Você está na página 1de 1
64 Altabetzagao e letiamento Sai, sobretudo, de natureza sociolingiifstica os estudos lingiiisticos que se vém desenvolvendo sobre a alfabetizacao. E que, estando o fracasso escolar em alfabetizacao macigamente concentrado nas criangas pertencentes as camadas populares, niio ha como negar que esse fracasso se deve, fundamentalmente, aos problemas decorrentes da distincia entre a variedade escrita do dialeto padriio e 08 dialetos nao padriio de que sao falantes essas criangas. Assim, tanto no Brasil quanto em outros paises, os estudos lingtifsticos sobre a alfabetizacao, partindo do pressuposto de que ha relagao entre lingua e estratificagao social, vem tentando descrever os dialetos de comunidades de fala, correlacionando-os com varidveis sociais, particularmente com a varidvel nfvel socioecondmico, ¢ contrastando- ‘os com a lingua escrita, para encontrar, nesse contraste, explicagdes das dificuldades que falantes pertencentes a determinados grupos sociais enfrentam, no processo de aquisicao da lingua escrita. Em outras palavras: os estudos lingiifsticos sobre a alfabetizagao vém tentando esclarecer, sobretudo, a questiio do ensino da modalidade escrita do dialeto padrao a falantes de dialetos no padrio — sio estudos sociolingiifsticos. Esses estudos tém sido predominantemente estruturais, isto é, t8m-se voltado sobretudo para a descrigdo das gramaticas de dialetos nao padrio ¢ seu confronto com a gramética da lingua escrita, ou seja: sao estudos que buscam. identificar as diferencas estruturais entre as gramiticas da fala e a da escrita — diferengas : texto foi publicado, mulipicaram- morfoldgicas, sintaticas e, sobretudo, as se 05 estudos sobre a aquisigio da diferencas entre o sistema fonol6gico € 0 | lingua escrita na perspective istema ortogriifico'. Sdo exemplos de estudos | estrutural; pode-se citar, entre sobre a aquisigio da lingua escrita na_ | muitosoutros: Luiz Carlos Cagliari Perspectiva estrtural os trabalhos de Labo | “Yetugae« Linge See (1972), Stubbs (1980), Bryant & Bradley | hip: si-ba-bu (Seipione, 1098), (1985), e, no Brasil, os de Kato (1978), Souza | Carlos Alberto Faraco, Escrita ¢ (1978), Silva (1981), Lemle (1982, 1983, 1987). alfabetizagdo (Contexto, 1992); PEE EOF cA el eaanObretetaL tacoma pn atom ao Marises Abuentg tizagdio numa perspectiva funcional tém sido | ‘Ntemaio de Lane Vovbe And ‘menos freqiientes, comecam apenas adespon- | Gomes de Morais, Ortografia tar na literatura tanto nacional quanto interna- | ensinar e aprender (Atica, 1998) e, cional; entretanto, os aspectos fincionais da | como organizador de coletinea, O aprendizagem da lingua escrita sao tio rele- aera da ortografia (Autta antes quanto os aspectos estruturais, Pode-se entender de duas maneiras uma perspectiva funcional da alfabetizagio, dependendo da interpretacdo que se dé & expressio “fungi da lingua escrita”. Em primeiro lugar, pode-se dar a palavra fiuncao o sentido de uso, papel, € enlo, a expresso “fungao da lingua escrita”, designaria os usos da escrita em determinada estrutura social, isto é, a fungdo social da escrita. Sob essa Na década seguinte & em que este id bal