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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Métodos de avaliação da potência muscular

Chantel C. Silva nº 28517


Filipe A. Mendes nº 26185
Luciana M. N. Fernandes nº 27494
Simone M. M. D. Reis nº 27514

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro


Licenciatura em Educação Física e Desporto Escolar
Fisiologia do Esforço I
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Resumo: A potência muscular é originada pela força e velocidade de contracção de um


músculo. Embora a potência muscular seja originada pelos mesmos factores que
intervêm na força muscular, o comprimento inicial das fibras musculares é
particularmente importante, já que quanto maior for essa longitude, maior será a
velocidade de produção da contracção. Para avaliarmos a potência muscular vamos
utilizar vários métodos de avaliação de potência muscular dos quais destacamos o teste
de potência de Margaria, o teste de Wingate, que é utilizado mais frequentemente em
desportos de combate, no caso do teste de 20/30/40/50 e 60 metros pode ser utilizado
em desportos onde ocorre deslocamentos laterais de velocidade como é o caso do
futebol, o salto em altura é uma modalidade que pode ser avaliada através do teste de
impulsão vertical, e por ultimo o teste de Rast, um teste que pode ser aplicado em
modalidades desportivas onde o atleta se desloca a ritmos intensos e intermitentes
como: o Futebol, o Futsal, o Basquetebol, o Andebol, e o Voleibol.

Palavra-chave: Potência muscular, testes de potência, Aeróbia, Anaeróbia

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Introdução:

Durante exercícios de alta intensidade, a ressíntese muscular de ATP deve ser realizada
rapidamente para prevenir a fadiga e manter a contracção muscular. Em muitas
actividades da vida do dia-a-dia, eventos desportivos ou actividades desportivas, a
contracção muscular intensa é necessária e muitas vezes ocorre de forma completa antes
de um aumento significante na respiração mitocôndrial. Para essas actividades, uma
grande capacidade de ressintetizar ATP, apesar de um baixo consumo de oxigénio, é
essencial para um desempenho ideal. Os pesquisadores têm tido dificuldades em medir
a capacidade de ressíntese de ATP não-mitocôndrial, ou seja a capacidade anaeróbia.
Entretanto, muitos métodos estão disponíveis para estimar esse componente da aptidão
física.
A potência muscular máxima e a capacidade anaeróbia são altamente dependentes da
idade, sexo, características morfológicas e do nível de condicionamento físico, sendo
que tudo isso deve ser levado em consideração durante um teste e a interpretação dos
seus resultados. Testes de potência muscular máxima podem ser conduzidos tanto no
terreno como em laboratório. Testes simples de potência muscular máxima envolvem a
quantificação e a comparação da performance desportiva durante series de exercício de
alta intensidade (por exemplo, subir escadas), enquanto testes de laboratório mais
sofisticados podem envolver equipamentos isocinéticos ou cicloergometros integrados a
computadores.
Os testes de potência muscular são classificados de acordo com a sua duração. Testes de
curta duração levam 10s ou menos, os testes anaeróbios médios levam entre 20 e 60s e
os testes mais longos tem duração de 60 a 120s. Cada tipo de teste reflecte
indirectamente uma medida da capacidade do indivíduo em regenerar um ATP durante
um determinado intervalo de tempo.
Nesse trabalho vamos abordar alguns tipos de teste de potência muscular (teste de
Margaria, teste de Wingate, testes Isocinéticos, teste de corrida de 20, 30, 40, 50 e 60
metros, teste de Impulsão Vertical, teste de Rast), definindo-os e explicando os seus
procedimentos.

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Potência Muscular

Segundo Carvalho C. e Carvalho A, (1997) por Potência (P) entende-se a razão entre
um determinado trabalho mecânico e o tempo em que é efectuado (P=W/t e expressa-se
em Joules/seg. ou Watts). Se a velocidade é o espaço percorrido em determinado tempo
(m.s-1), teremos então que P=W/t o que poderemos substituir por P=F.d.t-1. Daí
podermos formular que a Potência é igual ao produto da Força pela Velocidade
(P=F.V), ou seja, o produto da Força que um segmento do corpo pode produzir pela
velocidade desse segmento.
O conceito de potência é, deste modo, importante para o treino e está, naturalmente,
associado à curva f-v. A potência será, assim, o produto da força pela velocidade em
cada instante do movimento.1

Figura 1.

Teste de Potência de Margaria

O teste de margaria foi desenvolvido em 1960 e modificado por Kalamen. O protocolo


Margaria-Kalamen consiste em que o avaliado, a uma distância de 6 metros de uma
escada, corra e suba saltando 2 ou 3 degraus por vez para uma distância vertical total de

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Ver em anexo ficha de leitura nº. 1

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1,75 metros. Como essa distância pode ser percorrida em menos de 1 segundo,
cronómetros electrónicos são recomendados no primeiro e no último degrau.

A potência muscular calculada a partir da seguinte equação: potência (W)= {(massa,


kg)(deslocamento vertical, m)(9,8)}/(tempo, s) teste de Potência Muscular de Duração
Média. (Robert A. Robergs, PhD e Scott O. Roberts, phD (2002))

Teste de Wingate

Protocolo
O teste de Wingate consiste em 30 segundos de exercício de maxima
intensidade, equivalente a um valor superior de 2 a 4 vezes superior ao encontrado para
o VO2 máximo. É efetuado num um cicloergometro que possui uma resistência de atrito
contra um pêndulo com uma carga de 0,075kg por quilograma de peso corporal. Este
protocolo induz um notável nível de fadiga (perda na potência mecânica) desde os
primeiros segundos.
Geralmente o teste de Wingate é realizado com programas de computador avançados
que calculam a resistência necessária, em peso, sendo colocada na bicicleta ergométrica
e o monitoramento da frequência cardíaca mediante monitores de frequência cardíaca
que possam fornecer válidas e precisas informações para o avaliador, tais como
frequência cardíaca máxima e resultados de pico de potência (peak power), potência
média (mean power), resistência e índice de fadiga.

Procedimentos
Aquecimento: o ideal seria o aquecimento intervalado numa bicicleta ergométrica com
uma duração de 5-10 min ou pedalar entre 2-4 min com 2 ou 3 sprints de 4-8 seg. Após
o aquecimento o indivíduo que será avaliado deve repousar de 3-5 minutos para
eliminar suficientemente a fadiga a fim de realizar o teste em optimas condiçoes.

Teste: Ao sinal do avaliador, o avaliado deverá pedalar o mais rápido possível até
atingir a sua velocidade máxima para quebrar a inércia quando for aplicada a carga.
Assim que a velocidade máxima é atingida aplica-se a carga na bicicleta ergométrica e
cabe ao avaliador incentivar o avaliado a manter a velocidade durante 30 segundos para

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que os dados possam ser recolhidos. Não se pode aceitar um tempo de teste inferior a 30
segundos.

Recuperação: homens e jovens adultos recuperam mais lentamente


(aproximadamente 10 minutos) comparados aos adolescentes (em torno de 2 minutos).
Em caso de repetição do teste, recomenda-se uma recuperação de 20 minutos.(INBAR,
et al, 1996).
Segundo McArdlle, (1996) neste teste podemos obter:

- Capacidade anaeróbia, representada pelo trabalho total empreendido no teste;

- Potência máxima (peak power), esta é a potência mecânica mais alta gerada
durante qualquer período de 3 a 5 segundos do teste, representa a capacidade de gerar
energia dos fosfatos anaeróbios de alta energia;

- potência média (mean power), é a média aritmética da potência total gerada


durante os 30 segundos do teste, este reflecte a capacidade glicolítica;

- índice de fadiga, é o ritmo de declínio na potência em relação ao seu valor


máximo.

Em suma o teste de Wingate é um óptimo metodo para avaliar a potência anaeróbia de


atletas, principalmente em desportos que exijam força rápida e explosiva, (como são o
caso dos desportos de combate). Podendo ser utilizado como um auxiliar no
desempenho e evolução do atleta em períodos de treino.

Testes Isocinéticos

Os protocolos de testes isocinéticos para a determinação da potência média anaeróbia


são conhecidos pela possibilidade de testar grupos musculares específicos. A
capacidade de produzir um pico de força é indicativa da potência anaeróbia de um
indivíduo. Essa premissa é baseada em pesquisas que documentam relações
significantes entre o pico de potência e as proporções entre os tipos de fibras
musculares. Além disso, os testes isocinéticos podem ser utilizados para mudar a
produção de torque em diferentes velocidades. Presumivelmente, quanto maior o torque
em velocidades rápidas, maior a probabilidade para uma tendência nas proporções entre

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as unidades motoras com fibras de contracção rápida e maior o potencial para uma alta
potência muscular.(Robert A. Robergs, PhD e Scott O. Roberts, phD (2002))

Testes de corrida de 20/30/40/50 e 60 metros.

Objectivo: Medir a velocidade de deslocamento.


Contexto: Aptidão física relacionada ao rendimento desportivo.
Descrição: Correr a distância de 20/30/40/50 e 60 metros no menor tempo possível.

Desenvolvimento: Ao sinal do avaliador o participante deverá deslocar-se, o mais


rápido possível, em direcção à linha de chegada.
O cronometrista inicia a contagem do tempo a partir do contacto ao solo na primeira
passada do avaliado

Preparação:
O estudante parte da posição de pé, com um pé avançado a frente imediatamente atrás
da primeira linha e o tronco levemente inclinado à frente.

Avaliação dos resultados:


O tempo será registado em segundos e décimos de segundos.
Este teste de avaliação de potência pode ser importante no futebol porque os jogadores
dos corredores laterais utilizam a velocidade nos deslocamentos.2 (ANEXO IV da
Portaria MET, 2002)

Teste de impulsão vertical

A primeira técnica de salto vertical foi chamada de “Squat Jump” (SJ) ou salto partindo
da posição de meio-agachamento. O executante assumia uma posição estática de flexão)
dos joelhos a 90º, mãos na cintura, os pés paralelos com um afastamento confortável,
não era permitido um novo abaixamento do centro de gravidade (CG), sendo o
movimento apenas ascendente. Assim realizado, a energia potencial elástica acumulada

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Ver em anexo ficha de leitura nº. 6

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era perdida na forma de calor, devido a manutenção da posição estática assumida, e o


salto era realizado somente com a capacidade dos grupos musculares esqueléticos de
gerar uma força sem a utilização do CAE (Goubel, 1997; Komi & Bosco, 1978).
A segunda técnica de salto vertical chamada de “Counter Movement Jump” (CMJ), ou
salto com contra movimento, era permitido ao executante realizar a fase excêntrica e
concêntrica do movimento, a transição da fase descendente para a ascendente deveria
ser feita o mais rápido possível, desta forma o CAE poderia ser utilizado produzindo
uma maior geração de força, uma maior elevação do centro de gravidade (CG), com
uma maior eficiência mecânica (menor gasto energético).
Este teste poderá ser importante no atletismo, no caso da disciplina do salto em altura, e
também em alguns desportos colectivos como são o caso do basquetebol ou mesmo do
voleibol.3 (UGRINOWITSCH, C e BARBANTI, J., 1998)

Teste Rast

É um teste de campo, desenvolvido pela universidade de Wolverhampton, Inglaterra,


que serve para avaliar o desempenho anaeróbio (metabolismos aláctico e láctico) do
indivíduo, sendo similar ao Wingate Amaerobic Test (WANT – 30 segundos).
Lembrando que a capacidade anaeróbia é um componente essencial para algumas
modalidades desportivas, pois em determinados momentos da competição, há uma certa
exigência de um esforço máximo numa alta intensidade instantânea. Para isso, a
ressíntese muscular de ATP-CP deve ser realizada rapidamente para prevenir a fadiga e
manter a contracção muscular colaborando para o desempenho do atleta.
Importa dizer que a potência muscular máxima e a capacidade anaeróbia são altamente
dependentes da idade, sexo, características morfológicas e do nível de condicionamento
físico. Há comentários de que a potência máxima no teste seria a potência anaeróbia e a
potência média seria indirectamente a capacidade anaeróbia. Tanto as potências
máximas, médias como as mínimas, podem ser expressas em relação à massa corporal
(W.kg), o que permite a comparação entre sujeitos de diferentes massas corporais.
Sendo assim este teste pode ser aplicado em modalidades desportivas onde o atleta
desloca-se a ritmos intensos e intermitentes como: o Futebol, o Futsal, o Basquetebol, o
Andebol, e o Voleibol.

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Ver em anexo ficha de leitura nº. 5

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A preocupação com o controle de três períodos que regem a forma físico-desportiva de


um atleta [período preparatório (aquisição da forma desportiva), período competitivo
(manutenção da forma desportiva) e o período de transição (diminuição da forma
desportiva)], torna-se necessário, visto que o teste RAST será aplicado regularmente (3
a 6 semanas) durante a época. Os resultados obtidos devem ser sempre comparados com
os anteriores, visando determinar se o programa de treino planeado atinge os resultados
desejados4.

Procedimentos

1. Escolher um local plano e com marcações (inicio e fim) de 35 metros;


2. Usar ou não equipamentos de foto células (figura 1).
3. Verificar o peso (kg) do atleta antes do teste;
4. Realizar aquecimento prévio através de alongamentos e corrida leve – 10 minutos;
5. Após o aquecimento, uma recuperação activa de 5 minutos;
6. O atleta irá realizar 6 corridas completas com a distância de 35 metros na máxima
velocidade possível;
7. Descanso de apenas 10 segundos entre cada repetição;
8. Registar o tempo de cada corrida em segundos e centésimos;
9. Recuperação activa após as 6 corridas;

(Filho, D., s/d)

Conclusão: Podemos concluir que os métodos de avaliação de potência muscular são


importantes para avaliar a componente física de um determinado grupo ou grupos
musculares e elementares para um indivíduo ou atleta que queira obter resultados sobre
a sua condição em termos de potência. Ao longo do trabalho referimos diversos
métodos ou testes dos quais destacamos o teste de Wingate, o teste de Margaria, o teste
de impulsão vertical, o teste de Rast e os testes de corrida de 20, 30, 40, 50 e 60 metros.
Estes podem ser importantes em vários desportos como por exemplo os desportos de
combate, utilizados no teste de Wingate, o Futebol também pode ser utilizado nos testes

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Ver em anexo ficha de leitura nº. 8

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de corrida de 20, 30, 40, 50 e 60 metros porque efectuam a velocidade, ou seja nos
deslocamentos dos atletas que utilizam muito esse tipo de esforço durante um jogo.

Outros desportos como o Voleibol, Basquetebol e Andebol também podem ser


utilizados em alguns testes abordados. No caso do Salto em altura o teste de impulsão
vertical pode ser um método a utilizar nesses atletas.

Bibliografia

ANEXO IV da Portaria MET (2002). Protocolo de avaliações, nº 221.[pdf]:


http://www.cbtm.org.br/scripts/arquivos/ANEXO%201.pdf

Carvalho C. & Carvalho A. (s/d). Não se deve identificar força explosiva com
potência muscular, ainda que existam algumas relações entre ambas. Rev Port Cien
Desp 6(2) 241–248

Filho, D., (s/d). Running Anaerobic Sprint Test.Centro de actividade corporal.

GOUBEL, F. (1997). Series elastic behavior during the stretchshortening cycle. Journal
of Applied Biomechanics, v.3, n.4, p.439-43.

Horswill, C. A. (2000) Physiology and Nutrition for Wrestling, In: Perspectives in


Exercise Science.INBAR, O.; BAR-OR, O.; SKINNER, J.S. The Wingate Test.
Human Kinetics, 1996.

MCardle, D; et al(1996) Fisiologia do Exercício, 4ª edição. Guanabara Koogan S.A.

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Robert A. Robergs, PhD e Scott O. Roberts, phD (2002). Principios fundamentais de


fisiologia do exercicio para a aptidão desempenho e saude. Phorte Editora LTDA.

UGRINOWITSCH C., BARBANTI J. (1998). O ciclo de alongamento e


encortamento e a “performance” no salto vertical. Rev. paul. Educ. Fís., São Paulo,
12(1): 85-94, jan./jun 1998

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