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ATENDIMENTO AO POLITRAUMATIZADO

ATENDIMENTO AO POLITRAUMATIZADO

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Liga Acadêmica de Urgência e Emergência do Estado do Pará – LAUEP

Tratamento Inicial do Politraumatizado Marco Tulio Baccarini Pires
I. Introdução O paciente politraumatizado é diferente de qualquer outro tipo de doente, pelas próprias circunstâncias que originaram o seu estado; de um modo geral, era uma pessoa hígida ecom saúde, até que, subitamente, devido a algum tipo de acidente, passou a se encontrar em estado grave, necessitando de assistência médica imediata, sem que se encontrasse preparado de maneira alguma para tal situação. Para que o êxito no socorro seja obtido, é fundamental que o paciente e suas lesões sejam manuseados corretamente desde o local do acidente, a fim de se evitar o agravamento ainda maior de seu estado (p. ex., avaliar a possibilidade de lesão da coluna cervical, mantendo, neste caso, a cabeça alinhada com o restante do corpo [Fig. 6-1]). II. Escala de Pacientes Críticos. Escalonar as patologias tem-se tornado um método comum de avaliação de pacientes, no sentido de possibilitar um tipo mais rígido de observação e terapia. Estas escalas, entretanto, só deverão ser utilizadas se soubermos compreender totalmente as suas limitações. Elas são de muita utilidade para a comparação dos resultados de diferentes instituições médicas no atendimento dos pacientes politraumatizados. Algumas das escalas, especificamente as mais utilizadas, são descritas a seguir. A. Escala de coma de Glasgow (ver Cap. 57, Comas). A escala de coma de Glasgow verifica a extensão dos comas em pacientes com trauma cranioencefálico e baseia-se em abertura ocular, resposta verbal e resposta motora. O total é a soma de cada resposta, variando de 3 a 15 pontos. Ela é extremamente fácil de ser usada e se incorpora a várias outras escalas. B. Escala de gravidade da lesão (Injury Severity Score — ISS). Esta escala tenta quantificar a extensão de lesões múltiplas; são dadas notas às diferentes regiões e sistemas do corpo. Para a pior lesão em cada região é dado um valor numérico, que é elevado ao quadrado. O ISS é a soma dos quadrados de cada uma das três lesões mais graves. Os valores variam de 0 a 75; quanto maior a nota, maior a mortalidade. Um dos maiores problemas do ISS é considerar apenas a nota mais alta de qualquer região do corpo e considerar lesões de notas iguais como sendo de igual importância, independentemente da região do corpo onde elas ocorram (Quadro 6-1). C. Escala politrauma-Schlussel (PTS). Esta escala foi introduzida em 1985 e se compara, em termos de prognóstico do paciente, ao Injury Severity Score (ISS). Como sua aplicabilidade e seus resultados são bastante similares aos do ISS, ela não será descrita em detalhes. D. Escala de Trauma (Trauma Score) e Escala de Trauma Revisada (Revised Trauma Score). A escala de trauma baseia-se na escala de coma de Glasgow e no estado dos aparelhos cardiovascular e respiratório. São dados valores com pesos diferentes a cada parâmetro. Os valores da escala de trauma variam de 1 a 16 (Quadro 6-2). Avaliações posteriores demonstraram que a escala de trauma subestimava a importância dos traumas cranianos, sendo então desenvolvida a escala de trauma revisada (RTS) (Quadro 6-3). Ela se baseia na escala de coma de Glasgow, na pressão arterial sistólica e na freqüência respiratória. Valores com pesos diferentes são atribuídos a estes parâmetros, que então devem ser somados; os valores mais altos obtidos associam-se a um melhor prognóstico. E. Escala CRAMS (Circulation, Respiration, Abdomen, Motor, Speech). Esta escala, que se baseia em dados da circulação, respiração, de abdômen, motricidade e fala, conseguiu alguma aceitação regional nos Estados Unidos. Quanto menor a pontuação CRAMS, maior a necessidade de terapia intensiva. Ela pode ser usada para uma avaliação rápida (p. ex., por paramédicos atendendo no local de um acidente) (Quadro 6-4).

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O sistema Apache III tem por objetivo estimar o risco de um paciente vir a falecer. A. Ventilação inadequada. Age. A mandíbula deve ser retificada. antes de sua chegada ao hospital. Secreções como sangue. O processo de identificação e abordagem do politraumatizado constitui o ABC do trauma preconizado pelo ATLS (Advanced Trauma Life Support. deve ser feito um preparo para a chegada do doente (material de intubação. comunicar à radiologia para que esta se prepare etc. vômitos e muco são aspiradas ou limpas com um pano. nos casos de queda posterior da língua. Condições rapidamente fatais 1. com menor aplicação na fase aguda do trauma. e/ou a língua tracionada. Fase Hospitalar. eventos relacionados ao acidente e história pregressa do paciente. a não-oxigenação cerebral por mais de quatro minutos irá produzir lesões cerebrais irreversíveis. Deve existir uma coordenação central na comunidade (no Brasil. Chronic Health Evaluation). de posse das informações recebidas da Central de Atendimento. mas prevenir a hipotermia (E — exposure) A seguir. Além de procurar diminuir o tempo de permanência no local do acidente e agilizar o transporte. em muitos estados. o Apache III utiliza ainda uma escala de coma. III. os socorristas devem obter dados referentes à hora do trauma. com instabilidade hemodinâmica. sendo capaz de identificar condições de risco de vida: A Via aéreas (com imobilização cervical) (A — airway) B Respiração e ventilação (B — breathing) C Circulação e controle da hemorragia (C — circulation) D Incapacidade: estado neurológico (D — disability) E Exposição/controle ambiental: despir completamente o paciente. O pessoal que recebe este tipo de paciente deve encontrar-se paramentado. Para tal.). e também de grande complexidade (devido ao número de variáveis usadas). para realizar o socorro emergencial. que podem ser usadas para estimar a mortalidade hospitalar de um dado paciente em momentos diferentes de sua permanência em um Centro de Tratamento Intensivo. para proteção individual contra hepatite.lauep. permitindo comparações entre grupos de pacientes de uma mesma ou de diferentes instituições. e consiste de duas opções: (1) uma escala e (2) uma série de equações preditivas. a idade e a presença de outras condições de morbidade. poderá tornar ainda mais sérios os efeitos da hipoxemia. a manutenção de vias aéreas permeáveis e ventilação adequada. desobstruindo-se a orofaringe. no politraumatizado. com obstrução traqueal www. Fase pré-hospitalar. O esquema de atendimento ao paciente politraumatizado deve incluir duas diferente situações — o atendimento pré-hospitalar e o atendimento hospitalar. não descreveremos a Escala Apache em detalhes. preparo dos monitores.com 2 . Por ser principalmente utilizada em terapia intensiva. AIDS etc. controle dos sangramentros externos. realizada pelo Corpo de Bombeiros) que receba o pedido de socorro e que envie a unidade móvel mais próxima (e/ou a mais bem equipada para cada tipo específico de atendimento). A. é indispensável. do American College of Surgeons). a limpeza da cavidade oral e a retirada de corpos estranhos e próteses dentárias do indivíduo inconsciente deverão ser o procedimento inicial. Preparo Para o Atendimento ao Paciente Traumatizado.Liga Acadêmica de Urgência e Emergência do Estado do Pará – LAUEP F. IV. Esta escala de pacientes críticos é muito utilizada. Uma central deve receber todas as informações da unidade móvel a respeito das condições clínicas do doente e repassá-las ao hospital que irá receber o paciente. B. Prioridades na Avaliação e Ressuscitação do Paciente Politraumatizado. Escala Apache III (Acute Physiology. São 17 as variáveis fisiológicas utilizadas. soluções salinas aquecidas. Em condições normais. A diminuição do débito cardíaco devido a situações de hipovolemia. Assim. Na sala de emergência. iremos rever as condições que são rapidamente fatais nos politraumatizados. A ênfase deve ser centrada na manutenção das vias aéreas. imobilização do paciente e transporte imediato.

quando o paciente está preso no local do acidente. corpos estranhos intrabrônquicos e queimaduras de vias aéreas superiores. principalmente daqueles que trabalham em áreas de atendimento de urgência (Pronto-Socorro. Se ocorrer a melhora do quadro respiratório com essas manobras. posteriormente. 6-4 e 6-5. fonte de oxigênio e Ambu. A técnica para exposição da orofaringe com laringoscópio é mostrada nas Figs.Liga Acadêmica de Urgência e Emergência do Estado do Pará – LAUEP (Fig.5 a 8 mm no homem. Pequenos Procedimentos em Cirurgia). a lâmina do laringoscópio é introduzida com a mão esquerda. pede-se a um auxiliar que pressione o pomo-de-Adão. antes da intubação. O tubo deve sempre ser bem-fixado com esparadrapo. Aberta a boca do paciente. 3. 6-2). em seguida. este empurrará a língua para a esquerda. até que seja visualizada a base da epiglote. Outras possíveis causas de dificuldade respiratória a serem pesquisadas incluem pneumotórax. caso uma cânula orofaríngea esteja disponível. vômitos ou sangue porventura existentes na cavidade oral para dentro dos pulmões. www. chegando seletivamente ao brônquio principal direito). poderá ser necessária a realização da cricotomia. Em alguns casos. a ventilação poderá ser mantida simplesmente com oxigenoterapia pela cânula. ou se o tubo foi por demais introduzido. O tórax também poderá ser pressionado externamente com as mãos. luvas. A intubação errônea do esôfago. entretanto. já no hospital e com o paciente estabilizado. impossibilitando a intubação. e não no esôfago. Depois de ter sido introduzido o tubo. hemotórax. que dispõem de sistemas de atendimento emergencial por ambulâncias a domicílio. 6-3). para que sejam evitados problemas de deslocamento. provocará também hipoxemia. seringa para insuflar o balonete. e não no esôfago. com hiperextensão cervical e com a mandíbula retificada. Nas crianças. e/ou no caso de lesões de traquéia. que podem ocorrer durante transporte ou manipulação do doente.5 a 7 mm na mulher e de 7. com equipes de paramédicos socorristas. ausência de murmúrio vesicular à ausculta. a intubação nasotraqueal é a mais indicada. 6-5 e 6-6). Em presença de quadro de insuficiência respiratória aguda. Nos casos. Em alguns países.). realizada ao nível do terceiro anel traqueal (ver Cap. e o paciente voltar a respirar espontaneamente.com 3 . em que for necessária a manutenção da ventilação por mais tempo. usa-se tubo de 6. As cordas vocais são visualizadas. ela será substituída por traqueostomia eletiva. ventila-se o paciente com Ambu e auscultam-se os dois pulmões (para verificar a posição adequada do tubo na traquéia. o que sem dúvida aumentaria a morbidade e a mortalidade (hipoxemia. devido à urgência das situações. O material usado consiste em: laringoscópio (lâmina reta ou curva). para melhor visualização. enquanto a mão direita mantém a hiperextensão. Ao ser usado um laringoscópio de lâmina reta. hemopneumotórax. numa manobra de báscula. o que melhorará a exposição da glote (Figs. deverá ser realizada a intubação endotraqueal. A passagem prévia de uma sonda nasogástrica. sendo o tubo colocado por entre elas. Para que seja realizada a intubação. aspirador e sondas para aspiração. ela será bastante útil para impedir a queda da língua em indivíduos inconscientes (Fig. Unidade de Terapia Intensiva etc. além de levar a uma distensão gástrica. expondo-se a glote. com timpanismo à percussão torácica. com a mão direita. De um modo geral. As técnicas de intubação endotraqueal devem ser de conhecimento de médicos e de enfermeiros.lauep. Centro Cirúrgico. para expor as cordas vocais. o paciente deve estar em decúbito dorsal. quando possível. insufla-se o seu balonete. pneumonia de aspiração etc. a epiglote deverá ser levantada com a ponta da lâmina. Nos casos de traumas graves de face (inclusive queimaduras). permitindo inclusive a ventilação com Ambu e máscara. tubos endotraqueais com balonete (diversos tamanhos). diminui os riscos de refluxo gástrico e de aspiração. Se estiver sendo utilizado um instrumento de lâmina curva (Macintosh).). para se verificar a presença de ar saindo pelo orifício do tubo — esta é outra maneira de se avaliar a presença do tubo na traquéia. estes próprios técnicos são treinados para executar a intubação endotraqueal. coloca-se a ponta da lâmina sobre a epiglote. porém nem sempre isso é possível. A insuflação do balonete impedirá a passagem de secreções.

) para que. A diferença é que. alguns pontos importantes devem ser considerados: a ponta do cateter deverá ser posicionada na junção da veia cava superior com o átrio direito (um cateter malposicionado [p. uma PVC baixa. Em presença de sangramento interno. com ferida torácica aspirante. Assim como o pulso. A leitura da PVC exige um equipo especial. com possibilidade de compressão. Na ocorrência de rápida perda sangüínea. após trauma. (2) Pressão arterial. em ventrículo direito] irá falsear totalmente a medida). ex. ou lesão do Sistema Nervoso Central (Prancha 6-1). por falência de bomba cardíaca ou tamponamento cardíaco. superior a 15 cm de água (medida no nível da linha axilar média). o controle do sangramento e a reposição volêmica deverão ser simultâneos. a prioridade é a transformação do pneumotórax aberto em fechado. (3) Diurese. Hipovolemia aguda.com 4 . porém pouco exata e confiável. Uma PVC elevada. ela pode não ser representativa da perda sangüínea. deverá ser atendido sem perda de tempo. A drenagem é feita em local diferente daquele onde se encontra o ferimento torácico. entretanto. logo em seguida. Em pacientes nos quais exista pneumotórax aberto. utilização de um mesmo ponto de leitura da PVC no paciente (p. esparadrapo etc. em que. já que a perda sangüínea pode ser volumosa antes que ocorra taquicardia acentuada. Este estado pode ser provocado fundamentalmente por hipovolemia aguda ou por restrição diastólica aguda ao coração (tamponamento cardíaco).. a própria ansiedade e o estresse do trauma podem causar taquicardia. onde a pressão da veia cava superior é igualada à de um dos ramos do equipo. sem que tenha havido perda sangüínea correspondente. podem indicar a ocorrência de lesão de uretra. onde se encontra a ponta do cateter. para que sejam evitados problemas com o agravamento da perda sangüínea. seja realizada drenagem torácica em selo d’água. no choque neurogênico. Um paciente que esteja apresentando sangramento externo visível. por vedação do ferimento com qualquer material que esteja disponível no momento (pano. os principais parâmetros que deverão guiar a reposição volêmica encontram-se expostos a seguir: (1) Pulso. (4) Palidez cutaneomucosa. a palidez cutânea desaparece rapidamente com a infusão de solução salina. linha axilar média). uma pressão arterial alta geralmente indica hipertensão arterial já existente anteriormente. pode ser causada por hiper-hidratação. de qualquer etiologia. por outro lado. Um quadro de hipotensão poderá estar presente no chamado choque neurogênico. inferior a 5 cm de água. colocado por sobre uma régua graduada de 0 a 40 cm. 2. como na hemorragia intra-abdominal.. Circulação inadequada. a conduta imediata é a realização de punção torácica com agulha de grosso calibre. ou mesmo anúria. ou podem ser compatíveis com um quadro de choque hipovolêmico instalado.Liga Acadêmica de Urgência e Emergência do Estado do Pará – LAUEP expansibilidade assimétrica. A diurese mínima aceitável em paciente traumatizado é de 40 ml/hora. A medida da PVC fornece dados importantes no que se refere ao estado volêmico do paciente. o ponto zero corresponde ao nível da junção da cava superior com o átrio direito. ex. quando a hemorragia não é significativa. é indicativa de hipovolemia severa. enquanto na hipovolemia severa a palidez é bastante mais persistente. Valores menores do que este. ainda na sala de reanimação. Geralmente. de bexiga ou mesmo de artéria renal. sendo a medida feita através de princípio de vasos comunicantes. se tem bradicardia inicial e hipotensão. Esta é uma maneira simples de controle da volemia do paciente. De uma maneira geral. (6) Pressão venosa central (PVC). O quadro de sudorese fria e profusa aparece em todos os pacientes chocados. Esta pode existir tanto por perda volêmica (choque hemorrágico) quanto no choque neurogênico. a reposição precede a hemostasia. secundários a pneumotórax hipertensivo. em ipsilon. devido à descarga vagal. a. (5) Sudorese. Para que sua medida seja fidedigna. Nestes casos de sangramento externo.lauep. www. uma pressão arterial baixa indicará hipovolemia ou mesmo choque hipovolêmico.

3. A introdução do cateter de Swan-Ganz. ex. uma opção é a punção intra-óssea percutânea da tíbia (Fig. Uma técnica para abordagem venosa rápida também usada inclui a punção e o cateterismo das veias femorais. gerando informações sobre as pressões de enchimento do coração esquerdo e permitindo a medida do débito cardíaco. Para confirmar que a posição final do cateter tenha sido atingida. ou no pósoperatório imediato em Unidade de Terapia Intensiva. Com movimentos de rotação. Pequenos Procedimentos em Cirurgia. uma técnica de uso excepcional. do tipo usado em raquianestesia). sem radioscopia. a partir de punção da veia subclávia ou da veia jugular interna (Pranchas 6-2 e 6-3). seja por punção de veia subclávia ou jugular. O uso da pressão venosa central para determinação da pré-carga do coração esquerdo causa dificuldade. A melhor relação da PCWP se faz com a pressão do átrio esquerdo. a PVC deverá ser monitorada constantemente. Logo após a punção venosa.) Se possível. utilizando-se cateter plástico (Jelco®) calibroso. é passado à beira do leito. a PCWP será menor do que a pressão do átrio esquerdo se o paciente estiver hipovolêmico. O cateter de Swan-Ganz. É usada uma agulha de número 18 (p. seja por dissecção (de preferência veia basílica ou cefálica).. inicia-se de imediato infusão de Ringer lactato.. a agulha é introduzida até a medula óssea. Após o paciente dar entrada na sala de traumatizados. quando esta é inferior a 25 mmHg. (7) Pressão da artéria pulmonar. 6-8). mesmo em presença de lesão vascular intraabdominal. O cateterismo da artéria pulmonar é um instrumento valioso no manuseio de pacientes politraumatizados.com 5 . de uma a quatro veias periféricas são puncionadas. com preparo adequado da área de punção venosa central. não é feita rotineiramente em situações de emergência. devido ao tempo gasto para realizá-la. ela é um instrumento valioso se o paciente já se estabilizou e está indo para uma cirurgia. Deve-se estar atento para não puncionar uma veia central caso exista traumatismo torácico próximo (p. deve ser realizada. preferencialmente em membros superiores. na região inguinal — por elas. observam-se ao monitor as ondas de pressão. que são características de cada local (Fig. a pressão registrada em medida de água deverá ser dividida por 1. pois a PVC apenas secundariamente mostraria as mudanças na pressão venosa pulmonar e nas pressões do lado esquerdo do coração. dependendo do caso. A PVC pode ser medida em centímetros de água ou em milímetros de mercúrio.4 a +15 mmHg. entretanto. em quantidades www. sendo feita a solicitação de concentrado de hemácias ou de sangue total para reposição. A variação normal da pressão em mmHg vai de . onde é feita a infusão de solução salina. Esta é. para infusão de solução eletrolítica e outros medicamentos. um cateter deverá ser colocado em posição central.Liga Acadêmica de Urgência e Emergência do Estado do Pará – LAUEP Durante a fase de reposição volêmica. apesar de relativamente simples. retira-se sangue para exames e tipagem. Como o mercúrio é mais denso do que a água. nas quais punções ou dissecções venosas podem ser mais difíceis. um volume muito grande poderá ser infundido rapidamente. 6-7). ex. realiza-se a punção venosa de imediato. Estrita observância de preceitos de anti-sepsia. O Quadro 6-5 resume as principais alterações clínicas observadas na hipovolemia. Assim. Mais detalhes sobre as punções e dissecções venosas são abordados no Cap. A punção é feita na superfície ântero-medial da região proximal da tíbia.lauep.7%. devido ao alto risco de infecção — os índices de colonização bacteriana de cateter central variam de 6 a 12. para se averiguar a resposta ao tratamento. entretanto. com septicemia causada por cateter tendo um índice médio de 3%. Entretanto. não sendo de utilização rotineira e usada por tempo nunca superior a 24 horas. o que ocorre é que a incidência de flebite pós-punção ou dissecção venosa em membros inferiores é maior do que em membros superiores. não puncionar a veia subclávia direita em caso de trauma no hemitórax direito). Nos casos de crianças com menos de 6 anos. Enquanto se aguarda o seu envio.36 para que seja obtido o número de medida da pressão em milímetros de mercúrio. (A punção de veia para infusão em membros inferiores não está totalmente contra-indicada. que permite a medida da pressão em cunha da artéria pulmonar. A medida da pressão em cunha da pulmonar (pulmonary capilary wedge pressure — PCWP) é um indicador preciso da pressão diastólica final do ventrículo esquerdo.

utilizadas por paramédicos no local do acidente. este deverá ser minuciosamente examinado em busca de lesões associadas. o lactato é convertido em bicarbonato. VI. Pequenos Procedimentos em Cirurgia. até levar à restrição completa e à parada cardíaca. poderíamos considerar: traumatismos cranioencefálicos. Tamponamento cardíaco (ver Cap. trauma fechado torácico e/ou abdominal. lesões dos ossos da face. tem-se pesquisado muito a utilização de soluções hipertônicas de cloreto de sódio (NaCl a 7. devendo ser rápido. com desidratação celular subseqüente.5%). Outras Lesões em Pacientes Politraumatizados. assim como o tratamento. são descritos mais detalhes quanto à reposição da volemia e às três fases de ressuscitação do paciente politraumatizado em choque. deve-se ter em mente a necessidade de reposição de cálcio e de bicarbonato de sódio. O uso de elementos substitutos do sangue para oxigenação celular rápida ainda não se encontra bem-estabelecido. O volume de sangue no saco pericárdico aumenta progressivamente. O Ringer lactato é a solução mais utilizada. V. apesar de sua gravidade. de hematúria. No Cap. hematomas. lesões da pelve. já vem sendo realizado nos EUA.com 6 . com a finalidade de manter o paciente com níveis pressóricos mais elevados até a chegada ao hospital. de sangramento de aspecto arterial e outros mais são sinais que deverão ser valorizados. Na emergência. o tratamento consiste em punção pericárdica.lauep. Existem outras lesões freqüentemente presentes nos politraumatizados que. elas aumentaram as hemorragias de origem vascular intra-abdominais presentes. lesões medulares. mas que poderão levar à morte se não tratadas adequadamente ou se passarem despercebidas. b. Caso venha a ser utilizado sangue total. presença de otorragia. lesões das artérias e veias. mais tarde. devido à hipernatremia provocada. 7. após a estabilização de um paciente politraumatizado. além disso. Tem sido descrito o uso de soluções coloidais de dextrana 70 a 6%. devido ao seu componente mais balanceado em eletrólitos. não apresentam um risco imediato. sob pressão. impedindo a máxima expansão cardíaca ocorrida na diástole. permitindo o encaminhamento do paciente ao Centro Cirúrgico para toracotomia. fraturas de ossos longos.000 ml em 20 minutos por meio de métodos convencionais de infusão). Traumatismos Cardíacos). O inconveniente dessas soluções está na impossibilidade de seu uso por tempo prolongado ou em grandes quantidades. que permitem uma rápida elevação da pressão arterial com pouco volume administrado. Choque. O uso de equipamentos de infusão. Nos capítulos que se seguem. Exames Complementares. lesões do trato urinário. Neste grupo. 11. O diagnóstico é basicamente clínico. sendo instituído o tratamento específico de cada uma delas. O quadro de circulação inadequada que surge no tamponamento cardíaco é explicado pela rapidez com que o espaço virtual normalmente existente entre o pericárdio visceral e o parietal se enche de sangue. e Cap. em modelo experimental (cão). traumatismo de aorta torácica (sem ruptura imediata). melhorando o quadro de acidose dos pacientes chocados. Orifícios de entrada e de saída de projéteis. desde www. que administram grandes quantidades de solução hidroeletrolítica aquecida ou concentrado de hemácias aquecido. 3. preferencialmente subxifoideana. A aspiração de volumes pequenos (20 a 30 ml) poderá ser suficiente para aliviar o tamponamento. serão abordados os principais traumatismos encontrados em nível hospitalar. Isto implica que. escoriações. além do que.Liga Acadêmica de Urgência e Emergência do Estado do Pará – LAUEP suficientes para ressuscitação do paciente (podendo-se chegar até mesmo à infusão de 2. Atualmente. adicionada ao NaCl hipertônico. Esse tipo de equipamento permite a infusão de até 1. Todo paciente politraumatizado deverá ser submetido a exames radiológicos na admissão. contusão miocárdica. A radiologia é o método mais utilizado nas emergências traumatológicas.5 litro por minuto de solução em pacientes politraumatizados. onde se inicia a infusão habitual de Ringer lactato.

In: Bongard FS. Chameides L. realizadas obrigatoriamente. Fevereiro de 1977. Landau EH. 9. Strategies for trauma resuscitation. in 5 th Edition Student Manual. 7. Kirk B. 6. Hoots AV. Menker JB. Sue DY. 14. Lenclen R et al. 172: 8-12.blogspot. 34: 27-31. Gross D. Assalia A. risk projection of hospital mortality for critically ill hospitalized adults. Holcroft FW. Trauma triage in western Sydney: results of a pilot study. Fabian TC. 17. Krausz MM. nos próximos capítulos. 16.619-36. Critical Care Diagnosis and Treatment. Infection and monitoring catheters. 18. Lipsett PA. Clin Cir AN 9-31. Gould SA. Bode PJ. 100: 1. Intraosseous infusion in children. medmp3. torácica e lombar. The Apache III prognostic system. J Trauma 1991. a ecocardiografia. 1977. 15. 2. raios X de coluna cervical. Emergency Surgery. Niezen A. 11. Lyle DM. Fevereiro de 1982. Aust N Z J Surg 1990. em relação a traumatismos específicos de órgãos e sistemas. Chest 1991. a radiografia de abdômen é a que menos nos ajuda no traumatismo agudo). 28: 751-6. 10 ed. Outros exames muito úteis são a ultra-sonografia abdominal. A punção abdominal com lavado peritoneal é outro exame muito realizado.5%) resuscitation. consistem de: raios X de crânio em AP e lateral. Chapter 3: Shock. as arteriografias seletivas. Carbajal R. Plasma expanders: an update. Clin Cir AN 211-26. 2(4): 339-42. Fevereiro de 1977.lauep. In: Dudley HAF. Battistella FD.com 85 4. 12. Factors improving survival in multisystem trauma www. a tomografia computadorizada (de crânio e de outros segmentos do corpo). Moss GS. raios X de tórax em PA (se possível. Schipper J. 1993. Moylan JA. 1994: 170-190. Bevan DR. a ecocardiografia. 13.644-9. Knaus WA et al. 8. Is hypertonic saline resuscitation safe in “uncontrolled” hemorrhagic shock? J Trauma 1988. Abdominal ultrasound as a reliable indicator for conclusive laparotomy in blunt abdominal trauma. Critical care monitoring. London: A John Wright and Sons Ltd. J Trauma 1993. Reanimação do paciente traumatizado: as três fases do tratamento. Surg Gynecol Obstet 1991. Shock. The American Journal of Surgery 1988. Fitzpatrick KT et al. J Trauma 1988. os exames contrastados do tubo digestivo. a videolaparoscopia e as cintilografias das vísceras maciças.com 7 . Buchman TG. 28: 1. sendo obrigatório nos pacientes politraumatizados inconscientes. Lucas CE. Combined hemorragic shock and head injury: effects of hypertonic saline (7. 31: 182-8. 60: 953-8. 155: 485. Dudley AF. ou se houver tempo para realizá-los. East Norwalk: Appleton & Lange. Paupe A. Intensive Crit Care Digest 1993. Alteração do retorno venoso no choque hemorrágico. 12: 41. 10.Liga Acadêmica de Urgência e Emergência do Estado do Pará – LAUEP que apresente estabilidade hemodinâmica mínima que permita o seu deslocamento ao setor de radiologia. Referências 1. Estes exames serão descritos. 5. Arch Pediatr 1995. Mangiante EC. Wisner DH. decúbito dorsal e decúbito lateral esquerdo (dentre estas radiografias. American Heart Association and American Academy of Pediatrics. Bongard FS. Textbook of Pediatric Advanced Life Support. em ortostatismo). The percutaneous common femoral vein catheter for volume replacement in critically injured patients. Sue DY. 3. As radiografias básicas. Publication. Kurtzman RS. 1988. American College of Surgeons Committee on Trauma — Advanced Trauma Life Support ATLS. Radiologia do traumatismo abdominal fechado. a urografia excretora. Clin Cir AN 3-15. raios X de abdômen em ortostatismo (quando possível). Van Vugt AB. raios X de bacia.

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