UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS

Lincoln Brito Marlon Adriel Mauren Silveira Maysa Lima Taynara C. Pereira

Síntese e identificação dos compostos orgânicos

Profº Drº Gessiel Scheidt Ciências do Ambiente

Gurupi - TO 2009

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS

Lincoln Brito Marlon Adriel Mauren Silveira Maysa Lima Taynara C. Pereira

Síntese e identificação dos compostos orgânicos
Trabalho Engenharia apresentado de ao Curso de e

Biotecnologia

Bioprocessos e Química Ambiental – UFT, 1º período, referente à disciplina de Ciências do Ambiente, sob orientação do Profº Drº Gessiel Newton Scheidt

Gurupi - TO 2009

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ÍNDICE

CADEIAS CARBÔNICAS........................................................................................................5 UM POUCO DE FÉ.....................................................................................................................5 CARBONO NAS CADEIAS CARBONADAS..........................................................................7 SÍNTESE E IDENTIFICAÇÃO DOS COMPOSTOS ORGÂNICOS....................................9 HIDROCARBONETOS.............................................................................................................10 PETRÓLEO........................................................................................................................................10 ORIGEM E COMPOSIÇÃO DO PETRÓLEO...................................................................................................11 GASOLINA........................................................................................................................................11 CADEIAS AROMÁTICAS.....................................................................................................12 HIDROCARBONETOS AROMÁTICOS................................................................................12 FENOL.............................................................................................................................................13 SÍNTESE INDUSTRIAL DE FENOL............................................................................................................13 EXEMPLOS DE FENÓIS.........................................................................................................................13 FUNÇÕES OXIGENADAS.....................................................................................................14 HIDRATOS DE CARBONO.....................................................................................................14 ÁLCOOIS....................................................................................................................................14 OBTENÇÃO DE ÁLCOOIS MONOVALENTES...............................................................................................15 PROPRIEDADES QUÍMICAS DOS ÁLCOOIS ALIFÁTICOS E CICLOALIFÁTICOS MONOVALENTES...............................15 PRINCIPAIS ÁLCOOIS ALIFÁTICOS MONOVALENTES....................................................................................16 OBTENÇÃO DE ÁLCOOIS DIVALENTES (GLICÓIS).....................................................................................17 PRINCIPAIS ÁLCOOIS DIVALENTES.........................................................................................................17 ÁLCOOIS ALIFÁTICOS E CICLOALIFÁTICOS POLIVALENTES..........................................................................17 ÁLCOOIS MONOÍDRICOS......................................................................................................................17 ÁLCOOIS POLÍDRICOS.........................................................................................................................18 OUTROS ÁLCOOIS..............................................................................................................................18 ALDEÍDOS E CETONAS.........................................................................................................18 ALDEÍDOS.................................................................................................................................19 OBTENÇÃO DE ALDEÍDOS ALIFÁTICOS....................................................................................................19 OBTENÇÃO DE ALDEÍDOS AROMÁTICOS..................................................................................................19 REAÇÕES.........................................................................................................................................20 PRINCIPAIS ALDEÍDOS.........................................................................................................................20 CETONAS...................................................................................................................................21 PROCESSOS DE OBTENÇÃO...................................................................................................................21 OBTENÇÃO DE CETONAS ALIFÁTICAS.....................................................................................................21 OBTENÇÃO DE CETONAS AROMÁTICAS OU ALIFÁTICO-AROMÁTICAS............................................................22 REAÇÕES.........................................................................................................................................22 PRINCIPAIS CETONAS..........................................................................................................................23

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ENOL...........................................................................................................................................24 ÉTER...........................................................................................................................................24 ÁCIDOS CARBOXÍLICOS......................................................................................................24 ÁCIDO CÍTRICO.................................................................................................................................25 ÁCIDO ITACÔNICO.............................................................................................................................26 ANIDRIDOS DE ÁCIDOS CARBOXÍLICOS...................................................................................................26 ÉSTERES....................................................................................................................................27 ÉSTERES A PARTIR DE CLORETOS DE ACILA............................................................................................27 ÉSTERES A PARTIR DE ANIDRIDOS DE ÁCIDOS CARBOXÍLICOS....................................................................27 APLICAÇÕES.....................................................................................................................................28 AMINAS......................................................................................................................................28 PROPRIEDADES..................................................................................................................................29 PRODUTOS A PARTIR DAS AMINAS........................................................................................................29 MÉTODOS DE PREPARAÇÃO.................................................................................................................30 AMINOÁCIDOS........................................................................................................................32 MÉTODOS DE OBTENÇÃO....................................................................................................................32 AMIDAS......................................................................................................................................32 MÉTODOS DE OBTENÇÃO....................................................................................................................33 REAÇÕES.........................................................................................................................................34 ÁCIDOS HIDROXÂMICOS......................................................................................................................34 IMINOÉTERES OU IMIDOÉTERES.............................................................................................................34 HIDRAZIDAS.....................................................................................................................................34 NITRILAS.........................................................................................................................................35 MÉTODO DE OBTENÇÃO......................................................................................................................35 REAÇÕES.........................................................................................................................................35 URÉIA.........................................................................................................................................36 SAL..............................................................................................................................................36 SABÕES......................................................................................................................................36 POLÍMEROS..............................................................................................................................36 TIOL............................................................................................................................................37 SULFETO...................................................................................................................................37 ÁCIDOS SULFÔNICOS..........................................................................................................................37 COMPOSTOS ORGANOMETÁLICOS.................................................................................38 HIDROCARBONETOS NÃO AROMÁTICOS....................................................................39 ALCANOS...................................................................................................................................39 ALCENOS...................................................................................................................................39 ETILENO..........................................................................................................................................40 ALCINOS (OU ALQUINOS)....................................................................................................40 HIDROCARBONETOS CÍCLICOS NÃO AROMÁTICOS................................................41 CICLOPROPANOS...................................................................................................................41 HIDROCARBONETOS HALOGENADOS............................................................................41 CONCLUSÃO..........................................................................................................................42 BIBLIOGRAFIA......................................................................................................................43

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CADEIAS CARBÔNICAS

No final do século XVIII já se produzia em laboratório substâncias como o gesso (sulfato de cálcio), o ácido sulfúrico e outras substâncias que apresentavam o carbono na sua estrutura, com menor ou maior grau de dificuldade, mas não se conseguia reproduzir compostos orgânicos em balões ou tubos de ensaio, mesmo sabendo a composição do composto, como do simples açúcar, (carbono, hidrogênio e oxigênio). Supôs-se que os seres vivos possuíam uma força vital capaz de transformar substâncias. Acreditava-se que a incapacidade de reproduzir os compostos orgânicos estava no fato de que em tubos e balões não existia a força vital. Essa teoria foi derrubada há 200 anos pelo alemão Friendrich Wohler que estudou os cianatos de origem mineral e descobriu, a partir deles, que se poderia preparar uréia, substância que só seria encontrada na urina e no suor. Em 1862 descobriu que a reação entre a água e o carbureto de cálcio produziria acetileno, que é um gás inflamável até hoje empregado nos maçaricos oxiacetilênicos e em sistemas de iluminação. A parir da descoberta de Wohler conseguiu-se obter várias substâncias orgânicas das inorgânicas. O ácido acético, o ácido lático e outros compostos foram sintetizados a partir de materiais inorgânicos. Hoje qualquer substância orgânica pode ser sintetizada, não sendo, porém, todas economicamente viáveis, sendo extraídas de fontes vegetais e animais.

UM POUCO DE FÉ

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O DNA é uma molécula precursora da vida, formada por cadeias carbônicas imensas que podem ser visualizadas até em microscópios de luz comuns se forem coradas, podendo também ser sintetizado. A matéria viva tem além do carbono, outros elementos como o hidrogênio, o oxigênio e o nitrogênio. Esses quatro elementos são chamados de elementos organógenos (“geradores da vida”). Os átomos de carbono podem unir-se formando longas cadeias feitas de milhares de átomos ligados entre si. Também permite que um composto seja igual a outro em número de átomos, mas sua estrutura molecular diferente, o que resulta em compostos com propriedades químicas diferentes (isomeria). A importância dos isômeros ópticos reside no fato de que muitos deles se encontram presentes nos organismos vivos. A natureza sempre utiliza na construção das proteínas uma só variedade de aminoácidos, levógiros ou dextrógiros, pois só assim elas se tornam estáveis. A vida se desenvolveu a partir da variedade levógira, de tal modo que os aminoácidos dextrógiros são extremamente raros na natureza. Registrou-se a presença de aminoácidos sob as formas dextrógira e levógira nos meteoritos carbonados, mas é muito pouco provável que eles tenham pertencido a organismos vivos. O Dr. Stanley Miller e o Dr. Sidney Fox foram dois dos primeiros cientistas a realizar experimentos laboratoriais com o propósito de tentar provar que a vida poderia surgir espontaneamente. Eles projetaram um aparelho de pyrex contendo metano, amônia, e vapor d'água, mas sem oxigênio. Por essa mistura eles passaram descargas elétricas para simular choques de relâmpagos. O resultado foi que nenhuma vida foi produzida, mas a eletricidade combinou alguns átomos para formar aminoácidos. Os aminoácidos são compostos que são as mais simples unidades a partir das quais as proteínas são formadas. Experimentos de Miller/Fox provaram que a vida poderia eventualmente ter aparecido em algum oceano antigo atingido por relâmpagos? Não, seus resultados de fato enfraqueceram o caso. A mistura de aminoácidos e outros simples produtos químicos produzidos não são suficientes para produzir vida. Todas as formas de vida conhecidas usam aminoácidos que são exclusivamente levógiros (do tipo "mão esquerda"). Nenhuma forma de vida conhecida pode usar uma combinação de 6

ambos "mão esquerda" e "mão direita" aminoácidos. Adicionar sequer um aminoácido de "mão direita" a uma cadeia de "mão esquerda" pode destruir toda a cadeia. Quando aminoácidos são sintetizados em laboratório, há sempre uma mistura de 50% das duas formas. Apenas através de processos altamente avançados e inteligentemente controlados essas duas formas podem ser separadas. Um químico calculou a imensa probabilidade contra a combinação de aminoácidos para formar as proteínas necessárias por meios indiretos. Ele estimou uma probabilidade de mais de 10 elevado a 67 para 1 (1067:1) contra a formação de mesmo uma pequena proteína – pelo tempo e o acaso, em uma mistura ideal de substâncias químicas, em uma atmosfera ideal e fornecido o tempo de 100 bilhões de anos (uma idade de 10 a 20 vezes maior do que a suposta idade da Terra). Matemáticos geralmente concordam que, estatisticamente, qualquer probabilidade além de 1 em 10 elevado a 50ª (1:1050) tem zero chance de alguma vez ocorrer ("e mesmo quando dado o benefício da dúvida!"). Vários pesquisadores altamente qualificados pensam ter provado cientificamente, além de qualquer dúvida, que as proteínas necessárias para a vida nunca poderiam ter vindo a existir por acaso ou por qualquer processo natural.

CARBONO NAS CADEIAS CARBONADAS

O carbono apresenta características que o transformam em um elemento especial dentro das condições terrestres. Ele pode formar quatro ligações covalentes com outros átomos, formando assim cadeias carbônicas primárias, secundárias, terciárias ou quaternárias, com quatro maneiras distintas de se ligar, formando três diferentes estruturas espaciais. Essa cadeia carbônica formada pelos carbonos pode ser fechada, aberta ou mista. Como exemplo de aberta está o acetato de n-propila (aroma de pêra) e o butano. Como exemplo de cadeia fechada está o fenol que é matéria prima para desinfetantes, plásticos, medicamentos e explosivos, e o ciclopropano que é anestésico e hipnótico. Como exemplo de cadeia mista está o tolueno que é solvente e matéria prima para produção de TNT e o eugenol que é a essência do cravo, anestésico e bactericida. As cadeias carbônicas também podem ser saturadas ou insaturadas. Nas saturadas os átomos de carbono ligam-se apenas por ligações simples como a acetona e o ácido

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acético. Nas insaturadas há ligações duplas ou triplas entre os átomos de carbono, como no etileno que é o responsável pelo amadurecimento das frutas e o benzeno que é matéria prima para produção de plásticos, solventes, tintas, medicamentos e explosivos. Também podem ser comparadas quanto à homogeneidade, sendo homogêneas ou heterogêneas. Nas homogêneas nenhum carbono é interrompido, como no hexano e na glicerina. Nas heterogêneas têm mistura de outros átomos no meio da cadeia de carbono, podendo ainda ser heterogêneas normais ou ramificadas. Como exemplo das normais sem bifurcação está a dimetilamina que é a matéria prima para medicamentos e como exemplo para as ramificadas está o isobutano que é a matéria prima para produção de plásticos e borrachas sintéticas. Substâncias orgânicas são geralmente moleculares, portanto, não conduz corrente elétrica quando em estado sólido, fundidas ou em solução aquosa, tendo por exceção os sais orgânicos, os ácidos orgânicos e as aminas. Mesmo assim, os ácidos orgânicos são geralmente fracos condutores. As aminas também são eletrólitos fracos.

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SÍNTESE E IDENTIFICAÇÃO DOS COMPOSTOS ORGÂNICOS

O desenvolvimento dos processos de síntese levou à descoberta de novas substâncias sintéticas (não naturais), mas estruturalmente aparentadas com estruturas biológicas. Medicamentos, pigmentos, plásticos, detergentes, fibras sintéticas, combustíveis, lubrificantes, resinas e solventes são apenas alguns tipos de substâncias sintéticas que se pode produzir a um custo acessível. Inicialmente pensava-se que a síntese de compostos orgânicos só era possível com a interferência de organismos vivos, no entanto foi demonstrado que estes compostos poderiam ser sintetizados em laboratório, e a designação “orgânica” perdeu o sentido. Hoje em dia fala-se em compostos de carbono, pois este elemento é comum a todos eles e é responsável pelas suas propriedades. Os compostos orgânicos são classificados de acordo com a presença de grupos funcionais que são responsáveis pelo comportamento químico característico. Qualquer composto orgânico é composto por uma cadeia não reativa e por uma parte reativa, a parte funcional. Há características que se repetem entre substâncias orgânicas com mesma estrutura fundamental. Estas características podem ser exploradas para facilitar no fabrico de substâncias de interesse industrial, baixando custos de processos mais prolongados para obter uma substância com mesma propriedade, mas de difícil obtenção. Alguns exemplos são os ácidos fórmico, acético, lático, pirúvico e benzóico que têm diferentes usos, mas têm fórmula característica OH--C=O (carboxila) nas suas extremidades. Cada carboxila tem um hidrogênio ionizável. Outra característica é que os compostos orgânicos têm menos resistência ao calor que outros compostos, que se deve às ligações covalentes, aumentando a temperatura de ebulição. Exemplo geral das funções orgânicas: Hidrocarbonetos: somente têm Carbono e Hidrogênio na sua estrutura. Álcoois: têm a hidroxila ligada a Carbono saturado (-OH), como por exemplo, o metanol.

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Fenóis: têm a hidroxila ligada a Cadeia Aromática (-OH), como por exemplo, o enol. Aldeídos: têm a carboxila ligada a Hidrogênio (H) como, por exemplo, o etanal. Cetonas: têm a carboxila entre átomos de carbono, como por exemplo, a propanona. Ácidos Carboxílicos: têm a carboxila e a hidroxila ligadas à cadeia de carbono, como por exemplo, o ácido acético.

HIDROCARBONETOS

Os hidrocarbonetos são substâncias moleculares binárias, pois são apenas formadas por carbono e hidrogênio. Dividem-se em dois grupos: os aromáticos e os alifáticos. Os aromáticos são os que têm pelo menos um anel benzênico, os alifáticos não apresentam anel e podem ser abertas ou fechadas. Tanto aromáticos como alifáticos podem ser ligados por carbonos através de uma ligação simples (alcanos), pelo menos uma ligação dupla entre carbonos (alcenos) ou pelo menos uma ligação tripla entre carbonos (alcinos). A maior parte dos compostos que formam o petróleo são hidrocarbonetos.

Petróleo Os primeiros registros sobre petróleo datam de a.C. Foi usado como impermeabilização da Arca de Noé, posteriormente como combustível para iluminação, como juntor de pedras, no calafetamento de pirâmides, no embalsamento de múmias, e como até hoje na impermeabilização de moradias. No Império Inca foi usado já como pavimento de estradas. O primeiro homem a encontrar petróleo por perfuração foi Edwin Drake, no fim da década de 1850, nos Estados Unidos. 10

Origem e composição do petróleo Petróleo é um óleo escuro formado por centenas de hidrocarbonetos diferentes e alguma impureza como Enxofre (S), Oxigênio (O) e Nitrogênio (N). Originou-se a partir da decomposição, por milhares de anos, de animais e vegetais mortos, numa atmosfera pobre em oxigênio, altas temperaturas e pressões. A idade de uma jazida pode variar entre 10 milhões a 400 milhões de anos. Sua composição varia de acordo com a região, podendo, portanto variar seus produtos, com vário s pontos de ebulição para cada parte refinada. A gasolina é um subproduto do petróleo, tendo vários tipos de gasolina, conforme o tipo de petróleo.

Gasolina Gasolinas têm muitos hidrocarbonetos de cadeia normal. Para se obter a gasolina podem-se fazer dois processos. Em um, o processo é pela reforma catalítica na qual se converte alcanos lineares em alcanos ramificados de modo a aumentar artificialmente a octanagem da gasolina, e o outro é o craqueamento, no qual se aproveita as frações mais pesadas destinadas à obtenção de óleo diesel ou querosene e quebram-se essas frações. Alcano de cadeia longa  nonano + propano + etino + carbono + hidrogênio gasoso  C15H32 C9H20 C3H8 C2H2 C H2

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CADEIAS AROMÁTICAS É formada por um ciclo de seis carbonos com três ligações alternadas, formando o benzeno. Tem uma característica química peculiar. Na ligação aberta, a distância entre um carbono e outro por ligação simples é diferente da distância entre dois carbonos ligados por dupla ligação. No benzeno, no qual a cadeia é fechada, a distância não varia, mesmo tendo simples sucedidas de duplas.

HIDROCARBONETOS AROMÁTICOS

Nem sempre a substância aromática tem cheiro. O benzopireno, o criseno e o fluoranteno são aromas cancerígenos encontrados em produtos de fumantes. A sacarina foi descoberta ao acaso e o aspartame que também foi descoberto ao acaso não tem cheiro, mas têm sabor açucarado. Sacarina Em 1879 o químico Constantine Faheberg almoçou no seu laboratório sem lavar as mãos. Seu sanduíche estava com gosto extremamente doce. Ele identificou a substância responsável por essa propriedade e a batizou de sacarina. Ela é tão doce que apenas quatro colheres de sopa dessa substância bastam para adocicar uma piscina olímpica cheia de água. Aspartame Em 1965, o cientista John Shlatter trabalhava na produção de um remédio contra úlcera quando houve uma explosão no seu laboratório. Substâncias espirraram, ensopando o químico. Ao ler um livro mais tarde, notou o gosto adocicado na ponta dos dedos ao lambê-lo para virar a página.

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Fenol Quando fenóis são ionizados, apresentam características ácidas de ácidos fracos. Quando são somados aos nitros (-NO2) ou halogênio, a acidez aumenta. Quando o fenol é somado a alquila (hidrocarboneto não aromático), a acidez diminui. Serve como matéria prima para um grande número de produtos comerciais, variando da aspirina até uma variedade de plásticos. A produção mundial de fenol é de mais de três milhões de toneladas por ano. A síntese de laboratório mais importante de fenóis é através da hidrólise dos sais de arenodiazônio, com uma etapa de diazotação e outra de hidrólise. Os grupos presentes no anel são improváveis de serem afetados.

Síntese industrial de fenol Hidrólise do clorobenzeno O clorobenzeno é aquecido a 350ºC (sob alta pressão) com hidróxido de sódio aquoso. A reação produz o fenóxido de sódio, o qual, na acidificação, produz o fenol. Há formação também de benzeno. Hidroperáxido de cumeno Método que converte dois compostos orgânicos relativamente baratos - benzeno e propeno - em dois compostos mais caros - fenol e acetona. A única outra substância consumida é o oxigênio do ar. A maior parte da produção mundial de fenol é baseada nesse método. A síntese começa com a alquilação de Friedel-Crafts do benzeno com o propeno para produzir o cumeno (isopropilbenzeno). Na primeira reação o cumeno é oxidado ao hidroperáxido de cumeno. Na reação secundária o hidroperáxido é tratado com ácido sulfúrico 10% e sofre um rearranjo hidrolítico que produz fenol e cetona.

Exemplos de fenóis Fenol: matéria prima para desinfetantes, resinas, explosivos, medicamentos. Orto – cresol: creolina. 13

Hidroquinona: usado na revelação fotográfica Pentaclorofenol: usado para a preservação de madeira.

FUNÇÕES OXIGENADAS

HIDRATOS DE CARBONO

São compostos ternários formados de carbono, hidrogênio e oxigênio e que seguem à fórmula Cn(H2O)n. Os hidratos de carbono são chamados de carboidratos. Exemplo de carboidratos conhecidos: glicose e frutose que são isômeros de fórmula C6H12O6. A sacarose (açúcar comum) é formada por uma molécula de glicose e uma de frutose. A fermentação de açúcares resulta em etanol.

ÁLCOOIS

Os álcoois são caracterizados pela terminação

–OH, ligados à cadeia de carbono

saturado ( com ligação simples), em qualquer parte da cadeia, no final, começo ou meio.Quando a hidroxila é única é chamado de monoálcool. Quando há duas hidroxilas ligadas ao mesmo átomo de carbono forma uma estrutura instável que perde água e forma acetona. Propano-2,2-diol C3H8O2  Água H2O + Acetona C3H6O

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Obtenção de álcoois monovalentes Hidrólise de halogeneto de alquila é uma reação reversível em que reagem com água somente os halogenetos de alquila terciários, que são os mais reativos. OH(-) + R –XHO-R + X (-) Adição de água aos alcenos processa-se na presença de ácido sulfúrico podendo ou não formar também um monoéster desse ácido inorgânico. Reação de aminas primárias com ácido nitroso é uma reação usada na obtenção de álcoois especiais e também forma produtos secundários. RNH2 + HONO  R-OH + N2 + H2O Redução de aldeídos leva a formação de álcoois primários e redução de cetonas leva a formação de álcoois secundários. Redução de ácidos e ésteres com ajuda de hidretos de lítio e alumínio. Na reação de compostos de Grignard com aldeídos, cetonas e ésteres, os aldeídos e cetonas produzem, respectivamente, álcoois secundários e terciários. Os ésteres produzem álcoois terciários, uma vez que cetonas formadas também são mais reativas do que ésteres de partida. O excesso do composto de Grignard leva à formação de álcoois terciários. Hidrólise de ésteres em forma de cera ou gorduras catalisadas por ácidos ou bases (saponificação) produzindo também carboxilatos de sódio ou potássio. As reações de ésteres são reversíveis quando feitas em meio ácido.

Propriedades químicas dos álcoois alifáticos e cicloalifáticos monovalentes

Os álcoois são compostos muito reativos e a partir deles diversas classes de outras substâncias orgânicas podem ser obtidas. A desidratação de álcool dá origem a olefinas ou éteres. A reação com ácidos halogenídricos produz halogenetos de alquila. A oxidação com ácido crômio ou permaganato em meio ácido possibilita transformar álcoois primários em ácidos carboxílicos e álcoois secundários em cetonas. Os álcoois

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terciários submetidos a este processo ou não são alterados ou sofrem rompimento da cadeia carbônica. A reação de álcoois com sódio ocorre com desprendimento de hidrogênio: ROH + Na R-ONa + ½ H2 Os compostos R-ONa são denominados alcóxidos de sódio. Os álcoois podem ser transformados em ésteres, através de reações diretas com ácidos carboxílicos ou por meio da reação com cloretos de acila. A reação com isocianato de fenila ou outros isocianatos leva á formação de ésteres do ácido carbâmico, denominados uretanas.

Principais álcoois alifáticos monovalentes.

Os mais importantes da classe são o metanol e o etanol. Diversos álcoois saturados são encontrados no óleo de fúsil, obtido como fração superior, quando se faz a destilação do álcool a partir da fermentação de carboidratos. Assim é obtido álcool n-propílico, isobutílico, isoamílico e álcool amílico ativo (butil-secundário carbinol). Esses álcoois são usados como solventes e na síntese de outras substâncias orgânicas. O n-butanol, empregado como solvente no preparo de ésteres e na obtenção do butanol e ácido butírico pode ser preparado industrialmente por meio de fermentação de carboidratos efetuada pela bactéria Clostridium acetobutylicum em anaerobiose. Também pode ser preparado através de substâncias sintéticas. O acetaldeído é submetido à condensação aldólica dando origem ao aldeído crotônico posteriormente reduzido ao álcool pó meio de H2/Cu a 200ºC. O álcool insaturado mais simples é o etanol denominado álcool vinílico. Dado o equilíbrio tautômero existentes nesses casos, ele se transforma no acetaldeído. Tais formas alcoólicas são denominadas enólicas. O propen-3-ol-1, conhecido como álcool alílico é o álcool alifático insaturado mais importante. Apresentando uma hidroxila especialmente reativa, os álcoois alílicos têm sido usados a partir de 1948 como intermediários da síntese do glicerol. Pode ser preparado tratando-se cloreto de alila com uma mistura de carbonato e hidróxido de sódio.

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Obtenção de álcoois divalentes (Glicóis)

Hidrólise de dihalogenetos vicinais com bases fracas, primeiro transformando-se os dihalogenetos em diacetato, depois hidrolisando em álcool. Hidrólise de cloridinas que é de reação mais rápida e emprega-se um único equivalente de base por mol de cloridina. É usado para obter o etileno-glicol. Hidrólise ácida de epóxidos através da protonação de oxigênio seguida de um ataque nucleofílico por parte da água. Oxidação de alcenos com soluções alcalinas de KMnO4.

Principais álcoois divalentes

Etileno glicol é o mais importante desta classe. Obtém-se pela hidrólise do óxido etileno com água a 200ºC. O glicol é um líquido muito higroscópico usado como ingrediente para radiadores de automóveis para evitar-se o congelamento da água. Ao ser aquecido com ácido sulfúrico a 4%, dá origem ao dioxano, éter cíclico solúvel em água usado como solvente. Ao reagir com ácido tereftálico, dá origem a polímeros usados como fibras têxteis denominadas terilene ou dracon. Outro polímero obtido através do etileno glicol é o carbowax, pela reação de etileno glicol com óxido de etileno. Outro glicol importante é o tetrametilenoglicol preparado de acetileno e formaldeído; sua desidratação leva à formação de butadieno 1,3.

Álcoois alifáticos e cicloalifáticos polivalentes

O glicerol, ou glicerina é o álcool alifático trivalente mais importante. Obtido pela primeira vez por hidrolisação de óleo de oliva.

Álcoois monoídricos

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O mais importante é o álcool etílico (metilcarbinol). È usado em solventes, colas, tintas, lacas, medicamentos, explosivos bebidas e muito mais. Sua obtenção é através da fermentação de carboidratos, tendo como matéria prima o melaço a beterraba, os cereais e resíduos de madeira.

Álcoois polídricos

A glicerina é o mais conhecido. É um triálcool que se junta a ácidos graxos. Seus ésteres são base das gorduras e óleos. É produzido por reações com o propileno. Tem propriedades emolientes e demulcentes sendo usado na farmácia e obtenção de cosméticos, é ingrediente de muitas tinturas, elixires, anestésicos e dentifrícios.

Outros álcoois Mentol é um álcool terpênico que contém três átomos assimétricos de carbono. É produzido do óleo de menta e utilizado como aromatizante sem dentifrícios, perfumarias, medicamentos, bebidas e confeitarias.

ALDEÍDOS E CETONAS

Possuem dupla ligação com o oxigênio. Nos aldeídos essa dupla ligação é no final da cadeia, na sua extremidade, nas acetonas é em qualquer lugar da cadeia, a não ser nas extremidades.

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ALDEÍDOS

Geralmente, os aldeídos mais simples são designados tomando-se por base os ácidos carboxílicos correspondentes. Como exemplo o aldeído butírico. Compostos com dois grupos formila de dialdeídos, com três, trialdeídos e assim por diante.

Obtenção de aldeídos alifáticos

Oxidações de álcoois primários ou por desidrogenações catalíticas também produzem aldeídos. A formila é facilmente transformada em carboxila, por oxidação, por isso é difícil a obtenção de aldeídos puros por esse processo, porém se o resultado for um aldeído volátil, pode-se logo ser separado da mistura reagente. È o caso do acetaldeído, cujo ponto de ebulição é de cerca de 20ºC. Ozonólise de alcenos. Adição de água ao acetileno, catalisada por sais de mercúrio é especialmente utilizado para produção de acetaldeído. Redução de cloretos de acila por hidrogênio molecular.

Obtenção de aldeídos aromáticos

Oxidação de álcoois primários. Ozonólise de alcenos. Reação de Rosenmund. Tratamento de hidrocarbonetos aromáticos com uma mistura de CO e HCl.

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Reações

Adição de hidrogênio, conduzindo a álcoois primários. Adição de HCN, levando á formação de cianidrinas. Podem ser adicionados aos aldeídos os bissulfitos, dando origem aos compostos bissulfíticos, que são insolúveis em água. Os aldeídos reagem com compostos de Grignard dando origem a álcoois secundários. Adição de acetiletos com formação de álcoois acetilênicos. A reação com hidroxilamina (hidroxiderivado do amoníaco) leva à formação das aldoximas, compostos bem cristalizados, usados na identificação dos aldeídos. Os aldeídos reagem com a hidrazina e seus derivados, dando origem às hidrazonas. Reações com semicarbazimas dão origem às semicarbazonas. As oximas, hidrazonas e semicarbazonas são hidrolisadas em meio ácido, regenerando os aldeídos de partida. Carbânios (espécies reativas com um carbono negativo) podem adicionar-se a aldeídos, através de um ataque nucleofílico á dupla cadeia carbonílica. Além da redução dos aldeídos aos álcoois primários, podem ser transformados nos hidrocarbonetos correspondentes, empregando-se almágamas de zinco em ácido clorídrico. Alguns oxidantes podem transformar os aldeídos nos ácidos correspondentes. A halogenação de aldeídos alifáticos possuindo átomos de hidrogênio no carbono alfa conduz aos derivados halogenados correspondentes.

Principais aldeídos

O aldeído fórmico, também conhecido como formaldeído ou metanal é obtido pela oxidação do metanol por meio do ar, tendo como catalisador uma mistura de óxido de ferro e óxido de molibdênio, em temperaturas de aproximadamente 600ºC. A concentração de soluções aquosas de formaldeídos pode ocasionar a formação de outro tipo de polímero, as polioximetilenas. A acetilação dessas hidroxilas terminais 20

proporciona

estabilidade

aos

polímeros.

Esses

produtos

são

usados

como

termoplásticos, possuindo elevado ponto d efusão. A condensação de formaldeído com fenol, melanina ou uréia, originando resinas sintéticas, consome a maior parte do formaldeído preparado industrialmente. O formol tem aplicação como desinfetante e preservativo de espécies biológicas. Reagindo com amoníaco, o aldeído produz a urotropina, usada como diurético. O benzaldeído foi usado na segunda guerra mundial como poderoso explosivo, mas também é empregado na indústria de perfumes. O acetaldeído é obtido industrialmente pela hidratação de acetileno ou pela oxidação do etanol, por meio do ar, com catalisadores de prata. É usado como redutor de sais na produção de espelhos e como matéria prima no preparo do etanol, ácido acético e cloral.

CETONAS

São compostos que apresentam o grupo carbonila ligado a dois radicais (alifático) iguais (cetonas simples) ou diferentes (cetonas mistas).

Processos de obtenção

Obtenção de cetonas alifáticas Podem ser produzidos por oxidação de álcoois secundários; Pela ozonólise de alcenos do tipo R2C=CR2; Pela adição de água aos alcinos; Pela pirólise de sais de cálcio ou bário de ácidos carboxílicos; Pela reação de nitrilas alifáticas com compostos de Grignard. O composto que se forma é hidrolisado com água ou ácidos diluídos à cetona correspondente; Pela reação de halogenetos de acila com compostos orgânicos de cádmio.

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Obtenção de cetonas aromáticas ou alifático-aromáticas Podem ser produzidos pela oxidação de álcoois secundários; Pela ozonólise de alcenos; Pela reação de cloretos de acila com hidrocarbonetos aromáticos.

Reações As reações químicas mais importantes das cetonas são: Adição de hidrogênio, levando à formação de álcoois secundários; os mesmos redutores usados para aldeídos podem ser usados nestas reações. Analogamente aos aldeídos, as cetonas reagem com o HCN, dando cianidrinas. Reagem com o bissulfito, formando compostos bissulfíticos; Reações com compostos de Grignard conduzem a álcoois terciários Os acetilenos em meio alcalino adicionam-se ás acetonas, com formação de álcoois acetilênicos. Analogamente aos aldeídos, as cetonas reagem com hidroxilamina para dar oximas, cetoximas. A hidrazina e derivados (especialmente a fenilidrina e a 2,4-dinitrofenilidrazina) reagem com as cetonas, de maneira análoga aos aldeídos. A semicarbazina conduz à formação de semicarbazonas. A reação de cetonas com álcoois, sob catálise ácida, conduz a cetais e intermediariamente formam semicetais. Estes reagem com uma segunda molécula de álcool, eliminando água e formando cetais. Carbânios de natureza diversas podem efetuar um ataque nucleofílico às cetonas. A condensação alcoólica pode também ser processada com cetonas, desde que possuam hidrogênio no carbono α (vizinho ao grupo carbonila). Essa reação processa-se com mais dificuldade do que com aldeídos. No caso da própria acetona, obtém-se o diacetona-álccol, facilmente desidratado ao óxido de mesetila.

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Com o HCl como catalisador, tem-se o óxido de mesetila diretamente e o diacetona álcool é logo desidratado.A condensação de uma outra molécula de acetona produz a forona. O aquecimento em tubos fechados de acetona com hidrazina e etóxido de sódio transforma as cetonas nos hidrocarbonetos correspondentes: R2C=O + H2N-NH2  R2C=N-NH2  R2CH2 + N2

Ao contrário dos aldeídos, as cetonas só são oxidadas por óxidos fortes, tais como permaganato, ácido crômio e ácido nítrico. O resultado é o rompimento da cadeia carbônica com formação de vários ácidos carboxílicos: R-CH2-CO-CH2-R’  R-CH2-COOH + R’-COOH + R’-CH2-COOH + R-COOH Uma importante reação com cetonas, processando-se igualmente com aldeídos, é o tratamento delas com compostos carbonílicos com trifenil-alquili-denofosforanos, levando à formação de alcenos.

Principais cetonas O representante mais importante é a acetona. A metiletilcetona é obtida pela desidrogenação do álcool butílico secundário, ou pela oxidação do butano, e é empregada como solvente para alguns lubrificantes. A metilisobutilcetona pode ser obtida pela redução catalítica do óxido de mesetilo. Uma cetona cíclica importante é a cicloexanona, cuja oxidação produz o ácido adípico, usado na fabricação do nylon. Algumas cetonas aromáticas são matérias prima para síntese de compostos orgânicos como a acetofenona, a benzofenona e a dipnona. Tautometria Tautometria é o equilíbrio dinâmico que ocorre entre uma cetona ou aldeído e o enol correspondente. As duas formas diferem pela posição de um átomo de hidrogênio. CH3-C (H) =O CH2=CH-OH  CH3-CO-CH3 CH2=CH (OH)-CH3

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ENOL

Quando a hidroxila liga diretamente a um carbono de ligação dupla não aromática. Não são álcoois nem fenóis.

ÉTER

Têm a mesma forma molecular dos álcoois, porém a forma como se ligam é diferente. O oxigênio é ligado à cadeia de carbono por ligação simples e nunca pela extremidade da cadeia de carbono, ficando o hidrogênio ligado diretamente ao carbono, não mais ao oxigênio. É um líquido incolor de cheiro característico. Foi descoberto pela adição de álcool etílico e ácido sulfúrico por Valerius Cordus no século XVI. O método de obtenção é o mesmo até hoje. Aquecendo-se cinco partes de álcool etílico a nove partes de ácido sulfúrico a 140ºC obtém-se o chamado éter sulfúrico. É extremamente volátil e seus vapores são mais densos que o ar. Na indústria o éter é usado como solvente de resinas e óleos, no preparo de pólvora e de seda artificial. Também pode ser usado como anestésico, mas irrita o trato respiratório. Como é um dos compostos da cocaína, sua comercialização é fiscalizada.

ÁCIDOS CARBOXÍLICOS

Podem ter uma ou mais carboxilas COOH. São formados por ametais e hidrogênio Quando apresentam cadeia pequena são líquidos, incolores e solúveis em água,

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realizadas as ligações com esta através das ligações de hidrogênio ionizando e formando íons liberando H3O+ mais o ametal eletro negativo. Quanto maior a cadeia carbônica, menor o grau de acidez dos ácidos e menor o grau de solubilidade em água. Ácidos sem oxigênio são chamados hidrácidos, ácidos compostos por oxigênio são os oxiácidos. Força dos ácidos É medida pela capacidade de ionização. Isto é, capacidade de reagir com a água totalmente ou não. Ácidos fracos não reagem totalmente. Ácidos fortes reagem mais da metade e mais rápido. Hidrácidos fortes: HCl, HBr, HI. Hidrácidos fracos: HCN, HF, H2S. Oxiácidos fortes são aqueles em que a diferença entre o número de átomos de oxigênio e de hidrogênio na molécula é igual ou maior que dois. Como exemplo, o ácido sulfúrico H2SO4(4-2=2). Oxiácidos fracos são aqueles em que a diferença entre o número de átomos de oxigênio e de hidrogênio na molécula é menor que dois. Como exemplo, o ácido hipocloroso HClO(1-1=0). Exemplos de ácidos Ácido metanóico: presente no veneno de formigas. Ácido etanóico: confere sabor azedo ao vinagre. Ácido esteárico: presente em óleo e gorduras. Ácido terefitálico: matéria prima para fabricação de garrafas pet. Ácido salicílico: usado na fabricação de medicamento AAS. Ocorre em vegetais do gênero Salix.

Ácido cítrico O ácido cítrico que até 1923 era obtido a partir de citrato de cálcio, passou a ser obtido por um novo processo de fermentação, que quebrou o poder desse cartel e tornou os preços consideravelmente menores que aqueles praticados antes de 1923. Hoje, quase todo o ácido cítrico é produzido por fermentação. O primeiro relato de isolamento e cristalização do ácido cítrico a partir do suco de limão foi em 1784. Crimaux e Adams em 1880 sintetizaram o ácido cítrico a partir do glicerol.

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Molliard em 1922 descobriu que culturas de A. Niger produziam ácido cítrico sob condições de deficiência de fosfato no meio de cultura. Bioquímica da fermentação do ácido cítrico O ácido cítrico é produzido em meios de cultura por A. niger com pH entre 1.8 e 2.0. O produto final da glicólise é o ácido pirúvico que, na presença de oxigênio, é metabolizado em acetil-CoA., condensando-se em oxalacetato para formar citrato. Esse composto é excretado, não entrando no ciclo de Krebs por interferência do pH muito ácido do meio.

Ácido itacônico Pode ser produzido removendo-se o ácido aconítico presente no caldo da cana de açúcar na forma de aconitato de cálcio, que depois é convertido em ácido itacônico por aquecimento. Também é produzido através de fermentação por Aspergillus terreus. É usado na fabricação de polímeros (acrílico, por exemplo), por co-polimerização. O ácido itacônico confere a propriedade aos polímeros de reter e aceitar tintas de impressão. Também pode ser usados na fabricação de xampus, herbicidas, acidulantes de alimentos e detergentes.

Anidridos de ácidos carboxílicos São óxidos ácidos como o trióxido de enxofre (SO3) ou anidrido sulfúrico que ao reagir com água, produz ácido sulfúrico. SO3 + H2O H2SO4 Os anidridos não são óxidos, mas compostos termóticos de carbono, hidrogênio e oxigênio que correspondem aos ácidos carboxílicos desidratados. O ácido etanóico (ou acético), por exemplo, quando desidratado, forma o anidrido acético. Os ácidos

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monocarboxílicos formam anidridos de estrutura aberta e os dicarboxílicos formam anidridos de estrutura fechada. Os ácidos carboxílicos reagem com cloretos de acila na presença de piridina para fornecer anidridos de ácidos carboxílicos.

ÉSTERES

Os ésteres são compostos resultantes da união de um álcool e um ácido carboxílico, como por exemplo, metanol mais ácido etanóico resultando em etanoato de metilo e água. Este processo chama-se esterificação. Sua característica é possuir sempre um oxigênio com ligação dupla à cadeia carboxílica e um oxigênio com ligação dupla ligado ao mesmo átomo de carbono que o de ligação simples. Isso ocorre devido à substituição de um grupo orgânico no lugar do hidrogênio da carboxila.

Ésteres a partir de cloretos de acila Os ésteres podem ser sintetizados a partir da reação de cloretos de acila com álcoois. Os cloretos de acila são muito mais reativos do que ácidos carboxílicos, portanto reagem mais rapidamente e sem ajuda de catalisadores.

Ésteres a partir de Anidridos de ácidos carboxílicos Os anidridos de ácidos carboxílicos também reagem com álcoois para formar ésteres na ausência de um catalisador ácido. A reação de um álcool com anidrido ou um cloreto de acila é frequentemente o melhor método para sintetizar um éster. Estes reagentes evitam a utilização de um ácido forte, como é necessário para a esterificação catalisada por ácido. Um ácido forte pode causar reações laterais dependendo de quais outros grupos

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funcionais estão presentes. Os ésteres também podem ser sintetizados através de transesterificação.

Aplicações

Essências artificiais de frutas são preparadas com acetatos, butiratos, caprilatos, valeratos, etila e amilas. Na formulação de perfumes, fragâncias e cosméticos, entram benzoatos, cinamatos, salicilatos, ésteres e alquílicos. De uso medicinal encontram-se os benzoatos (miticidas), carbamatos (sedativos) e ésteres de dipropileno glicol (cremes, loções, herbicidas, repelentes de insetos). Para plásticos e fibras sintéticas, usam-se os polímeros dos ésteres dos ácidos acrílicos, metacrílicos, metilpropenóico, meléico, succínico, ftálico, tereftálico; de álcoois (como o vinílico e o alílico) e da celulose (acetatos). O nitrato de eritritol, a nitroglicerina e a nitrocelulose são explosivos. Ésteres de ácidos graxos como a glicerina, os óleos e gorduras são usados na alimentação direta ou na fabricação de margarinas, na indústria de tintas e vernizes (óleo de tungue, oiticica) e na indústria saponífera. Os acetatos estão presentes nos ésteres como solventes diversos.

AMINAS

As aminas são compostos em que o nitrogênio está ligado a três átomos de carbono ou a carbono e hidrogênio. Podem ser consideradas resultantes da substituição de um, dois ou três átomos de hidrogênio da amônia, NH3, por grupos alifáticas-aminas alifáticas – ou aromáticos- aminas aromáticas. Conforme o número de átomos de hidrogênio substituídos no NH3 classifica-se em primárias, secundárias, terciárias. Além destas existem aminas acíclicas, como a cicloexilamina, e heterocíclicas, em que o nitrogênio faz parte do ciclo, como a piperidina ou a morfolina.

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As aminas constituem de carbono, hidrogênio e azoto. O azoto é a designação do grupo composto por Nitrogênio (N) ligado à cadeia carboxílica.

Propriedades As aminas são os compostos nitrogenados mais importantes, especialmente se forem incluídos entre elas os aminoácidos. Todas têm em comum propriedades básicas, podendo dar sai com ácidos fortes. O mesmo par de elétrons do nitrogênio que lhes dá as propriedades básicas, torna as aminas reagentes nucleofílicos importantes.

Produtos a partir das aminas A alquilação dá todos os compostos possíveis, inclusive a base de amônio quaternário. As aminas primárias dão, com o ácido nitroso, álcoois, com perda de nitrogênio. As aminas secundárias dão nitrosaminas, sem desprendimento de gás: (C2H5)2NH+ HNO2  (C2H5)2N-NO + H2O As nitrosamidas são compostos amarelos oleosos que, aquecidos com uma gota de ácido sulfúrico concentrado e um cristal de fenol, dão uma solução verde, que passa a azul profundo, pela adição de solução de hidróxido de sódio. Essa operação é conhecida como reação de Liebermann, do nome do químico alemão Karl Liebermann. As aminas terciárias dissolvem-se em ácido nitroso, a frio; a quente, produzem aldeído ou cetona e nitrosamina. Com as aminas aromáticas primárias, o ácido nitroso dá sais de diazônio (anilina). A reação do ácido nitroso serve para distinguir várias classes de aminas. Com cloreto de benzenossulfonila dão benzenossulfonilderivados, mas somente as aminas primárias e secundárias. Esta é a base do teste de Hinsberg que permite não só distinguir , mas separar aminas das três classes. Com cloreto de nitrosila, aminas primárias dão cloretos de alquila, e aminas secundárias dão nitrosaminas: (C2H5)2NH + NOCl (C2H5)2N-NO + HCl

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Com reagentes de Grignard, as aminas libertam o alcano correspondente, adicionando o grupo MgI. A hidrólise regenera a amina. Com isocianato de fenila, dão uréias substituídas, que são cristalinas e servem para caracterizar as aminas. Com formaldeído e composto carbonílico, dão as bases de Mannich, muito importantes em sínteses orgânicas. Com sulfeto de carbono, aminas primárias e secundárias dão ácidos ditiocarbônicos. Aminas secundárias não reagem com cloreto mercúrico. Com clorofórmio em meios alcalinos, aminas primárias dão isonitrilas, de cheiro característico, nauseabundo. Com compostos carbonílicos dão as bases de Schiff. As da anilina são chamadas anis. Com aldeídos, contendo pelo menos um hidrogênio no carbono vizinho da carbonila, as aminas secundárias dão enaminas. Todas as aminas são oxidáveis, mas se comportam de maneira diferente, conforme sua classe, a natureza do grupo alquila (ou arila) e o oxidante.

Métodos de preparação Geralmente as secundárias e terciárias são preparadas a partir das primárias, ou com estas, como produto intermediário da reação. Métodos que envolvem redução de compostos nitrogenados preexistentes ou formados na reação. Nitro, nitroso, azo, hidrazino, e azido derivados, nitrilas, amidas, hidrazidas, isocianatos, oximas, hidrazinas, benzilaminas, sais de amônio quaternário, N-óxidos e outros compostos podem ser reduzidos cataliticamente ou por meio de hidretos metálicos. Os compostos carbonílicos podem reagir com aminas, dando bases de Schiff, que são reduzidas pelo ácido fórmico, dando aminas terciárias, com pelo menos, um grupo metila: R-NH2 + H2CO  R- N(CH3)2 + CO2 R-N = CH2 + 2HCOOH  R-N(CH3)2 + CO2

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Do mesmo tipo é a obtenção através da metilação redutiva, de aldeídos ou cetonas por meio de formiato de amônio ou formamida e hidrólise ácida do formilderivado. Métodos de hidrólise ou solvólise de diversos compostos, entre os quais uréias, ureatos, isocianatos, isotiocianatos, amidas, imidas, cianamidas, sais de iminas, pnitrosodialquilaminas. Um método muito usado nesse grupo é a decomposição pela hidrazina NH2-NH2. Métodos que dão um produto intermediário, o qual, no curso da própria reação, dá a amina. São muitas as reações desse tipo, sendo a mais importante a de halogenetos orgânicos com a amônia, que resultam na amina primária, mas que não param aí, dando a seguir a secundária, que dá a terciária, que por fim, passa ao sal de amônio quaternário. Com grande excesso de amônia obtém-se, nos casos mais favoráveis, uma mistura com grande predominância de amina primária. É o método de Hofmann. Métodos de adição nucleofílicas, nos quais compostos não saturados, carbonílicos, epóxidos, compostos α, β -não saturados (carbonílicos, carboxílicos, nitrilas) e outros, reagem com a amônia ou aminas, dando compostos de adição com a função amina ou amina e outra. Métodos de adição de compostos organometálicos, tendo como exemplo da adição de nitrilas seguida da redução com hidreto de lítio e alumínio. Métodos de rearranjos moleculares, tendo como exemplo rearranjo de Hofmann com hipobromito, rearranjo de Curtius com hidrazita, e rearranjo de Schmidt com azida.Um rearranjo diferente é a transposição benzidínica, que transforma hidrazobenzeno em benzidina. Métodos de reação com degradação de compostos contendo a função amino, como a descarboxilação de aminoácidos.

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AMINOÁCIDOS

Quimicamente, aminoácidos ou ácidos aminados são todos os compostos que contêm em uma mesma molécula a função amino, NH2, e a função ácida COOH. São constituintes das proteínas e de toda a matéria viva. Há milhares de aminoácidos possíveis, mas apenas cerca de duas dezenas são resultantes de metabolismo animal e vegetal. Todos os aminoácidos naturais são levógiros. Só se conseguem obter por síntese química em laboratório a forma dextrógiras dos aminoácidos.

Métodos de obtenção A forma mais antiga de obtenção da forma dextrógira de α− aminoácidos é a síntese de Strecker, devida ao químico alemão Adolf Strecker que em 1850, obteve aminoácidos através da aminação das cianidrinas, que serve para preparar Gly, Ala, Ser, Val, Met, Glu, Leu, e Phe, mas não serve para os outros, pois não têm estrutura compatível com essa síntese. Também podem se produzir aminoácidos através de adição de hidroxilamina ou hidrazinas e depois redução. Um composto muito usado para a preparação de aminoácidos é ao éster do ácido nitroacético, que se condensa facilmente com aldeídos ou cloretos de acila, podendo ser reduzido, o que permite obter quase todos os aminoácidos, a partir de aldeídos alifáticos, aromáticos, ou heterocíclicos, com dois átomos de carbono a menos. Para obtenção de β− aminoácidos, um bom método é o da adição de amoníaco aos ácidos α, β− insaturados.

AMIDAS

Na combinação entre aminoácidos, que produz as proteínas, a eliminação de água leva à formação do grupo amida. A ligação entre os grupos é chamada ligação peptídica.

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As amidas são os ácidos em que foram substituídos um ou todos seus grupos hidroxilas OH por nitrogênio. Em resumo, são compostos da reação de um ácido carboxílico com amônia ou aminas primárias ou secundárias, com substituição da hidroxila pelo resíduo amina. Na realidade, a reação direta de ácidos com aminas não é um bom método de preparação. Usam-se, geralmente, derivados mais ativos do que os ácidos, como os seus cloretos ou anidridos, cujo carbono sofre o ataque nucleofílico da amina com facilidade: R-CO Cl + H2NR’ R-CO NHR’ + HCl Amidas são usadas na fabricação de xampus, sabonetes líquidos e cremosos, géis, cremes para barbear e em preparações cosméticas. Têm a propriedade de recompor a gordura natural da pele e do cabelo que são retirados pela ação de tensoativos e detergentes, como no que existe no produto comercial HOMYDE D 90®. Monoetanolamida de babaçu não é solúvel em água, mas é dispersa na água quente e nos detergentes usuais, sendo um produto biodegradável.

Métodos de obtenção A carbodiimida é um reagente usado que dá bom rendimento de amida a baixa temperatura. A monólise de ésteres também é usada através do propionato de etila com NH3 resultando em propionamida. Também pode ser obtida através da hidrólise de nitrilas. Neste caso a reação inversa pode ocorrer, obtendo-se nitrilas desidratando as amidas correspondentes com pentóxido de fósforo. Outros métodos são também utilizados em menor escala como a redução de ácidos hidroxâmicos, hidrazidas e outros derivados, ou a oxidação de algumas aminas com dióxido de manganês, ou cetonas com polissulfeto de amônio. Todas as amidas, exceto as formamidas, são sólidos cristalinos.

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Reações

A mais importante reação das amidas é a hidrólise, que produz o ácido correspondente. São ao mesmo tempo ácidos e bases fracas, podendo dar sais como o de mercúrio. Com sódio em álcool, são reduzidas a aminas. Com o ácido nitroso, dão o ácido carboxílico. Com o bromo e o hidróxido de potássio, produzem a amina primária, com um átomo de carbono a menos do que os da amida. Esta é a degradação de Hofmann, um dos métodos de se eliminar um carbono terminal de uma cadeia.

Ácidos hidroxâmicos São compostos análogos às amidas, em que um hidrogênio da hidroxilamina HONH2, em vez da amônia é substituído pelo grupo acila.

Iminoéteres ou imidoéteres

São produtos de reações de nitrilas com álcoois, em meio anidro, em presença de gás clorídrico seco. Com água, os iminoéteres são hidrolisados a ésteres. Quando tratados com amônia, em solução alcoólica, dão amidinas.

Hidrazidas

São produtos de reação de hidrazinas com ésteres ou cloretos de ácidos. Com o ácido nitroso, dão azidas, que por sua vez, reagindo com álcool metílico, dão amidas do ácido acético e uma amina com um átomo de carbono a menos do que os do ácido de da hidrazida original. Este é o método de Curtius de preparação de aminas primárias e serve para eliminar um carbono terminal. 34

Nitrilas São os cianetos de alquila ou arila, R-CN. São compostos importantes em síntese orgânica porque o grupo CN entra facilmente em cadeia carbônica, onde causa um aumento de um átomo de carbono, podendo depois ser convertido em outro grupo funcional.

Método de obtenção

O método de preparação mais simples é a reação direta do cianeto de potássio com um halogeneto orgânico: CH3-Cl + KCN CH3-CN (acetonitrila ou cianeto de metila) Outro método é a reação do ácido cianídrico com um aldeído ou cetona, dando cianidrinas.

Reações

Nitrilas hidrolisadas dão amidas que, por sua vez, dão ácidos. Podem ser reduzidas dando a amina correspondente Com o alcoolato (alcóxido) de sódio, dimerizam, dando iminonitrilas. Com amônia, dão amidinas. Com anidridos, dão amidas terciárias. Reduzidas com cloreto estanoso e ácido clorídrico, dão um produto cuja hidrólise forma o aldeído correspondente.

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URÉIA

A uréia é uma amida derivada do ácido carbônico. É a principal forma de excreção de nitrogênio dos mamíferos. A uréia pura é um sólido branco, inodoro, com ponto de fusão a 135ºC e que não atinge seu ponto de ebulição porque se decompõe antes. Devido ao alto conteúdo de nitrogênio, a uréia é usada em fertilizantes e rações animais. Também é usada na fabricação de resinas para revestimento de assoalhos. A sua produção industrial é feita por catálise entre amônia e dióxido de carbono
2NH3

+ CO2 CO(NH2)2 +H2O

SAL

São derivados de um ácido pela substituição do hidrogênio ionizável por cátions (geralmente metálicos). Por exemplo, o ácido etanóico resulta em etanoato de sódio, o ácido benzóico resulta em benzoato de sódio.

SABÕES

Sais de metal alcalinos com ânions de ácidos carboxílicos de cadeia longos ou ácidos graxos. Estes sais são sabões. A extremidade do ânion tem a estrutura polar devido ao elétron extra no átomo de oxigênio e tende a se juntar com a água, também polar.

POLÍMEROS

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Os polímeros são compostos químicos de elevada massa molecular relativa, resultantes de reações químicas de polimerização. A polimerização é uma reação em que moléculas de um composto, monômero, se ligam umas às outras, para dar origem a uma nova substância, o polímero. A seda, o algodão e a madeira são polímeros naturais. As fibras artificiais, a borracha sintética, o vidro acrílico, os plásticos são polímeros artificiais.

TIOL

Função orgânica também chamada de tioálcool. O prefixo tio vem do grego e significa “enxofre” São compostos no qual o átomo de oxigênio de um álcool foi substituído por um átomo de enxofre. São conhecidos na indústria por mercaptanas. Do latim mercurium captans que significa “captador de mercúrio” por esses elementos terem alta afinidade pelo mercúrio. Algumas mercaptanas são usadas como antídoto nos casos de envenenamento por mercúrio. Os tióis são características substãncias produzidas por gambás.

SULFETO

É semelhante ao éter, mas o átomo de enxofre toma o lugar do átomo de oxigênio. Fazem parte deste grupo os sulfóxidos e dissulfetos presentes em alho e cebola, que têm cheiros característicos e provocam irritação nos olhos.

Ácidos sulfônicos Quando a reação entre o ácido sulfúrico e um hidrocarboneto resulta em água, tem-se também a formação de ácido sulfônico. São ácidos orgânicos não carboxílicos. O

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hidrogênio –SO3H é ionizável. Esses compostos podem reagir com bases metálicas, dando origem aos sulfonados iônicos. Os primeiros detergentes foram fabricados por meio dessa reação. Um hidrocarboneto de cadeia longa (mais de dez carbonos) era sulfonado, e o ácido sulfônico, neutralizado por uma base forte (NaOH ou KOH). O sulfonado iônico resultante imita o comportamento de um sabão. Como nos sabões a longa cadeia do hidrocarboneto corresponde à parte apolar (que se junta aos materiais apolares) e a extremidade iônica se junta à água. A segunda guerra mundial dificultou a importação de óleos vegetais pelos países europeus, onde eram utilizados na fabricação de sabão. Com a escassez desses óleos, a saída foi produzir compostos que faziam o mesmo papel dos sabões: eram os detergentes. O enxofre também tem muitas propriedades usadas na indústria: A sulfanilamida (bactericida), a sacarina (adoçante), 3-metilbutanotiol (odor de gambá) ciclamato de sódio (adoçante)

COMPOSTOS ORGANOMETÁLICOS

São metais que formam ligações covalentes com átomos de carbono. Exemplo: tetraetil de chumbo: quatro radicais etil ligados a um átomo de chumbo. Compostos que apresentam o metal magnésio são chamados de compostos de Grinard e também se apresentam como os compostos com chumbo, associados à cadeia carbônica.

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HIDROCARBONETOS NÃO AROMÁTICOS

São caracterizados por terem o anel cíclico incompleto, faltando todas as ligações que o une, ou por não terem o anel. Em 1960, o náufrago de um navio petroleiro quase erradicou as algas Fucus da costa inglesa. Isso aconteceu devido à presença de hexano, hidrocarboneto capaz de imitar a ação do hormônio sexual fucosserrateno, confundindo os espermatozóides dessa espécie, que se perdiam ao tentar encontrar os gametas femininos. Outros exemplos de substâncias nas quais estão presentes os hidrocarbonetos não aromáticos são o aroma do limão (limoneno), os ferormonas e o isoctano (gasolina).

ALCANOS

Os alcanos eram denominados parafinas (“pouca afinidade”) por não reagirem facilmente em solução. São caracterizados por possuírem apenas ligações covalentes simples entre os carbonos e obedecerem à fórmula geral CnH(2n+2), formando uma série homóloga. Como exemplo pode-se ter o propano encontrado no GLP (C3H8 gás liquefeito de petróleo), o hexano (C6H14 próprio petróleo) e o farnesano (C15H32) que é o aroma de cerveja.

ALCENOS

Também chamados de alquenos ou alefinas (formador de óleo). Pelo eteno é capaz de formar compostos oleosos com halogênios. Possuem ao menos uma ligação dupla entre átomos de carbono. Com mais de uma dupla, tem-se os alcadrienos (duas duplas) e os alcatrienos (três duplas).

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“Os alcenos que têm apenas uma dupla ligação tem fórmula geral CnH2n, isto é, dois átomos de hidrogênio a menos que a fórmula geral que rege os alcanos. Conclusão: a cada dupla ligação que surge na molécula, dois átomos de hidrogênio são eliminados”

Etileno É um hormônio vegetal. Quando plantas, frutas e flores são expostas a esse alceno, seu crescimento é acelerado e as frutas amadurecem mais rápido.

ALCINOS (OU ALQUINOS)

Possuem ao menos uma tripla ligação entre carbonos. Alcadiinos possuem duas triplas ligações entre carbonos e alcatriinos possuem três triplas ligações entre carbonos. Os alcinos não são muito comuns na natureza. Obedecem á fórmula geral CnH(2n-2). A cada tripla ligação que surge na molécula, quatro novos átomos de hidrogênio são eliminados. A folha de picão contém um alcino que tem atividade antibiótica.

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HIDROCARBONETOS CÍCLICOS NÃO AROMÁTICOS

Molécula de hidrocarboneto que não apresenta extremidade de maneira que seus átomos formam um ciclo. A pripioca tem um aroma agradável que é formado pela eudesmona. Como esse composto possui átomos na forma de cadeia cíclica também, diz-se que é formado por cadeia mista.

CICLOPROPANOS

Obedecem à regra geral CnH2n. Há dois átomos de hidrogênio a menos na fórmula dos alcanos, portanto, o surgimento de um ciclocarbônico na molécula elimina dois átomos de hidrogênio em relação ao “alcano-parente”: Propano: C3H8; Ciclopropano: C3H6 e Pentano: C5H12; Ciclopentano C5H10.

HIDROCARBONETOS HALOGENADOS

São resultantes da substituição de um ou mais átomos de hidrogênio de um hidrocarboneto por átomos de elementos do grupo dos halogênios. São exemplos o freon (tripode CFC) CF2Cl2, o clorofórmio CHCl3, o tricloroeteno (líquido usado na lavagem a seco) C2HCl3 e o perfluorodecolina (“sangue natural” que solubiliza o gás oxigênio 500x mais que em água. Pode-se respirar nessa solução e fazer transfusões sanguíneas para qualquer pessoa, independentemente do tipo sanguíneo). C10F18.

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CONCLUSÃO

Os compostos orgânicos estão presentes em todas as etapas de nossa vida, podem ser de grandes utilidades nas mais diversas áreas como na agricultura, medicina, entre outras. Porém também pode causar grandes danos ambientais, destruindo ou contaminando, regiões inteiras, sendo assim é de suma importância que toda a sociedade conheça e aprenda a utilizar estes compostos, para que não tenhamos impactos ambientais, e possamos aproveitar todas as potencialidades dos mesmos. Os princípios dos métodos de formação dos compostos orgânicos são a base para o esclarecimento de formação de novos produtos, que tanto em pesquisa acadêmica como em produção industrial proporcionam novas perspectivas de transformações orgânicas.

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BIBLIOGRAFIA

Solomons, G. Fruhle, B.C. Química orgânica vol2. LTC Ciscato. Pereira. Planeta química http://www.christiananswers.net/portuguese/q-eden/origin-of-life-port.html Enciclopédia Britânica do Brasil

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