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Redação - A crise financeira e a sociedade de consumo

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Redação − Tema 4 − 2009

A crise financeira e a sociedade de consumo
Período: 23 a 29 de março Orientações para o aluno
O foco narrativo deve se apresentar em 3ª pessoa, narrador onisciente. Focalize o sofrimento, a angústia e as tentativas inúteis de “passar” cartão. 2. Escreva uma notícia de jornal, com mais ou menos 25 linhas, em que debata o ponto de vista do artista plástico Romeo Zanchett (o Texto 5: “Crise mundial – a falência do consumismo”) 3. Escreva uma dissertação sobre o tema: “Crise faz consumo de luxo virar clandestino”, cujo apoio far-se-á no texto 4 deste tema. Recomendações para a dissertação: a) tente alcançar um mínimo de 30 linhas; b) não discuta os fatos levados por emoção violenta, preferência ou escolha de ordem individual; c) observe seu posicionamento e evite a todo custo a falta de coerência interna; d) procure dar exemplos, na parte argumentativa, de fatos recentes e que sejam de conhecimento público, divulgados por jornais e revistas; e) fuja de texto circular, ou seja, nada de repetir-se infinitamente, girando em torno de um mesmo eixo que não se desenvolve. No último dia 15 de março, comemorou-se o Dia Mundial do Consumidor; no entanto, segundo a Fundação Getúlio Vargas, nunca houve um período em que a confiança do consumidor atingisse índices tão baixos desde que a pesquisa (ICC – Índice de Confiança do Consumidor) sobre o assunto foi lançada, em 2005. Receosos com os destinos da economia mundial, os que consomem estão em pânico; e os consumistas compulsivos, então? A Serasa Experian divulgou na quinta-feira (12/3) que a ina-dimplência dos que compram a prazo no Brasil teve alta de 8,6% em comparação ao 1º bimestre de 2008. Mas não apenas no Brasil houve aumento de inadimplência, o mundo todo ressente-se da crise monetária internacional que se anunciava desde o início do século XXI: cartões de crédito lideram, nos países ditos civilizados, os maiores “rombos” do mercado; prestações de imóveis, empréstimos bancários, tudo parece ter entrado numa cascata de dívidas que não acabam mais. O consumidor tem medo de ousar, mas enlouquece diante das promoções e liquidações. Ou, ainda, procura como alternativa para sobreviver a comida barata de junk food, nos Estados Unidos, por exemplo. Caso queira ver um filme sobre o assunto, visite o site: <www.bbc.co.uk/portuguese/multimedia/2009/02/090212_junkfood2. shtml>. Há pouco tempo, no programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão, uma família mostrou, em rede nacional, como fazer milagres financeiros, sanar dívidas e consumir minimamente. Fez tanto sucesso que acabou contratada para fazer comerciais da Caixa Econômica Federal. De acordo com o que prevê a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 50,5 milhões de trabalhadores perderão seus empregos em decorrência do agravamento da crise em 2009. É sobre isso que vamos escrever hoje: a crise monetária e a sociedade dita “de consumo”. Esther Rosado.

Texto 1
Valor das dívidas
O valor médio das dívidas vencidas com cartões de crédito e financeiras foi de R$ 357 no bimestre, 5,5% a menos que no mesmo período de 2008. As dívidas bancárias tiveram valor médio de R$ 1.371, queda de 3%. Já o valor médio dos cheques devolvidos foi de R$ 823, com alta de 29,9% na mesma comparação. Na avaliação dos técnicos da Serasa, o aumento da inadimplência da pessoa física no primeiro bimestre reflete a dificuldade dos consumidores em honrar dívidas em razão do aumento do desemprego. De acordo com dados do Ministério do Trabalho, só em janeiro foram fechadas 101.748 vagas de emprego formal no país. Os técnicos também consideram que a falta de disciplina financeira contribui para a não-quitação de dívidas dentro do prazo. <http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/ 0,,MUL1040669-9356,00-INADIMPLENCIA+DO+CONSUMIDOR +CRESCE+NO+BIMESTRE+APONTA+SERASA.html>.

Texto 2
A crise financeira, um esboço
Estamos no fim de uma era, a atravessar o pior pânico financeiro em muitas décadas. Agora principia a instabilidade financeira. Na opinião de muitos observadores informados, especialmente, o Financial Times, todo o sistema financeiro e o modo como opera terá de ser reconstruído – radicalmente – e é improvável que isso ocorra. É impossível especular sobre até quando perdurará a confusão – mas agora existe uma incerteza e falta de confiança sem paralelo desde a década de 1930 – e esta ignorância e medo é em si própria um fator crucial. O que é muito claro é que as perdas são maciças e todo o mundo desenvolvido agora está a experimentar a pior crise econômica desde 1945, uma crise em que as perturbações num país combinam-se com as de outros. (Publicada em outubro de 2007) Gabriel Kolko, historiador. <http://resistir.info/crise/kolko_16out07.html>. Acesso em 15 mar. 2009.

Proposta de redação
Depois de ler os textos a seguir, você poderá escolher um dos 3 exercícios de redação propostos. 1. Construir uma história (narrativa) sobre um consumidor compulsivo, cujo cartão de crédito está sem permissão para operações financeiras, diante de uma loja da Oscar Freire, em São Paulo, em momento de liquidação total.

Redação − Tema 4 − 2009
A crise financeira e a sociedade de consumo
Período: 23 a 29 de março Texto 3
Crise muda consumo das classes C e D
Estrelas do novo ambiente de consumo criado no país, a partir da oferta de crédito mais generosa nos últimos cinco anos, as classes C/D estão em estado de alerta com os cenários desenhados pela crise econômica global. A constatação vem da pesquisa “Retrato da crise, as classes C/D em estado de alerta”, coordenada pela McCann Erickson no Brasil, Panamá, México, Honduras, Costa Rica e Colômbia. [...] Humor O humor da crise revela que 85% da população C/D acredita que “a vida está regular para boa”, 58% têm o sentimento de estabilidade, 80% consideram que o país está igual para pior e 74% vêem o futuro com otimismo. As questões propostas pelos pesquisadores até então não faziam referência à crise. Porém, quando o questionamento quis saber o sentimento em relação à crise econômica internacional, 75% revelaram que estão muito preocupados com o cenário. Para 90%, o Brasil vai ser afetado. Mas os brasileiros acreditam que os efeitos durarão cerca de seis meses, enquanto nos demais países pesquisados o prazo se estende para dois anos. O estudo aponta que 88% das classes C/D têm certeza de que suas famílias não passarão incólumes à crise, nesse caso com temor de redução de consumo na ordem de 36% e de desemprego em 26%. “Para quem a família será muito afetada, a expectativa de aumento dos preços reforça o sentimento de que perderão seu poder de compra”, explicou Aloisio Pinto. “Mesmo entre os que consideram que sua família nada sofrerá com a crise, pensa-se que o desemprego trará o perigo de deixar o nome sujo na praça”, ele acrescentou, enfatizando que 24% das menções de “nada sofrerão com a crise” têm a ver “com a falta de capacidade de honrar contas e dívidas”. <www.giftcom.com.br/blog/index.php/2008/11/20/crise-mudaconsumo-das-classes-cd/>. Namoradas anônimas Outro indício de que as americanas ricaças sucumbiram à crise é a criação de uma inusitada associação chamada dating a banker anonymous (algo parecido com “namoradas de banqueiros anônimas”, uma alusão à entidade Alcoólicos Anônimos). São namoradas e ex-namoradas de homens que atuam ou atuaram no mercado financeiro e que agora se vêem frente a frente com o mau-humor, a preocupação e a mão fechada do parceiro. Além de se reunirem em bares de Nova York, elas contam suas agruras e se ajudam a superar a falta de convites para eventos badalados, viagens exóticas e jantares em restaurantes estrelados. Brasil Entre sacolas escondidas e blog de lamentações, o Brasil está se equilibrando bem no salto alto e caro. “Estamos passando por uma retração no mercado de luxo, mas sem a intensidade que marca os mercados internacionais”, diz o consultor de gestão de luxo, Carlos Ferreirinha. Antes com crescimento de dois dígitos ao ano no segmento luxo, a Europa e os Estados Unidos prevêem crescimento de 3% e 1%, respectivamente, em 2009. Já o Brasil, segundo Ferreirinha, mantém um melhor ritmo neste setor, apesar de uma acentuada queda: passa de 17% para 8% este ano. Expresso MT – A notícia em primeira mão, 5 mar. 09. <www.expressomt.com.br/noticia.asp?cod=21377&codDep=8>.

Texto 5
Crise mundial – a falência do consumismo
Desde o século XVII que as crises financeiras mundiais são precedidas por bolhas consumistas geradas pelo crédito fácil. Em 2001, tivemos a crise das empresas de internet. Aí começou a grande bolha consumista que explodiu em 2008. Toda a economia é feita de ciclos com altos e baixos, mas os juros devem ser equilibrados para não gerarem dívidas impagáveis. Em apenas 24 meses, os americanos tiveram seus juros reduzidos de 6% ao ano para 1% ao ano. O dinheiro fácil foi o resultado do trabalho do Federal Reserve sob o comando de Alan Greenspan, considerado o atual “Papa da economia”. Este experiente economista começou sua brilhante carreira em 1948, portanto há 60 anos, dos quais 19 à frente do Federal Reserve. Falando da crise para os jornalistas, ele disse: “De longe, é um processo que supera tudo o que já vi antes”. E continuou dizendo: “E ainda não sabemos como isto vai se resolver”. Na década de 40, a maioria das famílias americanas poupava 22% de sua receita. Essa poupança foi caindo anualmente, sempre estimulada pelo consumismo exagerado, e hoje as dívidas respondem por cerca de 24% da renda familiar. De 1997 a 2007, o PIB americano cresceu em média 2,9% ao ano, enquanto o consumo se elevou a uma taxa anual de 3,5%. O crescimento da dívida foi de 7,5% ao ano. Dos 300 milhões de americanos, boa parte vive acima de sua real condição financeira. Seguindo o sonho da família consumista, vivem em casas e mansões espaçosas, utilizando carrões de alto luxo e tecnologia sem terem renda para isso. Na verdade, o americano gasta tudo o que consegue transformar em dívida. Os recursos resultantes de dívidas co-

Texto 4
Crise faz consumo de luxo virar clandestino
A crise financeira mundial pegou em cheio o mercado de luxo. Pelo menos nos Estados Unidos.

O jornal americano The New York Times, por exemplo, afirmou em matéria recente que o consumo de luxo virou “clandestino” entre as americanas endinheiradas. E citou o exemplo de mulheres que agora evitam compras em lojas de rua ou shoppings, já que não pega bem serem vistas passeando com sacolas cheias em tempos de recessão. Ao invés de fazer compras em lojas de rua ou em shoppings, elas preferem comprar suas bolsas exclusivas e sapatos de pele de cobra em eventos fechados a convidados e realizados em quartos de hotéis ou showrooms particulares. Outra opção é a compra pela internet, meio em que os produtos mais caros começam a ter grande saída. É o caso da Ricky’s Exceptional Treasures, loja de revendas de luxo no eBay, que relatou a venda de três vestidos Oscar de la Renta por cerca de U$S 3 mil cada um em uma semana. No mínimo, uma mudança de comportamento.

Redação − Tema 4 − 2009
A crise financeira e a sociedade de consumo
Período: 23 a 29 de março
locaram US$ 3 trilhões no bolso dos consumidores. Um endividamento dessa proporção só é possível com a junção de poderosos interesses. Por tudo isso, o velho sonho consumista americano chegou ao seu colapso. A bolha imobiliária foi estimulada de cima para baixo com juros insignificantes definidos pelo FED com apoio da Casa Branca. As famílias foram incentivadas a se endividarem com créditos que não podiam pagar. Os lucros dos especuladores foram espetaculares enquanto durou. A partir de cada dólar depositado em suas contas, os bancos de investimentos passaram a fazer negócios num volume 30 vezes maior do que poderiam pagar. O dinheiro fácil inundou o mercado, fez dobrar o valor das moradias estimulando as empresas a emprestarem sem critérios. Uma verdadeira ficção financeira que movimentou cerca de US$ 1,5 trilhão. O dinheiro virtual era tanto que muitos imigrantes ilegais conseguiram crédito sem a devida documentação. Pessoas que viviam ilegalmente nos EUA conseguiram dinheiro com lastro nos seus financiamentos imobiliários. Com dinheiro na mão, abandonaram os imóveis e voltaram aos países de origem com os bolsos cheios. Como sempre, os riscos são proporcionais aos lucros e aí está o resultado: – quebradeira generalizada. Aqui no Brasil os bancos ainda não sentiram muito, porque trabalham num sistema de agiotagem legalizada com juros estratosféricos, apesar da nossa figurativa “lei de usura”. Para se ter uma idéia, a máfia italiana cobra muito menos (10% ao mês) de suas vítimas. O presidente do nosso Banco Central, Henrique Meireles, durante a audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, informou que de outubro de 2007 até o dia 17 de dezembro de 2008, a destruição de riquezas das bolsas de valores ao redor do mundo já somava a absurda cifra de US$ 31 trilhões. Ainda segundo ele, as perdas só do sistema bancário mundial estão próximas de US$ 1 trilhão. O FMI estima que, ao fim da crise, as perdas somarão US$ 1,4 trilhão. O que estamos assistindo é a falência do sistema de crédito que levará à falência do consumismo irresponsável, sob o qual repousa um sistema perverso de lucro fácil com dinheiro virtual. O governo americano segue abrindo o cofre na tentativa de estancar a hemorragia de sua própria irresponsabilidade. A população americana e o resto do mundo, com seu trabalho e através dos impostos, pagarão a conta da tragédia criada pelos espertos especuladores que inventaram e administraram o sistema financeiro falido. Da noite para o dia, em todo o mundo, surgiram trilhões de dólares para recolocar o sistema consumista nos trilhos. O que se pergunta é: De onde vem tanto dinheiro? Por que este dinheiro nunca foi utilizado para, pelo menos, amenizar a miséria humana ao redor do mundo? Como fica a crise alimentar mundial que, sem dúvidas, é resultante da especulação com alimentos transformados em commodities? Como fica o meio ambiente, que teve seus recursos naturais exauridos no sistema capitalista de extrema exploração como se fossem inesgotáveis? Como ficará o emprego na economia mundial daqui para frente? A depressão da década de 30 quebrou 1.800 bancos nos Estados Unidos, derrubou em 20% o PIB das sete maiores economias do mundo, provocando desemprego de 33% nos EUA e na Alemanha. As taxas de crescimento obtidas nos últimos anos foram conseguidas com exagerado nível de consumo e abundância de crédito que geraram o alto nível de risco. Os Estados Unidos são a maior economia do mundo, e a diminuição do consumo de sua população provocará queda nas importações provenientes de países como Brasil, China e Índia. Nos últimos anos, o Brasil foi beneficiado pelo crescimento da economia mundial, mas, nas últimas semanas, a crise atingiu os setores de exportação e crédito externo. A construção civil e o setor automobilístico dependem de crédito e já estão em forte desaceleração. As medidas paliativas de redução de impostos para incentivar o consumo irresponsável logo estarão esgotadas. O governo brasileiro não está fazendo o dever de casa, que é reduzir as despesas. A gastança continua e até está aumentando. É uma verdadeira tragédia anunciada. A crise já chegou e parece que não é apenas uma simples “marolinha”, como disse o presidente Lula. A desvalorização significativa do real irá restringir a liquidez doméstica, pressionando devedores com juros mais altos e prejudicando as previsões de investimentos e de consumo. Hoje estamos iniciando um novo ano. Antes de comprar alguma coisa, pergunte se você não pode viver sem ela. Romeo Zanchett, artista plástico. <www.textolivre.com.br/artigos/12633-crise-mundial-a-falencia-doconsumismo>. Acesso em 15 mar. 2009.

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