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Theatro Pedro II - Palco da Cultura de Ribeirão Preto

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05/01/2012

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T E AT R O

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bido no período eclético, com uma linha de composição desenvolvida a partir do Renascimento europeu, consolidada no período barroco, com a construção dos primeiros teatros de ópera, absorvendo os valores estéticos dos teatros neoclássicos. No Brasil, um dos exemplos desse estilo é o Teatro Amazonas, de Manaus, inaugurado em 1896, com requintes decorativos, que a arquitetura do Pedro II não adotou em seu acabamento em razão da crise econômica de 1929. Entre os elementos desse período estão presentes no projeto original a platéia em forma de ferradura com níveis superpostos em três segmentos: vestíbulo, platéia e palco. Com 30 m. de largura por 52m. de comprimento, o Pedro II, inaugurado em 1930, foi edificado em alvenaria de tijolos

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estilo arquitetônico do Theatro Pedro II foi conce-

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com estrutura de concreto. Nas fachadas e na cobertura, mesclam-se elementos dos movimentos art-noveau e art-déco, com tendências fortemente neoclássicas, como a simetria, o uso de elementos da ordem jônica, os óculos e os florões que marcam o frontespício, destacado pela cobertura metálica curva e pelo lanternim central. A distribuição interna se assemelha às dos teatros Municipal de São Paulo e do Coliseu, de Santos, construídos no início do século passado. Iternamente, o edifício possuía elementos decorativos discretos nos balcões da platéia e salas de circulação e de espera. Toda essa riqueza arquitetônica foi agredida por um incêndio, em 1980, mas depois, em 1996, a obra foi totalmente restaurada e modernizada, retomando sua finalidade como teatro de ópera, o terceiro maior do Brasil.

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tro de Ribeirão Preto, uma das mais belas edificações da cidade e do interior paulista: o Theatro Pedro II. Surgia o pólo cultural da região, oferecendo espaço para apresentações artísticas de grande porte como concertos, óperas e corpos de baile. Uma construção projetada pelo espírito empreendedor de três acionistas da Companhia Cervejaria Paulista, que viam na cultura uma força agregadora da sociedade e um alimento indispensável à alma da população. Iniciada em 1928, a obra em estilo eclético, inspirada nas casas de espetáculos da Europa, foi inaugurada no final de 1930, ocupando o centro do Quarteirão Paulista, hoje patrimônio público. Durante 30 anos, o Pedro II levou ao palco o que existe de mais representativo da música erudita mundial, em concertos, óperas e balé. Foi, também, espaço para manifestações políticas, não só em seu interior, mas na majestosa Esplanada, com desfiles comemorativos e cívicos. Significou o ponto obrigatório de todos os eventos importantes de Ribeirão Preto até entrar em um período de decadência, quando passou por uma reforma que o descaracterizou e fez com que perdesse sua finalidade, transformando o teatro em cinema e, no subsolo, em salas de jogos e de bailes de Carnaval. Sem manutenção adequada, o Pedro II viveu a tragédia de um incêndio, em 1980, que

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o início do século passado, ergueu-se no cen-

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destruiu a cobertura, o forro do palco e grande parte do interior. Cercado por tapumes, o belo teatro permaneceu em silêncio durante 11 anos, quando, depois de tombado como patrimônio cultural, histórico e arquitetônico, recebeu de volta o encanto do passado, em um processo de reforma e restauração que durou cinco anos e mobilizou profissionais de diversas áreas, comprometidos com o resgate de um espaço e de uma história, que não seria justo ficassem guardados apenas na memória emocional da população. O compromisso do poder público e de centenas de trabalhadores devolveu, enfim, em 1996, o Theatro Pedro II à cidade, o palco da cultura, restaurado e modernizado, pronto para viver sua finalidade e receber novamente orquestras e artistas do Brasil e do mundo todo. É assim, com a responsabilidade de preservar a razão de ser do teatro, que as administrações da Fundação D. Pedro II, criada para definir a forma de ocupação do teatro, o conservam desde então.

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A R Q U I T E T U RA FA Z H I S T Ó R I A

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na arquitetura dos principais edifícios construídos em Ribeirão Preto, no começo do século XX. E o mais majestoso deles é o Theatro Pedro II, erguido no final da década de 20. Nessa época, já repercutia no Brasil a beleza e a qualidade das obras arquitetadas no Escriptório Téchnico Hypolito Gustavo Pujol Junior, sediado na capital do Estado de São Paulo, responsável por grandes projetos no país, como a sede do Banco do Brasil, em São Paulo, construída em 1901, hoje Fundação Cultural Banco do Brasil, e as residências, que deram origem ao Jardim Europa, bairro nobre e valorizado de São Paulo. Entre as obras edificadas nesse século, o Theatro Pedro II, ocupa uma página especial na história de Ribeirão Preto. Voltemos um pouco mais no tempo para acompanhar essa história. Ribeirão Preto transformava-se em metrópole, desenvolvendo uma abertura industrial com a chegada da Companhia Cervejaria Paulista, fundada em 1911. E foi com investimento da empresa que três de seus principais acionistas, José Rossi, Antonio Pagano e João Alves Meira Júnior, decidiram construir um teatro na cidade. Os empresários acreditavam na força criadora e renovadora da cultura para o desenvolvimento de uma sociedade. Eram pessoas de Ribeirão Preto, sentiam orgulho da cidade e queriam deixar um legado importante e o fizeram

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estilo europeu deixou sua marca impregnada

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em uma época em que não havia incentivos fiscais, leis que apoiassem o desenvolvimento cultural. Homens capazes de enxergar além de seu tempo, eles contribuíram ainda com a projeção de um novo design para o centro de Ribeirão Preto, quando construíram o edifício Meira Júnior, hoje Pingüim II, e adquiriram o Hotel Palace, uma em cada lado do teatro, formando um conjunto arquitetônico original: o Quarteirão Paulista, patrimônio da cidade. São obras sempre citadas pelos visitantes como as mais significativas de Ribeirão Preto e que permanecem na lembrança de quantos acompanharam essa transformação, seja como transeunte das calçadas do Quarteirão ou como freqüentadores do teatro, do hotel ou da choperia Pingüim. Quando a cidade ainda vivia uma fase em que o café era a grande referência econômica, João Alves Meira Júnior encomendou o projeto do teatro ao arquiteto Pujol. A planta desenhada por Pujol, respeitando as características dos teatros europeus, era o início de um empreendimento orçado em quase dez milhões de dólares. A empresa alemã E. Kemnitz e Cia iniciou a construção do teatro em 1928, no centro do Quarteirão Paulista, na Rua Álvares Cabral entre a Duque de Caxias e a General Osório. O teatro e o edifício Meira Júnior foram as primeiras construções de concreto armado do interior paulista. Traços culturais da época

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em que a riqueza produzida pelo café ainda não havia sido completamente afetada pela grande depressão causada pela queda da bolsa de Nova Iorque, reguladora da economia agrícola de vários países. Ribeirão Preto já representava um grande centro cultural do país, pois antes mesmo da construção do Pedro II, o requinte das óperas e das companhias européias ocupavam o palco de outro belo teatro, o Carlos Gomes, também no centro da cidade, a 300 metros e bem em frente ao Pedro II. O Carlos Gomes surgiu na época em que os coronéis começaram a construir palacetes, entre eles, o primeiro, o Palácio Rio Branco, também no centro de Ribeirão Preto, depois sede da prefeitura municipal. Inaugurado em1897, o Teatro Carlos Gomes foi demolido em 1946 por motivos ainda pouco esclarecidos. Há quem assegure que o brilho do Theatro Pedro II tenha ofuscado o Carlos Gomes, e que não havia público para tantos espetáculos. Existem outras versões, mas a história continua sem um registro oficial sobre os motivos da demolição. A Revolução de 30 contra a oligarquia da República já havia sido deflagrada quando o Theatro Pedro II foi inaugurado, no dia 08 de outubro de 1930, no final do governo de Washington Luís. Na prefeitura de Ribeirão Preto, Camilo de Mattos vivia seus últimos dias de mandato. A revolução foi, para muitos historiadores, o movimento mais importante da história do Brasil do século XX, pois acabou com a hegemonia da burguesia do

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café. Na Primeira República, o controle político e econômico do país era monopólio dos fazendeiros. Na vida urbana, entre 1912 e 1929, a produção industrial crescera 175%. Apesar desse crescimento, a política econômica do governo continuava privilegiando os lucros das atividades agrícolas. Mas, com os estilhaços do crack de 1929, a economia cafeeira não conseguiu manter-se. O Presidente Washington Luís tentou em vão conter a crise no Brasil. Em 1929, a produção brasileira chegava a 28,941 milhões de sacas de grãos, mas só foram exportadas 14 milhões, num momento em que existiam imensos estoques acumulados. Como em outras regiões do país, em Ribeirão Preto, o poder econômico dos fazendeiros de café estava em franca decadência. Embora a crise econômica mundial tenha refletido na construção do teatro, com alterações de diversos padrões de acabamento, a marca da riqueza e da influência européia já ficara registrada para sempre. Era a arquitetura escrevendo a história em obras que perpassam o tempo e registram o perfil de uma sociedade. Era o último símbolo, a derradeira marca do poder da elite do café. Mas, não o fim de uma era de elegância, desfilada nos tapetes vermelhos, nas escadarias de mármore e nas belas réplicas dos camarotes do Ópera de Paris.

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do sem precedentes, em 1930, quando o Theatro Pedro II foi inaugurado, preenchendo dois espaços: o do terreno entre o edifício Meira Júnior e o Hotel Palace, e o outro, que era a razão de ser de sua bela estrutura: o da referência cultural e centro dos acontecimentos políticos e sociais. O art déco não ditava apenas a arquitetura. Era um estilo de vida e estava presente também na moda, com a sofisticação da estilista Coco Chanel, que as mulheres passaram a assumir, nos vestidos de cores neutras, tons pastel, bege, areia, creme, branco, azul marinho e preto talhados em cetim, seda, tafetá e crepe, com apliques coloridos. Nos adornos, fileiras de pérolas e correntes douradas. No cinema, surgiam as divas Grace Kelly, Elizabeth Taylor, Katherine Hepburn, elegantíssimas, usando modelos de costureiros famosos. Os homens usavam chapéus de palha, linho puro e gabardine inglesa. Alguns carros circulavam pela cidade, ostentando a riqueza ainda inalterada pelo famoso crack da Bolsa de Nova Iorque. Carmem Miranda já era conhecida internacionalmente. As primeira gravações inovadoras de jazz surgiam nas performances de Cab Calloway e Louis Armstrong, e logo teria início a era do swing. As notícias do mundo chegavam pelo rádio, maravilha tecnológica da década de 20 no Brasil. Na literatura,

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sociedade de Ribeirão Preto vivia um perío-

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os romances traziam os frutos revolucionários da Semana da Arte Moderna de 1922, com críticas e denúncias de problemas sociais nos escritos de Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Cassiano Ricardo, Alcântara Machado e Manuel Bandeira. Surge o neo-realismo revelado na pena de Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Raquel de Queiroz e Jorge Amado. Na poesia, os versos e não versos de Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles. E foi nesse contexto sócio-cultural que o Theatro Pedro II abriu as portas de madeira de Riga para uma noite memorável. Elegantes, homens e mulheres subiram as escadas de mármore de Carrara para assistir ao grand openning de uma noite que se repetiria durante três décadas na apresentação de companhias teatrais do exterior, corpos de baile do país e da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, no palco por onde passaram grandes maestros. Vamos imaginar a grande noite. Dia 8 de outubro de 1930. Oito horas. Sussurros de admiração ecoam na platéia, frisas e camarotes, em meio ao farfalhar das sedas e do perfume francês, provavelmente o Chanel nº 5, que revolucionou uma década, ou o recém-lançado Joy, o mais caro do mundo, criado por Jean Patou. Silêncio. Cortinas abertas. Os primeiros acordes que ressoaram no interior do Cine Theatro Pedro II foram regidos pelo

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maestro Ignácio Stábile, um italiano de Roma, que fixou residência em Ribeirão Preto e acompanhou a orquestra e os concertos no teatro até 1955, quando faleceu. Era já a Orquestra Shynphonica de Ribeirão Preto, porém ainda não oficializada, o que foi acontecer somente em 1938, conforme consta nos arquivos da Sociedade Lítero Musical, mantenedora da orquestra. Voltemos à noite de inauguração: Na Overture, a Shynphonia O Guarany, de Carlos Gomes. Depois, um discurso de apresentação do cinema falado, proferido por Sebastião Sampaio, cônsul-geral do Brasil em Nova Iorque. Em seguida, A Voz do Mundo, reportagens sonoras de atualidades da Paramount; o desenho animado e sonoro Depois do Baile e a fantasia cômico- musical, dançada, tocada e cantada, da Paramount. A grande programação não parou aí. O Intermezzo trouxe de volta ao palco a Orquestra Shynphonica, apresentando a seleção musical do filme que viria a seguir: Alvorada do Amor, um musical dirigido pelo cineasta alemão Ernst Lubitsch, protagonizado pelos atores Lílian Roth, Lupino Lane, Maurice Chevalier e Jeannette MacDonald. Para encerrar, outro filme, Um sonho que viveu, com Janet Baynor e Charles Farrel. Os jornais do dia seguinte não tiveram outra manchete, enfatizando a beleza do teatro totalmente lotado, a elegância do público e a riqueza da programação. “Uma noite ansiosamente esperada não só pelo público de Ribeirão Preto como das cidades vizinhas. Havia grande quantidade de automóveis em volta

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do teatro....” e prosseguiam dando os detalhes do acontecimento e da programação do teatro. E assim foi durante três décadas, sempre destaque nos jornais, sempre com um belo concerto, apresentações de balé, corais, cantos lírico, recitais, operetas, solistas, teatro e temporadas líricas, como em junho de 1933, quando a Companhia Lyrica Internacional ofereceu ao público quatro magníficas óperas, Aída, Madame Butterfly, Tosca e La Boheme. Pouco a pouco, o teatro foi se consolidando como um templo de erudição e local de encontro da sociedade ribeirãopretana e da região. Sucediam-se os espetáculos grandiosos como no centenário de Carlos Gomes, no dia 13 de agosto de 1936, quando também não havia nenhum lugar vago e reuniu seis maestros do país. Uma característica dos concertos da época eram as homenagens que a orquestra prestava não só aos nomes ilustres, mas a pessoas da cidade ou a instituições beneficentes para as quais era destinada a renda do espetáculo. Para comemorar o primeiro centenário de Ribeirão Preto, em 1956, como era programado todos os anos, foi realizado o 98º concerto no Theatro Pedro II, com a orquestra regida pelo maestro Jorge Kaskás. Esse número leva a uma média de quatro concertos por ano, que somados à diversidade de espetáculos apresentados, revelam que a vida do teatro era dinâmica e que alimentava tanto os anseios do mundo artístico como os do público de Ribeirão Preto.

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D E C L Í N I O

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no início da década de 60. O contexto político e social dessa época era bem diferente de quando o teatro foi construído, em 1930. Os cafeicultores haviam perdido o poder econômico e os que resistiram investiam em outras culturas. Ribeirão Preto passou a ser conhecida como grande produtora agrícola até culminar com a política do açúcar e do álcool, atraindo levas de migrantes para as lavouras de cana da região, na década de 1970. A Companhia Cervejaria Paulista sentia os efeitos da concorrência e dos problemas econômicos, depois de investir na construção do teatro, e com a chegada de outra cervejaria, a Antártica. A televisão, outra novidade da tecnologia, atraía a atenção dos moradores e crescia o número de salas de cinema. Se nada disso justifica a transformação da finalidade do Theatro Pedro II, é preciso uma pesquisa de cunho sociológico para chegar a um motivo plausível. As pessoas mudaram, a política mudou, a cidade cresceu, a população aumentou e os interesses econômicos suplantaram os da cultura. Nada de grandes espetáculos. Até então, mesmo com alguns sinais de decadência, a programação do Pedro II mesclava cinema, teatro, concertos e outras manifestações culturais e políticas. Os sinais mais claros do declínio cultural apareceram de-

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brilho do Theatro Pedro II começou a esmaecer

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pois da administração de Osvaldo de Abreu Sampaio, empresário, proprietário de salas de cinema e da Companhia Teatral Paulista, uma companhia de exibição de filmes. Sampaio permaneceu durante 18 anos na administração do Pedro II, e o sucessor, Lucídio Ceravollo, transformou o teatro em cinema, definitivamente. Autorizou uma série de mudanças no prédio e reduziu o número de lugares a 800. Os andares superiores foram fechados ao público e os belos camarotes, as galerias, os balcões, o teto e os elementos decorativos, recobertos por lambris de madeira. A Sala dos Espelhos perdeu seu encanto, transformada em escritório da empresa de filmes. O teatro perdia, assim, sua razão de ser, a elegância, a nobreza. A reforma roubou seu encanto e a cortina de veludo azul marinho bordada com fios de ouro, reproduzindo o brasão da família imperial, nunca mais se abriu. O palco ficou vazio de sinfonias, de bailarinas e de atores. Com a decadência, o Pedro II mudou de proprietário, passando para as mãos da Companhia Cervejaria Antarctica, quando a empresa adquiriu a Cervejaria Paulista. O subsolo do teatro, no passado freqüentado por um público refinado, passou a ser conhecido como a Caverna do Diabo, destinado a bailes de carnaval e jogos de bilhar. Sem manutenção adequada, o belo projeto arquitetônico, que dava harmonia ao Quarteirão Paulista, foi, aos poucos, se

deteriorando pela ação do tempo e pelo descaso. E foi por esse abandono que a parte elétrica não resistiu e desencadeou o incêndio, em 1980. Talvez tenha sido a mão do destino, ameaçando uma destruição para despertar a cidade, e trazer de volta o Pedro II recuperado, magnífico e imponente como em 1930.

D E P O I S D O F O G O, O A B A N D O N O

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dias e aventuras bem diferentes das óperas que tanto emocionaram o público no passado. Na noite de 15 de julho de 1980, enquanto as cenas do filme Os Três Mosqueteiros Trapalhões arrancavam gargalhadas das oitenta pessoas que ocupavam o espaço destinado a duas mil e quinhentas, o teatro estava prestes a viver seu drama maior, conseqüência do descaso a que fora relegado durante quase trinta anos, desde que cerrou as cortinas de veludo, em estilo francês, como o terceiro teatro de ópera do país. “Devido à má qualidade da instalação, uma sobrecarga elétrica provocou um superaquecimento na fiação que passava junto ao madeirante, que sustentava as placas de compensado”, sentenciou o perito que fez o laudo técnico sobre as causas do incêndio. O fogo começou no teto. Uma fumaça, estalidos, depois as labaredas percorrendo implacáveis as paredes, os balcões, destruindo o forro, poltronas, a cortina, devorando os traços da arquitetura eclética, de linhas marcantes pelo uso de elementos art nouveau e art déco, dos traços neoclássicos, que tanto encantavam o público, preenchendo de cinzas os contornos e entalhamentos que adornavam a boca de cena. Os espectadores saíram a tempo. Ninguém se feriu. Na rua, a notícia circulava, e as pessoas se aglomeravam na esplanada

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Cine Theatro Pedro II exibiu romances, comé-

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do teatro, estarrecidas diante da tragédia, apreensivas com a demora dos bombeiros, com a falta de hidrantes e da escada Magyrus, que estava em reparo. Três horas depois de lutar contra as chamas, restaram as cinzas da belle époque. As feridas ficaram expostas no coração do teatro, que teve sua estrutura comprometida, e no das pessoas que ainda sonhavam com o Theatro Pedro II, como um cenário requintado do passado, onde a elegância do público fazia jus à beleza encenada no palco. No dia seguinte, as manchetes dos jornais confirmavam a tragédia para aqueles que custavam a crer: “Fogo destrói Pedro II”, e revelavam os detalhes: “o fogo começou às 20h25, no teto do teatro, ameaçando os prédios vizinhos, o Pingüim e o Palace”. Depois desse dia, o abandono total durante 11 anos. Fechado, a figura do Pedro II destoava no Quarteirão Paulista, desafiando a consciência cultural das administrações públicas. Lá dentro, fantasmas encenavam óperas abafadas, percorrendo os escombros do palco por onde passaram Madame Buterfly, Aída e La Ricoletta, deslizando pelas paredes úmidas tristes balés silenciosos. Mas, não só as personagens do passado pediam o espaço de volta. No aniversário de 50 anos do teatro, a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto reclamou seu palco preferido com

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num concerto na Esplanada. O protesto reuniu os maestros Lutero Rodrigues e Isaac Karabichevsky, e um público estimado em 10 mil pessoas. Sem resposta. Empresários planejaram demolir o prédio e construir um banco no terreno, o que foi evitado com uma campanha de mobilização de artistas, políticos e intelectuais. Deu resultado. Em 1982, o grande teatro foi tombado pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo – como patrimônio público municipal. Sete anos depois, foi desapropriado e sua administração entregue ao município, até que, em maio de 1991, teve início a primeira fase das obras de reconstrução e restauro, que devolveram, gloriosamente, o Theatro Pedro II à população de Ribeirão Preto.

R E F O R M A , R E S TAU R O E M O D E R N I Z A Ç Ã O

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adornos e a história esculpida em cada detalhe induzem a um silêncio quase religioso Nove anos depois de tombado pelo Condephaat como patrimônio público, o pólo cultural da região voltou às páginas dos jornais de Ribeirão Preto e da região, com repercussão nacional, como personagem da história cultural do município. Começava, em maio de 1991, a primeira etapa da reconstrução, restauro e modernização do Theatro Pedro II, reinaugurado em junho de 1996, no aniversário de 140 anos da cidade, com um mês de programação de espetáculos de todas as artes. A reforma foi um trabalho de engenheiros, arquitetos, artesãos, restauradores e operários, que não se restringiu apenas a reerguer e recompor um design projetado sessenta anos antes, mas o de atingir ao máximo a fidelidade da obra original à planta, inspirada nos grandes teatros de ópera do país, arquitetados na linha de composição do L’ Ópera de Paris. O design e os elementos decorativos se firmavam na junção de vários estilos, entre eles o art déco e art nouveau. O movimento art déco surgiu na Europa, no início do século XX, caracterizado por linhas geométricas e tons pastel, e concilia a produção industrial e as artes, em oposição aos excessos do art nouveau , que adere às formas sinuosas e curvilíneas. O estilo exerceu influ-

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imponência das formas, a delicadeza dos

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ência sobre a arte decorativa e arquitetônica, e foi adotado por grandes nomes da arquitetura moderna, como por exemplo, o arquiteto espanhol Gaudi. Fazer ressurgir essa relíquia significou um trabalho delicado, feito com suor e com o coração, aliado ao compromisso de devolver o mesmo teatro que, no passado, sustentava a cultura e a erudição da cidade. Para não perder a tradição, o Pedro II foi recomposto em três atos, depois que a administração municipal abriu o caminho da licitação para a execução das obras. A Jábali & Aude Construções e um consórcio de três empresas - S&G, Sole e Castro e Citec - venceram a concorrência e iniciaram a reconstrução da obra. E, com essas empresas, centenas de profissionais, mil operários. No orçamento total de US$4 milhões, participaram a Fundação Roberto Marinho com a doação de US$ 250 mil, e empresários da cidade, com US$ 50 mil, em mais uma demonstração do apreço e da importância dedicada pela iniciativa privada ao patrimônio cultural. A alvenaria de tijolos resistiu ao trágico incêndio de 1980. Mas, o mesmo não se deu com grande parte do interior do teatro. Por isso, no primeiro momento, um levantamento documental, histórico e fotográfico revelou os reais danos provocados pelo incêndio e pela mão do tempo. Sem um projeto ou desenho que pudesse orientar arquitetos e engenheiros, foi

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realizada uma pesquisa sobre o tipo materiais usados nas fundações do teatro. O estudo mostrou que a estrutura – o conjunto de elementos que forma o esqueleto de uma obra e sustenta paredes, telhados e forros - havia sido implantada pelo processo de sapata, no qual o terreno não é perfurado e o edifício, colocado sobre o terreno, como um bloco de apoio. Decapagens levaram aos tons utilizados na construção original, à pintura artística e convencional do teatro, das molduras, dos capitéis, dos medalhões, dos ornatos e dos elementos volumétricos. Os artesãos abriram janelas gráficas no prédio e constataram: na platéia havia três pinturas anteriores; nos corredores, cinco. Com o diagnóstico, arquitetos e engenheiros elaboraram nada menos que 300 plantas. Surgia o design, os projetos de estrutura metálica e de concreto, de instalação hidráulica, palco, cúpula, camarins, elevadores, escadas, sistemas contra incêndio, remoção de pilares, demolição de paredes, reservatório de água, de restauro, de arquitetura, cenotécnica e instalações elétrica e telefônica. Sempre buscando conferir fidelidade ao projeto original, a reforma, restauro e modernização do Theatro Pedro II consumiram 150 toneladas de perfilados em aço, na estrutura metálica, que abrange toda a cobertura e a cúpula de gesso cortado, onde se sustenta o grande lustre, um design assinado pela artista plástica Tomie Otake, uma das marcas da modernização

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do teatro. A reforma estendeu-se a todos os pavimentos, dos três subsolos aos quatro andares, abrangendo piso, mobiliários cúpula, palco desmontável, instalação de elevadores e do palco móvel para a orquestra, que se eleva de um fosso. Em todas as etapas, os profissionais responsáveis pela reconstrução demonstraram tanto a preocupação histórica, quanto a de prevenir outras tragédias, e isso se confirma na escolha criteriosa dos materiais utilizados, resistentes à ação do tempo e do fogo. Foram instalados 780 sprinklers, - chuveiros automáticos, ativados pelo calor, distribuídos em todos os pavimentos, e uma rede de combate a incêndio pressurizada com hidrantes nas partes estratégicas, além de extintores e saídas de emergência para as escadarias laterais do teatro, em todos os andares. Uma central de alarme de incêndio sonoro abrange o teatro, e 20 hidrantes duplos podem ser acionados automaticamente. O sistema de prevenção inclui, ainda, 93 extintores e uma porta corta-fogo entre o palco e a platéia. O ar condicionado funciona por sistema de termo-acumulação de água gelada, com potência equivalente a 250 aparelhos domésticos de 12 mil BTUs. São 1.500 metros de dutos isolados, e temperatura controlada eletronicamente. Uma rede telefônica interliga todos os pavimentos. Para compreender melhor a riqueza do trabalho realizado, vamos acompanhar os passos e o resultado dessa obra de arte,

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orientados pela comunicação visual, que manteve a programação da época da construção, um conjunto padronizado de sinais e pictogramas caracterizado pela simplicidade nas formas. São placas de sinalização interna em latão polido, com moldura, impressão em baixo relevo, na cor preta, adequado ao estilo art deco, com iluminação interna e tampa removível para manutenção. Algumas delas são originais. Nas indicações de saída, as placas têm letras vazadas e chapa acrílica vermelha no fundo, e nas de acessos aos serviços, as molduras e letras foram confeccionadas na cor marfim. O primeiro contato - Na construção original, o edifício não recebeu tinta e sim, uma cobertura de massa raspada. A limpeza feita pelo processo de jateamento por água morna, revelou que a fachada estava trincada e recebera um revestimento em um tom próximo ao rosa claro, assemelhando-se a um tipo de granito e contrastando com a cor dos prédios laterais. Para chegar à cor desejada, os restauradores utilizaram plasticote, revestimento que imita a massa raspada, de grande resistência à ação das intempéries, do fogo e da água, imune à proliferação de mofo, ácaro e parasitas. O material é usado na maioria dos novos teatros. Na reforma, foi construída uma laje intermediária entre o teatro e o prédio vizinho, na lateral direita, para facilitar a entrada de portadores de necessidades especiais. Um elevador leva a essa laje e dá acesso à platéia. Do lado esquerdo também foi

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criada outra laje. Um elemento novo contrasta com a arquitetura: a porta de entrada da lateral direita em vidro temperado. Térreo - O hall de entrada está situado um metro e cinco centímetros acima do piso externo e apresenta elementos decorativos como pilastras com motivos florais nos capitéis e painéis em baixo relevo, marcando as paredes divisórias das alas laterais, onde originalmente ficavam as bilheterias. O piso foi revestido em granilite. Na entrada, de cada lado da escada de mármore, duas esculturas idênticas, da Fonderie du Val D’Osne, importante fundição francesa que produziu e enviou várias peças para o Brasil no século passado. Platéia - O desenho da platéia, em forma de ferradura, com as galerias laterais e o do teto em cúpula, são próprios dos teatros de ópera europeus, características da época em que o Theatro Pedro II foi construído. A danificação provocada pela ação do tempo justificam as inovações realizadas nesse pavimento. Foram projetadas novas cadeiras e poltronas em madeira envelhecida para todos os andares, revestidas com tecido vermelho, composto por 51% de lã, 49% de poliamida. No fosso, entre o palco e platéia, outra inovação: um elevador de orquestra sobre uma plataforma de 12,50m de comprimento por 3,20m de largura. O elevador ergue até 30 mil quilos, a 6 m de altura, e funciona por sistema hidráulico. No entanto, o maior registro dos ares modernos do Pedro II está no forro pintado de verde musgo: uma obra de arte

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projetada pela artista plástica Tomie Otake. Duas cúpulas sobrepostas com 20 metros de diâmetro, executadas em gesso gipysum, forma uma escultura que lembra movimentos disformes da água, destacando-se na arquitetura imponente, equilibrando o novo e o antigo. Essa obra sustenta um grande lustre de cristal, com 2,70m. de altura e 2,20m. de largura, avaliado em 65 mil dólares, em forma de gota, iluminando o ambiente da platéia. A cor do teto se harmoniza com as paredes de fundo das galerias e balcões, que originalmente não existiam, e foram projetadas para dar mais segurança ao prédio e melhorar a acústica. São dois forros com 30 centímetros de diferença entre eles, o que propicia um efeito de profundidade quando as lâmpadas são acesas. O centro do lustre é vazio e, quando recebe a iluminação, os raios se espalham e, associados a eles, a iluminação do forro proporciona uma visão da escultura em três dimensões. A obra de arte de Tomie Otake substituiu o antigo lustre, que pendia de um forro sem nenhum elemento decorativo importante ou traço marcante, como mostraram as pesquisas dos arquitetos. A intervenção moderna teve a aprovação do Condephaat. O trabalho foi realizado por 80 homens, em oito meses, com 600 metros de andaime, 1.200m2 de gesso aplicados, mil pontos de fixação e 300 lâmpadas. Palco - O estado de conservação do palco estava em péssimas condições; o incêndio destruiu quase todos os revestimentos da época da reforma de 1960, sem contudo afetar

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os originais, que revelaram-se com a queima dos lambris. As dimensões do novo palco, desmontável, instalado sobre uma estrutura metálica com piso revestido em madeira freijó, foram aumentadas dos 200 metros originais para 459 metros quadrados, e instaladas 22 varas de cenário e 5 varas de luz. Com o fogo, a boca de cena desabou, comprometendo os elementos decorativos moldados em gesso e argamassa, como os medalhões, frisos e molduras. Foi necessário reconstruir a estrutura do forro e do estuque, em cima de andaimes de 20 metros de altura, um trabalho que durou dois anos de dedicação de uma equipe de pedreiros, serventes, marceneiros e restauradores de Ouro Preto e de Belo Horizonte, Minas Gerais, sob a orientação do restaurador Júlio de Moraes. Pacientemente, os antigos medalhões e ornatos foram reproduzidos em gesso; os detalhes florais e as pinturas decorativas na boca de cena e camarotes de proscênio, restaurados em cima de prospecções. A recuperação da pintura da boca de cena, a coluna decorativa de 11 metros de altura e 9m de largura em volta do palco, consumiu três meses para chegar à pintura original, escondida sob cinco camadas de reformas. Na pesquisa, conclui-se que o artista da época da construção aplicara a pintura decorativa com máscara, fazendo um jogo de luz e sombra com a mão. Era a arte que surgia das cinzas e do passado para encantar os artistas do presente. A cortina, costurada em estilo francês, comporta 500 me-

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tros de veludo vermelho. Outras intervenções se fizeram necessárias como a reinstalação e modernização do ciclorama, pano que cobre o fundo do palco, dos lambrequins, porta tipo corta-fogo, reguladores horizontais e verticais da boca de cena, e do urdimento, plataforma metálica onde estão instalados os motores para movimentação cênica. No total, no palco foram investidos US$ 1,5 milhão em som, luz e mecânica cênica, o que tornou o teatro um dos melhores do país em perfeição acústica, inserindo o Pedro II no circuito internacional de apresentações artísticas Os andares superiores – No primeiro andar, situada na parte anterior do edifício, está a sala dos espelhos, o foyer, um dos maiores requintes do teatro, com pé direito duplo e abertura em balcões. Três portas articuladas levam ao terraço, de onde se avista a Praça XV de Novembro. Essa área não foi atingida pelo incêndio, mas apresentava grandes estragos causados pela ação do tempo, a falta de uso e de manutenção. No espaço com função específica dos teatros de ópera, onde a platéia aguardava as trocas de cenários, estão as peças mais significativas do teatro, em art déco. As formas e cores originais trouxeram de volta a beleza dos lustres, arandelas, espelhos, vidros bisotados, capitéis, molduras, relevos e pinturas, portas e ferragens. As três camadas sobrepostas de tinta cinza das janelas e portas foram delicadamente retiradas com bisturi e solvente, mantendo os motivos artísticos re-

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buscados, e depois reconstituídas com pedaços de madeira de portas antigas. O espelho de cristal italiano manteve a primeira fialha original, e as outras foram reconstruídas. Nas paredes, os sete conjuntos de arandelas originais reproduzem tochas romanas. Dos três magníficos lustres, o central desabou, e a peça passou por uma reconstrução parcial. Restaurado, o foyer se destina a apresentações de orquestras de câmara, solos, cantos líricos, espetáculos de público menor, além de manter a função anterior. Dois corredores associados aos camarins compõem as laterais, que dão acesso aos balcões, aos camarotes coletivos e aos de proscênio. Nas laterais, permaneceram as estruturas originais. As divisórias em alvenaria, com ornatos em volutas e frisos, foram restauradas com argamassa. Os balcões simples estão situados na direção oposta à boca de cena. Nesse pavimento, existe uma variação de tipos de acabamentos como linóleos cimentados, ladrilhos hidráulicos e granilite. Os camarins junto às coxias de dimensões mínimas, receberam revestimento de parede em argamassa, e como detalhe de acabamento, um pequeno friso de madeira de cerca de 1,80 do piso. A reforma acrescentou uma sala de imprensa e uma sala de café. No segundo andar, balcões nobres, galerias e camarotes. Toda a área estava em mau estado de conservação, e as soluções empregadas pelos arquitetos e restauradores são idênti-

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cas às do primeiro pavimento. Esse andar abriga também uma sala de estar e uma de café. No terceiro piso, na ala direita, uma curiosidade: a lendária passagem secreta entre o teatro e o Hotel Palace realmente existia e foi fechada por uma parede. Esse pavimento proporciona uma visão privilegiada da cúpula e do grande lustre, pela proximidade. O pavimento é delimitado pelo piso e guarda-corpo, que reproduzem o desenho básico da platéia, e na cobertura, pelos arcos que sustentam o forro. Nesse andar, foram encontrados os maiores estragos no arco da boca de cena e nos elementos decorativos. Escadas de madeira levam ao sótão, onde estão o depósito, sala de dança, do coreógrafo, de projeção e de controle de iluminação cênica e de áudio, todas reformadas. - Nesse espaço, por meio de duas escadarias, tem-se acesso ao sótão e às coberturas das laterais do teatro. A estrutura de madeira e a maioria das peças do sótão estavam deterioradas pela ação da chuva e de insetos. No teto do teatro permanecem as telhas de barro, tipo francesas. Subsolo - Além da caixa d’água, existem dois níveis abaixo do palco. Nessa área, os operários cavaram 3.200m3 de terra, e construíram camarins, acessos ao palco, oficinas, sala de costura, de máquinas, cabine de força, o auditório Meira Júnior, restaurante, cozinha industrial, o fosso de elevador de orquestra e o reservatório de água com capacidade para 200 mil litros. O espaço apresentava infiltrações provocadas por deterioração das redes de água e de esgoto, mas foi considerado pelos ar-

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quitetos com boas possibilidades de reciclagem e aproveitamento. O Meira Júnior – O auditório, construído no primeiro subsolo, com capacidade para 200 lugares, é destinado a espetáculos menores e grupos de teatro amador. O palco italiano foi revestido com madeira freijó, e tem cinco varas de luz e cinco de cenário, cabine de comando de luz e som, e sistema central de ar condicionado. O teto, revestido em gesso gipysum cartonado em forma ondulada, facilita a propagação e reberveração do som. Pode ter programação simultânea com o teatro principal sem interferência acústica. As poltronas são revestidas com o mesmo tecido das cadeiras do Pedro II, porém em cor azul. No mesmo pavimento, foram projetadas salas de café, um saguão de exposições e outros eventos culturais, oficinas de produções culturais, cursos e ateliês. A iluminação – Um equilíbrio de luzes diretas, focos indiretos nas frisas proporcionam conforto visual aos espectadores do teatro. No palco, modernos recursos de iluminação cênica, com 248 refletores distribuídos em cinco varas de, na frisa superior e nas laterais. As luminárias são à prova de explosão. Para que tudo isso funcione perfeitamente, foram instalados na cabine elétrica, a cinco metros de profundidade, três transformadores de 300kwa, um transformador de de 30 KVA e um grupo gerador com capacidade para iluminar uma cidade de 5000

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habitantes, e um gerador de energia elétrica de 370/275KVA. No caso de haver uma pane no sistema elétrico, o gerador entra em funcionamento em oito segundos. A carga instalada é de 980 wats de energia, mais 350 wats só para iluminação de cena. A mesa de controle digital, computadorizada, tem 128 canais, com 350 mil w de potência. Prevenção – O combate a cupins é feito por meio de um sistema instalado no subsolo. Uma tubulação espalha um produto e cria uma barreira química em volta do prédio. O sistema é renovado a cada cinco anos. Camarins – Originalmente localizados nas laterais do palco, os antigos camarins limitavam o tamanho do palco. Para ampliar o espaço, foram demolidos três pilares laterais, removida a estrutura dos camarins e reestruturada com sustentação metálica e de concreto. A reforma comtemplou o teatro com cinco novos camarins individuais e quatro coletivos. Escadas – Os peitoris das escadas passaram por uma restauração, e o mármore branco substituiu o piso original. As principais, frontal e laterais, foram revestidas com carpete vermelho. Apenas uma escada de acesso ao subsolo recebeu granito cinza andorinha. Novas escadas em madeira facilitam circulação interna. Urdimento – O fogo não destruiu a armação de madeira construída ao longo do teto, que sustenta os equipamentos do cenário e de iluminação, mas ela foi totalmente refeita em es-

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trutura metálica. Banheiros – Dois femininos e dois masculinos em cada andar, os banheiros ficaram mais modernos, revestidos em piso de granito cinza andorinha polido e paredes de laminado melamínico. A louça foi substituída por outra em cor branca. Os acessórios – papeleiras e saboneteiras – seguem o mesmo padrão de louça dos sanitários. Os espelhos são de cristal, as torneiras de metal e os cabides, de ferro esmaltado. Pisos – Na platéia, áreas de circulação, frisas, camarotes, balcão nobre, balcão simples, galerias, foyer, sala de imprensa, salas de café e camarins, o novo piso instalado é de madeira jatobá, sintekado. Os corredores laterais de acesso ao auditório Meira Júnior e a sacada do foyer receberam granito levigado cinza andorinha. No restaurante junto ao auditório, o piso é de granito polido, também em cinza andorinha. A madeira freijó está presente no assoalho dos palcos, da sala de dança e dos elevadores de orquestra e de cenário. O da sala de dança tem tratamento acústico. O piso do auditório Meira Júnior foi revestido com carpete azul.

E N T RE Ó P E RA S , R E C I TA I S E S A PAT I L H A S

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te o ano todo para o público, o que faz do magnífico espaço, que se encontra entre os três principais teatros de ópera do país, um pólo de cultura para as cidades da região e palco para orquestras do Brasil e de países do mundo todo. A contribuição do teatro não se restringe apenas ao público. Estende-se também aos artistas, tanto aos eruditos quanto aos populares. Eles sempre encontram uma platéia receptiva, ávida por entretenimento e alimento cultural. O teatro é administrado pelos membros da Fundação D. Pedro II, criada em julho de 1995 pelas Leis Complementares nº 465 e 503, com a finalidade de orientar, incentivar e patrocinar atividades artísticas e culturais, promover a defesa do patrimônio histórico-cultural do município e em especial do Theatro Pedro II, promover cursos, reuniões e congressos visando a realização de objetivos artísticos, culturais e educacionais da cidade e região, atendendo também eventos sem cobrança de ingressos para a população carente. A Fundação D. Pedro II é constituída por Conselho Curador, Conselho Fiscal e Diretoria Executiva, e mantém o teatro com o apoio financeiro da administração municipal e da comu-

A

s cortinas do Theatro Pedro II abrem-se duran-

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nidade, na qual encontra grande receptividade na realização dos projetos aprovados pelo Ministério da Cultura e pelo fato de manter uma programação durante todo o ano. É certo que durante quase três décadas, antes do incêndio de 1980, o teatro perdeu um pouco sua característica, transformando-se em cinema e lugar de manifestações com propósitos diversos, mas depois do restauro e da reinauguração, as administrações da Fundação D. Pedro II procuram preservar ao máximo sua finalidade como teatro de ópera, concertos e de balett. Essa finalidade, no entanto, não impede que sejam apresentados espetáculos populares de grande porte, selecionados criteriosamente, por haver na cidade pouco espaço para grandes produções, e também, pela receita gerada por essas atrações culturais. Para garantir o sucesso dos espetáculos, a manutenção da estrutura física do teatro, da bilheteria ao camarim, é bem rigorosa. Os artistas que se apresentam no Pedro II nunca deixam de elogiar o estado de conservação de todas as dependências do teatro, o cuidado com a iluminação, a limpidez do som, a acústica perfeita e o atendimento proporcionado pelos profissionais atentos por trás das belas cenas, que tanto encantam ao público. O Theatro Pedro II é o principal espaço da Orquestra Sin-

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fônica de Ribeirão Preto, mantida pela Sociedade Lítero Musical. Acrescenta-se a esse privilégio de poder contar com uma orquestra, que realiza ao menos um concerto por mês no teatro, outra parceria importante na área cultural: a Escola de Comunicação e Arte da USP de Ribeirão Preto, formadora de músicos de todo o país. Professores e alunos da USP tocam na Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto e promovem recitais e concertos para um público já formado, habituados à erudição dos espetáculos. A tradição de freqüentar o teatro e educar os ouvidos e a alma para os acordes dos grandes mestres vai sendo repassada aos filhos e netos com o Juventude Tem Concerto, uma das programações fixas do Pedro II, realizada um domingo por mês para crianças e adolescentes. É um projeto da Fundação, criado e realizado em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura e Sociedade Lítero Musical, dirigido aos alunos das redes de ensino pública municipal e estadual, e particular. Os concertos têm uma característica didático-cultural, apresentando aos alunos os instrumentos que compõem a orquestra, a obra e o compositor. Além dos concertos e programações culturais, a Fundação D.Pedro II se empenha em realizar uma ópera a cada ano. Outra programação que atrai pessoas de todo o Brasil a Ribeirão Preto é o Dança Ribeirão, festival competitivo entre es-

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colas e mostra de dança de companhias do Brasil e do exterior, realizado anualmente, promovido pela Secretaria da Cultura de Ribeirão Preto, que leva, em média, a cada ano, três mil bailarinos ao palco do Pedro II. A Fundação apóia e incentiva também os grupos de teatro da cidade e mantém uma programação fixa com peças infantis durante todo o ano, em seu subsolo, na sala Meira Júnior.

E S P E T Á C U LO S R E A L I Z A D O S N O T H E AT R O P E D R O I I
D E 1 9 9 5 A 2 0 0 5
Orquestras Nacionais, Internacionais, Óperas, Corais, Solistas Nacionais e InternacionaisOrquestra Sinfônica de Ribeirão Preto Orquestra de Sopros da Alemanha Orquestra Sinfônica de Jerusalém Orquestra de Câmara de Moscou Cameratta Cittá di Prato Orquestra Sinfônica Tchaikovsky da Rádio de Moscou Orquestra Sinfônica do Estado da Rússia

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Quarteto David ( Itália) Bárbara Hendricks e Orquestra de Câmara de Praga Quarteto Casais ( Espanha) Coral da Irlanda Ópera “Cavalleria Rusticana” Ópera “La Traviata” Marcelo Jaffe (viola) Nelson Ayres (piano) Caio Pagano (piano) Arthur Moreira Lima ( piano) Celine Imbert ( canto) Rosana Lamosa (canto) Fernando Portari ( canto) Cláudio Cruz ( violino) Alex Klein (oboé) “Os meninos cantores de Viena” Dança – Companhias Nacionais e Internacionais Distrito Cia. Da Dança Balé da Cidade de São Paulo Grupo Corpo Cia. de Dança Débora Colker Ballet Stagium Cia. de Balé Cisne Negro

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Balé do Teatro Guairá Mikhail Baryshnikov (USA) Lês Grands Ballets Canadiens ( Canadá) Cia. de Dança da Ucrânia Pilobus Dance Theatre (USA) Cia. Nacional de Danza de Espana Ballet Flamenco Antonio Canales (Espanha) Balé do Teatro Stanislavsky (Rússia) Grupo de Dança “Castafiore” (França) Momix (USA) Balé Folclórico de Schuan ( China) Cia de Dança Moderna ( Pequin) Música Internacional Stanley Jordan – blues – (USA) Mount Moriah – gospel – (USA) Tango Mio (Argentina) The Platters (USA) Ray Conniff (USA)

Músicos Brasileiros

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Yamandú Costa Naná Vasconcelos Gilbeto Gil Caetano Veloso Maria Bethânia Chico Buarque Maria Rita Paralamas do Sucesso Nando Reis Zélia Duncan Simone Almir Sater Renato Teixeira Zimbo Trio Ney Matogrosso Milton Nascimento João Bosco Zizi Possi Teatro Brasileiro – Atores

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Paulo Autran Raul Cortez Fernanda Montenegro Vera Holtz Bibi Ferreira Antonio Fagundes Miguel Falabella Eva Wilma Glória Menezes Tarcísio Meira Nathalia Timberg Vera Fischer Edson Celulari Celso Frateschi Juca de Oliveira Arlete Sales Laura Cardoso Irene Ravache Jussara Freire Paulo Caruso Diogo Villela Denise Stoklos

C R O N O LO G I A

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1925 1927 1928 1929 1930

Os diretores da Companhia Cervejaria Paulista, desejando investir oferecer um bem cultural a Ribeirão Preto, decidem construir um novo teatro na cidade.

O empresário João Alves de Meira Júnior, um dos diretores da Companhia Cervejaria Paulista, contrata o arquiteto Hyppólito Gustavo Pujol Junior para criar o projeto arquitetônico do Theatro Pedro II

Têm início as obras do novo teatro, executadas pela firma alemã Kemnitz & Cia.

Crack na Bolsa de Nova York, causando grave crise econômica em todo o Brasil e no exterior. A crise afeta diretamente muitos fazendeiros do país e da região de Ribeirão Preto. Continuam as obras no Pedro II.

03 de outubro – Começa a Revolução de 30, que leva Getúlio Vargas ao governo provisório do país. 08 de outubro -Inauguração do Theatro Pedro II.

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1938 1943 1946 1960 1973

23 de maio - Fundada Sociedade Lítero Musical de Ribeirão Preto.

Osvaldo de Abreu Sampaio , Proprietário da Companhia Teatral Paulista, assume a administração do Theatro Pedro II, e permanece por 18 anos.

Theatro Carlos Gomes está no chão.

Lucídio Ceravollo, outro exibidor cinematográfico assume a administração do Theatro Pedro II, com o fim do contrato de Osvaldo de Abreu Sampaio. Ceravollo autoriza reformas e modificações no Pedro II, o que descaracteriza o teatro.

A companhia Cervejaria Antarctica compra as ações da Companhia Cervejaria Paulista e se torna proprietária do Theatro Pedro II. Câmara Municipal de Ribeirão Preto aprova projeto de lei para o tombamento do teatro. Projeto é sancionado pelo prefeito Welson Gasparini.

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15 de julho - Um incêndio destrói parcialmente o Theatro Pedro II, ano em que o teatro completou 50 anos. O teatro exibia o filme Os Três Mosqueteiros Trapalhões. Oitenta pessoas estavam no teatro, mas ninguém ficou ferido. O fogo destruiu a caixa cênica, e o teto do teatro desabou. 05 de outubro –Realizado um espetáculo na Esplanada do Theatro Pedro II com a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, sob a regência dos maestros Lutero Rodrigues e Isaac Karabtchevsky, em protesto ao abandono do teatro. Comissão de vereadores cobra do poder executivo o tombamento e reconstrução do teatro

1980

7 de maio - Secretário de Estado da Cultura, Antônio Henrique da Cunha Bueno assina o tombamento do Theatro Pedro II como patrimônio publico, seguindo parecer do Condephaat, Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico,Arqueológico,Artístico e Turístico do Estado de São Paulo. Mais de 800 entidades de todo o Brasil reivindicaram às autoridades, por escrito, a restauração do teatro.

1982

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11 de junho - O Estado ganha a ação de desapropriação do Theatro Pedro II e transfere o imóvel e a administra-

1991 1994 1995 1996

ção do teatro para a Prefeitura de Ribeirão Preto. Um consórcio de empresas ganhadoras da concorrência para a reconstrução do teatro inicia a elaboração de cerca de 300 plantas para orientar o tipo de reforma, restauro e modernização do teatro. Começam as obras de reconstrução .

30 de junho - Concerto pré-reinaugural no Pedro II em estado de resturo, com a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, regida pelo maestro Marcos Pupo Nogueira, tendo como solista o pianista Caio Pagano .

Criada a Fundação Pedro II, pela administração municipal, com a finalidade de dar independência e programar os eventos culturas do teatro.

18 de maio – O Theatro Pedro II está pronto e abre as portas à população. A programação vai até 7 de julho. 19 de maio - Ribeirão Preto completa 140 anos. Noite de reinauguração oficial do teatro.

DA D O S D O T H E AT R O P E D R O

I I

124 | THEATRO PEDRO II

Inauguração: 8 de outubro de 1930 Localização: Quarteirão Paulista, Rua Álvares Cabral entre as ruas Duque de Caxias e General Osório Área total: 5.800m2 Altura total: 30 m. Projeto original: Hypolito Gustavo Pujol Júnior Capacidade original: 2500 lugares Reinauguração: 27 de maio de 1996 Camarins individuais: 5 Camarins coletivos: 4 Galerias: 3 Banheiros: 2 masculinos e 2 femininos por andar Vestiários: 7 Cafés: 4 Elevadores: 2 com capacidade para 16 pessoas, um para portadores de necessidades especiais, um de cenário, um para a orquestra e um monta-carga Capacidade atual: 1580 lugares Platéia: 430 Frisas: 134 Balcão nobre: 271 Balcão simples: 242 Galeria central: 275 Galerias laterais: 100 Camarotes do proscênio: 24 Camarotes do balcão nobre: 48 Camarotes do balcão simples: 56

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E S T R U T U RA D O T H E AT R O P E D R O I I
O teatro é composto por três subsolos e cinco pavimentos. Primeiro subsolo: Teatro Meira Júnior com capacidade para 198 lugares, restaurante, saguão de exposições, sala de figurino, sala de costura, sala dos músicos, sala dos instrumentos, almoxarifado, camarins coletivos e individuais, salas de administração, cozinha, banheiros e central de energia elétrica Segundo subsolo: Oficina de cenários: mecânica, elétrica e de carpintaria Terceiro subsolo: Sala de controle de ar condicionado e reservatório de água para os sprinklers Térreo: Entrada principal e entrada lateral para portadores de necessidades especiais, bilheterias, chapelaria, cofre, café, banheiros, acesso ás frisas, aos camarotes do proscênio e aos pavimentos superiores e inferiores por elevadores e pela escada, platéia e palco. Primeiro andar: Sala dos Espelhos – Foyer – café, sala de imprensa, banheiros e acesso aos balcões, aos camarotes coletivos e aos camarotes do proscênio. Segundo andar: Balcões voltados para a Sala dos Espelhos, café, sala de estar, banheiros, e acesso às galerias laterais e de fundo, aos camarotes coletivos e aos camarotes do proscênio. Terceiro andar: Sala de dança, sala de projeção e controle de iluminação cênica e de áudio. Quarto andar: Sala para coreógrafos, vestiários e depósito.

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C e n o t é c n i c a
Dimensões palco: 27 m de largura, 17m de profundidade, 10,5 m boca de cena

Pr o s c ê n i o
Altura da boca de cena: Altura da caixa: Centro-boca até parede do fundo: Largura da coxia: Altura fundo (p/ cenário): Largura parede (curva) de fundo: Altura das varas de luz: 6 metros Altura do urdimento: 18 metros Altura das pernas: 9 metros Altura da boca de cena: 6 metros Largura da varas: 12 metros

Va r a s

c o n t r a p e s a d a s

8 varas de cenário 5 pernas (pares) com 2 metros de largura 5 varas de luz com 27 pontos cada 5 bambolinas - 12 metros de largura e 2 metros de altura 4 varas com placas acústicas 1 ciclorama 1 rotunda c/ corte e trespasse central

THEATRO PEDRO II | 127

Pa l c o
Equipamento de som - pré amplificação 1 processador de efeitos alex lexicom 1 tape deck duplo cassete w 515 r (teac) 1 cd sony 4 compressores dbx 166 2 equalizadores ge 311 - 31 band advance 2 crossover ecx 52 advance 1 mesa soundcraft (spirit) 24 canais (só 16 canais multicabo) 2 amplificadores potência médio 350x advance 2 amplificadores potência super grave 550 xt advance Obs.: mesa de pa 24 canais com multicabo de 16 vias, portanto 16 canais para uso)

E q u i p a m e n t o

d e

s o m

1 mesa soundcraft (spirit) 32 canais (monitor) 1 amplificador potência agudo 350x advance 1 amplificador potência médio 350x advance 1 amplificador potência grave 350x advance 1 crossover ecx 52 advance 1 equalizador alesis meq 230 2 caixas said acarpetadas rc5 - 02 auto falantes, 01 corneta 15” 2 tweeters (retornos) - (side) 4 monitores 03 vias cmd 200 (piso) passivo 1 amplificador potência agudo 350x advance - full range

128 | THEATRO PEDRO II

1 amplificador potência médio 350x advance - full range 1 amplificador potência grave 350x advance - full range 3 equalizadores alesis meq 230 1 aparelho de md (mini disk)

M a t e r i a i s

d e

s o m

18 microfones leson sm 58 6 microfones shure beta green 3.0 1 microfone nady 201 lapela 1 transmissor nady 1 fonte nady 4 cabos para compressor 16 cabos canon fêmea - p10 10 direct box 24 cabos canon-canon 20 pedestais modelo girafa

E q u i p a m e n t o s

d e

l u z

1 mesa melange nsi 128 canais - 8 submasters (sinal dmx) 39 dimmers boxes mod. 810 - 2000w por canal 32 planos fresnel 2000w 24 pc 2000w ( plano convexo/pc) 30 set light 1000w 35 elipsoidal 1000w 8 torres para 04 refletores em cada torre 32 pc 1000 w

THEATRO PEDRO II | 129

Fr e n t e
16 zoom elipsoidal 2000w mod. 7720

L a t e r a l
12 pontos no 1° pavimento p/ 2000w (refletor par/foco 2) - (6 em cada lado) 12 pontos no 2° pavimemto p/ 2000w (refletor par/foco 2) - (6 em cada lado) 2 canhões seguidores no terceiro pavimento Obs.: a iluminação lateral e a frontal são fixas.

S a l a

d e

d a n ç a

Equipamento de som 1 amplificador onix ac 800 1 tape deck duplo cassete w 515r

S a l a

d o

c o r e ó g r a f o

1 amplificador onix ac 800 1 tape deck duplo cassete w 515r

130 | THEATRO PEDRO II

S A L A

M E I RA

J Ú N I O R

Capacidade: 200 lugares

C e n o t é c n i c a
Boca de cena: 8,32 m Proscênio: 1,13 m Altura da boca de cena: 2,32 m

E q u i p a m e n t o

d e

l u z

1 mesa ditel 24 canais mod. Om 300 (manual) 03 submasters 2 dimmer boxes ditel mod. Om 800 12 canais cada 17 Refletores pc 1000w 17 2 Refletores elipsoidal 9 Set-light

E q u i p a m e n t o

d e

s o m

1 amplificador de potência retorno 350x advance – full range 1 tape deck duplo cassete w 515 r (teac)

B I B L I O G RA F I A

136 | THEATRO PEDRO II

CIONE, Rubem. História de Ribeirão Preto, III Volume. Ribeirão Preto: Editora Legis Summa Ltda, 1992. ____________IV Volume. Ribeirão Preto: Editora Legis Summa Ltda, 1995. CCICCACIO, Ana Maria. Theatro Pedro II – Espaço Reconquistado. Ribeirão Preto: São Francisco Gráfica e Editora, 1996. FARIAS, Isabel e PINHEIRO, Murilo. Theatro Pedro II. Ribeirão Preto: MIC Editorial Ltda., 1996. LEONE, Matilde. Theatro Pedro II – A Reconstrução. Ribeirão Preto: Souza e Sá Editora, 1996. Arquivos Arquivo Público de Ribeirão Preto Arquivo da Sociedade Lítero Musical de Ribeirão Preto Revistas Revista Revide, ano VII – nº2 – setembro, 1993. O Resgate de Uma cultura. Ribeirão Preto. Revista Arq Art, ano 2, nº 9. Theatro Pedro II – 1º Capítulo. Ribeirão Preto

THEATRO PEDRO II | 137

Entrevistas Francisco Pagano Regina Spanó Bibliografia Eletrônica www.suapesquisa.com/literaturabrasil www.clubedejazz.com.br www.30anosdehistoria.hpg.ig.com.br www.uol.com.br/modabrasil http://www.culturabrasil.org/revolucaode30.htm www.theatrosdobrasil.com.br http://www.pitoresco.com.br/art_data/art_nouveau/index.htm

E X P E D I E N T E
C o o r d e n a ç ã o E d i t o r i a l
Vide Editorial Revistas e Periódicos Ltda Rua Heitor Chiarello, 882 Ribeirão Preto - CEP 14020-520 Tel. (16) 3602-5200

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