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As “Pré-Psicoses”

Pré-Psicose, Organização Border-Line ou Estado Limite


Estrutura psicopatológica concreta diferente da estrutura psicótica e
neurótica; muito embora mais próxima da psicose.

A distinção entre pré-psicose e neurose é relativamente fácil:


expressionismo da sintomatologia, narrabilidade e bigamia do
comportamento, e sobretudo, relativa ineficácia económica dos
mecanismos neuróticos de defesa utilizados, e ainda o uso frequente
de processos defensivos psicóticos, principalmente a clivagem e a
identificação projectiva.

Já a distinção entre pré-psicose (casos-limite, quadros clínicos


marginais à psicose, psicoses menos graves) e psicose é mais dificil.

Escala de Gravidade dos Processos Patológicos

Psicose – partes (boas ou más) do objecto. Objecto parcial e clivado.

Pré-Psicose – objecto completo (bom ou mau). Objecto total mas


clivado.

Neurose – objecto bom e mau. Objecto ambivalente (total e não


clivado).

A relação pós-ambivalente define a normalidade ou saúde mental – em


que há um predomínio franco da realção positiva, amorosa com o
objecto eleito.

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A intensidade da angústia perante a ameaça do mau objecto, é o
desencadeante da clivagem activa que se verifica nas pré-psicoses. O
Eu esgota-se numa luta permanente para a preservação do bom self e
conservação da boa imagem objectal – mantendo mentalmente
afastados o mau self e o mau objecto. Nesta luta pode recorrer a
processos defensivos complementares: idealização primitiva,
desvalorização, identificação projectiva, denegação e omnipotência.

Todas estas defesas, incluindo a clivagem, participam na luta contra a


emergência de uma ambivalência intolerável, na luta contra o
reconhecimento da carga negativa do objecto e pela expulsão da
agressividade própria. O que perturba o sujeito é o objecto ser sentido
como predominantemente mau (pela frustração que provoca e pela
agressão com que é investido).

Pela clivagem activa e defensiva – que se deve distinguir da normal


separação dos atributos bons e maus do self e do objecto – o muito
mau é posto à distancia; pela denegação é apagado; pela identificação
projectiva, colocado for a da relação privilegiada (num outro objecto).

A idealização objectal auxilia a denegação da realidade má e a


desvalorização esbate o seu impacto; a omnipotência reforça o poder
do self.

Se a angústia é ainda maior, dá-se a fragmentação do objecto e do self


(por clivagem múltipla e passiva ou desmantelamento, ou por
estilhaçamento violento) e o colapso da prova da realidade. É a
psicose que surge.