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Bioética e Interdisciplinaridade

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Luciano Rodrigues Simões

Ética/Bioética:
Antigamente a ética era exclusivamente uma ação individual e era objeto de estudo de filósofos e teólogos.

Ética/Bioética:
Hoje devido as transformações ocorridas na sociedade e os avanços científicos e tecnológicos, o foco passou a ser o sujeito-social, com o envolvimento de pessoas em grupos comunitários, profissionais, associações e outros.

Ética/Bioética: O neologismo bioética foi dita americano Potter. . na década de 1970. pelo médico Potter utilizou esse termo para expressar a necessidade de equilibrar a orientação científica da biologia com os valores humanos.

a Conferência Geral da UNESCO adotou a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos.Ética/Bioética: Em outubro de 2005. que consolida os princípios fundamentais da bioética e visa definir e promover um quadro ético normativo comum que possa a ser utilizado para a formulação e implementação de legislações nacionais. .

Levantam-se questionamentos tais: .Quando começa a vida humana para que tenhamos que respeitá-la? .Em que consiste a dignidade da vida humana? .Ética/Bioética: Há questões bioéticas que partem do início da vida humana até sua finitude.

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Ao contrário. têm provocado uma maior disseminação de idéias a respeito da autonomia da vontade do paciente e/ou da família nas escolhas das propostas terapêuticas.Ética/Bioética: Sendo assim as discussões da bioética não se fecham como ´verdadesµ prontas e acabadas. . bem como os custos. riscos e possíveis benefícios.

Na tentativa de aproximação dos seus princípios ou fundamentos nas práticas cotidianas do enfermeiro e de toda a equipe de saúde. moral. . responsabilidade e bioética.Ética/Bioética: Por isso é necessário discutir melhor os significados dos termos ética.

VAMOS REVER ALGUNS CONCEITOS? .

ÉTICA .

suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal. princípios e o comportamento moral à procura do ´bomµ. da ´boa vidaµ.Ética: É o ramo da filosofia que estuda os juízos de apreciação que se referem à conduta humana. . Reflexão que interpreta. discute e problematiza. Refere à reflexão crítica sobre o comportamento humano. do ´bem estar da vida em sociedadeµ. investiga os valores.

ÉTICA No cotidiano hospitalar os problemas e dilemas éticas enfrentados são muitas vezes altamente complexos. Daí a importância dos princípios e valores como fundamentos a guiar as decisões dos profissionais da área da saúde. confrontando-se com os interesses econômicos. o respeito à sua integridade e segurança. exigindo que se ressaltem questionamentos sobre a natureza ética das decisões tomadas e dos atos administrativos. financeiros e gerenciais com os direitos dos pacientes. .

hábitos e valores culturalmente estabelecidos. Uma pessoa é moral quando age em conformidade com os costumes e valores consagrados .Moral A moral é a parte da vida concreta e trata da prática real das pessoas que se expressam por costumes. Uma pessoa pode ser moral. mas não necessariamente ética. .

Moral A moral se apóia naquilo que a comunidade concebe como valor. .

sempre que estes violem os direitos de terceiros protegidos por lei e de reparar os danos causadosµ (Michaeles). ´ NÂO SER OMISSO ÀQUILO QUE É DE MINHA ATRIBUIÇÃO.µ .Responsabilidade ´É o dever jurídico de responder pelos próprios atos ou de outrem.

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mas aplicada a uma série de situações novas. causadas pelo progresso das ciências biomédicasµ. Trata-se da ética já conhecida e estudada ao longo da história da filosofia.Bioética: ´A Bioética não possui novos princípios básicos fundamentais. 1970) . (Potter.

na medida em que esta conduta é examinada à luz de valores e princípios morais. 1978). (Encyclopedia of Bioethics. .BIOÉTICA: Estudo sistemático da conduta humana na área das ciências da vida e dos cuidados à saúde.

.BIOÉTICA Bioética envolve processos de tomada de decisão e relações interpessoais de todos os seguimentos: o paciente e todos os profissionais de saúde. a família a comunidade e as estruturas sociais e legais.

Os princípios éticos são universalmente importantes para todas as práticas de saúde. Não-Maleficência. Fidelidade. Confidencialidade. Justiça. Autonomia. Beneficência. Veracidade. Autonomia. . Justiça. enumera sete dos principais princípios: Beneficência. Fidelidade. Confidencialidade. Não-Maleficência. O Conselho Internacional de Enfermagem. Veracidade.

não.BENEFICÊNCIA O Princípio da Beneficência é o que estabelece que devemos fazer o bem aos outros. . independentemente de desejádesejá-lo ou não.

BENEFICÊNCIA Fazer o melhor. do ponto de vista ético e técnicotécnico-assistencial Mais relacionado ao profissional Na pesquisa: ponderação entre risco e benefício .

ou pelo menos não produzir dano´ dano´ (Hipócrates) .NÃONÃO-MALEFICÊNCIA Dever de intencionalmente. não causar mal e/ou danos ao paciente.ajudar. ³Aos doentes tenha por hábito duas coisas .

FIDELIDADE Princípio de criar confiança entre o profissional e o paciente. . paciente. cumprir promessas e manter confiabilidade no relacionamento com o paciente. de ser fiel.

. de acordo com a necessidade individual.JUSTIÇA Princípio de ser equitativo ou justo. igualdade de trato entre iguais e tratamento diferenciado entre desiguais. isto é.

.JUSTIÇA Equidade de bens e recursos considerados comuns: Saúde Educação Outros Objetiva evitar a discriminação. a marginalização e a segregação social.

. pacientes. não mentir e nem enganar pacientes.VERACIDADE Princípio ético de dizer sempre a verdade.

É a garantia do resguardo das informações dadas em confiança e a proteção contra a sua revelação não autorizada. .

sua integridade. auto-governo.AUTONOMIA Grego auto (próprio) nomos (lei. . norma regra): Significa auto-governo. sua saúde. autodeterminação da pessoa de tomar decisões que afetem sua vida.

Princípio da AUTONOMIA Agir intencionalmente Liberdade Mais relacionado ao paciente/pessoa Na pesquisa: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido .

NENHUM DOS PRINCÍPIOS TEM VALOR ABSOLUTO SOMENTE A DIGNIDADE DO SER HUMANO! .

. Contudo. ao mesmo tempo em que isso traz orgulho para os profissionais. também os expõem a maiores riscos e responsabilidades no âmbito jurídico.Responsabilidade Civil na Enfermagem A enfermagem no decorrer dos anos vem conquistando muitos espaços na área de saúde.

trabalhe. Essa dependentes. definição cabe para a responsabilidade civil do profissional de saúde. levando à obrigação de reparação do dano tanto ao profissional quanto à instituição na qual trabalhe. de terceiros ou de coisas dela dependentes. .Responsabilidade Civil Definimos responsabilidade civil como a obrigação de uma pessoa reparar o prejuízo causado a outrem por fato próprio.

sem os quais devem ser previstos danos. a inércia.Negligência. Ela é a inação. deixa de agir com as preocupações ou cuidados devidos. a omissão de precauções e cuidados tidos como necessários. . Imprudência e Imperícia Negligência Consiste na falta de cuidados ou de atenção daquele que. embora possuidor dos conhecimentos indispensáveis. levando a resultados prejudiciais. a passividade.

. Casos de negligência que provocam omissivo. mas também podem ser fruto de cansaço e sobrecarga de serviços devido às condições de trabalho impostas a muitos profissionais em hospitais e postos de saúde. saúde.Negligência: É um ato omissivo. danos ao cliente podem ser fruto de preguiça ou desinteresse por parte do profissional.

sendo a conseqüência de uma ação que poderia ter sido evitada.Imprudência A imprudência resulta da imprevisão do profissional. Consiste numa falta involuntária decorrente de uma ação. o que a distingue da negligência. . omissão. prevê-la. pois o mesmo poderia prevê-la. a qual é caracterizada como o resultado de uma omissão.

é a descautela. prática de ação irrefletida ou precipitada. portanto. que se evidencia na imprevisão. na desatenção culpável. Como exemplo presumido. ocasionando um mal presumido. sem eficiência comprovada etc. . descuido.Imprudência A imprudência. tem-se: tem-se: administrar medicamento sem a devida prescrição. etc. empregar técnica de enfermagem perigosa.

profissão. incompetência. . desconhecimento. a imperícia é a ignorância. profissão´. Então. no sentido jurídico. inexperiência. inabilidade. inabilidade. a falta de prática ou "Entendeausência de conhecimentos que se mostram necessários para o exercício de uma profissão´. na arte ou profissão. É um erro próprio dos profissionais que se manifesta por uma inabilidade.Imperícia "Entende-se.

. também será responsável por sua equipe.Imperícia Como exemplo. temos o profissional de enfermagem que realiza qualquer técnica sem ter competência plena para desempenhá-la. além de responder pelos seus atos. equipe. ressaltando que o desempenháenfermeiro.

Código de ética Contém: Normas e princípios. . Compromisso social e profissional. Deve formar: Consciência individual e coletiva. Direitos e deveres. pertinentes à conduta ética do profissional.

Código de ética Inclui: Conhecimentos científicos e técnicos. Assistência de qualidade e sem risco. éticas e políticas. . pesquisa e assistência. Clientela como centro. Ensino. Considera: A necessidade e o direito de assistência de enfermagem da população. Conjunto de práticas sociais.

. à dignidade e aos direitos da pessoa humana.Código de ética Princípios fundamentais: Compromisso com a saúde do ser humano e coletividade. Manter-se atualizado. Responsabilidades: Assegurar assistência livre de danos. Responsabilizar-se por faltas cometidas. Aceitar atribuições de acordo com sua competência. Respeito à vida.

pois dizem respeito à maior vulnerabilidade dos pacientes. o que exige apoio de caráter mais beneficente do profissional. para que o paciente realmente usufrua de seus direitos e de sua autonomia. Trata-se de uma limitação na competência em responder plenamente pelas consequências de suas escolhas vitais. .Bioética e a saúde mental Algumas situações-problema em saúde mental exigem discussões éticas muito diretas.

Também é complexa a situação daqueles que não concordam com a recomendação para internação ou para serem submetidos a procedimentos de caráter mais invasivo. pois estas indicações são feitas quando sua condição mental envolve riscos muito severos à sua integridade. . sendo estas intervenções que lhe garantiriam um funcionamento mais ajustado. medicações ou encaminhamentos terapêuticos propostos.O paciente não consente a intervenção terapêutica Às vezes o paciente recusa o tratamento.

que o paciente nessa situação não possa mais exercer plenamente o pátrio poder. que se procede a pedido de interdição judicial. o comportamento do paciente pode ser tão danoso para ele ou para os outros. Isto pode significar. decidir sobre o destino de seus bens.Possibilidade de interdição dos direitos civis do paciente Em algumas situações. . vida financeira e até o lugar e as condições onde mora. por exemplo.

O paciente persiste em comportamentos e estilos de vida danosos à sua integridade
Há que se refletir também sobre o direito do paciente engajar-se em comportamentos e estilos de vida extremamente destrutivos, como quando reivindica o direito de se suicidar, se drogar, ou manter outros padrões de vida relacionados à adicção e grave descontrole de impulsos.

Efeitos colaterais da intervenção psicofarmacológica
Na saúde mental, o uso de medicamentos que trazem consideráveis efeitos adversos é justificável quando estes efeitos não sejam maiores que o dano decorrente de doenças muito incapacitantes, como ocorre na esquizofrenia e na depressão grave.

Responsabilidade ética frente a inovações psicofarmacológicas de alto custo
A indústria farmacêutica contínuas inovações em seu medicamentoso. oferece arsenal

Por isto, os medicamentos mais novos são bem mais caros que seus congêneres mais antigos e cabe aos profissionais e instituições de saúde mental pesquisar, caso a caso, se as inovações, agressivamente anunciadas como imprescindíveis pela indústria farmacêutica

por isto. os efeitos colaterais dos novos fármacos ainda estão sendo pesquisados e. por sua vez. . A medicação tenderia a acentuar incapacitações que.Dilemas éticos na pesquisa científica sobre o sofrimento mental As pesquisas científicas em saúde mental também trazem questões éticas. já que certas medicações têm efeitos colaterais consideráveis. Na pesquisa científica. não se fazem sem riscos. propiciam a continuidade de realidades sociais e familiares abusivas e excludentes.

é a garantia de segredo das informações que o profissional obtém sob o compromisso de sigilo. Nas situações em que o sigilo profissional pode contribuir para o dano do próprio paciente ou de outras pessoas em posição de clara vulnerabilidade.O segredo em psicoterapia e em outras práticas assistenciais Um dos norteadores fundamentais da psicoterapia. para que os termos do sigilo sejam renegociados com o paciente. se exige uma consulta aos pares e à legislação vigente. . tanto no aspecto ético quanto técnico.

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Acredite em Você mesmo. Tenha confiança. .

Vá até o fim! .

.OBRIGADO.

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