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SEXUALIDADE INFANTIL
Rozalina Cássia de Andrade Ruas Costa
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Rozalina Cássia de Andrade Ruas Costa
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MANIFESTAÇÕES SEXUAIS DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL: O Papel do Professor

RESUMO Este trabalho aborda a importância da ação do professor nas manifestações sexuais da criança na educação infantil. A pesquisa foi realizada com professores e alunos de uma Escola de Educação Infantil de Montes Claros – Minas Gerais e teve como objetivos analisar possíveis fatores que têm contribuído para as dificuldades dos professores em lidar com os casos que envolvem a sexualidade das crianças de 0 a 6 anos; Identificar a ação do professor da Educação Infantil em relação à orientação sexual da criança e Investigar a importância da orientação sexual da criança, na Educação Infantil, para o seu desenvolvimento integral. Tratou-se de uma pesquisa qualitativa que, dividida em capítulos, apresenta a concepção e características da sexualidade infantil, enfocando aspectos que podem interferir no desenvolvimento sexual infantil. A metodologia utilizada no desenvolvimento da pesquisa foi com base em observação e entrevista com professores da educação infantil e os resultados da pesquisa são apresentados em forma de resposta aos questionamentos e dúvidas de professores da educação infantil sobre como agir em alguns casos de manifestação da sexualidade infantil. INTRODUÇÃO A experiência como educadora, trabalhando por muitos anos, como professora e/ou supervisora pedagógica em escolas de Educação Infantil que atendiam crianças com idade entre 02(dois) a 06 (seis) anos, muitas vezes passando por situações embaraçosas quando tinha que responder a alguns questionamentos sobre sexo feitos pelos alunos; vivendo também momentos de dúvidas e incertezas sobre como agir quando as crianças apresentavam um comportamento que envolvia sexo ou sexualidade é que motivou a escolha desse tema para uma pesquisa. Assim, procura-se discutir nesta pesquisa, o papel do professor no que se refere à orientação sexual das crianças na Educação Infantil. Sabe-se que sensibilizar um educador a desenvolver um trabalho de orientação afetivo-sexual é tarefa difícil, exige a conscientização da importância de sua atuação junto à criança em busca de auxiliá-la a vencer as dificuldades constantes da trajetória infantil. Por

outro lado, o educador deve ter conhecimentos básicos que possam embasar suas argumentações frente aos diversos questionamentos lançados ao longo do ano letivo. Como desenvolver um trabalho de educação sexual com os alunos da educação infantil? Esta deve ser uma questão para servir como ponto de reflexão constante por parte do professor que trabalha com a educação infantil e que quer desempenhar também a função de educador sexual das crianças. O embasamento necessário que o professor deve ter para assumir tarefa de tamanha importância passa por uma continua reciclagem voltada a dotá-lo de conhecimentos básicos com toda uma fundamentação teórica, embasamento quanto às noções básicas da trajetória do ser humano desde a definição de seu sexo, a sua identidade sexual, o exercício de sua sexualidade, a interação em grupos, enfim, um conhecimento capaz de dar-lhe condições a um diálogo constante e profícuo com seu aluno. Emile Dickson (1999, p. 12) sintetiza a ação do trabalho de Orientação Sexual com as seguintes palavras “Não tenho ensinamento a transmitir... Tomo aquele que me ouve pela mão e levo até a janela. Abro-a e aponto para fora. Não tenho ensinamento algum, mas conduzo a um dialogo.” Tal projeto se fundamenta na concepção de que alunos e professores são sujeitos do processo educativo e, enquanto sujeitos sócio e politicamente orientados comprometidos em receber e proporcionar uma educação de qualidade, colocam sua competência a serviço desta qualidade e suas divergências. Com os objetivos de Identificar a ação do professor da Educação Infantil em relação à orientação sexual da criança e de Investigar a importância da orientação sexual da criança, na Educação Infantil, para o seu desenvolvimento integral este trabalho é apresentado em capítulos. No primeiro capítulo apresenta-se as concepções e características da sexualidade infantil. No capitulo 2 são enfocados aspectos que vêm interferindo no desenvolvimento sexual infantil. O capítulo 3 apresenta a metodologia utilizada no desenvolvimento da pesquisa e no quarto e último capítulo são informados os resultados da pesquisa em forma de resposta aos questionamentos e dúvidas de professores da educação infantil sobre como agir em alguns casos de manifestação da sexualidade infantil. Nas considerações finais estão colocadas além da aprendizagem que este estudo nos proporcionou, a certeza de que a necessidade da pesquisa sobre este tema não se encerra aqui pois a própria dinâmica da vida

nos imporá a necessidade de prosseguir na busca de respostas para tantas dúvidas que já temos e que continuarão a surgir. 1 SEXUALIDADE INFANTIL: Concepção e características Os primeiros conceitos sobre sexualidade infantil datam do começo deste século e ainda hoje são conhecidas ou aceitas por parte dos profissionais que se ocupam de crianças, inclusive os educadores. Para alguns educadores, as crianças são seres puros e inocentes que não têm sexualidade a expressar e, para estes, as manifestações da sexualidade infantil aparecem como algo feio e pecaminoso. Entre outros adultos e educadores, no entanto, já se encontram bastante difundidas as noções da existência e da importância da sexualidade para o desenvolvimento das crianças. 1.1 Concepção de Sexualidade Os parâmetros Curriculares Nacionais (1997, p. 117), definem Sexualidade como algo que:
(...) tem grande importância no desenvolvimento e na vida psiquica das pessoas, pois independentemente da potencialidade reprodutiva, relaciona-se com a busca do prazer, necessidade fundamental dos seres humanos. Nesse sentido, a sexualidade é entendida como algo inerente, que se manifesta desde o nascimento até a morte, de formas diferentes a cada etapa do desenvolvimento. Além disso a sexualidade construída ao longo da vida, encontra-se necessariamente marcada pela história, cultura, ciência, assim como pelos afetos e sentimentos, expressando-se então com singularidade em cada sujeito.

Acrescentamos que, muitas vezes a nossa angústia nos leva a concepção reduzida de sexualidade levando-nos a confundir sexualidade com genitalidade. Sexualidade podemos dizer, é a manifestação, o estudo do comportamento sexual de um povo, de uma cultura. Sexualidade é estudar, conhecer e entender como pessoas se sentem e identificam sua vida sexual. É homem e mulher, masculino e feminino, em um momento histórico e cultural determinado.

1.2 Características da Sexualidade Infantil Conforme comprovado na pesquisa bibliográfica executada, o ser humano passa por alguns estágios de desenvolvimento sexual registrados como fase oral, fase anal, fase fálica e períodos descritos como período de latência, pubescência, puberdade e adolescência. Todos estes estágios, que são abaixo descritos, apresentam-se como de extrema importância e se prolongam ao longo da vida. O vencer estas etapas com tranqüilidade favorecerá a trajetória da criança superando as dificuldades e adquirindo segurança, referencial chave para a conquista de um bom viver. 1.2.1 Fase Oral Dolto (1971) denomina como fase oral aquela “de organização libidinal que se estende desde o nascimento até o desmame e que está sob a primazia da zona erógena bucal.”(p. 29) Segundo ainda Dolto (1971, p. 29),
A necessidade fisiológica de chupar surge logo nas primeiras horas de vida; mas, saciado, o bebê continua durante o sono da sua digestão a sugar os lábios, enquanto que o seu aspecto exterior, repousado e beatífico, traduz voluptuosidade. O prazer de sucção é independente das necessidades alimentares e constitui um prazer auto-erótico. É o tipo do prazer narcisista primário, de autoerotismo original, não tendo ainda o sujeito a noção de um mundo exterior diferenciado dele. Se a ocasião lhe for dada, passivamente, de satisfazer esse prazer, a criança prende-se a esse objeto ocasional; o seio ou a mamadeira com que ela gosta de chupar sem fazer o esforço de aspiração e de deglutição.

Nesta fase, as sensações de prazer da criança se localizam no ato de sugar e situam-se, portanto, na área bucal. A área bucal compreende o complexo aerodigestivo (trato gastrintestinal), os órgãos de formação da linguagem. Segundo Freud (1976), a fase oral seria a fase preliminar do desenvolvimento sexual constituindo-se em um período preparatório para a vida sexual adulta. Cirino (2001) coloca que se ocorrerem problemas como o desmame precoce, ou ainda a amamentação artificial, com o uso de mamadeiras e chupetas, as conseqüências como anorexia ou bulimia e os vícios como o de chupar o dedo, roer as unhas, podem aparecer ou se

prolongar na vida adulta se tornando assim um sério distúrbio de ordem psicossomática. Daí a importância do período de amamentação transcorrer sem perturbações emotivas ou anomalias de qualquer espécie. De acordo com Dolto (1971, p. 31),
Se um desmame brusco priva subitamente a criança do seio materno, sem que ela tenha ainda deslocado para outros objetos o seu investimento libidinal, este arrisca-se a permanecer ixado num moral oral passivo (como no caso dos chupadores tardios de polegar). Ela reforça, em todo o caso, o seu autoerotismo e, perdendo interesse pelo mundo exterior, concentra-se nos seus fantasmas, arabescos imaginativos, sucessão de imagens representativas de uma perturbação emotiva. A criança pode, assim, conservar um núcleo de fixação que entrará em ressonância quando ocorrer uma frustração ulterior e poderá, eventualmente, ajudar à eclosão de uma neurose.

A educação preventiva nesta fase corresponde então, como afirma Laplanche (2001) no desenvolvimento da auto-estima e na valorização do corpo da criança. 1.2.2 Fase Anal Conforme Dolto (1971, p. 32),
Para a criança de 1 a 3 anos de idade, nove décimos dos assuntos de relações com os adultos são ocupados pela alimentação e a aprendizagem do asseio esfincteriano. O segundo ano da infância, sem destronar completamente a zona erógena bucal, vai conferir maior importância à zona anal. Esta, aliás, é despertada muito mais cedo e basta observar os mais pequenos para nos darmos conta de seu prazer, não dissimulado, durante o relaxamento espontâneo de seus esfíncteres excrementícios.

Cirino (2001) lembra que as crianças experimentam sensações de prazer sempre que suas necessidades fisiológicas são satisfeitas. Dolto (1971, p. 33) por sua vez escreve que durante a fase anal, a criança já “atingiu um maior desenvolvimento neuromuscular: a libido que provoca a sucção lúdica da fase oral provocará agora a retenção lúdica das fezes e da urina (a qual se prolongará, por vezes, até tarde na infância, e que vamos reencontrar em alguns adultos)”. Esses momentos de prazer da criança, que de certa maneira são naturais, devem ser profundamente respeitados e considerados como uma fase normal dentro do desenvolvimento infantil.

Conforme a teoria Freudiana, “se a criança não satisfizer os interesses anais, ou seja, se ela não experimentar prazer nos atos fisiológicos ou sentir frustrações nesse prazer, poderá se traumatizar”. ( FREUD, 1976, p. 18) Dolto (1971, p. 33) considera que a retenção das fezes e da urina durante a fase anal é a primeira descoberta do prazer auto-erótico masoquista que é conforme a autora, “um dos componentes normais da sexualidade.” ( A ação da mãe ou do adulto responsável pela higiene do bebê após a satisfação das necessidades fisiológicas podem se transformar em frustração ou prazer. Assim, Dolto (1971, p. 33) registra que:
Os cuidados higiênicos que se seguem à excreção são proporcionados pela mãe. Se ela está satisfeita com o bebê, a toilette decorre numa atmosfera agradável; se ele sujou a roupinha passa-se o contrário – ralham com ele e chora. Mas como, de toda maneira, por causa da satisfação fisiológica da zona erógena, essa toilette é agradável, emoções contraditórias se associam à mãe: é a primeira descoberta de uma situação de ambivalência.

Portanto, as frustrações acontecem quando os adultos apressam a criança para se realizar logo os atos fisiológicos, apressando, portanto, o momento de prazer, mostrando a ela ser aquele prazer errado, ou quando lhes são impostas severas pressões tentando censurá-la por qualquer movimento prazeroso. Como conseqüências de frustração na fase anal, Freud (1976, p. 20) cita a dificuldade de comunicação, timidez, forte autocensura, atitude de punição com relação a si mesmo ou ainda o complexo de inferioridade. Conforme Dolto (1971, p. 36) a relação adulta - criança durante a fase anal é muito importante, pois:
na fase anal, registra-se a formação de caracteres conscienciosos, sóbrios, regulares, trabalhadores, sérios e científicos naqueles indivíduos que sentiram prazer em conformar-se às novas exigências que lhe foram pedidas; nos outros, os obstinados, os rabugentos, os teimosos, encontraremos os que se comprazem em escandalizar ou causar sensação pelo seu desalinho, sua sujeira e sua indisciplina, ou ainda aqueles que uma ordem meticulosa e próxima da obscessão torna insuportáveis aos que com eles convivem.

1.2.3

Fase Fálica Dolto (1971, p. 39-40) registra que:
A partir da fase oral, no bebê, assiste-se ao despertar da zona erógena fálica, o pênis no rapaz, o clitóris na menina. A causa fortuita será, talvez, a excitação natural da micção, somada aos repetidos contatos decorrentes de lavagens e outros cuidados higiênicos. Seja como for, todas as mães conhecem os jogos manuais dos bebês, a que se adicionam a fricção das coxas uma contra outra durante a toilette e o palrar satisfeito do bebê que se ocupa com esses movimentos. (...) Mas, na maioria das vezes, essa masturbação primária do bebê é muito pouco acentuada e cessa espontaneamente, so reaparecendo no tecorrer do terceiro ano.

De acordo com a teoria Freudiana, a fase fálica corresponde então ao período em que a criança só se interessa pelo pênis, pelo clitóris, pelo sexo. Ao atingir a fase fálica, conforme registra Cirino (2001, p. 43),
(...) a criança descobre o sexo e passa a interessar-se por ele. Este novo interesse entretanto, não chega a compor o processo sexual que vai se iniciar apenas na puberdade. Sua atitude é muito mais de curiosidade; ela descobre em si um órgão que é agradável de se tocar, e esta sensação a deixa curiosa, entretida e ao mesmo tempo desejosa de saber se os outro sexos são iguais ao dela.

No período fálico, pode manifestar-se o exibicionismo. O complexo de castração nos meninos e o desejo de ter o sexo masculino nas meninas são perturbações apontadas por Dolto (opus citada) como perturbações típicas da fase fálica. A masturbação é segundo Cirino (2001) uma forma de relaxamento encontrada pela criança para, durante o período da fase fálica, se livrar da tensão provocada pela severidade dos adultos. Cirino (2001, p. 59) escreve que, na fase fálica,
A característica mais nítida da atividade sexual da criança é que ela, primordialmente, se dirige para o próprio corpo como objeto de satisfação e não para uma outra pessoa. Essa solidão desfrutável a partir da paixão por esse paradoxal primeiro parceiro – o próprio corpo – e a irrupção do gozo masturbatório conferem à criança uma ilusão de auto-suficiência: ela acredita que possui as potencialidades de sua própria determinação. Podemos entender essa posição como forma de reação à sua dependência radical ao outro.

É ainda nessa fase ainda que aparece a manifestação de alguns complexos infantis como o complexo de Édipo nos meninos e o complexo de eletra nas meninas. O complexo de Édipo, conforme Kupfer (2001, p. 65) se caracteriza pelo fato do menino, dedicar um amor maior a sua mãe e entrar em conflito com seu pai. Desta forma o menino se ressente com o pai e fica enciumado porque têm consciência que o pai tem certos privilégios que a ele são negados pela mãe. As meninas, por sua vez, no complexo do Édipo negativo, ressentem-se da mãe como competidora do amor que tem pelo pai. O complexo da castração é citado por Cirino (2001, p. 62-64) como característica da fase fálica. Cirino (opus citada) traduz o complexo de castração como a renúncia que o rapaz adquire com relação à posse exclusiva de sua mãe que ele quer para si e que reconhece como impossível de acontecer porque ela pertence ao seu pai. No caso da menina, a evolução do complexo da castração acontece quando ela constata que não tem condições de manter uma relação com a mãe porque não tem o órgão sexual masculino, o pênis. O desejo do pênis é então compensado pelo desejo de ter um filho do pai. Todas as manifestações da sexualidade na fase fálica são consideradas formas relativamente normais da evolução mental das crianças mas Dolto (1971, p. 40) referindo-se a masturbação alerta que
quando essa masturbação é muito manifesta e persiste na presença de adultos, apesar de suas primeiras interdições, isso prova que à pulsão libidinal se somou uma reação neurótica: angústia, provocação, busca de castigo e sobretudo, ausência de um vínculo afetivo real com o adulto atual.

Na fase fálica, conforme registra Dolto (1971, p. 46-47),
A menina já se interessa pela sua toilette, suas roupas, adorna-se com trapos, furta o pó-de-arroz da mãe e gosta de pavonear-se com a bolsa dela pendurada no braço. Em resuno, identifica-se o mais possível com a mãe, imitando seus atos, gestos e palavras. Trata-se de comportamentos sexuados em harmonia com o gênio próprio do seu sexo, ainda em estado intuitivo no plano genital. Durante esse tempo, o rapaz entrega-se a todos os jogos agressivos, banca o déspota, armado de um pau que batiza de fuzil ou revólver, adora causar medo e comandar. Quando pode, adorna-se com algo do seu pai, o chapéu, a bengala. Em suma, identifica-se o mais possível com ele e com os homens que tenha podido observar, um comportamento sexuado social, diretor do plano genital masculino que começa a definir-se.

Suplicy (1990) aponta que para a criança ultrapassar este período sem perturbações que se prolongarão pela vida adulta, as alternativas são responder com segurança e de forma objetiva e adequada as perguntas feitas. Dolto (1971, p. 67), alerta que:
o melhor é não fazer advertências quanto à masturbação; a maioria das vezes fugas, ela cessará por si mesma. E se for necessário intervir, isso só pode ser feito em particular, a fim de não ferir o amor próprio da criança; e deve ser feito num tom natural (...) o único argumento válido, que seria racional empregar, é o pudor, se a criança se masturba ostensivamente demais em público, o que é raríssimo.

Enfim, se não houver coação de personalidade e se houver aceitação relativamente razoável por parte dos pais sobre a fase fálica, as crianças ultrapassarão tranqüilamente esses períodos e os complexos apontados por Freud não se tornarão problemas na vida adulta.

1.2.4

Período de Latência Conforme Dolto (1971, p. 49) “A fase da latência, normalmente muda, ou quase,

do ponto de vista das manifestações e curiosidades sexuais, é empregada na aquisição dos conhecimentos necessários à luta pela vida, em todos os planos.” As principais manifestações desta fase são as amizades e a criança se encontra no início da latência no estágio de um complexo de Édipo que será progressiva e inteiramente dissociado. Dolto (1971, p. 49) registra que
A importância e valor das sublimações da fase de latência são muito grandes. Não só porque é nessa época que se esboçam as características sociais do indivíduo, mas porque a maneira como uma criança utiliza, neurótica ou normalmente, esse período faz com que ela fixe ou não, exagere ou elimine, os componentes arcaicos da sexualidade e seus componentes perversos.

Conforme Cirino (2001), a fase da latência constitui-se em um período em que as crianças apresentam, maior interesse em adquirir outros conhecimentos que não os sexuais e uma curiosidade específica sobre fecundação, gravidez e parto, sendo também a época das em que, segundo Dolto (1971, p. 50) “as más aquisições sociais (...) tornarão difícil o progresso, em toda a sua pujança, visto que a criança não poderá , legitimamente, ter confiança em si.” É

ainda o período dos acordos, sentimentos de intimidade, pudor, gozações, palavrões e dos estímulos auto-eróticos freqüentes. Uma evolução saudável da fase de latência reveste-se em superação da sensação de inferioridade e na socialização da criança. 1.2.5 Pubescência Este é o período intermediário entre latência e puberdade, onde existe a revivescência de todas as situações edipianas que estavam em silêncio durante o período de latência. Podemos caracterizar este como sendo o tempo de perdas, dúvidas, angústias. 1.2.6 Puberdade Em torno dos 12 anos começam as manifestações da puberdade com o isolamento. É importante que neste período pais e educadores desenvolvam a capacidade de ouvir o que não está sendo falado. Ribeiro (1993) coloca que “A realidade do outro não está naquilo que ele revela a você, mas naquilo que ele não pode revelar”. (p. 42) Como orientação para pais e educadores citamos Gibran (1976): “Portanto, se você quiser compreende-lo, escute não o que ele diz, mas, o que ele não diz.” (p. 63) Nesta fase, as influências culturais como família, escola, grupo social tem uma força grande sobre o jovem levando-o a crise de identidade. 1.2.7 Adolescência Este é o período da transição, quando as crianças passam por profundas transformações corporais e apresentam coordenação motora deficiente. Acontece nesta fase o confronto entre a maturidade física e a imaturidade emocional, mental e social. A adolescência caracteriza-se pela manifestação de mentira. Os meninos, nesta fase, tendem a agrupar-se com jovens do mesmo sexo, apresentam repúdio ao banho e

linguagem obscena enquanto nas meninas processa-se a descoberta do sexo oposto. Como alguém escreveu: “Este é o período do adeus a infância e do sorriso a maturidade”. 2. O SEXO E A INFÂNCIA: Aspectos que podem interferir no desenvolvimento sexual infantil Segundo Garcia e Silva (1979), a criança não deve oferecer sintomas do processo sexual antes da puberdade. Sintomas de um comportamento intencional: manifestações de excitação erótica em brinquedos sexuais, prazer em falar do sexo, ou adoção deliberada de um comportamento erótico. Quando a criança assim se comporta, não se encontra em situação normal; a maturidade sexual da criança é uma forma doentia da personalidade, conforme registra Ribeiro (1993). De acordo ainda com Ribeiro (1993), a criança tem sua vida sexual, mas não percebe o erotismo; quando isso ocorre, existe certamente um problema, emocional ou mental. Muitas são as causas que podem determinar o amadurecimento da vida sexual infantil dentre os quais se destaca: 2.1 Alto nível de Inteligência Conforme Ponte (1989, p. 224),
crianças superdotadas de alto nível de inteligência, cujo “Quociente de Inteligência esteja acima de 100, podem sofrer um processo sexual precoce. Suas faculdades mentais, a agudez da sua percepção, e a sua facilidade para formar conceitos que retira do mundo em que vive, fazem com que compreenda muito mais depressa os processos gerais do organismo e os seus componentes psíquicos.

Se pensarmos que uma criança superdotada, geralmente tem o desenvolvimento emocional, também alterado, perceberemos que tal criança tem, igualmente especial predisposição para precocemente amadurecer no sentido sexual.

2.2 Vida solitária Ponte (1989) coloca ainda que filhos únicos, sem convívio infantil, sempre na companhia de adultos ou de crianças mais velhas, têm toda a personalidade desenvolvida precocemente, e por essa razão sua vida sexual pode amadurecer mais cedo. A criança solitária, de acordo com Ponte (1989) mesmo cercada de brinquedos e dos maiores cuidados dos pais, vai-se entediar, se aborrecer, e suas próprias emoções instintivas vão se tornar o folguedo predileto. O sexo, e até mesmo a sensação voluptuosa, serão seus brinquedos favoritos. Desta atitude à vida sexual prematura resta um passo. 2.3 Educação Sexual extremamente realista Uma educação sexual extremamente realista é apontada por Ponte (1989) como

um dos fatores que acelera o desenvolvimento sexual na criança. De acordo com Ponte (1989, p. 224), “muitos pais, em nome de um pretenso ‘esclarecimento’ e de uma falsa lucidez, cometem erros que, a nosso ver, são muitas vezes responsáveis por sérios distúrbios emocionais que poderão perturbar não apenas a criança, mas o adulto de amanhã”. Este mesmo autor alerta para o fato de que crianças que ouvem a conversa dos adultos sobre as coisas naturais da vida, que compartilham da risada ante a piada obscena, crianças para as quais os órgãos sexuais e suas funções não têm mais segredos, serão certamente atingidas pelo amadurecimento sexual precoce. 2.4 Mídia – Desafio Para a Família e a Escola Dentre os meios de comunicação a televisão, este elemento específico da cultura contemporânea é o que mais tem influenciado para a iniciação sexual precoce de nossas crianças como alerta Suplicy (1981). Nos últimos vinte anos o sexo tem sido intensamente explorado pelos meios de comunicação, tanto com a finalidade de alcançar picos de audiência, como para fazer marketing de produtos variados. A televisão é o principal comunicador de massas da atualidade, conseqüentemente educa, cria padrões e dissemina informações. Infelizmente, um meio tão poderoso tem sido

usado freqüentemente, de maneira inadequada, gerando deseducação, repetindo padrões irreais, omitindo e/ou deturpando informações sem conjugar sexualidade com responsabilidade. Crianças e adolescentes, alvo principal da TV, são bombardeados com programas onde o sexo é totalmente desvinculado da concepção de doenças sexualmente transmissíveis, além de passar mensagens como “os adultos não planejam sexo e os adultos não usam contraceptivos”. A preocupação de muitos educadores tem levado a estudos até então tímidos com a intenção de detectar a real influência do erotismo, veiculado pela TV no comportamento das crianças e adolescentes. Em 1989 segundo Ribeiro (1993), Vitor Strasburger abordou o assunto assinalado que a televisão contribui para precocidade da iniciação sexual. Outros resultados de levantamentos, registraram: Estudantes de Faculdade que assistiam a filmes de sexo explícito aceitavam mais a infelicidade e a promiscuidade. Na Carolina do Norte, entre 391 estudantes, os que assistiram a maior conteúdo sexual na televisão, tinham probabilidade de iniciar sua vida sexual um ano antes. Doses maciças de pornografia não violenta aumentam as práticas sexuais incomuns. Pesquisa da UNICEF a respeito dos problemas relacionados a prática sexual pelos jovens do norte de Minas Gerais, no período de 1990/1998 apontaram que, 11,4% dos nossos jovens tiveram a 1ª relação antes de 15 anos, 50% entre 16 e 19 anos e 32,6% entre 20 e 22 anos. Um em cada 7 nascimentos foram de mães adolescentes. 30 % entre as adolescentes que tiveram o primeiro filho não queriam a criança e engravidaram solteiras, separadas ou em uniões consensuais. Mais da metade das crianças nascidas de mães com 15 a 19 anos têm mães solteiras, separadas ou em uniões consensuais. Estima-se um aborto para cada 4,3 nascimentos. Em pesquisa realizada com 217 crianças e adolescentes de 10 a 20 anos atendidos na Faculdade de Medicina da USP, de junho a outubro de 1992, temos que o principal motivo apontado para a primeira relação sexual dos adolescentes é: (1) Amor; (2) Pressão do parceiro; (3) Curiosidade; (4) Influência da mídia; (5) Pressão do grupo.

Não podemos nos esquecer que, se a televisão e outros meios de comunicação ocupam esse espaço é porque ele esta vago. A informação clara, verdadeira, desmistificada e dentro de um contexto de afeição e compreensão é a principal arma contra os danos que os meios de comunicação podem provocar e só a família e a escola poderão vencer este valioso, mais às vezes pernicioso, recurso tecnológico. Para isto escola e família precisam assumir seu papel de orientador e educador de jovens e crianças. 2.5. Educação Sexual: Importância do Professor Segundo Fagundes (1993, p. 05) “O seio da família constitui (...) o contexto no qual a criança realiza a primeira identificação de si mesma, com o “outro” privilegiado que é a mãe, desde que ela esteja presente”. Inicialmente as atitudes dos pais como modelos e como estímulos favorecem o desenvolvimento sexual satisfatório das crianças, mas em determinada fase da vida destas crianças estes modelos já não bastam e elas começam a questionar os pais, sobre fatores relacionados com a sexualidade, como forma de saciar sua curiosidade. Com o medo de estar aguçando o desejo sexual dos seus filhos os pais, geralmente, deixam de falar sobre sexo o que demonstra, de acordo com Fagundes (1993, p. 10) que “não sabem, ou preferem ignorar, que a sexualidade é instintiva, que brota instantaneamente nos indivíduos, e deixar de orientá-los complica muito mais a situação”. Quando chega a escola, esta criança que não teve sua curiosidade sexual satisfeita no lar encontra professores sem nenhum preparo profissional para tratar deste assunto e continuam sem nenhuma formação sexual. Isto, segundo a autora tem levado o sistema de ensino, as comunidades, as entidades de classe a reivindicar um programa de educação sexual para as crianças e jovens. Algumas experiências de implantação de processos de orientação sexual para alunos de nível básico ou superior, são descritos pela autora para justificar o desenvolvimento, por ela, de “um trabalho de pesquisa-ação objetivando o planejamento e execução de uma sistemática de ação conjunta, após o diagnóstico de necessidades em busca de subsídios para implementação de programas de educação sexual em cursos de formação de professor”. Fagundes (1993, p. 12). O resultado da pesquisa demonstrou que:

• • • •

As disciplinas que ajudariam a orientação sexual dos alunos estão presentes no currículo escolar; A maioria dos docentes é favorável a uma sistemática de educação sexual na escola; É baixo o numero de docentes que sentem necessidades de uma capacitação para trabalhar com orientação sexual na escola; Entre os tópicos assinalados como importantes para constarem de um programa de educação sexual o item “puberdade” e os “aspectos sociais ligados a sexualidade” apareceram com mais freqüência.

Com base nas respostas aos questionários foi planejado um curso de extensão para os professores onde foram abordados temas como sexo – sexualidade – sexologia e educação social; A sexualidade nas diferentes etapas da vida; a resposta sexual humana – aspectos biológicos e psicossociais; meios de comunicação e sexualidade e problemas derivados de uma sexualidade inadequada. O resultado foi o envolvimento de professores na busca de alternativas metodológicas para “atender as suas necessidades e de seus alunos, na discutida, controversa e fascinante área da Sexualidade Humana”. Fagundes (1993, p. 39) O estudo acima levou a necessidade de pesquisar um pouco mais sobre o papel da educação e do professor na educação sexual das crianças. Para isso, o primeiro passo será definir educação. Segundo Souza (2000, p. 12), “considerando a busca da harmonia numa sociedade, para que não ocorram mudanças profundas a cada nova geração, é necessário um esforço bastante organizado”. A harmonia da sociedade, por sua vez, conforme Cunningham (1975, p. 18) “ passa a ser dever do Estado, definido como a organização dos indivíduos em sociedade, tendo por finalidade a promoção do bem comum”. Assim, torna-se imprescindível uma certa educação formal a todas as pessoas, como forma de socialização. Quando se trata de educação sexual é importante conhecer a definição de Durkheim (1983, p. 42) para educação. Ele define educação como sendo a
ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações que não se encontram ainda preparadas para a vida social; tem por objeto suscitar e desenvolver, na criança, certo número de estados físicos, intelectuais e morais, reclamados

pela sociedade política no seu conjunto e pelo meio especial a que a criança, particularmente, se destine. 1

Charlot (1979), por sua vez coloca que a educação transmite os modelos de comportamento, de trabalho, de vida, de troca, de relações afetivas, de relacionamento com a autoridade e de conduta religiosa, entre outros. Embora tais modelos possam ser transmitidos através do contato com a sociedade, é através da educação que essa transmissão atinge uma maior sistematização. Charlot (1979) coloca ainda que embora a educação transmita modelos sociais de comportamento, deve-se levar em conta que a sociedade não é homogênea. Souza (2000, p. 12) lembra que a sociedade não é homogênea
compreende grupos diferentes, perseguindo suas próprias finalidades, com organização interna específica e elaborando modelos particulares de comportamento. Garante-se, dessa forma, a diversidade dentro da harmonia social.

Desta maneira, as diferenças individuais devem ser respeitadas, porém Durkheim (1983, p. 42) defende que em termos sociais são necessárias a harmonia e a diferença uma vez que:
A sociedade não poderia existir sem que houvesse em seus membros certa homogeneidade, fixando de antemão na alma da criança certas similitudes essenciais, reclamadas pela vida coletiva. Por outro lado, sem uma tal ou qual diversificação, toda cooperação seria impossível: a educação assegura a persistência dessa diversidade necessária, diversificando-se ela mesmo e permitindo as especializações.

É na garantia da harmonia da sociedade e no respeito às diferenças individuais que o professor desempenha o mais importante papel no que tange a educação sexual das crianças. Na sala de aula, na escola, professor e alunos passam a constituir um grupo, com dinâmica própria, e entre eles se desenvolvem, muitas vezes, intensas relações interpessoais. Dessa forma, o processo de formação do professor, além de incluir a aprendizagem acadêmica e a habilidade profissional, deve estar voltada para um aspecto igualmente importante que é denominado por Cunninghan (1976, P. 436), como “personalidade do professor”.

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DURKHEIM, 1983 apud SOUZA, 2000, p. 11-13

Segundo Cunninghan (1976) este aspecto na formação do professor é importante porque refere-se a um conjunto de características que o professor desenvolve no sentido de melhor desempenhar sua profissão, favorecendo o relacionamento interpessoal com seus alunos. E o relacionamento interpessoal é, segundo a pesquisa bibliográfica efetivada neste estudo é um dos fatores mais importantes quando se trata da educação sexual infantil. Um professor que mantém um bom relacionamento interpessoal com seus alunos consegue entender-se com eles, fazer-se entender por eles assim como consegue ser aceito pelos alunos e ser aceito por eles. A confiança que o aluno expressa pelo professor é fruto principalmente do nível das relações interpessoais que existem entre eles. Como escreveu Leite (1993, P. 237),
O professor vence ou é derrotado na profissão não apenas pelo seu saber maior ou menor, mas principalmente pela sua capacidade de lidar com os alunos e ser aceito por eles; a criança é feliz ou infeliz, na medida em que seja aceita pelos colegas e consiga entender-se com eles.

3. METODOLOGIA O objetivo deste estudo se direcionou com o levantamento de dados, usando metodologia do tipo estudo exploratório através de observação, e entrevista com os professores de uma Escola de Educação Infantil de Montes Claros e numa pesquisa bibliográfica onde foram utilizadas obras e pesquisas de variados autores e estudiosos do assunto. 3.1. Localização do Estudo O estudo foi realizado em Montes Claros, cidade de porte médio localizada na região norte do estado de Minas Gerais, a cerca de 420 quilômetros de Belo Horizonte. Os Destacando-se no setor educacional, a cidade de Montes Claros conta com uma Universidade Estadual, uma Unidade da Universidade Federal de Minas Gerais e várias Faculdades particulares, além de amplo investimento na área da educação fundamental e infantil. principais índices sócio-econômicos revelam uma população predominantemente carente.

A população de referencia para este estudo é oriunda da zona urbana de Montes Claros, composta por professores e alunos de uma Escola de Educação Infantil. 3.2. Modelo da Pesquisa e Amostragem O estudo aqui apresentado é uma abordagem qualitativa. A amostragem é composta por professores e alunos de uma Escola de Educação Infantil de Montes Claros. O estudo foi desenvolvido em um período de 2 (dois) meses, no ano de 2004. 3.3.Instrumentos Foram utilizados roteiros elaborados a partir dos objetivos previamente apresentados, sendo os dados obtidos a partir de entrevista realizada com professoras da Escola de Educação Infantil quando, em conversa informal com as mesmas foi solicitado que elas levantassem questionamentos e dificuldades que encontravam para lidar com situações que envolvia as manifestações da sexualidade infantil de seus alunos. 3.4. Cuidados Éticos Para assegurar a todos o anonimato e a confidenciabilidade dos dados, por ocasião da divulgação dos resultados, os professores foram identificados pela letra P acrescida dos números de 01 a 0 e evitou-se citar nome de alunos. Quando isso foi impossível de acontece optou-se pela troca do nome da criança. 3.5 Pesquisa Bibliográfica A primeira pesquisa bibliográfica foi realizada previamente para elaboração do projeto de pesquisa. Posteriormente, outros levantamentos bibliográficos foram sendo realizados para construção do texto definitivo.

4. RESULTADOS Ao observar o comportamento das crianças, no que diz respeito às manifestações da sexualidade infantil, pode-se perceber que são muitas as manifestações da sexualidade infantil assim como é difícil para as professoras esboçarem qualquer ação para tentar responder aos questionamentos dos alunos ou para se posicionarem quando existe alguma manifestação sexual por parte dos pequenos. Apesar de não ser o objetivo de discussão deste estudo pode-se perceber que isto ocorre devido à falta de formação dos professores para lidar com este tipo de manifestação infantil. Nas conversas informais entabuladas com as professoras, ouviu-se muitas queixas sobre a falta de capacitação e interesse das autoridades em prover as educadoras de condições teóricas para enfrentar as manifestações da sexualidade infantil. O resultado da pesquisa de campo, a seguir apresentado, é realizado em forma de resposta a alguns questionamentos elaborados por alguns professores da educação infantil e nas observações realizadas durante o período de elaboração da pesquisa. Os questionamentos são respondidos à luz da pesquisa bibliográfica utilizada assim como na observação do comportamento das crianças e da ação dos professores. 4.1. Como agir quando a criança se masturba dentro da sala de aula? Graças ao pai da psicanálise Sigmund Freud, a masturbação começou a ser entendida como um hábito saudável em qualquer idade, da infância à velhice. No entanto, de entender a sentir-se seguro para praticar a masturbação ou aceitar que uma criança o faça, existe uma grande distância. Estas dificuldades em aceitar ou praticar a masturbação se deve ao fato de que a sexualidade continua associada à função reprodutora. Devido a isso, nós adultos, pais e professores, geralmente julgamos que quando a criança se masturba está fazendo algo obsceno e impróprio para sua idade. Portanto, devemos ter cuidado ao reprimir as crianças com ameaças ou julgamento de perversão pois este tipo de atitude pode estar provocando o surgimento de um adulto com dificuldades para se permitir o prazer.

Segundo o Instituto Kaplan - Centro de Estudos da Sexualidade Humana

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“Algumas

queixas de orgasmo relatadas por adultos ou de uma preocupação maior com o prazer do outro do que com o seu próprio decorrem de uma estrutura educacional muito rígida nesta faixa etária”. Quanto a forma como agir quando a criança se masturba dentro da sala de aula Pontes (1989) indica que quando isso ocorre a criança deve ser orientada quanto ao local e momento adequado de se tocar. Dessa forma ela estará aprendendo que existem comportamentos públicos e privados em relação ao corpo e não que sentir prazer é algo ruim. Para a criança a masturbação é uma forma de conhecer seu próprio corpo. Apesar de ser considerado por médicos e psicólogos como algo normal a masturbação ou manuseio do corpo pela criança, é necessário que os pais ou professores expliquem tranqüilamente de modo bastante natural, os significados gerais da existência e manipulação destes órgãos. Ponte (1989, p. 252) esclarece que não faz-se “necessário que se ressalte o aspecto excitatório, o aspecto proibido destes órgãos sexuais, principalmente nos primeiros anos de vida (quatro, cinco, seis, sete anos). Isto se torna, de certa maneira, um problema que pode gerar estados de angustia, ou de excitação precoce”. Enfim, a orientação dos professores deve se pautar pela “necessidade de integrar, de equacionar, de agregar a presença dos órgãos sexuais nos quadros gerais da própria condição biológica e psicológica da criança.” (Ponte, 1989, p. 252) Assim, ela compreenderá naturalmente as funções primárias dos órgãos sexuais e cedo ou tarde abandonará este hábito e o educador sexual terá cumprido seu papel de mantenedor da harmonia da sociedade e de respeito às diferenças e necessidades individuais. das funções orgânicas desempenhadas por estes órgãos caso a criança apresente com intensidade uma focalização e

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Instituto Kaplan – Centro de Estudos da Sexualidade Humana. Jogo de Corpo. Nov. 2000. Disponível em: www.kaplan.org.br/jogodecorpo.

4.2. Há inconveniente em o menino ficar tentando olhar as partes intimas da menina? Isso vem acontecendo em minha sala com os alunos de 02 e 03 anos. Como devo agir? Aqui entra em discussão novamente a questão das normas impostas e aceitas pela sociedade. Normalmente não é comum o menino ficar olhando as partes intimas das meninas ou vice-versa. A visão integral e forçada do corpo do outro não é aconselhável até mesmo em virtude de este ser um ato de violação da intimidade do indivíduo. Além disso, Ponte (1989) aponta conseqüências como o complexo de ablação isto é, a constatação por parte da menina de que ela não possui aquilo que vê no irmão ou o complexo de castração onde o menino pode sentir medo de perder o pênis e ficar como a menina. Em todo caso, isto ocorre, normalmente por curiosidade em relação ao sexo oposto. Se isto ocorrer em sala de aula a professora deve agir com naturalidade, chamar o aluno e explicar em termos suaves e próprios sobre as diferenças entre meninos e meninas. Não deve castigar nem dar importância desusada ao ocorrido pois isso pode levar a criança a se sentir valorizada em suas ações e teimar no fato para chamar a atenção da professora. Afinal, como escreveu Ponte (1989, p. 242),
Mostrar que no reino da natureza nada cresce ou floresce sem união de elementos: a terra dá frutos com a chuva, as plantas crescem com a água, o dia e a noite formam o ciclo do tempo, etc. Das forças da natureza as crianças passarão aos seus semelhantes, aceitando principalmente amigos do sexo oposto como indispensáveis a sua própria vida. O pai e a mãe, o homem e a mulher, o menino e a menina.

Tudo tem seu tempo. No fim do processo, lento e seguro, a criança já deixou a primeira infância e por seus próprios recursos irá compreendendo com lucidez e sem traumas os significados vitais das questões sexuais e as diferenças entre meninos e meninas e esta curiosidade, naturalmente terá fim. 4.3. Tenho um aluno que gosta de mostrar o sexo para os colegas. Porque isto acontece? Como devo agir quando isso acontece na escola ou na sala de aula?

O exibicionismo infantil é um comportamento relativamente freqüente. Consiste ele em mostrar o sexo aos amigos, colegas e até pessoas adultas.

Registra-se essa conduta tanto nos meninos como nas meninas, com características típicas para cada sexo. (PONTE, 1989, p. 233).

O menino, conforme Ponte, exibe-se quase que agressivamente, procurando muitas vezes criar situações vexatórias e desagradáveis enquanto as meninas sentem um certo prazer ingênuo ao cometer tais exibições, e as fazem entre as amiguinhas de forma mais discreta. Ponte (1989, p. 233) alerta que tais situações devem ser evitadas, mas o seu controle deve ser feito com cuidado, para que não se dê à criança uma orientação errada capaz de marcar e distorcer em definitivo o seu comportamento sexual. Tomando-se consciência das causas gerais, desse exibicionismo, obter-se-á uma noção de como evitá-lo e fazer com que a criança supere essa situação, sem dúvida, problemática sobretudo nas circunstâncias da vida sexual. Ao atingir a fase fálica a criança, segundo Garcia e Silva (1979), descobre o sexo e passa a interessar-se por ele. Este novo interesse entretanto, não chega a compor o processo sexual que vai se iniciar apenas na puberdade. Sua atitude é muito mais de curiosidade: ela descobre em si um órgão que é agradável de e tocar e esta sensação a deixa curiosa, entretida e ao mesmo tempo desejosa de saber se os outros sexos são iguais ao dela. Nesse período fálico pode, então manifestar-se o exibicionismo. O menino quando vê o sexo da menina fica conhecendo a diferença existente entre ele e ela, tem medo que lhe tirem o pênis e se envolve no complexo de castração. Então, ele precisa exibir o sexo, mostrar que é homem, provar que não foi castrado, que é igual aos outros homens. A menina, geralmente acha bonito o seu sexo e quer exibi-lo aos outros. Além disso, ela tem orgulho da sua condição feminina e deseja mostrar que é uma mulherzinha. Tanto em um caso, como no outro, pode-se afirmar que são fases superáveis, a não ser em casos excepcionais. Não existe intenção maldosa por parte das crianças e praticamente não ocorre um exibicionismo doentio. Tanto Ponte (1989) quanto Garcia e Silva (1979) alertam para o fato de que não se deve dar muita importância a estes atos exibicionistas na infância, porque de maneira geral são passageiros. Além de que, se a criança notar escândalo, por parte do adulto, ela perceberá que causou impressão e poderá então voltar a se exibir para novamente chamar atenção. Com medida de bom senso, estes autores recomendam que deve-se aceitar o exibicionismo infantil como um ato natural. A criança precisa perceber que ninguém se escandalizou com sua exibição. Ela carece também entender que todos sabem da sua condição

viril e que não precisa provar isto. Se a criança já possui certo adiantamento mental pode-se explicar a ela a inconveniência social daquele ato. Normalmente ela compreende e raramente se torna uma criança exibicionista. Conforme Ponte (1989, p. 235), os casos em que a criança
se fixa nesse comportamento, freqüentemente são sintomáticos de agressividade. A criança descontente, com a falta de afeto ou ainda sob pressão emocional, pode agredir o meio social através do exibicionismo. Trata-se então de um problema emocional que, sendo tratado desaparecerá o seu sintoma, ou seja, o exibicionismo.

4.4. Meu aluno de 05 anos vive tentando colocar o pênis na vagina de sua colega. Esta é atitude é normal? Não sei como agir com este aluno.

Segundo a professora e psicóloga clínica especializada em sexualidade, Maria Regina Ramos de Andrade 3
É muito grande a influência dos valores e comportamentos da família na fase em que estão seus aluno. Se ocorrem esses casos, provavelmente, eles têm presenciado em casa relações sexuais entre adultos, sejam seus pais ou outros parentes. No entanto, nossa sociedade pede que a vida sexual seja mantida em privacidade. Quando a criança não tem esta privacidade em casa, ela vai falar, desenhar ou repetir abertamente o que vê seus parentes fazerem.

Os professores podem e devem estabelecer limites para comportamentos inadequados. Assim como não permitem que os alunos caminhem sobre as mesas, também é licito impedir que tenham relações sexuais na escola. Um dos objetivos da educação é a socialização do indivíduo. O objetivo maior da socialização é o preparo do indivíduo para a vida em sociedade. Como registra Souza (2000, p. 11), “a socialização requer exemplos, controles e limites. A partir deles, aprendem-se habilidades, atitudes e comportamentos necessários para uma existência interdependente na sociedade em que vivemos.” Existem normas formais e informais durante todo o processo de socialização do indivíduo. Conforme Souza (2000, p. 12), leis ou regulamentos são modelos formais que fornecem o castigo para os atos que violam os interesses da sociedade. De acordo com as regras sociais do mundo em que vivemos, este ato não é aceito como normal.

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Revista Nova Escola.

Em casos de manifestação da sexualidade infantil como estes, demonstrar firmeza e consistência na definição de limites diante de atos inadequados é fundamental. Ao mesmo tempo é preciso ter compreensão, discrição e flexibilidade no trato individual dos alunos envolvidos nos problemas, para que eles não sejam rotulados e discriminados na escola. Sem dúvida, é importante preservar sua auto-estima, explicando-lhes reservadamente que não estão na idade de ter relações sexuais e que, em qualquer caso, elas não devem ser mantidas em público. A tarefa é delicada, mas o professor afetuoso e compreensivo pode transmitir novas idéias e valores ao falar do assunto. As explicações que der sobre sexualidade vão auxiliar a criança a tornar-se mais ciente dos efeitos de suas ações. Assim, ela terá condições de modificar seu comportamento. Os pais ou responsáveis também deverão ser alertado sobre este comportamento do aluno, pois se isto está acontecendo é devido o mesmo estar presenciando algum tipo de intimidade no lar entre os pais ou outros adultos. 4.5. Tenho uma aluna que apresenta sintomas de uma certa maturidade sexual. Gosta de brincar de casinha com os colegas quando sempre é a mãe e chama o colega que faz o papel de pai para deitar com ela. Muitas vezes demonstra nestas manifestações de excitação erótica. brincadeiras

Dolto (1971) registra que a criança não deve oferecer sintomas de amadurecimento do processo sexual antes da puberdade. Quando a criança apresenta sintomas de um comportamento intencional como “manifestações de excitação erótica em brinquedos sexuais, prazer em falar de sexo, ou adoção deliberada de um comportamento erótico (...) não se encontra em situação normal”. (Ponte, 1989, p. 223) A criança tem sua vida sexual, mas não percebe o erotismo, como registra Dolto (1971). Quando a manifestação do erotismo ocorre existe certamente um problema emocional ou a criança está acostumada a ver este tipo de manifestação em adultos e procura imita-los. Segundo Ponte (1989, p. 224)
Crianças superdotadas de alto nível de inteligência (...) podem sofrer um processo sexual precoce. Suas faculdades mentais, a agudez da sua percepção, e a sua facilidade para formar os conceitos que retira do mundo em que vive, fazem com que compreenda muito mais depressa os processos gerais do

organismo e os seus componente psíquicos. Se pensarmos que uma criança superdotada geralmente tem o desenvolvimento emocional, também alterado, perceberemos que tal criança tem igualmente especial predisposição para precocemente amadurecer no sentido sexual.

Nem todos os casos de manifestação de amadurecimento sexual precoce pode ser taxado como efeito de superdotação, pois crianças que convivem muito com adultos ou crianças mais velhas estão sujeitas ao desenvolvimento precoce da personalidade, o que vai influir em suas manifestações sexuais. O professor deve estar atento também para o jogo simbólico que é uma ação normal das crianças na idade entre os 03 e 07 anos. No jogo simbólico as crianças estão se preparando para viver o papel que os adultos desempenham na sociedade e normalmente imitam o pai, a mãe, os professores, os tios, as pessoas que admiram e com as quais quer parecer quando crescerem. Assim, deve-se sempre perguntar se não existe uma certa maldade no olhar adulto sobre os atos da criança. Sobre o como agir com esta criança, Ponte (1989) coloca que respeitar a personalidade do aluno é fundamental e que não se deve também castigar, punir ou repreender com severidade, pois a criança não é culpada, pois está agindo segundo as motivações que encontrou em seu mundo familiar, escolar, social. Não é conveniente também revelar escândalo diante do comportamento sexual da criança, pois assim será possível uma maior aproximação com a mesma para uma orientação no sentido de mostrar a ela a exata proporção do problema sexual, fazendo-se com que ela compreenda, aos poucos e suavemente, sua própria posição face ao problema. 4.6.Meu aluno parece um pouco afeminado. Os outros colegas já perceberam e vivem chamando-o de “boiola”. Quais as causas desse comportamento? Existe alguma coisa que posso fazer, além de chamar a atenção dos colegas, para evitar que eles caçoem dele? Será que essa criança é realmente homossexual? Conforme Ponte (1989) nem sempre um comportamento afeminado indica o fenômeno da homossexualidade. Não se pode rotular um menino de homossexual, porque as aparências podem indicar sintomas de uma educação falha, de uma orientação mal dirigida e até mesmo de uma formação errada fornecida pelos pais.

A atitude afeminada pode ser, conforme Ponte (1989), em decorrência de um violento desejo tanto por parte da mãe, quanto por parte do pai de que o filho nascido fosse uma menina e então, embora a frustração não seja consciente, ela se manifesta na educação e no tratamento dado ao filho, sempre dirigido às coisas femininas. Pode ocorrer também da criança só ter irmãs e não ter oportunidade de convívio com crianças do mesmo sexo e os pais embora com boas intenções educam o menino entrosando-o no mundo feminino das irmãs. Neste caso, de acordo com Ponte (1989, p. 247), “é difícil de perceber a falha da situação, principalmente quando ocorre uma prole relativamente grande: o menino fica entregue a sua evolução, mas dentro de um universo feminino.” De maneira geral, o problema do menino afeminado reside sempre em causas sociais. Isto é, numa educação exageradamente protetora, que envolve o menino, ou ainda a necessidade de compensação de uma mãe que sempre desejou uma filha ou ainda uma convivência exagerada com mulheres. Todas essas atitudes podem provocar uma atitude afeminada. Percebendo estas situações o professor deve em primeiro lugar conversar com os pais sobre o comportamento da criança e depois juntamente com a família, dar uma nova orientação para o menino sob a qual ele se desenvolva no sentido adequado a sua peculiaridade masculina. Este comportamento do menino pode ser também em conseqüência de uma disfunção glandular. Pode haver certamente um distúrbio endocrinológico do menino e nesse caso, um acompanhamento médico pode ajudar a resolver, ou não, o problema. Em qualquer dos casos esse tipo de comportamento exige uma providência séria e muito bem cuidada porque o problema da efeminação tende a se desenvolver e quando atingir a adolescência poderá assumir forma bastante grave que muitas vezes pode ser evitada. Quanto a aceitação por parte dos colegas cabe a professora um trabalho onde procure mostrar as diferenças individuais de cada um trabalhando inclusive o fato de que o menino não deve ser mais violento que a menina. É um trabalho difícil visto vivermos em uma sociedade machista e discriminatória, mas toda tentativa é valida.

4.7.Tenho dúvidas entre os conceitos de sexo e sexualidade e sobre como trabalhar a educação sexual com meus alunos de 05 anos. Sexo é orgânico, anatômico e fisiológico. Sexualidade, por sua vez, vem a ser aquilo que se obtém do sexo, suas implicações afetivas e espirituais, ou seja, é algo bem mais difícil de se comunicar e se instruir, como indica Ponte (1989). A educação sexual é muito importante porque uma criança mal informada sobre sexo e pouco orientada relativamente à sexualidade correrá o risco de vir a considerar a questão única e exclusivamente sobre o aspecto material e orgânico. Uma educação integral, onde a questão do sexo não se marginalize, seja por relevo excessivo seja por omissão propositada, baseada apenas em informações esparsas é a melhor maneira de conduzir a educação sexual das crianças. É necessário também não esquecer que os assuntos relacionados à sexualidade infantil devem ser encarados com simplicidade, naturalidade e sem alarde por parte dos professores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É na escola que as crianças passam grande parte de seu tempo e sendo assim, a escola não pode se omitir ou manter-se à margem do processo de seu crescimento tanto social e cognitivo quanto afetivo-sexual. A escola deve oferecer espaço para que os questionamentos, ansiedades, curiosidades, sejam conduzidos de maneira lógica, consciente, com a troca de informações e valores capazes de nortear as crianças no caminho da felicidade, orientado-as a tomar decisões corretas, não antecipando situações embaraçosas, evitando dificultar seu crescimento intelectual ou leva-las a assumir responsabilidades prematuramente. Para isto, conclui-se, ser preciso embasar teoricamente os professores e todos aqueles que trabalham na educação das crianças. Esta pesquisa permitiu as seguintes considerações: • Trabalhar com a educação afetivo-sexual de crianças é tarefa para aqueles que se propõem a lutar por uma juventude mais realizada, por uma geração mais feliz, pois a semente de paz, tranqüilidade que o educador que se preocupa com a sexualidade infantil lança em cada aluno se traduz em segurança, matéria-prima fundamental para que ele encontre seu caminho.

• O processo de formação sexual de uma criança é lento e muitos professores que trabalham com a educação infantil se preocupam com isto e até se propõem a fazê-lo mas recuam quando sentem tamanha responsabilidade pois estão conscientes que tratar sexualidade não se limita, em hipótese alguma em falar sobre o biológico e sim, fomentar a felicidade, o que implica em trabalhar com a psicologia, a sociologia, a filosofia, com a pedagogia. • O educador infantil além de conhecimentos básicos sobre sexualidade, deve antes de tudo, vivenciar sua sexualidade da melhor maneira possível. Ser assertivo, compreensivo e competente é fundamental para assumir a função de educador afetivo-sexual das crianças. Esta pesquisa permitiu considerar ainda, que para as crianças serem adultos sexualmente felizes e equilibrados faz-se necessário que elas sejam equipadas, desde o nascimento, com informações exatas e atitudes positivas, isentas de culpa ou preconceitos sexuais; de modo a serem livres. Serem livres para experimentarem o sexo ou livres para se abster dele, sem sentimentos de culpa ou de vergonha. Nossas interrogações sobre os problemas que afetam a educação sexual infantil não se encerram aqui. Pretendemos em um futuro próximo retomar este estudo e encontrar respostas para algumas questões que, assim como esta pesquisadora, atormentam a vida profissional de muitos outros educadores.

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