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Os vocábulos de origem africana

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este trabalho foi elaborado para fins academicos.
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Published by: Marcia Pereira on Sep 27, 2010
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS Curso: Letras-Licenciatura em Língua e Literatura Portuguesa. Discentes: kethlen Rodrigues. Márcia Pereira.

Maria José. Docente: Magdiel aragão. Os vocábulos de origem africana na constituição do Português falado no Brasil.* Trata-se simplesmente de um fenômeno de “empréstimo linguistico ”feito pelo português provocado por uma situação de contato entre línguas e conceitos como “influência”, “crioulização” ou “semicrioulização”. Empréstimos lingüísticos Baseados em trocas bilaterais entre línguas africanas e o português aconteceram fora do Brasil; em Portugal, primeiramente, na África Austral, principalmente em Angola e Moçambique. O estoque lexical O português teve uma convivência estreita com as línguas africanas, e o seu vocabulário enriqueceu-se nesse contato. A predominância é das que têm origem no Quibundo, como angu,tutu,binga, milonga, mocanbo, etc. 1. Os vocabulário de origem africana historicamente faladas no Brasil. Séc. XVII: língua Quibunda “gramatizada” em Salvador-Bahia. Pedro Dias publicou em 1697 “Arte da Língua de Angola”. Esta obra trata-se de um levantamento dos termos quibundos atestado no Brasil. Séc. XVIII: Língua “Minna” em Minas Gerais”. Está obra nasceu com intuito de proporcionar aos senhores de escravos um aprendizado desta língua para ser utilizada no trato com os escravos. Foi uma obra fundamental para a época da exploração das minas. Séc. XIX: lista de línguas africanas faladas m São Salvador de Bahia. Coletada entre 1890 e 1905 por Nina Rodrigues. Gruce: língua nigero-congolesa da subfamília gur, subgrupo grusi ou gurúns, falada no Tongo , Gana, Benim e Burkina Faso: atestado 172 vocábulos; Jeje: língua nigero-congolesa da subfamília cuá , grupo gbe, falada no Togo e no Benim: atestados 86 vocábulos; Haúça: língua da família afro-asiática, subfamília chádica, falada na Nigéria: atestados 88 vocabulos; Canúri: língua nilo-saariana, subfamília saariana, falada na Nigéria , Chade e Nínger: atestados 88 vocábulos; Tapa: língua nigero-congolesa da subfamília benuê-congolesa, subgrupo nupóide, falada na Nigéria: atestado 60 vocábulos. TRONCO LINGUISTICO DE ALGUMAS LINGUAS AFRICANAS***
NIGER- CONGO

BANTO Família linguística africana à qual pertencem as seguintes línguas

CUÁ Família linguística africana à qual pertencem as seguintes línguas

Quicongo, quibundo, ioruba e eve.

Fon e maí

2. Vocabulário de base vs vocabulário. Vocabulário de base é um núcleo de vocábulos cujas noções simples e fundamentais são relativamente estáveis e suscetíveis de ser traduzida por uma só palavra na maior parte das língua. Vocabulário comum além de mais extenso é o mais aberto, ou seja, os seus vocábulos não pertencem a somente um domínio, já que pode ser verificado em diferentes contextos do cotidiano. ( cf Bonvini, pp 117) Vocabulário comum vs. Vocabulário de especialidade. Vocabulário comum entende-se por um vocabulário que está aberto as todas as noções, não é limitado a uma categoria de objetos e é constituído de termos que se poderiam designar aplicáveis aos diferentes contexro do cotidiano. Por vocabulário de especialidade entende-se um conjunto de termos reservados a domínios delimitados e específicos de conhecimento ou atividades e empregos. Por isso são exclusivos. Obras importantes com alguns vocábulos de língua africanas integrados ao português. Português de Portugal - Historicamente, como a primeira temos a obra de Rafael Bluteau, “ Dicionário da língua portuguesa”, data de 1912. Nela encontramos 91 termos, dos quais 15 são considerados pelo autor como originários de Angola ( bumba, candonga, candogueiro, catinga, etc.). No Brasil os termos atestados são 7 ( beiju, cacimba, maacuma, maribonda, mazombo/ muzombo, mocama’os e moleque). Logo a seguir temos a obra de Antônio de Moraes Silva, “Dicionário da língua portuguesa” de 1789. É considerado o primeiro monolíngue do português**. Na sua obra Moraes cita todos os vocábulos anteriormente atestados por Bluteau, e acrescenta mais alguns ( bugiganga, cafuné, calhanbota, mamona, parapanda,etc).Temos que atentar ao fato de que essas duas obras são do tipo de vocabulário de especialidade, já que trata-se de termos específicos, colhidos na época da escravidão. Português de Angola – com o trabalho de Heintze, 1622-1635, encontramos 105 termos, dos quais somente 16 são confirmados no Brasil ( casimba, fubá, ganga,infuca, libambo, macota, macuta, malafo, moleca, moleque, pombeiro, querimbo quilombo, quitanda, senzala, tanga e zimbo). Outros autores de igual importância são listados ( cf Bonvini, pp 118-121). Léxico e transferência semântica: da sedimentação à inovação. É fato que os vocábulos de origem africanas estão entre nós. O que nos importa saber é: esse empréstimo ao chegar aqui manteve seu significado natural ou foi sedimentado, gerando nele um novo conceito?

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* Bibliografia Fiorin, José Luiz - Petter, Margarida ( org ); África no Brasil. A formação da língua portuguesa. ** Histórias das idéias lingüísticas: Construção do saber metalingüísticos e a contituição da Língua Nacional. / organizadora : Orlandi, Eni P – Campinas, SP: Editora Unemat – 2001. *** O portugues da gente: a língua que estudamos a língua que falamos / Ilari, Rodolfo; Basso, Renato.2ª ed – SP : Contexto,2009. ( cf pp 75 ).

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