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Química

Nesse artigo trabalharemos um assunto muito importante na química, a idéia de


modelo. Modelo, de uma modo bem simples, consiste na maneira como imaginamos que é
algo a que não temos acesso direto.
Átomos são muito pequenos para serem vistos até nos melhores microscópios. Isso
sempre dificultou o estudo da sua estrutura, que deve ser feito por meio de evidências
indiretas, e às vezes, bastante complexas.
Continuamente, novas observações, descobertas e experiências impelem o homem a
procurar novas explicações, criar novas teorias, para a seguir fazer novas descobertas e assim
por diante. Ou seja, a Ciência não pára.
Já na Antigüidade acreditava-se que dividindo a matéria em pedaços cada vez
menores, chegar-se-ia num ponto onde partículas, cada vez menores, seriam invisíveis ao olho
humano e, segundo alguns pensadores, indivisíveis. Graças a essa propriedade, receberam o
nome de átomos, termo que significa sem partes, em grego. Foi quando surgiu entre os
filósofos gregos o termo atomismo.
• Leucipo e Demócrito (450 a.C.): matéria pode ser dividida em partículas cada vez
menores até que se chegaria a uma partícula indivisível, denominada átomo. Esse modelo é
fundamentado em pensamentos filosóficos.

Figura 6: Demócrito
Muitos séculos depois, o professor da universidade inglesa New College de
Manchester, John Dalton foi o criador da primeira teoria atômica moderna na passagem do
século XVIII para o século XIX. Em 1803 Dalton publicou o trabalho Absorption of Gases by
Water and Other Liquids, (Absorção de gases pela água e outros líquidos), neste delineou os
princípios de seu modelo atômico.

• Átomos de elementos diferentes possuem propriedades diferentes entre si.


• Átomos de um mesmo elemento possuem propriedades iguais e de peso
invariável.
• Átomos são partículas maciças, indivisíveis e esféricas formadoras da matéria.
• Nas reações químicas, os átomos permanecem inalterados.
• Na formação dos compostos, os átomos entram em proporções numéricas fixas
1:1, 1:2, 1:3, 2:3, 2:5 etc.
• O peso total de um composto é igual à soma dos pesos dos átomos dos elementos
que o constituem.

Mais tarde, viria-se a se descobrir vários erros na teoria de Dalton: o átomo pode ser
dividido em partículas menores (prótons, nêutrons e elétrons); átomos do mesmo elemento
podem ter massas diferentes (os denominados isótopos) e átomos de elementos diferentes
podem possuir a mesma massa (isóbaros).
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Apesar de um modelo simples, Dalton deu um grande passo na elaboração de um
modelo atômico, pois foi o que despertou o interesse na busca de algumas respostas e
proposição de modelos futuros.
A partir da descoberta de que o átomo é divisível (descoberta de que os átomos
deveriam ser formados por partículas menores, dotadas de carga elétrica), Joseph John
Thomson, físico inglês, propôs, em 1898, um novo modelo atômico: o átomo seria uma esfera
carregada positivamente com partículas negativas (os elétrons) em sua superfície.
Os átomos de cada elemento teriam diferentes números de elétrons, e a
distribuição deles na esfera seria determinada pelo equilíbrio entre as forças de atração
esfera-elétrons e as forças de repulsão entre os próprios elétrons. O átomo, embora
dotado de cargas elétricas, seria neutro.
Podemos fazer a analogia desse modelo atômico com um "Panetone" ou com um
pudim recheado de uvas e passas, em que a massa do panetone seria positiva e as passas
seriam as partículas negativas.

Figura 7: Modelo atômico de Thomson

Outras modificações no tubo de raios catódicos, feitas pelo cientista alemão Eugene
Goldstein, conduziram à descoberta de outra partícula subatômica, 1836 vezes mais pesada
que o elétron e dotada de carga elétrica igual a dele, só que com sinal positivo. Para essa nova
partícula foi proposto o nome de próton.
Assim ao final do século XIX, com a descoberta do próton e do elétron, já estava
comprovado que o átomo não é indivisível e que mesmo o modelo de Thomson era incompleto,
uma vez que não levava em conta a existência dos prótons. Um novo modelo se fazia
necessário.
Em 1911, o cientista Rutherford fez uma experiência muito importante, que veio alterar
e melhorar profundamente a visão de modelo atômico. Resumidamente, a experiência consistiu
no seguinte:

Figura 8: Experiência de Rutherford


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Um pedaço de metal polônio emite um feixe de partículas α, que atravessa uma lâmina
finíssima de ouro. Rutherford observou então que a maior parte das partículas α atravessava a
lãmina de ouro como se esta fosse uma peneira; apenas algumas partículas desviavam
ou até mesmo retrocediam.
Isso permitiu a Rutherford concluir que:
• o átomo não é maciço , apresentando mais espaço vazio do que preenchido;
• a maior parte da massa do átomo se encontra em uma pequena região central (que
chamaremos de núcleo) dotada de carga positiva, onde estão os prótons;
• na região ao redor do núcleo (que chamaremos de eletrosfera) estão os elétrons,
muito mais leves que os prótons;
• a contagem do número de partículas que atravessam e que ricocheteiam permite
fazer uma estimativa de que o raio de um átomo de ouro (núcleo+eletrosfera) é cerca de
dez mil vezes maior que o raio do núcleo.

Figura 9: Modelo atômico de Rutherford


O modelo de Rutherford (1911), apesar de esclarecer satisfatoriamente os resultados
da experiência de dispersão de partículas alfa, possuía algumas deficiências, como, por
exemplo, não aplicava os espectros atômicos. Em 1913 Niels Bohr propôs um outro modelo,
mais completo, que conseguia explicar o espectro de linhas.
Em seu modelo, Bohr incluiu uma série de postulados:
• os elétrons nos átomos movimentam-se ao redor do núcleo em trajetórias
circulares, chamadas de camadas ou níveis;
• cada um desses níveis possui um valor determinado de energia;
• não é permitido a um elétron permanecer entre dois desses níveis;
• um elétron pode passar de um nível para outro de maior energia, desde que
absorva energia externa (energia elétrica, luz, calor etc.). Quando isso acontece, dizemos
que o elétron foi excitado.
• O retorno do elétron ao nível inicial se faz acompanhar da liberação de energia na
forma de ondas eletromagnéticas (luz visível, ultravioleta, calor etc.).
A novidade da teoria de Bohr está na afirmação de que a energia dos elétrons deve ser
quantizada, isto é, deve possuir apenas alguns determinados valores.
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Figura 10: Modelo atômico de Bohr


Mais recentemente outros cientistas (Erwin Schrödinger, ouis Victor de Broglie e
Werner Heisenberg) reunindo os conhecimentos de seus predecessores e contemporâneos
acabaram por desenvolver uma nova teoria do modelo atômico, além de postular uma nova
visão, chamada de mecânica ondulatória.
Fundamentada na hipótese proposta por Broglie onde todo corpúsculo atômico pode
comportar-se como onda e como partícula, Heisenberg, em 1925, postulou o princípio da
incerteza.
A idéia de órbita eletrônica acabou por ficar desconexa, sendo substituída pelo conceito
de probabilidade de se encontrar num instante qualquer um dado elétron numa determinada
região do espaço.
O átomo deixou de ser indivisível como acreditavam filósofos gregos antigos e Dalton.
O modelo atômico portanto, passou a se constituir na verdade, de uma estrutura complexa.

Questões de vestibulares:

1-) (Fuvest-SP) Há exatos 100 anos, J.J. Thomson determinou, pela primeira vez, a relação
entre massa e a carga do elétron, o que pode ser considerado como a descoberta do elétron. É
reconhecida como uma contribuição de Thomson ao modelo atômico:
a-) o átomo ser invisível;
b-) a existência de partículas sub-atômicas;
c-) os elétrons ocuparem níveis discretos de energia;
d-) os elétrons girarem em órbitas circulares ao redor do núcleo;
e-) o átomo possuir um núcleo com carga positiva e uma eletrosfera.

2-) (UEL) “O átomo contém um núcleo positivo, muito pequeno e denso, com todos os prótons,
que concentra praticamente toda a massa. Os elétrons devem estar distribuídos em algum
lugar do volume restante do átomo.” Esta afirmação é devida a:
a-) Rutherford b-) Millikan c-) Thomson
d-) Bohr e-) Faraday
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3-) (UERJ-RJ) Em 1911, o cientista Ernest Rutherford realizou um experimento que constituiu
em bombardear uma finíssima lâmina de ouro com partículas alfa, emitidas por um elemento
radioativo, e observou que:
- a grande maioria das partículas alfa atravessava a lâmina de ouro sem sofrer desvios ou
sofrendo desvios muito pequenos;
- uma em cada dez mil partículas alfa era desviada para um ângulo maior do que 90°.
Com base nas observações acima, Rutherford pôde chegar à seguinte conclusão quanto à
estrutura do átomo:
a) o átomo é maciço e eletricamente neutro.
b) a carga elétrica do elétron é negativa e puntiforme.
c) O ouro é radioativo e um bom condutor de corrente elétrica.
d) O núcleo do átomo é pequeno e contém a maior parte da massa.

4-) (ITA-SP) Neste ano, comemora-se o centenário da descoberta do elétron. Qual dos
pesquisadores a seguir foi o responsável pela determinação de sua carga elétrica?
a-) R.A. Millikan b-) E.R. Rutherford c-) M. Faraday d-) J.J. Thomson e-) C. Coulomb

Gabarito:
1-) b 2-) a 3-) d 4-) a

Rafael Cipriano Torres


Professor de Química do CASD Vestibulares