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Dialética platônica/teoria das idéias de Platão/noção de bem em Platão

Discípulo de Sócrates, Platão diferenciava-se de seu mestre pelo


interesse vivaz na política e na filosofia política. Sócrates limitava-se a
pesquisa filosófica, conceptual, ao campo antropológico e moral. E Platão
estendia-se tal indagação ao campo metafísico e cosmológico, isto é, a toda a
realidade. A forma dos escritos platônicos é o diálogo, transição espontânea
entre o ensinamento oral e fragmentário de Sócrates e o método estritamente
didático de Aristóteles, seu discípulo.
Platão é o primeiro filósofo antigo de quem a história registra com a
existência de obras completas. Dos 35 diálogos, porém, que correm sob o seu
nome, muitos são apócrifos, outros de autenticidade duvidosa.
Assim, de forma distinta correspondente a sua personalidade,
Platão como contemporâneo e responsável pelos registros das ideias
socráticas, vivia com a filosofia voltada para questões humanas no plano da
ação, dos comportamentos, das crenças e dos valores. Afirmava a confiança
no pensamento ou no homem como um ser racional, capaz de conhecer-se a si
mesmo e, portanto, capaz de reflexão. Principiava também, a iniciativa de
conhecer a capacidade do conhecimento do homem, para fins investigativos na
busca da verdade e oferecer critérios próprios e meios próprios para saber o
que é verdadeiro.
Platão comungava da déia que a filosofia é voltada para definições
das virtudes morais (do individuo) e das virtudes políticas (do cidadão) que
colaboram para “o surgir” da variedade das opiniões e para além da
multiplicidade das opiniões.
Platão também considerava em seus preceitos filosóficos que as
opiniões e as percepções sensoriais, ou imagens das coisas, são fontes de
erro, mentira e falsidade, formas imperfeitas do conhecimento que nunca
alcançam a verdade plena da realidade. Surgindo assim, de maneira simbólica
na exposição platônica, o Mito da Caverna, que alegoricamente estabelecia a
diferença entre o sensível e o inteligível. O sensível seria as coisas matérias ou
corpóreas cujo conhecimento nos é dado por meio de nosso corpo na
experiência sensorial. As imagens sensíveis na forma como elas aparecem
formam a mera opinião da dóxa, ou seja, uma coisa ou imagem é variável de
pessoa para pessoa e variável numa mesma pessoa, dependendo das
circunstâncias. O inteligível é o conhecimento verdadeiro que alcança
exclusivamente pelo pensamento.
Portanto, para Platão o pensamento filosófico era esforça-se no
pensamento para abandonar o sensível e passar ao inteligível.
Tal concepção de Platão também é conhecida por Teoria das
Idéias ou Teoria das Formas. Foi desenvolvida como hipótese no
diálogo Fédon1 e constitui uma maneira de garantir a possibilidade do
conhecimento e fornecer uma inteligibilidade relativa aos fenômenos.
Dignificando o inteligível como um processo de dialética, considerado por ele
como movimento do espírito que marcha para a verdade. Seria de fato procurar
as idéias “perfeitas” no extrato da realidade e buscar não se ater nas coisas
sentidas pelo corpo por corresponder possivelmente à uma interferência
negativa na concepção das idéias “puras”. Platão reafirma isso quando explica
não haver harmonia entre corpo e espírito (teoria órfica) e que o espírito,
quanto mais livre dos sentidos do corpo, mais claramente será capaz de
contemplar as idéias.
O mundo então era concebido como concreto percebido pelos sentidos
como uma pálida reprodução do mundo das Idéias.

1
Fédon de Élis, discípulo de Sócrates, que segundo Diógenes de Laércio (II,105) foi feito
prisioneiro na guerra entre Esparta e Atenas.Em 399 a.C. fazia parte do círculo restrito de
Sócrates.Fundou uma escola socrática na sua cidade e terá escrito dois diálogos.
(FONTE: afilosofia)