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Hoje: A teoria do governo representativo

em Bernard Manin.

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Sumário:

 Introdução;

 Elementos do governo representativo e critérios para diferenciar


seus diferentes “tipos ideais”;

 Características de cada um dos tipos de governo representativo


(governo de notáveis; de partidos; democracia de público);

 Conclusão: uma agenda de reflexão sobre as instituições


representativas contemporâneas. (SEs; Partidos; Sistemas de
governo; modelos de democracia);

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Resumo do texto [atenção para a prova!!!.
Exemplo de resumo malfeito]

 O artigo afirma que a situação atual da democracia política se caracteriza pela


emergência de um novo tipo de governo representativo. Tendências recentes, tais
como as de enfraquecimento da identificação partidária, o declínio das plataformas
políticas e o papel cada vez mais importante de uma elite de "comunicadores" vêm
abalando o princípio do governo do povo. O artigo demonstra, porém, que o governo
representativo não foi concebido como uma forma indireta de governo do povo, mas
como um sistema político original, baseado em princípios distintos daqueles que
fundamentam a democracia. Além disso, muitos dos arranjos institucionais originais
do governo representativo praticamente nunca foram postos em questão. A
representação política mudou muito menos do que geralmente se supõe. É verdade
que os princípios permanentes do governo representativo tiveram conseqüências
diferentes conforme as circunstâncias em que foram postos em prática. Essas
diferenças deram origem a diversas formas de representação política. O artigo
constrói três tipos-ideais de governo representativo, mostrando que se pode entender
melhor a situação atual pela ótica da emergência de um novo tipo de representação.

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Introdução:
 Hoje: veremos um importante e influente texto do
Bernard Manin sobre As metamorfoses do governo
representativo

 Onde ele apresenta uma interessante teoria e um


modelo de análise para o estudo das “metamorfoses”
do governo representativo.

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Introdução:
 Sua tese central é a de que o que ele chama de
“governo representativo” tem uma estrutura formada
por quatro elementos básicos;

 E que essa estrutura não se manteve estática, mas


sofreu modificações e mutações ao longo do tempo.

 Não há “crise da representação”, mas uma


“metamorfose da democracia representativa”.

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Introdução:
• => A propalada “crise de representatividade” é na verdade a crise de
um dos modelos possíveis de governo representativo (a democracia
partidária), e não a crise do governo representativo (tout court)
[bastante diferente da democracia direta].

• => Outro ponto de partida dele, além da tentativa de testar este


diagnóstico difuso sobre a “crise da representação” são algumas
evidências presentes no funcionamento da democracia
contemporânea, tais como:
• a) a volatilidade do eleitorado e a ausência de identificação partidária;

• b) personalização do pleito eleitoral [“a estratégia eleitoral dos candidatos e


partidos repousa na construção de imagens vagas que projetam a personalidade
dos líderes”].

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Introdução:
 → Ele caracteriza inicialmente algumas modificações gerais do
GR/Governo Representativo em sua história que têm sido
enfatizadas pelos analistas convencionais:
 Ampliação do sufrágio universal em fins do século XIX e inícios do século
XX: 6

 Emergência de partidos de massa a partir do início do século XX;

 Importância dos programas políticos para a organização do debate


eleitoral;

 Estreitamento da relação de representação em decorrência de tudo


isso: “Os candidatos passaram a ser escolhidos pela organização
partidária, na qual militantes de base tinham a oportunidade de se
manifestar” (p. 6)

 Surgimento do “governo de partidos” fundados em coalizões partidárias


entre os novos partidos de massa emergentes e os partidos
conservadores modificados, predominantes anteriormente.
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Cap. 1) Os princípios do governo
representativo:
 (i) Os representantes são eleitos pelos governados;

 (ii) Os representantes conservam uma independência parcial


diante das preferências dos eleitores;

 (iii) A opinião pública sobre assuntos políticos pode se


manifestar independentemente de controle do governo;

 (iv)) As decisões políticas são tomadas após debate;

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Cap. 1) Os princípios do governo representativo:
Eleições dos representantes.

 Baseia-se na premissa consensual de que, de uma maneira geral, não


existe representação quando os governantes não são
periodicamente eleitos pelos governados;

 A eleição, nesse sentido, é basicamente um método de escolha dos


que devem governar [ou das elites governantes] e de legitimação de
seu poder: 8

 Outro requisito desse sistema eleito é que não é necessário que as


elites dirigentes sejam semelhantes, do ponto de vista sociológico,
aos cidadãos que os elegem. Ou, por outra: não há incompatibilidade
alguma entre representação e governo de elites.

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B) Independência parcial dos
representantes:
 Se traduz na rejeição de duas práticas que privariam os representantes
de autonomia de ação: os mandatos imperativos e a revogabilidade
permanente e discricionária dos eleitos (o “recall”).

 Ele afirma que nenhum dos “governos representativos” instituídos desde


o final do século XVIII admitiu este instituto, embora continue a
qualificar tais governos como “representativos”: 9

 Tais instruções ou mandatos imperativos vigoravam em democracias


estamentais tais como os Estados-gerais franceses, mas foram abolidas
pelos revolucionários em julho de 1789 [ele esquece de dizer: como uma
forma de subtrair as elites dirigentes ao controle dos senhores feudais
sem transferi-la de imediato ao controle do povo];

 Ele chegar a afirmar que alguns autores, tais como Rousseau e os


Federalistas, chegaram a formular uma distinção conceitual entre
governo representativo e democracia (o efetivo governo do povo) para
sistematizar tal diferença: 10

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C) Liberdade da opinião pública.

 Outro princípio-chave é o de que a opinião pública sobre


assuntos políticos pode se manifestar independentemente do
controle do governo, o que implica na obediência a dois
subprincípios correlatos:

 A) a publicidade e o acesso público às informações;

 B) A liberdade de expressão de opiniões políticas.

 Essa liberdade de opinião impede a “representação absoluta”


das elites dirigentes pelos cidadãos, para usar a expressão de
Hobbes, segundo os quais os cidadãos devem obediência
absoluta aos representantes eleitos e não podem divergir
deles.

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D) Debate parlamentar ou público
 Esse princípios indique que as decisões políticas da comunidade
são, num GR, tomadas após debate, embora tal debate possa ser
de várias naturezas. [= formação de uma esfera pública]

 → Em seguida, ele passa a caracterizar com mais detalhes três


subtipos de GR:
 Democracia ou Modelo Parlamentar de GR ou “Parlamentarismo” [sentido
análogo ao que Weber dá ao termo = democracia de notáveis];

 Democracia de Partidos, ou modelo partidário = democracias de partidos de


massas no século XX até o aparecimento das mídias;

 Democracia de/do Público = democracia que passa a emergir com a TV e o


uso do marketing político;

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Cap. 2) A democracia de notáveis:
 A) Eleições dos representantes, baseia-se nos seguintes princípios:
 Escolha de pessoas confiáveis;
 Importância das relações locais;
 Influência dos “notáveis”;
 B) Independência parcial dos representantes:
 O deputado ou representante vota segundo sua consciência, a partir dos
debates e discussões que se travam no parlamento;

 C) Liberdade da opinião pública:


 Não-coincidência das expressões eleitorais e não-eleitorais da opinião;
 Povo chega às “portas do parlamento”
 D) Debate parlamentar:
 Centralidade das discussões e dos debates travados no parlamento para as
decisões adotadas pela comunidade;

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Cap. 3) Características básicas da
“democracia de partido”:
A) Eleições dos representantes, se define a partir das seguintes
características:
 Há fidelidade do representante a um partido, embora relativa autonomia em relação
ao eleitor;
 Pertencimento a uma classe;
 Presença do “ativista” ou “militante”
B) Independência parcial dos representantes =
 Os líderes definem as prioridades dos programas
C) Liberdade da opinião pública =
 Há coincidência entre as expressões eleitorais e não-eleitorais da opinião;
 Presença da oposição;
D) Debate parlamentar =
 Discussão dentro do partido;
 Negociações entre partidos
 Neocorporativismo
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Cap. 4) Características básicas da “democracia de
público” [Imp! Nos estudos sobre mídia e política]:
(cf. p. 25 sobre as causas)
A) Eleições dos representantes => personalização da escolha eleitoral.
 Escolha de pessoas confiáveis;
 Presença do “comunicador”

B) Independência parcial dos representantes:

 Imagens determinam escolhas dos líderes;

C) Liberdade da opinião pública:

 Não-coincidência entre expressões eleitorais e não-eleitorais da opinião;


 Pesquisas de opinião;

D) Debate parlamentar:

 Negociações entre governos e grupos de interesse;


 Presença da mídia e do eleitor flutuante ou “volátil”.
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Conclusão: um quadro-síntese:

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Conclusão: uma agenda de reflexão sobre
as instituições representativas

 A partir destas reflexões do Bernard Manin, podemos definir uma


agenda de reflexão sobre as IR que é praticamente infinita;

 Nos concentraremos a seguir no funcionamento dos seguintes


aspectos do funcionamento das modernas democracias
parlamentares: sistemas eleitorais => partidos e sistemas
partidários => sistemas de governo e relações entre Executivo e o
Legislativo => poliarquias e modelos de democracia => o caso
brasileiro de uma perspectiva comparada.

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Próximas aulas:

 Introduziremos alguns conceitos básicos para


o estudo das democracias “representativas”:

 Sistemas eleitorais => partidos e sistemas


partidários => teorias que buscam relacionar
as duas dimensões => relações entre Executivo
e Legislativo e sistemas de governo.

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Referências bibliográficas:

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