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Direito Internacional Privado (1.º Semestre)

Direito Internacional Privado (1.º Semestre)

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Apontamentos das Aulas do 1.º Semestre de Direito Internacional Privado e Comunitário (Prof. Dr. Nuno Castelo Branco e Prof. Dr. Nuno Ascensão Silva), cadeira do 4.º Ano da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Apontamentos das Aulas do 1.º Semestre de Direito Internacional Privado e Comunitário (Prof. Dr. Nuno Castelo Branco e Prof. Dr. Nuno Ascensão Silva), cadeira do 4.º Ano da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

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Published by: José Eduardo Frota on Sep 27, 2010
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Há determinadas questões que, para serem decididas, pressupõem a
resolução de uma questão prévia. Temos, assim, duas questões para resolver: uma
questão principal e uma questão prévia.

Relativamente à questão principal, a lei aplicável será a lei (do foro ou
estrangeira) designada competente por força da regra de conflitos do foro.
Já relativamente à questão prévia, o problema de escolha da lei
competente para a regular só se põe quando a lei que regula a questão principal se insira
num ordenamento jurídico estrangeiro, ou seja, se a lei competente para resolver a
questão principal for a lei do foro, a lei com base na qual resolver-se-á a questão prévia
será, automaticamente, a lei do foro.

Como resolver o problema da escolha da lei aplicável quando a lei do foro não for
competente para regular a questão principal?

Há, na verdade, dois sistemas para resolver tal desiderato:

a) doutrina da conexão autónoma: segundo esta
doutrina, a questão prévia deve ser conectada autonomamente, ou
seja, decidir-se-á a questão prévia em conformidade com a lei que lhe
for aplicável segundo a regra de conflitos do foro, tudo se passando,
portanto, como se a questão tivesse surgido o título principal e não a
título incidental (a decisão será sempre a mesma, quer num caso,
quer noutro);

b) doutrina da conexão subordinada: segundo esta
segunda doutrina, decidir-se-á a questão prévia segundo as regras de
conflitos da lei considerada competente para regular a questão
principal, isto é, segundo as regras de conflitos da «lex causae» da

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Direito Internacional Privado – 1.º Semestre FDUC
— Introdução —

questão principal (aqui, portanto, a questão prejudicial perde a sua
autonomia face à questão principal.

Assim, por exemplo, suponhamos que a regra de conflitos do foro
declara como competente para resolver uma questão X a lei B. Suponhamos agora que
esta mesma questão X vai surgir incidentalmente num outro processo cujo fim é a
resolução de uma outra controvérsia a título principal (a questão Y). Se, segundo a
regra de conflitos do foro, for competente para regular esta questão Y a lei C, esta pode
muito bem declarar como competente para disciplinar a questão X a lei D. Mostra-se,
deste modo, a diversidade de soluções a que estaria sujeita uma mesma questão.

Se optarmos pela conexão subordinada, estamos, ao mesmo passo, a
optar pela melhor forma de prosseguir à harmonia jurídica internacional, pois só assim
a mesma questão de direito será decidida da mesma forma em todos os países com
competência jurisdicional para dela conhecer. Do ponto de vista da dita harmonia
jurídica internacional
, a conexão autónoma não é tão boa.
No nosso exemplo, se a regra de conflitos do foro declara como
competente para regular a questão principal a lei C, só a aplicação das disposições
indicadas pela regra de conflitos da lei C (da «lex causae») permitirá que a questão
principal seja decidida de igual forma por um tribunal do país C.
Por outro lado, a conexão subordinada pode pôr em causa a harmonia
material
(ideia de inadmissibilidade de contradições normativas no sistema jurídico),
pois se a mesma questão fosse suscitada a título principal, ser-lhe-ia aplicada uma regra
de conflitos diferente (a nossa). Ora, resolver as questões prévias segundo o direito de
conflitos da «lex causae» propicia este tipo de situações antinómicas. Consoante
uma questão seja suscitada a título incidental ou principal, será valorada de forma
diferente.

Para evitar tais conflitos seria necessário optar pelo sistema da conexão
autónoma, ou seja, deveríamos recorrer sempre aos princípios da «lex fori» ― só assim
uma questão, quer fosse suscitada a título incidental, quer a título principal, estaria
sempre sujeita à mesma regra de conflitos.

Estaremos aqui, portanto, perante um conflito de princípios: entre a
harmonia material e a harmonia jurídica internacional.

Conclusão: a solução pela qual devemos optar passa por tentar harmonizar estes dois
princípios ― a adopção do sistema da conexão subordinada com limitação
que podem passar pela delimitação da área de competência exclusiva do
foro. Nem sempre este sistema violará o princípio da harmonia material
ou interna.

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