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Cecília Coimbra - Guardiães da Ordem - Uma viagem pelas práticas psi no Brasil do milagre

Cecília Coimbra - Guardiães da Ordem - Uma viagem pelas práticas psi no Brasil do milagre

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Não é à toa que este livro foi dedicado~'a todos aqueles que ousaram sonhar, ousaram lutar, ousaram correr riscos, ousaram dizer não". Sua autora, Cecilia Coimbra, era uma jovem professora de
II istória que estudava

Psicologia quando, em agosto de 1970, no período mais duro
(I()

GUARDIÃES DA ORDEM

regime militar foi presa de História e

pdo DOI-CODI!Rj. Sólidos conhecimentos dl' Psicologia - em que mais \:mll', depois de libertada, Cecilia se graduou - são uma 111<1 deste livro. Mas ele é, n:a 1;llllb('I11,muito fortemente 1ll:lrcado pela vivência pessoal e pda personalidade forte e cor;ljosa de sua autora. Cecilia é, antes de mais 11:lda,LIma cidadã sintonizada ('0111 seu tempo - no que ele o lelll de Illais rico e generoso. :llgu{'1ll com uma qualidade que distingue os melhores seres hUlllanos: sabe se indign:lr diante das injustiças, llleslllo q Ul' hoje esteja na
:1 111od:1 conversa fiada de que

É

l'l:ls

S;tO

UIll pre\'o inevitável a pvla "modernidade".

M' p;lg:11'

Cecilia Maria Bouças Coimbra

CONSELHO DIRETOR

GUARDIÃES DA ORDEM
uma viagem pelas práticas psi no Brasil do "Milagre"

Túlio Vagner dos Santos Vicente Ronaldo Fonseca Paes de Lima Luiz Ricardo Leitão Jane Lucas Assunção

AsSESSORIA JURíDICA

Lia de Oliveira

CONSELHO EDITORIAL

Carlos Eduardo Falcão Uchôa João Ramos Filho José Novaes Manoel de Carvalho Almeida Manoel Ricardo Simões Tamara Egler

Oficina do Autor
Rio de Janeiro - 1995

1

@

1995 - Cecilia Maria Bouças Coim bra

SÉRIE CENA ABERTA
volume 2

SUPERVISAO EDITORIAL

Luiz Ricardo Leitâo
PROJETO GRÁFICO

& EDITORAÇAo leme Lucc~,Assunçâo
DE TEXTO

ELETRÔNICA

PREPARAÇAo

E REVISAo

loâo Ramos Filbo Manoel de Camalho Almeida Ronaldo Fonseca Paes de Lima
CAPA

Lui, Hem'ique Nascimellto
FOTOS

AgPttcialB Ct~,tódio Coimbm
[MPRESsAo E ENCADERNAÇAo

A todos aqueles que ousaram sonhar, ousaram lutar, ousaram correr riscos, ousaram dizer nào. Àqueles que sonharam novos encontros, novos agenciamentos, novas formas de lJÍlJer neste mundo e que, por estes sonhos e lutas, como a pesteforam marcados, mas,sacrados, extenninados. A todos que, nos anos 60 e 70, apaixonadamente, tentaram - e ainda hoje tentam - marcar suas uida..<; nào pela "mesmice", pelo instituído, pela naturalizaçào, ao contrário, pela denúncia, criaçào de novos espaços. pela desmitificaçào, mas, pela

Marques-,<'ctraiuaGráficos e Editol'es

A todos os que sohrelJÍveram a esta luta, a este masReservados os dil'eÍtos de publicaçâo desta ediçâo pela

sacre. emhora com projlmdas marcas e, em especial, aos que nào mais estâo entre nós - aos Mortos e Desaparecidos Políticos e a seus }ámiliares, em particular guerreiro Joào Luiz de Moraes - dedico este Trabalho. ao

OFICINA DO AlffOR
Editam e DistrilJuidom de PulJlicaçàes Cultumis L!da. Caixa Postal 25004 - GEP 20552-970 Te! (()21) 331-5001 - Rl C017t?io Elefl'Ónico ARFMOBY@EMBRATEL.NETBR

Impresso no Brasil - Printed in Brazi/ Novembro cle 199')

As minhas saudades. a minha indignaçâo, a minha força para continuar lutarldo, de outra..<; foroTas ejeitos, em busca de norJ(lSalianças, enco11tros e caminhos.

possibilitou que eu trilhasse muitos outros caminhos até escrever este livro. Suzana K. Aos meus ftlhos José Ricardo e Sérgio Ricardo Novaes pela paciência e cumplicidade. Após isto foi preso e expulso do Exército. estiveram comigo nesta travessia. Esther Arantes. Em 1º de abril de 1964. Ao João Ramos. ao Norberto de Abreu Silva Neto. Ana Paula Jesus de Melo. Lisboa e Mirtha Ramirez. efetivamente. e ao Eduardo Lociser. Em especial ao José Novaes. A Ivan Cavalcante Proença que. .Conde Rodrigues. Angela da Silva Rodrigues.AGRADECIMENTOS A todos às que foram por mim entrevistados e que. Ao Grupo Tortura Nunca Mais/RJ. Dora Cristina Rodrigues Coimbra. por sua generosidade e coragem. Emidio Tadeu B. Lilia Ferreira Lobo. Ivan. quando o CACO foi cercado por grupos paramilitares. em especial a Cléa Lopes de Moraes. direta ou indiretamente. Ana Maria Mota Ribeiro. A você. Fernanda Coelho. os agradecimentos de todos nós que sobrevivemos. o tenente Ivan salvou a minha vida e a de cerca de 200 outros companheiros universitários. Coimbra. contribuíram para que esses fragmentos de histórias pudessem ser costurados e contados. A todos os amigos e companheiros que. Maria Elisa Rodrigues Coimbra. Heliana de B.

O () () I analisador analisador analisador analisador Décio Soares de Souza Regina Chnaiderman Helena Besserman Vianna Amilcar Lobo &í 89 94 99 I07 IV . 70 e 80 no Brasil I .-) O () ::.Os Anos Instituintes 1 De 60 a 64: o engajamento populista 2 De 64 a 69: o engajamento consentido e seu rompimento 11 . da diferença O Instituto de Medicina Psicológica 107 .2 As associações de moradores no Rio de Janeiro ').-) -1 ') O terrorismo de estado E como nós.1 Alguns movimentos sociais na grande São Paulo ').A procura. classe média.O 11 As práticas psicanalíticas nos anos 70 no Brasil I .n Kemper ~ . reagimos a isso O familiarismo como controle social A psicologização e os especialistas "pSi" A produção subterrânea de algumas práticas instituintes 'i.A instituição fonuação analítica ou a pedagogia da submissão m .lNDICE APRESENTAÇÃO INTRODUÇÃO I -A Questão da Militância CAPÍTULo I Alguns processos de subjetivação nos anos 60.) O "Novo Sindicalismo" e seus efeitos 19 22 )0 ')4 38 4') 48 ')3 CAPÍTIJI.A "venladcira" psicanálise 60 6) ou o Santuário de Vesta n .Algumas situaçõcs analisadoras das práticas psicanalíticas I 2 69 79 80 84- O analisador Werner Kemper () analisador Anna Katri.Os Anos da Institucionalização i li :\il' 1 2 2 7 17 I 2 .

4 O Núcleo de Estudos de Psicologia e Psiquiatria 2.O Movimento do Potencial Humano 247 247 259 259 262 262 264 267 269 272 275 279 280 282 284 288 289 291 295 301 n-As práticas de "aconselhamento rogerianas" 1 Na Paulicéia 1.2 O lacanismo em solo paulista As "crises" nas sociedades oficiais (Quebra-se o monopólio da IPA?) 5.3 O Instituto Sedes Sapientiae 2.1 Instituto de Orientação Psicológica 3.2 Rádice e os simpósios altemativos 2.O analisador poder médico 2 .2 Outros estabelecimentos: Ágora e IPE 1.1 No Sedes Sapientiae 1.O analisador psicodrama pedagógico IV -Alguns efeitos das práticas psicodramáticas CAPÍIlJLo IV Algumas práticas ligadas ao Movimento do Potencial Humano I .1 O Grupo de Estudos de Psicologia Social Aplicada 2.1 A Brasileira de São Paulo : 5.1 O Núcleo de Estudos de Formação Freudiana 3. no Rio de Janeiro 3.3 A somaterapia 2 E.2 O Instituto de Estudos e Orientação da Família 2. 216 2. IOOR e outros Movimento do Potencial Humano 5 vn -Um adendo 2 às práticas psicanalíticas: a fumília e a Subversão 1 A pesquisa sobre O perfil psicológico do "terrorista" brasileiro Outras participações "psi" : CAPÍIlJLom As práticas psicodramáticas 1.As Práticas "Neo-Reichianas" 1 Em São Paulo: as duas gerações de "corporalistas" 1.1 Alguns "cotporalistas" 2.3 A Psicanalítica do Rio de Janeiro 108 112 115 115 118 124 125 127 129 137 144 145 152 152 153 154 160 161 163 163 164 169 170 171 171 178 184 184 186 188 194 197 204 2 3 4 O grande happeninge a cisão do movimento psicodramático paulista .2 O Instituto Brasileiro de Psicanálise.3 Alguns estabelecimentos: CIO. em solo carioca 2.2 O Círcub Psicanalítico do Rio de Janeiro 3 A Clínica Social de Psicanálise V . a sociedade moreniana e o CPRJ m.4 O "modismo" grupal entre os "psi" cariocas: a SPAG VI .O movimento dos psicólogos e o patemaHsmo dos psicanalistas 1 A psicologia: seu boom e as faculdades particulares 2 Os psicólogos paulistas e a SBPSP 3 O movimento dos psicólogos cariocas 3.Algumas situações analisadoras das práticas psicodramáticas 1 . Dinâmica de Grupo e Psicodrama 2 O psicodrama moreniano: a SOPERJ.5 A Casa e o CEPAI 3 Enquanto isso.1 As duas sociedades de psicodrama: ABPS e a SOPSP 221 Dalrniro Bustos e uma outra vertente do psicodrama argentino no Brasil 222 A normatização das práticas psicodramáticas: a FEBRAP 224 228 230 231 234 235 239 243 n .1 O lacanismo em solo carioca 4.1 O Grupo de Abordagem Centrada na Pessoa 1.3 A Sociedade de Estudos Psicanalíticos Latino-Americanos 3.3 Os psicólogos cariocas e a tutela dos psicanalistas 3.4 A Clínica Terra O movimento lacaniano 4.2 O Sedes Sapientiae 2 E no Rio de Janeiro: o Centro de Psicologia da Pessoa 4 m -As práticas da Gestalt-Terapia 1 Na Paulicéia: o Sedes Sapientiae 2 No Rio de Janeiro IV .2 A Brasileira do Rio de Janeiro 5.Algwnas situações analisadoras das práticas ligadas ao .O Psicodramano Rio deJaneiro 1 O psicodrama triádico e a Sociedade Brasileira de Psicoterapia. Grupos e Instituições 3..2 As comunidades terapêuticas e os "psi" cariocas 3.A Ruptura com as sociedades ligadas à IPA 1 A segunda geração dos argentinos 2 Sampa e o movimento "psi" na segunda metade dos Anos 70 2.Sampa e o Psicodrama 1 O GEPSP e o "sucesso" do psicodrama 207 211 211 V .

dos m . patologizando-as em nome da ordem e do progresso. prospectos. não só porque as modas terapêuticas em vigor no país naquela época eram muitas. boletins. o confinamento. jornais. chegaram também métodos de intervenção que. à procura de convergências entre as modalidades psicoterapêuticas então em vigor e os desígnios da ditadura militar.O Movimento 2 33'. etc m .O Movimento Institucionalio. A tarefa é gigantesca e complexa.• 301 APRESENTAÇÃO 2 O analisador "a mágica ela salvação" 30Ce VI .Psicanalistas entrevisL1.'1 329 332 Os Anos 80 e a Análise Institucional no Brasil I . que arredonda as arestas de respostas de resistência justas e saudáveis. etc IV . foram introduzidas também propostas de intervenção atentas à dominação e à exploração inerentes às sociedades capitalistas e que propunham a desmontagem de práticas autoritárias nas instituições e nas relações sociais. embora em essência conservadqres. Estavam presentes mistificações fáceis de criticar. pois que não iam além do nível raso do mais absoluto senso comum.dos li . período escuro da vida brasileira. via de regra. continham momentos de lucidez que é importante sublinhar.ta Francês 1 2 3 1 () período da psicossociologia institucionaL O período das intervenções socioanalíticas A análise institucional se institucionaliza Institucionalio. uma prática que quer ajustar os desviantes.Algumas Considerações CAPÍTUlO VI Algumas conclusões' Ê necessário' BmIJOGRAFIA I . Formados sobretudo como técnicos.2 363 367 : -)68 369 I . o preconceito.Livros e artigos II . suas concepções quase sempre omitem as questões da ideologia e das relações de poder e explicam comportamentos reduzindo-os a uma dimensão psicológica reificada.Outros profissionais e ex-presos políticos entreviSL1. Cecília adverte para o perigo da transformação de 3'.Documentos.Alguns processos de suhjetivação na segunda metade dos anos 80 no Brasil 11 . mas também porque eram diversas as suas extrações teóricas. a exclusão. Discurso lacunar. Em relação a essas últimas.Anais de congressos DISCOGRAFIA ANEXOS 347 É sempre animador encontrar psicólogos atentos à ciência que praticam. Cecília Coimbra faz uma incursão pelo universo dos psicólogos nos anos 70.perito . Qual a natureza da atuação política que se esconde sob as chamadas "práticas psi"? Via de regra.ta no eixo Rio-São Paulo No Rio de Janeiro Na Paulicéia m .Profissionais entrevistados ligados ao movimento do potencial humano -)70 371 371 371 .1 O analisador especialista .Revistas. uma prática que justifica a desigualdade social.Psicodramatistas entrevistados IV .Algumas considerações CAPÍ11JLOV :no 316 317 323 32. esses profissionais geralmente não dispõem de instrumentos teóricos que lhes permitam perceber que suas práticas não são politicamente neutras. 338 341 343 IV .

o nos afastemos muito. Nem serei raptado por serafins. Opresente é tão grande. de uma história. considero a enorme realidade. A paisagem vista da janela. fechada em si mesma. Ponto de partida imprescindível. Este livro é mais uma prova de que a militância por um mundo mais humano está no coração de sua vida de guerreira. não nos afastemos. O tempo presente. as idéias que querem denunciar a injustiça e a iniqüidade. de Andrade) A vida presente!" (Mãos Dadas -CarlosDmmmond ií iií . Os Guardiães da Ordem é um mural. "Não serei o poeta de um mundo caduco Também não cantarei o mundo futuro . Cecília Maria Bouças Coimbra é uma mulher corajosa e lúcida quando se trata de enfrentar trabalhos hercúleos.. diz Heller em O Cotidiano e a História. feito de largas pinceladas. a análise que ele contém certamente é um convite a outras análises mais profundas. O principal está feito. mas nutrem grandes esperanças. Os Maria Helena Souza Patto São Paulo. "são passivas e por isso historicamente ineficazes. para cumprir o mandato divino de ser produtiva". "as idéias tolerantes". das práticas psicológicas no Brasil do milagre. Não serei o cantor de uma mulher. Entre eles. Deve ser enérgica. vamos de mãos dadas.originalmente críticas em automatismos que se conjugam com a ordem que interessa aos poderosos. O tempo é a minha matéria. alertar os psicólogos para a dimensão histórica e social de idéias e técnicas que aparecem como isentas. Não direi os suspiros ao anoitecer. Estou preso à vida e olho meus companheiros: Estão taciturnos. segundo Agnes Heller. Uma idéia não pode se permitir ser liberal. O texto de Cecília é indignado e radical. como devem ser. outubro de 1995. homens presentes. Não fugirei para as ilhas. Nã. tenaz.

IN1RODuçÃO ". e quais foram algumas de suas gêneses históricas. "psi".todos aqueles. As forças sociais que administram o capitalismo hoje entendem que a produção de subjetividades talvez seja mais importante que qualquer outro tipo de produção. (>p. "Encruzilhada" em que estão também todos aqueles que ensinam e que. 40. ~. cuja profissão consiste em se interessar pelo discurso do outro. e Rolnik. Vozes. enfim.. Micropolitica: Cartografias do Desejo.. e Rolnik. ao contrário. Nele pretendo também pensar a "encruzilhada" em que todos nós. em que momentos conseguimos forjar processos de singulaGuattari. p. minha proposta é caminhar por alguns processos de slIbjctivação nos anos 60.. Ou vão fazer o jogo dessa reprodução de modelos que não nos permitem criar saídas para os processos de singularização. nos encontramos. 29. Guattari mostra que ". mais essencial até que o petróleo e as energias. s. são responsávei. 70 e 80: como são produzidos hegemonical11ente2. 1988. visto produzirem esquemas dominantes de percepção do mundo"..a produção de subjetividade constitui matéria-prima de toda e qualquer produção. devemos interpelar todos aqueles que ocupam uma posição de ensino nas ciências sociais epsicológicas. In: Guattari. No conceito de subjetividade dominante ou hegemônica. ou no campo do trabalho social. ou. vão estar trabalhando para o funcionamento desses processos na medida de suas possibilidades e dos agenciamentos que consigam pôr para funcionar Isso quer dizer que não há objetividade científica alguma nesse campo. Por isso. F. 2 v . p. F. S. como qualquer outro dispositivo social.> pela produção de 111 liitas subjetividades. cit. nem uma suposta neutralidade na relação ".. Félix Guattarl1 Este trabalho pretende ser um levantamento do que foram algumas práticas "psi" na década de 70 no Brasil e um repensar sobre elas: a que demandas atenderam e ao mesmo tempo produziram. Eles se encontram numa encruzilhada política e micropolítica fundamental.

lIIuitas vezes. Portanto.. Guattari . 71. vêm flXat-Sesobre o corpo social. de relações de produção codificadas e institucionalizadas ( . Terrltorios Y Equipamentos Coletivos. que funciona? Meu interesse está no caráter desnaturalizador de muitas dessas produções e pretendo lançar mão de todas essas lcrramentas. o equipamento coletivo é o território não familiar onde se exerce diretamente a soberania do Estado". A utilização que faço desses enfoques lembra em muito uma caixa de ferramentas.principalmente no que se refere às produções de subjetividades . mas como instrumentos de luta. F. Estes caminhos correspondem à minha própria trajetória de vida. por que lutou. A análise aqui empreendida toma de empréstimo algumas categorias do Marxismo. Barcelona. dentre outros. Viagem que me produziu muitos encontros.que se origina do conceito de contratransferência. de limitação e de exclusão da energia social livre ( . outras sensibilidades. Graal. Nesta viagem pelos últimos 30 anos. p. onde funcionam e funcionarão corno sistemas rígidos e fechados de relações de força. e esses referenciais funcionaram.. Durante esta viagem. cir. Pierre Evrard. A noção de implicação em análise institucional. através da afirmação de outras maneiras de ser. Caminhada que é uma viagem retrospectiva de uma geração . as práticas "psi": criando e fortalecendo territórios singulares e reproduzindo/produzindo modelos. por que morreu. aos encontros. onde diferentes fluxos podem e devem se misturar. outra percepção. René Laurau.e de Michel Foucault . no decorrer de todo este trabalho. e Rolnik. como também no estudo da divisão social do trabalho através da abordagem feita por A. muitos mergulhos aconteceram. os instrumentos de codificação. Paisagens nas quais. também são utilizadas categorias pertinentes aos pensamentos de F. L. M.sade. Espaços onde se luta cotidianamente no sentido de se afmnarem caminhos diferentes dos modelados pela "mídia" e demais equipamentos coletivoss. tal conceito leva a uma análise do lugar que se ocupa nas relações sociais em geral e não apenas no âmbito da intervenção que se está realizando. Imagem utilizada por Gilles Deleuze em "Os intelectuais e o Poder. Por último.). Portanto. () percurso que tenho realizado até aqui: de lugares muito bem marcados. psicodrama e terapias ligadas ao Movimento do Potencial Humano). nada tipo terra firme. muitos embarcadouros foram visitados e encontros aconteceram. pA5. outros modos de ser e de estar no mundo? . que percorre os três grandes grupos de práticas aqui presentes (psicanálise. alguns agenciamentos e uma infindável vontade de entender melhor o que esta geração viveu. 70. de criativo? Afirmar outras percepções. aquilo que lIIe serve. Sendo produzidas por tais modelos e. principalmente. quando se faz necessária uma abordagem da 3 Processo de singularização é utilizado por Guattari para designar os processos disruptores no =po da produção do desejo. portanto. trata-se de movimentos de protesto do inconsciente contra a subjetividade capitalística. definido como aquele que analisa as implicações de suas pertenças e referências institucionais. da qual éJegitirnador. Equipamentos coletivos seriam" .). abertos aos fluxos. Dentre elas há uma. 1978. Da mesma forma. Microfisica do Poder. mas apoios e por vez. S.vai nos falar do intelectual implicado. ~ensibilidades. com os profissionais "psi" e ex-presos políticos do eixo Rio-São Paulo.. de fechamento.nas questões relativas à genealogia das práticas "psi" e aos efeito~ de sua difusão. ao mesmo tempo. RealiAlgumas das principais figuras desse movimento são Georges Lapas. Gustavo Gelli.. R]. vi 4 5 formação social capitalistica. de incrustação. para espaços não tão delimitados. nJmo marxista e maoísta. criações e paixões. estavam presentes sentimentos os mais diversos. mais abertos. nada muito seguro e estável. como pontes. etc. 73 e 88. F. vão sendo apresentadas ao leitor. vii (J . beneficio-me do referencial Institucionalista de origem francesa6 através de uma série de ferramentas que. 1988. pp. Rémi lless.. Equipamentos dei Poder: Ciudades. enftm. como pequenas construções que me auxiliaram na travessia. Patrice Ville. In: Guattari. Espaços. não de forma dogmática. fortalecendo essas subjetividades dominantes. de onde retiro o que me é útil em determinados momentos. In: Fourquet. por que se exilou e por que voltou e continuou pretendendo produzir espaços mais flexíveis.." In: FoucauIt. Op. e Murard. a de analisador. Estas questões e muitas outras aparecem nesta caminhada que me propus fazer. analisando também o lugar que ocupa na divisão social do trabalbo. as práticas "psi" têm também produzido outros espaços que não os hegemônicos? Em que momentos encontramos rupturas que nos permitam afirmar algo de novo. opondo-se à posição neutro-positivista ..a minha geração . Isto porque a crítica aos "especialismos" é um dos fios condutores deste trabalho.com todas as implicações4 daí decorrentes. fluidas e leves. tomo se tem dado essa luta ao longo de três décadas e como se encontram. Antoine Savoy. além de pontes e barcaças. Nada de ferro ou de concreto. Gorz.rizaçã03. É o processo material e social através do qual as forças materiais do inconsciente. no miolo dissà tudo. onde se façam presentes novas alianças.es pequenas barcaças que me ajudaram a percorrer e entender melhor as paisagens que ia vislumbrando.

naturais e não produzidos historicamente. H. representa a clareza que se tem dos entrecruzamentos. onde. Boyesen e de muitos outros brasileiros foram consultadas. Lowen. das lutas. Os materiais consultados . Um trabalho de Heliana Conde Rodrigues1o inspirou-me a ir procurarem um texto de F. o distanciamento se fazia presente. F.foram muitos deles gentilmente cedidos pelos entrevistados. W. Guattari e muito utilizado em análise institucional. utopias. o lado obscuro da vida. onde nossos prazeres e desprazeres ficam de lado. Assim. desventuras. onde se tornam hegemônicos os conceitos de neutralidade. foram encontros de grande intensidade. difere do de otganização ou estabelecimento. foram também consultados muitos artigos e teses versando sobre a história do movimento psicanalítico no eixo Rio-São Paulo.Jmapresença que não pode ser pensada como neutralidade. vol. isto não aconteceu com os estabe8 O conceito de transversalidade. G. Michel Foucault: Por uma História das Práticas.B. Nessa travessia vivi tudo isso. gestaltistas. predominava a morte. 1974. objetividade. Traballio apresentado no Curso de Mestrado . das pertenças e referências de todos os tipos (político. Bermudez. Reich. em nossa formação. mimeogr. hoje".foram colocados em Anexo . ao compartilharmos histórias. como. correspondências. . Enftm. R]. emoções e marcas se uniram. artigos publicados. para o primeiro plano do palco. D. libidinal. requer l. A. em geral. Em muitos desses encontros. comuns ou diferentes. cultural. agenciamentos se efetuaram. de tudo que pode transformar o mundo e a nós mesmos. traz certas características modelares instituídas e tão bem marcadas. pretendo historicizar e mostrar a produção de algumas práticas psicoterapêuticas nos anos 70 no Brasil. se esta facilidade ocorreu com os que entrevistei. Essa viagem me mostrou isso. sexual. p. em geral. nos diferentes discursos e práticas. para a análise institucional. 4 11 Châtelet. ideológico. dores de cabeça e enjôos dominavam. assim como alguns dos referenciais teóricos dos movimentos psicodramáticos e do Potencial Humano. sonhos. Neste sentido. íx o conceito viii .UER]. Châteletll o significado de "ser um historiador. dispositivos. doutrinas. apesar de não serem utilizados neste trabalho.regimentos. foram importantes para que eu pudesse compreender muitos dos conceitos citados pelos entrevistados. fazendo uma análise institucional das instituições9: psicanálise. apontando o que elas têm instrumentalizado. para se conseguir os estatutos e regimentos. Foi realizada também pesquisa em jornais da grande imprensa sobre os anos 70 e 80 no Brasil e em alguns jornais e revistas "psi" da época. D. o homem e a sociedade são apresentados como "coisas em si". O contrato feito com todos os entrevistados foi de que seus nomes seriam citados somente ao final de cada Capítulo . inconscientes. terapeutas corporais e ex-presos políticos que me falaram de suas trajetórias e. Todos esses materiais encontramse citados nas notas e na Bibliografia. abstratos. nA História". das afirmações. massacres. onde nossas transversalidades8 não se atualizam. cumplicidades.). a vida. dos anos 70 no Brasil: de suas experiências.e suas opiniões não seriam expostas. conivências e alianças. setembro/1989. modelos e subjetividades têm sido por elas fortalecidos e produzidos. pois é este um dos caminhos que 9 de instituição. Bustos. Falar da vida. busco mostrar como a formação "psi". Moreno. As relações transversais são. da historicidade do historiador. As identificações somente ocorreram quando os assuntos apontados já se haviam tomado públicos através de notícias na grande imprensa. fraquezas. onde a coleta "objetiva" de informações é o mais importante.. L.C. criado por F. este estudo não é uma pesquisa "neutra". amargura. algumas obras de J. Com esse instrumental. lecimentos "oficiais" de psicanálise: muitas exigências burocráticas foram feitas. mas que traziam a paixão. aventuras. R. psicodrama e terapias corporais. ternura. etc. por exemplo. De qualquer modo. etc. vividos com emoção.) que atravessam nossas vidas. C. onde a paixão não está presente. (Org. Instituição é o espaço onde as relações de produção estão instituídas de maneira aparentemente natural e eterna e não onde o jurídico se manifesta. Entretanto. A FDosofta das Ciências Sociais. Além de todos esses materiais. social. ódio e mesmo desprezo. Zahar. e que outras instituições. Rogers. A leitura de todas as entrevistas e materiais fornecidos é responsabilidade minha. 10 Rodrigues.ln: Châtelet. F. predomina o viés positivista. a luta. econômico. Estes. especialmente. 7. como.zei ao todo 173 entrevistas com psicanalistas. cientificidade e tecnicismo. psicodramatistas. não sabidas e desconhecidas. Coleção História da FilosofIa: idéias. apesar de terem sido fundamentais como matéria-prima para o que exponho aqui. Em outros encontros. estatutos. regulamentos. omissões. uma forte sensibilidade pairava no ar. Boadella.

14 Segundo Châtelet. a causalidade dos sentimentos e . Econotnia. para as diferentes práticas.. como comem (. Analisa o autor três principais linhas na historiografia atual: a da Filosofia da História. Na História Positivista predominam fatos. profundidade econômica da última instância" 16. Op. F. ". Doravante. um jornalismo retrospectivo que tenta reencontrar. em suma. 17 Châtelet. xi x . mas como ruptura. sem refer€ndas a essas prdticas determinantes "15 (grifas meus). por L. pode cair na armadilha de . como vivem realmente.o historiógrafo... Quanto a este sentido de "acontecimento". Châtelet mostra a importância do Materialismo Histórico. a da História Positivista e a da Nova História. daquele que os etiqueta. como produtora. F. Op.e já ouvi isto muito. dentre outros. não são neutros e estão produzindo .de alguns colegas psicanalistas ..J que só servem para o prazer (.apesar de dar ênfase às rupturas históricas . p. p. etc.de tecer alguns comentários e. Na Filosofia da História estariam os marxistas contemporâneos. como produto que remete a outras redes de acontecimentos. como eles habi-tam. implicado com as lutas que se travam. intelectual. não passar de instrumentos sem poder (. 15 Châtelet. não para se fazer uma Filosofia da História. esforçam-se -para esclarecer o presente . datações..há o risco de este trabalho ter os rótulo de "relativismo sociológico". gostaria . São. Esta Nova História.. "12 (grifas do autor). Os atos do poder (dosdiversospoderes). é saber o lugar que se ocupa na própria divisão social do trabalho. como andam.por restaurar a opaci-dade das práticas passadas. a não ser no ponto em que esta última privilegia. forças sociais. Op. "00.. dos acontecimentos materiais. p. cit. nomes e cronologias encadeados. construir imagens confortadoras e bem ligadas"13.. Esses historiadores ". em outros campos". representada. segundo o próprio Châtelet..B. Esses trabalhos perigam em ". é conhecido como a História do Instituído.o estudante . Sociedade. tanto a crônica quanto a sociologia".no dizer de Guattari . até porque . Sobre o assunto. especialista. A Nova História. têm peso. equipe reunida em tomo dos "Anais. dentro de uma perspectiva totalizante. 12 Châtelet. 218.Fevre e M.. como navegam. Seria o que. p. Ser historiador. mas para se ter claro que. "relativismo histórico" . A própria noção de acontecimento aqui é vista de outra forma: não como um fato compreensível. a história vista como um desenrolar contínuo de forma linear ou dialética..... hoje. 213. em sua diversidade.percorro em relação às praticas psicoterapêuticas.. Blochl4. dentro de uma perspectiva institucionalista. cit. os conhecimentos elaborados pelo historiador. em que a inscrição histórica se toma fundamental. a abordagem da Nova História não difere em essência da marxista. ". importa determinar longamente em que horizonte real e imaginário os diversos agentes e pacientes históricos intervêm..não se implicar politicamente com as lutas presentes. recusa tanto o acontecimento como a lei.o historiador -. em suma. A tentativa de se caminhar por esta abordagem é um desafio. pormais atuantes que sejam.. onde a origem e a finalidade são aspectos fundamentais. o desenrolar dos fatos. abandonando as grandes datas. 08.e daquele que os descreve . (ou qualquer outro nome que se queira dar aos peritos no mundo capitalístico) estão presentes no mundo. é principalmente estar articulado. da qual se é um dos legitimadores. 13 Idem.subjetividades hegemônicas e processos de singularização. 211. p. fundada pelos autores citados. 211. cit. Civilização". cit.C. H..00) daquele que os produz . Nesse ponto. os grandes nomes e sínteses. impõe-se outra concepção das seqüências acontecimentais como inStrumento de inteligibilidade.caso não aceitem estar em situação ideológica'17 (grifas meus). voltada para o presente. no combate político/ideológico do cotidiano. nova16 Rodrigues... a ". principalmente . quer se queira ou não. indicam que estão fora da triste problemática do acontecimento ou do doloroso referencial cronológico.). F. uma espécie de 'jornalismo superior". no outrora e no antigamente. em suas conseqüências. nilo poderão ser compreendidos. Antes de tudo. Op. onde a preocupação está em "00.

seformará um rosto vagamente semelhante ao precedente. um rosto histórico singular que acreditamos reconhecer ou que chamamos. do resto da história. sobre tal ponto material. até então. todas as astúcias. inversamente... 1977. será um rosto parlicular muito diferente que se formará no mesmo ponto e.. em outras épocas. Não quero relativizar nada. daí não existirem "loucura através dos tempos". Trechos contidos em um artigo de Foucault. religião .. de onde vem? Mas. pp. serão ventilados em práticas muito diferentes e objetivados por elas sob fisionomia muito lliferente"19 (grifos meus). Umfalso objeto natural. Entretanto. a saber. a história das práticas de Foucault e o "historiador hoje" de Châtelet trazem para o palco uma h.. diferentes "rostos".. quero sim desnaturalizar! Isso porque não entendo os objetos como tendo existência em si. "Mas cada prática. das mil transformações da realidade histórica. evolução ou 18 Veyne. Microfisica do Poder. 172. "Foucault Revoluciona a História". Portanto. ao invés de relativizar no tempo aquilo que é diferente. 159 e 160. mas. o real.. em uma outra época.). como algo dado. que mostra "o lugar de onde olha". 88. pretendo utilizá-lo a partir de outras práticas. e a afrrmação da paixã021. o conjunto das práticas engendra. 19. nega um pensar totalizado da história que remeteria à busca de uma origem ou finalidade. Op. ciência histórica ou. todos os disfarces. minha percepção. isto é. 1982. 30. desconhecida: ele se esforça para ver a prática tal qual é realmente. se os entendo. Por sua vez. p. pois ". p. M. por não entender o objeto "militância" como natural e a-histórico. "El Estado en e1 Análisis Institucional". assim como o sujeito. Apontar que nossas práticas determin:. minha escuta. Aquele que nunca é chamado de militante. Tal é o sentido da negação dos objetos naturais.. que era. das mudanças históricas. In: EI Análisis Institucional Abierto. prefere apontar para a produçiio do real pela via da história. "o partido que toma". chamada "prática"..já citada por Deleuze -. Isto mostra como ". uma outra produção histórica. numa outra época. por sabê-lo produzido por certas práticas e movimentos sociais num determinado momento da história da esquerda. como a religião C . Mostra o intelectual implicado. Madrid.) que. simplesmente vou relativizar meu olhar. como um trabalho jamais acabado. p. Foucault. não bd. Foucault. de outras produções. . como aquele que ". mas sendo produzidos historicamente por práticas que os objetivam e que são muito bem datadas. 19 20 21 22 Idem. Por isso. não só brasileira. "religião ou medicina através dos tempos". para poder apreender os diferentes aspectos desses objetos. modificação de um mesmo objeto que brotasse sempre de um mesmo lugar (. se define (. Campo xii xiii . M. não existem por si. é querer tirar todas as mdscaras para desvelar. visto este termo ter tido. como naturais. sobre um novo ponto. Foucault não descobriu uma nova instância. através do tempo. Op. muito simplesmente. terminado. mas mundial. em uma certa época. mas estão sendo sempre produzidos. In: Como se Escreve a HIstória. cit.) que agrega elementos muito diferentes C . p. como todas as coisas. do que fazem as pessoas: simplesmente Foucault tenta falar sobre isso de uma maneira exata.lm os sujeitos. cit. com seus contornos inimitáveis. Neste texto. Paul Veyne vai mostrando como as diferentes práticas vão engendrando no mundo objetos sempre diversos.. em vez de usar termos vagos e nobres"18. ao montar uma história das práticas.procurar uma tal origem é tentar reencontrar "oque imediatamente'. utilizando a "caixa de ferramentas" . enfim. retirar dela outros pensadores: Paul Veyne e Michel Foucault. "o momento em que está". descrever seus contornos pontiagudos. eles não são dados em si. é tomar por acidentais todas as peripécias que puderam ter acontecido.M.) pela vontade subjetiva de analisar até o fim as implicações de suas pertenças e referências institucionais"22. com uma palavra vaga. Cadernos da Universidade de Brasília..istória que "não apaga o que pode revelar". ela própria. R. Da mesma forma. o "aquilo mesmo" de uma imagem exatamente adequada a si. uma identidade primeira"]JJ (grifos meus). como produções históricas.. P. Lourau. Relativizar algo de princípio mostra a existência dos objetos em si.mente. ainda. os objetos considerados naturais e já dados. não fala de coisa diferente da qual fala todo historiador.

não se pode ser aquilo". militância que aponta para a desmitificação do corporativismo.A QuEsTÃO DA MnrrÂNCIA "Não põe corda no meu bloco Não vem com teu carro chefe Não dá ordem ao pessoal. do instituinte. desnaturalizando lugares sagrados do saber e do não-saber. e que aponta como certos saberes. ao mesmo tempo.I. de se quebrar . Referindo-se também a xv . novas formas de se viver melhor neste mundo. onde se consegue apontar para as armadilhas do instituído. Mas a militância enquanto produção de territórios singulares. (PÚltaformn . pois até isto o capitalismo produziu: o militante é mais um especialista! Mas militância que nega os especialismos. marginalizados e desqualificados saberes e a muitas e muitas práticas. fechados e hierarquizados. outras estratégias de vida que não as dominantes.e como acontece isso em nossa fomação "psi" entre trabalho psicológico e trabalho político é mais um engodo dos especialismos. portanto. da afirmação. Com isto. em seus microespaços. proponho a desconstrução de uma história conhecida como "oficial". Desde o início desta viagem me propus a produzir um textointervenção. desqualificados. Militância não vista como mais um esp ecialismo . Não a militância dos anos 60170 e que ainda hoje perdura: a militância como "lema".mesmo que provisoriamente . em seu dia-a-dia. da carência. onde os papéis profissionais são mais alguns dos modelos impostos e produzidos pelas diferentes práticas sociais. mas anuncia para a possibilidade de se escapar. Militância guerreira em que se fica ao lado da vida. onde as proposições . Ou seja. mas de uma "outra". da neutralidade e dos regimes de verdade pré-estabelecidos. para a xiv ocultação. considerados marginais. "se é isto. Militância e não mais uma armadilha. ocorreram: em mim e em muitos entrevistados. a produção deste texto-intervenção é uma forma de militância. englobantes e totalizantes. Militância que se refere aos diferentes. do instituído. o poder desses modelos. sempre impedida de aparecer. efetivamente. uma "outra" história. só o são porque a postura arbitrária e dogmática da "ciência" os produziu para serem percebidos e aceitos assim. "competentes".Aldír Blanc eJoão Bosco) · Fazer esta travessia é uma forma de resgatar um período de nossa história que muitos tentam esquecer. sempre ocultada. que cotidianamente. mas com uma proposta de desconstrução. sempre estigmatizada.os lugares marcados e determinados pelas subjetividades dominantes que dicotomizam. não pretendo fazer a reconstrução de uma "determinada" memória histórica. produzir outros tipos de relação. forjando novas formas de perceber o mundo. Não traz lema.e não os dogmas científicos são extraídas das relações que estabelecemos entre as práticas sociais e as nossas próprias práticas cotidianas. da transversalidade. mesmo que provisoriamente. Por um bloco Que aumente o movimento Que sacuda e arrebente O cordão de isolamento ". onde se possa consignar que a distinção feita . Enfim. Rompe-se com o território fechado da falta. Por um bloco Sem bandeira ou fingimento Que balance e bagunce O desfile e o julgamento. do processo de singularização e. Em realidade. "carro-chefe". excluem: ou se é "psi" ou se é militante. instituída. em realidade. "divisa". da desqualificação de práticas vistas como "diferentes" e da manutenção e superioridade de algumas consideradas "científicas". "organização". novos. Referindo-se a inúmeros sujeitos que. Militância que revela. "inferiores" e "menores". das implicações. silenciosamente. "ordem". tentam. Não com o intuito de uma reconstrução. a mitificação e a naturalização das práticas e modelos oficiais dominantes. fazendo surgir daí uma "outra" memória. estão gestàndo. rompe-se com o autoritarismo dos saberes oficiais. nem divisa Que a gente não precisa Que organizem nosso carnaval Por um bloco Que derrube esse coreto Com passistas à vontade Que não dancem o minueto. e intervenções.

mas também setores do 3" mundo ou do capitalismo periférico. segundo o enfoque guattariano . Indignação e paixão que vêm da minha implicação. e ainda hoje. faça parte de outros espaços. que vivem numa espécie de dependência e 1 xvi . do cientificismo. S. políticos. etc. paixão. formas de pensar. esta ou aquela subjetividade. Para se falar sobre alguns processos de subjetivação nos anos 60. cito O termo capitalístico. pretendo apontar para o político. designa não apenas as sociedades designadas como capitalistas. dependendo de um agenciamento de enunciação produzi-la ou não"!. da minha história de vida.. Op. F. é a afirmação de uma percepção de mundo. para a produção de subjetividades. de uma leitura que. enquanto profissional psicóloga. Entretanto. denúncia. CAPÍTIJLO I ALGUNS PROCESSOS DE SUBjETIVAÇÃO NOS ANos 60.. Mas que. Ou seja. desnaturalização que estão presentes na maioria das páginas deste trabalho e apesar da radicalidade de minhas percepções.não "como coisa em si. Militância que é uma construção cotidiana e que percorre os mais variados caminhos. efetivamente. J . 70 e 80 no Brasil há. uma intervenção.. ". Pretensão em demasia? Talvez. culturais. apesar da indignação. inicialmente. pretendo. Tratase. É uma forma de pensar os diferentes encontros que tive ao longo das três últimas décadas. Militância que nega toda e qualquer ortodoxia e fechamento. sentir. mas como ". existentes no mundo capitalístic02• Pretendo 1 Z Sobre o assunto. Daí. não pertença ao território das identidades reconhecidas. a paixão. expandindo outras formas de estar neste mundo. perceber a si e ao mundOJProduzidas por diferentes dispositivos sociais. desejo pensar na possibilidade de construir novos espaços e forjar novos aliados.. e Rolnick. a expansão. sem dúvida alguma. embora outras existam. que tenta ampliar suas alianças. consultar Guattari. que pensar a que subjetividade estou me referindo. um texto indignado e apaixonado. procura apontar agenciamentos e encontros que foram se dando ao longo de uma história e. militante e implicada com a história. para a mitificação e naturalização de algumas práticas psicoterapêuticas dominantes na década de 70. É uma leitura. essência imutável". por conseguinte. este trabalho se propor a ser um trabalho militante.todo e qualquer intelectual que utilize seus saberes. Indignação e paixão que são também produzidas pelo fato de mexer com questões tão naturalizadas e até mesmo sagradas: a genealogia de algumas práticas psicoterapêuticas no Brasil e da própria formação "psi". da academia. 70 E 80 NO BRASIL Este trabalho tenta mostrar a singularidade de uma existência. Portanto. Penso produção de subjetividades. de novas alianças que afirmem a vida. Este texto-intervenção é. portanto. utilizado por Guattari. assim como as economias ditas soclalistas dos países do leste. suas práticas para a produção de novos sujeitos.

o que se torna mais claro após a renúncia de Jânio Quadros.UFRJ. ainda fortalecidos e alimentados pelo próprio governo populista! desenvolvimentista de João Goulart. F. onde a tônica é a formação de uma "vanguarda" e seu trabalho de "conscien. necessariamente. Op. Estas pressões surgem em diferentes áreas.B. que se dão os grandes avanços na chamada modernização do Brasil. e ainda se respiram os ares de uma democracia liberal burguesa. Tese de Doutorado . quando a política de alianças se fragiliza e se desagrega. Ressoam muito próximos de nós os ecos da vitoriosa Revolução Cubana. frente ao reordenamento monopolista do capitalismo internacional. Na cultura. In. subdesenvolvido ". 15. Aqui no Brasil. há grandes pressões dc grupos de esquerda. H. que passa. Subdesenvolm'do. esses anos estão marcados pelos debates em torno do "engajamento" e da "eficácia revolucionária". É neste quadro que se desenvolvem movimentos sociais que. Onde a brisa fala amores Nas lindas tardes de abrir Co1Tf!Í para as bandas do sul Debaixo de um céu de anil Encontrareis um gigante deitado Santa Cruz. o Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes'. Esta situação gera não somente uma forte manipulação para com os setores populares como também uma forte pressão destes mesmos setores. voltam-se para a "conscientização popular". o que gera uma política populista dos governos deste período'. as preocupações com a panicipação popular". hoje Brasil Mas um dia o gigante despertou Deixou de ser gigante adormecido E dele um anão se levantou Era um país subdesenvolvido. É a partir do Governo Juscelino Kubistcheck. hnpressões de Viagem. crescente aumento das chamadas classes médias urbanas. o primeiro da década de 60'. .:Guanari. 1978. (Cançilo do SubdesemJolvldo . para que possam participar do "processo revolucionário". em nada se cüferenciam do ponto de vista do modo de produção da subjetividade. Cmco de Ame Carlos Lyra) Se os anos SOpassaram a ser conhecidos. I .tizar as massas". 3 4 3 .. Tais sociedades. cit. Termo utilizado por Felix Guattari para se referir à cultura de massas no mundo capitalístico. como o sonho que pode se tornar realidade. 2 a Brasil de 61 a 64 caracteriza-se pelo projeto de reformas de base e de desenvolvimento nacional. o presidente "bossa nova". pelo poder da núdia. a década de 60 tem sido caracterizada como os alegres e descontraídos anos onde se ouve a Bossa Nova.apontar para a chamada cultura de massas ou "cultura mercadoria'" como um dos elementos principais na produção dessas subjetividades capitalisticas. e Rolnik. como os "anos dourados". através do crescimento da industrialização dominada pelo capital estrangeiro. segundo Guattari. Por outro lado. S. a embalar toda uma juventude latino-americana. A efervescência política. industrialízação e urbanização que configuram esse período trazem. a acelerada urbanização e o contradependéncia do capitalismo~. os grupos dominantes aliados aos capitais estrangeiros mostram-se incapazes de formular uma política autônoma. 70 e 80.atifada de flores. a pacto populista começa a se esfacelar. então. É principalmente nestas classes médias urbanas que pretendo identificar alguns processos de subjetivação que vão sendo produzidos no decorrer dos anos 60. a partir de então. com o consentimento e apoio governamentais. Hollanda. o intenso clima de rhobilização e os àvanços na modernização. Seugovemovaide 19S6al96l.CPCIUNE.Os ANos mSTITUINTES: 1. Daí a intransigente defesa que se faz do princípio de não-intervenção em Cuba. Verifica-se. com sede no Rio 5 6 jânioQuadros em 1961 e João Goulart de 1961 a 1964. Ela está aliada à expansão do capitalismo monopolista. especificamente no Brasil dos anos 70. Sem dúvida.DE 60 A 64: O ENGAJAMENTO POPUUSTA "O Brasil é uma terra de amores Ak. p.

assim como alguns movimentos sociais e sindicais estão. Geir Campos. carlos Estevam. crises de recessão. apesar da resistência de alguns pequenos arrendatários. Global. Multidões de senhoras e suas famílias de classe média e média alta desfilam pelas rua. o pacto populista entre o governo de João Goulart e os setores populares.. R.. 1990. Paulo M. as relações de produção capitalistas vão gradativamente se tornando hegemônicas. musicais. entre eles. Augusto Baal. começa a se tornar perigoso para a expansão monopolista do capital estrangeiro. provocado principaimente pela continua elevação do custo de vida. Conseqüentemente. Essa subjetividade é cada vez maL. Ali. 3. Percebe-se bem o crescente grau de combatividade 7 8 9 10 11 o CPC da UNE foi criado em abril de 1961 e tinha como fmaUdades promover atividades nos setores teatrais. uma intensa campanha se desenvolve desde os anos 50. do golpe de 31 de março de 1964. e como preparação de terreno. Para isso. do centro do Rio de Janeiro e Sào Paulo e. peças de teatro. Carlos Diégues. Torquato Neto. chs artes plásticas e ". Entretanto. i\1iguel Borges.de Janeiro. a familia e a propriedade sejam territórios sagrados e intocáveis por tal peste. Ferreira Gullar. Se por um lado estes processos de subjetivação tornam-se dominantes. A principal produção cultural da época. por meio da qual constrói a figura do comunista como traidor da pátria. como em geral no campo brasileiro.. A fmalídade é "educar o povão" através da arte. através da chamada UNE/Volante. Affonso Romano de Sant'ArU1a. São Paulo. Apesar disso. Um dos centros de debate é o lnstituto Superior de Estudos Brasileiros (lSEB). F. Nelson Cavaquinho e Zé Keti. elevar o nível de conscientização das massas populares". Carlos Lyra. Diferentes experiências com alfabetização de adultos são realizadas. Sérgio Ricardo. clt. F. 17. 1989. órgão da Secretaria de Educação da Prefeitura de Recife' e. ao se referir a Nata Leão e Carlos Lyra. Eduardo Coutinho. 4 dos assalariados. cuja euforia nacionalista c reformista não deixa perceber que o impeto do processo de industrialização começa a diminuir e a economia passa por uma série de problemas.e na América Latina . Moacir Félix. Sobre o assunto ver Castro. No Nordeste. além de se fragilizar.B. etc. Marcos Farias.do pejo MEC.. vários shows. quando as forças armadas ocupam o Estado para servir a tais interesses. Armando Costa. Chega de Saudades. juntamente com a cúpula da Igreja Católica. H. cito Guattari chama a isso de "processo de singuIarizaçâo". semanas antes e depoL. 347. Como efeito disto. Francisco Julião e as Ligas Camponesas incendeiam com sonhos de liberdade e de reforma agrária os pequenos camponeses da Zona da Mata. posseiros e camponeses. tendo como temas centrais os mitos do nacionalismo e do povo. p. Campos. p. "todos esses modos de manipulaçào e de telecomando"!'.uma barreira à sua expansão. leva para diferentes estados brasileiros. endossa. marcados pelo "engajamento" e em mãos da esquerda. já nos quatro primeiros anos dos 60 havia sido irúciado o desenvolvimento de modos de subjetivação singulares 13. cinematográficos. (ia das Letras. é necessário esconjurá-lo. não se percebe que as atuações do CPC e de uma 12 13 Hollanda. 14 5 . Antonio Carlos Fontoura e muitos outros O governador do Estado de Pernambuco é Miguel Arraes. José Carlos Capinam. quando afirma que ~. através de todos esses movimentos sociais. esquetes. em Pernambuco. principalmente na juventu de universitária de classe média. estar sempre alerta para que a pátria. posteriormente. Op. alguns continuariam produzindo. S. que são vividos de forma intensa c ardorosa por uma juventude universitária de classe média. vários livros de cordel. São Paulo. Oduvaldo Víana Filllo. e são produzidos alguns filmes como Cinco Vezes Favela e o inacabado Cabra Marcado para Morrer'. Estamos em 1962. Peixoto. O chamado Programa Nacional de Alíabeti7aÇâo. Léon Hit?man. surgem posturas e comportamentos que recusam as normas pré-estabelecidas e instituídas. e Rolnik. Op. p. e o irúcio da divisão do movimento bossa-novistall marcam esses primeiros quatro anos dos 60. ChiCo de Assis. produzida no decorrer desta década e na seguinte: o fantasma do comunismo ameaça e ronda as famílias brasileiras.Joaquim Pedro de Andrade. O Melhor Teatro do CPC da UNE.. Este sente no modelo politico vigente no Brasil . Paulo Freire em Pernambuco e no Rio de JaneirolO A politização da Bossa Nova e sua aproximação com oS "sambistas de morro" como Cartola. Guattari. a modernização e a democratização e os projetos de tomada do poder". sào organizadas as Marchas da Família com Deus e pela Propriedade. aquele flerte com o populismo iria acabar estragando a fX!esia da coisa". portanto. Neste quadro dá-se o golpe militar de 64. como GianfrancescoGuarnleri. In. Destes eventos vão surgir muitos artistas e poetas. pela Civilização Brasileira. denunciam a "comunização" da sociedade brasileira e exigem um governo forte. Também são lançados os Cadernos do Povo Brasileiro. como o Movimento de Cultura Popular (MCP). em muitas capitais do pais.

. Ilá a valorLzação da participação das mulheres. Rio de Janeiro. Enfim.... apesar de todos os limites ainda impostos pelos próprios companheiros de militância. p. Porto Akgn:'. entretanto.R op.série de outros movimentos sociai"i da época sào.) principalmente no seu engajamento politico.r.adas nlai"}Jovens de artistas c intelectuais a ponto de seus efeitos serem sentidos até hoje''16. T.'l distorçào. fXlsteriormenre. Exploram-se canúnhos onde é fundamental a satisfaçào pessoal nos relacionamentos COll1outras pessoas." 60..era!do vandni) I'. enmo!! doisgrancJcs territórios 7 . O Cdsamento deixa de ser para elas a única perspectiva honmela ele independência familiar.e" In: Figueira.ssoia acontecer ( J Não nos passava pela cabeça que o ser humano pudesse passar seu tempo de vida sobre a terra. Anos 60. aind:l m:lrcados pelo stalinismo e rigídez vigentes na época e que seráo r:ldic:llizados pela gerdção de 68. Provam-se e aprovam-se novos valores e padrões de comportamento. tão defendida pelas muUleres de classe médi:l. constrnç6es. p... nível de mobilização das cam. em contato com a participaçâo politica e a rnilitânci:l.& PM." e a própria monog:lnú:I. campos. 107. descobre-se que :lquela geFdçào despertd par:l algo que alguntaS gerações anteriores já denunciavam.. lI11la defortllaç:lo""o. :I minissaia c o biqumi vão produzir processos de singularização que irão se cllOC:lr. A religião é vista como o "ópio do povo" e o triângulo Deus. 198"7. vamos embora. PCB ( Partido Cornunim Brasil". Campus. raços dados ou nào b l"as escolas. Trata-se d:l produção de territórios singulares. 24.) O Efeito Psi. "Perceben10s. Idem. Caminhando e cantando e seguindo a canção l"em. As relações entre homens e mulheres são pensadas de forma mai~ igualitári:l. sobrctudo entre algumas parcclas da juventude universitária de classe média das grandes cidades.·iro). tem sua discussão iniciada por essa juventude universitária. "A sexu:llid:lde exp:lmle-se p:lrd :llém dos limites do c:ls:lmento . 7.PCB e JlICI9~. UllI cng:lj:lmento populist:l..p. nas ruas. cit. H. 29.>. 2 -DE 64A 69: O ENGAJAMENTO CONSENTIDO E SEU ROMPIMENfO "Caminhando e cantando e seguindo a canção Somos todos iguaL. A. ~AMulher Uherada ~ a Difusão da PsicanálLo." com as dLscussões sobre o direito ao aborto e :lO uso da pílub :lnticoncepcional. ":-. Pátria e Família denunciado como um princípio fiscista.. UnuJ cultura lX)ltada para a questâo social.esta era para nós a pior daç alienaçoes Foi assim que.. se or~ como AP IAção Popular). Muitos da geração comprometeram suas uidas com a política e seu modo especifico de encarar a realidade" 18.. 1. 103-120. "Quedamos mudar o mundo.. jàz IVao espera acontecer" (Prd Nilo lHzer que Nilo Falei de Flores . era a nossa questão hásica. mais: tinbamos a certeza de que i. alheio aos /Jroblemas sociais e polítú. 1988. :I nlliior :lspiração é se fazerem todos govern:lr por um código igualitário"". A reprodução torn:l-se. Estas posturas correspondem a uma produção colocada pela efelVescência política da época e conseguem um alto ".>abe a hora. uma opção . Este deix:l de ser uma mera ocupação provisória para tornarse ". o que tmnsp:lrece na poesia populista através de um indLsfarçável sentimento de culpa"".os. (Org. E. com as subjetividades hegemõnicas produzidas pelas práticas capit:llisticas e fortalecidas pela ditadura militar em nosso pais. e J UC (Juventude Universitária Católica). em que ptedominam muitos aspectos paternalistas e vanguardistas. que. O tabu da virgindade é desqu:llitlmdo e gr:lcldtiv:lmente cai por terra.Ull1processo mórbido. não somente na sua protl"sionalizaçào llKL. 16 17 lfollancb. nossa fOl1n:lç'ão.principalmente no decorrer da década seguinte. p. unta via legítima de realização pessoal e afirmação cb própria independência. entre o intelectual e o povo. e a rigidez e o autorit:lrismo do J Cdsamento formal cle nossos pais chegam a ser ridicularizados. nos anos 60. Que esperar nao e saber Quem . :lté certo ponto. havendo. que nossa educação havia sido um. como a imposição de valores burgueses. S.Iasrelações entre pais e ftlhos. produziu-se UtJUl arte politica. Santos. 18 19 MacieL L C. Clll realidade. desde a sexualidade até o trabalho. C.. nos ano. uma clara consciência da distância ". especialmente nos doL~grandes gru pamentos então exi~tentes . clandestino Jesck os anos 10. o poder do pai e a submissão da mãe e dos filllOSsão questionados no próprio cotidiano dessa juventude. a partir do qual a hiemrquia.

um erro inJormulado e corrigíuel. em dezembro de 68. a circulação de tai. caracteriza-se pela fórte concentração de poder no executivo federal.B.teatro.c. É o circuito do espetáculo que passa a funcionar: o show Opinião . são colocados sob o controle ainda mais rígido do Ministério do Trabalho. multiplicam-se os diferentes festivais e shows em circuitos universitários". ) sintonízados secretamente com ofracasso de 64. 1978. Janeiro. In: O Pai de Familia e Outros Estudos. vilJido como um incidente passageiro.B. 2IJ Maciel. L. sob intervenção. Os trabalhadores assalariados são sileociados e perdem o direito de barganhar coletivamente aumento de salários. H.. 9. Em I96S. Paz e Terra. Edu Lobo. clt. GonzaguinI1n. Um dos efeitos do golpe militar. 1964-1969. G-alCosta. num primeiro momento -.. é a vez de Arena Canta Zumbi.. Maria Bethânia.. do "rock" e das guitarras elétricas'i'b. Nos debates que se travam sobre a música popular. 21 Hollanda. disco e a ser consumido por um público já "convertido" de int~ electuais e estudantes de classe média.. até agosto de 6S no Rio de Janeiro. A ditadura militar. João do Vale e Zé Keti -leva. torturados e. idéias é totalmente bloqueada às classes populares. Milton Nascimento. ass<L'5sinados. Os espetáculos são verda~ deiros rneetings onde a "intelligentzia" renova entre seus pares suas inclinações populares. Regina e Jair Rodrigues. de um modo geral. EUsRegina.B Op. o "engajamento" ainda dá o tom e seus parâmetros são obviamente políticos. Passa a se realizar num ". de mantê~1aem sua ''Pureza'' popular. an/i~imperialistas. A partir dos festivais de Música Popular Brasileira. longe da invasão do imperialismo. um programa festivo. e é utilizada para resolver as contradições no plano econõmico que o impasse político tinha agravado. de militância entre os universitários na época. Geraldo Vandré. p. e literárias da época. então instaurada. Ivan lins e muitos outros. WToda uma geração de músicos. uma falência ocasional cuja consciência o rito supetava" lA. que é o traço mai. H.te em todas as produções musicai. seus sindicatos. socialistas e revolucionárias"n. prisões e torturas .. vêse um outro quadro. cuja pretensão é a produção de outras subjetividades. é lançado o programa A Jovem Guarda. Discute~se a necessidade de se presenJar a "autêntíca" musica popular brasileira.. arrepiada de emoçàó cí/. com os CPCs fundados em várias faculdades de vários estados e uma série de outros movimentos. Em 1967.. 33. Os novos compositores que dai surgem trazem. especialmente entre os estudante" ( . Op. Entretanto. R. p. O engajamento político é eliminado 24 2'5 Idem. não obstante as centenas de cassações.com relação à produção da época.estreado em dezembro de 64 com Nara Leão. dL. Apesar do consentimento. cinema. cit. 4'5 e 46.-'ica. Certas subjetividades podem se tornar singulares. 23 Hollanda. no período que vai do golpe de 64 até o Ato Institucional nº S. nào é o impedinlento da Circulaçãoelasproduções teóricas e culturais da esquerda'l Ao contrário". pp. suas prerrogativas políticas são retiradas. "Lembro-me de ter assistido várias vezes ao "show". uma tendência participante. poetas e cantores revela~se nestes festivais. Op. Gilberto Gil. como Chico Buarque de Hollanda.Se antes de 64. p. Inclinada para uma temática explicitamente de denuncia social. apesar da ditadura. os talentos que começam a surgir na música popular brasileira. a canção de protesto procura atuar como catalisadora polítíca de setores da classe média. em São Paulo.22 Schwarz. há uma intensa difusão de toda essa "postura participante e conscientizadora". na esteira do engajamento popular· a canção de protesto. com Erasmo e Roberto Carlos. ). Hollanda. pelos novos encontros que podem propiciar. muitos. Caetano Veloso. Op. As Ligas Camponesas são dissolvidas e seus líderes perseguidos. circuito nitidamente integrado ao sistema . do controle que exi. clt. Um dos representantes desta "autêntica" música popular brasileira é o programa da TV Record O Fino da Bossa. visível deste panoranu brasileiro de 64 a 69. tendo em vista. um rito coletivo. Torquato Neto. há uma hegemonia cultural da esquerda. pela negação aos instituídos. presos.. com músicas de Edu Lobo e organizado por Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. mais de 100 mil pessoas a se emocionar com o ainda ideário nacionalista-populista. Rio de 2fJ 8 9 . H. com Eli. principalmente. Cultura e Política. iniciados em 6S e 66 pela TV Record. que lota os auditórios onde é apresentado. há o perigo de se produzirem territórios singulares. de pé. Era uma açdo entre amigos A platéia fechava com o palco Um encontro ritual ( .

que marca uma ruptura com o di.r:. principalmente da Zona Sul elo Rio de Janeiro. o cinema. e a produção que tenta responder a essa nl?Cessidade dá margem a toda sorte de "cafonices" O pai. como até hoje. como Cacá Dieg-ues. por outro. mas para toda a produção da época. fortalece-se o chamado Cinema Novo. entre a juventude não-universitária de classe popular e as donas-de-casa-de-c1asse-média. Hollanda.msdias"32. "Ainda que pareça ambígua a nomeação de uma esquerda festiva ~ num momento em que a grat't' derrota política anterior não poderia ser motivo para festas . a canção de Bob Dy/an . os ensaios C.•está tomado pelo proIJincianismo e pela modernização A indústria cultural passa a ocupar um lugar importante.mo-populista. faz parte do que 27 28 2f) Está se formando a geração de 68 que terá. Rolnik. a imprensa.cursoque caracterizava e definia a ação cultural da geração anterior.çta do PC.curso do engajamento. 183. Estação liberdade. p. Truffaut. Joaquim Pedro de Andrade.B. "A burguesia busca novos padrõés. O rock.')versões norte-americanas..sa esquerda deslocar-se para porta. ganhou em 1961 a Palma de Ouro no Festival de Cannes. percebendo os impasses do processo cultural hrasileiro e recebendo informações dos movimentos culturais e políticos da juventude que explodem nos EUA e na Europa . dentro ainda do mito do nacionali. Glauber Rocha. "É nesse clima que um novo grupo de jovens artistas começa a expressar sua inquietação_ Desconfiando dos mitos nacionalísta.cursocritico produzido poressa nova geração irá constituir-se e. tão ao gosto da classe média dos anos 50. H.esse grupo passa a desempenhar um papel fundamental não só para a mUstca popular. H. 10 11 . com conseqüências que vêm até n05. São Paulo. ainda. O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro. Cartografia Sentimental. principalmente. uma forte influência das chamadas teorias foquistas sobre a revolução e. cito O Pagado!' de Promessa'i.R Op. os Beatles. . Bufiuel e desvendar-se nos bares o hermeli. com Oscarito e Grande Otelo. o Cinema Novo vem na esteira de O Pagador de Promessas. É o movimento tropicalista. 30 Idem. o fato des.o. dir:. p. 37 :52 Idem. adequados ã modernização em processo. inaugurando uma nova linguagem na cinematografia brasileira. O público de todos esses espetáculos. S. definindo novos costumes e padrões de comporlamento"ZI.r:. Op_ dt. as guitarras elétricas e o w-íê-íêsão potencializados lado das famosa. 46. provavelmente não estava sendo percebido quando a "velha esquerda" ortodoxa Julgava de forma pljorativa a prática da "nova esquerda" que seformava. 46. que recupera a festa e a alegria da esquerda contra a ~l Hollanda. É quase quc um rito assi'tir-se aos filmes de Goddard. absorvendo informações do processo de guerrilha revolucionária latino-americana e dos nwvimentos jovens que marcam as inquietações política.'t. Nesta segunda metade da década de 60. Arnaldo Jabor. a televi'ião. diversos paíseç em do ocidente e do leste na segunda metade dos anos 60" ~1 E efetivamente isso ocorre.') expõem seus argumentos como quem desembainha suas armas na iminência de um duelo" 28. que . com sua preocupação por temas sociais.os hippies.atamente sob o signo da ambigüidade. se convencionou chamar a "esquerda festiva" ou "geração Paissandu". uma juventude de classe média. Muitos cineastas que introduzem uma nova linguagem no cinema brasileiro tinham vindo do CPC. poir:.mo de tai.JO c ignorado.consegue fazer verdadeiras obras de arte com seus Illmes: Deus e o Diabo na Terra do Sol. pai') a "Jovem Guarda" ganha espaços na mídia e repercute.ou. Tratase de uma esquerda que passará a criticar o discurso reformista e nacionali. p. Terra em Transe e outros. e sua identificação como subversão. dentre outros. obras. dirigido por Anselmo Duarte e adaptacL:l de uma peça de Dias Gomes. do tnovimento contracultural. as cançoes. "A mídia está sendo palco de uma lJerdadeira guerra civil· o teatro. Uma das principais características deste "cinema novo" é a palavra passar a ser tematizada como questão central e o grande número de adaptações de obras literárias29 Substituindo as chanchadas da Atlântida. 1989) p. e cinema da moda (Paíssandu). A eles se junta. por um lado..ç e do discurso müitante do popultsmo. d e importante uer que essa ambigüidade traduz a própria novidade dessa nova geraçdo que irá marcar o período: a festa é a marca de uma crítica ao tom grave e nobre da prática e do dir:. () principio da festa.apesar das marcas elo período anterior . o cinema de C'raddard. A jà/ta de acuidade em perceber o conteUdo de ambigüidade que une os termos esquerda + festio va éfatal.

a recusa de padrões de bom comportamento c.sisudez dos "ortodoxos" e dá o pulo do gato em relação ao rock. traz. que é produzida junto com o movimento tropicali'5ta. Ferreira Guliar. com seu conteúdo ao mesmo tempo alegre e agressivo. desenham o perftl de uma inteleetualidade não assumida pelo discurso oficial. p. um verdadeiro lJoom editorial..ramsci. H. Nunca se leu tanto como nesses anos.ão ao modo tradicional de a esquerda fazer politica. o tropicalismo irrompe em cena.p. Nova Fron~ira. Eric Hobsbawm. embora ambiguamente. quando há a possibilidade de se fazer uma série de sincretismos e de mi'5turas. há o lançamento.. LouL. 1'\0 entanto. 19fi:. dizia a propaganda. Mostram os "novos baianos" que tudo isso pode ser politizado. a técnica. portanto.. adicionada a tudo l. o fragmentárúJ. tem um claro sentido de combate..ta (]'CB) e a esquerda revolucionária (as primeiras dissidências então criadas). Cabelos longos. SS. não xenófobo.." tanto da direita quanto da esquerda. p.. o que se torna extremamente polêmico dentro da esquerda. pode produzir também singularidades e não somente subjetividades dominantes. I'\as artes plásticas. dtandoJosé Celso Martine7. A. cit. não oficial. A revista Civilização Brasileira de 6'. :33 Rolnik. pelas subjetividades dominantes. Figllfas como Walter Benjamim. o alegórico e a critica de comportamento. "É uma linguagem de margem porque se expõe às critica. e a geração de 68. 12 . na época.Althusser. 19&3. um revolucionário método que. em I968. Fernando Henrique Cardoso. dessacralizando tanto as canções de protesto como o iê-iê-tê da "jovem guarda" c.UFRJ. Dai seu grande sucesso. C. Guevara. as artes plásticas e o cinema. trava com as canções de protesto uma verdadeira guerra de interpretações. de Roda Viva (Chico Buarque/José Celso Martinez Correa) trazendo a proposta de um teatro corrosivo decidido a enfrentar preconceitos e a retirar o espectador de seu papel passivo e consulnidor" 36.'5S0. n ReiS Filho. Leandro Konder. B. :3') 36 37 Bueno. expande-se para () teatro. do outro. tentar romper com esta forma "ortodoxa". roupas coloridas.. de comer. e tanto Marx. a construçào literária das letras.l.. 54 Hollancla. Ainda em principios de 1968.. Rio de Janeiro. perceber a ruptura que o u'opicali. propondo um choque que vai muito alêm do modismo ou da menoridade de roupas e comportamento "35. a marca dos movimentos contraculturai. Ventura. de falar.. Há. 1968: o Ano que Não Tenninuu. a 69 é o pólo de concentração (la inteleetualidade de esquerda e ali se travam debates entre o que se convenciona chamar de esquerda rcformL. Correa. Para muitos. com sua Terra em Transe. o tropkalismo é a expressão de uma crLw (. a visão épico-dramática e nacional-popular dos revolucionários e sua linha da história"3'3. Op. 20. 1\ elson Werneck Sodré e Illuitos outros autores nacionais e estrangeiros desfilam por suas páginas. às guitarras elétricas e à mídia. descobre o poder dos impulsos festivos e eróticos. como Marcuse e Norman Mailer são devorados. Op. DA 1968: A lItopla de uma Paixão.. a leitura dinâmica. tlluitos estudantes não conseguenl. o movimento tropicalista. tendo como pano de fundo as duas visões de Brasil e de mundo presentes na esquerda: ".)2. de um lado. Uma das manias do ano é ". o tropicali. com o Happening Tropicalista. Z.<. cit. ao iêiê-tê. p. conlO atitude. p. ensina a decuplicar a velocidade da leitura"". Mao. Carlos Nelson Coutinho. Em 1967. 1988. S. "Recusando o discurso populista. valorizando a ocupação dos canai. a visão trágíca dos antropofágíco~tropicalistas e suas linha. suhvenendo a ordem mesma do cotidiano":)4 . Tese de Doutorado .neiro. há o lançamento de O Rei da Vela (Oswald de Andrade/José Celso Martinez Correa) pelo grupo Of1cina. I lélio Oiticica. Rio de JJ. com uma linguagem marginal. Espaço e Tempo. no Rio de Janeiro.o. A geração de 6il.mo. Abandonam-se 0$ antigos modos de vestir.. 110.l.misturadas de história e geografia e. Paulo FrancL5. Pá"lsaro de Fogo no Ten:clro Mundo. DebraYJ Lukács. e no cinema Glauber Rodla.~ de massa. Todos esses fatos vão engrossar o caldo de cultura que irá explodir em 6il. de morar. Por isso. desconfiando dos projetos de tomada de poder.i.":iffio traz. apesar de o tropicalismo ser uma novidade em rela. uma opçiio estética onde o comportamento passa a ser elemento crítico. herdeiro de Oswald de Andrade e do movin1ento antropofágico e modernista de 1922.

onde muitos espaços são ocupados pelos estudantes. dos professores. 18 lO' 19. Discute-se a re!c)rmulaçào dos curriculos nas Assembléias paritárias. no Rio de janeiro. o sexo. claro. É difícil ser indiferente nesses tempos apaixonados. uma ousadia. tiros c bombas de efeito moral. o revi. "estourado" pela policia. O movimento entra em refluxo. Se antes de 64 o movirnemo estudantil reivindica a participaçào de 1/3 dos estudantes nos órgàos de decisão das Universidades. etc''. lutas que vinham desde o início dos 60 e que o golpe de 64 fez arrefecer um pouco. Sào Paulo.çmo de Althusser. () reflt4"<o consolida-se. o tamanho dos cabelos. Estas açôes provocan1 desânimo e medo em vez de indignaçào. reivindicam mais verbas para as escolas e universidades. 67 e início de 68.D. nas praias: a altura das saias. a Faculdade de Filosofia. p. quando há a decretação do AI-'í e a invasào da lJniversidade pelo Exército. Em 1966. a liberaçJ. tanto quanto a duração dos dehates Mai. Em outubro.. 1989. O assassinato do secundarista Edson Luiz.). a fallOr ou contra a" gutlarras elétricas na MPB. os ~feitos da pl1ula anticoncepcional.o dos professores: de um lado aqueles que apóiam os estudantes. é a faisca que laltava a um monte de palha seca.utir. alastram-se. que não hesita em invadir igrejas c hospitais. 1968 radicaliza tal reivindicaçào.n tne:.js meses seguintes. maior participaçào nos órgàos de decisào. no Calabouço.Z. pela participaçâo poli/ica dos padres e. Também bá mui/o o que diKldir. A principal reivindicação. Os Fios da História: Reconstroção da IUstórla da Psicologia Clinlca da Universidade de São Paulo Tese de Doutorado . na Igreja da Candelária.•do que dÍS(. a reitoria da USP. em março de 68. as teorias inouadora . dos religiosos e das màes dos estudantes." uma juventude que se acredi/a política e acha que tudo deve se submeter ao político' o amor. nas Assembléias. tendem até o final de 68. dos profissionais liberais. de um lado 19 Sobre o assunto. ver alguns depoimentos comidos em Botelho. nas passeatas. t4 IS . que os deixa de fora. Ulll horror os dehates em termos de igualdade sobre problemas curriculares. a Clinica de Psicologia e o CRlISPsào ocupados pelos estudantes. O mouimento mais amplo perde o lolego. Seu enterro e as mL~sasde sétimo dia transfonnam-se en1 verdadeiros atos cívicos contí. Porto Alegre.o dos presos eU1passeatas anteriores é.. de estudantes qu('já não são acompanhados m. De junho a agosto. inconformados com a falta de vagas. pedagógicos. Na USP. apesar de aprovados. Os estudantes. nos anos 66. realizada no Rio de janeiro. Manifestaçôes se realizam em Fortaleza. sendo marcado pela partieipaçào paritária ('í0% de alunos e 'í0% de professores l.reunindo represeno tantes dos estudantes.. as manifestaçôes estudantis. Também a T Iniversidade de Brasilia é invadida pela policia. o caráter socialLçta da n>voluçào hrasileira.ooni.. N. dt.• de Marcuse. 7').oiânia.recusada pelo governo e as conversaçôes são rOlnpidas. achando uma petulância.onnas de luta e organizaçào" 4Q. pp.A. as idéias de Lukâcs. pois qualquer manifestaçào de protesto organizada é respondida a bala pela polícia.'"1nO pelos próprios colegas. quando cerca de 700 lideres estudantis são presos. DL"cuf(>-senas UnilX!rsidades.! a ditadura. por Chico ou Caetano. no mesmo junho de 68. No Rio de janeiro. a policia invade uma assembléia na lJFRj. Belo Horizonte. Recife c C. em 68. Os temas sao infindáveis. em 1968 começam a ocupar alguns espaços universitários.-/Jela l1tória dos IJietcongs. en1 sua 1l1aioriauniversitários. há o célebre congresso clandestino da lJNE em Ibiúna. nas universidades públicas. o movimento dos "excedentes".s que saem da missa de sétimo dia de Edson. torce-se. vê-se a divisJ. É necessário inventar nova<. o comportamento (. os discussões se es38 Idem. de outro os que os repudian1. f Polarizam-se as diferentes posiçôes das esquerd'Ls. no Rio de janeiro. e registram-se os priIneiros choques violentos com a policia. Op. Abre-se.USP. 40 Reis Fi1ho. o que antes do Golpe a juventude universitária ainda nào havia conseguido: o questionan1ento elas relaçôes verticais e autoritárias entre professores e alunos. a cultura. nas principais cidades do país. quando os estudantes revidam com paus e pedras em meio a nuvens de gás lacrimogêneo. contra a diJadura" 38 Os estudantes. "A insistência em ri?Sponder na" ruas a cada desafio conduz apenas ao isolamento de algumas centena. ocasião em que é formada uma cOlnissàopara dialogar C0111 Governo Costa e Silva. inicia-se.. nos hares. Estào sendo criadas as condiçôes para a Passeata dos Cem Mil.F. Ficam célebres a. En1todos esses movimentos.s fotos da cavalaria da policia militar atacando as pessoa. E..

surgiu em abril de 1968. segundo muitas leituras da época. 1988 e Reis Filho. Jacob Gorender e outro. 15 Reis Filho. entra nos anos 70 mantendo sua resis44 Idem.Torquato Neto e Gilberto Gil) A geração de 68 no Brasil. 42 O Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR).~ e bananeiras Ao canto do juriti Aqui meu pânico e glória Aqui meu laço e cadeia Conheço bem minha história C01neça na lua cheia E termina antes do fim Aqui é o fim do mundo Aqui é o fim do mundo Ou lá" CJfargirrAlia 11 . O Movimenro Revolucioniria R de Outubro (MR-8) originou--se da chanuch Dissidência da Guanabara do peB. 16 11 . sendo um dos seus aspectos rnais agressivos os grupos paramilitares. agora.<'Lam:uc:l. dissidência do PeS. o golpe dentro do golpe. muito tempo a perder. dentre outras.. "Bombas em teatros do Rio c São Paulo.em Contagem e em Osasco. Op. A partir elaí. os exemplos de Ho Chi Min. sendo muito forlo. Op. a ALN. t7 .). palmeiras. É denunciado no próprio Parlalnento o envolvitnento e utilizaçào de uma tropa de elite da Aeronáutica (o PARA-SAR) a prática ele missões criminosas. com Carlos M:uighella.é a recessão e uma grande descrença toma conta da juventude em relaçiio aos partidos políticos legais: o MDB e a ARENA. mai. que fecha a década de 60. A Revolução Faltou ao Encontro. época A Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) foi criada <-'m1967. não está acuado. cit. está garantido o elesenvolvimento econômico com a crescente internacionalização da economia brasileira e a devida elinúnação elas "oposições internas". 1990. E as suas conseqüências se prolongarão mais ainda"". a conjuntura política ajuda a acender a imagfnaçdo revolucionária: o desgaste do governo milüar e crescente. Silencia-se e massacrase toda e qualquer pessoa que ousa levantar a voz. de outro. além da critica ao popu/i. Guevara e Régis Debray apontam para a luta armada. Ao lado disso. Vozes. deslocam Ministro da Aeronáutica desmente.-. de I3 de dezembro ele 1968. 1')6S: A Utopia de nma Paixão. o Ato Institucional nº 'i.Os ANos DA INSrrruOONAllZAÇÃO "Aqui o terceiro mundo Pede a hençdo e vai dormir Entre cascatas. p..A. o regime mílitar consolida a sua forma mais brutal de atuação através ele uma série ele medidas como o fortalecimento do aparato repressivo.. cit. com base na Doutrina de Segurança NacionaL Desta forma. jornais.o MR-8 e a VPR". São Paulo. e out. de diferentes formas. com Mário Alves. "Por outro lado. trazendo para o palco os terríveis e inesquecíveis anos 70. Apolônio de Carvalho.-o.sde 60 e início de 70 ver: Arquidiocese de São Paulo. Está armada a cena para o golpe de misericórdia. sendo presos e afastados de sllas funções. O Governo Militar.uma linha propondo o enfrentamento.<. D. O n 4. faculdades (.> entre os estudantes cb. mas vanos oficiais do PARA-SAR confirmam. A derrota de 64 mostra que não há. não aparecera ainda o "milagre brasileiro". com a ocupação de algumas empresas pelos trabalhadores. 30. I As próprias greves operárias de 1968.ao contrário do que muitos afirmam..A Ação Libertadora Nacional (ALNl lambem nasceu de uma dissicIencia do peR. 66.s tarde teve' a adesão de Carlo. espaços culturais. em 1960. e os textos de Mao. p.'itnO e ao PC r€forçada pelo surgimento de alternativas como a cubana. Perfil dos Atingidos...A.. l-irasilieme. apontam. D. Z. 32. A peça Roda Viva é proibida em todo o território nacional pela Polícia Federal como um show depravado. Sobre as diferentes organizaçóes ciandestinas de esquerda existentes no Brasil nos fin. pregam do entrentamento até a luta armada contra a ditadura: o PCBR. mas mantém-se na ofensiva e precisa elo AI-'i para levar até às últimas conseqüências seu modelo de desenvolvilnento econômico e sociaL "Suportamos seus efeitos até hoje.Ia. Rio de Janeiro. Araçá. em editoras. Muitas já começam a estruturar seus próprios grupos armado.1 Ventura. seqüestros e espancamentos de artistas e estudantes"".que recebeu as inspirações de diferentes acontecimentos internacionais. p.. para o enfrentamento com o regime.. chamados de partidos do Sim e do Sim Senhor"41.. em 1968.. É desse período o surgimento de várias organizações clandestinas que. a repressão age em 1968 de forma cada vez mais violenta. o PC pregando a acumulação de forças. alguns de seus quadros para o campo (na preparação da guerrilha rural) e para as fábricas.

ll11pulsionam muitos no Brasil a "criar um. tornã-Ios equivalentes às formas já existentes: anulá-los ao reconhecê-los. Pernamhuco e com inum. em que tudo tende cio a ser institucionalizado. que estabelece que.. afasta de mim esse cálice.O TERRORISMO DE ESTADO "Pai. Tanta lYU'11tíra. alcan\-'ando os diferentes campos da vida social. As forças sociais.s em todo o país Cw._ seguida. outros processos 18 Cobre-se a América Latina dc pesada. organizada ou não. contesLa~'ão do consumisnlo.'ão.<. até então marginai'i ou minoritárias.cultural. Seio Pau/o. fascinanl muitos jovens. Este é o grande risco que.ntagonL'imos internos". Em 197:\. 'roda c qualquer oposi. no Brasil e em todo mundo. A resistência no início da década de 70.eras Câmaras de Vereadore. até sobre a Constituiçào Federal. hã os golpcs no Chile c no I iruguai. a singuiariza. Todavia.olados: em todo o mundo. Tragar a d01. Sik"J-ncio cidade não se escuta na De que me sen. LOUfOU fala do "efeito MülJ.. trabalhista. experiências com drogas.'ão que possa abalar a "segurança do Estado" é considerada Cfjme e. R.O sendo produzidas. dois. esta cri.~c capitalL'imo do alcan~a agora as instituiçôcs clJlturaL~.. Pai. Tal doutrina prevalece sobre todas as leis.iII)(>r/o (aI e Chim HlItlrque) de contracultura. seus costumes e atitudes (cabelos e barbas cOlnpriclos. resistências. De pinho tinto de . é a ditadura sem c1L. ed~lcaci()nal. engolir a lahuta. as I"rtes mensagens .saçoes de 19 . As forças dominantes aceitam o instituinte. resta ()peito. afa. a inlluência hljJjJlé.~1elbor. em 76 é a vez ela Argentina.• anta. ajàsta de mim es.egislativas da em Guanabara. gradativamente. muitos Vietnãs". Os militantes ligados à luta armada s~10aniquilados. para a 'segurança do regime". ainda nos 1 . primeiros anos da década ele 70.tade mim esse cálice. a captur3 de processos de singulari'l.. apesar de tudo isso. Mesmo calada a boca.winKue Como heher dessa behida amarga. Lapassade propô c uma interpretaç1o. vai sendo integrJdo.e cálice.O AI-~ coloca o Congresso em recesso e. ocon'e o mesmo com as AssemlJtéias l. E novas subjetividades hegcmônicas V:l. Outra realidade lYU'110S1rI00ta.mann". Goiás. e mesmo a derrota de Che G uevara na Bolívia. G. () Estado aprende a se f"rw1cccr graças às debilidades dessas lulas anti-institucionaL.ação. criminal. Instal3-se no continente a Doutrina ele Seguran"" Nacional.c a fase vivida na década de 70 é a da ins(itucionaliza~~à()_Tal momento é situado no contexto hi'itórico da vitória eSlnag3c1oL'3 capitalL'imo monopolista. no Brasil.o início dos anos 70. Em 197:\. que consL'te em fazer possível a institucionalizaçào de movimentos instituintes. Entretanto. nuvens. três. popular ou nào. na primeira metade dos anos 70. Sangrentas c cruéis ditadura") militares se impôem. para poder integrá-los.il não lóram pontuais ou L.<. para a sociedade brasileira ctn geral há um desinteresse pelas diferentes [onnas de pal1icipaçào e questionamento social. Em 1968. Os acontecimentos de 68 no B"L. da tradicional organização fanilliar e sexual.l por esses dois fenômenos: a luta armada contra a ditadura c os movimentos I de singularizaçào vão sendo gestados subterraneamente. etc. anulado.y' ser filho da .na qual os movimentos sociais com patticipaçào I1lassiva colocaram cm evidência o instituinte . Rio dejaneiro. roupas coloridas e a itnagem de selvagens). se coloca para os movimentos de resistência no Brasil. é punida. massacrados e o movimento COI1trJ."(-'11a s(7fil/)o da outra. Cl11 nome da "segurança nacion~d" e do "desenvolvimento econc)Jnico"J qualquer força.(.tência sob duas lemnas: de um lado. navew. Diferentclnenle da década anterior .farecs. nOV~l<'. Por outro lado. '_. na etapa sob () signo pós-6R. . tanta força bruta· rCdtice . aniquil3ndo.las vitórias elas guerrilhas vietnamitas. não se podem tolerar os '·a. passam a ser reconhecidas pelo conjunto elas for~:as sociaL') instituídas. mostra um ref'luxo dos lemas antes tão inllamadamcnte debatidos. econômica. como tal. política. Pai.

1076. estruturam-se os DOI/COm s. ao fazerem parte do aparelho repressivo.. 1985. Comissão de Justiça e Paz.para "diminuír os indices de criminal idade" entre as populaçôes marginalizadas das periferias das grandes cidades. É no transcorrer elo Governo Médici" que as funções e prerrogativas do SNI aumentam significativamente e se elá sua militarização. criam-se inúmeros outros aparellios repressivos. elesele os anos ~O. No Brasil.com funcionamento similar ao ClE. intocáveis pela Justiça. que responde diretamente ao Ministério do Exército. Jazendo parte do chamado "sL~tctnade segurança". lQt)j tanto que todos os generais presidentes. às Polícias Militares. cresce. Tais são seus poderes e força que. é criaelo o Serviço Nacional de Informações.dião da Morte.. Em cada região nulitar elo país. . aos Corpos de Bombeiros.••pobres da população. como justificativa para que permanecessem em vigência (. São Paulo. De 1968 em eliante. tomo I.mandatos parlamentares ceifam mais 69 membros do Congresso Nacional. Rio de Janeiro. do general Emilio Garrastazu Médici. 48 20 . "Qualquer denuncia sobre esses crimes é pronta"u~te desttu"11Uda. pregando ostensivamente a institucionalizaçào da pena de 1l1orte9. Acrescentem-se a toelo este aparato repressivo olkiaI os grupos paramilitares. j e a paralíçaçdo quase completa da atividade fxJpular de denúncia. a Aeronáutica estrutura seu serviço ele inteligência. Stephan. resiçfência e reiuindicaçôes. transtnutam-se em heróis nacionais. A. rante (OBAN). Ligam-se também à polícia política.p. tendo uma agência em cada MinL~tério. os Esquadrões ela Morte são utilizados como in. por fim. De 1967 a 1972. "O SN! brasileiro alcançou um grau extraordinário de prerrogativas legalmente sancionadas e de autonomia burocrática. emerge em 1968 uma força unificada antiguerrilha que recebe financiamentos privados e públicos: a Operaçào Banelei45 46 47 Arquidiocese de São Paulo. os "líderes" dos Esquadrões da Morte. Em São Paulo. às Polícias Estaduais. H_P.segundo as infoflnaçôes veicul3das pela mídia . 1985. São esses ES'luadrôes da Morte que inspi. ã Polícia federal. no início dos anos 70. criando o CISA. nos anos 70.. Em 67. 36. acarreta problemas para os denunciantes A ação dos organismos repre. que continuam atuando impunemente contra as parcelas maL. censurada na imprensa e. empresa estatal e Universidade... São Paulo.ões elo Exército (elE). foi de 1969 até 1974. É o órgão da repressão mais importante elentro e fora elo Brasil. No começo dos anos 70. a OBA]\' se institucionaliza como DOI/CODI-SP (Destacamento de Operações e Informaçôes/Centro de Operaçôes de Defesa Interna). Isso por sua vez e apontado pelos círculos mais extremados das Forças Armadas. São Paulo. DOI-CODI/SP e DOI-CODI!R). Princípios de Justiça c paz: Pena de Morte.O Regime Milltar. 1986 e Arquidiocese de São Paulo. Projeto BrasD Nunca Mais . Tanto no Rio quanto em São Paulo. chega-se a falar da exL~tência ele um verdadeiro Estado dentro do Estado. conectandose com os governos dos estados. Estes. sem paralelo (nas demais dt/aduras militares latino-amencanas).'isil. Comissão clt:Justiça e Paz. restando quase que uma unica forma de atuaçdo: a clandestina e/ou armada. Paz e Terra. A repressão se soflStica.ligados às três armas. um dos pn'ncípais artffices do golpe müitar (. surgidos no Rio de Janeiro c em São Paulo.32 O terceiro governo militar.. Para um estudo sobre os aparatos de repressão no Brasil. antes de assumirem o executivo. embora não uniformizada". muitas vezes.. interrogatórios e torturas. no sentielo ele "meU1orar" a eficiência ela repressào. p. ver: Bicudo.trumentos . Em 1970. fortalecemse graebtivamente durante todo o períoelo ditatorial. ficando sob a jurL~dição do Comando Regional do Exército. Principalinente nos anos 70. A.drn nos anos 80 e 90 os famosos "grupos de extermínio".'Os conta 49 Sohre o assunto. consultar: Stephan. Brasil Nunca Mais.(B. é organizado o Centro de Informaç.) todas as medidas coibídoras daç liberdades democráticas" 4~. estiveram de alguma forma ligados a este Órgão. intimamente vinculados aos órgàos que se ooltam para as prisões. E. J A resultante de todo esse caudal ( . a Marinha organiza o CENIMAR. como OBAN. ao DOPS. Op. ao ponto de se transformar na quarta força armaela. Vozes. desele junho ele 64 (três meses após o golpe). empresas privadas e aclininistrações municipais. Os que se dL"pôem a apontar os violentos crimes por eles cometidos passanl a ser identificados con10 "inimigos do regime" c tratados como tal. Os Militares: Da Abertura à Nova RepúbUca. e é também cassado Carlos Lacerda. Os DOI-CODI's pa$sam a dispor do comando efetivo sobre todos os órgãos de segurança existentes numa determinada região militar.Meu DepOimento sobre o Esqua. Rio de Janeiro. o que significa uma integração maior entre 0s organismos repressivos já exL~lenles.. cit. também alimentados com financiamentos privados e pliblicos e o fortalecimento dos chamados Esquadrôes ela Morte.

a tortura passa a ser prática "COll1U1l1"oncial.ln: Fausto. dificultando e inIpec1inclo qualquer circulação e manifestação de c:::tráterunI pouco nlai. eu nào posso. mais se perseguem opositores. 34. com a constru\'3. Vive-se unl clima de ufani.' fil1abru71te uencido na "ida Ma. capo IV. j()89. A censura torna -se feroz e violentíssil1la.c.. quando se vende a imagem da "ilha de tranqüilidade". ~AInterpretação do B'J. Ao sonI do pregão das Bolsas de Valores e do slogarl "Brasil: ame-o ou deixe-o". a tortura cumpre." intensa no comércio lllundial. (Urg.oger. rítico. p.) O Brasil Republkano. aspectu importante nos projetos de ascensão desta classe Illédia urbana"3. Não é por acaso que esta época em que mais se tortura. tais técnicas são cada vez mais sofisticadas e surge a instituição do "desaparecido político".. aproveitando-se das sobras econôtnicas do "milagre". A partir de 1972. eu acbo i..xa. nàu pelas facilidades e comodidades que uferece. Além de obter informações. c "A televisão passa a alcançar um nível de eficiência internacional. o que mostra as dificuldades.. Rio ele'jaoeiro. a ascendente classe média vive momentos inesquecíveis ele consumismo com a "lnodernização". graças 3. legai~ "'.. de se recusar ou mesmo questionar a ordem social que está sendo produzida. Com isso. ver o e:studo de Velho. cit. Em 1990. Pelo medo.~ Eu tenbo uma porçào dl' coisas grandes Pn1 conquistar. UIl1. " Jj. de "bem-estar".:l crescente internacionalizarão da economia br:::tsileira"~2.mo. enquanto a classe média. nlais se seqüestra.0 de obr. Projeto Brasil Nunca Mais.ú.l1Jalho: a de exportador de produtos industrializados.. ClASSE MÉDIA. B. Sia Paulo.'Ílhosa nu de/'Ía estar sorrindo I! orgulhoso Por' te. pois é uma forma de continuar a tortura sobre os familiares que até hoje procuram seus "desaparecidos". [<)8'). Si.com total impunidade e acobertamento ate tnesmo de detenninados di.'iSassina. levada ao ritnIo de "Brasil Grande"..jorge Zahar. Instituição macabra. de ter passado fome por dois anos Aqui na Cidade Marat.~. 2 . chega-se ã cifra de 90..chem 1973 quando ainda S~ sentem os cfêmero~ deitas do "milagre brasileiro" sobre 9) Arquidiocese de São Paulo. de "progresso".é talnbém a época do "miIagrc brasileiro".. cala a sociedade. n1ais se a.ào internacional do tr. as camad:t-'_medias urbana.ls f:1ra6nicas. A Zuna Sul du RlO de Janeiro passa" ser o local preferido para se morar. P. conquista de uma nova posição na divi. "Eu devia estar contente Porque tenho um emprego Sou o dito cidadão respeitado E ganho quatro mil cruzeiros por" mês Eu devia agradecer ao Senhor Por ter tido sucesso na uida como artista Eu devia estar feliz porque Consegui comprar um Corcel 73 Por morar em lpanema IJepoL. Difd. há . de bens. e e este terrOrislTIOde Estado dissemina o terror en1 toda a sociedade brasileira. produzida pela repressão no Brasil. 22 23 .ficar ai parado ()uro de Tolo _Rutl/Seí.vo1. fragilizar e pulverizar os opositores do regul1e. Há uma produção massiva de subjetividades coletivas.sil: lJou Experiência Histórica de Desenvolvimemo".. A "ilha de tranqüilidade" é um lugar extremamente atraente para o capi131monopolisl3 internacional. l1.000 desaparecidos políticos. ou seja. neste período. uma função: produz subjetividades. ')1 ')2 ')5 Música W:lv:J. a uma cumplicidade... Op. Utupia limaria: 1JmEstudo de AntropologiaSocla1. mas pelu status. fortalecida e imposta.çto uma grande piada E um tanto ou quanto perigosa Por" que foi tão fácil conçeguir E agom eu me pergU11lo e dai . em toda a América Latina.positivo. 4.E COMO NÓS. 210-24') Sobre illllO.'udeuia estar aJegt'e e satif/eito :'oJestecampo fértil. o Brasil passa a participar ele [()rma mai. de "euforia". REAGIMOS A ISSO ••. vai alegremente consumindo todo tipo de coisas."t1.. A ditadura mj)jtar brasileira exporta krlOw-how de tortura para as demais ditaduras latino-americanas. tanto interna como externamente. leva a um torpor social. como dispositivo social.

assiste-se a um verdadeiro ritual: todos à volta do aparelho.91 e 92. estimados não somente pela classe média: expande-se também como valor fundamental para as classes mai. na "modernizaçào". cit.este debilüa-çe. na "grande potência" que será este país. Rolnilc S.A nós compete traballlar c/ou estudar c não nos imiscuir em política. tornam-se "melhores". o que traz profundas mudanças em toda a sociedade brasileira.lobo. de programns tipo Chacrinha. H. P lOS. Jorge Zalur.fornecendo valores e padrôes para um país que uaí prá frente'''. no "crescimento". SS Ve1ho. "subir" na vielatorna-se uma palavra de ordcm. uào á mis. cit.uma qUl' se traduz na possihilidade de mudar-se para Copacabana. no "progresso". É o reinado da Redc C. e onde o medo às autoridades domina a todos.çúo Política é para os polílicos Estudante tem mesmo é que estudar r.'5.. continua mesmo após o exiJio de Caetano e Gil .. como Allan Guinsberg e autores como Mc Luhan. cil. as categorias "política" e "gol-'f?rno" Acredita-se no "Brasil Grande". empobrecidas da populaçào. através de I1UCCtCS c metáforas. É proibido o gesto C71ador. como Pasquim.G. Também o jornal Opinião traz debates sobre a atuaçào cultural subordinada ao Estado e críticas ã tendência nacionalista-populi~ta no campo da cuJtura. 19S t. A Pomba e outros.. Ao lado disso. lido para Copacabana...). o "povão" c. 1'1'. de seus méritos.. cumprem suas obrigações. em que a defesa da ordem. . A Inoderniza~ào tecnológica da área de tclccon1unicações é um fato. processos de subjetivação traduzem-se pela importância quc é dada ao consumismo. bens de um modo geral. o que nos permite avaliar as subjetividadcs domimnt. etc. sohem na l'ida. 194... O importante ritnelhorar sempre"S6 'Parece halJer uma ditriw'JOem "dois mundos" S4 S'. Abre espaços para questôes como drogas.p.a política Há duas possihüidades de poder. ) e é remetida para r s-'. Contudo! há res~<. a outra nào jaz parle da nossa experiência e. um profundo conformismo político.B. da aJdeia global que se fortalece gradativamente nesses anos 70 e chega ao apogeu nos 80 e 90. 'panema. da disciplina. A TV passa a ser um dos bens mai. loucura. A imprensa "alternativa" ou "nanica". da Sociedade Tai. mas muitos artistas a utilizam para ludibriar a censura. em 1970. norte-americanos dos anos 60. que o Inovimento contracultural é mostrado através de informaçôes dos poetas beaL.. com a todas as dificuldades da época. 196 FrJ.scsde entrevistas feitas. J. da hierarquiJ. OI'.s discurso. Nos horários de novela. divulgando as importantes contribuiçôes de M. 1'1'. Flor do Mal. consumir mais e mais roupas.or. homossexuali~mo. adquirem mais prestigio. desde questôes mais amplas até problemas os mai~ aparentemente triviais do coticliano58. influenciado' pela contracultura. produzida por Luiz Cnrlos Maciel..fim de cunhar matéria de e'qJressiio para as intensidades atuais: o gestn criador .sa ou ao cinema. Bondinho. "divertimentos '. OI'. S6 de um lado. etc. na coluna "Underground". WallySailormoon. O movimento pós-tropicali. o que li /J. Marcuse e Norman Mailer. Há unla aceitação quase unânin1e das regras do sistema. de outro lado. tenta romper com os padrões jornali'ticos impostos pela grande imprensa.ç(' e e substituido . G." captados nesta pesquisa. transmuta-.loi desauton'zado e quem ou". (h submi"ào sào enfatizados... Eu quero suhir na vida e nao tenho medo de tmbalho.dentre S7 Velho. onde as pessoas trabalham.belo medo e o medo aumenta ainda mais a timidez do gesto criador Desencad(. tentativas de se forjarem e produzirem territórios singulares. em especial. Rio de Janeiro.com Torquato Neto.a eshoça-lo nao s6 será tachado de traidor. É no Pasquim. Foucault. "Os agenciamentos estào interceptados: joram grampeados E' terminantemi?11te jJroihido fazer uso da Hngua a . E interessantc a análise dos difert'ntt'. deixando o tom "objetivo" e supostanlente "neutro" para abertalncnte exprintir suas opiniões. 12S. A criatividade é estancada.tema as pessoas crêem que "subir" depende de suas virtudes e pessoais.es nas camadas médias urbanas no inicio dos anos 70 no Brasil. à necessidade de :')e ascender socialmente.. Rogério Duprat. "filafaculdade não me meto em confu. a classe média aceitam passivamente que compete ao governo a resoluçào dos problema..há.Op_cit.ta. Individualismo e Cultura: Nota •• para uma Antropologia Contemporânea. o Hollanda. Acredita-se na excelência do sLc.. mas distantes e inacessíveis por sua própria natureza . 1987.>icioso qual o dew40 /'ai no enfraquecendo cada vez maLç a sua potência de (:fetuaçdo"~s. há uma esfera onde acontecem coisas que sào importantes. compram e assistem te/ep/silo. estará co"endo jJerigo de lida ( . 24 25 . Op. cotidiano.tências essas subjetividades coletiva. Dudn Machado e Hélio Oiticica.>ia~seum circulo I. isteneial ( . na Zona Sul do Rio ck Janeiro }X)r Gilberto VeU1o.

com filmes de Rogério Sganzerla. I'ia/ar.é () setor que mais adere às exigências do novo mercado e à política cultuml elo ESl. por muitos chamados de "alternativos".. Dona Flor e seus Dois Maridos. mas que. os movimentos ele resistência..•• 2ú . queajJarenti'mente pouco se identificariam com os temas do n01'Og!'U/Jo. Vão ser estes movimentos que continuarão . artic. músicos. aparecem grupos "nào-enlpresariai. dentre outros.. eS1~ooS "concretc>tas" Décio Pignatari. mesmo. T\~oinício desses anos 70. que embarcam na na/le em nonw do saher moderno e de al1t.) (' cmru!çam. C~=o.o. mu.<emplo.'5.onde são escritas mensagens diversas: li. o que predomina no teatro é o aspecto empresarial que encontra um solo fértil para suas superproduções. ao Brasil elo "milagre" imposto pela ditadura. entao. 198()."tas plásticos envolvidos com o cOlupromisso de retratar o cotidiano.:'() ver: Mello. a Illanifestaçôcs de poctas.o: de um lado .euç e teatros em ( . CiJdo Meirelles inicia desde os 60 um trabaUlo que se prolonga por todos os 70.'nfatizam o cârater di' gmpo e artesanal de suas experi(>ncias ( . como diz Wal(v. se opor à "ilha de tranqüilidade e progresso".. dentre outros . das tenwtivas de se forjar singularidades.tll Apesar de tai. promessas de ascensão social muito fortes na época . p.'jru. Confecção artesanal de garrafas de coca-coia.ta!-i e plásticos. lOr~. cllando. moedas de zero centavo..~ ano. José Cebo M:trtjn~z COrrL'3.fremum "hoom" df? mercado com os leiJóes e a hoL..ç.. ao transformar-se pnponderantemente em rentável neRôcio. As artes plásticas apoiadas pelo Estado sC!. as "inser~ões em circuitos ideológicos". deste circuito oficial.stascorno L)igia Clark.a de arte determinando uma produção que. seja do Estado seja das empresas privadas. [!. sexuais. O cinetna. pp. op.c. mas tatnbém da.c. J'\a literatura a geração t1liIrlCÓf~rafoparcce e.) 20 Anos de Resistência: Alternativa. a pro/ijérar os lil'rinl1os que sao passados de mão em mâo. a linguauem e a !!ida. apesar de se constituírenl em guetos. A. Júlio Bressanc e Ozualclo Candeias. Ickm. l "t.mu>ntalmente na e. M. e que fortalecerão as llludanl. recusar as relações dadas como jJronta. As formas de I'l'sLc.c. l~~ L' lil . Ao lado deles. Augusto c 1 {aroldo de Campos. que lnarcam movimentos de resistência. por último. ) A marginalidade des. receitas para confecção de coquetéis mo/nUJlI. Tenda dos Milagres .outros. clt . listas de pessoas mortas. cédulas de zero cruzeiro. l.<. IJerde em muito sua l'italidade crítica e praticamente dd"'a de interessar aos setores da Juventude unil'ersitdrla" 61. sem dúvida.emhora para a grande maioria passem despercebidos -.. como as dcmai.."tperimentaçdo radical de linguagens inol'adoras como "'estmtêgia de "ida "(. B.) gera~~ào que entra na clandestinidade e/ou' na luta armada. Fora. 'fJ (i) Holbnda. ••da Cultura no RcWme Militar. às produçtles "altetnativas" acitna 61 62 Idem. 125..a.<. há () chamado cinema "marginal" E que. que conseguirão. Esses passam a se ligar às agências estatais vinculadas à área da cultura e que sáo dinamizadas ou. as subjetividades hegemônicas . nos costumes e comportaInentos que a década ele HO em muito irá ahsonlt'r."tas de pessoas presas... tornar-se mutante" w.tência produzidas nesse período s:l.l)or(~. de outro. cria seu próprio circuito: nào depende do apoio ojkial. p. P preciso muda. publiclIn a Navilouca com textos de poeta.4.cooptaIl1 muitos artistas c intelectuais. assim como algumas produçôes em Super 8.l){).através náo só do clima de medo imperante.. SobrL' a resistência cultural n(>.~asque efetivamente ocorrem nas rclaçôes familiares. Vão ser. Chico Alvim e outros. chegando aos 1>0. resistências. 1"\0 entanto. dominado pelas supcrprocluçtk's holly\voodianas epmo Xica da Silva.. Espaço L' Tempo.J uma marginalidade l'Ílúla e sentida de maneira imediata frente ã ordem do cotidiano'~~. surgem porém alguns trabalhos produzidos por arti.esma loucura" ( J. por catllinhos diferentes dos da luta armada. lJf!11didos portas de cinema. a partir de modelos originai.de outra forma . De tal produçáo independente surgem poetas como Chacal. ctc. n1uitos deles. Um tipO de trahalho coleti/!() e múltiplo. cineasta. tenta algo de novo. estwJam "transando a m.do_ ntretanto. Rio dt' Jan(.w' Urupo nào e mat. os hl{Jpies ligados. mas (..as contestaçàes oriundas da década de 6o. 1. criadas nesse período.•literária.'· C0l110 o chamado teatro de invenção de Paulo Affonso Grisolli e Amir Ilacldad. emjJenhado fimd{.

S. ligadas à juventude da época''. por mandatários de fora I h •. num total de 59. No drogado. ultradepressivo (. as drogas são associadas a um plano extcrno par" minar a juventude. experimentando scus corpos. São Pauto. mas ninguém realiza nada""".) todos têm planos. inst'llam-se nUOla marginalidade crônica""".ti?itiçado adquin'u a capacidade de enfeüiçar"6B. OS/IO/89.e muito dic. antifamjliari~tas c nêHnacles . 60. . G. que não chegam a 100. Sua resistência "é feita de um não querer" vivendo em bandos. F. vio.' não encontram outras formas de fazer oposição ao regime militar. após o Al-:. luas contra a religião. t6 67 éS (j) Rotnik.seminada-"i anos 70 nos no Brasil: a do subversivo e a do drog'"do. a..114. tornando-a presa fácil das ideologias "subversivas". A prinJeira é apresentada com conota~ões de grande periculosidade e violência. apesar de sua resistência no seu cotidiano. No campo.citadas e embalados pelos movimentos contraculturais que haviam sacudido os Estados Unidos e a Europa nos anos 60 e 70.. filhos) etc. cmbora houvesse todo um suporte coletivo que os ancorasse: os movunentos c()ntraculturaL~. p.. tomando-se. quando aceitamos e naturalizamos diferentes instituições: a organiza~o. Ele está contaminado e pode passar a doença. Op. Está contalninado por "ideologias exóticas".. comoventes em sua coragem. anticonsu63 Sobre o assunto ver Portela.~ de classe lllédia (' média alta que.. e que. vivendo da esperança de um dia conqulstar a terra prometida"". "Por sua vez. o aspecto de doença já está dado. traidor. come~amos também a ser vencidos por nós nlesmos. l\ão se consegue reinventar novas formas de pensar a transforma~o. no cotidiano das nossas relações. o que se torna perigosíssin1o. etc. os que morrem.reproduzem o autoritarismo. apesar da total apatia e indiferença da maioria da população. juntam-se drogado c subversivo. o que traz fortes implicações morais. a moral e a civilização. H. vanguardismo e palavras de ordem totalmente dissociados das "massas" que querem "libenar". da micropolitica. por cerca de quatro anos.. 60. cit. a dureza e a inflexibilidade nossa e de nossos companheiros. com seus aspectos lúdicos. 28 29 . Duas categorias são produzida-c. ln: Individualismo e cuhura.ç de contaminar. é um ser moralmente nocivo. O subversivo não está somente contra o regime político. ao mesmo tempo em que os inimigos "de fora" nos vencem. Por outro lado. ateu.. conseguem produzir poucas subjetividades singulares. . são todos desaparecidos políticos até hoje"'. É como afirma Hélio Oiticica em carta dc 1970 para Caetano e Gil. o sectarismo que querem combater. 1979. Idem. a pátria.. p. anti-industriais. "O Ano das Drogas e da Repressão" [n:JBiCademo ldéias.. Todavia. encarna todos os males e é um agente consciente de contesta~ão à sociedade""' Para as subjetividades hegemônicas da época. Ações armadas se sucedem nas cidades e no campo. Pretendemos transformar o mundo e nào percebemos a reproduçào autoritária em que caímos con1 nossos companheiros.. então exilados em Londres o ambiente aqui está. a mais violenta e sangrenta repressão dá-se contra a Guerrilha do Araguaia. eleve ser identificada e controlada. Tal categoria vem acompanhada de outros adjetivos como: criminoso.. somente tempos depois põde começar a ser pensado no Brasil..cit. "viajando". poucos territórios onde não sejam capturados. poie. Estudo feito por Velho. mobiliza milhares de soldados do Exército para combater os guerrilheiros. Os militantes. Global. p. Idem. Sonhamos com a revolução como um acontecimento que libertaria a humanidade das opressões. nlistas. [dem. os hippies. p. como de enfeitiçar.sitn.toser uma ameaça política à ordem vigente. em muitos momentos . os militantes dos anos 70. usando drogas. Oiticica. tanto o subversivo quanto o drogado apresentam problemas psicológi~os graves e sérios. con10 já esperava. e ao ser en.e. Guerra de Guerrilhas no Brasil. apregoando as práticas grupaLs. Cheios de messianismo. sobretudo entre os joven. O'. em todos os sentidos. Aí.. tem hábitos e costumes desviantes. 64 6'. do autoritarismo imperante no nosso dia-a-dia. iniciada no sul do Pará pelo Panido Comunista do Brasil (J'C do B).ou em quase todos . eln comunidades. A luta armada leva muitos para a clandestinidade.UI11 anti-social. poio:. em sua resistência. Op. Desres guerrilheiros. p. O que na Europa o Maio de 68 mostrou.. Na época. a fanu1ia.. Sobre o assunto esta obra é fundamental. O inimigo tanlbénl está ao nosso lado e dentro de nós. somente depois do total aniquilamento da luta armada: que as lUlas contra os Estados capitalísticos necessariamente ligam-se ao questionamento dos micropoderes.. 112. o subversivo tem tanto possibilídade.

'o.'\~i<..'il'U J)eito dese110. A sua mào parada. medo Cada um guarda maL'i O seu segt'edo A sua mao jf.:emos de coi.\ indil'iduos que comfJOem a família a responsalJilidade de enfrenta-lo" âejénder-"e (.-':loé a produ't::1o de uma outra suhjetividade: a "crise" da f:1nülia.s"~ lJeú. mile me chama do almoço. a família. se algum hífJfJie após experiências com drogas não reton1a ela "viagem··. Prá tanta t1t. Se algum militante é seqüestrado. São pessoas que fogem às suas obriga. com i~so consideradas doentes. 64 ~1 Idem. ":4 ameaça é ri1'Ída como . I li. ma"~("a/x' ao. medo. /Jiante da mesa... lAcrada e selada.. Sem ter l-'1s./o a l'ída_ Ou coLça parecida. são poi". Principallnentc nas Gllna(bs médias urbanas vem sendo vendida desde há muito a importância dos projetos de ascens:lo social.O FAMILIARISMO COMO CONlROLE SOCIAL "/'v'o centro da sala. S'etoca e se cala. Ou caLça par'ecída. porwntn. nOI'Cl. medo.'inda cI(' dl{iciéncias psicolôRicas l' morai. E molbada d(' medo Pai na caheceira J? bom Jlinha E hora Minha do almoço. p. deve cooperar ni. eles c suas famílias s:10 os responsáveis c nà() () estado ele terror que grassa e111toda a sociedade'" As famílias aceitam tal discurso.o naturaL" e indi.\fedo.•eza. lündamcntahnente os de classe média e média alta.-filhos Isso nao significa qw. torturado e J.."a H cuidemos da I'ida Senão chega ti malte Ou coisa parccítia. A sua boca arn'rla. culpabilizando seus filhos e culpabilizando-se.\1('1'ior·· ste e /'il'irio comn /)l'1·manentemente E (Jerigoso e !)()luiâor.principalmente por suas atitudes em relação ao trabalho e ã família.' nào ('. /'.tmn acusarDes contra o "mundo ('..'amido e tristeza A gente se olha. Negra calJeleira. p_ '"4 31 30 .. (]/orfl do Almoço .".fedo. E se desentrnde no instante ('m que {ala _. esses filhos "desviantes" e '·diferentes" s:1o produzidos pelos prohlemas por que essas bmílias passam. algo está errado. ao questionar os dominios e criticá-los.(. o dispositivo produzido no sentido de enfraquecer todo c qualquer movimento de resistência que possa forjar processos de singulariza'r. estào se tornando "subversivos" ou '·bipjJit?-:'.'('bada.> do. o que se torna um valor Ixisico para elas. Minha W'Ó reclama t: hora do almoço Pu ainda estou I)em moço. Assim. neste momento. em que o controle e a dL"iciplina estão presentes c ela. O . "1panxida' 3 .Pitar tai" Jx'rlgos" -.·ões e questionam os planos e projetos de ascensão social de suas familias. E nos arrasta moço.sinaclo. irma mab.Belcbior) o que está suhjaccme a estas duas categorias c.sto. grande preocup:W30 com a família: fala-se da sua importância como mantcnedor:l de uma sociedade s:lud:'ivcl.cutil'ei..ss~L<. Se seus J1lhos.. Ou coiça pmw:tda. }. acreditando plenamente que algo estj errado. t '70 luem. poem em dUl'Ída uma ordem e uma concepçào de mundo que devem set' pistas com. a sua "descstrLlturaçào '. medo.fundo do prato (.

. afinal.soa está sendo auténtica. "A idéia de comunidade que está envoluida aqui ti a crença de que quando as pessoas se abrem umas com as outra.<ita. Apesar das críticas feitas ao familiarismo então vigente. e ao mesmo tempo enl que as pessoas devem ser clnociona1tnentc abertas umas com as outras.. O Declínio do Homem Público: As Tirania ••do lntimismo. A inlportância da privacidade é apregoada intensamente: o que acontece fora não nos interessa. "Se o ato de tentar contar aos outros a n'Sfx1to di! si mesmo rJ sentido de modo intenso e real. com os outros c COHl a sociedade em geral. portanto. A intimizaçào passa a ser uma preocupação const. ". 1988.veleidades. tirânico e cheio de.'itóricaque reforça o projeto individualizante de família I. ria-se um c tecido que a.l obsessivamente nas rela- A ênfase dada i responsabilidade individual de cada membro da família mostra o fechan1ento dela sobre si mesma.tomar o fato de estarmos Cln privacidade. Esta visão intimista da sociedade7b.l todo custo que o sujeito sej..'i mantem unida. 409.reproduzem em seus espaços o mesmo esquema familiar que tentam anular. 70. o mundo nos frustra e. um interesse Glda vez maior pelos problemas da personalidade (' a procura de uma autenticidade quc exige :. há uma extrema vigilância entre elas para quc tais "papéis" sejam desempenhados..deste modo. frito diretamente por parte do Estado.]s pessoas. investe.] transparente. viaja. nas cbsses médias urbanas brasileiras. criando a ilusào de que uma vez que se tenha um sentimento ele precisa ser tnanifcstado. em que o mundo exterior parece nos decepcionar..'> que nao estilo entendendo.6 Expressão utilizada Pllf Richard Senett in Op. sao eles que estao sendo jàlhos para com ela.. torna-se o refúgio contra os terrores da sociedade. cit" p..) mas botar meu pezinho no apartamento dele. Gil.. eu niio ponho não"73 o privado. R. das Letras. de sua fanu1ia. portanto.l o que acontece dentro de si. nossa vida nos ba. Trecho de entrevista feit:1 por Gilberco Velho em 1970. In: "A Utopia Urhana~ Op. Assim sendo. ~'ões humanas e torna-se natural sempre se estar perguntando o que uma pessoa ou um acontecimcnto significanl. No capitalismo. Se nàa há abet1ura psicológica. nega-se o que acontece fora c volta-se par. Uln fim em si meslno"7'i. "autêntico" . o fantiliar. com uizinho a gente só pergunta se está pred"ando de alguma coisa (. fort::l1ece. ascende socialmente é o modelo que se fortalece com o "milagre brasileiro". dialetos e ritos próprios. fundamentalmente ligado a uma cultura psicológica .Esse modelo de família que compra. "72 somos urna "comunicl1dc" de seres iguais.'Idodi'. a jJes.e a uma cultura da 'S Idem.so .Tenl0s tentado . p. estes grupos . sinais gritantes de uma vida pessoal desmedida e de uma vida pública esvaziada. fica reforçada a uença df!que os impulsos pr6prios ã pessoa selo a imica realidade na qual ela pode wnfiar"T'.]través de todos os seus atos.]nte.. Sâo interessantes os grupos que se formam nos anos 70.onde tudo é rcduzido 00 psiquismo .vivendo nesses "grupos" ou "comunidades" ~/dizenclo para o mundo que este não nos interessa: 72 73 74 Idem. ou por grandes empresas. 409 . p. I fã.>. pp. não pode haver laço sociaL "/4. por conseguinte. Cia. cntao a falta di! .ta" estão diretamente Iigacbs às relações que o sujeito lem com o seu cCIrpo. exigente.. seja de militantes ou de hippies em suas 'comunidades". eles não sdo adequados iAs necessidades dela. Estamos... particularmente nos anos 70. Sennett.. São Paulo. 274 e 27'. Ulll cu sempre insatisfeito. As exigências dessa "personalidade intimi". a privacidade familiar e a interioriz~u.. O intin-UStll0 está.mo penetr. .verdadeiros guetos .'i. a sós ou (0111 a fan1l1iae antigos íntllllos. na qual as pessoas se preocupam apenas com as histórias de suas próprias vidas c COOl suas cllloçôes partkul::Lres.'esjJostados ou~ tms significa que hd algo e""ado cmn eles. o intirnLo. Idem. "Esse processo se dá dentro de uma conjuntura hi..::lo d. 105. Criam-se linguagens. p. parece vazio c sem atrativos. com ele nada queremos. . com i.. () que predomina é o "reino elo eu". J com a ampla veiculação de uma propaganda que enfatiza o consumo e o sucesso material. o "interior" é percebido cotno uma realidade absoluta.

. principalmente nas classes médias urbanas. da sua adaptação social .. S.A PSICOLOGIZAÇÃO E OS ESPECIALISTAS "PSI" "Eu quero uma casa no campo.(grifos meus). etc. tanumho ideal. A. é rejeitada. se> nao Jor imoestida no domínio adequado do privado. nos anos 70. 1981. pau a píC/ue e . Ilá uma atitude cética em termos de politica. a preocupação com os casamentos.. a descoberta de si IneStno. há urna psicologizaçào elo cotidiano e da vielasocial. daqudes a quem não . O Contexto Social da PskanálJse.o indife"ença pelos emcantos da intimidade ou familiar amorosa ( J. em vez de um meio para se conhecer o mundo.e" há quc se ter especialistas: .. As categorias políticas são transformadas em categori:ls psicológicas. no qual tudo se torna psicologiLável: há uma sociologia psicológica. 34 3S . "O sujeito psicológico passa. dos casa!" infelizes. . ':4 sU/)QstaI'alorizaçao do trabalho ou da política aparece como (.. implicita nesta verlente psicologizante. a idéia de qUi' o indir'íduo dispoe de uma quan~ tidade de energia limitada que corre o riKO de S(trdesperdiçada. é vi'ta de forma extremamente ncgativa.''' 1)0 (Casa no Campo . O discurso psicologizante . no Brasil .mo psicológico. etc. dos incompreendidos. uma antropologia psicológica.. Ilá um imperiali. afetivas. p. G.L'icen'iàosocial: o maior sucesso profi'isional.. na medida do possíliel.interioridade ~ onde tudo é reduzido ao privado. . . ) são convertidos em questões de pt"fSOnalidade. há Ulll esvaziatl1ento político. . rurais Eu quero uma caVA no campo. 9. Onde eu possa plantar Im"us amigos. do familiar e o psicologistno fornece uma legitimação "científica" :l tecnologia do ajustamento. 1989. dos filbos despíados. mas o que se sente.uma incompatibilidade entre os domínios público e privado.42. A militância politica. Investe-se permanentemente no domínio do privado. o donlÍnjo público são esvaziados e desprovidos de sentido. Parece /Jauer.Zé Rodn>: c . a ser medida de todas as cO~"ias "7'). dos filhos. quando a realidade social. sempre em nurnero suJi'ciente para atender à demanda dos PU!"desarmados.tultiplicam~. Esta vi.mostra cOlno a dimensão privada mais intim~')[aé incorporada ao cotidiano. p..wciais (. é preciso cuidar do casal.<. o itnportante não é o que se faz. A politização do cotidiano pode ter como contraparlida a desafetirmçào da vid(1 privada "!le. 79 00 Figueira. Ou seja.• Hu quero uma ca~a no campo. é prec!"o jazer algo e os conselheiros e os "psí" são justamente aqueles que a isso se dedicam.ào intitni')ta é extremamente valorizada nos anos 70.• os conselheiros e e psicólogos. O único sentido está no privado. a busca da autenticidade e do calor humano são os fatores essenciai. O que interessa são os projetos de . de tato. Subjetividade Acredita~se que a aproxitnaçào. jorge Zahar. a liberação das repressôes. Para esta família em "cri. do corpo. 4 .imlo) Atltnentam a prcocupa<.saficar do tamanbo da paz. VeUlo. ou até voltar-se contra de.. com a finalidade de adquirirem um sentido Os conflitos políticos são interpretados em termos do jogo das personalidades politicas"7lI. Onde eu /)Qssa com/x). a melhoria nas rela\~ões familiares..VA!)(". Onde eu pos.ide janeiro. muitos rocks E tenha somente a certeza Dos amigos do peito e nada mai~ urbanas..caracterLstico das camadas médias 78 ldem. ). etn suma. a ampliação e/ou consolidaçào do patrimônio. sobretudo pela crença de que os interesses pessoais. E tenba som(-'nte a cerleza Dos limítes do cm1xJ e nada mai .) pouco ca. Rh.. os filhos.fbi ensinado viver (.. "Numa sociedade intima todos os fenômenos .-'ão. Produz-se uma oposi\..:ào c o investimento com as questões relativas ao "interior" e o conhecimento de si mesmo torna-se uma IInalidadc. 271.. e Sociedade: Uma Experiência de Creração. familiares estão acima de qua~squer outros e que não se pode e não se deve ahrir mão deles. Rio de janeiro.. Meu'õ discos e Urros e nada mais. para o bom andanlento de uma sociedade. na década de 70..p. Francisco Alves. do se:m..

se "desenvolvc".'íduo sente a nC!Ceç. \idade. qualquer angústia elo cotidiano. Com essa "tirania da intimidade". pp l. lJesmotil1ado (. Rio ck: Janeiro. Ele nào e~1á motivado.~ã()"a fanúlia. por outro. l% e 197 F Médica e Nonna Familiar. C0111 a emergência de especiali'5tas em diferentes setores e a ênfase no "discurso da competência".ta manipuJaçao.) e ló A.n!12. como o intuni')mo.H..o. 1<)76. descobrem os sociólogos. "crepúsculo do macho". as subjetividades dominantes afinnando tais temas. "objetivo" e "neutro".~t."dmo de honestidade e neutralidade.J Educador São Paulo.L'lol..>idal' uma luta. Nào é por acaso que os anos 70.'iidade ser apoiado.J. a emancipação intelectual. o se. portanto estuda mal. 87 Tese defendida GOfZ. possuem o saber. C()rtez.'iOas r'iuerem SlJa'"Ítttaa çao n~ma conjuntura imtdvel. Os pais se cunJam diante disso· se o filho fica ansioso. Ele fi ansioso. Desta forma. artigos us In: Brandão. Sobre o assunto Científicos"_ lQQO.tos de<. 0p_ dt. "Essas múltiplas falas dos especialistas "competentes" geram o sentitnento individual e coletivo de incompetência. por Stephen CM. "a dissolução" dos Gls:unentos. V. O surgimento de tais especialistas e seu fortalecimento no mundo capitalL'itico nào se dá pela necessidade elc modernizaçào C' desenvolvimento da sociedade. UFF'. ordenam. poderosa arma de dominaçào"".'\:o as relaçóes afetivas e entre os memhros da família ( . em Origem e livros como: Hoje? Da Arte i Ciência: Rio de Janeiro. ultura C Marglin CR I()rg-. proli"sional e sexual da 111ulher. Volio. como trIPio de manutençao e reproduçdo da ordem social (.). qualquer sentimento de mal-estar existencial.'3cursosque se afirmam "científicos" e "neutros" produzem. São Paulo. \1artins I lJ8U.tas "psi" estão vigilantes o e atentos para resgatar suas vítimas. 201 e 202. replicam os professores..curso da competência"36os técnicos e os especialistas aparecenl como os que entendem do assunto. o choque entre as diferentes subietividades produzidas e fortalecid:l'i no decorrer dos anos 60 c 70 .'16 Termo usado em algun" c:k s•••. Cluui de PsicoloRU.acU) DefXlrtamento por MarilelU Graal. o controle da natalidade. Rio dl' Janeiro. De um lado. (~raal.muitas delas.clol. Têcníco- os Especialismos Revi. j os pai" se inquietam· tinham jracaç. qualquer morali. Ordem da. de um país que se "moderniza".ç. alguns territórios singulares que não poderiam. Protegei-o. Proibido renunciar e tomar iniciativa " ~. como tamlJem nào assumem o objetit'O de destruila Simplesmente querem aludar as pl>. c o fechamento da fatuília sobre si lnesma~ produções típica..ado Hm·'Cra tempo para corrigir'? Nao lhe meta medo.. ele.i. no Brasil. A i\lorte do Educador" 1982 •••. detentores do conheciJncnto "científico". a culpa é deles. nde os cspeciali. Recrt!Jera os c:fdtos imprcuL<. Rio de jJ.é lido COlHO a "desestabiliza(. um "a menos" a tratar ( . ser tolerados. a açiio deste tijJo de tuteia I-'ai mais atem. A Polida Tais di.--I7-"78 apre. e detém seu monopólio.do por Donzdut. A lilJenbdc sexual.. Op_ ciL e Funçúcs do Pareclamcnto Costa.. c "vai pra frente" . l!1Semestre.'ido capitali'imo monopolista.. e Democracia. ocultando-lhes (Jongem e n caraler politico-_'i"OciaI"H". dizem outros. J. d como necessidade de procurar ajuda "competente" par3 os males que a "lligcl11. simplesmeme "verifica o desejo do seu clieme""A lamilia tornase consumidora ávida de tudo o que pode ajudá-la a "realizar-se""'.' pr. "U que é Ser Educador Vida e Morte de Tarefas. no chamado "di.cipLinados. "rigoroso".. a socializaçào dos selviços doméso ticos necessitam Se-f di<."-Cmada e em Coimbra. 20 l Op cit. se nao se tornará um jmrapo Proibido traumatizá-lo. na familia e na sociedade em geral. Criticada Divisâo do Trabalho. a niw ser numa jorrf/i2 residual. disciplinar. É enl cima de tais questões que o especialista "psi" entra.nciro.wllJ ou dogmatisnw /vao desixnam ninguem autoritariamente para a vida jiunüiar.. nonnatizar (' naturalizar a divisão social do trabalho estruturada sobre a dominação e a submissão8i. onde as rtierências fiTas desa/Jareceram e onde o indil. Faça-o compreender qtw a I.. yt'r Coimbra. J. dizem uns. In: 148Q . Ano li . mas pela sua funçào de melhor controlar. .nornlatizados. observa o psiquiatra. tes Temps des Parents. llesst'l. ). 1986. ) Todar'ia.H."li amilia"li. "Há sem/H'c um "a mais" a corriRir. Deixe-o expor-se. de mas mio dirigido" g[.M. C. "verdades" dotadas de efeitos poderosL'5imos. citJ. diferentemente do padre e do médico.raJ. com sua providencial neutfa81 82 Don7. Fontes. são imediatamente renletidos para o território "da IOlta".F.. ) jJ(Js\-ama ser usados. DoL"gran83 8-1 8'5 Dom. vcrebdeiros i1ulllinados. são marcados pela preocupa\'ào com a técnica. C. pmjelar nele os práprios sonhos superados. dizem os psicólogos Nao o deLw ficar sem jazer nada. pr. de modo sistemático l! calculado. lVão existe mais neles. p. ''Proibido inquíetar ofilho. atraves da tutela terapêutica o como. "A Di\'ü'!3o Soôal do Trabalho t. "o sexo sem freios".e com o ma. poL~.m-j'j . a "bem da moral e dos bons costulnes". a instituição do divórcio.

AExperlêncla do Autoritarismo e Prática.tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo . nos primeiros anos da década de 70.des vetores são aqui utilizados c.. de outro. ainda na prinleira n1ctade dos anos 70. em função deles.a Olha o muro.·am os movimentos trac!icionai.estão nastantc marcadas pela ênfase no familiarismo. olha a ponte." lnstituintes: Os Movimentos Social".tênciaocorridas ainda nos anos 70."ocêtem de nós Olha aí.tnentos sociaL" e populares se reorganizam e se fortalecem. hsscs médi~. quero apontar para Ullla outra vertente: a de que é no periodo mal' repressivo da ditadura militar. principalmente. por serem elas as principals consumidoras das práticas "psi".r TSP. V. olha o outro Olha o velho. articulam-se com as novas subjetividades então produzidas pelos diferentes 1110vimentos sociai<:) que se fortalecCll1.mente instit:uíc1os.MaurtCfo TapaJÔSe Paulo César Pínheiro) Se.A PRODUÇÃO SUBTERRÂNEA DE ALGUMAS forjarem outras 1'or1113s e luta. tnesll10 na segunda metade cios anos 70. fiun1 prilnciro 11lO1nento não tendo ressonância na:. as classes médias urbanas brasileiras respiram e vivem o clima ufanista do "milagre". De repente. olha o moço c/Jegando Que medo l'Oâ tem de nós Olha aí. Olha o dia de ontem chegando Que medo r. de um lado c a segurança nacional.1981. mais explícita. 5 . há neste período tentativas ele se 38 .. outros segrnentos sociais. especia1111ente a partir de 1974/197~. As práticas "psi" durante os anos 70 . de que é somente na década de 80 . Dissertação de Mestr3do .s de resL"tir são forjadas. Embora este Capítulo se atenha ã produ\. no privado em detrimento do público. dentro de um enfóquc tipicamente de classe média urbana. gradual e segura" de Geisel e a "abertura" de Figueiredo . princiralmeme um de .'ão nas camadas médias urbanas. do país que "vai pra frente". Se estas novas maneira." a não ser por parte de algu ns c poucos militantes de esquerda. Ao contrário do que nllJitos afirman1." que reeha\. nos bairros de periferia das grandes cidades.'.que os diferentes movi. Você vai na marra E r:Ja um dia volJa se a/orça e tua Ela um dia é n05. não poderia deixar de assinalar o nascimento ele outras jormas de resio. d sobretudo. apesar das resl'tências que acontecem (luta armada e ecos dos movimentos contraeulturais). em São Paulo nos Anos 70. "científicos" e "neutros".. S.' Você corla um verso Eu escrl. que inventam novas formas de fazer política88 88 Esl'l vertente está presente nos trabalhos de: Te11es.' [Pesadelo .. Somente nos anos 80 é que tal implicação se dad de forma tnais dara.'ão de subjetividades e de alguns processos de singulariza\. olha eu de nom Perturbando a paz fl-'-igindo o troco ltamos por aí. que novas práticas vão se gestando. ue politizam q o cotidiano dos lugares de trabalho e moradia. quando uma série de movimentos nascidos nas periferias das grandes cidades brasileiras atingem as camadas médias urbanas.seus PRÁTICAS INSTITIJINTES "Quando um muro sf!{>am encara Uma ponte une Se a uingança O remorso pune Você uem me agarra Alguêm vem me solta.após a "distensão 1cnta. atingindo. orientando-se pelas subjetividades hegemônicas então fortalecidas. tais temas são produzidos e fortalecidos: a modernização e o desenvoivimentismo. e no poder dos cspeciali<:)tasCOffiSCUS di')(ursos "competentes". eu e meu cachorro Olha o Vfff'SO."1JO outro Você me prende uivo Eu escapo mario. Prática. outros territórios singulares. Poucos são os grupos "psi" que. no início dos anos 80 o panorama l1ludará.

Paz e Terí. cit. das crises da Igreja. 1988 &.) p. prineipalmente. primeiramente entre as camadas mais pobres da população e posteriormente .LS Reinventando a Participação e o Poder Popular: O ABM . Quando Novos Personagens Entraram em Cena. I J 90 Termo utlli?:l. Seus "sobreviventes". logo a seguir.~ de 1968. padres e freiras progressistas. deixa issoprá Já.mSAEIFGV-Rj. de articula-se a Oposição Sindical Metalúrgica de Sâo Paulo. Op.<.'l devires. Cuninhos que produzem práticas ligadas à "teologia da libertação". nas fábricas .) A Igreja nas Bases em Tempo de Transição. Em realidade.no inicio dos anos 80 .. com o AI-S. L& PM: CEDEC ]986. p. começam a romper com o silêncio imposto e são gestados nos bairros de periferia. capítulos "Anos 70: Experiências e Práticas Cotidianas". das tran~içôes de fases. 1987 Sader. alimentação. 92 93 94 Citado por Telles. Rio de Janeiro. a luta armada e o movimento sindical. Estas poucas linhas mostram com grande riqueza a tirania do intimismo.do por Vera Silva Telles em Anos 70: Experiências e Prática.a novas políticas que substituem as até entáo conhecidas e tradicionalmente utilizadas. sao desfeitos e rejeitos sob a açào simultânea de novos discursos e práticas que informam os movimentos sociais populares. trabalho. partidos políticos de esquerda e sindicatos) em crise. Mais do que isto. ntilitantes da esquerda. M.~70. para outros estados. educação e saúde e pela democratização da sociedade em todos os seus níveis.ão que pesa sobre a atuação política. 40 41 . V.3 se destacar ao longo da a segunda metade dos ano. Pequenos atos e experiências que se nunifestam com aparente timidez. r. Assim. o que reduz as antigas e instituídas formas de militância à impotência. ainda na primeira metade dos anos 70.. Os "novos sujeitos" reinventam em seu cotidiano novas formas de fazer política e em seus movimentos enfrentam a "velha política" ainda dominante. cie 91 Nas greve. dentro da própria Igreja e dos chamados movimentos comunitários. Porto Alegre. A Constnlçào de Uma Hegemonia..ição sindical. como uma das forças organizadas. Op.êneia. a certeza de que lutar não vale a pena.que a ditadura militar brasileira aprofunda e acirra surge uma série de movimentos sociais_procurando novos caIninhos.Federação de Bairros de São João de Mcriti. além dos acontecimentos de 1968 em torno da Oposição Sindical Metalúrgica". questionando e combatendo o sindicalismo oficial fortalecido pela ditadura militar.J e Mainwaring S.l d'lauL. p. são expressões de resist. seus sujeitos" 89. Estes movimentos cOlneçam a existir com os próprios "estilhaçOS"90dvindos das derrotas impostas por ocasião do golpe de 1964 e a do Al-S em 1968. dão origem nos bairros e. Op.Pretendo. moradia. uma outra concepção de opo. (Orgs. por muitos considerados insigrúficantes. ai cuidar da v sua vida. entre algunus parcelas de classe mêdia. como também a importância de se cuidar da família e a desqualifica. Prefácio in Sader. da sua famllia. não só porque a repressão é muito mais forte (jogo desaparecem com você!). Idem. moradores ligados aos núcleos comunitários das paróquias locais"9'. autonomia. Guattari. a ordem molecular ~ " é a dos fluxos. E. Guattari"'. Esta exclusão política faz dos bairros lugares com perspectiva de abrigar alguma forma de resistência. M.S.-'''õeS Fábricas. que pas. "Os antigos centros organizadores flgreja.47fi! Silveira. difundindo. ainda que de maneira sucinta. das esquerdas e do sindicalismo . Em cima.<.os passam a estar subordinados aos imperativos da "segurança" e do "desenvolvimento". ao resgatarem criticamente as várias experiências dos anos 60 e início dos 70. dr. como mostram as palavras de um militante operário: ·'Falaram prd mim uma epoca: você é I01J(. quando se iniciam as primeiras articulações de diferentes experiências partindo de ". chocam-se e lutam contra as subjetividades hegemônicas fortalecidas pela ditadura militar.'i.o. do. esse processo de forjar singularidades defronta-se cotidianamente com as subjetividades dominantes encontradas entre as esquerdas. E. 56. salário. assinalar a emergência de "novos sujeitos políticos". A famosa "crise das instituições" que se explícita nos diferentes movimentos de 1968 começa na prática a ser repensada no Brasil.'i Cotidiana. em Osasco. criatividade e singularidade que irão forjando algumas práticas instituintes e através de suas experiências concretas podem ser percebidas como pequenas revoluções moleculares. Ou seja. a partir de 1964 e mais notadamente 1%8. OS sindicalistas. publicado in Krischkl2. Segundo F. 55. Dissertaçâo de Mestrado . ativistas operários. qualquer hora desaparecem com vocO "92 (grifos meus).pelo próprio processo recessivo por que passa o pais. a força do privado em detrimento do público.l. Todos os espa. segundo expressão de F.cresce a propaganda anticomunista em todos os espaços sociais. Estes segmentos despertos do sonho do "milagreeconômico" vão paulatinamente tomando-se aliados nas lutas por melhores condições de vida. que repensam o marxismo. ao mesmo tem(Xl em que se organizam as Comis..

da educação popular. é assassinado com requintes de crueldade e barbarisnlo o padre Antonio Henrique Pereira Neto. O aparato de repressão liga-os a algumas organizações clandestinas ainda em atividade na épDca"'. de militantes operários. a "teologia ela libertação".T. Em 1968. um auxiliar de D.. em geral.Em 1969. quando um padre e vários jovens que amam no "Grupo de Jovens de Osvaldo Cruz" são presos e barbarameme torturack. F_ e Rolnik. por exemplo."a a ser a Igreja. In. Tanto que. Caso. 154. associaçôes de bairros e diferentes movinlcntos sociais tornam-se. no subúrbio de Osvaldo Cruz. desvalorizado.s iniciativas de organização e mobilização popular em torno das reivindicaçôes especificas dos hairros. p 42 ele diferentes estados.l Lltifúndio: Uma Resposta da Sociedade Civil à Violência do Estado".M.tanto no Rio quanto enl São Paulo que habitam as peril'erias. com sua "opção preferencial pelos pobres". em 1971. nas fábricas e nos mais variados espaços.). em que o público é desqualificado.. As Pastorais Operárias. e o político é rejeitado.. V-S. 'Tribunal Nacional dos Crimes Contr. até hoje denuncia e luta contra as arbitrariedades cometidas contra as nações indígenas. o por que repre. 0r. são as únicas organizações que resistcnl no dia-adia a toda sorte de violências institucionalizadas. pDr exemplo. hoje espalhada por quase toelos os estados brasileiros.p. OQ-15 Telles.e Rolnik.. agentes pastorais e leigos comprometidos com diferentes traballJos "comunitários". traduzindo os en~irumento. criada em 1975. dispersos após o aniquilamento de suas organizações.. uma tarefa extremamente elifkil"98 Mesmo não sendo hegemônica no interior ela Igreja.sburger. e Araújo. [o Pre.. Rio de Janeiro. Entretanto. ligadas às Arquiclioceses das intensidades". por intermédio da organização de grupos de jovens. desde o illlCIO cios 70. A revolução molecular. criaelo em 1972. nº 49.surgem as Comunidades EclesiaLs de Base (CEBs). de grupos de noivos ou de casais. Helder Câmara no Recife e até hoje os culpados não foram punidos.. de creches. de 1964 a ]989. com seu potencial criador. que tloreseem desde o início dos anos 70...<.senta uma forte contribuição de energia de luta no campo sacia!""". na Colômbia. por força do próprio Q7 Segundo levantamento feito pelas CPTs. ciL.nÇ:lsrumis"'. de clubes de mães. M. In: Proposta ..r. As Corni"ões de Justiça e Paz.À'<or supostamente participarem da organização VAR-Palmares.FASE. resi"e denuncianelo os milhares de crimes ocorridos no campo contra. destacam-se na luta em prol dos Direitos Humanos. p '57 Guattari..· do Terceiro . Sabemos como os processos de subjetivação são também proeluzielos pelos fenômenos religiosos." In: Op.~ do Concilio Vaticano [l para a realidack. ]87. dt .. assiste-se a uma s6rie de perseguições e prisões de padres. De sua crLse. que se compromete lU luta contn as causas sociais da miséria. "s CEBs. assassinatos e desaparecimentos de centenas de presos politicos. através de ações concretas e cotidianas. começa-se a quebrar. no período de 69 a 73. há em Medellin. p. viabilizam nos bairros de periferia um trabalho ele aglutinação operária que havía se tornado.. até os 90 continuam mostrando sua disposição em resistir. Durante os anos de maior repressão. que não encontranl espaços em seus sindicatos e fábricas.c. cit. através da. denuncianelo as tortura~. ocorrido no Rio de Janeiro. foram assassinados 1'5n trabalhadores rurais brasileira!.fundo. nas fábricas. mais fortes onde há a criação de CEJ3s.. a tirania do intimismo.A Igreja tem um papel fundamental em grande parte destas novas fonnas de resistência. Sem dúvida.. a 2~ Conferencia dos Bispos Latino-Americanos. Surgindo no início dos anos 70. Das CEBs provém um considerável número de "novos" militantes que aluam nos bairros..'iO dos migrantes . F. p. Guattari. nlUilos deles moradores nesses bairros periféricos. () ponto de encontro destes dilerentes agentes pa. 9'5 ° 96 l)R l)9 43 . que tanlhénl surgem logo no início dos anos 70. é importante pensarmos COlno esses ". As CEBs vão propiciar que seus núcleos nos bairros tornem-se pontos de convergência e cmzanlento de experiências vividas em lugares distintos: é o ca. Op_ cit . muitos ligados à luta armada e ã clandestinidade. Vários grupos ligados ã Igreja da "teologia da libertação" transformam-se em iJnportantes trincheiras de luta c denúncia contra as violências cometidas e a itnpunidade vigente. junho/199]. ano À'V. Significativanlcnte a. converte-se numa força expressiva e poderosa em termos de unir e articular dilerentes agentes. presões arbitrárias. 321."1'dade esse ten'doJ. ". também. as liderJ.:idosocial (e até como há uma reinvençào da religÜJ-. diferentes experiências e de forjar novas militâncias. principalmente.. O Conselho lndigenista Missilmário (CIMI).S." de mudanças de modo de vida. No caso da "teologia ela libertação". é o conjunto das po. é o caso de militantes de esquerda. op. lreiras.~pessoas {. de mutação entre a. A ContL"ão Pastoral ela Terra (CPT).. S.. todos trazendo "a marca ele Medellin"9). uma espécie ".fenômenos são reapropriados pelo próprio let.~sibi1idadesde práticas específica. é o caso.

LOl Cava."ão Paulo. irrompendo na cena pública. abrem um campo de referência e legitimaçdo para comportamentos contestaçào "102. Novos espaços públicos eSL'lO sendo conslrUidos.D. Delas. Brandt. nas periferias das grandes cidades. S~er e V.começam a "colocar o pé para fora das soleiras de suas portas" e. Logo são organizadas as Comunidades Eclesiais de Base que irão proliferar por toda a metrópole. p. condena publicamente as torturas que ocorrem nas prisões paulistas. pelo alto indice de mortalidade infantil. P 13. Op.l A IgreJa nas Bases em Tempo de Transição. É nas próprias lutas c enlrentamentos do dia-a-dia que irão emergir esses novos significados. como também nas periferias das grandes cidades..'"Surem forlemente a e. resistência e ani"tia penetra. Todavia. PJ. A partir de 197~ a luta pela anistia ampla. Op. operando fi"uras nos discursos dominantes. E.s103. dL. produzindo algumas revoluções moleculares. 102 Sader. vinculadas às diferentes condições em que são produzida. sobretudo. nos parlamentos. 5. pela falta de saneamento básico.Alguns Movimentos Sociais na Grande São Paulo Já em 1970 D. S. puhlicado pela Vozes. pelo direito de reivindicar direitos"l"". ~ Mainwaring.Tanto o Movimento Feminino pela Anistia criado no Rio de Janeiro quanto os Comitês Brasileiros pela Anistia (CBAs) surgidos em vários estados brasileiros trazem nlaciçalncnte a presença das nlulheres que.. nasce e se desenvolve unu série de nl0vunentos ConlOo Clube de Mães da periferia sul. ele produção singular. em alguns movinlentos sociais de periferia. maridos e companheiros presos. o 1110vimento pela 100 Sader E."Cistência de uma opinitio tdo pt1Míca de oposiçào. ". In: Krischke. de rebeldia. lutam para conquistar o próprio direito à cidadania. R. pelo lixo amontoado.. Embora fique mai. reinventam novas formas de reivindicar seus direitos.restrito aos setores de classe tnédia urbana.. . Não pretendo aqui fazer U11l estudo detalhado sobre estes movimentos sociais no eixo Rio-.( ao e.-qJre. nas nlas..contexto brasileiro de desemprego. onde o cotidiano . 26. de salários indignos e.ocupa. à medida que se 103 Aspecto ressaltado por Sackr. acredito que. 44 4) . a princípio. Nas eleições de 1974 o MDB tem quase quatro vezes mais votos que os dados à AREl'A. Paulo Evaristo Arns .1 . de algo novo e criativo. Constituindo-se como sujeitos politicos. As Comunidades Eclesiais de Base multiplicam-se. Se. a começar pelo primeiro.ndo coment:l. o Movinlento de Saúde e Educação da Zona Leste. em especial naqueles que têm uma maior influência das CEBs. cit. Op. dentre outros. pela falta de transportes.. dt" qU:l. 13-4"). pela falta d'água. pela existência de valas negras que correm a céu aberto. ao ser nomeado Arcehispo de São Paulo. Estes resultados. o lugar de resistência. 118. E. (Orgs. moradias e serviços de saúde decentes. em 1980. {) livro São Paulo: O Povo em Movimento ck P. e em diferentes atos. mas os números são ainda imprecisos101. C. estão estreitamente vinculados às Comunidades de Base e à Igreja da "teologia da libertação". É justamente a partir da fragmentação e diversidade de lodos esses movunentos surgidos na ccna política elos anos 70 que emergenl formas singufares de expressão.com toda a sua ambigüidade . mortos (' desaparecidos. lutam e buscam seus fIlhos. em muitos momentos. "A Igreja e a A Abertura: 1974-198')". tanlbénl. Em 1984 calcula-se em 80 mil para todo o pais.:. Op. esses movimentos. p.que desempenhará ao longo das duas décadas seguintes importante papel na aglutinação e fortalecimento de numerosos nlovimentos sociais -. Principalmente aqueles que mais sotrem com as péssimas e precárias condições de vida provocadas pela própria expansão do capitalismo . não apenas na zona rural. muitos principiam a sair dc dentro de suas intimidades. cit. para mostrar o distanciamento e a não-inlplicação e articulação dos diferentes gntpos "psi" que se organizam nos anos 70 com tais processos de singularização. o Movimento do Custo de Vida. torna-se necessário comentar algo sobre alguns movimentos surgidos na periferia da Grande São Paulo e sobre as Associa"ôes de Bairros e Moradores no Rio de Janeiro. geral e irrestrita começa a ganllar corpo em vários setores da sociedade brasileira.

). cursos.ento do Custo de Vida surge como um desdohramento das vári.õc. principal1ncntc. :"Jo entanto. dando origem em 1976 a uma asselnbléia C0l11 mil pessoas. pesquisas.s/(> ensaia a pas. Alguns médicos sanitari. Na esteira cla expansão c fortalecimento cio Movimento de Saúcle 106 Idem.. oficialInente. IJisando ã coleta de J milbão de a. A grande novidade é que os Clubes de Mães passam a estar nas mãos das próprias llmlhercs.J ... a precariedade dos serviços públicos necessários à prescrva\'ão da salide da população""". Através da prdtica do contmle popular sobre os centros de saUde.sta. Maleus.'iagem da pura lula reüJÍndicatíva para uma açdo política. ''A e. se já desde o final dos anos '::. sobre a alta !(}1 Sader.. A expansão e organização do Movimento 4 do Custo de Vida levam."lli~lIn. '.250000 a'i.". é feito um abaixo-assinado ao Presidente da República com cerca ele 16. Assim. realizada pelas próprias mulheres da perileria sul. discute-se a questão da verminose e . é feita uma pes.00 assinaturas. pro 210 l' 2lJ Os Clubes de Màes e o Movimento do Custo de Vida não só politizam as lutas cotidianas dos moradores das periferias. em I97H.'Ssar en1 l1lUito seus litnitcs iniciai'S. trazem para muitas muUleres que deles participam modificações nas relações em bmilia.. responsáveis por sua direção. e que participam nas gestões dos centros de saúde . Confornlc relatos colhidos.seus direitos enquanto màes."períência dos conselhos se estende dejJoi'i a outros bairros da zona 1e:.nos 70 vão se revestir de uma grJnde mudança e de noviclade e.tas ligam-se ao 111oVllnento e. 10') Idem..-inaturas reiuindicando o congelamento dos preços dos gênems de pn'meira necessidade. englobando grande parte da população não-católica. ".. os Clubes de Mães politizam-se na medida em '1ue as lutas cio dia-a-clia passam a ser um aprendizado ele cidadania. vão se expandir na própria hase da população. o referido autor aponta três aspectos.. segunclo Édcr Sader. tuas. pois. enlpréstinlo de materiais e. 227. o que lhe permite blar de um "novo começo" na bistôria dos cluhes de mães. na Figueira Ci-randc. nova pesquisa e novo abaixo-assinado com 18. Os Clubes de Mães.'os e descobrindo a força de sua organização. particularmente na perüeria sul de São Paulo._a primeira mohilizar.. que lhes fornece grande parte de sua infra-estrutura. dos artigos básicos consumidos por suas bmilias. esposas c companheiras."'. que lança a campanha ". de participação na gestão dos senJi{os púbJicos··w. eleitos pelos moraelores.s específicas ligadas aos diferentes problemas dos bairros. vão transbordar e ultrapa.. Em 197.'. sejam constituidos os Conselhos ele Saúde. pois torn:1nl-5e progressivamente movimentos populares._questào da precariedade da educação".a I'alorizaçào da luta contra a injustiça no lugar do assistencialismo caritatim" 104.'S.1e. o que vai implicar a contestaçào dos próprios valores vigentes.a constituiçdo de uma cnordenação de clubes de mae3: 3 .. p. o movimento consegue que.. Através de reivindica~-. p. 1II11:l cgiti11lidadc I que incentiva <L'i "ba..00 assinaturas. C:ontinuam a ter o apuio claro c explícito da Igreja progressi.o que é uma extensão .!u..em cima da .. na Vila Hemo.lll1 e lutam por seus direitos. não podem ser vistos como movimentos única e cxclusiv:llnentc vinculados às CEB.. () Movim.:ào dá-se em torno da coleta do lixo". cit. visitas. muitas tnulheres começatn não só a ::d"irmar seus direitos politicos enqualllo cidadãs como também .000 pessoas a uma Assembléia em Vila Mariana. Em cima elos daclos obtidos. como locais para rcuniôcs.scs" católicas a participarCl11..L' atividades cios Clubes de Mães.1 ~ a organizaçdo por elas memu:l.. E. No ano seguinte. ocupam um lugar de dcsGlque. lPlllaprendizado no qual os silenciados se organiZ. com a criação de uma Pastoral de Saúde.iOltalecem e se expandem pelas rq(loes de periferia e pela própria cidade de São Paulo. onde Inna Passoni é professora" . No ano seguinte. 202. no Jardim Alfredo c no Alto Riviera . 47 . por t11eiOdc palestras. especialmente. o mouimento de saude da zona le...0 cxi. O Movimento de Saúde e Educação da Zona Leste surge em 197') de um núcleo da Pastoral Operária na Igreia ele S.~.\1·naturasl"IC6. conseguclll Cln 1977 organizar as pritnciras comissões de saúde na região. Conseguem 1. aumento de salát'ios acima do custo de {lida (' um abono de emergência.:. principalmente. Ocupando outros espa. Op. p 220 lO' Idem.

em di. Através das lutas concret:l. que.construindo novas subjetividades no sentido de se assumir. A Baixada Fluminense. cit. fOi di. e as de vários outros padres ligados ã "teologia da libertação" são importantes para o 48 19 . '. In: Kir3chke. Paulo Evaristo Arns. A tlgura de D. é morto o metalúrgico Manuel Fiel Filho. O ch<llnado Movimento de Integração Comunitária. Meses depois. exigindo-se o atendimento a certos direitos básicos. em idênticas circunstãncias. é também o cenário onde inicialmente vão se desenvolver. mas o próprio direito ã cidadania c.dos terrorL'itas são efetivados contra a tlgllra de D.')o que Ulna série de aten1. S. Mauro MoreUi. "ada é apurado. Milhares de pessoas cerram meiras .2 -As Associações de Moradores no Rio de Janei1"o seu surgimento e fortalecimento. posteriormente. Não é por aca. A amplia~ão dos movimentos elaBaixada Fluminense dá-se quando no tlnal dos 70 e início dos 130os três agrupamentos (MAB. Notadamente onde as Comunidades Eclesiais de Base se expandem.I Em 197'i. PJ. Nos microespaços realizam-se pressões canti. 110 Sobre o dc&nvolvimento do trabalho em São João de . 8. "A Igreja CatOlica e o Movimento Popular: Nova [~aç'u 1974-198'5".e&'5esnlovimentos vão POllCO a pouco ampliando as conquistas de relevantes espaços politlcos. chegando a se constituir num movimento de massas. representantes de 18 bairros de Nova Iguaçu lórmam o Movimento de Amigos do Bairro (MAB) que. religião. com sua expansão.. principalmente nas regiões de periferia e onde bispos progressitas assumem em suas ações concretas a "opção preferencial pelos pobres". S IOrg:-. há um notável fortalecimento do movimento popular. Adriano llipôlito. um trabalho sobre saúde que se propaga pelos grupos bíblicos. gradativamente. Todos esses movimentos vão . ) sem que houves. quando do assassinato do jornalista Wladimir Herzog nas dependências do DOI-COm/Sp.c1arecido.em defesa dos direitos humanos e contra qualquer tipo de violência.\1eriti. e flb. nas lutas cotidianas. assumirá importante papel na coordenação e articulação elas diferentes associações de bairros de Nova Iguaçu. p. no final dos anos 70. comprometido com a chamada "linha dura". por exemplo. ver: Silvl.na Zona Leste.'ira. clubes de mães e grupos de jovens e preocupa-se..-":l. Também em São João de Merili..ring. classe. pelo aparato repres5Í1XJ_ O m01Jimento de bairros fica reduzido a iniciativas isoladas (.. por D. com alguns médicos sanitari'tas. logo no início da década de 70. Adriano Hipólito. em 1978.l Op..<. g . bispo de Caxias. há um atCnlado a bomba contra a catedral de "ova [glla\:u. na Catedral da Sé. vão mostrando às "autoridades" o crescente fortalecimento das organizações populares que proliferam na época. 5. e as fortes pressões que sofre o governo militar fazem com que Geisel afaste o comandante do II Exército. mostra a força desses diferentes movimentos populares organizados. começa a crescer o movimento de associações quando é criada a AMB (Amigos de Bairro de Meriti). constitui-se numa extraordinária manifestação contra o reginle militar. ao longo dos anos seguintes. Em 1976.cutir todos os problemas que at1igem a população. dentre outros.. trabalhos ligados ã educação popular. não somente noções como solidariedade.. o ato ecumênico realizado. bi'po de Nova Iguaçu.passando por cima das diferenças de partido. Até 1974. principalmente. torna-se Federação das Associações de Moradores de São João de Meriti' "'. desde 197~. erais "lr:J:l."-5oluidoem meados de 1970. 77 1(1) Idem. raça e credo . Em 197~. em Caxias. nada é es. Em 1978. também no Rio de Janeiro a Igreja "progressista" desempenha um inlportante papel no surgimento de várias associações de bairros. região na qual o Esquadrão da Morte mais "atua" impunemente. as primeiras CEBs.1-100.inw3. ele é seqüestrado e torturado por grupos paramilitares c. há pouca difusão dos movimentos existentes em Nova [guaçu.J. tem início.se alguma atticulação entre bairros e alguma tentativa de [-'incutar estas lutas a qUl"Stoes mai. que propunha organizar os católicos para a ohtençâo de melhores semiços urbanos. fato já verificado na periferia sul desde o mcio da década. Da mesma I"onna.como já afmnei . surgem.:! prefeituras. dele participam quase 100 associa~ões de bairros" 109. Op_ dto Como em São Paulo. Em 1981. p. que trazem como preocupação constante a questão da alfabetização. organiza-se o Movimento União de Bairros (MUB) com o apoio de D. I\LLS. AMB e MUll) 108 Mainwaring. ".

~O. A_C. a. de transporte. através ". a.. a qual vai "..articulam-se não só em cima de pequenas lutas do dia-a-dia. vanlaS assistir. que se organizam ainda na pritneira metade dos anos 70. f'. no nnal da década. 112 Alencar.1. 19CJO.foratiores.cit. as edificações C()~lSC~temtraduzir melhor as preocupações quanto à escala da ciclacle l' a paisagem urbana''11-" lambém como efeito dos movinlentos de prese./08/91. prioridades de um plano de . Disserta~o de Mestrado .ria 'por melhores condir.na" em todo o estado .: pnnclpalmente. "Grandes obras de infra-estrutura lfIân"a dilaceram a cidade desarticulando os espaços dos bairros ( ) Prevalece ~ pensamento de remoçdo de faoela... de desemprego. preSid~ a :e'nodelação metropolitana (nos anos 70) expressa a prefxJ.0 . A luta dos mutuários do Banco Nacional de Habitação (BNH) por Il)8'5 Satkr.()p.c1osUs Tcse.. cit. conlO nas mUitos COIUO qUL<)losSOC1a15 decadas ele 60 e 70. ele falt:! de escolas." de '1. 111) Sobre esse I Encontro de Saúdt.). A especulação imobiliária traz o que Guattari chama de "alisamento da paisagem""': a destruição fisica de espaços cultur:!lmente importantes como resultado do ritmo ava. desmatando e poluindo a Zona Sul e grilando terras e fonnando loteamentos clandestinos na Zona Oesle"ll3.ldores da Baixada. p . o não ao Fundo Monetário Internacional.' dissolvertdo e. p. en1 sindicatos livres. F "Espaço e Poder: A Criação de Territórlos na Cidade~. consultar: Saúde: DI-reitodc 'il '. articulando-a com as condi\-'ões sanitárias..1 ser .tencla e o . 06. n~ 16. arqucs.'i gerais con10: a organização dos trabalhadore:.. "/vucJeando 17 A'5ociaçoes de Moradores ou entidades similares. A primeira.~ apontadas. quatteirõcs inteiros clesaparecenl. ligadas a problemas conlUns dos mOf'".ciL.x}es de vida para a popu1.112..praç'3. Fora os I11ovimcntos ele bairros da Baixada Flunlinense.\~ que caracterizou os anos 60. que a fAMERj se organiza.. conlO tatnbém para eTÚrentalnentos l11ais massivos.)116. ultrapassa aqueles espaços c prenuncia lutas tnai. •Associações de Morado-res Vinculados à FAMERJ e A Comrtroção de Uma • Educação para a CidadaniaAtravt$ da Politizaçào de Base.p. In: JB/ Cad erno Cidade .'Popular e as prioridack'. Segundo pesqui.d](t·ô~ssanitár~as e de v!d.f(:rd~ d~a.F."alador da remodelação urbana..IESAl~. M_L S.JI9 1I(1 Branco.'aude para o estado do Rio de janeiro1l3. condenados pelos movimentos soci~ü'5 L . zon.. não se pode dizer que a FAMERj tenha nascido de um amplo mmdmento de bases.lll. É justamente em cima da luta contr:! a desenfreada especulação imobiliária."l. ao surgunento dc algum:!s Associações de MOf:!dores em bairros tipicamente de classe média que. A. FGV-Rj. inclusive._ Em sua trajetó. A. 48 113 Akncar. ele baixos salários.R.LOp. 1'1'..R. a abertura de frentes de trabalho nas áreas urbana e rural.desprezo com que a tecnocracia dirigente trata a qualidade de mda dos que não têm uutomó1!e1 e nuo uivem nas zonas nobres da cidade"l]>. .sinl. realizado em 1980. a pesqu isa revela que. ocorre a defesa dast.~ar estas intervcnçôes na paisagem quando os espigôes passam . ."A arquitetura dos Anos 70 1. de fazer. originam a FAMERJ(Federação de Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro). o fim do arrocho salarial.-' Ickm.. em L978.nao so na capital.~Associaçoes de l\-loraclores de São c João de Meriti. um de seu" objetivos e e:'<atamente o de formUlar a criaçao de noms Assoctaçoe. Pelo contran"o.rvaçào dos valores ela cidade e do meio ambiente..llClalmentc de um Encontro Popular de Saúde.'paços de conl'ü0ncia fonnados pelos mcontros cotídianos na cidade ( ) A própria concepção urbani.-'i. 132 e I. que passam a ser preservadas.p. pelo bto de a sociedade CO~ltcs. In: Silveir. da saude publICa.p.48 114 Guattari. In Espaço e Debates.~ do l'! Congresso da Federação d.B. o direito de greve. elc. a reforma agrária. feita em cima de ações específicas do cotidiano dos habitantes dos bairros.1:.a. de moraelta. como soluçào para o fJ1"OblemahabitacionaU.a do IABOnstituto dos Ar'luitet'" do Brasil) sobre ~ produção arquitetônica do Rio de janeiro nas duas últimas décadas.a em geraL e nào são mal') percebidas por que devem ser extirpados.a norte do Rio de janeiro. . Já nos anos RO.0. Apontam.avelas. li" ê BO" . o fim da Lei dc Segurança Nacional..' grandes frentes de luta da FAMERJ: p~l~ saude publIca e em defesa dos mutuários. na (:"~(~~" ele Deus. A politização. ('xigindo~sC' nlelhorcs c()n. a partir da questão l spl'ufJca.\1ica que 111 Pontos rctir::J. lund~ll-se que' nos anos 70 há um :1utnento do número de intervenções na paIsagem urlJana. outubro ili' 198). ()p.

territórios singulares por meio de dispositivos que sinalizam em direção a práticas instituintes. Rio deJaneiro. liJgo também os mutuários de classe média são atingidos.L. num encontro com milhares de lideranças comunítárias. ver também: Marani. Após 1982. 120 [demo p. 5. "Esse movimento pela hahitaçào tem inicio nos conjuntos habitacionais de áreas pobres. questionando a própria estrutura sindical vigente.3 .S. pp. pp. novos espaços. ]13 e 114.. 144.uma "nova" política habitacional. são as tentativas de cooptação e de atrelamento do movimento ãs forças instituídas. Brasiliense. e as Comissões de Fábrica convertem-se em símbolo da organização pautada na fábrica. afJfma Chico Alencar que o movimento das Associações de Moradores no Rio de Janeiro tem se constituído numa" . e colocando o governo e a própria figura carismática do líder Todos. é reveladora: "as Associações de Moradores são afluentes de um rio importante. é uma das responsáveis pelas greves em 1968. Consegue-se a construção de diversas praças. 52 53 . espécie de "escola básica" de politização"'2lJ Contudo. passam efetivamente a sujeitos políticos. Se nos primeiros anos da década de 70 toda e qualquer resistência dentro das fábricas é quase impossível pelas perseguições que ali ocorrem.O "Novo Sindicalismo" e Seus Efeitos O fato de colocar em item à parte o chamado "novo sindicalismo" que se manifesta junto com os demais movimentos sociais nos anos 70. em muitas áreas. 53 e IH. Processo Produtivo. a FAMERj ganha dimensão nacional e passa a ser uma referência para os três milhoes e 400 mil mutuarios do BNH em todo o Rrastl"119. como efeito de uma nova política salaTÚlI que corrói os ganhos do trabalho r. 1988. Muitos. que é o partido politko" 121 Cgr:ifosdo próprio autor). tem início urna política populi')ta que coopta muita. e Silveira.. Entretanto. sucessora da etapa reivindicatória do Movimento Comunitário. em sua maioria. "Apelando quase sempre para os "humildes': os 'pohres" em geral. F. Espaço Educativo: Um Campo de Lutas. Dissertação de Mestrado . A. Isso leva à paralisação e burocratizaçiio de muitos movimentos associaUvos (. cit. A Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo. É O risco de cooptação que cotidianamente correm os movimentos sociais dispostos a criar não somente espaços de resistência. 1979 e 1980 têm para o conjunto da sociedade brasileira.. Centro de Qualidade de Vida. mostram produções voltadas para as questões do cotidiano. 1982 119 A1cncar. com o novo governo fluminense eleito.J Nessa luta pela habitação. sociais. quadras de esporte e fortalecem-se diferentes grupos culturais que. novos agentes e novas militâncias vão sendo forjados. op. Osasco permanece como referência quase obrigatória nas discussões da militância operária. também a FAMERJ participa da luta por melhores condições de abastecimento através do projeto "Feirinha Comunitária". E. principalmente as das Zonas Oeste e Norte. M. Assim como os movimentos de bairros da Baixada Fluminense.c. A Estratégia da Recusa:: Análise das Greves de 1978. 1982 e Athayde. realça a importância que as greves de 1978. em rna1fo de 1983. novas linguagens. Leonel Bn'zoJa consegue criar a ilusão de que inaugura.s lideranças "comunitárias" e atrela paulatinamente o movimento de muitas Associações de Moradores ao governo do Estado. no início dos anos 80.pela própria inserção majoritária da classe média nas Associações de Moradores das Zonas Norte e Sul -. os maiores desafios enfrentados pela FAMERJ e Associações de Moradores cariocas. no seu governo. apresenta a alternativa das Comissões de Fábtica·n No Correr dos anos 70. 12] Idem. através de campanhas por espaços de lazer.<. que se fonna em 1%7/68. faz com que a FAMERJcresça e defmitivamente se enraíze no seio da classe média urbana carioca.) e conhecedor das propostas das esquerdas..UFPB.. R. mas sobretudo. 122 Sobre a assunto .além dos livros citados de Sader. ocorridas em Osasco. a era da partidpação. de simples espedadores. quando. que a FAMERJobterá suas maiores vitórias. por conta disso.J Urna frase de Brizola. Em todas essas ações coletivas. no Ginásio do Olaria.as Comissões de Fábrica como ruptura com a ordem capitalista e como base para a oposição ao sindicato . no início dos anos 80.R. é na área da cultura .. Zona None do Rio. onde os índices de inadimplência são crescentes. o discurso populista tem efeIto desmobüizador. São Paulo. Portador de uma inegável sensibilidade para o social (_. como "salvação" de todos os male.

é 123 Sader.ai estão fortemente enlranludas. Aplaudindo e scguindo as linhas preconizadas pelo governo. Rio de Janeiro e Minas Gerais e os professores elo Rio ele Janeiro que priorizam a organização pela base. pequenas conquistas em diferentes fábricas continuam sendo realizados. a resistência é organizada fundamentalmente nos bairros. lô Idem. no seio do qual o "novo sindicalismo irrompe. principalmente. à família e não desperdice tempo com politica.. Além de se tornarem alheios às lutas operárias. novas linguagens.p.. produzem também efeitos sociais poderosíssi. EUl lodo esse processo. fomentados pelo "milagre econômico". as lutas cotidianas dos operários nos seus locais de trabalho . o enfrentamento direto com o Estado autoritário. mas. que vênl de suas IXLo. novas táticas de luta.tas.. preocu pando~seprioritariamente conl as chamadas realizações materiais: compra de grandes prédios para suas sedes. a campanl1J pela reposição salarial iniciada pelos metalúrgicos do ABC é um marco de retomada das lutas massivas que culminam com as greves de 197H. através também de obras fortalecida e sua proposta de Comissões de Fábricas se materializa em várias empresas.es"I.tência. Op. tendo à frente os próprios sindicaIL. por intermédio das Pastorais Operárias e dos diferentes nlovimentos a. "()êxito nas greves de maio-junho cria uma disposíçdo de luta na categoria que permite à Oposição ocupar virtualmente o Sindicato na conduçao da greve em novembro de J 978 e.mos. a Oposição Sindical . pequenas lutas. novos sujeitos politicos. 288 .. os sindicatos transfornum-se em espaços perigosos de delação. em outro contexto. nova onda de greves ocorre.nos próprios sindicatos a situação não é diferente. faraônicas. Em 1977.algumas dessas pressôes. então fortalecidas pela ditadura militar. Dispersa. Pastorais Operárias e Movimentos de Bairros .além de fortalecerem a Oposição Metalúrgica. Entretanto. colônias de férias e unu série de outras aquisições que demonstram como as subjetividades hegemônicas. Um deles. silenctO. acreditam na "grande potência" que será este pais c que ascender socialmente depende do eslórço de cada um.!s. cit.ões nascidas na sociedade civil. leva diferentes categorias de diversos estados a também utilizarem o instrumento de greve. à inserida num conjunto depequenas ações que evidenciam a resistblcia operdrla. As lutas não se restringenl somente aos amnentos salariais. Nelas. sabe-se fazer portador .. seria apenas mostra de fraqueza ou desorganizaçào. pequenos atos. mas real e presente em todas as partes" 173 (grifos meus). de "desenvolvimento" e "seguranp" nacionais. que expande sua proposta de questionamento à organização sindical vigente em outros estados. fortalecem-se. só fi inteligível quando As greves do ABC. conlO tanlbém aumentaln as delnissões. p_ 243. muitas vezes sufocada. questão da estabilidade no emprego. p. "Essarevalorizaçao daquüo que. São os metalúrgicos de São Paulo. De um moelo geral. é assassinado friamente pela PM paulista o operário metalúrgico Santo Dias da Silva . os diferentes movimentos sociais e associativos respaldatll e assumem posturas de solidariedade real aos trabalhadores grevistas. criando novas ações.em muito fortalecidas pelas CBEs. sejan1produzidas no sentido de acolher algumas reivinclica. Não é por acaso que aBpoliticas sindicais instituidaB na época são claramente assistenciais.membro da Pastoral Operária e da Oposição Metalúrgica de São Paulo .e sabe potenciar . se fortalecem. 124 Idem. No limiardos anos 70.~sociativos que surgenl e.. O Sinelicato dos Metalúrgicos em São Bemarelo elo Campo" . em novembro de 1979" n. 2'51. Também no operariado. ... os principaL5 sindicatos brasileiros.forjada nessas pequenas ações no espaço fabril e nos espaços dos bairros .vão provendo novas ondas de resi<.quando comandava um piquete de greve. os sonhos de ascensão social. desde que se dedique ao trabalho. Em 1980. Por ocasião deste último tllovimento. poi . anele não só as percbs salariais crescem assustadoramente. inicia-se um claro processo recessivo... E. A chamada politica de "descompressão" iniciada por Geisel e a resistência operária no interior das fábricas fazcnl com que "aberturas" Neste quadro. depois.fUI. gradativatnentc.

Delfim Neto pode comparar-se ao mestre de navegaçao que orientou as pelaspara colber a melhor }Orça dos ~Jf?1'ttos internacionais.sbancas de jornais quc vt'·ockm so. "Análise Institucional no Rio de janeiJo: Subversão ou Modi.sessemanários. Op. assim deixando impelir o harco da economia com força má.'me clt.o ~-howoo 1'1de Maio com cerca de 1'. por fases de susto. não aceitam as medidas que levam o país a uma democratização.. sargentos e praças que não são anistiados e não podem voltar as flleiras. em particular.\-1. ln: Repe:tl5alldo Algwwa."~como o Pa. fol deslocando o eixo da dependência econômica do campo tecnologtco e industrial para o campo financeiJo~. apesar dos recursos e casuísmos empregados pela ditadura. diante da comurudade bancana internacional.' pretende explodir o local onde . julho/1989. um fracasso completo no que . "Trata-se do coroamento formal de um processo cujas origens remotas se encontram no Golpe de 1964 e no regime por ele instau~a~. que leva.() último dos atos terroristas cks. tenha condições de fazer rolar a dívida exrema. k.C.C. fIgura juridica pela qual os torturadores são anistiados. A.<. Nenhum culpado é punido"133. neste momento.. os "boL~õesradicais" ligados à extrema direita.·iço Secreto do Exercito t' pertt'ocemes ao DOI-O >Dl/R). NeSl:e "aciclt. pois. da Ordem dos Advogados do Brasil e da Associação Brasileira de Imprensa.).<. Porto Alegre.'ào do caos": . uma série de medidas políticas visando à "abertura" são tomaela~. Também é extinto o bipartidari~mo com a dissolução da ARENA e do MDB. São Paulo e Minas Gerai~. . proíbe o pagamento dos atrasados e a discussão da causa da suposta punição. ciL. O aLenLado do Riocenlro ocor~ em _~Oi04iRl . o último elo ciclo militar. Cadernos do ICHF. Passamos - Esta chega ao patamar acima elos 100% e as atividades econômicas sofrem uma queda sem precedentes. O 1~17.Jorge Za~r.t. associado a um arrocho salarial que traz eleitos deva~tadores sobre a. "A impunidade caminha ao ia'do da insegurança. é uma "anistia fardada"l29 que. em 1983. Anistia os torturadores antes de irem a qualquer julgamento. e Assis. abrindo-se um plano destinado a prolongar a permanência do poder militar. Representa a capitulação e su1xJrdlnaçã. que será o nascedouro do Partido dos Trabalhadores. externos. Alem dis~.. A censura à imprensa. Rio deJaneiro.. há a implantação ele linhas politicas que tentam efetivar o projeto de restauração política de "abertura"12b. Ainda em 1979. p.::minários~altt.CÍrculo vicioso de pau perizaçào. M. l:'l! O :lLentadocontra:l OAB/R) mata com uma carta-bomba suasecretiriã. í9. Com a~ eleições de 1982. entretanto é uma resposta necessária da ditadura ao fortalecimento da sociedade civil através dos Comitês Brasileiros pela 126 Este trecho que se segue é uma síntese de um item contido no traballio de Coimbra.]. . na fase do primeiro "milagre ". Lyda Monteiro da Silva. Até porque. culminando com o do Rioccntro'''. A oposição ganha os governos dos três mai~ importantes estados: Rio de Janeiro. 93.C. 198'5. 1%4: VInte Anos de Golpe Militar. 90.. contra a OAB/ Rj1". principiam a receber seus primeiros exilados e professores anistiados. dentre uma série de exceções. bastante restrita. com o governo Figueiredo. que. ao longo do tempo. com o PDT.'Lrabalho" morre um sargemo e fica gravemente ferido um tenente. 1">4 Tavares.eperíodo . 129 Bastante restrita. l & P M."l Práticas em Pskologia Escolar Numa Visão lnstitucionallsta. p. c dentre outros. e Assis. começa a ser suspensa) e a sociedade em geral e as universidades.1J . e.~erejere â situaçao externa do país e à inflaçao" 127.. Ao lado deste caos econômico.S. H. em 1980. atacam os movimentos sociai~ da periferia .0 "-'xplodicbs. In: Tavares.o"134.'rnati\if). O caos econômico agrdva-se e ao pai~ é imposto um forte programa de recessão.smo?~. o governo militar perde fragorosamente enl onze estados brasileiros. 127 Tavares. discrimina cerca de '5. Se. Universidade Federal Fluminensel1nstituto de Ciência. Ani~tia. senão tCfilor com os inúmeros atentados à bomba contra bancas de jornais em vários estados brasileiros130.caso do Bispo de Nova 19uaç.e e Assis. com o PMDB. M. mil pessoas. D. cit" p. St: não suspendem as venrla.].C O Grande Salto para o Caos. do Movimento Feminino pela Ani~tia. Oro cit. H.<.g'dllha força o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. ambos do Ser. no dizer de Maria da Conceição Tavares. ?~. 128 A submissão ao FMI é indispensável para que o governo brasileiro. no final dos 70.uma.. cautelosamente. pois veta expressamente qualquer recurso ao }udiciário e deixa de re~~ os salários. no curso do qual se recorre a mais recessão para se cOlllbaler a própria recessJ. Cria-se um ". recehem cartas ameaçadora. bastante insatisfeitos com seu afastamento dos centros de poder. (Agora) pretende criar o próprio lJento (.'iclasses luédia e trahalhadora. A partir de 1979.~ Humanas e Filosofia.J-C.'500ofidais. dentre outros. Op. a época da "administra.~crealir. In: Silva.. É. o governo a capitular diante do Fundo Monetário Internacionall28. cria os chamados "crimes conexos".. p. 1:'\0 ~m2"7/08/80. p. s3. C. n~ 06. 198'5. 80 )il .M.J. . no início dos anos 80 voltam-se contra a classe média.o toral dos interesses nacionais aos desígnios. No dizer ele Hélio Silva."lquim e Movimento. é sancionada a Lei da Anistia. 133 Silva. No entanto. o sistema fInanceiro internacional já se prepara para nos apresentar as pesadas contas do "milagre econômico".

A configuração deste quadro, com os "novos personagens que entram em cena" por intermédio dos vários movimentos sociais, faz com que a ilegitimidade e o repúdio ao governo militar cresçam.
"A combinação, no governo Figueiredo, de uma recessão cada lX'Z mais intolerável, com uma notória condescendência em relação aos escân4alos financeiros. envolvendo somas gigantescas e altas personalidades do regime, priva o governo e o que restava do sistema inietado em 1964 de qualquer apoio significativo, em todos os estratos da população" 13S.

a partidos políticos cf ou diferentes movimentos sociais do penodo, esses "psi" têm uma expressiva participação, inclusive por meio de denúncias que fazem na grande imprensa, quando há "permi'8ão" da censura para
l':iSO.Porém, parece haver um "corte" entre suas atuações enquanto

Compreende-se, assim, o grande êxito que, ao longo de 1983 e 1984, consegue a campanha das Diretas Já! em todo o pais. Mais de SO milhões de brasileiros saem às ruas, comparecendo aos cooúcios da oposição, exigindo eleições diretas para presidente e a democratização da sociedade em todos os nivel,. Todavia, apesar da extraordinária mobilização popular, a ditadura ainda possui seus trunfos e, por força do pacto com as elites dirigentes, incluindo alguns partidos que se dizem de oposição - da mesma forma como havia ocorrido com a Lei da Anistia -, consegue barrar a Emenda Dante de Oliveira, em 1984, e manter as eleições indiretas para presidente da República através do Colégio EleitoraL B, portanto, nesse clima de grande mobilização popular, repúdio e indignação ao ciclo autoritário, que se inicia a década ele 80. Mobilização que começa a atingir as classes médias urbanas brasileiras que, refeitas do sonho do "milagre", ligam-se ãs Associações de Moradores, às campanhas pela Anistia, contra o Custo de Vida e às Diretas Já!, participando de uma série de movimentos de "minorias" con10 dos negros, das mulheres, etc. Entretanto, se o início dos anos 80 traz para a cena política todos esses novos sujeitos, poucos serão os grupos "psl", no eixo Rio---..'ião Paulo, que se implicarão efetivamente em tais movimentos. Interessante notar que alguns psicólogos e psicanalistas - estes últimos ligados às Sociedades vinculada, à IPA- desempenham, durante toda a década de 70 e mesmo na seguinte, importantes papéis nas lutas de resistência pela democratização da sociedade brasileira. Ligando-se
135 Jaguaribe, H. Sociedade e Política. Rio de janeiro,jorge Zahar, 193'5,p. 36.

cidadãos e aquelas enquanto profIssionais. Em seus espaços "psi", em seu cotidiano como trabalhadores "psi", não há implicação politica com os diferentes movimentos sociais. B a força e o poder que têm algumas subjetividades hegemõnieas, já vistas anteriormente, quando acionadas e fortalecidas por alguns dL'positivos e instituições como a "verdadeira" psicanálise e a formação analítica, conforme veremos a seguir.

S8

S9

CAPÍTIJLO

II

Analisando CrItlcamente esses gmpos, seus funcionamentos, organizações, estatutos, burocracias, currículos, crises e rachas, não pretendo entrar em mera descrição instituída desses estabelecimentos. Não quero privilegiar o "movimento interno" desses gmpos, mas. ao contrário, atualizar sua hi'tória com as práticas então produzidas. É um desafio! O espaço "psi", que se eslmtura no Brasil nos anos 30,40 e 50, é feito em cima da "carência",da "falta"das crianças "problema", da, crianças com "dificuldades" de aprendizagem e/nu emocionais.

As PRÁTICAS PSlCANALÍIlCAS NOS ANos

70 NO BRASIL

Proponho çaminharmos um pouco mais e adent.!".umos o território n "psi" propriamente dito. Território este que, como já vimos, vai se fortalecendo - fundamentalmente nos anos 70 - em cima da produção da "crise da fanúlia moderna", em cima da carência, da falta. O objetivo de analisar algumas práticas psicoterapêuticas nos anos 70, agora neste Capítulo ligadas à psicanálise, conduziu-me também a tentar uma abordagem instituída. Instituída no sentido de mostrar um pouco a hi'tória de cada um dos gmpos "psi" que se formam ao longo desta década, fazendo uma análise do interior do próprio movimento. Se,por um lado, a utilização deste enfoque corre o risco de capturar - e portanto trair - o objetivo inicial, por outro traz maiores informações sobre os diferentes gmpamentos que se estabelecem e que práticas por eles sào disseminadas. Acredito, também, que esta hi'tória instituída, pelas próprias informações contidas, possibilite outras leituras e percepções. Ao históriar os principai, grupos '·psi" no Rio de janeiro e em São Paulo, quero, ao lado di'5o, sobretudo, cotejar suas práticas, as subjetividades dominantes, os movimentos sociai, e alguns processos de singularização, no sentido de entender essas práticas e os saberes por elas produzidos e fortalecidos.

Os saberes sobre a infância - não somente no Brasil mas principalmente nos Estados Unidos e Europa - ampliam-sei, sur~indo preocupações com a chamada infância "desadaptada", com as crianças ··difíceis". Não se enfatiza ainda a questão da prevenção, que irá predominar nos meios psicoterápicos e escolares brasileiros a partir da década de 60. O que se marca é a necessidade de atendimento a essas crianças. Nas entrevistas feitas - notadamente com psicanalistas mulheres, de formação médica ou psicológica - foi registrada a atuação de algumas em órgãos governamentais (federais, estaduais e/ou municipais) nas décadas de 40, 50 e 60 - tanto em São Paulo quanto no Rio de janeiroem Serviços de Higiene Mental, Centros de Orientação Infantil e juvenil, Setores de Psicologia Clínica, etc. Nestes órgãos, inicialmente é dada assi<;tência à "criança-problema" e, se necessário, orientação aos pai') e professores'. De início,estes serviços são de cunho puramente diagnóstico (aplicação de testes), com algum acnmpanhamenro psicopedagógico aos pais e professores'. Gradativamente, muitos deles passam para o atendimento clínico dessas crianças "problema". Da desaclaptação infantil, caminha-se para a intervenção na vida sexual e familiar,prática bastante desenvolvida no Bra,il nos anos 70 Ao lado di."o, cresce a importância dada à prevenção e o circuito escola-lanúlia se fecha.

Sobre o assunto, 2

ver: DOl17..etot,]. Op. cÍt

3

Sobre o assunto, ver Bicudo, V.L "Memória e fatos". In: Revista [di. São Paulo, 1990. .D~sde os anos 20 e 30, 0$ higienistas ntl Brasil vão privilegiar propostas de intervenção junto ilB cflanças c, paralelamente, ~osseu,~resp:msíveis. Sobre o assumo, ver: Cost::t,j.F. Ordem Médica e NonnaFarnDlar. Op. cie e Nunes, S.A. "Da Medicina Social à Psicanálise". In: Rirmo,). (Ofg.). Percursos na História da Psicanálise. Rio de ):meiro, Taurus, [988,6[-122. 61

60

"Partindo da escola, dos problemas de desadaptação escolar, passou-se para os problemas da procriação, da vidafamiliar e da harmonia conjugal, para, finalmente, voltar à escola com a instauração da educação sexual. Nesse circuito escola-família, o operador de cada etapa Jbi a psicanálise. É ela quem autoriza o deslocamento dos problemas de aproveitamento escolar para os de harmonia familiar. Ê ainda ela quem instrui uma educação sexual não mais centrada nas doenças venéreas, mas na questão do equilíbrio mental e afetivo. Face ao desdobramento dos psicólogos, dos conselheiros e dos educadores que se satelizam em torno da relaçdo escola-jamüia não basta dizer que ai passou a psicanálise. Seria mais exalo dizer. embora jogando um pouco com a." palavras, que é por ai através desse ativismo familiarescolar que ela pôde passar "4(grifo do autor).

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I- A

"VERDADEIRA" PSICANÁIJSE ou O

SANTIJÁRIo DE VESTA No eixo Rio-São Paulo, são três os estabelecimentos de formação psicanalítica ligados à International Psychoanalitical Association (IPA), fundada por Freud e seus discípulos em 1910: a Sociedade Brasileira de Psicanálcse de São Paulo (SBPSP), a Sociedade Psicanalitica do Rio de janeiro (SPRJ) e a Sociedade Brasileira de Psicanálise elo Rio de janeiro (SBPRJ) A SBPSP é a primeira a ser reconhecida como Sociedade miada ã IPA, em 1951, no XVIICongresso Psicanalítico Internacional, em Amsterclã. Desde 1937, funciona como Grupo de Psicanálise de São Paulo, ligado ã Ora. Adelheid Koch, membro da Sociedade PSicanalitiC'dde Berlim, que vem dar formação analitica em São Paulo depois de insistentes solicitações feitas pelo Dr. DUNal Marcondes. A SPR] é reconhecida como Sociedade miada à IPA em 1955, no XIX Congresso Psicanalitico Internacional, em Genebra. Desde 1947, já existe, no Rio de janeiro, fundado por um grupo de médicos, o Instituto Brasileiro de Psicanálise; no ano seguinte, chega Mark Burke, membro associado da Sociedade Britânica de Psicanálise, e inicia a formação analítica nesta cidade. Em 1948, chega Werner Kemper, da Sociedade Psicanalítica de Berlim, que divide a ]{,rmação com Burke. Em 1949, retorna de Buenos Aires, já com sua formação analitica concluida pela Associação Psicanalítica Argentina, o casal Perestrello; pouco depois chegam outros analistas brasileiros também ali formados. Em 1951, há uma crise no Instituto Brasileiro de Psicanálise, e W. Kemper, com seu grupo de analisandos, sai e funda () Centro de Estudos Psicanalíticos. É este grupo que, em 1955, é aceito pela IPA como SPRf. A SBPRJ apenas é reconhecida como Sociedade ligada ã IPA em 1959, no XXI Congresso Psicanalítico Internacional, em Copenhague. A SBPRj é oriunda do grupo de M. Burke que ficara no'lnstituto Brasileiro de Psicanálise, do grupo argentino que havia fundado, em 1951, a Sociedade de Psicanálise cio Rio de janeiro e de outros analistas brasileiros chegados ao Rio Com formação analítica feita em Londres'.
Sobre o assunto, ver Perestrello, M. H:istória da Socledade Origens e Fundação. Rio de)aneiro, lmago, 1987. BrasDelra de Psicanálise: Suas

Em decorrência dessa, a questão familiar se torna a grande locomotiva pela qual a psicanálise avança a toda velocidade no Brasil dos anos 60 e 70. Não almejo aqui fazer uma história da psicanálise, do psicodrama ou das terapias corporaL, no Brasil na década de 70. Pretendo, sim, apontar como essas práticas vão proliferar em determinados momentos históricos; COlnose dá sua expansão, o "boonz psi", c que instituições e dispositivos serão instrumentalizados e fortalecidos por elas. Para tal, é necessário comentar algo sobre a história dessas práticas, seus estabelecimentos, equipamentos, dispositivos e instituições. Muitas das informações que me guiaram partiram de dois trabalhos que mostram a expansão da psicanálise em São Paulo e no Rio de janeiro. Em São Paulo, Roberto Yutaka Sagawa' realiza um aprofundado estudo da psicanálise "oficial" desde os anos 20 até os 80. No Rio de janeiro, Ana Cristina Costa de Figueiredo' fala da difusão do movimento psicanalítico de 1970 a 1983. Estas leituras me forneceram as pistas para definir o universo de minha pesquisa, a quem procurar, a quem entrevistar o qu e ler.
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Donzelot,).Op.cit.,pp. 177 e 178. Sagawa, R Y. Os Inconscientes no Divâ da História. Dissertação de Mestrado - UNlCAM:P, 1989,2 vols. Figueiredo, A.CC Estratégias de Dlfmão do Movimento Psicanalítico no Rio de Janeiro1970/1983. Dissertação de Meffi:rado PUGIR], 1984. -

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Gradativamente as Sociedades latino-americanas vinculadas à IPA procuram se aproximar e, em 1960, é fundado o COPAL (Comitê Coordenador das Organizações Psicanalíticas da América Latina) no li! Congresso Latino-Americano, realizado em Santiago, no Chile. Desde 1956, realizam-se congress,k' latino-americanos, a cada dois anos, das Sociedades Psicanalíticas ligadas à IPA. Os principaL, objeüvos do COPAL são o de expandir a psicanálise na América Latina, conseguir maior representação dessas Sociedades peranle os órgãos psicanalíticos internacionais, estabelecer alguns padrões e regras comuns na formação analítica dos países latino-americanos e apoiar oS grupos latino-americanos que ainda não tenham sido reconhecidos como Sociedades pela IPA'- Posteriormente, o COPAL passa a ser conhecido como FEPAL. A Associação Brasileira de psicanálise (ABP), entidade que tem por objetivo congregar as Sociedades de Psicanálise do Brasil filiadas à IPA, somente é fundada em 1967. Passa a se constiluir em órgão federativo dessas Sociedades, respeitando as suas autonomias. Também na ABP como nas Sociedades do Rio e de São Paulo, os membros associados não têm direito a voto LO, Pelo período de fundação do COPAL e da ABP, percebe-se que o movimento latino-americano - considere-se aqui, principaimente, o argentino - está bem maL, desenvolvido que o brasileiro. Só quando as Sociedades "oficiais" sentem-se mais fortes no Bra."iil, ou seja. quando se inicia o desenvolvimento da psicanálise e sua aceitação pela sociedade em geral - entenda-se classes média e média alta - é que se dispõem a fonnar uma a''isociação nacional. Entidade que. por sua vez. irá favorecer mais ainda a divulgação da psicanálise no Brasil. Por esta organização, que, a meu ver, não é unicamente burocrática, mas de controle c, em especial, de apoio corporativo, temos no caso do Brasil - no alto da pirâmide a IPA (o nivel internacional); logo abaixo, o COPAL (o nívellatino-americanol; depoL, a ABP (o nível nacional) e, finalmente. as quatro Sociedades "oficiais" (São Paulo, Porto Alegre e as duas do Rio de Janeiro l, fornlando uma rede de apoio e controle mútuos.
8 9 10 lo±m. Sobre () assunto, ver: Ra.''Covsky, A. e Grinberg, L. "P:1ssaoo, Presente e Futuro do COPAL". In: Revista Bra."illeit'a de Psicanálise - vol. VI, nl>! 3 t' 4. 1972, 369-376. Sobre o assunto, ver: Estatutos da Associação Bra."illei1'3de Pslca:oálise, 1967, mimeogr.

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Destas, somente a de São Paulo (SBPSP1,desde os seus primeiros Estatutos em 1949, abre a possibilidade de. além dos médicos. também psicólogos e proti'5sionais de outros cursos superiores se inscreverem para a formação analítica. No caso de outros cursos. fica a critério da Comi"sào de Ensino a aceitação ou não do candidatoll. Apesar de a Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo ter esta postura e as duas do Rio de Janeiro, ao contrário, só permitirem médicos em sua fonnação, io;;;so não vai significar maior abertura, menor rigidez". É evidente que, no Rio de Janeiro, esta posição nos anos 70 vai impliGlr uma aglutinação. uma união maior dos psicólogos que desejam ter o status de psicanalistas. Por isto. o movimento dos psicólogos no Rio de Janeiro, no final da década de 60 e início da de 70, é bcm mais corporativo e apresenta caracterL,ticas diferentes do de São Paulo. A SBPRJ, em seu primeiro Estatuto de 1959 - talvez por influência da de São Paulo -, coloca a questão da entrada de psicólogos e outros profL%ionais na formação analítica de forma bastante ambígua. Não se defme claramente contra a entrada, subordinando-a" ... à aprovação prévia de uma legislação que permita o exercício terapêutico da psicanálise por leigos no pa[,"". Entretanto, em 1971. quando se manifesta, no Rio de Janeiro, a pressão dos psicólogos par.! terem acesso à formação analítica, são votados aditivos aos Estatutos de 1959, que enunciam claramente, como os da SPRJl', que "... todos os componentes da Sociedade, sejam membros Titulares, Associados, Candidatos e Aspirantes deverão estar inscritos no Conselho Regional de Medicina"l'. Desde o ano anterior, no Regulamento para a Formação de Psicanalistas, isso é requ[,ito para aquele que deseja fazer formação, a"sim como é exigida experiência psiquiátrica de pelo menos um anal'. Ou seja. diante da pressão dos psicólogos. a SBPIU acaba com a ambigüidade: é explícita cm sua exclusão.
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Sobre o assunto, ver Sagawa, R.v' Op. cit., 2'i!vo1. e Bicudo, V.L "Memória e Fatos". In: Op. cit., p.

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A admissão de leigos na formação analítica em São Paulo vem desde o inído do Grupo Psicanalítico de São Paulo formado em torno de Ourval Marcondes e Adelheid Koch. Sobre isto, ver Sagawa. R.Y. Op. clt, 1" voI. Estatutos daSBPlU. 1959. mimeogr., p. 11. A SPRJ,por seus estatutos, aceita para foanação estudantes de Medicina a partir do 3º ano. Estatutos daSBPlU. Op. clt., p. 37. "Regulamemo para a formação de Psicanalistas", 1970_In: Estatutos SBPlU. Op. cit., pp.42 e 47.

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Mas o que é a "vercladeirJ. _. Ela está presente e difundida como crença nas classes média e lnédia alta.Y. os inferiores.exclua qualquer outro profbsional de sua formação que não seja médico. a diretoria do lm/üuto e a Comissão de Ensino" N. em São Paulo. cit. poi.com exceção da de São Paulo .sseminam este tipo de pensar a prática psicanalítica. o medo e o "desbunde". ao se organizar en1 Sociedades .) autrwntando a distância hierárquica de "candidato" a "membro aderente" ( ) de tal 1naneira que se fonna uma pirâmidf? onde os escalOes superiores sao ocupados por um pequeno núnwro de membtvs e. ver os episódios de agressão sofridos por Adelheid Koch em São Paulo e a prisão no Rio de Janeitode Werner Kemper. filas C0111 ma assepsia fastigiosa. são criadas. Ln:Sagawa R.se fosse apenas uma modalidade terapêutica. 2º vo1.:istentes (. cil Sobre O assunto ver os trabalhos de Nunes. nas décadas de 40 e 50 tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo -.. Op..Pode parecer estranho que a psicanálise..a-se os psicólogos e a segunda geração de argentinostornam-se os bastiões da prática mais reacionária e fascista."psicanálise? Aprodução de uma prática. ~Retomando à I-listória". que são os clientes e consumidores dessa psicanálise. não só através dos Estatutos das Sociedades. novo ou transformador.a realizada nas Sociedades "oficiais" . cit.. 2º vo1.'ltóriada SBPIU: Suas Origens e Fundação. lima clínica que nada tem a ver com u o mundo.é irrelevante se pudermos compreender algumas instituições que são instrumentalizadas pela psicanálise.1csch "vef(hdeirJ. ). Op. no qual o inrintismo predomina em detrimento do público e o familiari. "Da Medicina Sodal à Psicanálise". Porém. Nota-se quc a cada novo Estatuto votado nos anos 60 e 70 a hierarquia aumenta. A instituição "verdadeira" psicanáli. como poluidora do meio n1édico17. M. presidente no iniciodos anos 70 da SPRj. Loman1com relação aos acontecin1entos de 68 na 1 rsp.s. c11Iboraem suas origens a psicanáli. É o falso objeto natural de que nos fala Paul Veyne.é um dos guardi. Seus artigos sobre a "poluição" da psicanálise feita por um bando de "invasores" -Iei.Y. na Introdução 17 18 19 Sobre isso. de transversalidade.não podem a ela ter acesso. Num contexto político onde grassa a censura. de um território onde a "verdade" está presente. Hi. esta forma de pensar uma prática clínica é hegemônica. por um número maior . em que os projetos de ascensão social tomam-se prioritários.stas". com uma total desvinculação de qualquer tipo de implicação. vários estudos" tenham assínalado a adoção dos príncipios da psicanálise pela comuniclade médica nos anos 20 e 30. para exercerem a prática clinica. In: Birman. mas. . cit. principaln1ente.).muito explorado pelos psicólogos no Rio de janeiro. Leão Cabemite. S.anteriores à de "membtvaderente': que foram as de ''sócio aspirante" e "sócio aderente" (.smo é a tônica. que equipamentos e dispositivos são utilizados por ela e que práticas são ai produzidas. e 188.atras e neurologistas como prática charlatã. etc."psicanálise.')práticas que ela dissemina. No entanto. denunciada por médicos psiqui.e vai permear todos os itens seguintes relativos às práticas analiticas. nem dizer q~. cit.J. Op. têm que se submeter à formação analítica nas Sociedades ligadas à IPA. o terror nos lnais variaclosespaços.storicamente: a prática 67 66 . Este t. novas categorias de sócios. Op. Tais princípios inscreven1-sc no caD1po da medicina. Os altos escalões ocupam todas as posiçoes de poder nos d~lerentes órgilos da sociedade Os mesmos sete ana/Nas didatas e. onde os que não fazem parte de uma formação especitlca . . e Perestrello.). Sagawa.) sdo sempre os mesmos elementos a ocupar a presidência da Sociedade. São inreressantes os escritos de alguns analistas ligados às Sociedades "oficiais"quando da difusão da psicanáli')e entre os psicólogos cariocas. como algo não produzido hi. nos anos 70 . é perfeita111ente c0111preensíveJ. suas organiza~'ões internas e suas burocracias. Entretanto.silOformadas mai. notadamente entre os que vão se dedicar à chamada psicologia clínica.e sempre crescente. Por exemplo. em 1960 na SBPSP ". acrescentada às fomlas já exi.stas considerados "progressi. Ela está presente nos anali..). ao se referir à década de 60. Op. como veremos ao longo deste trabalho. pp. R. duas catL"goria. sobretudo no Rio de janeiro..stentes. ela está presente nos próprios psicólogos tanto cariocas quanto paulistas que. não são apenas os psicanalistas mais "à direita" que d.e a exercem. membros. e Birman.. A. não é a exclusão de outros profL')sionai') que vai caracterizar o fechamento destas Sociedades a tudo que possa ser criativo.. deste trabalho.. por exemplo. 07-L 2.(. 18'.'. (Org. pela.. Esta ínstituição produz fortes subjetividades. com a tutela que exercem sobre o movimento dos psicólogos no Rio de janeiro e a postura que. que. algo da produção desta instituição será aqui mencionado.no . Pior..

É necessário exercer um hom controle sobre aqueles que um dia irão representá-la. In: Bloch. a tr:lqueza e a . suas infoffilações sào fundamentais para que se possa saber do "real :lproveitamento" dos candidatos a analistas. outras "verdades". a psicanálise não pode ser uma formação dada em Universidades.é verdade que em cinJa de uma série de críticas a todas essas mitificações -. na primeira metade da década de 70. evitando toda e qualquer mistura. os psicanalistas "oficiais" resguardam a pureza da "verdadeira" psicanálise e por isso poucos são os privilegiados que têm acesso a esses templos sagrados. e Cousin. Suas supervi"àes clínicas. que tem existência própria e que é. como um dado em si. instituiçào que é instrU111cntalizada dentro da. organizam seus próprios templos . c Para a "verdadeira" psicanálise. a força. a dominação dos anali'itasj por outro. personificada pela IPA. a hegemonia está com a instituição "verdadeira" psicanálise que naturaliza uma determinada prática clínica.. prestigio que qualquer médico. sacerdotisas e guardiães do Santuário de Vesta (a deusa da Vida entre os romanos) . a lPA representada pelos herdeiros diretos do Grande Pai . poucos os que podem funcionar como vestaL>. antes realizadas pelas famílias.e muito . que. pois a iniciação em seus "mistérios" é coisa delicada e pode se tomar perigosa se não houver unJa "preparação" adequada. () dicima. 1964.psicanalítica é este objeto que é assim. São . para os analL. fi - A INSTITUIÇÃO FORMAÇÃO ANAIirICA A PEDAGOGIA DA SUBMISSÃO ou Outra. enquanto estiverem a serviço do culto'O Assim. outros sacerdotes. a in1potência.os representantes dessa fonnaçào razão plenipotenciários onipotência. Esta relação produz e fortalece por um lado :I 2J) Prática religiosa entre os romanos antigos. afirmam sem exceção todos os psicanalistas ligados às Sociedades conhecidas como "oneiais". em suas falas até podem questionar esses templos sagrados. que organiza um corpo hierarquizado de sacerdotes.pela análise terapêutica oS pessoal desses candidatos COIl1 U1l1 sumo c devenl informar sobre poder. devem ser "purificados". o treinan1ento psicanalítico deve ser função exclusiva dos Institutos das Sociedades e não de qualquer analista individualmente. R. t\aturalizam-sc o domínio dos didatas. sempre foi e será. Através desta. análi')cs didáticas. outros eleitos.. que circulam pelo mundo.. a fortnação deve merecer todos os cuidados. antes. portanto. candidatos. devem manEersua virgindade. muitos considerados "progressistas". Para os psicanalistas "oficiais". facilita e fortalece a produção de certas subjetividades que se entranham profundamente em todos os poros da. Não são apenas os analistas maL. "conservadores" os que defendem esses lugares santos. é meramente a forma de garantir sua vinculação a ela. os dicbtas se comportam como se este lugar 69 68 . Cosmos.. possui um enorme controle na avaliação do aluno. Como templos sagrados. Este religioso respeito e submissão que todas as Sociedades "oficiais" demonstram em relação à grande instância.Coleção Rumos do Mundo. necessita de todo um processo e formação próprios e diferentes dos utilizados academicamente. impurezas e poluições que estão ao seu redor. de início aceitam e até pedem a tutela dos que já estão dentro desses santuários e os podem "iniciar".são as detentoras da "verdadeira" psicanálise. as antigas práticas religiosas. somente elas .') amadas nlédias urbanas brasileiras.alardeiam com seus discursos/práticas tal religiosidade. Posteriormente.>ubmi"ão d. Ilsboa. sem dúvida. Untl SUIlla seus "progressos" nas sessôcs analíticas. poL.como efeito da produção de suas próprias práticas . Entretanto. padre ou professor. cursos. estes. No apogeu do chamado "mundo romano". natural.ser "iniciados"em tais "mistérios" inacessíveis aos simples mortais e. Por isso. coll1mai. J. Para a sociedade em geral. são os que maL. em suas práticas só fazem reafirmá-los e reforçá-los. deve ser "especial". E com 1I1na agravante: são oS responsáveL. c uma suma verdade. terminando por criar outras religiosidades. para isso. tornam-se públicas e formais e passam a ser Controladas pelo Estado.tas em geral.. Roma e seu Destino .-" ociedades S "oficiais" é a da l()nna~ào.. que cada vez se tornam lnais conlplexos. Como vestais. De um modo geral. o que lhes permite usufruir tantos prestígios e privilégios políticos e sociais. enfim. estas Sociedades devem se resguardar das misturas. outros "iniciados". sobre aqueles que no futuro serão seus guardiães.. Os jovens psicólogos querem . seu poder c os ritos de inicia\-~ão.inacessível aos leigos -. etc.aqueles que detêm os conhecimentos por ele ensinadosé o Olimpo de onde advêm todas essas "verdades". Entrementes.

Statw' de psic.:trá posteriormente.!~ um grnpo especializado de conhecimento Assim. 21 22 23 Há somente um exemplo na SRPSP que comentarei à parte como uma situação analisadora da "verdadeira» psican... Por l.. "Os didatas são considerados os "maL" dotados". R_Y 0r. ToLlos e quai. empobrece a formação. R.tas fonnados dentro da ótica da "verdadeira" psicanálise. Esse saber venl satisfazer c fOlnentar as demandas então produzidas e.ilisç e formaçào atulitica. I'\ão há. cie. Isto é facilmente corroborado não só pela pobreza da formação analítica .)SO.devem cobr. como pelo poder dos didatas.lr alto pelos seus serviços. Pouc. que seu trabalho se reSUlne ao tncro atcnditnento a esses "aspirantes" a psicanaIL'itas.:01.iatas têm uma clientela fora deste universo e a pouca produção teórica realizada na época limita-se à reprodução pobre de Ulna psicanálise estrangeira. o direito de cobrJ. origem a unu Sociedade l'. Vl<ito Sociedades serem estabeJecinlentos privados e terem. faha de análise ou meS1110 a cOlnprovacio ele uma análise lnal feita...os.H. Sagawa referc'-sc a islo qUJ...~eformar um Stud)' (~rotlprl'conhecido pela LPA. reconhecido por muitos psicmar. possibilidade de ocorrer ou não uma fl'isào {na Sociedade r~4.>.")quer conllitos que ocorrem dentro (tessas Sodedades são psicologizados. Vai se produz. A subietividadc que vai sendo constmída é a de que os estabelecimentos privados . Este tato. Seu número é tão reduzido para atender à crescente demanda dc candidatos à formação. tal atlnnação alimenta em muito o poder dos dielatas e. tentativa de denegri-ia ou heresia. o apoio :l privatizaçào.. a formação psicanalítica no Instituto de Psicanálise restringiu-se a Freud. Esse número restrito de dicbta. Esta sim poeleria pagar '" altos preços exigidos pelas Sociedades "otkiais" para a fonnar.aqueles que melhor atendem. Por sua vez. Tal situação é naturali7~~daem cima da produção oficiai da época sobre a quest30 do público e do privado. uma produção que se possa chanur cle origirlal. uas s atribuições.ljstas repercutem na sociedade em geral como uma valorização desse trahalho.p. sustentar o controle interno no que se refere J..) e OJ mecanismos íns~ titucionaís passam a ser manipulados por esses detentores como . estuda-se e aplica-se a teoria e a témica dos "mestres" estrangeiros de forma mecânica e totalmente acrítica. principalmente na classe lnédia.. listas.t:1 ronna. que chegaria <1 seu auge nos anos 90.ic:rna!ílicL 70 71 . seus serviços são oferecidos dentro de altos padrões Ilnanceiros.fosse vitalício e cotno se tivessem adquirido. de:-.'\ qUe: (!.'ãoanalítica e pelos própri<)s psicanali"tas em as seus COn<iu!lorios ê uma clcmagogia. Em outros G.Y.c. p_ 203. Embora os Estatutos dessas Sociedades prevejam a possibilidade de afastamento de tal função. são considerados como desavenças de ordeln teárica.. Klein e Bion a partir de 1970"". portanto. para o seu autoconllecimento. trai\'ão ao espírito da psicanálise. op. a análise didática é considerada o aspecto mais importante na formação de um analista. é t:lInbém uma fonna de ". São centros de formação que importanl continuamente uma psicanálise estrangeira e os psicanalistas locais são meralnente reprodutores dessa psicanálise importada (sobretuclo da Inglaterra). em todos os setores .. o que vai tomá-lo extrenlarnente lucrativo pela pouca concorrência. vi. elo ponto de vista elo "discurso da competência"..~ llec<.<.indo. di. pelo menos um didau_ 1Jm Study Groupé o qw primeiw reconhecimenlo !Cito pela !1'... os "melhores': etc e. 2q .cobrados pela tOTIna\.. Tal fato determina o pequeno número de didatas e de psicanali. muito enfatizado nos anos 70. movimento passional.nJo rah que. Sociedades "oficiais" afirmarem categoricamente que a discussão sobre os altos preços . corresponde ao que já apontamos como a psico!ogização da vida cotidiana. portanto. Estes últimos rótulos são colocados p:ua os grupos que fazem 21 Sapwa.')tos como conflitos pessoais.malista é tão atraente.dentro do que a própria psicanálic.la população.e considera como um profissional "competente" -. No Rio de Janeiro o "kJeinianismo" domina n'"s duas Sociedades.l •.sS<Írio hajJ. Sagawa. para o interior do sujeito. por herança. Os preços cobrados por esses cspeciJ. cil. p_ 2'50.r alto. 201_ Idem. em grande parcela . tão ambicionado pelos jovens profissionai'i "psi" Esse elitismo em muito <1wli a classe média dos anos 70 no Brasil com seus projetos de ascensão sociai. Segundo infoffiuções obtidas por Sagawa em São Paulo "". ~través das análises didáticas e supervl'iÕeS de casos. para . não se tem notícia de nenhum caso em que isto tenha ocorrido. constituem um ideal a ser atingido por todo psicanalista dentro da sociedade (. a produção de subjetividades voltadas para o privado.flo analítica. visto que os oferecidos pela rede pública são de péssima qualidade. a. ão L:lUSa n surpresa alguns entrevistados pertencentes à. por ser ainda reduzido o número de profissionais.

so.. considerada "objetiva" e "cientifica". poi.ando.tel. o psicanalLsta não é médico ou não-médico.'i. em realidade. na sociedade em geral. naturalizam um gru po particular de especialistas que têm o monopólio da "escuta" e são vL.principalmente em sua cúpula dirigentc. 33."ssim. Há uma produção ativa de invalidaç:ão do sócio-político". como tlgura. o "destino c1a.R.s à IPA. que 1l1arCam a formação analítica são vistas por muitos como diferenças ele ordem teórica. a produçáo de demandas que necessitam do "apoio" e do recurso psicanalitico: as relações familiares 27 28 :!'J Tal comparação foi feita por muitos entrevistados ligados às Sociedades "ofidais". onde a realidade cotidiana não entra. um Mestre. a CritiCA.In: Revista Brasileira de Psicanálise. (1_ 17..:1 formado) es1. Fomlecem as subjetiviclades hegemônicas produzidas nesses anos. produz um espaço protegido. de um modelo qualquer para excomungar as diferen. Por isso. não pode.con10 um 2') 1h Pai. Cabernite. As lu1. ensinada como uma teoria abstrata praticada por especialistas abstratos . "O Supremo Tribunal do in. Este é tratado e percebido como um bebê. do voltar-se para dentro de si mesmo. depoimemos coktados por S:Lg3. onde a neutralidade impera. que é o analisando.>soeiados (o psicanalLs1. puL<.'Jandro. denegrindo-a. p.escravo. é o responsável. R Op. os membros a. Ma~c. L "Regulamentação da ProftsSio de Psica. dominador . 2" 1101.tos. afirmam que o "kleinianismo". faz com que a psicanálLse e sua fOfilaç:ão se tornem cúmpHces do Sl'5tenla sócio-econônuco em que se inscrevem.<.. explorador .~ instituições que necessitam de Ut11 Mestre. transformando-se em modelos de referência. vaI. A "criança". Predominam o intimie.nalista~.l!. são posturas que corrcspondem às práticas c às suhjetividades dominantes produzidas no periodo em que a rigidez. ao apontarem os "desvios". dominante na década de 70 nas Sociedades "oficiais" nesta cidade.1 1 e 2. e a psicologizaçào. um Pai. ao aflfll1:lrema necessiclade do crescimento pessoal. de um lado. as "fon11asdegrad.ões" e os mecanic. sempre afastada em nome da l Inião Societária fortemente instituída.. a singularie dade está terminantemente proibida neste espaço.oposição interna dentro das Sociedades "oficiais". por outro.os do Rio de Janeiro ~ que.adas".. desta maneira. asséptico. pOle. sua vida mental eSQ nas màos do analista que o ajudará . do que ~c. Da mesma forma. o mundo interno e o domínio do privado são enfatizados e fortalecidos. portanto. dominado e explorado faz da sua capitulação o preço que paga para se tornar um dia senhor. de sua fan1ília.. naturaliza e tenta eternizar as relações tipo senhor . "neutra" e. m 72 73 . A obediência e a servidão são as nonnas vigentes. Rio <1. a criação.lno. Ca.spráticas daí decorrentes têm efeitos sociais poderosíssimos.dntem a justeza de sua. sentimentos que devem ser comuns e de solidariedade doutrínal. originalidade. dispor de sua criatividade.'c. os fatos apontados produzen1 a infantilizaçào. não podem se dizer psicanalLsta8.io Paulo. produz.wa. dominante nos anos 70 na SBPSP.Ao se denominarem .l.Y ()p.-asteI. o ptivado. 197$.'as. respeitadas e idealizadas. o dis~mciamcnto e a neutralidade são sinônimos de cientificicbde. e também para os psicólogos .<. a desqualificação do analL. ao enfatizarem a importância e a construção de um clima carregado de afeto. um Modelo . Há..n10S e processos psiquicos. Gr.s.. O que está embutido nessas situaçôes nio são posturas teóricas diferentes. lIt1la Burocracia. o "bionianistno". São crenças tatnbém presentes nos próprios dispositivos de fOllllaçào analítica. A fOIll1:lçãoanalítica e a. cito Sobr~ isso. nQ. O candidato submetido. e coerentes com todo o funcionamento da. é considerado C0010 responsável pela rigidez. em todas as três Sociedades ligada. ver al~n. A liberdade. O Pskanali •• o.:1tutariamente até os anos 80 não têm o dijá reito de participar nas Assembléias Gerais e muito menos vo1. C.R.s linhas. nfinl. pela leitura esquemática e pobre da realidade social e psiquica privilegiando a realidade interna em detrimento da externa . A submLssão e a insignificância de hoje serão o poder e a onipotência de amanhã. A psicanálLse. 1972. pela sociedade em geral. por não terem formação nessas Sociedades. VI. A inslituição-fonnação.crescer"27.s poderosa. em SUlna. vários psicanalistas. a.dominado.". dominador e explorador.. Em S. traem o espirito da psicanálise. o que. assim. g'd. ditatoriais. cit. no Rio de Janeiro.:18 internas pelo poder dentro das Sociedades "oficiair. Naturalizam uma postura "asséptica".explorado.conSClente dLstribui absolvições e condenações"'b A questão do poder é sempre escamoteada.." e mcsnlO as características autoritárias.:lr. pela postura rígida e autoritária dos psicanalLstas dominante da época. Estas prática.. pelo autoritaristno que caracteriza esta Sociedade". é psicanalista"" -.e.a caminhar e a '. O que vigoram são os deveres disciplinares estabelecidos nos eS1.:1tutos.' diversidades.

professores. uma naturAlização desta demanda? Naturalização no sentido de que ela não é percebida como produção dessas próprias práticas "psi". Tanto os chamados militantes como os h ippies são. "ampliar" sua criatiuídade. toelo e qualquer agenciamento. e Bertoldo. A única voz crítica e que. esses psicanalL. (Org.tas" acreditam que se está iniciando um processo de "democratização" da psicanálise. C. de cuja inkiarn'tl partira a mudança do tema.~ciações hrasileiras.o que agrava mais ainda a situa~ào . natural. 74 75 .). práticas psicanaliticas e o poder das Sociedades "oficiais" que se julgam donas da formação analítica. Unham cargos oficiais que poderiam perder. por decisão da maioria elas sociedades participantes. Por outro. detendo o monopólio da psicanálise. Belo Horiwme. Ou não seria. com o voto contra da Associação Psicanalítica Argentina.B. afetil'o.slavsky. ver também: Castel. como já mostrei. em vez de ampliação da demanda.). etc. artistas. C "Anotações para uma História Atual do Movimento Psicanalítico Argentino: Interpretaçào Crítica da Ideologia e da Ação Política de UmSetor de Pequena Burguesia". desele os modelos ligados ao sistema em geral até aqueles como os de tanulia. . R ()p.s()com o regime de terror polkial do paíç"-"4. (Org. cit.. In: Langer. visto que seu consumo torna-se cada vez fi1aior. mas como um objeto já dado e. favorecem em muito as subjetividades hegemônicas produzidas e a psicanálio. Documentário. entre os profissionaLs lilJerais (psicólogos. porque há esses processos de subjetivaç::lo típicos elo capitalismo monopolista. Op.C Op. O tema original "Violência e Agressão" foi alterado.) e estudantes universitários que desejam se autoconhecer. trata-se ele uma ditadura militar . 13. há outras.tanto no Rio quanto em São Paulo ..C. Katz. As filas em seus consultórios são c'ada vez mais numerosa. pp. pp. [n: Birman. de lnedo. uma violência extremada. desaparecinlentos dos que se opunham aos modelos então vigentes. iniciativa ou eficiência profissionais ( .s. imobilismo e apatia de quase todos os setores da sociedade que as práticas psicanalíticas se expandem e ganham características bem mais autorítárias.r. aIÚquilados e/ou cooptados.1 (as aspas são minha responsabilidade).. alguns entrevistados .. Questionamos 2. mostra tal produção é Katz.. Um exemplo é a realização. ao lado de tais produções. A primeira metade dos anos 70 . etc31. 12 e 13· Idem. Rio de Janeiro.'. cit. o de estudante.. Relata um representante da Ar A: "As cúpulas das A. questiona e denuncia a utilização das 30 31 32 33 Sobre o assunto. o de jovem. para "Correntes AtuaL. Psicaná1ise e Instftuição. é o período de hegemonia da psicanálise e da formação vinculadas à IPA . em uma de suas obras". a exploração das potencialidades emocionaL" a "orientação" para os processos decisórios pessoais. tortura. M. De um lado.e. 1977.S. T. quando se iniciam as pressões dos psicólogos para terem acesso ã formação analitica. enfim. assassinatos. em 1970. portanto. Yí Bra.J. no Brasil. Entretanto. uma ferrenha censura e um enorme poderío ela núdia no sentido de impedir toda e qualquer resistência. p. M. só se toma um hoorn.e só tem passageln.que. cit. 1977. intelcctuais. uma forte repressão. p. que.admitem que foi esse o periodo em que mais prosperaram fmanceiramente. na época.tas defendem suas práticas atacando tais movimentos e procurando "resguardar" a psicanálise de ser conspurcada. 33. 253-263. . toda e qualquer construção singular. do Pensamento Psicanalítico". e a psicoterapia de grupo passa a ser utilizada como forma de dar vazão ã demanda então recrudescida ou para atender a alguns segmentos de classe média que não podem pagar os altos preços de uma análLse individual. Sobre este assunto. Duas reações ocorrem nestc penado entre os próprios psicanalistas "oficiais"." e familiares.C "Representações do Masculino nas Revistas Femininas~. pelos anos mais terríveL' de perseguições..". principalmente. etc. uma "ampliação" da detnanda r. Estas demandas são produzidas e fortalecidas. No caso do Brasil. Figueiredo. . com seus dispositivos e instituições. No Rio de Janeiro. o sexual. É nesse contexto de terror nos diferentes microespaços.) a queixa tomando-se cada vez mais inespeciflea ". em Porto Alegre. lnterlivros.é representada. 14 e 44. seqüestros. os mais "progressi. 2S-48.). nestes primeiros anos dos 70. os ideais de feminilidade e masculinidade"'. O que pretendi apontar até aqui é que as práticas dominantes dentro das Sociedades "ot1ciais".. A. ver o texto de Santos. e seu medo expressava seu grau de cmnpromi. elo Vlll Congresso Psicanalítico LatinoAmericano.(a famosa "crise" a que já me referi). uma vez que a psicanálise está se transformando numa "mercadoria de consumo". as reações são de medo e perplexidade. Há. "melhorar" a "qualidade" de seus uínculos erotico.

como a do exterminio (não só dos opositores aos modelos vigentes. família. Muitos autores apresentam a difusão dessas práticas "psf' sem.de criança.). SoA-(Org. 198L. mas como de uma série de práticas sociais . denunciar o alvo . maridos. T. 1987. p. expressões e concepçôes próprias da psicanáli. Toda e qualquer crise é vivida como necessidade terapêutica. sob cuja ótica a vida cotidiana das classes média e média alta passa a ser tetuatizada e vivida. Diferentes setores da vida social brasileira sofrem esses efeitos: são psicologizados. Mesmo os psicanalistas "progressistas" encontram-se marcados por tais modos de se perceber ."A Difusão da Psicanilise nos Anos 70: Indicações Para Uma Análise" In: Ribeiro. 35 36 Rodrigues.C "Psicanálise e Casamento".41. c 76. ele sempre . Projeto de Dissertação de Mestrado . vão constimindo um "determinado" sujeito.UER) . Sobre esta questão é importante a vL. cia disto.e Saruos.to não é psicanálise!'~ diriam alguns puri. ver Ru.. pp. etc. denuncid-los. ele se exerce.ão que Foucault nos traz.J. Sobre () assunto.. 32. 14 e 1'5. não é porque ninguem ainda tenha tído consciên- apontar para a produção deste "outro" sujeito que está sendo construido no cotidiano de tais práticas.. pp. aliadas a todas as demai. cit. nessa fase. o nivel do Estado e o das práticas não podem ser" .tas . São Paulo.produzindo a chamada cultura psicanalítica".condizentes com os dominantes . "A MuUler liberacb. c a Difusào cb.l.çe exerce em determinada direção (. não somente sobre as práticas sociais. desenvolve em torno de um foco parlicular do poder f. Para ele.a grande imprensa.e.. adolescente. FamiHa.no cotidiano. mulheres'" e para propor modelos .~so. seu titular. camada. Campus. (Org. Op. médias urbanas.J. esclarecer. 277. Op. 189-205.).198S.forçar a rede de informaçâo institucional.B.e.. Figueiredo.é a primeira inversão do poder. que seriam os processos de constituição de práticas. Onde há o poder. sobre o que chama de microfisica do poder. mas nas populações periféricas das grandes cidades e na sociedade em geral... pois os especialistas "psi" estio ai para aconselhar.se"_ In: Figueird. 103-120. de reutsta. mas porque falar a esse respeito . mas. M. A. dizer quem fez. (Org. Foucault. I. de re1lfsta. S.silien.nas". as revistas feminl. não só desses grupos de jovens. S. Este "determinado" sujeito vai sendo criado e estimulado à medida que a psicanálise nos grandes centros urbanos brasileiros invade a midia . 1'. 7'. esposa. úpico da. as da núdia (justificando e valorizando tanto o extermínio quanto a ascensão social). Microfisicado Poder. Psicologia e Sociedade.s~. no entanto.C. o que gera um enorme medo e progressiva apatia.enquanto psicanalL. H. (Org-s. discursos e modos de subjetivação. "Cresce a publicaçào de UI/m. casamento.'i especializadas. produzidos pelas suas próprias práticas. mães. em especial. onde tudo passa a ser explicado a partir de esquemas interpretativos já dados..sacessÍlri'i aos "leigos'. 4] 76 77 .. Loyola. e Figueira.não como simples reprodução de um poder maior.. é mn prinreiro passo para outras lutas contra o poder "c\6 (grifas meus). ver Figueira. cit. O Efeito Psi. vigoram diferentes práticas sociai. cit. Cultura da ~icanálise.j.CC. em realidade. 1991.o terrorismo de Estado está presente . l'\O Brasil desse período. todas elas mostram como os micropoderes se exercem em diferentes partes do corpo social. Sobre a questão do casameruo. no entanto.W'5. Op. a TV . ('ISO sem mencionar a. "Ninguém é. In: Velho.C As "Novas Análises". pois é ao nivel do próprio corpo social que o poder toma corpo"" (grifos meus). Absorve-se o "modo" psicanalitico de compreender os mais variados fenômenos do cotidiano. mas de segmentos empobrecidos da população). geram também uma série de efeitos que. Psicanáli. Mais recentemente doiç diários cariocas publicam colunas assinadas por psicanalistas que respondem âs cartas dos leitores Também a telel)iSdo oferece espaço para uma pedagogia de inspiração psicanalítica em programas femininos e debates variados."São Paulo. propriamente falando. Todas elas produzem e/ou fortalecem determinados modos de subjetivação.. As práticas decorrentes da psicanáli. A. falar deles publicamente é UIIUlluta... __ Cada luta se ). confrontados como realidades pré-existentes e sim articulados.'iemininas com seções de aconselhaf mento psicológico assinadas por psicanalistas e psicólogos r. nomear.A. o que fez. instruir e acalmar pais. que geram "ufanismo" e intimismo.e perceher o mundo 37 38 39 40 Sobre o assunto. J E se desigtUlr os focos. G. ver o artigo de Santos. as práticas eufóricas ligadas aos projetos de ascensão social (principalmente nas classes médias urbanas).çtas Tatuez possamos retmcar: "Istotambém li psicanálise'>::I9 (grifo do autor).). Sociedade Contemporânea Brasileira: Familla e valores. Bra. Institulo de Medicina Social. através da utilização crescente de palavras.'i norlf!lase programas bumoTÍ'iticos ':ll4as is. Rio de janeiro. Russo. e.

para o inconsciente político. ganham foro de verdade única. embora lento e gradual.1992. para o acesso ao que foi Cce) ativanwnte reprimido e para os rnecanL". sem a necessidade de "peritos" para esclarecê-los..93... na ortodoxia. portanto. instituetll. Citarei os casos Werner e Katrin Ken1pcr.mos sociais etIuoltos nesta repressão'''". H.) que podem serfontes autênticas de conhecirnento e de transformações sociais. de início através da criação da IPA e dos diferentes Institutos de Formação. formas de intervenção a nfveJ do L'Ívido (resgatando) acontecimentos rj'etil'amente uilJidos(. . que n10stram () l1lomento histórico que o Brasil atravessa: revigoramento dos movul1enlos populares e SOCiaL'..processo de "abertura". Rosa dos Tempos. Ao fazer muitas das cntrevist<L":i. p. 01esmo aqueles que criticam a fonnação "oficial" vão. m- ALGUMAS SITUAÇÕES ANALISADORAS D~ PSICANALÍTICAS43 PRÃTIC~ Como exemplos do que foi apontado sobre as instituições formação analitica e "verdadeira" psicanáIL~e. o.. Ou melhor dizendo. Essa escuta ''verdadeira'' C' um certo discurso psicanalítico são pedagogicamente ensinados. R. implicaçües) nos analisamos'''''.em sua luta pelo status de psicanalista. expulsam e se tornam cútnplices de UOlverdadeiro terrorismo. e estes dispositivos são alguns dos principaL' fatores para que se possa assegurar esta "pureza". 43 Este item. Também eles estão marcados pelas vL. e os dispositivos colocados a seus serviços di~ciplinam. vieratn eles inesperadamente ao l1leu encontro.C. julho/1987. Os movimentos dos psicólogos .H. como a. pr. 44 42 Castel. 19~41. "Psicoanálisis Y AnálisLsInstitucional". poderão os clientes dos psicanalistas analisar a instituição psicanalitica e suas implicações' Poderemos saber com quem (com que agentes. 88. é colocar no cotidiano alguns fatos que nos mostrem como efetivamente funcionam. nas três Sociedades "oficiai. Em suma. pp. unla detenninada escuta. Gropos e lnsthuIçõe~ em Análise.C. 78 79 . nº 10.S. ao descrever estas situações anali. a estrita observância a determinadas regrds do pensar/ fazer. por isso. H. prática. onde estão presentes o dognutismo. com algumas modificações em sua parte inicial.ou ctn quase todos . ntisturas.adoras. em muitos momentos . normatizam.~". o caso Regina Chnaideffiun. utilizarei alguns acontecimentos como analisadores de tais institui\. pelos cuidados no sentido de evitar poluições. com quai. Op. H.a pennanência da "mesnucc". 78-100. instalan1-se scrÍssirnas crises. absoluta e inquestionáveL Isto não é privilégio da formação ligada ã IPA.D.l. considerando uma série de forças até então dL'persas.B. a escuta "verdadeira". tem a pretensão de ser a "pura" psicanálise. e Barros. R. 45 Idem. 20 e 21 p."psi" c (} mundo que os cerca. Cada estabelecimento criado vai instrumentalizar a instituição da fOffiução de modo que fique encarcerada num determinado território. 19-41.c. Basta ver seus discursos/práticas no instante em que pretendem explicitar um projeto politico em nome da psicanálise".ões intimistas dc psicanalista e de mundo geradas pelas práticas "psí" e pelas subjetividades hegemõnicas da época. Rio clt' Janeiro. a ortodoxia.maL' no Rio de Janeiro do que em São Paulo . POL'as diferentes filiações vão determinar diferentes tipos de escuta e dL. apesar de todas as críticas que fazen1 às Sociedades "oficiai<' e à sua fonl1açào. moralizam. Rio de Janeiro. cerceiam.cursos. Se tais equipatncntos são criados para cuidar da transmissão. transmitidos nas Sociedades "oficiais" como os únicos que.ílJeiscami" nhos para a análise política. no inicio dos 80.. São. o impedin1cnto da CTiaçlO.. Rodrigues. A ·verdadeira" psicanálise. dt.R (Org-s. Minha intenção... rel'alorizam a e"periêncta direta. ! Estas situações analL~adoras trazem "por si mesmas" "problemas" analiticos fundamentaL': ". eles próprios reali2aram "por si mesmos" a análise. f Estes acontecimentos se impuseram a mim na qualidade de analisadores espontâneos. representam a psicanálise. ao organizarem seus estabelecimentos. Exemplos disso temos quando.'Ões. no enclausuramento. o caSo Décio Soares de Souza. foi publicado in: leitâo. o caso Helena Besserman Vianna e o caso Amilcar Lobo. acusarn. reproduzem quase integrdIJnente as instituições formação analítica (nascida da lPA) e a ·verdadeira" psicanálise. In: Boletln del Centro International de lnvestlgadone~ eu Psicologia Social Y (:rntpal.cair no dogma. o "saber das pessoas'~ como pos. realmente.. sob o título "A (de} Formação "psi": Alguns Analisadores". Rodrigues.

separa-se de Burke e. 16. Os "poucos" judeus são IRmemhros. l~oring). Boehm é infonl1ado pelo governo nazista de que não seria concedida pennissào a um instituto psicanalítico para ensinar c fomlar candidatos. Em 19~I. foi reconhecido pela IPA como Socíedade Psicanalítica do Rio de janeiro. 48 49 ')() Idem.. 11. sem que seus membros possml1 se intitular analistas. Em 1933. Dois anos depois. na presença de ErnestJones. funda o Centro de Estudos Psicanalíticos do Rio de janeiro que. assinalar como sua permanência na Alemanha. a metade ele seus membros . L "Psicanilise tu Alemanha Hitlerista: Conlu Foi Realmente?" [n: 30 81 . como fizeram os colegas holandeses numa ocasiào semelhante_ Atas naquele momento. O "As opiniões se dividem sobre essa qu~1ão. de Ernest Jones e do próprio Freud com relação aos compromissos que vào sendo firnlados com o regime nazi.os nazistas confi"clm a quase totalidade das propriedades. K. E.. Pslcanáll'ie e Nazismo Rio de Janeiro. livros c reviSlas da Editora Psicanalítica Internacional. ndo judeu.i7. e gr'Jdativamentc vê-se a í. o analista alemdo fJr Kamn.decide sair. K.mciedade cientifíea. após 1933 . H. Ainda em 1936. que pretendo mostrar aqui. estabelecimemo psicoterapêutíco onde estavam todas as . correntes <. há um decreto proibindo que judeus assumam a presiclência de estabelecimentos cientificos. como eles.<. exigindo a exclusão de todos os membros judeus da Sociedade Psicanalítica Alemà e. Brainin.. É quando . Taurus. p. com a entrada em vigor das leis raciais.j3 e lQ49" In: Katz.M.alguns da SBPRJ-.sao dos colegas judeus.oring so" o nome "Grupo de Trabalho A". "Psicanálise e t'oía:dsmo" In: I0[Z. os poucos judeus que ficaram na AlemanJla tOlnam a decisào ele se demitir da Sociedade". () relato se torna.\pontaneamente ou fiearUgados Cl. sendo o vocabulário psicanálitico omitido e mesmo proibido. consideram a proibição da psicanálise na Alemanha inevitável. dirigido por M. têm naquele momento a possibilidade de escolha de se demitirem e.) os psicanali<. df:?nite-se em P1Vtesto â demÍ'. Pretendo. cit. Jones a respeito escreve: No ano seguinte. ".têm feito a Werner Kemper de ter participaclo do regime nazista..S. em 19~~. totalmente questionà1lC1 s(' til'cnrlOS em mente ( ) que.Eitingon (entào um dos presidentes da Sociedade Psicanalítica Alemã) deixa scu cargo.. Felix Boehm e Carl Müller .IQ8'5.16. sinl. eom seu grupo de analisandos. ainda bd um resto de esperança de poder salvar alguma coisa "4: (grifos meus).s os associndos da éjxJCu.ta. e Rosenrotter.1 . as pressões do Partido Nazista recrudesceul. em Lcipzig. 1. se di. ~Obser\'ações sobre a Conjuntura e o Destino da Psicanálise e da Psicoterapiaru Alemanha entre [9. Lohnunn..4-21.ação da Sociedade Psicanalítica Alemã. as obras de Freud são trancadas e os e::mclidatos só podenl consultá-las através ele pedido assinaelo'ifJ. liga-se às acusações que muitos psicanalistas. () relato de Boehm pretende dar a impressão de que osjudeu". ctn 19. ('. Op.. H.soliter. Necessário se faz refletir um poueo sobre a história da psicanálise na Alemanha de 1933 a 194~ e as responsabilidades da IPA. Op. CS. C.em hipótese alguma.O ANALISADOR WERNER KEMPER Werner Kcmper..que eram judeus . emigra "<\t>. Freud e ErnestJones. a Sociedade Alemã desliga-se da li' A e ingressa no Instituto Goring (1nstituto Alemão de Pesquisa Psicológica e Psicoterapia. em realidade. assim como a IPA. e. luas aconselham que não se deve fornecer pretextos às autoridades alemãs"'.. Boehm relata que" . e apenas os chamados "tratamentos didáticos" realízac!os. jJ01'ém. nestes Últinl0S anos . "Na cspcran~:a de sobreviver como departamento autônomo (.por ocasião da subida de Hítler ao poder -. e K. em sinal de proÜ!sto.B'. dI. Por pressão dos nazi')tas. 4"' 46 Infornuçôes retiradas do artigo de Drager. Neste rnstituto. 23-46.1miner. na mesma reunião. A Sociedade Psicanalítica Alemã faz parte do Instituto (.psi"alemãs.TCSCCJlle arian. membro da Sociedade Psicanalítica Alemà. l'5 e 26 Drager. logo que Hitler sobe ao poder. dlega ao Brasil em 1948. Ficanl como presidentes da Sociedade os não-judeus Drs. pr..].por insistência de Freud.__implesmente s a 11U1ade de lado. p. dividindo a fOrn1açào analítica no Rio dc janeiro com Mark Burke (vindo de Londres um ano antes J. mostra a onussào e a conivência da prática e da instituição psicanalíticas com o nazismo.tas aí trabalham c oficialmente continuam com seus consultórios particulares"49.lUnschweig. Alguns acbam que é mais digno a Sociedade.

cit. . em 19ljH. K. em realidade. de realizar análises didáticas.'ige boa Psicanálise.ustificatil'a para o com/Jottanu-7lto dos analista\' alerndes duranie o nazIsmo. Segundo Kemper. Kalan Von !lofL'. n'Cehendo o nome de lnstitutçao para os Com/Janheiros do POI!() de Poucos Recursos ( ). submete-se a uma analise didática com Kem{Jer.. "Como . finalmeote.na época presidente da II'A . ·'É verdade que não fica bem ã lPA relembrar certas queslõf?s para a e:ds((.o que os colonizadores?"'>'. mas também no conteúdo. Reuniões científicas nas residências dos analistas são proibidas. na época.... W. no entanto. ou jJe/os at1igos troricos ali publicados.1. mesmo que k-1a atentamen/(' os relatót'ios da Socú?dade Psicanalítica Hindu. Kell1pcr chega ao Brasil.Morre em 1976.. nova ordem? Do que pudemos ler. sob a capa da neutralidade. A própria p"ssividade de rreud.. psicanalista resolve emigrar. jamai<. ')1 ')2 Brainin. Kemper volta para a Alemanha.er. estão em sua grande maioria dispostos a Ulna adapta~·à().'açào" da Psicanálise /'vao se trata. ) A mulher de Goring.citll. favores profissionai" e pessoai". pergunta por que somente após a derrota do nazismo este . Müller -Br. . cabe a cadJ um meditar sobre eles e avaliar () quanto a "verdadeira" psicanilí.J. Kemper.l. o que veremos melhor nas duas últimas situações analisadoras. Todos os compronlissos e submissões ao nazí. "submissão de Ernest Jones . Op.. não há apenas subrnissào adnlinislrativa. Ur. O estudo feito por Katz" sobre as publicações oficiais da 11' .')tratados são sempre "al)stra.. W. principalmente. por KemlJerexerce importante papel nl' Instituto.Yt Lohmann. no Brasil.zismo e Psicanálise: Outras Rdações" Idem. neutralidade e o que se c:\. sempre se u. o de Material e Planejamento de Ensino e.esmo mod. conivência e mesmo adesão ao regime nazista. o governo nazí. 11. p.trada. 53 Si Katz.bde oncL~lmente regi. ciL. llá uma enorme resistência em aceitar e admitir que a prática psicanalítica foi integrada ao . Nenhuma pergunta. Se um pesquL"adot' estudasse a Índia pelos infor'mesda JjP. se a leitm' ~aminar qualquer numero do IJP da época. nunca saber'ia que seus psícanali. que inicialmente e tida como nazista 'Jerrenba". C. r· 198.stadof\. enquanto socic. omissos e outros. só são pennitidas no Instituto (J-oring. e seus fiUlOS.•.sa a ··sal(. nenhum elos médicos que. Os fatos aí estão. "N3.ta dL"olvc o que resta da Sociedade Psicanalítica Alemã.. Qoando."azistu. a meu ver. Em 1967.tos". L."desenl-amados".wnschweig é proibido de ensinar e ser publicado: Bochm. F. mostra como.()'nstituto Ganng eMá entrelaçado como F.. In: c. apesar ~5DAP de apena~ 5% dos seus associados sen>m membros do l. no A período de 1933 a Ii'i. de COItlpronlisso com os regimes ditatoriais.::.Braunschweig..~cia de uma Afinal. cit. O que se pode depreender desta breve história . em troca de vantagens.euniram~ Como eles pensaram as temtas psicanalistas? Do m. e por que não dizer. fazem fOl1na.S. o traIJalbo na Clínica não é influenciado pelos n<lzisttlS atlr'istas do Instttuto CT'orlng(. O Instituto (~oring funciona com lO seções.• (Partido Nazista) ( j A ainica . coniventes.sta'i eram memhros de uma Sociedade>psicanalitica de um pais colonizado Qual a bistória dos sujeitos que ali se .e a crenp 113 neutralidade da psican:ílise são fatores.Em 1938. estando ausentes "a política e a hi"tória concretas". (' se tljJroxinw consider<welmente da forma de jJensar frelulitlU<l "'i? (glifos meus). 13oehm. 66 82 Oro cil.e Roscnrotter. a Sra. tem de alienaçào. os tema. ()p. enviado pelo próprio EmestJones. unicamente da Psicanálise a prôpna segurança e a posiçdo sodal ligadas a ela têm que s(!r sallJas a qualquer preço . pseudodespolitizaçào e.b psicanilise sob o 111Reich! Que aqueles que não emigram c têm postos de chefia considerados importantes na época.'. o Setor de Estatí'tica c Avaliação: Müller . a uma adesão 3. aqueles que pemunecerarn foranl. sendo que quatro delas são dirigidas por psicanalis13so Wcrner Kemper dirige a Policlinica. C. nem mesmo curiosidade em se saher como viveu por 12 anos este diretor de 1I1naPoliclmica ligada ao ES13do Nazista.dinRida. Por exemplo.•Kamin<.M. p_ .e que se implanta nos anos 'i0. o de Psiquiatria Forense. pela aproxinlaçào com o bioiogi~n1o nazista. saberã que a india em L-7ltaocolonizada pelos ingleses. 4{)-"':'').tas alemães tenham essas postura') de omi'ssào. que tnuito contribuem para que-os psicanali.sistema nacional-socialista c que Katz. deixando no Brasil sua mulher.mo não impedem a dL"olução da Sociedade Alemã.'ào analítica.S. no nlÚ1irno.

pois ". mascarar e n1esmo escamotear diferenças muito maiores. entrcvistados.2 _ O ANAIlSADOR ANNA KATIRIN KEMPER Mesmo antes da SPR] ser reconhecida oficia~nente pela lPA. cerC:l-se de artlstas (muitos ligados à Bossa Nova) c intelectuais. por seus dispositivos.Kattrin n30 tem compromissos com modelos. que só passa a ser 85 84 . ()p. com sua equipe de supervisionandos. com o apoio de 19or Camso. o que se toma um escândalo paíJ. diferenças que se localiZam em outros niveis . poL<. InesnlodepolS da fundação da SPR]. cit. Todos os seus cx-anali<. o Instituto Brasileiro de Psicanálise. nem ao menos psicóloga. Para a "verdadeira" psicanálise e para a forntação analítica então instituídas. muito incômoda ü ortodoxia klciniana vigente nessa SOCiedade. Alguns psicanalistas da SPR]. é um crme.tas formados em Londres que vêm dar na SBPR] já haviam levantado tal questão. ·18. !alando da segurança que tem em termos )) Perestrello. ao chegar ao Bm. unta heresia a postura de Kattrin. o grupo britânico passa a dominar. afirmam que a pennanência de Kattrin nessa Socicebde era indeseiad~ e ~)S argumentos utilizados são os mesnlOS acitna defendidos por Manalzlra Pcrestrel1o: nào é médica. nào lenl condi\-~õesde ser uma didata. possui Unta vasta clientela em seu consultório. Kattrin rornpe corn o que há de mais . Anna Kattrin Kemper.'iÜ. a prinuzia era do grupo alemão e. KemfJr!f estimula e protege o trabalho da Sra Kemper como psicanalísta e anali. Não se trata de diferenças teóricas. já antes da fundação do Círculo Psicanalítico e da Clinica Social de Psicanálise em 1972 . é de uma grande vcrsJ. Em 1968. Kattrin Kemper.andos são unânirnes em afirmar que. Nenhun1a contesla~'ão ocorre. que lugar ele ocupa e. Anna Kattrin Kemper retirase. embora tal quebra. Aproxitna-se de seus pacientes. pois é o mesmo já assinalado anteriormente: tenta-se.. mas. no Centro de Estudos Psicanalíticos. Kemper. por sua criatividade e interesse por crianças. o [)r. nem psicanalista.tant~~ qualquer titulo de medica. enquanto anali"itJ. os tenha em muito ajudado. História da SBPIU= Sua. na época. Como exemplo de sua flexibilidade e abertura com relação à psicanálise. com a volta de Werner para a Alemanha. imediatamente a direção da SPR] faz uma denúncia à IPA contra a didata Katnn Kemper. antes ela partiela de W. coordena um grupo. W Kemper já coloca como didata sua mulher.. com tais posturas. retoma à Alemanha.. está o cartunista]uarez Macltado que não é "psi". este e"stabelecirnento passa a chantar-se Círculo Psicanalítico da Guanabara. de produção de subjetividades. tendo um estilo próprio de trabalho que permite algumas críticas como a quebra da neutralidade do setting. de prestígio. simplestnente como grqfóloga "5).'l Origens e l\mdação. em algumas situações.a qualificada pela rIJA. estava em viagem ao Brasil. que posturas deve assumir em sua prática profJSsional e mesmo em seu cotidiano. Por que flca por nlais ele 10anoS nesta condição' Por que ninguém da SI'H].sagrado p~ra os adeptos da "verdadeira" psicanálise e traz más inlluências para a (ormaçào analítica tão cuidadosamente normatizada por esL. Quando W. funda. visto que. Dentre estes.o aceita () selli1lg st::Uldartizado. de práticas diferentes e divergentes que não são pennitidas pela "verdadeira" psicanálise. c enfatizanl sua importância enquanto terapeuL1. sendo unta profissional reconhecida no meio "psi" carioca nos anos 70. Alguns de seus ex-analisandos. apesar da importância que llie dão. Em J 971.tiliclade c n3. após Unta séria crise institucional. há o caso das supervisões que dá na Clínica Social de Psicanálise aos coordenadores de grupos de crianças. entre. onde somente alguns "eleitos" têm o monopólio da psicanálise. em suma. de sua ternura pessoal e liderança. psicanalista do Círculo de Viena que. o de M. psicóloga ou de psicanalista -'. ousara levantar taL<i questões? Outros psicanali'~s da SPR] colocam que sua postura. I de psicanálise. acompanhada de sete de seus analisandos e.sta tecnologia klciniana. ela não poderia llear muito tempo na SPRJ.o nível das práticas de poder..e hal}ia sido apresentada.'1ta didata Nilo /)()ssui ela. Burke c o dos anali. através de diferenças teóricas. p. Anteriormente. o grupo argentino.'1 ortoc1oxta e. os klcinianos da épOC1. em 1969. ntaS de transgressões. M. Alguns entrevistados atribuem a saída de Kattrin Kemper da SPR] às diferenças teóricas. Discordo de tal enfoque. diante das pressões da SPR]. o que gera a crise na SPR]. aceitam as subjetividades dominantes no meio "psr' e reconhecem que Kattrin é "parcial". do que é ser um psicanalista. Ao contrapor-se a c. portanto. Kemper. em 1967. inicialmente.

. Décio traz grande influência de Melanie Klein. 83 e 84. In: Perestrello.cf.com o Dr. H. Décio que "infrações" cometidas levam à expulsão de um dos fundadores da Sociedade. "Nestemomento. são ". em 1959. formando psicanalistas de crianças. Vários psicanalistas cariocas entrevistados aftrmam que Décio vai se transformando em figura central do grupo kleiniano no Rio de Janeiro e dentro da própria SBPRJ. Décio que. a não vinculação de qualquer nome. ]003. PsychanalyseundPolilikinBrasmen. trabalha na Cünica de Orientação da Infância (COI). M. toma-se didata da SBPSP. Como membro associado da Sociedade Britânica de Psicanálise em 1957. na SBPRJ. p. assim. em sessão de 07 de abril de 1965. com posições politicas bem diferentes das da maioria da cúpula da SBPR]. Décio.andos do Dr. Décio. Burke. o Conselbo Diretor da SBPRJ não explica aos cinco analL. Citado por Figueiredo. o I Com vocabulário típico de um processo criminal. ao ser reconhecida oficialmente pela IPA. no Brastl. nos termos do artigo 21 dos Estatutos da Sociedade'J59 (grifo contido no próprio documento). Kattrin Kemper morre no Rio de Janeiro. vive-se sob a ameaça de '~tosInstitucionais" estabelecidos peJo poder militar. mimeogr. É tratado como tabu e poucas infol1llilções são passadas.que. 3 . millistra.e sua vitalidade fazem sombra a muitos didatas da SBPRJ. Esta candidata. em 1929. em realídade. o grupo argentino que fundara a Sociedade de Psicanálise do Rio de Janeiro e analistas com formação em Londres (o caso do próprio Décio). Em 1961.cretas" . cientistas. Op. a meu ver. militares e expulsam estudantes das escolas e universidades"61. Stuttgart. Pro! Décio Soares de Souza. Seu sucesso . assim como psicólogos em seus trabalhos de consultório com crianças. em'09/04/1965. pois é um liberal. exerce até 1950 o cargo de catedrático em Psiquiatria.11.C. Vianna. quando vai para Londres lazer formação analítica na Sociedade Britânica de Psicanálise. atender a clientes alcoolizado e ter tido um romance com uma ex-cliente. recebe o título de psicanalista de adultos e crianças e fIXa residência no Rio de Janeiro. Orienta também vários colegas no Rio de Janeiro. Décio Soares de Souza. Em 1955.questionada após a partida do "Mestre" para a Alemanha. levou-o a cometer certas atitudes "indL. Explica-se. contribui para a expulsão de Décio. segundo alguns entrevistados. 42. na época "aspirante" a anaiista na SBPR]. Mera reprodução 59 6') 61 de um contexto autoritário ou algo mais' Ou 58 'frecho de carta enviada aoS analisandos do Dr. november88. Por sua fOl1llilção em Londres. pp. O próprio contexto politico da época. formado em Medicina pelo Rio Grande do Sul. QuaL. Nas entrevistas feitas com dez psicanaiistas ligados à SBPRJ notase que o "caso Décio" aÚ1da Ú1comoda a muitos deles. cit. encobrem a disputa de poder e prestígio que ocorre na época dentro da SBPR]?O Dr. em 1978.C. que ficara no Instituto Brasileiro de Psicanálise. Neste Study Group estavam o grupo de M. o fato merece registro. In: Psyche. é chamada para prestar "esclarecimentos" ao Conselbo Diretor sobre seu envolvimento ocorrido fora do Brasil.O ANAliSADOR DÉCIO SOARES DE SOUZA Dr. aiguns. ligada ao Instituto de Psiquiatria da antiga Universidade do Brasil. Em 29 de março de 1965. para 56 57 Dados colet:ados na BiografIa e Currieu1umVitae dos fundadores da SBPRj. a aplicar àquele colega a penalidade de EHmirMção. pois era membro associado da Associação Psicanalítica Argentina. Sob o patrocÚ1io desta Sociedade ~ junto com Walderedo Ismael de Oliveira (que também se tomara didata da SBPSP. sendo que alguns dos entrevistados enfatizam que este fato deve ser esquecido e solicitam que não seja divulgado"'. Todavia. que é considerado o primeiro trabalho de sistematização teórica na prática da psicoterapia Infantil". funda um Study Group reconhecido pela IPA em 1957'7 Este Study Group transforma-se na SBPRJ. Op. arroladas as infrações cometidas pelo Sr.. onde fizera sua fOl1llilção) e outros colegas. as "Infrações" cometidas pelo Dr. 86 87 . K1ett-Cotta. Décio é acusado de beber em demasia. inclusive. possuindo uma grande clientela em seu consultório particular. e. que sumarla1tUmte demitem de suas atividades professores. dI. na PUC/RJ..S. Hlst6riada SBPl\I. 997-1015. em reunião do Conselbo Diretor. iniciando suas atividades analiticas'" Além do consultório. torna-se uma das figuras mais lmPortantes na divulgação e expansão do "kleinianismo" nos anos 60. vaI. um curso de extensão sobre a "Escola Inglesa". A. que levaram o Conselho a decidir.

Clmaiderman . Décio Soares de Souza. disciplinares. a fazer o Curso de Psicologia na LJSP.e os fatos narrados falam por si sós os dL~positivos de coerção presentes na formação e na prática psicanaliticas.Desde os anos 50.r na enxada numa fazenda de café perto de Campinas até ser caixeiro viajante.M. está denegrindo-a.V.engenheiro agrônomo que abandona a profIssão para ser expertem literatura russa. em maio de 1965.mantém a penalidade. participa. morais e sexuais produzidos e fortalecidos pela prática psicanalítica e pelas instituições que ela instrumentalizai Somente com um voto contra. de 09 de dezembro de 198'5. mimeogr. dto 6:3 Carta à Exma. sob. ocultamento. de mundo e de ética são produzidas.Betty Milan é uma delas .e " ". não pretendo salientar a 62 Perestrello. chegando a ser um conhecido professor da IJSP -. Diante disso.Op. são apresentados por alguns entrevistados: o Dr. Décio não tem uma atitude humilde diante das acusações que lhe são feitas. Apontar como essas práticas de submissão. de um grupo de estudos com Anatol Rosenfeld"". Este caso é espinhoso e até hoje continua escondido. Ao relatar o "caso Décio" como um analisador das instituições formação analítica e "verdadeira" psicanálise. a Assembléia Geral Extraordinária da Sociedade . Oficialmente. sua fotografia é colocada na galeria de retratos dos ex-presidentes da SBPRj"'. In: Folha de S. o que a leva.a forma como são eliminados do corpo discente do Instituto. saem da SBPR). 4 . completam alguns entrevistados. mostra-se extremamente agressivo. que já se encontram no 2º ano de formação. Estudou na Universidade de Berlim e quando chegou ao Brasil teve várias ocupações: desde trabalha. tem dois filhos: Miriam e Carlos. 39. enfatizadas e alinlentadas por tais instituições. p. que é a mais enfatizada por todos os entrevL~tados. Em 64 ocone poc pre"ão de alguns pSicanali"". também interessada por Filosofla. que visões de homem. em 21 de maio de 1965. estranhando: 1 . ao serem comunicados da expuL~ão dele. isto não ocorreu. Professor de FilosofIa. Até porque o Dr. sem qualquer justificativa. 88 questão moral embutida neste acontecimento.Tanto que na biografla de seus fundadores. Ele "saiu fora" da psicanálise.ocorrida em 1970 . impedidos de comparecer aos cursos regulares do Instituto. formando-se em 1944.O ANAliSADOR REGINA CHNAIDERMAN Regina Chnaiderrnan.onde somente os membros titulares podem comparecer e votar .como didata da SBPSP. Sempre cercada pelos alunos . 3 .já nos anos 50 . entra com recurso e." Beal"z Pontes de Miranda Ferreira ao presidente da SBPRJ. Apesar de gostar muito de Química. Não aceita a possibilidade de se reanalisarj ao contrário. cometeu infrações contra ela e. brasileira desde criança. colaborando em revistas estrangeiras de Iingua J"" 6'. faz sua primeira graduação na Escola de Química da USP. encaminham carta ã Diretoria do Instituto. Lando. durante anos. mas .a comunicação de que a análise pessoal feita com o Dr. th 89 . até aquele momento.sumo carta da an. Diretora do Instituto e Secretária da SBPR]. no Instituto Butantã e em várias escolas particulares de São Paulo. tem um "encantamento especial" pelas pessoas. Diante da não-resposta a esta carta e da violência cometida. af=. 2 . o Bandeirantes e o Dante Alighieri. Paulo Roberto Saubermao. 00. sprit de corps. Os cinco analisandos de Décio.nesses tradicionais colégios paulistas . "Muitos dos alunos dessa época ainda lembram daquela figura matriarcal entrando nos laboratórios de Química"".tem posturas disruptivas com relação ao tradicional sistema educacional. O Dr. Casada com BorL. de réu tenta colocar-se no lugar de acusador. violência. "Regina Uniu Cabeças e Corações~. Décio. como o Roosevelt. PaulolDustr:ada. maio/ 1965. ele próprio não deixa outra altemativa ao Con~elho Diretor da SBPRj a não ser sua expulsão. estão presentes em tal ocorrência. os cinco analisandos de Décio. à guisa de explicações. após ser comunicado de sua exclusão. Alguns rótulos. Alguns desses analisandos continuam a análise pessoal. 1. nascida na Bessarábia. apresentada por Marialzira Perestrello". fora da SBPR). não havendo sobre ele nada oficial na SBPR). permanece até sua morte .. Décio Soares de Souza é expulso da Sociedade que ajudara a fundar. não há referências sobre a expulsão de Décio Soares de Souza. mimeogr " pp. Traballla no Instituto Adolpho Lutz. ao contrário. com isso. na hL~tória desta Sociedade. Décio não é mais reconhecida pela SBPRj".não terem sido convocados para o irúcio do ano letivo de 1965. 2 e 3. 30/01/198'5. apesar de sua expulsão da SBPRj. Ve. silenciamento.algo a ver com os dispositivos normatizadores. em 1961. Somente em 1986. Dr. estando. alemão e judeu perseguido pelo nazismo. com ele.

para o profissional nâo-médico ou psicólogo . através dos livros. posteriormente. Regina faz formação psicodramática com a equipe de Bermudcz e participa ativamente do Congresso Internacional de E8 (f) iO "Afinal. R. Critico literário e grande amigo de Regina Omaidennan. Mirian Chnaiderman67. Sua filha. Op. perseguidos. é preso algumas vezes quando o Exército invade a Universidade. Quando. De novo seu pedido é negado.periódicas reuniões.e acima de tutÚJ. tanto ela como seu marido e filhos . 15/011 1984. Lígia Alcântara. no qual estáo presentes Betty Milan. Marisa Tafarel e toda uma geração de psicanalistas que têm em Regina sua "primeira mestra"fj). dt. quando se discute a sua entrada: "quem poderia ser analista de Regina Chnaiderman'" Além de ser uma pessoa declaradamente de esquerda e ter tido vínculos com o Partido Comunista nos anos 40 e 50. Ferrâo e outros. 90 91 . passa a lecionar Psicologia no Sedes Sapientiae e no Curso de Psicologia de Mogi das Cruzes. Op. tais regras condUr ziam. mesmo para uma pessoa como Regina. em sua casa. Pelos Estatutos. em sua opinião. relata que Regina fica muito deprimida e que.que pretenda fazer formaçâo analitica fica a critério da Comissâo de Ensino a aceitação ou não do candidato. em 1969. os ditames (. Relato de Marilene Carone in Lando. tentando juntar Freud com a Filosofta e não isolando a leitura do inconsciente do contexto histórico e social. são pessoas não-gratas ao regime militar. 67 Lando. Morto em 1974. professores no Curso de Psicologia da USP como: Durval Marcondes. pela elitização a que. o que resulta num "estilo próprio" de fazer psicanálise. todos eles didatas. dt.<68. é aluna de vários psicanalistas da SBPSP. da escola inglesa (Melanie Klein) à francesa (Lacan). Sobre o assunto. muito próximos ao Partido Comunista. Regina é convidada para lecionar Psicologia Social na USP. isso pesa.por influência do próprio Melsohn -. em 1%5. receia autonomear-se analista. desde os rumos das artes e da cultura até assuntos f1!osóficos específicos. sem qualquer explicação. Ferrari.na época Regina ainda nâo está formada em Psicologia . que uma leitura limitada de Apesar de sua posição singular e bastante diferente daquela praticada pelos analistas da SBPSP no que respeita aos rituais e dogmas analíticos presentes na formação. elas são informadas de que nesta segunda vez em que é recusada pela Sociedade "oficial" é feita a seguinte pergunta por algum didata do Conselho de Ensino. já formada. "Regina proporciona (a eles) um apoio além e albeio ao perimetro psicanalítico"?O Em 1968.na época militantes secundaristas . V. I lugar. Flávio Herrmann. Judith Andreucci. A força e o poder da formação instituída nas Sociedades "oficiais" é um fato e. principalmente nos anos 60. mesmo já tendo um consultório concorrido e numerosos grupos de estudo e supervisão.) ortodoxos da Sociedade representavam exatamente tudo aquilo que ela sempre combateu.peJa perda do potencial criador e transformador Freud pode determinar. abre seu consultório . solicita entrada na SBPSP para fazer formação. V. _. Simpatizantes dos movimentos de esquerda desde o pós-guerra. reúne. "Pensando em AtutoI Rosenfeld". Em segundo lugar . dezenas de estudantes de Psicologia e psicólogos em sentinários abertos. Em duas entrevistas dadas a mim. exilados. A partir dessa segunda negativa. posteriormente. Torna-se muito amiga de [saias Melsohn. e com relação aos preços cobrados (tanto na terapia. teatro artes plásticas ou música. Regina não é aceita e não há explicações do porquê. muitos de seus pacientes. após o AI-S. Op. professor da USP. e muito. Ainda em 1968. Seu fJ1ho. Não por coíncidência. mais tarde. PaulolFolhetim. Em primeiro alemã. ex-presos políticos. Marilena Carone. Em 1966. Durante sua graduação. Regina sempre teve um pensamento muito próprio. Regina resolve lançar-se profundamente nos estudos sobre a obra de Freud e percorre todas as principais linhas existentes. o que faz de 1964 a 1966. Regina e Boris. quanto na supervisão). cinema. entra na clandestinidade e luta armada. será didata dessa Sociedade. Ainda no 3° ou 4° ano do curso de Psicologia. Cria o famoso "grupo dos sábados". Regina sente profundamente esta segunda exclusão. pois têm uma incrível voracidade de conbecimentos.participam das passeatas estudantis. Desde meados dos 60. que. tendo vivido exilado em Cuba até a anistia em 1979. Lando. ali tudo é discutido. v. ver: Omaiderman. In: Folha de S. E novamente solicita ingresso na SBPSP. Boris Chnaiderman. tornam-se intelectuais brilllantes. dt. 3 e 4. Por alguns anos. pp.

Inicia-se. em 1970. até os enfoques teóricos utilizados em cada caso.. pois está com metástase na coluna . Esse chamado "estilo próprio" de fazer psicanálise traduz-se na crença de que "a análise é um processo de desalíenação". Por seus depoimentos.'Ie a explorar como fontes de teon'zaçiio ou a transformar em indüJíduos normai. Os acontecimentos deste curso no Sedes. pois já é claro para Regina e seu grupo que estão contra o modelo da "verdadeira" psicanálíse. Op.já em cadeira de rodas. nos piores e melbores momentos. Desta idéia. mas desalietulção do discurso que se tem sobre o saber psicatullftú.é este o fazer do analista" lnstituto de Formação de Terapeutas. efoi na sua casa que pnomeiro ouvi falar de Lacan . ~Política de For. durante o período mais terrível da repressão militar. no ano de 1973. em que se debatem desde os preços a serem cobrados a determinados clientes. um trabalho tipo "cooperativa": clientes que não podem pagar são aceitos.ela então recebia um membro da Escola rnudiana de Paris. fez pouco da doença que a afetava ensinando a tirar o má. Em 1975. inicia os grupos de estudos sobre Lacan. Em São Paulo. ennip tiu-nos conhecer o que se fazia na França e também nos outros países latino~americanos (. criando um estilo próprio. de braços abertos. várias salas no mesmo prédio em que sua mãe tem consultório. ao qual todos. puderam recorrer e foram recebidos. no item VT deste Capítulo. generosa no consolo. literalmente. em 1976. aluga. são feitos estudos de caso. depoi~ de uma enfermidade de dois anos. aproximou tantas pessoas. Quando Miriam se fonna em Psicologia. como Ana Maria Segal. muitos psicanalistas argentinos vêm exilados para o Brasil. colegas que estão em dificuldades são ajudados através da distribuição de clientes. com o golpe militar na Argentina. discutem-se as regras analíticas instituídas. Todavia. aceder peta primeira vez explicitamente a uma bistorieidade ao J mesmo tempo singular e coletiva. Nas reuniões das terças-feiras com Regina. 111'5. Quem viesse de fora da cidade. Aberta a todos e às várias correntes. R. .skanáJtse atmais do encontro. lndkou-me o pn°meiro analista. vai ã Europa para tratamento e quando volta . cito 93 .12e 13.) (. viveu uma dura exclusão no início da carreira. Regina foi um arsenal de generosidade. inicialmente arrojada. no caso mais geral. chegava nela. v. promoveu a P. Segundo Miriam. etc. Roberto Azevedo e Regina Clmaidennan são chamados por Madre Cristina.continua trabalhando no Sedes e em seu consultório. Valorizando o l!. Em 1976.pp. além das supervisões. Mais do que qua!quer atuação ou ideologia. São Paulo. Faz parte do Grupo de Estudos de Psicodrama de São Paulo até 1971.maçâo em Psicanálise: Alinhavando Algumas Anotaçôes de leitura". pois . os pacientes não são materiais de análi. do Instituto Sedes Sapientiae. o Curso ele Psicoterapia Psicanalítica. Todos são unânimes em afinnar e enfatizar que. com alguns dos que estudam com Regina..'i_Os pacientes têm que sejazer. com o apoio da mósofa Marilena ChauÍ. "ARegina já não está. !s/o fi criação (. e pelo processo analítico. ) Não trilhou o seu caminho facilmente: pela sua indepen~ dência..'drnoda fugacidade da vida Ninguem cultivou como ela a amizade.__ É neste se jazer que o analista coopera .o ••71 (grifas meus).Revlsta de Pskanálise. para Regina. Silvia Alonso Espósito e outros. Sedes. Sempre atenta ao sofrimento alheio. cedo ou tarde.rasi1. será o carinho sempro atento. percebe-se o apoio que lhes deu e muitos passam a dar aulas no Curso do Sedes. se auto-a1ertar. 92 I 72 Lando. Ano 1. permanece com sua base teórica psicanalítica aberta a novas técnicas. para organizar um 71 Clmaiderman. Em 1972. que sabia acolher e apresentar. didata da SBPSP. era uma anfitnoâ nata. a lacuna aberla no centro das centenas de pensamentos epensadores controvertidos que Regina conseguiu reunir em tomo de si "h. criar um novo segmento de sua história e. o ensino da Psicanálíse . cria-se.Psicodrama e Sociodrama realizado no MASP. acima da indiscutível inteligência. sabedoria e informação. In: Pen:urso. a pressão da SBPSP por consíderá-lo uma formação paralela e a sua divi~ão em dois cursos serão relatados adiante. Regina foi uma daB figuras mais importantes no sentido de auxiliá-los. 2" semestre de 1988. Faz cirurgia. então. nº 1. A SBPSP recusou-lhe a entrada Mas era feita de muitos fi51egos e foi em Da mesma forma. Mário Pablo e Lúcia Fucs.. Regina Chaiderman morre c1e câncer em 1985.. É de Regina e Miriam Chnaiderman a primeira tradução de Lacan para o português nesta época. é um ato psicatullftico e é um projeto de desalienação DesaJíenaçiio desta vez não do sujeito analisando.

ainda.. Após várias cartas nas quais a Dra. é marcada para 24 de jLlnho de 197~. Pau1o!llusttada. então.Sohre o assunto. sentado diante de mim. pode. 10[3. revoltJia acintosamente r. C.Amilcar Lobo. Ainda sem sentar-se.. Um dos membros do Conselho. ter a referida psicanalista uma ". o Conselho deverá ter em mente se o mesmo preenche as condições exigidas quanto ã integridade de cardter. no entanto.a Dra. Ninguêm pode ser como ela. Helena não aceita as referidas "explicações orais" . lmago. foram se despedir dela. retirei dela cigarros. como membro dos órgàos de repressão. Antes de dirigir o curso no Sedes sa. em que ela somente poderá ouvir. o ConseU10 Diretor da SBPR]que o assunto fique em total sigilo. a multiplicidade de facetas. se valer do exemplo. uma pergunta sobre a aceitação para analista de uma pessoa comprometida com atrocidades a seres humanos. Acompanhada pelo mesmo membro do Conselho.). que.75 (grifos meus). Rio de Janeiro. B. . finalmente. Sem compreender. Op. co. EstatutosdaSBPRJ. após os cumprimentos de pr{4w. Rio de Janeiro. . Cerqueira. dedicando-se ininterruptamente à transmissão da Psicanálise. p. que tinha em seu frtmtispkio utntl lista verde-amareÚl e as conhecidas iniciais ( . filhos Regina jazia tudo à sua moda" era única e vai faltar. Em 197~.ntra o médico 7) Vianna.. 73 74 My1an. que ela alentava nos momentos de crise. onde abri minha bolsa e.) Eu era acusada de denunciar um torturador . Helena é acusada de plágios num anigo publicado no IJP(Jornal Internacional de Psicanálise) e num resumo feito sobre um psicanalista uruguaio. tendo em vista a natureza confidencial do assunto. "Uma Grande Mãe e Anfitrià Nata" In: FolhadeS. sempre observada. 1994.. (Org. Vianna. disse que me seria muito dificü ali permanecer sem cigarros e sem óculos.ta () artigo 13: "Ao considerar a admissão de Membro em qualquer categoria. 1994. que deveriam ser deixadas em cima do arquivo situado ao lado da porta {. e podia cantar. G. s gregos e os troianos. Além desta acusação . I' Solicita. é criticada por ter feito.J Entreguei minha bolsa e minha pasta e encaminhei-me para a mesa. H.. cultivar a diferença e a tolerância Quem foi ao enterro viu que ela reunia amigos "dí<. mimeogr. retomei até o arquivo. uma reunião. H. Helena responde que se encontra apta a prestar quaLsquer esclarecimentos sobre sua pessoa. atuando no DOI-COD1/R] . o constante questionamento. cit.pientiae.) A sua vida passou decisivamente por muüas outras. Ali estavam congregados os membros de uma tribo nascida do amor ã tribo da Regina"'!>. convidada a comparecer a uma reunião reservada com o Consellio Diretor. Crlsena Psicanáli'le. analistas de todos os grupos e de diversas na<:ionalidades. Ali estavam intelectuais. formou meio mundo na própria casa.O ANALISADOR HELENA BESSERMAN VIANNA A Dra. H.. Carta aMeusCulegas Psicanalistas.... Assin1 a descreve a Dra. informou-me que. 76 94 9. coordenada pela psicanalista argentina Marie Langer. A famosa denúncia.. Op. 39. solicitando marcação de data para apresentação de seu trabalho (conforme o previsto nos Estatutos). A psicanalista é. 1982 e Vianna. ver também: Vianna H. cit. eu deveria sentar à mesa sem minha bol.mas admite que o assunto tratado deverá ficar registrado em Ata -. E.• Contribuição à História das Sociedades PsicanaIiticas 00 Rio deJanelro. da visita de Bion ao Rio de Janeiro. tendo em vL.B.a de ter denLlnciado o candidato a psicanalista da SPR]. por decisão do Conselho. p. insistindo numa leitura rigorosa de Freud.S.10. . "numa posturd politica já conhecida".. Helena Besserman Vianna é membro associado da SBPR] desde 1970.a e minha pasta. Rio de Janeiro.jJares". 1986.p. Helena: "Bati na porta da Biblioteca efui recebida por um dos membros do Conselho. Graal. Seu pedido é negado por unanimidade pela direção da Sociedade. numa conferência pública.. posição politiea conhecida e ser devidamente registrada no DOPS. em 1974. "Quem iria analisar Regina Chnaiderman?" 5 .frente.R "Psychoanalyse and Politik In Brasilien" Op.J. a Dra. pois. 1010. cit. Várias eram as cantigas de ninar que a mãe grande conhecia. A diferença. óculos e uma caneta (. os padrões éticos e têcnicos"74 (grifos meus).)DOPS C_. isqueiro. Não Conte a Ninguém. por assim O diZer. requer inscrição como Membro Titular. . feita em 1973 à revista Questionamos nº 2.. Daí os tantos "somente pessoal" e "oralmente as explicações serão dadas".. desviando-se dos padrões éticos exigidos de "neutralidade" no exercicio proflSsio.B.nal"" (grifos meus). p. Por ocasião..) uma pasta grampeada. o desafio que era Regina Chnaiderman não cabiam na SBPR].

com suas acusações. ela é muito exaltada politicamente e suas declarações criaram um mal-estar entre as duas Sociedades do Rio de janeiro. mas o r. chegara através do jornal do peB VOZ Operária. uma pequena crise na Direção do Conselho. Estatutariamente.e. nUll1ato corajoso.c.tados.. Isso não é tão importante quanto a atitude da Dra. após uma série de mudanças estatutárias. mantive as carlas originais guardadas no mais "meticuloso sigilo" e pemumeci polüicamente engajada na luta pela redemocratizaçào do Brasil"7$.. Leão Cabernite. na qual havia algumas linhas manuscritas. à guisa de explicações. ressalta a acusação de ter havido uma "denúncia calunio. volta às manchetes dos principaL. H_B. no ano seguinte. de que taL. macu[a a psicanálise. embora sejam as cúpulo. também. A proposta feita pela cúpula da SBPRj e a posterior admissão dessa pSicana[L'ta como membro titular é uma forma não somente de apaziguar os ânimos cÀ'temamentc. quando lhes interessa há a quebra dessas normas ~ tanto no caso de Helena como no de Grimaldi. jornais o Caso Amilcar Lobo.co. Ou ainda que Helena levou o co.:) ldem. não se poderia transformar um membro convidado em didatan. Isso gera. 96 97 . As duas Sociedades cariocas. a questão é a Dra. Com isso.. Helena Besserman Vianna. Helena Vianna pubHcamente narra para toda a SBPR] os acontecimentos de onze anos 78 -. Aftrma Helena que: "Quanto à incineração das cartas trocadas com o Conselho. Ou seja. desde 1974. Sociedades "oficiais" as maiores defensoras do instituido.. l013e 1014.. Só que a entrada de He[ena para titular é um direito garantido pelos próprios Estatutos c que.) a autonOa da letra que fizera a denuncia. a da Universidade de São Frand. há toda uma correspondência da IPA com as duas Sociedades cariocas sobre o caso Amilcar Loho. em [973.'>a" contra membro de outra sociedade.) vivíamos sob uma das mais sanguinárias fases da repressào promouida pela ditadura.Vianna.. nos EEUU. denuncia a cxi. conro em 1975. (. do. outros membros do Conselho Diretor. Helena B. Vianna. o que ocorreu em 1976. ou: Helena Vianna tinha um gravador dentro de sua bolsa..ç acusações.. cit. Há aqui uma agravante: a indicação de Grimaldi para didata vem junto com a de doi. por isso não lhe foi permitido portá-Ia durante a reunião. alguns argumentos como: Leão C~hernite gamntiu para a SBPR] que Lobo mo era torturador. Apesar de uma série de denúncias feitas.Op.Amilcar Lobo. internamente.. até muito pouco um habilmente anuladas para encobrir a questao pn'ncipal. Estava na SBPRj como membro convidado. que. acusações não passam de interesses ocultos para denegrir a psicanáIL. ao serenl entrevi. ser necessário 'salvar" a Psicanálise e suas instituiç6es a/raués de punições contra o denunciador O cnOminoso ndo ma!" seria o autor do crime. ou que He[ena tem dificuldades de convivio humano.. Um anali. através de exames grafológicos. esta. para que os ânimos serenem dentro da SBPR]. concluem que a autora é a Dm. Alguns dos envolvidos nos acontecimentos. e não o fato de este "aspirante" ser efetivamente elemento de confiança da repressão. desde a publicação da denúncia na Argentina. Alguns comentam que é feita uma barganha: fica Helena como titular e Grimaldi como didata.) acusador do c1ime e do cn'minoso" 77 (grifo meu). é proposto a Helena que todas as cartas e Atas reservadas sejam queimadas e que o incidente seja esquecido. em âmbito restrito e sigiloso.çta didata defende seu paciente acusado de ser torturador com a tese de que estas calúnias sao provententes de forças ocultas que desejam destru'ir a Psicanálise Contrata um perito em grajàJogia pe1tencente a órgdo governamental para analisar a grafia de todos os analistas das duas Sociedades e este conclui (. sim. _ Em 1986. ela poderia apresentar seu trabalho e ficar como membro titular.pp.. decidem. repressão como candidato a analL'ta. esta prefere "aceitar" a palavra do então presidente da SPR]. Dentro da SBPRj. como a de René Major.tência um membro dos órgãos de de -:-. utilizam. Seu paciente é inocentado das acusações feitas e a acusadora do crime torna-se a criminosa. ocorrem pressões contra a indicação de Paulo Grimaldi como didata pelo Conselho Diretor. No mesmo ano. Helena vai a Londres conversar com a direção da IPA e muito depois fica sabendo que. e de virios psicanalistas espanhóis e canadenses ã IPA. que se avoluma. na imprensa francesa. Helena. ]Olj. p. "Claro que. Grimaldi era gaúcho e tinha feito formação lU APA. após retornar de Londres. envolvidos nos acontecinlentos do caso Helena. Em seguida. mas.<. com a negação feita a Helena e os episódios já narrados. na época. entre todas estas descahida. Ainda em 1975.o para o lado político e ele não tinlla esta conotação.

atrás e, em Assembléia, é votada uma retrataçào pública da Sociedade, o que é feito em nota na grande imprensa. Datam dessa época depoimentos dados por alguns dos componentes da Comissão Diretora da SBI'R], em 1975, publicados em Circular Interna da Sociedade de circulação estritamente confidencial. Alguns declaram:
'Julgo ser uma lástima qu.e de novo se esteja revolvendo o passado e de uma forma bastante escandalosa e de rmra forma que a Sociedade, a PsicatuUise e seus altos dirigentes estejam sendo denegridos (.,). /sto não tinha, nem teve qualquer concxâo com a vida política do Pais, nem com o estado de exceção em que vivemos por 15 anos _A Sociedade não parou de funcionar livremente porque existia ditadura no Brasil, nem havia qualquer vincu/açao fi'M:aJizadora governamental sobre nôs. Esta estória falada e decantada pela Dra. Helena não passa de um engodo e mistificação"&:) (grifas meus),

de subjetividade, são produções políticas, e não psiquicamente construídos em abstrato. Daí os relatos distorcidos, contraclitórios, que induzem ao esquecimento, pois "revolver o passado" incomoda a muitos. É mais fácil aceitar como naturais e até saudávei~ as estruturas burocráticas e hierárquicas das Sociedades de Formaçào, a sua "escolarizaçào", domesticaçào, a falta de criatividade, originalidade, seu afastamento com relação ao tnundo, seu conformismo e, sob um manto de ortodoxia, a idealização das imagens de Freud e da psicanálise. O anali,ador Helena Besserman Viana propicia-nos a rara oportunidade de focalizar tudo isto.

6 - O ANAllSADOR AMILCAR LOB()'3
O hoje ex-médico Amilcar Lobo Moreira da Silva, em novembro de 1968, inscreve-se como candidato à formação analítica na SI'R], tendo como didata o Dr. Antonio Dutra Júnior. Em fms de 1969, forma-se em Medicina, presta serviço militar no Exército e, no início de 1970, passa a servir no DOI-CODURj. Seu "trabalho" até 1974 é "atender" os presos políticos antes, durante e depois das sessões de torturas. Com o codinome de Dr. Carneiro, Amilcar Lobo "acompanha" o terror que se abate sobre o país fazendo parte eficaz de sua engrenagem. Antes, durante e depois! Antes das torturas, executa um "trabalho preventivo", no sentido de torná-las mais eficazes, procurando saber se há alguma doença, se o preso é cardíaco, etc. (a primeira "entrevista" antes das torturas de muitos que são conduzidos para o DOI-COm/R] é feita com o Dr. Carneiro, que vai ãs celas dos recém-chegados). Durante, executa também um "trabalho de prevenção", no sentido de testar a resistência do torturado, e avaliar até que ponto ele pode agüentar. Depois das torturas, faz "curativos" quando "cuida" dos farrapos humanos em que o terror converte as pessoas para que, se necessário, voltem a ser torturadas. Ele "freqüenta" também a "Casa da Morte", em Petrópolis, aparelho clandestino da repressão, de onde somente uma presa
83 Sobre o assunto, além dos livros já cita.dos, ver também: Kupennann, D.lllitóriada Transferência na Institudon;;diz:;u;ão da Psicanálise. Dissertação de Mestrado - PUe/R], 1993 e Franco,j.L. de A. A Con.stntção do SDêncio: o Caso Amilcar Lobo e a Psicanálise. Dissertação de Mestrado - UNB, 1994.

Outros, apesar do peso do espirito societário, afirmam:
"Alguns membros da Comissao não a desejavam como Membro Titular. Além das acusações que lhe eram fritas, havia - penso eu - em alguns poucos uma atitude de "nào desejarem comunistas"
na Sociedade. Ora, Dra_Helena, muüos anos antes, demonstrara

publicamente sua posição esquerdista, coisa que nunca negou epenso eu - por esse motivo não era persona grala para alguns membros do Conselho ,oBJ (as aspas e OS grifas são do próprio autor).

Leão Cabernite, presidente da SPR] na época do "tribunal" contrd Helena, assim se refere ao caso:
firullid6de

., Minha participação nesse episódio teve tão-somente a de obter informações sobre o assunto que nos

preocupava a todos. O assunto era debatido e comentado e creio quenada ocorreria à Dra. Viannn se ela também o tivesse ventilado no ambiente psicanaltlico do Rio "!J!(grifos meus).

Apesar de passados tantos anos, a hi'tória da psicanáli,e, durante o período da dítadura militar no Brasil, ainda não foi escrita. Os próprios psicanali~tas não têm nenhum interesse em relembrar ou esclarecer muitos acontecimentos ocorridos durante este período. Há o recalque e a recusa, segundo o vocabulário psicanalítico, e tais mecanismos sào produções
80 Boletim de Noticias ol! 08 - SBPRJ, novembro de 1986, pp. B e 17. 81 Idem, p. 10. 82 JB/C~oBEspecia1-16/09/1989.

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política escapa com vida". O Dr. Carneiro é "aspirante" a psicanalista um ano antes da prisão de Hélio Pellegrino, membro associado da SPR) que, em 1969, é enquadrado na Lei de Segurança Nacional e preso por 'iO dias. Na época, Hélio solicita à SPR) um documento em que ficasse dito - sem mais nada - que a sua prisão poderia causar ansiedade aos seus pacientes. O documento lhe é negado, sob o pretexto de que a Sociedade não pode imiscuir-se em assuntos políticos. Em 1970, o didata de Amilcar Lobo passa a ser Leão Cabernitc, então presidente da SPR). Em 1973, há, na Argentina, a primeim denúncia pública mostrando o "trabalho" feito no COI-CODl/R) por Amilcar Lobo. No mesmo ano, ainda grAças à coragem da Dm. Helena Besserman Vianna, outras denúncias são feitas na França, nos Estados Unidos, no Canadá, na Espanha e chegam ao conhecimento do então presidente da IPA, Serge Lebovici. Este prefere acreditar na "versão" do didata de Lobo, Leão Cabemite, que afirma tratar-se de calúnia. Lebovlci declara ao então presidente da SPR): "Posso utilizar seu testemunho para responder aos colegas que se dirigirem a mim que o Dr. Amilcar Lobo foi caluniado"". Em 1974, pouco depois de uma paciente do grupo coordenado por Amilcar Lobo ter levantado seu envolvimento com a tortum, o caso é levado a Ernesto La Porta, diretor do Instituto de Ensino. Este consegue do Comandante do I Exército, General Silvio Frota, a seguinte declaração endereçada ã direção da SPR):
"Na qualuiade de Comandante do I Exercito e responsável pela Defesa Interna na área do Estado da Guanabara, Rio dejaneiro, Minas Gerais, &pírito Santo, declaro, a fim de desfazer intrl· gas e aleivoSÚlS assacadas proposital e maldosamente por inimigos do regime e seus patronas contra o Dr. Amilcar Lobo Moreira da Silva, que o referido cidadão sempre teve procedimento digno e humano, compatíwl com a sua situação de Oficíal da Reseroa do B:ército convocado e de médico müitante, nada podendo contra ele ser argüido, justamente que afete sua honra,

Ainda em 1974, Leão Cabemite consegue cópia do manuscrito do jornal Voz Operária e, junto com a direção da SBPR), faz exames gmfológicos para saber quem é o denunciante. Apesar da declaração do então poderoso general Sílvio Frota. os rumores dentro da SPRj crescem e, em 1974 e 197'i, Amilcar Lobo voluntariamente se atasta da Sociedade. jj por esta época que, ao se encontrar com Helena Vianna, numa conferência de Bion, realizada no Rio de Janeiro sob os auspicios das Sociedades "oficiais", sussurra-ll,e que tome cuidado, pois pode se dar mal, algo pode lhe acontecer. Após o "tribunal" feito contra Helena na SBPR], quando esta já se havia tomado titular, em 1976, Amilcar Lobo volta a ser membro-candidato da SPR), sem, no entanto, fazer análise didática, comparecendo aos cursos e seminários clínicos. Toda a Sociedade sabe do "trabalho" que havia executado no DOI-CODI/R) de 1970 a 1974 e, além de continuar na SPR), tem seu consultório particular ao lado do de Leão Cabernlte. Em final de 1980, numa mesa redonda promovida pela Clínica Social da Psicanálise, na PUC/R), sob o título "Psicanálise e Fascismo", surge o tema das torturas praticadas contra presos políticos durante os anos 70 no Brasil. Nos debates, RôqlUlo Noronha de Albuquerque declara ser ex-preso polItico e, além de relatar as torturas sofridas, denuncia Amilcar Lobo como tendo feito parte da equipe de torturadores do 001CODI/R). Dias depois, em 02/10/80, Hélio Pellegrino, que fazia parte da referida mesa redonda, envia carta à direção da SPR), lembrando a publicação feita em 1973 na Revista Questionamos e solicitando providências a respeito. A Comissão de Ensino se reúne às pressas e exclui o nome de Amilcar Lobo do quadro de candidatos da Socledade. No dia seguinte, Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas são convocados pelo Conselho Consultivo da SPR] e comunicados por seu presidente que estavam expulsos da Sociedade. Esta situação transpira para a imprensa e há uma forte pressão e protestos por parte de muitos membros da Socledade. A Diretoria, pressionada, convoca, para o dia 21/10/80, uma Reunião Plenária que, por unanimidade, recomenda o arquivamento do processo de exclusão dos dois psicanalistas. Esta decisão é acatada de forma distorcida pela direção da SPR] que, em circular
86 JB/Cadern.o BIE.peclal- 16/09/1986. 101

pundonor e decoro} quer militar quer profissional. Rio dejaneiro,
04 de março de 1974"fb (grifos meus). 84 Esta presa política é Inês Etienne Romeu, que denunciou a presença de Amilcar Lobo na "Casa da Morte", em Petrópolis. 85 JB/Cademo B Especial14109/1986, p. 08. 100

de 01/12/80, retira as expulsões, mas atribui a Hélio e a Mascarenhas uma retratação que não houve, além de acusá-los pesadamente. Em 14101/81, os dois psicanalistas respondem, repelindo a retratação e as demais acusações. Em função desta defesa, são expulsos em 27/01/81. Iniciam-se ai vários movimentos de solidariedade a eles e de repúdio ã direção da SPR]; documentos são publicados na grande imprensa, exigindo a convocação de uma Assembléia Geral Extraordinária que somente em abril será realizada. Antes, a direçào da Sociedade ameaça punir os que, em nota pública, se solidarizam com Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas. Em 06 e 07/02 de 1981, em manchetes de primeira página dos principais jornais cariocas, a ex-presa política Inês Etienne Romeu e seis outros ex-presos políticos (Cid Benjamin Queiroz, Vânia Abrantes, Ge= Figueiredo, Abigail Paranhos, Dulce Pando]fi e Cecilia Coimbra) denunciam Amilcar Lobo como o médico que os atendeu em 1970 e 71 no DOI - CODIIR] e na "Casa da Morte", em Petrópolis"'. Imediatamente os três Ministros Militares repudiam tais denúncias, afirmando que não irão permitir, no processo de "redemocrati7..açâo" e "abertura" que o p'aís atravessa, estas posturas revanchistas. Afmal, a Lei de Anistia de 1979 havia proposto o esquecinlento e o perdão mútuos: os "terrorist<L," estavam anistiados, assim como aqueles que, do outro lado, haviam praticado oS chamados crimes "conexos". O ConselllO Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, então sob intervenção federal, afIrma que" ... no caso do atendimento a Inês Etienne, vê-se apenas a prestação de serviços profissionais e não propriamente um crime"B8- e nada faz. Entretanto, a OAB/R], sob a presidência de Eduardo Seabra Fagundes, toma o depoimento desses ex-presos políticos. Em 12 de fevereiro, no calor desses acontecimentos, a Direção da SPR] envia uma Circular a todos os seus membros e nada comenta sobre a expulsão, em janeiro, de Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas. No documento, o desligamento de Amilcar Lobo se dá peja interrupção de sua análise didática. Sobre a questão de sua atuação junto ao aparelllo de repressão o que se coloca é o seguinte:
87 JB-05e 07/02/1981. 88 Declarações do Dr. Silvio Sertã, interventor do CREMER)ao JB - 07!02/1Çl81 . 102

"Desde que, em 1973, surgiram os primeiros rnmores sobre /ígaçôes do Dr. Amilcar Lobo com supostas tm1uras praticadas a presos polítk:os, a mtão diretoria do lnstüuto tentou averiguar a veracidade dos fà/os, sem tp4e nalÚJ de concreto fosse apu~ rodo ( ..). Trabalhava-se, apenas, com nmwres _Portanto, as ínuestigaç6es de então, de cujos pormenores somente ontem lJÍm a tomar conhecimento, lUUÚl apuraram de concreto que incrimiruzsse o referido candidato. Ndo obstante 'Isto, pela.•peculiaridades intrin.wcasno processo de/ortnaçào psicanalítica, criouse um impasse em sua análise pessoal, a qual foi interrompida, fato este que írnplicou, conseqüentemente. a susfX>rlsàode sua

formaçdo

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(grifos meus),

Naturalmente estamos em 1981, no Governo Figueiredo e, cautelosa c oportunisticamente, após as declarações dos Mini~troSMilitares, a SPR] não diz que acarreratl1 torturas a presos políticos no Brasil e nem que Amilcar Lobo era membro do DOI-CODlIR]. Esta circular tem também o objetivo de tentar diminuir a pressão pelas várias notícias da "crise" por que passa a Sociedade, notícias publicadas nos principais jornais cariocas. Em resposta, Hélio e Masc'arenhas, em longa carta ã direçào da Sociedade, historiam os "casos" Amilcar Lobo e Helena B. Vianna"". As Assembléias Gerais Extraordinárias, de 14/04 e OSlO'; de 1981, compostas ,.... por cinqüenta e duas pessoas c decididas apenas por dez"'\ - somente os membros titulares podem votar -, resolvem pela expulsão dos dois psicanalistas. Duas semanas após, no dia 27 de maio, cria-se o Fónun de Debates, que aprofundará a crL,e na SPR]. TaL, episódios pressionam Amilcar Lobo a sair de seu consultório ao lado do de Leão Cabernite e o número de pacientes baixa sensivelmente. Apesar dLsso, continua a clinicar em consultório emprestado por Paulo Tavares da Silva, tan~)ém membro da SPR]. O "caso Lobo" fica esquecido até 1986 e, em todos esses anos, nenhuma nota da SPR] é emitida, nenhum psicanalista vem a público para lembrar o fato, a não ser o Fórum de Debates que, em seus documentos, afmna que toda a Sociedade é responsável. Em 1986, Amilcar Lobo "espontaneamente""' procura a grande
fJ) Cerqueira, G. (Org,). Op. cit., p. II Ci. (X) Toda essa correspondência encomra-se in Cerqueira, G. (ürg.). ()p. dto CJ] B3.fft..'to,C.A. "Forum de Debates, Pl.lça Política da Psican;Ílíse~. In: Cerqueil.l, G. (Org.).

Or· cit.,

p.I69. Çl,2 () termo "espomaneamente"

refere-se ao fato de que, i época, as hipóte&s levantadas pelos vários

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imprensa e afIrma ter visto Rubens Paiva93 vivo no DOI-CODJlR] e que lá o havia atendido. Refere-se, também, a outros desaparecidos políticos. Novamente, em primeira página dos principais jornais nacionais, o "caso Lobo" envolve a SPR] e a SBPR] com depoimentos de vários psicanalistas. Ainda em 1986, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro - não mais sob intervenção federal -, de posse dos depoimentos feitos pelos ex-presos políticos, em 1981, na OABIR], abre um processo contra Amilcar Lobo. Neste mesmo ano, a oposição interna à SPR], conbecida como Fórum, leva para uma Assembléia Geral da Sociedade alguns desses ex-presos políticos que falam de suas torturas, da participação de Amilcar Lobo nelas e da conivência e mesmo cumplicidade dos estabelecimentos psicanalíticos com o terrorismo do Estado que se instalou no Brasij94.A partir daí, por força de múltiplas pressões, notas ofIciais dessas duas Sociedades são publicadas, nos jornaL. de grande circulação do Rio, abominando a tortura e o estado de terror que se abateram sobre o pais, principaimente nos anos 70. Tentam, com isso, após treze anos da primeira denúncia feita contra Amilcar Lobo, lavar sua honra e esquecer sua covardia e cumplicidade. Algumas entrevistas, dadas por Leão Cabernite ã época, a meu ver, merecem destaque, pelo retrato que fazem da "verdadeira" psicanálise. Sobre o témaino da análise didática de Amilcar Lobo, ele afirma:
"... tempos depois, começaram a correr rumores no Rio dejaneiro, de que o Dr. Amilcar Lobo participan·a de equipe de torturadores,
Movimentos de Direitos Humanos do Rio e São Paulo eram de que Amilcar Lobo estaria sendo instrumento de uma facçâo militar - a denominada "linha dura" - que havia sido deixada de lado na briga de sucessão do General Figueite9ü. A facção que havia se imposto, representada pelo General Leônidas Pites Gonçalves, defendia a "abertura" lenta e gradual. Estas hipóteses foram confinuadas mais tarde, quando, em 1989, Amilcar Lobo lança seu livro A Hora do Lobo. A Hora do Cordeiro (Rio de Janeiro, Vozes), em que elogia os Generais Silvio Frota e Fiúza de Castro, representantes da "linha dura" e que haviam se indisposto com a facção do General Leônidas. A leitura desse livro mostra claramente sua ligação com aquela facçâo. Desaparecido político, preso em 20/0]/71, em sua casa na Zona Sul do Rlode Janeiro. Nunca mais foI visto. A versão oficial, divulgada pela imprensa, afirma que Rubens Paiva teria sido resgatado por seus companheiros ''terroristas'' ao ser transportado por agentes do DOI-CODIIRJ, em 28/011 71 Para cerca de 300 psicanalistas, 5 ex-presos políticos (Arlete de Freitas, Abigail Paranhos, Cid Queiroz Benjamim, Cecilia Coimbra e Regina Toscano) deram seus depoimentos num clima temo e silencioso por parte de todo o plenárIo.

Essesrumores tomaram

Imito

de tal magnitude que a análise, que

a cada dia se tomava mais dificü, acabou sendo inviabilizada, tão contaminada foi petaintromissàQ da realidade extertUl " (os grifas são meus).

Sobre os seus objetivos enquanto presidente da SPR] - o foi em três mandatos durante a década de 70 - observa:
"... assumi a presidência da SPR] e uma das minhas metas foi defender a psicatUtlise de ataques diversos vindas sob as

formas mais variadas. Meu propósito.foi o.de manter a Psicanálise dentro dos padróes que impeçam sua descaracten:zaçào. lsso me
tornou extremamente impopular entre aqueles que queriam ser

psicanalistas sem se submeter ao processo dejDrmação preconizada
por Freud e instituída pela !PA "95 (os grifas são meus).

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Sobre sua ideologia, enfaticamente confmna: "...jamais fui político. Minha ideologia é a psicanálise!". Sobre os psicanalistas argentinos Marie Langer e Armando Bauleo, que publícaram na Revista Questionamos a denúncia contra Lobo, diz ainda: "... são órgãos estrangeiros, hostis à psicanálise!" Em 1988, o CREMER]cassa de Amilcar Lobo o direito de exercer a medicina, o que é ratificado um ano depois pelo Conselho Federal de Medicina. É o primeiro caso, na América Latina, de punição a médico que tenha partieipado de torturas. Apesar de estarmos em 1988 - um ano antes da primeira eleição direta para Presidente da República desde 1964 - 0.Df. Laerte Vaz, então presidente do CREMER],na semana do julgamento, recebe várias ameaças. Por unanimidade, Amilcar Lobo é cassado, tanto no Conselho Regional como no Federal. No mesmo julgamento, é aberta pelo primeiro ConseUlO uma Sindicãncia contra a SPR] nas pessoas de Leão Cabernite e Ernesto La Porta. Posteriormente, é transformada em processo que, em julho de 1992, é julgado e, por unanimidade, o CREMER]cassa os dois médicos por omissão, conivência e cumplicidade no "Caso Amilcar Lobo". Em 1994, covardemente, o ConseU10 Federal de Medicina não ratifica a decisão do Regional: Leão Cabernite é suspenso por 30 dias e Ernesto La Porta será novamente julgado pelo CREMER]. Alegam que, apesar de serem culpados, não
9'5 Trechos de uma entrevista de Leão Cabemite aoJ81 CademoB 10<; Especlal16/09/1986.

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que o grande erro foi não ter retirado logo o nome de Amilcar Lobo do Roster. Aqui como na Europa (durante o nazismo).. Conivência e Cumplicidade: AnalIsadores de AIgumas Práticas PslcanaIitkas no BrasD Hoje.Ou seja. E jamais houve um psicanalista torturador. pelas facilidades que os militares lhe deram. em 1953.que nada sabiam. eM. recusam . ironicamente. somente depois de oito e quinze anos. através da teoria dos instintos. Burke e W. mas não o fizeram. funda um Insututo nao vincul~do à IPA e que se pretende diferente da "verdadeira" psicanálise. médicos e estudantes cp Ç6 KatZ C S Psic~ e Nazismo. oferece a psiquiatras. os didatas não se constituíam num grupo direitista que aumentou imensamente seu poder com a ideologia da neutralidade e seu pretenso apoJittcismo.repressão.são poucos . . Oswaldo Domingues de Moraes. essa situação nada diz contra a Sociedade. p.enfatizam que o clÍllla da época era de medo.utilizando o próprio vocabulário psicanalítico . 106 107 . 223.que toda a Sociedade sabia desde a primeira denúncia que Amilcar pertencia aos quadros de repressão.. é que souberam quem era Amilcar Lobo. e cúmplices. havia uma perseguição grande a todos que criticavam o regime e que. À guisa de explicações. por isso. que é produto daquela época e que tinha que ter resolvido aquele "problema" em sua análise. Corria. na William A1onson White Psychoanalitic Society.. nenhum pskanaJista foi preso ou maltratado. ten:am u~ formação analítica9'.a grande maioria . em sua natureza. inclusive. referem-se de maneira contraditória ao "Caso Lobo": uns afIrmam . A expressão tão freqüentemente usada. é um torturador e. IV . pois sÓ tomaran1 conhecimento ou na época do Fórum de Debates ou quando de sua cassação pelo CREMER]. outros . 1994. colocam que Lobo foi seduzido pelo poder. Alguns consideram que o "Caso Lobo". de onentaçao culturalista no final da década ele 40. Para uns psicanalistas. O IMP. Kemper. o que é dil'erente nas demais profl~sões. oS psicanali~tas das duas Sociedades "oficiais" do Rio de Janeiro. nada se podia fazer. EIsa Arruda e outros. pois foi um fato isolado. especialmente para os analistas mais novos e para os candidatos.é formado por alguns jovens psiquiatras como o casal Perestrello. consultar 0>1mbra.até hoje marcar posições diferentes da "verdadeira" psicanálise e instrumen~ uma outra fOfilação. Iracy já contesta a "ortodoxia" e . no RIOde Janerro. outros até pensaram em sair da SPRJ ou da SBPRJ. uns comentam. após sua formação psicanalítica realizada nos E~tados_Unidos. não foi digerido pela Sociedade: "foi uma fatalidade". é a de que "eu não sabia de nada". a "rigidez" do grupo de psiquiatras que. propondo uma outra formação. Walderedo Ismael de Oliveira. entretanto. se a direção da SPRJ tomasse alguma atitude contra Amilcar. recalcam. o Exército poderia prejudicar o funcionamento da Sociedade.Jlstas oflciars da ABP (Associação Brasileira de Psicanálise). poder e procura que as Sociedades ligadas à IPA. .ser a regra geral"97. em seu Boletin1 nO 01. . Op.. que estivesse abertamente na . psicologizando. Isso é o que se deduz da leitura das Tf!1. Outros somente dois . Muitos alegam desconhecimento do que aconteceu. até hoje. Esse'~~ no início dos anos 40 -antes da chegada de M. "um choque". 1 . teorizam sobre o caso.podem ter a mesma pena que Lobo''. Sobre a SPRJ. o silêncio e o esquecimento parecem . visto que a psicanálise tem fortes vínculos transferenciai~ com a Sociedade.O INs11TUTO DE MEDICINA PSICOLóGICA O IMP é fundado oficialmente pela médica psiquiatra Iracy Doyle. sem no entanto atingir a mesma fama. Outros. o boato de que. tomam-se coniventes 96 Sobreo assunto. poi~ sempre há uma idealização da função do analista. 7vâo houve torluras no Brasil. ao afmnarem que todo ser humano. ". presuglo..8. Mimeogr. Quando volta como didata.A PROCURA DA DIFERENÇA Os anos 60 no Rio de Janeiro.e. Alguns tentam justificá-lo. cit. respectivamente. medtante o seu Departamento de Ensino. Omissão. Antes.assistem ao aparecimento de dois outros estabelec~entos de formação analitica que tentam . em realidade. entrevi~tados. AfuTIlam que este "caso" levou à quebra dessa idealização do ser analista. esclarece que. apesar de serem assíduos membros da SPRJ. em quase todas as entrevistas realizadas.

pelas Sociechdes Psicanalítica. Jorge de SOUZl Santos. suas hL'tórias burocráticas. 1\esta época. chm atenção a presença de um forte academicismo. o IMP exige do candidato ã formaçào curso de especialização ou pós-graduação em Clinica. já sob a presidência de K. o que limjta a entrada de muitos interessados e demonstra um profundo academicismo e elitismo. ou em processo de reconhecimento pela IPA. o IMP. desde a sua reestruturação. cm 1972. Desde seu início... desde o início de seu funcionamento.. após quatro anos. em 1969. ] 3.'5ociados (os que estão cursando a forn1ação) podem ser excluídos através de ". a William A1onson White e o Grupo Austríaco de 19or Caruso.e e na formação por ela instituída. Iracy Doyle não tem ainda uma primeira turma formada no IMplOO e isso provoca uma diáspora: para terminar a fornlação. após sua saída da SPR). 108 . é que o IMP se reestrutura e. Sergio Pereira.5. mimeogr.por Katrin Kemper e seus discípulos. é reconhecido como "sociedade" pelo Círculo Br3Sileiro de Psicanálise."Cursistas". Boletim lntemo [MP: ~ero HIstórico Comemorativo dos 30 Anos de Fundação do IMP. tanto no IMP quanto no Círculo. em I<:XXí. Somente em 1960. de visita ao Brasil. o IMP não pode desprezar esta parcela cada vez nlais numerosa de profi'5ionais "psi". os nlelnbros associados nào têm o direito de participar e votar nas Assembléias Gerais. p. os membros a. Kemper para que. Ou seja.6. em 1967. justamente. na época. mimeogr. em QC) 1969. é instituído. poL" no ano anterior. a Mexicana. da Federação Internacional dos Círculos de Psicologia Profunda. seja criado um núcleo de fOfilação analítica. No Círculo. 102 Funciona como um Sludy Groupaos moldes dos da IPA. Somente em 1971 o Circulo Psicanalítico é considerado uma "unidade completa" do Círculo Brasileiro de Psicanálise.O CÍRCULO PSICANALÍTICO DO RIO DE JANEIRO O outro estabelecinJento que tenta marcar sua diferença com a "verdadeira" psicanálise e a formação por ela instituída é criado.como veremos logo adiante _ tentem mostrar as cnormes diferença. Ewald Mourão. alguns viajam para os Estados IInidos. 1\0 IMP.não vinculadas à lPA .ele lneelicina. Entretanto. o Conselho de PsicanalL. procurada e de sucesso. no Rio de Janeiro. tão criticado como privilégio das Sociedades "oficiais". Todavia. fUia-seà InternationaJ Federation of PsvchoanaJitic Societies ([FPS). O tão criticado poder dos didatas continua intacto. Jayme Pereira. tem atividades em Belo Horizonte e Porto Alegre e ligações com o Grupo Austríaco de 19or Caruso. 109 Burlamaqui. Hélio Pellegrino. organizacionais e institucionais e suas práticas instrunlentalizam os mesmos dispositivos presentes na "verdadeira" psicanálL. In: Burlamaqui. e no Círculo. no IMP. Claudino Borges Neves. Tanto o IMP quanto o Círculo Psicanalítico procuram Unia prática psicanalítica e Unia fOfilação diferentes das marcadas pelo dogmatismo e rigidez da IPA. outros entram para as duas Sociedades "oficiais" já reconhecida. fornlada. 19.!aS fOfilado pelo Conselho Diretor"" e nlais cinco psicanalistas didatas que tomam as decisões nlais importantes. simples julgamento da Diretoria. pois no Brasil. Por exemplo. Os primeiros quatro anos são de "fortalecimento e organização interna". uma outra Internacional. embora os entrevL. 1\este estabelecimento. Kemper. Rio de Janeiro.. quando Hórus Vital Brasil retoma de sua formação na mesma WAWPS. "independentes" . aceita médicos e psicólogos e faz parte da lFPS. Urano de OUveira Alves e Maria Magdalena de Menezes Pimentel. outubro/82. existentes entre a IPA e a lFPS. <Jp_ cit.. uma ~spéde de AS? lO3 "O Conselho Diretor é constituído por quatro Membros Psicanalistas Docentes Supervisores ou Didatas do IM? e um representante dos Membro. N. Rosita Mendonça. já está começando a ser produzida a demanda de um "mercado psicológico" e. necessários a sua profi'5sào"99. 100 Dessa primeira turma fazem parte: Hórus Vital Brasil.... os conhecimentos dinânticos. como será duas décadas depoL'. Ao morrer prematuramente em 19. abre sua primeira turma de formação.e101. não é ainda uma protlssão regulamentada. p. quando há a fomaação dos próprios discípulos de Katrin. há a instituição "membros honorários" e "beneméritos". a outra Internacional Psicanalítica. p. O psicólogo não é mencionado. Passa a fazer parte do Círculo Brasileiro de PsicanáIL. 2 . Pretendendo fortalecer as diferen\--:Jscom as Sociedades da lPA. Ao consultar os respectivos Estatutos e Regirnent(JSInternos.tados . para nlarcar Unia posiçào diferente das "oficiais" no Rio de Janeiro. os "cursistas". Igor Caruso. abre a fornlação para psicólogos. e. professores e assistentes sociais.como a Alemã. faz contatos com K. N.. com autonomia administrativa'02 e. 1974. têm o "direito" de eleger representantes junto ao Conselho Diretor. In: Regimento !MP. sem direito a quaL'quer HJl Inicialmente chamado Círculo Brasileiro de ]Jsjeologia Profunda.

A reação da direção do Círculo Psicanalítico carioca é a de criticar e imediatamente desligar-se do Círculo Brasileiro. é bem diferente da IPA. ocorrem. em 1978. pois suas formações são mais abertas. em 1991. a foonação academicista. Em realidade. a rigidez.se é "sullivaniana" ou "freudiana".caberá recurso à Assembléia Geral"l"'. Porto Alegre. em que há a formação analítica e os "cursistas" não pertencem ã Sociedade. Em meados dos anos 80. "escutas" e práticas psicológicas: eles estão sendo estinlUlados quando as instituições que permeiam e se anlalizam nos vários dispositivos sociais fortalecem os diferentes instituídos: o saber de deternlinado grupo e. é fundada a Sociedade de Psicanálise Iracy Doyle (SPlDl. cisões ou expulsões: a questão está nas diferenças teóricas.es"que ocorrem nas 104 Estatutos doCfrculo Psicanalitico do Rio deJaodro . pois é um Instituto de Formação de uma Sociedade que não existe. Sob uma roupagem liberal.esclarecimentos. A própria ftIiaÇão a uma Internacional . o que representa a saida da IFPS.os menlbros efetivos . Contudo. visto não haver o "patrulhamento" sobre seus membros e sim uma cooperação "científica". as práticas "psi" desses dois grupos pouco se diferenciam da. há uma forte tendência lacaniana. constatar-se que a organização burocrática dominante na lPA é reproduzida' nessa outra Internacional. num Congresso dos Círculos Psicanalíticos Brasileiros (há unidades em Minas Gerais. Sobre a força da burocracia e a atenção dada a ela no interior desses estabelecimentos.s Sociedades "oficiais". o CPR solicita sua permanência na IFPS. tanto a SPID quanto o Círculo reformam seus Estatutos e Regimentos. Principalmente na SPID (ex-IMP). Ou seja..entre outras coisas sua base teórica ser diversificada. num momento em que a sociedade civil brasileira já se encontra bastante fortalecida e clamando com mais força por uma maior democratização em todos os sentidos e setores. pois não são os núcleos que ai estão representados. já que é "uma opção" tomar-se membro da SPID. percebe-se toda a organização e burocracia presentes na IPA. Inclusive. concebida como "alternativa" . p. a disciplina.sdos dois estabelecimentos argumentam que negam a ortodoxia.introdutor no Rio de janeiro dos estudos sobre Lacan -. começam a diversificar seus estudos e leituras com a introdução da Linha francesa.novembro/1978. fica numa situação anômala. demonstra a necessidade de prestigio e reconhecimento internacionais. pois somente quando terminam a fomução têm a opção de fazer parte dela ou não. as oposições e dissidências não são toleradas. o que é confJrnudo em 1980. segundo seus próprios documentos. chegando até Lacan. temos um exemplo: após a flliação ã IFPS. por influência de Hórus Vital Brasil. é um grupo dissidente do Círculo do Rio que pretende se desligar e organizar outro núcleo.que.a IFPS . em conseqüência. dogmatismo e ortodoxia ta. taie. a medicalização da. a hierarquia.a própria criação deste fórum é uma demonstração desta reprodução. apresenta-se o mesmo argumento utilizado pelas cúpulas das Sociedades ligadas ã IPA quando se referem às oposições internas. somente em meados dos 80. Se a ba. Em realidade. etc. Sociedades "oficiais" e que têm também como efeito mudanças em seus Estatutos. Em entrevistas realizadas. funcionando em Nova Friburgo. o IMP. Salvador. Recife e Rio de janeiro). em 1969.reformas são realizadas após as "cri<. por ter sido o fundador do estabelecimento. que são copiadas pela IFPS e pelas Sociedades "independentes" a ela vinculadas. segundo declarações dos entrevistados. há também estudos os mais variados. a desqualificação de outros. mais flexíveis. a meu ver. apesar de se afastar do Círculo Brasileiro. em sua própria história interna. mimeogr. Apesar dessas explicações. visto . é proposta a criação de mais um núcleo no Rio. aos demai~. A exemplo das Sociedades "oficiais". Também no Círculo Psicanalítico do Rio de janeiro. algumas situações que mostram como se está impregnado da ortodoxia e da intolerância reinantes nas Sociedades "oficiais". o dognutismo. sendo vistas como traições ao grupo que.s que são produzidas e fortalecic!as pelas Sociedades "oficiais". Assim. alguns anaIisra. isso ocorre diferentemente das Sociedades "oficiais" que. No entanto. em 1974. considera ter direito ao seu monopólio.rubém estão presentes em outros tipos de discursos. A Federação não possui ftIiação individual e Sinl as Sociedades é que são seus membros. Por exemplo. nos anos 70 e nos ttt 110 . eles não têm. 02. :'-Jãoobstante todos os esforços da SPID e do Círculo para serem diferentes da "verdadeira" psicanálise. o prestígio internacional é inlportante e. A rigidez. tão presentes no mundo "psi" e na sociedade em geral.

a direção da SPRj chama Hélio Pellegrino e sugere que o nome seja substituído para Clínica Social de Psicoterapia. se não fosse o empenho de Katrin e do pessoal do Circulo.participam efetivamente do projeto. será explanada um pouco aqui. Katz.). fortalece-se a idéia de uma clinica que possa atender à população de baixa renda com a implementação de trabalhos grupais. A facilidade com que tive acesso aos seus Estatutos. 3 . Hélio Pellegrino e Qlaim S.oPsicanalítico do Rio deJaneico. argumentos que. 26. SU3Sdificuldades . Ed. mas que estão fora da IPA. psicanalista do CLtcul. não ocorreu com as Sociedades "oficiaLs". s/data. É verdade que. fundada por Katrin Kemper e seu grupo em 1972. são os usuais e cotidianamente utilizados contra os inimigos da "verdadeira" psicanálise. a Clítúca Social ultrapassa os muros do Círculo Psicanalítico.que já é da SPRj . foí mediadora e interlocutora do movimento expansionista da psicanáli. e justamente por isso. (Coord. que. bastante preocupantes nos anos 60 e 70 para as farnilias de classe média . novembro/1989.seguintes. não permitem aos leigos a leitura de seus documentos "sagrados".. Sua proposta atrai a muitos e a ilusão de se fazer um traballlO por meio do qual se possa atender às pessoas sem condições de pagar um tratamento psicológico privado está presente em toda a sua história.O.e"lOs nos anos 70. etc A própria criação da C. algumas diferenças existem entre esses doLs estabelecimentos e as Sociedades "oficiais". Regimentos e outros artigos. fazem um trabalho na Faculdade Cândido Mendes com pais. Katrin e alguns de seus colaboradores. Neste ponto. englobando diferentes profJSsionais "psi".].Rio de Janeito. as Sociedades "oficiais" se inquietam. não fazerem psicanálL5e. B.A CLÍNICA SOCIAL DE PSICANÁLISE Embora não reconhecida pelos analistns do Círculo como fazendo parte de seu estnbelecimento.línica Social inscreve-se no quadro já desaito do boomdas terapêuticas "psi" cuja demanda é fomentada pela produção da "crise da farnilia". por isso. aqueles que se dizem psicanalistas. inclusive. a Clínica Social de Psicanálise. que são de circulação interna e. In: Macedo. Estes me foram fornecidos por alguns psicanalistas isoladamente. que atinge seu auge na década de 70. p. KM. "Desta feita.questões. São grupos em que se debatem questões relativas à educação dos filhos. de diferentes formações e abordagens. bá "diferenças" com os guardiães do "Santuário de Vesta". Gostaria de registrar e apontar que. mas uma psicoterapia de base analítica e. nas quais me foi muito difkil conseguir qualquer documento of1cial. "Clinique Sociale de Psychanalyse et la Favela dos ('.-abritas". filósofos. H. um ano antes. A psicanálise não pode ser conspurcada pelas propostas contidas no projeto que se tenta desenvolver na Qínica Social. In: Ferreira. Não obstante toda a clientela ser de cl3sse média da Zona Sul carioca. ainda que tais propostas ficassem somente nas intenções e discursos de seus integrantes. aqueles que querem denegri-la. Le PsychanaJyste Sous la Terreur. Assim."i persecutórios e/ou anleaçadores. alguns.e que lotam o salão ond'e são realizados. nlaS somente um representante do 1MPe Hélio Pellegrino . senlsentitnento. com o decorrer dos anos. como 112 anistas. prontamente fornecidos pelas suas Secretarias. jornalistaS. Em realidade. Módulo N . o atendimento que se faz a populações marginalizadas é ínfimo!06 e a grande demanda de sua clientela provém de estudantes e intelectuai5 da Zona Sul do Rio de janeiro. COllIO já vimos. Vigneux. à medida que a Oínica Social de Psicanálise expande seus atendimentos e um número cada vez maior de psicólogos a ela se liga.. confidenciais. Apesar disso. em 1975/76. como já vimos. Matrice. Reflexão Teórico-ClínicaSobre a Inserção da PsicanáHse no Social: A HIstória da Clí:nka Social de Psicanálise Anna Katrln Kemper e Suas Perspectlvas FuturasRelatório Técnico Ill. acusados pelos "verdadeiros" psicanalistas de não oferecerem uma formação analítica. no Rio de janeiro. 113 . São. apesar das análi5es feitas acima. A idéia para essa criação surge quando. 106 Sobre o assunto. não muito profunda. congregando diversos segmentos interessados na psicanálise. de um modo geral. os chamados "encontros psicodinâmicos". muitos chegados do exilio. são chamadas. Esta é uma das razões que levam alguns profJSsionais "psi" "progressistas". mIrneogr. Há outras grandes ilusões contidas neste trabalho e muito presentes 105 Almeida. ver o trabalho desenvolvido no Morro dos Cabritos (Rio de Janeiro) por João Batista Ferreira. FINEP. Penso que. talvez este projeto não tivesse saído do papeL Outras Socíedades de fonnação. sendo seu quadro clínico formado por analistas em formação e profissionais que pretendem ser psicanalistas. a se incorporarem à Clínica Social. 61-84. o prestígio e o poder que as Sociedades "oliciais" possuem no sentido de atrair os jovens profissionai5 'psi" cariocas para sua formação.

Outra é a "postura assistenciaJista" que se tr. ajudou a algumas pessoas marcadas a ferro c fógo pelo regime militar como portador"s da peste.J nutre-se das sobras do "milagre econômico" que permite que doaçõés (. o de K.\-e..mper. p. época.:ào dos movinlentos de anistia e o início do processo de "distensão lenta. enfim.ão perpétua.l 0r. A questão assi.çe outras Jantes pesquisadas. o Curso de Psicologia da PUC ~ o da Faculdade de Filosofia "St'des Sapientbe". em final de 78.:tI Ernesto GeiseL 114 11'. (. Mesmo antes. inscrevendo-se até mesmo no DESIPE para obter autorização. K. em 1962 e o Sedes Sapientiae' ".beneilcialn-se com as sobras do "lnilagre econômico". em 1978. A própria gestão de Hélio Peilegrino em muito veste o slogan da anLstia anlpla. a. Condenada ã prisão perpétua.mgu. deste fundador" lOS. a Data desta época. Segundo a própria Inês. estando presa em B. Ciências (' Letras do Brasil. na prinleira metade da década de 70. de solidariedade "umam que."i tividades. K(. Compreende-se.ç para doar. fórmula que encontra perfeita ressonância no caráter religioso. cristão. geladeiras. em muito." então cumprindo pena. J08 Almeida. aqueles que. têm uma extensa clientela.. assim. num dos Sitl1pósios protnovidos na ruc pela Clinica Social de PsicanáIL<e. Em São Paulo. SPAKK que abriga não sô ~ mas sobretudo . ou pelo menos ainda uiRoram aí as repercussões do mesmo "UI). Apesar de todas as ilusões e ambigüidades assinaladas. a PIIC. mudando as pcnas a que estão condenados muitos presos políticos. Ainda em lU \b. desde 19)7.. há no Rio de Janeiro somente uma universidade que mini. quando. cai o AI-5 e há mudanças na Lei de Segurança Nacional. facilitando as VL. 31. inicio da gestào de Hélio coincide com o adoecimento muitas atividades e sua morte "..ç entm·'Í.\tas tenbam bora. é o milagre. 107 v .m 197b. o lan\-':lmento do livro "PsicanáILc.S de expressão num mOlnento o regime ditatorial exige n1utL~moe alienaçào·'. cit. a ambigüidade presente na atuação desses psicanalistas. Um exemplo é o caso de Inês Etienne Romeu 110 que. se amplia com a proposta do Núcleo de Atendimento Terapêutico" Psicóticos.intelectualç de C esquerda. novamente vem à lOna o caso Amilcar Lobo e se desencadeia a crise da SPRj. que havia sido criam em 1933."dra.lIt com a intensifica\.e e Instituição" na rue. Lma delas é a de que a psicanálise poderia ser mais um veículo da chamada "con.çta.como todos os outros. Inês começa a ver a possn)ilidade de sair e isso faz com que se sinta ameaçada. então.1. Inês :lulori7Du-me a citar seu caso (' seu nome. p. que anali. aqueles que .tas mais procurados no Rio de Janeiro.-5 110 Em emrevista concedicLa. ':. em seus consultórios p"rticulares. o atendirnento a ex-presos políticos. o Curso de Psicologia: a l'uc. 1]1 Final de governo do Gener. à época .tra. e apresenta-se ãs autoridades como um amigo. como a primeira Faculdade de Filosofia. é importante que se resgate esse lado comjoso de muitos analistas da Clinica Social: um" faceta bonita. conforme nos mostram as refert>ncias da. a organização de concorridos Sinlpósios sobre "Psicanálise e Política" e "PsicanáIL. .e dumnte cerca de SeL' meses visita Inês no Presídio de Bangu semanalmente. segura e gradual"..1. Em função da perseguição política que paira sobre esses militantes. O profc'5ional enviado pela Clínica Social de Psicanáli. alguns atendimentos " pessoas que estão n" clandestinidade são realizados. surge como Instituto Sl'dcs Sapientiae.O MOVIMENTO PATERNAiISMO DOS PsICÓLOGOS E O DOS PSICANALISTAS 1 . fórmula onde os "possuidores doanl aos despossuídos". de despreendimento.lduz no discurso de Ilélio PeUegrino pela ".'Osim como tapetes. cujo curso é iniciado em 19)8. ". solicita a uma . perigosos "terroristL'..M.''iCientização''. cumprindo pena de prL.tencialista "dos possuidores doarem aos despossuidos" liga-se também ao bto de que os que promovem a Clinica Social de Psicanálise são alguns dos psicanalL. por isso solicita "paio psicológico e discute com o tempeuta tais questões e seu cotidiano na pri'iào. (Coord.. três universidades o fazem: a llSP. O "Sedes" esteve vinculado à rue até 19i4. muitos são atendidos sob nomes falsos.durante a gestão de Hélio Pellegrino de 1978 a 1982107. tanllJém. geral e irrestrita e.em fins de 1980.. . ) ocorram. É durante a gestão de Ilélio Pellegrino que" Clínic" Social maL. .A PSICOLOGIA: SEU BOOM E AS FACUlDADES PARTICUIARES Quando ocon'e o golpe de 1964.mug" "poio psicológico. seu afastamento ck ]m Idem..ee Política" e muitas outr3.

81. Na época era o Marechal Artur da Costa e Silva. A maior parte desses estabeú>cí. n" 23. Asslste-se. estas refornms. como efeito da galopante ascensão social da claBse méelia. Sobre o assunto ver além da Op . Entrementes. Rio de Janeiro.. visto que o descontentamento estudantil está sendo canalizado para atividades .B. São Paul0.çsilo mista (MEC-USAID).cit. M.). A Produtividade da Escola Improdutiva. Tal fato.A. Iniversidades públicas. jazendo uma análise cu/as recomendaçóes não são conhecidas e.R ~A. B. A partir dai. o impasse é solucionado lançando-se mão do setor privado. Estas pressões instituintes se tornam perigosas. Sobre o assunto ver Freitag. "o. que tem o poder de desligar e suspender por três anos alunos e professores envolvidos em atividades consideradas "subversivas". expande-se o setor privado. nos ensinos supletivo e no superior de graduação e pós-graduação'H A Reforma Universitária é feita de forma autoritária. É no bojo dos movimentos contestatórios de 1968 que o governo militar apela. em 1965. FJdorado. pois significam. de um grupo de trahalho de dez pessoas nomeado pelo Presidente"]]' da Refonna de Ensino Superior mas UIna série de outros atos. pois o governo autoriza a criação de cursos superiores a um nllmero cada vez maior de antigos colégios ele Iº e 2º graus e cursos pré-vestibulares. Ou seja.. tendo sido rejeitados pela rede o[kial. Vozes. no período. Dai a ênfase dada. acima de tudo.o:. através da Reforma Universitária u" para o setor privado como forma de resolver a chamada "crise universitária". CM. uma ameaça à "segurança nacional". 118 Freitag. 116 Que pregam. Com isso. Para administrar melhor a situação.como a clandestinidade e/ou a luta armada .social (' 1110la propulsora do desenvolvimento econômicolF. funcionam seis cursos de Psicologia: três em universidades privadas e três em universidades públicas. 1986: Souza. B. Escola.finalmente.". primeiro do própn'o Presidente.. 86. L.'iU:A Profi.J.ção do ensino medio. Cobram taxas bastante elevadas."lsionalização do Ensino Médio. principalmente.S. em 1965. em três áreas educacionai"}: nos cursinhos pré-vestibulares (que antes existiam em número limitado). no eixo Rio-São Paulo. Cunha. a proflssionaliZl. Sobre o assunto ver Frigotro. que objetivanl dilninuir o acesso à.ç estabelecimentos de ensino particular />a.Op. uma outra faculdade vinculada à pue oferece o l. sem nenbuma participação da chamada "comunidade" universitária. Brasil'".. o jubilamento e o decreto-lei 477.~da. Op." unil1(!rsídades oficiais ( . Correz. In: Cademos do [eHF. principalmente.s Educacionais Hegemônicas nos Anos 70 no Janeiro. o da UEG (atual UERJ). encontram-se alguns di'positivos que irão nortear as futuras reformas educacionais. controle. para poder atender à demanda da população atilla.UFF. p. 1992.wmtos parliculares funciona à noite. produzem-se subjetividades voltadas para a ascensão social via educação. 117 tt6 . como o fortalecimento do ensino particular através da ajuda técnico-financeira do governo. 1980. impositiva e antidemocrática. 1981 e Coimbra. decretando o inicio dos trabalhos. Rio de Teoria. o ouso de Psicologia na UFRJ e. para o ml~rcado de traballlO. Não sendo possível conter tal pressão. ciL. como forma de se encaminhar o aluno. ( . São Paulo. 1977 117 É a l'eoria do Capital Humano. no Rio de Janeiro. Ciências e Letras São Bento. às proflSSôes tecnicas. Os Empresários e a Educação. "Foi assunto de gabinete. Entram em cena maciçamente as faculdades particulares. agrava-se ainda malS pela pressão estudantil que atinge seu auge em 1968. utiliza-se não somente a Lei Ainda no fInal dos anos 60.1964. desejam obter um titulo universitário.Moraes.sobre as quais o governo militar não tem. de início. 115 Idem."sam a jazer da mucaçao um negócio Este negocio Jloria tanto mais quanto aumenJa o congestionamento diante das porta. Já na Constituição de 1967. p. Na midia. assiste-se a constantes apelos ele que a educação é o melbor investimento de uma sociedade. !lá um crescimento explosivo de faculdades privadas para atender àqueles que. via Universidade. os chamados "excedentes". depois de uma comi. no final da década de 60 e no inicio da de 70.) e ministram cursos de "Ilfl baixa produtividade e qualidade Seu principal objetivo é diminuir e mesmo impedir a pressão exercida pela classe média para ascender socialmente via Universidade. 114 Freitag.. a um aumento do número de candidatos aos vestibulares. Política Educacional DO Bra. G. Estado e Sociedade. não conseguem seu intento. 113 Trata-se da Lei da Refonna nQ '5'540/68. antes de chegar à Universidade. Rio de Janeiro. Este panorama mudará a partir dp final de 1960 de forma bastante brusca. de Freitag.113. como a nova Lei do Ensino de Iº e 2º graus'''. caracterizado como "crise universitária". é criado.•dt.p. fator fundamental para a mobilidade .UrS()de Psicologia: a Faculdade de Filosofia.

que era um psiquiatra de ceria fama..!. em 1962.~nNunca Mai~ compreende ]2 volumes. Laerte Ferrào. Série A. diferentemente cio Rio de Janeiro.sàode psicólogo nº 4119162 e o Parecer n\1403/62 de Valnir ehaga.:c Paulo. os psicanalLstas da SBPSP estão presentes massivamente nos cursos de graduação de 119 Dados apresentados por Freitag.'nta a profi. Silva.UZlção em PsicoloJ':ia Clínica do Sede. n" 1. bem aos moldes do que lili assinalado anteriormente. seus modelos de referência.C.islação.que nos tlnais dos anos 50 e início dos 60 fazem grande pressão contra as atividades dos psicólogos. ver. objetividade e tecnicisnlo.p. 126 Sobn. Dai se iniciou um proces. a rede privada participa em 66% das suas matrículasll9 Concomitantemente a este crescimento do "mercado psicológico". elcu. A própria psicanálise ensinada . l ''!-Iama algum Jíclere. E. no curso de graduação de Psicologia e no estágio de Clinica outros psicanalistas. 3. COlno Virgínia Leone Bicudo. (Wifo meu). . i Achava que terapia era um tratamento e por isso det't"7ia estar na alçada dos médicos.0'" Funcionários.. O atendimento privado é o que predomina em detrimento do trabalho em outros setores. Mais tarde foi diretor do Manicômio ju4iciârio r. Op. cit. em certos cursos. em 1970 . Filosofia e Sociologia vão gradativamente sendo diminuídos e mesmo esvaziados. dos ({tiais existem somente 2'. Paulo Fraletti.: o assunto ver Arquidioce$c do:.e.çdesse mot'Ímento medico contra os psícôlogos Um deles era o Parti0 Fralettí.<. pp. Este Projdo. . seguindo os JJlodelos produzidos na época e já citados'''. 118 A transcrição do texto acilua prende-se ao fato de que () personagem citado estará ligado ao aparato repressivo brasileiro nos anos 70.F. 121 Ver sobre isto o próprio decreto-lei que regulam<.florescem assustadoramente neste período c.ksenv()!vid() sigilosamentç por cinco anos.a tran~crição de todo. de Psicologia Clinica da u. Op.Z. pois não se rCferC1TI torturas às sofridas. cit.. alguns são extintos.C. Op. 122 Sobr.nesses cursos de graduação também está marcada por este positivismo e pela "psicologização" da vicia social e politica. produz-se uma "certa" Psicologia.sp 2 . inclusive.. CFP.~ào.OS PSICÓLOGOS PAUUSTAS E A SBPSP Em São Paulo.~ os 119 . exemplares doados pela Arquicliocese de São Paulo a entidaws de Direitos Humanos no Brasil e no exterior.Z_F. além desses tanlbém estarào presentes. o que atende às subjetividades donlinantes então criadas e alimentadas ao longo dos últimos anos. neutralidadc. 7. _). Desde a sua regulamentação.período em que vários legistas fornecem laudos falsos a presos políticos Inortos sob torturas. já em 1973. r:. Disserução de Mestrado .so delechamento do Curso de Especialização "12. IW1'í. 198-. C0I11()Durval Marcondes. P.os que desde a década de 30 lutam contra a implantação da psicanálise como uma nova metodologia terapêutica .~ rl'-pres. Principalmente na l :SP. 1976. RoreUlo. cito 123 Idem 124 O Curso <k Especb. p.voi. participam muitas figuras dessa Sociedade.atendendo a essas demandas produzidas . 120 Sobre a influência dt psicanálisL: nos cursos de graduação.() Proieto Bra. os psicanallstas. [7. quando é criado o curso de Especializa. os psicanalistas apóianl e respaldam teoriC3mente esta formação.F. Armando Ferrari.7 12') BotclllO. Desde seu início. Op. 127 Paulo FreJetti consta lU lisu de medicos legistas 1igado. São os médicos-psiquiatr:Ls e neurologist'1s . uma vez que alguns psicólogos desse curso e do que há no Sedes1"õ4 já atuam como terapeutas. ()p. está impressa a marca cb tradição positivista. Posteriormente. São i tomo 11.31 e 3'5. os cursos de História. Brasília. desde 1958. a prol1ssão de psicólogo marca este profi'ssional como aquele que "abranda c resolve os problemas de desajustamentos""'. í. simples111cntc corroboram a versão oficial da repressãollb -.~ toi iniciado um ano antes do da USP.::o assunto. cit.PUC/SP. É o domínio da psicologia experimental positivista com suas características de cientificidade. B. São Paulo. A.~ que fixa o curriculo mínimo c a duração do Curso de Psico]ogi::t AmJ)OScitados em Psicologia leJ. notadamente na PUe/RI e L:SP ver os trabalhoS de Figueiredo. Projetf) Brasil Nunca Mais. em 19'.Os cursos de Psicologia . além de diretor do Instituto Médico Legal de São Paulo. e Botelho..'ão em Psicologia Clínica. :"ia graduação de Psicologia. 171 ])epoimento dado à autora. Psicologia como professores. Tentam. (ima certa clinica torna-se a grande demanda dos estudantes de psicologia que sonham com seus consultórios privados. Lygia de Alcântara do Amaral c Juclith Andreucci.o psicólogo nâo tinha nada a fl("..Z.:. Desdc os primórdios dos cursos de Psicologia em São Paulo. suspender o Curso de Especializaç'io em Psicologia Clínica da IISP'''. exempJos são a hegemonia do Behaviorismo e de uma Psicologia Social que reproduz lllecanicamente conceitos e técnicas de estudo de inspiração norte-americana.S.!. dt. hegenlônica .com isso (. 110nnação do Psicólogo. E.

até a decretação do A].estimulam essas demandas e geram outras também coerentes com as modelizaçôes da época. duzidos naquele momento. no início da década de 70. adotar enfoques maniqueistas e corporativos nesta análise pode nos levar à armadilha de afrnnar que o movimento dos psicólogos. Todavia. pedagógicas. que culmina com a saída de vários professores.que estào nos primeiros anos. Pela análise que fiz das instituições instrumentalizadas por essas Sociedades. Como afirmei anteriormente. obscurantista e fascista. mns eles MO Unham noção nenhuma di. Op.! Relatório da Comissão Andmarncomial da Prefeitura de São Paulo -1991. não é o fato da SBPSP aceitar psicólogos em sua formação que irá caracterizá· la como mais aberta. já foi dito que o movimento estudantil em 1968.l!s" E era uma coisa que a gente discutia muito._. 128 Como veremos mais amante. A transversalidade é terminantemente pl'Oibicla!Há alguma diferenç'a da fonna· Izt) Trechos de depoimentos cb.como já foi demonstrado .já caracterizado como um dos momentos instituintes da sociedade brasileira e mesmo mundial analisam. psiquiatra e diretor do Manicômio judiciário do juqueri. é progressista para a época . Ou. pp./esimwiram e pronto.-F. 121 . Os alunos eram bem primitillOs. Na Faculdade de Filosotla da USP.anos 60 e 70 -. "Não foi nada simbólica fi invasiio. instrumentalizando as instituições "verdadeira" psicanálise e formação analítica. visto ser pressionado por figura tão retrógrada.Heles acharam que n6s podíamos continuar atendendo os pacientes com aquela IJalbúrdia. Por sua vez . há muito poucos psicanalistas das Sociedades "oficiais" presentes nas Universidades. eram os alunos dos primeiros anos. . ligados ao curso de Psicologia e de alguns de seus alunos. I\s Universidades e o tnovimemo estudantil em 19(i.:3. ninguêm foi trahalhm~ bloquearam tudo Acho que os alI-1tros não elltendiam. E. flexível que as outras duas Sociedades "oficiais" do Rio de janeiro. fica claro que.z. em São Paulo.' " Ou: ". ver: ]I. os c1ernais. t20 discutir por alguns meses . "que ndo tinha por que não atender . essa pressão da ocupação de vm. In: Isto f/Senhor29/05/1991.ç. aceitando e fortalecendo demandas também produzidas. 202. 127 Sobre o assunto. além de ocupar alguns espaços da USP. o pe. eles não tinham feito ainda estagio mn Clínica.s. no início dos cursos de graduação em Psicologia.em 68 del'ía estar no F. tanto a SBPSP quanto o movinlento dos psicó· lagos paulistas estão coerentes com os modelos de subjetividades pro. onde. que conta com o apoio e o respaldo teórico dos psicanali~tas da SBPSP. oS atendimentos são paraHsados.~ que lá estavam desde o inicio do curso de Psicologia. ainda não estão "contaminados" pela neutralidade. estiveram "internados" alguns presos politicos127. como apontado acima.também é.o que não ocorre no Rio de janeiro'" -. 204 c 20. O respaldo teórico aos psicólogos será dado de outras formas em caráter privado. são ocupados o Bloco 10 (que sedia a Psicologia Social e Experimental) e a Clinica (onde os alunos do 4º e ~º anos estagiam).df)s a Botelho. cir. mas os atendimentos na Clínica da IISP devem ser mantidos longe de tudo isto. Este é um dos que fazem pressão contra a nascente profissão dos psicólogos. porque muitos estagiários e n1esmo professores consideram não haver condições para i'5o. os c/u'ntes com hordrio marcado nao puderam ser atendido. e reportagem de Silva. acho que os invasores não eram alunos nossos. Nesta última..H fervilham. a ocupação atinge proporções tai..são espaços onde a vicb e o mundo não podem penetrar. A. mai. quero mostrar que essas pressões não vão significar necessariamente que um grupo é "retrógrado". Com a Clinica de Psicologia ocupada praticamente durante todo o segundo semestre.'~soalse formava em . do respaldo teórico dado ao curso de Psicologia da USP .~ paritárias.. no fmal do ano questões curriculares. 29 ano "IN (grifas meus).ta. se bem que eles "ilo tinham acesso ao que era um atendimento psicólogico. Entretanto. bem no comecinho.se as postuf'JS desses psicanali. o ~tratamento~ dispensado a esses presos políticos c a responsabilidade do referido psiquiatra. uDitadura Militar: Loucura Armada".) que era lima aínica. mimeogr. pela assepsia que deve comandar a reiacào terapeuta/paciente. É interessante ler sobre o assunto alguns depoimentos como: ':4gente fez muita questão defalar da posstbiJidade de atendimento e teve um grupinho que se colocou contra. etc. k:>tnhro que dizia assim: 'n gente nilo tem condições de atender cem. Não ti"batn "('filo de éticnJ NenbtnnaJ Nenblmul! P. dentre eles os psicanalista. no Rio de Janeiro. e o outro progressista. nào são "entendidos" no assunto. Um exemplo das práticas que são fortalecidas por estas instituições é quando em 1968 . V. o modelo "psi" de atendimento já está marcado nos alunos de final de CllrsO. apesar da aceitação do psicólogo e de outros profissionais. consegue depoimentos feitos por ex-presos politicos nas Auditorias Militares e de toda a documentação constante nos processos do Superior Tribuna] Militar.. em assembléia.

"113 (grifas meus) L3] Ex-aluna do Curso de Psicologia da trSP. eú's eram usdefensores da Psicandlise mais barata. Vai posteriormente para a clandestinidade e luta armada.. ainda em 1968. muitos professores safram do curso (. Yara."o. Assim que o assunto é levantado. etc..çe movimento de liberação da PsicaruUise.<. 18'). p.".. então foi um NÃO assim redondo. COlllcntam: "Eles(os psicanalLçtasl tinham um papel imponante (XJrque. pr- 14~. era mai. Rio de Janeiro. Jàzer análi.'>. 146. Muitos profes~ sores saíram porque se opuseram a essa paridade que os alunos queriam. na tISP. nlas apenas U1l1 Curso de graduação de base analítica. Os alunos esta/.".'>. nao sei se bouve mai. Alguns dos alunos.na SBPSP.. Afimlam: ".fizeram parle de. comultar Patarra.ltir currículos e não política"13Z. como se aquele curso lá fosse [onnar alguém eonl experiência nesse sentido . i época. de fato.. Sobre sua vida.. ELE Op.". a participaçào paritária dos estudantes em questôes ligadas à reformuiaçào dos currículos e outros aspectos pedagógicos. de jOrmar técnicos. Suicida-se. há a noticia da prisão de Iara lavelbergl31 Alunos e professores fazem um abaixo-assinado solicitando providências ao reitor da USP. em Salvador. instalar a Psicanáli. A instituição formação analítica está presente. :'-lumadas assembléia.'>. de "uma popularização ela psicanáli- rm Idem. ao se ver cerClda pelos órgãos de repressão.!am conseguindo que a própria ràculdade cedesse muito do que eles queriam e justamente o no.strei no decorrer de todo este Capítulo . o tempo todo elesficaram em cima di. L32 Botelho. questionam a tentativa de romper a verticalidade da relaçào professor/aluno. portanto.<iso.'ào de sua fomJaçào se dá sem grandes diferenças...ção analítica que foi descrita em outro item? Acredito que não: é a mesma postura que deve ser :Jdotacia por todo terapeuta "sério" c "conlpetente". em crecbes.. em especial. Quen1 ainda não possui uma fOffilaçào psicanalítica feita . 214 tO' 2]') 122 . os técnicos. H'). os psicólogos.são coerentes com suas opções políticas..çalgum.. A intluência da psicanálise na Clínica da 1lSP é um tito e a reprodu. pois produzem/reproduzem c fortalecem os modelos e as subjetividades ilegemônicos da época. para as classes média e média alta. ]992. reage da seguinte forma: "Quc tinha vindo à assembléia para discl. mas uma proposta para quem quiçesse iniciar análi. Imrque jJn'Cisat'a dar a'>. como e que se organiza uma Clinica.. l.w grupo foi um que se opôs. deltma lJOpuJarização da Psicandlise "liO (grifas meus). não urna obrigatoriedade. no minimo.j. barata". tanto que.'ioalpoht'e'· Ou ainda: ". autoritarismo e itnposiçào de subrni'ôjsào. 1Im claro exemplo disto é quando.'ôjticas de arrogância. não um psicanalista! E são estes técnicos que deverão "popularizar" a psicanáli. ou: estou jJondo mais a orimtaçào que (.. com todas as suas caracterí.sora. um psicanalista da SBPSP c professor desde o início ela graduaçào de Psicologia. 11'i. Ro~ cbs Tempos. alguns psicanalístas da SRPSP e professores da llSp mostram a "fragilidade analítica" do curso. f.é óbvio . eles achavam que de jeito nenhum tinham possibilidade de querer interferir. mas a prática deles não era uma prática direitista. era toda uma idealização ( .cuja pauta é a reestnltura~'ào do curso de Psicologia.tisténciapam o pe. acho qURfoi o único grupo da Faculdade que se opôs. ) um negócio psicológico . mas acho quefomos só "ós que nos opusemos a aceitar essa paridade ( . eles achavam um absurdo que alunos sem nenbtmulfonnoç(10 em Psicologia Clínica.e uderia ir à Sociedade de Psicandli'if' ou entrm' naquele tipo df? trabalho de atendimento dos próp. da mcsn1a forma que a acadêmica... cit..s.) formar analista .. se") Discordo deste último depoimento.) Sempre ....l. Para os pobres e para os serviços públicos. os consul~ tórios privados dos psicanalistas.como já demon.. torna-se UHl técnico.. naquela ocasião. em 68 já profes. em 20/08/ 7]. os defensores ele uma "psicanálise mai.ios alunos da Sociedade Acho que e. Ou mesmo: eles tinham encaminhamento tambem. dentro do movimento estudantil e. em um significativo pronunciamento dos prclrcssores-psicanalistas: '7odos os professores da Clinica assinamos uma declaração. 1 tinba no inido. assim para análüe '(! p Quem quise. nesça época.vistia uma proposta deste tipo. o nosso grupo nem i{ueria dis· Clltir o assunto. apoiado por grande parte do pessoal da Clínica.. obediência irrestrita ao saber instituído e à hierarquia.e" pois suas práticas . /Hlr(l a pU/llúação mais de alguma entrada da Pdcandlise carente Eles eram muito curiosos /JOrque Imliticamente eles tinbam opçàes de direita.e nas prefeituras. quisessem dizer como e que se atende um cliente.. Seriam estes.catravés do atendimento à população "carente". Apesar di. porque ndo tinham tido Psicologia Glínica.

Maric Langer..la com a k~ttimidade que os psicanalistas e u. Sobre () assunlo. esse tipo de atendilncnto é também menosprezado no mercado de trabalho.. DissL'rklÇ. dentre DuteIs coi<. É tarde.lsileira de PsicanálLse do Rio de Janeiro""'. A_c_e Op.ta. Tanlo que. o Regulamento l~j Idem. por i<. Analisa-se . vai a São Paulo dar scnlÍn:írios no Curso ele Formaçào de Psicanalistas de Crianças.Jsil.tados obscrvatn que esse convite da SPRJ prende-se ao fato de que os psicanalistas. sofre forte pressão de SClLS supervisionandos c forma um lllrso paralelo ao da SPRJ..cmbora fique claro que isto não se trata de Ullla fOflnação. 198'5.. o lllOVU11etllo dos psicólogos não conta com o apoio das Sociedades "oJJciai.R. () convite feilo aos argentinos. I"leslrac!() . Fábio Leite Lobo. É a conhecida prilneira gcraçào dos argentinos que. 124 seminários. convida alguns psicanalistas argentinos como Eduardo Kalina c Amlineb Aberastury . mensalmente.Além de ser considerado.Up. para a Formaçào de PsicanalLstas de Crianças que.ão. do grupo dos didatas. sao mulberes que conse{:uem projissionalizar uma fun.para que dêelTIseminários no Rio de Janeiro. fom~dos em sua maioria por psicólogos que trabalham com atenditnento infantil. Anninda Aberastury. em 197~.. 3 .<> próprias se ana/içam com os psicanalista. Leon (. apesar do seu 1:"\') E. ligados à APA. como prática que exigia menos qualificaçào. que funciona até 1974. que este curso não autoriza ninguém a ser psicanaIL. como aspirantes ( .'16.. em seu artigo Iº..•• mas ao ".ção marcadamente jeminina que tia de "cuidar" das cn"ançaseexpra1. sofre sua oposição. "Os psicólogos cariocas na dilJisdo do "mercado clinico" (". Desde 196~. esses selllinários seriam aberlos a oulros profissionais) o que é vetado pela Sociedade. estudos de casos clínicos e grupos de supervL.tas para uma terapia de adulto. são também situações analLsadoras da SBPSP. difercntcIl1cIlle de São Paulo. mas nenhum do grupo anterior. entram outros mais jovens e alguns também ligados a esta Sociedade. C0111lItl1:1 freqüência de cerca de cem pessoas. cit. diretor do Instituto de Ensino da SPR).lstury após sua 1110rtCcm 1972 -. Aos poucos.~lalulosJaSBPRJ. na naquela ocasião. é a primeira vez que isto ocorre. o mercado terapêutico inJantil já é monopólio dos psicólogos.1 .as. de início.so.••• baraleasse os custos..')sociad()s s da Sociedade Br. pois "vale" praticamente a metade do que é cobrado pelos psicanali.especialLstas em terapia de crianças e adolescentes . pois já há uma legitimidade dessa parcela do mercado para os psicólogos. No Rio de Janeiro." institttiç6es do estado lbes outorgam Ma. COlno Maurício Knohclque substitui Anllinda Aber.) se ocupam definitiuamente da área infamíl_ Em sua grande maian·a.A. Realizan1-sc No Rio de Janeiro. É a origem do Instituto de Orientação Psicológica (IOP).c. David LilJcnnan e Amaldo Rascovsky.. em meados de 70. por não terem interesse na terapia infantil. Uma Criança. Outros argentinos também participam.O MOVIMENTO DOS PSICÓLOGOS CARIOCAS :'\0 Rio de Janeiro. na época. dela pouco sabem.tas argentinos. da "verdadew. Em 1970.. a convite da SBPSP. Tal exclusào é enfatizada por Fábio Leite Lobo e pelos próprios psicanalistas argentinos convidados. Todos estes aconteciInentos.lO dt. A única cxigência é a experiência pessoal em análL.. .rinberg..C. os acontccitnentos na USP revelanl "por si mesmos" c desnaturalizam as práticas psicanalíticas entào hegemônicas. elnbora i. a SBPR) institui.O Instituto de Orientação Psicológica F:íbio Leite Lobo. p_ ]il6.PI1C/SP.) menibros titulares e a.l" psicanálise e da formaçào analítica presentes no curso de Psicologia. contrário. Quando. lo 3. p . 1%8 [oi um dos grandes analisadores a nivcl Ilumdia) e. M. dado pelos mesmos psicanalL. no Br.<>elas médicos das Sociedades o/leia L" que teriam a "competência" necessária f]ara tratar de adultos" 1'\4.:\0 início de 69. em 1968. diz: "Poderão ser aceito .p_()1 1:l'Í Figueiredo.L.cit . a maioria dos psicanalistas da SBPSP sai do curso de Psicologia da USP. consuJt:u também Silva. ocorridos principalmente durante a ocupaçào da Faculdade de Filosofia da lJSP. o atendimento psicoterapêutico infantil é desqualilkado pelas Sociedades "oficiaLs". na época com vanos gnlpos de superVlsao. Alguns entrevi·. Eduardo RoJlas.

é mn fOltalecin1cnto dos modelos vigentes. vai trilhar oS caminhos que levam ao psicodrama.lllc. no início dos anos 70. As contribuiçücs dos argentinos el1. Em São Paulo .c. por um lado. os diferentes movimentos sociais e . a ascendente cla. pela atuação impune (' cada vez mais violenta dos Esquadrôes da Morte l:''-. verificou-&.íveis. p_ 4'5. paralelo ao trabalho com grupos de 127 12... .nde do Sul. ampliando-se gradativamente pelos 70 -. aposta CIll seus projetos de ascensão . sob outídS roupagens.ão hospitalar: a comida. Entretanto. ( Blaya.ç abordagens para crianças e adolescentes. outras maquiagens.desde fms clt' maio ele 1991 até agosto de 1992.C. de Marcelo J Emhora a APA também não permitisse a entrada de psiccSlogos para a fonnaçào analítica. por Maxwelljones e pela Teoria da ConlUnicação. Se.k"l essa primeira por geraçào cle argentinos. Impôe-se o terrorismo de Estado.como as terapias breves. como indigente~. o trabalho ele Comunidade Terapêutica. ao que está dado. tendo como "causa mortis" violêndJ. no Instituto Médico Legal do Rio de Jan. passa a se tornar conhecido e muitos psicólogos vão p'lra lá estagiar. A proposta é que.l\fJls/l~l.zid:. etc.. Acreditam que a prJtica psicanalítica pode ir tl1udando em seu próprio interior para formas nlaL" t1cx. cit. o que abordarei no Capitulo seguinte. por outro. mas simplesmente apontar alguns de seus efeitos sobre os "psi" cariocas. essa experiência tem início por volta de 1967. etc. que provisoriamente . trJ.'itência ~ as prática. em realidade) favorecem o modelo "psi" não muito distante da "verdadeira" psicanálise. APAme fazcrn recordar práticas que nào dcsnaturalizanl os modelos dorninantes.. os grupos de psicóticos . não produzem rupturas com este 1110delo..ao hegemônico.a experiência da Comunidade Terapêutica Enfance. não só entre os jovens ntilitantcs ligados à luta armada. cerca de '5. quc traz outras implicaçües para (l movimento dos psicólogos. no Rio de Janeiro.elikrentemente do Rio . Este trabalho. sem se artIcular com o que está no mundo.As Comunidades Terapêuticas e os "Psi" Cariocas Fora essa experiência eleatendimento inbntil privado ..s contribui\:ôes c a "ajue13" dada ao movimento dos psicólogos ligJm-se a um momento de feroz repressão no Brasil. Op.6 .-'iro. a coloca. Não somente pelas inovações técnicas que apresentam .2 ."soes terapêutica. que não constituem novas estratégias e táticas de ação que possibilitem escapar . Iji Em pesquisa realizada pelo Grupo Tortur.sse média.sindicai'~~ de um modo geral ~ encontram-se amordaçados e silenciados. para o BrasiL outras contribuk'ôes para os psicólogos no Rio de janeiro c para a própria prática psicanalítica "oficial" aqui dominante. em muito "ajuda" o movimento do~ p~icólog:os no Rio de Janeiro. os banheiros. ao que é produzido e percebido como natural. já em andamento no Rio (~íJ. ) pouco considerados como jJadentes pam a IJsicanãU\'e" 1.. surge neste mesmo período. O medo ilnpera.cujo registro remonta ao final dos anos 60. Na cidade de São Scbasti~o.000 pessoas enterradas. entre 1970 e ]Q74. Enl realidade. tornandose um foco imp011ante de questionamento do próprio regime asilar. Neste clima ~ elTIque . mas entre as populaçôes marginalizac1:ls das perilerias elas grandes cidades. pioneiro na época. esses psicanalistas argentinos trazem.otkialisnlo.S dos ma.para os quaLs ~ gradativamente V:10 sendo suspensas a'.mediC'dçôes~ conlC çatn a discutir alguns aspectos da adnlinistra. (. 3. há tambénl as figuras de (loffman ThOlnas Szasz e R.subterraneamente continuam a se gestar outros moviment()s ele resi. No Engenho de Dentro. mais "abertas". A.social. com dois psiqui~tras de formação analitica: Oswaldo dos Santos c Wilson Simplicio. utilizam-no sob outras roupagens_ E disto necessitam os psicanalistas e os psicólogos cariocas.~ variados tipos I t' . Muito inJluenciados. fazem cTÍticas à ortodoxia dominante. com L11)) ll}(win)cnto próprio interno a ela.' .smo r~6 Figueiredo. iniciada na segunda metade da década de 60 por Di Loretto. da loucura.ão de espelhos.C. os trabalhos institucionais e grupaLs .l NuncJ. no IIospil:1I do Engenho de Dentro. E essencialmente um trabalho grupal que visa questionar o próprio sistema asilar. Não pretendo aqui fazer 111l1análise do Illovimento de Cornua nidade Terapêutica no Rio de janeiro.i. a discussão da neutralidade. Laing e a experiência.>. a principio. not'a.'" nas S('.(. anestesiada pelos efeitos do "milagre do Delllm".. no numero de sessOéssemanais. esta.mas aíncla pelo próprio estilo de atendimento privado quc configuram: a qUf'bra de certasjotma/idadl'. Reformam-no. sem se Lran~versa1izar.'.

Esse "mercado psicológico". Conde Rodrigues refuta esta tese afirmando que uma das forças presentes nesse trabalho é a critica à Psiquiatria Asilar e Org'dnicista em cinla de ". diante de uma categoria mha do "milagre econômico". É mais uma experiência de classe média de Zona Sul . em realidade. ]~R Tese defendida por Figueiredo. apesar da grande atração que exerce sobre muitos "psi" maLsà esquerda e pelas limitações do próprio momento histórico em que é realizado . outros v.como: a Sl'C. muitos profissinais saem desse trabalho com seus sonhos de ser psicanalistas ainda mais revigorados. Concordo. ue não são hegemonizadas pela q psicanálise. em seus sonhos de ascensão social fomentados pela subjetividades massivas lórtalecidas na época. pelo Engenho de Dentro. A subjetividade massiva então produzida entre os jovens "psi" de classe média é atingir o status de analista. nào almejo faz. um gmpo de psicólogos.39.Os Psicólogos Cariocas e a Tutela dos Psicanalistas Apesar de serem pacientes dos psicanalL'tas das Sociedades "oficiais" e de terem com eles supervisões e gmpos de estudo. Hoje. Esses "benfeitores" . das instituições "verdadeira" psicanálise e formação analítica. cito 128 Em seu Projeto de Dissertaçào de Mestrado. Esta tesc. Heliana B.os nlédicos vão fazer formação analítica na SPRJ. se por um lado as Comunidades Terapêuticas trazem. para a Universidade e o curso de Psicologia. alguns perseguidos pelo regime militar.e. H. marxi':nas. o trabalho de Comunidade é lnal<) radical.no período de 1970 a 1976 . a Bela Vista.S. de dUf'dção efêmera.39 Rodrigues.. haja supervisões. assim. To(bvia. Um ano depois.C 0r.io engrossar o movimento dos psicólogos. além das denlandas criadas entre (k' c1lanlados leigos de classe média e média alta.. No entanto. Entretanto.r aqui uma história desses estabelecimentos. é uma experiência com a miséria.Eustácl1io Portella Nunes FiUlOe Roberto Quilelli. Em 1968/69. o CESAC e a ArPIA. 133 na época. paternalizado por alguns psicanaILstas. outras prática. Meu interesse é mostrar a tutela psicanalitica e a reprodução.. estudos de caso e gmpos terapêuticos para os próprios coordenadores de grupo.e de uma elite intelectual acadêmica. o Hospital Pinel inicia também uma experiência de Comunidade Terapêutica sob a coordenação dos psicanalistas da SPR) e SBPR). 3. Apesar dLsto.. 3'). os caminhos que alguns deles vão empreender.subúrbio da Zona Norte do Rio de Janeiro.icroespaços. cie " p. quando o trabalho é desarticulado pelo governo federal. não só dos pacientes. a meu ver. é corroborada pelas posições que tOlllam: alguns . alguns que lá traball1am dizem que. por outro. sendo feita num hospital privado. psicanalíticas e até mesnlO antipsiquiátricas. que encontram no tabalho de Comunidade Terapêutica uma forma de resistência e atuação politica.3 . pois está vinculada ao Instituto de Psiquiatria da UFRJ. bases humanistas. Há discordâncias sobre as Comunidades Terapêuticas serem sinlplesmente "tranqüilos campos de difusão da Psicanálise". tenta organizar uma Comunidade Terapêutica numa clínica particular. em muitos aspectos. A. é uma experiência pioneira e importante. poLe. algo sobre sua hL't6ria deve ser mencionado.C. comporta também a demanda dos próprios psicólogos em sua ânsia de se tomarem psicanalistas.pela própria localização do 110spital . As "Novas AnálIses".em plena vigência dos maLs terríveis anos ela ditadura nlilitar -. Cerca de 1aoa estagiários passam até 197'. Muitos desses estagiários são "psi" de esq ucrda. 1. 129 .. em seus m. isto já te)ifeito em outros trabalhos. junto com Oswaldo dos Santos. sem que estes conflitos ele tendências resulten1 em hegenlonias definidas"'.psicóticos. Op. têm seu mercado de trabalho ampliado. Exemplos dessa rutela e de sua aceitação pelos próprios psicólogos estão presentes na fOffilaçãOele alguns eSL~belecimentos que congregam psicólogos e psicanalistas . justificam-se. alguns entrevistados mostram-se críticos em relação a essa experiência que. para "não criar mna situação conflitiva que denunciasse o regime asilar". não obstante suas influências marxistas c antipsiquiátricas. mas do próprio local onde se inscreve esse hospital . Como jâ afirrnei anteriomlente. gerado no fmal dos anos 60. como a dos psicólogos. servia para "promover o capital dos donos da clínica".<. os psicólogos não são autorizados a se autonomearem analistas. No Engenho de Dentro.todos da Sl'RJ -. Seguindo em alguns aspectos o que é feito no Engenho de Dentro não engloba a comunidade à volta. são "psicotcrapeutas de base analitica". a demanda dos psicólogos na época é dada peta psicanálise.

..nari. l. como uma das técnicas ind('pensr11'C1. pr. em 1970. â psicotenA[>ia( ). Illas de "base analítica"...~soprimeiro encontro.-'Cessariam'(-'nte A.senunca foi regulamentada. M.L.. procuram a psicanalista da SPRj.' Drummond.C. Op. Logo no início lT)ll1entaJl1: 'Parlimos em hu. a quem já me referi anteriormente 142. mas.C O (-. E maLo.. _) SIm fonrul de "indefiniçilo~ foi a mola prop.. L.õesna SPC.:otera/Jiade IJuseanalilica.psicanalistas da SPRj -. mas nao psicanáli. temas filosóticos gerais.prelaçóe.'30analítica. Reproduz) portanto. c. a "pessoa humana". t30 UI . l.ter seu prestígio c poder garantido junto a essa parcela "psi". pela própria tutela desses psicanalistas que dão aulas c supcrvLo. Desejando um reconhecimento ofkial por partc da I'(. A. tem sua origem no chamado gnLpO dos 140 Figueiredo.l psicólogos..upo dos 8: A Pré-lfistória do N CESAC Curso de Espechliza\'ào em Psicologia CliniCJ. ainda qUI! mio baja impedimento legal algum.'\ta. Este grupo é fOfluaclo por psicólogos ligados ao Curso de Especia1iza.dsora do grupo. A SPC se estrutura à imagem e scmelhança das Sociedades "oficiai. colocando-se sempre em disponilJilidade (. A intl'rdiçáo surge muita.) sem entrar em conflito com nenl1uJll. na época e ainda 1i I Inês Besouchet é uma das duas p~icatulistas dichta<.w-'. _lnfonne Diag1UJm.A .mIO sociedade psicanaJltíca que não (lcelta p. poL<..O:._ Segundo a visão produzida e tão enfatizada.ào de encontro. de modo /!(!/ado. a no. 292 o Centro de Estudos de Antropologia Clioica (CESAC).boio ainda indefinido fIe nossas (u'pirações "14.)ociedade de Psico!op.total111cntehaRcaclo na obra de r'reuds a psicandli.2 (' 11_ 14) Baremblit.. Seu regulamento permite a jormaçâo de Sociedades mistas de medicos i' psicologos.o. S::mto.J.". já em idealizada tanto pelos qUi' a conheciam como pelos que não a conhecíanr Representava tl próprúl Psicologia atni· co assu"..Hno..ida. De um traballlD realizadD por quatro integrantes desse grupo retiro alguns trechos cuja análise considero imprescindível.:. a mesma exclusão que as ligadas i IPA.r(-'nças entre. (.'1Itro de Estudios de Antropologia Clinica. 47.cada aceitação por pane de profissionais que simbolizavam para R()S a identidade do psicólogo clinico Inés Besoucbet (. como já foi dito. . não restringindo mais a entrada SOIllcnte a psicólogos.ico }' lndicación ReorganJzativa dei Cl. sendo UHl estabelecimento de f()nna~:io exchJsiva paf'. assuntos psicanalíticos gerai. () Centro de Antro/x)/og!a Clírzica Esta indefinit."nossas amhiçói's eram as mais conjúsas Não saMamos os limites (' as tii/(. tarnbém) através dessa "ajuda" _ que facilita uma formaçào de base analitica . e psicóloga. p. cit.tica e Psicanálise_ Ri" de Janeiro..:. 04_ IH Katz.eaparc'Ce "oficialmente". h' permitido jazer jJsü.·ão. novt~mbro/1976. Rogers.C.rJ. após serem "cortados" nUllla tLllllultuada seleção. f. em !990. p..:l'JI43. uitotlosa eaceita até -mesmo callto didat(l por .PIle/RJ.I.~ que tl-'ntamdesconhec('7' e invalidar a d('Ci. torna-se a Sociedade ele Psicanálise ela Cidade do Rio de Janeiro.s. não médica da SPRJ.ta Por isso me.C. este grupo inicial c o posterior fica" . b.'ào em Psicologia Clinica da PlIClRj que. Quem imIJedl'-? lPA? Nao nl.<.'>. (grifos meus).C.. 19S4. no auge da repressão política no Bmsil c na efervescência do lnovi~ 111cntodos psicólogos cariocas com a vinda dos pritneiros psicanalistas argentinDs. p. paternalismo (' tutela no sentido não só seu de manter cativa essa delnanda. oito. teralJCuta e psicanali<. Con1precnde-se. mimeogr. A outra e I0trin Kemper... Entretanto. tanto de lnê. ma. Inês Besouchet'''. Jaz partc ela ambigüidadc que caracteriza esse estahelecimento. Rio de Janeiro.. têm larga cxperiência cm clinica.\' com suas inte. C111cu currículo . Seus fundadores.rezes atrás dos divas na figura dos fJrofJrios anali.C. 1977. ) Antes do no. a mesma exclusão contra a qual diz lutar o movimento dos psicólogos. oficialmente não faz forma(". Fernandes. Concordo com Katz11\ quando afinna que a indeflnição também se encontra no próprio modelo inicia! de estudos: témicas psicodranriticas (Inês Besouchet indica C01110 l11 coordenadores do grupo a pSicodramati')t:l paulL"t3 Norma U dos jato"á).'l{10e seus analisandos d de huscar uma formaçao prã{Jn·a"140. /nés (-7a a síntese e o sf". A SPC. já que a /:61canali.. pois nao pronu'tia nada. o que nilo queri~ amos. quanto dos pr6prios componentes do grupo.. fundado oficialmente em 1972.ia Clínica A Sociedade de Psicologia Clioica.dcólogos /)ara formação Sabiamosjd. a SPC.ser'/JsicóloMOclinico. C. entre a Universidade c a Associação Psicanalítica. V. um gnLpO de psicólogos que fazem terapia e/ou grupos de estudo com Fábio Leite Lobo e Gerson Borsoy . . é fundada cm 1971.

hoje. E a psicanálise. p. tiL. tiL. o que os psicanalistas não fizemo Estes não di. na época. é unia clara tutela: o trabalho psicanalitico para os psicólogos estã fora de questão.C.ado. o que é corroborado por Katz. 150 Sobre o assunto ver Katz. em dezembro.C. 294. também coordenador desse grupo inicial do CESAC.. l-i') 146 14i 148 Katz.. p. Op.C. e substituida por um saber "inferior". as grifes. ela é esca~ mo/eada como saber para o aprendizado. sua função de linha auxIliar da SPR]. fato que atínge também a SPc' Tanto o CESAC quanto a SPC cumprem ". este é encerrado. é menos profundo. lerem.: pode-se até utilizar a I mesma técnica. o curso tem início com seis professores psicanalistas que não fazem parte dela e.C. então. afrrmando textualmente que naquele estabelecimento ". seduzíndo institucionaimente seus membros . daquilo que lhes faltaria para serem psicanali. não rotuia. dele se retira. 13l t33 . através de uma identificação sempre carente. embora não se trate de uma formação analitica. uma das diferenças apontadas entre o psicólogo clinico e o psicanalista é que o primeiro faz diagnósticos "antes" do tratamento. etc. p. p. tit.itida a "sua" forrtJação.!lla. utiliza testes. a nova diretoria reafirma que esse estabelecimento é um centro de estudos e não de formação. em 1976.. 22. Fernandes.e e psicologia clínica é que podem guiar a "identidade" dos psicólogos. C.~cuirnesse assunto.s.unente procurar essa "identidade" C0111s psicanalistas. p. o que mostra a ambigüidade e sua aceitação por aqueles que procuram um reconhecimento institucional para seu trabaUlOclínico: os psicólogos. ao imporem o "seu" valor. cit..tas"l46 E vão just.. pois não diagnostica. pr. 201 e 204.Para a "verdadeira" psicanálise. o CESAC retira sua aprovação. paulatinamente. Logo depois. Op. I\a época. com cerca de mais de seis anos de expetiência no CESAC. A. conl os "pais" e as "màes·'. Parece que o só é possível o reconhecimento enquanto profissional psicana1L>tase ele for feito pelos anali'tas que detêm a "verdadeira" psicanálise. Estes devem procurar ser "competentes" clínicos. mostrando as diferenças entre psicanáli>e e psicoterapia!43. declara um outro psicanalista da SPH]. a psicologia clínica. mais fraco" institucionalmente. 0r. 294 e Figueiredo. A. somente é válida e pemJ. 151 Katz. p_ 293. desqualificam os demais produtos que não têm uma "marca registrada".':Io trabalho é nlenof. Só que estes fazem questão de mostrar que as diferenças entre psicanálL. o que dá origem em 1972 ao CESAc' conveniado com esta Universidade. A identificaçào vai se dando vai sendo produzida ". esse grupo dos oito se amplia e é reconhecido pela PUC. é psicoterapia de base analítica.. dL. é precL". 292. A questão da "identidade" profissional do psicólogo clínico é (rabaUIada no grupo pela uruguaia Marta Nieto que vai. As subjetividades constntídas são essa. p. anro1a seu caráter "libertário". ao não se iIni. C. todo analista reconhece quando um psicólogo é idôneo"l". anamnese..C ~t alli. uma das exigências para se miar a este estabelecimento é estar em análise pessoal. ciL. 53. Em sunla. a Coca-Cola é uma 149 Figueiredo. É. para o qual vigora o convênio. Como no IOP. No mundo capitalistico. Por exemplo. o grupo do CESAC conclui o Curso de Especialização em Psicologia Clínica na Pl:C. A preocupação com a "identidade" profissional do psicólogo é um tema básico no movimento dos psicólogos cariocas. de que a prática psicanalitica é superior à da psicologia clínica.. as "marcas registradas" são fundamentais na "livre competição" do mercado. Quando... Op. c. Alguns entrevistados observam. ao qual os alunos (não pertencentes à SPkJ) poderiam ter aceS5o"[4~ (as aspas são minhas).cutem essas técnicas diagnósticaB e até as aceitam. não há lugar para forrtJação em nenhuma especialidade""" Este grupo. Idem. pois ".. e nesse trabalho sobre a pré-história do CESACisso é bastante enfatiz. que os psicólogos clínicos continuem sendo psicólogos clínicos."!5l. é um tema que muito preocupa esse gnlpO. que. Op... Elas "g~rantem" o valor da mercadoria e. Minai.S. aberta uma clínica e dois anos depoL> um outro grupo de sete psicólogos tenta fundar um Curso de Especialização em Psicoterapia Psicanalitica no CESAc' A direção aceita... r. Op. assinala Katz que: ''Ao mesmo tempo em que se promete a Psicanálise. seguíndo seus cãnones e rituais. 57.S. a SPR] proibe explicitamente que seus membros efetivos dêem supervisão a psicólogos ou membros não-autorizados!". Em 1971.

. c é este o período de sua maior efervescência. "I'i>. 1'56 Entrevista de Carlos César Castellar cilada por Figueiredo. c abrc-sc uma crise na APrIA. Esta. a "verdadeira" psicanáli<. ao Brasil.<.. por não aceiUr essa orientação.~própn'os memlm)s A·la. publicações e palestras. que pudesse reconhecê-los e jornecer-lbe5 uma fonnaçdo clínica (. mas também assistentes sociais. ela linha considerada "progressista". dirigida entào por psicólogos.\"icólogos carentes de vinculaçào a uma instituição.s então produzidas: cuidar das fimilias em "crLsc" e.4 Idem. pouco a pouco~ vai se esvaziando.e e a fOffilação amlítica instituida pela IPA têm uma trade mark. qucrendo que a APPIA se tornasse um cstabelecimento de fonllaçào sistenlática . W) Suas principais figuras. Idem. A APPIA. pois nào têm a "marca registrada" sancionada pela IPA.. em Buenos Aires. esta entidade promove elo. estão no mercado psicológico desqualificado.que nlantêm contato com a American Society for Adolescent Psychiatry..C. bcrn aos moldes das subjetividades hegemônicJ. em 1977. fundaela. Maurício Knobel. Castellar.o. Sua origem liga-se à ASAP1'IA(Associação Argentina de Psiquiatria e Psicologia ela lntância e da Adolescência). pressões dos psic6logos . dentro ela linguagcm dos argentinos. ALe.sionais de psiquiatria.. quando a rnídia se ocupa dos projetos ele uma psicologia psic'analitica para a int:lncia. p. é o ele promover uma ampla discussdo entre proft<. congrega nào somente médicos. em 1972.. Daí. para prestar esclarecimentos ao diretm' do Instituto de Enr. no Rio ele Janeiro.trade 11Ulrk.. ) e em dezembro de 1982 a APPIA suspende difinitillamente suas atividades"l~-'. (_. ao grupo argentino que de 70 a 74 vêm.).. a adolescência c suas fanlílias1'\".de saude mental.~tas. p. noS anos 70 no Brasil.'i.aumentam. o psicanallsta da SPRJ. psicologia e psicanáli.Sua fómmla deve ser produzida da mesma fomla nos maL. por sinal. quando a mfdia dá uma cobettura nacional. cOfilprdcias nos con<. p. Os demais.C. Foi desse grupo que vieram ao Rio de janeiro os primeiros argentinos para mini'>trar cursos na SPlij e no IOP a conuite de Fábio Leite Lobo "1"3.. Arminda Aberastury. Contudo. p. eSjJeCiaimente osp.mhre o !>urgime. dos psú::analísta. Estes "representantes" estão. sào: Eduardo Kalina. no mundo capitalístico. Após o li Congresso.ldos às Soeiedades "oficiais". clescle 1973.. a. 69. Da nleSllla fOffila.s. de um modo geral. a gnmde tniÚon'a dos psicólogos que trabalham na área clínica sefiliar a APP1A "1'4. no sentido de garantir a sua "nlarca registrada". por ser uma entidade interdisciplinar. psiquiatras e pSicanaIL. Estes sào todos ligados à SPRJ. elnbora a direção. psicólogos. Após o grande sucesso do I Congresso. justamente os que tinham se ligaelo nlaL.). dt.. I')') 134 . Carlos César Castellar..' grandes congressos.que já vinham. Em 1972 c 1976. Op. A preven\.. nlais grandioso que o prinleiro. como já relatei. ) interessados em amp/im' seu mercado de trabalho (. em 1970. "prevenir os diferentes momentos de crbe por que passa o ser humano". "Sem duvida.ino da SPRj . 67. os maís progressistas. 153 Idem.vinculados à linha "oficial" . o maior número é de psicólogos.-'nto uma Saciedaâe deformação paralela de fomentada por seu.•.e nível internacional através a de congressos.ultórios dos "representantes autorizados" a usar a grife de Freud. lig'. Leon Grinberg e Arnaldo Rascovsky. que será também o da AP1'IA. A Associaçào de Psiquiatria e Psicologia da Inf/hlcl'a e da Adolescência A Associação de Psiquiatria e Psicologia da Infància e da Adolescência (APPIA) é fundada. Op..icanali. esteja nas màos dos psicanalisra. passam a ser lnercadoria".. 66. continua indefinida com relaçào à questão da formação e. mensalmente."cía dos psicologos. demite-se. os "reles mortais". cit. diferentes países. Esta Sociedade" . por psiquiatras e psicanali'tas da A1'A..é chamado "". p.'ão ou psicoprolllaxia como forma de promoçào da saúde mental passa a scr a peelra de loquc elc muitos psicólogos. A. 1. n. sem dúvida..s. (:'1APPIA passa a ser um centro de refcn-.'i profissional' •. 70. 152 Figueiredo. emào presidente ela A1'1'IA.~ a APPIA não tinha compromisso jormal algum em formar p.. Cumpre r ) a função de congregarO. o declínio da APPIA e proporcional aõ surgimento de novas formas de organização dos psicólogos em torno da psicanálise ( . os própn'os estatutos confirmam i.ra. tem um programa de higiene e psicoprofilaxia da intancia e da adolescência com granelc penetraçào na América Latina" 1\2 O objetivo da ASAPPIA.

A. sem reconhecimentos institucionais vinculados aos psicanalistas "oficiais".Isto ocorre após tentativas de constituição de gru pos de supervisão em diferentes áreas (infantil. a tutela é mantida.L. Ainda sobre o assunto. Desde os anos 60.tanto psicanalistas ligados à SPRJ. por meio das quais. por força. 136 137 . No Rio de Janeiro.que argumenta que grupoterapia é uma psicoterapia menor e não psicanálise . o que não é objetivo deste trabalho.. talvez um pouco mais aberta. M. pelo próprio momento histórico. A. (Org. as instituíções formação analítica e "verdadeira" psicanálise. surge a tese ". Os psicanalistas mais conservadores recusam o trabalho grupal e são os considerados "progressistas" que se lançam às primeiras experiências com grupos'59. continuam de um modo geral reproduzindo. a APPIA. que havia contado no seu período de maior efervescência .e. caso se interessasse pela grupoterapia. como o título mostra. fortalecimento dos movimentos sociais produzidos nas periferias das grandes cidades cujos ecos começam a chegar a alguns segmentos das camadas médias urbanas. apesar da tutela e.C. 3. e. com a difusão do livro Psicoterapia del Grupo.com cerca de 1000 filiados. Se. A história das práticas grupais no Brasil ainda não foi escrita e toma-se necessário fazer tal levantamento. que não chega a se realizar. A APPIA é. Rocco. principalmente. a partir daí. tornava-se sócio. de Marie Langer. Cf. entre os profISsionais "psi". A. Gropo: A Aflnnação de Um Sbnulacro. não será aqui abordado o movimento paulista. Eles vêm. Embora esteja vinculado à APA. 1987. Tese de Doutorado.enfatizam a importància desse grupo de argentinos. das próprias subjetividades hegemônicas então produzidas -a necessidade de uma ajuda "PSf' para a fantilia "desestruturada" e. R. Gmpo Sobre Gnlpo. Diante da reação negativa da IPA . no irúcio da década de 70. Op. Essa demanda produzida. a última e grande tutela . diferentemente das restritas experiências da SPC e do CESAC. de que esta forma de abordagem terapêutica seria o melhor caminho para paiscs em desenvolvimento"'''. tratarei do atendimento grupal em solo carioca. Py.O. vai ter o embasamento da primeira geração de psicanalistas argentinos. Junte-se a isso o contexto brasileiro da segunda metade dos anos 70. para seus filhos adolescentes (os filhos do "milagre econômico") . embora não marcados pelo paternalismo direto de alguns psicanalistas. muitos psicólogos para começar a tentar uma formação autônoma. A partir da segunda metade dos anos 70. Rio de Janeiro.dos psicanalistas ligados à "verdadeira" psicanálise sobre os psicólogos cariocas. passava a freqüentar a sodedade de grupo.). 127-142. de 1972 a 1976 . A APPIA. por sua grandiosidade em termos quantitativos. Não é por acaso que muitos entrevistados .. essa primeira geração de argentinos contribui decisivamente para que as experiências ocorridas na APPIA não se confundam com aquelas da SPC e do CESAC. Op. 76 e 77. portanto. por absoluta falta de tempo. no mesmo período. 128. In: Py. pois.a história da formação de terapeutas de grupo no Rio de Janeiro data do início dos anos 60. Todavia. adquiria o cUreito de ser observador de um grupo". "História da Psicoterapia de Grupos".• 159 Segundo Castellar ~. 157 Figueiredo. fundam a primeira sociedade de grupo. pp.21·35. essas práticas. adolescência. Ver "Co-Terapia". consultar Barros. para o indivíduo se tomar terapeuta de grupo. Eis porque o grande sucesso que fazem no meio "psi" carioca. um pouco mais flexlVel e um pouco menos ortodoxa que a dominante nas Sociedades "oficiais". Emilio Rodriguéz e Leon Grinberg.as Sociedades "oficiais" cariocas acautelam-se. por um lado.. Prepara. repercute sobre o movimento dos psicólogos. também na Paulicéia começa a se expandir no meio "psi" o enfoque grupalista. quanto psicólogos . da não disponibilidade dos psicanalistas da SPRJpara oficializar uma formação. grupos e instituições) e a organização de um curso de fOlmaçào de psicoterapeutas de crianças e adolescentes. precisava estar no término de sua formação analítica ou tê~1aterminado. ligados à SBPR] e à SPRJ. principaimente com adolescentes. iniciam-se outros movimentos "psi" no Rio de Janeiro que. como já vimos.há uma grande demanda.em termos de estabelecimento .O "Modismo" Grupal entre os "Psi" Cariocas: a SPAG Neste item. muito se disseminam. L. PUClSP. estimular e dar um referencial teórico/ técnico à demanda grupal então produzida. difunde para grande parcela dos psicólogos cariocas outras formas de pensar a prática psicanálitica. Não ignoro que.B. por outro. portanto. familia. 1994 . p. (OrgJ. A APPIA orienta grande parte do movimento dos psicólogos cariocas no sentido de pensar uma "outra" psicanálise. Entrementes.4 . cit. quase sem 1')8 Câmara. justamente. Naquele instituto. 33..entre as realizações de seus dois Congressos. p. cit. apesar das críticas feitas. quando Valcleredo e um grupo de profissionais do Instituto de Psiquiatria (IPUB da UFRJ)._.

"'Pectimsconselhos regionaLç./Rj"".•e. A prinlcira.. aprendida geralmente de algum colega maL. o Centro de Investigação e Assessoramento em Psicologia (eIA1') que se abre os mais "ariadas técnicas grup:ris influenciadas pelo Movimcnto do Potencial I1umano.qb".l. bá a mudança dos Estatutos e Regimentos. Susana Pravaz e Estela Troya. . Em tudo. 165 Sobre algum trabalho. apesar da rigida oposi. inclusive. dt Op_ cjt.. internamente o autoritarismo c a exclusão estão presentes. a S1'AG/Rj abre sua formaçào aos psicólogos.J .dos. fundanl. que é.". somente podem ser membros da SPAG/RJ ".. sobrerud(). vão para a S1'i\(. como no IMP e no Círculo Psicanalítico..saem e.!membros sdo medicos e psic6logos que tenbam seU"diplom(b registrado .mimeogr.!. n.A. com modificações na fonna de lidar com grupos '1<>0. orientação psicociram{ltica e gestáltica. L. para ter acesso a ~ tào promissor "mercado gnrpal psi". o poder executivo. P 2... Além desse grupo de psicanalistas argentinos.~Estatutos da SPAC'/R}. a SPAG/Rj reproduz as Sociedades "otlciais". Da mesnla fOffila que esses profissionai'. embasados pela primeira geração de argentinos ~.. In: Ata da l<u. produzem novas demandas.~ rt'a!iF. na Sociedade. na Argentina.sor. atendem e realimcntanl unla demanda então produzida.197·1. assim como Rodolfo Bohoslavsky que aqui permanece Essas psicólogas. (()rg. se e. as maratonas que.muitos que participaram de sua fundação . As maratonas são aqui iniciadas p(')os próprios psicanalista.. à Federação Lalino-Alnericana de Psicoterapia Analítica de Grupo e à American Group I'sychotherapy Association. na PlIClRj..' terços de medico.l. grupais. a partir de 1970. Também os membros associados estão impedidos de votar nas Assembléias Gerai. nos Estados Unidos.. di. e os psicanalistas ditos "progressitas" sabem di"o. Pcla sua própria prcsença dentro deste grupo. os psicanali.ta. pelo artigo fíº.":i. nue. Diante desse "mercado psicológico" tão prOlnL<.j ao ~ no pcriodo dc maior apogeu da APPIA ~ é fundada a Sociedade de 160 Py. Psicoterapia Analítica de Grupo do Rio deJaneiro (SPAG/RJl não somcnte como uma lórll1a de respos13 à APPIA ~ que congrega outros profissionais. convida sistematicamente as outras duas. Filia-se à Associação Brasileira de Psicoterapia Analítica de Grupo.') que já Elziam trabalhos grupais com adolescentes c adultos. desde 1971. ..e a partir daí começamos a trahalhar Durante nossa atü'idade.e pelo avanço do movimento dos psicólogos . em 1969. gradativamente. Vér os diferentes artigos contidos in Py. trazidas por psicólogas argentinas como Carmen tent. há o fortalecimento de todo esse [rabaUlO de grupo com profundas influências dos argentinos.~segrupo de psicanalist:1s. pelo contexto brasileiro da época ~ Governo Geisel e sua "di. especialmente o grupo terapêutico"lbl. Propag'.>: ara um terço de> p psicõlogoS'·IM. há 13mbém a influência de outras técnicas gnl]xlis.JIllde se. Op. As categorias de membros asselnelham-sc às das Sociedades "ofkiais". s psiG:mali"io tas mais conservadores da SBPRj e SPRj nào podem continuar indiferentes.11 trabaUlO grupal. p. (UrR. As técnicas grupai'i expandem-se entre os prollssionai"i "psi" e tornam-se "modismo". no Rio de Janeiro. em Buenos Aires. escolhendo."1Jeriente. In: ()p. os laboratórios de s{!llsitiui~y trttillill/!" os wnrk. como membros-natos. As eontribuil:ôes dos argentinos. A partir de !977I7R fase de esvaziamento da A1'1'IA. 'TÍl'CmOS uma noção rudimentar hásica.. Anigo . por ('. oS psicanalistas . lül Artigo 2° cios Estatutos daSPAG/R.. Pelos seus Estatutos.'ào da A1'I'IA. Seu objetivo. LA.respaldo teórico.palham pelo Brasil. alénl dos psicanaliç. 20.m.wmpre a proporçao de do(\.lIdação daSPAG/R.o.. seu:.. é a djfusào e a aplicaçào dos conhecimentos psiClnaliticos aos grupos humanos.t época.ào da 11'. os dida13s. Há um enorme mercado que não pode ser ignorado.ho/Jping .. OL 1()2.J. À técnica do "grupo operativo" acrescentam outrd."itas filiados a ulna das Sociedades da Associa~'ão Brasileira de Psicanálise. suas presenças sistcmáticas no Rio eleJaneifC\ por sua vez.'. pr.tensào" .elho Científico (' ConsuiLivo.. assi..• nos n. da entidade. são fund3ll1en13is no sentido de reorganizar e reorientar essas experiência..i\! do parágrafol" d(). Além da btLSGl desse reconhecimento externo. Em final de 1977. aprendem as novas técnica:'!. Quando da forma. dif1JOdidodesde o início dos anos 60.19 t. cit. mantendo-se .cípu!as de Bleger e 1'ichon-Rívicre. Em 197... de Nova York.notadanlCnte pelos trabalhos que já desenvolvem no âmbito da psicoterapia de gnlpo. segundo os Es13tutos. a e:tperiéncia nos lenou à ot]?anizaçao. acrescidas de membros honorários e benfeitores. na segunda metade dos anos 70. sendo que todos os ex-presidentes fazem parte do Cone.

entre os psicólogos. porém. o que o trabaUlo preventivo produz. 64. desde o final da década de 50. É importante que os psicólogos possam participar da fonnação na SPAGiR] . 31. no sentido de traballlar o tema da "identidade" proflSsional do psicólogo. sua grande preocupação é a questão ela"identielade" proflSsional. terão seus pacientes assistidos por médicos no caso de carecerenl de interven~ão clínica que só a médico compete desempenhar"'''. através de atuações grupais. é sair dos estreitos limites de seus consultórios privados e tornar-se um elemento de "mudança social".tas. Posteriormente.. que tinha anteriormente sido presidente da APPIA. () parágrafo 4º. conlO supervisões e grupos terapêuticos. quando Bleger e outros didatas da APA mostram que a "identidadc" proflSsional do psicólogo. tanto no Engenho de Dentro quanto no Pinel.Carlos C. Cai o antigo parágrafo 6º que prevê dois terços para médicos e um terço para psicólogos. ao invés de se aliar aos pSicanali'ta' "oficiai. Desde as experiências com as Comunidades Terapêu164 165 166 16'7 "Estatutos da SPAGIR]" In: Uvro de Atas das Assembléias Gerais. Carmen Lent. têm como prolessares os psicanalistas . t40 licas no final dos anos 60. desde que se possa manter o controle. ou menos acrítica. ver o Uvro de Blegtlr. bem como o de votar e serem votados para os cargos eletivos da Sociedade"'''. tema. entretanto. Bastante ambiguo. Também na Argentina. Como já apontei. os psicólogos. sidata. a voz c voto nas Assembléias. Essa tentativa é dcnunciada pelos próprios psicólogos que percebem na chamada atuação preventiva ou psicoprofilática uma forma de exclui-los da formação analitica. extremamente preocupante pam esta categoria. são médicos e pessoas diplomadas em curso superior vinculadas às ciências humanas e sociais com diploma legalmente regi. na época. Nesta época. [clem. o trabalho gn'pal é também muito difundido. ! toela uma tentativa de capturar lá esse movimento. supervisões e grupos de estudo. tudo dentro do modelo recém-conhecido dos "grupos operativos" de Pichon-Rivierc. depois de formados.em eleição concorridissima. não têm acesso à fonna.trado""". p." e por eles ser tutelado. ".. p. trabalhos institucionais e comunitáriosl6S. a presidência da SPAG/R] é ocupada por uma psicóloga: Márcia Câmara.ão analítica na APA. Pelo artigo 4º. Só que com uma diferença: o movimento dos psicólogos argentinos. tão corporativo quanto o anterior.. novos Estatutos e Regimentos são votados. no início dos anos 70. não são autorizados. os membros da SPAG/R] não médicos (leia-se os psicólogos).com um movimento muito menos organizado.muitos deles didatas da Sociedade . Idem. em 1982 assume sua presidência . Quase um ano depois. esses temas estão presentes entre eles de maneira muito forte. Como no B. p. organizase em entielades sindicai. Desta forma. esses profissionais experimentam não sotuente a coordenação de grupos com pacientes e funcionários. a quem o exercicio da Psicoterapia é autorizada pela legislação em vigor. lUas é incluído um outro. o que não ocorre desde sua fundação . há anos -. 34. pois o que se entende por "intervenção clínica"? A partir de 1980/81. fazem com eles suas tempias. muitos dos que haviam fundado a SPAGiR) vão se afastando graelativamente de sua direção e de uma série de outras atividades.afmal. Pskohigiene Y Psicologia ln••itudonal t Buenos 14 t . que já começam a se tornar numerosos. também os chamados "progressistas" estão se afastando e lri toda uma nova geração de psicólogos e psicanalistas participando da vida societária... frágil e tcndo como modelo único e exclusívo de referência os psicanalistas .dsil. já que duas chapas se apresentam. gradual e segura.A "abertura" ou transição é feita dentro dos mesmos moldes que a do Governo Geisel: lenta. que continua a tentar encontrar modelos de referência. Em seus cursos de graduação. Assim é que. seus membros ". Não percebem. Mudan. No Brasil .e.os 168 Sobre o assunto. empregando diferentes técnicas grupais. nem reconhecidos como anali. Idem.. somente os membros titulares continuam tendo direito ". Susana Pravaz e Estela Troya promovem laboratórios de vivências. Na questâo ela "identidade" profissional. oportunidade em que é ampliada a entrada na SPAG. muitos já têm uma experiência em trabalhos grupai. . entretanto. Paidôs. que aponta para um outro tipo de controle.a no sentido de realizar. diferentemente da do psicanalista. e profIssionais. por esses Estatutos de 1977. assumindo tais tarefas de forma mai. Castellar. p_ 65.\ires. Somente em 1985. J.

idón. Esses modelos ainda marcados pelo dkialismo dos psicaI13listas argentinos ." pur Blt:~l2r. L.ínstituintes em círcuito fi'Chado.<. que passam a ser muito utilizados na.no caso da prevel1\-'. acompanhamento a gestantes ()rienta. participação de grande parcela dos envolvidos nos diferentes pois (lá L1l11a setores do estabelecimento. obo LF l' Ihrros. 1080.tjo em tll. e muito bem.F.. ( . conlO lU) Sobre o :lSSllnto. à época. Janeiro.oda nos anos ')0 e 60 ..sistc-sc que é conhecido 7 ao conlO o "rnodismo" da Psicologia Institucional e dos ".~rupos operativos". os antigos modelos.~i1cira de Educação.R "A lnstiluiçào ili Supervisão: AniiisL' de Implicarbes" In: Sa. " Não é por aC1SOqllC ocorre o hoom dos "gntpos operativos" no Brasil.Inentos pré-cirúrgicos. em que a palavra política ainda é proibidano caso do psicólogo institucional e seus lirnites de atlla~.segue refletir sobre os pressupostos de tais modelos que. Tais técnicas . C. nos quais os psicólogos reverentemente acompanham as exposiçôes de seus "mestres·' argentinos e neles têm seus modelos de referência. Vendc-se ~ todos a i1usào da participa\-~ào :10 cnfatizar o caráter igualitârio c democr~itico desses grupos.•. "Os DL'S:lfios Sociais é a Prática do Psicólogo 1~~co1ar~In."~1. mesmo os mais J. Não nos esquC'\-'amos de que esses referenciais estão presentes na APPIA e em seus exuberantes Congressos.. ao ao psicologo como "((·cnico da.como antes . esquerda. mesmo marcados por influências marxl"itas .. e segurança.lESA}> FGViRJ.. não tão aferradas . terapias breves. principalmente.<.B. sociais e sindicais.não criam nOV~L') estratégias c táticas de açiio. ({)rg.ado extrem~tlnente propício e fatlllnto à di')cussào de tais tetnas. é o que os atrai .'ão social. "Criam-se essa.B.R Psicologia Institucional: Ilitkuldadcs e limites. pet. R Orleoladón Vocaciollal: Airt's. CtHrealidade servem. Critica. I""U Todos <ósse." J.D. C. l anos antes tinhanl nos psicanali')tas '·oficiais" brasileiros. Socie(L~des"olkiais". 'üo conscgLlem ainda questionar as subjetividades que produzem o "lnercado psi" dos anos 70. NllL'V:l i."quc formac.apesar de serem considerados unI avanço pam a época -.bzcm funcionar no vazio algumas forças que podem se tomar if1o.".\'l.: eus aspectos de controle s -. surgcln outras concepções sobre saúde c doença.. ) Tal é o sentido dil. à medida que a inl1uência argentina se amplia.'á!t"ula. ) é cmtado. Apesar da força que o governo militar ainda possui. ji se percebem os ptinleiros sinaL cio avanço político 'i (le Ull1aoposição ainda tÍ1nida e d() fc)rtalecimento cle muitos movimentos populares. (' Barros. a.gosas. atendi. l. trabalhD prevçntivo..-'Slnh . A Análi.~e llL"iUtudonal no Urasil Rio d. RD.:.. Valendo-se de um discurso modernizante..ela\-'cJcs r interpeSS(Kli'i1"711. os psicólogos [)rasileiros. os "grupos operativos" de Pichon-Rivierc. Bueno.-~à() ocacional (que v dentro da VL')àode Rodolfo Bohoslavsky torna-se uma terapia foca1)169 e outros." uleologias nào cliretirras. Gradativanlente os psicólogos vão se afastando do modelo médico propugnado peh.J. ·vl'r: Coimbra.<. Perguntas já comuns entre os argentinos .srectü~ sio çnfali7ados Importa-se de forma mcc3nica c acrítica o modelo argentino da Psicologia Institucional de Blegcr com sua linha prevcntiva e os trabalhos de grupo. no início dos anos RO. Anais UI (Â)flfcri-ncia 8-ra. cit. que se emprega lima prática "avançada"..argentinos encontram U111 tnerc.cl:lis"e :l PSICologia InstitucioJl:l1. exerce-se. 14:\ 142 . na segunda metade elos ancl. sob outras roupagens. tnas ..'>.. . 197'7 V la Estratcgia Clínica.à psicopatologia. ditadura militar no Brasil csti quase que totalJnente debelada e () "tnilagre econtnnico" começa a ruir. Desenvolvem-se as terapias de casal. r eM. a utn período em que a luta artnada contra J. .es cujas limitaçôcs só mais tarde serio percchiclL<. ()fiu. Rio de Janeiro.).obo."ilin..') 0.1o-. ().. ve[ Bo!losla\'sky. escolas. e. Principabnentc entre os psicólogos.respondem muito bem à demanda produzida nos anos 70 no Brasil.como já aHrmei anteriormente . há uma grande curiosidade em rdação às técnicas trazidas pelos argrntinos.tituintes portanto. Coimbr3. em última instância.• pt'~<.como já afinnei .nào saem dos estreitos limites das instituições vlstas como estabelecimentos abstratos.c.c suas aspiraçôes técnico-científicas . da reitlcaçio do trahalho gnlpal.somente puderanl ser pensadas posteriormente.'jo . esses dL"posiHl'Os que l d canaliZam os descontentes efazem funcionar asjàrça.s rl'J:lçü. j)(lssado /)or alto (' n dciya dr! otJr!rar( . tentando mostrar. reproduzem. como "coisas em si". um maior controle sobre esses grupos. Ao contrário do que nesta época já ocorre na Argentina. Dissertação de Mestrado .. Também por inlluência dos argentinos.. Concepçc. E.B.o.. que práticas c subjetividades cstamos produzindo e fortalecendo?" . interven\'ôes em crise. R. Or. 198"7.c no caso de muitos psicólogos. Como as dinâmicas de grupo .o psicólogo como o "técnico da. não se con. Espa~'(l ç Tempo. É neste momento que essas concepções ganham tantos adeplos entre '" psicólogm l11ais progressistas.:r7~SS. 1<)84: L Coimbr3. hospitaL')e empresas como forma de controle. Neste momento.

sus/entadas pela ideologia grupis/a que funciona como verdadeira polícia cultural e estatal e por tras dela. 171 Benurcl. o.. "La.. os que vêm por questões de mercado. apesar de trazer uma série de contribuiçôes um pouco mais "flexívei~" que a dos brasileiros ligados ãs Sociedades "oficiais". por questões de militância política. Exercem. M. pois. em 1977 e 1978 -. Seu aspecto técnico é que predomina. defende a "verdadeira" psicanálise e a formação analítica nos moldes da IPA.tas não pode ser entendida como um grupo monolítico. 1. os que.A RUPTURA COM AS SOCIEDADES LIGADAS À IPA Na segunda metade da década de 70. Também eles . mesmo por questões de exílio. (Oeg. Guia Tennlnológlco da Teoria e Técnica do Grupo Operativo.querem participar de tão promissor "mercada". No entanto. os lacanianos completarão este rompimento. após a implantação da ditadura militar na Argentina. em realidade. Sobre o assunto. começa a ser delimitado um novo perfil nos movimentos "psi" carioca e paulista. no dizer de M. Cadernos do lBRAPSI. é necessário partir para formações autônomas.). Desse modo. já que o momento hL~tórico da época nos mostra o devido uso de tais práticas e os efeitos que provocaJl1.D. Fornece. pois há uma confusão reinante em nosso meio quanto ao uso desta técnica. pois existem os que vêm exilados. p. Aqui seus interlocutores são os psicólogos .como os seus modelos psicanalistas . sobretudo.parttcipacionistas. R. com suas experiências e formações exteriores à APA. com o "modismo" pouco se estuda o referencial teórico dos "grupos operativos". consultar Barros R. está muito longe de ser pensada nos anos 70 no Brasil. Entretanto.'l Concllciones deI Grupo de Acdôn". alguns psicanalistas da SPRJ e da SBPSP. que sujeitos. considerada "ollcial".ta como simplesmente mais uma técnica a ser empregada. que objetos. A própria denominação "os argentinos" uniformiza as diferenças que há entre eles. Se a primeira geração traz contribuições de uma prática psicanalitica. cit. que muito vai "incomodar" os "psi" sem implicações politicas e há. Nuev:l Imagem. In: Lourau..A SEGUNDA GERAÇÃO DOS ARGENTINOS A primeira geração de psicanalistas argentinos.S. O próprio Gregório Baremblit nega a existência de uma "Escola Argentina" ou a existência de ". 06 lT. argentinos agrupáveis em redor 145 VI .179. estariam sendo produzidos por essa prática. que é utilizada sem um "aprofundamento adequado de suas bases teóricas""'.mo e fortalece-se a sociedade civil brasileira. Foucaull. J Muitos afirmam que a utilização dos "grupos operativos" prendese a questões teóricas. além de introduzir novas estratégias e táticas de ação. 144 . cujos projetos não vingam. que chega a partir de 1976.carentes de modelos para uma "identidade" proflSsional. esta segunda geração de psicanali. tomam-se cada vez mais fortes as pressões dos psicólogos por uma formação analitica. México. São utilizadas meramente como técnicas abstratas e neutras. [973. eIn especial os "grupos operativos"~ cai-se num mero "modismo" e numa reificação de tal prática. 172 Saidón. irá gradativamente romper com as irlStituições analisadas anteriormente. chega a segunda geração de psicanalistas argentinos . A segunda geração. Op. na qual ogrnpismo repousa alegremente"'7J . esta segunda ajuda a quebrar os m1tos da formação vinculada ã IPA e da "verdadeira" psicanálise. Concordo em parte. uma vez que estamos na era dos peritos c da tecnologia' No Rio de Janeiro.em sua maioria exilados. vi. reproduzindo as mesmas práticas e modelos. após o golpe militar de 1976 -. Surgem outros grupos de formação psicanalítica. Sem a preocupação em saber para quê e porquê utiliza-se o enfoque grupal.e. em sua maioria exilada. demonstrando uma expressiva vinculação político-social em suas práticas. entre pressões. Rio de Janeiro. 41 e 42. emerge o !acani. encontram no Brasil um excelente "mercado psi". e funcionando como práticas de controle e assujeitamento. ainda. não é só o que ocorre. toda a psicologia contemporânet. secembro/l'. A questão de se pensar o grupo como um efetivador de forças e que forças seriam estas"" que sàbcres. tanto no CESACquanto na APPlAcomo já vimos. Posteriormente. mimeogr. Analisl" Inortltudonal Y Socioanálisis. pp. Compo: A Afirmação de Um Simulacro. sem nenhum grau de implicação com a realidade social concreta. o "empurrão" que falta. sem no entanto provocar rupturas. não se contentando mais com o atendimento infantil já aceito e instituído.

anger. J diclatas. BH.. In Langer. dt. o 'lU"!. Trá. Rosário.•• quais.~. J77 Langer. 180 Kesseiman. 2) do signifkado. e na formação de alguns psicanalistas brasileiros"6 Nos anos 60. No ano seguinte. Palacio. entre os (>. no XXVI Congresso 1ntern"cional da IPA. no Brasil. no Mexlco.. a APA adere ã greve geral 'lu c é declarada contra a violenta repressão feita aos estudantes e aos trabalhadores. Cirsamü. dias depois da saída do pessoal ligado ao Plataform".. e Documento. ligada ao PC. 1973. L986. M. M. F.de um pensamento unifonnenlente marcado . havendo pesso.o Platafonna tem posi\·ôes lnais radicaLs politicamente.lQuestiooamos 2. E. as quais começam a transpor suas fronteiras. Difun- dc-se por várias cidades do interior a formação analítica . solicitam o direito de voto aos lncmbros associados c () direito de serem cOl1. PbtafornlJ. 1977 e !. Meses depois o gmpo Plataforma Argentina s"i cl" A1'Ac .particip" da Federação Argentina de Psiquiatras (]'AI') junto com o gn. fOrg.ou pelo menos este .2'7.. na época. exilouse na Argemina \. p.s fundadoras da A. o enfOque psicanalítico com minhas conuicções polítk:a. ''A experiência do CfJ{ e cer1ame.sidcrados automaticamente..<. Marie Langer.mdanlentalmentc pelas revolt::L'iinstitucionai .reconhecida pela [1'Aem 19/. alguns acontecimentos são c serão por tninl destacados em cletrirncnto de outros. Est:í lórmado o Gmpo Plataronna Intcrnacional que. Desde o início de sua história. Lmerlivros. (Org.l na América Latina. M. os cínco didatas que saímos da APA. É óbvio que. 1987.oriunda de famOla judia da Viena Imperial. Segundo depoimento de Marie Langer esta geração de '. prOCUra111dar Cursos de pós-gradua~'ão na FAP. com o pcronislllo A FAP pouco a pouco vai se identificando revolucionário e há vários grupos que di. Kes~lnun.ón.-"11te única em sua tentativa de d apagar as diji. A mim. social dos psicanalistas.11 formado os por UIll grupo de didala. pp.PA. Memória. 11_ Op.e Guinsberg. In. 3) do papel 174 Baremblit. Op.. tão em vOg'". o grupo argentino e outros organizam um paracongressol78 no qual se propõem as discussões: I) da formação do psican"lista.. uma cb.D. Up. um dos mais caros e sofisticados hotéis de Roma. p. G_ Ato Psicanaüt1co e Ato Politico. Angel Ganna.. (01110 os psicólogos.''17-''. !\'um prirneÍfo tllomento após a ruptura. J. M.manifestações populares em Córdoba -. posteriormente. A minha implicação com esta segunda geração de argentinos é clara e sei que alguns acontecimentos . a Coordenadoria dos Trabalhadores em Saúde Mcmal (STM) junto com a Associação de Psicólogos e a dos Psicopedagogos. Tod~lvia. participou na Espanha das Brigadas Imernacionais. .l. Hl.'filhos"ensinou muita coisIJ a nós. 176 Perestrello. 218 147 Em J 968. dt.ainda que só para médicos -.apresenta grande atividade em termos de publicações. pessoalmente. H. ()rg. reunidos enl torno de um documento. Segrae. Não quero nem espero que este trabalho seja visto como uma neutra e linear história das práticas "psi" nos anos 70. o paracongresso numa cervelaria popular da vizinhança. "Vidsitu<.mental e de L79 sd)re o :L. 96 c 97. 17') Eram seis os fundadores da APA:Marie Langer.l Questionamos 2.) Ra2. no Jov'Xvll Conwesso Intemacional da lPA.~pecialistas a saude. como já mencionei na Introdução deste trabalho. em Roma.M.sma revista.reconhece public-amente que sua luta ". ')3. me ajudou a acahar com a dissociaçào (! a unificar.)ta-fóquista. cit. função e estmtma das sociedades psicanalíticas. Vozes.enconlrar-se-ão real~:ados neste relato. apresentam muitos posicionanlentos em comum. ()rg . também se deslig" d" A1'A. dentro de minha prática. mas esta. Traço. t46 .-rória e Diálogo Psicanalftico_ São Paulo. A. cOlno eo) Mendoza. após o "Corelobazo" .:. por ser uma federação 111édica.. exclui outros profissionais."IT'.L2sdeI Movimiento Psicanalítico Argentino" In: Suarez. ver tanger M.criase o Centro de Docência e Investigação (CDI). 4) das relações entre psicanálise e instituiçüesl79.po Documento.sunto. as agitações em Rosário e Buenos Aires. em 1971. algumas alianças entre n1uitos que vêm exilados. Os dois gnlpos. não passa fi.PichonRiviere e Arnaldo Rascovsky. onde lr"balllal11junlos os grupos Plataforma e Documento além de diversos outros gntpamentos politicos pertencentes "OS diferentes partidos ele esquerela. toda uma geração de jovens psiquiatras de fonnação marxista entra na AJ'A.rença<. contudo lnuitos caminhos e posturas diferentes. 246-250 e outros artigos de&~ me. elC.desde 69 .) Questionamos 1_ Rio de Janeiro.•• . Funda~seJ então. C0111111uita influência da teoria marxii. BH. M~xico. 178 () Congresso realiu-se no Cavallieri Hilton. "Plataforma lntenucionaJ: Psicanálise e Anti-lmperiali~mo".:L') que oscilam entre um grupo e outro. Ligado ao STM. dentre outras col"as. Locura y Sociedad.. Siglo Veintiuno. mas pelo comprOlui'iso dos psicanalistas com os povos empenhados e111 suas lutas de libert"ção"'&'. assim como Lmger.'iputam sua hegell1onia. i()8(i. sim. cm Vicm. a Associação Psicanalitica Argentina (A1'A). Ferrari Harc!oy.

análise institucional e militância política.).. Alguns dos psicanalistas daAPA estão nesses trabalhos.oferecer a todos a mesma oportunidade de formação ( . por exemplo. psicanalistas. essencialmente. Evidencia-se. de alguns passos concretos no tão debatido terrrmo da inter-relação entre marxismo e psicanálise. Em 1974. Com o golpe militar. em 1976. O manifesto do grupo Plataforma dizia: 182 Sobre o assunto ver Rodrigues. Para alguns argentinos.quando não os fazem fora. 111 e 112. esses trabalhos e as formações nos hospitais públicos tenrunam. No entanto ainda não rompem com os "grupos operativos" de Pichon e a Psicologia Institucional de Blcger. Alguns desses psicanalistas. Rio de Janeiro. em muitos hospitais públicos. Deleuze e da Análise Institucional -. ocorre. porém. quando chega o golpe em 1976. Durou pouco pois duas bombas são colocadas na EPSO a qual é fechada pela polícia antes do golpe de 76. Ao lado dessa formação no CDI. supervisionando. "Anotações pata Uma História do Movimento Psicanalítico A1'gentino~. em que se pensa e se debate como a psicanálise se articula com o marxismo.é mais uma dimensào somada às de horizontalidade e verticalidade nos trabalhos grupaisl&. M. 16-21. há cerca de dezenove hospitais gerais só em Buenos Aires. A partir 1974 a 1976. dto que permitem pensar a psicanálise extramuros do consultório. Assim.C. são atuações claramente implicadas com a política 181 Langer. e Bertoldo.. Maurício Goldenberg introduz um Serviço de Psiquiatria em que se realizam atendimentos a pacientes internos e externos. desenvolvem a formação analítica. . 3) o avanço. por exemplo. n\! la. nas situações de greve. etc. In: Langer.) o que traz algumas verijicaçóes valiosas: 1) a possibilidade de romper a estratificação e a fragm.ldade Terapêutica. começam a introduzir muitos desses conceitos em suas atuações grupais e institucionais. Sirn. etc. pela leitura que fazem de Guattari. Borda e das Clírúcas.entação dos diferentes grupos de trabahadores de saúde mental ao tntegrarern-se num só movimento gremial (. M. Op. Promovem-se palestras com MaxwellJones sobre Comun. assim. Uma vez por mês ocorre o Ateneu Clinico. cit.conceito guattariano c básico na Análise Institucional . em suas práticas. C. voltadas para a saúde pública.D. têm supervisões e grupos de estudo .B. ver Braslavsky. aproximadamente -. alguns desses profissionais. 1987.Ilares a esse modelo de Lanús. Em Lanús. fundam a EPSO (Escola Psicanalítica Freudiana e Socioanálise). Maiores detalhes. Gramsci e Mao "181. "(luta Abena do Departamento de Investigações Institucionais do Brasil a Annando Bauleo". O cm também é fechado logo que há o golpe. E. Palacio. Op. em 1964. uma grande preocupação com a formação pois. apesar das posições políticas distintas c até diferentes entre si. por suas ligações com as organizações então clandestinas. No final de 1974. bombas. outorgando à prática o privilégio que lhe davam Marx. Bleger e Pichon continuam como os grandes modelos. mas agregam-lhes estes novos modos de pensar os grupos e as instituições. que envolve uma mistura de pSIcanálise. adolescentes e alcoólatras. In: Boletln dei Centro Internacional de Investigaciones co y Gropal. pp. etc..). a transversalidade . a atuação de psiquiatras e psicólogos que. M. à medida que a oposição cresce dentro da APA. dão apoio psicológico a muitos militantes de esquerda c. Dentre esses hospitais. Nada recebem nesses hospitais: dão o trabalho em troca da formação.{Org. devido às ameaças da tríplice "A" (poderoso grupo paramilitar que se denomina Associação Anticomunista Argentina). pois. Avellaneda.j. essa formação paralela se fortalece e toda uma geração de psicanalistas se surge à margem da Sociedade "oficial".2) a demonstração de que se pode dar e adquirir uma formação séria e de alto nível fora das instituiç6es psicanalíticas oficiais epor uma contribuição econômica mínima que sin'a para manter o local C. que passam a ser centros de formação.B. deste modo. desde a segunda metade dos anos 60 e nos 70. coordenando grupos de estudo. por isso. Goldenberg chama. como Gregório Baremblit. destacam-se o de Lanús. Nos serviços. valendo-se como espaço de preparação da própria prática hospitalar. Marie Langer se exila no México e inicia-se a "diáspora argentina"._. irúciandoc se o questionamento da tradicional visão manicomial. são violentamente perseguidos. psicodramatistas e uma série de outros proflSsionais. As aulas são trabalhadas por intermédio de "grupos operativos" e Juan Carlo Di Brasi coordena o de epistemologia. para esse Serviço. H. sendo o trabalho eminentemente grupal com crianças. PskologiaSocial 148 t49 . desde 74 há uma série de provocações da direita: revistas sistemáticas da polícia.) Questionamos 2. Alguns dos psicanalistas ligados ao Plataforma. e Guinsberg. à STM e ao cm fazem trabalhos de assessoria institucional com os mais diversos sindicatos e partidos políticos.

psicanalista e psicodramatista argentino. p. em sua grande maioria. que fazem parte desta classe média. 129. entendendo ser como uma definição clara que não passa pelo campo de uma Ciência isolada e isolante. quase nenhum "psi" carioca ou paulista lhes pergunta sobre a situação política argentina e suas vinculações com ela. de um modo geral enquanto movimento. torturados e assassinados? Será que sabem que o Brasy ainda vive sob o terrorrismo de Estado e sob a vigência da Lei de Segurança Nacional? Será que sabem que aqui muitos foram e continuam sendo torturados. Op. a contribuição desses argentinos linlita-se apenas a quebrar .e ainda se sentindo extremamente perseguidos -. 49. 183 Langer.particularmente Rio e São Paulo -. sobretudo.e muito .1:o. não sentem.pelo corporativismo da primeira metade dos anos 70. p.. a Psicanálfse não é a Instituição Psicana- lítica Ojk. ligam-se ainda ãs periferias das gTarldes cidades e ao movimento sindical. ". G. pelas cDntribuições técnicas que oferecem. gradual e segura" de Geisel. Por sua vez. M. desde o início da década de 70. nesse período. para onde vem a segunda geração de psicanalistas aIgentinos. na qual uma série de movimentos sociais que. não obstante tais enfoques.estão sendo perseguidos.. no entanto. assassinados e desaparecidos? São os efeitos da produção massiva das subjetividades produzidas nos anos 70 que levam esses "psi" a ignorar todo esse conte. mas sim por aquele de uma Ciência comprometida com as múltiplas realidades que pretende estudar e transjormar"IB:'>. Apesar de estarmos vivendo na época a "distensão lenta.J. e Guinsberg. não somente para uma melhor compreensão do exilio político.) e o desejo de chegar a integrar-se nos borlas vedados da psicanálise local ou de formar seus próprlos"l84. presos. pela .. sem. poucos são os psicólogos cariocas e paulistas que se deixam efetivamente agenciar pela implicação política e militante que trazem os argentinos. ftlhos do "milagre" e representantes da geração Al-S -. esta "cumplicidade civil". não 'se afetam com a proposta política que esses argentinos apresentam. Estes são. não têm e nem tiveram implicações militantes.tanto no Rio quanto em São Paulo -. oscilam entre a revolta e o ressentimento por seus mentorts (oficiais) pstcanalíticos C .ial.não só as do Rio como a de São Paulo -.pela sua competência teórica. pertencentes ou não ao Platafonna. sem dúvida. os argentinos trouxessem a peste. para o estudo do que chamam de "cumplícidade civil"IS'\ isto é. A Psicanálise é o lugar onde os psicanalistas estiverem. louvam muito mais a primeira geração que esta.R. Esses movimentos sociais.e até hoje é uma forte crença . Contudo... inclusive os considerados "progressistas". aquele que está ao nosso lado e nem sabe que pode chegar a colaborar. o que ocorrerá mais efetivamente na década seguinte.a hegemonia da" Sociedades "ofrciais" na formação dos psicanalistas. procurados .sua maior abertura e tlexibilidade e. São unânimes em afrrmar que a mais importante contribuição vem dos "ofrciais'"do inicio dos anos 70. msL~temem dizer que a influência dessa segunda geração de argentinos para a prática psicanalítica é quase nenhuma. Os "psf' .através das experiências que trazem . não no sentido político. Eles. pois. mas.por suas implicações políticas . sem dúvida. representada 18" Termo utilizado por Eduardo Pavlovsky. vinha. ". seqüestrados. Estes compromissos são reafrrmados no Brasil . pela sua "estrangeiridade'". ciL. paIa eles. 184 Baremblit. Será que sabem que havia ocorrido um golpe militar num pais vizinho ao nosso? Será que sabem que lá muitos "psi" . por que não dizer. 150 151 . por exemplo. cit.. Pertencentes à pequena burguesia ela Zona Sul carioca. Ainda marcados . vindos de um inlplacável e violento terrorismo de Estado . Palácio. os psicólogos cariocas. Somente os psicólogos a ele se referem. Estes. como vai sendo elaborado o chamado "colaborador" nas ditaduras. Op. O trabalho institucional não é citado. Os argentinos se espantam. não conseguem perceber. subterraneamente se gestando e resistindo aos horrores do terrorismo vigente. as propostas políticas dos argentinos não fazem muito eco. acentuada ainda mais pelo exílio que se inicia. Profundas e inlportantes retlexões nos trazem os argentinos. É como se. E.. por sinal.. os psicanalistas das Sociedades "oftciais" . sim."Para nós. inclusive até a denunciar"11l6 Sem dúvida. do qual sofrem. em seus microespaços. Para alguns "psi". de sua parcela intelectualizada. possibilitaram grandes mudanças nas práticas grupais. não atingem a classe média. argüir seus pressupostos. doravante. Ato P:ricanalitk:o e Ato Polítlco. considerável intluência. mas no sentido de sua profISsionalização enquanto psicarlalistas. ao chegarem aqui.

Além de um pequeno grupo no Rio. incluindo Hélio Pellegrino e Chaim Samuel Katz. ao apresentar a formação do IBRAPSI no Rio de janeiro.por grandes parcelas da população. é fundado o INEF (Instituto de Estudos e Orientação da Família). do Sedes Sapientiae.6-9.SAMPA E O MOVIMENTO "PSr' NA SEGUNDA METADE DOS ANOS 70 Comentarei alguns estabelecimentos organizados em São Paulo que correm "por fora" da Sociedade "oficial" e que contam com as contribuições dos psicanalistas argentinos da segunda geração que lá se instalam. fundado pelos discípulos de K. serão capazes de melhor compreender sua própria maneira de funcionar num grupo e no trabalho. ao contrário da SBPSP. um assunto que merece ser estudado. . 2. cnfatiza a Sociologia dos Grupos e não a sua psicologia. Em São Paulo esse grupo tem pouca representatividade. Tal técnica. durante as duas décadas seguintes. posteriormente. muitos são aqueles que ajudam a esses argentinos exilados. Estes. Tanto em São Paulo quanto no Rio de janeiro. até 1976. n!!03. Sobre o Iacanismo haverá um item à parte. pois pouco se tem escrito sobre os junguianos brasileiros. Este centro. há em São Paulo os grupos do NEPP. a partir daí. E. Há. por meio do treinamento das capacidades nas relações humanas. In: Territórios . E. quem mais claramente "entende" esses compromissos políticos são os psicanalistas "oficiais". ver Rocha. com alguma influência também da orientação rogeriana. é uma formação a nível de especializaçãoH17. p. Buenos Aires. No Brasil. abrem furiosos ataques aos "subversivos" e "terroristas" argentinos. -'La Vigenda ele Un Compromisso~. Nesses training-groups. Também no início dos anos 70. centro de treinamento norte186 Pavlovsky. Pensa-se que. Lewin no llnal dos anos 40. prestando serviços de assessoria a algumas empresas privadas.1 . cit. Organizado por médicos e psicólogos. p. oferece lima série de atividades baseadas. Group. única e exclusivamente por absoluta falta de tempo. pois essas acusações envolvem também a questão de mercado. Tem também pouca expressão no movimento "psi" paulista. 2 . antes da chegada dos argentinos . ensinam-se os indivíduos a observar a natureza de suas interações recíprocas e do processo grupal. em São Paulo. na técnica do T. embora tenham sido jung e seus seguidores os 1&7 Sobre o assunto. Op. Não entrarei em detallies sobre suas histórias nos dois espaços geográficos.. no item seguinte. de Regina Chnaíderman e alguns da SBPSP. há uma total hegemonia da SBPSP no que se refere à prática psicanalítica. Diferentemente do Rio de janeiro . 09.há a criação no inicio dos anos 70 do GEPSA (Grupo de Estudos de Psicologia Social Aplicada) por psicólogos com grande influência do National Training Laboratories. Sua pedagogia é uma mescla de não-diretivismo e método ativo. mas poucos os que se emiscuem com suas propostas e implicações políticas. há um outro grupo que também corre "por fora" das Sociedades "oficiais": os junguianos. principalmente.Instituto de Estudos e Orientação da Família Assim é que.onde na primeira metade da década de 70 aparecem alguns grupos de psicólogos tutelados pelos psicanalistas "oficiais" -. que havia se originado da dinâmica de grupo lewiniana. sairão muitos profISsionais que se ligarão às chamadas terapias "alternativas" . Veremos isso melhor. é um dos fatores que mantém todo e qualquer governo fascista e que sustentou intensamente as ditaduras latino-americanas. Dele. os papéis e funções do líder e dos membros e não suas personalidades individuais e desenvolvimentos pessoais.2 .1986.O Grupo de Estudos de Psicologia Social Aplicada americano de técnicas gru pais.Pubücacion deI Movimiento Solidário de Salud Mental. ligado a pesquisas e estudos sobre a farnilia e oferecendo orientação e atendimento neste setor. Entretanto. 2.a qual simplesmente os ignora. sem dúvida.B. apesar de se colocarem como "diferentes" da formaÇão criada pela IPA.os da segunda geração. os conservadores da SBPRj e da SPR]. mais precisamente em 1972. 51 152 153 .

o NEPP. em sua maioria. o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.) lança mão de cursos. Esta orientação política é clara.Porém. desde o movimento de 1968. aindà vinculado à PUC/SP.Revista do Partido dos Trabalhadores. e div. 1981.. No movimento "psi" de São Paulo. irão 'herdar" a visão mistica já implícita em toda a obra do 'mestre" e que marcará profundamente alguns pioneiros das terapias "neo-reicl1ianas" no Brasil. item V. organizado como um centro de "ensino livre". São Paulo. do DPS.. para organizar tim curso de formação psicanalítica no Sedes o qual somente tem Início no ano seguinte. o curso de Psicologia Clinica da Faculdade Sedes Sapientiae. n~ 03. sem dúvida. São Paulo. como mostrarei no Capítulo IV. grupos de estudo. 1. o Centro de Filosofia e outros. fora da SBPSP no início da década de 70. a Madre CrL'tina. tem-se a bela figura de NLseda Silveira a qual. A partir de 1975. e a libertação como ftm"llP.!J. prendem-se não ã luta dos psicólogos para obterem o status de psicanalista. como o Centro de Educação Popular (CEDlS). mais adiante.ptimeiros a quebrarem com a "sagrada" utilização do divã e a introduzirem trabalhos com argila e outros materiais durante as sessões terapêuticas. muitos "corporaIL. Carta de Princípios. os estabelecimentos que vão competir com a Sociedade "oficial" a nível de formação analítica são. quando se desvincula da PUC.. 2. São Paulo. pp. não somente em sua Carta de Princípios. Procura-se uma especialização em técnicas grupais ou em atendimento familiar ou em uma outrd abordagem teórica.4 I» . Ano lI. em solo paulista. há vários "rachas" e hoje coexistem pelo menos quatro centros paulistas para formação dentro dessa abordagem teórica. São Paulo. mimeogr. Da abordagem junguiana. como no Rio. desenvolve trabalhos com psicóticos. Sedes. procurando manter uma ideologia de trabalho que liga as Unhas fundamentais que consagram o homem como princípio.. recémchegado de Londres e psicanalista da SBPSP. mas pelo que o jornal O Contexto. Justamente na década de 70. o novo Instituto é reconhecido pela sua participação nos movimentos populares e no compromisso com suas lutas. começa a se tornar um dos centros psicoterápicos mais importantesl88. Posteriormente. reúne muitos "psi" interessados 188 Sagawa. trabalhos com operários.' nem os "leigo. Coordenado por Célia Sodré Dória. Em 1974. pela SBPSP. poL. no subúrbio do Engenho de Dentro. já 189 Instituto Sedes Sapientiae. Instituto Sedes Sapientiae. o Instituto Sedes Sapientiae e.3 .. novas áreas são criadas no Instituto. com o nome de Psicoterapia de Orientação Analítica. dentre outras organizações populares. A figura de Madre Cristina é fundamental. Enfim. Como meios para atingir esse objetivo (. organiza-se a primeira Sociedade de l"rmação junguiana. fevereiro/1989. ')4-')8 e Teoria e Debate. mas a atividades e enfoques diferentes dos desenvolvidos pela Sociedade 'oficial". 2'52 em "outras" linhas de atuação. percebe-se que todas essas iniciativas. o Sedes tornase o abrigo de muitos perseguidos!". Madre Cristina convida Roberto Azevedo. publica: "OInstituto Sedes Sapienttae é um instrnmento político que visa atuar na estrutura sócio-econômica brasüeira. sobretudo os dos anos 90. Sua proposta é ser: .'" como clientes. R. 70-74. inspirado na Teología da Libertação. passando pela decretação do AI-5 e pelos terríveis anos de perseguições e torturas. n9. 191 O Contexto _ órgão oficial de inf. do Departamento de Psicodrama. dentre outros. no Hospital Psiquiátrico Pedro 11. 1. p. um espaço aberto aos que querem se comprometer com a busca de um projeto alternativo à sociedade brasileira. que não são priorizado.O Instituto Sedes Sapientiae Desde o inicio dos anos 70. esses "outros" enfoques não entusiasmam os "psi" pauli. cit. posteriormente abrigará. 190 Ver duas entrevistas de Madre Cristina publicadas em: Percurso . a hegemonia está com a prática psicanalítica privada. sindicatos. a realidade social brasileira como campo de trabalho.Revista de Psicanálise. em escala menor. 7 e 8. periferia e outros" 191 • Em 1975. tentando se colocar à margem dos modelos e critérios burocráticos regulamentados pelo MEC. No Rio de Janeiro.tas" brasileiros. o exercício da defesa dos direitos humanos como método. uma vez que. Op. n2 semestre de 1990.\'. alguns {"ra do âmbito psicanalítico de atendimento privado. que cria e estimula as demanclas dominantes. desde os anos 40.1. o Curso de Psicologia Clínica transforma-se no Instituto Sedes Sapientiae.

Por seu lado. dentre outras pessoas. não dogmatismo teórico/prático. a primeira exilada argentina a chegar a São Paulo.e mais oito psicanalista< da SBPSP. democratistas e mesmo demagógicos.havendo acusações mútuas de ambos os lados. assistencialista. Ainda em 76. Aos membros das Sociedades "oficiais" é vetado dar formação analítica fora de seus estabelecimentos de origem. e que representam a psicanáli<e ritualistica de divã no seus cnquadres clássicos. O primeiro acusa Regina e seu grupo de serem populistas. Roberto Azevedo. de uma formação em paralelo para os candidatos a monitores. por conseguinte. a de Roberto Azevedo e a de Regina Chnaiderman _ como 192 Sagawa. telegramas e visitas pessoais . Regina Cbnaiderman e outros apostam no contrário: maior participação dos alunos e professores. não permitindo a participação de todos os alunos nas decisões sobre o curso. passam a fazer parte do curso. seu elitismo. Alegam defender uma formação psicanalitica consistente e não somente aplicada aos estabelecimentos sociais.três meses depois . Os demais rapidamente passam a didatas e têm uma rápida ascensão na SociedadeI93. cit.para que se afastem dess~ formação "paralela". uma maior hierarquia.a SBPSP pressiona os seus oito membros e professores do Sedes . ele propicia. a quebra desse monopólio. Especialmente os argentinos da segunda geração ligados a Roberto Azevedo são contra a transformação do Sedes em um centro de formação teórico/prático. mas sendo produzida segundo uma realidade concreta". aberta e cngajada no contexto político-social brasileiro. autoritarismo e dogmatismo. Antes da oficialização. Dos oito professores somente doi< permanecem no curso do Sedes: Roberto Azevedo e Fábio Herrmann. não se quer entrar em choques com a SBPSP. como responsável pelo curso. apoiado por alguns professores. de estarem preocupados com uma psicanálise aplicada aos estabelecimentos sociais e. Ele chama Regina Chnaiderman _ que já ministra aulas no Sedes . OCorre uma cisão dentro do curso. Tal fato concorre para a formação de dois cursos de Psicanálise no Sedes. não há em São Paulo nenhum grupo de estudo sobre Psicanálise a não ser os coordenados por Regina Chnaiderman.y' Op. não aceita. defende a existência de provas.de psicanálise. Em suma. Na época. Defendem uma formação nãodogmática. como funcionavam os hospitais públicos na Argentina antes do golpe de 1976. Roberto Azevedo. é convidada. assim. também exilados. começam a surgir outros grupos de estudos sobre o assunto. por isso a coordenação e orientação do curso ficarem com Roberto Azevedo. Guillermo e Léa Bigliani. afirma um dos entrevistados. Ana Maria Segal. desqua1ificando o trabalho nos estabelecimentos e valorizando o atendimento privado. como Mário e Luzia Fucs. dividindo-o em duas "facções". Advém uma crise que resultará na criaçào de dois cursos: o de Espe<ialização em 157 156 . fundado em São Paulo. No ano seguinte. pois. o que compromete a continuidade e a existência do curso. o grupo ligado à Regina considera que os outros querem a rcprodução da hierarquia que há na SBPSP. "uma psicanálise que nào esteja no Olimpo.que a formação analítica é considerada por todos um privilégio e exclusividade das Sociedades ligadas à IPA. R. R. ligados à Coordenadoria de Trabalhadores em Saúde Mental e ao Centro de Docência e Investigação. 193 Depoimentos dados a Sagawa. É o primeiro curso "paralelo" .como se diz na época . Op.Y. após o golpe militar no pais portenho. sem as "verdades" absolutas de certas linhas de trabalho.como Miriam Chnaiderman . Por ser O precursor de uma formação fora da Sociedade "oficial". A gota d'água que desencadeia a divisão é a contrataçào de alguns ex-alunos . Tem a duração de três anos e apresenta um currículo prévio que inclui aulas. as divergências vão desde pontos de vista teóricos e politicos até questões pessoaL<.para a função de professor. todavia a análise de cada aluno fica por sua própria conta e iniciativa In Nesse mesmo ano . que se mantêm até 1992. Após a formação do curso do Sedes. Os próprios argentinos envolvem-se nesta crise. outros argentinos. Em 1980. para que se pudesse concluir o ano.através de circular telefonemas. Os atritos se sucedem nos anos anteriores à cL<ão. Por sua vez.) p. cito ficaram conhecidas. na época. A proibição da SBPSP gera uma séria crise no Sedes. Entendese tal ataque da SBPSP. 269. seminários e supervisões. já começam a ficar claras as diferenças de concepção sobre a formação analitica proposta por cada grupo. atualizando-a com os diferentes implicações políticas trazidas da Argentina.

por suas diferenças e antagonismos. :"lo curso dirigido por Roberto Azevedo. o que melhora muito a situação. de outro. mimeogr. estudo teórico psicanalitico e prática clinica"194. 194 Sedes Sapientiae. hoje chamado Psicanálise. São Paulo. inlplicada politicamente. e o de Psicoterapia de Orientação Analítica. Entretanto.mo: segundo suas palavras: "em nome de uma fOffilação acadêmica e rigorosa. proftssionais universitários que já tenham um percurso em sua análise pessoal. convênios com a Coordenadoria de Saúde Mental do Estado de São Paulo são criados. Sabemos que. como <4') instituições instrumentalizadas pelas Sociedades "oficiais" são facilmente reproduzidas em grupos que pretendem negá-las. dentre outros. como tal. talvez conseguisse ter mais poder dentro da "oficial" que tanto criticava.. declaram que suas permanências neste grupo estão sendo repensadas.ação e Aperfeiçoamento. num nivel molecular. Ne~se momento. que fica conhecido como o grupo de Roberto Azevedo. pois se aproximam muito mais da proposta de formação feita pelo curso de Regina Chnaiderman do que da feita pelo de Roberto. tanto de um lado como de outro. isso fica claro.como mostrei com os militantes c hippiesdos anos 70 . impondo-se como uma formação analitica alternativa à da SBPSP. surge a necessidade de contratação de novos professores para que possam se reestruturar. em 1988. Cursos de Espedall7. entram oS argentinos Oscar e Nora Miguellez. O curso de Roberto Azevedo patrocina e reproduz. Fernando Ulloa é chamado para fazer um traba1l1o de intervenção institucional. uma vez que o criativo e o novo poélem ser facilmente recuperados ou se tornarem modelos tão opressivos quanto os que pretendem criticar e transf"r~.Psicopatologiae Psicoterapia Analítica. mais transversalizada e os desafios a que essa proposta conduz. Em 1981. apesar da dinlensão da luta contra a opressão e alienação de toda espécie. Roberto Azevedo se afasta do curso que dirigia por ter ocorrido há uma crise. as perplexidades que produz. subjetividades estão sendo produzidas: umas servindo aos sistemas de modelização. acontece dentro desse grupo uma nova divisão que força a saída de Fábio Herrmann. a constante busca por uma formação não tão institu ida. Logo depois. algumas entrevistas assinalam que a riqueza desse curso do Sedes reside justamente nesse fator: a constante permanente que fazem enquanto profissionaL' "é uma forma de viver esse paradoxo aguda e permanentemente".. conhecido como o grupo de Regina Chnaiderman. sem dúvida. que em 1981 muda o nome para Cluso de Psicanálise e destina-se a quaisquer ". malgrado todos os percalços. Aceitam as colocações de autoritarL.28. debate-se na ambigüidade de ser uma formação que pretende ficar comprometida socialmente e de estar contraposta à sua própria institucionalização. outras tentando criar processos de singularização e novos agenciamentos. quando há a crise na SBPSP.conforme alguns entrevistados assinalam . No de Regina Chnaidern1a1l. Entretanto. na verdade. não tão arrogante e elitista. há grupos . O de Regina Chnaiderman. Em 1990. Talvez expresse . :"Iuma análise micropolítica. Em 1985. Com esta divisão em dois cursos.9 . por parte do gmpo argentino e dos três que se retiram. 1990. em 1991. ))8 1'. Marilena Carone e Marisa Tafarel.a busca de prestígio e poder. Confirma-se.. fortes competições que se aguçam ainda mais pela postura de Regina Chnaiderman. p. deste modo. por suas implicações políticas e pelas contribuições dos argentinos que lá estão. Renato Mezan. vai. mai. Alguns entreviBtados vinculados a este segundo grupo aftrmam que a cisão se torna inevitável. essas instituições e seu "afastamento" da SBPSP não significa questionamento a esses rituais instituidos. destinado a psicólogos e médicos. nlostram: de um lado. mais tarde. o curso. funda-se o Departamento de Psicanálise e publica-se a Revista Percurso. Há. fortalecendo-se externamente. estão produzindo processos microfascistas. a argentina Silvia Alonso Espósito e. Enfim. O interessante é que esses dois cursos do Sedes. a percepção de que.que. Roberto quer fazer do curso uma reprodução da formação ligada à IPA e da "verdadeira" psicanálise. fosse reconhecido pela IPA. produz-se uma estrutura rígida e vertical". pois a perspectiva de Roberto Azevedo é lr'dnsformar o curso do Sedes num 51udy Group para que.. o paradoxo está colocado. Dizem que isso mostra a força que a Sociedade "oficial" possui junto aos grupos que estão fora dela e como são poderosas as subjetividades produzidas pelas instituições que ela instrumentaliza. além de Miriam. Alguns argentinos que nele continuam.

no Sedes. Desde 1976. fundado em 1980. tendo à frente Beatriz Aguirre. Lacan. este grupo.\lEPP . observam alguns entrevistados.a.5-A CASA e o CEPA! Fechando os anos 70 em São Paulo. acima de seu poder aquisitivo. Com o sucesso que fazem. de inicio. que tem como tema oficial. "Ele nos mostra que somos bionianos. Quando chegam os argentinos. existem dois outros estabelecimentos fundados por argentinos: a CASA e o CEPA! . organizam junto com Gregório Baremblit e Chaim Samuel Katz o I Congresso Paulista de Psicoterapia Interpretativa. Gregório Baremblit e sua equipe chegam como "uma bomba". três de seus fundadores. em São Bernardo do Campo. quando um grupo de psiquiatras de formação psicanalítica independente funda junto com um analista da SBPSP o NEPP (Núcleo de Estudos de Psicologia e Psiquiatria). Antonio Lancell~ Nelly SimmoneUi e Sérgio Maída. em 1991. Por dificuldades de administração. organiza um Hospital Dia: a Casa. criam um estabelecimento que.O Núcleo de Estudos de Psicologia e Psiquiatria Além do Sedes. no qual aparecem as mais diferentes práticas: desde a psicanãlise "oficial". Entre eles estão Gregório Baremblit e Oswaldo Saidón . Isabel Marazina. fora dos moldes clássicos empregados para os chamados neuróticos. Em 1978. cria um sistema de acompanhantes terapêuticos. que não temos leituras marxistas e vira o NEPP de cabeça para baixo. O CEPA! (Centro de Estudos em Psicanálise e Análise Institucional). Esses grupos de estudo interdisciplinares atraem algum público e. comparado com a procura ocorrida nos anos de 76 a 79. uma peste. Em 1980. origina-se de um grupo formado no mesmo ano por pessoas interessadas em abrir um J rospital Dia para psicóticos. e participado de grupos de estudo com Sócrates Nasser . que chega ao Brasil em 1977. segundo alguns. em pouco tempo. inicialmente. Sérgio Maída e Nelly SinlOnelli. além do atendimento ambulatorial a psicóticos em grupos ou individualmente. também exilada. 2. O primeiro. passam a oferecer um curso de formação analitica com duração.sionaL" com a duração dc três anos. mudam o nome do grupo para Núcleo de Estudos de Psicologia e Psicanálise por influência dos argentioos que ali chegam. de Althusser. Os quatro que haviam feito cursos com Madre Cristina.4 . Jorge Forbes. passando pelo iacanismo. Este grupo discute. trazendo uma nova leitura da psicanálise. cria-se o Curso de Especialização em Psicanálise. vai para outro grupo. aberto a quaisquer profe. um curso para fonnação de coordenadores de L96 Sobre o assunto ver o programa deste Congresso. Carlos Briganti e Sócrates Nasser saem do NEPP. sua Oínica Social é fechada c. mas não fazem parte dela. porque a formação analítica é carissima e.>. até mais ou menos 1985. um Seminário sobre grupo. que. 195 Ver sobre esse momento inidal do :'tEpp seus primeiros Boletins de maioflUflho e agosto/setembro/ 1976. dentre outros.este último de curta duração. a forma pela qual a psicanálise pode ser utilizada no atcndinlento a psicóticos. Organiza. logo é fundada uma Clinica Social.2. até as terapias corporais'9'. é pequeno o número de pessoas que se inscrevem no Curso de Psicanálise. o NEPP vai se esvaziando. aí. O primeiro. graças a Deus".depois radicados no Rio de Janeiro _. Todos eles obtiveram sua formação através dos membros dessa Sociedade. por dois anos. São dadas supervisões institucionais para diferentes órgãos da rede pública e há um Curso de Terapeutas de Grupo. uma platéia assídua de cerca de cem pessoas circula nos cursos então oferecidos. Em seguida. Guattari e Deleuze. Permanecem até 1992 Carlos Aticó c Oduvaldo Peloso. no inicio dos anos 70. de três anos. "Doença Mental e linguagem" 161 160 . paulatinamente. Segundo os depoimentos de três dos fundadores. vários cursos breves. um outro estabelecimento surge a partir de 1976. Briganti liga-se aos "corporalistas" e Sócrates vai cuidar de seus negócios. fundado em 1979. tem como objetivo não uma formação analítica mas cursos sobre uma série de assuntos relacionados às áreas da psicologia e psiquiatria'''. pelos também' exilados Isabel Marazina.começam seus atendimentos privados já em 1976 e resolvem abrir grupos de estudo sobre psicanãlise. Os argentinos para nós foram um vírus.o analista que com eles funda o . é inaugurado por Armando Bauleo. já com toda uma leitura lacaniana. dentre outras col. reduzido a 8 pessoas. Em 1979. c assim. há uma grande procura por parte de pessoas interessadas e. quando o NEPP é fundado. a partir de 1977.

ver na mesma obra o artigo ~O que é Um Psicanalista Argentino?". Ressaltando uma relativa autonomia da instituição vittual sobre a formal (.do de argentinos. segundo M. mas com um objetivo geral comum a todos: o de organizar fOffi1ações psicanalíticas que não passem pelos crítérios de legitin1ação e reconhecimento da IrA. Ainda. de um modo geral.. por estarem fora das Sociedades "olkíais". Sobre o assunto de uma "escuta pluralista~. 83 200 Sobre a história do NEFF. Configura-se un1a outra psicanálise para aqueles que. inaugurando. M. Este "grupão". mas em 1978 saem para fundar o IBRAPSI. Um outro ponto comum é que muitos dos psicólogos engajados nesses grupos foram anteriormente ligados ao CESAC e à APPIA199Em alguns. já que há doi~ grupos di~tintos que não conseguem conciliar seus projetos: um apóia o dos argentinos. por estar ligada a espaços considerados "bastardos" pelas subjetividades ·'psi" hegemõnicas. ver Pas". cerca de catorze pessoas. esses "novos" psicanalistas se caracterizam pelo seu "pluralismo". princípalmente Gregório Baremblit.T. 1984. (Org.D O Processo de Legitimação do Psicana1Ista= Uma Análise do Núcleo de Estudos e Fonnação Freudiana. que em 1977 particípam do chamado "grupão" com cerca de 40 pessoas: alguns "psicanal1stas" da SPR].) não se tratando de um fenômeno de ecletismo (.. 162 163 . Oferece.J os psicanalistas argentinos proporcionam. progressivamente. "Difusão e Construção". 3. também muíto influenciados por essa segunda gera. p. 65-73. Segundo Ana Cristina Figueiredo. 1988. a possibilidade de uma fl/iação que não é intermediada tão exclUSivamente peja organizaçào formal. "1'>6 Por isso. 197 Berlinck. se desqualifícar o estudo da obra de Lacan. p. Op. também. Esse pluralismo está presente na sustentação de controles com profissionais de diversas orientações (. NO RIO DE JANEIRO •.na c1inica por uma determinada "escuta" que não se filia a nenhuma instituição fOffi1aLa "escuta pluralista" ou "escuta contemporânea".j. ainda em 1977200• De inicio. cit.J Assim. em São Paulo. A.O Núcleo de Estudos e Formação Freudiana Sem dúvida. Dissertação de Mestrado .C. vai se reduzindo e os que ficam.grupo e realiza muitas intervenções institucionais em diferentes estabelecimentos públicos e privados. Katz e Gregório Baremblit ali dão aulas corno professores. M. ainda que contrapondo-se às Sociedades "oficiais". J Há. Escuta. 72. de alguns dos grupos já citados. Chaim S.. .) uma outra psicanálise"19'. está ligado às figuras de Chaim Samuel Katz e de alguns argentinos. de fazer uma formação voltada para os traball1adores em saúde mental (proposta de Gregório ainda por ocasião 199 Figueiredo. que é " uma organização corporatíua que avoca para si um poder que não tem.PUeiR]. Gradativamente o NEFF acaba se esfacelando. 198 Berlinck. no entanto. cit. crescente desconfiança por aqueles que macaqueiam o patuá lacaníano de forma obsessiva sem..que se reúne durante meses. "Prefácio". p. fundam o NEFF (Núcleo de Estudos e Formação Freudiana).. É deste "grupão" .) Freud50 Anos Depois. surgiram no Rio de Janeiro vários grupos com diferentes propostas. há uma forte influência dessa segunda geração de psicanalistas argentinos. como a chama Berlinck e que eu chamaria de "escuta bastarda". dessa fonna.. M. como Eduardo Mascarenhas. São Paulo.que muitos psicólogos saem com a determinação de que é possível ser psicanalista. Os grupos lacaníanos que surgem neste período serão tratados no próximo item. também.. o inlcio da organização desses grupos que surgem após 1977. os argentinos são também responsáveis . _. na primeira metade da década de 70.1. não haviam sido autorizados até então a serem psicanalistas. Berlinck. os argentinos inauguram o que Manuel Berlinck chama de a "instituição virtual" em contraposição à "instituiçào formal" da psicanálise. T.>os.. às vezes de forma caótica . 9. supervisões institucionais para equipes de trabalho nesses e em outros estabelecimentos. há uma saudável inapetência por aquikJ que pode ser chamado de "psicologia do aleitamento" que alguns identificam como uma certa psicanálise kleíniana (. 3 . mas que se dá pela ínstüuição virtual.ENQUANTO ISSO.C. In: Psicanálise da CJínJcaCotldlana. Op. muitos psicólogos c em geral os que haviam participado. por exemplo. In: Birman. a partir de 1977. Além de uma outra leitura da psicanálise. representada peJas Sociedades ligadas à IPA. (.

como Thomaz Szasz. 2) interdisciplínaridade . Op. que foram num passado recente tutelados pela psicanálise "oficial". Gregório Barcmblit e Luiz Fernando de Mello Campos -. sendo reconhecidos como tais em seus consultórios . Dissertação de Mestrado-IMSIUER).há cerca de 180 alunos inscritos e. na época. logo após o I Congresso. Shere Hite. na época. assinalam alguns entrevistados). não fazem muito sentido para a classe média "psi" carioca. Chaim. de vários dos mais controvertidos personagens nas áreas das ciências sociaL"psicanálise e psiquiatria"20'. por Deleuze.1994. As implicações politicas propostas pelo IBRAPSI. 87. Talvez esse projeto estivesse somente na cabeça de alguns dos argentinos que iriam fundar o Instituto Brasileiro de Psicanálise.. GnIpos e Instituições201 O projeto do mRAPSI. consultar Moraes. o outro. Todavia. já bastante influenciado pelo lacanismo (há no NEFF professores que demonstram tal orientação. realizam hoje diferentes trabalhos de intervenções institucionais. Célio Garcia e o grupo lacaniano brasileiro representado por Betty Milan. mas por uma cerra formação ctinica em psicanálise de caráter privado. sem os antolhos e as limitações que os demais grupos tao reltglosamente reproduziram e continuam reproduzindo. 4) trabalho em associação com sindfcatos.O. pelo menos. InstitucionaUsmoCarioca.é muito pouco procurado. nesse periodo. "pois após o Congresso chove gente para se inscrever no IBRAPSI" (as primeiras turmas têm cerca de 80 alunos. ao lado de suas atuações clinicas privadas. não pela ênfase dada ã formação de trabaU. Presentes também.como SPC e CESAC-. somente os doi. etc "!f:R.de 1978 a 1982 .cordâneias de "ordem téenico-politiea": é contra a organização de grandes turmas para a formação.os TSMarticulando as diferentes ciências humanas. oportunidade na qual mais de mil pessoas nos salões do Copacabana Palace assistem a conferências. ambivalências e paradoxos. Robert Castel. muitos deles vindos pela primeira vez ao Brasil. 3) atendimento maciço tanto para os TSMquanto para o maior número possível de setores populares. é verdade. não obsrante todas as contradições. perto de 75 terapeuras t6S 203 Idem. 3. cit. radical do que o dos demais: tenrativa de trazer para o Brasil a formação de trabalhadores em saúde mental dentro de uma visão marxisra e não a de fOrnlaf psicanalistas "puros". Félix Guauari. Em outubro de 1978. com o intuito de difundir no Brasil as proposras do cO! e da EPSO. em 1982.que vinham se formando ao longo de todo esse processo e. Guattari. ou vão para a recém-fundada SEPLAou são atraidos pelo movimento hcaniano que irrompe no Rto de Janeiro. p. 202 Figueiredo. funda em 1979 o 1FP (Instituto Freudiano de Psicanálise). 88. em sua Ctinica Social.. Gmpos e Instituições. no lBRAPSI.~ da existência do "grupão"). Alguns vão se interessar pela Análise Institucional. Não é por acaso que muitos dos psicólogos . Peter Fry. o IBRAPSIé lançado publicamente através do I Congresso Internacional de Psicanálise. L.O Instituto Brasileiro de Psicanálise. Foucault e. Dos três fundadores e diretores do IBRAPSI. ou permanecem em seus antigos grupos . é muito maL.adores em saúde mental ou pelo enfoque institucionalisra. É uma outra geração de psicólogos cariocas que se sente sedUZIda pelo projeto do IBRAPSI. "O IBRAPS!l)Uí organizar seu programa com base em quatro propósitos fundamentais: 1) cri/k. ninguém passa impunemente por uma formação que. com alguma ditleuldade.2 .C. coerentes com a produção das periferias das grartdes cidades e do movimento sindical brasileiro. Franco Basaglia. como SOfÚa Nassim e Isidoro Americano do Brasil).C. A. busca mostrar a prática psicanalitica implicada e transversalizada. O movimento corporativo anterior deixa profundas marcas.aberto a qualquer profissional. Armando Bauleo. p. Erving Goffman.. comunidades de base e parlícípação nos planos de saúde do fulado através de pesquisas. Muitos dos que vão fazer fonnação clinica em psicanálise saem.Chaim Samuel Katz. Só que a grande demanda então produzida e mesmo fortalecida é a de uma certa ctinica analítica privada. No seu periodo de maior apogeu . palestras e mesas redondas ". já se credenciam como psicanalistas. 164 ..pouco ou quase nada participam do projeto do IBRAPSLAqueles.a epistemológica da psicanálise. partidos políticos. Grupos e Instituições. 201 Sobre a história do IBRAPSI. últinlOS continuam. sal por dl. dentre outros. Tanto que o chamado Departamento de Análise Institucional criado.

é obrigado a se mudar cinco vezes de residência. Robert Mendel. pp. Gregório recebe. A primeira grande crise interna neste grupo ocorre justamente com relação à Clinica. Em 1981 o IBRAPSI encontra~se em uma situação simultaneamente exitosa e grave. A direção diJninui este percentual. porém os ânimos exaltados fazem com que. todavia. É o periodo . talvez autogestionário. naquele momento. a Clínica amplia-se por intetmédio de vários convênios com empresas estataL. que culmina com o do Riocentro. É impossível a aplicação das ferramentas da Análi.dos vários atentados a bomba.cussão da autogestão.e e Comunicação de Massas". bastante insatisfeitos pela gradativa perda de posições no governo Figueiredo e pelo recrudescimento dos diferentes movimentos sociais. de isolamento e indiferença. . Ela cresce tanto que se torna a principal fonte de renda e de manutenção do IBRAPSI. Eduardo Lociser sai e Luiz Fernando passa a administrar a Clinica. o IBRAPSItem uma intensa produção. com a vinda de René Lourau. neste final de década e início dos 80.um pouco depois da saída de Eduardo Lociser -. Há propostas de se fazer uma Cooperativa. No ano seguinte. pois oS terapeutas que recebem 50% dos honorários sobre os atendimentos que realizam . G. Eduardo Lociser. apelam para violências de todos os tipos. sob seu patrocínio. A criaçào de algo novo. ma.). organizada como uma cooperativa.que já a'i. Desde 1978. 167 . a importància que assumira entre oS proflSsionais "psi" cariocas vai decrescendo gradativamente. cit. Além de uma sistemática campanha de calúnias (arma típica da "rede de divãs" da Zona Sul do Rio dejaner. que. Chaim S. como o de "Psicanálise e Pedagogia" e o de "PsicanálL. ensinamentos e experiências fundamentais no sentido de melhor entender algumas ferramentas institucionalistas. em 1983 . o IBRAPSI reestrutura-se e cria uma Sociedade sob o regime de cotas. uma veZ que os cursos não são muito lucrativos."ro). De 1978 a 1984. muitos deles recém-formados e se formando no próprio IBRAPSI e que têm naquele local não apenas um aprendizado. não é uma Clínica Social.. organiza o 11em 1982. para muitos que a viveram. Sobre as posturas assumidas pelos psicanalistas "oficiais". diretores e "donos" do IBRAPSI. Oswaldo Saidón e Vida Kankhagi também saiam. 204 Baremblit. elas são. Tenta-se a fundação de uma "federação brasileira de grupos psicanalíticos independentes". Ato psicanalitlcoe Ato Politlco Op. evidenciada.. e sindicatos. profunda e intensamente em suas práticas. De irúcio. 51 e 52.:)j. Aqueles que mais atacam e criticam a formação dada no IBRAPSI e suas realizações são os psicanalistas "oficiais".trabalham atendendo a uma média de 500 pacientes por ano. sobretudo os da SPR]. deste periodo de intensa crise ficam.. Além do I Congresso Internacional. mas também um trabalho efetivo. Gregório Baremblit assim as descreve: consiste numa risonha e única combinação de táticas de amável indiferença. criam-se uma revista e um jornal: O Sigmund Organizam-se outros Congressos.. assim como de algumas agressões encobertas ou diretas (. são publicados artigos insultantes num fomallocal ( . Esse ataque culmina com uma série de agressões telefônicas aos diretores do IBRAPSI que incluem advertências políticas. Eduardo Pavlovsky e outros. registram-se inclusive ameaça.e Institucional em uma intervençào socioanalitica dentro do próprio grupo que se propugna a isso.). As organizações psicanalíticas reacionárias lançam uma verdadeira ofensiva contra ele. ligados à extrema direita que domina os aparatos de repressão. refutando os modelos instituídos. Os chamados "boisões radicais". de morte.Katz é seguido acintosamente pela Polícia Federal. Luiz Fernando de Melo Campos sai em 166 1984 e Gregório permanece até 1990 somente com seu consultório.muitos deles ainda alunos -. de hábil recuperação. Entretanto. ameaças de morte e outras delicadezas'r. Além de violentos ataques feitos por meio da grande imprensa. particularmente a Gregório Baremblit.5inalei. ao publicar um artigo contra a visita ao Brasil do então ditador argentino Videla. L'to não foi conseguido. não pode se realizar. com "uma ideologia humanista e assistencialista". Os descontentamentos explodem nas numerosas e intermináveis assembléias. Cinco livros são publicados no Brasil e um na Argentina. Como a proposta da cooperativa não traz a dL. mas um espaço onde OS profissionais "psi" trabalham. Segundo um de seus diretores.. Alguns professores e alunos querem implantar Conselhos para que possam fazer frente ao exagerado centralismo dos doL. logo a seguir cerca de 40 pessoas se desligam do IBRAPSI formando o Núcleo: Psicanálise e Análise Institucional. 50. Outras crises ocorrem. inúmeras ameaças. em 1981. necessitam desse trabalho. ano de organização do I Congresso.

De 1981 a 1983. ainda são fundados dois outros grupos: a SEPtA e a Clinica Terra. p. 2JJ5 Idem. A proposta inicial . e.paBsam a ser difundidos e lidos por um maior número de pessoas. No ano segu. no Rio de Janeiro. E. criando. Malgrado as virulentas e ácidas críticas. várias crises ali se sucedem. mais tarde. para os psicanali~tas "oficiais" a questão politica caminha lado a lado: não podem tolerar a quebra dos mitos da "verdadeira" psicanálise e da formação ligada à IPA como únicos e universais.também da turma "especial" -. etc. aludindo à preocupação da SEPLA com as lutas pela democratização da sociedade brasileira em gerA!. migalhas de poder universitário e uma ridícula auréola de prestígio haseada 3. A. analisando de Décio Soares de Souza. 2fJ7 Idem. mitologia. diploma). Guattari. p. no final da década de 70. 80. afasta-se com vários alunos da SEPLA. 2fJ8 Sobre o desenrolar da história da SEPLA.é uma formação psicanalitica articulada com a antropologia. no Rio de Janeiro. uma grande clientela de psleólogos à procura de formação. Tudo o que Foucault. mostra que. desentende-se com tuiz Paiva e. professor convidado. por exemplo. por Luiz Paiva de Castro (ex-CESAC) e Lourival Coimbra (ex-SBPRJ. a SEPLA . (. proibindo o psicólogo de clinicar"l9. Vários psicólogos do CESAC e clientes de Coimbra vão juntos com Luiz Paiva. sem preocupaçôes sociair. já formados. compõem uma nova diretoria. a diftculdadedeingresso.muito parecida com a do CESAC . .Junto com o problema do mercado .ou em quase todos .ver Figueiredo. a segunda geração de argentinos. 2D6 Idem. Em 1983. Coin1bra retira-se. nela permanece. tourau ou tapassade haviam dito há muito sobre psicanálise c politica. ou melhor.apesar elas críticas que faz ao academicismo das Sociedades vinculadas à IrA . que chegam à desqualificação. 74. 'fragmentos" de pessoas. sem dúvida. Este Parecer não chegou ao Congresso. que undem a cnar reservas de mercado. com novo currlculo que privilegia a leitura de Freud dentro da escola francesa. propagando esta idéia por muitas capitais do pais. Como na época corresse o boato de que sairia uma lei. Luiz Paiva afasta-se e acusa a diretoria de "esquerdista". notadamente pelos que transitam pelo IBRAPSI ou sofrem sua influência no Rio. Joel Birman é um dos idealizadores dessa nova orientação.na época conhecidos por pouquissimos dentro do movimento "psi" brasileiro .em boa parte. etc. Éclaro que existem pessoas. endogâmicos. que prepara grupos de estudo sobre tacan.eles não deixam de ter razão. Além do :"lEFFe do lBRAPSI. expulso ela SBPRJ em 1965). na "prãtica. Gregório Baremblit se refere aos mai~ variados grupos que se formam a partir dos anos 80. visando retirar dos psicólogos o direito de exercer a psicoterapia. notadamente os ligados ao IBRAPSI.alguns da chamada turma "especial"-. Quando. em muitos aspectos . ftlosofia.3 .C. sem produção tedrica sôlida. são responsáveis por isso. _. os profissionai~ "psi" começam a avaliar ainda de forma frágil e muito lenta.organiza seu currleulo e uma série de normas burocráticas (nota. Deleuze. e cu/tivadores de um absurdo "narcisismo das {Jequenas diferenças ". Castel. feitas por alguns argentinos ao movimento "psi" carioca. extremamente acadêmicos e rigidos.A Sociedade de Estudns Psicanalíticos Latino-Americanos em traços unificadores degradantes. mas que têm prática clinica há mais tempo'''.). freqüência. tais como o mistério. o "charmedoshierarcas'. pouco a pouco. 58. A Sociedade de Estudos Psicanalíticos Latino-Americanos (SEPLA) é criada. Narciso Teixeira e José Inácio Parente . cito 2fJ9 Parecer Alcântara-Cahemite emitido pelo Conselho Nacional de Saúde. ainda em 1981. já ligado à Clínica Terra. fama ou apoio_ E não é de se estranhar que muitas delas não sejam propriamente psícanalistas"1fJ7. em realidade.inte. p. Não podem tolerar que.pois o IBRAPSIefetivamente o está inflacionando com a formação que realiza -. são: minúsculos núcleos. amiúde rechaçada~ e desacreditadas que fazem suas tentativas de investigaçao e militância (. sem qualquer contato entre st. Op. Vivenciam-se intensamente os movin1entos pelas Diretas Já!. de fom1a contundente"I6.) em geral sem o menor estímulo.C. Além do IBRAPSI e dos grupos lacanianos. O argentino Eduardo Vidal. no Rio. algumas pessoas. existe ainda. Aqueles autores . a tetra Freudiana. t68 t69 . em 1978. Três turmas inicialmente são criadas: duas de alunos novos e uma "especial" com profIssionais "psi" sem maior formação. se tenha feito tremer o altar e o trono" 20' dessa psicanálise tão religiosamente defendida por eles. com o propósito de oferecer uma formação de quatro anos.

conseguem a produção de novas práticas. pelas críticas que faz à Aos poucos.C. Op.. Da mesma forma que os demais grupos "psi". Dois anos depois. Além de Bohoslavsky. reúne-se para estudar psicanálise e. Magnoligado inicialmente ã PCC/R] e. por Hórus Vital Brasil ligado ao IMP. novos sujeitos? Os exemplos da SEPLA(em seu segundo período) e da CIÚlíca Terra mostram como . Contudo.1 . ". embora Últeressados em veicular algo de novo. a partir da décacla de 50.apesar das boas Últenções dos envolvidos nestes dois projetos.) . p. utilizam-se dessa técnica na aprendizagem.A Clínica Terra O último estabelecimento surgido neste final de década é a Clínica Terra. ainda no início da clécada de 70. de diferente da "verdadeira" psicanálise e da formação instituída pela IPA. 4 . ã formação instituída pela IPA. 4. colocada em prática a partir de 1982.Nesta época. Origina-se de um grupo de psicólogos da UFRJ que." as principais diretrizes traçadas pela SEPlA poderiam ser resumidas assim: gestâo democráti<:a da sociedade . esses estabelecimentos não conseguem fugir das malhas do instituido. valem-se dos "grupos operativos" de Pichon Riviêre. sobretudo. Produzem práticas em muito semelhantes às que pretendem criticar. que surgem tanto no Rio quanto em São Paulo. marca também o aparecitnento do tnovimento lacaniano no Brasil.C. Trazendo para o Brasil uma série de questões sobre a formação analítica enunciadas por Lacan. fortalecendo-o. principalmente M. depo. fundada oficialmente em 1979.as práticas "psi" então dOmÚlantes são verdadeiras camisas-de-força. Bohoslavsky. dentre outras coisas.qualquer cet1ificado é expedido somente para os cursos "210. novos saberes. A base teórica é a escola inglesa.voz e voto para todos -. pensando numa formação psicanalítica "não hierarquizada" e "mais dinâmica". 95. Tentarei. ãs Faculdades Integradas Estácio de Sá. Em 1977. O movimento lacaníano apresenta diferentes articulações no Rio de Janeiro e em São Paulo. continuando confinados no estreito território "psi". desde 1975. a leitura das obras de Lacan começa a ser introduzida. não há mais o que fazer. fundam a Terra-ClÚlica Escola. pessoas Úlclusive identificarias com posições nitidamente progrcssi'tas . um pouco de sua história nesses dois espaços. pois. para trabalhos de orientação vocacional dentro da abordagem clinica do argentino R.O MOVIMENTO LACANIANO A segunda metade dos anos 70.. da formação meramente acadêmica. ainda encharcados pelo corporativismo dos psicólogos e. descrever.como algumas apontadas acima . A. o movimento lacaniano vai. por isso..4 . ausência de diplomas para o psicanalista .vive uma série de contradições e paradoxos pela sua própria proposta de formação. ausência de uma figura centralizadora de poder (. Evídenciam que. o chamado lacanismo oferece para muitos "psi" o respaldo teórico para a definitiva quebra do monopólio da psicanálise mantido pelas Sociedades "oficiais'. D. não há outras atividades. segundo alguns entrevistados. estudam sistematicamente psicanálise sob a coordenação de Lourival Coimbra e organizam o Centro de Estudos em Psicologia Clínica. SPID .. Klein e Bion. Também como o Curso de Psicanálise do Sedes e o IBRAPSI.O Lacanismo em Solo Carioca No Rio de Janeiro.estar em análise é prerequisito para a formação.. em realidade. dt.a SEPLA. mas o critério é escolha pessoal -.com muito menos intensidade . ao lado de todos esses grupos "ps. fica a pergunta: será que mudanças burocráticas no funcionamento do estabelecimento .". o M. . terminada a formação. 171 170 . posteriormente. ausência de didatas na instituiçào . embora estudem também Bleger e Coopero 210 Figueiredo. Quando inauguram a C1Úlica. 3.e Magno Machado Dias. ainda que sucintamente. de criativo. posteriormente. a SEPLAvai se esvaziando. caracterizar-se "verdadeira" psicanálise c. quando iniciam os atendimentos terapêuticos.

operário. a garantia (após apresentação de trabalhos teóricos.o Colégio Freudiano do Rio de janeiro o primeiro estabelecimento lacaniano fundado. p. No ano seguinte. A primeira é uma transmissão claramente pedagógiea e condição para a segunda. os eartéi" etc. mar.) (. assodado ao Colégio Freudiano. responsável pelos dois tipos de formação que são coloeados eomo níveis de pós-graduação.. Mestrado em Psicanálise e Doutorado em Psicanálise "2]4. em algumas ocasiões.p. é crLado.). mas não só isso. 211 2. (. o primeiro convidado a ser chamado para o Sarau é Caetano Este processo compreende a análise (feita com um membro do Colégio).ante que se abre a partir dL'to"211. para que isso ocorra.é.a psicanálise . elemento de alguma minoria ou maioria. conseqüentemente. seminários e grupos de estu do. para os participantes. o Colégio FreudLano e o Instituto Jacques Lacan reorganizam e ampliam o Curso de Formação em Psicanálise eo dividem em quatro etapas sucessivas: Curso Básico. D. de receber atransmissão do discurso de um Outro que bem poderá contribuir para sua reflexão no campo da psicanálise"213 (grifas do autor). Em 1983. mas congregar os interessados na ". de modo algum. J A formação psicanalítica que envolve aprática segundo um OUtro discurso resta vinculada ao prâprio Colégio enquanto Colegiado '~12. 172 173 ..Revista da Prática PsicanaJ1tica. O convidado é sempre alguém que represente deterDias.I. )lo cotidLano. _. reflexão sobre os textos de Freud e Lacan e. Curso Suplementar. Esta . Ao contrário. 2]3 Idem. 198'5. que . os analistas e estudiosos da psicanálise interessados na posição de receberem. Assim. "Colégio Freudiano do Rio de Janeiro: 10 Anos de PsicanáIise~. 200~216. a outra. existem dois territórios bem delimitados: de um lado. . a abertura para o mundo? Justamente porque não é permitido no cotidiano desta.). em 1975. não se propõe a fazer formação. 207.. pode-se acompanhar o que se passa no mundo. querem abrir-se para o mundo. É em 1979 que se organiza o Centro de Estudos. os saraus. organiza-se o chamado Sarau. minha leitura vai por outro caminho: por que é necessário.) de uma redução (queseria indevida) do convidado ao lugarde analisando. a todo e qualquer que reconheça na psicanálise um campo de sabercentraJ em nossa época e. 201. quando se desvincula da Faculdade Estádo de Sá o Colégio FreudLano passa a oferecer os mais varLados cursos. Explica-se esta citação sobre os saraus lacanianos pelo fato de que pode parecer à primeira vL'ta abertura e Uexibilidade de psicanalistas que. constituído por uma única sessão.. até então. oportunidade em que os laeanistaB fazem mais explidtamente a distinção entre fonnação em psicanálise e formação psicanalítica. . nos quais. m E 1977. a formação. em realidade. de início. por isso. se efetive. com as novas refoffilUlações dos Estatutos. suas práticas não estão implicadas com os diferentes movimentos. p. Rio de Janeiro. o Instituto Jacques Lacan. a partir da qual o candidato passa a ter com o estabelecimento o vinculo de psicanalista) e o passe (quando se torna psicanalista do Colégio).1. na época.. Entretanto. minada posição existencial no campo social (artista. vinculado ao Colégio FreudLano.. Não se trata. Magno e Betty Milan.In: Revirão Veloso. 203. com a modificação dos Estatutos. em que há os seminários. em que um convidado é entrevistado por um cartel especialmente constituído (. pois é também destinada ". encarregado da formação em psieanálise. _.C. há necessidade de algumas oeasiões.s práticas que este indice de transversalidade se atualize. o relato de sua uisão a respeüo de sua própria posição diante da cultura. 212 Idem. sim uma oportunidade. esta fresta que é um espaço "fora da situação analítica" tem o objetivo de "transmitir o discurso do outro que pode contribuir para o campo da psicanálise". por M.. por uma fresta. cientista. o território mais importante. crLa-seo Departamento do Campo Freudiano. intelectual. ". enclausurados em seus grupos. do interesse de todos (. por eonseguinte. A função é colocar. um curso "aberto" e "livre" de formação em psicanálise que funciona somente um semestre. alguns momentos. é o Colégio Freudiano do Rio deJaneiro que. no campo pen. os movimentos socLais e o que passa pelo mundo simplesmente servem como complemento para ela. do convidado. de outro. A partir de 1979. crescem e se fortalecem no Brasil. A.fora da situação analttictl. Em 1981."é um encontro. etc. nas Faculdades Integradas Estácio de Sá. . para os diferentes movimentos socLais que.

grupos de estudo. nota-se perfeitamente que sua história é a trajetória de M. A. pretende-se através dela chegarse a uma explicação da cultura brasileira. o que significa que a leitura de Freud e lAcan éfeita através da versão de Magno. segundo alguns membros do Colégio.análise enquanto "arle" se elitiza de outro modo. D. fkando somente com a parte de ensino. entrevistas dadas. D.e. 06. de onde foram retiradas várias informações sobre sua história. 104."A Doutrina" do Regimento Interno do Instituto jacques Lacan. Após os novos Estatutos de 1991.·ln: Regimento Interno Rio de Janeiro. 218 Russo. Por i'5o. E passa. p 18. há um estatuto específico para a Psicanálise no campo da cultura. etc. Op.. Por conseguinte.C.. março/1991. Magno. cujos textos são a base do currículo obrigatório do Instituto jacques lAcan..'I(ciuir um grande número de membms das novas profissões (na sua maioria os psicólogos) que. p. em muito aniculandose com o autoritarismo e a hierarquia dominantes no Colégio Freudiano. havia seduzido os jovens "psi" no início da década .) a "competência" requerida pelo exercício da psicanálise lacaniana "216 (as aspas são minhas). Trabalho apresentado no Curso de Doutorado. .. Obra já citada. p. muito mais complexa do que aqui é exposta especifica deste grupo lacaniano -. p. Magno. tendo a função de "Zelador da doutrina"21'. tanto no campo quanto nas cidades e periferias. etc. se outorga definitivamente ser o representante de Laca" no Brasil" 215 (grifas meus). assim.. abertas ao público. nos 80. Ver 05 artigos }'t . Nestc mesmo ano. como os Mutirões (encontros sobre um determinado tema apresentado por um membro do grupo). 01 e Estatutos .. a e.. mimeogr. não adquiriram (. de Brasília e de Vitória que almejam reunir as associações brasileiras de inspiração lacaniana para manter uma psicanálise com autonomia nacional sem se submeter a colonialismos estrangeiros. 1'4 i I 175 . ". as Cirandas tpequeno Congresso em que. D. vê a psicanálise como uma prática discursiva. pela própria produção de subjetividades dominantes. ocorre uma grande divisão: saem cerca de 100 pessoas. Extingue-se. ele uma efetiva implicação com os movimentos que se espalham por todo o Brasil. J. através de seus cursos.estão distantes de uma efetiva transversalidade.março/1991.da mesma maneira que a formação analítica "oficial". do Tanto que na "História dos 1 Anos do Colégio Freudiano do Rio de Janeiro". dando pouca ênfase ã chamada clínica. p. os Saraus e os difercntes cursos apresentados. o sarau é um dispositivo produzido para servir a tais práticas. da qual fazem parte os Colégios Freudianos do Rio de Janeiro.. M. por ter um discurso especifico. a Sociologia. seminários. ° . Rio de Janeiro. Estas práticas eruditas e elitistas mostram como . que é a "intervenção" leita na cultura pela pSlCanálise que." e 12º dos Estatutos do Colégio Freudiano do Rio de Janeiro. Magno é designado como o mestre Colégio Freudiano. "Apsu.. tem sua estrutura claramente baseada no ensino de 3º grau. Magno afastou-se das atividades administrativas do Colégio. a partir dessa reforma de 83 toma-se ainda mais academicista. música. a Politica. Assim sendo. que posteriomentc fundam outros grupos lacanianos. Por este Estatuto. já que apresenta a figura de um reitor e de diretores para diferentes áreas. desde 1981.C. são campos auxiliares da psicanálise. buscam produzir o que chamam de "Clínica Geral". o Corpo Contra a Palavra: Algumas Reflexões sobre a Evolução do Movimento "Psr Brasileiro. etc. um grande número de pessoas transita por uma série de atividades elo Colégio. cit. espaço congressual. pode operar com os diferentes campos culturais. mimeogr. artigos escritos. é formada a Causa Freudiana do Brasil. 20R Figueiredo. propiciando diferentes cruzamentos. o elitismo c o academicismo. 1989. há a apresentação de trabalhos de não-membros). por não atingir o objetivo a que se propunha por ocasião de sua fundação. "A Doutrina Psicanalítica do Colégio é aquela definida pelo Zelador .. Museu Nacional. M. em 1988. Magno. Esta proposição. diferentemente do Mutirão. É grande a luta contra a figura controvertida de M. Esse "imperialismo" da psicanálise e essa sua superioridade convergem para práticas que privilegiam a erudição. Ainda em 1983.o Instituto Jacques Lacan que. de algUffUl forma. 2J4 215 216 217 Idem. numa publicação de O Revirão. O elitismo e a erudição atraem a muitos .apesar dos recursos que utilizam advindos da literatura. Segundo Magno e seus "seguidores" do Colégio Freudiano. editada pelo próprio grup021'. a Antropologia.. como não pocierit1 deixar de ser. artes. D.

a Escota estabeJ. organiza a chamada" formação permanente" em psicanálise através de: "1. agora ainda mais reduzido. a SPlD. marcado pela ética do di.çcurso do analista. n2 O. Principalmente a idéia . oriundo da cisão que vimos ocorrer no NEFF em 1979. O grupo que fica continua insistindo na questão de uma formação psicanalítica sem os vícios c mitos presentes nas demais formações. Chaim Samuel Katz e a argentina Stella Gimenez (que traz as contribuições do argentino Oscar Masotta). mas a organizar grupos ele estudo. participam Isidoro Americano do Brasil. utilizando os cartéis. mas não só isso.ece um laço sodal que. Rio de Janeiro. este não se mantém distante de outros estabelecimentos não-lacanianos no Rio de janeiro. conforme depoimentos de alguns de seus fundadores. A partir de 1983.219 (grifos meus). a SBPRj e o Círculo Psicanalítico. tentando pensar a proposta de Lacan. p. servindo-se de palestras. pelo argentino Eduardo Vidal.o lnstituto Freudiano de Psicanálise o segundo grupo lacaniano a se formar no Rio de janeiro após o Colégio é o Instituto Freudiano de Psicanálise (IFP). acompanhado de um número razoável de pessoas.2 . Psicanálise e Transmissão. Aqui.o exercício de UIIUl clittica sustentada no questionamento rlf!. nas assembléias gerais. nos dogmas ainda se faz presente. do ideal e dfJ cbejin. pois não exerce a atração que os anteriormente citados conseguem com relação aos "psi" cariocas. segundo esta leitura.não muito diferente da instituição formação analítica presente nas Sociedades "oficiais" . a Letra Freudiana. O grupo. não há a análise didática obrigatória.. tem sido extremamente difícil. após sua saída da SEPLA. O mundo. Inicialmente. difere do grupo concebido peja pia imaginaria da hierarquia. Também influenciada pela leitura que Oscar Masotta faz das obras de Freud. t77 . os movimentos sociais não são·pensados. Em 1983. Ingenuidade' Acredito que sim. encerra-se e isola-se num espaço eminentemente "psi". Stella Gimenez também se afasta. este pequeno grupo enfrenta uma série de dificuldades. A crença na assepsia. o que. Mais tarde. todos os membros têm direito a voz e voto. 1 I . há uma clara alusão ao Colégio Freudiano e. tenta desmontar a organização naquilo que tem de "especular" da IPA: acaba com a obrigatoriedade da supervisão e passa a dar seminários e grupos de estudo. e. De início. desvinculada de outras práticas. na década de 60 na Argentina. há um grande racha: sai Isidoro Americano do Brasil. Chaim já havia saído antes. até por priorizar uma certa clinica. pela preocupação que a Letra demonstra com a questão ela prática clínica.de uma formação estritamente "psi" acadêmica (embora lutem contra isso). Mantém vinculações com a SPAG. que funciomllll por meio de canéis. seminários. outra saída de pessoas que vão fazer sua formação nas "oficiais". Diferentemente das Sociedades "oficiais".um compromi. Ano 1. na neutralidade. Novamente em 8S/86. bU'icando estabelecer-se uma rotatividade nos cargos de direção. a Letra Freudiana inicialmente não se propõe a fazer formação. em muito vai reproduzir o modelo unlversitàrio de formação vinculado à IPA e ao próprio Colégio Freudiano. de acordo com muitos depoimentos.uma transmissdo e um ensino textuaís. 176 Continua-se prisioneiro de um território "psi" isolado e bem defendido por todos esses ideais. etc. Diferentemente dos dois grupos lacanianos mencionados. Contra a ortodoxia e o autoritarismo da IPA e do Colégio Freudiano. I 219 "Ata de 1987". este gnipoJ embora pretendesse ser autogestivo. Contudo. grupos ele estuelo. Letra Freudiana: Escola. percebe-se que as diferenças entre ambos são muitas.oroso da direçào da cura e do final de análise Amm. já então abertas aos psicólogos. a transvcrsalidade. In: Documentos Para uma Escola.'>So com aproduçào escrita: 3 . .. A lRtra Freudiana O último grupo é fundado no Rio de Janeiro em 1981.

embora bastante [ragilizados peías diversas cis<Íes ocorrídas. por 220 Ferreira Neto. a jesuitica. vindo de Paris. o seu curso de pó. considerado o primeíro grupo lacaniano no Brasil.. Freudiana . do Recife. chegados no ano anterior da Argentina. uma '1aculaçào precoce que poderia ter uingado não fossem as querelas intestinaL ••e. O CEF paulL'ta continua funcionando até a primeira metade dos anos 80.O Lacanismo em Solo Paulista Ao contrário do Rio de Janeiro. !\'atal e maL. em suma. O. teria vindo ao Brasil com a incumbência de criar um movimento lacaniano. Os que saem em 1978 perguntam: mas teve um mérito "inaugural".professor da USP a partir de 1969. Campinas. quem dcve dar os grupos de estudo. Jesuíta da Companhia de Jesus. fundam o Centro de Estudos Freudianos (CEF). M.<. A saída destes membros tem como principais motivos as queixas referentes ao autoritarL.\~48. e em particular. Leite. (. alguns entrevistados declaram que Jacques Laberge. Justamente em 1978.. nunca su. abandonam a instituição oS seus fundadores: Joana Helena C. Começam a trabalhar. vão se constituindo outros núcleos regionais do CEF como os do Recife. em São Paulo o nlOVlllento não é tão forte. numa cidade de marcada tradição católica como São Paulo. o argentino Oscar Angel Cezarotto e Alduisio Moreira de Souza. à epoca da saída dos didatas da SBPSP. com um l1lrri11l10prévio. p. R. ol1lpará os lugares de prestígio e mando. dentre elas Márcio Peter de Souza Leite. Curitiba. sendo muito disperso e os grupos ai fundados têm duração efêmera. e Cesarotto. período em que. Sai do CEF um grupo de doze pessoas. que gera a criação de normas.p. Deleparticiparam membros da Escola Freudiana de Pario. . nào se pode desconhecer esta paternidade. São Paulo. 22] Sagawa. etc.Série Psicanálise. em geral. quando se criam os Estatutos. s/data. incluindo os 12 "dissidentes" do CEF"ul Alguns de seus fundadores aftrmam que: " a EFSP foi uma precipitação temporal.!kientemente esclarPefda. foi a proveta onde se deu a concepção "220. Que dizer. afmnam que: oi. tarde Porto Alegre. na segunda metade dos anos 70 e início dos 80.~graduaçàoem Psicologia Clínka. tinha um projeto ambicioso o Centro de Estudos Freudianos Desde 1973.o J. em 197'.. para o destino dos paulistas. Pois. Brasília. fonnado pelos que em 1978 deixam o CEF. Questão subjacente de grande importância. em cima de encontros bi anuais (um no Sul. 4'i.S. A pue de Campinas. quem. na sua expressa0 paulista. outro no Nordeste) e. Op. Em 1978 no VII Encontro Nacional do CEF. a Escola Freudiana reúne cerca de 30 membros. são estabelecidos os estatutos nacionais com a proposta de que os centros regionais tenham seus próprios Estatutos.P. progressivamente. que. Salvador. congregando menos "Quando se pensam as origens do (''hr~surge a indagação sobre o que representa o peso da berança religiosa. 4:. impõe-se uma maior institucionalização. Todavia. é a Escola Freu<Uana de São Paulo que também realiza grupos de estudo e seminários.. Y.interessa-se pelos estudos de Lacan e.2 ..4. cit. "Nos primeiros anos de existência. ocorre um racha. e Durval Checchinato. do surgimento do lacanismo numa esfera ligada à Ignja?" pessoas. Luiz Carlos Nogueira . apresenta uma nitida aglutinação de grupos lacanianos. O CEF não oferece cursos seqüenciaL. de Campinas. CEF. sobretudo. primeiros. Ferraz e depol' o próprio Luiz Carlos Nogueira. então. participara da Escola dc Lacan. de critérios para determinar quem deve entrar. Neste mesmo ano. tinham pertencido à Escola Freudiana de Buenos Aires. G. 272 In: Revista Clinica 178 179 . seminários. explodem as lutas pclo poder dentro do CEF. ou melhor. fundada por Oscar Masotta e o terceiro. "Paulieéia Desbravada". Os doL.A. mas grupos de estudo.mo imperante no CEF e as influências jesuíticas ali presentes. junto com Jacques Laberge. A &cola Freudiana de São Paulo Um outro grupo que se institucionaliza logo depois. Os demais núcleos regionais permanecem atuando. pouco a pouco.

este grupo não consegue aglutinar os lacanianos paulistas. que ai permanece até 1990. surgido no início dos anos 80. é a Biblioteca Freudiana de São Paulo. Muitos lacanianos seguem dispersos ou em pequenos grupos nãoinstitucionalizados quando. Foi ejemera sua trajetória Fica a pontuação de que a escolba do nome~ &cola rreudfana ~ representava uma tentativa de identift~ cação imaginária com a instüuição de 1L.curso analítico") e as reuniões mensais (encontros abertos sob forma de conferências)"".. e se separam quando aquilo já deu tudo o que podia dar"2Z7 Duerentemente também do Rio de Janeiro. das formações. Há ainda as sessões clínicas.e).lcan(. ao sabor dos ventos. se reunem quando um objetivo comum os aproxima. o esforço compensaria: uma eUL (Central Onica Lacaníana) canalizaria e muttiplicaria os efeitos de transmissão.e Cesarolto. S. sair de uma para entrar em outra . "Os analistas. Em 1980. Esta é feita em módulos. É o que muitos consideram ser a efetivação da "política do grão de areia". organiza. 227 Idem. em 1985. porem. aos poucos.dezessete membros da BibliotecaFreudiana de São Paulo. a coincidência da di. em 1976. por iniciativa de Jorge Forbes.S. P. [n: Capítulos de PsicanálIse. julho/19s<l. p. preocupada com a questão de direitos autorais.. Os quatro grupos possuem professores comuns. 46. um instrumento para a discussão da garantia do analísta e do passe""". o curso fundamental (criado em 198'5. ver I1erreira NetO. ocorre uma série de rearticulaçõcs no Sedes (nos clois cursos de Psicanáli. 1.. Pode-se concluir que a iniciativa ~ava abrir um e. 42. os Seminários (conferências).Diferentemente das demais. em São Paulo. 224 Idem.'lCrita" ver Kolrai C. em São Paulo. o alvo se perdeu de t/fsta"ai. que quebraram a especularídade e a ilusão mega16truma.2'5 Sobre tais questionamentos.). além do oferecimento de grupos de estudo. fundam a Sociedade Psicanalítica de São Paulo. p. Em 1988. M.. O. Betty Milan e outros pensam em um espaço no qual seja possível congregar todos os que. 04~28. M_P. tcnham alguma vinculação com Lacan. 226 ldem. que tinha sido um dos fundadores do NEPP. p. I\esta Sociedade. como ". a formação da Biblioteca é wna 222 Ferreira Neto. 223 Maiores informaçóes sobre o que charrum de "transmissio oral" e 'l. com duração de um semestre ao fim do qual cada participante produz um trabaUlOescrito sobre o tema estudado. o. 46. no NEPP.'tso/ução da Escola de Lacan em 1980. e todos os membros da SPSPsão vinculados à Biblioteca. Op. Ele não dura muito tempo e logo se esvazia.Para este estabelecimento. "A Biblioteca Freudiana de PsicanáLise". mais tarde. outros'são chamados para seminários ou grupos de estu do..A. proposta feita pelo próprio Lacan após 1980. aberto a qualquer um). Assim. Solidários e não mais separados. I..sorte. a Ciranda (estudo específico da criança no "dL. as jornadas (reuniôes selnestrais aberta"». composto de 6 semestres e realizado após os módulos). "m. p. mas nem todos da Biblioteca são vinculados à Sociedade. Leite.. a Biblioteca. "Um pontilbado de boas intenções acompanhava a oferta. se reúne no MASP para apresentação e discussão de trabalhos. Op_ dto 180 I 18t . e Cesarotto. organizada em 1982 por Jorge Forbes. uma formação analítica. G-A. A Biblíoteca Fwudiana de Sào Paulo o terceiro e último gnlPO lacaniano. No entanto. É um espaço pontual. Chama-se O Ponto e.'mti". cit. nQ 14. vai Luiz Carlos :'<ogueira. no CEF e na Escola Freudiana. "uma rcleitura da proposta de cartéis fcita por Lacan". extingue-se a Escola Freudiana de São Paulo num clima de conflitos e lutas internas. de forma bem distinta daquela do Rio de Janeiro.'ilio e.ran. que os aglutinem. Sio Paulo: Bibliotec~ rreucliaru de Psicanálise. alguns caracterizam-no como uma "organização empresarial". que consigam reuni-los de forma si'ternática.cite.logo depois da dissolução de sua Escola. sistematicamente. os lacanianos paulistas não conseguem organizar estabelecimentos considerados "fortes".. de prestigio e levando a um consurnlsmo do pret-à-porteroficioso'''. 47.. cujas iniciativas e atividades começam e acabam ali mesmo. o Colégio (cursos sobre temas especificos. no fmal dos 70 e início dos 80. Por melhor que fosse a pontaria. onde os grupos lacaníanos ínstituidos tendem a um isolamento.\paço de liberdade fora da hierarquia que religiosamente congregava os integrantes'do CEF Pai.G.

sujeitos. de . Principalmente após a dissolução da Escola de Lacan e depois de sua morte.a freudiana lacaniana . a exemplo do Rio . Se uns conseguem e outros não. em 1980. tanto em São Paulo quanto no Río de janeiro. pela própria precariedade organizativa. se fom10s pensar em lermos de produçio de práticas.como já apontei no Rio . Outros. e a questão da formação não é muito enfatizada. a sociedade é democrática: UU"'l triunfam e outroS não. o que pode artificialmente levar ã constatação de que são diferentes. saberes e sujeitos. Se nele não permanecem é por sua própria "incompetência" e "inferioridade" cultural e intelectual. É distante e inacessível aos leigos.prit de corps. o problema é deles. A escola é demoerática. As querelas internas. afirmam fazerem críticas ao "mercantilismo" e ao burocratizados e neles a formação passa por diferentes graus e níveis. poucos os que têm "capacidade intelectual" e "recursos culturais" para entender tão dilkil e 'complexo" discurso. da mesma forma que as vestaLs. da mesma forma que a produção dessas práticas "psi" não são vistas como produzindo objetos. não há grandes diferenças. a prática clÚlica. em 183 182 . apesar di.A. No entanto.OS Entretanto. hierarquizadas e disciplinadoras como as produzidas pela IPA.o fechamento. lacanianos paulLstas também.verdadeira" psic31lálise .filiam-se ao Campo Freudiano228 -. Miller. a questão é de mérito pessoal. por conseguinte. são explicadas do interior do próprio movimento: ora como lutas de poder (daí as várias rupturas existentes). sem integrar o Campo Freudiano. Daí.devem manter "puro" e sem misturas o santuário lacaniano.que a meu ver são instituídas. apesar de tais interpretações . Rcstringem-se pura e especiflcamente ao territôrio "psi".e uma "outra" "aspecto comercial" embutidos na proposta de MilIcr. saberes e subjetividades. mas. agora é uma seleção muito mais sutil: a seleção da "competência". "lógicos" e "racionais". somente médicos ou psicólogos. É a mesma produção que vemos surgir no campo da educação nos anos 60. como o Colégío Freudiano no Rio de janeiro e a Biblioteca Freudiana Hrasileira em São Paulo. quero mostrar . isso não acontece. lacan eJ. Alguns grupos são pequenos. a aproximação ou não ajacques Allan Miller provoca acirradas brígas no movin1ento lacaniano brasileiro.ã exceção do grupo de Magno -. outros são extremamente 228 o I Encontro do Campo Freudiano realizou-se em Caracas. quando lá estiveram. "racional" e "científico". As' articulações com o mundo não são feitas e suaS implicações não são pensadas. Seantes os "iniciados"eram escolhidos por categoria profissional. Por não considerar o Iacanismo como um objeto em si mas como coisa natural. já que somente os "iniciados" têm permissão para penetrar nesses templos. nos Estados Unidos. pouco institucionalizados.')so. repudiam o "colonialismo". e que é exportada para o Brasil na década seguinte: a elacarência cultural das crianças que não conseguem aprender. tão poderosas. Conforme já mencione~ são similares. as mesmas práticas de exclusão. formação analítica . porque não é qualquer um que pode entender a abstração de um dLscursológico-matemática-fIlosóficoe. como Magno. estas práticas produzem "outras" instituições: uma "outra" '. todavia. Da mesma forma. percebo que é produção e que institui práticas. Mesmo se considerarmos as diversas formas de organiZação destes grupos. não compartilho de tal entendlmento. como articular Lacan a seus atendimentos Quando assinalo a similaridade elaspráticas lacanianas cariocas e paulistas. dentro da teoria do "capital humano". Em lugar dos clidatas. Ratifica-se no meio "psi" o que já está naturalizado na sociedade em geral e entre os educadores brasileiros: o lacanismo é extremamente "complexo" e exige "bagagem" cultural e intelectual "superior". de esforço individual. não sendo tão diferentes assim. o isolamento que produzem. Utilizam-se de discursos tão "verdadeiros' como os anteriores: 'científicos". embora as portas estejam abertas a quem desejar ingressar nesse espaço. na Venezuela. O que produzem tais prátiC:1S' Algo diferente do que as Sociedades "ofleiais"e outros grupos "psi" instrumentalizam? Algo "novo" em relação i "vcrdadeira" psicanálise e i formação analítica? Em realidade. Poucos são os escolhidos. autoritárias. levantando acirradas críticas a MilIer e seus seguidores. de suas "dificulelades". ora como reprodução do que ocorre a nível internacional. o que pode parecer estranho pela dispersão que há em São Paulo. Há aqueles que a ele se associam .a transmissão -.revelam a preocupação específica com privados. pois partem do interíor do próprio movimento "psi" mostrarem muitas diferenças entre estes grupos lacaníanos. criam-se outros profetas e sacerdotes que.

A Brasileira de São Paulo Na SBPSP. é feita pela Comissão de Ensino da SBPSP quando pretende vetar ou aprovar algum membro a analista ou a didata. a subjetividade do incompetente. 2. quando se refere à crise na SPRj.".~ Sobre isto. o grupo chamado por Sagawa de "estahlishmentbioniano". unu tentativa de atualização da psicanálise""9 diante da difusão e das transfol11uções sofridas por ela nos anos 70.) contra o 'establishment bioniano "Z'll.2) o alto preço cobrado pelos "didatas". 230 Sagawa. estas "cri<.e didática.. Sobre a questão dos altos pre. a fornução analítica.'os cobrados . ciL. 226. 3) a ênfase exagerada na "análi. R. Todas estas críticas partem de um grupo que Sagawa chama de "oposição democrática" e que. a partir da p. não foi considerada uma chapa de "oposição ". assim. a crise. o que é compartilhado por suas irmãs cariocas e que já foi também por mim registrado em relação à instituição formação analitica. onde al~n. desta forma. dizem alguns.gawa. () primeiro dos pontos refere-se ao poder que os didatas têm de 229 Orientação seguida por Figueiredo.configura-se uma reação em cadeia. sem dúvida alguma. A. importante fator pa. que detém todos os principais cargos na SRPSP durante os anos 70 com plen". Op. 232.Y. cit. vencedora nas eleições para os principais cargos da Sociedade paulista: presidente. posteriomente. O último ponto prende-se ã ênfase dada à análi.decorrência disso. que vai se avoluoundo desde o final da década de 70. vamos à história instituícla para maiores informações e.e didática'.'. afmm alguns entrevistados. Op. '~4cada dois anos ocorre esta e!dçiio. Uma série de manobra$ políticas. em oposição a outros que defendem os altos preços por se tratar de uma formação privada de "qualidade". cri. do desqualificado "psi".C. dar sempre a última palavra na qualificação dos novos analista$ c dos novos didatas..2 Sagawa. Como não percebo desta maneira. Para a cúpula ela SBPSP dominante nos anos 60170. R. poderosa arma de dominação.. colocando por terra a hegemonia destas Sociedades com relação à formação analítica. cir .) mas constituiu uma espeeie de "PMDB" t.e . é representado por Laerte Ferrão e Frank Phillips.. e que por isso mesmo atrai a muitos. Tai.. Para eles isto se deve à ênfase que dão à análi.C. os pressupostos autoritários em que se baseiam esses grupos.1 . as quais "balançam".Y. poderes.. principalmente.q". que venceu uma chapa apoiada peja "ojxJsição" Defato.tados231 .. prende-se principalmente a três pontos: "1) a decisão monopolizadora do "didata" na qualYicação do candidato à "imalista" e do "analista" ã "didata ':. p. diretor do Instituto e didatas da Comi"ão de Ensino.. ~ este item. quebra seu monopólio.e didática. afrrmam outros. ver também Sa.já por mim assinalada em referência à instituição "verdadeira" psicanáli. ". descritas por alguns entrevi. Op.. cit. em suma. mas segundo os prôprios "analistas" da "oposiçiio". o que faz eom que os didatas não tenham tempo disponível para outras atividades. R. já que os candidatos "têm" de cobrar também altos preços para poderem pagar a sua fomuçào. tanto nas do Rio de Janeiro quanto na de São Paulo. p. uma resposta ao movimento "psi". 5. em 1982. Produzse. 5 . 184 181 .s pontos por ele apomados coincidem I com os que levantei em minhas entrevistas.es"ocorrenl justamente pelo advento do movinlento lacaniano que. esta foi a /}rimeira eleiçao desde a tomada do poder pelo 'establisbment hioniano ".. uma espécie de rearrumação das Sociedades "oficiai. em detrimento da produção cientiftea original"l3O. consegue organizar uma "frente ampla". de fomla extremamente autoritária. este é () nui. é sublinhada por vários entrevistados a mediocre e pobre produção científica dos analistas da SBPSP durante a década de 70. Op. (. 11 S. Por outro lado.As "CRISES" NAS SOCIEDADES OFICIAIS O MONOPóUO DA (QUEBRA-SE IPA ?) Nos anos 80: ocorrem violentas crises internas nas Sociedades "oficiais".Y. a algumas questões que percorrem outros caminhos que não os apontados acima. 2.es seriam. não é qualquer um que pode a ele ter acesso.

""0. provisórios os candidatos a analistas que participam das Assembléias Gerais. Não há mal.1. :Lspeeto já abordado na ocasiào em que me referi ao Sedes Sapicntiae. consegue-se votar 0$ novos Estatutos. 0r- [87 .. mas também de alguns titulares. 2.Sendo todos os C0l11ponentes cOI1'5iclcrados titulares. titular e didata). R.. p. 2')0. embora lIque latente até o inicio dos anos 80. sobretudo.c. quando assume a presidência Rosa Beatriz Pontes de Miranda Ferreira. Em 1983.ln: Sagawa. não estão ainda garantidas para a "oposiçào" as mudanças pretendidas e a questào da formaçào de um 5tudy Group. {)\1. após uma série de assembléias para a discussão do assunto. Sonia e Deodato Azambuja.. pr. nào há mais a divLsào em Membros Associados. vem tentando aglutinar os insatisfeitos com relaçào à situaçào interna da SBPSP.1982. ".B.er atendidos pelos didatas que. Em 1986. desde o início de 1980. a IPA envia praticamente uma intimaçào à SBPR): será excluída ela Internacional se não in. o que CF. 237 A. na presidência de Inaura Vaz Carneiro Leão.grafo IÍnico do artigo 12".o grupo denominado de "oposiçào democrática"..cit. Seu objetivo é organizar um 5tudy Group em São Paulo que. gradualmente. pois. que o próprio Sagawa afirma não poder ser visto como monolítico. Isaias Melshon e seu grupo enCAminham à IPA uma denúncia sobre o número crescente de candidatos nào atendídos pela SBPSP e a existência de um pequeno número de didatas. 186 visto neste deflagrando-se uma crise que só terminará em 1982. que recebem informaçóes de todos os professores e su pcrvL'mrcs e fazem uma avaliação do candidato238. :\'os primeiros meses após a posse da nova chapa de "frente ampla".. ano da votaçào dos novos Estatutos. abril/l1)90. e i. Muitas assembléias sào realizadas e.7\1e 8\1 dos Estatutos daSBPRJ . além dentre outros. posteriormente. resolve colocar a Sociedade sob observaçào. p_ i ('Pari. viria a ser uma Sociedade vincLllada à IPA. Jclt:m. RY. há um representante geral destes membros provi. Em 1991. ciL.rtigo4Qº 0r. a SBPRj institui de novo .':. 2i8 Artigo 60" ()p_ dt.. pois a questào relativa ao poder dos didatas é ponto sagrado e intocável. finalmente em 1982.••• tituir novamente 3. p 16 lVí a Rcforn13?". n!! O I 0'1-08 2. ticanl con10 membros . além da perda das posiçóes de poder do antigo grupo. Ao final de 1990. reúne-se em tomo de Isaias Melsohn e dele fazem parte Fábio Herrmann. têm seu número aumentado. OS. Op_ dL p.. o clima é ainda tenso. vem à tona violentamente uma série de críticas ao funcionamento interno da SBPRJ.. Há um terceiro grupo.! lima luta de anos por parte de um grande grupo da SBPR) .. ao poder dos didatas e às manobras políticas utilizadas também pela Comissào de Ensino para a "escolha" de certos analistas e didatas de sua preferência.." as informa~'ôes prestadas pelos didatas já que estes seràu quaisquer membros titulares que assim o desejarcrll e que tenharll no tnínimo '5 anos de efetivo exercício clínico..2 -A Brasileira do Rio deJanclro Na SBPRJ.2. Ao lado disso. o que fere os Fstatutosl34.. Sobre o assunto. a chamada crise inicia-se desde os acontecimentos narrados 110 Analisador Helena Besserman Vianna cm 197'. numerosas e acaloradas assenlbléias se sucedem durante todo o ano de 1980.o.SBPRj.M. em Assembléia Geral Ordinária. Em novembro. elege e coordena duas Comissóes: a de Seleçào e a de Acompanhamento e Qualificaçào. o Departamento de Formaçào de PsicanalLstas organiza. é concedido o voto ao associado. p_ 04.. "Independente da IPA Você Acha Que e Preciso Refórmar In: Tn1mna. Diante disso. Em 198I. em que desaparecem as diferenças entre membros. Hoje. Titulares ou Efetivos e Candidatos. soma-se uma série de criticas muito semelhantes às feitas na SBPSP eom relaçào. ver Ferreira. Em 1979. a IPA envia representantes a São Paulo e.nào só de associados."i três categorias de membros (associado. Somente em 1991 a IPA permite a inscriçào de novos candidatos na SBPSP233. liderado por Iloberto Azevedo."lurjam e. terceiro grupo nào haver um único (ijelata.. que.. e lambém 0$ artigos 'j!!. . há a designaçào de 12 didatas em caráter extraordinário. devido às fortes pressóes. Em maio de 1979. a partir daí.óri<Js. Todos são Efetivos e têm direito de V()to"4~~. até que todos os inscritos possam . 236 Artigo 0º dos Estatutos da SBPRj. 5. após avaliações. através de representantes'" No Consdho Diretor.P.13 Sobre o Study Group. suspende por alguns anos a entrada de novos candidatos. a situaçào é tensa. três caLegoria.lY7• Ainda pelos Estatutos de 1982. É a gota d'água para que uma série de questionamentos . Sagawa informa que a IrA não autoriza seu reconhecimento. r 'I{J.

Entrementes. em nenhum momento são levantadas questões que permitam aprofundar taL"críticas.ta.1arx..em quase nada difere elaspropostas elasBrasileiras de São Paulo e do Rio de janeiro. O poder e a gerontocracia. as discriminações ideolôgicas contra candidatos ã formação. ' relata a crise da quanto especialísta "psi". Questões relativas à postura neutra dos psicanalLstas. não saindo da. filas que scnlpre conseguiram ser mantidas em seus estreitos e fechados espaços. C. do voto aos associados. G. críticas: ". C01nuns às outras Sociedades irn1às. Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas."I) direito elo voto ao memhro associado. de Hanna Sega! Nâo sabem distinguir uma epistemologia idealista de uma materialista. A própria plataforma politica elo Fórum mostra bem isto. Se as Sociedades "oficiais" do Rio de janeiro trazem enfaticamente em suas plataformas o voto aos associados. não oUlJiramfalar de . A própria plataforma politica elo Fórum de Debates ./ 5. constituindo sujeitos. à constituiçào do Fórum de Debates em maio de 198\ . ou seja. tarde.o dos didatas . Se as Brasileiras . a expul'ião de dois conhecidos psicanalistas.A.. às figuras de Amilcar Lobo. pois pensar tai" questões é. mostram movimento cresça e . Nenhuma das duas questões pode ser pensada pelos psicana240 Barreto.'i argüições ao funcionamento dc suas organizações. sem dúvida. em especial.apesar de não constar elesua plataforma .tanto a de São Paulo quanto a do Rio de janeiro . à superioridade de seu saber.ficam especificamente em seus marcos institucional').e às criticas feitas à Sociedade.c!o Fórum contidos in Cerqueira. contentando-se com uma introduçao a obra de Me/anie Klein. no Sindicato dos Médicos alénl das notícias. A 239 Artigo do jornalista Roberto Mello que. Na SPRj essas questões ganham a praça pública. 170.p. a hierarquia e o autoritarLsmo vigentes nas Sociedades "oficiais" e a mediocridade e a pohreza de suas produções teórico-práticas. não são ventiladas. comum às três Sociedades.1.. prevalecem os padrões do mandarinato. A própria criação do Fórum de Debates. Entretanto. paulista. é ali abor<bili 189 188 .!41. Hegel. com cxceção da questão das punições. envolvendo a denúncia de um participante dos órgãos de repressão. Ivoventa .os altos custos de tratamento.é. Questôes.cm parte apontados por mim no Analisador Amilcar Lobo . Mas neles predomina a pretensdo de tudo dominar monopolisticamente"JjQ. a questão do poder e autoritarismo dos didatas.J. funcionando em praça pública e. É verdade que t1guras como Gregório Baremblil e outras são convidadas pelo Fcímm para falar de suas práticas.. etc. numa primeira leitura. para a qual a questão maL. Este tema . Ou . pois apenas se denuncia o tecnicismo kleiniano vigente nos anos 70. a SPRj consegue escapar desse estreito território. situaçào que sempre foi impedida e mesmo temida por seus guardiães. rapidamente é levado para os nurcos instituielos. . o peso do instituielo é grande. que pennitam fazê-las sair do território "psi" proprianlente dito. em SU1na.-. 241 Sobre isto. Nenhuma 0$ SPR] e as reivindicações do Fórum de Debates.Tise". A Psicanálise está dominada por um baronato Suas instituições são marcadas por cargos vítaHcios. São interessantes algumas comparações entre essas três "crises". a grande imprensa sintetiza esta. sob o título Os Barões da Pskanállse In:JB _ 23/0911980. Em nenl1un) 111011lento questiona-se cOIno as práticas "psi"continuam engedrando dominios de saber. que poderia ter se tomado instituinte. a gerontocracia nas instituições psicanalíticas. iruportante é o poder dos didatas. isto não é enfatizado na co-1m". Não conhecem Kant. cit. pelos "leigos".por cento dos psicanalistas não leram a obra de Freud. ver cit.3 -A PsicanaIítica do Rio deJanciro A crise da SPR]. e até mesmo a ignorância das obras de Freud (. demandas. pensar a sua própria destruição en- o quanto este movimento ultrapassa os muros de sua Sociedade. Sob o titulo "Baronato Da Psicanálise".') principai<. nem sabem o que e epistemologia. em muito similares às considerddas pelas suas irmãs "oficiais". que saelll na grande inlprensa sobre a "c. No entanto. a mediocridade e o "verdadeira" psicanálLse e a formação analitica são discutidas pela grande imprensa. faz com que o tecnicismo reinantes na formação analítica.passam a ser questionados puhlicamente o poderio dos didatas. (Org. prende-se. portanto. ao lugar de poder por eles ocupado socialmente. maL. na iruplosão da SPRj enquanto estabelecinÍento de formação e por isso colocar-se contra a "verdadeira" psicanálLsee a formação instituída pela lPA. 2) refomu dos atuais Estatutos e 3) ftm das punições"''" . a primeira deflagrada no InICIOdos anos 80.<.de fomu menos radical . diferentes destas questões artig~ de psicmali<.é pensar na quebra. este movimento.) OI'.(Jp. nelas o clima é feudal. o falso "a/X>/iticismo ".

Em 1979. Multiplicam-se as Comunidades Eclesiais de Base e as Associaçôes de Mor. Está dentro elo que é conhecido C01110'"reformismo institucional". conceitos e técnicas então hegemônicos. no eixo Hio-São Paulo.ltá espaço para diferentes e variadas "verdadeiras" psicanálises. Aos poucos a censura vai sendo suspensa. descobrem estupefatas que o "milagre" havia acabado. é como afirma Foucault: ".. por outro esta não produz territórios singulares. muitos cios entrevistad()s. são funclamentai.') que irão gradativamente avolumando-se e tomando.Para este desgaste. os psicanali. as camadas l11édias urbanas. que mais explícita e enfaticamente apresenta a produção de outras práticas "psi". o saber neutro e descompromi'Sado. As "crises" aqui apresentadas estão dentro de tais marcos instituídos. As novas política. Nessa época. a valorização do instituído. Estas práticas contínuam engendrando e fortalecendo saberes.e com isso a perda de prestígio e até uma subseqüente desqualificação social.. traz o embasamento teórico que.em 78 e 79. para variados e diferentes templos sagrados de formação "ps(. órico se vcrificarn essas "crises"? No início t dos a110S 80. o que o IBRAPSIrepresentou para uma nova geração de psicólogos cariocas. mais "den10crJ. a partir da segunda metade dos anos 70. entranJ nos anos 80 naturalizando e estimulando os especialismos e a demanda "psi". implantar mudança. e forjando continuanlente sujeitos de conhecimento. Por entender suas práticas e saberes como acontecimentos e dispOSItivos. mais claramente. outra "verdadeird" "escuta". todos os psicanali..outra maquiageln"_ Seus antigos pressupostos notadamente autoritários tra- Não somente teme-se o desligamento da IPA. com o governo Figueiredo .'.'iados por todos L esses l11ovimentos. vai desgastando o monopólio das Sociedades "oliciais".ldores. O . como também não há interesse em se questionar o lugar ocupado pelo especialista "psi".. já sentindo os efeitos da recessão vestem-se de "outras roupagens" e demonstram mais "igualdade" entre seus membros. enlbora bastante "capenga".inclusive os do Fórum. em que signitlcativos segmentos elasOCie(~lde clamam por lillerdade c democracia em todo.1. a fazerem uma '. A Venlade e as FonnasJuridicas.l."~ào adnlinistrativa e acadênlica da Sociedade.vejo neles as marcas aa divisão social do traballlO ao enfatizarem os especialismos. as práticas psicanalíticas. afirmam . Portanto. 05.o líltinl0 do ciclo nlilitar bastante fragilizado pelos movimentos sociais que. se comparadas com a da SPHJ."democrático"... aceitam as deliberaçiíes da IPA. .cia" interna. forçam as Sociedades vinculadas à IrA a nlostrarel11 uma "outra cara". junho/ apôs as vitoriosas greves no ABC. que surgem dos diferentes movimentos s tência espalhados por toda a sociedade brasileira. O movimento sindical mostra-se revigomdo. a relação do sujeito com o objeto ou. a Lei da Anistia. É quando inclusive Hélio Pellegrino e Eduardo Mascarenhas são readmitidos na SPRJ. erJ votada. principalmente ao longo da segunda metade dos anos 70.O:. baseadas em outra "verdadeira" psicanálise. Foi isto que tentei mostrar ao acompanhar a história instituida dos diferentes grupos "ps( surgidos ao longo da década de 70 e inicio da de 80. significam rearrumaçôes diante de todos esses acontecimentos. no ano seguinte. mesmo os mai') progressistas. se intensificam nas cidades e no campo. "orientam" a reestrutura.. Rio de Janeiro.ta quanto a carioca -são interpretadas como "bem-comportadas".e e a formação analítica permanecem intocadas.:wtoritari. fazem uma "sindicância" na SPRJe.:os tais atravessamentos. a própria verdade tem unul hist6ria "242 (grifas meus). dentro do próprio marco institucional. frente" corre o risco de "descer ladeira abaixo". quando se pretende. l11ai. Todavia. M. de um modo geral. sem dúvida. "'este momento. Se por um lado as "crises" das Brasileiras . As "crises" que então ocorrenl nas Sociedades "oficiais") efil realide resis- dade. 190 1974. t91 . o próprio sujeito tem uma hist6ria. c levam para os seus espa(. para variadas e diferentes "escutas" psicológicas. assim como os saberes por ele produzidos.) ociais. asSlnl..tanto a pauli. o estabelecimento mai. Cadernos da rue. Tanto que quando representantes da IPA.nloigente nas Sociedades v '·oficiais" está ern descompasso com o momento político que () país atravessa.listas. Entretanto.')"aberto". em 1981. Nos anos 80. não provoca rupturas. Em que contexto hi . 242 Foucault.'ios ruvcis. as práticas trazidas pela segunda geração de argentínos e.J. n" 16. que não passara ele uma grande ilusão e que o país: que "ia pra psicanáli. O lacanismo... p.'1S talnbém estão atraves. a "verdadeira" econômica que se avizinha. outra "verdadeira" "transmissão" e outro templo sagrado.

restringir-me-ia à expansão e difusão eia psicanálise pelo movimento dos psicólogos. scrn as quai') é itnpossivel um bom funcion::unent() do estabelecimento. Os primeiros .". formam-se saberes e estes.são vistos como estando abaixo do nível requerido pela "cientificidade". que é a n:lturalizJ. Foucault tem exaustivamente mostrado que. vislumbraria somente uma maior variedade de práticas psicanalíticas.cursos/pciticas considerados "competentes" c "verdadeiros" tênl seu apogeu nos anos 70 no Brasil.ffsta?" Qual vanguarda teórico-política 243 Foucault.. e por isto são não-qualificados.. Op. de singular.C)ubstituíc1as. burocratizá-los. Poucos. de diferentes estratégias e táticas de ação? Pequeno ainda é o número de profissionais "psi" que tentam exaustivamente em seu cotidiano compreender que práticas...continuas formas de saber? ". também. onde se exercita o poder. É impressionante a participa~~i()desses "psi" em inWffilinávcis discussôes sobre mfimos detalhes do luncionamento dessas burocmclas. sabelnos que não há saber neutro e que sua análise impliea neeessariamente a análise do poder. todo saber constitui novas relações de poder.ào do instituído.segundo muitos . circulantes e de<. algun" depoinlcntos ele entrevi. ao mesmo tempo. subjetividades e modelos estão gerando e patrocinando. ao não se estabelecerem relações entre os diferentes saberes. l~este. responsável. locais. cit vocês quc1t!m entronizm· para separá-la de todas as numerosas. desde as práticas disseminadas pelas Sociedades "oficiaLs" até as dos grupos considerados por muitos COIno"alternativos". "C01l10um pensar a hi<.Recorrendo ainda a Foucault.. por meio elo qual se inelida o csfórço que muitos "psi" produzem em seus grlllX)Sno sentido de '·melhor" organizá-los. Enquanto isso. Há. aumentar o índice de transversalidade em seu cotidiano.:-w. as situ:lt. em contrapartida. organizam-se. ou seja.tados que julgam impossível a altiL·'ula\~ào desses dois mundos: () da fonnaçào ~l1lalíticae () da implica<. da mesma forma. enclausurados enl guetos assépticos. inclusive. hierarquizantes e totalizantes. nos anos HO c 9(L para todos nós "psi" que pretendemos pensar nossas práticas L' sal )('rC'sem cirna de nossas itnplicações históricas.indicaisnascem.".'àopolítica. Por outro lado. p_ 172. pode ser bem notado ao se pesquisar alg1I1TIaSta" de reuniôes e assemhléias desses estahelecimena tos "psi" que se formam no decorrer da década de 70. como já assinalei no decorrer de todo este Capítulo. cairia numa ardilosa armadilha .. descon(muos e não legitimados pela tirania dos discursos/práticas englobantes.. que suJeito de experiência ou de saber vocês querem "menorizar" quando dizem: "Eu que formulo este discurso. em cima de nossas transversalidadc. no IBllAPSI e na SEPLA. pois. considerados como excludentes c opostos. encontram-se restritos a esses aspectos meramente instituídos. 1\':10 é por acaso que. O exercício desses poderes e saberes "psi" evidencia-se nas prática.) não C0010 narrativa do superado.s "psi" que "melhor" vão se organizando na segunda metade dos anos 70.. Foucault faz as seguintes perguntas: "Que tipo de saber vocês querem desqualificar no momento em que vocês dizem "é uma ciência "? Que sujeito falante.os "saberes dominados" . com isto. 244 Idem. e sim na qualidade de anna nos combates do presente"". não há relação de poder sem a eonstituiçáo de um campo de saber e que. A certa altura. t92 19'1 . Se ficasse somente na história instituída desses grupos. a vida lá fora fervilha: movimentos sociais c . É apenas um aspecto desta naturalizaçào do instituído. são as que tentam articular suas práticas e saberes com os diferentes movimentos que estão espalhados neste mundo e. com a transversalidade. É o grande desafio que se coloca. Com a quebra do monopólio e\as Sociedades "oficiais".tória L.pela "democratização" das práticas analíticas. como num a dos Cursos d" Psicancílise do Sedes Sapientiae. produzindo poderosos efeitos.:ôcsde crise sio intensa (' profundamente viviLbs. "científicos" e "neutros". 1\'0 entanto. Mlcrofislca do Poder. Estes di. .lO contrário. M. desqualificamse os não-competentes. A chamada "vida institucional" tOllla grande parte de seu tempo c. muito poucos. sobre o assunto. impõe-se uma importante questão: o que tudo isso traz de novo.s~ da nio-dicotomização. enuncio um discurso cientifico e sou um cien. em realidade. nos poucos grupos que tentam se articular COTn vida. com isso. um dos desafios a que 111C propus ao percorrer os diversos estabelecitnentos "psi" nos anos 70. ebs normas e regras que sio criadas e/ou . asseguram o exercício de novos poderes243. fortalecem-se e nada disso é percebido.(. Um desses efeitos. sobrepondo-se os considerados "verdadeiros". é desqualificado.

cala Corbaje. no Centro ele Estudos de Pessoal do Exército. foi autorizado o funcionamento do referido Curso. B.. Entretanto. ou seja. alguns em» curso de Psú. algo deva ser assinalado. etc. em 198'5.o. a partir de disposição leg'dlposterior. são importantes alguns' comentários iniciaL" De um moelo geral. s/data. tarde. Brilhante Ulstrd. Brasília.<.stas"~47. localizado no Forte cio Leme. no Rio de Janeiro. p. Aos "recuperáveis" são atribuídas algumas tarefas..VII - UM ADENDO FAMÍIlA ÀS PRÁTICAS PSlCANAIinCAS: A E A SUBVERSÃO Um aspecto das práticas "psi" que não poderia deixar de abordar neste trabalbo refere-se à participação direta de alguns ele seus profissionais no aparato repressivo da ditadura militar brasileira. Todavia. Editerra. além disso.que. em seu livro Rompendo o Silêncio. no qual se incluiam Noções de Psicologia 1'\ormal e Patológica. . sobretudo o aspecto concernente a lima pesquisa sobre o perfil psicológico dos rnilitantes políticos presos. Sobre este ponto. outorgou a todos o diploma de psicólogo. onde atuou até 197'5. o major da PM RL. como umJ. p. não chegava a U111 ano de dura. daí a maioria se negar a falar sobre o a. Nos anos 70.0.S. trabaUlando no Centro de Estudos de Pessoal do Exército. 246 Dados retirados de Psicologia. dentro dos organL'mos de repressão. Na Vila Militar. incursionando-se pelos campos da memória..\Jào pretendo aqui fazer uma hLo:. que respaldaran1 teórica e tecnicamente o terroriSlTIOde Estado no Brasil com suas práticas e saberes. raciocinio. Em 1949. um dos mais terríveis torturadores do DOI-CODJlRj.. na época. Ciência e Profissão. IllUitoSdeles. por portaria do Sr.ção . É pensamento corrente na época. acredito que. Ministro da Guerra. um trabalho. advogados.'ão de Pessoal" o qual. As "Nova"i Análi8es". no Rio de Janeiro.en1 muitos casos . forma de resgate de uma parcela ela história brasileira. Sobre o treinanlento a torturadores. como médicos legistas. os psicólogos que faziam parte do Centro de Estudos de Pessoal do Exército cran1 . Nagib. no Rio de Janeiro . O próprio ex-comandante do DOI-COD1/SP.e. pelo Grupo Tortura Nunca MaislR). nada se tem documentado. "psi". na maioria dos casos.'iSlInto nos dias de hoje. todos os miJitares que fizeram o "Curso de Classificação de Pessoal" . Discutiam com eles os problemas bra. "salta aos olhos" que llluitos torturadores foram orientados e treinados por profissionaL.o/. Esta hi~tôria e a de diversos " outros profissionaio:. no início dos anos 70. haviam feito nas Forças Armadas o "Curso de dassil1caç. 2'5. 1987.nulitares que. . CFP. Op cit" p..'io assenlelha-se àquela que vários médicos tive[an1 . inlaginação.sal'am. Foi pela primeira vez denunciado publicamente. Esta participa<. nos anos '.foram reconhecidos ofkialmente como psicólogos. 07. Rompendo o Sllêncio. A "contribuição" técnica de muitos desses profissional') ao aparato de repressão durante os anos de terrorismo ele Estado foi incontestável. iam entrel'i~tando esses rapazes e tnoças.tôria envolvimento direto de do alguns profLo:. volição até a Psicologia dos Chefes Militares'''''. Em 1970. em muitas declarações e depoimentos de ex-presos políticos.. que existiam dua. no capitulo "Os J oveflS e a Subversão". 273. mentação da proflSSão em 1962. H..sionaispsi" com a repressão. estão para ser escritas.ficUlis do Exército. o terrorismo e suas conseqüências.onde muitos estão presos no início dos anos 70 -. dizia no D01-CODURJ para alguns presos políticos que havia feito cursos de Psicologia para poder aprender a lidar "melhor" com os "terrori. comenta: "Enquanto os dias se pa. no que se refere aos aspectos psicológicos dos presos políticos. MaL. Brasilia.Qgia. a partir da criação do cargo de psicólogo e a regula24'5 Rodrigues. ofereceul Cursos de Especializaçào em Psicologia para o pessoal das Forças Armadas e chamam psicólogos e estagiários civis para atuarenl no Forte cio LenlC em uma série de atividades. 248 illstra. evidencia-se esta distinção.-"i ategorias de presos políticos: os "recupec ráveis" e os "irrecuperáveis". OS 1i/!1VS e arligos /Jara leitura deveriam indUZi-los a uma profunda meditaçào e a olhar a lida sob outro ângulo. não só no treinamento a torturadores como também no levantamento de perfis psicológicos de presos politicos. eles dispõem 247 Riscala Corbaje. que contou com a participação direta ele alguns psicólogos que trabalhavam.como o AnalL'iador Atnilcar Lobo ii delTIOnstrou -.24l) (grifos meus). conhecido como Dr. t94 19'."íleiros.a su/Jversao.

dentre o pessoal preso na época. a quase totalidade. J fvaquela ocasião o número de presos (no Exercito) subia a um pouco mais de ')00 A análisf?jeita permitiu a seguinle observação: 1) 56% eram e31udantesou {Jf?SSOaS que há pouco tempo havfam deixado a área estudantil.<.)lviail11en. com ofito de impor-lhes um idealivno político. gerando por isso.tllO internacional".: a res/xmsabilidade ridos {Jai.~golpL~l:lSque atu:lVJ. quando foi para a reset\'a e escoUJido par:! a presidência dt ADESG (Assoda(io dos Diplomados da Escola Superior de (~uerrat fJn 1{)7I.um sistema de COetraogarante a lealdade inicial do militante: a cland~1inidade sdo instruido. vincula~se à figura do jovem estudante ele esquerda como "inocente útil" elo "terrorL<. l.<' varios milít. Murici . I S% ao segundo e 5% aos demais Uma análise do fenômeno. mestno temporário.'lH·es indil'iduuis e se'llr'lna nos I-'atore.<.a realizada entre cerca de '.t:'nv.lstazu I'.)ü não há presos políticos. Esta postura prende-se à tese de que quanto "melhor" se tratar Ull1preso político.seu número não chegava a 2%. em Porto Alegre '-rXJsiciomnuorenúncia de )ánio ()uaJn "". MuilO convencido dt.l).c> . Este personagem.anticumunislJ.m \:'01<:'stn.tência e maior será seu "amolecimento". fez pa.lOSClrCU1(l" ('mpresdri:lis mnoc:ls e paulistas.li n(l Rio de Janeiro.A PESQIDSA SOBRE O PERFll.<101:110. 2".S lte (. a pedido do próprio chefe do Estado Maior do Exército. menor será sua resi<. deslac:ando-se na luta contra as () Ligas l:amponesas.h. do holdirl{!. o. no início dos anos 70. . AA Dicionário Hist6rico . junto com o de Emilin Carr. no Sul. Nova 1.00 presos políticos . forte pressão contra tais comandantes. Dados contidos in J3eloch.rtt: do moviment() pam l depor t-.19/0711970. blenuls thl mocidade. ainda Cln 1969. General Antonio Carlos da Silva MuricFl').. travar muitas conversas. 3) desses detidos.2.. por parte do grupo de familiares desses presos políticos .C.. é n o chefe do Estado Maior do Exército. faz a primeira de urna série de pesquisas entre presos políticos..ch.08/11/1969 Uma segunda pesqui.escaso dos pais pelos proaliciamento: 1) desajllstes. ) sendo intere. ferrL'nllo.Li<-b S'--' u)ntra a posse de J03. de 260 estudantes inten'Ogados no Rio. no Rio de Janeiro.. e Abreu.-'elado).já em vias de organização na época -. Op..Biográfico BrAsileiro 1930-1983 ... L 2'50 Reportagem intitulada "Murici AponLi Alid:1mento de Jovcns para o Terror'.i... o nível de escolaridade e as CJusas quc os Levaratn para a luta política.trJ.oulo1rt.ta.:) 1'. puhlic:1d:t em OJomal.rcito. s<-·mpre.c1.L'rachdé J.4grand(! maioria. feita pelo mesmo órgão (um õrgão de segurança não ret. do la. quando da do Maior do 1IIExército..olhery do (:outo e SiJvJ. Dela divergem alguns comandantes de ourros quartéis da própria Vila Militar. os rapazes Su1Jnersil'Os desl'iarem as moça.c. 2) a "nédia das idades dos presos atrás referidos era de 23 anos..~ a e Dromiscua t' tirânica.~(ulhido. In:JlJ .. 4) o trabalho de alguns maus professores. tríplice par."i'.muito difundida pela núdia e por setores militares. que foi o e. " cam(XLOlu. "lSl (grifos meus).um dos porta-vozes do reginlC'nillitar . A primeira tese -" do preso "recuperável" .\tudo. presos" c. l\lunci particlpou ativalllCniL'-do golpe militar doc'1%4 0. que a "mel1lt' vence a guerra revolucionária"'. Sua proporçâo era de 33% e 23% respectil!tlmente.EIRO A primeira pesquisa é realizada em 1969. :'o'iO-Ll".'ra de elementos ligado" às organizaçdes terroristas (. em várbs entrevistas à grande itnprensa.eneral Murici..:itaJiga<-'jo com com u general d:l r(·:''.-'sde 1()6.:.de tnaterial de leitura e podeln~ inclusive. Forense.. do Exército -. participou ativamente de alguns L'pisódio~ da hhtór!:l hrasikira. cujo objetivo é levantar.) cOn'ief':adorismo e da repressão. Em 1961.quisJ.ag.'l ( ): a segurarlça conU'ça petu noçuo dos (Ü-'I. qUillldo teve seu nome na lis\J.'rvJ. essencwis do 2) d..lre. e t:.3) poJitização no meio escolar realizada por estudantes profissionais que despertam e exploram o ódio nos jovens.. Declara o próprio general: ':. que defendem posiçlo conlrária. lTIaS crullinosos terrori<. Socuis) que de<.ouwrt.:~ou a chefe do Estado Maior do F.32 vol. enquanto que no Nordeste seu numero chegava a 11% e.:sm() ano. também por solicitaçào do C. i'n'nte do IPES (lostitu({: Clo.~ à i\':. Permaneceu até novembro de l()7Q à frente do Estado !\hior elo [x . IQ:t-1.detidos em diferentes dependência.ssumiu d presidénciJ. Murici J. e esjJirttuaü"!.. hábeis em utilizar a cátedra para fazer proselíJismo poJftico.I Titulo de uma outra entrevista de Murici. PSICOLÓGICO DO "TERRORISTA" BRASll.'lédici.moraL.:st(Cm.1 pr('sidenk da Repúhlica. no inícío de 1970.x~rdt().mlicomunisla tunto . apontou como causa. destaca que: "o terrorismo se abastece nos nu-ios escolares do pa~~' a tônica é arn-gimentarjovens a partir do curso secundádo. :ls. Esses dados mostram como realmente é grande o esforço 252 Reportagem intitulada "Murici Aponta Aliciamento de Jovens para o Terror".sumiu comando da 7~ Região Milit:Lrem Recife. a época.'nti'k. 1 . 80% pertenciam ao pn11U!iroano universitário. quase não batia mulheres envolvidas na trama tetTOris/a...:'. Em J9()f).sJ.20% eram de mulheres. de 197 196 . I.~ecolocando ao 1J. lJnu das autoridades que mais defende L'itO. investiga seus níveis social e de escolaridade. J. já como general.. ( .afirn1a que 2q{) () General rvlurici. . FGViR].ssante obseTJ!tlrque no Rio de Janeiro o numero delas atingia 26%.

COlHO é :1 situação Janüliar (seus paL'i111oral11 que se separaram.'i 32% dos presos eram constituídos por pessoas de condições sociais diversas. Esta extensa reportagem (uma página e meia) traz m integra o pronunciamento do general Murici. que ainda hoje funciona no Forte do Leme.') nesse (lU cstic)n:írio'.12... dentre outras coisas. etc).' 03 . [o: O GLOBO . se teve muitos namorados.fincia e adolescência.R:L'fi ". . se pergunta: nome. que têm tudo para ascender socíaimente e se tornarem. se teve experiências hOl1l0SseÀ"llaL. Na primeira. Outros dados interessantes levantados mostram que.. naquela ocasião... Os demai.. inclusive."""" 2'. etc. Uma verdadeira anan1l1ese. ou por que saiu de cosa. quase todos detidos no Parand. In. ieleólogos elo capitalismo.."": Quadro 1 Situa9ão da família: """". se mora com os pai"..." Família normal """. sobre o tema "O F~qtuchnte e o Terrorismo" Sobre () mesmo pronunciamento ver "Murici analisa Pesquisa com Subversivos Presos" ln:JB .são: por que os filhos da classe média..""". qual a pessoa de sua família maL" importmtc.. como é seu juntos. Isso demonstra que a maioria dos que ingressam no terrorismo ou na subversão ideológica é constituída por pessoas pertencentes às classes A e B. Nesta."""""".lnde l'arda".subversivo terrorista na área estudantil brasileira.12/1] /1971.. De outro lado. na faculdade.. grau de instruçào.. exclusiv3. por tcmperaluento." ..""""""""""" .. com famílLas "elesestruturaelas'" Para poder provar essas hipóteses.""""" .. como se envolveu em política (por algum namorado. filiação.4 Dados contidos na feporta.. estão indo para o caminho da contestaçlo a este sistema' Por que se tornam "terroristas".elentro das subjetividaeles hegcmônicas na época . haverá colaboração elireta elos psicólogos militares e civis ligaelos ao Centro ele Estudos ele Pessoal elo Exército no Rio de Janeiro......sobre o perfil psicológico do "terrorLsta" brasileiro. Camponês do Nordeste havia apenas um.."". sexo. t98 199 .. a análise feita pelos oficLais c "psi" envolvidos mostt:l a seguinte tahuhçào a quatro pcrgunt3.... As grandes questões que se colocam . que o numero de mulheres alidadas ê maior nas áreas mai... ".a que nos interessa maL. de nÍlJeJprimário... particularmente nos grandes centros. neganelo suas origens de classe? As causas não estariam vinculadas à "crise" da familia moderna? Não seriam esses terroristas jovens "elesajustados emocionalmente".'ipolitizadas do Brasil do ponto de uista ideológico. que os altos escalões de repressão há muito vinham anunciando através ela míelLa. se dão bem ou brígam na frente elos mhos. um extenso questionário COHl cerca de :..no segundo 253 Reportagem intitulada "Murici: Recuperar Jovens que se Desviaram ê a Grande Tarefa".. Sobre esta primeira parte. a adolescência c o rebcionanlento fantiljar.". na qual. porém.. . se é casado.. ela pequena burguesLa.1.. . Selllestrc de 1970 é realizada.s contida.. nunca. como a maconha. . se tem mhos. unla terceira pesquL.. que demonstram a preocupação elos governos militares em conhecer melhor os "inimigos ela PátrLa" c retratar a juventude ele classe média que entra para a clanelestinidade e/ou luta annada. etc. nem de pessoas de condição miserável ou de poucos recursos."".Murici: Rt'cup('rar .. feito a convite da Associação Brasileira de Educação do Rio de Janeiro.. de analfabetos ou mal-alfabetizados. apenas 3% eram militare'i refonnados ou cassados e 4 a 5% de operários nao-especializados. folhas datilografadas apresenta pcrguntas disserLativ:1s sobre a infância. o que pensa fazer após a libcrtaç'ão./11/1971. '111elbor dotadas financeiramente "253 Estas eluas pesquisas. servem de base para a terceira pesquisa . idade."""". se na alguma vez utilizou algum lipo de droga. 06 04 01 30 Pais separados "'''''''''''''''''''''''''''''''''''''' Carência de afeto na família Problemas de familia .).o entre 44 presos políticos Visanelo estabelecer o perfil psicológico desses lnilitantes politicos. pesqui"a consta de duas partes.. esta. Subversivos presos naquela ocasido e provindos de atividades rurats eram apenas 4%.oS c se há algmll envolvido em política. qual a relação com os iJIl1./owns que se Desviaram ~ Op dt :1 G'. como foi feita a escolha da profissão. Não responderam .tnente no Rio de Janeiro. diretamente .

()final do curso secundário. embora julgue. fortalece-sc a crença na "crise. dos quais cega da metade estavam 2'5'5 Idem.')5 (gtifos meus). o período de pnparo para o vestIbular. A scgunda partc elesta pesquisa sobre o perlil psicológíco do "terrorista" brdsileiro é a aplicaçào de uma bateria eletestes: de aptidões. 32 f73%i fomm considerados como indit'íduos com dificuldades de relacionamento.firmar sua personalidade. pottlnto.talvez por atíngirem um perfudo em que ojovem procura .7'sitário.•• foram assim considerados 23. construído. o resultado é por demai.que logo a seguir relata os resultados: ':-"dos 41 examinados. 20t Quadro 4 Que pensam 'azer após a liberta9ão: Voltar á Faculdade Voltar á vída normal Retomar á família (moças) Não vêem como possível sua reintegração Ir para fora do país Continuar a luta revolucionária Não responderam 03 14 02 02 01 03 19 Ainda na mesma reportagem.r. olkíal com curso ele especialização no Ccntro de Estuelos de Pessoal elo Exército Ie) os resultados foram examínados por psicólogos clv". enfatiza-se o privaelo em detrímento do público. o inicio do curso UniV(. Quadro 3 Forma ou razão por que foram aliciados: Por envolvímento progressívo Por ligações afetuosas com elementos da esquerda (todas moças) Por estudos e reflexões pessoais Por necessidade de prestígio Induzido por colegas Não responderam 04 08 01 01 04 26 Psicologiza-se. observa o General Muricí. sua rcsponsabílidade e culpabilidade pela situação elos flUlas.. muitas vezes. é a fase em que mai... Murici. Um verdadeiro psicodiagnóstico é. de nível mental (Raven) c ele pcrsonalidade IRoscnzweig e Rorschach). ou ainda de dJjkil comunicação humana.àcilmente se deixa conduzir. os órgios de repressão e os "psi" que com eles trabalham chegam à "brilhante" conclusão de que: e nos períodos que imediatamente antecedem e sucedem a entrada na Universidade que se verifica a maioria dos aliciamentos. mar. ou escasso interesse humano e social. Nilo há dituida que é IK) lar que ~e encontra a melhor trincheira contra os desvio~ da nwral e da conduta soc:ial"/.ela famma. sequase um terço d<Jsconsultatros não estavam ajustados ISIClil vida familiar.como imatura . em suína como pessoaç "d~ficeis". Todo este processo é reali7~do por ". 2'íú Idem. deseja mostrar que jd é adulto em ~lUls idéias e capaz de decidir por si mesmo. dc ínteresscs. "analisando" as respostas dadas a estes quatro itens do questionário. j que estâ conduzindo "Z% (grifas meus). Foi grande a falta de respostas ao item do Quadro J. sign~ficati1JO para ser desprezado.. Utilizando os dados obtidos na primeira pesquisa em 1969 levantamento do nível de escolarídade entre os presos políticos no Rio de Janeiro -.Quadro 2 Ocasião em que ingressaram na subversão: Após sua formatura Na Faculdade Na entrada da Faculdade Durante o 2° ciclo secundário Após o curso secundário Não responderam 02 24 05 09 02 02 'Telas respostas obtidas uerificu-se logo a importllHeia do hlr na vida do~ jovens e o apoio que ele lbe~ proporciona. declara que: 200 .

Pelo levantamento que fiz. elogia o trabaU10feito pelo General Murici e diz: . esta pesquisa é realizada em vários quartéis da Vila Militar. em Ibiúna. médicos c altos oficiais das Forças Armadas). são separados. "doentes"..a atitudes de luta contra a sociedade e o meio em que vivem ( . onde estão recolhidos algum presos politicos."ta afirnlando que não trabalham ali.entre os filhos de hurgueses.-serào sempn! desajllstados c. beltrana. sendo que 3/4 dos mesmos pertenciam ao grupo dos "di{u:eis". Além disso... cm espcciaL a crença de que seus t1Ihossão "desajustados". 202 da rcpressão de conhecer melhor os militantcs políticos e traçar o perfil daqueles que estão sendo combatidos. criaturas infelizes" 2'i' (grifas e aspas presentes na própria reportagem). ou vão diretamcnte para a tortura.• semelhantes f. em pronunciamento ã grande imprensa.rio anteriormente respondido. se aquelas punições tinham valído para alguma coisa esc cstão arrependidos pelo que fizeram. a Operaçào--:Mauá. e outro . somente no ano seguinte é que se verifica a primeira pesquisa sohre o tema. por esse ou aquele motÍll().. elas . Confonne já mencionamos. naquele período. os trahalhos do Crutac da Universidade do Rio Grande do Norte. porquc não havia conhecido sua mãe e tem uma madrdsta da qual não gosta. Isto é confirmado pelos ex-presos políticos entrevistados. precisando de tratamento. Esta posição é explicitamente enunciada por álguns comandantes de quartéL. justamente por serem fillJOsda pequena burguesia. :'Ja entrevista realizada antes da área de testes. embora o Gcnetal Murici. portanto.. assim. praticamente todos osinseguros (8) e osinstdveis (7j estauam no primeiro grupo.:.~ que o preso político disser será mantido em sigilo e que não será divulgado. num tidos geralmente pelas mesadas paternas . No momcnto da referida pesquisa.• urge dar trabalho à Juventude desocupada.difundir na sociedade em geral e nas famílias ele classe média.. segundo alguns. mas. onde estão os presos politicos. Esta preocupação. Isso mostra que especial atenção e tratamento der'em ser dados aos /ovens que apresentam um relacionamento d~(fCÍl com seus companheiros. A impressão que têm algum desses presos políticos é a de que os resultados 203 . Nestes casos. impessoal e distante. que tudo o Patologiza-se.incluídos IS/C! no grupo de d[ficil relacionamento humano.C. ). em 1968: dos estudantes presos. naquela ocasião. "desequilibrados" emocional e socia~nente e. ) Isso porque é curioso que os chefes da subversào trahalhem maís entre os que mw necessitam lutar pela uida. aqueles que se lançam na resLstência contra a ditadura militar: são doentes e é precL. Isto em alguns ca.no DOI-CODI/Rj e no IICE. alguns presos políticos. pelos transtornos que esses jovens trazenl para a nação que quer "se desenvolver enl ordeln c em paz". talvez viesse após o Congresso da tiNE. Estas pesquisas mostranl nào apenas uma necessidade por parte A aplicação dos testes é precedida por uma entrevista individual. no Rio cle Janeiro.. procuram saber como haviam se sentido durante a tortura. concluem que se trata de um levantamento psico- lógico.xa erwol/!er pelos agentes profissionaiç da subversao: incentivar inicíatil'as: como o admirável Projeto Rondon... que se dei.OSj outros.. etc. quando se faz. assim. pai . muitos torturadorcs não hesitam em dizer a eles quc não cntendcm por que tinham se tornado "terroristas".são as principaL') responsávei.<.. como forma cle intimidação. Tudo indica que sof''l?mde comple:ws que os lelJam. especialmente no teste de Rorschach.. perguntas muito semelhantes às do questioná.In:]H de 26/07/1970. advogados.. cerca de 99% eram de classe média muJOs de senadores. que a ela foralll submetidos. afinne quc os 44 presos "7 Idem.. alguns "entrevistadores" dizem para os cx-presos políticos que se trata de tentar estabelecer sua "curva da vida". todos iniciam a enlrevi. 258 Reportagem intitulada "Deputado elogia entrevista de Murici". políticos "voluntariamente" se sublnctcram aos testes c ao questionário propostos. um levantamento sobre o nível de escolaridade dos presos políticos. as pessoas são chamadas para explicar algumas respostas dadas. Muitos se negam a respondcr ao questionário e são novamente transferidos para o DOI-CODl/Rj. também .. como tinham rcagido. Em suma. os testes em aplicados não contam com a presença de entrevistadores. Afirmam que fulana é "subversiva" porque seus paL. De fomla tria. (é necessán'aJ uma psicoterapia ocupacional.) tratá-los.bem de acorelo com as subjetividades hegemôniGl$ na época . posteriom1ente. Tanto que o deputado Cardoso de Menezes. em que são feita.18 foram íncluidos no grupo dedesajustados.as fanúlias .

~ão paternal com relação aos jovens que estão sendo conduzidos para o caminho do "mal" e ela "pcrdiçio". Há. por exemplo. rolula ('serve L(lm dkacLl:1n termrismo de tstOl. a máquina perversa ptlde se manter a:zeitada e funcionando. Os principais casos referem-se aos laudos psiquiátricos fornecidos a inúmeros presos políticos. Muitos. 98'3. que mostram nili2'59 Sohre o. POltllllo.lricos fornecidos na C.> ()()4'79B3'5 2f:/! Arquldiocese cL. Compreende-se.<equências da Tortura" L' (l ).to não pem1at1CCeU que preso) seja comum a realização de uma entrevista COIl1 alguém que. Ilá. porque is vésperas da liberaçio de algum prcso politico (demonstra. eram otkiais das FOI\.audo de Sankltde :\fcntal. quando algumas entidades de Direitos Ilumanos denunciam os proJl. Seixas .apitulos 16 "Cofl. E por que coloquei to(h .apesar de todo o referencial psicométrico dominante na época .<'de como a Psi(lUlJITiJClissica ratolr)W:t. coniventes com a máquina mortífera que se abateu sobre o país. rclat3..lOhouvesse prot1ssionah'".. Muitos outros casos ocorreram: ver. enlitido quando ela é posta em liberdade condicional. dois casos. c~xc1l1i.do 20C. de 1'01'1na té honesta. Tal fato é apresentado para o grande público como uma preocupa\. são encaminhados a psiquiatras para avaliações e exames de sanidade menta]'''. empregando seus saberes. em 197:).s. Por isto. fazem a referência às torturas sofridas pelos luililantes. lu varios "xemplo$ ck laudos psiqui.~as nnadas aos A quais eranl encJ. casos conlO () de Ivan A.preso C01l116 anos em Sio Paulo.simos·exemplrl.sionah5 que colaboraram com o aparato de repressão ~ que estes "psi" estavam apenas cUll1prindo ordens ou desenvolvendo um trabalho COll10 qualquer outro.i. 2 . etc de alguns presos políticos.. por exemplo. cujo laudo psiquiátrico. sobretudo após 1968.eal alguns casos .:Sao Paulo_ Hra.. sabemos que.•• ssas inronna~'()eS como um último item e dentro das práticas psicanalíticas? Porque principallllente a pesquh'ia sobre o pernI psicológico do "terrorista" brasileiro . ~spL'cialmcntt' os 1 204 damente .~ dos testes realizados b) J..nlinl1ac1os os presos político. apenas executando seu trabalho_ Entrementes. Vide os testes projctivós de personalidade aplicados: Rosenzweig e Rorsehach.e César de Q.c isto tem ocorrido uitinlal11ellte. serio superficial e panoramicalnente aqui abordados.pOCJ a(l. os vários laudos psiquiátricos citados no livro Brasil Nunca Mais"". respectivamente: aI Relatório Lrimino16gico nº CCIT~D-67/74. consultar. . o regime de força só conseguiu se sustentar por tanto tempo porque exh.•• tiram profissionais que.-hdos da anamnese feita e dos resultado.•• quer que sejam eles.' Tortura" das pa.utiliza alguns conceitos c cxplicaçôcs psicanalíticos. Neles.'io inequívoca de que ele é Ull1 ser "recuperável". seu respaldo teórico/técnico ao 3paralo de repressão. deram apoio ao terrorismo de Estado em diferentes setores c áreas.:l. rcconlenda lIlll tratanlento de base analítica. vL<.<. rnargiruU:ta. Corno nào acredito no mito da neutralidade científica e no de qualquer outro tipo de neulrdlidac!e. em 10/11/"71.preso com 1') anos enl Salvador.'·/vbrGl_'. Todavia. Estavam.s para que fizessem uma avaliaçào psiquiátrica. em qualqucr área . inclusive. VOZL'S.'lade Cu.ginas 2)':. Bcnjamin . Poderiam muitos argumentar .:sospouticos. por fugirem um pouco ao tema deste trabalho. "Beli:'. Rio de Janeiro. foram cCinlplices com o regu11Cde terror ou no núninlo. do DepMtamento dos Institutos PenaL~do Estado . SC111aver qualquer nlen~~io às torturas intligidas a eles.tôdiae Tratamento de Taubaté _Documento qw apf('scnu IHpagilLlS datílogr. se n. Em outros casos.llacb. afirmando a boa vontade dos militares.~ PI1. dizendo-se psicólogo. o caso de Regina Maria Toseano Pereira.Ca. justanlente por serem nlenores.aptos a prestar. em 1971 . assim. ainda. Benlamin. Estes testes nasceram em solo leórico . a 22q Principaln1L'ntL'no CapJlulr! )6. voluntariatnente. "'reaçücs primitivas de regressào e conversào histérica". no Instimto Médico Legal do Rio de janeiro.••U Nunca Mais.'.do "perfil psicológico" tinham sido levados ao conhecimento dos responsaveis pelas unidades onde estio detidos.3S violentas marcas psíquicas que as torturas deixaram em presos políticos. realizado em César Q. paternalmente aconselha o jovem a se "reinlegrar" na sociedade.. A h omissào c a conivência são totais. em 1971 --' que..'-1 psiquiatras das Forças Arnladas registratll estas marcas c alguns.a sobre o perm psicológico do "terrorista" brasileiro.111se os estados psíquicos "con1'usionais" c/ou "paranóides".(1. contendo .OUTRAS PARTICIPAÇÕES "PSI" Além da participação nesta pesquL. assinale-se quc tal' prolissionaL. para que estes possam nlclhor "conhecer" c "lidar" com os presos políticos sob SU3$ guardas. de nO. há numerosos outros casos de atuação "psi" que respaldaram o reginle de terror que se irnplantoll no país. 0. este nào leria funcionado t:lo bcm quanto funcionou Em todas 35 ditaduras ialinoamericanas e durante () nazismo.qlla~. reJerente ao internado Ivan Akselrud de Seixas.

'movimt:nto_ ~.l justifil"4rque aqueles que resistiam à sanha assassina de um Estado de terror eranl desequilibrados. efetivamente. portanto. na segunda metade dessa década.. porque Jügiria ao assunto deste trabalho. merecem maior atenção.mos o Movimento do Potencial Humano. contucio. no Brasil.. em suma. especialmente para psicodiagnóstico e outras Hnalidades.e respostas "estnlturacL1. paulatinamente.adorasc exemplos extremos de como algumas priticas "psi" nos anos 70 colaboraram.':le e.". em São Paulo. As primeiras que se colocan1 como "alternativas" ao mercado monopolizado pela psicanilL.ecdouro Estados I Inic!o.o:. no início dos anos 70. em seu ruL. sacode principalmente os Estados Unidos . para a manutenção e o recrudescitncnto das subjetividades hegemônicas que sustentaranl em muitos aspectos o estado de terror que se abateu sobre o país. Dentre os qucstionan1entos feitos. apesar da competi\:ào e das críticas feitas às priticas psicanalíticas.e pelo mercado "psi".'. Estas são. . continuaram produzindo e fortalecendo estas mesmas subjetividades. o psicodrama tem com ele pontos comuns: o rechaço à psicanilise e a ênfase no enfoque grupali'ta. ua expansão por nos s alguns paises europeus e. Alguns aspectos. nos anos 60. abre caminho pora que. desestruturados. Não desejo entrar aqui em detalhes sobre oS testes utilizados na pesquisa lnencionada. "orienL. i . E profissionais "psi" colaborando com este quadro dantesco. situações anali. sendo. concorda. algunlas i. Todavia.-'i psicanalíticas. Entretanto. no terntoflo "psi".se a reação é "adequada" ou não .oladas em celas solitárias. a funçào pioneira de se colocar como "alternativo" à psicanáli... É um dos testes mais empregados na área dÚ1ica. outras práticas psicoterapêuticas tentem romper com o monopólio psicanalítico. tampouco analisar criticamente o seu uso em geraL embora os considere como poderosL'isimos instrumentos de poder no sentido de marginalizar. O teste de Rosenzweig procura levantar COl110 as pessoas reagem a situa't'ôes de frustraçio. da psicanáli'ie.. . estão: a resistência à terapia centrada exclusivamente na fala e a crítica aos especialL. O principal diz respeito à situação em que a referida bateria de testes c os laudos de "sanidade mental" foram realizados: pessoas presas.~ .. sem dúvida. oferecendo Ull1 amplo panorama em seus resultados. f 206 207 . até os ~l'ipect()S afetivos. em seus relacionamentos no contexto da personalidade. em seu início. Embora não fazendo parte do amplo movinlento que. etc O teste de Rorschach é Ut11 exame estmtural eia personalidade. por este movimento e çom o qual o psicodrama. violentadas no cotidiano da prisão. Todos estão dentro de uma abordagem psicanalítica positivL. modelos e dispositívos) como tentarei mostrar no decorrer deste trabalho. vamos acompanhar nos anos 70. elas continuam detendo a hegemonia nesse mercado.se está orientada no sentido da resolução do problema colocado -. à época. e as interpretações de seus resultados baseianl-sc amplamente em idéias e tcori3. E ainda se esperavam peifbnnances ..C01no se diz no vocablurário psicométrico .o chamado Movimento do Potencial Humano' -. outras sofrendo grotescas e constantes torturas físicas c psicológicas. sua vinda para I> Brasil.ta.<.c..'1das'· e "equilibradas". doentes . sera melhor estudado no Capítulo [V sobre as práticas surgichs Uesst. fornecendo seu aval teórico/técnico par'. desde uma visão do nível e da capacidade intelectuais. No Brasil o psicodrama tem. algumas outras priticas "psi". posteriormente. de outras formas. estigmatizar c normatizar. :~ CAPín rrD III As PRÁTICAS PSICODRAMÁTICAS Adentrando ainda maL. para onde dirigem sua agressividade. rotular.e são as práticas surgidas da instituiçào psicodramitica. o nascimento e expansão de outras práticas que. irão competir com a psicanilL.

)fcodrama se di. à produção de subjetividades heg-emônicas. Ll$cinando boa parte da juventude de classe média européia e latin(Hlmericana.'· Unidos). que o j). que tenta inaugurar um novo tipo de militância política. formas "alternativas" que possam fugir da hegcmo . () hODlem. critica a abordagem pSicanalitica..<. p. a família. o último grande eco da conlr...f)or suas pmpo5. O movimento contracultural é considerado por muitos como: uma utopia (_.>ícanáliile.ta.'ic d(" lima Escola_ 1)i.'. subjetividades hcgemônicas voltadas para o privado. com :1 industrializa\. 02. _direito de cidadania ao corpo humano".0e atravesS:l a década de 60. uma vida diferente. também.'.c.te.a atuar. de sua totalização.~. Segundo Annc . I L)dR.'" que explodem..<. '. tcntativas de forj:lr singularidades. em 1968. os diferentes relacionanlentos humanos e sexuais ganhanl muitos adeptos.." que tão radicalmcnte conlhateram.tge o trahalbo gmpal.rjad'l.~ de Grupo_ Madrid Pirâmide. desde os anos ':. criando um e•.L"nbérf:ér.petiçào.p. poluição. afirmar.r."crtaç:iode M<:.t6ria sob o rotulo de "Bem Generution" "[)rop-ou'-. vão sendo capturadas. morali. que ir3 engrossar as diversas manifestat. As Utopias em Marcha_ Dissen:ação de Mestrado . p... hierarquização. quando o sujeito sai do divã e pa. espeeialismos e Bueno.) l'ü'Ída por minorias sociais.lcultura. para o intimismo com relação a toda (' qualquer difkukbde por que passa.ymo. a das terapias_ () amplo tncrcado psicotcrapêutico..Ancelin Schutzenberger. sobretudo.. l-'ia1Jiliz-uuma formaç'ao mai. inclusil. que..slrado\lSI'. normabnente jOOerlS. L. começa efetivamente a ser disputado pelo psicodr:J.0R /\ contracultura nasce nos Estados Unidos nos anos ':. arli. essas "Gtllladas m~dias" expandem-se.tú. Nuevas Tcrapia.é um caminho de resistência. representados por rigidez.0.ôes contestltória .. a sociedade.. ei. práticas "psí" comcçun também a ser 1(. neuro.'drop-out<. No Brasil.<. (/I/OS Rstado. na época..a ahrir e viabilizar um espaço m ã de clientela ."punha. jJoetas. elas certalnentc se in.L. a utilizar seu corpo para mover-se c interatuar com o a outro. A. 101 Idem. com.-:a (' poluica "'.sumicla pelos chamados hi!Jpies. o psicodrama traz o .içoes metodolõgicas.estes encarnados no lugar ocupado pelo analista. e no qual a ênfase maior recai sohre a "terapelltiza~~ào".. não se inscrevem diretamente no ~ chamado Movimento do Potencial Humano.'. a ascendente classe média se alimenta d~. etc ':4(grifos do autor) Dentro de um momento hL.ecoam pelos quatro cantos do planeta..desde a sociedade de consumo até as tradicionais organizações familiar e sexual .tórico .arli. em diferentes partes do globo. nia psieanalitiea.em que a denlanda "psi" se difunde cada vez mais. autoritarismo e onipotência presentes em sua postura. Outras conccp\:ôes sobre a vida. o informalismo. lk 2. Se as práticas psicodralllática ... 'i 2 SChut7. seu ápice é o ano de 1968." ) que pa.pue/R).A. Os vários questionamentos apresentados . não só na formação analítica COIDO nas sessões terapêuticas..profi~wionais e pacientes .'áo c a crescente urbanização. que produz novas demandas de consumo . 1986 Alvc. os Pioneiros desta reh(4ião íwxmil"áo os mu. paço/auo1"iwel a sua uiahilizaçilO"". a partir do inicio dos anos 70.serem no grande m(wimento de contcstaçào mundial conhecido COlno contracultura.para as "camadas medias".. C01l10 já foi assinalado. com todos os seus corolários ~xploração. no aqui e agora.s. pelo poder de sua "escuta" e o monopólio que faz do saber "psi" Tanlbém são questionados os altos preços cobrados.dentre elas. paranóias.••. em suas or'lRens (no Brasil).L Contracultura: 1978. eUti. 1968 é o clímax do movinlcnto contracultural-a utopia é vivida por quase meio nlilhão de jovens no Festival de Woodstoek. 209 - .<. assimiladas pelos dispositivos e pelo "sistelna.r. '() psicodrama.já apontado . monopolizado pela psicanálise.'\igéncia. f?tnjx'11hados em práticas.)fcos.!L Instltlúçào Psicodramática: G-ênt'." rápida e necessan'amente menos onerosa Pode-w:.'ta p. a romper ('om o acc. Algumas forl11:ls.'\L-"'.'. A. num efêmero e /m?Cá"io aqui e agora.como regcstrado no Capitulo 1.ma. Esta fonna de viver. pode atl'nder a estas e. outras. cultninanclo nos 70 com () "milagre brasileiro".. Não somente no Brasil mas em termos mundiais. a. de se pensar as terapias começam a aparecer no rasrro de todos esses questionamentos.sam r /Jara a bi.üstema.apesar ck)monopólio ch psicanálise. num cotidiano dzjerente da rotina caDitalista de trabalho/lazer. /)ressupõe menor numero de sessoes.. assumIr uma not'a prática e:'Cistenc{al. até .'~porque decidem desahitar o .

de n'lbalho e que pouco acrescentaram à sua expansão. a primeira metade dos anos 70. In: Aruds do VI Congresso Brasileiro de Pslcodrama. cil. em 1961. a Associação Argcntina de Psicodrama Y e Psico1erapia de Crrn. _)proo(Jcam grande impacto na ocasião (. Roias Bcrmudez foi o primeiro latino-americano .se o seu avanço se localiza na déGlclade 70. 248. Mesmo 3." tentam produzir no Brasil. os dispositivos e os saberes que vão sendo instnllnentalizados e forjados por elas. figurantes.'. quem sabe.3.'>. além de propiciar g-rupos de estudo sobre o psicodra. gradativalllente.autoritarismo."6. M. M..1vc. de. ork. em 1 96'í.a história de algumas das Sociedades psicodramáticas instituidas nos anos 70 no Brasil. todos.'lde 194'5. _).'S5eS acontecimentos sao citados também por Navarro.o as te.por Jacob L Moreno. foranl interven~iSes isoladas. a proposta psicodrAmática.po. Rio de Janelro. I- SAMPA E O PSICODRAMA Em 1967."úneira vez.auge dos movimentos estudantil c contraculturAl no Brasil -.'. Op.a ler o títuJo de Diretor de Psicodratn:l conu'dido. a primeira na América Latina. realiza-se o curso. FEBRI\P. iniciado por Norma Jatobi em 196ü. pelo Instituto Moreno de treinamento em psicodrama. de forma aleatória a alguns estabelecimentos.ar a institucionalização do movunento psicodramático no Bra.pois pela pn'meim vez sefaz realizar um psicodrama público em Sdo Paulo.P. Ao voltar à Argentina.1falguma. podo menos. foram experiência. não se podem ignor. a Enfancel". Iris Soares de Azevedo em sua clínica privada em São Paulo.. não posso me furtar a levantar alguns clados da história instituida do psicourama no Brasil.O GEPSP E O ·SUCESSO" DO PSICODRAMA Os Doutores Osvaldo Dante. discorrerei separadamente sobre esses doi') espaços..pela. em 1963. por oca. em 8eacon. posteriormente.. convidam Bermudez para um curso de duas semanas com vivências. Da mesma fonna que fiz conl as práticas pskanalíticas. L.por Pierre Weil.P. Ainda nos anos 60 há algumas tentativas de se levar. . a partir de 1965 .. Por ter uma hist()ria bastante diversa. :-/ebt:l. "Essesdois trabalhos (. Flávio D'Andrea. a ser implantado de 111odo tnais efetivo. dos acontecin)entos posteriores que vão marc. realizado em São Paulo.. com psicodrama apliGlcloao treinamento.ilizada. Todos t. 248.. tatubém aqui exporei brevemente . 1978. totalmente esporádica" fC'. 9 10 210 211 . como. p.era colomtliano <:' rarucac1) na Argentina. em seu consultório na ciclade de São Paulo. pela p. A Clínica Enfance. 6 7 Citacbs por l'ierre Weil in Psicodr. dirigido por Jaime Rojas BemJUdez'.. no mesmo ano. Milton Di Loreto e Michael Schwarzschilcl.ulo. OI' cit.."i experiências desenvolvida.ma. H. de suas intelVençôes pontuai. Bermudez é convidado pelo Serviço de Psiquiatria e Psicologia MédiGl do Hospital do Servidor Público Estadual pam dirigir ali outro psicodrama público.una. em 1962. É cm São Paulo. novas releituras . que tcm uma grande 8 J.')il""7. . pessoas em seus IOGli.. I'. "Caminhos e Descaminhos do Pockr no Psicodrama no Brasil". Na mesma ocasião. inicia também uma experiência em Comunidade Terapêutica que percorre. Apesar de pretender realçar a produção das práticas psicodratnáticas no eixo Rio-São Paulo e as instituições. no SENACdo Rio dc Janeiro.desde os anos 306 No entanto.ião do V Congresso Latino-Americano de Psicoterapia de Grupo. É isto que as práticas psicodramáticas no final dos anos 60 e início dos 70 e. no estado de NoY3. em 1962. Dentro da história do psicodf'dIna no Brasil. Pierre Weil. t. A. 81. no Centro Médico Pedagógico de Minas Gerai. busca-se também conceber novas terapias "alternativas" que fujam da dominação psicanalitiea. enl São Paulo e no Rio de Janeiro. se /lê alguém ser tratado psicoterupieamente em . hmcbdo em lC).!Júblico Nesta epoca ( ) estâo começando a ganhar imjJuLm no pais e em Sao Paul. CEPA.. p. em 19'í'í. e o trabalho clínico. na área de Recursos Humanos do Banco da Lavoura de Minas Gerai. 1 . funda.à guL"iade maiores informaçôes e. Navarro. Assim como se tenta criar outros modos "alternativos" de viver a vida no planeta Terra. e.. alguns médicos psiquiatras assistem no TUCA a um psicodrama público. quando reúne algum'L' pessoas para o estudo do psicodram. 248--2')6. as chamadas "alternativa. seminários e discussões sobre psicoclrama em sua clínica particular ele psiquiatria infantil.. Em fevereiro de 1968. escapando à dominação capitalista. que o psicodrama começará. Célio Garcia.'apias de grn/XJ . São P:l. ligados ao Hospital do Servidor.c. no Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USPl.

ào à formação da SBPSP por parte de uma parcela de profissionais "psi" paulistas. Somente em 1975 . In: Op. itcnl V1 . constitui-se o Grupo de Estudos de Psicodrama de São Paulo (GEPSP). 249 Alves. ciL p. abandona o movimento psicodramático para tornar-se presidente da SBPSP. A. de formação de (Em 1 968). ( ) apesar defd existirem dOl'ioutros cursos de (ormaçao f . sexuais e que utilize o enfoque grupal. organizei o Instituto de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo. mais tarde. os cursos do Sedes e da Sociedade de Psicoterapia de Crupo de São Paulo nào conseguem compelir no tnercado ··psi" paulista com a hegcmonia da SBPSP na formação em psicoterapia. na segunda metade dos anos 70.stcmático de psicodrama é grande.ro. é um precursor desta nJptura.como já toi mostrado no Capítulo 11. assim.. o psicodratna.. cit.Manoel D'Ale. burocráticas.. mimeogr.. De acordo com ele. Dados fornecidos em entrevista por A. também.. Antônio Carlos M. Rojas Bermudez.tas que não seja a Sociedade de Psicanálise A perspectiva 11 Esta comissão é formaru por Laéroo de Almeida Lopes.lri<. 142. M.C.rsos de e!JjJecwlizaçüo em psicoterapta (' imensa. morais. a SBPSP ..principalmente após o Congresso no MASP. Cesarlno a Ui. Todavia.15(grifas meus). dentro da Associação Argentina. Cria-se uma comLssàoJ1 que tem a finalidade de congregar pessoas interessadas nesta formaçào e. em São Paulo.. 1977. há tempos esperando ser chamado para a formação nesw Sociedade "oflcial". Op.•\1ichael SchwarzschOde Deocleciano Alves. a curiosidade.) fora o da SBPSP o doSeder.). lOÇ 212 Tanto que o GEPSP é filiado à Associação Argentina de Psicodrama e Psicoterapia ele Grupo e só poderá se constituir em Sociedade ou associação quando tiver um diretor brasileiro formado em psicodrama. em 198714. et alll. In: ~avarro. sem dúvida.e os preços inacessíveis para muitos jovens "psi" de então. a grandc procura pela formação cm psicodrama associa-sc. Já vimos no Capitulo anterior. 13 14 1'5 Cesarino. Desse modo. O GEPSP emprega como estratégia ele formação o mesmo tripé que as Sociedades "oflciais": terapia. seu grande sucesso. l. portanto. A repcrcussào da proposw de um curso s. não e. em São Paulo. tem uma acolhida pronw e inesperada e Deoc1eciano Alves que participou da comissão organizadora do GEPSP -. elaí. Alves. Mestre)ou.tistem alternativas terapeu.'lsand. p. Devido ao número de interessados e o desejo de continuar o trabalho iniciado por Bcrmudez. na década dc 60 c na primeira metade da de 70 sua hegemonia é absoluta. 12 2t3 ."5ociaçâo. organizacionais.. do novo.. cit. surgc unu série de outros grupos "psi" que começam a romper com o monopólio da SBPSP. o desejo de ampliar horizontes. indubiwve]mente. de enriquecimento na formação dos profissionais de saúde mental atrai muitos terapeutas para o psicodrama. conforme já se assinalou no Capitulo 11.H. 111. O psicodrama.P. nesse período: a demanda de cu. Entretanto.. pois em São Paulo. Bermudez. 03. Esw é a proposta da Associação Argentina de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo. há. os titulas de Psicodramatistas dependerão do Instituto como organismo docente da A.o curso de Psicoterapia de Orientação Analitica do Sedes (com Robcrto Azevcdo c Regina Chnaidermanl fará alguma sombra à forma"ão analítica "oficia!" ~a época. ele afirma: . naquele nlomento. o que mostra U1113 oposil. Textualrnente. ( ) o que re1. à busca de "outras" fOfius de terapia. p. mais democrática nas questões flnanceiras. É o mesmo esquema utilizado para que um Study Group seja reconhecido pela IPA: haver um didaw. e o da 'lociedade de Psicoterapia de Grupo. HIstória Geral do Psicodrama. em 1970 . 1974.procura (sào organizadas três turmas).exerce algumas "pressões": Antonio Carlos Cesarino. que funciona de ]968 a 1970. mais flexível. como a "grande alternativa" 13• Além das fIlas que se formam às portas da SBPSP .'ltiJlliçõesjormadora~'I'ígc"11t('5··'Ji. seminários e supervisões. que.C. Cesarino. a preparar o terreno para que mais tarde ela viesse a ocorrer. São Paulo.lnt:roduçãoao Pslcodrama. vem preencher Wis aspirações. Jose . SO:lfesde Azevedo.. Pedro Paulo Uzeda Moreira. ajudando. fundada por).R.fato motivado pelo pequeno número de didatas. São Paulo. p.. decide-se organizar um tLlrSo de formaçào cnl psicodrarna. Alfredo Correia Soeiro .'ela o anseio de um grande numero de profissionai'i por uma especialidade e que ndo encontram respostas nas i/1. p. seguindo o modelo da Associação PskanilJJtka Argentina. o desejo por uma outra forma ele psicoterapia. em seu inicio. tão logo o GEPSP se impõe como uma "alternativa" para a formação "psi".G. fornlas "alternativas" à psicanálise. Op. E.

já se tem onze grupos em forrnaçào de psicodr:una terapêutico (' quatro em psicodratna pedagógico. cmn diretores indicados pela Coordendçào atêle/. Pavlovsky. ()p. 16 Alves. egundo reconhca:.zef pane do próximo Cllrso. . continuarem l'm wa !imçao de coordenaçao cada vez maL. pelo próprio Bcrmudez é erigida em coordenação do (. LH.mpo de Estudos.s da escola arp.EPSP . muitos elesses profissionais a partir de 1968como já comentado no Capítulo anterior .EPSP coloca que: "Uma 1JeZ aceito pela coordenaçdo.. propoe a organizaçào di' um curso regular de lJsicodrama no Rrasil"lú.. Enlbora não rompam com a prática psicanalítica.lo obstante todos esses conflitos. maL"aberl~l<).::t. maL')flexíveis.lo. CeS:lrinu. Os conflitos se avnlum~lIn entre a c()Ordcn:H.nstituições. centralfzado parI L Mort~o alma!. dto p...funçào para a CJual tinham sido escolhidos 2!l.l. p_ 112 (. companheiro de i BemJudez na Associação Psicodramática Argentina que.C. todos membros ela Coordcnaçào do CFPSpl. intennéclio do Bra. da AI'A-.HlSP Il~()~.. . especialmente oS paulistas e cariocas. gera .<.'Ítico.'imoestira. contestada "i . desde 1971.l0 explodir no Congresso de 1970.. alraf'(!s do nasce agregado a um mOl'Ímento mundial de dL••. blo que. hzendo desaparecer o (.-. assumindo as (unçóes de líderança elo m01. na figura cle J..Ainda que Bermudez copie o modelo ele forma.luO por Al. que possam enriquecer suas alua~ües gnlpai<./institucionais. o candidato que des!!jar se on'entar' /Jara /ónnaçao como niretor ou Ego-Au:~:iliar de Psicodrama del'f"'á !Jarlicipar de Reunioes de Estudo e Grupos de "Note-plav/n!!. 1.icL .'.. enfronbados com o P.odcs rachas no movimento psicodramático mundb. especial o paulista.passam a fazer parte do que ficou conhecido COlUO a segunda geração ele argentinos.cnada irá influir na form:H.Op.l o movimento psicodram3.:imo. implanta SutL... a lazer s com qUl' se . O Boletim Informativo n" ()~do (. destaca-se E. nUt J 2. também bzendo parte do Gmpo I'btal')flna . ()p.'ãode luannbras que se valem até mesmo elo emprego de técnicas p.0 Touos ~'stcs conJ1it()sL"Sti() de' A.::tsem torma\-'. posterionnente.EPSP.icl)drama e. A vertente que se impõe. Rojas Bermudez.'emiropro.P.Oipagos..il. N.são os Diretores designados para estes grupos. imediatamente em São Paulo. Dentre eles. w:'minaçàó do /Jsicodrama qUl'.Ireqüel1les con!lit. assün como se designam diJl'torcs de grupos de estudo c de role-jJ/ayings para os iniciantes. citando depuinkllto IH Uoletim Infonnativo do 19 Boletim Informativo do 2. L. o Boletim Informativo nº 04 comunica quem ..c. M. 2')(1 C 2') I 2t'. 111e 112. GEPSP.':este. cotn a equipe de Bcnnudez.ão da APA.cit. ocasiüo em quepoderáfazer Seminários e (. em 1969. ) em Sao Paulo.. é a de J.ciL.. Isto faz com qLle haja Limagrande participa~'ào de brasileiros no [V Congresso lnternaciona! de Psicodrama.m.tico brJ.iá durante a existência do (. por <. abre-sc a p:utir de 1968 P"'. empenhase pela politização do movitnento psicodramático argentino c latU1()anlcricano.~10.tir:ll1do-lhes o cargo ele representantes dos alunos junto J."jde turma. E iniciam um movitnento de contesta\'ão a alguns aspectos elas práticas analític.fI18/j9(Y) !Urr:lru)s in NJ. desta comissão/coordenação saem professores e sllpervi~ores de seus próprios colega. GHPS1~ " .pp.'rupos Tel'al)(~ticos com o f)r Rojas Rermudez"'s (grifos meus) o lTlercadolatino-americano psicodr.l Bennuelez.'es. 0')'08--196H. realizado em 1969.cntina Fato é qu(. contribuirá para que ocorram glJ.1I. que ir.. em 1-' kkm. iníciaclo em 1969. A comissão escolhida. OLlsej.<..' o pn5prio Bermudez.. lij. Rojas BemJudez. para a Associaçào Psicodramática Argentina acorrem muitos profIssionaL" interessados em outras práticas. hases hrasileiras atra/y:.\"intam mai.ileiro.Moreno. "() mol'imenfo /Jsicodramático L .bor essa especie de direito.sicoelramáticas para transformá-los em representllltes da Coordenaçào junto aos alunos em f()rma~-'. em Este "coloniaIL"no·' argentino. entre o próprio Bennuclez e seu mestre J. os quais ck'nuncianl a realiz'Jl". esta vertente do psicotirama pouco ou qua. Com L~so.'\. Coordenal.Wore-nolh(.Horeno" e de uma da instituiçao formadora instituição nomUltizadora o "lFodd Center'.'im(~to psicodramatico na América Latina com que .varm.:àonecessária para 1J.:ull. espalhando hrp:J" par.lO dos psicodramatistas brasileiros.. dt" pp..'ãoc os representantes elas cinco lurmas em formaçào. Contudo." o "Instituto . cresce em muito a demanda por Limaformaçào "alternativa" fi psicanálise e.) A participJ\-'ào nesses grupos é condit:.adquirindo PriuiJegios no aprendizado e na conduçao do m01timento Ri'Cebem de Bermudez uma carga horária dupla em supentísilo e terapia que os lel-'Cl.dissociado.quinze lUrm..'18 c às sua. em 1968.

Pavlowsky. UI. agentes da Polícia Federal retiram do MASP uma série de cartazes considerados "subversivos": continham frases de J. os argentinos E. 22 2~ Alves. Moreno e Zerka se recusem a vir. se o poder impede manifestações. G. J. é realizado na Argentina .121. Bogliano. Breu Stuart e A. na última hora. estão afastados dela. antes do inicio do Congresso. o francês Georges Lapassade. participam entre 1500 a 3500 pessoas. grupos de discussão dramatizada. artísticas. com a presença de Moreno e sua mulher Zerka. no Brasil. se a ditadura decreta o isolamento.. em 1970. alise organIza um encontro. dentre outros. proferidas pelos psicanalL'tas paulistas ligados à SBPSP. Moreno! Segundo alguns de seus organizadores entrevi'tados. Segundo as avaliaçôes feitas. 2 .Buenos Aires.O GRANDE HAPPENING E A CISÃODO MOVIMENTO PSICODRAMÁTICO PAUllSTA Em agosto de 1970. Maziers e D. realiza-se no MASP(Museu de Arte de São Paulo) o V éongresso Internacional de Psicodrama e Sociodrama e o I Congresso Internacional de Comunidade Terapêutica. 143 egosauxiliares.Eles denunciam que foi um venudeiro show.onc tradições de uma sociedade silenciada ganham luz atraves do esforço empreendido pelo congresso e ele próprio se constilui em grito pela liherdade e democrada "22 Justillca-se. Bustos. a. KnepIer."fiel" às práticas instituintes apregoadas pela Análise Institucional. o japonês K. oficiaimente. o Congresso de 1970 apresenta.p.sim. C. composto de 39 páginas datilografadas. atitude esta que gera inquietação por parte dos organizadores paulistas. recém-conqui. seja por questões fmanceiras.e. ao poder que impõe o fracionamento e a conspiração. Tanto para Bermudez quanto para o próprio Moreno é importante que o mercado psicodramático !atino-americano. insurgente. a proibição do encontro entre as pessoas. seja ampliado e conquistado definitivamente. Sociometry and Group Psychotherapy. "--. respectivamente. Quintana. duas caracteristicas: é um contraponto à ditadura militar e à prática hegemônica da psicanáli.tado. sem duvida. Afinal. de segunda a sábado. redigido em português e inglês. Isso porque estamos em 1970. à época .e. E. o grupo de teatro inglês living 1heatre e muitos brasileiros. em 1969. Assim. lotam os amplos espaços do MASP. como: Anne-Ancelin Schutzenberger. Como contraponto à prática hegemônica da psicanálise.penado mai. representantes de comunidades terapêuticas argentinas e da uruguaia Del Sur. 216 21' . primordialmente. consultar o programa do Congresso.o grande suces~o obticlos pelos psicodramas públicos. Os congressos internacionais desde 1964 eram feitos de 2 em 2 anos em países europeus.um dos pólos mais importantes para tal expansão. fIlmes e diapositivos. "O arbítrio da ditadura militar cala as manifestações cuiJurais. L. tendo como presidentes honorários. à comunidade terapêutica e a outras áreas "psi" estão presentes. pp. "O Congresso de Pskodrama de 1970 semiu. 11C) e 120 [dem. OP.sede da expansão desse mercado latinoamericano .tenta fazer uma intervenção socioanalítica através de pequenos colfÚcios durante todo o Congresso.<..o império do silêncio.. Várias atividades são programadas. L. sobretudo na grande imprensa. seja por falta de vagas na SBPSPou mesmo por questões ideológicas. o movimento psi~ codramático propóe ( . que. Moreno e Maxwell-Jones. feroz da ditadura militar .) o encontro-confronto direto entre os homens. os norte-americanos Maxwell-Jones. dt. se reconhece e estimula. como uma espêcie de cunha no monopólio da psicoterapia exercido na época pela p!>1canálise"!. Conta-se que Georges Lapassade . figuras internacionais ligadas ao psicodrama.. sindicais . organizados pelo GEPSP e sob o patrocinio da Associação Argentina de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo e do World Center for Psychodrama. o Congresso é a oficialização de uma alternativa prol1ssional para muitos que.'. que lotam os espaços onde são apresentados. por diversas razões. Matsumura. Não é por acaso que surgem. 21 Maiores detalhes. relatos oficiais. São. a nova proposta. o contexto social torna-se texto grupal. em sua maioria alunos das onze turmas de formação em psicodrama terapêutico do GEPSP21. como teatros permanentes. ferozes críticas ao referido Congresso.e. Embora. ateliês permanentes e de expressão.

Pavlovsky e outros membros da Associação Argentina de Psicodrama2<' rompeu1 C0111 crmuclez. o Congresso de 1970 . ã quebra do setting. E.iar. resguardado e demarcado pelos guardiães da "verdadeira" psicanálLse.nos rastroS do movimento contracultural . é classificado pelos psicanalLstas até hoje como uma terapia superficial e. por conseguinte.~meus Objetos Que Têm a Ver Com Moreno". In: A". de um modo geral. a visão conservadora e as subjetividades dotninantes no meio psicanalítico. Raimundo DiJJello e M:1Iia Alicia Romana. Bermudez. havendo a quebra da privacidade necessária ao tratamento psicoterápico. No Congresso.ssaÇ'io".. manifestam-se de i()rma maL violenta esse. atingimlu scu auge em 1973. particularmente para a América Latina .. em 1971 . Moreno havia deilo Bermudez e01llO seu herdeiro. inferior. poL')atentava contra a moraL os bons costun1CS. Entretanto.. também. fundamentalmente. nào SOlnente o psicodrama. desqualificadas e inferiorizadas pelo discurso totalizante da '"verdadeira" psicanálise. o que lança farpa. "Mesa Redonda do.p. Casa cIo Psicólogo. Um outro efeito do Congresso. Em 1969.j6-6I. Sem dúvida. tendo os seguintes objetivos: 2'i 2') Maiore. Basta ver o programa do Congresso para que se verifique que isto não ocorreu. pelo caos.durante o VI Congresso Internacional de Psicodrama e Soeiodrama. marginalizadas. já se sentindo fortalecido a nível latino-americano. portanto. I lá alguns pontos a serem aqui levantados: a questão anti-ética prende-se. território tão bem protegido.·ões práticas é um argumento . abertos.') no eixo Rio-São Paulo. sem dúvida. de Bermudez. é a manifestação explícita e pública dos conflitos entre Bermudez e Moreno pela posse: do mercado latino-americano. fundamentalmente.pleno do positivLsmo-cientifidsta qúe domina a prática psicanalitica da época. política. em que o emocional aJlorava de qualquer forma. São. Apesar de todas as discord1l1cias. durante o Congresso de 1970 em São Paulo. (Ur~. concordam. cultural.tcncial. Os argunlentos de atentado à moral e aos bons costumes revejam. SO. logo após o Congresso.detalhes sohre <:sta "c:l. . já que oS aspectos teóricos ficavaln relegados a un1 segundo plano. fica claro que o V Congresso de Psicodrama c Sociodrama c o r Congresso de Con1unidade Terapêutica marcaram época e é a partir deles que. Oficialtncnte. É verdade. a dissoluçào da fanúlia. pela confusão e muitas vezes pela iInprovisação. lançando o ManiR festo do Gnlpo Experinlcntal Psicodramático Latino-aluericano.-itncnlopsicodramdtico pauIL'ita..'i no na. 1990.isto gerou atritos com outros psicodramatL"itas de diferentes nacionalidades . Fidel Mncio.UlTIavez que os psicodralnas públicos expunham excessivamente as pessoa. claramente. rompe com Moreno. Além disso.•• com a ausência de Moreno. Este retira. M. atuações menores. c()n~ullJ. para o movimento psicodramático mundial. 219 . São Paulo. conferido pelo Instituto Moreno.•• "alternativas" começatn a ser comentadas e lIm pouco maL conhecida. de Moreno.sicoterápica. aquilo que chaluan1 de "atuações práticas" são OS psicodramas públicos e oS diferentes ateliês organizados. menor.se questionam oS valores capitalisticos instituídos.) O Psicodramaturgo.e." chan1aclas . c1eve~seconsiderar que numa época de extrema repressão social. tendo em vista a inexperiência elos profissionais "psi" paulLstaS em organizar tão grandioso evento. mas como instrun~entos de mudança. nun1 momento efi1 que mundialmente . um Congresso anti-ético .conflitos.os psicodramas realizados tornaram-se espaços abe!tos para o glupal e para uma verdadeira Gltarse por parte de muitos participantes.')cente tl10\. em 1965". uma vez que as subjetividades hegemônicas da época pregam a tirania do privado e o repúdio ao público..'i. L. privilegiouse a atuaçào prática. mas. Alegam que as técnicas psicodramáticas elevem ser utilizadas não como un1 meio de adaptação ao sistema. o título de Diretor em Psicodrama..afirmanl -. Como Carloi! Martinez Bouquet. Moreno ··deserda" Ber1lludez. Para a "verdadeira" psieanálise tais propostas distanciam-se do caráter "cientítlco" que a prática psicoterápica deve ter. l11a8un1a série de outras abordagens p. que houve exposição de pessoas durante alguns psicoclramas públicos.propagandeando o uso de drogas. do casamento. artística e 118 eXl<. Foi. O psicodrama.foi marcado pela "atuaçào". quando Bcrmudez e a Associaçãu por ele fundada na Argentina são desligados du World Center. dentre outros.r Cusdmir.na fala de alguns de seuS organizadores . O privilégio às atua\. É um sacrilégio que isto ocorra em espaços públicos. Estes conflitos e cL'iôes se acentuam intcmacionahnente e. em Amsterdã -.c.

.s e detectar os "emissores de normas': os que em defesa de seus proprios interesses impõem papéis não relacionados com o interesse da comunidade"lh. Em 1975 no Instituto Sedes Sapientiae é iniciado um Curso de Formação Psicodramática do qual participam professores das duas Sociedades paulistas.alunos em fornlaçào23. O segundo. 121. p. vinculada ã Associação Argentina de Bermudez.Op_ cit.. 2. No Brasil. como por exemplo. M_P. o clima de cc. Manaus.. Bahia e Rio de Janeiro (caso que será visto adiante no item m. Oi e 08. Cria-se uma divc."1) pôr em evidência os sistemas repressivos e as condutas que estes fomentem. a nivel internacional. A SOPSP também amplia a formação psicodrarnática para Curitiba. explodem violentamente. funda a Sociedade de Psicodrama de São Paulo (SOPSP) sem quaisquer ligações com Bermudez. pp_ 2')3. Op.que representa o Psicoclrama Pedagógico.matlzar? BA. O primeiro grupo. e outros mais.c. em Tóquio. 4) revisar e analisar os papéis sociai. Fortaleza. F. ainda em 1970.minoria dentro do Grupo de Estudos . Assim. rompendo com ele por completo. E. o qual não sai do papel. 220 221 .. O cisma no movimento psicodrarnático mundial se acirra e. Florianópolis.e os que questionam os métodos e a postura de Bermudez. LH. Logo depois. assim. Pavlovsky faz parte da segunda geração de argentinos analisada no Capítulo 11. com o apoio de uma Sociedade de Psicodrama de São Paulo . Curitiba.. A este ponto voltarei mais adiante. perde uma unidade mais orgânica e até hoje permanece acéfalo "27.As Duas Sociedades de Psicodrama: a ABPSe a SOPSP No final de 1970 há dois grupamentos claros no GEPSP: os que querem continuar a formação anterior sob a coordenação de Bermudez . Rojas Bermudez. 2f:J 27 2B 8ouquet. Bermudez discorda frontalmente dessa diretriz. mantém contatos com alguns psicodramatistas argentinos da antiga equipe de Bermudez que com ele já haviam rompido.. E. que já vigoravam ao longo desses dois anos. em 1972. liderado por Marisa Nogueira Greeb.e traz uma clara implicação política para o psicodrama.mantcr o monopólio do mercado psicodrarnático !atinoamericano com Bermudez. e Pavlov~ky. causando sérios conflitos C001 os demai. Proteo. onde estão presentes a outra metade da antiga coordenação do GEPSP (Laércio Lopes. Campinas e Ribeirão Preto. a ABPS forma núcleos em Campo Grande. Todavia. tendo como sede a Associação Argentina de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo e como Secretário Geral. Psicodrama:: Cuândo Y Porquê Dra. portanto.. ao exibicionismo e autoritarismo de Bermudez. 3) investigar as conduta'i autoritárias dentro efora das instituiçÕes. liderado por lris Soares Azevedo. funda-se a Federação Latino-Americana de Psicodrama (FLAS). no item m. Alves. Roias Bermudez. Porto Alegre. fazendo implodir o Grupo de Estudos. Isto começará a mudar em 1975 com a vinda sistemática de Dalmiro Bustos para o Brasil.M. no momento de esclarecer algumas situações analisadoras das práticas psicodramáticas.a ABPS .1 . A partir de entdo o psicodrama. 1971.ão dentro da coordenação do GEPSP e da própria equipe de Bermudez. Paulo Uzeda e Antonio Carlos Cesarino). cit. 2'54 c 2'5'5. pp. Maiores detalhes sobre o movimento dos representantes elas turmas diante da CCXJrdenação do GEPSP e do próprio Bermudez. José Manoel D'Allesandro e Alfredo Soeiro. C. Buscase. Questões. funda a Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama (ABPS). Moeçja. J. ã questão do pagamento.tituídoum comitê para organizar uma Federação Internacional de Psicodrama e Sociodrama. com Anne-An~elin Schutzenberger. Antônio Correia Soeiro. no VII Congresso Internacional. Várias críticas passam a ser feitas. todos os 11 representantes das turmas em formação em psicodrama terapêutico e a maioria dos alunos do GEPSP. etc. Nos anos seguintes.ão é intensificado ao fmal do Congresso quando os oito componentes da cooordenação do CEPSP são diplotnados conlO Diretores em Psicodranl::l por Bermudez. é con. as duas Sociedades paulistas expandem por algumas cidades do interior de São Paulo e por vários estados brasileiros a formação psicodramática. consultar Navarro. Entretanto. em 1973. sai o grupo da SOPSP. 2) detectar e enfrentar situaçÕes de injustiça social e outras relacionadas com as diferenças sociais. "Esse nwuimento de conflitos se acentua e pro:ssegue até a nwrte de Moreno em 1974.

') duas vertentes.em ]973. até 197~. l~ a partir de então que.e.após sua formação em Beacon. por ter grande influência da psicanálLse em sua formação . quando faz uma aproximação ela relação dialógica de Buber com a tIlosofia existencial.'ite-se... sllbretudo por intermédio da SOPSP Entretanto. grupos de estudo c fazer terapias.. trazendo uma série de conceitos psicanalíticos para a prãtica do psicodrama.grandes gnlpos há numerosas varia.No início dos anos 90 há. Bustos passa a vir sistematicamente a São Paulo c."'pectu intrapsíquico-relacional (o psicoc1rama cOlno um processo na esfera intrapsíquica). vem se consubstanciando nos trabalhos de Alfreelo Naffah Neto: o psicodrama segundo lima leitura nietzschiana30. transmite tal visão aos psicodramatistas paulistas. pp. oito Cursos ligados à formação em psicodrama: II da ABPS.:ôes:desde as correntes mais 1110reniana. a. o da SOPSP.do referencial morcniano.cola~clássicas de psicodrama: o psicodranu moreniano.. É o chamado "grupo autodirigido·'.7.havia articulado e imbricado muitos conceitos psicanalíticos aos morcnianos -. com Morenll -.e. psicodíJJ11itico Fonseca é protagonie.]s ou psicanalíticas.ta. em São Paulo.começam a se desfazer... paulatinamente. enfatizando oS aspectos neurológicos e sofrendo influência de Bernluclez e outra. nl:lis psicanalítica. In: Op ciL.oe.:. se assiIn podem ser chamadas. quadro que irá se modificar com a vinda de Dalmiro Bustos. é bastante diretivo. segunda metade dos anos 70. seu antigo colaborador. Uma nova abordagem. '. Com o surgimento das duas Sociedades ..a entre estes profissionais que procuratn o respaldo de uma teoria do desenvolvin1ento ela personalidade.)sL. o do Sedes. . 22. o "mestre" do psicodrama no Brasil. no final da década de !'lO. apesar de possuir um excelente lllanejo de gnlpo. Embora não seja objetivo deste trabalbo lima análi . o psicodranu analítico francês e () psicodrama trj:ídjco. o da Campineira.8 te' S9. cm 1972 . a partir de 197~.o prática terapêutica psicodramitica~4: uma mais médica.'i e COll1petiçôes do movimento psicodrantitico argentino. pois seu trabalho gru paJ é cemrado no protagonista e não no diretor: o gru po é que escolhe o assunto a ser tratado e () protagonista é ml1 membro indicado pelo próprio grupo. acredito que algo maie.deva ser mencionado. 2() Segundo Anne-Ancelin Schutzenberger. Aspecto a que Bermudez já havia sc referido. o Instituto de Formação em Psicodrama)acob L. na segunda metade dos anos 70.•• dos diferentes enfoques teóricos dentro do e mOVlll1ento psicodramático brasileiro.()cs e à postura. uma veLoque "pinça" determinado assunto no gnlpo e () leva para a clr.DALMIRO BUSTOS E UMA OUTRA VERTENTE PSICODRAMA ARGENTINO NO BRASIL DO Apesar de Rojas Hennudez ter tentado manter seu nl<mopólio sobre o mercado psicodramático brasileiro através da AEPS c da criação do FLAS. Desta forma. ~l atualização das divergência. o do Instituto Brasileiro de Psicodrama (1131') e o da Escola Paulista de Psicodratna. começanl a ser mostradas mais cbran1ente algumas diferentes vi.final dos anos 70 e início cios lJO .presentes no olOvimento psicodramático paulista em scu início . grandes inJluências méciic. sem dúvida. internacionaimenttl. '. Moreno.<) pela SOPSP para dar supervLsôes. passando senl pelas que enfatizam o a..-'ão Argentina e fundara. as críticas e a grande reação à psicanálise . ao elaborar uma psicopatologia do psicodralna dissociada como já assinalei . enquanto diretor.e com na as vínd~l<. em São Paulo. é Bermudez.lJnatiLoa~ão.com re1a\-':J.ta de unllllomento no mOVU11ento brasileiro . A [()fInação dada por DaLmiro Bustos quebra a profunda "medicaJização" existente na formação berrnudeana. em uma de Sl""S vindas ao Brasil.:tados.ARPS e SOPSP . Assim. Afinnatn que Bermudez.. mesmo que de forma um tanto superficial. em São Paulo. até a vi'ião de Fonseca sobre a Matriz de Identidade. sob influência de Bustos. chamado pelo Departamento de Medicina do Hospital das Clínicas (tlSP)' Dalmiro e Bustos é convidado por um grupo de psicodr::unatic. Bustos traz tambénl tecnicamente lima formaçào mais "delnocrática".sisten1átícas ao Brasil de Bermudez c Bustos. 3 .2 Para l11U itos psicodramatl'itas paulistas cntrcvi<. Segundo Sérgio Perazzo. Dentro desses doie.. há rrê. Porém. que rompera com a Associa\. seria extremamente grosseira e simplista a alusào somente a esta. o do Vale do Paraíba (SOVAP).~ e. Em dezembro de 1974. 01n protagonistas escolhidos C por ele.. o de Ribeirão Preto. outros argentinos continuam vindll ao Brasil.em CJuehá inseguran.

inclusive fugindo aos padrões vigentes nas clássicas escolas identificadas por Anne-Ancelin Schutzenberger (ver nota nº 29). simplesmente convidado. São Paulo. e mais. o psicodrarnatista faz uma formação de aproximadamente quatro anos. 2'5-26.jimmldo por Entídade Federada à FEBRAp. a FEBRA? organiza e unillca para todo o país os critérios para a adrnL'5ão e seleção de candidatos ã formação psicodramática e os critérios de escalonamento das equipes formativas. ]989 Em 1976 é fundada a Federação Brasileira de Psicodrama (FEBRA?)que. Nid7sche. seguindo o mesmo tripé analítico: curso. ou seja: "A}Psicodramatista -formado por Entidade Federada ou congênere.. segundo muitos entrevL. dentro das exigências estatutárias e regimentais da FEBRAP e do CNF.). São Paulo.para matCrias afins. não obstante tais influências. ou reconhecida pela FEBRAJ~ possuindo experiência em terapia psicodramátíca.Rma. D)Supervisor . etc. Todavia. ". após a obtençâo do título de Psicodramatísta. Vida e Morte na Situação de Tortura: Esboço de I [ma Fenomenologia do Terror. 1977. Assim. A. oriundos do rompimento com Bermudez". dentre outros.A NORMATIZAÇÃO DAS PRÁTICAS PSICODRAMÁTICAS: AFEBRAP Na mesma época em que Bustos começa seu trabalho de formação no Brasil.1 . pode-se atlrmar que o psicodrama no Brasil _ pelo menos em São Paulo . fu:r: unu leitura do psicoc1rama a partir do materialismo diaJético. até 1991. uma preocupação. básica e preliminannente.tas brasileiros. tendo feito Supervisão posterior à sua conclusdo de curso .Sem dúvida. supervisões e terapia. graduados em Medicina ou Psicologia"" (grifos meus).' início 00. também. tem sido grande a produção na área das práticas psicodramáticas. 30 Alfredo Naffah Neto. e tenha apresentado. 2'5 e 26. Dalrrúro Bustos. 4 . com uma proposta maL. Além disso. _"31 Hoje. BrasiJiense. por influência de Spinoza. pp. Em realidade. ao menos um trabalho científico correlato à matéria . incluindo dados referentes ao número de pessoas formadas ou em formação. 1979. deve ter experiência com grupos terapêuticos e apresentar urna monografta teórico-prática. com uma proposta extremamente medicalizante. Ano 1. IvaIdGranatolMassao Ohno.por um período mínimo de 160 hs C . São Paulo.ln: Revista Febnp. funda em São Paulo seu próprio Instituto de formação: o Instituto Moreno. posteriormente.B. faz mais dois anos de supervisão.'190. por parte qe alguns psicodramatistas paulistas: a de aglutinar as várias Sociedades de psicodrama espalhadas pelo pais. os candidatos ã admissão dos Cursos de Formação de Psicodramatista devem ser. tipos de currículos. Dt'1euze e (. 198'i e Paixões e Questões de 11m Terapeuta. segundo critérios especiais e necessidades particulares. São Paulo. Agora. atmv~s daS seguintes obras. sendo basicamente. são estabelecidos os critérios para a execução da terapia e da supervisão dos alunos e criadas cinco categorias hierárquicas dentro da formação. graças ã criação de um Conselho Normativo e Fiscal (CNF).lmente de três de suas obras: Pskodrama: Descolonizando o Imaginário. p. especialmente a partir dos anos 80. atraves princip:l. C) T"t'apeuta de Aluno . em acréscimo. O supervisor é hoje chamado usual31 32 "Conselho Estabelece Normas para Funcionamento de Cursos~. São Paulo. em Congresso de Psícodrama. pela própria Entidade Federada. 224 225 . possuindo grupos em disponibilidade para esta tarefa e. Pelo que foi exposto..Professor Colaborador . que hoje forma a quarta geração de psicodramatL. não se pode negar que. "tenta superar os conflitos do MASP. 1900 e Poder.tados.será exigido o preenchimento das condições gerais expressas para o Professor Regular e para o Terapeuta de A/uno. Pskodramatizar. executa-se um árduo trabalho de levantamento das diferentes Sociedades. São Paulo. Partindo da SOPSP. B) Professor de Aluno . O terapeuta de alunos. após sua formação.sofreu grande influência da escola argentina: inicialmente. Segundo levantamento feito por Sérgio Perazzo. Idem. de início.de técnica pstcodramática. ek vem desenvolvendo uma nova leitura do psicodranu. quando uma série de livros sobre o assunto é lançada por psicodramatistas paulistas.. tem início.uattari. nos anos 70.2Professor Regular .. Atica. O Inco1L'iCiente. Huciteç 1983. Em 1979. tempo de funcionamento. nº 1. 2'5. os psicodramatistas brasileiros têm desenvolvido novas formas de pensar a prática do psicodrama terapêutico. B. possua três anos de trabalho fJS'kodramático efetivo. psicodramatista formado e que esteja em exercício profi'sional espeçífko. especialmente no relacionado a seus módulos de formaçáo e a seus gabaritos curriculares. Nos :mos HO. cerca de 34 livros de psicodrama foram apresentados no Brasil (alguns com tradução no exterior) e cerca de ~01 artigos foram mostrados nos diferentes Congressos Nacionais de Psicodrama.psicanalitica.

que t~lo radicllmcnte cotnbatia. é o único país que conseguiu organiz:u uma Fcdcra~::lo Kaciollal que congrega.-'iomais aberta. a lom13ção em psicodrama Se já em 1968. a FEBRAP. a qual está "fl13.é o mesmo usado pelas Socicebdcs . os cspecialismos produzidos pela "verdadeira" pSicanáli.. '>t/em de dar {. em /988.lhlicou os anai\' destes con. os ("w<.'.~t(' mO}!im~"tlto. outros especialismos. há perto de jOOO a :3'100 pessoas.sde jJsicodrmna. J.:.aS hierarquias.!lt. institucionalizam-se . p. sob lima outra maquiagcm.::. em 1~no.soas que não se venl falam por estarem emocionalmcnte cnv()/vicias l1(lS a.mo. tetnpos depois. ao aludirem à ehatnada "rclIniào da.:()" "pn)g-ress()" na dissctnin:lçà() das pdticas e dranlátic:l. 'pl.os fundadores do psicodrama cm Sào Paulo.3o analítica.1çjo . EI'SI'."as/um Icgal (' nO"'natil'a /)am a /wátíca psícodramdtica. . A cxemplo da Associação Brasileira dc Psicanálise (ABP) e da 11'1\. sJ.<.<.ocasi. é•. à tneclida que se expandem e s:1o aceitas por rllllilos profissionai.oficia i.. produzem a FEBRAP.\"imadamente j)sicodtwnatis/a\ ".1L Op. a normatizaçào...-:3oentre professores/alunos.SCIl1dúvida.. outros objetos de conhecimento. dL<.. face à existência das Sociedades e da Fcclcr3ção" "Iloje todo mundo é psicanaJi'la". E. mais Uexível entre terapeutas/pacientes ou na forma\.'Üc.gressos e outros numeros da "Ih!l'i.'Soba coordenaçâo de Pierre \\leU .:3o percorrem o mesmo Gltninho: inlegram-se. espírito reinante () no I Congresso Brasileiro de Psicocli'ama.l:ldeira'· psicanáli.'it.}O da FEBRAP -. com a funcla\-~â() da FEBRAP estc modelo passa a ser normatizado c disciplinado" O quc antes t:lo radicalmente se combatia .vaGl$ sagr~lcbs". •.ticas.ra paulista. A hierarquia.c. . A instituiçào formação psicodraIl13tica continua com suas práticas reproduzindo/produzindo..o menos "contaminado" pelos aconte. esta fl'deraçdo im{m1sionou c impulsiona a mganizaçao dl'. havia no país cerca de 70U a HO() pessoas !ormadas ou em forma\:-'ào em psicodram3.L. em 1()76 . aliá.. cm realidade apresentam práticas.lo psicodr.~. bem dentro dos tnodelos e subjetividades dominantes no meio '·psi'·.. em De acordo com os dados colctados.sican~ilisc c a formação analítica. Da mesma forma que o n)(wiJnento contracultura] no. . sicodramati"tas entrevistados declaram que hoje a psip canálise está. ) A/ral'és psic()~ dl'stas l'ntiduâes.sicologi7-antcs" c "J:uniliari.segundo arguml'ntac. que geram saheres 13. A1gunc. mostra que () Brasil.ada" Cerca de I'í pessoas .contecimentos decorrentes do "racha" com BCrllllldcz e do ...:. reiterando o mesmo arglltllento usado pelos nuis retrógrados defensores da "verc.~:"o Alv<'.H UOO J)rofissirmais E o arg-umcnto utilizado em pro) da fllnda(. também as práticas psicodral1láticas ao iniciarem sua instituciona\izat.is controlada".<.icamcll!e. Estas.10 trouxe um gmnde "av3.". 12() 227 .se comparada com a formaçào psicodramá- tica. com prop()sitos organizativos.ma cm no Brasil .'ào desta feclcraçào f\'adonal .lizado e mitificado por força da atua\-~:l()da FEBRAI'" Se as práticas psicodramáticas em seu início buscaram produzir espaços instilUintes com rC'b~:ão~lhegcmonb ela psicanálise.por meio das Sociedades de j(XI1l." quando se referem às oposi"..lllia apnJ."" . seria este. aproximar pe."). "muito solta"~.clores.". entidade nacional que complel:l c coroa o processo de inslitllcionaliza~'ào..'ic c formação analÍlica ~ passa a ser natuf'J.. soh outms vestcs. quando surgiu o lO tinha como modelo o tripé da forn13l..0 hierárquicos e corporativos como a "verdadeira" p.ta. em 1976 .:n:'ssos nacionrlÍ.". seguindo as subjetividades hegemônicas produzkbs na época. ocorrido em Serra Negra..mente de professor supervisor didata nas Sociedades de formaçào Ctn psicodrama.Jbilizou') CnnJ.() em quc :1 FEBRAI' é oficialmente laÍl\.. diferentes S()ciedac1es elc f(lrm:l(.. a disciplina.eralam desde 1970. no início dos anos 90. pois. portanto.:.:l.. saberes e sujeitos.sta da Fehra/J ': /H"OtnO/)('u a/á/maçao de escolas l'ln 1'â/"lCL.J1t'[. normatiz. É de se supor que :l institucionaliza<. isto ocorrcu. também a FEBRAI' congrega os estabelecimentos formadores em psicodrama. dl.ciplinado[cs e corporativos.além da impottância em se unificar a formac. !lO início dos anos 90. membros cio antigo GEPSP -. ao adotarem utna rdal.. o cspecia~ ii"mo s:1o rcafirmadns c cada vez mais produzidos pelas práticas psicodcun::í.}7l"tltidacÜ-'!l' qlU' âl'l>em s('guir ha. declara um psicoc!ran13ti.Conforme descrevem seus participantes..<..o confrontada. Estrutura-se.'Ôes intCt11~L".)crilérios ( .lncal[dades A febm/J cm1f. nos anos 70 no Brasil.") "psj"..?a."ic.\") Isto "p.• urgimento da ABPSe SOPSP. que IÜO . com orgulho.~à() psioldratl1a.à época da forma<.'"anos 70 é cooptado c :1ssimjIado pelo "S~")lema.

j:í estão integradas e cooptadas ao "sistema". que ir:í se dedicar a trabalhos gmpais.dentro do momento histórico já apresentado e no rastro do Movill1cnto do Potencial Humano . aoteriornlente ao início do movimento psicodramálico. composto exclusivamente por psicodramatistas. que consagra uma enorme variedade de profISSionais e práticas consideradas "alternativas".uma busea pelas dinâmicas de grupo. Nenhum outro proflSSional "psi" é convidado a participar. Em 229 . no fmal dos anos 60 e início dos 70. Não somente porque. podendo.>". é uma forma de oposição à hegemonia das práticas emanadas pela SBPSP. como lanIDém porque o pequeno movimento psicodram. ao fortalecer. sehsibilizar alguns profissionaL> "psi" para a formação psicoclrJmátiea. sensitiuily-training. a prinleira metade desses anos é caracterizada pela tutela de alguns psicanalistas "oficiais" ao movimento dos psicólogos. os anos 70 são marcados por um forte e corporativo movinlento de psicólogos que 228 desejam ter acesso à formação analítica monopolizada pelas Sociedades vinculadas à IPA. Como iá foi mostrado. Trabalhos cstes que irilo."i Sociedades c da Federação . tal fato não se verifka entre os cariocas. As próprias caracteristicas de prática "alternativa" il psicanálise que o psicodrama exibe em seu início na Paulicéia não estão presentes no Rio de Janeiro. na primeira metade da década de 70. Outros movimentos. de trabalhos de dinâmica de gnlpo de inequívoca influêntia norte-americana. no final da década de 'i0 e na de 60. durante o Congresso de Psicodrama realizado no Rio de Janeiro. diferentemente de São Paulo. a subjetividade do corporativismo. quando o movimento psicodranlático começa sua expansão. Mais uma vez argumentos "psicologizantes" são empregados para justificar o fechamento do psicodrama. que nasce no Brasil dentro do contexto dos movimentos contracultural e do Potencial Humano . Aqui.ático carioca do Imal dos anos 60 e início da década seguinte n:1o levanL'ltais questões. "desenvolvimento interpessoal" e em algumas cmpresas a aplicação dos T Grnup. As práticas psicodramáticas só se expandem mais efetivamente em solo carioca no final dos anos 70 e não têm as caracteristicas apresentadas pelos paulistas: oposição às práticas das Sociedades "oficiais" de psicanálise.que utiliza técnicas psicodramáticas para solucionar tal "impasse emocional". mesmo. já havia se iniciado a ruptura com a forn1ação analítica "oficial" até então hegenlÔnic.O PSICODRAMA NO RIo DE JANEIRO Se em São Paulo o psicodrama. portanto. pelo próprio momento histórico. cria-se um verdadeiro "Clube do Bolinha". através da. no final dos anos 70. normatização. vai rapidamente sendo disciplinado.SOll1cnteà gui~ade unIa breve referência. organizados pela FEBRAP. as prátieas psicodranliticas .. forma(ta quase que por psicólogos também interessados na clínica. especialização.cimentos de 1970 . sua organização ser apontada como urna situação analisadora das práticas psicodramáticas. Se em São Paulo. portanto. no período . existe Ullla outra. É interessante . panorama que mudará somente em 1990. indubitave~llcnte. Um outro aspecto presente nas práticas psicodramáticas e que indicia um profundo corporativismo é que nos Congressos Nacionais. Na segunda metade dos anos 70. há uma efetiva quebra desta hegemonia psicanalítica vinculada à SBPRJ e à SPR]. Enquanto a grande parcela dos psicólogos cariocas é tutelada pelos psicanalistas "oficiai. E a FEBRAP teve e tem um papel fundamental nesta disciplina. n . fazeol no Rio de Janeiro o que o psicodran1a realiza em São Paulo.pela sua crescente instilucjonalizaçio.como uma prática aberta e crítica aos especialismos vigentes. A explicação apresentada por alguns psicodramatistas entrevistados é que esta segregação deve-se à "paranóia" produzida pelo Congresso do MASP de 1970.l. normatizado e especializado. llá. No Rio de Janeiro. Este. por não exi"tir um lnovimento "forte" de psicólogos e a criação de grupos "psi" ~ até porque está garantida aos psicólogos a tórmação analítica "oficial" -. questionamentos sociais e tentativas de implicação com a realidade. no Rio de Janeiro isto não ocorre. com a vinda da segunda geração de argentinos e o fortalecirnento do movimento lacaniano. visto que este assunto recebe um tratamento maior no Capítulo seguinte assinalar a existência no Rio de Janeiro. o monopólio da SBPSP é ahsoluto. Eis porque a afirmação "a FEBRAP supera a emocionalidade causada pela c"são com Bermudez" já faz parte da história "oficial" do psicodrama no Brasil. dentre outras.

Dinâmica de Grupo e Psicodrama. 231 Esta longa transcrição prende-se ao fato de que se pode. sino de una unión. Para o psicodrama triádico tais questões não se colocam.entretanto.). mas este enfoque grupal impulsionará. mais tarde. alguns desses profissionais ao exercício de uma formação psicodramática. funda. são profundamente criticadas pelas chamadas terapias '·alternativas" que pretendem produzir outros tipos de prática. 59. Preservam-se. da interpretação e da neutralidade. Lewin e Moreno. em Belo Horizonte. Somente a seção do Rio de Janeiro se agrega à FEBRAP. A. Mantém os conceitos de "inconsciente como força latente".quatro grupos de terapia psicodramática. no final dos anos 60. o poder e o saber dos especialistas. y tener en cuenta las dimensiones de/iru. a Sociedade Brasileira iJe Psicoterapia. Dinâmica de Grupo e Psicodrama desde a sua fundação. E é no Rio de Janeiro que esta forma de reflexão sobre a prática psicodramática aparece no fmal dos anos 60. p. dentro dos processos de subjetivação hegemônicos à época.Ancelin Schutzenberger a tríade é uma "metabolização" dos enfoques de Freud. visando a uma jc. Juiz de Fora e Uberaba.rmam a Sociedade de Psicodrama Triádico são associadas ao World Center fundado por J.. Dinâmica de Grupo e Psicodrama que. em 1974. 230 . cit. Pierre Weil .O PSICODRAMA MORENIANO: A SOPERJ. a partir de la hipótesis que el discurso dei grupo y la viveneia de un participante están . no Rio de Janeiro . são.realidade. no fmal dos anos 60. questões que. O estabelecido é que os dois primeiros anos são exdusivamente voltados para a terapia. Pierre Weil inaugura outras seções da Sociedade Brasileira de Psicoterapia. cinco seções que formam a Sociedade Nacional de Psicodrama Triádico.a de represenJaci6a dramdtial y de la posta en evtdencia de la red de comunicación y de lasjuerzas de grupo). uma delas sob a influência dos psicodramatistas paulistas. conw todo el arsenal clássico dei pstcodrama nwreniano ( j No se trata de una yuxtaposición de jJoslctones teórica. K..que havia feito formação com Pierre Weil.Y la dinámica de grupo. em São Paulo. Em 1969. No ano seguinte. 2 .organiza um primeiro grupo de terapia psicodramática por dois anos. A SOCIEDADE MORENIANA E O CPR) Em 1980. el fYU!talenguage.A. e esteve presente na Sociedade Brasileira de Psicoterapia.xión con el aqui y abora dei grupo y /as relaciones con la autorldad y el monitor. com o psicodrama triádico de Pierre Weil. Moreno. as cinco seções que jc. J dela. que pode ser dividida em dois momentos: o irúcial. portanto.dentro dessa orientação . incluso opuestas. terá uma seção no Rio de Janeiro. op. A sede permanece em Belo Horizonte e. é uma parcela pequena. y de /aanotaci6n de transferenda como técnú. portanto. Las interoenciones se bacen a la vez a rdvel del grupo Y dei individuo. a partir 34 Schutzenberger. ele cria . Em 1970. como a de Brasilía. 1_O PSICODRAMA TRIÁDICO E A SOCIEDADE BRASILEIRA DE PSICOTERAPIA. de "transferência" como uma "técnica de representação dran1ática" e as interpretações. empJeando a la vez la transferencia . las intervenciones dei motUtor son o puedem ser interpretacíones" 34 (grifas meus). ai firo de la navaja de afeitar entre el grupo y el individuo. DINÂMICA DE GRUPO E PSICODRAMA Para Anne.onsciente ComoJuerzilS latentes dei grupo y diversos resortes dei psicodrama (obedeciendo a las regúls de neutralidad benévola)' de una cierta distancia deI análists. vamos à história instituída do psicodrama no Rio de Janeiro. No final dos anos 70 e início dos 80. L. Ronald de Carvalho . e o que marcará o fmal dos anos 70 com o surgimento de duas Sociedades de formação. de "neutralidade". Tomar como única ley la necessidad de ana/Izar todo lo que acaece en el grupo y lo que se hace. no início da década de 90.y sólo pueden estar .cia de un grupo de "grupo-análisis '.•diferentes. Se !iene en euenta ellenguage dei euerpo.rmação. perceber que o psicodrama triádico não aborda as questões que o psicodrama como prática "alternativa" à psicanálise suscitou.en eone.através do CEPA. seguindo o rastro dos movimentos do Potencial Humano e contracultural.. de una metabolización de to esencial de ellas de almocárabes C. _ una extensiõn representada (psicodramatícamente) de Ia viven. antes do irúcio de qualquer formação psicodran1ática. Para um melhor entendimento.

Após Ronald de Carvalho deixar sua presidência.. já que utilizam muito mais as técnicas dranláticas c nào o método de investigação morcniano. a formação em psicodrama pedagógico. além das informações passadas. .)lóriJ. Segundo enlrevistl com o seu fundador. de orientação moreniana. É. tem à sua freme Ronald de Carvalho.atistas triáclicos observaol que os morenianos ficam somente na cena e no feedback. entre as abordagens moreniana c triádica ocorrem constantes trocas de farpas. trabalhando as expeetahvas.seguindo as normas da Sociedade Brasileira de Psicoterapia. em realidade..ão na SOPER]. embora de enfoque moreniano. Em 1986 há uma ri. não teve grandes crises ao longo desses anos. aparentemente por dL. o afastamento de Ronald c de um grande grupo que vão formar a Sociedade Moreniana de Psicodrama. [X)ssui um Centro de Formação em Psicodrama S Pedagógico: o Reverso. em 1987. o Centro de Psicoclralna é un1 dos estabelecinlentos mais fortes na formação psicodramâLiea.<. argumentam enfaticamente. 0. tanlbélll.ma pedagógico. o . pois não pretendem se filiar à BrcLsiJeira. a leitura pudesse haver Ull13.'isociaçào.. uc tem uma orientação triádlca. ficando somente com cinco pessoas. chamado no CPRJ de "psicodrama aplicado". etc. Em 1985 o CPRJ procura estabelecer uma metodologia psico- clranlática para o ensino do psicodratna. a diretoria seguinte pensa em abrir tunnas para a forn13. pronl()Vcndo do grupo de formação. fundada por Pierre Weil . e se origina de um grupo de doze pessoas que. mandatos -. Pela hi.sionais atuantes na área -se comparado com a Paulicéia e. há constantes e si"tcmáticas troca.:Omão Paulo. "Os (Hltros dizem que nào fazemos psicodranla. <. especialmente entre a SOPERJ e o CPRJ. poL.\-":1oem psicodrJ. inslilukb do lllovuncnlo psicodFJJ1lático carioca e pelo pequcno número de profLo. presidente naquele período. Dinânlica de Grupo e Psicodrama não são morenianos. Os psicodram.3') É Maria Antônia Kouri Darci que. e q nem à SOPERJ.é a terapia por dois anos. Depois desta experiência. em 1l)77.é fundada. pois além da form.s de professores que são convidados a dar cursos nas duas Sociedades. Buber. Urna ["rmação em que. surgida. Não têm. por sua própria hL'tcíria. além de ter um maior número ele membros formados e em formação. provocando com isso.J).tencial". a Sociedade lnai~ vinclllaeL1aos psicodramatistas eLoSOPSP. A outra Sociedade de psicodrama carioca. A proposta .tendo sido seu presidente em doL. Esta Sociedade. Constata-se que. ligado à SOPSP que possui uma orienta~ão morcniana-exL.lpia. O gmpo propõe uma fonna~'ão paralela à ter. Tanto que. fato que a direção da Sociedade não accita O grupo sai e a SOPSP assumc a responsabilidade pela fonna~·ão. em 1982. Hoje. A SOPERJ.tencial.somos psicoterapeutas analíticos". o Centro de Psicodrama do Rio deJaneiro (CPR. diJerenlemente de lá . Rona1clde Carvalho.. não aprofundando os conteúdos do grupo. Para isso ehalna de São Paulo uma psicoclramatis!a pedagógica" que treina um grupo de professores c alunos no sentido de construir uma nova fonna de ensinar e de aprender. Dinâmica de Grupo e Psicoclrama.ficamos só no psiCOclralTIa. é criado o Centro de Psicodrama do Rio dc Janeiro. observou-se que "o psicodrama seria a técnica que estaria faltando à terapia exL. enfrenta grandes dificuldades.não há maiores compelições. Quando se fonnam) resolvem fundar lima outra 3. 233 .cordâncias teóricas. segundo alguns. traz para o Rio de Janeiro uma outra postura denu·o elaprática psicodramática: a orientação morcniana-cxi<. atasta-se desta Sociedade com um grupo em formação e funda a Sociedade de Psicodrama do Rio de Janeiro (SOPERJ). tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro. no Rio de Janeiro. para depois tcr início a fornlação psicodramáLica.:1 aulL. de lutas pelo poder. rimeiros colocam veementemente que p os psicodramatistas formados pela Sociedade Brasileira de Psicoterapia. UI11 trahalho interpretativo empregado à relação transferencial. porém ao longo dos anos vai se reorganizando. inicia sua rortna~'ào psicodramáLica na Sociedadc Brasileira de Psicoterapia. portanto. Assim. metodologia psicodranütica. Contudo.tenciai com influência de M. chama para terapeuta deste gn'po o pSicodramatL'1. A concepção de homem e os fundamentos teórico/filosóficos de Moreno nào são levados em conta.taJosé Fonseca p Filho. que.aç:lo triádica. Dinâmica de Grupo e Psicodrama. é implantada. nós os acusanlOS de só fazerem psicodrama_ Nós não .

mas aceito pelos psicodramatistas paulistas. formas de intervenção. todos médicos. a convite de Moreno. é interessante a própria fala de Bermudez. No primeiro caso . se comparada com a do Rio de Janeiro. pp. Paris. ao descrever o I Congresso Internacional de Psicodrama . Além da situação já citada. existe algum material escrito36 e. cit. como Diretor de Psicodrama. em 10 anos (ie existência da Associação Argentina de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo.em São Paulo -. . que o acompanha formação em São Paulo.1. formas de se entender melhor as práticas produzidas pelo psicodrama. Na própria equipe de R. por ocasião da fundação da FEBRAP. em São Paulo. controlado. praticamente nada. além de ter uma orientação ínequíooca para o campo "psi" Esta orientação determina desde o início (. 9 diretores em tknica psicodramdtica (não terapeutas e não mAdicos) elO egosauxiJiares"38 (grifas meus). proposto pelo próprio Bermudez. 1'.cit. Compreende-se.'llftuída por sete médicos e uma psicóloga. Cusch. mais tarde.nir. A riqueza de detalhes .7-167. visão hegêmonica nas Sociedades psicanalíticas "oficiais" cariocas. não se pode deixar de afIrmar.. desde seu início. (Org. como já o fiz no início deste Capítulo. S. R. Bermudez traz para São Paulo e para o psicodrama o modelo médico39 fortalecido pela APA. dentro do modelo psicanalítico de formação. sendo a inclusão desta profissional aceita a contra~ gosto por Bermudez que não a queria por ser psicóloga e mulher. Dom Quixote e a Matriz de Identidade: Uma Análise Crítica~. encontra um movimento psicodramático a nível nacional. Sobre o assunto. 50 e '. LH. para a m- ALGUMAS SITUAçõES ANAliSADORAS DAS PRATICAS PSICODRAMÁTICAS Estas situações vieram ao meu encontro ao empreender o levantamento da história instituída do movimento psicodrarnático paulista. Bermudez. 116. só há médicos e se constata que: .Op. o INPS.) uma espécie de controle corporativo"37 Um dos critérios para a escolha desta Comissão. Op. salienta as enormes diferenças entre os dois movimentos. 36 Ver os livros e artigos já indicados. sobre o Rio de Janeiro. o psicodrama ajudou a quebrar o monopólio das práticas psicanalíticas. A certa altura relata: .. como a Psiquiatria do Hospital do Servidor. E mais tarde. fosse por elas cooptado. embora não utilizado pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. 1.aqui sinteticamente abordados . 37 38 ?f) Alves. logo foi institucionalizado e perdeu a riqueza instituinte que ostentou em seus primeiros anos. o Juqueri. embora. no item anterior. paulli". somente 13 diretores foram formados.O ANAllSADOR PODER MÉDICO Em 1%8.p. anteriormente. por isso. sem a necessidade de "peritos" para esclarecê-Ias e são.psicodrama como prática "alternativa" à hegemonia psicanalítica pouco produziu neste sentido. a Psiquiatria do Hospital das Clinicas. apresento aqui duas outras situações analisadoras que denominei poder médico e psicodrama pedagógico. quando da organização da comissão que se tornou a coordenação do GEPSP. segundo depoimento dessa coordenadora do GEPSP Ai se impõe um viés médico com que o psicodrama se estrntura. por conseguinte. a defasagem de informações que neste Capítulo pode ser encontrada com relação à história dos dois movimentos.sobre a história instituída do movimento psicodramático paulista.. Elas próprias realizam "por si mesmas" a análise. que. não chegou a exibir tal produção: foi forjado.no Rio de Janeiro -. normatizado e disciplinado pela FEBRAP. "Moreno... cit. No segundo caso . Sobre o assunto ver o artigo de Perazzo. M. 234 235 . "A própria coordenação é con. Apesar disso. quando participa.) p.. é sua representatividade em relação aos principais estabelecimentos de saúde mental de São Paulo. L. já se pode notar o grande número de médicos presentes. quando ganha terreno a concepção moreniana que questiona esse modelo. o Sedes Sapientiae e a Santa Casa. Sobre o primeiro. In: Aguiar. que se referem ao movimento psicodtamático J. em 1964. realizado em .

"i. lndubitavelmente. sentinlentos ele incOIllpetência. Ulna vez que estimula. O discurso da "competência". ou seja.pp. p. 14\ e 142.. muito diferet1tes. 160. OS.. Este se propõe .'lfcs e. realizado no MASP ao se verificar os estabelecinlentos que apóiam o referido evento. os especialistas . para r/gorar a partir de março de 1970r4. isto é.idéias que nio estão de acordo com a proposta moreniana. R. meu objetivo aqui nio é uma an:m~e das diferenças teóricas entre Moreno e Bermudez. Entretanto. conforme muitos asseguram. em princípio. chegar a diretores em técnica psicodralnática.. dt.çencialmente terapl!Ulico decidi que minha tarefa.ffil c SododrJ. A instituição pSic()cirama.. de inlJestigação (. As variadas contribuiçâes. Op. de desquali1kar e de marginalizar os ditos "nio-com!wtentes". 237 . de elahoraçao e sístematizaçao da obra de Moreno"40 (grifas meus).P.ffi:l L' de Comunidade Tcrapêutic:t- É importante esclarecer que. os técnicos e n:lo-terapeutas .:codrama do Crupo de Psicodrama de Silo Paulo. dentre os quatorze grupos que se colocam como aderentes. S. 01ero executor das tarefas pensadas e planejadas pelo diretor. p.Op. dos mais diversos campos. unla vez que as "tarefa--'i" grupo são no feitas por ele. torna-se instrunlento de dominação. por indivúhlOs . os "competentes". à época. o campo era propicio para adentrar em sua investigação e uiteriOt·sistematizaçâo.. que planeja para o ego-auxiliar executar. ao contrário."Ainda recordo vivamente (.~ Rermudez que a funçào de Diretor só pode ser exet-cida por médico psiquiatra e a de ego-au. a ductilidade do instrumento Psicodrmtul. comecei a trahalhar em duas linhas __ uma clínica. indicavan. deste tllodo. Reproduz-se a divisio social do trabalho no mundo capitaJistico. em d('zernhro de '%0. Percebe-se que o psicodrama. Programa dos Congressos Internacionais de PSiCOc!rJ.acureta efeitos sociais poderosíssimos.. em que aqueles que detêm o saber. possuindo regras preci.que almeja questionar as práticas psio)terapêuticas instituídas. ainda como uma prática "alternativa" i hegemonia psicanalítica.. ) a Babel teórica das Mesas Redondas e a falta de st. 2'50. mas averiguar que tipos de práticas sio produzidas em cima dessas diferenças e que efeitos estio forjando. Por este número pode-se avaliar a forp que oS estabelecinlentos psiquiátricos têm junto ao nascente movllllento psicodramático paulista.e consegue . está prestes a ser normatizado. {"I Navarro.. Perazzo. Este modelo médico e estas subjetividades fortalecidos por Bermuclez e pelos médicos c psiquiatras pauli.fem uma formação adequtlda.viliar por médico ou psicólogo (esta «. "E entendimento do Dr R(~ia.). cleintitnidação. ÇiL. M. no nláximo. p. aberta a dü'erentes profi'5ionais. Este é. ou seja.os "colllpetentes'·. A minoria dos assistentes era de médico.firmaçdo só fIai se concretizar com a publicação da Regulamentaçao da jonnaçào de terapeutas do Instituto de P.GJ."temaHzaçáo no ensino do ?:'úodrama. sào vt"'tos como quem de fato entende do assunto. na época. Depois de nluitas brigas com a equipe argentina e a coordenaçio do C.aterapêutico. estaria dirigida a atingir este (~foque e a conferir-lhe um corpo teórico congruente com sua metodologia. 40 41 42 Bermudez. os exercícios de improvisaçào teatrais com o Psicodrama Ao considerd-lo es.. por exemplo.conseguem os psicólogos o diplorna de diretores em técnica psicodranlática.•.. SIM aplicação indiscriminada. sào técnicos. só podem ser egosauxili.. o qual estava sendo utilizado como um recurso técnico para outros enfoques teóricos.Op. levava muitos a confundir. subjetividades eficazes no sentido de menorizar. •e a mnrorUl pro• vinha de outras dreas de trabalho.as de exclusão e de inclusão. etn grande parte mulheres. Assim. Por outro lado.EPSP. os verdadeiros ilul11inados. . preocupando-se "". de inferioridade. no psicoc1ram. Essa divis:lo entre os que ocupam o lugar elo saber . disciplinado e medicalizado por Bermudez. o ego-auxiliar é o "tarefeiro"."a conferir-lhe um corpo teórico congruente com sua metodologia". com a construçio de uma teoria de desenvolvimento ou de uma psicopato[ogia psicodramática"41. faz com que suas próprias práticas procluzan1/ reproduzam esses processos de subjetivaçào. e outra teórica. em sua maioria Os h01l1t'n. é aquele que pensa. cit. Op_ cit.c o lugar do nào-saher .~. não são considerados terapeutas.. O diretor. Pela análi~e do programa do Congresso de 1970. enco~tratnos.tas que se interessarn pelo psicodran1a produzem a seguinte situaçào no GEPSP: só se fOnl1al11 COlnodiretores de psicodrama os tnédicos-psiquiatras.os "incOlupetentes". nove ligados à área da medicina/psiquiatria"2. psicólogos.

Desde o início do funcionamento do GEPSP há turmas para a formação em psicodrama pedagógico que. vão aos poucos encarregando-se da direção de psicodramas. sobretudo.nilarisias ou estudantes dessas especialidades (_. averigua-se não somente a força do poder médico. Op. In: Romana. sa. são minorirãrias. sobre o psicodrama pedagógico são pouquíssimos os assuntos comentados. orientadores vocaciona. p. 01 Maria Alicia Romafla. aceita socialmente pela tirania das que se colocam como "superiores" e "verdadeiras". a divisão social do trabalho presente nas práticas que se pretendem "alternativas". Em 1968. cito 2 . percorrem diversos consultórios particulares de psicodramatistas . inicialmente. desde seu início em São Paulo. MA. conta-se que há quatro psicólogas mulheres que. como ego-auxiliares. a marca de uma prática de segunda categoria.está sendo fortalecida. esses sujeitos de conhecimento. citado. enfermeiros. Tal separação entre os que podem planejar e os que somente executam . comentam alguns entrevistados.flagrante nesta situação analisadora .o curso de psicodrama pedagógico que funciona em local diferente do terapêutico. (que podem ser) considerados uma "porta de entrada" para o Psú:odrama de modo amplo '. questionam e visam romper com tais monopólios. essas prática" esses saberes. Pela análise do programa deste Congresso. São Paulo. Em 1969. em 1980. Entrementes. Esta situação permanece regulamentada nas Sociedades de psicodrama que se organizam em São Paulo até 1976.. em São Paulo. psicólogos.para cumprir e executar as tarefas planejadas por eles (os diretores dos grupos. A formação em psicodrama pedagógico traz. ligado ao GEPSP. portanto.is. por exemplo. assim mcsmo. é absorvido por práticas que. cerca de 20% a 25% sobre a remuneração do diretor do grupo. tendo feito formação em psicodrama na Associaçâo Argentina de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo. se comparadas ao número dos que procuram o psicodrama terapêutico. 19.todos homens e médicos .da equipe de Bermuclez . L. quc haviam se formado como técnicas em psicodrama. no mercado psicodramático paulista. é organizado por Maria Alicia Romafia'" .O ANAIlSADOR PSICODRAMA PEDAGÓGICO Dentro desse modelo médico e dos processos de subjetivação nele presentes. Este argumento. produzida e reproduzida em todos os niveis da. por extensão. surgindo daí o Psicodrama Pedagógico. p. assistentes sociais. 116. nenhum dos 143 egos-auxiliares pertence às turmas do psicodrama pedagógico. No inicio de 1970. embora pretenda negá-los em seus di. em co-direção. é legitimada e. desde seu inicio."in Alves. o GEPSP regulamenta a entrada de outros profissionais não-médicos.)_ Fundamentalmente serão desenlJOJvidas técnicas dramt1ticas aplicadas ao ensiNO nesses cursos.mesmo após a prescrição de tal regulamentação . sociôlogos. "marginalizadas" e "inferiorizadas". à época do Congresso no MASP. Em final de 1970. manifestando-se de forma natcral e racional. dedicou-se a "construir um marco teórico adequado para sua aplicação na educação".ocasião em que a FEBRAPé fundada. marca a entrada dessas psicólogas dirigindo psicodramas públicos e se assumindo enquanto psicodramatistas. de 1968. 1987. peda- gogos. os "verdadeiros" terapeutas).. o fortalecimento do especialismo e do corporativismo com os efeitos que forjam: a desqualificação de determinadas práticas em função da qualificação de outras.cursos. em sua origem. onze grupos de psicodrama terapêutico e quatro de pedagógico. na época. quando há a ci. O movimento psicodramático implica. Os Boletins n" 01 e 02 assim enunciam a questão: " serão admitidos neste curso: médicos. formações sociais capitalísticas. o egoauxiliar ganha. cit. mas.as psicólogas. No Congresso de 1970.pelo discurso do especialismo. PslcodramaPedagógico. Tanto que.. Em 1970. Papiros. temos no GEPSP.ão do movimento psicodramá45 46 Boletins do GEPSP nQ!! e 02. Op. 238 239 . terapeutas ocupacionais. em formação. uma outra situação ocorrida na história instituída do movimento psicodramático chamou-me a atenção: a do psicodrama pedagógico. 44 Utilizo aqui o que Foucault coloca para os ~saberes domínados" in Microfisica do Poder.4S (grifas meus). A produção de "práticas dominadas". que é utilizado pelo discurso "dentífico". Por esta situação apresentada.H.Está. percebe-se que os temas são essencialmente relacionados à área terapêutica. O Congresso de Goiãnia. no dizer de Foucault". a "incompetência" e a "inferioridade" geradas são muito fortes e somente com o tempo . somente para o curso de Jogos Dramáticos.

Ilavcndo por isso lima grande dcmanda. a proposta aceita por maioria estabelece que o grupo ligado ao pedagógico não (Cln direito J voto."lcurso da competência" .?Ii<.pessoais? h\sas nuo sào me. L.ç e gradualmente vem se estrutumndo como prática com penetraçdo social crescente e nu~ecedora de um estudo .a ênfase na melhoria d'L' "rclaçôes interpessoai"'. O programa da escola Role-Plaviug que: denuncia tal lato. denuncia 0/. Em 1972. é inferiorizada. por que nào te" tJ(.. O que esti coerente com os processos de subjetivação fortalecidos no meio "psi" daquela época e ainda hoje vigentes é unu cena atuação clinica.~()drama!Jedagógico foi sea/m'ndo jJara outms pm!issionuú.ciplinar e 48 Role-Púlying: pesquisa c participação. na "melhoria cio desempenho" e no "di. Procura-se. com o conlelKio dos conhtximentos a serem transmitidos t. pro OJ l' 02.arcacla peh<. observando o psicodmma somente era conhecido como técnica terapêutica.a proposLa (13 R()le-Pla~}jng rompe com () cOlpor:ltivi"mo "psi". de fonnaçlo em psicodrama pedagógico vão surgindo em São Paulo. Bermudez declara que considera o psicodrama "essencialmente terapêutico" (ver nota n\. Como já assinalado. que no GEPSP sempre tiveram hegemonia. em sua maioria.~to de melhot"tu' seu de. secundados pelos proft.Licas psicodramáticas terapêuticas no Brasil vJ. II)H7.'Osionais psicólogos.da mesma fornu quc a analitica .O ( ) h'mbora não se possa afirmar de modo consCientf'. ) e o pedup.em detrimento de outros. na assembléia de fomu~'ão deste estabelecimento...nais profundo.produz priticas que valorizam determinado saber . subjct..:enl nm.'\sode ci'>do entre essas duas 1!('1tentes(a terapêutica e a pedagógica) ndo esconde o controle que a dre(l "psi" exerce desde o início do mol'imento e. aceita e difundida pelos psicoclramatistas paulL5tas. ('Oto pomue pensamos que todo o /J. Canota-se também que aié pritJilegitlda a dimensão clinica e terapêutica do pr~jeto moreniano"4' (grifos meus).Yíl Contúrme as subjetividades dominantes no meio "psi" (não somente brasileiro.tico paulista e o surgimento de duas Sociedades de formaçào (a ABPS e a SOPSP).~~l().ivicbdes domin~ntes nos anos 60 c 70 . Da mesma forma que as Sociedades de (ormaçio psicodram:ítica. o do proftssional liberal..'Olonull 'indo da area que 1 'ler tl'1n o din. Entretanto.) A fonnaçáo em jJsú. lambém a FEBRAP surgc para dL. os grupos ligados ao pedagógico são excluídos. segundo Marí'Oa Greeb. já existem cinco grupos de forma\-'~10 em psicodramJ. J R. ao descrever o I Congresso Internacional de Psicodranu. o modelo valorizado e de referência é o do terapeuta. "expulsam" as pedagogos. 47 Alves.o clinico .'cac/orfas. Assim. São Paulo. Em 1971 organiza-se uma associação dos psicodramatistas pedagógicos paulistas c.H. mas mundial).'>Souma a melodologia de açao Jànlitadora dt. assinalando que a questão gira em tomo de lI11tl "reSCl'\lade mercado " e de uma desqualinCl~:ào de tudo o que nào seja terapêutico. claramente. Mais unu vez. !v1arisaNogueira Grccb .. superior ãs c1emaLs.e Maria Alicia Romana limdam a primeira escola de psicodrama pedagógico: a Role-Playing Pesquisa e Aplicação. toda a discritninaçilo de aprendiza/. . cil" p. As turmas de psicodranu pedagógico não aceitam tal situação e retiram-se.' interesses corporatilnstas dos medicos psiquiatras em primeiro lugm. Apes~r de estar aind~ m. quando a rERRAP é lundada. atrJ.ogo. Op. agora. os alunos do pedagógico agregam-se a esta última. em se tratando de pessoas que lidam com grupos.:e. nao S01Y1i:'11leda educaçdo.vés das técnicas psicoclram:íticas. Ao longo dos anos 70 outras escolas. () proce. pedagógico na Role-Playil1g. min1Cogr. de dicotomizar o homem era claro.() perdcn<i{). "E imporlantr: reconhecer que a l'er/ente adjf!tivada pedagôgka impn'me um conJunto de iniciatil!a. 12. portanto.. o terapeuta trahalha com as emoç(ks (. os terapeutas..~ . uma i11lplicacào política que as pd.que havia feito o curso no GEPSP . um tr3halho maL" questionador na educ3(. no ano seguinte. ':. As Sociedades de psicodrama que se organizam naquele n101nen[Q tratanl única e exclusivamente ela formação terapêutica. Em 1976.ro/Jriamente dt' competéncia "48 (~if()s meus}. o proces .'Oempenboe. OCOl a ser votado: sào sócios aderentes. na "açào bcilitaclora" no trabalho. trahalbo com as relaçoes inte. diz tm'lis da reserva de mercado do que /. sem dúvida. A pedagógica é desqualli1cada. o poder médico se impõe.! 11) c esta forma de ver a prática psicodramática é.. a instituição formação psicodram:ítica . em 1964. .

tão conflituados devido ao "racha" surgido após o Congresso de 70. IV - ALGUNS EFEITOS DAS PRÁTICAS PSICODRAMÁTICAS Chegando a um determinado ponto .e não a um final . No Rio de Janeiro. visando ao lucro.na caminhada que me propus fazer no território psicodramático. O pedagógico continua a ser compreendido como um psicodrarna de segunda categoria. não ocorrendo isto nas Sociedades de formação em psicodrama terapêutico. as práticas psicodrarnáticas.partidos políticos.e a não-obrigatoriedade de terapia em muito incomodam e agridem os psicodramatistas. tão bem encaixadas nas subjetividades "psi" hegemônicas. dar a entender que as Sociedades de formação. considerem o psicodrama pedagógico como uma prática menor. Também em solo carioca. 243 . que dirá "lidar" com o pedagógico". associados ã SOPSP .os mais progressistas. os tempeutas psicodramáticos não estavam. também. há uma diferença: se na Paulicéia as escolas de formação em psicodrama pedagógico. no Rio de Janeiro isso não acontece. as escolas de formação em psicodrama pedagógico têm realizado. O fato de a formação no pedagógico estar aberta a qualquer um.normatizar as práticas terapêuticas do psicodrama. oferecem cursos para o pedagógico. é importante assinalar que este Capítulo não pretende em hipótese alguma "concluir" ou "fechar" algo em relação ã expansão das práticas psicodramáticas no eixo Rio-São Paulo.tico. diferentemente das escolas de psicodrallla pedagógico.lso. somente em 1990 são aceitos como membros efetivos desta Federação. regido pelas leis da oferta e da procura e que condicionam as relações entre capital e trabalho. a qual estaria abstratamente acima das leis do mercado capitalí. inúmeros trabalhos de assessoria em diferentes estabelecimentos: escolas. cursos.porque finge ignorar que. pela própria história instituída do movimento psicodramático paulí'ta. empresas. Tenta. na época. que incluir uma formação tão diferente era muito difícil". Discurso hipócrita e !à. tão próximas das falas dos psicanalistas "oficiais". nlaS pura e simplesmente para uma formação. a partir da segunda metade dos anos 80. Relacionados a este aspecto. que são reproduzidas por suas práticas ao longo de sua história. segundo análises psíquicas.mo. Estes . sem exígência de curso universítário . Embora os terapeutas psicodramatistas. "Somente depois que se resolveu o problema entre os terapeutas é que se começou a pensar no psicodrarna pedagógico". LTeches. No âmbito fluminense. Tudo é tratado sob a prinlazia do intirni. Desde sua criação. contribuem para a formação na Role-Piaying e em outras escolas paulistas. além da formação em psicodrama terapêutico. Ainda que os psicodrarnatistas pedagógicos sejam convidados para os Congressos da FEBRAP e deles participem. etc. não estão voltadas para o lucro.Observam que essas escolas de formação estão estruturadas canlO empresas. alguns deles. em sua quase totalidade. Alguns argumentos são utilizados pelos terapeutas psicodramatistas: "na época da FEBRAPo pedagógico não fez parte. embora seus discursos questionem e neguem essas instituições. como qualquer outra prática. já que há dua$ Sociedades (o CPRJ e a SOPERJl que. as Sociedades de psicodrama constituem-se para. por sinal -. exlusivamente. estão estruturadas em cima de um mercado capítalistico. mesmo em seus consultórios privados. sob a denominação de psicodrama aplicado. também evidencia-se a desqualificação desta formação. estão outros argumentos de 242 alguns terapeutas psicodramatistas para a não-inclusão do psicodrama pedagógico na FEBRAP. da mesma forma que o psicodrama é visto pela psicanálise como uma terapia de segunda categoria. "Na verdade. os cursos de formação no pedagógico surgem bem mais tarde que os ligados ao psicodrarna terapêutico.e a criação da FEBRAPo COnflfllla têm como modelo as instituições formação analítica e a academia. Vislumbram-se as argumentações tão ao gosto das práticas "psi" dominantes então. nlaS apenas refletir sobre como tais práticas foram sendo produzidas e que efeitos geraram e continuam gerando. estão e continuam até hoje separadas das Sociedades de formação em psicodranla terapêutico. até porque o tempo de formação é bem menor que o exigido para o psicodrama terapêutico. em condições de "lidar" com eles próprios. uma vez que os terapeutas estavam tão confusos entre si. tratar da formação de terapeutas.as práticas é que irão definir a entrada ou não na formação . psicológicas e emocionais dos sujeitos que participam de determinados acomecimentos. Todavia. ainda.

no linal dos anos 60 e início dos 70. J. Não obstante todos esses aspectos aqui levantados..altar que a ii1o..c. vai incorporando gradativamente uma série de conceitos psicanalíticos. Senl querer entrar em tai. "as relações intcrpessoais" são palavras de ordem Preocupações que trazem implicitamente" crcnp na democracia liberal a qual. e podendo transcender SU::I prôpria sitLl:It.c. R. lllais tarele.'. que sedo as vi')ta5 no Capítulo seguinte . segundo Russel)acolJy. postula a supremacia do modelo médicu.H.. a "realizaçào".<. por não ser o objetivo deste. não há outra formação "psi" etn São Paulo além da SBPSP.. ao pregar a liherdade e o igualitarismo. Desde seu início em São Paulo. Ao contrário. é amortecido c rapkbtnente esquecido_ Em São Paulo. .dt. as práticas pSlcodramáticas .ta""i!'.que se concretizará. Fora esses aspectos. por força do próprio momento histórico da época e graças ao "empurrão" dado pela segunda geração de argentinos e pelo movilllcnto lacaniano..s C' "corporais".j~japontado . o pSlCodrama.'meiais. 'Esta" terapias. Ruptura. vemos que isto. as relacôcs interpessoaic. fazem parte elo que chama de "Psicologia Confonni. Ao adotar esta base humanista-existencial.balho SO Jacoby.teneial" e o "aqui e ::.a. confofInc Jaz a psicanilise. inicialmente importada dos argentinos . incluindo também o psicodr::lIlla. Isto demonstra que (J tranalho grupalista . Amnésia Social. a saída é a solul. na segunda metade da década de 70. ao nio trabalhar com a "falta". as potências que o ser humano carrega e que necessitam Sl?rdesabrochadas.'~10levar :Idi:Inte seus projetos.c..pelas influências já vLstas de D. Pr::iticasnas quais o "exi".dasaos 111ovimcntossociais"il.a aquilo que há de positivo.tórico-.a c()O'ente representada por R.')otia que c11liasa o pSlCodramJ mnrenL. comportal11 esta alternativa: o trJ. No inicio da década. que sCll1pre utilizou ü psicodrama dentro de um enfoque grupal. Contudo.dos Unidos da.:ào pessoal. que domina de início. Gaiarsa. o movimento psicodranlático tem essa função. Solo fértil para a produção dessas subjetividades: a liberdade.por influência da psicanálise. Porém. Hoje. o psicodrama traz a marca registrada de urna prática privada de consultório. também condizente com parte das subjetividades hegemónicas no setor "psi" da época. é impoItlnte res. Não é por acaso que toda. de tais semíços Assim vai se constituindo o psicodrama "49. clnbora venham no bojo de movinlentos conlestatôrios e liberadores.'1no n}o conct'ltllJ nem trabalha C0l11a ··lalta·. cnloGI todos os sujeitos C0l110livres e iguais. Há grupos ainda pequenos como o do Sedes (organizado por Madre Cristina) e trabaU10s isolados de alguns junguianos e corporalistas.Se. em seu início.traballlo. como nluitos apregu::ll11. "carência".reduzem () ser humano e a cxi')tência a uma abstraçào.. em que todos sào inteiramente livres e íg~lajs. Bennudez -.p. Ao contrário de Moreno. ainda que () enfoque cmpregado seja o grupal. são gcstadas no território dos Esta.tii. transtórmadof.tina. o ser humano. é o precursor ela quebra da hegemonia psicanalítica. apesar de grande parte dos psicodrarnatistas il) ter grande Alvcs. essas terapias consideradas "alternativas". as práticas psicodramáticas .pretendem inaugurar espaços terapêuticos "alternativos". um:1 vez que todos possuem lima livre escolha. a uma essência universal ic1calizada. Ctn parte. nas quaL'"a "espontaneidade".s. as pr::itiC::lS psicodratnáticas. Por isso. que não a psicodramática. Questões que estão presentes nas situações analisadoras já abordada.. Moreno enfati/'.. Bustos e pela força das subjetividades dominantes no meio "psi" -.. no Brasil.Op. I<r"" Cetto. como A. América. Cln solo pauli')1..')aná!ises. Tanto o modelo médico.2) a escola se ('slmtura 1!Oltadapara a prãtica lihf!ral e se de:J. sem dúvida. como os conceitos psicanalíticos posteriormente absorvidos apontam para doLs aspectos: I) a escola de psícodmma se uiabiliza atendendo e correspondendo a demandas de profissionais de saude mental. Rio de J:wt'lm Zahar.L.. que nasceram nas nl:IS e praç:ls de Viena.1 OLJltesalíenantc.tgora"preclominatl1. a própria prática pSicodrdmática. presente na obra de Moreno. aparecem alguns que se colocam como íllorenianos.nio é garantia para um:I atuaçào desnatur::.C0111 a inlluência que sofrem do lll0Vunento contracultura] . o psicodrama cai num humani. nu indo em abstrato c nào como produçc)cs lli. a demandas de setores sociais que mx:essituvam e podiam arcar com o onu.assim C0l110 terapias rogerianas.lJ4 244 .o:adora. no Brasil ele é prioritariamente utilizado no âmbito chamado "individual".'mlo-cxi"tencbJ extremamente forte. gestáltica. intimamente lig'J.

alegando um eventual despreparo e argumentando que o sociodrama é uma prática que necessita de melhor embasamento teórico e maior amadurecimento por parte dos profISsionais que o desenvolvem. CAPÍTIJLO IV ALGUMAS PRÁTICAS LIGADAS AO MOVIMENTO DO POTENCIAL HUMANO Adentrando ainda maLsno vasto território psicoterapêutico dos anos 70. Especialmente na década de 1980 .aparece uma série de trabalhos psicodramáticos de cunho institucionalista em muitos estabelecimentos públicos. Reích . a Criação e a Obra: Um Ensaio sobreJ. as prátic". Bélgica e França. o da Semana Antlmanicomial. cit. das quais irei citar as práticas rogerianas.menos ainda no Rio de Janeiro . O Criador. Suor e Salário").L Moreno. A. torna-se possível às práticas psicodramáticas a produção de espaços singulares. Estas.O SI Sobre isso ver a trajetória de ). Trabalho. A. desnaturalizar instituições e transformar realidades. ainda é grande a resistência à realização de Sociodramas Públicos. dentre outros. de uma série de práticas colocadas como "alternativas" e que se anunciam no Congresso de Psicodrama do MASP. Vânia Crelier eoutros que. ao contrário. notadamente em São Paulo.. Entretanto. o cantinho para a formulação de outras concepções de psicoterapia.L. e posterior expansão. Além dos Sociodramas Públicos. no Brasil. e Naffah ~eto. ciI. 247 o chamado 246 . I. MOVIMENTO DO POTENCIAL HUMANO '52 ° Movimento do Potencial Humano' desenvolve-se nos Estados Unidos. Op. Como assinalei. desde o início de 1980. A. Holanda. Os chamados Sociodramas Públicos. expande-se para vários paises europeus. Op. de profissionais psicodramatistas que fogem aos estreitos muros de seus consultórios e mostram uma forte inlplicação política. mesmo que de forma provisória.ílticas e. A maior parte fica no estreito território bem resguardado de seus consultórios particulares. Alguns já apresentados nas do Homem (~Macho! Masculino. as gest. ocorrem atuações. Pavlovsky. Ronaldo Pamplona.sdiferentes formas como são encaradas e manejadas -. dt. o da Mulher ("Mulher.notadamente a partir de sua segunda metade . por parte da maioria dos psicoclramatistas brasileiros. no início desta década. o Grupo Latino-Americano de E. (1 da Aids. na década de 60 e.pelo próprio momento político brasileiro . há uma equipe formada por Regina Fournault.em 1970. em 1971. o da Violência.) O Psicodramaturgo. M. o da Constituinte e o do Trabalho (~Trabalho.nas ruas. observamos .USP. na primeira metade da década seguinte.H.. Até por não entender as técnicas como instrumentos neutros mas como ferramentas que podem servir para manter e legitimar ou.mostram a importãncia das técnicas psicodramátic". as chamadas "corporais" . fazem Sociodramas Públicos. Moreno in Aguiar.s psicodramáticas abrem. (ürg. ruas e praças paulistas foram: o das Diretas.estão estreitamente vinculadas ao Movimento do Potencialllumano. Schutzenberger.que se originam diretamente da obra de W. Op. como destaca. como Inglaterra. Dissertação de Mestrado . Em São Paulo. ainda que isoladas. a atuação extramuros do consultório. fora do espaço congressual. segundo ". Alves. Culpa"). Homem"). por intermédio dos chamados "Centros de Crescimento" e "Centros de Desenvolvimento do Potencial Humano". pouco utilizados no Brasil .s". sobretudo.o surgimento.L. 1977. o fortalecimento de movimentos instituirltes.

L'1I0 pruk-s~()r uniVL'rsitario Tim(lthy Ll·J. corporais. entro l' fora das unilJersidades d Surw'm os Reatü!\ os Nollings .) partir das práticas cXl<>tcnciai<.movimentos cootestatúrios pelos direitos civis dos negros e contr. bíoenergéticas.. o antiteatro. manifeslaçoes e. que gere para dele extrair uma mais-valia de gozo e de capacidades relacionais. leva o nome de uma tribo indígena norte-americana. das ondas mi-. o Movido mcnto do Potencial r Iumano cngloh.<dtuando no aqlli e tlgQYfl.>4. em suma. R. cujas obras convergem para uma prátíca.Vou': "cw1içao'~ "!Jara/o': "deshunde': "und~rgnmndn r. () Movimento do Potencial Humano apresenta também.. '/JUz'". mptura com Freud e rechaço da analise e da logoterapia . Pearls se integram aos grupos de encontro de C. Sobre o assuoto consultar também Castel. 1987. nos Estados Unidos. imediatas. tanto a contracultura como o Movimento do Potencial Humano propôenl uma revolut. ':vou an' ({'ha! vou eat'~ "Pamdise . jazer justificar seu potencial humano"6• Sofrendo tod:L<. Turn Oft. 'na. 1980 249 .'" das cmnna-.lifórnia. e faz parte de um conjunto de teorias de desenvolvimento neocapitalista· que toma vulto no 4 ') o [nslituto 6 rr 0.~ullura: As Utupia. r D. O ponto de referência é o Instituto de Esalen" cuja finalidade consL'te em descobrir os "meios de melhorar o potencial humano".. rou/JlJ.1. et aliL I. psicodramáticas. dm eahelos lon!{ox dar. "amor". p. lftera!rnente.> de massa W' encarregam de difundir os simIJ%s da agitaçun /úl'cnil.' pelo Iuturo e suas hi/JOtéticas mudanças ou reeom/Jensas< (grifo do aulor). . 1980. de maneira tal que os pontos comuns .)i~ variados procedimentos.'.'glIIU" elacontracultur. no campo pedagógico o mesmo movimento é acompanhado.) diferentes escolas de pensamento e incorpora os m. Socioanállsi'i Y Potenc:lal Humano. C'loMovimento do Potencial Humano as técnicas da bioenergética de A. sintonize c caia fora" i . Francisco Alves. "F/o. livres das repressões sod::li.)" do sistema.Joplin. e preciso. estamos diante de uma corrente coletiva que tem vários fundadores. do consumo. """àzerda l'ida uma eelehraçdo do Imeer e da alegria.1 (' Oi Lapassade. Lapassade.'Cair for.Intimalllentc associJclo 30 movimento cootrJCllltuiJ. Rio de Janeiro. posteriormente.al.\IJem.\'/ones. a famosa tr-. são fortes os grupos híppíes e a contracultura..f)-' Se no campo terapêutico se desenvolvem os prinClplOs do chamado "potencial humano".) a g-uelT. localizado em Big Sur. ':As novas teraptas testemunbam assim o jato de que e possivel instrumentalizar a subjeti~'idade e a intersuhjetividade por interuençoes exteriores. o principal foco de difusão desse Movimento está na Califórnia.lSC do . J3oyesen.:j(L ..u. 146. 130b Dylan.i ldt'm. investir e trabalhar. Sua origem remonta a 1962. R.r. rastro da /)('{lt gC!llcratioll dos anos ')().s impostas pelo capitalismo j\'o A década de 60 é.) AIRo nol'f) está acontecendo.so de droga. E.Scoloridar.ticas.tudantLr.. em suma.é tamhém a década dar. Esalen.hams em plena era da teenoJoRia "'..' ji/stil'ais de "ro(k~ das comunidades.fimi lIendti't~ JanL.redescobrimento da impottâncUt do corpo. 's()cü'(lade de crmsumo". embora esta autora . 1\. ••("m Marcha. RogefS. A Teoria do "Capital Humano" está presente e é hegemônica nos anos 60. Segundo G.aSocIedad Psiquiatrlca Avanzada.1 Vietnã -. na década de 60. de massagens e da mosofia oriental.. como os tecnocratas dizem dos países do terceiro mundo. Gedisa. (lI'. do insÜtuído. . Llmosa lrJ. 39. Anagrama. "era di' aquariu. dOI. e asfaml1ias jxy{ueno-lnuRuesas !'i' aSsustam e nao entendem /XH' que seuçfilhos se tornam os nonos bã. da alimentaçào macmlJi6tica e natural. Barcelona.> . das tradicionais organiza\~ôcs familbrcs c sexuais.r.do grito à Illcdita(.. discípula de w. "maluco'. Ha. lur71 in. valendo-se de um conjunto de técnicas grupais. 'ia era '.J('t' Pou'cr". em a dficada dos "/Jip/Jies'.) Timotlly Leary: "sc ligue. essas inJluências c inserindo-se em um delL'rminado momento histórico norte-:llllericano . Madtid. . and dm[) ouf....1.. A Gestão dos Riscos. Reich':' prefira não se colocar neste Movimento. no litoral da Ca. cit.l.tJÍnculam-se para jormar um novo programa terapêutico dentro de um movimento cultural mais vasto . G.r. l'. Elas promovem uma visão do homem pela qual se concebe ele mesmo como um possuidor de uma espécie de capital (seu "potencial"). para se desenvolver. Castel. "alJU/ar lI" cstnitUnlS': "car'eta'.assim como Lowen.'. sem e. sintetizando as novas pSÍCoterapbs de grupo. p. Contrat.. onde. entre tantos ( ) Os mdo. Alguns incluem também a Psicologia Bioclinâmica de G.da tilwrarào s('. Lowen c da gestalt-terapia de F. as filosofias oriundas do Oriente e as técnicIs corporai.2 Bueno.. como palavra ele ordem. do u.:ào . nos ESlados l1nidos muitos países. indiuíduos subdesenvolvidos e em vias de desenvolVImento.

Famma. na qual contJergem con!n'butç6es da contracultura enquanto ideologia e experiência. A perspectiva de modernização. (Orgs. simbolos internacionais desta crL. no treinamentos. da nudez que não estavam no programa dos grupos rogerianos (. Ver Lapassade. Um primeiro movimento de atividades grupaL. cuja forma de Estado corresponde à fase do Estado intervencionísta "7.A. Lapassade. são modificados pela introdução ". de cons~lheiros conjugaL" tendo com~ pano de fundo o movimento contracultural.). das Ultimas quatro deeadas. Op. do corpo. G. consultar Coimbra. Tudo L'to nos leva a perceber que esta 'febre grupal" não se desenvolve por acaso. G. Rio de Janeiro.. 1981. ainda. a Teoria do "Capital Humano" encontra espaço efetivo de sua necessidade e de seu desenvolvimento na fase monopolista. Esta década é marcada em solo norte-americano por .S. essencialmente ca/ijorniano_ O T Croup e o grupo de base rogeriano sdo um marco. o grupo de formação. o grupo de diagnóstico. ela é produzida pelo momento hi'itórico norte-americano. Cortez. mas pelo comportamento de abandono. principalmente na Europa e. 183-21 '5.. As reivindicações dos negros nos anos 60 ~ conhecidas como Black Power e Black RelJolution . será caracterizado por um fortc movimento grupalista. do modo de produção capitalista. nos anos 60. Op. Campus. Para outros. Discute este autor em que escola se deve buscar a gênese do movimento dos grupos de encontro". Com isto. representam 20% do total de desempregados'>'). Sobre o a::. do gn'to. em sua origem. Somam-se a isso a segregação nas escolas e a desigualdade de oportunidades habitacionaL.. ernati2mldo-se as relações interpessoais. as dinâmicas de grupo iewinianas e o T. definido como atividade psicossociológica". pp_ 40 e 41. do transe.violentos distúrbios sociais e crescente demanda de direitos civis e igualdade de oportunidades diante de empregos. nos anos 60. desenvolveu-se no tlnal da década de 40 e inicio da dc 50. na expectativa de futuros retornos. Ela estabelece. no Brasil. que foi C.-lista. Psicologia e Sociedade. estas práticas "alternativas" mesclam-se com os grupos de encontro. como. o investimento no "potencial humano" de cada um passa a ser a palavra de ordem no campo terapêutico.. travestidos Com roupagens ditas "alternativas". Da mesma forma. 184. G. de jovens. Dados estatísticos da epoca mostram como os negros. com O governo Kennedy. Op. marcado por essas lutas bastante violentas e pelas subjetividades familiatista.1 .é caracterizada pela chamada "crise das instituições" e se traduz não mais por revoltas ativas. no farniliat. 1986.bem como as 7 8 Frigotto. depois. violentas revoltas urbanas e a pressão exercida pela população em geral. com apoio de estudantes e muitos intelectuais. Costa.-se pela intervenção nos estabelecimentos através de uma atuação grupaI. 62. Da mesma forma. nos Estados Unidos. o qual. No entender de G. forma-se o "capital humano" de um pais ao se investir na escolaridade. São Paulo. "Privação Cultural".o qual irá produzir o recrudescimento dos grupos de encontro. p.M.início dos anos 60. entretanto. que a educação é o principal investimento de uma sociedade. A. Rio de Janeiro. Lapassade. cit.. cit. que constituem 10% da força de trabalho norteamericana. cit. contudo. tal como um mecanismo para recompor e articular a hegemonia imperi. como muitos outros.A. p. "As Teorias Educacionais Hegemônica. workshops laboratórios de sensibilidadc grupos de famílias.e. este movimento surge da dinâmica de grupo em sua aplicação clínica: o T. p. com maratonas. "Privação LingiIstica" e «Familia" . In: Velho. C. Group.. A Produtividade da Escola Improdutiva.~ nos Anos 70 no Brasil~. G. 11 12 9 250 2.N. mas também a influência da. S. por exemplo. novas fonnas de psicoterapia "11.o pós-6S .J () molJimento atual do "encontro" e.M. associados aos distúrbios contra a guerra do Vietnã.. Frigotto. no privado. A psicossociologia caraeteri:w.. UFF nº 28. In: Cadernos do ICII. É uma postura marcada pela orientação positJvista e funcionalista da SocioloRia elas Organizações e pela Psicologia Social dos pequenos grupos. Através dos grupos tenta-se 'resolver" e/ou fragilizar as freqüentes reivindicações: esvazia-se o público e aglutinam-se forças no campo psicológico. hab~ tação e escolarização.Declara. intimista e psícologizante hegemônicas à época. passa a ser instrumento para a busca de uma "melhoria" das condições das nações subdesenvolvidas. o Movimento do Potencial Humano busca uma "melhoria" das condições psicológicas do sujeito. Segundo G. a guerra do Vietnã e a "guerra fria".sunto. Oroup. as lutas dos negros por seus direitos civis. subjacente a este projeto desenvolvimentista.l. A década de 70 . o dispositivo em que se ínjeta a nova cultura. com a união das influências de 10 Sobre isto coloca que muitos atribuem a Moreno a paternidade do termo (ver sobre o assunto Schutzenberger. 71. realça a importância do investimento nos recursos humanos de uma nação. e Figueira. 1990.. Rogers o precursor e criador desses grupos que. apatia e desencanto. por produzir trabalho. criam sérios problemas. nos Estados Unidos. A.

Rogers.T. RL.rupalista norte-americano . Martins Fontes. "Abordagem Centrada na Pessoa: Teoria ou Atitude na Relação de Ajuda?" In: Rosemberg. a Iiberaçào do sujeito das annrras sociais. principalmente nos Estados Unidos.lalidades l' formas clifercntes com que os grupos de encontro na déClch de 60 se apresentam. graÇh')às experiências vivida. em beneficio dos chamados catalisadores . Sobre o assunto ver também Schutzenberger. originados da dinâmica de grupo lewlnianacomo já apontei anteriormente -. para o "crescimento pessoal". Rogers. juntamente C0l11o 1l100uento histórico norte-americano. cujas intervenções estruturam o encontro. específica. pois opôe-se tanto ao behaviorLr.<. Moreno e a Gestalt-Terapia dc F. G. o Psicodrama de J.cnfatizanl a sociologia dos grupos e nào a da psicologia.. onde há um histórico c:bs mai~ divcr~os enfoques teóricos e técnicas utilizados no Movimento do Potencial Humano Em SI. por mais de duas décadas.afin11am us "potencialistas" .. Ao longo dos anos essa orientaçlo para o '-crescinlento pessoal" funde-se com os traininggrnups e conjuntamente formam o núcleo do MOVllnentoGmpali<.'U livro GnJpos de Encontro (São Paulo. Rogers. conhecido autor do "aconscUlalnento não-diretivo". Maslow _.processos de subjetivaçào que pensam e priorizam a pessoa. O homem. o termo "grupo de encontro" provém de C. a Psicologia Ilumanlsta passa a ser entendida por seus seguidores C01110 muito mais do que U111:1 tcnria. "desenvolvimento" e "aperteiçoamento da comunicaçào e das relações interpessoai. São Paulo. tornando-se uma atitude dingida a um melhor ('ntenditm>nto do homem o ) &ta nol'a abordagem em P'iÚ:ologiahu. Lapassade. é visto em sua totalidade. as quais atingem seu apogeu nos anos 60. o autoconhecimento. os T Gmu/Jscolaboraram para a difusào dos conceitos lewinianos e também para outras noções vincubdas às investigações com pequenos grupos.."l". cit. O Movirnento (. O enfoque rogeriano existência humana e as condições onde ocorrem a autoatualização do potencial do homem e seu funcionamento total como pessoa em husca de uma realizaçdo criatit'a. taz parte do quc ficou conhecido como psi- cologia hunJanlsta ou Terceira Força -termo l1Jnhado por A. H. Estes .0. Tendo Como base teórica a dinâmica de grupo. AA Op. cit. Lou!(!11.. que o cunhou. !llíOl. flmdamentalmente. fonnouse o National Training Laboratories com sede em Washington que. Rogers enuncia logo no primeiro Clpituio a origem e 0. Os gnlpos de encontro rogerianos surgem com objetivos diferentes daqueles cultivadus pelu T Gmup. 1987. antes de tudo. vai oferecer uma série de atividades grupais. integrado e interugindo com outros homens e seu meio "H. no Maine. nos anos 60.. tornando iamosos os grupos de verào desta cidade. para a "preparação" do MovinlcntO do Potencial Humano c vêm no rastro dos T Gmups Estes. (Org. EPU. procluz desde o pósguerra .2. as terapias consideradas "alternativas". 31 e . Schutz.amento Centr"do na Pessoa de C. F Pearts e outros apresentam um novo W estilo· o grupo de encontro com as terapias ditas "alternativas"l.P. o repúdio à psicanálise.taque se espalha pelos Estados llnidos nos anos 60. 1'5 2.os ealaIisadores . Lewin e C.década de 'i0 . No final dos anos 40. Tanto () AconseU. C.expande-sc progressivamente e. assim como faz referência às moc..ir mais além da chamada "terapia da fala" ou "Iogoterapia". Perls quanto as terapias "corporais" seguimo esses princípios da chamada Psicologia Humanista. •• elhamento Psicológico Centrado na Pessoa. de um modo geral. pp.5 objetivos des.).moquanto à psicanálise.3 . Moreno. junto com o movimento contracultural.2 2. os gnl pos de encontro rogerianos contribuem.são os que servem de mediaçào entre o paciente e o terapeuta. para lima "melhoria". em 19'i0. Desse modo. Estes semo.casignificado da I" o ponto comum de todas essas pmticas é. em 1962 . representada por Roilo May. K. L. p.'icomunicações c das rclaçôes interpessoaisL3. 14 Morato.ano dos primeiros grupos em Esalen -. Acon. nessa abordagem. ao Guacterizá-Io como voltado para uma 'evoluçào pessoal"." através da. L.2. Isto permite . Portanto. Gmups e pelos gnlpos de encontro rogerianos . desde os anos '.J. Maslow e o próprio Rogers. fazendo parte do Movimento do Potencial Humano.24-44. A.. E a Psicologia HUll1anista traduz 111uitobel11tais questôes.~l·S WUfXJS. POlSorientam-sc. Segundo a clellniçào de Maslow. alguns dos pontos em que se basearão. O primeiro training gmup foi realizado em Bethcl. "OS Estados Lnidos a corrente humanista-existencial. Op.iniciado pelos T.os analisadores terapêuticos na linguagem da análise institucional. 4. uma nova geraçào de animadores californianos de grupo com grande influência de A.

natural. Rio de Janeiro. Paris. assim. controlar as pulsôes coletiuas. por isso. Mas. em realidade.:'Uais grupais. tem como um dos temas a liberação do corpo. que se pretendiam instituintes. um outro dispositivo de controle da sexualidade. . ao se trabalhar a sexualidade e a nudez nesses grupos. tanto G. que captura e não libera.vê-se os animadores dos grupos frear sutilmente o movimento. eis que um novo movimento vem alterar essa hipótese de base e destruir. uma vez que a expressão de idéias e a ação social estão proibidas. grupos pelos "nudistas" e outros participantes indesejáveis pode desemhocar no/racasso"p. fazendo com que a espontaneidade seja contida. Sobre o assunto. políticas. 1972. que seja próprio dele ou do qual possa se apropriar. ressalto aquela que se refere às atividades dirigidas por um expert. por conseguinte. G. estando os participantes totalmente subordinados aos coordenadores. Pelo questionamento que fazem de todas as formas instituídas. os dispositivos anteriores) tanto o psicanalítico socioanalfttco "16. Existe nesses grupos um aspecto normativo. Idem. Os sistemas de repressão e censura são muito fortes nesses grupos. com respeito aos formadores e/ou terapeutas. ser "autêntico". nos anos 60. C Rogers anuncia que a invasão da. Lapassade observa que. Unicamente são encarados os obstáculos internos e individuais.. incluindo também Rogers. 1976. a possibilidade de inventar um modo de se relacionar com os demais. Pages afirmam que estas dimensões não são abordadas nesses grupos. p. Sobre esse movinlento califomiano. e. G. estão obrigados a sentir. como o É necessária uma breve explicação. poi~ muitas dessas práticas. econômicas. elas passam a ser defmidas como um valor. etc. terapeutas/pacientes. etc. pois isso trata-se do desejo encarnado no corpo e produzido por ele e não de um desejo apenas expresso na linguagem como entende a psicanáli~e. A liberação. que é extremamente reforçada nestes trabalhos. os anos 60 trazem a crença de que os grupos que estão emergindo na época não teriam suas ações integradas ao sistema institucional vigente. ver Lapassade. Um outro aspecto prende-se à dependência. " . encontra-se uma sériedé pontuações desen' volvidas por Max Pages18 que dizem respeito a vários aspectos da atuação dessas "terapias grupais". Os canais de comunicação somente funcionam para reduzir ou suprirnk a fala dos participantes e os sistemas de poder são dissimulados sob a fachada de um funcionamento "democrático". as hi~tórias da conduta dos individuas e de suas repressões sociais estão completamente ocultas nesses grupos. 18 19 Iapassade..e condições sócio-políticas da vida cotidiana transversalizadas pelo próprio contexto histórico. que não tem. Orientação Não-Diretiva em Psicoterapia e Psicologia Social. insUtuir novas formas de tolerância repressiva. F. 0r. Dentre as que considero mais importantes. etc.relações entre formadores/formandos. p. O sujeito não é visto como produção histórica datável e localizável mas sim como um ser em si. Estes mantêm zelosa e secretamente a direção política. "Enquanto que até agora todas as formas de análise psicológica e social se baseavam na fala e no esquecimento do desejo. Guattari há duas produções grupais: os grupos sujeitos e os grupos assuteitados ou objetos. Op. dt. Forense. das formas mais diversas. Ledo engano. uma "liberação" com limites morais. Lapassade quanto M. PerL" 16 1"7 Lowen e vários outroS. torna-se uma palavra de ordem. Contudo. Na ala direita do Moulmento. Dai a decisão de se expressar ou não fugir ao cliente. Não é que a psicanálise esqueça o desejo. In: Guattari. Psychanal}'5e et Transversalité. ciL e Pagês M. Assim. como nos observa Deleuze. Maspero. ianquizada e asséptica. As condições sociais. no mais das ()(!zes. 25'. a gritar. 43. tudo o que os "mestres" mandarem. Segundo F. são gradativamente integradas ao sistema. uma hiperdiretividade. 173. A tão "propalada" não-diretividade torna-se.. ao contrário. pois é necessário expressar-se de tal ou qual maneira. porque o que domina dentro do grupo é a regra do nãosaber''. . que assola os Estados llnidos. Este movimento grupali~ta. esta liheraçào não chega ao fundo de suas implicações_ Pode ocorrer que um gmpo de encontro termine com práticas se>.A novidade no Movimento do Potencial Humano é a redescoberta do corpo e do desejo. econômica e subjetiva de suas ações. é ela que mais fala sobre ele de um desejo que está sempre em falta e não de um desejo produtivo e produtor. na realidade. Com relação às dinãmicas . ser "honesto".

..jl"p.<. tlp./.•• fase de decadéncía.. o./l. contrf!)uf. a frase famosa do c'v-Beat!<.atina. como uma resposta ao desencanto que grassa no período ]lós-(lH.:ru/m ( J.()\lJrlbo Aca1Jou" "o sonho acabou e quem nua donnitl/no sle(1)ing-iJaf4/rU"msequer sonhou/como )0." te(.1() individual. as terapias ditas "alternativas".ma palatora.21)1 2'l6 . na década cle 70 prioriza-se a muclanca no plano pessoal.principalmente entre a juventude .'i conflitos /JOdem C' rief'l'm ser "C'solr'idos no aqui e agora do rncontm. pretendia mudar a sociedade c a vida. uma I>ida/)rÍ/'ada menos triçte.{-'. N:1ohá análise possível do sistema de decisc1cs.'tamente. c()n. (mele ~L'" ditaeluras nülilarcs já ccms()Jiuaclas e aparentemente vitoriosa. l) psicológico. m}' /riend/th(' dream fI'as ml' yesterday" ecouncio. enquanto os dirigentes dirigem a economia. Os sentimentos ele impotência e apatia .sobretudo. especialmente.'i1IX'110 Gil intitulada.do h. l'u. jn/c!orizada e ussimilada pl'lo ua sistc-ma qt. agradall('"i" reo'elos. Permite aos empn'gados terem grat?ficaço{'s.'. bencl'Olo.{)p j-:'l' I')') cit. Se antes (] objetivo era mudar () mundo.22 2.' }abn /1't'lnon. os 70 2IJ Pages.Tambénl.es eurupcus." de oposiç1o. O "sufoco". terapias "alternativas" têm.. a!)mçm~ ejitsoes e ate certo aspecto hipócrita do animadorlihemdo."'. a descar1. nao os supor'to em absoluto . () bmiliar.que 13vorccem e ate~ tendências religiosas. Se antes grande parcela da juventude de classe média. a nosso l'e1.()p. do que decorreria a muclanl. /.(..• t' subjetivielu.A-LL (Ir lil. r· (12 LlP~1.6. o intimo..-..1 e.\ocioanafístas. trazendo uma alLwia uJetuda.~ /)roh/emas de! . ao coiocar em moda o "ilo·/Je.em rcb~-jo aos movimento.. (f" L.e. na musica intitulada "God" 'Ihe! dream is OI'er. Para os . 111<.passam a ser generalizados. porsua I'eZ. em termos mundiais. amigo de todos.'nicas di/o o último toque à dominaçiw nor1e-amen'cuna so!J. 30 mesmo tempo.ado já que tudo é reduzido a problemas intcrpcssoais.. e'1x'cialmente.melhor dizendo. de um modo geral.".'11. mas rechfl{o a ideologia do "amor" californiflno ( ) ram/)em me custa sobremaneira sUj)()rtar .lo.~I (grihl.<.<.pp.'mTiem . mas que nâo /Joc!em scr resoll'idos no a(Jlll c aRora {lO enconm)":' (grit()<.•.ltlclono. Scg-undo M.sao ··terapêutica" e muito decidido a comercializa-la ". não somente na América r. E este momento histórico consagra prática. que marca a primeira metade dos anos 70 no Brasil (' no mundo.. o transe. .apassade conclui quc: "o . apatia c drop-out marGldos pela contracultura já em . o pr()IJfio funcionamento do grupo nào é analie.uwr Com úto. nos I() passa-se a qucrer SOtllcntc uma tllue!an\'a na. de :abcdoria. C. u uma díl'eçao tokmnte l'epn'.11ol'Ífnento do Potencial Ifumano se I'incula.:> que. com 'uas h'cnicas. lncellliva em muito os compOltamentos de alx.u> jOnA tdo mdicalmente! comhalido IJIAI .."'''e a "experienciar" " uma liberdade dl"svinculada de uma realidade social concreta. em um cJimu imediafO de arnor e reconciliaçào.'j me'HS).(.".'> l Se os anos 60 são os anos dos institllintes a nível mundial. pesado o sono/pra quem nem sonhou Compre-endem-st' as características que marcam. em I'ez de u uma dircrâo autocritica e hun)(nÜica r. são vistos como os ~mos da inslitucionaliza~.'m jJara destmir' a autonomia do pl'nsamento. apelando-se para as rcligiües orientai. Sobre isto LJpassaelc assim se expressa: "Para os jJotencialil.. entào.1. Pagcs.'..':1nos próprios sujeitos e em Sllas rclaçücs. Encerrando estas anJ!ises.:soaú 1-.sil'a . imlJUÍdo de sua mir. essrA. A saída é entendida com() uma s{)lu~.\ll:·. \ao ~ji!l'apsicohiológlca indil/iduaJ alcança iodo mundo zida à ".'1Jrcssam conflitos de c!a."se' esten'Ótipos de pnx(1)tore5 que .. de refúgio fora do mundo.a economia."e de instituiço('s que /x)dem e del'f'm l' ser tmhalhados e elucidados.. () privado.. A ciominaçào dos coordenadores (formadores e/ou ter3pcutas) mesmo engendram trJ.. ex:ugemdamente lnJluenciaâ{)~ pelo mod{'lo da /)sicoterapia indil'iduul quando trataram do.llit(~s de grupo e. O.1esvolladas ]XU:I () interior.'. no\ anos da músicu de (. aceito o grito.a emocionul.~'L"tematicumente. de equilíbrio. juslifica-se. deIxam entrcver um sonho de paz. ('m 19m.-tas.'e a EurojJa ( J FazC!m i"so. mística.'-1)l'es redu. ·.cil"PP 21 Lapass:lc1. como também nos paLo.lllcionamento econômico da sess~lo (' Cl<)S proccss{)S de su!Jjetivaçào presentes nesses grupos. o enon11Csucesso que ~lS entre oS jovens...~ BU<':Il(J.1. sem conllitos e contracliç()cs. Hogcrs e seus disdpulos americanos ligados à psicologia social J estarwn. repressóes intenlJ. cle!s limitam çua analise ao n rl'C/ das relaçon intetl)('.dllz-sc através de SU~L'" pdticJ. dos intelectuaL" dos centros de l'IalJOraçao de um pensumento e d(! uma açdo sobre a tran\1ormaçao social ( j Em u.'iS.2"\':"l'28ó .

antes da expansào das terapias "corporais" -. o cHma.). há um vazio político e existencial.destacar algumas dessas práticas psicoterapêuticas "alternativas" que. 23. nos anos 60. 1\0 entanto. rompem-se as barreiras e as "estruturas arcaic3. acompanhando sua própria gênese nos Estados urúdos. portanto. cunhado em Sào Paulo. J\cste clima. Nào se tem o que fazer. 88. É esta falta dc perspectivas As práticas de "aconselhamento psicológico centrado na pessoa" terão diferentes utilizações em São Paulo e no Rio de Janeiro.ti Acredita-se. Passa-se a trabalhar o corpo. Rogers e os Centros de A1JtO. nos anos 60. surgiram nos Estados Unidos. Alegria.. começam a crescer na segunda metade da década de 70. a caracteristica do "sonho acabou". p. barras. principalmente na Inglaterra e Holanda. 259 . no dizer de Luiz Carlos Maeiel.Ajuda de F. alguma força. l. nos encontros. pretendo .L. o BratiJ do ame-o ou deixe-o. p_ 23. p. no fInal dos anos 60 e início dos 70 . no desahrochar ele cada unI.In: Rosemberg. o que aconlece intrapsiquicamente cm cada sujeito. ~ão é por acaso que o mi")ticisnlo religioso é mTIa das facetas dos movimentos contracultural e do Potencial Humano e muito influencia as terapias "alternativas". aponta para a construção de um pro( . principálmente em São Paulo.-psicólogo-conselheiro '. cit.. desde seu irúcio . Perls.As PRATICAS DE "ACONSEUlAMENTO" ROGERIANAS que faz com que muitos se voltem para dentro de si mesmos. 1.... nada no bobo e nas màos'" Por que nào experimentar no aqui e agora tudo o que se pode experimentar' Quebram-se a$ defesas. Idem. Alegria!. dt. Assim.'5do sujeito".no final dos anos 50 . que muito irá influenciar os gestaltistas e "corporalistas" brasileiros os quais encanúnham para estes Centros norte-americanos e europeus. Estas terapias "alternativas" têm.S.. dentro da música de Caetano Veloso..após esta rápida análise sobre o Movimento do Potencial Humano em sua gênese nos Estados Urúdos. como os do Centro de Bioenergia de Londres e os da Fundação Internacional de Psicologia Biodinãnúca de l1trecl1t.) torne mais clara e delineada uma função do psícólogõ com características específicas que Justíftquem uma disUnção com relação à que normalmente temos dopsic6logo clltlko ". Neste. alta. enquanto que na Paulicéia. o próprio termo. R. jissumal ''jJsi'' que.. nem para onde ir. o enfoque se voltará mais para o campo pedagógico. entra-se na "nova era". Op. com o milagre do Delfim e a repressdo finalmente cientifica..mpos de "ajuda-te a ti mesmo". Este é o Movimento do Potencial Humano nos anos 70. M.. a pessoa. a liberação feminina e a expansào tornam-se as grandes palavras de ordem da época e as terapias chamadas "alternativas" prometem para o aqui e agora a liberdade e a felicidade. na expansão. no eixo Rio-Sào Paulo. 11 . Op. um modelo clínico (mais amplo que o psicoterápico)"". " medram a luta clandestina e o deshunde. Estes grupos vêm no rastro dos que. Em 1970 ('stamos sem perspectil1as"l4. 14-23. no início dos anos 70. como o Centro para Estudos da Pessoa de C. tentando quebrar os "fasci')mos internos". expandem-se os Centros e t. (grifos Schmidt. " . &tamQS penetrando num 'paraíso" consen-'ador. através do enfoque humanista-existencial.(Org. buscando "desbloquear e desreprimir" seus impulsos. organizados por muitos terapeutas corporais."Aconselhamento Psicológico: Questões Introdutórias". sendo claramente apresentado como ". e sua expansào pela Europa nos 70 . 25 24 Maciel.o "aconselhamento rogeriano" tem uma aplicação maior na área clírúca.C Os Anos 60. ambos ligados a Gerda Boyesen.'\" da ditadura...NA PAUIJCtIA ..L. 2b imagem meus). a energia. a liberação dos sentidos. A liberação sexual. comentarei algo sobre essas práticas. Por que nào experimentar a alegria da vida? Por que não canlinhar "contra o vento. como os grupos de encontro rogerianos estão na gênese do Movimento do Potencial Humano e possuem.Não é por acaso que pela Europa. portanto. Emende-se perfeitamente a inquietude existente no ar. sem lenço e SeJll documento. valendo-se dos mais variados nleios. A grande frase na época é: "Por que nào?".

Assim. inventávamos. cit. É importante não csquecer .nos anos 70. (Org. em 1966. Rogers. Isso porque não somente o número de clientes aumenta. cit. e adaptávamos recursos e técnicas. [dem.para promover uma ampla série de reuniões de pais. jaziamos palestras e orienlaçao nas classes.a escolas. dentro dos atendimentos e supervisões fornecidos pela própria cadeira de "Aconselhamento". "Ivo mundo atual tão turbulento.elbalrwntoé uma disciplina l'ista pelos acadêmicos como 'pleheia" por ser declaradamente profissionalizante (J É ele que pennite atender a problemas de ajustamento psicológico.mo e método ativo. 'Introdução: BiogrAfia de Um S:n:içu". conseqüências de deficiências frsicas.. É como afirmam alguns "rogerianos" paulL'tas. p. partid/Jávamos de reuniaes de coordenação. Posteriormentc. Morato. RL. nos anos 60. principalmcnte seus filhos adolescentes. no próprio Cursinho . Muito inIlucnciado pelas dinãmicas de grupo de K. expande o número de profLssionaL. mentai. Suas principaL>figuras são Iara 13velberg e RacheI Rosemberg.. ouviamos os projessores. o Acon. "li< 27 Rosemberg. ou sociais. deste grupo saem. de um modo geral. Op. o Serviço de Psicologia do Departamento de Cursos para Vestibular do Grêmio da FFCL da USP ". instala-se. psicólogos e assistentes sociais. o Serviço de Aconselhamento Psicológico (SAP). p_ 07. atendíamos aos adolescentes. prestál!amos assis~ tência psicológica direta a pessoas que não poderiam se din"gir ti Cidade Universitária Para atender a necessidades diversas. com a contratação de mais professores.. p. RI.que existe em São Paulo. também no ·Brasil o "aconselhamento rogeriano" vai se colocar como um contraponto à psicanáli')e e ao behaviorisnlo. H. consolida-se também a subjetividade que enfatiza a "pessoa conlO centro". seu "crescimento"..l.60 O próprio SAP. coutrapondo~se às curas das patologias definidas pela Psicologitl atnica . pela técnica do T Group e por uma pcdagogia que é uma mescla de não-diretivL. por exemplo. descobríamo. Rogers.P.at. reuniões com professores.T. que estão uivendo intensos momentos de transição. muitos profissionaLs interessados no "acon')elhanlento centrado na pessoa" e nas práticas chamadas "alternativas"."'9 I\os anos 70. a "crise" da família e a necessiclade de terapia para seus membros. comportamentos inadequados. 0'5. seguindo as idéias do próprio C. orientações c palestras.27 (grifos meus). em serviço. psiquiatras. p. Op.. In: Rosemberg.<. Em alguns lugares. oferecendo formação de "monitores dc grupo". 01-13. não pôde continuar por intervenção dos militares. tendo em vL'ta a demanda produzida cm cima das subjetividades dominantes na época. o GEPSA(Grupo de Estudos de Psicologia Social Aplicada). transições existenciais penosas. com muita dor e angUstia por sentirem destruído seu equilíbrio e tr>remdificuldade em recuperar-se"3ú. que implementam este Serviço dentro de uma orientação humani<:.. Ao lado disso. mas também pela erescente solicitação dos mais variados serviços como consultorias. ambas alunas de Oswaldo. Op. quando o professor Oswaldo de Barros Santos começa a lecionar "Aconselhamento Psicológico" na USP.<. "Datam desta época numerosos debates entre pais efilhos. Nasce. seu autoconhecimento.. 02. organizavamos grupos para testes. acompanhando a tradição histórica das terapias '·alternativas" nascidas nos Estados Cnidos.. o conselheiro é procurado para fornecer ajuda a pessoas que estão passando por mudanças em suas umas. Rl. após a sua organização.versando sobre adolescência .A partir de 1964. palestras em salas de aula e reunióes com pais e mestres. Os alunos de Oswaldo de Barros Santos. dentro da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da IJSP. 03. Uva época}. com a saida de Oswaldo de Barros Santos ela 28 z) 30 31 Idem. 26. assesson·a. A partir de 1974. .. Lewin. que fará parte integrante do Instituto dc Psicologia da USP. ligado aos cursos para Vestibular do Grêmio. iniciam em solo paulista esta forma de psicoterapia. 26t .. o número de alunos-estagiários do SAP aumenta gradativamente. administrávamos nossos ser~ viços e finanças. Rosemberg. Tanto que.ta-exil)lencial "'/""0 Cursinho para Vestihular. 2. u/Üizávamos alguns dos primeiros programas de teleuisão realizados na USP. tem inicio a expartSão do que chamam "Psicologia HumanL'ta Aplicacla" e um maior conhecimento sobre C. um Serviço de Psicologia. desde 1968... Assim.. sua "liberdade". assim.pois já foi apontado . com a finalidade de orlentá_los"31. p.

sua ex-aluna RacheI Rosemberg assume a cadeira de "Aconselhamento" e torna-se figura importante dentro do enfoque "rogermno" paulista e mesmo brasileiro. a nível mundial. posteriormente. dos "grupos de encontro" e costumam durar de um a dez dias.. Rachel Rosemberg. nos anos 60 e 70. intensificam-se os chamados "grupos de comunidade": grandes grupos que são um desenvolvimento. 1. 1. nos anos 70. C. in Sobre Centrada na Pessoa Sem dúvida alguma. na abordagem centrada na pessoa. encontram-se aqueles que passam por este Serviço na condição de estagiários. voltados para o "crescimento pessoal e social". inicialmente de caráter clinico e. indubitavelmente. Laing e concorda em parte com o trabalho do pedagogo brasileiro Paulo Freire. A atenção.. Aproxima-se do humanismo de E. é fundado o Grupo de Abordagem Centrada na Pessoa. Rogers ao Brasil.1. Particu33 Sobre o assunto ver Rogers.como já mostrei . Agripino Alberto Domingues e outros mais. em São Paulo.diferentemente do Rio de Janeiro . alguns. A Abordagem Centrada na Pessoa e o Oprimido o Poder Pessoal São Paulo. progressivamente. 1978. baseando-se nos "grupos de encontro". as violências que as chamadas "minorias" sofrem e se tenta encontrar caminhos diferentes dos tradicionalmente trilhados. como é o caso de Iara Iavelberg. sofre grande influência do Movimento de Potencial Humano. abrem seus consultórios privados. É chamada para as mais variadas e diferentes assessorias e consultorias e passa a ser elemento constante em programas de televisão. deve estar voltada não apenas para as gêneses do "aconselhamento" nos Estados Unidos.USP. no Rio de Janeiro.e muitos de seus alunos sentem-se atraidos por esta vertente da psicologia humanista: Justamente num momento em que se questionam. A própria gênese do "aconselhamento ce~trado na pessoa" no decorrer dos anos SO e 60 nos Estados Unidos. são importantes para a expansão desta forma de psicoterapia: Oswaldo de Barros Santos e Rachei Rosemberg. liga-se. ambas baseadas na verticalidade e na opressão. É interessante notarmos que em São Paulo . a USP e com menos intensidade a PUC/SP e o Sedes. Rogers . 10. ". com a presença do próprio Rogers e sua equipe. as verticalidades. como Oswaldo de Barros Santos. 107-11). p. Martins Fontes. são os estabelecimentos que. inclusive.2 .ambos progressistas .com aplicação mais pedagógica . tanto Oswaldo de Barros Santos quanto Rachel Rosemberg . ao questionar em seus diferentes textos a autoridade e o poder destes especiali. Ao se formarem. Em 1976. as opressões. Em São Paulo.vem no rastro dos T Groups e das dinânticas lewinianas e.as idéias da vida em comunidade e da autogestão. Ao lado disso. tendo à frente o pessoal do SAP da USP.tas. com a vinda de C. Questiona tanto a psicologia acadêntica norte-americana quanto a pedagogia tradicional. atua algumas vezes com R. como também para as pessoas que. organizando um sistema de formação de facilitadores de grupo com grandes encontros anuais. Em São Paulo e no Rio . R. !ante no Rio como em São Paulo. mais pedagógico.dentro do caldo de cultura do Movimento do PotenciallIumano . com cárater residencial e objetivo psicossocial. Deseja também realçar . na época exilado". que . C. contribuindo asim para que o "aconselhamento centrado na pessoa" aplicado à área clinica venha a se expandir em São Paulo. Fromm. Em 1981 fundam no Instituto Sedes Sapientiae o Centro de llstudos da Pessoa. no início da década. a algumas parcelas "progressistas" norteamericanas. engajados nas lutas de resistência contra a ditadura militar.O Grupo de Abordagem dade".a ênfase é dada ao trabalho grupal. como as maratonas e os "grupos de comuni32 Idem. 262 26:J .afora seu idealismo e as criticas já assinaladas pretende promover algumas mudanças nas relações paciente/ter"peuta e aluno/professor. irradiam esta forma de psicoterapia. de viver como comunidades autodirigidas"32 O mais célebre ocorrido na época é o de Arcozelo.O Sedes Sapientiae Rachei Rosemberg e sua equipe realizam as mais variadas experiências de grupo.o "aconselhamento centrado na pessoa" atrai muitos profISSionais "psi" progressistas. contudo. Tanto que.

Este movimento grupalista é intensificado na áIea pedagógica a partir dos trabalhos de Rum Seheeffer sobre o "aconselhamento nãodiretivo". de todo tipo. assassina e desaparece COll1 os opositores politicos. "crescimento pessoal" tornam-se palavras de ordem em alguns estabelecimentos escolares cariocas. Estas práticas de inspiração humanL. trazer à tona as emoções. A ditadura militar . há violência. feroz . são enfatizados os aspectos técnico-psicológicos. especialmente o Capítulo 04. no Rio de janeiro. São Paulo. aderem ao enfoque rogeriano ou ao psicodramático. passa a ser a tarefa número um. no Rjo de janeiro. forças que podem se tornar perigosas pelo seu teor de contestação são canalizadas para funcionar entre quatro paredes. HTP. a metodologia não-diretiva e. Tem início. com o intuito de orientar o público sobre a aplicação de certas técnicas de dinâmica de grupo para uma "melhor"compreensão do outro. como muitos decidiram. estão no cantinho do "crCSCU11cnto" e da "liberação".final dos anos 60 e por todos os 70 -. não é o caminho. buscando suas "identidades" pessoal e profL>siona1. Os aspectos "compreensivista". R. no final cios anos 70. Surgem. Aconselhamento PsJcológko. as terapias "alternativas" aparecem para muitos como uma resposta.. o "autoconhecimento" e o 34 Sobre o assunto ver Scheefer. em circuito fechado.. faz com que. conhece no fmal dos anos 60 e início dos 70 a obra de R. com técnicas e métodos voltados para uma melhor aprendizagCln e () "crescimento pessoal" daqueles que estão inseridos neste processo. destituem aquele espaço de qualquer caráter instituinte.é somente nos fins da década de 60 que. como uma forma de resistência.cilitador do processo de desenvolvinlento humano. "empático". 264 26'.persegue. 27. O "aconselhamento não-diretivo". vem no rastro dos trabalhos de dinâmica de grupo de inspiração norte-americana que. Tanto no atendimento psicológico a alunos como no treinamento de professores e na relação professor/aluno. é apenas negado no imaginário. dentro cios grupos. urna vez que. uma "parafernália" de exercícios e vária. como já foi assinalado.de que entrar na clandestinidade e/ou na luta armada. todos se amam. na PUC/Rj. com os trabalhos realizados pela professora Rum Scheeffer da Fundação Getulio VargaslRJ. . mais tarde. publicações de livros . de si mesmo e para "melhorar" as relações no trabalho. A própria "antipsiquiatria" é estudada na época e Rachel Rosemberg é uma das profissionais "psi" que. há uma maior expansão na área pedagógica do "aconselhamento" psicológico.em sua fase maL. por intermédio da chamada "1nodernização" da educação. em São Paulo. Op. O chamado "desenvolvimento interpessoal" é uma preocupação por parte de muitos profLssionais "psi" que. Tentam. na fundação do Centro de ~s Defrnição de "psicólogo-conselheiro" dada por Morato. serão muito enfatizados os princípios da Psicologia Humanista dos "grupos de encontro". A psicologia humanista.1976.E NO RIO DE}ANEffiü: O CENTRO DE PSICOLOGIA DA PESSOA Em solo carioca . expandem-se principalmente na áIea clinica. O instituido nesses trabalhos grupaL. tanlbém. Considera-se fundamental a acumulação de forças e para tanto a atuação em seus locais de trabalho. todos são "autênticos". em'!976 . desde os anos 50. tão enfatizados na FGV. onde trabalha"'.. poL. por lUcio das sensibilizações. Rum tenta unir aquilo quc chama "aconselhamento não-diretivo" com a utilização de testes psicológicos. através da emoção. Os anos 70 no Brasil tnarcam esta orientaçào em rnuitos cstabclecirncntos escolares.sionaisque tênl como ". influenciando cont isso muitos jovens "psi" paulistas. tortura. esta demanda pedagógica se amplie. para todos aqueles que de tal trabalho participam.il. enfim. Laing. p. o que transforma o grupo num terreno fértil para as catarses que. ao se realizarem. Esta demanda então produzida é plenamente respondida pelo "aconselhamento não-diretivo". com sua Psicologia Humanista . mu ito utilizado nos estabelecimentos escolares cariocas por profio:. onde a ditadura sem disfarces já está se instalando. fica a sensação . os proHssionais preocupam-se realmente com a relação professor! aluno. A vinda de Rogers e sua equipe ao Bra. nos fms da década de 50 e na de 60. todos se compreendem.larmente no Brasil.ta e não-diretiva procuram caracterizar. Aclas. Lá fora. cit . o aspecto "igualitário" e "democrático" produzido nesses grupos.apesar da influência do Padre Benko. um incipiente movimento ligado à área clínica o qual resultará. 2 . nessa época.como já foi salientado -. através da relação de ajuda quc estabelece com o outro"".Junçào básica ser o iJ.

e analogamente. A capacidade humana é naturalizada. Perls. Rogers mostra que os "grupos de encontro" têm sido muito adotados em trabalhos de intervenção em diferentes estabelecimentos (fábricas. Fiquei prisioneiro de todos os adornos de um cidadão quadrado e respeitável: família. Cabem algumas perguntas. há outros pontos que gostaria de destacar. damos assesrorla.l. escolas e até no Departamento de Estado dos Estados Unidos). num mundo conflltuado e violento. Fiqueí prisioneiro da dkotomia trabalho e diverlimento: segunda a sexta versus fim de semana. 37 38 Perls. ao conceituar e entender o grupo de maneira abstrata e não-histórica. E a própria realidade é percebida também em abstrato. quando afIrma que "os grupos têm sua própria sabedoria" . O primeiro deles refere-se ã naturalização. a quem e a quê servem estas dicotomias. a influência mística oriental. workshops. F. quando colhemos e divulgamos dados obtidos em nosso campo de atuaçâo"?f. 11. nenhum contato ocular ou social. pelas quais as pessoas adquirem a capacidade de "entender" a si e aos outros. também ocorre tal fato com alguns "rogerianos" paulistas e cariocas. 36 Rosemberg. a liberdade e o grupo são vistos em abstrato e não como produções históricas. Também chamada pelo práprioPerls de "terapia existencial". uma "coisa em si".In: Rosemberg. estando presente em muitas outras práticas grupalistas.Perls O ex-psicanalista alemão F. idealista. sofre as influências que esta década e a seguinte trazem. mitificação e reificação do ser humano. casa. o qual. não sendo vista como uma produção datada e contextuallzada historicamente. quando o próprio C. só ela existe. 266 267 . p. tais como. O enfoque humanista em geral. criados. nos anos 50. ganhar mais dinheiro que o necessário. sobre psicologia e psicoterapia humanista. A história é negada e a percepção do sujeito é reificada. treinamentos em dinâmica de grupos e grupos de estudo. especificamente os que tratam do "aconselhamento centrado na pessoa". é importante lembrar que. Summus.)(grifas meus). ciL. igrejas. um espaço onde se procura refletir a respeito do pensamento humanista e a prática psicoterapêutica através de encontros. R. Somos agentes de nuuhl~a social quando cddboranws em planejamentos institucimulis. a revolução nos costumes e comportamentos familiares e sexuais. segundo o referido autor. aceitas e fortalecidas? Saindo deste território. criador da Gestalt-Terapia'·. São Paulo. da mesma forma que ocorre com a chamada "natureza humana". A par dos comentários enunciados no Capítulo anterior . quando oferecemos nossa presença no cotúlíano da comunidade. Como efeito desses princípios que orientam a Psicologia Humanista. o que não é exclusivo do "aconselhamento". Simplesmente me desvencilhei da minha raiva e rebeldia. o crescimento e a difusão dos grupos de encontro. do massacre possam ser rapidamente naturalizadas. tem no "aconselhamento" fortalecida a crença da existência de sua natureza "em si mesma".Psicologia da Pessoa. de forma extremamente idealista. Escarafunchando Perls.sobre psicodrama .5. "Introdução: Biografia de Um Serviço~. além de ser configurado como um ser em abstrato. em que as subjetividades da competição. tornando-me um cadáver-computador como a maioria dos analistas ortodoxos que conhecia ". m- As PRATICAS DA GESTALT-TERAPlA "Fiquei risioneiro da rigidez dos tabus psicanalíticos: a hora exata p de 50 minutos. o fortalecimento de uma visão dicotõmica com relação ao pessoal! profISsional e ao social. o movimento hippie e a contracultura. delineia o grupo de forma otimista. o movimento grupalista COll). Um outro aspecto diz respeito à reificação e idealização do grupo. "(Há) dois papéis cabíveis ao psicólogo. Op. a difusão do uso de drogas. para uma "mudança construtiva'" A que mudanças se refere? A quem interessam estes tipos de intervenção? A quem e para que servem as chamadas "mudanças construtivas". que aceitam e atuam segundo esta linha. nenhum envolvimento pessoal (contratransjerênôa/). encontramos nos profissionais.e em relação a alguns princípios da Psicologia Humanista. pp. nos Estados Unidos.37 F. tal como uma realidade "pura". 1979. Somos consultório ou cltnica enquanto atendemos clúmtes.). cOrg. o rechaço à psicanãlise. dentro da mescla tipica ocorrida no Movimento do Potencial Humano com as diversas práticas que aí se inscrevem. superoisionamos. a um serviço institucional. Rl. contribuindo. 59 e 60.

especialmente.'!40. vivências. nlereZlI bnt7BChl (Tessyl.. professora da Psicologia. tendo a atração especial banhos_ Quando vim para Esalen ainda era uma hospedaria pública com alguma'! palestras e :iemináríos L. publicado em I%9 nos Estados Unidos. Jean darkJuliano e Ibque1 Vieira ch CUnfu. É. Perls.) o símbolo. etc. psicoterapias conhecidas como "alternativas" na segunda metade dos anos 70. observa que: "... conhecidas como "neo-reichianas". que realiza alguns workshojJ-s.zem parte dJste grupo liliao Meyt. produção de uma cultura psicológica de massa que consumidores buJímicos ingurgitam 1 . Em Los Angclcs. se estabelecem os primeiros contatos com a gcstalt-tcrapia e a obra de F. Therese Tellegen foi uma das fundadoras e coordenadoras do GEPSA . que o Movitllcnlo do Potencial JIuluano encontra seu auge nos Estados Unidos. Los Angeles e ao Instituto de (. há uma luta entre o fascismo e uma revoluçâo em curso. cit. a partir de 1973.) (e) C. quando PerLsinstala-se em Esalen..'rFra7iio.). aparecem 3. Neste ano. S. 10_ Segundo o próprio Peds: "Esalen principiou como uma hospedaria. preparando assim o caminho para profundas mudanças sociai.lm na segunda metade dos anos 70. primeiras trJduções dos dois pritneiros livros de F. notadamente em São Paulo -.. Inicialmente. as práticas oriundas do Movimento do Poteneial Humano somente cheg'.. enl 1976 e 1977. um pequeno número de psicólogas . R.1n: Revista de Gestalt. Op. 09-26. 17 e 18. junto com Ana Verônica Mautncr. no. Ano 1.. naquele tempo conhecido como centro do movimento gnrpalista nonealuericano41. E será o Instituto Sedes Sapientiae o grande irradiador de todas essa. Estamos apenas começancL:) a descobrir meios e caminhos efetivos de crescimento que podem produzir mudanças".. de seu livro Gestalt.<. Logo depois ela vinda de Silvia Peters. em 1976.com exceçào do "aconsell".a ele Therese.. Entretanto. responsável por um curso 42 Além de 111erese Tel1cgtoo. onde trabalha e dá formação a prinlcit-a geração ele discípulos de F. onde conhece e se encanta C0111 a.. Sedes Sapientiae. 268 . Florescem. na C-aJifórnia.. ocupam no eixo Rio-São Paulo um lugar secundário. Therese Tellegen.! 1. terapia.que no Congresso de Psicodrama do MASP comparece como uma elas representantes elesse Gmpo de Estudos de Psicologia Social Aplicada. 124 e 130. que aqui se inicia nos anos 60. Rogers. pp. a nova panacéia para enfrentar os problemas da ~>ida em sociedade"39 (grif05 meus). Ciomai. Dentre elas. 39 40 41 Castel..lsil: Gestalt-Terapia Explicada e A Abordagem Gestáltica e A Testemunha Ocular da Terapia. se comparadas com as terapias "corporais".TerapiaExplicada. e que nos cabe ajudar as pessoas a se libertarem de suas tiranias internas. formaçào.estalt de São Francisco.. "Gestalt-Terapia Hoje: Resgate e Expansâo"..ehalnacb "terapia existencial" ele Perls.wrclCWS de intensificação do "potencial humano ".t3. conhece Robert Martin que é convidado a vir para oBrasil. ao Brasil.e outras mais. inovações de carater aparentemente quase lúdico e. vai para os Estados Unidos a fim de obter uma breve forma~ão em gestalHerapia. Em 1977 tem início no Instituto Sedes Sapieritiac a primeira formação em gestalt-terapia organizada por Therese e Tessy. Agora somos um instituto privado em expansão <I968) L . Perls no B'. . cit.já assinalado no Capítulo [] .S.). worksho/Js.NA PAUllCÉIk O SEDES SAPIEN11AE como um analogan de formas de sociabilidade perdidas.elnbora ocupem lugar secundário em relação às "neoreichianas". na Introduçào. É a partir de 1966.algumas com experiência psicodramática . o crescimento e desenvolvimento do potencial humaoo ( . da revoluçào humanÍstico-existenciaL de achar e promover nova'> caminhos para a s:midade. Nestes lneStnos anos. No nlcsmo ano ela traz para São Paulo Silvia Peters. mo. 199t.Frazio eJean C. estão as ligadas à gestalt-terapia que. com o propósito de realizar treinamentos intensivos. é na IJSP que.Juliano -. vai a Londres.. em 197')eom exce~ão de Lilian M. E a gestào das fragilidades individuais . o próprio Perls a isso se refere quando. A partir ele 197') até 1978 este mesmo grupo faz viagens sistemáticas aos Estados Unidos parJ. pp. por intluênci. tanto dentro quanto fora dos Estados Unidos. A Gestão dos Riscos. f. Op. técnicas de deserwolvimento do capital relacional. a promoção de um trabalho psicológico sobre si mesmo que jaz da mobilização da pessoa.organiza um gmpo de estudo de Gestalt" que. a se tornarem mais reais.c. Perls. In: Peris. p. Vão a Esalen.mento centrado na pessoa" de C. na Paulicéia que estas práticas irão se expandir um pouco lTlais. No entanto. na época: ".

até hoje sua duração é de . .F. destrntims e humilhantes. ciL. veio junto com um certo desprezo por elaborações teãricas. M. Lowen. no qual oferecem formação.o primeiro no Brasil. após vários anos de formação no exterior.Este Centro de Estudos de Gestalt de São Paulo .. A grande critica feita naquele momento por estes proflSSionais refere-se ao frágil arcabouço teórico/fJ. o Centro começa a ser mais procurado por um número maior de "psi" para formação em gestalt-terapia. os gestaltistas paulistas dos anos 80 caraeterizamse pela procura "de uma explicitação mais clara dos pilares teóricos" que os sustentam. O pensar era visto como algo tão ~iciado que só atrapalhava o fluxo da verdadeira "awareness" r. inicia-se a formação propriamente dita em gestalt-terapia.). em que o encantamento inicial dá origenl a uma série de questionamentos. que começa a influenciar alguns gestaltistas paulistas que viajam para fazer esta formação.Terapia se caracteriza por um imporlante resgate do pensare pela ênfase na importância da teoria para nossas práticas. experimentalmente. Winnicott. A. inJonnação e sabedoria não sãiJ sinônimos. informalmente. Este curso até 1980 é de 6 meses. W. em São Paulo.. Muitos entrevistados declaram que esse periodo é o do "resgate e explicitação das bases fundamentais da gestalt-terapia". Hoje em dia (anos 80) a literatura da Gestalt. M. o entendimento de que conhecimento. In: Ciornai. Nessa década de 80. após suas constantes viagens aos Estados Unidos. H. se inicia um movimento em busca de um maior embasamento teórico para que se possam melhor respaldar as práticas ligadas ã gestalt-terapia. p. reunindo. 43 "Apesar de o termo Urelação obietal" se encontrar nos escritos de Freude M.. a epistemologia da direta experiência sensorial. 11.]osóficos da abordagem fenomenológicoexistencial. realizam workshops e vários outros trabalhos em diferentes cidades paulistas e no Estado de Santa Catarina. Tem início uma aproximação com alguns conceitos da psicanálise. uma aproximação entre a Gestalt e Reich. dando margem a comentários do tipo 'Jkou pra contar quem sobrevtveu" r. na mesma época. organiza num bar do bairro do Bexiga grupos que se propõem ao "desenvolvimento das potencialidades" de quem se dispõe a participar de um dos temas de cada semana. Masterson. supervisão e terapia. 271 . Creio que esta ênfase no valor da vi~Jência!da apreensdo atraves dos sentidos. que ignora a "riqueza" da relação tr:msferencial e de outros conceitos psicanalíticos. Em 1986.. Em 1983 chega a São Paulo Selma Ciornai. "de um respaldo mais sólido" para . como por exemplo a relação transferencial. Este Projeto funciona por cerca de 2 anos. Kohut (mais conhecido como autor da teoria do SelO". predomina ". É o que afinnam ser um processo de auto conhecimento diferente de uma terapia de grupo. com teoria. A partir dai. buscam promover.R. No Oregon.o trabalho gestático terapêutico45. Nos anos 60 e 70. e que o verdadeírosaber tem que ser aprendido organísmicamente. assim como as várias raízes teóricas da gestalt e os fundamentos fJ. o que precisa ser realmente reformulado é o conceito de "vivência ". e junta-se ao Centro de Gestalt e ao Curso do Sedes com Therese.de terapia "neo-reichiana" no Sedes.organiza. dúvidas e buscas. principalmente com a Bioenergética de A.organi7""m um núcleo de gestalt. a vivência não é mais suficiente e importante como havia sido nos anos 60 e 70. J Na verdade.'3 anos. respectivamente. Guntrip. foi uma das características mais marcantes dos movimentos de contracultura dos anos 60_ Em psicoterapia. inúmeros proflSsionais brasileiros que trabalham com esta abordagem. pensa em formar um núcleo paulista que congregue pessoas ligadas ã área. em 1981 e 1982. O. este grupo gestaltista inicial. Mahler.no início dos 80 .Terapeutas. comumente "mal" entendido como algo que tfecessarimnente implica em atuações de cunhos cênicos. que. É na segunda metade dos anos 80. Esta experiência dura um ano e. Efta ênfase tem vindo junto com um reconhecimento critico de que muitas das vivências que caracterizam os trabalhos gestálticos da épocaforam fxJr vezes bastante traumáticas. Em 1980.]osófico da gestalt-terapia praticada no Brasil. Paralelamente ã formação dada no Sedes. o Centro de Estudos de Gestalt de São Paulo realiza o Projeto "Oficina de Convivio". p. sobretudo em São Paulo. la. semanalmente. Klein. Miller e H. segundo alguns gestaltistas. Tessy e Lilian Frazào.. a 1 e a II Reunião Nacional de Gestalt.Fairbairn. fundam o Centro de Estudos de Gestalt de São Paulo. Op. 45 Idem. 21. a partir dai. onde . S. a partir de 1977. Idem. J. os autores que me foram apresentados como mais importantes e representativos desta vertente Cu) são W. p. Kemberg. Robert Martin dá formação em gestaltterapia associando-a ã teoria das relações objetais" e tal orientação 270 Desse modo. confrontos dramáticos ou episódios de catarses emotivas"44 (aspas e grifo da autom).

Além das tentativas ele integrar compreensões provenientes elas Teorias elas Relações Objetais há, também, outras que, elentro ele uma linha fenomenológico-existencial, sugerem uma aproximação com a Relação Dialógica Buberiana. Este temlO "relação dialógica" é relativamente recente entre os gesta!tistas brasileiros, pois
.. Iof somente a parttr dos anos 80 que Buher pas..'1a a ser con.çfderado literatura básica. e o termo "relaçào dialógíca" a ser e:-.plicitado, elaborado e alticulado como tal dentro do referencial teórico gestáltico "46.

~os ane" 80, alguns observam que o edilkio ela gestaJt-terapia brasileira está sendo construido; as vivências não são tão empregadas como nas décadas de 60·e 70 e a própria noção do "aqui e agora" passa
por uma revL"ão, contendo funclamentalmentc a hi.,tória ele viela da pe~c;;oa.

de cursos com Duprm, com os chilenos Adriana e FrancL"co e de várias maratonas com Maurcen Miller, minL,tra workshops que denomina "Laboratórios ele Relações Interpessoais". Somente em 1981 é que Oesarin inicia cursos de formação em gestalt-terapia no Rio de Janeiro. :>reste mesmo periodo, orgarliza-se também em solo carioca o Instituto Gestalt 00 Rio de Janeiro, sob a direção de Margaret Souza de Joode, dirigido para uma formação de três anos em gestalt-terapia, aberta a médicos, psicólogos ou estudantes do últinlo período desses cursos de graduação Além de oferecer formação, o Instituto programa também vivências em gestalt-terapia, cursos introdutórios sobre a abordagem gcstáltica e atenelinlentos c1inicos individuaL~ e em grupo. Margaret Jood havia feito na década de 70 formação em Esalen e São Francisco e, no início dos 80, este Instituto forma alguns profissionais
cariocas; entretanto, na segunda metade, sua importância começa a decair.

Suceelendo os Encontros NacionaL, realizados em 81 e 82, vários Seminários sobre gestalt-terapia ocorrem em São Paulo a partir de 1986. Já no final elos anos 80, afora os Encontros RegionaL, bienai" realizamse Congressos 1'acionais ele Gestalt-Terapia.

2 - NO RIO DE JANEIRO No Rio de Janeiro, oS chamados gesralti'tas encontram-se dL'per50S c cm núnlcro muito pouco significativo. se comparado às demais práticas psicoterapêuticas da época. até lllesmo àquelas considerada...') "alternativas". Somente em 1976 é que Luiz Duprat - que havia feito vivências com o próprio Perls em Esalcn - inicia precariamente alguns grupos, por tempo limitado, sobre Arleterapia. Em 1977 e 1978, os chilenos Adriana Scheak e FrancL,co Huneuus vénl mensalmente ao Rio c, por tueio de nut-atonas, tOITnam alguns "psi" cariocas. É a partir de 1978, após a viagem de Rogers ao Rio de Janeiro,
que uma de suas assistentes, Maureen Miller, utilizando a "gestalt centra-

A história irlstituída e algumas ferramentas teóricas - apontadas ele fOffila bem sucinta - das práticas ligadas ã gestalt-terapia no eixo Rio-São Paulo, pelo que se pode observar, são extremamente precária.~. Em prinleiro lugar, não há quase nada escrito sobre essas experiências. Os eventuais relatos foram retirados, essencialmente, das entrevL,tas feitas com alguns proflSsionais paulL,tas e cariocas, alguns poucos artigos e teses que contêm algo sobre a história ela gestalt-terapia no Brasil e algumas de suas ferramentas". Em segundo lugar, diferentemente das práticas psicanalíticas, psicoclrarnáticas e, mesmo em menor escala, cio '·aconselhamento centrado na pessoa", não há uma história ele institucionalização das práticas gestálticas no Brasil. Conforme será salientado com relação às chamadas "neo-reichianas", a gestalt-terapia, à procura ele uma coerência com suas gêneses em Esalen, não apresenta uma maior irlstitucionalização, o que significa, em realidade, uma menor disciplirlarização e um menor controle sobre a formação de gestalt-terapeutas. No Sedes, no Centro
47 Sobre o assunto, consultar, além da bibliografia iâ citada: Loffredo, A·.De Cotovelo Apoiado no Parapeito da Palavra.: qual é o horizonte? Projeto de Tese apresentado para Exame de Qualificação ao Doutorado - USP, 1987, mimeogr. 2Iotnik, S. Aquisição de Conceitos na Formação dos Psicólogos Humanistas. Dissertação de MestracL:)- USP, 1990. Uma Filho, A.P. Estudo sobre o Método de Experimentos com Sonhos naConcepção de F. Perls. Dissertação de :\1estrado- USP, 1991. Tellegen,T. Refiexões sobre Trabalho com Gtupos na Abordagem Gestáltlca em Psicoterapia e Educação. Dissertação de mestrado - USP, 1982 e da mesma autora: Elementos de Psicoterapia Crestáltica. São Paulo, 1972, mimeogr.

da na pessoa", oferece lima formaç'ão mais Si')tcluática, visitando durante quatro anos o Brasil. No inicio da década de 80, Décio Cesarin, que havia participado
46 Idem, p. ['7

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de Gestalt de São Paulo e no Instituto Gestalt do Rio de Janeiro, não obstante a instituição de uma formação, não se verificam grandes limitações e tanta rigidez quanto nas demais formações "psi". A formação gestáltica de um modo geral é feita essencialmente como em Esalen cursos, vivên~ias, supervisões ~ nos anos 60 e 70, por intermédio terapias pouco institucionalizadas.

de

de Ida Rolf e da própria Gerda. Assim como esta, Perls utiliza muito o choro, pois segundo ele o pranto suave acompanha o "derretimento" de uma couraça rija e o aparecimento de sentimentos autênticos. Comenta Perls sobre a Bioenergética, no que é acompanhado pela maioria dos gestalti<tas brasileiros;
"Muitos terapeutas externalizam sua loucura-de-controle sobre crentes em busca de crescimento, em vez de superarem este sintomB em si mesmos r.. J Eu não estaria onde estou sem a minha sensibilidade, ritmo e intuÍÇào. Mesmo quando realizo experimentos de grnpo, eles são estruturados de modo a levar em conta onde o outro está naquele momento
,,,jQ,

Conseguem, com isto, quebrar em parte o autoritarismo, a rigidez, a normatização e o controle tão presentes em todas as demais práticas psicoterapêuticas que se instituíram para "organizar" melhor estas formações. É em cima disto que, de um modo geral, muitos psicoterapeutas ligados a outros enfoques teóricos, em especial à psicanálise, desqualificam e menorizam a gestalt-terapia, relegando-a como wna prática inferior e pouco séria. A mesma acusação será feita, como veremos a seguir, às práticas "neo-reichianas". Embora seja incipiente o número de gestalt-terapeutas no eixo Rio-São Paulo, suas técnicas se expandem bastante e são muito empregadas em diferentes áreas, principahnente em trabalhos grupais nas escolas, empresas e hospitais. Resta lembrar que muitos profissionais que se dedicam à gestaltterapia tiveram também formação e sofreram influências da Bioenergética de A.Lowen, não somente no exterior, mas também no Brasil, com a vinda de alguns "bioenergicistas", como Anne Baulmann, que, no fInal dos anos 70 e inicio dos 80, promove uma série de worksbops no Rio de Janeiro. Malgrado tal influência, os gestalt-terapeutas, de um modo geral, criticam hoje - assim como o fazia F. Perls'" - as práticas bioenergéticas. Assinalam - como Perls e G. Boyesen - que A. Lowen produz catarses que pouco levam à elaboração, pois a força com que abre a couraça termina por fechá-la da mesma forma. Eis porque ela é considerada uma psicoterapia essencialmente catártica e autoritária, que suscita grandes defesas. Quanto ao trabalho terapêutico gestáltico, afIrmam ser mais "suave e sutil", à medida que insere e "integra o corpo em seu meio". Apesar de F. Perls não se valer da técnica do "grito primaI" como fazia G.Boyesen, já no fmal de sua vida - morre em 1970 - vai sendo pouco a pouco conduzido para o campo da massagem, por influência
48 Sobre o assunto, consultar a autobiografia de Perls, F.S. Escarafunchando Perls. Op. cito

E, em 1969, faz um alerta sobre o modismo das psicoterapias "alternativas", ao mostrar que as chamadas terapias "estimulantes", em realidade, começam a se ligar na Hcurainstantânea"J na "consciência sensorial instantânea". Afmna ele;
"Estamos entrando na fase dos homens charlatães e de pouca confiança, que pensam que se vocês obtiverem alguma quebra de resistência, estarão curados. sem considerar qualquer nece,<uidade de crescimento, sem considerar o potencial real, sem considerar o gênio inato em todos vocês. Se isto estiver se tornando moda, será tão perigoso para a psicologia quanto deitar no diva durante um ano, uma década, um século (.. J Devo dizer que estou muito preocupado com o que está acontecendo atualmente""IJ (grifo do
autor).

Portanto, Perls percebe e se preocupa, no fmai dos 60, com o modismo que a década seguinte traria em reiação às chamadas terapias "corporais" que, no fmal dos anos 60 e por todos os 70, se expandem de seu principal centro, Esalen, o privilegiado lugar que irradiou o Moviruento do Potencial Humano.

IV - As

PRÁTICAS "NEO-REICHIANAS"

Dentre os discipulos de W. Reich que mais irão influenciar os "corporalistas" brasileiros estão A.Lowen, o criador da Bioenergética,
49 50 Idem, p. 220. Perls, F.S. Gestalt-Terapia

Explicada.

São Paulo, Summus, 1977, pp_ 13 e 14.

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nos anos 50, nos Estados Unidos, e na década seguinte, na Inglaterra, D, Boadella e a norueguesa G, Boyesen, criadora da chamada Psicologia Biodinâmica, Os norte-americanos A, Lowen,John C. Pierrakos e Charles Kelley acompanham a fase de Reich - anterior à americana, antes de 1948, conhecida como a fase da vegeto terapia, na qual há uma influência grande das teorias freudianas da libido e da sexualidade, assim como da análise do caráter reichiana - durante o seu exílio na Noruega, a partir de 1934, antes de sua partida para os Estados Unidos, Os europeus D. Boadella e G. Boyesen também sofrem influência desta penúltima fase de Reich, mas seus trabalhos seguirão caminhos diferentes dos discipulos norte-americanos. Já outros norte-americanos, também discipulos de Reich nos Estados Unidos - Baker e Rolf - seguem a última hse do "mestre": a americana, conhecida como Orgonoterapia. Estes fundam em Nova York um Instituto de Orgonomia, bastante rígido, hierarquizado e medicalizado, onde só médicos podem fazer a formação orgonõmica. Se há diferenças - colocadas aqui de forma bastante superficial, pois tal tema foge ao assunto deste trabalho - entre os enfoques desses discipulos de Reich, há um ponto comum que em muito irá influenciar os "neo-reichianos" brasileiros: relegarem a um segundo plano e, por vczes, ignorarem as contribuições trazidas ao debate freudo-marxista por este pensador em suas primeiras fases. Assim, a entrada dessas vertentes reichianas no Brasil - a orgonoterapia c a vegetoterapia - apresenta-nos duas questões. As práticas corporais difundidas no eixo Rio-São Paulo, na segunda metade dos anos 70, levam à "despolitização" do corpo, porque OS prinCIpais discípulos de Reich, com maior influência na f01ll1açâodos "corporali~tas" brasileiros, produziram-nas exatamente desta forma, escamoteando ou, mesmo, ignorando as contribuições sócio-políticas do "mestre"? Ou, ao contrário, estes discípulos, apesar de suas próprias proposições pseudoapolíticas e extremamente psicologizadas/psicologizantes, já encontrarJlll em Reich base para a produção de taL~práticas? Necessariamente esses dois aspectos não são excludentes; mas, ao contrário, podem ser vistos como complementares. Observamos, por exemplo, o caso de David Boadella, um dos biógrafos de Reich, seu discípulo, teórico da chamada Psicologia do Corpo e que, na década
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de 70, em Londres, influencia alguns brasileiros com suas prátic:IS Boadella, ao falar sobre os "caminhos percorridos por Reieh"S!,minimiz:'l sua militância política e "resgata" seus conceitos de forma alienada/ alienante, optando por relegar a um segundo plano as suas eontribuiç""s explicitamente trarJSformadoras. Prioriza portanto o aspecto mai~ adap tável da obra reichiana à produção das subjetividades capitalisticas. Boadella enfatiza apenas os aspectos psicológicos e somàticos - presen tcs. sem dúvida, principalmente, nas últimas fases da produção reiclliana - e ignora por completo as suas contribuições ao debate lreudo-marxi,ta, assinl como sua "teoria da ideologia"';2. Será Boadella o únieo a "esquecer" a "obra soeial" de Reich? Sem dúvida que não, pois A. Lowen - o cTiador da Bioenergética _ vai mais além. O conceito reichiano de "energia vital", chamado por Lowen de "bioenergia", cm realidade é um prolongamento da libido freudiana, e significa a afirmação e não a negação feita pela psicanálise elas implicações soeiaL, embutidas neste conceito freudiano. Lowen retira lhe toda e qualquer implicação soeial, transfo1ll1anc!o-o unicamente em operador dos proeessos psiquicos e somátICOS". Um outro aspecto enfatizado pela Bioenergética é a "reeuper.! çâo" de muitas proposições da Psicologia do Ego, questionadas por Reich. Lowen vai proeurar compreender a basc somática da Psieologia do Ego, considerando-a em ternl0S de energia 54. O próprio Lowen apresenta a Bioenergética como uma abordagem eompreensivista-humanista, fazendo parte do vasto Movimento do Potencial Humano - o que se opõe radicalmente à orientaçâo reic\liana, essencialmente materialista, em suas primeiras fases. Já O período de produção reichiana nos Estados Unidos está inegavelmente marcado por um enfoque mais idealista e místico. A outra dLscípula de Reich, Gerda Boyesen, que também exerce
')1 ';2 Boadella, D. Nos CamInhos de Reich. São Paulo, Sununus, 198'5.. Ver sobre o assunto a obra de Reich, W. Psicologia de Massas do Fascismo.. Porto, Escorpião, 1974 e a análise feita por Rouarret, São Paulo. Teoria Critica e Psicanállse. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1986, quando realça:l teoria da ideologia de W, Reich e suas contrinuiçôes ao debate freudo-marxista. Sobre o assunto, consultar lowen, A. O Corpo. em Terapia: AAbon\agem Paulo, Surrunus, 19T' No já citado O Corpo. em Terapia: A Abordagem Bioenergé1ka, bioenergéticas da PSicoiogia do Ego. Bioenergética. São

!

')3 54

Lowen mostra as bases

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influência na formação de alguns "corporalista.<' brasileiros, nos anos 70 em Londres, enfatiza em suas práticas aspectos essencialmente somáticos, fisiológicos e psicológicos em detrimento dos sócio-politicoso Tendo sido cliente do vegetoterapeuta norueguês ala Raknes discipulo direto de Reicll -, Gerda funda, nos anos 70, grupos de "ajudate a ti mesmo"! dentro da meSllla orientação compreen.c;ivista-humanista do Movimento do Potencial Humano. Todavia, sua abordagem não se encontra no aqui e agora, o que, segundo ela, "mascara as profundezas do ser". Seu trabalho biodinimico faz remontar as pulsões até seu passado mais antigo, auxiliando na liberação de suas repressões e recalcamentosS'5. Sem pretender aprofundar essas diferentes produções "neoreichianas", por não ser este meu objetivo. quis entretanto levantar alguns pontos que se referem diretamente a questões enunciadas nas práticas de nluitos "neo-reichianos" brasileiros. Por esses "cantinhos percorridos", chega-se à conclusào de que a produção político-social do corpo, enfatizada por Reich, é totaimente esquecida por Boadella, Lowen e Cerda e outros de seus elLscipulos norte-americanos. A dimen<;ão sócio-revolucionária da tcrapi:.t reichiana, em suas primeiras fases, desaparece com esses dLscipulos. Lapassade afirma que:
À bioenergia
li.\1a"'i6.

um traz dentro ele si, onde estaria o "centro do amor e da bondade". Tanto Cerda quanto Lowen, e mesmo F.Peris, ressaltam - com pequenas diferenças - este objetivo em suas terapias, o que mostra a influência que teve sobre eles o terceiro estrato do caráter apontado por Reich COnl() contendo impulsos "decentes", "sãos'; "espontâneos" e "honestos"~7.Contudo, Reich - em suas prinleiras fases - relacionou estnltura de caráter com estrutura social, o que não ocorreu com seus discípulos. Esta pequena introdução tem, por conseguinte, o objetivo de busc::u reconhecer que práticas reichianas são introduzidas no Brasil na scgunda metade elos anos 70, que modelos e subjetividades vão servir, fortalecer e mesmo produzir. Podemos, então, cOJneçar a entrar um pouco na hiç;tória instituída dessas práticas no eixo Rio~São Paulo.

1 - EM SÃO PAULO: AS DUAS GERAÇÕES

DE "CORPORAUSTAS"

) "A bioenergética de A Lm1X'11 é um neo-reichi.'imo de direita ( __ é agregado o slogan da 'psicologia bumani~ta'; enquanto a ohra de Reich era anti-humani..'\/a e anti-espiritua-

E acrescentaria eu: não se pode esquecer as transversalidades presentes nessas obras, as subjetividades que estão sendo produzidas nas décadas de 60 e 70 no caudal dos movimentos contraeulturaLs e do Potencial Humano. De um modo geral - como já foi realçado no início deste Capítulo - os "herdeiros" c "discipulos" de Reiclt, tanto os nortealnericanos quanto os europeus, inscrevem-se nesse momento hi~tórico. Não é por acaso que, de um modo gemI, esus terapias "corporaLs" trazem a crenço no redescobrimento da chamada "personalidade primária", ao acreditarem no núcleo "bom" e "tnaravilhoso" que cada
55 56 Sobre o assunto, consultar Boyesen, c;. Entre Psiquê eSotna. São Paulo, Summus, 1986 lapassade, G_ La Bio-eoergia. BarcelolU, Graniea, [978, p. 87,

Desde 19~'í José Angelo Gaiarsa tcm contato com a obra de W. Reich e, nas décadas de 60 e 70, foi o primeiro no Brasil a iniciar uma psicoterapia individual e gmpal de fundamentação reichiana. Com grandes influências de Jung, Gaiarsa se :luto-intitub um "especiali.<:;tl em exprcssão nào-verbal"". desenvolvendo uma aborclagem corpoml própria. Nos anos 60 e 70, pelos grupos de terapia e/ou de estudo organizados por este autodidata. vai passar quase que toda a primeirA geração dos chanudos ..corporalL"lta..,. paulistas. Muitos, COInoFábio Landa, hoje •.• estão na psicanál~•.• outros. como Regina Favre. Antonio Carlos Mareilio e; (rodoye Rubens KigneL continuam conlO terapeuta...,"corporais", embora sigam caminhos dü'erentes entre si e diferentes elo próprio (iaiarsa. No entanto, apesar das diferenças atuai .•• há pontos que uneIll , Gaiarsa e toda esta geração de "corporali.<)tls" paulistas nos anos 60 e na primeira nlct:1de dos 70: o rechaço à psicanáIL..,e.ao monopólio exercido por esta prática c a busca de outras fonna~:(lCS"alternativa."'" a ela. Não é por acaso que o próprio Gaiarsa c muitos "corporalistas" paulistas desta primeira geração fazem no lInal do década de 60 c no inicio ela
"i7 Sobr(; o assunto, consulwr Rdch, \1/_Análise do Caráter. São Paulo. Martins FonL~s, quando
Primeiro."

dt..·scrL'VL':l existência de três L'strJ.tos no desenvolvim.:.'nto Uo Clr;lt':f"iH Ver wbre o assunt<l sua pL'qucna biogr.l1h in Gabrs3,j .A. O que é O Cotpo_ Coieçào

Pa.ssos. Rio de janóro,

Hrasilieme, [()li6, p_ 8').

278

279

de 70 formação psicodramática no GEPSP (Grupo de Estudos de Psicodrama de São Paulo), na SOPSP (Sociedade de Psicodrama de São Paulo) e estão presentes no Congresso de Psicodrama de 1970, no MASP, que dessacraliza os chamados mundo "interno" e mundo "psíquico", vistos de forma tão secreta e excludente pela psicanálise. Até mesmo aqueles que, posteriormente, se tornam psicanalistas, fazem profundas: severas criticas à formaçào autoritária, elitista e arrogante da SBPSP. E o caso de Ana Verôníca Mautner que, em 1982, abandona a bioenergética e entra, mais tarde, para formação naquela Sociedade "oficial" paulista. 1.1 - No Sedes Sapientiae Esta personagem, além de Gaiarsa, é a segunda grande figura em São Paulo responsável pela expansão ele uma elas terapias "neoreichianas", a Bioenergética, e pela formação de uma boa parte cios "corporalistas" paulistas. Desde 1%5, Ana Verônica trabalha com grupos de sensitivitvtraining em São Paulo. Em 1968 vai a Londres, onde permanece por u~ ano, descobrínelo a gestalt-terapia e os grupos de encontro marcados pelo Movinlento elo Potencial Humano que inicia sua expansão pela Europa. Trabalha com Gaiarsa e, em 1970, fica responsável pelo Curso de Formação de Psicoterapeutas no Instituto Sedes Sapientiae, que se converte em um importante centro irradiador da., chamadas terapias "alternativas", Soffendo grande influência de Lowcn, Ana Verônica, sem dúvida, é uma das principaL' responsáveL~ pela expansão da Bioenergétíca em solo paulista, compondo a segunda geração de "corporali,tas" como Sandra Regina Pa.,choal Sollari e Léa Maria Cardenuto, dentre
outros.

escreve:
"PerlenceftUJs ao mundo que se enrijece de orgulho. que levanta o

ombro na vitória sobre o outro. A Bioenergêtica mantêm-se no esquema. Vencer, ganhar, entrar IW desafio. Propõe um sendo aesJeesquema.-luJe, mas consigo mesmo, Ustlndo asmesmasurrru;lS que se pretende eliminar. O mundo em que vivemos lJa10riza a luta, o desafio e a vitória. Vamos um passo adiante ( ..f No "mMa novaiorq"iano, pesado, violento, os homens lutam por tudo. Lowen os leva a luJar contra si mesmos, a entrar em contato com sua, emoções reprimidas, derrubar suas pr6prlas barreiras "na marra'" (.J A Bioenergeticaacredita na dor que acompanha o cresctmento, porque doloroso é o encontro

com a barreira que não cede. Lm-ven passa pelA dor para
chegar ti alegria, poi.ç tocar a barreira dói"S'f (grifos meus).

Diferentemente da orientação reichiana de Gaiarsa, Fábio Landa e outros que, na época, questionam o autoritarismo e a diretivielaele inlprimada ao curso elo Sedes, Ana Verônica e sua equipe utili7~m as técnicas hards da Bioenergética de Lowen. Isto fica claro pela posição exposta por esta "bioenergicísta" no Prefácio à edição brasileira da primeira obra de Lowen lançada no Brasil, em 1977, O Corpo Em Terapia: a abordagem Bioenergética. A certa altura Ana Verônica
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Este texto mostra com clareza que subjetividades estão sendo fortalecidas e mesmo naturalizadas por estas prátícas: a da competição, a do desafio, a da vitória, tipicas do mundo capitalístíco, onde os maL, fortes esmagam os mais fracos. E mais, dentro da própria herança judaico-cri,tã - também presênte na psicanálise - a crença de que o crescimento só se realiza acompanhado de sofrimento. Só que, no caso da Bioenergétíca, a dor é física mesmo! Em 1974 e 75, Ana Verônica incorpora à sua equipe do Sedes Antonio Carlos M. Goeloy e Regina Favre, que cheg.lm do exterior, após vários cursos, vivências e worrcshops, O primeiro, em 1972, vai a Londres e tem cursoS com Gerda Boyesen, em seu Inc;titutode Biodinâmica e mais tarde, nos Estados Unidos, faz vivências e cursos com A.Lowen em Nova York, e em Esalen com os di,cípulos ele PerL,. Regína Favre, que, em 1973, também fica em Londres fazendo formação e terapia com Gerda, sofre influências de Lowen e da anti psiquiatria de Cooper e Laing. Este curso do Sedes - o primeiro no Brasil a oferecer uma formação dentro da abordagem "corporal" - convida, a partir de 1975, vários expoentes do movimento "corporalista" mundial, como Gerda Boyesen, Alexander Lowen e David Boadella, dentre outros .. Posteriormente, Yvonne Vieira e Maria Mello, que também haviam feito formação psicodramátíca, são íncorporadas ao grupo de Ana
J

'f)

Mautner, A.V. "Prefácio" In: O Corpo em Terapia: A Abordagem 09,lOel1.

Bioenergética.

Op. tiL, pp.

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Verônica, Godoy e Regina. A primeira vai para os Estados Unidos em 1975, fazer formação com Lowen; a segunda, Maria Mello, em 1979 viaja para Londres e faz formação e terapia com lierda. Forma-se, assim, o que fica conhecido no final dos anos 70 como o "grupo dos cinco" que constituem junto com Gaiarsa - que continua "correndo por fora" - a chamada primeira geração de "corporalistas" paulistas. Figura de grande influência neste movimento, Ana Verônica abandona o Sedes e o movimento "corporal" no início dos anos 80, denegrindo, inclusive, as práticas "neo-reichianas". Isto produz um "trauma" em São Paulo, afIrmam alguns entrevistados. Aos poucos o movimento "corporal" paulista, integrando novos personagens chegados do exterior, vai se reestruturando e fortalecendo. Além de Gerda, Lowen e Boadella, outros cliamados "discípulos" de Reích, como os norte-americanos Stanley Kellennann e dlarles Kelley, também influenciam os "corporalistas" paulistas e cariocas. Em São Paulo, todo este movimento acima narrado e o próprio momento histórico bra·.;ileira- ascensão dos diferentes movimentos sociai..;; e a inlportáncia que o corpo passa a ter para algumas camadas médias urbanas - preparam terreno para. a partir de 1978, fazer explodir com força as chamadas terapias "corporais" que invadem os anos 80, continuando no início dos 90. Efetivamente, junto com o psicodrama, as terapias "neo-reichianas", a partir daí, começaln, ainda que timidamente, a disputar o mercado "psi" paulista, monopolizado até então pela psicanálise.

1

1.2 - Outros Estabelecimentos:

Ágora e IPE

A partir de 1974, os argentinos Martha Berlin e Emilio Rodrigué, instalados na Bahia, fazem formação. terapia, propiciam vivências, maratonas e workshops a muitos "corporalistas" paulistas e cariocas. Martha Berlin,que, no fmal dos anos 60, havia feito formação psicodramática com o grupo de E. Pavlovsky na Argentina, logo depois vai para os Estados Unidos e sofre grande influência do Movimento do Potencial Humano, principahnente da gestalt-terapia e dos "neo-reichianos" norteamericanos. Participa, no limiar dos anos 70, junto com Suzana Pravaz e EsteJa Troya, do CIAP (Centro de Investigação e Assessoramento em
282

Psicologia) - já mencionado no Capitulo 11-. que acrescenta ao "grupo operativo" de Pichon-Riviere outras técnicas do Movinlento do Potencial Humano. Emilio Rodrigué. no irúcio dos anos 70, é um dos didatas da APA, que junto com o Grupo Plataforma rompe com a psicanálise "oficial" argentina. Os dois são figuras inlportantes para o movinlento "corporalista" brasileiro ao fmal dos 70 e início dos 80. pois evidenciam para os profissionais da área a dimensão de uma psicanálise em início de questionamento e facilitam a vinda para o Brasil de alguns psicanalistas e "corporalistas" argentinos como Marie l.anger e Teda Bass, dentre outros. Ernhora já esteja na Argentina em 1982, Martha Berlin viaja quatro vezes por ano ao eixo Rio-São Paulo-Vitória para dar formação. Um outro argentino que, em São Paulo e no Rio de Janeiro, realça as contribuições da psicanálise é Rodolfo Bohoslavsky, tarnhémnos Ilnais dos anos 70 e início dos 80. A partir de 1980, Martha Berlin sai ele Salvador e fIXaseu trabalho no eixo Rio-São Paulo. Dentre as pessoas formadas por Martha - além de alguns "corporalistas" cariocas - estão Liane Zirlk e Carlos Briganti, que havia sido um dos fundadores do NEPP em 1976. Este, em 1981, junto com Regina Favre e Teda Bass, organiza em São Paulo um centro de estudos "neo-reichianos", chamado Ágora, e promove um grande movimento de ciclos de estudo com os "corporalistas" paulistas e cariocas. Estes grupos de estudo acabam concentrando-se, depois de algum tempo, nas mãos de Regina, Brigaoti e l.iane que, em 1985, fundam o estabelecimento também denominado Ágora. A partir de 1988, o Ágora propicia formação em terapia "corporal" de quatro anos, por meio de aulas teóricas e vivenciais (workshops), supervisões e grupos de estudo com monitores. Além dos workshops realizados mensahnente há dois gr'dndes workshops anuais organizados fora de São Paulo. Há uma espécie de auto-seleção e a obrigatoriedade de uma terapia de 4 a 6 semestres com um "neo-rechiano" indicado pelo estabelecinlento. Em 1987 surge um outro grupo paulista que dá formação em terapiá corporal, constituído por Godoy, Yvonne Vieira, Maria Mello e Rubens Kignel, o IPE (Instituto de Psicoterapia Corporal e Ensino), que, em acréscimo aos cursos teóricos, oferece supervisões, vivências e terapia.
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Em início dos anos 90, em São Paulo, existem quatro estabelecimentos que, de forma mais ou menos organizada e instituida, dão formação na área "corporal": o Sedes - cuja responsabilidade hoje está com os "corporalistas" da segunda geração -, o Ágora, o IPE e, também, desde 1981, a Associação Wilhelm Reich, que proporciona atendimento cliníco. através do Instituto Wilhelm Reich, assim como gru pos de estudo e cursos os mais diversos e uma formação de quatro anos. Há ainda a SQciedade Brasileira de Análise Bioe:nergética, vinculada ao Intemationallnstitute for Bioe:nergetic Analyses de Nova York, criado por A.Lowen, que, malgrado suas ligações internacionais, não possui o prestígio e o status que, normalmente, no meio "psi" e na sociedade em geral, se dão às relações internacionai., Subjetividades típicas de pai.es do Terceiro Mundo que, entre os "corporali.tas" paulistas, não estão suficientemente enraizadas, até pelas criticas ferrrenhas que todos eles fazem ãs Sociedades "oficiais" de psicanálise e à IPA. Fora estes quatro estabelecimentos que, a partir dos anos 80, oferecem uma formação em terapia "corporal", temos ainda no limiar dos anos 90 muitos "corporalistas" que, em São Paulo, ministram formação isoladamente. A não-in.titucionalização, característica predominante nas formações "alternativas" da década de 70, vai sendo perdida nos 80. Entretanto, tanto na gestalt-terapia - aspecto já apontado - como, em menor escala, nas terapias "neo-reichianas", ainda há formações isoladas feitas por pessoas que, mesmo assim, organizam suas próprias "escolas". É o caso, dentre outros, de José Angelo Gaiarsa e de Roberto Freire.

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fazia sua fOlmação analítica na SBPSP. Porém, desenvolvia intensa. atividades culturaL, e arti.ticas: era professor da Escola de Arte Dramática de São Paulo, poeta e jornali.ta. Nos anos 60 acompanha o movimento do Teatro de Arena e interessa-se por educação popular, vinculando-se ao Programa Nacional de Alfabetização, coordenado por Paulo Freire. Vive intensamente o período anterior ao golpe militar de 64, escrevendo peças e participando da criação da União Pauli.ta da Classe Teatral, da qual é seu prinleiro presidente. Em 1963 abandona definitivamente sua formação analitica, tendo um ano antes sido um dos fundadores, junto com alguns dominicanos, do semanário Brasil, Urgente, que tem papel fundamental de resL.tência, ptevendo e denunciando o golpe militar que se gesta. Ainda em 63, Roberto Freire dirige o Serviço "acionai do Teatro e compõe outras peças teatraL•. Em 64, é demitido e preso duas vezes, embora continue trabalhando na TV-Record- por poucolempo, pois logo também é demitido. Trabalha como jornalista, participa como jurado de vários festivais da MPB, dirige o TIJCA, ganhando o prêmio Esso de Reportagem, com um trabalho, "Os Meninos do Recife", publicado pela revista Realidade Após a decretação do AI-5, Roberto Freire fica novamente sem trabalho e ao viajar para a Europa conhece o Liuing Ibeatre e os laboratórios de teatro de Grotowski. Tem início aí sua aproximação com a obra de W. Reich. Sofre tanlbém influências da antipsiquiatria de Cooper e Laing e da gestalt-terapia de Perls".
".. , a sua experiência de lJida, se~ eeleti..ww de estudo, vivência e atuaçao em diferentes campos das artes e das ciências, são os ingredientes mais importantes e mais caracterislicos de seu método terapêutko"62.

1.3 - A Somaterapia
Roberto Freire, o criador da chamada "Somaterapia", influencia e forma ainda muitos "corporalistas" por todo o Brasil. Como esta influência em muito extrapola os estreitos limites do eixo Rio-São Paulo, falo um pouco deste "soma terapeuta" no fmal desta apresentação dos "corporalistas" na Paulicéia e antes da história instituída desses proflSsionais em solo carioca. Na década de 50, Roberto Freire"', um "bem comportado" médico,
fD Toda esta parte referente à biografia de Roberto Freire foi retirada de três de suas obras; a principal

Este método - a Somaterapia - vem a público em 1976. após experiências que faz, associando-o aos trabalhos de Rudolf Laban"'neste aspecto é VIva Eu. Vlva Tu, Viva o Rabo do Tatu_ São Paulo, Global, 1977, dedicada a Plínio Mareus.e Chico Buarque. As outras duas obras de Roberto Freire que falam sobre a So.materapia são: Ame e Dê Vexame. Rio de Janeiro, Guanabara, 1990 e Soma: Uma Terapia Ana:tquista, vol. 2: A Anna é o Corpo_ Rio de Janeiro, C,uanabara Koogan, 199] Sobre Petls e a influência exercida no trabalho de Roberto Freire, consultar: Viva Eu, Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu. Op. clt. Idem, p. 341. R. Utban em seu Uvro Domínio

61 62 63

do Movimento

(Sâo Paulo, Summus), relaciona e codifica as

284

28';

A Somaterapia, segundo o próprio Roberto Freire, tem várias raízes: a primeira seria o teatro, através da chnça moderna de expressão corporal, apreendida com os discipulos de Laban. A segunda raíz é a Ludoterapia, pois a Soma utiliza-se da mesma metodologia, aplicada não a crianças mas a adultos.
"A terceira raiz da Soma, sem dú",ida a maLç importante. é de natureza polltica, porém com base na minha noçào e uivências políticas das décadas de 60 e 70, o que motivara as lula.s clandestinas tralJadas no plano social, enquanto criava e pesquisava o Soma (. __ Eu buscava uma terapia através da qual a juuentude J. sublevada pudesse livrar-se dos res{duos burgueses de sua personalidade, bem como su..<;tenta·la emocional epsicologicamente

1

I

São Paulo e Rio de Janeiro. Desde 1987, promove encontros sistemáticos de somaterapeutas de diferentes estados. De todos os chamados "corpo'..lIL'tas", tanto paulista.s quanto cariocas, o único, sem dúvida, que traz em seus discursos a palavra política de forula clara é Roberto Freire. Mesmo aqueles - e não são poucos - que, nos anos 60 e 70, de U111aorrna ou de outra, possuenl f alguma vinculação com a luta de resL,tência que se trava no Brasil, ao aderirem às terapias" corporais'· e ao aceitarenl os princípios do chamado Movimento do Potencialllumano (em sua tase de expansão na déc'ada de 70), perdem em muitos aspectos o que seja a inlplicação de suas práticas com os diferentes movin1entos sociai'5. Entrementes, ainda que Freire trale tão explicitamente dessa implicação política, persistem algumas questóes: será que as práticas da Somate,dpia, efetivamente, inauguram e/ou consolidam espaços instituintes, espaços singulares e de luta, mesmo que provL,órios' Será que, apesar desse discurso político, suas pr:íticas não continuam tnarcadas pelo humanismo-existencial tão presente nas que se originam do Movimento do Potencial I lumano? Estas são algumas dúvidas para mim no momento. Contudo, pelo que pude conhecer do trahalho desenvolvido por Roberto Freire, tlca a impressão de que sua "terapia anarquista.", em muitos momentos, aponta para a dessacralização de alguns conceitos da "verdadeira" psicanálLse, como o lugar de saher e poder ocupado pelo especiali'ta. "psi", a pedagogia de opressão presente em sua formação, a importância de outros saberes e práticas que fogem ao estreito campo "psi". Apesar disto, nessas práticas que se pretendem "anarquista.s" rompendo com os chamados dogmas "cientificos" e "psicológicos" encontramos algumas das caracteristicas humanistas aponta.das por Castel: "...umrousseaunismo sonhador que exalta a espontaneidade e pretende lutar contra as alienações c constrangimentos em nome da transparência dos indivíduos ..."" (grifos meus), da sua "autonomia", da sua "conscientização", do seu "crescitnento") acrescentaria eu. () que não fugiria ao humanL,mo-existencial e ã produção de subjetividades voltadas para o privado, para o intimL,mo, para a falta. As observações feitas sobre o trabalho "corporal" de Roberto
67 C..astel,R. A Gestão dos RMcos. Op. cit., p. 146.

na luta contra a ditadura militar (. _.) Eu irnagtnava uma terapia
que fosse marcada por uma
l!Í.<;âo

assim que nasceu a Soma

"64

socialista do homem ( ). E/oí (grifas do autor),

Logo adiante, Freire, ao mostrar outras raízes da Somaterapia, revela que:
"Devo ã Gestal! e á Bioenergética (realizadas terapeuticamente

em poucos meses na Europa J, o que, em anos, a Psicanãlise nao
conseguiu me devo/rl(ff da originalidade, da espontaneidade e da

autonomia

que possuo hoje

'06~.

Assinala ainda que W. Reich, Grotowski,]. Beck (o teatrólogo do Living Theatre) e a Antipsiquiatria em muito influenciaram a Somaterapia. Desde, portanto, o início dos anos 70, Roberto Freire vem atuando no eixo Rio-São Paulo - em 1972 mudou-se para a região serrana de VL,conde de Mauá, no Rio - e a partir da segunda meta.de desses mesmos anos vem formando somaterapeutas. Nos anos 80 estende suas atividades a Brasília, Porto Alegre, Salvador, Recife e Fortaleza e nos 90 chega a Goiânia, Campo Grande, FlorianópolL' e Curitiba. Por volta de 1979, cria as chamadas "Maratonas de Campo", trabalhos terapêuticos etn contato direto com a natureza ... "66, inicialmente realizadas apenas em VL,conde de Mauá, com grupos de
dinâmicas básicas do movimento corporal humano com suas respectivas emoções e tensões elementares. Freire, R. Som.a; Uma Terapia Anarquista_ Op_ cit., pp. S2 e ';3. Idem, p. 53. Idem, p. 61.

64 65 fi:J

286

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EM SOLO CARIOCA incluem-se neste quadro em que massivamente estão sendo produzidas as subjetividades do "culto ao corpo". Alguma. embora tais práticas em muito se assemelhem. Lowen. a explosão das chamadas "terapias corporaLs"insere-se num determinado momento de nossa históüa e todos os profISsionais já citados em São Paulo. veicula de forma competente OS "princípios corporais" de Gabeira.até hoje "corre por fOf'd" é Geni .em sua atuação dá mais ênfase aos princípios da Psicologia Biodinâmica de Gerda e à prevenção de neuroses de Eva Reich. A mídia. realizando formação com Gerda Boyesen e. não tem 289 288 . tendo a orgonoterapia de Reich como base para seu trahalho. Face à inexi<. na década de 80. por um ano. ele uma maior preocupação com seu próprio corpo. ema segunda figura na história das terapias "corporaLs" em solo carioGI. em 1978. posteriormente. que. no Rio de Janeiro. Não podemos esquecer que os anos 80 trazem para o palco das grandes cidades uma série de participações e reivindicações e. vivências e workshops realizados por Emilio Rodrigué e Martha Berlim e com c1es. inicia-se na Paulicéia a expansão das chamadas terapias "corporais". seus livros tornam-se "coqueluche". que . as quais. Gabeira simboliza. Esta expansão em solo carioca será preparada por uma série de profL'Sionais que. têm formação grupalJcorporal. em 1974.E. sobretudo. com Charles Kelley.que posterionnenlc irá se radicar CllI São Paulo -. Em 1970 Eliane faz formação em 1\ova York. em Esalen e no Instituto Radix. nos grupos. na llniversidade da CaIilcírnia .lo Brasil em 1974. e workshops. 2 . consideraçôes sobre as outras práticas "corporais" presentes no eixo Rio-São Paulo serão abordadas ao final deste Capítulo. principalmente entre a juventude da Zona Sul carioca. da estética corporal.tência. que. em 1977 se encontranl no Rio de janeiro e. assim como outros que a seguir serão relacionados no Rio de janeiro.ç.Freire foram aqui colocadas pela "diferença" que seu discurso comporta em relação aos demais da área. Não sofre influências de Lowen. O chamado "culto do corpo" passa a fazer parte do cotidiano de muitos dos filhos da classe média. em 1977. vão adubando o terreno com suas práticas. conlO veremos logo adiante. na época.recém-chegado do exílio . de forulaçào na área. reúnem-se em Salvador.. onde encontram Eliane Siqueira.1-Alguns "Corporalistas". Ceni Cobra . o o primeiro desses profissionaLscariocas é Romel Alves Costa. tanto em solo paulLstaquanto no carioca.torna-se um autodidata.. 000 f no início 2. desde 1969. um dos dispositivos na produção do "culto ao corpo". assume crescente importância na difusão das práticas "corporaLs"ligadas à Bioenergética um grupo lórmado por quatro mulheres com histórias hem diversas. teve como musa LeUaDiniz. vai para a Inglaterra. c StanJev KcUermann . Linne Zink . Cobra. no Rio ele Janeiro i'5to ocorrerá somente dos anos 80. A partir de 1977. Vêm para o Rio de janeiro. São elas Sandra do Carmo Guimarães. As duas primeiras. nesse tnomento. Ronlelque conhecera um ano antes a obra de Rcich . chegada. principia um trabalho "corporal" em seu consultório. ter feito vários trabalhos e0111bjoenergicistas nortc-anlericanos . Deste modo.na época centro das terapias chamadas "alternativas" -.do Instituto Radix.a exemplo de Romcl . Comenta que apesar de. em 197~. o Brasil "aberto" para as maLs diversas questões. a apologia do corpo e da alímentação natural e críticas à ortodoxia da esquerda inscrevem-se nesse filomento brasileiro. trabaUlam juntas.EHane Maria Duailibi Siqueira c Esther Franke1. no Instituto de Bioenergética que. com A. facilitadas pelo próprio momento histórico brasileiro da época.ao contrário de Ronlel . com o aparecimento em massa das academias. revivendo murros aspectos dos movimentos dos anos 60 que. nas camadas médias urbanas. onde a estética corporal é extremamente valorizada. no Rio de janeiro. o descnvolvilnento.com sua tanga. isoladamente. que havia estado. Buscando reatualizar nluitos conceitos dos movimentos contracultural e do Potencial Humano. no inicio dos anos 80. O grande sucesso alcançado pelo ex-preso político Fernando trabalhando seu próprio corpo.não se dedica trabalhos. Se. alguns cursos com David BoadeUa. vivências a fonnaçào) clnbora tenha participado de nlUilos Gabeira . por algum tempo. até 1976.C01no Charles Kel1ey.

na segunda metade elos 80. a tortura a presos políticos. que tem sua efetiva expansão con1 os Simpósios Alternativos no Espaço Psi de 1980 a 1983 e com o I c n CicloS Reich dc 1982/1983. que innuênci. f Este grupo.. vivência. a produção da loucura. dcsde 1980 até 1986. De um modo geral.Rádice e os Simpósios Alternativos A presença de todos esses profissionais. Emílio Rodrigué e Marlha Berlin. onde estuda e trabalha Com (~ercla Boyesen por um ano c. !lesses anos. que. na época. em 19HO. Esaler Frankel.~~ões breves estadas em no exterior . . O próprio ano de sua cri:1~'ão. onde inicia lórmaçào com D. Meu objetivo aqui não é. A quarta personagem. funda a Clinica Social da SER . oferecendo virias palestras. espal. no Instituto de Bioenergética de Nova York. em 1979.Sua primeira vinda. falar exaustivamente de cada "corporalist. Lowen. é ll11POrt.1." carioca que tenha colabor. com Frank Ledig . Boadella.90 Nos anos 70 e 80.2 . junto com Carlos Ralph l. enlbora existam outros que. Blegcr..evidenciar como essas práticas "corpot:li.realizando cursos breves c vivências com A.ainda um curso sistematizado. Pichon Riviêre. se fix:1 !lO Rio de Janeiro. série de qucstionatnentos sobre a lima própria fonnação "psi". por influência da "corporaILsta"paulL"a Maria Mello. ainda que tenha fcito cursos cotn o bioenergici"ila francês Guy Tanelia. que também contribui para a expansão ocorrida no início dos anos 80."i.em Salvador.. ultrapassando em muito os Iirrutes do território "psi".temáticas viagens ao Brasil. faz sl.ileiros. Influenciado pelo grupo argentino dc J. havia tido contato com (jaiarsa e Roberto Freire.-"" chegam até nós. dcsde 1972.. em São Paulo. No início dos anos 70. sào muito poucas as pessoas envolvidas com essas aborebgens ditas "alternativas".são. dando formação em BiossÚ1tesc para muitos "corporalistas" bFJ..todos entrevistados por nmn .bastante reduzida. c sitnplificaclas . mas através de suas histórias . em absoluto. L'm outro "neo-reichiano" inicia . a questão da saúde mcntal e dos hospitais psiquiátricos no Brasil. Antes de blarmos sobre esses Sitnpósios c outros ocorridos em q um solo carioe:a. etc. quanto no Rio de Janeiro. concorreram com SU3S práticas para tal expan. Também Eva Reich vem :lO Rio duas vezes. faz criticas à bioenergética de A.1976 . desde 1973.ta Rádice. Enl 1977 vai para Londres. quase toelas elas fazem suas r()rn1J. para lá se dirigem quase todos os que. com Charles Kelley c na Califórnía. conhece as três "corporalistas" que aqui já residiam.. Paulo J linclcmburgo Torres Galv:lo. posteriormente."oque pretende ser um trabalho psicoculntral e preventivo eOtn crian~'as e adolescentes.participa ativamente. dá alguns cursos L". no eixo Rio-São Paulo.Estados Unidos e/ou Londres . poL. desde 1973.l') nos trazem.1ntCue vOltC1110S pouco nossa atenç'io para a RevL. de uma Inaneira ou de outra.c ao retornarem iniciam a expans30 de taL')práticas_ Os profissionais aqui citados . Podemos ainda apontar outras figuras. 2. estuda junto. e peia Revista Rádice.cmos Viana" da RevistaRádice e organiza Socioc1ramas Públicos com o psicodramatista Ivan Gonçalves Can1pos (que.ladamente e nos anos 80 viaja com alguma freqüência para os Estados Unidos ..o Cê Ralph -. tem a preocu pação de ligar o atenclimento clínico ã educação.de alguma forma marcaram o movinlento ··corporal" no Rio de Janeiro. Eugenio . irá para o campo ·'corporal"). e mesmo br~LI)i1eiro.e para Londres. Este. elc Um outro "corporalistl". em 1977 e 1978. Lowen.'. Tanto em São Paulo.. o e1itismo das Sociedades "oficiais". passando por Hodolló Bolloslavsky. é Nicolau MalufJúnior que.. Criada em 1976 por Carlos Ralph Lcmos Viana . 2. lez formação em Pedagogia em Israel e Psicologia na Suíça e.Associação do Desenvolvimento Pessoal. . no Instituto Radix. se intcressanl pelas chamadas terapias "cocporaLs". numa visão mais preventiva. começa a trdball1ar corporalmente.assinala () momento enl 291 . de início. que após uma formação psicodrdn1ática.ldo para a expansào dessas práticas no início elos anos RO. foi de fundamental importância porque trouxe para o campo "psi"' carioca.desde a scgun(1a metade da década de 70 . foi um verdadeiro evento. no Rio de Janeiro. Em 1977 volta ao Brdsil e.seu trahalho no final dos anos 70: é Carlos Eugenio Guimarães Marer. pode-se perceber que. a vinda de vários outros "corporalistas" do exterior e as subjetividades do "culto ao corpo" vio engrossando o movimento carioca. em Genebra. orRanizados por Carlos Ralph. faz cursos com Gerda Boyesen p~r quatro anos.

di5cutír. Eugênio Marer. sem dúvida. nº 2. o preso politico Alex Polari de Alverga. das universidades. 293 . Franco Basaglia. dentre outras atividades.sinônimos de credibilidade pessoal e científica. Luta & Prazer".. dando continuidade ao I.assim se refere a este encontro: 'Para nós está claro o perigo da alienação. enl particular. vivenciar. em 1981. que por algum tempo centralizará o debate sobre a Politica do Corpo. !mpn'mimos alegria porque. 20-23. Uane Zink. A Revista Rádice engaja-se. In: Revi~aRádice.'> solidária po. Também estão presentes Carlos Ralph. ra!acionando-a com os dil'erentes movimentos sociai. 20.José Angelo Gaiarsa..também com a participação de Carlos Ralph . desde o início dos 70. oJornal Rádice Luta & Prazer. Eliane Siqueira. desenvolve Este II Sinlpósio. Rádice salienta a importância da implicação do profISsional "psi" com estas práticas que . Criado neste mesmo ano. Ciuattari. "psi" ou nio. . discute as mai. Do-In. apesar da d~{icü real'idade~ gostamos multo da uida 'ot>Q.tênciavários intelectuais. março/198l. outros. ()hjetivancio. expositores. a questão da psicanálise. o psicoclrama. Geni Cobra. surge como continuidade . Bia de Paula. na E<icolade Artes Visuais. o Jornal Espaço Psi .o sociólogo Gismo Cerqueira Filho. da umbanda e do candomblé à dança e ao Tai-Chi.. como Romel Alves Costa.sivelo 0. Eugenio Marer. denuncia as torturas e prisões nas ditaduras latino-americanas do Cone Sul. etc. geral e irrestrita. Estão presentes muitos dos mais conhecidos profissionai<. ln: Espaço PsiJoroal.B. tai. queremos nos re-situar na cultura do corpo. realizado em 1980. entre conferencistas. as "novas terapia.'. Thomas Szasz.paço abet10 por todos. a biodança. 03. e ao longo dos quatro anos e nleio de sua exi. díscutem-se inúem meras alternativas para as praticas "psí" no Brasíl. o pedagogo Paulo Freire.simcomo o "político ". Martha Berlin. biodança. que após quatro anos e meio de trabalho "fecha suas portas".que no Brasil se constata o maior recrudescimento cios movimentos populares e sociais c. até a das hem inJencionada" ma" individualizantes têcnicas puramente corporaL..'. Chairn Samucl Katz.. corpo/mente trabalhando e sendo trabalhados Com uma programação de 108 C-'l·'t?ntos quatro dia. no espaço social aherlopor nossas forças. a democratizaçáo da sociedade brasileira em geral e dos hospitais psiquiátricos.>. Gregório Baremblit. 292 "Rádice. efletir. Estão presentes dentre outros os "corpora1islas" Esther Frankel. Ana Verônica Mautner. Carlos Henrique Escobar e l11UltOS como tema central "A Politica do Corpo". Ano L.começam a sair das periferias onde. o bispo de Caxias D.s integradas". da época. Durante quatro dias. tn) témicas bioenergéticas. diferentes formas de expressão e trabalho corporal. Romel Alves Costa e Ivan Campos. Assuntos os mais variados são debatidos no palco: desde o direito ao aborto. escolas e creches. Rádice apresenta um texto de F. Eduardo Mascarenhas. p..que ignora o cotpo A e promete sempre oprazer e a felicidade para o amanhã. produzír r sobre esta'>quest6es. Adriano Hipólito. como Ronald Laing. 1980. preenchem da maneira mai. as propostas rcichianas e "neo-reichianas". Ano 3. Já em seu primeiro número. Corpo e mente trabalham e são trabalhados em açiw coletiva e indlferenciada Cerca de 900 pessoas.. no Parque [Age. massagens. até o u'abalho COll) deficientes físicos. estão sendo gestadas. Por i'ffiJ A POLÍ17CA DO CORPO. além disso. o psicodramati. cerca de 1~()eventos são programados no Parque Lage. Esther Frankel. p. o teatro. Rio delaneiro'>(. o antropólogo Gilberto VelllO. na época ainda psicodramatista. participantes e organizadores. da área. como nosso sangue também.La ádice e pela Livraria Muro.. Luiz Alfredo Garcia Rosa. O 68 nSimpósio Alternativas no Espaço Psi. as práticas orientais. 81. O I Simpósio Alternativas no Espaço Psi. "quando o dia raiar" Queremos pen. Neste mesmo ano.. pois não acreditamos que a sisudez e a falta de colorido sc-:jam. Mantemos o mesmo clima Sério/Alegre de 1Alternativas. apresenta como R reIna "Sério/Alegre".ta paulista José Fonseca Filho e o carioca Ivan Campos. Katrin Kemper. desfilam por suas páginas. dentre outros. como a campanha pela anistia ampla. Há muitas e variadas conferências e vivências enl psicodrama. n° 13. Hélio Pellegrino. tema central de nosso Simpósio Alternativas no Espaço Psi. portanto~ nos diferentes movimentos sociais da segunda metadc dos anos 70 e inicio dos 80.. 03-13.da Revi'ta Rádice. as posturas "neocontestatórias" que trabalham na política e no C01pO. Fábio Lancla.. Nicolau Maluf Júnior e Jovino Camargo Júnior do recém-criado Instituto Wilhelm Reich de São Paulo.'\t1r. e nluitos outros. Geni Cobra.como já apontei . em suas diDersasjôrmas. organizado pela Revi. como editor (j) ··Simpósio Sério/Alegre". dentre outros.

wm)açdo da saúde "71. portanto. Estes repercutem enonnemente entre os jovens profIssionais "psi" de Zona Sul carioca e vão estimulando demandas e subjetividades voltadas par'! o trabaUlO com o corpo. numa espécie de aUlOgestão. mas apt'ender a redimensionar uma atuaçdo pela pre. já no Colégio Bennett a própria Vida é discutida e uívida em três dias de encontro humano. que traz. sem diretoria. os conceitos e as informações são vivenciados através do conhecimento que cada um 72 JomalPsIAnalIl. 'Nicolau Maluf: Esther Frankel. artimanhas.3 . assuntos diretamente ligados ao humano. No ano seguinte. Jomal Psi . forjadas isoladamente por uma série de profissionais já assinalados e por outros. por exemplQ. reúnem-se OS primeiros grupos: até mesmo pessoas dispersas passam a se preocupar canl uma formação maio. preocupada com a questão corporal. José Alberto CoUa. dezembro/1981..Ano 1Il.em sua maioria.. Vivências. ainda à frente de todos esses eventos. à expansão de conhecimentos e disseminaçào de práticas propiciadoras dc consciência pessoal. Em 1983.Ano J. Liszt Vieira e Herbert Daniel. Romcl Alves Costa.à "sua miséria sexual". mostras de arte. sem local. conlO Roberto freire. Tudo que ousamos criar e viver. social e cósmica"". etc.. Norma Jatobá. 294 . a que comparecem pessoas de quase todo o Brasil. j\. A Revista Orgon fica somente neste prinleiro nÚ111ero. maiolL983.de sensibüidade"~. Carlos Ralph. com o tema "Prevenção. Já se constitui uma clientelá significativa. abrir cabeças. debates.li é org''!nizado um centro de estudos que.temitica na s área. nQ J1. através de conferências. no Rio de Janeiro. canaL>. tais como Alfredo Sirkis. no qual a teoria. Em J 982. é organizada uma clinica terapêutica "corporal" para discutir a própria prática clinica. Um espaço para se pensar. representantes de diferentes movitnentos sociais e alguns exilados recém-chegados. p. quando Carlos Ralph edita a Revista Orgon. belecimento que se propõe funcionar sem sócios. um esta70 71 Luta&: Prazet'. Estas. i<. aqueles vinculados ao IBRAPS[ -. (~aiarsa c Francesco Drag:otto. 2.. palestra •• shows. Ainda neste mesmo ano. iu1ho/t(J83. pretende o debate e ". no momento bistôrico e po/itico que atravessamos temos que repensar a.Centro de Estudos do Homem. Os anos 1981 e 1982 marcam. cursos introdutórios de "Bioenergia" e de "Reich e os Neo-Reichianos" e vários profissionais ali prestatn servj\-'os. uma conferência do bioenergicista John Pierrakos. 02. Deni~C' Dessoni. dentre outros.p· 10. Paulo Hindemburgo. dentre outros. inclusive. José Fonseca Filho. Há grupos de estudo sobre as concepções de W. Raízes e sua c1inica sobrevivem somente até 1984. também promovido peio Jornal Rádice Luta & Prazer. que aborda o tema "Desenvolvimento e Aplicações Práticas do Pensamento Reichiano".nº 12.. com o apoio de Rádice Luta & Prazer.. n2 4. o início da expansão das práticas "corporais". sai da Rádice Luta & Prazer e funda Raízes .ger:I1c Eugênio Marer c Pedro Castel. É um curso "teórico/vivencial". .Reich. Ainda em J 982 acontece o m Simpósio Alternativas no Espaço Psi com o tema "Expressões de Vida". Aftrmam que " . já sob a organização de Raízes e Cê Ralph. Psicologia e Política". nlesas redondas. No ano seguinte é realizado o I Ciclo Reich nas Faculdades Integradas Estácio de Sá. ocorre o último e IVSimpósio Alternativas no Espaço Psi. lOOR e Outros Presentes não somente "corporalistas" como Gaiarsa Roberto Freire Bia de Paula. que será a consumidora dessas práticas que se expandem massivamenle entre a juventude de classe média. é realízado o II Ciclo Reich. rtifletir. O primeiro número deste jornal é dedicado à visão sexual que a esquerda brasileira tem . Paulo Hindemburgo.. mudar a vida. inicia uma formaçào "corporal" que denomina "Programa de Capacitaçào Profissional". num pritneiro mOIl1ento. Rubens Kignel. além dos psicodramatistas Ronald de Carvalho.prátfca da Pslcologia e ajormaçao de seus profissionais Não só tratar a doença. A partir daí.Alguns Estabelecimentos: CIO. Abrir POrias. femlentalTI o terreno para os grandes eventoS que ocorrem de J 980 a 1983. mas também psicanalistas . baile. José A. 16. quando cerca de 1000 pcssoas debatcm as práticas reichianas e "neo-reichianas". p.

criando o conceito de "democracia natural do trabalho". em 1978. o Centro de Investigação Orgonômica W. Desde 1977. ele sÓ atende individualmente em casos excepcionais. supervisão de terapeutas. p. inclusive. de 1970a 1974 faz formação em vegetoterapia com o próprio Ola Raknes. mantém estreito contato com pessoas que estudam Reich. Desde 1970 esse argentino havia organizado em Buenos Aires a I' Liga de lnfonnação Sexual. No inicio dos anos 90. o bioenergicista Frank Ledig vem regularmente ao Brasil paIa vivências e womshops com seus grupos de formação. Boadella. ete. Abandona progressivamente o enfoque psicodramático e utiliza cada vez mais o orgonoterapêutico.já no inicio dos anos 40. como Geni Cobra. médicos. Este estabelecimento iniciaseu funcionamento oferecendo um curso chamado "Economia Sexual para Prevenção das Neuroses". Em 1986. rrmdado por Denise Dessoni de Almeida. desde 1979. conhece Eugênio Marer e Felipe Fernandez. s/data.Frederico NavaIro.Iosso ) Centro espera estar regido por uma verdadeira democracia do trabalho e. Este conceito. à sua construçào"73 (grifos meus).da Associação Psicanalítica AJemã e do Partido ComunL'ta Alemào . Carlos Eugênio (. portanto. realiza maratonas vivenciaL. E o CIO. dentro do enfoque reichiano de prevenção. In: Orgon. pois continua conjugando terapia e irúormação. que foi psicanalista. iruplicitamente. que ilavia desenvolvido e sistematizado a técnica de ma. ingênua e idealisticamente -localizado na Zona Sul do Rio de Janeiro e composto essencialmente por elementos de classe média . A primeira. na década de 30. grupos de estudo orientadoS. alénl de naturalizar as formas de organização social. 73 "C10". Raízes. que já trabalham no mesmo consultório. elegendo-se. operários. presidente da SOPERJem 1983. Riode Janeiro. difundir o pensamento e obra de Wühelm Reich a um nível informativo e formativo através de cursos. dentre outros. etc. associa-se ao CIO. abrem grupos de formação em bioenergética. A proposta do CIO é: reproduzir. Em 1983 surge o primeiro estabelecimento no Rio de Janeiro encarregado de uma formação dentro da orgonoterapia. nos Ciclos Reich. uma espécie de Casa de Cultura.. aberto a qualquer proflSSionalinteressado na área.passa a ter de si próprio. no Rio de Janeiro. MariaMello. chama este trabaUlo de "Ateliê de Emoções".'Sagem reichiana. etc (. Toda atuação é grupal. estudantes.e informativas. que é aiado em 1989pelo italiano Frederico Navarro e pelos brasileiros Alfredo Allemand e Fernando Acosta. embora sofram muita influência de D.uimarães Marer e o argentino Felipe Fernandez.tlhelm Reich (CIO). entretanto. compreende. Após a criação do C10 dá aulas no curso de formação. o mito de Rousseau sobre o "bom selvagem". em 1981. Volta ao Brasil em 82 e. paiestras. Será que suas práticas estão voltadas para a produção de espaços singulaIes que possam fortaiecer esses segmentos sociais' . que vinha de uma formação psicodraInática. na Alemanha. este autor aproxirua-se de grupos anaIquistas. Neste mesmo ano. proporciona formação individual terapêutica/teórica em orgonoterapia de análise do caráter e massagem reichiana.convoca trabalhadores e operários para sua construção. Reich considera a existência dessa "denl0cracia do trabalho" como a forma natural de organização social que sempre ocorreria quando as pessoas cooperassem harmonicanlente cnl serviços de necessidades comuns e interesses mútuos. gostaria de tecer um breve comentário. Guy Tonella. de 197'. NavaIro. chega ao Brasil.inicia fonnação no Instituto Wilhe1m Reich do México com Blanca Rosa Anorre. somente três anos depois é que passa a fazer parte do estabeleciruento. com quem fazem formação em Biossintese. de 1983 a 1989. Por intermédio delas. terapia bioenergética. . Após a dupla expulsão de Reich . Após várias perseguições políticas em seu pais.faz com Arom Abend. 297 296 . Sandra Guimarães e Eliane Siqueira. professores.e assiste ã explosão do movimento "corporal" carioca com os Sirupósios Alternativos e os Ciclos Reich. Sobre o texto final acirua citado. II. tendo como inspiração o movinlento Sexpol criado por Reich. 1[. __. terapias e abre uma creche-escola. controlar e documentar os descobrimentos de Wúhelm Reich prosseguindo com as investigações em todas as áreas da ciência orgonômlca. l:m outro grupo organizado no Rio paIa formação de orgonoterapeutas é o Instituto de Orgonomia ola Raknes (IOOR). a 1977. Ivan Gonçalves Campos. psicôlogos. De dois em doil) meses reúne todos os seus clientes e formandos num sítio onde fazem "trabalhos de laboratório". que é bastante idealista e ingênuo. convida os trabalhadores.

No fmal da década de 80. no início dos anos 90. cursos . organiza junto ao Instituto Ola Raknes uma escola de formação. dos Ciclos Reich e do Jornal Rádice Luta & Prazer . pela própria influência do movimento contracultural-. ligadas ao Movimento do Potencial Humano. de menor expressão. a da prevenção (através de cursos e palestras. Sobre a formação oferecida discorrerei. filiais de seu Instituto de Biossin298 I tese. a partir de 198~. por interesse do próprio Boadella. da qualfalarei mais adiante. para dirigir seminários e workshops. Em solo carioca esses dois estabelecimentos são os que mais se destacam nos anos 80 e 90. a Escola de Orgonomia Latino-Americana (EOLA). aspecto que tanto combateram em suas gêneses. participando ativamente dos Simpósios Alternativos. IPE c Instituto W. entram nos anos 90 no Brasil com práticas que produzem módelos. gestantes e adultos).Navarro implanta uma metodologia da vegetoterapia sob bases neurofisiológicas. assumiram o encargo de organizar uma filial de seu Instituto no Brasil.que desde 1977 flZera terapia com Roberto Freire. receberam de seu Instituto de Biossintese o título de training em biossintese e. de Romel Alves da Costa e de Nicolau Maluf Júnior. são criados dois estabelecimentos visando a uma formação em biossintese. dois estabelecimentos vinculados a D. as chamadas terapias "alternativas".com outros "corporalistas" funda a Clínica social de Terapia Reichjana. posteriormente. que começa a oferecer grupos de formação em 1984.. Por questões de poder e com a autorização de Boadella. Em 1986. Rubens Kignel (ambos atuam em São Paulo. Boadella. De forma bem mais explícita que os outros quatro estabelecimentos paulistas (Sedes. "pronto socorro" para situações de crise. Em 1989.apresentam suas propostas seguindo o tradicional e acadêmico modelo da formação analítica "oficial".Em Paris. recebendo o nome de Instituto Brasileiro de Biossintese. o grupo dcfme-se por uma formação orgonõntica. ainda que não instituidas oficialmente. básico e de formação . É uma forma de expandir sua formação para o mercado "corporal" brasileiro. desde 1980 dá formação a alguns brasileiros e vem ao Rio.pretendia realizar". a. Ágora. Estes dois grupos. em que uma das caraCleristícas é o fato de seus atores serem elementos "desgarrados" . É verdade que a Bioenergética nos Estados enidos. apresentando uma relação de ter"peutas indicados e reconhecidos para a chamada "terapia didática". mas deslocam-se freqüentemente ao Rio para dar formação) e Esther Frankel. embora surjam outros. Reich) e o CIO no Rio de Janeiro. É o caso de Esther Frankel. em realidade.introdutório. Não obstante todas as críticas e questionamentos feitos no plano di'cursivo à formação analítica. ao consignar alguns anali. estes três estabelecimentos de formação .adores das práticas ligadas ao Movimento do Potencial Humano. di'positivos e subjetividades bem próximos das instituições "verdadeira" psicanálise c formação analítica. de um modo geral. constituindo suas "escolas". desenvolvida por ele. "o que Ola Raknes .em· todos os sentidos.' terapias "neoreichianas" chegam à década de 90 em franco processo de institucionalização. Pedro Vieira Castel. A principal atividade do Instituto de Orgonomía Ola Raknes é a Escola de Orgonomia Latino-Americana.enquanto discípulo de Reich . São. pais.para orgonoterapeutas). e a da formação (através de grupos de treinamento. defmitivamente instalado no Brasil. De início a formação liga-se à terapia "corporal" em geral. quando recorrerei a tal formação como um dos analisadores das terapia. em 1986 e 1987. Boadella e por ele autorizados surgem em solo carioca.o Ola Raknes e os de Biossintese . que fundam o Centro Brasileiro de Biossintese. Esta é a metodologia empregada pela Escola Européia de Vegetoterapia e pelo Instituto Ola Raknes. que regula o funcionamento da formação de orgonoterapeutas e de operadores orgonõnticos. prevenção de neuroses em jovens. De uma formação inicial bastante assistemátíca. O segundo liga-se a Liane Zink. embora sem muita expressão. Esta apresenta três frentes de trabalbo: a da clinica (através de atendimentos individuais. assim como outros terapeutas "corporais"continuem a oferecer formações isoladamente. Os demais induzem seus formandos a fazerem terapia com profISsionais de seus próprios estabelecimentos. terapia para usuários de droga e trabalho com aidéticos). O argumento utilizado por ambos os grupos é a legitimidade e reconhecimento internacionais para si e seus alunos em formação. após fazerem formação com D. desde os anos 299 . O primeiro a se organizar está associado a José Alberto Moreira Corta e outros '·corporalistas". segundo declarações do próprio Navarro.

é empreendida por C. respectivamente . pelo "técnico em psicoterapia". em solo norte-americano. em analisadores. que apresenta muito mais facetas e informações do que aquelas aqui apresentadas. da comda para o controle de um mercado "corporal" mundial. Os anos 90 talvez respondam a esta questão. Boadella e muitos outros "corporalistas" norte-americanos e europeus desde a década de 70. pois sente-se ao longe e no ar o '·mau cheiro" da normatização. assim. as gestalti~ta. Posteriormente. por qualquer um. Tal crítica .O ANALISADOR ESPECIAllSTA . Ao lado disso . Aqui. ainda r f f v- ALGUMAS I.Ç do eixo Rio-São Paulo. Esta história instituida de algumas prática~ "corporais" nos anos 70 e 80 no eixo Rio-São Paulo não pretende esgotar o assunto. estas caracteristicas e acontecimentos aqui apresentados realizam a análise. constituindo-se. também algumas de suas caracterlSlÍcas se apresentaram.70. Este é o dilema com que se defrontam no Brasil algumas terapias "alternativas" . assim como os "neo-reichianos". tal questão se insere no bojo de uma série de outras críticas às psicoterapias dominantes à época 301 300 . principalmente. Rogers e os seguidores do "aconselhamento centrado na pessoa". portanto. recorrerei neste item a alguns acontecimentos e caracterlSlÍcas relalÍvos ao Movimento do Potencial Humano como situações analisadoras. Boadella. realiza-se um lAJngressoEuropeu de Práticas Corporais que. quanto Gerda. Citarei dois anali~adores por mim denominados como os especialistas-peritos e a mágica da salvação. tanto Lowen. engrossam as fileiras daqueles que pretendem questionar o lugar de saber/poder ocupado pelo especialista. F. O que foi mostrado neste Capítulo está ligado ao conteúdo das entrevistas realizadas com alguns "corporalista. propõe a organização de uma Associação Internacional das Terapias Corporais. De um modo geral.que toma vulto nos anos 60 e 70 com a expansão do Movimento do Potencial Humano nos Estados Unidos. 1. sem dúvida. PerIs e os terapeutas gestaltistas. E dentre estas contestações encontra-se a função do perito "psi" no mundo capitalistico. esta pequena síntese do movimento "corporalista" no Rio e em São Paulo representa. sendo vendidas em qualquer esquina. este Movimento aliado à contracultura pretende instaurar uma nova concepção de vida que conteste os valores típicos de uma "sociedade industrial e consumista". extremamente consolidada pela prática hegemônica da psicanálise. um monopólio que tão bem a IPA tem desempenhado há mais de 80 anos.JGADAS SrnrAçÕES ANAIlSADORAS DAS PRATICAS HUMANO AO MOVIMENTO DO POTENCIAL I . sob a direção de D. São aspectos que aparecem como reveladores. Como já vimos no início deste Capítulo. vendem e supervisionam seu know-how corporal pard a América Latina bem dentro de caracterislÍcas empresariais.principalmente as "neo-feichianas": institucionalização ou autonomia. catalisadores do seu próprio sentido e. bem dentro da tradição do movin1ento contracultura!. Há. em 1991.as técnicas consideradas "alternativas" são utilizadas de qualquer forma. da mesma forma que as práticas psicodramáticas no Rio de Janeiro. outros profissionai~ da área que aqui não aparecem. Como fiz com as práticas psicanalíticas e as psicodramáticas. além dos acontecimentos que se impuseram a mim ao pesquisar as histórias dessas práticas. dentro do conceito de analisador. assim como artigos de jornais e revistas "psi" da época. sofrem um processo de banalização pela núdia e por muitos de seus profissionai~.já desde os anos 50.PERITO que sob um minimo de seriedade na formação.~o Rio e em São Paulo. Mais do que a procura de terapias "alternativas". já se havia transformado numa nascente e lucrativa empresa capitalista. A"im é que. Entretanto. uma primeira contribuição ao assunto. Europa e América Latina. da disciplina e. Dentre as muitas críticas que o Movimento do Potencial Humano faz à prática psicanalítica encontra-se a questão do especialista "psi". Uma 'outra" IPA' Parece que sim. aos moldes das mais bem "organizadas" multinacionais. também as "corporais" n não dispõem nestes dois espaços geográficos de nenhum material escrito sobre sua história. A cultura "neo-reichiana" no Brasil é profundamente oral.afrrmam alguns corporalistas .

No Brasil.tistema de atendimento à saúde mcwtal.o. A superioridade de utna categoria é enfatizada em fun\~à()da inkrinridade de outra..pelo menos nos di.llfupal". dentre outros.s e muitos ele seus seguidores.sta afinnaçâo só é pálida para pair.'ri<.~ conselheiros "leigos" para atuarem junto ao . Da lnesma forma que o "aconselhamento centrado na pessoa" é desqualificado. ela brasileira R. É mais um especialistno que está sendo construído. que utilizam os termos "conselheiro" e "facilitador .~cllrsos . como orientadores educacionais "'"1 "''j Ou seja.'i seriam meros "conselheiros-leigos". no estreito território ela "psicologizaçào" c. mcnorizacio e infcriorizaclo . cuja precariedade é e7'idenle na sociedade bmsileira'" {grifos meus).."'. aliás. mas à sua extensão e alnpliaçào para outros profissionais.como () Brasil ~ é utilizado tambénl por profLssionais fora cio setor "psí".e isto é bastante enfatizado por C Rogers e seus seguidores .refere-se. 3 "produção de um tipo de especialL...sional de Contudo. arrogante e autoritário da "vcrdadeil. que o acusa de ser uma terapia pouco séria 76 Idem.'i de retlexão: a primeira refere-se J.". cunham o termo "psicólogo-conse1l1ciro" consideram específico do profL"siona1"psi" o aconselhamento c enfaticamente declaram: lJeni€ncia fepolêmica) diz reslNiJo ãconde fonn~lr". p.~c de muitos de seus seguidores.ojados [Jnido. S.1·' psicanálise...5 terapias "~lternativa.. " . e. tanto nos Estados Unidos... na imposição e fortalecinlento de um "certo" (nadeIo "psi": o "aconselhmnento não-diretivo e humanista centrado na pessoa" A segunda queslào relacionada 3 ruptura dos cspecialismos ..pelo discurso totalizante.~kologia.' duas formas enLáo hegemônicas de pensar o s LI icito.) Notamos que o Aconselhamento Psicológico chega ate nós confundido de n7·ta forma com a !.uda".<. entendo co1110enc1ausuramcnto desseS diferentes profi~sionai. ScheL'fer.stente L . legalista e corporativa..'. onâl' o conse/beiro funciona como uma espi?ciede jJr(J. se "facilita" aos outros "crescerem" através de uma relação de "a. que allrma: "Este !il-ro10i escn'to para estuâantes de P. Aquilo que é visto por tnuitos .como uma "dCl1l0cratizaçâo" do saber "psi". em realidadc. allrma-se que o "aconselhamento" é funçào específica do psicólogo e que os demais prot1sionai. pelo qual.ticasquuw' ine:\1.es.. para diferentes profissionai.sicotemJ)ia () conselheiro apresenta-sl' como jJsicólogo clínico I ) A !)1'Ô/Jrialegislaçdo lJ.quanto a psicanalítica).. e assistentes sociais. () que ern realidade é produzido não diz respeito à quebra do monopólio do saher "psi".22 e 2.pelo fato ele qllC o "conselheiro" e () "facilitador" poderiam ser quai~quer profissionais . 302 ..<io social do trabalho no mundo capitalislico..es como os E. Roger.~Canadâ l' Inglaterra.1Jeci/icfdar/(> um unico tilm de j)mfir.(tanto a behaviorist. O "aconselhamento centrado na pessoa". 1\1. quanto em outros paic. Roger. os saberes e os sujeitos forjados pelos c11al11ados "conselileiro" e "bciliL~dor" encontram-se no espaço do psicológico-existencial. Sobre a primeira questào.ta em nada diferentc do já conilecido As práticas.~do (~1)ecifica dos !."isunto<lua.conselheiro que transcende a e. Scheekr. a é figura do conselheiro com esta" car-acti.msa questão interessante Há sobre este 3.como todas as demai. à nlptura dos cspecialismos. possihilidade de uma quebra do saber "pse e a segunda. em São Paulo. Esta referência a outros profissionais não "psi" é uma constante nas obras de C.J . R Op dt.. em suas atuaçües terapêuticas Alguns "rogcrianos" paulistas afirmam que: "Podemos/alar de um reconhL'Cim.. ()l) Schmidt.ento da /unçao . de Sen'iço Social e para outms pmfi<sionais qUi! estejam interessados em . Um claro exemplo está na apresent:l(:ão elo livro Aconselhamento Psicológico. que chegam a criar o termo "conselheiro-leigo". de ()ril'11taçào Rducacional. e visanl à construção de psicoterapias "alternativas" a essa.skólogo. ~:tlgLms"rogeriallos" que.s no estreito território "psi". de forma bastante estreita. II mesmo esquema já apontado nas suhjetividades produzidas pela divi.fissional de pn"neira linha (."qucstôes digna..wfamiliarizar com os métodos utilizados na pràtica do Aconselhamento Psicológico ":'4.asileim define o Aconselhamento Psicológico como Jun(. I )p_ cit.por C.. como efeito. 25.s'· .1.. pr. portanto. e L'to é bast:lnte enbtizaelo por seus seguidores. fugindo totalmente ao que é colocado . p. Apesar disso. ).

também isto se reproduz no seio do próprio mmimento "rogeriano" .. exclusôes/inclusões e a produção de um lugar sagrado de saber/poder ocupado pelo especialista "psi". .a de orgonoterapeutas ."i e a de técnicos Cfi1 orgonoterapia. ser aceito em entrevista de seleção com o diretor diclático. Há portanto uma hiperdiretividade nesses coordenadores de grupo. da mesma forma que no Instituto Ola Raknes . grupos filiados ao Instituto de Biossintese de D. e 100 horas de supervic.ldores orgonômicos é aberta a qualquer pro~ fissional. sendo exigido estar em terapia de base com um terapeuta do Instituto de Orgonomia. supervisôes didáticas e seminários. não deixa margem a dúvidas: cópia fiel do modelo de fomlação analítica oferecido pelas Sociedades "oficiais" com suas obrigatoriedades.e superficial.este de maneira mais rígida e disciplinadora ~ é produzido e consolidado o lugar do especialista "corporal". uma série de discursos contrários ao lugar sagrado ocupado pelo especialL'ita . supervisão didática e em grupo por um ano. com a obrigatoriedade de terapia individual e gru pal. a não obrigatoriedade de um título de nível superior.orcs formados em biossíntese c reconhecidos também pelo referido Instituto. reprimindo qualquer criação em nome das regras da "espontaneidade" e da "honestidade". onde se indueol F.. CJl1 realidade. E mais.os requisitos necessários sào: ser nlédko. pesquisadas e pianelacias pelos "competentes" orgonoterapeutas O segundo aspecto diz respeito à própria formação instituída que. facilnlente. A. psicólogo ou outro profISsional reconhe- Um refere-se aos dois tipos ele forma. Para a prinlcira formação .. Boadella em Londres: o Centro Brasileiro de Biossintese e o instituto Brasileiro de Biossíntese assinalado anteriormente surgidos no final dos anos 80. à época. obviamente. Justifica-se. O primeiro deles é o Instituto de Orgonomia ala Raknes. Lowen e vários outros "neo-reichianos". C0010 já foi cido pela Escola de Orgonomia. vislumbra-se. pelo que foi exposto. temos a tórmaçilo "corporal" em dois estabele~ cimentos cariocas já citados na história dessas práticas. O que se percebe desta t()11l1ação academicamente instituída' Dois aspectos maLo. O curso é também de três anos.. "rigoroso". com sua Escola de Orgonomia Latino-Americana. 0)1 seja. neste Capítulo. a existência de um e. A formação de opeF. Todavia . terapia individual e de grupo com terapeutas do Instituto de Orgonomia e supervisão clínica portempo indeterminado. tóm1a orgonoterapeutas e operadores orgonômicos. '. também há sentação de monograftlS ao tlnal do I' e 2° anos e de uma tese global ao tlnal do 3º ano.'psi". que. deve ser mate. ao coordenar () grupo. Com relação ao Movimento Californiano de Grupos.. silo doi. pelos coordenadores de grupo.ão individual com supcrvic. contendo parte teórica. Perls. Há nesses dois cursos de formação presença obrigatória e apre304 A formaçilo oferecida por estes dois grupos segue as regras do próprio Instituto londrino: é de doi. anos (correspondendo a 400 horas) de teoria e de prática clinica individual com terapeutas fonnados em bioss[ntese e reconhecidos pelo Instituto de Boadella. com este modelo de formação pretcnde~se garantir uma certa fatia do mercado "psi-corporal" carioca para aqueles "didatas" (os terapeutas e supervisores) que detêm o saber/poder da vegetotera30. auxiliares no trabalho orgonônlico.lneros auxiliares e execu[Qres das tardas pensadas.a\~ão "corporal". relevantes POdCll1 ser aqui levantados. O curso de três anos consta de parte teórica. de outro.xpert que. sem obrigatoriedade de diploma de curso superior. Os primeiros são psicotcrapeutas.. dirige a "autenticidade" dos componentes. assitn. O outro estabelecimentu cariuca ele form. pelas criticas feitas por Max Pages e Georges Lapassade à direção imprimida. funcionando no Rio de Janeiro desde 1989.ào oferecidos: a de orgonoterapeuta. O que esta formaçilo apresenta' () mesmo tripé que o modelo de formação analítica "oficial" vinculada à IPA. estar em terapia de base com um terapeuta do Instituto de Orgonomia. os técnICOS. os demais. daí a extrema dependência com relação a esses "facilitadores" Ainda como exemplo de que práticas silo produzidas em cima dos discursos criticos aos especialismos forjados pelo Movimento do Potencial Humano.como já salientei ao analisar o Movimento do Potencial Humano ~. Reitera-se a mesnla separação produzida no seio do movimento "rogeriano" acL'itrita à divisão social do trabalho no mundo capitalístico: de um lado os terapeutas cujo curso.

a . bolas de cli.'õicodélicas(". O Movimento do Potencial Humano ['li "(.. Estou querendo frisar que há diferentes formações e que. enl especial. se farão presentes.Ano ]6. dentro elapromessa de "felicidade" aos moldes do «meriam way oflife. E esta leitura via coloni23. "Em Busca do Ego Perdido" In:JB/Cademo de Domingo . a terapia e a supervisão só podem ser feitas com proftssionai~ reconhecidos pelos estabelecimentos fOffim. Os chatnados enfoques e técnicas orientais influenciam profundamente as práticas "alternativas".aspecto presente e já realçado na fase amerjcana ele Reich . Boadella. AdvÍI1do do Instituto Nygma.. Já em sua primeira obra de 1942. etc. estimuladas nos Estados Unidos .. da pio/ência que parre o pais (e a América religiosa. com estas observ3. zen-budismo.! o mL. astrologia. nem pretendo pregar a ÍI1utilidade das formações. na Califórnia. conhecidas como Kuniê. símbolo taoi'ta de diferenciação dos opostos.curso da "C0111petência". ao () voltar-se par. Perls lança mão do círculo Yin e Yang..'l1_C. No Rio de Janeiro se desenvolve a partír de 1988 com Eleonora Furtado: Ambas. de sabedoria e de refúgio. com ~'-ua.c. Os Anos 60_ Op.ticismo . tentando negar a iInportância de uma formação "psi".curso sobre a sociedade em geral concebida como jator de alienação. o criador da BiossÍI1tese C0l11sua orientaçào holística. essas influências orientaL. Em suma. 2 . 98. dt. Por isso.Z. Afetam não apenas as "psi".:ões. são cada vez tl1r. parapsicologia.está também. 1'53. aquelas que são acadenucamente instituídas caem.". reali. fndia. \4-\8. .ta-perito. na criação e fortaleciolento de lugares sagrados de saber e não-saber. diKOS voadores. en1 alguns de seus dL.ua lc::itura filosofus orientais."i é a prática ou a Vl"ião errada da viela . no que se rcfere à instituiçào formação "corporal" tcnlOS em muitos aspectos a reprodução das pràticas. Perls. como também atíngem profundamente a sociedade em geral. especialmente as tibetanas. que funda o Instituto Nygma do Brasil. em 197'). Rocha.cípu!os. R. Ego. j. Op. HungerandAgression. hierarquias rígidas.O ANALISADOR "A MÁGICA DA SALVAÇÃO" No nascedouro do Movunento do Potencial HlItn:lno.. classes~ (grifos Não estou. nas exclusões/inclusões c. p. L. com sede em Berkeley.coisas das quais qualquer um pode se libertar""'. apesar de e do Potencial Hununo nos anos 60 e 70"."i três últirnas décadas.pessoais sob as e~ . R. por conseguinte. "É interessante lembrar que o misticismo oriental tem sua origem em solo norte-americano via colonização inglesa que traz para a Nova InglatetrJ.tào todos mi.xtases_'Tibete.F.açaoda. In Favre.13/10/ 1991.da numeira como ai funciona realmente a meus).mo.clIltllral e do Potencial Humano Cl _ as subjetividades do etlSí1lCl-'rne vilJe~ do como fazer amígos e influenciar peSSO(L'. cujo poder se encar/1 na e se exerce em estruturas. atucinaçoes /J. Portanto.). a coi. hoje.. como D. p.do self~helpi"g: a crença de que a maior causadora das ". E. que alguns "corporalistas" brasileiros.Ção inglesa que estará presel11e nos movimentos contracultural 1901 j(j 80 Maciel.r.dores. COll10as de meditação. \4.mlO mágico. místicas.). em 26/l 0/ n 78 Castel.pia e da biossíntese.çJalf" . p. voltam-se para Ulna série de técnicas orientai "i. dispositivos e modelos que tão radicalnlente foram combatidos no inicio do Movilnento do Potencial Humano pelas chamadas terapias '·alternativas". principalmenk" das do budismo.. de equililJfio. _ os ideólogos (deste) se apelar para as religiôes orientais que prometeul um sonho de p3. flutaridade. nos anos 60. instituições. 306 307 .\~fi<.. pois. Palestra reali:mda em São Paulo. nº 806. Mas não existe nunca andlise desses mecanismos sociais por si mesmos. A onda se espalha e ataga os países ocidentais" xigências de rentabilidade.c. sobretudo a juventude da época78. nos Estados Unidos e no movimento contracultural está presente de f"rma bastante forte a produção de um intenso mistici.~turados no mesmo saco místico da contracultura (..no rastro dos movimentos contrJ. vicissitudes e doenças humana. E<. no elitismo. retardes . no dLo. Afirma Castel que: mopimento têm certo um di. o movimento Kuniê é introduzido em São Paulo por Paulina Rabinovitch. SClll dúvida..o:. ciL. Não é por acaso. na construção do lugar de especiaIL. o criador da gestalt-terapia.. Na. Consolidarll-se tendências religiosas.) uma mistura delirante de todos os ê. na arrogância. n:io estou. Também em F. A contrapm1ida lAtina) e a mágka 1Q. de uma forma ou de outrJ. A Gestão dos Riscos.

O mundo "lá fora" não existe.M.. 09. acrescentando a estas subjetividades fortes doses de esotensmo e rrusticismo. exportada dos Estados Unidos. uma na Folha de São Paulo.M. e Carone. p. 09.que )1 vendem misticismo como ltção de vida ("Bri~a. contando com a participação de alguns "corporalistas" cariocas e paulistas. Se a grande maioria dos astrólogos não têm formação "psi". na procura de u~ "verdadeira" alegna e felicidade. enfatiza-se o "corpo espiritual". não é por acaso que entramos na década de 90 no Brasil com um mercado editorial onde os livros de "auto-ajuda" se tornam um rico ftlão. p. principalmente através de exercícios de meditação. do privado em detrimento do público. superficialS e ilusonos arcabouços. vinculam-se imediatamente aos "corporalistas" pauli~tas e cariocas. 550: .'). de um estabelecimento . Alquimista': "Diário de Um Mago ". cit. encontra princ!palmente na América Latina dos anos 90 um terreno propício e fertil para sua disseminação. procura associar o enfoque espiritual ã prática clínica dentro da abordagem da Biossintese de D. '( fe Depoimentos dados à reportagem da Folha de São Paulo p~ Ley~Perrone-Moyses pro de literatura da USP) e Maria Helena Patto (professora de PSlcologIa da USP). etc. 309 . Op. mas "vibrações" que de muitas formas penetram e agem no corpo do sujeito. clt.não terem formação "corporal". 84 Sca1zo.. Como exemplo da ênfase dada ã dimensão espiritual nos trabalhos "corporais". Propondo um "novo padrão de pensamento" como solução para os mais diferentes problemas. E. Não quero. um "mundo de paz interior". encontramos alguns que fIZeram formação "corporal" e que se valem dos conhecimentos da astrologia como mai~ um instrumental em seu traballlo terapêutico. Roclla. Em duas reportagens. Em São Paulo. esses mapas tornam-se uma terapia "barata": exigem poucas sessões para a sua feitura e posterior discussão com o cliente. ou. respectlvamen Op. na qual a responsabilIdade da mudança está única e exclusivamente no interior de cada pessoa.F. 81 82 83 sca1zo. F. dan~o fórmulas para uma saida mágica para os problemas C. Boadella e de uma visão holistica. ~astel assinala como cultura "psicológico-relacional".. Esta forma de encarar a si e ao mundo. pois ele transcende tudo que aqui foi apresentado. estas obras associam-se ao que R. Para o ~~or ~vid~. Com a crença de que somente uma revolução individual/pessoal pode mudar o mundo. Meu objetivo é apenas oferecer uma panorâmica para que se possa entender melhor o que hoje ocorre com as práticas de alguns "corporalistas" paulistas e cariocas que acrescentam esta abordagem em seus trabalhos. Op. Todas essas inlIuências místico-religiosas. dt. e Carone. F. sob o título "Em Busca do Ego Perdido"". vê-se como este fenômeno não se circunscreve somente ao Brasil. se existe. temos a fundação por Esther FrankeI em 1990. Por isso.. trabalhando-se a vida e a morte. S.o Quiron (Centro de Estudos e Práticas Transomáticas) . tive noticia de que algumas empresas utilizam o mapa astrológico como um dos instrumentos para a seleção de pessoal.dernoLetras-05/IO/1991. da "liberdade interna". para os mais diversos e vanados problemas. No plano clinico. passam um verdadeiro sabão em quem não é feliz. no Rio de Janeiro. É também a partir da segunda metade dos anos 80 que a astrologia e seus mapas passam a dominar em muitos consultórios paulistas e cariocas. estimulam sem dúvida as subjetividades da "autenticidade". em que as palavras não são utilizadas. S. construidas sobre frágeis. em sua maioria advindas do Oriente.). A lista dos livros mais vendidos em 1991 é encabeçada por obras ".. banalizar e/ou simplificar este enfoque filosófico tibetano. ~Mercado Editorial Cresce com AutOo-Ajucla" in Folha de São Paulo/ c. ao prometerem a "felicidade". o único responsável por seu destino. em nada ou em muito pouca coisa "toca" este sujeito fechado sobre si mesmo. estao convertem:ro a feJicidade em capilar 83 (grifas meus).. mostra o estado de desespero das pessoas" e ". em hipótese alguma. Para alguns esta tendência" . "O .o senso comum disfarçado por uma lingU4gem mistu:o-científtca vira novidade"84. pois apresenta-se como solução para os mais diversos e variados momentos de "crise".". intitula~a "Mercado Editorial Cresce com Auto-Ajuda"" e outra no J omal do Brasil.que.

Por outro lado a cartografia de sua obra nào conseguiu cna. realiza-se através dos chamados Centros e Grupos de AJuáate a ti mesmo espalhados nos anos 60 e 70 por vários pah~es.tanto norte-americanos. sem dúvida.Óhá nenhuma atuação efetiva nesta área por parte desses "corporalistas". Além disso. Castel nomeia como pertencentes à chamada "era da pós-psicanálise""". produzindo e consoli(lando os processos de subjetivação apontados dentro do Movimento do Potencial Humano.. afIrmam enfaticamente que a "verdadeira herança" de Reich está em suas mãos. em sua última fase.os do eixo Rio~~ão Paulo . Cartografia Castel. não obstante a virtual manifestaçào ao longo de sua obra..1 Na segunda vertente. se não jaz(. entre história e geografia. no Rio de Janeiro. 173. supervisão e grupos de formação.'ndo do trabalhador um ser sem asperezas e sem crispaçào. quanto europeus -. na maioria dos programas e propostas apresentados pelos diferentes estabelecimentos de formação "corporal" pauli~tas e cariocas. cujas capacidades sao mobüizávei'i a qualquer instante? Mas como conseguir isso. no gesto que aponta para a e~istmeta de uma relação incindínei entre economia pohtica e economia libidinal..t. Bem distantes do "mestre". que. S. um . É inegável que. o E seus discípulos.que. A questão da prevenção. relaciona-se ao fato de que a pós-psicanáIL~e não é o fim da psicanálise. Fugmdo totalmente aos objetivos defendidos por Reich para uma "prevenção de neuroses".. as subjetividades que cultuam o psicológico começam a ser caela vez mais prestigiadas pelo Movimento do Potencial Humano. representada por seus discípulos diretos . portanto. a importància de um trabalho preventivo proposlO e colocado em prática por Reich..w>.' ce1tamR11te eSsa separação que o h'ava a lX:'11. capaz de responder às injunç6es do presente?"íIl . Em todas as entrevistas realizadas é enfatizada por todos. está presente a amação preventiva. em realidaele.Maneiro no gesto que aponta para a questão da ''Política do desejo '. A ênfase. pelo menos tanto quanto seus conhecimentos. se não fOr perseguindo seus bloqueios e suas reSiStências. sem exceção. pouco ou nada se materializam em termos práticos. 310 311 . p.VI - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES >'Reich foi. posta em prática pelo "mestre" na Alemanha dos anos 30. cit.. 8'5 8S Rolnik.ç da concorrência. aidéticos. o território tronco da indíssolubilidade daquelas duas economtas: em seu.. elll última instância. Contudo. Castel afIrma que todas essas novas técnicas psicológicas derivadas da própria psicanálise tornam-se completamente I)j' HS Idem. assume duas vertentes. nà.. p.çescritos. à exceção do CIO. gestantes.. tão enfaticamente repetida por todos os discípulos ele Reich e. a "autonomia". ao fortalecimento de uma nova cultura "psicológico-relacional". Esta subjetividade que afirma que cabe a cada um a mudança. . aguçardm tal separação. [dem. 1<. que reúne todos esses enfoques "corporais-alternativos" no que chama a "era da pós-psicanálbe".Sar desejo em tE't1nOSde uma "energetica ". Estes aspectos prendem-se principalmente à questão da prevenção. A primeira.0.'>. o fim do conlrole (feito) pela psicanálise elo processo de difusão da cultura psicológica na sociedade"'". quanto europeus . pais.Op. representada pelos "corporalistas" brasileiros .. elas continuaram separada. a uma forma de trabalhar com a normalidade. mas ". sem duvida. esses diversos enfoques "corporais" apresentam entre si aspectos muito semelhantes que . A questão abordada por R. R. Sentimental Op. etc. sobrevivendo precariamente. p. Com isso. As demais propostas de atendimento a drogados. a exigência de trabalhar a sua própria disponibüídade e sua flexibilidade relacional.como já foi observado . inaugurando diferentes abordagens. caracterh~ticas que R. cultilJando uma espontaneidade reencontrada. Não é por acaso que a "herança" reichiana é disputada por todos eles . Em nenhum deles isto tem sido efetivado. territórios onde se enfatiza o "auto-conhecimento".se idenlificanl claranlcnte no Reich "alnericano". 133. do trabalho "corporal" é colocada nos atendimentos privados através de terapia. dt. Castel.tanto norte-americanos. enfatiza ". consegue organizar uma creche-escola. a "liberdade". tornam-se. à gestão das fragilidades individuais. que instala na psicologia e no sujeito a responsabilidade por toda e qualquer mudança.a prevenção situa-se somente ao nivel do discurso. Como de fato enfrentar as mudanças tecnológicas e os imperativo.

um superinvestimento no psicológico e um não investiInento no social e no político. . As "tiranias do intimismo". privilégio das classes médias urbanas que têm sempre a esperança de realizar e constmir uma "verdadeir.A psicologia represetlla aqui um/Japei homólogo ao da cirurgia estética. de recobrir sua vida real com um duplo fantasmático no qual eles existem mai.l" família.o. pelo qual o desenoo/vimento do seu potencial psicológico e a intensíjkação de suas relações com os outros podem tornar-se o alfa e o ômega da extstêncta. tna. p. ainda do quepara oprosa1'imOcotidiano. ['i"7 312 . Neste processo. a cultura psicológica vê-se como um fim em si. Caste] como uma das características da "era pós-psicanálise" apresentada. ldem. . Almeja-se. uma vez que a sucedem. nela peomnece01. Entretanto. poderosa subjetividade hegemônica dos anos 70 e ainda hoje não só afeita ao território "psi".faz a vez de social representando o estatuto de uma sociabilidade completa quando os fatores propriamente sociais escapam ao dominio dos atores "91 (grifos do autor). mas largamente difundida na sociedade em geral. cultos da espontanf?idade. o "potencial h"mano" . p.. faz com que a mobilização psicológica seja como um fim em si mesma que satura todos os valores da existência. A chamada família "normal" representa hoje a maior consumidora destas técnicas "alternativas". ao reivindicarem e enaltecerem esta marginalização. com valores e subjetividades também "alternativos". no Movimento do Potencial Humano . principalmente. como lá vimos. Castel produzem saberes. psicolngiafazai a experl_a de s•• apr6priajiludização I . Não sào. obrigações e hierarquias. mas recusam tal fIliação. como ati1Jidade autônoma. "lntensi.w do social. observâvel nos velhos freqüentadores da psicanálise.. É a chamada "inflação do psicológico". 1'i4. tenninam por privilegiar a parte marginalizada dessa sociedade e. Castel. .deveria "correr" paralela ã sociedade de consumo oficial. enfatizada por R. deste modo.independeptes dela. ''Poder-se-ía interpretar seu sucesso como uma revanche póstuma de Reich sobre Freud. em nome de Reich.. Este é.<. as subjetividades fortalecidas e produzidas pela chamada sociedade "alternativa" que . o psicolôgico invade e . para a construção de pretensas novas formas de sociabilidade. as fanúlias mais "necessitadas" fmanceiramente as que têm utilizado eSlas abordagens. É O " i \1 I 11 Há. que muitos autores têm mostrado serem os valores. assinaladas por R. que retecer a imagem jrágü de lmM sociabilidade clfias imagens estào exibidas nllm umverso uttid:imensional do psicológico "<Xl (grifas meus). esta maneira inimitável. portanto. retêm muitas de suas mensagens. E'tSaSnovas técnicas alímentam assim um "ethos".a um só tempo pessoal e retacional .é de fato um capital (l. cuia finalidade é meno.) Dai. 141.••sem o quadro de um comercio inscrito nas estruturas sociais e na história.. coexistem com ela e.'iatura novos espaços liberados pelo reflu.wmta: critica da autoridade. . cuja vida relaCÚJnal seja ao mesmo tempo intensa e harmomosa. o qual teria fortemente atenuado a dimensão marxista de sua ohra. do não-diretivismo e da conuivência informal"!I9. com a justifIcativa de estarem produzindo valores e práticas "alternativos" ã sociedade capitalistica. A "cultura relacional". de uma só vez porque as outras dimensôes da existtmeia estilo a ela subordirNldas. munida da unica cerleza de ter perpetuamente perfeita.{icaçâo das relações. tais famíJias não têm acesso ã chan1ada cultura "psicológico-relaciona]". que seus herdeiros teriam substituído por uma sensibilidade para os valores da contracuJtura espalhados nos anos ses. reparar os corpos do que lhes proporcionar "ma mais-valia de harmonia e de beleza t . ainda hoje. também são focalizadas por R. da autenticidade.roapor uma implicação em um nolJOuni1X?rSO pleno de relaçÕesdo qual não acabaremos nunca de dar a volta. em realidade. Sannett e já destacadas por mim.) Q] Idem. apesar de transmitirem "sem querer" parte da "herança" psicanalítica. o perfil de alguns "corporalistas" brasileiros que..A 00 Idem. se situam em territórios marginais. a construção de uma sociedade alternativa ã dominante. e porque esse-poroirpa. mas do Reich do períodO americano. São "pós-psicanalíticas". priticas e sujeitos voltados para "(J superinvestinlento nas relações". portanto.. Ao contririo.segundo os "slogans" contraculturais tão fortes ã epoca. Ê como uma democratização do que já se teria podido chamar uma "cu/tura do divà". Entrar rul cultura relacionol é abordar uma paisagem social de contornos fluídos. Estas caracteristicas apontadas por R..

Entretanto. Op.favorecem uma visão a-histórica do homem. ocultaram a produção politica do corpo. 19M e Foucault. ao assinalar os tipos de corpos que têm sido produzidos nas e pelas sociedades capitalisticas.pelo próprio momento histórico etn que se inserem . Típico das subjetividades capitalislicas c muito fonalecido pelas práticas chamadas "corporais". sociabiliLhlde. Além de todos esses aspectos assinalados por Castel sobre as teraplas "alternativas" e "corpomL.dt.objelivdvel que se cultiva a fim de se torntlr mais "atuante'" na.l'Sge 172.mais "flexíveis". Todavia. Se." e a "era da pós-psicanálise". se entendemos ()aspecto políticocorporal como importante.reconhecendo que instituições. o intimismo está fundamentalmente articulado com a cultura "psicológico-relacional" e com o retomo para o "eu privado". exploram e instrumentalizam um aspecto importante da descoberta freudiana: a possibilidade de trabalhar o próprio conceito de normalidade"". não podemos desqualificá-Io e ignol"Ar lguns a enfoques introduzidos por essas teraplas. Rio de Janeiro. a hipótese de ITmitosentrevistados de que as terapias corporais . Impõe-se em decorrência dLsso a produção de muitas questões ligadas ã valorização da autenticidade e ã maior transparência de todos os atos do sujeito. 93 94 ldem.e a dimensão política. esquecida. dispositivos e modelos têm sido construídos e fortalecidos . em suas práticas e formulações teóricas. há ainda uma questão que gostarla de mencionar.cípulos encontraram base para a expansão de suas práticas psicologi72das/psicologizantes. no capitali~mo. Foucault. o que se manifesta na superfície não são essas produções.pp.tais dL. malgrado toelasessas aiticas. no próprio Reich. sua liberação faz parte de ações inslituintes que colocam em cheque as estruturas sociais.'neo-reichianas" que chegam ao Brasil. M."diferente" e.. para mim é simplLsta. destituídas de qualquer articulação histórico-sociaL As terapLasditas "neo-reichianas" e o Movimento do Potenclal Humano . Microfisica do Poder. Não foram somente os discípulos de Reich (cuja influência foi mais sensível na formação dos "corporalistas" brasileiros) que. Há sim que acrescentar oUlms dimensões que nelas não estão presentes: a instirucional.nas suas primeiras fases -. apesar de tudo isso. aos poucos a produção política do corpo vai perdendo. o que atrai um novo público em nome desta relação terapêutica "ampliada". Assim. 314 315 . W.como já apontei . retomam.com relação à tradicional psicanálise . No entanto. "alternativa". mas o fato de essas práticas "corporais" serem .vide suas últimas fases. no trabalho O" nogozo"<J2 (grifos meus). poLs ". produzem um corpo alienado. No próprio Reich . ocultando sua dimensão política. enfatizada por tais abordagens. fato já apontado quando me referi à produção de uma cultura "psicológicorelaciona}" e aos processos de suhietivação desenvolvidos no decorrer dos anos 70 no Brasil. há nas tempias "corporaLs" aspectos inlportantes e que devem ser ressaltados. sua força . os corpos são adestrados e disciplinados nas diferentes instâncLasde poder para se tornarem dóceis e produtivos9'. Castel chama de um "trabalho sobre a normalidade". Um deles refere-se à dimensão corporal. e mesmo proibida de ser abordada nas terapias ditas "ortodoxas". Estas abordagens "corpomis" vêm no rastro do que R. por extensão. M. nos anos 70. Idem. desvinculado da ordem capitalLsta. Vozes. p. "abertas" e mesmo "democráticas". relacionada à produção de um intenso intimismo. Se na terapla reichiana isso aparecia claranlente . 144. Vigiare Putllr.

Na minha testa caem. Cuspo chicletes de ódio no esgoto exposto do Leblon. no início dos 80 . não poderia deixar de mencionar .<. o Apenas sei de diversas harmonia.CAPtTIJLO V I- ALGUNS PROCESSOS DE SUBjETIVAÇÃO NA SEGUDA METADE DOS ANos 80 NO BRASIL Os ANos 80 ANÁLISE INSTITUCIONAL EA NO BRASIL "Vapor &rato. Ma. Eu sei o que é bom Eu não espero pelo dia em que todo. A/guma coisa está fora da ordem Fora da nova ordem mundial" (Fora de Ordem .."""adacontinua É o cano da pf. após a viagem em que percorri as diferentes práticas psícoterapêuticas dominantes nos anos 70 e as que surgem como "alternativas" no decorrer desses anos no eixo RioSão Paulo. culminando com a ('-ampanha das Diretas Já!. Expressam a enorme distância existente entre os mecanismos políticos instituídos e as jorma~ de llida social. Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano. advindas do movimento institucionalista francês. Vêm colocar-se plumas de um velho cocar. em 1984. ••bonitas po. Mas retribuo a piscadela do garoto de frete do Trianon. Meu canto esconde-se como um bando de ianomânis na floresta.tola que as crianças mordem Alguma coisa está fora da ordem Fora da nova ordem mundial. .c.. considero este Capitulo uma espécie de estação onde desembarco no final dos 80 e inicio dos 90.mesmo que superficialmente . Esses movimentos. um mero seroiçal do narco/ráfico. o viaduto ganindo frrá lua . fiá neles a promessa de uma radical renOl'açào da 1-rida política Apontam no sentido de uma política constituida a pariir das questóes da l1da cotidklna.rnvei.. Apontam para 316 . da análi~e institucionaL Embora a referência a esta década fuja um pouco ao título deste trabalho. s homens concordem. Foi encontrado na ruína de uma escola em construção Aqui tudo parece que é ainda construção e já é rufna Tudo menino e menina no olho da rua () asfalto. sem Juizo final. a ponte.um outro conjunto de práticas que vão se forjando e fortalecendo entre os "psi" paulistas e cariocas.Caetano Veloso) No Capítulo I salientei que a prinleira metadc da década de 80 caracterizou-se pela grande mobilização popular. esboçando uma breve sintese das gêneses histórico-sociaL~ e teóricas deste movimento instituCÍonalista e da expansão dessas práticas entre alguns profissionais "psi" brasileiros. empreender aqui uma história do movimento institucionalista paulista e carioca. repúdio e indignação ao ciclo militar que se instalara no Brasil em 1964 através.<.__expressam tendências profundas na sociedade que awinalam a perda de sustentaçào do sistema político instituido. portanto. Aproximando-me do embarcadouro de chegada nesta viagem pelos anos 70 no Brasil.'isão mal'i do que {'iSO sdo fatores que aceleram essa crise e que apontam um sentido para a transfonnaçâo social. principalmente. durante a década de 80.como já mostrei ". Não pretendo. dos diferentes movimentos sociaL~ que tlorescem desde o limiar dos anos 70. mas apenas apontaI alguns processos de subjetivação que vão sendo produzidos e desenvolvidos ao longo da segunda metade dos anos 80 no Brasil.

m.07/04/1991. In:JBlEdlção Centeruirlo . que promete como "governo civil" completar a "transição" política iniciada por Geisel e estimulada por Figueiredo.s da vida social. Para isso.tro da Fazenda afrouxa os preços e a inflação reprimida estoura. quando a Constituiçào é votada dois anos depoc" apresenta somente alguns avanços nos capítulos referentes aos direitos do cidadào. por meio da qual a corrupção é naturalizada e a "troca de favores" penetra nos diferentes micro espaços. apesar de tudo isto. "falcatrua. Segundo Sader. efoi esta quefi.ta (UDR)."<OU datas Levados "precocemente" aos embates políticos. E os diferentes movimentos sociais e populares vão Sadet. I . chegando à casa dos três dígitos ao ano. responde: 'if dando qt. pois com a fonnação e a pressão do charnado Centrão . p.. inicia-se a "Nova República" de Sarney este assume o poder com a morte de Tancredo -..grupo de parlamentares de extrema direita ligados à llniào Democrática Ruralc. Interrogado sobre se o Centra0 acha normal trocar votos jxJr cargos púhlícos. o fortalecimento da representação politica instituída e das instituições de poder estabelecidas em detrimento dos espaços singulares construídos pelos movimentos sociais em ascensão até então. Dias depois eiaseleições.'uno-.l. como ocorre durante a Constitu'. p. em que a população trabalhadora está direta1lWnte implicada: nas fábricas.eIVadora. Após as eleições presidenciais indiretas. Entrementes.saram sua imatun·dade enquanto alternativas de poder no plano da representaçdo política "l. porta-voz dos grandes fazendeiros e proprietários rurais . os projetos políticos implícitos nestes movimentos sociais vão sendo paulatinamente "derrotados". 09 318 319 . eles alargam a.'l Entraram em Cena. quando o presidente não consegue aprovar suas lei. com a escolha de Tancredo Neves pelo Colégio Eleitoral. época em que a núcliaexpõe as numerosas e infmdávec. outros "pacotes" e planos econômicos continuam sendo forjados sob a orientaçáo direta do FMI. cit.••fronteiras da política..compra de consciências e distribuiçdo de benesses entr-e parlamentares. Atraves de suas jormas de organização e de luta. O descrédito do governo Sarney intensifica-se em todos os segmentos sociais após a "Iàlência" do Plano Cruzado. entretanto.uma série de garantias trabalhistas e o próprio início de uma reforma agrária aos moldes capítalistas ficam prejudicados e mesmo impedidos.~ assolado por Ulna forte e crescente recessão e por ondas de greves que estouram em vários pontos e setores. E.31'5 Schlafman. que temporária e ilusoriamente mantém a economia congelada e contém a inflação. o governo distribui cargos e canai." dos chamados "colarinhos brancos" e nada acontece a esses "senhores". Isto significa. à medida que a "transição" política se efetua. Eles mostmm que há recantos da realidade ndo recobertos pelos discursos instituidos e ndo iluminados nos cenarios estabelecidos da vida puhUca Constituem um espaço público além do sistema da representação política.W se recebe" E ri assim que.'i.mo consensual". . dentre outras medidas." não era o mesmo que o da polftica instituída. se haviam constituído como sujeitos políticos_ O nJ. a Assembléia Consti· 578 dias de trabalho. da mesma forma algumas corrupçôes nos altos escalões dos governos 2 3 Ickm. pressões populares e..>. deputado Roberto Cardoso Alues r. O Fundo Monetário Internacional continua ditando as regras e o país é cada vez n1ai. a "Nova República" lança em 1986o chamado Plano Cruzado. o Mini. a partir da interoença. em realidade. '~VoBrasil. A Constituinte instalada desde 1986 sofre. . dando e rece· tuime atravessa betulo ":'(grifas meus).ç de rádio e teleuisdo com apetite panta+ gruelesco.tante conseIVadora.nte na época em que se jonna o Centra0 Em troca da aprovaçâo dos cinco anos e do presüienctalismo.. quando se instala a chamada "Nova República". em sua maior parte é ainelaba.ologi. nos sindicatos. na segunda metade dos 80. ~Os Anos 80". deixa-se levar por fis'. Neles aponta-se a autonomia dos sujeitos coletivos que buscam o controle de suas condições de vida contra as instituições de poder estabelecidas "1_ perdendo gás. conseguindo nas eleições para governadores dos estados eleger uma maioria esmagadoramente govemi'ta e con... Op. sob o signo constrangido de São Francisco de A. No entanto.uma nova concepçdo da política. estes movimentos fOfaIll "_ projetados para enfrentamentos decisioos quando ainda mal . nos seruiços públícos e nas administmções nos bairros.p . as expre. ° Consolidam-se cada vez mais as subjetividades hegemônicas nos anos 80: a do "cinc. Quando Novos Personagen.o direta dos interessados.'. Colocam a reiuindicaçâo da democracia r4erida âs regra.no de suas história. vão simplesmente se colocando na defensiva e lutam desesperadamente por questôes salariais e/ou estabilidade no emprego. 313.

jãnio de Freitas: ''Depois da eleíçiio presidencial de 89. A. Os comícios realizados.). S 6 Singer. que reúnem toelas as oposições. 190 e 191. tem início a campanha presidencial. mas envoloe Jonnações do inconsciente. Vive-se uma cri. Micropolítica. a eles tudo é 4 Guauari. A Ética neste pais não é somente ignorada. É como afirma o articulista ela Folha de São Pau1o. Aumentam assustadoramente os crimes e assassinatos nas cidades e no campo brasileiro. Grupos de exterllÚnio criados especificamente para estes fins e fmanciados por comerciantes e empresários estimulam. estéticas Trata-se de uma crise dos modos de subjetil!açào.ln: Singer. Há neste ano novamente um ascenso dos movimentos populares que se engajam na campanlla presidencial e muitos.) Sem Medo de Ser Feliz. p. "sem medo ele ser felizes". "A Estrela de Lurian~. de modelos de 1Jida.) que não se situa apenas a nível dessas re!açóes sociai. Não obstante todas as elenúncias feitas sobre estes fatos. com o auxílio da llÚdia. GiL. a Hica tWJustiça Eleitoral. travou-se naqueles meses. a tWs ekitores. vivem o sonho de que é possível mudar este pais.. pior. mas nada se comprova seriamente. dos modos de organização e da sociabilidade. nos seus representantes. (Org. É neste clima que. desde os grandes roubos e corrupções até os mais bárbaros assassinatos. Milhares de assassinatos são praticados em nome da defesa da propriedade privada. ficou claro que a campanha eMtoral se desenvol1Je'Tia em torno de um valor. _.federal e estaduais são comentadas.). ironizada. em todas as relações sociais.'i do Desejo. e sobretudo no intervalo do primeiro para o segundo turno. Muüo m.). não somos nem seremos os mesnws que éramos C. em 1989. OS. É indispensável uma "limpeza" social: a pena de morte se fortalece extra-oficialmente em nosso país. "A campanha presidencial de 1989 ( ) significou transformalJÍtOnosos ções profundas na politíca brasileira { }. Desde muito cedo.c. um confronto de princípios pessoais (. a impunidade continua vigente no país. ciL. espúria. ". Forjam-se também outros processos de subjetivação que se insinuam pelos mais diversos segmentos sociais: a descrença na polltica. realizável.lis do que uma disputa de v0- tos. A. 08. vivem o sonho das Dit"etasJál. "Os Novos DesafiO. idealistas e puristas. c Rolnik. É ininuginável para os que viveram os terriveis anos 70 que se pudesse novamente viver o que a campanlu presidencial evidencia: a crença de que o sonho é possível.. das formas de imJeStimento coletivo de formaçàes do inconsciente .09. míticas. ela é achincalhada. produzádo especialmente para ser o ·'campeão contra a corrupção".'ln. a dos meios de conuutkação (desculpem esta lembrança tamentávet)"6 (grifas meus). as subjetividades que produzem juízes e autores como 5u. mas sobretudo as cifras da execução de "meninos e meninas de rua". São Paulo. diante do qual todos os demais se mostrariam secundários: a Étícn . de modelos de relações social" (. Nos centros urbanos. principalmente os do segundo turno. pois se "meter" em política é lidar com coisa suja. a crença de que todos os políticos são iguais e que não adianta lutar ou reivindicar. 1990. crescem não somente os números de agressões a lideranças sindicai~ e/ou trabalhadores.A 1Jtica de cada candidato.. (org. a primeira eleição direta para presidente do pais após 25 anos.ieitos necessários para a "limpeza" do corpo social "enfermo". miaçao regional. l f permitido. a UDR ofensivamente contra-ataca as diferentes organizações de trabalhadores rurals surgidas ao longo dos anos 70 e início dos 80.. culminando com a morte elo seringueiro Chico Mendes. jonnaç6es religiosas. desqualificada e apresentada como um deleito..> explícitas. S. levam muitos às lágrimas. a Ética politka.: Cartografia. como coisa de pessoas ingênuas. "o caçador de marajás". Op. e por motiuos que vários candidatos ofereceram.. Scritta. F.portanto. 320 321 .10-ll. em 23 de dezembro ele 1988. No campo brasileiro. anti-ética e seUl princípios.10_ Freitas.c.p. pp.de modelas de sensibilidade. acarretando a dissetninaçào cada vez maior da crença de que os ricos nunca são punidos. A.In: Singer.. nada se apura. "4.]. Op. Os partidos de 86 (PMDB e PFl) stlO uanidos. o PSDB busca se uiabilizar como fiel da balança o PDT mostra ser uma agre- eo PT se consolida enquanto partido nacional de peso "s. O vencedor será um candidato desconltecido e sem partido. a violência em seus mais diferentes aspectos se naturaliza e essas subjetividades penetram em todos os microespaços..

H. Consultar também Baremblit. A Revista SodaUsmo ou Barbárle foi fundada em 1946 por Qaude Lefort e Cornelius Castoriadis. as sondagens.a crença ele '1uE' . Foucault. desânimo e até desinteresse político começa a tOluar conta ele muitos.malgrado o descenso dos movimentos sociais -. jovens comunistas). J. especialmente. das correntes modemi'ltas em Ciências Sociais. de síntese e de subjetividade. como resultado de toda a paixão. da crise da escola. da queda elo Muro de Berlim e do "fUlldo comunismo". começam a perceber que produções as práticas "psi". T\'ovos desenhos aparecem na Europa com a reunificação da Alenlanha c a quebra da rígida divisão Ocidente x Oriente. de toda a emoção que foi jogada nesses meses de canlpanha por segmentos organizados da população brasileira. começam a pensar sua prática vinculada a uma realidade concreta. 1990. O quc nos anos 70 se plantou. do hospttal. por intermédio.-cpressdot. eM. As Três Ecologias. Guattari. que. 1992 e. do "fIm das utopias'. uma massiva produção de subjetividades: Ufn gr.. Inicia-se.wrce sobre a mídia.UERJIIMS. Rosa dos Tempos. desde o final da II~Guerra MuncUalaté os anos 70.. Todo este item 11é uma síntese de algumas partes desse trabalho. Dissertação de Mestrado . Rio de Janeiro. Rodrigues. G. mas apenas indicar alguns caminhos trilhados por esta corrente . da critica à burocracia e da teorização da autogestão na Revista "Socialismo ou Barbán'e"lO. das igrejas. ao lado de suas instituições e dispositivos. Sem a pretensão de aprofundar as gêneses conceitual e históricosocial do movimento institucionalista francês. passando pelas intervenções socioanalíticas realizadas. cas e paulistas começanl a se inlplicar com estes rnovinlentos. A. cl". ''." poiJr(! e. jovens catõlicos. ainda que sucintamente. Nasceu também ".S. a nivel mundial f3b-se do "fimda História".. do controle que e. consultar Coimbra. da cri"e do 9 Sobre a história do movimento institucionalista francês. 07 e 31. as diferentes e variadas influências que sofreram nos anos 60 e 70.mada por muitos de a "década perdida".B. 14 522 323 . 14-2'. G. Há. pp. 10 8 Oro cit. Papirus. de minha parte. Os C. F. que a dirigiu até sua dissolução em 1966. das crises dos movimentos da juventude (união de estudantes. assinl. SubJetividades em Revolta: as novas análises e o instltuclonalismo francês. _ O capUalimlO pás-industrial que. mimeogr... 1989.aminhos de Lapassade e da AnáUse institucional: Uma Empresa Possivel? Trabalho apre~ntado no Curso de Doutorado . Compêndio de Análke lnstiIucional e Outras Correntes.USP." de signos. a [JUlaconjugaI ejàmiliar se ("ncontrafreqüentemente "ossificada" /JOruma espeâede padronização dos compol1mnentos. jovens protestantes. principalmente. () que se tem agora é um profundo conforntisnlo. São Paulo. parcelas marginalizadas e desorganizadas politicamente que ainda nutrem esperanças nas promessas megalômanas e populistas do então presidente da república. um olhar-se para o próprio ulnbigo e UHl íntimismo exaltado.4lida doméstica l!ffl1sendo gangrenada pelo consumo da mídia. prefiro qualificar como Capitalismo Mundial Integrado (Clv[J) tende. "O Ano em Que Quase Lavamos a Alma~. a puhJicidade. cada vez mais. p. a derrota nas urnas jamais será capaz de apagar de nossa memória que o sonho é possivel"" E é neste momento que.desde a psicossociologia. In: Singer. algumas parcelas de protlssionais "psi" carioGuattari. gradativamente . 1. no eixo Rio-São Paulo a difusão de muitas ferramentas advindas da análise institucional de origem francesa. (OrR). Persiste porém . n- O MOVIMENTO INSTITUQONAIlSTA FRANCÊS Ao lado disso.A mídia e as chamadas pesquisas de opinião produzem a vitória de Fernando Collor de Mello. tenciono mostrar.. Tomou-se um importante espaço de discussão sobre o É neste clima que se "fecha" a elécada ele 80 no Brasil. desvela o surgimento das ferramentas institucionalistas na França. que possui entre seus eleitores não somente os grandes empresários e fazendeiros. a deKentrar seus focos de poder das estmtura. Kotscho. até a fase da "institucionalização" da análise institucional francesa' -.C.apesar ela apatia e ele outras produções tão competentemente forjadas . Deleuze e F. 1994. as relações de f'iZinlJança estão gemlmenll' 1'eduzidas a sua mai.O PERÍODO DA PSICOSSOCIOLOGIA INSTITUCIONAL A análise institucional que vai se organizando na primeira metade da década de 60 na França nasceu da Psicoterapia Institucional. têm concebido. etc" 7 (grifos do autor).1nde sentimento de apatia.. brilhantemente.' de produçeio de IX"nse de serviços para as estruturas produtora. R. da Pedagogia institucional e da críticainterna nas ciências sociais. como também os chamados "descamisados". coLhe-se nestes 80. de M.

mas muitas. do sentido.D. 12 Baremblit. a autogestão. levou o jornalismo e a imprensa JY. G. H. ao lado de uma série de experiências que reiteram tal compromisso. etc. 01 e 04.fa escola e tais técnicas. 109 e 112. da informação. Surgida do Movimento Freinet1j• a Pedagogia Institucional. "o que o institucionalismo jaz com todas essas influências é muito difícil de sistematizar.) uai tentar reformular esses conceitos para incorporá-los a um aparelho teórico próprio (" J R"tes principais recursos têm sido determinadas sociologias. influenciada pelas experiências da psicoterapia institucional. teorias de economia da sociedade e da história (as disciplinas que se ocupam do problema do poder e dos processos sociais da produção de bens materlai5).<.) um novo modo de funcionamento das relações humanas: não repressivo. Deste modo. e o que elas têm em comum são as ã. desde o pós-guerra. a segundo Lapa. Campo Abierto. "Apresentação do Movimento Institucionalista" In: Saúde e Loucura 1. estavam Fernand Oury. pois é o sistenta social exterior ao hospital que promove o cone sadios! doentes. e Barros. R. da dos an:uquistas e mesmo dos socialistas utópicos. É também a sociedade que institui a hierarquização e mantém um sistenta de nornJas e regras que atravessa o hospital.. disciplinas antropológicas que se ocupam da gênese do homem (mitos. A corrente institucionalista vai incorporando diferentes .. Hucitec. Luxemburgo. 14 Rodrigues.S. sistemas simbólicos). ou melhor. sobre o ~capita1ismo moderno" e o movimento operário. a correspondência. seja do poder como uma questão do domínio ou da capacidade de fazer"13 (grifos meus). p. Nos anos 50. 1 Em suma.'Jtltudonalista. Strauss à de P. no inicio dos anos 60. e notadamente não {mmcrático. ~lntrodución: Pequem Histeria de Los lnstitucionalistas"_ In: EIAnáUsh Insdtucional Madrid. um pouco à história desse movimento. pela Sociologia das Organizações ou Psicologia Social dos pequenos grupos. de "cunho reforntista". 1n.. o aluno se torna o centro de decisão. as que se ocupam daquilo que ( . 13. I Vamos. Era..conduz a autogestão restrita à autogestão generalizada. Trot. é claro.C. 114. lima vez sobre a escola enquanto d. que vai desde a culturalista. discursos de uma maneira original.5 "aberto". como () texto livre. 1977. os trabalhos realizados no Hospital Psiquiátrico de Saint-A1bain e na Clinica La Borde envolvendo as figuras de Tosquelles e Jean Oury. o problema do Poder . () diário. Aída Vasquez e o próprio G. Clastres.) junta-se a Michael Lobrot e anteriores que defendiam psicanalítica e. na realidade. passando pelas correntes da Psicossociologia noneamericana com marcada influência do marxismo (de Lênin. IU<rtória do Movimento 1986. contendo teses. I'reine. uma técnica de autogestao. Rene Lourau. São Paulo. Lapassacle . portanto. A Corrente de Lapassade. mesmo o ma. 1989.Unta de suas primeiras vertentes _ caracteriza-se.dentro da qual. dentre outros assunios.m a autogestâo pedagógica. R. estruturalista de L. ) chamamos de subjeHvidade"12.Estado que se segue à descolonização. R. ampliada a toda a classe de aula. A Psicoterapia Institucional . mesmo que suas portas permaneçam abertas. dentre outros enfoques. porqueo instituciorudismo MO d uma teoria. tem tido bastante influência em alguns pensadores institucionalistas. o grnpo caminha para a autogestào·'14. pp. do poder econômico.5positivo social. pelas tentativas de reorganização da vida intra-hospitalar numa direção liberalizante. Rio de Janeiro. r .l. respectivamente: revelam a dimensão inconsciente da instituiçào e a participação dos enfermos na autogestão do chamado processo de ··cura".p. 109-119.. em segundo lugar. anos depois. da comunkação) e. costumes. segundo que não se interrogavam saber marxista e as práticas daí decorrentes. Vai pinçar dos corpos teóricos de que se originam determinados recursos e (. Pouco a pouco torna-se V. surgido tu França desde 1924. Também a Antropologia. 324 32'. por sua vez. pp. Gramsci a A1thusserl.&Lde. semióticas (as disciplinas que se ocupam do signo. ndo vai tomá-los ao pé da letra." quais podemos acrescentar características já apontadas uma crítica do conceito de Verdade €. "O movimento procura difundir no interior das escolas (_. 11 Lourau. prepararJ. 13 Idem. leva para o âmbito pedagógico o procedimento aUlogestionário.sf!ja dos micro e macropoderes -. A Pedagogia Institucional. 15 O movimento pedagógico Freinet. por cllscord:u dos companheiros uma "pedagogia terapêutica" de orientação Lapassade. Nesta linha. nasceu da crise interna das diferentes instituições e dispositivos da sociedade capitalista pós-industrial. político.. mimeogr.5ível que é a sociedade que institui. Consistia tu invenção de novos meios e métodos educacionais. da guerra da Argélia e das mudanças que se seguem a esta guerra "11.ky. o movimento institucionalista é influenciado. .

a organização Neste sentido a ênfase está posta na. tanto na pedagogia quanto na psiquiatria. atua-se com grupos (. G. Lourau a isto se refere ao observar que este "salto" se deu quando Lapassade superou a sedução da psicologia dos pequenos grupos.. estas correntes trazem 17 Idem. a análíse institucional em curso sofre grande influência dos enfoques antÜilstitucionais surgidos no decorrer dos anos 60. R. As experiências autogestionárias argelina e iugoslava empolgam muitos estudantes e intelectuais franceses. ao destacar .. passam para a "autoregulação de grupo": um grupo capaz de tomar em suas mãos não somente sua análíse. dando início à "desestalinização". Francisco Alves. C-napos. em realidade.. Nós somos os filhos desse acróbata"18. "relações humanas" (. ). mommento. Os anos de 1962. cujo principal representante será Lapassade.6. 1983. interessase pelas experiências de autogestão pedagógica e pela crítica à burocracia. afIrma Lourau. ". e Barros. Org~ões H. Assim. Rio de Janeiro. propiciando o aparecimento de uma nova burocracia. Segundo Robert Lefort. descobre-se a importãncia da "instituição-colóquio" como possível lugar de análíse. A partir dai. Group. no XX Congresso do PCUS. In: Op.. 327 326 ... Ainda dentro desse primeiro momento de sua história .c. é a partir .. tem como base inicial a técnica da dinãmica de grupo aplicada à formação e o T. afuma Lapassade. Lembremo-nos de que as experiências de self-government. No entanto. toda a política reprimida pela ideologia das boas relações sociais. está marcado pela orientaçâo funcionalista da Sociólogia dtlS Organizações: a instituição fi concebida como "grupo lie grupos" e suas eventuais crises são vistas como "disfunções'· que demandam alguma espécie de terapia social (boas técnicas. na primeira metade da década de 60. em 19'. esclarecem-se as relaç6es internas ao grupo e entre os grupos num ·'grupo de grnpos". R. Foi nesses anos que cresceram nos meios estudantis e intelectuais franceses os efeitos do informe de Krushev. Op. de orientação autogestionária. 18 Lourau. A União Nacional dos Estudautes Franceses (UNEF). A Pedagogia Institucional de Lourau. 01. cie. p. p. Seriam os agentes da modernização. aqui. Lobrot e Lapassade. criticando a própria sociedade. Aos poucos.las próprias intervenções realizams nos diferentes movimentos sociais e do seu trabalho cotidiano que a Análise Institucional vai se construindo. no qual começam a se desénvolver algumas concepções institucionalistas.. incluindo uma série de experiências que questionam o problema da palavra e da loucura. percorrendo o mesmo rastro em seu Congresso de 1963.. A antipsiquiatria. Várias intervenções sociológicas influenciaram a Psicossociologia Institucional e permitiram a Lapassade dar o "salto" para a intervenção socioanalítica. vai sendo produzida.) aparece o nível chamado institucional peJos promotores do 16 Rodrigues. Realçam a inaportãncia do trabalho com grupos e a análise de uma dimensão oculta: a dimensão institucional. 13. A onda se expandiu e a UNEF.a Pedagogia Imtituc~na/ não indaga "a" Escola como tar as tratlf!ormações são introduzidas nas relações humanas à mesma"16. p. "Eu propus então (em 1963) chamar de "Análise Institucional" o método que visa a revelar nos grupos esse nít}e! oculto de sua vida e de seu funcionamento "1<'>.a fase da psicossociologia institucional -. bons métodOS)"17(grifo das autoras). constituíra-se em um "laboratório social". "lntrodución: Pequem Historia de Los lnstitucionalistas". "arranjam e tornam mais suportável o capitalismo".''Amm como a Psiquiatria Institucional não questiona o "solo" ou o "enquadre" de sua atuação ... ]\'uma intervenção com a presença de Lapassade. O sociograma substitui o organograma (e) quando os trabalhos grupais sdo realizados em organizaç6es (empresas. etc."a" Psiquiatria . e lnstltuJções. Estão assim lançadas as bases para a formação da corrente da Psicossociologia Institucional. ainda em 1%2. O mais importante dispositivo de intervenção é o grupo.D. 14. cit. pp... iniciase a separação com relação à dinãmica de grupo de inspíração norteamericana. Com isto. entre eles Lourau e Lapassade. estão na ordem do dia em muitos países europeus. foi um movimento de contestação à Psiquiatria tradicional. 19 Lapassade. ao mostrar a dimensão institucional. mas muitas outras atividades. assocmções. surgida no início da década de 60. os institucionalístas fral1ceses fazem criticas aos psicossociólogos de grupo que. 13 e 14. deve-se frisar que o sentido det1lsti:tucimuú. J.B. 63 e 64 na França fervilham com as propostas autogestionárias.

um enstnamento. renuncLa-se a esse propósito. Op. 204. "EI Encuentro Institucional" _In: Anállsis lnstltucional Y Socioanállsls. R. do Sí. .fossem de direita ou de esquerda. da tecnocracia. a fim de fazê-las terapêuti=. 0)-22. tendências e contestaçDes que circulavam no mundo durante aqueles anos.ooo". ou melhor. Recusa esta. citado por Lapassade. quiatrla não é uma análise institucional critica.. cit. A antipst-.saLa.do Estado à vida cotidiana . não ficam no interior do espaço institocional . Também os movimentos pós-68 tiveram uma profunda repercussão 22 Lapassade. a contestação foi o denominador comum na década de 60 e.çsou a "grande recusa". Laing. sua destruição. do TOTAlfTARISMO em toda.:. 21 Lapassade. ela minL. Assim como a antipsiquLatria. O sentido de irrecuperabilidacle das instituições transfere sua problematização para fora.l". embora sem estratégia global. Cooper e Basaglia apresentam formas maL. da centralização do poder. do '~merican Way ofLife" ao estalinismo.~ Análise Institucional ( .. não foranl pontuais. México. dt...como a Psicoterapia e a PeclagogLa InstitucionaL. está ligada ao mouimento e Ibe dá sentido. enfim.. O deslocamento que então é feito torna-se fundamental: em lugar de tentar transformar as instituições de seu interior.La NçuP'. ". Nueva lmagen. A crítica ao conservadorismo penetra em todas as esferas do cotidLano: nos costumes e comportamentos.•como os de Cooper. O maio de 68 é tomado pelo movimento instiluciona1ista francês como um analisador. R. como anttpsiquiatrla. Essas correntes antíinstilucionais são vistas por Lapassade. com trabalhos taí. Nos anos anteriores já havLasido produzida uma série de ações e experiêncLas antiinstitucionais e autogestionárias. e Bac"". p. ou educativas. Apesar de certa diversidade quanto às motivaçóes das lutas nos diferentes países. por sua vez ligada ã crise elas instituições da sociedade capitalistica.tórico-socLais. a prátiCa. -. Logo no início da década de 70. do "Stablisbment'. a politização do movimento psiquiátrico e psicanúlítico. a conceitos. ao mostrarem qUi? alnstitl4içào nilo é uma tultrweza... para quem o maio de 68 expre. radicais para o entendimento da "loucura" e de sua produção. ou seja. 21. 10."terapêuticas determinadas. 42. o que mostra que os acontecimentos de 68. "História dei Movimiento lnstitudonalista" In: ElAnállst ••Institucional."La Paro1e et la Mort . 02. op.. p. parece-nos signi~ ficativa a expressão de Marcuse. cit. G. a necessidade de se repensarem as relações entre política e subjetividade.· tal políJizaçào tem sentido na medida em que permite colocar as questDeS que a ideologia burguesa tem procurado ocuitar"li!. p. A antipedagogLa surgiu também da crise da escola.. "antipedagógico") um conteúdo novo. mesmo se pensarmos em escala mundial. ã época. Entretanto. G _~His(ória de] Movimiento Institucionallst.recusa do autoritarismo. simplesmente porque propóe o fechamento dos asilos. sua análise é política e seu apogeu encontra-se no maio de 68 francês. na medida em que. pois. In: Op.SUmismo. Circula e cresce. de en. Como já apontado. global.G. do "oftcialí.frentamento do mesmo "23. visto atacarem seus próprios princípios. janlmal 1971. porque ele funewna como condensador de uma sérte de movimentos. Desta forma.1 Rodrigue" H. elas drogas à pop-arte. certa concepçdo dos "transtornos mentais" que dá nascimento a estabelecimentos de cuidados. 2.DB. Estas correntes ligam-se ao movimento contracultuf'<ll já em franco desenvolvimento na Europa. personagens nas lutas que se travam em 1968. totaUzante.. pois revelam " a precariedade institucional. ligado à mudança socia/"u.. a práticas sociais "21 (grifos meus). Ivan lllich prega a "desescolarização".. Basaglia. Lourau e seu grupo como institucionalistas. interroga a hipótese de hase da Psiquiatria.. l//ich e com as novas formas de luta ("esquerdismo pedagógico ". na França. porque ninguém pode reivindicar para si este acontecimento. que traz em si a sua decadência. nº especial de La AntlpsiquJatrla. ) tem hoje. para o qoestionanlento de suas gêneses hL. da pilula. do C011. 197-241. da burocracia. Observa Lapassade que: 2IJ Lefort. os estudantes foram os principaL. uma organização. considerando a escola como um agente reprodutor da sociedade de consumo.C. 1977. as suas manifestaç6es . ~totalizante.rtema.. Portanto. do cientiftcismo. p. 2 . 328 329 .O PERíODO DAS INTERVENÇÕES SOCIOANALínCAS Este segundo momento da histórLa do movimento institucionalista francês tem seu marco imcial no maio de 68.

ador D. suas ferramentas de trabalho. análise das implicações e transversalidade.o período da psicossociologia institucional. figuram nos programas das ErocolasNormais e dos Deparlamentos de Ciência ••da Educaçào das Universidades. alcançando uma grande difusão. AutogcsdónPedagógica. dos trabalhadores sociais. Esta intervenção.ões. Por conseguinte. a partir desta segunda fase. paulatinamente.a. que funcione como um dispositivo analisador. dentre outros. a luta e o conflito dentro dos grupos e organiza. anterior a 1%8 ~ os institucionalistas franceses utilizam nas intervenções socioanaliticas ainda uma visão positivista/tecnicista. Sobre esta.. Assim.sobre o movimento institucionaJista francês: os movimentos de liberação da mulher. (T. Encuentro Institucional". das resi. adotando o modelo da Psicoterapia e da Pedagogia Institucionais. aç primeiras e. Esta era simplesmente mais uma técnica e não um dispositivo analisador e uma "contra-instituição" que incessantemente permitL"e o aparecimento dos obstáculos. em Marly-Le-Roy''' que a autogestão do pagamento dos anali.'il. tornou-se uma palavra de ordem revolucionária. 1\'05congressos internacionais recebem-se informes sobre autogestao. G. ciL. Bem diferente 24 Lapa-ssade. "EI 330 331 .tências. '~ corrente institucionalista. no maio de 68 francês.. Já na segunda fase de sua história . p. grupos de intervenção nos cárceres. O grupo de institucionalistas franceses demonstra em seus escritos e intervenções que a maioria das experiências autogestionárias pré68 difundem ainda uma concepção positivista de autogestão. não somente na França. Lapassade mostra que a autogestão é impossivel de se realizar em um contexto social de dominação. produz. importância do analisador D estão descritos in Lapassade. In: Op.ções anteriores. dos homossexuais.as intervenções vão sendo realizadas com o apoio de uma série de dispositivos. A análise institucional. durante as ocupações das universidades e fábricas.24. objetivando atualizar. agora. Tanto que a maioria eram experiências de autogestão. flZeram com que o número de intervenções socioanalíticas se tornasse cada vez mais freqüente. 1977. Mas conseguiu se impor C. mas além de suas fronteiras. revelando os elementos ocultos do sistema. em interveq. Os institucionalistas franceses. por meio de situações de intervenção e de suas estreita. asseguram os in. empregam a autogeslão como um questionamento ao sistema atual das instituições e dispositivos sociais c. fundamentalmente. espontáneos e construídos).. É no transcurso de uma de suas intervenções. em seus múltiplos aspectos. aparecem algumas noções chave do pensamento institucionalista. assim como:J. como analisadores (históricos. A auto gestão sai dos circulos restritos daqueles que a praticam. dizem adotar a autogestão que. Alguns institutos universitários franceses. É deste segundo momento ~ por força das freqüentes intervenções socioanalíticas realizadas . lO. nesta fase.que o grupo de Lourau e Lapassade enfatiza a importância do analL. dentre outros. Servem. pp_ 221 a 241.')' Até 1963-64. Na primeira fase de sua história . em realídade. provocando a análLge. já que tende a psicologizar a questão institucional das relações que. estão fundadas no modo de produção capitaJistico e nos processos de subjetivação dominantes. Assim é que. na década de 70.tas emerge como analL.diferentemente do que pensavam .ador D (dinheiro). Estas críticas referem-se à naturalização do dinheiro no enquadre freudolacaniano. em últIma instáncia. grupos maoístas.''r:periências de autogestão haviam sido recebida ••corno provocações.ta e não elaborado do analL. Lapassade e outros institucionalistas declaram terem sofrido. de suporte para a superação dos métodos grupalistas.no pós-68 . a autogestão passa a ser utilizada nas intervenções socioanalíticas como um dispositivo analisador. Gedisa. a proposta da análise institucional passa a ser a de que a autogestão se torne uma "contrainstituição".que não modifica as relações instituidas. Supera-se a visão tecnicista da auto gestão e a visão idealista da não-diretividade. então utilizados em direção à análise institucional. como um "contraprojeto" organizacional e pedagógico. neste segundo momento. as conseqüências do uso espontanei. naturalização não observada pelos institucionali.ador D. segue sendo atacada e combatida. Diferentes experiências autogestionárias ocorrem e se multiplicam. ligações com os mais diferentes movimentos sociais. da técnica autogestionária que visa atuar somente sobre a organização ou estabelecimento e não sobre as instituições que a atravessam e nela se atualizam. em seu trabalho Autogestión Pedagogica.titucionalistas franceses . Barcelona.'i franceses 2'.

deparamo-nos com a ferramenta instituição. Segundo Lapassade a fase vivida é a da institucionalização.An:álise Instltucional: Uma Empresa Possivel? Op. dentro da primeira fase da história dos institucionalistas franceses e. 3 . desnaturalizando a relação de troca capitalística e seus lugares fixos: "eu cobro".em suas intervenções precedentes. a análise institucional não poderá deixar de se institucionalizar.. tão presentes na primeira fase (de 1963 a 1968).. Sobre o assunto consultar. Não é por acaso que datam desta terceira fase os escritos que investigam a história do movimento institucionalista francês. quando o Estado aprende a se fortalecer graças às debilidades das lutas antiinstitucionais. posteriormente. G. Lapassade justifica esta proposta.). Tais revisões trazem importantes efeitos e os in. CM. então. Op. Como ponto nevrálgico. é a utilização das técnicas ligadas ao Movimento do Potencial Humano nas intervenções socioanaliticas. Concomitantemente. ao contrário. Os psicossociólogos. Lapassade. alirmando que: (. emergem e se consolidam.B. históricas e teóricas da análise institucional. cit.titucionalistas franceses advertem para o termo "crisanálise". constatar-se-á uma regressão nos espaços que. ~El Encuentro Institucional". 205 e 206. a "crisanálise" ou o "encontro institucional" favoreceria a manifestação ou o aparecimento da dimensão institucional oculta ou mesmo obscurecida pelos procedimentos prévios. solicitavam intervenções: escolas. . Socioanálisls Y Potencial Humano. este terceiro momento na história do movimento institucionali~ta francês associa-se ao 'que a década de 70 apresenta na França e em todo o mundo: o desinteresse generalizado peJas diferentes formas de partidpação e questionamento sociais. Lapassade. La Bio--eoergla.nào obstante as interpelações que fazem posteriormente28• A partir da intervenção em Mar1y-Le-Roy(973). "você paga". chegando-se a uma nova ferramenta de instituiçào. até então. isto implica a análise no grupo-cliente e no staff analitico. no período anterior. e Lapassade. G. pp. cito positivistas. gradativamente.. Definem esta intervenção como sendo de curta duração. Lapassade questiona a possibilidade de que. cito 332 333 . Sobre este perigo.. para que alguns de seus setores possam apropriar-se da análise e começar a praticá-la. G. setores da Igreja e de trabalhadores socíais. Os Canúnhos de Lapassade e da. Organizações e instituições.. a revisão desses três níveis só será explicitada teoricamente a partir de 1972. ao contrário da dos psicossociólogos institucionais. um tipo de intervenção que geraria a possibilidade de se instituirem crises na organização-cliente. ao contrário. pelo encontro. seu objeto não é uma terapia social. tal fenômeno efetivamente começa a ocorrer na segunda metade dos anos 70. Mostra-se necessárío buscar as gêneses sociais. a partir de 1973. Lapassade e seu grupo fazem a revisão dos três níveis: grupo. a intervenção institucionalista e uma contrariamente aos trabalhos dos psicossociólogos intervencionistas e conselheiros em organização. também Lourau tece alguns comentários ao asseverar que.A ANÁliSE INSTITIJCIONAL SE INSTITIJCIONAUZA Diferentemente da fase anterior.oimbra. um melhoramento. vai sendo depurada das influências funcíonalistas e 2h Sobre a análise feita por lapassade em sua obra Gropos. nos níveis do grupo e da organização. Neste período. tinha esquecido uma instituição sempre 27 28 Idem. possam efetivamente ocorrer as transformações tão almejadas. a análise institucional mostra que. Quem pode pedi-la? ( . em um ponto-limite. consultar C. cit. o pagamento e sua gestão passam a ser discutidos no interior de cada intervenção. In: Op. Pautado neste novo instrumento. Esta proposta de um outro tipo de intervenção prende-se à critica das supostas mudanças progressivas e de larga duração que ocorreriam nos grupos e nas organizações segundo suas propostas anteriores. O "encontro institucional" se proporia a instalar tal situação de crise.<. Por sua vez. têm a ideologia da ajuda. com maior ou menor rapidez. Colocada em prática nas intervenções do período anterior. que. organização e instituiçã026 Isto acarretará efeitos importantes em suas intervenções. encerrada a etapa sob o signo do pós-68. da 1acüi/açào da mudança ':'o que a meu ver impede de se ir à raiz institucional do jato organizativo e relaciona/"l"i (grifo do autor). uma subversao do instituído.). Op. Esta dimensão pode agora ser trazida à luz justamente através dos instituintes que. mas. Coerentemente. empresa imposslvel: Uma outra proposta de Lapassade e alguns outros institucionalistas franceses. a revisão feita nesses três níveis.

Dois anos depois. etc. com posições maL~ intervencionistas e socioanaliticas. Dentre as principais estão: o CERFI. diriamos que os "conceitos" da Análise Institucional são 'ferramentas" de desarlicuJação das práticas e discursos instituídos como científicos. cit.. não poderia deixar de assinalar algumas das principaL~ tendências da análL~cinstitucional francesa que desde 1972 começam a se esboçar. Muitas dessas críticas relacionam-se às feilas por M.. pois começam a se interessar ". de influência mais psicanalítica. p. "lf! anos atrás.alguns eamínhos percorridos pelo movimento institucjonalL~ta francês.políticos. os maL~recentes datam de 1978. ou seja. Spinoza. com tendência mais militante e anti-socioanalítica. 1966. este movimento institucional valoriza sobremaneira o papel do 30 31 Rodrigues. ou seja. 1. Caplan3'. Op. conforme já foi salientado. a anállie institucional tem tido como referêncLa os movimentos socLais. E. sociaL~.e institucional.J. Paidós.e este é um dos principias em que se baseLa a análise institucional. Acredito ser importante uma rápida e sucinta distinção entre psicologia institucional e análise institucional. Lapassade propõe que se faça a análise institucional da instituição "potencialista" e a utilização de sua" témicas numa perspectiva institucionallita. detentor da verdade e habituado ao expurgo daqueles que não "rezam pela mesma cartilha". 334 335 . Embora ainda defenda a utilização dessas técnicas nas intervenções socioanalíticas. [o: ()P.. Reconheça-se . Caplao. o GAI (Grupo de Anállie Institucional) de Paris. a instituição sexualidade. conforme já se enunciou no Capítulo anterior Ao concluir estc último momcnto. _.. dentre outros. e Barros. Há. não se constitui num bloco monolítico. pela questào do Desfjo. o GAI de Reims.. "Neste sentido. principalmente em solo carioca. (. pois ainda hoje no meio "psi" há quem faça confusão. tomadas de empréstimo daqui e dali . de mais de I'. daí a célebre expressão "transformar para conhecer" ao invés de conhecer para transfonnar.C. Ferramentas prlncipairi desta desarliculação. H. prática e intervenções concretas.presente no cotidiano de todos: o corpo. Bleger e os grupos operativos de Piehon-Riviere que não podem ser confundidos com a análise institucional francesa. acreditando tratar-se do mesmo movimento. dt. TaL~diferenciações alertam para o fato de que a análL. . p.. hoje em dia..no.OZ. Pages ao movimento califomiano de grupos. Lapassade realiza esta anállie institucional do Movimento do Potencial Humano. dos próprios caminhos por ele percorridos... Onde quer que a subjetividade tenha partidpação.que há uma constante articulação entre pensamento.O MOVIMENTO INsrrruaONAIJSTA EIXO RIo-SAo PAULO NO Saliento que me foi e'X1.?f) EvidencLa-se a própria descontinuidade e complexidade de algumas ferramentas utilizadas por esse movimento e. É somente na década seguinte que esta "eaixa de ferramentas" começa a ser utilizada pelos "psi" paulistas e cariocas. por extensão. da intervenção deforças inconscientes em todas as atividades humanas. G. ao escrever Socioanálisis y Potencial Hwna. Ou seja. Eleger tem como um dos seus alicerces os níveis de prevenção formulados por G. Além de tcr dados dispersos. surgida de diferentes movimentos . o que me permite aventar a hipótese de que muitos aspectos aqui presentes podem ter mudado e/ou algumas ferramentas terem sido transformadas pela realidade. alguns setores do movimento institucionalista que sofrem grande influência de I':ietzsche.B.remamente dilicil tentar sistematizar . A psicologLa institucional "organizada" pelo argentino J. Deleuze e Guattari. Baremblit.. Isso devido à escassez de material que nos tem chegado ao Brasil sobre a análise institucional e também às informações descontínuas c incolnpletas sobre o referido movin1ento.mesmo que precariamente . R."Apresentação do Movimento lnstlweionalista". além de uma atuação emínentemente grupal. m . o institucionalismo esta preocupado em deSlJe11dá~la. mas a uma série de "entraves" técnicos. 114. pós-73. ]f) A partir da segunda metade dos anos 70.D. baseada nos "grupos operativos" de PichonRiviere. Princípios de Psiquiatria Preventiva. apresenta algumas críticas não somente à pseudodespolitização do movimento. -. Buenos Aires. expandem-se os principais conceitos da psicologia institucional de J.

Rodrigues assinala que. 16-22. no mesmo ano. de uma publícação original de 1(66). Ainda nos anos 70. e por uma série de aspeetosligados a estes rituais e. podem ser destacadas as seguintes publica. p. há algumas intervt:'nçàes realizadas por Lapassade junto com Chaim S. ainda na apresentação.prendem-se à mistura que é feita dos diferentes momentos da análise institucional. trazida pela primeira geração de argentinos vinculados à APA.D. H.lI!.P.Lourau e (J Lapassade. In: Revista de Cultura Vozes.iunto com Lapassade.I "Análise Institucional: teoria e prática""..al. de R. além de uma série de artigos sobre o tema.. "Sobre Análisis Institucional o Desde que Lugar Hablamos Cuando se Interviene en lnstituciones". etc. Paz e Terra.I i psicólogo. op. o profL'Sional "psi" é um "técnico das relações interpessoais". R. Alguns trecbos revestem-se ele noções tipicas da primeira fase da história do movimento institucionalista francês. Paris. Lourau. além da mencionada Revista de Cultura Vozes. deveriam se transformar em agentes de mudança social".Bleger. este corpo teórico pode ser caracterizado como uma psicossociologia institucional. [o: Boletin dei Centro Internacional de Investigaciones eu Psicologia Social Y GnIpal. • . pela Vozes. Rio de Jandro.edição francesa. Desde 1971. e Célio Garcia. de G. Entretanto. Ainda sobre 33 Nesta Revista. volume LXVIl.. M "Novas Análhes". enlbora de forma ba.. marcada ainda pela orientação funcionalista da Psicologia das Organizações. Kat7. O resultado dessa visita encontra-se em um número especial da Revista de Cultura Vozes.vtittlCÜ'm. M. lApassade e Marco Aurelio luz.Lapassade vem ao Brasil.'5versalidade. 4S. Rio de Janeiro. • . no eixo Rio-São Paulo.'itante confusa. escreve na época o livro O Segredo da Macumba. a ela psicossociologia institucional e suas vertentes advindas da Psicoterapi:l e Pedagogia Institucionais. dt. puhlicará. 1973.C. quando estes dois "psi". '7'anto (a) apresentação. O . p.. acolhendo as influências de Bleger e de Pichon e urna série de implicações politicas. 34 336 337 . ver nota rf' 174 no capítulo o assunto. publicada em 1973.ç de ambigüidade" 3'>. 47. ainda em /972. ver traballio de Barros. será a responsável pela difusão dos principias da análise institucional francesa nesses dois espaços geográficos. Reimer e. As ambigüidades c confusões presentes nos artigos que compõem esse número da Revista de Cultura Vozes . pela Civ'. acompanham alguns de seus escritos e intervenções. após 1976. Em 1972 . são instigantes.' Grupos. pela F Alves. vot. 1974. 10.ôes: "Chaves da Sociologia. Hcliana C. em 1972 (on"Rinal de 197]).S. Lohrot) Referênciaç à produçãO dos socioanalistas serão tambetn encontradaç nos artigos que compõem a coletânea Metdforas da Desordem. Delarge. Em outros. há a utilizaç'ão de algU111aS ferramentas-chave da análise institucional. com relação ao movimento editorial brasileiro que versa sobre temas institucionalLstas. !nurau. 3S Roddgu". versando exclusivamente sobre 32 Sobre esses aspectos da Psicologia Institucional e as críticas a eles feitas. interessados pelos trabalhos de G. 36 Idem. de I A. Em realidade. como os demai~ tex1o. de /974. em 1975 (tradução de trabalho originalmente publicado em 1970). posteriormente. publica sobre o assunto o livro LesChevauxdu Diable.lização Brasileira.de julho a dezembro . dentro da série "Educação em Questão" (quejá publicara Bourdieu e E. A segunda geração de argentinos que desembarca exilada. de R.\ Ano 67. as orgartizações ou estabelecimentos são percebidos como "coisas em sr'. IJUhlicada pela Paz e Terra em 1978"'6 (grifos da autora). julho/1987. cuja implantação competitia aos psicólogos que "saindo de seus consultórios. Organizações e Instituições.j. maio/]973. Voze. Lapassade e R.Segredo da Macumba. como a realizada em agosto de ]972 na Escola de Comunicação da UFMG. na qual se sobressaem relevantes aspectos: está presente um profundo "reformismo institucional". em /977 (traduçào da . A psicologia institucional de ). embora cheia.bastante compreensíveis por estarmos no início dos anos 70 no Brasil . n. desde o inicio dos anos 70 há alguns trabalhos e intervenções isolados e pontuais feitos por dois psicanalistas: o carioca Chaim Samuel Katz e o mineiro Célio Garcia. abstratos e a-históricos e a instituição é concebida como "grupo de grupOS"32. o professor de Comunicação Marco Aurélio Luz'" e uma "pequena parcela da juventude universitária ligada às áreas humanas e sociais" interessam-se pelas palestras e participam de algumas intervenções feitas por csse institucionalista francês. A Andlise ln.\" ue comp6em o q número sdo assinados coletilJamente As rejlexoes relatiVas a esta estratégia. Este institucionaUsta francês se interessa pelo candomblé. pela Paz e Terra. n" 4. como anali'5ac!of. Guilhon de Albuqt«'Tque. tran. Vai postular que a atuação mais "nobre" e reahnente "progressista" é a institucional-comunitária. Marco Aurélio Luz. Rio de Janeiro. umbanda. passa a ser muito utili2ada por uma parcela dos psicólogos cariocas nos anos 70.

Em realidade. Ao lado deles há outros "psi" que. etc. Efetivamente. Portanto. etc.. publicado pela Eldorado. "As Instituições e o Poder") e o livro PslcanáJjse e Ciência da História. as ferramentas do movimento instirucionaii'ta francês agregadas. B:ra<>D. Entretanto. como suas práticas produzem e fortalecem demandas e subjetividades. tanto no Rio de janeiro quanto em São Paulo.que.rupos. In: Saidón. enfim. -'3-~. O. individualmente ou em pequenos l. é a segunda geração de argentinos que .. é sobretudo na categoria "psi" que tal prática vai se consubstanciando.Há também algumas coletineas organizadas por C. e que buscam produzir.e institucional liga-se quase que exclusivamente ao territõrio "psi".onde os institucionalistas em sua maioria não são profIssionais 'psi". Esta geração de argentinos aliada a grupos "psi" brasileiros .'"tacomo lima "Escola" ou como um grupo monolítico . todas essas publicações e algumas intervenções ponruais realizadas por C.sionaL. '·psi". pessoas ligadas ao Núcleo e ao Centro de Investigação em Psicologia Social e Grupal (CIR). Os "rachas" ocorridos em 1983 naquele estabelecimento propiciam a formação de dois outros que. -. p. realizam também grupos de esrudo e intervenções socioanalíticas diversas. representantada esta última principalmente por Deleuze e Guattari. io deJaneiro. diferentemente da França e da Europa em geral .cursos". "A IlL'tória e os Di. 1. a partir de 1984. mas pedagogos. Em 1987. e. São. Embora este Departamento do lBRAPSI. etc.começa a divulgar com mais intensidade as idéias e ferramentas instirucionalistas aliadas a outras vertentes como a foucauldiana e a nietzschiana. até a primeira metade dos anos 90.ainda que tirrúdamente . E. em especial. que. "p/u. tentativa de contribuir para a constituição de uma corrente brasileira de análise institucional"''. tenha aberto formação de socioanalistas a quaisquer profissionais. psicõlogos e psicanalistas que aderem a esta 'nova" forma de se pensar as práticas sociais. quem sabe. dentre outras. conceüos que abrangem desde uma análise marxisla das relaçÕes de poder â análise foucauldiana dos mfcropoderes.pelo prõprio momento hL'tórico. uma proposta singular de trabalho em análise institucional. em 37 J8 Kamk1ugi. lançam uma colel:inea de artigos sobre diferentes intervenções em favela. começam a se expandir para uma pequena parcela de profL. uma ". como os dois números da Revista Tempo Brasileiro (nº 36/37 de janeiro-junho de 1974. S. deleuzianas e guattarianas. produção de subjetividade. Escobar que contêm artigos que se referem de alguma forma ã produção institucionalista. principalmente. 09.). principalmente. organizam-se autogestionariamente para pensar uma formação não tão instituída: o Núc1eo-psicanálise e Análise Institucional e o Centro de Estudos SocioPsicana1íticos (CESOP) que. Idem. ~Pref:ício". Sobre esses diferentes trabalhos. de Temas que vão sendo cotidianamente revisados e ampliados no transcurso de diferentes cursos. e o nº 35 de outubro-dezembro de 1973. funcionam agregando. intervenções. principalmente. em 1978. a partir dos anos 80 .no Rio de janeiro as principais ferramentas do movimento institucionalista francês. hospício.. representado no Rio de janeiro. espalham .sob o título "Análise Institucional no Brasil".NO RIO DEJANElRO É com a fundação do mRAPSI. do inconsciente restritivo freudiano psi<:analítico a uma teoria do inconsciente produti1XJde Deleuze e Guattari. desde seu inicio. e mais notadamente do seu Departamento de Análise Institucional criado em 1982. 07-{f). a leituras foucauldianas. as implicações de cada um investido' do papel de especialista. é do lBRAPSI que saem muitos profissionais "psi" que. COIno já assinalei. na segunda metade dos anos 80. AnáHse lnstltucionalno Espaço e Tempo. V. Garcia não intluenciam o movimento "psi" carioca e paulista. escola e FUNABEM. formação. H. R solo carioca. 1987. grupos de estudo e intervenções as mais variadas em estabelecimentos públicos e privados.R. não pode ser vi. tanto em solo carioca quanto paulista.traz . Saidõn assinala que há uma marca que 339 338 . assistentes sociais.'i" repressdo. no Brasil a análi. profissionais "psi" através de cursos. grupos de estudo. as instituições e os dispositivos que atravessam e se atualizam nos diferentes estabelecimentos e organizações. repressão.. Katz e C. castração. pelos argentinos Oswaldo Saidõn e Vida Kamkhagi (ex-IBRAPSI). Até mesmo algumas pessoas que diretamente não se vinculam ao lBRAPSI sofrem os efeitos desta abordagem. p_ 08. isoladamente ou em pequenos grupos. (Org. em 1974.

. lá não há um est:lbelecimento "forte" como o IBRAPSI a análise institucional também -." ao setor de saúde mental -. Op._ Sempre nos interessaram a Psicologia Social. l . dentro de uma visão esquizoanalitica. 12. cotno se dão as mistura. "investigar trabalhando ". empregada por ocasião de sua fundação um ano antes . Isabel Marazina. lIma grande figura que. são somente estrategias de pa.distingue esses textos: " .sdezenas de grupos de estudo ao longo <. epistemologia convergente são idéias que nos pn. transdisciplinaridademl(). Nelly Simmonelli e Sérgio Maída. que atinge t:lmbém a Paulicéia e Belo Horizonte. Em 1987. Interpretaçào.. seja de técniCOS em profetos y} 40 41 Saidón. que. ou melbor.so. cit. pragmdtica..1t'as mais imprecisa.-42 2 . algumas palaum. que vai se iniciando uma formação socioanalítica em São Paulo. Diferentemente de São Paulo . Afirma A.~ Como no Rio de Janeiro nos anos 80. pretendia-se humanizar alguns 42 Kamkhagi. criavam-se hospUai. O. e um início de leitura institucional. Com menos força que em solo carioca . a re:sísJênciade cenas agenciamentos no campo popular. p. 08. dentre outros.que começa a se fazer sentir a influência dos argentinos Gregório Baremblit. quando usadas. encontram um espaço mais frrtil e rico para ampliar seus conhecimentos. Foucault. ferramentas institucionalist:ls. Oswaldo Saidón.poL. a ponto de ser difícil reconhecê-las com as urgência. de perseverança popular em trabalhos de solidariedade.nos mOIJemos deliheradamente em direção a um território. Entret:lnto. clínica. transversalidade. Por is.s dos conceitos institucionalistas argentinos e franceses COU1 os foucauldianos. pp. onde as definições.. atrai alguns profIssionais "psi". politizar seus trabalhos.. processo. produzir novos acontecimentos. com a organização de dois estabelecimentos.-dia.. l'ontade grupal. em sua. em solo carioca ligam-se ã instituição pedagógica. dt. apesar da devastação causada na sodedade ciuil pelas diJaduras eseu modelo de capitalismo se1t)agem"39 ] \~ Aponta. substitui a expressão Núcleo de Estudos de Psicologia e Psiquiatria. por exemplo. p. Spinoza. deleuzianos e guattarianos ao mostrar que: as referências à escola de Análiçe lnstüucional e à orientação latino-arnericana degmpos e psicologia sacia/se mesclam. será nos anos 80. Est:ls formações para coordenadores d" grupo ligam-se desde logo a uma clientela mais volt:lda para a saúde mental. Antonio Lancetti. tem difundido as idéias de Nletzsche. seja a partir do papel de supervisores em uniwrsidades. ampliava-se a rede de ambulatórios de saúde mental. Sérgio Maida e alguns "psi" paulistas iniciam no Sedes Sapientiae um curso destinado a trabalhadores em saúde ment:ll dentro de um enfoque institucionalist:l. L2 e 13. É com o NEPP (Núcleo de Estudos de Psicologia e Psicanálise) designação que.onde os profissionais ligados ã análise institucional vinculan1-se lnai. signos que nos obrigam ã iml(?Stigaçao Aqui.NA PAULICÉIA l !I 'i t: Ij ~: . 340 341 . Aqui. Isabel Marazina. Deleuze e (~uattari. produção. 11-16. a partir de 1977. Idem.~~'intervenção. é a partir deste território que ". Tanto que as supervisões institucionais e as várias intervenções feitas por esses dois estabelecin1entos estão relacionadas com setores públicos estaduais e/ou municipaL. dentre outros. com seus grupos de estudo em filosofia.f educacionais. delJir.<. ainda.). V. "Introdução".>e as necessidades que coloca o campo polítu:o-social-culturaJ onde as práticasse realizam (. da área da saúde.ssagem de um sentído. a existência de uma 1JOntade de grupos. Lancetti que 'Wessa época vivíamos uma multiplicidade de experiências no campo da saúde pública: diversa<." e.tentatívas de modernizar os tratamentos. os psicólogos que trabalham na área. Antonio Lancetti.k~ quase duas décadas. por íçso mesmo. Filósofo. rnunic~pais ou comunitários. seus grupos e J instUuições como obra aberta. In: Op. muito tem ajudado todos esses profissionais "psi" a aprofundar seus conhecin1entos nesses diferentes enfoques é Cláudio Clpiano41.. (Org.pararam o terreno para outras palm. nos anos 80 e 90. t:lmbém em São Paulo são os argentinos da segunda geração aliados a alguns "psi" que espalham as principaL. A Casa e o CEPAI. professor na Lnivetsidade do Estado do Rio deJaneiro (uERj) e na LTniversichde Federal Fluminense (UFF).. esquizoanálise. horizontalídade.R. tarefa.

Nos anos de 1985 e 1986. autoritários. Até por estar fortemente implicada com as práticas institucionalistas de origem francesa (é esta uma das vertentes que este trabalho percorre) . contando com o trabalho de Lancetli e do psicodramatista Mascarenhas.e em meu cotidiano elas se constituírem em uma das "ferramentas" que utilizo -.43 práticas institucionalistas de origem francesa no eixo Rio-São Paulo . dentre outros.hospitais psiquiátricos.tomam-se extrematnente fechados. deve ser o estrangeiro nesta Colônia. Além da difusão das idéias de Deleuze e Guattari . naturalização e repressão. Sérgio Maída e eu.. algum pontos que nos perntitem pensar algumas pequenas transformações que vêm se produzindo ao longo da segunda metade da década de 80 nas práticas "psi" nesses dois espaços geográficos.. Op. várias formações privadas através das chamadas supervisões institucionais são realizadas em solo paulista. Secretário Municipal de Saúde de Santos.e iniciamos a viagem. hierirquicos. IV - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Além deste curso no Sedes. como qualquer outra instituição. ciL. quando se institucionalizatTI. sem golpes. 01-02. "Apresentação". M. 'i2-'. ')3.o que mostrei. são lançados Saúde e Loucura 1 (em 1989) e Saúde e Loucura 2 (em 1990).esta psicanalista tem realizado vários grupos de estudo sobre o assunto e difundido para muitos as principais ferramentas deleuzianas e guattarianas em seus cursos de pós-graduação na PUe. Ao afirmar que os sabere~ são produções de controle através do ··racional". entendo que Lapassade e o grupo institucionalista francês apontam para uma apreensão da análise institucional como instituição . A. integrar ações. Ali. e se situam à 44 Authier.. ci1. Institucional. p. "Criticas de la Teona lnstirucionalista" In: El Análisi<. Com base em todas as contribuições da análise institucional para o desocultarnento e a desnaturalização dos diferentes equipamentos e instituições sociais que nos atravessam e de todo o instrumental fornecido pelos dispositivos criados por essa análise das instituições. principalmente para "psi" ligados à área da saúde mental. fundada pelo sociólogo e psicanalista Manuel Berlinck. com suas "verdades". Nestes anos 80. aceitamos o convite de Mauro Hegenberg .através de suas traduções e/ou coordenações . sem fracassos r. Eu e outros quatro companheiros abandonamos outras expen·ências formativas. anteriormente. p. também. se ndo quiser cair sob sua própria mâquina "44 {grifos meus). Desta forma.. sem pretender um maior aprofundamento na história das 43 Lancetti. gostaria de tecer alguns breves comentários sobre tais práticas. para " a Colônia Penitenciária de Kajka.o que fugiria ao tema deste trabalho .. uma belíssima cxperiência dentro do enfoque institucionalista e antimanicomial na Casa de Saúde Anchieta. Além da figura de Cláudio Ulpiano . os institucionalistas apontam. de forma panorâmica. investia-se para transformar a linha dominantemente hospitalocêntrica. . como também para debates e palestras também relativos à linha institucionalista é a Livraria Pulsional. desde 1989. 342 343 . (onde) nenhuma teoria pode funcionar sem ruído.). vontade de transmitir e disposiçâo para aprender. Guattari no Brasil.apontei simplesmente. e que todo saber é uma instituição. A Andlise Institucional. um espaço que se torna conhecido. Três analistas institucionais: Isabel Marazina. compusemos a equipe que durante dois anos coordenou a experiência com muito afinco. In. descronificar pacientes e funcionários (. 01. (portanto). não somente para lançamentos de livros.que com seus grupos de estudo de filosofIa tem também ajudado estes profIssionais "psi" a aprofundar seus conhecimentos institucionalistas . Op. dois psicodrarnatistas: Antonio Carlos Cesarino e Pedro Mascarenhas. vem se realizando. Naquela cidade.. através da Prefeitura Municipal. o movimento de trabalhadores em saúde mental man~festou imporlante crescimento e singular intensidade. no terceiro momento da história do movimento na França Explicitando melhor: a análise institucional pode também se constituir em ocultamento.na época diretor do Sedes Sapientiae e membro do Plenário de Trabalhadores em Saúde Mental . Saúde e Loucura 1. à medida em que ela nisso se transforme. . dentre outros. Assim.6. ambos sob a coordenação de Antonio Lancetti e com o apoio de David Capistrano Filho. a tradutora dos trabalhos de F.há Sueli Rolnik.) enfim.

o intelectual tctn uma tripla especificidade: a espec~fictdade de sua posição de classe (pequeno burguês a serviço do capitalismo ou inte!ectual"orgânico" do proletariado).tas em nossa sociedade. Daí a eficácia e o poder da prática dos especiali. psiquiatras e psicossociólogos Eles recuperaram tudo isso rapidamente. em realidade. que .. Este tem sido o grande desaflo que se coloca para todos nós envolvidos com o movimento institucíonalista: não utilizar a análL~e institucional como uma instituição. mas em termos de "verdade! poder". Acredito que estes são pontos que merecem ser discutidos por todos nós. que nos percebem e esperam de nós a postura. rompemos com estes lugares sagrados? É como afirma Guattari: 344 " essaspalavras foram tão gastas. lançou o termo "análise ínstitucionai". é uma intervenção concreta -. no bospüal. se alojam -fi Guanari. a especijicilÚlde de verdade nas sociedades contemporâneas. que tanto se critica nos discursos. assim como "analisador': "transversalidade': etc.). p'ortador de verdades dogmáticas e universais. instituem outros especíalismos.finalmente. pesquisadores ou qualquer outro "perito". São rótulos especializados que. outras inclusões/exclusões.. subterraneamente. É então que a questão da profi-'\Sionalizaçâo do intelectual.. "em torno da ver· dade" ( . entre movimentos sociais. Micropolitica: Cartografia'i do Desejo. Perdese o potencial subversivo do movimento institucionalista. implicados com a desnaturalização das diferentes instituições que nos alravessatn cotidianamente e que.J. ou contra as quais se revolta.eudomínio de pesquisa.çeu combate local ou especifico acarreta efeitos. cit. traduzindo-o em termos de interoençao psicossocio/ógica: hd grupos de AndIise Institucional que se fazem contratar pelns grandes empresas para realizar algo equivalente a ItnUl japoneização da classe operdrla AJ:5im. Em realidade. 11preciso pensar os problemas politicos dos intelectuais não em termos de "ciência/ideologia ". como umsaber fechado.tas" ou mesmo "esquizoanalistas" ou "cartógrafos". da düJisào entre trabalho manual e intekctw:tl. estamos trabalhando sistematicamente na consolidação e na produção de subjetividades capitalisticas.).. que ri tão essencial para as estruturas e para o funcionamento de nossa sociedade. Sabe-se. a corpos instituciotUlis especializados . tem implicações que não são ft'nciOlUl ou luta ao nivel somente profis. isso acabou remetendo a doutrinas de intervenção. ao menos. a nos autonomearrnos e pennitir que nos nomeiem de especialista em alguma coisa? Por que não quebramos. 46 f<)ucault. Microfisica do Poder. portanto. as exigências políticas a que se submete. a especialistas. ao se implicar com os movimentos sociais concretos. A articulação que os analistas institucionais buscam fazer. . seu lugar no laboratório. E por que continuamos a fortalecê-Ia em nossas intervenções . psicanalistas. Um outro aspecto a levantar é a questão do especiali~mo. que dentro do enfoque institucionalista é constante e cotidianamente apontado. portanto.lld um combate "pela verdade" 011. estão decididamente mortos. . tão desperdiçadas (. Ê então que sua posição pode adquirir uma significação geral. que .45 (grifos meus). então. em muitos momentos. acabado e. pode ser novamente colocada"40 (grifas meus)..e a "simples" apresentação de um profi~sional não é tão simples assim. 13. outras onipotências e. Ao ignoraI a transversalidade. estáticos. em suma. Op.. a especiflôdade de suas condições de vida e de trabalho. apesar de nossos discursos contrários. nas tentações dos micropoderes e das subjetividades dominantes. S. usualmente. cit. sabemos que esta marca está impressa em nossa formação social e acadêmica e em nossas práticas. Fui eu mesmo quem. Entretanto. surpreende-nos que muitos profissionais. r.04'. e Rolnik. se autodenominem "socioanalistas". saberes/práticas e intervenções concretas advém da necessidade de se criarem incessantemente novas formas para não se cair nas malhas do instituido. outros lugares de saber. ligadas a sua condição de intelectual (1. portanto. Sabemos.. a fala e a prática. p. "institucionali. p. reproduz-se e reforça-se a divisão social do trabalho no mundo capitalistico. que tornaramse o filé mignon de muílos professores universitários. Op. questionado e desnaturalizado.. etc. portanto. por descuido. institucionalizados. de um especialista. Este tem sido o grande desafio enfrentado pela análise institucional. ao tentar negar os modelos de atuação definidos e. na universidade. com suas práticas.. Sabemos que somos psicólogos. FJe geral deste regime de verdade. M. ao utilizarem estas ferramentas de trabalho. 'iionais ou setoriais. que postula a desnaturalização cotidiana da instituição especialismo.. ao aprender com eles. 228.margem do que a realidade social lhes está dizendo.

1 2 Celiberti. "socioanalistas" ou "esquizoanalistas". In:JB. Acentua-se uma tendência cada vez maior entre alguns "psi" . somente decodificáveis pelos "iuiciados". Não proponho. muitas coisas me passam pela cabeça. . dessacralizando-o cotidianamente. só entendido por seus pares. Falo para reunir milhares de vozes que impeçam a fraude. Um último aspecto a ser levantado prende-se ã questão de uma produção mais recente: a de um discurso prolixo. incompreensível para muítos "mortais" que não são "institucionalistas". como iustrumento de denúncia e questionamento do que ali "normalmente" e "naturalmente" é produzido. da mesma forma que alguns lacanianos "macaqueiam" Lacan? O próprio M. de resolver a questão? Neste "fmal". Idem. p. a mistificação e a mentira sobre aquilo que foi a matéria de nossos dias e noites". 1973. ao contrário. 06.para se iustituir um discurso e um vocabulário extremamente herméticos. Foucault Condena o Hermetisrno do Intelectual e Faz Questão de Ser Claro~. e Garrido. que saiamos do lugar de especialL'ta ou que iuventemos um outro. 346 347 . como todas as demais. e que possamos forjar outras formas de ocupar este espaço. portanto. a solidão tão presente no último ano de redação destes Capítulos. no lJ11CIO dos anos 70. transformá -los. utilizar nossas práticas. Não estaremos fortalecendo a vL. pois se pretendemos desnaturalizar as diferentes instituições sociaL" as primeiras que devemos denunciar são aquelas iustituídas por nós próprios.tentar ser iuteligível . por nossas práticas. Guattari. p. mas. .que se utilizam do referencial institucionalista. que ao habitar este território. Meu Quarto. reprime. por aqueles que lhe são próximos e idênticos? Será que o oposto . de algumas ferramentas de Deleuze. ao desnaturalizá-los. Porto Alegre. Foucault.tas" para colocá-los em análise a fim de.é banalizar. 47 Consultar a entrevista: "M. Desafios terríveis que se nos colocam. Isto é. 1989. pelos lugares ocupados por nós. o roubo. naturaliza. Guattari e mesmo de Foucault .). quem sabe. MinhaCela. É apenas parte da história de uma dessas mulheres e sua visão pessoal de uma vida coletiva (. consigamos utilizá-lo como máquiua de guerra. 'Mas é.e institucional não se tome uma iustituição que.mesmo que provisórias . 07. L. oculta. Fragmentos de iuúmeras entrevistas.dentro de nós. Foucault. fechado. a paixão que senti ao escrever muitas de suas passagens. Tomara que seja suficientemente controvertida para que outras 1JOzes acrescentem outros fragmentos" Lucy Garrldo2 É necessário concluir algo? Seriam algumas conclusões . mas fundamentais para que a análL. nossos saberes e os lugares que temos socialmente enquanto "especiali. CAPíTULO VI ALGUMAS CONCLUSÕES? É NECESSÁRIO? "Esta é uma ttisão pessoal de uma grande dor coletiva. conversas que tive sobre este trabalho. vulgarizar nossas ferramentas de trabalho? Penso que não. por nossos saberes. Estaremos "macaqueando" Deleuze. L. não produzirmos outros instituídos. L & PM.como aquele que tem seu próprio vocabulário. sobretudo) um pequeno fragmento da história que deve ser contada.uma forma de encerrar o assunto. preocupava-se com este tema ao afrrmar que estava cansado de falar para meia dúzia de "entendidos"''.ão do especialista apontada acima . mas historicizá-Ios e.

Ao tentar agora uma conclusão. estes nlCS1110S anos foram a década da euforia. e documentá-Ia de tal forma a trazer as vozes de seus protagonL..estiveram nisto implicados' O que se encontrava em questão? ferramentas de luta contra as mais diversas formas de exploração.no caso aqui em questão. certos dogmas. de suas mortes .tas. principalmente os cariocas. de algumas décadas. era necessário documentar uma época. mas nem por' isto histórias mais ou menos rigorosas do que tantas outras leituras. certos sacerdócios. Já as práticas psicodramáticas e as lira das ao Movimento do Potencial Humano (rogerianas. instituições modelares e di~ciplinadoras c(. alegre. Também não pretendi cair num relativisnlO em que tudo se equivale. produtoras e reprodutoras do que é hegemônico. para outros. Era necessário que se pudesse falar desta dor. da cumplicidade e da apatia. continuou pelos dolorosos. de que é possível no trabaUlo "psi" uma unplicaçào com os movimentos sociais 349 . vinculada. talvez. embora isto também tenha acontecido. a história que busquei foi a história do presente: quais agencianlcntos de pr~ticasJ discursos e instituições constituíram nossos processos de subjetivação . "lançando mão da história como arma nos combates do presente'" O que aqui se narrou foram fragmentos de histórias: do Brasil. assim como Unl3.que ainda nos anos 70 pretenderam criticara hegemonia psicanalítica e desenvolver "outras" formas de se pensar e fizer psicoter:lpia. Como. do "milagre". em muitos casos. "desajustados". tive também o propósito de fornecer elementos para o que chamei de desnaturalização de verdades que nos aprisionam. corrupto. o meu propósito? Antes de maL. tantas outras histórias. tristes e anleaçadores anos 70 para todos aqueles no interior dos quaL. tentei assinalar a que modeios de subjetividade serviram e ainda servem as institui~'ôes "verdadeira" psicanálise e fonnação analítica. Não pretendi aqui estabelecer verdades dogmáticas. violento. Entretanto. o que aqui se produziu foram fragmentos de uma grande dor coletiva: e como concluir sobre a dor e sobre o coletivo. A exemplo de Foucault. vejo também que não se trata apenas de me refazer do espanto. subjetividades capitalísticas. Vejo que realmente há uma dificuidade que é preciso pensar como qu estão. Qual. . instituem de forma tão religiosa quanto os chamados "oficiais" certos modelos. mas também eles . sujeição e dominação. são questionadas na década de 70 pelo movimento dos psicólogos. então. onde tudo é o mesmo com pequenas diferenças. "desadaptados". tornanl-se.a desqualificação de seus projetos. vão gradativamente sendo instituídas. Não para lamentar o que se passou. gestaJtc. Entretanto.o que ocorreu com muitos deles .diferentes grupos que organizam. também. Além de documentar este período.tase "n('()-reichianas"). Principiando com 3. com a naturalização do que é anti-ético.série de outros estabelecimentos "psi" no eixo Rio-São Paulo. "desestruturados" ou "carentes".') práticas psicanalíticas. Dentre os exemplos que vou mostrando está o movimento iacaniano.a dignidade contra o terror e a resistência estiveram presentes. Garrido. Celiberti e L. apesar das "reformas" feitas nos anos 80 após as chamadas "crises". o "subversivo" e o "drogado" puderam ser apropriados como "doentes mentais". como se o esforço tivesse sido em demasia. aliando ã dor de seus desaparecimentos. de seus sonhos e lutas' E como os movimentos "psi" não só eles. de uma geração. Esta viagem. sou de imediato tomada pela dúvida: é necessário concluir' Vejo que não se trata apenas de cansaço.)mo o "Santuário de Vesta". de muitos e muitos projetos. embora para muitos permaneça a crença de que "o sonho é possivel". nos maL. conflituados e ousados anos 60.dentre tantas coisas . o que se perdeu. quando esses "psi" começam a se autorizar psicanalista" nos estabelecimentos. nada. à griJfe da iPA. da ascensão social vertiginosa. o que não se construiu. antes de mais nada. à medida em que tais elementos 348 nos servem como Viagem que chega aos 80 e 90 com o "cinismo consensual". reproduzem as mesmas práticas que repudiam. que se iniciou nos tumultuados. embora creia que estamos a todo momento produzindo verdades. com algun1as exceções. Como afIrmam L. por exemplo. histórias onde estiveram presentes categorias profIssionais englobadas todas como "psi". a não ser. o mérito possível desta narrativa' O que foi. Ambas. aqui. do "ame-o ou deixe-o". pois muitas vezes me surpreendi trL'te.

e Guattari. Paris. os desencontros. .que sem negar este especialismo. p. se institui e tenta permanecer. "4 (grifas meus). São pedaços de uma trajetória.e de militante . propositalmente. e faz parte desta sempre renovada luta contra as tendências sedutoras ao acomodamento c ã naturalização.que pretende uma outra produção desta prática.1980. em conexão com o que ele jaz ou não passar intensidades.. com muitos sonhos. '~ procuraria "fechar" algo. Enfinl. de forma mais distante. 350 351 . uma I I afnmação singular dos lugares por mim ocupados. IJistes e decepcionantes.Mille Plateaux:Capitalisme 10. pois ". as separações e as mortes.'\'finuit.papel muito desempenhado pelos intelectuais de esquerda que vêem reconhecido o seu direito de falar enquanto donos da verdade e da justiça'. 08. sem dúvida. p. Os lugares de psicóloga . instituido e naturalizado. etSchlzopbrénie. portanto. . pois é muito importante tê-los e vivê-los. F. dentro de quaL"multiplicidades ele se introduz e metamorfOseia as suas. de uma geração . Com alguns de forma intensa. Não me atrevo..e náo só nele .Guattari afjrmarn constituir o funcionamento de uma obra. Talvez pudesse dizer: ficam problemas. saudosista. apaixonantes. G. Trago comigo também as dores. mais diversas e diferentes diInensões. com alguns agenciamentos. de acontecimentos com os quais estive mais ou menos implicada. piegas. O que penso ser trabalho coletivo de todos os que atuam no campo "psi" . mas uma tentativa de trazer esses tempos em sua. como afirma Foucault . não se irá procurar nada a compreender num livro. tenta colocá-lo em análise . com todas as marcas.que se espalham pelo mundo. Daí não me atrever a uma conclusão que. esta narrativa pretende ser o que G. Restam muitas histórias. M. nem sempre os acompanhando. 3 Foucauit. muitos acontecimentos belos. ainda que os observasse ã distância. MJcrofisica do Poder.como afuma Lucy Garrido no início deste Capitulo . de todo este caminho' Não ficam muitas verdades.efunciotul. 4 Deleuze. Op.c. com toda a t I Todavia: nesses fraglllentos aqui narrados há. ãs facilidades e confortos do que se estabelece. Esta viagem não foi. Este trabalho é. utopias e encontros. cit. a ser uma espécie de "consciência dos outros". portanto. pretensiosa e implicitamente.e que em seu cotidiano forjam outrdS práticas. dúvidas e desafios. apaixonada e até irada ou mesmo decepcionada. Deleuze e F. .apenas fragmentos de histórias. Fica talvez uma única certeza: a minha implicação com o meu tempo. Eis porque esta narrativa possui também o objetivo de pôr para funcionar agenciamentos que tenham força. paixão e a vida ali presentes. mas perguntarcmn o que ei. no sentido de expandir outras formas de pensar uma genealogia de algumas práticas "psi" no Brasil. Com outros. sem a "segurança" do que está pronto e acabado.que não estão absolutamente completos e que nunca estarão acabados.a minha . O que fica de todo este percurso. um recordar melancólico.

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Undemberg Ribeiro Nunes Rocha .José Nazar .Elizabeth Cruz Miller .Laércio de Almeida Lopes Luiz Henrique Alves .lvanise Fontes .Inês Etienne Romeu .Chaim José Hamer .Luiz César de l\1iranda Ebraico .l .Eduardo Guimarães Mascarenhas da Silva .Fernanda Coelho .Oscar Miguelez .onde Rodrigues .Alduizio Moreira de Souza .Luiz Miller de Paiva Luiz Alberto Py de Mello e Silva .Antônio Lancetti .1arialzira Perestrello Câmara .:'-Jora BeatriZ Susmanscky de Miguelez Oscar Angel CezaroUo .Carlos Rosário Briganti .Maria Anita C.Yvonne Vieira 370 371 . de Bigliani .Luiz Roberto Salgado Candiota .Oswaldo de Barros 1.Virgínia Leone Bicudo .Maria Alicia Romana .Hórus Vital Brasil lnaura Vaz Carneiro Leão .Fábio Landa .Analúcia Linda Cossich .lsidoro Americano do Brasil ..Jurandir Freire Costa .Narciso José de Mello 'feixcira .Marisa Nogueira Greeb .Gregório Franklin Baremblit .Arlete Lopes Diogo .Galina Schneider .)\'ice Pereira Brandão .Manoel Tosta Berlinck .Eustáquio Portella Nunes Filho .Denise Dessoni de Almeida .Kátia Martins de Almeida .Eduardo Alfonso Vida.Esther Frankel .Márcio Peter de Souza Leite ..Nelly Simonelli .Pedro Vieira Castel ~ Rachei Vieira da Cunha .Rubens Kignel .Victor Roberto Ciacco da Silva Dias IV - PROFISSIONAIS MOVIMENTO ENTREVISTADOS LIGADOS AO HUMANO DO POTENQAL Agripino Ail)erto Domingues .Rosita Rodrigues Koschar .Maria da Paz Pereira Manhães .Ana Lúcia Magalhães Barros .Mario Pablo Fucs .aldasSilva .Alfredo Naffah Netto .Jean Clark Juliano .Miguel Perez ~a varro .• .Alfredo Allemand .Miriam Chnaidcrman .Antônio Celso Pires Osório Pereira .Antônio Carlos Cesarino .Carlos Ralph Lemos Viana .Maria Lúcia do Eirado da Silva ..Maria Helena Pinheiro I\azareth .Alberto Goldin .Luda Barbero Mardal de Fucs .Edgardo Musso .ria Cristina Rios Magalliães ..Félix Gimenez .Maria Dalva Leite de Castro de Bonet .Geraldo do Prado Jucá .Marilda Resende Camargo Fortes .Antônio Carlos Eva .David Ramos .Décio Cesarln .Maria Beatriz Canijo Silva e Weeks .Raimundo José Barros Teixeira Mendes .José Felipe Fernandez .Marilza Tafarel Faerman f-.José Inácio Parente .Nilza l\tlatia Margareta.Sandra do Carmo Guimarães ~ Sandra Regina Paschoal Sofiari .Jorge de Figueiredo FOIbes .Manha &rlin .Yone C.Carmen Felicitas Lent .Carlos Roberto Aticó .l'vL1.Eliane Maria Duailibe Siqueira .ANExos 11 .Maria Regina Domingues de Moraes .Fábio Penna Lacombe .José Alberto More~ C"otta.Ivan Akselrud de Seixas .Ana rvlaria Segal .Içami Tiba .Amaryllis Alves Sduinger .Federico Navarro .Frandsca Abigail Barreto Paranhos .Selma Ciomai ~ TIlereza Hantzschl CTessy) .Ivam Gonçalves Campos José de Souza Fonseca Filho .Geni Cobra .Wian Meyer Fra7.Ronaldo Pamplona Teixeira clt Costa .Romel Alves da Costa .Joana Helena da Cunha Ferraz .Ana Verônica Mautner .Isaias Melsolm .Roberto Azevedo .Helena Celinia Besserman Vianna .Alfredo Correia Soeiro .Herialde Silva Fonseca .Rosa Beatriz Pontes de JlvlirandaFerreira .Carlos AJberto da Silva Barreto .Wilson de Lyra CJlebabi m- PSICODRAMATISTAS ENlREVISTADOS • Alexandre Ribeiro Bhering .Szulim Maíowka .Fábio Antônio Herrmann .0 Santos .Alejandro Luiz Viviani .Silvia Leonor Alonso Espósito .Pedro Henrique D'Ávila Mascarenhas ~ Regina Foumeaut Monteiro ~ Ronald de Carvalho Filho .Nicolau Maluf Júnior .Stella Maria Gimenez Gordillo Suzana Amalia Palácios .Léa Maria Cardenuto .Nalunan Annony .Edson Soares Lannes .Carlos Jose Rubini .Cecilia Montag Hirchzon . Ribeiro lima Silva .José Manuel D'Allesandro .Dalmiro Bustos . Ericson .Paulo Sérgio Lima Silva .Dirce Ferreira da Cunha .Luiz Werneck .Maria Mello .Regina Favre .Isabel Victoria Marazina .Potiguara Mendes da Silveira Júnior .João Batista Ferreira João Cortes de Barros .Joel Birrnan .Madre Cristina Sodré Dória .Moysés Campos de Aguiar Netto .Antônio Gonçalves dos Santos .Léa Beatriz N.Neusa Maria Martins da Cunha .Liane Zink .Luiz Fernando de Mello Campos .Paulo Hindemburgo Torres Galvâo .José Ângelo Gaiarsa .Luiz Tenório Oliveira Lima .OUTROS PROFISSIONAIS E Ex-PREsos POLÍTIcos ENTREVISTADOS I- PSICANAIlSTAS ENTREVISTADOS Adriano Diogo .Heliana de Barros ('.Eduardo Lodzer .Carlos Eugênia Guimarães Marer .Regina Maria Toscano Pereira Adolpho Hoirisch .Carlos César Castellar .Carlos Guilhermo Bigliani .Luiz Carlos Nogueira .Beatriz Aguirre .Vânia de Lara Crelier .Sonia CUIVOde Azambuja .Chaim Samucl Katz .Maria Cortesi .Antônio Carlos Fonseca Antônio Carlos Marcílio Godoy .José Luiz Araújo SabóiaIvlarco Antônio de Oliveira Silva .

comportandose como autênticos "guardiães da ordem". Assim. corno presidente do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro é demonstração disso. bate duro naqueles profissionais da área "psi" que. atualmente.A Tels (02l!213-9498 . tentaram fazer da ciência mais um instrumento de servidão aos poderosos. A obra. o compromisso com a busca de um mundo melhor e com a "criação de novos espaços" está presente em cada pãgina deste livro.s . sem ser panfletária. Impress:to e Encadernação "MARQUES-SARAIVA" GRÁFICOS E EDITORES S. Milton Temer .Seu admirável trabalho corno secretária e.273·9447 Cecilia Coimbra prafessara-adjunta de Psicologia na UFF e presidente do Grupo Tortura Nunca Ma.

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