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Manuel Costa-Técnicas de Transição nos filmes

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Universidade do Minho Instituto de Ciências Sociais Mestrado em Ciências da Comunicação – Audiovisual e Multimédia

Laboratório de Audiovisual e Multimédia Manuel Domingos Veloso Pereira da Costa

Técnicas de Transição nos filmes

Maio de 2009

Índice

Introdução .................................................................................................................... 3
Contextualização ............................................................................................................................ 3 Montagem e Edição........................................................................................................................ 4

Efeitos de transição de planos e cenas ....................................................................... 4
Cut ................................................................................................................................................... 4 Fade ................................................................................................................................................. 6 Dissolve............................................................................................................................................ 8 Wipe................................................................................................................................................. 9

Considerações Finais ................................................................................................. 10 Bibliografia ................................................................................................................. 11

Introdução
As técnicas associadas há linguagem fílmica são bastante vastas, algumas das quais provieram de outras áreas como a fotografia ou a literatura, abordam um sem número de diferentes aspectos como o caso do som, cor, iluminação, composição, transição entre planos, etc., inseridos nas áreas relacionadas com a criação de um filme que vai desde o esboçar da primeira ideia, passando pela filmagem dos planos, terminando no DVD que vemos sentados confortavelmente num sofá.

Contextualização As imagens em movimento nasceram pelas mãos de Thomas Edison, quando este inventou de entre tantas invenções, o Cinetógrafo, em 1891 juntamente com a película em celulóide e partindo desta invenção Léon Bouly cria o cinematógrafo que os irmãos Lumiére desenvolveram. Mas não foi nessa altura que nasceu a edição/montagem até 1900 os filmes eram pequenas sequências de imagens inferiores a 1 minuto como o caso do famoso La sortie des usines Lumière (1895), foram eles em 1989 começaram a experimentar a utilização de montagens rudimentares que não eram mais do que a ligação sequencial de filmes que não possuíam qualquer montagem dentro deles, o corte começa por volta da mesma altura a ser utilizado por Mélies no filme A Gata borralheira e por Williamson, foi a partir daqui que se começou a compreender que se poderiam criar historias ficcionais em filme, mas foi em 1900 que pelas mãos de Smith se fez a primeira montagem quando este na mesma cena alternou entre planos gerais e grande planos (Almeida, 1990). Incrivelmente apenas a partir dos anos 20 do século XX é que na Rússia se compreendeu o poder real que existia ao fazer-me a montagem de um filme, Lev Kuleshov demonstrou isso numa serie de experiências que consistiam na passagem de um excerto de três imagens de um filme com o actor Moszhukin (famoso na época) que a certa altura no meio dele apareceriam três imagem uma menina, uma mulher num caixão e um prato de sopa de forma a parecer que o actor estaria a olhar para elas. Pudovkin aluno de Kuleshov e futuro realizador, escreveu que a audiência tinha ficado fascinada com o desempenho do actor e da forma como ele conseguia expressar os sentimentos de amor pela rapariga, tristeza pela mulher e fome pela comida no prato, quando este em todas as imagens apresentava-se sem qualquer expressão, passou-se a chamar a isto o efeito de Kuleshov Pudovkin compreendeu que imagens separadamente funcionavam como as letras e palavras que elas ganhavam significado quando conjugadas e que o significado das imagens ia mudando consoante as imagens que lhe estavam adjacentes e que desta forma aumentavam ainda mais as
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capacidades para contar uma historia do que ate então era possível pois é na sequência de imagens que a audiência encontra o significado, emoção e credibilidade ao que esta a ver é aqui que nasce realmente a montagem e foi com a conjugação de imagens em movimento e da montagem que surgiu o cinema, tal como conhecemos (Orlebar, 2000). Foi a partir dos anos 20 que se compreendeu a importância da edição na arte de contar uma história no cinema, ao longo dos anos foram surgindo diversas técnicas de transição, mas os princípios básicos mantém-se ate aos nossos dias. Neste trabalho é dá da especial atenção aos efeitos de transição utilizados no processo de edição/montagem de um filme seja na divisão/junção entre imagens (shots) planos e de cenas.

Montagem e Edição A montagem é realizada depois de termos realizado as filmagem para um vídeo, é nesta fase que é seleccionado o material filmado que nos interessa, é na montagem que se junta as várias sequências filmadas de maneira a se obter o vídeo final, é também nesta fase que se sincroniza o som e a imagem, que se dá fluidez, é aqui que se delineia o tamanho das cenas, as sequências, as mudanças de plano, o ritmo entre diversos outros factores, tudo isto de forma a se contar uma historia. (Ablam, 2002) Como foi dito anteriormente existem diversos tipos de montagem, bem como regras a ter em conta quando se esta a fazer a montagem de um filme no caso deste trabalho, dá-se especial atenção aos efeitos de transição, pois estes são fundamentais para se fazer qualquer tipo de montagem.

Efeitos de transição de planos e cenas
Nos dias de hoje existem diversos tipos de efeitos de transição que são utilizados em filmes, no entanto neste caso são destacados apenas as quatro formas básicas de transição entre planos/cenas que por sinal com a conjugação de entre elas e com factores como tempo (tempo de entrada e saída, duração), cor, luminosidade, formas, etc., deram origem a todos esses efeitos que são utilizados hoje em dia, essas formas de transição são: cut, fade, dissolve e wipe.

Cut O Cut (corte) é a técnica de transição mais comum e mais simples, serve para mudar tanto de planos quando a acção é continua no tempo como entre cenas, utilizada em filme, tecnicamente é
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uma simples troca de imagens que ocorre de uma forma sincronizada e instantânea com o resto dos elementos do filme, (Brice, 2002) de forma a ligar planos/cenas dando um sentido à sequência de planos/cenas do filme e dando ritmo ao mesmo. Entre sequências o cut marca a forma de transição mais rápida de tempo e lugar. Existem diferentes tipos de cut podendo estes ser soft (figura 1) e hard ou straight (figura 2) a diferença entre ambos é a fluidez e leveza do sof que funciona quase como um rápido mix entre as duas imagens como se pode constatar na figura 2.

Figura 1 Hard Cut

Figura 2 Soft Cut

O cut serve para mostrar grandes similaridades ou diferenças do conteúdo dos dois planos/cena: por exemplo, “No clássico filme germânico de M (1931), Fritz Lang escolhe usar um straight cut entre os personagens do submundo e os da polícia, planos/cenas tem uma composição similar e desta forma quem esta a visualizar associa de forma identica os personagens do submundo com os da policia mesmo que estes encontrem-se em lados opostos da lei.” (Tillman,

1993:563).
Sandra Hayward (2006) classificou as diferentes formas de utilização de cortes da seguinte forma: Jump cuts – São cortes que se fazem entre imagens que não tem correspondência que desta forma do um efeito de má edição do vídeo, provava desorientação em quem esta a ver o filme tanto a nível espacial como temporal. Continuity cuts – A partir do próprio nome quer dizer um corte que permite ligar diferentes planos ou cenas de uma forma sequencial lógica dando continuidade a narrativa do filme de uma forma fluida. Match cuts – São cortes que seguem determinada acção realizada por um sujeito (tipo
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acção-consequência) neste tipo de cortes procura-se enquadrar de forma espacial e temporal das imagens/planos de uma cena dando sentido (lógica) ao que se esta a visualizar no fundo tem uma função oposta aos jump cuts. Cross-cuts – São utilizados para alternar entre diferentes acções que estão a decorrer ao mesmo tempo mas em espaços diferentes, servem para acelerar o ritmo na narrativa do filme um excelente exemplo pode ser encontrado em toda a serie televisiva do 24 onde por vezes estão a decorrer em simultâneo mais de 4acções em diferentes espaços que desta forma ao entrarem estes cortes provocam um forte suspense sobre o espectador. Montage cuts – Normalmente são utilizados para provocar nos espectadores algum sentimento, sensação, como enjoou, angustia, horror, através de cuts sucessivos, que interligam imagens diferentes; assenta de forma directa no efeito de Kuleshov, pois, até foram os cineastas da escola soviética os primeiros a utilizarem este tipo de cuts. Compilation shots – São uma compilação de diferentes imagens (shots) cortadas que ao fazer-se a montagem vem enquadrar, explicar, impressionar o espectador, sobre algo como, um acontecimento, lugar, como exemplo um incêndio mostra os carros de bombeiros com as sirenes depois os paramédicos a chegar, a multidão na rua e por fim termina no prédio em chamas Cutaways - São bastante utilizados como forma de transição entre cenas, normalmente servem para dar avançar temporalmente na narrativa mas de uma forma como se o espectador podese contar o tempo que decorre entre cenas, é bastante usado nas sitcoms americanas do género uma cena é passada numa casa ocorre um cutway para o exterior da casa mostra exteriormente essa casa de dia de uma forma rápida passa a ser noite no exterior da casa, volta a ficar dia um cut para o

interior da casa transmite ao espectador que passou um dia entre as duas cenas dentro da casa, ou seja como que transporta momentaneamente o espectador para fora da acção principal da sitcom.

Fade O fade é uma transição mais acentuado que o corte, utilizado desde os primórdios do mundo do cinema utilizado em grande abundância ate aos anos 40 reveste-se de grande importância pois os primeiros cineastas aperceberam-se que com a utilização deste efeito poderem compor filmes com varias acções, para alem de que é uma forma de transição surgiu posteriormente. (Hayward, 2006). O fade consiste em fade-in e fade-out que podem ser usados em conjunto ou separadamente. O efeito de fade-out (figura 3) consiste num incremento de uma cor sobre uma cena ate ficar completamente preenchido por essa cor, normalmente são utilizadas as cores brancas (fade to white) e pretas (fade to black) mas não é obrigatório que assim seja um exemplo disso é a utilização da cor
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vermelha (fade to red) no filme Cries and Wispers (1972) de Ingmar Bergman, o fade-in (figura 4) é exactamente o oposto ou seja a partir de uma cor vai aparecendo de uma forma gradual uma imagem do filme. (Kawin, 1987).

Figura 4 Fade-out

Figura 3 Fade-in

Normalmente o efeito fade-out e fade-in são utilizados em conjunto para fazer entre a transição de cenas, fade-out (termino de uma cena) – fade-in (início da cena), isto não quer dizer que o fade ligue duas sequências o fade serve simplesmente para dividir de uma forma clara as diferentes cenas de um filme. A utilização de fades de uma forma efectiva sugerem a quem visualiza o filme um salto no tempo e espaço (Hayweard, 2006), mexe com a percepção que temos em relação ao que estamos a visualizar (Tillman, 1993). Por exemplo num excerto de um filme em que uma cena é na estrada onde um individuo sofre um acidente e outra no hospital para onde é levado, utilizar para mudança de cena um fade-out to black para dar a sensação que o individuo perdeu os sentidos pois aparece na tela apenas escuridão que transmite a sensação do vazio, ausência de movimento e depois ocorre um fade-in a imagem surge da escuridão da tela dando a sensação de ganho de consciência e acordar no hospital. Os fades não são só utilizados em mudanças de cenas podem também ser utilizados para mudanças de planos ou mesmo para enfatizar certas situação pegando no exemplo anterior do acidente se em vez de fazermos apenas um fade-out e um fade-in entre a cena do acidente e a do acordar no hospital pode-se fazer um jogo com vários fade-out/in dentro das cenas, dessa forma transmite a sensação que o individuo esta progressivamente a perder a consciência (na cena do acidente na estrada) e progressivamente a ganha-la (na cena do hospital).
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Dissolve Dissolve (conhecido também por mix ou lap-dissolve ou mesmo por lap) é tal como fade uma forma de transição entre cenas, como o próprio nome sugere é quando uma imagem/cena dissolve gradualmente na seguinte, esta forma de transição é também conhecida como uma transição suave em oposição ao corte, normalmente sugere uma longa mudança temporal e é utilizada com regularidade para assinalar a entrada de um flashback/forward (Haywerd, 2006). Mas no fundo um dissolve não é mais que um fade-out e um fade-in sobrepostos ou seja duas cenas são sobrepostas uma em fade-out e outra em fade-in que a meio da dissolução pode-se visualizar ambas as imagens, permitindo influenciar a percepção de quem esta a ver a primeira imagem em relação à segunda que esta a surgir (Tillman, 1993) como mostra a figura 5.

Figura 5 Dissolve

O dissolve tal como o fade permite diferenciar bem acções planos e cenas que estão afastadas no tempo e em espaço, no entanto em contraste com o fade que permite distinguir bem duas cenas no caso do dissolve ao fazer uma imagem dissolver-se sobre outra permite que o espectador associe ambas como se fossem uma só, esta técnica é muito utilizada em alturas em que se querem associar duas cenas que à primeira vista parecia não existir associação entre ambas (Tillman, 1993). Bons exemplos de dissolves acontecem no filme Citizen Kane (1941), destaco um momento em que quando numa cena numa sala onde tem o retrato do protagonista decorre uma conversa entre Mr. Bernstein e Mr. Thompson que falam sobre Jedediah Leland depois ocorre um dissolve cena que mostra um edifício e uma ponte e outro dissolve cena no asilo/hospital onde Mr.

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Thompson fala com Jedediah Leland novo dissolve cena flashback mostrando uma mudança gradual dos cenários e também da mudança do tempo da acção para o futuro e posteriormente existe um dissolve em que ocorre um flashback para o passado do protagonista.

Wipe O wipe é um efeito de transição que envolve tal como no dissolve da substituição gradual de um plano/cena por outro, de uma forma quase instantânea como um corte, no entanto não existe a mistura das imagens como no dissolve o que acontece é que uma imagem começa a entrar na tela e a que la estava começa a sair, (Brice, 2002) como mostra a figura 6.

Figura 6 Wipe

No caso da figura 6 o wipe é horizontal mas existem diversos tipos de wipe como na vertical, diagonal, com formas como em estrela, fechadura, em espiral entre muitos outros é quase infinito o número de wipes que se podem criar a partir de qualquer ponto da tela e em qual quer forma imaginada na direcção que se quiser impor, podem ainda ser classificados como hard ou soft se se notar uma linha como no exemplo da figura entre ambas as imagens é hard se essa linha não for perceptível pode-se considerar como soft. O período ate hoje onde se utilizaram wipes mais extravagantes e estranhos foram entre a década de 30 e 40 (Kawin, 1987). Os wipes são de todas as formar de transição aquelas mais notadas por quem esta a visualizar o filme devido ao facto de serem a forma de transição mais mecanizada. As outras formas de transição possuem uma correspondência a nível emocional e visual do ser humano para quem esta a visualizar o filme, não existindo essa correspondência para os wipes, passando a exemplificar o corte pode corresponder a um piscar de olhos, o dissolve e mesmo o fade podem corresponder a
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uma memoria, a um sonho, o fade pode ainda corresponder à perda ou ganho de consciência (Tillman, 1993). Normalmente quem produz tem atenção quando faz um wipe em utiliza-lo de uma forma coordenada consoante a acção, cor, e conteúdo, ritmo do som de cada plano/cena. Um realizador que recorreu por diversas vezes a esta técnica de transição foi Akira Kurosawa em filmes como: Ikiru (1952), Rashômon (1950) ou Seven Samurai (1954).

Considerações Finais
Estas efeitos básicos de transição continuam a ser hoje em dia utilizados uns com mais frequência do que outros, variando de filme para filme consoante inúmeros factores como por exemplo quanto ao género, o script, o gosto de quem edita e mesmo as tendências que no momento existem. Ao estudarmos os efeitos de transição que percebemos a importância que eles transportam e o porque de eles serem utilizados na criação de um filme, eles permitem juntar, separar, clarificar o conteúdo de um filme, através da sua utilização que damos sentido ao filme, é com a combinação deles e das sequências ligadas por eles que se produz ritmo num filme, a sua narratividade, que se consegue provocar as mais variadas sensações e sentimentos nos espectadores, eles ajudam a que o espectador se oriente ou desoriente em relação à acção do filme, é ao percebermos mais sobre eles que compreendemos as escolhas de quem editou um filme, é depois de aplicar estes efeitos que temos realmente a historia pronta a ser contada ao espectador. Eles são fundamentais para se criar algo com consistência, sem eles não seria possível fazerse a montagem de sequências de imagens e dar o final cut, sem eles o cinema teria perecido nos princípios do século XX.

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Bibliografia
Ablam, D. (2002) Digital cinematography and directing. Indianapolis:New Riders Press. Almeida, M. (1990) Cinema e Televisão - Princípios básicos. Lisboa: TV Guia eds. Brice, R. (2002) Newnes guide to digital TV. 2ª ed, Oxford: Newnes. Hayward, S. (2006) Cinema Studies – The Key Concepts. 3 ªed, London: Routledge. Kawin, B. (1992) How movies work. Berkley: University of California Press. Orlebar, J. (2000) Digital Television Production: A Handbook. UK: Hodder Arnold.

Tillman, Michael (1993) 'Understand Film Language: An Introduction for Technical
Communicators' STC Proceedings, Fairfax, pp. 561-564.

Figura 1 - Hard Cut - http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/30/Hard_cut.jpg Figura 2 - Soft Cut - http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/70/Soft_cut_trick.jpg Figura 3- Fade-out - http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b2/Fade_out.jpg Figura 4 - Fade-in - http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/81/Fade_in.jpg Figura 5 - Dissolve - http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bd/Dissolve.jpg Figura 6 - Wipe - http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/01/Wipe.jpg

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