Você está na página 1de 1
‘tabetwacco: 0 \desjaptencizagem dos funcées do escrta 67 (premissa que estudos sociol6gicos no permitem negar), pode-se seguramente levantar a hipétese de que as fungées atribuidas a0 uso da Iingua sero também diferentes, em classes sociais diferentes. Ou seja, hi uma diferenga de classe na relagdo entre uso da lingua e as expectativas prévias do falante, a respeito do interlocutor e do context. em Halliday (1973, 1975, 1978) ialliday & Hasan (1985) que se encontra mais claramente exposta essa perspectiva funcional da aquisicao e do uso da lingua, em diferentes classes Sociais. Segundo Halliday, as diferengas relacionam- se, essencialmente, com uma interpretagio funcional da lingua: a diferenga fundamental estaria na @nfase relativa posta nas diferentes fungoes da Kngua, Para Halliday, portanto, as diferengas linglifsticas nao sio somente estrutura mas sobretudo sociossemdnticas: as modalidades de fala sio padroes de significagdo que emergem, com intensidade diferente, em determinados contextos, particularmente os da socializagio primaria familiar eno grupo de pares). Tendo essa socializagio caracteristicas comuns numa mesma classe social (apesar da singularidade da experiéncia de cada individuo), ela determina as significagées que serio escolhidas em situagdes de interacao, F nesse mesmo quadro conceitual que Bemstein (1971) desenvolveu seu trabalho teérico e empirico a respeito das relagdes entre linguagem e classe social seu conceito de cédigo, em sua verso mais amadurecida, nio & 0 de variedades lingatsticas; cédigos sao principios que articular o uso da Iingua com os contextos sociais ou as situagies de interagia De certa forma, pode-se dizer que também Labov explicou diferencas lingufstieas entre individuos pertencentes a classes sociais diferentes como diferengas no modo de articular o uso da lingua com o contexto. Ao atribuir 0 uso ‘monossilibico da lingua por adolescentes negros a situacto de teste em que esse uso {oi solictado, por um adulto branco e desconhecido, Labov (1972) busea explicagdo numa selegao de registro, na terminologia de Halliday, ou de cédigo, nalterminologia de Bernstein, para as diferengas no uso da lingua (por mais estranhit que parega essa aproximagao entre Laboy e Bernstein)’. Que relagdo haverd entre as diferencas de fundies atribufdas a0 uso da lingua em diferentes classes sociais & 0 desempenho da crianca na escola? As diferengas estruturais entre 0 dialeto padrio ¢ os dialetos nio-padrao tem sido intensamente apontadas como caust do fracasso escolar das eriangas pertencentes 2s camadas populares, falantes daqueles dialetos ndo-padrio. Certamente nao se pode negar essa explicago, que ja tem sido comprovada cmpiricamente. Entretanto,na linha de raciocinio que se vem desenvolvendo nessa exposigdo, devem ser consideradas, além das diferengas de forma, também as diferengas de funcao. ‘A linguagem da escola a linguagem das classes favorecidas; a fimedes que predominam no uso que se faz da lingua na escola so aquelas que também predominam no uso da lingua por essas classes. A erianga pertencente as camadas