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Empreendedorismo

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  • Ementa
  • Aula 01 – Introdução ao Empreendedorismo
  • CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS
  • Aula 02 – Distinções de Aprendizagem
  • DISTINÇÕES DA APRENDIZAGEM
  • Aula 03 – A Teoria do Observador
  • A TEORIA DO OBSERVADOR
  • TIPOLOGIAS DO OBSERVADOR : OS ENFOQUES ÚNICO E MÚLTIPLO
  • Aula 04 – Domínios Constitutivos do Observador
  • OS TRÊS DOMÍNIOS CONSTITUTIVOS
  • Aula 05 – O Observador e a ação
  • INTRODUÇÃO
  • NOÇÃO DE PESSOA
  • NOÇÃO DE MAESTRIA
  • TIPOLOGIA DE AÇÕES
  • O OBSERVADOR DENTRO DA VISÃO DA NOVA SISTÊMICA
  • Aula 01 – Competêcias Empreendedoras
  • DISTINÇÃO DE COMPETÊNCIATINÇÃO DE COMPETÊNCIA
  • Aula 02 – Competências Empreendedoras
  • COMPETÊNCIA PARA OS RELACIONAMENTOS
  • Aula 03 – Competências Empreendedoras
  • COMPETÊNCIAS PARA A AÇÃO
  • Glossário
  • Referências Bibliográficas
  • Referências Eletrônicas

Empreendedorismo

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA
Reitor Prof. MSc. Pe. José Romualdo Desgaperi Pró-Reitor de Graduação Prof. MSc. José Leão Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Prof. Dr. Pe. Geraldo Caliman Pró Reitor de Extensão Prof. Dr. Luiz Síveres

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA VIRTUAL
Diretor Geral Prof. Dr. Francisco Villa Ulhôa Botelho Diretoria de Pós Graduação e Extensão Prof.ª MSc. Ana Paula Costa e Silva Diretoria de Graduação Prof.ª MSc. Bernadete Moreira Pessanha Cordeiro Coordenação de Informática Weslley Rodrigues Sepúlvida Coordenação de Apoio ao Aluno Prof. Esp. Núbia Rosa Coordenação de Pólo e Relacionamento Francisco Roberto Ferreira dos Santos Coordenação de Produção Maria Valéria Jacques de Medeiros da Silva Equipe de Produção Técnica Analista Profª Doutoranda Sheila da Costa Oliveira Profª Drª Wilsa Ramos Editoras de Conteúdo Cynthia Rosa Marilene de Freitas Web Designers Edleide Freitas Marcelo Rodrigues Gonzaga Conteudistas 5º Semestre Prof. Dr Gentil José de Lucena Filho Profª MSc Margarita Morales

........................................................................ 19 TIPOLOGIAS DO OBSERVADOR : OS ENFOQUES ÚNICO E MÚLTIPLO ........................................................................................................ 27 OS TRÊS DOMÍNIOS CONSTITUTIVOS ................................. 11 CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS .......................................................................................................... 33 NOÇÃO DE PESSOA ............................................................................................................................................................................. 65 Glossário ............................................................. 71 Referências Bibliográficas ................................................................ 9 Aprendizagem para a vida e .... 9 Teoria do Observador............................................................................................................... 41 Aula 04 – Domínios Constitutivos do Observador............................................................... 6 ::: Parte 01 ::: ......... 83 DISTINÇÃO DE COMPETÊNCIATINÇÃO DE COMPETÊNCIA ........................... 27 Aula 05 – O Observador e a ação ................................... 55 Aula 03 – Competências Empreendedoras......................................................................... 15 A TEORIA DO OBSERVADOR ........................................................................ 19 INTRODUÇÃO ............................................. 33 ::: Parte 02 ::: ................................................................ 24 INTRODUÇÃO .................................................................... 65 5 ...................................................................................................................... 47 COMPETÊNCIA PARA OS RELACIONAMENTOS .. 55 COMPETÊNCIAS PARA A AÇÃO..................................... 15 Aula 03 – A Teoria do Observador ................Empreendedorismo Sumário Sumário Ementa............................................................. 45 Competências Empreendedoras ....................................... 9 Aula 01 – Introdução ao Empreendedorismo ............................................... 34 NOÇÃO DE MAESTRIA ...................................................................................................................................................................................................... 45 Aula 01 – Competêcias Empreendedoras............................... 11 Aula 02 – Distinções de Aprendizagem ........................................................................................... 81 Referências Eletrônicas ............. 39 O OBSERVADOR DENTRO DA VISÃO DA NOVA SISTÊMICA ..... 27 INTRODUÇÃO ................................................ 47 Aula 02 – Competências Empreendedoras............................... 37 TIPOLOGIA DE AÇÕES...................................................................................... 12 DISTINÇÕES DA APRENDIZAGEM ...........................

tipicamente.. em benefício da Sociedade.. Dito em outros termos. técnicas. idéias. mas algo que.. com base nisso.. atitudes e valores e que.) e habilidades (uso de ferramentas. se propõe.Empreendedorismo Ementa e objetivos Ementa O propósito básico deste curso é desenvolver competências empreendedoras. a idéia da disciplina é desenvolver competências empreendedoras . Se assenta na idéia de que empreendedorismo é essencialmente uma questão de atitudes e de valores e. portanto.. motivações e sonhos de cidadania.. métodos. proporcionando-lhe distinções (ie. pode ser aprendido e desenvolvido..) através das quais possa por em prática . assume-se que competência é fruto de uma combinação de conhecimentos. também. habilidades. Esta curso lhe oportunizará: Ampliação crítica do conhecimento a respeito dos temas: • • • • • • Empreendedorismo Características do emprendedor Teoria do Observador Aprendizagem O empreendedor como um observador Competências empreendedoras Reflexão criativa sobre: • • • • Características pessoais O empreendedor que você é O observador que você é Competências empreendedoras que você possui Mudança ou consolidação da práxis em relação a: • Empreendedorismo 6 . conhecimentos. a fazer desabrochar no(a) aluno(a) seu espírito empreendedor. conceitos. seus talentos. que não são exclusivamente uma questão de talento.

Empreendedorismo Ementa e objetivos • • • • • • Empreendedor Aprendizagem Observação Metas pessoais Competências Avaliação 7 .

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Empreendedorismo Parte 01 ::: Parte 01 ::: Aprendizagem para a vida e Teoria do Observador 9 .

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onde quer que ele esteja. a noção de empreendedorismo é associada com as noções de ter ou desenvolver um empreendimento e de ser um empresário. inovando-a no cotidiano e principalmente quando se torna conscientemente o protagonista da sua história. desempenhando seu trabalho com altos níveis de inovação. O desafio de nos tornarmos empreendedores é o desafio de sermos responsáveis pelo nosso futuro e pelo futuro da comunidade em que vivemos. como por exemplo. e o lado negativo é ser uma pessoa esquisita. realizando atividades sociais. INTRODUÇÃO Um dito popular afirma que “os empresários nascem. Compartilhamos parcialmente com estas idéias porque pensamos que o empreendedor é isso e muito mais. Comumente associamos aspectos positivos ou negativos à imagem do empreendedor. a uma postura diferenciada diante das situações da vida. retornando ao dito popular mencionado no começo.Aula 01 Aula 01 – Introdução ao Empreendedorismo Nessa primeira aula. é consciente do seu papel na comunidade à qual pertence e se sente responsável pelo passado e pelo futuro que têm em comum. Por isso. entre outros. mas quando atua se envolvendo com a mudança. aprendendo na organização. Assim. FERNANDO FLORES(1995). participando dos processos de governo com responsabilidade. promovendo uma melhor qualidade de vida nas organizações. Um grande pensador e empreendedor contemporâneo. é um termo mais abrangente que se refere a uma atitude. Entendemos o empreendedorismo como uma atitude. um estado de espírito que nos motiva e impulsiona para sonhar e agir. Empreendedor não diz respeito somente àquelas pessoas que criam novas empresas. Entendemos o empreendedor como um agente de mudanças. persistente e ter uma clara visão de futuro. diz que o ser humano alcança sua plenitude não na sua reflexão abstrata. De forma geral. o lado positivo é ser audacioso. enxergando oportunidades nos momentos de crise. existem empreendedores criando empresas e gerando empregos. Este dito nos toca de diversas maneiras ao abordar o tema do empreendedorismo. uma postura perante a vida. Este ser humano na plenitude do seu ser. agenciando programas educativos e de conscientização ambiental. não se fazem”. vamos apresentar as características do empreendedor e as suas capacidades básicas. poderíamos contrapor outro assim: “empreendedores nascemos e nos fazemos”. para sermos AGENTES DE MUDANÇA e transformação. que gosta de correr riscos e que se ocupa só consigo mesmo e com o dinheiro.Empreendedorismo Parte 01 . 11 .

o que não quer dizer “sonhador” ou iludido. tendo um objetivo qualquer. • Energia . Não necessitam de prêmios externos. no sentido obreiro da palavra.O empreendedor acredita que sua realização depende de si mesmo e não de forças externas sobre as quais não tem controle. O empreendedor dispõe dessa reserva de energia. • Voltado para equipe .O empreendedor não fica esperando que os outros decidam por ele. por estar motivado.A iniciativa. • Decisão e responsabilidade . • Controle e influência .Empreendedorismo Parte 01 . como recompensação financeira. sem esperar que os outros (o governo. vinda provavelmente de seu entusiasmo e motivação. • Sem temor do fracasso e da rejeição .Pessoas empreendedoras são capazes de se automotivarem com desafios e tarefas em que verdadeiramente acreditam. Se não acreditasse. Obtém resultados por meio dos outros.O empreendedor aceita riscos. por exemplo. cauteloso e precavido. muitas vezes.Aula 01 CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS Vejam as principais características do empreendedor: • Aceitação do risco . São capazes de se entusiasmarem com suas próprias idéias e projetos. oferecer-se para realizar tarefas desafiadoras. ainda que seja. A verdade é que ele os aceita em alguma medida. • Persistência . Ele se vê como capaz de controlar a si mesmo e de influenciar o meio de tal modo que possa atingir seus objetivos. então. delega.Há situações que requerem uma dose de energia para se lançar em novas realizações. convicto. entusiasmado e crente nas possibilidades. enfim. ousar. acredita nos outros.O empreendedor fará tudo o que for necessário para não fracassar. • Otimismo . o padrinho etc) venham resolver os seus problemas. • Autoconfiança . acredita na possibilidade de solução dos problemas. Os empreendedores são pessoas que começam coisas novas.O empreendedor tem autoconfiança.O empreendedor. Ele toma as decisões e se responsabiliza pela decisão tomada e pelas conseqüências. isto é. o empregador. mas não é atormentado pelo medo paralisante do fracasso. • Automotivação e entusiasmo . o parente. torna-o mais empreendedor. é capaz de persistir até que as coisas comecem a funcionar adequadamente. Ele cria equipe.O empreendedor é otimista. acredita no potencial de desenvolvimento da vida. é a capacidade daquele que. age: “arregaça as mangas” e parte para a solução. • Iniciativa .O empreendedor em geral não é um fazedor. Acreditar em si mesmo faz o indivíduo arriscar mais. paralisadas. Acredita nas possibilidades que o mundo oferece. acredita em si mesmo.ficam. enfim. seria difícil para ele tomar iniciativas. 12 . que usualmente exigem intensos esforços iniciais. Pessoas com pouco amor próprio e medo do fracasso preferem não tentar correr o risco de errar .

um empreendedor pode ser uma pessoa que inicia projetos sociais e comunitários. e mesmo aquele que gera um auto-emprego como profissional autônomo. Ser empreendedor é uma questão de atitude e. Estamos convencidos que é uma qualidade em potencial que. que perceba o mundo como um imenso e inesgotável espaço de possibilidades. construa um histórico de realizações . a profissão é um critério irrelevante. Nós concordamos com esta noção porque.desde que se oriente pela ação e por resultados. ao longo de sua existência. No Brasil. seja como funcionário ou como dono de empresa. por isso. Nós. imaginação e que. A totalidade dos textos pesquisados. há um movimento orquestrado pelo Governo no setor de tecnologias da informação no qual se destaca o trabalho do FERNANDO DOLABELA (1999). uma Questão de Atitude FILION. Essa atitude compreende três capacidades básicas: 13 . Qualquer pessoa . O Que é Empreendedorismo? Empreendedorismo tem a ver com o fenômeno humano e se traduz na maneira de estar e agir no mundo. que tenha visões. Para se definir um perfil empreendedor. mas como um criador de mundo.Empreendedorismo Parte 01 . vem se dedicando ao desenvolvimento do empreendedorismo no Brasil. um gestor público que mobiliza sua equipe ou gera novas políticas governamentais. acreditamos que ser empreendedor é desenvolver um potencial que todo ser humano tem. professor da UFMG. Ser empreendedor não é uma questão de talento só para alguns escolhidos. em livros. seja na Internet. desenvolve e realiza visões. FLORES (1995). afirma que o ser humano vive em plenitude quando é empreendedor. para além das distinções empresariais vinculadas ao empreendedorismo de um modo geral. Esta idéia nos atrai mais porque vê o ser humano não como um consumidor da vida. Esse empreendedor é consciente de sua vida na comunidade e isso requer compartilhar o passado e o futuro e exercer solidariedade. o empreendedorismo é fundamental para qualquer maneira de ganhar a vida. independentemente de se a pessoa é um empresário ou não. introduzindo inovações e provocando a expansão da empresa. há cerca de uma década. um colaborador que desafia seu próprio tempo e recursos. segundo ela. é muito comum entre a população em geral.pode ser considerada um empreendedor. A alavancagem da indústria de software no Brasil passa pela influência do trabalho deste autor que. invariavelmente apresenta o empreendedor como aquele que se torna empresário. quando teve início o ainda hoje prioritário programa de governo Softex. (1993) um dos principais pesquisadores sobre empreendedorismo no Canadá. define o empreendedor como uma pessoa que imagina. por outro lado. ou em cursos promovidos por instituições brasileiras. ao contrário do que se pensa.Aula 01 Empreendedorismo.

Empreendedorismo também requer a geração de resultados úteis para a sociedade. Essa capacidade está marcada por um sentimento de “querer fazer” antes mesmo do fazer propriamente dito. discutindo o papel do empreendedor como co-responsável social. o sentido de realizar a ação. a capacidade de tomar a iniciativa. para falar do empreendedor. Como Observamos o Empreendedor? Este será um mapa de rota que iremos ampliando e completando no transcurso da unidade.Uma vez instalado o querer fazer.Isto é. nesse sentido. nesta disciplina. empreender também compreende o “sentido de realização”. é uma questão de atitude. da atitude. O empreendedorismo. buscar soluções inovadoras e agir no sentido de realizar objetivos pessoais ou comunitários. O empreendedorismo. nesse sentido.Aula 01 • A capacidade de observação diferenciada do mundo . estaremos. Conclusão: As noções de observação privilegiada. 14 . se tornaria inócuo. atitude imprescindível e necessária para a ação exitosa.Empreendedorismo Parte 01 . sem a qual o sentimento anterior do querer. essas capacidades são aprendidas ao longo da vida da pessoa. também trazem consigo a noção de aprendizagem. ações significativas e resultados conseqüentes. além de situarem o empreendedorismo sugerindo uma visão diferenciada. Isso porque não se nasce com as capacidades de observar.Observação privilegiada e ações significativas não bastam por si só. • A capacidade de realizar ações significativas . Pretendemos com ele fazer um ponto de checagem e resumo dos conteúdos no transcorrer das unidades. • A capacidade de gerar resultados úteis para a sociedade . agir e obter resultados. mesmo que não estejamos enfatizando a atividade. ou seja. é uma questão de consciência social e.

requer sensibilidade para dar matizes.Aula 02 Aula 02 – Distinções de Aprendizagem Nessa segunda aula.Empreendedorismo Parte 01 . Tenha uma boa aula! DISTINÇÕES DA APRENDIZAGEM A aprendizagem é tanto uma arte quanto uma disciplina: enquanto arte. somos aprendizes durante toda a vida. enquanto disciplina. e terceiro. com a prática) e nos permite desenhar o futuro (fazer história. Existem três condições para que possamos dizer que sabemos: primeiro. Em resumo. no qual podemos declarar que sabemos fazer esse algo. identificamos situações nas quais somos “experts” e outras em que somos simplesmente principiantes. 15 . criar). sem precisar da ajuda de outros. que se assenta no passado (história). se realiza no presente (com a ação. com eficácia e eficiência. requer humildade e firmeza de propósito para superar o fracasso. nem com os quais sabemos lidar. e também a capacidade para respeitar-se sempre. como em qualquer outro momento de nossas vidas. é um processo que tem características estruturais. em qualquer condição. Tudo isso é aprendizagem. Os Níveis de Aprendizagem Existem níveis escalonados no processo da aprendizagem. estamos aprendendo. os níveis de aprendizagem e os desafios da aprendizagem. ou seja. segundo. tanto no domínio pessoal quanto organizacional. A vida nos apresenta situações nas quais não sabemos o que fazer. ou seja. Por isso. para lidar com incertezas. Referimo-nos à aprendizagem como um processo que permeia todos os domínios da vida e não só aquele associado ao “aprendizado de sala de aula”. As reflexões de Fernando Flores (1995) sobre o fenômeno da aprendizagem nos dizem que nela podemos identificar dois tempos: um tempo inicial. no qual não sabemos fazer algo e um tempo final. Coloca-nos diante do desconhecido e exige que atuemos com alto grau de efetividade. para ser audaz. E aprendizagem continuada é desenvolvimento. que consigo resultados positivos recorrentemente. que isso que aprendi posso fazê-lo com autonomia. apresentaremos a aprendizagem como um fenômeno humano. que posso fazê-lo com efetividade. ainda hoje. A aprendizagem tem um papel fundamental nos resultados que obtemos. Desde o momento em que nascemos. Você se lembra de como se sente quando é pego sem saber como fazer algo? É nesses momentos que ter a noção de ser aprendiz converte tais situações em oportunidades para expandirmos nossa consciência e nossas competências.

em conseqüência. Observa seus próprios limites e os limites da sua disciplina e se esforça para superá-los. O especialista está em condições de ensinar a outros. Palavras-chave: segue regras. não precisa mais seguir regras ou instruções.Neste nível.Neste nível. • Competente . Palavras-chave: Sabedoria prática.Neste nível. a própria UNESCO. podendo antecipar e lidar com problemas sem muita deliberação sobre o que tem que fazer e. apresenta os Quatro Pilares da Educação: conhecer. o aprendiz começa a demonstrar capacidade de atuar em domínios novos. Vejamos. ele não só consegue se desempenhar no seu domínio. Ou seja. Seu trabalho será rotineiro e terá dificuldades em responder a situações novas. Esta progressão vai desde o nível do principiante até o nível do mestre. passará a se referir a um quinto pilar da Educação: o saber-aprender. Posteriormente. • Mestre . o aprendiz é reconhecido por outras pessoas pela sua destreza com o assunto. observando-as e criando possibilidade de reconstituição substancial. • Especialista .Neste nível. ser e conviver. Ele consegue rapidamente identificar novas situações e tem experiência para se adaptar às novas circunstâncias. mas também é capaz de criar uma revolução na história desse domínio. Seu desempenho é considerado bom. Palavra-chave: Excelência. Sabe se deparar com as anomalias da disciplina. o aprendiz começa a desenvolver habilidades seguindo as regras e distinções dadas por um manual. ainda que sob supervisão. Palavra-chave: reinventando a disciplina. já não é mais aprendiz porque possui excelência histórica. • Virtuoso .Aula 02 Fernando Flores (1995) compreende o desenvolvimento da aprendizagem das pessoas num processo progressivo através de seis níveis de competências. a seguir: • Principiante . Embora não confie em si mesmo para atuar independentemente. Essa comissão pensa 16 .Neste nível. Palavras-chave: reconhece situações. Seu mundo expande-se. • Principiante avançado . embora não consiga ainda lidar com situações inesperadas que estejam fora de suas práticas padrões. Modelo de Aprendizagem Jacques Delors.Empreendedorismo Parte 01 . fazer. através de seus dirigentes. O principiante não tem condições para antecipar a maneira como vai agir em situações em que não existam as regras que ele aprendeu. o aprendiz sabe executar sua tarefa com excelência e ainda aumenta a efetividade das pessoas que estão à sua volta. o aprendiz trabalha com independência.Neste nível. já demonstra ter experiência em usar regras e começa a distinguir sintomas nas situações. mesmo que ainda não seja líder ou inovador nesse campo. no Relatório feito para a UNESCO sobre Educação para o século XXI. Os resultados que obtém são acima da média. Palavras-chave: supera limites. na medida em que valoriza cada vez mais a experiência e a sabedoria adquirida para reconhecer e antecipar problemas que estão além de sua competência atual.

desenvolver suas capacidades profissionais e interagir na sociedade. Uma nova concepção de Educação visa a realização da pessoa na sua totalidade. com igualdade de oportunidades. O processo de aprendizagem do conhecimento nunca estará acabado e pode se enriquecer com qualquer experiência. aprender a fazer tem a ver com realizar a tarefa. • Aprender a conhecer . tanto nos planos cognitivo e prático quanto no plano do indivíduo como pessoa e membro de uma sociedade. e. Isso é 17 . em que todos possam descobrir. mais que adquirir um repertório determinado de conhecimentos. está relacionado ao exercício de atividades informais. Isso é estimulado até mesmo pelo sistema educativo. Por outro lado. esta aprendizagem é um dos desafios mais importantes não só para o sistema educativo.Ligado com a idéia de aprender a conhecer. De maneira natural. o aprender a fazer vai além de adquirir o simples conhecimento do quê e do porquê das coisas. executar a ação propriamente dita. tendo em vista o contexto de oportunidade e efetividade em que a ação se insere. • Aprender a conviver . são muito freqüentes. direitos e possibilidades. Sem dúvida. e com esta realização é que se atinge o resultado desejado.O aprender a conhecer visa. Direito. desenvolver o domínio dos instrumentos do conhecimento. o objetivo fim. procurar. Temos dificuldades em valorizar o outro e suas qualidades diferentes. em geral. É no fazer que a ação significativa se realiza.O aprender a fazer também está relacionado com a noção de educação profissional e a educação para a realização de atividades informais. revelar o tesouro escondido em cada um de nós. em países em desenvolvimento como os da América Latina. que se realiza ao longo da vida. a memória e o pensamento de análise e síntese. agora. nas quais existem conhecimentos e maneiras específicas de fazer. como Medicina. com o clima de competição que prioriza sucesso individual. estimular e fortalecer o potencial criativo. propor e interpretar. religioso. Em outras palavras. Por um lado. vai permitir à pessoa compreender o mundo. seja este político. Aprender a conviver significa ver o outro como um legítimo outro. Engenharia etc..Empreendedorismo Parte 01 . como nas áreas de comércio. mas para nós mesmos. o setor de serviços que não estão associados a uma profissão formal e que. está relacionado à formação profissional e ao desempenho de atividades formais. Aprender a conhecer aproxima-se de dois objetivos: um meio e outro fim: o objetivo meio. vai permitir à pessoa experimentar o prazer do conhecer. o deleite de descobrir novos mundos. exercitando a atenção. inquirir. • Aprender a fazer . nos acostumamos a valorizar mais as nossas qualidades e as qualidades do grupo a que pertencemos.Aula 02 que cada pilar deverá ser objeto do ensino estruturado para que a educação seja uma experiência global. Por instrumentos do conhecimento entendemos aprender a refletir. artesanato e. cultural. Assim se ultrapassa a visão da aprendizagem puramente instrumental e chega-se a uma visão de aprendizagem integral e presente durante a vida toda.Aprender a conviver visa a descobrir progressivamente o outro e atuar em projetos com interesses comuns com esse outro.

em todos os domínios do ser. aprende a ser o dono da sua realidade e aprende a conviver com responsabilidade e participação. por si mesmo. 18 . da sensibilidade. • Aprender a ser . Aprender a ser é um complemento do aprender a conviver. é possível estabelecer comunicação entre os membros de grupos diferentes. numa viagem de maturação contínua como indivíduo. de nosso potencial e complexidade.Aula 02 possível quando conseguimos perceber-nos como diferentes e legítimos. inventor de realidades e criador de sonhos. abrindo um espaço de respeito e legitimidade mútua. formular os seus próprios juízos de valor. como atuar nas diferentes circunstâncias da vida. Aprender a ser é um processo que começa pelo conhecimento de nós mesmos. criar projetos comuns em beneficio dos outros. Aprender a aprender é uma metaaprendizagem. do sentido estético e da espiritualidade. da responsabilidade pessoal e social. de modo a poder decidir.Aprender a ser visa ao desenvolvimento total da pessoa. Aprender a aprender supõe uma atitude aberta aos acontecimentos e experiências na vida. membro de uma comunidade.Empreendedorismo Parte 01 . da inteligência. Como Observamos o Empreendedor ? Conclusão: O empreendedor adquire as capacidades que o diferenciam a partir do desenvolvimento dos pilares da educação. anteriormente mencionadas. Aprender a ser significa o desenvolvimento do espírito e do corpo. Ele aprende a conhecer e a fazer certas coisas. É o saber que permeia os outros quatro pilares e que significa aprender a se beneficiar das oportunidades oferecidas ao longo da vida. Aprender a conviver significa sentirmo-nos co-responsáveis e co-autores das realidades sociais e encontrar os objetivos comuns. que abram espaços para a cooperação e até para a amizade. Todo ser humano deve ser educado e preparado para elaborar pensamentos autônomos e críticos. Então.

de agora em diante. Se vamos juntos a um mesmo restaurante e eu sou um freguês. fazer um mergulho em novos conceitos sobre o tipo de observador que somos. segundo as distinções de cada pessoa nessa mesma situação. suas distinções básicas e importância. outros a partir de sua vida familiar. Tem quem fale de si mesmo a partir de sua vida profissional. que serão as questões que vão definir se freqüentarei novamente o local. do ambiente aconchegante e da decoração em geral. do atendimento. Distinções do Observador Observar é o resultado dos atos de perceber e distinguir. todos estamos falando a partir do observador que somos e das coisas que são importantes para nós.Empreendedorismo Parte 01 . A TEORIA DO OBSERVADOR Pretendemos. ninguém poderá escrever esse mesmo relato. vamos introduzir as desconhecidos. ou de seus sonhos e crenças. Por sua vez. Vejamos as distinções: Somos Observadores Diferentes A primeira e mais importante distinção é que somos observadores diferentes. Somos diferentes porque temos distinções diferentes. Vamos apresentar-lhe as distinções do observador. Isto nos faz definitivamente diferentes. Damos maior ênfase e atenção a certas coisas e a outras não. Mas por que somos diferentes? Vamos observar com lupa o relato do EU SOU para descobrir outras coisas.Aula 03 Aula 03 – A Teoria do Observador Nesta aula você estudará a teoria do observador. as observações que você poderá fazer a respeito do preparo e apresentação da comida serão muito mais sofisticadas que as de um simples freguês. portanto. ou a partir da trajetória acadêmica. Qualquer distinções do observador. 19 . pedimos a sua abertura e entusiasmo para esta viagem que o levará a lugares que seja. Uma mesma situação é observada de forma diferente. eu poderei fazer observações acerca do meu gosto particular de tempero. Neste tópico. Outros falam a partir dos costumes do lugar onde nasceram e outros pelas perdas que teve de seres amados. Leia o texto que você redigiu na atividade 1 (EU SOU). Cada um de nós tem experiências diferentes. ainda que tenha passado por situações iguais. mas você é um chefe de cozinha.

o que para outros. com as distinções que tem. com isso. por exemplo. Minha opinião sobre o que me acontece faz com que aprecie mundos de possibilidades diferentes. a capacidade de fazer juízos. possuímos um conjunto de ações possíveis. Os juízos com os quais observamos o que acontece à nossa volta orientam nossas ações a rumos diferentes. esporte. Não nos interessa discutir qual juízo é melhor ou pior e. mesmo que você discorde. o Brasil vai mudar. também nos faz ser observadores diferentes. as conversações que você tem com colegas ou amigos. depois de todo o sufoco e esquentamento. então qualquer iniciativa será considerada como apenas mais uma. Essa distinção é complexa. mostrar que qualquer que seja o juízo que se tenha. Lembre-se do último filme que assistiu com algum amigo ou amiga. Esta é outra distinção essencial do observador. mas vamos tentar avançar de uma maneira simples e cuidadosa. Outra coisa que podemos observar na história do EU SOU são as narrativas. a conversa termina num acordo de respeito pela diferença de opiniões. descobre que o outro observou coisas muito diferentes de você. para cada observador. Lembre-se da última notícia sobre o Governo ou sobre futebol comentada no escritório. as decisões que você toma no seu trabalho. somos afetados pelo que nos acontece. e isto nos leva a tomar partido e fazer juízos diferentes. Ele. os acontecimentos vivenciados por você. como observadores.Empreendedorismo Parte 01 . O Observador Inventa e Constrói sua Própria Realidade. constituímos mundos diferentes. ou seja.Aula 03 Segundo o tipo de distinções. Após a sessão. então minha maneira de apreciar as mudanças será aberta e vai facilitar que novas coisas aconteçam. estão se abrindo ou fechando possibilidades. Se tiver o juízo de que. pode fazer intervenções no cérebro de outro ser humano com expectativa de sucesso. etc. gerando um sentido de coerência e significados entre as distinções que fez. sim. e isso a faz diferente. o que corresponde ao posicionamento que o observador assume ao usar as distinções. que não compartilha dessas distinções. para o outro narrador ela faz sentido. Observe que existem ações que você consegue realizar na sua vida porque tem distinções específicas que diferenciam dos outros. E você se dá conta de que. Estamos seguros de que você já participou ou presenciou discussões intermináveis em temas de controvérsia como política. nós damos significados diferentes às coisas que observamos e. na sua família. Com nossas narrativas. na maneira como construímos explicações e narrativas sobre o que nos acontece. mesmo quando algum 20 . e a maneira como explica a trama ou como fala sobre o que o diretor queria mostrar naquela cena dá a impressão de que estão falando de filmes diferentes. Observe os juízos presentes no seu relato da atividade 1 e reflita sobre as ações que lhe são possíveis e não são possíveis. É como se. com o novo Governo. existisse um mundo diferente. no melhor dos casos. Veja o exemplo do neurocirurgião. como. que não as possuem. Essas ações estão fora das possibilidades de uma pessoa que não tenha conhecimento em neurocirurgia. Observe a maneira como você entrelaçou as diferentes distinções e juízos. são impossíveis. num Café. A terceira distinção é que o observador inventa e constrói sua própria realidade. O anterior nos remete também a que. Não falta quem faça uma narrativa completamente diferente e. O papel da linguagem. conversando sobre o que chamou sua atenção no filme. religião etc. Se meu juízo é de que no serviço público nada muda e tudo o que acontece é devagar.

temos testemunhado discussões que terminam em mágoas entre amigos. nessas culturas.Aula 03 dos participantes mude de idéia. separações de casais. Uma mudança dessas pode ser um racionamento de energia como aquele que vivemos no Brasil. mortes e até guerras.Empreendedorismo Parte 01 . Existem dois fatores que contribuem para que isso ocorra: o consenso e a efetividade. no pior dos casos. poderíamos afirmar que o ano tem doze meses. damos por estabelecido que alguém possui a razão. dependendo da comunidade ou do tempo histórico em que vivemos. é uma postura costumeira nos nossos relacionamentos. Ou seja. poderemos ver que o que está por trás delas é um apelo à verdade. nesses momentos achamos que estamos certos. correspondentemente. é algo tão transparente que não conseguimos vê-lo. numa tentativa de conseguir convencer aos outros de que a nossa verdade é fiel à realidade. numa comunidade muçulmana ou judaica. essa mudança foi externa. Nesse momento. Ou seja. continuaremos a instalar chuveiros elétricos até o dia em que uma mudança de contexto faça com que esse aparelho não seja mais eficiente. ou uma crise econômica que nos obrigue a economizar. • Efetividade É quando a maneira de observar e atuar gera os resultados esperados e. • Consenso É quando todos coincidem numa mesma observação e ninguém discorda dela. pois. mas nunca passa pela nossa cabeça que talvez todos ou nenhum a tenham. e nos vemos na necessidade de procurar alternativas que sejam econômicas. No exemplo. que não a possuímos. Mas não devemos pensar que esta seja uma postura propositada das pessoas. Por exemplo. pelo contrário. demissões. o chuveiro não é mais eficiente. vinganças. Ou seja. a não ser que alguém nos mostre. a começar no dia primeiro de janeiro e a terminar no dia 31 de dezembro. dependendo das mudanças do contexto. Se refletirmos sobre esses tipos de situações. existe um chuveiro elétrico em todas as casas. conseqüências funestas têm acontecido devido a essa postura. no ano 2001. Ele é um aparelho efetivo no que diz respeito a nos oferecer água quente rapidamente. como vimos no exemplo acima. sem duvidar. a um custo que é adequado para o serviço que oferece. obviamente. mas também poderá ser interna ao observador. as "realidades" podem mudar ou serem reconstruídas. nos relacionamentos que construímos. a noção de calendário construída é diferente da nossa. Por exemplo. não faz nenhum sentido. mas esse calendário. de alguma maneira achamos que as nossas opiniões coincidem com o fato de como as coisas realmente são e. Por consenso e efetividade. ou. 21 . Achar que possuímos a verdade. as "realidades" podem mudar ou serem reconstruídas. É muito fácil achar que é assim mesmo. E.

a alternativa que nos resta para uma convivência ética e harmoniosa é o respeito pelo outro e pela legitimidade de sua diferença. E agora temos nas mãos uma "batata quente". o que queremos afirmar é que. Imaginem neste momento qual será o som da realidade. 22 . na verdade. mas também com as emoções. ou seja. obesos. por outro lado. os comentários e reportagens feitos nos jornais esportivos. Hoje. A razão de ser dessa postura ética e dessa legitimação do outro.Aula 03 Como observadores. Como vamos nos relacionar com os outros. por exemplo. Durante séculos. cooperar etc. a capacidade visual que tem a águia durante o dia. tudo está sendo possível. enganar. doentes. Cada ser vivo tem seus próprios limites biológicos. Quantos sons. como seres humanos não podemos fazer tal afirmação. também funcionam como filtros. no tipo de sociedade em que vivemos. ou a coruja durante a noite. Mesmo que nas nossas observações nos façam pensar que a realidade é como a vemos. baixos. Este é um exemplo bem prático do que estamos falando. Parece que o paradigma atual de verdade e realidade que persistimos em manter não é aquilo que garante que possamos viver num mundo melhor e mais seguro. Se reconhecemos que somos observadores diferentes e que vivemos em mundos diferentes. mas agora estamos acrescentando que ser diferente nos faz observar mundos diferentes. Por sermos biologicamente como somos. É possível. seja pelo consenso ou seja pela efetividade. confiar. nas diferenças entre nós. nossa biologia. Mas. distinções. mentir. que é ser humano. Esse paradoxo aparente. de maneira particular. assim como acontece com nossa biologia. Há aqueles que têm miopia. observar. essa pessoa não tem como falar de como o futebol brasileiro realmente é.Empreendedorismo Parte 01 . existem diferenças na maneira como percebemos o mundo comparado com outras espécies de seres vivos. aqueles que são surdos. Não só observamos com os olhos. Sabemos da maior capacidade auditiva que tem o cachorro. com nossas distinções básicas. é o que torna possível ao ser humano uma convivência de respeito. respeitar. Já foi feita a reflexão de que somos diferentes. com nossos juízos. ela vai interpretar. por dois motivos complementares: por um lado porque somos semelhantes no compartilhamento da forma de ser. só se pode falar do que é observado. Nossa biologia define e filtra a maneira como percebemos o universo. de sermos iguais e diferentes ao mesmo tempo. ignorar e até eliminar. de alguma forma moldam nossa percepção e nossas distinções do mundo. como já foi dito. sendo humanos. ou seja. juízos etc. temos vários filtros que. Pensemos ainda em algo mais próximo. Um desses filtros é. homens e mulheres da mesma espécie. Não queremos adentrar nessa discussão. além dos que conseguimos escutar. só podemos falar do que observamos. altos. somos diferentes enquanto indivíduos. Essas emoções. como também é possível negociar. discussões filosóficas muito complexas têm tido o objetivo de discernir se a realidade existe ou não. estão presentes agora ao nosso redor. Segundo as distinções de uma pessoa com relação ao futebol e sua opinião acerca do futebol brasileiro. daltônicos. tudo parece possível! Como vamos lidar com isso? Pensemos por um momento. como seres humanos. se não existe realidade? Como vai ser definido o que é certo e errado? Sem um critério de verdade. adictos etc. como falamos anteriormente. Existe algo que produz uma diferença entre um e outro. decorre de um processo de auto-respeito e de autolegitimação. saudáveis.

o observador que somos vai se transformando. De maneira nenhuma somos estáveis. está em condições de começar a se perceber diferente do outro e perceber o outro com admiração pela diferença que existe entre vocês. • Como observamos o empreendedor? 23 . Você não é o mesmo que era há dez anos. percebendo-se nos movimentos e nos aprendizados. o que estamos dizendo é que o comportamento. poder observar o observador que se é. Como seres humanos. nem aquele antes de começar a fazer este curso. para ser legítimo.Empreendedorismo Parte 01 . no sentido de possuir uma nova e maior capacidade de ação. Nos tópicos adiante. digamos com mais poder. estaremos introduzindo mais distinções a respeito do observador. mas. Faz parte da condição humana a ação reflexiva de observar o observador que se é. isto é. Estamos em permanente interação com o mundo e com outros seres humanos. estamos possibilitando que você se torne um observador particular. Estas interações acontecem de maneira aleatória e. o poder daquele que consegue observar a si próprio. principalmente. nos capacitamos a nos perguntar pelo tipo de observador que somos. Isso não significa que qualquer comportamento é legítimo só porque é o comportamento de um observador. dá ao indivíduo a possibilidade de intervir positivamente no seu próprio processo de transformação. Não. a de que o observador pode observar a si mesmo. estamos em constante mudança e transformação. Até agora.Aula 03 Desta maneira.nos leva a introduzir a terceira distinção. é aquele no qual se reconhece a legitimidade própria e se reconhece a legitimidade do outro. Com esta distinção. propomos um tipo de relacionamento entre seres humanos baseados no respeito pelo outro e reconhecimento da legitimidade das diferenças mútuas. você está em condições de ver suas distinções. Ao introduzir as distinções acerca do observador. aperfeiçoando a teoria e abrindo possibilidades para uma prática consciente de mudança de si próprio e do mundo que observa.a de que somos observadores diferentes e a de que a maneira como observamos o mundo é só a forma como o observamos . O observador Pode Observar a Si Mesmo Aceitar as duas distinções anteriores . Possuir as distinções do observador. em conseqüência. alguns juízos e narrativas.

• Característica 2 . Quando é necessário atuar em conjunto. em último caso. Quando as outras pessoas não compartilham sua opinião. Quando é necessário atuar em conjunto. Tem um enfoque único: sabe quando sua observação é poderosa e. até eliminar as pessoas que observam de maneira diferente. toma decisões assertivas e persiste em seus objetivos.Empreendedorismo Parte 01 . O empreendedor constrói realidades. essa pessoa tenta convencer.Observador de enfoque múltiplo Essa pessoa acredita que a maneira como ela vê as coisas num dado momento é só uma dentre infinitas formas de vê-las. subordinar. ameaçar e. Essa pessoa consegue combinar as duas características de uma maneira equilibrada. O ideal ético é o respeito. é porque elas estão vendo de maneira diferente.Observador de enfoque único Essa pessoa acredita que a maneira como ela vê as coisas num dado momento é a maneira correta e única válida. TIPOLOGIAS DO OBSERVADOR : OS ENFOQUES ÚNICO E MÚLTIPLO Tipologias do observador segundo o enfoque único ou múltiplo • Característica 1 . é porque elas não estão conseguindo ver da sua maneira. o que é perfeitamente legítimo. • Característica empreendedora Observador com enfoque único e enfoque múltiplo. mesmo que outros não a compartilhem. seduzir e mostrar as possibilidades às pessoas que observam de maneira diferente. que está relacionada com a censura ao outro e a paciência temporal dela própria. Quando as outras pessoas não compartilham sua opinião. atribui significados às suas ações e intervêm no seu próprio processo de transformação. Ao mesmo tempo.Aula 03 Conclusão: As capacidades do empreendedor: ao tipo observar de privilegiadamente e atuar significativamente estão intimamente ligadas particular observador que ele é. que está relacionado com o reconhecimento à diferença e legitimidade do outro. O ideal ético é a tolerância. esta pessoa tenta convencer. tem um enfoque múltiplo: compreende que outras pessoas podem fazer 24 .

Inclui todos aqueles que observam de maneira diferente porque ele mesmo é um observador diferente. • Característica 2 . Mesmo assim. Exclui ou tenta convencer aquele que não compartilha da sua realidade. 25 . Existe uma única realidade à qual pode fazer referência porque. e por ser ontológico.Empreendedorismo Parte 01 .O empreendedor ontológico Neste curso. Acha que não existe uma verdade. Sabe que não tem acesso à realidade como ela é e só pode fazer referência às suas particulares observações. Igualmente acha que existe uma verdade fora de si mesma e que deve ser descoberta.Paradigma Metafísico Essa pessoa acredita que. diferentes das dele.Paradigma Ontológico Essa pessoa acredita que. como ser humano. de alguma maneira. tem acesso a ela. não nos vemos no direito de desqualificar o empreendedor metafísico que outros cursos possam oferecer. Acreditamos que este paradigma seja mais coerente com o tipo de ações e relacionamentos que desejamos construir. O seu ideal ético é o respeito pela diferença. Os Paradigmas Metafísico e Ontológico • Característica 1 . propomos o desenvolvimento do empreendedor ontológico. existe dentro dela algo que é imutável. • Característica empreendedora . mas múltiplas interpretações. ao mesmo tempo. Gosta de se surpreender com o outro. é mutável e pode inventar a si próprio.Aula 03 observações importantes e. como ser humano.

.

E sua linguagem é quem o faz distinguir a condição na qual se encontra e principalmente observar em você mesmo os três domínios. prestes a “explodir”. esses domínios são coerentes entre si. isto significa que é tão importante o pensar. apresentamos uma contextualização acerca de como os domínios estão relacionados. Esta seção apresenta as características de cada um desses domínios. quando estamos 27 . A corporalidade vem sendo reconhecida aos poucos. tempo tentaram explicar o ser humano a partir da sua natureza racional. Além de serem igualmente importantes. INTRODUÇÃO O Observador está constituído por três domínios básicos: a linguagem. Pense em você agora. Mas. Imagine alguém com muita raiva (sentir). do contrário. Primeiramente. com os quais foi reconhecida principalmente a importância da emocionalidade. com o objetivo de continuar ampliando as noções a respeito do observador. Como estão se manifestando seus três domínios neste exato momento? Você está numa emocionalidade apropriada para estudar e aprender. a emocionalidade e a corporalidade . do pensar e da razão eram considerados importantes e a ele eram subordinados os outros dois domínios. na seqüência.Aula 04 Aula 04 – Domínios Constitutivos do Observador Nesta aula trabalharemos os três domínios básicos do observador: a linguagem. Estes três domínios são considerados com igual importância. você conseguiu? É improvável que alguém possa imaginar que essa pessoa esteja com sentimento de raiva. nas últimas décadas do século passado. Por exemplo. Somente os aspectos da linguagem. Na coerência. quanto o sentir e o atuar. grandes avanços aconteceram. nem teria conseguido se sentar para entrar no site do curso. apresentamos cada um dos três em separado e. a emocionalidade e a corporalidade. Pode ser que esteja relaxado ou com fome. estaremos referenciando permanentemente a observação do observador que você é. Todos nós conseguimos perceber esses três domínios. mais seu atuar agora é ler e acompanhar esta fala. a emocionalidade e a corporalidade. em todos. nossa emocionalidade se manifesta no nosso corpo e na nossa linguagem. OS TRÊS DOMÍNIOS CONSTITUTIVOS Dizemos que o observador está constituído por três domínios básicos: a linguagem. deitada e lendo. Sua corporalidade também está presente. mas ainda é precário o status desse domínio no meio organizacional. não se vê uma coerência entre os três domínios. Por muito. Nesse caso. por movimentos alternativos da medicina e de terapias corporais.Empreendedorismo Parte 01 . com o corpo deitado (atuar) e lendo um livro (pensar).

. não percebemos que estamos pensando. é provável que no meio do papo eu já esteja em pé. conceitos. também estamos produzindo estímulos e mudanças no sistema. atitudes. o que pensamos? Como pensamos? Estas são algumas das perguntas interessantes que podemos fazer relacionadas a esse domínio. o pensar. querendo fazer alguma coisa. Esses domínios também estão interconectados. esses três domínios também interagem com o sistema (ou entorno) . o sistema. neste caso. se estou preguiçoso sem conseguir me mexer (atuar) e recebo uma ligação de alguém de quem gosto muito (sentir) e conversamos sobre assuntos que me motivam (pensar). que produzem mudanças em nós. Linguagem Quando pensamos. constituem o sistema social no qual nos movimentamos. opiniões. e 28 . Por um lado. E ainda. acontece sem que “eu pense que vou pensar”. e acontece com tanta facilidade que às vezes se torna “transparente”. remoendo e tentando explicar o que aconteceu (pensar). amigos. idéias etc. ou seja.Aula 04 experimentando raiva (sentir). O tempo todo. com nossas opiniões. Por exemplo. definitivamente. nossa mente está com idéias. sentimentos e formas de agir.. Isto abre possibilidades para observar o observador que somos e pensar em alternativas para mudanças em algum domínio. A família. imagens mentais. nosso corpo está tenso e ágil. isto significa que. Nosso pensar. sentir e atuar não pode ser compreendido apenas através da observação do indivíduo como ser único. com movimentos rápidos (atuar) e. o meio em que vivemos. num continuum. necessariamente os outros dois vão estar afetados. falando rápido. ao mudar um deles. grunhindo ou bufando. entre outros. ou seja. posturas. está permanentemente nos estimulando para desenvolver novas emoções.Empreendedorismo Parte 01 . Finalmente. Indivíduo e sistema interagem e se afetam mutuamente. associações etc. Vamos tirar o pensar dessa transparência e “trazer o fenômeno à sala” (lembrem que definimos esta expressão com a idéia de observar o fenômeno. colegas.

Achamos que são melhores do que aquelas garrafas de vidro antigas. Com os juízos. como. ou terá sofrido algum acidente no passado etc. A narrativa. esteve relaxado. entendido como poder de ação.Empreendedorismo Parte 01 . vazio. No nosso fenômeno. lembrou de cenas agradáveis. esteve preocupado. vamos ver os juízos: é muito melhor do que aquelas garrafas de vidro antigas. identifica-se pela capacidade que você tem de fazer as coisas acontecerem nas suas interações com equipes. Procure distinguir os sentimentos que surgiram ao longo deste período. com o objetivo de gerar uma maior consciência ambiental. Já um empresário poderia estar tentando seduzir um potencial investidor para sua empresa de distribuição de refrigerantes. Este é o nosso fenômeno: Pensamos numa garrafa de refrigerante plástica. ansioso. é mais higiênica. no seu caso particular. Os juízos também falam de nós. por exemplo: garrafa de refrigerante de vidro. por exemplo. segurança. A narrativa tem em si uma noção de poder. pelos processos de reciclagem dos componentes e o nível de contaminação que deixam no planeta. No mesmo exemplo. Este poder. estamos fazendo distinções de um objeto: uma garrafa de refrigerante plástica. e você. casa. a narrativa fala de alguém que valoriza o avanço tecnológico porque garante um maior bem-estar para sua vida. só as pessoas que tem distinções compartilhadas do idioma espanhol saberão que estamos falando exatamente do mesmo objeto. Um ambientalista. o que sentimos? Como sentimos? Estas são algumas perguntas muito interessantes que podemos fazer relacionadas a esse domínio. Vamos fazer uma análise do nosso fenômeno. é a maneira como “costuramos” as distinções e os juízos que fazemos do mundo. falou com 29 .Aula 04 juntos observá-lo e destrinchá-lo) para que possamos fazer novas distinções a respeito do pensar. dizendo que nenhuma garrafa é melhor que outra. mas também falam do que nos importa. igualmente. Mas estamos utilizando outras distinções para falar dela. nos posicionamos a respeito do que estamos distinguindo. ou seja. por sua vez. Poderíamos nos perguntar por que é tão importante para esta pessoa a segurança. higiene . acidentes. Teve recordações. Emocionalidade Quando sentimos. porque esses tipos de garrafas oferecem maior segurança no caso de acidentes em casa e porque aparentemente são mais higiênicas. Será que tem crianças em casa. famílias etc.? Os juízos falam do que opinamos do mundo. As distinções também são compartilhadas na comunidade. sentiu raiva. A narrativa é poderosa quando faz sentido para as pessoas e faz com que coisas aconteçam. oferece maior segurança no caso de acidentes em casa. Neste exemplo. teve alguma perda e ficou triste. da garrafa. Vamos ver em que dá isto.as distinções nos permitem nomear as coisas que vemos no mundo. poderia estar falando exatamente o contrário. Se eu chego perguntando por uma “botella”. antigo. Lembre-se das últimas 5 horas. neste caso.

mudam contínua e rapidamente. provavelmente vai se aproximar respeitosamente e oferecer ajuda a ambos. se outro observador estiver com compaixão. Por outro lado. estamos tranqüilos. sentindo que nada pode fazer para mudar o mundo. A emocionalidade é contagiosa e predispõe para a ação. Todas as nossas observações acontecem num espaço emocional. estamos mais expostos a este contágio quando alguma das pessoas que amamos vivencia alguma emocionalidade em particular. felizes porque aquilo que esperávamos aconteceu. Vejamos o exemplo de emocionalidades contagiosas em alguns empreendedores mundiais: por um lado. Por outro lado. dependendo do estado emocional em que se encontre cada um. como vimos. Numa hora. então você tomou contato com o domínio da emocionalidade. não conseguiu identificar o evento que desencadeou uma emocionalidade. ansiosos. depois. tristes ou sentimos ternura se alguém próximo de nós tem esses sentimentos. no sentir podemos distinguir duas formas: emoções e estados de ânimo. devemos nos perguntar se estamos com a emocionalidade adequada para obter sucesso na tarefa. à espera de algo e. e. Uma mesma situação observada por dois observadores levará a resultados diferentes. em primeiro lugar. conseguiu predispor o povo indiano para que mudanças acontecessem. diante da mesma situação. então provavelmente estamos diante de um estado de ânimo. Dizemos também que a emocionalidade é contagiosa: naturalmente ficamos felizes. Os estados de ânimo são mais profundos e recorrentes e chegam a caracterizar as 30 . Num curto período de tempo. Se virmos uma mulher batendo num menino. através da emocionalidade da paz e do amor. logo depois.Aula 04 alguém e se sentiu feliz? Se qualquer dessas coisas aconteceu. Assim como dissemos que os pensamentos aparecem de três formas (distinções. É um fluir interminável. No nosso quadro acima. eles com sua própria emocionalidade conseguem contagiar grupos. povos e nações com uma emocionalidade específica. quando precisamos desempenhar uma ação com efetividade. contagiou. Hitler predispôs o povo alemão para a guerra e a luta pela supremacia germânica. um observador que esteja se sentindo triste provavelmente vai ficar mais desanimado ainda. Não será possível me concentrar para estudar um texto se estou em “clima de paquera” num barzinho. Isto é muito interessante porque líderes e empreendedores sabem disto. Principalmente.Empreendedorismo Parte 01 . podemos identificar claramente as emoções. Se você. podemos identificar um grande fluxo de emoções que serão mais conturbadas ou tranqüilas. Também não poderei escutar atentamente meu filho se estou esperando que passe na TV o informe do valor do dólar. dependendo do nível de agitação e estresse do dia. porque elas são superficiais e passageiras e sempre estão relacionadas a algum acontecimento concreto. ao fazer o exercício. No nosso caso. juízos ou narrativas). Gandhi. que a emocionalidade flui de um estado a outro. Observemos.

como olhamos para as pessoas. Pela nossa postura. em geral. temos uma estrutura que nos condiciona e limita. a postura é a mesma. por outro lado. alguns de nós poderiam ser profissionais de futebol. Reflita sobre as anotações da atividade anterior e faça uma caracterização da sua postura. suores. exercitamos e limpamos etc. isto é. Como você pode ver no exercício. por um lado. voltamos ao nosso recorrente estado de ânimo. odores. Além de caracterizar a maneira como caminhamos. Poderá ver que em situações similares. como o alimentamos. mas grande parte da nossa corporalidade passa inadvertida para nós mesmos. facilmente identificamos os nossos pensamentos e as nossas emoções. logo que passam. mas cada um desses esportes requer certas características estruturais da nossa biologia. o quanto o aceitamos e cuidamos. Se. segundo o espaço onde se encontram. Em particular. momentos de contração ou descontração. padrões e costumes sociais. e outras não. Pessoas diferentes reagem com sua postura de maneira diferente. enfermidades. secreções etc. de bom humor? Todos nós temos estados de ânimo que nos caracterizam. nos interessa aprofundar a reflexão quanto à postura. Por um lado. Corporalidade Quando atuamos. como comemos etc. Também podemos caracterizar a postura de nosso corpo pelo nível de energia. O domínio da corporalidade é o domínio com o qual temos menor nível de contato e consciência. É como se nos acháramos diferentes. essa 31 . oportunidades ou dificuldades são possíveis de acontecer. alergias. temos uma postura que nos caracteriza e nos afeta na vida. como sorrimos. reconhecemos as pessoas pela sua maneira de caminhar ou seu jeito de se movimentar. o que fazemos? Como atuamos? Você observa seu corpo? Seu corpo lhe envia sinais como dores. de boxe ou ginastica. estado de saúde ou histórico de doenças. seja presunçosa ou altiva. ritmo e rotinas que são recorrentes. Ele está permanentemente interagindo e acompanhando as nossas ações. quase sem nenhum esforço consciente e mesmo de longe.. A corporalidade nos remete tanto ao corpo quanto à postura corporal. mesmo que tenhamos momentos com emoções diferentes. Observadores diferentes adotam uma postura diferente. é interessante que. podemos realizar certas ações e outras não. Você conhece pessoas que são tristes ou pessoas que são preocupadas? Ou pessoas que estão sempre sorrindo. estamos nele. Podemos caracterizar o nosso corpo pela sua biologia. seu corpo tem uma postura particular. segundo seus hábitos.Empreendedorismo Parte 01 . dependendo do local onde você se encontre e do nível de segurança que você perceba. estrutura. é interessante quando nos vemos em algum filme familiar gravado em VHS ou similar. emoções e pensamentos. Pela nossa biologia. Por outro lado. e não reconhecemos nossos movimentos ou nossa postura. relaxada ou frouxa. algumas ações. podemos também nos referir ao relacionamento que temos com ele. tímida ou segura. como é o caso do corpo.Aula 04 pessoas. A postura física são hábitos corporais construídos ao longo de toda a nossa vida. Em geral.

32 . se formos observar. a semelhança se apresenta mais no corpo que na postura. Esses três domínios são coerentes com sua visão empreendedora. Quantas vezes nos falam que somos iguais a alguém da família. e acreditando que a postura nos afeta na vida. amigos e pessoas que admiramos. sentir e atuar na vida. Sendo assim. então.Aula 04 postura foi aprendida da nossa família. mas.Empreendedorismo Parte 01 . Como Observamos o Empreendedor? Conclusão: O empreendedor reconhece em si mesmo e nos outros sua maneira de pensar. podemos incorporar novas posturas e criar novas ações e possibilidades para nós.

seja no trabalho ou no âmbito pessoal. que a ação depende do tipo de observador que somos. segundo. INTRODUÇÃO A ação é tão importante quanto o observador e. é conseqüência das ações que realizamos. nesta unidade de empreendedorismo. Por sua vez.Aula 05 Aula 05 – O Observador e a ação Nesta aula apresentaremos as distinções básicas da ação. mas com o mesmo interesse de provocar uma mudança. não atuar pode ser uma ação que estamos realizando. CHRIS ARGYRIS(1992) nos oferece uma maneira de entender a relação entre o observador. Vejam figura a seguir: Todo e qualquer resultado que obtenhamos na nossa vida. Você irá reconhecer a relação entre o observador e a ação humana e adquirir as distinções de transparência e quiebre. A ação se realiza porque temos a expectativa de que algo novo aconteça.Empreendedorismo Parte 01 . neste tópico. costumamos dizer que “não fizemos nada”. preparar uma comida. a ação determina os resultados que obtemos na vida e. vamos iniciar a apresentação da noção de "ação" que consideramos igualmente importante à do observador. toda ação realizada é feita por um observador. enviar uma mensagem. Inclusive. fazer um projeto. Fazer uma ligação. Temos apresentado aspectos que consideramos mais importantes no observador e. qualquer coisa que fazemos altera a realidade e faz com que outras coisas se tornem possíveis. 33 . A ação tem como efeito alterar o que é possível. A importância da ação pode ser resumida em dois aspectos: primeiro. Nas ocasiões em que as mudanças esperadas não acontecem apesar de nossas ações. consideramos esta distinção fundamental para o futuro desenvolvimento de competências empreendedoras. a ação e os resultados.

se mudo meus hábitos alimentícios e me alimento melhor e sou cuidadoso na preparação dos alimentos. A ação é um caminho para mudar o observador que somos. Essa visão construtivista. Poderíamos pensar em alguém que só é o que pensa? Ou. alguns dos fundamentos da nova sistêmica. estaremos influindo no processo de geração de nosso ser. por sua vez. que consideramos relevantes para o estudo do empreendedorismo e. Nosso propósito ao apresentar este conteúdo é que a teoria do observador seja compreendida num amplo contexto. nós atuamos conforme somos. chamada sistêmica. você pode achar que sou disciplinado e. transformando-o. Isto significa que se eu observo as ações de uma pessoa. Se eu participo de programas de beneficência. a teoria do observador está enquadrada numa corrente de pensamento chamada construtivista. Somos pessoas tanto pelos pensamentos e emoções quanto pelas ações que realizamos. poderei conhecê-la. concluindo de outra forma.Aula 05 Dizemos que o atuar é o princípio ativo de nosso “ vir-a-ser”.Empreendedorismo Parte 01 . surge numa linha de pensamento ainda maior. o ser precede à ação. necessariamente vou adquirir novas distinções. apresentam-se as distinções de aprendizagem de 1ª. de sentir e de atuar? Somos o observador que somos. 2ª e 3ª ordem. então vou me tornar especialista. também somos conforme atuamos. se você vir que sempre estou envolvido em atividades esportivas. Mas. Se mudarmos nossas ações. ou seja. na seqüência. Por um lado. 34 . e isso me fará diferente. brevemente. se realizar esta disciplina desenvolvendo um rigoroso processo de aprendizagem. você dificilmente vai considerar que sou sedentário. as reflexões que a nova sistêmica faz sobre o fenômeno da aprendizagem. a ação gera o ser. somado às ações que realizamos. Ou seja. de outra forma. por outro lado. Veremos. Vamos abordar o observador e a ação a partir de uma perspectiva sistêmica. Como apresentamos em aula anterior. Nessa reflexão. poderia conhecer você sem conhecer sua maneira de pensar. o construtivismo é uma ramificação do pensamento sistêmico. mais precisamente. ou seja. se você observa que mantenho uma rotina de trabalho bem estabelecida. você poderá concluir que sou solidário. com as quais encerraremos o estudo da Teoria do Observador. NOÇÃO DE PESSOA A noção de pessoa considera com igual importância tanto o tipo de observador que somos quanto as nossas ações.

só se revela quando acontece uma ação. No caso do diálogo acima. está em você e não no Rubem. mas nos comportamos no mundo observando as ações dos outros. 35 . Outra maneira de fazer a pergunta do exercício acima é: qual é a inquietude do Rubem. O que realmente faz Rubem caminhar é algo que ele movimenta do fundo de sua alma. Esse “algo que nos move”. e a criatura é a ação que nasce dela. Nem sempre temos uma resposta clara para dizer que a inquietude do Ruben era a preocupação com a saúde. Ruben tinha explicações e opiniões médicas sobre a importância de caminhar. ele mesmo não sabia. Julgamos precipitadamente as ações. gerar interpretações sobre as ações e nos perguntar pelo observador que atua. No diálogo. ou também como vínculo entre o criador e a criatura: o observador é o criador que traz a inquietude. como no caso de alguém que atua de uma maneira inesperada. Independente da resposta que você deu no exercício anterior. Enquanto um observador não age. as quais achamos erradas e. que só observa as ações dos outros. como observadores. sem nos perguntarmos pelo que levou essa pessoa a atuar de determinada maneira. queremos observar o observador que somos. Não estamos querendo legitimar as ações violentas. dificilmente. porque ela é a única que relaciona diretamente o observador e a ação. Nem sempre é possível desvendar a inquietude. Nada pode nos dizer o que faz Rubem caminhar. mesmo que resida no observador. do observador que fez o que fez. é necessário que exista a inquietude para que os atos aconteçam. dizemos que a inquietude ainda não se manifestou. que o faz caminhar todo dia de manhã? A inquietude é um tipo particular de distinção. mas algo acontecia até então. e fazendo juízos sem nos deter a perguntar pelo observador que fez aquilo. Costumamos dizer que a inquietude é o cordão umbilical que nutre e mantém unidos a ação e o observador. reagindo com violência e batendo nas paredes. que nos faz agir e partir para a ação propriamente dita é o que chamamos de inquietude.Empreendedorismo Parte 01 . temos nossos limites. As outras distinções da linguagem (distinções. algo que nem ele mesmo é capaz de expressar com clareza. nos questionamos sobre a coerência que está por trás dessa pessoa. Como já sabemos.Aula 05 Isto parece evidente. o máximo que podemos fazer é observar. a inquietude não surgia para fazê-lo agir. A noção de inquietude. Neste sentido. observe que a sua resposta está sendo gerada por você. juízos e narrativas) não são suficientes para motivar a pessoa a atuar.

• Característica 2 Observador que atua em função das inquietudes do outro Essa pessoa sempre pensa no que o outro deseja. mesmo quando não quer ou não pode realizá-los. as principais inquietudes do empreendedor o levam a realizar ações significativas e com responsabilidade social. Dificilmente percebe seus profundos desejos ou sonhos. generoso e dificilmente se recusa a pedidos. É uma característica fundamental para o trabalho em equipe. o mundo vai continuar do jeito que está. no caso de não atuar. não compreende porque o outro se interessa por coisas diferentes das dele. Sabemos que cada vez que uma inquietude surge. por isso.O empreendedor constrói inquietudes compartilhadas Essa pessoa consegue combinar as duas características de uma maneira equilibrada. está faltando saúde. Geralmente. juventude.Empreendedorismo Parte 01 . mas constrói empreendimentos que vão ao encontro também das inquietudes dos outros. se ele continuar agindo de forma sedentária. Como Observamos o Empreendedor? Conclusão: O empreendedor é consciente do seu papel na comunidade à qual pertence e é protagonista da sua historia. Tem energia para batalhar pelos seus objetivos. • Característica empreendedora . beleza etc. sonhos ou desejos. não sabemos com certeza. Tipologias do Observador Segundo as Inquietudes que Promovem a Ação • Característica 1 . porque. de que há algo que desejamos e de que precisamos intervir.. Dificilmente percebe as inquietudes dos outros. de que é preciso atuar para que essa carência seja suprida. Para Ruben.Observador que atua em função das suas próprias inquietudes Essa pessoa está interessada nos seus propósitos. o que falta não vai acontecer.Aula 05 Mas sabemos algumas coisas sobre as inquietudes. 36 . ou seja. Não compreende como há pessoas que só pensam em si mesmas. Não se esquece dos seus sonhos e propósitos. É solidário. há por trás o juízo de que algo falta no mundo. mas algo falta no seu mundo e.

querendo antecipar movimentos e com medo de não ter a habilidade para atuar corretamente a qualquer momento. inesperadamente. Ser mestre é quando entramos livremente em interação com uma situação. A partir desse momento. Minha atenção está posta na interação com aquilo que escrevo ou com o site que estou visitando. estamos interagindo livremente. na marcha etc. Ser mestre acontece em alguns momentos e em algumas ações em particular. Segundo.Aula 05 NOÇÃO DE MAESTRIA Trazemos a noção de maestria porque ela está intimamente relacionada com a ação. posso dizer que sou mestre em vendas. é esse momento em que o ser é igual ao atuar. o ser mestre acontece quando atuamos e somos. • Transparência associada à noção de maestria Dizemos que atuamos na transparência quando atuamos sem enfocar nossa atenção no processo de atuar. O regente de orquestra é aquele que consegue sintonizar e harmonizar um grupo de intérpretes junto com vários tipos de instrumentos conforme uma música escolhida. um dia. Noções de Transparência Preste atenção à distinção de transparência. porque são aqueles momentos em que não fazemos esforço algum para atuar. depois de uma prática contínua. porque há duas noções associadas: uma associada à noção de maestria e outra à noção de ignorância pura. ou no mouse. dirigir não é mais algo que nos estressa. sem esforço. Na teoria da maestria de HEIDEGGER (1971). Por exemplo. Chamamos mestre àquele que domina uma técnica ou é competente para fazer certas coisas. mas. ele postula que uma pessoa é mestre no momento em que seu ser é igual ao seu fazer. habilidades e atitudes para desempenhar essa coordenação de ações. Estamos tensos. • Transparência associada à noção de ignorância 37 . Primeiro. O interesse em estudar esta noção consiste em reconhecer que existem alguns domínios nos quais somos mestres e em outros não. na embreagem. Mas. Eu não posso dizer que sou mestre em tudo. que ser mestre não é algo permanente. dirigir acontece simplesmente. Quando escrevo no computador. sim. quando somos aprendizes de dirigir carro. São estes os momentos em que somos mestres. ao mesmo tempo. mas no tango não. eu não penso na chave. não entramos livremente em interação com o trânsito. a insegurança começa a desaparecer e. Eu posso ser mestre dançando forró. dirigir é “transparente” porque nossa atenção está no ato de interagir com o trânsito. No exemplo do carro. quando entro nele e arranco. Então.Empreendedorismo Parte 01 . minha atenção não está no teclado. nossa atenção não está no ato de dirigir. Não é uma tarefa fácil. mas ele tem conhecimentos. Para entender este postulado vamos destacar dois pontos. percebemos que aquela tensão passou.

ou ler aquele artigo de revista que sempre estou adiando. Por outro lado. Ficar no aeroporto por duas horas pode ser um problema enorme e algo muito desgastante se eu estiver ansioso e tiver o juízo de que o aeroporto é muito chato e não oferece nada para fazer. procurar um presente que tinha esquecido. Dependendo de como seja interpretado o quiebre. podemos nos perguntar: que postura típica tem um empreendedor frente aos quiebres? Frente aos quiebres. quando alguém nos fala de música medieval e nos ensina a escutá-la. para mim são transparentes os procedimentos de segurança e manutenção do avião. mas fica transparente para nós a harmonia. então percebemos que essas coisas existem. Com esta postura. porque somos ignorantes nessa área. sem perceber nem distinguir a ação que estamos realizando. Dependendo do estado de ânimo em que nos encontremos e dos juízos que tenhamos do quiebre. este poderá se constituir em problema ou oportunidade. São estes momentos em que somos ignorantes. muitas vezes é percebida só quando é “quebrada”. uma postura empreendedora ou pró-ativa frente a esse quiebre é responder à pergunta: o que falta ou o que sobra nesta empresa para ter maiores oportunidades de negócio? Ou. na universidade. o que poderíamos fazer para que as oportunidades de negócios fossem transparentes e elas sempre estivessem ali? 38 . Observo muitos quiebres no mundo. se tiver planejado um vôo. mas. Dizemos que a transparência foi quebrada e que esses objetos saem da transparência. Muitas vezes.Empreendedorismo Parte 01 . me perguntando pelo que falta ou sobra para que eles voltem à transparência. em que costumamos chamá-la de quiebre. Quando algo falta ou algo sobra. Diante dessas novas distinções. ver lojas de livros. posso ter uma postura empreendedora. ou seja. Quando não achamos a chave do carro. estarei sendo responsável e estarei abrindo possibilidades para a mudança. Por exemplo. se eu estiver tranqüilo e tiver o juízo de que nesse tempo posso fazer muitas coisas. em mim mesmo. seja qual for. no Brasil. Temos falado várias vezes que o observador dá sentido às coisas que acontecem no mundo. porque são aqueles momentos em que não temos consciência alguma ao atuar. quando a água da torneira sai com muita força. o que observamos no mundo são precisamente quiebres. pode ser uma oportunidade. no trabalho. quando o pneu está furado. A transparência. O que fazer com esses quiebres? Se no ambiente de trabalho um quiebre que temos observado é a falta de maiores oportunidades de negócios. em casa. a estrutura e até o contexto em que essa música foi composta. essa transparência é interrompida. este poderá ser um problema ou uma oportunidade. A maneira como chamamos essa ruptura da transparência tem conservado seu nome em espanhol. Esta é outra distinção importante. com certeza será um quiebre se o vôo atrasar. Um exemplo disso é quando vamos a um concerto de música medieval do qual gostamos. quando o mouse não responde.Aula 05 Dizemos que atuamos na transparência quando atuamos sem observar.

O espaço compartilhado de inquietudes e o nível de confiança construído entre as pessoas ou instituições é que determina se a coordenação de ações é um processo simples ou complexo . TIPOLOGIA DE AÇÕES Você já pensou no que você faz quando age? Geralmente. A flexibilidade determina se a tarefa individual é rotineira. como no caso de Marx. como organização e métodos. se as pessoas que estão se coordenando têm compartilhado 39 .Aula 05 Como Observamos o Empreendedor? Conclusão: O empreendedor tem competências tanto para declarar quiebres que já existem. Coordenação de Ações.ou seja. Essas tarefas requerem conhecimentos específicos necessários para cumprir com esse pedido. Sobre a tarefa individual. Ford e outros mais contemporâneos. ligar para o banco para resolver um problema ou avaliar os resultados de uma prova. Por exemplo.Empreendedorismo Parte 01 . A tarefa individual se fundamenta no que chamamos de competências genéricas. contingente ou inovadora. A linguagem é a principal ferramenta desta ação. quando penso no que faço. por exemplo. quanto para se antecipar a eles. Essas competências são aquelas requeridas para a realização e cumprimento dos compromissos assumidos com outras pessoas. marcar uma reunião com um colega. Tarefa Individual Caracteriza-se pela presença de procedimentos que orientam as ações da pessoa. Ele é um agente de mudanças e transformações que procura resultados conseqüentes. Por isso. penso nas ações mesmas que executo. reengenharia ou redesenho de processos. suas ações significativas vão ao encontro do que falta o do que sobra no mundo para muda-lo. como Drucker. vários pensadores têm refletido. Disciplinas organizacionais. Taylor. costumam refletir e implementar mudanças neste particular tipo de ação. elaborar um projeto ou fazer um plano de negócios. Pode ser tanto uma atividade manual como uma atividade não manual. escrever neste momento.

atua e reflete sobre a ação. e. Essas competências conversacionais são aquelas requeridas para fazer pedidos. ou seja. Hoje. na realização das tarefas individuais. Noutras palavras. sobre a maneira como formulamos nossas perguntas. sem deixar de reconhecer sua importância. por exemplo. em suma. este tipo de ação se interessa em observar os relacionamentos. Num presente de mudanças permanentes. mas que está desenvolvendo tecnologias chamadas “workflow”. Aprender não é mais questão de “o quê” aprender. chegam a acordos. as quais se utilizam de programas computacionais para executar atividades de coordenação de ações. e. Trabalho Reflexivo A principal ferramenta desta ação é questionar a maneira como atuamos. o aprender é inerente à ação. De forma resumida.Empreendedorismo Parte 01 . negociam. podemos dizer que é uma “reflexão na ação”. a respeito de competências. como realizam e cumprem suas promessas. como elas se articulam. como fazemos as coisas que fazemos. gerando o interesse de todos por alcançá-los.Observador orientado para a tarefa 40 . o motivo e o resultado esperado. então o processo será complexo e vulnerável às dificuldades e problemas.Aula 05 com clareza a ação a ser realizada. sim. o que tornará a coordenação de ações muito simples. que não só se interessou pelo desenvolvimento das competências conversacionais. ofertas e promessas. voltando sobre si mesmo. É característica da linguagem humana voltar-se sobre si mesma e se perguntar. A reflexão tem um movimento em espiral. nos pontos de contato entre as tarefas individuais. Mas se alguma dessas características não estiver presente. no âmbito da Aprendizagem Organizacional. A principal contribuição no estudo desta ação é de Flores. vão ao encontro deste tipo de ações nas empresas. não sendo necessário parar de agir para pensar e refletir sobre os resultados que se têm obtido ou que se gostaria de obter. Aportes como os de PETER SENGE (1999) e sua equipe de pesquisa. mas de como somos competentes para aprender. Esta ação não está interessada. responsabilidade e sinceridade para executar o trabalho. Tipologias do observador segundo a ação que o orienta • Característica 1 . No passado. A realização dessa ação tem um caráter preventivo e busca garantir que a nossa capacidade de atuação continue a ser efetiva no futuro. Ela se fundamenta no que chamamos de competências conversacionais. as interfases entre as pessoas. se faz necessário aprender com a maior rapidez. se têm a confiança uns nos outros. Esses tipos de questionamentos pertencem ao domínio da linguagem e podem ser feitos através de reflexões individuais ou através de conversações de equipes de trabalho. referia-se a “algo que identificávamos” para ser aprendido. quando se falava em aprender.

41 . já vimos discorrendo ao longo de toda a disciplina. O OBSERVADOR DENTRO DA VISÃO DA NOVA SISTÊMICA A nova sistêmica surge com o reconhecimento da dinâmica relacional entre os seres humanos e o reconhecimento da coexistência de múltiplos observadores e modelos de mundo. dependendo do foco de interesse do observador. sistema comercial. Sobre este último. • Característica Empreendedora . Bertalanffy. define sistemas como entidades mantidas pela interação mútua de suas partes.Empreendedorismo Parte 01 . a mesma entidade pode ser encarada como um sistema ou como um subsistema. É fortemente orientado para a ação. produzindo de maneira sistemática. do átomo ao cosmos. os grupos sociais são sistemas abertos. como um Estado. por exemplo. Conseqüentemente. A respeito da dinâmica relacional entre os seres humanos. sociológico como um sindicato de trabalhadores. sistema de Governo. é que somos parte de um sistema que nos condiciona. Sua estratégia para obter esses resultados é realizar e executar as tarefas conforme planejado. Um sistema pode ser composto de sistemas menores e pode também ser parte de um sistema mais amplo. sistemas vivos que estão interagindo continuamente com o seu ambiente. Sua estratégia para obter resultados é estabelecer redes de apoio e evitar conflitos. chamamos de dinâmica relacional. Essa pessoa consegue combinar as duas características de uma maneira equilibrada. sistema educacional etc. (1968) autor da Teoria Geral de Sistemas. e estaremos conversando neste item sobre a dinâmica relacional mencionada acima. ou seja. Sempre estamos em interação com esses sistemas e. psicológico como uma personalidade. Não atuar é pôr em risco o resultado esperado. sistema familiar.O empreendedor orientado para a ação coordenada de equipes O empreendedor é orientado para os resultados e sabe obtê-los com trabalho conjunto. no parágrafo anterior. • Característica 2 .Aula 05 Essa pessoa procura resultados concretos. Exemplos comuns de sistemas incluem o telefone. Segundo Bertalanffy. Não se relacionar é pôr em risco o resultado esperado. que é composto de cidades e faz parte de uma nação. ou simbólico como um conjunto de leis. biológico como um cão cocker spaniel. e que todo mundo provavelmente já sabe. mas igualmente tem competências para criar redes de apoio. Esta interação é o que. a perspectiva predominante.Observador orientado para a coordenação de ações Essa pessoa procura garantir os resultados coordenando ações com os outros. os correios e os sistemas de trânsito. Podemos falar de diversos tipos de sistemas como. Um sistema pode ser físico como um aparelho de TV. sistema tecnológico.

O que é a aprendizagem? Flores (1995) diz que uma pessoa aprendeu algo quando ela pode. por ser parte do sistema. é que. mas pelas necessidades e conveniências dos clientes. e o período de férias é em julho. numa dinâmica relacional. ter seu próprio dinheiro. De acordo com o anterior. passaram a sê-lo.. entre outros temas. confiante. Nossa vida. dezembro e janeiro. por exemplo. com isso.Aula 05 segundo a maneira como eles estão estruturados. como. só poderei dizer que aprendi quando puder agir efetivamente. na medida em que mudamos o tipo de observadores que somos. por um lado. não tão predominante. por mais informações. clientes. particularmente das famílias que tem crianças e adolescentes. como tomar outras decisões. ela tem características que estaremos discutindo agora. teorias e conhecimento que eu possua. mas. Determinamos nossas conveniências. ou seja. de maneira que essas ações satisfaçam seus interesses futuros e os dos outros. investir na sua própria educação etc. particularmente no domínio do observador. O sistema comercial é condicionado não só pelas estruturas do sistema econômico. Chris Argyris desenvolveu um modelo baseado em ciclos de aprendizagem (“Single loop learning” e “double loop learning”) em que apresenta com muita clareza a relação entre as dimensões do 42 . no âmbito dos sistemas sociais quando a mulher só trabalhava em casa e não era possível trabalhar fora. coisas que antes não eram possíveis. e onde queremos. Quando esta situação mudou e a mulher saiu de casa para trabalhar. outros subsistemas. Por exemplo. fica claro que. está condicionada a esse sistema. estará nos condicionando para novas mudanças e aprendizagens. como creches e escolinhas. Nós. empreender novas ações. O Observador e a Aprendizagem A nova sistêmica propõe uma reflexão. A aprendizagem é uma competência que se desenvolve em todos os sistemas vivos. sobre o fenômeno da aprendizagem. estamos mudando por sua vez o sistema ao qual pertencemos. passaram a ter maior participação na educação dos filhos e. determinamos o quê. quando a estrutura de um sistema muda. a estrutura mudou. a estrutura do calendário de atividades do sistema educativo básico e médio é o período de estudo de fevereiro a dezembro. por sua vez. o que. o sistema familiar tinha uma certa estrutura que dava conta da alimentação e educação dos filhos. passam a sê-lo. Outra perspectiva. e dessas ações obtiver resultados satisfatórios pelas minhas ações. eventualmente. condicionamos as estratégias de vendas e principalmente o desenvolvimento de novos produtos. Segundo a nova sistêmica. quando. Esta é uma perspectiva muito importante em geral. coisas que antes não eram possíveis para a mulher. mas a qual queremos enfatizar. também somos agentes condicionantes dele. Por exemplo.Empreendedorismo Parte 01 . nossos comportamentos são condicionados. como as taxas de juros. Hoje. A aprendizagem é um conceito relacionado diretamente com a ação. mas principalmente para a visão empreendedora.

mesmo tomando a medicação. o observador avalia permanentemente seus resultados e. O que fazer diante isso? São várias as possibilidades para Paulo. mesmo satisfeito. Outra seria decidir mudar a maneira de atuar em relação à situação em foco. que Paulo está avaliando sua saúde e conclui que ela não está boa. tomar chá. então Paulo vai tentar novas coisas.Aula 05 Observador. A aprendizagem de 1ª ordem será a opção escolhida até que seus recursos estejam esgotados. novas perguntas surgem. sentem acidez estomacal durante anos. de acordo com essa avaliação. como: por que isto acontece comigo? Em que consiste este sintoma? 43 . a Ação e os Resultados com a aprendizagem. Se esta ação soluciona o desconforto. Essa decisão pode ser gerada porque após a avaliação ele ficou insatisfeito com os resultados ou. Há pessoas que como Paulo. Nesse modelo. o observador toma a decisão de aprender. Mas se. Só no momento em que a moléstia insuportável e as ações possíveis foram esgotadas é que novas possibilidades se abrem. às vezes até vão ao médico. um anti-ácido para após as refeições. apesar da insatisfação com os resultados. é persistir em continuar agindo como sempre. sua digestão está ruim. tirar alguns alimentos etc. por exemplo. porque nesse momento. acha que ainda pode ser melhor. Segundo o modelo.Empreendedorismo Parte 01 . mudar a medicação. sente acidez estomacal o tempo todo. Suponha. provavelmente Paulo vai continuar com esse comportamento. As perguntas que surgem imediatamente para explicar a insatisfação são: o que fiz para obter esses resultados até hoje? Ou. mas nunca decidem mudar sua situação. Paulo segue a opção recomendada por um médico e começa a tomar um remédio. ele toma ou não a decisão de que deve aprender algo. Uma delas. a acidez persiste. o que deixei de fazer para obter esses resultados? Estas duas perguntas nos remetem à ordem das aprendizagens a que vamos nos referir: Ordem das Aprendizagens • Aprendizagem de 1ª ordem — refere-se às aprendizagens que fazemos no nível da ação.

ou seja. até então desconhecidos por ele. a aprendizagem de 3ª ordem nos questiona sobre os modelos dos sistemas em que vivemos. uma aprendizagem de 3ª ordem poderia acontecer se. por exemplo.Empreendedorismo Parte 01 . Paulo. Paulo adquire novos conceitos. sabe que a acidez é produzida não só por certos alimentos. com o tempo. nessas buscas por maneiras mais saudáveis de viver. emperram e tanto o indivíduo quanto o sistema ficam bloqueados.Aula 05 Como outras pessoas têm dado solução a esse problema? Essa tipologia de perguntas nos remete a outra ordem de aprendizagem: • Aprendizagem de 2ª ordem — refere-se às aprendizagens que fazemos no nível do observador A aprendizagem de 2ª ordem abre novas possibilidades porque nos transforma em outro tipo de observador. do exemplo anterior. com esta possibilidade. mas também pelo estresse. ele se deparar com modelos. ele tem novas possibilidades de ação. eles. Conhecer é construir modelos ou interpretações do mundo. de ação. No caso de Paulo. • Aprendizagem de 3ª ordem — refere-se às aprendizagens que fazemos no nível da modelagem dos sistemas A nova sistêmica nos convida para aprendizagens de 3ª ordem. mas. 44 . não necessariamente temos que passar pela aprendizagem de 1ª ordem. tem achado algumas respostas a essas perguntas. embora sua proposta seja a aprendizagem de 2ª ordem. Podemos chegar a ele cada vez que nos perguntemos pelo tipo de observador que somos. Em resumo. e que está gerando determinados resultados. por mais úteis e efetivos que sejam hoje. a ponto de tornarmos nosso processo de aprendizagem cansativo e sem prazer. Para se chegar a essa ordem de aprendizagem. eles são essencialmente transitórios e imperfeitos. Por exemplo. agora. esgotar todas as possibilidades de comportamentos. e não de possuir o modelo. decide aprender outras maneiras mais saudáveis de se alimentar e. poderá rever o modelo do sistema de crenças que construiu até o momento e construir um novo modelo que lhe seja mais proveitoso e satisfatório. Só a título de ilustração. o essencial é a capacidade que temos de modelar modelos de mundos. Quando esses modelos deixam de ser vistos como transitórios e os convertemos em dogmas ou verdades. que proponham novas maneiras de vida mais espiritual. Paulo.

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Empreendedorismo Parte 02 – Aula 01

Aula 01 – Competêcias Empreendedoras
Nesta aula você estudará a noção de empreendedor e as competências empreendedoras.

DISTINÇÃO DE COMPETÊNCIATINÇÃO DE COMPETÊNCIA
O termo competência é amplamente utilizado no nível organizacional, mas sempre temos sentido falta de uma definição rigorosa e cuidadosa. Por isso, temos feito um esforço especial em trazer um conceito claro e útil para o desenvolvimento do mesmo.d O termo competência é amplamente utilizado, mas poucas vezes definido com o rigor necessário para que, além de esclarecer, também ofereça um caminho para a aprendizagem e o desenvolvimento. De forma genérica, este termo é utilizado para qualificar um indivíduo capaz de realizar um determinado trabalho ou, dito de outra maneira, mais empresarial, como a capacidade de uma pessoa de gerar resultados dentro dos objetivos organizacionais. Dizemos que é competente, em alguma área específica, aquela pessoa que tenha não só as habilidades necessárias para desenvolver aquela atividade e o conhecimento correspondente, mas as atitudes e valores coerentes com o sistema organizacional em que essas competências serão utilizadas. A título de exemplo, poderemos dizer que João é um gerente competente na empresa X, para a qual trabalha, se, além de ter as habilidades para se comunicar, planejar, “fazer acontecer”, além de ter o conhecimento do mercado e da organização para tomar decisões certas, ele também tiver a atitude cuidadosa dos seus compromissos com clientes, fornecedores, empregados e colegas, e ser ambicioso (no sentido anglo-saxão de crescimento e expansão, e não no sentido ruim, pejorativo, predominante na comunidade latina e cristã), para atingir os objetivos que aceitou cumprir na empresa, e se for uma pessoa regida por princípios e valores éticos e cooperativos semelhantes aos da empresa X. Dizer que uma pessoa não é competente para desempenhar alguma função é tanto possível quanto necessário, fazendo também a indicação do que lhe falta para se tornar apto. Isto é de suma importância, pois, se temos alguém sem habilidades ou conhecimentos necessários, mas com uma atitude de disposição para aprender e com valores fortes e afinados com a organização, então esta pessoa poderia ser eleita, sob a condição de participar de um programa de treinamento e capacitação. Por outro lado, se temos uma pessoa com habilidades e conhecimentos sobressalentes, mas com uma atitude egoísta e interesseira, sabemos que vai precisar de muito trabalho para ganhar respeito e confiança da sua equipe. Contudo, ainda assim é possível, embora difícil, que esta pessoa consiga, através de processos de formação e desenvolvimento dos seus potenciais, identificar o conjunto de atitudes que a atrapalha. Em último caso, se uma pessoa tem habilidades, conhecimentos e atitudes adequadas para um cargo, mas com valores completamente incoerentes com a empresa, por exemplo,

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desonestidade, será o trabalho de uma vida inteira conseguir uma tomada de consciência e transformação, o que só poderá estar nas mãos da própria pessoa. Definir estas quatro dimensões – habilidades, conhecimentos, atitudes e valores – nos facilita dois processos importantes, entre outros, dentro das organizações. Primeiro, definir o perfil do tipo de colaboradores que estamos querendo contratar, seja como empregado, consultor, fornecedor etc.; e, segundo, funcionar como uma ferramenta para o desenvolvimento dos talentos humanos já vinculados com a empresa, no sentido de que fornece um sistema de avaliação de competências e permite desenhar um plano de capacitação, treinamento e formação. De tais dimensões, podemos dizer que, em geral, elas são interdependentes, são coerentes entre si, são desenvolvidas por meio da aprendizagem, tanto individual quanto coletiva. Alguns autores atribuem competências tanto a indivíduos quanto a equipes de trabalho. Neste último caso, principalmente as dimensões de atitudes e valores compartilhadas pela equipe têm uma alta influência na aprendizagem e no desempenho como um todo. Competências para o Planejamento e Gestão Esse é o primeiro de três grupos de competências do empreendedor. As competências para o planejamento e gestão referem-se à maneira como o empreendedor traça e cuida dos seus planos. Dizemos que os planos são trilhas e não trilhos que marcam o caminho para nossos objetivos e metas. Os planos não nos fazem rígidos, mas ágeis para adaptação a mudanças, porque os cenários e perspectivas já foram inicialmente pensados. Neste grupo identificamos algumas competências genéricas e outras competências conversacionais

para serem desenvolvidas pelo empreendedor. Por competências genéricas, nos referimos àquelas relacionadas propriamente com o planejamento e gestão, como a aplicação de métodos de melhora, planejamento estratégico, elaboração de planos de negócios etc. Por competências conversacionais, compreendemos aquelas que se referem a processos relacionais, como o escutar clientes e assessores, dar e receber juízos, fazer declarações etc. Iremos abordando essas competências na medida em que se vão apresentando no texto. Em resumo, neste grupo de competências vamos discutir sobre o sentido de estabelecer metas, ou seja, de nos comprometer com o futuro, como compromissos. Procura de Informações Associamos esse comportamento com a competência que tem um observador para obter informações de pessoas, clientes, fornecedores, concorrentes, assessores etc. Uma maneira de se obter essas informações é perguntando e principalmente escutando a essas pessoas. Outra maneira de se obter empreendedores, e fazer a gestão respectiva desses

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informações importantes é mudando o observador que somos, ampliando nossos conceitos e, com isto, ampliando as possibilidades de interpretar situações e pessoas. O empreendedor é um observador aberto para ir ao encontro do novo, para se questionar por aquilo que não está evidente; dessa maneira, ele fareja informações, não se conformando com aquilo que já conhece. Quanto maior a quantidade e qualidade de distinções e maior a capacidade de escuta, maiores serão as informações de que ele vai dispor para tomar decisões, criar possibilidades, gerar empreendimentos. Na medida em que o empreendedor disponha de um universo rico de distinções,

poderá observar coisas que outras pessoas não observam, e isto o torna mais poderoso. Três exemplos de ações que o empreendedor competente em procurar informações realiza são: • Interessa-se por conversar e interagir com clientes, fornecedores ou concorrentes Nesta ação, particularmente, conversar ou interagir tem a ver com o fenômeno do escutar. Escutar é um processo complexo que, contrariamente ao que se pensa comumente, não é passivo ou simplesmente acontece. Escutar conjuga duas ações, ouvir e interpretar. Ouvir é um fenômeno puramente biológico e interpretar é um fenômeno lingüístico. É por isso que não só escutamos sons e palavras: também escutamos silêncios, ausências, gestos etc. Escutar é uma das pontes para se chegar ao mundo que o outro vê. Quando estamos escutando, deixamos um pouco de lado nossas opiniões, experiências e inquietudes, para nos abrirmos às opiniões, experiências e inquietudes do outro. Sabendo que somos diferentes e que construímos mundos diferentes, é errado pensar que o que você fala coincide com aquilo que eu escuto. Quantos conflitos existem em nossa vida devido a situações do tipo: aquilo que eu entendi não era aquilo que você queria dizer, ou vice-versa? O empreendedor que tem competência para escutar o outro, seja cliente interno ou externo, seja o mercado ou o sistema financeiro, tem condições de indagar pelo que o outro deseja realmente, pelas inquietudes e vontades, pelos riscos e possibilidades e, com isto, desenhar o futuro para ir ao encontro de seus objetivos particulares, os de sua empresa e os de sua comunidade. • Conversa com especialistas na procura das suas opiniões Essa ação envolve novamente o escutar, mas não se refere a escutar qualquer coisa, mas opiniões de pessoas que achamos experts nas áreas do nosso interesse. Este é um tipo particular de escuta, porque de antemão temos conferido autoridade a essas pessoas para darem opiniões que, se viessem de outros, não escutaríamos com tanta atenção. É importante para o empreendedor ter pessoas próximas a quem ele confere autoridade, mas também é importante que esse conferir seja a partir de uma reflexão e baseado em fatos concretos. Há pessoas que

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Empreendedorismo Parte 02 – Aula 01

têm dificuldade em atribuir autoridade a pessoas experientes, como se isso as deixasse numa posição vulnerável. Há outras pessoas que, pelo contrário, atribuem autoridade a qualquer pessoa que passa pela frente, sem nenhum critério, como se qualquer um fosse mais expert que elas. Em ambos os casos, a pessoa está deslegitimando o outro e a si próprio. Você é legitimamente diferente dos outros, ninguém pode lhe tirar isso e, por isso mesmo, o outro também é legítimo e você está em condições de igualdade com ele. Escutar e conversar com experts e assessores requer uma postura digna e uma apreciação digna do outro. Só assim essas interações são frutíferas e enriquecedoras para ambas as partes. Pode-se estabelecer um diálogo em que se agregam novas distinções, há aprendizado conjunto e se expandem as possibilidades para todos. • Permanentemente está ampliando suas distinções Como competência genérica, o empreendedor é um aprendiz. Observa-se a si mesmo como um aprendiz e tem um permanente interesse por se qualificar, por estudar aquilo que não compreende, desenvolver habilidades e adquirir conhecimentos. Estabelecimento de Metas As metas são os resultados esperados pelas ações realizadas ou aquelas que planejamos realizar. Lembre-se do modelo do observador, ação e resultados no qual associamos os resultados às ações e, por sua vez, as ações ao tipo particular de observador que somos. Segundo esse modelo, as conseqüências da “falta de metas” é que as ações podem ficar sem um norte, ou simplesmente não acontecem. Sem resultados esperados, nosso atuar corre o risco de ser suspenso ou de ficar à deriva. Três exemplos de ações que o empreendedor competente em estabelecer metas realiza são: • Estabelecer sua visão pessoal No estabelecimento de metas, identificamos duas ações. Numa ação, o empreendedor define sua visão e, noutra ação, o empreendedor define as realizá-la. Desde o começo desta metas que pretende alcançar para estamos dizendo que o

disciplina,

empreendedor é aquele que imagina e realiza suas visões. Onde quer que ele esteja ou trabalhe, o empreendedor sabe o porquê de estar nesse lugar, o propósito de fazer o que está fazendo num sentido maior, e os resultados que espera alcançar em função das suas ações.

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Além disso. em qualquer desses casos. pode-se correr o risco de não se ter metas ou. benefícios e resultados positivos de ambas as partes. estamos utilizando o conceito de FLORES (1995). Dizer: vou me formar em direito. quando você falou que sim ante um juíz de paz e se casou. com clientes. principalmente para nosso futuro. vou trabalhar como terapeuta. mas principalmente possui a atitude de quem cuida do cliente e também de quem constrói e cuida da sua imagem pública. • Estabelecer metas de curto prazo.. elas são importantes para nossas vidas. fornecedores. seu futuro e o das pessoas envolvidas com você mudou. sinaliza para o vínculo com as distinções diferenciadas do observador. o Estado etc. Quando isso acontece. critérios de satisfação. ficamos cansados de fazer coisas e não avançar em nada em direção às metas. vou fazer aquele concurso público. Existem muitos tipos de declarações que vamos discutir. Os compromissos são estabelecidos através de pedidos. Sem ter clareza nesses dois aspectos. das expectativas de lucro. ou seja.. 51 . lidar com situações onde se está em risco de não cumprir uma promessa. ter uma meta e agir naquilo que não acrescenta nada para consegui-la. e posso claramente saber onde estou e o momento em que as atingi. ofertas e promessas. organizar. Quando você decidiu fazer este curso de empreendedorismo. mas declarar uma meta tem características que a diferenciam das outras. condições para o cumprimento. Os compromissos dizem respeito a prazos. etc. tendo em vista os objetivos de longo prazo O empreendedor tem consciência de que é tão importante ter clareza das metas quanto ter clareza do que falta no mundo. Uma declaração é uma distinção das competências conversacionais. quando você declarou que seria um empresário etc. expectativas do cliente. elas são mensuráveis. portanto. Mas queremos destacar as características dos compromissos e as características da gestão de compromissos. você teve autoridade para declarar e atuou em concordância com sua declaração. O empreendedor competente na gestão sabe desses conceitos. A gestão diz respeito a planejar. negociar. coordenar. dessas distinções falaremos mais adiante. desde já. o que é pior. em geral maior que um ano. às quais nos referimos anteriormente. tem características diferentes de outras declarações: elas são alcançáveis.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 01 • Definir clara e especificamente metas e objetivos desafiantes que tenham a ver com sua visão Ao definir uma meta. você tem condições mínimas para que essa meta possa ser alcançada. vou conquistar aquele mercado etc. e dizemos que o empreendedor faz gestão dos compromissos que adquire consigo próprio. isto é. Gestão Quando falamos em gestão. quando alguém lhe falou que era aceito num emprego. monitorar os avanços no cumprimento. o que o empreendedor está fazendo é uma declaração. dizemos que é uma ação lingüística que tem o poder de mudar ou definir o futuro. têm um prazo de tempo definido. Isto.

o empreendedor implementa sistemas de monitoramento dos compromissos. Costumamos dizer que as promessas são elos com que nos ligamos uns aos outros. à sociedade. prestação do carro etc. cartões. • Planejar dividindo grandes compromissos em compromissos menores com prazos definidos O primeiro compromisso que o empreendedor tem é com sua visão e com as pessoas que estejam envolvidas nesse compromisso. por isso. Em particular.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 01 Três exemplos de ações que o empreendedor competente para a gestão realiza são: • Fazer. O empreendedor cumpre com suas promessas e as avalia. Somos mais ou menos poderosos. as pessoas se condicionam e planejam suas ações baseadas nas promessas que você faz com elas. cumprir e avaliar seus compromissos Os compromissos são promessas que se realizam entre pessoas e/ou instituições. O empreendedor avalia as circunstâncias que implicaram mudanças e o impacto das variações nos resultados finais. Por sua vez. de acordo com as promessas que estamos em condições de fazer e cumprir. compras para a casa. As pessoas fazem promessas aos seus clientes. às instituições onde atuam. seus compromissos (outras promessas) com bancos. Existem tecnologias disponíveis que facilitam este trabalho de monitoramento. estão condicionados a essa promessa. para se certificar de que foram satisfatórios seus resultados e para implementar melhoras e aprendizados. se houve adiamentos ou cancelamentos etc. se estão em acordo com as condições acordadas. A você foi feita a promessa de que todo dia 30 sua organização deposita o pagamento de seu salário e. 52 . Após fazer as promessas pertinentes. é nítida a presença das observações diferenciadas. as agendas eletrônicas etc. como o Project. a promessa é o ato lingüístico que nos une em nossas redes de relacionamentos. com prazos de entrega e condições de satisfação claramente definidas.. define metas e objetivos. escola dos filhos. A promessa é outra das distinções das competências conversacionais. então constitui promessas menores. ele acompanha se foram concluídos. • Monitorar constantemente os resultados obtidos. Nossa vida está constituída de promessas. ou seja. ele analisa as etapas. O gestor empreendedor conhece o poder de sua palavra e a responsabilidade que assume com as promessas que faz. Depois desse compromisso. Em todos esses comportamentos. das ações significativas e dos resultados conseqüentes.

Empreendedorismo Parte 02 – Aula 01 Como Observamos o Empreendedor? Conclusão: O empreendedor é um agente de mudanças. mas essas mudanças só podem acontecer com resultados significativos se estão por trás delas uma visão de mundo e uma gestão de compromissos responsável 53 .

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não tem sócios e. independência. para atuar com iniciativa e para se retroalimentar.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 02 Aula 02 – Competências Empreendedoras Nesta aula. Para todas as competências anteriores. Não se trata só de saber se comunicar com suas equipes. iniciativa. para persuadir. existe uma meta-competência que estaremos mencionando permanentemente: de estabelecer vínculos de confiança. existem pessoas que necessariamente terá de se relacionar. alimentação. 55 . Mesmo trabalhando “sozinho”. Os relacionamentos são uma parte central e fundamental para a visão do empreendedorismo. para atuar com autoconfiança. persuasão. colaboradores. visto que o trabalho reflexivo e as tarefas individuais também são ações que necessitam do desenvolvimento dessa competência para se obter um resultado mais efetivo. por exemplo. Estaremos fazendo referência a seis competências básicas: • • • • • • para criar redes de contatos. são eles: conectividade. implementos e materiais indispensáveis para sua pesquisa. mas de como o empreendedor observa a si mesmo como um facilitador e servidor da sua comunidade. Nesse caso. não é possível ter sucesso em seu empreendimento sem ter a competência para relacionar-se com aqueles que estão à sua volta e até mesmo consigo próprio. sente que não precisa utilizar suas competências para relacionamentos. mesmo que de forma indireta. A título de exemplo. e até mesmo a própria comunidade estudada. As competências para os relacionamentos são fundamentalmente conversacionais. pessoas que vendem serviços e auxiliam em transporte. para atuar com independência. autoconfiança. retroalimentação. vamos apresentar as competências para os relacionamentos. imagine um arqueólogo que está executando um projeto de procura de marcas de um assentamento ancestral em uma dada comunidade. Ele está indo atrás da sua idéia. tão necessários para um empreendedor. COMPETÊNCIA PARA OS RELACIONAMENTOS Este é o segundo grupo de competências empreendedoras. roupa. portanto. ou ser persuasivo.

porque estamos falando de um inventor de mundo que conjuga sua visão com as visões das pessoas com quem trabalha e da comunidade que está em volta. Quando você fala do que lhe interessa. amigos. fornecedores. propor é mostrar suas idéias. Estas conversas são muito poderosas e transformadoras. No perfil de empreendedor que estamos construindo nesta disciplina. nas quais se estabelece confiança. inquietudes e sonhos. é cuidadoso não só com as promessas que faz. notícias. a rede de contatos tem uma importância ainda maior. Utilizar-se de tecnologia para expandir sua rede de contatos. mas é cuidadoso também quando não pode. é uma pessoa confiável. Por um lado. na qual recorrentemente o empreendedor tem apresentado comportamentos responsáveis. ou comentam sobre uma pessoa que pode ser chave para seu projeto. Além do mais. no sentido de se certificar de ter as competências para realizá-las. Uma das principais ações no estabelecimento da conectividade é a “dança” entre o propor e o indagar entre os envolvidos na conexão. etc. indagar é abrir o seu espaço para conhecer o outro. se interessar verdadeiramente pelas inquietudes e os desejos do outro e se disponibilizar para conhecer sua alma. Três exemplos de ações que o empreendedor competente realiza para criar redes de contatos são: • Atuar em conformidade com os compromissos que assume. são aquelas das quais você sai se sentindo diferente. e é um dos comportamentos fundamentais para o sucesso do empreendedor. ao longo do tempo.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 02 Conectividade (Rede de Contatos) A conectividade é a capacidade de estabelecer redes de contatos. Conversas com alto nível de proposição e indagação. Ser consciente da importância da conectividade novamente nos coloca de frente com a questão das promessas. • Compartilhar as próprias inquietudes e estar aberto para escutar as inquietudes dos outros. as pessoas voltam a atenção para o que você falou. e sinceros para com as pessoas com quem firma compromissos. é fazer com que as pessoas com quem se estabelece contato saibam mais de você e possam servir de “antenas” ou “radares” captadores de oportunidades que vão de encontro aos seus interesses. e então elas passam a lhe trazer comentários. porque você se depara com a experiência de ter legitimado e ter sido legitimado também. Por outro lado. por eventualidades. cumpri-las. assessores. até amado. Ser confiável significa construir uma identidade pública. sugestões e reportagens sobre algo que lhe interessa. acolhido e respeitado. Não é possível pensar hoje num empreendedor sem uma rede de clientes. • Humberto Maturana (1994) costuma chamar este fenômeno de amor. etc. 56 . Em outras palavras. da imagem pública e da construção da confiança. A conectividade dá luz aos relacionamentos.

mas principalmente para os pedidos. Persuasão Esse comportamento é geralmente mal interpretado. chats. Fazer ofertas poderosas tem a ver não só com as competências que você possui. Esse comportamento também pode ser entendido como “sedução”. Um dos principais problemas organizacionais é que contratamos serviços ou pessoas que não precisamos por falta de um 57 . e-mail. e a proposição de idéias de maneira persuasiva. Novamente estamos falando de um processo de escutar nossas inquietudes. fazer pedidos faz o caminho inverso das ofertas. podemos abrir um espaço de possibilidades para os que nos rodeiam. Uma nova dimensão das comunicações. É a hora de adquirir distinções que nos permitam tirar proveito dessas tecnologias para impulsionar e achar aliados para nossos empreendimentos. a ser confundido com manipulação. No nível das inquietudes. por isso que profissionais como os de marketing são experts indagadores dessas inquietudes. Noutras palavras. no sentido de se mostrar como uma oportunidade para o outro. eles as transformam em produtos que sedutoramente são ofertadas aos clientes. dificuldades ou desejos. o empreendedor sabe se utilizar das tecnologias como por exemplo. Três exemplos de ações que o empreendedor persuasivo realiza são: • Fazer ofertas que vão ao encontro das necessidades do cliente. Por sua vez. a etapa de identificar o que falta é muito importante. o empreendedor está se disponibilizando como um servidor do outro ou da comunidade. mesmo que ele não as tenha identificado ainda. e não só isso. Fazer pedidos tem a ver com você identificar o que está faltando e perceber o quê ou quem pode atendê-lo. sites e grupos de discussão para criar conectividade. muitas vezes são tão profundas que nem nós mesmos sabemos que as temos. Fazer ofertas envolve dois momentos importantes: o da escuta das inquietudes do outro. chegando. onde se identificam as necessidades que estamos em condições de atender. ou seja. mas com as necessidades que o outro tem. Uma vez identificadas. O empreendedor é um atento escutador e está prestes a se ofertar com dignidade e profissionalismo. • Fazer pedidos à pessoa certa e de maneira cuidadosa. estamos dizendo que ao ser persuasivo ou sedutor. de maneira que sejamos uma oportunidade ótima para atender essas necessidades. baseada na interatividade está se abrindo. Por isso dizemos que a persuasão é principalmente um comportamento baseado em atitudes e valores. mas uma extensão para atingir novos resultados. às vezes.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 02 Em termos de competências genéricas. se ocupa tanto das suas próprias inquietudes como das inquietudes dos outros. pois com nossas ofertas e pedidos. Tanto para as ofertas.

O empreendedor sabe cativar as pessoas para que atendam seus pedidos com impecabilidade e esmero. a independência faz referência à consciência que o empreendedor tem sobre sua missão. As crianças e adolescentes sabem muito bem do tempo kairós. fazer as ofertas e os pedidos no momento certo e no local adequado. O empreendedor terá refletido profundamente sobre seus próprios valores e tem estabelecido claramente suas prioridades. Ou seja. Os exemplos de pessoas que tem uma vida bem sucedida em empresas e se retiram para viver com outros valores. O empreendedor se percebe interdependente também. Segundo COVEY (1989). certamente. reveja seus valores e construa seu mundo com responsabilidade. têm propósitos bem caracterizados. O empreendedor sabe. porque elas estão fundamentadas na sua missão. • Desenhar as conversações nas quais vai fazer ofertas ou pedidos persuasivos. são tipicamente os casos de empreendedores independentes. sem dúvidas. quando ficam esperando o momento de fazer um pedido ao papai. Três exemplos de ações que o empreendedor independente realiza são: • Tomar decisões com autonomia. 58 . mesmo que estejam em desacordo com as opiniões das demais pessoas. mas tem claros os valores que guiam sua vida. outro. o cronos que é o tempo que conhecemos como aquele onde se conta com minutos e segundos. fundamentadas na sua missão e nos seus valores. recorremos aos gregos. que identificavam duas tipologias do tempo: um. Independência Esse comportamento é enfocado mais no nível dos valores. seja aceito. O empreendedor independente toma suas decisões.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 02 adequado processo de identificação de pedidos. menos consumistas e mais práticos ou espirituais. ou de oportunidade. no seu íntimo. O empreendedor sabe fazer ofertas e pedidos no tempo oportuno. Não estamos falando do empreendedor que vai trabalhar sozinho ou que tem dificuldades em mudar suas próprias idéias só por querer ser “independente”. Ele escuta a emocionalidade e a corporalidade oportuna para que o pedido. tanto suas escolhas quanto o seu identificar-se ou não com outras pessoas. O empreendedor é independente no sentido de que sabe o que procura e. Ser independente não deve ser confundido com não escutar o outro ou não levar em consideração outras pessoas para tomar decisões. Não significa que estejamos propondo a vocês largar tudo e “ir para o Tibet”. Para distinguir a noção de “momento certo”. mas que você reflita no que realmente você acredita. o kairós que é o tempo humano e que denominamos o tempo oportuno. tem clareza dos aspectos e das realizações com os quais ele quer contribuir para a sociedade. constante e regularmente.

Isto condiz com temas que abordamos ao apresentar o modelo do observador. que é algo que se possui. A autoconfiança a exemplo da falta de autoconfiança é um juízo de efetividade que se tem sobre si mesmo. A autoconfiança se encontra no domínio da emocionalidade e se reflete no domínio da linguagem sobre a forma de juízos. no qual discutíamos a ética dos relacionamentos. o empreendedor possui a paz para reconhecer suas limitações e as coisas que não da conta. A falta de autoconfiança acontece 59 . O empreendedor independente sabe que a cada escolha que ele faz o mundo se transforma. Sabe também que essas escolhas podem não ser sempre as melhores segundo a situação. Por ser um estado ele se reflete nas ações que realizamos ou deixamos de realizar. Por estar no domínio da emocionalidade a autoconfiança é um estado emocional contagiante. A dimensão temporária dos juízos nos faz pensar que podemos vir-a-ser. o empreendedor possui a ambição para alcançar suas metas. • Ter consciência dos seus limites e potencialidades. em realidade é algo que se cria. Autoconfiança A autoconfiança é um estado emocional e como tal flui. Por um lado. que se inventa e que se re-inventa.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 02 • Assumir a responsabilidade pelas suas escolhas. Ter um juízo de inefetividade sobre si mesmo em algum domínio não corresponde a ter falta de autoconfiança. O empreendedor autoconfiante sabe do que é capaz e reconhece a capacidade dos outros membros de sua rede de relacionamentos. Exemplos de ações que o empreendedor autoconfiante realiza nessa competência são: • Contagiar com autoconfiança o seu entorno. para fazer promessas e assumir desafios. se contagia. mas ele assume a responsabilidade dessas escolhas e vai ao mundo arraigado em seus valores e tirando proveito dos resultados das suas ações. para compartilhá-las com seu entorno. Ao contrário do que se pensa. a autoconfiança não é uma coisa que se tem ou não. no caso de nos encontrarmos no espaço da falta de autoconfiança. Por outro lado. Nesta ação. escolhas e decisões do outro. ou seja. • Respeitar profundamente a independência dos outros. está em movimento. o empreendedor está se posicionando como uma pessoa consciente dos seus limites e em igualdade de direitos que o outro. mas um estado em que se encontra. Ser independente e legitimar nossas escolhas e nossas decisões implica necessariamente em legitimar a independência.

Acreditamos que a vida das pessoas e das organizações está num permanente pulsar. mediante uma situação de crise ou mesmo quando observa que tudo está bem. de baixos e altos. Esta é uma das características assinaladas como chave para o sucesso nos empreendimentos. Acontece que generalizamos e então a falta de autoconfiança se instala em nós. é o momento de olhar para o horizonte e definir novos rumos. isso significa que o mercado está cobrando de você sua atenção e certamente já terá vários concorrentes se preparando para suprir essas necessidades. Quando o cliente chega a solicitar o que quer. de momento. é o momento de refletir e se auto-observar. Nessas histórias não é incomum confundir as ações com suas causas e conseqüências. Passo a acreditar que por ser inconstante nunca termino nada que inicio. Uma das principais características de quem tem iniciativa é atuar antes de ser solicitado. mesmo antes de ela mesma saber. quando as pessoas dizem o que querem ou o que precisam. começo. a autoconfiança também se reflete nas narrativas ao redor de nos mesmos. • Ter consciência de ser inacabado. que tem a ver com as “histórias” que contamos de nos mesmos. é você observar atentamente e identificar o que a pessoa está necessitando. algo que poderia ter sido algo circunstancial. Esse pulsar é o movimento de toda a natureza e a pessoa que tem iniciativa percebe esse ritmo. de repente se transforma numa caracterização de mim enquanto pessoa. Quando se está em “alta”. Seja qual for o momento. então concluo que sou inconstante. Resumindo. se estou determinado a escrever um livro. o empreendedor consegue perceber a ação que pode tomar e não fica no pensamento. o empreendedor chegou tarde. 60 . mas atua.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 02 porque esquecemos que a inefetividade que possuímos. quando se está em “baixa”. Ou seja. na qual há momentos de contração e de expansão. A autoconfiança também se estabelece nas narrativas. Você só poderá se antecipar nas suas ações quando é competente para escutar ou farejar as necessidades das pessoas do mercado. Por exemplo. Além disso. Ter iniciativa é se antecipar ao pedido. quer se antecipar às crises. mas nunca chego nem à metade e abandono o projeto. antes mesmo que lhe peçam algo. existe num domínio e não em todos os domínios da vida. O empreendedor sabe disso e por isso mesmo constrói narrativas Iniciativa Tem iniciativa a pessoa que. Três exemplos de ações que o empreendedor com iniciativa realiza são: • Agir antes de solicitado. decide agir seguindo sua própria vontade. Segundo Charles Handy.

Entre outras ações. você sempre poderá implementar novas formas de fazer as coisas que lhe facilite e faça mais prazeroso seu dia-a-dia. sem dar tanta importância à palavra não. o empreendedor pode persistir ou simplesmente legitimar o espaço e tempo do outro com tranqüilidade. Retroalimentação A competência da retroalimentação. fundamentalmente contribui para fortalecer os laços entre as pessoas. se mostra persuasivo. • Implementar novas práticas e tecnologias ao trabalho. são exemplos de reflexões comuns nas pessoas com iniciativa. Os juízos são outra ação lingüística que fazem parte das competências conversacionais. Para ser efetivo e gerar aprendizagem o processo de retroalimentação precisa estar baseado em juízos fundamentados. como manter mais organizados os arquivos. Os relacionamentos sem troca sincera e cuidadosa de juízos ou opiniões tende a ser superficial. exibe possibilidades para o outro e fica em paz. O empreendedor com iniciativa faz o que tem que ser feito e está preparado para receber a resposta. Ter iniciativa também está relacionado a competências genéricas no domínio da ação. como se relacionar de maneira mais efetiva. isto é.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 02 • Receber um “Não” não lhe amedronta. seja ele qual for. é que as pessoas têm abertura para expressar suas opiniões sem ter que “pisar em ovos”. Ter iniciativa é tomar a decisão de fazer as ofertas ou os pedidos que temos em mente. Como sabemos. ou em outros termos. É o que acontece quando o empreendedor. porque pode se receber um não como resposta. É por isso que o empreendedor é uma pessoa competente para fazer retroalimentação. Uma das principais características de um relacionamento forte e duradouro. firme em suas idéias e desejos. Seja na tarefa individual. Por exemplo. cuidando para caracterizá-los. dar e receber juízos. Como escrever melhor. se eu falar para meu colega que “Pedro é 61 . Um juízo fundamentado é aquele feito com seriedade. nas atividades de coordenação ou no trabalho reflexivo. baseado em fatos e que tem um propósito responsável pelo qual é feito. não é sempre que nos sentimos capazes de retroalimentar as pessoas ou receber retroalimentação dos outros nas várias situações da vida que nos acompanham no dia-a-dia. Pedir ou oferecer tem riscos. Se o outro não enxergar os benefícios que lhe são oferecidos. mesmo quando às vezes gostaríamos de escutar um sim. Você já pensou nas coisas que deixou de fazer na vida porque tem medo de um “Não”? Mas se formos ver o não é uma declaração muito importante na vida das pessoas e é completamente legítima. Três exemplos de ações que o empreendedor realiza nessa competência: • Fazer juízos sobre o que observa. Ter iniciativa é manter permanentemente uma atitude orientada ao melhoramento. a capacidade de dar e receber juízos. um empreendedor pode realizar com iniciativa pedidos ou ofertas.

De qualquer forma. Suponha que você é o diretor do departamento de atendimento ao cliente da empresa X. Experimente da próxima vez que alguém opinar diferente dizer: “mas que interessante escutar sua opinião. será melhor eu ter um fundamento cuidadoso da minha opinião porque todas as pessoas envolvidas nesse juízo estão sendo afetadas. e em terceiro lugar. • Permitir-se discrepar (discordar) dos juízos dos outros sem entrar em conflitos. dois. como foi que você chegou a essa conclusão?” Um empreendedor aproveita as oportunidades para ampliar sua observação do mundo. ao fazer juízos falo muito mais de mim do que dos outros. tem uma emocionalidade de abertura. provavelmente Pedro perderá oportunidades pela sua “dita incompetência”. até concluir se o juízo é fundamentado ou não. o colega para quem fiz o comentário sobre Pedro começará a ver com olhos diferentes o Pedro e a mim. Qual é a sua reação quando alguém opina de maneira diferente de você? Qual é a emocionalidade com que você recebe esses juízos? Dependendo da maneira como recebemos os juízos dos outros. e um dia eu chego lá. Os juízos falam do que observamos e não de como as coisas são. mas principalmente de como eu me sinto. a retroalimentação é sempre uma oportunidade de aprendizado e melhora. e ao emiti-lo sem fundamentos. Duas coisas devem ser levadas em consideração na hora de emitir um juízo fundamentado: um.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 02 incompetente para desenvolver projetos com ONG”. sou mal atendido e faço uma reclamação. Os juízos expressam o sentido que damos às coisas que observamos. não estou falando apenas de como o serviço é. posso obter resultados negativos. em segundo lugar. e ache que o atendimento é ótimo. Antes de entrar em conflito comigo. não tem necessidade de brigar para ter razão e cria novas e mais ricas maneiras de se relacionar. Poderia acontecer que outro cliente discorde do meu juízo. Observe que quando falo que o serviço é ruim. estaremos mais abertos ou não a ver o mundo com novos olhos. fazer um processo reflexivo sobre “para que estou fazendo esse juízo? O que quero mostrar para essa pessoa? Em que domínio particular da vida dela isso acontece? No trabalho ou na família?” e. se meu juízo for aceito. 62 . • Receber juízos dando abertura para observar aquilo que o outro vê. Em primeiro lugar. você pode rever os aspectos no atendimento que para mim são importantes. ter evidências que demonstrem aquilo que estamos falando.

sabe das oportunidades que pode representar para a expansão do mundo em conjunto. 63 . sabe muito bem trocar opiniões e sugestões que enriquecem e estimulam o crescimento das pessoas e equipes e principalmente tem valores que orientam sua vida e suas ações que empreende com outras pessoas. relacionamentos constrói ele respeita o outro e respeita a si mesmo.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 02 Como Observamos o Empreendedor? Conclusão: O empreendedor Nos é competente para que se ele relacionar.

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para atuar com impecabilidade. oportunidades e soluções. COMPETÊNCIAS PARA A AÇÃO Este é o terceiro grupo de competências empreendedoras. Riscos e Desafios As promessas que estamos ou não em condições de fazer e cumprir. Por isso. Por exemplo. e assumir riscos com ações para as quais não temos condições de cumprir põe em perigo nossa identidade pública. Pelo contrário: estamos dizendo que merecemos fazer nossos sonhos tornarem-se realidade. a pessoa não se qualifica como empreendedor.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 03 Aula 03 – Competências Empreendedoras Continuando a apresentação das competências empreendedoras. Não dizemos com isso que não podemos ser sonhadores. Aprender a andar de bicicleta foi possível porque sistematicamente nos colocamos em situações que nos obrigavam a pedalar. nesta aula você estudará as competências para a ação. Sem elas. imagine-se com capacidade para planejar e estabelecer metas (primeiro grupo) e com as atitudes e os relacionamentos desenvolvidos (segundo grupo). coordenações e ações. fazer acontecer. para coordenar ações e para persistir nos seus objetivos. mas sem ação. Três exemplos de ações que o empreendedor realiza nessa competência: • Colocar-se propositadamente em situações de relativo risco para desenvolver aprendizagens A aprendizagem e o desenvolvimento de novas competências se adquire na prática. para os outros ou para nós mesmos. que estão aparentemente além das nossas capacidades. Por isso. 65 . efetivamente. para assumir riscos e desafios. que são: riscos e desafios. o empreendedor avalia desafios e os assume. o empreendedor fica como um visionário ou um sonhador. perceber e distinguir) oportunidades e soluções. impecabilidade e persistência. Não assumir novos riscos e desafios nos deixa na mesmice de sempre. consciente dos níveis de aprendizagem que vai percorrer. precisamos atuar. Os riscos e desafios aparecem a nossa frente quando temos a oportunidade de fazer promessas. Somos inventores e construtores do mundo. determinam nosso poder de ação. Estaremos fazendo referência a cinco competências: para observar (isto é. As competências para a ação são fundamentalmente conversacionais.

pois no mundo há possibilidades para todos. Por exemplo. • Compartilhar seus desafios com possíveis parceiros para diminuir os riscos O empreendedor não está indo atrás de um reconhecimento individual. mas de um resultado que beneficia a muitos. criamos narrativas com nossas experiências. no momento de executar o projeto propriamente dito. as chances de sucesso sejam boas. Por isso. conferimos sentido àquilo que observamos. Três exemplos de ações que o empreendedor realiza nessa competência são: • Observar atentamente os fatos e os acontecimentos O empreendedor sabe que a oportunidade e as soluções estão nele. mas. Está sempre tentando novas explicações que lhe ofereçam maiores opções.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 03 mesmo que tal situação envolvesse certo nível de risco. É uma postura na qual ele nunca acha que sabe o que está acontecendo de antemão. Somos contadores de histórias. já que assim é mais fácil atingir os resultados. Contar com parceiros aumenta a possibilidade de sucesso. conversará com as pessoas ou disponibilizará os recursos. compartilhar seus sonhos e desafios com outros lhe é natural. até se conseguir desempenhos cada vez mais confiantes e com melhores resultados. para que. 66 . O mundo é perfeito do jeito que ele é. ao mesmo tempo. como observadores. o que estamos fazendo é abrir o leque de possibilidades e criar condições favoráveis para que nossas ações sejam exitosas. pois ele deseja somar experiências e forças. O empreendedor pode ver oportunidades onde antes ninguém viu. requer uma atitude de persuasão. por isso. e isto lhe permite ações diferentes. e depois procura a explicação ou interpretação que melhor cabe para seus objetivos. por isso. iniciativa e doação. Oportunidades e Soluções O empreendedor observa o mundo. Nós. no caso de ter que executar um projeto. • Criar contextos para aumentar as possibilidades de êxito A criação de contexto é uma das ações mais importantes na hora de aumentar as possibilidades de êxito no desafio que se está por enfrentar. Temos sido recorrentes nisso. nós atribuímos a ele expectativas. É por isto que dizemos que o empreendedor é aquele que leva em si uma atitude de oportunidade. Quando criamos contextos. compartilhar seus desafios não implica uma perda. observa os fatos com uma postura de atenção e liberdade para as interpretações e idéias que surgem. identifica os acontecimentos e as coisas em si. O empreendedor observa o mundo com abundância. o empreendedor criará as condições necessárias. vemos nele problemas ou oportunidades.

Confere legitimidade à interpretação do outro. se permitir questionar e fazer novas interpretações. mas. e sabendo que juízos são interpretações. não estão do lado de fora. Por sua vez. Coordenação de Ações Uma das ações centrais do empreendedor é a de coordenar ações com outras pessoas. A etapa de cumprimento da promessa também compreende duas fases: uma de realização e outra de avaliação. desenhando ações para isso Desenhar é uma ação na qual refletimos sobre as ações que poderíamos tomar para construir algo em que não cabe esperar pelo curso normal dos acontecimentos. se necessário. Organiza-se em forma de um ciclo de promessas que se repete e configura a rede de relacionamentos em que se insere o empreendedor. correspondendo com isso (ou não) ao estabelecimento da promessa. seguida de uma fase de negociação. Quando o empreendedor discute com alguém sobre um problema. jaz a idéia de confiança mútua e de compartilhamento de inquietudes entre os componentes da rede. implica coordenar. • Aproveitar as oportunidades.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 03 • Escutar as explicações de outras pessoas com senso crítico Os problemas não estão no mundo. Cada ciclo está estruturado por uma etapa de formulação da promessa e uma etapa de cumprimento da mesma. estamos enfocando o agir do empreendedor. Como falamos na introdução deste grupo de competências. A essa confiança e compartilhamento de inquietudes costumamos chamar de 67 . Essa coordenação ocorre através de pedidos. ele escuta as explicações com um senso crítico. inventar novas possibilidades e selecionar as ações que nos conduzam à materialização dessas possibilidades. como o próprio termo sugere. Três exemplos de ações que o empreendedor realiza nessa competência são: • Desenhar ações conforme a estrutura do ciclo de coordenação de ações A coordenação. Subjacente a essa estrutura. permite-se recriar essas explicações. O empreendedor desenha suas ações a partir das possibilidades que descobre. Desenhar implica fazer o nosso juízo a respeito do que existe. que o empreendedor e demais integrantes de sua rede de relacionamentos continuamente desenvolvem. ofertas e promessas mútuas. cada uma dessas etapas se subdivide em duas fases. culminando com a declaração de satisfação do cliente a quem foi feita a promessa. A etapa de formulação da promessa compreende uma fase de criação de contexto. O desapego às idéias pré-concebidas e ao desejo de ser possuidor da razão são as atitudes que caracterizam esta ação. e desenhar é uma dessas ações. culminando com a aceitação (ou não). organizar e estruturar para que as ações produzam os efeitos que se pretendem.

é uma extensão do ser. As ofertas e as petições. • Promover o compartilhamento das inquietudes entre os elementos com quem se vá coordenar as ações Definimos inquietudes compartilhadas como as inquietudes que movem esses observadores (que compartilham essa coordenação) para a ação. mas sim àquele que é impecável em seu atuar. mas com o fato de ter atendido às necessidades do cliente. ou seja. Três exemplos de ações que o empreendedor impecável realiza são: • Avaliar permanentemente o nível de satisfação dos clientes O empreendedor não se satisfaz com o fato de ter cumprido os acordos.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 03 “coração” do ciclo da coordenação de ações. além disso. O empreendedor será aquela pessoa que gera espaços de confiança. resultados esperados satisfatórios. uma vez que isso é vital para o êxito ou efetividade do processo de coordenação de ações em questão. quem é impecável cuida tanto de si quanto do outro. não são feitas a qualquer que tenha competência. A coordenação de ações é uma das principais competências conversacionais. 68 . O empreendedor é um fazedor e ele sabe que as coisas só acontecem porque são coordenadas. competente e responsável. Não tem temor em perguntar quais são os aspectos a melhorar e sempre sua principal expectativa é que o cliente volte a procurá-lo porque com ele está garantido o serviço. Nos momentos fortuitos em que não é possível cumprir suas promessas. principalmente aquelas que tenham a ver com aspectos muito importantes. é sincero. Uma das principais qualidades para o empreendedor é perguntar pelas necessidades particulares das pessoas com quem coordena ações e procurar atendê-las. Impecabilidade A impecabilidade diz respeito à construção da identidade pública a partir do cumprimento de promessas. É impecável aquela pessoa que obtém. ter consciência clara de suas competências e ter um apurado senso de responsabilidade. tem visões e inquietudes que vão ao encontro dos outros membros com quem coordena ações. coisas que eu não consigo sozinho são possíveis através de uma coordenação com outras pessoas. recorrentemente. Coordenar ações não é meramente um compromisso. e é aquele que. para não gerar maiores prejuízos a ninguém. • Criar espaços de confiança que facilitam a coordenação de ações Definimos a confiança como a conjugação de três comportamentos: ter sinceridade consigo mesmo e com os outros. O empreendedor tem consciência disso e se ocupa permanentemente em desenvolver esta competência.

a ação a ser realizada para preencher essa falta. porque somos aprendizes e estamos lidando com aprendizes também. é competente quem constrói com impecabilidade esses pedidos ou ofertas. Por outro lado. mantendo-se enfocado nos seus objetivos significativos. na hora de avaliar o cumprimento das promessas. Ele interpreta esses obstáculos como uma situação que apresenta espaços onde é preciso aprender. persistimos em alguma coisa porque achamos que. o empreendedor não desiste de seu propósito. Esses obstáculos poderão ser legítimos. com o tempo. o empreendedor que se depara com uma crise econômica e se vê em apuros percebe que está vivendo um novo contexto do mercado. se deparam com o fato de que não atenderam as condições de satisfação do cliente. vamos ter êxito naquilo que estamos procurando. age repetidas vezes ou muda sua estratégia. sentindo-se comprometido com os 69 . Tem pessoas que conseguem um “sim” com a maior facilidade. ainda assim. quando o empreendedor se depara com o inesperado e verifica que não poderá cumprir sua promessa. revoga ou adia o prazo de finalização das promessas. • Cancelar. o mais importante. Essas condições de satisfação se referem ao acordo sobre o que está faltando. Por exemplo. é competente para fazer pedidos e ofertas quem em geral recebe como resposta um sim e estabelece promessas. e esse aprendizado poderá lhe ser útil no futuro. Na maioria das vezes. qualquer uma dessas alternativas gera encargos e custos. e por essas despesas o empreendedor se faz responsável. Três exemplos de ações que o empreendedor persistente realiza são: • Reinterpretar os “obstáculos” como “processos de aprendizagem” O empreendedor pode se deparar com obstáculos que dificultam a obtenção dos seus objetivos. mas. revogar ou adiar suas promessas Fazer promessas implica lidar com o futuro e com as condições variáveis dele. O empreendedor não só se apercebe aprendiz e compreende que precisa de tempo para se aprimorar. mas. o prazo de tempo em que se espera seja concluída essa promessa.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 03 • Fazer pedidos e ofertas cuidadosas Fazer pedidos e ofertas é quase uma arte. quem vai fazê-lo e. Por isso. por isso. Persistência A persistência é decorrência da percepção de que tudo o que se passa no mundo se passa segundo um processo evolutivo de aprendizagem. como também é consciente de que o cliente também é aprendiz. Por um lado. dizemos que o empreendedor reinterpreta os obstáculos e. Em geral. no qual tem oportunidades para desenvolver novas competências. ele atua com a antecedência possível e cancela.

Expressões como: isso é difícil. além dessa preocupação com os resultados. e acreditamos que se estendem para todas as áreas. È um construtor de realidades e faz realidade seus sonhos. Como Observamos o Empreendedor? Conclusão: O empreendedor é competente para atuar significativamente. segundo. no qual ele não é “assim ou assado”. quando geralmente são resultados de experiências anteriores. sou covarde. • Assumir a responsabilidade pelas ações e os resultados Temos falado. identificando o domínio específico em que essa narrativa é válida e em quais não são válidas. 70 . É impecável nos compromissos que adquire. diferenciada. (que caracterizam o entorno). assumindo inteira responsabilidade. costumo desistir rapidamente etc. Essa persistência (busca tenaz) do empreendedor em realizar (ser conseqüente) com ações significativas (eficientes) é o que faz do ser empreendedor uma pessoa efetiva. Ficar nesse nível limitaria a visão do empreendedor como um ser eficaz. Neste caso.. etc. eu não consigo.. Entretanto. mas que pode vir-a-ser e se transformar em alguém diferente. percebendo-se um aprendiz. assume desafios e persiste nos seus propósitos. desde o começo. se fora sob outras circunstâncias . sem desistir. (que caracterizam a pessoa) são freqüentemente confundidas com causas para não persistir. das narrativas que nos condicionam. que o empreendedor é uma pessoa orientada por resultados. numa área da vida específica. sim.Empreendedorismo Parte 02 – Aula 03 resultados e inquietudes que o movimentam. sejam histórias ou crenças. O empreendedor questiona essas narrativas que o obstaculizam e as reinterpreta. Ele sabe aprender e esperar o tempo das coisas acontecerem. primeiro. • Reinterpretar as histórias ou crenças que obstaculizam o alcance dos seus objetivos Nosso agir está condicionado às narrativas. não vale a pena o esforço. não estamos falando de obstáculos legítimos e. o empreendedor persiste em ser eficiente em suas ações. ou. reinterpreta os obstáculos e dificuldades.

a Corporação Financeira Internacional – CFI.Empreendedorismo Glossário Glossário Ação: Ato ou efeito de atuar. do sentir e do agir. A ação é exatamente o ato ou manifestação desse agir. balança comercial. Aprendizagem: Ato ou efeito de aprender. intolerância. Balanço básico: do balanço de pagamentos: o balanço do grupo de contas que formam as Transações Correntes. Exemplos de padrões éticos de relacionamentos: submissão pela força. BCB: Banco Central do Brasil. ou seja. Banco Mundial: instituição fundada em 1944 e composta por cinco instituições afiliadas: o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento – BIRD. amor. Analogia: é a aplicação. procedimento. Aprender: Tomar o conhecimento de (aprender a conhecer). atuar resulta da combinação do pensar. pelo Tratado de Montevideo II. evoluir em seus padrões éticos de relacionamentos (aprender a conviver). criada em 1980. por um forte desejo de realização. substituiu a ALALC. 71 . maneira de comportar-se. Associação Latino Americana de Livre Comércio. tornar-se apto ou capaz de fazer algo (aprender a fazer). tornar-se (aprender a ser). balança de serviços e transferências unilaterais. Atitude tem a ver com conduta. a outro caso. Aladi: a Associação Latino-Americana de Integração. tolerância. da legislação editada para regular um caso. ou seja. e o Centro Internacional de Ajuste de Diferenças Relativas a Investimentos – CIADI. a Associação Internacional de Desenvolvimento – AID. por parte do julgador. comportamento. respeito. APEX – Agência de Promoção de Exportações Atitude: Modo de proceder ou agir. Atitude empreendedora: Conduta ou comportamento orientado para uma ação fortemente impregnada por um “querer fazer”. Manifestação de um agente. em face da semelhança existente entre os dois casos. BACEN: Banco Central do Brasil. o Organismo Multilateral de Garantia de Investimentos – OMGI. No contexto desta disciplina. Acordo Multifibras: Acordo sobre têxteis e confecções celebrado anteriormente à criação da OMC e incorporado por ela.

) entre os membros de uma comunidade.Empreendedorismo Glossário Cláusula compromissória: é cláusula inserida em contrato pela qual fica estabelecido que qualquer divergência deverá ser solucionada por meio de arbitragem. Idéias. experiência. Cooperação técnica horizontal: é a cooperação técnica implementada pelo Brasil com outros países em desenvolvimento. Certificado de origem: exigido nos casos em que o importador pretende usufruir de benefícios concedidos em função da origem da mercadoria. fé em sua capacidade pessoal ou na de outrem. Compromisso arbitral: o mesmo que cláusula compromissória Concorrência perfeita: mercado em que. influenciar o preço da mercadoria. Prática da vida. opiniões etc. critério. cada um deles é incapaz de. Comércio exterior: O comércio de residentes de um determinado país com residentes de outros países. atitudes e valores. Discernimento. Conhecimento “máster”: conhecimento “mestre”. Confiança: Segurança íntima a respeito de como proceder. apreciação. As relações comerciais de mercadorias e serviços realizadas entre os vários países que compõem a comunidade mundial. Contêiner: equipamento de transporte utilizado para unitização e transporte de carga. emitido em face de unitização de várias cargas numa unidade de carga. COANA: Coordenadoria Geral de Administração Aduaneira da Secretaria da Receita Federal. crença em si mesmo ou em outro. Conhecimento: Ato ou efeito de conhecer. Consciência de si mesmo. dizemos que há consenso quando há compartilhamento de um universo de distinções (o que inclui idéias. de opiniões. acordo ou concordância de idéias. Conhecimento de transporte: documento emitido pela empresa transportadora que representa o contrato de transporte celebrado e cuja primeira via original prova a propriedade da mercadoria. notícia. 72 . sozinho. conceitos. As relações comerciais realizadas entre um determinado país e um ou os outros países do mundo. informação. Comércio internacional: comércio exterior de todos os países considerados globalmente. Consenso: Conformidade. No contexto desta disciplina. habilidades. Competências: Combinação orientada para a ação de conhecimento. por haver muitos vendedores e muitos compradores. ciência. conceitos.

73 . Doutrina: são opiniões expressadas por jurisconsultos e demais estudiosos do direito. Diferença. Características. DARF – eletrônico: Documento de Arrecadação de Receitas Federais emitido eletronicamente. no Brasil) resultantes de investigações positivas de prática de subsídios. negociações. Direitos antidumping: são imposições do órgão investigador e decisor (CAMEX. como tais. Curva de demanda recíproca: curva que demonstra o comportamento das procuras de dois países reciprocamente consideradas. Derrogação: revogação parcial. a corporalidade é o domínio através do qual o corpo do empreendedor se manifesta na realização de suas ações. A coordenação de ações enquanto conversação envolve: identificação e declaração de inquietudes. qualidades pelas quais uma pessoa ou coisa difere de outra. corporal. Distinção: Ato ou efeito de distinguir. Direitos compensatórios: são imposições impostas pelo órgão decisor (CAMEX. Deterioração das relações ou termos de troca: a perda do poder de compra das exportações de um país frente ao valor ou volume de suas importações. Curva de indiferença: indica os pontos em que é indiferente para o consumidor optar por um ou por outro produto (nacional ou importado). criação de contextos. embute a noção de que os seres humanos são seres lingüísticos e. Relativo a corpo. formulação de pedidos e/ou ofertas. no Brasil) resultantes de investigações positivas de prática de “dumping”. por isso mesmo. Corporalidade: Qualidade de corpóreo. realização de tarefas e avaliação. a coordenação de ações não passa de uma conversação bem estruturada. Coordenação de ações: Ocorre quando os membros participantes de uma ação “coordenam” a forma pela qual executam juntos a ação. Esta maneira recursiva de expressar a coordenação de ações. mantendo o grau máximo de satisfação.Empreendedorismo Glossário Coordenação: Ato ou efeito de coordenar. normas jurídicas costumeiras obrigatórias. em função da própria coordenação. Costumes: são práticas reiteradas que se tornam. atuam através da linguagem. Segundo essa perspectiva. corporeidade. Enquanto domínio constitutivo do ser humano (juntamente com a linguagem e a emocionalidade). Separação.

Empreendedorismo: Relativo a empreendedor. mas à “atividade certa”. Economia de escala: ocorre quando são obtidos resultados positivos mais que proporcionais ao investimento realizado. Pode ser entendido como a contraparte psicológica do processo fisiológico de ouvir. positivo. arrojado e cometedor. Atividade real. Eficiência: Medida da amplitude dos meios disponibilizados para atingir um objetivo. Resulta da composição dos atos de ouvir mais interpretar (Escutar = ouvir + interpretar). Emocionalidade: Emotividade. é usado para designar um dos domínios constitutivos do ser humano. Escutar: Relativo a escuta. não qualquer resultado. Efetividade: Qualidade de efetivo. similarmente. haverá elasticidade-renda do produto.Empreendedorismo Glossário Drawback: regime aduaneiro especial que consiste na exoneração dos tributos devidos na importação de insumos a serem utilizados na industrialização de produtos a serem exportados. propõe-se. Corresponde à relação entre o resultado atingido e o resultado procurado. tenta (por mais laboriosa e difícil que seja a tarefa). “resultado verdadeiro” quer dizer “resultado certo”. 74 . No contexto do empreendedorismo. algo que se manifesta por um efeito real. Dumping: é a política de empresa exportadora consistente na introdução no país de importação de mercadoria por preço abaixo do normalmente praticado no país de exportação. Elasticidade-renda ou inelasticidade-renda de um produto: o comportamento provocado na demanda por um produto decorrente da variação da renda. Enforcement: capacidade de prevenção e repressão de irregularidades no cumprimento das regras comerciais. Se o crescimento da demanda for menos que proporcionalmente ao aumento da renda. Resumindo: uma combinação de eficácia (fazer a coisa certa) com eficiência (da maneira certa). O empreendedor delibera-se a praticar. No contexto deste curso. aquele que empreende. que é ativo. enquanto predisposição para a ação é determinante para o comportamento empreendedor. em face do grande tamanho do mercado. haverá inelasticidade. o empreendedor põe-se a executar. ao se referir à “atividade real”. Refere-se ao domínio do sentir. aquela impregnada de eficiência. Resultado verdadeiro. também não se está referindo a qualquer atividade. mas aquele marcado pela eficácia. Relativo a emoção. Se a demanda aumentar mais que proporcionalmente ao aumento da renda. Eficácia: Medida do grau de alcance de um objetivo. Corresponde à relação entre o resultado obtido e os meios (processos inclusive) disponibilizados para atingi-lo.

proporciona a especialização da economia na produção dos produtos que possui maior aptidão para produzir. seja para investir no mercado financeiro. etc. Idéias cepalinas: idéias desenvolvidas. Perfeito. Habilidades: Relativo ao fazer. no caso do Brasil) da prática de “dumping” por parte de exportadores estrangeiros. refere-se ao “saber como”. aquilo que é feito com toda a segurança e/ou correção. setor primário (produtos básicos). as relações de troca dos países em desenvolvimento (que exportam. gerência. Estrutura interna de demanda agregada: composição da produção/demanda por setores da economia. exigido pela alfândega e emitido pelo exportador e que contém informações básicas sobre a mercadoria negociada como preço.CEPAL. Diz-se que uma pessoa tem habilidades em relação a certa tarefa quando ela é capaz de realizá-la com destreza. Assim. Segundo tais idéias. entretanto. seja para ser aplicado em empreendimentos econômicos fora do mercado financeiro. Investimento estrangeiro direto: a entrada de capital de risco no mercado nacional. Compreende ações de concepção. quantidade. normalmente exigido pela alfândega. ser repatriado. processo. não manufaturados). administração. secundário (industria) e terciário (serviços). em face da especialização. Impecabilidade: Qualidade ou caráter de impecável. não exige amortização. utilizado para unitização e transporte de cargas. Por exemplo. 75 . basicamente. peso. Sem falha ou defeito. produtos primários. e sendo assim deveriam tais países promover a industrialização interna utilizando o processo de substituição das importações como política comercial (colocando barreiras à importação para forçar a produção local). normalmente. economista da Comissão Econômica Para a América Latina . principalmente. IATA – “International Air Transport Association”: Associação de Transporte Aéreo Internacional. geralmente. por Raul Prebish. a economia importa os demais produtos. Gestão: Ato de gerir. correto. Investigação antidumping: é a investigação procedida por órgão do governo (SECEX. sofreriam uma deterioração crônica. estabelecimento e acompanhamento e se aplica a variados níveis: planos. Fatura comercial: documento. Fatura “pró-forma”: fatura comercial provisória emitida pelo exportador e enviado para o importador com as informações básicas sobre a possível importação. identificação da mercadoria. pessoas etc. Flat container: equipamento de transporte consistente num estrado com hastes desmontáveis. da ONU. podendo. Sendo capital de risco. com jeito e com eficiência. então.Empreendedorismo Glossário Especialização produtiva da economia: a liberdade de comércio.

Legitimidade: Qualidade ou estado de legítimo. 76 . No contexto da disciplina. o observador se observa observando.Empreendedorismo Glossário Juízos: Posicionamentos que assumimos face às distinções que possuímos. na razão ou na justiça. excelência. Com isso. Um dos principais domínios constitutivos do ser humano. qualidade de mestre. Podem ser entendidos como veredictos que fazemos a respeito de nós mesmos. de mão-de-obra e de capitais. além de uma tarifa externa comum para terceiros países. Jurisprudência: são decisões reiteradas dos órgãos julgadores sobre determinado assunto. Mapa de indiferença: apresenta as diversas curvas de indiferença possíveis em face de alterações nas preferências e gostos dos consumidores. OACI: Organização de Aviação Civil Internacional. relaciona-se à maneira pela qual o empreendedor articula suas idéias. a neutralidade do observador fica por princípio excluída. seja ela real ou imaginária. dos outros. OPEP: Organização dos Países Exportadores de Petróleo. das coisas. Livre câmbio ou livre comércio: a política comercial que consiste em dar liberdade para importar e para exportar mercadorias e serviços. Narrativas: A seqüência de fatos de uma história. das instituições. A elas se associa o poder de realização do empreendedor. Maestria: Mestria. grande saber. pertencem à classe das declarações. já introduzidos. Nela. O observador deve sempre se incluir no campo de sua observação. Nova sistêmica: Pensamento Sistêmico de segunda geração (sistema de sistemas) que reconhece a coexistência de múltiplos observadores e modelos de mundo. Fundado no direito. sabedoria. Linguagem: O uso da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e de comunicação entre pessoas. que percebe e distingue. os outros são a corporalidade e a emocionalidade. suas distinções e seus juízos correspondentes. Enquanto ações lingüísticas. Oligopólio: mercado em que há poucos vendedores e muitos compradores. Mercado comum: etapa do processo de integração econômica de vários países que prevê a livre circulação de mercadorias. Observador: Aquele que observa.

Um referencial metafísico. conviver ou comunicar-se com seus semelhantes. verdadeiro. Pre-sling: o mesmo que “pré-lingada”. duas referências a se considerar para falar de realidade. concede ou repassa recursos aos seus exportadores com o fim de estimular as exportações para o país de importação. em relação a um observador. 77 . Quiebre: Vocábulo espanhol utilizado para denotar a noção de “ruptura de transparência no viver”. Trabalho de preparação para qualquer empreendimento. Preços relativos: quando os preços de diversos produtos são avaliados comparando-se uns com os outros. de verdade. exposto acima. em geral.Empreendedorismo Glossário Pallet: equipamento de transporte consistente num estrado sobre o qual é empilhada a carga a ser transportada. de relacionar-se. Pessoa: O observador que atua. de “verdadeiro”. agora para o destino correto. ou só faz sentido. de realidade. pois os que tiveram aumento custarão. Por exemplo: se houver um aumento geral dos preços de 10%. novamente. No contexto dessa disciplina há. Capacidade. um referencial ontológico em que tudo se refere. que acomoda. planificação. E também. relativamente. que existe de fato. em maior ou menor grau. às importações. mercadoria descarregada por engano. haverá alterações nos preços relativos. Prática de Subsídios: é a política do governo do país exportador que. mais do que os outros. Contudo. na verdade. Aquilo que existe efetivamente. sem falar de observador. Redespacho: despachar. Planejamento: Ato ou efeito de planejar. especialmente. como forma de proteger o mercado produtor interno. o significado de “existência de fato”. Protecionismo: política que impõe barreiras. Pré-lingada: rede de naylon utilizada para envolver e transportar a carga. Poder: Ter capacidade de ação. se apenas alguns tipos de produtos sofrerem aumento de 10% e outros não. Tudo só faz sentido se considerado em relação ao observador. segundo roteiro de métodos determinados. não haverá alteração dos preços relativos. Realidade: Qualidade de real. sem retoques. No referencial ontológico não faz sentido falar de mundo. Relacionamentos: Ato ou efeito de relacionar(-se).

Empreendedorismo Glossário Relações ou termos de troca: o comportamento do poder de compra das exportações de um país comparado com as suas importações. Teoria da vantagem absoluta: teoria elaborada por Adam Smith. Respeito: Ato ou efeito de respeitar(-se). Siscomex: Sistema Integrado de Comércio Exterior. uma ética diferenciada (da usual tolerância) para os relacionamentos: a ética do respeito. ainda. Segundo tal teoria. com isso. publicado em 1776. a ação humana tem precedência sobre a razão e sobre a 78 . Transparência: Segundo a visão ontológica em que estamos nos baseando para desenvolver a noção de empreendedorismo nessa disciplina. Subsídios: os subsídios podem ser definidos de vários modos entre eles: 1°) benefícios a pessoas ou a empresas pagos pelo governo. mesmo que um país tenha vantagem absoluta na produção de todos os produtos. baseado na imposição de barreiras às importações com o objetivo de substituí-las por produtos produzidos internamente. Santa Sé: sede da Igreja Católica Apostólica Romana SECEX: Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento. No contexto da disciplina. avaliado pela comparação da evolução dos preços e/ou volume das exportações e das importações desse país. Pode ser em termos monetários ou de volumes. Indústria e Comércio Exterior. será conveniente concentrar-se na produção dos produtos em que tiver maior aptidão para produzir. SRF: Secretaria da Receita Federal. refere-se ao ato de compreender e acatar a diferença do outro estabelecendo. Substituição de importações (processo de): processo de industrialização do mercado interno. Termos de troca: comportamento do poder de compra de um país. segundo a qual. devendo importar os demais. no livro “Riquesas das Nações”. cada país deve-se concentrar na produção de produtos em que tiver maior aptidão para produzi-los e importar os demais. Teoria das vantagens comparativas: teoria elaborada por David Ricardo. assim. 2°) despesas correspondentes à transferência de recursos de uma esfera de governo em favor de outra. 3°) despesas do governo visando à cobertura de prejuízos das empresas (públicas ou privadas) ou ainda para financiamento de investimentos. Tarifa Externa Comum do Mercosul: a relação de alíquotas do imposto de importação aplicadas pelos quatro países do Mercosul nas importações realizadas por estes de outros países do mundo.

ZFM: Zona Franca de Manaus. na transparência. Tratado-lei: são os tratados que veiculam assuntos gerais. num contêiner. da OMC. também. Unitização de cargas: procedimento de acondicionar várias cargas ou mercadorias numa unidade de carga. Só quando a transparência se interrompe <ver quiebre> é que percebemos o mundo ao nosso redor. Volatilidade: medida da intensidade e freqüência das flutuações dos preços de um ativo financeiro ou dos índices em uma bolsa de valores. ZPE: Zona de Processamento de Exportações. por exemplo. classes. União aduaneira: etapa do processo de integração econômica de vários países em que além de haver a livre circulação de mercadorias há. a adoção de uma tarifa externa comum para terceiros países. ou seja. do Mercosul. 79 . etc. por exemplo. Isto é. Tratado-contrato: são os que regulam assuntos especiais. postula-se que. quase todas as nossas ações são realizadas sem reflexão prévia. em geral.Empreendedorismo Glossário consciência. como os acordos comerciais entre. princípios ou padrões sociais aceitos ou mantidos por indivíduos. o Brasil e o México. como. específicos. Valores: Normas. como o da constituição da ONU. sociedades etc.

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