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Apostila Fundações II parte 1

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FUNDAÇÕES II

CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

Universidade Comunitária da Região de Chapecó

P
L
2,5
2,5

Mesa

B

b

ACEA – Área de Ciências Exatas e Ambientais PROF Dr. MAURO LEANDRO MENEGOTTO PROF Msc. SILVIO EDMUNDO PILZ

2,5

d

d

CAPÍTULO I - ANÁLISE, PROJETO E EXECUÇÃO DE FUNDAÇÕES RASAS.

1.1 - INTRODUÇÃO

As fundações rasas ou diretas são assim denominadas por se apoiarem sobre o solo a uma pequena profundidade, em relação ao solo circundante. De acordo com essa definição, uma fundação direta para um prédio com dois subsolos será considerada rasa, mesmo se apoiando a 7,0 m abaixo do nível da rua.

FUNDAÇÃO RASA D/B<1

D

B

Figura 1.1 – Fundação direta

No presente capítulo serão apresentados os tipos de fundações rasas e seu dimensionamento em planta a partir de uma tensão admissível apoio.
adm

do solo de

FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ

Prof. Dr. Mauro L. Menegotto Engenharia Civil

Prof. Msc. Silvio E. Pilz ACEA

1

1.2 - TIPOS DE FUNDAÇÕES RASAS OU DIRETAS

Do ponto de vista estrutural as fundações diretas dividem-se em blocos, sapatas e radier.

1.2.1 - Blocos de fundação

São elementos de apoio construídos de concreto simples e caracterizados por uma altura relativamente grande, necessária para que trabalhem essencialmente à compressão. Normalmente, os blocos assumem a forma de um bloco escalonado, ou pedestal, ou de um tronco de cone (Fig. 1.2)

H

H

Figura 1.2 – Blocos de fundação

Os blocos em tronco de cone, ainda que não reconhecidos como tais, são muito usados, constituindo-se na realidade em tubulões a céu aberto curtos. A altura H de um bloco é calculada de tal forma que as tensões de tração atuantes no concreto, possam ser absorvidas pelo mesmo, sem necessidade de armar o piso da base. Neste sentido se utiliza um ângulo adequado, para que as tensões de tração

na base do bloco possam ser suportadas pelo concreto.

FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ

Prof. Dr. Mauro L. Menegotto Engenharia Civil

Prof. Msc. Silvio E. Pilz ACEA

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2. 1.3 – Sapatas retangular.4 – Sapatas associada e associada de divisa FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. considera-se como retangular uma sapata em que L 5B e corrida sempre que L > 5B. As sapatas podem assumir praticamente qualquer forma em planta (Fig. Figura 1. sendo as mais freqüentes as sapatas quadradas (B=L). Mauro L. quadrada e corrida C. que resistem principalmente por flexão. Dr. Pilz ACEA 3 . Figura 1. Para efeito de cálculos geotécnicos. necessitando assim de armadura na sua base.1. Menegotto Engenharia Civil Prof. regulares (L>B) e corridas (L>>B).C. C. pois que as tensões de tração são superiores as que o concreto pode suportar. de menor altura que os blocos.C.3). Silvio E.2 .Sapatas de fundação As sapatas são elementos de apoio de concreto armado. Msc.

Silvio E. 1. deve-se também reconhecer as sapatas associadas.1. Dr. as quais são empregadas nos casos em que. Muitas vezes as sapatas de divisa necessitarão de um elemento estrutural complementar para que possam suportar adequadamente as cargas impostas.5) DIVISA e L viga de equlíbrio B Figura 1. não é possível projetar-se uma sapata isolada para cada pilar. uma única sapata serve de fundação para dois ou mais pilares (Fig.Além dos tipos fundamentais acima.6. Mauro L. Este elemento é a viga de equilíbrio (ou viga alavanca) que liga a sapata de divisa a um a outra sapata próxima (fig. Pilz ACEA 4 . bem como o esquema estrutural básico de uma sapata de divisa com uma viga de equilíbrio.4). FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Msc.5 – Sapatas de divisa ligada com outra sapata através de uma viga de equilíbrio Uma vista em corte pode ser vista na figura 1. Menegotto Engenharia Civil Prof. Nestes casos. devido à proximidade dos pilares.

o radier é uma solução normalmente mais onerosa e de difícil execução em terrenos urbanos confinados. 1.2. e quando devidamente projetado poderá se tornar uma solução técnica e econômica interessante (fig. em certas soluções de projetos. tem-se o que se denomina de uma fundação em radier (Fig. Msc. 1. é uma alternativa interessante. Mauro L.3 . Dadas as suas proporções. Porém. Silvio E. Pilz ACEA 5 .PA PB DIVISA RA RB PA PB RA RB Figura 1. ocorrendo por isso com pouca freqüência.7).Fundação em radier Quando todos os pilares de uma estrutura transmitir as cargas ao solo através de uma única sapata. Menegotto Engenharia Civil Prof. 1. envolvendo grandes volumes de concreto armado.6 – Sapatas de divisa vista em corte com o esquema estático.8) FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Dr.

9). 1. Mauro L.8 – Radier concretado O radier pode ser protendido. Msc. Silvio E. FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof.funcionamento Figura 1. Menegotto Engenharia Civil Prof. para diminuir a espessura do concreto ou os esforços de tração no concreto. Dr.Superestrutura P1 P2 P3 RADIER Tensões no solo Reação do solo Figura 1. Pilz ACEA 6 . sendo muito utilizado (fig.7 – Radier .

Menegotto Engenharia Civil Prof. Msc.10 e 1. Dr.9 – Radier com cabos de protensão 1. na qual conste as dimensões em planta das sapatas.3 .11 abaixo: Figura 1.Figura 1. por exemplo. devendo ser utilizado o projeto de locação de pilares.CONTROLE DE EXECUÇÃO DE SAPATAS O controle de execução de sapatas consiste essencialmente em fazer com que as sapatas sejam apoiadas sobre o solo previsto em projeto. como.10 – Locação de pilares com sapatas FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Silvio E. Também deve ser efetuada a locação correta das sapatas. Mauro L. na figura 1. Pilz ACEA 7 .

FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. No caso de sapatas apoiadas em solo. Pilz ACEA 8 .12.Figura 1. para permitir a comparação “in loco” do previsto com o real. Mauro L. Msc.11 – Detalhe locação da sapata Nas escavações. o escalonamento será feito conforme Figura 1. Menegotto Engenharia Civil Prof. Dr. visando estabelecer níveis que permitam o escalonamento entre sapatas apoiadas em cotas diferentes. Nesta fase inicial se esclarecerá também eventual variabilidade nas características do solo de apoio. é sempre conveniente que a escavação das sapatas se inicie nas imediações de uma sondagem. Silvio E.

Pilz ACEA 9 . Dr. Porém deve se ter cuidado.12). 1.13). FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. 1. para uma análise inicial devendo o valor exato ser calculado em função das características do solo. Silvio E. sendo este ângulo é uma medida aproximada. para que a distribuição de tensões da sapata ao solo (bulbo de tensões) não fique muito próximo de talude. se a mesma tiver profundidade razoável.12 – Sapatas escalonadas A sapata situada no nível inferior deve ser executada antes da sapata situada em nível superior. Se necessário devem ser tomadas medidas de contenção do solo para escavação segura (fig. Menegotto Engenharia Civil Prof. para que os bulbos de tensões não interfiram um no outro. para que não ocorrem desmoronamentos de taludes durante a escavação.Figura 1. Durante a escavação das sapatas deve ser dada atenção à segurança dos funcionários. Deve ainda se respeitar em sapatas assentes em cotas diferentes um ângulo mínimo de 30o (rochas) e 60º nos demais solos (fig. Mauro L. Msc.

estas serão inspecionadas uma a uma. Silvio E. Alternativamente poderão ser injetados com calda de cimento. Em caso de risco às fundações vizinhas existentes. Atingida a profundidade prevista e no caso do terreno não atingir a resistência compatível com a exigida em projeto.Figura 1. a escavação pode ser aprofundada até a ocorrência de um material adequado. Escavando-se as cavas de cada sapata.5mm) FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Poços e fossas deverão ser limpos e preenchidos com concreto magro. ou uma mistura ternária adequada (solo + cimento + água). ou buracos de formigueiros. se dará especial atenção à eventual ocorrência de poços. Mauro L. deverá ser verificada a continuidade da mesma e a sua inclinação. normalmente se executam as contenções e medidas necessárias para restabelecer as condições de segurança das fundações vizinhas antes de se iniciar as fundações da obra nova. Pilz 10 ACEA . 12. Msc. No caso de sapatas assentes em rocha. 1.13 – Risco de queda de talude e medidas de contenção do solo Cuidado especial deve ser dado às edificações vizinhas. sendo conveniente o emprego de um “penetrômetro” (barra de aço de para testar uniformidade do solo de apoio.14). a critério da fiscalização. Dr. Menegotto Engenharia Civil Prof. para evitar que a sapata “deslize” sobre a rocha (fig. Na inspeção. a exigir um tratamento adequado. fossas. deve se consultar o autor do projeto. para que não se afetem as fundações existentes.

Dr.15 – Lastro de brita – não aceitável FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof.Figura 1. 1. Figura 1.14 – Preparação da rocha para receber sapata Aprovado o solo de apoio. pois pode ocorre fuga de nata de concreto junto às armaduras. a sapata será limpa para receber o lastro de concreto magro (fig. Menegotto Engenharia Civil Prof. 1. Pilz 11 ACEA . não sendo aceitável um lastro de pedra britada (fig. Silvio E. Mauro L.16). Msc.15).

além de propiciar uma qualidade na execução e deve ter uma área levemente superior à da sapata. Msc. Silvio E. Menegotto Engenharia Civil Prof. 1. Pilz 12 ACEA . FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof.Figura 1.17 – Forma lateral em madeira. Dr. servindo de gabarito.16 – Lastro de concreto magro – ideal. sendo que estas formas podem servir de gabarito para a colocação das esperas dos pilares (fig.17). Figura 1. O lastro de concreto deve ter de 5 a 10 cm e ajuda a distribuir os esforços da sapata. É usual se efetuar uma forma para as laterais das sapatas. Mauro L. Forma lateral da sapata em tijolo.

Posicionado a ferragem da sapata e do pilar (fig.20). Figura 1. 1.19).18 e 1. a sapata poderá então ser concretada (fig. FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Silvio E. . Menegotto Engenharia Civil Prof. Msc. com arranque de pilar No caso de sapatas corridas (aquelas em que o comprimento é maior que a largura) os procedimentos são idênticos (fig. Pilz 13 ACEA .19 – Sapata com esperas do pilar e sapata concretada. 1. Mauro L. Dr.18).

Msc. faz-se o lastro de concreto e posiciona-se a ferragem da sapata. escava-se até o solo previsto. Neste caso não há a ferragem de espera dos pilares (fig. Figura 1.20– Sapata corrida sob parede de alvenaria Da mesma forma. Dr.21– Sapata corrida com o lastro e ferragem preparada FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Pilz 14 ACEA . Menegotto Engenharia Civil Prof. Mauro L.21). Silvio E.Figura 1. 1.

1.4 . FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof.22). a ser feito para uma tensão admissível adm (ou também p ) previamente estimada. Menegotto Engenharia Civil Prof. Dr. Msc.22 – Sapata corrida concretada e a cura 1. Mauro L. sempre lembrando de que todo concreto deve ter a cura adequada (fig.DIMENSIONAMENTO DE FUNDAÇÕES DIRETAS O dimensionamento geométrico de fundações diretas e seu posicionamento em planta é a primeira etapa de um projeto. Silvio E. será fundamental a participação do engenheiro estrutural. Figura 1. As dimensões das superfícies em contato com o solo não são escolhidas arbitrariamente.E após faz-se a concretagem. a fim de se conseguir proporções adequadas tanto sob o ponto de vista de fundação como do estrutural. mas sim através de dimensionamento estrutural econômico. Pilz ACEA 15 . No caso particular de um radier para um edifício.

ou seja: B = b + 2d + 5cm. Para tanto. os balanços d deverão ser aproximadamente iguais nas duas direções. que são normalmente arredondadas para variar de 5 em 5 cm. A área necessária da sapata será: A = P/ adm =B.5 cm). O dimensionamento econômico será aquele que conduz a momentos aproximadamente iguais nas duas abas.13.13 – Sapata isolada A região em que o pilar tem contato com a sapata chamamos de mesa.L L Dimensionamento: d 2. de dimensões l x b e carga P. Msc. para facilitar a colocação das fôrmas para a concretagem do pilar.5 2.L L–B=l–b Figura 1. as dimensões da mesa são ligeiramente superiores a do pilar (por exemplo 2. L = l + 2d + 5cm (considerando folga de 2.1 . Muitas vezes. FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Menegotto Engenharia Civil Prof. em relação à mesa da sapata. Silvio E. Mauro L.5 Através das duas equações podemos determinar os lados L e B B b d A = P/ adm =B.1. Dr.4.Sapatas isoladas Considere-se o pilar retangular da figura 1.5 cm na mesa) Resolvendo-se simultaneamente obtêm-se as dimensões procuradas. Pilz ACEA 16 .

Silvio E. c. FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Menegotto Engenharia Civil Prof. No caso de pilares em L. Dr.g Figura 1.Exemplo: Dados  Pilar com 110 x 25 cm e carga P = 3800 kN e Resolução  A = 3800 kN / 350 kN/m2  l – b = 110 – 25 = 85 cm adm = 350 kN/m2 A = 10.24). Mauro L.24 – Sapatas para pilar em L. L L = 3. Pilz ACEA 17 . Nesta figura são mostrados outros exemplos de sapatas para pilares não retangulares. a sapata será centrada no centro de gravidade do pilar.90 m  No caso de pilares de edifícios. a dimensão mínima é da ordem de 80 cm. sendo que os balanços iguais serão procurados em relação à mesa retangular do topo da sapata (Fig 1.g c. adota-se um mínimo de 60 cm de largura. Para sapatas corridas.75 m e B = 2.86 m2 = B . Msc. Para residências é usual uma sapata com uma dimensão mínima de 60 cm.

26).25 e fig. Msc.1. Pilz ACEA 18 . No caso ao lado temos: L x1 B P1 P2 A = P1 + P2 / adm A=B. procedendo-se então à escolha das dimensões de maneira a obter um equilíbrio entre as proporções da viga de rigidez e os balanços da laje. 1.L x2 x2 P1 . Mauro L. Silvio E. Neste caso a sapata será centrada no centro de cargas dos pilares.perspectiva FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. 1.Sapatas associadas Quando as cargas estruturais forem muito altas em relação à tensão admissível.4. Dr. Menegotto Engenharia Civil Prof. poderá ocorrer o caso de não ser possível projetar-se sapatas isoladas para cada pilar.26 – Sapata associada .25 – Sapata associada Figura 1.2 . x 1 P1 P2 L/2 L/2 Figura 1. tornando necessário o emprego de uma sapata única para dois ou mais pilares ou chamada de sapata associada (fig.

1. respeitando-se sempre a coincidência do CG da sapata com o centro de cargas dos pilares envolvidos. Via de regra. O problema de projeto torna-se então o de se encontrar sapatas de qualquer forma. Sapatas associando três ou mais pilares poderão então. Msc. Mauro L. Pilz ACEA 19 .27 – Solução para evitar sapata associada FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof.A sapata associada será evitada. mesmo a custo de se distorcer o formato lógico das sapatas (Fig. a liberdade de escolha do tipo e dimensões das sapatas diminui. normalmente temos que fazer uma viga de rigidez ligando os dois pilares. tornarem-se necessárias. porque para equilibrarmos a rigidez do conjunto. sempre que for possível uma solução com sapatas isoladas. Menegotto Engenharia Civil Prof. Figura 1. duas sapatas isoladas serão mais econômicas e mais fáceis de executar do que uma sapata associada. À medida que a concentração de cargas aumenta. Silvio E. que caibam dentro da área disponível para a fundação.27). Dr.

não é conhecida de início. Silvio E. Figura 1.perspectiva FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof.Sapatas de divisa No caso de pilares junto aos limites do lote (divisa e alinhamento da rua) não é possível projetar-se uma sapata centrada. por sua vez.29 e 1. Mauro L.28 – Sapata de divisa . tornando-se necessário o emprego de uma viga de equilíbrio (viga alavanca) para absorver o momento gerado pela excentricidade da sapata (Fig. considerando-se a sugestão adicional de que a sapata de divisa tenha uma relação L/B em torno de 2. Menegotto Engenharia Civil Prof. Dr. pilar PA. pois depende da largura da sapata. 1. a qual. O problema é resolvido por tentativas.30). A sapata de divisa.1. Msc. 1.28 .4. Pilz ACEA 20 . será dimensionada para a reação RA.3 .

Pilz ACEA 21 . Msc.DIVISA e L viga de equlíbrio B Figura 1.30 – Sapata de divisa – em corte PA PB FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ RA Prof. Silvio E. Menegotto Engenharia Civil RB Prof. Mauro L. Dr.29 – Sapata de divisa – em planta PA PB DIVISA RA RB Figura 1.

 B = B1 adotado L = A/B1 adotado 7) Se os valores de B e L encontrados forem aceitáveis (L/B em torno de 2). as dimensões são aceitas. a reação RA1 6) Para A = RA1/ adm . que nem sempre atuam integralmente (cargas acidentais). Dr.6 anterior). reduzindo a carga aplicada ao solo de um valor dP = RA – PA Na prática. Assim. l l e 2) Adota-se um valor para RA = R’ > PA. FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Silvio E. esse alívio na carga do pilar não é adotado integralmente no dimensionamento da sapata interna. 1. l  R A PA . pois será sempre maior que 1. tomando-se momentos em relação a B (CG da sapata de centro) RA . o que causaria um alívio hipotético. consequentemente. além de as cargas de projeto incorporarem sobrecargas. Msc. 3) Para o valor de R’. verifica-se que a viga alavanca tenderá a levantar o pilar PB. Pilz ACEA 22 .Seqüência de cálculo: 1) Na Fig. Menegotto Engenharia Civil Prof. adotam-se as dimensões da sapata de divisa: A = R’/ adm = B1 L1 4) Para o valor de B1 adotado calcula-se a excentricidade (e) a reação RA1. a sapata interna será dimensionada para: RB PB dP 2 A redução no valor do alívio é atribuída ao fato de a alavanca não ser rígida (alavancas longas). (l e) PA . refaz-se o cálculo mantendo-se a mesma largura da sapata para não alterar a excentricidade e. 5) Se RA1 R’ adotada. sendo comum a adoção da metade do alívio.30. Da figura 1. procede-se ao dimensionamento da sapata interna. Uma vez dimensionada a sapata de divisa.29 (e fig. Mauro L. 1.

a favor da segurança.80 m  A = 1500 kN / 250 kN/m2 = 6. com L/B 2. pode ser preferível uma sapata mais próxima de um quadrado que uma retangular. sapatas de divisa estão associadas a escavações profundas junto a construções vizinhas.0 m2  L1 = 6.54 m2 FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof.79 m R A PA . Pilz ACEA 23 . Mauro L.635 kN como RA1 ≠ R’  redimensionar. Silvio E. mas sim a um contrapeso ou um elemento trabalhando a tração (estaca ou tubulão).635 kN / 250 kN/m2 = 6. Menegotto Engenharia Civil Prof. ou seja. Nestes casos. na busca de uma solução mais exeqüível. o alívio é aplicado integralmente. mantendo-se B. Dr. No caso de a alavanca não ser ligada a um pilar interno.33 e = (1.0 / 1.No caso de obras em que a carga acidental é o principal carga atuante. Freqüentemente.50 m = 250 kN/m2 Solução:  Sapata de divisa adotando R’ = 1500 kN adotando B1 = 1. deve-se calcular as sapatas para o caso de cargas atuantes totais e cargas atuantes sem consideração das cargas acidentais. Msc. O projeto sacrificaria a viga alavanca.22 / 2) = 0. l l e  RA1 = 1. Exemplo: PA = 100 x 22 cm PB = 70 x 70 cm  carga 1400 kN  carga 1900 kN Distancia entre eixos de pilares adm l = 5. pois assim não muda “e” novo A = 1.80 / 2) – (0. pela sua própria natureza.80 = 3.

80 = 3. A viga de equilíbrio.900 – 235/2 = 1. é apenas uma peça fletida e não deve absorver reações do solo que modifiquem as hipóteses de cálculo. a camada de solo subjacente ao fundo da viga deve ser afrouxada ou retirada antes de sua execução.67 m Adotar sapata interna 2.63 m  L/B 2 (OK !) Adotar para sapata de divisa 1. no máximo 60 cm. Silvio E.4 –Dimensionamento da viga de equilíbrio Sapatas com vigas de equilíbrio quando integradas (a sapata e a viga tem a base no mesmo nível) são projetadas com base nas seguintes hipóteses (fig.54 / 1. Esta condição é satisfeita fazendo-se a viga com momento de inércia Iv de 2 a 4 vezes maior que o momento de inércia Is da sapata e altura h maior. 1.400 = 235 kN RB = PB – dP/2 = 1.783 kN A = 1783 / 250 = 7. 2. para reduzir o recalque diferencial. As sapatas devem ser dimensionadas para aproximadamente a mesma pressão e devem ser evitadas grandes diferenças entre as suas larguras b. Para que isto ocorra.13 m2  L = B = 2. Menegotto Engenharia Civil Prof.4.70 m 1.33): 1. Msc.70 m x 2. Mauro L. entre os bordos das sapatas. A viga deve ser rígida. 3.635 – 1. Pilz 24 ACEA .32 e fig. no mínimo igual a l/5 da distância l entre pilares.80 m x 3.31. fig. 1. 1. FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof.65 m  Sapata interna dP = RA – PA = 1. Dr.L = 6.

Silvio E. Mauro L. Dr. Menegotto Engenharia Civil Prof.31 – Sapata de divisa – em corte a1 a01 b 01 b1 a02 a2 (b) b 02 b2 Figura 1.32 – Sapata de divisa – em planta FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Msc.P1 P2 h e R1 (a) R2 Figura 1. Pilz 25 ACEA .

Pilz ACEA 26 . Silvio E.0 x 1 2 3 4 5 6 Esforço Cortante (c) Momento Fletor (d) Figura 1. Menegotto Engenharia Civil Prof. resultam os seguintes diagramas: Diagramas de corte V1 = .P1 + R1 = P2 – R2 V4 P2 r2 b2 2 b02 P 1 R1 r2 b2 b2 2 b02 2 b02 V5 r2 b2 2 b02 P 1 R1 r2 P2 FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Dr. fazendo r1 R1 b1 r2 e R2 b2 (reações do terreno por unidade de comprimento da viga).33 – Diagrama de solicitações na viga de equilíbrio Admitindo alívio teórico integral do pilar central ( R2 = P2 - P ). Mauro L. Msc.P1 + r1 b01 V2 = V3 = .

34 – Sapata de divisa com viga de transição FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Silvio E.4. Dr.Diagrama de momentos M máx b P1 x 01 2 r1 x 2 2 com x P1 r1 M2 P b1 1 b01 2 b1 R1 2 M3 b2 P 2 1.34). bastante utilizada para resolver o problema de sapata de divisa é o uso de viga de transição. Esta solução é bastante interessante. 1. Mauro L. PA PB DIVISA RA RB Figura 1. mas o pilar de divisa nasce sobre uma viga de transição (fig.5 – Hipótese de cálculo de sapata com viga de transição Uma outra hipótese. Pilz 27 ACEA . Menegotto Engenharia Civil Prof. Neste caso a sapata não é de divisa. evitando assim uma escavação maior no local de implantação da viga. principalmente porque nós podemos fazer as sapatas e a viga de transição em níveis diferentes. Msc.

1.35 e fig. Dr.6 .35 – Sapata com carga excêntrica FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. As sapatas são calculadas como centradas. P e P M Figura 1.O cálculo da viga de transição passa a ser um cálculo convencional de uma viga. atua também um momento na fundação. Deve-se lembrar que esta viga deve ter uma grande rigidez. aprendida na disciplina de Concreto Armado. onde o esforço cortante também é elemento importante no cálculo da viga. frenagem etc.36) por efeito de pórtico em estruturas hiperestáticas. Menegotto Engenharia Civil Prof. Mauro L.Sapatas Sujeitas a Carga Vertical e Momento Em muitos casos práticos. como transição. Esse momento pode ser causado por cargas aplicadas excentricamente ao eixo da sapata (fig. 1. Por vezes.4. pois qualquer deformação na viga. vento. Cuidado especial também deve ser dado as tensões tangenciais que serão grandes no balanço. Msc. além da carga vertical. por cargas horizontais aplicadas à estrutura (empuxos de terra em muro de arrimo. no balanço. devese dimensionar a viga por verificação das tensões de cisalhamento atuantes. Silvio E. será imposta ao pilar e conseqüentemente ao restante da obra. Pilz 28 ACEA .). 1.

A tensão máxima deverá ser inferior à tensão admissível adotada para o solo. variando ao longo da base da sapata. as tensões aplicadas ao solo não serão uniformes. Dr. Menegotto Engenharia Civil Prof.30 temos: P σ A max M W onde W B . Nesse caso. No caso de a carga P estar dentro do núcleo central da base. as tensões aplicadas serão obtidas considerando-se a superposição dos efeitos de uma carga centrada mais um momento. L2 6 min assim podemos dizer que P M A W adm P A M W 0 FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Mauro L. Msc. Na figura 1.36 – Sapata com momento (a) e os efeitos causados (b).36. conforme ilustrado na figura 1. Assim a figura 1.35 . Pilz 29 ACEA . ilustra-se o caso de uma sapata carregada excentricamente com uma carga P.P B M L P M P M min min max max Figura 1. Silvio E.

mas por fim didático assim o faremos). Admite-se precisão M P no ponto máximo da tensão entre 3. = 2.99 kgf/cm2 > = 3. Lembrar de manter o homotetismo. L . Silvio E. e sendo os esforços P = 100 tf e M = 15 tfm e o momento atuando no sentido de L (lado maior) da sapata. Pilz ACEA 30 CASO DE MOMENTO DEVIDO A UM ESFORÇO HORIZONTAL .45 m (arredond. L2 /6 = 0.44 .5 kgf/cm2.55 = 1. Menegotto Engenharia Civil Prof. Msc.571 cm2 ou 2.85 m CASO DE MOMENTO VINDOBDA SUPRAESTRUTURA 2  B = 1.89 kgf/cm2 < P M adm (não passou) (OK!) P min adm O passo seguinte é calcularmos novas dimensões da sapata e verificarmos novamente as tensões máximas e mínimas (o método é de tentativas). Mauro L. sendo que no momento mais solicitado as tensões entre solo e estrutura sejam menores que as admissíveis e não haja tração entre sapata e solo. obtemos os lados das sapatas (é óbvio que se levarmos em consideração somente a carga P inicialmente as tensões máximas não passarão. Solução: P adm Inicialmente podemos achar a área da sapata A=P/ = 28. e o solo com adm = 3.1.55 = 4. FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof.00 m assim obtemos W = B.Exemplo: Para a sapata abaixo e sendo o pilar de 20 x 80 cm.97 m3 e calculamos as tensões máximas e mínimas.6 m e Das duas equações obtemos L . Dr.44 + 1.B = 80 – 20 = 60 cm = 0. ache as dimensões da sapata.6 kgf/cm2.85 m2 Com estes dados e mantendo o hometetismo das faces.4 e 3. P A max M W H onde achamos: = 3.)  L = 2.02 m  L = 2.

ou seja.37).84 + 1. Dr.55 kgf/cm2 < adm (OK!) (OK!) min adm Então a sapata terá 170 x 230 cm. Msc.16 = 4.55 . eX eY e FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Menegotto Engenharia Civil Prof.55 + 1. Mauro L.2ª tentativa  Com B = 160 cm e L = 220 cm max = 2. B2 6 P MX A WX L 6 MY WY B 6 Esta condição de cálculo para dupla excentricidade é válida somente para pequenas excentricidades.1. com a carga ainda dentro do núcleo central da sapata.1. 1.84 .68 kgf/cm2 < adm (não passou) (OK!) min adm 3ª tentativa  Com B = 170 cm e L = 230 cm max = 2.00 = 1.00 = 3. Silvio E.55 kgf/cm2 = 2.00 kgf/cm2 > = 2. L2 6 WX L . eX WY B . eY MY= P. Neste caso temos: MX= P. No caso de dupla excentricidade (fig. Pilz 31 ACEA . o momento resultante será decomposto em relação aos dois eixos da sapata e seus efeitos somados.16 = 1.

pela complexidade da solução de um problema de interação solo-estrutura com tensões de tração. Menegotto Engenharia Civil Prof.7 . Pilz 32 ACEA .37 – Sapata com dupla excentricidade No caso de sapatas com simples ou dupla excentricidade. 1. Mauro L. Silvio E. FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. onde podem ocorrer tensões de tração entre a sapata e o solo.Fundações diretas sujeitas a cargas acidentais (consideração à parte) Nos itens anteriores discutiu-se o dimensionamento de fundações diretas. Dr. sem nenhuma referência à natureza do carregamento.Y B P ex ey X max L Figura 1. o profissional deverá inicialmente buscar uma configuração de projeto de fundação em que não ocorra tensões de tração entre o solo e a sapata. Em inúmeros casos de interesse prático. atuam também esforços acidentais de pequena duração e/ou pequena probabilidade de ocorrência simultânea. Nestes casos. a tensão admissível costuma ser majorada quando da verificação das tensões decorrentes da somatória das cargas acidentais. seja através inicialmente através de vigas de equilíbrio ou através de outros mecanismos. além de carga morta (carga permanente) e de sobrecargas efetivas. Msc.4.

No caso dos tanques. multidão etc. O primeiro enchimento é na realidade uma prova de carga. esses valores admissíveis não podem ser ultrapassados quando consideradas as cargas permanentes e acidentais”.5. se considerado conforme acima. Entretanto. as tensões aplicadas ao solo alcançam grandes profundidades. e das cargas admissíveis em estacas e tubulões.3 estipula a este propósito: “Quando forem levadas em consideração todas as combinações possíveis entre os diversos tipos de carregamento previstos pelas normas estruturais. podendo causar recalques decimétricos. na combinação mais desfavorável. sendo normalmente feito controladamente com observação dos recalques resultantes. exigindo um cuidado extremo no estudo de suas fundações. Mauro L. Como por exemplo dessas estruturas pode-se citar os tanques de armazenamento de combustíveis e os silos de armazenagem de grãos. pode-se. Na expressão abaixo.) Cabe aqui também uma menção a estruturas muito particulares em que a carga viva supera a carga morta. parágrafo 5. adm pode ser majorado em 30 %. Menegotto Engenharia Civil Prof. Silvio E. a qual pode ser totalmente aplicada em questão de horas. o peso próprio é desprezível diante da carga útil. Pontes rodoferroviárias (esforços longitudinais e transversais de vento. frenagem. max P M A W adm Exemplos de casos de sapatas sujeitas a cargas acidentais: Painéis publicitários de grande altura e pequeno peso próprio Caixas d’água altas e esbeltas. Pilz ACEA 33 . Face à grande área carregada. chaminés Galpões industriais em estrutura metálica com fechamentos leves (pequeno peso próprio. Msc. FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. temperatura.A NBR 6122/94. majorar 30% os valores admissíveis das tensões no terreno. Dr. grande efeito de vento) Idem com pontes rolantes a gerarem mais momentos acidentais na fundação. inclusive ação do vento.

Alguns autores descrevem.38– Situação especial de cálculo – observar combinações de carregamentos e análise de recalques diferenciais. por exemplo). FUNDAÇÕES II UNOCHAPECÓ Prof. Dr. em que as combinações de carregamentos podem ser as mais variadas possíveis. Mauro L.Da mesma forma nos solos. Pilz 34 ACEA . SILO CHEIO SILO CHEIO SILO VAZIO SILO VAZIO SILO VAZIO SILO VAZIO Figura 1. em especial se as fundações que sustentam os pilares forem em sapatas excêntricas (devido a edificações próximas. Menegotto Engenharia Civil Prof. apesar de os recalques medidos estarem na faixa de valores normalmente aceitáveis em outros tipos de estrutura. por exemplo. existe também o problema de carregamentos diferenciados nas várias células que podem compor o silo. além de a carga poder ser aplicada rapidamente. A figura 1. o caso de uma bateria de silos que sofreu danos estruturais severos. devendo ser verificado todas estas combinações. ligadas por vigas de equilíbrio. Silvio E.38 ilustra o caso de uma bateria de 06 silos. Msc.

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