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Biografia de João Cabral de Melo Neto e análise de Morte e vida severina

Biografia de João Cabral de Melo Neto e análise de Morte e vida severina

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Pequena biografia do autor João Cabral de Melo Neto e análise da obra Morte e vida Severina.
Pequena biografia do autor João Cabral de Melo Neto e análise da obra Morte e vida Severina.

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Published by: Mariana Depoli on Oct 13, 2010
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João Cabral de Melo Neto Biografia

"Ele tem um lado popular que se chama João Cabral e tem um lado aristocrático que se chama Melo Neto. Então, ele é, um pouco, todo este universo conflitado e passou quarenta anos tentando resolver este conflito." Décio Pignatari João Cabral de Melo Neto nasceu na cidade de Recife - PE, no dia 09 de janeiro de 1920, sendo o segundo filho de Luiz Antônio Cabral de Melo e de Carmem Carneiro-Leão Cabral de Melo. Viveu parte da infância nos engenhos da família nos municípios de São Lourenço da Mata e de Moreno. Com o regresso da família ao Recife, ingressou no Colégio dos Irmãos Maristas, aos dez anos, onde permanece até concluir o curso secundário. Foi na Associação Comercial de Pernambuco, em 1937, que obteve seu primeiro emprego, tendo depois trabalhado no Departamento de Estatística do Estado. Já com 18 anos, começa a freqüentar a roda literária do Café Lafayette, ponto de encontro de intelectuais que residiam na capital pernambucana. Em 1940, Sua Família se transferiu para o Rio de Janeiro, onde se estabeleceu definitivamente no final do ano de 1942. A mudança para a então capital do país levou João Cabral a conhecer o poeta Murilo Mendes que o apresentou a Carlos Drummond de Andrade e ao círculo de intelectuais que se reunia no consultório de Jorge de Lima. Neste mesmo ano publica seu primeiro livro de poemas, "Pedra do Sono". Convocado para servir à Força Expedicionária Brasileira (FEB) é dispensado por motivo de saúde. Mas permanece no Rio, sendo aprovado em concurso e nomeado Assistente de Seleção do DASP (Departamento de Administração do Serviço Público). Publica Os três mal-amados na Revista do Brasil. O engenheiro é publicado em 1945, em edição custeada por Augusto Frederico Schmidt. No Rio, ainda no ano de 1945, inscreveu-se no concurso para a carreira de diplomata. Ingressando no Itamaraty, iniciou uma peregrinação por diversos países. Começa a trabalhar em 1946, no Departamento Cultural do Itamaraty, depois no Departamento Político e, posteriormente, na comissão de Organismos Internacionais. Em fevereiro, casa-se com Stella Maria Barbosa de Oliveira, no Rio de Janeiro. Em dezembro, nasce seu primeiro filho, Rodrigo. É transferido, em 1947, para o Consulado Geral em Barcelona, como vice-cônsul. Adquire uma pequena tipografia artesanal, com a qual publica livros de poetas brasileiros e espanhóis. Nessa prensa manual imprime Psicologia da

composição. Nos dois anos seguintes são marcados pelo nascimento de mais dois filhos, Inês e Luiz, respectivamente. Residindo na Catalunha, escreve seu ensaio sobre Joan Miró, cujo estúdio freqüenta.

Em 1950, é novamente transferido, só que desta vez para Londres onde permanece por apenas dois anos e publica a obra O cão sem plumas. Retorna ao Brasil após este curto período na Inglaterra para responder um inquérito onde é acusado de subversão. Escreve o livro O rio, em 1953, com o qual recebe o Prêmio José de Anchieta do IV Centenário de São Paulo (em 1954).. Arquivado o inquérito policial, a pedido do promotor público, vai para Pernambuco com a família. Lá, é recebido em sessão solene pela Câmara Municipal do Recife. Reintegrado à carreira diplomática pelo Supremo Tribunal Federal, passa a trabalhar no Departamento Cultural do Itamaraty. Já no ano de 1955 nasce sua quarta filha, Isabel, e recebe o prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras. A Editora José Olympio publica, em 1956, Duas águas, volume que reúne seus livros anteriores e os inéditos: Morte e vida severina, Paisagens com figuras e Uma faca só lâmina. È enviado para Barcelona, como cônsul adjunto, vai com a missão de fazer pesquisas históricas no Arquivo das Índias de Sevilha, onde passa a residir. É novamente transferido em 1958, desta vez para Consulado Geral em Marselha, na França. Recebe o prêmio de melhor autor no Festival de Teatro do Estudante, realizado no Recife. Publica em Lisboa seu livro Quaderna, em 1960. No mesmo ano se torna o primeiro secretário da embaixada. Em 1961 é nomeado chefe de gabinete do ministro da Agricultura, Romero Cabral da Costa, retornando assim para o Brasil e passando a residir na nova capital, Brasília, Com o fim do governo Jânio Quadros, poucos meses depois, retorna para Madri. A Editora do Autor, de Rubem Braga e Fernando Sabino, publica Terceira feira, livro que reúne Quaderna, Dois parlamentos, ainda inéditos no Brasil, e um novo livro: Serial. Com a mudança do consulado brasileiro de Cádiz para Sevilha, João Cabral muda-se para essa cidade, onde reside pela segunda vez. Continuando seu vai-evem pelo mundo, em 1964 é removido como conselheiro para a Delegação do Brasil junto às Nações Unidas, em Genebra. Nesse ano nasce seu quinto filho, João. Como ministro conselheiro, em 1966, muda-se para Berna. No mesmo ano de 1966, o Teatro da Universidade Católica de São Paulo produz o auto Morte e Vida Severina, com música de Chico

Buarque de Holanda. O auto foi representado em diversas cidades brasileiras, alcançando grande êxito e assim sendo também apresentado do exterior em cidades como, Nancy, Paris, Lisboa, Coimbra e Porto. Em Nancy recebe o prêmio de Melhor Autor Vivo do Festival. Publica A educação pela pedra, que recebe os prêmios Jabuti; da União de Escritores de São Paulo; Luisa Cláudio de Souza, do Pen Club; e o prêmio do Instituto Nacional do Livro. 1967 marca sua volta a Barcelona, como cônsul geral. No ano seguinte é publicada a primeira edição de Poesias completas. É eleito, em 15 de agosto de 1968, para a Academia Brasileira de Letras na vaga de Assis Chateaubriand. É recebido em sessão solene pela Assembléia Legislativa de Pernambuco como membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT). Tomando posse em 06 de maio de 1969, na cadeira número 6, sendo recebido por José Américo de Almeida. A Companhia Paulo Autran encena Morte e vida severina em diversas cidades do Brasil. É transferido novamente, desta vez para a embaixada de Assunção no Paraguai para atuar como ministro conselheiro.

Após três anos em Assunção, é nomeado embaixador em Dacar, no Senegal, cargo que exerce cumulativamente com o de embaixador da Mauritânia, no Mali e na Giné-Conakry. No ano seguinte publica Museu de Tudo, que recebe o Grande Prêmio de Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte. É nomeado embaixador em Quito, Equador e publica A escola das facas. A convite do governador de Pernambuco vai a Recife (em 1980) para fazer o discurso inaugural da Ordem do Mérito de Guararapes, sendo condecorado com a GrãCruz da Ordem. Onde é inaugurada um exposição sobre sua obra. No ano seguinte vai para Honduras, como embaixador. Publica a antologia Poesia crítica. Em 1982 vai para a cidade do Porto, em Portugal, como cônsul geral. Recebe o Prêmio Golfinho de Ouro do Estado do Rio de Janeiro. Publica Auto do frade e ganha o Prêmio Moinho Recife, em 1984 e, no ano seguinte, publica os poemas de Agrestes. "). Sua esposa, Stella Maria, falece no Rio de Janeiro, no ano de 1986. João Cabral reassume o Consulado Geral no Porto, e no mesmo ano se casa novamente, desta vez com a poetisa Marly de Oliveira. Em 1987 publica Crime na Calle Relator, poemas narrativos. Recebe o prêmio da União Brasileira de Escritores. È mais uma vez transferido, retornando assim para o Brasil. Publica Sevilla andando, em 1989 e no ano seguinte se aposenta da função de embaixador. A decisão de se aposentar se deve a descoberta anos antes de que sofria de uma doença degenerativa incurável, que faria sua visão desaparecer aos poucos. O poeta entra em depressão e sua segunda esposa, passa a escrever alguns textos

tidos como de sua autoria. É eleito para a Academia Pernambucana de Letras, da qual havia recebido, anos antes, a medalha Carneiro Vilela. No período entre 1991 e 1993 recebe outros prêmios e condecorações importantes, eles a Grã-Cruz da Ordem de Isabel, a Católica, do embaixador da Espanha e o Prêmio Jabuti, instituído pela Câmara Brasileira do Livro. O poeta morre no ano aos 79 anos em 1999, ano no qual se especulava que seria indicado ao Premio Nobel de Literatura.

Curiosidades sobre o poeta
• • João Cabral de Melo Neto não compareceu a nenhuma reunião da Academia Pernambucana de Letras como acadêmico, nem mesmo a sua posse João Cabral escreveu um poema sobre a Aspirina, que tomava regularmente, chamando-a de "Sol", de "Luz"… De fato, desde sua juventude João Cabral tomava de três a dez aspirinas por dia. Em entrevista à "TV Cultura", certa vez, ele contava que boa parte da inspiração (inspiração sempre cerebral) provinha da aspirina Pelo lado paterno o poeta era primo de outro poeta, Manuel bandeira e pelo lado Materno era primo do sociólogo e escritor Gilberto Freyre. Amante do futebol foi campeão juvenil pelo Santa Cruz Futebol Clube em
1935.


Cronologia das obras
“Pedra do sono", 1942 "O engenheiro", 1945; "O cão sem plumas", 1950; "O rio", 1954; "Quaderna", 1960; "Poemas escolhidos", 1963; "A educação pela pedra", 1966;

"Morte e vida Severina e outros poemas em voz alta", 1966; "Museu de tudo", 1975; "A escola das facas", 1980; "Agrestes", 1985; "Auto do frade", 1986; "Crime na Calle Relator", 1987; "Sevilla andando", 1989.

Estilo do autor
A poesia de João Cabral de Melo Neto se caracteriza pela objetividade na constatação da realidade e, em alguns casos, pela tendência ao surrealismo. Considerado parte da Geração de 45 se levado em consideração o fator cronológico, esteticamente afasta-se de outros autores e grupos do mesmo período

Morte e vida severina
Escrito entre 1954 e 1955, sendo publicado em 1956, Morte e vida severina é um poema dramático, que se tornou a obra mais conhecida de João Cabral de Melo Neto. Morte Vida Severina tem como subtítulo Auto de Natal pernambucano e tem inspiração nos autos pastoris medievais ibéricos, além de espelhar-se na cultura popular nordestina. É por esse motivo que, no poema, João Cabral usa preferencialmente o verso heptassilábico, a chamada "medida velha", ou redondilha maior, verso sonoroso e facilmente obtido. Morte e vida severina prende a atenção do leitor-ouvinte por combinar simplicidade e concentração, fortes imagens visuais e

auditivas com uma linguagem repleta de oralidade. Neste auto de Natal pernambucano, o autor trata da luta de Severino, um retirante do agreste, pela sobrevivência. Guiado pelo rio Capibaribe rumo ao litoral, Severino busca chegar à capital, almejando uma vida digna. Pelo caminho, depara-se com as diversas facetas da morte - causada pela seca; pela fome, que corrói as entranhas do país, e pela disputa por terras áridas. Ele tenta a todo custo fugir da destruição e corre em busca da perspectiva de dias melhores, mas a cidade grande revela uma realidade tão dura quanto a do sertão. Diante de tal situação e percebendo que para ele não há nenhuma saída, Severino chega ao seu limite e planeja o suicídio atirando-se da ponte sobre o rio Capibaribe, que o guiara até ali. Contudo, após presenciar o nascimento de uma criança (filho de José, o mestre "carpina", numa clara alusão ao nascimento de Cristo), reacende-se no coração do herói a esperança de vencer a vida "severina", e Severino acaba por desistir do suicídio e percebe que ainda existe alguma esperança em seu futuro e no de outros tantos Severinos. O poema está estruturalmente dividido em 18 partes onde o personagem se apresenta e passa a relatar sua trajetória e o encontro com outros personagens até sua chegada a Recife, sempre seguindo o rio Capibaribe, ou o "fio da vida" mesmo quando o rio lhe falta e dele só encontra a leve marca no chão crestado pelo sol. Pode se realizar outra divisão do poema a partir da temática em duas partes, sendo a primeira dos trechos 1 ao 9, e que consiste na viagem da Paraíba ao Recife; e a segunda compreendendo dos trechos 10 ao 18, nos quais aparecem as experiências vividas pelo retirante na cidade grande, onde sofridamente percebe que para ele não há nenhuma saída, a não ser aquela que presenciou no percurso: a morte. Mas acaba sendo salvo, por um acontecimento simples mais simbólico onde percebe que de alguma forma ainda há esperança.

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