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Proteção ao trabalho da mulher

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Direito do Trabalho Resumido - Edson Braz da Silva Vol.

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UNIDADE I - PROTEÇÃO DO TRABALHO DA MULHER 1) Antecedentes históricos Ao lado das normas gerais de proteção ao trabalho, existem princípios próprios de tutela do trabalho feminino. “Dois fatores levaram a mulher para a empresa, transformando-a, de dona-decasa, em operária e técnica: O primeiro foi a necessidade de manutenção do lar. A mulher passou a ser colaboradora do marido, do irmão, do pai ou dos filhos na luta pela conquista de melhores meios de subsistência, quando não se viu coagida a responder, sozinha, pela segurança e pelo bem-estar de uma família inteira. O segundo tem ligações com a história. Ocorreu quando os varões foram convocados para as frentes de batalha e as indústrias, os campos e as casas comerciais necessitavam de alguém que substituísse os soldados de então. Voltando a paz, regressando ao lar os soldados de ontem, ocorreu um fenômeno grave e curioso. A mulher, pela sua debilidade física, foi considerada trabalhador de categoria secundária, por isso mal remunerada. Pela má remuneração, ela se via obrigada a trabalhar além de suas forças. E em decorrência das necessidades curvava-se às imposições dos empresários. Criava-se um círculo vicioso, que punha em risco a integridade física e a saúde da mulher. O advento da Máquina serviu para equilibrar o desnível. Exigindo menor esforço do operário a máquina diminuiu a diferença entre a produtividade do homem e da mulher. Ao desenvolvimento da técnica é que devemos a primeira idéia de igualdade jurídica e econômica para o trabalho dos dois sexos. Duas grandes correntes de opinião se chocaram no debate desse problema. Uma que propugnava a exclusão completa da mulher dos serviços fabris, citando o alto grau de desajuste da mulher obreira do lar, a infância ao abandono, bem como o ambiente imoral e promíscuo do trabalho. A segunda, mesmo admitindo os inconvenientes do trabalho feminino, mas com visão realista do século, levantava-se contra a teoria anterior, acusando-a de roubar da mulher o seu meio próprio de subsistência e de colaborar para maior folga do orçamento familiar. É adotando esta corrente, vitoriosa sobre as barreiras do reacionarismo, que a lei trabalhista nacional abriu, em princípio, todos os escritórios, todas as oficinas, todos os estabelecimentos de trabalho à mulher, providenciando normas que resguardassem esses trabalhos.1 A legislação reguladora do trabalho, considerando todas as adversidades encontradas pelas mulheres trabalhadoras, tanto as decorrentes da estrutura física própria quanto as derivadas do excesso de atividades no lar e na rotina profissional, capazes de causar-lhes fadiga nervosa, dedicou especial interesse em criar um sistema de efetiva proteção ao trabalho feminino, como veremos a seguir. 2 1.2. Direito protetor e direito promocional Anteriormente o legislador buscava proteger o trabalho da mulher editando normas que chegavam a inibir o seu ingresso no mercado de trabalho, a proteção era um incentivo à discriminação da mulher na escolha daquele que ocuparia o posto de trabalho. Hoje a orientação é outra, busca-se promover o acesso da mulher aos postos de trabalho, limitando-se a proteção ao mínimo necessário e naquilo que exigir a sua condição física peculiar e o dom da maternidade. Os preceitos reguladores do 1RUSSOMANO, Mozart Victor, Comentários à CLT, Vol.I, 13ª Edição, Ed.Forense, p. 336 2 NASCIMENTO, Amauri Mascaro -

Curso de direito do trabalho. 12 ed. p.587/8
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ambos da C. da CLT). desde que não colidentes com a proteção especial do trabalho da mulher nas duas dimensões citadas. 3. 5º. Jornada de Trabalho e Períodos de descanso A jornada de trabalho da mulher tem a mesma duração e sofre as mesmas restrições previstas para o trabalho masculino em idênticas condições. cujo afastamento será determinado por atestado médico. como. baseada nessa nova orientação. no art.F/88 os artigos 376. considerando o preceito do artigo 5º. I. e prevê. mediante incentivos específicos.Direito do Trabalho Resumido .393. proíbe a diferença de salários. por exemplo. idade. não justificando. § 4°... que importem em restrições no emprego por motivo de casamento ou de gravidez. que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações.244/2001. a proteção do mercado de trabalho da mulher. art.Edson Braz da Silva Vol. A Constituição Federal de 1988.F. Vide Lei n 10. 6.421/15/04/2002 2 . de exercícios de funções e de critério de admissão por motivo de sexo. 6. nos seus termos. sem prejuízo do emprego e do salário integral (art. Salário A Constituição Federal. em hipótese alguma. qualquer diferenciação nas condições do trabalho feminino que não tenha por base a sua condição física distinta da masculina ou a proteção da maternidade será inconstitucional. 3 Ver Lei 10. a mulher tem direito à licença-maternidade de 120 dias. condições físicas e de maternidade. ficando proibido o trabalho da grávida no período de 4 semanas antes e 92 dias após o parto. conforme artigo 392 da CLT.1 – Licença-maternidade 3 Nos termos do artigo 7°. No caso de parto antecipado. Enquanto o artigo 377 da CLT diz que a adoção de medidas de proteção ao trabalho das mulheres é considerada de ordem pública. 7º. individual ou coletivo. Proteção da Maternidade O fato de a mulher contrair casamento ou de encontrar-se grávida não justifica a rescisão do seu contrato de emprego.F. Ver artigo 392. Formação do Contrato As condições para a formação do contrato de emprego da mulher são idênticas às previstas para a contratação do homem. Medicina e segurança Em razão da peculiar condição física da mulher e em proteção à maternidade. 5. Sendo nulas quaisquer cláusulas de regulamento de empresa ou de contratos de trabalho. e especialmente o ditame do 7°. da C. esses períodos de repouso poderão ser aumentados de mais 2 semanas cada um. a redução de salário. as normas de segurança e medicina do trabalho contêm algumas regras diferenciadas e especiais de proteção ao trabalho feminino. nos artigos 389 e 390 da CLT. I. revogado em 2001. Em casos excepcionais. 7º. Assim. preceitua no art. XX. XX. XXX. mandando proteger o mercado de trabalho da mulher. I c/c 393. mediante atestado médico. XVIII. e 386 da CLT.2 trabalho masculino são aplicáveis ao feminino. cor ou estado civil. ambos da CLT. razões pelas quais entendo não recepcionados pela C. nos termos da lei. 2. 4.

ficando-lhe assegurado o direito de retornar à função que ocupava antes de seu afastamento (art. mesmo que prematuro. de 26/11/99.dispensa do horário de trabalho pelo tempo necessário para a realização de. sendo-lhe facultada no retorno a reversão à função anteriormente ocupada. Considera-se abortamento para esse fim a expulsão prematura do útero do produto da concepção antes da 28ª semana de gravidez e. contados do dia do efetivo afastamento por motivo de parto (art. II . a partir daí. 5/8/2003.transferência de função.4. Atenção: Lei recente. mediante convênio com o INSS. nos termos do § 4° do artigo 392 da CLT: I . A empresa pode inclusive contratar trabalhador temporário para substituir a empregada em licença. ou seja. § 5º .3. do artigo 392 da CLT. pode a empresa efetuar o seu pagamento diretamente a empregada e deduzi-lo do recolhimento mensal das contribuições devidas ao órgão da previdência. No caso de empregada doméstica esse pagamento fica sempre a cargo do próprio INSS. do § 4°. e a licença é de 120 dias. 2) O benefício do salário maternidade dá-se em relação a cada emprego. Evidentemente que a situação drástica de resilição do contrato somente será permitida se inviável a transferência de função autorizada pelo inciso I. à mulher grávida é facultado romper o compromisso resultante de qualquer contrato de trabalho. § 3°). seis consultas médicas e demais exames complementares.00 Ver Lei 10710. o patrão antecipa o pagamento e depois vai se ressarcir com os pagamento devidos ao INSS. inciso III. 25. 395 da CLT). o art.213/91. 93. mesmo assim a mulher terá direito aos 120 dias de licença. Abortamento não criminoso Em caso de abortamento não criminoso.5. desde que o cumprimento de suas obrigações seja prejudicial à gestação.876. Nos termos do artigo 1° da Lei n° 9. sem prejuízo do salário e demais direitos.sem ônus para o patrão. de agosto de 2003. que deu nova redação ao artigo 71. Como se verifica.2 inviabilizando o afastamento antes do parto. considera-se parto. porém. Salário maternidade – Dec. comprovado por atestado médico oficial. A nova redação do art. Creche/berçário e intervalo para amamentação 3 . É garantido à empregada. durante a gravidez. não alterou a carência com relação à mulher com vínculo de emprego. 6. 392. quando as condições de saúde o exigirem. Rescisão do contrato Mediante atestado médico. 6. basta existir o vínculo de emprego na época própria da licença. no mínimo. logo após o retorno ao trabalho. fez retornar o pagamento do benefício sistema anterior. assegurada a retomada da função anteriormente exercida. 6. dada pela Lei n° 9. 6. Ver teto STF 12. o salário-maternidade é encargo do INSS.2 Salário-maternidade Durante a licença-maternidade a mulher recebe o salário integral e todos os direitos e as vantagens que tenha adquirido. da Lei n° 8. não se justifica a perseguição as gravidas.700.F.876. Portanto.Edson Braz da Silva Vol. a mulher terá um repouso remunerado de 2 semanas. Atenção: 1) Quem paga o salário-maternidade é o INSS e não o empregador comum ou doméstico.Direito do Trabalho Resumido . 3048/99 – art. 392 da CLT está parcialmente alterado pela C. 3) Não há carência.

com pena de detenção de 1 a 2 anos e multa. o representante legal do empregador. exame. onde seja permitido às empregadas guardar sob vigilância e assistência os seus filhos no período de amamentação. Para amamentar o próprio filho. salvo quando a natureza da atividade a ser exercida. Em 26/05/99. assim o exigir. submetidas às normas do Sistema Único de Saúde . Quando o rompimento da relação de trabalho dá-se por ato discriminatório. de órgãos públicos e entidades das administrações públicas. haverá um intervalo de 30 minutos. e acrescentando ao art. corrigida monetariamente e acrescida dos juros legais.a exigência de teste. pública e notoriamente. o dirigente. declaração ou qualquer outro procedimento relativo à esterilização ou a estado de gravidez. ou a percepção. II . Essa lei. São sujeitos ativos desses crimes: a pessoa física empregadora.799/99. ou mediante reembolso de despesas. da remuneração do período de afastamento. para efeitos admissionais ou de permanência da relação jurídica de trabalho. foi editada a Lei n° 9. com seis incisos e um parágrafo.296/86. de iniciativa do empregador. 7. do Distrito Federal e dos Municípios. assim não considerado o oferecimento de serviços e de aconselhamento ou planejamento familiar. II . com dois incisos. 390-B.2 Nos estabelecimentos com pelo menos 30 trabalhadoras com mais de 16 anos de idade. atestado. 4 .Edson Braz da Silva Vol. elevado em cinqüenta por cento em caso de reincidência. 390C. essas infrações são passíveis das seguintes cominações: I . em especial as relacionadas ao trabalho da mulher. § 2° e Portaria n° 3.DOU 17/04/1995. 390-E. realizados através de instituições públicas ou privadas.029. mediante pagamento das remunerações devidas. situação familiar ou estado de gravidez. ao empregado é facultado optar entre a readmissão (o termo correto seria reintegração) com ressarcimento integral de todo o período de afastamento. conforme 389. inserindo na CLT os artigos 373-A. nos moldes previstos na Lei n° 9. em dobro. dos Estados. veda: I . Se reduzida ou ampliada a jornada normal.029/95. b) promoção do controle de natalidade.SUS. direto ou por delegação.publicar ou fazer publicar anúncio de emprego no qual haja referência ao sexo. de 13/04/1995 . à cor ou situação familiar. como definido na legislação trabalhista. II . à idade. laudo.Direito do Trabalho Resumido . computados na jornada. prescrevendo como crime as práticas discriminatórias. para cada 4 hora de trabalho.a adoção de quaisquer medidas. ressalvando as disposições legais destinadas a corrigir as distorções que afetam o acesso da mulher ao mercado de trabalho e certas especificidades estabelecidas nos acordos trabalhistas. do Ministério do Trabalho. 392 o parágrafo 4°. indireta e fundacional de quaisquer dos Poderes da União. salvo quando a natureza da atividade seja notória e publicamente incompatível. é obrigatória a existência de local apropriado. com o mínimo exigido no artigo 400 da CLT. cor. as seguintes modalidades: I . a mulher tem direito a dois intervalos de 30 minutos cada um durante a jornada de trabalho normal máxima. idade. Sem prejuízo da sanção penal. acrescidas dos juros legais. Proteção contra práticas discriminatórias para efeitos de admissão ou permanência da mulher no emprego Em complementação às regras da CLT. direta. promoção ou motivar a dispensa do trabalho em razão de sexo. foi editada a Lei No 9. corrigidas monetariamente.recusar emprego.proibição de obter empréstimo ou financiamento junto a instituições financeiras oficiais. que configurem: a) indução ou instigamento à esterilização genética. e cuidando especificamente da proteção do trabalho da mulher contra ato discriminatório. até que ele complete 6 meses de idade ou por período superior a critério médico. podendo essa exigência ser suprida por meio de creches mantidas pela empresa ou com ela conveniadas.multa administrativa de dez vezes o valor do maior salário pago pelo empregador. perícia.

p. b. há de se entender que ele nasce. acontecer de a gestante. ratificada pelo nosso ordenamento jurídico em 18/06/65. b) Termo inicial e final O termo inicial da garantia constitucional foi fixado “desde a confirmação da gravidez” e estende-se até cinco meses após o parto. formação profissional e oportunidades de ascensão profissional. entretanto. VI . II. Se. Estabilidade Provisória no Emprego. III da presente convenção (licença de maternidade). I. a uma licença de maternidade.1. A esta conclusão se chega pelo método teleológico. 5 . reivindicar os créditos resultantes da estabilidade muitos meses depois da concepção. a idade.por exemplo. Tanto na doutrina como na jurisprudência.Quando uma mulher se ausentar de seu trabalho em virtude dos dispositivos do art. o artigo 10. cor. na admissão ou permanência no emprego. já que. a) Legislação aplicável * Convenção 103 da OIT (1952). 1995. situação familiar ou estado de gravidez. V . no momento da concepção.impedir o acesso ou adotar critérios subjetivos para deferimento de inscrição ou aprovação em concursos.Toda mulher a qual se aplica a presente convenção tem o direito.Art. de qualquer natureza. o professor Ney aduz “que a regra antes referida não é absoluta. idade. 7. para defesa da relação de emprego contra dispensas arbitrárias ou sem justa causa. como o direito objetiva proteger a maternidade. realmente. já que podem ocorrer situações que nos conduzam à deslocação do termo inicial da garantia para além do momento do início da gravidez. A confirmação é um ato formal a ser praticado. que seja esta a melhor interpretação. b. Constituição Federal . LTr Editora. 10. Não nos parece. O professor Nei Frederico Cano Martins argumenta que “ a interpretação gramatical da regra poderia levar à conclusão de que o direito nasceria sempre após a confirmação do evento.proceder o empregador ou preposto a revistas íntimas nas empregadas ou funcionárias. pelo Decreto de promulgação 58. III . da C. Caberá à interessada a demonstração da gravidez. veda a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante. mediante exibição de um atestado médico que indica a data provável de seu parto. sob pena de premiar-se que as verbas concernentes ao direito só são devidas a partir do momento em que o empregador teve ciência do ajuizamento da correspondente ação”. em empresas privadas. SP. VI .Direito do Trabalho Resumido . IV . que deve sobrepor-se à interpretação literal. foi muito discutida a necessidade ou não de a empregada comunicar o seu estado gravídico ao empregador. II. dos ADCT. dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias. desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. é ilegal para seu empregador despedi-la durante a referida ausência ou data tal que o prazo do aviso prévio termine enquanto durar a ausência acima mencionada. porém só depois que o fizer será protegida.820 de 14/06/66: Art.exigir atestado ou exame. O professor Amauri Mascaro Nascimento entende que “A Constituição dispõe que o início da estabilidade da Gestante ocorrerá com a confirmação da gravidez. ocultando seu estado gravídico ao empregador que a despedira.Edson Braz da Silva Vol. A Estabilidade Provisória da Gestante Enquanto não editada a lei complementar prevista no artigo 7°.84/85. em razão de sexo. não se poderá admitir que o direito retroaja àquele momento.2 III .” Mais à frente.F. a cor ou situação familiar como variável determinante para fins de remuneração.considerar o sexo. para comprovação de esterilidade ou gravidez. para que tenha a estabilidade provisória.

contudo. SP. Confirmação da gravidez e dispensa imotivada” (TRT-12ª Reg. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias não estabeleceu o requisito de ciência do empregador em relação ao evento.” Direito do Trabalho Constitucional de 1988. Ver OJ 88 SDI c) Garantia de emprego ou de salários? O efeito normal das estabilidades é o direito de permanecer no emprego ao longo do lapso de tempo coberto pelas garantias. vez que transferirá o ônus para a Previdência. 590. 507). 5140/91).5. Ac. RR 16. junho/93. o direito a estabilidade não pode depender de um laudo médico. Ac. 1ª T. p. dificultar um acordo. p. independe.Edson Braz da Silva Vol. pelo empregador. com respaldo na Súmula que não permite a reintegração. inciso II. 3ª T. letra “b”.” (TST.. 10. fica impossível a garantia de estabilidade provisória da gestante” (TST. Suponha-se que determinada empresa realmente não soubesse do estado de gestação de sua empregada. já que a empregada preferirá em muitos casos a indenização à volta ao emprego. pela sua finalidade social. “Com a falta de comprovação do estado gravídico. Conseqüência lógica seria o direito de a empregada despedida no curso do período da estabilidade ser reintegrada ao emprego. Editora Revistas dos Tribunais.972/92.A garantia de emprego à gestante não autoriza a reintegração. a tese objetiva que defende a desnecessidade da comunicação para a aquisição do direito. 975/92). essa circunstância para reivindicar os salários previstos no art. A garantia à empregada gestante consagrada no art. 6 . o direito individual da gestante. já que para tanto contribui mensalmente. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Relatora Juíza Lígia Maria G. 10. pois. o Enunciado poderá. não. inclusive. José Luiz Vasconcelos Ac.736/90. baseando-se na ponderação de que o instituto tem o fito de defender a maternidade em si e. Configura-se o suporte fático do direito com o implemento de duas condições. 2ª Edição. II. SP. sendo-lhe assegurados os salários relativos ao período de estabilidade provisória. Ac.Direito do Trabalho Resumido . servindo o atestado médico apenas para determinar o início da gestação e fixar o termo ad quem da estabilidade e seus efeitos jurídicos. “Empregada grávida que ignorava tal estado no momento da despedida não pode invocar posteriormente.8. in Trabalhista. do estado gravídico da empregada. não foi esse o entendimento adotado pelo TST. (Comentários aos Enunciados do TST. Francisco Antônio de Oliveira discordando desse posicionamento argumenta “ que a Súmula ora comentada não se afina com a realidade e constitui mesmo incentivo ao despedimento. quando da dispensa. 1993. assim o termo confirmação deve eqüivaler a concepção. Villar. para que ali permaneça até o termo final da garantia. assegura-lhe apenas o direito a salários e vantagens correspondentes ao período e seus reflexos. para que se efetive. Prevaleceu. É um direito seu.712/89. quando não permite a reintegração. 3ª T. Todavia. 1976/92. p. que a presente Súmula seja repensada.2 Diverge o critério agora adotado da concepção objetiva sufragada pelos Tribunais do Trabalho segundo a qual a garantia. Entretanto. 66. 459. 1989. “Exegese do art. n. “b”. da comunicação da gravidez. indo além mesmo da vontade das partes.743/91. 392 da CLT” (TST RR 6. a exceção de cometimento de falta grave. Editora Saraiva. 1ª T 4. “É irrelevante o conhecimento. Súmula 244. Urge. Mas ao tomar conhecimento coloca o emprego à disposição. Relator Ministro Afonso Celso) Sendo a gravidez um fato biológico. RR 33.

Relator Juiz Sebastião Machado Filho. a garantia passa a ser de salário. sem a participação. do artigo 7º. da empregadora. Em virtude disto. Ver OJ 116 c/c 106 SDI d) A estabilidade provisória e os contratos a Termo Nesses tipos de contratos. RR 12. O empregador só arcará com essa parcela se. expressamente. pelos próprios empregadores ou por qualquer órgão de ensino profissionalizante. II. inciso II. hoje essa tese está acatada na Lei n°. 712/91). contrato de experiência. alínea “b”.Edson Braz da Silva Vol. Curso de Previdência Social. RJ. Aliás. 2ª Edição. 9. 10.(Citando nossa tese. Logo. Entendemos existir compatibilidade relativa entre as estabilidades provisórias e os contratos a termo.Direito do Trabalho Resumido . A determinação do prazo é inconciliável com a idéia de estabilidade (TST. da CF/88 dos quais a doméstica foi excluída pela omissão do parágrafo único deste preceito constitucional. Ac. de 28/10/2003. 1993. tem-se entendido que fato superveniente . “Não se aplica à doméstica gestante a garantia da proibição da dispensa arbitrária ou sem justa causa prevista no art.213. mudou a redação do Enunciado 244 reconhecendo a estabilidade da gestante como garantia de emprego enquanto vigente o período de estabilidade e. p. 2ª T. in Revista LTr 55-04/480. 390-B. introduzido na CLT pela Lei n° 9. as partes já sabem o prazo de vigência do contrato quando o assinam. e) A empregada doméstica Russomano assinala “Há um ponto também relevante que precisa ser esclarecido: o mencionado parágrafo único.601/98 que regula o contrato de trabalho de fomento ao emprego. se vencido esse período.799/99. serão oferecidas aos empregados de ambos os sexos. letra “b”. A proteção prevista na C. ministrados por instituições governamentais. portanto. Fomento à Formação Profissional feminina O art.2 Atenção: A Resolução 121.o estado gravídico posterior à assinatura .3. como regulamentação provisória do inciso I.141/90. 1ª T. in casu. de alguma maneira. porque esse privilégio foi concedido pelo art. Por sua 7 . Editora Forense. Estabilidade Provisória à gestante. 10. TRT 10ª Reg. às empregadas domésticas inclui. e no Enunciado 142/TST não se aplica a empregada contratada por prazo determinado.F. 8. que. preceitua que as vagas dos cursos de formação de mão-de-obra. por via constitucional. parece-nos certo concluir que a gestante doméstica não tem direito à estabilidade provisória (da comprovação da gravidez até cinco meses após o parto). 410. ao enumerar os direitos concedidos.. por se referir este dispositivo exclusivamente aos empregados beneficiados por esse direito previsto no inciso I. o auxílio-maternidade (inciso XVIII).7º. entres eles. em seu artigo 73) disciplina que em relação à empregada doméstica o pagamento do benefício relativo ao período de 28 dias antes do parto e 92 dias posterior é pago diretamente pela Previdência Social. defendida na condição de Procurador do Trabalho oficiante nos autos) A Lei dos Benefícios da Previdência Social (Lei nº 8. Cnéa Moreira Ac. Mas não lhe deu as vantagens do inciso I (proteção à relação de emprego contra despedida arbitrária). do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. obstar que a empregada receba o benefício da Previdência Social. do art. não é aplicável aos domésticos”.não obsta a ruptura do contrato no seu termo final. como vimos. do ADCT. não podendo haver a resilição contratual enquanto viger o prazo estipulado pelas partes. de 24/07/91.

1. 14) EMENTA: Não se estende à mãe adotiva o direito à licença. Ac. Esses programas especiais de formação de mão-de-obra poderão. o art. mas tão-somente da verificação pelo empregador do implemento das condições aquisitivas do tempo intervalar: filho de até seis meses (parágrafo único. 10. 9. Estabilidade Provisória. RO 3712/99. Leis extravagantes .2 vez. independentemente de solicitação (art. 63-03/367) EMENTA: Gestante. Fenelon . Recurso a que se nega provimento. 9. Min.799/99 9.029/95 e Lei n° 9.0 – Ac. XX. não podendo as trabalhadoras dela disporem.RO n° 19143/98 Relª. a possibilidade de renúncia pela gestante da estabilidade provisória. ( TST – RR 246738/96. Rel. Rel. Inciso XVIII).807-RS – Rel. 9. Juiz Heiler Alves da Rocha. e art.artigos 372 a 401.07. não a contemplando com a pretendida estabilidade provisória prevista no art. (TRT 18ª Região. Octavio Galloti – DJU 18/8/2000 e Informativo STF n° 199) EMENTA: estabilidade provisória – gestante – empregada doméstica. A proteção à maternidade. Inviável. dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias. Legislação pertinente à proteção do trabalho da mulher 9. tivesse conhecimento do estado gravídico à epoca da despedida injusta. A responsabilidade do empregador face à estabilidade provisória da gestante é objetiva. (TRT .DJMG 16. 4ª T. pessoa jurídica. do ADCT. 7º. 390E.Constituição Federal .Edson Braz da Silva Vol.Lei n° 9.1ª Turma . também mencionado no art. 10. 392-A Jurisprudência EMENTA: Intervalo para amamentação.4. A confirmação dá conta que na data da emissão do aviso prévio. instituído em favor da empregada gestante pelo inciso XVIII do art. I. 7°. 7°.Convenção n° 3. trata da proteção à maternidade. 396). a 8 .Direito do Trabalho Resumido . Juíza Cristiana Maria V. sociedades civis. ficando sujeito ao legislador ordinário o tratamento da matéria. pouco importando que ele. retirou do âmbito do direito potestativo do empregador a possibilidade de dispensar imotivadamente a empregada. Data do julgamento 02/012/99) EMENTA: estabilidade provisória da gestante. ou no seu curso. consagrada nessa regra constitucional.pág. 7° limitou os direitos concedidos aos trabalhadores domésticos. desde a confirmação do estado gravídico até cinco meses após o parto. II ADCT. O direito ao intervalo para amamentação decorre de lei. não incluindo no rol a proteção contra a despedida arbitrária ou sem justa causa prevista no inciso I. órgãos e entidades públicas ou entidades sindicais. Confirmação da gravidez. 9. Ministro Leonaldo Silva.99 . XXVIII. n° 7810/99. inciso I. Conhecimento pelo Empregador.1ªT . 390-C obriga às empresas com mais de cem empregados. CLT .5 Licença Mãe Adotante Ver art. 10. também firmar convênios com estas entidades para o desenvolvimento de ações conjuntas. A Constituição Federal de 1988 somente concedeu à empregada doméstica a concessão da licença gestante ( art. portanto. Recurso a que se nega provimento. art.RE 197. 396 da CLT). ser ministrados pelo empregador associado a entidade de formação profissional.3ª R . XXX. OIT . (STF. Sendo permitido ao empregador. inciso II. DJU 16/12/98 – LTr. de ambos os sexos.art. A garantia de emprego à Gestante constitui direito constitucionalmente assegurado. nos termos do art. ou a própria empregada. da Constituição Federal. alínea “b”. a manterem programas especiais de incentivos e aperfeiçoamento profissional da mão-de-obra. 5º. sociedades cooperativas. É de salientarse que o parágrafo único do referido art.2.3. visando à execução de projetos relativos ao incentivo ao trabalho da mulher. por tratar-se de norma de ordem pública de caráter irrenunciável.

Rio de Janeiro : Edições Trabalhistas. Mozart Victor.1951 . Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. Data do julgamento 02/12/99) Referência Bibliográfica: 1. . 22ª edição. Rodrigues e MALTA. Editora Saraiva.Direito do trabalho . ALVES. 1990. e aum.e ampl. MARANHÃO. do ADCT. 11. Rio de Janeiro: Ed. Rel. Ivan D. p. Cristóvão Piragibe Tostes . .84/85.4ª ed. 7788/99. 1995. LTr Editora. 12. 1995.1997 ROCHA. Goiânia-1995. Amauri Mascaro. 10. Editora Saraiva. “b”. 9.Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho .Curso de Direito do Trabalho .3ª ed. Orlando e GOTTSCHALK. rev. rev.Edson Braz da Silva Vol. Ac. São Paulo. ed. 5. 8. Elson . CLT Saraiva 1997. 1932 .São Paulo : Saraiva. 13ª ed. 1996. 5. 1995. está amparada pela estabilidade provisória. Délio .Estabilidade Provisória no Emprego. Aldivino A da Silva. CARRION.Rio de Janeiro : Fundação Getúlio Vargas.SEBRAE/GO. Atualizada em 30/08/2003 9 . RUSSOMANO. e aum. Maria Nívea Taveira .atual. 6.Curso de direito do trabalho. 4.Direito do Trabalho Resumido . 2. ed.Teoria e prática do direito do trabalho. II. (TRT 18ª Região – RO 3520/99.São Paulo: Saraiva. Pedro Paulo Teixeira. 3. 10.20ª ed. NASCIMENTO.Rio de Janeiro: Forense. 1977. Constituição da República Federativa do Brasil. MARTINS. 16ª edição. GOMES. São Paulo : Atlas. 8ª ed.2 obreira já se encontrava grávida. MANUS.Direito do trabalho. rev. Nei Frederico Cano . 7. nos termos do disposto no art. Valentin . 1994. SP. . e atual. . Forense.Manual de direito do trabalho . 1988.

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