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As leis da dialética

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As leis da dialética

Por causa das diferentes interpretações quanto ao número de leis fundamentais do método dialético pelos autores, para facilitar, podemos dizer que são quatro leis: 1. 2. 3. 4. ação recíproca, unidade polar ou "tudo se relaciona"; mudança dialética, negação da negação ou "tudo se transforma"; passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa; interpenetração dos contrários, contradição ou luta dos contrários. P.S.: Deve-se ressaltar que essas regras da dialética são exclusivamente adotadas pela dialética marxista. Ação recíproca Segundo Engels (In: Politizer, 1979:214), a dialética é a "grande idéia fundamental segundo a qual o mundo não deve ser considerado como um complexo de coisas acabadas, mas como um complexo de processos em que as coisas, na aparência estáveis, do mesmo modo que os seus reflexos intelectuais no nosso cérebro, as idéias, passam por uma mudança ininterrupta de devir e decadência, em que finalmente, apesar de todos os insucessos aparentes e retrocessos momentâneos, um desenvolvimento progressivo acaba por se fazer hoje". Isso significa que para a dialética, as coisas não são analisadas na qualidade de objetos fixos, mas em movimento: nenhuma coisa está "acabada", encontrando-se sempre em vias de se transformar, desenvolver; o fim de um processo é sempre o começo de outro. Porém as coisas não existem isoladas, destacadas uma das outras e independentes, mas como um todo unido, coerente. Stalin, pelo metódo de interdependência e ação recíproca, afirma "que o método dialético considera que nenhum fenômeno da natureza pode ser compreendido, quando encarado isoladamente, fora dos fenômenos cincundantes; porque, qualquer fenômeno, não importa em que domínio da natureza, pode ser convertido num contra-senso quando considerado fora das condições que o cercam, quando destacado destas condições; ao contrário, qualquer fenômeno pode ser compreendido e explicado, quando considerado do ponto de vista de sua ligação indissolúvel com os fenômenos que o rodeiam, quando considerado tal como ele é, condicionado pelos fenômenos que o circundam". Politizer et al. citam dois exemplos referentes à primeira lei do método dialético. Determinada mola de metal não pode ser considerada à parte do universo que a rodeia, pois foi produzida pelo homem com o metal extraído da natureza. Ela está sujeita a modificação pelo fato de atuar sobre a gravidade, o calor, a oxidação e assim por diante. Se um pedaço de chumbo for suspenso na mola, este distenderá seu ponto de resistência de modo a formar, junto à mola, um todo, tendo estes interação e conexão recíproca. A mola é formada por moléculas ligadas entre si e quando não pode se distender mais, quebra, ou seja, rompe-se da ligação entre determinadas moléculas. Portanto, a mola não distendida, a distendida e rompida apresentam, de cada vez, um tipo diferente de ligações entre as moléculas. A planta não existe a não ser em unidade e ação que provoca com o meio ambiente. Todos os aspectos da realidade prendem-se por laços necessários e recíprocos.

1979:205). apresenta a caducidade de todas as coisas e em todas as coisas e. "para a dialética não há nada de definitivo. Ora. a natureza é material. mas por intermédio de uma proposição positiva superior . Segundo Engels (In: Politzer. da sociedade e do pensamento.wikipedia. autodinamismo" (Politzer. também. de perene transformação de todas as coisas. "quem diz dialética. proposição positiva: essa proposição se nega ou se transforma em sua contrária . ainda. a lei da unidade e da luta dos contrários . O processo da dupla negação engendra novas coisas ou propriedades: uma nova forma que suprime e contém. do eterno vir-a-ser. O ponto de partida é a tese.é o núcleo. e leva em conta o processo permanente de mudanças. para ela. 1979:2002). mas a negação da negação implica afirmação. gerado por suas contradições internas. simples mistura de contrários. Fonte: http://pt. A característica do desenvolvimento dialético é que ele prossegue através de negações. Contrapõe-se a toda metafisica e. quando a segunda proposição. é negada. enquanto que a consciência e as idéias são reflexos do mundo. por . antítese. de sagrado. Esta lei afirma que a matéria é o principio de todas as coisas e que ela se encontra em perpétuo movimento. da sociedade e de pensamento. Assim. por sua vez. obtém-se a terceira proposição ou síntese. não diz só movimento. que é a negação da tese e antítese.a obtida por meio da dupla negação. Por isso se diz que a mudança dialética é a negação da negação". ao método dialético idealista de Hegel. é negada. A negação da afirmação implica negação. ao mesmo tempo. transformação ou desenvolvimento opera-se por meio das contradições ou mediante a negação de uma coisa . mas.org/wiki/Dial%C3%A9tica _____________________________________________________________________________ Dialético Único método cientifico de conhecimento.essa negação se refere à transformação das coisas. as primitivas propriedades. "Não é a consciência que determina o ser. As leis da dialética são: Unidade e Luta dos Contrários . Para o método do Materialismo Dialético a base do desenvolvimento do mundo é objetiva e real. por isso seria um obstáculo ao desenvolvimento. Segundo Lênin.É uma das leis da dialética e aborda o desenvolvimento da natureza. é a ciência das leis mais gerais do desenvolvimento da natureza.Mudança dialética Todo movimento. nada existe além do processo ininterrupto do devir e do transitório".fonte de todo desenvolvimento . a essência do método dialético.a proposição que nega a primeira é a antítese e constitui a sengunda fase do processo. Contribuição à Crítica da Economia Política). de absoluto. A união dialética não é uma simples adição de propriedades de duas coisas opostas. "Quando se nega algo. A dialetica é a negação da negação. a negação. mas o ser que determina a consciência" (Marx. diz-se não. A oposição entre o método dialético marxista e o método idealista hegeliano expressa a oposição entre as concepções do mundo da burguesia e da classe operária. É parte integrante da filosofia marxista e se constitui num guia para a ação revolucionária do partido proletário.

7 séculos a. s. O método dialético marxista e o materialismo filosófico marxista são partes integrantes do Materialismo Dialético.php? storyid=508 Dialética: gr. vida/morte. surgida da velha. no entrechoque permanente. tampouco deve-se considerar as mudanças quantitativas separadamente das mudanças qualitativas. Para ele a realidade é um constante devir. de maneira correta e abrangente os mais variados fenômenos. proporcionando mudanças e desenvolvimento ininterruptos.org/xkurt/projetos/portaldoadmin/modules/news/article.htmlstaff.. 3.f. Parménedes de Eléia. A divisão do todo em contrários e a sua mútua contraposição ou luta constitui tuna lei universal e fundamental da dialética. autor do livro Tao tö King (o livro do Tao).C. como o fazem os metafísicos para os quais o desenvolvimento é uma. bem/mal. Prevalece a luta dos opostos: frio/calor. . ao envelhecer. mas sempre numa espiral ascendente.força da atração e repulsão dos opostos ou contrários. Assim como não se deve separar o aspecto qualitativo do quantitativo. da velha qualidade pela nova qualidade. Transformação da quantidade em qualidade . Na luta dos contrários. mais rápidos. com mudanças graduais de quantidade que ao atingirem certa medida. A dialética oferece um método cientifico seguro de conhecimento que permite abordar... Heráclito de Éfeso. e ainda descobrir as leis objetivas mais gerais que regem a sua evolução. Método de análise que procura evidenciar as contradições da realidade social e resolvê-las no curso do desenvolvimento histórico. o movimento é uma ilusão.Além da qualidade cada coisa possui também um aspecto quantitativo que se caracteriza por indices quantitativos. simples evolução quantitativa. que se chocam e se renovam num eterno vir-a-ser. regida por leis. "autor" da dialética. 1. Fonte : http://www. outras. tudo é imutável. não é possível banhar-se duas vezes no mesmo rio. Negação da Negação . Quando há um salto qualitativo o novo nega o velho que. Arte do diálogo para atingir a verdade. Ele ensina que para estudar os processos da natureza e da sociedade é preciso considerálos em sua conexão. o velho dá lugar ao novo. pois nem o rio já é o mesmo e nem nós também somos os mesmos.Na dialética marxista compreende-se como negação a substituição. Lao Tsé. em seu condicionamento reciproco. é também negado pelo outro novo que lhe sucede. 2. dentro dos quais a sua qualidade tem existência. antítese e síntese. que se verifica no processo do desenvolvimento. mais lentos às vezes. Desenvolvimento do pensamento por tese. provocam uma mudança de qualidade salto qualitativo. Segundo ele. em seu movimento e transformação.

A antítese está contida na própria tese que é. da disputa e não do isolamento" (GADOTTI. HEGEL concebe o processo racional como um processo dialético no qual a contradição não é considerada como "ilógica". No início da Idade Moderna a dialética foi julgada inútil.pela contradição. partindo do abstrato: a razão domina o mundo e tem por função a unificação. Mas o sentido "método" predominou na Idade Média. ao lado da retórica e gramática e foi considerada uma arte liberal. Hegel chega ao real. P. a maneira de discernir o verdadeiro do falso. a manutenção da ordem do todo. ao concreto. Hegel assim retoma Heráclito. Para ele o método dialético não conduz ao conhecimento. O pensamento não é estático. Marx afirma que não existem fatos em si. mas são apenas atualizações de potencialidades que já preexistiam. Conseguiu conciliar os pensamentos de Heráclito e Parmênides com a teoria sobre o ato e a potência: as mudanças existem. A conciliação existente na síntese é provisória na medida em que ela própria se transforma numa nova tese. à probabilidade. da reflexão coletiva. A primeira será modificada nesse processo de oposição e surgirá uma nova. 1995. pelo modo de produção da vida material. Não é um método para se chegar à verdade. (Kant e Descartes). "paradoxal".Para PLATÃO a dialética é um método de ascensão ao inteligível. A dialética limitar-se-ia ao silogismo. mas à disputa. É o momento negativo de toda realidade.16) Para ARISTÓTELES a dialética é apenas auxiliar da filosofia. PLOTINO a considera uma parte da filosofia e não apenas um método. mas como o verdadeiro motor do pensamento. Uma proposição (tese) não existe sem oposição a outra proposição (antítese). a via natural própria das determinações do conhecimento. a conciliação. Essa razão é dialética. Em Discurso do Método. da tese (afirmação) à antítese (negação) e daí à síntese (conciliação). a dialética não é um método apenas para se chegar à verdade. Pela sua própria atividade. A possibilidade de negar-se a si mesma. é o próprio ser humano que figura como ser produzindo-se a si mesmo. Descartes propõe regras para a análise. a construção da sua história. Tanto Marx como Hegel sustentam a tese de que o movimento se dá pela oposição dos contrários . Para MARX. mas procede por contradições superadas.Mao . método de dedução racional das idéias. A mediação entre ele e o mundo é a atividade material. . pois procede por unidade e oposição dos contrários. uma lógica das aparências. Atividade crítica.é apenas uma aparência da filosofia. da sociedade e da relação ser humano-mundo. justificando que Aristóteles já havia dito tudo sobre a lógica. contraditória. à opinião. "O conhecimento deveria nascer desse encontro (perguntas e respostas). aquilo que tem a possibilidade de não ser. Na dialética materialista expressa em O Capital. A condição para que o Ser Humano se torne Ser Humano é o trabalho. a dialética é uma aplicação científica da conformidade às leis inerentes à natureza e ao pensamento. e de tudo que é finito. Para HEGEL. é uma concepção do ser humano. por isso. para atingir cada elemento do objeto estudado e a síntese ou reconstituição do conjunto.

Para LEFÈBVRE: "A contradição dialética é uma inclusão dos contraditórios um no outro e. encontrando-se. .. ao mesmo tempo. mas com aspectos de uma mesma natureza que é indivisível. duas formas diferentes: uma material e outra ideal. é sempre uma realidade em movimento". as condições de existência social e as distintas modalidades de consciência. que faz com que se choquem.. em ligação e interação com outros fenômenos que o rodeiam. que os opõe. encadeiam-se e determinam-se reciprocamente. Diz HENRI LEFÈBVRE: "o método marxista insiste muito mais claramente do que as metodologias anteriores..Tsetung resume o pensamento de Marx: "a concepção materialista-dialética entende que. No interior de todo fenômeno há contradições. a vida social. deve-se considerar o desenvolvimento dos fenômenos como sendo o seu movimento próprio. as suas contradições. A dialética considera cada objeto com suas características próprias. em seu encadeiamento. alias. (. o seu devir. em seu processo de gênese e envelhecimento". o mundo refletido. 2º) como materialismo. (.. em sua dinâmica. A dialética não é um movimento espiritual que se opera no interior do entendimento humano. a realidade a atingir pela análise. uma exclusão ativa.. das suas relações com os outros fenômenos. que os quebra ou os supera. O materialismo dialético não considera a matéria e o pensamento como princípios isolados. Não existem regras universais fixas. A causa fundamental do desenvolvimento dos fenômenos não é externa. o movimento que engendra os contraditórios. O materialismo dialético considera a forma das idéias tão concretas quanto a forma da natureza. O método dialético tem duplo objetivo: 1º) como dialético. O mundo é sempre uma "visão"do mundo para o Ser Humano. cada fenômeno no seu movimento. a reconstituir pela exposição (síntese). é uma concepção científica que pressupõe que o mundo é uma realidade material (natureza e sociedade). Existe uma determinação recíproca entre as idéias da mente e as condições reais de sua existência "o essencial é que a análise dialética compreenda a maneira pela qual se relacionam. observa as coisas e os fenômenos." O método dialético busca captar a ligação. leis comuns de todos os aspectos da realidade. interno. mas interna. necessário. ela reside no contraditório do interior dos próprios fenômenos. MARX não nega o valor e a necessidade da subjetividade no conhecimento. una e indivisível se exprime em duas formas diferentes: uma material e outra ideal.. estuda as leis mais gerais do universo. a unidade. no estudo do desenvolvimento dum fenômeno deve partir-se do seu conteúdo interno.). . desde a natureza física até o pensamento. na luta de seus contrários. onde o Ser Humano está sempre presente e pode conhecê-la e transformá-la. Ponto de vista marxista de George Politzer: A dialética focaliza as coisas e suas imagens conceituais em suas conexões. daí o seu movimento e desenvolvimento".) no seu movimento contínuo. passando pela natureza viva e pela sociedade.

Dialética do concreto. A afirmação engendra a sua negação. citado por Gadotti) 2º Tudo se transforma (princípio do movimento) Devir. .a natureza se apresenta como um todo coerente. da Idade Média. reproduzindo indefinidamente o processo. É na práxis que o Ser Humano deve demonstrar a verdade. a saber: 1ª . 2ª . isto é. 42.dá-se pelo acúmulo de elementos quantitativos que num dado momento produzem o qualitativamente novo. 4º Unidade e luta dos contrários (Princípio da contradição) .A transformação das coisas só é possível porque. a lei fundamental da dialética. o caráter terreno de seu pensamento. mas também que o todo não pode ser petrificado na abstração situada por cima das partes. que garante a unidade e a continuidade da mudança incessante na natureza e nos fenômenos. p. O indivíduo é condicionado pela sociedade. é a negação da negação. "A compreensão dialética se encontra em relação de intensa interação e conexão entre si e com o todo. no seu próprio interior coexistem forças opostas tendendo simultaneamente à unidade e à oposição.Lei da conversão da quantidade em qualidade: significa que na natureza. na interação das partes" (Karel Kosik. condicionando-se reciprocamente. "A teoria não é um dogma mas um guia para a ação. Alguns princípios gerais ou características da Dialética são hoje aceitos: 1º Tudo se relaciona (Princípio da totalidade) . A contradição é a essencia. a realidade e o poder.A dialética marxista não separa teoria (conhecimento) e prática (ação). esta é a lei da unidade e da luta dos contrários.Lei da negação da negação. visto que o todo se cria a si mesmo. a concepção dialética da história. O calor só pode ser entendido em função do frio. mas prática. ENGELS em a A Dialética da Natureza . onde objetos e fenômenos são ligados entre si. 3ª . Para ele todas as pessoas nascem livres e só uma organização democrática da sociedade levará os indivíduos a se desenvolverem plenamente.formulou três leis gerais da dialética." A questão de saber se cabe ao pensamento humano uma verdade objetiva não é uma questão teórica. A Dialética é uma unidade de contrários Com ROUSSEAU. começa a criar forma. as variações qualitativas podem ser obtidas somente acrescentando-se tirando-se matéria ou movimento por meio de variações quantitativas.Lei da interpenetração dos opostos. que garante que cada síntese é a tese de uma nova antítese. 3º Mudança qualitativa . porém a negação não prevalece como tal: tanto a afirmação como a negação são superadas e o que prevalece é uma síntese. oposta à concepção metafísica.

Em certas fases do próprio pensamento. Apreender os aspectos e movimentos contraditórios. A existência dos contrários não é um absurdo lógico. 3º A Dialética do Conhecimento . ela se funda no real. O princípio que as distingue fundamentalmente é a contradição.independente da existência de projetos. objetivos. LÓGICA FORMAL E LÓGICA DIALÉTICA (Alvaro V."que é uma dialética sujeito-objeto. A lógica dialética parte do princípio (ou lei) da contradição. Penetrar mais fundo do que a simples coexistência observada. Jamais estar satisfeito com o obtido. Não esquecer ainda que o processo de aprofundamento do conhecimento que vai do fenômeno à essência e da essência menos profunda à mais profunda é infinito. apreendendo conexões e movimento. a tendência (o que tende a ser e o que tende a cair no nada) Não esquecer: tudo está ligado a tudo.Projetos humanos nas lutas das classes sociais a realização desses projetos estão ligados a condições materiais.Os elementos contraditórios coesistem numa realidade estruturada. Pinto) "a lógica formal é a lógica da metafísica. Não esquecer também de captar as transições dos aspectos e contradições. o conflito interno das contradições. superar-se: modificar ou rejeitar sua forma. transições no devir. mas apenas aparentemente. a lógica formal parte do seu oposto. o desenvolvimento e o movimento (devir) da coisa. um não podendo existir sem o outro. os objetos e fenômenos estão estáticos. de seus aspectos. Apreender o conjunto das conexões internas da coisa. A Dialética pode ser subdividida em "três níveis"(Mandel) 1º Dialética da Natureza .uma interação insignificante. passagens de uns nos outros. de intenções ou de motivações do homem. o movimento.análise objetiva. Penetrar sempre mais profundamente na riquesa do conteúdo. 2º A Dialética da História .retomar seus momentos superados. revê-los. DIALÉTICA: REGRAS PRÁTICAS Dirigir-se à própria coisa . Para a primeiraos objetos e fenômenos estão em constante movimento e para a segunda. negligenciável num momento pode tornar-se essencial e importante em outro. repeli-los. o resultado de uma interação constante entre os objetos a conhecer e a ação dos sujeitos que procuram compreendê-los". este deverá transformar-se. que não age diretamente sobre a história humana. da lei da não contradição". a coisa como totalidade e unidade dos contrários Analisar a luta. préexistentes e independentes da vontade dos homens.objetiva . remanejar seu conteúdo . assim como a lógica dialética é a lógica da dialética. . com o objetivo de aprofundá-los mediante um passo atrás rumo às suas etapas anteriores .

I – O Movimento Dialético. o reconhecimento da negação e da necessária destruição dele. uma dúvida levada à suspeita. Temos dois modos de estudá-la: Do ponto de vista metafísico e do dialético. (O Capital vol. Fonte: http://www. no movimento na mudança. encerra.br/filosofia/Dial%E9tica. contestadora. Quem diz dialética diz movimento. Exige constantemente o reexame da teoria e a crítica da prática. vimos que a maçã não foi sempre uma maçã. porque apreende. etc. até mesmo rumo ao seu ponto de partida. mudança. A primeira lei da dialética começa por contatar que nada fica onde está nada permanece o que é. as formas em que se configura o devir.htm Primeira lei: A mudança dialética. afirmando-o. se decompor. Ao contrário da metafísica. Os metafísicos descreverão o fruto: Sua forma. causa escândalo e horror à burguesia e aos porta-vozes de sua doutrina. Mas.33) transcrevendo Lefebvrè "Logica formal. Para ter um estudo dialético devemos nos colocar no ponto de vista dialético. por nada se deixa impor. que foi um botão.hd1. social. na sua forma racional. a dialética opõe-se ao dogmatismo. Se cair da macieira ira apodrecer. portanto. de acordo com seu caráter transitório. Não existe nenhum critério de relevância (nem científico. porque parecia sublimar a situação existente. I p. ou seja. ver suas semelhanças s diferenças e por fim concluir uma maçã é uma maçã e uma pêra é uma pêra. é questionadora. Se quisermos estudar a maça dialeticamente. para reconhecer cotidianamente as limitações do pensamento e da teoria. a semente…. é sempre aberta. antes era uma maçã verde. Eis uma maçã. ao mesmo tempo. porque enfim. superando-se constantemente. mas o movimento de sua evolução. nem prático) que possa determinar que um ponto de vista é relativamente mais válido que outro. não no movimento da maçã que rola e cai.(op. 17) A dialética é também uma teoria engajada. nem permanecerá o que é.cit.odialetico. libertará as sementes que se tudo . e é na sua essência. e assim chegaremos até a macieira o broto. ao reducionismo. teórico. por vezes.com. tamanho… falarão de seu gosto etc…depois pode se comparar à maçã com a pêra. cor. que já fora uma flor. estudamo-la no movimento. O professor pensador de sua práxis. porque sua concepção do existente. Devemos constatar que a maçã madura não foi sempre uma maçã madura. deverá manter uma crítica e uma autocrítica constante.e. crítica e revolucionária. e a humildade de que fala PAULO FREIRE. lógica dialética DIALÁTICA E VERDADE: Que garantias pode nos dar a dialética de que estamos no caminho certo para a verdade? Marx afirma: "A dialética mistificada tornou-se moda na Alemanha. inacabada. peso. p. Concluindo.

que não se deve tocar nem discutir. O lápis hoje usado. Para a dialética tudo tem um passado e terá um futuro. Podia. Devia amadurecer. Portanto a maçã não foi e também não ficará sempre o que é. que significa: força que . isto não quer dizer que a dialética despreze tudo. sem resultar uma da outra. Mas há uma diferença entre essas duas historias! A maça verde tornou-se madura. (exemplo da maçã) Para a dialética. Enquanto a arvore de que vem o lápis pode não se tornar prancha. para ela. às transformações da historia. Para a dialética não existe nada de definitivo. E este pode. Portanto para a dialética nada é eterno. É que a maçã tem processo natural. que significa que cai. etc…ela segue o devir. III – O Processo. A madeira da qual o lápis foi feito saiu de uma prancha. perfeito. Não! Uma coisa sagrada é aquela que se considera imutável. à mudança. não existe nenhum poder no mundo nem para alem dele que possa fixar as coisas num estado definitivo. nada é de uma vez para sempre. A sociedade capitalista é sagrada por exemplo. nada existe alem do processo ininterrupto do devir e do transitório. A dialética diz que nada escapa ao movimento. e inevitavelmente uma outra fase se dará (se nada interromper a evolução). se a historia do lápis percorre todas as fases é por uma intervenção estranha – a do homem. Mas o que é o devir? Vimos a historia da maçã. senão o devir. de progredir. depois uma árvore. O que é jovem torna-se velho. Vejamos agora o lápis que também tem sua historia. apresenta a *caducidade de todas as coisas e em todas as coisas. ele próprio não ser afiado. mas só venerar. No caso da maçã uma fase sucede à outra. cair a terra. não existe nada de definitivo. II – Para a dialética não existe nada de definitivo… Para a dialética. universal. ou ato de avançar. Já na historia do lápis uma fase pode não seguir a outra. uma coisa caduca é a que envelhece e deve desaparecer. (Absoluto significa: Que não está submetido a qualquer condição.) Nada de sagrado. constatamos que os encadeamentos que impelem a maçã na sua evolução atuam sob o domínio de forças internas a que chamamos: autodinamismo. e quer dizer marcha em frente. o que hoje tem vida morre amanha. portanto Nada de absoluto. Palavra que vem do latim.correr bem dará um rebento. A maçã possui em seu processo fases que se sucedem. a maçã verde que se tornará madura. e esta não se tornar lápis. No lápis as fases justapõem-se. de absoluto. se decompor e libertar as sementes. portanto. salvo a mudança. eterno. que por conseguinte. se tudo corresse bem. É considerar que nenhuma coisa particular pode ser eterna. Para a dialética o que está caduco já não tem razão de ser. e esta de uma arvore. e. de sagrado. Por que é que a maçã sendo verde se torna madura? Quando examinamos a flor que se tornará maçã. *Caducidade vem de caduco. e não foram sempre o que são. apodrecer. já foi novo. e o que é hoje não é definido. a segunda que deriva da primeira. não se tornar madura? Não. A maçã e o lápis têm cada um a sua historia.

Portanto de processo em processo. a sociedade devem ser vistas como um encadeamento de processos. apodreceu. este processo encadeia-se . Temos assim. Por que era protetor do operariado? Por que era marxista. Se tomarmos novamente o exemplo do lápis a prancha torna-se lápis certamente houve a mudança. foi preciso a intervenção do homem para torná-lo lápis. quem foi Brecht? Teremos outra resposta que pode ser simples: Poeta e dramaturgo alemão. Tomemos agora o teatro épico como exemplo. e o motor que trabalha para desenvolver tal encadeamento é o autodinamismo. Para dizer a verdade ele já começa no ultimo da peça precedente. . mas será ela dialética? Não. Nossas pesquisas devem nos levar até a árvore. em todas as coisas. De onde ela vem? Da maçã. Devemos por tanto fixar que: a ciência. Sabemos da divisão da sociedade em classes vem de um processo que já estudamos. e isto nos leva a estudar as condições do solo. Temos o que se chama: Um . É a lei da ação recíproca. passando do processo da maçã ao da árvore. nascido em Augsburg. No fim de uma peça de teatro do mundo. Teremos então outra pergunta. portanto quem diz dialética não diz só movimento. em 1898 fez-se. que se opõe à ilusão cênica da forma dramática convencional. que nos demonstra que tudo influi sobre tudo. Quando o lápis era ainda prancha . É preciso entender que as coisas não são tão simples. sem o homem a arvore não seria cortada e essa não seria transformada em prancha que por sua vez não viria a ser um lápis. pomos o problema de pesquisa também para esta. o grande inimigo do nazismo. É necessário considerar as coisas como nunca tendo cena final. chegamos ao exame das condições de existência do capitalismo. O que constatamos é a existência. do ar. do encadeamento de processos que se produzem pela forca interna (o autodinamismo). e teremos a resposta inicial: que é uma forma de teatro desenvolvida por Bertold Brecht. as influencias do sol. Mais ainda: indagando de onde vem o marxismo. mas também autodinamismo. Da maçã que caiu. um encadeamento de processos. seremos levados a constatar que essa doutrina é a própria consciência do proletário. do qual era fanático protetor. Mas. Então de onde vem o marxismo? Vemos pois que a pesquisa do encadeamento de processos nos conduz a estudos minuciosos e completos. a natureza. começa o primeiro ato de uma outra. Não houve autodinamismo. Segunda lei a ação recíproca I – O encadeamento de processos Vimos na historia da maçã o que é um processo. por sua vez no do solo. Se estudarmos do ponto de vista dialético procuraremos de onde vem. chegamos novamente ao operariado de que nos referimos ao falar de Brecht poremos então a pergunta: de onde vem o proletariado? Sabemos que veio de um sistema econômico: o capitalismo. Essa mudança não é dialética. vemos pois que o proletário existe. mecânica. Para a dialética insistimos nisso: nada está acabado. através de seus textos. Podemos constatar que nem todo movimento é dialético. mas. etc… Partindo do processo da maçã somos conduzidos ao exame do solo. liberou as sementes. Isto vai nos permitir estudar a segunda lei da dialética: a lei da ação recíproca. por que nunca a prancha se transformaria sozinha em lápis. Seus objetivos principais resumiam-se no operariado.vem do próprio ser.encadeamento de processos. Retomemos esse exemplo. Seu cunho é narrativo e didático e utiliza uma serie de recursos teatrais para levar o espectador a refletir.

Mas vejamos como se põe o problema. é a missão em particular do materialismo dialético – reunir todas as descobertas particulares de cada ciência. mas varias. Não há nada de comum entre elas não se pode estar ao mesmo tempo vivo e morto. mas em um outro plano. a morte. teremos: Uma árvore que dá maçãs. e a morte é a morte. não por que queremos ver as coisas assim. e dar assim. ao mesmo ponto de partida. De onde vem à maçã? Da árvore. Do mesmo modo se partimos da arvore. . Cabe a filosofia dar uma explicação do mundo e dos problemas mais gerais. Se examinarmos a morte. Correto? Não. e maçãs que darão árvores. pois são coisas opostas. Normalmente consideramos as coisas de um modo isolado. E acabaremos por concluir: ávida é a vida. não seria um processo e sim um circulo. Por que é que o que nasce é. Usamos a imagem da espiral para fixar as idéias. Se examinarmos um pouco mais de perto o processo que começamos a conhecer . a natureza a sociedade constituem um desenvolvimento que é histórico.II – O desenvolvimento Histórico ou em espiral. O ponto de vista ampliose. voltamos à maçã. Não podemos esquecer que o motor que põe em movimento esta espiral é o autodinamismo. faremos da mesma maneira. uma teoria que nos torne cada vez mais. vemos as coisas apenas por um lado. dá origem a uma ou mais árvores. voltam um pouco acima. a que chamaremos desenvolvimento histórico. portanto obrigado a morrer? Eis uma grande lei da dialética. mestres e possuidores da natureza. cada arvore não dá uma maçã. num outro plano. para fazer a síntese. como as aparências pretendiam mostra mas um processo de desenvolvimento. e assim sucessivamente. em linguagem filosófica. Se considerássemos as coisas assim. Terceira lei: a contradição I – As coisas se transformam na sua contraria A dialética nos ensina que as coisas não são eternas: tem um começo meio e fim. o que dá uma espiral ascendente. mas num outro plano. vemos que a maçã é o resultado de uma serie de processos. mas não voltam ao ponto de partida. se chama desenvolvimento em espiral. e. (retorno ao eterno). Examinamos as coisas desta maneira pois temos uma concepção metafísica do mundo. que devemos confrontar. é uma comparação para ilustrar que as ciências evoluem segundo um processo circular. De onde vem à árvore? Da maçã. Também aqui voltamos à árvore. Não voltamos. O mundo. Podemos portanto pensar que existe um circulo vicioso onde voltamos sempre ao mesmo ponto. portanto. quando pesquisamos vida fazemos isso sem relacioná-la com qualquer outro fenômeno. Eis uma maçã. Não temos pois um circulo. inteiramente opostas uma a outra. como dizia Descartes. Esta se decompondo.

Uma coisa começa por ser uma afirmação que sai de uma negação. negação – ou Antítese. mas também a sua contraria. Desenvolvendo-se dará um pintinho. que era a negação do ovo. ela própria e sua contraria. a que tende para que permaneça ovo. É necessário fazer aqui uma distinção o que se chama contradição verbal – que significa responder Não quando alguém lhe diz Sim – a que acabamos de ver é a contradição dialética. Assim. Vemos. O pintinho é a afirmação resultante de negação do ovo. os homens imaginavam uma luta entre deuses para tentar explicar o por e o nascer do sol. Assim no interior de cada coisa existem forças opostas. Veremos que no ovo existem duas forças. Mas as ciências dão parcialmente razão a este raciocínio. existe aqui a afirmação e a negação. portanto vida e morte. o destrói. uma vez que a experiência e a realidade nos mostram que a morte continua a vida. A destruição é uma negação. e outra para que continue sendo pintinho. A galinha será. será que o erro se transforma em verdade? Na antiguidade. pois. haverá novamente uma luta para que o pintinho se torne galinha. notamos que este é composto de células que desaparecem e aparecem no mesmo lugar. e a que tende para que se torne pintinho. e estas lutam. A frase que era exata tornou-se um erro. A própria vida só é possível pela continua substituição de células que morrem por outras que nascem. Vemos que a verdade se transforma em erro. uma vez que nascendo. E a vida também pode sair do morto. uma coisa não é apenas ela pura e simplesmente. A galinha por sua vez será a transformação do pintinho. dizendo que há realmente forças (físicas) que fazem mover o sol. Toda coisa é ao mesmo tempo. portanto em desacordo consigo próprio. que a uma certa temperatura se desenvolve. negação da negação – ou Síntese. Uma tende para a afirmação (vida) e a outra para a negação (morte). pensamos não há nada de comum entre eles. Não podemos separar tão brutalmente a vida e a morte. Se examinarmos a verdade e o erro. O pintinho é a negação do ovo. pois os elementos do corpo morto vão transformar-se para dar origem a outras vidas. Observando de perto um ser vivo. sobretudo no Egito. afirmação – ovo negação – pintinho negação da negação – galinha afirmação – chamado também Tese. portanto a negação do pintinho. Pensem em um ovo que posto e chocado por uma galinha: este ovo contém um germe.mas por que essa visão esta enraizada em nós pela nossa formação cristã. . isto é. por vezes nem terminamos de completar a frase e já não chove. nos fatos nas coisas. era um erro quando se colocava a questão da luta dos deuses. negação e negação da negação.esta foi uma fase do processo. chove!” acontece que. e um erro é um erro. que a morte vem do vivo. onde existe. Vivem e morrem sem cessar em um ser vivo. Uma coisa é movida por forças que se chocam pois estas estão em direções opostas. que o erro não está oposto à verdade. desse modo o germe já é a negação do ovo. A verdade é a verdade. as coisas não só se transformam umas nas outras. Se dissermos: “Olha. II – afirmação. Assim a contradição verbal quer dizer não a contradição dialética quer dizer destruição. O ovo está.

Mas. pelos exemplos. É preciso estudar a unidade das contrarias contida nas coisas. isto é. é o principio: a dialética e as suas leis nos fazem estudar as coisas para descobrir sua evolução e as forcas. Primeiramente reinou a ignorância. Uma coisa não tem nada a ver com a sua contraria. e as mudanças nascem desse conflito (negação da negação) assim a mudança (negação da negação) é a solução do conflito”. e quando aparece o terceiro termo. e um ignorante não é um sábio”. este simboliza a destruição ou a negação do ovo. devemos prestar muita atenção quando explicamos ou aplicamos a lei das contrarias. movimento. mecanicamente. não poderemos colocá-las em oposição tão rígida. há ignorância no saber. É preciso compreender bem essa lei dialética que é a contradição. O que conta. destruindo a casca. Mas para a dialética toda coisa é. aparece a solução. e como conclusão teórica. ela é ao mesmo tempo ela própria e sua contraria. Para resumir. uma parte da negação. ela própria e sua contraria. concluiremos. no decurso deste desenvolvimento do processo. Um sujeito por mais ignorante que seja sabe. elas próprias. ao mesmo tempo. diremos: “As coisas mudam. precisamos evitar querer aplicar em tudo. a galinha porá ovos. unidade de contrarias. (desenvolvimento em espiral). que regressamos sempre ao ponto de partida. que cada um contem. então verificamos que a ignorância se torna o saber. Há sempre o que aprender. Todos os saberes contem uma parte de ignorância. não há saber absoluto. existe uma unidade de contrarias. e é preciso entender bem isso. e a sua contraria. se não existissem as coisas não mudariam. por que nossos conhecimentos são limitados. Se tomarmos como exemplo o saber e a ignorância. (afirmação). e suas contrarias. O ovo é a afirmação. pelo menos. ao mesmo tempo ela própria. Destes partirá então um novo encadeamento de processo. por exemplo à negação da negação. Em uma situação temos a afirmação à negação em conflito pois são contrarias. a negação da negação. veríamos que em ambos. Não existe o ignorante completo. Podemos retomar os exemplos que já vimos: a vida e a morte. A negação é o dissolvente. e esta equivale a dizer que uma afirmação não é nunca uma afirmação absoluta. onde haja contradição. No entanto se analisarmos melhor. III – A unidade das contrarias. (negação) as contrarias estão em conflito. Uma coisa não só se transforma na sua contraria. E isso é o essencial: é por conterem a sua própria negação que as coisas se transformam. quando for um produto da afirmação. rompendo.Mas a destruição só é uma negação quando é dialética. sendo chocado origina sua negação – torna-se pintinho. a verdade e o erro. que determinam essa evolução. depois é que com aprendizados vem o saber. metafisicamente: “um sábio não é ignorante. Quarta lei: Transformação da qualidade e quantidade ou lei do progresso por saltos. nova negação da negação. porque encerram uma contradição interna. nesse momento a razão da contradição é eliminada. I – Exemplo político . e isso pode nos deixar em situações críticas. Observamos a esse respeito. se dela sair. Há mudança. vemos duas forcas adversas: pintinho e galinha. mas num outro plano mais elevado. uma vez que contém em si mesma. as contrarias. é o que se pensa em geral. pode existir o saber cem por cento? Não. reconhecer objetos. Uma coisa que se torna sua contraria. existe sempre um pouco de saber na ignorância. No pintinho. porque.

precisa de 4500 votos para obter a maioria absoluta não é eleito com 4499 votos. mas não de qualidade). criar espaço para o debate sobre a Psicologia Social Comunitária no mundo contemporâneo. Quando uma coisa não muda de natureza. quantidade de calor que tem a água. a manutenção do status quo" (p. que se apresentava na década de 50 como o ramo da Psicologia que contribuiria para resolver os grandes problemas da humanidade. se torna um eleito. O evento foi organizado pelo núcleo da Associação Brasileira de Psicologia Social e teve como objetivos analisar a atualidade da teoria marxiana na sociedade contemporânea. Quando se transforma em gelo ou vapor. questionava-se como a Psicologia Social poderia dar subsídios à . Já não é água. Nesse momento. temos uma mudança qualitativa. temos uma mudança quantitativa (no exemplo da água. a água transformasse em vapor. a Psicologia Social na América Latina passa pelo que chamamos de “crise de relevância”. Partamos de 0º e façamos subir de 1º . é gelo ou vapor. parecia a nós. continua a ser apenas um candidato. discutir as possibilidades de atuação do psicólogo envolvido com a comunidade. quando se torna outra coisa. que apenas subsidiava a opressão. Silvia Lane (1995) comenta: "Ela (psicologia social). a manipulação política. uma mudança de qualidade. com um voto a mais a mudança pela quantidade de votos determina uma mudança de qualidade uma vez que o candidato que era. mas a 100º. De 1º a 99º . a mudança é qualitativa. Psicologia Social e Marxismo Em agosto de 2001 foi realizado na Universidade Estadual Paulista (UNESPBauru/SP) o Encontro de Psicologia Social Comunitária. tanto em relação a seus aspectos teóricos como metodológicos. permanece sempre água apenas a temperatura muda é apenas uma mudança quantitativa. cujo tema central foi “Método Materialista Histórico Dialético”. O próximo encontro acontecerá em agosto de 2002 e terá como tema central a transformação – transformar o que. mas a 0o a água transformasse em gelo. para quem e como. uma mudança de grau de calor. 68). teremos novamente uma mudança continua. neste período. II – Exemplo cientifico Tomemos por exemplo à água. temos uma mudança brusca. Se invertermos o processo de 99º descermos até 1º. Se muda a natureza. e possibilitar o relato de experiências dos profissionais de Psicologia que utilizam o método materialista histórico dialético.Um exemplo político da lei do progresso por saltos: Um homem que se apresenta à candidatura a um mandato qualquer. 3º até 98º: a mudança é continua iremos ainda até 99º. 2º . No início da década de 70. Ele reunirá membros de movimentos sociais e teóricos de diversas áreas de conhecimento. refletir sobre o método materialista histórico dialético e a correspondente metodologia de pesquisa em Psicologia. As ditaduras militares e conseqüentes opressões e injustiças sociais em que vivia o povo latino-americano serviam de base para o questionamento do papel da pesquisa em Psicologia Social.

dessa forma. história. Para ele. e buscava-se novas metodologias de pesquisa que compreendessem o indivíduo em sua totalidade. No final da década de 70 e início da década de 80. lingüística. Mas uma sistematização teórica ainda estava por se fazer. pedagogia e psicologia) e seu profundo conhecimento sobre a história da Psicologia. medicina. os psicólogos sociais latinoamericanos depararam-se com as obras de Lev Vigotski e seus continuadores Alexis Leontiev. Vigotski identificou e buscou compreender o que chamou de crise da Psicologia. tanto as concepções idealistas como as mecanicistas não davam conta de explicar o fenômeno psicológico em sua totalidade. a apropriação legítima do marxismo pela Psicologia não se dava de forma direta. (Lane. mais abrangente. portanto. por uma crise metodológica que só poderia ser superada por meio de uma metodologia científica com embasamento na história” (Molon.transformação social. deveria avançar na sistematização teórica e. “conseqüentemente. era criar um novo modo. 1990). não só da antiga Rússia. defendeu a tese “de que a crise da Psicologia caracterizava-se. não é viável e nem suficiente sobrepor os postulados filosóficos aos dados científicos (Shuare. situado historicamente e. partem da teoria marxista para a construção de uma nova psicologia. Sua formação ampla (filosofia. “Para Vigotski. voltados a uma atuação transformadora. fundamentalmente. 1995. permeava as experiências em Psicologia Comunitária. 49). permitiram-lhe a compreensão e a síntese do panorama da ciência psicológica no final do século XIX. Essa preocupação estava presente em diversos países da América Latina e. de estudar os processos psicológicos humanos” (p. mas também do mundo. Deve-se ter claro que o sistema categorial e o caráter do conhecimento na filosofia e na ciência são diferentes. Luria (1988) faz uma referência a esse período de grande efervescência cultural e intelectual: “Nosso propósito. p. entretanto jamais buscou a Psicologia no marxismo ou na aderência de marxismo e Psicologia” (Molon. 22).71) A questão da prática e do compromisso político. Assim. multideterminado. na década de 80. direito. estética. 45). As mudanças econômicas e políticas provocadas pela revolução russa de 1917 influenciaram em muito a obra desse grupo em que Vigotski destacava-se como líder intelectual. a Psicologia Social se colocava o desafio da indissociabilidade entre teoria e prática. Por meio do conhecimento do método de Marx. superambicioso como tudo na época. 1999. mas mediada. O autor. ou seja. Esses autores que viveram na ex-URSS do começo do século XX. literatura. p. não sendo possível . e. produzir efeitos práticos ou então se desenvolver numa prática que redundaria numa sistematização teórica”. Vigotski construiu uma ciência psicológica. Alexander Luria e todo um grupo de psicólogos soviéticos que haviam sofrido a repressão stalinista. ao vislumbrar as diversas tentativas reducionistas de explicação do fenômeno psicológico e a incapacidade destas de formular uma Psicologia Geral. 1999. semiologia. Vigotski buscou resolver os problemas epistemológicos e metodológicos propondo uma Psicologia de base marxista. p.

92). e sim a construção de uma nova psicologia. “Segundo sua proposta. e. 75). “A tarefa diante da qual colocavam-se estes estudiosos soviéticos era a criação de um novo sistema. . o a categoria da atividade: a atividade prática sensível. p. “cujo reconhecimento implica tomar o homem como produto e produtor das relações sociais historicamente construídas pela humanidade (. A investigação psicológica deve recorrer a princípios da dialética. 1997.. pensamento.. serviram de guia epistemológico para a psicologia de Vigotski. memória. 92). Neste sentido. faremos uma breve conceituação da psicologia sócio-histórica. essa psicologia aponta alguns caminhos à psicologia social. já que possibilita o desenvolvimento da cultura. Essas preocupações os levaram a pesquisar as formas superiores de comportamento. p. o a teoria do reflexo. na década de 80. buscam redefinir o método de compreensão do fenômeno humano a ser pesquisado pela psicologia. a práxis como atividade produtora intencional é o que fundamentalmente nos distingue dos animais e pode-se caracterizar enquanto determinante da essência humana. que se apropria do método materialista histórico dialético. 1997.. o método materialista dialético tem uma aplicação fundamental no entendimento dos fenômenos humanos. Shuare (1990) analisa as principais contribuições da filosofia materialista dialética à psicologia sócio-histórica (também conhecida como psicologia soviética. o a natureza social do homem. e seus companheiros Luria e Leontiev. É a partir da interação ativa com o mundo que os homens constroem sua subjetividade. aqui. tais como vinculação e interdependência dos fenômenos. psicologia histórico-cultural ou psicologia histórico-crítica) e nos aponta alguns elementos: o a concepção materialista da dialética: em vista da complexidade dos fenômenos estudados pela Psicologia. o materialismo histórico dialético e os pressupostos explicitados.” (Tanamachi.simplesmente apropriar-se dos conceitos marxistas e usá-los diretamente na ciência psicológica. o objetivo da Psicologia é. atenção. Dessa forma. Como a psicologia proposta por Vigotski não é uma mera sobreposição da teoria marxista à psicologia. portanto. e a entendê-las a partir das relações sociais que o indivíduo estabelece com o mundo. pois este vai ao encontro de duas grandes questões que os psicólogos colocavam à sua ciência: a necessidade de indissociabilidade entre teoria e prática e o compromisso político que deveria permear as atuações profissionais. é o pressuposto básico da teoria do conhecimento e postula dois princípios fundamentais: a subjetivação do objetivo e a objetivação do subjetivo. que fizesse a síntese dos trabalhos anteriormente citados e os superasse (. Vigotski. A Psicologia proposta por Vigotski A partir da concepção marxista de Homem e de mundo.).)” (Tanamachi. 1997. a investigação da origem e do curso do desenvolvimento do comportamento e da consciência” (Tanamachi. que não pode ser confundida com a teoria dos reflexos condicionados de Pavlov. origem multideterminada e constante luta de contrários.. tais como linguagem. p.

“Assim. a Psicologia sócio-histórica pôde compreender o homem enquanto ser ativo. pois ao produzir suas formas de subsistência. nada nos dizem sobre sua natureza interna. já que é o processo de apropriação da experiência acumulada pelo gênero humano no decurso da história social que permite a cada homem a aquisição das qualidades. A preocupação em construir uma nova abordagem científica levou os psicólogos soviéticos a criarem novos métodos de investigação e análise. Vigotski e seus companheiros estudaram: . A partir das leis da dialética. Para tanto. É na realidade concreta que nossas subjetividades são constituídas e. A aceitação dessa proposição significa termos que encontrar uma nova metodologia para a experimentação psicológica” (1988b. Entendendo o Homem em sua totalidade sócio-histórica e o papel da atividade humana na constituição de subjetividade. capacidades e características humanas formadas historicamente e a criação contínua de novas aptidões e funções psíquicas” (Meira. o Explicação versus descrição: ao invés de descrever um fenômeno. Para que possamos compreender esses comportamentos é necessário pesquisar como eles foram construídos. indiretamente o Homem se autoproduz. fazer um levantamento da história do comportamento. Cabe ao pesquisador investigar e compreender como determinado fenômeno desenvolveu-se na história do indivíduo. Para Vigotski. que é mediada pela linguagem. social e histórico. 51). sofrem constantes mudanças. Ao introduzir a questão da atividade prática na constituição da subjetividade humana. portanto. em virtude de sua complexidade. ou seja. 50). como as ciências positivistas o fazem. universal e abstrato. “o desenvolvimento psicológico dos homens é parte do desenvolvimento histórico geral de nossa espécie e assim deve ser entendido. Vigotski (1988b) propõe alguns princípios necessários à investigação das funções psicológicas superiores: o Analisar processos e não objetos: os processos psicológicos. 69). Os produtos da atividade humana são sempre coletivos na medida em que só adquirem um significado a partir da vivência social. em sua totalidade. a psicologia histórico-cultural procura compreendê-lo em sua essência. Por isso não é possível falar de natureza humana como algo a priori. p. Essas mediações ocorrem através da atividade prática humana. A partir desses princípios. Os produtos da atividade humana transformam-se em patrimônio da humanidade na forma de cultura. A transmissão e assimilação da cultura são pontos essenciais da psicologia sóciohistórica. a Psicologia crítica enfatiza as possibilidades de transformação por meio da ação dos indivíduos.Vigotski buscou compreender os fenômenos psicológicos enquanto “mediações entre a história social e a vida concreta dos indivíduos” (Meira. a aprendizagem é alçada à posição de extrema importância. p. em oposição à idéia de essência humana é a condição humana. deve-se estudar os processos em mudança. 2000. 2000. p. O problema do “comportamento fossilizado”: são os comportamentos automatizados ou mecanizados. o que existe. que no decorrer da vida perderam sua origem e sua aparência externa.

A área de desenvolvimento potencial permite-nos. já que modificam velhas relações e abrem espaço para a criação de novas possibilidades.php? id_sessao=50&id_publicacao=167&id_indice=1231 .o A relação pensamento/linguagem e o problema da comunicação. entendidas como positivas. pode refletir sobre o mundo que o cria e. mas consegue com a ajuda de outra pessoa. princípio explicativo. Para Vigotski a consciência humana deve ser estudada como função. já que é através dela que o homem pode transmitir suas representações de uma geração a outra.org. Para Vigotski (1988a) existe o nível de desenvolvimento real ou efetivo e a Zona de desenvolvimento proximal correspondente àquelas atividades que a criança ainda não consegue realizar sozinha. Citando Vigotski (1988a): “O que a criança pode fazer hoje com o auxílio dos adultos poderá fazê-lo amanhã por si só. Para Vigotski o desenvolvimento é um processo dinâmico em que se alternam estágios de relativa estabilidade e períodos de mudanças radicais – as crises.int. determinar os futuros passos da criança e a dinâmica do seu desenvolvimento e examinar não só o que o desenvolvimento já produziu. Fonte: http://www. Entendendo o desenvolvimento enquanto processo dinâmico pode-se compreender o conceito de Zona de desenvolvimento proximal. A linguagem enquanto função psíquica superior é primeiramente social. pois. como resultado da ação do próprio indivíduo. ao criá-lo. A ação do indivíduo passa a ser mediatizada pela linguagem. A atividade humana é o plano que dá origem à consciência.br/portal/cdm/revista. pode estruturar sua consciência.” (p.fmauriciograbois. resultado da relação entre as pessoas (criança e os outros). transformando-se em um instrumento regulador do comportamento. A linguagem tem papel essencial na formação da consciência. 113) A consciência e as emoções. o que contraria algumas tendências da psicologia tradicional que a considera substância. mas também o que produzirá no processo de maturação. para depois ser interiorizada. o A relação entre aprendizagem e desenvolvimento.

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