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Fatores da descolonização afro-asiática

África e Ásia, desde o século XV, tornaram-se alvos de disputa entre as nações
européias.

Com o advento do capitalismo comercial, na Era Moderna, a América tornou-se


a área onde a exploração colonial foi mais intensa. Mas nem por isso os
europeus abandonaram as relações comerciais e o domínio político sobre a
África e a Ásia.

Na segunda metade do século XIX, em razão das necessidades de mercado


geradas pela segunda Revolução Industrial e em face das independências das
colônias americanas, a Europa volta-se novamente à África e à Ásia, impondo
o neocolonialismo.

As disputas entre as potências européias pelos territórios afro-asiáticos


desencadearam a Primeira Guerra Mundial. A Europa saiu enfraquecida da
guerra, perdendo sua hegemonia para os Estados Unidos.

A crise do pós-Primeira Guerra na Europa foi acentuada ainda mais pela crise
de 1929, que repercutiu nas áreas coloniais com o agravamento das condições
de vida dos colonos, que iniciaram greves e revoltas contra as metrópoles
européias. Esses movimentos coloniais foram contidos à força, mas acabaram
resultando no nascimento de um forte sentimento nacionalista que se traduzia
no desejo de independência.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Europa declinou completamente, sendo


dividida em áreas de influência entre EUA e URSS. O enfraquecimento da
Europa significou o fortalecimento do nacionalismo e o crescimento do desejo
de independência. Desejo esse que passou a se apoiar na Carta da ONU, que
reconhecia o direito à autodeterminação dos povos colonizados e que fora
assinada pelos países europeus (os colonizadores).

Em 1955, vinte e nove países recém-independentes reuniram-se na


Conferência de Bandung, capital da Indonésia, estabelecendo seu apoio à luta
contra o colonialismo. A Conferência de Bandung estimulou as lutas por
independência na África e Ásia.

Terminada a Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e União Soviética


passaram a liderar os dois grandes blocos, capitalista e comunista. Dentro do
contexto da Guerra Fria, buscaram a expansão de suas áreas de influência.
Nesse sentido, passam a ver nos movimentos de independência afro-asiática a
possibilidade de ampliar sua influência política nas novas nações.

As vias da descolonização

A descolonização afro-asiática não foi um processo homogêneo, ocorrendo de


duas maneiras: a pacífica e a violenta.
No caso da via pacífica, a independência da colônia era realizada
progressivamente pela metrópole, com a concessão da autonomia político-
administrativa, mantendo-se o controle econômico do novo país, criando, dessa
forma, um novo tipo de dependência.

As independências que ocorreram pela via da violência resultaram da


intransigência das metrópoles em conceder a autonomia às colônias. Surgiam
as lutas de emancipação, geralmente vinculadas aosocialismo, que levaram a
cabo as independências.

A descolonização da Ásia

O fim do domínio inglês na Índia

A Revolta dos Cípaios, 1858, colocou a Índia na esfera do domínio britânico,


que culminou com a sagração da rainha Vitória corno imperatriz dos indianos.

A dominação da Índia não foi uma tarefa difícil, pois a ausência de um governo
centralizado, a diversidade de religiões e a existência de uma sociedade de
castas facilitaram a penetração inglesa.

A partir da década de 1920, Mahatma Gandhi e Jawarharlal Nerhu, através do


Partido do Congresso, com apoio da burguesia, passaram a liderar o
movimento de independência da Índia.

Gandhi pregava a desobediência civil e a não-violência como meios de rejeição


à dominação inglesa, transformando-se na principal figura do movimento
indiano pela independência.

A perda do poder econômico e militar pela Inglaterra após a Segunda Guerra


Mundial retirou-lhe as condições para continuar a dominação na Índia.

Em 1947, os ingleses reconheceram a independência indiana, que levou — em


função das rivalidades religiosas — à formação da União Indiana, governada
por Nerhu, do Partido do Congresso, com maioria hinduísta, e
do Paquistão (Ocidental e Oriental), governado por Ali Jinnah, da Liga
Muçulmana, com maioria islamita. O Ceilão também se tornava independente,
passando a ilha a se denominar Sri-Lanka, com maioria budista.

A independência da Índia resultava de um longo processo de lutas


nacionalistas, permeadas pelas divergências religiosas entre hinduístas e
muçulmanos, o que levou, em 1949, ao assassinato de Gandhi.
O Paquistão Oriental, em 1971, sob liderança da Liga Auami, separa-se do
Paquistão Ocidental, constituindo a República de Bangladesh.

A independência da Indonésia
A Indonésia é formada por cerca de dezessete mil ilhas das quais seis mil são
habitáveis, as que se destacam são Java e Sumatra. Desde o século XVII até
1941, o arquipélago esteve sob domínio holandês.

Em 1941, durante as ofensivas da Segunda Guerra, o Japão passou a dominar


a Indonésia, o que levou à formação de um movimento nacionalista de
resistência liderado por Alimed Sukarno.

Com a derrota japonesa, em 1945, o movimento de resistência proclama a


independência do país, que não foi aceita pela Holanda, que iniciou uma
tentativa de recolonização da Indonésia.

Sukarno, aglutinando os nacionalistas, lidera a guerrilha contra a Holanda que,


em 1949, reconhece a independência da Indonésia.

As lutas pela independência e a divisão da Indochina

Em 1887, a Indochina foi conquistada e submetida ao colonialismo francês. A


França, em 1940, foi ocupada pelos alemães, cessando seu domínio sobre a
região. No ano seguinte, 1941, os japoneses ocuparam toda a Indochina, com
o consentimento do general Pétain, o que levou à formação do movimento de
resistência nacionalista, comandado pelo Vietminh (Liga Revolucionária para a
Independência do Vietnã).

O Vietminh era liderado por Ho Chi Minh, dirigente comunista, que após a
derrota do Japão na Segunda Guerra proclamou a independência da República
Democrática do Vietnã (parte norte).

Terminada a Segunda Guerra, os franceses não reconheceram o governo de


Ho Chi Minh e tentaram, a partir de 1946, recolonizar a Indochina, ocupando as
regiões do Laos, Camboja e o Vietnã do Sul, desencadeando a Guerra da
Indochina, que se estendeu até 1954, quando os franceses foram derrotados
na Batalha de Dien Bien Phu.

No mesmo ano, realizou-se a Conferência de Genebra, na qual a França


retirava suas tropas e reconhecia a independência da Indochina, dividida em
Laos, Camboja, Vietnã do Norte e Vietnã do Sul.

Laos e Camboja ficaram proibidos de manter bases militares estrangeiras em


seu território, e no Vietnã deveriam se realizar eleições num prazo de dois anos
para decidir a reunificação.

A Guerra do Vietnã

Pela Conferência de Genebra, o paralelo 17 estabelecia a divisão entre Vietnã


do Norte — governado pelo líder comunista Ho Chi Minh — e Vietnã do Sul
governado pelo rei Bao Dai, que colocou Ngo Dinh Diem como primeiro-
ministro.
Em 1955, Ngo Dinh Diem, com um golpe de Estado, proclama a República,
depondo o rei Bao Dai. Passa a receber o apoio dos EUA.

No Vietnã do Sul estabeleceu-se um governo de caráter impopular, marcado


pelo autoritarismo de Ngo Dinh Diem que, em 1956, suspende as eleições
estabelecidas oela Conferência de Genebra.

Em oposição ao seu governo, formou-se a Frente de Libertação Nacional, em


1960, que contava com um exército guerrilheiro, oVietcong. O objetivo da
Frente era depor Ngo Dinh Diem e unir o Vietnã do Sul ao Vietnã do Norte.

Ngo Dinh Diem, em 1960, cancela as eleições, o que desencadeou o início


da Guerra do Vietnã.

O Vietcong passou a contar com o apoio do Vietnã do Norte e Ngo Dinh Diem
era apoiado pelos Estados Unidos, que, em 1961, enviam ajuda militar ao Sul.
Em 1963, os vietcongs dominavam boa parte do território do Vietnã do Sul.
Neste mesmo ano morria o presidente norte-americano, John Kennedy, e o
vice, Lyndon Johnson, assumia a presidência do país.

No mês de agosto de 1964, dois comandantes norte- americanos deram o


pretexto para o início dos bombardeios sobre o Vietnã do Norte, alegando que
seus navios haviam sido atacados em Tonquim.

Os bombardeios norte-americanos sobre o Norte prolongaram-se até 1968,


quando foram suspensos com o início das conversações de paz, em Paris,
entre norte-americanos e norte-vietnamitas. Como nos encontros de Paris não
se chegou a uma solução, os combates prosseguiram.

Em 1970, o presidente dos EUA, Richard Nixon, autoriza a invasão do


Camboja e, em 1971, tropas sul-vietnamitas e norte-americanas invadem o
Laos.

Os bombardeios sobre o Vietnã do Norte por aviões dos EUA recomeçaram em


1972.

Desde 1968, a opinião pública norte-americana, perplexa diante dos horrores


produzidos pela guerra, colocava-se contrária à permanência dos EUA no
conflito, exercendo uma forte pressão sobre o governo, que iniciou a retirada
gradual dos soldados. Em 1961, eram 184.300 soldados norte-americanos em
combate; em 1965, esse número se elevou para 536.100 soldados; e, em
1971, o número caía para 156.800 soldados.

Em 27 de janeiro de 1973 era assinado o Acordo de Paris, segundo o qual as


tropas norte-americanas se retirariam do conffito; haveria a troca de
prisioneiros de guerra e a realização de eleições no Vietnã do Sul.

Com a retirada das tropas norte-americanas, os norte-vietnaniitas e o Vietcong


deram início a uma fulminante ofensiva sobre o Sul, que resultou, em abril de
1975, na vitória do Norte.
Em 1976, o Vietnã se reunificava, adotando o regime comunista, sob influência
soviética.

Em 1975, os movimentos de resistência no Laos e no Camboja também


tomaram o poder, adotando o regime comunista, sob influência chinesa.

Os soldados cambojanos com apoio vietnamita, em 1979, derrubaram o


governo pró-chinês do Khmer Vermelho.

Outras nações surgidas no processo de descolonização da Ásia

As Filipinas, que desde o século XVI passava pelo domínio da Espanha, EUA
e Japão, em 1946 é retomada pelos norte-americanos, que lhe concedem a
independência.

A Birmânia, em 1948, tornou-se independente da Inglaterra.

A Malásia, em 1957, tornou-se independente da Inglaterra e integrante da


Comunidade Britânica, a Commonwealth.

A descolonização da África

No início do século XX, 90,4% do território africano estava sob domínio do


colonialismo europeu. Apenas três Estados eram independentes: África do Sul,
Libéria e Etiópia.

A descolonização da África ocorreu de forma veloz. Entre 1957 e 1962, 29


países tornaram-se independentes de suas metrópoles européias.

A independência do Egito

O Egito estava sob domínio francês até 1881, quando a Inglaterra assumiu o
controle do território. Em 1914, tornou-se um protetorado inglês. (Protetorados
eram áreas de dominação onde os colonos gozavam de autonomia de
decisões; a metrópole apenas supervisionava por meio de um representante.)

O fim do domínio colonial inglês cessou em 1936. Porém, a Inglaterra não abriu
mão do controle que exercia desde 1875 sobre o Canal de Suez.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Egito foi palco de manobras militares


alemãs e italianas, comandadas pelo general Rommel (Afrikakorps). Os
ingleses, em 1942, expulsaram as tropas do Eixo e impuseram o rei Faruk no
poder.

Em 1952, o general Naguib, com o apoio do Exército, depôs o rei e proclamou


a República, assumindo o poder.
Em 1954, o coronel Gamal Abdel Nasser substituiu o general Naguib,
mantendo-se no poder até 1970.

A independência da Argélia

A Argélia esteve subordinada ao colonialismo francês desde 1830. A partir da


década de 1880, iniciou-se um processo de imigração francesa para o território
argelino, ocupando as melhores terras, que passaram a ser destinadas à
vinicultura.

Os colonos franceses na Argélia, denominados pieds noirs (pés pretos), tinham


condições de vida superiores às dos argelinos e o grau de discriminação era
muito grande.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a invasão da França pelos alemães


provocou a divisão do território francês e a formação de dois governos: Paris
ficou diretamente controlada pelos nazistas, e em Vicky estabeleceu-se o
governo colaboracionista do marechal Pétain. O general Charles de Gaulle
comandava a França livre. A Argélia passou a responder ao governo de Pétain.

Em 1945 ocorreram as primeiras manifestações pela independência — em


razão da crise econômica do pós-Segunda Guerra na França, que nas áreas
coloniais foi muito mais grave. Essas manifestações foram lideradas por
muçulmanos, grupo religioso predominante na Argélia, mas foram prontamente
sufocadas pelos franceses.

A derrota francesa na Guerra da Indochina, em 1954, evidenciava o


enfraquecimento do seu poder. Nesse mesmo ano, a população muçulmana da
Argélia, movida pelo nacionalismo islâmico, voltou a colocar se contra a
França, através de manifestações que foram coibidas, mas que resultaram na
criação da Frente Nacional de Libertação.

A Frente Nacional de Libertação passou a se organizar militarmente para


derrotar o domínio francês.

No próprio ano de 1954 eclodia a guerra de independência. Em 1957, ocorreu


a Batalha de Argel, na qual os líderes da Frente foram capturados e levados
presos para Paris, onde permaneceram até 1962.

A violência praticada pelos franceses com a população civil na Batalha de Argel


só fez aumentar ainda mais os descontentamentos dos argelinos.

Em 1958 é proclamada a IV República francesa. O general De Gaulle sobe ao


poder e recebe plenos poderes para negociar a paz com o Governo Provisório
da Argélia, estabelecido no Cairo (Egito).

As negociações de paz se estendem até 1962, quando foi assinado oAcordo


de Evian, segundo o qual a França reconhecia a independência da Argélia,
pondo fim à guerra que já durava oito anos.
A independência do Congo

Em 1867, a Bélgica funda a Sociedade Internacional para a Exploração e


Civilização da África, iniciando a ocupação do Congo, que se tornou possessão
belga a partir de 1885, e colônia em 1908.

Terminada a Segunda Guerra Mundial, os movimentos de emancipação se


generalizavam na África e, em 1960, naConferência de Bruxelas, a Bélgica
concede a independência do Congo, que passa a constituir a República do
Congo.

O governo passou a ser exercido pelo presidente Joseph Kasavubu e pelo


primeiro-ministro Patrice Lumumba.

Em seguida à independência do país, na província de Catanga, ocorre um


movimento separatista liderado pelo governador Moise Tchombe, que, apesar
de proclamar a independência da província, não obteve o reconhecimento
internacional. Desencadeou-se, então, uma guerra civil. Catanga recebia apoio
de grupos internacionais interessados nos minérios da região e de tropas
mercenárias belgas.

Em setembro de 1960, o presidente Kasavubu demite o primeiro-ministro


Patrice Lumumba, e Joseph Ileo assume o Gabinete. Lumumba não aceitou
sua demissão e o Congo passou a ter dois governos. Então, o coronel Mobutu
dissolveu os Gabinetes. Kasavubu foi preservado. Lumumba foi aprisionado e
levado para Catanga, onde foi assassinado, em 1961. Sua morte provocou
violentas manifestações dentro e fora do Congo. Internamente, a crise política
se alastrava, o Congo se fragmentava, e as lutas dividiam a população.
Em 1962, as forças da ONU intervieram no Congo para impedir a secessão de
Catanga. Moise Tchombe foi para o exílio.

Assumia o governo Cyrille Adula em meio aos movimentos liderados pelos


partidários de Lumumba (morto em 1961), que se tornaria o símbolo da luta
congolesa.

Os partidários de Lumumba dominavam boa parte do país, em 1964, quando


Adula convida Moise Tchombe (recém-chegado do exílio) para auxiliá-los e
vencer os rebeldes. Adula renuncia e Tchombe assume o cargo de primeiro-
ministro.

A guerrilha aumentava e, então, os EUA intensificaram a ajuda militar — que já


vinha concedendo — ao governo de Tchombe.

Os partidários de Lumumba, em resposta, transformaram 60 norte-americanos


e 800 belgas em reféns da guerrilha, o levou a Bélgica a preparar uma ação de
resgate, provocando o fuzilamento de 60 reféns pelos guerrilheiros; os demais
foram libertados.
O presidente Kasavubu, em 1965, demitiu o primeiro-ministro Tchombe e logo
em seguida o general Mobutu dá um golpe e assume a presidência do país,
que a partir de 1971, passa a se denominar República do Zaire.

O fim do Império Colonial Português

Portugal foi o pioneiro nas Grandes Navegações dos séculos XV, XVI e XVII.
Em 1415, os portugueses iniciavam a conquista de novos mundos, com a
tomada de Ceuta, no Norte da África.

A crise na qual mergulhou o Império Português, no século XVII, levou à perda


de grande parte de suas colônias para os espanhóis, holandeses e ingleses.

Durante o neocolonialismo, na segunda metade do século XIX, as possessões


portuguesas ficaram reduzidas a Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e aos
arquipélagos de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe.

Angola

Em 1956, foi fundado o Movimento Popular pela Libertação daAngola, MPLA,


que em 1961 desencadeou as lutas pela independência, sob a liderança do
poeta Agostinho Neto.

Outros dois movimentos surgiram dentro do processo de lutas de


independência: a União Nacional para a Independência Total de Angola, Unita,
e a Frente Nacional de Libertação de Angola, FNLA.

Em 1974, foi assinado o Acordo de Alvor, segundo o qual os portugueses


reconheceriam a independência de Angola em 1975, devendo ser formado um
governo de transição composto pelo MPLA, Unita e FNLA.

Os três grupos iniciaram entre si uma série de divergências que culminaram


com uma guerra civil e a invasão do país por tropas do Zaire e da África do Sul
(apoiadas pela FNLA e Unita, respectivamente), que recebiam ajuda militar
norte-americana.

O MPLA, liderado por Agostinho Neto, solicitou então ajuda de Cuba e, em


1976, derrotou as forças da Unita e da FNLA.

Moçambique

Em 1962, foi criada a Frente de Libertação de Moçambique, Frelimo, por


Eduardo Mondlane, que iniciou as lutas pela independência.

Samora Machel, em 1969, assumiu a direção do movimento, que passou a


disputar, através da guerrilha, o controle do território.
Em 1975, Portugal reconheceu a independência da República Popular de
Moçambique.

Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe

Amilcar Cabral, em 1956, fundou o Partido Africano para a Independência da


Guiné e Cabo Verde, PAIGC, que desencadeia a luta pela independência a
partir de 1961.

Em 1973, mais da metade do território da Guiné estava sob domínio do PAIGC.


Nesse ano, Amilcar Cabral é assassinado e assume Luís Cabral a presidência
da recém- proclamada República Democrática Antiimperialista e
Anticolonialista da Guiné.

Em 1974, o governo português reconhece a independência da Guiné.

Em 1975, Cabo Verde tem sua independência reconhecida por Portugal.

São Tomé e Príncipe, no mesmo ano que Cabo Verde, tem sua independência
reconhecida por Portugal.

Em 25 de abril de 1974, ocorreu a Revolução dos Cravos em Portugal,


marcando a ascensão de um regime democrático que substituiu o governo
fascista do presidente Américo Tomás e do primeiro-ministro Marcelo Caetano,
já enfraquecido com a morte de Oliveira Salazar, que governou Portugal entre
1932 e 1970, quando morreu.

O novo governo empossado em 1974 reconhecia no ano seguinte as


independências das colônias, o que significou a desintegração do Império
Colonial Português.

Conseqüências da descolonização afro-asiática

A principal conseqüência do processo de descolonização afro-asiática foi a


criação de um novo bloco de países que juntamente com a América Latina
passaram a compor o Terceiro Mundo.

Essa denominação deve-se ao fato de que os países originados a partir desses


processos de independência acabaram por manter vínculos de dependência
econômica com os países capitalistas desenvolvidos (Primeiro Mundo) ou com
países socialistas desenvolvidos (Segundo Mundo).
Descoberta e Colonização

A África do Sul foi “descoberta” por Bartolomeu Dias que, em 1488, aportou à Ilha Robben, ao largo da

atual Cidade do Cabo, na sua abortada viagem para a Índia. A ilha foi, durante muitos anos, utilizada por

navegadores portugueses, ingleses e holandeses como posto de reabastecimento. Nessa época, a região

era habitada por povos Khoisan, Xhosa, Zulu entre outros; em 1591 um grupo de Khoikhoi, cansados das

práticas comerciais desleais dos europeus, atacou a Ilha Robben. Como não tinham nada que superasse

as armas de fogo dos europeus, foram derrotados e deixados na ilha sem comida, nem água. Estes foram

os primeiros prisioneiros da Ilha Robben.

[editar]Colonização Holandesa
Em 6 de Abril de 1652, Jan Van Riebeeck, da Companhia Holandesa das Índias Orientais, promoveu

a colonização da região e fundou a Cidade do Cabo no extremo sul do continente, no sopé da Montanha

da Mesa.

Durante os séculos XVII e XVIII, a Colônia do Cabo viu chegar e instalarem-se calvinistas, principalmente

dos Países Baixos, mas também da Alemanha, França, Escócia e doutros lugares da Europa. Estes

calvinistas não conseguiram "disciplinar" os khoisan para as suas atividades agrícolas e quase os

exterminaram nas guerras da fronteira do Cabo, também conhecidas como Guerras dos Xhosa

ou Guerras dos Cafres. Então, começaram a importar escravos da Indonésia, de Madagáscar e da Índia.

Os descendentes destes escravos e dos colonos passaram a ser mais tarde conhecidos como "malaios

do Cabo" ("Cape Coloureds" ou "Cape Malays"), chegando a constituir cerca de 50% da população da

província do Cabo Ocidental.

[editar]Colonização Britânica
Os ingleses ocuparam a Cidade do Cabo em 1795, durante a Guerra Anglo-Holandesa. Depois de breve

período de domínio holandês entre 1803 e 1806, a cidade tornou-se capital da colónia britânica do Cabo.

Com a abolição da escravatura em 1835, levantou-se uma disputa sobre a compensação que o governo

britânico devia dar aos colonos pela libertação dos escravos.

Muitos destes colonos de ascendência não-inglesa começaram a explorar e colonizar o interior da África,

num movimento que ficou conhecido como “The Great Trek” (a grande viagem), os que partiam nessas

migrações passaram a ser conhecidos como “Voortrekkers” - os “Viajantes” -, e fundaram as suas

próprias repúblicas, o “Estado Livre de Orange” (“Orange Free State”, actualmente uma das províncias

da África do Sul) e o “Transvaal” (a “terra para além do rio Vaal”) que, em 1857 se auto-

proclamou República Sul-Africana. A incursão Voortrekker para a zona costeira do Natal foi repelida

pelos Zulus comandados porDingane (irmão, herdeiro e, mais tarde, responsável pela morte de Shaka). O

império Zulu foi mais tarde conquistado pelos britânicos na Guerra Anglo-Zulu
[editar]As Guerras Boers
A descoberta de diamantes em 1867 e de ouro, em 1886 aumentou a riqueza dos colonos, que

continuavam a imigrar para a África do Sul e intensificou a sujeição dos nativos. Os boers (ou bôeres)

resistiram aos britânicos na Primeira Guerra dos Bôeres (1880-81) e uma das razões foi o facto destes

colonos usarem fardamento cáqui, que é da cor da terra, enquanto os britânicos usavam uniformes de cor

vermelha, tornando-os alvos mais fáceis para os atiradores boers.

A Segunda Guerra dos Bôeres teve a oposição do Partido Liberal no parlamento britânico, que a

considerava, não só desnecessária, mas também um desperdício de fundos, mas as enormes reservas

de ouro e diamantes presentes nas Repúblicas Boers levaram os "Tories" a avançar com a guerra. A

tentativa dos boers de conseguirem apoio dos alemães do Sudoeste Africano deram aos britânicos mais

uma razão para controlar as Repúblicas Boers. Os britânicos mudaram de táctica, depois do fracasso do

"Jameson Raid", lançado contra o Transvaal a partir da vizinha Rodésia por forças irregulares alinhadas

com o rico comerciante de diamantes e Primeiro Ministro da Colónia do Cabo Cecil Rhodes. A Segunda

Guerra Boer deu-se entre 1899-1902, quando as tropas britânicas já não usavam os seus uniformes

vermelhos. Os boers resistiram com tácticas de guerrilha, usando o seu conhecimento superior da terra,

mas os britânicos venceram-nos pela força do número e pela possibilidade de organizar mais facilmente

os abastecimentos.

Os britânicos encarceraram grandes números de civis bôeres, junto com os seus trabalhadores negros,

sem alimentação suficiente, nem cuidados médicos e queimaram as quintas e as colheitas, num esforço

para estancar a guerrilha boer. Os guerrilheiros voltaram-se então contra as povoações dos nativos,

antagonizando-os e forçando os boers a lutar com eles, para além dos britânicos. Muitos afrikaners,

chamados pejorativamente "colaboracionistas" ("joiners") ou "derrotistas" ("hensoppers", em afrikaans, ou

"hands-uppers", em inglês) pelos outros afrikaners (os "bittereinders", em afrikaans, ou "bitter-enders", em

inglês, ou seja, "os que preferem o fim amargo"), pensaram que era altura de entrar num acordo com os

britânicos. Após prosseguirem com a resistência por mais um ano, os "bittereinders" finalmente

perceberam que a nação boer seria completamente destruída se eles persistissem e assinaram um

tratado de paz com os britânicos em Pretória, a 31 de Maio de 1902, o Tratado de Vereeniging.

[editar]Dominação Britânica
O Tratado de Vereeniging especificava que o governo britânico era soberano das repúblicas boers e

assumia a dívida de guerra de três milhões de libras dos governos afrikaners. Os súditos holandeses

ficavam com um estatuto legal especial, uma vez que o Africâner|afrikaans ainda não era reconhecido

como língua distinta. Outra provisão do tratado era que os negros não teriam o direito de voto, exceto na

Colónia do Cabo. A administração britânica ainda tentou a "anglicização" dos boers através da educação

obrigatória em inglês, mas o plano apenas resultou em ressentimento por parte dos boers e foi

abandonado quando os Liberais tomaram o poder na Grã-Bretanha, em 1906. Foi por volta desta altura

que o afrikaans foi reconhecido como uma língua distinta do holandês, embora não a tenha substituído

como língua oficial até 1926.


[editar]A União Sul-Africana e o Apartheid

Depois de quatro anos de negociações, a União Sul-Africana foi criada a 31 de Maio de 1910, incluindo

a Colónia do Cabo, a Colónia de Natal, a "Colónia do Rio Orange" (a república boer do "Estado Livre de

Orange" tinha sido assim renomeada quando da sua tomada pelos britânicos durante a Segunda Guerra

Boer), e o Transvaal, exatamente 8 anos depois do fim da Segunda Guerra Boer, com o estatuto

de Domínio do Império Britânico. Este foi o primeiro passo para a independência da África do Sul que, no

entanto, só teve lugar 51 anos mais tarde.

Embora o sistema colonial fosse essencialmente um regime racista, foi nesta fase que se começaram a

forjar as bases legais para o regime do apartheid. Por exemplo, na própria constituição da União, embora

fosse considerada uma república unitária, com um único governo, apenas no Cabo os não-brancos que

fossem proprietários tinham direito ao voto, porque os “estados-membros”, que passavam a ser

considerados Províncias, mantinham alguma autonomia.

Uma das primeiras leis adoptadas foi o "Regulamento do Trabalho Indígena" ("The Native Labour
Regulation Act", em inglês) de 1911, segundo a qual era considerado um crime - apenas para os

"africanos", ou seja, os "não-brancos", a quebra dum contrato de trabalho. Ainda no mesmo ano, foi

promulgada a "Lei da Igreja Reformista Holandesa" ("The Dutch Reformed Church Act"), que proíbia os

negros de se tornarem membros de pleno direito daquela igreja.

Mais importante ainda foi a "Lei da Terra" ("Natives Land Act") de 1913, que dividiu a África do Sul em

áreas onde só negros ou brancos podiam ter a posse da terra: os negros, que constituíam dois terços da

população, ficaram com direito a 7,5 % da terra, enquanto os brancos, que eram apenas um quinto da

população, ficaram com direito a 92,5 % da terra; os mestiços ("coloured") não tinham direito à posse da

terra. Esta lei determinava igualmente que os "africanos" só poderiam viver fora das suas terras quando

empregados dos brancos. Passou também a ser ilegal a prática usual de ter rendeiros negros nas

plantações.

A primeira vez em que se encontra registada a palavra "apartheid" foi em 1917, num discurso de Jan

Smuts, que se tornou Primeiro Ministro em 1919 (o primeiro tinha sido Louis Botha).

Estes dois políticos tinham fundado o Partido Sul-Africano, em 1910, que governou a União até serem

derrotados por Barry Hertzog do Partido Nacional, em 1924. Em 1934 os dois partidos uniram-se para

formar oPartido Unido, tentando a reconciliação entre os afrikaners e os brancos de origem inglesa. Este

partido governou a União Sul-Africana até 1948, mas a partir de 1939, sob a direcção de Jan Smuts, uma

vez que Hertzog, que era de origem alemã, entrou em contradição com aqueles que defendiam a

participação da África do Sul na Segunda Guerra Mundial ao lado dos britânicos.

O Partido Nacional, no entanto, tinha sido mantido à revelia do Partido Unido por afrikaners de linha dura,

recuperou o poder em 1948, sob a liderança de Daniel François Malan e manteve-o até 1994, quando foi

derrotado pelo ANC.


Foi neste período que o apartheid se desenvolveu mais, com novas leis, como a "Lei da Proibição dos

Casamentos Mistos", de 1991. Pouco tempo depois, os negros, que só podiam viver nas cidades como

empregados, tinham de mostrar um "passe" sob risco de serem presos, só podiam entrar em

determinadas lojas e as próprias casas-de-banho público eram para raças separadas.

Principais países, líderes, movimentos e partidos africanos.

Fonte: www.memorial.rs.gov.br

Bandeira da República democrática do Congo

O Congo Belga é hoje a República Democrática do Congo, antigo Zaire. Essa região ocupa
grande parte da África Central. Uma das maiores florestas tropicais do mundo ocupa grande
parte do seu território, que também é cortado pelo rio Congo.
Sua origem está ligada a formação dos Reinos do Congo e da Baluba pelos pigmeus e bantos.
Foram os belgas os primeiros a fundar entrepostos comercias no rio Congo, através do
explorador Henry Stanley.Na Conferência de Berlim, em 1885, que dividiu a África entre as
potências européias, Leopoldo II recebe o território como possessão pessoal. Em 1908, o
Estado Livre do Congo deixa de ser propriedade da Coroa e torna-se colônia da Bélgica,
chamada Congo Belga. De 1918 a 1939 a colônia viveu um período de prosperidade
econômica.
O movimento nacionalista tem início nos anos 50 sob liderança de Patrice Lumumba. Depois
de 4 anos de efervescência nacionalista, o Congo belga tornou-se independente com o nome
de República do Congo (o adjetivo Democrática só surgiu em 1964). Lumumba assume o
cargo de primeiro-ministro e Joseph Kasavubu, a Presidência. A maioria dos colonos europeus
deixa o país. Em julho de 1960 eclode uma rebelião contra Lumumba, liderada por Moise
Tshombe. Antes do final do ano, Kasavubu afasta Lumumba do cargo de primeiro-ministro
num golpe de Estado. Lumumba é seqüestrado e assassinado em janeiro de 1961. Tropas de
diversos países (incluindo o Brasil) são enviadas pela ONU para restabelecer a ordem, o que
ocorre em 1963, com a fuga de Tshombe. As tropas da ONU retiram-se em junho de 1964.
Dias depois ocorre uma reviravolta: Tshombe regressa e assume a presidência com apoio da
Bélgica e dos EUA. Em novembro de 1965, ele é derrubado num golpe liderado por Mobutu
Joseph Désiré.
Aqui está um depoimento de um enviado das tropas da ONU:

"O DC-10 belga aterrou no aeroporto N'Djli; no estacionamento, dois gigantescos aviões
cargueiros C-191 do Military Air Transport, da Força Aérea dos Estados Unidos. Placas nos
prédios avisavam da proibição de fotos.
Ainda na escada o Major é recebido por um Ministro da FNLA e nos dirigimos para a sala VIP,
onde somos apresentados a outros membros da Frente de Libertação. Éramos os precursores
do grupo, vínhamos preparar sua chegada e os angolanos não escondiam o quanto
esperavam de nós.
Em minutos nossa bagagem é liberada sem passar pêlos demorados trâmites legais e levam-
nos para o Intercontinental, o melhor hotel do Zaire, onde, confundidos como guarda-costas
do major fomos alojados no apartamento ao lado do seu, após o ocupante anterior ser
delicadamente transferido para outro!
Da janela vejo o rio Congo, preguiçoso e inteiramente coberto de plantas aquáticas, a
contornar o hotel. Na outra margem, o para nós incómodo Congo-Brazaville, que apoia o
MPLA.
Ocupamos o tempo de espera dividindo-o entre a piscina e os dois bares do Inter. Cinco dias
passados e chega a primeira leva, sob o comando do Capitão Valdemar, assessorado pelo
Alferes Esteves.
Haviam sido secretamente transportados de Salisbury para a Base Aérea de Gwelo, no
interior da Rhodésia e ali embarcaram num velho mas sempre eficiente C-47 pilotado por
belgas. Atravessaram a proibida Zâmbia e escalaram em Lumumbashi, ex-Elizabethville,
onde dormiram, seguindo finalmente para o aeroporto de N'Djli onde os esperávamos.
Maldizendo a sacolejante viagem rasante através das montanhas, subiram apressados para
as Kombis (made in Brazil) da FNLA e foram levados para o Hotel Matonguê, nos arredores.
Entrei no C-47 com alguns sacos vazios e transportei para..."

Desde então, o país tem passado por uma séri de conflitos e guerras civis que trouxeram
fome e pobreza para a população. Em 2003, foi assinado um acordo de paz entre as facções
rebeldes para um governo de união nacional.
Bandeira do Congo Belga

Fotos do início da colonização Belga:

Descolonização da Argélia

A Argélia é obrigada a enfrentar uma guerra prolongada de libertação em virtude


da resistência dos colonos franceses (apelidados na metrópole de pieds noirs, ou
pés pretos), que dominam as melhores terras. Em 1947, a França estende a
cidadania francesa aos argelinos e permite o acesso dos muçulmanos aos postos
governamentais, mas os franceses da Argélia resistem a qualquer concessão aos
nativos. Nesse mesmo ano é fundada a Frente de Libertação Nacional (FLN), para
organizar a luta pela independência. Uma campanha de atentados antiárabes
(1950-1953) desencadeada por colonos direitistas, tem como reação da FLN uma
onda de atentados nas cidades e guerra de guerrilha no campo. Em 1958, rebeldes
exilados fundam no Cairo um governo provisório republicano. A intervenção de
tropas de elite da metrópole (Legião Estrangeira e pára-quedistas) amplia a guerra.
Ações terroristas, tortura e deportações caracterizam a ação militar da França. Os
nacionalistas e oficiais ultradireitistas dão um golpe militar na Argélia em 1958. No
ano seguinte o presidente francês, Charles de Gaulle, concede autodeterminação
aos argelinos. Mas a guerra se intensifica em 1961, pela entrada em ação da
organização terrorista de direita OAS (Organização do Exército Secreto),
comandada pelo general Salan, um dos protagonistas do golpe de 1958. Ao
terrorismo da OAS a FLN responde com mais terrorismo. Nesse mesmo ano
fracassam as negociações franco-argelinas, por discordâncias em torno do
aproveitamento do petróleo descoberto em 1945. Em 1962 é acertado o Armistício
de Evian, com o reconhecimento da independência argelina pela França em troca de
garantias aos franceses na Argélia. A República Popular Democrática da Argélia é
proclamada após eleições em que a FLN apresenta-se como partido único. Ben Bella
torna-se presidente.

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