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Disciplina de Português – 10º ano

Teste de Avaliação

Grupo I – Leitura (100 pontos)

Leia o seguinte poema e responda às questões que lhe são colocadas.

VIVER SEMPRE TAMBÉM CANSA


discursos de Mussolini,
guerras, orgulhos em transe,
Viver sempre também cansa automóveis de corrida...

O sol é sempre o mesmo e o céu


azul
ora é azul, nitidamente azul, 25 E obrigam-me a viver até à Morte!
5 ora é cinzento, negro, quase-verde...
Mas nunca tem a cor inesperada. Pois não era mais humano
morrer por um bocadinho,
O mundo não se modifica. de vez em quando,
As árvores dão flores, e recomeçar depois,
folhas, frutos e pássaros 30 achando tudo mais novo?
como máquinas verdes.
Ah! se eu pudesse suicidar-me por
10
As paisagens também não se seis meses,
transformam. morrer em cima dum divã
Não cai neve vermelha, com a cabeça sobre uma almofada,
não há flores que voem, 35 confiante e sereno por saber
a lua não tem olhos que tu velavas, meu amor do Norte.
15 e ninguém vai pintar olhos à lua.
Quando viessem perguntar por mim,
Tudo é igual, mecânico e exacto. havias de dizer com teu sorriso
onde arde um coração em melodia:
Ainda por cima os homens são os 40 "Matou-se esta manhã.
homens. Agora não o vou ressuscitar
Soluçam, bebem, riem e digerem por uma bagatela."
20 sem imaginação.
E virias depois, suavemente,
E há bairros miseráveis sempre os velar por mim, subtil e cuidadosa,
mesmos, pé ante pé, não fosses acordar
a Morte ainda menina no meu colo...

José Gomes Ferreira, Militante, 1977

1. O poema pode dividir-se em dois momentos. Delimite-os, atribuindo um título a cada


uma das partes.
2. No primeiro momento, o sujeito poético tenta justificar o axioma “Viver sempre
também cansa”.
2.1. Identifique as razões deste cansaço.

2.2. Transcreva quatro advérbios que evidenciem a previsibilidade do mundo.


3. Por que razão podemos afirmar que o sujeito salienta o carácter “mecânico” da
natureza?
3.1. Nem mesmo o homem é capaz de alterar esta situação. Explique porquê.
4. Identifique o desejo expresso a partir do verso 24.
5. Identifique dois recursos expressivos presentes no poema, referindo o seu sentido
expressivo.
6. Caracterize o poema quanto à estrutura métrica, estrófica e rimática.

Grupo II – Funcionamento da Língua (50 pontos)

1. Inclua as seguintes palavras na respectiva classe e subclasse gramatical:


é (v.2), ninguém (v.14), orgulhos (v.21), que (v. 33)

2. Identifique as funções sintácticas destacadas nas frases:

A – “… confiante e sereno, por saber que tu velavas, meu amor do Norte.”


B – “Agora não o vou ressuscitar.”
C – “E virias depois, suavemente, velar por mim, subtil e cuidadosa, pé ante pé…”
D – “Não cai neve vermelha.”

3. De entre as afirmações seguintes, escolha, identificando-a através da alínea respectiva, a


hipótese que corresponde à alternativa correcta.

3.1. Na frase “Não cai neve vermelha, não há flores que voem” a expressão sublinhada
corresponde a uma oração.

A – subordinada relativa explicativa C – subordinada completiva


B – subordinada relativa restritiva. D – subordinada consecutiva

3.2. A frase sublinhada “O poeta afirma que viver sempre também cansa.” é uma oração:

A – subordinada relativa explicativa C – subordinada completiva


B – subordinada relativa restritiva D – subordinante

3.3. A frase “Ah! se eu pudesse, suicidava-me por seis meses, morria em cima dum
divã com a cabeça sobre uma almofada, confiante e sereno pois sabia que tu velavas,
meu amor do Norte..” é constituída por:

A – Quatro orações. C – Três orações.


B – Cinco orações. D – Seis orações.

4. Reescreva as frases, substituindo os complementos directos por pronomes pessoais.

A – Observaram o poema?
E – Ponham a imaginação a funcionar.
B – As árvores dão frutos.
F – Lerei outros poemas deste autor.
C- Vou ressuscitar o poeta.
G – Faria cair neve vermelha, se pudesse.
D – Analisaste todos os recursos expressivos?
H – Reconhecerão o valor da fantasia.
Grupo III – Expressão Escrita (50 pontos)

1. Construa um texto escrito bem estruturado, de 100 a 150 palavras, onde desenvolva apenas UM
dos temas propostos.

A. Escreva uma carta formal dirigida a um poeta português contemporâneo, convidando-o a ir à sua
escola falar sobre poesia ou sobre um outro poeta, e dando-lhe conta das razões que o motivaram a
fazer tal convite.

B. Num texto em prosa, correcto e bem estruturado comente a seguinte afirmação: A poesia e a
vida andam de mãos dadas, pois a poesia é uma linguagem animada pela emoção,
intensificada pelo ritmo, transformada pela metáfora..

FIM