As leis da dialética

Por causa das diferentes interpretações quanto ao número de leis fundamentais do método dialético pelos autores, para facilitar, podemos dizer que são quatro leis: 1. 2. 3. 4. ação recíproca, unidade polar ou "tudo se relaciona"; mudança dialética, negação da negação ou "tudo se transforma"; passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa; interpenetração dos contrários, contradição ou luta dos contrários. P.S.: Deve-se ressaltar que essas regras da dialética são exclusivamente adotadas pela dialética marxista. Ação recíproca Segundo Engels (In: Politizer, 1979:214), a dialética é a "grande idéia fundamental segundo a qual o mundo não deve ser considerado como um complexo de coisas acabadas, mas como um complexo de processos em que as coisas, na aparência estáveis, do mesmo modo que os seus reflexos intelectuais no nosso cérebro, as idéias, passam por uma mudança ininterrupta de devir e decadência, em que finalmente, apesar de todos os insucessos aparentes e retrocessos momentâneos, um desenvolvimento progressivo acaba por se fazer hoje". Isso significa que para a dialética, as coisas não são analisadas na qualidade de objetos fixos, mas em movimento: nenhuma coisa está "acabada", encontrando-se sempre em vias de se transformar, desenvolver; o fim de um processo é sempre o começo de outro. Porém as coisas não existem isoladas, destacadas uma das outras e independentes, mas como um todo unido, coerente. Stalin, pelo metódo de interdependência e ação recíproca, afirma "que o método dialético considera que nenhum fenômeno da natureza pode ser compreendido, quando encarado isoladamente, fora dos fenômenos cincundantes; porque, qualquer fenômeno, não importa em que domínio da natureza, pode ser convertido num contra-senso quando considerado fora das condições que o cercam, quando destacado destas condições; ao contrário, qualquer fenômeno pode ser compreendido e explicado, quando considerado do ponto de vista de sua ligação indissolúvel com os fenômenos que o rodeiam, quando considerado tal como ele é, condicionado pelos fenômenos que o circundam". Politizer et al. citam dois exemplos referentes à primeira lei do método dialético. Determinada mola de metal não pode ser considerada à parte do universo que a rodeia, pois foi produzida pelo homem com o metal extraído da natureza. Ela está sujeita a modificação pelo fato de atuar sobre a gravidade, o calor, a oxidação e assim por diante. Se um pedaço de chumbo for suspenso na mola, este distenderá seu ponto de resistência de modo a formar, junto à mola, um todo, tendo estes interação e conexão recíproca. A mola é formada por moléculas ligadas entre si e quando não pode se distender mais, quebra, ou seja, rompe-se da ligação entre determinadas moléculas. Portanto, a mola não distendida, a distendida e rompida apresentam, de cada vez, um tipo diferente de ligações entre as moléculas. A planta não existe a não ser em unidade e ação que provoca com o meio ambiente. Todos os aspectos da realidade prendem-se por laços necessários e recíprocos.

antítese. mas o ser que determina a consciência" (Marx. nada existe além do processo ininterrupto do devir e do transitório". "Quando se nega algo. A dialetica é a negação da negação. "para a dialética não há nada de definitivo. É parte integrante da filosofia marxista e se constitui num guia para a ação revolucionária do partido proletário. 1979:205). Segundo Engels (In: Politzer. gerado por suas contradições internas. Por isso se diz que a mudança dialética é a negação da negação". Assim. Contribuição à Crítica da Economia Política). autodinamismo" (Politzer. por sua vez. mas. proposição positiva: essa proposição se nega ou se transforma em sua contrária . Esta lei afirma que a matéria é o principio de todas as coisas e que ela se encontra em perpétuo movimento. ainda.org/wiki/Dial%C3%A9tica _____________________________________________________________________________ Dialético Único método cientifico de conhecimento. Contrapõe-se a toda metafisica e. mas a negação da negação implica afirmação. da sociedade e de pensamento. apresenta a caducidade de todas as coisas e em todas as coisas e. O processo da dupla negação engendra novas coisas ou propriedades: uma nova forma que suprime e contém. obtém-se a terceira proposição ou síntese. ao método dialético idealista de Hegel. Fonte: http://pt. A característica do desenvolvimento dialético é que ele prossegue através de negações. que é a negação da tese e antítese. "quem diz dialética.essa negação se refere à transformação das coisas. é a ciência das leis mais gerais do desenvolvimento da natureza. ao mesmo tempo. de perene transformação de todas as coisas. do eterno vir-a-ser. As leis da dialética são: Unidade e Luta dos Contrários . por . Segundo Lênin.é o núcleo. quando a segunda proposição. A oposição entre o método dialético marxista e o método idealista hegeliano expressa a oposição entre as concepções do mundo da burguesia e da classe operária. a negação.fonte de todo desenvolvimento . simples mistura de contrários.Mudança dialética Todo movimento. "Não é a consciência que determina o ser. e leva em conta o processo permanente de mudanças. a natureza é material. enquanto que a consciência e as idéias são reflexos do mundo. as primitivas propriedades. de sagrado. A união dialética não é uma simples adição de propriedades de duas coisas opostas. A negação da afirmação implica negação.a obtida por meio da dupla negação. para ela. Para o método do Materialismo Dialético a base do desenvolvimento do mundo é objetiva e real. mas por intermédio de uma proposição positiva superior . de absoluto. da sociedade e do pensamento. Ora. também. O ponto de partida é a tese.É uma das leis da dialética e aborda o desenvolvimento da natureza.a proposição que nega a primeira é a antítese e constitui a sengunda fase do processo. é negada. a essência do método dialético.wikipedia. a lei da unidade e da luta dos contrários . por isso seria um obstáculo ao desenvolvimento. é negada. não diz só movimento. transformação ou desenvolvimento opera-se por meio das contradições ou mediante a negação de uma coisa . diz-se não. 1979:2002).

php? storyid=508 Dialética: gr.Além da qualidade cada coisa possui também um aspecto quantitativo que se caracteriza por indices quantitativos. surgida da velha. no entrechoque permanente.. proporcionando mudanças e desenvolvimento ininterruptos. mais rápidos. mais lentos às vezes. em seu condicionamento reciproco. não é possível banhar-se duas vezes no mesmo rio. Ele ensina que para estudar os processos da natureza e da sociedade é preciso considerálos em sua conexão. O método dialético marxista e o materialismo filosófico marxista são partes integrantes do Materialismo Dialético. Arte do diálogo para atingir a verdade. 3. tampouco deve-se considerar as mudanças quantitativas separadamente das mudanças qualitativas. outras. . Parménedes de Eléia. simples evolução quantitativa. Método de análise que procura evidenciar as contradições da realidade social e resolvê-las no curso do desenvolvimento histórico. provocam uma mudança de qualidade salto qualitativo. de maneira correta e abrangente os mais variados fenômenos. Na luta dos contrários. o movimento é uma ilusão. Quando há um salto qualitativo o novo nega o velho que. Fonte : http://www. 1. Assim como não se deve separar o aspecto qualitativo do quantitativo. autor do livro Tao tö King (o livro do Tao). pois nem o rio já é o mesmo e nem nós também somos os mesmos. Lao Tsé.. que se chocam e se renovam num eterno vir-a-ser. A divisão do todo em contrários e a sua mútua contraposição ou luta constitui tuna lei universal e fundamental da dialética. 7 séculos a. Prevalece a luta dos opostos: frio/calor. mas sempre numa espiral ascendente.Na dialética marxista compreende-se como negação a substituição. dentro dos quais a sua qualidade tem existência. "autor" da dialética. e ainda descobrir as leis objetivas mais gerais que regem a sua evolução.C. tudo é imutável. 2. A dialética oferece um método cientifico seguro de conhecimento que permite abordar. Negação da Negação . em seu movimento e transformação. Segundo ele. s. Transformação da quantidade em qualidade . Para ele a realidade é um constante devir. com mudanças graduais de quantidade que ao atingirem certa medida. que se verifica no processo do desenvolvimento.força da atração e repulsão dos opostos ou contrários. vida/morte.org/xkurt/projetos/portaldoadmin/modules/news/article. como o fazem os metafísicos para os quais o desenvolvimento é uma.htmlstaff.f. Heráclito de Éfeso.. bem/mal. é também negado pelo outro novo que lhe sucede. antítese e síntese. o velho dá lugar ao novo. Desenvolvimento do pensamento por tese. da velha qualidade pela nova qualidade. ao envelhecer. regida por leis.

Para MARX. Hegel chega ao real.é apenas uma aparência da filosofia. a manutenção da ordem do todo. uma lógica das aparências. A mediação entre ele e o mundo é a atividade material. A conciliação existente na síntese é provisória na medida em que ela própria se transforma numa nova tese. Atividade crítica. da reflexão coletiva. ao concreto. PLOTINO a considera uma parte da filosofia e não apenas um método. aquilo que tem a possibilidade de não ser. mas procede por contradições superadas. A dialética limitar-se-ia ao silogismo. ao lado da retórica e gramática e foi considerada uma arte liberal. Para ele o método dialético não conduz ao conhecimento. justificando que Aristóteles já havia dito tudo sobre a lógica. da tese (afirmação) à antítese (negação) e daí à síntese (conciliação). Não é um método para se chegar à verdade. método de dedução racional das idéias. contraditória. da sociedade e da relação ser humano-mundo. à opinião. pois procede por unidade e oposição dos contrários. a dialética não é um método apenas para se chegar à verdade. O pensamento não é estático. é uma concepção do ser humano. Uma proposição (tese) não existe sem oposição a outra proposição (antítese). Essa razão é dialética. A possibilidade de negar-se a si mesma. Na dialética materialista expressa em O Capital.pela contradição. à probabilidade. A primeira será modificada nesse processo de oposição e surgirá uma nova. Marx afirma que não existem fatos em si. mas como o verdadeiro motor do pensamento. a conciliação. da disputa e não do isolamento" (GADOTTI. HEGEL concebe o processo racional como um processo dialético no qual a contradição não é considerada como "ilógica". .16) Para ARISTÓTELES a dialética é apenas auxiliar da filosofia. A antítese está contida na própria tese que é. Mas o sentido "método" predominou na Idade Média. partindo do abstrato: a razão domina o mundo e tem por função a unificação. a construção da sua história. é o próprio ser humano que figura como ser produzindo-se a si mesmo. pelo modo de produção da vida material. No início da Idade Moderna a dialética foi julgada inútil.Para PLATÃO a dialética é um método de ascensão ao inteligível. É o momento negativo de toda realidade. "paradoxal". a dialética é uma aplicação científica da conformidade às leis inerentes à natureza e ao pensamento. a via natural própria das determinações do conhecimento. Em Discurso do Método. "O conhecimento deveria nascer desse encontro (perguntas e respostas). 1995. A condição para que o Ser Humano se torne Ser Humano é o trabalho. por isso. para atingir cada elemento do objeto estudado e a síntese ou reconstituição do conjunto. Tanto Marx como Hegel sustentam a tese de que o movimento se dá pela oposição dos contrários .Mao . a maneira de discernir o verdadeiro do falso. Para HEGEL. e de tudo que é finito. mas à disputa. Pela sua própria atividade. Hegel assim retoma Heráclito. mas são apenas atualizações de potencialidades que já preexistiam. Conseguiu conciliar os pensamentos de Heráclito e Parmênides com a teoria sobre o ato e a potência: as mudanças existem. Descartes propõe regras para a análise. (Kant e Descartes). P.

MARX não nega o valor e a necessidade da subjetividade no conhecimento. Ponto de vista marxista de George Politzer: A dialética focaliza as coisas e suas imagens conceituais em suas conexões. encontrando-se.. cada fenômeno no seu movimento. é sempre uma realidade em movimento". em seu processo de gênese e envelhecimento". interno.. Existe uma determinação recíproca entre as idéias da mente e as condições reais de sua existência "o essencial é que a análise dialética compreenda a maneira pela qual se relacionam.) no seu movimento contínuo. deve-se considerar o desenvolvimento dos fenômenos como sendo o seu movimento próprio. o mundo refletido. A causa fundamental do desenvolvimento dos fenômenos não é externa. A dialética considera cada objeto com suas características próprias. O método dialético tem duplo objetivo: 1º) como dialético. mas interna. na luta de seus contrários. ela reside no contraditório do interior dos próprios fenômenos. o movimento que engendra os contraditórios.. as suas contradições. o seu devir. Não existem regras universais fixas. Diz HENRI LEFÈBVRE: "o método marxista insiste muito mais claramente do que as metodologias anteriores." O método dialético busca captar a ligação. uma exclusão ativa. no estudo do desenvolvimento dum fenômeno deve partir-se do seu conteúdo interno. as condições de existência social e as distintas modalidades de consciência. O materialismo dialético não considera a matéria e o pensamento como princípios isolados. . Para LEFÈBVRE: "A contradição dialética é uma inclusão dos contraditórios um no outro e. ao mesmo tempo. No interior de todo fenômeno há contradições. A dialética não é um movimento espiritual que se opera no interior do entendimento humano. que faz com que se choquem. das suas relações com os outros fenômenos.. O materialismo dialético considera a forma das idéias tão concretas quanto a forma da natureza. O mundo é sempre uma "visão"do mundo para o Ser Humano. mas com aspectos de uma mesma natureza que é indivisível. que os quebra ou os supera. duas formas diferentes: uma material e outra ideal. encadeiam-se e determinam-se reciprocamente. daí o seu movimento e desenvolvimento". a reconstituir pela exposição (síntese). onde o Ser Humano está sempre presente e pode conhecê-la e transformá-la. em ligação e interação com outros fenômenos que o rodeiam. (. desde a natureza física até o pensamento. a unidade. (. que os opõe. em sua dinâmica.. necessário.). alias. a vida social. observa as coisas e os fenômenos. una e indivisível se exprime em duas formas diferentes: uma material e outra ideal. é uma concepção científica que pressupõe que o mundo é uma realidade material (natureza e sociedade). em seu encadeiamento. estuda as leis mais gerais do universo. leis comuns de todos os aspectos da realidade. passando pela natureza viva e pela sociedade. 2º) como materialismo. .Tsetung resume o pensamento de Marx: "a concepção materialista-dialética entende que.. a realidade a atingir pela análise.

A transformação das coisas só é possível porque. a saber: 1ª . p. A contradição é a essencia.Lei da negação da negação. "A compreensão dialética se encontra em relação de intensa interação e conexão entre si e com o todo. 2ª . a lei fundamental da dialética. . na interação das partes" (Karel Kosik. "A teoria não é um dogma mas um guia para a ação. a realidade e o poder. 3º Mudança qualitativa . o caráter terreno de seu pensamento. É na práxis que o Ser Humano deve demonstrar a verdade. as variações qualitativas podem ser obtidas somente acrescentando-se tirando-se matéria ou movimento por meio de variações quantitativas.a natureza se apresenta como um todo coerente. Alguns princípios gerais ou características da Dialética são hoje aceitos: 1º Tudo se relaciona (Princípio da totalidade) . visto que o todo se cria a si mesmo. mas prática. a concepção dialética da história. isto é. O calor só pode ser entendido em função do frio. 42. que garante a unidade e a continuidade da mudança incessante na natureza e nos fenômenos.Lei da conversão da quantidade em qualidade: significa que na natureza." A questão de saber se cabe ao pensamento humano uma verdade objetiva não é uma questão teórica. A Dialética é uma unidade de contrários Com ROUSSEAU. condicionando-se reciprocamente. Para ele todas as pessoas nascem livres e só uma organização democrática da sociedade levará os indivíduos a se desenvolverem plenamente. onde objetos e fenômenos são ligados entre si. porém a negação não prevalece como tal: tanto a afirmação como a negação são superadas e o que prevalece é uma síntese. Dialética do concreto. 3ª . mas também que o todo não pode ser petrificado na abstração situada por cima das partes.A dialética marxista não separa teoria (conhecimento) e prática (ação). ENGELS em a A Dialética da Natureza . esta é a lei da unidade e da luta dos contrários.Lei da interpenetração dos opostos. A afirmação engendra a sua negação. reproduzindo indefinidamente o processo. citado por Gadotti) 2º Tudo se transforma (princípio do movimento) Devir. no seu próprio interior coexistem forças opostas tendendo simultaneamente à unidade e à oposição. O indivíduo é condicionado pela sociedade.formulou três leis gerais da dialética. 4º Unidade e luta dos contrários (Princípio da contradição) . começa a criar forma. que garante que cada síntese é a tese de uma nova antítese. da Idade Média. oposta à concepção metafísica. é a negação da negação.dá-se pelo acúmulo de elementos quantitativos que num dado momento produzem o qualitativamente novo.

ela se funda no real. passagens de uns nos outros. este deverá transformar-se. DIALÉTICA: REGRAS PRÁTICAS Dirigir-se à própria coisa . apreendendo conexões e movimento. O princípio que as distingue fundamentalmente é a contradição. LÓGICA FORMAL E LÓGICA DIALÉTICA (Alvaro V. a coisa como totalidade e unidade dos contrários Analisar a luta.Projetos humanos nas lutas das classes sociais a realização desses projetos estão ligados a condições materiais. Apreender os aspectos e movimentos contraditórios. 2º A Dialética da História . o movimento. remanejar seu conteúdo . os objetos e fenômenos estão estáticos. assim como a lógica dialética é a lógica da dialética. com o objetivo de aprofundá-los mediante um passo atrás rumo às suas etapas anteriores . 3º A Dialética do Conhecimento .Os elementos contraditórios coesistem numa realidade estruturada. repeli-los. transições no devir. o resultado de uma interação constante entre os objetos a conhecer e a ação dos sujeitos que procuram compreendê-los". mas apenas aparentemente. Penetrar mais fundo do que a simples coexistência observada. negligenciável num momento pode tornar-se essencial e importante em outro. de intenções ou de motivações do homem. o conflito interno das contradições. o desenvolvimento e o movimento (devir) da coisa. préexistentes e independentes da vontade dos homens. A existência dos contrários não é um absurdo lógico.uma interação insignificante. A Dialética pode ser subdividida em "três níveis"(Mandel) 1º Dialética da Natureza . superar-se: modificar ou rejeitar sua forma.independente da existência de projetos. Jamais estar satisfeito com o obtido. um não podendo existir sem o outro. Não esquecer ainda que o processo de aprofundamento do conhecimento que vai do fenômeno à essência e da essência menos profunda à mais profunda é infinito. Em certas fases do próprio pensamento. revê-los. . objetivos. que não age diretamente sobre a história humana. Para a primeiraos objetos e fenômenos estão em constante movimento e para a segunda. a lógica formal parte do seu oposto. a tendência (o que tende a ser e o que tende a cair no nada) Não esquecer: tudo está ligado a tudo.objetiva . da lei da não contradição"."que é uma dialética sujeito-objeto. de seus aspectos.retomar seus momentos superados.análise objetiva. A lógica dialética parte do princípio (ou lei) da contradição. Pinto) "a lógica formal é a lógica da metafísica. Apreender o conjunto das conexões internas da coisa. Penetrar sempre mais profundamente na riquesa do conteúdo. Não esquecer também de captar as transições dos aspectos e contradições.

nem permanecerá o que é. crítica e revolucionária. e é na sua essência. na sua forma racional. porque apreende. Concluindo. portanto. e a humildade de que fala PAULO FREIRE. cor. tamanho… falarão de seu gosto etc…depois pode se comparar à maçã com a pêra. libertará as sementes que se tudo . etc. para reconhecer cotidianamente as limitações do pensamento e da teoria. contestadora. e assim chegaremos até a macieira o broto. uma dúvida levada à suspeita.hd1. inacabada. porque parecia sublimar a situação existente. afirmando-o. 17) A dialética é também uma teoria engajada. Mas. Os metafísicos descreverão o fruto: Sua forma. antes era uma maçã verde. se decompor. A primeira lei da dialética começa por contatar que nada fica onde está nada permanece o que é.33) transcrevendo Lefebvrè "Logica formal. Não existe nenhum critério de relevância (nem científico. Se cair da macieira ira apodrecer. mudança.odialetico. o reconhecimento da negação e da necessária destruição dele. por nada se deixa impor. ver suas semelhanças s diferenças e por fim concluir uma maçã é uma maçã e uma pêra é uma pêra. a dialética opõe-se ao dogmatismo. Devemos constatar que a maçã madura não foi sempre uma maçã madura. que foi um botão.htm Primeira lei: A mudança dialética. vimos que a maçã não foi sempre uma maçã. porque sua concepção do existente. no movimento na mudança.cit. não no movimento da maçã que rola e cai. Temos dois modos de estudá-la: Do ponto de vista metafísico e do dialético. peso. ao mesmo tempo. causa escândalo e horror à burguesia e aos porta-vozes de sua doutrina. ao reducionismo. a semente…. até mesmo rumo ao seu ponto de partida. I p. O professor pensador de sua práxis. estudamo-la no movimento. teórico. Se quisermos estudar a maça dialeticamente. porque enfim. Eis uma maçã. Quem diz dialética diz movimento. as formas em que se configura o devir.com. que já fora uma flor. superando-se constantemente. é sempre aberta. mas o movimento de sua evolução. Fonte: http://www. lógica dialética DIALÁTICA E VERDADE: Que garantias pode nos dar a dialética de que estamos no caminho certo para a verdade? Marx afirma: "A dialética mistificada tornou-se moda na Alemanha. é questionadora.(op. deverá manter uma crítica e uma autocrítica constante. encerra. Para ter um estudo dialético devemos nos colocar no ponto de vista dialético. social. nem prático) que possa determinar que um ponto de vista é relativamente mais válido que outro. ou seja. (O Capital vol. p. por vezes. de acordo com seu caráter transitório. I – O Movimento Dialético. Ao contrário da metafísica.e.br/filosofia/Dial%E9tica. Exige constantemente o reexame da teoria e a crítica da prática.

depois uma árvore. de absoluto. Mas o que é o devir? Vimos a historia da maçã. e o que é hoje não é definido. etc…ela segue o devir. universal. nada é de uma vez para sempre. apresenta a *caducidade de todas as coisas e em todas as coisas. O que é jovem torna-se velho. cair a terra. sem resultar uma da outra. a maçã verde que se tornará madura. portanto. salvo a mudança. *Caducidade vem de caduco. (Absoluto significa: Que não está submetido a qualquer condição. de progredir. A dialética diz que nada escapa ao movimento. O lápis hoje usado. que por conseguinte. Portanto a maçã não foi e também não ficará sempre o que é. Para a dialética o que está caduco já não tem razão de ser. já foi novo. A maçã e o lápis têm cada um a sua historia. mas só venerar. o que hoje tem vida morre amanha. A madeira da qual o lápis foi feito saiu de uma prancha. que significa que cai. se a historia do lápis percorre todas as fases é por uma intervenção estranha – a do homem.) Nada de sagrado. se tudo corresse bem. que significa: força que . Portanto para a dialética nada é eterno. ele próprio não ser afiado. de sagrado. Para a dialética não existe nada de definitivo. Mas há uma diferença entre essas duas historias! A maça verde tornou-se madura. senão o devir. se decompor e libertar as sementes. e quer dizer marcha em frente. nada existe alem do processo ininterrupto do devir e do transitório. eterno. Não! Uma coisa sagrada é aquela que se considera imutável. não existe nenhum poder no mundo nem para alem dele que possa fixar as coisas num estado definitivo. E este pode. perfeito. No caso da maçã uma fase sucede à outra. Devia amadurecer. às transformações da historia. que não se deve tocar nem discutir. constatamos que os encadeamentos que impelem a maçã na sua evolução atuam sob o domínio de forças internas a que chamamos: autodinamismo. e. É que a maçã tem processo natural. Para a dialética tudo tem um passado e terá um futuro. A sociedade capitalista é sagrada por exemplo. Já na historia do lápis uma fase pode não seguir a outra. a segunda que deriva da primeira. uma coisa caduca é a que envelhece e deve desaparecer. É considerar que nenhuma coisa particular pode ser eterna. III – O Processo. (exemplo da maçã) Para a dialética. ou ato de avançar. não existe nada de definitivo. Enquanto a arvore de que vem o lápis pode não se tornar prancha. Por que é que a maçã sendo verde se torna madura? Quando examinamos a flor que se tornará maçã. portanto Nada de absoluto. apodrecer. e esta de uma arvore. Palavra que vem do latim. II – Para a dialética não existe nada de definitivo… Para a dialética. Podia. isto não quer dizer que a dialética despreze tudo. não se tornar madura? Não.correr bem dará um rebento. e não foram sempre o que são. para ela. Vejamos agora o lápis que também tem sua historia. A maçã possui em seu processo fases que se sucedem. à mudança. No lápis as fases justapõem-se. e inevitavelmente uma outra fase se dará (se nada interromper a evolução). e esta não se tornar lápis.

foi preciso a intervenção do homem para torná-lo lápis. e isto nos leva a estudar as condições do solo.encadeamento de processos. seremos levados a constatar que essa doutrina é a própria consciência do proletário. Portanto de processo em processo. sem o homem a arvore não seria cortada e essa não seria transformada em prancha que por sua vez não viria a ser um lápis. Da maçã que caiu. Devemos por tanto fixar que: a ciência. De onde ela vem? Da maçã. liberou as sementes. Nossas pesquisas devem nos levar até a árvore. É necessário considerar as coisas como nunca tendo cena final. . Se estudarmos do ponto de vista dialético procuraremos de onde vem. que nos demonstra que tudo influi sobre tudo. Seu cunho é narrativo e didático e utiliza uma serie de recursos teatrais para levar o espectador a refletir. começa o primeiro ato de uma outra. O que constatamos é a existência. por sua vez no do solo. Podemos constatar que nem todo movimento é dialético. e teremos a resposta inicial: que é uma forma de teatro desenvolvida por Bertold Brecht. No fim de uma peça de teatro do mundo. Para dizer a verdade ele já começa no ultimo da peça precedente. Mais ainda: indagando de onde vem o marxismo. Não houve autodinamismo. vemos pois que o proletário existe. pomos o problema de pesquisa também para esta. passando do processo da maçã ao da árvore. quem foi Brecht? Teremos outra resposta que pode ser simples: Poeta e dramaturgo alemão. É a lei da ação recíproca. Se tomarmos novamente o exemplo do lápis a prancha torna-se lápis certamente houve a mudança. do ar. que se opõe à ilusão cênica da forma dramática convencional. mecânica. chegamos ao exame das condições de existência do capitalismo. em 1898 fez-se. este processo encadeia-se . Segunda lei a ação recíproca I – O encadeamento de processos Vimos na historia da maçã o que é um processo. Essa mudança não é dialética. Para a dialética insistimos nisso: nada está acabado. do encadeamento de processos que se produzem pela forca interna (o autodinamismo). Temos assim. através de seus textos. Mas. mas também autodinamismo. Retomemos esse exemplo. portanto quem diz dialética não diz só movimento. e o motor que trabalha para desenvolver tal encadeamento é o autodinamismo. Então de onde vem o marxismo? Vemos pois que a pesquisa do encadeamento de processos nos conduz a estudos minuciosos e completos. mas. a sociedade devem ser vistas como um encadeamento de processos. É preciso entender que as coisas não são tão simples. do qual era fanático protetor. Seus objetivos principais resumiam-se no operariado. por que nunca a prancha se transformaria sozinha em lápis. Teremos então outra pergunta.vem do próprio ser. um encadeamento de processos. etc… Partindo do processo da maçã somos conduzidos ao exame do solo. Tomemos agora o teatro épico como exemplo. as influencias do sol. mas será ela dialética? Não. nascido em Augsburg. o grande inimigo do nazismo. Quando o lápis era ainda prancha . chegamos novamente ao operariado de que nos referimos ao falar de Brecht poremos então a pergunta: de onde vem o proletariado? Sabemos que veio de um sistema econômico: o capitalismo. Por que era protetor do operariado? Por que era marxista. Temos o que se chama: Um . Sabemos da divisão da sociedade em classes vem de um processo que já estudamos. Isto vai nos permitir estudar a segunda lei da dialética: a lei da ação recíproca. apodreceu. em todas as coisas. a natureza.

uma teoria que nos torne cada vez mais. como as aparências pretendiam mostra mas um processo de desenvolvimento. vemos as coisas apenas por um lado. quando pesquisamos vida fazemos isso sem relacioná-la com qualquer outro fenômeno. Podemos portanto pensar que existe um circulo vicioso onde voltamos sempre ao mesmo ponto. teremos: Uma árvore que dá maçãs. mas num outro plano. e dar assim. se chama desenvolvimento em espiral. Também aqui voltamos à árvore. voltam um pouco acima. (retorno ao eterno). O ponto de vista ampliose. mestres e possuidores da natureza. o que dá uma espiral ascendente. e a morte é a morte. pois são coisas opostas. é a missão em particular do materialismo dialético – reunir todas as descobertas particulares de cada ciência. portanto. mas em um outro plano. cada arvore não dá uma maçã. Se examinarmos um pouco mais de perto o processo que começamos a conhecer . Do mesmo modo se partimos da arvore. é uma comparação para ilustrar que as ciências evoluem segundo um processo circular. Não voltamos. De onde vem à árvore? Da maçã. não por que queremos ver as coisas assim. De onde vem à maçã? Da árvore. Correto? Não. a morte. num outro plano.II – O desenvolvimento Histórico ou em espiral. como dizia Descartes. Não há nada de comum entre elas não se pode estar ao mesmo tempo vivo e morto. em linguagem filosófica. Normalmente consideramos as coisas de um modo isolado. inteiramente opostas uma a outra. e maçãs que darão árvores. voltamos à maçã. E acabaremos por concluir: ávida é a vida. a natureza a sociedade constituem um desenvolvimento que é histórico. mas varias. Cabe a filosofia dar uma explicação do mundo e dos problemas mais gerais. Terceira lei: a contradição I – As coisas se transformam na sua contraria A dialética nos ensina que as coisas não são eternas: tem um começo meio e fim. dá origem a uma ou mais árvores. faremos da mesma maneira. Se examinarmos a morte. Eis uma maçã. para fazer a síntese. a que chamaremos desenvolvimento histórico. portanto obrigado a morrer? Eis uma grande lei da dialética. e assim sucessivamente. Esta se decompondo. mas não voltam ao ponto de partida. ao mesmo ponto de partida. . que devemos confrontar. e. não seria um processo e sim um circulo. Se considerássemos as coisas assim. Usamos a imagem da espiral para fixar as idéias. Examinamos as coisas desta maneira pois temos uma concepção metafísica do mundo. Não podemos esquecer que o motor que põe em movimento esta espiral é o autodinamismo. O mundo. Mas vejamos como se põe o problema. Por que é que o que nasce é. Não temos pois um circulo. vemos que a maçã é o resultado de uma serie de processos.

. portanto vida e morte. e a que tende para que se torne pintinho. dizendo que há realmente forças (físicas) que fazem mover o sol. Vivem e morrem sem cessar em um ser vivo.esta foi uma fase do processo. O ovo está. negação da negação – ou Síntese. sobretudo no Egito. e outra para que continue sendo pintinho. que a uma certa temperatura se desenvolve. Desenvolvendo-se dará um pintinho. será que o erro se transforma em verdade? Na antiguidade. mas também a sua contraria. A galinha por sua vez será a transformação do pintinho. os homens imaginavam uma luta entre deuses para tentar explicar o por e o nascer do sol. Assim. existe aqui a afirmação e a negação. Pensem em um ovo que posto e chocado por uma galinha: este ovo contém um germe. chove!” acontece que. pensamos não há nada de comum entre eles. portanto em desacordo consigo próprio. Assim no interior de cada coisa existem forças opostas. O pintinho é a negação do ovo. A destruição é uma negação. pois os elementos do corpo morto vão transformar-se para dar origem a outras vidas. A própria vida só é possível pela continua substituição de células que morrem por outras que nascem. por vezes nem terminamos de completar a frase e já não chove. as coisas não só se transformam umas nas outras. Assim a contradição verbal quer dizer não a contradição dialética quer dizer destruição. Vemos. haverá novamente uma luta para que o pintinho se torne galinha. nos fatos nas coisas. pois. uma coisa não é apenas ela pura e simplesmente. Mas as ciências dão parcialmente razão a este raciocínio. Se dissermos: “Olha. Uma coisa começa por ser uma afirmação que sai de uma negação. e estas lutam. onde existe. que o erro não está oposto à verdade. A frase que era exata tornou-se um erro.mas por que essa visão esta enraizada em nós pela nossa formação cristã. que a morte vem do vivo. Observando de perto um ser vivo. Toda coisa é ao mesmo tempo. A galinha será. Não podemos separar tão brutalmente a vida e a morte. uma vez que a experiência e a realidade nos mostram que a morte continua a vida. ela própria e sua contraria. que era a negação do ovo. Uma tende para a afirmação (vida) e a outra para a negação (morte). E a vida também pode sair do morto. notamos que este é composto de células que desaparecem e aparecem no mesmo lugar. Uma coisa é movida por forças que se chocam pois estas estão em direções opostas. É necessário fazer aqui uma distinção o que se chama contradição verbal – que significa responder Não quando alguém lhe diz Sim – a que acabamos de ver é a contradição dialética. A verdade é a verdade. uma vez que nascendo. e um erro é um erro. afirmação – ovo negação – pintinho negação da negação – galinha afirmação – chamado também Tese. a que tende para que permaneça ovo. Vemos que a verdade se transforma em erro. Veremos que no ovo existem duas forças. desse modo o germe já é a negação do ovo. O pintinho é a afirmação resultante de negação do ovo. negação e negação da negação. o destrói. Se examinarmos a verdade e o erro. era um erro quando se colocava a questão da luta dos deuses. negação – ou Antítese. portanto a negação do pintinho. II – afirmação. isto é.

destruindo a casca. Há sempre o que aprender. vemos duas forcas adversas: pintinho e galinha. Todos os saberes contem uma parte de ignorância. É preciso compreender bem essa lei dialética que é a contradição. e as mudanças nascem desse conflito (negação da negação) assim a mudança (negação da negação) é a solução do conflito”. elas próprias. que determinam essa evolução. é o principio: a dialética e as suas leis nos fazem estudar as coisas para descobrir sua evolução e as forcas. precisamos evitar querer aplicar em tudo. O que conta. é o que se pensa em geral. (negação) as contrarias estão em conflito. não há saber absoluto. e como conclusão teórica. ela é ao mesmo tempo ela própria e sua contraria. este simboliza a destruição ou a negação do ovo. a negação da negação. movimento. uma vez que contém em si mesma. (afirmação). I – Exemplo político . sendo chocado origina sua negação – torna-se pintinho. Um sujeito por mais ignorante que seja sabe. mecanicamente. Mas. pelo menos. nesse momento a razão da contradição é eliminada. no decurso deste desenvolvimento do processo. concluiremos. diremos: “As coisas mudam. (desenvolvimento em espiral). pelos exemplos. veríamos que em ambos. metafisicamente: “um sábio não é ignorante. e quando aparece o terceiro termo. existe sempre um pouco de saber na ignorância. rompendo. há ignorância no saber. devemos prestar muita atenção quando explicamos ou aplicamos a lei das contrarias. Em uma situação temos a afirmação à negação em conflito pois são contrarias. Para resumir. III – A unidade das contrarias. se dela sair. e é preciso entender bem isso. que regressamos sempre ao ponto de partida. ao mesmo tempo. pode existir o saber cem por cento? Não. Podemos retomar os exemplos que já vimos: a vida e a morte. unidade de contrarias. ela própria e sua contraria.Mas a destruição só é uma negação quando é dialética. a galinha porá ovos. Uma coisa não tem nada a ver com a sua contraria. No pintinho. Não existe o ignorante completo. O ovo é a afirmação. porque. se não existissem as coisas não mudariam. a verdade e o erro. as contrarias. É preciso estudar a unidade das contrarias contida nas coisas. E isso é o essencial: é por conterem a sua própria negação que as coisas se transformam. Se tomarmos como exemplo o saber e a ignorância. A negação é o dissolvente. uma parte da negação. quando for um produto da afirmação. Há mudança. que cada um contem. nova negação da negação. Destes partirá então um novo encadeamento de processo. existe uma unidade de contrarias. Primeiramente reinou a ignorância. e suas contrarias. e a sua contraria. depois é que com aprendizados vem o saber. aparece a solução. Quarta lei: Transformação da qualidade e quantidade ou lei do progresso por saltos. Observamos a esse respeito. isto é. No entanto se analisarmos melhor. então verificamos que a ignorância se torna o saber. por exemplo à negação da negação. Uma coisa não só se transforma na sua contraria. reconhecer objetos. e um ignorante não é um sábio”. onde haja contradição. Mas para a dialética toda coisa é. porque encerram uma contradição interna. por que nossos conhecimentos são limitados. não poderemos colocá-las em oposição tão rígida. ao mesmo tempo ela própria. e esta equivale a dizer que uma afirmação não é nunca uma afirmação absoluta. e isso pode nos deixar em situações críticas. mas num outro plano mais elevado. Uma coisa que se torna sua contraria.

mas a 100º. é gelo ou vapor. O evento foi organizado pelo núcleo da Associação Brasileira de Psicologia Social e teve como objetivos analisar a atualidade da teoria marxiana na sociedade contemporânea. cujo tema central foi “Método Materialista Histórico Dialético”. com um voto a mais a mudança pela quantidade de votos determina uma mudança de qualidade uma vez que o candidato que era. De 1º a 99º . continua a ser apenas um candidato. quantidade de calor que tem a água. e possibilitar o relato de experiências dos profissionais de Psicologia que utilizam o método materialista histórico dialético. permanece sempre água apenas a temperatura muda é apenas uma mudança quantitativa. quando se torna outra coisa. se torna um eleito. tanto em relação a seus aspectos teóricos como metodológicos. a Psicologia Social na América Latina passa pelo que chamamos de “crise de relevância”. Quando se transforma em gelo ou vapor. questionava-se como a Psicologia Social poderia dar subsídios à . O próximo encontro acontecerá em agosto de 2002 e terá como tema central a transformação – transformar o que. precisa de 4500 votos para obter a maioria absoluta não é eleito com 4499 votos. para quem e como. teremos novamente uma mudança continua. a manipulação política. temos uma mudança quantitativa (no exemplo da água. Nesse momento. a mudança é qualitativa. parecia a nós. Já não é água. que se apresentava na década de 50 como o ramo da Psicologia que contribuiria para resolver os grandes problemas da humanidade. temos uma mudança qualitativa. Silvia Lane (1995) comenta: "Ela (psicologia social). Quando uma coisa não muda de natureza. a manutenção do status quo" (p. discutir as possibilidades de atuação do psicólogo envolvido com a comunidade. Psicologia Social e Marxismo Em agosto de 2001 foi realizado na Universidade Estadual Paulista (UNESPBauru/SP) o Encontro de Psicologia Social Comunitária. que apenas subsidiava a opressão. Se muda a natureza.Um exemplo político da lei do progresso por saltos: Um homem que se apresenta à candidatura a um mandato qualquer. mas não de qualidade). refletir sobre o método materialista histórico dialético e a correspondente metodologia de pesquisa em Psicologia. 2º . neste período. mas a 0o a água transformasse em gelo. criar espaço para o debate sobre a Psicologia Social Comunitária no mundo contemporâneo. temos uma mudança brusca. a água transformasse em vapor. uma mudança de qualidade. uma mudança de grau de calor. 68). Ele reunirá membros de movimentos sociais e teóricos de diversas áreas de conhecimento. As ditaduras militares e conseqüentes opressões e injustiças sociais em que vivia o povo latino-americano serviam de base para o questionamento do papel da pesquisa em Psicologia Social. Partamos de 0º e façamos subir de 1º . Se invertermos o processo de 99º descermos até 1º. II – Exemplo cientifico Tomemos por exemplo à água. 3º até 98º: a mudança é continua iremos ainda até 99º. No início da década de 70.

ao vislumbrar as diversas tentativas reducionistas de explicação do fenômeno psicológico e a incapacidade destas de formular uma Psicologia Geral. (Lane. 1990). por uma crise metodológica que só poderia ser superada por meio de uma metodologia científica com embasamento na história” (Molon. produzir efeitos práticos ou então se desenvolver numa prática que redundaria numa sistematização teórica”. na década de 80. O autor. semiologia. e buscava-se novas metodologias de pesquisa que compreendessem o indivíduo em sua totalidade. partem da teoria marxista para a construção de uma nova psicologia. “conseqüentemente. Alexander Luria e todo um grupo de psicólogos soviéticos que haviam sofrido a repressão stalinista. 22). medicina. multideterminado. história. permeava as experiências em Psicologia Comunitária. fundamentalmente. p. ou seja. Por meio do conhecimento do método de Marx. Assim. mais abrangente. Vigotski construiu uma ciência psicológica. não é viável e nem suficiente sobrepor os postulados filosóficos aos dados científicos (Shuare. Vigotski identificou e buscou compreender o que chamou de crise da Psicologia. não só da antiga Rússia. 1995. Luria (1988) faz uma referência a esse período de grande efervescência cultural e intelectual: “Nosso propósito. voltados a uma atuação transformadora. a Psicologia Social se colocava o desafio da indissociabilidade entre teoria e prática. lingüística. situado historicamente e. direito. mas também do mundo. Mas uma sistematização teórica ainda estava por se fazer. e. tanto as concepções idealistas como as mecanicistas não davam conta de explicar o fenômeno psicológico em sua totalidade. deveria avançar na sistematização teórica e. 49).transformação social. era criar um novo modo. mas mediada. não sendo possível . os psicólogos sociais latinoamericanos depararam-se com as obras de Lev Vigotski e seus continuadores Alexis Leontiev. entretanto jamais buscou a Psicologia no marxismo ou na aderência de marxismo e Psicologia” (Molon. 1999. estética. Deve-se ter claro que o sistema categorial e o caráter do conhecimento na filosofia e na ciência são diferentes. dessa forma. a apropriação legítima do marxismo pela Psicologia não se dava de forma direta. Vigotski buscou resolver os problemas epistemológicos e metodológicos propondo uma Psicologia de base marxista. p.71) A questão da prática e do compromisso político. portanto. Sua formação ampla (filosofia. 45). de estudar os processos psicológicos humanos” (p. defendeu a tese “de que a crise da Psicologia caracterizava-se. literatura. “Para Vigotski. pedagogia e psicologia) e seu profundo conhecimento sobre a história da Psicologia. Esses autores que viveram na ex-URSS do começo do século XX. superambicioso como tudo na época. No final da década de 70 e início da década de 80. Para ele. 1999. permitiram-lhe a compreensão e a síntese do panorama da ciência psicológica no final do século XIX. Essa preocupação estava presente em diversos países da América Latina e. p. As mudanças econômicas e políticas provocadas pela revolução russa de 1917 influenciaram em muito a obra desse grupo em que Vigotski destacava-se como líder intelectual.

Neste sentido. 1997. tais como linguagem. serviram de guia epistemológico para a psicologia de Vigotski. a práxis como atividade produtora intencional é o que fundamentalmente nos distingue dos animais e pode-se caracterizar enquanto determinante da essência humana. a investigação da origem e do curso do desenvolvimento do comportamento e da consciência” (Tanamachi. aqui.” (Tanamachi. 92).. buscam redefinir o método de compreensão do fenômeno humano a ser pesquisado pela psicologia. 75). atenção. e. p.)” (Tanamachi. portanto. essa psicologia aponta alguns caminhos à psicologia social. que não pode ser confundida com a teoria dos reflexos condicionados de Pavlov. é o pressuposto básico da teoria do conhecimento e postula dois princípios fundamentais: a subjetivação do objetivo e a objetivação do subjetivo. “cujo reconhecimento implica tomar o homem como produto e produtor das relações sociais historicamente construídas pela humanidade (. 1997. e seus companheiros Luria e Leontiev. o método materialista dialético tem uma aplicação fundamental no entendimento dos fenômenos humanos. A Psicologia proposta por Vigotski A partir da concepção marxista de Homem e de mundo. Como a psicologia proposta por Vigotski não é uma mera sobreposição da teoria marxista à psicologia. 1997. memória.). o a teoria do reflexo. e a entendê-las a partir das relações sociais que o indivíduo estabelece com o mundo. p. Dessa forma. Shuare (1990) analisa as principais contribuições da filosofia materialista dialética à psicologia sócio-histórica (também conhecida como psicologia soviética. na década de 80. Essas preocupações os levaram a pesquisar as formas superiores de comportamento. o a natureza social do homem. o materialismo histórico dialético e os pressupostos explicitados. É a partir da interação ativa com o mundo que os homens constroem sua subjetividade. p. . tais como vinculação e interdependência dos fenômenos. Vigotski.. que se apropria do método materialista histórico dialético. 92). o a categoria da atividade: a atividade prática sensível. que fizesse a síntese dos trabalhos anteriormente citados e os superasse (.simplesmente apropriar-se dos conceitos marxistas e usá-los diretamente na ciência psicológica. “A tarefa diante da qual colocavam-se estes estudiosos soviéticos era a criação de um novo sistema. já que possibilita o desenvolvimento da cultura. pensamento. A investigação psicológica deve recorrer a princípios da dialética. faremos uma breve conceituação da psicologia sócio-histórica.. e sim a construção de uma nova psicologia. psicologia histórico-cultural ou psicologia histórico-crítica) e nos aponta alguns elementos: o a concepção materialista da dialética: em vista da complexidade dos fenômenos estudados pela Psicologia. origem multideterminada e constante luta de contrários. o objetivo da Psicologia é. pois este vai ao encontro de duas grandes questões que os psicólogos colocavam à sua ciência: a necessidade de indissociabilidade entre teoria e prática e o compromisso político que deveria permear as atuações profissionais. “Segundo sua proposta..

69). pois ao produzir suas formas de subsistência. A partir das leis da dialética. A transmissão e assimilação da cultura são pontos essenciais da psicologia sóciohistórica. Os produtos da atividade humana são sempre coletivos na medida em que só adquirem um significado a partir da vivência social. Essas mediações ocorrem através da atividade prática humana. a psicologia histórico-cultural procura compreendê-lo em sua essência. a Psicologia crítica enfatiza as possibilidades de transformação por meio da ação dos indivíduos. a Psicologia sócio-histórica pôde compreender o homem enquanto ser ativo. p. deve-se estudar os processos em mudança. que é mediada pela linguagem. A partir desses princípios. p. como as ciências positivistas o fazem. 51). 50). a aprendizagem é alçada à posição de extrema importância. “Assim. Por isso não é possível falar de natureza humana como algo a priori. A preocupação em construir uma nova abordagem científica levou os psicólogos soviéticos a criarem novos métodos de investigação e análise. em oposição à idéia de essência humana é a condição humana.Vigotski buscou compreender os fenômenos psicológicos enquanto “mediações entre a história social e a vida concreta dos indivíduos” (Meira. social e histórico. Para Vigotski. universal e abstrato. Ao introduzir a questão da atividade prática na constituição da subjetividade humana. indiretamente o Homem se autoproduz. capacidades e características humanas formadas historicamente e a criação contínua de novas aptidões e funções psíquicas” (Meira. Os produtos da atividade humana transformam-se em patrimônio da humanidade na forma de cultura. portanto. 2000. O problema do “comportamento fossilizado”: são os comportamentos automatizados ou mecanizados. o Explicação versus descrição: ao invés de descrever um fenômeno. em sua totalidade. o que existe. ou seja. Vigotski e seus companheiros estudaram: . nada nos dizem sobre sua natureza interna. Vigotski (1988b) propõe alguns princípios necessários à investigação das funções psicológicas superiores: o Analisar processos e não objetos: os processos psicológicos. em virtude de sua complexidade. É na realidade concreta que nossas subjetividades são constituídas e. “o desenvolvimento psicológico dos homens é parte do desenvolvimento histórico geral de nossa espécie e assim deve ser entendido. fazer um levantamento da história do comportamento. p. 2000. A aceitação dessa proposição significa termos que encontrar uma nova metodologia para a experimentação psicológica” (1988b. sofrem constantes mudanças. Para tanto. que no decorrer da vida perderam sua origem e sua aparência externa. Cabe ao pesquisador investigar e compreender como determinado fenômeno desenvolveu-se na história do indivíduo. Entendendo o Homem em sua totalidade sócio-histórica e o papel da atividade humana na constituição de subjetividade. já que é o processo de apropriação da experiência acumulada pelo gênero humano no decurso da história social que permite a cada homem a aquisição das qualidades. Para que possamos compreender esses comportamentos é necessário pesquisar como eles foram construídos.

o que contraria algumas tendências da psicologia tradicional que a considera substância. Citando Vigotski (1988a): “O que a criança pode fazer hoje com o auxílio dos adultos poderá fazê-lo amanhã por si só.fmauriciograbois. para depois ser interiorizada. Para Vigotski a consciência humana deve ser estudada como função. A área de desenvolvimento potencial permite-nos. A linguagem enquanto função psíquica superior é primeiramente social. Para Vigotski (1988a) existe o nível de desenvolvimento real ou efetivo e a Zona de desenvolvimento proximal correspondente àquelas atividades que a criança ainda não consegue realizar sozinha. A atividade humana é o plano que dá origem à consciência.” (p. pode refletir sobre o mundo que o cria e. como resultado da ação do próprio indivíduo. determinar os futuros passos da criança e a dinâmica do seu desenvolvimento e examinar não só o que o desenvolvimento já produziu. entendidas como positivas. o A relação entre aprendizagem e desenvolvimento. já que modificam velhas relações e abrem espaço para a criação de novas possibilidades. 113) A consciência e as emoções.int. mas também o que produzirá no processo de maturação. A linguagem tem papel essencial na formação da consciência. pois. A ação do indivíduo passa a ser mediatizada pela linguagem. resultado da relação entre as pessoas (criança e os outros).br/portal/cdm/revista.php? id_sessao=50&id_publicacao=167&id_indice=1231 . já que é através dela que o homem pode transmitir suas representações de uma geração a outra. mas consegue com a ajuda de outra pessoa.o A relação pensamento/linguagem e o problema da comunicação.org. transformando-se em um instrumento regulador do comportamento. ao criá-lo. Fonte: http://www. princípio explicativo. Para Vigotski o desenvolvimento é um processo dinâmico em que se alternam estágios de relativa estabilidade e períodos de mudanças radicais – as crises. pode estruturar sua consciência. Entendendo o desenvolvimento enquanto processo dinâmico pode-se compreender o conceito de Zona de desenvolvimento proximal.

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