Um mapa dos estudos de usuários da informação no Brasil

Carlos Alberto Ávila Araújo

RESUMO Apresentam-se os resultados de uma pesquisa que buscou mapear os estudos de usuários da informação publicados em sete periódicos brasileiros entre os anos de 1998 e 2007. Os periódicos analisados são: Ciência da Informação, Perspectivas em Ciência da Informação, Datagramazero, Informação & sociedade: estudos, Transinformação, Encontros Bibli e Em Questão. Foram identificados 190 artigos relacionados com estudos de usuários, dos quais 114 representam pesquisas empíricas realizadas com usuários da informação. Estes 114 artigos foram analisados em termos de: tipo de usuário estudado; tipo de fonte, sistema ou serviço de informação estudado; técnica de coleta de dados utilizada; procedência institucional dos autores dos artigos, autores citados. PALAVRAS-CHAVE: Usuários da informação. Mapeamento temático. Ciência da Informação.

11

Em Questão, Porto Alegre, v. 15, n. 1, p. 11-26, jan./jun. 2009

.

sujeitos esses tomados a partir Em Questão. a partir de que referencial. Para fins desta pesquisa. Para tanto. 1. todos presentes na lista de periódicos Qualis da Capes. Com isso. dos títulos e dos resumos (e. Os artigos selecionados a partir deste critério passaram a compor uma base de dados. p. essas pesquisas teriam que se utilizar de algum tipo de referencial teórico e também de alguma técnica ou instrumento de coleta de dados empíricos./jun. se constituírem em estudos de usuários. 11-26. da consulta ao texto do artigo) foram selecionados aqueles que possuíam algum tipo de relação com a temática relativa aos estudos de usuários da informação. sobre a qual se efetivou o trabalho. de busca. foram analisados previamente todos os artigos publicados nos referidos periódicos. eventualmente. 12 . como se estuda. etc). sem. ou sobre outras subáreas ou subcampos (área de fontes de informação. jan. Esses artigos foram excluídos da pesquisa. n. Os periódicos escolhidos para a análise. de sua relação (de necessidade. de uso) com a informação (seja a informação presente em fontes formais ou informais. chegouse a um conjunto de 114 artigos. Encontros Bibli (UFSC) e Em Questão (UFRGS). buscou-se identificar: . Datagramazero (IASI/RJ). sistemas ou instituições de informação). A pesquisa incluiu a análise de todos os artigos publicados em sete periódicos nacionais da área de Ciência da informação. Para tanto. Informação & sociedade: estudos (UFPb). percebeu-se que vários deles apenas tratavam da temática “usuários da informação”. serviço ou sistema de informação. todos eles representando estudos de usuários efetivamente realizados. A partir da indicação das palavras-chave. v. foram considerados estudos de usuários os artigos que apresentassem resultado de alguma pesquisa empírica realizada com algum grupo de sujeitos.1 Introdução Este texto apresenta os resultados de uma pesquisa¹ envolvendo o mapeamento temático da área de estudos de usuários da informação no Brasil. entre os anos de 1998 e 2007. discussões sobre a sociedade da informação. Nesse primeiro levantamento foram identificados 190 artigos. Porto Alegre. isto é. sejam serviços. com classificação “nacional”. Porém. quem estuda. 15. Para a realização da pesquisa. contudo. O objetivo da análise destes 114 foi compor um mapa dos estudos empíricos realizados com usuários da informação no Brasil: o que se estuda. Tratavam-se de artigos que faziam discussões teóricas e/ou conceituais tanto sobre a área de usuários (que foi o caso de poucos) como sobre a área de Ciência da Informação em geral. estudos empíricos com usuários da informação se relacionando com algum tipo de fonte. 2009 1 Este artigo traz os resultados de uma pesquisa financiada com recursos do programa de auxílio à pesquisa dos doutores recémcontratados da Pró-Reitoria de Pesquisa da UFMG. Transinformação (PUCCamp). enfoques cognitivos para o estudo da informação. Perspectivas em Ciência da Informação (UFMG). são: Ciência da Informação (IBICT).

d) a procedência institucional dos autores dos artigos. e. a criação de categorias que uniformizassem os itens e permitissem a contagem para o mapeamento da pesquisa na área. Ao mesmo tempo. 1982. analisadas a partir de uma contagem bibliométrica. depois.) da forma como foram encontrados nos artigos. Porto Alegre. vários artigos efetivamente faziam estudos de usuários. sem. 2009 A primeira organização dos dados revela a presença dos 13 . v. para a contagem geral. b) os tipos de fontes. Para a concretização dessas análises. ambiente ou atividade. Afinal. . jan. Existem diferentes critérios para se considerar o que é e o que não é estudo de usuários da informação. foram executadas duas tarefas: a primeira. estudos de usuários nos sete periódicos analisados em relação à sua distribuição no tempo e em relação a cada um dos periódicos estudados. contudo. proceder à realização de um estudo de usuários. na Tabela 1: Em Questão. mas se tratavam de estudos de discussão teórica ou revisão de literatura sobre usuários ou sobre algum tópico relacionado. de fonte de informação./jun. sistemas ou serviços de informação estudados. 15. Outros artigos apenas versavam sobre os estudos de usuários da informação. a partir de sua caracterização. p. n. “o âmbito dos estudos de usuários da informação não é bem delimitado e abrange desde os levantamentos de empréstimos em bibliotecas até pesquisas sobre o comportamento do usuário” (PINHEIRO. e) as referências bibliográficas dos artigos. 1. de levantamento de freqüência de cada item (tipo de usuário. p. embora não utilizassem essa terminologia.a) os tipos de usuários estudados. 11-26. c) as técnicas de coleta de dados utilizadas no estudo. Os dados são apresentados a seguir. etc. 2 Presença dos artigos sobre usuários nos periódicos analisados A maior dificuldade desta pesquisa consistiu exatamente em definir quando um artigo representa ou não a concretização de um estudo de usuários da informação. Muitos artigos possuíam a expressão usuários ou estudos de usuários nas suas palavras-chave.1).

os estudos de usuários tenderam a aumentar de volume com o passar dos anos. Outro dado significativo diz respeito à quantidade de artigos que trazem resultados de pesquisas empíricas com usuários da informação em relação às pesquisas que discutem aspectos teóricos. pois. embora seja também possível identificar um substancial aumento no decorrer dos anos. sociedade da informação. v. cidadania. o pico dos estudos foi o ano de 2003. p. Por um lado. jan. nem todos apresentam a mesma quantidade de artigos por volume ou de volumes por ano. uma comparação em termos absolutos Em Questão. o conjunto de estudos publicado na segunda metade do período (78 artigos) representa um volume muito maior (mais do que o dobro) do que a quantidade publicada na primeira metade (36 artigos). 1. Assim. metodológicos ou temáticos (vinculados a questões como novas tecnologias. etc. por ano Constata-se uma relativa irregularidade no volume da produção ao longo dos anos. Além disso. 14 . 11-26. deve-se ressaltar que eles não possuem o mesmo tempo de vida. Ou seja. 15. Tal fato corrobora apenas em . possuem menos volumes publicados do que os demais. no período de dez anos estudado. Porto Alegre. conceituais. Já em relação à presença desses estudos nos periódicos. que está na zona intermediária do período estudado – ano em que se verificou a publicação de 23 estudos de usuários. 2009 da quantidade de artigos em cada um não é adequada – seria preciso contabilizar o total de artigos publicados em cada um para se ter uma idéia da contribuição efetiva de cada periódico com a área de usuários da informação.ANO DE CI PUBLICAÇÃO 2007 2006 2005 2004 2003 2002 2001 2000 1999 1998 Total 0 4 2 6 12 6 4 4 3 0 41 PCI 5 2 1 4 0 2 1 2 2 0 19 DAT 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 4 TRA 1 0 2 0 1 0 0 0 0 0 4 I&S 1 3 2 2 7 1 2 3 2 2 25 EBI 4 6 1 1 0 1 0 0 0 0 13 EMQ 1 1 1 3 2 0 0 0 0 0 8 TOTAL 13 16 10 16 23 10 8 9 7 2 114 Tabela 1: Somatório dos artigos. Foram encontrados 76 artigos nessa situação. Alguns surgiram após o ano de 1998 – portanto. em relação aos 114 artigos que consistem em estudos empíricos com usuários. pode-se dizer que./jun.) relativos à área de usuários da informação. embora não tenha havido um crescimento progressivo e linear. n. Por outro lado.

uma vez que cada artigo apresenta uma descrição particular dos usuários analisados (professores de tal instituição. 18. de categorias profissionais. ou de suas atribuições nos encontrada no conceito de usuário apresentado por Dias e Pires (2004.. bem como nas categorias de usuários apresentadas também por estas autoras. p. A mesma autora. Esses foram os aspectos considerados para a análise dos tipos de usuários estudados nos vários artigos analisados. levanta também a existência de vários “estudos de comunidade” (1994. a partir de sua vinculação aos contextos: Em Questão. p. usuários de determinada biblioteca. 82. 3 Tipos de usuários Uma das preocupações da análise foi caracterizar o tipo de usuário estudado nas pesquisas empreendidas. Utilizou-se. p. Na década de 60 a ênfase foi para com os interesses dos tecnologistas. 1. Para isso. p. a seguir. contudo. os grupos de usuários estudados foram. A década de 70 tem sido dedicada aos estudos das necessidades dos cientistas sociais. a lista inicial de tipos de usuários. por exemplo. Pinheiro (1982. de que há muito mais pesquisa empírica do que reflexão teórica (FIGUEIREDO. a partir. RABELLO. Na mesma linha. 80) argumenta que. uma das quais se relaciona com os “objetivos por categorias socioprofissionais” (2004. etc). Figueiredo apresenta que: [. 1994. p. Visão semelhante pode ser 15 . tornou impossível a contagem de freqüência. 1) constata que estes estudos estiveram voltados prioritariamente para a comunidade envolvida com o fluxo de informação científica e técnica. . Porto Alegre.. 9). p. v. n. 1994. os usuários são tipologizados a partir de suas funções e/ou vinculações institucionais. frequentemente. os engenheiros.] de maneira geral. pois.7). os contextos de inserção ou as atividades dos usuários para o estabelecimento de categorias. que seriam estudos com uma população servida por determinada biblioteca e/ou serviço de informação. funcionários de tal setor de tal empresa. um desafio foi encontrar uma forma padronizada de caracterizar esses usuários. Os usuários foram identificados. 15. p. p. bem como os educadores. 51). jan. Para tanto buscou-se na literatura da área suporte para a criação de categorias de caracterização dos usuários.parte a percepção mais geral do campo de estudos de usuários. como critério. 9). p. 1980. Lima (1994. e dos altos escalões da administração governamental (FIGUEIREDO. p. 11-26. primeiramente. os cientistas das ciências puras. 1994. utilizando-se a designação apresentada nos próprios artigos. LIMA. 65)./jun. 2009 ambientes de trabalho em que atuam. nos estudos de usuários. Afinal.

O resultado da aplicação desta “grade de leitura” sobre os tipos de usuários da informação aos dados encontrados é apresentado a seguir. pacientes de determinado serviço de saúde. 11-26. portadores de necessidades especiais. p. estava sendo contabilizado de forma separada para atividade de pesquisa e ensino. d) escolares. como saúde. Para categorizá-los. Neste caso. g) de atividade política institucionalizada. São estudos com idosos. Cumpre destacar também que alguns estudos não definiam um tipo específico de usuários. entre outros. 1. Nela estão agrupados estudos em que os usuários não estão vinculados nem a uma atividade particular. os estudos tenderam a contemplar os vários tipos de usuários que buscavam ou usavam essa fonte ou sistema de informação./jun. Porto Alegre. 15. b) técnicos e profissionais. mas vários. O contexto acadêmico. No contexto denominado profissional apareceram usuários de informação atuando em vários setores. e nem chegam a se constituir como uma comunidade territorialmente identificada. nem a um contexto institucional ou fazer profissional. Optou-se ainda por uma categoria denominada geral. jornalístico. jurídico. Pensou-se em separar os vários contextos profissionais. tos ou atividades diferentes. No início da pesquisa. uma vez que vários usuários que atuam no nível superior desempenhavam atividades tanto de ensino como de pesquisa. n.a) acadêmicos (ensino superior e pesquisa). Isso se deu em muitos casos em que o foco da análise esteve voltado para uma fonte ou sistema de informação específico. e os estudos de usuários contemplavam as duas atividades. e) comunitários. tomados em contexEm Questão. mas haveria uma freqüência muito pequena para cada um. f ) rurais. jan. trabalhou-se com outras categorias de âmbito de atuação dos usuários (por exemplo. v. contudo foi agrupado depois. c) empresariais e comerciais. 2009 . foi criada a categoria “vários”. h) dos movimentos sociais. i) propriamente organizacionais (vinculados às rotinas e tarefas no âmbito de alguma instituição). na Tabela 2: 16 . sindical) que foram abandonadas em função da baixa freqüência e agrupadas em outra categoria já criada. por exemplo.

28%. adota-se a conhecida divisão entre fontes primárias.Tipo de usuário Acadêmico Profissional / técnico Geral Empresarial / comercial Escolar Organizacional / sindical Comunitário Vários Rural Político Movimentos sociais Freqüência absoluta 38 16 14 13 9 7 6 5 2 2 2 Freqüência relativa (N=114) 33.75% 1.40%.26% 4. etc). 1. 11-26. no Brasil. com 11. respondendo por 33. 2009 17 . ainda. Adotam-se critérios diferenciados para considerar o que é fonte de informação. 4 Tipos de fonte de informação buscada Outra questão estudada na presente pesquisa refere-se ao tipo estudados. Algumas vezes consideram-se os suportes informacionais (impresso. quase a metade. 1988). percebeu-se a existência de três fatores que tornaram difícil o trabalho de categorização.40% 7. ou seja. como a visão de Choo (2003) que as divide em quatro Em Questão.89% 6. Aqui. com 14.03% 12. aparecem os estudos com usuários vinculados a atividades empresariais ou comerciais. de pesquisa) ainda é o setor privilegiado no âmbito dos estudos de usuários da informação. CAMPELLO. juntos. E./jun. O primeiro diz respeito à verificação de uma certa confusão conceitual quanto aos tipos de fonte de informação. 1994) vêm tendo. com 12.38% 1. Outras vezes. também em conformidade com as tendências da área. de fonte. em quarto lugar. MENOU. mostrando que usuários tradicionalmente não contemplados na pesquisa da área (GUINCHAT. principalmente. 15. secundárias e terciárias presentes em várias obras que apresentam as várias fontes de informação (CUNHA. digital. CAMPOS. Em seguida.28% 11. estão os estudos com usuários estudados a partir de sua atuação técnica ou profissional.75% 1. p.33% 14. audiovisual. jan. um terço.75% Tabela 2: Freqüência dos tipos de usuários estudados Os dados encontrados evidenciam que o ambiente acadêmico (educacional.33% dos estudos. 2001.03%. mas. Em terceiro aparece a categoria geral.14% 5. n.36% dos estudos. Os dois primeiros. quadros analíticos propostos por diferentes autores. uma atenção importante dos estudos empreendidos. diretamente vinculados à origem da área de usuários (a área de ciência e tecnologia) respondem. ou seja. por 47. serviço ou sistema de informação buscada pelos usuários . v. Porto Alegre. Consideram-se.

biblioteca digital. frequentemente dá-se peso diferente. quando não houve especificação (fontes impressas. 11-26. 2009 . p. Há muitos estudos que estudam usuários se relacionando com várias fontes ou sistemas de informação. obras de referência) ou deixar de forma geral. no estudo. 15. de um tipo de fonte. sem especificações que poderiam ser utilizadas./jun. buscou-se a especificação. como site institucional ou biblioteca digital. com unidades de informação (bibliotecas. etc). para o uso de uma ou de algumas dessas fontes. Além disso. E ainda há o terceiro fator. O segundo fator relaciona-se com o fato de diversas vezes se estudar os usuários de informação se relacionando com fontes específicas de informação (por exemplo. sempre que possível. 1. há uma pluralidade terminológica imensa em relação às fontes em meio digital (site. n. e considerando-se a freqüência do que foi encontrado. enciclopédias. No caso dos meios digitais. centros de documentação. portal. Quando os estudos consideravam mais Em Questão. optou-se pela marcação da opção “várias”. trabalhou-se com uma listagem que previa a ocorrência de certo conjunto de tipos de fontes. centros de documentação. uma determinada base de dados. É comum. por exemplo). na Tabela 3: 18 . então. jan. v. O somatório geral é apresentado a seguir. Apesar disso. quando indicadas (periódicos científicos. Além de contemplar essa pluralidade. o site de uma instituição. Optou-se por separar biblioteca de outras unidades de informação (arquivos. um periódico científico). etc) ou. etc) e ainda de instituição (considerando-se todos os outros tipos de instituições que não aquelas que trabalham especificamente com informação). por exemplo. Tudo isso dificulta um trabalho de categorização como o realizado nesta pesquisa. enciclopédias. intranet. com outras pessoas (canais informais) ou mesmo instituições que não sejam instituições de informação. Porto Alegre. Optou-se por contabilizar a freqüência de tipos específicos de fontes. fontes pessoais e impessoais.tipos a partir de dois critérios: fontes internas e externas (a uma instituição ou organização). ver a utilização do termo “Internet” abrangendo um leque muito amplo de fontes.

site obteve a quinta maior freqüência. O estudo de usuários buscando informação por meio dos canais informais. com 6. PASSOS. NILAN. CUNHA. jan.63% 1. FERREIRA. 2009 representou 9. Porém.75% 1. 2007). 11-26. v. que privilegiavam o estudo de uso de bibliotecas (FIGUEIREDO.50% 2.daí a designação comum “estudos centrados nos sistemas” (DERVIN.FONTE Várias Instituição Biblioteca Pessoas / canais informais Site Internet Bases de dados Outros Periódicos Outras unidades de informação Documentos Fontes em meio digital FREQÜÊNCIA 28 21 20 11 7 6 5 5 4 3 2 2 FREQÜÊNCIA RELATIVA (N=114) 24. tentou-se estudar todas as fontes de informação utilizadas por um grupo particular de usuários.56% 18. correspondendo a praticamente um quarto dos artigos (24. E ainda.56%). 7) – estas alcançaram uma freqüência de 17. 1995). 2000) . que obteve a sexta.14%. tanto aquelas destinadas ao trabalho com a informação com as que não estão.75% Tabela 3: Freqüência dos tipos de fontes de informação estudadas O dado mais importante dessa tabela diz respeito à freqüência obtida pela categoria várias.64% 6.14% 5. 15. 1986.54% 9.42% 17. indicando ainda ser uma temática bastante presente nos estudos. 1.38% 4.26%. 19 .54%. p. temática originada com os estudos em proEm Questão. Já a fonte de informação mais estudada nos artigos analisados foi instituição. os artigos analisados nesta pesquisa tenderam a contemplar usuários se relacionando com várias fontes de informação – em alguns casos. p. 1994.64%. com 5. Uma análise geral dos dados permite perceber que os estudos estão prioritariamente voltados para as instituições.42%. ficando em terceiro lugar. confirmando a crescente tendência de se estudar as fontes de informação em meio digital (BAPTISTA. o que mostra uma ampliação do leque original dos estudos de usuários. n. Fontes de informação específicas e serviços de informação são bem menos estudadas nos artigos analisados. dução e comunicação científica (MUELLER. seguida de internet. com 18.26% 4./jun. a área de usuários da informação se constituiu como estudo de uso de determinada fonte ou sistema . Historicamente. Porto Alegre.38% 3.

v. usou-se como referência principal a categorização de Figueiredo. entrevista. Lima.] quando os estudiosos do comportamento de busca da informação perceberam que as pesquisas com métodos quantitativos não contribuíam para a identificação das necessidades individuais e para a implementação de sistemas de informação adequados a essas necessidades” (BAPTISTA. CUNHA. o tradicional. 10-13). 15. Os principais métodos utilizados nos estudos de usuários da informação. 2009 (inseridos no paradigma tradicional).. “[. 177). . entre as décadas de 1960 e 1980. Porto Alegre. E avaliam que. Essa categorização dos estudos. identificou que “a maioria das dissertações utiliza questionários enquanto uma parte menor alterna questionários e entrevistas” (1994. encontra expressão na divisão do campo proposta por Dervin e Nilan (1986). analisando sete dissertações que consistem em estudos de usuários. que privilegiavam o uso de questionários. 20 . orientado para os usuários (e que tende para o uso de técnicas qualitativas). 2007.. observação e análise de conteúdo. 58). CUNHA. orientado para os sistemas (e que tende a escolher técnicas de coleta de dados quantitativas) e o alternativo. conforme Figueiredo. caracterizando-se. controle da interação do usuário com o sistema computadorizado. Para a categorização dos instrumentos de coleta de dados encontrados nos artigos. jan. os autores apontam a segunda metade da década de 1980 em diante como um período de maior incidência de estudos qualitativos./jun. p. p. “[. entrevista. p. diário. p. Continuando a avaliação. como aqueles que se utilizam de abordagens quantitativas e qualitativas. p. pela utilização de técnicas estatísticas” (BATISTA. são: questionário. voltados para o uso de entrevistas e observação. uso de dados quantitativos e técnica do incidente critico (1994. 170). Por fim.5 Técnicas de coleta de dados Outro dado analisado nos estudos de usuários foi a técnica de coleta de dados utilizada. Já Batista e Cunha (2007) apontam quatro métodos como os principais instrumentos de coleta de dados em estudos de usuários: questionário. 2007. tornaram-se mais significativos a partir do final da década de 1970. para quem o campo de estudos de usuários é dividido em dois paradigmas. predominaram os estudos de natureza quantitativa. análise de tarefas. com algumas modificações.. enquanto os últimos (paradigma alternativo). Os autores identificam o questionário como o método primordial em pesquisas de natureza quantitativa. p. observação direta. 173). n. 1. Os autores também apontam que os primeiros Em Questão. e a entrevista e a observação como os principais métodos em pesquisas qualitativas (2007.] tanto na fase de coleta de dados quanto no seu tratamento. tiveram maior incidência nas décadas de 1960 e 1970.. 11-26.

técnicas de amostragem e definição sistemática de variáveis (MARCONI. como preferem Baptista e Cunha). equivalente ao controle da interação com o computador). de predominância do questionário como principal técnica de coleta de dados em estudos de usuários.75%). percebe-se ainda uma incidência pequena nos artigos analisados (apenas 1. v. p.59% 25. que têm. usuários da informação.14% 5.59%). n. com 25. foi utilizada em apenas 7. entrevistas. Ao mesmo tempo. os questionários. mostramse semelhantes ao padrão geral das pesquisas nas ciências sociais e humanas. Os resultados são apresentados na Tabela 4: Classificação da coleta Questionário Entrevista Análise documental Observação Intervenção Análise de log Vários Testes Grupo focal Freqüência 44 29 10 8 7 6 6 2 2 Freq. no que diz respeito aos procedimentos de busca de dados empíricos para a condução das pesquisas. etc. com uso em mais de um terço dos estudos analisados (38.26% 1. intervenção (implicando ações como realização de oficinas. guardadas suas especificidades. como citado acima. 11-26./jun. A observação. história oral. com 8. 15.01% 6. também confirmando a avaliação dos autores citados anteriormente. enquetes. 1999).43%.Inseriram-se as categorias de análise documental (incluindo o uso de dados quantitativos.26% 5. Em alguns casos. por outro lado. o que gerou a categoria outros. como denomina Figueiredo. p. Porto Alegre.43% 8.75% 1. LAKATOS. . 176). jan. observação e análise documental (LAVILLE. análise de log (na verdade. por parte do pesquisador) e grupo focal. perfazendo um total de nove métodos.75% Tabela 4: Freqüência das técnicas de coleta de dados utilizadas nos estudos Confirma-se a tendência observada por vários autores. 1.77% 7.77%. Em segundo lugar está a entrevista. os estudos de 21 . Verifica-se. Embora Baptista e Cunha avaliem que os testes de usabilidade estejam sendo cada vez mais freqüentes (2007. como principais instrumentos. 2009 Conclui-se que. 2004) também são procedimentos ainda subutilizados nas pesquisas com usuários da informação. entre outros. que não são utilizados instrumentos como a coleta de histórias de vida. a etnografia. DIONNE. Em Questão. ou análise de conteúdo. ensino.01% dos artigos analisados. não foi possível uma identificação segura do método de coleta de dados pelos dados apresentados no artigo. sempre citada como importante método de estudo. Relativa (N=114) 38. A análise documental aparece em terceiro.

com 16.5 8. trabalhou-se separadamente com os dois tipos de vínculos. outros. independentemente do número de autores – de forma a se calcular a produtividade das instituições de vinculação./jun. Para trabalhar adequadamente com os dados.22% da produção.57% 5.5 cada uma das instituições.21% 7. como forma de tentar identificar pesquisadores e instituições com maior incidência de realização de estudos de usuários.6 Vinculação institucional dos autores Buscou-se identificar também a vinculação institucional dos autores dos artigos. 2009 FREQÜÊNCIA 29 18. n.5 8 7. outros.63% 1. contabilizou-se o artigo na categoria outros. v. optou-se por trabalhar atribuindo-se apenas uma freqüência para cada artigo. apresentavam as duas. pontuou-se com 0.63% 2. Alguns autores apresentavam apenas a primeira.70% 2. Essa tarefa esbarrou na dificuldade de se lidar com os dois tipos comuns de vinculação institucional: a vinculação acadêmica (formação principalmente no nível de pós-graduação) e vinculação profissional. O somatório é apresentado a seguir: FONTE Outros UFMG UFRGS UFPb UFSC Em Questão. jan. Porto Alegre.01% 6.75% 1. aparecem a UFRGS 22 . 15. No caso de mais de duas instituições envolvidas na produção do artigo. 1. 11-26. Para tentar equilibrar possíveis distorções.22% 11.75% .45% 7. ainda. Uma variável importante nessa contagem foi o hábito diferenciado de realização de trabalhos em equipe em algumas instituições. apenas a segunda.5 13.75% 1. USP IBICT/UFRJ Udesc UnB Puccamp Unesp UFBA UFC Tabela 5: Vinculação institucional dos autores A instituição que alcançou o maior valor na produção de artigos de usuários da informação no universo estudado foi a UFMG. em termos da quantidade de artigos (e não de autores) produzida. aumentando seu “peso” no total da produção de cada instituição. Há artigos de autoria múltipla (até de 11 autores) que poderiam incidir fortemente sobre a contagem de determinadas instituições. No caso de artigos com autores de duas instituições diferentes.5 3 3 2 2 2 FREQÜÊNCIA RELATIVA (N=114) 25.43% 16. p.84% 9.5 6.5 10. A seguir.

11-26. 162 em Em Questão e 440 em Informação & sociedade: estudos. Porto Alegre. UFES. UFMA). a empresas. Embrapa) e. quanto a instituições de pesquisa (Fiocruz. 347 em Perspectivas em Ciência da Informação. Foram encontradas 2110 referências bibliográficas nos artigos coletados. Identificou-se uma imensa dispersão de autores citados.70%.com 11. Dez delas com programas de pós-graduação em Ciência da Informação e duas não (UDESC e UFC).01% e. foram contabilizadas ainda as referências bibliográficas de todos os artigos analisados. uma relativa concentração dos pesquisadores da área de usuários nas instituições de formação em nível de pós-graduação mas. bibliotecas de prefeituras. São autores vinculados tanto a instituições de ensino superior (UFPE.57%. órgãos legislativos. Autores vinculados a outras instituições que não as 12 primeiras somaram 25. em sexto. Ferreira V. 33 em Transinformação. escritório de advocacia. 1. Saracevic M. com 6. Nilan T. . 7 Autores mais citados nos artigos Por fim. n.21%. Figueiredo A. 300 em Encontros Bibli. Freire R. Todas essas instituições possuem programas de pósgraduação em Ciência da Informação. Os autores mais citados são listados no Quadro 1: AUTOR R. pois. entre outros.45%. Araújo CITAÇÕES RECEBIDAS 20 14 14 14 13 13 12 12 11 11 10 10 Em Questão. 70 em Datagramazero. Barbosa P. assim distribuídas: 758 em Ciência da Informação. ao mesmo tempo. Choo I. com seu convênio com a UFRJ. ainda assim. ainda. a UFPb com 9. 12 instituições tiveram mais de dois artigos publicados. Bourdieu B. a prática de realização de estudos de usuários em contextos profissionais e técnicos. 15. jan. a UFSC com 7. No total. o IBICT. Percebe-se./jun. A exceção é a UDESC que. v. no âmbito de instituições de informação e até mesmo em instituições que não são instituições propriamente de informação.84%. p. sendo que 65 deles obtiveram mais de quatro citações. Marteleto N. Davenport S. Barreto C. alcançou a importante marca de 5. Dervin T.43% da produção. a USP com 7. 2009 18 Quadro 1: Autores mais citados nos artigos 23 .

não causou surpresa a maior ênfase em estudos com usuários do ambiente acadêmico universitário (de ensino e pesquisa). por um lado. como os autores mais citados. ambas com 10 citações. vários resultados são inéditos. Ricardo Barbosa. por exemplo. não contempladas ainda nas revisões de literatura do campo. Contudo. com características específicas da pesquisa brasileira e. Aldo Barreto e Isa Maria Freire. . perceber que instituições em geral. Dois sequer são da área de Ciência da Informação: Pierre Bourdieu e Thomas Davenport. 24 . e Sueli Mara Ferreira e Vânia Hermes Araújo. e esse fato pode estar envolvido. escritórios. com 13 citações. três não trabalham com usuários da informação. De um lado. Porto Alegre. Curiosamente. A maior utilização de questionários também não representou uma novidade. contudo. v. com 18. 1. centros de documentação. isto é. os pesquisadores brasileiros Regina Marteleto. instituições que não constituem instituições de informação (empresas. são discrepantes. as práticas de auto-citação não foram eliminadas do estudo – talvez. indústrias. Por outro lado. Mais do que isso. 8 Considerações finais Os resultados apresentados neste texto apresentam um amplo panorama de como está a pesquisa brasileira na área de usuários da informação. entre os autores mais citados. autor que trabalha no Canadá e que já esteve no Brasil. por outro. órgãos públicos e bibliotecas (para além da grande incidência de produtividade entre pesquisadores vinculados a programas de pós-graduação em Ciência da Informação) também foi um achado inovador desta pesquisa. n.Destacam-se. 2009 a empresas. autores de um trabalho clássico da área publicado em 1986. com tendências mais contemporâneas das pesquisas. Evidenciou-se um peso maior dos autores brasileiros em relação aos estrangeiros. 15. Muitos dos resultados encontrados confirmam as tendências apontadas na literatura. p. Merece destaque também o conjunto de citações recebidas pelos autores Brenda Dervin e Michael Nilan. os autores mais citados. contudo. com 20 citações. jan. Muitos outros. 11-26. mas o alto índice de produção de pesquisa por parte de autores vinculados Em Questão. o mais citado foi Chun Wei Choo. Entre os pesquisadores estrangeiros./jun. se tivessem sido. ambos com 14 citações. porque problematizaram questões que ainda não haviam sido estudadas ou analisadas pelos teóricos da área – como. arquivos) foi uma grande surpresa. os resultados teriam sido outros. Nice Maria Figueiredo. etc) são mais focalizadas nos estudos do que instituições que lidam especificamente com informação (tais como bibliotecas. com 14 citações.

Informação & sociedade: estudos. Information Science. A map of the information user studies in Brazil ABSTRACT This article presents the results of a research made to map studies on information users published in seven Brazilian journals from 1998 to 2007. Ciencia de la información. The journals analyzed are: Ciência da Informação. entre outras) possam ser enriquecidas com os resultados aqui encontrados. jan. e acredita-se que principalmente a prática de pesquisa e a prática de ensino nas disciplinas de usuários da informação. Museologia. sistema o servicio de información de estudio. nas várias instâncias em que ocorrem (cursos de graduação em Biblioteconomia. desde a própria definição do que são estudos de usuários quanto as categorizações de tipos de usuários. We identified 190 articles related to information users. n. Espera-se que esse estudo tenha contribuído para a tentativa de consolidação destas categorias e que se some a outros estudos do gênero. 1. Datagramazero. Enfim. of which 114 represent empirical researches done with information users. Encontros Bibli and Em Questão. Transinformação. teses e dissertações) para um quadro mais completo da pesquisa da área./jun. 15. kind of information resource. institucional origin of the authors. relatórios de pesquisa. authors cited. origen institucional de los autores de los artículos. PALABRAS CLAVE: Usuarios de la información. de los cuales 114 representan la investigación empírica realizada con los usuarios de la información. Thematic mapping. os dados aqui apresentados permitem visualizar um perfil do que se tem feito no campo de estudos de usuários no Brasil. This 114 articles were analyzed in terms of: kind of user studied. Informação & sociedade: estudos. . los autores citados. 25 Em Questão. Sistemas de Informação.Para além dos resultados específicos atingidos com esse estudo. Perspectivas em Ciência da Informação. cursos de pós-graduação em Ciência da Informação. Datagramazero. 11-26. p. KEYWORDS: Information users. tipos de fontes de informação. Porto Alegre. instrument of research used. Se identificaron 190 artículos relacionados con los estudios de los usuarios. Trazado temático. Estos 114 artículos fueron analizados en términos de: tipo de estudio de usuarios. Las revistas analizadas son: Ciência da Informação. técnicas de recolección de datos utilizados. Transinformação. Perspectivas em Ciência da Informação. system or service studied. RESUMEN Presenta los resultados de una investigación para trazar un mapa de los estudios de usuarios de la información a partir del análisis de siete revistas brasileñas entre los años 1998 y 2007. Arquivologia. 2009 Un mapa de los estudios sobre los usuarios de la información en Brasil . el tipo de fuente. Encontros Bibli y Em Questão. deve-se apontar para a necessidade de novos estudos que considerem outros tipos de produção bibliográfica (livros. A inconsistência teórica do campo também contribui para a fragilidade das categorias construídas para a análise. v. etc.

Belo Horizonte: UFMG. Sofia. LAKATOS. Metodologia científica. Murilo. PINHEIRO.. P. Michael. Brenda. Londrina: Embrapa-CNPSo. CUNHA. 1986.com. jan. 2007. CAMPOS. FIGUEIREDO. 11-26. Brasília: Depto. DIAS. 2004. 1988. 168184. Claire. Ill. NILAN. v. Rio de Janeiro: LTC. Suzana. 1982. A organização do conhecimento: como as organizações usam a informação para criar significado. MENOU. Aproximação crítica à teoria dos estudos de usuários de bibliotecas. Martha E.br Recebido: 19/04/2009 Aceito: 05/07/2009 26 . São Paulo: Atlas. Os usuários. 1994.ufmg. 2. PIRES. 2009 . In: ____. 1980. maio/ago. construir conhecimento e tomar decisões. Michel. LIMA. CHOO. In: WILLIAMS. Porto Alegre. Perspectivas em Ciência da Informação. v. Carlos Alberto Ávila Araújo Doutor em Ciência da Informação / UFMG Professor adjunto da Escola de Ciência da Informação /UFMG E-mail: casalavila@yahoo. v. Análise do campo de conhecimento relativo a usuários de biblioteca. Brasília: IBICT. 1994. 3-33. RABELLO.Referências BAPTISTA. 12. Lena. Annual Review of Information Science and Technology. LAVILLE. Introdução geral às ciências e técnicas da informação e documentação. Comunicação científica. Bernadete. de Ciência da Informação da UnB. DIONNE. p. Estudo de usuários: visão global dos métodos de coleta de dados. 1. (ed). MARCONI. São Carlos: Edufscar. Christian. 1980. Belo Horizonte. Eva Maria. 2004. Dissertação (Mestrado em Administração de Bibliotecas) – Universidade Federal de Minas Gerais. n. Odília. Chun Wei. Usos e usuários da informação. CUNHA. p. 481-492. GUINCHAT. Brasília: Briquet de Lemos. Estudos de uso e usuários da informação. Marina de Andrade. Jean. 2000. Daniela. Usuários – informação: o contexto da ciência e tecnologia. Em Questão. 2003. DERVIN. PASSOS. Porto Alegre: Artes Médicas. Brasília: IBICT. Belo Horizonte. Edilenice (Orgs). 15. 21. 1994. Carlita. 2001. São Paulo: Senac São Paulo. n. Ademir. MUELLER. Maria Matilde./jun. Fontes de informação especializada. Information needs and uses. Para saber mais: fontes de informação em ciência e tecnologia. Nice. Chicago.br ou casal@eci. p. A construção do saber: manual de metodologia de pesquisa em ciências humanas. 1999. Murilo. CAMPELLO.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful