As leis da dialética

Por causa das diferentes interpretações quanto ao número de leis fundamentais do método dialético pelos autores, para facilitar, podemos dizer que são quatro leis: 1. 2. 3. 4. ação recíproca, unidade polar ou "tudo se relaciona"; mudança dialética, negação da negação ou "tudo se transforma"; passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa; interpenetração dos contrários, contradição ou luta dos contrários. P.S.: Deve-se ressaltar que essas regras da dialética são exclusivamente adotadas pela dialética marxista. Ação recíproca Segundo Engels (In: Politizer, 1979:214), a dialética é a "grande idéia fundamental segundo a qual o mundo não deve ser considerado como um complexo de coisas acabadas, mas como um complexo de processos em que as coisas, na aparência estáveis, do mesmo modo que os seus reflexos intelectuais no nosso cérebro, as idéias, passam por uma mudança ininterrupta de devir e decadência, em que finalmente, apesar de todos os insucessos aparentes e retrocessos momentâneos, um desenvolvimento progressivo acaba por se fazer hoje". Isso significa que para a dialética, as coisas não são analisadas na qualidade de objetos fixos, mas em movimento: nenhuma coisa está "acabada", encontrando-se sempre em vias de se transformar, desenvolver; o fim de um processo é sempre o começo de outro. Porém as coisas não existem isoladas, destacadas uma das outras e independentes, mas como um todo unido, coerente. Stalin, pelo metódo de interdependência e ação recíproca, afirma "que o método dialético considera que nenhum fenômeno da natureza pode ser compreendido, quando encarado isoladamente, fora dos fenômenos cincundantes; porque, qualquer fenômeno, não importa em que domínio da natureza, pode ser convertido num contra-senso quando considerado fora das condições que o cercam, quando destacado destas condições; ao contrário, qualquer fenômeno pode ser compreendido e explicado, quando considerado do ponto de vista de sua ligação indissolúvel com os fenômenos que o rodeiam, quando considerado tal como ele é, condicionado pelos fenômenos que o circundam". Politizer et al. citam dois exemplos referentes à primeira lei do método dialético. Determinada mola de metal não pode ser considerada à parte do universo que a rodeia, pois foi produzida pelo homem com o metal extraído da natureza. Ela está sujeita a modificação pelo fato de atuar sobre a gravidade, o calor, a oxidação e assim por diante. Se um pedaço de chumbo for suspenso na mola, este distenderá seu ponto de resistência de modo a formar, junto à mola, um todo, tendo estes interação e conexão recíproca. A mola é formada por moléculas ligadas entre si e quando não pode se distender mais, quebra, ou seja, rompe-se da ligação entre determinadas moléculas. Portanto, a mola não distendida, a distendida e rompida apresentam, de cada vez, um tipo diferente de ligações entre as moléculas. A planta não existe a não ser em unidade e ação que provoca com o meio ambiente. Todos os aspectos da realidade prendem-se por laços necessários e recíprocos.

A dialetica é a negação da negação. apresenta a caducidade de todas as coisas e em todas as coisas e. por . ao método dialético idealista de Hegel. antítese. da sociedade e do pensamento. proposição positiva: essa proposição se nega ou se transforma em sua contrária .Mudança dialética Todo movimento. "para a dialética não há nada de definitivo.a obtida por meio da dupla negação. mas por intermédio de uma proposição positiva superior . do eterno vir-a-ser.a proposição que nega a primeira é a antítese e constitui a sengunda fase do processo. é a ciência das leis mais gerais do desenvolvimento da natureza. "quem diz dialética. diz-se não. a negação. ainda. autodinamismo" (Politzer. O processo da dupla negação engendra novas coisas ou propriedades: uma nova forma que suprime e contém.wikipedia. também. transformação ou desenvolvimento opera-se por meio das contradições ou mediante a negação de uma coisa . da sociedade e de pensamento. A característica do desenvolvimento dialético é que ele prossegue através de negações. Fonte: http://pt. de sagrado. nada existe além do processo ininterrupto do devir e do transitório". É parte integrante da filosofia marxista e se constitui num guia para a ação revolucionária do partido proletário. mas. Contribuição à Crítica da Economia Política).fonte de todo desenvolvimento . de perene transformação de todas as coisas.É uma das leis da dialética e aborda o desenvolvimento da natureza. por sua vez. Assim. A negação da afirmação implica negação.org/wiki/Dial%C3%A9tica _____________________________________________________________________________ Dialético Único método cientifico de conhecimento. quando a segunda proposição. gerado por suas contradições internas. a natureza é material. mas a negação da negação implica afirmação. Ora. não diz só movimento. simples mistura de contrários. a essência do método dialético. as primitivas propriedades. ao mesmo tempo. e leva em conta o processo permanente de mudanças.é o núcleo. "Quando se nega algo. Segundo Lênin. Para o método do Materialismo Dialético a base do desenvolvimento do mundo é objetiva e real. A oposição entre o método dialético marxista e o método idealista hegeliano expressa a oposição entre as concepções do mundo da burguesia e da classe operária. A união dialética não é uma simples adição de propriedades de duas coisas opostas. é negada. enquanto que a consciência e as idéias são reflexos do mundo. "Não é a consciência que determina o ser. é negada. a lei da unidade e da luta dos contrários . 1979:2002). para ela. que é a negação da tese e antítese. obtém-se a terceira proposição ou síntese. Segundo Engels (In: Politzer. Por isso se diz que a mudança dialética é a negação da negação". por isso seria um obstáculo ao desenvolvimento. mas o ser que determina a consciência" (Marx. Esta lei afirma que a matéria é o principio de todas as coisas e que ela se encontra em perpétuo movimento. As leis da dialética são: Unidade e Luta dos Contrários .essa negação se refere à transformação das coisas. de absoluto. O ponto de partida é a tese. 1979:205). Contrapõe-se a toda metafisica e.

Transformação da quantidade em qualidade . tudo é imutável. mais rápidos. dentro dos quais a sua qualidade tem existência. Na luta dos contrários. Lao Tsé. Prevalece a luta dos opostos: frio/calor. vida/morte.. e ainda descobrir as leis objetivas mais gerais que regem a sua evolução. Negação da Negação . tampouco deve-se considerar as mudanças quantitativas separadamente das mudanças qualitativas. em seu movimento e transformação. de maneira correta e abrangente os mais variados fenômenos. O método dialético marxista e o materialismo filosófico marxista são partes integrantes do Materialismo Dialético. surgida da velha. que se chocam e se renovam num eterno vir-a-ser. é também negado pelo outro novo que lhe sucede. Quando há um salto qualitativo o novo nega o velho que.php? storyid=508 Dialética: gr. o velho dá lugar ao novo. 7 séculos a. o movimento é uma ilusão. provocam uma mudança de qualidade salto qualitativo.C. regida por leis. bem/mal. A dialética oferece um método cientifico seguro de conhecimento que permite abordar. Segundo ele. Arte do diálogo para atingir a verdade. Fonte : http://www. s. Para ele a realidade é um constante devir. Parménedes de Eléia. 3.. 1. ao envelhecer. que se verifica no processo do desenvolvimento.Além da qualidade cada coisa possui também um aspecto quantitativo que se caracteriza por indices quantitativos. não é possível banhar-se duas vezes no mesmo rio. A divisão do todo em contrários e a sua mútua contraposição ou luta constitui tuna lei universal e fundamental da dialética. "autor" da dialética.Na dialética marxista compreende-se como negação a substituição. outras. Desenvolvimento do pensamento por tese. da velha qualidade pela nova qualidade. no entrechoque permanente.org/xkurt/projetos/portaldoadmin/modules/news/article. simples evolução quantitativa. proporcionando mudanças e desenvolvimento ininterruptos. mais lentos às vezes. em seu condicionamento reciproco. autor do livro Tao tö King (o livro do Tao). mas sempre numa espiral ascendente. com mudanças graduais de quantidade que ao atingirem certa medida. como o fazem os metafísicos para os quais o desenvolvimento é uma. Heráclito de Éfeso. . antítese e síntese.htmlstaff. Assim como não se deve separar o aspecto qualitativo do quantitativo. Ele ensina que para estudar os processos da natureza e da sociedade é preciso considerálos em sua conexão.f. Método de análise que procura evidenciar as contradições da realidade social e resolvê-las no curso do desenvolvimento histórico.força da atração e repulsão dos opostos ou contrários. 2.. pois nem o rio já é o mesmo e nem nós também somos os mesmos.

Marx afirma que não existem fatos em si. A mediação entre ele e o mundo é a atividade material. A condição para que o Ser Humano se torne Ser Humano é o trabalho. ao lado da retórica e gramática e foi considerada uma arte liberal. mas à disputa. por isso. Tanto Marx como Hegel sustentam a tese de que o movimento se dá pela oposição dos contrários . à probabilidade. da reflexão coletiva. partindo do abstrato: a razão domina o mundo e tem por função a unificação. a manutenção da ordem do todo. a dialética é uma aplicação científica da conformidade às leis inerentes à natureza e ao pensamento. justificando que Aristóteles já havia dito tudo sobre a lógica.Mao . . para atingir cada elemento do objeto estudado e a síntese ou reconstituição do conjunto. contraditória.16) Para ARISTÓTELES a dialética é apenas auxiliar da filosofia. a conciliação. da disputa e não do isolamento" (GADOTTI. Em Discurso do Método. Pela sua própria atividade. Mas o sentido "método" predominou na Idade Média. uma lógica das aparências. mas como o verdadeiro motor do pensamento. ao concreto.pela contradição. da sociedade e da relação ser humano-mundo. a dialética não é um método apenas para se chegar à verdade. Uma proposição (tese) não existe sem oposição a outra proposição (antítese). No início da Idade Moderna a dialética foi julgada inútil. "O conhecimento deveria nascer desse encontro (perguntas e respostas). A antítese está contida na própria tese que é. É o momento negativo de toda realidade. 1995. mas procede por contradições superadas. Para HEGEL.é apenas uma aparência da filosofia. Hegel assim retoma Heráclito. P. Para MARX. Na dialética materialista expressa em O Capital. "paradoxal". Descartes propõe regras para a análise. Hegel chega ao real. HEGEL concebe o processo racional como um processo dialético no qual a contradição não é considerada como "ilógica". A dialética limitar-se-ia ao silogismo. método de dedução racional das idéias. é o próprio ser humano que figura como ser produzindo-se a si mesmo. (Kant e Descartes). é uma concepção do ser humano. a construção da sua história. da tese (afirmação) à antítese (negação) e daí à síntese (conciliação). a maneira de discernir o verdadeiro do falso. Para ele o método dialético não conduz ao conhecimento. A possibilidade de negar-se a si mesma. e de tudo que é finito. O pensamento não é estático. pelo modo de produção da vida material. mas são apenas atualizações de potencialidades que já preexistiam. pois procede por unidade e oposição dos contrários. a via natural própria das determinações do conhecimento. Essa razão é dialética. A primeira será modificada nesse processo de oposição e surgirá uma nova.Para PLATÃO a dialética é um método de ascensão ao inteligível. A conciliação existente na síntese é provisória na medida em que ela própria se transforma numa nova tese. aquilo que tem a possibilidade de não ser. Não é um método para se chegar à verdade. PLOTINO a considera uma parte da filosofia e não apenas um método. à opinião. Atividade crítica. Conseguiu conciliar os pensamentos de Heráclito e Parmênides com a teoria sobre o ato e a potência: as mudanças existem.

O materialismo dialético não considera a matéria e o pensamento como princípios isolados. alias. necessário.Tsetung resume o pensamento de Marx: "a concepção materialista-dialética entende que. encadeiam-se e determinam-se reciprocamente. ao mesmo tempo. mas com aspectos de uma mesma natureza que é indivisível. em ligação e interação com outros fenômenos que o rodeiam. o movimento que engendra os contraditórios. estuda as leis mais gerais do universo. as suas contradições. (. . em seu encadeiamento..) no seu movimento contínuo. é uma concepção científica que pressupõe que o mundo é uma realidade material (natureza e sociedade). passando pela natureza viva e pela sociedade. Ponto de vista marxista de George Politzer: A dialética focaliza as coisas e suas imagens conceituais em suas conexões. o mundo refletido. uma exclusão ativa. que faz com que se choquem. Diz HENRI LEFÈBVRE: "o método marxista insiste muito mais claramente do que as metodologias anteriores. MARX não nega o valor e a necessidade da subjetividade no conhecimento. O método dialético tem duplo objetivo: 1º) como dialético. a vida social. das suas relações com os outros fenômenos.. encontrando-se. 2º) como materialismo. cada fenômeno no seu movimento. é sempre uma realidade em movimento". leis comuns de todos os aspectos da realidade. a reconstituir pela exposição (síntese). A causa fundamental do desenvolvimento dos fenômenos não é externa. no estudo do desenvolvimento dum fenômeno deve partir-se do seu conteúdo interno. em seu processo de gênese e envelhecimento". Não existem regras universais fixas." O método dialético busca captar a ligação. Existe uma determinação recíproca entre as idéias da mente e as condições reais de sua existência "o essencial é que a análise dialética compreenda a maneira pela qual se relacionam. em sua dinâmica. . duas formas diferentes: uma material e outra ideal. una e indivisível se exprime em duas formas diferentes: uma material e outra ideal. a realidade a atingir pela análise.. No interior de todo fenômeno há contradições. (. a unidade. que os quebra ou os supera. desde a natureza física até o pensamento. o seu devir. onde o Ser Humano está sempre presente e pode conhecê-la e transformá-la.. interno. ela reside no contraditório do interior dos próprios fenômenos. que os opõe. O mundo é sempre uma "visão"do mundo para o Ser Humano. O materialismo dialético considera a forma das idéias tão concretas quanto a forma da natureza. A dialética considera cada objeto com suas características próprias. na luta de seus contrários. observa as coisas e os fenômenos. A dialética não é um movimento espiritual que se opera no interior do entendimento humano.. mas interna. as condições de existência social e as distintas modalidades de consciência. Para LEFÈBVRE: "A contradição dialética é uma inclusão dos contraditórios um no outro e.).. daí o seu movimento e desenvolvimento". deve-se considerar o desenvolvimento dos fenômenos como sendo o seu movimento próprio.

.dá-se pelo acúmulo de elementos quantitativos que num dado momento produzem o qualitativamente novo.A dialética marxista não separa teoria (conhecimento) e prática (ação). 4º Unidade e luta dos contrários (Princípio da contradição) . p. O calor só pode ser entendido em função do frio. que garante a unidade e a continuidade da mudança incessante na natureza e nos fenômenos.a natureza se apresenta como um todo coerente. A Dialética é uma unidade de contrários Com ROUSSEAU. ENGELS em a A Dialética da Natureza . mas também que o todo não pode ser petrificado na abstração situada por cima das partes. O indivíduo é condicionado pela sociedade. 42. no seu próprio interior coexistem forças opostas tendendo simultaneamente à unidade e à oposição. "A teoria não é um dogma mas um guia para a ação.Lei da conversão da quantidade em qualidade: significa que na natureza. 2ª ." A questão de saber se cabe ao pensamento humano uma verdade objetiva não é uma questão teórica. porém a negação não prevalece como tal: tanto a afirmação como a negação são superadas e o que prevalece é uma síntese. a lei fundamental da dialética. isto é.Lei da negação da negação. citado por Gadotti) 2º Tudo se transforma (princípio do movimento) Devir. Para ele todas as pessoas nascem livres e só uma organização democrática da sociedade levará os indivíduos a se desenvolverem plenamente. começa a criar forma. A afirmação engendra a sua negação. é a negação da negação.A transformação das coisas só é possível porque. esta é a lei da unidade e da luta dos contrários. a concepção dialética da história.formulou três leis gerais da dialética. 3ª . É na práxis que o Ser Humano deve demonstrar a verdade. "A compreensão dialética se encontra em relação de intensa interação e conexão entre si e com o todo. Alguns princípios gerais ou características da Dialética são hoje aceitos: 1º Tudo se relaciona (Princípio da totalidade) . na interação das partes" (Karel Kosik. reproduzindo indefinidamente o processo. que garante que cada síntese é a tese de uma nova antítese. condicionando-se reciprocamente. a realidade e o poder. Dialética do concreto. onde objetos e fenômenos são ligados entre si. o caráter terreno de seu pensamento. mas prática. a saber: 1ª .Lei da interpenetração dos opostos. 3º Mudança qualitativa . as variações qualitativas podem ser obtidas somente acrescentando-se tirando-se matéria ou movimento por meio de variações quantitativas. da Idade Média. oposta à concepção metafísica. A contradição é a essencia. visto que o todo se cria a si mesmo.

um não podendo existir sem o outro. Não esquecer ainda que o processo de aprofundamento do conhecimento que vai do fenômeno à essência e da essência menos profunda à mais profunda é infinito. transições no devir. Não esquecer também de captar as transições dos aspectos e contradições.retomar seus momentos superados. apreendendo conexões e movimento. Pinto) "a lógica formal é a lógica da metafísica. de intenções ou de motivações do homem. superar-se: modificar ou rejeitar sua forma. a lógica formal parte do seu oposto. a coisa como totalidade e unidade dos contrários Analisar a luta.independente da existência de projetos. revê-los. A lógica dialética parte do princípio (ou lei) da contradição.uma interação insignificante. repeli-los. Em certas fases do próprio pensamento. LÓGICA FORMAL E LÓGICA DIALÉTICA (Alvaro V. os objetos e fenômenos estão estáticos. com o objetivo de aprofundá-los mediante um passo atrás rumo às suas etapas anteriores . este deverá transformar-se. o desenvolvimento e o movimento (devir) da coisa. 2º A Dialética da História . da lei da não contradição". Apreender os aspectos e movimentos contraditórios."que é uma dialética sujeito-objeto. . Penetrar sempre mais profundamente na riquesa do conteúdo. a tendência (o que tende a ser e o que tende a cair no nada) Não esquecer: tudo está ligado a tudo. objetivos. O princípio que as distingue fundamentalmente é a contradição. DIALÉTICA: REGRAS PRÁTICAS Dirigir-se à própria coisa . de seus aspectos. passagens de uns nos outros. ela se funda no real. assim como a lógica dialética é a lógica da dialética. Penetrar mais fundo do que a simples coexistência observada. que não age diretamente sobre a história humana.Projetos humanos nas lutas das classes sociais a realização desses projetos estão ligados a condições materiais. remanejar seu conteúdo . Para a primeiraos objetos e fenômenos estão em constante movimento e para a segunda. o conflito interno das contradições.objetiva . o resultado de uma interação constante entre os objetos a conhecer e a ação dos sujeitos que procuram compreendê-los". o movimento.análise objetiva. Jamais estar satisfeito com o obtido. A Dialética pode ser subdividida em "três níveis"(Mandel) 1º Dialética da Natureza . negligenciável num momento pode tornar-se essencial e importante em outro. préexistentes e independentes da vontade dos homens. Apreender o conjunto das conexões internas da coisa. A existência dos contrários não é um absurdo lógico. mas apenas aparentemente. 3º A Dialética do Conhecimento .Os elementos contraditórios coesistem numa realidade estruturada.

Eis uma maçã. afirmando-o.hd1. p. Devemos constatar que a maçã madura não foi sempre uma maçã madura. ou seja.htm Primeira lei: A mudança dialética. porque parecia sublimar a situação existente. é questionadora. cor. nem permanecerá o que é. as formas em que se configura o devir. deverá manter uma crítica e uma autocrítica constante. causa escândalo e horror à burguesia e aos porta-vozes de sua doutrina. etc. que já fora uma flor. porque sua concepção do existente. Não existe nenhum critério de relevância (nem científico. a semente…. I p. Os metafísicos descreverão o fruto: Sua forma. mudança. é sempre aberta. crítica e revolucionária. Quem diz dialética diz movimento. Ao contrário da metafísica. para reconhecer cotidianamente as limitações do pensamento e da teoria. na sua forma racional. Mas. uma dúvida levada à suspeita.33) transcrevendo Lefebvrè "Logica formal. porque enfim. teórico. portanto.com. A primeira lei da dialética começa por contatar que nada fica onde está nada permanece o que é. estudamo-la no movimento. e assim chegaremos até a macieira o broto. ao reducionismo. nem prático) que possa determinar que um ponto de vista é relativamente mais válido que outro. até mesmo rumo ao seu ponto de partida. peso. vimos que a maçã não foi sempre uma maçã. por nada se deixa impor. mas o movimento de sua evolução. no movimento na mudança. inacabada.(op. e a humildade de que fala PAULO FREIRE. Para ter um estudo dialético devemos nos colocar no ponto de vista dialético. ver suas semelhanças s diferenças e por fim concluir uma maçã é uma maçã e uma pêra é uma pêra. social. não no movimento da maçã que rola e cai. antes era uma maçã verde.odialetico. Exige constantemente o reexame da teoria e a crítica da prática. superando-se constantemente. e é na sua essência. que foi um botão. ao mesmo tempo. contestadora. Se quisermos estudar a maça dialeticamente.e. porque apreende.br/filosofia/Dial%E9tica. Temos dois modos de estudá-la: Do ponto de vista metafísico e do dialético. por vezes. encerra. O professor pensador de sua práxis. se decompor. Concluindo. Se cair da macieira ira apodrecer. I – O Movimento Dialético. 17) A dialética é também uma teoria engajada. de acordo com seu caráter transitório. libertará as sementes que se tudo . a dialética opõe-se ao dogmatismo. lógica dialética DIALÁTICA E VERDADE: Que garantias pode nos dar a dialética de que estamos no caminho certo para a verdade? Marx afirma: "A dialética mistificada tornou-se moda na Alemanha. (O Capital vol. tamanho… falarão de seu gosto etc…depois pode se comparar à maçã com a pêra. Fonte: http://www. o reconhecimento da negação e da necessária destruição dele.cit.

mas só venerar. Já na historia do lápis uma fase pode não seguir a outra. nada é de uma vez para sempre. (exemplo da maçã) Para a dialética. às transformações da historia. apresenta a *caducidade de todas as coisas e em todas as coisas.correr bem dará um rebento. (Absoluto significa: Que não está submetido a qualquer condição. que significa: força que . II – Para a dialética não existe nada de definitivo… Para a dialética. não existe nenhum poder no mundo nem para alem dele que possa fixar as coisas num estado definitivo. salvo a mudança. nada existe alem do processo ininterrupto do devir e do transitório. Devia amadurecer. perfeito. apodrecer. No lápis as fases justapõem-se. e. senão o devir. universal. e esta de uma arvore. Palavra que vem do latim. não se tornar madura? Não. que significa que cai. Portanto a maçã não foi e também não ficará sempre o que é. depois uma árvore. III – O Processo. Mas há uma diferença entre essas duas historias! A maça verde tornou-se madura. cair a terra. É que a maçã tem processo natural. constatamos que os encadeamentos que impelem a maçã na sua evolução atuam sob o domínio de forças internas a que chamamos: autodinamismo. de progredir. Enquanto a arvore de que vem o lápis pode não se tornar prancha. se a historia do lápis percorre todas as fases é por uma intervenção estranha – a do homem. sem resultar uma da outra. uma coisa caduca é a que envelhece e deve desaparecer. à mudança. que por conseguinte. isto não quer dizer que a dialética despreze tudo. portanto. ele próprio não ser afiado. e esta não se tornar lápis. e não foram sempre o que são. Para a dialética tudo tem um passado e terá um futuro. Podia. Vejamos agora o lápis que também tem sua historia. A maçã possui em seu processo fases que se sucedem. O que é jovem torna-se velho. etc…ela segue o devir. É considerar que nenhuma coisa particular pode ser eterna. O lápis hoje usado. Portanto para a dialética nada é eterno. A dialética diz que nada escapa ao movimento. e inevitavelmente uma outra fase se dará (se nada interromper a evolução). que não se deve tocar nem discutir. Não! Uma coisa sagrada é aquela que se considera imutável. e quer dizer marcha em frente. Para a dialética não existe nada de definitivo. de absoluto. Por que é que a maçã sendo verde se torna madura? Quando examinamos a flor que se tornará maçã. de sagrado. Mas o que é o devir? Vimos a historia da maçã. portanto Nada de absoluto. ou ato de avançar. eterno. *Caducidade vem de caduco. já foi novo. e o que é hoje não é definido. E este pode. A maçã e o lápis têm cada um a sua historia. A sociedade capitalista é sagrada por exemplo. a maçã verde que se tornará madura.) Nada de sagrado. para ela. se tudo corresse bem. a segunda que deriva da primeira. Para a dialética o que está caduco já não tem razão de ser. se decompor e libertar as sementes. No caso da maçã uma fase sucede à outra. não existe nada de definitivo. A madeira da qual o lápis foi feito saiu de uma prancha. o que hoje tem vida morre amanha.

Essa mudança não é dialética. as influencias do sol. nascido em Augsburg. e isto nos leva a estudar as condições do solo. Seus objetivos principais resumiam-se no operariado. É necessário considerar as coisas como nunca tendo cena final. De onde ela vem? Da maçã. Não houve autodinamismo. Quando o lápis era ainda prancha . Se estudarmos do ponto de vista dialético procuraremos de onde vem. Isto vai nos permitir estudar a segunda lei da dialética: a lei da ação recíproca. seremos levados a constatar que essa doutrina é a própria consciência do proletário. pomos o problema de pesquisa também para esta. Seu cunho é narrativo e didático e utiliza uma serie de recursos teatrais para levar o espectador a refletir. o grande inimigo do nazismo. Por que era protetor do operariado? Por que era marxista. do ar. Nossas pesquisas devem nos levar até a árvore. mecânica. Mas.vem do próprio ser. vemos pois que o proletário existe. a sociedade devem ser vistas como um encadeamento de processos. foi preciso a intervenção do homem para torná-lo lápis. Então de onde vem o marxismo? Vemos pois que a pesquisa do encadeamento de processos nos conduz a estudos minuciosos e completos. Tomemos agora o teatro épico como exemplo.encadeamento de processos. a natureza. do encadeamento de processos que se produzem pela forca interna (o autodinamismo). Teremos então outra pergunta. chegamos ao exame das condições de existência do capitalismo. etc… Partindo do processo da maçã somos conduzidos ao exame do solo. . do qual era fanático protetor. sem o homem a arvore não seria cortada e essa não seria transformada em prancha que por sua vez não viria a ser um lápis. Segunda lei a ação recíproca I – O encadeamento de processos Vimos na historia da maçã o que é um processo. quem foi Brecht? Teremos outra resposta que pode ser simples: Poeta e dramaturgo alemão. passando do processo da maçã ao da árvore. um encadeamento de processos. É preciso entender que as coisas não são tão simples. liberou as sementes. É a lei da ação recíproca. através de seus textos. Retomemos esse exemplo. em todas as coisas. e teremos a resposta inicial: que é uma forma de teatro desenvolvida por Bertold Brecht. em 1898 fez-se. Da maçã que caiu. Temos assim. que nos demonstra que tudo influi sobre tudo. e o motor que trabalha para desenvolver tal encadeamento é o autodinamismo. portanto quem diz dialética não diz só movimento. Portanto de processo em processo. Para a dialética insistimos nisso: nada está acabado. mas também autodinamismo. chegamos novamente ao operariado de que nos referimos ao falar de Brecht poremos então a pergunta: de onde vem o proletariado? Sabemos que veio de um sistema econômico: o capitalismo. que se opõe à ilusão cênica da forma dramática convencional. mas será ela dialética? Não. Sabemos da divisão da sociedade em classes vem de um processo que já estudamos. O que constatamos é a existência. mas. Temos o que se chama: Um . Mais ainda: indagando de onde vem o marxismo. por sua vez no do solo. Podemos constatar que nem todo movimento é dialético. Se tomarmos novamente o exemplo do lápis a prancha torna-se lápis certamente houve a mudança. No fim de uma peça de teatro do mundo. Devemos por tanto fixar que: a ciência. este processo encadeia-se . começa o primeiro ato de uma outra. apodreceu. Para dizer a verdade ele já começa no ultimo da peça precedente. por que nunca a prancha se transformaria sozinha em lápis.

Não voltamos. Não podemos esquecer que o motor que põe em movimento esta espiral é o autodinamismo. O ponto de vista ampliose. não por que queremos ver as coisas assim. Usamos a imagem da espiral para fixar as idéias. Se examinarmos a morte. e assim sucessivamente. a morte.II – O desenvolvimento Histórico ou em espiral. pois são coisas opostas. O mundo. como dizia Descartes. e dar assim. quando pesquisamos vida fazemos isso sem relacioná-la com qualquer outro fenômeno. Cabe a filosofia dar uma explicação do mundo e dos problemas mais gerais. Esta se decompondo. e a morte é a morte. mas num outro plano. uma teoria que nos torne cada vez mais. não seria um processo e sim um circulo. portanto. é a missão em particular do materialismo dialético – reunir todas as descobertas particulares de cada ciência. inteiramente opostas uma a outra. a que chamaremos desenvolvimento histórico. voltamos à maçã. Se examinarmos um pouco mais de perto o processo que começamos a conhecer . Não há nada de comum entre elas não se pode estar ao mesmo tempo vivo e morto. De onde vem à árvore? Da maçã. é uma comparação para ilustrar que as ciências evoluem segundo um processo circular. Correto? Não. voltam um pouco acima. Também aqui voltamos à árvore. ao mesmo ponto de partida. como as aparências pretendiam mostra mas um processo de desenvolvimento. (retorno ao eterno). vemos as coisas apenas por um lado. mas em um outro plano. num outro plano. Eis uma maçã. . que devemos confrontar. se chama desenvolvimento em espiral. portanto obrigado a morrer? Eis uma grande lei da dialética. De onde vem à maçã? Da árvore. a natureza a sociedade constituem um desenvolvimento que é histórico. e maçãs que darão árvores. Examinamos as coisas desta maneira pois temos uma concepção metafísica do mundo. Normalmente consideramos as coisas de um modo isolado. vemos que a maçã é o resultado de uma serie de processos. teremos: Uma árvore que dá maçãs. Mas vejamos como se põe o problema. e. Se considerássemos as coisas assim. mas não voltam ao ponto de partida. faremos da mesma maneira. Podemos portanto pensar que existe um circulo vicioso onde voltamos sempre ao mesmo ponto. o que dá uma espiral ascendente. Não temos pois um circulo. em linguagem filosófica. Por que é que o que nasce é. mestres e possuidores da natureza. E acabaremos por concluir: ávida é a vida. dá origem a uma ou mais árvores. Do mesmo modo se partimos da arvore. cada arvore não dá uma maçã. para fazer a síntese. mas varias. Terceira lei: a contradição I – As coisas se transformam na sua contraria A dialética nos ensina que as coisas não são eternas: tem um começo meio e fim.

Vemos que a verdade se transforma em erro. Mas as ciências dão parcialmente razão a este raciocínio. por vezes nem terminamos de completar a frase e já não chove. as coisas não só se transformam umas nas outras. nos fatos nas coisas. uma coisa não é apenas ela pura e simplesmente. uma vez que nascendo. negação da negação – ou Síntese. Desenvolvendo-se dará um pintinho. que a morte vem do vivo. Uma tende para a afirmação (vida) e a outra para a negação (morte). será que o erro se transforma em verdade? Na antiguidade. Não podemos separar tão brutalmente a vida e a morte. Veremos que no ovo existem duas forças. notamos que este é composto de células que desaparecem e aparecem no mesmo lugar. Se examinarmos a verdade e o erro. onde existe. II – afirmação. A frase que era exata tornou-se um erro. A própria vida só é possível pela continua substituição de células que morrem por outras que nascem. pois.mas por que essa visão esta enraizada em nós pela nossa formação cristã. que o erro não está oposto à verdade. Se dissermos: “Olha. negação e negação da negação. uma vez que a experiência e a realidade nos mostram que a morte continua a vida. e outra para que continue sendo pintinho. a que tende para que permaneça ovo. O pintinho é a afirmação resultante de negação do ovo. dizendo que há realmente forças (físicas) que fazem mover o sol. Uma coisa é movida por forças que se chocam pois estas estão em direções opostas. ela própria e sua contraria. era um erro quando se colocava a questão da luta dos deuses. sobretudo no Egito. afirmação – ovo negação – pintinho negação da negação – galinha afirmação – chamado também Tese. Uma coisa começa por ser uma afirmação que sai de uma negação. A destruição é uma negação. Toda coisa é ao mesmo tempo. A verdade é a verdade. e estas lutam. o destrói. Assim no interior de cada coisa existem forças opostas. chove!” acontece que. portanto vida e morte. Vemos. negação – ou Antítese. e a que tende para que se torne pintinho. isto é. portanto a negação do pintinho. portanto em desacordo consigo próprio. Observando de perto um ser vivo. Vivem e morrem sem cessar em um ser vivo.esta foi uma fase do processo. mas também a sua contraria. que a uma certa temperatura se desenvolve. Assim. que era a negação do ovo. O pintinho é a negação do ovo. E a vida também pode sair do morto. haverá novamente uma luta para que o pintinho se torne galinha. existe aqui a afirmação e a negação. A galinha será. desse modo o germe já é a negação do ovo. . os homens imaginavam uma luta entre deuses para tentar explicar o por e o nascer do sol. e um erro é um erro. O ovo está. É necessário fazer aqui uma distinção o que se chama contradição verbal – que significa responder Não quando alguém lhe diz Sim – a que acabamos de ver é a contradição dialética. A galinha por sua vez será a transformação do pintinho. pensamos não há nada de comum entre eles. Assim a contradição verbal quer dizer não a contradição dialética quer dizer destruição. pois os elementos do corpo morto vão transformar-se para dar origem a outras vidas. Pensem em um ovo que posto e chocado por uma galinha: este ovo contém um germe.

Observamos a esse respeito. Não existe o ignorante completo. nova negação da negação. Todos os saberes contem uma parte de ignorância. que determinam essa evolução. ao mesmo tempo. unidade de contrarias. e as mudanças nascem desse conflito (negação da negação) assim a mudança (negação da negação) é a solução do conflito”. mas num outro plano mais elevado. as contrarias. A negação é o dissolvente. (afirmação). É preciso estudar a unidade das contrarias contida nas coisas. metafisicamente: “um sábio não é ignorante. então verificamos que a ignorância se torna o saber. Uma coisa não tem nada a ver com a sua contraria. a galinha porá ovos. não poderemos colocá-las em oposição tão rígida. mecanicamente. precisamos evitar querer aplicar em tudo. existe uma unidade de contrarias. ela própria e sua contraria. porque encerram uma contradição interna. Há sempre o que aprender. pelo menos. III – A unidade das contrarias. a verdade e o erro. ela é ao mesmo tempo ela própria e sua contraria. No pintinho. sendo chocado origina sua negação – torna-se pintinho. no decurso deste desenvolvimento do processo. há ignorância no saber. aparece a solução. depois é que com aprendizados vem o saber. uma parte da negação. ao mesmo tempo ela própria. não há saber absoluto. Um sujeito por mais ignorante que seja sabe. Se tomarmos como exemplo o saber e a ignorância. veríamos que em ambos. Mas para a dialética toda coisa é. O que conta. a negação da negação. Quarta lei: Transformação da qualidade e quantidade ou lei do progresso por saltos. rompendo. este simboliza a destruição ou a negação do ovo. O ovo é a afirmação. nesse momento a razão da contradição é eliminada. onde haja contradição. é o principio: a dialética e as suas leis nos fazem estudar as coisas para descobrir sua evolução e as forcas. Uma coisa que se torna sua contraria. porque. reconhecer objetos.Mas a destruição só é uma negação quando é dialética. que regressamos sempre ao ponto de partida. concluiremos. é o que se pensa em geral. I – Exemplo político . se não existissem as coisas não mudariam. Destes partirá então um novo encadeamento de processo. e como conclusão teórica. por exemplo à negação da negação. que cada um contem. Primeiramente reinou a ignorância. e um ignorante não é um sábio”. quando for um produto da afirmação. isto é. diremos: “As coisas mudam. Em uma situação temos a afirmação à negação em conflito pois são contrarias. Para resumir. e isso pode nos deixar em situações críticas. No entanto se analisarmos melhor. e a sua contraria. Podemos retomar os exemplos que já vimos: a vida e a morte. (desenvolvimento em espiral). se dela sair. uma vez que contém em si mesma. e é preciso entender bem isso. e esta equivale a dizer que uma afirmação não é nunca uma afirmação absoluta. E isso é o essencial: é por conterem a sua própria negação que as coisas se transformam. Mas. vemos duas forcas adversas: pintinho e galinha. É preciso compreender bem essa lei dialética que é a contradição. por que nossos conhecimentos são limitados. devemos prestar muita atenção quando explicamos ou aplicamos a lei das contrarias. Há mudança. e suas contrarias. movimento. destruindo a casca. pelos exemplos. Uma coisa não só se transforma na sua contraria. elas próprias. existe sempre um pouco de saber na ignorância. (negação) as contrarias estão em conflito. e quando aparece o terceiro termo. pode existir o saber cem por cento? Não.

e possibilitar o relato de experiências dos profissionais de Psicologia que utilizam o método materialista histórico dialético. se torna um eleito. cujo tema central foi “Método Materialista Histórico Dialético”. As ditaduras militares e conseqüentes opressões e injustiças sociais em que vivia o povo latino-americano serviam de base para o questionamento do papel da pesquisa em Psicologia Social. parecia a nós. quando se torna outra coisa. De 1º a 99º . a mudança é qualitativa. questionava-se como a Psicologia Social poderia dar subsídios à . a água transformasse em vapor. quantidade de calor que tem a água. mas não de qualidade). temos uma mudança quantitativa (no exemplo da água. mas a 0o a água transformasse em gelo. uma mudança de qualidade. que apenas subsidiava a opressão. a manipulação política. mas a 100º. a Psicologia Social na América Latina passa pelo que chamamos de “crise de relevância”. neste período. II – Exemplo cientifico Tomemos por exemplo à água. Psicologia Social e Marxismo Em agosto de 2001 foi realizado na Universidade Estadual Paulista (UNESPBauru/SP) o Encontro de Psicologia Social Comunitária. Se muda a natureza. discutir as possibilidades de atuação do psicólogo envolvido com a comunidade. Partamos de 0º e façamos subir de 1º . Quando uma coisa não muda de natureza. permanece sempre água apenas a temperatura muda é apenas uma mudança quantitativa. a manutenção do status quo" (p. Ele reunirá membros de movimentos sociais e teóricos de diversas áreas de conhecimento. teremos novamente uma mudança continua. O próximo encontro acontecerá em agosto de 2002 e terá como tema central a transformação – transformar o que. No início da década de 70. Se invertermos o processo de 99º descermos até 1º. O evento foi organizado pelo núcleo da Associação Brasileira de Psicologia Social e teve como objetivos analisar a atualidade da teoria marxiana na sociedade contemporânea. que se apresentava na década de 50 como o ramo da Psicologia que contribuiria para resolver os grandes problemas da humanidade. precisa de 4500 votos para obter a maioria absoluta não é eleito com 4499 votos. para quem e como. 2º . continua a ser apenas um candidato. Nesse momento. Quando se transforma em gelo ou vapor. temos uma mudança qualitativa. uma mudança de grau de calor. tanto em relação a seus aspectos teóricos como metodológicos. com um voto a mais a mudança pela quantidade de votos determina uma mudança de qualidade uma vez que o candidato que era. 68). Já não é água. refletir sobre o método materialista histórico dialético e a correspondente metodologia de pesquisa em Psicologia. temos uma mudança brusca. criar espaço para o debate sobre a Psicologia Social Comunitária no mundo contemporâneo. é gelo ou vapor.Um exemplo político da lei do progresso por saltos: Um homem que se apresenta à candidatura a um mandato qualquer. Silvia Lane (1995) comenta: "Ela (psicologia social). 3º até 98º: a mudança é continua iremos ainda até 99º.

Sua formação ampla (filosofia. fundamentalmente. os psicólogos sociais latinoamericanos depararam-se com as obras de Lev Vigotski e seus continuadores Alexis Leontiev. de estudar os processos psicológicos humanos” (p. a Psicologia Social se colocava o desafio da indissociabilidade entre teoria e prática. 22). No final da década de 70 e início da década de 80. Essa preocupação estava presente em diversos países da América Latina e. mais abrangente. mas também do mundo. superambicioso como tudo na época. mas mediada. era criar um novo modo. Vigotski construiu uma ciência psicológica. ao vislumbrar as diversas tentativas reducionistas de explicação do fenômeno psicológico e a incapacidade destas de formular uma Psicologia Geral. 1990).71) A questão da prática e do compromisso político. semiologia. por uma crise metodológica que só poderia ser superada por meio de uma metodologia científica com embasamento na história” (Molon.transformação social. Mas uma sistematização teórica ainda estava por se fazer. portanto. Esses autores que viveram na ex-URSS do começo do século XX. não é viável e nem suficiente sobrepor os postulados filosóficos aos dados científicos (Shuare. e. voltados a uma atuação transformadora. a apropriação legítima do marxismo pela Psicologia não se dava de forma direta. Alexander Luria e todo um grupo de psicólogos soviéticos que haviam sofrido a repressão stalinista. dessa forma. defendeu a tese “de que a crise da Psicologia caracterizava-se. e buscava-se novas metodologias de pesquisa que compreendessem o indivíduo em sua totalidade. deveria avançar na sistematização teórica e. “conseqüentemente. tanto as concepções idealistas como as mecanicistas não davam conta de explicar o fenômeno psicológico em sua totalidade. pedagogia e psicologia) e seu profundo conhecimento sobre a história da Psicologia. na década de 80. entretanto jamais buscou a Psicologia no marxismo ou na aderência de marxismo e Psicologia” (Molon. 1995. multideterminado. “Para Vigotski. medicina. permitiram-lhe a compreensão e a síntese do panorama da ciência psicológica no final do século XIX. 49). direito. Deve-se ter claro que o sistema categorial e o caráter do conhecimento na filosofia e na ciência são diferentes. produzir efeitos práticos ou então se desenvolver numa prática que redundaria numa sistematização teórica”. (Lane. situado historicamente e. história. 1999. literatura. 45). p. permeava as experiências em Psicologia Comunitária. lingüística. ou seja. estética. As mudanças econômicas e políticas provocadas pela revolução russa de 1917 influenciaram em muito a obra desse grupo em que Vigotski destacava-se como líder intelectual. 1999. não só da antiga Rússia. O autor. p. Vigotski buscou resolver os problemas epistemológicos e metodológicos propondo uma Psicologia de base marxista. Vigotski identificou e buscou compreender o que chamou de crise da Psicologia. não sendo possível . p. Luria (1988) faz uma referência a esse período de grande efervescência cultural e intelectual: “Nosso propósito. Por meio do conhecimento do método de Marx. Assim. Para ele. partem da teoria marxista para a construção de uma nova psicologia.

A Psicologia proposta por Vigotski A partir da concepção marxista de Homem e de mundo.” (Tanamachi. o materialismo histórico dialético e os pressupostos explicitados. já que possibilita o desenvolvimento da cultura. É a partir da interação ativa com o mundo que os homens constroem sua subjetividade. o a categoria da atividade: a atividade prática sensível. que fizesse a síntese dos trabalhos anteriormente citados e os superasse (. 92). o método materialista dialético tem uma aplicação fundamental no entendimento dos fenômenos humanos. serviram de guia epistemológico para a psicologia de Vigotski. e seus companheiros Luria e Leontiev. 92). Vigotski.. Essas preocupações os levaram a pesquisar as formas superiores de comportamento. 75). e a entendê-las a partir das relações sociais que o indivíduo estabelece com o mundo. Neste sentido. memória. na década de 80. tais como vinculação e interdependência dos fenômenos. e. “Segundo sua proposta.). que não pode ser confundida com a teoria dos reflexos condicionados de Pavlov. pois este vai ao encontro de duas grandes questões que os psicólogos colocavam à sua ciência: a necessidade de indissociabilidade entre teoria e prática e o compromisso político que deveria permear as atuações profissionais. que se apropria do método materialista histórico dialético. buscam redefinir o método de compreensão do fenômeno humano a ser pesquisado pela psicologia. o a natureza social do homem. o a teoria do reflexo. e sim a construção de uma nova psicologia. A investigação psicológica deve recorrer a princípios da dialética. psicologia histórico-cultural ou psicologia histórico-crítica) e nos aponta alguns elementos: o a concepção materialista da dialética: em vista da complexidade dos fenômenos estudados pela Psicologia. p. “A tarefa diante da qual colocavam-se estes estudiosos soviéticos era a criação de um novo sistema. p. . “cujo reconhecimento implica tomar o homem como produto e produtor das relações sociais historicamente construídas pela humanidade (. 1997. 1997. o objetivo da Psicologia é. essa psicologia aponta alguns caminhos à psicologia social. Shuare (1990) analisa as principais contribuições da filosofia materialista dialética à psicologia sócio-histórica (também conhecida como psicologia soviética. a investigação da origem e do curso do desenvolvimento do comportamento e da consciência” (Tanamachi. é o pressuposto básico da teoria do conhecimento e postula dois princípios fundamentais: a subjetivação do objetivo e a objetivação do subjetivo. Como a psicologia proposta por Vigotski não é uma mera sobreposição da teoria marxista à psicologia. origem multideterminada e constante luta de contrários. p. portanto. pensamento. aqui. tais como linguagem.. a práxis como atividade produtora intencional é o que fundamentalmente nos distingue dos animais e pode-se caracterizar enquanto determinante da essência humana.simplesmente apropriar-se dos conceitos marxistas e usá-los diretamente na ciência psicológica... faremos uma breve conceituação da psicologia sócio-histórica. Dessa forma. atenção.)” (Tanamachi. 1997.

A preocupação em construir uma nova abordagem científica levou os psicólogos soviéticos a criarem novos métodos de investigação e análise. É na realidade concreta que nossas subjetividades são constituídas e. Os produtos da atividade humana são sempre coletivos na medida em que só adquirem um significado a partir da vivência social. fazer um levantamento da história do comportamento.Vigotski buscou compreender os fenômenos psicológicos enquanto “mediações entre a história social e a vida concreta dos indivíduos” (Meira. Por isso não é possível falar de natureza humana como algo a priori. capacidades e características humanas formadas historicamente e a criação contínua de novas aptidões e funções psíquicas” (Meira. p. em virtude de sua complexidade. o que existe. “o desenvolvimento psicológico dos homens é parte do desenvolvimento histórico geral de nossa espécie e assim deve ser entendido. a Psicologia sócio-histórica pôde compreender o homem enquanto ser ativo. 50). indiretamente o Homem se autoproduz. Para Vigotski. O problema do “comportamento fossilizado”: são os comportamentos automatizados ou mecanizados. deve-se estudar os processos em mudança. em oposição à idéia de essência humana é a condição humana. já que é o processo de apropriação da experiência acumulada pelo gênero humano no decurso da história social que permite a cada homem a aquisição das qualidades. p. que é mediada pela linguagem. em sua totalidade. Ao introduzir a questão da atividade prática na constituição da subjetividade humana. Para que possamos compreender esses comportamentos é necessário pesquisar como eles foram construídos. como as ciências positivistas o fazem. 2000. Entendendo o Homem em sua totalidade sócio-histórica e o papel da atividade humana na constituição de subjetividade. a Psicologia crítica enfatiza as possibilidades de transformação por meio da ação dos indivíduos. ou seja. universal e abstrato. Vigotski e seus companheiros estudaram: . que no decorrer da vida perderam sua origem e sua aparência externa. Essas mediações ocorrem através da atividade prática humana. sofrem constantes mudanças. o Explicação versus descrição: ao invés de descrever um fenômeno. Cabe ao pesquisador investigar e compreender como determinado fenômeno desenvolveu-se na história do indivíduo. portanto. “Assim. nada nos dizem sobre sua natureza interna. 51). A partir desses princípios. a aprendizagem é alçada à posição de extrema importância. A aceitação dessa proposição significa termos que encontrar uma nova metodologia para a experimentação psicológica” (1988b. 2000. a psicologia histórico-cultural procura compreendê-lo em sua essência. pois ao produzir suas formas de subsistência. A transmissão e assimilação da cultura são pontos essenciais da psicologia sóciohistórica. 69). social e histórico. Os produtos da atividade humana transformam-se em patrimônio da humanidade na forma de cultura. Vigotski (1988b) propõe alguns princípios necessários à investigação das funções psicológicas superiores: o Analisar processos e não objetos: os processos psicológicos. p. A partir das leis da dialética. Para tanto.

Para Vigotski (1988a) existe o nível de desenvolvimento real ou efetivo e a Zona de desenvolvimento proximal correspondente àquelas atividades que a criança ainda não consegue realizar sozinha. pode estruturar sua consciência. Para Vigotski o desenvolvimento é um processo dinâmico em que se alternam estágios de relativa estabilidade e períodos de mudanças radicais – as crises. Fonte: http://www.php? id_sessao=50&id_publicacao=167&id_indice=1231 .org.int.fmauriciograbois. mas consegue com a ajuda de outra pessoa.o A relação pensamento/linguagem e o problema da comunicação. Citando Vigotski (1988a): “O que a criança pode fazer hoje com o auxílio dos adultos poderá fazê-lo amanhã por si só. como resultado da ação do próprio indivíduo. A linguagem tem papel essencial na formação da consciência. A linguagem enquanto função psíquica superior é primeiramente social. resultado da relação entre as pessoas (criança e os outros). mas também o que produzirá no processo de maturação. Entendendo o desenvolvimento enquanto processo dinâmico pode-se compreender o conceito de Zona de desenvolvimento proximal. 113) A consciência e as emoções. A ação do indivíduo passa a ser mediatizada pela linguagem.” (p. Para Vigotski a consciência humana deve ser estudada como função. pois. determinar os futuros passos da criança e a dinâmica do seu desenvolvimento e examinar não só o que o desenvolvimento já produziu. já que é através dela que o homem pode transmitir suas representações de uma geração a outra. transformando-se em um instrumento regulador do comportamento. o que contraria algumas tendências da psicologia tradicional que a considera substância. pode refletir sobre o mundo que o cria e. A atividade humana é o plano que dá origem à consciência. ao criá-lo. princípio explicativo.br/portal/cdm/revista. entendidas como positivas. o A relação entre aprendizagem e desenvolvimento. A área de desenvolvimento potencial permite-nos. para depois ser interiorizada. já que modificam velhas relações e abrem espaço para a criação de novas possibilidades.

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