetas ligados aos interesses da corte. Fica triste ao
perceber que estes que querem eliminá-lo são os mesmos a quem ele tantas vezes defendeu diante de Iahweh.
Livro de Jeremias 189

• Jr 20:7-10.14-18 - Usando fortes imagens, chega ao máximo de sua angústia, acredita que Iahweh o enganou: o
seduziu para ser profeta e o dominou, para depois abandoná-lo, quando todos querem sua queda, inclusive seus
amigos e por isso, ele quer parar de ser profeta, mas o problema é que não consegue, pois as palavras de Iahweh
queimam-no como fogo que atinge até os ossos. Então, amaldiçoa o dia em que nasceu: "Maldito o dia em que eu
nasci! (...) Maldito o homem que deu a meu pai a boa nova: 'Nasceu-te um filho homem!' (...) porque ele não me
matou desde o seio materno, para que minha mãe fosse para mim o meu sepulcro e suas entranhas estivessem
grávidas para sempre. Por que saí do seio materno para ver trabalhos e penas e terminar os meus dias na
vergonha?".
[1] Jeremias (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PPC. HTM), Edição Pastoral da Bíblia
[2] Por outro lado, Airton José da Silva sustenta que seria da casa de Eli e considera viável a hipótese de ser um descendente de Abiatar, chefe
dos levitas em Jerusalém na época do rei David, e que foi desterrado para Anatot por Salomão, segundo 1Rs 2,26-27 em Perguntas mais
Frequentes sobre o Profeta Jeremias (http:/ / www. airtonjo. com/ faq_jeremias. htm), acessado em 12 de agosto de 2010
[3] Perguntas mais Frequentes sobre o Profeta Jeremias (http:/ / www. airtonjo. com/ faq_jeremias. htm), acessado em 12 de agosto de 2010
[4] Por outro lado, Airton José da Silva sustenta que provavelmente jamais assumiu qualquer função sacerdotal em Perguntas mais Frequentes
sobre o Profeta Jeremias (http:/ / www. airtonjo. com/ faq_jeremias. htm), acessado em 12 de agosto de 2010
[5] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[6] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
[7] jeremias (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ 9N. HTM), acessado em 12 de agosto de 2010
[8] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.241
[9] Por outro lado, a Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 709, pondera que é possível que o relato do início da
vocação profética no início do Reinado de Josias, baseie-se numa tradição tardia, e que a atividade profética de Jeremias teria se iniciado entre
609 e 608 AC
[10] Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.240
[11] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 707
[12] Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.239
[13] Jeremias 13:1-11
[14] Jeremias 32:6-15
[15] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 711
[16] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 712

Ligações externas
• Esboço do livro de Jeremias (http://www.vivos.com.br/100.htm) (em português)
• Book of Jeremiah Confirmed? (http://www.archaeology.org/online/features/jeremiah/) (em inglês) Scholars
link biblical and Assyrian records. Por Laura Sexton. "Acadêmicos fazem ligação entre registros bíblicos e
assírios".
• A Boost for the Book of Jeremiah (http://www.time.com/time/world/article/0,8599,1645738,00.html) (em
inglês)
Livro das Lamentações 190

Livro das Lamentações


O Livro das Lamentações ( ‫ הכיא‬ʾēḫā(h), Eikha ou Eiká, cuja tradução literal é "Como!", ou ainda "Oh!"[1] ) é um
livro que faz parte da subdivisão da Bíblia chamada de Profetas Maiores, nas Bíblias Cristãs.
Livro cuja autoria é tradicionalmente atribuída ao profeta Jeremias, quando com os próprios olhos via a destruição da
cidade de Jerusalém por Nabucodonosor, rei de Babilônia[2] , por volta do ano 589 a.C.
São cantos fúnebres que descrevem, de modo doloroso e poético, a destruição de Jerusalém pelos babilônicos em
586 AC, e os acontecimentos que se sucederam a essa catástrofe nacional: fome, sede, matanças, incêndios, saques e
exílio forçado (cf. 2Rs 24-25).
Esses poemas retratam a angústia de um povo humilhado, que faz exame de consciência, grita de arrependimento e
suplica perdão. Mostram o povo em situação desesperada, que perdeu tudo, menos a fé. Uma lembrança continua
presente: Deus é o Senhor de tudo e de todos. E, o que é melhor: ele não abandona o seu povo para sempre, e está
pronto para agir com misericórdia. Então o desespero cede lugar à oração, a uma confiança invencível, mesmo
quando já não existe motivo para nenhuma esperança.
As Lamentações são usadas na Liturgia da Igreja Católica por ocasião da Semana Santa, para lembrar o sofrimento
de Jesus. A tradição popular conservou, durante a procissão da Sexta-feira Santa, no canto da Verônica, um trecho
das Lamentações, posto na boca de Jesus: "Vocês todos que passam pelo caminho, olhem e prestem atenção: haverá
dor semelhante à minha dor?" (1,12)[3] .
Os judeus recitam o livro no grande jejum que lembra a destruição do Templo de Jerusalém[4] , no dia 9 do quinto
mês do Calendário judaico (ab)[1] .

Estilo Literário
Os caps. 1, 2 e 4 são cantos fúnebres, semelhantes a 2Sm 1:17ss[1] , o cap. 3 é uma lamentação individual e o cap. 5 é
uma lamentação coletiva, também conhecida como Oração de Jeremias[4] .
Os quatro primeiros poemas são alfabéticos, ou seja, as primeiras letras dos 22 versículos correspondem às 22 letras
do Alfabeto hebraico colocadas em ordem, havendo uma pequena diferença na ordem do alfabeto observada no
primeiro capítulo e a ordem observada nos três capítulos seguintes. Merecendo destaque o fato de que no terceiro
poema, o alfabetismo é tríplice, ou seja, a letra correspondente a cada verso é empregada no início das três primeiras
palavras de cada verso[1] .

Autoria
A atribuição da autoria à Jeremias é questionada, pois Jeremias, tal como é conhecido por seus oráculos, autênticos
não poderia ter dito que a inspiração profética tinha se esgotado (2:9), nem louvar Sedecias (4:20 x Jr 24:8), nem
esperar auxílio do Egito (4:17 x Jr 37:5-7), nem apoiar a doutrina da dívida pelos pecados dos pais (5:7 x Jr
31:29-30; 5:6 x Jr 2:18)[1] além disso seu gênio espontâneo é incompatível com o estilo erudito dos poemas que
estão no Livro das Lamentações[4] , havendo quem sustente que foram escritas por adversários de Jeremias[1] .
[1] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 1.324
[2] Por outro lado, a Edição Pastoral da Bíblia, sustenta que há indícios de que esta atribuição de autoria é artificial em Lamentações (http:/ /
www. paulus. com. br/ BP/ _PQT. HTM), acessado em 15 de agosto de 2010
[3] Lamentações (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PQT. HTM), Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 15 de agosto de 2010
[4] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.241
Baruque 191

Baruque
Baruc ou Baruque ou Baruk ben Neriá[1] é um personagem bíblico, sendo também o nome de um dos livros
deuterocanônicos do Antigo Testamento da Bíblia cuja autoria é atribuída ao próprio Baruque, que não era um
simples escriba, mas um sofer, um alto funcionário da administração babilônica na Judéia[1] .
Baruque teria sido um homem erudito e de família nobre, que foi secretário de Jeremias durante o Exílio na
Babilônia do povo israelita na Babilônia.
Filho de Nerias, irmão de Seraías, amigo e secretário do profeta Jeremias (Jr 36:4 ss). Era homem erudito, de nobre
família (Jr 51:59 ss), tendo servido fielmente ao profeta. Pelas instruções de Jeremias, escreveu Baruque as profecias
daquele profeta, comunicando-as aos príncipes e governadores. E um destes foi acusar de traição o escrevente e o
profeta Jeremias, mostrando ao rei, como prova das suas afirmações, os escritos, de que tinham conseguido lançar
mão. Quando o rei leu os documentos, foi grande o seu furor. Mandou que fossem presos os dois, mas eles
escaparam. Depois da conquista de Jerusalém pelos babilônios (586 a.C.), foi Jeremias bem tratado pelo rei
Nabucodonosor - e Baruque foi acusado de exercer influência sobre Jeremias a fim de não fugirem para o Egito (Jr
43:3). Mas, por fim, foram ambos compelidos a ir para ali com a parte remanescente de Judá (Jr 43:6). Durante o seu
encarceramento deu Jeremias a Baruque o título de propriedade daquela herdade que tinha sido comprada a
Hanameel (Jr 32:8-12).

O Livro de Baruc
A obra possui seis capítulos, sendo que a autoria dos cinco primeiros é tradicionalmente atribuída à Baruc, enquanto
que a autoria do sexto é atribuída a Jeremias.
A obra tem por objetivo mostrar como era a vida religiosa daquele povo, seus cultos e tem o mérito de conservar o
sentimento religioso dos israelitas dispersos pelo mundo todo após a ruína de Jerusalém e a perda de quase todas as
suas instituições. Mostra como eles conservaram viva a consciência de ser um povo adorador do verdadeiro Deus.
Ao mesmo tempo, mostra a consciência que tinham do desastre nacional: não atribuem tudo isso à infidelidade de
Javé; ao contrário, reconhecem que os males se originaram por culpa deles próprios: estão assim porque desprezaram
a palavra dos profetas, rejeitaram a justiça e a verdadeira sabedoria. Mas, ao lado dessa consciência de seus pecados,
conservam uma viva esperança, pois acreditam que Deus não abandona o seu povo e continua fiel às promessas. Se
houver arrependimento e conversão, poderão confiar no perdão divino: serão reunidos de novo em Jerusalém, que é
para sempre a cidade de Deus.
A carta do capítulo sexto é uma carta que nos leva aos templos pagãos, cujos ídolos estão empoeirados e carcomidos
de cupim. Esses ídolos, apresentados de forma atraente e grandiosa, não têm vida, nem são capazes de produzir vida:
"Não podem salvar ninguém da morte e nem podem livrar o fraco da mão do poderoso. Não são capazes de devolver
a vista ao cego nem de livrar um homem do perigo; não têm compaixão pela viúva nem prestam qualquer ajuda ao
órfão. Esses deuses de madeira prateada ou dourada parecem pedras tiradas do morro: quem se ocupa deles só vai
passar vergonha. Como, então, pensar ou dizer que são deuses?" (Br 6:35-39)[2] .
Baruque 192

Estrutura da Obra
O Livro de Baruc é composto de textos com gêneros literários diferentes[2] , que não devem ser nem do mesmo
autor nem da mesma época[3] .
Pode-se dividir a obra em cinco partes:
• 1. Capítulo 1:1-14: faz uma descrição da origem da obra, uma introdução (em prosa);
• 2. Capítulos 1:15 a 3:8: há confissão dos pecados de Israel (1:15-2:10) e suas orações, pedindo perdão(2:11-3:8),
foi escrita originalmente em hebraico (em prosa), e desenvolve a oração de Dn 9:4-19[4] .
• 3. Capítulos 3:9 a 4:4: Os profetas exortam o povo a parar de cometer erros e seguir os mandamentos dados (em
poesia, no estilo dos livros sapienciais).
• 4. Capítulos 4:4 a 5:9: O povo recebe por meio dos profetas a promessa de que será liberto do cativeiro (em
poesia).
• 5. Capítulo 6: Jeremias diz que o povo está idolatrando e que deve parar com isso (Carta de Jeremias - em
poesia), na Septuaginta este capítulo é um livro a parte, enquanto que na Vulgata e nas Bíblias Católicas é o
capítulo 6 do Livro de Baruc, parece ter sido escrita originalmente em hebraico e 2Mc 2:1-3 parece referir-se a
ela[4] .
Alguns capítulo dos livros de Baruque são conhecidos por nomes individuais:
• 1 Baruque: Livro de Baruque.
• 2 Baruque: Apocalipse siríaco de Baruque. Os capítulos 78-87 são também conhecidos por Carta de Baruque
à tribo dos nove e meio.
• 3 Baruque: Apocalipse de Baruque ou Apocalipse grego de Baruque.
• 4 Baruque: Paralipomena de Jeremias aparece como título em diversos manuscritos antigos gregos deste
capítulo, significando "coisas deixadas de fora de (do livro de) Jeremias".

Autoria
Embora a introdução (1:1-14) sustente que foi escrito por Baruc e enviado a Jerusalem para ser lido nas assembléias
litúrgicas, há estudos que indicam que os textos não foram escritos pelo próprio Baruc, o secretário de Jeremias, e
que, provavelmente, foram escritos no século II AC[2] ou em meados do séc I AC[5] .

Ver também
• Livros apócrifos
• Livros deuterocanônicos
[1] Tradução Ecumênica da Bíblia, Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 710
[2] Baruc (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PQZ. HTM), Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 15 de agosto de 2010
[3] Tradução Ecumênica da Bíblia, cit., p 1.815
[4] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.242
[5] Bíblia de Jerusalém, cit., pp 1.241-1.242
Ezequiel 193

Ezequiel
De acordo com a Bíblia hebraica, Ezequiel (em hebraico: ‫לאֵקְזֶחְי‬,
transl. Y'khizqel, AFI: [jəħ.ezˈqel]), "Deus fortalecerá", de ‫קזח‬,
khazaq, AFI: [kħaˈzaq], "força", e ‫לא‬, el, AFI: [ʔel], "Deus"), foi
um sacerdote que profetizou por 22 anos durante o século VI a.C.,
através de visões que teve durante o exílio da Babilônia, tal como
registrado no Livro de Ezequiel.

O cristianismo vê Ezequiel como um profeta, e o judaísmo


considera o seu livro como parte de seu cânone, considerando-o o
terceiro dos principais profetas. O islamismo fala de um profeta
chamado Dhul-Kifl, que costuma ser associado com Ezequiel.
• Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia
em inglês cujo título é Ezekiel.

Ligações externas
• "Ezekiel" (http://www.newadvent.org/cathen/05737b.htm)
- The Catholic Encyclopedia
O profeta Ezequiel, Capela Sistina, Vaticano.
• "Introduction to Ezekiel" (http://www.glocality.net/files/
G-2008-art-05-ScatoliniSS-LustJ_Introduction_to_Ezekiel.pdf), de S. Scatolini Apostolo e Johan Lust (pdf)

Daniel (profeta)
Daniel

Nome hebraico ou grego ‫לאינד‬

Pais Desconhecido

Filhos Não Teve

Anos de vida ?

Livros Daniel.

Daniel (em hebraico ‫ )לאינד‬é um dos vários profetas do Antigo Testamento. A sua vida e profecias estão incluídas
na Bíblia no Livro de Daniel. O significado do nome é "Aquele que é julgado por Deus" ou "Deus assim julgou", ou
ainda, "Deus é meu juiz"
No terceiro ano de Joaquim como rei de Judá, o rei Nabucodonosor, da Babilônia, atacou Jerusalém, e os seus
soldados cercaram a cidade. Nabucodonosor conquistou cidade e pilhou objetos de valor que estavam no Templo de
Jerusalém. Nabucodonosor levou esses objetos para a Babilônia e mandou colocá-los no templo do seu deus, na sala
do tesouro. O rei Nabucodonosor chamou Aspenaz, o chefe dos serviços do palácio, e mandou que escolhesse entre
os prisioneiros israelitas alguns jovens da família do rei e também das famílias nobres.
Todos eles deviam ter boa aparência e não ter nenhum defeito físico; deviam ser inteligentes, instruídos e ser capazes
de servir no palácio. E precisariam aprender a língua e estudar os escritos dos babilônios. Entre os que foram
escolhidos estavam Daniel, Ananias, Misael e Azarias, todos da tribo de Judá. Aspenaz lhes deu outros nomes
babilônicos, isto é, Beltessazar, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego respectivamente. Daniel ficou no palácio real até
Daniel (profeta) 194

o ano em que o rei Ciro começou a governar a Babilônia. Ele sempre foi respeitado, até mesmo pelos governantes,
por sua sabedoria. Não existem registros da data e circunstâncias de sua morte. Mas ele possívelmente morreu em
Susa, com oitenta e cinco anos, onde existe uma provável tumba onde estaria seu corpo, este lugar é conhecido como
'Shush-Daniel'.

O Livro de Daniel
Daniel escreveu um dos livros do Antigo
Testamento da Bíblia. O livro leva o nome
de seu protagonista, Daniel. Vários Livros
do Antigo Testamento recebem o nome de
seu principal herói como título, como por
exemplo os livros de Josué, Samuel, Ester,
Jó etc. Mas tal título não indica
necessariamente que essa pessoa foi a autora
do livro. No caso de Daniel além de
protagonista ele é o provável autor do Livro.

Daniel na cova dos leões.


Contexto histórico
O livro de Daniel contém um registo de certos incidentes históricos da vida de Daniel e de seus três amigos, judeus
deportados que estavam ao serviço do governo de Babilônia, e o registro de um sonho profético do rei
Nabucodonosor, interpretado por Daniel, juntamente com o registro de visões recebidas pelo mesmo profeta. Mesmo
o livro sendo escrito na Babilônia durante o cativeiro, e pouco depois dele, não tinha o propósito de proporcionar
uma história do desterro dos judeus nem uma biografia de Daniel. O livro relata as vicissitudes principais da vida do
estadista-profeta e de seus colegas, e foi compilado com fins específicos.
Antes de mais nada Daniel apresenta uma breve informação a respeito da razão pela qual ele se achava ao serviço do
rei de Babilônia (Daniel 1 [1]). Depois de terem sido levados para Babilônia no primeiro cativeiro no ano 605 a.C.,
durante a primeira campanha do rei Nabucodonosor contra Síria, Daniel e outros príncipes de sangue real foram
escolhidos para serem preparados para o serviço governamental. Os primeiros 19 anos da estada de Daniel em
Babilônia foram os últimos anos da existência do reino de Judá, ainda que estava subjugado por Babilônia. A inútil
política antibabilônica dos últimos reis de Judá atraiu catástrofe atrás de catástrofe sobre a nação judia.
O rei Jeoaquim, durante cujo reinado Daniel tinha sido levado cativo, permaneceu leal a Babilônia durante alguns
anos. No entanto, mais adiante cedeu à política do partido pró-egípcio de Judá, e se rebelou. Como resultado, o país
sofreu invasões militares; seus cidadãos perderam a liberdade e foram levados para o cativeiro, e o rei perdeu a vida.
Joaquim, seu filho e sucessor, depois de um breve reinado de só três meses, viu a volta dos exércitos babilônicos
para castigar a deslealdade dos judeus. Junto com milhares dos principais cidadãos de Judá, foi levado cativo no ano
597 a.C. Seu sucessor, Zedequias, evidentemente tratou de permanecer leal a Babilônia. No entanto, devido a sua
debilidade e vacilação não pôde resistir durante muito tempo às propostas do Egito e os sentimentos antibabilônicos
de seus principais conselheiros. Como resultado disto, Nabucodonosor já cansado das repetidas revoltas de Palestina,
decidiu acabar com o reino de Judá. Durante dois anos e meio os exércitos da Babilônia assolaram a terra de Judá,
tomaram e destruíram as cidades, inclusive Jerusalém com seu templo e seus palácios, e levaram cativos à maioria
dos habitantes de Judá no ano 586 a.C.
Daniel esteve na Babilônia durante esses dias agitados. Sem dúvida viu os exércitos babilônicos que se punham em
marcha para levar a cabo suas campanhas contra a Judéia e foi testemunha de seu regresso vitorioso e da chegada dos
cativos judeus. Entre os cativos esteve o jovem rei Joaquim com sua família (II Reis 24:10-16 [2]), e mais tarde o rei
Zedequias, a quem tinham arrancado os olhos (II Reis 25:7 [3]). Durante esses anos Daniel deve ter estado inteirado
Daniel (profeta) 195

da agitação política que existia entre os judeus deportados, que fez com que o rei mandasse queimar vivos a alguns
dos principais instigadores. Foi esta agitação a que impulsionou a Jeremias a enviar uma carta a seus compatriotas
exilados na que os aconselhava a levar uma vida sossegada e calma na Babilônia (Jeremías 29 [4]).
Durante esses anos Daniel e seus três amigos cumpriram lealmente e sem alardes seus deveres como servidores
públicos do rei e súditos do reino. Depois de sua esmerada instrução, chegaram a ser membros de um grupo seleto
chamado os sábios, os que serviam ao rei como conselheiros. Foi então quando Daniel teve excepcional
oportunidade de explicar a Nabucodonosor o sonho dos impérios futuros. Como resultado Daniel foi nomeado para
um cargo importante, que aparentemente reteve durante muitos anos. Esse cargo lhe deu a oportunidade de fazer que
o rei conhecesse o poder do Deus do céu e da terra, a quem serviam Daniel e seus amigos. Não se sabe quanto tempo
permaneceu Daniel nesse importante cargo. Aparentemente o perdeu antes do ano 570 a.C. já que seu nome não se
encontra no "Almanaque da Corte e o Estado", escrito em cuneiforme, que contém a lista dos principais servidores
públicos do governo de Nabucodonosor nesse tempo. Não existem outros "Almanaques da Corte e o Estado" que
sejam do tempo do reinado de Nabucodonosor. Na verdade, não se menciona a Daniel em nenhum documento
extra-bíblico da época.
A ausência do nome de Daniel neste documento não é estranha, já que não sabemos quanto tempo permaneceu
Daniel desempenhando um cargo público. Só se registram no livro de Daniel quatro acontecimentos principais do
reinado de Nabucodonosor, e em três deles figura Daniel:
• A educação dos príncipes judeus durante os três primeiros anos de seu reinado, o que inclui no ano ascensional
• A interpretação do sonho de Nabucodonosor no segundo ano do reinado do monarca
• A dedicação da imagem na Planície de Dura e a libertação extraordinária dos amigos de Daniel, num ano não
especificado
• A interpretação do sonho de Nabucodonosor feita por Daniel, quem anunciou que o rei perderia a razão durante
sete anos, o que provavelmente ocorreu durante os últimos anos do monarca
Não se sabe nada das atividades de Daniel durante os anos quando Nabucodonosor esteve incapacitado. Também não
sabemos o que fez Daniel depois de que o rei recobrou suas faculdades e seu trono, ou se prestou serviços durante os
reinados dos reis posteriores: Amel-Marduk, Nergal-sar-usur, Labasi-Marduk, e Nabonido. No entanto, ele pode ver
a decadência moral e a corrupção do poderoso império de Nabucodonosor, governado por reis que tinham
assassinado a seus predecessores.
Daniel também deve ter observado com sumo interesse o rápido crescimento do rei Ciro de Pérsia no oriente, já que
o nome 'Ciro' tinha sido mencionado na profecia como libertador de Israel (Isaías 44:28 [5]; 45:1 [6]). É também
possível que no ano 553 a.c. Daniel visse a Nabonido nomear a seu filho Belsasar como rei da Babilônia enquanto
Nabonido ia à conquista de Tema, na Arábia. Foi durante os três primeiros anos do reinado de Belsasar que Daniel
recebeu grandes visões (Daniel 7-8 [7]), e o homem que até então tinha sido conhecido só como intérprete de sonhos
e visões se transformou num dos grandes profetas de todos os tempos: Daniel.
Os babilônios pediram novamente os serviços de Daniel durante a noite da queda de Babilônia no ano 539 a.C., para
que lesse e interpretasse a escritura fatal no muro da sala de banquetes de Belsasar. Depois de que os Persas se
adonaram da Babilônia e de seu império, os novos governadores aproveitaram dos talentos e da experiência do
ancião estadista da geração passada. Outra vez Daniel chegou a ser o principal conselheiro da coroa. Foi ele quem
mostrou ao rei as profecias de Isaías, as quais influíram sobre o monarca persa para que promulgasse Declaração de
Ciro, o decreto que terminava com o desterro dos judeus e lhes dava novamente uma pátria e um templo. Durante
esta última parte da atuação pública de Daniel teve um atentado contra sua vida promovido por invejosos, mas o
Senhor interveio maravilhosamente e liberou a seu servo (Daniel 6 [8]). Ademais recebeu outras visões importantes
durante estes últimos anos de sua vida, primeiro durante o reinado de Dario o Medo e depois durante o de Ciro
(Daniel 10 [9], 11 [10] e 12 [11])
Daniel (profeta) 196

O autor
A opinião tradicional, tanto de judeus como de cristãos, é que o livro foi escrito no século VI a.c., e que Daniel foi
realmente o autor. As evidências em favor dessa opinião são as seguintes:
• Afirmações presentes no próprio Livro. O profeta Daniel fala em primeira pessoa em muitas passagens (Daniel
8:1-7 e 13-19 [12], 27 [13]; 9:2-22 [14]; 10:2-5 [15]; etc.). Afirma que recebeu pessoalmente a ordem divina de
preservar o livro (Daniel 12 [16]). O fato de que existam seções nas quais o autor se refira a si mesmo em terceira
pessoa não é estranho, já que esse estilo é freqüente em obras antigas.
• O autor conhece bem a história. Somente um homem do século II a.c., bem versado em assuntos babilônicos,
poderia ter escrito quanto a alguns dos fatos históricos que se encontram no livro. O conhecimento desses fatos se
perdeu depois do século II a.c., pois não se registrou em outra literatura antiga posterior. Descobertas
arqueológicas mais ou menos recentes trouxeram estes fatos novamente à luz.
• O depoimento de Jesus Cristo. Jesus mencionou a Daniel como sendo o autor (Mateus 24:15 [17]). Para todo
cristão este depoimento é uma evidência convincente.

A organização do livro
O livro se divide em duas partes fáceis de distinguir. A primeira (Capítulos 1 a 6) é principalmente histórica. A
segunda (Capítulos 7 a 12) tem um cunho profético. Apesar disto o livro constitui uma unidade literária. Para
defender tal unidade podem apresentar-se os seguintes argumentos:
• As diferentes partes do livro estão mutuamente relacionadas entre si. Se poderá compreender o uso dos copos do
templo no banquete de Belsasar se for levado em conta como chegaram a Babilônia (Daniel 5:3 [18]; 1:1 [19]-2
[20]
). No verso 3:12 se faz referência a uma medida administrativa de Nabucodonosor que se descreve no verso
2:49. No verso 9:21 se faz referência a uma visão prévia (Daniel 8:15 [21]-16 [22]).
• A parte histórica contém uma profecia (Daniel 2 [23]) estreitamente relacionada com o tema das profecias que se
encontram na última parte do livro (Daniel 7 a 12). O capítulo 7 [24] amplia o tema tratado no capítulo 2 [23]. Há
também uma relação evidente entre elementos históricos e proféticos. A seção histórica (Daniel 1 a 6) constitui
uma narração do trato de Deus com uma nação, Babilônia, e o papel desta no plano divino. Este relato tem o
propósito de ilustrar a forma em que Deus trata a todas as nações. A semelhança do que ocorreu com Babilônia,
cada um dos impérios mundiais sucessivos que se descrevem graficamente na parte profética do livro, recebeu
uma oportunidade de conhecer a vontade divina e de cooperar com ela, e cada um teria de ser medido pela
fidelidade com que cumpriu o propósito divino. Desta maneira o surgimento e a queda das nações representadas
na parte profético devem compreender-se dentro do marco dos princípios expostos na parte histórica, vistos em
ação no caso da Babilônia. Este fato converte às duas seções do livro numa unidade e mostrando o papel
desempenhado por cada um dos impérios mundiais.
Daniel (profeta) 197

Achados arqueológicos
Na primeira gruta de Qumran existiam três fragmentos
do livro de Daniel, os quais foram publicados por D.
Barthélemy e J. T. Milik, em Discoveries in the Judaean
Desert I: Qumran Cave I (Descobertas no deserto da
Judéia l: Caverna 1 de Qumran), (Oxford, 1955),
pp. 150–152. Os fragmentos provem de dois rolos ou de
um mesmo Livro, nos quais os capítulos 1 [25] e 2 [23]
foram escritos por um escriba e o capítulo 3 [26] por
outro. Uma comparação deste texto com o texto
massorético mostra 16 variantes, nenhuma das quais
afeta o significado da passagem. As diferenças são tão
insignificantes que não se notariam numa tradução.

Este é um poderoso argumento para sustentar que o texto


hebreu de Daniel está agora essencialmente na mesma
forma em que estava pelo menos no tempo de Cristo.
Também é interessante o fato de que o capítulo 2 [23]
inclui a passagem na qual ocorre uma mudança do
idioma do hebraico para aramaico. Nesse ponto há um
espaço em branco entre a última palavra em hebraico e a
primeira em aramaico, o que faz uma distinção clara
entre as seções dos dois idiomas. É também digno de
notar que, da mesma maneira que o texto masorético,
estes fragmentos não contêm o canto apócrifo dos três Cavernas de Qumran.

meninos.

A quarta gruta de Qumran produziu fragmentos de couro de três manuscritos de Daniel (ainda não publicados em
1984), os quais, segundo se informou, estão em bom estado de conservação e representam porções consideráveis do
livro. F. M. Cross, em Biblical Archaeologist, 19 (1956), 85-86; em Revue Biblique, 63 (1956), p. 58.
Da sexta gruta de Qumran procedem vários fragmentos de papiros de Daniel, os que representam os versos 8:20
[27]
-21 [28]; 10:8-16 [15]; e 11:33-38 [29] (contêm nove variações ortográficas menores). Foram publicados por M.
Baillet em Discoveries in the Judaean Desert III: Les Petites rottes de Qumran (Descobertas no deserto da Judeia III:
as pequenas grutas de Qumran), (Oxford, 1962).

Confiabilidade do texto
Desde que o filósofo Porfírio realizou os primeiros grandes ataques contra a historicidade de Daniel (233-304 d.c.),
este livro tem estado exposto aos embates dos críticos, ao princípio só de vez em quando, mas durante os dois
últimos séculos o ataque foi constante. Por isso muitíssimos eruditos cristãos de hoje consideram que o livro de
Daniel é obra de um autor anônimo que viveu no século II a.c., mais ou menos no tempo da revolução macabeia.
Estes eruditos dão duas razões principais para localizar o livro de Daniel nesse século:
• Entendem que algumas profecias se referem a Antíoco IV Epífanes (175-163 a.c.), e que a maior parte das
profecias - pelo menos daquelas cujo cumprimento foi demonstrado - teriam sido escritas depois de ocorridos os
acontecimentos descritos, as profecias de Daniel devem localizar-se com posterioridade ao reinado de Antíoco IV.
• Segundo seus argumentos, as seções históricas de Daniel contêm o registo de certos acontecimentos que não
concordam com os fatos históricos conhecidos de acordo com os documentos disponíveis, estas diferenças podem
ser explicadas se o autor não tivesse vivido os acontecimentos, e portanto só possuísse um conhecimento limitado
Daniel (profeta) 198

do que tinha ocorrido 400 anos antes, nos séculos VII e VI a.c.
O primeiro dos dois argumentos não tem validade para os cristãos porque estes creem que os inspirados profetas
realmente faziam predições precisas quanto ao curso da história. O segundo argumento merece um maior
atendimento e por isso apresentamos aqui um breve estudo a respeito da validez histórica do livro de Daniel.
É verdade que Daniel descreve alguns acontecimentos que ainda hoje não podem ser verificados por meio dos
documentos de que dispomos. Um desses acontecimentos é a loucura de Nabucodonosor, que não se menciona em
nenhum registo babilônico que exista hoje. A ausência de comprovação de uma incapacidade temporaria do maior
rei do Império Neo-Babilônico não é um fenômeno estranho num tempo quando os registos reais só continham
narrações dignas de louvor. Darío, o Medo, cujo verdadeiro lugar na história não foi estabelecido por fontes
fidedignas alheias à Bíblia, é também um enigma histórico. Encontram-se insinuações quanto a sua identidade nos
escritos de alguns autores gregos e em informação fragmentaria de fontes cuneiformes.
As outras supostas dificuldades históricas que confundiam aos comentaristas conservadores de Daniel, foram
resolvidas pelo aumento do conhecimento histórico que nos proporcionou a arqueologia. Mencionaremos a seguir
alguns destes problemas mais importantes que já foram resolvidos:
• A suposta discrepância cronológica entre Daniel 1:1 [19] e Jeremias 25:1 [30]. Jeremías, que segundo o critério
geral dos eruditos é uma fonte histórica digna de confiança, sincroniza o 4.º ano de Joaquim de Judá com o
primeiro ano de Nabucodonosor da Babilônia. No entanto, Daniel fala que a primeira conquista de Jerusalém
efetuada por Nabucodonosor ocorreu no terceiro ano de Joaquim, com o que indubitavelmente afirma que o
primeiro ano de Nabucodonosor coincide com o terceiro ano de Joaquim. Antes da descoberta de registos dessa
época que revelam os variados sistemas de computar nos anos de reinado dos antigos monarcas, os comentaristas
tinham dificuldade para explicar esta aparente discrepância. Tratavam de resolver o problema supondo uma
corregencia de Nabucodonosor com seu pai Nabopolasar ou pressupondo que Jeremías e Daniel localizavam os
acontecimentos segundo diferentes sistemas de datas: Jeremías segundo o sistema judeu e Daniel segundo o
babilônico. Ambas explicações já não são válidas. Resolveu-se a dificuldade ao descobrir que os reis babilonios,
como os de Judá desse tempo, contavam os anos de seus reinados segundo o método do "ano de ascensão". O ano
em que um rei babilonio ascendia ao trono não se contava oficialmente como seu primeiro ano, mas como o ano
de ascensão ao trono. Seu primeiro ano, é o primeiro ano completo no calendário, não começava até o próximo
dia de ano novo, quando, numa cerimônia religiosa, tomava as mãos do Deus babilônico Bel. Também sabemos
por Josefo e pela Crônica Babilônica (documento que narra os acontecimentos dos onze primeiros anos de
Nabucodonosor, descoberto em 1956) que Nabucodonosor estava empenhado numa campanha militar na
Palestina contra Egito quando seu pai morreu e ele tomou o trono. Portanto, Daniel e Jeremías concordam
completamente. Jeremías sincronizou o primeiro ano do reinado de Nabucodonosor com o quarto ano de Joaquim,
enquanto Daniel foi tomado cativo no ano que subiu ao trono Nabucodonosor, ano que ele identifica como o
terceiro de Joaquim.
• Nabucodonosor como grande construtor de Babilonia. De acordo com os historiadores gregos, Nabucodonosor
desempenhou um papel insignificante na história antiga. Nunca se referem a ele como um grande construtor ou
como o criador de uma nova e maior Babilonia. Todo leitor das histórias clássicas gregas reconhecerá que esta
honra é dada à rainha Semiramis. No entanto, os registos cuneiformes dessa época, descobertos por arqueólogos
durante os últimos cem anos, mudaram inteiramente o quadro apresentado pelos autores clássicos e confirmaram
o relato do livro de Daniel que atribui a Nabucodonosor a construção - em verdade reconstrução - da "Grande
Babilonia" (Daniel 4:30 [31]). Descobriu-se agora que Semiramis era rainha mãe em Assiria, regente de seu filho
menor de idade Adad-nirari III (810-782 a.c.), e não reinou em Babilônia como afirmavam as fontes clássicas. As
inscrições mostraram que ela não teve nada que ver com a construção de Babilonia. Por outro lado, numerosas
inscrições de Nabucodonosor que ficaram nas construções provam que ele foi o criador de uma nova Babilonia,
pois reedificou os palácios, templos e a torre-templo da cidade, e adicionou novos edifícios e fortificações. Já que
essa informação se tinha perdido completamente antes da época helenística, nenhum autor poderia tê-la, salvo um
Daniel (profeta) 199

neo-babilônico. A presença de tal informação no livro de Daniel é motivo de perplexidade para os eruditos
críticos que não crêem que o livro de Daniel foi escrito no século VI, senão no II. Um exemplo típico de seu
dilema é a seguinte afirmação de R. H. Pfeiffer, da Universidade de Harvard: "Provavelmente nunca saberemos
como soube nosso autor que a nova Babilonia era criação de Nabucodonosor… como o provaram as
escavações" - (Introduction to the Old Testament - New York, 1941).
• Belsasar, rei de Babilonia. O assombroso relato da descoberta feita por orientalistas modernos a respeito da
identidade de Belsasar. O fato de que o nome deste rei não se tivesse encontrado em fontes antigas alheias à
Bíblia, enquanto Nabonido sempre aparecia como o último rei de Babilonia antes da conquista dos persas,
usava-se como um dos mais poderosos argumentos na contramão da historicidade do livro de Daniel. Mas as
descobertas efetuadas desde meados do século XIX refutaram a todos os críticos de Daniel neste pespeito e têm
vindicado de maneira impressionante o caráter fidedigno do relato histórico do profeta com respeito a Belsasar.
• Os idiomas do livro. Como Esdras, uma parte do livro de Daniel foi escrita em hebraico e outra parte em
aramaico. Alguns explicaram este uso de dois idiomas supondo que no caso de Esdras o autor tomou documentos
aramaicos, acompanhados com suas descrições históricas, e os incorporou a seu livro, o restante estava escrito em
hebraico, o idioma nacional de seu povo. Mas tal interpretação não se acomoda com o livro de Daniel, onde a
seção aramaica começa com o versículo 2:4 [32] e termina com o último versículo do capítulo 7 [33]. A seguir há
uma lista parcial das muitas explicações que oferecem os eruditos quanto a este problema, junto com algumas
observações entre parênteses que parecem contradizer a validez dessas explicações:
1. O autor escreveu os relatos históricos para quem falavam aramaico, e as profecias para os eruditos de fala hebréia.
(No entanto existe aramaico nos capítulos 2 [23] e 7 [24] - ambos contêm grandes profecias - indica que esta opinião
não é correta.)
2. Os dois idiomas mostram a existência de duas fontes. (Esta opinião não pode ser correta porque o livro tem uma
unidade marcante, coisa que até mesmo alguns críticos radicais reconheceram)
3. O livro foi escrito originalmente em um idioma, e mais tarde algumas partes foram traduzidas. (Este ponto de vista
deixa sem contestar a pergunta quanto à razão pela qual se traduziram só algumas seções ao outro idioma e não todo
o livro.)
4. O autor publicou o livro em duas edições, uma em hebreu, outra em aramaico, para que toda classe de gente
pudesse lê-lo; durante as perseguições no tempo dos Macabeos, algumas partes do livro se perderam, e as partes que
se puderam salvar das duas edições foram reunidas num livro sem fazer mudanças (esta idéia tem o defeito de não
poder ser comprovada e de basear-se em demasiadas conjecturas.)
5. O autor começou a escrever em aramaico no ponto onde os caldeos se dirigiram "ao rei em língua aramea" (Daniel
2:4 [32]), e continuou neste idioma enquanto escrevia nesse tempo; mas depois, quando voltou a escrever, usou o
hebreu (Daniel 8:1 [34]).
A última opinião aparentemente está bem orientada porque parecesse que as diferentes seções do livro foram escritas
em diferentes ocasiões. Pelo fato de ser um culto servidor público do governo, Daniel falava e escrevia em vários
idiomas. Provavelmente escreveu alguns dos relatos históricos e algumas das visões em hebreu, e outras em
aramaico. Partindo desta suposição, o capítulo 1 [25] teria sido escrito em hebreu, provavelmente durante o primeiro
ano de Ciro, e os relatos dos capítulos 3 [35] ao 6 [36] em aramaico em diferentes ocasiões. As visões proféticas foram
registradas na maior parte em hebreu (Daniel 8 a 12), ainda que a visão do capítulo 7 [37] foi escrita em aramaico.
Por outro lado, o relato do sonho de Nabucodonosor (Daniel 2 [23]) foi escrito em hebreu até o ponto em que se cita o
discurso dos caldeos (Daniel 2:4 [32]); e desde este ponto até o fim da narração o autor usou o aramaico.
Ao final de sua vida, quando Daniel reuniu todos seus escritos para formar um só livro, é possível que não tivesse
considerado necessário traduzir certas partes para dar ao livro unidade lingüística, já que sabia que a maior parte de
seus leitores entenderiam os dois idiomas.
Daniel (profeta) 200

Aqueles que datam a origem de Daniel no


século II a.c. têm também o problema de
explicar por que um autor hebreu do período
macabeo escreveu parte de um livro em
hebreu e outra parte do mesmo em
aramaico.
Também as peculiaridades ortográficas das
seções arameas do livro de Daniel são
parecidas às do arameo do Ásia ocidental
dos séculos IV e III a.c., devido
possivelmente a uma modernização do
idioma, há diferenças notáveis. A ortografia
não pode dizer-nos muito quanto à data
quando se escreveu o livro, bem como a
última revisão do texto da RVR não pode Fragmentos dos Pergaminhos do Mar Morto.

tomar-se como prova de que a Bíblia foi


originalmente escrita ou traduzida no século XX d.c. No máximo, as peculiaridades ortográficas podem indicar
quando se fizeram as últimas revisões da ortografia.
Entre os Rolos descoberto no Mar Morto há vários fragmentos de Daniel que provem do século II a.c. Pelo menos
dois deles contêm a seção do capítulo 2 [23] onde se faz a mudança do hebreu ao arameo e mostram claramente o
caráter bilingue do livro nessa data.

O tema do livro segundo a perspectiva cristã


Com justiça poderíamos chamar ao livro de Daniel um manual de história e de profecia. A profecia é uma visão
antecipada da história; a história é um repasso retrospectivo da profecia. Segundo a crença cristã o elemento
previsivo permite que o povo de Deus veja as coisas transitórias à luz da eternidade, põe-no alerta para atuar com
eficácia em determinados momentos, facilita a preparação pessoal para a crise final e, ao cumprir-se a predição,
proporciona uma base firme para a fé.
Para os cristão as quatro principais profecias do livro de Daniel fazem ressaltar num breve esboço, e tendo como
marco de fundo a história universal, o futuro do povo de Deus desde os dias de Daniel até o fim do tempo. Cada uma
das quatro grandes profecias atinge um pináculo quando "o Deus do céu" levanta "um reino que não será destruído"
(Dn 2:44), quando o "filho do homem" recebe "domínio eterno" (Daniel 7:13-14), quando a oposição ao "Príncipe
dos Príncipes" será quebrantada "não por mão humana" (Dn 8:25) e quando o povo de Deus será livrado para
sempre de seus opressores (Dn 12:1). Portanto para os cristão, as profecias constituem uma ponte divinamente
construída desde o abismo do tempo até as ribeiras sem limites da eternidade, uma ponte sobre o qual aqueles que,
como Daniel propõem em seu coração amar e servir a Deus, pela fé poderão passar desde a incerteza e a aflição da
vida presente à paz e a segurança da vida eterna.
A seção histórica do livro de Daniel revela, em forma surpreendente, a verdadeira filosofia da história. Esta seção
serve de prefácio para a seção profética. Ao dar-nos um relato detalhado do trato de Deus com Babilonia, o livro nos
capacita para compreender o significado do surgimento e da queda de outras nações cujas histórias estão
embaralhadas na porção profético do livro.
Na seção histórica do livro encontramos a Daniel, cara a cara ante Nabucodonosor, o gênio do mundo pagão, para
que o rei tivesse a oportunidade de conhecer ao Deus de Daniel, árbitro da história, e cooperasse com ele.
Nabucodonosor não só era o monarca da nação maior desse tempo mas também era muito sábio e tinha um sentido
inato do direito e da justiça. Em verdade, era a personalidade mais sobressalente do mundo gentio, o "poderoso das
nações" (Ez 31:11). Segundo Jeremias, dele Deus disse: "Agora eu pus todas estas terras em mãos de
Daniel (profeta) 201

Nabucodonosor rei de Babilônia, meu servo" (Jr 27:6). Ao impor os judeus o cativeiro na Babilônia era desejável
que existisse uma mão firme, mas que não fosse cruel, como eram as normas daquele tempo. A missão de Daniel na
corte de Nabucodonosor foi a de conseguir a submissão da vontade do rei à vontade de Deus para que se realizassem
os propósitos divinos.
Os primeiros quatro capítulos de Daniel descrevem os meios pelos quais, segundo Daniel, Deus conseguiu a
obediência de Nabucodonosor. Em primeiro lugar, Deus precisava de um homem que fosse um digno representante
dos princípios celestiais e do plano de ação divino na corte de Nabucodonosor; por isso escolheu a Daniel para que
fosse seu embaixador pessoal ante Nabucodonosor. Os recursos que empregou Deus para atrair favoravelmente o
atendimento do monarca para o cativo Daniel, e os meios pelos quais Nabucodonosor chegou a confiar primeiro em
Daniel e depois no Deus de Daniel, ilustram a maneira em que o Altíssimo usa aos homens hoje para cumprir sua
vontade na terra.
Deus pôde usar a Daniel porque este era um homem de princípios, um homem que tinha um caráter genuíno, um
homem cujo principal propósito na vida era viver para Deus.
Daniel "propôs em seu coração" (Daniel 1:8) viver em harmonia com toda a vontade revelada de Deus. Primeiro,
Deus o pôs "em graça e em boa vontade" com os servidores públicos de Babilônia. Isto preparou o caminho para um
segundo passo, a demonstração da superioridade física de Daniel e de seus parceiros (vv. 12-15). Depois seguiu uma
demonstração de superioridade intelectual. "Deus lhes deu conhecimento e inteligência em todas as letras e ciências"
(v. 17), com o resultado de que se os considerou "dez vezes melhores" que a seus competidores mais próximos (v.
20). Dessa maneira, tanto em sua personalidade como no aspecto físico e intelectual Daniel demonstrou ser muito
superior a seus colegas; e foi bem como ganhou a confiança e o respeito de Nabucodonosor.
Estes acontecimentos prepararam ao monarca para que conhecesse ao Deus de Daniel. Uma série de acontecimentos
dramáticos: o sonho do capítulo 2, a maravilhosa libertação do forno ardente (Daniel 3) e o sonho do capítulo 4
mostraram ao rei a sabedoria, o poder e a autoridade do Deus de Daniel. A inferioridade da sabedoria humana,
exibida no capítulo 2, fez que Nabucodonosor admitisse ante Daniel: "Certamente o Deus vosso é Deus de deuses, e
Senhor dos reis, e o que revela os mistérios" (Dn 2:47).
Daniel (profeta) 202

Reconheceu espontaneamente que a sabedoria divina


era superior, não só à sabedoria humana, senão ainda à
suposta sabedoria de seus próprios deuses. O
acontecimento da imagem de ouro e do forno de fogo
ardente fez que Nabucodonosor admitisse que o Deus
dos céus "livrou a seus servos" (cap. 3: 28). Sua
conclusão foi que ninguém em todo seu reino deveria
dizer "blasfêmia contra o Deus" dos hebreus, em vista
de que "não há deus que possa livrar como este" (v.
29). Então Nabucodonosor reconheceu que o Deus do
céu não era só sábio senão poderoso, que não só era
omnisciente como também omnipotente. O terceiro
acontecimento, os sete anos durante os quais sua
decantada sabedoria e poder lhe foram transitoriamente
tirados, ensinaram ao rei não só que "o Altíssimo" é
sábio e poderoso senão que exerce essa sabedoria e
poder para reger os assuntos humanos (cap. 4: 32). Tem
sabedoria, poder e autoridade. É notável que o primeiro
ato de Nabucodonosor depois de que recuperasse a
razão foi alabar, engrandecer e glorificar ao "Rei do
céu" e reconhecer que Deus "pode humilhar" a "os que
O profeta Daniel feito em pedra sabão por Aleijadinho no adro do
estão com soberba" (v. 37), como o tinha feito ele Santuário do Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas do Campo.
durante tantos anos.
Mas as lições que Nabucodonosor aprendeu pessoalmente durante um período de muitos anos não beneficiaram a
seus sucessores no trono de Babilônia. O último rei de Babilônia, Belsasar, desafiou abertamente ao Deus do céu
(cap. 5:23) apesar de que conhecia o que lhe tinha sucedido a Nabucodonosor (v. 22). Em lugar de fazer em
harmonia com o plano divino, "Babilônia se converteu em orgulhosa e cruel opressora" e ao recusar os princípios
celestiais forjou sua própria ruína. A nação foi pesada e foi achada falta (cap. 5: 25-28), e o domínio mundial passou
aos persas.
Ao livrar a Daniel do fosso dos leões, Deus demonstrou seu poder e autoridade ante os governantes do Império Persa
(cap. 6:20-23) como o tinha feito anteriormente ante os de Babilônia. Um edital de Dario em Média reconhecia ao
"Deus vivente" e admitia que ele "permanece por todos os séculos" (v. 26). Ainda "a lei em Média e de Pérsia, a qual
não pode ser abrogada" (v. 8) deveu ceder ante os decretos do "Altíssimo" que "tem o domínio no reino dos homens"
(cap. 4: 32). Ciro foi favoravelmente impressionado pela milagrosa prova do poder divino exibida na libertação de
Daniel do fosso dos leões. As profecias que falam de seu papel na restauração de Jerusalém e do templo (Isa. 44: 26
a 45: 13) também o impressionaram grandemente.
Assim é como o livro de Daniel expõe os princípios de acordo com os quais operam a sabedoria, o poder e a
autoridade de Deus através da história das nações, para o cumprimento final do propósito divino. "Deus engrandeceu
a Babilônia para que pudesse cumprir seu propósito". Ela teve seu período de prova, "fracassou, sua glória se
murchou, perdeu seu poder, e seu lugar foi ocupado por outra nação".
As quatro visões do livro de Daniel tratam da luta entre as forças do bem e do mal nesta terra, desde o tempo de
Daniel até o estabelecimento do eterno reino de Cristo. Já que Satanás usa os poderes terrenais em seus esforços para
frustrar o plano de Deus e destruir seu povo, estas visões apresentam aqueles poderes através dos quais o maligno
atuou com muito empenho.
• A primeira visão (cap. 2) trata principalmente de mudanças políticas. Seu propósito primordial era revelar a
Nabucodonosor seu papel como rei de Babilônia e comunicar-lhe "o que tinha de ser no porvir" (v. 29).
Daniel (profeta) 203

• A segunda visão (cap. 7) aparenta ser um suplemento da primeira visão. Destaca as vicissitudes do povo de Deus
durante a hegemonia dos poderes mencionados na primeira visão, e prediz a vitória final dos santos e o juízo de
Deus sobre seus inimigos (vv. 14, 18, 26-27).
• A terceira visão (cap. 8-9) complementa à segunda e faz ressaltar os esforços de Satanás por destruir a religião e
o povo de Cristo.
• A quarta visão (cap. 10-12) resume as visões precedentes e trata o tema em forma mais detalhada do que
qualquer das outras. Amplia o tema da segunda visão e o da terceira. Põe especial ênfase em "o que tem de vir a
teu povo nos postreros dias; porque a visão é para esses dias" (cap. 10: 14), e o "tempo fixado era longo" (v. 1,
RVA). A narração bosquejada da história que se encontra em 781 o cap. 11: 2-39 leva a "os postreros dias" (cap.
10: 14) e os acontecimentos "ao cabo do tempo" (cap. 11: 40).
As profecias de Daniel estão estreitamente relacionadas com as do livro do Apocalipse. Em grande parte o
Apocalipse trata do mesmo tema, mas faz ressaltar em forma especial o papel da igreja cristã como povo escolhido
de Deus. Em consequência, alguns detalhes que podem parecer escuros no livro de Daniel com frequência podem
aclarar-se ao compará-los com o livro do Apocalipse. Daniel recebeu instruções de fechar e selar aquela parte de sua
profecia referente aos últimos dias até que, mediante um estudo diligente do livro, aumentasse o conhecimento de
seu conteúdo e de sua importância (CS 405; cap. 12: 4). Ainda que a porção da profecia de Daniel relacionada com
os últimos dias foi selada (cap. 12: 4; HAp 467), o apóstolo João recebeu instruções específicas de não selar "as
palavras da profecia" de seu livro, "porque o tempo está perto" (Ap 22:10). De maneira que para obter uma
interpretação mais clara de qualquer porção do livro de Daniel do que seja difícil de entender, devêssemos estudar
cuidadosamente o livro do Apocalipse em procura de luz para dissipar as trevas.

O tema do livro segundo a perspectiva judaica


Análise das SETENTA SEMANAS
Shavu’im shiv’im nechtach al amcha vê-al ir qodshecha lê-chalê’ há-pesha ule-chatem chataat ule-chaper avon
ulehavi tsedeq ‘olamim ve-lachtom chazon vê-navi’ vê-limshoach qodesh qodashim.
Vê-tedá vê-taskel min motsá DAVAR lê-hashiv vê-livnot Yerushalaim ad MASHIACH NAGID shavu’im shiv’a;
vê-shavu’im shishim ushnaim tashuv vê-nivn’ tah rechov vê-charutz uv-tsoq há-itim. Vê-acharei há-shav’uim
shishim u-shnaim yikaret MASHIACH, vê-ein lo, vê-hair vê-há-qodesh yashchit am nagid há-ba vê-qitso ba-shetef
vê-ad qetz milchamah necheretzet. Vê-higbir berit la-rabim shavua echad va-chatsi há-shavua yashbit zevach
u-mincha vê-al knaf shiqutsim meshomem vê-ad kala vê-necheratsa titach al shomem.
1. Vários objetivos seriam alcançados após as “setenta semanas”: a) fazer com que as as transgressões se consumam
(lechalê’ há-pesha) b) terminar com o pecado (le-chatem chataat) c) expiar a iniqüidade (chaper avon) d) trazer a
justiça eterna (lehavi tsedeq olamim) e) selar visão e profeta (lachtom chazon vê-navi) f) ungir o Santo dos Santos
(limshoach qodesh há-qodashim)
Nenhum detalhe deve fugir à nossa consideração aqui, se é que desejamos de fato entender essa importante profecia.
Assim, devemos nos perguntar: O QUE TERIA ORIGINADO ESTA PALAVRA PROFÉTICA?
Daniel encontrava-se no exílio em Babilônia e estudando as PROFECIAS DE JEREMIAS, descobriu “pelos livros”
que o tempo de duração das ASSOLAÇÕES DE JERUSALÉM era de SETENTA ANOS (Dan 9:2) Dessa forma,
Daniel, perturbado pela condição precária do seu povo em terra estranha, ora a D´us pedindo entendimento para que
pudesse “decifrar” a desconcertante mensagem profética de Jeremias 25:11.
CAUSA DAS ASSOLAÇÕES: REBELDIA DO POVO
DANIEL CONFESSA OS PECADOS E PEDE QUE A IRA DE D´US SE AFASTE DO POVO JUDEU O que
segue IMEDIATAMENTE à descoberta da palavra profética dos setenta anos (9:2, cf. Jer. 25:11) é uma
CONFISSÃO DE PECADOS PELO POVO JUDEU e um PEDIDO DE MISERICÓRDIA, um clamor para que D´us
volte a agir com benevolência com relação ao SEU POVO.
Daniel (profeta) 204

Em 9:3-19, Daniel ora a D´us, pedindo entendimento e confessando o PECADO DO POVO (vs. 5, 6, 10, 11). Daniel
entende que a causa principal do castigo recebido pela sua nação era justamente a desobediência aos preceitos
divinos e a rebeldia dos seus líderes. Nos vs. 16/17, Daniel pede que a ira do Eterno se aparte de Jerusalém e que
sobre o santuário pudesse resplandecer mais uma vez a Sua face. Observe: O profeta não confessa o pecado de toda a
humanidade ou dos goyim, e sim apenas de seu povo. Sendo assim, vemos que o contexto profético não dá lugar
para interpretações envolvendo outras nações que não sejam os judeus. Toda a profecia diz respeito ÚNICA e
EXCLUSIVAMENTE ao povo judeu, suas transgressões e castigo.
AINDA HÁ ESPERANÇA: DANIEL RECEBE A PALAVRA PROFÉTICA SOBRE AS 70 SEMANAS No
término de sua longa oração, Daniel diz: “Ó S´nhor, ouve; ó S´nhor, perdoa; ó S´nhor, atende-nos e age; não te
retardes por amor de ti mesmo, ó D´us meu, porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu Nome” (9:19)
Após ter devidamente confessado o PECADO DO SEU POVO (judeu), Daniel diz: “Falava eu ainda, e orava e
confessava o meu pecado e o PECADO DO MEU POVO DE ISRAEL, e lançava a minha súplica perante a face do
S´nhor, meu D´us, pelo monte santo do S´nhor meu D´us, falava eu, digo, falava ainda na oração, quando o homem
Gabriel, que eu tinha visto na minha visão no princípio, veio rapidamente voando, e me tocou à hora do sacrifício da
tarde (min’cha). E ele queria me instruir e falou comigo e disse: Daniel, agora saí para TE FAZER ENTENDER O
SENTIDO; NO PRINCÍPIO DAS TUAS SÚPLICAS saiu a ordem e eu vim para te declarar, porque és mui amado;
considera pois a coisa e entende a visão…”
SETENTA SEMANAS
1) o tempo determinado
“Setenta semanas estão determinadas sobre o TEU POVO…” --- mais uma vez, a profecia deixa claro que diz
respeito APENAS aos judeus e sua história nacional; não há aqui uma perspectiva “universal”. Já que temos aqui
uma profecia de tempo, devemos investigar para determinar quando a mesma se inicia. (veja logo em seguida)
2)o(s) objetivo(s)
Vários objetivos seriam alcançados após as “setenta semanas”:
a) fazer com que as as transgressões se consumam (lechalê’ há-pesha) b) terminar com o pecado (le-chatem chataat)
c) expiar a iniqüidade (chaper avon) d) trazer a justiça eterna (lehavi tsedeq olamim) e) selar visão e profeta (lachtom
chazon vê-navi) f) ungir o Santo dos Santos (limshoach qodesh há-qodashim)
3) o início do tempo profético
“Desde a saída da palavra para reconstruir Jerusalém....” --- o vocábulo em negrito merece destaque, porque na
grande maioria das versões ocidentais é incorretamente traduzido. ‫( רבד‬davar) é frequentemente traduzido como
“palavra” e isso ocorre inúmeras vezes. Entretanto, para favorecer de certo modo a interpretação cristã “tradicional”
existe a necessidade de mudar-se aqui o sentido. O hebraico conhece muitas palavras para “decreto” (tzav, tzura,
gzerah) ou “lei, ordem” (choq, mishpat, etc) mas, davar sendo traduzido como “ordem ou decreto” demonstra um
grave erro nas traduuções ocidentais. Fazem isso para articular uma possível ordem dada por meio de um imperador
persa Dariavesh(Dario) para a reconstrução da cidade santa e do templo, criando assim, a hipótese de que o início da
contagem das “setenta semanas” seja 444/445 aEC. Mas é sabido em todo o meio teológico que palavra (davar) é
sinônimo de profecia, a “palavra” conforme usada em Dan 9:25 significa a PALAVRA DE JEREMIAS,(dada por
D-us a Jeremias) pois o contexto deixa isso muito claro: Daniel investigava os livros desse profeta quando encontrou
a referência aos setenta anos de exílio (Jer 25:11) e a promessa de futura restauração (Jer 32-33). A cronologia
bíblica demonstra que 605-6 aEC foi o ano em que a PALAVRA acerca da restauração foi dada a Jeremias. Assim,
605-6 aEC é o ponto de partida da profecia.
“Desde a saída da PALAVRA (‫ )רבד‬para devolver (‫ )בישהל‬e para edificar (‫ )תונבל‬Jerusalém, até [um] ungido (um)
príncipe (‫ )דיגנ חישמ‬, sete semanas…” --- a “palavra” proferida por Jeremias envolvia a devolução da cidade e/ou de
“Judá” como um todo e sua reconstrução e restauração (Jer 32:33-34/33:7) Agora, é importante notar a expressão
“príncipe ungido” (‫ ) דיגנ חישמ‬--- a tradução apresentada aqui é a correta. Não há, de maneira alguma, chances para
Daniel (profeta) 205

que transformemos essa expressão em “O MESSIAS, O PRÍNCIPE” ou ainda, “O UNGIDO, O PRINCIPE” como
uma possível referência ao Messias dos judeus ou qualquer outro que se tenha apresentado como tal. Por que? A
razão é pura e simples: Esta passagem de Daniel 9:25-27 NÃO é uma “profecia messiânica”; a) - A expressão
MASHIACH NAGID não vem acompanhada pelo ARTIGO DEFINIDO (‫" ה‬há"). Assim, não temos no original
HA-MASHIACH como se estivesse identificando o redentor escatológico de Israel. Sabemos que a palavra
MASHIACH é usada nas Escrituras em relação a príncipes, sacerdotes e reis (1 Sam. 24:6, Lev. 16:32, Is. 45:1); b).
Há dois MASHIACH (ungido) no texto: o primeiro, que viria após as sete semanas chamado de MASHIACH
NAGID e o segundo, que viria após as sessenta e duas semanas, chamado simplesmente de MASHIACH. Mas,
importante: Observe que NÃO se trata d’O MASHIACH, mas sim, de [um] príncipe ungido e de outro ungido, uma
vez que a simples ausência do artigo definido já deixa a palavra indefinida.
Assim, se a referência aqui não é ao MASHIACH, devemos procurar na história outro personagem que cumpra esses
fatos proféticos.
Nossa pergunta então deve ser: A quem faz referência a expressão MASHIACH NAGID? Se observarmos o ano em
que os 49 anos (“sete semanas”) terminam, ou seja, 556/7 aEC, temos uma pista.
CIRO, “O PRÍNCIPE UNGIDO”
“Eu sou o S´nhor… que digo de CIRO: é meu pastor, e cumprirá tudo o que me apraz; ele dirá de Jerusalém: Ela será
reedificada, e do templo: Será fundado. Assim diz o S´nhor ao seu UNGIDO, a CIRO, a quem tomo pela mão direita,
para abater as nações diante da sua face…” (Is 44:24,28 e 45:1) --- aqui o Tanach (Velho Testamento para os
cristãos) chama Ciro explicitamente de UNGIDO, algo extremamente raro no que diz respeito a um rei
estrangeiro! E o que tem Ciro a ver com tudo isso? Muito, pelo fato de que foi ele o responsável pelo decreto que
concedia aos judeus o direito de retornar e restabelecer as cidades assoladas e o próprio templo sagrado:
“No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, PARA QUE SE CUMPRISSE A PALAVRA DO S´NHOR PELA BOCA DE
JEREMIAS, despertou o S´NHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino,
como também por escrito, dizendo: Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O S´NHOR, D´us dos céus, me deu todos os reinos
da terra e me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém de Judá. Quem dentre vós é, de todo o seu povo,
seja seu D´us com ele, e suba a Jerusalém de Judá e edifique a Casa do S´NHOR, D´us de Israel; ele é o D´us que
habita em Jerusalém. Todo aquele que restar em alguns lugares em que habita, os homens desse lugar o ajudarão
com prata, ouro, bens e gado, afora as dádivas voluntárias para a Casa de D´us, a qual está em Jerusalém. Então,
se levantaram os cabeças de famílias de Judá e de Benjamim, e os sacerdotes, e os levitas, com todos aqueles cujo
espírito D´us despertou, para subirem a edificar a Casa do S´NHOR, a qual está em Jerusalém” --- Fica evidente
aqui a ligação entre o monarca persa e o povo judeu.
1) Daniel recebeu a revelação das primeiras sete semanas (49 anos), começando exatamente em 605/6 aEC 2) O anjo
menciona na profecia alguém que viria após as sete semanas, e que seria um PRÍNCIPE UNGIDO (mashiach nagid)
3) Ciro cumpre perfeitamente este papel profético uma vez que era um monarca (daí a expressão NAGID) e também
chamado abertamente no Tanach de MASHIACH (ungido). De acordo com a cronologia histórica dos monarcas
persas, Ciro fundou o império aquemênida por volta de 556-558 aEC (as datas divergem um pouco) ao suceder seu
pai (Heródoto i, 214) e ao destronar Astíages, unificando as tribos da Média e da Pérsia.
DOIS PERÍODOS DIFERENTES COMEÇANDO NO MESMO ANO O fraseado original de Dan 9:25 mostra que
há uma PAUSA após a expressão “sete semanas” (shavu’im shiv’a). Esta pausa é facilmente demonstrada pela
presença do sinal “atnach”, logo abaixo da palavra ‫( העבש‬sete). O atnach seria o equivalente no português ao ponto e
vírgula --- o que indica claramente uma pausa, uma interrupção no verso. Assim, 7 semanas e 62 semanas são
períodos distintos porque dizem respeito também à eventos e personagens distintos. É a interpretação cristã que faz
pensar que trata-se de somente uma pessoa (no caso, Jesus) e que leva a pensar que os períodos (7 semanas e 62
semanas) são contínuos. Tanto as 7 semanas (49 anos) quanto as outras 62 (434 anos) iniciam-se quando Jeremias
recebeu a PALAVRA (davar) profética em 605-6 aEC.
605/6 – 434 (62 semanas) = 172/1
Daniel (profeta) 206

“Sabe portanto, e discerne, que desde a saída da palavra para restaurar e reconstruir Jerusalém até um ungido, um
príncipe, sete semanas; e por sessenta e duas semanas ela será reconstruída de novo, com as ruas e as circunvalações,
mas em tempos de angústia” (Dan 9:25, Jewish Press Bible) A tradução da JPB demonstra o que foi afirmado
anteriormente: os períodos são distintos, mas tem em comum o mesmo ponto de partida, a saber, a saída da
PALAVRA profética para a reconstrução e restauração da cidade.
ONIAS III – O ÚLTIMO SUMO SACERDOTE LEGÍTIMO
Ao diminuirmos 434 de 605/6, chegamos a 172/1 aEC, o ano em que Onias III, o último sumo sacerdote legítimo foi
assassinado após ter sido exonerado do ofício sagrado por ordem de Antíoco IV Epífanes. Diz o texto hebraico:
‫( חישמ תרכי םינשו םישש םיעובשה ירחאו‬vê-acharei há-shav’uim shishim u-shnaim yikaret MASHIACH) --- “e depois
das sessenta e duas semanas, será morto [um] ungido” --- cumprindo a profecia à risca, Onias III, após ter sido
deposto por Antíoco Epífanes em favor de Jason é assassinado num complô armado por Menelau que fora
denunciado publicamente por Onias devido à práticas ilícitas com relação aos tesouros do Templo. De acordo com
Josefo, Jason passa a servir como sumo-sacerdote após a morte de Onias (Antig. XII, 5/1). Assim, UM UNGIDO
chamado Onias III, descendente de Aharon, foi “cortado” (yikaret), ou seja, morto como vítima de seu testemunho
fiel “al kiddush há-shem”. Por isso a expressão no final do verso de Daniel: VE-EIN LO --- “e não será mais” (i.e.,
era o fim da ordem sacerdotal aarônica, para voltar apenas na Era Messiânica)
O POVO DE UM PRÍNCIPE QUE HÁ DE VIR
“…e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário” --- O “príncipe que há de vir” em questão
não é outro senão o próprio Antíoco IV Epífanes; sabe-se que, embora pertencendo à decadente dinastia selêucida,
Antíoco já encontrava-se na situação de vassalo dos romanos quando invadiu o Templo sagrado de Jerusalém. Um
ano antes, o general romano Gaio Popílio Lenas o expulsara do Egito, mostrando quem agora estava no comando
(Lívio XLV.11/Políbio XXIX.1). A frase “destruirá a cidade e o santuário” já é uma referência mais distante no
tempo, ainda que o próprio Antíoco tenha profanado e causado muitos danos ao Templo de Jerusalém. O “povo do
príncipe que há de vir” é que executaria a destruição, a nefasta obra definitiva, e não Antíoco. Daniel nos antecipa
aqui eventos relacionados já ao ano 70 EC, quando os romanos sitiam Jerusalém e destroem a cidade e o santuário
(10 de Av do ano 70 EC).
“E seu fim será como numa inundação” --- fala-se aqui explicitamente do fim daquele poder que destruiria o
santuário. “Inundação” é um símbolo profético para “invasão” (vide Is 8:7-8/28:18); todos sabemos o que aconteceu
com o Império Romano em 476 EC – hordas bárbaras INVADIRAM o império (germanos, hunos, visigodos, etc) e
deram um golpe mortal naquele que teria sido o maior poder político da história.
“E fará aliança com muitos por uma semana” --- o verbo usado no português nas versões tradicionais não transmitem
a força de ‫( ריבגה‬higbir). O hebraico demonstra que a tal “aliança” seria um tanto que “forçada” a muitos. É
importante notar também que não temos aqui o verbo normalmente usado nas alianças de D´us com Seu povo ‫תרכ‬
(karat) --- logo, o contexto e o vocabulário impossibilitam uma aliança divina aqui. O que temos é um acordo
humano, feito quase por imposição da força. Mais uma vez, voltamos a Antíoco e a sua aliança estabelecida com os
Tobíadas que se opunham aos Oníadas (partidários do legítimo sumo-sacerdote Onias III) --- os Tobíadas assim
como outros partidários eram asseclas de Antíoco em suas pretensões de helenizar o povo judeu, destruindo
quaisquer vestígios de judaísmo entre eles. Essa “aliança” forçada entretanto, duraria muito pouco.
171---------------167---------------164
3/2 anos 3/2 anos
Com a deposição de Onias III em 171 aEC, Antíoco conquista a simpatia dos Tobíadas e de outros partidários judeus
favoráveis ao helenismo. Ao mesmo tempo, Antíoco “compra briga” séria com os hassideus (ancestrais dos fariseus)
e como vingança, manda matar centenas deles. Em 167 aEC, Antíoco instala um ídolo pagão no Templo
(provavelmente Baal Shomem, equivalente ao Zeus Olimpo) e ordena a interrupção dos sacrifícios contínuos (tamid)
e assim, cumpre a parte final da profecia: “E na metade da semana (167 aEC) fará cessar o sacrifício (zevach, i.e.
Daniel (profeta) 207

tamid)) e a oferta de cereais (minchá)…e sobre a asa das abominações (o pináculo do templo) estará o ídolo
abominável” --- curiosamente, aqui em Dan 9:27 o termo “abominação da desolação” aparece no PLURAL, o que
possibilita uma DUPLA aplicação. Certamente a profanação de Antíoco seria apenas o prenúncio de que algo muito
pior estava ainda por vir. O fim da última semana de anos (3 anos e meio, ou seja de 167-164 aEC) marca o fim do
despotismo de Antíoco e a derrota de seus exércitos para os valorosos Macabeus. Em 25 de kislev de 164 aEC o
Templo é dedicado novamente, instituindo-se a festa de Chanukkah.
Assim, vemos que os objetivos das Setenta Semanas determinadas sobre O POVO JUDEU foram cumpridos:
a) fazer com que as transgressões se consumam (lechalê’ há-pesha) --- De fato, a maior das transgressões observadas
naqueles dias era a ameaça constante do helenismo. Com o término dessa grande batalha, essa doutrina/cultura
alienígena foi banida do sistema de culto judaico.
b) terminar com o pecado (le-chatem chataat) --- Daniel disse em sua oração: “Pecamos!” (9:5) – e isso o afligia ao
extremo; nesse ponto, ele entende que há solução para o pecado de SEU POVO.
c) expiar a iniqüidade (chaper avon) – a “inquidade” que o profeta espera ver expiada é a de seu povo, pois afirmou:
“cometemos iniqüidade” (9:5) Logo, o contexto é judaico e não há lugar para conjecturas externas acerca de uma
suposta “expiação” universal.
d) trazer a justiça eterna (lehavi tsedeq olamim) – A justiça seria feita primeiramente sobre o ofensor babilônio (Is
45:1-5) e também depois sobre o inimigo selêucida (Zac 9:13)
e) selar visão e profeta (lachtom chazon vê-navi) – confirmadas as palavras dos profetas, especialmente de Jeremias
(25:8-14) e de Isaías (45:1-5)
f) ungir o Santo dos Santos (limshoach qodesh há-qodashim) – este termo NUNCA refere-se a uma PESSOA, e sim,
a um LUGAR, a saber, o LUGAR DOS LUGARES, o recinto mais sagrado do Beit Há-Mikdash, o Santo dos Santos
--- e isso foi feito quando da expulsão dos inimigos estrangeiros e da reconsagração do santuário após a profanação
do arrogante monarca selêucida.

Ver também
• Profecia
• Simbologia bíblica
• Interpretação de profecias bíblicas
• Profecia da estátua de Nabucodonosor
• Profecia dos quatro animais
• Profecia da besta de sete cabeças

Referências
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[2] http:/ / www. bibliaonline. com. br/ aa/ 2rs/ 24/ 10+
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[13] http:/ / www. sbb. org. br/ bibliaonline/ biblia_completa2. asp?cv=2& livro=159& cap=8& ver=27
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Daniel (profeta) 208

[16] http:/ / www. sbb. org. br/ bibliaonline/ biblia_completa4. asp?cv=2& livro=159& cap=12
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[23] http:/ / www. sbb. org. br/ bibliaonline/ biblia_completa4. asp?cv=2& livro=159& cap=2
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[34] http:/ / www. sbb. org. br/ bibliaonline/ biblia_completa2. asp?cv=2& livro=159& cap=8& ver=1
[35] http:/ / www. sbb. org. br/ bibliaonline/ biblia_completa4. asp?cv=4& livro=159& cap=3
[36] http:/ / www. sbb. org. br/ bibliaonline/ biblia_completa2. asp?cv=4& livro=159& cap=6
[37] http:/ / www. sbb. org. br/ bibliaonline/ biblia_completa2. asp?cv=4& livro=159& cap=7
209

Profetas Menores

Oseias
Oséias ou Oseias (em hebraico: ‫ַעֵׁשֹוה‬, transl. Hošeaʿ, tib. Hôšēăʿ, "Salvação do/é o Senhor"; em grego: Ὠσηέ, transl.
Ōsēe) foi um personagem bíblico, e um profeta em Israel no século VIII a.C., filho de Beeri. É um dos Doze Profetas
da Bíblia hebraica judaica, também conhecidos como profetas secundários no Antigo Testamento cristão.
Não se sabe praticamente nada da vida ou do status social de Oséias. De acordo com o Livro de Oséias, teria se
casado com a prostituta Gomer, filha de Diblaim, por ordem de Deus. Viveu no Reino do Norte durante o período de
780 a 725 a.C.. Em Oséias 5:8 existe uma referência às guerras que levaram à captura do reino pelos assírios,
ocorrida em torno de 734-732 a.C.; não se sabe ao certo se Oséias teria também vivido a destruição de Samária, que
é prevista em Oséias 14:1.
A vida familiar de Oséias refletia a relação "adúltera" que Israel havia construído com os deuses politeístas. Os
nomes de seus filhos lhes transformaram em profecias ambulantes da queda da dinastia dominante e do pacto
rompido com Deus - de maneira muito semelhante ao profeta Isaías uma geração mais tarde. Oséias frequentemente
é visto como um "profeta do destino", porém sob sua mensagem de destruição está uma promessa de restauração. O
Talmude (Pesachim 87a) alega que ele teria sido o maior profeta de sua geração (que incluiu o mais notório Isaías).

Fonte
• Osee [1] na Catholic Encyclopedia

Referências
[1] http:/ / en. wikisource. org/ wiki/ Catholic_Encyclopedia_%281913%29/ Osee
Livro de Joel 210

Livro de Joel
O Livro de Joel faz parte do Antigo Testamento.[1] [2] Segundo a tradição, foi escrito pelo profeta Joel. A sua
datação atribuída é do ano 830 a.C., porém existem os que datam dos anos 775 a 725 a.C. ou de 500 a.C..
A mensagem do livro fala sobre o "julgamento que Deus fará contra os inimigos de Israel e, de uma perspectiva
escatológica, o vitória final do povo de Deus".
A passagem de Joel 2:28, 29 é citada por Simão Pedro no sermão de Pentecostes em Atos dos Apóstolos 2:14-36.
Sendo assim, Joel tem uma grande importância na teologia cristã.
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346

Amós
Amós (Aquele que ajuda a carregar o fardo) foi um Profeta do Antigo Testamento, autor do Livro de Amós.
O terceiro dos chamados profetas menores. Natural de Tecoa, dedicava-se à agricultura e à pecuária. Foi
contemporâneo de Azarias, de Judá e de Jeroboão II de Israel. O versículo inicial de sua profecia diz que foi nos dias
de Uzias, rei de Judá, e de Jeroboão II, filho de Jeoás, rei de Isreal, que começou a sua carreira de profeta, dois anos
antes de um terremoto incomum. Portanto esta profecia situa-se dentro do período de 26 anos, de 829 a cerca de 804
a.c. durante o qual os reinados desses dois reis coincidiram.

Obadias
Obadias ou Abdias (em hebraico, Obadjah: "Servo de Javé") é um
dos "Profetas Menores" (o quarto na ordem do cânone hebreu e na
Vulgata; quinto na Septuaginta).[1] [2] O seu livro, constituído apenas
por vinte e um versículos, é o menor do Antigo Testamento e trata do
tema da falta de solidariedade do povo de Edom (descendentes de Esaú
- Génesis 36:1) para com Israel, considerado como seu povo irmão. O
livro divide-se em duas partes: o "Oráculo contra Edom" a a
"Proclamação do Dia de Javé".

A primeira parte de Abdias (1-14) profetiza a queda de Edom (ver


Iduméia), tradicional inimigo de Judá.
Segundo alguns documentos foi o primeiro bispo da Babilónia. Os invasores repartindo Jerusalém: Obadias 1:11
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São
Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN 978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
Jonas (profeta) 211

Jonas (profeta)
Jonas (do hebraico ‫[ הָנֹוי‬yõnãh], "[[, pelo latim Ionas) foi um
profeta israelita da Tribo de Zebulão, filho de Amitai, natural
Gete-Héfer. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II, Rei de
Israel Setentrional. (II Reis 14:25; Jonas 1:1) Crê-se que tenha sido
o escritor do livro bíblico do Antigo Testamento que leva o seu
nome.

Jonas é comissionado pelo Deus de Israel para ir a Nínive, capital


da Assíria. A sua missão era admoestar os assírios que devido a
sua crueldade e ao muito derramamento de sangue, iriam sofrer a
ira Divina caso não se arrependessem dentro de quarenta dias. Os
assírios eram famosos, por exemplo, por decapitar os povos
vencidos, fazendo pirâmides com seus crânios. Crucificavam ou
empalavam os prisioneiros, arrancavam seus olhos e os esfolavam
vivos. Temendo pela sua vida, Jonas foge rumo a Társis, no SE da
Península Ibérica (na moderna região da Andaluzia). Situa-se a
O profeta Jonas pregando em Nínive
aproximadamente 3.500 km do porto de Jope (a moderna Tel
Aviv-Yafo).

Segundo o relato bíblico, durante a viagem acontece um violenta tempestade. Esta só acaba quando Jonas é lançado
ao mar. Ele é engolido por um "grande peixe [em grego këtos]" (Jonas 1:17) e no seu estômago, passa três dias e três
noites. Sentindo como se estivesse sepultado, nesta situação arrependido reconsidera a sua decisão. Tendo se
arrependido, é vomitado pelo "grande peixe" numa praia e segue rumo para Nínive.
Segundo o livro de Jonas, os habitantes de Nínive (e povoados
dependentes) mais dados à superstição e ao temor das divindades,
teriam mostrado-se arrependidos de sua conduta sanguinária fazendo
jejum e vestidos de sacos sarapilheira. Jonas se mostra desgostoso pela
não destruição de Nínive e acaba por ser repreendido por isso. Cerca de
cem anos depois, Naum, profeta israelita do Antigo Testamento, avisa
que Nínive será destruída.

Narrativa do "grande peixe"


Para alguns exegetas bíblicos, este relato tem apenas um valor de
caracter didático, não devendo ser interpretado como um
acontecimento literal. A expressão "um grande peixe" do relato de
Pintura do profeta Jonas na Capela Sistina,
Jonas não permite fazer uma identificação com qualquer tipo de ser
Vaticano, por Miguel Ângelo marinho. Para os que acreditam no relato literal do "grande peixe",
procuram identificar que espécie de ser marinho seria. Para uns terá
sido um Cachalote, para outros, seria um Grande Tubarão-branco. Recentemente, foi sugerido um outro candidato -
o Tubarão-baleia.[1] Há uma referência Bíblica em que diz que Jonas Esteve no ventre de uma baleia: "Assim como
Jonas esteve no ventre da baleia três dias e três noites,..." (Mateus 12:40). O livro de Jonas, porém, não fala do
ventre. Naturalmente uma pessoa engolida, ficando no ventre, então no estômago, seria digerida. Além disso não

receberia oxigênio. Resta a hipotese que o profeta foi transportado na boca. O cachalote poderia ter conseguido tal
façanha. Normalmente ele transporta os bebês doentes dele na boca, que é espaçosa como um pequeno quarto, e
Jonas (profeta) 212

leva-os à tona para respirar. Nesta época cachalotes povoavam o mar mediterrâneo, o lugar desta narrativa. Resgates
de seres humanos por cachalotes são, porém, pouco documentados. Conhecido é somente o caso de um marinheiro
naufragado inglês, que foi salvo por um cachalote perto das ilhas Malvinas durante a Primeira Guerra Mundial, na
maneira igual à aplicada a Jonas segundo a Bíblia.[2]

Ver também
• Livro bíblico de Jonas
• Nínive
• Jope
• Tartessos ou Társis
• Cetáceo
[1] "Monstros gentis das Fundundezas" - Tubarões-baleia, National Geographic, Dezembro de 1992, Vol.
O profeta Jonas saindo do
182, pág. 120-139
"grande peixe".

[2] Vitus B. Dröscher: "...und der Wal schleuderte Jona an Land", Editora Rasch und Röhring, Hamburgo-Zurique. Veja também sobre isso um
sermão do pastor Laercio Mazaro (http:/ / webcache. googleusercontent. com/ search?q=cache:IiM4xjyIbFMJ:www. iasdcidadenova. com. br/
sermao/ serm_3. html+ malvinas+ marinheiro+ cachalote& cd=2& hl=pt-BR& ct=clnk& gl=br)

Ligações externas
• Jonas na Revista de estudos bíblicos (http://www.iprb.org.br/estudos_biblicos/estudos_1-50/est03.htm)
• Jonas, o missionário do Antigo Testamento (http://www.semipa.org.br/estudosbiblicos/
evangelismo_e_missoes/jonas_missionario_at.php)
• Axel Bergstedt: Jonas (Romance que alude ao profeta) (http://axelbergstedt.blogspot.com/2008/04/jonas.
html)

Profetas do islão no Alcorão

Adam Idris Nuh Hud Saleh Ibrahim Lut Ismail Ishaq Yaqub Yusuf Ayub
‫مدآ‬ ‫حون‬ ‫دوه‬ ‫حلاص‬ ‫ميهاربا‬ ‫طول‬ ‫ليعامسا‬ ‫ثيش‬ ‫قاحسا‬ ‫بوقعي‬ ‫فسوي‬ ‫بويأ‬

Adão Enoque Noé Éber Selá Abraão Ló Ismael Isaac Jacó José Jó

Shoaib Musa Harun Dhul-Kifl Daud Sulayman Ilyas Al-Yasa Yunus Zakariya Yahya Isa Muhammad
‫بيعش‬ ‫ىسوم‬ ‫نوراه‬ ‫لفكلا وذ‬ ‫دواد‬ ‫ناميلس‬ ‫سايلإ‬ ‫عسيلا‬ ‫سنوي‬ ‫ايركز‬ ‫ىيحي‬ ‫ىسيع‬ ‫دمحم‬

Jetro Moisés Aarão Ezequiel David Salomão Elias Eliseu Jonas Zacarias João Jesus Maomé
Batista
Livro de Jonas 213

Livro de Jonas
Jonas é o nome de um livro bíblico do Antigo Testamento.[1] [2] É
um relato biográfico do profeta Jonas, na qual o Deus de Israel o
terá mandado profetizar ao povo de Nínive, grande capital do
Império Assírio, para persuadi-los a se arrependerem ou seriam
destruídos dentro de 40 dias. O Livro de Jonas fala foi tido como o
profeta Jonas, filho de Amitai, que profetizou no Reino de Israel
Setentrional, no 7.º Século A.C., no reinado de Jeroboão II. (Jonas
1:1; II Reis 14:25) Porêm, outros autores concluem que o livro
tenha sido escrito no período pós-exílico.

O profeta Jonas pregando em Nínive, por Gustave


Doré.

Contexto histórico
A Assíria, inimiga do povo de Israel de longa data, era império dominante
aproximadamente entre 885 A.C. a 665 A.C.. Segundo o relato, parece evidente que a
agressividade militar assíria era mais fraca durante o tempo de Jonas. Além disso, o Rei
Jeroboão II foi capaz de reivindicar áreas da Palestina desde Hamate até o Mar Morto,
como teria sido profetizado por Jonas.
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria,
2000. pp.1133. 2 v. ISBN 978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida,
Jonas e a Baleia, por
2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
Gustave Doré.

Ver também
• Jonas, profeta do Antigo Testamento
• Nínive
• Jope
• Tartessos ou Társis
• Cetáceo
Miqueias 214

Miqueias
Miquéias (em Portugal: Miqueias) é um nome que vem de uma
palavra hebraica que significa "Quem é como Yah?". O nome do autor
do livro de Miquéias aparece na septuaginta como Michaías[1] [2] . A
Vulgata Latina diz Michaeas. Ele foi um profeta do século VIII a.C.
morador de Morasti-Gat, na Shefelá em Judá, talvez tenha sido um
líder (ancião, heb. zaqen) da comunidade. Atuou em Judá no período
de Jotão, Acaz e Ezequias.

O livro, escrito em Hebraico, é de dificil leitura, pois o texto


encontra-se corrompido, para tanto os tradutores da Bíblia utilizam-se
de guias como as versões em língua grega, síria e copta.
A macro-estrutura do livro é composta por quatro partes: "Atrela o cavalo ao carro, morador de Laquis":
Miqueias 1:13
• I - 1-3 - Teofania e Acusação contra pecados concretos
• II - 4-5 - Salvação - O futuro Reino de Javé em Sião
• III - 6.1-7.7 - Julgamento de Javé contra o povo
• IV - 7.8-20 - Liturgia Final
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6

• Wolff, H.W.. Biblischer Kommentar Altes Testament: Dodekapropheton (em alemão).  Neukirchner, 1981. v. 4 .
• Stahlhoefer, A. B.. Exegese de Miquéias 2.6-11 (em português).  FLT, 2005.
• Champlin, Russel Norman. O Antigo Testamento interpretado: versículo por versículo (em português). 
2.ed. Hagnos, 2001. v. 7
Naum 215

Naum
Naum é um Livro da Bíblia,[1] [2]
que conta sobre a destruição de Nínive, capital da Assíria, a cidade que Jonas
advertiu.
Naum foi o profeta, enviado por Deus, para predizer a ruína e completa destruição de Nínive.
Este livro é uma "pronúncia contra Nínive", capital do Império Assírio. Para os crentes, o cumprimento histórico
daquela pronúncia profética atestaria a autenticidade do livro. O livro teria sido escrito algum tempo depois de a
cidade egípcia de Nô-Amom (Tebas) sofrer uma derrota no Século VII a.C. e completado antes da predita destruição
de Nínive em 632 a.C..
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346

Habacuque
Habacuque ou Habacuc é o livro bíblico cuja autoria é atribuída ao profeta de mesmo nome.
O profeta Habacuque viveu aproximadamente 600 anos antes de Cristo. Pertencia aos coralistas do Templo. Era,
portanto, levita. Seu ministério teve inicio em Judá, embora as datas exatas e seus intervalos não possam ser
confirmados. Habacuque foi contemporâneo de Jeremias e Ezequiel.
Habacuque significa "abraço", e está incluso na subdivisão da Bíblia chamada de Profetas Menores, sendo um livro
de apenas três capítulos.[1] [2] Provavelmente tenha sido escrito no século V a.C..
Habacuque nos sugere que observava a sociedade judaica a partir do templo, onde possivelmente servia como levita,
isto é cantor, ornamentador, prontificador do templo ver Nm 3. 6-10, podemos notar o capítulo três de seu livro é
uma canção, sendo que os últimos versos são considerados uma das maiores expressões de fé do Antigo Testamento.
O livro de Habacuque é diferente dos demais livros dos profetas em seu estilo literário, pois em momento algum há
profecias contra esta ou aquela nação ou pessoa em particular, porém o que se pode ver é um diálogo entre o profeta
e Deus. Entre seu texto há no capítulo dois a expressão: "O justo viverá da fé", que mais tarde inspiraria o Apóstolo
Paulo a escrever a mais teológica de suas cartas, a Carta aos Romanos, que posteriormente inspirou também
Martinho Lutero na elaboração das 95 Teses "gatilho" da Reforma Protestante
O livro Habacuque, assim como todos os outros da Bíblia, Velho e Novo Testamento podem ser lidos no site: [6]
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
978-85-276-0347-8
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 978-85-7367-134-6
Sofonias 216

Sofonias
Sofonias é um dos livros proféticos do Antigo testamento da Bíblia.[1] [2] Possui três capítulos.
O nome Sofonias significa "o Senhor o escondeu". Ele era bisneto de Ezequias, sofonias 1.1. Caso este tenha sido o
rei Ezequias, Sofonias foi um profeta de sangue real. o seu ministério ocorreu no tempo do rei Josias em 640 a.C. -
609 a.C. tendo profetizado, provavelmenten antes da reforma desse rei em 621 a.C.

Tema Geral
O tema de sua mensagem é que o Senhor ainda está firmemente em controle do Seu mundo, apesar das aparências
contrárias, e que comprovará isto no futuro próximo ao aplicar um castigo terrivel sobre a nação desobediente de
judá, e completa destruição sobre as nações pagãs gentias. somente através dum arrependimento em tempo é que
haveria possibilidade de escape a esta ira.

Principais Assuntos
A época do livro, descreve um tempo de grande apostasia e corrupção Sf 1.12; 3.2-4. A Assíria ainda ocupava o
cenário Sf. 2.13. A adoração de Milcon ( em outras versões Malcã) era praticada Sf 1.5. * milcon = Moloque, uma
divindade Amonita, verificar 1 Rs 11.5. As condições morais e religiosas então prevalecentes eram baixas, devido à
influência maligna dos reinados de Manassés e Amom. o livro descreve uma provavel invasão ( este povo invasor
teria sido os Citas que entre os anos 630 a 626 a.C.ameaçaram muitas nações e trouxeram calamidade aos povos do
oriente médio) que chegaria à terra de judá Sf 1.2-3, e alcançaria outras nações Sf 2.4,12-13.
O propósito do livro, partindo da ameaça Cita, o profeta adverte severamente o seu povo sobre a aproximação do dia
do Senhor, e juntamente com a advertência terrível, há o apelo ao arrependimento, endereçado primariamente ao
remanescente, mais do que para a nação inteira Sf. 2.3.
"O dia do Senhor", que é decrito 18 vezes no livro especialmente, um dia de julgamento Sf 1.2-3, 7-16, 18, 3.20.

Divisão do livro
1. O julgamento de Judá 1.2-2.3
2. O julgamento de nações 2.4-15
3. Os motivos do julgamento de Jerusalém 3.1-7
4. O remanescente e o reino Messiânico 3.8-20
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346

• Archer, Gleason L. Jr. Merece confiança o antigo testamento?, traduzido da edição publicada pela Moody
Press, Ed vida nova - São Paulo - SP, 2007.
Ageu 217

Ageu
Ageu (em hebraico: ‫יַּגַח‬, Ḥaggay or "Hag-i", Koine Greek: Ἀγγαῖος; em latim: Aggeus) foi um profeta judeu durante
a construção do Segundo Templo em Jerusalém e um dos doze profetas menores na Bíblia hebraica e autor do Livro
de Ageu. Seu nome significa "meu aniversário". Ele foi o primeiro dos três profetas (com Zacarias, seu
contemporâneo, e Malaquias, que viveu em torno de cem anos depois), que pertenceu ao período da história judaica
a qual iniciou após o retorno do cativeiro na Babilônia.

Livro de Zacarias
O Livro de Zacarias é um dos livros proféticos do Antigo testamento da Bíblia.[1] [2] Possui 14 capítulos.

Autoria
Zacarias, cujo nome significa "YHVH se Lembra", foi um dos chamados "profetas" pós – exílicos, um
contemporâneo de Ageu. Com Ageu, ele foi chamado para despertar os judeus que retornaram, para completar a
tarefa de reconstruir o templo de Jesusalém.(ver Esdras 6:14). Como filho de Baraquias, filhos de Ido, ele era de
umas das famílias sacerdotais da tribo de Levi. Ele é um dos mais messiânicos de todos os profetas do AT, dado
referências distintas e comprovadas sobre a vinda do Messias.

Data
O "ministério" de Zacarias começou em 520 A.C., dois meses após Ageu haver completado sua profecia. A visão dos
primeiros capítulos foi dada, aparentemente, enquanto o profeta ainda era um jovem (Zacarias 2:4). Os caps 7-8
ocorrem dois anos mais tarde, em 518 aC. A referência à Grécia em 9.13 pode indicar que os caps. 9-14 foram
escritos depois de 480, quando a Grécia substituiu a Pérsia como o grande poder mundial. As profecias que
abrangem o Livro de Zacarias foram reduzidas à escrita entre 520 e 475 aC.

Contexto Histórico
Os exilados que retornaram à sua terra natal em 536 aC sob o decreto de Ciro, estavam entre os mais pobres dos
judeus cativos. Cerca de cinqüenta mil pessoas retornaram para Jerusalém sob a liderança de Zorobabel e Josué.
Rapidamente, reconstruíram o altar e iniciaram a construção do templo. Logo, todavia, a apatia se estabeleceu, à
medida que eles foram cercados com a oposição dos vizinhos samaritanos, que, finalmente foram capazes de
conseguir uma ordem do governo da Pérsia para interromper a construção. Durante cerca de doze anos a construção
foi obstruída pelo desânimo e pela preocupação com outras atividades.
Zacarias e Ageu "persuadiram o povo a voltar ao Senhor e aos seus propósitos para restaurar o templo". Zacarias
"encorajou o povo de Deus indicando-lhe um dia, quando o Messias reinaria de um templo restaurado, numa cidade
restaurada".
Livro de Zacarias 218

Messianismo
Zacarias é, às vezes, referido como o mais messiânico de todos os livros do Antigo Testamento. Os caps 9-14 sãos
as seções mais citadas dos profetas nas narrativas dos Evangelhos. No apocalipse, Zacarias é citado mais do que
qualquer profeta, exceto Ezequiel.
• Como o Servo do Senhor, o Renovo (Zacarias 3:8),
• Como o homem cujo nome é Renovo (Zacarias 6:12),
• Como Rei e como sacerdote (Zacarias 6:13),
• Como o verdadeiro Pastor (Zacarias 11:4-11).
Ele dá um expressivo testemunho sobre a traição de Cristo por trinta moedas de prata (Zacarias 11:12-13), sua
crucificação (Zacarias 12:10), seus sofrimentos (Zacarias 13:7) e sua segunda vinda (Zacarias 14:4).
Duas referências a Cristo são consideradas pelos religiosos como de profundo significado. A entrada triunfante de
Jesus em Jerusalém é descrita com detalhes em Zacarias 9:9, quatrocentos anos antes do acontecimento (ver Mateus
21:4; Marcos 11:7-10). Um dos versículos mais dramáticos das Escrituras proféticas é encontrado em Zacarias
12:10, quando, na maioria dos manuscritos a primeira pessoa é usada: "E olharão para mim, a quem traspassaram.".
Jesus Cristo, acreditam os religiosos, pessoalmente, profetizou sua definitiva recepção pela casa de Davi.
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
Livro de Malaquias 219

Livro de Malaquias
Torá | Neviim | Ketuvim
Livros de Neviim

Nevi'im Rishonim [‫]םינושאר םיאיבנ‬:

Yehoshua [‫]עשוהי‬

Shoftim [‫]םיטפוש‬

Shmu'el [‫]לאומש‬

Melakhim [‫]םיכלמ‬

Nevi'im Aharonim [‫םיאיבנ‬


‫]םינורחא‬:

Yeshayahu [‫]והיעשי‬

Yirmiyahu [‫]והימרי‬

Yehezq'el [‫]לאקזחי‬

Trei Asar [‫]רשע ירת‬


1. Hoshea [‫]עשוה‬
2. Yo'el [‫]לאוי‬
3. Amos [‫]סומע‬
4. Ovadyah [‫]הידבע‬
5. Yonah [‫]הנוי‬
6. Mikhah [‫]הכימ‬
7. Nakhum [‫]םוחנ‬
8. Habaquq [‫]קוקבח‬
9. Tsefania [‫]הינפצ‬
10. Haggai [‫]יגח‬
11. Zekharia [‫]הירכז‬
12. Malakhi [‫]יכאלמ‬

O Livro de Malaquias é um livro profético que faz descrições que mostram a necessidade de reformas antes da
vinda do Messias.[1] [2] Por ser um livro curto e de acordo com a catalogação, Malaquias é o último dos profetas
menores, tendo sido escrito por volta do ano 430 a.C., sendo que o seu nome não é citado em mais nenhum livro da
Bíblia.
O profeta Malaquias foi contemporâneo de Esdras e Neemias, no período após o exílio do povo judeu na Babilônia
em que os muros de Jerusalém tinham sido já reconstruídos em 445 a.C., sendo necessário conduzir os israelitas da
apatia religiosa aos princípios da lei mosaica.
Os megatemas tratados na obra seriam o amor de Deus, o pecado dos sacerdotes, o pecado do povo e a vinda do
Senhor.
Nas últimas linhas deste livro do Antigo Testamento bíblico, vemos uma exortação de Deus às famílias: "converter o
coração dos pais aos filhos e dos filhos aos seus pais". No término do livro de Malaquias convida-se ao
arrependimento da família como alicerce da sociedade.
Um outro tema tratado no livro de Malaquias refere-se às ofertas e aos dízimos, nos versos de 7 a 12 do capítulo 3,
passagem esta que é muito utilizada com o objetivo de se justificar com amparo bíblico a contribuição da décima
parte das rendas dos fiéis de uma organização religiosa.
Embora o dízimo tenha sido reconhecido desde a época de Moisés, nos dias de Malaquias os secerdotes do templo
recolhiam as ofertas e não repassavam para os levitas, para que eles pudessem utiliza-las para cuidar dos próprios
levitas, dos orfãos, das viúvas e viajantes. E isso fez com que o profeta (Malaquias) iniciasse uma advertência a
Livro de Malaquias 220

todos sobre o roubo do dízimo: "Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda."
(Malaquias 3:9)
[1] Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português).  2.ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. pp.1133. 2 v. ISBN
9788527603478
[2] Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português).  23.ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. pp.439. ISBN 9788573671346
221

Outros

Livros apócrifos
Série sobre a

Bíblia

Os Livros apócrifos (grego: απόκρυφος; latim: apócryphus; português: oculto[1] ), também conhecidos como
Livros Pseudo-canônicos, são os livros escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs (ou seja, há livros apócrifos
do Antigo Testamento) nos quais os pastores e a primeira comunidade cristã não reconheceram a Pessoa e os
ensinamentos de Jesus Cristo e, portanto, não foram incluídos no cânon bíblico.
O termo "apócrifo" foi cunhado por Jerônimo, no quinto século, para designar basicamente antigos documentos
judaicos escritos no período entre o último livro das escrituras judaicas, Malaquias e a vinda de Jesus Cristo. São
livros que não foram inspirados e que não fazem parte de nenhum cânon. São também considerados apócrifos os
livros que não fazem parte do cânon da religião que se professa.
A consideração de um livro como apócrifo varia de acordo com a religião[2] . Por exemplo, alguns livros
considerados canônicos pelos católicos são considerados apócrifos pelos judeus, pelos evangélicos e pelos
protestantes. Alguns destes livros são os inclusos na Septuaginta por razões históricas ou religiosas[3] . A
terminologia teológica católica romana/ortodoxa para os mesmos é deuterocanônicos, isto é, os livros que foram
reconhecidos como canônicos em um segundo momento (do grego, deutero significando "outro").[4] Destes fazem
parte os livros de Tobias, Judite, I e II Macabeus, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico (também chamado Sirácide ou
Ben Sirá), Baruc (ou Baruque) e também as adições em Ester e em Daniel - nomeadamente os episódios da Casta
Susana e de Bel e o dragão.
Os apócrifos são cartas, coletâneas de frases, narrativas da criação e profecias apocalípticas. Além dos que abordam
a vida de Jesus ou de seus seguidores, cerca de 50 outros contêm narrativas ligadas ao Antigo Testamento.[5]

Católicos
Para os alguns teólogos, e para a maioria dos historiadores, os livros do novo testamento, assim como os textos
apócrifos, datam de muito tempo após a vida de Jesus, sendo alguns deles escritos mais de 200 anos após a morte e
ressurreição, não podendo ser considerados fidedignos, ou seja, nem tudo o que neles fora escrito narra com precisão
a verdade.
Os livros apócrifos, foram retirados do Cânon Católico por monstrarem um Cristo diferenciado dos Evangelhos e
teologias escolhidos, mostrando-o exclusivamente como Deus, sem as limitações e sentimentos humanos, o que
tornaria a passagem pela morte algo fácil, diminuindo assim, o tamanho do Sacrifício realizado pelo Salvador; em
outros, entretanto, a imagem de Cristo é excessivamente mundana e em desacordo com a imagem passada pelos
quatro evangelhos oficiais.
Muitos textos seculares citam textos Apócrifos, como por exemplo o livro e filme "O Código da Vinci", que utiliza
fatos encontrados nestes, para melhorar trama do livro, visto que são poucos os que conhecem, mesmo que
Livros apócrifos 222

parcialmente.

Cristianismo ocidental
No cristianismo ocidental actual existem vários livros considerados apócrifos; nos sínodos realizados ao longo da
história esses livros foram banidos do cânon (Livros Sagrados), outros obtiveram uma reconsideração e retornaram à
condição de Sagrados (Canônicos). Como exemplo de canonicidade temos a Bíblia (reunião de vários livros).
Os livros Apócrifos são muito estudados actualmente pelos teólogos, porque a sua narrativa ajuda a revelar factos e
curiosidades a respeito dos primórdios do cristianismo.

A quantidade de livros
O número dos livros apócrifos é maior que o da Bíblia canônica. É possível contabilizar 113 deles, 52 em relação ao
Antigo Testamento e 61 em relação ao Novo.[6] A tradição conservou outras listas dos livros apócrifos, nas quais
constam um número maior ou menor de livros. A seguir, alguns desses escritos segundo suas categorias.
1. Evangelhos: de Maria Madalena, de Tomé, Filipe, Árabe da Infância de Jesus, do Pseudo-Tomé, de Tiago, Morte
e Assunção de Maria, Judas Iscariotes;
2. Atos: de Pedro, Paulo e Tecla, Dos doze apóstolos, de Pilatos;
3. Epístolas: de Pilatos a Herodes, de Pilatos a Tibério, dos apóstolos, de Pedro a Filipe, Paulo aos Laodicenses,
Terceira epístola aos Coríntios, de Aristeu;
4. Apocalipses: de Tiago; de João, de Estevão, de Pedro, de Elias, de Esdras, de Baruc; de Sofonias;
5. Testamentos: de Abraão, de Isaac, de Jacó, dos 12 Patriarcas, de Moisés, de Salomão, de Jó;
6. Outros: A filha de Pedro, Descida de Cristo aos Infernos, Declaração de José de Arimatéia, Vida de Adão e Eva,
Jubileus, 1,2 e 3 Henoque, Salmos de Salomão; Oráculos Sibilinos.

Ver também
• Bíblia
• Evangelho
• Lista de livros apócrifos
• Pseudepigrafia
[1] Palestra virtual pela Editora Cléofas de Dr. Felipe Aquino da Canção Nova. (http:/ / www. webtvcn. com/ index. php?id=1366)
[2] FONSATTI, J.C. "Introdução à Bíblia", Ed. Vozes.
[3] Septuagint - What Does It Contain? (http:/ / www. septuagint. net/ )
[4] http:/ / www. vivos. com. br/ 197. htm
[5] Revista Galileu - Dezembro 2002 - No 137, conforme www.guia.heu.nom.br/apocrifos.htm, em 23/05/2010 (http:/ / www. guia. heu. nom. br/
apocrifos. htm)
[6] http:/ / br. geocities. com/ edimarjose/ marco04/ curiosidades/ livrosapocrifos. htm

Existe entre os apócrifos um livro muito importante "história do universo" que narra a história da criação do
universo, da criação de Lúcifer (anjo de luz)como professor de todos os anjos, e da criação da terra, e da descida de
Adão e Eva do paraíso para habitar a terra, da criação do holocausto, como aliança entre Deus e os homens até o seu
retorno a terra para salvação dos homens, da divisão permitida por Deus entre o bem e o mal, que foi dirigida por
Lúcifer, etc...
Livros apócrifos 223

Ligações externas
• Bíblia Católica «On Line» (http://www.bibliacatolica.com.br) Bíblia em várias línguas, incluindo português,
grego e latim.
• E.Mucheroni (http://www.mucheroni.hpg.ig.com.br/religiao/96/index_pri_1.html)
• A Biblioteca de Nag Hammadi (http://misteriosantigos.50webs.com/os-livros-apocrifos.html) Manuscritos de
Nag Hammadi (em Português).
• The Nag Hammadi Library (http://www.gnosis.org/naghamm/nhl.html) Tradução de vários textos
encontrados no deserto em 1945. Em inglês.
• Ligação para baixar alguns livros (http://www.spectrumgothic.com.br/ocultismo/livros/apocrifos.htm)
• Bíblia Online (http://www.bibliaonline.net) Bíblia, estudos, dicionários, traduções e outros.

Pseudepigrafia
Pseudepigrafia (do grego ψευδεπιγραφία) é o estudo dos pseudepígrafos ou pseudo-epígrafos, que são textos
antigos, aos quais é atribuída falsa autoria.

Ver também
• Epigrafia
• Livros apócrifos
• Lista de livros apócrifos
• Bíblia
• Evangelhos
Profeta 224

Profeta
Profeta no feminino profetisa (do grego: πρoφήτης, prophétes)[1]
pode significar a pessoa que é capaz de predizer acontecimentos
futuros (veja Divinação); ou ainda uma pessoa que fala por inspiração
divina ou em nome de Deus. Aos falsos profetas aplicava-se a pena de
morte, na Lei Moisaica.
O livro do Antigo Testamento, revela antes de serem comumente
chamados profetas, tais pessoas eram chamados de videntes. (I Samuel
9:9) É um nome sugestivo que descrevia as pessoas a quem Deus
revelava os acontecimentos futuros, por meios de sonhos, visões ou
aparições de anjos. Eram escolhidos por Deus e tinham enorme
autoridade religiosa e influência. Normalmente, eles eram tidos como
conselheiros e instrutores da Lei de Deus.

A expressão "filhos dos profetas", designava todos aqueles que se


tornavam discípulos e ministros ajudantes (ou seja, servidores) dos
profetas do Antigo Testamento.
A expressão "os Profetas", pode referir o conjunto de livros (Neviim)
escritos pelos profetas.
O profeta é uma figura chave em muitas religiões: judaísmo,
cristianismo, islamismo, fé bahá'í e outras.

Profeta no Judaísmo e no Cristianismo


Inspiração profética: Os lábios de Isaías
Para o judaísmo e para o cristianismo, há vários profetas, conforme o tocados pelo fogo, por Benjamin West
Antigo Testamento e o Novo Testamento. Ser profeta no cristianismo é
ser aquele que fala por Deus.

Profetas da Bíblia
A literatura profética pode ser dividida de várias maneiras. A mais
tradicional e comum, entre os cristãos, é a divisão em profetas maiores
e profetas menores. Não porque uns sejam mais importantes que
outros, mas simplesmente pela extensão de seus escritos. Os profetas
maiores são quatro: Isaías, Jeremias (que também escreveu
Lamentações), Ezequiel, Daniel. Os menores são treze: Baruc, Oséias,
Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias,
Ageu, Zacarias e Malaquias[2] , cabendo observar que o Livro de Baruc
é Deuterocanônico, ou seja, não são aceitos pelas Igrejas que adotam a
Bíblia proposta por Lutero.

Por sua vez, a Bíblia Hebraica agrupa os livros de Isaías, Jeremias,


Ana e Simeão no Templo. Rembrandt van Rijn
Ezequiel e os dos doze profetas sob o título de "Profetas Posteriores" e séc. XVII
os coloca após os "Profetas Anteriores": (Josué, Juízes, I Samuel, II
Profeta 225

Samuel, I Reis, II Reis), enquanto que a Septuaginta (tradução do Antigo Testamento para o Grego Koiné, cuja a
estrutura é utilizada por maior parte das Igrejas Cristãs) apresenta os livros proféticos depois dos Livros Históricos,
destacando-se que a Bíblia Hebraica não incluí o Lamentações e Daniel entre os "Profetas Posteriores", mas entre os
"Escritos" (Kethuvim)[3] .

Profetas do Novo Testamento


• Simeão
• João Batista
• Jesus
• Ágabo
• Hernanes

Profeta no Islão
O islamismo possui raízes judaico-cristãs, compartilhando a fé em vários profetas, desde Adão até Jesus, passando
por Abraão: segundo a religião muçulmana, todos estes divulgaram revelações ou inscrições da palavra de Deus aos
seres humanos. Por último, o selo dos vários profetas foi Maomé.

Profetas na Fé Bahá'í
A Fé Bahá'í considera duas classes de Profetas: os independentes, com seguidores, e os dependentes, seguindo os
primeiros. Os independentes, de acordo com os escritos Bahá'ís, são os Fundadores das grandes religiões mundiais
conhecidas, como Krishna, Abraão, Moisés, Buda, Zoroastro, Cristo, Maomé, O Báb e Bahá'u'lláh. Os profetas
dependentes, segundo 'Abdu'l-Bahá, filho de Bahá'u'lláh:
"..seguem e dão-lhes seu apoio, pois são apenas ramos, não tendo independência, recebem a Graça dos Profetas
universais. Assemelham-se à lua, que não é luminosa e radiante por si mesma, mas recebe do sol a sua luz."
Possuem como missão espalhar a Fé de Deus à humanidade. Entre eles encontram-se várias figuras Bíblicas como
Isaías, Daniel, João Batista, e assim por diante, adicionando também os Profetas do Islão, como também da própria
religião Bahá'í.

Ver também
• Profecia
• Falso profeta
• Doze profetas de Aleijadinho
[1] Livro O dom de Profecia, Altor: Wayne Grudem.
[2] Livros Proféticos (http:/ / www. paulus. com. br/ BP/ _PNG. HTM) Edição Pastoral da Bíblia
[3] Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.230
Elias (profeta) 226

Elias (profeta)
Elias (profeta)

Elias é um dos grandes profetas da Bíblia, na parte do Antigo Testamento.


±== A figura de Elias na Bíblia ==
""Elias de fato vem e restabelecera todas as coisas disse jesus ,em mateus 17:11, reforçando a profecia de malaquias
4:5,6, é interesante que jesus usou a expressão de "Fato" uma prova viva,assim povos da terra,Elias viria "antes do
grande e atemorizante dia de Jeová" ou inicio da grande tribulação que terminará no armagedom ,Assim
anuncio:"Elias o de fato ,já está presente!Arrenpendei-vos e se voltem para o Deus Verdadeiro o soberano Senhor
Jeová!para que todos vós não sejam destruidos! ass: Elias o profeta!
O próprio nome Elias, vem de "El" (Elohim, Deus) e "a" de Yah (Jeová/Yahweh ou Senhor), o pequeno "i" significa
"de", ou seja significa: "O Senhor é Deus" ou "O Senhor é meu Deus", já expressa seu caráter e sua função na
história bíblica. Ele foi um campeão do monoteísmo de Yahweh. É ele, juntamente com outros sete mil, que mantém
a fé em Yahweh entre o povo, mesmo diante das perseguições de Jezabel contra o monoteísmo. Sua árdua luta contra
todo sincretismo religioso faz deste profeta, que "surgiu como fogo e cuja palavra queimava como uma tocha", um
dos profetas mais respeitados simultaneamente entre judeus e cristãos. Enquanto o livro do Eclesiástico (48,1-11)
canta suas glórias, os livros dos Reis nos contam sua vida de forma ampla. Nesta narração distinguem-se dois ciclos:
"o ciclo de Elias" (1Rs 17 - 2Rs 1,18), que se centra na atividade do profeta, e o "ciclo de Eliseu" (2Rs 2-13), que
começa com o arrebatamento de Elias, momento em que Eliseu o sucede.
Originário de Tisbe, na região da tribo de Naftali, mais tarde chamada Galiléia, Elias exerceu seu ministério no reino
do Norte, no século IX a.C., em tempos de Acabe e de Ocozias.
Primeiro descendente da família de Amri, Acabe, que subiu ao trono no ano de 874 a.C., havia desposado Jezabel,
filha de Etbaal II, rei de Tiro e grande sacerdote de Astarté (1Rs 16,31), que ensinara à filha o mesmo culto
idolátrico e as mesmas práticas. O grego Menandro menciona que em certa ocasião, na época deste Etbaal, abateu-se
sobre Tiro uma seca que durou um ano e meio, e que durante este período inteiro o rei ficou orando aos deuses dele e
de seu povo para que a estiagem terminasse. Acabe pagou as vantagens políticas dessa união submetendo-se à
vontade de Jezabel, que demonstrou dominar seu marido impondo-lhe o culto à Baal e fazendo-o cometer
atrocidades, como quando matou a Nabot, que o impedia de estender suas propriedades na zona de Jezrael (1Rs
21,1-16).
Nestas circunstâncias chega Elias, enviado pelo Senhor, para anunciar a Acabe a lei do talião (1Rs 21,21-24), lei que
depois, por causa da penitência pública do rei, foi aplicada somente à sua mulher e aos seus filhos (1Rs 21,29; 2Rs
9,7-10.26.36-37). A ira de Jezabel contra Elias desencadeia a matança dos profetas de Javé (1Rs 18,4.13; 19,10).
Elias respondeu anunciando uma seca de três anos, durante os quais ele se refugiou primeiro na torrente de Carit, na
Transjordânia, onde os corvos, aves de hábito tão egoísta que segundo a Bíblia os adultos preferem comer, em caso
de necessidade, antes dos próprios filhotes, o alimentaram, e depois em Sarepta, 15 km ao sul de Sidônia, onde uma
viúva lhe deu de comer; Elias multiplicou milagrosamente o azeite e a farinha dessa viúva e também ressuscitou seu
filho (1Rs 17).
A prova indiscutível de que "o Senhor é o verdadeiro Deus" acontece no confronto que Elias estabelece com Baal, o
ídolo de Jezabel. Ela está retratada no capítulo 18 do primeiro livro dos Reis. Uma antiga tradição situa este
contronto na ponta sudeste do Monte Carmelo ainda hoje chamado de El-Muhraqah (do árabe, "Lugar do Fogo").
Elias fala aos profetas de Baal para que façam um holocausto e invoquem o nome deste deus para que este venha a
incendiar o altar. Após horas de clamor e auto-flagelações, nada acontece. Elias, então, restaura o altar de Yaweh,
que havia sido destruído, e nele coloca o sacrifício. Pede, então, para que os profetas de Baal molhem o altar e,
depois disto, ora. Após o término da oração, desce fogo do céu queimando o holocausto e fazendo com que todos os
Elias (profeta) 227

presentes reconhecessem a unicidade de Deus. Elias, então, ordena que os profetas do ídolo sejam levados à torrente
do Quison, onde os degola. Para evitar a vingança de Jezabel, Elias deve fugir para o sul, onde é milagrosamente
alimentado por um anjo e alcança o monte Horeb. Já no cume, numa teofania, recebe uma tríplice missão: investir a
Hazael como rei de Damasco, a Jeú como rei de Israel e a Eliseu como profeta (1Rs 19). Morto Acab (852 a.C.) num
combate (1Rs 22) em Ramot de Galaad, lhe sucede seu filho Ocozias. E quando este, após sofrer um grave acidente,
envia mensageiros para que consultem a Baal-Zebub, deus de Acaron, se irá sarar, Elias intervém novamente e lhes
anuncia a morte do rei (2Rs 1,2-4).
Chegando ao fim de sua vida, Elias deixa Gálgala, acompanhado por Eliseu e um grupo de profetas, faz paradas em
Betel e Jericó. Ao rio Jordão atravessa a pé enxuto, dividindo as águas com seu manto. Apenas Eliseu, destinado a
sucedê-lo, é quem o segue. O fim misterioso de Elias é descrito como um arrebatamento por um redemoinho, após
este e Eliseu serem separados por um carro de fogo (2Rs 2,2-13). Desta descrição se originou a antiga crença
hebraica de que o profeta haveria de regressar antes do "Grande dia de Yahweh" ou da "parusia" do Messias, crença
que encontrou eco inclusive entre os Padres da Igreja e entre escritores eclesiásticos.
O prudente parecer expressado por Flávio Josefo: "Elias desapareceu dentre os homens e, até o dia de hoje, nada se
sabe sobre sua morte", e sobre tudo a atitude de Jesus, relatada nos Evangelhos, nos leva a considerar a descrição do
arrebatamento de Elias como um caso de êxtase profético de Eliseu para significar a especial assistência divina na
morte do profeta. Na realidade, o fim de Elias está descrito tal como apareceu aos olhos do Profeta Eliseu (cf. 1Mac
2,58) que foi o único que presenciou: Elias desapareceu em um turbilhão. O mesmo verbo laqah (=tomar), usado
para indicar o arrebatamento de Elias, expressa em outros lugares a intervenção de Deus na morte serena do justo
(Gn 5,24; Salmo 49,16; Is 53,8).
Outros exegetas porém afirmam que Elias apenas foi arrebatado para um outro lugar, como já acontecerá outras
vezes (1Rs 18:12), prova disso se deve ao fato de Elias ter enviado uma carta ao rei Jorão de Judá após a morte de
Josafá (2Cr 21:12) indicando que ele realmente não morreu no arrebatamento pelo turbilhão, pois em seu
arrebatamento (2Rs 2:11) reinava ainda Josafá.
Em Malaquias 3,1-24 (hebr. 4,5ss) se diz que Elias virá como precursor do Messias. Esta profecia se realiza em João
Batista (Lc 1,17), que é o precursor profetizado (Mt 11,10; 17,10-13), assim como podemos averiguar as profecias
relacionadas ao retorno do profeta Elias (Ml 3,1 e Ml 4,5). Essa profecias retratam o retorno do profeta Elias. Ou
seja, a sua personalidade que deveria retornar para o cumprimento da profecia e apenas o próprio Elias, era o único
que poderia cumpri-la.
Na transfiguração de Jesus no Monte Tabor, Elias aparece junto com Moisés (Mc 9,2-8; Mt 17,1-8; Lc 9,28-36),
também favorecido por uma teofania no Sinai. Elias permanece ligado a Moisés na Antiga Aliança, da qual um é o
legislador que a conclui, e o outro é o profeta que a conserva intacta e pura. A presença de ambos no Tabor é
destinada a testemunhar, na antecipada exaltação de Jesus, que a nova Aliança é o coroamento da Antiga.
Ao descerem do monte, os apóstolos Pedro, João e Tiago discutiam sobre o assunto da "ressurreição dos mortos",
entre si, conforme vemos:
"Ao descerem da montanha, Jesus recomendou-lhes que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o
Filho do homem tivesse ressuscitado dos mortos. Eles observaram a recomendação e se perguntavam o que queria
dizer "ressuscitar dos mortos". Os discípulos perguntaram a Jesus: "Por que os doutores da Lei dizem que antes
deve vir Elias? Jesus respondeu: Antes vem Elias para colocar tudo em ordem. Mas, como dizem as Escrituras, o
Filho do homem deve sofrer muito e ser rejeitado. Eu, porém, digo a vocês: Elias já veio e fizeram com ele tudo o
que queriam, exatamente como as Escrituras falaram a respeito dele" (Mc 9, 9-13).
Ao descerem do monte, os apóstolos conversavam entre si, sobre o fato da "ressurreição dos mortos". Neste
momento, surgiu a dúvida entre eles, de como se daria tal ocorrência e perguntaram a Jesus, com o objetivo de lhes
esclarecerem, mas com o fato do retorno do profeta Elias. Daí, nessa ocasião, os discípulos consideravam o retorno
do Profeta Elias correlacionando a "ressurreição dos mortos", como a reencarnação? Jesus, em sua resposta, é
enfático: "Antes vem Elias para colocar tudo em ordem".
Elias (profeta) 228

Nisto surgiu a defesa de tese que falavam de João Batista, como o Elias reencarnado, afirmando que os apóstolos
acreditavam que a "ressurreição dos mortos" seria aplicada a Elias, indubitavelmente é porque ele não detinha a
imortalidade física e era João Batista reencarnado. Outra corrente defende que Elias ainda voltará, para se cumprir a
morte física que todos os humanos deveriam passar, fazendo menção às testemunhas que precederão a vinda do
Filho do homem na sua forma gloriosa, montado num cavalo branco, como esperavam os judeus e como na
atualidade aguardam também a cristandade.
Elias, finalmente, é apresentado também no NT como modelo de oração eficaz. (Tiago 5,17).

Elias na tradição Judaica


É do conhecimento geral que o profeta "arrebatado" ao céu ocupa um lugar importante na haggada. Essa ilustra e
amplia com elementos legendários, às vezes simplistas, e com considerações teológicas os textos bíblicos relativos à
vida terrena de Elias; porém, se detém especialmente em seu arrebatamento e sua atividade celestial, sobre suas
aparições na terra como benfeitor dos pobres e amigo dos humildes, como socorredor e libertador dos fiéis em toda
situação extrema, como amigo dos sábios e estudiosos da Torah, devido o seu zelo por ela, e finalmente como
precursor do Messias.
Quando o anjo da morte apareceu para levar Elias, este se encontrava conversando com Eliseu sobre a Torah. Como
não lhe era permitido interromper o estudo da Torah, Satanás se pôs na espera; porém, num relance, um carro de
fogo puxado por cavalos de fogo se interpôs entre Elias e seu discípulo. Elias subiu nele e foi arrebatado ao céu em
um turbilhão. Satanás foi então protestar diante de Deus pela não acontecida morte de Elias; porém antes de começar
a falar, Deus o preveniu: "Eu criei os céus precisamente para que Elias pudesse subir a eles". O anjo insistiu e o
Eterno permitiu que houvesse uma luta entre Satanás e Elias. O profeta saiu vencedor e pediu a Deus permissão para
aniquilar a seu adversário. A permissão não lhe foi dada porque a derrota definitiva de Satanás deverá acontecer no
final dos tempos.
Esta idéia da translação, inclusive corporal, seguiu sendo a mais comum. "Se Adão não tivesse pecado, ficaria
sempre vivo?", pergunta-se o rabino Jehuda bar Hai, e ele mesmo responde: "É exatamente o que aconteceu com
Elias porque este não pecou".
Porém em outros textos se afirma que Elias deixou seu corpo material para tomar outro luminoso: "Como Elias pôde
subir e habitar os céus que não sustentam nem um grão de trigo?". O rabino Simão bar Jochai responde: "Encontrei
escrito: entre os que nasceram neste mundo, haverá um espírito que baixará sobre a terra e vestirá um corpo. O seu
nome é Elias. Ele voltará a subir ao céu, seu corpo permanecerá no turbilhão e seu espírito revestirá um corpo
luminoso para que possa habitar entre os anjos".
Recordemos a este respeito a refutação apresentada por Santo Epifânio, justamente contra a idéia tão difundida entre
os judeus, de que Elias era um anjo. Tampouco faltam textos que negam qualquer translação de Elias ao céu: "O
segundo ano de Ocozias - dizia o rabino José bar Halaphta, discípulo do rabino Aqiba - Elias foi escondido [nignaz],
e aparecerá de novo com a vinda do Rei Messias" (Seder Olam Rabba). Com o verbo nignaz, o rabino (do século II)
insinua que Elias continua vivendo na terra, porém ocultamente. Esta parece ser a concepção de Flávio Josefo, a das
traduções dos Setenta e do Targum (2Rs 2, 1), e provavelmente do texto hebraico do Eclesiástico 48,9.
Entretanto, a opinião comum coloca Elias no céu ou no Paraíso, no alto, com os anjos, onde lhe estão confiadas
várias incumbências: a de escrivão celestial (escreve os nomes dos justos e suas boas ações no livro da vida), a de
guia das almas (está no caminho que leva ao Paraíso esperando as almas dos justos para acompanhá-las ao lugar que
lhe é destinado), e a de intercessor em favor de Israel.
Elias, além disso, desce com freqüência à terra: "Se os cães latem alegres, é porque Elias não está longe; se os cães
gemem tristemente, o anjo da morte se acerca". Os relatos de suas aparições entre os homens constituem lendas, as
vezes alegres e instrutivas, que inculcam o amor à justiça e a fé na Providência.
Elias (profeta) 229

O rabino Kahana (século III) ganhava o sustento vendendo cestos às mulheres. Um dia, ao entrar numa casa, foi
convidado a pecar; para fugir, subiu pela escada e se jogou do terraço. Porém Elias interveio para salvar sua vida.
"Você me obrigou a me deslocar quatrocentas léguas", lhe disse Elias. E o rabino retrucou: "O que é que me
conduziu a esta situação senão minha pobreza?". O profeta então lhe deu um jarro cheio de moedas de ouro.
Porém a função essencial de Elias é a de precursor do Messias. Esta crença se fundamenta na profecia de Malaquias
(3,23-24), que há muito tempo era entendida neste sentido. Esta crença era comum entre o povo no tempo de Jesus,
como o demonstram as numerosas perguntas sobre a vinda de Elias. É estranho que os apócrifos não contenham
nenhuma predição sobre a função do precursor: unicamente se diz que então aparecerão os homens que estavam
mortos.
A tradição rabínica, pelo contrário, atribui a Elias uma atividade considerável nos primeiros atos da restauração.
Para os judeus, Elias não é um personagem do passado: está presente e acompanha Israel em seu longo e penoso
peregrinar; está vivo na piedade judaica individual, como o mais próximo e familiar dos protetores celestiais. No rito
da circuncisão, ainda hoje em dia, se deixa sempre um lugar vazio: é o lugar de Elias.

Elias nas obras dos Padres


O lugar que o profeta Elias ocupa não só no AT e na tradição judaica, como também no NT, o faz ser recordado nas
obras dos Padres com freqüência.
Alguns deles insistem na relação existente entre Elias e São João Batista; outros fixam sua atenção no arrebatamento
de Elias e no seu retorno ao final dos tempos. Neste sentido é notável a clara afirmação de Orígenes que, contra a
opinião comum, assegura a morte de Elias e nega que haja sido arrebatado ao céu em carne mortal; outros (S.
Justino, S. Irineu, etc.) põe de relevo a personalidade do profeta e o apresentam como modelo de vida de perfeição.
Orígenes apresenta o exemplo de Elias para mostrar a confiança que devemos colocar na oração e para estarmos
seguros de sua eficácia; Atanásio, na Vita Antonii, refere a máxima de Antão (ou Antônio): "Todos os que professam
uma vida solitária devem tomar por regra e por patrono o Grande Elias e ver em suas ações como em um espelho
para saber qual deve ser seu comportamento"; São João Crisóstomo, por fim, elogia a pobreza de Elias: "Elias nada
possuía e, sem dúvida, nada o impediu de alcançar o cume da virtude; ele é um oceano sem limites".
São numerosos os textos dos Padres latinos que se referem a Elias. Santo Isidoro denomina Elias como "grande
sacerdote e profeta" e deduz o sacerdócio de Elias a partir do sacrifício que havia oferecido a Yahweh no Horeb. S.
Ambrósio escreve a respeito de Elias: "O príncipe mais excelso entre o todos os profetas. Da sua missão de
denunciar o pecado e convidar à penitência, é indicada sobretudo a primeira tarefa, a increpatio, junto com a dureza
de sua vida e o ardente zelo pela glória de Deus. É comum a crença de que Elias não está morto; porém morrerá
junto com Enoque, no final dos tempos, lutando contra o Anticristo. Santo Agostinho atesta que "é muito celebrada
nos sermões e nos corações dos fiéis" a idéia da volta de Elias como precursor da segunda vinda de Cristo, como São
João Batista o havia sido da primeira. Os Padres procuram ver no Apocalipse 11 os detalhes desta missão profética
de Elias, uma das mais importantes dentre as muitas que realizou durante sua vida. Nos dois testemunhos do
Apocalipse, eles vêem a Enoque e a Elias (Tertuliano, Ambrosiáster, São Gregório Magno). "O mesmo que há de vir
na segunda vinda do Salvador em sua realidade corporal, vem agora na pessoa de João em virtude e em espírito",
escrevia São Jerônimo.
O movimento monástico do século IV tomou a Elias como seu modelo, pondo em relevo a continência, a pobreza, a
vida no deserto, o jejum, sua oração: nosso príncipe é Elias. A mesma importância e relevo lhe dão os Padres sírios.
Elias (profeta) 230

Elias no Islã
O próprio Corão menciona o "profeta" Ilyâs.
• Sobre Elias: 6:85 [1], 37:129 [2], 37:130 [3], 37:131 [4], 37:132 [5]
• Profecias de Elias: 6:85 [1], 37:123 [6]
• Pregações de Elias: 37:124 [7], 37:125 [8], 37:126 [9]
• O povo negando Elias: 37:127 [10]

Elias e o ideal monástico


Aos monges, o tema do aspecto profético de sua própria vida sempre inspirou o mais vivo interesse. De fato a
espiritualidade da vida de perfeição já foi preparada no AT. Os grandes profetas Elias, Eliseu e São João Batista
foram considerados, junto com outros, como protótipos da vida religiosa.
Antes do início da vida monástica, os Padres apresentaram pouco o profeta Elias como exemplo de vida
contemplativa e modelo de vida perfeita. Gustavo Bardy conclui um estudo bastante consciencioso sobre os Padres
gregos com estas palavras: "Com certeza, para os leitores, preparados neste sentido, será uma surpresa comprovar
que raramente os Padres gregos do século IV propõem Elias como um modelo a ser imitado". O mesmo ocorre entre
os latinos.
Os padres do deserto imitam de bom grado o exemplo de nossos antigos padres quanto a fé, sobretudo o de Elias
como se percebe na carta aos Hebreus (11,37-38); é um exemplo que inspira sua vida espiritual. Um primeiro
testemunho, bastante explícito, de imitação do ideal profético se encontra da vida de Santo Antão, patriarca dos
anacoretas. Santo Antão realmente se propunha um progresso contínuo no caminho da perfeição:
Com freqüência repetia a si mesmo as palavras do Apóstolo: "esquecendo-me do que fica para trás, lanço-me para o
que está adiante (Fl, 3,13). Recordava também o lema do profeta Elias: O Senhor vive e é necessário que eu
compareça hoje em sua presença (ante cuius conspectu hodie sto); sublinhava o emprego da palavra hoje, pois
contava como nada o tempo passado, considerando de ter apenas começado a servir a Deus, se esforçava a cada dia
por alcançar a perfeição necessária para se apresentar diante Dele, isto é, com uma consciência pura e um coração
bem preparado para obedecer sempre a Sua vontade e só a Ele servir. "Dizia a si mesmo que convém ao asceta ir
ajustando sua vida, a cada dia (=sempre), ao modelo de vida do grande Elias, como quem se olha num espelho".
Era justamente a contínua presença de Deus o que Santo Antão se propunha como ideal. O jovem Onofre que vivia
em uma comunidade cenobita da Tebaida, ouvia aos anciãos louvarem a vida eremítica de Elias; "Meus veneráveis
irmãos, vocês têm, muitas vezes, me ouvido louvar a vida de nosso santo padre Elias, que procurou se mortificar no
deserto com tão grande abstinência e oração que mereceu alcançar do Senhor grandíssima virtude". Os eremitas
fugiam da vida fácil do mundo para poder chegar a ser cidadãos do céu e formar "algo assim como uma região
especial de piedade e de justiça". Santo Ambrósio afirma que os profetas Elias, Eliseu e São João Batista realizaram
esta feliz retirada do mundo para o deserto:
Elias fugiu da mulher Jezabel, isto é, do cúmulo da vaidade e fugiu em direção ao monte Horeb, que significa
"dessecamento", para que o rio da vaidade carnal se secasse nele e podendo assim conhecer a Deus em maior
plenitude. E assim se encontrava junto ao rio Chorrad, que é como dizer torrente do conhecimento, onde podia
alcançar a abundância da divina sabedoria, fugindo do mundo até o ponto de não buscar outro alimento além do
que os corvos lhe levavam; se bem que para o mais o seu alimento não era desta terra. Passou, por fim, durante
quarenta dias sustentado tão só com o alimento que havia recebido. Não era certamente uma mulher, mas o século
que afugentava um profeta tão grande; isto é, o que afugentava era a sedução do mundo, o contágio da má
companhia, os sacrilégios de uma nação rebelde e ímpia.
Hervé da Encarnação faz notar: Fugir do mundo para matar sua sede nas fontes do conhecimento de Deus: Elias
podia servir de maravilhoso exemplo e de guia neste ideal, que era o de Ambrósio e o do movimento monástico do
século IV.
Elias (profeta) 231

Viver na ação e na contemplação, viver nas duras fadigas do corpo e do coração, respirando constantemente o Cristo:
eis a maneira mais simples de um eremita adquirir a paz celestial. Amônio, primeiro sucessor de Santo Antão,
escreve a seus monges: "Este foi o caso de Elias". No mais "era crença comum entre os autores sírios ver em Elias a
perfeita realização do ideal monástico" (p. 164). Por isso, não é de se estranhar que em torno dos principais lugares
elianos se encontram eremitas, que veneravam e imitavam ao santo profeta.
No século IV, Etéria nos fala da existência de um monastério junto a Tesbi e da habitação de um solitário no vale de
Corra, onde Elias tinha habitado nos tempos do rei Acab. Um século mais tarde Teodósio menciona uns monges que
habitavam em Sarepta e o pseudo-Antonino afirma a presença de eremitas no vale do Jordão.
Também o gênero de vida estabelecido por Pacômio tem certa analogia com o do profeta:
Os cenobitas de Tabenna se vestem com peles, a exemplo de Elias tesbita, acredito que com a finalidade de
recordarem-se, à vista desta veste de peles, a virtude do profeta e possam assim resistir corajosamente aos desejos
vergonhosos e fazer crescer a esperança de recompensas semelhantes. Na Vita Pachomii, junto com Eliseu e João
Batista, Elias é ressaltado como o grande modelo de Santo Antão.
Sem dúvida, São Basílio, fundador de uma vida verdadeiramente cenobita, apenas lembra o grande solitário do AT.
Se Gregório Nazianzeno e Gregório de Nissa, em seus panegíricos, comparam Basílio ao profeta, é mais que nada
como lugar comum literário. Notemos, por outro lado, que como ponto de comparação se toma a solidão. O mesmo
se lê num escrito pseudo-basiliano: "Também foi assim Elias, o qual fugia da confusão dos homens e se comprazia
em viver no deserto… Fixa-te em Elias: depois de quanto retiro, de quanto silêncio, de quantos suores mereceu ver a
Deus?".
No Ocidente, "os monges que viviam em comunidade sob a regra de São Bento ou de São Cesáreo não tinham os
mesmos motivos que os solitários do Oriente para conservar de modo especial a memória do velho profeta que viveu
em seu deserto".

Elias como inspirador da vida eremítica


Se Elias não é o fundador, em sentido estrito, da vida monástica, pode ser considerado como seu autêntico precursor.
É um mestre, diz Santo Ambrósio, e os monges são seus discípulos. Sobre esta primazia escreve São Jerônimo: "Os
nossos príncipes Elias e Eliseu e nossos chefes os filhos dos profetas, que habitavam no campo e na solidão,
construíam suas tendas perto do rio Jordão". E na Vita sancti Pauli ele apresenta, como opinião de alguns, a origem
profética da vida monástica:
Com freqüência muitos se perguntam qual foi o monge que morou por primeiro num ermo. E alguns, remontando-se
mais longe, encontraram seu começo no beato Elias e em João Batista". A mesma idéia nos repete Sozômeno como
opinião corrente: "Os mestres desta excelente filosofia foram, como dizem alguns, Elias profeta e São João Batista".
São Nilo de Ancira chamará a Elias "iniciador de toda vida ascética". "Eles estabeleceram as primeiras bases desta
profissão", disse Cassiano falando de Elias e de Eliseu, que colocaram os seus fundamentos iniciais.
A pureza do coração
A pureza do coração é o ideal monástico. Seguindo uma tradição hebraica, desde o princípio a virgindade é atribuída
a Elias. Santo Ambrósio o faz na fé. São Jerônimo atribui a virgindade também aos filhos dos profetas: "Virgens
foram Elias, Eliseu e muitos dos filhos dos profetas". São Gregório Magno e São Nilo vêem no arrebatamento de
Elias a recompensa de sua pureza. De outro lado, esta deve ser entendida no sentido da pureza monástica, da
"apátheia". Elias, amando "os segredos da solidão e a pureza do coração", realizou o ideal de um monge: "sabemos
que ele se uniu familiarissimamante a Deus pelo silêncio da solidão". A respeito desta plena disposição de um
coração puro remetemos ao belíssimo texto de Afraates, de inspiração eliana. Além do mais, na vida de Elias se
encontram os principais exercícios atléticos do eremita: a solidão, o jejum e a oração.
A vida de oração
Elias (profeta) 232

Elias era sobretudo o inspirador da vida de oração. Ele exorta a se praticar a plenitude do amor divino. "Até quando
vais estar mancando?", com estas palavras do profeta, Orsiesio exorta a seus monges. A oração de Elias, um homem
como nós, foi poderosíssima, por isso, sob este aspecto, se constitui num exemplo completo. O vidente do Horeb e
do Monte Tabor é também o exemplo de grande intimidade com o Senhor. Para Máximo, o Confessor, a visão do
glorioso Elias na sua gruta é um símbolo da mística apofática:
O Horeb representa… um exercício habitual das virtudes num espírito de graça. A caverna é o mistério da
sabedoria escondida na alma, e seu santuário. Quem nela penetra terá a intuição profunda e mística do saber "que
supera toda ciência" e na qual se manifesta a presença de Deus. Pois se alguém, como o grande profeta Elias, busca
verdadeiramente a Deus, deve não somente "subir ao Horeb" (e é evidente que quem se consagrou à ação deve
também aplicar-se à virtude), como também "penetrar no interior da caverna" situada sobre o Horeb, isto é, estar
completamente dedicado à contemplação, na obscuridade e no mistério mais profundo da sabedoria, fundada sobre
uma prática habitual da virtude". Convém também citar um famoso texto místico de São Gregório Magno.
A mística hesicasta, que vê o lugar místico na luz do Tabor, pode igualmente refazer-se no exemplo de Elias. Pedro o
Atonita (século VIII) é, talvez, o primeiro dos hesicastas a quem se elogia com estas palavras: "Tu decidiste habitar
no Monte Athos como Elias no Carmelo, para buscar a Deus no silêncio".
No Oriente, na celebração litúrgica, é aplicado a Elias o título dos santos monges: "anjo terrestre e homem celestial".
No Ocidente se encontra apenas algum rastro de um culto litúrgico tributado ao Santo Elias. Entre os próprios
Carmelitas a festa de Elias é bastante tardia. O prefácio próprio da festa de Santo Elias cantava (até a última reforma
litúrgica): "coloquei os fundamentos da vida monástica".

Elias e os Carmelitas
No tempo das cruzadas, alguns soldados se retiraram ao Monte Carmelo, atraídos pela beleza do lugar, pela sua
posição geográfica e também pela lembrança do profeta. Tiago de Vitry, a princípios do século XIII, em sua Historia
orientalis sive hierosolymitana traçou um quadro retrospectivo do renascimento espiritual da Terra Santa depois das
cruzadas dos séculos XI e XII.
Entre os anos 1206-1214, um grupo de monges latinos, que viviam "junto à fonte no Monte Carmelo", receberam das
mãos de Alberto, patriarca de Jerusalém, uma "norma de vida", confirmada depois pelo Papa Honório III em 1226.
Estes viriam a ser os Carmelitas, os irmãos de Nossa Senhora do Carmelo e os filhos de Elias. Não é certo que fora a
veneração do profeta Elias o que atraiu estes eremitas ao Monte Carmelo. A Regra não fala de uma inspiração eliana
da vida carmelitana. Mais tarde, Nicolau Gálico, ao expressar seu desejo de que os Carmelitas recobrassem a pureza
da vida eremítica, não invoca em sua ''Ignea sagitta'' o exemplo do grande solitário do AT. É mais provável que o
nascimento e desenvolvimento da devoção a Santo Elias tenha surgido do fato de habitarem o Monte Carmelo e,
mais tarde, a lembrança conservada. Só ao longo da história é que o tema de Elias se tornou "parte integrante" da
espiritualidade carmelitana. Alguma alusão à lenda sobre uma vida eremítica ininterrupta no Monte Carmelo desde o
tempo de Elias até as Cruzadas, se encontra na rubrica prima das Constituições do Capítulo de Londres do ano 1281.
Se havia ainda uma diferença entre os primeiros eremitas do Antigo e do Novo Testamento e seus sucessores da
época de Inocêncio III, na primeira rubrica das Constituições de 1324, os sucessores aparecem já nos tempos de
Cristo. É assim que se forma a idéia da ininterrupta sucessão hereditária da Ordem do Carmelo. Esta convicção
desembocará no tão penoso litígio entre os Carmelitas e Daniel Papenbroek. Entretanto, a figura de Elias foi se
tornando cada vez mais significativa na espiritualidade da Ordem. No século XV Tomás Waldense escreve, sem
ulteriores correções: "nossa profissão religiosa nos estimula a viver segundo sua inspiração".
Tudo indica que foi João Baconthorp quem pela primeira vez uniu a devoção mariana da Ordem do Carmelo com a
lembrança do profeta Elias.
A forma mais completa desta espiritualidade eliana e profética encontra-se num escrito do século XIV, o Liber de
institutione primorum monachorum.
Elias (profeta) 233

Culto a Elias
Não há dúvida quanto a antiguidade do culto tributado a Elias nas Igrejas orientais. Os cristãos, que visitavam a
Terra Santa, paravam para rezar nos lugares que evocavam os santos do AT. O Iter Burdigalense recorda como
lugares elianos: o Monte Carmelo, a montanha da Transfiguração e a colina de onde Elias foi arrebatado ao céu. O
santuário mais conhecido é o de Sarepta. São Jerônimo, ao narrar a viagem de Paula, a apresenta entrando para rezar
na pequena torre da viúva de Sarepta. Elias é venerado também como taumaturgo por ter ressuscitado o filho da
viúva.
Um outro santuário é indicado por Etéria (fim do século IV) situado sobre o Horeb. O culto a Elias, como o de outros
santos do AT, não tardou em ultrapassar os confins da Palestina. A epigrafia nos permite verificar sua irradiação.
Assim, por exemplo, na província da Arábia as inscrições atestam que Elias é o santo mais popular do Ledgaa. Na
Síria uma inscrição atesta de que os habitantes de Ezra construíram às suas custas uma igreja dedicada a Elias, no
ano 542. Em Bizâncio uma tradição atribui a fundação de um santuário de Elias às legiões do imperador Zenão,
depois de sua campanha da Pérsia, como ação de graças por uma aparição do profeta ao exército. No Petrion de
Constantinopla se celebrava sua festa dia 20 de Julho. E na mesma data as Igrejas sírias celebram a memória do
Santo, desde o século XV. Entre os Maronitas esta data figura somente a partir de 1673. Antigamente a festa de Elias
era geralmente ligada às festas que celebravam as manifestações de Cristo ao mundo, mais precisamente a
Circuncisão, que a Igreja Jacobita do Egito celebrava dia 1º de Janeiro, era acompanhada de uma ampla memória de
Elias. O mesmo ocorria no dia 6 de Agosto, solenidade da Transfiguração, em que Elias aparece junto com Moisés.
Às vezes a lembrança de Elias se repetia no dia seguinte, como entre os Melquitas. Os Nestorianos e os Jacobitas
celebravam também esta solenidade no dia 2 de Outubro, mês consagrado a Moisés e considerado como o primeiro
do ano. O mês de Setembro, portanto, encerrava o ciclo e representava o final do ciclo anual. Elias, o precursor
prometido, para preparar o triunfo final do Messias, é especialmente recordado nos seis domingos sucessivos, que
vão de 6 de Agosto a 14 de Setembro.
Antigamente, nas Igrejas sírias se celebrava a festa de Elias com o nome de "Migração".
Também na Igreja Oriental Ortodoxa a festa de Elias é celebrada no dia 20 de julho, precedida de uma vigília, na
qual a memória de Elias esteve durante muito tempo associada ao culto ao Profeta Eliseu, que é honrado
separadamente em 14 de junho.
Em Constantinopla prosperou igualmente a devoção a Elias. Basílio o Macedônio (século IX), além de restaurar o
antigo santuário do Petrion, construiu uma igreja dedicada ao nome do Salvador, de São Miguel e de Santo Elias,
uma outra em honra de Santo Elias no bairro de Mangani, e enfim uma capela em seu próprio palácio. Constantino
Profirogênito explica esta devoção do imperador para com Elias como motivada por uma aparição do profeta à mãe
do imperador, em que lhe predisse o destino imperial de seu filho. O Sinassario Constantinopolitano (col. 230)
marca ainda no dia 13 de janeiro a dedicação de uma igreja em honra do profeta no monastério de Batyriax.
O Oriente bizantino permaneceu fiel a esta tradição. Em 1918, numa espécie de estatística das igrejas da Grécia,
sobre um total de 4.637, encontramos 752 dedicadas à Santíssima Virgem, 196 a Santo Atanásio, 189 a São João
Batista, 75 a Elias e 69 a São Jorge.
Na Igreja latina os santos do Antigo Testamento tiveram um culto muito limitado. A liturgia de Roma, que se
difundiu muito cedo em todo o Ocidente, celebrava quase unicamente os mártires, aos quais se agregaram depois os
bispos que haviam lutado pela ortodoxia da fé, sob o nome de confessores.
Apenas uma festa de santos do AT entrou na liturgia romana: a dos Macabeus, dia 1º de agosto, precisamente porque
eram mártires. O culto de Elias começou no Ocidente, ao que tudo indica, em Auxerre, provavelmente na mesma
data de 20 de julho: todo o Prefácio está dedicado a Elias. Porém é o único testemunho que existe anterior ao século
XV. Por influência dos menológios bizantinos, os santos do AT começaram a figurar nos martirológios. Elias teve
que esperar até a publicação da editio princeps do ''Martirológio Romano'' (1583). Os mesmos Carmelitas não lhe
prestaram um culto senão muito tardiamente. O Ordinale carmelitano de Siberto de Beka, de 1312, não menciona
Elias (profeta) 234

sua festa. Esta aparece por primeira vez no Missal Carmelita de 1551. O Prefácio de Elias foi aprovado pela Sagrada
Congregação de Ritos em 1919. O culto ao Profeta não pertence, portanto, à liturgia romana, porém é próprio dos
Carmelitas. Não parece que no Ocidente existam igrejas dedicadas a Elias, fora das que se encontram na Itália
bizantina. Na concessão do novo "Próprio" dos Carmelitas, aprovado em 17 de abril de 1972, a Sagrada
Congregação para o Culto Divino disse: "para dar realce ao Fundador ideal da Ordem [Carmelita], concede de bom
grado que a festa de Santo Elias seja celebrada com o grau de solenidade". Já se havia concedido aos Carmelitas
Descalços no dia 20 de outubro de 1971 o grau de festa.

Iconografia de Elias
A iconografia sobre Elias é muito vasta e variada. Nas numerosíssimas representações da arte bizantina e ocidental, o
Profeta Elias aparece em geral vestido como um santo eremita do deserto. Os seus símbolos distintivos são o corvo
(que o alimentou no deserto), uma espada flamejante, uma roda de carro (alusiva a sua ascensão) e às vezes uma pá.
Os caracteres iconográficos da figura do profeta derivam assim da tradicional interpretação de Elias como precursor
de São João Batista. Como prefigura de Cristo, ao qual lhe associam muitos episódios de sua vida, o profeta é
sempre representado no deserto enquanto é consolado ou alimentado por um anjo, ou enquanto ressuscita o filho da
viúva de Sarepta, ou então arrebatado no carro de fogo.
A ascensão de Elias é o tema mais difundido e tratado, por sua referência à Ascensão de Cristo, por outros diversos
significados simbólicos e sobretudo porque falava já de um modelo iconográfico preconstituído na figura clássica de
Helios-Apolo sobre seu carro de fogo. Fora algumas representações medievais nas quais o profeta aparece sobre um
carro sem cavalos, ou então levado por cavalos sem carroça, a iconografia tradicional nos apresenta Elias enquanto é
elevando ao céu sobre um carro puxado por dois ou quatro cavalos, às vezes guiado por um anjo, estendendo a mão
direita para Deus, enquanto que com a esquerda entrega seu manto ao profeta Eliseu que fica cego com esta visão.
Com freqüência se localiza o episódio com a representação do rio Jordão, personificado numa divindade fluvial
clássica. Entre as numerosíssimas e antiquíssimas representações deste episódio podemos recordar as dos afrescos da
catacumba de Domitila em Roma, dos sarcófagos paleocristãos do Louvre e da Basílica Vaticana, dos relevos das
portas de madeira de Santa Sabina em Roma, de muitíssimas miniaturas medievais, dos relevos da Catedral de
Cremona do século XII, etc.
Numerosos outros episódios da vida e dos milagres do Profeta estão também representados, em geral, nas igrejas
pertencentes à Ordem do Carmelo, como na de São Martinho ai Monti em Roma, na capela dos Carmelitas
Descalços de Paris e nas igrejas Carmelitas de Córdoba e de Madrid. Como Patrono da Ordem, Elias aparece vestido
com o hábito de religioso carmelita com os sinais e caracteres iconográficos tradicionais. Raramente o Profeta
aparece com armadura de guerreiro.
Entre os episódios mais freqüentemente narrados nos ciclos acima citados evidentemente são o Sacrifício no Monte
Carmelo com o milagre do fogo descido do céu, que prefigura da vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos; Elias
alimentado pelos corvos, tema habitual nos refeitórios dos conventos do Monte Athos; Elias socorrido pela viúva de
Serepta; a Matança dos 450 profetas de Baal, tema muito freqüente na arte bizantina e russa; e finalmente Elias
separando com seu manto as águas do Jordão.
Elias (profeta) 235

Folclore sobre Elias


A popularidade de Elias foi verdadeiramente extraordinária. A narração bíblica, nos chamados ciclos elianos do AT e
nos textos da Transfiguração no NT, por sua grandiosidade e eficácia impressionava grandemente a imaginação do
povo, principalmente devido ao seu arrebatamento ao céu e por causa da crença de sua permanência em vida, da sua
intervenção em favor dos bons em suas necessidades e do seu regresso para lutar contra o anticristo no final dos
tempos.
No tempo de São Martinho, um jovem, apresentando-se como sendo Elias e sustentando tal afirmação com pretensos
milagres, chegou a seduzir várias pessoas e inclusive a um bispo. No tempo de São Gregório Magno, como ele
mesmo conta, um judeu chamado Nasas atraía na Sicília os cristãos em torno a um altar por ele construído em honra
a Elias.
Nos costumes eslavos, a festa de Elias adquiriu uma particular importância, que a distinguia das outras festividades.
O dia de Elias, chamado "Elias, o trovão", era esperado como se aguarda um dia de descanso, com interrupção dos
trabalhos no campo. Segundo as crenças populares, Elias comanda o trovão e a chuva, e na sua ira pode mandar a
seca. Segundo o historiador Zabelin, na consciência popular da velha Rússia, Pérun, o deus pagão do trovão e do
relâmpago, cedeu o lugar ao profeta Elias, venerado também - fato notável - pelos Buriatas e Tártaros. A vida de
Elias esteve vinculada aos fenômenos celestes, ao trovão, à chuva e à seca. O povo via em Elias um intercessor junto
a Deus para o duro trabalho nos campos. Nos campos de Novgorod, onde em 1198 surgiu a primeira igreja em honra
de Elias e onde se transferiu o culto do santo, desde Kiev, o barulho do trovão era explicado como a passagem do
carro de Elias sobre as nuvens.
Nas comunidades sírias, antes de se tornarem cristãs, Elias, por influência das lendas judaicas, já havia se
transformado num ser misterioso, meio anjo e meio homem, coberto de penas e capaz de voar para socorrer aqueles
que a ele se dirigiam.
Nestas crenças populares se inspirou também Eugênio Sue, autor de O judeu errante.
No dia 20 de julho se reúne no Monte Carmelo uma grande multidão de devotos de Elias: cristãos de vários ritos,
judeus e muçulmanos. Todos sobem ali com os mais variados meios de locomoção ou a pé, para cumprir seus votos,
para apresentar suas crianças ao batismo e principalmente para cantar e dançar em honra do profeta. Do interior do
monastério se escuta o rumor de uma grande feira: toda aquela gente tão diferenciada se reúne ali cada ano em nome
de Elias, o qual continua exercendo sua fascinação e sua notável influência na vida e nas crenças daqueles povos.

Ver também
• João Batista
• Ensaio sobre o psicológico de Elias[11]

Profetas do islão no Alcorão

Adam Idris Nuh Hud Saleh Ibrahim Lut Ismail Ishaq Yaqub Yusuf Ayub
‫مدآ‬ ‫حون‬ ‫دوه‬ ‫حلاص‬ ‫ميهاربا‬ ‫طول‬ ‫ليعامسا‬ ‫ثيش‬ ‫قاحسا‬ ‫بوقعي‬ ‫فسوي‬ ‫بويأ‬

Adão Enoque Noé Éber Selá Abraão Ló Ismael Isaac Jacó José Jó

Shoaib Musa Harun Dhul-Kifl Daud Sulayman Ilyas Al-Yasa Yunus Zakariya Yahya Isa Muhammad
‫بيعش‬ ‫ىسوم‬ ‫نوراه‬ ‫لفكلا وذ‬ ‫دواد‬ ‫ناميلس‬ ‫سايلإ‬ ‫عسيلا‬ ‫سنوي‬ ‫ايركز‬ ‫ىيحي‬ ‫ىسيع‬ ‫دمحم‬

Jetro Moisés Aarão Ezequiel David Salomão Elias Eliseu Jonas Zacarias João Jesus Maomé
Batista
Elias (profeta) 236

Referências
[1] http:/ / www. submission. info/ servlet/ qtbrowse?pickthall=true& yusufali=true& shakir=true& arabic=true& chapter=6& verseBegin=85&
verseEnd=85
[2] http:/ / www. submission. info/ servlet/ qtbrowse?pickthall=true& yusufali=true& shakir=true& arabic=true& chapter=37&
verseBegin=129& verseEnd=129
[3] http:/ / www. submission. info/ servlet/ qtbrowse?pickthall=true& yusufali=true& shakir=true& arabic=true& chapter=37&
verseBegin=130& verseEnd=130
[4] http:/ / www. submission. info/ servlet/ qtbrowse?pickthall=true& yusufali=true& shakir=true& arabic=true& chapter=37&
verseBegin=131& verseEnd=131
[5] http:/ / www. submission. info/ servlet/ qtbrowse?pickthall=true& yusufali=true& shakir=true& arabic=true& chapter=37&
verseBegin=132& verseEnd=132
[6] http:/ / www. submission. info/ servlet/ qtbrowse?pickthall=true& yusufali=true& shakir=true& arabic=true& chapter=37&
verseBegin=123& verseEnd=123
[7] http:/ / www. submission. info/ servlet/ qtbrowse?pickthall=true& yusufali=true& amp;shakir=true& arabic=true& chapter=37&
verseBegin=124& verseEnd=124
[8] http:/ / www. submission. info/ servlet/ qtbrowse?pickthall=true& amp;yusufali=true& shakir=true& arabic=true& chapter=37&
verseBegin=125& verseEnd=125
[9] http:/ / www. submission. info/ servlet/ qtbrowse?pickthall=true& yusufali=true& shakir=true& arabic=true& chapter=37&
verseBegin=126& verseEnd=126
[10] http:/ / www. submission. info/ servlet/ qtbrowse?pickthall=true& yusufali=true& shakir=true& arabic=true& chapter=37&
verseBegin=127& verseEnd=127
[11] http:/ / camilocbg. blogspot. com/ 2008/ 07/ elias. html

Doze profetas de Aleijadinho


Os Doze Profetas é um conjunto de
esculturas em pedra sabão feitas entre
1795 a 1805 pelo escultor Antônio
Francisco Lisboa, mais conhecido
como Aleijadinho, localizadas no
município de Congonhas do Campo,
mais precisamente no adro do
Santuário do Bom Jesus de
Matosinhos.

Da esquerda para direita: Amós, Abdias, Jonas, Baruc, Isias, Daniel, Jeremias, Oséias,
Ezequiel, Joel, Habacuc e Naum
Doze profetas de Aleijadinho 237

Os doze profetas

Isaías
Um profeta do Antigo Testamento , Isaías, abre a série de honra na entrada da
escadaria do lado esquerdo do Santuário.
A estátua esculpido por Aleijadinho, tem o tipo físico de um personagem de idade
avançada, barbas e cabelos abundantes. Veste uma túnica curta, que deixa
descoberta a parte inferior das pernas calçadas de botas, sobre a qual se acha jogado
um amplo manto. Segura o pergaminho com a mão esquerda, enquanto a direita
aponta para o texto nele inscrito.
Apresenta erros anatômicos de grande evidência, como a desproporção entre as
Isaías. partes superior e inferior do corpo, a estreiteza dos ombros, braços rígidos e
curtos.Apesar de trazer a marca da interferência do "atelier", a expressão da cabeça
de Isaías não é outra senão aquela criada pelo gênio de Aleijadinho. A verdadeira expressão de um iluminado diante
de uma visão, constituindo-se em uma das mais importantes peças de todo o conjunto arquitetônico.

Jeremias
Ocupa também posição de destaque na entrada da escadaria, à direita de Isaías,
encontra-se o Profeta Jeremias, autor do segundo dos livros proféticos na ordem do
Cânon bíblico.
O tipo físico do Profeta Jeremias, esculpido por Aleijadinho, é o de um homem de
meia idade, com bigodes longos nas laterais da boca e a barba curta, composta de
rolos frisados, à moda bizantina. Veste túnica curta, que deixa à mostra a perna
esquerda, e manto levantado sobre o ombro direito, caindo até os pés na parte
superior. Segura o pergaminho com a mão direita e, na esquerda, uma pena. Na
cabeça, ostenta um magnífico turbante, arrematado por abas torcidas passando entre Jeremias.
as presilhas. Do ponto de vista anatômico, essa estátua apresenta deformidades.
Entretanto, apesar dos defeitos observados, nota-se a intervenção de Aleijadinho na execução da cabeça, onde, sem
dúvida, se concentra toda a força real da imagem.

Baruc
Apesar de não integrar a série dos profetas do Antigo Testamento, a inclusão de Baruc
no conjunto estatuário de Congonhas justifica-se pelo seu destaque na ordem do Cânon
bíblico.
Baruc traz nas mãos um pergaminho cuja citação é uma síntese de várias passagens de
suas profecias. A escultura, situada no pedestal que arremata o muro de alinhamento
central do adro, representa um personagem jovem e imberbe, vestido de túnica curta e
manto, calçando botas. Traz na cabeça um turbante com bordas decoradas semelhantes
Baruc.
às do Profeta Jeremias. Uma das mãos sustenta as pregas do manto, enquanto a outra
segura o pergaminho. A peça, de proporções atarracadas e erros anatômicos evidentes, é
uma das mais fracas do conjunto. A força da imagem, entretanto, vem da expressão do rosto, parte executada por
Aleijadinho.
Doze profetas de Aleijadinho 238

Ezequiel
Do lado oposto a Baruc, no pedestal que arremata o muro de alinhamento central do
adro, encontra-se Ezequiel, também conhecido como o "profeta do exílio", por ter sido
banido para a Babilônia com o povo de Israel.
A inscrição do pergaminho traduz a síntese de três etapas sucessivas da visão do profeta:
primeiramente, aparecem-lhe quatro animais alados de quatro faces cada um, em
seguida, as quatro rodas de um carro de fogo sustentando um trono de safira e,
finalmente, sobre esse trono, o próprio Deus de Israel. O tipo fisionômico de Ezequiel é
Ezequiel.
o mesmo de Jeremias. Usa bigodes e barba curta, seccionada em dois rolos frisados e
cabelos longos caindo sobre a nuca. Ao invés da túnica curta, o Profeta veste uma túnica
longa e cintada, que deixa a descoberto apenas a ponta do pé direito, Em lugar do turbante, Ezequiel traz na cabeça
um barrete com viseira presa por um laço acima da nuca. Recobrindo toda a parte posterior da imagem, o manto é
magnificamente decorado por uma barra com desenho devolutas entrelaçadas. A escultura não parece ter sofrido
intervenção do atelier. Sua grande força de expressão revela cuidados particulares de Aleijadinho em sua execução.
Além da impressionante expressão da cabeça, destaca-se também a significativa flexão do braço direito.

Daniel
O Profeta Daniel, ladeando a passagem para a entrada do adro, em frente a Oséias,
encontra-se a estátua. O confronto do quarto dos profetas maiores e do primeiro dos
menores, nessa situação privilegiada, revela, mais uma vez, um projeto iconográfico
preciso para as posições das estátuas no adro.
Os traços fisionômicos da escultura mostram um jovem imberbe como Baruc e Abdias.
Entretanto, a fisionomia de Daniel difere da deles, pelo recorte especial dos olhos, a boca
e o nariz longo, de narinas fortemente sulcadas, revelando em seu conjunto uma
Daniel.
expressão altaneira e distante, própria de um herói cônscio de sua força. A coroa de
louros que decora a mitra da cabeça acentua esse aspecto e é uma alusão evidente à
vitória sobre os leões. Como Ezequiel, Daniel veste uma túnica longa, presa na cintura por uma faixa abotoada no
colarinho. Nessa escultura, parece que Aleijadinho dispensou qualquer colaboração de seus auxiliares. Trata-se da
estátua de maior dimensão de todo o conjunto e, apesar disso, a peça é monolítica e particularmente bem executada,
revelando, sem dúvida, a marca do gênio de Aleijadinho.

Oséias
O mais importante dos profetas menores, Oséias, ocupa no Santuário lugar sobre o
pedestal que arremata o parapeito de entrada do adro. Oséias, assim como Ezequiel e
Jeremias, veste um casaco curto, abotoado da gola à barra e preso na cintura por uma
faixa. A cabeça é coberta por um barrete semelhante ao de Ezequiel. Calça botas tipo
borzeguins e tem na mão direita uma pena, cuja ponta, apoiada sobre a barra do manto,
reproduz uma atitude de quem está escrevendo. A anatomia da escultura é correta, apesar
da discrepância entre o comprimento dos dois braços.
Oséias.
Doze profetas de Aleijadinho 239

Joel
Joel, o segundo dos profetas menores do cânon bíblico, ocupa seu lugar no adro à direita
de Oséias, na junção do parapeito de entrada do adro e da parede interna lateral.
A fisionomia da escultura, assim como a de Jeremias, Ezequiel e Oséias, é de um
personagem viril, de barba e bigodes em rolos à moda bizantina. A roupagem é
semelhante à de Oséias, sendo a gola substituída por um colarinho alto. Joel traz à
cabeça o mesmo modelo de turbante com abas retorcidas, já utilizado em Jeremias e
Baruc. A estátua praticamente não revela imperfeições anatômicas. É uma das mais
Joel.
vigorosas de todo o conjunto e sua força de expressão revela a atenção de Aleijadinho
em grande parte de sua execução.

Abdias
Abdias ocupa o ponto inferior do adro que une os muros dianteiros e lateral esquerdo no
adro do Santuário.
A fisionomia de Abdias é de um jovem imberbe, assim como Baruc, Daniel e Amós, mas
as proporções bem mais esbeltas dão a impressão de uma maior juventude. Abdias veste
túnica e manto como os apóstolos da ceia, complementado apenas por um gorro simples,
mas o arranjo das pregas é muito bem organizado num jogo erudito de luz e sombra.
Essa estátua pode ser analisada comparativamente à do profeta Habacuc, que ocupa
Abdias.
posição equivalente no extremo oposto do adro. Exercendo visualmente a função de
baluartes laterais do adro, Abdias e Habacuc têm a mesma atitude simétrica dos braços
levantados para o alto, mesmo tipo de roupagem, assim como jogo aparentemente complicado dos panejamentos.
Pela posição que ocupam, ambas estátuas receberam especial cuidado de Aleijadinho, sendo provável que a
intervenção do "atelier" se tenha limitado ao acabamento das partes acessórias, uma vez que as imagens são
anatomicamente perfeitas.

Amós
No ponto extremo do adro, à esquerda, na parte superior do arco de circunferência que
une os muros extremos dianteiro e laterais do Santuário, encontra-se a estátua do Profeta
Amós. Amós difere totalmente dos demais profetas do conjunto e essa diferença se faz
notar tanto no tipo físico, quanto na indumentária. Seu rosto largo e imberbe tem a
expressão calma, quase bonachona, como convém a um homem do campo. Suas vestes
condizem com a sua condição de pastor. Amós está vestido com uma espécie de casaco
debruado de pele de carneiro e traz na cabeça um gorro, de forma semelhante ao que
Amos. usam ainda hoje os camponeses portugueses da região.

Dada a grande altura do muro em que está colocada, a escultura parece ter sido concebida para ser vista pelo lado
esquerdo, já que o lado direito dela apresenta deformações, como, por exemplo, a omissão da perna da calça deste
lado. Como a estátua de Daniel, é uma peça praticamente monolítica, com apenas uma pequena emenda na parte
superior do gorro.
Doze profetas de Aleijadinho 240

Jonas
Ocupando posição simétrica à de Joel, no ponto de encontro dos muros que formam o
parapeito de entrada do adro à esquerda, encontra-se a estátua de Jonas. Para o mais
popular dos profetas menores, Aleijadinho reservou lugar de destaque, colocando-o junto
de Daniel.
A estátua de Jonas repete o mesmo padrão tipográfico já anteriormente usado para as
imagens de Jeremias, Ezequiel, Oséias e Joel. Sua fisionomia, entretanto, apresenta
traços distintos, como a boca entreaberta com os dentes aparentes e a cabeça voltada para
Jonas.
o alto. O vestuário de Jonas se compõe de uma espécie de batina, com colarinho,
abotoada até a cintura, onde é presa com uma faixa. O profeta traz também um manto
jogado sobre o ombro esquerdo e o habitual turbante em forma de mitra, com abas retorcidas. A estátua parece ter
recebido de Aleijadinho o mesmo cuidado especial dispensado a Daniel. Não se nota qualquer traço indicador da
intervenção do "atelier". Acham-se reunidos nessa peça dois aspectos essenciais de seu gênio criador: a capacidade
de expressão dramática que caracteriza a visão frontal da estátua e o ornamento visível na parte posterior, onde a
silhueta sinuosa da baleia, com cauda e barbatanas, parece emergir de um chafariz rococó.

Habacuc
Habacuc, o oitavo dos profetas menores, encerra a série dos profetas de Congonhas.
Situa-se em posição equivalente à de Abdias, no ponto inferior do arco que une os muros
dianteiro e lateral direito do adro.
Novamente se repete o padrão tipográfico anteriormente utilizado para Jeremias,
Ezequiel, Oséias, Joel e Jonas. O vestuário de Habacuc é composto pela mesma sotaina
envergada por Naum e Jonas, desta vez acrescida de uma gola cujas pontas são ornadas
de borlas. O profeta traz na cabeça o mais complicado turbante de toda a série, no qual se
Habacuc.
encontra um plano superior dividido em quatro gomos arredondados, com uma cobertura
arrematada por uma borla pendente. A estátua recebeu de Aleijadinho cuidados especiais
tanto por sua localização, quanto por sua execução, onde é mínima a interferência do "atelier".

Naum
Na extremidade direita do adro, ocupando o ponto superior do arco que une os muros
externos dianteiro e lateral, encontra-se a estátua de Naum, o sétimo dos profetas
menores. O tipo físico da figura de Naum é o de um velho de barbas longas, postura
vacilante e faces maceradas. Veste uma sotaina longa, abotoada até a cintura. A
intervenção do "atelier" de Aleijadinho nessa peça aparece de forma evidente, a começar
pela execução do turbante que Naum traz à cabeça. Alguns detalhes, como as barras
ornamentais do manto e a deficiência da articulação geral do conjunto comprovam essa Nahum.
intervenção, parecendo possível que Aleijadinho tenha apenas concebido os traços
iniciais da estátua.
Doze profetas de Aleijadinho 241

Conservação
Há grande preocupação com o estado de conservação das obras que
compõem o conjunto dos doze profetas de Aleijadinho. Por serem feitas
de pedra-sabão, já apresentariam por si só um desgaste natural ao longo
dos anos. Além disso, por muitos anos a obra de Aleijadinho careceu de
cuidados e vigilância. Era costume da população de Congonhas do
Campo, onde as obras se encontram, fixar nas estátutas
fogos-de-artifício para serem dali disparados, durante dias festivos como
o reveillon. Mesmo com a conscientização do valor histórico das peças,
ainda sofrem constantes vandalismos. O resultado são obras marcadas
por inscrições, rachaduras e mesmo partes perdidas. Já se cogitou a
hipótese de levá-las para um museu e instalar réplicas na Igreja dos
Matosinhos, mas sempre que o projeto é suscitado a população local
manifesta-se contra, visando o turismo gerado pelas obras.

Ver também
Detalhe de um dos profetas:Oséias • Aleijadinho
• Santuário do Bom Jesus de Matosinhos
• Mestre Ataíde
• Barroco no Brasil

Aleijadinho
Aleijadinho

Suposto retrato póstumo de Aleijadinho realizado por Euclásio Ventura no século XIX. Abaixo, sua assinatura

Nome completo Antônio Francisco Lisboa

Nascimento C. 29 de agosto de 1730 ou, mais provavelmente,


1738
Ouro Preto
Aleijadinho 242

Morte 18 de novembro de 1814


Ouro Preto

Nacionalidade Brasileiro

Ocupação Escultor, entalhador, arquiteto

Movimento estético Barroco e Rococó

Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, (Ouro Preto, c. 29 de agosto de 1730 ou, mais
provavelmente, 1738 — Ouro Preto, 18 de novembro de 1814) foi um importante escultor, entalhador e arquiteto do
Brasil colonial.
Pouco se sabe com certeza sobre sua biografia, que permanece até hoje envolta em cerrado véu de lenda e
controvérsia, tornando muito árduo o trabalho de pesquisa sobre ele e ao mesmo tempo transformando-o em uma
espécie de herói nacional. A principal fonte documental sobre o Aleijadinho é uma nota biográfica escrita somente
cerca de quarenta anos depois de sua morte. Sua trajetória é reconstituída principalmente através das obras que
deixou, embora mesmo neste âmbito sua contribuição seja controversa, já que a atribuição da autoria da maior parte
das mais de quatrocentas criações que hoje existem associadas ao seu nome foi feita sem qualquer comprovação
documental, baseando-se apenas em critérios de semelhança estilística com peças documentadas.
Toda sua obra, entre talha, projetos arquitetônicos, relevos e estatuária, foi realizada em Minas Gerais, especialmente
nas cidades de Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei e Congonhas. Os principais monumentos que contém suas obras
são a Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Com um estilo
relacionado ao Barroco e ao Rococó, é considerado pela crítica brasileira quase em consenso como o maior expoente
da arte colonial no Brasil e, ultrapassando as fronteiras brasileiras, para alguns estudiosos estrangeiros é o maior
nome do Barroco americano, merecendo um lugar destacado na história da arte do ocidente.

Biografia
Muitas dúvidas cercam a vida de Antônio Francisco Lisboa. Praticamente todos os dados hoje disponíveis sobre sua
vida são derivados de uma biografia escrita em 1858 por Rodrigo José Ferreira Bretas, 44 anos após a morte do
Aleijadinho, baseando-se alegadamente em documentos e depoimentos de indivíduos que haviam conhecido
pessoalmente o artista.[1] Contudo, a crítica recente tende a considerar essa biografia em boa medida fantasiosa, parte
de um processo de magnificação e dramatização de sua personalidade e obra, numa manipulação romantizada de sua
figura cujo intuito era elevá-lo à condição ícone da brasilidade, um misto de herói e artista, um "gênio singular,
sagrado e consagrado", como descreveu Roger Chartier. O relato de Bretas, contudo, não pode ser completamente
descartado, pois sendo a mais antiga nota biográfica substancial sobre Aleijadinho, sobre ele se construiu a maioria
das biografias posteriores, mas as informações que traz precisam ser encaradas com algum ceticismo, sendo difícil
distinguir o que é fato do que foi distorcido pela tradição popular e pelas interpretações do escritor.[2] Biografias e
estudos críticos realizados pelos modernistas brasileiros na primeira metade do século XX também fizeram
interpretações tendenciosas de sua vida e obra, aumentando a quantidade de estereótipos em seu redor, que ainda
hoje se perpetuam na imaginação popular e em parte da crítica, e são explorados tanto por instâncias culturais oficias
como pelas agências de turismo das cidades onde ele deixou sua produção.[3] [4] [5]
A primeira notícia oficial sobre Aleijadinho apareceu em 1790 num memorando escrito pelo capitão Joaquim José da
Silva, cumprindo ordem régia de 20 de julho de 1782 que determinava se registrassem em livro oficial os
acontecimentos notáveis, de que houvesse notícia certa, ocorridos desde a fundação da Capitania de Minas Gerais. O
memorando, escrito ainda em vida de Aleijadinho, continha uma descrição das obras mais notáveis do artista e
algumas indicações biográficas, e em parte nele se baseou Bretas para escrever os Traços biográficos relativos ao
finado Antônio Francisco Lisboa, distinto escultor mineiro, mais conhecido pelo apelido de Aleijadinho, onde
reproduziu trechos do documento original, que mais tarde se perdeu.[6]
Aleijadinho 243

Primeiros anos e formação


Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, era filho natural de um
respeitado mestre-de-obras e arquiteto português, Manuel Francisco
Lisboa, e sua escrava africana, Isabel. Na certidão de batismo invocada
por Bretas consta que Antônio, nascido escravo, fora batizado em 29
de agosto de 1730 na então chamada Vila Rica, atual Ouro Preto, na
freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, tendo
como padrinho Antônio dos Reis e sendo alforriado na ocasião por seu
pai e senhor. Na certidão não consta a data de nascimento da criança,
Detalhe de Ouro Preto, com a Igreja do Carmo, que pode ter ocorrido alguns dias antes.[7] Entretanto, há argumentos
projeto em parte de Aleijadinho fortes que levam atualmente a se considerar mais provável que tenha
nascido em 1738, pois em sua certidão de óbito consta como data de
seu falecimento 18 de novembro de 1814, acrescentando que o artista tinha então 76 anos de idade.[8] [9] Uma perícia
realizada em seus restos mortais se inclinou também para o ano de 1738,[9] esta data é aceita pelo Museu Aleijadinho
localizado em Ouro Preto,[10] e segundo Vasconcelos o manuscrito original de Bretas, encontrado no arquivo da
Arquidiocese de Mariana, remete o nascimento a 1738, advertindo corresponder a data ao registrado na certidão de
óbito do artista; o motivo da discrepância entre as datas no manuscrito e no opúsculo que foi impresso não é clara.[11]
Em 1738 seu pai casou com Maria Antônia de São Pedro, uma açoriana, e com ela deu quatro meios-irmãos a
Aleijadinho, e foi nesta família que o artista cresceu.[12]

Segundo Bretas o conhecimento que Aleijadinho tinha de desenho, de arquitetura e escultura fora obtido de seu pai e
talvez do desenhista e pintor João Gomes Batista.[13] Terá frequentado o internato do Seminário dos Franciscanos
Donatos do Hospício da Terra Santa de 1750 até 1759, em Ouro Preto, onde aprenderia Gramática, Latim,
Matemática e Religião. Entrementes, assistia seu pai nos trabalhos que ele realizava na Matriz de Antônio Dias e na
Casa dos Contos, trabalhando também com seu tio Antônio Francisco Pombal, entalhador, e Francisco Xavier de
Brito. Colaborou com José Coelho Noronha na obra da talha dos altares da Matriz de Caeté, projeto de seu pai. Data
de 1752 o seu primeiro projeto individual, um desenho para o chafariz do pátio do Palácio dos Governadores em
Ouro Preto.[10]

Maturidade
Em 1756 pode ter ido ao Rio de Janeiro acompanhando Frei Lucas de Santa Clara, transportador do ouro e diamantes
que deveriam ser embarcados para Lisboa, onde pode ter recebido influência dos artistas locais. Dois anos depois
teria criado um chafariz de pedra-sabão para o Hospício da Terra Santa, e logo em seguida lançou-se como
profissional autônomo.[10] Contudo, sendo mulato, muitas vezes foi obrigado a aceitar contratos como artesão
diarista e não como mestre. Da década de 1760 até próximo da morte realizou uma grande quantidade de obras, mas
na ausência de documentação comprobatória, diversas têm uma autoria controversa e são a rigor consideradas apenas
atribuições, baseadas em critérios de semelhança estilística com sua produção autenticada.[1] Em 1767 morreu-lhe o
pai, mas Aleijadinho, como filho bastardo, não foi contemplado no testamento. No ano seguinte alistou-se no
Regimento da Infantaria dos Homens Pardos de Ouro Preto, onde permaneceu três anos, sem descontinuar sua
atividade artística. Neste período recebeu encomendas importantes: o risco da fachada da Igreja de Nossa Senhora do
Carmo, em Sabará, e os púlpitos da Igreja São Francisco de Assis, de Ouro Preto.[10]
Em torno de 1770 organizou sua oficina, que estava em franca expansão, segundo o modelo das corporações de
ofícios ou guildas medievais, a qual em 1772 foi regulada e reconhecida pela Câmara de Ouro Preto.[10] Ainda em
1772, no dia 5 de agosto, foi recebido como irmão na Irmandade de São José de Ouro Preto. Em 4 de março de 1776
o governador da Capitania de Minas, Dom Antônio de Noronha, cumprindo instruções do vice-rei, convocou
pedreiros, carpinteiros, serralheiros e ferreiros para integrarem um batalhão militar que trabalharia na reconstrução
Aleijadinho 244

de um forte no Rio Grande do Sul. Aleijadinho teria sido obrigado a atender ao chamado, chegando a se deslocar até
o Rio de Janeiro, mas então teria sido dispensado. No Rio providenciou o averbamento judicial da paternidade de um
filho que tivera com a mulata Narcisa Rodrigues da Conceição, filho que se chamou, como o avô, Manuel Francisco
Lisboa.[10] Mais tarde ela o abandonou e levou o filho para o Rio, onde ele se tornou artesão.[12]
Até então, de acordo com Bretas, Aleijadinho gozara de boa saúde e apreciava os prazeres da mesa e as festas e
danças populares, mas a partir de 1777 começaram a surgir os sinais de uma grave doença que, com o passar dos
anos, deformou-lhe o corpo e prejudicou seu trabalho, causando-lhe grandes sofrimentos. Até hoje, como já Bretas
reconhecera, é desconhecida a exata natureza de seu mal, e várias propostas de diagnóstico foram oferecidas por
diversos historiadores e médicos.[13] [14] Mesmo com crescente dificuldade, prosseguiu trabalhando intensivamente.
Em 9 de dezembro de 1787 assumiu formalmente como juiz da Irmandade de São José.[15] Em 1790 o capitão
Joaquim José da Silva escreveu o seu importante memorando para a Câmara de Mariana, parcialmente transcrito por
Bretas, onde deu diversos dados sobre o artista, e, testemunhando a fama que então já o acompanhava, saudou-o
como
"o novo Praxíteles... que honra igualmente a arquitetura e
escultura... Superior a tudo e singular nas esculturas de
pedra em todo o vulto ou meio relevado e no debuxo e
ornatos irregulares do melhor gosto francês é o sobredito
Antônio Francisco. Em qualquer peça sua que serve de
realce aos edifícios mais elegantes, admira-se a invenção,
o equilíbrio natural, ou composto, a justeza das
dimensões, a energia dos usos e costumes e a escolha e
disposição dos acessórios com os grupos verossímeis que
inspira a bela natureza. Tanta preciosidade se acha
depositada em um corpo enfermo que precisa ser
conduzido a qualquer parte e atarem-se-lhe os ferros para
poder obrar".[13]

Anos finais e morte


Em 1796 recebeu outra encomenda de grande importância, para a
Recibo assinado pelo Aleijadinho quando recebeu
realização de esculturas da Via Sacra e os Profetas para o Santuário de
o pagamento pela obra dos Profetas. Museu da
Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, consideradas a sua Inconfidência
obra-prima.[10] No censo de 1804 seu filho apareceu como um de seus
dependentes, junto com a nora Joana e um neto.[7] Entre 1807 e 1809, estando sua doença em estado avançado, a sua
oficina encerrou as atividades, mas ele ainda realizou alguns trabalhos. A partir de 1812 sua saúde piorou e ele
passou a depender muito das pessoas que o assistiam. Mudou-se para uma casa nas proximidades da Igreja do Carmo
de Ouro Preto, para supervisionar as obras que estavam a cargo de seu discípulo Justino de Almeida. A esta altura
estava quase cego e com as capacidades motoras grandemente reduzidas.[10] Por um breve período voltou para sua
antiga moradia, mas logo teve de acomodar-se na casa de sua nora, que de acordo com Bretas se encarregou dos
cuidados de que necessitava até que ele veio a falecer, em 18 de novembro de 1814. Foi sepultado na Matriz de
Antônio Dias, em uma tumba junto ao altar de Nossa Senhora da Boa Morte, de cuja festa pouco antes tinha sido
juiz.[13]
Aleijadinho 245

O homem, a doença e o mito


Aleijadinho foi descrito por Bretas nos seguintes termos:
"Era pardo-escuro, tinha voz forte, a fala arrebatada, e o gênio agastado: a estatura era baixa, o corpo
cheio e mal configurado, o rosto e a cabeça redondos, e esta volumosa, o cabelo preto e anelado, o da
barba cerrado e basto, a testa larga, o nariz regular e algum tanto pontiagudo, os beiços grossos, as
orelhas grandes, e o pescoço curto".[13]
Quase nada ficou registrado sobre sua vida pessoal, a não ser que gostava de se entreter nas "danças vulgares" e
comer bem, e que amasiou-se com a mulata Narcisa, tendo com ela um filho. Nada foi dito sobre suas idéias
artísticas, sociais ou políticas. Trabalhava sempre sob o regime da encomenda ganhando meia oitava de ouro por dia,
mas não acumulou fortuna, antes, diz-se que era descuidado com o dinheiro, sendo roubado várias vezes. Por outro
lado, teria feito repetidas doações aos pobres. Manteve três escravos: Maurício, seu ajudante principal com quem
dividia os ganhos, e mais Agostinho, auxiliar de entalhes, e Januário, que lhe guiava o burro em que andava.
Continuando, Bretas relatou que depois de 1777 o artista começou a exibir sinais de uma misteriosa doença
degenerativa, que lhe valeu o apelido de Aleijadinho. O seu corpo foi progressivamente se deformando, o que lhe
causava dores contínuas; teria perdido vários dedos das mãos, restando-lhe apenas o indicador e o polegar, e todos
dos pés, obrigando-o a andar de joelhos. Para trabalhar tinha de fazer com que lhe amarrassem os cinzéis nos cotos, e
na fase mais avançada do mal precisava ser carregado para todos os deslocamentos - sobrevivem recibos de
pagamentos de escravos que o levavam para cá e para lá, atestando-o. Também a face foi atingida, emprestando-lhe
uma aparência grotesca. De acordo com o relato, Aleijadinho tinha plena consciência de seu aspecto terrível, e por
isso desenvolveu um humor perenemente revoltado, colérico e desconfiado, imaginando que mesmo os elogios que
recebia por suas realizações artísticas eram escárnios dissimulados. Para ocultar sua deformidade vestia roupas
amplas e folgadas, grandes chapéus que lhe escondiam o rosto, e passou a preferir trabalhar à noite, quando não
podia ser visto facilmente, e dentro de um espaço fechado por toldos. Nos seus últimos dois anos, quando já não
podia trabalhar e passava a maior parte do tempo acamado, Bretas disse que, de acordo com o que soube da nora do
artista, um lado de seu corpo ficou coberto de chagas, e ele implorava constantemente que Cristo viesse dar-lhe
morte e livrar dessa vida de sofrimento, pousando Seus santos pés sobre o seu corpo miserável.[13]
Diversos diagnósticos têm sido propostos para explicar essa doença, todos conjeturais, que incluem entre outras lepra
(alternativa improvável, visto que não foi excluído do convívio social, como ocorria com todos os leprosos),
reumatismo deformante,[16] sífilis[8] escorbuto, traumas físicos decorrentes de uma queda,[17] artrite reumatóide,
poliomielite[18] e porfiria (doença que produz fotossensibilidade - o que explicaria o fato do artista trabalhar à noite
ou protegido por um toldo).[19]
Aleijadinho 246

A construção do mito em torno ao Aleijadinho começou já na biografia


pioneira de Bretas, que embora alertando para o fato de que quando
"um indivíduo qualquer se torna célebre e admirável em qualquer
gênero, há quem, amante do maravilhoso, exagere indefinidamente o
que nele há de extraordinário, e das exagerações que se vão
sucedendo e acumulando chega-se a compor finalmente uma entidade
verdadeiramente ideal", não obstante enaltecia suas realizações contra
um meio hostil e uma doença acabrunhante.[13] No início do século
XX, interessados em definir um novo sentido de brasilidade, os
modernistas o tomaram como um paradigma, um mulato, símbolo do
rico sincretismo cultural e étnico brasileiro, que conseguira transformar
a herança lusa em algo original, e muita bibliografia foi produzida
nesse sentido, criando uma aura em torno dele que foi assumida pelas
instâncias oficiais da cultura nacional.[20] [21]

Um dos elementos mais ativos na construção do "mito Aleijadinho" diz


respeito à busca implacável de sinais confirmadores de sua
Aleijadinho em Vila Rica, 1898-1904, originalidade, de sua "unicidade" no panorama da arte brasileira,
reconstrução romântica de uma cena imaginária
representando um acontecimento tão especial que transcenderia até
na vida do artista, por Henrique Bernardelli.
Reprodução na revista Kósmos de tela mesmo o estilo de sua época. Contudo, essa busca é uma interpretação
posteriormente desaparecida peculiar do fenômeno estético que nasceu durante o Romantismo,
quando se passou identificar fortemente o criador com sua criação,
considerando esta uma propriedade exclusiva daquele, e atribuindo à obra a capacidade de exibir reflexos genuínos
da personalidade e da alma individual que a produziu. Todo esse corpo de idéias não existia, pelo menos não na
importância que adquiriu, durante os períodos anteriores da história da arte, que primaram pelo sistema da criação
coletiva e muitas vezes anônima. A arte tendia a ser considerada um produto de utilidade pública, os clientes
determinavam a abordagem a ser empregada na obra, as histórias e motivos não pertenciam a ninguém, e a voz
pessoal do artista não devia prevalecer sobre os cânones formais consagrados e os conceitos coletivos que se
procurava transmitir, nem o criador podia em linhas gerais reivindicar propriedade intelectual sobre o que escrevia,
esculpia ou pintava. A partir, pois, da ascensão do conceito romântico de originalidade, que ainda hoje é largamente
arraigado, se construiu toda a crítica posterior e se passou a ver o artista como um gênio singular, que está
intimamente fundido com sua obra e da qual é o único árbitro e dono, assumindo a criação um perfil autobiográfico.
Até nos dias de hoje parte da crítica tende a projetar uma visão moderna sobre processos mais antigos ocorridos
dentro de um contexto em tudo distinto, distorcendo as interpretações e chegando a conclusões enganosas, um
problema que afeta diretamente o estudo da vida e obra do Aleijadinho e ainda mais profundamente quando se
constata a importância simbólica que ele adquiriu para os brasileiros, uma importância que em boa parte foi erigida a
partir dessa mesma distorção analítica que está eivada de contradições estéticas e históricas fundamentais. Não é
possível, certamente, ignorar diferenças de capacidade artística ou de estilos individuais mesmo entre artistas
pré-românticos como ele, nem se ignora o evidente aparecimento de notas originais e transformadoras na linha do
tempo, mas é preciso lembrar que antes do que ser um produto de uma suposta geração espontânea, um gênio
nascido do nada e inteiramente original, Aleijadinho pertenceu a uma linhagem, teve antecessores e inspiradores, e
foi fruto de um meio cultural que determinava em larga medida como a arte da sua época deveria ser criada, sem que
o artista - um conceito que tampouco existia como ele é entendido hoje - tivesse um papel especialmente ativo nessa
determinação.[2] [22] [23]

Também sua doença entrou como elemento importante neste quadro magnificado. Com