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RELATÓRIO

JUSTIÇA DO TRABALHO
AUDIÊNCIA INAUGURAL E DE INSTRUÇÃO
ALUNA: WELRIKA BEATRIZ SILVA MOREIRA

Em 11 de maio de 2010, compareci a 14ª Vara do Trabalho de Brasília – DF


e acompanhei o trâmite de seis audiências inaugurais e uma de instrução, sob direção da
Excelentíssima Juíza Cilene Ferreira Amaro Santos.
As audiências começaram às 13h50min, eram rápidas, e das sete que assisti
duas tiveram acordo. Parecia tudo muito simples, a comunicação era rápida, portanto tive
muita sorte, visto que, a Juíza era paciente e ao final de cada audiência me explicava tudo o
que havia ocorrido, o que era certo e o que não era certo, teve até uma “aulinha” sobre a
diferenciação de incompetência absoluta e exceção de incompetência! Pois em plena
audiência o advogado se confundiu e argüiu incompetência absoluta em vez de exceção de
incompetência, seu pedido foi indeferido, claro! Nesse caso, a incompetência absoluta deveria
ter sido imputada preliminarmente na inicial. Por conseguinte, adorei a experiência foi um
momento de muito aprendizado, a Juíza era atenciosa, e não deixava passar nada em branco,
às vezes ela brincava, mas era muito seria e teve uma hora que ficou muitíssima brava com a
Advogada da União. Para mais detalhes descreverei a seguir, o que ocorreu em cada
audiência.

JUIZ Escrivão

Advogado do Reclamado Advogado do Reclamante

Reclamado Reclamante
1ª AUDIÊNCIA (INAUGURAL): Às 13h50min, a escrivã fez o pregão falando ao microfone
de onde ela estava, sentada ao lado esquerdo da Juíza. Entrou apenas o reclamante
acompanhando pelo advogado. Pude perceber que o advogado se sentou na cadeira que estava
mais próxima da Juíza e o reclamante ao seu lado esquerdo, porém os dois do lado esquerdo
da Juíza, conforme esquema acima. O advogado pediu para juntar o substabelecimento e a
Juíza lhe deu um prazo de cinco dias. O reclamado não compareceu. Quanto à matéria de
direito pode ser lida na ata de audiência.

2ª AUDIÊNCIA (INAUGURAL): Às 13h54min, a escrivã fez novamente o pregão, entraram


na sala a reclamada e sua advogada, e somente o reclamante. A juíza perguntou se poderia
haver um acordo e a reclamada disse que sim. Então a reclamada ofereceu o valor de R$
2.000,00 (dois mil reais) ao reclamante que humildemente aceitou a proposta. Assim que a
Juíza começa a ditar à escrivã a efetivação do acordo, entra na sala o advogado o reclamante
que ao ser avisado sobre o acordo que seu cliente aceitou, ele não aceita e a Juíza pergunta se
ele tem alguma contraproposta, ele diz que sim e oferece R$ 2,700,00. Então a Juíza pergunta
se a reclamada aceita, a reclamada discute com sua advogada e decidem aceitar e pede para
dividir o valor em duas vezes e o advogado do autor aceita. Acordo homologado!
Observei neste caso a importância do advogado e a falta que ele faz, sendo
que por pouco o reclamante não leva um bom prejuízo. O atraso do advogado foi uma falta
grave, mas ainda bem que no final deu tudo certo.

3ª AUDIÊNCIA (INAUGURAL): Iniciou-se às 14h02min com o pregão feito pela escrivã.


Entrou na sala de audiência o reclamante acompanhado por seu advogado e o preposto da
reclamada acompanhado de advogado. A Juíza perguntou sobre a possibilidade de
conciliação. Infelizmente não houve sucesso. Perguntou também se pretendiam produzir
provas. A juíza perguntou se havia algum documento para juntar aos autos, o reclamado
apresentou defesa escrita com documentos. A Juíza abriu vistas dos autos ao reclamante por
cinco dias a contar do dia 13/05/2010. E designou realização de audiência de Instrução para
dia 21/05/2010.

4ª AUDIÊNCIA (INAUGURAL): Iniciou-se às 14h09min, com pregão feito pela escrivã.


Compareceram à audiência o reclamante e o reclamado todos com advogado. A Juíza
perguntou se haveria acordo. E o reclamante disse que não. O advogado do reclamado argüiu
incompetência absoluta, no qual a Juíza indeferiu seu pedido tendo em vista que tal preceito
deveria ser argüido preliminarmente na inicial. Mas aceitou como exceção de incompetência
determinando a remessa dos autos para uma das Varas do Trabalho de Luziânia – GO, no qual
o reclamante concordou.

5ª AUDIÊNCIA (INAUGURAL): Iniciou-se ás 14h15min, com pregão feito pela escrivã.


Compareceram a reclamada e a reclamante, todos acompanhados por advogado. De início as
partes declararam a conciliação e a reclamante grávida foi reintegrada ao trabalho. Os demais
detalhes de direito referente ao acordo que dispõe sobre a reintegração da reclamante pode ser
consultado na ata de audiência n° 5.

6ª AUDIÊNCIA (INAUGURAL): Iniciou-se às 14h32mim, com pregão feito pela escrivã.


Compareceram à audiência o reclamante acompanhado de seu advogado, o preposto da
reclamada União e a advogada da União. Estava ausente um dos reclamados, pois na exordial
constava no pólo passivo, a União e uma empresa terceirizada. A Juíza determinou a emenda
da inicial para explicar a inclusão da União no pólo passivo e explicar ele (o reclamante) o
que quer da segunda reclamada, no prazo de 10 dias. E designou nova audiência inicial para o
dia 30/06/2010.

7ª AUDIÊNCIA (INSTRUÇÃO): Iniciou-se às 14h50min, com pregão feito pela escrivã.


Compareceram à audiência o reclamante e o reclamado, todos acompanhados por seu
advogado. A Juíza perguntou sobre a possibilidade de acordo, não houve manifestação das
partes. A Juíza perguntou se havia provas para serem produzidas, sem manifestação das
partes. Então, tudo começou com o depoimento pessoal do reclamante. A Juíza pediu para o
reclamado se retirar da sala. E pediu para o reclamante sentar-se de frente para a escrivã. E
começou a fazer algumas perguntas ao reclamante, depois seu advogado o fez perguntas.E o
advogado do reclamado também o fez perguntas. O reclamado foi chamado pela escrivã para
retornar à sala, da mesma forma que no pregão. A Juíza fez perguntas ao reclamado. O
advogado do reclamado o fez perguntas. O advogado do reclamante fez perguntas ao
reclamado. A Juíza mandou chamar a testemunha do reclamante. A Juíza fez perguntas à
testemunha. O advogado do reclamante fez perguntas à testemunha. O advogado do
reclamado fez perguntas à testemunha. A Juíza mandou chamar a testemunha do reclamado.
A Juíza fez perguntas à testemunha. O advogado do reclamado fez perguntas à testemunha. O
advogado do reclamante não quis fazer perguntas à testemunha. A escrivã chama outra
testemunha do reclamado. A Juíza fez perguntas à testemunha. O advogado do reclamado fez
perguntas à testemunha. O advogado do reclamante não quis fazer perguntas à testemunha. A
Juíza pergunta mais uma vez no meio da audiência se existe possibilidade de acordo. Mais
uma vez foi negado pelo reclamante. Em cada depoimento das testemunhas o advogado do
reclamante contraditou e a Juíza acolheu. As partes não produziram provas, razões finais orais
remissivas, conciliação final rejeitada. Depois de ouvidas todas as partes e testemunhas a
Juíza designou data para julgamento, que será dia 31/05/2010.
Depois de observar o trâmite dessas audiências, notei uma diferença da
Justiça do trabalho e da Justiça Comum, pois o réu que responde processo na justiça comum é
o que fica mais humilde, cabeça baixa, esperando uma decisão sobre o seu destino. E na
Justiça do trabalho, o que fica dessa forma é o reclamante, pois o reclamado fica em posição
de poder, se impondo perante o reclamante que está ali em busca de seus direitos.

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