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Circuitos Elétricos I

1 – Teoremas de análise de circuitos

1.1 – Teorema da superposição


“A corrente que atravessa ou a tensão entre os terminais de um elemento de um circuito
linear é igual à soma algébrica das correntes ou das tensões produzidas independentemente por cada
uma das fontes.”
Praticamente, as fontes de tensão serão curtocircuitadas e as fontes de corrente
transformadas em circuitos abertos, uma de cada vez, resultando na soma de cada uma das
influências destas fontes na variável que se deseja calcular.

Exemplos:
1) Utilizando o teorema da superposição, determine a corrente no resistor de 6 Ω do circuito abaixo
e verifique que o teorema da superposição não pode ser usado para calcular a potência total
dissipada no circuito.
Solução: Considerando apenas o efeito da fonte de 36 V:

I’2 = E / RT = E / (R1 + R2) = 36 / (12 + 6) = 2 A.

Considerando o efeito da fonte de 9 A:


I’’2 = R1 I / (R1 + R2) = (12 . 9) / (12 + 6) = 6 A  I2 = I’2 + I’’2 = 2 + 6
 I2 = 8 A; P6 = (I2)2 R2  P6 = (8)2. 6  P6 = 384 W; fazendo
P’6 = (I’2)2.R2 = (2)2. 6 = 24 W; P’’6 = (6)2. 6 = 216 W  P’6 + P’’6 =
= 24 + 216 = 240 W ≠ 384 W.
2) Utilizando o teorema da superposição, determine a corrente I2 que atravessa o resistor de 12 kΩ
da figura abaixo.
Solução: Levando em consideração apenas o efeito da fonte de
corrente de 6 mA:

I’2 = R1 I / (R1 + R2) = (6 k) (6 m) / (6 + 12) = 2 mA.


Levando em conta somente a fonte de tensão de 9 V:
2

I’’2 = E / (R1 + R2) = 9 / (6 k + 12 k) = 0,5 mA.


I2 = I’2 + I’’2 = 2,5 mA.

1.2 – Teorema de Thevenin


Qualquer circuito de corrente contínua linear de 2 terminais pode ser substituído por um
circuito equivalente constituído por uma fonte de tensão e um resistor em série. Por exemplo:

RTH = R1 + R2 = 6 + 4 = 10 Ω;
ETH = 12 – 4 = 8 V.

Exemplos:
1) Determinar o circuito equivalente de Thevenin para a parte sombreada do circuito abaixo.
Solução:

RTH = 4 + 2 = 6 Ω ;

ETH = V1 = R1 . I = 4 .12 = 48 V 

2) Determine o circuito equivalente Thevenin para a parte sombreada do circuito abaixo.


Solução:

RTH = R1//R2 = (6.4)/(6 + 4) = 24/10


 RTH = 2,4 Ω ;

ETH = R1E1 / (R1 + R2) = (6.8) / (6 + 4) =

= 48 / 10  ETH = 4,8 V.
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1.3 – Teorema de Norton


Qualquer circuito de corrente contínua linear de 2 terminais pode ser substituído por um
circuito equivalente formado por uma fonte de corrente e um resistor em paralelo.

Exemplos:
1) Encontre o circuito equivalente de Norton para a parte sombreada do circuito abaixo.
Solução:

RN = R1//R2 = 3//6  RN = 2 Ω ;

IN = E / R1 = 9 / 3 

 IN = 3 A.

2) Encontre o circuito equivalente de Norton para a parte do circuito à esquerda dos pontos a e b.
Solução:

RN = R1//R2 = 4//6  RN = 2,4 Ω . Utilizando o teorema da superposição:


IN = I’’N – I’N = 8 – 1,75 
 IN = 6,25 A.

I’N = E1/R1 = 7/4 = 1,75 A ; I’’N = I = 8 A ;


4
Exercícios:
1) Encontre a corrente no resistor de 2 Ω do circuito abaixo.

2) Determine o circuito equivalente da Thevenin para a parte sombreada do circuito abaixo.

3) Encontre o circuito equivalente Norton para o circuito abaixo.

4) Encontre a corrente que passa pelo resistor R utilizando os 3 teoremas de solução, isto é,
Superposição, Thevenin e Norton.
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Obs.: Os circuitos podem ter 5 elementos básicos: fonte de tensão, fonte de corrente, resistor,
capacitor e indutor. Vamos definir os tipos de fontes de um circuito:
a) Fonte ideal de tensão  é um elemento que mantém uma tensão especificada entre os seus
terminais qualquer que seja a corrente que a atravessa;
b) Fonte ideal de corrente  consiste de um elemento que é atravessado por uma corrente
especificada qualquer que seja a tensão entre seus terminais;
c) Fonte independente  é aquela que estabelece uma tensão ou corrente em um circuito
independentemente dos valores de tensão ou corrente em outros pontos do circuito;
d) Fonte dependente ou controlada  é aquela que estabelece uma tensão ou corrente em um
circuito cujo valor depende do valor da tensão ou da corrente em outro ponto do circuito.
Sua representação é a seguinte:

+ vs = µ vx ou vs = ρ ix is = α vx ou is = β ix

1.4 – Método das correntes de malha


• Associe uma corrente a cada malha fechada independente do circuito;
• Indique as polaridades de tensão de cada resistor dentro de cada malha, de acordo com o
sentido da corrente escolhido para esta malha;
• Aplique a Lei de Kirchhoff para tensões a todas as malhas;
• Resolva as equações lineares simultâneas resultantes para obter as correntes de malha.
Exemplos:
1) Qual deve ser o valor de Ro no circuito abaixo se io = 4 A?
Solução:
Ro io
+ – 4 io – Ro io + 64 – 6 io = 0 
4 io + 64 V
– –  – 16 – 4 Ro – 64 – 24 = 0 
6Ω
 4 Ro = 24  Ro = 6 Ω.

2) Calcule o valor de vo no circuito abaixo:


5Ω Solução: Malha 1:

io 500 = 5 i∆ + 20 io ; io = i∆ + 5 i∆ = 6 i∆
i∆
 500 = 5 i∆ + (20)(6 i∆) = 125 i∆ 
500 V + vo 20 Ω 5 i∆
– i∆ = 4 A  io = 24 A  vo = 20 io =
1 = (20)(24)  vo = 480 V.

3) Para o circuito abaixo, calcule Vo.


1 kΩ 12 V 1 kΩ Solução: – 2 V + 1 k i + 12 + 1 k i + 2 k i = 0
a o o o

+ – – 2 Va + 4 k io = – 12; Va = 3 k io 
io + +
+ Va (– 2)(3 k io) + 4 k io = – 12 
2 Va 2 kΩ Vo
– – 2 k io = – 12  io = 6 mA 

– Vo = 2 k io = (2 k)(6 m)  Vo = 12 V.
6
4) Determine Vo no circuito abaixo.
Solução:
– 24 + 2 io – 2 Va + 3 io + io = 0 
2Ω 2 Va
– + 6 io – 2 Va = 24  3 io – Va = 12;
+ +
– Va – 2 Va + 3 io = 0  3 Va = 3 io
24 V + Va 3Ω Vo  Va = io  3 io – io = 12 

1Ω 2 io = 12  io = 6 A  Vo = 3 io =
io – –
= (3)(6)  Vo = 18 V.

5) Equacionar o circuito abaixo pelo método das malhas. Em seguida, escrever o sistema sob a
forma matricial e calcular as correntes das malhas utilizando a regra de Kramer.
1Ω 3Ω 5Ω

10 V + + 30 V
2Ω 4Ω
– –

20 V +

6Ω

1.5 – Método das tensões de nó


• Determine o número de nós no circuito;
• Escolha um nó de referência e rotule cada nó restante com um valor de tensão;
• Aplique a Lei de Kirchhoff para correntes a todos os nós, exceto o de referência;
• Resolva as equações resultantes para obter as tensões dos nós.

Exemplos:
1) Para o circuito abaixo, calcule Vo.
Solução: Pela Lei dos nós:
Vo

io 2 io + 12 = Vo/12 +

2 io 12 Ω 6Ω 4Ω 12 A Vo/6 + Vo/4; io = Vo/6;

2 Vo/6 + 12 = Vo/12 +

+ Vo/6 + Vo/4 

Vo (1/12 + 1/6 + 1/4 – 1/3) = 12  Vo (2/12) = 12  2 Vo = 144  Vo = 72 V.


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2) Determine o valor da tensão Vo para o circuito abaixo.
Solução: Chamando de v a tensão em cada ramo,
v pela Lei dos nós:

4 io = 10m + v/6k + v/3k; io = v/3k


3 kΩ
 4 v/3 k – v/6 k – v/3 k = 10 m
10 mA 4 io 3 kΩ
+  8 v – v – 2v = 60  5 v = 60
3 kΩ  v = 12 V  Vo = v/2 = 12/2 
Vo io
Vo = 6 V.
-

3) Use o método das tensões de nó para determinar a potência dissipada pelo resistor de 5 Ω do
circuito abaixo.
2Ω v1 5Ω v2 2Ω

io +
20V + 20 Ω 10 Ω 8 io
– –

Solução:
Para o nó 1: (v1 – 20)/2 + v1/20 + (v1 – v2)/5 = 0  10 v1 – 200 + v1 + 4 v1 – 4 v2 = 0 
15 v1 – 4 v2 = 200. Para o nó 2: (v1 – v2)/5 = v2/10 + (v2 – 8 io)/2 
(v2 – v1)/5 + v2/10 + (v2 – 8 io)/2 = 0  2 v2 – 2 v1 + v2 + 5 v2 – 40 io = 0 
8 v2 – 2 v1 – 40 io = 0  4 v2 – v1 – 20 io = 0  4 v2 – v1 – 20(v1 – v2)/5 = 0 
4 v2 – v1 – v1 + 4 v2 = 0  – 5 v1 + 8 v2 = 0; resolvendo o sistema: v2 = 10 V e
v1 = 16 V; io = (16 – 10)/5 = 1,2 A  P5 Ω = (6)(1,2)  P5 Ω = 7,2 W.

Exercícios
1) Calcule a corrente i e as tensões vc e vd do circuito abaixo, utilizando o método das tensões de
nó.
1Ω a 10 Ω b i 2Ω

+ vc – + +
12 V + 4Ω 6Ω 1,5 V vd (1/15) vc

– –
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2) Determine, no circuito abaixo: i , v e id.

2Ω

i 1Ω
+ –
id i /2
+ +
10 V + 3Ω 2Ω
v 4V

– –

3) Determine vo para o circuito abaixo e verifique se a potência fornecida ao circuito é igual à


potência consumida.
is 2Ω

+ +
10 V + 6Ω 3 is 3Ω
– vo

4) Calcule, para o circuito abaixo: i2 , i1 e io.

2Ω

i1 io
+
24 V + 10 Ω 0,8 vg 20 Ω 5Ω
vg

i2

5) Sabendo-se que vo = 250 mV, determine: v1, vg e vo/vg.

i1 10 Ω i2

vg
+ +
+ 40 Ω 25 Ω
20 i1 v1 100 Ω 50 i2 50 Ω 12,5 Ω vo

– –
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6) Para o circuito abaixo, determine vg e demonstre que Pf = Pr.

0,6 V 39 ib
50 kΩ 1,5 k Ω
+ – + –
+ vg –
12,6 V + 10 V +
ib 250 Ω
– –

7) No circuito abaixo, para io = 5 A, calcule: 1) Vs; 2) A potência recebida pela fonte de tensão
independente; 3) A potência fornecida pela fonte de corrente independente; 4) A potência
fornecida pela fonte de corrente dependente e 5) A potência total dissipada nos 2 resistores.

6 io

5Ω io
Vs – 10 Ω
+ 5A

8) O circuito abaixo é uma configuração freqüentemente encontrada no projeto e análise de


circuitos transistorizados. Suponha que os valores de β, R1, R2, Re, Vcc e Vo sejam conhecidos.
A) Deduza, primeiramente, uma fórmula para calcular ib a partir dos valores conhecidos; b)
Deduza, a partir do valor de ib e dos valores conhecidos, as equações para a obtenção das
demais correntes (ic, ie, i1 e i2) e das tensões Vc, Vb e Ve.

Vcc
i1 ic
Rc
R1
Vc

β ib
Vo
+ –
i2 ie
ib
+ +
R2 Vb Ve Re
– –
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2 – Capacitores

2.1 – Introdução
Os capacitores são formados por 2 condutores elétricos (placas) separados por um material
isolante (dielétrico). Isto significa que as cargas elétricas não podem atravessar o capacitor. Quando
uma tensão é aplicada aos seus terminais, as cargas do dielétrico são deslocadas em relação à sua
posição de equilíbrio. Quando a tensão varia com o tempo, esta posição também varia, dando
origem à chamada corrente de deslocamento, que é proporcional à taxa de variação da tensão
aplicada.
dv (t )
i c (t ) = C C ou v c (t ) = ∫t i C (τ ) dτ + v(t 0 )
1 t
dt C 0

2.2 – Associação de capacitores


1 1 1 1
Série : = + + ... + ; Paralelo : C eq = C1 + C 2 + ... + C n
C eq C1 C 2 Cn

2.3 – Formas de onda no capacitor


Exemplos:
1) Seja um capacitor de 1 µF no qual é aplicada uma tensão de 6 cos 2000t V. Calcule a
corrente no capacitor.
dv(t )
Solução: i c (t ) = C = 10 −6 (− 12000 sen 2000 t ) ∴ i c (t ) = −12 sen 2000 t mA.
dt
2) A forma de onda abaixo corresponde a corrente em um capacitor de 1 F. Esboce a forma de
onda da tensão neste capacitor, sabendo que ele está descarregado em t = 0.
Solução:
v(t ) = ∫ i(τ ) dτ + v(− ∞ ); p / t < 0 : i = 0 ⇒
i (t) 1 t
C −∞
⇒ v(t ) = ∫ (0 ) dτ + 0 ∴ v = 0 ; p / 0 < t < :
a 1 t 1
1 −∞ a
v(t ) = ∫ a dτ + v(0 ) = a ∫ dτ + 0 = at ; p / t > :
1 t t 1
1/a t
1 0 0 a

v (t ) =
1 t
∫1
1 a
( ) t
0 dτ + v 1 = ∫1 0 dτ + 1 = 1 .
a a
v(t)
1

1/a t
3) Uma corrente constante de 10 mA está carregando um capacitor de 4 µF. Sabendo-se que o
capacitor está inicialmente descarregado, calcule a tensão neste capacitor após 20 ms.

4) Um capacitor de 1µF tem uma tensão de 10 sen 2000t V. Ache a corrente que passa neste
capacitor.

5) Por um capacitor de 0,3 µF passa uma corrente de 12 e – 4000t mA. Ache a tensão v(t) no
capacitor, para t > 0, se v(0) = – 10 V.
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6) Um capacitor de 0,4 µF possui uma forma de onda de tensão mostrada abaixo. Ache a
corrente para t = – 4, – 1, 2, 5 e 9 ms.
vc(t) (V)

10

-10 -2 4 8 10 t (ms)
-5

7) Um capacitor inicialmente descarregado de 0,2 µF é submetido a um pulso de corrente de


forma triangular, descrito pelas seguintes equações: i(t) = 0 p/ t ≤ 0; i(t) = 5000t A p/ 0 < t ≤
20 µs; i(t) = 0,2 – 5000t A p/ 20 µs < t ≤ 40 µs; i(t) = 0 p/ t > 40 µs.
a) Determine as expressões da tensão, potência e energia do capacitor para os 4 intervalos
definidos acima;
b) Por que continua a existir uma tensão finita entre os terminais do capacitor mesmo quando a
corrente volta a zero?

3 – Indutores

3.1 – Introdução
O comportamento dos indutores se baseia em fenômenos associados a campos magnéticos,
campos estes produzidos por corrente elétrica. Quando uma corrente elétrica varia com o tempo, o
campo magnético produzido por esta corrente também varia e então, um campo magnético variante
com o tempo induz uma tensão num condutor imerso neste campo. A tensão induzida está
relacionada à corrente por um parâmetro denominado de indutância (L).
di (t )
v L (t ) = L L ou i L (t ) = ∫t v L (τ ) dτ + i L (t 0 )
1 t
dt L 0

3.2 – Associação de indutores


1 1 1 1
Série : L eq = L1 + L 2 + ... + L n ; Paralelo : = + + ... +
L eq L1 L 2 Ln
3.3 – Formas de onda no indutor
Exemplos:
1) Determine, para o circuito abaixo, as correntes i(t) e i6(t).
i(t) Solução:
2H
6 .3
L eq = 2 + 6 // 3 = 2 + = 2 + 2 = 4 H;
i6(t) 6+3
+
i (t ) = ∫ v(τ) dτ + i(− ∞ ) =
1 t
6 cos 100 t V
6H 3H L eq −∞
-
1 t
= ∫0 6 cos 100 τ dτ + 0 ∴
4
12
6 1 
∴ i(t ) = [sen 100 τ]0 ∴ i(t ) = 15 sen 100 t mA; − v(t ) + v 2 (t ) + v 6 (t ) = 0 ∴ v 6 (t ) =
t

4  100 

= v(t ) − v 2 (t ) = 6 cos100 t − 2
(
d 15.10 −3 sen 100 t) ( )
= 6 cos100 t − 30.10 −3 cos100 t .100 =
dt
= 6 cos100 t − 3 cos100 t ∴ v 6 (t ) = 3 cos100 t V ⇒ i 6 (t ) = ∫0 3 cos100 τ dτ + i 6 (0) =
1 t
6
 1 
 [sen 100 τ]0 ∴ i 6 (t ) = 5 sen 100 t mA.
3 t
= ∫0 cos100 τ dτ = 0,5 
t

6  100 

2) A forma de onda da corrente em um indutor de 10 mH é a da figura que se segue. Determine


a correspondente forma de onda de tensão.
i(t)(mA)

20

10

Solução: 2 4 t(ms)
20.10 −3
p / t < 0 : i(t ) = 0 mA ⇒ v(t ) = 0 V; p / 0 < t < 2 ms : i(t ) = t = 10 t A ⇒
2.10 −3
d(10 t )
v(t ) = 10.10 −3 = 100.10 −3 ∴ v(t ) = 100 mV; p / 2 ms < t < 4 ms :
dt

i(t ) = −10 t + 40.10 −3 A ⇒ v(t ) = 10.10 −3


(
d − 10 t + 40.10 −3 )

dt
d (0 )
∴ v(t ) = −100 mV; p / t > 4 ms : i(t ) = 0 mA ⇒ v(t ) = 10.10 −3 ∴ v(t ) = 0 V.
dt

v(t)(mV)

100

2 4 t(ms)
-100

3) Calcular a tensão em um indutor, de indutância L, percorrido por uma corrente dada pela
expressão: i(t) = Im sen ωt.
Solução:
d (Im sen ωt )
v (t ) = L ∴ v(t ) = ωL Im cos ωt.
dt
Obs.: a) A freqüência angular (ω) é a mesma logo, a freqüência também será a mesma; b) A
amplitude da tensão é proporcional à freqüência angular; c) Tensão e corrente estão defasadas.

4) A corrente em um indutor de 2 mH é i(t) = 2 cos 377 t. Determine a tensão que se


desenvolve no indutor.
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5) Considere o gráfico da corrente aplicada a um indutor de 5 H, mostrado abaixo. Esboce a
correspondente forma de onda da tensão.

i(t)(A)

10

1 2 3 4 5 t(s)
-10

6) Para o circuito abaixo, determine v1, v2 e v3.


0,8 H
+ v1 - 3Ω
0,2 H
5Ω
1Ω 5H
2,5 H
+ + v2 - +
3V v3 - 0,8 A
- 4Ω 9Ω -

7) Para o circuito e a forma de onda v(t) abaixo, determine i(t).


i(t)
v(t)(V)

+ 2
v(t) 3H
- 1 2 t(s)
-1

8) O pulso de tensão aplicado ao indutor de 100 mH do circuito abaixo é nulo para t < 0, sendo
dado pela expressão v(t) = 20 t e-10t para t > 0. Determine a corrente no indutor,
graficamente.

9) No circuito abaixo, a corrente através do indutor é igual a zero para -∞ < t < 0 e para t > 0,
i(t) = 1 – e-2t A. Determine, para t > 0: a) vL(t); b) vR(t); c) vS(t); d) a potência absorvida pelo
indutor; e) a potência absorvida pelo resistor; f) a potência fornecida pela fonte e g) a energia
wL(t).
i(t) + vR(t) -

+ 2Ω +
vs(t) 1H vL(t)
- -
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10) Para o circuito abaixo, excitado pela forma de onda de corrente apresentada, determine as
formas de onda da tensão no indutor, da potência absorvida pelo indutor e da energia
armazenada no indutor.
i(t)(A)
+
i(t) 2H vL(t) 1
-
1 2 t(s)

Circuitos RC e RL:
Introdução:
Como sabemos, os indutores e os capacitores são elementos capazes de armazenar energia.
Sendo assim, um circuito RL ou um circuito RC, tem a presença de uma fonte mas, carregados
previamente, produzem correntes e tensões que correspondem à Resposta Natural do circuito.

+
Leq Io Req Ceq Vo Req
-

A colocação de uma fonte externa no circuito (de tensão ou de corrente contínua) produzirá a
chamada Resposta a um Degrau ou Resposta Forçada das correntes e tensões do circuito. Neste
caso, o circuito deverá ser reduzido a uma das quatro configurações abaixo, a fim de se obter um
circuito de primeira ordem.

Circuito RL:
RTh

iL(t) + iL(t) +
+ VTh RTh
VTh Leq vL(t) Leq vL(t)
- RTh
- -

Circuito RC:
RTh

iC(t) + iC(t) +
+ Ceq VTh RTh
VTh vC(t) Ceq vC(t)
- RTh
- -

Resposta Natural de um circuito RC:


Supondo que a chave permaneceu na posição a por um longo tempo, o circuito atingiu seu
regime estacionário, isto é, a corrente no capacitor é zero e a tensão em seus terminais é Vg . Em t =
0, a chave irá para a posição b, produzindo o circuito ao lado.
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R1
a b
+
t=0
Vg + + v(t)
R C Vg R
– C –
i(t)
-

dv(t ) v(t ) dv(t ) v(t ) dv(t )


i C (t ) + i R (t ) = 0 ∴ C v (t ) ∴
1
+ =0 ∴ + =0 ∴ =−
dt R dt RC dt RC
dv(t ) dv(t )
t
− +k
dt ∴ ln v(t ) = −
1 1 t
∴ =− dt ∴ ∫ = ∫− + k ∴ e ln v (t ) = e RC ∴
v(t ) RC v(t ) RC RC
t 0 t
− − −
∴ v(t ) = k1e RC
; p / t = 0 : v(0 ) = Vg = k1e RC
= k 1 ⇒ v(t ) = Vg e RC
; como RC = τ ⇒
v (t )
t
− Vg − τt
⇒ cons tan te de tempo ⇒ v(t ) = Vg e V; i(t ) = τ
⇒ i (t ) = e A;
R R
t
− Vg −
t
Vg2 − 2τt ∞
p R (t ) = v(t )i(t ) ∴ p R (t ) = Vg e τ . e τ ∴ p R (t ) = e W; WR (∞ ) = ∫ p R (t ) dt =
R R 0


Vg2 Vg2  RC  − 2τt CVg2
(e ) CVg2
2t
∞ −
=∫ e τ
dt = − e =− −∞
−e = − 0
(0 − 1) ∴ WR = 1 CVg2 J.
0 R R  2  0
2 2 2
v(t)
Vg

Obs.: Quando o instante a ser analisado iniciar-se em um tempo t0 , então a fórmula para tensão
será:

(t − t 0 )
v(t ) = V0 e RC
p / t ≥ t0
Exemplos:
1) Calcule a tensão v para t > 0 no circuito em regime estacionário abaixo.
t

1kΩ Solução : v(t ) = V0 e RC
;

t=0
+ RC = 100.10 3.10 −8 = 10 −3 s;
6V + 100 kΩ
– 0,01 µF v
- −
t

v(t ) = 6e ∴ v(t ) = 6e −1000 t V.


10 − 3

2) A chave do circuito abaixo ficou na posição x por um longo tempo antes de ser deslocada em
t = 0 para a posição y. Determine, para t > 0, vc(t), v0(t) e i0(t) e a energia total dissipada no
resistor de 60 kΩ.
16
10 kΩ 32 kΩ i0(t)
x y

+
+ + v0(t)
100 V 240 kΩ 60 kΩ
– 0,5 µF vC(t) -
-

Solução : R eq = (240k // 60k ) + 32k =


240k.60k
+ 32k ∴ R eq = 48k + 32k = 80kΩ;
240k + 60k
t t
− −
V0 = 100 V; RC = 80k.0,5µ = 40 ms; v C (t ) = V0 e RC
= 100e 40.10 − 3
∴ v C (t ) = 100e −25 t V;
v (t ) 60e −25 t
v 0 (t ) = v C (t ) = 0,6.100e − 25 t ∴ v 0 (t ) = 60e −25 t V; i 0 (t ) = 0 =
48k

32k + 48k 60k 60k
∴ i 0 (t ) = e − 25 t mA; p 60 k (t ) = v 0 (t ).i 0 (t ) = 60e −25 t .e −25 t .10 −3 ∴ p 60 k (t ) = 60e −50 t mW;
∞ ∞  1 
(
W60 k = ∫ p 60 k (t )dt = ∫ 60e −50 t .10 −3 dt = 60.10 −3  −  e −∞ − e 0 ∴ W60 k = 1,2 mJ. )
0 0
 50 

Resposta forçada em um circuito RC:


t=0

iR iC(t)
I0 C vC(t)
R

v C (t ) dv (t ) dv (t ) 1
p / t > 0 : I 0 = i R (t ) + i C (t ) ∴ I 0 = v C (t ) = 0 ⇒
I
+C C ∴ C +
R dt dt RC C
 t

d e RC .v C (t )
 = I 0 e RC ∴ d e RC .v (t ) = t I 0 e RC dt ∴
dt t t t t
∫ RC
⇒ µ (t ) = e = e RC ⇒  ∫  C  ∫0 C
dt C
t
 t  −
t
 t   −
t

∴ e RC .v C (t ) = RC e RC − 1 ∴ v C (t ) = RI 0 e RC  e RC − 1 ∴ v C (t ) = RI 0 1 − e RC  V;
I0
C      
 −
t

d RI 0 − RI 0 e RC 
dv (t )  = C − RI  − 1 e − RC  ∴ i (t ) = I e − RC A.
t t
i C (t ) = C C = C   0   C 0
dt dt   RC 

Solução geral de um circuito RC:



t
 −
t
 −
t

t
v C (t ) = v n + v f ∴ v C (t ) = V0 e RC
+ RI 0 1 − e RC  ∴ v C (t ) = V0e RC + RI 0 − RI 0e RC ∴
 
t

∴ v C (t ) = RI 0 + (V0 − RI 0 )e RC
V.
17
P/ V0 > RI0: P/ V0 < RI0:
vc(t) vc(t)
V0 RI0

RI0 V0
t t

Exemplos:
1) Ache v(t) para t > 0 se v(0-) = 6 V.
t=0 10 kΩ
t

Solução : v(t ) = RI 0 + (V0 − RI 0 )e RC
;
+
10 V 2 µF v(t) RI 0 = 10 V; RC = 10.10 3.2.10 −6 = 20 ms;
- v(t ) = 10 + (6 − 10 ) e −50 t ∴ v(t ) = 10 − 4e −50 t V.

2) A chave do circuito abaixo foi mantida por um longo tempo na posição 1. Em t = 0, a


chave é colocada na posição 2. Determine v0(t) e i0(t) p/ t > 0.
20 kΩ 8 kΩ 40 kΩ
1 2 a

t=0 i0(t)
+ –
40 V + 60 kΩ v0(t) 160 kΩ 75 V
– 0,25 µF +
-

b
Solução : p / t < 0 : V0 =
60k
40 =
60k
40 ∴ V0 = 30 V; Vab =
160k
(− 75) =
60k + 20k 80k 160k + 40k
=
160k
(− 75) ∴ Vab = −60 V; R N = 8k + (40k // 160k ) = 8k + 40k.160k ∴ R N = 40 kΩ;
200k 200k
V − 60
I N = ab = ∴ I N = −1,5 mA;
R N 40k

+
30 V – 0,25 µF 40 kΩ 1,5 mA

t

v 0 (t ) = 40k (− 1,5 m ) + [30 − 40k (− 1,5 m )]e 40 k .0 , 25 µ
∴ v 0 (t ) = −60 + (30 + 60 ) e −100 t ∴
dv 0 (t )
∴ v 0 (t ) = −60 + 90e −100 t V; i 0 (t ) = C ∴ i 0 (t ) = 0,25.10 −6.90(− 100 ) e −100 t ∴
dt
∴ i 0 (t ) = −2,25 e −100 t mA.
18
vc(t)(V)

30

10 50
t(ms)
- 27

- 60

Resposta natural de um circuito RL:


Supondo que a chave permaneceu fechada por um longo tempo, o circuito abaixo atingiu seu
regime estacionário, isto é, o indutor se comporta como um curto circuito. A tensão entre seus
terminais é zero e as correntes um R0 e R são nulas.

t=0 i(t)
+
IS L R v(t)
R0
-

di(t ) di(t ) R di(t ) di(t )


+ Ri(t ) = 0 ∴ + i (t ) = 0 ∴ = − i(t ) ∴
R R
p / t > 0: L = − dt ∴
dt dt L dt L i(t ) L
i ( t ) dτ i(t )
= − ∫ dx ∴ ln τ i (0 ) = − x 0 ∴ ln i(t ) − ln i(0) = − (t − 0) ∴
R t R t R
∴ ∫
i (0 ) τ L 0 L L
i(t )
i (t ) i (t )
R R R R
− t − t − t − t
= e L ∴ i(t ) = i(0)e L ∴ i(t ) = I 0 e L A;
R ln
∴ ln = − t ∴ e i (0 ) = e L ∴
i(0 ) L i(0)
R 2R
− −
v(t ) = Ri(t ) ∴ v(t ) = RI 0 e V; p R (t ) = RI 02 e W; W (t ) = ∫ p R (τ )dτ =
t t t
L L
0

2R  1   − L t
2R
  2R
t 
dτ = RI 02  −
− τ −
 ∴ W (t ) = 1 LI 02 1 − e L  J;
t
= ∫ RI 02 e L
  e − e 0
  
0  2R   2  
 L
L
cons tan te de tempo : τ =
R
Exemplos:
1) Para o circuito abaixo, determine i(t) e v(t) em regime estacionário.

t=0
10 H i(t)
100 V +
150 Ω 75 Ω v(t)
50 Ω -
19

( ) ( )
100
Solução : p / t < 0 : i 0 − = i 0 + =
50
= 2 A; p / t > 0 : R eq = 50 + (75 // 150) =

= 50 +
75.150
75 + 150
∴ R eq = 100 Ω; τ =
L
=
10
R eq 100
( )
= 0,1s; I 0 = i 0 + = 2 A ⇒ i(t ) = 2e −10 t A;

v(t ) = 10
di(t )
+ 50i(t ) = 10
(
d 2e −10 t ) ( )
+ 50 2e −10 t = −200e −10 t + 100e −10 t ∴ v(t ) = −100e −10 t V.
dt dt

2) A chave do circuito abaixo ficou fechada por um longo tempo antes de ser aberta em t = 0.
Determine, para t > 0: a) iL(t); b) i0(t) e c) v0(t). Qual é a energia dissipada no resistor de 10
Ω?
2Ω i0(t)

t=0

iL(t) +
20 A 2H
0,1 Ω 10 Ω 40 Ω v0(t)
-

( ) ( )
Solução : a ) p / t < 0 : i L 0 − = i L 0+ = 20 A; p / t > 0 : R eq = 2 + (10 // 40) = 10 Ω;

= i(0 ) = 20 A ⇒ i L (t ) = 20e −5 t A; b ) i 0 (t ) = − i L (t ) =
L 2 + 10
τ= = = 0,2 s; I 0
R eq 10 10 + 40

( )
= − 20e −5 t ∴ i 0 (t ) = −4e −5 t A; c ) v 0 (t ) = 40i 0 (t ) = 40 − 4e −5 t ∴ v 0 (t ) = −160e −5 t V;
1
5
[v 0 (t )] (− 160e −5 t )
2 2

p10 Ω (t ) = = = 2560e −10 t W ⇒ W10 Ω (t ) = ∫ 2560e −10 t dt =
10 10 0


 1 
( )
= 2560 − e −10 t  = −256 e −∞ − e 0 ∴ W10 Ω (t ) = 256 J.
 10 0

Resposta forçada de um circuito RL:


R t=0

i(t) +
Vs L v(t)
-
20
di(t ) di(t ) V di(t ) R V 
Vs = Ri(t ) + L = − i(t ) + s ∴ = − i(t ) − s  ∴
R

dt dt L L dt L R 
i(t )
di(t ) i (t )  V 

R
= − dt ∴ ∫
dy R t
= − ∫ dτ ∴ ln  y − s  =− (τ)0
R t
V V
i (t ) − s 
L I L 0 R  I0 L
y− s
0

R R
V V
i(t ) − s i (t ) − s R
R = e − L t ∴ i(t ) = Vs +  I − Vs  −Lt
R
R
R =− t ∴
∴ ln 0 e A ⇒
V L V R  R 
I0 − s I0 − s
R R
⇒ Solução geral.
Vs Vs − RL t
Obs. : a ) Quando a energia inicial do indutor é zero, I 0 é zero ⇒ i(t ) = − e ;
R R
b ) p / t = τ : i(τ ) = − e ∴ i(τ ) ≅ 0,6321 s A.
Vs Vs −1 V
R R R
v(t)
i(t)
Vs
Vs/R
0,367 Vs
0,6321 Vs/R

τ 5τ t τ 5τ t
Exemplo:
A chave do circuito abaixo foi mantida na posição a por um longo tempo. Em
t = 0, a chave é deslocada da posição a para a b. Esta chave é do tipo que faz a ligação com b antes
de abrir em a para que a corrente no indutor não seja interrompida.
a) Determine a expressão de i(t) para t > 0;
b) Qual é a tensão entre os terminais do indutor logo depois que a chave é colocada na posição
b?
c) Esta tensão inicial faz sentido em termos de comportamento do circuito ?
d) Quantos ms depois que a chave é colocada na posição b a tensão entre os terminais do
indutor atinge 24 V ?
e) Plote i(t) e v(t) em função de t.

t=0
2Ω
b a

+
24 V
i(t) v(t) 200 mH 8A
10 Ω
-
21

a ) Na posição a : I 0 = −8 A; na posição b, o valor final de i é : i =


24
= 12 A;
2
t

= 100 ms ⇒ i(t ) = 12 + (− 8 − 12)e 0,1 ∴ i(t ) = 12 − 20e −10 t A p / t > 0;
L 200
τ= =
R 2

b ) v (t ) = L
di(t )
= 0,2
( )
d 12 − 20e −10 t
( )
= 0,2 200e −10 t ∴ v(t ) = 40e −10 t V;
dt dt
( ) ( )
p / t = 0 ⇒ v 0 = 40 V; c ) Sim : v 2 Ω = 2(− 8) = −16 V ⇒ v 0 + = 24 + 16 = 40 V;
+ +

d ) p / v(t ) = 24 V ⇒ 24 = 40e −10 t ∴ e −10 t =


24 3 3
∴ ln e −10 t = ln ∴ − 10 t = ln ∴
40 5 5
3
ln
∴ t = 5 ∴ t = 51,08 ms.
− 10
e)

i(t)(A)
v(t)(V)

12
40

51,08 500 t(ms)


-8
500 t(ms)

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