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FELGAR

Partindo da Vila de Torre de Moncorvo, tomando a estrada nacional 220 em


direcção às terras de Miranda, percorridos cerca de 8 Km entramos no termo da
freguesia de Felgar, deparando com a anexa de Carvalhal, neófita e pujante
localidade, filha da industrialização da actividade mineira que, nos anos cinquenta,
aí ocorreu, no monte da Carvalhosa e no cabeço da Mua e que se prolongou por
mais três décadas.
Finda a exploração mineira soube esta localidade adaptar-se, continuar a crescer e
ser hoje uma localidade com uma boa qualidade de vida.
Tem uma população jovem e dinâmica e é servida por um conjunto de infra-
estruturas e equipamentos onde podemos destacar a recém construída Igreja, as
escolas, o parque desportivo.

Aí, rumando a norte e tomando a estrada municipal 613, percorridos que sejam 4
Km chegamos à aldeia de Felgar, sede de freguesia. Já referenciada nos inícios do
século XIII, passou airosamente pelo correr do tempo, sempre boa anfitriã e
hospitaleira a quem a honra com a sua visita.
O viajante, qual romeiro à procura do seu oásis, encontra, desde logo, o primeiro e
o mais importante elemento da civilização: a água, cuja abundância é a marca
intemporal desta terra.
Jorra das fontes, fresca e abundante, mata a sede e durante os meses de verão
percorre, em regos centenários, a malha urbana regando as cerca de 300 hortas
que rodeiam a aldeia, denotando uma beleza de um quadro sócio-etnográfico único
na região.

Já dessedentado, resta ao visitante reconfortar o estômago e descansar o corpo. A


Casa da Santa Cruz – Turismo de Habitação de Espaço Rural – instalada num solar
do século XVII, recentemente recuperado de forma exemplar, oferece todas as
comodidades ao mais exigente dos hóspedes. Esta unidade hoteleira proporciona
uma rica gastronomia regional e todo um conjunto diversificado de actividades de
lazer e lúdicas que, certamente tornarão inesquecível a estadia, visto que se
privilegia o contacto com a natureza.
Reconfortado o corpo, alimente-se o espírito. A esta luz, o primeiro passo é em
direcção à vetusta igreja matriz que tem por orago o arcanjo S. Miguel. Edifício
antigo, foi profundamente restaurado em 1681 conforme inscrição granítica com o
informe “valia o pan 600”. Ampla igreja de duas naves, tem o coro sustentado por
duas colunas com quatro pias em cada base. Nesta panorâmica entrará nos olhos
do visitante o magnífico altar mor e o altar das almas. A talha dourada resplandece.
Os motivos religiosos aí representados estarrecem a alma. A arte escorre a jorros e
o espírito do mortal reconhece o simbolismo aí representado.
A jornada prosseguirá com a visita ao demais património religioso. É o momento de
rumar às capelas. Comece-se pela capela de N.ª S.ª da Conceição (séc. XVII)
sita junto ao cemitério público edificado em 1835, precisamente antes da revolta da
Maria da Fonte. Facto curioso e singular.
Logo de seguida encontramos a capela de Santa Cruz, edifício do século XVI, mas
que já sofreu profundas alterações. De enorme interesse para um qualquer
interessado pela arqueologia será a ara funerária, do século III da nossa era, que
se encontra no seu interior e que testemunha a presença romana por estas
paragens.
Por sua vez a capela de Santa Bárbara, edificada no século XVIII sobre um
morro de escórias, relembra-nos a actividade mineira desenvolvida desde tempos
imemoriais sendo aquela mártir a padroeira dos ferreiros e mineiros. Nesta
pequena capela de arte barroca deparamos no seu interior com o pavimento a
granito, com cobertura em abóbada formando doze caixotões pintados com
passagens da vida da Santa Bárbara.
Já fora do aro da aldeia está a capela do Espírito Santo, edifício do século XVIII à
qual se faziam grandes romarias conforme atestam as memórias paroquiais de
1758.
Mais abaixo, na margem direita do rio Sabor, deparamos com o povoado
antiquíssimo de Silhades, berço da freguesia, com cerca de duas dezenas de
casas em xisto, edificadas em redor da capela de S. Lourenço. Aí é o local de
veraneio por excelência da freguesia: boas praias fluviais, excelente água, locais
aprazíveis para usufruir de sombras refrescantes e paisagens bucólicas. Já no
inverno o rio Sabor toma fôlego e permite a prática de desportos mais radicais
como o rafting e outros.
Regressando à aldeia, não podemos deixar de visitar o Santuário de N.ª S.ª do
Amparo local onde, no penúltimo domingo do mês de Agosto, se realiza a
tradicional romaria e festa. Aí acorrem centenas de romeiros numa manifestação de
fé e devoção. De facto, este Santuário situa-se num local cativante atenta a beleza
das capelas, do espaço envolvente e de duas fontes que conferem ao local uma
frescura ímpar.
Senhor viajante fica o convite feito. Venha visitar-nos e descobrir os encantos de
uma aldeia transmontana que respeita o passado, está atenta ao presente e com os
olhos postos nas gerações vindouras.

In: http://www.patrimonio-turismo.com/juntas/zoom.php?identifx=1405

CS e AMT