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A condição do negro está ligada ao racismo e à miséria [1]. A miséria causado pelo
racismo e pelas políticas de Estado pós-libertação dos escravos e a despreocupação das
autoridades geram um contingente de excluídos ou marginalizados, que são
reconhecidos pela mesma cor de pele, cabelo, lábios e cultura de raízes africanas - os
negros.
A falta do mínimo necessário para a vida gerou e fera duas orientações: a revolta e a
acomodação.
a) a revolta: pode ser política, isto é, negros e negras se encontram para discutir o que
lhes faz sofrer e cobrar das autoridades a igualdade;
b) a acomodação: pode ser entendida como uma alienação. Muitos negros e negras
simplesmente aceitam o papel que as elites lhes impuseram durante séculos - a de que
eram trabalhadores braçais em situação precária. Por outro lado, a alienação pode gerar
a vitimização: o indivíduo se vê sempre perseguido e incapaz de agir, o que resulta em
baixa auto-estima. Em consequência, os negros valorizam outras culturas, como a da
hegemonia branca europeia.
O negro precisa encontrar a sua 'negritude', que é a maneira dialéctica, ou a negação da
injustiça, causada pelo capitalismo. A condição negra de miséria, de humilhação e
exclusão social, foi gerada pelo capitalismo, em processos de escravização de um povo
sobre outro povo.
Do ponto de vista cultural, diferentemente do proletário europeu, formado pelas
fábricas, o negro tece um espaço para desenvolver sua cultura, que só podia ser uma
cultura de resistência. Cada vez que o negro coloca uma roupa que expressa sua
identidade, compõe uma música que fala de sua vida, não tenta moldar o seu corpo para
ser igual aos outros, ele produz a 'negritude', a resistência cultural dentro do capitalismo
racial e cristão. A negação do ato colonizador.
O capitalismo colocou o burguês e o trabalhador em oposição por meio de uma situação
de exploração. Mas o capitalismo também colocou o branco europeu em oposição ao
negro escravo e ao negro pós-libertação, o que também resultou em formas de
exploração. O capitalista oprime o trabalhador enquanto, em certa medida, o trabalhador
branco oprime o negro. Por isso, o negro deve assumir a consciência de que a sua raça é
explorada por uma questão social de dominação do homem branco e não por sua
natureza biológica.
Em Sartre, há uma diferença entre o trabalhador branco e o trabalhador negro, pois
apesar de ambos sofrerem a dificuldade da pobreza, o negro sofre como negro, isto é,
além da pobreza, ele encontra a discriminação junto àqueles que também são pobres e
oprimidos, e até os trabalhadores brancos discriminam o trabalhador negro.
É preciso que cada um tome consciência de sua condição; que o trabalhador tome
consciência de sua exploração e perceba que os problemas advêm de sua posição no
mundo capitalista; que o negro identifique sua condição de submetido pelo racismo. Sob
esta inspiração, pode-se pensar que a consciência de que é submetido ao racismo deve
favorecer o entendimento por parte dos negros de que é preciso assumir-se como negro,
sem negar origens africanas e história cultural, mas negando a condição de exclusão e
inferioridade de que foram vítimas. Assim, o negro deve orgulhar-se de sua negritude,
atribuindo significados positivos ao fato de ser negro.
Sartre inspira um pensamento de valorização do negro. Um olhar sobre o mundo. Uma
compreensão de que o negro não poder ser conjugado como o mal [2].
A ideia de negritude entendida como valorização do negro e crítica à visão negativa do
mesmo impõe outra opção à ordem da cultura excludente. Sendo chamados de negros
ou afrodescendentes, essas pessoas se encontraram pela negritude, que significa
valorização do negro, da história dos povos africanos, da cultura negra e de uma nova
visão sobre os negros, bem como sobre a impressão de superação da exclusão social a
que foram submetidos.
A negritude seria o desenvolvimento da cultura negra após a colonização. Nela, estaria
uma inversão em oposição ao sistema eurocêntrico capitalista e branco. A negritude
revela o racismo

  
Pan-africanismo é o nome dado a uma ideologia que acredita que a união dos povos de
todos os países do continente africano na luta contra o preconceito racial e os problemas
sociais é uma alternativa para tentar resolvê-los.

A partir dessa ideologia foi criada a Organização de Unidade Africana (1963), que tem
sido divulgada e apoiada, majoritariamente, por afro descendentes que vivem fora da
África.

Dentre as propostas da ideologia está a estruturação social do continente por meio de


um remanejamento étnico na África, unindo grupos separados e separando grupos
rivais, por exemplo, tendo em vista que isso aconteceu pela divisão continental imposta
pelos colonizadores europeus. Além do resgate de práticas religiosas, como culto aos
ancestrais e incentivo ao uso de línguas nativas, anteriormente proibidos pelos
colonizadores.

Na realidade, o pan-africanismo é um movimento de carácter social, filosófico e


político, que visa promover a defesa dos direitos do povo africano, constituindo um
único Estado soberano para africanos que vivem ou não na África.

Os principais idealizadores da teoria pan-africanista foram Edward Burghardt Du Bois e


Marcus Musiah Garvey.
No ano de 2002 instituiu-se de maneira oficial a União Africana em substituição à
Organização da Unidade Africana. No ano seguinte, a união tomou iniciativas
agressivas em relação a possíveis soluções para as crises da região, além de incentivar a
integração entre os países.

O objectivo da União Africana é implantar um continente livre para a circulação de


pessoas, um Parlamento continental, um tribunal pan-africano e um Banco Central, para
que no futuro possa circular uma moeda única, intenções pautadas nos moldes da União
Europeia.

O fortalecimento da África no século XXI requer um enorme esforço, tendo em vista


que o continente é assolado pela pobreza, miséria, guerras, doenças, corrupção.
Portanto, erguer esse continente é um grande desafio e por isso o agrupamento dos
países pode trazer resultados positivos.

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Assumindo o risco de incorrer em superficialidade, Renascimento Africano tem a
mesma natureza que desenvolvimento africano, embora Renascimento guarde aspectos
culturais, históricos e políticos singulares que não serão objetos desse texto. Para evitar
dúvidas que surgem em explicações de conceitos políticos e salvaguardar a essência do
termo, é perfeitamente possível afirmar que o substrato do Renascimento Africano é a
conquista de melhor qualidade de vida aos africanos, a partir de projetos e
planejamentos próprios, sem tutela. Uma Nova África está em pauta, no Continente e
entre os movimentos sociais negros em toda diáspora (países que receberam africanos
através do tráfico transatlântico e forte imigração em razão dos conflitos armados e da
fome). Há convicção das forças internas conseqüentes e uma crescente solidariedade
internacional,
1. Vertiginosa explosão demográfica. A África atingiu a cifra de um bilhão de
habitantes, segundo relatório de Population Reference Bureau (organismo dos EUA)
calcula-se que em 2050 o Continente Africano atingirá a cifra e 349 milhões de jovens,
equivalente a 29% do total mundial.
2. Avanço da democracia. Está em curso um processo de alternância de poder com
ascensão de forças democráticas, em razão do envelhecimento dos governantes
golpistas, arbitrários e com interesses ligados aos impérios. Depuseram violentamente
governos revolucionários que ascenderam ao poder com apoio popular, são co-
responsáveis pela maioria dos conflitos que assolaram a África nos últimos trinta anos.
Novos tempos e novos ares se avizinham na vida política africana.
3. Instituição da União Africana (UA) com a tarefa de constituir os Estados Unidos da
África, de modo que o projeto preconiza que os cinqüenta países diluirão em apenas um,
uma nação forte. Esse processo está em estágio crescente de amadurecimento. Os
africanos darão passos decisivos em 2010 na direção desse desafio. Formalizarão
inicialmente entre os países subsaarianos, a chamada África Negra, visto que o
enraizamento da cultura e interesses árabes no norte impede imediata unificação.
4. Presença de líderes africanos comprometidos com o Renascimento Africano na
direção de todas as instituições multilaterais (ONU, UNESCO, UNICEF, OMC), de
modo que o fortalecimento do multilateralismo joga água no moinho do Renascimento
Africano, pois nesses espaços as lideranças buscam influenciar todas as resoluções
importantes para as nações, exigem critérios justos na resolução de choques de
interesses e trabalham para resgatar as dívidas que os impérios têm com o continente.
5. Fim dos conflitos e busca de resolução africana. A África tem se estabilizado, o continente
outrora conflagrado, hoje está desafiado a encontrar resolução a cinco focos de conflitos, sendo
o Sudão (concentrado em Darfur) o que mais preocupa, pois os outros (Somália, Uganda, Chade
e o enclave angolano de Cabinda) estão em estágio avançado de resolução.
6. Forte presença do Estado no planejamento, fomento e execução do desenvolvimento. Trata-se
de uma medida para blindar o acúmulo de experiências liberalizantes protagonizadas por
interesses estrangeiros, além de não ceder o destino africano a exploração colonial imposta pelas
transnacionais.
7. Formação de um corpo técnico qualificado. Em quinze anos se formará aproximadamente
trinta milhões de africanos espalhados nas melhores universidades do planeta, concentrados
majoritariamente em cursos tecnológicos. Há estimativa de um mínimo de 80% de repatriação.
Essa experiência corresponde a uma necessidade orgânica da África e foi inspirada nas
experiências chinesa e indiana na formação de seus quadros.
8. Exploração dos recursos naturais e agregação de valores para comercializar. É sabido que dos
quarenta e oito minerais considerados estratégicos para o mundo industrializado, trinta e oito
estão concentrado na África (petróleo, diamante, urânio, cobre, cobalto, etc.). Os africanos estão
dispostos a aplicar todo conhecimento que acessarem para transformar sua riqueza em melhores
condições de vida para população, por isso é possível que questões que assegura exclusividade
de uso e comercio de conhecimento seja relativizada por eles.

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Para o efetivo Renascimento Africano urge recuperar o patrimônio intelectual africano deixado
e sua contribuição no desenvolvimento da história e da economia do mundo. Um povo não se
desenvolve quando sua auto-estima está comprometida, por isso é importante enfrentar o
desafio de superar o modo de pensar dominante, ou seja, descolonizar o pensamento dos povos
dominados, relativizar ou romper com o eurocentrismo e valorizar as construções genuinamente
africanas. Na hipoteca de solidariedade devemos considerar que, além dos elementos objetivos
que sustentarão o Renascimento Africano, há outros níveis de necessidades que exigirão
solidariedade e cooperação das nações e povos:
1. A África será próspera e livre se a sociedade civil se fortalecer, criar mecanismos e
instituições que promovam a participação popular nos rumos dos países, abolirem
definitivamente ± por meios próprios - o uso da força para resolução de contradições.
2. Considerar que as classes dominantes invariavelmente viram a costa ao seu povo. Na África
não é diferente. Há uma classe dominante nefasta, oportunista e corrupta, signatária dos
desmandos provocados pelos interesses da burguesia internacional. Essa parcela da elite deve
ser derrotada pelo bem do povo. Não advogo o fim das elites africanas, mas não podemos fazer
vistas grossas aos que não desejam o fim das mazelas africanas porque enriquece com elas.
3. Não reconhecimento das dívidas externas contraídas com as potências mundiais. Na verdade
as potências mundiais têm um grande passivo com a África, por isso considero a dívida externa
africana imoral, ilegítima e ilegal. É um acinte, deve ser repudiada toda pressão do Banco
Mundial ou do FMI para resgatá-las.
4. Intensificar a cooperação com investimento externo a fundo perdido em infra-estruturas,
promover transferência de técnicas e advogar pelo fim do protecionismo agrícola dos europeus.
Devemos nos associar ao Renascimento Africano, somos beneficiários do bem mais precioso
subtraído das terras africanas: gente. Temos identidade comum e o tema se constitui em uma
causa antiimperialista. A África livre, próspera e altiva contradiz profundamente os interesses
imperialistas.

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